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1 TÍTULO DA DISCIPLINA: POLUIÇÃO DAS ÁGUAS EDIÇÃO Nº 1 – 2017 JEFERSON SANTOS SANTANA 2 APRESENTAÇÃO Prezado aluno, Nesta obra, apresentaremos os aspectos mais usuais referentes à poluição das águas, considerando as suas complexidades e os fenômenos envolvidos. O livro é dividido em quatro capítulos, os quais estão distribuídos desde os aspectos gerais envolvendo a água até as legislações vigentes em relação a ela. Na Unidade 1, há uma introdução sobre os usos e contextos principais envolvendo a água, incluindo-se os ciclos biogeoquímicos envolvidos e a verificação das influências que a antropicidade causa no meio em questão. A Unidade 2 apresentará os aspectos físicos, químicos e biológicos da água, que podem ser influenciados pela introdução do poluente e afetar a qualidade de vida humana. Na Unidade 3, há uma apresentação dos aspectos polutivos que envolvem as águas, juntamente com as formas de poluição envolvidas nos corpos hídricos e de como a própria natureza mantém seu processo de regeneração (autodepuração) no caso de poluição pontual. Na última unidade, Unidade 4, há a finalização do assunto, mencionando os principais aspectos legislativos envolvendo a poluição das águas e seus contextos, juntamente com a apresentação da qualidade das águas para verificação das influências de cada parâmetro pertencente ao processo de avaliação do perfil de poluição das águas. Para melhor localização no estudo, os capítulos do livro são apresentados de forma sequencial, buscando melhor aprendizagem. 3 Sumário UNIDADE 1...........................................................................................................................5 1. CAPÍTULO 01 – A ÁGUA..........................................................................................6 1.1 INTRODUÇÃO – DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA ......................6 1.2 PRESENÇA DA ÁGUA NO PLANETA ......................................................8 1.2.1 Contexto Hídrico Atual ......................................................................8 1.2.2 Atuações da água nos seres vivos e natureza ...............................9 1.3 CICLO HIDROLÓGICO............................................................................. 14 1.3.1 Evaporação e Evapotranspiração da água ................................... 16 1.3.2 Precipitação ...................................................................................... 16 1.3.3 Escoamento superficial e subterrâneo.......................................... 18 2 CAPÍTULO 02 – USOS DA ÁGUA ............................................................................ 23 2.1 USOS ANTROPOGÊNICOS DA ÁGUA................................................................... 23 UNIDADE 02 ....................................................................................................................... 37 ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA.......................................................... 37 3 CAPÍTULO 03 – ASPECTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA ................. 38 3.1 ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS DA ÁGUA ............................................................. 38 3.1.1 Estrutura química da molécula de água ........................................ 39 3.1.2 Tensão superficial ............................................................................ 45 3.1.3 Capacidade Térmica da água e Calor específico ......................... 48 3.1.4 Salinidade .......................................................................................... 49 4 CAPÍTULO 04 – ASPECTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA ................. 50 4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS RELACIONADOS À ÁGUA ............................................... 50 4.1.1 Introdução....................................................................................................... 50 4.1.2 Doenças relacionadas à água ou de transmissão hídrica ..................................... 52 UNIDADE 03 ....................................................................................................................... 61 A POLUIÇÃO ....................................................................................................................... 61 5 CAPÍTULO 05 – A POLUIÇÃO ................................................................................. 62 5.1 INTRODUÇÃO À POLUIÇÃO ............................................................................... 62 5.2 TIPOS DE POLUIÇÃO ......................................................................................... 64 5.2.1 Poluição Sedimentar ........................................................................................ 65 5.2.2 Poluição Biológica ............................................................................................ 65 5.2.3 Poluição Térmica.............................................................................................. 65 5.2.4 Poluição Química ............................................................................................. 66 5.3 PRINCIPAIS FONTES DE POLUIÇÃO..................................................................... 67 5.4 PRINCIPAIS POLUENTES DA ÁGUA E SEUS EFEITOS ............................................. 69 5.4.1 Efluentes Urbanos e Industriais ......................................................................... 69 5.4.2 Agroquímicos................................................................................................... 71 4 5.4.3 Metais Pesados ................................................................................................ 73 5.4.4 Petróleo .......................................................................................................... 75 6 CAPÍTULO 06 – POLUIÇÃO TÉRMICA, SEDIMENTOS, NUTRIENTES E AUTODEPURAÇÃO 76 6.1 POLUIÇÃO TÉRMICA, SEDIMENTOS, NUTRIENTES............................................... 76 6.1.1 Poluição Térmica.............................................................................................. 76 6.1.2 Sedimentos...................................................................................................... 76 6.1.3 Nutrientes ....................................................................................................... 77 6.2 PROCESSOS DE AUTODEPURAÇÃO .................................................................... 82 6.2.1 Conceito .......................................................................................................... 82 UNIDADE 04 ....................................................................................................................... 88 LEGISLAÇÃO E QUALIDADE DAS ÁGUAS ............................................................................... 88 7 CAPÍTULO 07 – LEGISLAÇÃO DAS ÁGUAS ............................................................... 89 7.1 LEGISLAÇÕES E ASPECTOS GLOBAIS................................................................... 89 7.1.1 Agência Nacional das Águas .............................................................................. 92 7.1.2 Aspectos Internacionais.................................................................................... 93 8 CAPÍTULO 08 – QUALIDADE DAS ÁGUAS ............................................................... 95 8.1 GARANTIA DA QUALIDADE ............................................................................... 95 8.2 QUALIDADE DA ÁGUA ...................................................................................... 95 8.3 ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS (IQA) .......................................................... 98 8.4 PARÂMETROS DE CONTROLE DE ÁGUAS .......................................................... 100 8.4.1 Temperatura..................................................................................................100 8.4.2 Resíduo Total ................................................................................................. 101 8.4.3 Cor ................................................................................................................ 102 8.4.4 Turbidez ........................................................................................................ 102 8.4.5 Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO......................................................... 103 8.4.6 Oxigênio Dissolvido – OD ................................................................................ 103 8.4.7 Nitratos e Nitritos .......................................................................................... 104 8.4.8 Fosfato Total.................................................................................................. 105 8.4.9 Sólidos Dissolvidos Total (SDT) ....................................................................... 105 8.4.10 Potencial Hidrogeniônico - pH ..................................................................... 105 8.4.11 Alcalinidade ............................................................................................... 106 8.4.12 Coliformes Termotolerantes ....................................................................... 106 8.4.13 Coliformes Totais ....................................................................................... 106 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 108 5 UNIDADE 1 A ÁGUA E O CICLO HIDROLÓGICO Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta primeira unidade, verificaremos a atuação da água no planeta e nos seres vivos, com foco no seu contexto globalizado e seu funcionamento no ciclo hidrológico. Conteúdos da Unidade A unidade contará com 2 capítulos (intitulados Capítulo 1 e 2), de modo que, no capítulo 1, verificaremos a presença da água no planeta, o contexto hídrico atual e sua atuação nos seres vivos e na natureza, e o seu funcionamento no ciclo hidrológico; e, no capítulo 2, os principais usos da água sob aspectos antropogênicos. Acompanhe os conteúdos desta unidade. Se preferir, vá assinalando os assuntos, à medida que for estudando. 6 1. CAPÍTULO 01 – A ÁGUA 1.1 INTRODUÇÃO – DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA Em 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou a Declaração Universal dos Direitos da Água: substância imprescindível à sobrevivência de todos os seres vivos do planeta Terra, preservada por poucos homens, poluída e mal utilizada por muitos. A presente Declaração Universal dos Direitos da Água foi proclamada tendo como objetivo atingir todos os indivíduos, todos os povos e todas as nações. A intenção é que todos os homens, tendo esta declaração constantemente no espírito, se esforcem, por meio da educação e do ensino, para desenvolver o respeito aos direitos e obrigações anunciados, e assumam, com medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação efetiva: “Declaração Universal dos Direitos da Água” Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem. Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia. Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio 7 depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam. Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis. Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra. (Disponível em: http://www.direitoshumanos.usp.br) 8 1.2 PRESENÇA DA ÁGUA NO PLANETA 1.2.1 Contexto Hídrico Atual A água é um recurso natural essencial para a sobrevivência de todas as espécies que habitam a Terra. Cerca de 97,5% da água do planeta está presente nos oceanos e mares, na forma de água salgada, ou seja, imprópria para o consumo humano. Dos 2,5% restantes, que perfazem o total de água doce existente, estão armazenados nas geleiras e calotas polares. Menos de 1,0% de toda a água está disponível para o nosso consumo, sendo encontrada na forma de rios, lagos, água subterrânea, incluindo ainda a água presente no solo, atmosfera (umidade) e na biota. A Figura 01 demonstra esse comparativo frente ao total global. (COLOCAR A FIGURA 01) Figura 01 – Total global de água presente no planeta (Fonte: Ministério do Meio Ambiente) A parte aproveitável dessas fontes é de apenas cerca de 200 mil km3 de água – menos de 1% de toda a água doce e somente 0,01% de toda a água da Terra. Grande parte dessa água disponível está localizada longe de populações humanas, dificultando ainda mais sua utilização. No século passado, os três principais fatores que causaram aumento na demanda de água foram o crescimento demográfico, o desenvolvimento industrial e a expansão da agricultura irrigada. A agricultura foi responsável pela maior parte da extração de água doce nas economias em desenvolvimento nas duas últimas décadas. Os planejadores sempre acreditaram que uma demanda crescente viria a ser satisfeita por um maior domínio do ciclo hidrológico mediante a construção de mais infraestrutura. A construção de represas nos rios tem sido tradicionalmente uma das principais formas de garantir recursos hídricos adequados para irrigação, geração de energia hidrelétrica e uso doméstico. http://www.mma.gov.br/estruturas/sedr_proecotur/_publicacao/140_publicacao09062009025910.pdf 9 Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) divulgado em 2015 menciona que as reservas hídricas do mundo podem encolher em 40% até 2030. Segundo o documento, há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, desde que haja uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento do recurso. De acordo com a organização,nas últimas décadas, o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população, e a estimativa é que a demanda aumente em 55% até 2050. Os desafios são muitos: o crescimento da população está estimado em 80 milhões de pessoas por ano, podendo chegar a 9,1 bilhões em 2050. No Brasil, a utilização das águas superficiais como fonte de abastecimento público continua sendo a alternativa de manancial mais utilizada. Com base nas informações da ANA – Agência Nacional das Águas (2003), 56% do total dos municípios do país utilizam águas superficiais pelo menos como uma das alternativas de mananciais. Entretanto, observa-se que essa alternativa é a que está mais exposta às fontes de poluição e contaminação. Observaram-se, por exemplo, uma ou mais formas de poluição ou contaminação em 26,7% do total de municípios com captações superficiais, sendo que em 14,24% deles foram verificadas contaminações por despejo de esgotos domésticos e, em 16,22%, por resíduos agrotóxicos. Uma das consequências desse fato é o elevado grau de trofia verificado em alguns corpos hídricos superficiais, especialmente os localizados nas regiões metropolitanas, que recebem continuamente excessivo grau de matéria orgânica. 1.2.2 Atuações da água nos seres vivos e natureza No organismo humano, a água atua, entre outras funções, como veículo para a troca de substâncias (a permanência da água nos diferentes compartimentos do organismo depende da presença de um teor adequado de diversos eletrólitos), manutenção da temperatura (através dos efeitos de termorregulação) e manutenção do volume corporal, representando cerca de 70% de sua massa. Ela é capaz de solubilizar, mesmo que parcialmente, quase todos os compostos químicos, especialmente os sais minerais nutrientes. Ao deslocar-se na superfície, transporta os compostos solubilizados 10 na superfície do solo entre os poros do solo e nos cursos d’água, promovendo o funcionamento, pelo menos em parte, dos ciclos dos nutrientes. Além disso, é considerada solvente universal, e é uma das poucas substâncias que se encontra presente nos três estados físicos: gasoso, líquido e sólido. A Figura 02 apresenta os três estados físicos da água junto aos processos envolvidos em cada mudança de fase. (COLOCAR A FIGURA 02) Figura 02 – Mudança de estados físicos da água (Fonte: https://www.todamateria.com.br ) Assume-se que a quantidade de água existente na Terra, nas suas três fases possíveis, se tem mantido constante ao longo dos tempos, pelo menos desde o aparecimento do homem. Tal quantidade de água está em permanente circulação entre os três grandes “reservatórios” pelos quais se encontra distribuída (por ordem decrescente de importância): os oceanos, a atmosfera e os continentes. A Figura 03 apresenta a organização da água em todo o planeta. (COLOCAR AQUI NA FIGURA 03 – QUALQUER FIGURA DE MAPA MUNDI QUE CONTENHA TODOS OS OCEANOS E CONTINENTES) Figura 03 – Visão Global dos reservatórios de água e continentes. Embora sejam interligados, os oceanos não realizam grande troca de água entre eles, porque as águas que formam cada um deles possuem características próprias, como temperatura, insolação, salinidade (quantidade de sais dissolvidos) e movimentos (ondas, marés, correntes marítimas). Por isso, os oceanos têm uma interação maior com a atmosfera. Considerando-se essa interação líquido-gasosa a nível ambiental, a mesma se dá pela presença do vapor de água. O vapor de água (ou vapor d’água) é fundamental à manutenção das mais diversas formas de vida da Terra, devido a sua: 11 Atuação direta na regulação da temperatura atmosférica do planeta, atenuando a incidência de raios infravermelhos na superfície. Isso ocorre pois grandes quantidades de moléculas de vapor d’água são encontradas geralmente próximas à superfície, e vão decrescendo conforme a altitude, devido ao ar mais quente reter mais vapor d’água do que o ar frio. É o componente atmosférico mais importante na determinação do tempo e do clima. A quantidade de vapor de água presente na atmosfera varia de lugar para lugar e no transcurso do tempo em determinada localidade. Ela pode variar de quase zero, em áreas quentes e áridas, até um máximo de 3%, nas latitudes médias, e 4%, nos trópicos úmidos. Responsabilidade pela precipitação das chuvas: as águas dos rios, lagos, geleiras e oceanos evaporam por meio da ação do sol, condensam-se1 (passam do estado gasoso para o líquido) nas camadas mais altas da atmosfera e dão origem às nuvens, que depois se precipitam em forma de chuva. Em condições normais, o teor de água (em estado de vapor) na atmosfera varia de praticamente 0 a 5%, em função dos elementos constituintes na mesma. Segundo afirma a Lei de Dalton, a pressão total de uma mistura de gases é igual à soma das pressões parciais exercidas por cada gás constituinte - assim, pode-se comprovar que, quando o vapor de água entra na atmosfera, as moléculas de água se dispersam rapidamente, misturando-se com os outros gases e contribuindo para a pressão total exercida pela atmosfera, como apresenta a equação 01. (Equação 01) 1 Condensação e l iquefação são, na verdade, sinônimos. Isso é, ambas caracterizam o processo de passagem do estado gasoso para o l íquido. A única diferença é que usamos o termo condensação quando um vapor passa para o estado líquido, e usamos liquefação quando um gás pass a para o estado líquido. 12 Desta forma, verifica-se que existirá uma pressão parcial desse vapor de água, que em situações aplicadas está intimamente relacionada a fenômenos ligados à meteorologia e agronomia. Os gases estão em constante troca na interface oceano-atmosfera e, consequentemente, há, em um determinado momento, o equilíbrio do sistema, quando as taxas de trocas são iguais de acordo com o perfil de solubilidade dos gases. Essa constante termodinâmica de equilíbrio para troca de gases pode ser representada pela equação 02. (Equação 02) Dentre os aparatos utilizados para determinação desta UR do ar, destacam-se: Higrômetro elétrico o O higrômetro elétrico contém um condutor elétrico coberto com uma camada de produto químico absorvente. Baseia-se no princípio de que a passagem de corrente varia à medida que varia a umidade relativa. (COLOCAR A FOTO DE UM HIGRÔMETRO ELÉTRICO) Psicrômetro o Consiste de dois termômetros idênticos, montados lado a lado. Um deles é o chamado termômetro de bulbo úmido, que tem um pedaço de musselina amarrado em torno do bulbo. Para usar o psicrômetro, o tecido é molhado e é exposto à contínua corrente de ar, girando o instrumento ou forçando uma corrente de ar através dele até este atingir uma temperatura estacionária (saturação). A temperatura de bulbo úmido cai, devido ao calor retirado para evaporar a água. O seu resfriamento é diretamente 13 proporcional à secura do ar. Quanto mais seco o ar, maior o resfriamento. Portanto, quanto maior a diferença entre as temperaturas de bulbo úmido e de bulbo seco, menor a umidade relativa; quanto menor a diferença, maior a umidade relativa. Se o ar está saturado, nenhuma evaporação ocorrerá e os dois termômetros terão leituras idênticas. (COLOCAR A FOTO DE UM PSICRÔMETRO ANALÓGICO) 14 1.3 CICLO HIDROLÓGICO A circulação da água nos seus três estados ou fases, consequência do princípio da conservação da água na Terra, pode ser descrita pelo ciclo hidrológico. Ciclo hidrológico (ou ciclo da água) é o fenômeno global de circulação fechada da água entre a superfície terrestre e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela energia solar associada à gravidade e à rotação terrestre.A Figura 03 apresenta o ciclo da água juntamente com as interações e circulações da mesma pelo eixo terrestre. (COLOCAR AQUI A FIGURA 03) Figura 03 – Ciclo Hidrológico (Fonte: https://water.usgs.gov) O conceito de ciclo hidrológico está ligado à movimentação na Hidrosfera, entre os oceanos, as calotas de gelo, as águas superficiais, as águas subterrâneas e a atmosfera. Esse movimento permanente deve-se ao sol, que fornece a energia para elevar a água da superfície terrestre para a atmosfera (processo denominado evaporação), e à gravidade, que faz com que a água condensada caia (precipitações no formato de chuva, granizo, orvalho e neve) e que, uma vez na superfície, ela circule através de linhas de água que se reúnem em rios até atingir os oceanos (escoamento superficial) ou se infiltre nos solos e nas rochas. Nos continentes, a água precipitada pode seguir diferentes caminhos: Infiltrar e percolar (passagem lenta de um líquido através de um determinado meio) no solo ou nas rochas, podendo formar aquíferos; ressurgir na superfície na forma de nascentes, fontes e pântanos; ou alimentar rios e lagos; https://water.usgs.gov/edu/watercycleportuguese.html 15 Fluir lentamente entre as partículas e espaços vazios dos solos e das rochas, podendo ficar armazenada por um período muito variável, formando os aquíferos; Escoar sobre a superfície, nos casos em que a precipitação é maior do que a capacidade de absorção do solo; Evaporar e retornar à atmosfera. Em adição a essa evaporação da água dos solos, rios e lagos, uma parte da água é absorvida pelas plantas. Essas, por sua vez, liberam a água para a atmosfera através da transpiração. A esse conjunto, evaporação mais transpiração, dá-se o nome de evapotranspiração; Congelar, formando as camadas de gelo nos cumes de montanha e geleiras. Algumas das fases do ciclo são consideradas rápidas, e outras muito lentas, se comparadas entre si. A Tabela 01 ilustra esse fato, ao apresentar alguns períodos médios de renovação da água nos diferentes “reservatórios”. Tais valores dizem respeito ao tempo necessário para que toda a água contida em cada um dos reservatórios seja renovada – dentro de uma visão bastante simplificada, é claro, da “entrada”, “circulação” e “saída” de água deles. Tabela 01 – Período de renovação da água em diferentes reservatórios na Terra (Fonte: PAZ, 2004) Reservatórios Período de renovação Oceanos 2.500 anos Águas Subterrâneas 1.400 anos Umidade do Solo 1 ano Áreas permanentemente congeladas 9.700 anos Geleiras e montanhas 1.600 anos Solos congelados 10.000 anos Lagos 17 anos Pântanos 5 anos 16 Rios 16 dias Biomassa Algumas horas Vapor d’água na atmosfera 8 dias Para melhor compreensão dos processos envolvidos em cada fase do ciclo hidrológico, o mesmo será dividido em: Evaporação e evapotranspiração da água; Precipitação; Escoamento Superficial e Subterrâneo. 