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...... 57 7.1 Modelo de entrevista de desligamento: ............................................................... 62 7.2 Outplacement ................................................................................................. 63 7.2.1 Objetivo (Vantagens) ............................................................................... 63 8.0 ANALISAR E DESENVOLVER CARGOS ......................................................... 64 8.1 Objetivos......................................................................................................... 64 8.2 Modalidades do Crescimento Profissional na Carreira ............................. 65 9.0 REMUNERAÇÃO E BENEFÍCIOS ..................................................................... 65 9.1 Objetivos......................................................................................................... 66 9.2 Tipos de Benefícios ........................................................................................ 66 10.0 TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – T&D .............................................. 67 10.1 Objetivos......................................................................................................... 69 10.2 Finalidade ....................................................................................................... 69 3 10.3 Tipos de treinamentos e desenvolvimento de pessoas ................................... 70 10.3.1 Treinamento de integração ...................................................................... 70 10.3.2 Comunicação assertiva............................................................................ 71 10.3.3 Liderança eficaz ...................................................................................... 71 10.3.4 Para manter a motivação ......................................................................... 72 10.3.5 Desenvolvimento de competências e habilidades .................................... 73 10.3.6 Treinamento comportamental .................................................................. 75 10.3.7 Treinamento técnico ................................................................................ 76 10.3.8 Treinamento de equipe ............................................................................ 76 11.0 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E GESTÃO POR COMPETÊNCIAS .......... 77 11.1 Conceito ......................................................................................................... 78 11.2 Objetivos (e vantagens) .................................................................................. 78 11.3 Responsabilidade Social ................................................................................. 78 11.3.1 Ações de Responsabilidade Social ............................................................. 79 11.4 Ações de Responsabilidade Social nas quais os membros da Comissão de Psicologia Organizacional e do Trabalho do CRP-08 desenvolveram e/ou participaram 11.5 Diferenciais do Psicólogo ................................................................................ 80 12.0 ESTRESSE OCUPACIONAL E SÍNDROME DE BURNOUT ............................. 81 12.1 O que é burnout? ............................................................................................ 81 12.2 Estresse.......................................................................................................... 83 12.3 Burnout e Estresse Ocupacional ..................................................................... 85 12.4 Sintomas, Causas e Consequências .............................................................. 86 12.5 Tratamento ..................................................................................................... 90 13.0 GRUPOS E DINÂMICAS DE GRUPO ............................................................... 93 13.1 Tipos de grupos .............................................................................................. 95 13.2 A dinâmica dos grupos ................................................................................... 96 13.3 O que é dinâmica de grupo ............................................................................. 98 13.4 Por que fazer uma dinâmica em grupo na empresa ........................................ 99 13.5 Tipos de técnicas / dinâmicas ....................................................................... 100 13.5.1 Técnica quebra-gelo .............................................................................. 100 13.5.2 Técnica de apresentação....................................................................... 104 13.5.3 Técnica de integração ........................................................................... 107 13.5.4 Técnica de relaxamento......................................................................... 110 13.5.5 Técnica de capacitação ......................................................................... 112 13.5.6 – Como enriquecer o vínculo dos colaboradores ................................... 115 REFERÊNCIA ............................................................................................................ 118 4 1.0 HISTÓRIA DA PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL Sena e Silva (2004) remonta a história da Psicologia Organizacional, de como ela se formou e quais foram seus passos antes de se tornar a Psicologia Organizacional que conhecemos hoje em dia. Duas revoluções mudaram o mundo, principalmente no tocante asrelações de trabalho, foram elas a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, uma para firmar o modo capitalista e a segunda por questões políticas. Nesse momento também estava começando a desestruturação do sistema feudal e assim surgindo trabalhadores independentes, que criavam seus trabalhos com suas ferramentas. Entretanto foi necessário que alguém fizesse a ponte entre o trabalho e o mercado, ou seja, que alguém pudesse vender o produto no mercado. Assim o trabalhador, tido como independente, começa lentamente a sumir. Com o surgimento da industrialização, os trabalhadores agora começam a ser empregados, eles ainda “tinham” certo controle sobre o produto, que só surgiria dependendo do ritmo de trabalho desse trabalhador. Entretanto com o surgimento das máquinas, essas interferências foram acabando, já que não era mais o homem que ditava o ritmo de trabalho, mas agora era a máquina. O homem tinha agora que obedecer ao ritmo da produção maquinal. Antes do surgimento da Psicologia Industrial, os trabalhadores também estavam se tornando mecânicos, uma vez que as empresas detinham o https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/psicologia-organizacional https://psicologado.com.br/psicologia-geral/introducao/o-que-e-psicologia https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/psicologia-industrial 5 conhecimento científico e o utilizava de uma forma que controlasse os trabalhadores. Eles, por sua vez, deixavam de pensar e agiam como se fossem máquinas também. Sena e Silva (2004) mostra que assim como muitos saberes psicológicos, a psicologia industrial se forma no período das duas grandes guerras mundiais. Ela começa a obter seu reconhecimento no ano de 1924. Neste mesmo período foram feitas pesquisas para saber as condições de trabalho e foi nesse ínterim que começou a se pensar em novas formas de se trabalhar. A partir dos anos 50 a denominação de Psicologia Organizacional começa tomar corpo, a junção dos saberes da sociologia e a antropologia com o da psicologia, influenciaram para o crescimento da psicologia social. Antigamente a Psicologia Industrial se preocupava com a seleção e recrutamento de trabalhadores e soldados e hoje em dia ela também tem esse papel na instituição, todavia, agora, se busca dar consciência ao trabalhador, que ele tenha noção da sua força de trabalho e quanto ela vale. Tenta acabar com essa visão de que o trabalhador é mecânico, que vem desde a revolução industrial. 1.1 Outros percussores Segundo Sector (2005, p. 7) “psicologia é a ciência do comportamento humano (e não humano), da cognição, da emoção e da motivação”. Ela pode ser dividida em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/psicologia-industrial https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-social/psicologia-social-um-compromisso-social 6 várias especializações, algumas delas se preocupam somente com o próprio conhecimento da psicologia como ciência, enquanto outras se voltam também para a aplicação daquela ciência. A psicologia organizacional está inserida nesta última categoria ocupando-se tanto da ciência psicológica como com a sua aplicação aos problemas das pessoas nas organizações. O campo da Psicologia Organizacional possui duas divisões principais: a industrial (de recursos humanos) e a organizacional. Apesar destes dois conteúdos se sobreporem e não poderem ser facilmente separados, tradicionalmente eles têm origens diferentes. A parte industrial, que deu início a este campo de atuação é a mais antiga e busca gerenciar a eficácia organizacional por meio do uso adequado dos recursos humanos. Ela se preocupa com a questão de eficiência no projeto de tarefas, seleção e treinamento de funcionários e avaliação de desempenho. A parte organizacional se desenvolveu a partir do movimento das relações humanas nas empresas. Seu foco no trabalhador como indivíduo é maior do que a existente na parte industrial. Ela se preocupa em entender e compreender o comportamento individual e aumentar o bem-estar dos colaboradores no ambiente de trabalho. Os aspectos organizacionais abordam o comportamento e as atitudes dos funcionários, o estresse no trabalho e práticas de supervisão. Como podemos observar a área industrial e organizacional não podem ser distinguidas com clareza, e juntas elas sugerem toda a amplitude da psicologia organizacional (SPECTOR, 2005). 7 Aguiar (2002) coloca que “a psicologia organizacional no seu processo de desenvolvimento histórico enquanto ciência aplicada, tem se dedicado à adequação dos indivíduos membros da organização aos fins por ela definidos”. Isto caracteriza uma razão técnica identificada pela utilização dos indivíduos como meio para atingir objetivos determinados pela organização. A psicologia organizacional utiliza técnicas e instrumentos que atuam desde a seleção a partir de critérios pré-determinados pela empresa como características de personalidade, valores e sentimentos. O verdadeiro papel da seleção é atender a demanda da organização, admitindo pessoas que se moldem a ela e que se integrem à sua cultura e filosofia, sem questionamentos. O desenvolvimento da psicologia organizacional e o do trabalho no Brasil acompanharam as ocorrências mundiais relativas à área. Seu aparecimento está associado a crescente industrialização que ocorreu nos principais países do cenário Ocidental, no fim do século XIX e início do século XX (ZANELLI & BASTOS, 2004). Segundo Zanella & Bastos (2004) a busca de critérios e procedimentos para atender as demandas de avaliação e seleção de pessoal para as indústrias em grande expansão e de militares para o exército fez com que os métodos e teorias tivessem seus primórdios na área. O desempenho e eficiência no trabalho constituíram, desde o começo, preocupações que orientam as atividades dos psicólogos nas organizações. 8 Dois psicólogos são considerados os principais fundadores da área: Hugo Munsterberg e Walter Dill Scott eram psicólogos experimentais e professores universitários que se envolveram na aplicação de técnicas da psicologia para resolver problemas em organizações. Munsterberg estava mais interessado na seleção de pessoal e no uso de novos testes psicológicos, mas por falta de apoio dos colegas da universidade ele acabou mudando para a nova área da psicologia industrial. Scott também tinha os mesmos interesses de Munsterberg, assim como na Psicologia da Publicidade. Cada um deles escreveu um livro sobre esses tópicos, incluindo The Theory of Advertising, de Scott, e Munsterberg escreveu o primeiro compêndio sobre Psicologia Organizacional, com o título Psychology and Industrial Efficiency (SPECTOR, 2005). De acordo com Spector (2005, p. 14): A principal influência sobre o campo foi o trabalho de Frederick Winslow Taylor, um engenheiro que estudou longamente a produtividade de funcionários em sua carreira. Taylor desenvolveu o que ele chamava de administração científica como uma abordagem para manejar os operários de produção em fábricas. (Spector, 2005, p.14). Ainda segundo este autor, a administração científica inclui diversos princípios para orientar as práticas organizacionais. Em seus escritos Taylor sugeriu o seguinte: 1. Cada trabalho deve ser análise com atenção, para que o modo otimizado de executar as tarefas possa ser especificado; 2. Os colaboradores devem ser contratados de acordo com as características relacionadas ao desempenho do trabalho. Os gerentes devem estudar os funcionários para descobrir quais características pessoais são importantes; 3. Os funcionários devem ser treinados para executar suas tarefas; 4. Os funcionários devem ser recompensados por sua produtividade para incentivar melhor desempenho. 9 Podemos observar que apesar de mudanças e ajustes ocorridos ao longo dos anos, estas ideias aindasão consideradas importantes nas organizações até hoje. Para Zanelli & Bastos (2004) as raízes que vinculam a Psicologia com o trabalho, são encontradas no final do século XIX, fora dos Estados Unidos da América. Em 1889, Patrizi fundou o Laboratório da Psicologia do Trabalho em Moderna, Itália. Kraeplin, na Alemanha e Mosso, na Itália, nos anos 90, investigaram aspectos psicofisiológicos ligados à fadiga e a carga de trabalho. Partindo das ideias de Taylor, Frank e Lilian Gilbreth passaram a investigar a forma pela qual as tarefas são realizadas pelas pessoas, desenvolvendo o que veio a ser chamado estudo do tempo e movimento. Estes estudos, cerne de uma perspectiva taylorista para potencializar a eficiência do desempenho no trabalho, estiveram na base do campo denominado Fatores Humanos, voltado para analisar e projetar ambientes de trabalho e tecnologias que levassem em consideração as características humanas. Depois o avanço desta área ocorreu de modo tão rápido quantos as exigências dos acontecimentos do mundo impuseram, como nas grandes guerras na primeira metade do século XX, quando os testes psicológicos tiveram longo uso e desenvolvimento, para atender as seleções de recursos humanos (ZANELLI & BASTOS, 2004). Durante as décadas entre as duas guerras mundiais, a psicologia organizacional cresceu para a maioria das áreas nas quais é utilizada hoje. À medida que as organizações foram ficando maiores, elas começaram a contratar psicólogos organizacionais para atender a muitos de seus inúmeros problemas funcionais, principalmente aqueles que eram relevantes para a produtividade. 