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Hipnoterapia Dave Elman Manual de Hipnose e Hipnoterapia Tradução livre de: Amílcar Sá Nogueira 2 Hipnoterapia Introdução Durante a minha carreira como hipnoterapeuta e professor de hipnose clinica, tenho ouvido e observado muitos dos mais distintos experts no campo da hipnose. Sinto amiúde que muito desses experts focam os seus esforços no ensino teórico e analítico e virtualmente ignoram as técnicas e os princípios subjacentes que capacitam o praticante de rapidamente desenvolver as suas habilidades em usar facilmente a hipnose. Então eu ouvi Dave Elman no trabalho! Em agosto de 1956, logo após eu ter aberto o “ Hypnotism Institute” em Los Angeles, um dos meus estudantes emprestou- me uma fita-cassete de uma das aulas de Elman para médicos. Apenas alguns minutos de audição tiveram um efeito electrizante sobre mim. Eu soube imediatamente que Dave Elman tinha “A FEBRE!” “ A febre” é um termo que eu uso para descrever a qualidade da emoção que amadurece, numa intensa dedicação e duradoura devoção do uso da hipnose, como uma modalidade importante de tratamento. Quando tinha oito anos, Dave viu o seu pai assolado pela dor de um cancro terminal. Um famoso hipnotista de palco apercebeu-se da situação, e visitou-o. E em apenas alguns minutos de tratamento hipnótico os lamentos e os gemidos foram silenciados e a dor foi aliviada. O pequeno Dave foi autorizado a visitar e brincar com o seu pai. Dave Elman nunca esqueceu que, foi dado o alívio ao seu pai por um hipnotista de palco, após os médicos terem dito que não havia maneira de aliviar o seu sofrimento. Enquanto jovem, Elman trabalhou brevemente como hipnotista de palco, e foi durante este período que desenvolveu as técnicas de indução rápida que mais tarde fizeram os seus ensinamentos tão extraordinários! Nos anos que se seguiram, Elman tornou-se um escritor bem-sucedido, director e produtor de emissão de programas de rádio, e ensinou estes assuntos na Universidade de Colômbia. Ele tinha quarenta e nove anos quando tomou a decisão de mudar a sua profissão e tornou-se uma autoridade no ensino da hipnose. Ele reuniu-se com médicos especialistas, pesquisou a literatura disponível e desenvolveu o Dave Elman Course in Clinical Hypnosis. Apesar de Elman não ter nenhuma graduação avançada nem formação científica, ele restringiu a participação para médicos e dentistas. A sua reputação rapidamente espalhou-se e logo fez dele o mais conhecido e bem-sucedido professor de hipnotismo da América. Nos dezassete anos seguintes, ele ensinou o curso dele para milhares de profissionais em todas as grandes cidades nos Estados Unidos. Este livro, originalmente intitulado “Descobertas na Hipnose”, é o somatório das teorias e técnicas de Elman. Foi o primeiro manual usado nos seus cursos e tornou- se uma obra clássica da literatura do Hipnotismo. Neste grande trabalho, Elman desnuda o palavreado académico e pretensioso, criando uma apresentação enérgica e dinâmica da hipnose, como uma ferramenta ultra-rápida e incrivelmente eficaz para uma gama muito ampla de terapias. Sua atenção detalhada á semântica e na inflexão de voz, e a sua capacidade única para gerar a expectativa mental, formam o pano de 3 Hipnoterapia fundo para a sua incrível eficácia com quase cem por cento dos seus sujeitos pacientes. Elman deixou-nos apenas um livro e o conjunto de 40 horas de gravações feitas nas suas aulas. Os ensinamentos de Elman têm sido uma força esclarecedora e um legado enriquecedor para mim. E espero que, você também possa ganhar essa " febre", e que a sua emoção e o seu entusiasmo ajudem a manter viva a obra de: DAVE ELMAN “Mestre Hipnotista” 4 Hipnoterapia Gil Boyne, Director Hypnotism Training Institute of Los Angeles, CA Dec.15, 1977 Hipnoterapia Dave Elman Westood Publishing Co. Glendale, CA. 5 Hipnoterapia Conteúdo Equívocos, Razões e Origens ....................................................................... 6 Capítulo 1: Minhas primeiras descobertas importantes ........................... 12 Capítulo 2: Por que é que eu comecei a ensinar hipnose .......................... 21 Capítulo 3: Como estudar hipnose ............................................................ 25 Capítulo 4: Factos interessantes sobre hipnose ....................................... 29 Capítulo 5: Técnica do aperto-de-mão ...................................................... 31 Capítulo 6: Instruções preliminares Abordagem ao paciente .................... 40 Capítulo 7: O método “Dois-dedos olhos-fechados” ................................. 44 Capítulo 8: Hipnose como adjuvante da anestesia química ...................... 51 Capítulo 9: Incontáveis Métodos de Indução ............................................ 56 Capítulo 10: Hipnose em vigília e sugestões em vigília ............................. 62 Capítulo 11: Aplicações da Hipnose em Vigília ......................................... 73 Capítulo 12: O sonambulismo e a composição de sugestões .................... 81 Capítulo 13: O estado Esdaile ................................................................... 96 Capítulo 14: Condicionamento para o parto Hipnótico e Cirurgia ........... 110 Capítulo 15: A hipnose na odontologia ................................................... 115 Capítulo 16: A Tartamudez (gaguez) ...................................................... 121 Capítulo 17: A Obesidade ....................................................................... 134 Capítulo 18: Fobias e medos mórbidos ................................................... 146 Capítulo 19: Alergias .............................................................................. 169 Capítulo 20: Depressões ......................................................................... 178 Capítulo 21: Revisão, prática e aplicação da hipnoanálise ..................... 186 Capítulo 22: A hipnose ligada ao sono. Sono-hipnótico.(hipnosono) ...... 211 Capítulo 23: Perguntas que os médicos fazem frequentemente. ............ 229 6 Hipnoterapia Introdução Equívocos, Razões e Origens Apesar dos esforços dos escritores e investigadores científicos, a hipnose tem a capa do misticismo vestida há séculos. O próprio termo hipnose, derivado da palavra de raiz Grega que significa sono, é enganador. A hipnose está relacionada ao sono como a noite para o dia – e não é mais parecido do que a noite é como o dia! Se você deixar de lado todas as noções pré-concebidas e examinar clinicamente a hipnose, vai descobrir que não se parece, ou se comporta como pensou que seria. A maneira como se “comporta” faz deste fenómeno uma ferramenta médica tremendamente valiosa, embora os equívocos continuadamente dificultem ou impedem totalmente o seu uso. O conhecimento deste potencial uso para curas, e os danos causados por mal- entendidos e a desinformação impeliram-me francamente a escrever este livro. Irei detalhar mais os meus motivos no primeiro capítulo, mas desejo enfatizar a necessidade imediata para o conhecimento hipnótico, e a pesquisa imparcial, se a medicina quiser aproveitar essa grande força correctiva, que é o poder da mente humana. É meu propósito neste texto transmitir dados valiosos aos médicos, e também estender a compreensão da hipnose aos leigos interessados. Este é o único meio para remover a capa mística. Você não irá encontrar nenhuma terminologia vernácula, ou expressão esotérica aqui introduzida. Eu tenho ensinado hipnose aos médicos há muitos anos, e encontrei muitos deles que parecem pensar que podem tornar-se hipnotistas especialistas após apenas algumas aulas e sessões práticas. Uma vez quenão existe tal coisa como o hipnotizador isso é obviamente impossível! Como praticante empregando esta ferramenta, tudo o que você alguma vez fará, é mostrar ao paciente como passar a barreira de normalmente acordado ou do estado de sono, ao peculiar estado mental conhecido como hipnose. Você não vai hipnotiza-lo; ele vai hipnotizar-se a si mesmo. Isso quer dizer que aqueles de nós que usam as sugestões não exercem poder algum sobre nenhum paciente. Isso significa que não há nada que eu faça, que você não possa fazer na hipnose. Um termo mais preciso exacto para hipnotista é operador hipnótico! Como operador você ensina ao sujeito, como alcançar o estado de transe ─ou outros estados sobre os quais falaremos mais tarde─ e depois, se o sujeito estiver disposto, você estimula a sua imaginação, actuando por assim dizer, como um “piloto de sonho” É agradável saber que você pode pilotar a imaginação de quase qualquer um, estimulando mais agradavelmente os pensamentos mais intensos do que é geralmente considerado possível. Mas repetindo, não confunda esta habilidade de pilotar com poder; Eu sublinhei as palavras se o sujeito estiver disposto porque é imperativo o seu consentimento. Você não pode transmitir a sugestão a menos que o sujeito esteja disposto a aceita-las. Todo o tempo e em todos os estados de hipnose, o sujeito detêm o poder de selectividade. Portanto ele reage apenas às sugestões que sejam razoáveis e prazerosas para ele. Talvez você já tenha visto demostrações nas quais o sujeito actua fazendo palhaçadas extravagantes; a verdade é que aquele sujeito escolheu 7 Hipnoterapia fazer aquelas palhaçadas. Houve sem dúvida, vezes em sua vida, que você experienciou sonhos extravagantes. O comportamento estranho que você possa ter testemunhado da parte da pessoa hipnotizada, foi apenas similar a um sonho induzido pelo operador, pelo “piloto do sonho”. E estranho ou não, parecia razoável e prazeroso para o sujeito ou ele teria rejeitado as sugestões. A maioria dos livros modernos de hipnose, sublinha que o sujeito está em rapport com o hipnotizador. Como regra eles negligenciam em adicionar que ele também está em rapport consigo mesmo, para que possa dar a ele mesmo auto- sugestões, e com o mundo inteiro. Portanto o sujeito pode facilmente aceitar sugestões razoáveis e prazerosas de outras pessoas além do operador, a menos que o operador tenha implantado primeiro, uma sugestão negativa a tais sugestões. Também tenha em mente o facto de que só porque o sujeito está passível de receber sugestões, ele não vai deixar qualquer um controlar. Eu repito que em todos os estados de hipnose, o sujeito está no controle e pode seleccionar as sugestões que ele vai aceitar. Se surgir a crise de uma sugestão indesejada, o sujeito vai querer despertar sozinho do estado de transe, ou continuará, porém simplesmente recusar-se-á a agir de acordo com a sugestão. Sob hipnose, uma pessoa tem mais controlo do que apenas a sua selectividade ou da sua força de vontade; ela tem controlo sobre todas as suas faculdades excepto uma. Ela pode ouvir, ver, sentir, cheirar, provar, falar. Embora as vezes possa parecer inconsciente, ela está completamente consciente e pode cooperar. A única excepção ao seu controlo é naquilo que eu chamo a faculdade crítica. Se você der uma sugestão que agrade e que pareça emocionalmente e moralmente razoável para ela, ela aceitará, apesar do facto de que, em situação normal ela talvez possa considerar uma sugestão impossível. Por exemplo, você pode sugestionar anestesia, apagar a dor sem agentes químicos. Ou você pode induzir á uma recordação ou recuar até uma idade precoce, digamos três anos, ou ainda até quando o sujeito tem poucas memórias. Regredindo o paciente durante a hipnoanálise você pode levar o processo mental, um passo adiante induzindo a ab-reacção; isso é, o reviver da experiencia do passado em vez de uma mera recordação. A suspensão da faculdade crítica, não contradiz a afirmação de que o paciente está no controlo completo de si mesmo e tem total selectividade; ele aceita tal sugestão porque é agradável e é boa para ele. Mas a sua faculdade crítica ─a descrença de que essas fantásticas façanhas são possíveis─ é contornada na hipnose. Para dizer de outra forma, na hipnose o corpo e a mente são igualmente susceptíveis, operando como uma unidade harmoniosa. A hipnose tem efeito no inconsciente assim como na mente consciente, e também no sistema nervoso autónomo. Quando você conduz a pessoa até ao estado de sugestibilidade e fornece para ela sonhos agradáveis, as sensações dela ao “despertar” serão tão físicas quanto mentais. Tendo havido uma experiência prazerosa, ela vai sentir-se refrescada e revigorada. Não obstante estas verdades generalizadas, cada individuo reage diferentemente sob sugestão. Para usar hipnose com sucesso, você tem que estar 8 Hipnoterapia habilitado a responder a uma variedade de reacções, portanto, o seu conhecimento do fenómeno deverá ser profundo. Se um médico vai ajudar um paciente, este não deverá deixar-se ser apanhado de surpresa. Ninguém pode aprender verdadeiramente hipnose por mera observação. Você deve experienciar por você mesmo para saber o quão diferente é das descrições que geralmente você encontra nos livros. Você irá descobrir como a hipnose é um estado prazeroso, e quanto mais souber mais vai desejar experimentar, assim como ser capaz de hipnotizar-se. Porque não existe essa coisa de não ser hipnotizável. Uma vez que a selectividade prevalece durante o estado hipnótico, e que o instinto de auto preservação não deixa que o sujeito aceite nenhuma sugestão prejudicial para si, nunca ninguém foi magoado pela hipnose! Têm sido formuladas inúmeras hipóteses sobre o efeito de induzir um sujeito a magoar a si mesmo, conscientemente ou inconscientemente, ou até ser “enganado” para cometer algum crime. No entanto não existe nenhum registo como tal tenha acontecido. Nós temos conduzido centenas de testes, e em todos os casos uma de duas coisas aconteceu quando foi feita uma sugestão impropria: Ou o sujeito rejeita a sugestão, ou termina completamente o estado de transe. Eu repito este facto porque isso é muito importante para a aceitação da hipnose como ferramenta médica valiosa e segura. Os três requisitos necessários para a hipnose são 1) O consentimento do sujeito; 2) A comunicação entre operador e sujeito e, 3) Livre de medos ou relutância da parte do sujeito em confiar no operador. Sendo estes os únicos requisitos, é óbvio que estes autores estão errados quando dizem que alguma técnica em particular ─fixação por exemplo─ é a única maneira confiável de induzir ao transe. Na realidade, não existe limite no número de técnicas que podem ser usadas para desencadear a resposta desejada; talvez até você possa dizer que não existe maneira na qual não possa hipnotizar uma pessoa, uma vez que saiba como utilizar sugestões. Como pode ser visto no acima exposto ─cada um dos itens será tratado com detalhe, em lugar apropriado neste livro─ existe uma grande dose de desinformação no que tem sido escrito sobre hipnose.Com vista nisso, eu sinto que devo responder aqui as questões que o leitor possa ter, como, as minhas qualificações para escrever acerca deste assunto e a base para o meu interesse nisso. A primeira questão felizmente é fácil de responder. Eu tenho ensinado hipnose aos homens da medicina ─médicos, dentistas, podólogos─ há mais de uma dúzia de anos. Eu não tenho formação médica, e por isso não prescrevo tratamentos aos pacientes, apesar de a pedido de médicos e com o médico presente, eu tenha hipnotizado milhares de pacientes e ajudado com instrumentação ferramentas hipnóticas como hipnoanálise e anestesia geral profunda. Tenho feito palestras para membros de staffs de hospitais e também palestrado para muitos milhares de médicos privados.Eu ajudei na demonstração de partos sem anestesia química para um filme de medicina. Entre os meus estudantes melhores sucedidos, há muitos eminentes doutores, incluindo líderes de várias sociedades médicas estatais. 9 Hipnoterapia A segunda questão ─a base do meu verdadeiro interesse neste assunto─ não pode ser respondida num único parágrafo. Tenho tido um intenso envolvimento com o assunto desde tenra idade, e isso provavelmente aconteceu quando eu tinha cerca de 6 anos de idade. Meu pai que era estudante de hipnose nessa altura já me falava muito acerca disso. Então um dia ele levou-me a visitar uma família que vivia há uns quarteirões de nós ─Em Fargo, Norte de Dakota─. Uma jovem moça dessa família que tinha gagueira pronunciada profunda, mas quando o meu pai a hipnotizava a gagueira dela sumia. Depois quando terminava o transe, a dificuldade dela em falar voltava imediatamente. O meu interesse na hipnose fora despertado, embora isso não tenha sido muito mais tarde, quando eu aprendi como corrigir a gagueira permanentemente por meio da sugestão. Um incidente ainda mais importante ocorreu em 1908, quando eu tinha oito anos de idade e meu pai tinha quarenta e dois. Ele tornou-se conhecido de um dos grandes hipnotistas da época, um mestre e artista que tinha reputação de realizar façanhas surpreendentes. Esse homem soube que meu pai estava a morrer com câncer e que sofria com dores intensas. Ele veio a nossa casa, foi ao quarto do doente e em poucos minutos aliviou-o da dor. Não foi permitido que eu permanecesse dentro do quarto até então, depois do hipnotista sair fui autorizado a entrar. Um pouco antes disso eu tinha estado sentado junto a porta e tinha ouvido o meu pai a gemer com dores, agora eu entro e ele brinca comigo. Foi a ultima vez que ele brincou comigo, mas até onde eu sabia ele ficava absolutamente livre de dores por algum tempo após visita dos hipnotistas. Ele morreu algumas semanas mais tarde. Entretanto eu nunca esqueci que antes da sua morte foi-lhe dado o alívio que não era considerado possível pelos seus médicos. Claro que não entendi naquela altura que mais outros usos médicos a hipnose tinha, mas o meu interesse no assunto permaneceu, e tornou-se profundo. Logo em seguida, presenciei uma actuação dada pelo mesmo hipnotista, e ele permitiu que eu o auxiliasse. Ele disse aos sujeitos no palco que eu iria apertar a mão a cada um deles, e quando eu assim fizesse eles entrariam num estado profundo de hipnose. Eu apertei as mãos deles…e funcionou! Logo após tentei produzir o mesmo efeito, sem sucesso claro, na minha mãe, nos meus irmãos e irmãs, meus colegas de escola. No início, não entendia o meu falhanço, mas comecei a ler todos os livros sobre o assunto, que pude encontrar nas bibliotecas. O único ponto em que todos esses livros pareciam estar de acordo era que a fixação podia ser usada com fiabilidade para hipnotizar: você tem que ter o sujeito a olhar fixamente para uma lâmpada ou objecto brilhante, os autores instruíam que por um período contínuo que durava de três minutos á duas horas para se poder alcançar o estado. Uma vez que nem o meu pai nem o hipnotista tinham usado uma luz, esta afirmação dogmática deixou-me confuso. Eu próprio tentei olhar fixamente uma luz, mas apenas fiz uma importante descoberta: Olhar uma luz durante uma hora pode ser bastante aborrecido. Toda a luz alcançada foi para cansar meus olhos. Talvez, pensei eu, isso seja necessário para uma rápida e profunda hipnose. Então perguntei ao meu médico dos olhos acerca disso. Ele explicou que o olho humano vê em “leaps and 10 Hipnoterapia darts” ─movimentos horizontais/verticais/oblíquos e focagem/zoom─ etc. E se você impedir que os olhos sigam esse hábito natural “leaps and darts”, os músculos depressa se cansam. Como demonstração, ele colocou sua mão acima dos meus olhos e muito próximo da testa; depois ele baixou sua mão devagar instruindo-me para eu continuar olhando, assim fiz. No momento em que estava sob meu queixo, apercebi- me que meus olhos estavam sonolentos. Agora eu sei como cansar rapidamente os olhos das pessoas sem usar a fixação. Isso, eu acredito, que foi o nascimento do condicionamento rápido em hipnose. Com a adopção desta demonstração do médico, como parte da minha técnica, eu poderia fazer em alguns segundos o que a fixação de luz fazia em duas ou três horas. Você vai descobrir que esta técnica de baixar a mão acelera consistentemente a indução hipnótica. Eu comecei a ter muito sucesso, nas minhas tentativas de hipnotizar amigos adultos assim como crianças. Não desisti de ir experimentando até, que durante a minha adolescência o pai de uma garota com quem eu saía, disse-me para não voltar mais. Ele tinha ouvido que o sujeito hipnotizado poderia ser seduzido pelo operador. Eu calculei que essa pequena desinformação poderia tornar-me no rapaz menos popular em Fargo, por isso deixei a hipnose de lado e não voltei a isso durante muitos anos. No entanto eu já aprendera alguns factos valiosos que não eram do conhecimento geral. A hipnose poderia ser usada para aliviar dores crónicas. Isso poderia ser feito quase instantaneamente. O maior obstáculo em alcançar esse estado era o medo…mesmo um medo abaixo do nível consciente. Ainda hoje, alguns manuais afirmam que um há percentual de pessoas que não são hipnotizáveis. Quando a verdade é que remover o medo permite que qualquer pessoa possa ser hipnotizada. As outras descobertas descritas acima podem igualmente não ser encontradas nos escritos dos especialistas. Quando em adulto voltei ao assunto, tentei ir aprendendo...mantendo a mesma atitude e mente aberta às experiencias, não aceitando teorias ou dogmas sem o suporte de fortes evidencias clinicas. Tal atitude, eu acredito ser essencial para qualquer um que deseje participar no melhoramento da arte da medicina. Talvez eu esteja apenas reformulando o velho ditado de que a “experiencia é a melhor professora”. De qualquer forma eu insisto para que meus estudantes aprendam vendo e fazendo, em vez de apenas ouvir palestras ou a ler teorias infundadas. Tenho tentado incorporar o mesmo princípio para a escrita deste livro. Na discussão de determinada técnica dada, descoberta, teoria ou aplicação de hipnose, haverá pelo menos um excerto ─normalmente mais─ de gravação de uma sessão hipnótica envolvendo o operador, o paciente e médicos participantes. Claro que confidências e identidades foram salvaguardadas e ligeiramente editadas onde a ética assim ditava. Alguns materiais estranhos que de vez em quando se introduziram na gravação fita ─entradas, saídas de médicos na audiência, tosse, declarações de endereços e nomes, interrupções, etc.─ foram removidos, aos participantes era permitido falar como falavam. Se alguma pessoa usou algum coloquialismo ou um pouco de má gramática, só nessa situação foi mudado, sendo chamado para clarificar o significado. Afinal de contas, a personalidade de uma pessoa, emoções e respostas são expressadas nas palavras que realmente usa, não em termos técnicos ou alterações gramaticais. 11 Hipnoterapia Descrições enquadradas de acções não-verbais ou comunicações ─tais como *o acenar da cabeça do paciente...a recusa em responder... ou começa a sorrir... ou tosse... ou abre os olhos+ e idênticas─ estão incluídas na forma de indicações de palco. Isso é feito em primeiro lugar, por uma questão de clareza, e em segundo ─e mais importante─ porque a observação das reacções é vital para o sucesso na aplicação médica da hipnose. Tendo feito as observações introdutórias que eu penso serem importantes para o estudo adequado do assunto, já é tempo para iniciar descobrindo sobre a hipnose. Tenho apenas um comentário a acrescentar antes do lançamento do próprio estudo: Meus sinceros agradecimentos aos milhares de médicos que foram meus alunos. Assim como eu fui professordeles, eles também me ensinaram. 12 Hipnoterapia Capítulo 1: Minhas primeiras descobertas importantes Eu ensinei hipnose para homens de todos os ramos da medicina. Naturalmente, eu usei muito material didáctico, incluindo abundantes esboços e anotações, mas eu nunca me apoiei em nenhum manual. A ideia de escrever um livro de minha autoria sobre o assunto foi-me sugerida pelos médicos, dentistas e podólogos. Finalmente eu agora estou a agir sob sugestão. Por quê? Uma explicação pode ser encontrada em duas comunicações que recebi, enquanto recuperava de uma doença grave. A primeira delas foi um telegrama que veio de longe da Califórnia. Era de alguém que eu não conhecia, alguém que nunca tinha estudado comigo. E lia-se: Você vai ensinar em Los Angeles em breve? Sou psiquiatra. O que você sugere? Sinceramente.” A segunda foi a carta de um médico de outro campo. Ele vive em Detroit e é um ex-aluno meu. Ele tinha estudado comigo cerca de sete anos antes. Ele escreveu em parte: Estou certo de que nenhum dos médicos em Detroit dos que foram seus formandos tinha conhecimento de que você estaria doente, por seu nome ser frequentemente mencionado com carinho por todos os seus ex-alunos ─e bastava apenas um saber─, estou certo de que nós todos teríamos ouvido falar acerca disso...Todos têm a esperança de que quando você estiver completamente recuperado, Detroit esteja no seu itinerário. Estamos ansiosos para vê-lo...Comprei tudo que você gravou, de maneira que os meus rapazes terão acesso ao máximo possível do seu trabalho nos anos que virão…Eu sei qual a visão percepção que você me deu sobre a mente humana, e lamento de que não esteja assegurado que eles venham a ter a mesma vantagem, Dave. Se o seu curso deixar esta terra consigo, isso será uma grande tragédia. Muito sincero.” Naturalmente, estas duas comunicações juntas com muitas outras de idêntica natureza, afectaram-me profundamente. Estes amigos, o conhecido e o desconhecido, merecem consideração. Assim também como todos os praticantes de medicina que trabalham no duro para aliviarem sofrimentos. Assim também como os seus pacientes. Se de alguma maneira o meu conhecimento poder ajudar, então este livro terá servido uma boa causa. Primeiro, quero deixar claro minhas limitações nas discussões sobre temas médicos: Eu não sou doutorado. Não existe nenhuma graduação titulo a seguir ao meu nome. Sendo leigo eu não reclamo nenhum conhecimento de medicina. No entanto, várias centenas de médicos têm sido meus estudantes. As circunstâncias têm-me permitido trabalhar com literalmente milhares de médicos, dentistas e podólogos. Eu comecei a ensinar á médicos o uso profissional da hipnose há muitos anos atrás, e deixei bem claro para cada médico que assistia minhas aulas que não tenho nenhum conhecimento de medicina; tudo que eu poderia ensinar para eles era a hipnose profissional, e uma vez sabendo o que se poderia fazer com a hipnose, eles teriam que 13 Hipnoterapia juntar seus próprios conhecimentos com o que eu ensinaria por forma a criar algo de útil proveitoso. Ainda hoje é esse o caso. Aquilo que ofereço aqui não é uma investigação da medicina, mas a história das minhas descobertas na hipnose. O meu trabalho com os homens da medicina permitiu-me fazer importantes pesquisas. Não muito depois de eu iniciar o ensino, os médicos começaram a pedir para ajuda-los com pacientes que não tinham patologias orgânicas, mas, que ainda assim estavam muito doentes. Não havia explicação médica para as suas doenças. Deixem- me dar um exemplo que conduziu á uma descoberta importante. Foi em 1950 que um psiquiatra de uma das minhas turmas falou-me acerca de uma mulher, sua paciente, que sofria com dores severas de natureza inexplicável. Foram feitos todos os testes médicos, e esses testes mostravam que a paciente estava de boa saúde. Porém a dor era intensa, e o psiquiatra estava “perdido” na ajuda. Poderia a hipnose revelar a causa dessa condição? Pedi ao psiquiatra para trazer essa mulher para minha casa, e eu veria o que poderia ser feito. Interroguei-a demoradamente e fiquei a saber que ela não tinha consciência de ter tido tal dor até a altura de uma intervenção que fizera á vesícula biliar. A dor tinha começado quase imediatamente a seguir à intervenção cirúrgica, ainda assim, ela tinha recuperado com alguma facilidade. Prossegui colocando a paciente num estado hipnótico conhecido como sonambulismo, e percebi que suas declarações eram verdadeiras. Não tinha havido dor comparável àquela antes da operação. Minha investigação apenas confirmava aquilo que o psiquiatra já me tinha falado. O psiquiatra perguntou-me se eu estaria disposto em trabalhar com a mesma paciente no seu consultório. Eu concordei em faze-lo. Quando eu cheguei, ele estava ocupado com outro caso e perguntou se eu poderia iniciar com a paciente enquanto aguardava por ele. Ele deixou a sala e a paciente prontamente acedeu ao estado de sonambulismo. Nós cobrimos grande parte do mesmo chão, demos os mesmos passos, até que ocorreu-me que se a dor começou apenas depois da operação, a sua causa poderia ser a operação em si. Mas a paciente tinha sido anestesiada profundamente durante a cirurgia. Como poderia eu saber o que havia acontecido naquela sala de cirurgia? Decidi colocar a mulher num estado de hipnose muito mais profundo. Eu chamo a esse estado de Hipnosono. Pesquisas recentes confirmaram que de facto esse é considerado o estado de hipnose mais profundo possível. E foi neste profundo estado de hipnose que eu tive a paciente a reviver as suas experiências, de como foi sendo levada para sala de operações. Mais perguntas revelaram que ela poderia reviver revivenciar a operação inteira, dizendo exactamente o que ocorreu na sala de operações enquanto estava aparentemente inconsciente e perdido o sentido de audição. Ela conseguia dizer exactamente o que o anestesista, o cirurgião e o seu assistente disseram, mesmo depois da anestesia química ter surtido efeito. Uma das coisas que ela terá ouvido e que parecia afecta-la violentamente na ab-reacção ─o reviver revivenciar da 14 Hipnoterapia experiencia─ foi o que o cirurgião terá dito após efectuar a incisão expondo a vesícula biliar a vista. Ele havia comentado “Olha para esta vesícula biliar…Ela jamais será a mesma depois disto!” Perguntei á paciente o quê que aquela afirmação significava para ela e ela respondeu, “Eu penso que isso significa que já não serei bem uma mulher depois da operação. “Eu expliquei a ela que o doutor realmente quis fazer uma afirmação de encorajamento, mas teve o infortúnio de usar as palavras erradas, e que a dor de que ela padecia iria diminuir ─e antes da visita terminar a dor desvaneceu-se completamente─. Agora ela estava livre de dor pela primeira vez desde a operação. Os relatórios subsequentes do psiquiatra eram no sentido de que a paciente estava indo lindamente. Nunca me ocorreu de que um paciente pudesse reviver o que havia sucedido durante uma anestesia completa geral. Tal como qualquer um, nessa altura eu também pensava que esses pacientes não podiam ouvir nem lembrar o que se passava a volta deles. Ora, inadvertidamente, eu tinha tropeçado num facto surpreendente. Aqui, foi a paciente que, não só conseguiu ouvir sob anestesia química, como pode reviver revivenciar todas as coisas que aconteceram ao seu redor durante a operação. Eu decidi ver se era possível fazer isso com outros pacientes. Talvez muitas das “doenças inexplicáveis” tenham sido causadas por comentários indiscretos feitos por um cirurgião, anestesista ou enfermeira durante a cirurgia. Eu induzi outros pacientes a reviverem as suas operações sob hipnose e a darem-me os detalhes. Para minha surpresa pessoas após pessoas foram capazes de me dar informações das quais aparentemente não tinham no nívelconsciente, e após verificação com médicos, descobri que essas informações seriam absolutamente precisas correctas. Então depois passei essa descoberta para os meus estudantes, todos eles médicos, com a sugestão de que quando tratassem um paciente com doença de origem desconhecida após cirurgia, eles deveriam procurar pela causa na sala de operações. Depois que obtive relatórios suficientes de médicos que foram capazes de duplicar o que eu tinha feito, comecei a aludir referir na sala de aulas que os médicos e seus assistentes deveriam ser cuidadosos com o que falavam apesar do paciente estar inconsciente e aparentemente incapacitado de ouvi-los. Também me ocorreu que, se o paciente pode ser influenciado por afirmações infelizes negativas nas salas de operações, este também poderia ser influenciado por afirmações boas positivas, enquanto estivesse em anestesia profunda. Isto tornou possível a subsequente descoberta importante: Ao paciente poderia ser dada a sugestão de manter a anestesia mesmo depois do efeito da anestesia química ter terminado, tornando assim mais fácil a recuperação. Este foi o meu primeiro achado importante no uso da hipnose; e tem sido substanciado comprovado por muito muitos cirurgiões e psiquiatras. Interessantemente, eu fiquei a saber que há alguns anos um médico da Costa Oeste tinha iniciado experiências na mesma linha e fez descobertas semelhantes. Esse doutor não foi meu aluno, e não nos conhecíamos até há dois anos atrás. Ele enviou- me vários e interessantes documentos que têm sido publicados em jornais de 15 Hipnoterapia medicina, confirmando outra vez que um paciente consegue ouvir enquanto está sob anestesia profunda. A esse respeito, recordo de um incidente que foi gravado em fita na sala de aulas. Isso aconteceu em San Antonio, Texas. Eu tinha dado essa informação aos meus estudantes quando um dos médicos na aula discordou veementemente comigo, mas admitiu que se o que eu disse é possível, então isso foi uma contribuição importante para o conhecimento da medicina. Ele comentou que há alguns anos antes tinha sofrido uma grande intervenção cirúrgica, e não tinha a menor lembrança do que se passou após a anestesia que lhe foi dada. Perguntei se ele gostaria de “reviver” e saber exactamente o que aconteceu. Ele disse que gostaria de experimentar, mas que não acreditaria em nada do que viesse disso. Coloquei-o no estado o qual chamo hipno- sono e fi-lo reviver a operação com detalhes. Durante a ab-reacção, ele exclamou: “Então foi por isso que eles fizeram uma incisão tão longa”. Depois de o despertar do estado, o balanço da sessão foi gasto discutindo a operação deste médico, entre as coisas que ele não sabia antes da hipnose, e as coisas que agora sabia e entendia. Ele era o mais entusiástico. Ele enviou a fita da gravação que fizera, ao doutor da Costa Oeste que estava a fazer pesquisas nessa área, e foi então que a fita da gravação foi enviada para mim. Encontrará uma transcrição desta hipnoanalise, mais a frente num capítulo deste livro, quando discutirmos uma fase da hipnose conhecida como hipno- sono. Isso será provavelmente muitos anos antes dos médicos no mundo inteiro aceitarem o facto de que, os pacientes sob anestesia completa geral mantêm o sentido da audição e que a mente está funcional ainda que seja num nível abaixo do nível consciente. No entanto foram escritos alguns artigos por médicos de alto renome que justificam esses factos; os quais foram provados em mais de duzentos casos. Quando a actividade mental sob anestesia for aceite, isso conduzir-nos-á á mais valiosas descobertas. Visto que a mente funciona num nível abaixo da atenção consciente quando o paciente está inconsciente, é razoável colocar a seguinte questão: “Há alguma possibilidade de que uma pessoa que é feita inconsciente por um acidente ou qualquer outro meio, ainda mantenha seu sentido de audição, e que a mente da vítima ainda esteja a trabalhar mesmo que a consciência esteja abaixo do nível consciente”? Creio que são aconselhadas mais pesquisas embora eu não faça nenhuma exigência neste livro de que seja esse o caso! Antes de descrever um segundo achado importante que fiz através da hipnose, vale a pena mencionar que os incidentes na sala de aula foram registados com precisão enquanto decorriam. Por muitos anos minha esposa, que era especialista em taquigrafia estenografia, transcreveu cada palavra falada na aula. Mais tarde, começamos a gravar as aulas sessões. Dessa maneira pude rever cada sessão em privado, apreender o que os doutores precisavam saber acerca da hipnose por forma a usarem efectivamente. A técnica também me permitiu detectar algum engano que eu possa ter cometido nos ensinamentos e corrigi-los durante a aula seguinte. Vamos agora ao segundo importante achado efectuado pouco depois que comecei a ensinar aos médicos o uso profissional da hipnose. Uma noite, um médico industrial que frequentava as aulas anunciou com grande entusiasmo que em vinte e quatro horas, tinha aliviado da impotência, dois 16 Hipnoterapia pacientes masculinos. Os outros médicos da aula, ficaram pendidos a zombar do que ele anunciara. Continuando, ele insistiu que já tinha ajudado dois homens. Aqui está o que disse: “Tinha havido um pequeno acidente na fábrica e estava a tratar as lesões de uma das vítimas. Quando ele estava a sair do escritório, disse-me, “Quem me dera que você tratasse do meu real problema tão bem como tratou dessas pequenas coisas.” Eu perguntei que problema real era o dele, e ele respondeu, “impotência e tenho isso há muitos anos.” Perguntei como isso começou e ele disse-me que começara após as suas primeiras férias longe de sua esposa. Ele tinha ido para Florida e enquanto lá esteve, teve relações com uma mulher desconhecida e contraiu gonorreia. Foi a um médico e rapidamente ficou curado, mas ficou com tal sentimento de culpa que não teve coração coragem para voltar para casa em New Jersey. Passaram-se dez semanas após o doutor dizer que estava curado, antes de ele conseguir coragem suficiente para voltar á sua casa. Quando o fez foi incapaz de retomar as relações familiares sexuais. Ele tem tido um casamento muito infeliz desde então. “Hipnotizei o homem e disse que ele já tinha punido a ele próprio tempo suficiente, enfatizei que por se punir, ele também puniu a sua esposa e destruiu um casamento feliz; que dai em diante ele cessaria de se punir e que achar-se-ia bastante capaz de retomar as relações familiares sexuais naquela mesma noite. Depois trouxe-o para fora do estado de sonambulismo, e dei-lhe um pouco mais de encorajamento e mandei-o embora.” Na manhã seguinte ele veio ao meu consultório, trazendo outro amigo da fábrica com ele. Ele disse. “Doutor, isso funcionou tão bem para mim, talvez você possa ajudar meu amigo ele tem o mesmo problema, e tem-no há algum tempo. ”Inquiri o segundo homem para que me contasse os seus problemas, e ele disse-me. “Casei-me há alguns anos atrás. Tenho quarenta e cinco anos e fui casar com uma moça de vinte e um anos. Na nossa noite de casamento, meus amigos começaram a brincar comigo. Eles disseram que eu não conseguiria “fazer bem” ser activo com uma moça de vinte e um anos e que eu era um velho fanfarrão e não conseguiria ser realmente um marido para uma moça que tem metade de minha idade. Eu devo ter acreditado neles porque estamos casados há mais de quatro anos e ainda não consumamos o nosso casamento.” “ Coloquei o segundo paciente em sonambulismo e fui sobre para a sua história outra vez, e depois disse-lhe que seria tão potente como qualquer um para o resto da sua vida e que seria capaz de consumar o seu casamento imediatamente. Despertei-o do estado, falei para ele um pouco mais sobre o assunto, e ele informou-me que foi capaz, que a condição fora completamente corrigida e que o casamento fora consumado.” O doutorcontou bem a história. De facto tão bem, que os outros médicos mudaram a sua atitude e perguntaram sobre o que eu sabia acerca de usar hipnose para correcção de impotência. Eu disse a eles que sabia muito pouco acerca disso, mas se houve sucesso nesse dois casos, talvez fossemos bem-sucedido em muitos mais casos. Aconselhei-os á experimentarem e verem. Eles experimentaram nos casos em que todas as patologias tinham sido descartadas. Pouco depois os médicos começaram a relatar os sucessos, eles notaram que enquanto alguns casos de impotência eram causados pelo uso de certos medicamentos, por patologias, ou 17 Hipnoterapia cirurgia, cerca de noventa por cento de toda a impotência tinha base emocional. Nesses casos em que o distúrbio emocional era o culpado, eles tiveram sucesso muitas vezes. Ocasionalmente, entretanto, tocava o telefone e um médico poderia dizer qualquer coisa como isso, “Funcionou em dois casos, mas não funcionou nada com o terceiro homem em quem experimentei. O que eu poderei ter feito de errado?” Disse a esses médicos que eu não tinha a mais pequena ideia do que eles haviam feito de errado, e que não eu sabia porque é que com alguns funcionava e com outros não. Então começaram a perguntar se eu poderia ir aos seus consultórios ver se conseguiria descobrir por que é que eles tinham falhado ocasionalmente. Essas chamadas as vezes chegavam as três ou quatro num dia. Quando fui aos consultórios dos médicos e observei-os a trabalharem, rapidamente os motivos das falhas tornaram-se evidentes. Eles eram bem-sucedidos em quase todos os casos onde os pacientes sabiam a causa da impotência ao nível consciente. Como os casos já mencionados. Não foram tão bem-sucedidos quando o paciente foi incapaz de enunciar ao médico a causa. Por meio da hipnoanálise, quando foram determinadas as causas da impotência, e uma vez descoberta; os problemas dos pacientes podiam ser prontamente serenados. Os resultados foram espectaculares. Rapidamente estava a trabalhar com mais casos de impotência do que os que podia lidar trabalhar, de cada vez que um médico tivesse um insucesso eu seria chamado para fazer hipnoanálise. Penso que foi menos de um ano depois que um dos médicos na aula perguntou; ”Se as técnicas de hipnose parecem funcionar tão bem nos problemas de impotência, porque é que não funcionariam igualmente tão bem com a frigidez quando não havia presença de alguma patologia? Frigidez, claro, é a equivalente congénere no feminino do problema masculino.” Eles deram a ideia de um teste, e começaram a chegar chamadas de médicos entusiasmados com dizendo que eles têm sido capazes de corrigir frigidez por meio de técnicas hipnóticas. Quando faziam esses relatórios nas aulas, sempre havia um ou dois médicos que poderiam dizer, “ Bem, talvez vocês tenham sido bem-sucedidos, mas eu não fui. Experimentei e não funcionou. O que fiz de errado?” Foi fácil verificar que a mesma situação existia na frigidez como existia na impotência: Sempre que o paciente soubesse da causa da frigidez no nível consciente, era tornava-se bastante fácil de aliviar atenuar; mas quando o paciente foi incapaz de indicar a causa, os médicos falharam. Novamente, a hipnoanálise era a resposta. Foi iniciada uma longa série de hipnoanálises em mulheres e os resultados foram gratificantes. Fomos capazes de descobrir a causa da frigidez, dar a paciente a percepção do problema, depois traze-la para fora do estado — hipnótico-- e discuti-lo exaustivamente completamente. Umas após outra, estas mulheres puderam relatar que já não tinham mais preocupações problemas com a frigidez. Posso seguramente dizer que nos primeiros quatro ou cinco anos de ensino nunca falhei na correcção de um caso de impotência. Contudo os resultados não foram tão consistentes com casos de frigidez, e eu creio firmemente que o motivo para a minha inabilidade em alcançar resultados espectaculares foi a natural reserva 18 Hipnoterapia retraimento das mulheres. Um homem revelará os seus problemas sexuais a outro homem. Mas uma mulher modesta, mesmo percebendo isso ou não, frequentemente retém informação vital que os médicos precisam para ajuda-la. Quando uma médica está a trabalhar com casos de frigidez, ela sabe como que é a mulher irá falar dos seus problemas e portanto torna a recuperação da frigidez fácil de aliviar atenuar. Isso tem sido corroborado por muitos relatórios que tive de médicas. Há um médico em particular que me disse muito seriamente, “Eu costumava pensar que era um médico de clinica geral. Agora descobri que meu tempo é ocupado dia e noite com problemas de frigidez e que o que você me ensinou capacitou-me a bater alcançar uma grande percentagem de sucesso.” Os médicos podem muito bem guiar-se por estes achados descobertas; nomeadamente, que após ter sido descartada a patologia, existem apenas dois tipos de impotência e apenas dois tipos de frigidez. Tipo A é quando a causa da impotência ou frigidez é conhecida ao nível do consciente, e tipo B é quando a causa da impotência ou frigidez não é conhecida ao nível do consciente mas é retida na mente abaixo do nível de consciência. * * * É minha crença que estas descobertas, e outras que irei relatar, podem muito bem ser utilizadas por médicos que leiam este livro. O entusiasmo do público por artigos sobre medicina mostra que tais conclusões são também interessantes para os leigos. Portanto vou descrever e documentar na íntegra. Entre as chamadas por ajuda que recebi dos meus estudantes ─médicos e dentistas─, uma foi particularmente interessante: Esta foi a situação conforme me foi revelada por telefone por um obstetra: “ Tenho uma paciente no hospital que está em estado catatónico há mais ou menos setenta e duas horas. A mulher está grávida. Ela está sentada na cama e nenhum de nós parece capaz de “chegar até ela.” Vários psiquiatras já foram chamados e depois da consulta eles decidiram que o único tratamento médico que iria ajudar seria a terapia de choque. A Madre Superiora do hospital é violentamente contra a terapia de choque neste caso, porque ela tem impressão de que se for dado um determinado número de tratamentos de choques, a mulher irá abortar. Por isso ela não permitirá terapia de choque neste caso. Existe alguma coisa que você possa fazer para ajudar esta paciente?” Naturalmente, eu lembrei ao obstetra que eu não era médico, e que não era suposto trabalhar num hospital. Ele disse, “Dave isto é uma emergência e os psiquiatras pediram-me para o chamar. Está sendo dada a você, permissão para trabalhar com esta paciente no hospital sob minha direcção e dos psiquiatras. Estaremos aqui consigo” Eu nem sabia se conseguiria ajudar a paciente, mas certamente estava disposto a tentar uma vez que isso seria feito sob supervisão medica. Foi-me mostrada a cédula relatório hospitalar da paciente; eu não entendi nada, mas o obstetra explicou-me o que os registos da cédula relatório revelavam. Ele também apresentou-me á vários dos psiquiatras. Depois, o obstetra e um casal de psiquiatras levaram-me para dentro do quarto onde a paciente estava sentada 19 Hipnoterapia erecta na cama. Ela estava imóvel ao olhar fixamente a parede em frente, sem mover um músculo, e nem sequer virou a cabeça quando me aproximei da cama dela. Fiquei em silêncio por um momento, sem saber o que fazer. Então disse para ela, “Você deve ter tido um enorme problema que lhe deixou assim num estado tão terrível “Ainda hoje lembro-me que foi tudo o que eu disse a ela, mas, disse-o com uma voz bastante complacente. Ela rodou lentamente a cabeça na minha direcção e disse, “Eu tenho.” Então começou a chorar. Perguntei-lhe “Você quer me dizer que problema é esse? Talvez eu possa ajudar.” Ela disse, “Eu não acho que alguém me possa ajudar” e simplesmente continuou a chorar. Eu disse, ”Se vocêsimplesmente seguir minhas instruções, talvez fique mais fácil para você falar e dizer-me o que é que lhe está a incomodar. Você estaria disposta a seguir as minhas instruções?” No meio de lágrimas, ela disse, ”Farei qualquer coisa se você puder ajudar-me.” Coloquei-a em hipnose e depois obtive esta história surpreendente dela. Parecia que ela era a mãe de uma criança com três ou quatro anos. O marido dela era veterano da Segunda Guerra Mundial que trabalhava de noite, chegando á casa cerca das 2:00 de madrugada. Quando ele estava no exército tinha sido dado a ele uma licença muito curta antes de ser enviado para o exterior. E foi nessa noite que ela ficou grávida de sua primeira criança. O marido estava no exterior quando a criança nasceu. Depois que a guerra acabou e ele voltou para casa. Ele começou a provocar a esposa, dizendo “Você tem a certeza que que sou o pai?” Ele talvez tenha falado isso a zombar, mas a mulher nunca esteve certa se realmente estava a brincar ou se quis mesmo dizer o que disse. Eles viveram felizes por muitos anos, durante os quais sempre que ele tivesse bebido trazia á tona o assunto outra vez. Então ela ficou grávida a segunda vez, e depois que se passaram alguns meses foi ao obstetra para confirmar a gravidez. Quando o obstetra disse que realmente estava grávida ela ficou muito feliz. Ela foi para casa com intenção de dar a boa noticia ao marido. Aguardando o marido em casa que vinha do trabalho às 2:00 AM, ela esperou por ele no entanto, ele apenas veio as 5:00 da manhã. Ele tinha bebido e estava bastante alterado. Antes de falar da gravidez, ela perguntou-lhe sobre o que o teria ocupado até tão tarde, e ele respondeu-lhe,” Hoje fui ao médico e ele deu-me algumas notícias horríveis, O médico disse-me que eu não só era impotente mas também estéril.” Agora a pobre mulher tinha um grande dilema. O que ele iria dizer acerca do segundo bebé? E foi quando ela ficou tão perturbada emocionalmente que baixou no hospital em estado catatónico. Com hipnose profunda, eu obtive os seus pensamentos. E eles eram algo como isso: “Se ele era impotente e estéril, como que diabos eu fiquei grávida? Ele é o único homem com quem estive. O que meu marido vai dizer quando descobrir que estou grávida?” O obstetra e eu fizemos o melhor para apazigua-la, dissemos que falaríamos com o marido dela. Quando a emergimos da hipnose ela já não estava catatónica, mas continuava uma mulher muito perturbada. O médico entrou em contacto com o marido dela, e nessa noite minha esposa, eu e o obstetra conhecemos o marido dela em casa do médico. O doutor questionou-o acerca da impotência e esterilidade, querendo saber que médico havia dado esse diagnóstico 20 Hipnoterapia e quando. O marido riu e disse, “Eu, não sou impotente nem estéril. Nenhum médico disse isso. Eu embebedei-me e estive fora até tarde e pensei que seria um álibi engraçado, então concebi isso a caminho de casa.” O médico e eu ficamos espantados. Então o médico lançou-se ao marido, e falou-lhe que esse tipo de coisas não era engraçado e dos danos que isso tinha sido. Nessa altura, o marido estava chateado e continuou a protestar dizendo que tinha estado a zombar da mesma maneira como havia troçado todos estes anos acerca do seu primeiro bebé, sabendo muito bem que o bebé era seu. Então o médico disse, “Vou levar-lhe ao hospital e você vai contar a verdadeira história para sua esposa, e eu vou estar lá para o ouvir falar.” Resultado: A mulher ficou bem e mais tarde deu a luz um bebé saudável. Este incidente ilustrou outro achado importante, tão importante como simples: Há momentos em que uma palavra gentil chegará melhor á um paciente, enquanto todas as outras formas de terapia falharam. 