Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

SANEAMENTO I:
TRATAMENTO E USO DE
ÁGUAS
Caro(a) aluno(a),
A Universidade Candido Mendes (UCAM), tem o interesse contínuo em
proporcionar um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que
conduzem ao conhecimento.
Todos os projetos são fortemente comprometidos com o progresso educacional
para o desempenho do aluno-profissional permissivo à busca do crescimento
intelectual. Através do conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm
acesso à informação, expressam opiniões, constroem visão de mundo, produzem
cultura, é desejo desta Instituição, garantir a todos os alunos, o direito às
informações necessárias para o exercício de suas variadas funções.
Expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo,
totalmente reformulado e empenhado na facilitação de um construto melhor para
os respaldos teóricos e práticos exigidos ao longo do curso.
Dispensem tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita
dedicação pelos Doutores, Mestres e Especialistas que compõem a equipe docente
da Universidade Candido Mendes (UCAM).
Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de
suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese
dos saberes.
Desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o
equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos!
Atenciosamente,
Setor Pedagógico
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 3 
SUMÁRIO 
 
SANEAMENTO I: TRATAMENTO E USO DE ÁGUAS ...................................................................... 5 
RESÍDUOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA E A ISO 24512: DESAFIO DO 
SANEAMENTO BRASILEIRO ................................................................................................................ 6 
RESÍDUOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA NO BRASIL ........................................ 8 
ISO 24512:2007 ...................................................................................................................................... 10 
INDICADORES EXEMPLIFICADOS NA ISO 24512 PARA ANÁLISE DA GESTÃO DOS 
RESÍDUOS ......................................................................................................................................... 15 
APLICAÇÃO DOS INDICADORES PROPOSTOS PARA ANÁLISE DOS RESÍDUOS DE ETAS
 ............................................................................................................................................................ 15 
SANEAMENTO AMBIENTAL: ESTUDO, ANÁLISE E SOLUÇÕES ............................................. 21 
ESTUDO DE CASO ............................................................................................................................... 21 
SURTO DE HEPATITE NO HOLY CROSS COLLEGE ................................................................. 21 
ANÁLISE, IMPLICAÇÕES E RESULTADOS DO SANEAMENTO AMBIENTAL ......................... 23 
ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO ........................................................................................ 24 
ESTUDO DA LEI Nº 11.445/07 ............................................................................................................. 25 
CICLO HIDROLÓGICO ........................................................................................................................ 30 
ANALISE DO CICLO HIDROLÓGICO ............................................................................................... 31 
TEMOS AINDA AS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS E SUPERFICIAIS. ............................................ 33 
DO TRATAMENTO E VIGILANCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO 
HUMANO .................................................................................................................................................. 35 
UM POUCO DE HISTÓRIA .................................................................................................................. 35 
O USO DA PESQUISA-AÇÃO PARA A AVALIAÇÃO E O APRIMORAMENTO DE PRÁTICAS 
INTEGRADAS PARA A VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO 
HUMANO: POTENCIALIDADES E DESAFIOS ................................................................................ 42 
PERCURSO METODOLÓGICO ........................................................................................................... 44 
O CAMINHO PERCORRIDO: FASES DA PESQUISA-AÇÃO .......................................................... 46 
FASE EXPLORATÓRIA ................................................................................................................... 46 
FASE PRINCIPAL: O PLANEJAMENTO DA AÇÃO ..................................................................... 48 
FASE DE AÇÃO ................................................................................................................................ 50 
FASE DE AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 51 
DESAFIOS E POSSIBILIDADES ......................................................................................................... 53 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 4 
PRESENÇA DE MICRORGANISMOS NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA PARA 
CONSUMO HUMANO ............................................................................................................................ 60 
DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS DOS MICRORGANISMOS .................................................. 60 
REMOÇÃO DE PROTOZOÁRIOS ....................................................................................................... 69 
REMOÇÃO DE CIANOBACTÉRIAS E CIANOTOXINAS ................................................................ 72 
REMOÇÃO DE AGROTÓXICOS ......................................................................................................... 74 
REMOÇÃO DE GOSTO E ODOR ........................................................................................................ 81 
MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS URBANAS ..................................................................................... 88 
TIPOS DE SISTEMAS DE CONTROLE NÃO CONVENCIONAIS ................................................... 92 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 95 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 5 
SANEAMENTO I: TRATAMENTO E USO DE ÁGUAS 
 
 
Ao começarmos a abordagem deste tema, buscamos o apoio de renomados 
pesquisadores, acerca do tema, quando da publicação do artigo que abre este módulo, como uma 
análise atualíssima (2013), da questão do saneamento e suas aplicabilidades, no que tange aos 
resíduos de estações de tratamento de água e sua ligação, desafios e projeções, com relação à 
ISO 24512, aplicadas à situação de saneamento, no Estado do Rio de Janeiro. 
Em sendo, com o advento da ISO 24512:2007 foram suscitadas discussões muito 
interessantes em relação ao funcionamento dos sistemas de abastecimento de água em âmbito 
mundial. No Brasil, a maioria das estações de tratamento de água é convencional de ciclo 
completo, gerando resíduos complexos e de difícil manejo e disposição. 
Nesse sentido, este trabalho1 teve como objetivo avaliar de forma crítica a problemática 
dos resíduos das estações de tratamento de água no Brasil, mediante o estudo da viabilidade de 
construção e uso de indicadores, tais como aqueles preconizados pela ISO 24512. A grande 
maioria das estações de tratamento de água analisadas, que refletemum quadro comum no 
Brasil, não dimensiona a quantidade de resíduos gerados, poucas avaliam suas características e 
destinam adequadamente esses resíduos, o que dificulta e, em muitos casos, pode impossibilitar 
o uso de indicadores como ferramentas de gestão. Esse cenário remete ao desafio enfrentado na 
área de saneamento em relação à gestão dos resíduos em consonância com as normas 
internacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Publicado na revista de Engenharia Sanitária e Ambiental. Versão impressa ISSN 1413-4152. Eng. Sanit. 
Ambient. vol. 18 no. 2. Rio de Janeiro abr./jun. 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-41522013000200003. 
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-41522013000200003&lng=en&nrm 
=iso&tlng=pt. Acesso em: 28 ago. 2013. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 6 
RESÍDUOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA E A ISO 24512: 
DESAFIO DO SANEAMENTO BRASILEIRO 
Cali Laguna Achon2 
Marcelo Melo Barroso3 
 João Sérgio Cordeiro4 
 
INTRODUÇÃO 
O advento das normas ISO 24510:2007, 24511:2007 e 24512:2007 suscitam discussões 
muito interessantes em relação ao funcionamento dos sistemas de saneamento a nível mundial. A 
série ISO 24510, desenvolvida pela Comissão Técnica ISO TC224 e publicada em dezembro de 
2007, constitui o primeiro conjunto de normas de serviço publicadas pela International 
Organization for Standardization (ISO), que se caracteriza como sendo de aplicação voluntária, 
não se propondo a certificar. 
Essa nova série de normas internacionais contém recomendações sobre as atividades 
relativas à gestão dos serviços de abastecimento de água e esgoto; contemplando três normas: 
ISO 24510 – "Activities relating to drinking water and wastewater service: guidelines for the 
assessment and for the improvement of the service to users"; ISO 24511 (2007b) – "Activities 
relating to drinking water and wastewater services: guidelines for the management of 
wastewater utilities and for the assessment of wastewater services"; e ISO 24512 – "Activities 
relating to drinking water and wastewater services: guidelines for the management of drinking 
water utilities and for the assessment of drinking water services". 
A aplicação de tais normas tem grande importância na busca de melhoria de qualidade e 
sustentabilidade do setor de água e esgoto, caracterizando-se como ferramenta para o 
enquadramento na Lei 11.445/2007. Um dos aspectos fundamentais referentes ao aprimoramento 
da gestão de qualidade em sistemas de tratamento de água está intimamente ligado ao seu 
funcionamento, operação e características de geração e disposição final dos resíduos, que, na 
 
2 Engenheira Civil. Doutora em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos da 
Universidade de São Paulo (EESC/USP). Pós-Doutoranda do Departamento de Engenharia Civil da Universidade 
Federal de São Carlos (DECiv/UFSCar) – São Carlos (SP), Brasil. 
3 Engenheiro Civil.Mestre e Doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela EESC/USP. Professor e 
Coordenador de Graduação do Curso de Engenharia de Inovação no Instituto Superior de Inovação e Tecnologia 
(ISITEC) – São Paulo (SP), Brasil. 
4 Engenheiro Civil. Mestre e Doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela EESC/USP. Ex-Presidente da 
Associação Brasileira de Ensino de Engenharia (ABENGE). Professor do Departamento de Engenharia Civil da 
Universidade Federal de São Carlos (DECiv/UFSCar) – São Carlos (SP), Brasil. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 7 
maioria das vezes, infringe as Leis 9.605/98 (BRASIL, 1998) e 11.445/2007 (BRASIL, 2007), 
exigindo dos gestores novas posturas. Assim, os indicadores propostos pela ISO 24512 se tornam 
ferramentas decisivas na avaliação e gestão dos sistemas, visando à melhoria contínua de 
qualidade. 
No Brasil existem cerca de 7.500 estações de tratamento de água (ETAs) projetadas, em 
sua grande maioria, com ciclo completo, que inclui coagulação, floculação, decantação e 
filtração. Este sistema, como amplamente conhecido, gera resíduos, principalmente nos 
decantadores (lodo) e filtros, complexos em suas estruturas, pois possuem morfologia irregular, 
muitas vezes com características reológicas de fluido não newtoniano e ampla distribuição de 
tamanho de partículas (SLATTER, 1997; DENTEL, 1997), que são de difícil manejo e 
disposição. Há poucos estudos sobre o tema no Brasil e, consequentemente, as soluções para a 
adequada gestão deste resíduo raramente são adotadas em ETAs em funcionamento. Apesar de 
algumas iniciativas, a maioria das novas estações também negligencia a gestão do lodo. 
A maioria das ETAs lança seus resíduos em cursos d'água, contrariando a legislação 
vigente e provocando impactos ambientais. As operadoras responsáveis pelos sistemas de 
tratamento de água precisam estar cientes da sua responsabilidade ambiental, pois a matéria-
prima pode estar cada vez mais com a qualidade comprometida. Os novos projetos de ETAs 
devem estar plenamente adequados à legislação. Dessa forma, os cuidados ambientais devem ser 
mais amplos do que aqueles até hoje adotados e empreendidos pelos sistemas de tratamento. Para 
isso, existem alternativas legais para o licenciamento de ETAs sem a disposição adequada de 
lodo em alguns estados, desde que obedeçam aos prazos para a solução do problema definidos na 
legislação, dentro do princípio de metas progressivas. Além disso, para ETAs de pequeno porte, 
em muitas situações, o licenciamento é dispensado, caso os impactos ambientais sejam 
considerados não significantes. 
Este trabalho teve como objetivo geral avaliar de forma crítica a problemática dos 
resíduos de ETAs no Brasil, mediante o estudo da viabilidade de construção e uso de 
indicadores, tais como os preconizados pela ISO 24512. O objetivo específico foi verificar a 
potencialidade do uso de indicadores de maneira a permitir avaliar a qualidade da gestão de 
resíduos em ETAs. 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 8 
RESÍDUOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA NO BRASIL 
No processo de produção de água potável, considerado como uma das etapas da 
indústria da água, há geração de resíduos devido à presença de impurezas na água bruta e 
aplicação de produtos químicos. Esses resíduos apresentam características e propriedades 
diversas e geralmente desconhecidas, dificultando a solução do problema. 
Os principais resíduos gerados nas ETAs, que possuem tecnologia de ciclo completo, 
são o lodo de decantadores e a água de lavagem de filtros (ALAF). As principais perdas de água, 
neste tipo de sistema, ocorrem devido à necessidade de limpeza das unidades de tratamento para 
remoção de resíduos (lavagem de floculadores, decantadores e filtros) e vazamentos nas 
unidades e/ou tubulações. O lodo é definido como resíduo sólido, e, portanto, deve estar em 
consonância com os preceitos da Lei 12.305/2010 (artigo 3º, inciso XVI) (BRASIL, 2010) e da 
série de normas NBR 10.004/2004 (ABNT, 2004). 
No Brasil, a implantação de sistemas de tratamento de água está sujeita ao 
licenciamento ambiental, conforme a Resolução 237 de 19 de dezembro de 1997 do Conselho 
Nacional de Meio Ambiente (Conama) (BRASIL, 1997b). Esta é uma obra de utilidade pública 
causadora de impactos ambientais negativos, com o lançamento de resíduos provenientes dos 
decantadores e da ALAF em corpos d'água. A Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH 
(Lei 9.433/97) estabelece que, 
 
o lançamento de resíduos líquidos,sólidos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de 
sua diluição, transporte ou disposição final em corpos d'água, além de outros usos que 
alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da água, está sujeita à outorga do Poder 
Público (BRASIL, 1997a). 
 
O lançamento em corpos d'água dos resíduos gerados em ETAs, quando não aprovado 
por órgãos ambientais, pode ser considerado crime ambiental devido aos efeitos diretos causados 
ao ambiente aquático do corpo receptor, provocando danos à fauna aquática. Constitui-se crime 
ambiental, de acordo com o artigo 54 da Lei 9.605/98. 
Com os fundamentos da PNRH e baseado na Lei de Crimes Ambientais, são relevantes 
as questões do lançamento e da disposição final dos resíduos sólidos gerados em ETAs, na 
gestão ambiental integrada entre "água e solo". 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 9 
Quanto às características, alguns trabalhos têm mostrado que a concentração de metais 
nos resíduos das ETAs pode ultrapassar limites impostos pelo padrão de emissão (CORDEIRO, 
1993; 2001; BARROSO & CORDEIRO, 2002). Isso pode influenciar a qualidade da água 
tratada e comprometer ainda mais as condições de lançamento do lodo em corpos d'água. 
Portanto, os gestores responsáveis por sistemas que lançam resíduos in natura nos corpos d'água 
devem iniciar ações que permitam avaliar a forma de geração e destino dos mesmos e definir 
estratégias para essa solução. 
A forma de remoção de lodo das ETAs pode ser considerada um dos principais 
problemas de gestão deste resíduo, pois influencia diretamente em sua quantidade e qualidade. 
No Brasil, a frequência de remoção de lodo nos decantadores de ETA convencional de 
ciclo completo pode ser realizada em intervalos de até seis meses, pode gerar acúmulo de lodo 
com elevada concentração de contaminantes orgânicos e inorgânicos e também pode dificultar a 
remoção e disposição final. Assim, em algumas ETAs, é necessária a utilização de água em alta 
pressão a fim de auxiliar a remoção do lodo e raspadores manuais (rodos de madeira), que 
implica no contato direto de funcionários com este resíduo (ACHON, 2008). 
Cornwell et al. (2000) realizaram um levantamento sobre as formas de disposição final 
de lodos das ETAs nos Estados Unidos. Tais pesquisadores verificaram que 25% das ETAs 
aplicam o lodo no solo, 24% lançam-no em sistemas públicos de esgotos, 20% dispõem-no em 
aterro, 13% em aterro exclusivo e 7% realizam outras formas de disposição final. Apenas 11% 
das ETAs lança o lodo nos corpos d'água. 
Segundo Simpson et al. (2002), no Reino Unido, apenas 2% das ETAs lançam o lodo 
nos corpos d'água e há uma predominância de disposição final em aterros sanitários (52%), 
seguida de 29% que lançam-no em sistemas públicos de esgoto, 9% têm novos métodos, 6% 
realizam tal processo em aterro exclusivo e 2% em lagoas. 
No Brasil, este quadro é bem diferente. Segundo Cordeiro (1993) e Morita et al. (2002), 
a maioria das ETAs do estado de São Paulo lança os lodos gerados nos decantadores em corpos 
d'água mais próximos sem tratamento prévio, causando problemas ambientais. 
No Estado de Minas Gerais foram coletadas informações de 175 municípios, mostrando 
que 87% das ETAs dos municípios mineiros avaliados lançam o lodo em corpos d'água sem 
tratamento, 6% não informaram, 3% possuem unidades de tratamento de resíduos (UTR), 2% 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 10 
lançam na rede pluvial, 1% em ETE e 1% no solo (MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE 
MINAS GERAIS, 2009). 
No Estado de São Paulo, levantamentos preliminares realizados na Bacia PCJ 
(Piracicaba, Capivari e Jundiaí) indicaram que 56% (em termos populacionais) lançam o lodo de 
ETA em corpos d'água, 21% em aterro, 15% não disponibilizaram dados, 6% em ETEs e 1% em 
outros locais (PCJ, 2011). 
Tradicionalmente, no Brasil, a maior e mais importante preocupação, ainda que 
incipiente, tem sido em relação aos resíduos gerados em estações de tratamento de esgotos, que 
também deveria se refletir para os resíduos gerados em ETAs. Por outro lado, o desenvolvimento 
tecnológico do tema tem esbarrado em replicar tecnologias importadas, em pesquisas 
desarticuladas e soluções empíricas localizadas. Esse desenvolvimento muitas vezes é 
incentivado por mudanças e cobranças nos campos normativo e legal. 
Inúmeros direcionamentos foram elaborados quanto aos aspectos qualitativos, 
quantitativos e de técnicas para redução de água no resíduo. No entanto, correspondem, ainda, a 
ações desarticuladas entre os diversos institutos de pesquisas e, principalmente, com dificuldade 
quanto à transferência de tecnologia para empresas, municípios e estados. Salvo iniciativas como 
o Programa de Pesquisas em Saneamento Básico – Prosab (REALI, 1999; ANDREOLI, 2001) e, 
mais recentemente, em 2008, com a realização do Seminário Nacional sobre Tratamento, 
Disposição e Usos Benéficos de Lodos de ETAs, que concluiu: 
 
ainda hoje a maioria das ETAs lança diretamente seus lodos nos corpos d'água mais 
próximos; o setor de saneamento ambiental precisa ter uma visão mais abrangente do 
sistema de tratamento de água. Atualmente ela é horizontal [...]; há tendência 
internacional em se reduzir a quantidade de lodo produzido nas ETAs; o restante deve 
ser reciclado ou reusado e somente o que não puder ser aproveitado deve ser 
disposto (IE/SP, 2008). 
 
ISO 24512:2007 
A ISO é uma federação mundial integrada por organismos nacionais de normalização 
em cada país. Sua missão é promover o desenvolvimento de tal operação no mundo, com os 
objetivos de facilitar a troca internacional de mercadorias e serviços e desenvolver a cooperação 
nas esferas das atividades econômicas tecnológicas e científicas. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 11 
A discussão sobre esta nova série de normas ISO 24510 iniciou-se em setembro de 
2002, na França, após a criação do Comitê Técnico (TC 224) em 2001, onde se realizou a 
primeira plenária com participação de 33 países e algumas organizações internacionais, tais 
como: Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental 
(AIDIS); AfricanWaterAssociation (AfWA); ConsumersInternational (CI), European Union 
ofNationalAssociationsofWaterSuppliersandWasteWater 
Services (EUREAU); InternationalWaterAssociation (IWA);European Office ofCrafts, Trades 
andSmallandMedium- SizedEnterprises for Standardisation (NORMAPME);World Health 
Organization (WHO); e World Bank GroupArchives (WBGA) (ISO, 2007d). 
Os países da América que participam do comitê técnico 224 são: Argentina, Canadá, 
Cuba, Estados Unidos, México e Uruguai. A Colômbia e o Equador são apenas países 
observadores, e o Brasil não faz parte (ISO, 2007d). 
A nova série de normas ISO 24510, publicada em dezembro de 2007 em inglês e 
francês, pretendeu desenvolver padrões internacionais para a gestão de atividades e serviços 
relacionados com os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. São normas de 
utilização voluntária e não se propõem a certificar. A tradução para o português foi iniciada em 
2011 e está sendo elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas/Comissão de 
Estudos Especiais de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário 
(ABNT/CEE 166). A série ISO 24510 (ISO, 2007a) é composta pelas normas: 
 ISO 24510 – "Activities relating to drinking water and wastewater services: guidelines 
for the assessment and for the improvement of the service to users"; 
 ISO 24511 – "Activities relating to drinking water and wastewater services: guidelines 
for the management of wastewater utilities and for theassessment of wastewater 
services"; 
 ISO 24512 – "Activities relating to drinking water and wastewater services: guidelines 
for the management of drinking water utilities and for the assessment of drinking water 
services". 
 
A norma ISO 24512 (ISO, 2007c) define seis objetivos principais do sistema de 
abastecimento de água, conforme descritos a seguir: 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 12 
 proteção da saúde pública: referente à qualidade, potabilidade e suficiência do 
abastecimento de água; 
 satisfação das necessidades e expectativas dos usuários: contemplado na ISO 24510; 
 prestação de serviços em situações normais e de emergência: abastecimento contínuo, 
pressão adequada e confiabilidade; 
 sustentabilidade do prestador de serviços: capacidade de tratamento, de reservação, de 
transmissão e do sistema de distribuição, dos recursos hídricos, força de trabalho e 
estruturas tarifárias; 
 promoção do desenvolvimento sustentável na comunidade: gestão dos recursos hídricos 
(proteção dos mananciais), redução da geração de resíduos e uso sustentável dos 
insumos; 
 proteção do meio ambiente: perdas de água, energia e gestão de resíduos. 
 
A ISO 24512 preconiza o uso dos indicadores de desempenho (ALEGRE et al., 2006) 
como instrumento principal para auxiliar a gestão dos serviços de abastecimento de água, e 
exemplifica alguns para cada um dos seis objetivos citados. 
Os resíduos estão inseridos nos indicadores que objetivam a proteção do meio ambiente, 
sendo a reciclagem do lodo um dos exemplificados na ISO 24512, que indica a porcentagem 
daquele reciclado em relação ao total de lodo gerado durante o tratamento da água. 
Vieira et al. (2009) propuseram um sistema de indicadores de desempenho (PAS –
 Performance Assessment Systems) para avaliar as ETAs em Portugal, e confirmaram a 
aplicabilidade deste sistema em um estudo de caso em quatro ETAs, cujo período de estudo foi 
de 2001 a 2007. No entanto, segundo os autores, ainda é necessário reforçar a aplicabilidade de 
tal sistema em ETAs com diferentes tipologias e estabelecer valores de referência para as 
medidas de desempenhos global e operacional. 
 
METODOLOGIA 
A ISO 24512:2007 recomenda o uso de indicadores de desempenho entre os vários 
instrumentos de avaliação existentes. De acordo com a ISO 24512, eles devem ser utilizados no 
contexto de um sistema abrangente de avaliação, devendo ser adequados para representar os 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 13 
aspectos relevantes do serviço. Os indicadores de desempenho são tipicamente expressos como 
relação entre variáveis, permitindo comparações ao longo do tempo ou entre sistemas. As 
variáveis podem ser dados gerados internamente ou externamente pelo sistema. Porém, a ISO 
24512 apenas exemplifica alguns, sendo que os demais indicadores devem ser criados pelo 
próprio sistema de abastecimento de água. 
No Quadro 1, apresentam-se os dois indicadores exemplificados na norma ISO 24512, 
referente aos resíduos de ETAs. De acordo com esta norma, esses indicadores avaliam a proteção 
ambiental dos sistemas, referente à gestão de resíduos. 
 
Além da aplicação dos dois indicadores exemplificados pela ISO 24512 e apresentados 
no Quadro 1, buscou-se propor e aplicar outros, definidos a partir da seguinte metodologia. 
Primeiramente, foram selecionadas cinco ETAs localizadas no Estado de São Paulo 
para fazer parte da pesquisa (A, B, C, D e E). As estações escolhidas possuem tecnologia de 
tratamento de ciclo completo e refletem um quadro atual e comum no Brasil. 
Foram estudadas legislação, normas e indicadores, por meio de levantamento 
bibliográfico. Em seguida, realizaram-se visitas preliminares às cinco ETAs selecionadas, a fim 
de analisar seu funcionamento in loco. 
Com o embasamento teórico proporcionado durante a fase inicial e as visitas 
preliminares, elaborou-se um formulário para diagnóstico e coleta de dados. Foram realizadas 
novas visitas para levantamento de dados, por meio de entrevistas com os gerentes e/ou 
responsáveis pela estação, consulta a arquivos digitais, relatórios e anotações manuais em 
planilhas de controle operacional e verificação operacional. 
Após esta fase, os dados foram analisados e sistematizados, o que convergiu para 
seleção de variáveis e elaboração de indicadores, relacionados aos resíduos de 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 14 
decantadores(lodo) e filtros (ALAF). No Quadro 2 são apresentados os sete indicadores 
elaborados e propostos. 
 