10 Em 1921, a Penn State University concedeu o que muitos consideravam o primeiro título de Ph.D chamado naquele tempo de Psicologia Industrial, a Bruce V. Moore. Os psicólogos organizacionais começaram a montar empresas de consultoria que podiam oferecer serviços às empresas mediante remuneração. A mais conhecida destas consultorias foi a Psychological Corporation, fundada em 1921 por James Mckeen Cattell, e que se mantêm ativa até hoje. Um dos mais importantes eventos desse período foram os estudos de Hawthorne, que duraram por mais de dez anos na Western Eletric Company, nos Estados Unidos (SPECTOR, 2005) . Segundo Zanelli & Bastos (2004, p 468) “as investigações de Elton Mayo na Western Eletric Company, marcaram as décadas de 20 e 30 e revelaram a importância de considerar fatores sociais ligados às situações de trabalho”. As ciências do comportamento atingiram relevância no mundo dos negócios. Mayo divulgou The human problems of industrial civilization, em 1933, um livro que sintetizou as descobertas daqueles estudos e deu impulso à Era das Relações Humanas. O campo de aplicação até meados da década de 30 estava direcionado a estudos e intervenções juntos aos incentivos financeiros, como treinamento, fadiga e monotonia, luminosidade e ventilação, testes de admissão, estudos de tempo e movimentos, turnos de trabalho, segurança e disciplina. Nas décadas seguintes, cresceu também para outros países industrializados, além dos EUA, as atividades dos psicólogos e de outros profissionais ligados à Ciência do Comportamento, dirigiram-se para os incentivos 11 financeiros como liderança e supervisão, relações interpessoais, comportamentos e atitudes, moral, avaliação de executivos, relação homem-máquina, entrevistas e aconselhamentos (ZANELLI & BASTOS, 2004). A segunda guerra mundial provocou um efeito estimulador sobre o desenvolvimento da disciplina, com muitos psicólogos de todas as áreas e especialidades contribuindo para o esforço de guerra. Com o resultado da guerra, as portas da psicologia aplicada se abriram, e criou uma divisão para a Psicologia Comercial e Industrial em 1944 e hoje conhecida com SIOP (Sociedade de Psicologia Industrial e Organizacional). Com o final da guerra, as duas áreas da Psicologia Organizacional continuaram a crescer, e por demonstrar seu valor à sociedade, as empresas privadas passaram a ter interesse cada vez maior no campo, implantando muitos procedimentos como os testes psicológicos (SPECTOR, 2005). Segundo Spector (2005) outro acontecimento que ajudou a formar o campo da psicologia organizacional foi a aprovação de da Lei dos Direitos Civis de 1964 nos Estados Unidos, colocando em movimento as forças que causaram um grande impacto na forma das organizações contratarem e lidarem com seus colaboradores, sendo necessário a mudança de muitas práticas antes discriminatórias. Os psicólogos foram chamados a elaborar procedimentos que pudessem eliminar a discriminação no ambiente de trabalho. Em 1991, houve a criação da lei que beneficia as pessoas inválidas e deficientes e outra vez os psicólogos 12 foram chamados para encontrar meios de eliminar mais este problema envolvendo a discriminação. Até agora estudamos a Evolução Histórica da Psicologia Organizacional nos Estados Unidos que é onde foi iniciada. Agora falaremos um pouco sobre este processo no Brasil e nos demais países do mundo. Segundo Zanelli & Bastos (2004, p. 473): Até quase o final do século XIX, a economia brasileira era essencialmente escravocrata. Com o aumento do fluxo migratório e a chegada dos imigrantes europeus, deu-se início ao cultivo do café foram incrementadas as manufaturas e pequenos negócios, sobretudo nas regiões sul e sudeste. (Zanelli & Bastos, 2004, p. 473). Uma figura importante neste período foi o Visconde de Mauá, cuja diversidade nos setores de atuação e sucesso nos negócios fez atrair o capital estrangeiro. Mais estrangeiros buscaram o país nas primeiras décadas do século XX. Antunes (1998, apud ZANELLI & BASTOS, 2004 p. 473) coloca que psicologia aplicada ao trabalho surge nesta época, ligada às tentativas de racionalização e à procura de um caráter científico e inovador no controle dos processos de produção, exigindo assim maior eficiência econômica sob o argumento de melhoria das condições de trabalho dos operários. Nesta mesma época Léon Walther trouxe a psicotécnica para o país que foi colhido como um instrumento para colocar em práticas as teorias de Taylor. Posteriormente Henri Piéron iniciou os estudos dos testes psicológicos, também em curso sobre Psicotécnica, ministrado na Escola Normal de São Paulo. As primeiras aplicações de testes foram em 1924, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, sob direção do Roberto Mange. 13 A partir daí houve a expansão da aplicação de testes psicológicos na seleção de pessoas. Em 1930 foi criado o Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) para atender as expectativas dos empresários, treinando profissionais para a aplicação do Psicotécnico, que passou a ter considerável penetração nas empresas. O IDORT teve grande participação e importância para a aplicação da Psicologia do Trabalho no Brasil (ZANELLI & BASTOS, 2004). Podemos observar que a inserção da psicologia no mundo do trabalho acompanhou as mudanças industriais e veio se tornando uma necessidade dentro das grandes empresas, um trabalho que tinha um foco inicial somente na seleção de funcionários foi se expandindo e ganhando seu espaço o que a tornou essencial para as organizações do mundo moderno. Segundo Zanelli & Bastos (2004) em um estudo importante realizado na década de 80 o Conselho Federal de Psicologia traçou uma descrição da atuação do psicólogo no Brasil, pontuando dificuldades que envolviam a atuação profissional e sinais de que as transformações ocorridas estavam começando a traçar novos afazeres ou novas práticas nos diversos campos da psicologia. A este núcleo também se agregam outras funções clássicas da gestão de pessoas: treinamento e avaliação de desempenho. É perceptível também o aparecimento de algumas atividades que podem ser consideradas modernas e 14 não vinculadas tão estritamente ao modelo tradicionaldo psicólogo organizacional, entre elas: planejamento e execução de projetos, os diagnósticos situacionais e as funções de assessoria e consultoria. Tais atividades mostram um tipo de inserção profissional diferente por ampliarem o nível de intervenção frente aos problemas organizacionais, levando o psicólogo a lidar com problemas mais complexos e globais das organizações. A pesquisa mostra ainda, o aumento de psicólogos em atividades administrativas, de planejamento, consultoria, supervisão e assessoria. A crítica de diversos autores e profissionais da área sobre o modelo clássico de atuação do psicólogo organizacional ajudou a consolidar linhas de atuação inovadoras. Linhas estas que nascem das transformações no mundo do trabalho decorrentes do aumento do mercado interno e da competitividade entre as empresas que passam a exigir novas competências e formas de trabalho. Com relação à prática da psicologia organizacional, podemos dizer que ela muda de acordo com o país e região. Nos Estados Unidos a psicologia organizacional dedica sua atenção para a parte industrial e menos para parte organizacional. No Canadá e na Europa, a prática concentra-se um pouco mais na direção organizacional. Em partes isso ocorre devido ao forte movimento dos sindicatos nesses lugares, que depositam mais atenção nos direitos dos funcionários. Desse modo, boa parte da pesquisa sobre atitudes dos funcionários, saúde, segurança e bem-estar vem do Canadá e da Europa. 1.2 Fortes influências internacionais na história da Psicologia Organizacional 15 Segundo as ideias de Peiró (2011), não é simples demarcar a data inicial de um campo profissional e/ou de uma disciplina. Ao decorrer dos anos, encontram-se inúmeros estudiosos interessados com o mundo do trabalho e com as pessoas nele envolvidas. Deste modo, nomes importantes merecem ser destacados, como, Patrizi, em Modena, que em 1899 criou um laboratório para pesquisar a fadiga; Kraeplin, na Alemanha e Mosso, na Itália, que nos anos 90 estudaram aspectos psicofisiológicos relacionados à carga de trabalho; Lahy, na França, que foi um dos precursores na utilização de testes na seleção de trabalhadores e Scott que, em 1903, publicou o livro The teory of Advertising, sobre a psicologia da publicidade (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2014). Entretanto, está no trabalho Psychology and Industrial Efficiency, em 1913, de Münsterberg o marco principiante mais reconhecido. Este marca o nascimento da psicologia industrial e traz as principais preocupações centrais da época e do novo campo, como a seleção de trabalhadores, os fatores que afetam a eficiência do trabalhador e as técnicas de venda, publicidade e marketing, representando, respectivamente, a busca pelo melhor sujeito para o trabalho, o melhor trabalho e 16 o melhor efeito possível, onde, neste sentido, elaboraram-se testes psicológicos com o intuito de ajustar as pessoas aos cargos (MÜNSTERBERG, 1913). Em 1933, Mayo divulgou, em The Human Problems of Industrial Civilization. Os resultados de seus estudos, em 1920 na Western Electric Company, revelaram a importância de se considerar os fatores sociais implicados em uma situação de trabalho. Essa pesquisa ficou muito conhecida pelo nome Hawthorne (bairro da cidade de Chicago) e deu impulso à era das relações humanas (MAYO, 1933). Na sequência, elementos do contexto macrossocial, político, econômico e cultural impuseram desafios e oportunidades para o surgimento de respostas neste meio, tais como: o processo de industrialização no período da Segunda Revolução Industrial, com a criação de máquinas novas, requisitando padronização no trabalho; a coação por reformas sociais e contra a exploração do trabalho em 1998; a Primeira Grande Guerra, demandando a solução de problemas derivados da sobrecarga de trabalho; a grande depressão na década de 1930 e a Segunda Grande Guerra. Cabe ressaltar que o binômio avaliação psicológica e ajuste homem/máquina/trabalho instituiu o grande componente definidor desse período inicial (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2014). De acordo com as ideias de Shimmim e Strein (1998), as respostas aos desafios que surgiram nesse período que perdurou até 1945, foram o surgimento de psicotécnicas, testes psicológicos como ferramenta para a seleção de pessoas e o humano que se refere à elaboração de equipamentos para o uso. Por este viés, abordagens e métodos também surgiram, como a já citada psicologia industrial, a psicometria, os processos seletivos, análise e intervenção com foco em pequenos grupos e métodos de treinamento. Por conseguinte, de 1945 a 1960 instaura-se o período denominado “expansão e consolidação pós-guerra”. Este caracterizou-se pela reconstrução da economia, das cidades e da vida social em geral, sendo uma fase de expansão e crescimento. Assim, na Europa e nos Estados Unidos emergem as entidades específicas e o psicólogo passa a trabalhar com uma gama de problemas organizacionais, como elaboração de postos de trabalho, seleção, treinamento, inserção de novas tecnologias, aquisição de habilidades, motivação e desenvolvimento organizacional. Dessa forma, a psicologia industrial é substituída pela organizacional (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2014). 17 Além disso, a Teoria X (tradicional) e a Teoria Y (emergente) de McGregor, divulgada em 1960, na obra The Human Side of Enterprise, merece relevância. Neste estudo vê-se dois modos divergentes de encarar o trabalhador. Na Teoria X, a ênfase é dirigida às metas da organização, administrando seus recursos humanos de modo autoritário. Por outro lado, na Teoria Y a atenção é dirigida à valorização do empregado, estimulando-o a alcançar suas metas e satisfazer suas necessidades (PÉREZ-RAMOS, 1990). Conforme Shimmim e Strein (1998), dentre os anos de 1960 e 1970 surge uma temporada de incertezas, onde a Guerra Fria espalhou conflitos em todo o mundo. Um modelo novo de relações de trabalho surge, ampliando-se a competição devido aos avanços na tecnologia, a busca de lucros e os conflitos nas organizações, apesar do nascimento do discurso da qualidade de vida no trabalho (QVT). No que diz respeito à psicologia, cresceram as críticas aos testes psicológicos e o desafio de ir além do âmbito individual da análise. Em contrapartida, manifesta-se a concretização de programas de QVT, a mudança de modelos de gestão de controle para compromisso e envolvimento, o foco não mais em pequenos grupos e cresce o debate sobre questões éticas. Fenômenos como o aumento do estresse, assédio moral ou violência psicológica têm sido foco de investigação de diversos autores, como Bernal (2010) e Zanelli et al. (2010). Ademais, com o aumento do desejo de equilibrar a vida profissional e familiar, embasado sob ética, transparência, justiça e refletindo a aposentadoria, houve um acentuado interesse de inúmeros profissionais por questões referentes à saúde do trabalhador (SILVA, 2007). 2.0 HISTÓRIA DA PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO NO BRASIL 18 O desenvolvimento da psicologia organizacional e do trabalho no Brasil acompanhou as mudanças mundiais, destacando-se inicialmente em um nível mais genérico, a psicologia geral. Seu aparecimento está associado à crescente industrialização dos principais países do cenário ocidental, no fim do século XIX e início do século XX. A partir do processo de regulamentação da profissão de psicologia na década de 1960, foi possível incluir fatos, eventos e estudos, os quais mencionam a POT (BORGES, 2010). Apesar do ingresso da psicologia organizacional nos estudos de psicologia, essa passava uma visão de compromisso com setores ideologicamente conservadores, fazendo com que pesquisadores criassem certa distância de pesquisas voltadas para a área. Contudo, com o crescente e visível aparecimento de indústrias passou-sea questionar a ação da POT, e de que maneira essa poderia auxiliar nos processos funcionais das empresas (BORGES, 2010). Diante desse processo, foi nas universidades, principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, que aconteceram as primeiras experiências em psicologia organizacional, no que se refere à psicometria (WELL, 2005). A partir desse contexto iniciou-se a utilização dos testes, nomeados 19 psicotécnicos, tendo sido destinados à área do trabalho, a fim de realizar seleção profissional. Com o avanço das tecnologias, a mudança de contexto cultural e social, as pesquisas apresentaram aumento significativo. O âmbito empresarial mostra a necessidade da presença de psicólogos para o desenvolvimento corporativo. Somando-se, vale registrar que aliados ao crescimento da psicologia organizacional e ao surgimento de pesquisadores, estão ações institucionais de associações científicas como a SBPOT (Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho) e a ANPEPP (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia) (BORGES-ANDRADE; PAGOTTO, 2010). Em decorrência da necessidade de se construir caminhos inovadores e saudáveis para o exercício do trabalho e responder às exigências do mercado brasileiro, a POT atualmente, ocupa importante espaço como atividade profissional. É válido salientar que as demandas se modificam junto com a sociedade e a cultura, desse modo, o psicólogo deve estar aberto à incorporação de novas intervenções e ampliação dos objetivos de seu trabalho. 2.1 Produção científica em Psicologia Do ponto de vista hist6rico, a produção científica na área da psicologia organizacional sofre uma defasagem semelhante, mas não proporcional às demais área~ da psicologia no Brasil. Até meados de 1960, segundo Matos (1988), esta produção, isolada e radical ,relacionando-se principalmente a relatos de atividades clinicas e à aferições de testes e escalas, só se solidificando a partir de 1980 com a criação dos diferentes cursos de pós- graduação no Brasil. 20 A prática profissional, não tendo este respaldo da produção científica até então se limitava à aplicação ou repetição de instrumentos e à viabilização de teorias oriundas de países desenvolvidos, onde muitas vezes resultava urna adaptação grosseira deste material carente de um redimensionamento face às idiossincrasias culturais etc. A .SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), entidade que Visa a aglutinar os esforços dos diversos centros produtores de ciência no País e que pode servir de termômetro para a situação da ciência no Brasil, pode nos dar uma Idéia da evolução desta produção científica no âmbito da Psicologia 'nos anos mais recentes. Observa-se a produção científica por vezes insignificante ou mesmo inexistente, no que diz respeito à psicologia organizacional: Existe um fenômeno paralelo à produção científica nesta área quando se consideram os trabalhos no contexto organizacional. Os profissionais da área se esforçam em criar instrumentos, manuais, adaptar os já existentes, pesquisar e escrever sobre novas formas de intervenção organizacional, teorizar sobre fenômenos organizacionais etc., sendo que esta produção muitas vezes foge aos padrões científicos estabelecidos ou é inacabada quanto a estes critérios científicos tradicionais, tendo em vista os objetivos limitados às fronteiras da organização, omitindo por vezes uma produção que poderia contribuir para o avanço ou novas descobertas neste campo do conhecimento. A nível dos cursos de graduação, naqueles cursos onde existe a disciplina de "Monografia", esta produção não-cadastrada, exceto quando transcende os limites do próprio curso 21 e passam a compor anais de reuniões científicas, nos impede de calcular a quantidade e qualidade destes trabalhos. No caso específico do Curso de Psicologia da UFC, identificamos uma afluência mínima de trabalhos que versem sobre temas de psicologia organizacional. No ano de 1989, das 52 monografias aprovadas, duas foram formalmente registradas e apresentadas na SBPC, ambas na área clínica e apenas 03 estavam diretamente voltadas para a área em questão. A "Revista de Psicologia" da Universidade Federal do Ceará, nos seus seis anos de existência, tem três artigos que podem ser considerados corno pertinentes ao nosso tema, sendo que dois destes artigos já foram publicados e um terceiro está no prelo. Somem-se a estes fatores a existência de poucos cursos de pós-graduação que tenham explícito o seu direcionamento para a psicologia organizacional em específico, ainda o fato de que no mercado de trabalho onde estes profissionais se encontram inseridos a correlação entre sucesso profissional e produção científica é duvidosa; o pragmatismo e o teor eminentemente técnico do seu, desempenho profissional desestimulam ou distanciam-no deste tipo de produção. E estabelecida uma contradição entre a demanda organizacional contra a entropia e a exigência da performance do psicólogo. 