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Hipnoterapia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dave Elman 
Manual de Hipnose e Hipnoterapia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tradução livre de: Amílcar Sá Nogueira 
 
2 
Hipnoterapia 
Introdução 
Durante a minha carreira como hipnoterapeuta e professor de hipnose clinica, 
tenho ouvido e observado muitos dos mais distintos experts no campo da hipnose. 
Sinto amiúde que muito desses experts focam os seus esforços no ensino teórico e 
analítico e virtualmente ignoram as técnicas e os princípios subjacentes que capacitam 
o praticante de rapidamente desenvolver as suas habilidades em usar facilmente a 
hipnose. 
Então eu ouvi Dave Elman no trabalho! Em agosto de 1956, logo após eu ter 
aberto o “ Hypnotism Institute” em Los Angeles, um dos meus estudantes emprestou-
me uma fita-cassete de uma das aulas de Elman para médicos. 
 Apenas alguns minutos de audição tiveram um efeito electrizante sobre mim. 
Eu soube imediatamente que Dave Elman tinha “A FEBRE!” 
 “ A febre” é um termo que eu uso para descrever a qualidade da emoção que 
amadurece, numa intensa dedicação e duradoura devoção do uso da hipnose, como 
uma modalidade importante de tratamento. 
Quando tinha oito anos, Dave viu o seu pai assolado pela dor de um cancro 
terminal. Um famoso hipnotista de palco apercebeu-se da situação, e visitou-o. E em 
apenas alguns minutos de tratamento hipnótico os lamentos e os gemidos foram 
silenciados e a dor foi aliviada. O pequeno Dave foi autorizado a visitar e brincar com o 
seu pai. Dave Elman nunca esqueceu que, foi dado o alívio ao seu pai por um 
hipnotista de palco, após os médicos terem dito que não havia maneira de aliviar o seu 
sofrimento. Enquanto jovem, Elman trabalhou brevemente como hipnotista de palco, 
e foi durante este período que desenvolveu as técnicas de indução rápida que mais 
tarde fizeram os seus ensinamentos tão extraordinários! Nos anos que se seguiram, 
Elman tornou-se um escritor bem-sucedido, director e produtor de emissão de 
programas de rádio, e ensinou estes assuntos na Universidade de Colômbia. Ele tinha 
quarenta e nove anos quando tomou a decisão de mudar a sua profissão e tornou-se 
uma autoridade no ensino da hipnose. Ele reuniu-se com médicos especialistas, 
pesquisou a literatura disponível e desenvolveu o Dave Elman Course in Clinical 
Hypnosis. Apesar de Elman não ter nenhuma graduação avançada nem formação 
científica, ele restringiu a participação para médicos e dentistas. 
 A sua reputação rapidamente espalhou-se e logo fez dele o mais conhecido e 
bem-sucedido professor de hipnotismo da América. 
 Nos dezassete anos seguintes, ele ensinou o curso dele para milhares de 
profissionais em todas as grandes cidades nos Estados Unidos. 
 Este livro, originalmente intitulado “Descobertas na Hipnose”, é o somatório 
das teorias e técnicas de Elman. Foi o primeiro manual usado nos seus cursos e tornou-
se uma obra clássica da literatura do Hipnotismo. Neste grande trabalho, Elman 
desnuda o palavreado académico e pretensioso, criando uma apresentação enérgica e 
dinâmica da hipnose, como uma ferramenta ultra-rápida e incrivelmente eficaz para 
uma gama muito ampla de terapias. Sua atenção detalhada á semântica e na inflexão 
de voz, e a sua capacidade única para gerar a expectativa mental, formam o pano de 
 
3 
Hipnoterapia 
fundo para a sua incrível eficácia com quase cem por cento dos seus sujeitos pacientes. 
Elman deixou-nos apenas um livro e o conjunto de 40 horas de gravações feitas nas 
suas aulas. Os ensinamentos de Elman têm sido uma força esclarecedora e um legado 
enriquecedor para mim. E espero que, você também possa ganhar essa " febre", e que 
a sua emoção e o seu entusiasmo ajudem a manter viva a obra de: 
DAVE ELMAN “Mestre Hipnotista” 
 
 
 
 
 
4 
Hipnoterapia 
 
 
Gil Boyne, Director 
Hypnotism Training Institute of Los Angeles, CA 
Dec.15, 1977 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hipnoterapia 
Dave Elman 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Westood Publishing Co. 
 Glendale, CA. 
 
 
5 
Hipnoterapia 
 
Conteúdo 
 
Equívocos, Razões e Origens ....................................................................... 6 
Capítulo 1: Minhas primeiras descobertas importantes ........................... 12 
Capítulo 2: Por que é que eu comecei a ensinar hipnose .......................... 21 
Capítulo 3: Como estudar hipnose ............................................................ 25 
Capítulo 4: Factos interessantes sobre hipnose ....................................... 29 
Capítulo 5: Técnica do aperto-de-mão ...................................................... 31 
Capítulo 6: Instruções preliminares Abordagem ao paciente .................... 40 
Capítulo 7: O método “Dois-dedos olhos-fechados” ................................. 44 
Capítulo 8: Hipnose como adjuvante da anestesia química ...................... 51 
Capítulo 9: Incontáveis Métodos de Indução ............................................ 56 
Capítulo 10: Hipnose em vigília e sugestões em vigília ............................. 62 
Capítulo 11: Aplicações da Hipnose em Vigília ......................................... 73 
Capítulo 12: O sonambulismo e a composição de sugestões .................... 81 
Capítulo 13: O estado Esdaile ................................................................... 96 
Capítulo 14: Condicionamento para o parto Hipnótico e Cirurgia ........... 110 
Capítulo 15: A hipnose na odontologia ................................................... 115 
Capítulo 16: A Tartamudez (gaguez) ...................................................... 121 
Capítulo 17: A Obesidade ....................................................................... 134 
Capítulo 18: Fobias e medos mórbidos ................................................... 146 
Capítulo 19: Alergias .............................................................................. 169 
Capítulo 20: Depressões ......................................................................... 178 
Capítulo 21: Revisão, prática e aplicação da hipnoanálise ..................... 186 
Capítulo 22: A hipnose ligada ao sono. Sono-hipnótico.(hipnosono) ...... 211 
Capítulo 23: Perguntas que os médicos fazem frequentemente. ............ 229 
 
 
 
6 
Hipnoterapia 
Introdução 
Equívocos, Razões e Origens 
 
 Apesar dos esforços dos escritores e investigadores científicos, a hipnose tem a 
capa do misticismo vestida há séculos. O próprio termo hipnose, derivado da palavra 
de raiz Grega que significa sono, é enganador. A hipnose está relacionada ao sono 
como a noite para o dia – e não é mais parecido do que a noite é como o dia! Se você 
deixar de lado todas as noções pré-concebidas e examinar clinicamente a hipnose, vai 
descobrir que não se parece, ou se comporta como pensou que seria. A maneira como 
se “comporta” faz deste fenómeno uma ferramenta médica tremendamente valiosa, 
embora os equívocos continuadamente dificultem ou impedem totalmente o seu uso. 
 O conhecimento deste potencial uso para curas, e os danos causados por mal-
entendidos e a desinformação impeliram-me francamente a escrever este livro. Irei 
detalhar mais os meus motivos no primeiro capítulo, mas desejo enfatizar a 
necessidade imediata para o conhecimento hipnótico, e a pesquisa imparcial, se a 
medicina quiser aproveitar essa grande força correctiva, que é o poder da mente 
humana. É meu propósito neste texto transmitir dados valiosos aos médicos, e 
também estender a compreensão da hipnose aos leigos interessados. Este é o único 
meio para remover a capa mística. Você não irá encontrar nenhuma terminologia 
vernácula, ou expressão esotérica aqui introduzida. Eu tenho ensinado hipnose aos 
médicos há muitos anos, e encontrei muitos deles que parecem pensar que podem 
tornar-se hipnotistas especialistas após apenas algumas aulas e sessões práticas. Uma 
vez quenão existe tal coisa como o hipnotizador isso é obviamente impossível! Como 
praticante empregando esta ferramenta, tudo o que você alguma vez fará, é mostrar 
ao paciente como passar a barreira de normalmente acordado ou do estado de sono, 
ao peculiar estado mental conhecido como hipnose. Você não vai hipnotiza-lo; ele vai 
hipnotizar-se a si mesmo. Isso quer dizer que aqueles de nós que usam as sugestões 
não exercem poder algum sobre nenhum paciente. Isso significa que não há nada que 
eu faça, que você não possa fazer na hipnose. 
 Um termo mais preciso exacto para hipnotista é operador hipnótico! Como 
operador você ensina ao sujeito, como alcançar o estado de transe ─ou outros estados 
sobre os quais falaremos mais tarde─ e depois, se o sujeito estiver disposto, você 
estimula a sua imaginação, actuando por assim dizer, como um “piloto de sonho” É 
agradável saber que você pode pilotar a imaginação de quase qualquer um, 
estimulando mais agradavelmente os pensamentos mais intensos do que é geralmente 
considerado possível. Mas repetindo, não confunda esta habilidade de pilotar com 
poder; Eu sublinhei as palavras se o sujeito estiver disposto porque é imperativo o seu 
consentimento. Você não pode transmitir a sugestão a menos que o sujeito esteja 
disposto a aceita-las. Todo o tempo e em todos os estados de hipnose, o sujeito detêm 
o poder de selectividade. Portanto ele reage apenas às sugestões que sejam razoáveis 
e prazerosas para ele. Talvez você já tenha visto demostrações nas quais o sujeito 
actua fazendo palhaçadas extravagantes; a verdade é que aquele sujeito escolheu 
 
7 
Hipnoterapia 
fazer aquelas palhaçadas. Houve sem dúvida, vezes em sua vida, que você 
experienciou sonhos extravagantes. O comportamento estranho que você possa ter 
testemunhado da parte da pessoa hipnotizada, foi apenas similar a um sonho induzido 
pelo operador, pelo “piloto do sonho”. E estranho ou não, parecia razoável e prazeroso 
para o sujeito ou ele teria rejeitado as sugestões. 
 A maioria dos livros modernos de hipnose, sublinha que o sujeito está em 
rapport com o hipnotizador. Como regra eles negligenciam em adicionar que ele 
também está em rapport consigo mesmo, para que possa dar a ele mesmo auto-
sugestões, e com o mundo inteiro. Portanto o sujeito pode facilmente aceitar 
sugestões razoáveis e prazerosas de outras pessoas além do operador, a menos que o 
operador tenha implantado primeiro, uma sugestão negativa a tais sugestões. 
Também tenha em mente o facto de que só porque o sujeito está passível de receber 
sugestões, ele não vai deixar qualquer um controlar. Eu repito que em todos os 
estados de hipnose, o sujeito está no controle e pode seleccionar as sugestões que ele 
vai aceitar. Se surgir a crise de uma sugestão indesejada, o sujeito vai querer despertar 
sozinho do estado de transe, ou continuará, porém simplesmente recusar-se-á a agir 
de acordo com a sugestão. 
 Sob hipnose, uma pessoa tem mais controlo do que apenas a sua selectividade 
ou da sua força de vontade; ela tem controlo sobre todas as suas faculdades excepto 
uma. Ela pode ouvir, ver, sentir, cheirar, provar, falar. Embora as vezes possa parecer 
inconsciente, ela está completamente consciente e pode cooperar. A única excepção 
ao seu controlo é naquilo que eu chamo a faculdade crítica. Se você der uma sugestão 
que agrade e que pareça emocionalmente e moralmente razoável para ela, ela 
aceitará, apesar do facto de que, em situação normal ela talvez possa considerar uma 
sugestão impossível. Por exemplo, você pode sugestionar anestesia, apagar a dor sem 
agentes químicos. Ou você pode induzir á uma recordação ou recuar até uma idade 
precoce, digamos três anos, ou ainda até quando o sujeito tem poucas memórias. 
Regredindo o paciente durante a hipnoanálise você pode levar o processo mental, 
um passo adiante induzindo a ab-reacção; isso é, o reviver da experiencia do passado 
em vez de uma mera recordação. A suspensão da faculdade crítica, não contradiz a 
afirmação de que o paciente está no controlo completo de si mesmo e tem total 
selectividade; ele aceita tal sugestão porque é agradável e é boa para ele. Mas a sua 
faculdade crítica ─a descrença de que essas fantásticas façanhas são possíveis─ é 
contornada na hipnose. Para dizer de outra forma, na hipnose o corpo e a mente são 
igualmente susceptíveis, operando como uma unidade harmoniosa. A hipnose tem 
efeito no inconsciente assim como na mente consciente, e também no sistema 
nervoso autónomo. 
 Quando você conduz a pessoa até ao estado de sugestibilidade e fornece para 
ela sonhos agradáveis, as sensações dela ao “despertar” serão tão físicas quanto 
mentais. Tendo havido uma experiência prazerosa, ela vai sentir-se refrescada e 
revigorada. 
Não obstante estas verdades generalizadas, cada individuo reage 
diferentemente sob sugestão. Para usar hipnose com sucesso, você tem que estar 
 
8 
Hipnoterapia 
habilitado a responder a uma variedade de reacções, portanto, o seu conhecimento do 
fenómeno deverá ser profundo. Se um médico vai ajudar um paciente, este não deverá 
deixar-se ser apanhado de surpresa. 
 Ninguém pode aprender verdadeiramente hipnose por mera observação. Você 
deve experienciar por você mesmo para saber o quão diferente é das descrições que 
geralmente você encontra nos livros. Você irá descobrir como a hipnose é um estado 
prazeroso, e quanto mais souber mais vai desejar experimentar, assim como ser capaz 
de hipnotizar-se. Porque não existe essa coisa de não ser hipnotizável. 
 Uma vez que a selectividade prevalece durante o estado hipnótico, e que o 
instinto de auto preservação não deixa que o sujeito aceite nenhuma sugestão 
prejudicial para si, nunca ninguém foi magoado pela hipnose! 
 Têm sido formuladas inúmeras hipóteses sobre o efeito de induzir um sujeito a 
magoar a si mesmo, conscientemente ou inconscientemente, ou até ser “enganado” 
para cometer algum crime. No entanto não existe nenhum registo como tal tenha 
acontecido. Nós temos conduzido centenas de testes, e em todos os casos uma de 
duas coisas aconteceu quando foi feita uma sugestão impropria: Ou o sujeito rejeita a 
sugestão, ou termina completamente o estado de transe. Eu repito este facto porque 
isso é muito importante para a aceitação da hipnose como ferramenta médica valiosa 
e segura. Os três requisitos necessários para a hipnose são 1) O consentimento do 
sujeito; 2) A comunicação entre operador e sujeito e, 3) Livre de medos ou relutância 
da parte do sujeito em confiar no operador. Sendo estes os únicos requisitos, é óbvio 
que estes autores estão errados quando dizem que alguma técnica em particular 
─fixação por exemplo─ é a única maneira confiável de induzir ao transe. Na realidade, 
não existe limite no número de técnicas que podem ser usadas para desencadear a 
resposta desejada; talvez até você possa dizer que não existe maneira na qual não 
possa hipnotizar uma pessoa, uma vez que saiba como utilizar sugestões. Como pode 
ser visto no acima exposto ─cada um dos itens será tratado com detalhe, em lugar 
apropriado neste livro─ existe uma grande dose de desinformação no que tem sido 
escrito sobre hipnose.Com vista nisso, eu sinto que devo responder aqui as questões 
que o leitor possa ter, como, as minhas qualificações para escrever acerca deste 
assunto e a base para o meu interesse nisso. 
 A primeira questão felizmente é fácil de responder. Eu tenho ensinado hipnose 
aos homens da medicina ─médicos, dentistas, podólogos─ há mais de uma dúzia de 
anos. Eu não tenho formação médica, e por isso não prescrevo tratamentos aos 
pacientes, apesar de a pedido de médicos e com o médico presente, eu tenha 
hipnotizado milhares de pacientes e ajudado com instrumentação ferramentas 
hipnóticas como hipnoanálise e anestesia geral profunda. Tenho feito palestras para 
membros de staffs de hospitais e também palestrado para muitos milhares de médicos 
privados.Eu ajudei na demonstração de partos sem anestesia química para um filme de 
medicina. Entre os meus estudantes melhores sucedidos, há muitos eminentes 
doutores, incluindo líderes de várias sociedades médicas estatais. 
 
9 
Hipnoterapia 
 A segunda questão ─a base do meu verdadeiro interesse neste assunto─ não 
pode ser respondida num único parágrafo. Tenho tido um intenso envolvimento com o 
assunto desde tenra idade, e isso provavelmente aconteceu quando eu tinha cerca de 
6 anos de idade. Meu pai que era estudante de hipnose nessa altura já me falava 
muito acerca disso. Então um dia ele levou-me a visitar uma família que vivia há uns 
quarteirões de nós ─Em Fargo, Norte de Dakota─. Uma jovem moça dessa família que 
tinha gagueira pronunciada profunda, mas quando o meu pai a hipnotizava a gagueira 
dela sumia. 
 Depois quando terminava o transe, a dificuldade dela em falar voltava 
imediatamente. O meu interesse na hipnose fora despertado, embora isso não tenha 
sido muito mais tarde, quando eu aprendi como corrigir a gagueira permanentemente 
por meio da sugestão. 
 Um incidente ainda mais importante ocorreu em 1908, quando eu tinha oito 
anos de idade e meu pai tinha quarenta e dois. Ele tornou-se conhecido de um dos 
grandes hipnotistas da época, um mestre e artista que tinha reputação de realizar 
façanhas surpreendentes. Esse homem soube que meu pai estava a morrer com câncer 
e que sofria com dores intensas. Ele veio a nossa casa, foi ao quarto do doente e em 
poucos minutos aliviou-o da dor. Não foi permitido que eu permanecesse dentro do 
quarto até então, depois do hipnotista sair fui autorizado a entrar. Um pouco antes 
disso eu tinha estado sentado junto a porta e tinha ouvido o meu pai a gemer com 
dores, agora eu entro e ele brinca comigo. Foi a ultima vez que ele brincou comigo, 
mas até onde eu sabia ele ficava absolutamente livre de dores por algum tempo após 
visita dos hipnotistas. Ele morreu algumas semanas mais tarde. Entretanto eu nunca 
esqueci que antes da sua morte foi-lhe dado o alívio que não era considerado possível 
pelos seus médicos. Claro que não entendi naquela altura que mais outros usos 
médicos a hipnose tinha, mas o meu interesse no assunto permaneceu, e tornou-se 
profundo. Logo em seguida, presenciei uma actuação dada pelo mesmo hipnotista, e 
ele permitiu que eu o auxiliasse. Ele disse aos sujeitos no palco que eu iria apertar a 
mão a cada um deles, e quando eu assim fizesse eles entrariam num estado profundo 
de hipnose. Eu apertei as mãos deles…e funcionou! Logo após tentei produzir o 
mesmo efeito, sem sucesso claro, na minha mãe, nos meus irmãos e irmãs, meus 
colegas de escola. No início, não entendia o meu falhanço, mas comecei a ler todos os 
livros sobre o assunto, que pude encontrar nas bibliotecas. O único ponto em que 
todos esses livros pareciam estar de acordo era que a fixação podia ser usada com 
fiabilidade para hipnotizar: você tem que ter o sujeito a olhar fixamente para uma 
lâmpada ou objecto brilhante, os autores instruíam que por um período contínuo que 
durava de três minutos á duas horas para se poder alcançar o estado. 
 Uma vez que nem o meu pai nem o hipnotista tinham usado uma luz, esta 
afirmação dogmática deixou-me confuso. Eu próprio tentei olhar fixamente uma luz, 
mas apenas fiz uma importante descoberta: Olhar uma luz durante uma hora pode ser 
bastante aborrecido. Toda a luz alcançada foi para cansar meus olhos. Talvez, pensei 
eu, isso seja necessário para uma rápida e profunda hipnose. Então perguntei ao meu 
médico dos olhos acerca disso. Ele explicou que o olho humano vê em “leaps and 
 
10 
Hipnoterapia 
darts” ─movimentos horizontais/verticais/oblíquos e focagem/zoom─ etc. E se você 
impedir que os olhos sigam esse hábito natural “leaps and darts”, os músculos 
depressa se cansam. Como demonstração, ele colocou sua mão acima dos meus olhos 
e muito próximo da testa; depois ele baixou sua mão devagar instruindo-me para eu 
continuar olhando, assim fiz. No momento em que estava sob meu queixo, apercebi-
me que meus olhos estavam sonolentos. Agora eu sei como cansar rapidamente os 
olhos das pessoas sem usar a fixação. Isso, eu acredito, que foi o nascimento do 
condicionamento rápido em hipnose. Com a adopção desta demonstração do médico, 
como parte da minha técnica, eu poderia fazer em alguns segundos o que a fixação de 
luz fazia em duas ou três horas. Você vai descobrir que esta técnica de baixar a mão 
acelera consistentemente a indução hipnótica. Eu comecei a ter muito sucesso, nas 
minhas tentativas de hipnotizar amigos adultos assim como crianças. Não desisti de ir 
experimentando até, que durante a minha adolescência o pai de uma garota com 
quem eu saía, disse-me para não voltar mais. Ele tinha ouvido que o sujeito 
hipnotizado poderia ser seduzido pelo operador. Eu calculei que essa pequena 
desinformação poderia tornar-me no rapaz menos popular em Fargo, por isso deixei a 
hipnose de lado e não voltei a isso durante muitos anos. No entanto eu já aprendera 
alguns factos valiosos que não eram do conhecimento geral. A hipnose poderia ser 
usada para aliviar dores crónicas. Isso poderia ser feito quase instantaneamente. O 
maior obstáculo em alcançar esse estado era o medo…mesmo um medo abaixo do 
nível consciente. Ainda hoje, alguns manuais afirmam que um há percentual de 
pessoas que não são hipnotizáveis. Quando a verdade é que remover o medo permite 
que qualquer pessoa possa ser hipnotizada. As outras descobertas descritas acima 
podem igualmente não ser encontradas nos escritos dos especialistas. Quando em 
adulto voltei ao assunto, tentei ir aprendendo...mantendo a mesma atitude e mente 
aberta às experiencias, não aceitando teorias ou dogmas sem o suporte de fortes 
evidencias clinicas. Tal atitude, eu acredito ser essencial para qualquer um que deseje 
participar no melhoramento da arte da medicina. Talvez eu esteja apenas 
reformulando o velho ditado de que a “experiencia é a melhor professora”. De 
qualquer forma eu insisto para que meus estudantes aprendam vendo e fazendo, em 
vez de apenas ouvir palestras ou a ler teorias infundadas. Tenho tentado incorporar o 
mesmo princípio para a escrita deste livro. Na discussão de determinada técnica dada, 
descoberta, teoria ou aplicação de hipnose, haverá pelo menos um excerto 
─normalmente mais─ de gravação de uma sessão hipnótica envolvendo o operador, o 
paciente e médicos participantes. Claro que confidências e identidades foram 
salvaguardadas e ligeiramente editadas onde a ética assim ditava. Alguns materiais 
estranhos que de vez em quando se introduziram na gravação fita ─entradas, saídas de 
médicos na audiência, tosse, declarações de endereços e nomes, interrupções, etc.─ 
foram removidos, aos participantes era permitido falar como falavam. Se alguma 
pessoa usou algum coloquialismo ou um pouco de má gramática, só nessa situação foi 
mudado, sendo chamado para clarificar o significado. Afinal de contas, a personalidade 
de uma pessoa, emoções e respostas são expressadas nas palavras que realmente usa, 
não em termos técnicos ou alterações gramaticais. 
 
11 
Hipnoterapia 
 Descrições enquadradas de acções não-verbais ou comunicações ─tais como *o 
acenar da cabeça do paciente...a recusa em responder... ou começa a sorrir... ou 
tosse... ou abre os olhos+ e idênticas─ estão incluídas na forma de indicações de palco. 
Isso é feito em primeiro lugar, por uma questão de clareza, e em segundo ─e mais 
importante─ porque a observação das reacções é vital para o sucesso na aplicação 
médica da hipnose. Tendo feito as observações introdutórias que eu penso serem 
importantes para o estudo adequado do assunto, já é tempo para iniciar descobrindo 
sobre a hipnose. Tenho apenas um comentário a acrescentar antes do lançamento do 
próprio estudo: Meus sinceros agradecimentos aos milhares de médicos que foram 
meus alunos. Assim como eu fui professordeles, eles também me ensinaram. 
 
 
12 
Hipnoterapia 
Capítulo 1: Minhas primeiras descobertas importantes 
 
 Eu ensinei hipnose para homens de todos os ramos da medicina. Naturalmente, 
eu usei muito material didáctico, incluindo abundantes esboços e anotações, mas eu 
nunca me apoiei em nenhum manual. A ideia de escrever um livro de minha autoria 
sobre o assunto foi-me sugerida pelos médicos, dentistas e podólogos. Finalmente eu 
agora estou a agir sob sugestão. 
 Por quê? Uma explicação pode ser encontrada em duas comunicações que 
recebi, enquanto recuperava de uma doença grave. 
 A primeira delas foi um telegrama que veio de longe da Califórnia. Era de 
alguém que eu não conhecia, alguém que nunca tinha estudado comigo. E lia-se: Você 
vai ensinar em Los Angeles em breve? Sou psiquiatra. O que você sugere? 
Sinceramente.” 
 A segunda foi a carta de um médico de outro campo. Ele vive em Detroit e é um 
ex-aluno meu. Ele tinha estudado comigo cerca de sete anos antes. Ele escreveu em 
parte: Estou certo de que nenhum dos médicos em Detroit dos que foram seus 
formandos tinha conhecimento de que você estaria doente, por seu nome ser 
frequentemente mencionado com carinho por todos os seus ex-alunos ─e bastava 
apenas um saber─, estou certo de que nós todos teríamos ouvido falar acerca 
disso...Todos têm a esperança de que quando você estiver completamente 
recuperado, Detroit esteja no seu itinerário. Estamos ansiosos para vê-lo...Comprei 
tudo que você gravou, de maneira que os meus rapazes terão acesso ao máximo 
possível do seu trabalho nos anos que virão…Eu sei qual a visão percepção que você 
me deu sobre a mente humana, e lamento de que não esteja assegurado que eles 
venham a ter a mesma vantagem, Dave. Se o seu curso deixar esta terra consigo, isso 
será uma grande tragédia. Muito sincero.” 
 Naturalmente, estas duas comunicações juntas com muitas outras de idêntica 
natureza, afectaram-me profundamente. 
 Estes amigos, o conhecido e o desconhecido, merecem consideração. 
 Assim também como todos os praticantes de medicina que trabalham no duro 
para aliviarem sofrimentos. 
 Assim também como os seus pacientes. Se de alguma maneira o meu 
conhecimento poder ajudar, então este livro terá servido uma boa causa. 
 Primeiro, quero deixar claro minhas limitações nas discussões sobre temas 
médicos: Eu não sou doutorado. Não existe nenhuma graduação titulo a seguir ao meu 
nome. Sendo leigo eu não reclamo nenhum conhecimento de medicina. No entanto, 
várias centenas de médicos têm sido meus estudantes. As circunstâncias têm-me 
permitido trabalhar com literalmente milhares de médicos, dentistas e podólogos. Eu 
comecei a ensinar á médicos o uso profissional da hipnose há muitos anos atrás, e 
deixei bem claro para cada médico que assistia minhas aulas que não tenho nenhum 
conhecimento de medicina; tudo que eu poderia ensinar para eles era a hipnose 
profissional, e uma vez sabendo o que se poderia fazer com a hipnose, eles teriam que 
 
13 
Hipnoterapia 
juntar seus próprios conhecimentos com o que eu ensinaria por forma a criar algo de 
útil proveitoso. Ainda hoje é esse o caso. 
Aquilo que ofereço aqui não é uma investigação da medicina, mas a história das 
minhas descobertas na hipnose. 
O meu trabalho com os homens da medicina permitiu-me fazer importantes 
pesquisas. 
Não muito depois de eu iniciar o ensino, os médicos começaram a pedir para 
ajuda-los com pacientes que não tinham patologias orgânicas, mas, que ainda assim 
estavam muito doentes. Não havia explicação médica para as suas doenças. Deixem-
me dar um exemplo que conduziu á uma descoberta importante. 
 Foi em 1950 que um psiquiatra de uma das minhas turmas falou-me acerca de 
uma mulher, sua paciente, que sofria com dores severas de natureza inexplicável. 
Foram feitos todos os testes médicos, e esses testes mostravam que a paciente estava 
de boa saúde. 
 Porém a dor era intensa, e o psiquiatra estava “perdido” na ajuda. Poderia a 
hipnose revelar a causa dessa condição? Pedi ao psiquiatra para trazer essa mulher 
para minha casa, e eu veria o que poderia ser feito. Interroguei-a demoradamente e 
fiquei a saber que ela não tinha consciência de ter tido tal dor até a altura de uma 
intervenção que fizera á vesícula biliar. A dor tinha começado quase imediatamente a 
seguir à intervenção cirúrgica, ainda assim, ela tinha recuperado com alguma 
facilidade. Prossegui colocando a paciente num estado hipnótico conhecido como 
sonambulismo, e percebi que suas declarações eram verdadeiras. Não tinha havido dor 
comparável àquela antes da operação. Minha investigação apenas confirmava aquilo 
que o psiquiatra já me tinha falado. O psiquiatra perguntou-me se eu estaria disposto 
em trabalhar com a mesma paciente no seu consultório. Eu concordei em faze-lo. 
Quando eu cheguei, ele estava ocupado com outro caso e perguntou se eu poderia 
iniciar com a paciente enquanto aguardava por ele. Ele deixou a sala e a paciente 
prontamente acedeu ao estado de sonambulismo. Nós cobrimos grande parte do 
mesmo chão, demos os mesmos passos, até que ocorreu-me que se a dor começou 
apenas depois da operação, a sua causa poderia ser a operação em si. Mas a paciente 
tinha sido anestesiada profundamente durante a cirurgia. 
 Como poderia eu saber o que havia acontecido naquela sala de cirurgia? 
 Decidi colocar a mulher num estado de hipnose muito mais profundo. Eu 
chamo a esse estado de Hipnosono. Pesquisas recentes confirmaram que de facto esse 
é considerado o estado de hipnose mais profundo possível. E foi neste profundo 
estado de hipnose que eu tive a paciente a reviver as suas experiências, de como foi 
sendo levada para sala de operações. 
 Mais perguntas revelaram que ela poderia reviver revivenciar a operação 
inteira, dizendo exactamente o que ocorreu na sala de operações enquanto estava 
aparentemente inconsciente e perdido o sentido de audição. Ela conseguia dizer 
exactamente o que o anestesista, o cirurgião e o seu assistente disseram, mesmo 
depois da anestesia química ter surtido efeito. Uma das coisas que ela terá ouvido e 
que parecia afecta-la violentamente na ab-reacção ─o reviver revivenciar da 
 
14 
Hipnoterapia 
experiencia─ foi o que o cirurgião terá dito após efectuar a incisão expondo a vesícula 
biliar a vista. Ele havia comentado “Olha para esta vesícula biliar…Ela jamais será a 
mesma depois disto!” 
 Perguntei á paciente o quê que aquela afirmação significava para ela e ela 
respondeu, “Eu penso que isso significa que já não serei bem uma mulher depois da 
operação. “Eu expliquei a ela que o doutor realmente quis fazer uma afirmação de 
encorajamento, mas teve o infortúnio de usar as palavras erradas, e que a dor de que 
ela padecia iria diminuir ─e antes da visita terminar a dor desvaneceu-se 
completamente─. Agora ela estava livre de dor pela primeira vez desde a operação. Os 
relatórios subsequentes do psiquiatra eram no sentido de que a paciente estava indo 
lindamente. Nunca me ocorreu de que um paciente pudesse reviver o que havia 
sucedido durante uma anestesia completa geral. Tal como qualquer um, nessa altura 
eu também pensava que esses pacientes não podiam ouvir nem lembrar o que se 
passava a volta deles. Ora, inadvertidamente, eu tinha tropeçado num facto 
surpreendente. Aqui, foi a paciente que, não só conseguiu ouvir sob anestesia química, 
como pode reviver revivenciar todas as coisas que aconteceram ao seu redor durante a 
operação. Eu decidi ver se era possível fazer isso com outros pacientes. Talvez muitas 
das “doenças inexplicáveis” tenham sido causadas por comentários indiscretos feitos 
por um cirurgião, anestesista ou enfermeira durante a cirurgia. Eu induzi outros 
pacientes a reviverem as suas operações sob hipnose e a darem-me os detalhes. Para 
minha surpresa pessoas após pessoas foram capazes de me dar informações das quais 
aparentemente não tinham no nívelconsciente, e após verificação com médicos, 
descobri que essas informações seriam absolutamente precisas correctas. Então 
depois passei essa descoberta para os meus estudantes, todos eles médicos, com a 
sugestão de que quando tratassem um paciente com doença de origem desconhecida 
após cirurgia, eles deveriam procurar pela causa na sala de operações. Depois que 
obtive relatórios suficientes de médicos que foram capazes de duplicar o que eu tinha 
feito, comecei a aludir referir na sala de aulas que os médicos e seus assistentes 
deveriam ser cuidadosos com o que falavam apesar do paciente estar inconsciente e 
aparentemente incapacitado de ouvi-los. 
 Também me ocorreu que, se o paciente pode ser influenciado por afirmações 
infelizes negativas nas salas de operações, este também poderia ser influenciado por 
afirmações boas positivas, enquanto estivesse em anestesia profunda. Isto tornou 
possível a subsequente descoberta importante: Ao paciente poderia ser dada a 
sugestão de manter a anestesia mesmo depois do efeito da anestesia química ter 
terminado, tornando assim mais fácil a recuperação. Este foi o meu primeiro achado 
importante no uso da hipnose; e tem sido substanciado comprovado por muito muitos 
cirurgiões e psiquiatras. 
 Interessantemente, eu fiquei a saber que há alguns anos um médico da Costa 
Oeste tinha iniciado experiências na mesma linha e fez descobertas semelhantes. Esse 
doutor não foi meu aluno, e não nos conhecíamos até há dois anos atrás. Ele enviou-
me vários e interessantes documentos que têm sido publicados em jornais de 
 
15 
Hipnoterapia 
medicina, confirmando outra vez que um paciente consegue ouvir enquanto está sob 
anestesia profunda. 
 A esse respeito, recordo de um incidente que foi gravado em fita na sala de 
aulas. Isso aconteceu em San Antonio, Texas. Eu tinha dado essa informação aos meus 
estudantes quando um dos médicos na aula discordou veementemente comigo, mas 
admitiu que se o que eu disse é possível, então isso foi uma contribuição importante 
para o conhecimento da medicina. Ele comentou que há alguns anos antes tinha 
sofrido uma grande intervenção cirúrgica, e não tinha a menor lembrança do que se 
passou após a anestesia que lhe foi dada. Perguntei se ele gostaria de “reviver” e saber 
exactamente o que aconteceu. Ele disse que gostaria de experimentar, mas que não 
acreditaria em nada do que viesse disso. Coloquei-o no estado o qual chamo hipno-
sono e fi-lo reviver a operação com detalhes. Durante a ab-reacção, ele exclamou: 
“Então foi por isso que eles fizeram uma incisão tão longa”. Depois de o despertar do 
estado, o balanço da sessão foi gasto discutindo a operação deste médico, entre as 
coisas que ele não sabia antes da hipnose, e as coisas que agora sabia e entendia. Ele 
era o mais entusiástico. Ele enviou a fita da gravação que fizera, ao doutor da Costa 
Oeste que estava a fazer pesquisas nessa área, e foi então que a fita da gravação foi 
enviada para mim. Encontrará uma transcrição desta hipnoanalise, mais a frente num 
capítulo deste livro, quando discutirmos uma fase da hipnose conhecida como hipno-
sono. Isso será provavelmente muitos anos antes dos médicos no mundo inteiro 
aceitarem o facto de que, os pacientes sob anestesia completa geral mantêm o sentido 
da audição e que a mente está funcional ainda que seja num nível abaixo do nível 
consciente. No entanto foram escritos alguns artigos por médicos de alto renome que 
justificam esses factos; os quais foram provados em mais de duzentos casos. Quando a 
actividade mental sob anestesia for aceite, isso conduzir-nos-á á mais valiosas 
descobertas. Visto que a mente funciona num nível abaixo da atenção consciente 
quando o paciente está inconsciente, é razoável colocar a seguinte questão: “Há 
alguma possibilidade de que uma pessoa que é feita inconsciente por um acidente ou 
qualquer outro meio, ainda mantenha seu sentido de audição, e que a mente da vítima 
ainda esteja a trabalhar mesmo que a consciência esteja abaixo do nível consciente”? 
Creio que são aconselhadas mais pesquisas embora eu não faça nenhuma exigência 
neste livro de que seja esse o caso! Antes de descrever um segundo achado 
importante que fiz através da hipnose, vale a pena mencionar que os incidentes na 
sala de aula foram registados com precisão enquanto decorriam. Por muitos anos 
minha esposa, que era especialista em taquigrafia estenografia, transcreveu cada 
palavra falada na aula. Mais tarde, começamos a gravar as aulas sessões. Dessa 
maneira pude rever cada sessão em privado, apreender o que os doutores precisavam 
saber acerca da hipnose por forma a usarem efectivamente. A técnica também me 
permitiu detectar algum engano que eu possa ter cometido nos ensinamentos e 
corrigi-los durante a aula seguinte. Vamos agora ao segundo importante achado 
efectuado pouco depois que comecei a ensinar aos médicos o uso profissional da 
hipnose. Uma noite, um médico industrial que frequentava as aulas anunciou com 
grande entusiasmo que em vinte e quatro horas, tinha aliviado da impotência, dois 
 
16 
Hipnoterapia 
pacientes masculinos. Os outros médicos da aula, ficaram pendidos a zombar do que 
ele anunciara. Continuando, ele insistiu que já tinha ajudado dois homens. Aqui está o 
que disse: “Tinha havido um pequeno acidente na fábrica e estava a tratar as lesões de 
uma das vítimas. Quando ele estava a sair do escritório, disse-me, “Quem me dera que 
você tratasse do meu real problema tão bem como tratou dessas pequenas coisas.” Eu 
perguntei que problema real era o dele, e ele respondeu, “impotência e tenho isso há 
muitos anos.” Perguntei como isso começou e ele disse-me que começara após as suas 
primeiras férias longe de sua esposa. Ele tinha ido para Florida e enquanto lá esteve, 
teve relações com uma mulher desconhecida e contraiu gonorreia. Foi a um médico e 
rapidamente ficou curado, mas ficou com tal sentimento de culpa que não teve 
coração coragem para voltar para casa em New Jersey. Passaram-se dez semanas após 
o doutor dizer que estava curado, antes de ele conseguir coragem suficiente para 
voltar á sua casa. Quando o fez foi incapaz de retomar as relações familiares sexuais. 
Ele tem tido um casamento muito infeliz desde então. 
 “Hipnotizei o homem e disse que ele já tinha punido a ele próprio tempo 
suficiente, enfatizei que por se punir, ele também puniu a sua esposa e destruiu um 
casamento feliz; que dai em diante ele cessaria de se punir e que achar-se-ia bastante 
capaz de retomar as relações familiares sexuais naquela mesma noite. Depois trouxe-o 
para fora do estado de sonambulismo, e dei-lhe um pouco mais de encorajamento e 
mandei-o embora.” Na manhã seguinte ele veio ao meu consultório, trazendo outro 
amigo da fábrica com ele. Ele disse. “Doutor, isso funcionou tão bem para mim, talvez 
você possa ajudar meu amigo ele tem o mesmo problema, e tem-no há algum tempo. 
”Inquiri o segundo homem para que me contasse os seus problemas, e ele disse-me. 
“Casei-me há alguns anos atrás. Tenho quarenta e cinco anos e fui casar com uma 
moça de vinte e um anos. Na nossa noite de casamento, meus amigos começaram a 
brincar comigo. Eles disseram que eu não conseguiria “fazer bem” ser activo com uma 
moça de vinte e um anos e que eu era um velho fanfarrão e não conseguiria ser 
realmente um marido para uma moça que tem metade de minha idade. Eu devo ter 
acreditado neles porque estamos casados há mais de quatro anos e ainda não 
consumamos o nosso casamento.” 
 “ Coloquei o segundo paciente em sonambulismo e fui sobre para a sua história 
outra vez, e depois disse-lhe que seria tão potente como qualquer um para o resto da 
sua vida e que seria capaz de consumar o seu casamento imediatamente. Despertei-o 
do estado, falei para ele um pouco mais sobre o assunto, e ele informou-me que foi 
capaz, que a condição fora completamente corrigida e que o casamento fora 
consumado.” O doutorcontou bem a história. De facto tão bem, que os outros 
médicos mudaram a sua atitude e perguntaram sobre o que eu sabia acerca de usar 
hipnose para correcção de impotência. Eu disse a eles que sabia muito pouco acerca 
disso, mas se houve sucesso nesse dois casos, talvez fossemos bem-sucedido em 
muitos mais casos. Aconselhei-os á experimentarem e verem. Eles experimentaram 
nos casos em que todas as patologias tinham sido descartadas. Pouco depois os 
médicos começaram a relatar os sucessos, eles notaram que enquanto alguns casos de 
impotência eram causados pelo uso de certos medicamentos, por patologias, ou 
 
17 
Hipnoterapia 
cirurgia, cerca de noventa por cento de toda a impotência tinha base emocional. 
Nesses casos em que o distúrbio emocional era o culpado, eles tiveram sucesso muitas 
vezes. Ocasionalmente, entretanto, tocava o telefone e um médico poderia dizer 
qualquer coisa como isso, “Funcionou em dois casos, mas não funcionou nada com o 
terceiro homem em quem experimentei. O que eu poderei ter feito de errado?” Disse 
a esses médicos que eu não tinha a mais pequena ideia do que eles haviam feito de 
errado, e que não eu sabia porque é que com alguns funcionava e com outros não. 
Então começaram a perguntar se eu poderia ir aos seus consultórios ver se conseguiria 
descobrir por que é que eles tinham falhado ocasionalmente. Essas chamadas as vezes 
chegavam as três ou quatro num dia. 
 Quando fui aos consultórios dos médicos e observei-os a trabalharem, 
rapidamente os motivos das falhas tornaram-se evidentes. Eles eram bem-sucedidos 
em quase todos os casos onde os pacientes sabiam a causa da impotência ao nível 
consciente. Como os casos já mencionados. Não foram tão bem-sucedidos quando o 
paciente foi incapaz de enunciar ao médico a causa. Por meio da hipnoanálise, quando 
foram determinadas as causas da impotência, e uma vez descoberta; os problemas dos 
pacientes podiam ser prontamente serenados. Os resultados foram espectaculares. 
Rapidamente estava a trabalhar com mais casos de impotência do que os que podia 
lidar trabalhar, de cada vez que um médico tivesse um insucesso eu seria chamado 
para fazer hipnoanálise. 
 Penso que foi menos de um ano depois que um dos médicos na aula 
perguntou; ”Se as técnicas de hipnose parecem funcionar tão bem nos problemas de 
impotência, porque é que não funcionariam igualmente tão bem com a frigidez 
quando não havia presença de alguma patologia? Frigidez, claro, é a equivalente 
congénere no feminino do problema masculino.” Eles deram a ideia de um teste, e 
começaram a chegar chamadas de médicos entusiasmados com dizendo que eles têm 
sido capazes de corrigir frigidez por meio de técnicas hipnóticas. Quando faziam esses 
relatórios nas aulas, sempre havia um ou dois médicos que poderiam dizer, “ Bem, 
talvez vocês tenham sido bem-sucedidos, mas eu não fui. Experimentei e não 
funcionou. O que fiz de errado?” Foi fácil verificar que a mesma situação existia na 
frigidez como existia na impotência: Sempre que o paciente soubesse da causa da 
frigidez no nível consciente, era tornava-se bastante fácil de aliviar atenuar; mas 
quando o paciente foi incapaz de indicar a causa, os médicos falharam. Novamente, a 
hipnoanálise era a resposta. Foi iniciada uma longa série de hipnoanálises em 
mulheres e os resultados foram gratificantes. Fomos capazes de descobrir a causa da 
frigidez, dar a paciente a percepção do problema, depois traze-la para fora do estado 
— hipnótico-- e discuti-lo exaustivamente completamente. Umas após outra, estas 
mulheres puderam relatar que já não tinham mais preocupações problemas com a 
frigidez. 
 Posso seguramente dizer que nos primeiros quatro ou cinco anos de ensino 
nunca falhei na correcção de um caso de impotência. Contudo os resultados não foram 
tão consistentes com casos de frigidez, e eu creio firmemente que o motivo para a 
minha inabilidade em alcançar resultados espectaculares foi a natural reserva 
 
18 
Hipnoterapia 
retraimento das mulheres. Um homem revelará os seus problemas sexuais a outro 
homem. Mas uma mulher modesta, mesmo percebendo isso ou não, frequentemente 
retém informação vital que os médicos precisam para ajuda-la. Quando uma médica 
está a trabalhar com casos de frigidez, ela sabe como que é a mulher irá falar dos seus 
problemas e portanto torna a recuperação da frigidez fácil de aliviar atenuar. Isso tem 
sido corroborado por muitos relatórios que tive de médicas. Há um médico em 
particular que me disse muito seriamente, “Eu costumava pensar que era um médico 
de clinica geral. Agora descobri que meu tempo é ocupado dia e noite com problemas 
de frigidez e que o que você me ensinou capacitou-me a bater alcançar uma grande 
percentagem de sucesso.” 
 Os médicos podem muito bem guiar-se por estes achados descobertas; 
nomeadamente, que após ter sido descartada a patologia, existem apenas dois tipos 
de impotência e apenas dois tipos de frigidez. Tipo A é quando a causa da impotência 
ou frigidez é conhecida ao nível do consciente, e tipo B é quando a causa da 
impotência ou frigidez não é conhecida ao nível do consciente mas é retida na mente 
abaixo do nível de consciência. 
* * * 
 É minha crença que estas descobertas, e outras que irei relatar, podem muito 
bem ser utilizadas por médicos que leiam este livro. O entusiasmo do público por 
artigos sobre medicina mostra que tais conclusões são também interessantes para os 
leigos. Portanto vou descrever e documentar na íntegra. Entre as chamadas por ajuda 
que recebi dos meus estudantes ─médicos e dentistas─, uma foi particularmente 
interessante: Esta foi a situação conforme me foi revelada por telefone por um 
obstetra: “ Tenho uma paciente no hospital que está em estado catatónico há mais ou 
menos setenta e duas horas. A mulher está grávida. Ela está sentada na cama e 
nenhum de nós parece capaz de “chegar até ela.” Vários psiquiatras já foram 
chamados e depois da consulta eles decidiram que o único tratamento médico que iria 
ajudar seria a terapia de choque. A Madre Superiora do hospital é violentamente 
contra a terapia de choque neste caso, porque ela tem impressão de que se for dado 
um determinado número de tratamentos de choques, a mulher irá abortar. Por isso ela 
não permitirá terapia de choque neste caso. Existe alguma coisa que você possa fazer 
para ajudar esta paciente?” 
 Naturalmente, eu lembrei ao obstetra que eu não era médico, e que não era 
suposto trabalhar num hospital. Ele disse, “Dave isto é uma emergência e os 
psiquiatras pediram-me para o chamar. Está sendo dada a você, permissão para 
trabalhar com esta paciente no hospital sob minha direcção e dos psiquiatras. 
Estaremos aqui consigo” 
 Eu nem sabia se conseguiria ajudar a paciente, mas certamente estava disposto 
a tentar uma vez que isso seria feito sob supervisão medica. Foi-me mostrada a cédula 
relatório hospitalar da paciente; eu não entendi nada, mas o obstetra explicou-me o 
que os registos da cédula relatório revelavam. 
 Ele também apresentou-me á vários dos psiquiatras. Depois, o obstetra e um 
casal de psiquiatras levaram-me para dentro do quarto onde a paciente estava sentada 
 
19 
Hipnoterapia 
erecta na cama. Ela estava imóvel ao olhar fixamente a parede em frente, sem mover 
um músculo, e nem sequer virou a cabeça quando me aproximei da cama dela. 
 Fiquei em silêncio por um momento, sem saber o que fazer. Então disse para 
ela, “Você deve ter tido um enorme problema que lhe deixou assim num estado tão 
terrível “Ainda hoje lembro-me que foi tudo o que eu disse a ela, mas, disse-o com 
uma voz bastante complacente. Ela rodou lentamente a cabeça na minha direcção e 
disse, “Eu tenho.” Então começou a chorar. Perguntei-lhe “Você quer me dizer que 
problema é esse? Talvez eu possa ajudar.” Ela disse, “Eu não acho que alguém me 
possa ajudar” e simplesmente continuou a chorar. Eu disse, ”Se vocêsimplesmente 
seguir minhas instruções, talvez fique mais fácil para você falar e dizer-me o que é que 
lhe está a incomodar. Você estaria disposta a seguir as minhas instruções?” No meio 
de lágrimas, ela disse, ”Farei qualquer coisa se você puder ajudar-me.” 
 Coloquei-a em hipnose e depois obtive esta história surpreendente dela. 
Parecia que ela era a mãe de uma criança com três ou quatro anos. O marido dela era 
veterano da Segunda Guerra Mundial que trabalhava de noite, chegando á casa cerca 
das 2:00 de madrugada. Quando ele estava no exército tinha sido dado a ele uma 
licença muito curta antes de ser enviado para o exterior. E foi nessa noite que ela ficou 
grávida de sua primeira criança. O marido estava no exterior quando a criança nasceu. 
Depois que a guerra acabou e ele voltou para casa. Ele começou a provocar a esposa, 
dizendo “Você tem a certeza que que sou o pai?” Ele talvez tenha falado isso a zombar, 
mas a mulher nunca esteve certa se realmente estava a brincar ou se quis mesmo dizer 
o que disse. 
 Eles viveram felizes por muitos anos, durante os quais sempre que ele tivesse 
bebido trazia á tona o assunto outra vez. Então ela ficou grávida a segunda vez, e 
depois que se passaram alguns meses foi ao obstetra para confirmar a gravidez. 
Quando o obstetra disse que realmente estava grávida ela ficou muito feliz. Ela foi para 
casa com intenção de dar a boa noticia ao marido. Aguardando o marido em casa que 
vinha do trabalho às 2:00 AM, ela esperou por ele no entanto, ele apenas veio as 5:00 
da manhã. Ele tinha bebido e estava bastante alterado. Antes de falar da gravidez, ela 
perguntou-lhe sobre o que o teria ocupado até tão tarde, e ele respondeu-lhe,” Hoje 
fui ao médico e ele deu-me algumas notícias horríveis, O médico disse-me que eu não 
só era impotente mas também estéril.” 
 Agora a pobre mulher tinha um grande dilema. O que ele iria dizer acerca do 
segundo bebé? E foi quando ela ficou tão perturbada emocionalmente que baixou no 
hospital em estado catatónico. Com hipnose profunda, eu obtive os seus 
pensamentos. E eles eram algo como isso: “Se ele era impotente e estéril, como que 
diabos eu fiquei grávida? Ele é o único homem com quem estive. O que meu marido 
vai dizer quando descobrir que estou grávida?” O obstetra e eu fizemos o melhor para 
apazigua-la, dissemos que falaríamos com o marido dela. Quando a emergimos da 
hipnose ela já não estava catatónica, mas continuava uma mulher muito perturbada. O 
médico entrou em contacto com o marido dela, e nessa noite minha esposa, eu e o 
obstetra conhecemos o marido dela em casa do médico. O doutor questionou-o acerca 
da impotência e esterilidade, querendo saber que médico havia dado esse diagnóstico 
 
20 
Hipnoterapia 
e quando. O marido riu e disse, “Eu, não sou impotente nem estéril. Nenhum médico 
disse isso. Eu embebedei-me e estive fora até tarde e pensei que seria um álibi 
engraçado, então concebi isso a caminho de casa.” O médico e eu ficamos espantados. 
Então o médico lançou-se ao marido, e falou-lhe que esse tipo de coisas não era 
engraçado e dos danos que isso tinha sido. Nessa altura, o marido estava chateado e 
continuou a protestar dizendo que tinha estado a zombar da mesma maneira como 
havia troçado todos estes anos acerca do seu primeiro bebé, sabendo muito bem que 
o bebé era seu. 
 Então o médico disse, “Vou levar-lhe ao hospital e você vai contar a verdadeira 
história para sua esposa, e eu vou estar lá para o ouvir falar.” Resultado: A mulher 
ficou bem e mais tarde deu a luz um bebé saudável. 
 Este incidente ilustrou outro achado importante, tão importante como simples: 
Há momentos em que uma palavra gentil chegará melhor á um paciente, enquanto 
todas as outras formas de terapia falharam. 
 