Os dois indicadores exemplificados pela ISO 24512 (Quadro 1) e os sete propostos 
(Quadro 2) foram aplicados nas cinco ETAs analisadas. Esses nove indicadores podem ser 
utilizados para análise geral dos resíduos gerados em cada ETA e também extrapolados para 
análise comparativa de diferentes ETAs. 
A análise dos resultados e as discussões culminaram nas considerações finais 
apresentadas neste artigo. 
RESULTADOS 
Na Tabela 1 são apresentados os dados gerais das cinco ETAs analisadas. 
A seguir, serão mostradas as aplicações dos indicadores exemplificados pela Norma 
ISO 24512 e aqueles propostos, conforme descritos na metodologia (Quadro 1 e 2). 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 15 
INDICADORES EXEMPLIFICADOS NA ISO 24512 PARA ANÁLISE DA GESTÃO DOS 
RESÍDUOS 
O indicador de porcentagem do lodo reutilizado ou reciclado após tratamento é 0% para 
as cinco ETAs. 
O indicador de porcentagem da ALAF reutilizada ou reciclada após tratamento para as 
ETAs A, B e E é 0%, para a C é 51,25% e para a D é maior que 0%. No entanto, o volume de 
água recuperada não é medido, o que impossibilita a aplicação correta deste indicador para a 
ETA D. 
 
APLICAÇÃO DOS INDICADORES PROPOSTOS PARA ANÁLISE DOS RESÍDUOS DE 
ETAS 
Na Tabela 2 podem ser vistos os resultados dos indicadores relacionados ao tipo de 
água utilizada na lavagem de decantadores e filtros para as cinco ETAs. 
 
Os indicadores apresentados na Tabela 2 mostram que apenas as ETAs C e D utilizam 
água decantada para lavar os decantadores e todas utilizam água tratada, após coagulação e 
desinfecção, para os filtros. Isso resulta em perdas não só de água, como de produtos químicos e 
energia elétrica intrínseca. 
A Tabela 3 demonstra os indicadores de volume anual de lodo gerado nos decantadores 
por volume de água tratada em L.m-³ e por área total dos decantadores em m³.m-², e aqueles de 
ALAF por volume de água tratada em L.m-³ e por área total dos filtros em m³.m-² para as cinco 
ETAs analisadas. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 16 
Conforme apresentado na Tabela 3, o indicador de volume de lodo em L.m-³ na ETA A 
é praticamente igual ao da C, aproximadamente 20 L.m-³. Essas duas estações possuem descarga 
de fundo, apesar do decantador da ETA C ser convencional com fundo plano (raspadores por 
sucção) e o da A, de alta taxa. 
O indicador de m³.m-² de área do decantador, apresentado na segunda coluna da Tabela 
3, para a ETA A é o dobro da C. Porém, este pode provocar equívocos na interpretação dos 
resultados, visto que, normalmente, o decantador de alta taxa requer menor área de implantação. 
Assim, o indicador de volume de lodo em m³.m-² não é o mais apropriado quando são analisados 
decantadores com diferentes tecnologias, porém serve para avaliação histórica comparativa da 
mesma ETAou entre decantadores de mesma concepção. 
O indicador de ALAF em L.m-³, apresentado na terceira coluna da Tabela 3, para a ETA 
C, é 26% da A. Porém, aquele apresentado na quarta coluna, em m³.m-², para a ETA C é 83% do 
A, ou seja, valores mais próximos, podendo representar um indicador mais adequado quando se 
compara o volume de ALAF em diferentes sistemas. 
Comparando os indicadores das primeira e terceira colunas da Tabela 3, para a ETA C o 
volume de resíduos gerados nos decantadores, em L.m-³, é 67% do gerado nos filtros, enquanto 
que, para a A, isto se inverte, o volume de lodo é 271% da ALAF. Desse modo, nem sempre o 
volume de resíduos gerados nos filtros pode ser a parcela mais representativa do volume total de 
resíduos gerados em estações convencionais de ciclo completo. 
 
 
Os indicadores de tratamento de lodo e ALAF para as cinco estações são apresentados 
na Tabela 4, os quais também representam, implicitamente, a porcentagem de resíduos que não é 
lançada in natura nos corpos d'água. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 17 
 
 
Os indicadores apresentados na Tabela 4 refletem a ausência de tratamento de lodo e 
não recuperação da ALAF, na grande maioria das ETAs analisadas. 
Os indicadores relacionados ao volume de água descartado durante as lavagens de 
decantadores e filtros e volume de água perdido anualmente na ETA, em relação ao volume de 
água tratada e a população abastecida, encontram-se na Tabela 5. 
A Tabela 5 apresenta dois tipos de indicadores de perdas de água, o primeiro expresso 
em porcentagem em relação ao volume de água aduzido e o outro referente à população 
abastecida pela ETA, o que pode representar indicadores de comparação. O indicador de perdas 
de água em m³.hab-1.ano-1, apresentado na terceira coluna daTabela 5, é maior que 5% em quatro 
sistemas e, para apenas um, é cerca de 2%. 
 
 
Este estudo não teve por objetivo selecionar indicadores, pois cada sistema pode adotar 
aqueles que se adaptem melhor à sua realidade. 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 18 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
No Brasil, a problemática dos resíduos de ETAs deve ser analisada sob a ótica da 
legislação vigente, levando-se em conta aspectos relativos ao conhecimento mais profundo sobre 
as características físicas, químicas e biológicas; as condições operacionais dos sistemas de 
tratamento de água que geram esses resíduos; as condições e periodicidade de limpeza de filtros 
e decantadores; os impactos ambientais do lançamento in natura(solo ou águas superficiais); as 
alternativas de tratamento dos resíduos e a destinação ou disposição final das fases sólida e 
líquida após o tratamento (desaguamento). 
Avaliar e gerenciar as unidades de tratamento em uma ETA podem ser úteis também 
para minimizar a água utilizada na limpeza das unidades e, consequentemente, reduzir a geração 
de resíduos. Adotar sistemas mais eficientes, que busquem economia na água de lavagem dos 
decantadores e filtros, deve ser considerado no projeto e nos procedimentos operacionais de um 
sistema de tratamento de água. 
Deve-se analisar também o projeto dos decantadores, bem como o formato, as 
dimensões e a facilidade de remoção do lodo, que, na maioria das ETAs convencionais, não são 
viáveis. Os decantadores laminares (alta taxa), por exemplo, são lavados com mais frequência, 
porém consomem menos quantidade de água durante a lavagem. 
Neste trabalho, ao se propor a obtenção de indicadores que viabilizassem a gestão de 
resíduos de ETAs, explicitou-se a dificuldade em se obter dados e, consequentemente, 
indicadores das ETAs estudadas. Concorreu para isso a constatação de que a grande maioria das 
ETAs não mede a quantidade de resíduos gerados e muito menos avalia suas características. Tal 
fato mostra-se agravante se considerarmos que as ETAs em estudo possuem características de 
sistemas de médio porte e estão localizadas em municípios com boa estrutura, acima da média 
das cidades brasileiras. 
Assim, as dificuldades encontradas na obtenção dos indicadores de gestão de lodo 
reportadas neste trabalho podem refletir, em grande medida, os desafios que os gestores dos 
sistemas de tratamento de água terão ao buscar a conformidade das ETAs brasileiras, baseadas 
nas diretrizes preconizadas pela ISO 24512. 
Esse cenário remete aos desafios do século XXI na área de saneamento, particularmente 
nas ETAs, em relação à gestão de seus resíduos, de acordo com os preceitos das normas 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 19 
internacionais. Esses resíduos precisam ser gerenciados com uma nova visão: sistêmica e 
ampliada. 
Quando se analisa o funcionamento das ETAs para abastecimento público no Brasil, 
principalmente quanto à forma de geração e disposição dos resíduos gerados nos decantadores e 
filtros, faz-se necessário uma discussão mais profunda para que a cultura de gestão de qualidade 
se torne uma prática nas ETAs. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. (2004) NBR 10.004: 2004. Rio de Janeiro, 48 p. [ Links ] 
ACHON, C.L. (2008) Ecoeficiência de sistemas de tratamento de água a luz dos conceitos da ISO 14.001. Tese 
(Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 230 p. [ Links ] 
ALEGRE, H.; BAPTISTA, J.M.; CABRERA JR., E.; CUBILLO, F.; DUARTE, P.; HIRNER, W.; MERKEL, W.; 
PARENA, R. (2006) IWA Performance Indicators for Water Supply Services.Manual of Best Practice Series –
Second Edition. London: IWA Publishing, ISBN 1843390515, 305 p. [ Links ] 
ANDREOLI, C.V. (2001) Resíduos sólidos do saneamento: processamento, reciclagem e disposição final. Projeto 
PROSAB 2. Rio de Janeiro: RiMa, ABES, 282 p. [ Links ] 
BARROSO, M.M. & CORDEIRO, J.S. (2002) Problemática dos metais nos resíduos gerados em estações de 
tratamento de águas. In: Anais do 21º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, ABES, cd, I-065. 
 [ Links ] 
BRASIL. (1997a) Lei 9.433 de 8 de Janeiro de 1997. Política Nacional dos Recursos Hídricos. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF. [ Links ] 
BRASIL. (1997b) Resolução CONAMA Nº 237 de 19 de dezembro de 1997. Procedimentos e critérios utilizados no 
licenciamento ambiental como instrumento de gestão ambiental. Brasil: Ministério do Meio Ambiente. 
 [ Links ] 
BRASIL. (1998) Lei 9.605. Lei da Vida – A lei dos Crimes Ambientais. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 
 [ Links ] 
BRASIL. (2007) Lei 11.445 de 05 de janeiro de 2007. Política Nacional do Saneamento Básico. Brasília, DF: 
Congresso Nacional. [ Links ] 
BRASIL. (2010) Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010. Política Nacional de Resíduos Sólidos. Brasília, DF: 
Congresso Nacional. [ Links ] 
CORDEIRO, J.S. (1993) O problema dos lodos gerados em decantadores de estações de tratamento de águas. Tese 
(Doutorado) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 342 p. [ Links ] 
CORDEIRO, J.S. (2001) Gerenciamento Integrado de Resíduos de Estações de Tratamento de Águas. Anais... 20º 
Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, ABES, cd, I – 062. [ Links ] 
CORNWELL, D.A.; MUTTER, R.N.; VANDERMEYDEN, C. (2000) Commercial Application and Marketing of 
Water Plant Residuals. Denver: American Water Works Association. [ Links ] 
DENTEL, S.K. (1997) Evaluation and role rheological in sludge management. Water Science and Technology, v. 
36, n. 11, p. 1-8. [ Links ] 
IE/SP – Instituto de Engenharia de São Paulo. (2008) Relatório de Conclusõesdo Seminário Nacional sobre 
Tratamento, Disposição e Usos Benéficos de Lodos de Estações de Tratamento de Água. In: Seminário Nacional 
sobre Tratamento, Disposição e Usos Benéficos de Lodos de Estações de Tratamento de Água, São Paulo, IE, 11 p. 
 [ Links ] 
ISO – International Organization for Standardization.(2007a) ISO 24510. Activities relating to drinking water and 
wastewater services: guidelines for the assessment and for the improvement for the service to users. ISO TC 224, 62 
p. [ Links ] 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 20 
ISO – International Organization for Standardization.(2007b) ISO 24511. Activities relating to drinking water and 
wastewater service: guidelines for the management of wastewater utilities and for the assessment of wastewater 
services. ISO TC 224, 59 p. [ Links ] 
ISO – International Organization for Standardization.(2007c) ISO 24512. Activities relating to drinking water and 
wastewater services: guidelines for the management of drinking water utilities and for the assessment of drinking 
water services. ISO TC 224, 54 p. [ Links ] 
ISO – International Organization for Standardization.(2007d) ISO TC 224 – International Organization for 
Standardization, Technical Committee 224.Disponível em 
<http://www.iso.org/iso/standards_development/technical_committees/list_of_iso_technical_committees/iso_techni
cal_committee.htm?commid=299764>. Acesso em: 17 ago. 2011. [ Links ] 
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. (2009) Parecer Técnico - Ref.: Ofício 1139/2008 
(CAO-MA) - Informações técnicas referentes aos danos ambientais decorrentes do lançamento de lodo in natura, 
pelas Estações de Tratamento de Água, no ambiente. Belo Horizonte: Procuradoria-Geral de Justiça, 32 p. 
 [ Links ] 
MORITA, D.M; SAMPAIO, A.O.; MIKI, M.K.; DAVID, A.C. (2002) Incorporação de Lodos de Estações de 
Tratamento de Água em Blocos Cerâmicos. Revista SANEAS, v. 14, p. 7-12. São Paulo. [ Links ] 
REALI, M.A.P. (1999) Noções gerais de tratamento e disposição final de lodos de estações de tratamento de água. 
Projeto PROSAB. Rio de Janeiro: Abes, 250 p. [ Links ] 
PCJ. (2011) Oficina de lançamento dos resultados da 1º Etapa. Estudo de viabilidade para instalação e operação de 
centrais de lodos nas Bacias PCJ. Consórcio das Bacias Hidrográficas PCJ - Piracicaba, Capivari e Jundiaí, 7 p. 
Disponível em <http://www.agua.org.br/apresentacao-arquivos.aspx?id=73>. Acessoem: 27 fev. 2012. 
 [ Links ] 
SIMPSON, A.; BURGESS, P.; COLEMAN, S.J. (2002) The Management of Potable Water Treatment Sludge: 
Present Situation in the UK. In: Management of Wastes from Drinking Water Treatment. Proceedings. London: The 
Chartered Institution of Water and Environmental Management, p. 29-36. [ Links ] 
SLATTER, P.T. (1997) The Rheological Characterization of Sludges. Water Science and Technology, v. 36, n. 11, 
p. 9-18. [ Links ] 
VIEIRA, P.; ROSA, M.J.; ALEGRE, H.; RAMALHO, P.; SILVA, C. (2009) Avaliação de desempenho de estações 
de tratamento de água. Revista Água & Resíduos – Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental – 
APESB, série III, nº 9, p. 4-17. [ Links ] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 21 
SANEAMENTO AMBIENTAL: ESTUDO, ANÁLISE E SOLUÇÕES. 
 
Vamos iniciar o estudo do saneamento ambiental com um caso ocorrido nos EUA, 
contado por Vesilind e Morgan (2011) ilustrando a pesquisa, a identificação e solução de 
problemas ambientais que fazem parte do cotidiano do Engenheiro Ambiental. 
 
ESTUDO DE CASO 
SURTO DE HEPATITE NO HOLY CROSS COLLEGE 
Logo depois do jogo realizado em Dartmouth, em 1969, todos os integrantes do time de 
futebol americano do Holy Cross College ficaram doentes (Morse, 1972). Tiveram febre, 
náuseas e dores abdominais, além de apresentarem pele amarelada – sintomas característicos da 
hepatite infecciosa. Nos dias que se seguiram, quase 90 pessoas – entre jogadores, treinadores, 
técnicos e outras pessoas – que faziam parte do programa de futebol da instituição também 
adoeceram. O colégio cancelou o restante da temporada e tornou-se alvo de um mistério 
epidemiológico. Como explicar que um time inteiro tivesse contraído hepatite infecciosa? 
Sabe-se que a doença é transmitida basicamente de pessoa para pessoa. Embora 
epidemias possam ocorrer, isso quase sempre se deve à contaminação da água ou de frutos do 
mar. Há vários tipos de vírus da hepatite com drásticas consequências para o ser humano. O 
menos mortal é o da hepatite A que ocasiona mal-estar durante várias semanas, mas raramente 
deixa sequelas duradouras. As hepatites B e C, todavia, podem provocar graves problemas, em 
especial no fígado, e durar por anos. Na ocasião da epidemia no Holy Cross College, o vírus da 
hepatite ainda não havia sido isolado e muito pouco se sabia sobre sua etiologia ou suas 
consequências. 
Quando o colégio teve ciência da seriedade da epidemia, pediu e recebeu ajuda dos 
governos estadual e federal, que enviaram epidemiologistas até a cidade de Worcester. Em 
princípio, esses especialistas coletaram todo tipo de informação sobre os integrantes do time de 
futebol: com quem haviam estado e o que haviam comido e bebido. O objetivo era encontrar 
pistas que os levassem a descobrir como surgiu a epidemia, e obtiveram os seguintes dados: 
 uma vez que o período de incubação da hepatite é de cerca de 25 dias, a infecção deve ter 
ocorrido em algum momento antes do dia 29 de agosto; 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 22 
 os jogadores que deixaram o time antes desse período não foram infectados; 
 jogadores da equipe principal que chegaram atrasados, depois do dia 29 de agosto, 
também não foram infectados; 
 jogadores do time de calouros que chegaram no dia 3 de setembro também não tiveram a 
doença; 
 tanto os jogadores do time de calouros como os do time principal usaram o mesmo 
refeitório, e, como nenhum calouro foi infectado, descartou-se a hipótese de que o 
refeitório fosse a causa da doença; 
 um dos técnicos que desenvolveu hepatite não havia usado o refeitório do colégio; 
 não havia nenhum indício de que os jogadores tivessem comido frutos do mar em algum 
restaurante, o que poderia dar uma dica sobre onde poderiam ter contraído o vírus; 
 os jogadores consumiram uma bebida preparada pelo colégio, cuja composição era 
açúcar, mel, gelo e água (a versão caseira do Gatorade). No entanto, como os 
funcionários da cozinha provaram da bebida antes e depois do jogo, e nenhum deles 
desenvolveu a doença, a possibilidade de a bebida ter sido a causadora da doença foi 
descartada. 
 
Como não encontravam respostas para o fato, os epidemiologistas se concentraram no 
fornecimento da água. O colégio recebe água da cidade de Worcester e uma tubulação 
subterrânea traz a água da Rua Dutton – que é sem saída – até o campo de treinamento de 
práticas esportivas, onde há um bebedouro que os jogadores utilizam durante os treinos. 
Amostras da água foram colhidas do bebedouro e não apresentaram nenhuma 
contaminação. 
A ausência de contaminação durante a amostragem não descartou, entretanto, a 
possibilidade de transmissão da doença através da tubulação, que cruzava o campo por meio de 
um medidor de água e várias caixas de sprinklers enterradas no solo, colocadas em todo o campo 
para regar o gramado. 
Duas outras informações foram cruciais. Soube-se que, em uma das casas na Rua 
Dutton, moravam crianças que haviam contraído hepatite. Durante o verão, elas brincavamcom 
água dos sprinklers, espirrando umas nas outras e formando poças no gramado. No entanto, 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 23 
como a água dessas poças – caso as crianças a tivessem contaminado – teria ido parar na 
tubulação, já que os canos de água eram mantidos sempre sob pressão positiva? 
A última peça do quebra-cabeça se encaixou quando os epidemiologistas descobriram 
que havia ocorrido um grande incêndio em Worcester, durante a noite do dia 28 de agosto, que 
durou até a manhã do dia seguinte. A demanda de água para o incêndio foi tão grande que todas 
as casas da Rua Dutton ficaram sem água da rua, ou seja, os bombeiros bombearam a água em 
tal quantidade que a pressão no encanamento ficou negativa. 
Esses dados levaram à seguinte conclusão: as crianças esqueceram algumas das válvulas 
dos sprinklers abertas, o que certamente provocou a contaminação da água ao redor do sprinkler. 
Então, o vírus da hepatite entrou no encanamento da água potável. Na manhã seguinte, a pressão 
da água foi restabelecida no encanamento, e a água contaminada foi parar no final do ramal da 
tubulação, ou seja, no bebedouro do campo de futebol – todos os jogadores, treinadores, técnicos 
e quaisquer outras pessoas que beberam daquele bebedouro foram infectados com hepatite. 
Esse caso ilustra a clássica conexão cruzada, ou seja, o contato físico entre a água 
potável tratada e a contaminada e as consequências potencialmente graves dessas conexões. 
Um dos objetivos da engenharia ambiental é projetar sistemas para proteger a saúde 
pública. No caso de encanamentos, os engenheiros precisam projetar sistemas que evitem 
qualquer possibilidade de ligações cruzadas, embora, como o incidente de Holy Cross College 
demonstra, seja quase impossível prever todas as possibilidades. 
 
ANÁLISE, IMPLICAÇÕES E RESULTADOS DO SANEAMENTO AMBIENTAL 
Segundo OPAS (2007), saneamento básico é o conjunto de ações que se executam no 
âmbito do ecossistema humano para o melhoramento dos serviços de abastecimento de água, 
coleta de esgoto, o manejo dos resíduos sólidos, a higiene domiciliar e o uso industrial da água, 
em um contexto político, legal e institucional no que participam diversos atores do âmbito 
nacional, regional e local. O estudo ressalta que este conjunto de ações mantém uma inter-
relação permanente entre a gestão do saneamento básico e a saúde pública. 
Entende-se por saúde pública a ciência e a arte de promover, proteger e recuperar a 
saúde, através de medidas de alcance coletivo e de motivação da população. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 24 
É importante que estas ações estejam integradas às ações de organização territorial, do 
meio ambiente e moradia. A articulação destes setores com a área da saúde é fundamental para o 
alcance do desenvolvimento sustentável (LIMA; LIMA; OKANO, 2010). 
O direito à água potável não se alcançará somente com enfoques econômicos, mas 
requer também uma forte convicção moral com respeito a três valores fundamentais: liberdade, 
equidade e solidariedade com os menos privilegiados (OPAS, 2007). 
 
ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO 
É inegável a compreensão de que a melhoria da gestão do saneamento básico 
proporciona melhoria para a saúde e é essencial para a redução da mortalidade infantil. A gestão 
adequada do saneamento básico melhora as condições de saúde da população em especial das 
crianças que vivem nas regiões mais pobres das cidades onde as moradias são mais precárias e as 
condições do local são insalubres, aumentando a exposição das crianças a inúmeras ameaças. 
Segundo dados dos Indicadores e Dados Básicos – Brasil – IDB (2008), a mortalidade atribuível 
a diarreias agudas em crianças menores de 5 anos foi de 3,9% (média nacional), sendo que a 
região nordeste foi a mais afetada com 6,5% e a região sul apresentou o menor índice com 1,5%. 
No Brasil, as doenças diarreicas e as parasitoses estão entre as principais causas de 
morbidade em menores de 5 anos. Existe uma relação entre a oferta dos serviços de saneamento 
básico, Índice de Desenvolvimento Humano – IDH (engloba três dimensões: riqueza, educação e 
esperança média de vida e saúde). Locais com maior oferta de abastecimento de água potável e 
coleta de esgoto apresentam melhores níveis de IDH que são inversamente proporcionais à taxa 
de mortalidade infantil em menores de 5 anos. 
O impacto econômico decorrente das intervenções em saneamento básico pode 
representar redução dos casos de doença ou morte proporcionando economias em relação a 
necessidade de tratamento para o setor da saúde e também para os pacientes; valores 
relacionados às mortes evitadas e ao tempo economizado como também pela não necessidade de 
assistência médica de tempo de ausência em escola, trabalho, entre outros (LIMA; LIMA; 
OKANO, 2010). 
Vale destacar que os investimentos em saneamento têm um efeito direto na redução dos 
gastos públicos com serviços de saúde. Segundo Melo (2005), estudos da OMS – Organização 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 25 
Mundial de Saúde mostram que R$ 1,00 (um real) aplicado em Saneamento gera R$ 2,50 (dois 
reais e cinquenta centavos) de economia em saúde. 
 