21 Hipnoterapia Capítulo 2: Por que é que eu comecei a ensinar hipnose Ao escrever este livro, é meu anseio fazer mais do que entreter. É meu desejo ensinar, tornar conhecidos certos achados. Estou confiante de que os médicos entre vocês, após lerem acerca das minhas observações, testarão sua validade através da pesquisa clinica, e assim provarão a verdade das minhas teorias. Se eu conseguir ter você a considerar este livro como informativo, como texto digno de estudo, eu terei cumprido o meu propósito. Tenho frequentemente constatado que ensinar ─É a oferenda de perspectivas que permitem a um aluno assimilar, armazenar e usar conhecimento ─é melhor realizado pela narrativa das experiencias de professores. Pode bem ser, por conseguinte, para completar a sua introdução às minhas descobertas, recontando algumas das minhas mais recentes experiencias. Eu nunca contei a história completa de como aconteceu de eu voltar para a prática da hipnose depois de abandona-la durante a minha juventude por aquilo que foram razões socialmente estratégicas. Pois embora tenha desistido da hipnose aos catorze anos, eu fui estudar o assunto. A noite eu costumava ficar acordado analisar o que eu havia feito com hipnose. Eu perguntava-me porquê que eu tinha sido capaz de fazer acontecer certas coisas que aparentemente antes ninguém tinha pensado fazer. Eu ficava a imaginar o que tornou essas coisas bem-sucedidas Foi mais ou menos nessa altura que tornei-me “viciado em palco” Sou extrovertido por natureza, e gosto do sentimento sensação de estar diante de audiência a fazer alguma coisa para surpreender as pessoas. Se eu não podia fazer com hipnose, de alguma forma eu iria fazer. E assim tornei-me performer. Sendo um amante da música, comecei a escrever canções que nunca se tornaram populares. Quando uma dessas canções foi finalmente aceite por W.C.Handy (músico de blues), vim para Nova Iorque a pensar que sobre a sua tutela eu poderia tornar-me num famoso escritor de canções. Eu iniciei a trabalhar com ele como promotor de canções, promovendo não só suas canções mas também as minhas. Casualmente, eu consegui um trabalho como escritor, performer artista e produtor de rádio para a CBS e em breve era bastante bem-sucedido. Não tinha de depender da hipnose para ganhar a vida, e não mencionei meu conhecimento para ninguém. Em 1937, eu concebi a ideia para um show de rádio chamado Dave Elman Hobby Lobby O sucesso do show foi instantâneo. Em 1941, eu mudei de patrocinadores. Colgate-Palmolive-Peet Company, compraram o show, e estávamos a fazer preparações para a primeira performance. O director do show disse-me, “Temos que fazer esse primeiro show sensacional. Qual era o Hobby mais sensacional que poderíamos colocar no ar?” Eu disse-lhe que tinha recebido há pouco uma carta de um tipógrafo de Filadélfia alegando que seu hobby era hipnotismo e que se ofereceu para ir ao ar e hipnotizar as pessoas que estariam sentadas noutra sala. “Se ele pode faze-lo,” comentou o director, “Ele fará um spot sensacional para o show da abertura.” O homem chegou de Filadélfia, e eu coloquei-o nuns testes exaustivos. Este homem sabia muito do assunto hipnose, porém ele não se apercebeu que estava 22 Hipnoterapia sendo testado por alguém que também entendia do assunto. Ele cumpriu o teste lindamente, e eu estava consideravelmente impressionado por ele. A única coisa que me preocupava era que ele havia dito que levaria pelo menos entre três á seis minutos para cumprir o desafio, e eu senti que se ele levasse mais de três minutos haveria um spot terrivelmente aborrecido no show. Eu dei-lhe uma audição teste onde ele provou que conseguiria realizar o feito em três minutos. Isso incrementou consideravelmente o meu respeito por ele. Colocámo-lo no ar e a aceitação em todo país foi fantástica. Á performance ganhou o “premio Variety”, por ter sido o show de rádio mais dramático de 1941. Nessa altura minha esposa trabalhava como minha secretaria, e claro que observou o meu trabalho com o hipnotista. Ela disse-me “ Você mostrou ao hipnotista o que fazer, certo? Penso que você sabemuito mais sobre o assunto do que finge saber.” De repente o meu conhecimento tornou-se uma ajuda ao invés de um obstáculo. Daí em diante, ocasionalmente fazia demonstrações hipnóticas, para caridade ou por uma taxa nominal preço simbólico. Um dia eu integrei hipnose num show para uma bem conhecida organização fraternal em Passaic, New Jersey. A demonstração foi muitíssimo bem-sucedida. Estavam lá muitos médicos nessa noite e alguns deles perguntaram se poderiam falar comigo. A essência da conversa foi no sentido de que estes homens haviam estudado hipnose e estavam a tentar usar isso na prática médica e odontológica, porém sem sucesso nenhum. Eles voluntariaram-se a informar que alguns dos meus sujeitos eram pacientes com quem eles haviam tentado e falhado alcançar o estado de hipnose. Eles perguntaram.” O que você sabe sobre hipnose que nós não sabemos?” Eu respondi, Aparentemente nós estudamos o assunto a partir de ângulos diferentes. Se vocês tivessem estudado como eu tive de estudar, vocês seriam tão bem-sucedidos como eu sou.” Um dos médicos perguntou se eu estaria disposto a ensinar-lhes. Nunca tendo ensinado, eu estava relutante; não tinha a mais leve ideia do que eles deveriam aprender. Alguns médicos foram muito persistentes, e rápido descobri que sempre que eu fizesse uma aparição pública em New Jersey, um ou mais deles estavam no encontro. Eles procuravam-me e perguntavam, “ Quando é que vai começar a ensinar- nos hipnose?” Eu estava entre patrocinadores e tinha muito tempo em mãos. Fiquei a imaginar se conseguiria escrever um curso sobre o assunto que pudesse habilitar os médicos no uso de hipnose numa base profissional como eu usava. Um destes médicos, um cirurgião oral que até já faleceu, disse-me um dia,”Sr. Elman, um grupo de dentistas em Newark, New Jersey, está estudando hipnose. Gostaria de lá ir apenas para ver o que está a ser ensinado a esses homens?” Acompanhei-o até a reunião aula e fiquei completamente estupefacto na má- informação que estava a ser dada a estes homens sinceros. O professor era um bom cavalheiro e um professor sincero. Ele apenas não conhecia o assunto sobre qual estava a ensinar. Então agora, a má-informação é transmitida como evangelho em muitas palestras de hipnose. Se essa era a maneira como médicos e dentistas estavam a ser ensinados acerca do assunto, eu decidi que alguma coisa deveria ser feita. 23 Hipnoterapia Fui para casa e preparei um curso de hipnose para as profissões de médico e odontologista o qual eu tenho ensinado desde então. Pela procura do progresso da medicina, vamos pôr esse ensinamento em uso. Quando eu afirmo que toda agente tem sido colocada no limite da hipnose milhares de vezes e que toda a gente já se hipnotizou vezes e vezes sem ter conhecimento disso, a reacção é geralmente de consternação. Eu consigo entender a descrença que muita gente terá relativamente a esta afirmação, mas vamos analisar algumas manifestações simples de hipnose. Pegue atente na pessoa que é supersticiosa. Essa pessoa pode acreditar firmemente que Sexta-feira treze é azarada. Ela está tão firmemente convicta que Sexta-feira treze é azarada, que adiará acordos de negócios, ou compromissos de lazer para evitar que estes se tornem desastrosos. O senso comum diz-nos que Sexta- feira treze é apenas igual a outro dia. Não há razão para a crença que esta data é diferente das outras. A pessoa que acredita que Sexta-feira treze é um dia azarado hipnotizou-se a si próprio, pois ele contornou a faculdade crítica da sua mente, isso é, o seu senso sentido de julgamento, e implantou, inconscientemente talvez, um processo de pensamento selectivo. A pessoa que leva um pé de coelho, acreditando ser um emblema símbolo da boa sorte, está na mesma categoria. Ela também, bypassou contornou o seu senso de julgamento e implantou o pensamento selectivo. Outras manifestações simples da hipnose, feitas no pressuposto de que a hipnose é meramente um estado mental, incluído cada bypass contorno da faculdade crítica e a implantação do pensamento selectivo. Os exemplos são quase incontáveis. Em vários estados, está a ser feita uma tentativa para banir a prática para outros que não sejam da profissão médica. Tais leis serão uma tentativa para controlar o pensamento das pessoas. Mesmo que entrem em vigor, elas não podem aplicadas porque não se pode colocar fora da lei o que vai na mente das pessoas. Por exemplo, uma pessoa envolvida num acidente, sentindo dor, que se sugestiona de que não tem dor. Isso é definitivamente hipnose. Alguma lei pode prevenir proibir isso? Ninguém hipnotizou a vítima do acidente, mas ela se hipnotizou sozinha. Quem poderá impedi- la? Há também a ideia boba de que o uso da hipnose deveria ser restringido aos psiquiatras. Quem vai proibir o médico ou o dentista de dar aos seus pacientes sugestões de bem-estar? Ele pode fazer isso de forma excelente sem o óbvio uso da hipnose, mas mesmo assim ele estará usando hipnose, e quem eventualmente pode impedi-lo? Quando você tenta ilegalizar a hipnose, você está tentando impedir ilegalizar uma terapia tão eficaz como a inoculação hipodérmica estéril! Os médicos gabam-se do uso da injecção hipodérmica estéril em termos elogiosos. Isto aplica-se até aos médicos que desconhecem a hipnose e eles insistem que não estão usando hipnose…No entanto a injecção hipodérmica estéril na verdade não contem qualquer medicamento real; é a própria sugestão do seu uso que ajuda o paciente e, ou a hipnose! “Em que mundo se pode ilegalizar os placebos? No entanto, ao ilegalizar a hipnose certamente deveremos incluir o placebo. Você é uma daquelas pessoas que pensa que nunca foram hipnotizadas? Possivelmente nunca se “permitiu” a ser hipnotizado. Se sim, está a funcionar na mais 24 Hipnoterapia completa ilusão! Não existe pessoa viva de inteligência normal e acima de dois anos de idade que não tenha sido hipnotizada, e se está com idade mais avançada, então você tem sido hipnotizado muitas vezes! Se duvida disso, é porque você não sabe o que é a hipnose. Alguma vez fechou os olhos e começou a sonhar? Talvez tenha visualizado algum acontecimento agradável prazeroso no qual você tenha participado há alguns anos atrás. Por exemplo, talvez tenha fechado os olhos e visualizado um local de férias adorável. Nessa sua lembrança você sabia muito bem que realmente não estava no lugar de férias, mas a cena era bastante vívida verídica aos olhos da sua mente. Se já fez isso, você não só se colocou no ponto inicial limiar de hipnose, bypassando contornando a sua faculdade crítica ─mas se disse para si “é mesmo como se realmente estivesse aí agora neste momento” e colocou-se mentalmente naquele sitio─ você estava hipnotizado! Não só bypassou contornou a sua faculdade crítica mas implantou o pensamento selectivo! Todo mundo provavelmente fez isso uma e outra vez. As vezes que os sonhos foram tão surpreendentes, que você se despertou. Você nem se apercebeu, mas também isso era hipnose! Você sabia que o sonho não era real, ainda assim pareceu bem real para si. Se enquanto você estivesse a dormir e a sonhar, e alguém lhe dissesse, “Agora você não vai sentir nada” você iria aceitar a sugestão e ficaria completamente anestesiado. Se estiver disposto a testar esta afirmação, ficará espantado, porque a experiencia será muito bem-sucedida. Muitos médicos que são adeptos do uso de hipnose, têm usado esta técnica simplificada e têm reportado ser bem-sucedidos com ela. Contudo tenha a certeza, que quando o teste for feito o paciente dorme profundamente, e que as palavras não o despertam do sono. Quando uma pessoa rejeita resiste a hipnose, quer dizer simplesmente que ela recusou o bypass contorno da sua faculdade crítica e desse modo faz com que seja impossível a implantação do pensamento selectivo! Não significa que ela não possa ser hipnotizada,ou que não será hipnotizada, mas simplesmente que recusou seguir as instruções! Se ela seguir verdadeiramente a instruções dadas, a hipnose é possível para ela tal como é para todos. Irá descobrir algumas vezes que a indução da hipnose anexada ligada ao sono é mais rápida e mais fácil que a indução quando o sujeito está acordado. Isso é porque o sujeito está “pré-relaxado” quando você começa! As técnicas, e as possibilidades, da hipnose anexada ligada ao sono, serão detalhadas num do capítulo com esse título. Mas é importante, entretanto, que tenha em mente os factos delineados acima, e como eles terão incidência nos seus estudos mais a frente. 25 Hipnoterapia Capítulo 3: Como estudar hipnose Eu iniciei meus ensinamentos com uma palestra: “Como estudar hipnose” Aqui está o que eu digo a cada Médico: Se você decidir levar este assunto para frente, você estará a dar do seu tempo e do seu esforço para aprender como usar uma ferramenta que pode ser de valor inestimável para si e para sua prática profissão! Você poderá aprender a usa-la correctamente se seguir as instruções…Primeiro e acima de tudo, faça o seu trabalho de casa! Fazendo-o não estará a jogar fora, o seu precioso tempo do escritório e de horas do hospital. Ao invés, isto dar-lhe-á tempo extra para incrementar a sua prática profissão e as suas horas de lazer, porque você estará habilitado a fazer mais em menos tempo com cada paciente. Portanto, assim que começar a praticar, limite o tempo de indução em um minuto para cada paciente. Quando você leva mais de um minuto para introduzir levar o sujeito ao relaxamento e ganhar alcançar o estado hipnótico, você está a perder tempo! É minha convicção que se a hipnose é para ter um lugar respeitável na medicina e ortodontia, deverá estar disponível ao médico quase instantaneamente! Se ele não poder usar hipnose numa base mais ou menos instantânea, então não tem valor prático na maioria dos consultórios médicos! É raro o médico que pode dar-se ao luxo em gastar de três minutos a duas horas na duvidosa assunção, de que talvez seja capaz de ser bem- sucedido em obter hipnose, se continuar a tentar o tempo suficiente. Então, no início use um minuto para cada paciente, mas um minuto apenas! Não leve gaste mais tempo que isso, e você nem deverá precisar esse minuto inteiro para alcançar o estado hipnótico. Por outro lado, não espere ter resultados perfeitos desde o princípio. Se você tem excelentes resultados nas suas primeiras tentativas, você está no entanto próximo de falhar embora mais tarde O melhor aluno é aquele que tem uma combinação de sucesso e de falhas enquanto aprende. É minha firme convicção, que neste assunto você aprende mais com as suas falhas do que com os seus sucessos! Se as suas primeiras dez tentativas forem bem-sucedidas e depois você falhar, isso poderá ser um duro golpe para o seu ego. Depois de uma experiência destas, um médico frequentemente encontra dificuldade para continuar a melhorar a sua técnica. Mas se você falha as primeiras duas ou três vezes e depois é bem-sucedido, e depois talvez falha outra vez, e consegue duas vezes e depois falha outra, e depois é bem-sucedido três, quatro ou cinco vezes, depois você chegará ao ponto onde não falha de todo. Você tornar-se-á um bom estudante. O homem que falha algumas vezes entre essas dez tentativas, vai progredir bem porque vai descobrir o que fez de errado! Se as instruções forem seguidas; ele tornar-se-á hábil em pouco tempo! A Falha em obter o estado hipnótico durante as primeiras tentativas é causada frequentemente por falta de confiança. O remédio…Tente outra vez! A medida que seus estudos continuam, e você aprende novos métodos, experimente cada novo método ensinado. 26 Hipnoterapia Não deixe que se forme o mau hábito de usar somente uma técnica. Há muitas mais para escolher. Conforme vai avançando, seleccione aquelas técnicas que pareçam mais naturais para si e que obtenham o estado hipnótico rapidamente e mais profundamente! Ocasionalmente, um médico irá dizer na segunda ou até na terceira sessão, ”Não Sr. Elman, ainda não comecei a praticar. Estou a espera de aprender mais sobre o assunto. Esta é a falsa desculpa mais usada no mundo, para a preguiça ou timidez, e o seu professor sabe disso. Você apenas pode aprender mais sobre o assunto, começando do início! Não pode começar do meio e ir nas duas direcções… É impossível! De cada vez que você se esforça para induzir o estado hipnótico em alguém, você está a adicionar conhecimento. Enquanto os estudantes tímidos ficam a espera para aprenderem mais, os seus colegas vão avançando rapidamente, aprendendo mais e mais acerca do assunto hipnose colocando em prática o que eles têm aprendido em cada uma das aulas, junto com o que aprenderam antes nos seus consultórios e no hospital. Cada paciente com quem você trabalha apresenta uma nova experiência, uma oportunidade para observar reacções individuais, uma possibilidade de corrigir os erros falhas que foi conseguindo detectar em induções anteriores. E o homem que aprende pela combinação de instrução e experiencia ─por outras palavras praticando─ alcança um sucesso muito maior que o homem que tenta aprender somente pela teoria! Há já alguns anos passados, um dos meus médicos estudantes foi ─para falar carinhosamente─ um praticante hesitante vacilante. Apesar dos meus avisos acerca dessa armadilha, ele continuou a adiar qualquer tentativa de colocar os meus ensinamentos em prática. Finalmente, durante a nona aula ele disse, “Sr. Elman, tenho um anúncio importante a fazer. Esta semana hipnotizei duas pessoas.” Por essa altura, cada homem na sala provavelmente já tinha hipnotizado algumas cem pessoas. E este homem ainda tinha de cometer os erros que eles já não cometeriam! Há certas coisas que você não deverá fazer, pelo menos no início. Depois de se passarem três ou quatro semanas, você pode esquecer estes nãos: Não tente hipnotizar sua esposa, os membros da sua família, ou amigos que conheça socialmente; estas pessoas sabem que você é estudante de hipnose e instintivamente colocar-lhe-ão objecções em tornarem-se suas cobaias. Não tente hipnotizar pessoas que o “desafiem” para coloca-las no estado hipnótico; hipnose é um estado de consentimento, e obviamente, a pessoa que o desafia não consente. Não tente provar o valor da hipnose a um céptico; neste estágio inicial você irá argumentar numa posição de fragilidade. Mais tarde, quando já souber o suficiente sobre hipnose, você já poderá debater de uma posição de força. É muito importante também, que você não trate do assunto da hipnose como brincadeira ou jogo de sala. Hipnose é um estudo científico quando é correctamente conduzida, e se você respeitar a hipnose como deve ser, você não a usará para truques de salão. Ela tem um enorme valor na medicina, deverá conceber usar dessa forma para que vocês ─e seus pacientes─ obtenham o máximo de benefícios dela. 27 Hipnoterapia Isso penso eu que é muito importante também: Não se precipite! Neste livro irei explicar as técnicas certas para usar tal como faço actualmente nas aulas. Não salte lições aulas nem tente técnicas mais avançadas. Não tente nenhum procedimento até que o tenha digerido completamente, não somente do texto mas preferencialmente com um professor capacitado. Pratique o que lhe tem sido ensinado em cada lição. Não vá depressa, e aprenderá mais de cada lição. Todas as fases do assunto estão tratadas de forma adequada para que você possa absorvê-las. Se você tentar passar a frente, estará no limite de incorrer em coisas que o deixarão perplexo e mistificado confundido. Como essas coisas foram abrangidas e explicadas, a perplexidade sai, e você entenderá mais integralmente o assunto e estará preparado para aquelas reacções que requerem um profundo conhecimento dareacção humana ao poder da sugestão. Uma vez na segunda sessão, perguntei aos meus estudantes pelos seus relatórios e toda a gente entregou-me o relatório excepto um homem. “Eu não redigi o meu trabalho de casa”, disse ele. ”Mas tenho um relato maravilhoso para fazer. Esta semana fui bem-sucedido em usar exclusivamente a hipnose no parto de uma mulher, funcionou lindamente! Perfeitamente, tive cem por cento de sucesso com isso!” Penso que ele esperava uma ovação. Mas ao invés ele ouviu estas palavras: Doutor, eu lamento imenso o que você fez. Com o seu conhecimento actual inadequado, se você teve um sucesso perfeito, isso foi um completo acidente. Você nem sabe porque teve sucesso, e quando tentar de novo irá falhar, porque você não tem conhecimento suficiente, para, nesta altura cuidar de uma mulher durante o parto. Depois você vai tentar uma terceira vez e falha, e por essa altura já você tentou quatro vezes e falhou, então você decidirá depois que a hipnose não é confiável e você não se fará um bom aluno de todo. Por outro lado, se você for seguindo o curso, quando eu lhe disser que agora está suficientemente bem equipado para fazer um parto, então você estará habilitado em ajudar, até certa medida pelo menos, toda a mulher que entre na sala de parto.” A hipnose pode ser usada em todos os pacientes que chegarem ao seu consultório, se não for por outra razão, que seja para relaxar o paciente. Não existe quem não beneficie do relaxamento, e até que você tenha aprendido a ir mais longe no assunto, o seu paciente deve ser ensinado dos benefícios do relaxamento e do alívio da ansiedade. Quando você começar a praticar, esforce-se para obter o estado de relaxamento em pelo menos dez dos seus pacientes, usando a abordagem do relaxamento e a “técnica do aperto de mão”. Enquanto faz isso, procure e identifique os sinais de hipnose. A hipnose dá tem cinco sinais. Esses sinais são subtis ténues, diminutos…que se não souberem o que procurar, os sinais poderão estar lá todos, sem que você descubra ao menos um deles. Contudo quando você aprende a hipnose você pode apontar distinguir todos os cinco a primeira vista. Aqui estão os cinco sinais da hipnose, cada um dos quais você tem que observar cuidadosamente: 1─Aumento do calor corporal, 2─Tremor das pálpebras, 3─Aumento 28 Hipnoterapia da lacrimação, 4─Os brancos dos olhos ficam rosados ou avermelhados, 5─Globos oculares revirados para cima dentro. Iremos a mais detalhes referentes a estes sinais, num capítulo mais adiante. Por ora, é simplesmente importante para você os ter em mente e memoriza-los assim será mais rápido reconhece-los quando eles ocorrerem. Um mau hábito pode mante-lo afastado de ser um perito e deixá-lo-á longe de ser um bom estudante. Comece a praticar a contenção metódica, eu avisei momentos atrás para não saltar passar a frente. 29 Hipnoterapia Capítulo 4: Factos interessantes sobre hipnose Tendo em vista os inúmeros volumes que têm sido escritos acerca da história da hipnose, seria inútil para mim, tentar uma aula de história neste livro. No entanto alguns destaques apontamentos históricos que têm tido efeito no ensino e aprendizagem do que faz a hipnose, têm um lugar aqui. Algumas centenas de anos atrás, um médico Vienense chamado F. A. Mesmer, viu um mágico de rua a actuar com uma pedra-ímã magnetites ou magnetos. O mágico declarou que conseguia fazer com que um espectador cumprisse as suas ordens tocando-o com um desses magnetos. E ele realizou uma demonstração provando que de facto conseguia fazer isso. O segredo era o poder da sugestão, claro. Mesmer acreditou que os imãs realmente tinham um poder próprio, no entanto, e fora desta crença, ele desenvolveu a sua teoria do magnetismo. A boa saúde, segundo ele, dependia da direcção do fluxo magnético, o qual poderia facilmente ser revertido. De uma só vez três mil pacientes por dia imploravam para vê-lo, e por forma a acomoda-los a todos ele teve que mudar a sua técnica. A sua primeira técnica foi colocar uma banheira no meio de uma enorme sala, da qual sobressaiam um número do que se chamavam “varas-magnéticas”. As pessoas sentavam a volta da banheira, agarradas a essa varas-magnéticas e acreditavam de que o fluxo magnético seria corrigido, cumprindo assim uma cura. Era o poder da sugestão a trabalhar. Era impossível acomodar três mil pacientes por dia a volta dessas banheiras e então ele foi para o quintal, tocou numa árvore com a sua chamada vara-magnética e apregoou que a árvore estava a ser magnetizada. Agora, tudo o que as pessoas tinham de fazer era tocar na árvore magnetizada e elas seriam miraculosamente curadas de seus males. Era o poder da sugestão outra vez a trabalhar. Quando Benjamim Franklin estava em França, ele assistiu uma demonstração e proferiu este veredicto: “Se de alguma forma essas pessoas ficam bem, elas parecem ficar bem pelas suas próprias fantasias” ─Evidentemente, Franklin era entendido em alguma coisa de sintomas histéricos e psicologia de massas─. Depois disso, o mesmerismo sofreu uma decisiva queda de popularidade. Porém pacientes em óbvio estado hipnótico ─ou mesmérico─ já tinham sido observados, e muitos médicos, tinham estudado o mesmerismo em segredo. Um desses foi um médico Britânico chamado James Braid. Acidentalmente um paciente de Braid entrou no primeiro estágio fase de mesmerismo enquanto olhava fixamente para uma luz, enquanto esperava para iniciar um exame ocular. Por causa do desprezo em que o mesmerismo havia sido deixado ─a data foi 1840─, Braid cunhou um novo termo ─Hipnotismo─ derivado da palavra grega para sono. E ele publicou um artigo acerca de obter hipnotismo através da fixação. Esse artigo foi publicado em 165 diferentes línguas e dialectos. O incidente importante a seguir envolveu J.M.Charcot um recém-formado psiquiatra cujos ensinamentos influenciaram Freud. Após assistir a demonstrações hipnóticas realizadas por um muito pobre operador em três pacientes psicóticos, Charcot ─que usualmente era brilhante pensador─ chegou á conclusão que a hipnose 30 Hipnoterapia era bem-sucedida apenas com pacientes psicóticos ou pré-psicóticos. Para provar a sua teoria, ele fez demonstrações para médicos usando psicóticos. Essas demonstrações tornaram-se tão populares que começaram a ser frequentadas por multidões de leigos…e pelo menos um artista hipnotista de palco acreditava que poderia ser feita a mesma coisa com gente sã e provou-o adaptando a técnica para uso próprio. O método de fixação de Braid e seus derivativos ─monotonia, ritmo, imitação e levitação─ continuam a ser usados. O Resultado era, grande sucesso para artistas hipnotistas de palco, e frequentes falhanços para os médicos. O artista tinha a oportunidade de praticar em milhares de pessoas, com a vantagem de que as luzes do palco o ajudavam a aplicar usar fixação. O médico tinha um paciente por vez, técnicas demoradas e a suspeita de que todo o negócio poderia vir a ser um absurdo. Esses incidentes históricos levaram á duas condições deploráveis do ensino da hipnose de hoje. Primeira: até os textos relativamente modernos, insistem que a única técnica confiável é a fixação. Segunda: têm insistido que a fixação requer algures entre três minutos á duas horas para indução, e que os artistas hipnotistas de palco que conseguem mais rápido que isso estão a fingir. Como você pode ver, nenhuma dessas crenças é verdadeira. 31 Hipnoterapia Capítulo 5: Técnica do aperto-de-mão Comecemos com a técnica do aperto-de-mão. Quando eu era um principiante em hipnose, a minha técnica era caminhar até ao sujeito e dizer: “Eu vou abanar apertar sua mão três vezes. Na primeira vez, os seus olhos vão ficar cansados…deixe- os cansar. Na segunda vez eles quererão fechar…deixe-os fechar. Na terceira vez, eles vão colar cerrar e você não iráser capaz de os abrir…Queira que isso aconteça, e observe isso a acontecer…Agora, um…dois…agora feche os olhos…agora três…e eles estão colados cerrados e você sente que eles não irão funcionar, pouco interessa o quanto você tente. Quanto mais forte você tenta menos eles irão funcionar. Teste-os, e descubra que eles não funcionam de todo…isso mesmo. Ora, é isso o perfeito fechamento dos olhos” Eu costumava pensar que isso era hipnose. Mais tarde, apercebi-me que isso era simplesmente a fresta fenda de abertura para dentro da hipnose, e isso é uma descoberta importante, como irá ver. Assim que aprendi como cansar rapidamente os olhos de uma pessoa, a minha técnica melhorou até ao ponto onde eu estava a ter aproximadamente nove em dez sucessos, em vez de cinco em dez. Eu passaria a apertar a mão de uma pessoa e colocaria a minha outra mão em frente a testa, com o dedo mínimo da mão esquerda próximo de sua face. Então diria, “ Mantenha os seus olhos na minha mão a medida que a trago para baixo até ao seu queixo “ então eu trazia a minha mão ao longo do perfil da sua face até que ficasse abaixo do seu queixo.” Agora, feche os seus olhos e relaxe os músculos a volta dos seus olhos, relaxe-os até ao ponto onde eles deixarão de funcionar. Quando você tiver a certeza de que eles não funcionam, teste-os.” Por este simples engenho você terá um excelente fechamento dos olhos. Aquele de vocês que já estiveram em outros cursos de hipnose foi-vos dito que uma vez que tenham o fechamento dos olhos, vocês terão obtido a hipnose, e podem avançar a partir daí. O facto da questão é que só por causa de obter o fechamento dos olhos, você não tem necessariamente a hipnose. È por isso que muitos novatos aprendizes são malsucedidos. Eles não entendem que é preciso mais do que o fechamento dos olhos para se estabelecer a hipnose. A maioria dos manuais, e por que eles se baseiam na incorrecta assunção presunção acerca de tal fundamento, perdem- se aqui. Se você tivesse que ler um cento de livros de hipnose, tentando encontrar uma definição para o assunto, você ficaria completamente confuso porque descobriria que cada autor ─incluindo doutores─ tem uma definição em desacordo com todos os outros. Essa é uma situação muito parecida com a de três homens cegos a quem foi pedido para descreverem um elefante. Tal como os homens cegos, cada autor descreve apenas aquilo em que tocou, e descreve-o de um ponto de vista diferente. Nenhum viu o “elefante hipnose” como na realidade é, ainda assim cada um deles tem a certeza de que está correcto. A maioria deles concordam que a hipnose é um estado 32 Hipnoterapia de alta sugestibilidade, mas depois eles começaram a discordar indo em todas as direcções. A maioria deles começa com as palavras: ”Hipnose é uma condição na qual…” e uma vez que a hipnose não é uma “condição” o seus achados resultados estão limitados a ser imprecisos. Uma das primeiras coisas que eu descobri foi que a hipnose é um estado mental. Agora qual é a diferença entre uma condição e um estado mental? Em primeiro lugar você não está numa condição hipnótica enquanto você lê estas palavras. Se eu quisesse coloca-lo na chamada condição hipnótica, eu teria que mudar alterar a sua presente condição. Não são muitas as pessoas que desejam ter a sua condição alterada. Uma questão de semântica talvez, mas, uma importante, uma vez que o estado mental, ao contrário da sua condição, facilmente e frequentemente muda. O estado mental hipnótico pode ser obtido instantaneamente, para um estado mental é meramente um “modo” e eu mantenho que a hipnose é meramente um modo! A sua condição provavelmente não terá mudado hoje, mas quantos “modos” terá tido desde que você se levantou esta manhã? Eu gostaria de lhe dar uma definição axiomática que irá levantar-se para um cuidadoso exame clínico: “Hipnose é um estado mental no qual a faculdade crítica do ser humano é bypassada contornada, e o pensamento selectivo é estabelecido.” A faculdade crítica da sua mente é a aquela parte onde passa o “julgamento”! Que distingue os conceitos entre quente e frio, doce e salgado, grande e pequeno, escuro e claro. Se nós conseguirmos bypassar contornar esta faculdade crítica de tal maneira que você não distinga mais entre calor e frio, doce e salgado, nós podemos substituir o pensamento selectivo por tomada de decisão convencional. Praticamente todos os manuais declaram que se você deseja obter hipnose, primeiro deve obter o fechamento dos olhos, e esse fechamento dos olhos usualmente pode ser obtido pelos chamados métodos de fixação, monotonia, ritmo, imitação ou levitação. Vou mostrar uma maneira simples de bypassar contornar a sua faculdade crítica, e obter o fechamento dos olhos sem esses métodos. Feche os olhos e faça de conta que não os consegue abrir. Continue fazendo de conta, e enquanto você finge, tente abrir os seus olhos. Você vai descobrir que isso é impossível se você estiver fortemente concentrado no faz de conta. Ora, você sabe muito bem que é capaz de abrir os olhos, em qualquer altura você podia mudar de ideia e parar de fazer de conta. Todo o tempo, você estava a fazer de conta que não conseguia abrir os olhos, relativamente a essa acção em particular, o seu senso de julgamento foi completamente suspenso! Você teve o mesmo fechamento dos olhos que teria se tivesse usado as técnicas de fixação, monotonia, imitação ou levitação. Isso pode ser feito instantaneamente! Mas isso quer dizer que você foi hipnotizado? De facto não foi. Isso foi meramente a fenda fresta de entrada, e a hipnose não é obtida até o pensamento selectivo estar firmemente estabelecido. Pensamento selectivo é qualquer coisa que você acredita de todo o coração profundamente. Por exemplo, se você é levado a acreditar de que não sentirá dor e acreditar completamente, você não terá dor. Deixe a mais leve dúvida entrar e o 33 Hipnoterapia pensamento selectivo desvanece, e a faculdade crítica já não será contornada. Você sentirá dor num nível normal. O pensamento selectivo desvanece não apenas quando a dúvida entra em cena mas também quando o medo o faz. Quando uma mulher dá a luz sob sugestão hipnótica como agente anestésico, ela não sente dor. No entanto médicos, enfermeiros ou qualquer assistente devem abster-se de fazer afirmações infelizes, por exemplo: “A dor deve ser muito forte agora” ela vai sentir a dor fortemente e perder o efeito da anestesia hipnótica! A introdução do medo causa uma reacção defensiva que trás a faculdade crítica de volta ao foco. Agora voltemos ao faz de conta do fechamento do olhos. Se eu dissesse, ”Feche os olhos e faça de conta que você não os consegue abrir,” e você seguisse as instruções, a sua faculdade crítica seria bypassada contornada, mas eu teria que ir mais longe para conseguir hipnose. Também teria que estabelecer firmemente o pensamento selectivo. Portanto eu diria: “E enquanto você continuar a fazer de conta que não consegue abrir os olhos, não sentirá nada. Nada o incomodará, não importa nem interessa o que o médico faça." Se eu disser isso de forma suficientemente convincente, e você acreditar completamente, eu tenho estabelecido o pensamento selectivo enquanto a sua faculdade crítica está inoperante, e o resultado é a anestesia completa geral! O entendimento deste simples processo permite-me frequentemente ficar perante uma grande audiência de médicos e fazer este desafio “ Quero que um dos doutores venha para esta cadeira, e quero que esse doutor seja o maior céptico desta sala. Eu não o vou hipnotizar. Vou deixa-lo hipnotizar-se, e ao faze-lo, vou provar para ele o valor da hipnose!” Isso normalmente traz a tona um céptico ─alguém que acredita que a hipnose não tem valor e não tem lugar na medicina ou na odontologia─. Ele senta na cadeira e depois eu pergunto, “Qual é o seu jogo favorito oudesporto favorito?” Ele responde e eu depois digo-lhe, ”Tudo o que eu quero que você faça é que feche os olhos e visualize-se activamente empenhado nesse desporto.” Vamos dizer para exemplo que o desporto é nadar. Então eu digo a ele, “Você consegue ver-se a nadar?” Quando ele diz “Sim” Eu digo-lhe que enquanto ele continuar a ver-se nadar, nada do que se fizer o irá incomodar.” Nesta altura eu apelo para um dos médicos da audiência, ─de preferência um dentista─ para que traga uma sonda dental esterilizada e faça um teste severo duro ao médico que pensa que a hipnose não tem valor na medicina ou na odontologia. O homem na cadeira apercebe-se para seu espanto, que esteve completamente anestesiado. A maioria daqueles que se submetem a este teste, levantam-se espantados e dizem: “Não foi feito nenhum teste real em mim. Eu não senti nada.” Todos os doutores médicos na sala sabem que ele foi submetido a um teste severo. Ambos os médicos participantes, são membros da comunidade e esta demonstração não pode ser manipulada de qualquer forma. Porquê que isso funciona? Porque quando o homem visualiza a si mesmo a nadar, ele não esta realmente a nadar, ele está meramente a bypassar contornar a 34 Hipnoterapia sua faculdade crítica; e quando eu adiciono as palavras, ”Enquanto você continuar a nadar, você não vai sentir nada,” Eu estabeleço o pensamento selectivo. Os dois passos foram feitos tão habilmente que ele nem se apercebeu que estava submetido ao pensamento selectivo. A realização destes dois passos podem se feitos instantaneamente, e efectivamente é talvez a chave do porquê é que os meus estudantes têm mostrado avanços, rápida e consistentemente e têm sido extraordinariamente bem-sucedidos no uso da hipnose. Foi sempre minha afirmação intenção de que se a hipnose está a caminhar para ser um valor em vários ramos da medicina, tem que estar disponível ao médico de forma instantânea. A fixação, monotonia, ritmo, imitação e levitação têm provado serem falíveis desde o ano 1840. Nenhuma decisão por qualquer dos grupos dos homens da medicina as vai tornar de repente confiáveis. O médico quer a hipnose aqui e agora, e se não estiver disponível aqui e agora ele rapidamente vai descartar qualquer tentativa de a usar. É por isso que eu sublinho acentuo a importância da indução rápida. Quando os médicos descartarem as técnicas falíveis e aprenderem a hipnose num nível científico, ela irá alcançar o seu próprio estatuto medico. Será ensinada como curso obrigatório nas escolas de medicina por todo mundo. E será ensinada cuidadosamente e minuciosamente como qualquer outro item do curriculum. Muitos médicos perguntam porque é que me oponho tão veementemente aos “curso de três dias” de hipnose. Eu tenho estudado o assunto hipnose desde há muitos anos, e ainda hoje, eu consigo aprender coisas novas sobre isso. Há muitas mais pesquisas para serem feitas, e é fervorosa a minha esperança de que, o que eu tenho para falar irá estimular o prosseguimento de investigações. Se um homem que já estudou hipnose mais de meio século não está em posição de dizer que sabe tudo, como pode um homem que apenas estudou três dias pensar que sabe o suficiente sobre o assunto hipnose para usa-la como ferramenta médica á ser empregue no tratamento dos seus pacientes? Tendo já mencionado alguns factos e falacias acerca do aperto-de-mão, fechamento dos olhos, fixação, e o estudo da hipnose em geral; eu quero explicar uma técnica básica para o aprimoramento da indução rápida. Esta técnica é simplesmente a aplicação apropriada do aperto-de-mão, acoplada com o reconhecimento dos cincos sinais da hipnose. Ao mesmo tempo, vamos ponderar na importância ─e facilidade─ da auto-sugestão. Existem vários bons motivos do por quê que a técnica do aperto-de- mão é particularmente valiosa para o médico iniciante no estudo da hipnose científica. A primeira razão é que isso possibilita o operador de observar de perto a pessoa em quem ele está trabalhando. A observação é um das partes mais importantes dos estudos. Outra razão é que o aperto-de-mão é um gesto de amizade. Isso cria o rapport imediato o qual é essencial. Você já sabe que trazendo a mão esquerda descendo pelo perfil da face do paciente é uma técnica para cansar rapidamente os olhos, e por conseguinte você continua a usar a técnica de fixação. A mão direita contém o primeiro sinal da hipnose, e no aperto das mãos você encontra o primeiro deles, calor corporal. O aluno adiantado, e usualmente até o operador inexperiente 35 Hipnoterapia conseguem dizer imediatamente do aperto de mãos, se o paciente está ou não receptivo á sugestão. Uma mão fria diz que a pessoa está fria para o assunto, uma quente, húmida mão diz que o paciente está passível de resistir. Uma mão morna diz- lhe que você deverá ser bem-sucedido imediatamente. Um cirurgião ortopédico de nome Eugene H. Reading disse-me há muitos anos atrás de que ele foi capaz de descobrir algo ainda mais valioso no uso da técnica do aperto-de-mãos. Ele afirma que o seu estudo de hipnose, permitiu-lhe aprender que o pulso radial frequentemente torna-se imperceptível assim que o paciente entra em hipnose. É muito fácil testar o pulso pulsação radial quando se usa a técnica de aperto- de-mão. Este achado do Doutor Reading, é muito importante, e eu não acredito que você vá encontrar isso mencionado em algum dos manuais. Apesar do meu estudo intenso de hipnose e a leitura de inúmeros livros, não encontrei pistas de que alguém tivesse mencionado isso antes. Você tem liberdade de testar este sinal e aprender por si mesmo se as conclusões do Doutor Reading constituem ou não um valioso progresso na pesquisa ainda necessária no assunto da hipnose. Vamos agora discutir os outros sinais da hipnose, os quais podem ser observados quando você usa a técnica do aperto-de-mão. Na adição do calor temperatura corporal você deverá ver a tremura das pálpebras, e o aumento da lacrimação, o branco dos olhos a ficar vermelho, e em muitas pessoas os globos oculares revirando para cima na cabeça. O estudante astuto que falhar em ver pelo menos um destes sinais, não se aventurará mais profundo com o paciente nessa sessão. Existe outro grupo de sinais frequentemente mencionados nos manuais erroneamente. Eles somente ocorrem quando o medo é gerado no paciente pela percepção de que a hipnose está sendo usada, e apenas se o paciente tem medo da hipnose! Repare como esses sinais complementam a síndrome do medo. Eles são: pulso rápido, aumento dos batimentos cardíacos, e respiração acelerada. Estes sinais podem ser observados numa pessoa que tenha medo de qualquer coisa, e portanto não são sinais hipnóticos. Verdadeiros sinais hipnóticos não podem ser imitados, modelados ou fingidos! Por exemplo você não consegue imitar ou fingir temperatura corporal; ela tem que estar lá. Você não consegue imitar a tremura das pálpebras. Experimente você mesmo e repare como após um segundo ou dois as pálpebras não tremem mais. Em hipnose quase que constantemente ocorre a tremura das pálpebras enquanto se procede a indução. Existem muito poucas pessoas que conseguem lagrimar por vontade, ninguém consegue por vontade causar o avermelhar do branco dos olhos. Tente fazer os seus glóbulos oculares virarem para cima da cabeça. Vai descobrir que é difícil de o fazer, mas com hipnose em muitos casos os olhos viram para cima e para dentro da cabeça! Antes de discutirmos outras técnicas, eu penso que é importante para a pessoa que quer estudar hipnose adequadamente, saber do assunto da auto-sugestão. A maioria das autoridades concorda que toda a hipnose é auto-hipnose e a auto-hipnose é auto-sugestão, pois então quando eu te ensino a auto-sugestão eu estou na realidade a ensinar como hipnotizar a si próprio. Se você consegue obter esses efeitos 36 Hipnoterapia com outras pessoas,certamente você deveria ser capaz de os obter para si mesmo. Por exemplo, se eu tiver que fazer um tratamento doloroso, dentário ou médico, eu não deixo que o médico use anestesia. Eu digo-lhe “Doutor, eu consigo anestesiar-me sozinho. Na realidade eu consigo melhor anestesia do que a que você me consegue dar.” E prossigo imediatamente dando-me a auto-sugestão e tenho anestesia completa geral. Eu tive seis cavidades gengivais preparadas e cheias sob auto-sugestão. Os dentistas terão de concordar que as cavidades gengivais são usualmente perturbadoras, e eu nem senti o trabalho a ser feito. Já tive um aumento quisto removido da minha face que o médico pensou que poderia ser maligno, e ele queria que fosse feita uma biopsia. Ele disse-me “Eu tenho que ir muito, muito fundo com isso, então é melhor você ser anestesiado.” Eu disse,” Não doutor, eu posso dar a mim próprio, melhor anestesia do que você possivelmente pode.” Depois que tudo acabou o médico disse, “Não sei como é possível que você não tenha sentido mais do que sentiu. Você não tem sensibilidade?” Eu também tive um abscesso rectal aberto, e aqueles de vocês que estão em medicina sabem que a área rectal é umas das áreas do corpo humano, mais difíceis de anestesiar. Depois o proctologista disse-me, Sr. Elman, como é que você faz isso? Eu nunca vi anestesia tão boa na minha vida.” E tudo o que eu fiz foi dar-me uma sugestão! Quando digo que eu quero que seja capaz de fazer a mesma coisa, não o estou entregar á uma ilusão ou exagero. Existem pessoas por todo mundo que conseguem usar a auto-sugestão tão bem como eu consigo, e muitos até são melhores. Tudo o que seja valioso certamente vale a pena praticar, e a única maneira de você ser capaz de aprender auto-hipnose é numa base permanente de prática. A anestesia não é a única coisa em que você pode usar a auto-sugestão. Muitos de vocês na medicina e odontologia trabalham terrivelmente no duro. Para atender aqueles últimos pacientes do fim do dia, quando tudo o que você deseja é não ter que ver mais pessoas, ai você desejará ter o mesmo vigor da manhã; dê a si mesmo uma sugestão e você ficará tão enérgico como estava de manhã; aqueles últimos pacientes serão tão fáceis de tratar como os primeiros. Mas depois do último paciente deixar o consultório ou depois de você sair do hospital com o trabalho terminado e a natureza disser que já não precisa mais da sugestão; a faculdade crítica assume e ai você sente a diferença. Então terá a percepção do quanto foi a foi valiosa a auto-sugestão! Uma outra maneira de você utilizar, é para se livrar de dores de cabeça ou outros tipos de dores ou estados dolorosos. Mulheres que tenham problemas com dismenorreia livram-se da dismenorreia! As sugestões assim o farão. Você será capaz de aliviar dores e estados dolorosos, mesmo dores e estados dolorosos orgânicos. Nunca deverá mascarar um sintoma, mas será capaz de o aliviar. Será capaz de livrar- se de dores de dentes. Você saberá que a dor de dente está lá, mas não magoará tanto. Você ainda saberá que tem de ir ao dentista, mas a dor será diminuta! Saber que a anestesia está disponível e sob seu comando, dar-lhe-á um maravilhoso sentimento de realização. Para obter o estado mental no qual a auto-sugestão é possível, deverá fazer consigo exactamente o mesmo que você faria com um paciente. Primeiro você deve bypassar contornar a sua faculdade crítica e depois deve então 37 Hipnoterapia estabelecer o pensamento selectivo. Claro que isto é uma forma bastante simples de explicar a auto-hipnose mas vai resistir a qualquer investigação científica. Como vai você bypassar contornar a sua faculdade crítica? A maneira que eu faço é fechar os meus olhos e fazer de conta que que não os consigo abrir. E depois testo para ter a certeza que tenho o completo fechamento dos olhos. Até que eu tenha obtido o fechamento dos olhos, eu não avanço mais. Uma vez que o fechamento dos olhos esteja firmemente estabelecido, eu então dou-me a sugestão o que abrange o pensamento selectivo. Isso pode ser uma sugestão para anestesia, para alívio da sensação de cansaço, para ser capaz de me concentrar no meu trabalho, para aliviar dores, estados dolorosos de qualquer tipo ou causa. Normalmente ajudo-me estabelecendo a auto-sugestão por meio de uma palavra gatilho. Escolhi a palavra “verde” porque verde, na minha mente é a cor de Deus. Isso conota com as mais prazerosas visões na mente da maioria das pessoas. Aqui estão as suas instruções: Diga a palavra verde e feche os olhos. Teste o fechamento dos olhos. Quando tiver a certeza de que tem o fechamento dos olhos, diga a palavra símbolo, “verde” outra vez, sabendo que no instante em que a disser, a sua sugestão terá efeito imediato e completo. Então teste para ter a certeza que a sugestão teve o efeito completo. Para aliviar os músculos dos olhos, diga a palavra verde outra vez, e seus olhos se abrirão. Levará cerca de quatro segundos para anestesiar a si próprio. Mas deve praticar. A auto-sugestão é uma possessão sem preço. Numa das minhas turmas mais recentes um médico contou-me esta história. Ele disse,” Eu sou uma vítima da poliomielite. Contraí a doença quando tinha cerca de catorze anos de idade. Trabalho em odontologia e tenho de ficar em pé todo o dia. O meu joelho tem o hábito de, de vez em quando ir para fora de posição. Ele não é muito forte. Cerca de duas vezes por ano, simplesmente ele fica fora de posição, e quando isso acontece, tenho de cancelar todas as consultas por dois ou três dias enquanto espero que a minha perna seja capaz de suportar o meu corpo outra vez. Na outra noite adormeci profundamente e acordei em sobressalto. Aparentemente tinha-me movido de tal maneira que joguei minha perna para fora de posição e a dor foi absolutamente insuportável. Falei para mim, se o que Dave Elman me ensinou sobre auto-sugestão, é correcto, eu deveria ser capaz de controlar este joelho com auto- sugestão.” Verde, verde, verde… E dou-lhe a minha palavra, que o joelho voltou direito para a posição. Não sei o que causou isso, mas acordei a minha esposa porque eu fiquei excitado com a percepção de que eu fora capaz de usar a auto-sugestão dessa forma. E Sr. Elman , eu não tive de cancelar as minhas consultas no dia seguinte, e tudo correu lindamente. A auto-sugestão é maravilhosa!” Gostaria de falar-lhe acerca da mais surpreendente demonstração de auto- sugestão que alguma vez vi. Eu tinha estado a ensinar em Washington D.C, e uma noite um médico trouxe a sua filha de três anos de idade para a aula. Parecia que a menininha tinha sido incomodada com exantemas que apareciam toda a vez que ficava emocionalmente perturbada. 