 
 
21 
Hipnoterapia 
Capítulo 2: Por que é que eu comecei a ensinar hipnose 
 
 Ao escrever este livro, é meu anseio fazer mais do que entreter. É meu desejo 
ensinar, tornar conhecidos certos achados. Estou confiante de que os médicos entre 
vocês, após lerem acerca das minhas observações, testarão sua validade através da 
pesquisa clinica, e assim provarão a verdade das minhas teorias. Se eu conseguir ter 
você a considerar este livro como informativo, como texto digno de estudo, eu terei 
cumprido o meu propósito. Tenho frequentemente constatado que ensinar ─É a 
oferenda de perspectivas que permitem a um aluno assimilar, armazenar e usar 
conhecimento ─é melhor realizado pela narrativa das experiencias de professores. 
Pode bem ser, por conseguinte, para completar a sua introdução às minhas 
descobertas, recontando algumas das minhas mais recentes experiencias. Eu nunca 
contei a história completa de como aconteceu de eu voltar para a prática da hipnose 
depois de abandona-la durante a minha juventude por aquilo que foram razões 
socialmente estratégicas. Pois embora tenha desistido da hipnose aos catorze anos, eu 
fui estudar o assunto. A noite eu costumava ficar acordado analisar o que eu havia 
feito com hipnose. Eu perguntava-me porquê que eu tinha sido capaz de fazer 
acontecer certas coisas que aparentemente antes ninguém tinha pensado fazer. Eu 
ficava a imaginar o que tornou essas coisas bem-sucedidas 
 Foi mais ou menos nessa altura que tornei-me “viciado em palco” Sou 
extrovertido por natureza, e gosto do sentimento sensação de estar diante de 
audiência a fazer alguma coisa para surpreender as pessoas. Se eu não podia fazer com 
hipnose, de alguma forma eu iria fazer. E assim tornei-me performer. Sendo um 
amante da música, comecei a escrever canções que nunca se tornaram populares. 
Quando uma dessas canções foi finalmente aceite por W.C.Handy (músico de blues), 
vim para Nova Iorque a pensar que sobre a sua tutela eu poderia tornar-me num 
famoso escritor de canções. Eu iniciei a trabalhar com ele como promotor de canções, 
promovendo não só suas canções mas também as minhas. Casualmente, eu consegui 
um trabalho como escritor, performer artista e produtor de rádio para a CBS e em 
breve era bastante bem-sucedido. Não tinha de depender da hipnose para ganhar a 
vida, e não mencionei meu conhecimento para ninguém. Em 1937, eu concebi a ideia 
para um show de rádio chamado Dave Elman Hobby Lobby O sucesso do show foi 
instantâneo. Em 1941, eu mudei de patrocinadores. Colgate-Palmolive-Peet Company, 
compraram o show, e estávamos a fazer preparações para a primeira performance. O 
director do show disse-me, “Temos que fazer esse primeiro show sensacional. Qual era 
o Hobby mais sensacional que poderíamos colocar no ar?” Eu disse-lhe que tinha 
recebido há pouco uma carta de um tipógrafo de Filadélfia alegando que seu hobby 
era hipnotismo e que se ofereceu para ir ao ar e hipnotizar as pessoas que estariam 
sentadas noutra sala. “Se ele pode faze-lo,” comentou o director, “Ele fará um spot 
sensacional para o show da abertura.” 
 O homem chegou de Filadélfia, e eu coloquei-o nuns testes exaustivos. Este 
homem sabia muito do assunto hipnose, porém ele não se apercebeu que estava 
 
22 
Hipnoterapia 
sendo testado por alguém que também entendia do assunto. Ele cumpriu o teste 
lindamente, e eu estava consideravelmente impressionado por ele. A única coisa que 
me preocupava era que ele havia dito que levaria pelo menos entre três á seis minutos 
para cumprir o desafio, e eu senti que se ele levasse mais de três minutos haveria um 
spot terrivelmente aborrecido no show. Eu dei-lhe uma audição teste onde ele provou 
que conseguiria realizar o feito em três minutos. Isso incrementou consideravelmente 
o meu respeito por ele. Colocámo-lo no ar e a aceitação em todo país foi fantástica. Á 
performance ganhou o “premio Variety”, por ter sido o show de rádio mais dramático 
de 1941. Nessa altura minha esposa trabalhava como minha secretaria, e claro que 
observou o meu trabalho com o hipnotista. Ela disse-me “ Você mostrou ao hipnotista 
o que fazer, certo? Penso que você sabemuito mais sobre o assunto do que finge 
saber.” De repente o meu conhecimento tornou-se uma ajuda ao invés de um 
obstáculo. Daí em diante, ocasionalmente fazia demonstrações hipnóticas, para 
caridade ou por uma taxa nominal preço simbólico. 
 Um dia eu integrei hipnose num show para uma bem conhecida organização 
fraternal em Passaic, New Jersey. A demonstração foi muitíssimo bem-sucedida. 
Estavam lá muitos médicos nessa noite e alguns deles perguntaram se poderiam falar 
comigo. A essência da conversa foi no sentido de que estes homens haviam estudado 
hipnose e estavam a tentar usar isso na prática médica e odontológica, porém sem 
sucesso nenhum. Eles voluntariaram-se a informar que alguns dos meus sujeitos eram 
pacientes com quem eles haviam tentado e falhado alcançar o estado de hipnose. Eles 
perguntaram.” O que você sabe sobre hipnose que nós não sabemos?” Eu respondi, 
Aparentemente nós estudamos o assunto a partir de ângulos diferentes. Se vocês 
tivessem estudado como eu tive de estudar, vocês seriam tão bem-sucedidos como eu 
sou.” 
 Um dos médicos perguntou se eu estaria disposto a ensinar-lhes. Nunca tendo 
ensinado, eu estava relutante; não tinha a mais leve ideia do que eles deveriam 
aprender. Alguns médicos foram muito persistentes, e rápido descobri que sempre 
que eu fizesse uma aparição pública em New Jersey, um ou mais deles estavam no 
encontro. Eles procuravam-me e perguntavam, “ Quando é que vai começar a ensinar-
nos hipnose?” 
 Eu estava entre patrocinadores e tinha muito tempo em mãos. Fiquei a 
imaginar se conseguiria escrever um curso sobre o assunto que pudesse habilitar os 
médicos no uso de hipnose numa base profissional como eu usava. 
 Um destes médicos, um cirurgião oral que até já faleceu, disse-me um dia,”Sr. 
Elman, um grupo de dentistas em Newark, New Jersey, está estudando hipnose. 
Gostaria de lá ir apenas para ver o que está a ser ensinado a esses homens?” 
Acompanhei-o até a reunião aula e fiquei completamente estupefacto na má-
informação que estava a ser dada a estes homens sinceros. O professor era um bom 
cavalheiro e um professor sincero. Ele apenas não conhecia o assunto sobre qual 
estava a ensinar. Então agora, a má-informação é transmitida como evangelho em 
muitas palestras de hipnose. Se essa era a maneira como médicos e dentistas estavam 
a ser ensinados acerca do assunto, eu decidi que alguma coisa deveria ser feita. 
 
23 
Hipnoterapia 
 Fui para casa e preparei um curso de hipnose para as profissões de médico e 
odontologista o qual eu tenho ensinado desde então. 
 Pela procura do progresso da medicina, vamos pôr esse ensinamento em uso. 
Quando eu afirmo que toda agente tem sido colocada no limite da hipnose milhares de 
vezes e que toda a gente já se hipnotizou vezes e vezes sem ter conhecimento disso, a 
reacção é geralmente de consternação. Eu consigo entender a descrença que muita 
gente terá relativamente a esta afirmação, mas vamos analisar algumas manifestações 
simples de hipnose. Pegue atente na pessoa que é supersticiosa. Essa pessoa pode 
acreditar firmemente que Sexta-feira treze é azarada. Ela está tão firmemente convicta 
que Sexta-feira treze é azarada, que adiará acordos de negócios, ou compromissos de 
lazer para evitar que estes se tornem desastrosos. O senso comum diz-nos que Sexta-
feira treze é apenas igual a outro dia. Não há razão para a crença que esta data é 
diferente das outras. A pessoa que acredita que Sexta-feira treze é um dia azarado 
hipnotizou-se a si próprio, pois ele contornou a faculdade crítica da sua mente, isso é, 
o seu senso sentido de julgamento, e implantou, inconscientemente talvez, um 
processo de pensamento selectivo. A pessoa que leva um pé de coelho, acreditando 
ser um emblema símbolo da boa sorte, está na mesma categoria. Ela também, 
bypassou contornou o seu senso de julgamento e implantou o pensamento selectivo. 
 Outras manifestações simples da hipnose, feitas no pressuposto de que a 
hipnose é meramente um estado mental, incluído cada bypass contorno da faculdade 
crítica e a implantação do pensamento selectivo. Os exemplos são quase incontáveis. 
Em vários estados, está a ser feita uma tentativa para banir a prática para outros que 
não sejam da profissão médica. Tais leis serão uma tentativa para controlar o 
pensamento das pessoas. Mesmo que entrem em vigor, elas não podem aplicadas 
porque não se pode colocar fora da lei o que vai na mente das pessoas. Por exemplo, 
uma pessoa envolvida num acidente, sentindo dor, que se sugestiona de que não tem 
dor. Isso é definitivamente hipnose. Alguma lei pode prevenir proibir isso? Ninguém 
hipnotizou a vítima do acidente, mas ela se hipnotizou sozinha. Quem poderá impedi-
la? 
 Há também a ideia boba de que o uso da hipnose deveria ser restringido aos 
psiquiatras. Quem vai proibir o médico ou o dentista de dar aos seus pacientes 
sugestões de bem-estar? Ele pode fazer isso de forma excelente sem o óbvio uso da 
hipnose, mas mesmo assim ele estará usando hipnose, e quem eventualmente pode 
impedi-lo? Quando você tenta ilegalizar a hipnose, você está tentando impedir 
ilegalizar uma terapia tão eficaz como a inoculação hipodérmica estéril! Os médicos 
gabam-se do uso da injecção hipodérmica estéril em termos elogiosos. 
 Isto aplica-se até aos médicos que desconhecem a hipnose e eles insistem que 
não estão usando hipnose…No entanto a injecção hipodérmica estéril na verdade não 
contem qualquer medicamento real; é a própria sugestão do seu uso que ajuda o 
paciente e, ou a hipnose! “Em que mundo se pode ilegalizar os placebos? No entanto, 
ao ilegalizar a hipnose certamente deveremos incluir o placebo. 
 Você é uma daquelas pessoas que pensa que nunca foram hipnotizadas? 
Possivelmente nunca se “permitiu” a ser hipnotizado. Se sim, está a funcionar na mais 
 
24 
Hipnoterapia 
completa ilusão! Não existe pessoa viva de inteligência normal e acima de dois anos de 
idade que não tenha sido hipnotizada, e se está com idade mais avançada, então você 
tem sido hipnotizado muitas vezes! Se duvida disso, é porque você não sabe o que é a 
hipnose. 
 Alguma vez fechou os olhos e começou a sonhar? Talvez tenha visualizado 
algum acontecimento agradável prazeroso no qual você tenha participado há alguns 
anos atrás. Por exemplo, talvez tenha fechado os olhos e visualizado um local de férias 
adorável. Nessa sua lembrança você sabia muito bem que realmente não estava no 
lugar de férias, mas a cena era bastante vívida verídica aos olhos da sua mente. Se já 
fez isso, você não só se colocou no ponto inicial limiar de hipnose, bypassando 
contornando a sua faculdade crítica ─mas se disse para si “é mesmo como se 
realmente estivesse aí agora neste momento” e colocou-se mentalmente naquele 
sitio─ você estava hipnotizado! Não só bypassou contornou a sua faculdade crítica mas 
implantou o pensamento selectivo! Todo mundo provavelmente fez isso uma e outra 
vez. As vezes que os sonhos foram tão surpreendentes, que você se despertou. Você 
nem se apercebeu, mas também isso era hipnose! Você sabia que o sonho não era 
real, ainda assim pareceu bem real para si. Se enquanto você estivesse a dormir e a 
sonhar, e alguém lhe dissesse, “Agora você não vai sentir nada” você iria aceitar a 
sugestão e ficaria completamente anestesiado. Se estiver disposto a testar esta 
afirmação, ficará espantado, porque a experiencia será muito bem-sucedida. Muitos 
médicos que são adeptos do uso de hipnose, têm usado esta técnica simplificada e 
têm reportado ser bem-sucedidos com ela. Contudo tenha a certeza, que quando o 
teste for feito o paciente dorme profundamente, e que as palavras não o despertam 
do sono. 
 Quando uma pessoa rejeita resiste a hipnose, quer dizer simplesmente que ela 
recusou o bypass contorno da sua faculdade crítica e desse modo faz com que seja 
impossível a implantação do pensamento selectivo! Não significa que ela não possa ser 
hipnotizada,ou que não será hipnotizada, mas simplesmente que recusou seguir as 
instruções! Se ela seguir verdadeiramente a instruções dadas, a hipnose é possível 
para ela tal como é para todos. Irá descobrir algumas vezes que a indução da hipnose 
anexada ligada ao sono é mais rápida e mais fácil que a indução quando o sujeito está 
acordado. Isso é porque o sujeito está “pré-relaxado” quando você começa! As 
técnicas, e as possibilidades, da hipnose anexada ligada ao sono, serão detalhadas num 
do capítulo com esse título. Mas é importante, entretanto, que tenha em mente os 
factos delineados acima, e como eles terão incidência nos seus estudos mais a frente. 
 
 
25 
Hipnoterapia 
Capítulo 3: Como estudar hipnose 
 
 Eu iniciei meus ensinamentos com uma palestra: “Como estudar hipnose” Aqui 
está o que eu digo a cada Médico: Se você decidir levar este assunto para frente, você 
estará a dar do seu tempo e do seu esforço para aprender como usar uma ferramenta 
que pode ser de valor inestimável para si e para sua prática profissão! Você poderá 
aprender a usa-la correctamente se seguir as instruções…Primeiro e acima de tudo, 
faça o seu trabalho de casa! Fazendo-o não estará a jogar fora, o seu precioso tempo 
do escritório e de horas do hospital. Ao invés, isto dar-lhe-á tempo extra para 
incrementar a sua prática profissão e as suas horas de lazer, porque você estará 
habilitado a fazer mais em menos tempo com cada paciente. Portanto, assim que 
começar a praticar, limite o tempo de indução em um minuto para cada paciente. 
Quando você leva mais de um minuto para introduzir levar o sujeito ao relaxamento e 
ganhar alcançar o estado hipnótico, você está a perder tempo! É minha convicção que 
se a hipnose é para ter um lugar respeitável na medicina e ortodontia, deverá estar 
disponível ao médico quase instantaneamente! Se ele não poder usar hipnose numa 
base mais ou menos instantânea, então não tem valor prático na maioria dos 
consultórios médicos! É raro o médico que pode dar-se ao luxo em gastar de três 
minutos a duas horas na duvidosa assunção, de que talvez seja capaz de ser bem-
sucedido em obter hipnose, se continuar a tentar o tempo suficiente. Então, no início 
use um minuto para cada paciente, mas um minuto apenas! Não leve gaste mais 
tempo que isso, e você nem deverá precisar esse minuto inteiro para alcançar o estado 
hipnótico. 
 Por outro lado, não espere ter resultados perfeitos desde o princípio. Se você 
tem excelentes resultados nas suas primeiras tentativas, você está no entanto próximo 
de falhar embora mais tarde 
 O melhor aluno é aquele que tem uma combinação de sucesso e de falhas 
enquanto aprende. É minha firme convicção, que neste assunto você aprende mais 
com as suas falhas do que com os seus sucessos! Se as suas primeiras dez tentativas 
forem bem-sucedidas e depois você falhar, isso poderá ser um duro golpe para o seu 
ego. Depois de uma experiência destas, um médico frequentemente encontra 
dificuldade para continuar a melhorar a sua técnica. Mas se você falha as primeiras 
duas ou três vezes e depois é bem-sucedido, e depois talvez falha outra vez, e 
consegue duas vezes e depois falha outra, e depois é bem-sucedido três, quatro ou 
cinco vezes, depois você chegará ao ponto onde não falha de todo. Você tornar-se-á 
um bom estudante. O homem que falha algumas vezes entre essas dez tentativas, vai 
progredir bem porque vai descobrir o que fez de errado! Se as instruções forem 
seguidas; ele tornar-se-á hábil em pouco tempo! 
 A Falha em obter o estado hipnótico durante as primeiras tentativas é causada 
frequentemente por falta de confiança. O remédio…Tente outra vez! A medida que 
seus estudos continuam, e você aprende novos métodos, experimente cada novo 
método ensinado. 
 
26 
Hipnoterapia 
 Não deixe que se forme o mau hábito de usar somente uma técnica. Há muitas 
mais para escolher. Conforme vai avançando, seleccione aquelas técnicas que pareçam 
mais naturais para si e que obtenham o estado hipnótico rapidamente e mais 
profundamente! Ocasionalmente, um médico irá dizer na segunda ou até na terceira 
sessão, ”Não Sr. Elman, ainda não comecei a praticar. Estou a espera de aprender mais 
sobre o assunto. Esta é a falsa desculpa mais usada no mundo, para a preguiça ou 
timidez, e o seu professor sabe disso. Você apenas pode aprender mais sobre o 
assunto, começando do início! Não pode começar do meio e ir nas duas direcções… 
 É impossível! 
 De cada vez que você se esforça para induzir o estado hipnótico em alguém, 
você está a adicionar conhecimento. Enquanto os estudantes tímidos ficam a espera 
para aprenderem mais, os seus colegas vão avançando rapidamente, aprendendo mais 
e mais acerca do assunto hipnose colocando em prática o que eles têm aprendido em 
cada uma das aulas, junto com o que aprenderam antes nos seus consultórios e no 
hospital. Cada paciente com quem você trabalha apresenta uma nova experiência, 
uma oportunidade para observar reacções individuais, uma possibilidade de corrigir os 
erros falhas que foi conseguindo detectar em induções anteriores. E o homem que 
aprende pela combinação de instrução e experiencia ─por outras palavras praticando─ 
alcança um sucesso muito maior que o homem que tenta aprender somente pela 
teoria! 
 Há já alguns anos passados, um dos meus médicos estudantes foi ─para falar 
carinhosamente─ um praticante hesitante vacilante. Apesar dos meus avisos acerca 
dessa armadilha, ele continuou a adiar qualquer tentativa de colocar os meus 
ensinamentos em prática. Finalmente, durante a nona aula ele disse, “Sr. Elman, tenho 
um anúncio importante a fazer. Esta semana hipnotizei duas pessoas.” Por essa altura, 
cada homem na sala provavelmente já tinha hipnotizado algumas cem pessoas. E este 
homem ainda tinha de cometer os erros que eles já não cometeriam! 
 Há certas coisas que você não deverá fazer, pelo menos no início. Depois de se 
passarem três ou quatro semanas, você pode esquecer estes nãos: Não tente 
hipnotizar sua esposa, os membros da sua família, ou amigos que conheça 
socialmente; estas pessoas sabem que você é estudante de hipnose e instintivamente 
colocar-lhe-ão objecções em tornarem-se suas cobaias. Não tente hipnotizar pessoas 
que o “desafiem” para coloca-las no estado hipnótico; hipnose é um estado de 
consentimento, e obviamente, a pessoa que o desafia não consente. Não tente 
provar o valor da hipnose a um céptico; neste estágio inicial você irá argumentar 
numa posição de fragilidade. Mais tarde, quando já souber o suficiente sobre 
hipnose, você já poderá debater de uma posição de força. 
 É muito importante também, que você não trate do assunto da hipnose como 
brincadeira ou jogo de sala. Hipnose é um estudo científico quando é correctamente 
conduzida, e se você respeitar a hipnose como deve ser, você não a usará para truques 
de salão. Ela tem um enorme valor na medicina, deverá conceber usar dessa forma 
para que vocês ─e seus pacientes─ obtenham o máximo de benefícios dela. 
 
27 
Hipnoterapia 
 Isso penso eu que é muito importante também: Não se precipite! Neste livro 
irei explicar as técnicas certas para usar tal como faço actualmente nas aulas. Não salte 
lições aulas nem tente técnicas mais avançadas. Não tente nenhum procedimento até 
que o tenha digerido completamente, não somente do texto mas preferencialmente 
com um professor capacitado. Pratique o que lhe tem sido ensinado em cada lição. 
Não vá depressa, e aprenderá mais de cada lição. Todas as fases do assunto estão 
tratadas de forma adequada para que você possa absorvê-las. Se você tentar passar a 
frente, estará no limite de incorrer em coisas que o deixarão perplexo e mistificado 
confundido. Como essas coisas foram abrangidas e explicadas, a perplexidade sai, e 
você entenderá mais integralmente o assunto e estará preparado para aquelas 
reacções que requerem um profundo conhecimento dareacção humana ao poder da 
sugestão. 
 Uma vez na segunda sessão, perguntei aos meus estudantes pelos seus 
relatórios e toda a gente entregou-me o relatório excepto um homem. 
 “Eu não redigi o meu trabalho de casa”, disse ele. ”Mas tenho um relato 
maravilhoso para fazer. Esta semana fui bem-sucedido em usar exclusivamente a 
hipnose no parto de uma mulher, funcionou lindamente! Perfeitamente, tive cem por 
cento de sucesso com isso!” 
 Penso que ele esperava uma ovação. Mas ao invés ele ouviu estas palavras: 
Doutor, eu lamento imenso o que você fez. Com o seu conhecimento actual 
inadequado, se você teve um sucesso perfeito, isso foi um completo acidente. Você 
nem sabe porque teve sucesso, e quando tentar de novo irá falhar, porque você não 
tem conhecimento suficiente, para, nesta altura cuidar de uma mulher durante o 
parto. Depois você vai tentar uma terceira vez e falha, e por essa altura já você tentou 
quatro vezes e falhou, então você decidirá depois que a hipnose não é confiável e você 
não se fará um bom aluno de todo. Por outro lado, se você for seguindo o curso, 
quando eu lhe disser que agora está suficientemente bem equipado para fazer um 
parto, então você estará habilitado em ajudar, até certa medida pelo menos, toda a 
mulher que entre na sala de parto.” 
 A hipnose pode ser usada em todos os pacientes que chegarem ao seu 
consultório, se não for por outra razão, que seja para relaxar o paciente. 
 Não existe quem não beneficie do relaxamento, e até que você tenha 
aprendido a ir mais longe no assunto, o seu paciente deve ser ensinado dos benefícios 
do relaxamento e do alívio da ansiedade. 
 Quando você começar a praticar, esforce-se para obter o estado de 
relaxamento em pelo menos dez dos seus pacientes, usando a abordagem do 
relaxamento e a “técnica do aperto de mão”. Enquanto faz isso, procure e identifique 
os sinais de hipnose. A hipnose dá tem cinco sinais. 
 Esses sinais são subtis ténues, diminutos…que se não souberem o que procurar, 
os sinais poderão estar lá todos, sem que você descubra ao menos um deles. Contudo 
quando você aprende a hipnose você pode apontar distinguir todos os cinco a primeira 
vista. Aqui estão os cinco sinais da hipnose, cada um dos quais você tem que observar 
cuidadosamente: 1─Aumento do calor corporal, 2─Tremor das pálpebras, 3─Aumento 
 
28 
Hipnoterapia 
da lacrimação, 4─Os brancos dos olhos ficam rosados ou avermelhados, 5─Globos 
oculares revirados para cima dentro. Iremos a mais detalhes referentes a estes sinais, 
num capítulo mais adiante. Por ora, é simplesmente importante para você os ter em 
mente e memoriza-los assim será mais rápido reconhece-los quando eles ocorrerem. 
 Um mau hábito pode mante-lo afastado de ser um perito e deixá-lo-á longe de 
ser um bom estudante. Comece a praticar a contenção metódica, eu avisei momentos 
atrás para não saltar passar a frente. 
 
 
29 
Hipnoterapia 
Capítulo 4: Factos interessantes sobre hipnose 
 
 Tendo em vista os inúmeros volumes que têm sido escritos acerca da história 
da hipnose, seria inútil para mim, tentar uma aula de história neste livro. No entanto 
alguns destaques apontamentos históricos que têm tido efeito no ensino e 
aprendizagem do que faz a hipnose, têm um lugar aqui. 
 Algumas centenas de anos atrás, um médico Vienense chamado F. A. Mesmer, 
viu um mágico de rua a actuar com uma pedra-ímã magnetites ou magnetos. O 
mágico declarou que conseguia fazer com que um espectador cumprisse as suas 
ordens tocando-o com um desses magnetos. E ele realizou uma demonstração 
provando que de facto conseguia fazer isso. O segredo era o poder da sugestão, 
claro. Mesmer acreditou que os imãs realmente tinham um poder próprio, no entanto, 
e fora desta crença, ele desenvolveu a sua teoria do magnetismo. A boa saúde, 
segundo ele, dependia da direcção do fluxo magnético, o qual poderia facilmente ser 
revertido. De uma só vez três mil pacientes por dia imploravam para vê-lo, e por forma 
a acomoda-los a todos ele teve que mudar a sua técnica. A sua primeira técnica foi 
colocar uma banheira no meio de uma enorme sala, da qual sobressaiam um número 
do que se chamavam “varas-magnéticas”. As pessoas sentavam a volta da banheira, 
agarradas a essa varas-magnéticas e acreditavam de que o fluxo magnético seria 
corrigido, cumprindo assim uma cura. Era o poder da sugestão a trabalhar. Era 
impossível acomodar três mil pacientes por dia a volta dessas banheiras e então ele foi 
para o quintal, tocou numa árvore com a sua chamada vara-magnética e apregoou que 
a árvore estava a ser magnetizada. Agora, tudo o que as pessoas tinham de fazer era 
tocar na árvore magnetizada e elas seriam miraculosamente curadas de seus males. 
 Era o poder da sugestão outra vez a trabalhar. Quando Benjamim Franklin 
estava em França, ele assistiu uma demonstração e proferiu este veredicto: “Se de 
alguma forma essas pessoas ficam bem, elas parecem ficar bem pelas suas próprias 
fantasias” ─Evidentemente, Franklin era entendido em alguma coisa de sintomas 
histéricos e psicologia de massas─. Depois disso, o mesmerismo sofreu uma decisiva 
queda de popularidade. Porém pacientes em óbvio estado hipnótico ─ou mesmérico─ 
já tinham sido observados, e muitos médicos, tinham estudado o mesmerismo em 
segredo. Um desses foi um médico Britânico chamado James Braid. Acidentalmente 
um paciente de Braid entrou no primeiro estágio fase de mesmerismo enquanto 
olhava fixamente para uma luz, enquanto esperava para iniciar um exame ocular. 
Por causa do desprezo em que o mesmerismo havia sido deixado ─a data foi 1840─, 
Braid cunhou um novo termo ─Hipnotismo─ derivado da palavra grega para sono. E 
ele publicou um artigo acerca de obter hipnotismo através da fixação. Esse artigo foi 
publicado em 165 diferentes línguas e dialectos. 
 O incidente importante a seguir envolveu J.M.Charcot um recém-formado 
psiquiatra cujos ensinamentos influenciaram Freud. Após assistir a demonstrações 
hipnóticas realizadas por um muito pobre operador em três pacientes psicóticos, 
Charcot ─que usualmente era brilhante pensador─ chegou á conclusão que a hipnose 
 
30 
Hipnoterapia 
era bem-sucedida apenas com pacientes psicóticos ou pré-psicóticos. Para provar a 
sua teoria, ele fez demonstrações para médicos usando psicóticos. Essas 
demonstrações tornaram-se tão populares que começaram a ser frequentadas por 
multidões de leigos…e pelo menos um artista hipnotista de palco acreditava que 
poderia ser feita a mesma coisa com gente sã e provou-o adaptando a técnica para 
uso próprio. O método de fixação de Braid e seus derivativos ─monotonia, ritmo, 
imitação e levitação─ continuam a ser usados. O Resultado era, grande sucesso para 
artistas hipnotistas de palco, e frequentes falhanços para os médicos. O artista tinha 
a oportunidade de praticar em milhares de pessoas, com a vantagem de que as luzes 
do palco o ajudavam a aplicar usar fixação. O médico tinha um paciente por vez, 
técnicas demoradas e a suspeita de que todo o negócio poderia vir a ser um absurdo. 
 Esses incidentes históricos levaram á duas condições deploráveis do ensino da 
hipnose de hoje. Primeira: até os textos relativamente modernos, insistem que a única 
técnica confiável é a fixação. Segunda: têm insistido que a fixação requer algures entre 
três minutos á duas horas para indução, e que os artistas hipnotistas de palco que 
conseguem mais rápido que isso estão a fingir. Como você pode ver, nenhuma dessas 
crenças é verdadeira. 
 
 
 
31 
Hipnoterapia 
Capítulo 5: Técnica do aperto-de-mão 
 
 Comecemos com a técnica do aperto-de-mão. Quando eu era um principiante 
em hipnose, a minha técnica era caminhar até ao sujeito e dizer: “Eu vou abanar 
apertar sua mão três vezes. Na primeira vez, os seus olhos vão ficar cansados…deixe-
os cansar. Na segunda vez eles quererão fechar…deixe-os fechar. Na terceira vez, 
eles vão colar cerrar e você não iráser capaz de os abrir…Queira que isso aconteça, e 
observe isso a acontecer…Agora, um…dois…agora feche os olhos…agora três…e eles 
estão colados cerrados e você sente que eles não irão funcionar, pouco interessa o 
quanto você tente. Quanto mais forte você tenta menos eles irão funcionar. Teste-os, 
e descubra que eles não funcionam de todo…isso mesmo. Ora, é isso o perfeito 
fechamento dos olhos” 
 Eu costumava pensar que isso era hipnose. Mais tarde, apercebi-me que isso 
era simplesmente a fresta fenda de abertura para dentro da hipnose, e isso é uma 
descoberta importante, como irá ver. 
 Assim que aprendi como cansar rapidamente os olhos de uma pessoa, a minha 
técnica melhorou até ao ponto onde eu estava a ter aproximadamente nove em dez 
sucessos, em vez de cinco em dez. Eu passaria a apertar a mão de uma pessoa e 
colocaria a minha outra mão em frente a testa, com o dedo mínimo da mão esquerda 
próximo de sua face. Então diria, “ Mantenha os seus olhos na minha mão a medida 
que a trago para baixo até ao seu queixo “ então eu trazia a minha mão ao longo do 
perfil da sua face até que ficasse abaixo do seu queixo.” Agora, feche os seus olhos e 
relaxe os músculos a volta dos seus olhos, relaxe-os até ao ponto onde eles deixarão 
de funcionar. Quando você tiver a certeza de que eles não funcionam, teste-os.” Por 
este simples engenho você terá um excelente fechamento dos olhos. 
 Aquele de vocês que já estiveram em outros cursos de hipnose foi-vos dito que 
uma vez que tenham o fechamento dos olhos, vocês terão obtido a hipnose, e podem 
avançar a partir daí. O facto da questão é que só por causa de obter o fechamento dos 
olhos, você não tem necessariamente a hipnose. È por isso que muitos novatos 
aprendizes são malsucedidos. Eles não entendem que é preciso mais do que o 
fechamento dos olhos para se estabelecer a hipnose. A maioria dos manuais, e por que 
eles se baseiam na incorrecta assunção presunção acerca de tal fundamento, perdem-
se aqui. 
 Se você tivesse que ler um cento de livros de hipnose, tentando encontrar uma 
definição para o assunto, você ficaria completamente confuso porque descobriria que 
cada autor ─incluindo doutores─ tem uma definição em desacordo com todos os 
outros. 
 Essa é uma situação muito parecida com a de três homens cegos a quem foi 
pedido para descreverem um elefante. Tal como os homens cegos, cada autor 
descreve apenas aquilo em que tocou, e descreve-o de um ponto de vista diferente. 
Nenhum viu o “elefante hipnose” como na realidade é, ainda assim cada um deles tem 
a certeza de que está correcto. A maioria deles concordam que a hipnose é um estado 
 
32 
Hipnoterapia 
de alta sugestibilidade, mas depois eles começaram a discordar indo em todas as 
direcções. A maioria deles começa com as palavras: ”Hipnose é uma condição na 
qual…” e uma vez que a hipnose não é uma “condição” o seus achados resultados 
estão limitados a ser imprecisos. 
 Uma das primeiras coisas que eu descobri foi que a hipnose é um estado 
mental. Agora qual é a diferença entre uma condição e um estado mental? 
 Em primeiro lugar você não está numa condição hipnótica enquanto você lê 
estas palavras. Se eu quisesse coloca-lo na chamada condição hipnótica, eu teria que 
mudar alterar a sua presente condição. Não são muitas as pessoas que desejam ter a 
sua condição alterada. Uma questão de semântica talvez, mas, uma importante, uma 
vez que o estado mental, ao contrário da sua condição, facilmente e frequentemente 
muda. O estado mental hipnótico pode ser obtido instantaneamente, para um estado 
mental é meramente um “modo” e eu mantenho que a hipnose é meramente um 
modo! A sua condição provavelmente não terá mudado hoje, mas quantos “modos” 
terá tido desde que você se levantou esta manhã? 
 Eu gostaria de lhe dar uma definição axiomática que irá levantar-se para um 
cuidadoso exame clínico: “Hipnose é um estado mental no qual a faculdade crítica do 
ser humano é bypassada contornada, e o pensamento selectivo é estabelecido.” A 
faculdade crítica da sua mente é a aquela parte onde passa o “julgamento”! Que 
distingue os conceitos entre quente e frio, doce e salgado, grande e pequeno, escuro 
e claro. Se nós conseguirmos bypassar contornar esta faculdade crítica de tal 
maneira que você não distinga mais entre calor e frio, doce e salgado, nós podemos 
substituir o pensamento selectivo por tomada de decisão convencional. 
 Praticamente todos os manuais declaram que se você deseja obter hipnose, 
primeiro deve obter o fechamento dos olhos, e esse fechamento dos olhos usualmente 
pode ser obtido pelos chamados métodos de fixação, monotonia, ritmo, imitação ou 
levitação. Vou mostrar uma maneira simples de bypassar contornar a sua faculdade 
crítica, e obter o fechamento dos olhos sem esses métodos. Feche os olhos e faça de 
conta que não os consegue abrir. Continue fazendo de conta, e enquanto você finge, 
tente abrir os seus olhos. Você vai descobrir que isso é impossível se você estiver 
fortemente concentrado no faz de conta. Ora, você sabe muito bem que é capaz de 
abrir os olhos, em qualquer altura você podia mudar de ideia e parar de fazer de conta. 
 Todo o tempo, você estava a fazer de conta que não conseguia abrir os olhos, 
relativamente a essa acção em particular, o seu senso de julgamento foi 
completamente suspenso! Você teve o mesmo fechamento dos olhos que teria se 
tivesse usado as técnicas de fixação, monotonia, imitação ou levitação. Isso pode ser 
feito instantaneamente! 
 Mas isso quer dizer que você foi hipnotizado? De facto não foi. Isso foi 
meramente a fenda fresta de entrada, e a hipnose não é obtida até o pensamento 
selectivo estar firmemente estabelecido. 
 Pensamento selectivo é qualquer coisa que você acredita de todo o coração 
profundamente. Por exemplo, se você é levado a acreditar de que não sentirá dor e 
acreditar completamente, você não terá dor. Deixe a mais leve dúvida entrar e o 
 
33 
Hipnoterapia 
pensamento selectivo desvanece, e a faculdade crítica já não será contornada. Você 
sentirá dor num nível normal. O pensamento selectivo desvanece não apenas quando 
a dúvida entra em cena mas também quando o medo o faz. 
 Quando uma mulher dá a luz sob sugestão hipnótica como agente anestésico, 
ela não sente dor. No entanto médicos, enfermeiros ou qualquer assistente devem 
abster-se de fazer afirmações infelizes, por exemplo: “A dor deve ser muito forte 
agora” ela vai sentir a dor fortemente e perder o efeito da anestesia hipnótica! A 
introdução do medo causa uma reacção defensiva que trás a faculdade crítica de volta 
ao foco. 
 Agora voltemos ao faz de conta do fechamento do olhos. Se eu dissesse, ”Feche 
os olhos e faça de conta que você não os consegue abrir,” e você seguisse as 
instruções, a sua faculdade crítica seria bypassada contornada, mas eu teria que ir 
mais longe para conseguir hipnose. Também teria que estabelecer firmemente o 
pensamento selectivo. Portanto eu diria: “E enquanto você continuar a fazer de 
conta que não consegue abrir os olhos, não sentirá nada. Nada o incomodará, não 
importa nem interessa o que o médico faça." Se eu disser isso de forma 
suficientemente convincente, e você acreditar completamente, eu tenho 
estabelecido o pensamento selectivo enquanto a sua faculdade crítica está 
inoperante, e o resultado é a anestesia completa geral! O entendimento deste 
simples processo permite-me frequentemente ficar perante uma grande audiência de 
médicos e fazer este desafio “ Quero que um dos doutores venha para esta cadeira, e 
quero que esse doutor seja o maior céptico desta sala. Eu não o vou hipnotizar. Vou 
deixa-lo hipnotizar-se, e ao faze-lo, vou provar para ele o valor da hipnose!” 
 Isso normalmente traz a tona um céptico ─alguém que acredita que a hipnose 
não tem valor e não tem lugar na medicina ou na odontologia─. 
 Ele senta na cadeira e depois eu pergunto, “Qual é o seu jogo favorito oudesporto favorito?” Ele responde e eu depois digo-lhe, ”Tudo o que eu quero que você 
faça é que feche os olhos e visualize-se activamente empenhado nesse desporto.” 
Vamos dizer para exemplo que o desporto é nadar. 
 Então eu digo a ele, “Você consegue ver-se a nadar?” Quando ele diz “Sim” Eu 
digo-lhe que enquanto ele continuar a ver-se nadar, nada do que se fizer o irá 
incomodar.” Nesta altura eu apelo para um dos médicos da audiência, ─de preferência 
um dentista─ para que traga uma sonda dental esterilizada e faça um teste severo 
duro ao médico que pensa que a hipnose não tem valor na medicina ou na 
odontologia. O homem na cadeira apercebe-se para seu espanto, que esteve 
completamente anestesiado. A maioria daqueles que se submetem a este teste, 
levantam-se espantados e dizem: “Não foi feito nenhum teste real em mim. Eu não 
senti nada.” Todos os doutores médicos na sala sabem que ele foi submetido a um 
teste severo. Ambos os médicos participantes, são membros da comunidade e esta 
demonstração não pode ser manipulada de qualquer forma. 
 Porquê que isso funciona? Porque quando o homem visualiza a si mesmo a 
nadar, ele não esta realmente a nadar, ele está meramente a bypassar contornar a 
 
34 
Hipnoterapia 
sua faculdade crítica; e quando eu adiciono as palavras, ”Enquanto você continuar a 
nadar, você não vai sentir nada,” 
 Eu estabeleço o pensamento selectivo. Os dois passos foram feitos tão 
habilmente que ele nem se apercebeu que estava submetido ao pensamento 
selectivo. 
 A realização destes dois passos podem se feitos instantaneamente, e 
efectivamente é talvez a chave do porquê é que os meus estudantes têm mostrado 
avanços, rápida e consistentemente e têm sido extraordinariamente bem-sucedidos no 
uso da hipnose. Foi sempre minha afirmação intenção de que se a hipnose está a 
caminhar para ser um valor em vários ramos da medicina, tem que estar disponível ao 
médico de forma instantânea. A fixação, monotonia, ritmo, imitação e levitação têm 
provado serem falíveis desde o ano 1840. Nenhuma decisão por qualquer dos grupos 
dos homens da medicina as vai tornar de repente confiáveis. O médico quer a hipnose 
aqui e agora, e se não estiver disponível aqui e agora ele rapidamente vai descartar 
qualquer tentativa de a usar. É por isso que eu sublinho acentuo a importância da 
indução rápida. Quando os médicos descartarem as técnicas falíveis e aprenderem a 
hipnose num nível científico, ela irá alcançar o seu próprio estatuto medico. Será 
ensinada como curso obrigatório nas escolas de medicina por todo mundo. E será 
ensinada cuidadosamente e minuciosamente como qualquer outro item do 
curriculum. Muitos médicos perguntam porque é que me oponho tão veementemente 
aos “curso de três dias” de hipnose. Eu tenho estudado o assunto hipnose desde há 
muitos anos, e ainda hoje, eu consigo aprender coisas novas sobre isso. Há muitas 
mais pesquisas para serem feitas, e é fervorosa a minha esperança de que, o que eu 
tenho para falar irá estimular o prosseguimento de investigações. Se um homem que 
já estudou hipnose mais de meio século não está em posição de dizer que sabe tudo, 
como pode um homem que apenas estudou três dias pensar que sabe o suficiente 
sobre o assunto hipnose para usa-la como ferramenta médica á ser empregue no 
tratamento dos seus pacientes? 
 Tendo já mencionado alguns factos e falacias acerca do aperto-de-mão, 
fechamento dos olhos, fixação, e o estudo da hipnose em geral; eu quero explicar uma 
técnica básica para o aprimoramento da indução rápida. Esta técnica é simplesmente a 
aplicação apropriada do aperto-de-mão, acoplada com o reconhecimento dos cincos 
sinais da hipnose. Ao mesmo tempo, vamos ponderar na importância ─e facilidade─ da 
auto-sugestão. Existem vários bons motivos do por quê que a técnica do aperto-de-
mão é particularmente valiosa para o médico iniciante no estudo da hipnose científica. 
A primeira razão é que isso possibilita o operador de observar de perto a pessoa em 
quem ele está trabalhando. A observação é um das partes mais importantes dos 
estudos. Outra razão é que o aperto-de-mão é um gesto de amizade. Isso cria o 
rapport imediato o qual é essencial. Você já sabe que trazendo a mão esquerda 
descendo pelo perfil da face do paciente é uma técnica para cansar rapidamente os 
olhos, e por conseguinte você continua a usar a técnica de fixação. A mão direita 
contém o primeiro sinal da hipnose, e no aperto das mãos você encontra o primeiro 
deles, calor corporal. O aluno adiantado, e usualmente até o operador inexperiente 
 
35 
Hipnoterapia 
conseguem dizer imediatamente do aperto de mãos, se o paciente está ou não 
receptivo á sugestão. Uma mão fria diz que a pessoa está fria para o assunto, uma 
quente, húmida mão diz que o paciente está passível de resistir. Uma mão morna diz-
lhe que você deverá ser bem-sucedido imediatamente. 
 Um cirurgião ortopédico de nome Eugene H. Reading disse-me há muitos anos 
atrás de que ele foi capaz de descobrir algo ainda mais valioso no uso da técnica do 
aperto-de-mãos. Ele afirma que o seu estudo de hipnose, permitiu-lhe aprender que o 
pulso radial frequentemente torna-se imperceptível assim que o paciente entra em 
hipnose. É muito fácil testar o pulso pulsação radial quando se usa a técnica de aperto-
de-mão. Este achado do Doutor Reading, é muito importante, e eu não acredito que 
você vá encontrar isso mencionado em algum dos manuais. Apesar do meu estudo 
intenso de hipnose e a leitura de inúmeros livros, não encontrei pistas de que alguém 
tivesse mencionado isso antes. Você tem liberdade de testar este sinal e aprender por 
si mesmo se as conclusões do Doutor Reading constituem ou não um valioso progresso 
na pesquisa ainda necessária no assunto da hipnose. 
 Vamos agora discutir os outros sinais da hipnose, os quais podem ser 
observados quando você usa a técnica do aperto-de-mão. Na adição do calor 
temperatura corporal você deverá ver a tremura das pálpebras, e o aumento da 
lacrimação, o branco dos olhos a ficar vermelho, e em muitas pessoas os globos 
oculares revirando para cima na cabeça. O estudante astuto que falhar em ver pelo 
menos um destes sinais, não se aventurará mais profundo com o paciente nessa 
sessão. 
 Existe outro grupo de sinais frequentemente mencionados nos manuais 
erroneamente. Eles somente ocorrem quando o medo é gerado no paciente pela 
percepção de que a hipnose está sendo usada, e apenas se o paciente tem medo da 
hipnose! Repare como esses sinais complementam a síndrome do medo. Eles são: 
pulso rápido, aumento dos batimentos cardíacos, e respiração acelerada. 
 Estes sinais podem ser observados numa pessoa que tenha medo de qualquer 
coisa, e portanto não são sinais hipnóticos. Verdadeiros sinais hipnóticos não podem 
ser imitados, modelados ou fingidos! Por exemplo você não consegue imitar ou fingir 
temperatura corporal; ela tem que estar lá. Você não consegue imitar a tremura das 
pálpebras. Experimente você mesmo e repare como após um segundo ou dois as 
pálpebras não tremem mais. Em hipnose quase que constantemente ocorre a tremura 
das pálpebras enquanto se procede a indução. Existem muito poucas pessoas que 
conseguem lagrimar por vontade, ninguém consegue por vontade causar o avermelhar 
do branco dos olhos. Tente fazer os seus glóbulos oculares virarem para cima da 
cabeça. Vai descobrir que é difícil de o fazer, mas com hipnose em muitos casos os 
olhos viram para cima e para dentro da cabeça! 
 Antes de discutirmos outras técnicas, eu penso que é importante para a pessoa 
que quer estudar hipnose adequadamente, saber do assunto da auto-sugestão. A 
maioria das autoridades concorda que toda a hipnose é auto-hipnose e a auto-hipnose 
é auto-sugestão, pois então quando eu te ensino a auto-sugestão eu estou na 
realidade a ensinar como hipnotizar a si próprio. Se você consegue obter esses efeitos 
 
36 
Hipnoterapia 
com outras pessoas,certamente você deveria ser capaz de os obter para si mesmo. 
Por exemplo, se eu tiver que fazer um tratamento doloroso, dentário ou médico, eu 
não deixo que o médico use anestesia. Eu digo-lhe “Doutor, eu consigo anestesiar-me 
sozinho. Na realidade eu consigo melhor anestesia do que a que você me consegue 
dar.” E prossigo imediatamente dando-me a auto-sugestão e tenho anestesia completa 
geral. Eu tive seis cavidades gengivais preparadas e cheias sob auto-sugestão. Os 
dentistas terão de concordar que as cavidades gengivais são usualmente 
perturbadoras, e eu nem senti o trabalho a ser feito. Já tive um aumento quisto 
removido da minha face que o médico pensou que poderia ser maligno, e ele queria 
que fosse feita uma biopsia. Ele disse-me “Eu tenho que ir muito, muito fundo com 
isso, então é melhor você ser anestesiado.” Eu disse,” Não doutor, eu posso dar a mim 
próprio, melhor anestesia do que você possivelmente pode.” Depois que tudo acabou 
o médico disse, “Não sei como é possível que você não tenha sentido mais do que 
sentiu. Você não tem sensibilidade?” Eu também tive um abscesso rectal aberto, e 
aqueles de vocês que estão em medicina sabem que a área rectal é umas das áreas do 
corpo humano, mais difíceis de anestesiar. Depois o proctologista disse-me, Sr. Elman, 
como é que você faz isso? Eu nunca vi anestesia tão boa na minha vida.” E tudo o que 
eu fiz foi dar-me uma sugestão! Quando digo que eu quero que seja capaz de fazer a 
mesma coisa, não o estou entregar á uma ilusão ou exagero. Existem pessoas por todo 
mundo que conseguem usar a auto-sugestão tão bem como eu consigo, e muitos até 
são melhores. Tudo o que seja valioso certamente vale a pena praticar, e a única 
maneira de você ser capaz de aprender auto-hipnose é numa base permanente de 
prática. 
 A anestesia não é a única coisa em que você pode usar a auto-sugestão. Muitos 
de vocês na medicina e odontologia trabalham terrivelmente no duro. Para atender 
aqueles últimos pacientes do fim do dia, quando tudo o que você deseja é não ter que 
ver mais pessoas, ai você desejará ter o mesmo vigor da manhã; dê a si mesmo uma 
sugestão e você ficará tão enérgico como estava de manhã; aqueles últimos pacientes 
serão tão fáceis de tratar como os primeiros. Mas depois do último paciente deixar o 
consultório ou depois de você sair do hospital com o trabalho terminado e a natureza 
disser que já não precisa mais da sugestão; a faculdade crítica assume e ai você sente a 
diferença. Então terá a percepção do quanto foi a foi valiosa a auto-sugestão! 
 Uma outra maneira de você utilizar, é para se livrar de dores de cabeça ou 
outros tipos de dores ou estados dolorosos. Mulheres que tenham problemas com 
dismenorreia livram-se da dismenorreia! As sugestões assim o farão. Você será capaz 
de aliviar dores e estados dolorosos, mesmo dores e estados dolorosos orgânicos. 
Nunca deverá mascarar um sintoma, mas será capaz de o aliviar. Será capaz de livrar-
se de dores de dentes. Você saberá que a dor de dente está lá, mas não magoará 
tanto. Você ainda saberá que tem de ir ao dentista, mas a dor será diminuta! Saber 
que a anestesia está disponível e sob seu comando, dar-lhe-á um maravilhoso 
sentimento de realização. Para obter o estado mental no qual a auto-sugestão é 
possível, deverá fazer consigo exactamente o mesmo que você faria com um paciente. 
Primeiro você deve bypassar contornar a sua faculdade crítica e depois deve então 
 
37 
Hipnoterapia 
estabelecer o pensamento selectivo. Claro que isto é uma forma bastante simples de 
explicar a auto-hipnose mas vai resistir a qualquer investigação científica. Como vai 
você bypassar contornar a sua faculdade crítica? A maneira que eu faço é fechar os 
meus olhos e fazer de conta que que não os consigo abrir. E depois testo para ter a 
certeza que tenho o completo fechamento dos olhos. Até que eu tenha obtido o 
fechamento dos olhos, eu não avanço mais. Uma vez que o fechamento dos olhos 
esteja firmemente estabelecido, eu então dou-me a sugestão o que abrange o 
pensamento selectivo. Isso pode ser uma sugestão para anestesia, para alívio da 
sensação de cansaço, para ser capaz de me concentrar no meu trabalho, para aliviar 
dores, estados dolorosos de qualquer tipo ou causa. Normalmente ajudo-me 
estabelecendo a auto-sugestão por meio de uma palavra gatilho. Escolhi a palavra 
“verde” porque verde, na minha mente é a cor de Deus. Isso conota com as mais 
prazerosas visões na mente da maioria das pessoas. 
 Aqui estão as suas instruções: Diga a palavra verde e feche os olhos. Teste o 
fechamento dos olhos. Quando tiver a certeza de que tem o fechamento dos olhos, 
diga a palavra símbolo, “verde” outra vez, sabendo que no instante em que a disser, 
a sua sugestão terá efeito imediato e completo. Então teste para ter a certeza que a 
sugestão teve o efeito completo. Para aliviar os músculos dos olhos, diga a palavra 
verde outra vez, e seus olhos se abrirão. 
 Levará cerca de quatro segundos para anestesiar a si próprio. Mas deve 
praticar. A auto-sugestão é uma possessão sem preço. 
 Numa das minhas turmas mais recentes um médico contou-me esta história. 
Ele disse,” Eu sou uma vítima da poliomielite. Contraí a doença quando tinha cerca de 
catorze anos de idade. Trabalho em odontologia e tenho de ficar em pé todo o dia. O 
meu joelho tem o hábito de, de vez em quando ir para fora de posição. Ele não é muito 
forte. Cerca de duas vezes por ano, simplesmente ele fica fora de posição, e quando 
isso acontece, tenho de cancelar todas as consultas por dois ou três dias enquanto 
espero que a minha perna seja capaz de suportar o meu corpo outra vez. Na outra 
noite adormeci profundamente e acordei em sobressalto. Aparentemente tinha-me 
movido de tal maneira que joguei minha perna para fora de posição e a dor foi 
absolutamente insuportável. Falei para mim, se o que Dave Elman me ensinou sobre 
auto-sugestão, é correcto, eu deveria ser capaz de controlar este joelho com auto-
sugestão.” Verde, verde, verde… E dou-lhe a minha palavra, que o joelho voltou direito 
para a posição. Não sei o que causou isso, mas acordei a minha esposa porque eu 
fiquei excitado com a percepção de que eu fora capaz de usar a auto-sugestão dessa 
forma. E Sr. Elman , eu não tive de cancelar as minhas consultas no dia seguinte, e tudo 
correu lindamente. A auto-sugestão é maravilhosa!” 
 Gostaria de falar-lhe acerca da mais surpreendente demonstração de auto-
sugestão que alguma vez vi. Eu tinha estado a ensinar em Washington D.C, e uma noite 
um médico trouxe a sua filha de três anos de idade para a aula. Parecia que a 
menininha tinha sido incomodada com exantemas que apareciam toda a vez que 
ficava emocionalmente perturbada. 
 