1.3.1 Evaporação e Evapotranspiração da água Cerca de 70% da quantidade de água precipitada sobre a superfície terrestre retorna à atmosfera pelos efeitos da evaporação e transpiração. Consequentemente, esses processos afetam diretamente o rendimento de bacias hidrográficas, das capacidades do reservatório, dos projetos de irrigação e disponibilidade para o abastecimento de cidades, entre outros. A evaporação e a evapotranspiração, fisicamente, dizem respeito ao mesmo fenômeno, que é a mudança de estado físico da água, ou seja, a passagem da fase líquida para a fase vapor. Entretanto, no estudo da evaporação, considera-se apenas a água perdida pelo solo e por superfícies de água livre (por exemplo, açudes), enquanto que na evapotranspiração leva-se em conta a perda conjunta de água pelo solo e pelas plantas. A figura 04 esquematiza esse processo. (COLOCAR AQUI A FIGURA 04) Figura 04 – Processo de evapotranspiração em plantas (Fonte: www.teachengineering.org) 1.3.2 Precipitação Precipitação é qualquer partícula de água, sólida ou líquida, que cai da atmosfera e atinge o solo, proveniente das nuvens. A condensação (ou sublimação) do vapor de água atmosférico em torno de núcleos de condensação (ou de sublimação) é uma condição necessária para haver 17 precipitação. A precipitação ocorre quando a velocidade de queda das gotas de água da nuvem supera a velocidade das correntes ascendentes que existem no interior da mesma (isto é, rompe-se a estabilidade coloidal da nuvem). O efeito combinado da colisão e fusão de gotículas e do processo de crescimento de cristais de gelo assegura o aumento da dimensão das gotículas até caírem, por efeito da gravidade. O processo de coalescência (aumento do volume das gotas de água para formação de chuva) pode ser explicado pela fusão de diversas gotas em apenas uma, devido ao efeito de choques repetidos entre elas, o que pode ser atribuído a: Atração eletrostática de gotículas de nuvens carregadas eletricamente; Efeitos de indução provocados pelo deslocamento das gotas no campo magnético terrestre; Atração hidrodinâmica entre duas gotas próximas e em movimento relativo ao ar que as envolve; Microturbulência com aumento do número de colisões; Aprisionamento de pequenas gotas por parte de gotas de maiores dimensões. O processo de coalescência por ser visualizado na Figura 05. (COLOQUE AQUI A FIGURA 05) Figura 05: Formação do processo de coalescência (Fonte: http://fisica.ufpr.brl) Sobre a superfície terrestre, o fluxo é positivo (ou seja, a precipitação é maior do que a evaporação), resultando nas vazões dos rios em direção aos oceanos. Já nos oceanos o fluxo é negativo (fluxo vertical), com maior taxa de evaporação do que de precipitação. O volume evaporado adicional se desloca para os continentes, através do sistema de circulação da atmosfera, e precipita, fechando o ciclo. Em média, a água importada dos oceanos é reciclada cerca de 2,7 vezes sobre a Terra, por meio do processo precipitação-evaporação, antes de escoar de volta para os oceanos. 18 1.3.3 Escoamento superficial e subterrâneo O escoamento superficial é a fase do ciclo hidrológico que resulta do excedente das águas precipitadas que não se infiltraram ou evaporaram, e que escoam superficialmente pelo relevo, indo na direção das depressões, lagos, cursos d’água e mares. Num segundo estágio, também é escoamento superficial o escoamento dos cursos d’água que são alimentados pela drenagem dos lençóis d’água subterrâneos. A figura 06 apresenta as correlações entre o processo de escoamento e da precipitação. (COLOQUE AQUI A FIGURA 06) Figura 06 – Correlação entre escoamento superficial e precipitação Informações a respeito do volume de escoamento superficial são necessárias em estudos relacionados ao manejo da água e do solo, à eficiência dos métodos de preparo e cultivo do solo e ao planejamento de irrigação, ou quando se deseja construir estruturas capazes de armazenar água. No dimensionamento de obras hidráulicas, em que o objetivo é a condução do excesso de água para fora da área de interesse, o conhecimento da vazão máxima de escoamento superficial torna-se fundamental. Medições do escoamento superficial no campo são caras e demandam tempo, e isso tem motivado o desenvolvimento e o uso de modelos matemáticos para predizer o comportamento do escoamento em diferentes regiões. o Escoamento de base ou subterrâneo é aquele produzido pelo fluxo de água do aquífero livre (região saturada do solo com água em movimento), sendo importante do ponto de vista ambiental, uma vez que refletirá a produção de água na bacia durante as estações secas (responsável pela alimentação do curso de água durante o período de estiagem). o Infiltração é o processo mais importante de recarga da água no subsolo. O volume e a velocidadede infiltração dependem de 19 vários fatores, como tipo e condição dos materiais terrestres (presença de materiais porosos e permeáveis), cobertura vegetal, topografia, precipitação e ocupação do solo. Os processos de interação da água subterrânea com a superficial ainda são pouco compreendidos, dado sua complexidade e a dificuldade em validar modelos de fluxo da água subterrânea ou na mensuração direta destas. Porém, entre os modelos matemáticos utilizados para estimar as vazões máximas de escoamento, destaca-se o Método Racional (que é um método indireto que relaciona chuva e o escoamento superficial), e dentre os métodos para calcular o volume total escoado superficialmente, destacam-se os métodos do Balanço Hídrico Diário e o Método do Número da Curva. Para ambos os métodos, o conhecimento da chuva de projeto e da capacidade de infiltração da água no solo é requerido. O ciclo hidrológico também pode ser estudado por meio de um balanço hídrico global entre os sistemas, ou mesmo a nível de continentes, conforme apresentado na Figura 07. (COLOQUE AQUI A FIGURA 07) Figura 07: ciclo hidrológico através do balanço hídrico global. (Fonte: http://deg.ufla.br) O quadro 01 apresenta o balanço hídrico global de forma resumida, com os seus componentes principais mais atuantes em termos proporcionais. Quadro 01 – Balanço hídrico simplificado dos continentes. (Fonte: http://deg.ufla.br) (COLOQUE AQUI O QUADRO 01) 20 O valor da relação escoamento/precipitação fornece uma ideia de qual proporção da precipitação é transformada em escoamento. Ele é um reflexo do regime climático do continente e das características físicas das bacias hidrográficas, que são os agentes ativos no processo de transformação da chuva em vazão. Não se deve esquecer que as atividades antrópicas nas bacias interferem diretamente no ciclo hidrológico. As variações temporais e/ou espaciais dos fenômenos do ciclo da água podem ser descritas pelas variáveis hidrológicas. São exemplos de variáveis hidrológicas o número anual de dias consecutivos sem precipitação, em um dado local, e a intensidade máxima anual da chuva de duração igual a 30 minutos. Outros exemplos são a vazão média anual de uma bacia hidrográfica, o total diário de evaporação de um reservatório ou a categoria dos “estados do tempo” empregada em alguns boletins meteorológicos. Em geral, as variáveis hidrológicas são registradas por meio das chamadas séries hidrológicas, que constituem as observações organizadas no modo sequencial de sua ocorrência no tempo (ou espaço). Duas são as causas frequentemente apontadas como indutoras de distúrbios nas séries hidrológicas: Ações antrópicas na bacia hidrográfica; Mudanças climáticas. No primeiro caso, destacam-se as alterações no uso do solo de bacias hidrográficas, provocadas principalmente pela substituição da cobertura vegetal original por campos agropecuários e pela impermeabilização do solo, causada 21 pela urbanização. Fisicamente, quando se altera a vegetação de uma bacia hidrográfica, muda-se o balanço entre interceptação vegetal, evapotranspiração, infiltração no solo e escoamento superficial. Na grande maioria dos casos, o tempo entre a chuva e a chegada da água no rio é reduzido, afetando picos de cheias. Alternativamente, podem ser observadas diminuições nas vazões afluentes de rios devido ao aumento da demanda hídrica. As mudanças nas séries hidrológicas podem ocorrer de muitas maneiras diferentes. A alteração pode acontecer de forma abrupta (presença de saltos), gradualmente (tendência), ou pode assumir formas mais complexas. As mudanças podem ser vistas em valores médios, na variabilidade (variância, extremos, persistência) ou na distribuição dentro de anos (por exemplo, na mudança de sazonalidade e, no caso de vazões, nas mudanças nos regimes fluviais). As mudanças abruptas, no caso das vazões, podem ser esperadas como resultado de uma alteração repentina na bacia, como em construção de reservatórios, transposição etc. Alterações hidrológicas graduais tipicamente acompanham as mudanças que ocorrem lentamente, como a urbanização, o desmatamento e as mudanças climáticas. Em relação às mudanças ocasionadas pelo desenvolvimento urbano em função do ciclo hidrológico, percebe-se, principalmente, alterações na cobertura vegetal, provocando diversos efeitos que modificam os componentes de tal ciclo. Com a urbanização, a cobertura da bacia é alterada para pavimentos impermeáveis, e são introduzidos condutos para escoamento pluvial, gerando as seguintes alterações no referido ciclo: Redução da infiltração do solo; Aumento do escoamento superficial; Redução do escoamento subterrâneo; Redução da evapotranspiração. A impermeabilização impede que haja infiltração da água no solo, aumentando picos de cheia e diminuindo a manutenção dos lençóis freáticos, reduzindo, assim, a disponibilidade de água nos períodos de baixa precipitação. As consequências das alterações ocasionadas no ciclo hidrológico são muitas, e existem evidências de que eventos extremos, como secas, 22 enchentes, ondas de calor e de frio, furacões e tempestades, têm afetado diferentes partes do planeta e produzido enormes perdas econômicas. Os ecossistemas florestais, constituídos por parte aérea (árvores) e parte terrestre (solos florestais), desempenham inúmeras funções: (1) mitigação do clima (temperatura e umidade); (2) diminuição do pico do hidrograma (redução de enchentes e recarga para os rios); (3) controle de erosão; (4) melhoramento da qualidade da água no solo e no rio; (5) atenuação da poluição atmosférica; (6) fornecimento do oxigênio (O2) e absorção do gás carbônico (CO2); (7) prevenção contra ação do vento e ruídos; (8) recreação e educação; (9) produção de biomassa; e (10) fornecimento de energia. O ciclo da água também é afetado pelo desmatamento. Árvores extraem água subterrânea através de suas raízes e liberam-na para a atmosfera. Quando há um processo de desmatamento, não ocorre a evaporação desta água, ocasionando um clima mais seco. Além disso, o desmatamento reduz o teor de água no solo e de águas subterrâneas, promovendo uma redução na coesão do solo e, consequentemente, um aumento dos processos erosivos, deslizamentos de terra e inundações. O ciclo da água é um dos reguladores de todos os outros ciclos, de tal sorte que, caso ele seja quebrado ou mesmo tenha seu equilíbrio alterado de alguma forma, todos os outros ciclos sofrerão abalos em sua forma de atuação. Uma alteração no ciclo da água leva, por exemplo, a uma alteração no ciclo do fósforo. É pela ação da água que parte do fósforo é retirado das rochas e absorvido pelas plantas, e, em seguida, incorporado aos organismos superiores via alimentação. 23 2 CAPÍTULO 02 – USOS DA ÁGUA 2.1 USOS ANTROPOGÊNICOS DA ÁGUA O homem, a partir do início da ocupação do espaço geográfico, tem influenciado, direta ou indiretamente, alterações no meio ambiente. Atualmente, pode-se considerar as cidades como as formas mais agressivas de alteração do ambiente natural e, consequentemente, este local torna-se palco de diferentes impactos ambientais que muitas vezes trazem consequências para a população. Dentre as alterações no ambiente, pode-se citar as alterações no ciclo hidrológico e nas características naturais da drenagem, que podem acarretar problemas, como inundações, assoreamento e erosão. O Brasil apresentou, ao longo das últimas décadas, um crescimento significativo da população urbana, criando-se as chamadas regiões metropolitanas. Tal aumento pode ser visualizado na Figura 08. (COLOCAR A FIGURA 08 AQUI) Figura 08 – Taxa de urbanização brasileira (Fonte: www.universiaenem.com.br) Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, o Brasilpossui um índice de 84% de urbanização. Isso quer dizer que aproximadamente 161 milhões de brasileiros residem em cidades, o que está próximo à saturação. O processo de urbanização acelerado ocorreu depois da década de 1960, gerando uma população urbana praticamente sem infraestrutura, o qual se reafirmou principalmente na década de 1980, quando os investimentos nessa área foram reduzidos. Os efeitos desse processo se fazem sentir sobre todo o aparelhamento urbano relativo a recursos hídricos, como no abastecimento de água, no transporte e no tratamento de esgotos sanitários e drenagem pluvial. Todo esse contingente populacional urbano encontra-se dividido nas áreas urbanas dos mais de 5500 municípios existentes no país. Alguns estados brasileiros já apresentam características de urbanização de países desenvolvidos, como, por exemplo, em São Paulo, cidade na qual 24 aproximadamente 91% da população é urbana - conforme pode ser dimensionado pela Figura 09. (COLOCAR A FIGURA 09 AQUI) Figura 09 – Grau de organização do Brasil (Fonte: IBGE, 1991) A expansão urbana ocorre devido à inserção de espaços rurais ao tecido urbano, por meio da criação de novos loteamentos ou pelo adensamento e/ou intensificação do uso de espaços já parcelados da cidade, sendo os seus limites determinados pelos Planos Diretores2 das cidades. A degradação ambiental associada às estratégias de sobrevivência das populações de menores recursos das cidades tem origem nas condições socioeconômicas, juntamente com a falta de opções a lugares acessíveis de moradia. Isso ocasiona um aumento constante na degradação do meio, advindo do grande crescimento desordenado das cidades. A expansão da rede urbana sem o devido planejamento ocasiona a ocupação de áreas inadequadas para a moradia. Encostas de morros, áreas de preservação permanente, planícies de inundação e áreas próximas a rios são loteadas e ocupadas. Os resultados são catastróficos, a exemplo do deslizamento de encostas, que causa a destruição de casas e gera um grande número de vítimas em acidentes. A compactação do solo e o asfaltamento, muito comuns nas cidades, dificultam a infiltração da água, visto que o solo está impermeabilizado. Sendo assim, o abastecimento do lençol freático fica prejudicado, reduzindo a quantidade de água subterrânea. Outro fator agravante dessa medida é o aumento do escoamento superficial, podendo gerar grandes alagamentos nas áreas mais baixas. Importante: O escoamento superficial, ou deflúvio, constitui a parcela da água que percorre a superfície do terreno pela ação da gravidade, dirigindo-se para 2 A Constituição Federal de 1988, em seu art. 182, ao atribuir aos municípios a responsabilidade na definição de suas políticas de desenvolvimento urbano, com a finalidade de ordenar o pleno incremento das funções sociais das cidades, a partir da implementação do chamado plano diretor, deu um passo importante para enfrentar este desafio. Em decorrência, surgiu o Estatuto das Cidades (Lei Federal n º 10.257/2001), reforçando o papel do plano diretor como instrumento fundamental de pl anejamento sustentável das cidades, como instrumento de planejamento e norteador da política de desenvolvimento e expansão urbana. 25 áreas mais baixas. Ele se manifesta quando a quantidade da água das chuvas é maior do que a capacidade de infiltração no solo. Assim, a infiltração das águas no solo e o escoamento superficial são fatores relacionados e muito importantes na distribuição da quantidade das águas pluviais. Nas condições naturais, a sua variação é muito grande, dependendo dos tipos de solos e rochas que lhes dão origem. O planejamento urbano deve ser realizado tanto para a cidade formal quanto para a cidade informal, sendo analisadas tendências dessa ocupação. Os principais problemas relacionados com a infraestrutura de água no ambiente urbano são: Falta de tratamento de esgoto: grande parte das cidades da região não possui tratamento de esgoto e lança os efluentes na rede de esgotamento pluvial, que escoa pelos rios urbanos (maioria das cidades brasileiras); Outras cidades optaram por implantar as redes de esgotamento sanitário (muitas vezes sem tratamento), mas não implementaram a rede de drenagem urbana, sofrendo frequentes inundações devido ao aumento da impermeabilização; Ocupação do leito de inundação ribeirinha, sofrendo frequentes inundações; Impermeabilização e canalização dos rios urbanos, com aumento da vazão de cheia e sua frequência; Aumento da carga de resíduos sólidos e da qualidade da água pluvial sobre os rios próximos das áreas urbanas; Deterioração da qualidade da água por falta de tratamento dos efluentes, o que tem criado potenciais riscos ao abastecimento da população em vários cenários - o mais crítico tem sido a ocupação das áreas de contribuição de reservatórios de abastecimento urbano que, eutrofizados, podem produzir riscos à saúde da população. 26 A definição do que é urbano e rural para o planejamento do município é feita a partir da aprovação de uma lei municipal pela Câmara de Vereadores; em cada localidade, são desenhados os perímetros urbanos e rurais em função dos interesses e das perspectivas de desenvolvimento territorial do município. De acordo com o Instituto Polis (2004), essa definição conserva uma relação estreita com os objetivos políticos, esbarrando muitas vezes em relações clientelistas, o que resulta no crescimento da lógica de expansão do urbano sobre o rural, com a abertura de loteamentos residenciais, muitas vezes de cunho eleitoreiro. Além desse viés político, é comum haver certa precariedade nos instrumentos de planejamento do território rural na maioria dos municípios brasileiros, dos quais alguns ainda não possuem sequer mapas que mostrem as estradas, recursos naturais, vilas etc. De fato, ainda se sabe muito pouco do que ocorre fora dos perímetros urbanos. Levando em conta que a transformação de um ambiente urbano e rural pode resultar em alterações ambientais, compete ao poder público adequá-las para que os efeitos negativos no local sejam os mínimos possíveis, sempre priorizando a conservação dos recursos naturais. Atualmente na zona rural do Brasil, além da rede coletora, existem também o uso de fossa séptica (ligada ou não à rede de esgoto), fossas rudimentares, entre outros (IBGE, 2011a). O mais comum é a fossa rudimentar (que serve 48% da população rural do país), a qual, juntamente com outros métodos e com a não coleta/tratamento do esgoto, corresponde ao percentual da população rural que não é assistida com coleta adequada do esgoto. Essas fossas são incluídas nessa lista porque as não funcionam como forma de evitar a contaminação das águas superficiais e subterrâneas. O Gráfico 01 e a Tabela 02 apresentam os dados sobre as redes coletoras brasileiras de 1992 a 2009, coletados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, efetuada pelo IBGE. 27 (COLOCAR O GRÁFICO 01 AQUI) Gráfico 01 - Redes coletoras brasileiras de 1992 a 2009 (Fonte: IBGE). Tabela 02 - Redes coletoras brasileiras de 1992 a 2009 (Fonte: IBGE) Opção (%) /Ano 1992 1993 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Rede coletora 3 3,1 3,2 3,5 3,5 4,5 4,5 3,1 3,7 3,7 3,6 4,1 4,2 5,3 5,8 5,4 Fossa séptica 7,3 8,1 9,9 13,8 10,9 10,3 11,2 10,6 12,3 13,5 14,7 14,3 16,1 18,4 18,3 19,5 Fossa rudimentar 32,7 34,1 35,1 35,5 39 39,9 41,2 40,5 40,7 42,9 45,7 46,4 46,7 45,3 46,3 48,3 Vala 3 3,4 3,9 3,9 3,4 4 3,6 4,7 5,9 5,8 4,1 4,7 4,6 5,2 5,3 4,6 Direto para rio, lago ou mar 4,4 4,1 4,2 3,7 3,9 4,6 4,2 4,1 3,9 3,7 3,4 3,7 3 3,3 3 2,7 Outro tipo 0,6 1 1,7 0,4 0,7 0,5 0,7 0,8 0,6 0,8 0,6 0,5 0,5 0,5 0,5 0,3 Não há 49 46,3 42 39,1 38,7 36,3 34,7 36,2 32,9 29,6 27,9 26,324,9 22 20,8 19 28 A composição química das águas subterrâneas e sua evolução são resultado da combinação dos diferentes tipos de água que infiltram o solo, do tipo de solo e das rochas presentes no terreno. A concentração das substâncias depende da velocidade de infiltração e das reações químicas que ocorrem durante a percolação3. O risco da contaminação do lençol freático pode ser avaliado por meio da associação entre a vulnerabilidade natural do aquífero e a carga contaminante potencial existente - a vulnerabilidade do lençol depende da interação de três fatores: A forma de ocorrência da água subterrânea; O esqueleto litológico que sustenta o aquífero; O nível do lençol freático. Importante: A vulnerabilidade natural das águas subterrâneas corresponde à capacidade das características hidrodinâmicas e litológicas do aquífero de impedir determinados impactos naturais ou antrópicos. As metodologias de determinação da vulnerabilidade dos aquíferos são atualmente utilizadas como ferramenta de auxílio às propostas de proteção das águas subterrâneas, associadas à atividades de gestão dos recursos hídricos e de planejamento e ordenamento territorial. A interação desses fatores determina quão suscetível a zona saturada está em relação à penetração de contaminantes e a capacidade do aquífero em atenuar a contaminação imposta. De acordo com a Secretaria Nacional de Saneamento (BRASIL, 2005), apenas 50,3 % dos municípios brasileiros possuem saneamento básico. Dessa forma, os produtos orgânicos e inorgânicos eliminados pela população são lançados em sistemas rudimentares, fossas negras ou em fossas sépticas, chegando, em muitos casos, com relativa facilidade aos aquíferos, introduzindo substâncias tóxicas e aumentando as concentrações de alguns íons na água subterrânea, além da introdução de microrganismos patogênicos. Dentre os contaminantes nitrogenados, o nitrato (NO3 -) é o mais frequentemente 3 Percolação é o avanço descendente da água na zona não saturada . 