2.3 As quatro fases da psicologia organizacional no Brasil. A descaracterização da psicologia organizacional se intensifica a partir do "cliniquíssimo" que permeia a formação e os currículos de psicologia nas universidades brasileiras 1O. Para compreender esta afirmação, é necessário que se leve em conta a inserção deste psicólogo a ser formado num mercado de trabalho e, do ponto de vista "sistêmico", numa sociedade que pressupõe valorações gradativas e status diferenciados às diferentes áreas de atuação profissional. Tampouco podemos negligenciar questões de ordem político- econômicas no desenvolvimento da sociedade brasileira, que acompanham e de certa forma determinam a estrutura e o conteúdo dos currículos acadêmicos. 22 Grosso modo, podem-se detectar estas diferenças ainda hoje quando se faz uma comparação dos diferentes currículos e suas filosofias subjacentes entre as diferentes universidades. Some-se a este fato o escasso avanço da produção científica específica, especialmente quando se compara com as demais áreas da psicologia. Como vimos anteriormente, a psicologia industrial/organizacional iniciou a sua participação nos currículos dos cursos de graduação com o estudo e desenvolvimento de atividades na área psicométrica, o que é constatável, por exemplo, nos cursos de psicologia da USP, UFRJ e UFPE. Podemos observar que a formação do psicólogo foi precedida pela prática profissional que desta forma influenciava sobremodo os futuros currículos. Bastos (1988) questiona o modelo de atuação do psicólogo em função do contexto histórico-social em que a profissão surgiu e se desenvolveu, relacionando ainda este modelo à própria origem social destes profissionais. Este modelo de atuação é reproduzido pelas instituições de ensino, o que significa um reforço na manutenção desta práxis. Isto resulta numa prática questionável quanto a sua adequação à realidade social ou às possibilidades de contribuir na superação dos cruciais problemas do homem brasileiro. A promoção de urna identidade básica dos profissionais é intenção dos cursos de formação. Bastos (1988) concorda com a existência desta identidade e mostra a dificuldade para o estabelecimento de critérios que sejam divisores das diferentes áreas de atuação. Neste "gerneralisrno" da graduação, é possível defmir a nível formal, através de grupos de disciplinas e estágios, o 23 encaminhamento do profissional para diferentes áreas de estudo e de atuação. Podemos observar a nível da UFC, tomando como exemplo o curso de graduação em psicologia, certas tendências na formação do psicólogo organizacional, mais especificamente no que diz respeito à prática do estágio, em semelhança ao caminho seguido pela própria psicologia organizacional no Brasil. Transcrevemos a seguir os "divisores da psicologia organizacional" no Brasilconforme a concepção de Pierre Weil (1974), traçando um paralelo entre o desenvolvimento geral da psicologia organizacional no Brasil e a experiência da UFC: I - Fase preliminar: as bases científicas e universitárias A Psicologia Experimental penetra nos domínios da Filosofia, Educação e Psiquiatria, sendo ensinada nas universidades, sobretudo quanto à aplicação de testes psicológicos na educação e na clínica. Nesta fase, as primeiras gerações de futuros psicólogos industriais adquiriram os fundamentos científicos, mas sob um prisma de diagnóstico presquitivel, com predominância da psicometria. Isto explica a Psicologia Industrial e Orgaruzaciona ter começado por urna fase predominantemente psicométrica. II e III - Fase psicotécnica e fase educacional do treinamento nas organizações Fase bastante técnica, objetivando a aplicação da psicologia experimental no âmbito do trabalho, predominando trabalhos de seleção profissional, visando adaptar o homem ao trabalho, segundo conceitos tayloristas. 24 Tendo sido constatado que a seleção com os recursos psicotécnicos não era suficiente para a alocação adequada e rendimento do empregado, outros fatores foram detectados dentro da organização que podem contribuir para este trabalho. Houve desta forma urna expansão do papel do psicólogo neste setor. Podemos considerar aqui um rudimento do que seja uma abordagem sistêmica da orgamzaçao. Esta terceira fase continua, contudo, caracterizando uma expansão dos métodos anteriores; novas técnicas serão aplicadas em outros setores da organização. Podemos traçar um paralelo entre estas fases e o início de supervisão de estágio em psicologia organizacional do curso de psicologia da UFC no ano de 1977, quando a preocupação principal seria a de capacitação dos estagiários para transferir técnicas para o contexto das empresas. A própria denominação das disciplinas básicas e de apoio ao futuro estágio: Psicologia do Trabalho e Psicologia da Indústria, juntamente com a bibliografia sugerida, dão margem a esta concepção do trabalho desenvolvido neste período. A área de psicologia organizacional ganha ainda nesta mesma época, um impulso "politizador" no que tange à concepção do papel do psicólogo organizacional. Desenvolvem-se então preconcepções do que se deve: e se pode .atingir com o trabalho desenvolvido nesta área O caráter ideológico atribuído à Psicologia como reforçadora das relações de exploração .no interior empresa esse compromisso com a manutenção do status quo organizacional, aliados a distanciamento das técnicas até então desenvolvidas e aplicadas, ferramentas consideradas imprescindíveis para a atuação na época, acentuaram as dificuldades na conciliação entre potencialidades do mercado de trabalho e ideologia dos novos estagiários. IV - Fase psicológica: Problemas da fase anterior que foram sendo sentidos no Brasil, EUA e Europa: a) eficientes métodos de recrutamento, seleção e treinamento ineficientes se não houver na orgamzaçao um clima organizacional! . resultante de uma "cultura organizacional", favorecendo e apoiando as mudanças propostas; b) o treinador pode funcionar como agente de evolução (ou mesmo de revolução), mas também como agente catalisador e de estagnação; c) o homem 25 de recrutamento, seleção e treinamento deve ser na realidade um agente de mudanças, de evolução; d) é necessário que o psicólogo industrial se conscientize deste seu papel; e) o problema é saber como fazer evoluir o homem e a organização ao mesmo tempo. Trabalhos de psicólogos organizacionais (McGregor, Argyris, Blake e Mouton, nos EUA, e Max Pagês, na França) levaram às seguintes experiências: 1)todas as operações de uma organização são influenciadas pela cultura organizacional; 2) os diferentes tipos de cultura organizacional (autoritária, paternalista, diplomática, participante etc. ...) exigem diferentes maneiras de recrutar, selecionar e treinar; 3) para que uma organização evolua, é necessário agir sobre a cultura organizacional; 4)s6 se consegue o item 3 acima por meio de estratégias de D.O. (Desenvolvimento Organizacional), em que os próprios dirigentes se empenham na mudança; 5) as operações de recrutamento, seleção e treinamento têm de adaptar-se ao estilo cultural escolhido. . Podemos destacar nesta 4! fase duas variantes que serão denominadas respectivamente de Subfase de sensibilização e Subfase de D.O., com as seguintes características: Subfase de sensibilização (década de 60) - adoção de processos de TGroup. Os métodos clássicos de discussão dos casos só mudam opiniões, mas não comportamentos efetivos. Subfase de D.O. (década de 70) - reconhecimento de que os métodos de sensibilização necessitam inserir-se numa estratégia de D.O. que envolvesse os próprios dirigentes das organizações. Passada a fase da Administração de Recursos Humanos, o psicólogo formado curso de psicologia da UFC deveria se preocupar com o Desenvolvimento Organizacional; a visão macroscópica e sistêmica deveria nortear sua prática. Conceber a organização Como um sistema e interferir nesta organização a nível de D.O. era a principal meta neste segundo período da UFC. Surgem neste momento certas incompatibilidades entre o mercado de trabalho existente e as novas perspectivas de trabalho do novo estagiário. Preocupações com assuntos como ':motivação e satisfação no trabalho" poderiam ser geradoras de conflitos com as ideias preconcebidas do psicólogo "psicometrista" por parte das empresas. 26 Acompanhando estas mudanças, as disciplinas ganham nova denominação conteúdo, passando a se chamar "psicologia organizacional". O estágio é enriquecido? com novos recursos teóricos e metodológicos como, por exemplo, as supervisões grupais seminários integrados. O último período aqui considerado se caracteriza basicamente por uma conciliação dos dois períodos anteriores. A preocupação agora é resgatar o estudo das técnicas de trabalho do psicólogo organizacional para integrá-las numa concepção de organização que faltava à primeira fase que poderíamos, a partir de Pierre Weil (1974), denominar de "psicotécnica e fase educacional de treinamento nas organizações”. O Brasil tem um polo industrial e empresarial que, seguindo as suas características de país dos extremos, se localiza num continuam de artesanal ou pré-industrial (veja, por exemplo, as indústrias de redes, as fiações, as fábricas beneficiadoras, as usinas etc.) até a informatização e robotização (veja, por exemplo, as indústrias automobilísticas, os bancos, os polos petroquímicos, o desenvolvimento de tecnologia de ponta etc.). Neste universo organizacional heterodoxo, podem a qualquer nível permear as questões das relações de trabalho e grosso modo a interferência da psicologia organizacional. Não é nosso intuito neste momento qualificar ou graduar a participação de diferentes conhecimentos na manutenção e desenvolvimento organizacional. O que nos compete é abstrair deste universo multifacetário aquele elemento componente desta organização que, sob uma "lupa", pode ser analisado em suas funções ou consequências. No sentido inverso, isto é, vendo da "sala de espera" ou do "galpão da produção", não é difícil acompanhar ao longo da estrutura organizacional a impregnação de ações diferentes (aqui considerando também políticas e filosofias subjacentes) na vida do trabalhador, nas relações de trabalho e no sistema organizacional. As quatro fases aqui compreendidas que caracterizam a formação e a prática da psicologia organizacional no Brasil ainda servem de parâmetro para caracterizar diversas possibilidades e modelos acadêmicos e de prática profissional. 27 As universidades primam pela formação de profissionais que respaldem as necessidades do mercado, ainda que paralelamente funcione como um dos poucos ambientes propícios ao questionamentoe revisão destes princípios e modelos de ação. A demanda organizacional muitas vezes corrobora com a entropia do conhecimento da psicologia organizacional, freando sua evolução ou transformação. Limitando-se à execução e inserção de "tecnologia psicológica" no âmbito da organização, a psicologia funcionaria de "cara-metade" da engenharia industrial. "A fábrica, como se vê, prescinde da intervenção do psicólogo na escolha de seus funcionários e na manutenção de um bom andamento da produção. Isto é possível devido a dois mecanismos básicos: primeiro, através da intervenção da Engenharia Industrial, que se dedica ao estudo pormenorizado do trabalho, visando à maximização dos lucros por meio da simplificação ad extremum da atividade do operário, o que não só agiliza, pela divisão do trabalho na linha de montagem, a consecução do produto [mal, como também, e não menos importante, torna o operário fascinante substituível (eis aqui o verdadeiro agente de controle do comportamento dentro da fábrica); e, segundo, por um exército industrial de reserva farto e acotovelado às portas da fábrica à espera de demissões que possibilitem ao trabalhador o acesso cada vez mais raro ao emprego." (CODO, 1989, p. 199) A hipótese de que é possível fazer evoluir o homem e a organização concomitantemente é muitas vezes inviabilizada por fatores que também se originam na própria ação empresarial. A ação do psicólogo organizacional será incorporada à estrutura e sentida no sistema organizacional somente se localizada no nível do "fazer política", no estabelecimento da conduta organizacional. Katz e Kahn (1987) consideram está a "expressão mais significativa de liderança" e afirma que "o estabelecimento de política fica no âmbito da tomada de decisão. Esta perspectiva de ação do psicólogo organizacional já ganha mais espaço na sociedade organizacional brasileira e encontra correspondência no âmbito da formação acadêmica de certas universidades, como seria o caso da "quarta fase" por nós presentemente perseguida no curso de psicologia da UFC. 3.0 O PAPEL DO PSICOLOGO NAS ORGANIZAÇÕES 28 A psicologia organizacional é a psicologia que atua nas organizações: empresas, ONGs, instituições, governo. O papel do psicólogo nas organizações é o de um profissional que desenvolve estratégias para melhorar o ambiente de trabalho, em geral. Se ele atua em uma empresa por exemplo, ele pode contribuir com a estruturação ou reestruturação da empresa como um todo: desde o número de funcionários até a faixa salarial de cada um deles. Cabe ao psicólogo organizacional entender os fenômenos relacionados à vida do sujeito e seu contexto. Do colaborador com a organização. Um exemplo simples: em um determinado supermercado os funcionários que trabalham no caixa ficam em pé o dia todo. Provocar uma mudança simples como comprar cadeiras adequadas ao desempenho na ocupação pode ser uma das funções do psicologia dentro das organizações. Outro função, já mais comum, é o da recrutamento e seleção de pessoal. Imaginemos o mesmo supermercado, que está se expandindo. Com a expansão cem novos empregos serão oferecidos. Como contratar as pessoas para cada uma das vagas disponíveis? O psicólogo vai recrutrar os candidatos. Recrutar ou fazer o recrutamento quer dizer chamar, oferecer, divulgar as vagas que estão em aberto. A divulgação pode ser em jornais, internet, rádio, entre outros meios. A partir do recrutamento, aparecem os candidatos que querem trabalhar. Agora temos uma outra questão: como selecionar, escolher o melhor funcionário? Em suma, o papel da psicologia dentro das organizações é atuar como ponto facilitador e conscientizador entre os grupos que compõem a empresa, considerando os fatores de importância ao indivíduo como saúde, conforto, satisfação pessoal e profissional. As atividades exercidas pelo profissional da psicologia organizacional são fundamentadas em técnicas relacionadas ao homem e à organização a qual pertence, trazendo desenvolvimento para empresa, para o trabalhador e para a sociedade a qual ambos estão inseridos 29 (Campos, 2008). Durante toda a vida útil de uma organização, esta deve sempre estar adepta à psicologia como forma de acompanhamento dos indivíduos que integram este conjunto, evitando distúrbios e contratempos indesejados. Assim, os líderes devem ter uma visão clara dos objetivos que norteiam uma organização, sendo necessário contar com profissionais treinados capazes de exercer funções de diversos níveis de complexidade (Spector, 2002). Neste contexto, a psicologia organizacional se faz de grande valia, uma vez que abordados por avanços tecnológicos diários e estressantes, pode-se contar com os treinamentos constantes e apoio psicológico aos indivíduos que fazem parte do time. Sendo assim, pode-se afirmar que é incontestável e altamente relevante a necessidade de aplicar a psicologia em todos os setores de uma organização. 