38 
Hipnoterapia 
 O pai muito orgulhosamente disse-me que tinha ensinado auto-sugestão para a 
sua filhinha por forma a controlar a comichão que ocorria, sempre que a exantema 
estava presente. Ele disse-me “Você gostaria de ver minha filha demonstrar seu 
conhecimento de auto-sugestão?” Eu não acreditava que fosse possível uma 
jovenzinha daquela idade tivesse inteligência suficiente para usar auto-sugestão 
correctamente. A minha descrença talvez se tenha mostrado na minha voz, pois ele 
disse para a menina, ”Mostre ao Sr. Elman como você joga brinca aquele jogo quando 
tem exantema e quer parar a comichão.” A pequena menina disse. ”Primeiro eu tenho 
que ter comichão e sentir como se quisesse coçar.” O pai dela disse,” Muito bem, faz 
de conta que você tem comichão e quer coçar. Então o que você faz?” Ela disse, “Bem 
agora faz de conta que tenho comichão e que quero coçar, então eu fecho os olhos 
assim.” Ela fechou os olhos e continuou, “ Mas eu devo ter a certeza que não consigo 
abri-los, por isso faço o jogo do faz de conta, então enquanto eu faço de conta que 
não os consigo abrir, eu tento abri-los deste jeito.” E fez um visível esforço para abrir 
os olhos dela, semsucesso. Ela continuou, “Agora que sei que não consigo abrir meus 
olhos, então eu falo para mim, eu não vou ter comichão então nem vou querer coçar. 
Depois eu espero um bocadinho, eu abro os meus olhos e paro de brincar ao jogo, 
assim, ─e abriu os olhos dela─ e agora eu não tenho comichão e eu não quero coçar.” 
Quando a turma se reuniu eu contei aos médicos acerca desta pequena criança. Um 
deles disse, ” Sr. Elman, eu acho isso muito difícil de acreditar. Eu tenho estado a 
praticar a auto-sugestão toda a semana sem conseguir, e eu certamente quero 
domina-la.” Perguntei ao pai da criança se ele deixaria sua filha demonstrar perante o 
grupo de médicos, e ele concordou. Então ele disse para a filha dele, ” Docinho, toda 
esta gente aqui, são médicos como o papá, e eles querem aprender a jogar o jogo que 
você faz quando tem exantema. Seja uma linda menina e fique em pé aqui de frente 
para a sala e mostre-lhes como você faz, e enquanto estiver a fazer diga-lhes como 
faz.” Ela disse,” Está bem papá”, e repetiu a sua perfeita demonstração. Perguntei ao 
pai dela se ela sempre lembrava de fazer isso quando a comichão aparecia, e ele disse-
me que ocasionalmente ela esquecia e começava a coçar quando a comichão aparecia, 
e ele ou a mulher, logo a lembravam de jogar o jogo do faz de conta. Então 
imediatamente ela fazia a rotina da auto-sugestão e deixava de coçar e a comichão 
desaparecia. Decidi ver se eu conseguia descobrir a causa da comichão, então fiz uma 
hipnoanálise a esta pequena menina. Prontamente ela aceitou a hipnose. A história 
que ela revelou, mostrou o quanto esta menina amava o seu pai. Ela descreveu como é 
que há alguns anos antes quando o seu pai foi para longe, a sua mãe ficou a chorar. 
─Eu soubera pelo pai que naquela altura era um médico do exército e saiu de casa para 
se apresentar ao serviço.─ E tudo o que ela entendeu, foi que quando o pai foi embora 
para longe a mãe ficou infeliz com isso, --mais infeliz do que alguma vez a criança tinha 
visto a mãe estar─. Isso afectou-a tanto que ela deu por si a chorar também, 
eventualmente chorou sozinha até adormecer. Quando ela acordou a exantema havia 
aparecido e ela tinha comichão por todo lado. A comichão era tão forte que ela teve 
de começar a coçar, e a irritação por ter coçado piorou a situação. A criança havia dito 
que a mãe chegou a colocar alguma coisa na área afectada, e havia alturas até que a 
 
39 
Hipnoterapia 
comichão não era tão má, mas houve outras vezes em que pareceu que estava a ficar 
pior. Mais perguntas e veio ao de cima o facto de que, quando o pai vinha á casa de 
licença as comichões não apareciam, mas depois que ele saía tudo voltava. Isso 
aconteceu muitas vezes. Senti que eu tinha encontrado a causa, e agora eu tentava 
explicar para a criança o que havia trazido a comichão. Eu expliquei para ela de que 
cada vez que o pai ia embora, isso a fazia triste e chateada, e quando ela estava 
chateada os exantemas apareciam. Ela recusou aceitar esta explicação. Ela disse ”O 
meu papá nunca me fez chatear. Ele me ama e não faria isso para mim.” 
 Não importava como eu tentava explicar, ela sempre revidava o facto e não 
acreditava que o papá possivelmente seria a causa de alguma exantema ou qualquer 
outra coisa que lhe causasse desconforto. O amor desta criança pelo seu pai era bonito 
de se ver, mas eu estava entristecido pelo facto de que de que eu fui incapaz de dar a 
criança uma “luz” que pudesse acabar com o seu desconforto permanentemente. 
Deixem-me repetir, esta demonstração de auto-sugestão, por uma criança de três 
anos foi a melhor demonstração de auto-sugestão que alguma vez vi; se uma criança 
de três anos consegue aprender auto-sugestão então isso não está além das 
capacidades de nenhum adulto. 
 
 
 
40 
Hipnoterapia 
Capítulo 6: Instruções preliminares Abordagem ao paciente 
 
 Se você já tentou a experiencia envolvendo o pretenso fechamento dos olhos 
consigo mesmo, deverá ter dado conta de um conflito na sua mente. Uma parte do seu 
cérebro parece estar a dizer,” Não consegue abrir os olhos.” A outra parece estar a 
dizer “Absurdo” 
 A dúvida e o cepticismo são umas das reacções naturais humanas, e muitas 
vezes valiosas. O mesmo pode ser dito do medo. No entanto a dúvida e o medo, 
podem derrota-lo se não souber como evitar ou superar essas reacções. 
 Muito depende da sua aproximação ao paciente. Primeiro, ao apresentar a 
hipnose ao paciente, não use a palavra hipnose. Dê ao paciente o benefício do estado 
sem sequer usar a palavra. Porquê associar a palavra ao medo gerado na mente de um 
desinformado? Aqueles que se opõe a isso, deverão perguntar a eles mesmo se dizem 
ao paciente tudo o que está escrito em todas as prescrições que fazem. 
 Agora deixem-me mostrar uma boa aproximação, digamos que a um paciente 
dental. O dentista deverá dizer isto: ” Sabe, sempre que você vem ao consultório, 
tenho reparado o quanto tenso você fica, e quando você se sente tensamente, você 
sente mais desconforto porque essa é a natureza da tensão. Se eu poder-lhe ensinar 
como relaxar, as suas visitas a este consultório poderão tornar-se fáceis, e tenho a 
certeza que você sabe isso. Gostaria de apreciar uma visita ao dentista ao invés de 
estar sempre nervoso e tenso com tudo isso? Muito bem, vou mostrar-lhe como 
relaxar. 
 “Respire calma e profundamente. Isso mesmo! Agora dê-me a sua mão. 
Agora olhe para a minha mão esquerda, descendo pelo perfil do seu rosto. 
 Agora feche os olhos, relaxe esses músculos a volta dos olhos até ao ponto em 
que eles não funcionem, e quanto tiver a certeza que não funcionam, teste-os para 
confirmar que eles não funcionam. Isso mesmo. Continue assim e faça com que essa 
sensação de relaxamento que você tem nos músculos dos seus olhos desça 
directamente aos dedos dos pés. Eu vou levantar a sua mão e deixa-la cair, e se está 
realmente relaxado como deve ser, ela irá cair para baixo como um pano molhado. 
Olhe para esse relaxamento! Agora vou avançar com o seu tratamento dental, e 
nada do que eu faça neste consultório irá incomodar ou perturbar a partir deste 
momento. Você saberá que estou a trabalhar, mas se mantiver este estado de 
relaxamento, nem sentirá nada. Você nem se importará com o que faço. Você saberá 
apenas que estarei a trabalhar e será tudo!” 
 E com isso o dentista poderá avançar com o seu trabalho. Ele gastará cerca de 
trinta segundos para executar toda a indução. Tente você mesmo! Alcançará 
resultados tão rápidos que será capaz de fazer cerca de duas ou três vezes mais 
trabalhos do que normalmente é capaz de fazer, porque o paciente não estará ansioso 
nem brigará consigo. Supondo que tem algum trabalho difícil de fazer, pode dar-lhe 
anestesia química se não tiver fé suficiente em si mesmo para fazer sem isso. Mas dê-
lhe algo como novocaína ou zylcaina seja lá o que for que usa após relaxa-lo, e irá 
 
41 
Hipnoterapia 
descobrir que ele não vai recusar nada mesmo, descobrirá que tem um paciente muito 
mais tratável. Uma coisa maravilhosa para o dentista saber, é que ainda que o 
paciente abra os olhos ─e ele terá que os abrir para usar a escarradeira─ você pode 
dizer, “Agora, quero que abra os olhos, enxagúe a boca, cuspa todos os resíduos e 
quando voltar a deitar-se relaxará mais do que nunca.” Ao invés de perder o estado 
quando isso acontece, na verdade você pode intensifica-lo. 
 A seguir um excerto de uma fita-cassete de uma lição da primeira turma. 
Imediatamente antes das palavras de abertura. Eu tinha contornado a faculdade crítica 
de um médico estudante, e tinha estabelecido o pensamento selectivo ─tinha-o 
hipnotizado─. Eu tinha-o levado a crer que estaria a testar a anestesia hipnótica que 
tinha produzido, tendo uma sonda dental na sua boca. Aqui está a conversa. 
 Doutor: Fez alguma coisa na minha boca? 
 Elman: Não, não fiz, mas mostrar-lhe-ei algo. Feche os olhos outra vez, feche-os 
tal comoos tinha. Relaxe tal como estava. Vamos ter um dentista bem aqui… *falando 
ao dentista+ Você não fez este teste ainda, venha cá… *outra vez falando ao doutor+ 
Feche os olhos por favor… *para o dentista+ Avance e faça o teste e vai descobrir que 
ele não vai sentir nada. Ele saberá que você está a trabalhar lá, mas é tudo… O que 
você sentiu? 
 Doutor: Oh, somente uma coisinha, nada ruim. 
 Elman: Agora, cavalheiros, vocês viram o que ele fez? Ele deixou-a (a sonda 
dental) pendurada lá. Ele deixou-a pendurada na sua área gengival. Correcto? Foi onde 
você fez isso? 
 Dentista: Com certeza 
 Elman: E a área gengival é uma área bastante sensível da boca, doutor em 
circunstâncias normais você teria batido no tecto. Quero mostra-lhes que vocês são 
como qualquer outra pessoa. Todas as pessoas são passíveis de ser sugestionadas, se 
você acautelar isso quando for trabalhar com eles… Você está em dermatologia. 
Doutor pode começar (a trabalhar) como se entretanto houvesse um paciente no seu 
escritório, vindo para algum tratamento dermatológico doloroso e você quisesse fazer 
com que esse tratamento fosse fácil para ele. 
 Doutor: Digamos que vou tirar uma verruga do seu lábio inferior. 
 Elman: Muito bem. 
 Doutor: Quer que eu continue? 
 Elman: Sim, sim. Use a mesma abordagem que eu usei, e não se preocupe se eu 
o parar, porque você é o primeiro homem, e o primeiro homem sempre receberá o 
peso das críticas você sabe disso. 
 Doutor: Você quer que eu retire isso do seu lábio? 
 2º Doutor: [fazendo de paciente]: Não! 
 Doutor: Bem, você acha que isso magoa? 
 2º Doutor: Sim 
 Doutor: Bem, eu penso que se você relaxar nós poderemos fazer isso sem o 
magoar. 
 
42 
Hipnoterapia 
 Elman: Agora doutor, eu vou fazer uma pequena sugestão aqui: Nunca use a 
palavra dor enquanto você está usando hipnose. Dor, magoar, faca, agulha, afiada, 
incisão, pontos, qualquer palavra que dê uma imagem de dor...Deixe-a de fora! Em 
outras palavras…” Penso que nós podemos fazer isso sem que você sinta nada.” 
Qualquer coisa como “Sem incomodar nem um pouco”. Mas não implante imagens de 
dor porque você torna-os muito sugestionáveis enquanto trabalha com hipnose, e as 
suas palavras pintam imagens. Por isso atente ao seu palavreado, logo desde o início. 
 Doutor: Se você relaxar nós podemos fazer isso de maneira prazerosa. E isso é 
melhor. Agora apenas tente deixar-se ir. Enquanto eu trago a minha mão para baixo 
dos seus olhos, deixe os olhos fecharem, bem para baixo, agora feche-os. Isso mesmo. 
Mantenha-os fechados. Certifique-se que eles estão fechados, e veja que não os 
consegue abrir. Isso mesmo. Tenha a certeza que eles não abrem. Agora então, deixe 
essa sensação de relaxamento passe por todo o seu corpo. Deixe descer até as pontas 
dos dedos dos pés. Agora isso o faz sentir bem? 
 Elman: Não, não, não vai fazer o teste ainda doutor. Dê uma sugestão antes de 
o fazer. “ Mantenha-se completamente relaxado, vamos fazer um pequeno teste aqui, 
você não vai sentir e nem sequer dará conta.” E ele não vai porque neste momento 
você sabe qual o limite dele. Veja, esse limite praticamente se desvaneceu, portanto 
você sabe que ele não vai sentir como normalmente seria. Agora qual o tipo de testes 
que você quer fazer? 
 Doutor: Eu quero usar um par de alicates ou um par de pinças. 
 Elman: Ora você viu que isso terá implantado uma imagem, entende o que eu 
quero dizer? Ainda que na palhaçada quando você está a fazer isso, não brinque, 
porque você sabe o que acontece quando implanta uma imagem na mente dele, ele 
vai sentir isso! Então o seu teste não será válido. Então, quando você pedir um 
instrumento, apenas diga,” Dê-me aquele acessório instrumento.” Ou qualquer coisa, 
você sabe o que quero dizer. Agora, pressione aperte a área em que você irá fazer o 
teste e repare que nem isso ele irá sentir. 
 Doutor: Eu vou fazer um pequeno teste aqui. Mantenha-se relaxado 
 Elman: Agora, quero ver isso e quero que você repare como é pouco aquilo que 
ele se apercebe. Veja. Você sabe isso doutor, normalmente isso faria uma pessoa 
reagir, mas agora em que grau ele sente isso? 
 Doutor: Muito pouco. E ainda continua em indentação. 
 Elman: Sim, uma muito boa; você deu muita pressão. 
 [ao doutor fazendo de paciente] Você sabe, ele usou uma pinça allis em você, e 
fez isso muito bem pois foi até ao terceiro entalhe. Agora, [ao médico que aplicou a 
pinça] deixe-me dizer que a sua amabilidade foi boa, mas eu não faria perguntas, eu 
usaria afirmações de: “Sinta como é boa essa sensação!” Jamais diria: “ Isso não sabe 
bem?” Porque alguns pacientes sentir-se-ão compelidos a responder, e sairão do 
estado! Por isso deixe-o estar relaxado! Por sorte, ele colaborou com você e ele não 
sentiu como se tivesse saído do estado transe, ele permaneceu nele. Isso foi excelente 
para uma primeira vez! 
 
43 
Hipnoterapia 
 A razão para que você os deve trazer para fora do estado com sugestões de 
saúde, é que isso é um estado de auto-sugestibilidade, e ele pode sugerir a si mesmo 
de que estar no estado o fez concentrar-se como o diabo e por isso tem uma dor de 
ouvido, dor no dedo do pé ou dor de barriga ou algo assim, como resultado de uma 
auto-sugestão implantada. Você elimina todas as hipóteses de uma auto-sugestão 
negativa, por dizer:” Quando abrir os seus olhos vai sentir-se maravilhoso!” 
 
 
 
44 
Hipnoterapia 
Capítulo 7: O método “Dois-dedos olhos-fechados” 
 
 O método “dois-dedos olhos-fechados” é a técnica mais rápida que já foi 
inventada para a obtenção da hipnose. É uma técnica usada há cerca de setenta anos, 
desenvolvida pelo Doutor H. Bernheim e o Doutor Liebault. Eles usavam-na no seu 
formato de dez minutos, mas o método é igualmente efectivo quando feito para 
funcionar instantaneamente. Por se obter resultados tão rápidos pode pensar-se que a 
técnica apenas produz hipnose transe leve. Pelo contrário; tem sido reportado por 
centenas de médicos em medicina geral, psiquiatras e dentistas que têm feito 
trabalhos prolongados usando essa técnica. Foi concebido um método melhor para 
trabalhar com adultos, como poderão ver, mas não existe técnica melhor para 
crianças. 
 Primeiro vou mostrar-vos como é que a técnica é aplicada em jovens. Neste 
excerto da gravação de uma aula, uma mulher está actuando como uma “criança 
paciente” para propósitos de demonstração e um dentista está praticando a indução. 
 Dentista: Jean, eu acho que quando você está em casa, você brinca muito com 
suas bonecas. E você provavelmente brinca de “faz de conta” com elas muitas vezes, 
não é verdade? Bem nós também temos um pequeno jogo de “faz de conta”. E se você 
aprender este pequeno jogo de “faz de conta” nada do que se passar no consultório do 
dentista te vai perturbar ou incomodar. Se você aprender a jogar este pequeno jogo, 
nem vai sentir nada do que estamos a fazer. Você gostaria de aprender? 
 Paciente: Sim 
 Dentista: Muito bem, abra bem os seus olhos. Vou-lhe mostrar este pequeno 
jogo. Eu vou fechar os seus olhos com o meu dedo indicador e o dedo polegar, assim. 
─Coloque o indicador e o polegar sobre as pálpebras e feche-as suavemente─. Agora 
“faz de conta “com toda a alma e coração que você não consegue abrir os olhos. É 
tudo o que você tem de fazer. Apenas faça de conta. Agora vou tirar a minha mão 
─retira a mão─ e você vai fingir tão bem que quando tentar abrir os olhos, eles 
simplesmente não funcionam. Agora faze-los funcionar enquanto faz de conta. Tente 
forte. Eles simplesmente não funcionam, vê? Agora e porque você faz de conta desse 
jeito, nada do que fizermos neste consultório incomodará ou importunará nada 
mesmo. 
 Na sua mente você pode estar em casa a brincar com as suas bonecas, e nem 
vai sentir nada do que eu tenho de fazer. 
 Elman: E agora doutor [dirigindo-se ao segundo dentista], você está em 
odontologia. Venha aqui acima e faça um teste dentro da boca dela, e mostraráque 
isso não vai incomoda-la nada. Eu quero ver a anestesia profunda que se obtém com 
essa técnica. Não tenha medo de fazer um bom teste. Ela não sentirá nada. Fez um 
bom teste doutor? 
 Doutor: Sim! 
 Elman: Ela teve melhor anestesia, do que qualquer outra anestesia que alguma 
vez tenha sido dada num consultório dentista, porque ela está num estado tão perfeito 
 
45 
Hipnoterapia 
de hipnose...Agora [dirigindo ao paciente] quando eu a fizer abrir os olhos, vai sentir a 
sua boca melhor do que sentiu todo o dia e toda a semana, e você sentir-se-á tão bem. 
Abra os olhos e veja o quanto se sente bem. Como se sente? 
 Paciente: Bem! 
 Elman: O que sentiu enquanto o doutor estava a trabalhar na sua boca? 
 Paciente: Nada. Deixe-me perguntar algo, porque me lembro do que você 
disse? 
 Elman: Porque você não está inconsciente na hipnose. Não é sono você sabe. 
Eu tenho que ter contacto consigo, de outra forma você não pode seguir instruções. 
* * * 
 No exemplo acima, a hipnose foi obtida imediatamente. A paciente era uma 
mulher adulta, actuando como uma criança num consultório de dentista. 
 Ela teve uma imaginação vívida o suficiente, por isso que ela foi capaz de ver a 
si mesma como uma criança. E pode ter-se aproximado ao nível de uma criança para 
propósito de demonstração. A abordagem “fazer de conta” ou vamos “jogar um jogo” 
funciona muito bem com crianças pequenas. Com os jovens ou adultos, é geralmente 
sábio usar um tipo de abordagem mais sofisticado para contornar a faculdade crítica. 
Isso pode ser visto noutro excerto de aula. 
 Elman: [abordando a paciente] Sempre que você vem a este consultório, eu 
noto a tensão com que você fica, se eu pudesse ensina-la a relaxar você nem daria 
conta de nada do que temos de fazer. Supondo que eu ensino-a como relaxar. Você 
gostaria disso? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Respire calma e profundamente. Agora abra bem os olhos. Eu vou 
puxar gentilmente as suas pálpebras para baixo com o meu dedo indicador e o 
polegar. Agora eu quero que relaxe os músculos por baixo dos meus dedos. Agora 
vou retirar a minha mão dedos, relaxe os músculos dos seus olhos até ao ponto em 
que eles não funcionam. Então quando tiver a certeza de que eles não funcionam, 
teste-os e tenha a certeza que não funcionam. Teste-os forte com força. Isso mesmo. 
Agora deixe essa sensação de relaxamento descer direito até as pontas dos pés, e 
quando eu levantar e deixar cair a sua mão, essa mão estará tão relaxada que cairá 
rápido na sua perna. E deixe-a cair. Isso mesmo… 
 Agora [dirigindo-se a turma], por forma a ela não sentir desconforto, é 
necessário que você dê a sugestão correcta. É aqui que você a coloca no seu 
pensamento selectivo… ─para a paciente outra vez─ Qualquer trabalho que eu faça a 
partir de agora na sua boca, ou em qualquer outra parte do seu corpo, você não se 
importará. Apenas fique assim relaxada. Assegure-se o tempo todo que os músculos 
dos seus olhos não funcionam, e você tem o relaxamento por todo corpo, e não sente 
nada… ─para a turma─ E agora cavalheiros, vou mostrar-vos o grau de anestesia que 
ela realmente teve como resultado da sugestão… ─para a paciente─ Eu vou acariciar o 
seu braço nesta zona aqui, vou trabalhar e você não sente nada. Você saberá que 
estou a trabalhar aqui, mas nada a incomoda, nada a perturba. Estou preparado 
para fazer o meu trabalho agora, e você tem anestesia completa, no seu braço 
 
46 
Hipnoterapia 
direito… [para a turma] Vejam-me a fazer este teste… Isso foi uma pinça allis até ao 
terceiro entalhe… *para a paciente+ Agora quando eu disser… abra os olhos e repare 
como se sente tão bem. Abra os olhos. Como se sente? 
 Paciente: Bem. 
 Elman: O que é que você sentiu? 
 Paciente: Bem eu senti que você fez alguma coisa. Mas não senti dor nenhuma. 
 * * * 
 Esta abordagem foi usada a Este de Chicago no St. Catharines Hospital para 
intervir numa fractura exposta num rapaz com doze anos de idade. O médico tinha a 
intenção de atenuar a fractura com ajuda de anestesia química. Contudo, o único 
anestesista de serviço estava a trabalhar noutro caso de emergência um piso acima. O 
médico não podia suportar ficar vendo o sofrimento deste rapaz, e usou o método 
descrito acima para produzir anestesia. E então prosseguiu, para atenuar a fractura 
exposta. A meio do trabalho, o anestesista desceu preparado para dar a anestesia 
química. Ficou maravilhado ao descobrir já não era necessário o seu serviço, e logo 
após tornou-se meu estudante. Esta abordagem é recomendada para vítimas em 
emergência, por isso é tão rápido que geralmente obtém hipnose em cinco segundos. 
 Deve ser notado que você sugere relaxamento muscular somente com um 
adulto, não com uma criança. A criança bypassa contorna a sua faculdade crítica tão 
depressa, que normalmente quando usar esta técnica com crianças você apenas 
precisará dizer, “faz de conta que não consegues abrir os olhos”, e ela faz de conta 
finge e relaxa automaticamente. É exactamente como quando ela entra num sono 
profundo. Mas ela não está realmente a dormir. Esta técnica é muitas vezes utilizada 
para indução, para propósitos cirúrgicos. 
 É, pois claro, importante obter hipnose profunda. Você pode aprofundar o 
estado de uma criança tendo-a a fazer de conta que está a cheirar lindas rosas ou você 
pode dizer, “Qual o teu jogo favorito quando estás em casa?” ou “ O que gostas de 
assistir na televisão?” realmente você pode ter uma criança a ver um show na televisão 
ou a jogar um jogo mentalmente, enquanto você faz um tratamento médico ou dental 
doloroso com ele. 
 Supondo que você sugere para uma criança, que ela está fazendo uma viagem á 
lua numa nave espacial. Quando você está a acabar o trabalho com ela, e você quer 
trazer a criança de volta a terra, diga, “Muito bem, agora você pode voltar da viagem 
espacial. Volta para a terra agora. E quando o fizer eu quero que abra os olhos e me 
diga como se está a sentir bem. Abra os olhos. Como se sente?” ─Tenha a certeza que 
se apercebe da vermelhidão dos olhos, o aumento da lacrimação e do pestanejar das 
pálpebras.─ 
 Por vezes os pacientes têm de abrir os olhos durante um exame, talvez para 
puxar as mangas para cima para algum tipo de injecção. Enquanto os seus olhos 
continuam fechados, e ele faz de conta finge que não os consegue abrir, ai você diz 
alguma coisa dessa ordem: “De agora em diante o que fizermos neste consultório, 
nada o incomoda, nada o perturba de todo. Em alguns segundos vou dizer para você 
abrir os olhos e ter o seu braço preparado para que eu possa trabalhar nele, e depois 
 
47 
Hipnoterapia 
continue a jogar esse jogo novamente e verá que nem vai sentir nada do que eu 
tenho de fazer. Agora abra os olhos e prepare o braço.” Para demonstrar a utilidade 
desta técnica deixe-me reproduzir um excerto de uma carta que recebi recentemente 
de um anestesiologista na Florida. O nome do paciente foi ficcionado por forma a 
preservar a privacidade ética.” Re: Paciente Tommy Haines, seis anos. O paciente foi 
admitido no hospital durante a noite de 27 de Julho com o úmero esquerdo partido. Eu 
sentei ao lado da criança na sala de operações, nunca o tinha visto antes. Ele era um 
rapazinho muito assustado. No entanto não estava histérico nem frenético. Falei com 
ele e começamos a brincar de faz de conta. A criança respondeu prontamente aos 
jogos e foi logo ver seu programa favorito na televisão. Eu disse-lhe que enquanto 
estava a assistir televisão a mãe dele traria um vaso de lindas flores e ele iria poder 
cheira-las. Nessa altura comecei a soprar gás ciclopropano no rosto dele. Francamente, 
esta coisa cheira mal embora a criança tenha assentido com a cabeça que cheirava 
bem. Durante este período de indução, foram dadas sugestões de rápida recuperação 
e rápidas melhoras. A criança foirapidamente ao sono hipnótico e foi concluída uma 
operação de duas horas. Tudo correu bem e a cirurgia foi completada muito tarde 
nessa noite. Eu vi a criança na manhã seguinte e ela estava a dar-se bem, estava 
completamente feliz, que o doutor decidiu deixa-la ir para casa. E isso foi um ou dois 
dias mais cedo do que o habitual. Tommy disse aos pais dele o quanto gostou de 
brincar comigo e fez a seguinte afirmação, ”Fiz uma brincadeira com o doutor Nickell e 
ele ganhou porque eu adormeci antes dele.” 
 Alguns médicos têm a impressão que, seguindo esta técnica muito rápida do 
“dois-dedos olhos-fechados” descrita acima, que a hipnose é leve. Na maioria dos 
casos é na verdade profunda. Para eu demonstrar isso, frequentemente hipnotizo um 
médico com o método “dois-dedos olhos-fechados” e mostro a prova na turma da 
seguinte maneira: 
 Elman: [ao médico hipnotizado]: Quando eu levantar sua mão e deixa-la cair, 
eu quero que o número de telefone do seu consultório desapareça da sua mente, e 
você descobrirá que ele sairá quando eu largar a mão. Agora quando você tenta 
pensar no seu número de telefone, ele simplesmente se desvanece para longe e cada 
vez mais longe e você não consegue encontra-lo de todo. Agora quando você tenta 
encontra-lo, ele simplesmente não está lá. Tente encontra-lo e você verá que é 
exactamente isso que acontece. Você não o encontra de todo. Sumiu 
completamente. Deixe-o ir completamente. Sumiu não é? 
 Médico: sim 
 Elman: Ora aqui têm o sonambulismo, a amnésia sugerida é o teste para isso. 
Então podem ver, não é hipnose leve como pensavam. É muito profundo… *para o 
paciente] Vou deixar cair a sua mão outra vez e o seu número de telefone voltará 
imediatamente e depois abrirá os olhos e vai sentir-se maravilhoso. Como se sente? 
 Médico: Bem! 
 Elman: Não é uma agradável sensação? Para onde foram os números? 
 Médico: Não sei. Simplesmente sumiram, apenas isso! 
* * * 
 
48 
Hipnoterapia 
 Se você der as sugestões devidamente, você obtém anestesia em 
sonambulismo. Muitos médicos ficam ansiosos para começar a trabalhar antes de 
terem implantado o pensamento selectivo. Essa é a razão para muitas das suas falhas. 
Eles não se apercebem que sem a implantação do pensamento selectivo, eles não têm 
nada mais que relaxamento profundo para trabalhar, eles não têm hipnose! Torne isso 
uma regra para implantar o pensamento selectivo, e a sugestão de sentimento de 
bem-estar, para deixar no término da hipnose. 
 E descrição acima da amnésia sugerida traz-nos a questão de certos testes para 
hipnose. Apesar de os médicos verem os cinco sinais de hipnose discutidos 
anteriormente, nem sempre estarão satisfeitos de que têm um paciente hipnotizado. 
Os novos estudantes as vezes pedem-me para provar o estado hipnótico fazendo o 
“braço rígido” ao sujeito, tal como eles têm visto ser feito em palco. 
Independentemente da desinformação dada nos cursos de hipnose de três dias, os 
hipnotistas de palco usam a técnica do “braço rígido” como dispositivo de 
aprofundamento, não como um teste. 
 Deixem-me mostrar a maneira como isso é usado hoje na medicina. 
 Elman: [para o paciente hipnotizado]Feche os olhos. E apenas finja que não os 
consegue abrir. Vou pegar no seu braço e quero que o estenda e o torne rijo 
enquanto eu conto até três. Faça-o tão rígido que não o consegue dobrar. Um, faça-o 
rígido, dois como aço, três agora não o consegue dobrar, não importa o quanto você 
tente. Quando você tenta menos funciona. Teste. Veja que não consegue dobrar de 
forma alguma. Agora você tem o braço rígido. 
 Nesta altura, os médicos tendem a assumir que o paciente está pronto para a 
terapia. Ele não está preparado para terapia, ele apenas tem o braço rígido. Não 
significa que ele acatará outra sugestão. Você quer ter profundidade. Os hipnotistas de 
palco usam o “braço rígido” para isso. A técnica completa é usada assim, e isso parece 
dramático no palco. 
 Elman: Agora quando eu relaxar o seu braço, você vai mais fundo…Agora você 
pode relaxar. Relaxe e você vai mais fundo. Consegue sentir esse afundamento? 
Consegue sentir-se indo mais fundo? Você pode responder. Consegue sentir? 
 Paciente: Sim! 
 * * * 
 Essa é a maneira que os hipnotizadores de palco a usam para obter 
aprofundamento. Não é uma boa técnica para usar num consultório médico! Não é um 
bom teste! Não é preciso uma educação médica para saber a semântica do bom 
relacionamento com o paciente, e tendo braços rijos no escritório certamente não é 
maneira de lidar com um paciente! Se você quer ter profundidade e saber ao mesmo 
tempo se o paciente está hipnotizado, faça-o da maneira científica. Você já sabe que as 
pálpebras do paciente deverão tremular, que os brancos dos olhos deverão ficar 
avermelhados e que deverá aumentar a lacrimação. Demonstrando num paciente 
outra vez, agora eu digo isso: 
 Elman: [para o paciente] Agora, quando eu lhe disser, quero que você abra os 
olhos e deixe-me olha-los por alguns segundos. Quando eu disser abra os olhos, 
 
49 
Hipnoterapia 
mantenha-os abertos até eu dizer para os fechar e você irá mais fundo, e deixe-se 
levar mais fundo. Agora abra os olhos. 
 Quando você segue este procedimento, você verá os sinais ─aumento da 
lacrimação, os brancos do olhos ficando cor-de-rosa. E você diz para o paciente: 
“Agora feche os olhos outra vez e veja o quão profundo você vai, e deixe-se ir mais 
fundo. Consegue sentir isso? Agora, abra e feche os olhos outra vez e irá dez vezes 
mais fundo. Isso mesmo, deixe-se levar. Sente isso?” 
 Quando você faz isso, será óbvio que o paciente imediatamente tornar-se-á 
mais profundamente hipnotizado. Isso é um mecanismo para obter grande 
profundidade, e você pode usar vezes e vezes e vezes, obtendo mais enquanto o faz. 
Muitas vezes o médico tem de fazer o paciente ir de sala á sala para vários exames, 
talvez o queira colocar a fazer um raio-X numa sala, e pô-lo numa posição fora-de-
comum para o raio-X, e depois talvez queira ir para alguma outra sala para qualquer 
outra coisa. O médico quer que ele esteja relaxado na segunda sala, e na terceira sala e 
por ai adiante. É portanto indispensável saber, que o paciente pode abrir os seus olhos 
e, em vez de perder sair da hipnose, tornar-se-á mais profundamente hipnotizado. 
 Lembre-se o tempo todo que você está a trabalhar com uma pessoa que ouve 
e entende tudo o que você está a dizer. 
 Você está a conversar para uma pessoa que está perfeitamente consciente 
quando está em hipnose profunda. Portanto, não cometa o mesmo engano dos 
praticantes de antigamente e fale baixo para o seu paciente. Converse em frente a ele. 
Ele não está abaixo da sua dignidade. Ele é um ser humano com o quem você está em 
rapport. Portanto não viole o senso de dignidade dele sendo condescendente ou 
paternalista. Fale com ele tal como se ele não estivesse no estado de sugestibilidade, 
vai incrementar o rapport e ele estará muito mais disposto a anuir as suas sugestões. 
Tenho tido médicos nas minhas aulas a dizerem, “Você não consegue abrir os olhos, 
não consegue, não consegue.” A reacção usual do paciente é provar o quão rápido ele 
consegue abrir os olhos. Você não fala para um paciente assim, ainda mais quando usa 
palavras tais como magoa e dor! Mantenha-se longe de todas as palavras ou frases 
que passem uma imagem desagradável: corte, agulha, faca, corte, pontos, arrancar os 
pontos, afiado, etc! Normalmente o paciente sabe quando vai receber uma injecção, 
pontos ou uma incisão. Porquê lembra-lo da desagradabilidade pela qual tem de 
passar? É uma boa ideia manter o paciente a par do que você está prestes a fazer, mas 
você pode faze-lo com palavras tais como procedimento, tratamento, etc. Tenha em 
mente também que as doenças iatrogénicas são causadas por cirurgiões, anestesistas, 
assistentes e enfermeirasusando palavras erradas na sala de operações. Relembre que 
o paciente nunca perde o sentido de audição. Portanto nunca diga algo perturbador na 
sala de operações. Aqui está outro exemplo da importância das palavras: O que é que 
você preferiria ter, medicamento ou medicação? Medicação, eu tenho certeza! Então 
porquê que é que sempre se escrevem as prescrições receitas para medicamentos? 
Você ficará surpreendido com quão mais efectivas serão as suas prescrições receitas 
quando você diz para o paciente: “Eu vou escrever passar uma prescrição receita para 
alguma medicação. Quero que você a tome e a conclua e você vai sentir-se muito 
 
50 
Hipnoterapia 
melhor em resultado disso!” A palavra medicação, modificada da simples palavra 
medicamento, vai fazer ao seu paciente uma vasta grande porção de bem! Se você 
duvida disso, experimente! Seja sempre razoável nas suas sugestões, tanto quanto o é 
nas suas palavras. Não diga nada que entoe á absurdo para o paciente. Não seja 
extravagante nas suas afirmações do que vai fazer. Estamos a afirmar aqui princípios 
elementares em dar a sugestão. Ao longo do meu ensinamento, neste texto bem como 
na sala de aula, é feita a referência ao método adequado de dar sugestões mais 
complicadas. E como você aprende mais sobre a semântica, você vai aprender com 
que frequência e o quanto você pode ajudar seus pacientes com suas palavras. 
 
 
 
51 
Hipnoterapia 
Capítulo 8: Hipnose como adjuvante da anestesia química 
 
 O homem mais erudito na história da hipnose médica foi o Doutor Henry 
Munro, que viveu e exerceu em Omaha, Nebraska no virar do século. Em 1900 
praticamente não havia medicação pré-operatória. Havia muito pouco para aliviar o 
choque cirúrgico. Ainda hoje as pessoas comuns encaram a cirurgia com apreensão, 
mas em 1900, a situação era muito pior. Uma em cada quatrocentas pessoas morria na 
mesa da sala de operações em resultado da anestesia; não da cirurgia! 
 Os medos dos pacientes eram muito maiores do que são hoje. Um homem que 
sabia alguma coisa sobre esses medos e tentou alivia-los. Doutor Munro tinha um bom 
método para aliviar os medos. Ele colocava os seus pacientes em estado hipnótico, 
discutia os medos com eles, e dizia-lhes, que quando eles entravam para dentro da 
sala de operações, sabendo que iriam recuperar-se, teriam um rápido 
restabelecimento e sentir-se-iam muito melhores. Ele foi o primeiro a dar conversa 
sugestão pré-operatória em hipnose. 
 Um homem apareceu para uma cirurgia cheio de apreensão receio, a cirurgia 
tinha que ser feita, então doutor Munro hipnotizou-o, removeu os medos dele e disse: 
“Bem, você nunca esteve em melhores condições para a cirurgia do que agora, então 
vamos avançar!” O éter era então o agente anestésico mais comummente usado. Com 
cerca de dez por cento da quantidade usual de éter, Doutor Munro ficou deslumbrado 
por descobrir que tinha a anestesia cirúrgica perfeita, ele prosseguiu e realizou a 
cirurgia. Ele pensou que aquilo era apenas sorte e que provavelmente não voltaria a 
acontecer outra vez. 
 Mas um mês depois, uma mulher apareceu para uma cirurgia. Ela estava muito 
nervosa. O doutor Munro hipnotizou-a e com apenas vinte e cinco por cento da dose 
usual de éter, outra vez ele foi conseguiu obter uma anestesia cirúrgica perfeita, 
banindo completamente a fase de excitação do éter! Uma das suas observações foi 
que, tais pacientes recuperaram facilmente e muito rapidamente; o recobro pós-
operatório foi quase milagroso! Ele chegou à conclusão de que através da hipnose, 
talvez pudesse ser capaz de obter os mesmos excelentes resultados com qualquer 
paciente. Ele teve cerca de cem casos sucessivos em que foi capaz de fazer a cirurgia 
com apenas dez á vinte e cinco por cento da dose habitual de anestesia química. Ele 
tinha feito uma grande descoberta, mas os outros médicos ridicularizaram-no. Ele 
organizou um grupo para encontros e palestras, uma das quais levou-o á Rochester, 
Minnesota. Naquela noite antes da palestra, ele jantou com dois irmãos médicos que 
estavam a trabalhar no St.Mary´s Hospital. Os irmãos Mayo! 
 Isso foi antes da época da clinica deles. 
 O doutor Munro estava a falar sobre a sua descoberta aos irmãos Mayo. Os 
irmãos Mayo decidiram que valia a pena testar a descoberta dele. Se o paciente não 
alcançasse a anestesia necessária, tudo o que teriam de fazer era usar mais éter. Se 
funcionasse eles teriam uma valiosa ajuda médica. Quando voltaram ao St. Mary´s 
Hospital, os irmãos Mayo iniciaram o Caso Numero Um de Dezassete Mil 
 
52 
Hipnoterapia 
procedimentos cirúrgicos abdominais profundos, sem uma única morte ou lesão 
directamente relacionadas ao anestésico. Os olhos do mundo focaram-se nos irmãos 
Mayo, e o sucesso era deles. Este foi o único lugar no mundo onde o paciente não 
tinha sequer a chance de morrer devido a anestesia. Qualquer um que precisasse 
cirurgia poderia estar confiante de sobreviver á operação. 
 Alice Magaw, a anestesista dos irmãos Mayo , estava muito orgulhosa do seu 
trabalho. Ela escreveu um artigo para o Obstetrical Journal of May , em 1906. Esse 
jornal não era amplamente divulgado. Muitos médicos não o conseguiram em 1906, e 
a história manteve-se obscura. Eu sei a respeito disso porque o Doutor Munro 
ocasionalmente visitava o meu pai ─ele viveu em Fargo, Dakota do Norte, que não é 
longe de Rochester─ e ouvi os dois homens a discutirem isso. Mas estranhamente, os 
irmãos Mayo nunca disseram que usaram hipnose. 
 Aqui está uma técnica similar á que o Doutor Munro mostrou aos irmãos Mayo; 
Você verá que é muito simples de usar. Você está na sala de operações. Diga ao 
paciente “ Nós vamos começar a anestesiar daqui a um minuto, e para tornar este 
procedimento mais fácil para si, quero que você faça tal como eu lhe digo. Abra bem 
os olhos. Eu vou puxa-los para baixo e fecho-os, assim. Agora faça de conta que não 
consegue abrir. Isso é tudo o que tem de fazer. Faça de conta que não consegue abrir 
os olhos. Nós vamos começar a anestesiar, e em pouco tempo você despertará no seu 
quarto lá em cima. A operação terá terminado e você estará a caminho da 
recuperação. Apenas continue a fazer de conta que não consegue abrir os olhos e nós 
avançaremos e começaremos a anestesia. Isso é tudo o que é necessário. Isso é um 
bypass contorno da faculdade critica e o implante do pensamento selectivo. 
Experimente, e ficará maravilhado como o que você será capaz de fazer com isto. 
 A quarta edição do livro do Doutor Henry Munro ”Sugestive Terapeutics” 
contém uma documentação cuidadosa de todos os factos que tenho contado! Eu 
disponibilizei essa documentação para todos os meus estudantes, mas alguns médicos 
ainda estão hesitantes em usar a técnica de Mayo. 
 Um médico que foi presidente da Anesthetists of New Jersey era um dos meus 
estudantes. Na terceira aula ele chegou cedo e disse-me o seguinte: “Essa semana 
toda eu tenho usado a técnica descrita e tenho trabalhado com somente vinte e cinco 
á trinta por cento da dose de pentotal que é habitualmente usada em cirurgia. Eu não 
entrego um paciente para o cirurgião se esse paciente não tiver a anestesia cirúrgica 
completa. Henry Munro estava absolutamente certo! Você consegue anestesia 
cirúrgica perfeita com vinte e cinco á trinta por cento do que é habitualmente 
usado…Isto é tão importante hoje como o foi em 1900! Hoje temos somente uma 
morte ocasional, mas também temos ocasionalmente algum tipo de lesão ligada á 
anestesia. Se eu posso ficar setenta e cinco por cento longe do ponto de saturação, eu 
nunca terei de me preocupar com nenhuma lesão da anestesia. Como anestesista eu 
posso dizer-lhe que isso é muito importante!” Assim que, mais e mais médicos 
estudantes começaram a usar esta técnica, que tem sido ignorada todos esses anos, os 
anestesistas levantavam-se na aula e contavam as suas experiencias com a técnica de 
 
53 
Hipnoterapia 
Mayo. Cirurgiõese anestesistas contavam que nunca tinham variado esta técnica; que 
eles a usavam para todos os procedimentos cirúrgicos. 
 Posso dar-vos a história de um caso, depois da história do caso de cirurgiões e 
anestesistas que têm usado esta técnica. Foi-me dito por alguns tantos médicos de OB-
Gyn obstetrícia e genecologia que isso funciona lindamente mesmo quando se está a 
aprender hipnose, e se continua a usar anestesia química para levar uma paciente a 
fazer o parto completo sem sentir uma única coisa. Mas e o homem da odontologia ou 
o médico a dar anestesia local? Ele falou para si mesmo, “Isso aplica-se para a 
anestesia geral, mas não se aplica para á local.” Sim, aplica-se! Pegue numa ampola de 
xilocaina e em vez de dar a ampola completa ao paciente, diminua-a para noventa por 
cento. 
 Você terá tão bom resultado como se tivesse dado cem por cento. Com o 
paciente seguinte diminua para oitenta por cento, depois setenta, sessenta, cinquenta, 
quarenta por cento e descobrirá que por causa do pensamento selectivo que você 
implantou, em breve atingirá um ponto onde você estará a trabalhar com uma gota ou 
menos de xilocaina ou novocaína ou que quer que seja que estiver a usar, e terá uma 
anestesia tão boa como com a ampola inteira. Sinto muito orgulho pelo facto de eu 
como leigo, trazer a atenção dos médicos para a grande descoberta do Doutor Munro. 
 Os médicos há muito que têm ignorado as descobertas dele. Aqui está a 
documentação que pode ser encontrada na quarta edição do maravilhoso livro do 
doutor Henry Munro “Suggestive Therapeutics.” 
 “Vamos agora olhar aos factos que ostentam as evidências do valor do 
emprego de sugestões como um adjuvante na administração anestésica e a segurança 
do método para o paciente. 
 “Alice Magaw, Dr. W.J.Mayo anestesistas em Rochester, Minnesota, que têm, 
com a possibilidade de uma excepção, anestesiado mais pacientes do que qualquer 
outra pessoa no mundo, têm o inquebrável record de aproximadamente dezassete mil 
anestesias sem uma única morte directamente do anestésico. 
 “Em nenhuma outra clinica cirúrgica no mundo tem sido constantemente 
testemunhada pelos cirurgiões durante os vários últimos anos e, nenhuma outra 
clinica apresenta um grande número de casos difíceis para serem operados ou 
daqueles que são mais impróprios a terem resultados favoráveis para a administração 
de anestésicos. 
 “No St. Mary´s Hospital, nas personalidades de Alice Magaw e Miss Henderson, 
os anestesistas de W.J. e C.H Mayo em Rochester, Minnesota nós vemos os resultados 
a partir dos débitos dos trabalhos cirúrgicos efectuados com uma quantidade mínima 
de fármaco empregue para anestesia, e o livre e inteligente uso da sugestão como um 
adjuvante para a sua administração. 
 “E não foi com menor grau de prazer que, durante uma visita á Rochester 
durante o mês de Novembro, de 1907, eu encontrei estas mulheres realmente a 
colocar em prática, uma fase particular da psicoterapia que eu tão fortemente havia 
incitado aos cirurgiões durante os oito anos anteriores. 
 
54 
Hipnoterapia 
 “Ambas, Alice Magaw e Miss Henderson, ficaram muitíssimo comprazidas dessa 
parte em particular da minha palestra para o Physicians` Club of Rochester em que 
exortei a importância da utilização da sugestão como adjuvante na administração de 
anestésicos, e citei o seu trabalho diário como uma ilustração da anestesia cirúrgica 
completa com o uso, mas pouco, de éter e o emprego da sugestão para satisfazer os 
requisitos individuais do paciente como um adjunto! Além disso, essas mulheres eram 
livres de falar que, o que elas sabiam da experiência quotidiana e o que eu tinha a 
proferir com referência ao uso da sugestão como um adjuvante na administração de 
anestésicos era verdade. 
 “No Journal of Surgery, Gynecology and Obstetrics of December, 1906, Alice 
Magaw diz: “A sugestão é uma grande ajuda em produzir uma narcose confortável. O 
anestesista deve ser capaz de inspirar confiança no paciente e uma grande parte 
depende do tipo de abordagem…O secundário, ou o ego subconsciente é 
particularmente susceptível á influência da sugestão; portanto, durante a 
administração, o anestesista deve fazer essas sugestões, que serão as mais aprazíveis a 
este sujeito em particular. Os pacientes deverão ser preparados para cada estágio da 
anestesia com uma explicação do como é que é esperado que a anestesia o 
afecte…”Diga-lhe para dormir” com uma adição de éter tão pequena quanto possível.” 
 “Pela aplicação de sugestão, cientificamente e sinceramente, é necessário 
pouquíssimo éter para produzir anestesia cirúrgica, e ainda menos clorofórmio para 
manter o paciente cirurgicamente anestesiado. Não estou a exagerar, no mínimo 
quando afirmo que é muito comum a circunstância de um anestesista que não 
compreende o uso da sugestão, usar de dez a vinte vezes mais, a quantidade de éter 
para anestesiar um paciente, do que é usada por Alice Magaw e Miss Henderson, que 
fazem uso de sugestão de todas as maneiras possíveis em uma dada operação. 
 “Nem é a anestesia onde tais quantidades enormes de éter são empregues, um 
avo mais satisfatório do ponto de vista do cirurgião, do que é assegurado pelos Mayos. 
Ao contrário, não há período de excitação, nem agitação do paciente que imponha 
imobilização, e comparativamente poucos estertores respiratórios, nenhuma sensação 
de impulso, e não há administração hipodérmica no decurso da operação, e mais 
ainda, um inquebrável record de aproximadamente dezassete mil casos sem uma 
única morte pelo anestésico. 
 “Mas o significado do emprego da sugestão como adjuvante para a 
administração de anestésicos vai muito além do perigo directo e imediato para o 
paciente durante o curso da operação. O cirurgião cujo os pacientes não têm reservas 
de energias, tão enfraquecidos e exaustos, com o cérebro e centros nervosos que 
presidem todos os processos fisiológicos do paciente tão seriamente e 
permanentemente lesionados, como é o caso com os Mayos, por conta do emprego da 
sugestão para obviar a necessidade de tais quantidades enormes de anestésico, 
simplesmente têm mais poder de recuperação deixado nas células do organismo, em 
qual a esperança de um resultado favorável de uma grande operação se baseia, e 
operações cirúrgicas em pacientes com o mínimo de quantidade de veneno dos 
 
55 
Hipnoterapia 
anestésicos para combater, são inquestionavelmente atendidos com melhores 
resultados, do que onde grandes quantidades de estupefaciente são usadas. 
 “Inerente e dentro do mecanismo protoplásmico do organismo humano está 
um reservatório de energia disponível inexplorado, a qual ou é utilizada pelo emprego 
judicioso de sugestão para o bem-estar do paciente, ou é esgotada, desvirtuada, ou 
desperdiçada pelo uso indiscreto de anestésico!” 
 Você descobrirá que esta técnica funciona com todo o tipo de anestesia 
química. Numa aula em Forest Hills, Long Island, um dos médicos leu uma carta aberta 
para mim, do Doutor Fein chefe no Queens County General Hospital. A carta convidava-
me a falar num encontro especial do staff. O médico que leu a carta explicou as razões 
para o convite: “Diplomei-me em anestesia, e especializei-me particularmente em 
óxido nitroso. Quando você nos falou acerca dessa técnica, eu fiquei a imaginar o quão 
bem poderia trabalhar com óxido nitroso. Deixe-me dizer-lhe porque é que isso, é 
importante! Você mostrou-nos uma técnica onde podíamos diminuir a dose de óxido 
nitroso, eu experimentei com os primeiros cinquenta casos, e nunca tive que ir acima 
dos trinta e cinco por cento do óxido nitroso e sessenta e cinco por cento do oxigénio, 
e consigo iniciar com os meus pacientes desse ponto e diminuir a partir daí. Quando eu 
levei as estatísticas dos cinquenta casos ao Doutor Fein , ele disse; “Este é o melhor 
conjunto de estatísticas sobre o óxido nitroso que alguma vez vi.” Eu disse-lhe onde é 
que eu aprendi a técnica, e ele querque você fale ao staff.” Eu conversei com o 
pessoal, e depois dei o mesmo discurso antes do Queens County Medical Society . 
 