29 encontrado em águas subterrâneas de zonas urbanas, oriundo da deposição de excretas em fossas negras ou sépticas, constituindo-se em importante fator de comprometimento do estado de saúde das populações. Alta concentração de NO3 - em água potável pode acarretar sérios danos à saúde humana, como o câncer, especialmente o gástrico, em adultos. Para crianças abaixo de 3 meses de idade, o consumo de águas com excesso de nitrato pode provocar um quadro de meta-hemoglobinemia, caracterizada por uma anemia profunda, conhecido como cianose ou “síndrome do bebê azul”, podendo inclusive levar a criança a óbito por asfixia. Os nomes "cianose" e "síndrome do bebê azul" se dão por conta da coloração azul ao redor dos olhos e da boca do lactente. A Figura 10 apresenta um exemplo de cianose. (COLOCAR QUALQUER FOTO OU IMAGEM PARA SIMBOLIZAR A CIANOSE) Figura 10 – Exemplo de pessoa acometida por cianose. (Fonte: COLOCAR A FONTE AQUI QUE VOCÊS ESCOLHERAM PARA ESTA FOTO) Sobre o ponto de vista químico e biológico, os esgotos sanitários tipicamente domésticos contêm: Compostos orgânicos como carboidratos, proteínas e gorduras; Nitrogênio, principalmente na forma de amônia; Fósforo, o qual se encontra predominantemente na forma de fosfato (devido ao uso de detergentes); Organismos patogênicos e não patogênicos. As indústrias de alimentos e as agroindústrias geralmente produzem grandes quantidades de resíduos e, onde sistemas adequados de disposição não são disponíveis, tais resíduos criam problemas ambientais. Nas indústrias de carne, os processos de abate são os principais contribuintes para os resíduos líquidos, e os efluentes de abatedouros aumentam os níveis de nitrogênio, fósforo, sólidos totais e da demanda bioquímica de oxigênio (DBO) nos corpos d’água receptores, deixando-os potencialmente eutrofizados e com subsequentes florações de algas. Em adição, microrganismos patogênicos dos 30 resíduos de animais como suínos, bovinos e aves também podem ser transmitidos aos seres humanos que utilizam a água desses corpos receptores. Sob o aspecto industrial, por muito tempo acreditou-se que o desenvolvimento urbano e, consequentemente, das atividades industriais proporcionaria à humanidade melhores condições de vida. Entretanto, junto a esse crescimento resultante da globalização e dos avanços tecnológicos, originou-se uma maior quantidade de poluentes, na medida em que aumenta a demanda por produtos e serviços. Então, desde a Revolução Industrial, esse processo trouxe consigo diversos benefícios econômicos, mas também sérias consequências ambientais. Os processos industriais estão entre as atividades econômicas de maior potencial poluidor, sendo seu monitoramento complexo, devido ao universo que compõe a origem de suas emissões e o grau dos impactos negativos nos compartimentos ambientais ar, água e solo. No Brasil e em outros países há dificuldades na obtenção de informações ambientais sobre a indústria, tornando as metodologias de estimativa de emissão de poluentes uma importante ferramenta de gestão com relação ao controle, monitoramento e mitigação das emissões de poluentes industriais. Os efluentes resultantes dos processos industriais, se despejados em corpos de água, podem causar sérios danos ambientais. Com a escassez de água potável no mundo, algumas indústrias tratam seus efluentes para serem reusados, e, apesar de ser uma água de baixa qualidade, seu preço é de 5% do valor da água normal, apresentando grande importância na preservação dos recursos naturais. Muitas indústrias possuem os meios tecnológicos para o tratamento de efluentes, a fim de minimizar o seu impacto na fauna e na flora (aquática ou terrestre). Outras empresas, por falta de recursos ou por simples negligência, servem-se dos rios, lagos e oceanos como destino final desses produtos, que permanecem em suspensão, se solubilizam ou sedimentam, na maioria das vezes compostos tóxicos (orgânicos), cuja acumulação no meio ambiente trará problemas não só a curto como a longo prazo. Além disso, passou a ser despejada na água grande quantidade de elementos que não são biodegradáveis, ou seja, que não são decompostos pela natureza. Tais elementos, como os plásticos, a maioria dos detergentes e os pesticidas, vão se acumulando nos rios, lagos e oceanos, diminuindo a 31 capacidade de retenção de oxigênio das águas e, consequentemente, prejudicando a vida aquática. A água empregada para resfriar os equipamentos nas usinas também causa sérios problemas de poluição. Essa água, que é lançada nos rios ainda quente, faz aumentar a temperatura da água do rio e acaba provocando a eliminação de algumas espécies de peixes, a proliferação excessiva de outras e, em alguns casos, a destruição de todas. A poluição das águas realizada pelas indústrias é causada, sobretudo, pelos compostos orgânicos e inorgânicos. A degradação dos recursos naturais e a contaminação da água por fertilizantes e outros químicos vem crescendo e trazendo graves consequências para o ambiente e para a saúde humana. O crescimento da atividade agropecuária e a perda de sedimentos por meio do escoamento superficial afetam a qualidade das águas superficiais não apenas no local de origem da contaminação, mas também em outros pontos de interferência dos recursos hídricos. A contaminação de águas superficiais e subterrâneas tem um potencial extremamente poluente, pois se, por exemplo, o local onde for aplicado o agrotóxico for próximo a um manancial hídrico que abasteça uma cidade, a qualidade dessa água captada também deverá estar comprometida. A indústria de mineração e de beneficiamento de minérios e as indústrias petroquímicas, entre outras, são responsáveis pelo despejo ou descarga deresíduos químicos letais (mercúrio, benzeno, enxofre, entre outros) nos solos e rios, causando impactos muitas vezes irreversíveis na saúde das populações residentes na região. O lançamento de esgotos não tratados aumentou dramaticamente nas últimas décadas, com impactos eutróficos severos sobre a fauna, a flora e os próprios seres humanos. Outro tipo de contaminação da água ocorre por meio do despejo de dejetos líquidos de suínos, que servem como fonte de nutrientes às plantas. Porém, quando o seu uso é inadequado, podem causar o acúmulo de fósforo no solo, que posteriormente pode ser transferido para o meio aquático, causando eutrofização. Uma parcela significativa das águas, depois de utilizadas para o abastecimento público e nos processos produtivos, retorna suja aos cursos d’água e, em muitos casos, leva ao comprometimento de sua qualidade para os diversos usos, inclusive para a agricultura. Dependendo do grau de 32 poluição, essa água residual pode ser imprópria para a vida, causando, por exemplo, a mortandade de peixes. Também pode haver liberação de compostos voláteis, que provocam mau odor e sabor acentuado, e poderão trazer problemas em uma nova operação de purificação e tratamento dessa água. Segundo dados do BNDES (1998), 65% das internações hospitalares de crianças menores de 10 anos estão associadas à falta de saneamento básico. Nos países em desenvolvimento, onde se enquadra o Brasil, estima-se que 80% das doenças e mais de um terço das mortes estão associadas à utilização e consumo de águas contaminadas. A hepatite infecciosa, o cólera, a disenteria e a febre tifóide são exemplos de doenças de veiculação hídrica, ou seja, um problema de saúde pública O crescimento populacional e as atividades humanas têm se despontado como os maiores responsáveis pela poluição do meio aquático. Ao longo dos anos, os rios se tornaram depositários de rejeitos e resíduos de diversas formas: os esgotos domésticos e as águas residuárias provenientes de atividades pecuárias contribuem com elevadas cargas orgânicas; as indústrias, com uma série de compostos sintéticos e elementos químicos potencialmente tóxicos; e as atividades agrícolas, com a contaminação por pesticidas e fertilizantes ricos em sais minerais. Essas ações antrópicas podem afetar a qualidade do ambiente para os organismos aquáticos, ou mesmo para a saúde humana, por meio da ingestão de águas contaminadas. As últimas décadas foram marcadas pela crescente preocupação com o efeito das atividades humanas sobre o meio ambiente. A sociedade organizada está cada vez menos tolerante aos problemas associados à poluição hídrica. Não existe na natureza água absolutamente pura. A água contém matéria orgânica e inorgânica, às vezes não perceptíveis visualmente. É comum classificar as impurezas encontradas na água como suspensas, coloidais e dissolvidas. De acordo com a sua origem, as águas podem ser genericamente classificadas como superficiais ou subterrâneas. As águas subterrâneas (lençóis freáticos, semi-artesianos e artesianos) são consideradas de melhor qualidade comparadas às águas superficiais. Isto se deve ao fato de que, ao penetrar no solo, as águas subterrâneas vêm sendo filtradas pelas diversas camadas existentes - entretanto, podem conter altas 33 concentrações de substâncias minerais, e também sofrer contaminações. As águas superficiais (rios, lagos, mares, oceanos e geleiras) podem sofrer maior contaminação, pois, ao percolarem pela superfície do solo, fazem uma espécie de "lavagem", carregando diferentes substâncias orgânicas, tais como terra, microrganismos, fezes, entre outros. Aspectos ligados ao projeto urbanístico podem implicar em restrições ao emprego de algumas soluções compensatórias. Por exemplo, áreas industriais e alguns estabelecimentos comerciais podem gerar cargas poluentes que limitem o emprego de processos de infiltração de águas pluviais sem um tratamento prévio, sob risco de conduzir a uma rápida colmatação da estrutura ou contaminação do solo, ou ainda à contaminação de águas subterrâneas. Os pavimentos permeáveis, em função de seu tipo, muitas vezes não são adequados ao tráfego intenso ou a manobras frequentes de veículos pesados. Em áreas em que a ocupação urbana já existe, o uso do subsolo por redes de infraestrutura urbana, como redes de água, esgoto, telefonia, eletricidade, fibra ótica e outras, pode ser um fator restritivo a alguns tipos de técnicas compensatórias. Por outro lado, problemas associados à rede de coleta e a interceptores de esgoto sanitário podem resultar em aportes de cargas orgânicas elevadas a estruturas compensatórias, comprometendo seu funcionamento. 34 EXERCÍCIOS 1) (ENEM) Segundo uma organização mundial de estudos ambientais, em 2025, duas de cada três pessoas viverão situações de carência de água, caso não haja mudanças no padrão atual de consumo do produto. Uma alternativa adequada e viável para prevenir a escassez, considerando-se a disponibilidade global, seria: a. desenvolver processos de reutilização da água. b. explorar leitos de água subterrânea. c. ampliar a oferta de água, captando-a em outros rios. d. captar águas pluviais. e. importar água doce de outros estados. 2) Durante o ciclo da água, observamos a formação de nuvens, que ocorre graças à transformação do vapor de água em pequenas gotículas. Essa mudança do estado gasoso para o líquido é chamada de: a. evaporação. b. solidificação. c. sublimação. d. fusão. e. condensação. 3) (ENEM) O sol participa do ciclo da água, pois além de aquecer a superfície da Terra, dando origem aos ventos, provoca a evaporação da água dos rios, lagos e mares. O vapor da água, ao se resfriar, condensa-se em minúsculas gotinhas, que se agrupam e formam as nuvens, neblinas ou névoas úmidas. As nuvens podem ser levadas pelos ventos de uma região para outra. Com a condensação e, em seguida, a chuva, a água volta à superfície da Terra, caindo sobre o solo, rios, lagos e mares. Parte dessa água evapora, retornando à atmosfera, e outra parte escoa superficialmente ou infiltra-se no solo, indo alimentar rios e lagos. Esse processo é chamado de ciclo da água. Considere, então, as seguintes afirmativas: I. a evaporação é maior nos continentes, uma vez que o aquecimento ali é maior do que nos oceanos. 35 II. a vegetação participa do ciclo hidrológico por meio da transpiração. III. o ciclo hidrológico condiciona processos que ocorrem na litosfera, na atmosfera e na biosfera. IV. a energia gravitacional movimenta a água dentro do seu ciclo. V. o ciclo hidrológico é passível de sofrer interferência humana, podendo apresentar desequilíbrios. Dentre as informações apresentadas: a. somente a afirmativa III está correta. b. somente as afirmativas III e IV estão corretas c. somente as afirmativas I, II e V estão corretas. d. somente as afirmativas II, III, IV e V estão corretas. e. todas as afirmativas estão corretas. 4) Explique: a. Escoamento de base; b. Infiltração. 5) Explique por que o crescimento populacional contribui para o aumento da poluição aquática. 36 GABARITO 1) A 2) E 3) D 4) a. Escoamento de base ou subterrâneo é aquele produzido pelo fluxo de água do aquífero livre (região saturada do solo com água em movimento), sendo importante do ponto de vista ambiental, uma vez que refletirá a produção de água na bacia durante as estações secas (responsável pela alimentação do curso de água durante o período de estiagem). b. Infiltração é o processo mais importante de recarga da água no subsolo. O volume e a velocidade de infiltração dependem de vários fatores, como tipo e condição dos materiais terrestres (presença de materiais porosos e permeáveis), cobertura vegetal, topografia, precipitação e ocupação do solo. 5)O crescimento populacional e as atividades humanas têm se despontado como os maiores responsáveis pela poluição do meio aquático. Os rios se tornaram, ao longo dos anos, depositários de rejeitos e resíduos de diversas formas: os esgotos domésticos e as águas residuárias provenientes de atividades pecuárias contribuem com elevadas cargas orgânicas; as indústrias, com uma série de compostos sintéticos e elementos químicos potencialmente tóxicos; e as atividades agrícolas, com a contaminação por pesticidas e fertilizantes ricos em sais minerais. Essas ações antrópicas podem afetar a qualidade do ambiente para os organismos aquáticos ou mesmo para a saúde humana, por meio da ingestão de águas contaminadas. As últimas décadas foram marcadas pela crescente preocupação com o efeito das atividades humanas sobre o meio ambiente. A sociedade organizada está cada vez menos tolerante aos problemas associados à poluição hídrica. 37 UNIDADE 2 ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta unidade, verificaremos o funcionamento da molécula de água como um todo sob os aspectos científicos para compreender, posteriormente, a sua capacidade de interação com os poluentes e características relacionadas. Conteúdos da Unidade A unidade contará com 2 capítulos (nomeados Capítulo 3 e 4). No capítulo 3, verificaremos os aspectos físicos, químicos e biológicos relacionados à água. Já no capítulo 4, verificaremos os principais usos da água sob aspectos antropogênicos. Acompanhe os conteúdos desta unidade. Se preferir, vá assinalando os assuntos, à medida que for estudando. 38 3 CAPÍTULO 3 – ASPECTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA 3.1 ASPECTOS FÍSICO-QUÍMICOS DA ÁGUA Mesmo antes de o homem conhecer a geometria da molécula de água e explicar seu comportamento físico e químico, os esquimós já sabiam construir suas casas, os iglus, com blocos de neve compacta para se protegerem do frio. Apropriavam-se da água no estado sólido, observando o comportamento do urso polar, que escavava suas tocas no gelo para abrigo. Já sabiam, também, que o gelo derrete sob pressão, construindo seus veículos de transporte, os trenós, sobre placas de madeira que deslizavam sobre o gelo, e não sobre rodas. Tudo isso muito antes da ciência dar explicações, que ocorreram com o advento da teoria quântica4 formulada por Max Planck em 1900, ou do surgimento de patins como meio de transporte para atravessar os lagos congelados. De forma direta, a matéria costuma ser definida como tudo aquilo que tem massa e ocupa lugar no espaço. Ela constitui o principal objeto de estudo da Química, e suas propriedades são muito importantes nesse estudo, pois permitem prever e entender determinados comportamentos e transformações, bem como podem ser usadas para a identificação da própria matéria. Existem vários tipos de propriedades que caracterizam a matéria, entre elas: o Propriedades físicas: são aquelas que podem ser medidas e observadas sem alterar a composição química da substância; 4 Teoria quântica proposta por Planck foi reforçada por um trabalho apresentado por Albert Einstein. Em 1905, Einstein, com base nas ideias de Planck, publicou um artigo sobre o chamado efeito fotoelétrico, no qual demonstra que, quando um feixe de luz inci de sobre a superfície de certos metais, há emissão de elétrons, cuja energia independe da intensidade da luz, e parece aumentar com a frequência da luz incidente. Para explicar o modo particular como isso ocorre, Einstein se viu obrigado a considerar o rai o luminoso como uma chuva de partículas, ou seja, pequenos pacotes de luz. Vinte anos mais tarde, essas partículas seriam chamadas de fótons. Então, de novo, tínhamos a radiação – desta vez, luminosa – se propagando de forma descontínua, em pequenos pacotes de energia. Essa nova descrição da luz parecia estar em confronto com a ideia, então mais aceita, segundo a qual a luz consiste em ondas que se propagam de forma contínua. O próprio Planck relutou muito a aceitar a existência dos fótons. Ele teve que rever tudo em que acreditava: as sólidas bases da física clássica. Em 1907, ainda inspirado em Planck, Einstein inaugurou a teoria quântica da matéria, descrevendo propriedades sobre como os corpos se aquecem. Essa teoria explica propriedades da absorção de c alor pelo diamante, que durante muitos anos desafiava qualquer explicação baseada na física clássica. 39 o Propriedades químicas: são aquelas que se referem à capacidade de uma substância de sofrer transformações. 3.1.1 Estrutura química da molécula de água Como já sabemos, a água é composta de um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio. Cada átomo de hidrogênio liga-se covalentemente ao átomo de oxigênio, compartilhando (não ligantes) um par de elétrons. O oxigênio apresenta dois pares de elétrons não compartilhados. Assim, há quatro pares de elétrons em torno do átomo de oxigênio, dois deles envolvidos nas ligações covalentes com o hidrogênio e dois pares não compartilhados no outro lado do átomo de oxigênio, conforme apresentado na Figura 11. (COLOCAR AQUI A FIGURA 11) Figura 11 – Estrutura química da água com elétrons não ligantes (Fonte: http://alunosonline.uol.com.br) Embora a molécula, como um todo, seja eletricamente neutra, a distribuição assimétrica de elétrons faz com que um lado da molécula seja carregado positivamente em relação ao outro (Figura 12). Essas moléculas, chamadas dipolos, tendem a se orientar em um campo elétrico de tal maneira que o lado negativo se orienta em direção ao polo positivo, e vice-versa. (COLOCAR AQUI A FIGURA 12) Figura 12 – Modelo esquemático da molécula de água (Fonte: http://www.moretti.agrarias.ufpr.br) Os átomos de hidrogênio têm carga positiva e unitária, enquanto que o átomo de oxigênio têm duas cargas negativas. Todavia, o arranjo final das moléculas é de tal maneira que as cargas elétricas não se neutralizam (as cargas poderiam estar neutralizadas se o ângulo fosse 180° ao invés de 104,5°). 40 Assim, a água tem uma carga negativa parcial (δ-) junto ao átomo de oxigênio, devido aos pares de elétrons não compartilhados, e tem cargas positivas parciais (δ+) junto aos átomos de hidrogênio. Uma atração eletrostática entre as cargas positivas parciais dos átomos de hidrogênio e a carga negativa parcial do átomo de oxigênio resulta na formação de forças intermoleculares (forças atuantes entre moléculas), que conferem forte interação5 às moléculas de água. O quadro 02 apresenta os tipos de forças intermoleculares (ou interações intermoleculares) existentes e as espécies envolvidas. Quadro 02 – Forças intermoleculares e espécies envolvidas Tipo de interação Força relativa Espécies envolvidas Íon-dipolo Forte Íons e moléculas polares Dipolo-dipolo Moderadamente forte Moléculas polares Dipolo-dipolo induzido Muito fraca Molécula polar e outra apolar Dipolo instantâneo- dipolo induzido Muito fraca * Qualquer tipo de molécula, incluindo as apolares Ligações de hidrogênio Forte Moléculas que possuem hidrogênio ligado à elemento bastante eletronegativo como F, N e O * Em geral, essas forças são fracas, mas uma vez que aumentam com a superfície de contato entre as moléculas, podem se tornar intensas. As interações intermoleculares estão intimamente relacionadas com as propriedades termodinâmicas de líquidos, sólidos e gases. Tais interações efetuadas entre as moléculas de água, chamadas de ligações de hidrogênio, são interações mais fracas do que as ligações covalentes (ligação interatômica), pois as pontes de hidrogênio na água líquida apresentam uma 5 Quando moléculas, átomosou íons aproximam-se uns dos outros, dois fenômenos podem ocorrer: (i) eles podem reagir ou (i i) eles podem interagir. Uma reação química, por definição, requer que ligações químicas sejam quebradas e/ou formadas. 