38 Hipnoterapia O pai muito orgulhosamente disse-me que tinha ensinado auto-sugestão para a sua filhinha por forma a controlar a comichão que ocorria, sempre que a exantema estava presente. Ele disse-me “Você gostaria de ver minha filha demonstrar seu conhecimento de auto-sugestão?” Eu não acreditava que fosse possível uma jovenzinha daquela idade tivesse inteligência suficiente para usar auto-sugestão correctamente. A minha descrença talvez se tenha mostrado na minha voz, pois ele disse para a menina, ”Mostre ao Sr. Elman como você joga brinca aquele jogo quando tem exantema e quer parar a comichão.” A pequena menina disse. ”Primeiro eu tenho que ter comichão e sentir como se quisesse coçar.” O pai dela disse,” Muito bem, faz de conta que você tem comichão e quer coçar. Então o que você faz?” Ela disse, “Bem agora faz de conta que tenho comichão e que quero coçar, então eu fecho os olhos assim.” Ela fechou os olhos e continuou, “ Mas eu devo ter a certeza que não consigo abri-los, por isso faço o jogo do faz de conta, então enquanto eu faço de conta que não os consigo abrir, eu tento abri-los deste jeito.” E fez um visível esforço para abrir os olhos dela, semsucesso. Ela continuou, “Agora que sei que não consigo abrir meus olhos, então eu falo para mim, eu não vou ter comichão então nem vou querer coçar. Depois eu espero um bocadinho, eu abro os meus olhos e paro de brincar ao jogo, assim, ─e abriu os olhos dela─ e agora eu não tenho comichão e eu não quero coçar.” Quando a turma se reuniu eu contei aos médicos acerca desta pequena criança. Um deles disse, ” Sr. Elman, eu acho isso muito difícil de acreditar. Eu tenho estado a praticar a auto-sugestão toda a semana sem conseguir, e eu certamente quero domina-la.” Perguntei ao pai da criança se ele deixaria sua filha demonstrar perante o grupo de médicos, e ele concordou. Então ele disse para a filha dele, ” Docinho, toda esta gente aqui, são médicos como o papá, e eles querem aprender a jogar o jogo que você faz quando tem exantema. Seja uma linda menina e fique em pé aqui de frente para a sala e mostre-lhes como você faz, e enquanto estiver a fazer diga-lhes como faz.” Ela disse,” Está bem papá”, e repetiu a sua perfeita demonstração. Perguntei ao pai dela se ela sempre lembrava de fazer isso quando a comichão aparecia, e ele disse- me que ocasionalmente ela esquecia e começava a coçar quando a comichão aparecia, e ele ou a mulher, logo a lembravam de jogar o jogo do faz de conta. Então imediatamente ela fazia a rotina da auto-sugestão e deixava de coçar e a comichão desaparecia. Decidi ver se eu conseguia descobrir a causa da comichão, então fiz uma hipnoanálise a esta pequena menina. Prontamente ela aceitou a hipnose. A história que ela revelou, mostrou o quanto esta menina amava o seu pai. Ela descreveu como é que há alguns anos antes quando o seu pai foi para longe, a sua mãe ficou a chorar. ─Eu soubera pelo pai que naquela altura era um médico do exército e saiu de casa para se apresentar ao serviço.─ E tudo o que ela entendeu, foi que quando o pai foi embora para longe a mãe ficou infeliz com isso, --mais infeliz do que alguma vez a criança tinha visto a mãe estar─. Isso afectou-a tanto que ela deu por si a chorar também, eventualmente chorou sozinha até adormecer. Quando ela acordou a exantema havia aparecido e ela tinha comichão por todo lado. A comichão era tão forte que ela teve de começar a coçar, e a irritação por ter coçado piorou a situação. A criança havia dito que a mãe chegou a colocar alguma coisa na área afectada, e havia alturas até que a 39 Hipnoterapia comichão não era tão má, mas houve outras vezes em que pareceu que estava a ficar pior. Mais perguntas e veio ao de cima o facto de que, quando o pai vinha á casa de licença as comichões não apareciam, mas depois que ele saía tudo voltava. Isso aconteceu muitas vezes. Senti que eu tinha encontrado a causa, e agora eu tentava explicar para a criança o que havia trazido a comichão. Eu expliquei para ela de que cada vez que o pai ia embora, isso a fazia triste e chateada, e quando ela estava chateada os exantemas apareciam. Ela recusou aceitar esta explicação. Ela disse ”O meu papá nunca me fez chatear. Ele me ama e não faria isso para mim.” Não importava como eu tentava explicar, ela sempre revidava o facto e não acreditava que o papá possivelmente seria a causa de alguma exantema ou qualquer outra coisa que lhe causasse desconforto. O amor desta criança pelo seu pai era bonito de se ver, mas eu estava entristecido pelo facto de que de que eu fui incapaz de dar a criança uma “luz” que pudesse acabar com o seu desconforto permanentemente. Deixem-me repetir, esta demonstração de auto-sugestão, por uma criança de três anos foi a melhor demonstração de auto-sugestão que alguma vez vi; se uma criança de três anos consegue aprender auto-sugestão então isso não está além das capacidades de nenhum adulto. 40 Hipnoterapia Capítulo 6: Instruções preliminares Abordagem ao paciente Se você já tentou a experiencia envolvendo o pretenso fechamento dos olhos consigo mesmo, deverá ter dado conta de um conflito na sua mente. Uma parte do seu cérebro parece estar a dizer,” Não consegue abrir os olhos.” A outra parece estar a dizer “Absurdo” A dúvida e o cepticismo são umas das reacções naturais humanas, e muitas vezes valiosas. O mesmo pode ser dito do medo. No entanto a dúvida e o medo, podem derrota-lo se não souber como evitar ou superar essas reacções. Muito depende da sua aproximação ao paciente. Primeiro, ao apresentar a hipnose ao paciente, não use a palavra hipnose. Dê ao paciente o benefício do estado sem sequer usar a palavra. Porquê associar a palavra ao medo gerado na mente de um desinformado? Aqueles que se opõe a isso, deverão perguntar a eles mesmo se dizem ao paciente tudo o que está escrito em todas as prescrições que fazem. Agora deixem-me mostrar uma boa aproximação, digamos que a um paciente dental. O dentista deverá dizer isto: ” Sabe, sempre que você vem ao consultório, tenho reparado o quanto tenso você fica, e quando você se sente tensamente, você sente mais desconforto porque essa é a natureza da tensão. Se eu poder-lhe ensinar como relaxar, as suas visitas a este consultório poderão tornar-se fáceis, e tenho a certeza que você sabe isso. Gostaria de apreciar uma visita ao dentista ao invés de estar sempre nervoso e tenso com tudo isso? Muito bem, vou mostrar-lhe como relaxar. “Respire calma e profundamente. Isso mesmo! Agora dê-me a sua mão. Agora olhe para a minha mão esquerda, descendo pelo perfil do seu rosto. Agora feche os olhos, relaxe esses músculos a volta dos olhos até ao ponto em que eles não funcionem, e quanto tiver a certeza que não funcionam, teste-os para confirmar que eles não funcionam. Isso mesmo. Continue assim e faça com que essa sensação de relaxamento que você tem nos músculos dos seus olhos desça directamente aos dedos dos pés. Eu vou levantar a sua mão e deixa-la cair, e se está realmente relaxado como deve ser, ela irá cair para baixo como um pano molhado. Olhe para esse relaxamento! Agora vou avançar com o seu tratamento dental, e nada do que eu faça neste consultório irá incomodar ou perturbar a partir deste momento. Você saberá que estou a trabalhar, mas se mantiver este estado de relaxamento, nem sentirá nada. Você nem se importará com o que faço. Você saberá apenas que estarei a trabalhar e será tudo!” E com isso o dentista poderá avançar com o seu trabalho. Ele gastará cerca de trinta segundos para executar toda a indução. Tente você mesmo! Alcançará resultados tão rápidos que será capaz de fazer cerca de duas ou três vezes mais trabalhos do que normalmente é capaz de fazer, porque o paciente não estará ansioso nem brigará consigo. Supondo que tem algum trabalho difícil de fazer, pode dar-lhe anestesia química se não tiver fé suficiente em si mesmo para fazer sem isso. Mas dê- lhe algo como novocaína ou zylcaina seja lá o que for que usa após relaxa-lo, e irá 41 Hipnoterapia descobrir que ele não vai recusar nada mesmo, descobrirá que tem um paciente muito mais tratável. Uma coisa maravilhosa para o dentista saber, é que ainda que o paciente abra os olhos ─e ele terá que os abrir para usar a escarradeira─ você pode dizer, “Agora, quero que abra os olhos, enxagúe a boca, cuspa todos os resíduos e quando voltar a deitar-se relaxará mais do que nunca.” Ao invés de perder o estado quando isso acontece, na verdade você pode intensifica-lo. A seguir um excerto de uma fita-cassete de uma lição da primeira turma. Imediatamente antes das palavras de abertura. Eu tinha contornado a faculdade crítica de um médico estudante, e tinha estabelecido o pensamento selectivo ─tinha-o hipnotizado─. Eu tinha-o levado a crer que estaria a testar a anestesia hipnótica que tinha produzido, tendo uma sonda dental na sua boca. Aqui está a conversa. Doutor: Fez alguma coisa na minha boca? Elman: Não, não fiz, mas mostrar-lhe-ei algo. Feche os olhos outra vez, feche-os tal comoos tinha. Relaxe tal como estava. Vamos ter um dentista bem aqui… *falando ao dentista+ Você não fez este teste ainda, venha cá… *outra vez falando ao doutor+ Feche os olhos por favor… *para o dentista+ Avance e faça o teste e vai descobrir que ele não vai sentir nada. Ele saberá que você está a trabalhar lá, mas é tudo… O que você sentiu? Doutor: Oh, somente uma coisinha, nada ruim. Elman: Agora, cavalheiros, vocês viram o que ele fez? Ele deixou-a (a sonda dental) pendurada lá. Ele deixou-a pendurada na sua área gengival. Correcto? Foi onde você fez isso? Dentista: Com certeza Elman: E a área gengival é uma área bastante sensível da boca, doutor em circunstâncias normais você teria batido no tecto. Quero mostra-lhes que vocês são como qualquer outra pessoa. Todas as pessoas são passíveis de ser sugestionadas, se você acautelar isso quando for trabalhar com eles… Você está em dermatologia. Doutor pode começar (a trabalhar) como se entretanto houvesse um paciente no seu escritório, vindo para algum tratamento dermatológico doloroso e você quisesse fazer com que esse tratamento fosse fácil para ele. Doutor: Digamos que vou tirar uma verruga do seu lábio inferior. Elman: Muito bem. Doutor: Quer que eu continue? Elman: Sim, sim. Use a mesma abordagem que eu usei, e não se preocupe se eu o parar, porque você é o primeiro homem, e o primeiro homem sempre receberá o peso das críticas você sabe disso. Doutor: Você quer que eu retire isso do seu lábio? 2º Doutor: [fazendo de paciente]: Não! Doutor: Bem, você acha que isso magoa? 2º Doutor: Sim Doutor: Bem, eu penso que se você relaxar nós poderemos fazer isso sem o magoar. 42 Hipnoterapia Elman: Agora doutor, eu vou fazer uma pequena sugestão aqui: Nunca use a palavra dor enquanto você está usando hipnose. Dor, magoar, faca, agulha, afiada, incisão, pontos, qualquer palavra que dê uma imagem de dor...Deixe-a de fora! Em outras palavras…” Penso que nós podemos fazer isso sem que você sinta nada.” Qualquer coisa como “Sem incomodar nem um pouco”. Mas não implante imagens de dor porque você torna-os muito sugestionáveis enquanto trabalha com hipnose, e as suas palavras pintam imagens. Por isso atente ao seu palavreado, logo desde o início. Doutor: Se você relaxar nós podemos fazer isso de maneira prazerosa. E isso é melhor. Agora apenas tente deixar-se ir. Enquanto eu trago a minha mão para baixo dos seus olhos, deixe os olhos fecharem, bem para baixo, agora feche-os. Isso mesmo. Mantenha-os fechados. Certifique-se que eles estão fechados, e veja que não os consegue abrir. Isso mesmo. Tenha a certeza que eles não abrem. Agora então, deixe essa sensação de relaxamento passe por todo o seu corpo. Deixe descer até as pontas dos dedos dos pés. Agora isso o faz sentir bem? Elman: Não, não, não vai fazer o teste ainda doutor. Dê uma sugestão antes de o fazer. “ Mantenha-se completamente relaxado, vamos fazer um pequeno teste aqui, você não vai sentir e nem sequer dará conta.” E ele não vai porque neste momento você sabe qual o limite dele. Veja, esse limite praticamente se desvaneceu, portanto você sabe que ele não vai sentir como normalmente seria. Agora qual o tipo de testes que você quer fazer? Doutor: Eu quero usar um par de alicates ou um par de pinças. Elman: Ora você viu que isso terá implantado uma imagem, entende o que eu quero dizer? Ainda que na palhaçada quando você está a fazer isso, não brinque, porque você sabe o que acontece quando implanta uma imagem na mente dele, ele vai sentir isso! Então o seu teste não será válido. Então, quando você pedir um instrumento, apenas diga,” Dê-me aquele acessório instrumento.” Ou qualquer coisa, você sabe o que quero dizer. Agora, pressione aperte a área em que você irá fazer o teste e repare que nem isso ele irá sentir. Doutor: Eu vou fazer um pequeno teste aqui. Mantenha-se relaxado Elman: Agora, quero ver isso e quero que você repare como é pouco aquilo que ele se apercebe. Veja. Você sabe isso doutor, normalmente isso faria uma pessoa reagir, mas agora em que grau ele sente isso? Doutor: Muito pouco. E ainda continua em indentação. Elman: Sim, uma muito boa; você deu muita pressão. [ao doutor fazendo de paciente] Você sabe, ele usou uma pinça allis em você, e fez isso muito bem pois foi até ao terceiro entalhe. Agora, [ao médico que aplicou a pinça] deixe-me dizer que a sua amabilidade foi boa, mas eu não faria perguntas, eu usaria afirmações de: “Sinta como é boa essa sensação!” Jamais diria: “ Isso não sabe bem?” Porque alguns pacientes sentir-se-ão compelidos a responder, e sairão do estado! Por isso deixe-o estar relaxado! Por sorte, ele colaborou com você e ele não sentiu como se tivesse saído do estado transe, ele permaneceu nele. Isso foi excelente para uma primeira vez! 43 Hipnoterapia A razão para que você os deve trazer para fora do estado com sugestões de saúde, é que isso é um estado de auto-sugestibilidade, e ele pode sugerir a si mesmo de que estar no estado o fez concentrar-se como o diabo e por isso tem uma dor de ouvido, dor no dedo do pé ou dor de barriga ou algo assim, como resultado de uma auto-sugestão implantada. Você elimina todas as hipóteses de uma auto-sugestão negativa, por dizer:” Quando abrir os seus olhos vai sentir-se maravilhoso!” 44 Hipnoterapia Capítulo 7: O método “Dois-dedos olhos-fechados” O método “dois-dedos olhos-fechados” é a técnica mais rápida que já foi inventada para a obtenção da hipnose. É uma técnica usada há cerca de setenta anos, desenvolvida pelo Doutor H. Bernheim e o Doutor Liebault. Eles usavam-na no seu formato de dez minutos, mas o método é igualmente efectivo quando feito para funcionar instantaneamente. Por se obter resultados tão rápidos pode pensar-se que a técnica apenas produz hipnose transe leve. Pelo contrário; tem sido reportado por centenas de médicos em medicina geral, psiquiatras e dentistas que têm feito trabalhos prolongados usando essa técnica. Foi concebido um método melhor para trabalhar com adultos, como poderão ver, mas não existe técnica melhor para crianças. Primeiro vou mostrar-vos como é que a técnica é aplicada em jovens. Neste excerto da gravação de uma aula, uma mulher está actuando como uma “criança paciente” para propósitos de demonstração e um dentista está praticando a indução. Dentista: Jean, eu acho que quando você está em casa, você brinca muito com suas bonecas. E você provavelmente brinca de “faz de conta” com elas muitas vezes, não é verdade? Bem nós também temos um pequeno jogo de “faz de conta”. E se você aprender este pequeno jogo de “faz de conta” nada do que se passar no consultório do dentista te vai perturbar ou incomodar. Se você aprender a jogar este pequeno jogo, nem vai sentir nada do que estamos a fazer. Você gostaria de aprender? Paciente: Sim Dentista: Muito bem, abra bem os seus olhos. Vou-lhe mostrar este pequeno jogo. Eu vou fechar os seus olhos com o meu dedo indicador e o dedo polegar, assim. ─Coloque o indicador e o polegar sobre as pálpebras e feche-as suavemente─. Agora “faz de conta “com toda a alma e coração que você não consegue abrir os olhos. É tudo o que você tem de fazer. Apenas faça de conta. Agora vou tirar a minha mão ─retira a mão─ e você vai fingir tão bem que quando tentar abrir os olhos, eles simplesmente não funcionam. Agora faze-los funcionar enquanto faz de conta. Tente forte. Eles simplesmente não funcionam, vê? Agora e porque você faz de conta desse jeito, nada do que fizermos neste consultório incomodará ou importunará nada mesmo. Na sua mente você pode estar em casa a brincar com as suas bonecas, e nem vai sentir nada do que eu tenho de fazer. Elman: E agora doutor [dirigindo-se ao segundo dentista], você está em odontologia. Venha aqui acima e faça um teste dentro da boca dela, e mostraráque isso não vai incomoda-la nada. Eu quero ver a anestesia profunda que se obtém com essa técnica. Não tenha medo de fazer um bom teste. Ela não sentirá nada. Fez um bom teste doutor? Doutor: Sim! Elman: Ela teve melhor anestesia, do que qualquer outra anestesia que alguma vez tenha sido dada num consultório dentista, porque ela está num estado tão perfeito 45 Hipnoterapia de hipnose...Agora [dirigindo ao paciente] quando eu a fizer abrir os olhos, vai sentir a sua boca melhor do que sentiu todo o dia e toda a semana, e você sentir-se-á tão bem. Abra os olhos e veja o quanto se sente bem. Como se sente? Paciente: Bem! Elman: O que sentiu enquanto o doutor estava a trabalhar na sua boca? Paciente: Nada. Deixe-me perguntar algo, porque me lembro do que você disse? Elman: Porque você não está inconsciente na hipnose. Não é sono você sabe. Eu tenho que ter contacto consigo, de outra forma você não pode seguir instruções. * * * No exemplo acima, a hipnose foi obtida imediatamente. A paciente era uma mulher adulta, actuando como uma criança num consultório de dentista. Ela teve uma imaginação vívida o suficiente, por isso que ela foi capaz de ver a si mesma como uma criança. E pode ter-se aproximado ao nível de uma criança para propósito de demonstração. A abordagem “fazer de conta” ou vamos “jogar um jogo” funciona muito bem com crianças pequenas. Com os jovens ou adultos, é geralmente sábio usar um tipo de abordagem mais sofisticado para contornar a faculdade crítica. Isso pode ser visto noutro excerto de aula. Elman: [abordando a paciente] Sempre que você vem a este consultório, eu noto a tensão com que você fica, se eu pudesse ensina-la a relaxar você nem daria conta de nada do que temos de fazer. Supondo que eu ensino-a como relaxar. Você gostaria disso? Paciente: Sim. Elman: Respire calma e profundamente. Agora abra bem os olhos. Eu vou puxar gentilmente as suas pálpebras para baixo com o meu dedo indicador e o polegar. Agora eu quero que relaxe os músculos por baixo dos meus dedos. Agora vou retirar a minha mão dedos, relaxe os músculos dos seus olhos até ao ponto em que eles não funcionam. Então quando tiver a certeza de que eles não funcionam, teste-os e tenha a certeza que não funcionam. Teste-os forte com força. Isso mesmo. Agora deixe essa sensação de relaxamento descer direito até as pontas dos pés, e quando eu levantar e deixar cair a sua mão, essa mão estará tão relaxada que cairá rápido na sua perna. E deixe-a cair. Isso mesmo… Agora [dirigindo-se a turma], por forma a ela não sentir desconforto, é necessário que você dê a sugestão correcta. É aqui que você a coloca no seu pensamento selectivo… ─para a paciente outra vez─ Qualquer trabalho que eu faça a partir de agora na sua boca, ou em qualquer outra parte do seu corpo, você não se importará. Apenas fique assim relaxada. Assegure-se o tempo todo que os músculos dos seus olhos não funcionam, e você tem o relaxamento por todo corpo, e não sente nada… ─para a turma─ E agora cavalheiros, vou mostrar-vos o grau de anestesia que ela realmente teve como resultado da sugestão… ─para a paciente─ Eu vou acariciar o seu braço nesta zona aqui, vou trabalhar e você não sente nada. Você saberá que estou a trabalhar aqui, mas nada a incomoda, nada a perturba. Estou preparado para fazer o meu trabalho agora, e você tem anestesia completa, no seu braço 46 Hipnoterapia direito… [para a turma] Vejam-me a fazer este teste… Isso foi uma pinça allis até ao terceiro entalhe… *para a paciente+ Agora quando eu disser… abra os olhos e repare como se sente tão bem. Abra os olhos. Como se sente? Paciente: Bem. Elman: O que é que você sentiu? Paciente: Bem eu senti que você fez alguma coisa. Mas não senti dor nenhuma. * * * Esta abordagem foi usada a Este de Chicago no St. Catharines Hospital para intervir numa fractura exposta num rapaz com doze anos de idade. O médico tinha a intenção de atenuar a fractura com ajuda de anestesia química. Contudo, o único anestesista de serviço estava a trabalhar noutro caso de emergência um piso acima. O médico não podia suportar ficar vendo o sofrimento deste rapaz, e usou o método descrito acima para produzir anestesia. E então prosseguiu, para atenuar a fractura exposta. A meio do trabalho, o anestesista desceu preparado para dar a anestesia química. Ficou maravilhado ao descobrir já não era necessário o seu serviço, e logo após tornou-se meu estudante. Esta abordagem é recomendada para vítimas em emergência, por isso é tão rápido que geralmente obtém hipnose em cinco segundos. Deve ser notado que você sugere relaxamento muscular somente com um adulto, não com uma criança. A criança bypassa contorna a sua faculdade crítica tão depressa, que normalmente quando usar esta técnica com crianças você apenas precisará dizer, “faz de conta que não consegues abrir os olhos”, e ela faz de conta finge e relaxa automaticamente. É exactamente como quando ela entra num sono profundo. Mas ela não está realmente a dormir. Esta técnica é muitas vezes utilizada para indução, para propósitos cirúrgicos. É, pois claro, importante obter hipnose profunda. Você pode aprofundar o estado de uma criança tendo-a a fazer de conta que está a cheirar lindas rosas ou você pode dizer, “Qual o teu jogo favorito quando estás em casa?” ou “ O que gostas de assistir na televisão?” realmente você pode ter uma criança a ver um show na televisão ou a jogar um jogo mentalmente, enquanto você faz um tratamento médico ou dental doloroso com ele. Supondo que você sugere para uma criança, que ela está fazendo uma viagem á lua numa nave espacial. Quando você está a acabar o trabalho com ela, e você quer trazer a criança de volta a terra, diga, “Muito bem, agora você pode voltar da viagem espacial. Volta para a terra agora. E quando o fizer eu quero que abra os olhos e me diga como se está a sentir bem. Abra os olhos. Como se sente?” ─Tenha a certeza que se apercebe da vermelhidão dos olhos, o aumento da lacrimação e do pestanejar das pálpebras.─ Por vezes os pacientes têm de abrir os olhos durante um exame, talvez para puxar as mangas para cima para algum tipo de injecção. Enquanto os seus olhos continuam fechados, e ele faz de conta finge que não os consegue abrir, ai você diz alguma coisa dessa ordem: “De agora em diante o que fizermos neste consultório, nada o incomoda, nada o perturba de todo. Em alguns segundos vou dizer para você abrir os olhos e ter o seu braço preparado para que eu possa trabalhar nele, e depois 47 Hipnoterapia continue a jogar esse jogo novamente e verá que nem vai sentir nada do que eu tenho de fazer. Agora abra os olhos e prepare o braço.” Para demonstrar a utilidade desta técnica deixe-me reproduzir um excerto de uma carta que recebi recentemente de um anestesiologista na Florida. O nome do paciente foi ficcionado por forma a preservar a privacidade ética.” Re: Paciente Tommy Haines, seis anos. O paciente foi admitido no hospital durante a noite de 27 de Julho com o úmero esquerdo partido. Eu sentei ao lado da criança na sala de operações, nunca o tinha visto antes. Ele era um rapazinho muito assustado. No entanto não estava histérico nem frenético. Falei com ele e começamos a brincar de faz de conta. A criança respondeu prontamente aos jogos e foi logo ver seu programa favorito na televisão. Eu disse-lhe que enquanto estava a assistir televisão a mãe dele traria um vaso de lindas flores e ele iria poder cheira-las. Nessa altura comecei a soprar gás ciclopropano no rosto dele. Francamente, esta coisa cheira mal embora a criança tenha assentido com a cabeça que cheirava bem. Durante este período de indução, foram dadas sugestões de rápida recuperação e rápidas melhoras. A criança foirapidamente ao sono hipnótico e foi concluída uma operação de duas horas. Tudo correu bem e a cirurgia foi completada muito tarde nessa noite. Eu vi a criança na manhã seguinte e ela estava a dar-se bem, estava completamente feliz, que o doutor decidiu deixa-la ir para casa. E isso foi um ou dois dias mais cedo do que o habitual. Tommy disse aos pais dele o quanto gostou de brincar comigo e fez a seguinte afirmação, ”Fiz uma brincadeira com o doutor Nickell e ele ganhou porque eu adormeci antes dele.” Alguns médicos têm a impressão que, seguindo esta técnica muito rápida do “dois-dedos olhos-fechados” descrita acima, que a hipnose é leve. Na maioria dos casos é na verdade profunda. Para eu demonstrar isso, frequentemente hipnotizo um médico com o método “dois-dedos olhos-fechados” e mostro a prova na turma da seguinte maneira: Elman: [ao médico hipnotizado]: Quando eu levantar sua mão e deixa-la cair, eu quero que o número de telefone do seu consultório desapareça da sua mente, e você descobrirá que ele sairá quando eu largar a mão. Agora quando você tenta pensar no seu número de telefone, ele simplesmente se desvanece para longe e cada vez mais longe e você não consegue encontra-lo de todo. Agora quando você tenta encontra-lo, ele simplesmente não está lá. Tente encontra-lo e você verá que é exactamente isso que acontece. Você não o encontra de todo. Sumiu completamente. Deixe-o ir completamente. Sumiu não é? Médico: sim Elman: Ora aqui têm o sonambulismo, a amnésia sugerida é o teste para isso. Então podem ver, não é hipnose leve como pensavam. É muito profundo… *para o paciente] Vou deixar cair a sua mão outra vez e o seu número de telefone voltará imediatamente e depois abrirá os olhos e vai sentir-se maravilhoso. Como se sente? Médico: Bem! Elman: Não é uma agradável sensação? Para onde foram os números? Médico: Não sei. Simplesmente sumiram, apenas isso! * * * 48 Hipnoterapia Se você der as sugestões devidamente, você obtém anestesia em sonambulismo. Muitos médicos ficam ansiosos para começar a trabalhar antes de terem implantado o pensamento selectivo. Essa é a razão para muitas das suas falhas. Eles não se apercebem que sem a implantação do pensamento selectivo, eles não têm nada mais que relaxamento profundo para trabalhar, eles não têm hipnose! Torne isso uma regra para implantar o pensamento selectivo, e a sugestão de sentimento de bem-estar, para deixar no término da hipnose. E descrição acima da amnésia sugerida traz-nos a questão de certos testes para hipnose. Apesar de os médicos verem os cinco sinais de hipnose discutidos anteriormente, nem sempre estarão satisfeitos de que têm um paciente hipnotizado. Os novos estudantes as vezes pedem-me para provar o estado hipnótico fazendo o “braço rígido” ao sujeito, tal como eles têm visto ser feito em palco. Independentemente da desinformação dada nos cursos de hipnose de três dias, os hipnotistas de palco usam a técnica do “braço rígido” como dispositivo de aprofundamento, não como um teste. Deixem-me mostrar a maneira como isso é usado hoje na medicina. Elman: [para o paciente hipnotizado]Feche os olhos. E apenas finja que não os consegue abrir. Vou pegar no seu braço e quero que o estenda e o torne rijo enquanto eu conto até três. Faça-o tão rígido que não o consegue dobrar. Um, faça-o rígido, dois como aço, três agora não o consegue dobrar, não importa o quanto você tente. Quando você tenta menos funciona. Teste. Veja que não consegue dobrar de forma alguma. Agora você tem o braço rígido. Nesta altura, os médicos tendem a assumir que o paciente está pronto para a terapia. Ele não está preparado para terapia, ele apenas tem o braço rígido. Não significa que ele acatará outra sugestão. Você quer ter profundidade. Os hipnotistas de palco usam o “braço rígido” para isso. A técnica completa é usada assim, e isso parece dramático no palco. Elman: Agora quando eu relaxar o seu braço, você vai mais fundo…Agora você pode relaxar. Relaxe e você vai mais fundo. Consegue sentir esse afundamento? Consegue sentir-se indo mais fundo? Você pode responder. Consegue sentir? Paciente: Sim! * * * Essa é a maneira que os hipnotizadores de palco a usam para obter aprofundamento. Não é uma boa técnica para usar num consultório médico! Não é um bom teste! Não é preciso uma educação médica para saber a semântica do bom relacionamento com o paciente, e tendo braços rijos no escritório certamente não é maneira de lidar com um paciente! Se você quer ter profundidade e saber ao mesmo tempo se o paciente está hipnotizado, faça-o da maneira científica. Você já sabe que as pálpebras do paciente deverão tremular, que os brancos dos olhos deverão ficar avermelhados e que deverá aumentar a lacrimação. Demonstrando num paciente outra vez, agora eu digo isso: Elman: [para o paciente] Agora, quando eu lhe disser, quero que você abra os olhos e deixe-me olha-los por alguns segundos. Quando eu disser abra os olhos, 49 Hipnoterapia mantenha-os abertos até eu dizer para os fechar e você irá mais fundo, e deixe-se levar mais fundo. Agora abra os olhos. Quando você segue este procedimento, você verá os sinais ─aumento da lacrimação, os brancos do olhos ficando cor-de-rosa. E você diz para o paciente: “Agora feche os olhos outra vez e veja o quão profundo você vai, e deixe-se ir mais fundo. Consegue sentir isso? Agora, abra e feche os olhos outra vez e irá dez vezes mais fundo. Isso mesmo, deixe-se levar. Sente isso?” Quando você faz isso, será óbvio que o paciente imediatamente tornar-se-á mais profundamente hipnotizado. Isso é um mecanismo para obter grande profundidade, e você pode usar vezes e vezes e vezes, obtendo mais enquanto o faz. Muitas vezes o médico tem de fazer o paciente ir de sala á sala para vários exames, talvez o queira colocar a fazer um raio-X numa sala, e pô-lo numa posição fora-de- comum para o raio-X, e depois talvez queira ir para alguma outra sala para qualquer outra coisa. O médico quer que ele esteja relaxado na segunda sala, e na terceira sala e por ai adiante. É portanto indispensável saber, que o paciente pode abrir os seus olhos e, em vez de perder sair da hipnose, tornar-se-á mais profundamente hipnotizado. Lembre-se o tempo todo que você está a trabalhar com uma pessoa que ouve e entende tudo o que você está a dizer. Você está a conversar para uma pessoa que está perfeitamente consciente quando está em hipnose profunda. Portanto, não cometa o mesmo engano dos praticantes de antigamente e fale baixo para o seu paciente. Converse em frente a ele. Ele não está abaixo da sua dignidade. Ele é um ser humano com o quem você está em rapport. Portanto não viole o senso de dignidade dele sendo condescendente ou paternalista. Fale com ele tal como se ele não estivesse no estado de sugestibilidade, vai incrementar o rapport e ele estará muito mais disposto a anuir as suas sugestões. Tenho tido médicos nas minhas aulas a dizerem, “Você não consegue abrir os olhos, não consegue, não consegue.” A reacção usual do paciente é provar o quão rápido ele consegue abrir os olhos. Você não fala para um paciente assim, ainda mais quando usa palavras tais como magoa e dor! Mantenha-se longe de todas as palavras ou frases que passem uma imagem desagradável: corte, agulha, faca, corte, pontos, arrancar os pontos, afiado, etc! Normalmente o paciente sabe quando vai receber uma injecção, pontos ou uma incisão. Porquê lembra-lo da desagradabilidade pela qual tem de passar? É uma boa ideia manter o paciente a par do que você está prestes a fazer, mas você pode faze-lo com palavras tais como procedimento, tratamento, etc. Tenha em mente também que as doenças iatrogénicas são causadas por cirurgiões, anestesistas, assistentes e enfermeirasusando palavras erradas na sala de operações. Relembre que o paciente nunca perde o sentido de audição. Portanto nunca diga algo perturbador na sala de operações. Aqui está outro exemplo da importância das palavras: O que é que você preferiria ter, medicamento ou medicação? Medicação, eu tenho certeza! Então porquê que é que sempre se escrevem as prescrições receitas para medicamentos? Você ficará surpreendido com quão mais efectivas serão as suas prescrições receitas quando você diz para o paciente: “Eu vou escrever passar uma prescrição receita para alguma medicação. Quero que você a tome e a conclua e você vai sentir-se muito 50 Hipnoterapia melhor em resultado disso!” A palavra medicação, modificada da simples palavra medicamento, vai fazer ao seu paciente uma vasta grande porção de bem! Se você duvida disso, experimente! Seja sempre razoável nas suas sugestões, tanto quanto o é nas suas palavras. Não diga nada que entoe á absurdo para o paciente. Não seja extravagante nas suas afirmações do que vai fazer. Estamos a afirmar aqui princípios elementares em dar a sugestão. Ao longo do meu ensinamento, neste texto bem como na sala de aula, é feita a referência ao método adequado de dar sugestões mais complicadas. E como você aprende mais sobre a semântica, você vai aprender com que frequência e o quanto você pode ajudar seus pacientes com suas palavras. 51 Hipnoterapia Capítulo 8: Hipnose como adjuvante da anestesia química O homem mais erudito na história da hipnose médica foi o Doutor Henry Munro, que viveu e exerceu em Omaha, Nebraska no virar do século. Em 1900 praticamente não havia medicação pré-operatória. Havia muito pouco para aliviar o choque cirúrgico. Ainda hoje as pessoas comuns encaram a cirurgia com apreensão, mas em 1900, a situação era muito pior. Uma em cada quatrocentas pessoas morria na mesa da sala de operações em resultado da anestesia; não da cirurgia! Os medos dos pacientes eram muito maiores do que são hoje. Um homem que sabia alguma coisa sobre esses medos e tentou alivia-los. Doutor Munro tinha um bom método para aliviar os medos. Ele colocava os seus pacientes em estado hipnótico, discutia os medos com eles, e dizia-lhes, que quando eles entravam para dentro da sala de operações, sabendo que iriam recuperar-se, teriam um rápido restabelecimento e sentir-se-iam muito melhores. Ele foi o primeiro a dar conversa sugestão pré-operatória em hipnose. Um homem apareceu para uma cirurgia cheio de apreensão receio, a cirurgia tinha que ser feita, então doutor Munro hipnotizou-o, removeu os medos dele e disse: “Bem, você nunca esteve em melhores condições para a cirurgia do que agora, então vamos avançar!” O éter era então o agente anestésico mais comummente usado. Com cerca de dez por cento da quantidade usual de éter, Doutor Munro ficou deslumbrado por descobrir que tinha a anestesia cirúrgica perfeita, ele prosseguiu e realizou a cirurgia. Ele pensou que aquilo era apenas sorte e que provavelmente não voltaria a acontecer outra vez. Mas um mês depois, uma mulher apareceu para uma cirurgia. Ela estava muito nervosa. O doutor Munro hipnotizou-a e com apenas vinte e cinco por cento da dose usual de éter, outra vez ele foi conseguiu obter uma anestesia cirúrgica perfeita, banindo completamente a fase de excitação do éter! Uma das suas observações foi que, tais pacientes recuperaram facilmente e muito rapidamente; o recobro pós- operatório foi quase milagroso! Ele chegou à conclusão de que através da hipnose, talvez pudesse ser capaz de obter os mesmos excelentes resultados com qualquer paciente. Ele teve cerca de cem casos sucessivos em que foi capaz de fazer a cirurgia com apenas dez á vinte e cinco por cento da dose habitual de anestesia química. Ele tinha feito uma grande descoberta, mas os outros médicos ridicularizaram-no. Ele organizou um grupo para encontros e palestras, uma das quais levou-o á Rochester, Minnesota. Naquela noite antes da palestra, ele jantou com dois irmãos médicos que estavam a trabalhar no St.Mary´s Hospital. Os irmãos Mayo! Isso foi antes da época da clinica deles. O doutor Munro estava a falar sobre a sua descoberta aos irmãos Mayo. Os irmãos Mayo decidiram que valia a pena testar a descoberta dele. Se o paciente não alcançasse a anestesia necessária, tudo o que teriam de fazer era usar mais éter. Se funcionasse eles teriam uma valiosa ajuda médica. Quando voltaram ao St. Mary´s Hospital, os irmãos Mayo iniciaram o Caso Numero Um de Dezassete Mil 52 Hipnoterapia procedimentos cirúrgicos abdominais profundos, sem uma única morte ou lesão directamente relacionadas ao anestésico. Os olhos do mundo focaram-se nos irmãos Mayo, e o sucesso era deles. Este foi o único lugar no mundo onde o paciente não tinha sequer a chance de morrer devido a anestesia. Qualquer um que precisasse cirurgia poderia estar confiante de sobreviver á operação. Alice Magaw, a anestesista dos irmãos Mayo , estava muito orgulhosa do seu trabalho. Ela escreveu um artigo para o Obstetrical Journal of May , em 1906. Esse jornal não era amplamente divulgado. Muitos médicos não o conseguiram em 1906, e a história manteve-se obscura. Eu sei a respeito disso porque o Doutor Munro ocasionalmente visitava o meu pai ─ele viveu em Fargo, Dakota do Norte, que não é longe de Rochester─ e ouvi os dois homens a discutirem isso. Mas estranhamente, os irmãos Mayo nunca disseram que usaram hipnose. Aqui está uma técnica similar á que o Doutor Munro mostrou aos irmãos Mayo; Você verá que é muito simples de usar. Você está na sala de operações. Diga ao paciente “ Nós vamos começar a anestesiar daqui a um minuto, e para tornar este procedimento mais fácil para si, quero que você faça tal como eu lhe digo. Abra bem os olhos. Eu vou puxa-los para baixo e fecho-os, assim. Agora faça de conta que não consegue abrir. Isso é tudo o que tem de fazer. Faça de conta que não consegue abrir os olhos. Nós vamos começar a anestesiar, e em pouco tempo você despertará no seu quarto lá em cima. A operação terá terminado e você estará a caminho da recuperação. Apenas continue a fazer de conta que não consegue abrir os olhos e nós avançaremos e começaremos a anestesia. Isso é tudo o que é necessário. Isso é um bypass contorno da faculdade critica e o implante do pensamento selectivo. Experimente, e ficará maravilhado como o que você será capaz de fazer com isto. A quarta edição do livro do Doutor Henry Munro ”Sugestive Terapeutics” contém uma documentação cuidadosa de todos os factos que tenho contado! Eu disponibilizei essa documentação para todos os meus estudantes, mas alguns médicos ainda estão hesitantes em usar a técnica de Mayo. Um médico que foi presidente da Anesthetists of New Jersey era um dos meus estudantes. Na terceira aula ele chegou cedo e disse-me o seguinte: “Essa semana toda eu tenho usado a técnica descrita e tenho trabalhado com somente vinte e cinco á trinta por cento da dose de pentotal que é habitualmente usada em cirurgia. Eu não entrego um paciente para o cirurgião se esse paciente não tiver a anestesia cirúrgica completa. Henry Munro estava absolutamente certo! Você consegue anestesia cirúrgica perfeita com vinte e cinco á trinta por cento do que é habitualmente usado…Isto é tão importante hoje como o foi em 1900! Hoje temos somente uma morte ocasional, mas também temos ocasionalmente algum tipo de lesão ligada á anestesia. Se eu posso ficar setenta e cinco por cento longe do ponto de saturação, eu nunca terei de me preocupar com nenhuma lesão da anestesia. Como anestesista eu posso dizer-lhe que isso é muito importante!” Assim que, mais e mais médicos estudantes começaram a usar esta técnica, que tem sido ignorada todos esses anos, os anestesistas levantavam-se na aula e contavam as suas experiencias com a técnica de 53 Hipnoterapia Mayo. Cirurgiõese anestesistas contavam que nunca tinham variado esta técnica; que eles a usavam para todos os procedimentos cirúrgicos. Posso dar-vos a história de um caso, depois da história do caso de cirurgiões e anestesistas que têm usado esta técnica. Foi-me dito por alguns tantos médicos de OB- Gyn obstetrícia e genecologia que isso funciona lindamente mesmo quando se está a aprender hipnose, e se continua a usar anestesia química para levar uma paciente a fazer o parto completo sem sentir uma única coisa. Mas e o homem da odontologia ou o médico a dar anestesia local? Ele falou para si mesmo, “Isso aplica-se para a anestesia geral, mas não se aplica para á local.” Sim, aplica-se! Pegue numa ampola de xilocaina e em vez de dar a ampola completa ao paciente, diminua-a para noventa por cento. Você terá tão bom resultado como se tivesse dado cem por cento. Com o paciente seguinte diminua para oitenta por cento, depois setenta, sessenta, cinquenta, quarenta por cento e descobrirá que por causa do pensamento selectivo que você implantou, em breve atingirá um ponto onde você estará a trabalhar com uma gota ou menos de xilocaina ou novocaína ou que quer que seja que estiver a usar, e terá uma anestesia tão boa como com a ampola inteira. Sinto muito orgulho pelo facto de eu como leigo, trazer a atenção dos médicos para a grande descoberta do Doutor Munro. Os médicos há muito que têm ignorado as descobertas dele. Aqui está a documentação que pode ser encontrada na quarta edição do maravilhoso livro do doutor Henry Munro “Suggestive Therapeutics.” “Vamos agora olhar aos factos que ostentam as evidências do valor do emprego de sugestões como um adjuvante na administração anestésica e a segurança do método para o paciente. “Alice Magaw, Dr. W.J.Mayo anestesistas em Rochester, Minnesota, que têm, com a possibilidade de uma excepção, anestesiado mais pacientes do que qualquer outra pessoa no mundo, têm o inquebrável record de aproximadamente dezassete mil anestesias sem uma única morte directamente do anestésico. “Em nenhuma outra clinica cirúrgica no mundo tem sido constantemente testemunhada pelos cirurgiões durante os vários últimos anos e, nenhuma outra clinica apresenta um grande número de casos difíceis para serem operados ou daqueles que são mais impróprios a terem resultados favoráveis para a administração de anestésicos. “No St. Mary´s Hospital, nas personalidades de Alice Magaw e Miss Henderson, os anestesistas de W.J. e C.H Mayo em Rochester, Minnesota nós vemos os resultados a partir dos débitos dos trabalhos cirúrgicos efectuados com uma quantidade mínima de fármaco empregue para anestesia, e o livre e inteligente uso da sugestão como um adjuvante para a sua administração. “E não foi com menor grau de prazer que, durante uma visita á Rochester durante o mês de Novembro, de 1907, eu encontrei estas mulheres realmente a colocar em prática, uma fase particular da psicoterapia que eu tão fortemente havia incitado aos cirurgiões durante os oito anos anteriores. 54 Hipnoterapia “Ambas, Alice Magaw e Miss Henderson, ficaram muitíssimo comprazidas dessa parte em particular da minha palestra para o Physicians` Club of Rochester em que exortei a importância da utilização da sugestão como adjuvante na administração de anestésicos, e citei o seu trabalho diário como uma ilustração da anestesia cirúrgica completa com o uso, mas pouco, de éter e o emprego da sugestão para satisfazer os requisitos individuais do paciente como um adjunto! Além disso, essas mulheres eram livres de falar que, o que elas sabiam da experiência quotidiana e o que eu tinha a proferir com referência ao uso da sugestão como um adjuvante na administração de anestésicos era verdade. “No Journal of Surgery, Gynecology and Obstetrics of December, 1906, Alice Magaw diz: “A sugestão é uma grande ajuda em produzir uma narcose confortável. O anestesista deve ser capaz de inspirar confiança no paciente e uma grande parte depende do tipo de abordagem…O secundário, ou o ego subconsciente é particularmente susceptível á influência da sugestão; portanto, durante a administração, o anestesista deve fazer essas sugestões, que serão as mais aprazíveis a este sujeito em particular. Os pacientes deverão ser preparados para cada estágio da anestesia com uma explicação do como é que é esperado que a anestesia o afecte…”Diga-lhe para dormir” com uma adição de éter tão pequena quanto possível.” “Pela aplicação de sugestão, cientificamente e sinceramente, é necessário pouquíssimo éter para produzir anestesia cirúrgica, e ainda menos clorofórmio para manter o paciente cirurgicamente anestesiado. Não estou a exagerar, no mínimo quando afirmo que é muito comum a circunstância de um anestesista que não compreende o uso da sugestão, usar de dez a vinte vezes mais, a quantidade de éter para anestesiar um paciente, do que é usada por Alice Magaw e Miss Henderson, que fazem uso de sugestão de todas as maneiras possíveis em uma dada operação. “Nem é a anestesia onde tais quantidades enormes de éter são empregues, um avo mais satisfatório do ponto de vista do cirurgião, do que é assegurado pelos Mayos. Ao contrário, não há período de excitação, nem agitação do paciente que imponha imobilização, e comparativamente poucos estertores respiratórios, nenhuma sensação de impulso, e não há administração hipodérmica no decurso da operação, e mais ainda, um inquebrável record de aproximadamente dezassete mil casos sem uma única morte pelo anestésico. “Mas o significado do emprego da sugestão como adjuvante para a administração de anestésicos vai muito além do perigo directo e imediato para o paciente durante o curso da operação. O cirurgião cujo os pacientes não têm reservas de energias, tão enfraquecidos e exaustos, com o cérebro e centros nervosos que presidem todos os processos fisiológicos do paciente tão seriamente e permanentemente lesionados, como é o caso com os Mayos, por conta do emprego da sugestão para obviar a necessidade de tais quantidades enormes de anestésico, simplesmente têm mais poder de recuperação deixado nas células do organismo, em qual a esperança de um resultado favorável de uma grande operação se baseia, e operações cirúrgicas em pacientes com o mínimo de quantidade de veneno dos 55 Hipnoterapia anestésicos para combater, são inquestionavelmente atendidos com melhores resultados, do que onde grandes quantidades de estupefaciente são usadas. “Inerente e dentro do mecanismo protoplásmico do organismo humano está um reservatório de energia disponível inexplorado, a qual ou é utilizada pelo emprego judicioso de sugestão para o bem-estar do paciente, ou é esgotada, desvirtuada, ou desperdiçada pelo uso indiscreto de anestésico!” Você descobrirá que esta técnica funciona com todo o tipo de anestesia química. Numa aula em Forest Hills, Long Island, um dos médicos leu uma carta aberta para mim, do Doutor Fein chefe no Queens County General Hospital. A carta convidava- me a falar num encontro especial do staff. O médico que leu a carta explicou as razões para o convite: “Diplomei-me em anestesia, e especializei-me particularmente em óxido nitroso. Quando você nos falou acerca dessa técnica, eu fiquei a imaginar o quão bem poderia trabalhar com óxido nitroso. Deixe-me dizer-lhe porque é que isso, é importante! Você mostrou-nos uma técnica onde podíamos diminuir a dose de óxido nitroso, eu experimentei com os primeiros cinquenta casos, e nunca tive que ir acima dos trinta e cinco por cento do óxido nitroso e sessenta e cinco por cento do oxigénio, e consigo iniciar com os meus pacientes desse ponto e diminuir a partir daí. Quando eu levei as estatísticas dos cinquenta casos ao Doutor Fein , ele disse; “Este é o melhor conjunto de estatísticas sobre o óxido nitroso que alguma vez vi.” Eu disse-lhe onde é que eu aprendi a técnica, e ele querque você fale ao staff.” Eu conversei com o pessoal, e depois dei o mesmo discurso antes do Queens County Medical Society . 