 
56 
Hipnoterapia 
Capítulo 9: Incontáveis Métodos de Indução 
 
 As maneiras de induzir hipnose são quase incontáveis. E enquanto alguns 
métodos levam mais tempo que outros, todos eles podem ser usados para produzir o 
profundo estado conhecido como sonambulismo. Um estudante de Mesmer, um 
Marquês de Puseygur, descobriu o estado de sonambulismo acidentalmente. Tal como 
Mesmer, ele usou a árvore supostamente magnética. Um dia ele descobriu um jovem 
rapaz que se havia atado a essa árvore. O Marquês assistiu como o rapaz lentamente 
fechou os olhos e aparentemente adormeceu. 
 O Marquês, extremamente assustado ordenou ao rapaz para desatar os nós, e 
para sua grande surpresa, o miúdo, sem abrir os olhos fez como ele rogou. 
Continuando a sua experiencia, o Marquês ordenou ao rapaz para andar para frente e 
o rapaz andou. Ele ordenou ao rapaz que parasse e ele parou. Após mais algumas 
ordens desse género as quais o rapaz seguiu ─até a ordem para abrir os seus olhos e 
despertar─. Puseygur proclamou a sua descoberta para ser sonambulismo, porque ele 
viu esse rapaz andar e executar ordens enquanto aparentemente adormecido. 
 Isso foi o que originou o uso da palavra sonambulismo com ligação á hipnose. O 
termo tem sido utilizado desde que para denotar um estado hipnótico específico. É 
interessante notar que na verdade o rapaz entrou em sonambulismo por si mesmo, 
sem instrução de ninguém, provando o quanto é realmente fácil o procedimento 
hipnótico. 
 Os métodos para alcançar o estado de trance são limitados apenas pela sua 
imaginação. Não existe maneira na qual você não consiga hipnotizar um paciente. Os 
praticantes dos velhos tempos usaram o método da fixação. Ou seja, eles tinham o 
sujeito a olhar fixamente pelo menos para uma luz ou um objecto brilhante e 
procuravam cansar os músculos a volta dos olhos, e assim alcançando o fechamento 
dos olhos. Uma vez que o fechamento dos olhos é o primeiro objectivo que deve 
alcançar, tudo o que precisa é um dispositivo que cause isso. Qualquer dispositivo 
causará isso, desde que você saiba da arte da sugestão, e desde que a pessoa espere 
ser hipnotizada. Substitua a palavra ”relaxado” for “hipnotizado” e todo paciente que 
precise dos valores terapêuticos da hipnose pode ser relaxado instantaneamente. Isso 
aplica-se até aos pacientes que nunca tenham sido condicionados previamente 
 Os dispositivos empregues para alcançar o transe hipnótico são usados como 
catalisadores. Portanto nós chamamos a isso, métodos catalisadores de alcançar o 
transe. Aqui está um excerto de uma sessão de ensino a qual o habilitará a entender o 
que eu quero dizer: 
 Elman: Eu quero alguém que nunca tenha estado aqui antes. 
 Muito bem, sente-se aqui mesmo. Você não tem que se mover da sua cadeira… 
Eu vou tirar dar três bafos neste cigarro. Com o primeiro bafo os seus olhos 
começarão a ficar cansados… ao segundo bafo vai querer fechar os seus olhos… mas 
espere até ao terceiro bafo…nessa altura feche-os…Eles vão fechar e você nem será 
capaz de os abrir… Queira que aconteça… espere e deseje que aconteça… e veja 
 
57 
Hipnoterapia 
acontecer…Aqui vai o primeiro bafo…repare o quão cansado os seus olhos estão a 
ficar e deixe-os ficar cansados. Agora eles estão tão cansados que você quererá 
fecha-los, mas não os deixe fechar ainda. Agora, quando eu der o terceiro bafo eles 
vão fechar e trancar, deixe-os…Agora feche-os…Vai descobrir que estão 
trancados…Quanto mais forte os testa menos eles funcionam. Teste-os e descubra 
que nem os consegue fazer funcionar. Eles não funcionam de todo… Isso 
mesmo…Agora quando eu estalar os meus dedos, você será capaz de os abrir muito 
prontamente…Isso mesmo, pode abri-los… Aqui está o fechamento dos olhos por 
baforada no cigarro! 
 Vamos tentar de outra forma…Alguém que nunca este aqui…Muito bem, 
queira que aconteça, deseje que aconteça e veja acontecer! Eu vou tomar um gole de 
água…apenas um gole…e quando o fizer, os seus olhos irão fechar, eles ficarão 
trancados e você nao será capaz de abri-los…Queira que isso aconteça, e veja isso 
acontecer…Feche os seus olhos e irá descobrir agora que eles estão trancados…Eles 
não funcionam de todo…Teste-os e verá que não trabalham…Quando mais forte 
tenta, menos eles trabalham…Quando eu estalar os meus dedos eles irão abrir 
prontamente…Agora pode abri-los! Agora você descobre o fechamento-dos-olhos 
alcançado por tomar um gole de um copo de água. Estou a mostrar-vos isso em 
pessoas ainda não condicionadas. Se eles querem o fechamento dos olhos eles, 
conseguem ter. Vamos ter outra pessoa que nunca tenha estado aqui antes…Eu vou 
tocar na minha cabeça…Isso é tudo o que vou fazer… E quando eu tocar na minha 
cabeça os seus olhos vão fechar, e trancar e você nem será capaz de os abrir…Queira 
que isso aconteça e veja isso acontecer…Agora feche os olhos…Perceba que eles já 
estão trancados e quando você os testar eles não vão funcionar de todo…Teste-os e 
verá que não vão…Aqui nós temos um fechamento dos olhos perfeito outra 
vez…Muito bem, pode abrir os seu olhos agora! Deve ser perfeitamente evidente para 
você que, se eu posso fazer isso com um cigarro, com um copo de água, com um toque 
na cabeça, eu consigo também fazer a assobiar uma moda, a cantar uma canção, a 
fazer uma pose, a virar as costas, a sair da sala. Ou de qualquer outra maneira. 
Porquê? O que acontece? Ele queria o fechamento-dos-olhos por isso seguiu as 
instruções. Qualquer um pode fazer a mesmíssima coisa! Alguém irá sempre dizer,” Se 
você consegue hipnotizar por qualquer meio dentro da sua imaginação, hipnotiza por 
não fazer nada porque nada é algo que neste caso, torna-se num método pelo qual se 
hipnotiza. Consegue fazer isso?” Claro que consegue! Mas você tem de saber a teoria 
por trás disso. Eu devo fazer chegar á pessoa o facto ideia de que, quero que ocorra o 
fechamento-dos-olhos…Eu vou provar isso como toda a gente na sala…Não vou fazer 
nada e vocês todos vão ter o fechamento-dos-olhos…Experimentem…Vocês 
aperceberam-se do numero dos que tiveram o fechamento-dos-olhos? Eu vejo muitos 
de vocês a testar, então sei que tiveram. Os únicos que não conseguiram são aqueles 
que nem tentaram. Não é necessário bater na sua cabeça…limpar a sua testa…acender 
um cigarro. Não é necessário fazer nenhuma destas coisas. Você não tem que trazer a 
mão para baixo em frente aos olhos da pessoa. Você não tem que usar o método dois-
dedos-olhos-fechados. Você pode não fazer nada, mas transmitindo a ideia do 
 
58 
Hipnoterapia 
fechamento dos olhos, continuará a ter um bom fechamento dos olhos como 
possivelmente tem! Agora estamos armados de informação como nunca estivemos 
antes, e armados com a informação que você consegue o fechamento dos olhos 
meramente por transmitir a ideia, nós deveremos de ser capazes de conseguir um 
estado de hipnose melhor do que qualquer um em que tenhamos trabalhado até este 
ponto, e nós podemos! Deixem-me mostrar-vos como é que se chegou a esta técnica. 
 Eu usei-a para permitir que os meus estudantes tivessem um minuto para obter 
o estado mais leve, e dois minutos adicionais para ter o estado profundo. Isso acabou! 
Agora os meus estudantes têm que obter o estado profundo de hipnose em um 
minuto…Esta noite vamos praticar a rotina de três minutos, mas assim que estiverem 
mais aptos com a hipnose, eu quero que sejam capazes de encurtar para um minuto a 
partir do tempo que começarem a trabalhar com o vosso paciente… Vocês irão 
trabalhar com hipnose profunda, não o estado de relaxamento, não o estado pré-
hipnótico, com hipnose profunda!…E quero-vos a trabalhar para esse fim e a praticar 
para esse fim. Somente fazendo hipnose nos seus estados mais profundos possíveis 
em questão de minutos, nós iremos ser bem-sucedidos em fazer da hipnoseuma parte 
importante da medicina…Então esta noite enquanto vocês praticam a rotina de três 
minutos, eu vou mostrar-vos como avançamos para a obter em um minuto, e quero 
que cada médico na aula seja capaz de fazer em um minuto! Vamos ter aqui, alguém 
que não tenha estado antes e seguiremos a partir daí. 
 ─para o paciente─: Pode respirar calma e profundamente e feche os seus 
olhos. Agora relaxe os músculos a volta dos seus olhos até ao ponto em que esses 
músculos não funcionem, e quando tiver a certeza que eles não funcionam, teste-os e 
tenha a certeza que não funcionam…Não, você está a comprovar que eles 
funcionam…Relaxe-os ao até ao ponto em que não funcionam e quando tiver a 
certeza que não funcionam teste-os…Teste-os forte. Alcance um relaxamento 
completo nesses músculos a volta dos olhos…Agora deixe que essa sensação de 
relaxamento desça directo até as pontas dos dedos dos pés…daqui a momentos 
faremos isso outra vez, e quando fizermos na segunda vez você será capaz de relaxar 
dez vezes mais do que está relaxado agora…Agora abra os seus olhos. Feche os seus 
olhos…Completamente relaxado, permita-se a ser coberto com um manto de 
relaxamento…Agora vamos fazer a terceira vez e, será capaz de dobrar o 
relaxamento que você tem…Abra os seus olhos…Agora relaxe…Eu vou levantar a sua 
mão e larga-la, e se você tem seguido as minhas ordens até este ponto, essa mão 
estará mole como um pano de loiça molhado, e cairá na sua perna…Agora deixe-me 
levantar…Não a levante deixe-a pesada…Isso mesmo…Mas vamos abrir e fechar os 
olhos outro vez e dobre esse relaxamento e mande-o directo para os dedos dos seus 
pés…deixe a mão pesada como chumbo …Você sente quando está realmente 
relaxado…Agora sim você está… Você consegue sentir isso, não consegue? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Isso é um relaxamento físico completo, mas eu quero mostrar-lhe como 
você pode conseguir um relaxamento mental, tão bem como o físico, por isso eu vou 
pedir-lhe para iniciar uma contagem…Quando eu lhe disser…De cem para trás. De cada 
 
59 
Hipnoterapia 
vez que você disser um número, dobra o seu relaxamento, e quando estiver próximo 
dos noventa e oito você estará tão relaxado que não haverá mais números…Comece 
com a ideia de fazer isso acontecer e veja isso acontecer…Conte em voz alta, por favor. 
 Paciente: Cem 
 Elman: Dobre o relaxamento e veja os números começarem a desaparecer. 
 Paciente: Noventa e nove. 
 Elman: Veja os números começarem a desaparecer. 
 Paciente: Noventa e oito 
 Elman: Agora eles somem…Faça acontecer. Você tem que fazer isso, eu não 
posso. Faça-os desaparecer, dissipar, desvaneça-os. Todos eles sumiram? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Este é o estado de sonambulismo, atestado pelo facto de que ele foi 
capaz de dissipar aqueles números…Vou deixar o paciente dizer-vos como é que ele se 
sente… Permaneça relaxado como está, e diga a estes exactamente, qual é o 
sentimento de estar dentro do estado…Como se sente? 
 Paciente: Morno 
 Elman: o primeiro sinal de hipnose, calor…Que mais? É um sentimento 
agradável? 
 Paciente: Não é desagradável, destaca-se. 
 Elman:Em outras palavras, neste estado o paciente sente que tudo está bem 
com o mundo, e qualquer coisa dentro da razão parece possível, e portanto o paciente 
aceita a as suas sugestões quase sem criticismo. Se é uma sugestão agradável e para o 
bem do paciente, ele irá aceitar inquestionavelmente a sua sugestão. Se ele tiver 
dúvidas sobre ser boa para ele mesmo, ele irá rejeitar… Você pensa que nesta altura, 
alguém pode persuadi-lo a fazer alguma coisa contra o seu código moral ou de ética? 
 Paciente: Não. 
 Elman: Não faz sentido de que se vocês hipnotizam uma pessoa, vocês podem 
coloca-lo a fazer qualquer coisa que ele normalmente não faria! 
 A pessoa em hipnose ─e o paciente verificará o que eu estou a dizer─ tem uma 
maior consciência do que a pessoa não hipnotizada. 
 Paciente: Está certo! 
 Elman: Agora eu quero que vocês vejam que quando dão uma sugestão que 
seja razoável e prazerosa, a sugestão é aceite instantaneamente. Para propósitos 
médicos eu agora vou entorpecer a mão dele. Reparem a quão depressa a mão fica 
entorpecida, enquanto ele permanece no estado…Eu vou apertar a sua mão e quero 
que você se aperceba o quão rápido ela se torna entorpecida. Agora esta área estará 
completamente entorpecida e você não terá sensação nenhuma, de nada…Como está 
a mão? 
 Paciente: Sinto-a entorpecida. 
 Elman: Vocês vejam o quão rápido o pensamento selectivo ocorre uma vez que 
se atinja o estado. Se fosse necessário obter mais entorpecimento na mão dele, 
existem maneiras de torna-la tão entorpecida que você pode obter uma anestesia 
equivalente a qualquer anestesia química que possivelmente poderia usar…Agora 
 
60 
Hipnoterapia 
estamos todos a meio, e quando o fizer abrir os olhos a anestesia irá sumir. Note como 
estão bem as suas mãos e repare como se sente tão bem…Muito bem, abra os seus 
olhos…Como se sente? 
 Paciente: Bem 
 Elman: Reparem nos sinais. Ele esteve num estado de hipnose mais profundo 
do que qualquer um em que tenham trabalhado até agora. Qualquer um de vocês, que 
tem praticado e feito da maneira que é suposto ser, tropeçou ocasionalmente neste 
estado, sem se aperceber porque quanto mais o paciente está no estado, mais 
profundo ele vai. Alguns de vocês já têm tido sonambulismo bem nos vossos próprios 
escritórios, Mas agora a ideia é ter a vontade. 
* * * 
 
 Vocês devem ter sonambulismo sempre que o tentarem a menos que haja 
rejeição uma-e-outra-vez pelo paciente. Em cada caso, a faculdade crítica é 
contornada, e o pensamento selectivo estabelecido depois o sonambulismo é 
alcançado…Seguindo o mesmo procedimento, no entanto, as vezes vocês têm uma 
resposta que é bastante diferente. Como no caso de outro paciente com o qual estou 
agora a trabalhar. 
 Paciente: Eu consigo continuar a pensar no número seguinte. 
 Elman: Se você consegue, faça esse número desaparecer. 
 Paciente: Cada vez que eu tento dizer um número, eu alcanço o seguinte ao 
mesmo tempo. 
 Elman: Tudo bem. Qual é o seu primeiro nome? 
 Paciente: Ken. 
 Elman: Kent ou Ken? 
 Paciente: K-E-N 
 Elman: K-E-N. Eu escrevi isso no seu dedo tal e qual como numa ardósia , e com 
os olhos da sua mente você consegue ver tão claro como se fosse numa ardósia. Não é 
verdade? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Agora eu vou fazer algo, que eu penso que você gostará. Vou apagar do 
seu dedo, da ardósia e da sua mente, tudo ao mesmo tempo.Eu esfreguei-o para fora 
do seu dedo e sumiu completamente…Agora tente dizer-me o que eu tirei da sua mão. 
 Paciente: Não encontro. Sumiu. Não consigo lembrar. 
 Elman: Isto é o teste para a resistência…Ele passou o teste lindamente. Eu sabia 
que não havia resistência. Ele estava a encontrar dificuldade em fazer os números 
desparecerem porque o número seguinte vinha logo, mas feito desta maneira ele 
conseguiu fazer o nome desparecer do seu dedo tão facilmente. Agora, ─para o 
paciente─ pode descrever a sensação de dentro do estado? 
 Paciente: Meu nome. 
 Elman: Você o trouxe de volta? 
 Paciente: Eu nunca o deixei. 
 Elman: Então porque não me diz o que tirei da sua mão? 
 
61 
Hipnoterapia 
 Paciente: Demasiado cansado. 
 Elman: Isto é o estado artificial do sonambulismo porque ele tem o que é 
conhecido como afasia ─falta de vontade, inabilidade─ um desejo de não falar. Ele 
disse, “muito cansado”. O que indica afasia. Quando vocês obtêm afasia, vocês têm um 
estado de hipnose que não é nem de perto tão efectivo como o verdadeiro 
sonambulismo. E se vocês querem fazer com ele, procedimentos operativos difíceis, 
neste ponto não serão capazes de o fazer! Eu chamo a isso estado artificial de 
sonambulismo. Ele tem que fazer aqueles números ou aquele nome desaparecerem 
antes de termos o verdadeiro estado, porque afasia é uma coisa, amnésia é outra! E eu 
quero ter a certeza de que aamnésia está lá! Então [para o paciente] faça esses 
números desaparecerem completamente!...Expulse-os…Eles sumiram? 
 Paciente: Não. 
 Elman: Faça-os desaparecer. Eu vou levantar a sua mão e larga-la, e quando eu 
o fizer, o resto desses números cairão. Queira que eles sumam e veja-os ir 
embora…Foram? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Agora eles sumiram…Porque é que verifico cuidadosamente? Porque eu 
espero que os estudantes verifiquem cuidadosamente! Eu teria tido fracasso com 
quase tudo o que tentasse com ele, enquanto ele se agarrasse a esses números e tinha 
pouca vontade ou incapacidade de falar. No instante em que ele fez os números 
desaparecerem, ele conseguiu sentir a diferença…Eu considero o verdadeiro estado de 
sonambulismo como um estado muito desejável. Eu não poderia fazer um 
procedimento doloroso num paciente que não alcance o verdadeiro sonambulismo 
porque tudo o que poderíamos obter seria analgesia! Isso é um facto científico, 
positivo de que quando se obtém sonambulismo artificial não se obtém anestesia com 
ele. Quando se é principiante no trabalho com hipnose encontra-se sonambulismo 
artificial quase frequentemente. Vocês devem aprender como se livrarem disso. Vocês 
têm que causar sonambulismo artificial para o tornar em sonambulismo verdadeiro 
antes de obterem os resultados que vocês querem! Mesmo após terem aptidão com 
técnicas hipnóticas, ocasionalmente vocês encontrarão sonambulismo artificial. 
Aprendam a reconhecer o que é e não tentem fazer trabalhos difíceis com isso. O 
levantar e largar da mão é uma boa técnica para mudar do artificial para o verdadeiro 
sonambulismo. 
 
 
62 
Hipnoterapia 
Capítulo 10: Hipnose em vigília e sugestões em vigília 
 
 Antes de discutirmos mais sobre as técnicas de aprofundamento em hipnose, 
eu penso que é necessário que você conheça uma fase da hipnose que raramente é 
mencionada nos manuais, ou então é descrita inadequadamente. Para fazer isso 
devidamente, iniciaremos com uma história acerca do meu filho mais velho. 
 Quando Jackie tinha cinco anos de idade ele desenvolveu o hábito de se 
levantar cerca de duas horas após adormecer. Normalmente acordava do sono a gritar. 
Quando a minha esposa ia conforta-lo ele dizia, “tive um sonho tão mau e assustou-
me.” Ela falava com ele por algum tempo e depois sugeria-lhe para voltar a dormir. Ele 
recusava voltar a dormir com medo de que voltaria ter o mesmo pesadelo. Depois de 
muito aconchego, ele poderia tentar adormecer, por um bom tempo mas sem sucesso. 
 Uma noite na chegada a casa e o encontrei acordado e a chorar 
pesarosamente. Ele contou-me acerca dos pesadelos. Eu disse-lhe, “ Tu não tens que 
ser amedrontado pelos maus sonhos. Existe uma cura muito boa para eles que o meu 
papá usou comigo. O meu papá comprou-me um medicamento de sonhos, e depois de 
toma-lo nunca mais tive maus sonhos. Já faz muito tempo desde que ele me deu 
aquele medicamento do sonho e eu não sei se eles fazem mais, mas ficarei feliz em 
fazer uma chamada para a drogaria para descobrir se eles ainda têm algum. “Ele 
disse,” Oh, papá, podes fazer isso por favor? Se eles não têm talvez possam 
encomendar algum.” Eu saí do quarto e fui para a sala onde estava o telefone. Eu fingi 
telefonar para a drogaria. Depois poisei o receptor e fui para o quarto do meu filho e 
disse 
 ”O funcionário da drogaria disse-me que havia e que vinha entregar 
imediatamente e que tudo que nós tínhamos de fazer era esperar alguns minutos que 
ele estaria aqui. Desculpei-me e fui para outra sala e disse á minha esposa para sair até 
ao hall e tocar a nossa campainha da porta, mas para o fazer muito silenciosamente 
para que tudo o que o Jackie ouvisse fosse a campainha e não o som dela a sair para o 
hall. Então eu voltei para junto do meu filho. Muito rapidamente a campainha tocou e 
eu disse, “ Isso deve ser o medicamento do sonho. Eu vou busca-lo para ti.” Eu arranjei 
um pretexto para responder ao toque da campainha, abrindo a porta com bastante 
barulho e agradecendo ao moço das entregas imaginário, por ter sido tão prestativo 
com isso. Eu falei alto para o meu filho,” O medicamento do sonho está aqui. Eu levo-o 
para ti assim que eu o desembrulhar da embalagem.” Depois fui até a casa de banho 
peguei um frasco de medicamento vazio e enchi com água limpa. Colei um rótulo no 
frasco e gravei “Medicamento do sonho.” Depois peguei num copo normal e enchi 
com água. Levei o frasco do medicamento e o copo normal com água ao quarto do 
meu filho e disse-lhe,” Isto é um pouco amargo por isso é melhor preparares-te para 
tomares este copo de água depois de eu te dar uma colher de chá cheia com 
medicamento.” Enchi uma colher de chá e dei-a ao meu filho, rapidamente 
acompanhada com um copo de água. Depois dei-lhe um beijo de boa noite, e disse-lhe 
que iria adormecer num minuto, e assim foi. Ele não teve pesadelos depois disso e a 
 
63 
Hipnoterapia 
cada noite ele pedia o medicamento do sonho antes de ir para a cama e, de seguida 
ele dormia durante toda a noite. Chegou uma altura em que me disse com bastante 
orgulho que acreditava poder tomar o medicamento do sonho sem um apoio. Eu disse-
lhe, “Isso é maravilhoso. Vamos experimentar pelo menos uma vez para ver se 
consegues.” E então ele tomou uma colher de chá cheia de água limpa do frasco do 
medicamento e disse.” Eu consegui, papá. E nem dei conta nem um pouco.” 
 Nós usamos o medicamento do sonho com todas as nossas três crianças e aqui 
está um facto interessante; recentemente falei acerca do medicamento do sonho com 
o meu segundo filho, Bob, que tem trinta e três anos. Perguntei se ele lembrava do 
medicamento do sonho, e ele recordou-se. Depois perguntei-lhe se sabia que isso era 
uma forma de hipnose. Ele disse, pai eu tenho conhecimento que isso era hipnose há 
muitos anos, mas deixe-me contar uma coisa que eu penso que o irá animar. Desde 
que você me deu o medicamento do sonho, tenho tido o hábito de tomar um gole de 
água um pouco antes de ir para cama, e depois durmo tranquilamente durante toda a 
noite. Depois que casei, a minha esposa apanhou o hábito de tomar um pequeno gole 
de água antes de ir para cama. O medicamento do sonho deve ter ficado poderoso 
porque tenho-o usado com sucesso desde que eu me lembro.” A história do 
medicamento do sonho ilustra um fenómeno conhecido como “hipnose em vigília”. 
 Por causa da interminável confusão na literatura da hipnose sobre dois 
distintos fenómenos ─a sugestão em vigília e a hipnose em vigília─ eu vou tentar 
clarificar estes dois estados completamente diferentes. A hipnose em vigília pode ser 
um dos seus mais valiosos aliados na medicina ou odontologia. De facto é firme a 
minha convicção de que ninguém pode saber hipnose sem ter conhecimento da 
hipnose em vigília. 
 O verdadeiro uso da hipnose deverá ser este: Quando encontrar resistência ao 
estado de transe, use hipnose em vigília. Onde você estiver a tentar ganhar tempo, use 
hipnose em vigília. Você obterá os seus resultados de curto alcance muito bem. Mas 
onde o tempo não for essência, você descobrirá que para muitos propósitos no “a 
longo termo” o estado de transe servi-lo-á melhor que o estado de vigília. 
 Aqui está uma definição da sugestão em vigília: A “sugestão em vigília” é uma 
sugestão dada no estado normal de consciência que não precipita á um estado de 
“hipnose em vigília” Por exemplo: Alguém uma pessoa na sala boceja. Alguém a vê a 
bocejar e boceja também. Outra pessoa a vê bocejar, e a terceira pessoa boceja, e 
você, rapidamente tem uma sala cheia de pessoas a bocejar. Isso é “sugestão em 
vigília”. Qualquer um de nós já viu isso ocorrer! Não há envolvimento do Bypass 
contorno da faculdade crítica. 
 Outra forma de “sugestão em vigília” é esta: Eu poderia dizer a você” Doutor, 
queira sentar-se.” Ou “Entre Sr. Jones.” Qualquer destas menções é uma sugestão em 
vigília. A hipnose em vigília não está envolvida porque nãohá o bypass contorno da 
faculdade crítica. 
 Agora deixe-me mostrar a diferença entre a “sugestão em vigília” e a “hipnose 
em vigília”: Quando o efeito hipnótico é alcançado sem o uso do estado de transe, 
 
64 
Hipnoterapia 
tais efeitos hipnóticos são chamados de “hipnose em vigília”. Em cada caso, envolve 
um bypass contorno da faculdade crítica e a implantação do pensamento selectivo. 
 Deixe-me mostrar um exemplo de “hipnose em vigília”. Aqui é numa aula de 
demonstração, executada com um médico anteriormente desconhecido do professor. 
 Elman: Doutor, você gosta de ir ao dentista? 
 Doutor: Não, não gosto. 
 Elman: Repare nisso. Eu vou apertar o seu maxilar três vezes. Você vai perder 
toda a sensibilidade no lado do maxilar em que eu apertar…Um, dois, três…E agora 
vem um homem de odontologia para aqui por favor…Você vai descobrir que aconteceu 
uma coisa incrível…Escolha qualquer um de todos esses instrumentos, e vá por dentro 
do lado direito do maxilar dele, ele nem vai aperceber-se de qualquer sensação 
ali…Acho que o homem aqui irá surpreender-se, eu entendo porque ele próprio é um 
anestesista…Ele tem anestesia perfeita, verdade? 
 Doutor: O que é que ele fez? 
 Elman: Ele cinzelou-o forte o suficiente de forma que normalmente você teria 
batido no tecto. Foi com isso que ele fez…Muito obrigado, é tudo o que eu preciso de 
si por enquanto. 
 Doutor: Quanto tempo é que isso durará? 
 Elman: Isso durará o tempo que for necessário para estar na cadeira do 
dentista. Poderia durar duas horas, três horas, quatro horas. Contanto que ele tenha 
que trabalhar em você. E eu posso assegurar-lhe que é tão boa anestesia como a que 
você pode ter com xylocaina ou qualquer outra coisa. 
 ─Um médico na audiência disse que esteve hoje no dentista e agora tem 
anestesia num lado da sua face. Ele gostaria de ter anestesia no outro lado─ 
 Elman: Muito bem doutor. Por favor venha para aqui. Se você tem anestesia de 
um lado, eu vou provar-lhe que a anestesia hipnótica consegue ser ainda melhor que a 
anestesia química. Vejam isso, eu quero fazer um teste nos dois lados. Eu vou apertar 
o queixo dele três vezes, e ele vai perder toda a sensibilidade na face. Um, dois, e 
agora, o queixo estará completamente entorpecido quando eu disser, três …Muito 
bem *para outro medico na audiência+ doutor venha para aqui por favor… Eu quero 
que você trabalhe em ambos os lados porque ele tem anestesia química de um lado, 
anestesia hipnótica do outro. Veja se você encontra alguma diferença, veja qual delas 
acha melhor para sua anestesia! ─O médico faz o teste─ Há mais anestesia no lado da 
anestesia hipnótica, do que no lado da anestesia química … Doutor diga-lhes isso, por 
favor. 
 Doutor: É verdade. 
 Elman: Aqueles de nós que dominam a hipnose em vigília e sabem como usa-la 
conhecem o seu poder ─para que a anestesia que ele receba seja melhor do que 
anestesia química─. Deixem-me mostrar-vos a hipnose em vigília de outro ponto de 
vista. 
 Elman: ─Agora dirigindo-se ao médico na audiência, dizendo-lhe para ficar de 
pé, em frente a cadeira. Pode dar-me o seu nome e endereço por favor. ─o medico deu 
o nome e endereço e Elman repetiu─. Muito bem eu vou estalar meus dedos e você vai 
 
65 
Hipnoterapia 
descobrir que não consegue pensar no seu nome ou no seu endereço. [ Estalou os 
dedos+. Tente dizer agora, e descubra que sumiram. Tente mais forte. ─O médico é 
incapaz de falar o nome e endereço─ 
 Muito bem, agora você já consegue dizer. ─Agora o médico consegue dizer o 
nome e endereço─. Agora, por que funcionou? Eu disse-lhe “Queira que isso 
aconteça”, e ele gostou bastante da ideia que isso acontecesse. Ele disse para ele 
mesmo, ” Eu me pergunto-me se isso poderia acontecer comigo? Não é verdade 
senhor? 
 Doutor: É verdade! 
* * * 
 Todos os efeitos obteníveis com o transe hipnótico são obteníveis em muitas 
pessoas com hipnose em vigília. Nas demonstrações acima eu obtive anestesia, mais 
forte do que se pode obter quimicamente. Também obtive amnésia temporária com 
outra pessoa. Em estado de transe é preciso o sonambulismo para se atingir amnésia. 
Também atingi amnésia com um senhor na demonstração acima, a portanto tive 
sonambulismo no estado de vigília. Ele foi hipnotizado. 
 No estudo da hipnose em vigila e da sugestão em vigília, todos os fenómenos 
pós-hipnóticos estão excluídos por que a hipnose em vigília não é pós-hipnótica. 
Poderá talvez ser alcançada em pacientes que nunca conheceram o estado de transe. 
Mais uma vez, a hipnose em vigília é usada como uma alavanca para entrar no estado 
de transe profundo. Portanto o conhecimento sobre sugestão em vigília e da hipnose 
em vigília farão de vocês melhores operadores. Agora deixem-me mostrar a hipnose 
em vigília em grupo. Um grupo inteiro de pessoas pode ser hipnotizado com a seguinte 
experiencia. Na presença de um número de pessoas, parta e abra um ovo 
perfeitamente fresco. Faça uma cara de nojo e exclame, “Ufa, esse ovo cheira a podre. 
Eu não comeria isso por um milhão de dólares. Caramba, isso é terrível. Cheirem isso, 
alguém consegue?” Então passe esse ovo a volta das pessoas para o cheirarem. Pessoa 
após pessoas dirão “Esse ovo tem um cheiro terrível”. E algumas ainda dirão “Porque 
parece mesmo ruim”. Essas pessoas têm estado alucinadas ao acreditar que o ovo 
fresco estava estragado. Para todos os efeitos e propósitos, elas foram completamente 
hipnotizadas. Muitos contestarão de que essas pessoas não foram hipnotizadas, por 
não terem entrado em transe de forma alguma. Bem, vamos examinar os factos. Você 
aprendeu que a hipnose é um estado da mente no qual a faculdade crítica é 
contornada, tornando o pensamento selectivo possível. Tem-lhe sido pedido para 
obter o estado praticando em si e com outros, por forma a incrementar a sua 
habilidade em instar uma sugestão tão fortemente nos seus pacientes que você 
bypassa contorna a faculdade crítica ─que é a capacidade de julgar questões 
seleccionadas com precisão, e substituir o julgamento do paciente nestas questões 
seleccionadas pelo seu próprio julgamento─ quando você alcança o estado da mente, 
você tem hipnose. E agora você está a aprender que não precisa do estado de transe 
para alcançar verdadeiramente a hipnose e os efeitos hipnóticos. 
 Considere o caso do ovo novamente. Quando você exclama” Ufa, este ovo 
cheira a podre. Eu não o comeria nem por um milhão de dólares.” Você faz uma 
 
66 
Hipnoterapia 
declaração positiva de um facto aparente, no qual os seus ouvintes aceitarão como 
valor certo. O respeito pela sua opinião é a causa pelo qual acreditam no que você 
diz mesmo antes de cheirarem o ovo! Tendo minimizado a habilidade deles em avaliar 
o ovo de forma precisa, você pede para que eles o façam e eles fazem-no ─não com 
faculdade crítica deles, mas com a sua─. Você concretizou a hipnose. Você alucinou 
dois dos sentidos deles ─o da visão e o do olfacto─. Você tornou a hipnose tão efectiva 
como um transe o pode tornar. Se subsequentemente a alucinação não for exposta, os 
seus ouvintes permanecerão convencidos até ao fim dos seus dias de que o ovo estava 
em avançado estado de putrefacção. 
 Outra experiencia que pode ser realizada facilmente com apenas uma pessoa. 
Suponha que estivesse a ver uma enfermeira de olhar inteligente em um uniforme 
justo e elegante, e que dissesse a ela:” Senhora ─qualquer coisa─ importa-se d ese 
voltar uma vez? Há qualquer coisa com esse uniforme que me intriga.” A enfermeira 
seguirá as suas instruções. Então suponha que por momentos você olha para ela com 
olhar crítico, e diz; “ Humm agora vai girar para o outro lado, vai por favor. Estava a 
pensar acerca do que estaria errado. Muito obrigado. Tenha um bom dia!” Nesta 
altura você pode afastar-se sem dizer mais nada, e você terá precipitado estimulado a 
hipnose. Apesar das outras enfermeiras assegurarem que está tudo em ordem com ouniforme, a enfermeira a quem você aparentou criticar, terá a certeza de que o vestido 
dela estava muito comprido, muito apertado, muito pequeno, muito grande, ou que 
abaulou ou não cobriu certo as partes erradas. E quanto mais ela se preocupa, mas ela 
questiona a sua própria avaliação quanto ao ajustamento do uniforme. Quando a 
habilidade dela em avaliar o uniforme estiver suficientemente minimizada, ela iria 
substituir o que ela acreditaria ser o seu julgamento considerando ser o dela mesmo. 
Sem a ajuda do estado de transe, você terá contornado a faculdade crítica dela, e 
implantado tão firmemente uma sugestão que ela ficará satisfeita apenas quando 
mudar os uniformes. 
 Agora vamos deixar a hipnose em vigília por um pouco, e vamos voltar para a 
sugestão em vigília. Todos os homens da ortodontia dirão que tem visto pacientes que 
vão aos seus consultórios a sofrer com dores de dentes. A medida que o paciente 
entra, a dor desaparece. Ele teme o dentista, mais do que teme a dor de dente. E 
depressa decide que o dente não doe mais. Pensar no dentista afastou a dor. 
 Aqui está outro exemplo: Um paciente de acidente é levado às pressas para o 
hospital. Ele parece estar mal. Ele está numa mistura de choque e pânico. Na sala de 
emergência ele ouve as palavras tranquilizadoras,” Nada de sério. Ele consegue. Ele vai 
fazer tudo certo” e nesse instante ele começa a responder. Essas palavras mágicas 
“nada sério grave provavelmente têm salvado milhares de vidas. E aqueles de vocês 
que têm trabalhado em salas de emergências, têm visto isso acontecer e têm 
questionado por quê que isso acontece. A sugestão em vigília fez o truque. Este 
fenómeno não é hipnose em vigília, mas sugestão em vigília. Contrariamente o médico 
diz ao paciente. “Isso vai doer um pouco.” O paciente fica tenso e aquilo que deveria 
ser uma intervenção menor, quase que se torna numa das maiores ─dores induzida 
por sugestão─. Todos os estudantes das escolas de medicina ou ortodontia são 
 
67 
Hipnoterapia 
informados pelos seus professores, “ Nunca faça nada ao paciente de surpresa 
mantenha-o informado do que você está a fazer em todas as etapas.” A maneira dos 
médicos avisarem-nos de uma maneira fácil é dizerem” Isso vai ser um pouco 
desconfortável, isso vai doer um pouco, mas nós vamos tentar minorar consigo,” e ele 
pensa que vai ser fácil para o paciente, quando de facto e ele tornou cerca de dez 
vezes mais duro. Ao invés de dizer, “Isso vai doer um pouco,” diga “ Bem, agora eu vou 
fazer algum trabalho no seu braço, eu penso que você nem se aperceberá disso, “e 
imediatamente faz-se o pequeno procedimento tornar-se fácil e simples para o 
paciente que realmente não o sente! Isso é sugestão em vigília, roçando talvez a 
hipnose em vigília, e usado construtivamente. 
 A falta de simpatia em doenças psicossomáticas é tida como uma das grandes 
causas do sofrimento dos pacientes. O facto de o médico ter dito, “Bem, nós não 
conseguimos encontrar nada de errado consigo. Isso deve ser da sua mente,” causa 
paciente após paciente, o sentimento de que ele caminha para a insanidade. Os 
psiquiatras têm confirmado isso muitas vezes nas discussões dos seus problemas 
comigo. Eles têm dito: “ Os médicos mandam-nos os pacientes assim. Essa é a maneira 
como eles apresentam o paciente ao psiquiatra. E isso significa que temos de trabalhar 
cerca de seis meses mais, por causa de uma apresentação inapropriada ao psiquiatra 
feita pelo médico.” Um tratamento compreensivo de dores e estados dolorosos 
psicossomáticos dá ao paciente a atitude necessária para ajudar a sua recuperação. 
Não há um único homem em psiquiatria que não concordará com essa afirmação. 
 Vamos voltar á hipnose em vigília, e mostrar exemplos na medicina e 
ortodontia. Existem alguns médicos que por vezes não acham aconselhável, aplicar ou 
autorizar a aplicação da tão comum injecção hipodérmica estéril. Isso é útil numa 
variedade de casos. É uma técnica de hipnose em vigília. Existem muito mais coisas 
que a medicina poderia ter obtido da hipnose, mas não obteve, e que poderia ter sido 
bastante benéfico. Por exemplo, não há um médico no século dezanove, eu acho, que 
não conheça esta proeza que eu vou mostrar agora. Isto é provavelmente o adjuvante 
mais útil dos médicos ou dentista que trabalham com um “regurgitador” ─pessoa com 
refluxo esofágico vomito─ 
 Gostaria de mostrar uma técnica valiosa para parar a regurgitação. Esta 
demonstração teve lugar numa aula, e o “paciente” era um médico que tinha 
tendência para o regurgito durante a examinação oral. 
 Elman: Doutor venha aqui e examine a garganta deste senhor, da maneira que 
você quiser, tente-o fazer regurgitar depois de eu mostrar a ele o que fazer… [para o 
paciente] Agarre este lápis firmemente com as duas mãos, e você irá descobrir que 
não consegue vomitar enquanto segurar esse lápis firmemente. Veja isso… *para a o 
médico examinador] faça qualquer exame que você queira. Você não será capaz de 
faze-lo regurgitar enquanto ele agarrar o lápis…Doutor use essa técnica, e eu garanto-
lhe que você consegue fazer o trabalho dental. Apenas agarre o lápis ─é tudo─ agarre o 
lápis com as duas mãos. E terá um óptimo resultado. 
 * * * 
 
68 
Hipnoterapia 
 Nesta demonstração o “paciente” finalmente regurgitou quando a úvula foi 
tocada; esse é o mecanismo gatilho da natureza para o fazer regurgitar. Então não foi 
sugerido que se afastasse o mecanismo da natureza. Mas eu sugeri afastar o 
mecanismo gatilho, que no passado fez com que a úvula deste homem reagisse muito 
antes do médico o fazer. Noventa e sete de cem pacientes que regurgitam, serão 
beneficiados por esta técnica. 
 Quem é a pessoa que que não quererá ser beneficiada por esta técnica? A 
pessoa que regurgita por causa de um acidente traumático do seu passado. 
Recentemente um dos meus estudantes, um psiquiatra, disse-me ” Senhor Elman, a 
minha esposa tem uma doença rara. O seu efeito é a falta de saliva. Desde há vinte e 
cinco anos que ela não tem saliva nenhuma, e por causa disso ela tem piorreia, perdeu 
todos os dentes, ela tem gretas nos lábios tão graves que requerem atenção médica.” 
Eu disse-lhe, Doutor, ela dever ter segregado produzido alguma saliva durante estes 
anos ou ela não conseguiria digerir a comida. Ela não poderia ter vivido durante vinte e 
cinco anos sem saliva.” Ele respondeu,” Bem, ela segrega muito, muito pouca. Eu 
disse-lhe que o que ela excretou devia ser muito bom, pois como ela estava de boa 
saúde. Então eu mencionei a possibilidade de que a dificuldade dela talvez tivesse uma 
base emocional. “ Oh não” disse ele. “Afinal de contas ela é esposa de um psiquiatra. 
Ela tem tido treino de enfermagem psiquiátrica. Por isso eu tenho a certeza que isso 
não é de origem emocional. Mas eu gostaria de a ajudar se você poder. Ela não 
consegue usar a dentadura. Por causa de não segregar saliva suficiente, a dentadura 
queima-lhe a boca e depois de a usar talvez por um dia, tem que ficar três ou quatro 
dias sem ela.” Ele pediu, apesar das suas dúvidas, se eu tentaria ajuda-la. Dez minutos 
de hipnoánalise revelaram isto: 
 Há vinte e cinco anos ela esteve presa á um caso de tuberculose. A garganta 
tinha sido afectada, e agora tinha que ter as suas amígdalas fora. Os médicos 
responsáveis preferiram ter um especialista a executar a cirurgia. Eles chamaram um 
especialista de uma área distante. Contudo ela teve a estranha noção impressão de 
que as mãos do especialista estavam sujas. Ela estava sob anestesia local e acordada, e 
insistiu para que ele voltasse a lavar as mãos. Talvez essa alucinação de desasseio 
tenha sido despoletada pelo medo da operação. De qualquer forma, ela então ficou 
com a ideia de que se as mãos dele estavam sujas, os seus instrumentos também 
estavam sujos. 
 Ela fê-lo reesteriliza-los mas para ela a operaçãofoi uma das horríveis, para 
falar no mínimo, e depois ela fez uma recuperação lenta. Agora todas as vezes que 
alguma coisa estranha entra na sua boca, não há saliva. Alguma vez deram conta de 
que quando estão assustados a boca fica seca? 
 Um dos sintomas de muito medo, comum á muita gente é a falta de saliva. Eu 
sou de opinião de que ela está a abreagir á amigdalectomia de há vinte e cinco anos e 
que ela nunca teve nada mais do que um problema emocional, um pânico quase 
constante sempre que alguma coisa vem para perto da boca dela. Objectos estranhos 
tais como dentaduras podem, no nível abaixo do de consciência, lembra-la dos 
instrumentos médicos a entrar na garganta. Eu tenho a certeza que vamos alcançar 
 
69 
Hipnoterapia 
resultados gratificantes neste caso e que ela será capaz de usar a dentadura sem 
desconforto. Houve em definitivo um incidente traumático, e o marido dela disse-me 
depois, “Eu nunca, nunca teria suspeitado que essa situação poderia surgir a partir de 
um problema emocional.” Quando vocês encontrarem uma pessoa que tenha tido um 
incidente traumático como este, o paciente mesmo que segure o lápis, não conseguirá 
ter alívio de regurgitar. Felizmente, isso é raro, e, o lápis catalisador trabalhará 
lindamente com noventa e sete por cento dos casos. É estritamente hipnótico. Muitos 
casos de impotência têm sido tratados por médicos que prescrevem comprimidos de 
açúcar, com a garantia ao paciente que “isto fá-lo-á tão potente como um touro 
jovem.” È interessante notar que, médicos e dentistas fazem uso da hipnose em vigília 
todos os dias, mas estão completamente inconscientes disso. Uma das intenções deste 
curso é para chamar á atenção dos alunos para a utilização científica de tais técnicas. 
 Agora se houver tal coisa como hipnose em vigília, se foi possível eu produzir 
anestesia num anestesista e amnésia noutro médico, deve ter havido uma chave 
explicação racional para o processo. No pensamento que passou pela mente do 
anestesista ocorreu algo parecido com isto: “Eu tenho visto Mr.Elman ter sucesso, e 
ele seria um tolo para tentar qualquer coisa que fosse provável de falhar diante de 
uma plateia de médicos. Não seria ele um idiota para dizer que eu estava anestesiado 
se eu não estivesse anestesiado? Ele deve saber do que está a falar. Eu devo estar 
anestesiado.” 
 Portanto, ele fechou focou a mente em volta da ideia de que foi anestesiado, e 
por isso ficou anestesiado! Isso aconteceu simplesmente assim. Por que é que o outro 
homem teve amnésia completa por alguns segundos? Simplesmente porque gostou da 
ideia de isso acontecer! “Ele disse para si mesmo: Não seria interessante se isso 
realmente acontecesse? Ele teve amnésia porque a sua mente disse, “Eu iria gostar 
disso. Eu gostaria de ver como é que é o efeito disso.” No minuto em que ele pensou 
isso, a faculdade critica dele foi contornada, e o pensamento substituto foi usado, e ele 
teve amnésia. Seguindo as demonstrações acima descritas, o doutor que evidenciou 
amnésia confirmou esta hipótese. Há uma maneira específica e confiável para alcançar 
a hipnose em vigília ─deve haver, por eu não falhar muitas vezes nisso, por os meus 
médicos não falharem muitas vezes também─. Esta é a chave do processo: A mente do 
sujeito tem de fechar-se focar-se em volta de uma dada ideia. 
 A criança que chora tem a certeza de que se a mãe a beijar a dor desparecerá. 
A enfermeira tem a certeza que a apreciação do doutor concernente ao uniforme dela 
é infalível; as pessoas presentes na experiencia com o ovo têm a certeza de que a 
primeira pessoa que passou a notícia acerca do ovo estava correcta; o anestesista 
estava certo de que eu seria o maior tolo no mundo se ele não estivesse anestesiado, 
então ele teve a certeza na sua própria mente de que estava anestesiado. A mente 
dele fechou-se focou-se em volta da ideia e por conseguinte ele teve anestesia. 
 Para fazer com que a mente humana se feche foque em volta de uma dada 
ideia, as sugestões no estado de vigília devem ser dadas com completa confiança, com 
garantia segurança absoluta. Elas não devem deixar espaço para dúvidas. Se restar 
uma dúvida, normalmente a sugestão torna-se ineficaz. Portanto, é dar as sugestões 
 
70 
Hipnoterapia 
de tal forma que implique que o que você disser seja tão certo real de acontecer como 
a aurora o nascer do sol. Elas não devem deixar espaço para dúvidas. Todas as pessoas 
das experiencias descritas fecharam focaram as mentes em volta uma dada ideia que 
tinha a aparência de uma certeza. Primeiro, a mente do sujeito tem de fechar-se 
focar-se em volta de uma dada ideia. 
 Segundo, a sugestão tem que ser uma das que o paciente quer deseja. 
 Qualquer paciente a sofrer com dores intensas quer alívio. Ele está apto em 
acatar rapidamente as sugestões para o alívio do seu sofrimento. Qualquer paciente 
que enfrente a perspectiva de dor ─os pacientes odontológicos são excelentes 
exemplos ─ está preparado para hipnose em vigília. O paciente emocionalmente 
perturbado está geralmente pronto acessível para ouvir o médico que mostre simpatia 
e compreensão. Todas essas pessoas aceitarão as sugestões porque elas querem as 
sugestões. Agora, como transmitir essas sugestões? 
 Deixe o paciente ouvir aquelas palavras das quais está ansioso para ouvir. 
Neste momento eu vou descrever uma experiência marcante que eu executo diante de 
médicos, e que não deveria ser propensa a ter tanto sucesso perante leigos. Aqui está 
a experiencia, conforme gravada na aula: todos vocês sabem que isso (segurando um 
jarro) é unicamente gelo e água e nada mais. Todos vocês sabem que isso são 
cotonetes (segurando um). Todos vocês sabem que gelo e água não anestesiam, e que 
cotonetes não anestesiam. E vou mesmo dizer-lhes que as palavras que vou usar são 
falsas. Todas as palavras que vou usar são palavras falsas. Mas isto são instrumentos 
cirúrgicos, meus senhores, que têm pontas afiadas, e elas são tão afiadas como 
qualquer agulha que vocês alguma vez tenham visto, e elas magoam como o diabo. 
Então vocês vejam que, mesmo a minha semântica sendo má ─ainda, usando 
semântica incorrecta, usando água gelada como meu agente anestésico, usando 
cotonetes, usando palavras que são falsas─, todos vocês vão ser hipnotizados pelo que 
eu vou fazer agora. Agora oiçam as palavras que uso, eu penso que que vocês vão 
adorar isso porque isso é uma verdadeira aplicação da hipnose em vigília, e vocês 
verão por que é que isso funciona… *dirigido ao médico+: Doutor, você sabe que 
algumas das drogarias têm surgido com algo realmente novo e interessante. Você sabe 
o que eles fazem? Eles colocam anestesia directamente no álcool, agora quando eu o 
pincelar com isso você fica completamente anestesiado, agora, enquanto trabalho 
nessa área, você sabe que estou a trabalhar ali, mas nada o incomodará, nada o 
perturbará. Veja doutor (aplicando uma pinça cirúrgica). O que você sente então? 
Nada na forma de desconforto? 
 Medico: Nada 
 Elman: Eu quero que você faça isso também no próximo médico. Descobrirá 
que isso funciona com ele tal e qual funcionou consigo…A maioria das pessoas nem 
consegue suportar isso por um segundo. E se você poder chegar ao ponto em que você 
possa segurá-la, baloiçar a volta e não se incomodar, se você sabe que pode deixá-la lá 
por um minuto sem se importunar; você está a chegar ao ponto onde você está a ter 
muito boa anestesia… (dirigindo ao médico que levantou a questão, porque é que 
algumas experiências podem falhar diante de leigos). Desde o dia que você começou a 
 
71 
Hipnoterapia 
exercer, quantas vezes você desejou ─quando pincelou um paciente na preparação 
para dar-lhe uma injecção ou na preparação para alguma coisa que você sabia que era 
desconfortável─ como tem desejado que pudesse anestesiar ao mesmo tempo que o 
pincelava. E quando eu vim com as palavras, ─Eles põem a anestesia directamente no 
álcool─, euestava realmente a ecoar repetir aquilo que você tem pensado abaixo do 
seu nível de consciência desde o dia em que começou a exercer. Estas palavras são 
particularmente bem-vindas aos ouvidos dos médicos. Ele diz para si mesmo, “Tudo o 
que eu tenho de fazer é dizer que eu obtenho anestesia. Vamos experimentar”. E 
porque ele obtém anestesia, ele fica maravilhado, mas esquece que ele está receptivo 
á sugestão. Se eu faço, esta mesma coisa em frente a um grupo de leigos, vou dizer-
lhes o que vai acontecer todas as vezes ─e eu parei de faze-lo diante deles for essa 
razão─ Na segunda pessoa que eu fizer irá dizer, “Oh isso é muito sem sentido. Isso 
não tem possibilidade de funcionar.” Depois disso, toda a gente começa a sentir. Mas 
você jamais irá ouvir essa reacção num grupo de médicos, porque o médico diz. “Oh, 
irmão, como eu gostaria de fazer isso funcionar.” 
 