3.1 O Papel do Psicólogo Organizacional na Promoção da Qualidade de Vida no Trabalho Segundo (SILVA, 2009), para haver a participação de todos os colaboradores nos processos produtivos para a organização, e a satisfação dos 30 demais integrantes, é necessário a colaboração de todos. Colocar em prática os conhecimentos, capacidades e habilidades são atitudes que proporcionará ativa a corporação. E como consequência produzirá benefícios intrínsecos para os funcionários, em gerar a satisfação para se empenhar nas suas atribuições. Qualidade de vida no trabalho, ou também conhecida pela sigla QVT, é um termo frequentemente utilizado no ambiente corporativo quando a questão é a qualidade de vida do trabalhador em seu local de trabalho. Há muito anos, as indústrias e seus dirigentes deixaram de lado algumas questões importantes como valorização humana e ambiental, focando apenas no avanço tecnológico, na produtividade e no crescimento econômico. Tal medida fez com que aumentasse consideravelmente a quantidade de trabalhadores estressados e desmotivados, a rotatividade de pessoal e a quantidade de afastamentos por doenças e acidentes. Tannhauser (1994) define que a Qualidade de Vida no Trabalho estuda o impacto das atividades laborais na vida das pessoas, bem como sobre a eficácia organizacional, além de analisar a participação dos funcionários na busca de resoluções dos problemas que a empresa enfrenta. Em uma definição atual, Fernandes (1996) afirma que QVT É um conjunto de fatores que, quando presentes numa situação de trabalho, tornam os cargos mais satisfatórios e produtivos. Na prática, QVT consiste na reformulação do desenho dos cargos/postos de trabalho, na criação de grupos de trabalho autônomos ou semi-autônomos, melhorias no ambiente com reflexos na produtividade e na satisfação dos empregados da empresa. (p. 12). Assim, o conceito de qualidade de vida no trabalho não se resume apenas a bons salários ou alguns benefícios, e sim relacionada à satisfação de um indivíduo em desenvolver sua carreira profissional e vida pessoal através de recursos que um ambiente de trabalho bem elaborado oferece. Tal satisfação é percebida por meio da compreensão das necessidades de cada colaborador, criando oportunidades de desenvolvimento e oferecendo ferramentas adequadas para o alcance dos objetivos almejados. Em 1943, o psicólogo Abraham Maslow exibiu um estudo no qual é demonstrada a importância do suprimento de várias necessidades do homem, entre elas algumas ligadas à carreira profissional. 31 Neste estudo Maslow diz que todo ser humano possui cinco necessidades que se sobrepõe umas às outras hierarquicamente, de forma que são impulsionados a sanar tais urgências até que estejam completamente satisfeitas. A começar pelas fisiológicas, passando para as necessidades de segurança, a seguir as sociais, seguidos pela estima e, por fim, a realização pessoal(Tannhauser, 1994). Percebe-se que tais necessidades de realização pessoal é o mais difícil de ser alcançado e por este motivo é imprescindível que as organizações atuais e futuras estejam atentas em liderar uma equipe na qual a criatividade, a autonomia e o pensamento estratégico estejam em constante presença. Este último nível citado por Maslow está diretamente ligado à qualidade de vida no trabalho, pois esta deixa de ser uma necessidade fisiológica ou social e passar a ser um objetivo pessoal do colaborador em atingir as metas e ser reconhecido como um profissional eficiente. Visto que a Psicologia Organizacional e do Trabalho tem como função melhorar a qualidade de vida presente na relação entre os indivíduos com a organização a qual pertence, o psicólogo organizacional é convocado a propor e implementar soluções para os problemas oriundos de tal relação, intervindo de forma prática e rápida frente aos desafios que surgem no cotidiano da organização. Ferreira (2008) salienta que existem diferentes formas de se definir qualidade de vida no trabalho, mas o conceito básico se refere a satisfazer as necessidades dos trabalhadores através da inserção dos mesmos na gestão e no desenvolvimento da empresa. Os principais aspectos que circundam a qualidade de vida no trabalho incluem condições físicas favoráveis e a experiência vivida pelo trabalhador no que diz respeito às suas atividades laborais. Em uma revisão de literatura publicada na Revista Eletrônica Psicologia e Saúde em Debate, Soares & Moura (2016) salientam que: O comportamento que as pessoas têm, indicam se estão satisfeitas ou insatisfeitas, estatísticas relacionadas ao absenteísmo e a rotatividade altos a insatisfação com o trabalho. QVT envolve vários fatores como satisfação do trabalho, reconhecimento de resultados, salário, benefícios, 32 relacionamentos, ambiente psicológico e físico, poder de decisão, motivação, aceitação de mudanças, inovação e criatividade (p. 43). É imprescindível ter em mente que, conforme citado por Ferreira & Dias (2017) em um artigo publicado na mesma revista: Uma empresa que se preocupa com a QVT, com a satisfação de seus funcionários e tem um clima organizacional motivador, sempre tende a elaborar planos de ações para suprir as necessidades de seus funcionários, para uma melhor eficácia organizacional. A satisfação e a motivação não se resume somente no salário auferido, mas também pelo respeito e reconhecimento de sua importância dentro da organização (p. 40). O psicólogo voltado para o ambiente organizacional opera de forma interventiva, como um agente de mediação individual e coletiva, onde busca compreender as diversidades no contexto laboral, analisando a fundo as possíveis variáveis que resultam nos problemas da organização. Nesta conjuntura, este profissional possui por propósito superar e transformar as referências negativas da situação em vivências de bem-estar no trabalho, de forma a assegurar a integridade física, psicológica e social do trabalhador (Ferreira, 2008). Em se tratando dos desafios enfrentados pelo psicólogo organizacional, existem alguns conflitos entre este e outros profissionais como, por exemplo, os administradores e gestores de recursos humanos, no quesito de como treinar e desenvolver as habilidades dos funcionários. Por se tratar de uma área muito específica, os psicólogos sucumbem a represálias no contexto organizacional, por final ocupando a condição de consultor, impedido de qualquer possibilidade de uma posição estratégica ou de tomar decisões acerca do desenvolvimento dos funcionários. Fica evidente que neste processo de transformação é crucial o engajamento tanto do psicólogo organizacional ou do departamento de Recursos Humanos, como também de todos os colaboradores, para que seja possível um ambiente saudável e suscetível ao desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos envolvidos. Portanto, para os profissionais da psicologia aplicada ao trabalho, “é necessário ampliar a capacidade de cada colaborador para trabalhar 33 com mais assertividade e em equipe, sabendo lidar com os conflitos que podem causar sofrimento” (Ferreira, 2008, p. 87). No que tange ao tema do presente trabalho, sabendo da importância da qualidade de vida no contexto do trabalho, muitos profissionais da psicologia têm optado pelas áreas de saúde mental no trabalho, olhando mais atentamente à questão da satisfação que o ofício acarreta no trabalhador. Neste contexto, o psicólogo organizacional volta-se para aspectos como o sentido do trabalho na construção da identidade do indivíduo, a proteção da saúde do trabalhador, formulação de práticas e políticas adotadas pela empresa, bem como o estilo de gestão utilizado para atuar junto aos funcionários (Tosi & Batomé, 2013). Uma vez que o clima organizacional está estritamente ligado à relação que os indivíduos mantêm com a empresa e a cultura da organização, este influencia no desenvolvimento dos funcionários. Diante disso, o psicólogo deverá moldar o clima organizacional objetivando o fortalecimento da saúde do trabalhador e, consequentemente, o fortalecimento da empresa, através de estratégias que promovam a qualidade de vida (Santos & Caldeira, 2014). Em suma, o psicólogo organizacional possui um dever e compromisso ético com a saúde dentro das empresas, desenvolvendo atividades para o bem-estar dos funcionários, deixando de atentar-se somente com o trabalho mecanicista ao se voltar para as relações de trabalho, o ambiente, as equipes e a saúde psíquica de todos os envolvidos, evidenciando o quão fundamental é o papel do psicólogo como agente promovedor de saúde. 3.2 Produtividade no Ambiente de Trabalho Se adaptar às políticas e normas desenvolvidas pela corporação, têm deixado os colaboradores inflexíveis e improdutivos com às tarefas que são impostas aos mesmos. São poucos os funcionários que se apropria das regras e mudanças que é passado para os mesmos. Implantar ações de melhorias para a organização e para os funcionários, irá promover um impacto positivo, e ambas as partes sairão ganhando. (LIMONGI-FRANÇA, 2010). 4.0 ÁREAS DE ATUAÇÃO – PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL DE ACORDO COM CRP. 34 Atua em atividades relacionadas a análise e desenvolvimento organizacional, ação humana nas organizações, desenvolvimento de equipes, consultoria organizacional, seleção, acompanhamento e desenvolvimento de pessoal, estudo e planejamento de condições de trabalho, estudo e intervenção dirigidos à saúde do trabalhador. Desenvolve, analisa, diagnostica e orienta casos na área da saúde do trabalhador, observando níveis de prevenção, reabilitação e promoção de saúde. Participa de programas e/ou atividades na área da saúde e segurança de trabalho, subsidiando os quanto a aspectos psicossociais para proporcionar melhores condições ao trabalhador. Atua como consultor interno/externo, participando do desenvolvimento das organizações sociais, para facilitar processos de grupo e de intervenção psicossocial nos diferentes níveis hierárquicos de organizações. Planeja e desenvolve ações destinadas a equacionar as relações de trabalho, o sentido de maior produtividade e da realização pessoal dos indivíduos e grupos inseridos nas organizações, estimulando a criatividade, para buscar melhor qualidade de vida no trabalho. Participa do processo de desligamento de funcionários de organizações, em processos de demissões e na preparação para aposentadorias, a fim de colaborar com os indivíduos na elaboração de novos projetos de vida. Elabora, executa e avalia, em equipe multiprofissional, programas de desenvolvimento de recursos humanos. Participa dos serviços técnicos da empresa, colaborando em projetos de construção e adaptação dos instrumentos e equipamentos de trabalho ao homem, bem como de outras iniciativas relacionadasa ergonomia. Realiza pesquisas e ações relacionadas à saúde do trabalhador e suas condições de trabalho. Participa da elaboração, implementação e acompanhamento das políticas de recursos humanos. Elaborar programas de melhoria de desempenho, aproveitando o potencial e considerando os aspectos motivacionais relacionados ao trabalho. Atua na relação capital/trabalho no sentido de equacionar e dar encaminhamento a conflitos organizacionais. Desempenha atividades relacionadas ao recrutamento, seleção, orientação e treinamento, análise de ocupações e profissiográficas e no acompanhamento de avaliação de desempenho de pessoal, atuando em equipes multiprofissionais. Utiliza métodos e técnicas da psicologia aplicada ao trabalho, como entrevistas, testes, provas, dinâmicas de grupo, etc. para subsidiar as decisões na área de recursos humanos como: promoção, movimentação de pessoal, incentivo, remuneração de carreira, 35 capacitação e integração funcional e promover, em conseqüência, a auto- realização no trabalho. 5.0 RECRUTAMENTO E SELEÇÃO 5.1 Recrutamento Quando surge uma vaga de trabalho, o psicólogo pode procurar por um profissional dentro ou fora da empresa para preenchê-la. Se nenhum funcionário da organização estiver apto para o trabalho, ou se a intenção for realmente trazer alguém de fora, será elaborado e publicado o anúncio de vagas disponíveis. Muitos currículos chegarão às mãos do psicólogo. Porém, apesar de eles trazerem informações sobre a formação acadêmica e a experiência profissional dos candidatos, não trazem informações concretas sobre o perfil daqueles profissionais. Por meio de testes psicológicos, dinâmicas de grupo e entrevistas individuais, o psicólogo identificará quais os candidatos estão mais qualificados para ocupar o cargo, de forma a atender às necessidades da empresa. Em trabalho conjunto com o gerente da área, ele orientará e ajudará na escolha do melhor profissional. O recrutamento de pessoal, segundo Marras (2011), é de responsabilidade do RH e tem como objetivo a organização e a seleção de pessoal no atendimento ao público interno e externo da empresa. Assim, pode-se dizer que o recrutamento é o conjunto de técnicas que visam atrair candidatos qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização. Todo processo de recrutamento de pessoal tem início a partir de uma necessidade da organização e deve ser encaminhada pelo gestor requisitante ao departamento de recursos humanos. Esse processo é formalizado, segundo Marras (2000), através de um documento denominado requisição de pessoal (RP). Na RP são registradas as características essenciais exigidas pelo cargo, juntamente com a descrição da função e perfil desejável. Assim, em posse da RP devidamente preenchida e aprovada, o recrutador dará início ao processo de recrutamento e seleção. Uma área de R&S atuando de forma mais estratégica pode, a partir do entendimento do plano estratégico da empresa e do acompanhamento dos 36 indicadores de gestão, planejar, antecipadamente, as demandas em relação ao preenchimento de vagas. Chiavenato (2008), afirma que o intuito geral do recrutamento é divulgar as oportunidades que a organização pretende oferecer para as pessoas que possuam determinadas características desejáveis, funcionando como uma ponte entre o mercado de trabalho e a organização. Existem “duas fontes de recrutamento: a interna e a externa. Por meio da interna, os candidatos são recrutados na própria empresa e, mediante externa, os candidatos são recrutados no mercado de trabalho” (PONTES, 2004, p 87). Segundo Chiavenato (2002), o recrutamento interno procura preencher vagas em aberto na empresa, através do remanejamento de funcionários, oferecendo oportunidades para algumas promoções, gerando assim uma valorização do funcionário promovido e motivação para os demais. Já o recrutamento externo de acordo com Chiavenato (2002, p. 212) “funciona com candidatos vindos de fora”. Caso exista uma vaga aberta, a empresa busca o melhor meio de preencher essa lacuna buscando atingir seus objetivos. As organizações ao optarem pelo tipo de recrutamento interno ou externo, devem analisar as vantagens e desvantagens existente em cada caso, conforme quadro 1, a seguir: RECRUTAMENTO INTERNO RECRUTAMENTO EXTERNO VANTAGENS • Aproveita melhor o potencial humano da organização; • Motiva e encoraja o desenvolvimento profissional dos atuais funcionários; • Incentiva a permanência do funcionário e a sua fidelidade; • Introduz sangue novo na organização: talentos habilidades, e expectativas; • Enriquece o patrimônio humano pelo aporte de novos talentos e habilidades; • Aumenta o capital intelectual ao incluir novos conhecimentos e destrezas; 37 • Ideal para situações de estabilidade e pouca mudança ambiental; • Não requer socialização organizacional de novos membros; • Probabilidade de uma melhor seleção, pois os candidatos são bem conhecidos; • Custo financeiramente menos do que fazer recrutamento externo; • Renova a cultura organizacional e a enriquece com novas aspirações; • Incentiva a interação da organização com mercado de Recursos Humanos; • Indicado para enriquecer intensa e rapidamente o capital intelectual; DESVANTAGENS • Pode bloquear a entrada de novas ideias, experiências e expectativas; • Facilita o conservadorismo e favorece a rotina atual; • Mantém quase inalterado o atual patrimônio humano na organização; • Mantem e conserva a cultura organizacional existente; • Funciona como um sistema fechado de reciclagem continua; • Afeta negativamente a motivação dos atuais funcionários da organização; • Reduz a fidelidade dos funcionários ao oferecer oportunidades a estranhos; • Requer a aplicação de técnicas seletivas para escolha dos candidatos externos – custo operacional; • Exige esquema de socialização organizacional para os novos funcionários; • É mais custoso, oneroso, demorado , e inseguro que o recrutamento interno; Quadro 1: Vantagens e Desvantagens do Recrutamento Interno e Externo Fonte: França, et al, 2007, p.33 - FUNÇÕES 38 • Preenchimento de novas posições • Substituição de Pessoas - PASSOS • Planejar as necessidades; • Atrair pessoas; • Escolher pessoas • Contratar RECRUTAMENTO • Subsistema Agregar Pessoas • Divulgar no mercado as oportunidades que a organização pretende oferecer para as pessoas que possuam determinadas características desejadas. • Conjunto de técnicas e procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização; • É um sistema de informação através do qual a organização divulga e oferece ao mercado de recursos humanos oportunidades de emprego que pretende preencher; • Gera um conjunto de candidatos para um cargo específico; • Anuncia a disponibilidade do cargo no mercado e atrair candidatos qualificados para disputá–lo; TIPOS DE RECRUTAMENTO ⚫ Interno: O recrutamento interno atua sobre os candidatos que estão trabalhando dentro da organização, isto é, funcionários, para promovê-los ou transferi-los para outras atividades mais complexas ou mais motivadoras. 