56 Hipnoterapia Capítulo 9: Incontáveis Métodos de Indução As maneiras de induzir hipnose são quase incontáveis. E enquanto alguns métodos levam mais tempo que outros, todos eles podem ser usados para produzir o profundo estado conhecido como sonambulismo. Um estudante de Mesmer, um Marquês de Puseygur, descobriu o estado de sonambulismo acidentalmente. Tal como Mesmer, ele usou a árvore supostamente magnética. Um dia ele descobriu um jovem rapaz que se havia atado a essa árvore. O Marquês assistiu como o rapaz lentamente fechou os olhos e aparentemente adormeceu. O Marquês, extremamente assustado ordenou ao rapaz para desatar os nós, e para sua grande surpresa, o miúdo, sem abrir os olhos fez como ele rogou. Continuando a sua experiencia, o Marquês ordenou ao rapaz para andar para frente e o rapaz andou. Ele ordenou ao rapaz que parasse e ele parou. Após mais algumas ordens desse género as quais o rapaz seguiu ─até a ordem para abrir os seus olhos e despertar─. Puseygur proclamou a sua descoberta para ser sonambulismo, porque ele viu esse rapaz andar e executar ordens enquanto aparentemente adormecido. Isso foi o que originou o uso da palavra sonambulismo com ligação á hipnose. O termo tem sido utilizado desde que para denotar um estado hipnótico específico. É interessante notar que na verdade o rapaz entrou em sonambulismo por si mesmo, sem instrução de ninguém, provando o quanto é realmente fácil o procedimento hipnótico. Os métodos para alcançar o estado de trance são limitados apenas pela sua imaginação. Não existe maneira na qual você não consiga hipnotizar um paciente. Os praticantes dos velhos tempos usaram o método da fixação. Ou seja, eles tinham o sujeito a olhar fixamente pelo menos para uma luz ou um objecto brilhante e procuravam cansar os músculos a volta dos olhos, e assim alcançando o fechamento dos olhos. Uma vez que o fechamento dos olhos é o primeiro objectivo que deve alcançar, tudo o que precisa é um dispositivo que cause isso. Qualquer dispositivo causará isso, desde que você saiba da arte da sugestão, e desde que a pessoa espere ser hipnotizada. Substitua a palavra ”relaxado” for “hipnotizado” e todo paciente que precise dos valores terapêuticos da hipnose pode ser relaxado instantaneamente. Isso aplica-se até aos pacientes que nunca tenham sido condicionados previamente Os dispositivos empregues para alcançar o transe hipnótico são usados como catalisadores. Portanto nós chamamos a isso, métodos catalisadores de alcançar o transe. Aqui está um excerto de uma sessão de ensino a qual o habilitará a entender o que eu quero dizer: Elman: Eu quero alguém que nunca tenha estado aqui antes. Muito bem, sente-se aqui mesmo. Você não tem que se mover da sua cadeira… Eu vou tirar dar três bafos neste cigarro. Com o primeiro bafo os seus olhos começarão a ficar cansados… ao segundo bafo vai querer fechar os seus olhos… mas espere até ao terceiro bafo…nessa altura feche-os…Eles vão fechar e você nem será capaz de os abrir… Queira que aconteça… espere e deseje que aconteça… e veja 57 Hipnoterapia acontecer…Aqui vai o primeiro bafo…repare o quão cansado os seus olhos estão a ficar e deixe-os ficar cansados. Agora eles estão tão cansados que você quererá fecha-los, mas não os deixe fechar ainda. Agora, quando eu der o terceiro bafo eles vão fechar e trancar, deixe-os…Agora feche-os…Vai descobrir que estão trancados…Quanto mais forte os testa menos eles funcionam. Teste-os e descubra que nem os consegue fazer funcionar. Eles não funcionam de todo… Isso mesmo…Agora quando eu estalar os meus dedos, você será capaz de os abrir muito prontamente…Isso mesmo, pode abri-los… Aqui está o fechamento dos olhos por baforada no cigarro! Vamos tentar de outra forma…Alguém que nunca este aqui…Muito bem, queira que aconteça, deseje que aconteça e veja acontecer! Eu vou tomar um gole de água…apenas um gole…e quando o fizer, os seus olhos irão fechar, eles ficarão trancados e você nao será capaz de abri-los…Queira que isso aconteça, e veja isso acontecer…Feche os seus olhos e irá descobrir agora que eles estão trancados…Eles não funcionam de todo…Teste-os e verá que não trabalham…Quando mais forte tenta, menos eles trabalham…Quando eu estalar os meus dedos eles irão abrir prontamente…Agora pode abri-los! Agora você descobre o fechamento-dos-olhos alcançado por tomar um gole de um copo de água. Estou a mostrar-vos isso em pessoas ainda não condicionadas. Se eles querem o fechamento dos olhos eles, conseguem ter. Vamos ter outra pessoa que nunca tenha estado aqui antes…Eu vou tocar na minha cabeça…Isso é tudo o que vou fazer… E quando eu tocar na minha cabeça os seus olhos vão fechar, e trancar e você nem será capaz de os abrir…Queira que isso aconteça e veja isso acontecer…Agora feche os olhos…Perceba que eles já estão trancados e quando você os testar eles não vão funcionar de todo…Teste-os e verá que não vão…Aqui nós temos um fechamento dos olhos perfeito outra vez…Muito bem, pode abrir os seu olhos agora! Deve ser perfeitamente evidente para você que, se eu posso fazer isso com um cigarro, com um copo de água, com um toque na cabeça, eu consigo também fazer a assobiar uma moda, a cantar uma canção, a fazer uma pose, a virar as costas, a sair da sala. Ou de qualquer outra maneira. Porquê? O que acontece? Ele queria o fechamento-dos-olhos por isso seguiu as instruções. Qualquer um pode fazer a mesmíssima coisa! Alguém irá sempre dizer,” Se você consegue hipnotizar por qualquer meio dentro da sua imaginação, hipnotiza por não fazer nada porque nada é algo que neste caso, torna-se num método pelo qual se hipnotiza. Consegue fazer isso?” Claro que consegue! Mas você tem de saber a teoria por trás disso. Eu devo fazer chegar á pessoa o facto ideia de que, quero que ocorra o fechamento-dos-olhos…Eu vou provar isso como toda a gente na sala…Não vou fazer nada e vocês todos vão ter o fechamento-dos-olhos…Experimentem…Vocês aperceberam-se do numero dos que tiveram o fechamento-dos-olhos? Eu vejo muitos de vocês a testar, então sei que tiveram. Os únicos que não conseguiram são aqueles que nem tentaram. Não é necessário bater na sua cabeça…limpar a sua testa…acender um cigarro. Não é necessário fazer nenhuma destas coisas. Você não tem que trazer a mão para baixo em frente aos olhos da pessoa. Você não tem que usar o método dois- dedos-olhos-fechados. Você pode não fazer nada, mas transmitindo a ideia do 58 Hipnoterapia fechamento dos olhos, continuará a ter um bom fechamento dos olhos como possivelmente tem! Agora estamos armados de informação como nunca estivemos antes, e armados com a informação que você consegue o fechamento dos olhos meramente por transmitir a ideia, nós deveremos de ser capazes de conseguir um estado de hipnose melhor do que qualquer um em que tenhamos trabalhado até este ponto, e nós podemos! Deixem-me mostrar-vos como é que se chegou a esta técnica. Eu usei-a para permitir que os meus estudantes tivessem um minuto para obter o estado mais leve, e dois minutos adicionais para ter o estado profundo. Isso acabou! Agora os meus estudantes têm que obter o estado profundo de hipnose em um minuto…Esta noite vamos praticar a rotina de três minutos, mas assim que estiverem mais aptos com a hipnose, eu quero que sejam capazes de encurtar para um minuto a partir do tempo que começarem a trabalhar com o vosso paciente… Vocês irão trabalhar com hipnose profunda, não o estado de relaxamento, não o estado pré- hipnótico, com hipnose profunda!…E quero-vos a trabalhar para esse fim e a praticar para esse fim. Somente fazendo hipnose nos seus estados mais profundos possíveis em questão de minutos, nós iremos ser bem-sucedidos em fazer da hipnoseuma parte importante da medicina…Então esta noite enquanto vocês praticam a rotina de três minutos, eu vou mostrar-vos como avançamos para a obter em um minuto, e quero que cada médico na aula seja capaz de fazer em um minuto! Vamos ter aqui, alguém que não tenha estado antes e seguiremos a partir daí. ─para o paciente─: Pode respirar calma e profundamente e feche os seus olhos. Agora relaxe os músculos a volta dos seus olhos até ao ponto em que esses músculos não funcionem, e quando tiver a certeza que eles não funcionam, teste-os e tenha a certeza que não funcionam…Não, você está a comprovar que eles funcionam…Relaxe-os ao até ao ponto em que não funcionam e quando tiver a certeza que não funcionam teste-os…Teste-os forte. Alcance um relaxamento completo nesses músculos a volta dos olhos…Agora deixe que essa sensação de relaxamento desça directo até as pontas dos dedos dos pés…daqui a momentos faremos isso outra vez, e quando fizermos na segunda vez você será capaz de relaxar dez vezes mais do que está relaxado agora…Agora abra os seus olhos. Feche os seus olhos…Completamente relaxado, permita-se a ser coberto com um manto de relaxamento…Agora vamos fazer a terceira vez e, será capaz de dobrar o relaxamento que você tem…Abra os seus olhos…Agora relaxe…Eu vou levantar a sua mão e larga-la, e se você tem seguido as minhas ordens até este ponto, essa mão estará mole como um pano de loiça molhado, e cairá na sua perna…Agora deixe-me levantar…Não a levante deixe-a pesada…Isso mesmo…Mas vamos abrir e fechar os olhos outro vez e dobre esse relaxamento e mande-o directo para os dedos dos seus pés…deixe a mão pesada como chumbo …Você sente quando está realmente relaxado…Agora sim você está… Você consegue sentir isso, não consegue? Paciente: Sim. Elman: Isso é um relaxamento físico completo, mas eu quero mostrar-lhe como você pode conseguir um relaxamento mental, tão bem como o físico, por isso eu vou pedir-lhe para iniciar uma contagem…Quando eu lhe disser…De cem para trás. De cada 59 Hipnoterapia vez que você disser um número, dobra o seu relaxamento, e quando estiver próximo dos noventa e oito você estará tão relaxado que não haverá mais números…Comece com a ideia de fazer isso acontecer e veja isso acontecer…Conte em voz alta, por favor. Paciente: Cem Elman: Dobre o relaxamento e veja os números começarem a desaparecer. Paciente: Noventa e nove. Elman: Veja os números começarem a desaparecer. Paciente: Noventa e oito Elman: Agora eles somem…Faça acontecer. Você tem que fazer isso, eu não posso. Faça-os desaparecer, dissipar, desvaneça-os. Todos eles sumiram? Paciente: Sim Elman: Este é o estado de sonambulismo, atestado pelo facto de que ele foi capaz de dissipar aqueles números…Vou deixar o paciente dizer-vos como é que ele se sente… Permaneça relaxado como está, e diga a estes exactamente, qual é o sentimento de estar dentro do estado…Como se sente? Paciente: Morno Elman: o primeiro sinal de hipnose, calor…Que mais? É um sentimento agradável? Paciente: Não é desagradável, destaca-se. Elman:Em outras palavras, neste estado o paciente sente que tudo está bem com o mundo, e qualquer coisa dentro da razão parece possível, e portanto o paciente aceita a as suas sugestões quase sem criticismo. Se é uma sugestão agradável e para o bem do paciente, ele irá aceitar inquestionavelmente a sua sugestão. Se ele tiver dúvidas sobre ser boa para ele mesmo, ele irá rejeitar… Você pensa que nesta altura, alguém pode persuadi-lo a fazer alguma coisa contra o seu código moral ou de ética? Paciente: Não. Elman: Não faz sentido de que se vocês hipnotizam uma pessoa, vocês podem coloca-lo a fazer qualquer coisa que ele normalmente não faria! A pessoa em hipnose ─e o paciente verificará o que eu estou a dizer─ tem uma maior consciência do que a pessoa não hipnotizada. Paciente: Está certo! Elman: Agora eu quero que vocês vejam que quando dão uma sugestão que seja razoável e prazerosa, a sugestão é aceite instantaneamente. Para propósitos médicos eu agora vou entorpecer a mão dele. Reparem a quão depressa a mão fica entorpecida, enquanto ele permanece no estado…Eu vou apertar a sua mão e quero que você se aperceba o quão rápido ela se torna entorpecida. Agora esta área estará completamente entorpecida e você não terá sensação nenhuma, de nada…Como está a mão? Paciente: Sinto-a entorpecida. Elman: Vocês vejam o quão rápido o pensamento selectivo ocorre uma vez que se atinja o estado. Se fosse necessário obter mais entorpecimento na mão dele, existem maneiras de torna-la tão entorpecida que você pode obter uma anestesia equivalente a qualquer anestesia química que possivelmente poderia usar…Agora 60 Hipnoterapia estamos todos a meio, e quando o fizer abrir os olhos a anestesia irá sumir. Note como estão bem as suas mãos e repare como se sente tão bem…Muito bem, abra os seus olhos…Como se sente? Paciente: Bem Elman: Reparem nos sinais. Ele esteve num estado de hipnose mais profundo do que qualquer um em que tenham trabalhado até agora. Qualquer um de vocês, que tem praticado e feito da maneira que é suposto ser, tropeçou ocasionalmente neste estado, sem se aperceber porque quanto mais o paciente está no estado, mais profundo ele vai. Alguns de vocês já têm tido sonambulismo bem nos vossos próprios escritórios, Mas agora a ideia é ter a vontade. * * * Vocês devem ter sonambulismo sempre que o tentarem a menos que haja rejeição uma-e-outra-vez pelo paciente. Em cada caso, a faculdade crítica é contornada, e o pensamento selectivo estabelecido depois o sonambulismo é alcançado…Seguindo o mesmo procedimento, no entanto, as vezes vocês têm uma resposta que é bastante diferente. Como no caso de outro paciente com o qual estou agora a trabalhar. Paciente: Eu consigo continuar a pensar no número seguinte. Elman: Se você consegue, faça esse número desaparecer. Paciente: Cada vez que eu tento dizer um número, eu alcanço o seguinte ao mesmo tempo. Elman: Tudo bem. Qual é o seu primeiro nome? Paciente: Ken. Elman: Kent ou Ken? Paciente: K-E-N Elman: K-E-N. Eu escrevi isso no seu dedo tal e qual como numa ardósia , e com os olhos da sua mente você consegue ver tão claro como se fosse numa ardósia. Não é verdade? Paciente: Sim Elman: Agora eu vou fazer algo, que eu penso que você gostará. Vou apagar do seu dedo, da ardósia e da sua mente, tudo ao mesmo tempo.Eu esfreguei-o para fora do seu dedo e sumiu completamente…Agora tente dizer-me o que eu tirei da sua mão. Paciente: Não encontro. Sumiu. Não consigo lembrar. Elman: Isto é o teste para a resistência…Ele passou o teste lindamente. Eu sabia que não havia resistência. Ele estava a encontrar dificuldade em fazer os números desparecerem porque o número seguinte vinha logo, mas feito desta maneira ele conseguiu fazer o nome desparecer do seu dedo tão facilmente. Agora, ─para o paciente─ pode descrever a sensação de dentro do estado? Paciente: Meu nome. Elman: Você o trouxe de volta? Paciente: Eu nunca o deixei. Elman: Então porque não me diz o que tirei da sua mão? 61 Hipnoterapia Paciente: Demasiado cansado. Elman: Isto é o estado artificial do sonambulismo porque ele tem o que é conhecido como afasia ─falta de vontade, inabilidade─ um desejo de não falar. Ele disse, “muito cansado”. O que indica afasia. Quando vocês obtêm afasia, vocês têm um estado de hipnose que não é nem de perto tão efectivo como o verdadeiro sonambulismo. E se vocês querem fazer com ele, procedimentos operativos difíceis, neste ponto não serão capazes de o fazer! Eu chamo a isso estado artificial de sonambulismo. Ele tem que fazer aqueles números ou aquele nome desaparecerem antes de termos o verdadeiro estado, porque afasia é uma coisa, amnésia é outra! E eu quero ter a certeza de que aamnésia está lá! Então [para o paciente] faça esses números desaparecerem completamente!...Expulse-os…Eles sumiram? Paciente: Não. Elman: Faça-os desaparecer. Eu vou levantar a sua mão e larga-la, e quando eu o fizer, o resto desses números cairão. Queira que eles sumam e veja-os ir embora…Foram? Paciente: Sim. Elman: Agora eles sumiram…Porque é que verifico cuidadosamente? Porque eu espero que os estudantes verifiquem cuidadosamente! Eu teria tido fracasso com quase tudo o que tentasse com ele, enquanto ele se agarrasse a esses números e tinha pouca vontade ou incapacidade de falar. No instante em que ele fez os números desaparecerem, ele conseguiu sentir a diferença…Eu considero o verdadeiro estado de sonambulismo como um estado muito desejável. Eu não poderia fazer um procedimento doloroso num paciente que não alcance o verdadeiro sonambulismo porque tudo o que poderíamos obter seria analgesia! Isso é um facto científico, positivo de que quando se obtém sonambulismo artificial não se obtém anestesia com ele. Quando se é principiante no trabalho com hipnose encontra-se sonambulismo artificial quase frequentemente. Vocês devem aprender como se livrarem disso. Vocês têm que causar sonambulismo artificial para o tornar em sonambulismo verdadeiro antes de obterem os resultados que vocês querem! Mesmo após terem aptidão com técnicas hipnóticas, ocasionalmente vocês encontrarão sonambulismo artificial. Aprendam a reconhecer o que é e não tentem fazer trabalhos difíceis com isso. O levantar e largar da mão é uma boa técnica para mudar do artificial para o verdadeiro sonambulismo. 62 Hipnoterapia Capítulo 10: Hipnose em vigília e sugestões em vigília Antes de discutirmos mais sobre as técnicas de aprofundamento em hipnose, eu penso que é necessário que você conheça uma fase da hipnose que raramente é mencionada nos manuais, ou então é descrita inadequadamente. Para fazer isso devidamente, iniciaremos com uma história acerca do meu filho mais velho. Quando Jackie tinha cinco anos de idade ele desenvolveu o hábito de se levantar cerca de duas horas após adormecer. Normalmente acordava do sono a gritar. Quando a minha esposa ia conforta-lo ele dizia, “tive um sonho tão mau e assustou- me.” Ela falava com ele por algum tempo e depois sugeria-lhe para voltar a dormir. Ele recusava voltar a dormir com medo de que voltaria ter o mesmo pesadelo. Depois de muito aconchego, ele poderia tentar adormecer, por um bom tempo mas sem sucesso. Uma noite na chegada a casa e o encontrei acordado e a chorar pesarosamente. Ele contou-me acerca dos pesadelos. Eu disse-lhe, “ Tu não tens que ser amedrontado pelos maus sonhos. Existe uma cura muito boa para eles que o meu papá usou comigo. O meu papá comprou-me um medicamento de sonhos, e depois de toma-lo nunca mais tive maus sonhos. Já faz muito tempo desde que ele me deu aquele medicamento do sonho e eu não sei se eles fazem mais, mas ficarei feliz em fazer uma chamada para a drogaria para descobrir se eles ainda têm algum. “Ele disse,” Oh, papá, podes fazer isso por favor? Se eles não têm talvez possam encomendar algum.” Eu saí do quarto e fui para a sala onde estava o telefone. Eu fingi telefonar para a drogaria. Depois poisei o receptor e fui para o quarto do meu filho e disse ”O funcionário da drogaria disse-me que havia e que vinha entregar imediatamente e que tudo que nós tínhamos de fazer era esperar alguns minutos que ele estaria aqui. Desculpei-me e fui para outra sala e disse á minha esposa para sair até ao hall e tocar a nossa campainha da porta, mas para o fazer muito silenciosamente para que tudo o que o Jackie ouvisse fosse a campainha e não o som dela a sair para o hall. Então eu voltei para junto do meu filho. Muito rapidamente a campainha tocou e eu disse, “ Isso deve ser o medicamento do sonho. Eu vou busca-lo para ti.” Eu arranjei um pretexto para responder ao toque da campainha, abrindo a porta com bastante barulho e agradecendo ao moço das entregas imaginário, por ter sido tão prestativo com isso. Eu falei alto para o meu filho,” O medicamento do sonho está aqui. Eu levo-o para ti assim que eu o desembrulhar da embalagem.” Depois fui até a casa de banho peguei um frasco de medicamento vazio e enchi com água limpa. Colei um rótulo no frasco e gravei “Medicamento do sonho.” Depois peguei num copo normal e enchi com água. Levei o frasco do medicamento e o copo normal com água ao quarto do meu filho e disse-lhe,” Isto é um pouco amargo por isso é melhor preparares-te para tomares este copo de água depois de eu te dar uma colher de chá cheia com medicamento.” Enchi uma colher de chá e dei-a ao meu filho, rapidamente acompanhada com um copo de água. Depois dei-lhe um beijo de boa noite, e disse-lhe que iria adormecer num minuto, e assim foi. Ele não teve pesadelos depois disso e a 63 Hipnoterapia cada noite ele pedia o medicamento do sonho antes de ir para a cama e, de seguida ele dormia durante toda a noite. Chegou uma altura em que me disse com bastante orgulho que acreditava poder tomar o medicamento do sonho sem um apoio. Eu disse- lhe, “Isso é maravilhoso. Vamos experimentar pelo menos uma vez para ver se consegues.” E então ele tomou uma colher de chá cheia de água limpa do frasco do medicamento e disse.” Eu consegui, papá. E nem dei conta nem um pouco.” Nós usamos o medicamento do sonho com todas as nossas três crianças e aqui está um facto interessante; recentemente falei acerca do medicamento do sonho com o meu segundo filho, Bob, que tem trinta e três anos. Perguntei se ele lembrava do medicamento do sonho, e ele recordou-se. Depois perguntei-lhe se sabia que isso era uma forma de hipnose. Ele disse, pai eu tenho conhecimento que isso era hipnose há muitos anos, mas deixe-me contar uma coisa que eu penso que o irá animar. Desde que você me deu o medicamento do sonho, tenho tido o hábito de tomar um gole de água um pouco antes de ir para cama, e depois durmo tranquilamente durante toda a noite. Depois que casei, a minha esposa apanhou o hábito de tomar um pequeno gole de água antes de ir para cama. O medicamento do sonho deve ter ficado poderoso porque tenho-o usado com sucesso desde que eu me lembro.” A história do medicamento do sonho ilustra um fenómeno conhecido como “hipnose em vigília”. Por causa da interminável confusão na literatura da hipnose sobre dois distintos fenómenos ─a sugestão em vigília e a hipnose em vigília─ eu vou tentar clarificar estes dois estados completamente diferentes. A hipnose em vigília pode ser um dos seus mais valiosos aliados na medicina ou odontologia. De facto é firme a minha convicção de que ninguém pode saber hipnose sem ter conhecimento da hipnose em vigília. O verdadeiro uso da hipnose deverá ser este: Quando encontrar resistência ao estado de transe, use hipnose em vigília. Onde você estiver a tentar ganhar tempo, use hipnose em vigília. Você obterá os seus resultados de curto alcance muito bem. Mas onde o tempo não for essência, você descobrirá que para muitos propósitos no “a longo termo” o estado de transe servi-lo-á melhor que o estado de vigília. Aqui está uma definição da sugestão em vigília: A “sugestão em vigília” é uma sugestão dada no estado normal de consciência que não precipita á um estado de “hipnose em vigília” Por exemplo: Alguém uma pessoa na sala boceja. Alguém a vê a bocejar e boceja também. Outra pessoa a vê bocejar, e a terceira pessoa boceja, e você, rapidamente tem uma sala cheia de pessoas a bocejar. Isso é “sugestão em vigília”. Qualquer um de nós já viu isso ocorrer! Não há envolvimento do Bypass contorno da faculdade crítica. Outra forma de “sugestão em vigília” é esta: Eu poderia dizer a você” Doutor, queira sentar-se.” Ou “Entre Sr. Jones.” Qualquer destas menções é uma sugestão em vigília. A hipnose em vigília não está envolvida porque nãohá o bypass contorno da faculdade crítica. Agora deixe-me mostrar a diferença entre a “sugestão em vigília” e a “hipnose em vigília”: Quando o efeito hipnótico é alcançado sem o uso do estado de transe, 64 Hipnoterapia tais efeitos hipnóticos são chamados de “hipnose em vigília”. Em cada caso, envolve um bypass contorno da faculdade crítica e a implantação do pensamento selectivo. Deixe-me mostrar um exemplo de “hipnose em vigília”. Aqui é numa aula de demonstração, executada com um médico anteriormente desconhecido do professor. Elman: Doutor, você gosta de ir ao dentista? Doutor: Não, não gosto. Elman: Repare nisso. Eu vou apertar o seu maxilar três vezes. Você vai perder toda a sensibilidade no lado do maxilar em que eu apertar…Um, dois, três…E agora vem um homem de odontologia para aqui por favor…Você vai descobrir que aconteceu uma coisa incrível…Escolha qualquer um de todos esses instrumentos, e vá por dentro do lado direito do maxilar dele, ele nem vai aperceber-se de qualquer sensação ali…Acho que o homem aqui irá surpreender-se, eu entendo porque ele próprio é um anestesista…Ele tem anestesia perfeita, verdade? Doutor: O que é que ele fez? Elman: Ele cinzelou-o forte o suficiente de forma que normalmente você teria batido no tecto. Foi com isso que ele fez…Muito obrigado, é tudo o que eu preciso de si por enquanto. Doutor: Quanto tempo é que isso durará? Elman: Isso durará o tempo que for necessário para estar na cadeira do dentista. Poderia durar duas horas, três horas, quatro horas. Contanto que ele tenha que trabalhar em você. E eu posso assegurar-lhe que é tão boa anestesia como a que você pode ter com xylocaina ou qualquer outra coisa. ─Um médico na audiência disse que esteve hoje no dentista e agora tem anestesia num lado da sua face. Ele gostaria de ter anestesia no outro lado─ Elman: Muito bem doutor. Por favor venha para aqui. Se você tem anestesia de um lado, eu vou provar-lhe que a anestesia hipnótica consegue ser ainda melhor que a anestesia química. Vejam isso, eu quero fazer um teste nos dois lados. Eu vou apertar o queixo dele três vezes, e ele vai perder toda a sensibilidade na face. Um, dois, e agora, o queixo estará completamente entorpecido quando eu disser, três …Muito bem *para outro medico na audiência+ doutor venha para aqui por favor… Eu quero que você trabalhe em ambos os lados porque ele tem anestesia química de um lado, anestesia hipnótica do outro. Veja se você encontra alguma diferença, veja qual delas acha melhor para sua anestesia! ─O médico faz o teste─ Há mais anestesia no lado da anestesia hipnótica, do que no lado da anestesia química … Doutor diga-lhes isso, por favor. Doutor: É verdade. Elman: Aqueles de nós que dominam a hipnose em vigília e sabem como usa-la conhecem o seu poder ─para que a anestesia que ele receba seja melhor do que anestesia química─. Deixem-me mostrar-vos a hipnose em vigília de outro ponto de vista. Elman: ─Agora dirigindo-se ao médico na audiência, dizendo-lhe para ficar de pé, em frente a cadeira. Pode dar-me o seu nome e endereço por favor. ─o medico deu o nome e endereço e Elman repetiu─. Muito bem eu vou estalar meus dedos e você vai 65 Hipnoterapia descobrir que não consegue pensar no seu nome ou no seu endereço. [ Estalou os dedos+. Tente dizer agora, e descubra que sumiram. Tente mais forte. ─O médico é incapaz de falar o nome e endereço─ Muito bem, agora você já consegue dizer. ─Agora o médico consegue dizer o nome e endereço─. Agora, por que funcionou? Eu disse-lhe “Queira que isso aconteça”, e ele gostou bastante da ideia que isso acontecesse. Ele disse para ele mesmo, ” Eu me pergunto-me se isso poderia acontecer comigo? Não é verdade senhor? Doutor: É verdade! * * * Todos os efeitos obteníveis com o transe hipnótico são obteníveis em muitas pessoas com hipnose em vigília. Nas demonstrações acima eu obtive anestesia, mais forte do que se pode obter quimicamente. Também obtive amnésia temporária com outra pessoa. Em estado de transe é preciso o sonambulismo para se atingir amnésia. Também atingi amnésia com um senhor na demonstração acima, a portanto tive sonambulismo no estado de vigília. Ele foi hipnotizado. No estudo da hipnose em vigila e da sugestão em vigília, todos os fenómenos pós-hipnóticos estão excluídos por que a hipnose em vigília não é pós-hipnótica. Poderá talvez ser alcançada em pacientes que nunca conheceram o estado de transe. Mais uma vez, a hipnose em vigília é usada como uma alavanca para entrar no estado de transe profundo. Portanto o conhecimento sobre sugestão em vigília e da hipnose em vigília farão de vocês melhores operadores. Agora deixem-me mostrar a hipnose em vigília em grupo. Um grupo inteiro de pessoas pode ser hipnotizado com a seguinte experiencia. Na presença de um número de pessoas, parta e abra um ovo perfeitamente fresco. Faça uma cara de nojo e exclame, “Ufa, esse ovo cheira a podre. Eu não comeria isso por um milhão de dólares. Caramba, isso é terrível. Cheirem isso, alguém consegue?” Então passe esse ovo a volta das pessoas para o cheirarem. Pessoa após pessoas dirão “Esse ovo tem um cheiro terrível”. E algumas ainda dirão “Porque parece mesmo ruim”. Essas pessoas têm estado alucinadas ao acreditar que o ovo fresco estava estragado. Para todos os efeitos e propósitos, elas foram completamente hipnotizadas. Muitos contestarão de que essas pessoas não foram hipnotizadas, por não terem entrado em transe de forma alguma. Bem, vamos examinar os factos. Você aprendeu que a hipnose é um estado da mente no qual a faculdade crítica é contornada, tornando o pensamento selectivo possível. Tem-lhe sido pedido para obter o estado praticando em si e com outros, por forma a incrementar a sua habilidade em instar uma sugestão tão fortemente nos seus pacientes que você bypassa contorna a faculdade crítica ─que é a capacidade de julgar questões seleccionadas com precisão, e substituir o julgamento do paciente nestas questões seleccionadas pelo seu próprio julgamento─ quando você alcança o estado da mente, você tem hipnose. E agora você está a aprender que não precisa do estado de transe para alcançar verdadeiramente a hipnose e os efeitos hipnóticos. Considere o caso do ovo novamente. Quando você exclama” Ufa, este ovo cheira a podre. Eu não o comeria nem por um milhão de dólares.” Você faz uma 66 Hipnoterapia declaração positiva de um facto aparente, no qual os seus ouvintes aceitarão como valor certo. O respeito pela sua opinião é a causa pelo qual acreditam no que você diz mesmo antes de cheirarem o ovo! Tendo minimizado a habilidade deles em avaliar o ovo de forma precisa, você pede para que eles o façam e eles fazem-no ─não com faculdade crítica deles, mas com a sua─. Você concretizou a hipnose. Você alucinou dois dos sentidos deles ─o da visão e o do olfacto─. Você tornou a hipnose tão efectiva como um transe o pode tornar. Se subsequentemente a alucinação não for exposta, os seus ouvintes permanecerão convencidos até ao fim dos seus dias de que o ovo estava em avançado estado de putrefacção. Outra experiencia que pode ser realizada facilmente com apenas uma pessoa. Suponha que estivesse a ver uma enfermeira de olhar inteligente em um uniforme justo e elegante, e que dissesse a ela:” Senhora ─qualquer coisa─ importa-se d ese voltar uma vez? Há qualquer coisa com esse uniforme que me intriga.” A enfermeira seguirá as suas instruções. Então suponha que por momentos você olha para ela com olhar crítico, e diz; “ Humm agora vai girar para o outro lado, vai por favor. Estava a pensar acerca do que estaria errado. Muito obrigado. Tenha um bom dia!” Nesta altura você pode afastar-se sem dizer mais nada, e você terá precipitado estimulado a hipnose. Apesar das outras enfermeiras assegurarem que está tudo em ordem com ouniforme, a enfermeira a quem você aparentou criticar, terá a certeza de que o vestido dela estava muito comprido, muito apertado, muito pequeno, muito grande, ou que abaulou ou não cobriu certo as partes erradas. E quanto mais ela se preocupa, mas ela questiona a sua própria avaliação quanto ao ajustamento do uniforme. Quando a habilidade dela em avaliar o uniforme estiver suficientemente minimizada, ela iria substituir o que ela acreditaria ser o seu julgamento considerando ser o dela mesmo. Sem a ajuda do estado de transe, você terá contornado a faculdade crítica dela, e implantado tão firmemente uma sugestão que ela ficará satisfeita apenas quando mudar os uniformes. Agora vamos deixar a hipnose em vigília por um pouco, e vamos voltar para a sugestão em vigília. Todos os homens da ortodontia dirão que tem visto pacientes que vão aos seus consultórios a sofrer com dores de dentes. A medida que o paciente entra, a dor desaparece. Ele teme o dentista, mais do que teme a dor de dente. E depressa decide que o dente não doe mais. Pensar no dentista afastou a dor. Aqui está outro exemplo: Um paciente de acidente é levado às pressas para o hospital. Ele parece estar mal. Ele está numa mistura de choque e pânico. Na sala de emergência ele ouve as palavras tranquilizadoras,” Nada de sério. Ele consegue. Ele vai fazer tudo certo” e nesse instante ele começa a responder. Essas palavras mágicas “nada sério grave provavelmente têm salvado milhares de vidas. E aqueles de vocês que têm trabalhado em salas de emergências, têm visto isso acontecer e têm questionado por quê que isso acontece. A sugestão em vigília fez o truque. Este fenómeno não é hipnose em vigília, mas sugestão em vigília. Contrariamente o médico diz ao paciente. “Isso vai doer um pouco.” O paciente fica tenso e aquilo que deveria ser uma intervenção menor, quase que se torna numa das maiores ─dores induzida por sugestão─. Todos os estudantes das escolas de medicina ou ortodontia são 67 Hipnoterapia informados pelos seus professores, “ Nunca faça nada ao paciente de surpresa mantenha-o informado do que você está a fazer em todas as etapas.” A maneira dos médicos avisarem-nos de uma maneira fácil é dizerem” Isso vai ser um pouco desconfortável, isso vai doer um pouco, mas nós vamos tentar minorar consigo,” e ele pensa que vai ser fácil para o paciente, quando de facto e ele tornou cerca de dez vezes mais duro. Ao invés de dizer, “Isso vai doer um pouco,” diga “ Bem, agora eu vou fazer algum trabalho no seu braço, eu penso que você nem se aperceberá disso, “e imediatamente faz-se o pequeno procedimento tornar-se fácil e simples para o paciente que realmente não o sente! Isso é sugestão em vigília, roçando talvez a hipnose em vigília, e usado construtivamente. A falta de simpatia em doenças psicossomáticas é tida como uma das grandes causas do sofrimento dos pacientes. O facto de o médico ter dito, “Bem, nós não conseguimos encontrar nada de errado consigo. Isso deve ser da sua mente,” causa paciente após paciente, o sentimento de que ele caminha para a insanidade. Os psiquiatras têm confirmado isso muitas vezes nas discussões dos seus problemas comigo. Eles têm dito: “ Os médicos mandam-nos os pacientes assim. Essa é a maneira como eles apresentam o paciente ao psiquiatra. E isso significa que temos de trabalhar cerca de seis meses mais, por causa de uma apresentação inapropriada ao psiquiatra feita pelo médico.” Um tratamento compreensivo de dores e estados dolorosos psicossomáticos dá ao paciente a atitude necessária para ajudar a sua recuperação. Não há um único homem em psiquiatria que não concordará com essa afirmação. Vamos voltar á hipnose em vigília, e mostrar exemplos na medicina e ortodontia. Existem alguns médicos que por vezes não acham aconselhável, aplicar ou autorizar a aplicação da tão comum injecção hipodérmica estéril. Isso é útil numa variedade de casos. É uma técnica de hipnose em vigília. Existem muito mais coisas que a medicina poderia ter obtido da hipnose, mas não obteve, e que poderia ter sido bastante benéfico. Por exemplo, não há um médico no século dezanove, eu acho, que não conheça esta proeza que eu vou mostrar agora. Isto é provavelmente o adjuvante mais útil dos médicos ou dentista que trabalham com um “regurgitador” ─pessoa com refluxo esofágico vomito─ Gostaria de mostrar uma técnica valiosa para parar a regurgitação. Esta demonstração teve lugar numa aula, e o “paciente” era um médico que tinha tendência para o regurgito durante a examinação oral. Elman: Doutor venha aqui e examine a garganta deste senhor, da maneira que você quiser, tente-o fazer regurgitar depois de eu mostrar a ele o que fazer… [para o paciente] Agarre este lápis firmemente com as duas mãos, e você irá descobrir que não consegue vomitar enquanto segurar esse lápis firmemente. Veja isso… *para a o médico examinador] faça qualquer exame que você queira. Você não será capaz de faze-lo regurgitar enquanto ele agarrar o lápis…Doutor use essa técnica, e eu garanto- lhe que você consegue fazer o trabalho dental. Apenas agarre o lápis ─é tudo─ agarre o lápis com as duas mãos. E terá um óptimo resultado. * * * 68 Hipnoterapia Nesta demonstração o “paciente” finalmente regurgitou quando a úvula foi tocada; esse é o mecanismo gatilho da natureza para o fazer regurgitar. Então não foi sugerido que se afastasse o mecanismo da natureza. Mas eu sugeri afastar o mecanismo gatilho, que no passado fez com que a úvula deste homem reagisse muito antes do médico o fazer. Noventa e sete de cem pacientes que regurgitam, serão beneficiados por esta técnica. Quem é a pessoa que que não quererá ser beneficiada por esta técnica? A pessoa que regurgita por causa de um acidente traumático do seu passado. Recentemente um dos meus estudantes, um psiquiatra, disse-me ” Senhor Elman, a minha esposa tem uma doença rara. O seu efeito é a falta de saliva. Desde há vinte e cinco anos que ela não tem saliva nenhuma, e por causa disso ela tem piorreia, perdeu todos os dentes, ela tem gretas nos lábios tão graves que requerem atenção médica.” Eu disse-lhe, Doutor, ela dever ter segregado produzido alguma saliva durante estes anos ou ela não conseguiria digerir a comida. Ela não poderia ter vivido durante vinte e cinco anos sem saliva.” Ele respondeu,” Bem, ela segrega muito, muito pouca. Eu disse-lhe que o que ela excretou devia ser muito bom, pois como ela estava de boa saúde. Então eu mencionei a possibilidade de que a dificuldade dela talvez tivesse uma base emocional. “ Oh não” disse ele. “Afinal de contas ela é esposa de um psiquiatra. Ela tem tido treino de enfermagem psiquiátrica. Por isso eu tenho a certeza que isso não é de origem emocional. Mas eu gostaria de a ajudar se você poder. Ela não consegue usar a dentadura. Por causa de não segregar saliva suficiente, a dentadura queima-lhe a boca e depois de a usar talvez por um dia, tem que ficar três ou quatro dias sem ela.” Ele pediu, apesar das suas dúvidas, se eu tentaria ajuda-la. Dez minutos de hipnoánalise revelaram isto: Há vinte e cinco anos ela esteve presa á um caso de tuberculose. A garganta tinha sido afectada, e agora tinha que ter as suas amígdalas fora. Os médicos responsáveis preferiram ter um especialista a executar a cirurgia. Eles chamaram um especialista de uma área distante. Contudo ela teve a estranha noção impressão de que as mãos do especialista estavam sujas. Ela estava sob anestesia local e acordada, e insistiu para que ele voltasse a lavar as mãos. Talvez essa alucinação de desasseio tenha sido despoletada pelo medo da operação. De qualquer forma, ela então ficou com a ideia de que se as mãos dele estavam sujas, os seus instrumentos também estavam sujos. Ela fê-lo reesteriliza-los mas para ela a operaçãofoi uma das horríveis, para falar no mínimo, e depois ela fez uma recuperação lenta. Agora todas as vezes que alguma coisa estranha entra na sua boca, não há saliva. Alguma vez deram conta de que quando estão assustados a boca fica seca? Um dos sintomas de muito medo, comum á muita gente é a falta de saliva. Eu sou de opinião de que ela está a abreagir á amigdalectomia de há vinte e cinco anos e que ela nunca teve nada mais do que um problema emocional, um pânico quase constante sempre que alguma coisa vem para perto da boca dela. Objectos estranhos tais como dentaduras podem, no nível abaixo do de consciência, lembra-la dos instrumentos médicos a entrar na garganta. Eu tenho a certeza que vamos alcançar 69 Hipnoterapia resultados gratificantes neste caso e que ela será capaz de usar a dentadura sem desconforto. Houve em definitivo um incidente traumático, e o marido dela disse-me depois, “Eu nunca, nunca teria suspeitado que essa situação poderia surgir a partir de um problema emocional.” Quando vocês encontrarem uma pessoa que tenha tido um incidente traumático como este, o paciente mesmo que segure o lápis, não conseguirá ter alívio de regurgitar. Felizmente, isso é raro, e, o lápis catalisador trabalhará lindamente com noventa e sete por cento dos casos. É estritamente hipnótico. Muitos casos de impotência têm sido tratados por médicos que prescrevem comprimidos de açúcar, com a garantia ao paciente que “isto fá-lo-á tão potente como um touro jovem.” È interessante notar que, médicos e dentistas fazem uso da hipnose em vigília todos os dias, mas estão completamente inconscientes disso. Uma das intenções deste curso é para chamar á atenção dos alunos para a utilização científica de tais técnicas. Agora se houver tal coisa como hipnose em vigília, se foi possível eu produzir anestesia num anestesista e amnésia noutro médico, deve ter havido uma chave explicação racional para o processo. No pensamento que passou pela mente do anestesista ocorreu algo parecido com isto: “Eu tenho visto Mr.Elman ter sucesso, e ele seria um tolo para tentar qualquer coisa que fosse provável de falhar diante de uma plateia de médicos. Não seria ele um idiota para dizer que eu estava anestesiado se eu não estivesse anestesiado? Ele deve saber do que está a falar. Eu devo estar anestesiado.” Portanto, ele fechou focou a mente em volta da ideia de que foi anestesiado, e por isso ficou anestesiado! Isso aconteceu simplesmente assim. Por que é que o outro homem teve amnésia completa por alguns segundos? Simplesmente porque gostou da ideia de isso acontecer! “Ele disse para si mesmo: Não seria interessante se isso realmente acontecesse? Ele teve amnésia porque a sua mente disse, “Eu iria gostar disso. Eu gostaria de ver como é que é o efeito disso.” No minuto em que ele pensou isso, a faculdade critica dele foi contornada, e o pensamento substituto foi usado, e ele teve amnésia. Seguindo as demonstrações acima descritas, o doutor que evidenciou amnésia confirmou esta hipótese. Há uma maneira específica e confiável para alcançar a hipnose em vigília ─deve haver, por eu não falhar muitas vezes nisso, por os meus médicos não falharem muitas vezes também─. Esta é a chave do processo: A mente do sujeito tem de fechar-se focar-se em volta de uma dada ideia. A criança que chora tem a certeza de que se a mãe a beijar a dor desparecerá. A enfermeira tem a certeza que a apreciação do doutor concernente ao uniforme dela é infalível; as pessoas presentes na experiencia com o ovo têm a certeza de que a primeira pessoa que passou a notícia acerca do ovo estava correcta; o anestesista estava certo de que eu seria o maior tolo no mundo se ele não estivesse anestesiado, então ele teve a certeza na sua própria mente de que estava anestesiado. A mente dele fechou-se focou-se em volta da ideia e por conseguinte ele teve anestesia. Para fazer com que a mente humana se feche foque em volta de uma dada ideia, as sugestões no estado de vigília devem ser dadas com completa confiança, com garantia segurança absoluta. Elas não devem deixar espaço para dúvidas. Se restar uma dúvida, normalmente a sugestão torna-se ineficaz. Portanto, é dar as sugestões 70 Hipnoterapia de tal forma que implique que o que você disser seja tão certo real de acontecer como a aurora o nascer do sol. Elas não devem deixar espaço para dúvidas. Todas as pessoas das experiencias descritas fecharam focaram as mentes em volta uma dada ideia que tinha a aparência de uma certeza. Primeiro, a mente do sujeito tem de fechar-se focar-se em volta de uma dada ideia. Segundo, a sugestão tem que ser uma das que o paciente quer deseja. Qualquer paciente a sofrer com dores intensas quer alívio. Ele está apto em acatar rapidamente as sugestões para o alívio do seu sofrimento. Qualquer paciente que enfrente a perspectiva de dor ─os pacientes odontológicos são excelentes exemplos ─ está preparado para hipnose em vigília. O paciente emocionalmente perturbado está geralmente pronto acessível para ouvir o médico que mostre simpatia e compreensão. Todas essas pessoas aceitarão as sugestões porque elas querem as sugestões. Agora, como transmitir essas sugestões? Deixe o paciente ouvir aquelas palavras das quais está ansioso para ouvir. Neste momento eu vou descrever uma experiência marcante que eu executo diante de médicos, e que não deveria ser propensa a ter tanto sucesso perante leigos. Aqui está a experiencia, conforme gravada na aula: todos vocês sabem que isso (segurando um jarro) é unicamente gelo e água e nada mais. Todos vocês sabem que isso são cotonetes (segurando um). Todos vocês sabem que gelo e água não anestesiam, e que cotonetes não anestesiam. E vou mesmo dizer-lhes que as palavras que vou usar são falsas. Todas as palavras que vou usar são palavras falsas. Mas isto são instrumentos cirúrgicos, meus senhores, que têm pontas afiadas, e elas são tão afiadas como qualquer agulha que vocês alguma vez tenham visto, e elas magoam como o diabo. Então vocês vejam que, mesmo a minha semântica sendo má ─ainda, usando semântica incorrecta, usando água gelada como meu agente anestésico, usando cotonetes, usando palavras que são falsas─, todos vocês vão ser hipnotizados pelo que eu vou fazer agora. Agora oiçam as palavras que uso, eu penso que que vocês vão adorar isso porque isso é uma verdadeira aplicação da hipnose em vigília, e vocês verão por que é que isso funciona… *dirigido ao médico+: Doutor, você sabe que algumas das drogarias têm surgido com algo realmente novo e interessante. Você sabe o que eles fazem? Eles colocam anestesia directamente no álcool, agora quando eu o pincelar com isso você fica completamente anestesiado, agora, enquanto trabalho nessa área, você sabe que estou a trabalhar ali, mas nada o incomodará, nada o perturbará. Veja doutor (aplicando uma pinça cirúrgica). O que você sente então? Nada na forma de desconforto? Medico: Nada Elman: Eu quero que você faça isso também no próximo médico. Descobrirá que isso funciona com ele tal e qual funcionou consigo…A maioria das pessoas nem consegue suportar isso por um segundo. E se você poder chegar ao ponto em que você possa segurá-la, baloiçar a volta e não se incomodar, se você sabe que pode deixá-la lá por um minuto sem se importunar; você está a chegar ao ponto onde você está a ter muito boa anestesia… (dirigindo ao médico que levantou a questão, porque é que algumas experiências podem falhar diante de leigos). Desde o dia que você começou a 71 Hipnoterapia exercer, quantas vezes você desejou ─quando pincelou um paciente na preparação para dar-lhe uma injecção ou na preparação para alguma coisa que você sabia que era desconfortável─ como tem desejado que pudesse anestesiar ao mesmo tempo que o pincelava. E quando eu vim com as palavras, ─Eles põem a anestesia directamente no álcool─, euestava realmente a ecoar repetir aquilo que você tem pensado abaixo do seu nível de consciência desde o dia em que começou a exercer. Estas palavras são particularmente bem-vindas aos ouvidos dos médicos. Ele diz para si mesmo, “Tudo o que eu tenho de fazer é dizer que eu obtenho anestesia. Vamos experimentar”. E porque ele obtém anestesia, ele fica maravilhado, mas esquece que ele está receptivo á sugestão. Se eu faço, esta mesma coisa em frente a um grupo de leigos, vou dizer- lhes o que vai acontecer todas as vezes ─e eu parei de faze-lo diante deles for essa razão─ Na segunda pessoa que eu fizer irá dizer, “Oh isso é muito sem sentido. Isso não tem possibilidade de funcionar.” Depois disso, toda a gente começa a sentir. Mas você jamais irá ouvir essa reacção num grupo de médicos, porque o médico diz. “Oh, irmão, como eu gostaria de fazer isso funcionar.” * * * Enquanto muitos dos meus médicos-estudantes têm usado hipnose em vigília lindamente, talvez um dos expoentes máximos do seu uso é um meu estudante no Midwest. Ele disse-me há algumas semanas depois de termos tido a sessão da aula descrita acima, “Pergunto-me quantos dos seus estudantes podem dizer que têm realmente feito cirurgia abdominal profunda com hipnose em vigília. Eu usei precisamente a técnica que você nos ensinou e obtive anestesia tão perfeita que fui capaz de prosseguir e fazer uma cirurgia num caso cardíaco onde de qualquer maneira eu não poderia usar muita anestesia de, mas desta forma, evitei o uso de qualquer anestesia.” Essa foi a técnica que ele usou no caso da cirurgia abdominal profunda que ele me descreveu. Ele perguntou ao paciente, “Já alguma vez antes esteve anestesiado?” Quando o paciente disse que esteve o médico continuou. “ Bem fico satisfeito em ouvir isso, porque nós temos aqui uma cápsula, que segue os padrões nervosos exactos da anestesia anterior. Tudo o que eu tenho a fazer é faze-lo engolir isso e você vai ficar completamente anestesiado em todas as áreas onde esteve anestesiado antes. Em cerca de trinta segundos você terá anestesia completa onde quer que tenha tido antes.” Ele fez o paciente engolir a cápsula, segundos depois, conseguiu ter grampos de toalhas agarrados em muitas partes do corpo deste, sem que o paciente os sentisse. Ele prosseguiu e fez a cirurgia. “ Quando pude ver que ele não sentiu os grampos de toalhas,” ele disse-me, “Eu soube que ele não sentiria sequer a incisão, então avancei para o serviço. Eu tinha testado com os grampos de toalhas nas partes moles da anatomia dele. Se ele tivesse sentido isso, eu não teria ido em frente com a cirurgia. Uma vez que ele não sentiu os grampos de toalhas, fui em frente e fiz a cirurgia.” Subsequentemente, este médico reportou êxitos semelhantes em mais quatro casos manuseados dessa forma. Com pequenas variações, você põe a hipnose em vigília em uso na prática médica ou odontológica da 72 Hipnoterapia mesma maneira. Aqui está a cena de uma aula na qual eu trabalhei com uma mulher que tinha um normalmente temido trabalho odontológico. Elman: Doutor, pincele o interior da boca dela. Conte-lhe a mesma história acerca de como eles põem ─A mesmíssima coisa que você fez antes─ e você terá anestesia perfeita na boca dela. ─O médico prossegue: é feito o teste.