41 energia de ligação (a energia necessária para romper a ligação) equivalente a 4,7 kcal/mol, se comparada com 110kcal/mol para a ligação covalente entre os átomos de oxigênio e hidrogênio (O-H). Aproximadamente dois terços do valor de vaporização da água, no ponto de ebulição, são gastos na destruição das ligações de hidrogênio (Figura 13). O ponto de ebulição da água é anormalmente alto, devido ao número de ligações de hidrogênio existentes. A molécula de água, com um peso molecular de 18 u.m.a., tem o ponto de ebulição mais alto entre todas as moléculas com peso molecular menor que 100 u.m.a.. (COLOCAR A FIGURA 13 AQUI) Figura 13 – Ligações de hidrogênio na molécula de água (Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/ligacoes-hidrogenio.htm) A água, como solvente universal, viabiliza a vida no planeta. É a única substância que, nas condições físico-químicas da Terra, apresenta-se nos três estados da matéria. O gelo tem a notável propriedade de ser um sólido menos denso do que seu correspondente líquido (a maioria dos sólidos afunda em seus líquidos), ou seja, o processo de flutuação do gelo na água é fundamental para a vida no planeta, pois nas regiões frias os mares congelam apenas na superfície, preservando seu caldeirão de vida. Essa notável propriedade de o gelo ser menos denso está relacionada ao fato de cada molécula de água formar o número máximo de quatro ligações de hidrogênio com suas vizinhas no estado sólido. No estado líquido, cada molécula pode formar, em média, 3,4 ligações de hidrogênio com suas vizinhas. Esse número fracionário se explica pelo fato de que, em consequência do constante deslocamento das moléculas no estado líquido, ligações de hidrogênio são, constante e rapidamente, quebradas e formadas. Embora em qualquer instante a maioria das moléculas na água líquida esteja formando ligações de hidrogênio, a vida média de cada uma dessas ligações é da ordem de 10-9 s. Isso explica por que a água líquida é fluida. Se as ligações de hidrogênio persistissem por um tempo maior, a água tenderia a se tornar http://brasilescola.uol.com.br/quimica/ligacoes-hidrogenio.htm 42 viscosa, como acontece com a glicerina, que também forma ligações de hidrogênio entre suas moléculas. Importante: A viscosidade de um líquido geralmente é uma indicação da intensidade das forças entre as moléculas: interações intermoleculares fortes mantêm as moléculas unidas, dificultando seu afastamento que caracteriza o escoamento, aumentando a viscosidade do líquido. A predição da viscosidade, entretanto, é difícil, porque não depende apenas da intensidade das forças intermoleculares, mas também da facilidade com que as moléculas do líquido assumem diferentes posições, devido ao movimento. As fortes ligações de hidrogênio da água são as responsáveis pela sua maior viscosidade. Isso significa que, por exemplo, as moléculas de benzeno se deslocam com mais facilidade, uma vez que as moléculas de água precisam quebrar ligações de hidrogênio para que o escoamento ocorra. Entretanto, a viscosidade da água não é alta, pois uma molécula de água pode se ajustar rapidamente para participar da rede de ligações de hidrogênio de suas novas moléculas vizinhas. A maioria dos líquidos se contrai com o esfriamento, alcançando a máxima densidade (peso específico) no ponto de congelamento - mas a água é considerada incomum por ter uma densidade máxima a 4 °C (Tabela 03). Por essa razão, a água raramente se congela até a solidez no mar ou em lagos profundos, mesmo no Ártico. Quando a temperatura da água de maior profundidade cai abaixo de 4 °C, a água sobe, devido à diminuição de sua densidade, e forma-se gelo na superfície. Isso isola a água que ficou mais abaixo e impede que ela se resfrie até o ponto de congelamento. A água é uma das poucas substâncias que se expandem com o congelamento (à temperatura de 0 °C, a água líquida apresenta densidade de 1,0 g/ml, e o gelo tem densidade de 0,92 g/ml). A expansão dessa forma apresenta inúmeras consequências para a vida no planeta. Suponhamos que a água se contraísse sob congelamento, isto é, ficasse mais densa em vez de menos densa: o gelo acabaria afundando e se concentrando no fundo dos lagos e oceanos em vez de flutuar, o que acarretaria o congelamento por inteiro desses ambientes aquáticos nas regiões polares do globo terrestre, 43 inviabilizando a existência de formas de vida nesses locais. Se assim fosse, a Terra estaria confinada a uma era de gelo permanente, e a vida talvez nunca tivesse prosperado. 44 Tabela 03 – Algumas propriedades físicas da água líquida (Fonte: Fonte: http://www.moretti.agrarias.ufpr.br) (COLOCAR A TABELA 3 AQUI) 45 Uma característica típica da estrutura do gelo é o espaço vazio que a rede cristalina contém: a formação das ligações de hidrogênio impede um empacotamento compacto das moléculas e ocasiona uma separação mínima entre átomos de oxigênio vizinhos. Em consequência, existe um volume apreciável de espaço não ocupado por átomos no meio das unidades hexagonais e, por isso, diz-se que a estrutura do gelo é muito aberta. (COLOCAR A FIGURA 14 AQUI) Figura 14: Comportamento molecular da água nos diferentes estados. (Fonte: http://pir2.forumeiros.com/t68194-forcas-intermoleculares) A existência desse espaço não ocupado no gelo explica a baixa densidade do sólido, quando comparada com a de outros sólidos semelhantes, além de explicar por que a fusão do gelo é acompanhada por uma contração de volume. A figura 15 apresenta a estrutura cristalina do gelo. (COLOCAR A FIGURA 15 AQUI) Figura 15 – Estrutura cristalina do gelo (Fonte: http://www.cesadufs.com.br) 3.1.2 Tensão superficial As moléculas situadas no interior de um líquido estão sujeitas a forças de atração em todas as direções. Por outro lado, as moléculas situadas na superfície de separação líquido-ar estão submetidas a forças de atração não balanceadas, produzindo uma força resultante para o interior do líquido. Portanto, todas as superfícies líquidas tendem a reduzir sua superfície limite a um valor mínimo, adquirindo a forma esférica, que apresenta a condição de volume máximo numa superfície de área mínima. Importante: Por definição, a tensão superficial () – ou energia livre superficial – é o trabalho necessário para aumentar a superfície em uma unidade de área, por um processo isotérmico e reversível. A tensão superficial pode ser expressa em erg/cm2 , ou dyn/cm ou N/m. http://pir2.forumeiros.com/t68194-forcas-intermoleculares 46 Em outras palavras, tensão superficial também pode ser definida como a força resultante da atração entre as moléculas do interior do líquido pelas moléculas na sua superfície. A magnitude dessa força, que atua perpendicularmente sobre um ponto a uma distância longitudinal plana da superfície, é dada por: Onde l é o comprimento sobre o qual a força F age perpendicularmente Para entender esse fenômeno, considere a interface de um líquido com seu próprio vapor ou com o ar. Cada molécula no interior do líquido é atraída pelas demais moléculas igualmente, em todas as direções, enquanto as moléculas que estão na superfície são atraídas para o interior do líquido mais fortemente do que em direção ao ar. Ocorre, então, uma contração espontânea da superfície. No interior do líquido, as forças de coesão atuam no sentido de estabilizar o sistema, reduzindo a energia potencial de cada molécula. Porém, por não ter o mesmo número de vizinhas, uma molécula na superfície apresenta maior energia potencial do que as do interior do líquido. Portanto, para aumentara superfície de um líquido, deve-se transferir moléculas de seu interior para a interface, e isso requer certa energia. Cada molécula de água sofre forte atração das moléculas vizinhas. Cada molécula de água tem um número de moléculas vizinhas que a atraem, mas a soma vetorial das forças de atração tem uma resultante nula, já que há vizinhas por todos os lados. Para volumes pequenos, como o de uma gota, a tensão superficial é uma característica físico-química de grande importância. Uma das características mais importantes da tensão superficial em gotas de líquido é que essa propriedade é a que determina o tamanho da própria gota. Uma gota de água, ao ser formada na ponta de um conta-gotas (Figura 16), não cai imediatamente em virtude das forças de atração entre as moléculas de água da gota e as moléculas de água que permanecem no tubo do conta-gotas. Conforme aumenta o volume da gota, a força peso resultante dessa massa de água também aumenta, até o ponto em que a força peso da gota excede a força de atração entre as moléculas de água, e a gota se destaca do conta-gotas e cai. Quanto maiores as forças de atração entre as moléculas do líquido, maior deverá ser o tamanho da gota para que ela se destaque do conta-gotas. Portanto, líquidos (de 47 densidade semelhante) que apresentem tensão superficial elevada formam gotas maiores que líquidos de tensão superficial baixa no mesmo conta-gotas. (COLOCAR A FIGURA 16 AQUI) Figura 16 – O volume máximo de uma gota de um líquido formada na ponta de um conta-gotas, dependendo da tensão superficial (Fonte:http://www.usp.br/massa/2014/qfl2453/pdf) Devido a uma propriedade definida como tensão superficial, a água forma uma película com resistência elástica semelhante a uma membrana plástica, permitindo que pequenos objetos flutuem e insetos caminhem sobre a água. É evidente que o peso dos insetos não deve ser maior do que a resistência elástica da película de água superficial, e que as patas dos insetos devem ser achatadas para não furar essa película. Como exemplo, temos os pernilongos e as libélulas, que ficam pousados em águas paradas e limpas. Se a água estiver suja, principalmente contaminada com muito detergente, essa película pode ser desfeita e, consequentemente, os insetos afundam, conforme a Figura 17. (COLOCAR UMA FOTO DE UM PERNILONGO PARADO EM CIMA DA ÁGUA) Figura 17 – Inseto sustentado pelo auxilio da tensão superficial. A tensão superficial da água decresce com o aumento da temperatura e com a quantidade de substâncias orgânicas dissolvidas, conforme apresentado pelo Gráfico 02 a seguir. (COLOCAR O GRÁFICO 02 AQUI) Gráfico 02 – Relação entre tensão superficial e temperatura. (Fonte: http://www.bertolo.pro.br/Biofisica/Fluidos/surten.htm) http://www.usp.br/massa/2014/qfl2453/pdf/Tensoativos-livrodeDecioDaltin-Capitulo1.pdf 48 Detergentes, sabões em pó e outros compostos que contêm substâncias tensoativas diminuem a tensão superficial de ecossistemas aquáticos, prejudicando os organismos que vivem na superfície da água. 3.1.3 Capacidade Térmica da água e Calor específico Suponha que, num determinado sistema, seja fornecida a mesma quantidade de calor a dois corpos compostos por substâncias diferentes. Depois de um certo tempo, cada um apresentará um aumento de temperatura diferenciado. Essa situação evidencia que diferentes substâncias possuem diferentes comportamentos térmicos. Mesmo que os corpos sejam feitos de um mesmo material, eles podem ter capacidades térmicas diferentes, desde que suas massas sejam diferentes. Para definir isso, apresenta‐se a grandeza capacidade térmica (C) como sendo: Onde Q corresponde à quantidade de energia trocada e ΔT a variação de temperatura. O conceito de calor específico se trata da quantidade de energia, em calorias, que deve ser fornecida a cada 1 grama dessa substância para que a sua temperatura se eleve em 1 °C - expresso em cal/g.°C. Por exemplo, fornecendo- se 1 cal a 1 g de água, sua temperatura se elevará de 1 °C. A energia térmica, considerada como medida de movimentação molecular, é utilizada para quebrar as ligações intermoleculares, permitindo que as moléculas se movam mais rapidamente, fato que resulta na mudança de estado físico das substâncias. Porque a capacidade térmica da água é muito grande e, considerando que aproximadamente 71% da superfície do globo é coberto por água, pode-se concluir que a energia de origem solar causa apenas pequenas alterações na temperatura do planeta. Assim, os oceanos controlam o aquecimento ou o arrefecimento do planeta, e proporcionam todas as condições fundamentais para tornar possível a vida na Terra. O calor é armazenado pelos oceanos durante o verão e é liberado de volta para a atmosfera no inverno. Assim, os oceanos moderam o clima através da redução das diferenças de temperatura entre as estações do ano. 49 Portanto, a capacidade térmica é proporcional à massa dos corpos. Essa proporcionalidade é definida por uma grandeza denominada calor específico (c), que é determinada pela razão constante entre a capacidade térmica e a massa de uma substância, expresso matematicamente pela equação 03: (Equação 03) 3.1.4 Salinidade Salinidade é uma medida da quantidade de sais dissolvidos, expressa em gramas de material dissolvido num quilograma de água do mar. Um valor médio para a água do mar é 35 g por 1000 g, expresso por 35‰ (partes por mil) ou, hoje em dia, apenas 35. O efeito dos sais dissolvidos na água do mar altera as propriedades físicas da água pura, mas não faz com que ela desenvolva novas propriedades. Ele induz a: Pequenas variações na compressibilidade, expansão térmica e índice de refração; Grandes variações no ponto de congelamento, densidade, temperatura de densidade máxima e condutividade elétrica. 50 4 CAPÍTULO 4 – ASPECTOS FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS DA ÁGUA 4.1 ASPECTOS BIOLÓGICOS RELACIONADOS À ÁGUA 4.1.1 Introdução A água é um componente essencial de todos os tecidos corpóreos. Serve como solvente para minerais, vitaminas, aminoácidos, glicose e outras moléculas pequenas. Ela torna muitos solutos disponíveis para a função celular, e é um meio necessário para todas as reações. É essencial para os processos fisiológicos da digestão, absorção e excreção; desempenha um papel-chave na estrutura e função do sistema circulatório, atua como um meio de transporte para os nutrientes e todas as substâncias corpóreas. A água mantém a constância física e química dos fluídos intracelulares e extracelulares, e possui um papel direto na manutenção da temperatura, juntamente com a absorção de choques na parte ocular, espinha dorsal, articulações e saco amniótico, o qual circunda o feto dentro do útero e lubrifica todos os tecidos que são umedecidos com muco. A edição de 1999 do relatório Planeta Vivo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF - World Wide Fund for Nature), organização não governamental ambientalista, apresentou uma declaração de que em apenas 25 anos (1970- 1995), a qualidade dos ecossistemas mundiais de água doce sofreu uma queda de 45%. No capitulo anterior, vimos que os principais usos da água são os seguintes: Abastecimento doméstico; Abastecimento industrial; Irrigação; Dessedentação de animais; Aquicultura; Preservação da flora e da fauna; Recreação e lazer; Harmonia paisagística; Geração de energia elétrica; Navegação; Diluição de despejos. 51 Deses usos, os quatro primeiros implicam na retirada significativa de água das fontes onde se encontram (uso consuntivo). Os demais usos são considerados não consuntivos6, em função da não retirada do recurso do meio original. Biologicamente, a água tem determinadas funções,como no funcionamento e manutenção do corpo humano. A ONU considera que o acesso básico ocorre quando uma família dispõe de, pelo menos, 20 litros de água per capita por dia e percorre uma distância inferior a 1 km para buscá-la. Sob o ponto de vista da garantia de uma boa saúde, a Organização Mundial da Saúde aponta que o acesso diário mínimo é de 50 litros de água por pessoa/dia. No Brasil, são estimados parâmetros médios de consumo de 200 a 270 litros por pessoa/dia para a projeção de sistemas de abastecimento urbano de água, com o objetivo de definir os investimentos necessários para o atendimento da demanda hídrica local. No meio rural, estima-se que a demanda média esteja entre 70 e 100 litros per capita/dia. Com relação à produção de alimentos, os parâmetros de demanda variam de acordo com cada cultura e o tipo de irrigação utilizada. A agricultura irrigada é responsável por grande desperdício de água - seja devido ao uso de equipamentos mal dimensionados, com grandes perdas de água nos sistemas por falta de manutenção, devido a turnos de rega que tendem a utilizar mais água do que a necessária, ou ao uso de sistemas de irrigação inadequados para as condições climáticas. Devido à alta demanda de alimentos, há a degradação dos solos, a baixa resposta positiva da produtividade ao uso de fertilizantes e defensivos, e a escassez de água, principais entraves que inviabilizaram o aumento da produção agrícola compatível com a população. O Brasil é possuidor de uma das maiores áreas agrícolas do planeta, ocupando cerca de 3,5 milhões de km2, ou 353,6 milhões de hectares (41,4% da área territorial do país). E há ainda no Brasil 100 a 200 milhões de hectares potencialmente aproveitáveis para uso agropecuário. O consumo de água para a produção da carne bovina contabiliza a água utilizada desde o início do cultivo até a comercialização final da carne, considerando-se, por exemplo, as demandas: do consumo direto (aproximadamente um consumo per capita de 60 litros/água/dia); para produção de ração, capins e forrageiras; 6 O uso consuntivo ocorre quando parte da água captada é consumida no processo produtivo, não retornando ao curso de água. E o uso não consuntivo refere-se ao uso da água captada ou util izada em determinada atividade que é devolvida na mesma quantidade e qualidade, ou então a água é util izada apenas como meio para determinada atividade. 52 de tratamento (serviços como limpeza); para processamento dos produtos finais. Corpos naturais de água, como os rios e córregos, são ecossistemas frequentemente influenciados pela intensificação da degradação ambiental causada por atividades humanas, especialmente associadas ao aumento da densidade populacional. Esses impactos devem-se principalmente à elevação da carga de efluentes industriais e domésticos, ao aumento de áreas agrícolas e, principalmente, à construção de barragens, que promovem perda de habitat, perturbação e introdução de espécies. Na escala mundial, a demanda hídrica estava estimada, em 1996, em 5.692 km3.ano-1 (aproveitamento potencial viável estimado em 14 mil km3.ano-1) contra uma oferta de 3.745 km3 ano-1, ou seja, a oferta hídrica mundial só atendia a cerca de 66% dos usos múltiplos. Mantendo-se as taxas de consumo e considerando um crescimento populacional à razão geométrica de 1,6% a.a., o esgotamento da potencialidade de recursos hídricos pode ser referenciado por volta do ano 2053. Assim, as disponibilidades hídricas precisam ser ampliadas e, para tanto, são necessários investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para exploração viável e racional da água. 4.1.2 Doenças relacionadas à água ou de transmissão hídrica Há vários tipos de doenças que podem ser causadas pela água. São assim denominadas quando causadas por organismos ou outros contaminantes disseminados diretamente por meio da água. Em locais com saneamento básico deficiente (falta de água tratada e/ou de rede de esgoto ou de alternativas adequadas para a deposição dos dejetos humanos), as doenças podem ocorrer devido à contaminação da água por esses dejetos ou pelo contato com esgoto despejado nas ruas ou nos córregos e rios. A falta de água também pode causar doenças, pois sua escassez impede uma higiene adequada. Incluídas também na lista de doenças de transmissão hídrica estão aquelas causadas por insetos que se desenvolvem na água. Os riscos à saúde relacionados com a água podem ser distribuídos em duas categorias principais: 53 A) Riscos relativos à ingestão de água contaminada por agentes biológicos (vírus, bactérias e parasitas), através de contato direto ou por meio de insetos vetores que necessitam da água em seu ciclo biológico; B) Riscos derivados de poluentes químicos e, em geral, efluentes de esgotos industriais. Os principais agentes biológicos descobertos nas águas contaminadas são as bactérias patogênicas, os vírus e os parasitas. As bactérias patogênicas encontradas na água e/ou alimentos constituem uma das principais fontes de morbidade em nosso meio. São as responsáveis pelos numerosos casos de enterites, diarreias infantis e doenças epidêmicas (como a febre tifoide), com resultados frequentemente letais. Os vírus mais comumente encontrados nas águas contaminadas por dejetos humanos, entre outros, são os da poliomielite e da hepatite infecciosa. Dentre os parasitas que podem ser ingeridos por meio da água destaca-se a Entamoeba histolytica, causadora da amebíase e suas complicações, inclusive para o lado hepático. É encontrada sobretudo em países quentes e em locais onde existem más condições sanitárias. Na Tabela 04 podem ser observadas as principais doenças relacionadas à ingestão de água contaminada e seus agentes causadores. Tabela 04 – Principais doenças relacionadas à ingestão de água contaminada e seus agentes causadores. (Fonte: http://www.scielo.br/pdf/csp/v16n3/2964.pdf) Doenças Agente causador Cólera Vibrio cholerae Disenteria bacilar Shiggella sp. Febre tifoide Salmonella typhi Hepatite infecciosa Vírus da Hepatite do tipo A Febre paratifoide Salmonella paratyphi A, B e C Gastroenterite Outros tipos de Salmonella, Shiggella, Proteus sp. Diarreia infantil Tipos enteropatogenicos de Escherichia coli Leptospirose Leptospirose sp. http://www.scielo.br/pdf/csp/v16n3/2964.pdf 54 Cólera Doença infecciosa aguda, transmissível, caracterizada, em sua forma mais evidente, por diarreia aquosa súbita, cujo agente etiológico é o Vibrio cholerae (bactéria Gram-negativa, em forma de bastonete encurvado, móvel), transmitida principalmente pela contaminação fecal da água, alimentos e outros produtos que vão à boca. A cólera é um modelo clássico de enterotoxigenicidade7. Disenteria bacilar Bactérias do gênero Shigella são bacilos Gram-negativos, não formadores de esporos, anaeróbios facultativos, pertencentes à família Enterobacteriaceae. Este gênero é constituído por quatro espécies: S. dysenteriae, S. flexneri, S.boydii e S. sonnei Shigella sp. Caracteriza-se por dor abdominal e cólica, diarreia com sangue, pus ou muco; febre, vômitos e tenesmo, que iniciam-se, em geral, um ou dois dias após a exposição às bactérias. Geralmente, trata-se de infecção auto limitada, durando de 4 a 7 dias. A infecção grave, com febre alta, pode estar associada com convulsões em crianças menores de 2 anos de idade. Febre tifoide A febre tifoide é uma doença bacteriana aguda de distribuição mundial. É causada pela Salmonella enterica sorotipo Typhi. Está associada a baixos níveis socioeconômicos, relacionando-se, principalmente, com precárias condições de saneamento e de higiene pessoal e ambiental. A sintomatologia clínica clássica consiste em febre alta, cefaleia, mal-estar geral, dor abdominal, falta deapetite, bradicardia relativa (dissociação pulso-temperatura), esplenomegalia, manchas rosadas no tronco (roséolas tíficas), obstipação intestinal ou diarreia e tosse seca. Como fator de transmissão indireta, há a relação estreita com a água (sua distribuição e utilização) e alimentos, que podem ser contaminados com fezes ou urina de um doente ou portador. Hepatite A 7 É a capacidade de uma bactéria produzir toxinas, podendo ser: exotoxinas, quando a b actéria l ibera toxinas pra fora dela; ou endotoxinas, quando as toxinas estão dentro da bactéria a nível entérico. 