ESTUDO DA LEI Nº 11.445/07 
A Lei nº 11.445, de 05 de janeiro de 2007, estabeleceu diretrizes nacionais para o 
saneamento básico, e determina que os municípios elaborem seus planos de saneamento dentro 
de uma visão integrada com a participação da sociedade. Estes planos devem abranger os 
serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana, limpeza urbana e 
manejo dos resíduos sólidos, a serem realizados de formas adequadas atendendo a saúde pública 
e a proteção do meio ambiente sob os seguintes princípios: 
 Universalidade 
Esse princípio visa garantir que todos tenham acesso aos serviços de saneamento básico, 
dentro do menor prazo possível. 
 Integralidade das ações 
Deve-se contemplar o conjunto de serviços de saneamento básico, atendendo a 
população conforme suas necessidades e objetivando obter o máximo de eficácia das ações e 
resultados. 
 Equidade 
O princípio da equidade enseja que todos recebam os serviços com o mesmo nível de 
qualidade sem que haja qualquer restrição ou discriminação, exceto quando se priorizar o 
atendimento à população de menor renda. 
 Integração 
Integrar os diferentes setores afins da área de saneamento tais como: desenvolvimento 
urbano; a saúde pública; áreas ambientais e de recursos hídricos; entendida como indispensáveis 
para se atingir o pleno êxito das ações. 
 Participação e controle social 
Garantir a participação popular como requisito indispensável para tornar legítima a 
consolidação das políticas públicas de saneamento. 
 Promoção da Saúde Pública 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 26 
Garantir que os serviços que integram o saneamento básico tenham qualidade e 
quantidade suficientes para a promoção da saúde pública e controle da poluição ambiental. 
 Promoção da Educação Sanitária e Ambiental 
Contemplar ações de educação sanitária e ambiental, de forma a disseminar 
comportamentos mais positivos quanto ao meio ambiente, e incorporar programas de 
comunicação social para atendimento ao cidadão. 
 Orientação pelas Bacias Hidrográficas 
Buscar a integração das infraestruturas e serviços de saneamento básico, com a gestão 
dos recursos hídricos pelas bacias hidrográficas do município. Esse princípio visa a melhoria da 
qualidade dos corpos d’água e a integraçãohomem, meio ambiente. 
 Sustentabilidade 
As tecnologias devem ser apropriadas a cada realidade do ponto de vista sociocultural e 
ambiental, de forma a se obter eficácia na utilização e operação das obras e serviços implantados 
e eficiência no processo de implementação com relação aos custos e ao cronograma físico e 
financeiro. 
 Proteção ambiental 
Garantir que os recursos hídricos terão capacidade de atender a demanda para o 
abastecimento de água da população, sem comprometer a manutenção dos ecossistemas locais. 
 Informação tecnológica 
Incorporar temas que apresentem viabilidade técnica e operacional, conciliando a gestão 
eficiente e economicamente viável. 
 Gestão pública 
Desenvolver gestão pública que contemple ações que envolvam a questão intersetorial e 
de entrelaçamento, bem como a adoção de políticas públicas específicas incluindo uma 
abordagem interdisciplinar. 
De acordo com a lei é de competência do titular a elaboração do Plano Municipal de 
Saneamento Básico – PMSB que poderá ser específico para cada serviço, desde que haja a 
consolidação e compatibilização dos planos específicos de cada serviço que deverão ainda ser 
compatíveis com o Plano de bacias hidrográficas em que estiverem inseridos. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 27 
O PMSB deve refletir as necessidades e os anseios da população, devendo, para tanto, 
resultar de um planejamento democrático e participativo para que atinja sua função social. O 
planejamento dos serviços integrantes do saneamento básico tem por finalidade a valorização, a 
proteção e a gestão integrada, assegurando a compatibilização com o desenvolvimento local e 
regional. 
Principais aspectos que devem ser englobados e/ou compatibilizados pelo PMSB: 
1) Com relação a preservação ambiental deve-se considerar: 
 preservação de nascentes; 
 preservação de cursos de água; 
 preservação de mananciais superficiais; 
 preservação de mananciais subterrâneos; 
 expansão sustentável das áreas urbanas; 
 plano de manejo integrado ecológico-econômico nas áreas de mananciais. 
 
2) Com relação a drenagem urbana e recuperação ambiental, deve-se considerar: 
 recuperação de cursos de água; 
 recuperação de áreas degradadas; 
 medidas de controle de enchentes; 
 identificação de famílias vivendo em áreas de risco socioambiental; 
 mitigação de riscos de inundação; 
 mitigação de riscos de deslizamento; 
 Mitigação de riscos de desabamento. 
 
3) Com relação à água e esgotamento sanitário, deve-se considerar: 
 universalização do Sistema de Coleta de Esgotos com incentivos para Ligações 
Intradomiciliares; 
 implantação e ampliação de Coletores, Interceptores e Estações de Tratamento 
de Esgoto; 
 universalização do Sistema de Abastecimento de Água; 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 28 
 implantação e ampliação de Redes, Reservatórios, Elevatórias e Reguladores de 
Pressão; 
 gestão eficaz dos recursos naturais minimizando as perdas e otimizando a 
distribuição da água; e, 
 qualidade dos efluentes de esgoto. 
 
4) Com relação ao Planejamento e Gestão de Resíduos Sólidos, deve-se considerar: 
 implantação de Programa de Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos; 
 inventário de Geradores de Resíduos Sólidos; 
 implantação de Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil; 
 programa de racionalização da geração e destinação de resíduos, incluído os de 
Tratamento de Água e Esgoto; 
 mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL e Cogeração de Energia; 
 implantação de Aterros Sanitários, Estações de Transbordo e Centrais de 
Reciclagem; 
 plano de Recuperação de Lixões e Aterros Controlados; 
 estudo de Tecnologias para Resíduos Sólidos e Efluentes; 
 integração com Programas de Interesse Social de Habitação, Emprego e Renda. 
 
Qualquer ação no campo do Saneamento Ambiental deve ser encarada como sendo uma 
ação social e coletiva, pois atende a população socializando seus efeitos positivos que são 
usufruídos por todos. 
Por essa natureza social e coletiva, é fundamental que sua promoção aconteça através de 
vários atores, cada qual cumprindo seu papel, seja ele o cidadão, a comunidade ou o Estado. 
O Saneamento Ambiental carrega na sua essência uma pluralidade de funções, pois ao 
mesmo tempo em que se trata de uma ação de saúde pública e proteção ambiental constitui-se 
também como bem de consumo coletivo, um serviço essencial ao ser humano e 
consequentemente um direito do cidadão e um dever do Estado. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 29 
Assim, visto por esse ângulo, as ações de saneamento se enquadram nas políticas 
públicas e sociais e sua promoção deve ser fruto de ações conjuntas entre a sociedade e o estado 
(LIMA; LIMA; OKANO, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 30 
CICLO HIDROLÓGICO 
 
Sabemos que a disponibilidade de água para sociedade é uma prioridade para 
continuação da vida na Terra! Ser a água tratada também é condição essencial para a qualidade 
de vida para evitar epidemias dentre outras justificativas. 
Na contramão dessas assertivas, temos o aumento da população em proporções 
preocupantes, pessoas vivendo em condições sub-humanas em várias partes do planeta, uso 
ainda irracional dos recursos naturais. Pois bem, neste momento, nosso objetivo é justamente 
analisar o tratamento de águas para que sejam oferecidas à população com toda qualidade 
possível. 
Enquanto Hidrologia é a ciência que estuda a água na Terra e procura responder à 
pergunta sobre o que ocorre com a água da chuva uma vez que atinge a superfície, a Engenharia 
Hidrológica é a aplicação dos conhecimentos da Hidrologia para resolver problemas 
relacionados aos usos da água, que muitos subsídios oferece ao trabalho do Engenheiro 
Ambiental. 
Relembremos rapidamente o ciclo hidrológico (ilustração abaixo) que é ponto de partida 
útil para o estudo do fornecimento da água. 
 
Ciclo hidrológico 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 31 
ANALISE DO CICLO HIDROLÓGICO 
 A água precipita das nuvens, infiltra-se no solo, escoa para correntes de águas 
superficiais, segue-se a evaporação e transpiração, voltando para atmosfera. 
 Precipitação é o termo aplicado para todas as formas de umidade originais na 
atmosfera que caem no solo (por exemplo, chuva, granizo e neve). A 
precipitação é registrada com medidores em milímetros de água. A quantidade 
de precipitação em uma determinada região é geralmente útil para estimativas de 
disponibilidade de água. 
 A evaporação e a transpiração são duas formas pelas quais a água retorna à 
atmosfera. 
 A evaporação acontece a partir de fontes de águas superficiais livres, e a 
transpiração é a perda de água das plantas para a atmosfera. Os mesmos fatores 
meteorológicos que influenciam a evaporação também influenciam o processo 
de transpiração: os raios solares, a temperatura ambiente, a umidade e a 
velocidade do vento, assim como a quantidade de umidade do solo disponível 
para as plantas – todos esses elementos causam impacto sobre a taxa de 
transpiração. Por ser tão difícil medir a evaporação e a transpiração 
separadamente, são geralmente combinadas em apenas um termo, a 
evapotranspiração, ou seja, a perda total de água para a atmosfera, tanto por um 
processo comopelo outro (VESILIND; MORGAN, 2011). 
 
A água da superfície da Terra exposta à atmosfera é chamada de água superficial, que 
inclui rios, lagos, oceanos, etc. Através do processo de percolação, algumas águas superficiais 
(especialmente durante a precipitação) são absorvidas pelo solo e se tornam águas subterrâneas; 
ambas podem ser utilizadas como fontes de abastecimento para as comunidades. 
Dentre os usos e importância da água, podemos citar: 
 abastecimento humano; 
 irrigação; 
 dessedentação animal; 
 geração de energia elétrica; 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 32 
 navegação; 
 diluição de efluentes; 
 pesca; 
 recreação e paisagismo; 
 a manutenção dos ecossistemas existentes em rios, lagos e ambientes marginais 
aos corpos d’água, como banhados e planícies sazonalmente inundáveis. 
 
Segundo Collischonn e Tassi (2011), os usos da água são normalmente classificados em 
consuntivos e não consuntivos. 
 Usos consuntivos alteram substancialmente a quantidade de água disponível 
para outros usuários. O uso da água para irrigação é um uso consuntivo, porque 
apenas uma pequena parte da água aplicada na lavoura retorna na forma de 
escoamento. A maior parte da água utilizada na irrigação volta para a atmosfera 
na forma de evapotranspiração. Esta água não está perdida para o ciclo 
hidrológico global, podendo retornar na forma de precipitação em outro local do 
planeta, no entanto, não está mais disponível para outros usuários de água na 
mesma região em que estão as lavouras irrigadas. 
 Usos não-consuntivos alteram pouco a quantidade de água, mas podem alterar 
sua qualidade. O uso de água para a geração de energia hidrelétrica, por 
exemplo, é um uso não-consuntivo, uma vez que a água é utilizada para 
movimentar as turbinas de uma usina, mas sua quantidade não é alterada. Da 
mesma forma a navegação é um uso não-consuntivo, porque não altera a 
quantidade de água disponível no rio ou lago. 
 
Os usos de água também podem ser divididos de acordo com a necessidade ou não de 
retirar a água do rio ou lago para que possa ser utilizada. Alguns usos da água que podem ser 
feitos sem retirar a água de um rio ou lago são a navegação, a geração de energia hidrelétrica, a 
recreação e os usos paisagísticos. Alguns usos da água que exigem a retirada de água, ainda que 
parte dela retorne, são o abastecimento humano e industrial, a irrigação e a dessedentação de 
animais. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 33 
 
TEMOS AINDA AS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS E SUPERFICIAIS. 
A água subterrânea é importante tanto como fonte direta como indireta para o 
abastecimento de água, uma vez que uma grande fração do fluxo para correntes de água é 
derivada das águas que estão abaixo da superfície. A água está presente tanto em locais próximos 
como afastados da superfície do solo. 
Na região perto da superfície da Terra, os poros (porosidade) do solo contêm água e ar. 
Essa região é conhecida como zona de aeração, ou zona vadosa. Ela pode apresentar espessura 
zero em áreas pantanosas e pode chegar a ter algumas centenas de metros de espessura em 
regiões mais áridas. A umidade da zona de aeração não pode ser aproveitada como uma fonte de 
água, pois fica presa às partículas do solo por forças capilares e não pode ser imediatamente 
liberada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abaixo da zona de aeração está a zona de saturação, na qual os poros estão cheios de 
água, em geral conhecida como água subterrânea. Uma camada que contém uma quantidade 
substancial de água subterrânea é chamada de aquífero, e a superfície dessa camada saturada é 
conhecida como lençol freático. Se o aquífero estiver em cima de uma camada impermeável, é 
chamado de aquífero livre. E se a camada contendo água estiver entre duas camadas 
impermeáveis, é conhecido como aquífero confinado. Este, às vezes, pode estar sob pressão, 
assim como em tubulações, e caso um poço esteja dentro de um aquífero confinado sob pressão, 
tem-se um poço artesiano. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 34 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As fontes de águas superficiais não são confiáveis como as de águas subterrâneas, pois 
as quantidades geralmente variam muito durante um período de um ano ou mesmo uma semana, 
e a qualidade das águas superficiais é facilmente degradável por várias fontes de poluição. A 
variação no fluxo da corrente ou curso de água pode ser tão grande que mesmo uma pequena 
demanda pode não ser atendida durante tempos de seca; portanto, devem ser construídos 
reservatórios para armazenar a água durante a época de chuva para que possa ser utilizada nos 
períodos de escassez. O objetivo é construir esses reservatórios suficientemente grandes para 
garantir fontes de água confiáveis (VESILIND; MORGAN, 2011). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 35 
DO TRATAMENTO E VIGILANCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA 
CONSUMO HUMANO 
 
 
UM POUCO DE HISTÓRIA 
Fazendo um recorte na história e nos situando em 1840, nessa época já havia referência 
que as epidemias de febre tifoide e de cólera em Londres estavam relacionadas com águas de má 
qualidade. Até o início do século XX não havia padrões de qualidade para a água potável. 
Um dos tratamentos mais antigos e eficazes é a fervura da água, porém, do ponto de 
vista prático, restrita a aplicação no âmbito das unidades residenciais. Em 1870, e durante alguns 
anos posteriores, o uso de filtros de areia e de outras técnicas de tratamento ainda visava 
melhorar o aspecto estético da água, eliminar o odor e melhorar o sabor. O avanço do 
conhecimento deu então lugar ao tratamento da água com vistas a proteção à saúde. 
De todo modo, a construção de um sistema completo de abastecimento de água requer 
muitos estudos e pessoal altamente especializado. 
Para iniciarem-se os trabalhos, é necessário definir-se: 
 a população a ser abastecida; 
 a taxa de crescimento da cidade; e, 
 suas necessidades industriais. 
 
Com base nessas informações, o sistema é projetado para servir à comunidade, durante 
muitos anos, com a quantidade suficiente de água tratada. 
Um sistema convencional de abastecimento de água é constituído das seguintes 
unidades: 
- captação; 
- adução; 
- estação de tratamento; 
- reservação; 
- redes de distribuição; 
- ligações domiciliares. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 36 
A seleção da fonte abastecedora de água é processo importante na construção de um 
sistema de abastecimento. Deve-se, por isso, procurar um manancial com vazão capaz de 
proporcionar perfeito abastecimento à comunidade, além de ser de grande importância a 
localização da fonte, a topografia da região e a presença de possíveis focos de contaminação. 
A captação pode ser superficial ou subterrânea. A superficial é feita nos rios, lagos ou 
represas, por gravidade ou bombeamento. Se por bombeamento, uma casa de máquinas é 
construída junto à captação. Essa casa contém conjuntos de motobombas que sugam a água do 
manancial e a enviam para a estação de tratamento. 
A subterrânea é efetuada através de poços artesianos, perfurações com 50 a 100 metros 
feitas no terreno para captar a água dos lençóis subterrâneos. Essa água também é sugada por 
motobombas instaladas perto do lençol d’água e enviada à superfície por tubulações. A água dos 
poços artesianosestá, em sua quase totalidade, isenta de contaminação por bactérias e vírus, 
além de não apresentar turbidez. 
O tratamento da água envolve o emprego de diferentes operações e processos unitários 
para adequar a água de diferentes mananciais aos padrões de qualidade definidos pelos órgãos de 
saúde e agências reguladoras. 
As exigências de qualidade da água evoluíram e prosseguem, em processo contínuo, 
acompanhando os avanços do conhecimento técnico e científico. Os padrões de qualidade 
tornam-se gradativamente mais exigentes. As tecnologias convencionais de tratamento, visando 
a clarificação e desinfecção da água, foram sendo aprimoradas, incorporando novas técnicas ou 
variantes, tais como a flotação, a filtração direta, a filtração em múltiplas etapas, além do 
emprego de novos desinfetantes (e, por conseguinte, a geração de novos produtos secundários de 
desinfecção). 
Em paralelo, o desafio da remoção de substâncias químicas e, mais recentemente de 
microcontaminantes, impôs o emprego/desenvolvimento de outras técnicas de tratamento como a 
adsorção em carvão ativado, a oxidação, a precipitação química e a volatilização, e de processos 
de separação por membranas (microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração e osmose reversa). 
Enfim, técnicas mais sofisticadas para a detecção e quantificação de substâncias e 
organismos diversos se mantêm em constante e rápida evolução. A detecção e quantificação de 
concentrações cada vez menores de contaminantes capazes de resultar em efeitos crônicos para a 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 37 
saúde, bem como o reconhecimento de novos patógenos de veiculação hídrica, tendem a 
diversificar e tornar mais rigorosos os padrões de potabilidade, impondo, concomitantemente, o 
desafio da inovação tecnológica no tratamento da água para consumo humano (CEBALLOS; 
DANIEL; BASTOS, 2009). 
Abaixo temos a ilustração de uma típica instalação para tratamento de água, onde por 
uma série de reatores ou operações unitárias, a água vai fluindo de um para outro e atinge seu 
objetivo final que é a água tratada (esquemas Sabesp-SP e Copasa-MG). 
 
Estação de tratamento de água – esquema Sabesp 
 
Fonte: Sabesp 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 38 
Estação de tratamento de água – esquema COPASA 
 
Fonte: Copasa-MG 
 
Dentre os processos de tratamento de água de captação superficial temos: 
 
a) Redução da dureza da água 
Em algumas águas (tanto superficiais quanto subterrâneas) é necessário reduzir sua 
dureza para que possam ser utilizadas como fonte de água potável. Essa dureza é causada por 
cátions multivalentes ou “minerais” como o cálcio, magnésio e ferro. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 39 
b) Coagulação e floculação 
Substâncias coagulantes são adicionadas na água com a finalidade de reduzir as forças 
eletrostáticas de repulsão, que mantém separadas as partículas em suspensão, as coloidais e 
parcela das dissolvidas. Desta forma, eliminando-se ou reduzindo-se a “barreira de energia” que 
impede a aproximação entre as diversas partículas presentes, criam-se condições para que haja 
aglutinação das mesmas, facilitando sua posterior remoção por sedimentação e/ou filtração. Os 
coagulantes mais utilizados são o sulfato de alumínio e o cloreto férrico, sais que, em solução, 
liberam espécies químicas de alumínio ou ferro com alta densidade de cargas elétricas, de sinal 
contrário às manifestadas pelas partículas presentes na água bruta, eliminando, assim, as forças 
de repulsão eletrostática originalmente presentes na água bruta. 
A floculação é o processo físico que promove a aglutinação das partículas já 
coaguladas, facilitando o choque entre as mesmas devido à agitação lenta imposta ao escoamento 
da água. A formação de flocos de impurezas facilitam sua posterior remoção por sedimentação 
sob ação da gravidade, flotação ou filtração. A floculação pode ocorrer por processos hidráulicos 
ou mecanizados 
 
c) Sedimentação ou Decantação 
É o processo no qual a força da gravidade é utilizada para separar as partículas de 
densidade maior que a da água, depositando-as em uma superfície ou zona de armazenamento. 
Os principais tipos de decantadores são os laminares ou de alta taxa e os convencionais de 
escoamento horizontal 
 
d) Flotação 
É o processo inverso ao da sedimentação, com o mesmo objetivo de separação das 
partículas floculentas da água em tratamento. Certos flocos (principalmente quando formados a 
partir de águas com alta concentração de algas ou de substâncias orgânicas de origem natural, 
conhecidas como substâncias húmicas), podem manifestar baixa velocidade de sedimentação, 
inviabilizando tal procedimento. Geralmente, para melhorar o rendimento do processo de 
flotação, agregam-se aos flocos, microbolhas de ar que aumentam a força de empuxo sobre os 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 40 
mesmos, facilitando sua ascensão e posterior remoção por rodos raspadores instalados na 
superfície da unidade. 
 
e) Filtração 
É o processo que remove as impurezas presentes na água bruta (filtração lenta); na água 
coagulada ou floculada (filtração rápida direta); ou na água decantada (filtração rápida) pela 
passagem destas em um meio granular poroso, geralmente constituído de camadas de 
pedregulho, areia e antracito (este último, comum nos filtros rápidos). 
Em relação ao sentido de escoamento e à velocidade com que a água atravessa a camada 
de material filtrante, a filtração pode ser caracterizada como lenta, rápida de fluxo ascendente ou 
rápida de fluxo descendente. A filtração direta tem sua denominação relacionada com a 
inexistência de unidade prévia de remoção de impurezas. 
 
f) Desinfeção 
Tem por finalidade a destruição de microrganismos patogênicos ou não presentes na 
água. As principais técnicas empregadas são a cloração, ozonização e a exposição da água à 
radiação ultravioleta. 
 
g) Correção de pH 
Método preventivo de corrosão dos encanamentos por onde a água tratada é veiculada 
até os consumidores. Consiste na alcalinização da água para remover o gás carbônico livre e para 
provocar a formação de uma película de carbonato na superfície interna das canalizações. 
 
h) Fluoretação 
Aplicação de compostos de flúor na água de abastecimento público, em teores 
controlados, função da temperatura ambiente. O flúor é eficiente na redução da incidência de 
cáries. 
A água captada através de poços profundos, na maioria das vezes, não precisa ser 
tratada, bastando apenas a desinfecção com cloro. Isso ocorre porque, nesse caso, a água não 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 41 
apresenta qualquer turbidez, eliminando as outras fases que são necessárias ao tratamento das 
águas superficiais (COPASA-MG, 2013). 
A seguir analisaremos uma pesquisa, sobre o tema, onde são apresentados diversos 
resultados de uma pesquisa-ação, destinada a avaliar o aprimoramento de práticas integradas à 
vigilância da qualidade da água para o consumo humano, bem como, suas potencialidades e 
desafios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 42 
O USO DA PESQUISA-AÇÃO PARA A AVALIAÇÃO E O 
APRIMORAMENTO DEPRÁTICAS INTEGRADAS PARA A 
VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO: 
potencialidades e desafios 
 
Ana Carolina Lanza Queiroz5 
Laís Santos de Magalhães Cardoso6 
Léo Heller7 
Sandy Cairncross8 
 
Este artigo9 apresenta as fases de uma pesquisa-ação empreendida para avaliar e 
aprimorar as práticas do Programa de Vigilância em Saúde Ambiental relacionada à qualidade da 
água para consumo humano (Vigiagua) em três municípios do estado de Minas Gerais, Brasil. 
Com o emprego do método qualitativo, objetivou-se detalhar os processos desencadeados 
durante as fases da pesquisa, problematizando-os metodologicamente e discutindo os desafios e 
potencialidades decorrentes da operacionalização do método. Constatou-se que a pesquisa-ação 
possibilitou a apropriação e o envolvimento dos sujeitos implicados na pesquisa; a criação de 
espaços intersetoriais, inter e intrainstitucionais; o estabelecimento de novas relações e a 
ampliação do conhecimento acerca do objeto trabalhado. Esses ganhos, possivelmente, 
transcenderão à própria pesquisa realizada. 
 