39 ⚫ Prós: ❖ Aproveita melhor o potencial humano da organização, ❖ Motiva e encoraja o desenvolvimento profissional dos atuais funcionários, ❖ Incentiva a permanência e a fidelidade dos funcionários à organização, ❖ Não requer socialização organizacional de novos membros, ❖ Probabilidade de melhor seleção, pois os candidatos são bem conhecidos, ❖ Custa financeiramente menos do que fazer recrutamento externo. ⚫ Contras: ❖ Pode bloquear a entrada de novas ideias, experiências e expectativas, ❖ Facilita o conservadorismo e favorece a rotina atual. ❖ Mantém quase inalterado o atual patrimônio humanoda organização, ❖ Mantém e conserva a cultura organizacional existente, ❖ Funciona como um sistema fechado de reciclagem contínua. ⚫ Externo: O recrutamento externo atua sobre candidatos que estão fora da organização, para submetê-los ao seu processo de seleção de pessoal TECNICAS DE RECRUTAMENTO Anúncios em jornais e revistas especializadas; 40 Agências de recrutamento; Contatos com escolas, universidades e agremiações; 41 Intercâmbios com outras empresas; Cartazes ou anúncios em locais visíveis; 42 Apresentação de candidatos por indicação de funcionários; Consulta aos arquivos de candidatos; 43 Empresas de headhunting. 5.2 Seleção Ivancevich (1995, p. 777), apresenta a seleção como “processo pelo qual uma organização escolhe em uma lista de candidatos, a pessoa que melhor alcança os critérios de seleção para a posição disponível, considerando as atuais condições de mercado“. O que cabe considerar, entretanto, é que, se num sistema descentralizado, todas as gerências e chefias passam a ter atribuições referentes à seleção, deverá haver, como contrapartida, a competência técnica nessa área. “A tomada de decisão em relação à contratação é tarefa que se reveste de grande responsabilidade. Envolve, naturalmente, muito pessoal” (IVANCEVICH, 1995, p.777). A seleção funciona como um filtro que permite as pessoas que apresentam características desejáveis à organização possam ingressar na mesma. É, sem dúvida uma importante ferramenta de gestão de pessoas, com a finalidade de identificar as pessoas que possuam o perfil desejado pela analise e descrição de cargos (CHIAVENATO, 2005). Gil (1994, p. 61) afirma que: [...] pode se dizer que avaliar significa prever o comportamento futuro de candidatos pouco conhecidos numa situação de trabalho. [...] esse 44 processo requer algo a mais que a simples análise de dados. Requer sua interpretação, ou seja, o tratamento desses dados de forma tal que ao final do processo seja possível, com certa margem de segurança, definir vantagens e desvantagens da contratação do candidato. Chiavenato (2008), visa caracterizar a seleção de pessoal fundamentando- se em dados e informações a respeito de um determinado cargo a ser preenchido. Ou seja, as exigências de seleção devem basear-se nas especificações do cargo cuja finalidade é dar maior objetividade e precisão ao processo de seleção de pessoal, cruzando posteriormente, informações do ambiente (que compõe o cargo a exercer) x informações psicológicas de candidatos (chamado de personalidade, comportamentos, cognições, características pessoas, a depender da escola / abordagem teórica) para coleta de dados e finalmente, a escolha do candidato certo para o cargo certo. A melhor maneira de conceituar seleção é representa-la como uma comparação entre duas variáveis: de um lado, os requisitos do cargo a ser preenchido (requisitos que o cargo exige do ocupante) e, de outro lado, o perfil das características dos candidatos que se apresentam para disputa-lo (CHIAVENATO, 2008, p.134). Sendo assim, a ideia de que as pessoas influenciam o funcionamento da organização, hoje não é mais posta em dúvida, levando as empresas a saírem de um modelo de centralização e autoritarismo para gestões que envolvem os conceitos de competências e profissionalismo. De acordo com Rodrigues (2009) atualmente, podemos encontrar no Brasil, empresas nos mais variados níveis de desenvolvimento, e consequentemente uma mescla de modelos administrativos. As corporações burocráticas e hierarquizadas ainda existem, mas vão dando lugar a empresas com poucos níveis hierárquicos e consequentemente mais flexíveis. Este cenário exige que o processo seletivo atual deva estar alinhado com os paradigmas empresariais e com a cultura organizacional, procurando funcionários que possuam comportamentos e atitudes adequadas a missão, a visão e aos objetivos organizacionais. 45 Após cientistas das escolas da administração terem descoberto a importância e contribuições dos psicólogos no suporte, auxílio e consultoria em processos de gestão de Recursos Humanos, conforme apontado por Santos, Franco e Miguel (2003), tivemos a partir 1930, investimentos consideráveis em pesquisas que discutiam a utilização de ferramentas de avaliação psicológicas inicialmente de uso clínico (como por exemplo, os testes Quati, IFP, IAT, Wartegg, dentre outros), sendo direcionadas ao ambiente organizacional, conforme afirma Alencar e Gomes (2005). Segundo Miguel (2001), atualmente, a maior demanda de serviços psicológicos aplicados a seleção de pessoal voltam-se a organizações de natureza privada, uma vez que sua administração se fundamenta em estratégias que levam a multiplicação de lucros e capitais financeiros, diferente de organizações sem fins lucrativos cujo a administração prioriza outros objetivos. Neste sentido, estas organizações representam grande porcentagem de empregabilidade de psicólogos e profissionais voltados a atividade de R&S de pessoal. SELEÇÃO • Subsistema Aplicar Pessoas • Estabelecer critérios de desempenho • Elaborar perfil • Relacionar os critérios com o perfil desejado • Planejar o processo seletivo • Estabelecer critérios de seleção • Processo de escolha do melhor candidato para o cargo (Robbins); • Processo pelo qual uma organização escolhe, de uma lista de candidatos, a pessoa que melhor alcança os critérios de seleção para a posição disponível, considerando-se as condições de mercado (Ivancevich); PROCESSO SELETIVO ⚫ Prós: 46 ➢ Introduz sangue novo na organização: talentos habilidades e expectativas; ➢ Enriquece o patrimônio humano, pelo aporte de novos talentos e habilidades; ➢ Aumenta o capital intelectual ao incluir novos conhecimentos e destrezas; ➢ Renova a cultura organizacional e a enriquece com novas aspirações; ➢ Incentiva a interação da organização com o MRH; ➢ Indicado para enriquecer mais intensa e rapidamente o capital; ⚫ Contras: ➢ Pode afetar negativamente a motivação dos atuais funcionários da organização; ➢ Reduz a fidelidade dos funcionários ao oferecer oportunidades a estranhos; ➢ Requer aplicação de técnicas seletivas para escolha dos candidatos externos. Isso significa custos operacionais; ➢ Exige esquemas de socialização organizacional para os novos funcionários; ➢ É mais custoso, oneroso, demorado e inseguro que o recrutamento interno. ⚫ Entrevistas ⚫ Provas ⚫ Testes Situacionais ⚫ Testes psicológicos ⚫ Testes físicos ⚫ Dinâmica de grupo 47 ⚫ Exame médico 6.0 O PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL E AS TÉCNICAS DE SELEÇÃO A seleção de pessoal não pode ser feita apenas com a avaliação da experiência e do conhecimento do trabalho realizado. Deve-se conhecer os aspectos relacionados à personalidade do candidato, pois assim o setor de recrutamento e seleção pode avaliar melhor o perfil do candidato e verificar se ele possui os requisitos exigidos pelo cargo. (FRANÇA, et al, 2002) Assim, o psicólogo organizacional tem um papel fundamental, pois deve focar, no processo de seleção, a personalidade do candidato somada às necessidades para o cargo, ou seja, deve considerar os requisitos exigidos pala empresa para a função, bem como as características pessoais dos candidatos. Esse trabalho exerce sobre o psicólogo uma grande pressão, pois “quando a administração fracassa na adequação correta, tanto o desempenho como a satisfação dos funcionários são prejudicadas”. (ROBBINS, 2005, p. 24) Nesse sentido, o processo de seleção é muito mais que uma simples contratação. Por isso conhecer a adequação de um teste para seleção de pessoal é fundamental para ter uma contratação assertiva, evitando desperdício financeiro e de temponuma escolha inadequada (PEREIRA, et al, 2003). Para que o psicólogo realize um R&S eficaz é necessário ter bem definido os requisitos exigidos para o preenchimento do cargo e a partir dessas informações o profissional dará início ao processo. De acordo com os critérios a serem avaliados, o psicólogo deve escolher a técnica mais adequada para realizar a seleção dos candidatos. Ivancevich (2008) destaca algumas técnicas que podem ser utilizadas na seleção de candidatos, entre elas: entrevistas, testes psicológicos de aptidão e personalidade, testes situacionais, testes médicos e físicos e dinâmica de grupo entre outros. Abaixo segue o conceito de algumas técnicas mais utilizadas pelos profissionais de Recrutamento e Seleção. 6.1 Entrevista 48 A entrevista é a técnica mais utilizada na seleção de pessoal. Sua finalidade no processo de R&S segundo Marras (2000), é “detectar dados e informações dos candidatos a emprego subsidiando a avaliação do processo seletivo” (p.80). França (et al, 2002), diz que a entrevista deve pesquisar aspectos de conteúdo profissional e pessoal, tanto os relacionados a vida pregressa quanto aspirações futuras do candidato. Investigar hobbies e hábitos do candidato, também pode trazer revelações importantes sobre sobres suas preferencias e realizações. A linguagem corporal, ou seja, gestos, postura, aparência, também devem ser analisados na entrevista, pois, esses comportamentos demonstram o interesse do candidato na empresa e no cargo em questão. Para Gil (1994, p117) entrevista é quando “o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas com o objetivo de obtenção dos dados que interessam a investigação”. Para Chiavenato (2005, p. 161) A eficiência reside em fazer corretamente as coisas: saber entrevistar bem, aplicar testes de conhecimento que sejam válidos e precisos, dotar a seleção de rapidez e agilidade, contar com um mínimo de custos operacionais, envolver as gerencias e suas equipes no processo de escolher candidatos etc. A eficácia reside em alcançar resultados e atingir objetivos: saber trazer os melhores talentos para a 49 empresa e, sobretudo, tornar a empresa cada dia melhor com as novas aquisições de pessoal. Santos (et al, 2009), também ressalta a importância da participação ativa dos gestores na entrevista, tendo em vista que o psicólogo se encarrega de investigar o que tange as competências enquanto os gestores realizam uma entrevista mais técnica, visando a experiência e capacidade para a realização da função. 6.2 Testes de conhecimento ou de capacidades Uma técnica de seleção bastante utilizada e que possui resultados satisfatórios são os testes de conhecimento ou de capacidade. Dentro deste contexto, analisa-se o conhecimento do candidato, são também aplicados testes para analisar o seu desemprenho. De acordo com Chiavenato (2000) as provas de conhecimento ou capacidade funcionam como instrumentos que possibilitam medir o grau de conhecimentos profissionais ou técnicos exigidos pelo cargo assim como o grau de capacidade ou habilidade para certas tarefas. França (et al, 2002, p. 69), que afirma que as provas de conhecimento podem ser gerais ou especificas, ou seja, as provas gerais “visam avaliar o grau de cultura geral do candidato”, já as provas especificas “visam avaliar os conhecimentos profissionais que o candidato possui, imprescindíveis para o bom desempenho da função´”. É importante que esses instrumentos sejam 50 desenvolvidos e validados internamente na empresa para não eliminar bons candidatos. 6.3 Técnicas vivenciais De acordo com França (et al, 2002, p.70), as técnicas vivenciais “exigem respostas a situações de forma que os candidatos interajam e participem ativamente delas. Por serem atividades de atuação e/ou simulação de determinada circunstância, o candidato perde o controle da situação, assim os resultados se tornam mais espontâneos e verdadeiros. Essas técnicas necessitam de planejamento e devem ser aplicadas por profissionais qualificados, os quais consigam controlar a situação e evitar possíveis conflitos dos participantes. As técnicas vivenciais podem ser classificadas segundo França (et al, 2002, p. 70) em: • Provas situacionais: relacionadas às tarefas do cargo. Podem ser, por exemplo, um teste de digitação e a operação de uma empilhadeira. • Dinâmica de grupo: envolve jogos de grupo com situações estruturadas, relativas ou não ao cargo, nas quais os integrantes interagem. É uma técnica muito utilizada, pois permite observar problemas de relacionamento, integração social, liderança etc. 51 • Psicodrama: tem como pressuposto a expressão da personalidade através de um papel social atribuído, no qual o candidato deve expressar-se de acordo com a linguagem e as dimensões desse papel. Por se tratar de uma representação, o candidato fica livre para expressar sentimentos, valores e emoções. 6.4 Testes psicológicos 52 Outro recurso muito utilizado no processo de seleção, são os testes psicológicos. França (et al, 2002, p.69), conceitua os testes como “instrumentos padronizados que servem de estímulo a determinado comportamento do examinado. Visam predizer o comportamento humano com base no que foi revelado na situação teste”. De acordo com a resolução do CFP 002/2003: Os testes psicológicos são instrumentos de avaliação ou mensuração de características psicológicas, constituindo- se um método ou uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o § 1° do art. 13 da lei no 4.119/62. [...] são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, 53 segundo padrões definidos pela construção dos instrumentos (MACHADO, 2007, p. 19). Os testes psicológicos utilizados no processo seletivo focalizam principalmente as aptidões. Servem para determinar quanto elas estão presentes em cada candidato, com o objetivo de prever o seu comportamento em determinadas formas de trabalho, ou seja, “baseiam-se nas diferenças individuais e analisam o quanto variam as aptidões de um indivíduo em relação às estatísticas de resultados de amostra” (CHIAVENATO, 2008, p.152). Pasquali (1999), afirma que o psicólogo deve fazer a escolha do teste psicológico após definir os atributos e características a serem avaliados, investigar na literatura especializada os melhores instrumentos disponíveis para cada objetivo desejado e, principalmente, avaliar as características psicométricas dos instrumentos a serem utilizados, como sensibilidade, validade, precisão e existência de normas especificas e atualizadas para a população brasileira. Machado (2007), afirma que a função do teste é medir as diferenças entre os indivíduos ou entre as relações do mesmo individuo em diferentes ocasiões. A autora ressalta que os testes psicológicos devem ser entendidos como instrumentos auxiliares na coleta de dados e que, juntamente com as demais informações organizadas pelo psicólogo, auxiliam na compreensão do todo, facilitando assim a tomada de decisão. 54 Chiavenato (2008) diz que os testes psicológicos constituem uma medida objetiva e estandartizada de uma amostra do comportamento, no que se refere a aptidão das pessoas, eles “são utilizados como medida de desempenho e se baseiam em amostras estatísticas de comparação, sendo aplicados sob condições padronizadas” (p.151). Ainda conforme Chiavanato (2008), os testes psicológicos apresentamtrês características que as entrevistas e provas tradicionais ou objetivas não têm: • Preditor: é a capacidade de um teste oferecer resultados prospectivos capazes de servir como prognósticos para o desempenho do cargo. • Validade: é a capacidade do teste de aferir exatamente aquela variável humana que se pretende medir. • Precisão: é a capacidade do teste apresentar resultados semelhantes em várias aplicações na mesma pessoa. É a consistência da mensuração e ausência de discrepância de medida. Ainda segundo o autor todo instrumento de seleção deve possuir características de validade e de precisão. Os testes psicológicos são divididos em duas categorias segundo Marras (2000), sendo: • Testes de aptidão: que avaliam as características naturais dos candidatos e possíveis capacidade para realização de determinadas tarefas. • Testes de personalidade: são utilizados para conhecer o sistema endógeno dos indivíduos, formado por características unas que determinam o perfil comportamental de cada um. “Testes são ferramentas. São um meio para alcançar um fim. Podem ser mal aplicados, o que limita ou anula sua utilidade. A responsabilidade última pelo uso e interpretação apropriados dos testes é do psicólogo” (MACHADO, 2007, p. 20). Machado (2007), pontua alguns cuidados que devem ser tomados na aplicação dos testes psicológicos, são eles: 55 • Observação dos aspectos físicos do(s) avaliando(s): medicações, estado de cansaço, problemas visuais e auditivos, alimentação etc. • Condições psicológicas: problemas situacionais, alterações comportamentais, a fim de identificar possíveis situações que possam influenciar na qualidade do desempenho do sujeito. • Rapport: no início da avaliação é importante salientar os objetivos da mesma, procurando esclarecer todas as dúvidas. • Princípios de padronização do teste: durante a aplicação é de responsabilidade do psicólogo observar se não há instruções diferentes do que estabelece o manual. • Seguir rigorosamente as orientações do manual: o psicólogo deve seguir todas as orientações de aplicação descritas no manual, porém não precisa adotar postura estereotipada e rígida para tal função. • Utilizar material original: é proibido o uso de materiais fotocopiados, pois podem acarretar em problemas futuros. • Postura do psicólogo: na hora da aplicação o psicólogo deve ser claro e objetivo, inspirar tranquilidade evitando a acentuação da ansiedade situacional típica da avaliação. • Registros da aplicação: o trabalho pode ser facilitado se o psicólogo registrar os eventos de forma pormenorizada da aplicação, ou seja, os comportamentos do candidato durante a aplicação. Isso facilitará na hora da sistematização dos dados e auxiliará o profissional na conclusão de seu trabalho. Após a aplicação dos testes, a próxima etapa segundo Machado (2007), é a avaliação dos mesmos. O manual do teste aplicado deve ser consultado e o psicólogo deve segui-lo rigorosamente. O sigilo das informações deve ser assegurado pelo profissional, os materiais devem ser guardados em local adequado, cabendo ao psicólogo a confecção do laudo de avaliação e devida divulgação das informações coletadas. França (et al, 2008, p.69), afirma que “o uso dos testes e provas psicológicas, conjugados com outros recursos, é o procedimento de maior segurança de que se dispões”, pois, vários estudos indicam que o emprego desse instrumento supera os índices alcançados pelos processos tradicionais ou pelo recrutamento ocasional. 