─ Satisfeito doutor? Claro. Bem, isso é como você pode usar hipnose em vigília na odontologia… ─dirigido ao paciente─ E senhora, posso perguntar, você sentiu alguma que seja? Paciente: Não. Nada! Doutor: Pode-se brocar com isso? Elman: Você pode brocar e mais qualquer coisa com isso. E terá tão boa anestesia como você nunca teve antes com a anestesia química…Agora, lembre-se, você deve fechar focar a mente do paciente em volta da ideia. Não pense que você pode dizer simplesmente, “bem, agora você será completamente anestesiado,” e começar a fazer o serviço. Porque se a mente dos pacientes não estiver fechada focada em volta da ideia, você não conseguirá. Você deve fechar focar a mente do paciente em volta de uma dada ideia, e a ideia deverá ser uma da qual o paciente é receptivo. Todos os pacientes querem anestesia, então eles são particularmente receptivos á ideia. * * * Agora como é que você pode usa-la nos outros ramos da medicina? Um dos meus ex-estudantes, o qual é adepto do uso da hipnose em vigília, voltou para a aula uma noite e diante de um grupo de outros médicos, contou esta história: O fabricante de um produto nacionalmente conhecido para o alívio da dor teve um acidente. Ele teve a mão colhida por um cortador de relva e a laceração requeria alguns poucos pontos. Foi um acidente muito doloroso. O médico disse ao fabricante que tinha acabado de receber uma preparação fármaco maravilhosa vinda de Viena, e que iria anestesiar toda a mão dele, então ele nem sentiria as suturas a serem feitas. Então ele procedeu a limpar e a pincelar a área com um placebo e pediu ao fabricante para dizer-lhe quando a mão estivesse completamente entorpecida. Em poucos segundos o fabricante disse “ A minha mão está completamente dormente agora doutor.” Então o médico prosseguiu a suturar, e quando ele acabou disse: “Esta anestesia continuará consigo até que a sua mão comece a sarar. Você nem terá qualquer desconforto.” O paciente estava pasmado ”Não senti coisa nenhuma.” Disse ele. “A dor desapareceu completamente, eu nem sequer sabia que tinha uma mão magoada a menos que olhasse para ela. Qual é o nome deste produto que você está a usar? Gostaria de analisa-lo e coloca-lo em uso neste país. Dê-me uma pequena amostra dele, para o levar ao laboratório para análise química.” O médico teve um pequeno e rápido pensamento e respondeu. “Não posso dá- lo nenhum, eu usei-o todo em si.” 73 Hipnoterapia Capítulo 11: Aplicações da Hipnose em Vigília Um especialista em radiologia uma vez disse-me que ele estava hesitante no uso da hipnose em vigília na preparação de pacientes para os clisteres de bário. Embora ele considere ser o clister de bário, o procedimento de radiologia mais desagradável, ele sentiu que a abordagem que sugeri significa ter de enganar os pacientes. Ele normalmente dizia-lhes, “Eu tenho de coloca-lo num procedimento que não é muito confortável, mas eu vou torna-lo tão fácil para si o quanto eu poder.” Eu argumentei que ele estava a dizer aos pacientes uma mentira, uma vez que o procedimento não tinha que ser desconfortável. Se eu fosse o radiologista, eu disse, eu abordaria os pacientes desta maneira:” Você é afortunado por estar aqui hoje. O médico que o recomendou disse-me que você tem tido muitas dificuldades ultimamente. Eu preciso de algumas radiografias, e com o fim de as obter eu vou revestir o forro do seu estômago com a medicação mais calmante tranquilizante alguma vez concebido.” O radiologista recusou em dizer aos pacientes algo tão “absurdo” até um dia em que ele teve de trabalhar atender um homem que já estava tinha um terrível desconforto. Em desespero, ele tentou a minha abordagem. O paciente ficou aliviado, e de facto, a verdade é que apreciou o clister de bário. O radiologista agora usa esta abordagem consistentemente. O único problema que ele tem encontrado é que alguns pacientes apreciam tanto a “medicação calmante” que eles retêm o bário e recusam deixa-lo sair. Ele resolve isso, ao dizer que irão sentir tanto benefício deixando-o sair como o que tiveram ao entrar. Outro médico aprendeu uma variação desta técnica para fazer exames em pacientes mulheres tensas. Um ginecologista ensinou-o a dizer a paciente que uma nova preparação fármaco tinha acabado de chegar de Viena ─Um anestésico especialmente concebido para tais exames.─ Ele deveria então pincela-la externamente com um pouco de gel medicinal ─espremidode antemão, deixado num frasco ou numa espátula─. Após esperar alguns minutos pelo efeito placebo para “fazer efeito” o exame poderia prosseguir sem mais problemas. Um urologista recomenda uma abordagem semelhante para tais procedimentos como a cistoscopia. O médico toca na ponta do canal com um lubrificante. Depois põe o lubrificante no seu instrumento, mas diz ao paciente que este lubrificante é um anestésico, e que nada será sentido durante ou depois do procedimento. Um proctologista disse “Eu nunca pensei que houvesse tal coisa como proctologia sem dor até começar a usar a hipnose em vigília.” Todos os acontecimentos acima são exemplos da aplicação da hipnose em vigília. Recentemente, um médico disse-me que o único problema que encontrou com a técnica, agora que ele aprendeu as aplicações adequadas, envolve enfermeiras (os) ao invés de pacientes. Nas biopsias e como isso assusta um pouco as enfermeiras quando o médico não pega a novocaína ─simplesmente começa a cortar. A minha resposta a isso é que essas enfermeiras e assistentes devem ser ensinados sobre o que 74 Hipnoterapia esperar de casos onde a hipnose é usada, e como agir apropriadamente na presença de pacientes hipnotizados. Uma aplicação de hipnose em vigília combinada com o transe é especialmente eficaz em fazer as crianças passarem por cima do medo de agulhas. E como a seguinte gravação da aula prova, pode também ser usada com adultos. Elman: Está alguém nesta sala que gostaria de ter uma área do corpo anestesiada num grau onde, a partir de agora, nunca mais sentirá novamente uma injecção? Nem nunca mais saberá que está tomar uma injecção nem enquanto esta estiver a ser dada. Alguém que teme terrivelmente uma injecção, e gostaria de ter um Ponto Mágico no seu corpo? Venha lá…Aqueles de vocês que não vierem vão ficar com muitíssima pena porque isto é uma oportunidade de obter algo que é fantasticamente bom! Este Ponto Mágico é espantoso… [ao sujeito] Pode subir um pouco a sua manga? Agora aqui está o melhor dispositivo para crianças. Até onde isso vai, isso funciona em adultos tão bem como em crianças, porque eu tenho um adulto aqui! Agora vejam isso…Eu quero que você abra bem olhos por favor. Eu vou puxar fechar as suas pálpebras para baixo. E tudo o que você tem de fazer é fazer de conta fingir que não consegue abrir os olhos e continue a fazer de conta fingir que não consegue abrir os olhos ─tanto, que quando você tentar abrir os olhos eles simplesmente não abrem─ …Agora deixe-me vê-la tentar abri-los enquanto faz de conta…Muito bem… Agora fique assim e continue a fazer de conta fingir que você não consegue abrir os olhos, a uma coisa surpreendente vai acontecer. Você vai ter um Ponto Mágico no seu braço. Uma vez colocado o Ponto Mágico em si, você nunca mais terá que sentir uma injecção. Você saberá que o médico está a trabalhar aí, mas nada o perturbará, nada a incomodará. Você nunca terá qualquer desconforto por injecção, nem antes, durante ou depois…Agora quem está habituado a dar muitas injecções, porque eu quero esta injecção dada da maneira usual assim que eu a tiver dado o Ponto Mágico …Agora vejam, eu pego nesta área e pinto um Ponto Mágico com álcool assim. Agora sempre que uma injecção é dada nesta ─ela será capaz de indicar o ponto ao medico─ não vai sentir nada mesmo excepto que ela saberá que você está a trabalhar mexer lá …Ela sentirá absolutamente nada…Agora doutor…Você verá ela nem vai sentir quando você estiver a fazer. ─a injecção é dada com uma agulha numero vinte e dois─ Agora, isso não bonito? ─ao paciente─ Você já tomou a sua injecção e você sabe que não sentiu, nem um pouco. A partir de agora você será sempre capaz de tomar injecções destas facilmente. Daqui a pouco, este Ponto Mágico que eu pintei no seu braço, não será mais visível para si nem para mais ninguém ─excepto para uma coisa importante─ você saberá exactamente onde é para que em qualquer altura que você tenha de receber tomar uma injecção, você será capaz de apontar a área exacta ao seu médico. Se desejar, você pode vê-lo a dar-lhe a injecção, e isso não a vai incomodar nem um pouco…Muito bem, abra os olhos…O que você sentiu? Paciente: Nada! Elman: Agora senhores, eu quero que vejam como é que isso funciona na vez seguinte em que o paciente precise de uma injecção. Então nós vamos fazer de conta 75 Hipnoterapia que este mesmo paciente veio ao consultório para outra visita consulta. Diga a paciente que você tem que dar outra injecção, e que como ela já sabe, isso não vai incomoda-la nada. Você pede para ela mostrar onde é o Ponto Mágico. Paciente. Exactamente aqui doutor. Elman: Muito bem, doutor. Aqui tem outra agulha. Prossiga e dê a paciente uma injecção da maneira usual. Apenas limpe a área com álcool como normalmente, e avance com a sua injecção…Jovem, eu quero que você veja o doutor enquanto ele lhe dá esta segunda injecção… ─o medico dá a injecção─ O que sentiu? Elman: E doutor, quando dispensar a sua paciente, afirme que está tudo bem, e que da próxima vês que ela precise de uma injecção, também será fácil assim… *para a paciente] Que o sangramento vai parar agora. Sangrou o suficiente, agora vai parar. Paciente: Já parou? Elman: Com certeza, parou! Paciente: eu vou lembrar-me deste ponto. Vai tornar-se util Doutor: O problema que eu tenho com crianças é que eles nem vão querer ouvir para começar. Elman: Se eles não quiserem ouvi-lo, então você terá que dar a injecção da maneira dura. Se eu posso prometer a uma criança,” Olha, se eu te der um Ponto Mágico para que nunca tenhas de sentir uma injecção de novo, gostarias isso?” depois não tenho problema com eles. Mas você tem que obter a atenção deles o tempo suficiente para conseguir cruzar este ponto. Os nossos pediatras que trabalham com um número tremendo de crianças ─que é o que eles fazem durante todo o dia─ dizem- nos que o Ponto Mágico é uma das coisas mais valiosas que eles conhecem. As mães e os pais dessas crianças, mais tarde vêm pedir os Pontos Mágicos para eles próprios. Quando a criança volta para a visita consulta seguinte normalmente diz, “Aqui mesmo doutor. Aqui está o meu Ponto Mágico." Doutor: Isso é hipnose em vigília? Elman: Isto é uma combinação do estado de transe e hipnose em vigília , desenvolvida por um pediatra, Doutor Earl Farrel de Cincinnati…Para começar você usa o fechamento dos olhos─depois dá a injecção─ na vez seguinte as crianças poderão ver a injecção. E eles serão capazes de olhar e não sentirão nada. Elas perdem todo o medo da injecção. Doutor: É na visita seguinte que você os deixa olhar? Elman: Sim! No entanto, suponha que você tem um paciente que necessita de injecções em vários sítios diferentes. Dê-lhe um Ponto Mágico em cada lugar. Dê a primeira injecção com os olhos fechados. Depois tenha-o de olhos abertos e a vê-lo dar as outras injecções. Algumas vezes, quando der a primeira injecção com os olhos fechados, a criança dirá.” Você não me deu a injecção” O doutor diz, ”Sim, eu dei. Aqui está onde eu te dei.” Doutor: Quanto a um exame abdominal externo? Podemos usar hipnose em vigília para isso? Elman: Sim! Você descobrirá que quando usar esta “agente relaxante” abordagem, eles relaxam automaticamente. Eles não têm nenhum controlo sobre isso. 76 Hipnoterapia A faculdade crítica deles está completamente bypassada contornada… Você vai descobrir que já tem a anestesia… Se você quiser fazer um exame externo em vez de um exame interno e você quer que os músculos do estômago estejam relaxados, esta é uma boa técnica. Se você descobrir, por alguma hipótese, que um ou dois músculos não estão completamente relaxados como você queria que estivessem, diga apenas,” Em cerca de dez segundos o agente relaxante vai alcançar essa área e até esses músculos vão relaxar.” Doutor: Eu gostaria de saber algumasfrases que eu possa dizer no uso da hipnose…Por exemplo, nos sabemos daquela,” Queira que aconteça e irá acontecer.” Elman: Não, você não deve usar essa na hipnose em vigília. Doutor: Então o que é que você diz? Elman: Você faz o que fizemos aqui. Doutor: Eu digo refiro-me com completos estranhos. Elman: Ainda diria ao estranho,” Eu agora vou anestesiar esta área para que você não sinta nada ─e nem este dispositivo que tenho de por pela sua garganta abaixo─ você não vai dar conta de nada, assim que tivermos esta anestesia aí. Doutor: E você pode fazer isso com dores de cabeças também? Doctor: Eu não tentaria remover uma dor de cabeça por hipnose em vigília. Use o estado de transe para remoção de dores de cabeça. Você terá melhores resultados. Você fará uso da hipnose em vigília da forma maneira que eu tenho indicado, e depois alargue o uso da mesma, na medida em que junto, vai aprendendo a usá-la mais e mais. Mas não tente usar a hipnose em vigília em detrimento do estado de transe. Em outras palavras, não a use como ”ao invés” medida. Isso é apenas mais uma ferramenta… Doutor: Quanta anestesia você consegue alcançar com uma criança? Elman: Na hipnose em vigília? Doutor: Não, em transe, no jogo de faz de conta! Elman: Você obtém uma anestesia perfeita, o equivalente a qualquer anestesia química, tal e qual você faz num adulto em sonambulismo. Você tem que dar a sugestão, “ Agora você não vai sentir nada, eu estarei a trabalhar aqui, mas não incomodará nem um pouco.” Aquelas coisas que você deve ultrapassar. Doutor. Com pacientes com dor aguda nas costas ou cancro nas costas ou as juntas sacro-ilíacas, eu poderia ter usado algumas sugestões para aliviar os espasmos musculares? Elman: Sim, mas para esse tipo de dificuldade os nossos médicos também obtêm melhores resultados com o estado de transe. Nós pensamos que temos controlo apenas sobre certos músculos e certos órgãos do nosso corpo, mas de facto, temos bastante mais controlo sobre muito mais dos nossos corpos do que pensamos! Por exemplo, foi possível para mim dizer a aquela senhora que recebeu a injecção,” Vai parar de sangrar” e assim foi! Porque eu sabia que se ela não olhasse, pararia de sangrar. Ela não olhou e parou o sangramento. Agora voltando ao espasmo muscular acerca do que o doutor perguntou, primeiro eu teria usado o estado de transe para deixar o paciente sentir o relaxamento porque o paciente consegue senti-lo melhor 77 Hipnoterapia quando ele se deixa ir para o profundo sonambulismo. Uma vez em profundo sonambulismo, eu teria pincelado a área com algum tipo de lubrificante e diria” Eu vou ter certeza de que nesta área, particularmente aqui que ocorreu o espasmo muscular” que esta área está relaxada! Agora você nem tem de fazer nada acerca disso, mas quando eu pincelar apenas fique relaxado e o agente relaxante fará o resto,” e você teria fechado focado a mente dele em volta da ideia de que os músculos estavam a relaxar. E o controlo interno que exercemos, ─como ela exerceu o controlo interno sobre o sangramento, mas não sabe disso─ sobre esses músculos interiores ter-se-ia manifestado sozinho e o espasmo muscular teria sido aliviado… Tanto quanto nós pensamos que sabemos sobre o corpo humano a partir dos nossos estudos de anatomia, que ainda não podemos olhar dentro da mente humana para ver como ele funciona. Tenho tido médicos que têm dito que acreditam que algumas doenças são causadas pela emoção. Outros dizem que a maioria das doenças é causada pela emoção. Eu não penso que a maioria dos médicos aceitaria esta hipótese e tenho a certeza que eu não o faria...mas todas as condições neuróticas são causadas pelas emoções, talvez até algumas físicas. Certamente isso explica por que é que nós temos controlo sobre sangramento. Os nossos dentistas após uma extracção dizem aos pacientes deles,” O sangramento parará quando alcançar o topo do bucal,” e o sangramento para como sugerido. Médicos também têm dado aos seus pacientes, sugestões para controlar sangramentos quando é indicado apropriado… Nós temos muito mais controlo do que pensamos que temos, e isso é o que torna possível aos médicos usar a sugestão da maneira indicada… Lembre-se disso, nunca deverá mascarar um sintoma com a hipnose. Você pode aliviar um sintoma mas você não pode nunca mascarar um sintoma. E se existir alguma patologia revelada pelo sintoma, será aliviada e facilitada, mas não irá desaparecer. Doutor: Em outras palavras, uma ruptura protusão discal não deve ser mascarada? Elman: Claro que não deverá ser. Você não poderá mascarar um sintoma. O paciente poderá até dizer, “As minhas costas estão bastante melhor, mas continua a doer aí doutor.” E depois, em pouco tempo doeria mais do nunca. Então você pode alivia-lo mas não mascara-lo…Aqui está um médico que já usou hipnose em quatro pacientes de cancro. Ele não pode mascarar um cancro. Eles sabem que têm dor, mas, ele certamente tem dado proporcionado bastante alívio a esses pacientes. Não é verdade doutor? Doutor : Sim. Eles nem estão a tomar aspirina! * * * Apesar do facto de eu a hipnose em vigília poder ser usada em todos os ramos da medicina, eu penso que o seu grandioso valor está na cirurgia profunda, em aliviar o stress tensão e preocupação do paciente antes da operação. São muito poucos os pacientes que encaram uma operação sem ansiedade. Cada um desses pacientes está completamente aberto a hipnose em vigília e a sugestão em vigília. Façam as vossas sugestões de tal forma tão confiantes e seguros, de maneira a que vocês possam ter evidências visíveis do desaparecimento dos sinais desagradáveis da ansiedade. Manter 78 Hipnoterapia até saberem que o paciente está preparado para encarar a operação com o espírito apropriado. Feche foque a mente do paciente em volta da ideia de que a recuperação será rápida e segura certa. ─que a operação não é uma das extraordinárias, mas que é feita todos os dias do ano em incontáveis inúmeros hospitais e os pacientes sempre recuperam disso rápido. E depois use a hipnose em vigília para remover o desconforto pós-operatório. Frequentemente eu recomendo aos médicos para terem colocar o paciente em transe hipnótico para as visitas consultas pré-cirúrgicas ou para as visitas consultas pré-anestesia. No entanto, quando pressionados pelo tempo, podem fazer sem o transe. Não estou a dizer que devem abdicar do transe. Mas estou a dizer que se houver alguma dúvida do sucesso nas vossas mentes, usem o estado de hipnose em vigília e fechem foquem a mente do paciente em volta da ideia de que a recuperação será ligeira e segura certa, e que os pacientes sempre se recuperam dessa cirurgia rápido. Fechem foquem a mente do paciente em volta da ideia de que não terá desconforto pós-operatório. Você pode contrariar neutralizar todas as coisas que estão a preocupar o paciente. Se por qualquer motivo o paciente indicar que tem o pensamento ou a sensação de que não irá recuperar da operação, cancele a cirurgia, ou cancele a sua parte nela de qualquer forma jeito, se possível. A história deste caso mostrar-vos-á como é importante a atitude pré- operatória: Há alguns anos, um cirurgião veio a aula e disse: “Eu penso que salvei uma vida com hipnose em vigília na semana passada. Eu fui chamado para fazer uma prostatectomia num homem com cerca de setenta anos de idade. Foi-me dito que ele teve uma cardiopatia e que ele não podia tomar apanhar muita anestesia, se é que alguma! Eu tenho tido o hábito de fazer visitas pré-operatórias, e pensei que deveria ir ver que se ele estava no estado mental certo antes de prosseguir para a operação com o mínimo de anestesia possível. Então fui para vê-lo e apresentar-me como o homem que estaria encarregue da cirurgia. Comecei a fechar focar a mente dele em volta da ideia de que a recuperação seriarápida, e todo o tipo de coisa. “Subitamente ele levantou o olhar e disse, “Sabe doutor, eu tenho setenta e seis anos de idade sou um homem velho e já vivi muito tempo. Sou um doente cardíaco. Portanto amanhã morrerei na mesa de operações. Eu disse-lhe que a partir desse momento, a operação estava cancelada. Eu disse que nunca iria operar alguém no mundo que pensa que vai morrer na mesa de cirurgia, e que eu nunca tinha deixado isso acontecer e certamente não ia começar com ele. Ele olhou aliviado, mas continuo a repetir de que era um paciente cardíaco e não conseguiria viver sobreviver á operação. “Eu disse-lhe, Você tem setenta e seis anos. Tenho feito esta operação em homens nos seus oitentas, e que estão hoje nos noventas tão saudáveis quanto eles eventualmente podem ser. Você tem apenas setenta e seis e está a pensar em morrer por causa de uma simples operação como uma prostatectomia. Você acha que não pode ter anestesia. É isso que eu vim mostrar-lhe. Uma vez que você já não tem mais cirurgia marcada para amanhã de manhã, vou mostrar o que você perdeu! Eu vou mostrar-lhe a anestesia que eu teria usado.” 79 Hipnoterapia “E depois coloquei-o no estado de transe e o corpo dele inteiro anestesiado. Ele pegou a sugestão como um homem a afogar-se agarra numa palha e teve anestesia completa geral. Depois tive-o coloquei-o de olhos abertos e fiz testes sobre o corpo inteiro dele. Ele não conseguia sentir nada. Então tive-o coloquei-o de olhos fechados novamente, trouxe-o para fora do estado de transe e ele olhou para mim e disse, “ Sabe doutor, com você para meu cirurgião eu acredito que eu poderia ficar bem” “ Depois fechar focar firmemente a mente dele em volta da ideia de fácil recuperação, eu avancei com a cirurgia. Ele fez uma perfeita e magnífica recuperação, e eu acredito que salvei a vida dele. Eu havia encontrado a vontade de morrer e aquele homem teria morrido na mesa de operações se não fosse a hipnose em vigília” Uma vez um médico falou acerca de uma simples operação que ele tinha planeado executar num homem jovem. O paciente foi levado para dentro da sala de operações preparado para a cirurgia. Subitamente o anestesista que ainda não tinha feito nada ao paciente, olhou e exclamou “Meu Deus, ele está morto” Foram feitos todos os tipos de investigação, incluindo uma autópsia e eles não conseguiram encontrar nenhuma causa de morte. No entanto o homem estava morto. Ele tinha ocupado um quarto semi-privado, e a investigação revelou que um pouco antes de ele ter sido levado para a sala de operações ele virou-se para o paciente da outra cama e disse, “Eu nunca sairei da sala de operações com vivo.” O havia causado a sua morte dele fora a vontade de morrer. Os médicos devem estar atentos, as afirmações observações feitas pelos pacientes. Por vezes estas afirmações aparentemente casuais podem ser fatais. Nós temos ouvido médicos reportarem que têm sido capazes de mudar a vontade de morrer em vontade de viver com hipnose em vigília. Eles estavam alertas o suficiente para aperceberem-se de que a sugestão era necessária. Outros falharam em fazer o que era preciso e perderam pacientes. Aqui está uma história de um caso que ilustra ambas possibilidades me cirurgia: Um aluno meu, ligado a um hospital católico, encontrou a vontade de morrer quando foi chamado para fazer uma cirurgia em uma das freiras a trabalhar na instituição. Ele fez a visita pré-operatória, e durante a conversação ela disse “Doutor você sabe, desde que eu era uma menina, que tenho tido a noção de que algum dia morreria na mesa de operações, e eu suponho que é agora.” Imediatamente o médico iniciou um programa de hipnose em vigília, fechando focando a mente dela em volta da ideia que a recuperação seria rápida e segura certa e que, enquanto ela tem estado no hospital, ela nunca tinha conhecido uma mortalidade para este tipo de operação em particular. Finalmente ela disse-lhe, “ Sabe doutor, eu sei que vou recuperar, só com você como meu cirurgião. Você pode avançar com a cirurgia.” Ele realizou a operação, e ele recuperou em tempo mínimo. Cerca de seis meses mais tarde, a paciente teve de fazer uma cirurgia menor. O médico não teve conhecimento de que a operação tinha sido agendada. Foi feita num hospital diferente, por um médico diferente, e noutra cidade. Ela morreu na sala de operações. 80 Hipnoterapia Nós nascemos com a vontade de viver. A lei da auto preservação é a lei primária base das nossas vidas. É fundamental! No entanto existem dois tipos de pessoas que não possuem o instinto de auto preservação em níveis normais. Elas são as suicido-depressivas e as maníaco-depressivas. Mas ainda que com pessoas que sofrem desses dois tipos de depressão, a vontade de morrer aparenta ser uma mera curvatura na linha direita da auto preservação. Por vezes é possível endireitar esse arco com os meios colocados ao nosso dispor pela psicoterapia e hipnose. Todos os médicos que sabem como usar a hipnose são capazes de mudar a vontade de morrer em vontade de viver em pacientes normais. Psiquiatras reportam que vale a pena tentar mesmo com psicóticos depressivos; com não psicóticos então, as chances de conseguirem são esmagadoras! Mais um aspecto da hipnose em vigília merece ser aqui mencionada. Eu falei no início da superstição, que é uma manifestação hipnótica não intencional, uma forma de hipnose em vigília! Existem outras tantas manifestações. Numa das minhas aulas, um médico contou-me esta história: Durante a Segunda Guerra Mundial, ele trabalhou como anestesista num posto para onde eram trazidas as baixas os feridos após as batalhas. Ele estava a trabalhar com óxido nitroso e o dia tinha sido muito preenchido e esgotante. Ele apercebeu-se que o nível do tanque do óxido nitroso estava a ficar baixo, mas mais tarde com a excitação ele falhou ao não reparar que já tinha usado a totalidade! Quando finalmente se apercebeu, chamou o cirurgião a parte e disse, “ Oh meu Deus, este tanque de óxido nitroso deve ter ficado vazio na passada última hora ou mais. O que é que vamos fazer?” O cirurgião respondeu,” Não há nada que possamos fazer agora. Teremos que continuar a trabalhar tal como temos estado! Estes homens têm tido e alcançado anestesia perfeita. Eles pensam que estão a ser anestesiados, e consequentemente ficam anestesiados! Continue a fazer o que tem estado a fazer e não diga nem uma palavra.” E completaram o trabalho turno deles dessa maneira. Eu diria que isso foi uma combinação de hipnose não intencional, hipnose em vigília no seu sentido habitual e sonambulismo ganho em estado de vigília sem o uso de transe. 81 Hipnoterapia Capítulo 12: O sonambulismo e a composição de sugestões Antes de irmos para as fases de aprofundamento da hipnose, eu gostaria de explicar a diferença entre hipnose leve e profunda e como reconhecer cada uma delas. Algumas pessoas, ─um pequeno percentual─ vão entram espontaneamente para hipnose profunda, sem mesmo parecer entrar no estado leve. Elas tornam-se sonambúlicas imediatamente. O que segue aplica-se somente naquelas pessoas que não vão não entram em sonambulismo espontaneamente. Quando vocês estão intencionalmente a ir atrás do sonambulismo e fazem-no pelos métodos que advogo, o paciente entra no estado leve de hipnose por aquilo que chamo de técnica de relaxamento. Eu obtenho o estado de hipnose leve quando o corpo está fisicamente relaxado, e então prossigo para obter o profundo estado de hipnose profunda por relaxamento da mente do paciente. Descobri através de muita experiencias e estudo intenso, como o relaxamento mental é alcançado efectivado. O mais próximo que consigo chegar para descrever o relaxamento mental, é ter-vos a pensar nos instantes antes de cair no sono adormecer. Momentaneamente, antes do sono realmente vir aparecer, a mente torna-senum completo branco, e depois vocês deslizam para o sono. Na minha opinião, quando a mente está quase completamente inactiva, o relaxamento mental é alcançado! Nesse instante quando nada perturba, nada incomoda, e a mente é um completo branco, nós temos relaxamento mental, e ocorre naturalmente em todos os dias das nossas vidas, mesmo antes de cair-mos no sono! Eu encontro isso quando consigo induzir o mesmo estado por sugestão e tenho conseguido colocar o paciente mentalmente relaxado. Ora, então a diferença entre hipnose leve e hipnose profunda é simplesmente esta: Quando está fisicamente relaxado, nós temos hipnose leve. Quando o paciente está mentalmente e fisicamente relaxado nós temos o estado de sonambulismo. Primeiro tenho que certificar-me que o paciente está fisicamente relaxado, e continuo a aumentar esse relaxamento até eu poder sugerir que a mente torna-se tão bem relaxada como o corpo. Se o paciente está desconfortável, distraído, temeroso medroso, etc., ele não consegue relaxar mentalmente, porque estão a ir mensagens desorientadoras desconcentrantes para o cérebro. Quando não há mensagens para o cérebro, exceptuando uma de contentamento, o cérebro não tem necessidade de estar activo com pensamentos perturbadores, e por conseguinte está preparado para sugestões de natureza benévola. A sugestão para aprofundar o relaxamento físico é bem-vinda, e a sugestão de que a mente relaxa ─de que tudo está bem─ também é bem-vinda! Uma sugestão de que não haverá pensamentos conscientes activos, e que a mente deverá estar momentaneamente em branco, normalmente é aceite com facilidade. Por este método, eu descobri que consigo alcançar profundo sonambulismo em quase todos os sujeitos com quem trabalho. A única altura em que não consigo hipnose profunda é quando o medo está presente, impedindo o relaxamento! Os meus estudantes têm descoberto que por 82 Hipnoterapia seguirem estas técnicas, eles conseguem ter um percentual de sucesso muito alto em induzir o estado profundo conhecido como sonambulismo ─e outros estados, que serão descritos conforme formos avançando. Para que vocês entendam as técnicas usadas, eu dou-vos um excerto da nossa quinta sessão aula , que está intitulada “ A composição da sugestão”. Vocês entenderão o termo “Composição de sugestão” se estudarem esta “aula palestra“ cuidadosamente! Vamos examinar maiores aprofundamentos em hipnose e o que torna possíveis esses maiores aprofundamentos. Se vocês têm trabalhado com o sonambulismo, as possibilidades são que vocês depararam-se já com certas dificuldades, e mesmo assim conseguiram com alguns pacientes. Um paciente deve chegar ao vosso consultório e tem que obter o relaxamento físico muito facilmente. O paciente não só vai relaxar o corpo, mas também a sua mente. Ele não apresenta problemas! Quando vocês só têm relaxamento físico, vocês apenas têm hipnose leve. Vocês obtêm hipnose profunda quando o paciente também está relaxado mentalmente. Como é que vocês conseguem alcançar este estado da mente? Tendo o paciente relaxado o suficiente de modo que por um pequeno instante, ou até mais, vocês possam fazer com que a mente fique em branco concernente a uma coisa específica, causando assim amnésia. Não interessa que coisa específica é! A sugestão que eu prefiro dar ao paciente por forma a trazer amnésia é a de que ele não se lembrará dos números. Eu ponho o paciente a contar para trás a partir de cem, e a relaxar mais e mais a medida que recita cada número. Como ele relaxa mais e mais, os números suavemente se desvanecem da mente dele, e quando questionado, ele tem “amnésia numérica.” A mente está em branco concernente a uma coisa específica, números! E é apenas quando vocês são capazes de produzir amnésia que vocês têm o estado sonambúlico. O operador inexperiente no entanto, talvez tenha sucesso com um paciente e depois vai tentar o mesmo procedimento no próximo paciente e aparentemente acontece a mesma coisa, mas, sem os resultados desejados. Vocês podem, por exemplo, ter duas futuras mães que estão prontas para o parto e cada uma terá relaxamento físico e cada uma aparentará ter o relaxamento mental. Ainda que a primeira paciente não sinta nada durante o parto; quando vocês auxiliarem a segunda, vocês pensarão que têm o mesmo estado e que ela não sentirá nada, mas terão que dar-lhe assistência desde a primeira contracção. Vocês deram com dois estados completamente diferentes, que parecem ser precisamente iguais, a menos que vocês conheçam a hipnose. Os dois estados parecem ser rigorosamente iguais a partir do exterior, mas são completamente diferentes no interior. Apenas um estado permite ao paciente, perder esquecer os números completamente e por conseguinte obter amnésia. Isso é o verdadeiro sonambulismo! No outro estado ─sonambulismo artificial─ o paciente obtém afasia, a falta de vontade de falar ao invés da incapacidade de lembrar. Este é o caso da segunda parturiente. Ela começará a contar cem, noventa e nove, noventa e oito…e depois 83 Hipnoterapia susterá a fala e vocês pensarão que os números sumiram da mente dela. Mas eles não sumiram. Eu odiaria que alguma coisa dolorosa fosse feita em mim, quando em sonambulismo artificial, porque iria doer como o verdadeiro diabo. O estudante deve trabalhar para produzir amnésia, e se por qualquer razão isso não for alcançado ele deve saber que não tem o estado perfeito, portanto não deve avançar com procedimentos dolorosos. Médicos após médicos têm confundido constantemente o artificial com o real. O artificial pode ser detectado por certos testes, os quais serão descritos mais tarde. No verdadeiro sonambulismo, uma mulher consegue sorrir durante o parto, desde a altura em que as contracções começarem até ao parto verdadeiramente dito. Eu tenho visto episiotomias a serem reparadas suturadas e a paciente mantem o sorriso na cara! Então qual é o valor do estado artificial, se é que tem algum? Algumas vezes o estado é erroneamente chamado de transe médio. O transe médio não tem valor excepto para isto: Algumas pessoas vão para o estado do verdadeiro sonambulismo sem passar pelo sonambulismo artificial. Em outras palavras, por forma a irem do estado leve ao estado profundo, elas passam por este estado artificial no qual os números continuam a ser lembrados, porém existe uma falta de vontade em dize-los. Isso é um portão para o verdadeiro sonambulismo. Existem quatro verdadeiros estados de hipnose em adição ao estado de vigília, e que devem ser do vosso interesse. Eles são: (1) O leve ou artificial; (2) O sonambúlico; (3) O coma ─o estado de Esdaile, sobre o qual aprenderão mais tarde─; (4) hipnose ligada ao sono ─o mais profundo de todos, o qual eu chamo hipnosono. Por forma a usar a hipnose correctamente, é necessário entender e ser capaz de produzir, quando necessário, qualquer um destes quatro estados. Qualquer um deles tem o seu lugar na medicina. A maioria dos médicos prefere tratar os pacientes em estado sonambúlico por ser fácil de induzir e o paciente fica menos crítico as sugestões dadas a ele. As sugestões vão mais fundo na mente dele e permanecem mais tempo do que no estado leve. Por exemplo, no estado leve de hipnose você consegue alcançar analgesia leve; em muitos pacientes pode ser dada anestesia completa geral em sonambulismo. A anestesia, se for obtida na hipnose em vigília ou em transe é prova de hipnose profunda. O estado leve dificilmente faz mossa no limiar da dor de uma vítima de artrite, mas se esse mesmo paciente for colocado em estado sonambúlico, e se forem dadas sugestões apropriadas pode ser dado alívio para o desconforto dele por horas, dias, semanas e em casos raros até mais tempo. Depois de vocês praticarem as instruções que se seguem, vocês ficarão capazes de fazer com a hipnose, coisas que nunca sonharam ser possíveis.Vocês serão capazes de usar a hipnose a um nível científico. Vejam como as instruções são simples e como elas são fáceis de seguir. Depois enquanto vão acompanhando vocês aprenderão por que é que são dadas estas instruções em particular. Elman: [Para o paciente] Respire calma e profundamente e feche os olhos. Agora relaxe esses músculos em volta dos olhos até ao ponto em que eles não 84 Hipnoterapia funcionem. Depois teste-os com a certeza de que eles não funcionam…Teste-os forte…Isso mesmo…Agora deixe essa sensação de relaxamento descer directamente para os pés…Agora vamos fazer isso outra vez, e na próxima vez que eu disser para abrir e fechar os olhos, esse relaxamento será duas vezes maior do que o que tem agora, e deixe que seja…Agora abra os olhos, relaxe realmente, feche os olhos outra vez…isso mesmo…Na próxima vez faça isso e vai relaxar ainda mais do que já relaxou…Abra os olhos…Agora feche os olhos…Agora vou levantar a sua mão e larga- la, e quero que esteja tão mole como um pano molhado…Se você seguiu as instruções o relaxamento terá ido descido até os seus pés. E quando eu levantar a sua mão e ela cairá para baixo; deixe-a cair…Isso mesmo…Agora fisicamente você tem todo o relaxamento que precisamos. Nós queremos que a sua mente esteja tão relaxada como o seu corpo está, por isso quero que comece a contar de cem para trás, quando eu disser para o fazer! Cada vez que diz um número, dobra o seu relaxamento. No momento em que descer dos noventa e oito, você estará tão relaxada, que os números não estarão mais lá. Comece dos cem e veja-os desaparecer antes de chegar aos noventa e oito…Dobre o relaxamento e veja-os começarem a desvanecer-se…Agora veja-os desparecer…Agora eles sumirão…É uma boa sensação? Sumiram todos? Deixe-os desaparecer…Já se foram todos? Isso mesmo… [ dirigindo-se aos médicos] Agora esta é a parte mais importante. Nós temos que fazer esses números desaparecerem se realmente ela quiser ajuda na altura do parto. Em trabalho com os vossos pacientes para um parto ou qualquer outra causa, se eles continuarem a ver os números vocês não poderão dar grande ajuda. É por causa disso que eu assegurei que ela tinha feito os números desaparecerem, uma vez que tenha feito desaparecer os números, reparem nas coisas maravilhosas que acontecem instantaneamente. Vejam como ela está relaxada. E [ para a paciente] o sentimento interior e muitíssimo bom, não é verdade? Paciente: Sim Elman: Agora apertarei a sua mão direita, e repare na anestesia a chegar. A sua mão está a ficar entorpecida. Vou aperta-la três vezes. Uma…duas…três…como está a sua mão agora? Paciente: Sinto-a fria. Elman: Muito bem, isso significa que a anestesia começou. Quando eu disser para abrir os olhos, essa anestesia vai tornar-se dez vezes mais forte … Abra os seus olhos…Como está a sua mão agora? Paciente: Sinto-a estranha Elman: [aos médicos] Isso é sonambulismo com os olhos bem abertos, porque nós retivemos o estado sonambúlico com os olhos bem abertos. Se quisermos tornar essa anestesia mais forte, podemos fazer, colocando-a a fazer quase qualquer coisa e através de qualquer acto ─qualquer sugestão que ela siga─ que isso fará a anestesia mais forte. Por exemplo [para o paciente] levante a sua mão esquerda e deixa-a cair…O que é que aconteceu a sua mão direita quando você fez isso? Paciente: Sinto-a mais esquisita Elman : Mais estranha que antes é verdade? 85 Hipnoterapia Paciente: Sim. Elman: Agora coloque a sua cabeça para trás e traga-a para frente…Como está a sua mão direita? [para os médicos] Por esta altura está tão entorpecida que ela provavelmente não sente nada. Por forma a deixar-vos ver a profundidade da anestesia que obtivemos, eu vou ter que trabalhar nessa mão direita e ela não vai sentir o que estou a fazer. De facto para provar que ela não sente o que estou a fazer, eu vou faze-la fechar os olhos enquanto trabalho nisso… *para o paciente] Então agora quero-a com os olhos fechados, após eu trabalhar na sua mão, eu quero que você tente localizar onde em que parte é que eu trabalhei…Agora sem abrir os olhos, tente perceber onde é que eu a toquei. [para os médicos] Vejam, o quão longe ela falha. Ela está cerca de sete polegadas (18 centímetros) afastada … a anestesia é muito boa quando se está longe cerca de sete polegadas de uma pinça Allis fechada na terceira ranhura…Deixem-na dizer-nos o tão pouco que ela sente. [para a paciente] Eu quero que você abra os olhos e a anestesia será mais forte do nunca, mas quero que nos diga o que sente. Paciente: Nada Elman: Agora vamos começar tudo novamente para explicar por que é que estamos a fazer isso e porque é que fizemos exactamente como fizemos. [para o paciente] Na próxima vez quando eu falar consigo e disser para fechar os olhos você ficará exactamente no meu estado em que esteve antes. Isto é, os números terão desaparecido e você estará completamente relaxada. [para os médicos] Há mais de cinquenta anos que eu tenho vindo a estudar o assunto hipnose, e nos meus mais recentes estudos, deparei-me com um livro do Dr. H. Bernheim. Nesse livro ele afirma que quando um paciente chega até ele para a primeira consulta, ele hipnotizou o paciente foi entrou no estado leve da hipnose, Uma semana depois quando o paciente retornou para a segunda consulta, ele foi entrou para o mesmo estado. Isso aconteceu por quatro semanas sucessivas. Mas na quinta visita consulta, o médico notou que o paciente entrou num estado muito mais profundo, identificável pelo fato de que o paciente desenvolve amnésia no interior do estado, ou pela aceitação imediata das sugestões para a amnésia. Ele chamou a esse estado sonambulismo. Era o mesmo estado sobre o qual o Marquis de Pusuygur já havia descrito. Ocorreu-me que se o paciente retornasse dia após dia, em vez de semana após semana, o sonambulismo poderia ser alcançado em cinco dias em vez das cinco semanas. Em seguida ocorreu o pensamento de que ele poderia ter feito essas visitas em intervalos de uma hora de e então teria conseguido o sonambulismo em cinco horas ao invés de cinco semanas. Continuando ao longo dessas linhas, perguntava-me se este estado não poderia ser produzido ainda mais rápido. Eu experimentei e descobri que eu podia produzir o estado sonambúlico hipnotizando a pessoa repetidamente, em intervalos muito mais curtos. Eu era capaz de alcançar em três minutos, o que levou ao Dr. Bernheim cinco semanas para realizar. Eu chamo a este método a “técnica de indução repetida”. ─Foi usada na sessão da aula cujo excerto vocês acabaram de ler─ E agora aqui está o método “indução repetida” de alcançar o estado profundo de sonambulismo. [dirigindo-se á paciente] Feche os olhos. Relaxe todos os músculos de forma á que os 86 Hipnoterapia músculos dos olhos não funcionem…Agora teste-os. [para os médicos] Esta é a primeira visita. [para á paciente] Daqui a um momento você vai abrir e fechar os olhos e ficará mais relaxada do antes…Feche os olhos. *para os médicos+ Agora nós demos a segunda visita. Agora já temos o benefício da sugestão pós-hipnótica, por quanto no estado hipnótico eu estou a sugestiona-la de que na próxima vez que ela abrir e fechar os olhos ela ficará mais relaxada do que nunca. [para a paciente] Agora, abra e feche os olhos. [para os médicos] E agora nós temos uma paciente que está mais relaxada do que nunca. Esta é a terceira visita. Três visitas, mais duas sugestões pós-hipnóticas são certamente o equivalente a cinco visitas ao Dr. Bernheim. Agora estamos preparados para o teste do sonambulismo. Se ela seguiu as ordens dadas até esta altura, nós deveremos ser capazes de dar-lhe uma sugestão para amnésia, ou ela mesmo será capaz de desenvolver a amnésia dentro do estado, se ela realmente alcançou o estado sonambúlico. Nós determinamos em cima um teste que tem esta peculiarfaculdade: se não nos indicar que o sonambulismo está lá, ele tende a produzir sonambulismo. Em outras palavras, o próprio teste sugere sonambulismo. [para o paciente] Eu quero que relaxe a sua mente assim como você relaxou o seu corpo. Comece a contar de cem para trás. De cada vez que disser um número dobra o relaxamento. Na altura do que baixar dos noventa e oito não haverá mais nenhum número, e você estará tão relaxada…Agora comece dos cem e faça isso acontecer…Os números sumiram? Paciente: Sim Elman: [para os médicos] Vocês lembram-se, eu apertei a mão delas três vezes e disse, “ A anestesia virá para essa mão,” e eu penso que continua lá. *ao paciente] Como está a sua mão? Paciente: Bastante entorpecida. Elman: Vou aperta-la e ficará muito entorpecida. Uns…Dois…Três *para os médicos] Lembrem-se do que fiz. Depois que obtive o começo do entorpecimento eu disse, ”Quando eu disser abra os olhos, esse entorpecimento vai tornar-se cerca de dez vezes mais forte do que está agora.” *para o paciente+ Agora abra os olhos. Como está a sua mão? Paciente: Entorpecida Elman: [para os médicos] Agora o que é que fiz? Eu compus a anestesia. Eu tenho-a no estado sonambúlico com os olhos bem abertos. Agora queremos aumentar essa anestesia. Qualquer coisa que eu faça, irá aumenta-la. Vejam. Perguntem-lhe se ela não sente um aumento da anestesia quando eu acender este cigarro. [para a paciente] Veja-me acender este cigarro e depois diga-me como sente essa mão…como sente a sua mão? Paciente: Entorpecida Elman: Mais entorpecida que antes? Paciente: Sim Elman: Reparem no desejo de relaxamento. Qualquer sugestão dada pode ser empregue para aumentar o relaxamento. [ao paciente] Agora pode fechar os olhos novamente. Eu vou retirar a anestesia, e quando você abrir os olhos vai sentir-se 87 Hipnoterapia melhor do que se tem sentido todo o dia, toda a noite, todo o mês. E vai estar numa forma maravilhosa para ser ajudada no seu parto. Você vai ter esse bebé sem sentir uma única coisa. Agora abra os seus olhos e repare como se sente bem…Como se sente? Paciente: Bem Elman: [para os médicos] Por que é que eu fui capaz de obter anestesia profunda todas as vezes que dei uma sugestão? Porque as sugestões podem ser compostas. A primeira que derem pode ser relativamente fraca. No entanto ela torna-se forte quando vocês a seguem com uma segunda sugestão, ainda que a segunda possa ser inteiramente diferente. Vocês dão a sugestão um, e esta é fraca. Então dão a sugestão dois e a um fortalece. Depois vocês dão a sugestão três e as sugestões número um e dois fortalecem. Dêem a sugestão quatro, e a um, dois e três, todas fortalecem. Dêem a sugestão cinco, e a um, dois, três e quatro fortalecem. A progressão estende-se de volta ao início. * * * Imagine uma cena como esta. Eu tenho um homem e uma moça em sonambulismo. Próximo das suas cadeiras está um fonógrafo. Eu digo para a moça, “Vai acontecer uma coisa estranha depois que eu disser para abrir os olhos. Você vai descobrir que todas as vezes que eu puxar a minha gravata você sentir uma vontade irresistível de ligar aquele fonógrafo.” Depois eu digo ao homem sentado ao lado dela,” E uma coisa estranha vai acontecer consigo. Todas as vezes que alguém ligar aquele fonógrafo você sentir uma vontade irresistível de o desligar.” Agora tenho-os de olhos abertos, mas uma vez que tenho a sugestão implantada, eu continuo a manter o sonambulismo. Eles estão a olhar para mim e eu puxo a minha gravata, e muito lentamente, a moça vira e olha para o fonógrafo, mas ela não faz nada em relação a isso. O homem vira lentamente e olha para ela, mas é tudo o que acontece. Então eu puxo a minha gravata outra vez, e ela para o fonógrafo mais rápido, e mais rápido o homem olha para ela. Pela terceira vez puxo a minha gravata ela levanta-se lentamente e deliberadamente, e caminha para o fonógrafo e liga-o, mas, também deliberadamente o homem segue-a e desliga-o. Agora, enquanto estão a meio do caminho de volta para as suas cadeiras, eu puxo a minha gravata e por esta altura a sugestão um está tão forte que a moça corre de volta ao fonógrafo e liga-o, mas o homem corre de volta ao fonógrafo e desliga-o. E tudo isso está a acontecer como resultado da composição do incremento da sugestão, uma técnica que pode que pode ser aplicada na medicina e odontologia. Eu estava a usar precisamente esta técnica quando eu reforcei a anestesia na mão da paciente grávida há pouco tempo atrás. Depois de mais algumas demonstrações, será trabalho de todos os médicos fazerem a seguintes coisas: Primeiro, produzir sonambulismo pela técnica da indução repetida. Depois se encontrar sonambulismo artificial muda- o para o verdadeiro sonambulismo por composição da sugestão. Uma vez você tenha alcançado o sonambulismo em transe, você tem que ir depois para o sonambulismo com olhos abertos. Isso significa que você deve dar uma sugestão que se mantenha 88 Hipnoterapia enquanto os olhos estão abertos, e nesta altura você deve compor as sugestões até que tenha uma profundidade de anestesia que o satisfaça, como sendo medicamente ou odontologicamente útil. Agora para outra demonstração. Elman: [para a paciente que está em transe e sonambúlico] Eu vou apertar a sua mão e você sentirá algum entorpecimento na sua mão…um… dois…três…como está a sua mão? Paciente: Sinto-o a chegar Elman: Quando eu disser abra os olhos, o entorpecimento aumentará dez vezes mais…Abra os olhos… *para os médicos+ Isto é sonambulismo com os olhos bem abertos… ─a paciente─ Como está a sua mão? Paciente: Eu não sinto nada aí. Elman: Agora nós queremos que a anestesia fique dez vezes mais forte. Incline a sua cabeça para trás e traga-a para a frente, e repare no que acontece na sua mão…Como está a sua mão? Paciente: Melhor ainda Elman: Faça isso outra vez e essa anestesia tornar-se-á tão intensa que você não será capaz de sentir nada…Como está? Bastante entorpecida agora?... *para os médicos] A mesma coisa é verdadeira aqui. Ela não vai sentir uma única coisa nessa mão, e eu vou fazer os mesmos testes e deixa-los ver que, nem ela nem a moça antes dela, nem qualquer outra pessoa ─uma vez que as sugestões sejam compostas─ consegue fazer uma boa avaliação de onde teste é feito. Isso é o quanto a anestesia é boa… *para a paciente+ Eu vou estar a trabalhar nesta mão…Você saberá que eu estou a trabalhar aí mas nada a incomodará, nada a perturbará …Agora sem abrir os seus olhos tente localizar onde é que o teste foi feito… *para os médicos+ Reparem cavalheiros… Todos os lugares menos o lugar certo. Agora nós queremos que a anestesia seja profunda quando ela abrir os olhos porque eu quero colocar-lhe algumas questões acerca disso… *para a paciente+ Abras os seus olhos por favor…Como está a mão? Bastante entorpecida agora? O que é você sentiu com o que eu fiz? Paciente: Não doeu magoou. Elman: Não incomodou. Verdade? Paciente: Sim Elman: Houve sentiu alguma pressão? Paciente: Não houve o suficiente para ascender á pressão! Elman: [para os médicos] Vocês conseguem remover a sensação de pressão em muita gente, com a anestesia profunda que vocês obtêm com a composição o composto. Aqueles de vocês que necessitem de um grau muito bom de anestesia descobrirão que a composição permite-vos obtê-la…não apenas para os partos mas para todos os tipos de trabalhos. Suponham que quero trazer a anestesia para outro lugar. Aqui está como fazer… ─para a paciente─ Coloque esta mão directamente em cima da outra mão. Em cerca de três segundos esta anestesia transferir-se-á para a outra mão. Você vai descobrir que mudou de mãos… Agora como está a anestesia na sua mão direita? 