55 A forma mais comum de transmissão é a oral, por meio da ingestão do vírus com alimentos ou água contaminados. Nos países subdesenvolvidos, a transmissão se dá pela ingestão de água, alimentos e objetos contaminados, e a infecção é precoce, ocorrendo após os oito meses de idade, quando os anticorpos maternos começam a desaparecer. Nos países em desenvolvimento, a transmissão clássica por água e alimentos contaminados, precoce, vai diminuindo na medida em que as condições higiênicas vão melhorando, como tem sido observado no Sul e Sudeste do Brasil. Doença infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vírus A (HAV) e também conhecida como “hepatite infecciosa”, “hepatite epidêmica”, ou “hepatite de período de incubação curto”. O agente etiológico é um pequeno vírus RNA, membro da família Picornaviridae. Febre paratifoide A febre paratifoide é mais rara do que a tifoide, causada pela Salmonella paratyphi dos tipos “A”, “B” ou “C”. Sua fonte de infecção é a mesma da febre tifoide. Gastroenterites As Salmonellas se difundem amplamente na natureza, podendo estar presentes no solo, no ar, na água, em águas residuais, nos animais, nos seres humanos, nos alimentos, nas fezes, nos equipamentos etc. Entretanto, seu habitat natural é o trato intestinal dos seres humanos e animais. As salmoneloses caracterizam-se por sintomas que incluem diarreia, febre, dores abdominais e vômitos. Os sintomas aparecem, em média, 12 a 36 horas após o contato com o microrganismo, durante um a quatro dias. Diarreia infantil As doenças diarreicas agudas são enfermidades infecciosas e transmissíveis, que pertencem ao grupo das gastroenterites provocadas por diferentes agentes infecciosos. Os agentes enteropatogênicos mais comuns são as bactérias Escherichia coli (patogênica, toxigênica e invasiva), Shiguella, Salmonella, Campylobacter, protozoários como Giardia lamblia, Entamoeba hystolítica, Criptosporidium e os vírus Rotavírus e Adenovírus. Os helmintos mais comuns são Trichuris trichiura, Ancylostoma duodenale, Strongyloides stercoralis 56 e Schistosoma mansoni. A diarreia aguda é uma das principais causas de mortalidade nos países em desenvolvimento, especialmente em crianças menores de seis meses. A diarreia mata por desidratação e causa morbidade por desnutrição. Leptospirose A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias do gênero leptospira, que compreende duas espécies: L. biflexa, de vida livre e L. interrogans, patogênica. Essa última é subdividida em sorovares8, de acordo com diferenças antigênicas. A infecção ocorre, na maioria das vezes, de maneira indireta, através do contato com água ou solo úmido contaminado e a subsequente penetração da leptospira em abrasões na pele e mucosas, intactas ou não. O contato direto com urina e tecidos de animais é responsável por uma proporção menor das infecções, sendo mais comum em algumas profissões, como veterinários e açougueiros. Dentre as manifestações clínicas, realça-se febre alta com calafrios, dores abdominais, diarreia e cefaleias. 8 Diferente variedade de uma determinada espécie de bactéria, tendo por base a especificidade imunológica de determinados componentes da superfície da célula, como os da parede celular ou do flagelo. 57 EXERCÍCIOS 1) (CESJF-MG) - A água é de importância vital para todos os seres vivos. Sob o ponto de vista biológico, entre as propriedades físico-químicas, podemos citar três fundamentais, que são: a. baixo poder de dissolução, pequena tensão superficial e baixo calor específico. b. grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e baixo calor específico. c. grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e alto calor específico. d. grande poder de dissolução, grande tensão superficial e alto calor específico. e. grande poder de dissolução, pequena tensão superficial e alto calor específico. 2) (UTFPR/2008) - A água apresenta inúmeras propriedades que são fundamentais para os seres vivos. Qual, dentre as características a seguir, é uma propriedade da água de importância fundamental para os sistemas biológicos? a. Possui baixo calor específico, pois sua temperatura varia com muita facilidade. b. Suas moléculas são formadas por hidrogênios de disposição espacial linear. c. Seu ponto de ebulição é entre 0 e 100 °C. d. É um solvente limitado, pois não é capaz de se misturar com muitas substâncias. e. Possui alta capacidade térmica e é solvente de muitas substâncias. 3) “A Situação do açude Araras em Varjota está preocupante com a aproximação do fim da quadra chuvosa no Ceará. Um dos maiores reservatórios encontra-se com o seu nível muito baixo, e, segundo os meteorologistas, o mês de maio vai ter o nível de chuvas mais baixo do 58 que o normal. Isso deixa a região temerosa, pois o açude abastece várias cidades da região Norte do Ceará - sem falar que o açude abastece também o Perímetro Irrigado Araras Norte. Isso está deixando os irrigantes apreensivos, pois eles temem a possibilidade de racionamento de água por parte do açude, afetando diretamente o perímetro Araras Norte e o perímetro Baixo Acaraú, este dependente do rio Acaraú, abastecido pelo açude Araras. O DNOCS afirmou que a água, em primeiro plano, é para o consumo humano, e com isso todas as cidades abastecidas pelo açude Araras não sofrerão nenhum racionamento, pois o açude tem água para mais alguns anos sem chuvas, ainda não sendo hora de alarmes. Mas todos os municípios devem começar a racionar voluntariamente sua água, para que não falte no futuro.” (http://www.robertoliranoticia.net/2013/05/varjota-estiagem-deixa-acude- araras-sob.html; acesso em 12/05/2014. Adaptado.). A respeito do assunto discutido no texto, considerando implicações ambientais, ecológicas, sociais e econômicas, analise as afirmativas abaixo e assinale a única correta. a. Considerando o ciclo hidrológico da água, enquanto a taxa de evaporação da água nos reservatórios for maior do que a taxa de condensação da água na atmosfera, não há motivos para o racionamento de água. b. As taxas de evaporação nos reservatórios e as taxas de condensação das massas de ar numa dada região não interferem diretamente no ciclo hidrológico da água, pois a água dita potável é oriunda de reservatórios (estuários) submersos nos solos, e que, portanto, não são afetados. c. As taxas de evaporação da água nos reservatórios e as taxas de condensação da água nas massas de ar não possuem nenhuma relação intrínseca, por se tratarem de momentos distintos no ciclo hidrológico da água, e, desta forma, não interferem na quantidade de água potável disponível para a população. 59 d. A quantidade de água evaporada por unidade de volume, e a quantidade de água condensada pela mesma unidade de volume, devem ser iguais para que haja uma preocupação mais efetiva e para que, posteriormente, seja adotada uma ação de racionamento de água na região atendida pelo açude Araras. e. Deve-se adotar uma postura no sentido de estimular um uso racional de água potável, quando as taxas de evaporação das águas dos reservatórios de uma dada regiãoforem superiores às taxas de condensação das massas de ar dessa dada região. 4) Explique o relacionamento entre a viscosidade e as interações intermoleculares dos líquidos. 5) Um cubo feito de alumínio possui aresta de 1 cm. Sabendo que a densidade do alumínio é de 2,7 g/cm3 e que o calor específico do alumínio é 0,22 cal/g°C, determine a capacidade térmica aproximada desse cubo. a. 6 x 10–1 cal/°C b. 5 x 10–1 cal/°C c. 4 x 10–1 cal/°C d. 3 x 10–1 cal/°C e. 2 x 10–1 cal/°C 60 GABARITO 1) D 2) E 3) E 4) A viscosidade de um líquido geralmente é uma indicação da intensidade das forças entre as moléculas: interações intermoleculares fortes mantêm as moléculas unidas, dificultando seu afastamento, que caracteriza o escoamento, aumentando a viscosidade do líquido. A predição da viscosidade, entretanto, é difícil, porque não depende apenas da intensidade das forças intermoleculares, mas também da facilidade com que as moléculas do líquido assumem diferentes posições, devido ao movimento. 5) A 61 UNIDADE 3 A POLUIÇÃO Caro(a) Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta unidade, verificaremos o conceito relacionado à poluição, seus principais tipos e efeitos (à nível aquático) e os processos de autodepuração. Conteúdos da Unidade A unidade contará com 2 capítulos (nomeados Capítulo 5 e 6). No capítulo 5, verificaremos os principais tipos e efeitos relacionados à poluição das águas. No capítulo 6, verificaremos os processos de autodepuração e o comportamento aquático após a recepção de poluentes orgânicos. Acompanhe os conteúdos desta unidade. Se preferir, vá assinalando os assuntos, à medida que for estudando. 62 5 CAPÍTULO 5 – A POLUIÇÃO 5.1 INTRODUÇÃO À POLUIÇÃO A compreensão do processo de degradação do meio ambiente passa pela análise da interação entre as ecologias natural e humana. Desde o surgimento na biosfera, o homem destacou-se dos demais seres vivos pela sua capacidade de engenho e aprendizagem. Com isso, passou a conquistar novos habitats, desenvolver novos nichos e, nesse processo evolutivo, muito mais tecnológico do que biológico, passou a olhar o ambiente como sendo parte externa, e não como elemento componente. Como consumidor, criou o ciclo humano de materiais à parte dos ciclos naturais. Porém, a manutenção desse ciclo humano depende da manutenção dos ciclos naturais, pois todas as “entradas” no ciclo de produção de bens para satisfazer o consumo humano vêm dos ecossistemas naturais, e todas as “saídas” do ciclo humano se convertem em “entradas” no ciclo natural de materiais. A figura 17 apresenta essa interação entre ecologias. (COLOCAR A FIGURA 17 AQUI) Figura 17: Interação das ecologias natural e humana (Fonte: http://www.hidro.ufcg.edu.br) Analisando o ciclo natural, lado esquerdo da figura 17, constata-se que além dos resíduos naturais que retornam à sua base biológica, estão os manufaturados, que procedem da atividade produtiva do homem, acrescidos daqueles provenientes do seu próprio metabolismo. Tais resíduos, para voltarem ao processo produtivo, vão depender da capacidade de reciclagem dos ciclos naturais. Muitos deles são substâncias inorgânicas, e o resto são compostos orgânicos, alguns dos quais não biodegradáveis, que se convertem em contaminantes da base biogeoquímica e, seja pela quantidade ou pela qualidade, contribuem para a degradação do ambiente. Por outro lado, as “saídas” dos ciclos naturais para abastecer os ciclos humanos através da mineração, desmatamento, queimada, construção de hidrelétricas, agricultura e pecuária intensiva etc., causam pressões que contribuem para a degradação do ambiente. Como 63 resultado da soma das pressões sobre o meio ambiente, tem-se a poluição ambiental. Analisando o lado direito da mesma figura, pode-se constatar que quanto maior for a população, maior será o consumo de alimentos, energia, água, minerais etc., e, consequentemente, maior será a pressão sobre os ecossistemas naturais, e maior a degradação da biosfera, ou seja, maior a poluição ambiental. Assim, conclui-se que o crescimento populacional pode ser apontado como causa maior da degradação ambiental. Rico polui, pobre também polui. Este, por necessidade de sobrevivência, aquele, muitas vezes por ganância. Porém, a população não pode crescer indefinidamente, pois está limitada à capacidade de suporte do planeta. A capacidade de suporte para a vida humana varia de acordo com a forma como o homem maneja os recursos naturais, podendo ser melhorada ou piorada pelas atividades humanas. Cria-se assim um ciclo vicioso, no qual a população crescente polui o ambiente, e o ambiente assim degradado vai perdendo a sua capacidade de suporte. Toda atividade humana (seja produção ou consumo) produz resíduos, alguns dos quais podem ser reutilizados ou reciclados nos processos de produção em que estão inseridos. Os resíduos que não podem ser reutilizados ou reciclados tornam-se lixo depositado no meio ambiente, seja na sua forma original ou após passar por algum tipo de tratamento. O meio ambiente tem uma certa capacidade natural de assimilar determinados tipos de dejetos sem causar efeitos negativos a si próprio. Os dejetos não assimilados resultam em poluição. De acordo com o Artigo 3° da Política Nacional do Meio Ambiente (LEI 6938/1981), entende-se por poluição: “...a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; ...” 64 No contexto hídrico, o crescimento demográfico e a expansão industrial, em ambiente urbano, vêm provocando grandes conflitos entre o ambiente natural e o desenvolvimento físico-urbanístico. Com o aumento do processo de urbanização e industrialização, assistimos ao desmatamento, à ocupação de áreas inadequadas para a construção de infraestruturas e à proliferação da atividade urbana e industrial nas cidades - fatores que têm consequências graves ao nível da degradação do solo e dos rios, devido à contaminação provocada pela descarga de resíduos e efluentes, produzidos tanto pela ação doméstica quanto pela ação industrial, e que vão sendo transportados para os campos agrícolas, promovendo a contaminação das águas e do solo. IMPORTANTE: Poluição hídrica é todo ato ou fato pelo qual se lance na água qualquer produto que provoque a alteração das características dela, ou a torne imprópria para o uso. A água é considerada poluída quando a sua composição está alterada, de forma que se torna inadequada para as pessoas no estado natural. São as alterações de suas propriedades físicas, químicas ou biológicas que a tornam nociva para a saúde e o bem estar da população, ou imprópria para uso, tanto para fins domésticos, agrícolas, industriais e recreativos, como para a fauna e a flora. As causas mais comuns da poluição da água são os despejos de dejetos humanos e industriais e de produtos químicos e/ou radioativos. Apresenta-se como água poluída aquela que possui modificações em suas características físicas e químicas. Quando a água apresenta uma alteração na sua coloração e/ou odor, infere-se que ela está poluída. Entretanto, a coloração e o mau cheiro podem ser provocados por substâncias que não provocam doenças no ser humano. Quando a água possui organismos causadores de doença ou substâncias que podem trazer problemas à saúde, pode-se apresentá-la como água contaminada. Sendo assim, pode-se concluir que nem toda água poluída está contaminada, mas toda água contaminada está poluída, ou seja, a águacontaminada é um tipo de água poluída. 5.2 TIPOS DE POLUIÇÃO As principais formas de poluição que afetam as águas são a poluição sedimentar, biológica, térmica e química. 65 5.2.1 Poluição Sedimentar Resulta do acúmulo de partículas em suspensão (por exemplo, partículas de solo ou de produtos químicos insolúveis, orgânicos ou inorgânicos). Esses sedimentos poluem de várias maneiras: o Os sedimentos bloqueiam a entrada dos raios solares na lâmina de água, interferindo na fotossíntese das plantas aquáticas e diminuindo a capacidade dos animais aquáticos de verem e encontrarem comida; o Os sedimentos também carregam poluentes químicos e biológicos neles adsorvidos. Mundialmente, os sedimentos constituem a maior massa de poluentes e geram a maior quantidade de poluição nas águas. 5.2.2 Poluição Biológica Traduz-se pela elevada contagem de coliformes fecais e pela presença de resíduos que possam produzir transformações biológicas consideráveis e influenciar diretamente na qualidade de vida dos seres que habitam o meio aquático, ou que dele tiram o seu sustento. 5.2.3 Poluição Térmica Decorre do lançamento nos rios da água aquecida usada no processo de refrigeração de refinarias, siderúrgicas e usinas termoelétricas. O aumento da temperatura da água causa a aceleração do metabolismo dos seres vivos, levando ao aumento da necessidade de oxigênio e à aceleração do ritmo respiratório. Também ocorre a diminuição da solubilidade dos gases em água, causando um decréscimo na quantidade de oxigênio dissolvido. Essa diminuição acarreta prejuízo para a respiração da fauna e flora aquáticas, afetando, inclusive, os ciclos de reprodução. A ação dos poluentes, já presentes na água, é potencializada pelo aumento da velocidade das reações e da solubilidade de alguns poluentes. 66 5.2.4 Poluição Química Causada por produtos químicos estranhos ao ambiente, tornando-se nocivos ou indesejáveis, cujos resultados podem ser catastróficos. Sobre esse tipo de poluição, os principais agentes poluidores são: o Os fertilizantes empregados na agricultura, que são arrastados pelas chuvas para córregos, rios, lagos e lençóis subterrâneos. Esses agentes poluidores contêm em sua composição nitratos ( ) e fosfatos ( ), que favorecem processos de eutrofização; o Os materiais orgânicos sintéticos, como plásticos, detergentes, solventes, tintas, produtos farmacêuticos etc. Esses agentes são muito variados e geralmente alteram diferentes propriedades físicas (cor, sabor e toxidez) e químicas (pH, concentrações de substâncias, equilíbrios químicos diversos etc.) da água, causando acúmulos sólidos; o O petróleo e seus derivados, usados na forma de combustíveis em embarcações ou quando transportados por oleodutos no fundo do mar, ou por navios; o Os materiais inorgânicos, como minerais ou produtos industriais, que podem causar variações de pH, salinidade, concentração de gases, além de tornarem a água tóxica; além da possibilidade da perigosa contaminação por diferentes metais pesados (Cu, Zn, Pb, Cd, Hg, Ni, Sn etc.). A poluição química é um pouco diferente e um pouco mais sutil do que as outras formas de poluição: a poluição térmica tem pouco efeito sobre a potabilidade da água; a poluição sedimentar é normalmente muito visível e facilmente removível. Mesmo a poluição biológica parece em alguns casos menos perigosa do que a poluição química, uma vez que a maioria dos microrganismos podem ser destruídos pela fervura da água que eles estejam infectando, ou pelo tratamento com substâncias químicas, como o hiploclorito de sódio e a cal viva. Já a poluição química não é assim tão simples. Os efeitos nocivos podem ser sutis e levar muito tempo para serem sentidos. 67 5.3 PRINCIPAIS FONTES DE POLUIÇÃO As emissões de nutrientes nos corpos d'água são provenientes de fontes pontuais e difusas de poluição. As fontes pontuais se caracterizam por lançarem, de forma constante, efluentes em locais específicos, sendo os esgotos domésticos e efluentes industriais as principais fontes de contribuição desta natureza. As fontes difusas ou não pontuais são resultantes de ações dispersas na bacia hidrográfica e não podem ser identificadas em um único local de descarga, sendo difíceis de mensurar e identificar, com aportes significativos no período chuvoso. As fontes mistas são aquelas que englobam características de cada uma das fontes anteriormente descritas. As cargas poluidoras não pontuais (ou difusas) são geradas em áreas extensas e chegam aos corpos de água de forma intermitente, dificultando, assim, sua identificação, medição e controle. As cargas difusas estão intimamente associadas à geologia, ao uso do solo (presença e tipo de floresta, práticas agrícolas e pastagens) e à morfologia da bacia de drenagem. A poluição difusa é complexa e provém de diversas fontes, tais como freios de automóveis, resíduos de pneus, resíduos de pinturas em geral, fezes de animais, resíduos de ferro, zinco, cobre e alumínio de materiais de construção, deposição seca e úmida de particulados de hidrocarbonetos, restos de vegetação, derramamentos, erosão, fuligem, poeira, enxofre, metais, pesticidas, nitritos e nitratos, cloretos, fluoretos, silicatos, cinzas, compostos químicos e resíduos sólidos, entre outros. Além das fontes acima citadas, corroboram para a poluição difusa as ligações clandestinas de esgotos, efluentes de fossas sépticas, vazamentos de tanques de combustível enterrados, restos de óleo lubrificante, tintas, solventes, e outros produtos tóxicos despejados em sarjetas e bueiros também contribuem para o aumento das cargas poluidoras transportadas pelas redes de drenagem urbana. A tabela 05 apresenta as características das fontes de poluição. 68 Tabela 05 – Características das fontes de poluição (Fonte: http://www.vetorial.net/~regissp/pol.pdf) Fontes Bactéria Nutrientes Pesticidas/ Herbicidas Micropoluentes Orgânicos Industriais Óleos e Graxas Atmosfera 1 3-G 3-G Fontes Pontuais Esgoto Doméstico 3 3 1 3 Esgoto Industrial 1 3-G 2 Fontes Difusas Agrícolas 2 3 3-G Dragagem 1 2 3 1 Navegação e portos 1 1 1 3 Fontes Mistas Escoamento urbano e depósitos de lixo 2 2 2 2 2 Depósitos de cargas industriais 1 1 3 1 Legenda: (1) Fonte de significância local (2) De moderada significância local/regional (3) De significância regional (4) De significância global http://www.vetorial.net/~regissp/pol.pdf 69 5.4 PRINCIPAIS POLUENTES DA ÁGUA E SEUS EFEITOS 5.4.1 Efluentes Urbanos e Industriais A nível urbano, os esgotos podem ser combinados (cloacal e pluvial num mesmo conduto) ou separados (rede pluvial e sanitária separada). A legislação estabelece o sistema separador, mas, na prática, isso não ocorre, devido às ligações clandestinas e à falta de rede sanitária. A falta de capacidade financeira para implantação da rede de cloacal faz com que algumas prefeituras tenham permitido o uso da rede pluvial para transporte do esgoto sanitário, o que pode ser uma solução inadequada se esse esgoto não for tratado. Quando o sistema sanitário é implementado, a grande dificuldade envolve a retirada das ligações existentes da rede pluvial, o que, na prática, resulta em dois sistemas misturados com diferentes níveis de carga. O principal problema está relacionado com a gestão das ligações dos usuários à rede. As empresas, ao implementarem a rede, devem fazer a ligação dos usuários da mesma forma que, para cada novo usuário, a ligação deve ser obrigatoriamente realizada pela companhia concessionária, para evitar esses problemas. Os esgotos domésticos contêm aproximadamente 99,9 % de água - a fração restante inclui sólidos orgânicos e inorgânicos, suspensos e dissolvidos, bem como microrganismos. Portanto, é devido a essa fração de 0,1 %que há necessidade de se tratar os esgotos. A característica dos esgotos depende dos usos aos quais a água foi submetida. Esses usos e a forma com que são exercidos variam com o clima, a situação social e econômica e os hábitos da população. Os parâmetros físicos, químicos e biológicos definem a qualidade do esgoto; e a introdução de matéria orgânica em um corpo d’água resulta, indiretamente, no consumo de oxigênio dissolvido. Isso se deve aos processos de estabilização da matéria orgânica realizados pelas bactérias decompositoras, as quais utilizam o oxigênio disponível no meio líquido para a sua respiração. O decréscimo da concentração de oxigênio dissolvido tem diversas implicações do ponto de vista ambiental, sendo um dos principais problemas de poluição das águas em nosso meio. O oxigênio dissolvido (OD) é importante para os seres aeróbios, que vivem na presença dele. O oxigênio dissolvido é consumido por bactérias durante a estabilização da matéria orgânica (oxidação da matéria orgânica). Elas o 70 consumem por meio do processo de respiração, podendo causar a redução da concentração do OD ao meio. Outras formas de consumo de OD ocorrem através da nitrificação (oxidação da amônia a nitrato) e da demanda bentônica (lodo de fundo). Se o seu consumo for exorbitante, ocorrerá a morte de seres aquáticos, inclusive dos peixes; e, ainda, se o consumo do OD for total, o meio passa a ser anaeróbio e pode causar odores. Portanto, o OD é um parâmetro de caracterização de poluição das águas por despejos orgânicos. Nas indústrias, as águas podem ser utilizadas de diversas formas, tais como: Incorporação aos produtos; Limpezas de pisos, tubulações e equipamentos; Resfriamento; Aspersão sobre pilhas de minérios para evitar o arraste de finos, e sobre áreas de tráfego, para evitar poeiras; Irrigação; Lavagens de veículos; Oficinas de manutenção; Consumo humano e usos sanitários. Além da utilização industrial da água, esta também é utilizada para fins sanitários, sendo gerados os esgotos que, na maior parte das vezes, são tratados internamente pela indústria, separados em tratamentos específicos ou tratados até conjuntamente nas etapas biológicas dos tratamentos de efluentes industriais. As águas residuárias - neste caso, os esgotos sanitários - contêm excrementos humanos líquidos e sólidos, produtos diversos de limpezas, resíduos alimentícios, produtos desinfetantes e pesticidas. Principalmente dos excrementos humanos, originam-se os microrganismos presentes nos esgotos. Os esgotos sanitários são compostos de matéria orgânica e inorgânica. Os principais constituintes orgânicos são: proteínas, açúcares, óleos e gorduras, microrganismos, sais orgânicos e componentes dos produtos saneantes. Os principais constituintes inorgânicos são sais formados de ânions (cloretos, sulfatos, nitratos, fosfatos) e cátions (sódio, cálcio, potássio, ferro e magnésio). 