 * * * 
 Enquanto muitos dos meus médicos-estudantes têm usado hipnose em vigília 
lindamente, talvez um dos expoentes máximos do seu uso é um meu estudante no 
Midwest. Ele disse-me há algumas semanas depois de termos tido a sessão da aula 
descrita acima, “Pergunto-me quantos dos seus estudantes podem dizer que têm 
realmente feito cirurgia abdominal profunda com hipnose em vigília. Eu usei 
precisamente a técnica que você nos ensinou e obtive anestesia tão perfeita que fui 
capaz de prosseguir e fazer uma cirurgia num caso cardíaco onde de qualquer maneira 
eu não poderia usar muita anestesia de, mas desta forma, evitei o uso de qualquer 
anestesia.” 
 Essa foi a técnica que ele usou no caso da cirurgia abdominal profunda que ele 
me descreveu. Ele perguntou ao paciente, “Já alguma vez antes esteve anestesiado?” 
Quando o paciente disse que esteve o médico continuou. 
 “ Bem fico satisfeito em ouvir isso, porque nós temos aqui uma cápsula, que 
segue os padrões nervosos exactos da anestesia anterior. Tudo o que eu tenho a fazer 
é faze-lo engolir isso e você vai ficar completamente anestesiado em todas as áreas 
onde esteve anestesiado antes. Em cerca de trinta segundos você terá anestesia 
completa onde quer que tenha tido antes.” Ele fez o paciente engolir a cápsula, 
segundos depois, conseguiu ter grampos de toalhas agarrados em muitas partes do 
corpo deste, sem que o paciente os sentisse. Ele prosseguiu e fez a cirurgia. “ Quando 
pude ver que ele não sentiu os grampos de toalhas,” ele disse-me, “Eu soube que ele 
não sentiria sequer a incisão, então avancei para o serviço. Eu tinha testado com os 
grampos de toalhas nas partes moles da anatomia dele. Se ele tivesse sentido isso, eu 
não teria ido em frente com a cirurgia. Uma vez que ele não sentiu os grampos de 
toalhas, fui em frente e fiz a cirurgia.” Subsequentemente, este médico reportou êxitos 
semelhantes em mais quatro casos manuseados dessa forma. Com pequenas 
variações, você põe a hipnose em vigília em uso na prática médica ou odontológica da 
 
72 
Hipnoterapia 
mesma maneira. Aqui está a cena de uma aula na qual eu trabalhei com uma mulher 
que tinha um normalmente temido trabalho odontológico. 
 Elman: Doutor, pincele o interior da boca dela. Conte-lhe a mesma história 
acerca de como eles põem ─A mesmíssima coisa que você fez antes─ e você terá 
anestesia perfeita na boca dela. ─O médico prossegue: é feito o teste.─ Satisfeito 
doutor? Claro. Bem, isso é como você pode usar hipnose em vigília na odontologia… 
─dirigido ao paciente─ E senhora, posso perguntar, você sentiu alguma que seja? 
 Paciente: Não. Nada! 
 Doutor: Pode-se brocar com isso? 
 Elman: Você pode brocar e mais qualquer coisa com isso. E terá tão boa 
anestesia como você nunca teve antes com a anestesia química…Agora, lembre-se, 
você deve fechar focar a mente do paciente em volta da ideia. Não pense que você 
pode dizer simplesmente, “bem, agora você será completamente anestesiado,” e 
começar a fazer o serviço. Porque se a mente dos pacientes não estiver fechada focada 
em volta da ideia, você não conseguirá. Você deve fechar focar a mente do paciente 
em volta de uma dada ideia, e a ideia deverá ser uma da qual o paciente é receptivo. 
Todos os pacientes querem anestesia, então eles são particularmente receptivos á 
ideia. 
 * * * 
 Agora como é que você pode usa-la nos outros ramos da medicina? 
 Um dos meus ex-estudantes, o qual é adepto do uso da hipnose em vigília, 
voltou para a aula uma noite e diante de um grupo de outros médicos, contou esta 
história: 
 O fabricante de um produto nacionalmente conhecido para o alívio da dor teve 
um acidente. Ele teve a mão colhida por um cortador de relva e a laceração requeria 
alguns poucos pontos. Foi um acidente muito doloroso. O médico disse ao fabricante 
que tinha acabado de receber uma preparação fármaco maravilhosa vinda de Viena, e 
que iria anestesiar toda a mão dele, então ele nem sentiria as suturas a serem feitas. 
Então ele procedeu a limpar e a pincelar a área com um placebo e pediu ao fabricante 
para dizer-lhe quando a mão estivesse completamente entorpecida. Em poucos 
segundos o fabricante disse “ A minha mão está completamente dormente agora 
doutor.” Então o médico prosseguiu a suturar, e quando ele acabou disse: “Esta 
anestesia continuará consigo até que a sua mão comece a sarar. Você nem terá 
qualquer desconforto.” O paciente estava pasmado ”Não senti coisa nenhuma.” Disse 
ele. “A dor desapareceu completamente, eu nem sequer sabia que tinha uma mão 
magoada a menos que olhasse para ela. Qual é o nome deste produto que você está a 
usar? Gostaria de analisa-lo e coloca-lo em uso neste país. Dê-me uma pequena 
amostra dele, para o levar ao laboratório para análise química.” 
 O médico teve um pequeno e rápido pensamento e respondeu. “Não posso dá-
lo nenhum, eu usei-o todo em si.” 
 
 
73 
Hipnoterapia 
Capítulo 11: Aplicações da Hipnose em Vigília 
 
 Um especialista em radiologia uma vez disse-me que ele estava hesitante no 
uso da hipnose em vigília na preparação de pacientes para os clisteres de bário. 
Embora ele considere ser o clister de bário, o procedimento de radiologia mais 
desagradável, ele sentiu que a abordagem que sugeri significa ter de enganar os 
pacientes. Ele normalmente dizia-lhes, “Eu tenho de coloca-lo num procedimento que 
não é muito confortável, mas eu vou torna-lo tão fácil para si o quanto eu poder.” 
 Eu argumentei que ele estava a dizer aos pacientes uma mentira, uma vez que 
o procedimento não tinha que ser desconfortável. Se eu fosse o radiologista, eu disse, 
eu abordaria os pacientes desta maneira:” Você é afortunado por estar aqui hoje. O 
médico que o recomendou disse-me que você tem tido muitas dificuldades 
ultimamente. Eu preciso de algumas radiografias, e com o fim de as obter eu vou 
revestir o forro do seu estômago com a medicação mais calmante tranquilizante 
alguma vez concebido.” 
 O radiologista recusou em dizer aos pacientes algo tão “absurdo” até um dia 
em que ele teve de trabalhar atender um homem que já estava tinha um terrível 
desconforto. Em desespero, ele tentou a minha abordagem. O paciente ficou aliviado, 
e de facto, a verdade é que apreciou o clister de bário. O radiologista agora usa esta 
abordagem consistentemente. O único problema que ele tem encontrado é que alguns 
pacientes apreciam tanto a “medicação calmante” que eles retêm o bário e recusam 
deixa-lo sair. Ele resolve isso, ao dizer que irão sentir tanto benefício deixando-o sair 
como o que tiveram ao entrar. 
 Outro médico aprendeu uma variação desta técnica para fazer exames em 
pacientes mulheres tensas. Um ginecologista ensinou-o a dizer a paciente que uma 
nova preparação fármaco tinha acabado de chegar de Viena ─Um anestésico 
especialmente concebido para tais exames.─ Ele deveria então pincela-la 
externamente com um pouco de gel medicinal ─espremidode antemão, deixado num 
frasco ou numa espátula─. Após esperar alguns minutos pelo efeito placebo para 
“fazer efeito” o exame poderia prosseguir sem mais problemas. Um urologista 
recomenda uma abordagem semelhante para tais procedimentos como a cistoscopia. 
O médico toca na ponta do canal com um lubrificante. Depois põe o lubrificante no seu 
instrumento, mas diz ao paciente que este lubrificante é um anestésico, e que nada 
será sentido durante ou depois do procedimento. 
 Um proctologista disse “Eu nunca pensei que houvesse tal coisa como 
proctologia sem dor até começar a usar a hipnose em vigília.” 
 Todos os acontecimentos acima são exemplos da aplicação da hipnose em 
vigília. Recentemente, um médico disse-me que o único problema que encontrou com 
a técnica, agora que ele aprendeu as aplicações adequadas, envolve enfermeiras (os) 
ao invés de pacientes. Nas biopsias e como isso assusta um pouco as enfermeiras 
quando o médico não pega a novocaína ─simplesmente começa a cortar. A minha 
resposta a isso é que essas enfermeiras e assistentes devem ser ensinados sobre o que 
 
74 
Hipnoterapia 
esperar de casos onde a hipnose é usada, e como agir apropriadamente na presença 
de pacientes hipnotizados. 
 Uma aplicação de hipnose em vigília combinada com o transe é especialmente 
eficaz em fazer as crianças passarem por cima do medo de agulhas. E como a seguinte 
gravação da aula prova, pode também ser usada com adultos. 
 Elman: Está alguém nesta sala que gostaria de ter uma área do corpo 
anestesiada num grau onde, a partir de agora, nunca mais sentirá novamente uma 
injecção? Nem nunca mais saberá que está tomar uma injecção nem enquanto esta 
estiver a ser dada. Alguém que teme terrivelmente uma injecção, e gostaria de ter um 
Ponto Mágico no seu corpo? Venha lá…Aqueles de vocês que não vierem vão ficar com 
muitíssima pena porque isto é uma oportunidade de obter algo que é fantasticamente 
bom! Este Ponto Mágico é espantoso… 
 [ao sujeito] Pode subir um pouco a sua manga? Agora aqui está o melhor 
dispositivo para crianças. Até onde isso vai, isso funciona em adultos tão bem como 
em crianças, porque eu tenho um adulto aqui! Agora vejam isso…Eu quero que você 
abra bem olhos por favor. Eu vou puxar fechar as suas pálpebras para baixo. E tudo o 
que você tem de fazer é fazer de conta fingir que não consegue abrir os olhos e 
continue a fazer de conta fingir que não consegue abrir os olhos ─tanto, que quando 
você tentar abrir os olhos eles simplesmente não abrem─ …Agora deixe-me vê-la 
tentar abri-los enquanto faz de conta…Muito bem… Agora fique assim e continue a 
fazer de conta fingir que você não consegue abrir os olhos, a uma coisa 
surpreendente vai acontecer. Você vai ter um Ponto Mágico no seu braço. Uma vez 
colocado o Ponto Mágico em si, você nunca mais terá que sentir uma injecção. Você 
saberá que o médico está a trabalhar aí, mas nada o perturbará, nada a incomodará. 
Você nunca terá qualquer desconforto por injecção, nem antes, durante ou 
depois…Agora quem está habituado a dar muitas injecções, porque eu quero esta 
injecção dada da maneira usual assim que eu a tiver dado o Ponto Mágico …Agora 
vejam, eu pego nesta área e pinto um Ponto Mágico com álcool assim. Agora sempre 
que uma injecção é dada nesta ─ela será capaz de indicar o ponto ao medico─ não vai 
sentir nada mesmo excepto que ela saberá que você está a trabalhar mexer lá …Ela 
sentirá absolutamente nada…Agora doutor…Você verá ela nem vai sentir quando você 
estiver a fazer. ─a injecção é dada com uma agulha numero vinte e dois─ Agora, isso 
não bonito? ─ao paciente─ Você já tomou a sua injecção e você sabe que não sentiu, 
nem um pouco. A partir de agora você será sempre capaz de tomar injecções destas 
facilmente. Daqui a pouco, este Ponto Mágico que eu pintei no seu braço, não será 
mais visível para si nem para mais ninguém ─excepto para uma coisa importante─ você 
saberá exactamente onde é para que em qualquer altura que você tenha de receber 
tomar uma injecção, você será capaz de apontar a área exacta ao seu médico. Se 
desejar, você pode vê-lo a dar-lhe a injecção, e isso não a vai incomodar nem um 
pouco…Muito bem, abra os olhos…O que você sentiu? 
 Paciente: Nada! 
 Elman: Agora senhores, eu quero que vejam como é que isso funciona na vez 
seguinte em que o paciente precise de uma injecção. Então nós vamos fazer de conta 
 
75 
Hipnoterapia 
que este mesmo paciente veio ao consultório para outra visita consulta. Diga a 
paciente que você tem que dar outra injecção, e que como ela já sabe, isso não vai 
incomoda-la nada. Você pede para ela mostrar onde é o Ponto Mágico. 
 Paciente. Exactamente aqui doutor. 
 Elman: Muito bem, doutor. Aqui tem outra agulha. Prossiga e dê a paciente 
uma injecção da maneira usual. Apenas limpe a área com álcool como normalmente, e 
avance com a sua injecção…Jovem, eu quero que você veja o doutor enquanto ele lhe 
dá esta segunda injecção… ─o medico dá a injecção─ O que sentiu? 
 Elman: E doutor, quando dispensar a sua paciente, afirme que está tudo bem, e 
que da próxima vês que ela precise de uma injecção, também será fácil assim… *para a 
paciente] Que o sangramento vai parar agora. Sangrou o suficiente, agora vai parar. 
 Paciente: Já parou? 
 Elman: Com certeza, parou! 
 Paciente: eu vou lembrar-me deste ponto. Vai tornar-se util 
 Doutor: O problema que eu tenho com crianças é que eles nem vão querer 
ouvir para começar. 
 Elman: Se eles não quiserem ouvi-lo, então você terá que dar a injecção da 
maneira dura. Se eu posso prometer a uma criança,” Olha, se eu te der um Ponto 
Mágico para que nunca tenhas de sentir uma injecção de novo, gostarias isso?” depois 
não tenho problema com eles. Mas você tem que obter a atenção deles o tempo 
suficiente para conseguir cruzar este ponto. Os nossos pediatras que trabalham com 
um número tremendo de crianças ─que é o que eles fazem durante todo o dia─ dizem-
nos que o Ponto Mágico é uma das coisas mais valiosas que eles conhecem. As mães e 
os pais dessas crianças, mais tarde vêm pedir os Pontos Mágicos para eles próprios. 
Quando a criança volta para a visita consulta seguinte normalmente diz, “Aqui mesmo 
doutor. Aqui está o meu Ponto Mágico." 
 Doutor: Isso é hipnose em vigília? 
 Elman: Isto é uma combinação do estado de transe e hipnose em vigília , 
desenvolvida por um pediatra, Doutor Earl Farrel de Cincinnati…Para começar você usa 
o fechamento dos olhos─depois dá a injecção─ na vez seguinte as crianças poderão ver 
a injecção. E eles serão capazes de olhar e não sentirão nada. Elas perdem todo o 
medo da injecção. 
 Doutor: É na visita seguinte que você os deixa olhar? 
 Elman: Sim! No entanto, suponha que você tem um paciente que necessita de 
injecções em vários sítios diferentes. Dê-lhe um Ponto Mágico em cada lugar. Dê a 
primeira injecção com os olhos fechados. Depois tenha-o de olhos abertos e a vê-lo dar 
as outras injecções. Algumas vezes, quando der a primeira injecção com os olhos 
fechados, a criança dirá.” Você não me deu a injecção” O doutor diz, ”Sim, eu dei. Aqui 
está onde eu te dei.” 
 Doutor: Quanto a um exame abdominal externo? Podemos usar hipnose em 
vigília para isso? 
 Elman: Sim! Você descobrirá que quando usar esta “agente relaxante” 
abordagem, eles relaxam automaticamente. Eles não têm nenhum controlo sobre isso. 
 
76 
Hipnoterapia 
A faculdade crítica deles está completamente bypassada contornada… Você vai 
descobrir que já tem a anestesia… Se você quiser fazer um exame externo em vez de 
um exame interno e você quer que os músculos do estômago estejam relaxados, esta é 
uma boa técnica. Se você descobrir, por alguma hipótese, que um ou dois músculos 
não estão completamente relaxados como você queria que estivessem, diga apenas,” 
Em cerca de dez segundos o agente relaxante vai alcançar essa área e até esses 
músculos vão relaxar.” 
 Doutor: Eu gostaria de saber algumasfrases que eu possa dizer no uso da 
hipnose…Por exemplo, nos sabemos daquela,” Queira que aconteça e irá acontecer.” 
 Elman: Não, você não deve usar essa na hipnose em vigília. 
 Doutor: Então o que é que você diz? 
 Elman: Você faz o que fizemos aqui. 
 Doutor: Eu digo refiro-me com completos estranhos. 
 Elman: Ainda diria ao estranho,” Eu agora vou anestesiar esta área para que 
você não sinta nada ─e nem este dispositivo que tenho de por pela sua garganta 
abaixo─ você não vai dar conta de nada, assim que tivermos esta anestesia aí. 
 Doutor: E você pode fazer isso com dores de cabeças também? 
 Doctor: Eu não tentaria remover uma dor de cabeça por hipnose em vigília. Use 
o estado de transe para remoção de dores de cabeça. Você terá melhores resultados. 
Você fará uso da hipnose em vigília da forma maneira que eu tenho indicado, e depois 
alargue o uso da mesma, na medida em que junto, vai aprendendo a usá-la mais e 
mais. Mas não tente usar a hipnose em vigília em detrimento do estado de transe. Em 
outras palavras, não a use como ”ao invés” medida. Isso é apenas mais uma 
ferramenta… 
 Doutor: Quanta anestesia você consegue alcançar com uma criança? 
 Elman: Na hipnose em vigília? 
 Doutor: Não, em transe, no jogo de faz de conta! 
 Elman: Você obtém uma anestesia perfeita, o equivalente a qualquer anestesia 
química, tal e qual você faz num adulto em sonambulismo. Você tem que dar a 
sugestão, “ Agora você não vai sentir nada, eu estarei a trabalhar aqui, mas não 
incomodará nem um pouco.” Aquelas coisas que você deve ultrapassar. 
 Doutor. Com pacientes com dor aguda nas costas ou cancro nas costas ou as 
juntas sacro-ilíacas, eu poderia ter usado algumas sugestões para aliviar os espasmos 
musculares? 
 Elman: Sim, mas para esse tipo de dificuldade os nossos médicos também 
obtêm melhores resultados com o estado de transe. Nós pensamos que temos 
controlo apenas sobre certos músculos e certos órgãos do nosso corpo, mas de facto, 
temos bastante mais controlo sobre muito mais dos nossos corpos do que pensamos! 
Por exemplo, foi possível para mim dizer a aquela senhora que recebeu a injecção,” Vai 
parar de sangrar” e assim foi! Porque eu sabia que se ela não olhasse, pararia de 
sangrar. Ela não olhou e parou o sangramento. Agora voltando ao espasmo muscular 
acerca do que o doutor perguntou, primeiro eu teria usado o estado de transe para 
deixar o paciente sentir o relaxamento porque o paciente consegue senti-lo melhor 
 
77 
Hipnoterapia 
quando ele se deixa ir para o profundo sonambulismo. Uma vez em profundo 
sonambulismo, eu teria pincelado a área com algum tipo de lubrificante e diria” Eu vou 
ter certeza de que nesta área, particularmente aqui que ocorreu o espasmo muscular” 
que esta área está relaxada! Agora você nem tem de fazer nada acerca disso, mas 
quando eu pincelar apenas fique relaxado e o agente relaxante fará o resto,” e você 
teria fechado focado a mente dele em volta da ideia de que os músculos estavam a 
relaxar. E o controlo interno que exercemos, ─como ela exerceu o controlo interno 
sobre o sangramento, mas não sabe disso─ sobre esses músculos interiores ter-se-ia 
manifestado sozinho e o espasmo muscular teria sido aliviado… Tanto quanto nós 
pensamos que sabemos sobre o corpo humano a partir dos nossos estudos de 
anatomia, que ainda não podemos olhar dentro da mente humana para ver como ele 
funciona. Tenho tido médicos que têm dito que acreditam que algumas doenças são 
causadas pela emoção. Outros dizem que a maioria das doenças é causada pela 
emoção. Eu não penso que a maioria dos médicos aceitaria esta hipótese e tenho a 
certeza que eu não o faria...mas todas as condições neuróticas são causadas pelas 
emoções, talvez até algumas físicas. Certamente isso explica por que é que nós temos 
controlo sobre sangramento. Os nossos dentistas após uma extracção dizem aos 
pacientes deles,” O sangramento parará quando alcançar o topo do bucal,” e o 
sangramento para como sugerido. Médicos também têm dado aos seus pacientes, 
sugestões para controlar sangramentos quando é indicado apropriado… Nós temos 
muito mais controlo do que pensamos que temos, e isso é o que torna possível aos 
médicos usar a sugestão da maneira indicada… Lembre-se disso, nunca deverá 
mascarar um sintoma com a hipnose. Você pode aliviar um sintoma mas você não 
pode nunca mascarar um sintoma. E se existir alguma patologia revelada pelo sintoma, 
será aliviada e facilitada, mas não irá desaparecer. 
 Doutor: Em outras palavras, uma ruptura protusão discal não deve ser 
mascarada? 
 Elman: Claro que não deverá ser. Você não poderá mascarar um sintoma. O 
paciente poderá até dizer, “As minhas costas estão bastante melhor, mas continua a 
doer aí doutor.” E depois, em pouco tempo doeria mais do nunca. 
 Então você pode alivia-lo mas não mascara-lo…Aqui está um médico que já 
usou hipnose em quatro pacientes de cancro. Ele não pode mascarar um cancro. Eles 
sabem que têm dor, mas, ele certamente tem dado proporcionado bastante alívio a 
esses pacientes. Não é verdade doutor? 
 Doutor : Sim. Eles nem estão a tomar aspirina! 
* * * 
 Apesar do facto de eu a hipnose em vigília poder ser usada em todos os ramos 
da medicina, eu penso que o seu grandioso valor está na cirurgia profunda, em aliviar o 
stress tensão e preocupação do paciente antes da operação. São muito poucos os 
pacientes que encaram uma operação sem ansiedade. Cada um desses pacientes está 
completamente aberto a hipnose em vigília e a sugestão em vigília. Façam as vossas 
sugestões de tal forma tão confiantes e seguros, de maneira a que vocês possam ter 
evidências visíveis do desaparecimento dos sinais desagradáveis da ansiedade. Manter 
 
78 
Hipnoterapia 
até saberem que o paciente está preparado para encarar a operação com o espírito 
apropriado. Feche foque a mente do paciente em volta da ideia de que a recuperação 
será rápida e segura certa. ─que a operação não é uma das extraordinárias, mas que é 
feita todos os dias do ano em incontáveis inúmeros hospitais e os pacientes sempre 
recuperam disso rápido. E depois use a hipnose em vigília para remover o desconforto 
pós-operatório. Frequentemente eu recomendo aos médicos para terem colocar o 
paciente em transe hipnótico para as visitas consultas pré-cirúrgicas ou para as visitas 
consultas pré-anestesia. No entanto, quando pressionados pelo tempo, podem fazer 
sem o transe. Não estou a dizer que devem abdicar do transe. Mas estou a dizer que se 
houver alguma dúvida do sucesso nas vossas mentes, usem o estado de hipnose em 
vigília e fechem foquem a mente do paciente em volta da ideia de que a recuperação 
será ligeira e segura certa, e que os pacientes sempre se recuperam dessa cirurgia 
rápido. Fechem foquem a mente do paciente em volta da ideia de que não terá 
desconforto pós-operatório. Você pode contrariar neutralizar todas as coisas que estão 
a preocupar o paciente. Se por qualquer motivo o paciente indicar que tem o 
pensamento ou a sensação de que não irá recuperar da operação, cancele a cirurgia, 
ou cancele a sua parte nela de qualquer forma jeito, se possível. 
 A história deste caso mostrar-vos-á como é importante a atitude pré-
operatória: 
 Há alguns anos, um cirurgião veio a aula e disse: “Eu penso que salvei uma vida 
com hipnose em vigília na semana passada. Eu fui chamado para fazer uma 
prostatectomia num homem com cerca de setenta anos de idade. Foi-me dito que ele 
teve uma cardiopatia e que ele não podia tomar apanhar muita anestesia, se é que 
alguma! Eu tenho tido o hábito de fazer visitas pré-operatórias, e pensei que deveria ir 
ver que se ele estava no estado mental certo antes de prosseguir para a operação com 
o mínimo de anestesia possível. Então fui para vê-lo e apresentar-me como o homem 
que estaria encarregue da cirurgia. Comecei a fechar focar a mente dele em volta da 
ideia de que a recuperação seriarápida, e todo o tipo de coisa. 
 “Subitamente ele levantou o olhar e disse, “Sabe doutor, eu tenho setenta e 
seis anos de idade sou um homem velho e já vivi muito tempo. Sou um doente 
cardíaco. Portanto amanhã morrerei na mesa de operações. 
 Eu disse-lhe que a partir desse momento, a operação estava cancelada. Eu disse 
que nunca iria operar alguém no mundo que pensa que vai morrer na mesa de cirurgia, 
e que eu nunca tinha deixado isso acontecer e certamente não ia começar com ele. Ele 
olhou aliviado, mas continuo a repetir de que era um paciente cardíaco e não 
conseguiria viver sobreviver á operação. 
 “Eu disse-lhe, Você tem setenta e seis anos. Tenho feito esta operação em 
homens nos seus oitentas, e que estão hoje nos noventas tão saudáveis quanto eles 
eventualmente podem ser. Você tem apenas setenta e seis e está a pensar em morrer 
por causa de uma simples operação como uma prostatectomia. Você acha que não 
pode ter anestesia. É isso que eu vim mostrar-lhe. Uma vez que você já não tem mais 
cirurgia marcada para amanhã de manhã, vou mostrar o que você perdeu! Eu vou 
mostrar-lhe a anestesia que eu teria usado.” 
 
79 
Hipnoterapia 
 “E depois coloquei-o no estado de transe e o corpo dele inteiro anestesiado. Ele 
pegou a sugestão como um homem a afogar-se agarra numa palha e teve anestesia 
completa geral. Depois tive-o coloquei-o de olhos abertos e fiz testes sobre o corpo 
inteiro dele. Ele não conseguia sentir nada. Então tive-o coloquei-o de olhos fechados 
novamente, trouxe-o para fora do estado de transe e ele olhou para mim e disse, “ 
Sabe doutor, com você para meu cirurgião eu acredito que eu poderia ficar bem” 
 “ Depois fechar focar firmemente a mente dele em volta da ideia de fácil 
recuperação, eu avancei com a cirurgia. Ele fez uma perfeita e magnífica recuperação, 
e eu acredito que salvei a vida dele. Eu havia encontrado a vontade de morrer e aquele 
homem teria morrido na mesa de operações se não fosse a hipnose em vigília” 
 Uma vez um médico falou acerca de uma simples operação que ele tinha 
planeado executar num homem jovem. O paciente foi levado para dentro da sala de 
operações preparado para a cirurgia. Subitamente o anestesista que ainda não tinha 
feito nada ao paciente, olhou e exclamou “Meu Deus, ele está morto” Foram feitos 
todos os tipos de investigação, incluindo uma autópsia e eles não conseguiram 
encontrar nenhuma causa de morte. No entanto o homem estava morto. Ele tinha 
ocupado um quarto semi-privado, e a investigação revelou que um pouco antes de ele 
ter sido levado para a sala de operações ele virou-se para o paciente da outra cama e 
disse, “Eu nunca sairei da sala de operações com vivo.” O havia causado a sua morte 
dele fora a vontade de morrer. 
 Os médicos devem estar atentos, as afirmações observações feitas pelos 
pacientes. Por vezes estas afirmações aparentemente casuais podem ser fatais. Nós 
temos ouvido médicos reportarem que têm sido capazes de mudar a vontade de 
morrer em vontade de viver com hipnose em vigília. Eles estavam alertas o suficiente 
para aperceberem-se de que a sugestão era necessária. Outros falharam em fazer o 
que era preciso e perderam pacientes. Aqui está uma história de um caso que ilustra 
ambas possibilidades me cirurgia: 
 Um aluno meu, ligado a um hospital católico, encontrou a vontade de morrer 
quando foi chamado para fazer uma cirurgia em uma das freiras a trabalhar na 
instituição. Ele fez a visita pré-operatória, e durante a conversação ela disse “Doutor 
você sabe, desde que eu era uma menina, que tenho tido a noção de que algum dia 
morreria na mesa de operações, e eu suponho que é agora.” Imediatamente o médico 
iniciou um programa de hipnose em vigília, fechando focando a mente dela em volta 
da ideia que a recuperação seria rápida e segura certa e que, enquanto ela tem estado 
no hospital, ela nunca tinha conhecido uma mortalidade para este tipo de operação 
em particular. Finalmente ela disse-lhe, “ Sabe doutor, eu sei que vou recuperar, só 
com você como meu cirurgião. Você pode avançar com a cirurgia.” Ele realizou a 
operação, e ele recuperou em tempo mínimo. 
 Cerca de seis meses mais tarde, a paciente teve de fazer uma cirurgia menor. O 
médico não teve conhecimento de que a operação tinha sido agendada. Foi feita num 
hospital diferente, por um médico diferente, e noutra cidade. 
 Ela morreu na sala de operações. 
 
80 
Hipnoterapia 
 Nós nascemos com a vontade de viver. A lei da auto preservação é a lei 
primária base das nossas vidas. É fundamental! No entanto existem dois tipos de 
pessoas que não possuem o instinto de auto preservação em níveis normais. Elas são 
as suicido-depressivas e as maníaco-depressivas. Mas ainda que com pessoas que 
sofrem desses dois tipos de depressão, a vontade de morrer aparenta ser uma mera 
curvatura na linha direita da auto preservação. Por vezes é possível endireitar esse 
arco com os meios colocados ao nosso dispor pela psicoterapia e hipnose. Todos os 
médicos que sabem como usar a hipnose são capazes de mudar a vontade de morrer 
em vontade de viver em pacientes normais. Psiquiatras reportam que vale a pena 
tentar mesmo com psicóticos depressivos; com não psicóticos então, as chances de 
conseguirem são esmagadoras! 
 Mais um aspecto da hipnose em vigília merece ser aqui mencionada. Eu falei no 
início da superstição, que é uma manifestação hipnótica não intencional, uma forma 
de hipnose em vigília! Existem outras tantas manifestações. Numa das minhas aulas, 
um médico contou-me esta história: 
 Durante a Segunda Guerra Mundial, ele trabalhou como anestesista num posto 
para onde eram trazidas as baixas os feridos após as batalhas. Ele estava a trabalhar 
com óxido nitroso e o dia tinha sido muito preenchido e esgotante. Ele apercebeu-se 
que o nível do tanque do óxido nitroso estava a ficar baixo, mas mais tarde com a 
excitação ele falhou ao não reparar que já tinha usado a totalidade! Quando 
finalmente se apercebeu, chamou o cirurgião a parte e disse, “ Oh meu Deus, este 
tanque de óxido nitroso deve ter ficado vazio na passada última hora ou mais. O que é 
que vamos fazer?” 
 O cirurgião respondeu,” Não há nada que possamos fazer agora. Teremos que 
continuar a trabalhar tal como temos estado! Estes homens têm tido e alcançado 
anestesia perfeita. Eles pensam que estão a ser anestesiados, e consequentemente 
ficam anestesiados! Continue a fazer o que tem estado a fazer e não diga nem uma 
palavra.” E completaram o trabalho turno deles dessa maneira. Eu diria que isso foi 
uma combinação de hipnose não intencional, hipnose em vigília no seu sentido 
habitual e sonambulismo ganho em estado de vigília sem o uso de transe. 
 
 
81 
Hipnoterapia 
Capítulo 12: O sonambulismo e a composição de sugestões 
 
 Antes de irmos para as fases de aprofundamento da hipnose, eu gostaria de 
explicar a diferença entre hipnose leve e profunda e como reconhecer cada uma delas. 
Algumas pessoas, ─um pequeno percentual─ vão entram espontaneamente para 
hipnose profunda, sem mesmo parecer entrar no estado leve. Elas tornam-se 
sonambúlicas imediatamente. O que segue aplica-se somente naquelas pessoas que 
não vão não entram em sonambulismo espontaneamente. Quando vocês estão 
intencionalmente a ir atrás do sonambulismo e fazem-no pelos métodos que advogo, o 
paciente entra no estado leve de hipnose por aquilo que chamo de técnica de 
relaxamento. Eu obtenho o estado de hipnose leve quando o corpo está fisicamente 
relaxado, e então prossigo para obter o profundo estado de hipnose profunda por 
relaxamento da mente do paciente. Descobri através de muita experiencias e estudo 
intenso, como o relaxamento mental é alcançado efectivado. 
 O mais próximo que consigo chegar para descrever o relaxamento mental, é 
ter-vos a pensar nos instantes antes de cair no sono adormecer. Momentaneamente, 
antes do sono realmente vir aparecer, a mente torna-senum completo branco, e 
depois vocês deslizam para o sono. Na minha opinião, quando a mente está quase 
completamente inactiva, o relaxamento mental é alcançado! Nesse instante quando 
nada perturba, nada incomoda, e a mente é um completo branco, nós temos 
relaxamento mental, e ocorre naturalmente em todos os dias das nossas vidas, mesmo 
antes de cair-mos no sono! Eu encontro isso quando consigo induzir o mesmo estado 
por sugestão e tenho conseguido colocar o paciente mentalmente relaxado. Ora, 
então a diferença entre hipnose leve e hipnose profunda é simplesmente esta: 
 Quando está fisicamente relaxado, nós temos hipnose leve. Quando o paciente 
está mentalmente e fisicamente relaxado nós temos o estado de sonambulismo. 
Primeiro tenho que certificar-me que o paciente está fisicamente relaxado, e continuo 
a aumentar esse relaxamento até eu poder sugerir que a mente torna-se tão bem 
relaxada como o corpo. Se o paciente está desconfortável, distraído, temeroso 
medroso, etc., ele não consegue relaxar mentalmente, porque estão a ir mensagens 
desorientadoras desconcentrantes para o cérebro. Quando não há mensagens para o 
cérebro, exceptuando uma de contentamento, o cérebro não tem necessidade de 
estar activo com pensamentos perturbadores, e por conseguinte está preparado para 
sugestões de natureza benévola. 
 A sugestão para aprofundar o relaxamento físico é bem-vinda, e a sugestão de 
que a mente relaxa ─de que tudo está bem─ também é bem-vinda! Uma sugestão de 
que não haverá pensamentos conscientes activos, e que a mente deverá estar 
momentaneamente em branco, normalmente é aceite com facilidade. Por este 
método, eu descobri que consigo alcançar profundo sonambulismo em quase todos os 
sujeitos com quem trabalho. 
 A única altura em que não consigo hipnose profunda é quando o medo está 
presente, impedindo o relaxamento! Os meus estudantes têm descoberto que por 
 
82 
Hipnoterapia 
seguirem estas técnicas, eles conseguem ter um percentual de sucesso muito alto em 
induzir o estado profundo conhecido como sonambulismo ─e outros estados, que 
serão descritos conforme formos avançando. 
 Para que vocês entendam as técnicas usadas, eu dou-vos um excerto da nossa 
quinta sessão aula , que está intitulada “ A composição da sugestão”. Vocês 
entenderão o termo “Composição de sugestão” se estudarem esta “aula palestra“ 
cuidadosamente! 
Vamos examinar maiores aprofundamentos em hipnose e o que torna possíveis esses 
maiores aprofundamentos. Se vocês têm trabalhado com o sonambulismo, as 
possibilidades são que vocês depararam-se já com certas dificuldades, e mesmo assim 
conseguiram com alguns pacientes. Um paciente deve chegar ao vosso consultório e 
tem que obter o relaxamento físico muito facilmente. O paciente não só vai relaxar o 
corpo, mas também a sua mente. Ele não apresenta problemas! Quando vocês só têm 
relaxamento físico, vocês apenas têm hipnose leve. Vocês obtêm hipnose profunda 
quando o paciente também está relaxado mentalmente. Como é que vocês 
conseguem alcançar este estado da mente? Tendo o paciente relaxado o suficiente de 
modo que por um pequeno instante, ou até mais, vocês possam fazer com que a 
mente fique em branco concernente a uma coisa específica, causando assim amnésia. 
Não interessa que coisa específica é! 
 A sugestão que eu prefiro dar ao paciente por forma a trazer amnésia é a de 
que ele não se lembrará dos números. Eu ponho o paciente a contar para trás a 
partir de cem, e a relaxar mais e mais a medida que recita cada número. Como ele 
relaxa mais e mais, os números suavemente se desvanecem da mente dele, e quando 
questionado, ele tem “amnésia numérica.” A mente está em branco concernente a 
uma coisa específica, números! E é apenas quando vocês são capazes de produzir 
amnésia que vocês têm o estado sonambúlico. 
 O operador inexperiente no entanto, talvez tenha sucesso com um paciente e 
depois vai tentar o mesmo procedimento no próximo paciente e aparentemente 
acontece a mesma coisa, mas, sem os resultados desejados. Vocês podem, por 
exemplo, ter duas futuras mães que estão prontas para o parto e cada uma terá 
relaxamento físico e cada uma aparentará ter o relaxamento mental. Ainda que a 
primeira paciente não sinta nada durante o parto; quando vocês auxiliarem a segunda, 
vocês pensarão que têm o mesmo estado e que ela não sentirá nada, mas terão que 
dar-lhe assistência desde a primeira contracção. 
 Vocês deram com dois estados completamente diferentes, que parecem ser 
precisamente iguais, a menos que vocês conheçam a hipnose. Os dois estados 
parecem ser rigorosamente iguais a partir do exterior, mas são completamente 
diferentes no interior. Apenas um estado permite ao paciente, perder esquecer os 
números completamente e por conseguinte obter amnésia. Isso é o verdadeiro 
sonambulismo! 
 No outro estado ─sonambulismo artificial─ o paciente obtém afasia, a falta de 
vontade de falar ao invés da incapacidade de lembrar. Este é o caso da segunda 
parturiente. Ela começará a contar cem, noventa e nove, noventa e oito…e depois 
 
83 
Hipnoterapia 
susterá a fala e vocês pensarão que os números sumiram da mente dela. Mas eles não 
sumiram. Eu odiaria que alguma coisa dolorosa fosse feita em mim, quando em 
sonambulismo artificial, porque iria doer como o verdadeiro diabo. O estudante deve 
trabalhar para produzir amnésia, e se por qualquer razão isso não for alcançado ele 
deve saber que não tem o estado perfeito, portanto não deve avançar com 
procedimentos dolorosos. Médicos após médicos têm confundido constantemente o 
artificial com o real. O artificial pode ser detectado por certos testes, os quais serão 
descritos mais tarde. 
 No verdadeiro sonambulismo, uma mulher consegue sorrir durante o parto, 
desde a altura em que as contracções começarem até ao parto verdadeiramente dito. 
Eu tenho visto episiotomias a serem reparadas suturadas e a paciente mantem o 
sorriso na cara! 
 Então qual é o valor do estado artificial, se é que tem algum? 
 Algumas vezes o estado é erroneamente chamado de transe médio. 
 O transe médio não tem valor excepto para isto: Algumas pessoas vão para o 
estado do verdadeiro sonambulismo sem passar pelo sonambulismo artificial. Em 
outras palavras, por forma a irem do estado leve ao estado profundo, elas passam por 
este estado artificial no qual os números continuam a ser lembrados, porém existe 
uma falta de vontade em dize-los. Isso é um portão para o verdadeiro sonambulismo. 
 Existem quatro verdadeiros estados de hipnose em adição ao estado de 
vigília, e que devem ser do vosso interesse. Eles são: (1) O leve ou artificial; (2) O 
sonambúlico; (3) O coma ─o estado de Esdaile, sobre o qual aprenderão mais tarde─; 
(4) hipnose ligada ao sono ─o mais profundo de todos, o qual eu chamo hipnosono. 
 Por forma a usar a hipnose correctamente, é necessário entender e ser capaz 
de produzir, quando necessário, qualquer um destes quatro estados. Qualquer um 
deles tem o seu lugar na medicina. 
 A maioria dos médicos prefere tratar os pacientes em estado sonambúlico por 
ser fácil de induzir e o paciente fica menos crítico as sugestões dadas a ele. As 
sugestões vão mais fundo na mente dele e permanecem mais tempo do que no estado 
leve. Por exemplo, no estado leve de hipnose você consegue alcançar analgesia leve; 
em muitos pacientes pode ser dada anestesia completa geral em sonambulismo. A 
anestesia, se for obtida na hipnose em vigília ou em transe é prova de hipnose 
profunda. O estado leve dificilmente faz mossa no limiar da dor de uma vítima de 
artrite, mas se esse mesmo paciente for colocado em estado sonambúlico, e se forem 
dadas sugestões apropriadas pode ser dado alívio para o desconforto dele por horas, 
dias, semanas e em casos raros até mais tempo. 
 Depois de vocês praticarem as instruções que se seguem, vocês ficarão capazes 
de fazer com a hipnose, coisas que nunca sonharam ser possíveis.Vocês serão capazes 
de usar a hipnose a um nível científico. Vejam como as instruções são simples e como 
elas são fáceis de seguir. Depois enquanto vão acompanhando vocês aprenderão por 
que é que são dadas estas instruções em particular. 
 Elman: [Para o paciente] Respire calma e profundamente e feche os olhos. 
Agora relaxe esses músculos em volta dos olhos até ao ponto em que eles não 
 
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Hipnoterapia 
funcionem. Depois teste-os com a certeza de que eles não funcionam…Teste-os 
forte…Isso mesmo…Agora deixe essa sensação de relaxamento descer directamente 
para os pés…Agora vamos fazer isso outra vez, e na próxima vez que eu disser para 
abrir e fechar os olhos, esse relaxamento será duas vezes maior do que o que tem 
agora, e deixe que seja…Agora abra os olhos, relaxe realmente, feche os olhos outra 
vez…isso mesmo…Na próxima vez faça isso e vai relaxar ainda mais do que já 
relaxou…Abra os olhos…Agora feche os olhos…Agora vou levantar a sua mão e larga-
la, e quero que esteja tão mole como um pano molhado…Se você seguiu as 
instruções o relaxamento terá ido descido até os seus pés. E quando eu levantar a 
sua mão e ela cairá para baixo; deixe-a cair…Isso mesmo…Agora fisicamente você 
tem todo o relaxamento que precisamos. Nós queremos que a sua mente esteja tão 
relaxada como o seu corpo está, por isso quero que comece a contar de cem para 
trás, quando eu disser para o fazer! Cada vez que diz um número, dobra o seu 
relaxamento. No momento em que descer dos noventa e oito, você estará tão 
relaxada, que os números não estarão mais lá. Comece dos cem e veja-os 
desaparecer antes de chegar aos noventa e oito…Dobre o relaxamento e veja-os 
começarem a desvanecer-se…Agora veja-os desparecer…Agora eles sumirão…É uma 
boa sensação? Sumiram todos? Deixe-os desaparecer…Já se foram todos? Isso 
mesmo… [ dirigindo-se aos médicos] Agora esta é a parte mais importante. Nós temos 
que fazer esses números desaparecerem se realmente ela quiser ajuda na altura do 
parto. Em trabalho com os vossos pacientes para um parto ou qualquer outra causa, 
se eles continuarem a ver os números vocês não poderão dar grande ajuda. É por 
causa disso que eu assegurei que ela tinha feito os números desaparecerem, uma vez 
que tenha feito desaparecer os números, reparem nas coisas maravilhosas que 
acontecem instantaneamente. Vejam como ela está relaxada. E [ para a paciente] o 
sentimento interior e muitíssimo bom, não é verdade? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Agora apertarei a sua mão direita, e repare na anestesia a chegar. A 
sua mão está a ficar entorpecida. Vou aperta-la três vezes. Uma…duas…três…como 
está a sua mão agora? 
 Paciente: Sinto-a fria. 
 Elman: Muito bem, isso significa que a anestesia começou. Quando eu disser 
para abrir os olhos, essa anestesia vai tornar-se dez vezes mais forte … Abra os seus 
olhos…Como está a sua mão agora? 
 Paciente: Sinto-a estranha 
 Elman: [aos médicos] Isso é sonambulismo com os olhos bem abertos, porque 
nós retivemos o estado sonambúlico com os olhos bem abertos. Se quisermos tornar 
essa anestesia mais forte, podemos fazer, colocando-a a fazer quase qualquer coisa e 
através de qualquer acto ─qualquer sugestão que ela siga─ que isso fará a anestesia 
mais forte. Por exemplo [para o paciente] levante a sua mão esquerda e deixa-a 
cair…O que é que aconteceu a sua mão direita quando você fez isso? 
 Paciente: Sinto-a mais esquisita 
 Elman : Mais estranha que antes é verdade? 
 
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Hipnoterapia 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Agora coloque a sua cabeça para trás e traga-a para frente…Como está 
a sua mão direita? [para os médicos] Por esta altura está tão entorpecida que ela 
provavelmente não sente nada. Por forma a deixar-vos ver a profundidade da 
anestesia que obtivemos, eu vou ter que trabalhar nessa mão direita e ela não vai 
sentir o que estou a fazer. De facto para provar que ela não sente o que estou a fazer, 
eu vou faze-la fechar os olhos enquanto trabalho nisso… *para o paciente] Então agora 
quero-a com os olhos fechados, após eu trabalhar na sua mão, eu quero que você 
tente localizar onde em que parte é que eu trabalhei…Agora sem abrir os olhos, tente 
perceber onde é que eu a toquei. [para os médicos] Vejam, o quão longe ela falha. Ela 
está cerca de sete polegadas (18 centímetros) afastada … a anestesia é muito boa 
quando se está longe cerca de sete polegadas de uma pinça Allis fechada na terceira 
ranhura…Deixem-na dizer-nos o tão pouco que ela sente. [para a paciente] Eu quero 
que você abra os olhos e a anestesia será mais forte do nunca, mas quero que nos diga 
o que sente. 
 Paciente: Nada 
 Elman: Agora vamos começar tudo novamente para explicar por que é que 
estamos a fazer isso e porque é que fizemos exactamente como fizemos. [para o 
paciente] Na próxima vez quando eu falar consigo e disser para fechar os olhos você 
ficará exactamente no meu estado em que esteve antes. Isto é, os números terão 
desaparecido e você estará completamente relaxada. [para os médicos] Há mais de 
cinquenta anos que eu tenho vindo a estudar o assunto hipnose, e nos meus mais 
recentes estudos, deparei-me com um livro do Dr. H. Bernheim. Nesse livro ele afirma 
que quando um paciente chega até ele para a primeira consulta, ele hipnotizou o 
paciente foi entrou no estado leve da hipnose, Uma semana depois quando o paciente 
retornou para a segunda consulta, ele foi entrou para o mesmo estado. Isso aconteceu 
por quatro semanas sucessivas. Mas na quinta visita consulta, o médico notou que o 
paciente entrou num estado muito mais profundo, identificável pelo fato de que o 
paciente desenvolve amnésia no interior do estado, ou pela aceitação imediata das 
sugestões para a amnésia. Ele chamou a esse estado sonambulismo. Era o mesmo 
estado sobre o qual o Marquis de Pusuygur já havia descrito. Ocorreu-me que se o 
paciente retornasse dia após dia, em vez de semana após semana, o sonambulismo 
poderia ser alcançado em cinco dias em vez das cinco semanas. Em seguida ocorreu o 
pensamento de que ele poderia ter feito essas visitas em intervalos de uma hora de e 
então teria conseguido o sonambulismo em cinco horas ao invés de cinco semanas. 
Continuando ao longo dessas linhas, perguntava-me se este estado não poderia ser 
produzido ainda mais rápido. Eu experimentei e descobri que eu podia produzir o 
estado sonambúlico hipnotizando a pessoa repetidamente, em intervalos muito mais 
curtos. Eu era capaz de alcançar em três minutos, o que levou ao Dr. Bernheim cinco 
semanas para realizar. Eu chamo a este método a “técnica de indução repetida”. ─Foi 
usada na sessão da aula cujo excerto vocês acabaram de ler─ E agora aqui está o 
método “indução repetida” de alcançar o estado profundo de sonambulismo. 
[dirigindo-se á paciente] Feche os olhos. Relaxe todos os músculos de forma á que os 
 
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Hipnoterapia 
músculos dos olhos não funcionem…Agora teste-os. [para os médicos] Esta é a 
primeira visita. [para á paciente] Daqui a um momento você vai abrir e fechar os olhos 
e ficará mais relaxada do antes…Feche os olhos. *para os médicos+ Agora nós demos a 
segunda visita. Agora já temos o benefício da sugestão pós-hipnótica, por quanto no 
estado hipnótico eu estou a sugestiona-la de que na próxima vez que ela abrir e fechar 
os olhos ela ficará mais relaxada do que nunca. [para a paciente] Agora, abra e feche 
os olhos. [para os médicos] E agora nós temos uma paciente que está mais relaxada do 
que nunca. 
 Esta é a terceira visita. Três visitas, mais duas sugestões pós-hipnóticas são 
certamente o equivalente a cinco visitas ao Dr. Bernheim. Agora estamos preparados 
para o teste do sonambulismo. Se ela seguiu as ordens dadas até esta altura, nós 
deveremos ser capazes de dar-lhe uma sugestão para amnésia, ou ela mesmo será 
capaz de desenvolver a amnésia dentro do estado, se ela realmente alcançou o estado 
sonambúlico. Nós determinamos em cima um teste que tem esta peculiarfaculdade: 
se não nos indicar que o sonambulismo está lá, ele tende a produzir sonambulismo. 
Em outras palavras, o próprio teste sugere sonambulismo. [para o paciente] Eu quero 
que relaxe a sua mente assim como você relaxou o seu corpo. Comece a contar de cem 
para trás. De cada vez que disser um número dobra o relaxamento. Na altura do que 
baixar dos noventa e oito não haverá mais nenhum número, e você estará tão 
relaxada…Agora comece dos cem e faça isso acontecer…Os números sumiram? 
 Paciente: Sim 
 Elman: [para os médicos] Vocês lembram-se, eu apertei a mão delas três 
vezes e disse, “ A anestesia virá para essa mão,” e eu penso que continua lá. *ao 
paciente] Como está a sua mão? 
 Paciente: Bastante entorpecida. 
 Elman: Vou aperta-la e ficará muito entorpecida. Uns…Dois…Três *para os 
médicos] Lembrem-se do que fiz. Depois que obtive o começo do entorpecimento eu 
disse, ”Quando eu disser abra os olhos, esse entorpecimento vai tornar-se cerca de dez 
vezes mais forte do que está agora.” *para o paciente+ Agora abra os olhos. Como está 
a sua mão? 
 Paciente: Entorpecida 
 Elman: [para os médicos] Agora o que é que fiz? Eu compus a anestesia. Eu 
tenho-a no estado sonambúlico com os olhos bem abertos. Agora queremos aumentar 
essa anestesia. Qualquer coisa que eu faça, irá aumenta-la. Vejam. Perguntem-lhe se 
ela não sente um aumento da anestesia quando eu acender este cigarro. [para a 
paciente] Veja-me acender este cigarro e depois diga-me como sente essa mão…como 
sente a sua mão? 
 Paciente: Entorpecida 
 Elman: Mais entorpecida que antes? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Reparem no desejo de relaxamento. Qualquer sugestão dada pode ser 
empregue para aumentar o relaxamento. [ao paciente] Agora pode fechar os olhos 
novamente. Eu vou retirar a anestesia, e quando você abrir os olhos vai sentir-se 
 
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Hipnoterapia 
melhor do que se tem sentido todo o dia, toda a noite, todo o mês. E vai estar numa 
forma maravilhosa para ser ajudada no seu parto. Você vai ter esse bebé sem sentir 
uma única coisa. Agora abra os seus olhos e repare como se sente bem…Como se 
sente? 
 Paciente: Bem 
 Elman: [para os médicos] Por que é que eu fui capaz de obter anestesia 
profunda todas as vezes que dei uma sugestão? Porque as sugestões podem ser 
compostas. A primeira que derem pode ser relativamente fraca. No entanto ela 
torna-se forte quando vocês a seguem com uma segunda sugestão, ainda que a 
segunda possa ser inteiramente diferente. Vocês dão a sugestão um, e esta é fraca. 
Então dão a sugestão dois e a um fortalece. Depois vocês dão a sugestão três e as 
sugestões número um e dois fortalecem. Dêem a sugestão quatro, e a um, dois e três, 
todas fortalecem. Dêem a sugestão cinco, e a um, dois, três e quatro fortalecem. A 
progressão estende-se de volta ao início. 
 * * * 
 Imagine uma cena como esta. Eu tenho um homem e uma moça em 
sonambulismo. Próximo das suas cadeiras está um fonógrafo. Eu digo para a moça, 
“Vai acontecer uma coisa estranha depois que eu disser para abrir os olhos. Você vai 
descobrir que todas as vezes que eu puxar a minha gravata você sentir uma vontade 
irresistível de ligar aquele fonógrafo.” 
 Depois eu digo ao homem sentado ao lado dela,” E uma coisa estranha vai 
acontecer consigo. Todas as vezes que alguém ligar aquele fonógrafo você sentir uma 
vontade irresistível de o desligar.” 
 Agora tenho-os de olhos abertos, mas uma vez que tenho a sugestão 
implantada, eu continuo a manter o sonambulismo. Eles estão a olhar para mim e eu 
puxo a minha gravata, e muito lentamente, a moça vira e olha para o fonógrafo, mas 
ela não faz nada em relação a isso. O homem vira lentamente e olha para ela, mas é 
tudo o que acontece. Então eu puxo a minha gravata outra vez, e ela para o fonógrafo 
mais rápido, e mais rápido o homem olha para ela. Pela terceira vez puxo a minha 
gravata ela levanta-se lentamente e deliberadamente, e caminha para o fonógrafo e 
liga-o, mas, também deliberadamente o homem segue-a e desliga-o. 
 Agora, enquanto estão a meio do caminho de volta para as suas cadeiras, eu 
puxo a minha gravata e por esta altura a sugestão um está tão forte que a moça corre 
de volta ao fonógrafo e liga-o, mas o homem corre de volta ao fonógrafo e desliga-o. E 
tudo isso está a acontecer como resultado da composição do incremento da sugestão, 
uma técnica que pode que pode ser aplicada na medicina e odontologia. Eu estava a 
usar precisamente esta técnica quando eu reforcei a anestesia na mão da paciente 
grávida há pouco tempo atrás. Depois de mais algumas demonstrações, será trabalho 
de todos os médicos fazerem a seguintes coisas: Primeiro, produzir sonambulismo 
pela técnica da indução repetida. Depois se encontrar sonambulismo artificial muda-
o para o verdadeiro sonambulismo por composição da sugestão. Uma vez você tenha 
alcançado o sonambulismo em transe, você tem que ir depois para o sonambulismo 
com olhos abertos. Isso significa que você deve dar uma sugestão que se mantenha 
 
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Hipnoterapia 
enquanto os olhos estão abertos, e nesta altura você deve compor as sugestões até 
que tenha uma profundidade de anestesia que o satisfaça, como sendo medicamente 
ou odontologicamente útil. Agora para outra demonstração. 
 Elman: [para a paciente que está em transe e sonambúlico] Eu vou apertar a 
sua mão e você sentirá algum entorpecimento na sua mão…um… dois…três…como 
está a sua mão? 
 Paciente: Sinto-o a chegar 
 Elman: Quando eu disser abra os olhos, o entorpecimento aumentará dez 
vezes mais…Abra os olhos… *para os médicos+ Isto é sonambulismo com os olhos bem 
abertos… ─a paciente─ Como está a sua mão? 
 Paciente: Eu não sinto nada aí. 
 Elman: Agora nós queremos que a anestesia fique dez vezes mais forte. 
Incline a sua cabeça para trás e traga-a para a frente, e repare no que acontece na sua 
mão…Como está a sua mão? 
 Paciente: Melhor ainda 
 Elman: Faça isso outra vez e essa anestesia tornar-se-á tão intensa que você 
não será capaz de sentir nada…Como está? Bastante entorpecida agora?... *para os 
médicos] A mesma coisa é verdadeira aqui. Ela não vai sentir uma única coisa nessa 
mão, e eu vou fazer os mesmos testes e deixa-los ver que, nem ela nem a moça antes 
dela, nem qualquer outra pessoa ─uma vez que as sugestões sejam compostas─ 
consegue fazer uma boa avaliação de onde teste é feito. Isso é o quanto a anestesia é 
boa… *para a paciente+ Eu vou estar a trabalhar nesta mão…Você saberá que eu estou 
a trabalhar aí mas nada a incomodará, nada a perturbará …Agora sem abrir os seus 
olhos tente localizar onde é que o teste foi feito… *para os médicos+ Reparem 
cavalheiros… Todos os lugares menos o lugar certo. Agora nós queremos que a 
anestesia seja profunda quando ela abrir os olhos porque eu quero colocar-lhe 
algumas questões acerca disso… *para a paciente+ Abras os seus olhos por 
favor…Como está a mão? Bastante entorpecida agora? O que é você sentiu com o que 
eu fiz? 
 Paciente: Não doeu magoou. 
 Elman: Não incomodou. Verdade? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Houve sentiu alguma pressão? 
 Paciente: Não houve o suficiente para ascender á pressão! 
 Elman: [para os médicos] Vocês conseguem remover a sensação de pressão 
em muita gente, com a anestesia profunda que vocês obtêm com a composição o 
composto. Aqueles de vocês que necessitem de um grau muito bom de anestesia 
descobrirão que a composição permite-vos obtê-la…não apenas para os partos mas 
para todos os tipos de trabalhos. Suponham que quero trazer a anestesia para outro 
lugar. Aqui está como fazer… ─para a paciente─ Coloque esta mão directamente em 
cima da outra mão. Em cerca de três segundos esta anestesia transferir-se-á para a 
outra mão. Você vai descobrir que mudou de mãos… Agora como está a anestesia na 
sua mão direita? 
 