89 Hipnoterapia Paciente: Está lá Elman: Em outras palavras,você pode colocar a anestesia em qualquer parte…Coloque nos dedos dos pés por favor. Toque nos seus dedos dos pés com a sua mão e mantenha-a lá por alguns segundos… Como estão os dedos dos seus pés? Paciente: Entorpecidos Elman: Coloque a mesma anestesia no queixo e veja como é boa a anestesia dental que você tem…como está o seu queixo? Paciente: Realmente entorpecido Elman: Aí está o que quis dizer. Você consegue mover a anestesia hipnótica por todo o seu corpo. Se você tem que trabalhar em ambos os lados do rosto…Veja, agora está aqui, e eu quero que a traga de volta para o outro lado, e ai está! Como está o lado esquerdo do rosto? Paciente: Entorpecido Elman: [ para os médicos] por outras palavras esta é a anestesia com que você pode trabalhar. E o que eu tenho estado a fazer? Tenho estado a compor. Portanto, a anestesia no queixo dela será mais forte que a anestesia que ela teve na mão uma vez que há cerca de quatro ou cinco composições compostos desde aquela altura. Eu quero que vocês vejam a profundidade de anestesia que nós temos aqui. Doutor você pode por favor fazer o teste para a anestesia no queixo dela? ─Doutor faz o teste─ Excelente anestesia, não verdade? Quando você tem anestesia tão boa como esta, fica muitíssimo fácil trabalhar… *para a paciente+ O que é que você sentiu? Paciente: O suficiente para saber que ele estava mexia na minha boca mas não o suficiente para incomodar. Elman: [para os médicos] Suponham que, queremos que toda esta anestesia desapareça de todas as partes do corpo dela, e faze-la sentir-se maravilhosa, é assim que fazemos… *para a paciente+ Feche os seus olhos. Quando eu disser para abrir os seus olhos, a anestesia desaparecerá e você vai sentir-se melhor do que se sentiu todo o dia…abra os olhos…Como se sente? Paciente: Bem Elman: Toda a anestesia desapareceu? Paciente: Sim Elman: [para os médicos] Isto é a coisa que faz a hipnose funcionar. Desde o início da hipnose até ao seu estado mais profundo, é tudo uma questão de composição composto. Tudo o que vocês estão a fazer o tempo todo é desenvolver um estado melhor, uma maior profundidade, e a maior anestesia se é anestesia que vocês querem. Eu quero mostrar-lhes algo mais acerca disso. Em nenhum momento a hipnose faz as pessoas perderem a consciência. Aqui está uma pequena experiencia para deixar-vos ver que esta paciente em hipnose, teve maior consciência que ela possivelmente tem em circunstâncias normais. [para a paciente] Jovem, você lembra- se de quando e como aprendeu a andar? Paciente: Não Elman: Você acha que alguém nesta sala lembra-se de quando e como aprendeu a andar? 90 Hipnoterapia Paciente: Não Elman: Você sabe que no estado em que a tivemos agora, nós podemos deixa- la ver a si mesmo como aprendeu a andar? As pessoas têm uma ideia engraçada acerca da vida. Elas pensam que esquecem as coisas. Nunca ninguém esquece nada. Tudo aquilo pelo que passamos na nossa vida faz uma impressão e nós armazenámo-la afastada. E quando a consciência é suficientemente incrementada estimulada então podemos puxar essa pequena lembrança para fora da sua gaveta, fora do seu esconderijo e obtemos um efeito muito electrizante. Se você perguntasse a todas as pessoas nesta sala “ Você recorda-se do tempo em que aprendeu como andar?” Eles dirão “Não” Mas todos eles lembram-se … ─para os médicos─ Deixem-me mostrar-lhes que o que está escondido dentro desta pessoa é a memória de si mesma a aprender andar. Ela verá as pessoas que estavam lá, mãe e pai a irmã se é que tem alguma. Ela será capaz de os ver como os viu enquanto aprendia a caminhar… *para a paciente+ Feche os olhos. Faça os números desparecerem, e estará de volta ao estado em que esteve antes… Os números desapareceram? Faça-os desaparecer…Você consegue fazer isso rapidamente. Paciente: Eles sumiram Elman: Muito bem. Agora aqui está o que vai acontecer. Eu vou abrir a gaveta para si, ou ajuda-la a abrir a gaveta onde está guardada a memória da sua aprendizagem de como começou a caminhar. Eu vou estalar os meus dedos e você verá terá uma visão real, uma memória real de si mesma a aprender a andar. E se for uma cena interior você verá a mobília que estava lá, você verá as pessoas que estiveram lá e como é que elas estavam vestidas, e você ver-se-á a si mesmo como estava vestida. Se for uma cena exterior, você será capaz de nos dizer em que altura do ano foi pelo tempo clima e você não só será capaz de nos dizer em que altura do ano foi, mas também, como você estava vestida e como é que elas estavam vestidas, e o que elas disseram…Agora quando eu estalar os meus dedos você terá essa visão… Quando eu os estalar pela segunda vez você vai abrir os olhos e vai nos dizer o que é que viu e as palavras que você ouviu falar…Muito bem, agora é que é. *estalar de dedos]. Agora quando eu os estalar outra vez, você pode contar-nos tudo o que você viu. *estalar de dedos+ Aí está. Agora você pode abrir os olhos…O que foi que viu? Paciente: Um sofá. Elman : E onde é que você estava? Paciente: No meio do chão. Elman: Estava em pé ou sentada? Paciente: Sentada. Elman: E o que aconteceu? Paciente: Eu andei até ao sofá Elman: De que cor era o sofá? Paciente: Vermelho. Elman: Quem estava lá do seu lado? Paciente: A mãe. Elman: E como é que ela se parece? 91 Hipnoterapia Paciente: Muito mais nova. Elman: Você reparou como é que ela estava vestida, não é? Paciente: Não. Elman: Como é que você estava vestida? Paciente: Um pequeno vestido amarelo. Elman: Agora, com os olhos da sua mente, dê uma olhada na sua mãe e diga- nos como é que ela está vestida. Feche os olhos e veja-a…Aí está ela…Como é que ela estava vestida? Paciente: Um vestido estampado com cores. Elman: Ela está a ajuda-la a caminhar ou você está a caminhar tudo sozinha? Paciente: Sozinha. Elman: Muito bem, agora pode abrir os olhos. Como se sente por ser capaz de se ver a si própria novamente a aprender a andar? Paciente: É uma sensação divertida. Elman: É um sentimento divertido pensar que você tem uma mente tão boa, não é? Mas lembre-se que, todas as pessoas nesta sala seriam capazes de fazer a mesmíssima coisa… ─para os médicos─ Vocês conseguem fazer isso quando a consciência lembrança é trazida pelo mesmo estado em que está esta jovem. Eu vou remover as sugestões, mas ela continuará a lembrar-se de tudo… ─para a paciente─ Feche os seus olhos, por favor. Quando eu a fizer abrir os olhos, você saberá que isso é uma coisa muito prazerosa para ser capaz de se lembrar, e todas as sugestões que eu dei sobre essa visão terminarão, mas você lembrar-se-á de tudo muito nitidamente. E repare como se sente bem…Muito bem, agora pode abrir os seus olhos…Como se sente? Paciente: Bem. Elman: Vocês conseguem ver o que eu quero dizer por aumentar a consciência? Eu também poderia trazer de volta para a primeira lembrança que ela tinha quando sua inteligência se formou, a primeira impressão que foi implantada depois que a memória dela formou-se. Nós falaremos acerca disso quando chegarmos a hipnoanalise. Isto foi para deixá-los ver que o estado que nós desenvolvemos é o de consciência afilada focada. Não é inconsciência. Não é um estado que vocês tenham de temer. Isto é um estado no qual a mente trabalha tão bem em que a lei da auto- preservação funciona tão lindamente, que nunca ninguém poderá aproveitar-se de vocês no estado hipnótico. É por isso que na história do mundo não há nenhuma lesão ou perda, feitos por hipnose. Infelizmente, existem livros acerca deste assunto de autores que nem sabem como explicar estas coisas, por isso eles os infestam com os devaneios as fantasias das suas próprias imaginações. As pessoas têm infestado a hipnose com muitas ideias falsas. A hipnose é talvez um dos mais belos estados que Deus tornou possível paraa humanidade, e este belo estado contém anestesia da própria natureza, que Ele disponibiliza para cada um de nós. Mas tem sido tão severamente abusado por pessoas que tentam torná-lo vudu, magia negra. E não é! Quando vocês são ensinados a olhar para a hipnose correctamente, vocês vêm-na 92 Hipnoterapia como uma coisa linda e maravilhosa que Deus tornou possível… *para a paciente+ Você experimentou isso. Não é lindo? Paciente: Sim! Elman: Aqui está uma coisa que a ajudou a livrar-se da náusea e vómitos da gravidez. Aqui está algo que tornou possível a ela lembrar-se quando era um bebé, talvez com menos de um ano. Deve ela não olha-lo como um estado maravilhoso? Não deve haver nenhum medo com a hipnose. Até os maravilhosos estados que vocês têm visto esta noite podem ser arruinados pelo medo. Não deixem o medo entrar. Não deixem nenhum enfermeiro ou medico que não conheça a semântica da hipnose falarem coisas erradas para um paciente. Pensem na reacção de uma gestante quando ela ouvir uma enfermeira a exclamar ”Meu Deus você não vai deixar que ela tenha todas as contracções e o parto sem anestesia nenhuma vai? “ Eu tenho os meus alunos-médicos a praticarem uns nos outros, e a saberem e passarem tudo o que irão fazer passar os seus pacientes! A razão de muitos conceitos errados terem-se insinuado dentro da hipnose é que milhares e milhares de pessoas bem-intencionadas têm estudado a hipnose a partir de fora ao invés de ser dentro para fora. Quando vocês olham para a hipnose de dentro para fora, vocês sabem o que se está a acontecer e perdem o medo. É por isso que eu gosto que o médico saiba o que vai fazer ao seu paciente; e eu quero que ele saiba o que o paciente está a pensar e a sentir. E quando a anestesia hipnótica é dada o quão pouco ele está a sentir. Eu quero que os meus médicos sintam a anestesia feita possível por sugestões compostas e como a anestesia se desenvolve lindamente. Na prática desta, tenha em mente que vocês talvez encontrem sonambulismo artificial, e que é quase impossível trabalhar com ele. Tudo o que têm é hipnose leve. Agora vejam o método de tornar o sonambulismo artificial em verdadeiro sonambulismo… *para o médico que faz de paciente e não alcançou o verdadeiro sonambulismo] Eu vou levantar a sua mão e quando a largar as luzes se apagarão e os números desaparecerão…Os números sumiram? Paciente: Sim Elman: Por que é que ele falhou antes e por que é que foi bem-sucedido desta vez? Ele estava a esforçar para tentar ajudar e com receio que não conseguisse. Ele manteve-se tão preocupado que não seguiu as ordens e, portanto não relaxou correctamente. Ele mesmo vai-lhes dizer o que foi que aconteceu… *Para o paciente+ Doutor consegue falar-nos da diferença entre a maneira que está relaxado agora e a maneira que estava antes? Paciente: Sim. Elman: [para os médicos] Deixem-me mostra-vos novamente a técnica que eu uso quando os números não desaparecem. Eu levanto a mão dele e digo, ”Quando eu largar a sua mão as luzes apagam-se e você não vai ver mais números nenhuns…Aí está…As luzes apagaram e todos os números despareceram… É assim que vocês mudam o artificial para o verdadeiro sonambulismo. A composição da anestesia, tudo o que vocês precisam para começar é uma pequena anestesia. Mas se vocês perguntarem ao paciente como é que ele se sente depois de terem dado a sugestão de 93 Hipnoterapia anestesia, e ele disser ”Não muito diferente”, e depois vocês compõem, e vocês continuam a compor até o fim do tempo, e nada vezes nada, é igual a nada. Ele tem que ter uma pequena anestesia para se compor uma anestesia maior. Este médico aqui tem tido alguma dificuldade com este paciente em compor anestesia. O paciente age como se nada demais esteja a acontecer. Mas eu acredito que ele tem ampla bastante anestesia e eu sugeriria para que você o teste. Primeiro faça-lhe um teste dental suave para ter a certeza que ele tem a anestesia [teste dental a ser feito] Doutor: Tenho estado a testar a vários segundos. O que é que sentiu? Paciente: Eu mal consegui sentir nada, mas percebi que esteve a trabalhar lá. Doutor: Eu estava a quebrar raspar tecido gengival. Paciente: Eu não sabia disso. Não senti nada. Eu nem pensei que tinha anestesia porque julguei que se sentia o queixo congelado quando ele está anestesiado. Não se sente como eu pensava que seria. Não senti nada, embora eu possa dizer que no fim você estava a carregar mais forte do que no início, mas não me incomodou! * * * Quando você muda do artificial para o verdadeiro sonambulismo, você consegue aperceber-se da maneira como a pessoa aumenta o relaxamento conforme o verdadeiro estado aparece. Existe uma fantástica diferença. Pacientes descrevem esta diferença como um sentimento de ser um estado de felicidade pacífica, onde não existe conflito assim que os números desaparecem. No sonambulismo, as sugestões tornam-se tremendamente mais efectivas, e podem ser dadas muito mais tipos de sugestões. O verdadeiro paciente sonambúlico é quase inteiramente acrítico às sugestões que são dadas e irá, na medida das suas capacidades e das suas necessidades esforçar-se para aceitá-las. No estado de hipnose leve, o paciente parece estar a dizer ao médico, “espero que isso funcione”. No entanto uma vez que entra no estado profundo, a atitude do paciente parece ser”Eu sei que isso vai funcionar. Isto tem que funcionar.” E por isso funciona! Eu acredito que se o médico consegue entender a verdadeira razão do porquê que as pessoas aceitam melhor as sugestões em sonambulismo, ele tornar-se-á mais proficiente com hipnose. Aqui está então a explicação: Você já sabe que a hipnose é uma forma de relaxamento. A medida que o paciente relaxa mais e mais, fundo e profundo, uma sensação de euforia ─um sentimento de bem-estar, de contentamento─ é trazida ao paciente o qual talvez, nunca antes tenha conhecido. Assim que esse sentimento aumenta, ele obtém um sentimento de maior confiança nele mesmo, e no médico. Neste estado eufórico parece ao paciente que tudo vai bem com o mundo e que qualquer coisa dentro da razão do limite humana é possível. Portanto ele aceita ao pé da letra ─sem criticismo─ qualquer sugestão que pareça razoável e prazerosa para ele. Novamente deixe-me sublinhar que em sonambulismo você não alcança um estado como zombie. O paciente não perde a consciência. Ao invés, ele ganha aumenta consciência percepção. Foi estimado por várias autoridades no assunto que 94 Hipnoterapia em sonambulismo a consciência do paciente é aumentada acima dos dois mil porcento. Pegando na jovem senhora que foi capaz de se ver a aprender como caminhar. A sua consciência tem que ser tremendamente aumentada para ser capaz de fazer isso. Eu tenho uma memória tenaz o suficiente para que, sem a ajuda da hipnose, eu consigo ir atrás e pensar em incidentes que ocorreram quando eu tinha três ou quatro anos de idade, mas quando eu tento lembrar qualquer coisa que tenha acontecido quando eu tinha cerca de um ano ou menos, e acho isso impossível. Quando a consciência é suficientemente incrementada eu consigo faze-lo, você também pode. E você vê voltar de forma muito clara, coisas enterradas bastante longe. Repare que na demonstração a jovem senhora foi capaz de dizer que tinha um vestido amarelo. Ela foi capaz de dizer que a mãe dela estava vestida com um vestido estampado e que era colorido. Na verdade ela viu estas coisas á cores.Você sabe o que tem de fazer para alcançar esse estado. Tendo avançado tão longe, você tem a liberdade de atalhar sem medo de falhar repetidamente ou de ser enganado pelo sonambulismo artificial. Esforce-se por obter o estado profundo num minuto. Mas o que você deve fazer quando se deparar com resistência da parte do paciente?Não tente produzir o estado hipnótico. Uma vez que a hipnose é um estado consentido, é inútil continuar quando existe resistência! Em certos casos um médico consegue eliminar muita dessa resistência ao dizer para o paciente, “ Muito mau. Você não quer o tratamento da maneira mais simples, terá que o ter da maneira mais difícil. O paciente normalmente torna-se apologético ─o medo da dores que podem surgir se o tratamento for dado da maneira mais difícil─ e tentará cooperar. Ida a resistência, você será capaz de obter o estado em muitos desses pacientes difíceis. Se o paciente continua a resistir, desista de tentar. Quando alguém me confronta resiste mais de um minuto, eu paro e penso para mim mesmo. ”O paciente parece não se dar conta que eu quero ajuda-lo. Se ele não perceber que eu quero ajudá-lo, então terá que submeter-se ao tratamento da maneira mais difícil.” Esta é a atitude mais sensata mesmo em casos de partos. Se uma mulher não quiser colaborar ao ponto de relaxar para obter o estado no qual o parto é indolor, seja possível ─se ela insistir em sentir o parto─ deixa-a sentir. Não há nada de brutal nesta atitude porque se a deixar sentir uma ou duas contracções, geralmente ela dirá, “ Oh doutor ajude-me a relaxar.” E então você descobrirá que consegue tê-la leva-la dentro do estado apesar do quadro de tensão mental nesta altura e poderá ajuda-la no resto do parto.No entanto nos casos raros de pacientes que continuem a mostrar conflito, resistência, disputa, a hipnose é de pouco uso porque é um estado consentido. Não vá em repostar de volta quando você está a beira de ser o perdedor. Desista de tentar, use qualquer que seja a ajuda que você sempre usou antes de começar a aplicar a hipnose. Trabalhar com os pacientes de olhos abertos em hipnose profunda, parece ser uma das coisas que a maioria dos médicos não entende completamente. A técnica é dar uma sugestão ao paciente enquanto os olhos estão fechados, que manterá o 95 Hipnoterapia efeito quando os olhos estão abertos. Uma sugestão anestésica é o engenho perfeito para manter a hipnose a galopar. É um bom meio medicamentoso. Então você pode fazer todo o seu trabalho com os olhos abertos. Esta técnica que tem mais para ser a preferida por muita gente. Você pode dizer diferenciar um amador de um bom operador hipnótico verificando se ele aprendeu a lidar com pacientes com os olhos abertos. Se ele consegue trabalhar com olhos abertos, ele sabe o que está a fazer! Uma vantagem dos olhos abertos no estado é esta: Ninguém que esteja a andar rondar o seu consultório saberá imediatamente que você está a usar hipnose. Você não ficará preocupado por surpreender alguém, que não tenha sido apropriadamente apresentado ao fenómeno. Lembre-se que isto não é o mesmo que hipnose em vigília, é o sonambulismo profundo com olhos abertos, um estado completamente diferente. É neste estado de olhos abertos que você poderá dizer, “Vou transferir a anestesia desta mão para aquela perna” Você pode dizer, “Estalarei os dedos e a anestesia saltará para baixo, nos dedos dos pés.” Também dar-se-á conta que quando obtém este estado profundo não há a tendência em sair dele, como existe no estado leve. Um paciente sairá dele prematuramente apenas se acontecer alguma coisa o assuste, ou se você der um tipo estilo errado de sugestão, se você disser, “Isto dói, não é?” ele saltará de imediato para fora da hipnose. Não faça isso, nessa altura você já deverá saber a semântica apropriada. O sonambulismo de olhos abertos tem ainda mais vantagens. O paciente pode cooperar plenamente com o médico, apontando áreas problemáticas por exemplo. Obviamente o oftalmologista necessita deste estado, uma vez que ele trabalha integralmente com olhos humanos. O facto de os olhos se manterem abertos enquanto o paciente permanece em profundo sonambulismo faz disso o estado óptimo para ele. Outros homens da medicina e odontologistas acham este estado vantajoso de acordo com as exigências deles. O médico que tratar o seu paciente com este estado é encarado como um praticante hábil, e por bons motivos, com a técnica apropriada o paciente nem se aperceberá de que tem sido usada hipnose, e assim, ele talvez não irá assustar, supersticiosos não iniciados ou amigos pacientes. Se for questionado ele normalmente dirá, “Como posso eu ter sido hipnotizado? Eu estive bem acordado e vi o tratamento médico inteiro.” Na verdade na hipnose você está sempre bem acordado, você nunca adormece, mas a maioria das pessoas ignoram esse facto. Então para que não haja possibilidade de confusão, esteja certo que você entendeu o que é uma sugestão pós-hipnótica. Uma sugestão pós-hipnótica é dada enquanto o paciente está em hipnose, para ter efeito depois que o paciente é despertado do estado. Se você tem estado a praticar as técnicas descritas neste livro, você tem vindo a trabalhar com sugestões pós-hipnóticas desde o início. Quando você dá uma sugestão de saúde, é pós-hipnótica. Você diz “Quando abrir os olhos vai sentir- se melhor do que se tem sentido todo o dia.” Você tem trabalhado constantemente com sugestões pós-hipnóticas aplicadas na medicina e na odontologia. 96 Hipnoterapia Capítulo 13: O estado Esdaile Existe um livro do Doutor George Bankoff, um companheiro do Royal College of Surgeons intitulado “The Conquest of Pain” e sub-intitulado “The Story of Anesthesia.” No trabalho do Doutor Bankoff há um relatório acerca de um médico chamado Pien Chiao . Doutor Chiao, que viveu há cerca de vinte e três séculos atrás, reivindicou que dois homens o visitaram um dia e ele deu-lhes uma bebida que os reduziu á inconscientes por três dias inteiros. Doutor Chiao redigiu esta fantástica descrição do incidente: “Então fiz uma operação em que explorei as regiões do estômago e do coração, e após retirar o coração e o estômago e permutei-os entre estas pessoas. Tal foi a maravilha de droga que eles não emitiram nenhum som, e em poucos dias eu assenti-lhes retornarem a casa completamente recuperados.” Claro que sabendo o que nós fazemos acerca de cirurgias, isto é provavelmente um conto de fadas, mas o ponto é que as suas palavras mostram que os médicos do tempo dele já tinham um enorme interesse na anestesia. Existe uma tendência em olhar para a anestesia como bastante moderna. De facto os curandeiros têm vindo a pesquisar por boa anestesia desde os tempos pré-históricos, e talvez possa ter sido encontrada a milhares de anos atrás. Num papiro conhecido com o Papiro de Ebers, credenciado ao ano de 1600 A.C foi encontrada uma afirmação traduzida como se segue: “Sugerido como um tratamento útil para a extracção de estilhaços: Cozinhar o sangue dos vermes e misturar com óleo. Depois mate uma toupeira cozinhe drene em óleo e prossiga a misturar o esterco de um burro em leite. Aplique a pasta com os encantamentos apropriados.” Os “encantamentos apropriados” uma receita favorita da medicina primitiva, equivale a hipnose em vigília. A hipnose foi conhecida e usada sob vários nomes, a milhares e milhares de anos atrás; tem sido chamada de tudo desde Yar-Phoonk (no dialecto Hindi) ao vudu, magia, encantamento. Antes dos dias de Mesmer foi chamada de magnetismo, depois o seu nome foi mudado para mesmerismo, depois em seguida veio Braid e deu origem as palavras hipnose e hipnotismo ─e tentou mudar o nome para “monoideísmo” quando se apercebeu que a hipnose afinal não era sono. O opio e, na verdade derivados de tudo desde papoilas a indiana snakeroot planta raiz-de-cobra encontraram aplicação anestésica durante o desenvolvimento da medicina moderna. Mas enquanto a anestesia química tinha, e tem, enorme importância na história da cura medicinal esta não tem as vantagens da anestesia mental. O primeiro homem dos tempos modernos a redescobrir realmente este grande poder e a fazer extensivamente bom uso, foium cirurgião inglês que dá pelo nome de James Esdaile. Ele tornou-se um interessado no mesmerismo ainda a palavra hipnose não era conhecida. 97 Hipnoterapia Ele foi para a Índia em 1845 e o trabalho que fez por lá com o mesmerismo, foi assombroso mesmo á luz do conhecimento actual. No entanto ele falhou ao não se aperceber de que aquilo com que ele estava a trabalhar era o poder da sugestão. Tudo o que ele sabia, era que se seguisse as técnicas de Mesmer aplicando-as diligentemente conseguia alcançar um estado de mesmerismo melhor que aquele que o próprio Mesmer já tinha conhecido. Ele levava muito tempo para que esse notável estado se desenvolvesse. De acordo com os relatórios que li, em muitos casos poderia levar uma hora ou hora e meia. Vale a pena ressalvar que estes eram os dias antes da anestesia moderna e os pacientes em que ele trabalhava precisavam de algo que aliviasse a dor, eles iam entravam desesperadamente para o estado que Esdaile tentava gerar. Neste estado, ele foi capaz de realizar proezas notáveis de cirurgia. Diz-se em boa autoridade que ele fez todos os tipos de cirurgias conhecidas na altura ─incluindo amputações, cirurgias abdominais e vários tipos de suturas em variados tipos de ferimentos─. Alguns livros reportam que ele fez acima de trezentos procedimentos de cirurgias abdominais profundas, neste estado que até então era completamente desconhecido em medicina. Nos tempos de Esdaile a mortalidade em cirurgia era de cinquenta por cento. Esdaile foi capaz de reduzir esta taxa para oito por cento com o uso das suas técnicas, e os seus pacientes recuperaram mais rapidamente e mais facilmente do que a média dos casos cirúrgicos nos seus dias. Ele voltou para a Inglaterra emocionado com a sua descoberta, ansioso em mostrar aos cirurgiões em casa um método pelo qual reduz a mortalidade e faz cirurgias indolores. Nas palestras dele tentou produzir o estado em frente as audiências de médicos, e não se apercebeu que a sua própria resistência os impediria de entrar no estado. Os médicos ridicularizaram-no, chamando-o de falso, charlatão e intrujão. Mesmo assim, ele abriu um hospital em Londres onde continuou o trabalho que ele tinha feito na Índia. Houve apenas um homem em Inglaterra que acreditou nas técnicas de Esdaile. Este era um médico, de seu nome John Elliotson. Elliotson veio ao seu hospital e viu Esdaile a trabalhar cerca de uma hora e meia para alcançar o estado necessário num paciente e depois a executar a cirurgia sem dor. Elliotson tornou-se no seu mais fiel defensor. Em resultado disso, o Doutor Elliotson, que era um professor de Medicina Pratica na University of London, foi forçado a abdicar da sua disciplina, e rapidamente Esdaile foi forçado a fechar o seu hospital. Nenhum dos médicos foi capaz de reproduzir as proezas de Esdaile. Incrédulos como eles eram, muitos deles tentaram reproduzir o que Esdaile tinha dito que era possível, mas nenhum deles sabia como. Tudo o que eles conseguiram, foi analgesia média, nada prático para cirurgia! Na minha perspectiva tudo o que eles conseguiram foi hipnose leve. Eles não sabiam como corrigir os seus erros e certamente não perguntariam ao Esdaile. Na verdade eles nem discutiriam entre eles mesmo as suas experiencias. Ninguém queria que alguém mais soubesse que estava a trabalhar na 98 Hipnoterapia direcção desta coisa maravilhosa e a tentar reproduzir o sucesso do “charlatão”. A carreira de Esdaile foi arruinada assim como foi a de Elliotson, eles morreram amargamente decepcionados. Agora voltemos por um momento ao hipnotizador de palco e ao seu trabalho com milhares de pessoas hipnotizadas. De quando é vez esse tal artista encontrava uma coisa notável a que chama de coma hipnótico porque as pessoas que entravam nesse estado aparentavam estar em coma. Elas não se moviam, elas não falavam, elas simplesmente não respondiam a nada. Elas não aceitavam nenhum tipo de sugestões incluindo a de sair do estado. O artista de palco estava bem ciente do facto de que os sujeitos em sonambulismo podem escolher aceitar ou rejeitar as sugestões. Se o sujeito não aceitava certas sugestões que lhe eram dadas em sonambulismo, ele também os ignorava e trabalhava com outros ou dava sugestões que eles que eles aceitassem para que pudesse continuar a demonstração. No entanto, os sujeitos em estado de coma não aceitavam nenhum tipo de sugestões não importando quão aprazíveis ou razoáveis o operador acreditasse que elas eram. Estes sujeitos em coma representavam um problema porque não só eles não participavam na acção mas, sentados lá em estado de coma, eles distraiam a audiência. Eles eram um importuno! O operador tinha de inventar maneiras dessas pessoas. Como é que ele poderia faze-lo uma vez que eles não se levantavam e saiam do palco? Carrega-los para fora, seria desastroso. Além disso ele não tinha maneira de saber qual dos sujeitos entraria no estado de coma, antes da hipnose. Ele foi forçado a desenvolver técnicas para atender a situação, e eventualmente encontrou várias e diferentes maneiras de tirar os sujeitos problemáticos para fora do estado de coma. Algumas vezes esses métodos poderiam ser muito demorados. O hipnotizador de palco ficava frequentemente embaraçado porque a audiência tornava-se sobressaltada quando os sujeitos iam para coma hipnótico. Portanto, quando finalmente o operador de palco conseguia descortinar maneiras de trazer os sujeitos para fora do coma hipnótico, ele escondia a informação dos seus rivais. Claro que ele nunca se apercebeu que tinha tropeçado inadvertidamente no estado de Esdaile. Se ele se tivesse apercebido, o que é que ele poderia ter feito? Quando ele conseguia despertar os sujeitos que encontrava do coma hipnótico, ele ficava tão satisfeito por se ver livres deles, que os dispensava peremptoriamente. Para mim, era necessário como era para todos os outros operadores de palco, conceber maneiras de despertar sujeitos do coma. Após despertar um sujeito ─pelo método tentativa-e-erro ou simplesmente a trabalhar até o despertar─ em vez de o dispensar eu fazia-lhe perguntas. Eu queria saber por que é que essas pessoas reagiam diferentemente á hipnose, do que a maioria dos sujeitos. A partir do que eles me disseram ─e todos eles disseram a mesma coisa─ finalmente eu estava capaz de delinear uma técnica para trazer para fora os sujeitos do coma, instantaneamente! Ao inquirir esses sujeitos, rapidamente eu aprendi que o estado de coma era um de euforia em que o sujeito simplesmente não queria ser perturbado. Essa era a 99 Hipnoterapia razão de não sair dela! Ele nunca tinha tido uma experiencia tão prazerosa e não queria que esse prazer fosse interrompido. Após aprender isso, foi bastante fácil conceber uma técnica infalível. Tudo o que você tem de fazer, é dizer ao sujeito que está em coma que, se ele não obedecer as suas instruções e despertar por si mesmo, ele nunca mais poderá ser hipnotizado outra vez. Isso foi tão efectivo que os sujeitos despertavam a si mesmo instantaneamente e logo depois disso o coma já não representava nenhum problema. Quando eu comecei a ensinar, eu acreditava, como a maioria dos estudantes do assunto, que o coma apenas podia ser produzido acidentalmente, nunca de propósito. Não reconheci que este era o estado de Esdaile, mas por vários testes feitos por mim, sabia que os pacientes ficavam completamente anestesiados tal como Esdaile havia reivindicado que eles ficariam. Eu também sabia que os pacientes ficavam completamente imobilizados. Você não os consegue ter a levantar um braço ou uma perna. Você não os consegue induzir para abrirem os olhos. As que entram no coma hipnótico tornam-se catatónicas. Se você levanta a perna de um sujeito por exemplo, ficará em qualquer posição que a puser e permanecerá lá indefinidamente. Não interessao quão estranha seja a posição em que você a colocou. Não existe rigidez no membro; sente- se apenas como se fosse cera e quando você move uma perna sente como se movesse cera, excepto que permanece em qualquer que seja a posição em que você a moveu. Eis o que Esdaile disse sobre um paciente no estado de coma: “Eu estendi o braço dela num ângulo de recto em relação ao corpo dela, nesta posição, ou em qualquer outra, permanecia fixo até ser movido novamente, e a cunhada picou a sua mão distendida. Eu despertei-a como considerável dificuldade. A dor de cabeça tinha sumido completamente, e ela sentiu, e parecia, bastante revigorada. O equilíbrio entre os músculos extensores e flexores é tão perfeito, que qualquer posição nova dada por uma força externa a cabeça, tronco ou extremidades, é facilmente recebida e mante-se firmemente. Esta energia passiva do sistema muscular, que permite ao corpo ser moldado numa grande variedade de posturas como se este fosse uma figura de cera ou chumbo é a característica distintiva.” Isto confirma o facto de que o paciente no coma hipnótico torna-se catatónico, e fica automaticamente anestesiado sem sugestão. A fase mais caluniada da hipnose é o completamente mal nomeado e mal-entendido coma hipnótico. Esdaile refere-se a ele como o coma mesmerico e outras vezes como sonambulismo, confundindo os dois estados. Tem sido incompreendido e maltratado por tanta gente, porque eles nunca investigaram completamente o estado. Por todo o mundo os médicos foram acautelados por professores e livros didácticos de que o coma hipnótico ocorreu acidentalmente em mais ou menos um de quinze mil pacientes, e que se encontraram ou acidentalmente produziram o coma, foi apenas um desses incidentes infelizes na medicina. Os livros didácticos preveniram os médicos para estarem atentos a isso, afirmando que os médicos poderiam não ser capazes de despertar o paciente. Alguns dos livros passaram a dizer, “Se o paciente entrar em 100 Hipnoterapia coma, deixe-o sozinho e o coma tornar-se-á em sono natural do qual o paciente despertará normalmente de entre quinze minutos á oito horas” Os livros que fazem estas declarações ─e você pode encontrar tais afirmações em centenas deles─ provam que os seus autores pouco ou nada sabem sobre o estado. As conjecturas são completamente erróneas. Em primeiro lugar, poucas pessoas ─se é que alguma ─acham possível cair no sono adormecer no estado hipnótico. A afirmação de que o coma mudará para o sono natural é falsa! O paciente despertará se deixado sozinho por um período de tempo indefinido, mas se for entrevistado e colocada a questão, “Você adormeceu em alguma altura?” invariavelmente dirá alguma coisa como, “Não, eu estava tão completamente relaxado que não queria ser perturbado.” Mas os médicos têm olhado para o coma hipnótico como sendo perigoso e quando eles o encontraram, eles não se detiveram para investigar, deixaram-no abandonaram-no completamente, não se apercebendo que isso pudesse ser de valor para eles. Hoje encontrará muitas pessoas que acreditam que, a hipnose é perigosa por causa da possibilidade de que um sujeito poderá ir entrar ao coma hipnótico. Em algumas demonstrações, ocasionalmente você ouvirá pessoas na audiência dizerem “O que acontecerá se você não o conseguir despertar?” Eles não entendem que no mundo, nunca ninguém esteve em hipnose e não saiu dela. Como qualquer um, no início eu acreditei que o coma ocorria apenas acidentalmente e que não existia maneira de o obter intencionalmente. Tenho vindo a ensinar aos médicos como despertar os pacientes do coma porque eu senti que se eles usarem a minha técnica, entrariam em coma muito mais que um em cada quinze mil casos. Portanto, eu achei necessário ensina-los o método rápido que descobri para tirar os pacientes para fora do coma. Para mostrar-lhe o quanto isso era efectivo, gostaria de relatar um incidente que ocorreu em Fair Lawn, New Jersey á um bom número de anos atrás. Um operador de palco tinha vindo a cidade para fazer uma demonstração, e alguém da audiência foi para o coma, as pessoas sentadas a redor dessa pessoa começaram a ficar violentamente perturbados. O operador desceu do palco e assegurou á audiência que não havia motivo para alarmes e que ele conseguiria despertar a pessoa muito facilmente. Então prosseguiu usando a sua técnica habitual, mas o sujeito não respondia. O operador de palco continuou, assegurando á audiência que ele iria despertar o sujeito se dessem tempo suficiente. Nos minutos que se seguiram a audiência tornou-se agitada porque nenhuma das suas técnicas parecia funcionar. Aconteceu estar um dos meus médicos na audiência, e caminhou para o operador de palco e disse,” Eu sou capaz de desperta-lo instantaneamente, eu sou médico.” O operador disse, ”Ele não precisa de médico. O que é que você sabe de hipnose?” “Eu estudei o assunto, “respondeu o médico, “ e desejaria que me deixasse tentar.” 101 Hipnoterapia “Vá em frente!” Disse o operador. “Eu continuarei depois de você desistir.” O médico avançou para o sujeito, murmurou algumas palavras ao ouvido, e imediatamente o sujeito despertou sozinho. Esta história apareceu nos jornais por todo o país, e deu uma credibilidade enorme ao médico. Fiquei orgulhoso pelo facto de ele ser um dos meus estudantes! Um outro incidente também mostrou o quanto a minha técnica de despertar é eficaz! Um dos meus médicos e a esposa foram a um restaurante com outro médico também com a esposa. O médico começou a falar acerca dos meus métodos rápidos de indução e, o quão eficaz eles são. O outro médico disse, ”tente na minha esposa.” O meu médico hipnotizou-a e imediatamente ela foi para o estado de coma, depois disso a marido dela ficou alarmado e disse, ”Estudei hipnose e foi-me dito para estar atento ao coma. Não se consegue traze-los para fora desperta-los e temos que deixa-los adormecer. Não a posso deixar dormir aqui. Vou tentar traze-la de volta desperta-la.” E logo a seguir ele tentou sem sucesso! O meu médico então sussurrou algumas palavras aos ouvidos da senhora. E ela saiu do estado imediatamente! Há muitos anos, que os médicos que frequentavam as minhas aulas têm vindo a contar-me acerca do coma e como despertar os pacientes desse estado. Mas por causa de não ser conhecido que o coma poderia ser produzido intencionalmente em qualquer altura, os estudantes raramente tiveram oportunidade de observar o estado na aula. Eu estava a ensinar em Baltimore, quando um dos médicos me disse, “Tenho um paciente que vai para o sonambulismo tão profundamente, que eu acredito que com um pouco de persuasão vinda de si, nós conseguiríamos coloca-lo no estado de coma. Eu gostaria de ver o coma hipnótico.” Eu disse-lhe que iria tentar. Eu senti que se desse o meu máximo para produzir o coma e não fosse bem-sucedido, poderia provar que o coma não poderia ser alcançado intencionalmente! Eu não tinha a ideia de que era o estado Esdaile. Na semana seguinte o médico trouxe o paciente para a aula e pediu-me para trabalhar nele. Eu disse-lhe, “Você coloca-o em sonambulismo e depois eu avanço a partir daí.” E então ele colocou o paciente no estado sonambúlico. Conforme lembro, eu falei ao paciente mais ou menos assim:” Sei o quanto você está relaxado, mas mesmo nesse seu estado relaxado eu aposto que você sente na sua mente que existe um estado de relaxamento abaixo do que está agora. Consegue sentir isso? O paciente respondeu, “Sim” Eu continuei, “Sabe, você pode fechar o seu punho e apertar e apertar e apertar, e apertar tanto que pode chamar a isso de alta tensão. Pode relaxar o mesmo punho até não conseguir relaxar mais. Você pode chamar a isso a cave do relaxamento. E eu vou tentar leva-lo até lá em baixo para a cave do relaxamento. “Para descer ao patamar A, você tem que relaxar duas vezesmais do que está já relaxado. Para descer ao patamar B, você tem que relaxar duas vezes mais do fez no patamar A, e para descer ao patamar C você tem que relaxar duas vezes mais do que o que você fez no patamar B. Mas quando alcançar o patamar C que é a cave do relaxamento, e nessa altura, você dará sinais pelos quais eu saberei que você está na 102 Hipnoterapia cave. Você não sabe que sinais são esses, e eu não lhe vou dizer quais são, mas todas as pessoas que já estiveram na cave do relaxamento deram esses sinais…Vamos começar. “Você vai descer para o piso A num elevador imaginário e irá usar o mesmo elevador para descer a cave do relaxamento. Você está nesse elevador agora. Quando eu estalar os dedos, o elevador começará a descer. Se você relaxar duas vezes mais do que já está relaxado até agora, você descerá para o piso A. Diga-me quando estiver no piso A falando a letra A em voz alta.” Cerca de trinta segundos ele murmurou “A” numa voz quase indistinguível. Eu segui um procedimento similar para trazendo-o para o piso B. Foi quase impossível, ele conseguir dizer a letra B em voz alta, mas ele formou o som com os lábios. Quando ele alcançou o piso C, ele foi incapaz de falar e nem moveu um músculo. A profundidade de relaxamento era espantosa. Então sem uma palavra de sugestão, prosseguimos em fazer-lhe o primeiro teste para o estado de coma ─Isto é, o teste para a anestesia geral─. Os médicos testaram-no de varias maneiras e a anestesia era profunda. Lembre-se, que nenhuma palavra de sugestão tinha sido dada para produzir anestesia. Isso ocorreu automaticamente. O segundo teste que fizemos foi pedir-lhe que levantasse a perna. Ele não respondeu. Houve um tremor na perna dele, sugerindo que ele estava a tentar move- la com bastante esforço, e depois aparentemente, ele desistiu de tentar. O terceiro teste foi feito num grupo de músculos mais pequenos, aqueles a volta dos olhos. A sugestão dada foi para abrir os olhos, ele não seguiu esta sugestão também. Então eu levantei o braço dele e achei que estava completamente catatónico, ficava em qualquer que fosse a posição que nos puséssemos. Os médicos colocaram-no em varias posições, e não importa qual a posição em que se colocava ele permanecia dessa forma. Para meu conhecimento, esta foi o primeiro coma intencional gravado desde o tempo de Esdaile. Agora que tínhamos produzido o coma, os médicos sugeriram que deixássemos o paciente nesse estado para que eles pudessem experimentar. Eles queriam ver as reacções de um paciente em estado de coma hipnótico. Uma das muitas experiências que eles executaram foi colocar um palito de fósforo acesso entre o indicador e o polegar, fechando os dois dedos firmemente em volta do palito de fósforo acesso. Quando a chama chegava ao fim do palito, os dedos do paciente moveram-se imperceptivelmente e o palito caiu ao chão. Fizemos isso repetidamente e sempre com o mesmo resultado, nunca conseguimos ver o movimento dos dedos, até ao momento exacto em que o palito caia no chão. Gastamos várias horas a fazer testes, até que decidimos despertar o paciente uma vez que já eram quase 2.00 da madrugada. Eu ensinei a estes médicos como despertar um paciente em coma, mas eles decidiram, para propósitos experimentais, tentarem de outras maneiras. Eles deram-lhe sugestões simples de que era hora de ir para casa, que a família estava a espera dele, etc. Nada aconteceu. 