 
5Enfermeira, Mestre em Saúde Pública, Doutora em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela 
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
(PUC-Minas) - Belo Horizonte (MG), Brasil. 
6Enfermeira, Especialista em Saúde Coletiva e Mestranda em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela 
UFMG, bolsista do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG - Belo Horizonte (MG), Brasil. 
7Engenheiro Civil e Sanitarista. Doutor em Epidemiologia pela UFMG. Pós-doutor pela Universityof Oxford - 
Oxford, Reino Unido. Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 
Professor Associado do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG - Belo Horizonte (MG), 
Brasil. 
8Engenheiro de Saúde Pública. Doutor em Mecânica dos Solos pela Universityof Cambridge - Cambridge, Reino 
Unido. Professor da Faculty of Infectious and Tropical Diseases da London School of Hygiene & Tropical Medicine 
(LSHTM) - Londres, ReinoUnido. 
9Publicado na revista Engenharia Sanitária e Ambiental. Versão impressa ISSN 1413-4152. Eng. Sanit. 
Ambient. vol.17, no.3. Rio de Janeiro jul./set. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-41522012000300004. 
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-41522012000300004&lng=en&n 
rm =iso&tlng=pt>. Acesso em: 29 ago. 2013. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 43 
INTRODUÇÃO 
Lewin (1946/1948) descreve a pesquisa-ação como uma espiral de etapas, compostas 
por ciclos de planejamento, ação e descobertas resultantes dessa ação. Possibilita, também, a 
ampla e explícita interação entre o pesquisador e as pessoas envolvidas na situação investigada, 
resultando, de acordo com Thiollent (2008), na priorização de problemas a serem pesquisados e 
nas soluções a serem trabalhadas. De acordo com Engel (2000), devido à sua característica 
dinâmica, é possível intervir na prática de modo inovador, no decorrer do próprio processo, e 
"não apenas por meio de recomendações na sua etapa final, aprofundando em situações 
particulares, de forma interativa, repleta de ciclos de reajustes para uma reflexão e uma ação 
mais esclarecidas" (MORIN, 2004). No Brasil, este método vem sendo crescentemente utilizado 
em trabalhos que abordam questões educacionais (ABDALLA, 2005; GREENWOOD e LEVIN, 
2006; MELLO; MOYSÉS; MOYSÉS, 2010; PIMENTA, 2005), ambientais (CERATI e 
LAZARINI, 2009; REIGADA; TOZONI REIS, 2004), de saúde coletiva (GRITTEM et 
al., 2009; HOGA e REBERT, 2007), empresariais e organizacionais (CHIMENDES et al., 2008; 
MIGUEL, 2009), entre outras. 
A proposta deste artigo, de avaliação das fases de uma pesquisa-ação aplicada visando 
ao aprimoramento das práticas do Programa de Vigilância em Saúde Ambiental relacionada à 
qualidade da água para consumo humano (Vigiagua), adveio principalmente do reduzido número 
de artigos científicos que, apesar de utilizarem o método, raramente detalham o seu processo e o 
problematizam (ABDALLA, 2005; REASON, 2006). Geralmente, a literatura foca nos 
resultados e descreve de forma sucinta suas fases, ou o caminho trilhado pelos pesquisadores e 
colaboradores na condução da pesquisa, e tampouco trazem um olhar crítico sobre o processo em 
si. No entanto, corroboramos a afirmação de Duarte (2002) de que relatar procedimentos de 
pesquisa, mais do que cumprir uma formalidade, oferece a outros a possibilidade de refazer o 
caminho e, desse modo, avaliar com mais segurança seus achados. 
Com início em outubro de 2008, e finalizada em junho de 2011, a pesquisa-ação em 
pauta partiu de uma demanda da Coordenação Geral de Vigilância em Saúde Ambiental 
(CGVAM) do Ministério da Saúde (MS) que objetivou aprimorar e fortalecer as ações de 
vigilância da qualidade da água para consumo humano (Vigiagua) a partir de articulações entre 
esse e demais departamentos que constituem a Vigilância em Saúde (Vigilância Epidemiológica 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 44 
principalmente) e entre os diferentes setores (Educação, Saúde, Meio Ambiente, Recursos 
Hídricos etc.) que compõem o escopo organizacional na instância dos municípios. A interface 
interdisciplinar, intersetorial e interdepartamental almejada revela-se extremamente importante 
no nível municipal, executor, uma vez que constitui princípio para se atingir o pleno êxito das 
ações de saúde, por natureza, complexas. Nesse contexto, pode-se projetar uma dupla 
fecundação: o campo da saúde pode fornecer dados importantes para nortear as ações prioritárias 
para a vigilância da qualidade da água para consumo humano em dada localidade, como dados 
de morbimortalidade e características da população, alimentando uma avaliação de risco, e, por 
sua vez, a vigilância da qualidade da água pode fornecer informações sobre potenciais perigos 
inerentes às diversas formas de abastecimento de água para essa população. Em síntese, partiu-se 
do pressuposto de que essa articulação é necessária e desejável e que sua materialização poderá 
ampliar a efetividade das ações, redundando em melhor saúde para a população, uma vez que 
poderá reduzir riscos e perigos advindos do consumo de água. 
Para facilitar a avaliação e a discussão sobre cada uma das etapas da pesquisa-ação 
empreendida, optou-se por discuti-las por fases, com base em Thiollent (2008): exploratória, 
principal, de ação e de avaliação. As ações executadas em uma etapa preliminar às supracitadas 
envolveram reuniões e contatos com as Secretarias Estadual e Municipais de Saúde, seleção dos 
municípios, construção dos roteiros de entrevistas, sua aplicação em projetos-piloto e posterior 
adequação para aplicação nos campos selecionados. Portanto, embora esta fase preliminar 
componha fase estruturante do processo da pesquisa, não constituiu objetivo deste trabalho 
explorá-la. Cumpre ressaltar que o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade Federal de Minas Gerais, Parecer nº 431/08. 
O presente artigo apresenta as fases dessa pesquisa-ação detalhando os processos e os 
problematiza com a finalidade de discutir os desafios e as potencialidades de sua aplicação em 
pesquisas que envolvem diferentes atores, na construção conjunta de instrumentos de 
intervenção, visando, assim, ao aprimoramento de práticas. 
 
PERCURSO METODOLÓGICO 
Optou-se por uma abordagem detalhada em três cenários, municípios com diferentes 
portes populacionais: pequeno, médio e grande, respectivamente menor que 20.000 habitantes, 
 
Este módulo deverá ser utilizadoapenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 45 
com população entre 20.000 e 100.000 e município com população maior que 500.000 
habitantes. Entre os municípios que atenderam aos critérios previamente estipulados, como 
integrar a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), possuir Estratégia Saúde da 
Família implantada e presença de Vigilância em Saúde Ambiental relacionada à qualidade da 
água para consumo humano e de Vigilância Epidemiológica atuantes. Ademais, por se 
constituírem, segundo a Secretaria de Saúde do Estado (SES-MG), localidades com melhor 
desempenho do Vigiagua na RMBH, foram selecionados aqueles municípios em que, após a 
exposição do problema e objetivos da pesquisa-ação, técnicos e gestores demonstraram interesse 
pela proposta e se prontificaram a participar da pesquisa. A Tabela 1 apresenta algumas 
características das localidades no que se refere ao porte populacional, área da unidade territorial, 
população, índice de desenvolvimento humano (IDH), principal atividade econômica, cobertura 
do Sistema de Abastecimento de Água. 
 
 
Na tentativa de problematizar a pesquisa-ação empreendida, lançando um olhar crítico 
sobre o caminho percorrido, empregou-se o método qualitativo, que melhor contempla o objeto e 
os objetivos desta investigação. Segundo Minayo e Sanches (1993, p. 247), a investigação 
qualitativa vislumbra "aprofundar a complexidade de fenômenos, fatos e processos particulares e 
específicos de grupos". Assim, procedeu-se à análise de documentos e arquivos em audiovisual 
produzidos em cada fase da pesquisa-ação, a saber: entrevistas transcritas, atas de reuniões, 
textos transcritos de vídeo-filmagens e anotações realizadas em diário de campo pela equipe de 
pesquisa nas reuniões e seminários, e durante a observação participante. Estes conformaram 
o corpus, ou seja, constituíram-se material de análise (BAUER e AARTS, 2006, p. 44-45). 
Os aspectos avaliados a partir desses elementos podem ser sintetizados nas seguintes 
perguntas norteadoras, as quais o presente trabalho tenciona responder e/ou discutir: 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 46 
a) A pesquisa-ação favoreceu a participação e o envolvimento/compromisso dos atores 
participantes?; 
b) Obteve-se êxito, ou seja, o objetivo primeiro de elaborar e testar procedimentos para 
integração entre vigilâncias visando ao aprimoramento de práticas foi atingido? 
c) Quais os desafios encontrados durante a operacionalização da pesquisa-ação? E quais 
as potencialidades do emprego do método? 
 
O CAMINHO PERCORRIDO: FASES DA PESQUISA-AÇÃO 
FASE EXPLORATÓRIA 
A fase exploratória, definida também como fase de identificação ou contextualização, 
teve como objetivo estabelecer um primeiro contato com a situação dos municípios participantes. 
Constituiu-se etapa essencial, uma vez que possibilitou identificar as formas de atuação do 
Vigiagua, principalmente, e também da Vigilância Epidemiológica, da Vigilância Sanitária e 
Zoonoses, inseridas na Vigilância em Saúde nos contextos selecionados para o trabalho, bem 
como conhecer os atores-chave na esfera municipal, referidos por Greenwood e Levin (2006) 
como colaboradores locais. 
Primeiramente, foram definidos por meio de reuniões com os coordenadores da 
Vigilância em Saúde e, no caso dos municípios de menor porte, diretamente com os secretários 
de saúde, os informantes-chave - atores que integrariam o núcleo da pesquisa juntamente com os 
pesquisadores - constituídos, nas três localidades pesquisadas, por técnicos e coordenadores das 
Vigilâncias Ambiental e Epidemiológica. O perfil desses informantes-chave compreendia 
homens e mulheres, servidores públicos efetivados, com tempo mínimo de 5 anos e máximo de 
30 anos de atuação na rede municipal de saúde, residentes no município em que trabalhavam. O 
nível educacional dos informantes-chave abrangia ensino médio, técnico profissionalizante e 
ensino superior - sendo identificadas graduações em Ciências Biológicas, Engenharia Química, 
Odontologia, Gestão Ambiental, Nutrição e Pedagogia -, especialização e mestrado (nas áreas de 
Gestão Ambiental, Engenharia Elétrica e Ciências Biológicas). Identificou-se que, nos 
municípios de médio e grande porte populacional, os profissionais atuavam exclusivamente na 
Vigilância em Saúde Ambiental. No município de menor porte, o técnico respondia também 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 47 
pelas ações de Vigilância Sanitária, na qual, diferentemente dos outros municípios, se inseria o 
Vigiagua. 
Após encontros e reuniões informais, que permitiram o acesso dos pesquisadores ao 
universo dos participantes, com a finalidade de se discutir as principais questões referentes ao 
objeto da pesquisa, ou seja, a construção conjunta de instrumentos de trabalho que 
potencializariam o planejamento e a atuação integrada do Vigiagua com demais departamentos e 
setores, foram realizadas entrevistas com cada informante-chave identificado. Assim, por meio 
de um roteiro semiestruturado foram exploradas questões referentes aos bancos de dados 
utilizados no município e análise de como esses dados eram tratados - nível de cobertura, nível 
de desagregação dos dados, formas de publicização, notificação de ocorrências, referência e 
contrarreferência - e transformados em informações para desencadear ações. No que se 
constituiu uma avaliação inicial, a análise das respostas revelou persistirem dificuldades para 
cadastramento e vigilância a instalações de abastecimento de água, a não realização de séries 
temporais, a deficiência de instrumentos de georreferenciamento e, ainda, a integração incipiente 
entre os diferentes departamentos e setores. Verificou-se, por exemplo, que a integração entre a 
prática dos profissionais do Vigiagua e da Vigilância Epidemiológica é incipiente nos três 
municípios, restringindo-se basicamente a situações de surto. Os resultados das entrevistas foram 
compilados e apresentados pelos pesquisadores aos núcleos de pesquisa constituídos em cada um 
dos municípios com o objetivo de possibilitar a discussão acerca das questões a serem tratadas 
nos seminários previstos, os potenciais participantes e os possíveis encaminhamentos e condução 
do pensamento do grupo, visando à programação das ações consideradas prioritárias, discussão 
de sua importância para o serviço, aplicabilidade e exequibilidade. Os insiders, forma como 
Greenwood e Levin (2006) se referem aos atores componentes dos grupos constituídos (núcleos 
de pesquisa), possuem um conhecimento mais abrangente e de longa data dos problemas em 
questão e dos contextos nos quais estes ocorrem e, além disso, sabem como e com quem buscar 
informações adicionais. Duarte (2002) refere-se à importância desse contato com o "ego focal", 
ou seja, o sujeito que dispõe de informações a respeito do segmento em estudo, capaz de 
"mapear" o campo de investigação, decodificar suas regras, indicar pessoas com as quais se 
relacionar naquele meio e sugerir formas adequadas de abordagem. Portanto, reitera-se a 
importância de sua identificação no início do desenvolvimento da pesquisa, por meio da 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 48 
indicação dos coordenadores, inserção no ambiente de trabalho que se deseja explorar e vivência 
com os profissionais que ali atuam. 
 
FASE PRINCIPAL: O PLANEJAMENTO DA AÇÃO 
Partindo da avaliação inicial sobre a realidade dos serviços em cada uma das 
localidades, obtida na fase exploratória, e tendo como referência a possibilidadedo planejamento 
integrado baseado nos dados das vigilâncias, para desencadeamento de ações intradepartamental 
e intersetorial, conduziu-se o seminário central em cada município. Este reuniu equipe e núcleo 
de pesquisa e demais atores indicados pelo núcleo, designados como colaboradores locais, 
implicados na construção conjunta dos instrumentos de integração almejados, conformando um 
grupo multidisciplinar composto por: referências técnicas do Vigiagua, da Vigilância 
Epidemiológica, da área de Meio Ambiente, da Educação em Saúde e da Atenção Básica, 
integrantes dos distritos sanitários e da concessionária de abastecimento de água (COPASA), 
vereadores municipais, Secretários de Saúde e, também, das referências técnicas do Vigiagua 
vinculadas à Gerência Regional de Saúde e à Secretaria de Saúde do estado de Minas Gerais. 
As informações coletadas nas entrevistas e reuniões com os informantes-chave (fase de 
avaliação) foram apresentadas, nos seminários centrais, pelos pesquisadores ao grupo com o 
auxílio de recursos visuais (data-showe cartazes). Posteriormente, o espaço foi aberto para 
discussão e os participantes, por meio de intervenções verbais e por escrito, puderam delinear as 
ações necessárias para o alcance da integração intradepartamental e intersetorial almejadas. 
Posteriormente, foram estimulados a elaborar em grupos os planos de ação, englobando 
objetivos, etapas a serem cumpridas e estratégias para alcançá-los, os atores e os departamentos 
responsáveis bem como os prazos para sua execução. Dessa maneira foi possível traçar as 
prioridades de ação objetivando a integração entre a saúde e a Vigilância em Saúde Ambiental 
relacionada à qualidade da água para consumo humano, de forma a potencializar o envolvimento 
dos outros departamentos abrangendo, também, os setores considerados, pelo grupo, como 
corresponsáveis pela saúde da população. Após a apresentação dos planos de ação por um 
representante de cada grupo, adequações foram discutidas entre os presentes na busca por um 
consenso por todo o grupo. Um cronograma de atuação foi então elaborado e a forma e a 
frequência para os momentos de avaliações do plano de ação pactuados. Ocorreu, assim, o que 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 49 
Barbier (2002, p. 118) refere como "contratualização", ou seja, uma espécie de contrato que 
define ações e papéis a serem desempenhados pelos participantes do processo. 
Importante ressaltar que o acesso por esses participantes às informações geradas e 
pactuadas no seminário constituiu ponto crucial. De acordo com Thiollent (2008), estas devem 
estar disponibilizadas de modo adequado a uma fácil consulta por parte de qualquer participante. 
Foram, portanto, disponibilizadas em forma de um "quadro de ações", em que constavam a 
problemática, ou questão sobre a qual se desejava atuar, o objetivo que se buscava atingir, ação 
ou estratégia necessária para alcançá-lo, responsável pela ação e as formas de avaliação. Além de 
apresentado e discutido no seminário, uma ata contendo este "quadro de ações" foi encaminhada 
para o contato eletrônico dos participantes. 
Para maior compreensão, o Quadro 1 ilustra uma das ações pactuadas no seminário 
central realizado no município de maior porte populacional. 
 
 
 
Conhecer o desejo de se trabalhar de forma multidisciplinar e as modalidades de 
atuação a serem executadas no contexto de cada localidade, promovendo a democracia 
participativa (GREENWOOD; LEVIN, 2006), também constituíram objetivos desse espaço de 
comunicação, considerado por Kemmis (2001) uma forma de ação para encorajar, desenvolver e 
manter fóruns abertos de diálogo. O autor julga a formação desse locus de atuação um resultado 
mais importante que a resolução do problema em si. É neste espaço coletivo e democrático que 
os atores podem contrapor desejos e ideias com possibilidades reais de intervenção sobre as 
situações a serem enfrentadas, e partir para a elaboração do almejado plano de ação (WICKS; 
REASON, 2009). 
No caso específico desta pesquisa-ação, no que se refere às ações pactuadas, 
identificou-se nos três municípios a necessidade de aprimoramento das notificações das doenças 
pelos profissionais de saúde, principalmente da atenção básica, ou seja, na ponta do serviço. A 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 50 
capacitação dos agentes comunitários de saúde e de endemias, bem como de médicos, 
enfermeiros e demais profissionais que atuam na área da saúde sobre a importância do Vigiagua 
e sua atuação no município e a importância da Monitorização das Doenças Diarreicas Agudas 
(MDDA), também foram considerados, pelos participantes, aspectos de grande relevância para o 
êxito do trabalho. Paralelamente, o uso de instrumentos de Sistema de Informação Geográfica 
(SIG) também foi apontado como primordial para a construção de instrumentos visando ao 
planejamento conjunto das diferentes vigilâncias. A reestruturação do Vigiagua indicada em dois 
dos municípios, a qual compreende contratação de mais funcionários, instituição da cultura de 
utilização dos dados para subsidiar ação do departamento, maior aporte de recursos financeiros, 
definição de indicadores para delinear o trabalho, também foi apontada como condicionante para 
a continuidade do trabalho, pelo fato de ser esse departamento o articulador do processo de 
planejamento integrado. 
 
FASE DE AÇÃO 
A fase de ação ou de implementação dos instrumentos elaborados objetivou testar 
estratégias e suas implicações no contexto político de cada município. Parte dos registros sobre a 
situação em que se deseja intervir (fase exploratória) e, após discussões e acordos entre os 
participantes, gera pactos de ação (fase de planejamento), que, quando colocados em prática 
(fase de ação), são continuamente avaliados na fase subsequente, de avaliação. Esta etapa não 
prevê a participação direta da equipe de pesquisadores na execução do plano de ação 
(THIOLLENT, 2008). No entanto, foram realizadas reuniões periódicas com o intuito de 
acompanhar o trabalho e oferecer suporte, quando e se necessário - o que foi verificado com 
mais frequência nos municípios de maior e de menor portes. 
O registro das ações (ou os porquês de sua não completude e até mesmo a ausência de 
atuação) constitui instrumento preciso para participantes e pesquisadores, pois, por meio deste, é 
possível avaliar de forma minuciosa o trabalho realizado, possibilitando, ainda, discutir reajustes 
e direcionamentos. Nesse sentido, um roteiro pré-elaborado auxiliou a realização de ciclos 
avaliativos, referentes à fase de ação, que aconteceram periodicamente e intercaladamente com o 
afastamento da equipe de pesquisa para que a ação pudesse ser efetivada pelo núcleo e seus 
colaboradores. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 51 
Esses ciclos de avaliação foram realizados com o intuito de confrontar o que havia sido 
pactuado e o que havia sido, de fato, cumprido. Assim, a partir das discussões geradas nessas 
reuniões com o núcleo e os colaboradores abriam-se, novamente, espaços para a ação. Nesse 
contexto, o diário de campo e os registros em audiovisual das conversas revelaram-se 
instrumentos úteis, pois, a partir deles, os pesquisadores puderam refletir sobre assuntos 
discutidos em reuniões e encontros informais, identificar possíveis desvios da ação, questionar o 
que estava sendo realizado, pontuar medidas que foram acordadas após encontros com o núcleo 
da pesquisa, além de facilitar a redação das atas, encaminhadas periodicamente aos participantes. 
Outro instrumento interessanteconsistiu na elaboração de linhas do tempo, que objetivaram 
demonstrar linearmente o caminho (nem sempre tão linear) traçado. Ressalta-se, ainda, uso do 
correio eletrônico para realização de contato com o núcleo da pesquisa e os colaboradores, 
possibilitando o agendamento de reuniões, envio de atas, lembretes referentes aos 
encaminhamentos oriundos das reuniões e oficinas, objetivando o engajamento do grupo. 
É preciso alertar que a fase de ação pode, por vezes, se estender por um período maior 
que o previsto. A experiência de atuação em três municípios diferentes permitiu aos 
pesquisadores identificar que planos de ação nem sempre encontram seus correspondentes na 
prática, sendo alguns dos entraves apresentados e discutidos na seção: desafios e possibilidades. 
 
FASE DE AVALIAÇÃO 
Etapa obrigatória e contínua no processo de pesquisa-ação, a fase de avaliação apresenta 
como objetivos principais verificar os resultados das ações no contexto organizacional da 
pesquisa e suas consequências a curto e médio prazo (KRAFTA et al., 2007). Traduz a 
necessidade de se conhecer o desenrolar das ações propostas no cotidiano do serviço focalizando 
os principais obstáculos e desafios encontrados para a sua sedimentação. Há, de acordo com 
Thiollent (2008), um considerável interesse dos pesquisadores no que diz respeito à prática dos 
atores da situação que, juntos, desvelam as condições da ação. Ao confrontar os objetivos 
almejados na fase principal (ou de planejamento) com a prática do serviço após a ação, é 
possível identificar os nós críticos e readequar e/ou reformular as propostas de intervenção. É 
possível, ainda, refletir sobre a não ação. Importante ressaltar que a fase de avaliação está 
intimamente relacionada à fase de ação sendo sua dissociação praticamente imperceptível. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 52 
Um dos instrumentos utilizados para avaliar juntamente com os atores-chave o processo 
de trabalho desencadeado após o seminário de planejamento foi um roteiro direcionado, 
apresentado no Quadro 2. Teve como objetivo contrastar as pactuações realizadas na fase de 
planejamento com as ações executadas dentro de um período de tempo estipulado. 
 
 
 
No caso particular dessa pesquisa, definiu-se que as avaliações ocorreriam 
respectivamente, 2, 6 e 10 meses após a realização do primeiro seminário. Além de reuniões 
periódicas com o núcleo da pesquisa, objetivando avaliações conjuntas do trabalho desenvolvido, 
outros três seminários foram realizados em cada um dos municípios, envolvendo todos os 
colaboradores. Reason (2006) afirma que as questões práticas da pesquisa-ação são geralmente 
abordadas em ciclos de ação e reflexão, nos quais os resultados de cada ciclo, utilizados para 
contextualizar o momento, são confrontados com os planos e as intenções previamente 
estipulados. Assim, em todo encontro avaliativo os participantes eram incitados a realizar uma 
contextualização e uma confrontação a partir, respectivamente, das perguntas "Onde chegamos?" 
e "Onde gostaríamos de ter chegado?". Portanto, esses encontros seguiram uma mesma linha 
estrutural (ou desenho metodológico), composta por contextualização, confrontação entre as 
ações planejadas e alcançadas e avaliação. 
A partir dessa avaliação em conjunto, novos passos e propostas, ou correções do 
percurso, bem como o cronograma para a sua execução, foram discutidos, gerando a referida 
espiral de etapas (Lewin, 1946/1948) que estimula o processo contínuo de execução, observação, 
avaliação e recondução. É plausível afirmar, portanto, que a fase de avaliação constitui o alicerce 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 53 
de todo o trabalho, uma vez que permite cotejar planos e ações, teoria e prática, ações e reações. 
Para além desses espaços, os momentos avaliativos também aconteceram em encontros pontuais 
e reuniões que não contaram com a participação de todos os envolvidos, uma vez que tinham 
como foco as ações que não remetiam ao coletivo, mas somente ao núcleo de pesquisa como, por 
exemplo, o levantamento de dados sobre soluções alternativas de abastecimento de água. 
A observação participante complementou o processo avaliativo, permitindo contrastar 
as questões discutidas nos seminários e nos encontros pontuais com a forma de atuação e 
comprometimento dos envolvidos. A partir dos registros realizados nos diários de campo, foram 
pontuadas questões que também incitaram a reflexão por parte dos envolvidos na pesquisa-ação. 
O cronograma de execução das fases da pesquisa-ação, bem como as técnicas utilizadas 
e o período para sua execução, é apresentado na Tabela 2. 
 