56 Deste modo, somando os testes com as demais ferramentas de seleção teremos um processo de seleção rico em informações, proporcionando uma visão global dos candidatos, facilitando assim, a escolha do melhor profissional para o cargo. 7.0 DESLIGAMENTO DE FUNCIONÁRIOS De acordo com Chiavaneto (2009) nas organizações acontecem dois processos, a contratação e demissão de funcionários que ocorre de tempos em tempos. Essas demissões são chamadas rotatividade, e essa rotatividade é parte do mundo corporativo, porém, um nível elevado de rotatividade pode significar uma perda de produtividade, saúde organizacional, lucratividade e podendo a impactar na motivação e comprometimento das pessoas, inclusive afetar diretamente no relacionamento da empresa e clientes. Muitas vezes essa rotatividade se dá também pelos pedidos de demissão de funcionários que, além de perder bom talento, precisará ir buscar outro no mercado de trabalho, demandando tempo, dinheiro e desgaste. Rigotti, 2005 (apud Chiavenato, 2009 pg 66) existem dois tipos de desligamentos: aquele por iniciativa do funcionário, que decide encerrar a relação de trabalho com o empregador seja por motivos pessoais ou profissionais. Ou então por iniciativa da organização, quando a mesma decide demitir seu funcionário por motivos diversos, entre eles: a substituição de outros que sejam mais adequados às necessidades da empresa, ou para corrigir problemas de seleção inadequada, ou ainda para reduzir sua força de trabalho. Tentar entender o que pensam as pessoas ao serem desligada/ demitidas no processo de pedido de demissão da organização é de extrema importância para esclarecimentos a respeito de como elas se sentem em relação à organização, ao ambiente de trabalho para tentar corrigir problemas e fazer modificações positivas no ambiente de trabalho. 57 De acordo com Pires & Macêdo (2006), a entrevista de desligamento é uma ferramenta de gestão de pessoas utilizada pelas empresas, pode ser realizada pelo setor próprio da empresa que muitas vezes é um funcionário de RH ou um (a) psicólogo (a) ou mesmo um serviço terceirizado. Funcionários em processo de desligamentos são submetidos. Seu objetivo é compreender as causas que levaram a esse afastamento e propiciar à organização uma oportunidade de avaliar seus processos, ouvindo o que o empregado desligado tem a dizer, reforçar pontos positivos que o colaborador trouxe a empresa, o preparar para a vida sem aquele emprego e mostrar que existem outras oportunidades. Este processo é de muita importância para o funcionário pois se desligar da organização é desligar-se de um grupo que muitas vezes é uma rede para o cooperador. Quando a ruptura com a empresa é planejada pode ser um processo menos doloroso, traumático e ajudar com que a pessoa siga em frente com mais facilidade em frente. 7.1 Qual é a importância da entrevista de desligamento para a organização? A entrevista de desligamento representa um grande potencial para gerar dados relevantes sobre a cultura empresarial e também de melhoria de processos da organização. Ela deve ser adotada tanto para casos de demissão quanto para pedidos de demissão. Uma atividade que complementa o desligamento é a entrevista de desligamento ou a entrevista de saída. Poucas organizações a realizam de forma sistemática, mas elas podem trazer contribuições importantes. A entrevista de desligamento consiste numa conversa com um empregado cuja saída, por iniciativa dele ou da empresa, já foi decidida. É feita pelo psicólogo de recrutamento e seleção, sem a presença de nenhuma outra pessoa. Como a organização tem dez dias para homologar a saída do empregado depois de feita a comunicação, a entrevista é quase sempre realizada entre a comunicação e a homologação (Lacombe, 2005). Uma entrevista de desligamento vai permitir coletar dados que proporcionarão o aperfeiçoamento da função de Recursos Humanos ou a identificação de outros tipos de problemas que a organização deve e pode examinar. Essa entrevista também aperfeiçoa a política de pessoal da empresa, 58 pois permite que se obtenham dados sobre a qualidade dos serviços. Favorece, ainda, a identificação de possíveis problemas administrativos, de produção, de liderança, controla a qualidade da seleção de pessoal, entre outros. (Ribeiro, 2005)Basicamente, o objetivo desse tipo de entrevista é identificar o que motivou o pedido de demissão. Por exemplo, aparentemente, não há nada de errado, se um funcionário pediu demissão para ganhar um salário maior em outra empresa, desempenhando as mesmas funções. Contudo, se esse motivo passa a ser alegado, com freqüência, por outros demissionários, isso talvez indique a necessidade de revisão da tabela salarial. No entanto, se ele pediu demissão para receber o mesmo salário no novo emprego, pode ser indicativo de que se deva procurar saber o motivo real de seu desligamento. (Ribeiro, 2005). A tendência, para Lacombe (2005), é de uma avaliação negativa da organização e das chefias no momento da demissão. O empregado que está saindo quase sempre está descontente e isto se reflete de forma clara nessas entrevistas. Portanto, uma entrevista de desligamento isolada não significa quase nada. No entanto, se várias entrevistas apontam, de forma consistente, na direção de problemas em determinada área ou determinado tipo, é provável que sejam necessárias algumas providências para resolvê-los. Para emitir comparações e conclusões, a entrevista deve ser estruturada ou, pelo menos, semi-estruturada, isto é, com perguntas previamente estabelecidas e respostas livres. Uma vantagem da entrevista é que o empregado diz tudo o que pensa, embora com viés negativo, mas não esconde nada, pois nada tem a perder. Ribeiro (2005) aponta que de modo geral, a entrevista de desligamento não deve ser conduzida pelo gerente imediato do funcionário demissionário, que pode se deixar influenciar por aspectos subjetivos do seu relacionamento com o subordinado. A razão pela qual essa entrevista costuma ser feita pelo serviço de recrutamento e seleção é que nessa unidade estão os psicólogos com experiência para conduzir uma entrevista deste tipo e, também, porque as conclusões 59 encontradas podem ser úteis como feedback para futuras seleções. Além disso, o desligamento é o complemento da admissão, seu objetivo é o mesmo, embora no sentido inverso, ou seja, determinar quem deve ficar na organização. Em caso de empregados de alto nível, a entrevista pode ser conduzida pelo próprio diretor de recursos humanos. Essas entrevistas devem ser estruturadas, uma vez que terão de ser comparadas com outras e tabuladas (Lacombe, 2005). Segundo Lacombe (2005), o entrevistador deve preparar cuidadosamente a entrevista, deve ser conciso e colocar os assuntos de forma clara e definitiva. Deve evitar debates e discussões sobre fatos que ocorreram no passado que levaram à decisão da dispensa. Deve evitar humilhar o funcionário demitido e mesmo evitar comentários sobre desempenhos negativos. Deve ouvir o demitido e procurar mostrar que compreende seu ponto de vista, porém sem lhe dar razão. Além disso, deve se manter calmo e focado na entrevista. Ribeiro (2005) explica que o profissional responsável pela entrevista, deve procurar deixar uma boa imagem da organização. Pois ela faz parte da vida profissional do ex-funcionário. Além disso, ele ressalta que não será nada agradável saber que um ex-funcionário tem feito propaganda negativa da organização. Por fim diz que o entrevistador deve aproveitar a oportunidade para agradecer ao funcionário pelo trabalho prestado a organização. Para Bispo (2009), o profissional tem a liberdade de aceitar ou não participar dessa entrevista. É importante que a entrevista seja mais informal, como um bate-papo, porém em caráter confidencial e em local reservado. Como a entrevista de desligamento é um documento, deverá ser preenchida obrigatoriamente em todos os campos, com exceção no caso em que o ex- colaborador se recusar a responder as questões. Neste sentido, o documento deverá conter o parecer da entrevista, o parecer do superior imediato e ainda ser arquivada. A entrevista deve abranger aspectos, como o motivo que levou ao desligamento, opinião sobre a empresa, chefe imediato e colegas, opinião a respeito do cargo, horário de trabalho e condições de trabalho, opinião sobre 60 salário, benefícios e oportunidades de carreira na empresa e a opinião sobre as oportunidades existentes no mercado de trabalho. (Dutra, 2006) Em caráter complementar, Bispo (2009) ressalta que a entrevista de desligamento é uma ferramenta fundamental para as empresas que valorizam a prática do feedback. A entrevista pode incluir questões, como a imagem da empresa que o funcionário levará ao se desligar, se a empresa ofereceu as oportunidades necessárias para o desenvolvimento profissional, se houve algum fator específico que dificultou a ascensão da sua carreira na organização, qual sua opinião sobre o ambiente físico, se há alguma sugestão para melhorar as instalações físicas, dos programas desenvolvidos pela organização, qual mais atendeu suas expectativas e qual precisa ser revisto, qual a sua opinião em relação aos canais de comunicação interna, se tem algum comentário a fazer sobre o trabalho desenvolvido pela área de recursos humanos, se voltaria a trabalhar na organização e porquê e, por fim, se gostaria de falar algo sobre o qual não foi perguntado durante a entrevista. Antes de tudo, o atendimento aos dispensados deve ser traduzido em apoio humano. Ao ser dispensado, o indivíduo terá a sua auto-estima abalada e precisará voltar a acreditar em si mesmo. Ele vai ter de elaborar a situação e tornar a agir com eficiência na busca de novo emprego. O demitido deve ter a oportunidade de falar. É um impulso natural querer desabafar, extravasar. A disposição para escutar, ouvir queixas, dar explicações, para consolar e estimular a pessoa, é uma demonstração de consideração. O efeito de apoio ao ex- funcionário ajuda-o no sentido de que este poderá mostrar-se mais confiante na solução do problema. O ajuda também durante o processo seletivo em outras organizações, enfrenta a situação mais bem preparado, sabendo como organizar um currículo, como se apresentar para as entrevistas e como negociar salários e condições de trabalho. (Ribeiro 2005) No plano social as implicações podem afetar os remanescentes, que permaneceram no trabalho, pois “são comuns as menções à perda de referências sociais provocadas pelo afastamento de colegas” (Machado 2004 apud Silva e Vergara, 2002). Ainda, para Machado (2004 apud Caldas, 2000), o agravamento pode ser maior se houver sobrecarga de trabalho para os remanescentes, 61 comprometendo o clima organizacional, as relações de trabalho e até mesmo a qualidade dos produtos. Segundo Holllenbeck (2006), muitos empregadores receiam que as políticas de redução de quadro pessoal que adotaram nos anos oitenta podem ter matado a lealdade à empresa na década de noventa. A satisfação no trabalho é um sentimento agradável que resulta da percepção de que o trabalho realiza ou permite a realização de valores importantes relativos ao próprio trabalho. A insatisfação é um indicativo do declínio do compromisso organizacional, o grau com que as pessoas se identificam com a organização que as emprega. Compromisso implica vontade de investir uma grande dose de esforço em favor da organização e intenção de ficar muito tempo na empresa. Uma maneira relevante de auxiliar o ex-funcionário nessa nova jornada é a carta de referência. Segundo Machado (2004) a demissão produz também uma idéia associada de que é preciso iniciar um novo trabalho em outro lugar. Assim, a tristeza do aparente fracasso mistura-se ao medo da nova situação. Nesse contexto, torna-se imposição ao indivíduo não viver sua tristeza, mas sim buscar coragem para começar novamente. Ribeiro (2005) defende que a organização precisa recompensar o demitido. Os empregados que deram uma contribuição significativa, que ajudaram a organização a crescer, que demonstram fidelidade e dedicação em comuns, por sua participação positiva, merecem uma recompensacom ocasião da sua saída. A carta de referência pode ser traduzida em motivação ao restante da organização. Para ter direito a carta de recomendação o ex-funcionário não deve ter faltas e deve atingir uma pontuação mínima na avaliação de desempenho, de acordo com seu RT (Regime de Trabalho), conforme a resolução da instituição. Desta forma, a carta de referência poderá transmitir ao ex-funcionário e aos remanescentes, lealdade, motivação e produtividade, além de confortar o ex- colaborador ao facilitar-lhe um novo emprego, aprovando assim a imagem da instituição junto à sociedade e mantendo a sua confiança diante desta. https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/clima-organizacional https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-clinica/uma-abordagem-psicologica-sobre-o-medo 62 7.1 Modelo de entrevista de desligamento: Nome: Colaborador L. Cargo: Recepcionista Data da admissão: 02 de fevereiro, 2019 Data da demissão: 25 setembro, 2019 Motivo do desligamento: demissão Como você enxerga a empresa mediante o seu afastamento? Agradeço a oportunidade de aprendizado, sinto muito por não ter dado certo e lamento pelos meus erros. A clínica é um bom lugar para trabalhar e espero que cresça. 1. Você se sente valorizado pela empresa? Sim, sinto que meus esforços foram reconhecidos e agradeço pela preocupação comigo. Aprendi sobre cuidados com animais, medicações, aprendi coisas que talvez me sirvam um dia. 2. Você voltaria a trabalhar na empresa caso houve a possibilidade? Sim, claro. 3. Como era seu relacionamento com seus colegas de trabalho? Era bom, nos damos muito bem. Quando um precisava sair ou chegar mais cedo sempre era possível, nos ajudávamos. 4. Quais atividades você mais gostou de exercer na empresa? Gostei de acompanhar cirurgias. 5. Qual é a sua opinião sobre o salário que lhe foi pago na empresa? 63 Compatível com o mercado, o vale alimentação é muito bom. 6. Qual sua área de experiencia? Curso de vigilante, segurança e recepção. 7. Suas habilidades? Educado, atencioso, receptivo, presto muita atenção no ambiente a minha volta, gosto de aprender, comunicativo 7.2 Outplacement Conceito Outplacement é uma solução profissional, elaborada com o objetivo de conduzir com dignidade e respeito os processos de demissão nas organizações. É um sistema de ganha-ganha, que busca o beneficio de todos os envolvidos. No Brasil, em meados da década de 80, as soluções de outplacement passaram a ser mais conhecidas, com o surgimento das primeiras empresas nacionais prestadoras deste tipo de serviço. Em meados da década de 90 começaram a chegar ao Brasil as primeiras empresas multinacionais do ramo, aumentando a competitividade deste mercado. Hoje, no Brasil, este tipo de serviço conta com diversas empresas, nacionais e multinacionais, além de profissionais e consultores autônomos, que dentre outros serviços, oferecem soluções diversas de gestão de talentos, dentre elas o outplacement. 