103 Hipnoterapia Então alguém disse, “Nós todos, vamos para casa e o deixaremos aqui sozinho, a menos que abra os olhos neste minuto momento. Nada aconteceu! Depois alguém gritou, “ É melhor você acordar e sair daqui. Há fogo!” Nada aconteceu! Finalmente os médicos decidiram despertar o paciente pelo método que lhes tem sido ensinado. Depois de ele despertar ─sem dificuldade─ os médicos decidiram, passarem mais algum tempo a questiona-lo. Eles queriam descobrir mais acerca das reacções dele no estado! Uma das coisas que eles perguntaram foi acerca do palito de fósforo. Ele disse: “ Quando pensei que aquilo poderia queimar-me larguei o palito de fósforo! Nem me preocupei de que o palito de fósforo poderia queimar a alcatifa porque, eu sabia que estavam todos aqui e que alguém iria joga-lo fora.” Ele voluntariou-se a informar que tinha ouvido e entendido tudo o que se tinha passado a volta dele durante o tempo em que esteve no estado de coma, e foi capaz de nos dizer exactamente o que tinha acontecido. Depois disso, alguém lhe disse, ”Se você ouviu tudo e entendeu tudo o que se estava a passar, quando alguém gritou ─Fogo vamos sair daqui─, porque é que não se moveu? Ele respondeu, “ Eu sabia que não havia fogo, eu ouvi-os a todos cochicharem de que iriam fazer de conta que havia um incêndio, e que iriam gritar a palavra fogo para me despertarem. Eu ouvi-os discutirem todos os testes que planearam fazer, e eu soube o tempo todo, exactamente o que se passava a minha volta. Eu não tinha motivo para estar alarmado, se existia um fogo por que é que ninguém abandonou a sala?” Tinha sido uma experiencia impressionante para os médicos, para não falar do professor! Não pude deixar de desejar, que a experiencia pudesse ser duplicada em todas as aulas. O paciente tinha entrado em coma com uma ajuda mínima, depois de ter alcançado o sonambulismo. No dia a seguir quando nos dirigíamos para Philadelphia para a nossa aula seguinte, a minha esposa destacou que ele não parecia ser mais profundo no sonambulismo, do que os outros médicos que assistiram as nossas aulas. “Se fizeste isso uma vez,” ─disse ela─ “Por quê não podes fazer isso outra vez, com outros?” Eu disse, ”O que aconteceu ontem a noite foi um completo acidente. Eu bati dei com um de dezassete mil e isso simplesmente não voltará a acontecer assim de novo. Não poderia ter assim tanta sorte.” A minha esposa disse. ”Eu não penso que foi sorte. Ao menos vale a pena tentar.” Chegamos a Philadelphia, conduzi a aula como habitualmente e na conclusão da sessão eu contei aos médicos o que acontecera em Baltimore na noite anterior. Perguntei-lhes se gostariam de ver a técnica que usei para produzir o coma intencionalmente. Talvez houvesse outra pessoa que pudesse reagir da mesma maneira, como tinha reagido o paciente da última noite. Os médicos ficaram bastante entusiasmados com a perspectiva, então eu pedi um voluntário. Usei a mesma técnica que tinha usado em Baltimore, e para muito espanto meu, produzi o segundo coma. 104 Hipnoterapia E em breve tinha produzido sete comas em sete aulas consecutivas. A partir da décima em diante eu decidi que definitivamente, isso deveria fazer parte do meu curso. Se fossemos ou não bem-sucedidos em todas as aulas isso não importava. Os médicos deveriam saber isso era possível. Eu acho que fui sortudo nas primeiras sete vezes, porque na oitava vez eu tentei e encontrei-me com o fracasso. Pedi outro voluntário e nessa vez tive sucesso. Nas aulas subsequentes até poderia falhar de vez em quando, tinha que pedir um segundo voluntário e as vezes até um terceiro! Isso consumia muito tempo. Nessa altura, os médicos tinham ouvido que o coma podia ser produzido intencionalmente, e não ficavam satisfeitos até que o vissem. Numa dessas aulas, continuei na minha maneira habitual a pedir um voluntário, mas avançaram duas senhoras. Eu decidi que talvez pudesse poupar tempo ao tentar com duas pessoas duma vez. Dessa maneira poderiam aumentar as minhas chances em obter o coma. Assim aconteceu; ambas as mulheres foram entraram para o coma simultaneamente. Daí em diante eu perguntava por dois ou mais voluntários, e pouco depois, eu estava a produzir comas em quatro e cinco pessoas simultaneamente. Um dos factos que verificamos é que variavam os tempos a que cada pessoa ia entrava para o coma. Um paciente podia ir entrar depois de apenas alguns momentosde sugestões; mas outros poderiam ir entrar para o coma depois de mais alguns minutos. Eu nunca conseguia faze-los ir entrar para o coma ao mesmo tempo, mesmo que eventualmente todos eles o fizessem. Agora nós éramos capazes de produzir o coma a vontade mas não tínhamos a menor ideia de como poderia ser usado medicamente. Os pacientes ficavam imobilizados e não respondiam a sugestões assim que alcançavam o coma. O que é que um médico pode fazer com um paciente assim? Foram feitas mais experimentações com o coma nas nossas aulas. Os pacientes foram entrevistados pelos médicos após terem sido trazidos para fora do estado, e rápido tornou-se evidente que muitos conceitos erróneos relativos ao coma tinham-se infiltrado na literatura. Em vez de ser um estado a ser evitado, nós descobrimos o que os pacientes descrevem como, “O melhor estado de hipnose que existe. É maravilhoso. Eu não sei quando é que eu estive tão lindamente relaxado.” Os médicos começaram a tentar induzir o estado de coma neles próprios. Quando eram bem-sucedidos, eles ficavam igualmente entusiasmados acerca disso. Em Philadelphia, num domingo a tarde, um médico foi para o coma três vezes para deixar os colegas estudarem-no. Mais médicos tentaram, e todos se referem a isso em termos radiosos. A explicação que médicos e pacientes dão é que o coma traz com ele uma completa e inteira euforia. Em vez de se permitirem ser perturbados, quando alguém lhes dá um impulso doloroso, eles ignoram-no completamente, dando a eles mesmos anestesia geral completa. 105 Hipnoterapia Muitos médicos e pacientes reportaram que eles não podiam sequer sentir pressão no estado, outros reportaram que até podiam sentir que alguma coisa estava a ser feita neles, mas não se importaram. Alguns deles aperceberam-se no estado, que na realidade estavam catatónicos e quando falou acerca disso, arriscou dizer, “Eu estava tão confortável, acho que pouco importava para mim em que posição estava. Só não queria ser tirado para fora deste maravilhoso estado de bem-estar.” Alguns negaram ter estado catatónicos, aparentemente apagaram essa porção da experiencia das suas memorias. Nós observamos várias vezes este pequeno detalhe: Paciente após paciente e médico após médico, depois de terem sido trazidos para fora do estado, voluntariaram a informação de que chegou um momento durante o coma em que eles desejaram que toda a gente na sala parasse de falar, particularmente o operador. Aprendemos que apesar da euforia no estado de coma, se alguma coisa acontecer que alarme um paciente, ele é rápido a despertar-se e a ir para uma qualquer acção necessária. Ele não está indefeso! Nós temos produzido literalmente milhares de comas nas aulas, para os nossos estudantes, e durante anos temos tido oportunidade de comparar os relatórios entusiásticos de médicos e pacientes que estiveram no estado. Cada relatório é fundamentalmente o mesmo: Pacientes e médicos adoram. Nem um único incidente desagradável foi reportado. Antes da nossa própria investigação, nada tinha sido feito para descobrir por que é que a natureza tornou possível acessível este eufórico estado. Temos falado para muitos dos nossos estudantes fazerem a seguinte pesquisa de trabalho: “Produzir o coma em pacientes numa tentativa de aprender como é que a natureza pretende que seja usado. Parece ser a própria anestesia da natureza, que foi disponibilizada à humanidade desde o início dos tempos, quanto mais trabalho de pesquisa se faz, mais beneficiado será o mundo. Usem-no de todas as maneiras possíveis. Vamos descobrir o quanto é valioso, e se é uma técnica que todos os médicos podem usar. “ Os médicos têm perguntado, “ Pode um paciente psicótico ou pré-psicótico usar o estado de coma como um refúgio da realidade?” A minha resposta a isso, é que os pacientes psicóticos ou pré-psicóticos não precisam da hipnose como refúgio da realidade, eles encontram os seus próprios meios para o fazerem. Milhares de pacientes psicóticos que nunca tiveram experiências de hipnose no seu conhecimento, ou nem sequer conhecem a palavra, têm-se refugiado da realidade. Muitos psiquiatras usam o estado de Esdaile nos seus trabalhos, e estão altamente entusiasmados acerca disso. Ninguém se referiu a isso desfavoravelmente! Há alguns anos, um número de médicos começou a usar o estado de coma em casos de artrite e cancro para aliviar dores intratáveis, e relataram resultados esplendidos com isso! Outros médicos dizem que é bastante útil nos procedimentos pós-operatórios, particularmente quando eles querem imobilizar o paciente numa 106 Hipnoterapia determinada posição em particular, por um extenso período sem o desconforto do pós-operativo. Finalmente, nós aprendemos outro uso esplendido para o estado do coma. Um dos médicos anunciou aos colegas na turma, “Esta semana eu fiz duas operações ao nariz e garganta em pacientes no estado de coma, e tenho a firme opinião de que o estado de coma é ideal para cirurgias. Imaginem, neste estado, sem nenhuma palavra vinda de mim, os pacientes anestesiaram-se sozinhos! Não foi necessário qualquer tipo de anestesia. É verdade que o paciente no estado de coma não aceita nenhuma sugestão física como aceita em sonambulismo, mas vocês têm um paciente que aceita a cirurgia tal com se tivesse tido anestesia geral! É notável para cirurgia, e eu pretendo fazer mais operações usando este estado a medida que o tempo passa.” Quando os outros médicos que ouviram acerca do sucesso dele, também tentaram o estado de coma em cirurgias. Obstetras tentaram-no para partos e rapidamente chegaram relatos entusiásticos de mais de cem médicos. Os relatos confirmaram a minha suspeita: Tínhamos tropeçado no estado de Esdaile. Como os relatórios continuaram a chegar, tive conhecimento que um médico fez uma histerectomia no estado de coma sem anestesia química. Outro médico relatou uma ressecção peitoral da mesma maneira. Fracturas expostas foram reduzidas no estado de coma sem anestesia química; cirurgias cerebrais, cirurgias cardíacas, e apendicectomias foram reportados da mesma forma. Em Newark, New Jersey, um dia um médico relatou á turma que ele tinha usado o coma para um parto. Alguns dos outros replicaram, “você tem a certeza que não foi sonambulismo?” O médico respondeu, “Tenho tido parturientes em sonambulismo e sei a diferença. Isso foi, o estado de coma! E foi o parto mais belo que alguma vez vi. A paciente manteve um sorriso durante todas as suas contracções, durante a episiotomia, parto e a sutura. A única altura em que ela saiu do coma foi no instante em que o bebé nasceu. Estava tão ansiosa de ver o bebé dela que despertou sozinha. Quando já estava satisfeita ela foi de volta para o coma, para o resto do procedimento. Digo-vos, foi lindo! “ E breve, médicos após médicos relatavam tratarem de partos no estado de coma. Aqueles que não tinham conseguido vinham dizer-me,” Talvez não tenha condicionado correctamente a minha paciente. Nós poderíamos ver como é que você prepararia uma paciente para um parto no estado de coma.” Eu pedi-lhes que trouxessem as futuras parturientes para a aula, para mais tarde prepara-las para o parto. Muito rapidamente os médicos trouxeram para as aulas um grande número de mulheres grávidas a fim de tirarem proveito das minhas técnicas de condicionamento. Em cada turma nós gastamos uma aula preparando as mulheres grávidas para o parto. Eu tinha trabalhado com tantas como 102 mulheres grávidas de uma só vez, e 97 das 102 foram entraram para o estado de coma. Este número não é apresentado como um gabarito mas para mostrar o percentual de sucesso que pode ser esperado. Esta é a maneira de preparar um paciente para cirurgia ─ou parto─ no estado de coma hipnótico: 107 Hipnoterapia A primeira coisa que tem de fazer é colocar o paciente em sonambulismo.Depois explicar que existe uma cave para o relaxamento, um piso abaixo, e que você quer levar o paciente lá abaixo para esse piso. Leve-para baixo ao piso A, e você verá que ele será capaz de dizer a letra A claramente. Diga-lhe que para poder descer ao piso B, ele terá relaxar duas vezes mais do ele fez no piso A. Quando ele conseguir chegar ao piso B, ele poderá encontrar dificuldade em dizer a letra B em voz alta, mas diga-lhe para dar o máximo, para o dizer em voz alta. Alguns pacientes falharão em ser capazes de o fazer. Isso é um bom sinal. Agora usando o mesmo procedimento, leve-o abaixo para o piso C, ao ponto o qual não será capaz de mover suficientemente os lábios para formar a letra C. Quando você estiver seguro que ele está no piso C, sem dar sugestões de nenhum tipo de anestesia, pegue num par de pinças allis , ou grampos de toalhas, e faça um teste para a anestesia. Não use uma palavra de sugestão para isso, se for necessário dar sugestões de anestesia hipnótica, então você não tem o estado de coma. Quando o paciente passou no teste para a anestesia ele está pronto para o teste numero dois. Peça-lhe para mover um grupo de músculos grandes, como um braço ou uma perna, se ele estiver incapaz de mover os músculos grandes, ele está pronto para o terceiro teste. Este deverá envolver um pequeno grupo de músculos tais como aqueles em volta dos olhos. Peça-lhe para tentar abrir os olhos. Se ele conseguir, ele não está no estado de coma, e você terá de leva-lo para baixo para mais um voo, até os músculos dos olhos não funcionarem. Em sonambulismo, quando o paciente tenta abrir os olhos, você vê os movimentos dos músculos embora os olhos não abram. Mas no verdadeiro estado de coma, esses pequeninos músculos não funcionam de todo, e você não vê qualquer movimento. O seu quarto teste deverá ser para a catatonia. Perceba que a catatonia pode ser obtida no estado mais leve de hipnose. No entanto isso não significa nada, a menos que seja o quarto teste que você faz no estado de coma. Quando o paciente passa em todos estes quatro testes na exacta ordem dada, você pode ter a certeza que tem o verdadeiro estado de coma hipnótico, e pode prosseguir a partir daí. Para o teste de catatonia não deverá ser dada nenhuma sugestão, a catatonia deverá chegar por si só, sem sugestão de espécie nenhuma. Jamais avance para o teste a seguir até que o paciente tenha passado no primeiro teste. Não faça o teste Dois até que o paciente tenha definitivamente passado no teste Um; não faça o teste Três até que o paciente tenha passado nos testes Um e Dois, e assim por diante! Quando você obtém o estado de Esdaile, você dará conta que o paciente está verdadeiramente incapaz de aceitar uma sugestão “física”. Quando ele é solicitado a levantar o braço, os músculos podem tremer, depois o movimento cessa. Temos encontrado muitos pacientes que depois de saírem do coma, têm a certeza que nas 108 Hipnoterapia suas mentes seguiram as sugestões do operador, e levantaram o braço conforme foi pedido. Lembre-se eles conseguem ouvir e entender todas as palavras que você diz. No verdadeiro estado de coma, embora as actividades físicas do paciente estejam imobilizadas, ─ele realmente não consegue seguir “sugestões físicas” como ele talvez desejasse fazer─ ele é bem capaz de seguir “sugestões mentais ─em que não exista movimento físico─. Os nossos médicos têm provado isso de várias maneiras. Eles têm pegado em pacientes que sofrem com dores de cabeça, dismenorreia, e muitos outros sintomas funcionais, colocam-nos no estado de coma e dão-lhes sugestões para o alívio desses sintomas. Os pacientes não tinham os sintomas na altura da indução. Foram dadas sugestões pós-hipnóticas para o alívio desses sintomas com bastante sucesso! Nós também falamos para pacientes que tiveram bebés enquanto estavam neste estado, ou que tinham feito grandes cirurgias. Em todos os casos, estes pacientes reportaram que, enquanto eles estavam talvez incapazes de esforço musculares, eles estavam certamente capazes de aceitar sugestões que não envolvesse movimento. Por exemplo, pacientes cirúrgicos informaram-nos que teriam apreciado algumas observações do cirurgião para efeito de que a operação estava a correr lindamente, e que o paciente estava a fazer muito bem. As mães que tiveram crianças neste estado também asseguraram-nos que uma palavra reconfortante do médico teria sido bem apreciada. Quando a cooperação física é necessária ─por exemplo, quando mover um paciente do carrinho para a mesa de partos─ tem que subir o paciente ao “piso B” para dar a cooperação necessária, depois tem que descer o paciente outra vez e fica em baixo até a altura em que seja necessária a cooperação física outra vez. Se você resvalar num coma acidental, a maneira mais fácil de despertar o paciente é sussurrar confidencialmente ao ouvido dele, ” Se você não abrir os olhos quando eu disser para o fazer, poderá nunca mais ter este estado novamente!” Esta é uma sugestão insidiosa porque o paciente quer ser capaz de alcançar este estado outra vez e outra vez, e então prontamente sairá dele. Se no entanto você trabalhar com o coma e usar a técnica descrita aqui em cima, quando os pacientes estão em baixo na cave do relaxamento e você não consegue faze-los abrir os olhos, diga-lhes apenas para subirem para o “piso B”, e eles serão capazes de abrir os olhos com bastante facilidade. Tenha em mente estes factos quando você produz o coma, e você ficará deleitado com os seus resultados. É importante saber que no estado de coma, o paciente continua a reter deter o poder da selectividade. Em outras palavras, ele pode aceitar ou rejeitar uma sugestão como entender, excepto para uma actividade física. Se ele aceitar uma sugestão para actividade física ele tem que terminar o estado para faze-lo. Nas muitas experiencias que nós temos conduzido com pacientes no estado de coma, fizemos todos os esforços em dar sugestões pós-hipnóticas improprias, de forma a testar a reacção. Em todos os casos o paciente reagiu como qualquer outro sujeito hipnotizado. Ele pode permanecer no estado e mais tarde não executar a 109 Hipnoterapia sugestão pós-hipnótica, ou ele instantaneamente desperta sozinho do coma com a afirmação, “Eu preferiria não fazer isso.” Ainda permanece muito trabalho de pesquisa a ser feito com o coma. Cabe aos homens da medicina e da odontologia, fazerem essa pesquisa. Por favor entenda que nós não afirmamos que este é o melhor método de produzir o coma hipnótico. É meramente o primeiro método desenvolvido para o produzir. Talvez você possa ser capaz de aperfeiçoar uma técnica melhor. Um dos nossos estudantes tem estado a trabalhar numa mais rápida. Eu tinha estado a ensinar em Tulsa, Oklahoma, e no ano seguinte eu voltei para dirigir mais duas turmas. Como usualmente apareceram antigos estudantes. Um deles, um dentista de nome Norval R. Smith, durante o intervalo chamou-me para dentro do hall e disse, “Senhor Elman, posso falar em privado consigo por um minuto? Ou eu descobri algo bastante importante ou então estou a cometer um horrível engano e quero a sua opinião acerca disso. Eu tenho conseguido sonambulismo em grande número dos meus pacientes, mas de vez em quando posso falhar porque não consigo fazer o paciente perder esquecer os números. Eu tenho usado o estado de coma sempre que possível, e se não podia ter sonambulismo, imaginei que não fazia sentido eu tentar obter o coma. Um dia, só para experiencia, eu pensei para mim, eu nem vou pedir ao paciente para perder esquecer os números, vou somente obter o relaxamento físico e ver se consigo leva-lo lá abaixo, para o coma, bypassando contornando inteiramente o estado sonambúlico.” Eu sorri e disse, “Claro que isso não funcionou.” Ele respondeu, ”Pelo contrario, Sr. Elman. Funcionou lindamente!Tudo o que faço é obter o relaxamento físico; depois levo-o para baixo três patamares, e eles dão todos os quatro sinais do coma, e quando trabalho neles, eu tenho anestesia dental sem ter sido dada nenhuma sugestão para isso. Eu estou a cometer um erro ou não estou a obter o estado de Esdaile de que você fala tanto?” Eu não soube como lhe responder porque não sabia se o que ele me falou era possível. Eu disse-lhe, “Doutor Smith, se o que você fala funciona para si, deverá funcionar com todos os meus médicos. Vou ter cerca de cem médicos a tentar e dar- lhe-ei um relatório do que eles falam.” Cerca de quatro semanas depois eu estava apto a dizer ao Doutor Smith que eu tinha relatórios de pelo menos uma centena de médicos que, usando esta técnica foram bem-sucedidos ao alcançar o estado de coma. Eu sinto que a descoberta do Doutor Smith é extremamente importante, pois isso quer dizer que um médico pode levar um paciente a descer para o coma em cerca de cinco minutos. Experimentem vocês mesmos e vejam como facilmente produzem o estado em qual o Doutor Esdaile fez acima de trezentos procedimentos de cirurgias abdominais profundas. Eu estou grato ao Doutor Smith por disponibilizar esta técnica. 110 Hipnoterapia Capítulo 14: Condicionamento para o parto Hipnótico e Cirurgia Não há muito tempo, um relatório médico continha a afirmação de que apenas vinte e cinco por cento das gestantes podem ser ajudadas pelo parto hipnótico. A experiencia dos nossos médicos, tem mostrado que todas as mulheres, que entram na sala de partos podem ser ajudadas em algum grau pela hipnose, e para muitas delas pode ser obtida a liberdade completa do desconforto. Alguns relatam sucesso em mais de noventa por cento dos seus casos. Nem todos os médicos têm esta percentagem de sucesso mas um número surpreendente deles tem. Eu recebi recentemente um relatório de um obstetra que afirma que nunca usa nada para o parto, excepto hipnose. Ele é um dos mais populares obstetras da área zona dele e os serviços dele são constantemente solicitados. Muitos médicos não se apercebem da importância da semântica na preparação de uma paciente para o parto hipnótico. Eu ensino aos meus médicos a dar uma conversa semelhante a que se segue antes mesmo de tentar hipnose numa gestante. Esta conversa pode ser feita em qualquer momento. Não é necessário fazer o condicionamento da paciente nos primeiros meses de gravidez, eu acredito que a altura ideal para o condicionar a paciente é em qualquer altura a seguir ao quarto mês. Nunca use a palavra hipnose na presença das pacientes porque este estado ainda não é adequadamente entendido pelo público. É sincera a minha esperança, que este livro venha ajudar a corrigir os mal-entendidos que muita gente tem acerca do verdadeiro valor da hipnose. Eu não uso a palavra hipnose ao falar com pacientes, e penso que você não deveria. Chame-lhe apenas o estado de Esdaile. As pacientes esperam ─e querem─ um médico que use termos esotéricos impressionantes, e este é feito de maneira a que se use em conversas com elas acerca de um estado não familiar, desconhecido, sem introduzir o medo ou uma sensação de mistério na sua explicação. Aqui está o tipo de conversa que eu sugiro dar a gestantes: “ Você está aqui com um propósito muito importante, o de que você tenha o seu bebé sem sentir uma única coisa, de maneira a que você possa ter o seu bebé com um grande sorriso, de modo a que você não sinta nenhum desconforto, para que o parto do seu bebé seja uma experiencia maravilhosa. Eu não a teria feito vir aqui para esse propósito, se eu não soubesse que tudo isso é possível para seu benefício. “Primeiro existem algumas coisinhas que quero discutir consigo. Existe uma coisa que pode impedi-la de ter um parto indolor apesar do trabalho que fizermos consigo hoje. Apenas uma coisa; uma coisa chamada medo. Qualquer tipo de medo, não importa se pequeno, pode impedi-la de alcançar o que você quer na hora do parto. “ Você sabe, com certeza, de que lhe será dada toda ajuda possível para um parto indolor. Você não deverá ter nada com que se preocupar. A única coisa que deverá ter em mente é o facto de que daí a pouco você estará a ver o maravilhoso bebé que você tem estado a espera. Não deixe que pequenas preocupações ou aborrecimentos interferir com esta grande experiencia. 111 Hipnoterapia “Quando chegar o tempo, você terá sido condicionada para o parto indolor e estará em boa forma para isso. Suponha que é agora a altura do parto e que você está no hospital e de repente começa a preocupar-se se está tudo bem em casa, se a ama sabe com que alimentar a criança ou se existe comida suficiente no frigorífico.” “Tenho a certeza que entende que este tipo de inquietações é desnecessário e ainda que tais pensamentos podem impedi-la de obter o estado necessário para um parto indolor. O tipo de preocupações que também podem ocorrer-lhe pode ser algo como, ”Preocupa-me como irei pagar todas as contas.” Ou,” Esqueci-me de pagar a conta do gás, espero que eles não me cortem gás.” Estas são pequenas preocupações, Elas são verdadeiramente sem importância, comparadas com o grande evento que está a ter lugar. As suas crianças em casa serão bem cuidadas. O seu marido cuidará dos detalhes necessários em casa. Você tem de fazer apenas uma coisa, uma coisa em que pensar apenas: Ter o seu bebé o mais rápido e facilmente que for possível. E você pode consegue faze-lo! Na altura do parto você deve estar absolutamente livre de medo e de preocupação se quiser ter o seu bebé facilmente. Deverá existir apenas um pensamento na sua mente, que daí a pouco você irá ver o seu bebé, o bebé que você tem estado a espera. Teremos resultados perfeitos se você seguir algumas instruções simples, e mantiver o medo e a preocupação de fora.” “Se no dia do parto, ocorrer alguma coisa desagradável, diga para si mesmo, ”Isso agora não é importante. Eu posso endireitar tudo quando o meu bebé chegar. Neste momento não existe nada tão importante como o meu bebé, e é tudo em que vou pensar.” “Eu quero que saiba que se alguma coisa está a perturbar-lhe você deverá falar-me acerca disso, eu farei o meu melhor para ajudar. A minha enfermeira ou a secretaria podem levar uma mensagem ao para o seu marido ou para a ama se for necessário. Estaremos todos juntos a trabalhar para fazer do parto do seu bebé, uma experiencia memorável para si. “ É possível que você não vá obter o estado em que iremos trabalhar agora? Não sei. Isso é consigo. Se você considerar isto como uma brincadeira, você não obterá. Se você se sentar ali na sua cadeira e disser para si mesmo, “Não, não quero fazer o que o doutor diz, você irá ter. O que é que você tem de fazer? Apenas seguir instruções, e acredite em mim que estas instruções são tão simples que até um bebé pode segui-las. “Tudo o que você tem de fazer é seguir as minhas instruções e será ajudada a partir desse ponto em diante. Agora vamos assegurar que você esteja confortável. Por favor livre-se de tudo que esteja nas mãos ou no seu colo. Coloque a sua bolsa e as luvas no chão debaixo da sua cadeira. Livre-se do seu agasalho. Não deverá ter nada nas suas mãos nem no seu colo. “ Se estiver a mascar pastilha, por favor tire a pastilha da boca. Você não consegue relaxar verdadeiramente, todos os músculos do seu corpo se estiver a mascar pastilha. E eu quero que esteja tão relaxada e confortável quanto possível. 112 Hipnoterapia “ Se por acaso você sentir necessidade de ir a casa de banho, por favor faça- o agora. Nós podemos esperar! Você não consegue relaxar quando a natureza está a chamar, e nós não queremos o nosso procedimento interrompido. Você está confortável na sua cadeira? “Muito bem, agora vamos iniciar. Por favor siga as minhas instruções e terá uma experiencia maravilhosa asua frente. * * * Agora o médico pode começar a preparar a paciente para o parto hipnótico. E deverá ser anotado que um obstetra muito solicitado pode fazer isso com uma sala cheia de mulheres, ele não tem que trabalhar com cada paciente individualmente. A primeira coisa que você deve fazer é colocar o paciente em sonambulismo. Tenha a certeza que você tem o sonambulismo verdadeiro, ou as instruções que se seguem serão ineficazes. É apenas no verdadeiro sonambulismo que as pacientes aceitarão estas sugestões. Eu enfatizo este ponto porque isso é importante para ter sucesso. Assegure-se de que não está a trabalhar com o sonambulismo artificial. Terá que ser o verdadeiro sonambulismo se você quiser que as suas pacientes desfrutem do parto sem dor. Assumindo que você tem uma dada paciente no verdadeiro sonambulismo, mantenha-a assim e dirija-a como se segue: “Quero falar-lhe acerca dos benefícios do relaxamento. Você sabe muito bem que, se você estivesse tensa e eu tivesse que lhe dar uma injecção, você sentiria a entrada da agulha muito incisivamente, por causa do facto de você estar tensa não é? Mas suponha você que estivesse relaxada desse jeito. Você não seria capaz de sentir a injecção de todo, por causa do facto de que você estaria absolutamente e completamente relaxada. Você pode alcançar um estado de relaxamento tal, que não terá desconforto nenhum na altura do parto. É neste estado, quando você está fisicamente e mentalmente relaxada, que é tão fácil ter um bebé! É neste estado que as contracções em vez de serem desagradáveis tornam-se agradáveis. “ A maioria das futuras mães ouviu falar, por amigos ou talvez por parentes, que ter um bebé é uma horrível provação. Então ela olha de frente para aquilo que ela ouviu descrever como trabalho, trabalho doloroso ou trabalho duro. Não existe tal coisa como trabalho, trabalho doloroso ou trabalho duro. Não existe tal coisa associada com o nascimento de um bebé. Todos esses termos são nomes falsos que deixam as atitudes de uma mãe, exactamente no estado errado. Mas podemos mudar isso para a atitude certa, tendo você a saber exactamente o que acontece quando nasce um bebé. A natureza tem um método de fazer possível o nascimento do seu bebé pelas contracções. Cada contracção que você tem ajuda a empurrar o bebé um pouco mais para frente, para que o bebé possa nascer facilmente. “Agora você tem contracções mas você não tem trabalho, você não tem trabalho doloroso ou trabalho duro. Tudo o que você tem são essas contracções. E a coisa estranha sobre estas contracções, é que, se você olhar de frente para a elas agradavelmente, e você sabe que vai ser algo bom de ter, você não se vai importar 113 Hipnoterapia com elas. Você saberá que está a ter contracções, mas apenas as sentirá de uma forma agradável. Eis o que irá acontecer. Quero você me deixe saber quando você tiver a primeira contracção, e eu dir-lhe-ei o que fazer a partir desse ponto. Depois quando estiver no local dos partos, quero que feche os olhos tal como os tem fechados agora, relaxe completamente tal como está relaxada agora. Eu estarei lá para ajuda-la com o nascimento do seu bebé. Mas até que eu esteja lá, quero que relaxe como você está relaxada agora, e em seguida o nascimento será tão fácil para si. “Uma das coisa maravilhosas que este relaxamento ira fazer é encurtar tremendamente o período do parto. Será encurtado miraculosamente. Ficará tão encantada, porque com cada contracção, as contracções ficarão mais agradáveis ─Médicos neste ponto compor sugestões─ que por volta da terceira ou quarta contracção, ter-se-á na verdade começado a sorrir, e a olhar de frente para a próxima, como que a dizer,” Estou muito mais próxima do nascimento do meu bebé. Agora que essa contracção acabou eu estou mais perto do nascimento do meu bebé.” Com cada contracção você terá esse pensamento, e manterá um sorriso no seu rosto durante todo o tempo, e você sentir-se-á tão bem durante todo o tempo de parto do seu bebé. Então, depois, quando o bebé nascer você verá o bebé nesse instante. Você verá o seu bebé no segundo em que nascer porque você estará de olhos bem abertos durante todo o parto. “Lembre-se que este relaxamento que você está a ter agora, vai ser usado em adição a toda a ajuda que a ciência médica tenha inventado, para tornar fácil para uma mãe o nascimento do bebé! Então isso vai ser uma maravilha, somado a tudo o mais que você fará para o nascimento fácil do bebé. “Depois que o bebé nascer vai sentir-se tão bem. Você será capaz de usar o telefone ─ligar aos seus amigos─ uns minutos depois do nascimento do seu bebé, porque você vai estar tão forte nessa altura como está agora. A sua força será completa; o sentimento de bem-estar será completo e você fará a recuperação muito mais rápida do que normalmente faria. Depois , se você quer amamentar o seu bebé, este relaxamento vai tornar possível faze-lo muito, muito facilmente. “Eu quero que pratique relaxamento. Eu quero que o pratique tal e qual como está a fazer agora. Aprenda como relaxar em casa, para que quando o bebé vier estará toda pronta para isso, e a sentir-se maravilhosa no dia do parto, e a sentir-se maravilhosa durante o parto e depois do parto. Repare como essa sensação de relaxamento se mantem e a faz falar para si mesmo,” A maternidade vai ser uma gloriosa aventura para mim. Eu vou adorar cada minuto disso.” * * * Na conclusão desta conversa de condicionamento, claro que as suas pacientes estão, continuam em sonambulismo, e isso assegura-lhes um parto relativamente indolor. No entanto, se elas querem alcançar um parto absolutamente indolor, leve-as agora para a cave o subsolo do relaxamento com o propósito de alcançar o estado de Esdaile. Este é o melhor estado para alcançar um parto indolor. Se você tem feito partos em sonambulismo e está bem satisfeito com eles, você vai ficar encantado com 114 Hipnoterapia o sucesso que você tem com o estado Esdaile. Siga as instruções dadas previamente para alcançar o estado de Esdaile. Observe siga essas instruções de perto e você terá excelentes resultados em muitos casos. Deixe-me avisa-lo no entanto, que, mesmo depois de seguir precisamente as instruções, se o medo é gerado de alguma forma ─por observações infelizes feitas por enfermeiros ─as─, assistentes ou outros médicos que venham a estar presentes─ o estado de Esdaile será perdido. Lembre-se que as suas pacientes ouvem e entendem tudo o que se passa. Por esse motivo, os seus enfermeiros ─as─ e assistentes devem ser treinados na maneira apropriada de lidar com partos hipnóticos. Se você tem médicos convidados que venham a assistir ao parto e eles não são versados na semântica da hipnose, em benefício da sua paciente, insista para que eles se mantenham calados durante todo o procedimento. Você notará que tudo o que falamos aqui é acerca do parto e no entanto este capítulo está intitulado “Condicionamento para partos hipnóticos e cirurgia.” A razão é simplesmente que o estado necessário para a cirurgia é exactamente o mesmo como para o parto ─O estado Esdaile─. O seu procedimento deverá ser inteiramente o mesmo, excepto que para cirurgia, a conversa de condicionamento terá que ser um pouco diferente. Ao invés de falar cobre contracções, partos e bebés, você falará acerca da cirurgia. Torne claro para o paciente, que a cirurgia não apresenta nenhuns problemas, que ele está em boa forma para se submeter á operação ou você não estaria a faze-lo, que se ele relaxar adequadamente será bem fácil para ele passar pela cirurgia, que se procederá rapidamente e que o recobro será rápido e seguro! E claro, que depois que a cirurgia é realizada ele estará com melhor saúde que antes, uma vez que o verdadeiro objectivo de tudo o que você está a fazer é para melhorar a saúde dele.115 Hipnoterapia Capítulo 15: A hipnose na odontologia Um dos primeiros estudantes que tive era um cirurgião de acentuada habilidade. Ele tinha estudado comigo apenas algumas semanas quando começou a relatar cirurgias orais feitas com hipnose como única anestesia! Ele era adepto do uso de óxido nitroso, mas disse-me que raramente tinha que a usar; e quando o fez, foi em quantidade limitada. Em vez disso, ele relatou que estava a usar “ a melhor anestesia no mundo, ─e a mais segura─ a anestesia hipnótica.” Aqui estão as palavras deste doutor, depois de ter estudado hipnose por três semanas apenas: “Eu tive uma paciente no consultório e foi para remover um terceiro molar impactado horizontalmente. Uma operação que normalmente leva algum tempo. Dei a sugestão habitual para anestesia e fiz a incisão inicial. Depois uma incisão sobre a crista e uma incisão para baixo. Cinzelei o osso e removi o dente. Despertei a paciente e perguntei se ela sentiu alguma coisa. Ela perguntou-me quando é que eu iria tirar o dente. Já tinha sido tirado, e depois fiz a sutura. Ela não sentiu nada e estava feliz com tudo isso.” O outro médico que viu este trabalho a ser feito adicionou o comentário, “Penso que o doutor não mencionou que a salivação baixou ao mínimo e o fluxo sanguíneo foi insignificante.” Continuando, o cirurgião oral disse,” Durante o processo de sutura, eu dei a sugestão de que ela iria abrir a boca e que não a conseguiria fechar. Sugeri de que ela não teria desconforto pós-operativo. Quando a despertei perguntei-lhe como se sentia, ela disse, “Bem”.” Eu estou a citar este relatório para que saiba o quão rápido um bom estudante consegue colocar a hipnose a funcionar para procedimentos dentários extensos. Os dentistas usam a hipnose primeiramente para analgesia e anestesia. Eles usam-na para procedimentos cirúrgicos extensos. A anestesia hipnótica pode ser obtida instantaneamente se você souber como o fazer. Muitos dentistas têm a impressão que se leva muito tempo para obter uma anestesia usável pelo processo hipnótico. Eles acostumaram-se as técnicas á moda antiga, e nem se apercebem que estão disponíveis técnicas profissionais modernas. Eles não acreditam que a anestesia instantânea é possível. Tenho ouvido dentistas dizerem, antes de se familiarizarem com as técnicas modernas, ” Fiz um curso de hipnose. O médico que me ensinou até mesmo veio ao meu escritório para trabalhar com os meus pacientes; e leva três a quatro visitas de condicionamento antes que o paciente possa ser tratado pela hipnose.” Isso é completamente sem sentido. Pode ser dada anestesia hipnótica a um paciente sem condicionamento, tão rápido quanto pode ser obtido com novocaína e xilocaina. 116 Hipnoterapia Existem certas situações em odontologia para as quais a hipnose está indicada; e na minha estimativa bem maior que o seu valor como um anestésico é o valor em corrigir essas situações. Bruxismo- O ranger dos dentes a noite ou durante o dia- é o suficiente para causar a destruição da estrutura da boca. Se você perguntar a um dentista médio se ele alguma vez foi capaz de tratar um caso de bruxismo com sucesso, ele dira, “Não pode ser feito.” Ele irá explicar que reconstrói a estrutura da boca com total conhecimento que mais tarde, o mesmo paciente será importunado com a mesma condição, e será necessário mais trabalho de reabilitação. Ele irá admitir que nunca foi capaz de corrigir a condição permanentemente. Certamente a correcção do bruxismo está bem dentro da competência do dentista, pois diz respeito directamente aos dentes e à estrutura da boca e aos danos feitos aos dentes e a estrutura da boca. Este é o tipo de problema que pode ser ajudado pela hipnose; tenho falado com milhares de dentistas acerca disso e como sempre nem um deles alguma vez disse que tenha transformado um caso de bruxismo para um de psiquiatra. Se a hipnoanálise for usada nestes casos, o dentista pode ser capaz de corrigir permanentemente a condição, localizando a causa. No entanto, a maioria dos dentistas evita o uso da hipnoanálise como se fosse veneno ao invés de outra ferramenta. As histórias de casos que se seguem mostram como o bruxismo é corrigido através do uso da hipnoanálise por um adepto dentista. Não são muitos os dentistas ainda, a usar a hipnoanálise, mas aqueles que o fazem acham-na extremamente valiosa. Julgue por si mesmo: “Senhora T. 55 anos: Diagnosticada por um médico como tique doloroso. Eu acredito que o problema foi devido a dor na articulação temporomandibular. Sob hipnoanálise desenvolveu que há trinta anos, enquanto aguardava em pé na esquina de Hollywood e Vine bruxou rangeu pela primeira vez. Ela estava a espera do marido, com quem tinha estado casada por três meses. Ela já sabia que ele estava a ver outras mulheres e que o casamento estava condenado…Sem recorrência de dor em dois anos. Tempo decorrido, vinte minutos.” “Senhora R. 35 anos: Caso grave de bruxismo com os anteriores inferiores gastos até a metade da gengiva, Sob hipnoanálise desenvolveu que raeu os dentes na primeira vez ainda adolescente, quando o pai dela, de quem ela era muito afeiçoada, adoeceu. O hábito vinha a persistir ao longo dos anos, quando qualquer membro da família ficasse doente. Sessão de meia hora.” Estes relatórios foram enviados para mim pelo J. Stadden Miller, DDS, um estudante na Califórnia. Ocasionalmente um dentista levava para a aula, um paciente que não tinha sido capaz de tratar. Gostaria de vos dar um exemplo. Um dentista me disse que tinha uma paciente adolescente que na realidade não era paciente. Ele tem vindo a tratar a família dessa moça há muito anos, e ela tem sido trazida até ele repetidamente para tratamento, mas ele nunca conseguiu sequer 117 Hipnoterapia fazer cinco minutos de trabalho com ela. Era necessário um trabalho considerável, a paciente tinha vários dentes deteriorados, dentes tortos, etc. mas a perspectiva de deixar o médico por um instrumento na boca dela causava-lhe tal pânico que a correcção era impossível. O dentista trouxe esta paciente e os parentes dela para a aula na esperança de que nós pudéssemos encontrar qual era a dificuldade e de sermos capazes de pavimentar o caminho encontrar o caminho para que o trabalho dental fosse feito. Nessa reunião ela sentou-se entre os parentes dela, sossegadamente vendo-nos a trabalhar com outros pacientes. Então de repente ela começou a chorar. A minha esposa levou-a para fora da sala e tentou acalma-la. A moça avançou a informação de que ela estava a chorar porque em breve seria a vez dela a ser intervencionada e estava assustada. Quando a minha esposa assegurou-lhe de que não existia razão para ela ter medo, porque tudo o que seria feito era falar com ela, ela disse,” Eu não acredito nisso. De alguma maneira eles vão-me enganar e começam a colocar instrumentos dentais na dentro da minha boca, e eu não quero isso não importa o quê! A minha esposa explicou-lhe que não fazemos promessas que não cumprimos e que nenhum trabalho dental de espécie alguma seria feito naquela sala; nenhum instrumento dental seria posto dentro da boca dela a menos que ela mesmo pedisse para isso, e que em qualquer altura a meio da entrevista, ela própria poderia terminar! Ela pediu a minha esposa para ficar ao lado dela enquanto decorria a entrevista. Elas voltaram para a sala a jovem senhora ofereceu-se para a hipnoanálise. A hipnoanálise revelou que quando ela tinha cerca de cinco anos, uma das suas colegas de turma, do jardim-escola, disse-lhe que tinha estado no dentista e deu-lhe os detalhes sórdidos. Ela disse que o dentista a enganou ao dizer que não fariam nada, e que depois ele colocou uma grande faca dentro da boca dela e cortou-lhe as gengivas. Ela também acrescentou dizendo que isso dói! Essa colega de turma aterrorizou-atanto que ela decidiu que nunca deixaria que isso acontecesse com ela. Agora nós tínhamos a causa do pânico dela, mas o nosso trabalho não estava completamente feito. Sob hipnose nós convencemos esta moça que ninguém a enganaria, que poderia ser feito algum trabalho dental sem que a magoasse, etc. Fiquei encantado quando o dentista voltou para a aula na semana seguinte e disse-nos que esta jovem moça tinha estado no consultório dele, e que ele tinha feito o primeiro trabalho dental alguma vez feito com ela. Não houve lágrimas, nem histerismos, ela estava verdadeiramente ansiosa pela altura em que os dentes deteriorados fossem removidos e a aparência dela melhorada. Esta é outra maneira na qual um dentista pode usar a hipnose: Para aliviar o pânico e o medo. E o que acontece com os pacientes que se queixam que a dentadura de cima queima magoa mas a dentadura de baixo não? De acordo com o dentista não deverá existir diferença; ele tem feito tudo o que está ao seu alcance para colocar as duas 118 Hipnoterapia dentaduras correctamente, e ainda assim o paciente insiste que consegue usar a dentadura de baixo, mas não a de cima. Estes pacientes frequentemente andam de dentista para dentista, a procura de ajuda e registam mencionam a mesma queixa em cada um deles. A hipnose pode ajudar estes pacientes. E falando de dentaduras, aqui está um caso que veio a luz, numa das nossas turmas do centro oeste: Uma paciente nos seus cinquentas, foi trazida para a aula pelo dentista dela. O problema, eram as dentaduras ─ambas, cima e baixo─ magoavam-lhe. O dentista que a trouxe para a aula, era o último de vários dentistas com quem ela tinha estado, com este mesmo problema. Ela disse “ Todos os dentistas com quem tenho estado disseram-me que a dentadura era perfeita e que eu deveria usa-la sem nenhuma dificuldade! Na verdade tinha mais de um conjunto feito, mas também não a ajudou. É fácil aos dentistas dizerem que elas servem perfeitamente; tudo o que sei é que, magoam tanto que não as consigo usar.” A hipnoanalise revelou que esta senhora tida tido um casamento feliz por mais de vinte cinco anos. Quando os dentes começaram perturba-la, e o dentista sugeriu dentaduras, ela discutiu debateu isso com o marido. Ele disse-lhe,” Tenho a certeza que isso é uma boa ideia porque passados tantos anos os teus dentes têm vindo a piorar mais e mais, e será bom quando tiveres essas dentaduras para ver que o teu sorriso é tão adorável quanto costumava ser.” E então ela teve as dentaduras feitas. Ela tinha estado a usa-las confortavelmente por cerca de uma semana quando o marido morreu de ataque cardíaco. Era manhã do funeral, quando ela estava vestida e começou a colocar as suas dentaduras e este pensamento triste pensamento iluminou-lhe a mente, “ Ele nunca verá o sorriso adorável. Agora que ele se foi, não tenho ninguém para quem sorrir. Com certeza, não preciso mais destas dentaduras.” Apesar deste pensamento, ela usou as dentaduras e por alturas do funeral a dor na boca dela era insuportável. Dessa altura em diante ela foi incapaz de usar as dentaduras sem dor. Depois da hipnoanálise, discutimos conversamos com ela bastante acerca dos nossos achados e ela disse,” Sim, eu lembro sentir dessa maneira. Nada parecia valer a pena sem ele. São três anos desde que isso aconteceu e eu percebi, claro, que a vida tem que continuar. Ele não quereria a dar umas voltas com um sorriso pouco atraente, ou com uma boca dorida, ou para o que fosse! Eu nunca me apercebi da ligação até agora.” Daí em diante ela foi capaz de usar as dentaduras em completo conforto. Por causa de haver outras ilustrações de casos odontológicos neste livro, eu penso que as ilustrações acima dadas, serão suficientes para convencer a maioria dos dentistas que a hipnose tem muitos mais usos do que a anestesia dental sozinha. Os casos citados não são excepcionais. Os dentistas são constantemente confrontados por pacientes que têm problemas dentais neuróticos. Na preparação deste capítulo, eu escrevi aos meus estudantes dentistas, pedindo-lhes para relatarem problemas dentais interessantes que eles tenham sido capazes de resolver através de técnicas da hipnose. Aqui estão alguns dos muitos relatórios que tenho recebido. 