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Hipnoterapia 
 Paciente: Está lá 
 Elman: Em outras palavras,você pode colocar a anestesia em qualquer 
parte…Coloque nos dedos dos pés por favor. Toque nos seus dedos dos pés com a sua 
mão e mantenha-a lá por alguns segundos… Como estão os dedos dos seus pés? 
 Paciente: Entorpecidos 
 Elman: Coloque a mesma anestesia no queixo e veja como é boa a anestesia 
dental que você tem…como está o seu queixo? 
 Paciente: Realmente entorpecido 
 Elman: Aí está o que quis dizer. Você consegue mover a anestesia 
hipnótica por todo o seu corpo. Se você tem que trabalhar em ambos os lados do 
rosto…Veja, agora está aqui, e eu quero que a traga de volta para o outro lado, e ai 
está! Como está o lado esquerdo do rosto? 
 Paciente: Entorpecido 
 Elman: [ para os médicos] por outras palavras esta é a anestesia com que você 
pode trabalhar. E o que eu tenho estado a fazer? Tenho estado a compor. Portanto, a 
anestesia no queixo dela será mais forte que a anestesia que ela teve na mão uma vez 
que há cerca de quatro ou cinco composições compostos desde aquela altura. Eu 
quero que vocês vejam a profundidade de anestesia que nós temos aqui. Doutor você 
pode por favor fazer o teste para a anestesia no queixo dela? ─Doutor faz o teste─ 
Excelente anestesia, não verdade? Quando você tem anestesia tão boa como esta, fica 
muitíssimo fácil trabalhar… *para a paciente+ O que é que você sentiu? 
 Paciente: O suficiente para saber que ele estava mexia na minha boca mas 
não o suficiente para incomodar. 
 Elman: [para os médicos] Suponham que, queremos que toda esta anestesia 
desapareça de todas as partes do corpo dela, e faze-la sentir-se maravilhosa, é assim 
que fazemos… *para a paciente+ Feche os seus olhos. Quando eu disser para abrir os 
seus olhos, a anestesia desaparecerá e você vai sentir-se melhor do que se sentiu todo 
o dia…abra os olhos…Como se sente? 
 Paciente: Bem 
 Elman: Toda a anestesia desapareceu? 
 Paciente: Sim 
 Elman: [para os médicos] Isto é a coisa que faz a hipnose funcionar. Desde o 
início da hipnose até ao seu estado mais profundo, é tudo uma questão de composição 
composto. Tudo o que vocês estão a fazer o tempo todo é desenvolver um estado 
melhor, uma maior profundidade, e a maior anestesia se é anestesia que vocês 
querem. Eu quero mostrar-lhes algo mais acerca disso. Em nenhum momento a 
hipnose faz as pessoas perderem a consciência. Aqui está uma pequena experiencia 
para deixar-vos ver que esta paciente em hipnose, teve maior consciência que ela 
possivelmente tem em circunstâncias normais. [para a paciente] Jovem, você lembra-
se de quando e como aprendeu a andar? 
 Paciente: Não 
 Elman: Você acha que alguém nesta sala lembra-se de quando e como 
aprendeu a andar? 
 
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Hipnoterapia 
 Paciente: Não 
 Elman: Você sabe que no estado em que a tivemos agora, nós podemos deixa-
la ver a si mesmo como aprendeu a andar? As pessoas têm uma ideia engraçada 
acerca da vida. Elas pensam que esquecem as coisas. Nunca ninguém esquece nada. 
Tudo aquilo pelo que passamos na nossa vida faz uma impressão e nós armazenámo-la 
afastada. E quando a consciência é suficientemente incrementada estimulada então 
podemos puxar essa pequena lembrança para fora da sua gaveta, fora do seu 
esconderijo e obtemos um efeito muito electrizante. Se você perguntasse a todas as 
pessoas nesta sala “ Você recorda-se do tempo em que aprendeu como andar?” Eles 
dirão “Não” Mas todos eles lembram-se … ─para os médicos─ Deixem-me mostrar-lhes 
que o que está escondido dentro desta pessoa é a memória de si mesma a aprender 
andar. Ela verá as pessoas que estavam lá, mãe e pai a irmã se é que tem alguma. Ela 
será capaz de os ver como os viu enquanto aprendia a caminhar… *para a paciente+ 
Feche os olhos. Faça os números desparecerem, e estará de volta ao estado em que 
esteve antes… Os números desapareceram? Faça-os desaparecer…Você consegue 
fazer isso rapidamente. 
 Paciente: Eles sumiram 
 Elman: Muito bem. Agora aqui está o que vai acontecer. Eu vou abrir a gaveta 
para si, ou ajuda-la a abrir a gaveta onde está guardada a memória da sua 
aprendizagem de como começou a caminhar. Eu vou estalar os meus dedos e você 
verá terá uma visão real, uma memória real de si mesma a aprender a andar. E se for 
uma cena interior você verá a mobília que estava lá, você verá as pessoas que 
estiveram lá e como é que elas estavam vestidas, e você ver-se-á a si mesmo como 
estava vestida. Se for uma cena exterior, você será capaz de nos dizer em que altura do 
ano foi pelo tempo clima e você não só será capaz de nos dizer em que altura do ano 
foi, mas também, como você estava vestida e como é que elas estavam vestidas, e o 
que elas disseram…Agora quando eu estalar os meus dedos você terá essa visão… 
Quando eu os estalar pela segunda vez você vai abrir os olhos e vai nos dizer o que é 
que viu e as palavras que você ouviu falar…Muito bem, agora é que é. *estalar de 
dedos]. Agora quando eu os estalar outra vez, você pode contar-nos tudo o que você 
viu. *estalar de dedos+ Aí está. Agora você pode abrir os olhos…O que foi que viu? 
 Paciente: Um sofá. 
 Elman : E onde é que você estava? 
 Paciente: No meio do chão. 
 Elman: Estava em pé ou sentada? 
 Paciente: Sentada. 
 Elman: E o que aconteceu? 
 Paciente: Eu andei até ao sofá 
 Elman: De que cor era o sofá? 
 Paciente: Vermelho. 
 Elman: Quem estava lá do seu lado? 
 Paciente: A mãe. 
 Elman: E como é que ela se parece? 
 
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Hipnoterapia 
 Paciente: Muito mais nova. 
 Elman: Você reparou como é que ela estava vestida, não é? 
 Paciente: Não. 
 Elman: Como é que você estava vestida? 
 Paciente: Um pequeno vestido amarelo. 
 Elman: Agora, com os olhos da sua mente, dê uma olhada na sua mãe e diga-
nos como é que ela está vestida. Feche os olhos e veja-a…Aí está ela…Como é que ela 
estava vestida? 
 Paciente: Um vestido estampado com cores. 
 Elman: Ela está a ajuda-la a caminhar ou você está a caminhar tudo sozinha? 
 Paciente: Sozinha. 
 Elman: Muito bem, agora pode abrir os olhos. Como se sente por ser capaz de 
se ver a si própria novamente a aprender a andar? 
 Paciente: É uma sensação divertida. 
 Elman: É um sentimento divertido pensar que você tem uma mente tão boa, 
não é? Mas lembre-se que, todas as pessoas nesta sala seriam capazes de fazer a 
mesmíssima coisa… ─para os médicos─ Vocês conseguem fazer isso quando a 
consciência lembrança é trazida pelo mesmo estado em que está esta jovem. Eu vou 
remover as sugestões, mas ela continuará a lembrar-se de tudo… ─para a paciente─ 
Feche os seus olhos, por favor. Quando eu a fizer abrir os olhos, você saberá que isso é 
uma coisa muito prazerosa para ser capaz de se lembrar, e todas as sugestões que eu 
dei sobre essa visão terminarão, mas você lembrar-se-á de tudo muito nitidamente. E 
repare como se sente bem…Muito bem, agora pode abrir os seus olhos…Como se 
sente? 
 Paciente: Bem. 
 Elman: Vocês conseguem ver o que eu quero dizer por aumentar a 
consciência? Eu também poderia trazer de volta para a primeira lembrança que ela 
tinha quando sua inteligência se formou, a primeira impressão que foi implantada 
depois que a memória dela formou-se. Nós falaremos acerca disso quando chegarmos 
a hipnoanalise. Isto foi para deixá-los ver que o estado que nós desenvolvemos é o de 
consciência afilada focada. Não é inconsciência. Não é um estado que vocês tenham de 
temer. Isto é um estado no qual a mente trabalha tão bem em que a lei da auto-
preservação funciona tão lindamente, que nunca ninguém poderá aproveitar-se de 
vocês no estado hipnótico. É por isso que na história do mundo não há nenhuma lesão 
ou perda, feitos por hipnose. Infelizmente, existem livros acerca deste assunto de 
autores que nem sabem como explicar estas coisas, por isso eles os infestam com os 
devaneios as fantasias das suas próprias imaginações. As pessoas têm infestado a 
hipnose com muitas ideias falsas. A hipnose é talvez um dos mais belos estados que 
Deus tornou possível paraa humanidade, e este belo estado contém anestesia da 
própria natureza, que Ele disponibiliza para cada um de nós. Mas tem sido tão 
severamente abusado por pessoas que tentam torná-lo vudu, magia negra. E não é! 
Quando vocês são ensinados a olhar para a hipnose correctamente, vocês vêm-na 
 
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Hipnoterapia 
como uma coisa linda e maravilhosa que Deus tornou possível… *para a paciente+ Você 
experimentou isso. Não é lindo? 
 Paciente: Sim! 
 Elman: Aqui está uma coisa que a ajudou a livrar-se da náusea e vómitos da 
gravidez. Aqui está algo que tornou possível a ela lembrar-se quando era um bebé, 
talvez com menos de um ano. Deve ela não olha-lo como um estado maravilhoso? 
 Não deve haver nenhum medo com a hipnose. Até os maravilhosos estados 
que vocês têm visto esta noite podem ser arruinados pelo medo. Não deixem o medo 
entrar. Não deixem nenhum enfermeiro ou medico que não conheça a semântica da 
hipnose falarem coisas erradas para um paciente. Pensem na reacção de uma gestante 
quando ela ouvir uma enfermeira a exclamar ”Meu Deus você não vai deixar que ela 
tenha todas as contracções e o parto sem anestesia nenhuma vai? “ Eu tenho os meus 
alunos-médicos a praticarem uns nos outros, e a saberem e passarem tudo o que irão 
fazer passar os seus pacientes! A razão de muitos conceitos errados terem-se 
insinuado dentro da hipnose é que milhares e milhares de pessoas bem-intencionadas 
têm estudado a hipnose a partir de fora ao invés de ser dentro para fora. Quando 
vocês olham para a hipnose de dentro para fora, vocês sabem o que se está a 
acontecer e perdem o medo. É por isso que eu gosto que o médico saiba o que vai 
fazer ao seu paciente; e eu quero que ele saiba o que o paciente está a pensar e a 
sentir. E quando a anestesia hipnótica é dada o quão pouco ele está a sentir. Eu quero 
que os meus médicos sintam a anestesia feita possível por sugestões compostas e 
como a anestesia se desenvolve lindamente. 
 Na prática desta, tenha em mente que vocês talvez encontrem sonambulismo 
artificial, e que é quase impossível trabalhar com ele. Tudo o que têm é hipnose leve. 
Agora vejam o método de tornar o sonambulismo artificial em verdadeiro 
sonambulismo… *para o médico que faz de paciente e não alcançou o verdadeiro 
sonambulismo] Eu vou levantar a sua mão e quando a largar as luzes se apagarão e 
os números desaparecerão…Os números sumiram? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Por que é que ele falhou antes e por que é que foi bem-sucedido desta 
vez? Ele estava a esforçar para tentar ajudar e com receio que não conseguisse. Ele 
manteve-se tão preocupado que não seguiu as ordens e, portanto não relaxou 
correctamente. Ele mesmo vai-lhes dizer o que foi que aconteceu… *Para o paciente+ 
Doutor consegue falar-nos da diferença entre a maneira que está relaxado agora e a 
maneira que estava antes? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: [para os médicos] Deixem-me mostra-vos novamente a técnica que eu 
uso quando os números não desaparecem. Eu levanto a mão dele e digo, ”Quando eu 
largar a sua mão as luzes apagam-se e você não vai ver mais números nenhuns…Aí 
está…As luzes apagaram e todos os números despareceram… É assim que vocês 
mudam o artificial para o verdadeiro sonambulismo. A composição da anestesia, tudo 
o que vocês precisam para começar é uma pequena anestesia. Mas se vocês 
perguntarem ao paciente como é que ele se sente depois de terem dado a sugestão de 
 
93 
Hipnoterapia 
anestesia, e ele disser ”Não muito diferente”, e depois vocês compõem, e vocês 
continuam a compor até o fim do tempo, e nada vezes nada, é igual a nada. Ele tem 
que ter uma pequena anestesia para se compor uma anestesia maior. 
 Este médico aqui tem tido alguma dificuldade com este paciente em compor 
anestesia. O paciente age como se nada demais esteja a acontecer. Mas eu acredito 
que ele tem ampla bastante anestesia e eu sugeriria para que você o teste. Primeiro 
faça-lhe um teste dental suave para ter a certeza que ele tem a anestesia [teste dental 
a ser feito] 
 Doutor: Tenho estado a testar a vários segundos. O que é que sentiu? 
 Paciente: Eu mal consegui sentir nada, mas percebi que esteve a trabalhar lá. 
 Doutor: Eu estava a quebrar raspar tecido gengival. 
 Paciente: Eu não sabia disso. Não senti nada. Eu nem pensei que tinha 
anestesia porque julguei que se sentia o queixo congelado quando ele está 
anestesiado. Não se sente como eu pensava que seria. Não senti nada, embora eu 
possa dizer que no fim você estava a carregar mais forte do que no início, mas não me 
incomodou! 
 * * * 
 Quando você muda do artificial para o verdadeiro sonambulismo, você 
consegue aperceber-se da maneira como a pessoa aumenta o relaxamento conforme o 
verdadeiro estado aparece. Existe uma fantástica diferença. Pacientes descrevem esta 
diferença como um sentimento de ser um estado de felicidade pacífica, onde não 
existe conflito assim que os números desaparecem. No sonambulismo, as sugestões 
tornam-se tremendamente mais efectivas, e podem ser dadas muito mais tipos de 
sugestões. O verdadeiro paciente sonambúlico é quase inteiramente acrítico às 
sugestões que são dadas e irá, na medida das suas capacidades e das suas 
necessidades esforçar-se para aceitá-las. No estado de hipnose leve, o paciente parece 
estar a dizer ao médico, “espero que isso funcione”. No entanto uma vez que entra no 
estado profundo, a atitude do paciente parece ser”Eu sei que isso vai funcionar. Isto 
tem que funcionar.” E por isso funciona! Eu acredito que se o médico consegue 
entender a verdadeira razão do porquê que as pessoas aceitam melhor as sugestões 
em sonambulismo, ele tornar-se-á mais proficiente com hipnose. Aqui está então a 
explicação: 
 Você já sabe que a hipnose é uma forma de relaxamento. A medida que o 
paciente relaxa mais e mais, fundo e profundo, uma sensação de euforia ─um 
sentimento de bem-estar, de contentamento─ é trazida ao paciente o qual talvez, 
nunca antes tenha conhecido. Assim que esse sentimento aumenta, ele obtém um 
sentimento de maior confiança nele mesmo, e no médico. Neste estado eufórico 
parece ao paciente que tudo vai bem com o mundo e que qualquer coisa dentro da 
razão do limite humana é possível. Portanto ele aceita ao pé da letra ─sem 
criticismo─ qualquer sugestão que pareça razoável e prazerosa para ele. 
 Novamente deixe-me sublinhar que em sonambulismo você não alcança um 
estado como zombie. O paciente não perde a consciência. Ao invés, ele ganha 
aumenta consciência percepção. Foi estimado por várias autoridades no assunto que 
 
94 
Hipnoterapia 
em sonambulismo a consciência do paciente é aumentada acima dos dois mil 
porcento. 
 Pegando na jovem senhora que foi capaz de se ver a aprender como 
caminhar. A sua consciência tem que ser tremendamente aumentada para ser capaz 
de fazer isso. Eu tenho uma memória tenaz o suficiente para que, sem a ajuda da 
hipnose, eu consigo ir atrás e pensar em incidentes que ocorreram quando eu tinha 
três ou quatro anos de idade, mas quando eu tento lembrar qualquer coisa que tenha 
acontecido quando eu tinha cerca de um ano ou menos, e acho isso impossível. 
Quando a consciência é suficientemente incrementada eu consigo faze-lo, você 
também pode. E você vê voltar de forma muito clara, coisas enterradas bastante 
longe. 
 Repare que na demonstração a jovem senhora foi capaz de dizer que tinha um 
vestido amarelo. Ela foi capaz de dizer que a mãe dela estava vestida com um vestido 
estampado e que era colorido. Na verdade ela viu estas coisas á cores.Você sabe o que 
tem de fazer para alcançar esse estado. Tendo avançado tão longe, você tem a 
liberdade de atalhar sem medo de falhar repetidamente ou de ser enganado pelo 
sonambulismo artificial. Esforce-se por obter o estado profundo num minuto. 
 Mas o que você deve fazer quando se deparar com resistência da parte do 
paciente?Não tente produzir o estado hipnótico. Uma vez que a hipnose é um estado 
consentido, é inútil continuar quando existe resistência! Em certos casos um médico 
consegue eliminar muita dessa resistência ao dizer para o paciente, “ Muito mau. Você 
não quer o tratamento da maneira mais simples, terá que o ter da maneira mais difícil. 
O paciente normalmente torna-se apologético ─o medo da dores que podem surgir se 
o tratamento for dado da maneira mais difícil─ e tentará cooperar. Ida a resistência, 
você será capaz de obter o estado em muitos desses pacientes difíceis. 
 Se o paciente continua a resistir, desista de tentar. Quando alguém me 
confronta resiste mais de um minuto, eu paro e penso para mim mesmo. ”O paciente 
parece não se dar conta que eu quero ajuda-lo. Se ele não perceber que eu quero 
ajudá-lo, então terá que submeter-se ao tratamento da maneira mais difícil.” Esta é a 
atitude mais sensata mesmo em casos de partos. Se uma mulher não quiser 
colaborar ao ponto de relaxar para obter o estado no qual o parto é indolor, seja 
possível ─se ela insistir em sentir o parto─ deixa-a sentir. Não há nada de brutal nesta 
atitude porque se a deixar sentir uma ou duas contracções, geralmente ela dirá, “ Oh 
doutor ajude-me a relaxar.” E então você descobrirá que consegue tê-la leva-la dentro 
do estado apesar do quadro de tensão mental nesta altura e poderá ajuda-la no resto 
do parto.No entanto nos casos raros de pacientes que continuem a mostrar conflito, 
resistência, disputa, a hipnose é de pouco uso porque é um estado consentido. Não vá 
em repostar de volta quando você está a beira de ser o perdedor. Desista de tentar, 
use qualquer que seja a ajuda que você sempre usou antes de começar a aplicar a 
hipnose. 
 Trabalhar com os pacientes de olhos abertos em hipnose profunda, parece ser 
uma das coisas que a maioria dos médicos não entende completamente. A técnica é 
dar uma sugestão ao paciente enquanto os olhos estão fechados, que manterá o 
 
95 
Hipnoterapia 
efeito quando os olhos estão abertos. Uma sugestão anestésica é o engenho perfeito 
para manter a hipnose a galopar. 
 É um bom meio medicamentoso. Então você pode fazer todo o seu trabalho 
com os olhos abertos. Esta técnica que tem mais para ser a preferida por muita gente. 
Você pode dizer diferenciar um amador de um bom operador hipnótico verificando se 
ele aprendeu a lidar com pacientes com os olhos abertos. Se ele consegue trabalhar 
com olhos abertos, ele sabe o que está a fazer! Uma vantagem dos olhos abertos no 
estado é esta: Ninguém que esteja a andar rondar o seu consultório saberá 
imediatamente que você está a usar hipnose. Você não ficará preocupado por 
surpreender alguém, que não tenha sido apropriadamente apresentado ao fenómeno. 
Lembre-se que isto não é o mesmo que hipnose em vigília, é o sonambulismo 
profundo com olhos abertos, um estado completamente diferente. É neste estado de 
olhos abertos que você poderá dizer, “Vou transferir a anestesia desta mão para 
aquela perna” Você pode dizer, “Estalarei os dedos e a anestesia saltará para baixo, 
nos dedos dos pés.” Também dar-se-á conta que quando obtém este estado profundo 
não há a tendência em sair dele, como existe no estado leve. Um paciente sairá dele 
prematuramente apenas se acontecer alguma coisa o assuste, ou se você der um tipo 
estilo errado de sugestão, se você disser, “Isto dói, não é?” ele saltará de imediato 
para fora da hipnose. Não faça isso, nessa altura você já deverá saber a semântica 
apropriada. O sonambulismo de olhos abertos tem ainda mais vantagens. O paciente 
pode cooperar plenamente com o médico, apontando áreas problemáticas por 
exemplo. Obviamente o oftalmologista necessita deste estado, uma vez que ele 
trabalha integralmente com olhos humanos. O facto de os olhos se manterem abertos 
enquanto o paciente permanece em profundo sonambulismo faz disso o estado 
óptimo para ele. Outros homens da medicina e odontologistas acham este estado 
vantajoso de acordo com as exigências deles. O médico que tratar o seu paciente com 
este estado é encarado como um praticante hábil, e por bons motivos, com a técnica 
apropriada o paciente nem se aperceberá de que tem sido usada hipnose, e assim, ele 
talvez não irá assustar, supersticiosos não iniciados ou amigos pacientes. Se for 
questionado ele normalmente dirá, “Como posso eu ter sido hipnotizado? Eu estive 
bem acordado e vi o tratamento médico inteiro.” Na verdade na hipnose você está 
sempre bem acordado, você nunca adormece, mas a maioria das pessoas ignoram esse 
facto. Então para que não haja possibilidade de confusão, esteja certo que você 
entendeu o que é uma sugestão pós-hipnótica. Uma sugestão pós-hipnótica é dada 
enquanto o paciente está em hipnose, para ter efeito depois que o paciente é 
despertado do estado. Se você tem estado a praticar as técnicas descritas neste livro, 
você tem vindo a trabalhar com sugestões pós-hipnóticas desde o início. Quando você 
dá uma sugestão de saúde, é pós-hipnótica. Você diz “Quando abrir os olhos vai sentir-
se melhor do que se tem sentido todo o dia.” Você tem trabalhado constantemente 
com sugestões pós-hipnóticas aplicadas na medicina e na odontologia. 
 
 
96 
Hipnoterapia 
Capítulo 13: O estado Esdaile 
 
 Existe um livro do Doutor George Bankoff, um companheiro do Royal College of 
Surgeons intitulado “The Conquest of Pain” e sub-intitulado “The Story of Anesthesia.” 
No trabalho do Doutor Bankoff há um relatório acerca de um médico chamado Pien 
Chiao . Doutor Chiao, que viveu há cerca de vinte e três séculos atrás, reivindicou que 
dois homens o visitaram um dia e ele deu-lhes uma bebida que os reduziu á 
inconscientes por três dias inteiros. 
 Doutor Chiao redigiu esta fantástica descrição do incidente: “Então fiz uma 
operação em que explorei as regiões do estômago e do coração, e após retirar o 
coração e o estômago e permutei-os entre estas pessoas. Tal foi a maravilha de droga 
que eles não emitiram nenhum som, e em poucos dias eu assenti-lhes retornarem a 
casa completamente recuperados.” 
 Claro que sabendo o que nós fazemos acerca de cirurgias, isto é provavelmente 
um conto de fadas, mas o ponto é que as suas palavras mostram que os médicos do 
tempo dele já tinham um enorme interesse na anestesia. Existe uma tendência em 
olhar para a anestesia como bastante moderna. De facto os curandeiros têm vindo a 
pesquisar por boa anestesia desde os tempos pré-históricos, e talvez possa ter sido 
encontrada a milhares de anos atrás. 
 Num papiro conhecido com o Papiro de Ebers, credenciado ao ano de 1600 A.C 
foi encontrada uma afirmação traduzida como se segue: “Sugerido como um 
tratamento útil para a extracção de estilhaços: Cozinhar o sangue dos vermes e 
misturar com óleo. Depois mate uma toupeira cozinhe drene em óleo e prossiga a 
misturar o esterco de um burro em leite. Aplique a pasta com os encantamentos 
apropriados.” 
 Os “encantamentos apropriados” uma receita favorita da medicina primitiva, 
equivale a hipnose em vigília. 
 A hipnose foi conhecida e usada sob vários nomes, a milhares e milhares de 
anos atrás; tem sido chamada de tudo desde Yar-Phoonk (no dialecto Hindi) ao vudu, 
magia, encantamento. Antes dos dias de Mesmer foi chamada de magnetismo, depois 
o seu nome foi mudado para mesmerismo, depois em seguida veio Braid e deu origem 
as palavras hipnose e hipnotismo ─e tentou mudar o nome para “monoideísmo” 
quando se apercebeu que a hipnose afinal não era sono. O opio e, na verdade 
derivados de tudo desde papoilas a indiana snakeroot planta raiz-de-cobra 
encontraram aplicação anestésica durante o desenvolvimento da medicina moderna. 
Mas enquanto a anestesia química tinha, e tem, enorme importância na história da 
cura medicinal esta não tem as vantagens da anestesia mental. 
 O primeiro homem dos tempos modernos a redescobrir realmente este grande 
poder e a fazer extensivamente bom uso, foium cirurgião inglês que dá pelo nome de 
James Esdaile. Ele tornou-se um interessado no mesmerismo ainda a palavra hipnose 
não era conhecida. 
 
97 
Hipnoterapia 
 Ele foi para a Índia em 1845 e o trabalho que fez por lá com o mesmerismo, foi 
assombroso mesmo á luz do conhecimento actual. No entanto ele falhou ao não se 
aperceber de que aquilo com que ele estava a trabalhar era o poder da sugestão. Tudo 
o que ele sabia, era que se seguisse as técnicas de Mesmer aplicando-as 
diligentemente conseguia alcançar um estado de mesmerismo melhor que aquele que 
o próprio Mesmer já tinha conhecido. Ele levava muito tempo para que esse notável 
estado se desenvolvesse. De acordo com os relatórios que li, em muitos casos poderia 
levar uma hora ou hora e meia. Vale a pena ressalvar que estes eram os dias antes da 
anestesia moderna e os pacientes em que ele trabalhava precisavam de algo que 
aliviasse a dor, eles iam entravam desesperadamente para o estado que Esdaile 
tentava gerar. 
 Neste estado, ele foi capaz de realizar proezas notáveis de cirurgia. Diz-se em 
boa autoridade que ele fez todos os tipos de cirurgias conhecidas na altura ─incluindo 
amputações, cirurgias abdominais e vários tipos de suturas em variados tipos de 
ferimentos─. Alguns livros reportam que ele fez acima de trezentos procedimentos de 
cirurgias abdominais profundas, neste estado que até então era completamente 
desconhecido em medicina. 
 Nos tempos de Esdaile a mortalidade em cirurgia era de cinquenta por cento. 
Esdaile foi capaz de reduzir esta taxa para oito por cento com o uso das suas técnicas, 
e os seus pacientes recuperaram mais rapidamente e mais facilmente do que a média 
dos casos cirúrgicos nos seus dias. 
 Ele voltou para a Inglaterra emocionado com a sua descoberta, ansioso em 
mostrar aos cirurgiões em casa um método pelo qual reduz a mortalidade e faz 
cirurgias indolores. Nas palestras dele tentou produzir o estado em frente as 
audiências de médicos, e não se apercebeu que a sua própria resistência os impediria 
de entrar no estado. Os médicos ridicularizaram-no, chamando-o de falso, charlatão e 
intrujão. Mesmo assim, ele abriu um hospital em Londres onde continuou o trabalho 
que ele tinha feito na Índia. 
 Houve apenas um homem em Inglaterra que acreditou nas técnicas de Esdaile. 
Este era um médico, de seu nome John Elliotson. Elliotson veio ao seu hospital e viu 
Esdaile a trabalhar cerca de uma hora e meia para alcançar o estado necessário num 
paciente e depois a executar a cirurgia sem dor. 
 Elliotson tornou-se no seu mais fiel defensor. 
 Em resultado disso, o Doutor Elliotson, que era um professor de Medicina 
Pratica na University of London, foi forçado a abdicar da sua disciplina, e rapidamente 
Esdaile foi forçado a fechar o seu hospital. 
 Nenhum dos médicos foi capaz de reproduzir as proezas de Esdaile. Incrédulos 
como eles eram, muitos deles tentaram reproduzir o que Esdaile tinha dito que era 
possível, mas nenhum deles sabia como. Tudo o que eles conseguiram, foi analgesia 
média, nada prático para cirurgia! Na minha perspectiva tudo o que eles conseguiram 
foi hipnose leve. Eles não sabiam como corrigir os seus erros e certamente não 
perguntariam ao Esdaile. Na verdade eles nem discutiriam entre eles mesmo as suas 
experiencias. Ninguém queria que alguém mais soubesse que estava a trabalhar na 
 
98 
Hipnoterapia 
direcção desta coisa maravilhosa e a tentar reproduzir o sucesso do “charlatão”. A 
carreira de Esdaile foi arruinada assim como foi a de Elliotson, eles morreram 
amargamente decepcionados. 
 Agora voltemos por um momento ao hipnotizador de palco e ao seu trabalho 
com milhares de pessoas hipnotizadas. De quando é vez esse tal artista encontrava 
uma coisa notável a que chama de coma hipnótico porque as pessoas que entravam 
nesse estado aparentavam estar em coma. Elas não se moviam, elas não falavam, elas 
simplesmente não respondiam a nada. Elas não aceitavam nenhum tipo de sugestões 
incluindo a de sair do estado. 
 O artista de palco estava bem ciente do facto de que os sujeitos em 
sonambulismo podem escolher aceitar ou rejeitar as sugestões. Se o sujeito não 
aceitava certas sugestões que lhe eram dadas em sonambulismo, ele também os 
ignorava e trabalhava com outros ou dava sugestões que eles que eles aceitassem para 
que pudesse continuar a demonstração. 
 No entanto, os sujeitos em estado de coma não aceitavam nenhum tipo de 
sugestões não importando quão aprazíveis ou razoáveis o operador acreditasse que 
elas eram. Estes sujeitos em coma representavam um problema porque não só eles 
não participavam na acção mas, sentados lá em estado de coma, eles distraiam a 
audiência. Eles eram um importuno! 
 O operador tinha de inventar maneiras dessas pessoas. Como é que ele poderia 
faze-lo uma vez que eles não se levantavam e saiam do palco? Carrega-los para fora, 
seria desastroso. Além disso ele não tinha maneira de saber qual dos sujeitos entraria 
no estado de coma, antes da hipnose. Ele foi forçado a desenvolver técnicas para 
atender a situação, e eventualmente encontrou várias e diferentes maneiras de tirar os 
sujeitos problemáticos para fora do estado de coma. Algumas vezes esses métodos 
poderiam ser muito demorados. 
 O hipnotizador de palco ficava frequentemente embaraçado porque a 
audiência tornava-se sobressaltada quando os sujeitos iam para coma hipnótico. 
Portanto, quando finalmente o operador de palco conseguia descortinar maneiras de 
trazer os sujeitos para fora do coma hipnótico, ele escondia a informação dos seus 
rivais. Claro que ele nunca se apercebeu que tinha tropeçado inadvertidamente no 
estado de Esdaile. Se ele se tivesse apercebido, o que é que ele poderia ter feito? 
Quando ele conseguia despertar os sujeitos que encontrava do coma hipnótico, ele 
ficava tão satisfeito por se ver livres deles, que os dispensava peremptoriamente. 
 Para mim, era necessário como era para todos os outros operadores de palco, 
conceber maneiras de despertar sujeitos do coma. Após despertar um sujeito ─pelo 
método tentativa-e-erro ou simplesmente a trabalhar até o despertar─ em vez de o 
dispensar eu fazia-lhe perguntas. Eu queria saber por que é que essas pessoas reagiam 
diferentemente á hipnose, do que a maioria dos sujeitos. A partir do que eles me 
disseram ─e todos eles disseram a mesma coisa─ finalmente eu estava capaz de 
delinear uma técnica para trazer para fora os sujeitos do coma, instantaneamente! 
 Ao inquirir esses sujeitos, rapidamente eu aprendi que o estado de coma era 
um de euforia em que o sujeito simplesmente não queria ser perturbado. Essa era a 
 
99 
Hipnoterapia 
razão de não sair dela! Ele nunca tinha tido uma experiencia tão prazerosa e não 
queria que esse prazer fosse interrompido. 
 Após aprender isso, foi bastante fácil conceber uma técnica infalível. 
 Tudo o que você tem de fazer, é dizer ao sujeito que está em coma que, se ele 
não obedecer as suas instruções e despertar por si mesmo, ele nunca mais poderá ser 
hipnotizado outra vez. Isso foi tão efectivo que os sujeitos despertavam a si mesmo 
instantaneamente e logo depois disso o coma já não representava nenhum problema. 
 Quando eu comecei a ensinar, eu acreditava, como a maioria dos estudantes do 
assunto, que o coma apenas podia ser produzido acidentalmente, nunca de propósito. 
Não reconheci que este era o estado de Esdaile, mas por vários testes feitos por mim, 
sabia que os pacientes ficavam completamente anestesiados tal como Esdaile havia 
reivindicado que eles ficariam. Eu também sabia que os pacientes ficavam 
completamente imobilizados. Você não os consegue ter a levantar um braço ou uma 
perna. Você não os consegue induzir para abrirem os olhos. As que entram no coma 
hipnótico tornam-se catatónicas. 
 Se você levanta a perna de um sujeito por exemplo, ficará em qualquer 
posição que a puser e permanecerá lá indefinidamente. Não interessao quão 
estranha seja a posição em que você a colocou. Não existe rigidez no membro; sente-
se apenas como se fosse cera e quando você move uma perna sente como se movesse 
cera, excepto que permanece em qualquer que seja a posição em que você a moveu. 
Eis o que Esdaile disse sobre um paciente no estado de coma: “Eu estendi o braço dela 
num ângulo de recto em relação ao corpo dela, nesta posição, ou em qualquer outra, 
permanecia fixo até ser movido novamente, e a cunhada picou a sua mão distendida. 
Eu despertei-a como considerável dificuldade. A dor de cabeça tinha sumido 
completamente, e ela sentiu, e parecia, bastante revigorada. 
 O equilíbrio entre os músculos extensores e flexores é tão perfeito, que 
qualquer posição nova dada por uma força externa a cabeça, tronco ou 
extremidades, é facilmente recebida e mante-se firmemente. Esta energia passiva do 
sistema muscular, que permite ao corpo ser moldado numa grande variedade de 
posturas como se este fosse uma figura de cera ou chumbo é a característica 
distintiva.” 
Isto confirma o facto de que o paciente no coma hipnótico torna-se 
catatónico, e fica automaticamente anestesiado sem sugestão. A fase mais caluniada 
da hipnose é o completamente mal nomeado e mal-entendido coma hipnótico. Esdaile 
refere-se a ele como o coma mesmerico e outras vezes como sonambulismo, 
confundindo os dois estados. Tem sido incompreendido e maltratado por tanta gente, 
porque eles nunca investigaram completamente o estado. Por todo o mundo os 
médicos foram acautelados por professores e livros didácticos de que o coma 
hipnótico ocorreu acidentalmente em mais ou menos um de quinze mil pacientes, e 
que se encontraram ou acidentalmente produziram o coma, foi apenas um desses 
incidentes infelizes na medicina. Os livros didácticos preveniram os médicos para 
estarem atentos a isso, afirmando que os médicos poderiam não ser capazes de 
despertar o paciente. Alguns dos livros passaram a dizer, “Se o paciente entrar em 
 
100 
Hipnoterapia 
coma, deixe-o sozinho e o coma tornar-se-á em sono natural do qual o paciente 
despertará normalmente de entre quinze minutos á oito horas” 
 Os livros que fazem estas declarações ─e você pode encontrar tais afirmações 
em centenas deles─ provam que os seus autores pouco ou nada sabem sobre o estado. 
As conjecturas são completamente erróneas. 
 Em primeiro lugar, poucas pessoas ─se é que alguma ─acham possível cair no 
sono adormecer no estado hipnótico. A afirmação de que o coma mudará para o sono 
natural é falsa! O paciente despertará se deixado sozinho por um período de tempo 
indefinido, mas se for entrevistado e colocada a questão, “Você adormeceu em alguma 
altura?” invariavelmente dirá alguma coisa como, “Não, eu estava tão completamente 
relaxado que não queria ser perturbado.” 
 Mas os médicos têm olhado para o coma hipnótico como sendo perigoso e 
quando eles o encontraram, eles não se detiveram para investigar, deixaram-no 
abandonaram-no completamente, não se apercebendo que isso pudesse ser de valor 
para eles. 
 Hoje encontrará muitas pessoas que acreditam que, a hipnose é perigosa por 
causa da possibilidade de que um sujeito poderá ir entrar ao coma hipnótico. Em 
algumas demonstrações, ocasionalmente você ouvirá pessoas na audiência dizerem “O 
que acontecerá se você não o conseguir despertar?” Eles não entendem que no 
mundo, nunca ninguém esteve em hipnose e não saiu dela. 
 Como qualquer um, no início eu acreditei que o coma ocorria apenas 
acidentalmente e que não existia maneira de o obter intencionalmente. Tenho vindo a 
ensinar aos médicos como despertar os pacientes do coma porque eu senti que se eles 
usarem a minha técnica, entrariam em coma muito mais que um em cada quinze mil 
casos. Portanto, eu achei necessário ensina-los o método rápido que descobri para 
tirar os pacientes para fora do coma. Para mostrar-lhe o quanto isso era efectivo, 
gostaria de relatar um incidente que ocorreu em Fair Lawn, New Jersey á um bom 
número de anos atrás. 
 Um operador de palco tinha vindo a cidade para fazer uma demonstração, e 
alguém da audiência foi para o coma, as pessoas sentadas a redor dessa pessoa 
começaram a ficar violentamente perturbados. 
 O operador desceu do palco e assegurou á audiência que não havia motivo para 
alarmes e que ele conseguiria despertar a pessoa muito facilmente. Então prosseguiu 
usando a sua técnica habitual, mas o sujeito não respondia. 
 O operador de palco continuou, assegurando á audiência que ele iria despertar 
o sujeito se dessem tempo suficiente. Nos minutos que se seguiram a audiência 
tornou-se agitada porque nenhuma das suas técnicas parecia funcionar. Aconteceu 
estar um dos meus médicos na audiência, e caminhou para o operador de palco e 
disse,” Eu sou capaz de desperta-lo instantaneamente, eu sou médico.” 
 O operador disse, ”Ele não precisa de médico. O que é que você sabe de 
hipnose?” 
 “Eu estudei o assunto, “respondeu o médico, “ e desejaria que me deixasse 
tentar.” 
 
101 
Hipnoterapia 
 “Vá em frente!” Disse o operador. “Eu continuarei depois de você desistir.” 
 O médico avançou para o sujeito, murmurou algumas palavras ao ouvido, e 
imediatamente o sujeito despertou sozinho. Esta história apareceu nos jornais por 
todo o país, e deu uma credibilidade enorme ao médico. Fiquei orgulhoso pelo facto 
de ele ser um dos meus estudantes! 
 Um outro incidente também mostrou o quanto a minha técnica de despertar é 
eficaz! Um dos meus médicos e a esposa foram a um restaurante com outro médico 
também com a esposa. O médico começou a falar acerca dos meus métodos rápidos 
de indução e, o quão eficaz eles são. O outro médico disse, ”tente na minha esposa.” 
 O meu médico hipnotizou-a e imediatamente ela foi para o estado de coma, 
depois disso a marido dela ficou alarmado e disse, ”Estudei hipnose e foi-me dito para 
estar atento ao coma. Não se consegue traze-los para fora desperta-los e temos que 
deixa-los adormecer. Não a posso deixar dormir aqui. Vou tentar traze-la de volta 
desperta-la.” E logo a seguir ele tentou sem sucesso! 
 O meu médico então sussurrou algumas palavras aos ouvidos da senhora. E ela 
saiu do estado imediatamente! 
 Há muitos anos, que os médicos que frequentavam as minhas aulas têm vindo 
a contar-me acerca do coma e como despertar os pacientes desse estado. Mas por 
causa de não ser conhecido que o coma poderia ser produzido intencionalmente em 
qualquer altura, os estudantes raramente tiveram oportunidade de observar o estado 
na aula. Eu estava a ensinar em Baltimore, quando um dos médicos me disse, “Tenho 
um paciente que vai para o sonambulismo tão profundamente, que eu acredito que 
com um pouco de persuasão vinda de si, nós conseguiríamos coloca-lo no estado de 
coma. Eu gostaria de ver o coma hipnótico.” 
 Eu disse-lhe que iria tentar. Eu senti que se desse o meu máximo para produzir 
o coma e não fosse bem-sucedido, poderia provar que o coma não poderia ser 
alcançado intencionalmente! Eu não tinha a ideia de que era o estado Esdaile. 
 Na semana seguinte o médico trouxe o paciente para a aula e pediu-me para 
trabalhar nele. Eu disse-lhe, “Você coloca-o em sonambulismo e depois eu avanço a 
partir daí.” E então ele colocou o paciente no estado sonambúlico. Conforme lembro, 
eu falei ao paciente mais ou menos assim:” Sei o quanto você está relaxado, mas 
mesmo nesse seu estado relaxado eu aposto que você sente na sua mente que existe 
um estado de relaxamento abaixo do que está agora. Consegue sentir isso? 
 O paciente respondeu, “Sim” 
 Eu continuei, “Sabe, você pode fechar o seu punho e apertar e apertar 
 e apertar, e apertar tanto que pode chamar a isso de alta tensão. Pode relaxar 
o mesmo punho até não conseguir relaxar mais. Você pode chamar a isso a cave do 
relaxamento. E eu vou tentar leva-lo até lá em baixo para a cave do relaxamento. 
 “Para descer ao patamar A, você tem que relaxar duas vezesmais do que está 
já relaxado. Para descer ao patamar B, você tem que relaxar duas vezes mais do fez 
no patamar A, e para descer ao patamar C você tem que relaxar duas vezes mais do 
que o que você fez no patamar B. Mas quando alcançar o patamar C que é a cave do 
relaxamento, e nessa altura, você dará sinais pelos quais eu saberei que você está na 
 
102 
Hipnoterapia 
cave. Você não sabe que sinais são esses, e eu não lhe vou dizer quais são, mas todas 
as pessoas que já estiveram na cave do relaxamento deram esses sinais…Vamos 
começar. 
 “Você vai descer para o piso A num elevador imaginário e irá usar o mesmo 
elevador para descer a cave do relaxamento. Você está nesse elevador agora. Quando 
eu estalar os dedos, o elevador começará a descer. Se você relaxar duas vezes mais do 
que já está relaxado até agora, você descerá para o piso A. Diga-me quando estiver no 
piso A falando a letra A em voz alta.” 
 Cerca de trinta segundos ele murmurou “A” numa voz quase indistinguível. Eu 
segui um procedimento similar para trazendo-o para o piso B. Foi quase impossível, ele 
conseguir dizer a letra B em voz alta, mas ele formou o som com os lábios. Quando ele 
alcançou o piso C, ele foi incapaz de falar e nem moveu um músculo. 
 A profundidade de relaxamento era espantosa. Então sem uma palavra de 
sugestão, prosseguimos em fazer-lhe o primeiro teste para o estado de coma ─Isto é, o 
teste para a anestesia geral─. Os médicos testaram-no de varias maneiras e a anestesia 
era profunda. 
 Lembre-se, que nenhuma palavra de sugestão tinha sido dada para produzir 
anestesia. Isso ocorreu automaticamente. 
 O segundo teste que fizemos foi pedir-lhe que levantasse a perna. Ele não 
respondeu. Houve um tremor na perna dele, sugerindo que ele estava a tentar move-
la com bastante esforço, e depois aparentemente, ele desistiu de tentar. O terceiro 
teste foi feito num grupo de músculos mais pequenos, aqueles a volta dos olhos. A 
sugestão dada foi para abrir os olhos, ele não seguiu esta sugestão também. Então eu 
levantei o braço dele e achei que estava completamente catatónico, ficava em 
qualquer que fosse a posição que nos puséssemos. Os médicos colocaram-no em 
varias posições, e não importa qual a posição em que se colocava ele permanecia 
dessa forma. 
 Para meu conhecimento, esta foi o primeiro coma intencional gravado desde o 
tempo de Esdaile. Agora que tínhamos produzido o coma, os médicos sugeriram que 
deixássemos o paciente nesse estado para que eles pudessem experimentar. Eles 
queriam ver as reacções de um paciente em estado de coma hipnótico. Uma das 
muitas experiências que eles executaram foi colocar um palito de fósforo acesso entre 
o indicador e o polegar, fechando os dois dedos firmemente em volta do palito de 
fósforo acesso. Quando a chama chegava ao fim do palito, os dedos do paciente 
moveram-se imperceptivelmente e o palito caiu ao chão. Fizemos isso repetidamente 
e sempre com o mesmo resultado, nunca conseguimos ver o movimento dos dedos, 
até ao momento exacto em que o palito caia no chão. 
 Gastamos várias horas a fazer testes, até que decidimos despertar o paciente 
uma vez que já eram quase 2.00 da madrugada. Eu ensinei a estes médicos como 
despertar um paciente em coma, mas eles decidiram, para propósitos experimentais, 
tentarem de outras maneiras. Eles deram-lhe sugestões simples de que era hora de ir 
para casa, que a família estava a espera dele, etc. Nada aconteceu. 
 