7.2.1 Objetivo (Vantagens) Qual funcionário não ficaria satisfeito em saber que a empresa que ele está se desligando, contratou uma empresa para fazer a sua recolocação no mercado? A satisfação é geral, além de causar um aspecto positivo nos que estão saindo, motiva os atuais funcionários e também os que desejam trabalhar na empresa. Além de ser uma forma responsável, também é a maneira da organização fazer seu marketing pessoal. 64 O outplacement auxilia a empresa a manter uma boa imagem junto aos colaboradores e à comunidade, pois os colaboradores sempre ficam satisfeitos quando sentem que a empresa dá valor e se preocupa diretamente com eles. A comunidade valoriza ações de empresas que respeitam seus colaboradores. Planejar melhoria, planos de carreira e fazer com que os colaboradores sintam-se funcionais nas empresas é essencial. O serviço de outplacement, nesse caso, entra como uma atividade que abrange e tem como objetivo aumentar as chances de planos, estudar a solução para a carreira, levando em conta as realidades e as tendências do mercado, a experiência e o objetivo da pessoa e da empresa em questão. 8. ANALISAR E DESENVOLVER CARGOS Outra tarefa que cabe a esse psicólogo é definir quais são as responsabilidades e exigências de cada cargo dentro da organização. Além disso, ele também identificará se há a necessidade da criação de novos cargos. Os benefícios concedidos e o valor dos salários exigem uma atenção especial. Eles são a recompensa que o trabalhador recebe pelo seu trabalho e, junto com a realização profissional, são considerados os principais agentes de motivação e satisfação dos funcionários. O Plano de Cargos e de Carreira está calcado na premissa de que o desenvolvimento do profissional é o resultado da conjugação de dois fatores principais: disposição para se qualificar e oportunidades que lhe são oferecidas. O dinamismo das mudanças organizacionais e as exigências crescentes quanto às competências dos colaboradores devem ser levados em consideração no desenho dos cargos. 8.1 Objetivos - Possibilitar a efetivação dos princípios da igualdade (salários iguais para trabalhos iguais) e da correspondência salarial (relação entre as dificuldades e as responsabilidades do trabalho); - Fornecer subsídios para o sistema de transferência, ajustamento de pessoal e de melhoria por merecimento; - Facilitar a elaboração do orçamento de salários; - Evidenciar falhas na delegação da autoridade, identificando os defeitos da organização e possibilitando medidas corretivas; 65 - Definir os segmentos de carreira com seus respectivos níveis, compatíveis com a realidade e as necessidades da empresa; - Estabelecer trajetória de carreira que possibilite ao profissional ter perspectiva de desenvolvimento e ascensão profissional; - Incentivar e encorajar o profissional a buscar maior conhecimento e desenvolvimento, explorando suas potencialidades; -Tornar claras as possibilidades de carreira, para que os profissionais, com base nessas possibilidades, planejem seu crescimento profissional na entidade 8.2 Modalidades do Crescimento Profissional na Carreira As modalidades de crescimento são as seguintes: a) Promoção vertical no segmento de carreira. É o crescimento do profissional para o nível imediatamente superior ao que ocupa no seu segmento de carreira. b) Reclassificação com mudança de classe. É o crescimento do profissional para outro segmento de carreira que lhe assegure elevação de classe, ou seja, quando o profissional estiver enquadrado numa classe anterior à classe imediatamente superior a do segmento de carreira a ser atingido. c) Reclassificação sem mudança de classe. É o crescimento do profissional para um determinado nível de outro segmento de carreira que não lhe propicie mudança de classe. Esta modalidade se aplica quando o profissional está situado numa classe igual ou superior ao do nível inicial do novo segmento. Estando em classe igual a do nível inicial do novo segmento, fica o profissional enquadrado nesse nível. Estando em classe superior a do nível inicial do novo segmento, enquadra-se no nível correspondente à classe atualmente ocupada. Nesta modalidade de crescimento, o profissional permanece, portanto, na mesma classe em que se situava. 9.0 REMUNERAÇÃO E BENEFÍCIOS Conceito Remuneração é a denominação à totalidade da retribuição que os colaboradores recebem pelas atividades desenvolvidas, conforme especificações da análise do trabalho e integrantes do Plano de Cargos. Compreende o salário, que são os valores em moeda corrente do país, e os benefícios, um conjunto de iniciativas, de caráter permanente, que visam motivar e reter talentos nas 66 empresas. Série Técnica - Manual de Psicologia Organizacional 23 24 Coletânea ConexãoPsi. Algumas empresas adotam salário composto de umaparte fixa e outra variável por julgarem ser mais atraente para determinados cargos ou para estimular a produtividade. Para garantir a competitividade da remuneração, as empresas realizam freqüentemente pesquisas junto aos concorrentes que também possuem políticas de remuneração atrativas perante o mercado. 9.1 Objetivos ✓ Motivar os colaboradores; ✓ Atrair e reter talentos; ✓ Demonstrar responsabilidade social para com seus colaboradores. 9.2 Tipos de Benefícios ✓ Plano de previdência privada complementar; ✓ Alimentação e transporte; ✓ Assistência médica e odontológica; ✓ Cooperativa de crédito; ✓ Programa de apoio pessoal; ✓ Bônus e prêmios; ✓ Seguro de Vida; ✓ Academia de ginástica; ✓ Programa de participação nos lucros e stock options; ✓ Creche ou reembolso de creche; ✓ Investimentos na educação dos colaboradores; ✓ Outplacement. A concessão de alguns benefícios atende à legislação vigente, por isso é importante que o psicólogo mantenha-se informado através da mídia à sua disposição (internet, jornais, sindicatos). Outros, no entanto, atendem à visão de mercado, na qual a competitividade por talentos é bastante intensa. Ressalta-se, aqui, a importância de observar, pesquisar e analisar a região onde se localiza a empresa, a necessidade de especialização do trabalho, rotatividade da mão-de- obra (quantitativa e qualitativamente), dificuldades de reposição de pessoal, grau de satisfação dos colaboradores, entre outros fatores situacionais. 67 10.0 TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – T&D O programa de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) tem a finalidade de explicitar as diretrizes, as políticas e as ações de preparação e aperfeiçoamento do pessoal que contribui para a melhoria da qualificação e para o alcance dos resultados esperados pela empresa. A principal característica do T&D é contribuir para o desenvolvimento dos funcionários tanto no alcance das metas pessoais e 68 profissionais propostas, quanto nos respectivos segmentos de carreira, ajudando- os a crescer, considerando o quadro de oportunidades oferecidas pela empresa. Especial atenção deve ser dada ao desenvolvimento de pessoas e equipes, a fim de torná-las, simultaneamente, excelentes para as atividades empresariais e plenas na realização pessoal. Pessoas possuem diferentes expectativas, competências, experiências, valores, crenças e posturas. A organização deve considerar estes aspectos, proporcionando ambiente para o desenvolvimento e a realização pessoais enquanto agrega valor aos negócios e realiza os objetivos organizacionais estratégicos. Assim, é imperativo considerar o colaborador sob dois aspectos: individual e social. No primeiro, individual, visto como potencial a ser desenvolvido, um profissional com plano de carreira e projeto de vida. No aspecto social, visto como um sistema aberto que interage horizontal e verticalmente; influencia e é influenciado. Comunicação, coesão, congruência, liderança, integração, comprometimento, confiança, entre outros, constituem fatores a serem enfatizados nos programas de desenvolvimento de equipes, na medida em que contribuem para o sucesso dos negócios e criam um ambiente de trabalho propício ao bem-estar, motivação e sinergia dos membros das equipes. Especial atenção também deve ser dada aos temas que trabalham no aspecto preventivo e de melhoria do ambiente de trabalho. Assim, assuntos relacionados ao combate do Stress e Qualidade de Vida devem ser abordados em ações de T&D. As atividades de T&D são estratégicas na criação de diferencial competitivo das empresas, pois promovem mudanças culturais e comportamentais. Trazem retornos altamente valiosos para as empresas, para as pessoas envolvidas, e, principalmente, para os fornecedores e clientes. Idalberto Chiavenato, em “Como Transformar RH (de um centro de despesa) em um Centro de Lucro”, assinala que “criar valor adicional é uma questão de saber lidar com as pessoas e obter delas o máximo e proporcionar satisfação e envolvimento no sentido de obter resultados e alcançar a excelência, seja em produtividade como em qualidade”. O desenvolvimento de pessoal pressupõe o emprego de múltiplas ações, realizadas dentro ou fora da organização. Cursos, estágios, workshops, convenções, congressos, feiras, entre outras iniciativas, aumentam o comprometimento dos colaboradores e propicia a retenção de talentos. 69 10.1 Objetivos ✓ Contribuir para o desenvolvimento dos funcionários no alcance das metas propostas, nos respectivos segmentos de carreira; ✓ promover a integração entre funcionários; ✓ melhorar as relações entre líderes e subordinados; ✓ superar conflitos e limitações; ✓ incentivar o suprimento das necessidades identificadas no contexto das próprias equipes; ✓ fortalecer o trabalho coletivo e facilitar o estabelecimento de objetivos claros e comuns, dentre outros. As ações de T&D atendem a todos os níveis funcionais e estão voltadas para o alcance dos resultados esperados pela empresa. Estas ações devem estar embasadas sempre pelo processo de levantamento de necessidades de treinamento, devendo, portanto, serem justificadas. 10.2 Finalidade De modo geral, as ações de T&D são voltadas para o atendimento de necessidades decorrentes de: ✓ Processos de mudança da entidade e dos setores por ela atendidos; ✓ Desenvolvimento de projetos e atividades; ✓ Implantação de novas tecnologias e metodologias de trabalho; ✓ Incorporação de novas tecnologias; ✓ Implantação de novas formas de organização do trabalho e de sistemas operacionais; ✓ Aperfeiçoamento das relações de trabalho: interpessoais, hierárquicas e funcionais; ✓ Aperfeiçoamento das formas de gestão; ✓ Consecução dos resultados esperados em nível organizacional, de equipe e individual; ✓ Correção de discrepâncias de desempenho; 70 ✓ Adaptabilidade às novas funções, novos segmentos de carreira e à própria entidade, dentre outras. Act – Agir para solucionar os desvios apresentados na fase anterior Check – Checar se a ação escolhida atendeu as necessidades apontadas Plan - Planejar – fase do levantamento de necessidades de treinamento ou outras ações Do – Fazer – Realização do Treinamento ou outra ação escolhida 10.3 Tipos de treinamentos e desenvolvimento de pessoas Existem, à disposição das empresas, inúmeros treinamentos que podem ser aplicados com o objetivo de desenvolver seus profissionais. Conheça, a seguir, os 8 principais exemplos: 10.3.1 Treinamento de integração É considerado o treinamento inicial de um novo membro da equipe, com intuito de que ele inicie seu trabalho da forma mais coesa possível com o restante da equipe. Importante também que o novo colaborador seja integrado sobre a missão, a visão e os valores da organização. Ainda, deve-se repassar os documentos formais da empresa sobre regras e procedimentos internos. Isso também objetiva 71 que desde o início, o novo participante execute suas funções e responsabilidades de maneira mais sinérgica possível. Ainda, é um momento de adaptação, tanto da empresa como da nova pessoa que chegou, por isso deve-se dar atenção a esse momento, para que a novo colaborador não comece já destoando da cultura organizacional da empresa, já que isso pode dar abertura para prováveis problemas nessa nova relação, como erros de execução, conflitos entre a equipe, entre outros. 10.3.2 Comunicação assertiva Você pode achar que este tipo de treinamento já está batido, entretanto, falhas na comunicação dentro das organizações são um dos principais gaps e um dos que mais atrapalham o bom andamento dos processos organizacionais. Dessa forma, a empresa que opta por este tipo de treinamento está à frente das demais, uma vez que dá importância a algo que certamente vai transformarpositivamente a sua realidade. O treinamento é voltado para desenvolver e aprimorar as habilidades de comunicação dos colaboradores, para que, com uma melhor oratória, eles consigam se comunicar de forma clara e objetiva em reuniões, apresentações, mensagens instantâneas, e-mails, entre outros meios. Além disso, existe também a possibilidade de criarem um bom relacionamento interpessoal e networking. Ainda, a comunicação assertiva traz grandes benefícios para a convivência e integração da equipe, quando se trata dos aspectos internos da organização. Desenvolver uma cultura eficaz e constante de feedbacks, aumenta o comportamento colaborativo da equipe e pode evitar que pequenas desavenças se tornem grandes problemas em alguns níveis irreversíveis. 10.3.3 Liderança eficaz Com o objetivo de explorar ainda mais as habilidades de liderança dos colaboradores, principalmente daqueles que ocupam cargos de gestão, as empresas têm a possibilidade de fomentar este tipo de treinamento. Formações como estas são essenciais, pois garantem, não só ao profissional, mas também à https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/importancia-cultura-organizacional-empresa/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/rh-gestao-pessoas/treinamento-relacionamento-interpessoal/ 72 organização como um todo, maior capacidade de gerir e administrar pessoas e processos com a maestria necessária para que se alcance bons resultados. Assim, as empresas que desejam obter a melhor performance de seus colaboradores, precisam investir neste tipo de treinamento, uma vez que a liderança tem impacto direto no clima e cultura organizacional, motivando e incentivando cada colaborador a dar o melhor de si, em prol de objetivos em comum compartilhados todos. É importante ressaltar que não apenas os cargos gerenciais devem desenvolver a liderança, mas em todos os níveis da hierarquia da empresa se deve estimular este espírito. Esse aspecto de que todos colaboradores sejam líderes de suas responsabilidades tende a tornar mais eficazes a execução de tarefas e projetos. Assim como, aumenta o engajamento das pessoas em relação à empresa. 10.3.4 Para manter a motivação É importante que os profissionais que trabalham com desenvolvimento pessoal saibam que empresas são feitas de pessoas, ou seja, nenhum bom resultado é alcançado se não houver indivíduos devidamente motivados para trabalharem em prol disso. 73 Sendo assim, é essencial realizar um investimento em treinamentos voltados para motivar constantemente os colaboradores, visto que, com o passar do tempo, estes podem acabar se sentindo desconectados da empresa e, consequentemente, desmotivados. Dessa forma, nada mais natural do que lembrá-los, com frequência, do valor que cada um tem para os negócios. Essa motivação dos profissionais da empresa pode ser dada através de palestras motivacionais, dinâmicas em grupo com intuito motivacional, estimular os colaboradores a participar de congressos, ter espaço no dia-a-dia da empresa voltados para confraternizações, entre outros exercícios. Essas práticas podem parecer pequenas, mas têm um impacto muito grande na motivação da equipe da sua empresa. Vale lembrar que a motivação dos colaboradores deve acontecer em todos os níveis hierárquicos, mesmo nos mais altos escalões da hierarquia da empresa. Isso quer dizer que profissionais do alto nível operacional da organização estão sempre motivados justamente por estarem ocupando altos cargos. A posição hierárquica de um profissional não significa necessariamente que ele esteja motivado para performar seu trabalho e inspirar os demais colaboradores. Os cargos gerencias merecem atenção no quesito motivação justamente pelo fato de possuírem outras pessoas diretamente ligadas a eles e são muitas vezes fontes de motivação para os demais colaboradores. Tenha certeza de que com isso eles vão acabar se empenhando ainda mais para ajudar a organização a alcançar sempre seus objetivos. 