 
 
DESAFIOS E POSSIBILIDADES 
Por ser mais dialógico do que outros métodos de pesquisa, a pesquisa-ação pode parecer 
menos precisa e menos objetiva. No entanto, a discussão e a participação dos pesquisadores e 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 54 
dos colaboradores em diversas estruturas coletivas (seminários, grupos, oficinas etc.) não são em 
si próprias nocivas à objetividade (THIOLLENT, 2008). Para Barbier (2002), uma das maneiras 
de assegurar o rigor científico na pesquisa-ação permeia a coerência lógica empírica e política 
das interpretações propostas nos diferentes momentos. Assim, salientando-se a sua flexibilidade 
intrínseca, a formulação do método deve ser o mais transparente possível. 
Entretanto, é justo salientar que a pesquisa-ação não pertence ao pesquisador, e, por 
esse motivo, não depende apenas da sua vontade de gerar resultados imediatos e eficientes. A 
criação de espaços democráticos, em si, requer tempo e disponibilidade consideráveis de ambas 
partes (REASON, 2006). É possível, no entanto, elencar fatores que influíram - positiva ou 
negativamente - no processo de transformar a ação, como, por exemplo, o tamanho do 
município, o número de profissionais engajados e seus respectivos interesses, as relações 
interpessoais e, ainda, as relações de poder existentes nos contextos a serem modificados. Na 
fase exploratória, a forma como o pesquisador abordou cada um dos participantes, a aceitação 
(ou não) de implementação do projeto, os desejos e o momento vivenciado por cada um dos 
colaboradores influenciaram sobremaneira no processo. Outro fator relevante identificado foi o 
grau de instrução dos entrevistados, que despontou como um dos fatores que mais influenciou na 
coleta dos dados e, consequentemente, na desenvoltura nos encontros promovidos, ora na 
exposição das ideias, ou na proposição de ações. Constatou-se que mesmo com a adequação dos 
questionários, realizada após aplicação em dois projetos-piloto, o entendimento e fluidez das 
questões variaram conforme a escolaridade e/ou experiência dos informantes-chave. Os 
profissionais mais articulados ou mais experientes em sua área de atuação se sentiram mais à 
vontade para discutir as questões, facilitando a análise dos discursos e o traçamento dos 
objetivos, bem como a indicação de colaboradores e propostas de discussão para os seminários. 
Identificou-se que aqueles profissionais que, de certa forma, se sentiram avaliados pelos 
pesquisadores durante as entrevistas responderam às questões de forma lacônica evitando, assim, 
um debate, supostamente mais produtivo para o trabalho conjunto. 
Reason (2006) se refere a esse risco de os colaboradores adotarem posturas defensivas 
frente ao novo, ao diferente. Nesse sentido, Thiollent (2008) alerta para o risco de o pesquisador 
não perceber as 'jogadas' argumentativas dos vários parceiros e assimilar o que é dito como 
simples e fiel expressão da'realidade' ou 'verdade'. Entretanto, comprovou-se possível identificar 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 55 
aqueles discursos que focalizam os problemas/questões de forma muito idealizada uma vez que 
contradições vieram a ocorrer durante uma mesma entrevista ou por meio da observação 
participante, ao que Reason (2006) se refere como "os aspectos inicialmente amorfos e 
incipientes que vão se desvelando no decorrer do processo". 
Portanto, reitera-se a necessidade de imersão na realidade que se pretende atuar, por 
meio de aproximações paulatinas para conhecimento da realidade investigada e estabelecimento 
de relações de confiança entre colaboradores e pesquisadores. No contexto dessa pesquisa-ação, 
foi preciso criar relações com o grupo de atores que foram ao encontro tanto do interesse da 
pesquisa como dos envolvidos estabelecendo, já no início do processo, "espaços de comunicação 
abertos para a interação", conforme enfatizam Wicks e Reason (2009). Traçando um paralelo 
com a nossa experiência, pode-se afirmar que os seminários, oficinas e reuniões constituíram 
espaços que propiciaram essa troca de informações, discussão e avaliação das possíveis ações de 
enfrentamento tornando possível estabelecer parcerias intersetoriais e multidisciplinares que, de 
alguma maneira, contribuíram para o êxito dos objetivos e metas traçados. A observação 
participante também constituiu momento propício para troca de ideias e informações, em um 
ambiente menos formal, potencializando uma relação de parceria entre os pesquisadores e os 
participantes da pesquisa-ação. 
O fato de a ação ser dinâmica no tempo e espaço implica que as formas de contribuição 
e propostas acordadas na fase de planejamento devem ser flexíveis, transformando os 
responsáveis pela ação em agentes críticos e avaliadores, uma vez que os enfoques necessários 
são moldados pelo contexto de atuação. No entanto, identificou-se nos municípios estudados 
que, não raro, as propostas de ação tenderam a se encerrar no núcleo diretamente interessado na 
mudança (núcleo da pesquisa). Reitera-se, assim, a importância da definição dos colaboradores 
para o bom andamento do trabalho, priorizando a participação de atores diretamente inseridos na 
prática do serviço e que podem contribuir com maior propriedade para as questões levantadas, de 
forma que o plano de ação seja o mais factível possível. Com efeito, observou-se que o trabalho 
com um número menor de colaboradores possibilitou uma atuação mais coesa e concisa e, 
potencialmente, mais efetiva. 
Com o avanço das discussões foi possível perceber uma paulatina apropriação do 
processo (e sua valorização) pelos participantes - diretos e indiretos - da pesquisa. Constatou-se, 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 56 
por exemplo, que os atores que compuseram os núcleos da pesquisa nos municípios de grande e 
pequeno portes passaram a assumir a ação pactuada, vislumbrando caminhos para seu êxito e 
envolvendo, de maneira autônoma (ou seja, sem o "aval" dos pesquisadores), novos 
colaboradores. Identificou-se, a partir de mudanças na forma com que os atores se referiam ao 
processo, que esse despertamento decorreu do entendimento de que sua finalidade ou interesse 
maior remete ao serviço, e não à pesquisa executada. 
Entretanto, foi possível destacar, em alguns momentos, a resistência para o trabalho 
impostas por aqueles profissionais, tanto membros do núcleo de pesquisa como colaboradores, 
que se julgaram desestimulados e desempoderados. Constatou-se que, por vezes, o andamento da 
pesquisa não seguiu o planejado, entremeando-se a momentos em que o desenrolamento das 
propostas não acontecia, geralmente devido às ações prioritárias das agendas municipais, como 
combate à dengue, epidemia de gripe suína, vacinação H1N1. Essa "não ação", conforme 
definido por Davis (2007), também consistiu, portanto, em resultado a ser avaliado pelos 
participantes e pesquisadores, uma vez que envolveu variáveis distintas - institucionais, 
profissionais, pessoais - que comprometeram os resultados almejados pela pesquisa. 
Assim como as ações, as "não ações" foram discutidas e avaliadas pelo grupo, 
identificando-se justificativas para as barreiras impostas no contexto particular do município. 
Entre as justificativas foram elencadas a congestionada agenda de trabalho dos técnicos, recursos 
humanos, tecnológicos, físicos e financeiros insuficientes, a hierarquia municipal e o 
compromisso político (ou sua inexistência). Formas inovadoras de atuação também foram 
relatadas por alguns atores como possíveis geradoras de resistência, uma vez que barreiras 
institucionais e pessoais podem intervir neste momento de mudanças. Ademais, não se pode 
ignorar a existência de prazos que devem ser cumpridos pelos pesquisadores envolvidos em 
projetos, e que atendem datas-limite relacionadas a financiamentos ou prazos acadêmicos, e 
pelos próprios participantes, que precisam vislumbrar desfechos que estimulem a continuidade 
do processo de trabalho. Conforme apontado por um participante em um dos seminários 
realizados, "o tempo do município é diferente", justificando, assim, o prazo despendido para a 
implementação das ações pactuadas, relacionada à agenda interna do serviço, disponibilidade de 
participação ou imprevistos de qualquer ordem. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 57 
Por fim, e não menos importante, é preciso estar atento para o fato de o afastamento da 
equipe de pesquisa potencialmente implicar em postergação, ou mesmo no encerramento das 
ações pactuadas. Observou-se, mais claramente nos municípios de pequeno e médio portes que 
os períodos de afastamento da equipe de pesquisa pode ocasionar a restauração da prática 
anteriormente adotada pelos profissionais do serviço. Uma possível explicação para esse 
distanciamento do objeto pelos profissionais que, a priori, aceitam participar do processo de 
implementação de novos instrumentos e estratégias, talvez esteja relacionada ao fato de os 
pesquisadores atuarem como propulsores da ação pactuada, seja cobrando pela atuação, 
discutindo os desafios encontrados ou buscando novas formas de ação juntamente com os 
profissionais. A priorização de instrumentos de comunicação que habilitem a formação de 
coalizões, bem como de canais de comunicação permanentes mostrou-se necessária. Entretanto, 
é importante salientar que o uso de correio eletrônico como instrumento de contato não 
correspondeu à dinâmica de comunicação esperada, o que pode ser atribuído à falha do 
instrumento, ou mesmo à cultura de uso da ferramenta visto que pequena parte dos participantes 
interagiu com a equipe de pesquisa utilizando tal recurso. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A experiência descrita permite constatar que a pesquisa-ação aponta para uma nova 
realidade, não presente anteriormente ao seu desenvolvimento, por meio de uma forma de 
interação que busca inovar. Constatamos que a proposta de implementação de novos 
instrumentos e estratégias de trabalho pode sim ser favorecida por esse método, que envolve os 
profissionais e demanda por seu comprometimento. O objeto de pesquisa passa, então, a 
pertencer ao grupo, e não mais ao pesquisador, que - por vezes - somente observa. Pode-se 
afirmar que o objetivo inicialmente almejado, de aprimorar e fortalecer as ações de vigilância da 
qualidade da água para consumo humano a partir de articulações entre os departamentos que 
constituem a Vigilância em Saúde e entre os diferentes setores que compõem o escopo 
organizacional na instância dos municípios, foi apenas parcialmenteatingido. No entanto, o 
método propiciou avaliações ricas para se aprofundar nas reais questões que implicam 
dificuldades para se articularem departamentos e setores, questões institucionais e próprias do 
contexto de atuação que podem definir se determinada ação logrará êxito. Possibilita, ainda, 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 58 
levantar discussões pertinentes acerca dos processos de trabalho. Em alguns momentos foi 
necessário instigar o profissional a sair de sua zona de conforto, o que geralmente esbarra em 
dificuldades. Mas, em contrapartida, a apropriação pelos sujeitos implicados no processo e o seu 
envolvimento, a criação de espaços inter e intrainstitucionais e intersetoriais, o estabelecimento 
de novas relações e a ampliação do conhecimento acerca do objeto trabalhado constituem 
possibilidades efetivadas pelo emprego da pesquisa-ação e que, possivelmente, gerará mudanças 
e possibilidades de interações para além do escopo e da duração da própria pesquisa realizada. 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS DESTE TEXTO: 
ABDALLA, M.F.B. (2005) A pesquisa-ação como instrumento de análise e avaliação da prática docente. Ensaio: 
Avaliação e Políticas Públicas em Educação, v. 13, n. 48, p. 383-400. [ Links ] 
BARBIER, R. (2002) A pesquisa-ação. LucieDidio (trad.). Brasília, Plano. 157 p. [ Links ] 
CERATI, T.M.; LAZARINI, R.A.M. (2009) A pesquisa-ação em educação ambiental: uma experiência no entorno 
de uma unidade de conservação urbana. Ciência & Educação (Bauru), v. 15, n. 2, p. 383-392 [ Links ] 
BAUER, M. W.; AARTS, B. (2006) A construção do corpus: um princípio para a coleta de dados qualitativos. In: 
BAUER, M.; GASKELL, G. (org.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. 5a.ed. 
Petrópolis, Vozes. [ Links ] 
CHIMENDES, V.C.G.; MELLO, C.H.P.; PAIVA, A.P. (2008) Análise de modelo para projeto e desenvolvimento 
de serviços: uma pesquisa-ação em uma empresa de transporte rodoviário de passageiros. Gestão&Produção, v. 15, 
n. 3, p. 491-505. [ Links ] 
DAVIS, J.M. (2007) Rethinking the architecture: an action researcher's resolution to writing and presenting their 
thesis. ActionResearch, v. 5, n. 2, p. 181-196. [ Links ] 
DUARTE, R. (2002) Pesquisa qualitativa: reflexões sobre o trabalho de campo. Cadernos de Pesquisa, n. 115, p. 
139-154. [ Links ] 
ENGEL, G.I. (2000) Pesquisa-ação. Educar, n. 16, p .181-191. Curitiba, Editora da UFPR. [ Links ] 
GREENWOOD, D.J.; LEVIN, M. (2006) Reconstruindo as relações entre as universidades e a sociedade por meio 
da pesquisa-ação. In: DENZIN, N; LINCOLN, D.(org.) O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e 
abordagens. 2a.ed. Porto Alegre, Artmed. p. 91-113. [ Links ] 
GRITTEM, L.; MEIER, M.J.; ZAGONEL, I.P.S. (2008) Pesquisa-ação: uma alternativa metodológica para pesquisa 
em enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 765-770. [ Links ] 
HOGA, L.A.K.; REBERT, L.M. (2007) Pesquisa-ação como estratégia para desenvolver grupo de gestantes: a 
percepção dos participantes. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 41, n. 4, p. 559-566. [ Links ] 
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). IBGE Cidades@: Rio de Janeiro, 2012. 
Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acessoem: 11 de jul. 2012. [ Links ] 
KEMMIS, S. Exploring the relevance of critical theory for action research: emancipatory action research in the 
footsteps of Jürgen Habermas. (2001) In: REASON, P; BRADBURY, H. Handbook of action 
research: participative inquiry and practice. London, SAGE. p. 91-102. [ Links ] 
KRAFTA, L.; FREITAS, H.; MARTENS, C.D.P.; ANDRES, R. (2007) O método da pesquisa-ação: um estudo em 
uma empresa de coleta e análise de dados. Revista Quanti &Quali. Disponível 
em:http://www.faccat.br/download/pdf/posgraduacao/profaberenice/09pesquisa_acao_2009_3.pdf. Acessoem: 21 
abr. 2009. [ Links ] 
LEWIN, K. Action research and minority problems. (1946/1948) In: LEWIN, G.W. Resolving social conflicts. New 
York, Harper &Row. p. 201-216. [ Links ] 
MELLO, A.L.S.F.; MOYSÉS, S.T., MOYSÉS, S.J. (2010) A universidade promotora de saúde e as mudanças na 
formação profissional. Interface: Comunicação, Saúde, Educação. v. 14, n. 34, p .683-392. [ Links ] 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 59 
MIGUEL, P.A.C. (2009) Pesquisa- ação como um meio para a cooperação entre a universidade e a empresa - fatores 
relevantes. Revista Ciências Exatas, v.15, n.2. Disponível em: http://periodicos.unitau.br/ojs-
2.2/index.php/exatas/article/view/855/65. Acesso em: 30 nov. 2012. [ Links ] 
MINAYO, M.C.S.; SANCHES, O. (1993) Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? Cadernos de 
Saúde Pública, v. 9, n. 3, p. 237-248. [ Links ] 
MORIN, E. (2004) Pesquisa-ação integral e sistêmica: uma antropopedagogia renovada. Michel Thiollent (trad). 
Rio de Janeiro, DP&A. 225 p. [ Links ] 
PIMENTA, S.G. (2005) Pesquisa-ação crítico-colaborativa: construindo seu significado a partir de experiências com 
a formação docente. Educação e Pesquisa, v. 31, n. 3, p. 521-539. [ Links ] 
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Atlas do desenvolvimento 
humano no Brasil. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/atlas/>. Acesso em: 11 jul. 2012. [ Links ] 
REASON, P. (2006) Choice and quality in action research practice. Journalof Management Inquiry, p.187-203. 
 [ Links ] 
REIGADA, C.; TOZONI REIS, M.F.C. (2004) Educação ambiental para crianças no ambiente urbano: uma 
proposta de pesquisa-ação. Ciência & Educação, v.10, n.2, p.149-159. [ Links ] 
SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO (SNIS). (2009) Diagnóstico dos serviços 
de água e esgotos -2009. Brasília, MCIDADES; SNSA. [ Links ] 
THIOLLENT, M. (2008) Metodologia da pesquisa-ação. 16a ed. São Paulo, Cortez. 132 p. [ Links ] 
WICKS, P.G.; REASON, P. (2009) Initiating actions research: challenges and paradoxes of opening communicative 
space. ActionResearch, v. 7, n. 3, p. 243-262. [ Links ] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 60 
PRESENÇA DE MICRORGANISMOS NO SISTEMA DE 
ABASTECIMENTO DE ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO 
 
DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS DOS MICRORGANISMOS 
Protozoários e cianobactérias são considerados organismos emergentes em sistema de 
abastecimento de água para consumo humano e nosso foco neste momento. 
Microrganismos emergentes são aqueles para os quais a atenção e/ou preocupação de 
médicos, especialistas e/ou epidemiologistas tem se voltado a partir de períodos mais ou menos 
recentes. Assim, podem constituir espécies recém-descobertas ou organismos já 
conhecidos/identificados, porém que apenas agora se descobriu serem capazes de infectar e 
serem patogênicos para seres humanos (BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
A emergência dos organismos acima está relacionada não ao fato de serem espécies 
recém-descobertas, mas ao fato de que, recentemente, em diferentes países, tem-se registrados 
surtos ou epidemias de doenças em que os mesmos foram identificados como os agentes 
etiológicos envolvidos e onde o abastecimento de água, mesmo tratada, foi incriminado como a 
fonte da exposição. 
Os protozoários constituem um grupo de organismos que inclui seres de vida livre e 
parasitas, que se caracterizam por apresentar diferentes formas, tipos de metabolismos e locais de 
ocorrência. O ser humano e diferentesespécies animais constituem os hospedeiros obrigatórios 
ou acidentais dos protozoários patogênicos, sendo que alguns desses podem apresentar 
complexos ciclos biológicos envolvendo, inclusive, diferentes modos e mecanismos de 
transmissão. 
A transmissão de protozoários patogênicos via água de consumo é há muito tempo 
conhecida e consolidada na comunidade técnica e científica. Como exemplos, citam-se a 
associação entre Giardiasp e água com qualidade imprópria ao consumo humano e, mais 
recentemente, Cryptosporidium spp., responsável por parasitose de caráter emergente, tanto pela 
sua ampla distribuição (cosmopolita) quanto pela ocorrência de diversos surtos e infecções 
esporádicas registradas em várias partes do mundo. Também se somam a essa lista 
Cyclosporacayetanensis e Toxoplasma gondii, com menor incidência, mas com alguns surtos 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 61 
registrados em diferentes países (KARANIS; KOURENTI; SMITH, 2007 apud BEVILACQUA, 
AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009), inclusive no Brasil (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002). 
Protozoários patogênicos são alvo de preocupações, tanto das autoridades de saúde 
pública quanto da comunidade científica, devido à transmissão comprovada de cistos de 
Giardiasp. e oocistos de Cryptosporidium spp. por meio do consumo de água tratada e 
distribuída por sistemas de abastecimento (LeCHEVALLIER; NORTON; ATHERHOLT, 1997 
apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). Esse fato alerta que populações que 
consomem água tratada apenas pelo processo de desinfecção (cloração), ou que consomem água 
de estações de tratamento que não realizam um controle rigoroso da eficiência do processo de 
filtração e/ou apresentam deficiências operacionais, podem estar sob maior risco de infecções 
por esses agentes. 
A crescente preocupação com a transmissão de protozoários via abastecimento de água 
para consumo humano envolve ainda as seguintes dificuldades na busca de equacionamento do 
problema: (i) as limitações dos processos convencionais de tratamento de água na 
remoção/inativação de cistos de Giardia e oocistos de Cryptosporidium; (ii) a insuficiência do 
controle tradicional da qualidade da água tratada por meio do emprego de bactérias do grupo 
coliforme ou outros indicadores; (iii) as limitações analíticas dos métodos disponíveis de 
pesquisa de protozoários em amostras de água; (iv) a dificuldade de estimar riscos à saúde 
associados à presença de cistos de Giardia e oocistos de Cryptosporidium em águas de consumo 
humano, principalmente quando em números reduzidos; (v) o conhecimento da participação de 
reservatórios animais na manutenção dessas parasitoses em nosso meio, haja vista o potencial 
zoonótico de ambas. 
Devido aos diferentes aspectos relacionados aos organismos patogênicos e à ampla 
variedade existente dos mesmos, não é necessário nem possível considerar todos os patógenos 
com o objetivo de projetar e/ou operar sistemas de abastecimento garantindo o fornecimento de 
água segura, ou mesmo em procedimentos de avaliação de risco de sistemas de abastecimento de 
água para consumo humano. Nesse sentido, a Organização Mundial de Saúde (OMS) introduz o 
termo “patógeno/organismo referência”, o que significa selecionar de uma lista de organismos 
aquele que melhor reúne informações que possam representar o grupo como um todo. As 
informações normalmente utilizadas na seleção, com o objetivo último de proteção à saúde 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 62 
pública, incluem aspectos relacionados à remoção/inativação no tratamento da água e aqueles 
associados a impactos à saúde, tanto no âmbito individual como coletivo. Usualmente, havendo 
informação disponível, a escolha recai sobre o organismo mais difícil de ser removido/inativado 
e que apresenta os mais importantes impactos à saúde. Uma vez feita a seleção, se o sistema de 
abastecimento cumpre os requisitos de forma a produzir água com qualidade adequada 
considerando o “patógeno referência”, significa que também atinge aqueles necessários para o 
grupo de patógenos como um todo (WHO, 2006 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, 
CERQUEIRA, 2009). 
A introdução do termo “patógeno referência” muito se deve ao reconhecimento de que a 
avaliação da qualidade da água, utilizando os indicadores microbiológicos tradicionais 
(coliformes e Escherichia coli), não é adequada quando se quer avaliar a presença/ausência de 
protozoários em amostras de água. Sendo assim, essa referência tem sido particularmente 
aplicada a esse grupo específico de organismos patogênicos, os protozoários. 
Os protozoários Cryptosporidium spp. eGiardiaduodenalis são os mais significativos, 
uma vez que provocam sintomas moderados e os casos de doença são comuns na população; 
além disso, já foram associados a epidemias/surtos envolvendo o consumo de água. Também se 
destacam pelo fato de persistirem por longos períodos no ambiente e apresentarem elevada 
resistência aos processos usuais de desinfecção da água. 
A informação relativa à ocorrência de surtos/epidemias é particularmente importante, 
uma vez que demonstra que o organismo foi capaz de atravessar diferentes barreiras, alcançar a 
população consumidora e produzir doença, eventualmente com grande impacto, como a 
incidência elevada de casos e/ou a ocorrência de casos graves/fatais. 
Karanis, Kourenti e Smith (2007 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 
2009), em um trabalho de revisão das epidemias/surtos causadas por protozoários patogênicos 
em todo o mundo, verificaram que de 325 registros, em 32% a epidemia/surto esteve associada 
com a água de consumo contaminada ou presumivelmente contaminada com Giardiaduodenalis 
e, em 23,7%, com Cryptosporidium spp. 
Por outro lado, outros protozoários também vêm, mais recentemente, adquirindo 
importância relativa, principalmente devido à emergência de epidemias/surtos relacionados ao 
abastecimento de água. Destacam-se o Toxoplasma gondii e o Cyclosporacayetanensis, onde, 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 63 
somada a importância à saúde, chamam atenção as características que envolvem as dificuldades 
de controle de ambos, ou seja, são protozoários que também possuem elevada resistência no 
ambiente e aos processos usuais de desinfecção da água. Entretanto, Cryptosporidium e Giardia 
ainda são apontados como os de maior importância e significado. 
Também é importante mencionar alguns aspectos relacionados ao ciclo de vida desses 
agentes que contribuem para que a transmissão dos protozoários Cryptosporidium e Giardia via 
água de consumo seja mais provável. Esses organismos apresentam potencial zoonótico, ou seja, 
outras espécies de animais (domésticos e selvagens) podem ser seus hospedeiros e os 
hospedeiros infectados (humano ou animal), normalmente, eliminam grandes quantidades de 
formas infectantes (cistos e oocistos). Esses aspectos são significativos, uma vez que um maior e 
mais diversificado número de indivíduos é capaz de disseminar grandes quantidades dos agentes 
no ambiente. Adicionalmente, são eliminados dos hospedeiros já em suas formas infectantes, não 
necessitando, assim, de um período no ambiente para causarem novos casos de infecção. Nessas 
circunstâncias, a transmissão entre indivíduos também é possível. E, finalmente, são protozoários 
monoxenos, ou seja, completam seu ciclo de vida em apenas um hospedeiro. 
Outro aspecto relevante em relação aos protozoários de transmissão fecal-oral, incluídos 
o Cryptosporidium e a Giardia, é o fato de serem eliminados, frequentemente, em grandes 
quantidades nas fezes dos hospedeiros infectados, podendo, assim,ocorrer em elevado número 
no ambiente. Por outro lado, requerem doses infectantes relativamente baixas para causar novos 
casos de infecção/doença. 
A tendência mundial é considerar o Cryptosporidium como o “protozoário referência” 
em se tratando da transmissão de protozooses via abastecimento de água para consumo humano. 
A atenção e preocupação em relação a esse protozoário são observadas tanto no meio científico, 
como alvo de pesquisas e investigações, quanto nos serviços de saúde pública e de saneamento, 
como uma das referências à produção de água segura à população. Além das características já 
citadas, Cryptosporidium spp. é objeto de maior preocupação devido às dificuldades de controle, 
uma vez que apresenta oocistos de menor tamanho, sendo mais dificilmente removidos da água, 
considerando os processos tradicionais de clarificação; também são mais persistentes no meio 
ambiente e mais resistente aos processos usuais de desinfecção da água de consumo. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 64 
A definição de possíveis organismos que possam ser utilizados como “patógenos 
referência” também é importante para a aplicação da metodologia de Avaliação Quantitativa de 
Risco Microbiológico (AQRM), sendo necessária a existência de dados sobre dose-resposta à 
exposição ao microrganismo, os quais são normalmente obtidos em estudos experimentais com 
voluntários humanos ou animais ou constituem evidências epidemiológicas, usualmente 
levantadas em investigações de surtos/epidemias. Essas informações estão mais bem 
estabelecidas e sistematizadas para Cryptosporidium e Giardia, reforçando a escolha do primeiro 
como “patógeno referência” (BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
Outro aspecto que vem adquirindo importância é a capacidade de sobrevivência dos 
oocistos em águas estuarinas e marinhas e a possibilidade de contaminação de espécies animais 
desses ambientes, aumentando o significado de saúde pública desse protozoário, tanto no que diz 
respeito à transmissão envolvendo o contato primário/recreação, como devido ao consumo de 
produtos marinhos, principalmente crus. 
A detecção de oocistos em água do mar ou de estuários é documentada na literatura 
(JOHNSON et al., 1995; FERGUSON et al. 1996; LIPP et al., 2001 apud (BEVILACQUA, 
AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009), entretanto, a grande maioria dos relatos, em diferentes partes 
do mundo, refere-se ao isolamento/identificação de oocistos em moluscos aquáticos (ostras, 
mexilhões e mariscos). Esses animais podem desempenhar importante papel na transmissão do 
Cryptosporidium, uma vez que, pela forma de alimentação dos mesmos (filtração da água), 
podem reter oocistos infectantes em seus tecidos. 
O comportamento da Giardia em condições de laboratório e no ambiente e semelhante 
ao do Cryptosporidium, porém, normalmente, a sobrevivência de cistos é menor que a dos 
oocistos. A temperatura também é um fator que interfere na manutenção da infectividade dos 
cistos. No solo, os cistos apresentam períodos variados de sobrevivência (OLSON et al., 1999 
apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
Considerando os mananciais superficiais, trabalhos registram que, dentre outras 
características, o grau e o tipo de ocupação da bacia, a existência de cobertura vegetal, o 
lançamento de efluentes industriais e domésticos, além da pluviosidade são fatores que 
contribuem para o aumento de (oo)cistos nesses mananciais (Le CHEVALLIER; NORTON; 
LEE, 1991; ATHERHOLT et al., 1998; KISTEMANN et al., 2002; BASTOS et al., 2004; 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 65 
HACHICH et al., 2004; DIAS et al., 2008 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 
2009). 
As águas subterrâneas podem apresentar níveis de contaminação menores ou quase 
nulos devido ao processo natural de filtração da água por meio das camadas do solo, entretanto, 
este poder filtrante pode ser afetado pela profundidade do aquífero, presença e concentração das 
contaminações nas proximidades desses e nas águas contribuintes. Poços localizados perto de 
rios que recebem esgotos não tratados podem potencialmente apresentar impactos na qualidade 
de sua água devido a essa proximidade. Adicionalmente, de forma geral, a frequência de 
mananciais contaminados com cistos de Giardia é menor do que com oocistos de 
Cryptosporidium. Ainda há que se registrar que os estudos que demonstram a presença de 
(oo)cistos em mananciais subterrâneos normalmente apontam que características do aquífero, 
fluxo da corrente e características sobre a construção dos poços indicaram a existência de 
contaminação por águas superficiais (BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
A ocorrência de (oo)cistos em águas tratadas e em sistemas de abastecimento não 
determina, necessariamente, comprometimentos da saúde da população consumidora. Em 
princípio, os (oo)cistos identificados podem não ser viáveis/infectantes e/ou as concentrações 
observadas não são suficientes para determinar processos de infecção e/ou os processos 
infecciosos que ocorrem não implicaram em quadro sintomático. Adicionalmente, há que se 
considerar o fato de que podem ocorrer casos eventuais que, devido a pouca gravidade, não são 
identificados e, por conseguinte, não são notificados; ou ainda, quando as concentrações são 
suficientes para desencadear processos de infecção, resultando em casos de giardiose e/ou 
criptosporidiose, os sintomas podem ser atribuídos a outros agentes. 
Se, por um lado, a identificação de oocistos na água tratada não revela a condição de 
viabilidade/infectividade, limitando a definição do real risco microbiológico à saúde da 
população, por outro, são indicadores incontestes da ocorrência de falhas no processo de 
tratamento e/ou no controle da qualidade da água. 
No Brasil, não são conhecidos dados devidamente documentados que comprovem a 
ocorrência de surtos de giardiose e criptosporidiose associados ao consumo de água. 
Predominantemente, as formas de transmissão dos surtos descritos em nosso país se referem a 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 66 
contatos interpessoais, notadamente envolvendo crianças em creches (BEVILACQUA, 
AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
Ainda que seja tarefa difícil a associação inequívoca entre a ocorrência de 
surtos/epidemias e a água consumida pela população, alguns registros exemplificam de modo 
mais ou menos consistente a participação da água de consumo como veículo de transmissão de 
agentes patogênicos. 
De maneira geral, observa-se que alguns surtos estiveram associados ao abastecimento 
de água sem tratamento, entretanto, outros ocorreram em populações onde a água consumida 
recebia algum tipo de tratamento, inclusive filtração. Alguns aspectos normalmente indicados 
como as possíveis causas da presença de (oo)cistos na água distribuída e, consequentemente, 
origem do surto/epidemia incluem: (i) contaminação dos mananciais de abastecimento 
(principalmente superficiais) por esgoto doméstico ou água residuária provenientes de 
instalações de produções animais; (ii) aumento súbito da contaminação dos mananciais 
(principalmente superficiais) após intensas chuvas ou degelo; (iii) existência de assentamentos 
humanos e/ou explorações agropecuárias na área da bacia hidrográfica do manancial; (iv) falhas 
nos processos de tratamento (humanas e/ou instrumentais); (v) tratamento da água por técnicas e 
processos inadequados aos níveis de poluição dos mananciais de abastecimento; e/ou, (vi) 
recontaminação da água na rede de distribuição (infiltração de esgotos/águas residuárias). 
Adicionalmente, registra-se que, de modo geral, a qualidade da águatratada normalmente 
atendia aos requisitos exigidos nas legislações específicas (BEVILACQUA, AZEVEDO, 
CERQUEIRA, 2009). 
As cianobactérias são microrganismos aeróbicos fotoautotróficos. Seus processos vitais 
requerem somente água, dióxido de carbono, substâncias inorgânicas e luz. A fotossíntese é seu 
principal modo de obtenção de energia para o metabolismo; entretanto, sua organização celular 
demonstra que esses microrganismos são procariontes e, portanto, muito semelhantes, 
bioquímica e estruturalmente, às bactérias. 
As cianobactérias formam um grupo bastante diverso de microrganismos procarióticos 
fotossintetizantes. Elas podem ser unicelulares coloniais ou filamentosas, podendo crescer em 
suspensão na coluna d'água, sendo então caracterizadas como organismos fitoplanctônicos, ou 
aderidas à superfícies, o que leva à identificação de algumas espécies como bentônicas (quando 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 67 
estão aderidas a substratos no fundo dos ambientes aquáticos), ou, ainda, podem ser epífitas 
(quando estão aderidas a substratos localizados em profundidades diferentes nos ambientes 
aquáticos, como macrófitas flutuantes ou submersas, por exemplo). As cianobactérias 
apresentam a reprodução assexuada como único tipo de reprodução e crescimento de sua 
população, que se dá pela divisão de células vegetativas. 
A capacidade de crescimento nos mais diferentes meios é uma das características 
marcantes das cianobactérias. Entretanto, ambientes de água doce são os mais favoráveis, visto 
que a maioria das espécies apresenta melhor crescimento em águas neutro-alcalinas (pH 6-9), 
temperatura entre 15 a 30°C e alta concentração de nutrientes, principalmente nitrogénio e 
fósforo (PAERL, 2008 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009). 
As espécies de cianobactérias unicelulares apresentam diâmetro compreendido na faixa 
de 0,4 µm até 40 µm e podem apresentar variação de volume celular num fator de 3x105. 
Algumas espécies filamentosas apresentam diâmetro de até 100 µm, mas normalmente essas 
células apresentam diâmetro pequeno, o que lhes confere volumes celulares menores do que os 
usualmente encontrados para espécies unicelulares (WHITTON; POTTS, 2000 apud 
BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
As cianobactérias são consideradas como o primeiro grupo de organismos que foi capaz 
de realizar fotossíntese oxigênica. Esse fato permitiu o início da acumulação de oxigênio na 
atmosfera, que se deu entre 3,5 a 2,8 bilhões de anos, representando fato crucial na evolução da 
vida na Terra (WHITTON; POTTS, 2000 apud BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 
2009). 
As cianobactérias são atualmente reconhecidas como um grupo de bactérias Gram-
negativas incluídas no grupo Eubacteria. Apesar do sistema de classificação utilizado para se 
fazer o agrupamento taxonômico das cianobactérias não ser consenso entre os especialistas, 
recentes revisões propõem aproximadamente 124 gêneros de cianobactérias e 2 mil espécies (53 
gêneros de organismos unicelulares e coloniais e 71 gêneros de organismos filamentosos). De 
forma geral, aceita-se que a descrição das espécies baseada nas características morfológicas por 
microscopia ainda é o método mais acessível. Duas breves revisões sobre esse tema, adaptadas 
às necessidades nacionais da área de saneamento podem ser encontradas em San’Anna et al 
(2006) e Cybis et al (2006). 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 68 
Dentre as espécies são encontradas linhagens produtoras ou não produtoras de toxinas e, 
de acordo com Apeldoorn et al (2007 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, CERQUEIRA, 2009), 
pelo menos 40 gêneros distintos incluem espécies com linhagens tóxicas já identificadas. 
Entretanto, de maneira geral, as espécies tóxicas mais comumente identificadas estão incluídas 
nos gêneros: Anabaena, Aphanizomenon, Cylindorspermopsis, Lyngbya, Microcystis, Nostoc, 
Oscillatoria e Planktothrix. 
De acordo com uma recente revisão de San’Anna et al. (2008), já foram identificados 
no Brasil 32 espécies de cianobactérias comprovadamente produtoras de toxinas. Entretanto, é 
importante destacar que a produção de toxinas por essas espécies é altamente variável, tanto em 
uma mesma floração como entre florações distintas, podendo, assim, variar tanto espacialmente 
como temporalmente. 
Cabe esclarecer que utilizamos o termo floração como definição de uma coloração 
visível da água de um referido manancial, devida à presença de elevado número de células, 
filamentos ou colônias de cianobactérias em suspensão. Também, muitas vezes, com a 
subsequente formação de uma nata verde na superfície da água, decorrente da acumulação desses 
microrganismos na superfície, em períodos de pouca ou nenhuma movimentação da coluna 
d'água. 
As toxinas de cianobactérias, que são conhecidas como cianotoxinas, constituem grande 
fonte de produtos naturais tóxicos produzidos por esses microrganismos e, embora ainda não 
estejam devidamente esclarecidas as causas da produção dessas toxinas, tem-se assumido que 
esses compostos tenham função protetora contra herbivoria, como acontece com alguns 
metabólitos de plantas vasculares (CARMICHAEL, 1992 apud BEVILACQUA, AZEVEDO, 
CERQUEIRA, 2009). Uma visão mais inovadora encara as cianotoxinas como potenciais 
moléculas mediadoras em interações de cianobactérias com outros componentes do habitat, 
como bactérias heterotróficas, fungos, protozoários e algas (PAERL; MILLIE, 1996 apud 
BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
Algumas dessas toxinas, caracterizadas por sua ação rápida, causando a morte de 
mamíferos por parada respiratória após poucos minutos de exposição, têm sido identificadas 
como alcalóides ou organofosforadosneurotóxicos. Outras atuam menos rapidamente e são 
identificadas como peptídeos ou alcalóideshepatotóxicos. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 69 
No Brasil, as florações de cianobactérias vêm aumentando em intensidade e frequência 
e, atualmente, é possível se visualizar um cenário de dominância desses organismos no 
fitoplâncton de muitos ambientes aquáticos, especialmente durante os períodos de maior 
biomassa e/ou densidade (AZEVEDO, 2005). Essa dominância é marcante, sobretudo, em 
reservatórios e, em vários deles, tem sido observado o predomínio de cianobactérias durante 
grande parte do ano (BOUVY et al., 1999; HUZCAR et al., 2000 apud BEVILACQUA; 
AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
As intoxicações de populações humanas pelo consumo oral de água contaminada por 
cepas tóxicas de cianobactérias já foram descritas em países como Austrália, Inglaterra, China e 
África do Sul (HILBORN et al., 2008). Em nosso país, o trabalho de Teixeira et al. (1993) 
descreve forte evidência de correlação entre a ocorrência de florações de cianobactérias, no 
reservatório de Itaparica, na Bahia, e a morte de 88 pessoas, entre as 200 intoxicadas, pelo 
consumo de água do reservatório, entre março e abril de 1988. 
Contudo, o primeiro caso confirmado de mortes humanas no Brasil causadas por 
cianotoxinas ocorreu no início de 1996, quando 130 pacientes renais crônicos, após terem sido 
submetidos a sessões de hemodiálise em uma clínica da cidade de Caruaru (PE), passaram a 
apresentar quadro clínico compatível com grave hepatotoxicose. Desses, 60 pacientes vieram a 
falecer até dez meses após o início dos sintomas. As análises confirmaram a presença de 
microcistinas e cilindrospermopsina no carvão ativado utilizado no sistema de purificação de 
água da clínica, e de microcistinas em amostras de sangue e fígado dos pacientes intoxicados 
(AZEVEDO et al., 2002). Além disso, as contagensdas amostras do fitoplâncton do reservatório 
que abastecia a cidade demonstraram dominância de gêneros de cianobactérias comumente 
relacionados com a produção de cianotoxinas (BEVILAQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 
2009). 
 
REMOÇÃO DE PROTOZOÁRIOS 
Vamos falar de algumas técnicas analíticas de detecção e quantificação de (oo) cisto de 
Cryptosporidium spp., e Giardia sp., mas já justificando que devido á extensão do assunto, 
falaremos superficialmente e deixamos nas referências, opções para maiores aprofundamentos. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 70 
Os métodos de detecção e recuperação de protozoários na água envolvem três passos 
fundamentais: 
 concentração da amostra de água com a finalidade de recuperar ou capturar 
(oo)cistos; 
 purificação dos (oo)cistos; e, 
 identificação e confirmação. 
 
Basicamente, a primeira etapa é realizada por meio da filtração de volumes variados, 
centrífugo-concentração ou eluição dos microrganismos. A etapa de purificação tem sido 
amplamente estudada e pode ser obtida por meio de gradientes de sacarose ou pela separação 
imunomagnética. A etapa de identificação e confirmação geralmente é obtida através de 
visualização em microscopia com imunofluorescência direta e prova confirmatória da 
morfologia por meio de microscopia de contraste de fase seguida de enumeração dos (oo)cistos. 
Musialet al. (1987 apud BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009) 
desenvolveram um método para detecção e recuperação de (oo)cistos de protozoários através de 
filtros de cartucho de polipropileno com porosidade de 1µm. Segundo essa técnica, grandes 
volumes de água (100 L a 1.000 L) podem ser filtrados e a etapa de purificação é obtida com o 
uso de sacarose-Percol ou solução de cloreto de sódio e a visualização, mediante a 
imunofluorescência (BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
A técnica de floculação química com carbonato de cálcio foi proposta como método de 
concentração de volumes de 10 L de água por precipitação (VESEY et al., 1993 apud 
BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). O sedimento obtido é extremamente rico 
em material particulado, interferindo na leitura de imunofluorescência, podendo resultar em 
falso-positivos. Esse método possui eficiência de recuperação entre 30% a 40% (FRICKER; 
CRABB, 1998 apud). 
A técnica de filtração em membranas, proposta por Aldom e Chagla (1995 apud 
BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009), foi desenvolvida para detecção de 
(oo)cistos em água tratada, sendo posteriormente aplicada em amostras de água bruta. Consiste 
na captura dos (oo)cistos através da filtração em membranas de acetato de celulose, seguida de 
eluição por dissolução em acetona e etanol. A turbidez da água é o maior fator limitante, pois 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 71 
pode ocorrer rápida obstrução da malha filtrante, com consequente redução do volume filtrado. 
O método sofre influência do processo de eluição nas etapas de dissolução em acetona e pode 
alterar a infectividade dos (oo)cistos. A média de recuperação da metodologia de membrana 
filtrante pode chegar a 70,5%. Um protocolo alternativo foi desenvolvido no Brasil por Franco, 
Cantusio Neto e Branco (2001), no qual a recuperação dos (oo)cistos é feita por extração 
mecânica, fazendo-se raspagem e lavagem da superfície da membrana, evitando assim as perdas 
de infectividade. 
Com a ocorrência de surtos de criptosporidiose veiculados pela água de consumo, 
surgiu a necessidade de desenvolver um novo método para detectar os patógenos na água, no 
entendimento de que as técnicas até então utilizadas apresentam desvantagens em comum como: 
(i) baixa eficiência de recuperação; (ii) taxas elevadas de falsos positivos e falsos negativos e (iii) 
baixa precisão. Em 1997, a USEPA desenvolveu o método 1622 para a detecção de oocistos de 
Cryptosporidium na água através de filtração, separação imunomagnética (IMS) e 
imunofluorescência. O método era inovador e apresentava as seguintes vantagens: (i) novo filtro 
aumentando a eficiência da captação e da eluição dos oocistos; (ii) incorporação da separação 
imunomagnética reduzindo falsos positivos e interferências inespecíficas; (iii) uma etapa 
adicional na confirmação e identificação dos oocistos com inclusão do corante 4,6-Diamidino-2-
fenilindol (DAPI) e prova confirmatória da morfologia através de microscopia de contraste de 
fase (CID) e (iv) incorporação de medidas de controle de qualidade (McCUIN; CLANCY, 2003 
apud BEVILACQUA; AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
Posteriormente, o método 1623 foi desenvolvido visando a detecção conjunta de 
(oo)cistosGiardia e Cryptosporidium utilizando as mesmas etapas do anterior. 
Comprovadamente, a IMS é uma alternativa superior às técnicas da flutuação com gradientes de 
sacarose para isolar oocistos em amostras ambientais. As porcentagens da recuperação das 
amostras de água bruta variam de 19,5 a 54,5% para oocistos de Cryptosporidium e 46,7 a 70% 
para cistos de Giardia (McCUIN; CLANCY, 2003 apud BEVILACQUA; AZEVEDO; 
CERQUEIRA, 2009). 
Uma limitação comum a todas as técnicas citadas é a incapacidade de fornecer 
informações sobre a espécie, viabilidade e infectividade dos (oo)cistos. A viabilidade pode ser 
avaliada por ensaio de excistamento in vitro, inclusão ou exclusão de corantes fluorogênicos e/ou 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 72 
observação microscópica da morfologia dos (oo)cistos. Entretanto, atualmente, as técnicas mais 
aceitas e aplicadas para definição de viabilidade e infectividade são o ensaio com camundongos 
e o cultivo celular. 
As metodologias moleculares têm sido utilizadas, mais recentemente, na etapa 
confirmatória da pesquisa de protozoários. O principal objetivo é a avaliação de fatores 
associados ao ambiente e ao hospedeiro que possam auxiliar no entendimento da dinâmica dos 
patógenos no ambiente, resultando assim em medidas preventivas que visem a minimização do 
risco de transmissão. Os estudos moleculares apresentam como vantagem a genotipagem com 
vistas a desvendar a espécie do patógeno, indicando a origem dos microrganismos eventualmente 
isolados. No entanto, as técnicas não fornecem informações sobre a infectividade do (oo)cistos. 
Além disso, não dispensam as etapas anteriores de concentração e purificação (BEVILACQUA; 
AZEVEDO; CERQUEIRA, 2009). 
 
REMOÇÃO DE CIANOBACTÉRIAS E CIANOTOXINAS 
Dentre os sistemas convencionais, para efetiva remoção de células de cianobactérias nos 
processos de separação sólido-líquido adotados no tratamento de água (sedimentação, flotação, 
filtração rápida), as etapas de coagulação e floculação devem ser otimizadas (BASTOS; 
BRANDÃO; CERQUEIRA, 2009). 
Os mecanismos de desestabilização (coagulação) das microalgas e cianobactérias, 
segundo Benhardt e Clasen (1991 apud BASTOS; BRANDÃO; CERQUEIRA, 2009), são os 
mesmos que atuam no caso de partículas inorgânicas, mas são dependentes da estrutura desses 
organismos. Esses autores relatam que, ao passo que microalgas e cianobactérias que são mais 
ou menos esféricas e com superfícies suaves podem ser desestabilizadas pelo mecanismo de 
adsorção e neutralização de cargas, estruturas não esféricas, grandes ou filamentosas necessitam 
de dosagens elevadas de coagulante, resultando na predominância do mecanismo de varredura. 
Benhardt e Clasen (1991 e 1994 apud BASTOS; BRANDÃO; CERQUEIRA, 2009) ressaltam 
que para que a agregação das células de microalgas e cianobactérias seja efetiva, estas devem 
possuir estrutura geométrica adequada e que exclua a interação estérica. Entretanto, devido à 
grande variedade de formas de células,não é possível satisfazer tal requisito para todas as 
espécies de microalgas e cianobactérias e, por essa razão, os referidos autores sugerem que mais 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 73 
investigações sejam conduzidas sobre a influência das estruturas das células na coagulação e 
separação desses organismos. 
Dentre as diferentes variantes das sequências de tratamento que envolvem a coagulação 
química, a filtração direta é a que maiores problemas operacionais enfrenta ao tratar águas com 
elevada densidade de fitoplâncton. De modo geral, nessa condição de água bruta, os estudos 
realizados (SENS et al., 2002, 2003, 2006; Di BERNARDO et al., 2006; entre outros) indicam 
que para melhorar o desempenho dessa técnica faz-se necessário a introdução de etapa de pré-
oxidação, o que, por sua vez, causa preocupação relativa à geração de subprodutos 
potencialmente prejudiciais à saúde humana. 
Mouchet e Bonnélye (1998 apud BASTOS; BRANDÃO; CERQUEIRA, 2009) 
destacam que a remoção de microalgas e cianobactérias na filtração direta varia 
consideravelmente (10 a 70%) em função da espécie presente na água e das características de 
projeto e operação do filtro. Os autores relatam que a pré-oxidação, combinando peróxido de 
hidrogênio com ozônio, foi capaz de promover melhora apreciável no desempenho da filtração 
direta, resultando em remoção de microalgas superior a 99% (remoção de 93% foi obtida sem 
aplicação de ozônio e de 95,3% usando apenas ozônio). Apesar dos bons resultados, os autores 
concluíram que a aplicação da filtração direta na remoção de microalgas e cianobactérias deve 
ser restrita a situações específicas, sempre precedida por estudos em escala piloto. 
A filtração lenta é citada na literatura como o primeiro processo de tratamento de água 
efetivamente projetado por critérios de engenharia. A dominância dos mecanismos biológicos na 
remoção de impurezas e de organismos patogênicos, assim como a possibilidade de ser usada de 
forma combinada com outros processos, fizeram com que a filtração lenta, apesar do tempo, 
nunca fosse de todo abandonada como alternativa de tratamento. Mais recentemente, tanto a 
filtração lenta como os chamados processos de biofiltração (que incluem a filtração em margem, 
além da filtração em carvão biologicamente ativado e filtração biológica induzida pela oxidação 
em filtros de taxas mais elevadas), tem assumido grande relevância em função da capacidade de 
remover também micropoluentes complexos, como fármacos e toxinas. 
Embora existam vários relatos positivos quanto a eficiência da filtração lenta na 
remoção de microalgas e cianobactérias, os textos clássicos frequentemente apontam limitações 
na capacidade dessa técnica de filtração para tratar águas com elevada concentração de 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 74 
fitoplâncton. Elevadas concentrações de microalgas ou cianobactérias na água bruta podem 
provocar rápida colmatação do meio filtrante, exigindo a remoção da camada biológica 
superficial. Por sua vez, essa operação reduz a capacidade de remoção de substâncias orgânicas 
dissolvidas em função da redução da capacidade de biodegradação do meio filtrante não 
amadurecido biologicamente. No entanto, estudos recentes sugerem que o problema da 
colmatação dos filtros lentos pode ser contornado com a adoção de unidades de pré-tratamento, 
entre as quais se destacam: a pré-filtração em pedregulho e a pré-oxidação (BASTOS; 
BRANDÃO; CERQUEIRA, 2009). 
A filtração em margem tem se mostrado um processo promissor para remoção de gama 
de microcontaminantes orgânicos e já é praticada em diversos países, com destaque para 
Alemanha. Na filtração em margem, durante a passagem pelo solo, as impurezas podem ser 
removidas da fase aquosa por filtração, biodegradação (que faz com que esse processo seja 
considerado um processo biológico), inativação, adsorção, sedimentação e por diluição resultante 
da mistura com águas subterrâneas. Os mecanismos de remoção são complexos e a eficiência 
depende de vários fatores, particularmente as características do solo e a velocidade de 
percolação. Esses aspectos são discutidos por Senset al. (2006). 
Certa similaridade com a filtração lenta, os bons resultados relatados na literatura em 
relação à remoção de patógenos emergentes e microcontaminantes orgânicos complexos, como 
fármacos, pesticidas, compostos aromáticos sintéticos, além dos resultados favoráveis 
encontrados em estudos laboratoriais em escala de bancada e em colunas de sedimentos e solos, 
demonstram o grande potencial da filtração em margem na remoção de cianobactérias e 
cianotoxinas. 
 