103 
Hipnoterapia 
 Então alguém disse, “Nós todos, vamos para casa e o deixaremos aqui sozinho, 
a menos que abra os olhos neste minuto momento. Nada aconteceu! 
 Depois alguém gritou, “ É melhor você acordar e sair daqui. Há fogo!” Nada 
aconteceu! 
 Finalmente os médicos decidiram despertar o paciente pelo método que lhes 
tem sido ensinado. Depois de ele despertar ─sem dificuldade─ os médicos decidiram, 
passarem mais algum tempo a questiona-lo. Eles queriam descobrir mais acerca das 
reacções dele no estado! Uma das coisas que eles perguntaram foi acerca do palito de 
fósforo. Ele disse: “ Quando pensei que aquilo poderia queimar-me larguei o palito de 
fósforo! Nem me preocupei de que o palito de fósforo poderia queimar a alcatifa 
porque, eu sabia que estavam todos aqui e que alguém iria joga-lo fora.” 
 Ele voluntariou-se a informar que tinha ouvido e entendido tudo o que se tinha 
passado a volta dele durante o tempo em que esteve no estado de coma, e foi capaz 
de nos dizer exactamente o que tinha acontecido. 
 Depois disso, alguém lhe disse, ”Se você ouviu tudo e entendeu tudo o que se 
estava a passar, quando alguém gritou ─Fogo vamos sair daqui─, porque é que não se 
moveu? Ele respondeu, “ Eu sabia que não havia fogo, eu ouvi-os a todos cochicharem 
de que iriam fazer de conta que havia um incêndio, e que iriam gritar a palavra fogo 
para me despertarem. Eu ouvi-os discutirem todos os testes que planearam fazer, e eu 
soube o tempo todo, exactamente o que se passava a minha volta. Eu não tinha 
motivo para estar alarmado, se existia um fogo por que é que ninguém abandonou a 
sala?” 
 Tinha sido uma experiencia impressionante para os médicos, para não falar do 
professor! Não pude deixar de desejar, que a experiencia pudesse ser duplicada em 
todas as aulas. O paciente tinha entrado em coma com uma ajuda mínima, depois de 
ter alcançado o sonambulismo. 
 No dia a seguir quando nos dirigíamos para Philadelphia para a nossa aula 
seguinte, a minha esposa destacou que ele não parecia ser mais profundo no 
sonambulismo, do que os outros médicos que assistiram as nossas aulas. “Se fizeste 
isso uma vez,” ─disse ela─ “Por quê não podes fazer isso outra vez, com outros?” 
 Eu disse, ”O que aconteceu ontem a noite foi um completo acidente. Eu bati dei 
com um de dezassete mil e isso simplesmente não voltará a acontecer assim de novo. 
Não poderia ter assim tanta sorte.” 
 A minha esposa disse. ”Eu não penso que foi sorte. Ao menos vale a pena 
tentar.” 
 Chegamos a Philadelphia, conduzi a aula como habitualmente e na conclusão 
da sessão eu contei aos médicos o que acontecera em Baltimore na noite anterior. 
Perguntei-lhes se gostariam de ver a técnica que usei para produzir o coma 
intencionalmente. Talvez houvesse outra pessoa que pudesse reagir da mesma 
maneira, como tinha reagido o paciente da última noite. 
 Os médicos ficaram bastante entusiasmados com a perspectiva, então 
eu pedi um voluntário. Usei a mesma técnica que tinha usado em Baltimore, e para 
muito espanto meu, produzi o segundo coma. 
 
104 
Hipnoterapia 
 E em breve tinha produzido sete comas em sete aulas consecutivas. A partir da 
décima em diante eu decidi que definitivamente, isso deveria fazer parte do meu 
curso. Se fossemos ou não bem-sucedidos em todas as aulas isso não importava. Os 
médicos deveriam saber isso era possível. 
 Eu acho que fui sortudo nas primeiras sete vezes, porque na oitava vez eu 
tentei e encontrei-me com o fracasso. Pedi outro voluntário e nessa vez tive sucesso. 
 Nas aulas subsequentes até poderia falhar de vez em quando, tinha que pedir 
um segundo voluntário e as vezes até um terceiro! Isso consumia muito tempo. Nessa 
altura, os médicos tinham ouvido que o coma podia ser produzido intencionalmente, e 
não ficavam satisfeitos até que o vissem. 
 Numa dessas aulas, continuei na minha maneira habitual a pedir um voluntário, 
mas avançaram duas senhoras. Eu decidi que talvez pudesse poupar tempo ao tentar 
com duas pessoas duma vez. Dessa maneira poderiam aumentar as minhas chances 
em obter o coma. 
 Assim aconteceu; ambas as mulheres foram entraram para o coma 
simultaneamente. Daí em diante eu perguntava por dois ou mais voluntários, e pouco 
depois, eu estava a produzir comas em quatro e cinco pessoas simultaneamente. 
 Um dos factos que verificamos é que variavam os tempos a que cada pessoa ia 
entrava para o coma. Um paciente podia ir entrar depois de apenas alguns momentosde sugestões; mas outros poderiam ir entrar para o coma depois de mais alguns 
minutos. 
 Eu nunca conseguia faze-los ir entrar para o coma ao mesmo tempo, mesmo 
que eventualmente todos eles o fizessem. 
 Agora nós éramos capazes de produzir o coma a vontade mas não tínhamos a 
menor ideia de como poderia ser usado medicamente. Os pacientes ficavam 
imobilizados e não respondiam a sugestões assim que alcançavam o coma. O que é 
que um médico pode fazer com um paciente assim? Foram feitas mais 
experimentações com o coma nas nossas aulas. Os pacientes foram entrevistados 
pelos médicos após terem sido trazidos para fora do estado, e rápido tornou-se 
evidente que muitos conceitos erróneos relativos ao coma tinham-se infiltrado na 
literatura. 
 Em vez de ser um estado a ser evitado, nós descobrimos o que os pacientes 
descrevem como, “O melhor estado de hipnose que existe. É maravilhoso. Eu não sei 
quando é que eu estive tão lindamente relaxado.” Os médicos começaram a tentar 
induzir o estado de coma neles próprios. Quando eram bem-sucedidos, eles ficavam 
igualmente entusiasmados acerca disso. Em Philadelphia, num domingo a tarde, um 
médico foi para o coma três vezes para deixar os colegas estudarem-no. Mais médicos 
tentaram, e todos se referem a isso em termos radiosos. 
 A explicação que médicos e pacientes dão é que o coma traz com ele uma 
completa e inteira euforia. Em vez de se permitirem ser perturbados, quando alguém 
lhes dá um impulso doloroso, eles ignoram-no completamente, dando a eles mesmos 
anestesia geral completa. 
 
105 
Hipnoterapia 
 Muitos médicos e pacientes reportaram que eles não podiam sequer sentir 
pressão no estado, outros reportaram que até podiam sentir que alguma coisa estava 
a ser feita neles, mas não se importaram. 
 Alguns deles aperceberam-se no estado, que na realidade estavam catatónicos 
e quando falou acerca disso, arriscou dizer, “Eu estava tão confortável, acho que pouco 
importava para mim em que posição estava. Só não queria ser tirado para fora deste 
maravilhoso estado de bem-estar.” 
 Alguns negaram ter estado catatónicos, aparentemente apagaram essa porção 
da experiencia das suas memorias. 
 Nós observamos várias vezes este pequeno detalhe: Paciente após paciente e 
médico após médico, depois de terem sido trazidos para fora do estado, voluntariaram 
a informação de que chegou um momento durante o coma em que eles desejaram que 
toda a gente na sala parasse de falar, particularmente o operador. 
 Aprendemos que apesar da euforia no estado de coma, se alguma coisa 
acontecer que alarme um paciente, ele é rápido a despertar-se e a ir para uma 
qualquer acção necessária. Ele não está indefeso! 
 Nós temos produzido literalmente milhares de comas nas aulas, para os nossos 
estudantes, e durante anos temos tido oportunidade de comparar os relatórios 
entusiásticos de médicos e pacientes que estiveram no estado. Cada relatório é 
fundamentalmente o mesmo: Pacientes e médicos adoram. Nem um único incidente 
desagradável foi reportado. 
 Antes da nossa própria investigação, nada tinha sido feito para descobrir por 
que é que a natureza tornou possível acessível este eufórico estado. 
 Temos falado para muitos dos nossos estudantes fazerem a seguinte pesquisa 
de trabalho: “Produzir o coma em pacientes numa tentativa de aprender como é que a 
natureza pretende que seja usado. Parece ser a própria anestesia da natureza, que foi 
disponibilizada à humanidade desde o início dos tempos, quanto mais trabalho de 
pesquisa se faz, mais beneficiado será o mundo. Usem-no de todas as maneiras 
possíveis. Vamos descobrir o quanto é valioso, e se é uma técnica que todos os 
médicos podem usar. “ 
 Os médicos têm perguntado, “ Pode um paciente psicótico ou pré-psicótico 
usar o estado de coma como um refúgio da realidade?” A minha resposta a isso, é que 
os pacientes psicóticos ou pré-psicóticos não precisam da hipnose como refúgio da 
realidade, eles encontram os seus próprios meios para o fazerem. Milhares de 
pacientes psicóticos que nunca tiveram experiências de hipnose no seu conhecimento, 
ou nem sequer conhecem a palavra, têm-se refugiado da realidade. 
 Muitos psiquiatras usam o estado de Esdaile nos seus trabalhos, e estão 
altamente entusiasmados acerca disso. Ninguém se referiu a isso desfavoravelmente! 
 Há alguns anos, um número de médicos começou a usar o estado de coma em 
casos de artrite e cancro para aliviar dores intratáveis, e relataram resultados 
esplendidos com isso! Outros médicos dizem que é bastante útil nos procedimentos 
pós-operatórios, particularmente quando eles querem imobilizar o paciente numa 
 
106 
Hipnoterapia 
determinada posição em particular, por um extenso período sem o desconforto do 
pós-operativo. 
 Finalmente, nós aprendemos outro uso esplendido para o estado do coma. Um 
dos médicos anunciou aos colegas na turma, “Esta semana eu fiz duas operações ao 
nariz e garganta em pacientes no estado de coma, e tenho a firme opinião de que o 
estado de coma é ideal para cirurgias. Imaginem, neste estado, sem nenhuma palavra 
vinda de mim, os pacientes anestesiaram-se sozinhos! Não foi necessário qualquer tipo 
de anestesia. É verdade que o paciente no estado de coma não aceita nenhuma 
sugestão física como aceita em sonambulismo, mas vocês têm um paciente que aceita 
a cirurgia tal com se tivesse tido anestesia geral! 
 É notável para cirurgia, e eu pretendo fazer mais operações usando este estado 
a medida que o tempo passa.” 
 Quando os outros médicos que ouviram acerca do sucesso dele, também 
tentaram o estado de coma em cirurgias. Obstetras tentaram-no para partos e 
rapidamente chegaram relatos entusiásticos de mais de cem médicos. Os relatos 
confirmaram a minha suspeita: Tínhamos tropeçado no estado de Esdaile. Como os 
relatórios continuaram a chegar, tive conhecimento que um médico fez uma 
histerectomia no estado de coma sem anestesia química. Outro médico relatou uma 
ressecção peitoral da mesma maneira. Fracturas expostas foram reduzidas no estado 
de coma sem anestesia química; cirurgias cerebrais, cirurgias cardíacas, e 
apendicectomias foram reportados da mesma forma. 
 Em Newark, New Jersey, um dia um médico relatou á turma que ele tinha 
usado o coma para um parto. Alguns dos outros replicaram, “você tem a certeza que 
não foi sonambulismo?” O médico respondeu, “Tenho tido parturientes em 
sonambulismo e sei a diferença. Isso foi, o estado de coma! E foi o parto mais belo que 
alguma vez vi. A paciente manteve um sorriso durante todas as suas contracções, 
durante a episiotomia, parto e a sutura. A única altura em que ela saiu do coma foi no 
instante em que o bebé nasceu. Estava tão ansiosa de ver o bebé dela que despertou 
sozinha. Quando já estava satisfeita ela foi de volta para o coma, para o resto do 
procedimento. Digo-vos, foi lindo! “ 
 E breve, médicos após médicos relatavam tratarem de partos no estado de 
coma. Aqueles que não tinham conseguido vinham dizer-me,” Talvez não tenha 
condicionado correctamente a minha paciente. Nós poderíamos ver como é que você 
prepararia uma paciente para um parto no estado de coma.” Eu pedi-lhes que 
trouxessem as futuras parturientes para a aula, para mais tarde prepara-las para o 
parto. Muito rapidamente os médicos trouxeram para as aulas um grande número de 
mulheres grávidas a fim de tirarem proveito das minhas técnicas de condicionamento. 
Em cada turma nós gastamos uma aula preparando as mulheres grávidas para o parto. 
Eu tinha trabalhado com tantas como 102 mulheres grávidas de uma só vez, e 97 das 
102 foram entraram para o estado de coma. Este número não é apresentado como um 
gabarito mas para mostrar o percentual de sucesso que pode ser esperado. 
Esta é a maneira de preparar um paciente para cirurgia ─ou parto─ no estado 
de coma hipnótico: 
 
107 
Hipnoterapia 
 A primeira coisa que tem de fazer é colocar o paciente em sonambulismo.Depois explicar que existe uma cave para o relaxamento, um piso abaixo, e que você 
quer levar o paciente lá abaixo para esse piso. Leve-para baixo ao piso A, e você verá 
que ele será capaz de dizer a letra A claramente. 
 Diga-lhe que para poder descer ao piso B, ele terá relaxar duas vezes mais do 
ele fez no piso A. Quando ele conseguir chegar ao piso B, ele poderá encontrar 
dificuldade em dizer a letra B em voz alta, mas diga-lhe para dar o máximo, para o 
dizer em voz alta. Alguns pacientes falharão em ser capazes de o fazer. Isso é um 
bom sinal. Agora usando o mesmo procedimento, leve-o abaixo para o piso C, ao 
ponto o qual não será capaz de mover suficientemente os lábios para formar a letra 
C. 
 Quando você estiver seguro que ele está no piso C, sem dar sugestões de 
nenhum tipo de anestesia, pegue num par de pinças allis , ou grampos de toalhas, e 
faça um teste para a anestesia. Não use uma palavra de sugestão para isso, se for 
necessário dar sugestões de anestesia hipnótica, então você não tem o estado de 
coma. 
 Quando o paciente passou no teste para a anestesia ele está pronto para o 
teste numero dois. 
Peça-lhe para mover um grupo de músculos grandes, como um braço ou uma 
perna, se ele estiver incapaz de mover os músculos grandes, ele está pronto para o 
terceiro teste. 
 Este deverá envolver um pequeno grupo de músculos tais como aqueles em 
volta dos olhos. Peça-lhe para tentar abrir os olhos. Se ele conseguir, ele não está no 
estado de coma, e você terá de leva-lo para baixo para mais um voo, até os músculos 
dos olhos não funcionarem. 
 Em sonambulismo, quando o paciente tenta abrir os olhos, você vê os 
movimentos dos músculos embora os olhos não abram. Mas no verdadeiro estado de 
coma, esses pequeninos músculos não funcionam de todo, e você não vê qualquer 
movimento. 
 O seu quarto teste deverá ser para a catatonia. Perceba que a catatonia pode 
ser obtida no estado mais leve de hipnose. No entanto isso não significa nada, a 
menos que seja o quarto teste que você faz no estado de coma. Quando o paciente 
passa em todos estes quatro testes na exacta ordem dada, você pode ter a certeza 
que tem o verdadeiro estado de coma hipnótico, e pode prosseguir a partir daí. Para o 
teste de catatonia não deverá ser dada nenhuma sugestão, a catatonia deverá 
chegar por si só, sem sugestão de espécie nenhuma. Jamais avance para o teste a 
seguir até que o paciente tenha passado no primeiro teste. Não faça o teste Dois até 
que o paciente tenha definitivamente passado no teste Um; não faça o teste Três até 
que o paciente tenha passado nos testes Um e Dois, e assim por diante! 
 Quando você obtém o estado de Esdaile, você dará conta que o paciente está 
verdadeiramente incapaz de aceitar uma sugestão “física”. Quando ele é solicitado a 
levantar o braço, os músculos podem tremer, depois o movimento cessa. Temos 
encontrado muitos pacientes que depois de saírem do coma, têm a certeza que nas 
 
108 
Hipnoterapia 
suas mentes seguiram as sugestões do operador, e levantaram o braço conforme foi 
pedido. Lembre-se eles conseguem ouvir e entender todas as palavras que você diz. 
No verdadeiro estado de coma, embora as actividades físicas do paciente estejam 
imobilizadas, ─ele realmente não consegue seguir “sugestões físicas” como ele talvez 
desejasse fazer─ ele é bem capaz de seguir “sugestões mentais ─em que não exista 
movimento físico─. Os nossos médicos têm provado isso de várias maneiras. Eles têm 
pegado em pacientes que sofrem com dores de cabeça, dismenorreia, e muitos outros 
sintomas funcionais, colocam-nos no estado de coma e dão-lhes sugestões para o 
alívio desses sintomas. Os pacientes não tinham os sintomas na altura da indução. 
Foram dadas sugestões pós-hipnóticas para o alívio desses sintomas com bastante 
sucesso! 
 Nós também falamos para pacientes que tiveram bebés enquanto estavam 
neste estado, ou que tinham feito grandes cirurgias. Em todos os casos, estes 
pacientes reportaram que, enquanto eles estavam talvez incapazes de esforço 
musculares, eles estavam certamente capazes de aceitar sugestões que não 
envolvesse movimento. Por exemplo, pacientes cirúrgicos informaram-nos que teriam 
apreciado algumas observações do cirurgião para efeito de que a operação estava a 
correr lindamente, e que o paciente estava a fazer muito bem. As mães que tiveram 
crianças neste estado também asseguraram-nos que uma palavra reconfortante do 
médico teria sido bem apreciada. 
 Quando a cooperação física é necessária ─por exemplo, quando mover um 
paciente do carrinho para a mesa de partos─ tem que subir o paciente ao “piso B” para 
dar a cooperação necessária, depois tem que descer o paciente outra vez e fica em 
baixo até a altura em que seja necessária a cooperação física outra vez. 
 Se você resvalar num coma acidental, a maneira mais fácil de despertar o 
paciente é sussurrar confidencialmente ao ouvido dele, ” Se você não abrir os olhos 
quando eu disser para o fazer, poderá nunca mais ter este estado novamente!” Esta é 
uma sugestão insidiosa porque o paciente quer ser capaz de alcançar este estado outra 
vez e outra vez, e então prontamente sairá dele. 
 Se no entanto você trabalhar com o coma e usar a técnica descrita aqui em 
cima, quando os pacientes estão em baixo na cave do relaxamento e você não 
consegue faze-los abrir os olhos, diga-lhes apenas para subirem para o “piso B”, e eles 
serão capazes de abrir os olhos com bastante facilidade. Tenha em mente estes factos 
quando você produz o coma, e você ficará deleitado com os seus resultados. 
 É importante saber que no estado de coma, o paciente continua a reter deter o 
poder da selectividade. Em outras palavras, ele pode aceitar ou rejeitar uma sugestão 
como entender, excepto para uma actividade física. Se ele aceitar uma sugestão para 
actividade física ele tem que terminar o estado para faze-lo. 
 Nas muitas experiencias que nós temos conduzido com pacientes no estado de 
coma, fizemos todos os esforços em dar sugestões pós-hipnóticas improprias, de 
forma a testar a reacção. Em todos os casos o paciente reagiu como qualquer outro 
sujeito hipnotizado. Ele pode permanecer no estado e mais tarde não executar a 
 
109 
Hipnoterapia 
sugestão pós-hipnótica, ou ele instantaneamente desperta sozinho do coma com a 
afirmação, “Eu preferiria não fazer isso.” 
 Ainda permanece muito trabalho de pesquisa a ser feito com o coma. 
 Cabe aos homens da medicina e da odontologia, fazerem essa pesquisa. 
 Por favor entenda que nós não afirmamos que este é o melhor método de 
produzir o coma hipnótico. É meramente o primeiro método desenvolvido para o 
produzir. Talvez você possa ser capaz de aperfeiçoar uma técnica melhor. Um dos 
nossos estudantes tem estado a trabalhar numa mais rápida. 
 Eu tinha estado a ensinar em Tulsa, Oklahoma, e no ano seguinte eu voltei para 
dirigir mais duas turmas. Como usualmente apareceram antigos estudantes. Um deles, 
um dentista de nome Norval R. Smith, durante o intervalo chamou-me para dentro do 
hall e disse, “Senhor Elman, posso falar em privado consigo por um minuto? Ou eu 
descobri algo bastante importante ou então estou a cometer um horrível engano e 
quero a sua opinião acerca disso. Eu tenho conseguido sonambulismo em grande 
número dos meus pacientes, mas de vez em quando posso falhar porque não consigo 
fazer o paciente perder esquecer os números. Eu tenho usado o estado de coma 
sempre que possível, e se não podia ter sonambulismo, imaginei que não fazia sentido 
eu tentar obter o coma. Um dia, só para experiencia, eu pensei para mim, eu nem vou 
pedir ao paciente para perder esquecer os números, vou somente obter o relaxamento 
físico e ver se consigo leva-lo lá abaixo, para o coma, bypassando contornando 
inteiramente o estado sonambúlico.” 
 Eu sorri e disse, “Claro que isso não funcionou.” 
 Ele respondeu, ”Pelo contrario, Sr. Elman. Funcionou lindamente!Tudo o que 
faço é obter o relaxamento físico; depois levo-o para baixo três patamares, e eles dão 
todos os quatro sinais do coma, e quando trabalho neles, eu tenho anestesia dental 
sem ter sido dada nenhuma sugestão para isso. Eu estou a cometer um erro ou não 
estou a obter o estado de Esdaile de que você fala tanto?” 
 Eu não soube como lhe responder porque não sabia se o que ele me falou era 
possível. Eu disse-lhe, “Doutor Smith, se o que você fala funciona para si, deverá 
funcionar com todos os meus médicos. Vou ter cerca de cem médicos a tentar e dar-
lhe-ei um relatório do que eles falam.” 
 Cerca de quatro semanas depois eu estava apto a dizer ao Doutor Smith que eu 
tinha relatórios de pelo menos uma centena de médicos que, usando esta técnica 
foram bem-sucedidos ao alcançar o estado de coma. 
 Eu sinto que a descoberta do Doutor Smith é extremamente importante, pois 
isso quer dizer que um médico pode levar um paciente a descer para o coma em cerca 
de cinco minutos. Experimentem vocês mesmos e vejam como facilmente produzem o 
estado em qual o Doutor Esdaile fez acima de trezentos procedimentos de cirurgias 
abdominais profundas. 
 Eu estou grato ao Doutor Smith por disponibilizar esta técnica. 
 
 
 
110 
Hipnoterapia 
Capítulo 14: Condicionamento para o parto Hipnótico e Cirurgia 
 
 Não há muito tempo, um relatório médico continha a afirmação de que 
apenas vinte e cinco por cento das gestantes podem ser ajudadas pelo parto hipnótico. 
A experiencia dos nossos médicos, tem mostrado que todas as mulheres, que entram 
na sala de partos podem ser ajudadas em algum grau pela hipnose, e para muitas delas 
pode ser obtida a liberdade completa do desconforto. 
 Alguns relatam sucesso em mais de noventa por cento dos seus casos. Nem 
todos os médicos têm esta percentagem de sucesso mas um número surpreendente 
deles tem. Eu recebi recentemente um relatório de um obstetra que afirma que nunca 
usa nada para o parto, excepto hipnose. Ele é um dos mais populares obstetras da área 
zona dele e os serviços dele são constantemente solicitados. 
 Muitos médicos não se apercebem da importância da semântica na 
preparação de uma paciente para o parto hipnótico. Eu ensino aos meus médicos a dar 
uma conversa semelhante a que se segue antes mesmo de tentar hipnose numa 
gestante. Esta conversa pode ser feita em qualquer momento. Não é necessário fazer 
o condicionamento da paciente nos primeiros meses de gravidez, eu acredito que a 
altura ideal para o condicionar a paciente é em qualquer altura a seguir ao quarto mês. 
Nunca use a palavra hipnose na presença das pacientes porque este estado ainda não 
é adequadamente entendido pelo público. É sincera a minha esperança, que este livro 
venha ajudar a corrigir os mal-entendidos que muita gente tem acerca do verdadeiro 
valor da hipnose. Eu não uso a palavra hipnose ao falar com pacientes, e penso que 
você não deveria. Chame-lhe apenas o estado de Esdaile. 
 As pacientes esperam ─e querem─ um médico que use termos esotéricos 
impressionantes, e este é feito de maneira a que se use em conversas com elas acerca 
de um estado não familiar, desconhecido, sem introduzir o medo ou uma sensação de 
mistério na sua explicação. Aqui está o tipo de conversa que eu sugiro dar a gestantes: 
 “ Você está aqui com um propósito muito importante, o de que você tenha o 
seu bebé sem sentir uma única coisa, de maneira a que você possa ter o seu bebé 
com um grande sorriso, de modo a que você não sinta nenhum desconforto, para que 
o parto do seu bebé seja uma experiencia maravilhosa. Eu não a teria feito vir aqui 
para esse propósito, se eu não soubesse que tudo isso é possível para seu benefício. 
 “Primeiro existem algumas coisinhas que quero discutir consigo. Existe uma 
coisa que pode impedi-la de ter um parto indolor apesar do trabalho que fizermos 
consigo hoje. Apenas uma coisa; uma coisa chamada medo. Qualquer tipo de medo, 
não importa se pequeno, pode impedi-la de alcançar o que você quer na hora do 
parto. 
 “ Você sabe, com certeza, de que lhe será dada toda ajuda possível para um 
parto indolor. Você não deverá ter nada com que se preocupar. A única coisa que 
deverá ter em mente é o facto de que daí a pouco você estará a ver o maravilhoso 
bebé que você tem estado a espera. Não deixe que pequenas preocupações ou 
aborrecimentos interferir com esta grande experiencia. 
 
111 
Hipnoterapia 
 “Quando chegar o tempo, você terá sido condicionada para o parto indolor e 
estará em boa forma para isso. Suponha que é agora a altura do parto e que você 
está no hospital e de repente começa a preocupar-se se está tudo bem em casa, se a 
ama sabe com que alimentar a criança ou se existe comida suficiente no frigorífico.” 
 “Tenho a certeza que entende que este tipo de inquietações é desnecessário 
e ainda que tais pensamentos podem impedi-la de obter o estado necessário para 
um parto indolor. O tipo de preocupações que também podem ocorrer-lhe pode ser 
algo como, ”Preocupa-me como irei pagar todas as contas.” Ou,” Esqueci-me de 
pagar a conta do gás, espero que eles não me cortem gás.” Estas são pequenas 
preocupações, Elas são verdadeiramente sem importância, comparadas com o 
grande evento que está a ter lugar. As suas crianças em casa serão bem cuidadas. O 
seu marido cuidará dos detalhes necessários em casa. Você tem de fazer apenas uma 
coisa, uma coisa em que pensar apenas: Ter o seu bebé o mais rápido e facilmente 
que for possível. E você pode consegue faze-lo! 
 Na altura do parto você deve estar absolutamente livre de medo e de 
preocupação se quiser ter o seu bebé facilmente. Deverá existir apenas um 
pensamento na sua mente, que daí a pouco você irá ver o seu bebé, o bebé que você 
tem estado a espera. Teremos resultados perfeitos se você seguir algumas instruções 
simples, e mantiver o medo e a preocupação de fora.” 
 “Se no dia do parto, ocorrer alguma coisa desagradável, diga para si 
mesmo, ”Isso agora não é importante. Eu posso endireitar tudo quando o meu bebé 
chegar. Neste momento não existe nada tão importante como o meu bebé, e é tudo 
em que vou pensar.” 
 “Eu quero que saiba que se alguma coisa está a perturbar-lhe você deverá 
falar-me acerca disso, eu farei o meu melhor para ajudar. A minha enfermeira ou a 
secretaria podem levar uma mensagem ao para o seu marido ou para a ama se for 
necessário. Estaremos todos juntos a trabalhar para fazer do parto do seu bebé, uma 
experiencia memorável para si. 
 “ É possível que você não vá obter o estado em que iremos trabalhar agora? 
Não sei. Isso é consigo. Se você considerar isto como uma brincadeira, você não 
obterá. Se você se sentar ali na sua cadeira e disser para si mesmo, “Não, não quero 
fazer o que o doutor diz, você irá ter. O que é que você tem de fazer? Apenas seguir 
instruções, e acredite em mim que estas instruções são tão simples que até um bebé 
pode segui-las. 
 “Tudo o que você tem de fazer é seguir as minhas instruções e será ajudada a 
partir desse ponto em diante. Agora vamos assegurar que você esteja confortável. 
Por favor livre-se de tudo que esteja nas mãos ou no seu colo. Coloque a sua bolsa e 
as luvas no chão debaixo da sua cadeira. Livre-se do seu agasalho. Não deverá ter 
nada nas suas mãos nem no seu colo. 
 “ Se estiver a mascar pastilha, por favor tire a pastilha da boca. Você não 
consegue relaxar verdadeiramente, todos os músculos do seu corpo se estiver a 
mascar pastilha. E eu quero que esteja tão relaxada e confortável quanto possível. 
 
112 
Hipnoterapia 
 “ Se por acaso você sentir necessidade de ir a casa de banho, por favor faça-
o agora. Nós podemos esperar! Você não consegue relaxar quando a natureza está a 
chamar, e nós não queremos o nosso procedimento interrompido. Você está 
confortável na sua cadeira? 
 “Muito bem, agora vamos iniciar. Por favor siga as minhas instruções e terá 
uma experiencia maravilhosa asua frente. 
* * * 
 Agora o médico pode começar a preparar a paciente para o parto hipnótico. E 
deverá ser anotado que um obstetra muito solicitado pode fazer isso com uma sala 
cheia de mulheres, ele não tem que trabalhar com cada paciente individualmente. A 
primeira coisa que você deve fazer é colocar o paciente em sonambulismo. Tenha a 
certeza que você tem o sonambulismo verdadeiro, ou as instruções que se seguem 
serão ineficazes. É apenas no verdadeiro sonambulismo que as pacientes aceitarão 
estas sugestões. Eu enfatizo este ponto porque isso é importante para ter sucesso. 
Assegure-se de que não está a trabalhar com o sonambulismo artificial. Terá que ser o 
verdadeiro sonambulismo se você quiser que as suas pacientes desfrutem do parto 
sem dor. 
 Assumindo que você tem uma dada paciente no verdadeiro sonambulismo, 
mantenha-a assim e dirija-a como se segue: 
 “Quero falar-lhe acerca dos benefícios do relaxamento. Você sabe muito 
bem que, se você estivesse tensa e eu tivesse que lhe dar uma injecção, você sentiria 
a entrada da agulha muito incisivamente, por causa do facto de você estar tensa não 
é? Mas suponha você que estivesse relaxada desse jeito. Você não seria capaz de 
sentir a injecção de todo, por causa do facto de que você estaria absolutamente e 
completamente relaxada. Você pode alcançar um estado de relaxamento tal, que 
não terá desconforto nenhum na altura do parto. É neste estado, quando você está 
fisicamente e mentalmente relaxada, que é tão fácil ter um bebé! É neste estado que 
as contracções em vez de serem desagradáveis tornam-se agradáveis. 
 “ A maioria das futuras mães ouviu falar, por amigos ou talvez por 
parentes, que ter um bebé é uma horrível provação. Então ela olha de frente para 
aquilo que ela ouviu descrever como trabalho, trabalho doloroso ou trabalho duro. 
Não existe tal coisa como trabalho, trabalho doloroso ou trabalho duro. Não existe 
tal coisa associada com o nascimento de um bebé. Todos esses termos são nomes 
falsos que deixam as atitudes de uma mãe, exactamente no estado errado. Mas 
podemos mudar isso para a atitude certa, tendo você a saber exactamente o que 
acontece quando nasce um bebé. A natureza tem um método de fazer possível o 
nascimento do seu bebé pelas contracções. Cada contracção que você tem ajuda a 
empurrar o bebé um pouco mais para frente, para que o bebé possa nascer 
facilmente. 
 “Agora você tem contracções mas você não tem trabalho, você não tem 
trabalho doloroso ou trabalho duro. Tudo o que você tem são essas contracções. E a 
coisa estranha sobre estas contracções, é que, se você olhar de frente para a elas 
agradavelmente, e você sabe que vai ser algo bom de ter, você não se vai importar 
 
113 
Hipnoterapia 
com elas. Você saberá que está a ter contracções, mas apenas as sentirá de uma 
forma agradável. Eis o que irá acontecer. Quero você me deixe saber quando você 
tiver a primeira contracção, e eu dir-lhe-ei o que fazer a partir desse ponto. Depois 
quando estiver no local dos partos, quero que feche os olhos tal como os tem 
fechados agora, relaxe completamente tal como está relaxada agora. 
 Eu estarei lá para ajuda-la com o nascimento do seu bebé. Mas até que eu 
esteja lá, quero que relaxe como você está relaxada agora, e em seguida o 
nascimento será tão fácil para si. 
 “Uma das coisa maravilhosas que este relaxamento ira fazer é encurtar 
tremendamente o período do parto. Será encurtado miraculosamente. Ficará tão 
encantada, porque com cada contracção, as contracções ficarão mais agradáveis 
─Médicos neste ponto compor sugestões─ que por volta da terceira ou quarta 
contracção, ter-se-á na verdade começado a sorrir, e a olhar de frente para a 
próxima, como que a dizer,” Estou muito mais próxima do nascimento do meu bebé. 
Agora que essa contracção acabou eu estou mais perto do nascimento do meu 
bebé.” Com cada contracção você terá esse pensamento, e manterá um sorriso no 
seu rosto durante todo o tempo, e você sentir-se-á tão bem durante todo o tempo de 
parto do seu bebé. Então, depois, quando o bebé nascer você verá o bebé nesse 
instante. Você verá o seu bebé no segundo em que nascer porque você estará de 
olhos bem abertos durante todo o parto. 
 “Lembre-se que este relaxamento que você está a ter agora, vai ser usado 
em adição a toda a ajuda que a ciência médica tenha inventado, para tornar fácil 
para uma mãe o nascimento do bebé! Então isso vai ser uma maravilha, somado a 
tudo o mais que você fará para o nascimento fácil do bebé. 
 “Depois que o bebé nascer vai sentir-se tão bem. Você será capaz de usar o 
telefone ─ligar aos seus amigos─ uns minutos depois do nascimento do seu bebé, 
porque você vai estar tão forte nessa altura como está agora. A sua força será 
completa; o sentimento de bem-estar será completo e você fará a recuperação muito 
mais rápida do que normalmente faria. Depois , se você quer amamentar o seu bebé, 
este relaxamento vai tornar possível faze-lo muito, muito facilmente. 
 “Eu quero que pratique relaxamento. Eu quero que o pratique tal e qual 
como está a fazer agora. Aprenda como relaxar em casa, para que quando o bebé 
vier estará toda pronta para isso, e a sentir-se maravilhosa no dia do parto, e a 
sentir-se maravilhosa durante o parto e depois do parto. Repare como essa sensação 
de relaxamento se mantem e a faz falar para si mesmo,” A maternidade vai ser uma 
gloriosa aventura para mim. Eu vou adorar cada minuto disso.” 
* * * 
 Na conclusão desta conversa de condicionamento, claro que as suas pacientes 
estão, continuam em sonambulismo, e isso assegura-lhes um parto relativamente 
indolor. No entanto, se elas querem alcançar um parto absolutamente indolor, leve-as 
agora para a cave o subsolo do relaxamento com o propósito de alcançar o estado de 
Esdaile. Este é o melhor estado para alcançar um parto indolor. Se você tem feito 
partos em sonambulismo e está bem satisfeito com eles, você vai ficar encantado com 
 
114 
Hipnoterapia 
o sucesso que você tem com o estado Esdaile. Siga as instruções dadas previamente 
para alcançar o estado de Esdaile. Observe siga essas instruções de perto e você terá 
excelentes resultados em muitos casos. 
 Deixe-me avisa-lo no entanto, que, mesmo depois de seguir precisamente as 
instruções, se o medo é gerado de alguma forma ─por observações infelizes feitas por 
enfermeiros ─as─, assistentes ou outros médicos que venham a estar presentes─ o 
estado de Esdaile será perdido. Lembre-se que as suas pacientes ouvem e entendem 
tudo o que se passa. Por esse motivo, os seus enfermeiros ─as─ e assistentes devem 
ser treinados na maneira apropriada de lidar com partos hipnóticos. Se você tem 
médicos convidados que venham a assistir ao parto e eles não são versados na 
semântica da hipnose, em benefício da sua paciente, insista para que eles se 
mantenham calados durante todo o procedimento. Você notará que tudo o que 
falamos aqui é acerca do parto e no entanto este capítulo está intitulado 
“Condicionamento para partos hipnóticos e cirurgia.” A razão é simplesmente que o 
estado necessário para a cirurgia é exactamente o mesmo como para o parto ─O 
estado Esdaile─. O seu procedimento deverá ser inteiramente o mesmo, excepto que 
para cirurgia, a conversa de condicionamento terá que ser um pouco diferente. Ao 
invés de falar cobre contracções, partos e bebés, você falará acerca da cirurgia. Torne 
claro para o paciente, que a cirurgia não apresenta nenhuns problemas, que ele está 
em boa forma para se submeter á operação ou você não estaria a faze-lo, que se ele 
relaxar adequadamente será bem fácil para ele passar pela cirurgia, que se procederá 
rapidamente e que o recobro será rápido e seguro! E claro, que depois que a cirurgia é 
realizada ele estará com melhor saúde que antes, uma vez que o verdadeiro objectivo 
de tudo o que você está a fazer é para melhorar a saúde dele.115 
Hipnoterapia 
Capítulo 15: A hipnose na odontologia 
 
 Um dos primeiros estudantes que tive era um cirurgião de acentuada 
habilidade. Ele tinha estudado comigo apenas algumas semanas quando começou a 
relatar cirurgias orais feitas com hipnose como única anestesia! 
 Ele era adepto do uso de óxido nitroso, mas disse-me que raramente tinha que 
a usar; e quando o fez, foi em quantidade limitada. Em vez disso, ele relatou que 
estava a usar “ a melhor anestesia no mundo, ─e a mais segura─ a anestesia 
hipnótica.” 
 Aqui estão as palavras deste doutor, depois de ter estudado hipnose por três 
semanas apenas: 
 “Eu tive uma paciente no consultório e foi para remover um terceiro molar 
impactado horizontalmente. Uma operação que normalmente leva algum tempo. Dei a 
sugestão habitual para anestesia e fiz a incisão inicial. Depois uma incisão sobre a 
crista e uma incisão para baixo. Cinzelei o osso e removi o dente. Despertei a paciente 
e perguntei se ela sentiu alguma coisa. Ela perguntou-me quando é que eu iria tirar o 
dente. Já tinha sido tirado, e depois fiz a sutura. Ela não sentiu nada e estava feliz com 
tudo isso.” 
 O outro médico que viu este trabalho a ser feito adicionou o comentário, 
“Penso que o doutor não mencionou que a salivação baixou ao mínimo e o fluxo 
sanguíneo foi insignificante.” 
 Continuando, o cirurgião oral disse,” Durante o processo de sutura, eu dei a 
sugestão de que ela iria abrir a boca e que não a conseguiria fechar. Sugeri de que ela 
não teria desconforto pós-operativo. Quando a despertei perguntei-lhe como se 
sentia, ela disse, “Bem”.” Eu estou a citar este relatório para que saiba o quão rápido 
um bom estudante consegue colocar a hipnose a funcionar para procedimentos 
dentários extensos. Os dentistas usam a hipnose primeiramente para analgesia e 
anestesia. Eles usam-na para procedimentos cirúrgicos extensos. A anestesia hipnótica 
pode ser obtida instantaneamente se você souber como o fazer. Muitos dentistas têm 
a impressão que se leva muito tempo para obter uma anestesia usável pelo processo 
hipnótico. Eles acostumaram-se as técnicas á moda antiga, e nem se apercebem que 
estão disponíveis técnicas profissionais modernas. Eles não acreditam que a anestesia 
instantânea é possível. 
 Tenho ouvido dentistas dizerem, antes de se familiarizarem com as técnicas 
modernas, ” Fiz um curso de hipnose. O médico que me ensinou até mesmo veio ao 
meu escritório para trabalhar com os meus pacientes; e leva três a quatro visitas de 
condicionamento antes que o paciente possa ser tratado pela hipnose.” 
 Isso é completamente sem sentido. Pode ser dada anestesia hipnótica a um 
paciente sem condicionamento, tão rápido quanto pode ser obtido com novocaína e 
xilocaina. 
 
116 
Hipnoterapia 
 Existem certas situações em odontologia para as quais a hipnose está indicada; 
e na minha estimativa bem maior que o seu valor como um anestésico é o valor em 
corrigir essas situações. 
 Bruxismo- O ranger dos dentes a noite ou durante o dia- é o suficiente para 
causar a destruição da estrutura da boca. Se você perguntar a um dentista médio se 
ele alguma vez foi capaz de tratar um caso de bruxismo com sucesso, ele dira, “Não 
pode ser feito.” Ele irá explicar que reconstrói a estrutura da boca com total 
conhecimento que mais tarde, o mesmo paciente será importunado com a mesma 
condição, e será necessário mais trabalho de reabilitação. Ele irá admitir que nunca foi 
capaz de corrigir a condição permanentemente. 
 Certamente a correcção do bruxismo está bem dentro da competência do 
dentista, pois diz respeito directamente aos dentes e à estrutura da boca e aos danos 
feitos aos dentes e a estrutura da boca. Este é o tipo de problema que pode ser 
ajudado pela hipnose; tenho falado com milhares de dentistas acerca disso e como 
sempre nem um deles alguma vez disse que tenha transformado um caso de bruxismo 
para um de psiquiatra. 
 Se a hipnoanálise for usada nestes casos, o dentista pode ser capaz de corrigir 
permanentemente a condição, localizando a causa. No entanto, a maioria dos 
dentistas evita o uso da hipnoanálise como se fosse veneno ao invés de outra 
ferramenta. 
 As histórias de casos que se seguem mostram como o bruxismo é corrigido 
através do uso da hipnoanálise por um adepto dentista. Não são muitos os dentistas 
ainda, a usar a hipnoanálise, mas aqueles que o fazem acham-na extremamente 
valiosa. Julgue por si mesmo: 
 “Senhora T. 55 anos: Diagnosticada por um médico como tique doloroso. Eu 
acredito que o problema foi devido a dor na articulação temporomandibular. Sob 
hipnoanálise desenvolveu que há trinta anos, enquanto aguardava em pé na esquina 
de Hollywood e Vine bruxou rangeu pela primeira vez. Ela estava a espera do marido, 
com quem tinha estado casada por três meses. Ela já sabia que ele estava a ver outras 
mulheres e que o casamento estava condenado…Sem recorrência de dor em dois anos. 
Tempo decorrido, vinte minutos.” 
 “Senhora R. 35 anos: Caso grave de bruxismo com os anteriores inferiores 
gastos até a metade da gengiva, Sob hipnoanálise desenvolveu que raeu os dentes na 
primeira vez ainda adolescente, quando o pai dela, de quem ela era muito afeiçoada, 
adoeceu. O hábito vinha a persistir ao longo dos anos, quando qualquer membro da 
família ficasse doente. Sessão de meia hora.” 
 Estes relatórios foram enviados para mim pelo J. Stadden Miller, DDS, um 
estudante na Califórnia. 
 Ocasionalmente um dentista levava para a aula, um paciente que não tinha 
sido capaz de tratar. Gostaria de vos dar um exemplo. 
 Um dentista me disse que tinha uma paciente adolescente que na realidade 
não era paciente. Ele tem vindo a tratar a família dessa moça há muito anos, e ela tem 
sido trazida até ele repetidamente para tratamento, mas ele nunca conseguiu sequer 
 
117 
Hipnoterapia 
fazer cinco minutos de trabalho com ela. Era necessário um trabalho considerável, a 
paciente tinha vários dentes deteriorados, dentes tortos, etc. mas a perspectiva de 
deixar o médico por um instrumento na boca dela causava-lhe tal pânico que a 
correcção era impossível. 
 O dentista trouxe esta paciente e os parentes dela para a aula na esperança de 
que nós pudéssemos encontrar qual era a dificuldade e de sermos capazes de 
pavimentar o caminho encontrar o caminho para que o trabalho dental fosse feito. 
Nessa reunião ela sentou-se entre os parentes dela, sossegadamente vendo-nos a 
trabalhar com outros pacientes. Então de repente ela começou a chorar. A minha 
esposa levou-a para fora da sala e tentou acalma-la. A moça avançou a informação de 
que ela estava a chorar porque em breve seria a vez dela a ser intervencionada e 
estava assustada. 
 Quando a minha esposa assegurou-lhe de que não existia razão para ela ter 
medo, porque tudo o que seria feito era falar com ela, ela disse,” Eu não acredito 
nisso. De alguma maneira eles vão-me enganar e começam a colocar instrumentos 
dentais na dentro da minha boca, e eu não quero isso não importa o quê! A minha 
esposa explicou-lhe que não fazemos promessas que não cumprimos e que nenhum 
trabalho dental de espécie alguma seria feito naquela sala; nenhum instrumento 
dental seria posto dentro da boca dela a menos que ela mesmo pedisse para isso, e 
que em qualquer altura a meio da entrevista, ela própria poderia terminar! Ela pediu a 
minha esposa para ficar ao lado dela enquanto decorria a entrevista. Elas voltaram 
para a sala a jovem senhora ofereceu-se para a hipnoanálise. 
 A hipnoanálise revelou que quando ela tinha cerca de cinco anos, uma das suas 
colegas de turma, do jardim-escola, disse-lhe que tinha estado no dentista e deu-lhe os 
detalhes sórdidos. 
 Ela disse que o dentista a enganou ao dizer que não fariam nada, e que depois 
ele colocou uma grande faca dentro da boca dela e cortou-lhe as gengivas. Ela também 
acrescentou dizendo que isso dói! 
 Essa colega de turma aterrorizou-atanto que ela decidiu que nunca deixaria 
que isso acontecesse com ela. 
 Agora nós tínhamos a causa do pânico dela, mas o nosso trabalho não estava 
completamente feito. Sob hipnose nós convencemos esta moça que ninguém a 
enganaria, que poderia ser feito algum trabalho dental sem que a magoasse, etc. 
Fiquei encantado quando o dentista voltou para a aula na semana seguinte e disse-nos 
que esta jovem moça tinha estado no consultório dele, e que ele tinha feito o primeiro 
trabalho dental alguma vez feito com ela. Não houve lágrimas, nem histerismos, ela 
estava verdadeiramente ansiosa pela altura em que os dentes deteriorados fossem 
removidos e a aparência dela melhorada. Esta é outra maneira na qual um dentista 
pode usar a hipnose: Para aliviar o pânico e o medo. 
 E o que acontece com os pacientes que se queixam que a dentadura de cima 
queima magoa mas a dentadura de baixo não? De acordo com o dentista não deverá 
existir diferença; ele tem feito tudo o que está ao seu alcance para colocar as duas 
 
118 
Hipnoterapia 
dentaduras correctamente, e ainda assim o paciente insiste que consegue usar a 
dentadura de baixo, mas não a de cima. 
 Estes pacientes frequentemente andam de dentista para dentista, a procura de 
ajuda e registam mencionam a mesma queixa em cada um deles. 
 A hipnose pode ajudar estes pacientes. E falando de dentaduras, aqui está um 
caso que veio a luz, numa das nossas turmas do centro oeste: 
 Uma paciente nos seus cinquentas, foi trazida para a aula pelo dentista dela. O 
problema, eram as dentaduras ─ambas, cima e baixo─ magoavam-lhe. 
 O dentista que a trouxe para a aula, era o último de vários dentistas com quem 
ela tinha estado, com este mesmo problema. Ela disse “ Todos os dentistas com quem 
tenho estado disseram-me que a dentadura era perfeita e que eu deveria usa-la sem 
nenhuma dificuldade! Na verdade tinha mais de um conjunto feito, mas também não a 
ajudou. É fácil aos dentistas dizerem que elas servem perfeitamente; tudo o que sei é 
que, magoam tanto que não as consigo usar.” 
 A hipnoanalise revelou que esta senhora tida tido um casamento feliz por mais 
de vinte cinco anos. Quando os dentes começaram perturba-la, e o dentista sugeriu 
dentaduras, ela discutiu debateu isso com o marido. Ele disse-lhe,” Tenho a certeza 
que isso é uma boa ideia porque passados tantos anos os teus dentes têm vindo a 
piorar mais e mais, e será bom quando tiveres essas dentaduras para ver que o teu 
sorriso é tão adorável quanto costumava ser.” 
 E então ela teve as dentaduras feitas. Ela tinha estado a usa-las 
confortavelmente por cerca de uma semana quando o marido morreu de ataque 
cardíaco. Era manhã do funeral, quando ela estava vestida e começou a colocar as suas 
dentaduras e este pensamento triste pensamento iluminou-lhe a mente, “ Ele nunca 
verá o sorriso adorável. Agora que ele se foi, não tenho ninguém para quem sorrir. 
Com certeza, não preciso mais destas dentaduras.” Apesar deste pensamento, ela 
usou as dentaduras e por alturas do funeral a dor na boca dela era insuportável. Dessa 
altura em diante ela foi incapaz de usar as dentaduras sem dor. 
 Depois da hipnoanálise, discutimos conversamos com ela bastante acerca dos 
nossos achados e ela disse,” Sim, eu lembro sentir dessa maneira. Nada parecia valer a 
pena sem ele. São três anos desde que isso aconteceu e eu percebi, claro, que a vida 
tem que continuar. Ele não quereria a dar umas voltas com um sorriso pouco atraente, 
ou com uma boca dorida, ou para o que fosse! Eu nunca me apercebi da ligação até 
agora.” Daí em diante ela foi capaz de usar as dentaduras em completo conforto. 
 Por causa de haver outras ilustrações de casos odontológicos neste livro, eu 
penso que as ilustrações acima dadas, serão suficientes para convencer a maioria dos 
dentistas que a hipnose tem muitos mais usos do que a anestesia dental sozinha. Os 
casos citados não são excepcionais. Os dentistas são constantemente confrontados 
por pacientes que têm problemas dentais neuróticos. Na preparação deste capítulo, eu 
escrevi aos meus estudantes dentistas, pedindo-lhes para relatarem problemas dentais 
interessantes que eles tenham sido capazes de resolver através de técnicas da 
hipnose. Aqui estão alguns dos muitos relatórios que tenho recebido. 
 