71 As características dos efluentes industriais são inerentes à composição das matérias-primas, das águas de abastecimento e do processo industrial. A concentração dos poluentes nos efluentes ocorre em função das perdas no processo ou pelo consumo de água. Um efluente pode conter poluentes orgânicos e inorgânicos, os quais podem estar solúveis na água ou em suspensão na forma de partículas (sólidas ou líquidas). O material em suspensão pode ser removido da água por métodos físico-químicos, cuja escolha dependerá das características do material particulado (tamanho, densidade, carga elétrica etc.). Nessa operação, gera-se um resíduo sólido ou pastoso, cujo destino deve ser estudado caso a caso. O material solúvel é removido por métodos físico-químicos ou biológicos. 5.4.2 Agroquímicos Do ponto de vista ambiental, o pesticida deveria eliminar os organismos- alvo sem atuar nos demais seres que se encontram no ambiente, e então ser degradado e dissipado do meio ambiente. Entretanto, isso nem sempre acontece. Os períodos de ação efetiva de um pesticida e de sua permanência no solo estabelecem sua persistência no ambiente. A persistência de um produto químico no solo é parâmetro importante na avaliação da qualidade ambiental, uma vez que ele, diretamente, através de pulverizações e fumigações; bem como indiretamente, pela queda de folhas e frutos tratados, podem ser lixiviados, contaminando ambientes aquáticos. A degradação da qualidade de águas subterrâneas e superficiais tem sido identificada como a principal preocupação no que diz respeito ao impacto da agricultura no ambiente. A contaminação de coleções de água superficiais e subterrâneas tem um potencial extremamente poluente, pois se, por exemplo, o local onde o agrotóxico for aplicado for próximo a um manancial hídrico que abasteça uma cidade, a qualidade dessa água captada também deverá estar comprometida. Em contato com o solo, esses compostos podem sofrer processos de transporte, tais como lixiviação, volatilização, adsorção e escoamento superficial, podendo também sofrer processos de transformação, como degradação química, hidrólise, fotólise, hidroxilação etc., e/ou degradação por microrganismos. Assim, dependendo do tipo de transformação, esses pesticidas e/ou seus metabólitos 72 podem ter diferentes destinos no ecossistema: sofrer mineralização total, permanecer por longo tempo no solo, atingir águas subterrâneas, ou ser bioacumulado através da cadeia alimentar. Destacando-se por essas características, os organoclorados têm maior probabilidade de estarem ligados à superfície do material particulado orgânico em suspensão na água e nos sedimentos do que estar dissolvido na própria água. Com isso, são lentamente liberados para a água e introduzidos nos organismos aquáticos, como os peixes. Eles são compostos orgânicos de difícil degradação, hidrofóbicos e bioacumulativos. Apresentam alta estabilidade química, fotoquímica e taxa de biodegradação muito lenta. Alguns desses compostos encontram-se no ambiente aquático, em concentrações que não são perigosas ou tóxicas. No entanto, em consequência do fenômeno da bioacumulação, sua concentração no tecido dos organismos aquáticos pode ser relativamente alta, caso não possuam mecanismos metabólicos que eliminem os compostos após sua ingestão. Nesta classe de compostos estão incluídos uma grande variedade de compostos orgânicos, como os halogenados, agroquímicos (pesticidas), hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, dioxinas, furanos e os estrogênios ambientais. Muitos agroquímicos, como o DDT, Metoxicloro, Toxafeno, Dieldrin, bifenilas policloradas (PCB’s); e outros compostos químicos sintéticos, como as dioxinas e os ésteres do tipo ftalato; foram encontrados em concentrações relativamente elevadas em tecidos de peixes e outros animais aquáticos, especialmente daqueles provenientes de rios e lagos, localizados próximos a grandes centros industriais. A evidência dos efeitos tóxicos dessas substâncias é causa de grande preocupação, e a legislação tem estabelecido restrições no consumo de peixes provenientes de regiões poluídas. Esses compostos mimetizam a ação de hormônios, afetando a saúde reprodutiva dos organismos superiores, sendo conhecidos como estrogênios ambientais. O desenvolvimento da agricultura em terras sem curvas de nível e sem conservação das matas ciliares possibilita com maior facilidade o carreamento de agrotóxicos e de fertilizantes, causando a erosão e o assoreamento dos rios, desviando o leito dos rios e diminuindo a altura da lâmina d’água, criando depósitos e diminuindo a vida aquática. 73 5.4.3 Metais Pesados Os principais fatores para a contaminação de sistemas aquáticos são as descargas de efluentes domésticos ou industriais e a lixiviação de pesticidas em áreas agrícolas. Sendo assim, as regiões costeiras e estuarinas recebem esses efluentes, na maioriadas vezes sem tratamento adequado, ficando contaminadas por metais pesados, compostos químicos orgânicos e nutrientes; expondo, por conseguinte, toda a vida marinha. Os termos “metais pesados”, “metais tóxicos”, “metais traço”, “elementos traço” e ainda “constituintes traço” têm sido utilizados como sinônimos na literatura, referindo-se a elementos (nem sempre metais) de alto potencial toxicológico e associados à poluição. Por outro lado, diversos cientistas defendem que o termo “metal pesado” teria surgido como uma conveniência para os legisladores, a fim de referir-se a metais com potencial tóxico. Cádmio, mercúrio, chumbo e bismuto têm sido frequentemente mencionados, até porque a atividade humana causou o aumento da sua concentração no ambiente. Diferentemente do senso comum, nem todos os metais causam danos à saúde humana e animal. São danosos aqueles que estiverem em formas não disponíveis biologicamente, e caso a dieta do organismo que o ingeriu não contiver determinados elementos que se complexam com os metais, tendo como produto final um metal sob uma forma então tóxica. Os metais podem ser introduzidos nos ecossistemas aquáticos de maneira natural ou artificial. Naturalmente, isso ocorre por meio do aporte atmosférico e das chuvas, pela liberação e transporte a partir da rocha matriz ou outros compartimentos do solo onde estão naturalmente. De modo artificial, isso ocorre por fontes antropogênicas de diversos ramos: esgoto in natura de zonas urbanas, efluentes de indústrias, atividades agrícolas e rejeitos de áreas de mineração e garimpos. A agricultura, por exemplo, constitui uma das mais importantes fontes não pontuais de poluição por metais em corpos d’água. As principais fontes liberadoras são os fertilizantes (Cd, Cr, Pb, Zn), os pesticidas (Cu, Pb, Mn, Zn), os preservativos de madeira (Cu, Cr), e os dejetos de produção intensiva de bovinos, suínos e aves (Cu, As, e Zn). Além disso, os metais lançados no solo a partir da agricultura são carreados para os rios devido ao escoamento de águas superficiais provenientes 74 das chuvas, persistindo no meio aquático por apresentarem forma livre, ou iônica, o que facilita sua acumulação nos tecidos dos animais, principalmente dos peixes. As atividades antrópicas podem aumentar as concentrações de metais a níveis mais altos do que os originalmente presentes na natureza, a partir de lançamentos de efluentes industriais e municipais, enxurradas urbanas e agrícolas, sedimentos finos provenientes da erosão de mananciais, deposição atmosférica, pinturas antiaderentes de embarcações (especialmente estanho e cobre), metais dos tubos de estações de tratamento de esgotos, drenos de solos ácidos sulfatados, e minas para extração de minérios. A tabela 06 apresenta os principais impactos à saúde causados por metais. Tabela 06 – Principais impactos à saúde causados por metais (Fonte: http://www.quifacil.com.br/metais-pesados) Metal Principal impacto na saúde Chumbo Dores abdominais, paralisia nas mãos e distúrbios na visão Cádmio Inflamação nos pulmões, problemas no fígado e nos rins Mercúrio Perda da visão, debilitamento das funções cerebrais e coma Alumínio Intoxicação crônica Arsênio Câncer Cobalto Problemas respiratórios e alergias Cromo Úlceras, inflamação nasal e câncer de pulmão Níquel Doenças respiratórias e alergias Platina Urticária e problemas respiratórios Prata Dores abdominais, vômito e diarreia Cobre Febre, náusea e diarreia Manganês Distúrbios neurológicos Zinco Tosse, febre, náusea e vômito http://www.quifacil.com.br/metais-pesados 75 5.4.4 Petróleo O que se tem notado, nas duas últimas décadas, é que a poluição causada por petróleo e seus derivados tem sido um dos principais problemas ao meio ambiente. Quando ocorre o derramamento de gasolina no solo, por exemplo, uma das principais preocupações é a contaminação das águas subterrâneas, que também podem contaminar, especialmente, os aquíferos, que são usados como fontes de abastecimento de água para o consumo humano. Os frequentes derramamentos de petróleo e seus derivados registrados em solos brasileiros vêm motivando o desenvolvimento de novas técnicas que visam, principalmente, a descontaminação dessas matrizes. Diante disso, diversas técnicas físicas, químicas e biológicas vêm sendo desenvolvidas para a remoção ou a degradação in-situ ou ex-situ do petróleo derramado e para a redução de seus efeitos sobre o ecossistema, especialmente os tóxicos. Em poluição, atribui-se o termo intemperismo, também referenciado como intemperização natural ou atenuação natural, aos efeitos combinados de processos naturais, bióticos e abióticos, que reduzem a persistência, a mobilidade, a massa e a toxicidade dos hidrocarbonetos do petróleo liberados no meio ambiente. No processo de intemperização, geralmente são os hidrocarbonetos aromáticos voláteis, como BTEX, que apresentam taxas significativas. Os demais compostos, de maiores cadeias carbônicas, são relativamente insolúveis em água, se comparados aos BTEX. Dessa forma, os hidrocarbonetos do petróleo mais pesados, como os policíclicos aromáticos, ficam retidos na região da fonte por longos períodos de tempo. Quando ocorre um vazamento de petróleo no mar, são formadas manchas de óleo que se espalham pela superfície das águas, carregadas por correntes marítimas. Esses derramamentos sempre causam grandes impactos aos seres que fazem parte do ecossistema afetado. Entre os principais impactos, encontram-se: Morte direta de organismos; Alteração na estrutura alimentar (com o desaparecimento de espécies mais sensíveis); Interferência nos índices de reprodução de animais; Morte ecológica (impedindo os organismos de realizarem suas funções no ecossistema). 76 UNIDADE 3 6 CAPÍTULO 6 – POLUIÇÃO TÉRMICA, SEDIMENTOS, NUTRIENTES E AUTODEPURAÇÃO 6.1 POLUIÇÃO TÉRMICA, SEDIMENTOS, NUTRIENTES 6.1.1 Poluição Térmica A poluição térmica ocorre como um processo natural exigido pela Segunda Lei da Termodinâmica para qualquer operação de qualquer ciclo termodinâmico. A água é frequentemente usada como um meio refrigerante, quando é aquecida e retorna ao ambiente numa temperatura mais quente do que iniciou. A poluição térmica é definida como a degradação da qualidade da água por algum processo que altere a sua temperatura ambiente. Águas captadas para geração de energia termoelétricas têm sido mostradas como as mais impactantes pelo uso nos sistemas de refrigeração. Neste caso, a água retorna ao meio ambiente com uma temperatura mais elevada. Tal alteração na temperatura da água pode provocar a diminuição do oxigênio e afetar o ecossistema de oceanos ou rios. Isso ocorre porque a diminuição do oxigênio afeta a respiração de muitas espécies de animais marinhos. Numa outra situação, a abertura de comportas de usinas hidrelétricas, procedimento feito em caso de manutenção, pode despejar grande volume de água em temperatura diferente àquela do rio ou oceano. Essa mudança brusca na temperatura da água pode provocar a morte de peixes e outros animais marinhos, que não estão adaptados a essa espécie de “choque térmico” das águas. Quando ocorre o aumento da temperatura da água acima do normal tolerado pelo ecossistema, pode ocorrer também o desenvolvimento de bactérias e fungos causadores de doenças em peixes e outras espécies marinhas. 6.1.2 Sedimentos Os sedimentos que atingem a macrodrenagem se depositam devido à redução de declividade e da capacidade de transporte. Os sedimentos depositados reduzem a capacidade de escoamento de cheias dos canais da macrodrenagem, e as inundações se tornam mais frequentes. A atividade humana não somente acelera o processo de erosão, mas também sofre as consequências desse processo. O transporte de sedimentos afeta a qualidade da 77 água paraconsumo humano e para outras finalidades, na medida em que ele próprio constitui-se como poluente e, ao mesmo tempo, atua como catalisador, carreador e agente fixador de outros poluentes. A associação de poluentes tóxicos com materiais finos produz redução da qualidade da água. Da mesma forma, os depósitos de sedimentos associados com esgoto sanitários, devido à interligação clandestinas dos sistemas pluviais, são fontes de degradação anaeróbia que se formam na rede de escoamento. Esses depósitos geram a demanda de oxigênio bentônica. Portanto, os impactos do transporte do escoamento pluvial estão relacionados à acumulação de nutrientes, metais, hidrocarbonetos e bactérias nos sedimentos. Em resumo, as principais consequências ambientais da produção de sedimentos são as seguintes: assoreamento da drenagem, com redução da capacidade de escoamento de condutos, rios e lagos urbanos; e o transporte de poluentes agregados ao sedimento, que contaminam as águas pluviais. 6.1.3 Nutrientes O crescimento da população e das cidades, além do desenvolvimento de novas tecnologias e produtos, gera cada vez mais resíduos líquidos e sólidos, os quais, quando dispostos inadequadamente, causam impactos negativos ao meio ambiente. A eutrofização resulta no aumento de produtividade e da biomassa algal, e na redução da diversidade fitoplanctônica, com predominância de alguns grupos. O crescimento excessivo do fitoplâncton, denominado floração, causa problemas, como a redução das concentrações de oxigênio, levando à morte de organismos aquáticos; e as alterações na coloração e odor das águas. Muitas florações em ambientes de água doce são causadas por populações de cianobactérias. Como muitas espécies são consideradas nocivas, eventos de florações despertam preocupações, devido aos riscos à saúde pública, especialmente quando a água do manancial é utilizada para o abastecimento público. Todas as impurezas da água, exceto os gases dissolvidos, contribuem para a carga total de sólidos presente na água. A clorofila a é um pigmento presente em indivíduos autótrofos, como fitoplâncton e algas, e está relacionada diretamente à quantidade de nutrientes, pois quanto maior a disponibilidade, maior a taxa de crescimento dos organismos e, consequentemente, maior a 78 quantidade de clorofila no ambiente aquático. A Figura 18 exemplifica esse processo de eutrofização. (COLOCAR A FIGURA 18 AQUI) Figura 18 – Exemplo de eutrofização O processo de eutrofização nas águas interiores ocorre principalmente em lagos e reservatórios, que são ambientes lênticos. Nos rios, ambientes lóticos, as condições ambientais como turbidez e velocidades elevadas resultam em menor ocorrência de eutrofização. A matéria orgânica depositada em ambiente lacustre pode consumir todo o oxigênio disponível, ocorrendo, assim, a anoxia. O fósforo possui a tendência de se manter depositado no sedimento. Já na presença de oxigênio, o fosfato fica solúvel, ficando disponível para o processo fotossintetizante. Portanto, a eutrofização é um processo contínuo e crescente, caso não sejam adotadas medidas de controle na introdução de fosfatos em ambientes aquáticos. Os índices do estado trófico (IET) foram desenvolvidos com o intuito de classificar as águas de lagos e reservatórios, de modo a auxiliar os agentes gestores, bem como facilitar a comunicação destes com o público no tocante ao estado ou à natureza na qual se encontram tais sistemas. O IET proposto por Carlson (1977) é um dos mais utilizados para estimar o estado trófico dos sistemas aquáticos lacustres. Essa metodologia relaciona as concentrações de fósforo total, a clorofila a e a transparência da água para avaliar a situação do ambiente; porém, originalmente, foi desenvolvido para climas temperados e, em função disso, algumas adaptações surgiram no intuito de trazerem sua aplicação o mais próximo possível das características das águas da região tropical. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) recomenda, como uma das formas de avaliar a qualidade das águas no que toca à produtividade do corpo hídrico, a utilização do Índice de Estado Trófico, que tem por finalidade a classificação das águas de acordo com os diferentes graus de trofia - ou seja, avaliar um sistema aquático quanto ao enriquecimento por nutrientes. A tabela 07 apresenta as principais categorias tróficas e seus IET aplicados para lagos e reservatórios. 79 Tabela 07 – Estado Trófico e IET (Fonte: http://www.aguasparana.pr.gov.br/arquivos/File/PUBLICACOES) Estado Trófico Critério P-total (mg ) Clorofila a - (mg ) Ultraoligotrófico IET < 47 P ≤ 8 CL ≤ 1,17 Oligotrófico 47 < IET < 52 8 < P ≤ 19 1,17 < CL ≤ 3,24 Mesotrófico 52 < IET < 59 19 < P ≤ 52 3,24 < CL ≤ 11,03 Eutrófico 59 < IET < 63 52 < P ≤ 120 11,03 < CL ≤ 30,55 Supereutrófico 63 < IET < 67 120 < P ≤ 233 30,55 < CL ≤ 69,05 Hipereutrófico IET > 67 233 < P 69,05 < CL Dentre os agentes poluidores, o quadro 3 apresenta os efeitos e parâmetros representativos dos mesmos, incluindo-se suas fontes. 80 Quadro 03 – Principais agentes poluidores e efeitos (Fonte: Rede Tec) Constituinte Principais parâmetros representativos Fonte Possível efeito poluidor Águas residuárias Águas pluviais Urbanas Industriais Urbanas Agricultura e pastagem Sólidos em suspensão Sólidos em suspensão totais XXX ↔ XX X - Problemas estéticos; - Depósito de lodo; - Adsorção de poluentes; - Proteção de patogênicos. Matéria orgânica biodegradável Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) XXX ↔ XX X - Consumo de oxigênio; - Mortandade de peixes; - Condições sépticas. Nutriente Nitrogênio; Fósforo. XXX ↔ XX X - Crescimento excessivo de algas; - Toxidade aos peixes (amônia) - Doença em recém-nascidos; - Poluição de água subterrânea. Organismos patogênicos Coliformes XXX ↔ XX X - Doenças de veiculação hídrica Matéria orgânica não biodegradável Pesticidas; Alguns detergentes; XX ↔ X XX - Toxidade (vários) - Espumas (detergentes); - Redução da transferência de oxigênio 81 Produtos farmacêuticos; Outros. (detergentes); - Biodegradabilidade reduzida ou inexistente; - Maus odores Metais Elementos específicos (As, Cd, Cr, Cu, Hg, Ni, Pb, etc...) XX ↔ X - Toxidade (vários) - Inibição do tratamento biológico do esgoto; - Problemas na disposição do lodo na agricultura; Contaminação da água subterrânea. Sólidos inorgânicos dissolvidos Sólidos dissolvidos totais; Condutividade elétrica XX ↔ X - Salinidade excessiva - Toxidade a plantas; - Problemas de permeabilidade do solo (sódio) Legenda: X – Pouco XX – Médio XXX – Muito ↔ - Variável Em branco – usualmente não importante 82 6.2 PROCESSOS DE AUTODEPURAÇÃO 6.2.1 Conceito A autodepuração é um processo natural em que cargas poluidoras de origem orgânica lançadas em um corpo d’água são neutralizadas. De acordo com Sperling (1996), a autodepuração pode ser entendida como um fenômeno de sucessão ecológica, no qual o restabelecimento do equilíbrio no meio aquático - ou seja, a busca pelo estágio inicial encontrado antes do lançamento de efluentes - é realizado por mecanismos essencialmente naturais. A decomposição da matéria orgânica por microrganismos aeróbios corresponde a um dos mais importantes processos integrantes do fenômeno da autodepuração. Esse processo é responsável pelo decréscimo nas concentrações de oxigênio dissolvido na água, devido à respiração dos microrganismos que, por sua vez, decompõem a matéria orgânica. Ela é decorrente da associação de vários processos de natureza física (diluição, sedimentação e reaeração atmosférica), química e biológica (oxidação e decomposição). No processo de autodepuração, há um balanço entre as fontes de consumoe de produção de oxigênio, conforme ilustrado na Figura 19. (COLOCAR AQUI A FIGURA 19) Figura 19 – Balanço no processo de autodepuração (Fonte: http://biologia- poluicaodaagua.blogspot.com.br) Didaticamente, admite-se que o processo de autodepuração de um corpo receptor ocorra em quatro zonas (não delimitadas claramente entre si), dividas em: Zona de degradação (zona de elevada turbidez); Zona de decomposição ativa (zona séptica e mais nociva); Zona de recuperação (zona melhorada); Zona de água límpida (zona de águas claras e frescas). 