REMOÇÃO DE AGROTÓXICOS 
A exposição do homem aos agrotóxicos ocorre por três tipos de vias: oral; respiratória e 
cutânea. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a contaminação dos alimentos pelos 
agrotóxicos é a via de exposição mais importante. As avaliações dos riscos atribuem 90% da 
exposição a alimentação, 9,5% a água e uma parte menor ao ar. Faltam estudos dos efeitos 
através da via cutânea em populações expostas. Uma vez no organismo, os agrotóxicos se 
acumulam no tecido adiposo e a toxicidade difere segundo a substância ativa que o compõe. A 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 75 
acumulação dos organoclorados é importante, no homem, no tecido adiposo, no fígado e nos 
músculos (SENS et al., 2009). 
Depois de serem aplicados sobre o solo e/ou plantas, os agrotóxicos são submetidos a 
uma série de complexos processos biológicos e não biológicos que podem implicar na 
degradação ou transporte através da atmosfera, dos solos, dos organismos e particularmente da 
água. O caminho e a extensão deste transporte são diferentes em função do composto 
(GICQUEL, 1998 apud SENS et al., 2009). As áreas agrícolas são fontes potenciais de 
contaminação de águas subterrâneas e superficiais por fontes difusas, decorrente do uso de 
grande quantidade de fertilizantes e agrotóxicos, tais como ametrina, diuron, tebutiuron, 
hexazinona, metribuzin, halosulfuron, clomazone, ametrina, 2,4-D, imazapic, fluazifop-p-butil, 
que por serem facilmente lixiviadas no solo, oferecem riscos de contaminação das águas 
(JACOMINI, 2006; SILVA, 2004). 
Para o controle de agrotóxicos em água de abastecimento, faz-se necessário conhecer 
quais os princípios ativos utilizados, além de suas propriedades físicas e químicas, tais como: 
solubilidade, grau de adsorção no solo (Koc), meia-vida no solo (DT50) e taxa de volatilização. 
Estas propriedades, associadas a diferentes fatores ambientais, caracterizam os agrotóxicos do 
ponto de vista de persistência que os relaciona aos riscos ambientais, toxicidade associada aos 
efeitos na saúde humana e bioacumulação. Em trabalho realizado por Pessoa et al. (2007), foram 
avaliados 145 princípios ativos mais utilizados no país com relação à sua presença em 
mananciais, levando em conta o seu potencial de transporte, avaliando-se solubilidade, Koc, 
DT50, dados estes obtidos em literatura nacional e internacional. 
Entre os princípios ativos estudados, encontram-se o glifosato, que apresentou alto 
potencial de transporte em água, associado ao sedimento e dissolvido em água; o 2,4-D, que 
apresentou baixo potencial de transporte em água, associado ao sedimento e médio potencial de 
transporte dissolvido em água; o diuron e a hexazinona, que apresentaram médio potencial de 
transporte em água associados ao sedimento e alto potencial de transporte dissolvidos em água; e 
o carbofurano (inseticida e nematicida), que apresentou médio potencial de transporte em água 
associado aosedimento e alto potencial de transporte dissolvido em água. O carbofurano 
apresentou provável potencial de lixiviação para água subterrânea, enquanto o 2,4-D e 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 76 
diuronficaram na faixa chamada de transição com relação à lixiviação para água subterrânea 
(SENS et al, 2009). 
O certo é que altas concentrações podem acarretar em hemólise e redução na capacidade 
de carrear oxigênio, pela formação de metahemoglobina, com o aparecimento de sintomas como 
cianose, fraqueza e respiração curta. Os estudos crônicos em animais com hexazinona mostraram 
que pode ocorrer perda de peso, aumento no peso do fígado, alterações nas medidas químicas do 
sangue, aumento na atividade enzimática e danos patológicos hepáticos. Dentre os herbicidas 
comercializados no país, o glifosato e o 2,4-D também se encontram entre os mais utilizados. 
A seleção da tecnologia de tratamento de água depende de fatores como a natureza dos 
poluentes, sua concentração, volume a tratar e toxicidade. Existem diferentes métodos físicos, 
químicos e biológicos que são usados para a remoção de pesticidas, sejam independentes ou 
associados, tais como: oxidação química, fotodegradação, combinação de ozônio com radiação 
UV, degradação pelo reagente de Fenton, degradação biológica, coagulação e adsorção em 
carvão ativado. Nas Figuras abaixo são apresentados os fluxogramas das tecnologias de 
tratamento de água para remoção e transformação de agrotóxicos. 
 
Fluxograma das tecnologias de oxidação, adsorção e separação em membranas para 
tratamento de águas subterrâneas contaminadas por agrotóxicos 
 
 
 Fonte: Senset al. (2009, p. 202) 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 77 
Fluxograma das tecnologias com filtração em margem e filtração lenta para tratamento de 
água superficial contaminada com agrotóxico 
 
 
Fonte: Senset al. (2009, p. 202) 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 78 
Fluxograma da tecnologia de filtração direta para água superficial contaminada com 
agrotóxico 
 
Fonte: Senset al. (2009, p. 204) 
 
No Brasil, em torno de 50% das estações de tratamento de água empregam a tecnologia 
de tratamento convencional, que consiste em uma sequência de processos que incluem a 
coagulação, floculação, sedimentação (ou flotação), filtração, fluoração, cloração e correção de 
pH. Por apresentar algumas limitações na remoção de determinados agrotóxicos (LAMBERT; 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 79 
GRAHAM, 1995 apud SENS et al., 2009), são propostas algumas associações, tais como: adição 
de polímeros, pré-oxidação, inter-oxidação, adsorção em carvão ativado pulverizado e carvão 
ativado granular ou associação destes. 
A filtração direta por si só não remove agrotóxicos. Sens, Dalsasso e Hassemer (2004) 
estudaram a remoção de carbofurano na filtração direta (FD) e na FD com pré-oxidação com 
ozônio. A água bruta continha em torno de 70 µg/L de carbofurano, e no primeiro tratamento a 
remoção foi de apenas 2,5% e no segundo tratamento, acrescentando-se a pré-ozonização, a 
remoção foi de 95% para uma aplicação de 4 mg/L de 03. Evidentemente que a remoção se deu 
principalmente pela oxidação e não pela filtração, mas os autores queriam observar se não 
haveria desprendimento do agrotóxico acumulado no lodo no meio filtrante durante a carreira de 
filtração. O desprendimento não aconteceu nem mesmo sem a pré-ozonização. O item a seguir 
trata da oxidação de forma geral para remoção de agrotóxicos. 
A oxidação química tem sido utilizada em tratamento de água e tratamento de efluentes 
industriais e domésticos. A tecnologia encontra-se estabelecida no Brasil e tem sido empregada 
para oxidar contaminantes refratários como substâncias húmicas, fenóis, agrotóxicos, solventes 
clorados, hidrocarbonetos aromáticos, benzeno, tolueno, entre outros. Os produtos químicos 
normalmente utilizados como oxidantes são cloro, dióxido de cloro, peróxido de hidrogênio, 
permanganato de potássio, oxigênio, ozônio e produtos de decomposição do ozônio, como o 
radical hidroxila (SENS et al, 2009). 
A adsorção com carvão ativado é a tecnologia mais utilizada no tratamento de águas 
contaminadas por pesticidas e outros compostos químicos que oferecem risco a saúde. O carvão 
ativado pode ser empregado em pó ou granular. Existe na literatura referência a estes dois tipos 
de aplicação, sendo recomendado pela OMS como tecnologia para remoção da maioria dos 
compostos orgânicos, entre eles os agrotóxicos. O uso de carvão ativado em pó em estações de 
tratamento de água é comum em situações de acidente ou quando um contaminante é detectado 
na água bruta e possui características de sazonalidade. Em algumas estações de tratamento de 
água o uso é feito de forma contínua. Este é o método mais comum, porque seu uso pode ser 
adequado em instalações já existentes sem investimentos significativos (USEPA, 2001 apud 
SENS et al., 2009). 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 80 
Segundo Di Bernardo e Dantas (2005), a maior parte das substâncias que causam sabor 
e odor, cor, mutagenicidade e toxicidade, incluindo agrotóxicos, geosmina, MIB e cianotoxinas, 
em geral, podem ser adsorvidas em carvão ativado (CA). 
Coelho e Di Bernardo (2003) estudaram a filtração lenta com camada de areia (FLA) e 
camada intermediária de carvão ativado granular (CAG), precedida ou não de pré-oxidação com 
ozônio associado ao peróxido de hidrogênio, para avaliação da remoção de atrazina presente em 
mananciais abastecedores da cidade de São Carlos (SP). 
No filtro lento com camada única de areia, a remoção de atrazina variou entre 35 e 89% 
para valores no afluente entre 53 e 101 µg/L; no filtro lento de areia com camada intermediária 
de carvão ativado granular (FLA-CAG), no entanto, foram observados valores da concentração 
desse agrotóxico, inferiores a 2 µg/L. Por outro lado, no FLA-CAG foram observados valores da 
concentração de atrazina inferiores a 2 µg/L para relação 03/H202 superior a 0,5. 
A tecnologia de filtração em margem (FM) pode ser uma alternativa de remoção de 
contaminantes das águas, podendo mesmo, em muitos casos, torná-las potável. A FM pode 
remover vários contaminantes, como agrotóxicos, microalgas, toxinas, metais pesados, fármacos, 
patógenos, entre outros. A remoção dos contaminantes orgânicos, na FM, ocorre em torno da 
interface manancial-aquífero por processos físicos e bioquímicos. Entretanto, os processos 
biológicos, responsáveis pela sua eliminação, ocorrem predominantemente nos primeiros metros 
de leito filtrante. Por sua vez, a fração biodegradável da matéria orgânica pode ser degradada por 
bactérias, enquanto a fração refratária pode ser removida por adsorção na fase sólida 
(MARMONIER et al., 1995 apud SENS et al., 2009). 
As técnicas que utilizam membranas para tratar água de abastecimento são notadamente 
eficazes para reduzir a turbidez, microrganismos, microcontaminantes, subprodutos da oxidação 
e desinfecção e para melhorar a qualidade gustativa da água potável. 
A natureza do material da membrana (poliamida, amida, acetato de celulose) influencia 
o mecanismo de retenção. 
A presença de matéria orgânica (MO) favorece a remoção de certos agrotóxicos, como a 
atrazina e a simazina. O fenômeno de adsorção dos agrotóxicos sobre a MO se faz por 
fisiosorçãoepor quimiosorção (BOUSSAHEL; BAUDU; MONTIEL, 2000 apud SENS et al., 
2009). 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 81 
Os sistemas de nanofiltração não removem completamente todos os agrotóxicos. A 
eficiência de remoção depende de vários fatores e necessita-se de estudos de todas as famílias de 
agrotóxicos sobre os diferentes tipos de membranas. Para garantir, durante todo o tempo de 
tratamento, que a água atenda os padrões de qualidade em relação aos agrotóxicos, um 
tratamento suplementar (adsorção em CAG) pode ser necessário. 
A prática da nanofiltração necessita de pré-tratamentos físicos e químicos perfeitamente 
adaptados para assegurar a perenidade das membranas e reduzir os riscos de perda de 
desempenho. Como para as aplicações a base de CAP, faz-se necessário uma reflexão com 
relação aos rejeitos (o concentrado pode representar até 15% da vazão de alimentação) (SENS et 
al., 2009). 
 
REMOÇÃO DE GOSTO E ODOR 
Gosto e odor na água potável podem ter origem no manancial de abastecimento, no 
tratamento e no sistema de distribuição da água potável. No manancial, a origem pode ser natural 
ou antropogênica. No tratamento e na distribuição, compostos que conferem gosto e odor a água 
podem ser introduzidos ou formados (BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). 
Muitos compostos químicos de origem industrial podem contribuir diretamente para 
gosto e odor na água. Por outro lado, esgotos domésticos, efluentes industriais e águas de 
drenagem urbana e agrícola contêm nutrientes que estimulam o crescimento de organismos 
planctônicos e outras formas de matéria orgânica. Produtos metabólitos de microrganismos e 
decomposição de matéria orgânica presentes em mananciais de abastecimento são fontes comuns 
de compostos causadores de gosto e odor na água potável. Cianobactérias, microalgas e 
actinomicetos produzem substâncias químicas como trans-1,10-dimetil-trans-9-decalol 
(geosmina) e 2-metilisoborneol (2-MIB) que apresentam limiares de detecção da ordem de ng/L. 
Geosmina e 2-MIB estão entre os principais responsáveis pela presença de odores de terra e 
mofo em água potável. 
Compostos químicos adicionados ou formados no tratamento e na rede de distribuição 
de água também podem originar alterações nas características organolépticas da água. Os 
compostos classificam-se em três categorias (THOMPSON et al., 2007 apud BEDETTI; DE 
LUCA; CYBIS, 2009): 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 82 
1) substâncias que resultam da adição de compostos químicos usados para 
coagulação e desinfecção da água, conferindo gosto e odor diretamente ou através de formação 
de subprodutos; 
2) desinfetantes adicionados para garantir um residual até os pontos de consumo, 
podendo haver, também, formação de subprodutos; 
3) substâncias lixiviadas de materiais usados na rede de distribuição ou que resultam 
da corrosão de metais. 
Em geral, a presença de gosto e odor na água potável é considerada um problema 
estético, não trazendo, necessariamente, riscos à saúde da população. Este enfoque se reflete nos 
padrões de potabilidade para gosto e odor estabelecidos por vários países e pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS). Contudo, alguns contaminantes podem ser, ao mesmo tempo, tóxicos 
e causarem gosto e odor. 
De acordo com Jardine, Gibson e Hrudey (1999 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 
2009), há evidências de que a presença de odores anormais na água potável seja um indicador 
também da presença de substâncias que podem trazer riscos à saúde dos consumidores. Esses 
autores acreditam que não há uma base confiável para se assumir que a detecção de odores 
ocorrerá sempre a níveis inferiores aos de proteção à saúde. Desta forma, a detecção de odores 
na água potável deve ser considerada como evidência da presença de compostos indesejáveis. A 
conclusão de que não há riscos à saúde somente poderá ser feita após a identificação dos 
compostos responsáveis. 
A orientação da OMS (WHO, 2004 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009) é que 
ocorrências de gosto e odor na água potável sejam investigadas, porque elas podem indicar a 
presença de alguma forma de poluição ou mal funcionamento das operações de tratamento e 
distribuição da água, podendo ser indicativo da presença potencial de compostos prejudiciais à 
saúde. 
A rejeição à água potável apresenta um efeito indireto sobre a saúde, pois os indivíduos 
podem reduzir a quantidade ingerida a um valor menor do que o necessário para a satisfação das 
suas necessidades fisiológicas. Para elaboração das guias de qualidade da água, a OMS considera 
um consumo médio de dois litros de água por dia, por adulto (WHO, 2004 apud BEDETTI; DE 
LUCA; CYBIS, 2009). Também, uma água que contenha odores e gosto ofensivos origina 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 83 
efeitos psicossomáticos, como dores de cabeça, estresse e distúrbios estomacais (JARDINE; 
GIBSON; HRUDEY, 1999 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). Esses efeitos afetam de 
maneira especial certos grupos de pessoas dentro do conjunto da população, não devendo ser 
minimizados pelas autoridades responsáveis pela saúde pública. 
A qualidade da água potável no Brasil é regulada pela Portaria MS n° 518/2004 
(BRASIL, 2004). Esta portaria estabelece padrões microbiológicos, de turbidez, de potabilidade 
para substâncias químicas que apresentam risco à saúde, de radioatividade e de aceitação para 
consumo humano. Gosto e odor estão enquadrados na categoria de padrões de aceitação, sendo 
seus valores máximos permitidos (VMP) representados pela expressão “não objetável”, de 
acordo com o “critério de referência”. Todavia, este critério de referência não é estabelecido pela 
portaria. A expressão não objetável pode ter diferentes interpretações, uma vez que os limiares 
de detecção de gosto e odor variam entre as pessoas (APHA; AWWA; WEF, 2005 apud 
BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). 
A OMS não apresenta recomendações quantitativas para constituintes que causem gosto 
e odor na água sem que haja comprovação de efeitos diretos adversos sobre a saúde. Nos Estados 
Unidos, indicadores que apresentam efeitos classificados como estéticos (gosto e odor, cor e 
formação de espumas), cosméticos (descoloração de pele e dentes) e técnicos (corrosão, 
deposição e incrustação) são recomendados como padrões secundários de qualidade da água 
(USEPA, 1992 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). Isto significa que os contaminantes 
relacionados a estes efeitos têm seus padrões atendidos de maneira voluntária. 
Izaguirre e Devall (1995 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009) sugerem quatro 
componentes para o controle na fonte de problemas de gosto e odor. 
1) Definição do problema: nesta etapa investiga-se se o problema tem origem na 
fonte de abastecimento, na estação de tratamento ou no sistema de distribuição. Também, se o 
gosto e odor são de origem biológica ou podem estar relacionados a despejos industriais. 
Procura-se identificar o composto envolvido. 
2) Inspeção sanitária: a inspeção sanitária na área de drenagem do manancial de 
abastecimento de água tem a finalidade de identificar fontes de emissão de contaminantes que 
possam contribuir, direta ou indiretamente, para a ocorrência de episódios de gosto e odor. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 84 
3) Estratégias de controle: este componente do programa envolve a definição de 
medidas a serem tomadas para o controle das causas de gosto e odor. 
4) Monitoramento: um programa de monitoramento regular é essencialpara 
acompanhamento da qualidade da água, para avaliação das medidas de controle e para alertar 
com antecedência sobre o surgimento de condições propícias para o desenvolvimento de 
episódios de gosto e odor. 
Os processos de tratamento usados para remoção de gosto e odor se classificam em duas 
categorias: (1) os que destroem ou modificam os compostos responsáveis pelo problema; e, (2) 
os que removem os compostos da água (HOEHN; MALLEAVILLE, 1995 apud BEDETTI; DE 
LUCA; CYBIS, 2009). 
Processos de oxidação enquadram-se no primeiro grupo, enquanto aeração e adsorção 
em carvão ativado pertencem ao segundo. Processos biológicos incluem mecanismos que 
envolvem transformação e remoção, desta forma classificam-se em ambas as categorias. 
A escolha dos processos mais adequados, assim como os pontos de adição de produtos 
químicos, é otimizada por meio de ensaios em planta piloto e jartestes, uma vez que as 
características da água de abastecimento tem grande influência na efetividade dos processos de 
tratamento (Di BERNARDO; DANTAS, 2005). 
Os processos de tratamento constituídos por coagulação, floculação, decantação, 
filtração e pós-cloração são pouco eficientes na remoção de muitos compostos que causam gosto 
e odor na água (HOEHN; MALLEAVIALLE, 1995; DUGUET et al., 1995; WESTERHOFF et 
al., 2005; MOORE; WATSON, 2007 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). 
A filtração em meio granular objetiva remover material particulado da água, tais como 
precipitados de alumínio ou ferro usados na coagulação, partículas de argila, silte e 
microrganismos. Dessa forma, compostos dissolvidos odoríferos têm remoção apenas residual na 
filtração granular. No caso particular de filtros lentos de areia, desenvolve-se, junto à superfície, 
uma camada biológica que pode contribuir para a oxidação de compostos odoríferos. 
Os processos de oxidação química e biológica objetivam a conversão de compostos 
indesejáveis presentes na água, em outros de características mais aceitáveis. 
Adsorção em carvão ativado em pó (CAP) ou granular (CAG) é consistentemente citada 
como um dos processos indicados para a remoção de compostos causadores de gosto e odor na 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 85 
água. Adsorção envolve a acumulação de uma substância que se encontra dissolvida na água na 
interface com o sólido. 
MWH (2005 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009) cita as vantagens e 
desvantagens da adição de carvão ativado em pó em quatro pontos do sistema de tratamento de 
água: (1) junto à tomada de água; (2) no tanque de mistura rápida; (3) na entrada do filtro; e, (4) 
em reator de contato entre a suspensão de carvão em pó e água bruta, precedendo a mistura 
rápida. Destes, o menos indicado é a entrada do filtro, pois há a possibilidade de passagem do 
carvão pelo meio granular, comprometendo a qualidade do efluente. Baseados em estudos 
realizados, Graham et al. (2000 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009) recomendam que a 
aplicação de CAP seja feita antes da coagulação. 
A performance da filtração em carvão ativado granular é influenciada pela distribuição 
do tamanho de partículas, pela lavagem em contracorrente e pela carga hidráulica. O tamanho de 
partículas influencia a taxa de adsorção e a perda de carga no filtro. A lavagem de filtros de 
carvão diminui sua eficiência e desintegra a zona de transferência de massa do filtro (ZTM é a 
extensão do leito granular necessária para a transferência do contaminante do líquido para o 
carvão). A carga hidráulica afeta a perda de carga no filtro. O CAG deve ser usado após a 
filtração granular convencional, devendo receber somente águas de baixa turbidez. 
Aeração e dessorção gasosa são processos físicos aplicados com as finalidades de 
absorção ou remoção de gases para/ou da água. Esses processos têm várias aplicações no 
tratamento de água, tais como a absorção de 03 e Cl2 e a dessorção de CO2 e H2S. 
A tecnologia de separação por membranas e suas aplicações no tratamento de água é 
apresentada por Mierzwa (2006). Dependendo da capacidade e da forma de separação dos 
contaminantes, e do tipo e intensidade da força motriz utilizada, os processos são classificados 
em microfiltração, ultrafiltração, nanofiltração, osmose reversa e eletrodiálise. Nos quatro 
primeiros, a pressão hidráulica força a passagem do líquido pelas membranas, ficando retidas 
partículas com tamanhos que excedam o diâmetro dos poros. Na eletrodiálise, a força motriz de 
separação é a corrente elétrica. 
A aplicação de sistemas de membranas ao tratamento de água teve início no começo da 
década de 1960, com o uso de osmose reversa para dessalinização de água do mar. Nas décadas 
seguintes, iniciaram-se aplicações da nanofiltração para remoção de dureza de águas 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 86 
subterrâneas no Estado da Flórida, EUA, e remoção de cor de águas de abastecimento originadas 
de regiões de turfas, na Noruega. 
Em algumas ocasiões a fonte de abastecimento poderá experimentar alterações intensas 
na qualidade da água. A intensidade e a frequência destes episódios devem ser cuidadosamente 
estudadas, reportadas e armazenadas pela concessionária dos serviços de saneamento, pois 
ajudarão nas decisões futuras quando estes eventos se repetirem. 
A variação na qualidade da água do manancial poderá se estender ou não à água 
potável, dependendo da capacidade dos processos de tratamento existentes em remover os 
contaminantes ao nível considerado seguro para consumo. No caso de episódios de gosto e odor 
causados por compostos como 2-MIB e geosmina, o mais usual é que a água seja rejeitada mais 
por razões estéticas do que pela presença de compostos que tragam risco imediato à saúde. Desta 
forma, é muito importante que os serviços de saneamento estabeleçam planos de emergência 
para os períodos críticos de qualidade da água do manancial. Estes planos devem conter 
protocolos para avaliação e diagnóstico da qualidade da água para subsidiarem tomadas de 
decisão com o objetivo de controlar o problema. Estas medidas devem se inserir no contexto do 
Plano de Segurança da Água do sistema de abastecimento (BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 
2009). 
A variação de qualidade da água do manancial poderá ser devida a compostos 
originados do metabolismo dos microrganismos ou por compostos químicos específicos 
descartados de maneira irregular por indústrias. 
Também é possível que haja acidentes que causem derramamentos de substâncias 
indesejáveis na água. Estes acidentes podem ocorrer em plantas industriais, em estações de 
tratamento de águas residuárias ou em vias de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário. 
Boledaet al. (2007 apud BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009) relatam episódios de 
contaminação de fontes de água superficial e subterrânea da cidade de Barcelona, na Espanha, 
por despejos de creosoto, 2-EDD, diacetil e diciclopentadienos. Estudos cromatográficos 
permitiram identificar a origem dos despejos como sendo de indústrias de preservação de 
madeira, de resinas químicas, de papel e descarte de gasolina no solo, respectivamente. 
A determinação da causa do evento de gosto e odor é importante, pois muitas 
substâncias, além de conferirem estas características à água, também são tóxicas. No caso de 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 87 
substâncias tóxicas estarem presentes em concentrações que colocam em risco à saúde da 
população, deverá ser tomada uma decisão de interromper o suprimento de água potável de 
modo temporário até que o corpo d'água volte a apresentar qualidade segura. Para o caso de 
compostos que causem rejeiçãoà água, mas que não sejam tóxicos aos níveis presentes no 
manancial, as concessionárias deverão encontrar alternativas para minimizar os transtornos 
trazidos pela situação, sem que haja a descontinuidade do serviço de abastecimento de água 
potável (BEDETTI; DE LUCA; CYBIS, 2009). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 88 
MANEJO DE ÁGUAS PLUVIAIS URBANAS 
 