119 
Hipnoterapia 
 Relatório 1: “ A coisa que me fascina é a habilidade de muitas pessoas em 
produzir uma hemostasia hipnótica ─por meio de hipnose─. Antes de estar consciente 
do uso disso, eu tinha muitas chamadas relativas a sangramentos pós-operatórios. Isso 
tem sido cortado para apenas alguns e frequentemente eu sugiro que o sangramento 
será parado estancado com o relaxamento. Um estudante universitário ganhou uma 
hemostasia tão completa que eu tive de sugerir que ele permitisse um pouco de 
sangramento na cavidade, após extracção de um incisivo central. Quando ele permitiu 
o sangramento sair, surgiu apenas uma auréola de sangue na margem gengival, e no 
osso da cavidade não apareceu sangramento. Mais tarde quando pedi, ele provocou o 
sangramento habitual do ápice do topo da cavidade. É muito gratificante ser capaz de 
levar ao paciente, um espelho e deixa-lo ver a sua nova ponte ou dentadura que 
tenham sido colocadas directamente após a extracção, e saber que não haverá a tão 
desagradável hemorragia. As recuperações também parecem mais rápidas e menos 
agitadas.” 
 Relatório 2: “ Uma paciente a quem eu tinha implantada uma dentadura 
imediata superior há um ano, trouxe o filho dela para uma consulta. Ela não estava a 
usar a dentadura e explicou que estava grávida e a dentadura causava-lhe (reflexo de) 
vómitos. Eu coloquei-a em sonambulismo e dei-lhe sugestões pós-hipnóticas 
apropriadas. O procedimento completo levou menos de quinze minutos, e o resultado 
relatado nas visitas subsequentes foi satisfatório.” 
 Relatório 3: “Eu estava a ter dificuldades com dois casos de ortodontia, em que 
os pacientes tinham partido, através do bruxismo, os fios ligadores antes da consulta 
seguinte. Através da sugestão hipnótica, isso foi descontinuado interrompido, com um 
progresso muito mais rápido como consequência.” 
 Relatório 4: “Nós usamos a hipnose de uma forma ou de outra e de diferentes 
maneiras, que é difícil de apontar uma. Primeiro que tudo, nós usamos para manter o 
controlo sobre nós mesmos, para permanecermos relaxados e lidarmos com os 
problemas que vemos. Fazermos desaparecer os medos dos nossos pacientes, que em 
vez de temerem vir ver-nos, eles avancem para o fazer. Para nós controlarmos 
sangramentos pós-operatórios, dores, inchaços, e ─nós─ promovermos a cura com 
sugestão. Removermos dentes sem sequer os nossos pacientes saberem que eles 
estão fora em provavelmente de 85 á 90 por cento dos nossos casos, e a administrar 
anestesia local via injecção com provavelmente uma percentagem semelhante dos 
nossos pacientes a não saber sequer que nós temos uma agulha no nosso consultório. 
Com as nossas crianças nós usamos o “remédio mágico do sono”. “ 
 Relatório 5: “Eu tinha começado uma grande sessão de cirurgia no maxilar 
inferior de um paciente. Nós estávamos a retirar vários dentes e a fazer alveolectomia, 
e a nossa anestesia química falhou. Com o uso apenas do sonambulismo, nós fomos 
capazes de obter anestesia suficiente para completar a requerida cirurgia e ensinar o 
paciente a estar relaxado e menos nervoso para os futuros trabalhos.” 
 Relatório 6: “ Uma rapariga com onze anos de idade tinha batido com os dois 
dentes da frente num acidente numa piscina. Eu não vi a paciente cerca de quatro 
horas a seguir ao acidente. Depois de uma examinação preliminar na casa da paciente, 
 
120 
Hipnoterapia 
eu trouxe os dois dentes para o meu consultório e fiz canais radiculares preparando-os 
para reimplantação e coloquei faixas ortodônticas nos dentes, então trouxe a paciente 
ao consultório para dar continuação ao procedimento, e isso foi passadasalgumas seis 
a oito horas depois do acidente. A normal afluência de sangue na área acidentada 
oferece melhores possibilidades de cura e isso também se aplica á reimplantação de 
dentes. Os vasoconstritores da anestesia química reduzem a afluência de sangue na 
área, de quatro a seis horas, e portanto, eu não queria usar a anestesia química. 
Coloquei a paciente no estado sonambúlico. A paciente chorou em protesto da 
curetagem na cavidade e da força necessária para forçar a colocação do dente 
reimplantado na cavidade. Mais tarde a paciente estava bastante calma e conseguimos 
completar a ligação desses dentes á um arco e á banda ortodôntica que havia sido 
posta nos dentes desvitalizados, e em cada um dos dentes dos lados. A paciente 
relembra de algum desconforto na altura da reimplantação. Eu sinto que sem o uso de 
vasoconstritores na anestesia química, eu tive melhores chances de ser bem-sucedido 
com a implantação desses dentes. Também foi possível para mim, evitar injectar no 
tecido contundido já muito dorido, que é geralmente uma sensação muito 
desconfortável. 
 
 
121 
Hipnoterapia 
Capítulo 16: A Tartamudez (gaguez) 
 
 Não existe tal coisa como gagueira congénita. A gaguez ou tartamudez tem que 
ser provocada. Ao longo dos anos, muitos médicos trouxeram gagos para a aula, na 
esperança de que através de várias técnicas nós fossemos capazes de ajudar. Não só é 
penoso ver um jovem rapaz a tentar conversar e conseguir acabar a palavra apenas 
com extremo esforço, mas é igualmente angustiante conhecer uma mulher nos seus 
trintas ou quarentas que tem o mesmo problema como um pequeno menino ou 
menina. 
 Todas as vezes que eu vejo um destes pacientes, eu sinto uma forte emoção, ao 
relembrar o meu primeiro contacto com gagueira, quando o meu pai hipnotizou uma 
jovem moça adolescente e a fez parar de gaguejar. Depois quando a hipnose terminou 
ela gaguejou tanto como antes. Eu costumava perguntar-me por que é que o problema 
dessas pessoas não poderia ser corrigido permanentemente. Não me lembro da 
primeira vez que usei hipnoanálise para ajudar um paciente gago mas, 
reconhecidamente, houve muitas vezes em que eu fui incapaz de dar-lhes alívio 
permanente! Mesmo assim é agradável lembrar dos muitos a quem tenho ajudado 
consideravelmente! 
 Quando um gago vem a um consultório médico, o procedimento usual é 
examinar o paciente cuidadosamente e quando o médico descobre que não pode fazer 
nada para ajudar o gago, ele manda-o para um terapeuta da fala. O terapeuta da fala 
trabalha diligentemente com o paciente, e finalmente de alguma forma em alguns 
casos, consegue ajuda-los. Mas o número de falhas é deprimente. 
 É minha crença firme de que todo gago tem uma causa básica investigável. 
 Durante muitos anos, tentei fazer os médicos mudarem a atitude deles em 
relação aos gagos e tratarem a causa em vez do sintoma. Lembro-me de uma 
ocorrência em particular. Um médico veio ter comigo e disse, “Tenho um paciente 
extremamente ambicioso. Ele quer frequentar a escola de direito, mas nenhuma 
escola de direito o aceitará porque ele gagueja tanto que dificilmente diz uma palavra 
sem esforço. Tenho tentado ajuda-lo e ainda assim tem terapeuta da fala, tudo sem 
sucesso! Existe alguma forma da hipnose fazer o trabalho?” Eu disse-lhe que a única 
maneira de ajudar o rapaz seria encontrar a razão para a gagueira por meio da 
hipnoanálise. Se nós pudéssemos localizar a causa talvez fossemos capazes de trata-lo 
efectivamente! Talvez, até conseguíssemos faze-lo falar normalmente. O médico, não 
estando muito familiarizado com a hipnoanálise, hesitou em tentar ele mesmo, mas 
pediu-me para trabalhar com ele. 
 Eu expliquei que uma sessão de hipnoanálise, possivelmente poderia localizar a 
causa, mas mesmo se fizesse, poderia não necessariamente remover a gagueira. Uma 
vez localizada a causa seria necessário ver que quaisquer conflitos internos que o 
menino tivesse, tinham que ser resolvidos ou então nós não poderíamos dar-lhe ajuda 
permanente. A hipnoanálise não é terapia de uma sessão; a exploração deve continuar 
até esses conflitos estarem resolvidos, e isso, as vezes requer tratamento extenso. O 
 
122 
Hipnoterapia 
médico perguntou, “Você pode cuidar da primeira hipnoanálise?” Eu disse-lhe que 
teria muito gosto em faze-lo, mas também que faria bem a ele mesmo, tentar algumas 
das técnicas que eu lhe tinha ensinado. Passaram-se semanas sem ele trazer o 
paciente para a aula, quando finalmente surpreendeu-me, ao relatar que depois de 
tudo, ele mesmo tinha feito a primeira hipnoanálise e que tinha sido bastante bem-
sucedido com isso. 
 Eu disse, “Continue a trabalhar com ele e você talvez seja capaz de ajuda-lo 
muito mais do que pensou ser possível.” 
 No outono seguinte fiquei satisfeito quando o médico me relatou que, “O rapaz 
tinha sido aceite por uma escola de direito e ficou sem a gagueira.” 
 Durante o inverno seguinte continuei a receber relatórios. O rapaz estava na 
frente nas suas turmas, e eu soube que agora é um advogado de sucesso. Este tipo de 
casos fez-me sentir que, encorajar os médicos ao uso da hipnoanálise vale a pena todo 
o meu esforço. 
 Um psiquiatra de Chicago foi longe ao ponto de me dizer que ele considerava a 
hipnoanálise a jóia da coroa da hipnose. 
 Muitos psiquiatras entendem que a hipnoanálise é a chave para a resolução de 
muitos problemas emocionais, embora eu tenha ensinado a milhares de médicos como 
usar a hipnoanálise, comparativamente, poucos deles são adeptos disso e eu sei a 
razão para isso. 
 Muitos deles estão relutantes em devotar o tempo necessário para isso ou 
relutantes em sondar profundamente dentro da mente humana. Tenho conhecido 
médicos que, para prática, levarão tempo até regredirem um paciente a uma idade 
precoce, para verem que as reacções não são de natureza surpreendente; eles gostam 
da ideia de que conseguem fazer um paciente voltar ao tempo em tinha dois ou três 
anos e deixa-lo ver outra vez, como se parecem os brinquedos debaixo da árvore de 
natal! Isso é interessante de ver e o médico sente-se inofensivo. O mesmo médico não 
aprofundará para aquilo que talvez poderá ter feito o mesmo paciente gaguejar. 
 No entanto eu concordo com o referido psiquiatra de Chicago, em que a 
hipnoanálise será reconhecida como uma técnica terapêutica válida e útil que pode ser 
usada por todos os médicos para solucionar dificuldades emocionais. Os psiquiatras 
são treinados para resolverem conflitos internos. Quando eles resolvem esses conflitos 
sentem que o paciente está no bom caminho para a recuperação. A hipnoanálise 
permite ao terapeuta localizar a fonte dos conflitos internos, e é a melhor técnica que 
conheço para chegar rapidamente á causa raiz. Isso poupa meses e meses de trabalho. 
Eu desejo fazer a cada médico, ver a hipnoanálise da mesma maneira que o psiquiatra 
a vê. 
 Falando acerca de causas raiz e conflitos internos, o que são a gagueira e as 
dificuldades relacionadas com a fala? Daqui a momentos, relatarei alguns casos que 
mostram causas típicas ─que na maioria dos casos não estão relacionados a 
patologias─. Na verdade eu não conheço gagueira alguma que tenha sido criada por 
patologia, embora eu esteja bem ciente que os médicos pesquisadores suspeitem de 
uma desordem funcional em certos casos como os dos defeitos da fala. 
 
123 
Hipnoterapia 
 Têm sido efectuados estudos no Johns-Hopkins e em outros centros médicos, 
dos efeitos específicos da dislexia; uma deficiência constituinte da linguagem. Esta 
síndroma, por vezes chamado de strefossimbolia, afecta principalmente a habilidade 
de ler e escrever, mas é provável que ocorra em crianças que são lentas, em aprender 
como falar e em cujas histórias familiares se incluem a gagueira entre outras 
dificuldades. Não tem nada a ver com inteligência. Ao contrário, parece derivar de uma 
fraqueza orgânica de uma secção do cérebro que controlaa diferenciação da esquerda 
e direita. Os disléxicos vêm dificuldade em falar um “b” de um “d” ou a palavra “era” 
da palavra “are”. Algumas autoridades duvidam da existência de dislexia patológica, no 
entanto sentem que é uma síndrome de algum bloqueio psiquiátrico. Eu menciono-o 
aqui apenas para mostrar que entendo haver possibilidade de uma gagueira 
patológica, a partir desta ou de várias outras causas. Tendo dito isso, devo eu repetir 
que não sei de nenhuma gagueira em que foi provada a causa envolvendo uma 
patologia. Agora vamos examinar exemplos de causas emocionais. Fazendo a 
hipnoanálise para localizar o percurso de um gago, nós encontramos esta história de 
um caso: 
 Estava a ser extremadamente difícil tentar obter respostas de um paciente 
porque ele gaguejava muito mal. Regredi-o aos cinco anos de idade e soube que ele 
gaguejava nessa idade. Levei-o de volta aos quatro anos de idade, e descobri que a 
gagueira já era absoluta mesmo nessa tenra idade. Quando finalmente o fiz voltar aos 
dois anos de idade, ele relatou um incidente incomum. Existia um pátio em madeira 
junto a sua casa, e ele foi para dentro dele porque lhe pareceu um óptimo lugar para 
brincar. Ele viu dois homens a discutirem. A discussão desenvolveu em luta, e tornou-
se numa batalha terrível. Finalmente um dos homens foi atirado ao chão, e quando 
conseguiu ficar em pé, ele agarrou um machado que estava caído nas proximidades e 
golpeou o seu assaltante, atirando-o ao chão, e depois cortou a cabeça dele. 
 A criança ficou aterrorizada. Ele correu para a casa, para a sua mãe dele. Ele 
tinha medo que o assassino o tivesse visto, tivesse seguido e que pudesse talvez fazer 
a mesma coisa como ele. Quando a mãe dele perguntou-lhe o que havia de errado, ele 
tinha atingido um ponto na sua vida em que não queria falar, ou não conseguia falar. 
Foi assim como a gagueira começou. Eu descobri um análogo, embora não horrível, 
acontecimento quando fiz hipnoanálise a um jovem e regredi-o aos dois anos de idade, 
para descobrir que a gagueira dele começou quando acidentalmente puxou uma 
toalha de mesa, da mesa da sala de jantar. A mesa tinha muitos pratos em cima. A mãe 
dele veio, e de forma intempestiva entrou na sala e ele soube que estava em sarilhos. 
Ele tentou falar do seu jeito mas as palavras não saíram. Lembro-me de dizer a mim 
mesmo, “Isso certamente não é motivo suficiente para começar a gaguejar.” Então 
decidi leva-lo de volta no tempo, quando ele tinha cerca de dois anos de idade. 
 Era o dia de aniversário do pai, e a sua mãe dele tinha confeccionado um belo 
bolo para o marido. O pequeno rapaz trepou numa cadeira para ver o bolo mais de 
perto, agarrando-se na toalha de mesa enquanto subia. O bolo veio a cair e 
despedaçou-se por todo o chão. A mãe dele, ouvindo o barulho, entrou 
intempestivamente na sala, e quando viu o que tinha acontecido ela repreendeu 
 
124 
Hipnoterapia 
severamente o bebé por ter estragado a celebração do aniversário do pai! Este 
incidente no primeiro ano de idade, por si só não causou a gaguez, mas a gaguez 
apareceu quando um incidente idêntico, teve lugar um ano mais tarde. O rapaz tinha 
atingido o ponto em que foi obrigado a falar mas não soube o que dizer, e a razão era 
óbvia. Quando ocorreu o primeiro incidente, o bebé ficou aflito porque sabia que tinha 
feito algo traquinas e a sua mãe estava zangada. Quando a mesma coisa aconteceu um 
ano mais tarde, ele não só sabia que tinha feito algo traquinas e que a sua mãe estava 
zangada, mas á um nível abaixo da atenção consciente, ele estava a reviver o incidente 
que o tinha perturbado um ano antes. Mesmo um trauma menor pode, como as 
sugestões, ser composto por repetição. Toda a gaguez tem no seu início uma situação 
na qual a vitima atinge uma ponto, em que não quer falar e ainda é obrigado a faze-lo. 
 Deixe-me dar outro exemplo de como uma situação traumática causa o início 
da gaguez. Uma paciente foi trazida para a aula. Ela estava nos seus cinquentas, e 
reclamava que vinha a gaguejar desde que era bebé. Tentar corrigir uma gaguez de 
meio século de idade não me pareceu uma tarefa fácil, e eu pensei que certamente 
esta paciente exige uma grande dose de terapia hipnótica antes de poder ser ajudada 
numa base permanente. 
 Antes da hipnoanálise, eu usualmente faço muitas perguntas ao paciente. A 
interrogação revelou que ela acreditava que a gaguez havia começado numa idade 
precoce, quando ela tinha sido acometida de convulsões. Quando a questionei o que é 
que tinha causado a gaguez, ela disse que deveria ter sido iniciada por terrível susto 
que ela teve quando era bebé. Ela não se lembrava qual foi o susto. Quando pergunte-
lhe se o susto poderia ter sido também a causa das convulsões, ela não sabia, mas não 
pensou assim. Eu também não pensei assim. No entanto, o facto de que ela pudesse 
responder sem hipnoanálise de que ambas a gaguez e as convulsões, apareceram 
aproximadamente ao mesmo tempo deixou-me a pensar. Isto foi o que a hipnoanálise 
revelou: Com a idade de cerca de dois anos, enquanto ela estava doente na cama, ela 
ouviu a mãe e o pai brigarem. A criança nunca antes os tinha ouvido a discutirem tão 
violentamente. Quando a discussão aumentou de intensidade, o pai ameaçou matar a 
mãe e a menina também. Ele começou a dirigir-se para a cama onde a criança doente 
estava deitada. A mãe correu para proteger a criança que estava a gritar, quando a 
criança tentou falar não conseguiu por causa do pavor. Ela começou a convulsionar. 
 O pai acalmou e a criança depressa recuperou das convulsões. Mas daí em 
diante sempre que o pai se aproximava dela, ela ficava aterrorizada e não conseguia 
falar. A gaguez dela tinha começado. 
 A partir das histórias dos casos que estou a citar, parece que as gagueiras 
começam em idades precoces! Isso não é verdade! Você irá encontrar muitas pessoas 
que pensam que têm gaguejado toda a vida delas, mas quando é feita a hipnoanálise 
você descobre que a gaguez não começou até eles terem oito ou dez anos de idade, ou 
mais velhos! Tenho até acorrido a casos nos quais a gaguez não se iniciou até o 
paciente estar na idade de escola secundaria. Ainda assim todas essas pessoas dirão 
que não se lembram do tempo em que não gaguejavam. Talvez seja doloroso para 
 
125 
Hipnoterapia 
eles, relembrarem quando ─e coincidentemente como─ a gagueira começou, então 
eles empregam activam o mecanismo de defesa de apagar a memória. 
 Um jovem colegial estudante que foi trazido para a aula, tinha gagueira muito 
acentuada. Ele era um daqueles pacientes que reivindica ter gaguejado toda a vida e 
não consegue lembrar do tempo em que não o fazia. 
 Durante a hipnoanálise foi revelado que, quando ele tinha cinco anos de idade 
ele não gaguejava. Quando tinha seis anos de idade ele não gaguejava, e mesmo aos 
oito anos de idade ele não gaguejava. Mas quando tinha nove anos de idade ele 
gaguejava. Ficamos a saber que um dia os seus colegas de brincadeira ataram-no a 
uma árvore, amarrando-o firmemente com uma corda a volta do seu pescoço. Então 
eles empilharam madeira no chão a volta da árvore e fizeram uma fogueira. No início 
ele pensou que era uma brincadeira mas, quando o fogo iniciou, ele começou a gritar 
para eles o libertarem. Aparentemente, as crianças ficaram assustadas e fugiram 
deixando o rapaz desamparado. Felizmente, um transeunte viu, estancou o fogo com 
os pés e libertou-o. Por esta altura a corda tinha abrasado o pescoço dele. Ele correu 
para casa. Quando a mãe o viu, ficou muito chateada com a aparência do pescoço 
dele, mas ele estava assustado para contar-lhe o que tinha acontecido. Ele pensou que 
ela pudesse puni-lo ou pior, falar com os pais dos rapazes que o tinham magoado. Se 
isso acontecesse, pensou ele, eles poderiam tentar fazer isso outra vez por ter 
contado. Ele tinha atingido um ponto em que não queria falar. 
 Houve casos, felizmente raros,em que apenas foi possível dar ajuda parcial 
porque foram encontradas apenas causas parciais. E uma causa deve ser entendida 
para ser tratada. E num destes casos, um psiquiatra descobriu que um dos seus 
pacientes tinha começado a gaguejar bem cedo na primeira infância, depois de ter sido 
assustado longe da entrada de uma caverna que ele tinha começado a explorar. 
Mesmo na hipnoanálise, o paciente não conseguiu trazer de volta a memória do que o 
tinha aterrorizado. No entanto este obstáculo não prejudica o terapeuta na maioria 
dos casos,. 
 Aqui está a transcrição de uma hipnoanálise real num paciente com gagueira; 
repare na técnica usada para determinar a causa raíz: 
 Elman: Você sabe quando é que começou a gaguejar? 
 Paciente: ─a gaguejar─ Bem, não! Eu acredito que o fiz durante toda a minha 
vida. 
 Elman: Parece a você que o fez toda a sua vida? 
 Paciente: É isso mesmo! 
 Elman: E ainda o seu senso comum lhe diz que ninguém nasce com 
gagueira…Então deve ter sido originado de alguma forma. E se nós conseguirmos 
descobrir por que é que aconteceu, talvez sejamos capazes de ajuda-lo a lidar com a 
causa e a livrar-se inteiramente da gagueira. Quando é que gagueja mais? 
 Paciente: Especialmente quando estou excitado agitado. 
 Elman: Depois a gagueira fica horrivelmente má, é isso? 
 Paciente: Sim, senhor. Estou pior agora do que tenho sido há muito tempo. 
 Elman: Você está a passar por alguns momentos difíceis no momento? 
 
126 
Hipnoterapia 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: está tudo bem em casa? A família está bem? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: E você está indo bem? Os negócios vão bem, ou o seu trabalho, 
qualquer que seja ele? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Do que é que você vive? 
 Paciente: Sou engenheiro de operações. 
 Elman: E você acha que a sua gagueira interfere com o seu trabalho? 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: Você tem levado uma linha de trabalho onde a gagueira não 
interfere…Temo uma boa indicação de que você tem uma gagueira severa e se tu 
ajuda-lo eu tenho que dar-lhe algumas instruções simples. Se eu me deparar com 
resistência serei incapaz de ajuda-lo, por isso se você tentar trabalhar comigo, talvez 
eu possa ajudar, e se você tentar, juntos talvez cheguemos a algum lado… ─Coloca o 
paciente em sonambulismo─ … Isso é uma boa cooperação. Quando você está 
relaxado desse modo, você pode vivenciar e reviver qualquer parte da sua vida. A 
maioria das pessoas acredita que são incapazes de relembrar de incidentes passados 
há muitos anos. Isso não é assim. Tudo o que alguma vez nos aconteceu é registado 
nas nossas mentes e pode ser trazido até nós. Assim eu gostaria de o levar de volta ao 
tempo em que era um rapazinho para descobrir se a gagueira, ou gaguez, o que quer 
que você chame, já existia quando você era pequeno...Diga-me você celebrou o natal 
na sua casa quando era uma criancinha? 
 Paciente. Não, senhor! 
 Elman: Não havia árvore de natal ou alguma coisa como isso? 
 Paciente: Não. 
 Elman: Você teve festas de aniversários quando era criança? 
 Paciente: Não. 
 Elman: Mas você foi para a escola…é verdade? 
 Paciente: Com certeza 
 Elman: Muito bem, vou leva-lo de volta ao ensino básico da escola, porque eu 
quero falar com aquela criancinha no ensino básico. Você foi para o jardim-de-
infancia? Talvez eu o leve de volta ao jardim-de-infancia. 
 Paciente: Sim 
 Elman: Muito bem, vou leva-lo de volta ao jardim-escola, e quando eu levantar 
a sua mão e largar, não tente lembrar-se, porque isso é o que nos derrota todo o 
tempo…Somente diga para si mesmo, “E vou estar lá e vou gostar de estar lá” então 
quando levantar a sua mão e largar, será quando você estava no jardim-de-infância e 
você ver-se-á no jardim-de-infância tão claramente como quando se viu lá na primeira 
vez. E eu vou falar consigo no jardim-de-infância. Fique completamente relaxado 
quando eu levantar a sua mão e largar e veja acontecer… Isso mesmo…Aí está … você 
está no jardim-de-infância… Você gosta do jardim-de-infância? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 
127 
Hipnoterapia 
 Elman: Sim,senhor. 
 Paciente: Dê uma vista de olhos em volta do jardim-de-infância. Você dá-se 
bem com todos os miúdos? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você dá-se bem com a professora? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você gosta da professora? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Diga-me uma coisa, você está no jardim-de-infância e tudo está calro 
para si, você diverte-se no jardim-de-infância? 
 Paciente: Sim, senhor 
 Elman: E você alguma vez gaguejou ou titubeou? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Então fez. Então isso significa que você começou a tartamudear ou a 
gaguejar antes ter ido para o jardim-de-infância…Vou leva-lo de volta agora, para antes 
de ter começado o jardim-de-infância, e você estará a fazer alguma coisa que você não 
pensou desde a altura em que o fez, mas será alguma coisa que você gosta de 
fazer…Eu estarei a falar consigo e você será um rapazinho com apenas três anos de 
idade…Ai está você …o que está a fazer? 
 Paciente: A brincar no quintal das traseiras. 
 Elman: Com o que é que você está a brincar? 
 Paciente: Alguma sujeira. 
 Elman: Você está com cerca de três anos de idade, não está? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Alguma vez gaguejou? ─Paciente não responde─ 
 Talvez você não saiba o que isso significa. Alguma vez gaguejou? Você alguma 
vez teve dificuldade em falar? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Quando eu levantar a mão e largar, será o primeiro dia em que você 
teve problemas dificuldade com a fala. E você saberá o que é que causou isso quando 
eu levantar e largar a sua mão…Mantenha-se relaxado e você terá…Ai está você…O 
que tem acontecido hoje que faça um rapazinho ter problemas em falar? 
 Paciente: O meu pai chegou a casa. A mamã diz que ele está bêbado… 
[começou a chorar] 
 Elman: O que foi que aconteceu? Diga-me, porque isso pode faze-lo parar de 
gaguejar para sempre, se você tirar tudo isso para fora e nós queremos tudo isso cá 
fora. O que é que o seu pai fez? Você consegue dizer-me. 
 Paciente: Ele bateu-me. 
 Elman: Por que é que ele lhe bateu? 
 Paciente: Porque eu devo ter feito alguma coisa que ele não queria que eu 
fizesse. 
 Elman: O que é que você fez? 
 Paciente: Eu não sei. 
 
128 
Hipnoterapia 
 Elman: Quando eu levantar a sua mão e largar você saberá porque foi que ele 
lhe bateu. ─Repare na composição da sugestão─ …e o que foi que você fez se, você 
fez alguma coisa. Fique relaxado e você saberá. O que é que você fez? 
 Paciente: Tínhamos algumas “galinhas do mato” pequenas e eu afoguei-as 
 Elman: Você afogou-as? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Você disse “galinhas do mato”. 
 Paciente: Não. Galinhas pequenas. 
 Elman: Você o fez acidentalmente? 
 Paciente: Não. Eu fiz de propósito. 
 Elman: Você fez de propósito? Você afogou-os? Ora, deve ter existido uma 
razão para que um rapazinho pudesse pegar nessas galinhas, e talvez possamos 
descobrir. Talvez exista um pequeno ressentimento contra elas, por alguma coisa ou 
por alguém. Existia algum de quem você não gostasse nessa altura? 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: Você gosta do papá, certo? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você gosta da mamã, certo? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Irmãos e irmãs? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você gosta das pequenas galinhas? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você levou-as para fora de casa para afoga-las? 
 Paciente: Elas estavam lá fora no quintal. 
 Elman: Você estará lá fora no quintal quando eu levantar a sua mão. Será 
antes das galinhas estarem afogadas e depois você pode dizer-me também se é de 
propósito ou não. E talvez você nem saiba se foi de propósito ou não. E talvez você 
descubra agora. Porque será um pouco antes de elas serem afogadas…O que você 
está a fazer, está a brincar com as galinhas? 
 Paciente: Não. Eles são patos. 
 Elman: Veja, já descobrimos mais. Dê uma vista de olhos nos patos.Você 
gosta destes pequenos patos? 
 Paciente: Sim, senhor! 
 Elman: Você gosta deles. Bem, o que é que você está a fazer com eles, se eles 
são patos? 
 Paciente: Estou a coloca-los numa banheira com água. 
 Elman: A coloca-los dentro de uma banheira com água? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Bem, não é certo, correcto, os patos irem para água? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você tem alguma ideia do quê você quer fazer com os patos? 
 Paciente: Eu quero vê-los a nadarem. 
 
129 
Hipnoterapia 
 Elman: Agora está a vê-los nadarem. Existe alguma ideia da sua parte em 
fazer alguma coisa prejudicial para os patos? 
 Paciente: Não,senhor. 
 Elman: Então o que acontece com esses patos? 
 Paciente: Todos eles se afogaram. 
 Elman: Como é que eles se afogaram? 
 Paciente: Porque eles não conseguiram nadar. 
 Elman: Bem, os patos nadam naturalmente. Olhe novamente para eles. São 
patos ou são galinhas? Se eles são patos eles nadam naturalmente! 
 Paciente: São galinhas 
 Elman: As galinhas não conseguem nadar. Mas os patos conseguem nadar. 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: O que o fez pensar por momentos que eram patos? Você chamou-as 
de patos ainda há pouco tempo. 
 Paciente: Na verdade não sei. Apenas pensei que eles conseguiam nadar! 
 Elman: Estou a ver… Então realmente você não queria magoar essas galinhas, 
queria? 
 Paciente: Não,senhor. 
 Elman: De modo que este seria apenas um pequeno engano que um pequeno 
menino teve. É isso? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: E porque ele teve este pequeno engano o pai dele chegou a casa e 
bateu-lhe por isso e por porque agora ele não sabe o que dizer ao pai. 
 ─Ele tenta falar e explicar─ 
 Paciente: Ele..não deixa…ele não deixa…ele não… 
 Elman: Você será capaz de falar sem titubear quando eu estalar os meus 
dedos. 
 Paciente: Ele nunca me deixaria chorar. 
 Elman: Ele nunca lhe deixaria chorar? 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: Estou a ver. E isso é recalcamento ─incapaz de chorar─.Ele deu-lhe 
alguma razão, sobre o porquê de não o deixar chorar? 
 Paciente: Ele disse que me iria bater com mais força se eu chorasse. 
 Elman: Então você estava com medo de chorar. E esse balbuciar representa 
que abafou o choro. É isso o que é? 
 Paciente: Eu não sei, senhor. 
 Elman: Bem, agora deixe-me dizer-lhe. Eu quero que repare o quão próximo 
está uma gaguez de um soluço. Está horrivelmente próximo, não é? E é aquele soluço 
que sufoca toda a vez que você gagueja. Alguma vez se deu conta disso? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: E você soube disso, esse tempo todo, não é verdade? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Você sabe que é porque ele não o deixou chorar que você gagueja? 
 
130 
Hipnoterapia 
 Paciente: Sim, senhor! 
 Elman: Bem, você pode livrar-se desse choro agora. Ou seja, você pode chorar 
se o quiser fazer. Se você sentir vontade de chorar pode simplesmente soltar, porque 
você é um homem grande agora, e se você sente vontade de chorar, poder deixar sair 
tudo, porque isso é a emoção que você sentiu quando era uma criança pequena, e se 
sair agora irá fazer-lhe muito bem. Se você sente vontade de chorar deixe-se ir... ─O 
paciente soluça por um período prolongado─. Deixe sair tudo e você não vai 
balbuciar mais por conta disso. Livre-se dessa emoção sido aprisionada dentro de si 
por muitos anos. Deixe sair tudo. Apenas deixe sair bem… ─Paciente começa a 
chorar. 
 Elman: [ dirige-se aos médicos que assistem]. Eu nunca conheci uma gagueira 
ou uma tartamudez que não envolvesse alguma situação emocional. Ele vai tirar isso 
do seu sistema e depois vocês verão o quão bem ele fala. Não haverá gagueira 
nenhuma. E se o pai dele o tivesse deixado fazer, quando ele era criança ele não 
gaguejaria. Mas isso foi um mal-entendido entre um pai e uma criança… ─Soluços do 
paciente tinha sumido. 
 Elman dirigindo-se ao paciente─ Fez muito bem retirar tudo isso do seu 
sistema, não é? 
 Paciente: Sim, senhor. 
 Elman: Deixe sair toda essa emoção reprimida… * para os médicos+ Isso tem 
estado recalcado dentro dele, e ele tinha cerca de três anos de idade quando essa 
coisa aconteceu… ─ao paciente─ quantos anos tem? 
 Paciente: Cinquenta anos…Tenho quarenta e nove agora. 
 Elman: [para os médicos] São quarenta e sete, quarenta e seis anos, de 
emoção reprimida, e o que isso faz a uma pessoa! Isso provavelmente significou 
muitas diferenças nas condições de vida dele, na vida dele, na maneira como ele fez 
a vida dele, na maneira como ele se deu com as pessoas… e o pai dele apenas tinha 
que o deixar chorar quando ele era uma criança, e ele teria sido um jovem tão 
normal como qualquer um no mundo. Quando ele queria chorar, o pai dele disse, “ 
Vou te bater mais ainda se chorares”. Então com medo de chorar…todas a vezes que 
ele queria chorar, havia um balbucio. Todas as vezes que ele se emocionava era na 
forma de gagueira. Talvez eu esteja a fazer isso soar muito fácil. Não estou a tentar 
indicar que depois de apenas uma sessão, ele não precisa de mais… Não há uma 
pessoa em que eu tenha trabalhado com hipnoanálise, que tenha durado mais de 
uma sessão. E isso não é adiantado para si como uma panaceia ou elixir. Não é 
adiantado para si como um cura-tudo, mas como uma técnica para chegar a causa 
dessas condições… *para o paciente+ Eu aposto que você se sente muito melhor. 
 Paciente: Sim, senhor. Com certeza! 
 Elman: E não há gagueira aí agora, tem? 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: Você pensa que alguma vez haverá? 
 Paciente: Não, senhor. 
 
131 
Hipnoterapia 
 Elman: Se alguma vez houver, se alguma vez aparecer a mais leve tendência 
para gaguejar, eu quero que pense instantaneamente naquelas galinhas e no seu pai 
a bater-lhe. Pense nisso instantaneamente, e será como um flash mental, e no 
minuto que o fizer, diga, “Eu não vou gaguejar apenas porque o meu pai não me 
deixou chorar”. Afinal de contas não havia veneno malícia no que você quando 
criança, havia? 
 Paciente: Não, senhor. 
 Elman: Você não quis ir lá para fora e matar aquelas galinhas, mas foi um 
engano natural que qualquer criancinha pode fazer. Você queria ver as pequenas 
aves nadarem, você não sabia que eles não conseguiam, e quando elas se afogaram 
você ficou, eu suponho, que de coração tão partido como qualquer um, mas o seu pai 
não o deixou explicar. Ele simplesmente lhe bateu por isso. 
 Paciente: Sim, senhor 
 Elman: Eu não penso que você irá gaguejar ou titubear mais, o quê que você 
pensa? 
 Paciente: Não, senhor. Eu também penso que não irei mais. 
 Elman: E se o fizer… * para o médico do paciente+ doutor, se ele mostrar 
alguma tendência para uma recorrência de gaguejar, leve-o de volta e faça isso de 
novo, e de cada vez que o fizer, você descobrirá que ele obtém uma ajuda tremenda 
ao sair disso. Eu penso que você provavelmente teve uma remoção completa da 
gaguez, pelo que nós o levamos a fazer hoje. Eu não posso jurar isso. Por vezes 
temos, essas recuperações sensacionais que se parecem com magia, e as vezes não 
temos. Mas eu não tento obter uma recuperação sensacional em nenhum caso em 
que trabalho. Muitos médicos dizem-me “Eu não tenho tempo para a hipnoanálise.” 
Eu penso que qualquer médico deveria estar disposto a dispensar a quantidade de 
tempo que eu dispenso por forma a corrigir situações como esta. 
* * * 
 Incidentemente, eu tenho encontrado vezes e vezes que a vítima de uma 
doença neurótica está apta a ser vítima de mais doenças neuróticas. O ponto que eu 
estou a tentar mostrar é que, só porque o paciente perde a gaguez, você não tem 
necessariamente resolvidos, todos os problemas neuróticos do paciente. É por isso 
que eu afirmo que todos estes pacientes podem beneficiar de mais trabalho 
efectuado pelo médico. Se é para ajudar o completamente paciente, os conflitos 
internos devem ser inteiramente resolvidos. 
 O homem na medicina melhor treinado para resolver conflitos internos, é o 
psiquiatra,e se o médico de qualquer outro ramo da medicina descobrir que é 
incapaz de resolver esses conflitos internos permanentemente, na minha opinião, ele 
deve encaminhar o paciente para o psiquiatra. 
* * * 
 Ao lidar com uma gagueira, siga estas instruções. 
 Primeiro, lembrar que cada gagueira teve um princípio. Regrida o paciente de 
volta a situação traumática que causou a gaguez, e deixe-o reviver numa ab-reacção, 
ou vendo a mesma coisa a acontecer á outra pessoa num ecrã de uma televisão 
 
132 
Hipnoterapia 
imaginaria. Em muitos casos, os pacientes têm epifanias acerca da verdadeira causa 
do primeiro gaguejamento e são ajudados permanentemente. O quê que acontece se 
você não voltar até a causa da gaguez? O melhor que você será capaz de fazer, é dar 
ajuda temporária ao paciente. Se a causa permanecer com ele, a gaguez voltará. 
 Por vezes um médico regride ao que ele pensa ser a verdadeira causa e o 
paciente aparentará ter sido ajudado. Depois a gaguez volta. O médico deverá saber 
a partir disso, que ele não encontrou toda a matéria perturbadora, e terá que sondar 
mais para extrair a verdadeira causa antes de ele poder ajudar permanentemente a 
pessoa com gagueira. Esta explicação não se aplica apenas para gagueira, mas a 
todos os problemas neuróticos; se a ajuda é temporária, a verdadeira causa não foi 
exposta, é indicado trabalho adicional. 
 Uma técnica está demonstrada na hipnoanálise, e que foi achada muito 
benéfica para muitos tipos de distúrbios neuróticos. Nós sabemos que as doenças 
emocionais são causadas por repressões. Uma pessoa que vive através de uma 
situação com a qual não consegue lidar. Ela não está preparada por experiencia ou 
por treino para isso. A memória do incidente é horripilante! Ela reprime todos os 
pensamentos da situação traumática. Ela por vezes até consegue coloca-los abaixo 
do nível consciente, então eventualmente isso torna-se verdadeiramente parte do 
material inconsciente da mente dela. 
 Isso não significa que ela não é afectada por isso. Ao contrario, essa mesma 
repressão das experiencias traumáticas certamente continuará a causar danos no 
nível consciente. Em muitos casos, nós somos capazes de trazer repressões do nível 
abaixo da atenção consciente, para um lugar onde elas são conhecidas e 
reconhecidas a um nível consciente. Então nós asseguramos que não seja permitida a 
repressão, hospedar-se novamente no inconsciente. Repare como esta técnica foi 
demonstrada no caso anterior do homem que gaguejava. 
 Muitas pessoas acreditam que a hipnoanálise é terapia de apenas uma sessão. 
Nada poderia estar mais longe da verdade. Os médicos estão inclinados a acreditar que 
se eles não conseguem obter resultados permanentes com uma aplicação de 
hipnoanálise, a terapia não funciona com esse paciente em particular. Isso não é 
evidenciado a partir das nossas experiências. 
 Não há muito tempo um médico, numa das minhas aulas perguntou se eu 
poderia trabalhar no filho dele, um jovem que gaguejava. A família do jovem era muito 
cooperante. Nós trabalhamos no jovem mas não fomos a lado nenhum. Quando o 
jovem mostrou sinais de cansaço, nos demos-lhe algumas sugestões superficiais para 
livra-lo da gagueira ao menos temporariamente, e para incrementar a confiança dele. 
 Duas semanas depois foi-nos dito que o jovem falou sem gagueira por cerca de 
dez dias e que depois a aflição retornou. Novamente nós trabalhamos com o jovem. 
Desta vez nós começamos por obter a resposta para o problema da gagueira, mas 
certamente não completamos a terapia! 
 Novamente o jovem mostrou melhoras, mas por esta altura o pai e a mãe 
mostravam desapontamento por não ter havido um milagre em duas sessões. As 
minhas aulas nessa cidade em particular tinham chegado ao fim, e não houve 
 
133 
Hipnoterapia 
oportunidade para continuar e dar ao jovem a ajuda adicional que ele precisava. Eu 
aconselhei o médico a continuar o programa de hipnoanálises com um dos meus 
estudantes. No entanto por causa do desapontamento dele, eu não acredito que ele o 
fez. E ainda assim o filho dele poderia ter sido ajudado permanentemente. 
 O mesmo médico sentir-se-ia exaltado se um dos seus pacientes tomasse 
apenas duas colheres de chá de um remédio e depois não tomasse mais porque as 
duas colheres não o curaram permanentemente. O porquê das pessoas esperarem que 
as técnicas de hipnose funcionem como magia está para lá da minha compreensão. 
 A questão deve ser colocada, ”Se o pai era um estudante nosso, por que é que 
não completou ele mesmo a hipnoanálise?” possivelmente porque o jovem estava a 
atingir um estágio da vida onde a ambivalência com os seus pais estava tinha 
começado a manifestar-se. O pai pode encontrar resistência dentro do jovem, embora 
outro operador possa não encontrar nenhuma. Ainda assim tal situação não deve 
permitir que impeça de ajudar um jovem. 
 Lembre-se sempre disto: A gravidade de um evento traumático é responsável 
pela gravidade da gagueira; descubra a causa trate-a, e os efeitos serão 
automaticamente aliviados! 
 
 
134 
Hipnoterapia 
Capítulo 17: A Obesidade 
 
 Quando um médico é confrontado com um problema de obesidade ele 
usualmente coloca o paciente em dieta, complementada com medicação apropriada, e 
um aviso acerca das consequências médicas do excesso de peso. Alguns pacientes 
manter-se-ão em dieta e absorverão a medicação ─e os avisos─ até a necessária perda 
de peso. Então eles separam-se da companhia do médico. Um ano ou dois depois eles 
estão de volta para verem o mesmo médico com o mesmo problema ─eles estão tão 
gordos como sempre─ e o médico diz para si mesmo. “Eles parecem não ter ideia 
acerca de ingestão de alimentos.” Também há pacientes que dizem que querem 
perder peso, mas não querem ou não podem fazer a dieta prescrita pelo médico. Sob 
cuidados médicos eles não perdem um grama; na verdade, eles até ganham peso 
quando era suposto estarem a perder. Os comedores compulsivos não são 
necessariamente glutões. Frequentemente eles são pessoas que procuram segurança. 
Esta busca leva-os de volta ao tempo em que a satisfação oral representava completa 
segurança ─quando a mãe os alimentava e cuidava deles.─ Eles comem, e continuam a 
comer porque alimentarem-se dá-lhes a sensação de segurança que alivia o medo que 
espreita abaixo do nível da atenção consciente. 
 Com cada paciente, o medo tem uma causa diferente, mas é na verdade o 
mesmo tipo de medo. No efeito, todos estes medos são semelhantes. No entanto, isso 
não significa que o mesmo “dieta-medicação-aconselhamento” tratamento funcionará 
com todos os pacientes, nem significa que a hipnose deve ser usada simplesmente 
para dar ao paciente sugestões de alívio da fome. Uma dieta hipnótica sem a remoção 
do causativo do medo pode providenciar apenas ajuda temporária. Os médicos que 
reconhecem o problema são notavelmente bem-sucedidos com casos de obesidade, e 
alguns deles na verdade especializados em problemas de obesidade. O excesso de 
peso é muitas vezes causado por fortes conflitos emocionais, que podem ser 
resolvidos ─como aqueles associados com gagueira─ por uma abordagem utilizando a 
hipnoanálise. 
 Eu quero que leia parte de uma transcrição verdadeira de uma das 
hipnoanálises. A paciente em questão foi esbelta até aos catorze anos de idade, e 
então de repente começou a ganhar peso: 
 Elman: [Depois de regredir a paciente a primeira infância] 
 Você está no ensino primário. Eu quero que mentalmente se coloque em pé no 
seu assento aí no ensino básico e olhe em volta da sala para a criança mais longe de si. 
É um rapaz ou uma menina? 
 Paciente: Um rapaz. 
 Elman: Qual é o nome dele? 
 Paciente: John. 
 
 
135 
Hipnoterapia 
Elman: Agora a sua atenção está a aumentar. Eu vou perguntar algumas coisas 
enquanto você está no ensino básico. Estou a aproximar-me do seu assento e a e dizer-
lhe “Você tem seis anos.Você é uma menininha gorda? 
 Paciente: Não…-A paciente é levada agora através de sucessivos níveis 
escolares, e era esbelta até a oitava classe. A transcrição é retomada nesse nível─ 
 Elman: Ora, quando eu levantar a sua mão e larga-la, você estará no oitavo ano. 
Aí está você. Diga-me você está com cerca de catorze anos agora. Olhe para si mesmo. 
Como está o seu peso? 
 Paciente: Um pouco pesada! 
 Elman: Você está no oitavo ano e você está a começar a estar um pouco 
pesada. Quando eu largar a sua mão você estará no período de férias, e será um pouco 
antes de a escola começar para o oitavo ano…Você sabe que as aulas começarão em 
apenas alguns dias. Você ficará contente por voltar para a escola? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Diga-me, você gostou deste verão? Você teve um bom verão? 
 Paciente: Tive febre escarlatina. 
 Elman: Você ficou bastante doente com febre escarlatina, não ficou? 
 Paciente: Sim 
 Elman: Em algum momento você teve pensamentos desagradáveis enquanto 
esteve doente com febre escarlatina? 
 Paciente: Sim. Eu estava com medo de não ficar melhor, e se ficasse, eu estava 
preocupada com os efeitos colaterais. 
 Elman: Nós temos toda a razão aí, não temos? 
 Por que é que uma jovem sentiria necessidade de segurança. 
 Paciente: Sim 
 Elman: Agora nós sabemos toda a razão do por que é que você engordou, não 
sabemos? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Você era uma menininha esbelta. Então viu-se no fim das férias do 
verão, e você viu uma menininha que tinha acabado de ter febre escarlatina. E depois 
você viu essa menininha no oitavo ano, e ela tinha começado a ficar gorda; já a 
mostrar a necessidade de segurança. Os pensamentos mórbidos que você deve ter 
tido sobre o que seriam os efeitos secundários, foi isso? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: E então essa menininha na sua busca por segurança encontrou na 
comida a saída natural, e mais comida porque isso dava-lhe satisfação. Fê-la sentir-se 
segura. A segurança que conhecia quando era criança bebé, quando não precisava de 
se preocupar com o futuro. É assim mesmo? 
 Paciente: Sim. 
 Elman: Ora nós encontramos a causa, e você não tem que se preocupar mais 
acerca da febre escarlatina, tem? 
 Paciente: Não 
 * * * 
 
136 
Hipnoterapia 
 Todo o problema neurótico teve um princípio, e a obesidade é com frequência 
um problema neurótico. A técnica de detecção de causa, ilustrada acima e usada na 
obesidade assim como na gagueira e dificuldades semelhantes, é chamada de 
apontando pontilhar o início de uma neurose. Afinal de contas, a paciente não era 
gorda até a oitava classe, mas nós descobrimos que ela começou a ficar um pouco 
pesada na oitava classe. Alguma coisa deve ter causado isso. O quê? No verão antes do 
oitavo ano ter começar, ela teve febre escarlatina. A gravidade da doença assustou-a. 
Ela iria ficar bem? E se ela ficasse qual seriam os efeitos secundários? Ela, certamente 
experienciou medo suficiente para causar numa criança a busca pela segurança. Ela 
encontrou essa segurança na satisfação oral que ela conheceu enquanto bebé, quando 
a vida estava no seu mais doce e ela não conhecia problemas, quando ela estava 
segura e bem alimentada nos braços da mãe. Ela começou a comer demais para 
recapturar essa sensação de segurança que ela já conhecera. Como alcoólicos e 
viciados em droga, os comilões desenvolvem uma tolerância ao objecto do seu desejo. 
É necessária mais e mais comida para alcançar um dado grau de satisfação. Agora é 
precisa uma quantidade enorme de comida, para dar a esta paciente a sua sensação 
de segurança. O resultado: A obesidade! 
 Alguma vez ela se apercebeu disso a um nível consciente? Claro que não. Ela 
sabia que tinha tido febre escarlatina, e ela teria sido capaz de dizer que ficou 
terrivelmente assustada por isso. Mas ela não relacionou a febre escarlatina á sua 
obesidade. Ela não tinha ideia de que a comida representava um escape ao susto 
engendrado pela doença dela. Agora ela entende o seu problema. Ela não tem que se 
preocupar mais, sobre os efeitos da febre escarlatina; tudo o que resta da sua busca 
pela segurança é um padrão de hábito viciante, e a hipnoanálise habilita-a a quebrar o 
padrão do hábito. 
 Subsequentemente o médico dela reportou que sobre supervisão médica, ela 
perdeu acima de cem libras (45,360kg), e tem mantido o peso normal desde então. 
 Eu disse antes que em tais casos os medos são todos do mesmo tipo, para 
ilustrar isso, deixe-me contar outro caso no qual o medo causou um problema de 
excesso de peso. O paciente era uma mulher nos seus cinquentas. O médico disse-me 
que ela tinha sido paciente dele há muitos anos. Ela sempre tinha sido esbelta até se 
ter submetido a uma histerectomia; depois disso, ela começou a colocar aumentar em 
peso numa taxa velocidade alarmante. Agora ela estava desesperada pela necessidade 
de ajuda, porque por muito forte que ela tentasse, ela não conseguia manter-se na 
dieta prescrita para ela. 
 Depois de obter essa informação, eu comecei a hipnoanálise. Cada facto 
mencionado pelo médico foi verificado, e agora eu comecei a sondar a causa da sua 
dificuldade. Levei-a de volta a visita que ela tinha feito ao médico dela antes da 
operação. Ela disse-me tudo o que o médico tinha falado durante a examinação, 
revivendo a experiencia vividamente. Ela disse que o doutor lhe tinha dito que ela 
tinha um tumor fibroso grande ─talvez mais do que um─ , e que foi sugeriu a cirurgia. 
Ao ouvir a palavra tumor ela ficou assustada e perguntou ao médico se poderia ser 
maligno. Ela lembrou-se claramente de ele dizer-lhe que não podiam falar com 
 
137 
Hipnoterapia 
segurança de tal coisa até que a cirurgia fosse realizada, mas na sua opinião era quase 
de certeza não maligno. 
 Eu trouxe-a para o período logo após a cirurgia ter sido realizada. 
 Apesar das garantias dos médicos dela, antes e depois da operação, de que não 
existia malignidade, ela não conseguiu tirar da sua mente a ideia de que pudesse ter 
cancro. Eu perguntei-lhe o porquê de ela sentir-se assim, e ela respondeu que não 
tinha a certeza, mas pensa que questão que lhe fora colocada pelo médico durante a 
examinação pré-operatória plantou o pensamento perturbante. Eu perguntei, ”Que 
questão foi essa?” 
 Ela disse. ”Ele perguntou-me se tinha havido alguma perda de peso 
recentemente. Bem, acontece que eu estava de dieta nessa altura numa tentativa de 
retirar algumas libras kilos . Como o doutor lhe disse, eu nunca fui pesada, mas pensei 
que perdendo cerca de cinco libras (±2,27kg) poderia dar-me uma melhor imagem, e 
foi por isso que fiz a dieta. Funcionou tão bem, também, porque eu tinha perdido um 
par de libras (±1kg). Mas quando o médico perguntou-me se eu tinha perdido algum 
peso fiquei insegura se eu o tinha perdido por causa da dieta ou por causa do tumor.” 
 Ela simplesmente não conseguiu tirar esse pensamento da sua mente, e 
quando se recuperou da cirurgia, ela começou a comer demasiado num esforço para 
ganhar peso ─para ter a certeza que a malignidade não estava presente─. Este medo, a 
operar num nível subconsciente, causou-lhe a glutonia, ganhando peso até que ela 
estar uma mulher muito gorda. 
 O médico ajudou-me a eliminar o pensamento de cancro. Uma vez 
desenterrada a fobia do cancro com a hipnoanálise, com a ajuda adicional do médico, 
ela foi capaz de manter a dieta e baixar ao peso normal. Uma vez que a tendência para 
comer demais, é um encalce para a segurança, você deve combate-lo pontilhando o 
medo concreto que trouxe ao de cima a resposta alimentar. 
 Um médico trouxe a sua jovem filha para a aula há algum tempo. Ela estava na 
sua pré-adolescência e estava com excesso de peso em mais ou menos quarenta cinco 
libras (20,4kg). Na interrogação antes da hipnoanálise estabeleceu-se que de facto ela 
tinha sido esbelta até quando passou um verão num acampamento

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