83 Zona de degradação É a região onde ocorre a degradação aeróbia da matéria orgânica e inorgânica do efluente, com grande consumo de OD, podendo chegar a uma concentração zerada de oxigênio. Zona de decomposição ativa À medida que a concentração de OD diminui, vai se caracterizando uma conversão, devido à decomposição da matéria orgânica por via anaeróbia. Quando a vazão do corpo de despejo é pequena em relação à vazão do corpo receptor, o surgimento desta zona é mais lento. Em caso oposto, de modo que haja sempre uma quantidade considerável de OD para manter as condições aeróbias, a zona de decomposição ativa pode não ocorrer e a zona de degradação se transforma diretamente na zona de recuperação. Zona de recuperação Nessa zona, a concentração de OD aumenta gradualmente, enquanto que a concentração de sólidos em suspensão diminui. Os microrganismos estão em pequena concentração, dada a pouca disponibilidade de substrato. As espécies de microrganismos anaeróbios desaparecem totalmente, e as espécies aeróbias já sem encontram em uma pequena concentração. Zona de água límpida É a parte da zona de recuperação em que praticamente ocorreu completa decomposição dos sólidos orgânicos, e há maior concentração de sólidos inorgânicos estáveis. A aparência da água é semelhante àquela que o corpo receptor tinha antes do ponto de lançamento do despejo. Juntamente com o OD, a DBO5 é um parâmetro de grande importância no estudo da autodepuração, pois indica com grande eficácia os efeitos da presença de poluição por efluentes orgânicos. A DBO tradicionalmente conceituada corresponde ao OD consumido durante a decomposição da matéria orgânica carbonácea, conhecida como DBO carbonácea. Seguindo essa fase, ocorre a oxidação biológica da amônia em nitrato, chamada de nitrificação, sendo que o 84 OD necessário para a efetivação desse processo é quantificado em uma fase denominada DBO nitrogenada. Após o lançamento dos esgotos, o curso d’água poderá se recuperar por mecanismos puramente naturais, constituindo o fenômeno da autodepuração. É de grande importância o conhecimento do fenômeno de autodepuração e da sua quantificação, tendo em vista os seguintes objetivos: Utilizar a capacidade de assimilação dos rios. Dentro de uma visão prática, pode-se considerar que a capacidade que um corpo d'água tem de assimilar os despejos, sem apresentar problemas do ponto de vista ambiental, é um recurso natural que pode ser explorado. Essa visão realística é de grande importância em nossas condições, em que a carência de recursos justifica que se utilizem os cursos d'água como complementação dos processos que ocorrem no tratamento de esgotos (desde que feito com parcimônia e dentro de critérios técnicos seguros e bem definidos); Impedir o lançamento de despejos acima do que possa suportar o corpo d'água. Dessa forma, a capacidade de assimilação do corpo d'água pode ser utilizada até um ponto aceitável e não prejudicial, não sendo admitido o lançamento de cargas poluidoras acima desse limite. Exemplificando Num curso d’água em que um efluente de uma determinada indústria seja despejado ocorre a elevação da temperatura de 10 ºC a 18 ºC (essa temperatura encontra-se no próprio local de despejo). Conforme há a movimentação do fluxo de água em direção à foz, ocorre uma redução na temperatura até a condição de equilíbrio inicial. Partindo da mesma premissa, pode-se pensar nos demais poluentes lançados em cursos d’água que vão diluindo-se ao longo do leito. Portanto, dependendo da intensidade da carga em função da vazão do curso, a velocidade de dissipação do poluente será direcionada até seu retorno ao equilíbrio. Esse processo é caracterizado como capacidade de autodepuração. As Figuras 20 a 22 exemplificam esse processo. (COLOCAR AQUI A FIGURA 20) 85 Figura 20 – Diagrama de correlação entre temperatura do corpo hídrico e vazão da nascente à foz. (Fonte: www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf) Caso a descarga do efluente seja muito grande, incapacitando o curso d’água de regenerar-se, admite-se que o curso d’água está biologicamente morto, pois a capacidade de depuração é limitada. (COLOCAR AQUI A FIGURA 21) Figura 21 – Diagrama de correlação entre temperatura do corpo hídrico e vazão da nascente à foz (continuação). (Fonte: www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf) (COLOCAR AQUI A FIGURA 22) Figura 22 – Curso d’água biologicamente morto. (Fonte: www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf) http://www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf http://www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf http://www.seta.org.pt/ficha_rios_36.pdf 86 EXERCÍCIOS 1) Descreva as principais formas de poluição. 2) Explique o que são poluições: a. difusas. b. pontuais. c. mistas. 3) Qual é a importância do OD na caracterização da poluição das águas? 4) Defina eutrofização. 5) Explique o processo de autodepuração e suas zonas presentes. GABARITO 1) Sedimentar, biológica, térmica e química. 2) As fontes pontuais se caracterizam por lançarem, de forma constante, efluentes em locais específicos, sendo os esgotos domésticos e efluentes industriais as principais fontes de contribuição desta natureza. As fontes difusas ou não pontuais são resultantes de ações dispersas na bacia hidrográfica, e não podem ser identificadas em um único local de descarga, sendo de difícil mensura e identificação, com aportes significativos no período chuvoso. As fontes mistas são aquelas que englobam características de cada uma das fontes anteriormente descritas. 3) O oxigênio dissolvido (OD) é importante para os seres aeróbios que vivem na presença dele. O oxigênio dissolvido é consumido por bactérias durante a estabilização da matéria orgânica (oxidação da matéria orgânica). Elas o consumem pelo processo de respiração, podendo causar a redução da concentração do OD no meio. Outras formas de consumo de OD ocorrem através da nitrificação (oxidação da amônia a nitrato) e da demanda bentônica (lodo de fundo). Se o seu consumo for exorbitante, ocorrerá a morte de seres aquáticos, inclusive os peixes, e, ainda, se o consumo do OD for total, o meio passa a ser anaeróbio e pode causar odores. Portanto, o OD é um parâmetro de caracterização de poluição das águas por despejos orgânicos. 87 4) A eutrofização resulta no aumento de produtividade e da biomassa algal, e na redução da diversidade fitoplanctônica, com predominância de alguns grupos. O crescimento excessivo do fitoplâncton, denominado floração, causa problemas como a redução das concentrações de oxigênio, levando à morte de organismos aquáticos, e alterações na coloração e odor das águas. Muitas florações em ambientes de água doce são causadas por populações de cianobactérias. Como muitas espécies são consideradas nocivas, eventos de florações despertam preocupações devido aos riscos à saúde pública, especialmente quando a água do manancial é utilizada para o abastecimento público. 5) Zona de degradação (zona de elevada turbidez); Zona de decomposição ativa (zona séptica e mais nociva); Zona de recuperação (zona melhorada); Zona de água límpida (zona de águas claras e frescas). 88 UNIDADE 4 LEGISLAÇÃO E QUALIDADE DAS ÁGUAS Caro(a)Aluno(a) Seja bem-vindo(a)! Nesta unidade, verificaremos os principais aspectos legislativos relacionados à poluição das águas e algumas formas de quantificação desses poluentes, segundo classificações e a definição da qualidade aplicada às águas. Conteúdos da Unidade A unidade contará com 2 capítulos (nomeados Capítulo 7 e 8). No capítulo 7, verificaremos os principais aspectos legislativos e regulatórios que tangem às águas. No capítulo 6, veremos as principais determinações da qualidade das águas e o IQA. Acompanhe os conteúdos desta unidade. Se preferir, vá assinalando os assuntos, à medida que for estudando. 89 7 CAPÍTULO 7 – LEGISLAÇÃO DAS ÁGUAS 7.1 LEGISLAÇÕES E ASPECTOS GLOBAIS A poluição das águas produz nocivos efeitos ecológicos, que não apenas atentam contra a fauna e a flora, mas também atingem setores diversos, como o turismo - impossibilitando banhos de mar ou rio e pesca, por exemplo - ou, ainda, a agricultura (irrigação e piscicultura), e até mesmo o setor industrial, na hipótese de águas impróprias para uso em certas fabricações. No perpassar histórico da legislação brasileira, alguns diplomas legais merecem destaque no tocante à definição jurídica de poluição hídrica: como o Decreto 50.877/1961 (Lançamento de resíduos tóxicos ou oleosos nas águas interiores ou litorâneas do país), que forneceu tal definição de forma pioneira em seu art. 3º; em seguida, o Decreto-lei 221/1967 (Código de pesca), art. 37 §1º36; e, por fim, sobressai a ampliação conceitual realizada pelo Decreto 73.030/1973, cujos pontos principais são descritos a seguir, através da criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente - SEMA: Promover a elaboração e o estabelecimento de normas e padrões relativos à preservação do meio ambiente, especialmente dos recursos hídricos, que assegurem o bem-estar das populações e o seu desenvolvimento econômico; Pela primeira vez, é acentuada a íntima ligação existente entre a necessidade da conservação ambiental com o desenvolvimento econômico e o bem-estar das populações; Assessorar órgãos e entidades incumbidas da conservação do meio ambiente, tendo em vista o uso racional dos recursos ambientais. A Constituição Federal, em seu artigo 20, inciso III, declara que são propriedade da União os rios, lagos e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um estado; sirvam de limites com outros países; ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham. Os incisos V e VI também colocam sob o domínio da União o Mar Territorial, os recursos naturais da Plataforma Continental e da Zona Econômica Exclusiva. 90 O artigo 26, inciso I, da Carta Magna estabelece que se incluem entre os bens do estado as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito; ressalvadas, nesse caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União. O rio Tietê, em São Paulo, é um típico rio estadual. Os municípios não são contemplados com qualquer domínio sobre rios ou lacustres. Desde a Constituição de 1946, referidos bens estão partilhados entre a União e os estados, excluídos os municípios. Mas isso não impede que eles fiscalizem eventual infração ambiental sobre águas. Afinal, cabe-lhes zelar pelo equilíbrio ambiental (CF, art. 225), e também pertencem ao Sistema Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6.938, de 31/8/81, art. 6, inciso V). Por exemplo, a Lei n. 7.833, de 1º/12/91, do Município de Curitiba, cita como assunto de interesse local (art. 3°) a preservação dos rios, e determina fiscalização da Sema sobre eventuais infrações (arts.48 e 52). As Constituições Estaduais, regra geral, repetem os dizeres da Carta Federal. Assim faz, por exemplo, a Constituição do Paraná, que, no artigo 8°, reproduz o art. 26, inciso I, da Carta Magna. Outras são mais minuciosas no tema, como a de São Paulo, que trata do assunto nos artigos 205 a 213. Adicionalmente, os estados não podem administrar as águas de seu domínio apenas com regras próprias. A limitação deriva da Constituição, que atribui à União a responsabilidade de implementar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, e, em particular, definir critérios de outorga de direitos de uso. Portanto, mesmo quando um corpo hídrico for de domínio do Estado, o correspondente Governo Estadual está impedido de emitir outorgas de direito de uso em desacordo com os critérios estabelecidos pela União. Mais ainda, como todos os usos de recursos hídricos, com exceção dos insignificantes (art. 12, § 1º, da Lei 9433/97), devem estar amparados por uma outorga de direito de uso, é de responsabilidade do Governo Estadual coibir usos em desacordo com os referidos critérios. Desde a década de 1930, o Brasil dispõe do Código de Águas, instituído pelo Decreto 24.643 de 10 de junho de 1934 (ainda que modificado por novas leis e decretos-lei e complementado por legislação correlata sobre meio ambiente, irrigação e obras contra a seca), consubstanciou a legislação brasileira de águas até a promulgação da Lei 9.433 de 08 de janeiro de 1997. A lei de 1997 não o revoga, mas altera alguns de seus princípios fundamentais. 91 Considerado avançado para a época por técnicos e políticos, o Decreto 24.643/34 procurou atender às demandas de um país que se urbanizava e era palco de importantes transformações econômicas, sociais e políticas. Um país servido por abundância relativa de água e grande potencial hidro-energético, no qual se fortalecia o ideário do desenvolvimento, identificado à industrialização. O Decreto n° 24.643 está dividido em três livros: I Águas em geral e sua propriedade; II Aproveitamento das águas; III Forças hidráulicas – regulamentação da indústria hidroelétrica. Entretanto, em vista do aumento das demandas e de mudanças institucionais, tal ordenamento jurídico não foi capaz de incorporar meios para combater o desequilíbrio hídrico e os conflitos de uso, tampouco de promover meios adequados para uma gestão descentralizada e participativa, exigências dos dias de hoje. Para preencher essa lacuna, foram sancionadas a Lei nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e estabeleceu o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh); e a Lei no 9.984, de 17 de julho de 2000, que criou a Agência Nacional de Águas – ANA, entidade federal encarregada da implementação dessa política e da coordenação desse sistema. Segundo a Lei das Águas, a água é considerada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico. A lei prevê que a gestão dos recursos hídricos deve proporcionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada e participativa, contando com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades. A mesma tem como fundamento a compreensão de que a água é um bem público (não pode ser privatizada), sendo sua gestão baseada em usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria etc.) e descentralizada, com participação de usuários, da sociedade civil e do governo. Também determina que, em situações de escassez, o uso prioritário da água é para o consumo humano e para a dessedentação de animais. Outro fundamento é o de que a bacia hidrográfica é a unidade de atuação do Singreh e de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). O segundo artigo da lei explicita os objetivos da PNRH: assegurar a disponibilidade de água de qualidade às gerações presentes e futuras; promover uma utilização racional e integrada dos recursos hídricos e a prevenção e defesa 92 contra eventos hidrológicos (chuvas, secas e enchentes), sejam eles naturais ou decorrentes do mau uso dos recursos naturais. Um dos principais objetivos da Lei das Águas é assegurar a disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados, bem comopromover uma utilização racional e integrada dos recursos hídricos. Como a Lei das Águas descentraliza a gestão do uso da água, o Estado abre mão de uma parte de seus poderes e compartilha com os diversos segmentos da sociedade uma participação ativa nas decisões. Compete à União e aos estados legislar sobre as águas e organizar, a partir das bacias hidrográficas, um sistema de administração de recursos hídricos que atenda as necessidades regionais. O poder público, a sociedade civil organizada e os usuários da água integram os comitês e atuam, em conjunto, na busca de melhores soluções para sua realidade. Assegurar o acesso a água conforme previsto na Lei das Águas é um desafio, principalmente devido à execução e efetividade da gestão. Existem diferentes capacidades dentro dos estados, com níveis diversos de pessoal qualificado, investimento, sistema de monitoramento da quantidade e qualidade das águas e capilaridade na execução. 7.1.1 Agência Nacional das Águas Criada como desdobramento da lei nº 9.443/97 (também conhecida como Lei das Águas), a Agência Nacional de Águas (ANA) possui características institucionais e operacionais um pouco diferentes das demais agências reguladoras. A legislação atribuiu ao Poder Executivo Federal a tarefa de implementar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh) e a Política Nacional de Recursos Hídricos. Além disso, criou uma autoridade responsável pela emissão de outorgas de direito de uso de recursos hídricos em rios sob domínio da União - ou seja, aqueles que atravessam mais de um estado, os trans-fronteiriços e os reservatórios construídos com recursos da União. À ANA cabe disciplinar a implementação, a operacionalização, o controle e a avaliação dos instrumentos de gestão criados pela Política Nacional de Recursos Hídricos. Dessa forma, seu espectro de regulação ultrapassa os limites http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/l9433.htm 93 das bacias hidrográficas com rios de domínio da União, pois alcança aspectos institucionais relacionados à regulação dos recursos hídricos em âmbito nacional. 7.1.2 Aspectos internacionais No cenário internacional da crise ambiental, ressalta-se a crescente preocupação com a degradação dos ecossistemas aquáticos, colocando um novo desafio para a humanidade: o desafio ético da crise global da água. A água é fundamental na geopolítica mundial, pois, frente às consequências devastadoras da degradação do meio ambiente, o que interessa é assegurar a continuidade da vida em nosso planeta. Diante da ambiguidade do desenvolvimento sustentável com a mercantilização da natureza e, consequentemente, da água, as preocupações aumentam, tendo em vista que as grandes corporações colocam seus interesses acima de qualquer consideração humanitária ou ecológica. A questão torna-se mais complexa ao analisar-se o papel do Estado na administração dos recursos naturais, principalmente nos países do terceiro mundo, com a sua soberania fragilizada diante da expansão do neoliberalismo. Certamente, alguns fatores reforçam a necessária governança global da água: a eminência de um risco ecológico, a mudança climática e as catástrofes ambientais, a água como direito humano e as privatizações do setor da água. O Brasil, por meio da Agência Nacional da Água, procurou incentivar o debate sobre a governança global da água durante o último Fórum Mundial da Água, que aconteceu entre 12 e 17 de março de 2012 em Marselha, França. As discussões não avançaram, talvez porque o Fórum reunia diversos setores com interesses incompatíveis. Na verdade, a crise ambiental nos convoca a criar horizontes alternativos, pois as políticas de águas e os sistemas de gerenciamento de recursos hídricos não são “um fim em si mesmos” e devem estar fundamentados numa nova relação entre cultura e natureza - quer dizer, uma nova forma de convivência, em que a economia esteja em harmonia com a capacidade regenerativa dos ciclos vitais. As transformações socioeconômicas, políticas e culturais em curso em alguns países da América Latina assinalam a tentativa de delinear um modelo não colonial, assentado nas práticas comunitárias e interculturais. Nesse sentido, está claro que o planeta necessita de uma governança ambiental global, superando a prática predatória do capitalismo e assinalando uma economia solidária e 94 cooperativa, focada na continuidade da vida. A partir dessa racionalidade ecológica, supera-se a visão mercantil da água, a gestão da água passa a ser comunitária, e o papel estratégico do Estado implica em avançar até uma sociedade mais justa em que todos possam alcançar o bem viver. Sem dúvida, diante da crise ambiental global, é necessária uma nova estratégia epistemológica e política, com o aporte de diferentes culturas, um diálogo intercultural de saberes (como a cosmovisão andina), para que se possa enfrentar os desafios e continuar a caminhada civilizatória. A ONU prevê que em 2025 a escassez de água afetará 5 bilhões de pessoas em áreas urbanas. Isso significa que, se for mantida a concepção de mercadoria, o preço da água vai disparar e poucos terão condições de arcar com os custos. Essa realidade demanda urgência em medidas que informem, alertem e determinem comportamentos legais de uso responsável da água, sob o risco de implosão de guerras globais pelo produto. Os resultados de uma pesquisa realizada junto a 403 acadêmicos revela que a conscientização das pessoas sobre a questão da escassez da água é pouca ou nenhuma, ou que, mesmo existindo, essa conscientização não estabelece uma correspondente mudança de comportamento, de hábitos cotidianos individuais. Atualmente, percebe-se uma maior consistência no alerta dos cientistas e analistas internacionais de que o esgotamento dos recursos hídricos pode afetar a estabilidade econômica e política do planeta nas próximas duas décadas, e que a possibilidade de guerras pelo controle de grandes mananciais de água doce é bem provável. 95 8 CAPÍTULO 8 – QUALIDADE DAS ÁGUAS 8.1 GARANTIA DA QUALIDADE Garantir a qualidade da água para consumo humano fornecida por um sistema de abastecimento público constitui um elemento essencial das políticas de saúde pública. Até finais do século XIX, a avaliação e o controle de riscos para a saúde humana por transmissão de doenças provocadas pelo consumo de água eram realizados de forma empírica, confiando-se primordialmente na aparência física da água. Atendendo ao fato de existirem vários contaminantes químicos e biológicos que podem ser encontrados na água para consumo humano, cuja proveniência pode ser da água captada ou do sistema de abastecimento de água, e alguns dos quais podem ter efeitos adversos na saúde dos consumidores, é fundamental estudar a natureza e/ou origem de uma possível contaminação, a forma como esta pode entrar no sistema de abastecimento de água, e desenvolver estratégias visando o fornecimento de água segura para o consumo humano 8.2 QUALIDADE DA ÁGUA Para uma gestão eficiente e controle dos recursos hídricos, é imprescindível um monitoramento contínuo e sistemático da qualidade das águas, capaz de fornecer as informações necessárias a um adequado manejo dos ambientes aquáticos. A avaliação da qualidade da água deve ser feita de forma contínua, para assegurar que a geração de dados informe o real estado do corpo hídrico e do seu ambiente aquático, levando em consideração todas as alterações sazonais, como variações climatológicas ou regimes de chuvas. A qualidade da água para fins de consumo, irrigação ou mesmo a qualidade do pescado contido em um rio ou reservatório, são os aspectos mais questionados quando neles são depositados resíduos urbanos como, por exemplo, tensoativos não biodegradáveis (ou seja, sabões em pó, detergentes e desinfetantes), que provocam espessascamadas de espuma na superfície dos corpos d’água e a consequente mortalidade de peixes e plantas, por falta de oxigênio. 