Segundo Righetto; Moreira e Sales (2009), o manejo das águas pluviais urbanas se 
inicia pelo levantamento e conhecimento do estado atual de uma sub-bacia hidrográfica urbana. 
Qual é ou era o sistema natural de drenagem da área e quais interferências ocorreram ao longo do 
tempo com relação ao uso e ocupação do solo? Como as edificações e pavimentações foram 
executadas e que cuidados existem ou existiram com relação à geração de deflúvios superficiais 
durante as ocorrências de chuvas intensas? 
A segunda etapa se volta ao diagnóstico da infraestrutura de drenagem existente, do 
espaço construído e planejado, de diretrizes estabelecidas pelo Poder Público e da eficácia 
quanto ao cumprimento das leis e normas associadas à ocupação do solo e aos impactos 
ambientais relacionados ao saneamento básico da cidade. 
Duas vertentes de trabalho dão continuidade às atividades voltadas ao manejo das águas 
pluviais urbanas. A primeira trata da infraestrutura, dos elementos hidráulicos estruturais, das 
práticas de contenção e transporte das águas pluviais, tanto nas fontes geradoras de deflúvios 
superficiais, como lotes, praças e parques, quanto no sistema viário, dos sistemas de micro e 
macrodrenagem, dos sistemas de transposição, do carreamento e deposição de sedimentos e 
resíduos sólidos, etc. A segunda trata dos dispositivos legais e de administração da infraestrutura 
de drenagem, envolvendo a operacionalidade do sistema, a manutenção, a fiscalização e medidas 
de remediação em tempo real, em função de anomalias inevitáveis naturais ou geradas em função 
da dinâmica de ocupação do espaço urbano. 
Relativo ao aspecto de qualidade das águas pluviais, o manejo deve ser realizado quanto 
à utilização das águas pluviais como recursos hídricos e seu aproveitamento no abastecimento de 
água, na recarga de aquífero, em jardinagem, na limpeza pública, etc. A separação das primeiras 
águas superficiais geradas pelas chuvas, em áreas urbanas, é um mecanismo promissor quanto à 
real utilização das águas de chuvas captadas pelas bacias hidrográficas urbanas. 
As vazões de cheia produzidas na bacia hidrográfica ou localmente no espaço urbano 
podem ser bastante alteradas em função de um manejo eficiente do controle dos deflúvios em 
suas fontes geradoras e de pequenas estruturas de controle em determinados pontos da bacia, 
particularmente próximos às vias públicas e fundos de vale. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 89 
O controle da geração de deflúvios em lotes e condomínios habitacionais pode ser 
eficientemente realizado por meio de um paisagismo que integre adequadamente as áreas 
impermeabilizadas com as áreas verdes. Cisternas e micro reservatórios de infiltração são 
componentes hidráulicos eficazes para reduzir os efluentes pluviais de áreas urbanizadas, e estes 
podem ser amplamente implementados mediante incentivos do Poder Público com relação a 
abatimentos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em função da redução da 
contribuição de deflúvios e, consequentemente, da atenuação das cheias no sistema de 
macrodrenagem. Evidentemente, de nada vale essas implementações se não houver mecanismos 
sistemáticos de divulgação, de fiscalização e de manutenção continuada. 
Sabe-se que as vias públicas são grandes geradoras de deflúvios decorrentes da elevada 
impermeabilização do terreno e de descompensações de declividades, ora elevadas, ora 
inexistentes. Nos baixios, formam-se alagamentos inconvenientes ao trânsito de veículo e 
pedestre, e a inadequação de topografia local, muitas vezes de fácil solução, é ignorada pelo 
órgão público responsável. A introdução de trincheiras de infiltração no calçamento e um 
possível sistema de recalque resolveriam de imediato um problema local, gerador de insatisfação 
aos moradores locais e transeuntes. É um exemplo típico de ausência da prática de manejo das 
águas pluviais urbanas. 
Quanto à infraestrutura de drenagem existente, torna-se imprescindível a avaliação 
continuada da capacidade do sistema frente ao avanço de ocupação do espaço urbano, ao uso e 
ocupação do solo, às impermeabilizações de terrenos, à inexistência de medidas compensatórias, 
etc. Dependendo da magnitude e complexidade da bacia de drenagem e do avanço insatisfatório 
de regulamentações e fiscalizações, é preciso adequar a infraestrutura de drenagem existente com 
a introdução de elementos hidráulicos que permitam minimizar os efeitos danosos das enchentes, 
procurando-se ampliar os períodos de retornos a partir dos quais o sistema se torna inadequado, 
pondo em risco as áreas circunvizinhas desprotegidas contra alagamentos (RIGHETTO; 
MOREIRA; SALES, 2009). 
O transporte de sedimentos em sistemas de drenagem é um indicador significativo da 
contaminação das águas pluviais, pois revela a capacidade erosiva e de transporte dos deflúvios 
superficiais e a incorporação de contaminantes depositados nas superfícies dos terrenos e vias 
públicas. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 90 
Nos baixios, as canalizações de drenagem podem se tornar rapidamente obstruídas, 
podendo comprometer seriamente a capacidade de drenagem da área. Em regiões litorâneas, as 
baixas declividades sempre reinantes obrigam a se dimensionar galerias de grandes dimensões. 
No entanto, não ocorrendo a manutenção e a limpeza frequente dessas galerias, a obstrução por 
depósitos de sedimentos pode, dramaticamente, ocasionar grandes alagamentos pela 
incapacidade de veiculação das águas pelas galerias e pela falsa confiabilidade de funcionamento 
do sistema. 
Estudos e pesquisas em hidrologia urbana são essenciais para o conhecimento em maior 
profundidade dos problemas de águas urbanas. Além do levantamento de parâmetros, 
observações de eventos hidrológicos e pesquisas com caráter de inovação buscam novas 
abordagens e novos questionamentos que possibilitem prosseguir na evolução do entendimento 
do espaço urbano, com aplicações de novas tecnologias e conceituações atualizadas face à 
evolução tecnológica e às complexidades sempre crescentes do uso e ocupação no ambiente 
urbano. Um sistema de monitoramento hidrológico automático devidamente protegido é um 
desafio ainda ausente na imensa maioria das cidades brasileiras com problemas de drenagem. 
Pelas facilidades sempre crescentes de uso de sistemas de geoprocessamento, não se 
concebe, atualmente, uma cidade de porte médio ou grande que não possua um cadastro 
informatizado atualizado de todo o espaço urbano, integrando os sistemas: viário; de 
abastecimento de água; de esgotamento sanitário; de drenagem urbana; da distribuição de 
eletricidade; da logística de coleta dos resíduos sólidos, etc. 
A evolução tecnológica e a qualidade de vida da cidade são fortemente sentidas a partir 
de uma base de dados confiável e suficientemente abrangente. Com essa base de dados, as 
discussões e as formulações dos problemas da cidade são muito mais claramente evidenciadas, e 
as soluções a serem desenvolvidas passam facilmente pela compreensão dos técnicos, dos 
políticos e da população em geral. 
O manejo da água pluvial no meio urbano deve proporcionar qualidade de vida aos 
cidadãos,reduzindo a um nível aceitável os riscos de inundação oriundos da impermeabilização 
do solo. Ao mesmo tempo, o uso sustentável da água envolve a elaboração de políticas de uso e 
ocupação do solo, com cenários de desenvolvimento e planejamento estratégico de médio e 
longo prazo. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 91 
Nesse contexto, a concepção de sistemas destinados a reduzir os efeitos da urbanização 
na quantidade e qualidade da água escoada tem como objetivo aumentar o armazenamento, 
reduzindo o lançamento de deflúvios e da carga de poluição difusa. 
Nas últimas décadas, a crescente necessidade de enfrentar os problemas da água pluvial 
no meio urbano fez surgir o conceito de sistemas não convencionais de controle na fonte, com 
ênfase no manejo sustentável da água de drenagem. Esses sistemas compreendem medidas que 
estabelecem soluções práticas para o problema dos deflúvios urbanos, com a implantação de 
sistemas de controle próximo do local de geração do deflúvio, e ainda envolvem medidas 
estruturais e não estruturais. As medidas não estruturais envolvem ações operacionais e 
educacionais, além de medidas de controle. Integram um conjunto de ações locais específicas, 
visando promover a retenção e infiltração do escoamento, com o controle dos impactos da 
urbanização na drenagem (RIGHETTO; MOREIRA; SALES, 2009). 
O objetivo dos sistemas de controle na fonte é preservar as condições hidrológicas da 
bacia pré-urbanizada, reduzindo os impactos para um nível aceitável. Assim, o estabelecimento 
de um sistema de controle não convencional reflete as condições físicas do local, procurando 
observar os seguintes aspectos: 
 disponibilidade de espaço físico para implantação dos dispositivos, aspecto 
importante especialmente no caso de áreas densamente urbanizadas; 
 definição dos dispositivos mais adequados em função dos tipos de poluentes 
presentes no escoamento, com a verificação continuada da eficiência de 
funcionamento; 
 o comportamento do lençol freático na estação chuvosa – informação importante no 
caso de sistemas de infiltração; tem influência direta na capacidade de 
armazenamento; 
 levantamento do perfil litológico do local; solos com alta capacidade de percolação 
são necessários ao funcionamento de sistemas de infiltração da água no solo; 
 análise dos custos de implantação e manutenção da estrutura; considerar a 
disponibilidade de material no local, facilidade de manutenção, eficiência de 
remoção de poluentes; disponibilidade e treinamento de pessoal técnico. 
(RIGHETTO; MOREIRA; SALES, 2009). 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 92 
Observa-se, assim, que a adoção de um determinado dispositivo de controle do 
escoamento exige o estabelecimento de critérios de ordem prática. A sua implantação tem o 
objetivo de absorver os impactos negativos de uso e ocupação do solo na bacia. Assim, a solução 
adotada deve atender às necessidades locais, considerando os prós e contras das tecnologias 
disponíveis. 
 
TIPOS DE SISTEMAS DE CONTROLE NÃO CONVENCIONAIS 
Um sistema não convencional de controle é usado como solução frente ao aumento do 
escoamento e da carga de poluição difusa, possibilitando melhorar as condições de drenagem e 
de qualidade da água com a melhor relação custo-benefício possível. Os sistemas não 
convencionais usados no manejo da água em áreas urbanizadas são classificados em dois tipos: 
sistemas não estruturais ou de controle do escoamento na fonte e sistemas estruturais com 
eventual tratamento da água contaminada (TUCCI; ORSINI, 2005). 
Os sistemas não estruturais utilizam meios naturais para reduzir a geração do 
escoamento e a carga poluidora; não contempla obras civis, mas envolve ações de cunho social 
para modificar padrões de comportamento da população, tais como meios legais, sanções 
econômicas e programas educacionais; são denominados sistemas de controle na fonte, pois 
atuam no local ou próximo das fontes de escoamento, estabelecendo critérios de controle do uso 
e ocupação do solo nessas áreas. 
Os sistemas estruturais, por sua vez, englobam obras de engenharia destinadas à 
retenção temporária do escoamento, podendo-se promover o tratamento da água. Esses sistemas 
permitem o controle qualiquantitativo da vazão gerada na bacia, seja pelo armazenamento 
temporário do volume escoado, seja pela redução da carga poluidora. 
Em anos recentes, vem aumentando a importância das medidas preventivas de caráter 
não estrutural, tanto pela eficiência em solucionar o problema na fonte como pela pulverização 
dos custos com obras de drenagem, evitando a necessidade de implantação de obras mais caras 
no futuro. 
As medidas não estruturais englobam um conjunto de regras de controle do uso e de 
ocupação do solo. O Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU) estabelece regras que visam o 
controle e a prevenção, combinando medidas não estruturais e estruturais nos cenários de 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 93 
ocupação atual e futura. As medidas compensatórias de controle do escoamento na fonte 
englobam quatro tipos de ações: 
1. planejamento, projeto e implantação de estruturas de retenção e armazenamento; 
2. manutenção adequada das superfícies permeáveis e impermeáveis; 
3. educação e treinamento como forma de conscientizará população para os 
problemas ambientais, e sua relação com a água; 
4. regulamentação, vigilância e mecanismos de sanções. 
As medidas não estruturais de controle do escoamento na fonte podem ser agrupadas em 
categorias, conforme mostra a tabela abaixo: 
 
Categoria de medidas não estruturais 
 
Fonte: RIGHETTO; MOREIRA; SALES (2009, p. 31). 
 
Os sistemas estruturais compõem uma variedade de estruturas, cuja finalidade é a de 
deter e/ou transportar os deflúvios gerados na bacia e também de propiciar a infiltração 
localizada. Essas obras têm a finalidade de reduzir os impactos provocados pela urbanização no 
hidrograma resultante. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 94 
As bacias de detenção, por exemplo, atuam amortecendo a vazão máxima, reduzindo os 
impactos a jusante, uma vez que elas funcionam como estruturas de regulação (RIGHETTO; 
MOREIRA, SALES, 2009). 
Em alguns países, os sistemas estruturais são usados no tratamento da água escoada, 
propiciando a remoção de poluentes presentes na água. Em alguns casos, o dispositivo de 
tratamento da água está localizado na entrada da rede de drenagem; em outros, no ponto de 
lançamento no corpo receptor. Os sistemas estruturais podem ser classificados em função das 
categorias funcionais, como mostra a tabela abaixo: 
 
Categoria de medidas estruturais 
 
 Fonte: RIGHETTO; MOREIRA; SALES (2009, p. 37). 
 
Tratamento e uso da água são assuntos que não se esgotam! Pesquisas em gestão de 
águas pluviais urbanas é um campo de trabalho imenso, fértil, carente de profissionais para 
buscarem condições ótimas de sistemas de drenagem para as cidades brasileiras. 
Ainda observamos pouco trabalho em termos de operação, manutenção e otimização de 
regras operacionais dos sistemas estruturais de drenagem. Tampouco as regulamentações e as 
fiscalizações são cumpridas e realizadas por meio de mecanismos de educação ambiental, de 
sanções às infrações e de avaliações sistemáticas do desenvolvimento de áreas urbanizadas e do 
impacto sobre a drenagem. 
 
 
 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados sãodados aos seus respectivos autores. 95 
REFERÊNCIAS 
 
REFERÊNCIAS BÁSICAS 
ACHON, Cali Laguna; BARROSO, Marcelo Melo;CORDEIRO, João Sérgio. Resíduos de 
estações de tratamento de água e a ISO 24512: desafio do saneamento brasileiro. Engenharia 
Sanitária e Ambiental. Versão impressa ISSN 1413-4152. Eng. Sanit. Ambient. vol. 18 no. 2. 
Rio de Janeiro abr./jun. 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-41522013000200003. Disponível 
em:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
41522013000200003&lng=en&nrm =iso&tlng=pt. Acesso em: 28 ago. 2013. 
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. 3. ed. rev. – Brasília: Fundação 
Nacional de Saúde, 2004. 
PÁDUA, Valter Lúcio (Coord.). Remoção de microrganismos emergentes e micro contaminantes 
orgânicos no tratamento de água para consumo humano. Água. Programa de Pesquisa em 
Saneamento Básico - 5 (PROSAB). Rio de Janeiro: ABES, 2009. 
QUEIROZ, Ana Carolina Lanza; CARDOSO, Laís Santos de Magalhães; HELLER, Léo; 
CAIRNCROSS, Sandy. O uso da pesquisa-ação para a avaliação e o aprimoramento de práticas 
integradas para a vigilância da qualidade da água para consumo humano: potencialidades e 
desafios. Engenharia Sanitária e Ambiental. Versão impressa ISSN 1413-4152. Eng. Sanit. 
Ambient. vol. 17, no. 3. Rio de Janeiro jul./set.2012. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-
41522012000300004. Disponível em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
41522012000300004&lng=en&n rm =iso&tlng=pt>. Acesso em: 29 ago. 2013. 
RIGHETTO, Antônio Marozzi (coord.) Manejo de águas pluviais urbanas. Rio de Janeiro: 
ABES/PROSAB, 2009. 
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES 
ARAÚJO, André Luís Calado; TAVARES, Francimara Costa de Souza; LOPES, Régia Lúcia. 
Saneamento Ambiental. Curso Técnico de Nível Médio Subsequente em Saneamento ambiental. 
Natal: CEFETRN/FUNASA, 2010. 
AZEVEDO, S.M.F.O. et al. Intoxicação humana por microcistinas durante o tratamento de 
diálise renal em Caruaru - Brasil. Toxicology, v. 181, p. 441-446, 2002. 
AZEVEDO, S.M.F.O. O Sul e América Central: cianobactérias tóxica. In: Codd, G.A. et al. (ed.) 
Cyanonet: uma rede mundial de floração de cianobactérias e gestão de risco toxina. Paris: 
IHPUnesco, 2005. p. 115-126. 
BAIRD, C. Química Ambiental, 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 96 
BASTOS, Rafael Kopschitz Xavier; BRANDÃO, Cristina Celia Silveira; CERQUEIRA, Daniel 
Adolpho. In: 
BENETTI, Antônio D.; DE LUCA, Sérgio J.; CYBIS, Luiz Fernando. Remoção de Gosto e Odor 
em Processos de Tratamento de Água. In: PÁDUA, Valter Lúcio (Coord.). Remoção de 
microrganismos emergentes e micro contaminantes orgânicos no tratamento de água para 
consumo humano. Água. Programa de Pesquisa em Saneamento Básico - 5 (PROSAB). Rio de 
Janeiro: ABES, 2009. 
BEVILACQUA, Paula Dias; AZEVEDO, Sandra Maria Feliciano de Oliveira; CERQUEIRA, 
Daniel Adolpho. Microrganismos Emergentes: Protozoários e Cianobactérias. In: PÁDUA, 
Valter Lúcio (Coord.). Remoção de microrganismos emergentes e micro contaminantes 
orgânicos no tratamento de água para consumo humano Água. Programa de Pesquisa em 
Saneamento Básico - 5 (PROSAB). Rio de Janeiro: ABES, 2009. 
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria MS nº 518. Estabelece os procedimentos e 
responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da agua para consumo humano 
e seu padrão de potabilidade, e da outras providencias. Diário Oficial da União, 26 mar. 2004. 
CEBALLOS, Beatriz Suzana Ovruski de; DANIEL, Luiz Antônio; BASTOS, Rafael Kopschitz 
Xavier. Tratamento de Água para Consumo Humano: Panorama Mundial e Ações do Prosab. 
PÁDUA, Valter Lúcio (Coord.). Remoção de microrganismos emergentes e micro contaminantes 
orgânicos no tratamento de água para consumo humano Água. Programa de Pesquisa em 
Saneamento Básico - 5 (PROSAB). Rio de Janeiro: ABES, 2009. 
CETESB, Operação e manutenção de ETA, v.02, São Paulo, 1973. 
COELHO, E.R.C.; Di BERNARDO, L. Avaliação da filtração lenta em leito de areia e carvão 
ativado granular e da pré-oxidação com ozônio e peroxido de hidrogênio na remoção de matéria 
orgânica, microrganismos e atrazina. In: 22º CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA 
SANITARIA E AMBIENTAL. 2003, Joinville. Anais... Joinville, 2003, CD-ROM. 
CAMPINAS: Unicamp. O tratamento de água para abastecimento público (2001). Disponível 
em: http://www.fec.unicamp.br/~bdta/index-v.html 
COLLISCHONN, Walter; TASSI, Rutinéia. Introduzindo Hidrologia. Porto Alegre: 
IPH/UFRGS/UFSM, 2011. 
CONVÊNIO CETESB/ASCETESB. Técnica de abastecimento e tratamento de água, v. 02 - 
Tratamento de água. São Paulo, 1987. 
COPASA-MG. Tratamento de Água e Remoção de Protozoários (2013). Disponível em: 
http://www.copasa.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?tpl=home 
CYBIS, L.F.A. et al. Manual para estudos de cianobactérias planctônicas em mananciais de 
abastecimento público: caso da Represa Lomba do Sabão e Lago Guaíba, Porto Alegre, Rio 
Grande do Sul. Rio de Janeiro: ABES, 2006. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentados são dados aos seus respectivos autores. 97 
DI BERNARDO, L.; DANTAS, A.D.B. Métodos e técnicas de tratamento de água. 2. ed. São 
Carlos: Rima, 2005. 
DI BERNARDO, Luiz. Métodos e técnicas de tratamento de água, v. 01. Rio de Janeiro: ABES, 
1993. 
FRANCO, R.M.B.; CANTUSIO NETO, R.; BRANCO, N. Detecção de Cryptosporidiumsp e 
Giardiasp em agua pela técnica de filtração em membrana: estudo comparativo entre diferentes 
técnicas de eluicao. Jornal Brasileiro de Patologia, v. 37, n. 4, p. 205, 2001. 
GICQUEL, L. Curso agrotóxico. Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental. 
Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 1998. 
JACOMINI, A.E. Estudo da presença de herbicida ametrina em aguas, sedimentos e moluscos, 
nas bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. Ribeirão Preto: USP, 2006. Tese de Doutorado. 
LIMA, Rosimeire Suzuki; LIMA, Ruy; OKANO, Nelson Hidemi. Saneamento ambiental. Série 
de Cartilhas Temáticas. 2010http://www.crea-pr.org.br/crea3/blog/cadernos/saneamento.pdf 
MELLO, Marina Figueira de. Privatização do setor de saneamento no Brasil: quatro experiências 
e muitas lições. Econ. Apl. v.9, n.3 Ribeirão Preto, July./Sept. 2005. 
MENDES, Carlos Gomes da Nave. Noções sobre técnicas de tratamento de águas para 
abastecimento, (1998). Apostila. 
MIERZWA, J.C. Processos de separação por membranas para tratamento de agua. In: PADUA, 
V.L. (coord.). Contribuição ao estudo da remoção de cianobactérias e microcontaminantes 
orgânicos por meio de técnicas de tratamento de agua para consumo humano. Rio de Janeiro: 
ABES, 2006. 
MIERZWA, Jose Carlos; AQUINO, Sergio Francisco de. Contaminantes Orgânicos Presentes 
em Microquantidades em Mananciais de Água para Abastecimento Público. In: PÁDUA, Valter 
Lúcio (Coord.). Remoção de microrganismos emergentes e micro contaminantes orgânicos no 
tratamento de água para consumo humano Água. Programa de Pesquisa em Saneamento Básico - 
5 (PROSAB). Rio de Janeiro: ABES, 2009. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Boletim Eletrônico 
Epidemiológico, n. 3, 2002. 9 p. Disponível em: <http://www.saude.gov.br 
OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde nas Américas: 2007 Washington, D.C.: OPAS,© 
2007. 2 v. (OPAS, Publicação Científica e Técnica, n. 622). Disponível em: 
<http://www.opas.org.br/publicmo.cfm?codigo=97>. 
PÁDUA, Valter Lúcio (Coord.). Remoção de microrganismos emergentes e micro contaminantes 
orgânicos no tratamento de água para consumo humano Água. Programa de Pesquisa em 
Saneamento Básico - 5 (PROSAB). Rio de Janeiro: ABES, 2009. 
 
Este módulo deverá ser utilizado apenas como base para estudos. Os créditos da autoria dos conteúdos aqui apresentadossão dados aos seus respectivos autores. 98 
PESSOA, M.C.P.Y.; SCRAMIN, S; CHAIM, A. Avaliação do potencial de transporte de 
agrotóxicos usados no Brasil por modelos screening e planilha eletrônica. Jaguariúna: Embrapa 
Meio Ambiente, Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 41, 2007. 
RICHTER, Carlos A., AZEVEDO NETTO, José M. de. Tratamento de água. São Paulo: Edgar 
Blücher Ltda., 1991. 
RIGHETTO, A. M.; MOREIRA, L.F.F.; SALES, T.E.A. Manejo de águas pluviais urbanas. In: 
RIGHETTO, Antônio Marozzi (coord.) Manejo de águas pluviais urbanas. Rio de Janeiro: 
ABES/PROSAB, 2009. 
SANT’ANNA C.L. et al. Revisão das espécies tóxicas de cianobactérias no Brasil. AlgolStudies, 
v. 126, p. 251-265, 2008 
SANT’ANNA, C.L. et al. Manual ilustrado para identificação e contagem de cianobactérias 
planctónicas de aguas continentais brasileiras. Rio de Janeiro: Interciencia, 2006. 
SENS, M. L. et al. Remoção e transformação de agrotóxicos. In: 
SENS, M.L.; DALSASSO, R.L.; HASSEMER, M.E.N. Utilização de ozônio em aguas 
contaminadas com agrotóxicos. Saneamento Ambiental, n. 101, p. 36-40, 2004. 
SILVA, C.L. Análise da vulnerabilidade ambiental aos principais pesticidas recomendados para 
os sistemas de produção de algodão, arroz, café, cana-de-açúcar, citros, milho e soja. Campinas: 
Universidade Estadual de Campinas, 2004. Dissertação de Mestrado em Engenharia Agrícola. 
TEIXEIRA, M.G.L.C. et al. Epidemia de gastroenterite na área da Barragem de Itaparica, Bahia, 
Brasil. Boletim da Organização Pan-Americana, v. 27, n. 3, p. 244-253, 1993. 
TUCCI, C.E.M. Águas Urbanas. Estudos Avançados. São Paulo, v.22, n.63, 2008. 
TUCCI, C.E.M.; ORSINI, L.F. Águas urbanas no Brasil: cenário atual e desenvolvimento 
sustentável. In: BRASIL. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. Gestão do território e 
manejo integrado das aguas urbanas. Brasília. Ministério das Cidades, 2005. 
VESILIND, P. Aarne; MORGAN, Susan M. Introdução à Engenharia Ambiental. Trad. da 2 ed. 
norte-americana. São Paulo: Cengage Learning, 2011. 
VON SPERLING, Marcos, Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias – 
Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos, v.01. Minas Gerais: ABES, 1995.

Mais conteúdos dessa disciplina