119 Hipnoterapia Relatório 1: “ A coisa que me fascina é a habilidade de muitas pessoas em produzir uma hemostasia hipnótica ─por meio de hipnose─. Antes de estar consciente do uso disso, eu tinha muitas chamadas relativas a sangramentos pós-operatórios. Isso tem sido cortado para apenas alguns e frequentemente eu sugiro que o sangramento será parado estancado com o relaxamento. Um estudante universitário ganhou uma hemostasia tão completa que eu tive de sugerir que ele permitisse um pouco de sangramento na cavidade, após extracção de um incisivo central. Quando ele permitiu o sangramento sair, surgiu apenas uma auréola de sangue na margem gengival, e no osso da cavidade não apareceu sangramento. Mais tarde quando pedi, ele provocou o sangramento habitual do ápice do topo da cavidade. É muito gratificante ser capaz de levar ao paciente, um espelho e deixa-lo ver a sua nova ponte ou dentadura que tenham sido colocadas directamente após a extracção, e saber que não haverá a tão desagradável hemorragia. As recuperações também parecem mais rápidas e menos agitadas.” Relatório 2: “ Uma paciente a quem eu tinha implantada uma dentadura imediata superior há um ano, trouxe o filho dela para uma consulta. Ela não estava a usar a dentadura e explicou que estava grávida e a dentadura causava-lhe (reflexo de) vómitos. Eu coloquei-a em sonambulismo e dei-lhe sugestões pós-hipnóticas apropriadas. O procedimento completo levou menos de quinze minutos, e o resultado relatado nas visitas subsequentes foi satisfatório.” Relatório 3: “Eu estava a ter dificuldades com dois casos de ortodontia, em que os pacientes tinham partido, através do bruxismo, os fios ligadores antes da consulta seguinte. Através da sugestão hipnótica, isso foi descontinuado interrompido, com um progresso muito mais rápido como consequência.” Relatório 4: “Nós usamos a hipnose de uma forma ou de outra e de diferentes maneiras, que é difícil de apontar uma. Primeiro que tudo, nós usamos para manter o controlo sobre nós mesmos, para permanecermos relaxados e lidarmos com os problemas que vemos. Fazermos desaparecer os medos dos nossos pacientes, que em vez de temerem vir ver-nos, eles avancem para o fazer. Para nós controlarmos sangramentos pós-operatórios, dores, inchaços, e ─nós─ promovermos a cura com sugestão. Removermos dentes sem sequer os nossos pacientes saberem que eles estão fora em provavelmente de 85 á 90 por cento dos nossos casos, e a administrar anestesia local via injecção com provavelmente uma percentagem semelhante dos nossos pacientes a não saber sequer que nós temos uma agulha no nosso consultório. Com as nossas crianças nós usamos o “remédio mágico do sono”. “ Relatório 5: “Eu tinha começado uma grande sessão de cirurgia no maxilar inferior de um paciente. Nós estávamos a retirar vários dentes e a fazer alveolectomia, e a nossa anestesia química falhou. Com o uso apenas do sonambulismo, nós fomos capazes de obter anestesia suficiente para completar a requerida cirurgia e ensinar o paciente a estar relaxado e menos nervoso para os futuros trabalhos.” Relatório 6: “ Uma rapariga com onze anos de idade tinha batido com os dois dentes da frente num acidente numa piscina. Eu não vi a paciente cerca de quatro horas a seguir ao acidente. Depois de uma examinação preliminar na casa da paciente, 120 Hipnoterapia eu trouxe os dois dentes para o meu consultório e fiz canais radiculares preparando-os para reimplantação e coloquei faixas ortodônticas nos dentes, então trouxe a paciente ao consultório para dar continuação ao procedimento, e isso foi passadasalgumas seis a oito horas depois do acidente. A normal afluência de sangue na área acidentada oferece melhores possibilidades de cura e isso também se aplica á reimplantação de dentes. Os vasoconstritores da anestesia química reduzem a afluência de sangue na área, de quatro a seis horas, e portanto, eu não queria usar a anestesia química. Coloquei a paciente no estado sonambúlico. A paciente chorou em protesto da curetagem na cavidade e da força necessária para forçar a colocação do dente reimplantado na cavidade. Mais tarde a paciente estava bastante calma e conseguimos completar a ligação desses dentes á um arco e á banda ortodôntica que havia sido posta nos dentes desvitalizados, e em cada um dos dentes dos lados. A paciente relembra de algum desconforto na altura da reimplantação. Eu sinto que sem o uso de vasoconstritores na anestesia química, eu tive melhores chances de ser bem-sucedido com a implantação desses dentes. Também foi possível para mim, evitar injectar no tecido contundido já muito dorido, que é geralmente uma sensação muito desconfortável. 121 Hipnoterapia Capítulo 16: A Tartamudez (gaguez) Não existe tal coisa como gagueira congénita. A gaguez ou tartamudez tem que ser provocada. Ao longo dos anos, muitos médicos trouxeram gagos para a aula, na esperança de que através de várias técnicas nós fossemos capazes de ajudar. Não só é penoso ver um jovem rapaz a tentar conversar e conseguir acabar a palavra apenas com extremo esforço, mas é igualmente angustiante conhecer uma mulher nos seus trintas ou quarentas que tem o mesmo problema como um pequeno menino ou menina. Todas as vezes que eu vejo um destes pacientes, eu sinto uma forte emoção, ao relembrar o meu primeiro contacto com gagueira, quando o meu pai hipnotizou uma jovem moça adolescente e a fez parar de gaguejar. Depois quando a hipnose terminou ela gaguejou tanto como antes. Eu costumava perguntar-me por que é que o problema dessas pessoas não poderia ser corrigido permanentemente. Não me lembro da primeira vez que usei hipnoanálise para ajudar um paciente gago mas, reconhecidamente, houve muitas vezes em que eu fui incapaz de dar-lhes alívio permanente! Mesmo assim é agradável lembrar dos muitos a quem tenho ajudado consideravelmente! Quando um gago vem a um consultório médico, o procedimento usual é examinar o paciente cuidadosamente e quando o médico descobre que não pode fazer nada para ajudar o gago, ele manda-o para um terapeuta da fala. O terapeuta da fala trabalha diligentemente com o paciente, e finalmente de alguma forma em alguns casos, consegue ajuda-los. Mas o número de falhas é deprimente. É minha crença firme de que todo gago tem uma causa básica investigável. Durante muitos anos, tentei fazer os médicos mudarem a atitude deles em relação aos gagos e tratarem a causa em vez do sintoma. Lembro-me de uma ocorrência em particular. Um médico veio ter comigo e disse, “Tenho um paciente extremamente ambicioso. Ele quer frequentar a escola de direito, mas nenhuma escola de direito o aceitará porque ele gagueja tanto que dificilmente diz uma palavra sem esforço. Tenho tentado ajuda-lo e ainda assim tem terapeuta da fala, tudo sem sucesso! Existe alguma forma da hipnose fazer o trabalho?” Eu disse-lhe que a única maneira de ajudar o rapaz seria encontrar a razão para a gagueira por meio da hipnoanálise. Se nós pudéssemos localizar a causa talvez fossemos capazes de trata-lo efectivamente! Talvez, até conseguíssemos faze-lo falar normalmente. O médico, não estando muito familiarizado com a hipnoanálise, hesitou em tentar ele mesmo, mas pediu-me para trabalhar com ele. Eu expliquei que uma sessão de hipnoanálise, possivelmente poderia localizar a causa, mas mesmo se fizesse, poderia não necessariamente remover a gagueira. Uma vez localizada a causa seria necessário ver que quaisquer conflitos internos que o menino tivesse, tinham que ser resolvidos ou então nós não poderíamos dar-lhe ajuda permanente. A hipnoanálise não é terapia de uma sessão; a exploração deve continuar até esses conflitos estarem resolvidos, e isso, as vezes requer tratamento extenso. O 122 Hipnoterapia médico perguntou, “Você pode cuidar da primeira hipnoanálise?” Eu disse-lhe que teria muito gosto em faze-lo, mas também que faria bem a ele mesmo, tentar algumas das técnicas que eu lhe tinha ensinado. Passaram-se semanas sem ele trazer o paciente para a aula, quando finalmente surpreendeu-me, ao relatar que depois de tudo, ele mesmo tinha feito a primeira hipnoanálise e que tinha sido bastante bem- sucedido com isso. Eu disse, “Continue a trabalhar com ele e você talvez seja capaz de ajuda-lo muito mais do que pensou ser possível.” No outono seguinte fiquei satisfeito quando o médico me relatou que, “O rapaz tinha sido aceite por uma escola de direito e ficou sem a gagueira.” Durante o inverno seguinte continuei a receber relatórios. O rapaz estava na frente nas suas turmas, e eu soube que agora é um advogado de sucesso. Este tipo de casos fez-me sentir que, encorajar os médicos ao uso da hipnoanálise vale a pena todo o meu esforço. Um psiquiatra de Chicago foi longe ao ponto de me dizer que ele considerava a hipnoanálise a jóia da coroa da hipnose. Muitos psiquiatras entendem que a hipnoanálise é a chave para a resolução de muitos problemas emocionais, embora eu tenha ensinado a milhares de médicos como usar a hipnoanálise, comparativamente, poucos deles são adeptos disso e eu sei a razão para isso. Muitos deles estão relutantes em devotar o tempo necessário para isso ou relutantes em sondar profundamente dentro da mente humana. Tenho conhecido médicos que, para prática, levarão tempo até regredirem um paciente a uma idade precoce, para verem que as reacções não são de natureza surpreendente; eles gostam da ideia de que conseguem fazer um paciente voltar ao tempo em tinha dois ou três anos e deixa-lo ver outra vez, como se parecem os brinquedos debaixo da árvore de natal! Isso é interessante de ver e o médico sente-se inofensivo. O mesmo médico não aprofundará para aquilo que talvez poderá ter feito o mesmo paciente gaguejar. No entanto eu concordo com o referido psiquiatra de Chicago, em que a hipnoanálise será reconhecida como uma técnica terapêutica válida e útil que pode ser usada por todos os médicos para solucionar dificuldades emocionais. Os psiquiatras são treinados para resolverem conflitos internos. Quando eles resolvem esses conflitos sentem que o paciente está no bom caminho para a recuperação. A hipnoanálise permite ao terapeuta localizar a fonte dos conflitos internos, e é a melhor técnica que conheço para chegar rapidamente á causa raiz. Isso poupa meses e meses de trabalho. Eu desejo fazer a cada médico, ver a hipnoanálise da mesma maneira que o psiquiatra a vê. Falando acerca de causas raiz e conflitos internos, o que são a gagueira e as dificuldades relacionadas com a fala? Daqui a momentos, relatarei alguns casos que mostram causas típicas ─que na maioria dos casos não estão relacionados a patologias─. Na verdade eu não conheço gagueira alguma que tenha sido criada por patologia, embora eu esteja bem ciente que os médicos pesquisadores suspeitem de uma desordem funcional em certos casos como os dos defeitos da fala. 123 Hipnoterapia Têm sido efectuados estudos no Johns-Hopkins e em outros centros médicos, dos efeitos específicos da dislexia; uma deficiência constituinte da linguagem. Esta síndroma, por vezes chamado de strefossimbolia, afecta principalmente a habilidade de ler e escrever, mas é provável que ocorra em crianças que são lentas, em aprender como falar e em cujas histórias familiares se incluem a gagueira entre outras dificuldades. Não tem nada a ver com inteligência. Ao contrário, parece derivar de uma fraqueza orgânica de uma secção do cérebro que controlaa diferenciação da esquerda e direita. Os disléxicos vêm dificuldade em falar um “b” de um “d” ou a palavra “era” da palavra “are”. Algumas autoridades duvidam da existência de dislexia patológica, no entanto sentem que é uma síndrome de algum bloqueio psiquiátrico. Eu menciono-o aqui apenas para mostrar que entendo haver possibilidade de uma gagueira patológica, a partir desta ou de várias outras causas. Tendo dito isso, devo eu repetir que não sei de nenhuma gagueira em que foi provada a causa envolvendo uma patologia. Agora vamos examinar exemplos de causas emocionais. Fazendo a hipnoanálise para localizar o percurso de um gago, nós encontramos esta história de um caso: Estava a ser extremadamente difícil tentar obter respostas de um paciente porque ele gaguejava muito mal. Regredi-o aos cinco anos de idade e soube que ele gaguejava nessa idade. Levei-o de volta aos quatro anos de idade, e descobri que a gagueira já era absoluta mesmo nessa tenra idade. Quando finalmente o fiz voltar aos dois anos de idade, ele relatou um incidente incomum. Existia um pátio em madeira junto a sua casa, e ele foi para dentro dele porque lhe pareceu um óptimo lugar para brincar. Ele viu dois homens a discutirem. A discussão desenvolveu em luta, e tornou- se numa batalha terrível. Finalmente um dos homens foi atirado ao chão, e quando conseguiu ficar em pé, ele agarrou um machado que estava caído nas proximidades e golpeou o seu assaltante, atirando-o ao chão, e depois cortou a cabeça dele. A criança ficou aterrorizada. Ele correu para a casa, para a sua mãe dele. Ele tinha medo que o assassino o tivesse visto, tivesse seguido e que pudesse talvez fazer a mesma coisa como ele. Quando a mãe dele perguntou-lhe o que havia de errado, ele tinha atingido um ponto na sua vida em que não queria falar, ou não conseguia falar. Foi assim como a gagueira começou. Eu descobri um análogo, embora não horrível, acontecimento quando fiz hipnoanálise a um jovem e regredi-o aos dois anos de idade, para descobrir que a gagueira dele começou quando acidentalmente puxou uma toalha de mesa, da mesa da sala de jantar. A mesa tinha muitos pratos em cima. A mãe dele veio, e de forma intempestiva entrou na sala e ele soube que estava em sarilhos. Ele tentou falar do seu jeito mas as palavras não saíram. Lembro-me de dizer a mim mesmo, “Isso certamente não é motivo suficiente para começar a gaguejar.” Então decidi leva-lo de volta no tempo, quando ele tinha cerca de dois anos de idade. Era o dia de aniversário do pai, e a sua mãe dele tinha confeccionado um belo bolo para o marido. O pequeno rapaz trepou numa cadeira para ver o bolo mais de perto, agarrando-se na toalha de mesa enquanto subia. O bolo veio a cair e despedaçou-se por todo o chão. A mãe dele, ouvindo o barulho, entrou intempestivamente na sala, e quando viu o que tinha acontecido ela repreendeu 124 Hipnoterapia severamente o bebé por ter estragado a celebração do aniversário do pai! Este incidente no primeiro ano de idade, por si só não causou a gaguez, mas a gaguez apareceu quando um incidente idêntico, teve lugar um ano mais tarde. O rapaz tinha atingido o ponto em que foi obrigado a falar mas não soube o que dizer, e a razão era óbvia. Quando ocorreu o primeiro incidente, o bebé ficou aflito porque sabia que tinha feito algo traquinas e a sua mãe estava zangada. Quando a mesma coisa aconteceu um ano mais tarde, ele não só sabia que tinha feito algo traquinas e que a sua mãe estava zangada, mas á um nível abaixo da atenção consciente, ele estava a reviver o incidente que o tinha perturbado um ano antes. Mesmo um trauma menor pode, como as sugestões, ser composto por repetição. Toda a gaguez tem no seu início uma situação na qual a vitima atinge uma ponto, em que não quer falar e ainda é obrigado a faze-lo. Deixe-me dar outro exemplo de como uma situação traumática causa o início da gaguez. Uma paciente foi trazida para a aula. Ela estava nos seus cinquentas, e reclamava que vinha a gaguejar desde que era bebé. Tentar corrigir uma gaguez de meio século de idade não me pareceu uma tarefa fácil, e eu pensei que certamente esta paciente exige uma grande dose de terapia hipnótica antes de poder ser ajudada numa base permanente. Antes da hipnoanálise, eu usualmente faço muitas perguntas ao paciente. A interrogação revelou que ela acreditava que a gaguez havia começado numa idade precoce, quando ela tinha sido acometida de convulsões. Quando a questionei o que é que tinha causado a gaguez, ela disse que deveria ter sido iniciada por terrível susto que ela teve quando era bebé. Ela não se lembrava qual foi o susto. Quando pergunte- lhe se o susto poderia ter sido também a causa das convulsões, ela não sabia, mas não pensou assim. Eu também não pensei assim. No entanto, o facto de que ela pudesse responder sem hipnoanálise de que ambas a gaguez e as convulsões, apareceram aproximadamente ao mesmo tempo deixou-me a pensar. Isto foi o que a hipnoanálise revelou: Com a idade de cerca de dois anos, enquanto ela estava doente na cama, ela ouviu a mãe e o pai brigarem. A criança nunca antes os tinha ouvido a discutirem tão violentamente. Quando a discussão aumentou de intensidade, o pai ameaçou matar a mãe e a menina também. Ele começou a dirigir-se para a cama onde a criança doente estava deitada. A mãe correu para proteger a criança que estava a gritar, quando a criança tentou falar não conseguiu por causa do pavor. Ela começou a convulsionar. O pai acalmou e a criança depressa recuperou das convulsões. Mas daí em diante sempre que o pai se aproximava dela, ela ficava aterrorizada e não conseguia falar. A gaguez dela tinha começado. A partir das histórias dos casos que estou a citar, parece que as gagueiras começam em idades precoces! Isso não é verdade! Você irá encontrar muitas pessoas que pensam que têm gaguejado toda a vida delas, mas quando é feita a hipnoanálise você descobre que a gaguez não começou até eles terem oito ou dez anos de idade, ou mais velhos! Tenho até acorrido a casos nos quais a gaguez não se iniciou até o paciente estar na idade de escola secundaria. Ainda assim todas essas pessoas dirão que não se lembram do tempo em que não gaguejavam. Talvez seja doloroso para 125 Hipnoterapia eles, relembrarem quando ─e coincidentemente como─ a gagueira começou, então eles empregam activam o mecanismo de defesa de apagar a memória. Um jovem colegial estudante que foi trazido para a aula, tinha gagueira muito acentuada. Ele era um daqueles pacientes que reivindica ter gaguejado toda a vida e não consegue lembrar do tempo em que não o fazia. Durante a hipnoanálise foi revelado que, quando ele tinha cinco anos de idade ele não gaguejava. Quando tinha seis anos de idade ele não gaguejava, e mesmo aos oito anos de idade ele não gaguejava. Mas quando tinha nove anos de idade ele gaguejava. Ficamos a saber que um dia os seus colegas de brincadeira ataram-no a uma árvore, amarrando-o firmemente com uma corda a volta do seu pescoço. Então eles empilharam madeira no chão a volta da árvore e fizeram uma fogueira. No início ele pensou que era uma brincadeira mas, quando o fogo iniciou, ele começou a gritar para eles o libertarem. Aparentemente, as crianças ficaram assustadas e fugiram deixando o rapaz desamparado. Felizmente, um transeunte viu, estancou o fogo com os pés e libertou-o. Por esta altura a corda tinha abrasado o pescoço dele. Ele correu para casa. Quando a mãe o viu, ficou muito chateada com a aparência do pescoço dele, mas ele estava assustado para contar-lhe o que tinha acontecido. Ele pensou que ela pudesse puni-lo ou pior, falar com os pais dos rapazes que o tinham magoado. Se isso acontecesse, pensou ele, eles poderiam tentar fazer isso outra vez por ter contado. Ele tinha atingido um ponto em que não queria falar. Houve casos, felizmente raros,em que apenas foi possível dar ajuda parcial porque foram encontradas apenas causas parciais. E uma causa deve ser entendida para ser tratada. E num destes casos, um psiquiatra descobriu que um dos seus pacientes tinha começado a gaguejar bem cedo na primeira infância, depois de ter sido assustado longe da entrada de uma caverna que ele tinha começado a explorar. Mesmo na hipnoanálise, o paciente não conseguiu trazer de volta a memória do que o tinha aterrorizado. No entanto este obstáculo não prejudica o terapeuta na maioria dos casos,. Aqui está a transcrição de uma hipnoanálise real num paciente com gagueira; repare na técnica usada para determinar a causa raíz: Elman: Você sabe quando é que começou a gaguejar? Paciente: ─a gaguejar─ Bem, não! Eu acredito que o fiz durante toda a minha vida. Elman: Parece a você que o fez toda a sua vida? Paciente: É isso mesmo! Elman: E ainda o seu senso comum lhe diz que ninguém nasce com gagueira…Então deve ter sido originado de alguma forma. E se nós conseguirmos descobrir por que é que aconteceu, talvez sejamos capazes de ajuda-lo a lidar com a causa e a livrar-se inteiramente da gagueira. Quando é que gagueja mais? Paciente: Especialmente quando estou excitado agitado. Elman: Depois a gagueira fica horrivelmente má, é isso? Paciente: Sim, senhor. Estou pior agora do que tenho sido há muito tempo. Elman: Você está a passar por alguns momentos difíceis no momento? 126 Hipnoterapia Paciente: Não, senhor. Elman: está tudo bem em casa? A família está bem? Paciente: Sim, senhor. Elman: E você está indo bem? Os negócios vão bem, ou o seu trabalho, qualquer que seja ele? Paciente: Sim Elman: Do que é que você vive? Paciente: Sou engenheiro de operações. Elman: E você acha que a sua gagueira interfere com o seu trabalho? Paciente: Não, senhor. Elman: Você tem levado uma linha de trabalho onde a gagueira não interfere…Temo uma boa indicação de que você tem uma gagueira severa e se tu ajuda-lo eu tenho que dar-lhe algumas instruções simples. Se eu me deparar com resistência serei incapaz de ajuda-lo, por isso se você tentar trabalhar comigo, talvez eu possa ajudar, e se você tentar, juntos talvez cheguemos a algum lado… ─Coloca o paciente em sonambulismo─ … Isso é uma boa cooperação. Quando você está relaxado desse modo, você pode vivenciar e reviver qualquer parte da sua vida. A maioria das pessoas acredita que são incapazes de relembrar de incidentes passados há muitos anos. Isso não é assim. Tudo o que alguma vez nos aconteceu é registado nas nossas mentes e pode ser trazido até nós. Assim eu gostaria de o levar de volta ao tempo em que era um rapazinho para descobrir se a gagueira, ou gaguez, o que quer que você chame, já existia quando você era pequeno...Diga-me você celebrou o natal na sua casa quando era uma criancinha? Paciente. Não, senhor! Elman: Não havia árvore de natal ou alguma coisa como isso? Paciente: Não. Elman: Você teve festas de aniversários quando era criança? Paciente: Não. Elman: Mas você foi para a escola…é verdade? Paciente: Com certeza Elman: Muito bem, vou leva-lo de volta ao ensino básico da escola, porque eu quero falar com aquela criancinha no ensino básico. Você foi para o jardim-de- infancia? Talvez eu o leve de volta ao jardim-de-infancia. Paciente: Sim Elman: Muito bem, vou leva-lo de volta ao jardim-escola, e quando eu levantar a sua mão e largar, não tente lembrar-se, porque isso é o que nos derrota todo o tempo…Somente diga para si mesmo, “E vou estar lá e vou gostar de estar lá” então quando levantar a sua mão e largar, será quando você estava no jardim-de-infância e você ver-se-á no jardim-de-infância tão claramente como quando se viu lá na primeira vez. E eu vou falar consigo no jardim-de-infância. Fique completamente relaxado quando eu levantar a sua mão e largar e veja acontecer… Isso mesmo…Aí está … você está no jardim-de-infância… Você gosta do jardim-de-infância? Paciente: Sim, senhor. 127 Hipnoterapia Elman: Sim,senhor. Paciente: Dê uma vista de olhos em volta do jardim-de-infância. Você dá-se bem com todos os miúdos? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você dá-se bem com a professora? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você gosta da professora? Paciente: Sim, senhor. Elman: Diga-me uma coisa, você está no jardim-de-infância e tudo está calro para si, você diverte-se no jardim-de-infância? Paciente: Sim, senhor Elman: E você alguma vez gaguejou ou titubeou? Paciente: Sim, senhor. Elman: Então fez. Então isso significa que você começou a tartamudear ou a gaguejar antes ter ido para o jardim-de-infância…Vou leva-lo de volta agora, para antes de ter começado o jardim-de-infância, e você estará a fazer alguma coisa que você não pensou desde a altura em que o fez, mas será alguma coisa que você gosta de fazer…Eu estarei a falar consigo e você será um rapazinho com apenas três anos de idade…Ai está você …o que está a fazer? Paciente: A brincar no quintal das traseiras. Elman: Com o que é que você está a brincar? Paciente: Alguma sujeira. Elman: Você está com cerca de três anos de idade, não está? Paciente: Sim, senhor. Elman: Alguma vez gaguejou? ─Paciente não responde─ Talvez você não saiba o que isso significa. Alguma vez gaguejou? Você alguma vez teve dificuldade em falar? Paciente: Sim, senhor. Elman: Quando eu levantar a mão e largar, será o primeiro dia em que você teve problemas dificuldade com a fala. E você saberá o que é que causou isso quando eu levantar e largar a sua mão…Mantenha-se relaxado e você terá…Ai está você…O que tem acontecido hoje que faça um rapazinho ter problemas em falar? Paciente: O meu pai chegou a casa. A mamã diz que ele está bêbado… [começou a chorar] Elman: O que foi que aconteceu? Diga-me, porque isso pode faze-lo parar de gaguejar para sempre, se você tirar tudo isso para fora e nós queremos tudo isso cá fora. O que é que o seu pai fez? Você consegue dizer-me. Paciente: Ele bateu-me. Elman: Por que é que ele lhe bateu? Paciente: Porque eu devo ter feito alguma coisa que ele não queria que eu fizesse. Elman: O que é que você fez? Paciente: Eu não sei. 128 Hipnoterapia Elman: Quando eu levantar a sua mão e largar você saberá porque foi que ele lhe bateu. ─Repare na composição da sugestão─ …e o que foi que você fez se, você fez alguma coisa. Fique relaxado e você saberá. O que é que você fez? Paciente: Tínhamos algumas “galinhas do mato” pequenas e eu afoguei-as Elman: Você afogou-as? Paciente: Sim. Elman: Você disse “galinhas do mato”. Paciente: Não. Galinhas pequenas. Elman: Você o fez acidentalmente? Paciente: Não. Eu fiz de propósito. Elman: Você fez de propósito? Você afogou-os? Ora, deve ter existido uma razão para que um rapazinho pudesse pegar nessas galinhas, e talvez possamos descobrir. Talvez exista um pequeno ressentimento contra elas, por alguma coisa ou por alguém. Existia algum de quem você não gostasse nessa altura? Paciente: Não, senhor. Elman: Você gosta do papá, certo? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você gosta da mamã, certo? Paciente: Sim, senhor. Elman: Irmãos e irmãs? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você gosta das pequenas galinhas? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você levou-as para fora de casa para afoga-las? Paciente: Elas estavam lá fora no quintal. Elman: Você estará lá fora no quintal quando eu levantar a sua mão. Será antes das galinhas estarem afogadas e depois você pode dizer-me também se é de propósito ou não. E talvez você nem saiba se foi de propósito ou não. E talvez você descubra agora. Porque será um pouco antes de elas serem afogadas…O que você está a fazer, está a brincar com as galinhas? Paciente: Não. Eles são patos. Elman: Veja, já descobrimos mais. Dê uma vista de olhos nos patos.Você gosta destes pequenos patos? Paciente: Sim, senhor! Elman: Você gosta deles. Bem, o que é que você está a fazer com eles, se eles são patos? Paciente: Estou a coloca-los numa banheira com água. Elman: A coloca-los dentro de uma banheira com água? Paciente: Sim, senhor. Elman: Bem, não é certo, correcto, os patos irem para água? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você tem alguma ideia do quê você quer fazer com os patos? Paciente: Eu quero vê-los a nadarem. 129 Hipnoterapia Elman: Agora está a vê-los nadarem. Existe alguma ideia da sua parte em fazer alguma coisa prejudicial para os patos? Paciente: Não,senhor. Elman: Então o que acontece com esses patos? Paciente: Todos eles se afogaram. Elman: Como é que eles se afogaram? Paciente: Porque eles não conseguiram nadar. Elman: Bem, os patos nadam naturalmente. Olhe novamente para eles. São patos ou são galinhas? Se eles são patos eles nadam naturalmente! Paciente: São galinhas Elman: As galinhas não conseguem nadar. Mas os patos conseguem nadar. Paciente: Sim, senhor. Elman: O que o fez pensar por momentos que eram patos? Você chamou-as de patos ainda há pouco tempo. Paciente: Na verdade não sei. Apenas pensei que eles conseguiam nadar! Elman: Estou a ver… Então realmente você não queria magoar essas galinhas, queria? Paciente: Não,senhor. Elman: De modo que este seria apenas um pequeno engano que um pequeno menino teve. É isso? Paciente: Sim, senhor. Elman: E porque ele teve este pequeno engano o pai dele chegou a casa e bateu-lhe por isso e por porque agora ele não sabe o que dizer ao pai. ─Ele tenta falar e explicar─ Paciente: Ele..não deixa…ele não deixa…ele não… Elman: Você será capaz de falar sem titubear quando eu estalar os meus dedos. Paciente: Ele nunca me deixaria chorar. Elman: Ele nunca lhe deixaria chorar? Paciente: Não, senhor. Elman: Estou a ver. E isso é recalcamento ─incapaz de chorar─.Ele deu-lhe alguma razão, sobre o porquê de não o deixar chorar? Paciente: Ele disse que me iria bater com mais força se eu chorasse. Elman: Então você estava com medo de chorar. E esse balbuciar representa que abafou o choro. É isso o que é? Paciente: Eu não sei, senhor. Elman: Bem, agora deixe-me dizer-lhe. Eu quero que repare o quão próximo está uma gaguez de um soluço. Está horrivelmente próximo, não é? E é aquele soluço que sufoca toda a vez que você gagueja. Alguma vez se deu conta disso? Paciente: Sim, senhor. Elman: E você soube disso, esse tempo todo, não é verdade? Paciente: Sim, senhor. Elman: Você sabe que é porque ele não o deixou chorar que você gagueja? 130 Hipnoterapia Paciente: Sim, senhor! Elman: Bem, você pode livrar-se desse choro agora. Ou seja, você pode chorar se o quiser fazer. Se você sentir vontade de chorar pode simplesmente soltar, porque você é um homem grande agora, e se você sente vontade de chorar, poder deixar sair tudo, porque isso é a emoção que você sentiu quando era uma criança pequena, e se sair agora irá fazer-lhe muito bem. Se você sente vontade de chorar deixe-se ir... ─O paciente soluça por um período prolongado─. Deixe sair tudo e você não vai balbuciar mais por conta disso. Livre-se dessa emoção sido aprisionada dentro de si por muitos anos. Deixe sair tudo. Apenas deixe sair bem… ─Paciente começa a chorar. Elman: [ dirige-se aos médicos que assistem]. Eu nunca conheci uma gagueira ou uma tartamudez que não envolvesse alguma situação emocional. Ele vai tirar isso do seu sistema e depois vocês verão o quão bem ele fala. Não haverá gagueira nenhuma. E se o pai dele o tivesse deixado fazer, quando ele era criança ele não gaguejaria. Mas isso foi um mal-entendido entre um pai e uma criança… ─Soluços do paciente tinha sumido. Elman dirigindo-se ao paciente─ Fez muito bem retirar tudo isso do seu sistema, não é? Paciente: Sim, senhor. Elman: Deixe sair toda essa emoção reprimida… * para os médicos+ Isso tem estado recalcado dentro dele, e ele tinha cerca de três anos de idade quando essa coisa aconteceu… ─ao paciente─ quantos anos tem? Paciente: Cinquenta anos…Tenho quarenta e nove agora. Elman: [para os médicos] São quarenta e sete, quarenta e seis anos, de emoção reprimida, e o que isso faz a uma pessoa! Isso provavelmente significou muitas diferenças nas condições de vida dele, na vida dele, na maneira como ele fez a vida dele, na maneira como ele se deu com as pessoas… e o pai dele apenas tinha que o deixar chorar quando ele era uma criança, e ele teria sido um jovem tão normal como qualquer um no mundo. Quando ele queria chorar, o pai dele disse, “ Vou te bater mais ainda se chorares”. Então com medo de chorar…todas a vezes que ele queria chorar, havia um balbucio. Todas as vezes que ele se emocionava era na forma de gagueira. Talvez eu esteja a fazer isso soar muito fácil. Não estou a tentar indicar que depois de apenas uma sessão, ele não precisa de mais… Não há uma pessoa em que eu tenha trabalhado com hipnoanálise, que tenha durado mais de uma sessão. E isso não é adiantado para si como uma panaceia ou elixir. Não é adiantado para si como um cura-tudo, mas como uma técnica para chegar a causa dessas condições… *para o paciente+ Eu aposto que você se sente muito melhor. Paciente: Sim, senhor. Com certeza! Elman: E não há gagueira aí agora, tem? Paciente: Não, senhor. Elman: Você pensa que alguma vez haverá? Paciente: Não, senhor. 131 Hipnoterapia Elman: Se alguma vez houver, se alguma vez aparecer a mais leve tendência para gaguejar, eu quero que pense instantaneamente naquelas galinhas e no seu pai a bater-lhe. Pense nisso instantaneamente, e será como um flash mental, e no minuto que o fizer, diga, “Eu não vou gaguejar apenas porque o meu pai não me deixou chorar”. Afinal de contas não havia veneno malícia no que você quando criança, havia? Paciente: Não, senhor. Elman: Você não quis ir lá para fora e matar aquelas galinhas, mas foi um engano natural que qualquer criancinha pode fazer. Você queria ver as pequenas aves nadarem, você não sabia que eles não conseguiam, e quando elas se afogaram você ficou, eu suponho, que de coração tão partido como qualquer um, mas o seu pai não o deixou explicar. Ele simplesmente lhe bateu por isso. Paciente: Sim, senhor Elman: Eu não penso que você irá gaguejar ou titubear mais, o quê que você pensa? Paciente: Não, senhor. Eu também penso que não irei mais. Elman: E se o fizer… * para o médico do paciente+ doutor, se ele mostrar alguma tendência para uma recorrência de gaguejar, leve-o de volta e faça isso de novo, e de cada vez que o fizer, você descobrirá que ele obtém uma ajuda tremenda ao sair disso. Eu penso que você provavelmente teve uma remoção completa da gaguez, pelo que nós o levamos a fazer hoje. Eu não posso jurar isso. Por vezes temos, essas recuperações sensacionais que se parecem com magia, e as vezes não temos. Mas eu não tento obter uma recuperação sensacional em nenhum caso em que trabalho. Muitos médicos dizem-me “Eu não tenho tempo para a hipnoanálise.” Eu penso que qualquer médico deveria estar disposto a dispensar a quantidade de tempo que eu dispenso por forma a corrigir situações como esta. * * * Incidentemente, eu tenho encontrado vezes e vezes que a vítima de uma doença neurótica está apta a ser vítima de mais doenças neuróticas. O ponto que eu estou a tentar mostrar é que, só porque o paciente perde a gaguez, você não tem necessariamente resolvidos, todos os problemas neuróticos do paciente. É por isso que eu afirmo que todos estes pacientes podem beneficiar de mais trabalho efectuado pelo médico. Se é para ajudar o completamente paciente, os conflitos internos devem ser inteiramente resolvidos. O homem na medicina melhor treinado para resolver conflitos internos, é o psiquiatra,e se o médico de qualquer outro ramo da medicina descobrir que é incapaz de resolver esses conflitos internos permanentemente, na minha opinião, ele deve encaminhar o paciente para o psiquiatra. * * * Ao lidar com uma gagueira, siga estas instruções. Primeiro, lembrar que cada gagueira teve um princípio. Regrida o paciente de volta a situação traumática que causou a gaguez, e deixe-o reviver numa ab-reacção, ou vendo a mesma coisa a acontecer á outra pessoa num ecrã de uma televisão 132 Hipnoterapia imaginaria. Em muitos casos, os pacientes têm epifanias acerca da verdadeira causa do primeiro gaguejamento e são ajudados permanentemente. O quê que acontece se você não voltar até a causa da gaguez? O melhor que você será capaz de fazer, é dar ajuda temporária ao paciente. Se a causa permanecer com ele, a gaguez voltará. Por vezes um médico regride ao que ele pensa ser a verdadeira causa e o paciente aparentará ter sido ajudado. Depois a gaguez volta. O médico deverá saber a partir disso, que ele não encontrou toda a matéria perturbadora, e terá que sondar mais para extrair a verdadeira causa antes de ele poder ajudar permanentemente a pessoa com gagueira. Esta explicação não se aplica apenas para gagueira, mas a todos os problemas neuróticos; se a ajuda é temporária, a verdadeira causa não foi exposta, é indicado trabalho adicional. Uma técnica está demonstrada na hipnoanálise, e que foi achada muito benéfica para muitos tipos de distúrbios neuróticos. Nós sabemos que as doenças emocionais são causadas por repressões. Uma pessoa que vive através de uma situação com a qual não consegue lidar. Ela não está preparada por experiencia ou por treino para isso. A memória do incidente é horripilante! Ela reprime todos os pensamentos da situação traumática. Ela por vezes até consegue coloca-los abaixo do nível consciente, então eventualmente isso torna-se verdadeiramente parte do material inconsciente da mente dela. Isso não significa que ela não é afectada por isso. Ao contrario, essa mesma repressão das experiencias traumáticas certamente continuará a causar danos no nível consciente. Em muitos casos, nós somos capazes de trazer repressões do nível abaixo da atenção consciente, para um lugar onde elas são conhecidas e reconhecidas a um nível consciente. Então nós asseguramos que não seja permitida a repressão, hospedar-se novamente no inconsciente. Repare como esta técnica foi demonstrada no caso anterior do homem que gaguejava. Muitas pessoas acreditam que a hipnoanálise é terapia de apenas uma sessão. Nada poderia estar mais longe da verdade. Os médicos estão inclinados a acreditar que se eles não conseguem obter resultados permanentes com uma aplicação de hipnoanálise, a terapia não funciona com esse paciente em particular. Isso não é evidenciado a partir das nossas experiências. Não há muito tempo um médico, numa das minhas aulas perguntou se eu poderia trabalhar no filho dele, um jovem que gaguejava. A família do jovem era muito cooperante. Nós trabalhamos no jovem mas não fomos a lado nenhum. Quando o jovem mostrou sinais de cansaço, nos demos-lhe algumas sugestões superficiais para livra-lo da gagueira ao menos temporariamente, e para incrementar a confiança dele. Duas semanas depois foi-nos dito que o jovem falou sem gagueira por cerca de dez dias e que depois a aflição retornou. Novamente nós trabalhamos com o jovem. Desta vez nós começamos por obter a resposta para o problema da gagueira, mas certamente não completamos a terapia! Novamente o jovem mostrou melhoras, mas por esta altura o pai e a mãe mostravam desapontamento por não ter havido um milagre em duas sessões. As minhas aulas nessa cidade em particular tinham chegado ao fim, e não houve 133 Hipnoterapia oportunidade para continuar e dar ao jovem a ajuda adicional que ele precisava. Eu aconselhei o médico a continuar o programa de hipnoanálises com um dos meus estudantes. No entanto por causa do desapontamento dele, eu não acredito que ele o fez. E ainda assim o filho dele poderia ter sido ajudado permanentemente. O mesmo médico sentir-se-ia exaltado se um dos seus pacientes tomasse apenas duas colheres de chá de um remédio e depois não tomasse mais porque as duas colheres não o curaram permanentemente. O porquê das pessoas esperarem que as técnicas de hipnose funcionem como magia está para lá da minha compreensão. A questão deve ser colocada, ”Se o pai era um estudante nosso, por que é que não completou ele mesmo a hipnoanálise?” possivelmente porque o jovem estava a atingir um estágio da vida onde a ambivalência com os seus pais estava tinha começado a manifestar-se. O pai pode encontrar resistência dentro do jovem, embora outro operador possa não encontrar nenhuma. Ainda assim tal situação não deve permitir que impeça de ajudar um jovem. Lembre-se sempre disto: A gravidade de um evento traumático é responsável pela gravidade da gagueira; descubra a causa trate-a, e os efeitos serão automaticamente aliviados! 134 Hipnoterapia Capítulo 17: A Obesidade Quando um médico é confrontado com um problema de obesidade ele usualmente coloca o paciente em dieta, complementada com medicação apropriada, e um aviso acerca das consequências médicas do excesso de peso. Alguns pacientes manter-se-ão em dieta e absorverão a medicação ─e os avisos─ até a necessária perda de peso. Então eles separam-se da companhia do médico. Um ano ou dois depois eles estão de volta para verem o mesmo médico com o mesmo problema ─eles estão tão gordos como sempre─ e o médico diz para si mesmo. “Eles parecem não ter ideia acerca de ingestão de alimentos.” Também há pacientes que dizem que querem perder peso, mas não querem ou não podem fazer a dieta prescrita pelo médico. Sob cuidados médicos eles não perdem um grama; na verdade, eles até ganham peso quando era suposto estarem a perder. Os comedores compulsivos não são necessariamente glutões. Frequentemente eles são pessoas que procuram segurança. Esta busca leva-os de volta ao tempo em que a satisfação oral representava completa segurança ─quando a mãe os alimentava e cuidava deles.─ Eles comem, e continuam a comer porque alimentarem-se dá-lhes a sensação de segurança que alivia o medo que espreita abaixo do nível da atenção consciente. Com cada paciente, o medo tem uma causa diferente, mas é na verdade o mesmo tipo de medo. No efeito, todos estes medos são semelhantes. No entanto, isso não significa que o mesmo “dieta-medicação-aconselhamento” tratamento funcionará com todos os pacientes, nem significa que a hipnose deve ser usada simplesmente para dar ao paciente sugestões de alívio da fome. Uma dieta hipnótica sem a remoção do causativo do medo pode providenciar apenas ajuda temporária. Os médicos que reconhecem o problema são notavelmente bem-sucedidos com casos de obesidade, e alguns deles na verdade especializados em problemas de obesidade. O excesso de peso é muitas vezes causado por fortes conflitos emocionais, que podem ser resolvidos ─como aqueles associados com gagueira─ por uma abordagem utilizando a hipnoanálise. Eu quero que leia parte de uma transcrição verdadeira de uma das hipnoanálises. A paciente em questão foi esbelta até aos catorze anos de idade, e então de repente começou a ganhar peso: Elman: [Depois de regredir a paciente a primeira infância] Você está no ensino primário. Eu quero que mentalmente se coloque em pé no seu assento aí no ensino básico e olhe em volta da sala para a criança mais longe de si. É um rapaz ou uma menina? Paciente: Um rapaz. Elman: Qual é o nome dele? Paciente: John. 135 Hipnoterapia Elman: Agora a sua atenção está a aumentar. Eu vou perguntar algumas coisas enquanto você está no ensino básico. Estou a aproximar-me do seu assento e a e dizer- lhe “Você tem seis anos.Você é uma menininha gorda? Paciente: Não…-A paciente é levada agora através de sucessivos níveis escolares, e era esbelta até a oitava classe. A transcrição é retomada nesse nível─ Elman: Ora, quando eu levantar a sua mão e larga-la, você estará no oitavo ano. Aí está você. Diga-me você está com cerca de catorze anos agora. Olhe para si mesmo. Como está o seu peso? Paciente: Um pouco pesada! Elman: Você está no oitavo ano e você está a começar a estar um pouco pesada. Quando eu largar a sua mão você estará no período de férias, e será um pouco antes de a escola começar para o oitavo ano…Você sabe que as aulas começarão em apenas alguns dias. Você ficará contente por voltar para a escola? Paciente: Sim Elman: Diga-me, você gostou deste verão? Você teve um bom verão? Paciente: Tive febre escarlatina. Elman: Você ficou bastante doente com febre escarlatina, não ficou? Paciente: Sim Elman: Em algum momento você teve pensamentos desagradáveis enquanto esteve doente com febre escarlatina? Paciente: Sim. Eu estava com medo de não ficar melhor, e se ficasse, eu estava preocupada com os efeitos colaterais. Elman: Nós temos toda a razão aí, não temos? Por que é que uma jovem sentiria necessidade de segurança. Paciente: Sim Elman: Agora nós sabemos toda a razão do por que é que você engordou, não sabemos? Paciente: Sim. Elman: Você era uma menininha esbelta. Então viu-se no fim das férias do verão, e você viu uma menininha que tinha acabado de ter febre escarlatina. E depois você viu essa menininha no oitavo ano, e ela tinha começado a ficar gorda; já a mostrar a necessidade de segurança. Os pensamentos mórbidos que você deve ter tido sobre o que seriam os efeitos secundários, foi isso? Paciente: Sim. Elman: E então essa menininha na sua busca por segurança encontrou na comida a saída natural, e mais comida porque isso dava-lhe satisfação. Fê-la sentir-se segura. A segurança que conhecia quando era criança bebé, quando não precisava de se preocupar com o futuro. É assim mesmo? Paciente: Sim. Elman: Ora nós encontramos a causa, e você não tem que se preocupar mais acerca da febre escarlatina, tem? Paciente: Não * * * 136 Hipnoterapia Todo o problema neurótico teve um princípio, e a obesidade é com frequência um problema neurótico. A técnica de detecção de causa, ilustrada acima e usada na obesidade assim como na gagueira e dificuldades semelhantes, é chamada de apontando pontilhar o início de uma neurose. Afinal de contas, a paciente não era gorda até a oitava classe, mas nós descobrimos que ela começou a ficar um pouco pesada na oitava classe. Alguma coisa deve ter causado isso. O quê? No verão antes do oitavo ano ter começar, ela teve febre escarlatina. A gravidade da doença assustou-a. Ela iria ficar bem? E se ela ficasse qual seriam os efeitos secundários? Ela, certamente experienciou medo suficiente para causar numa criança a busca pela segurança. Ela encontrou essa segurança na satisfação oral que ela conheceu enquanto bebé, quando a vida estava no seu mais doce e ela não conhecia problemas, quando ela estava segura e bem alimentada nos braços da mãe. Ela começou a comer demais para recapturar essa sensação de segurança que ela já conhecera. Como alcoólicos e viciados em droga, os comilões desenvolvem uma tolerância ao objecto do seu desejo. É necessária mais e mais comida para alcançar um dado grau de satisfação. Agora é precisa uma quantidade enorme de comida, para dar a esta paciente a sua sensação de segurança. O resultado: A obesidade! Alguma vez ela se apercebeu disso a um nível consciente? Claro que não. Ela sabia que tinha tido febre escarlatina, e ela teria sido capaz de dizer que ficou terrivelmente assustada por isso. Mas ela não relacionou a febre escarlatina á sua obesidade. Ela não tinha ideia de que a comida representava um escape ao susto engendrado pela doença dela. Agora ela entende o seu problema. Ela não tem que se preocupar mais, sobre os efeitos da febre escarlatina; tudo o que resta da sua busca pela segurança é um padrão de hábito viciante, e a hipnoanálise habilita-a a quebrar o padrão do hábito. Subsequentemente o médico dela reportou que sobre supervisão médica, ela perdeu acima de cem libras (45,360kg), e tem mantido o peso normal desde então. Eu disse antes que em tais casos os medos são todos do mesmo tipo, para ilustrar isso, deixe-me contar outro caso no qual o medo causou um problema de excesso de peso. O paciente era uma mulher nos seus cinquentas. O médico disse-me que ela tinha sido paciente dele há muitos anos. Ela sempre tinha sido esbelta até se ter submetido a uma histerectomia; depois disso, ela começou a colocar aumentar em peso numa taxa velocidade alarmante. Agora ela estava desesperada pela necessidade de ajuda, porque por muito forte que ela tentasse, ela não conseguia manter-se na dieta prescrita para ela. Depois de obter essa informação, eu comecei a hipnoanálise. Cada facto mencionado pelo médico foi verificado, e agora eu comecei a sondar a causa da sua dificuldade. Levei-a de volta a visita que ela tinha feito ao médico dela antes da operação. Ela disse-me tudo o que o médico tinha falado durante a examinação, revivendo a experiencia vividamente. Ela disse que o doutor lhe tinha dito que ela tinha um tumor fibroso grande ─talvez mais do que um─ , e que foi sugeriu a cirurgia. Ao ouvir a palavra tumor ela ficou assustada e perguntou ao médico se poderia ser maligno. Ela lembrou-se claramente de ele dizer-lhe que não podiam falar com 137 Hipnoterapia segurança de tal coisa até que a cirurgia fosse realizada, mas na sua opinião era quase de certeza não maligno. Eu trouxe-a para o período logo após a cirurgia ter sido realizada. Apesar das garantias dos médicos dela, antes e depois da operação, de que não existia malignidade, ela não conseguiu tirar da sua mente a ideia de que pudesse ter cancro. Eu perguntei-lhe o porquê de ela sentir-se assim, e ela respondeu que não tinha a certeza, mas pensa que questão que lhe fora colocada pelo médico durante a examinação pré-operatória plantou o pensamento perturbante. Eu perguntei, ”Que questão foi essa?” Ela disse. ”Ele perguntou-me se tinha havido alguma perda de peso recentemente. Bem, acontece que eu estava de dieta nessa altura numa tentativa de retirar algumas libras kilos . Como o doutor lhe disse, eu nunca fui pesada, mas pensei que perdendo cerca de cinco libras (±2,27kg) poderia dar-me uma melhor imagem, e foi por isso que fiz a dieta. Funcionou tão bem, também, porque eu tinha perdido um par de libras (±1kg). Mas quando o médico perguntou-me se eu tinha perdido algum peso fiquei insegura se eu o tinha perdido por causa da dieta ou por causa do tumor.” Ela simplesmente não conseguiu tirar esse pensamento da sua mente, e quando se recuperou da cirurgia, ela começou a comer demasiado num esforço para ganhar peso ─para ter a certeza que a malignidade não estava presente─. Este medo, a operar num nível subconsciente, causou-lhe a glutonia, ganhando peso até que ela estar uma mulher muito gorda. O médico ajudou-me a eliminar o pensamento de cancro. Uma vez desenterrada a fobia do cancro com a hipnoanálise, com a ajuda adicional do médico, ela foi capaz de manter a dieta e baixar ao peso normal. Uma vez que a tendência para comer demais, é um encalce para a segurança, você deve combate-lo pontilhando o medo concreto que trouxe ao de cima a resposta alimentar. Um médico trouxe a sua jovem filha para a aula há algum tempo. Ela estava na sua pré-adolescência e estava com excesso de peso em mais ou menos quarenta cinco libras (20,4kg). Na interrogação antes da hipnoanálise estabeleceu-se que de facto ela tinha sido esbelta até quando passou um verão num acampamento