96 Um conjunto de problemas está relacionado à qualidade e quantidade da água, e, em respostas a essas causas, há interferências na saúde humana e saúde pública, com deterioração da qualidade de vida e do desenvolvimento econômico e social. A posição central dos recursos hídricos quanto à geração de energia, produção de alimentos, sustentabilidade da biodiversidade e a mudanças globais é destacada na Figura 23, apresentando as principais inter-relações dos processos que afetam a qualidade e quantidade de água, a biota aquática e a população humana. (COLOCAR A FIGURA 23 AQUI) Figura 23 – Principais problemas globais afetando serviços dos ecossistemas aquáticos e disponibilidade de água, e a qualidade das águas superficiais e subterrâneas. (Fonte: http://scielo.br/pdf/ea/v22n63/v22n63a02.pdf) Associando a escassez de água, a irregularidade das chuvas e as altas taxas evapotranspirométricas, que reduzem a disponibilidade hídrica, favorecendo a concentração de solutos nas fontes hídricas superficiais, há uma degradação da qualidade das águas. Isso ocorre por meio da eutrofização, salinização e concentração de compostos não permissíveis para alguns usos considerados nobres, que exigem rigoroso controle da qualidade, e outras características polutivas, destacando-se a necessidade da classificação dos recursos hídricos para melhor interpretação dos seus estados de conservação e a possibilidade de tomada de ações futuras, a fim de se manter a preservação. Frente a isso, a Resolução n.º 357/05 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) apresenta os diversos parâmetros para o enquadramento dos corpos hídricos brasileiros, tornando-se, assim, uma ferramenta importante e decisiva para o monitoramento da qualidade da água, além de ser um referencial para a gestão dos recursos hídricos. Essa resolução está organizada em 5 capítulos, sendo que os capítulos que abordam o contexto de monitoramento e avaliação são os capítulos 2 (sobre a classificação dos corpos de águas) e o capítulo 3 (sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes). Resumidamente, esse sistema de classes é baseado nos diferentes tipos de águas, definidas como: http://scielo.br/pdf/ea/v22n63/v22n63a02.pdf 97 Águas doces (cujo a salinidade é < 0,05 %); Águas salgadas (cujo a salinidade > 3%); Águas salobras (cujo a salinidade está entre 0,05 e 3%). Sendo que a cada classe atribuem-se padrões (teores máximos), para que o corpo de água permita um conjunto de usos definidos. E cada número crescente da classe indica uma diminuição da qualidade da supracitada. A Figura 24 apresenta esquematicamente uma correlação dessa classificação das águas frente à sua qualidade e exigências. (COLOCAR A FIGURA 24 AQUI) Figura 24 – Correlação esquemática da qualidade das águas e seus usos (Fonte: http://nicholegal.blogspot.com.br/2012/12/res-conama-35705-classificacao- dos.html) A Figura 25 apresenta esquematicamente como se podem agrupar os níveis ou categorias sistemáticas segundo o CONAMA para as águas doces: (COLOCAR A FIGURA 25 AQUI) Figura 25 – Classe de enquadramento das águas doces. Para as águas salinas: (COLOCAR A FIGURA 26 AQUI) Figura 26 – Classe de enquadramento das águas salinas. E para as águas salobras: (COLOCAR A FIGURA 27 AQUI) Figura 27 – Classe de enquadramento das águas salobras. 98 A qualidade das águas dos rios é afetada por vários fatores, tais como o uso de produtos industriais e a produção agrícola. Esses fatores podem comprometer o corpo d'água, dependendo do tratamento aplicado e sua capacidade de purificação. 8.3 ÍNDICE DE QUALIDADE DAS ÁGUAS (IQA) O Índice de Qualidade das Águas foi criado em 1970, nos Estados Unidos, pela National Sanitation Foundation. A partir de 1975 começou a ser utilizado pela CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em suas atividades. Nas décadas seguintes, outros estados brasileiros adotaram o IQA, que hoje é o principal índice de qualidade da água utilizado no país. O IQA foi desenvolvido para avaliar a qualidade da água bruta, visando seu uso para o abastecimento público após tratamento. Os parâmetros utilizados no cálculo do IQA são, em sua maioria, indicadores de contaminação causada pelo lançamento de esgotos domésticos. A avaliação da qualidade da água obtida pelo IQA apresenta limitações, já que esse índice não analisa vários parâmetros importantes para o abastecimento público, tais como substâncias tóxicas (ex: metais pesados, pesticidas, compostos orgânicos), protozoários patogênicos e substâncias que interferem nas propriedades organolépticas da água. O IQA é composto por nove parâmetros, listados a seguir, com seus respectivos pesos (w), que foram fixados em função da sua importância para a conformação global da qualidade da água (tabela 08). Tabela 08 – Parâmetros do Índice de Qualidade das Águas (IQA) e respectivos pesos (Fonte: Agência Nacional das Águas) Parâmetros Pesos Oxigênio dissolvido w = 0,17 Coliformes fecais w = 0,15 Potencial Hidrogeniônico (pH) w = 0,12 Demanda Bioquímica de Oxigênio w = 0,10 Temperatura w = 0,10 Nitrogênio Total w = 0,10 99 Fósforo Total w = 0,10 Turbidez w = 0,08 Resíduo Total w = 0,08 O IQA é uma espécie de nota atribuída à qualidade da água, que varia de 0 a 100. O Qi - qualidade do i-ésimo parâmetro, cujo valor varia de 0 a 100 -, e o Wi – peso relativo do i-ésimo parâmetro que varia de 0 a 1 -, foram compostos a partir de uma pesquisa com 159 usuários da água no Canadá, de diferentes categorias de uso (indústrias, água potável e uso ecológico). O valor relativo do Qi (0 a 100) foi determinado a partir de curvas e, de acordo com a concentração, atribuiu-se uma nota para cada parâmetro. O Wi foi estabelecido a partir da pesquisa, quando atribuiu-se o peso relativo de cada parâmetro, cujo valor varia de 0 a 1 e a ΣWi=1. O conjunto de parâmetros usados e seus pesos variaram para cada categoria de uso, sendo que os dados da pesquisa permitiram selecioná-los e determinar o valor de Wi. Um dos métodos mais utilizados consiste em uma combinação linear com pesos dos sub-índices. O método aditivo do IQA é representado pela equação 04. ∑ (Equação 04) Porém, outros pesquisadores propuseram um método de IQA multiplicativo, em que os mesmos pesos tornam-se potências dos sub-índices, o que evitaria resultados duvidosos, devido a sub-índices de valores muito baixos, também apropriados. A expressão matemática do IQA multiplicativo é dada pela equação 05. ∑ (Equação 05) 100 Após a determinação numérica, pode-se determinar a qualidade da água, representada pelo IQA, variando numa escala de 0 a 100, conforme tabela 08. Os pesos relativos de cada parâmetro que compõe o IQA são mostrados na Figura 28. (COLOCAR A FIGURA 28 AQUI) Figura 28 – Classificação dos valores do IQA em estados brasileiros. Para cálculo do IQA, podem ser usados os métodos aditivo e multiplicativo. 8.4 PARÂMETROS DE CONTROLE DE ÁGUAS O consumo de água com qualidade é de extrema importância para a promoção da saúde e prevenção de riscos e agravos, sobretudo aqueles relacionados à transmissão hídrica, decorrentes de fatores ambientais. Segundo as Resoluções CONAMA nº 357/2005, CONAMA nº 274 (definindo os critérios para a classificação de águas destinadas à recreação), CONAMA nº 454/2012 (estabelecendo as diretrizes gerais e os procedimentos referenciais do material a ser dragado em águas sob jurisdição nacional) e Portaria n° 2914 (dispondo dos procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade)do Ministério da Saúde, a qualidade das águas é representada por um conjunto de características, geralmente mensuráveis, de natureza química, física e biológica, as quais devem ser mantidas dentro de certos limites estabelecidos. Os principais parâmetros que indicam poluição nos recursos hídricos são: temperatura, resíduo total, cor, turbidez, demanda bioquímica de oxigênio (DBO), oxigênio dissolvido (OD), nitrato, fosfato total, sólidos dissolvidos total (TDS), pH, alcalinidade, coliformes termotolerantes e coliformes totais, os quais serão discutidos a seguir. 8.4.1 Temperatura O regime térmico dos corpos d'água na natureza tem grande importância ecológica devido às interações entre a temperatura e a vida aquática. A 101 temperatura da água provavelmente tem maior influência sobre a vida e os sistemas aquáticos do que qualquer outra variável tomada isoladamente. Pelo fato de a temperatura afetar a solubilidade dos gases na água, o aquecimento desta a empobrece em oxigênio, influenciando, assim, a decomposição de matéria orgânica, com consequente efeito sobre a qualidade do líquido e sobre a vida de organismos aeróbios aquáticos. A temperatura é uma característica física das águas, sendo uma medida de intensidade de calor ou energia térmica em trânsito, pois indica o grau de agitação das moléculas. Também, em geral, à medida em que a temperatura aumenta, de 0 a 30 °C, a viscosidade, tensão superficial, compressibilidade, calor específico, constante de ionização e calor latente de vaporização diminuem, enquanto que a condutividade térmica e a pressão de vapor aumentam a solubilidade com a elevação da temperatura. Portanto, a temperatura tem um efeito direto sobre a taxa ou cinética das reações químicas, nas estruturas proteicas e funções enzimáticas dos organismos. Assim, as atividades biológicas dos organismos aquáticos sofrem constantes alterações, decorridas das frequentes modificações comportamentais do meio, como quando da elevação da temperatura, que, no caso, os obriga a um consumo maior de oxigênio - este já reduzido em sua concentração na água, pelo próprio processo físico. 8.4.2 Resíduo Total O resíduo total é a matéria que permanece após a evaporação, secagem ou calcinação da amostra de água durante um determinado tempo e temperatura. Quando os resíduos sólidos se depositam nos leitos dos corpos d’água, podem causar seu assoreamento, o que gera problemas para a navegação e pode aumentar o risco de enchentes. Além disso, podem causar danos à vida aquática, pois, ao se depositarem no leito, eles destroem os organismos que vivem nos sedimentos e servem de alimento para outros organismos, além de danificar os locais de desova de peixes. 102 8.4.3 Cor Este parâmetro pode apresentar alterações de origem natural, tais como decomposição de compostos orgânicos; e influência de compostos inorgânicos, tais como a presença de ferro (coloração marrom, alaranjada) e manganês (negra). As alterações de origem antropogênica são as oriundas da influência do lançamento de esgotos domésticos (cor escura) e de efluentes industriais (dependentes do processo produtivo envolvido). Quanto às origens, podem ser: origem natural inorgânica, devido à presença de compostos metálicos, principalmente de ferro e de manganês; origem orgânica, animal ou vegetal; origem industrial, devida à descarga de efluentes industriais (têxteis, pasta de papel, refinarias, indústrias químicas). É usual definir dois tipos de cor: a aparente e a verdadeira. A cor aparente é a coloração da água tal como ela se apresenta, isto é, com todas as matérias em suspensão. A cor verdadeira é aquela que a água apresenta uma vez removidas as matérias em suspensão. O fato de uma água não se apresentar límpida não significa que ela esteja isenta de produtos tóxicos ou perigosos. 8.4.4 Turbidez A turbidez é medida por meio do turbidímetro, comparando-se o espalhamento de um feixe de luz ao passar pela amostra com o espalhamento de um feixe de igual intensidade ao passar por uma suspensão padrão. Quanto maior o espalhamento, maior será a turbidez. Os valores são expressos em Unidade Nefelométrica de Turbidez (UNT). A cor da água interfere negativamente na medida da turbidez, devido à sua propriedade de absorver luz As principais causas da turbidez da água são: presença de matérias sólidas em suspensão (silte, argila, sílica, coloides), matéria orgânica e inorgânica finamente divididas, organismos microscópicos e algas. A origem desses materiais pode ser o solo (quando não há mata ciliar); a mineração (como a retirada de areia ou a exploração de argila); as indústrias; ou o esgoto doméstico, lançado no manancial sem tratamento. O exame microscópico e observações in loco do manancial podem ajudar a determinar as causas da turbidez. Esses 103 materiais se apresentam em tamanhos diferentes, variando desde partículas maiores (> 1 um) até as que permanecem em suspensão por muito tempo, como é o caso das partículas coloidais (diam.= 10-4 a 10-6 cm). 8.4.5 Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO A matéria orgânica da água é necessária aos seres heterótrofos, na sua nutrição, e aos autótrofos, como fonte de sais nutrientes e gás carbônico. Em grandes quantidades, no entanto, podem causar alguns problemas, como cor, odor, turbidez e consumo do oxigênio dissolvido pelos organismos decompositores. O consumo de oxigênio é um dos problemas mais sérios do aumento do teor de matéria orgânica, pois provoca desequilíbrios ecológicos, podendo causar a extinção dos organismos aeróbicos. Geralmente, são utilizados dois indicadores do teor de matéria orgânica na água: Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). A determinação da DBO consiste em medidas da concentração de oxigênio dissolvido nas amostras, diluídas ou não, antes e após o período de incubação de 5 dias a 20 ºC. Durante esse período, ocorrerá redução da concentração de OD na água, consumido por microrganismos aeróbios nas reações bioquímicas de decomposição de compostos orgânicos biodegradáveis. 8.4.6 Oxigênio Dissolvido – OD Oxigênio dissolvido é a concentração de oxigênio (O2) contido na água, sendo essencial para todas as formas de vida aquática. Os sistemas aquáticos produzem e consomem o oxigênio, o qual é retirado da atmosfera na interface água - ar e também é obtido como resultado de atividades fotossintéticas de algas e plantas. A quantidade de oxigênio presente na água em condições normais depende da temperatura, da quantidade de sais presentes e da pressão atmosférica. A solubilidade dos gases aumenta com a diminuição da temperatura e aumento da salinidade. Portanto, águas mais frias retêm maior quantidade de oxigênio, e águas salinas contêm menos oxigênio. A pressão relativa do ar e o grau de saturação do oxigênio alteram com a altitude, sendo que o oxigênio contido na água diminui com o aumento da altitude, devido ao decréscimo da pressão relativa. Por isso, equipamentos portáteis para medidas de OD em campo devem ser constantemente calibrados. As concentrações de OD 104 normalmente são expressas em mg/L, podendo também ser registradas em porcentagem de saturação (quantidade de oxigênio contido em 1L de água relativo ao nível total de oxigênio que a água pode reter naquela temperatura). Os níveis de OD têm variações sazonais e em períodos de 24h. Normalmente, em águas naturais e ao nível do mar, a concentração está em torno de 8mg/L a 25 ºC. A concentração de OD em lagoas e represas varia verticalmente na coluna de água, ao passo que, em rios e riachos, apresenta variações mais horizontais ao longo do curso das águas. Rios de grande profundidade podem apresentar alguma estratificação vertical do OD. A determinação da concentração de OD é de importância fundamental na avaliação da qualidade das águas, uma vez queo oxigênio está envolvido praticamente em todos os processos químicos e biológicos. A descarga em excesso de material orgânico na água pode resultar no esgotamento de oxigênio do sistema. Exposições prolongadas a concentrações abaixo de 5mg/L podem não matar alguns organismos presentes, mas aumenta a susceptibilidade ao estresse. Exposição abaixo de 2 mg/L podem levar à morte a maioria dos organismos. 8.4.7 Nitratos e Nitritos O conhecimento dos teores de (íon nitrato) e (íon nitrito) em amostras de água natural tem despertado grande interesse da sociedade, devido ao grande aumento desses íons, os quais podem causar problemas ao meio ambiente e, consequentemente, à saúde humana. Tanto pela sua composição e volume ingerido, a água é um bem essencial à vida, necessária em todas as atividades da produção animal. Os íons nitratos e nitritos podem aparecer como contaminantes da água, um fator preocupante uma vez que esta interfere diretamente na nutrição dos seres humanos e animais. A portaria do Ministério da Saúde Nº 518/2004 estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Segundo os padrões estabelecidos pela legislação, os teores máximos tolerados de nitrato e nitrito são de 10,0 mg/L e 1,0 mg/L, respectivamente. 105 8.4.8 Fosfato Total O fósforo é o principal fator limitante da produtividade nos corpos hídricos, e tem sido apontado como o principal responsável pela eutrofização artificial desses ecossistemas, i.e., passa a existir uma maior produção de matéria orgânica do que seu consumo e decomposição. O fósforo pode ser proveniente de fontes naturais (presente na composição de rochas, carreado pelo escoamento superficial da água da chuva, material particulado presente na atmosfera e resultante da decomposição de organismos de origem alóctone) e artificiais, como esgotos domésticos e industriais, fertilizantes agrícolas e material particulado de origem industrial contido na atmosfera. O acúmulo desse nutriente na água favorece o desenvolvimento de algas e macrófitas aquáticas, contribuindo para a intensificação da produção primária e, com isso levando ao processo de eutrofização e ao aumento da concentração de clorofila na água, devido ao crescimento do fitoplâncton no corpo hídrico. 8.4.9 Sólidos Dissolvidos Total (SDT) De acordo com Von Sperling (2005), todos os contaminantes da água, com exceção dos gases dissolvidos, contribuem para a carga de sólidos, que podem ser classificados por tamanho e estado (em suspensão ou dissolvidos), pelas características químicas (voláteis ou fixos), e pela sua sedimentabilidade (em suspensão sedimentáveis ou não sedimentáveis). O monitoramento dos sólidos dissolvidos totais é de fundamental importância para um corpo hídrico. Segundo a CETESB, nos estudos de controle de poluição das águas naturais, principalmente nos estudos de caracterização de esgotos sanitários e de efluentes industriais, as determinações dos níveis de concentração das diversas frações de sólidos resultam em um quadro geral da distribuição das partículas, o que favorece a interpretação dos dados. 8.4.10 Potencial Hidrogeniônico - pH Por influir em diversos equilíbrios químicos que ocorrem naturalmente ou em processos unitários de tratamento de águas, o pH é um parâmetro importante em muitos estudos no campo do saneamento ambiental. A influência do mesmo sobre os ecossistemas aquáticos naturais dá-se diretamente devido a seus efeitos sobre a fisiologia das diversas espécies. Também o efeito indireto é mui to 106 importante, podendo determinadas condições de pH contribuírem para a precipitação de elementos químicos tóxicos, como os metais pesados. Outras condições podem exercer efeitos sobre as solubilidades de nutrientes, e, dessa forma, as restrições de faixas de pH são estabelecidas para as diversas classes de águas naturais, de acordo com a legislação federal. 8.4.11 Alcalinidade A alcalinidade em águas naturais é devido principalmente à presença de um valor de pH da água acima de 7. Os principais constituintes que determinam este parâmetro são os íons: bicarbonato , carbonato e hidróxidos OH-. Se numa água quimicamente pura (pH = 7) for adicionada pequena quantidade de um ácido fraco, seu pH mudará instantaneamente. Numa água com certa alcalinidade, a adição de uma pequena quantidade de ácido fraco provocará a elevação de seu pH, porque os íons presentes neutralizarão o ácido. Frequentemente, tal alcalinidade da água é influenciada significativamente pelos bicarbonatos de cálcio e magnésio, de forma que a tal alcalinidade é igual à dureza da água. 8.4.12 Coliformes Termotolerantes Coliformes fecais ou coliformes termotolerantes são bactérias capazes de desenvolver e/ou fermentar a lactose, com produção de gás a 44 ºC em 24 horas. A principal espécie dentro desse grupo é a Escherichia coli. Essa avaliação microbiológica da água tem um papel destacado, em visto da grande variedade de microrganismos patogênicos, em sua maioria de origem fecal, que podem estar presente na água. A taxa de coliformes fecais é empregada como indicador de contaminação fecal, e avalia as condições higiênico-sanitárias deficientes. 8.4.13 Coliformes Totais Os coliformes totais são um grupo de bactérias que contêm bacilos gram- negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, não formadores de esporos, oxidase-negativa, capazes de crescer na presença de sais biliares ou outros compostos ativos de superfície, com propriedades similares de inibição de crescimento, e que fermentam a lactose com produção de ácidos, aldeídos e gás 107 a 35 ºC em 24-48 horas. Esse grupo contém os seguintes gêneros: Escherichia, Citrobacter, Enterobacter e Klebisiela. O índice de coliformes totais é utilizado para avaliar as condições higiênicas, considerando que altas contagens indicam contaminação pós- sanitização ou pós-processo, tratamentos térmicos ineficientes ou multiplicação durante o processamento e estocagem. EXERCÍCIOS 1) Qual a função principal da ANA na gestão dos recursos hídricos? 2) Como as águas podem ser classificadas de acordo com sua salinidade? 3) Qual o funcionamento do ensaio de DBO? GABARITO 1) À ANA cabe disciplinar a implementação, a operacionalização, o controle e a avaliação dos instrumentos de gestão criados pela Política Nacional de Recursos Hídricos. 2) Águas doces (cujo a salinidade é < 0,05 %); Águas salgadas (cujo a salinidade > 3%); Águas salobras (cujo a salinidade está entre 0,05 e 3%). 3) A determinação da DBO consiste em medidas da concentração de oxigênio dissolvido nas amostras, diluídas ou não, antes e após o período de incubação de 5 dias a 20 ºC. Durante esse período, ocorrerá redução da concentração de OD na água, consumido por microrganismos aeróbios nas reações bioquímicas de decomposição de compostos orgânicos biodegradáveis. 108 REFERÊNCIAS ABREU, C. H. M.. 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