10.3.5 Desenvolvimento de competências e habilidades 74 É também papel das empresas ajudar seus colaboradores a aprimorarem suas principais competências e habilidades, bem como a desenvolverem melhor aquelas que eles têm mais dificuldades no dia a dia. Segundo Durand (1998 e 1999) apud Vieira (2002) a competência é baseada em três dimensões – Knowledge, Know-How and Attitudes (conhecimento, habilidade e atitude), englobando não somente as questões técnicas, mas também de cognição, necessárias à execução de um determinado trabalho. A junção das três iniciais (CHA) é tudo o que uma função/cargo de uma empresa exige para que o serviço/produto seja bem administrado e de boa qualidade. No entanto, estas atribuições precisam estar bem definidas e atualizadas. Rabaglio (2001), define significados para essas letras, assim como segue: • C = Saber (conhecimentos adquiridos no decorrer da vida, nas escolas, universidades, cursos etc, ex: Conhecimento da concorrência e técnicas de negociação); • H = Saber fazer (capacidade de realizar determinada tarefa, física ou mental, ex: Análise da concorrência e negociação); 75 • A = Querer fazer (comportamentos que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia-a-dia, ex: Participar da concorrência e fazer negociações) Assim, investir em formações voltadas para o aumento da produtividade, para torná-los mais proativos, para organizar melhor a rotina e o dia a dia de trabalho, entre outras, fará com que os ganhos sejam altamente significativos para os negócios como um todo. 10.3.6 Treinamento comportamental 76 O objetivo desse tipo de treinamento é capilarizar os valores e a cultura organizacional da empresa para a sua equipe. Além disso, a expectativa é aperfeiçoar as aptidões dos integrantes da organização em concordância com a cultura da empresa. Isso não significa padronizar as ações dos profissionais da equipe, pelo contrário a expectativa é que as habilidades pessoais de destaque de cada pessoa estejam em concordância com os valores da empresa, a fim de que não haja dissonância entre a organização e o colaborador. Nesse tipo de treinamento, deve-se primar pelo desenvolvimento e melhoria de aspectos comunicativos e trabalhar a empatia, para que, assim, haja maior sinergia entre os membros da equipe. 10.3.7 Treinamento técnico O treinamento técnico objetiva justamente aprimorar os conhecimentos relacionados às hard skills dos profissionais da empresa. Ou seja, serão voltados para o conhecimento de ferramentas e técnicas que sejam novas no mercado e tenham o potencial de melhoria da produtividade da equipe. É desejável que esses novos conhecimentos trazidos sejam diretamente relacionados às atividades que os profissionais realizem na rotina da empresa, para que justamente melhorem suas performances e produtividade. Os treinamentos técnicos são extremamente importantes para motivar a equipe e aprimorar suas habilidades, mas são igualmente importantes os treinamentos comportamentais. Não adianta priorizar um tipo de treinamento em detrimento de outro, pois se não houver o alinhamento comportamental se mostra inútil um conhecimento técnico avançado, já que é bastante provável que esse profissional não se sinta realizado dentro de seu ambiente de trabalho. 10.3.8 Treinamento de equipe Como diz o próprio nome, esse treinamento é especialmente realizado para profissionais que trabalham juntos em equipe. O objetivo aqui não está voltado para o desenvolvimento do indivíduo, mas sim para melhorar o time como um todo. 77 Nesse tipo de treinamento, procura-se aprimorar a sinergia da equipe, através de técnicas que a tornam mais integrativa e comunicativa. O melhor entrosamento possibilita melhor execução de trabalhos e projetos. Outro princípio primordial é trazer o valorda colaboração para o trabalho em equipe, uma vez que a partir dela os indivíduos conseguem enxergar que a ajuda mútua resulta em uma maior facilidade de performance. Ainda, é importante ressaltar que isso não significa a transferência de responsabilidades, pelo contrário significa que os membros possuem responsabilidades individuais, mas que não impedem que se ajudem entre si para obter um melhor resultado. No treinamento de equipe pode ser trazido como exemplos de melhorias situações que simulam a prática diária da equipe, trabalhar melhor o relacionamento entre os participantes do time, reuniões que discutam mais profundamente sobre os serviços ou produtos da empresa, entre outras técnicas. 11.0 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E GESTÃO POR COMPETÊNCIAS A implantação de Gestão por Competências pressupõe a existência do Planejamento Estratégico na organização. O profissional da área de Administração de Pessoas, na visão sistêmica de empresas, participa da definição 78 das políticas e tomada de decisões no Planejamento Estratégico para atuar com eficácia na Gestão por Competências. 11.1 Conceito “Planejamento Estratégico é uma metodologia gerencial que permite estabelecer a direção a ser seguida pela Organização, visando maior grau de interação com o ambiente”, segundo Philip Kotler. Diz respeito às implicações futuras das decisões presentes. É um modelo unificado e integrador que: • determina e revela o propósito organizacional (valores, missão, objetivos, estratégias, metas e ações) para priorizar a alocação de recursos; • descreve as condições internas de resposta ao meio ambiente externo e as formas de modificá-las; engaja todos os níveis para a consecução dos fins maiores. Gestão por Competências é uma filosofia de desenvolvimento de talentos nas empresas de forma a implementar o planejamento estratégico, construindo uma organização eficaz, que atinja com excelência as metas traçadas. 11.2 Objetivos (e vantagens) ✓ Agilizar ações elevando a capacidade gerencial para a tomada de decisões; ✓ Proporcionar visão de conjunto e consciência coletiva; ✓ Melhorar a comunicação interna e externa; ✓ Possibilitar maior delegação; ✓ Orientar Programas de Qualidade; ✓ Manter a eficácia organizacional; ✓ Sustentar a cultura organizacional; ✓ Gerir competências técnicas e comportamentais. 11.3 Responsabilidade Social É a forma de conduzir os negócios da empresa tornando-a parceira e cooresponsável pelo desenvolvimento social. Assim, acionistas, colaboradores, prestadores de serviços, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente tornam-se preocupação fundamental da organização ao decidir suas ações. 79 A base da Responsabilidade Social é a ética, expressada nos princípios e valores adotados pela empresa, na transparência e na coerência entre discurso e ações. Vinculação da Responsabilidade Social ao Processo de Gestão “A Responsabilidade Social Empresarial tornou-se um fator competitivo para os negócios. No passado, o que identificava uma empresa competitiva era basicamente o preço de seus produtos. Depois, veio a onda da qualidade, mas ainda focada nos produtos e serviços. Hoje, as empresas devem investir no permanente aperfeiçoamento de suas relações com todos os públicos dos quais depende e com os quais se relaciona: clientes, fornecedores, empregados, parceiros e colaboradores. Isso inclui também a comunidade na qual atua, o governo, sem perder de vista a sociedade em geral, que construímos a cada dia”. (Uniethos) Considerando o entendimento de que a Administração de Pessoas / RH é uma função de staff, os profissionais da área, e os psicólogos em especial, atuam na promoção do comprometimento de todos os públicos e parceiros (stakeholders) organizacionais para a excelência dos produtos, serviços e convivência. 11.3.1 Ações de Responsabilidade Social ✓ Excelência na fabricação de produtos e na prestação de serviços, tendo em vista os interesses, expectativas e demandas dos consumidores e usuários (Projetos ISO); ✓ Condições adequadas de trabalho para os colaboradores (ambientais, de remuneração justa, benefícios customizados, capacitação profissional, realização pessoal, estímulo ao diálogo e participação no processo de tomada de decisão etc.); ✓ Inclusão de pessoas portadoras de deficiência física no dia-a-dia empresarial, valorizando e reconhecendo suas competências e integrando-as às equipes de trabalho; ✓ Desenvolvimento social, valorizando a diversidade cultural e defesa da liberdade de pensamento e expressão; ✓ Projetos de desenvolvimento científico e cultural, esportivo, educacional e comunitário; 80 ✓ Apoio a iniciativas e parcerias com o Terceiro Setor (organizações sem fins lucrativos e não governamentais que têm como objetivo gerar serviços de caráter público: fundações; associações de bairro; entidades beneficentes, de educação, saúde, esporte, meio ambiente, cultura, ciência e tecnologia; fundos comunitários; ONGs etc.) 11.4 Ações de Responsabilidade Social nas quais os membros da Comissão de Psicologia Organizacional e do Trabalho do CRP-08 desenvolveram e/ou participaram ✓ Projetos de Políticas Públicas para a Inclusão da Pessoa com Deficiência; ✓ Projetos de Políticas Públicas para o Idoso; ✓ Projeto Assédio Moral (palestra dramatizada); ✓ Projeto para a Comunidade do Assentamento Vitória Régia, com palestras, dinâmicas de grupo, com objetivo aumentar a auto- estima e conscientizar alguns aspectos comportamentais básicos necessários a qualquer organização ou estabelecimento de convênio com empresas próximas a região (Bosch, New Holland, dentre outras) para aproveitamento desta mão-de-obra. 11.5 Diferenciais do Psicólogo ✓ Conhecimento do comportamento humano: dando ao psicólogo uma percepção mais ampla dos componentes que levam ao atingimento dos objetivos da empresa e, em especial do homem. ✓ Visão mais humana: o psicólogo trabalha muito bem na união das ações das pessoas, das equipes de trabalho e da organização, pois outras especialidades tendem a valorizar mais a produtividade da empresa ou das unidades que a compõe. 81 12.0 ESTRESSE OCUPACIONAL E SÍNDROME DE BURNOUT 12.1 O que é burnout? Para Codo e Vasques-Menezes (1999), burnout consiste na síndrome da desistência, pois o indivíduo, nessa situação, deixa de investir em seu trabalho e nas relações afetivas que dele decorrem e, aparentemente, torna-se incapaz de se envolver emocionalmente com o mesmo. No entanto, autores discutem a possibilidade de males como fadiga, depressão, estresse e falta de motivação também apresentarem a desistência como característica marcante. Dessa forma, pode-se pensar que estudos sobre desistência e, conseqüentemente, sobre burnout se iniciaram juntamente com os estudos de Pavlov. Este pesquisador constatou que cães submetidos a uma tarefa progressivamente difícil de realizar, como por exemplo, diferenciar um círculo de uma elipse, apresentavam um rompimento no comportamento e esse rompimento foi denominado, por Pavlov, de “neurose experimental” (Codo & Vasques-Menezes, 1999). Essa ruptura no comportamento não seria uma resposta frente a uma dificuldade tão grande que só restaria ao cão desistir da atividade e entrar em neurose experimental? Por analogia, os seres humanos poderiam entrar em burnout ao se sentirem incapazes de investir em seu trabalho, em conseqüência da incapacidade de lidar com o mesmo (Codo & Vasques-Menezes, 1999). 82 O termo burnout, no sentido que se está estudando, foi empregado na década de 70 pelo psicólogo clínico Freudenberger. Entretanto, é possível considerar a hipótese de que ele apenas nomeou um sentimento que já existia e havia sido experimentado por muitos (Codo & Vasques-Menezes, 1999). Freudenberger e Richelson (1991)descreveram um indivíduo com burnout como estando frustrado ou com fadiga desencadeada pelo investimento em determinada causa, modo de vida ou relacionamento que não correspondeu às expectativas. Em 1977, Maslach empregou o termo publicamente para referir-se a uma situação que afeta, com maior freqüência, aquelas pessoas que, em decorrência de sua profissão, mantêm um contato direto e contínuo com outros seres humanos. Para Cherniss (citado em Roazzi, Carvalho, & Guimarães, 2000) burnout é uma forma de adaptação que pode resultar em efeitos negativos tanto para a própria pessoa quanto para seu local de trabalho. Portanto, é conseqüência de uma tentativa de adaptação própria das pessoas que não dispõem de recursos para lidar com o estresse no trabalho. Essa falta de habilidade para enfrentar o estresse é determinada tanto por fatores pessoais como por variáveis relativas ao trabalho em si e à organização. Entretanto, a mais influente definição de burnout foi desenvolvida por Maslach e Jackson em 1986. Sua definição multidimensional inclui três componentes: exaustão emocional, 83 despersonalização e redução da realização pessoal (Mills & Huebner, 1998; Codo & Vasques-Menezes, 1999). A exaustão emocional é caracterizada por um sentimento muito forte de tensão emocional que produz uma sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para lidar com as rotinas da prática profissional e representa a dimensão individual da síndrome. A despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes indiferentes e cínicas em torno daquelas pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda e objeto de trabalho. Num primeiro momento, é um fator de proteção, mas pode representar um risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de burnout. Por último, a falta de realização pessoal no trabalho caracteriza-se como uma tendência que afeta as habilidades interpessoais relacionadas com a prática profissional, o que influi diretamente na forma de atendimento e contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização (Maslach, 1998). Trata-se de uma síndrome na qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas não lhe importam mais e qualquer esforço lhe parece inútil. Finalmente, a síndrome de burnout tem sido negativamente relacionada com saúde, performance e satisfação no trabalho, qualidade de vida e bem-estar psicológico (Rabin, Feldman, & Kaplan, 1999). 12.2 Estresse O conceito de estresse foi primeiramente descrito por Selye, em 1936 (Helman, 1994; Gasparini & Rodrigues, 1992). Selye (1959) definiu estresse como sendo, essencialmente, o grau de desgaste total causado pela vida. Contudo, no século XVII, o termo foi utilizado por Robert Hooke, no campo da Física, para designar uma pesada carga que afeta uma determinada estrutura física (Lazarus, 1993). Etimologicamente, estresse deriva do latim stringere, significando apertar, cerrar, comprimir (Houaiss, Villar, & Franco, 2001). Não há um consenso sobre o termo estresse. Alguns autores entendem que representa uma adaptação inadequada à mudança imposta pela situação externa, uma tentativa frustrada de lidar com os problemas (Helman, 1994), mas estresse 84 também pode ser definido como um referente, tanto para descrever uma situação de muita tensão quanto para definir a tensão a tal situação (Lipp & Rocha, 1994). Considerando as diferentes definições da palavra estresse, Lazarus (1993) descreve quatro pressupostos essenciais que devem ser observados: 1) um agente causal interno ou externo que pode ser denominado de estressor; 2) uma avaliação que diferencia tipos de estresse (dano, ameaça e desafio); 3) os processos de coping1 utilizados para lidar com os estressores e 4) um padrão complexo de efeitos na mente ou no corpo, freqüentemente referido como reação de estresse. Apesar do estudo dos eventos estressores contar com um considerável desenvolvimento histórico, a maior parte da literatura empiricamente validada surgiu somente nas últimas duas décadas (Briere, 1997). Nas formulações iniciais preponderava o foco sobre o evento estressor per se, mas atualmente existe grande consideração nas diferenças individuais e nas variáveis cognitivas e motivacionais (Lazarus, 1993). Sendo assim, é importante considerar não só a imensa quantidade de fatores potencializadores de estresse mas, também, os aspectos individuais, a maneira como cada um reage às pressões cotidianas, bem como os aspectos culturais e sociais aos quais os sujeitos estão submetidos. Fatos como problemas familiares, acidentes, doenças, mortes, conflitos pessoais, dificuldade financeira, desemprego, aposentadoria, problemas no ambiente de trabalho, guerras e inúmeros outros podem ser experienciados de maneira diversa por dois indivíduos diferentes, em um mesmo contexto histórico, cultural e social, por exemplo, assim como problemas críticos na ordem social de um país podem potencializar o estresse patológico em diversos indivíduos (Helman, 1994; Ladeira, 1996). Em suas sociedades, os indivíduos tentam atingir metas definidas, níveis de prestígio e padrões de comportamento que o grupo cultural impõe e espera de seus integrantes (Helman, 1994), de maneira que uma frustração na realização desses aspectos pode desencadear o estresse. Cardoso (1999) afirma que, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde pode ser lesada não apenas pela presença de fatores agressivos (fatores de risco, de “sobrecarga“), mas também pela ausência de fatores ambientais (fatores de “subcarga” como a falta de suficiente atividade muscular, falta de comunicação com outras pessoas, falta http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000200004#1b 85 de diversificação em tarefas de trabalho que causam monotonia, falta de responsabilidade individual ou de desafios intelectuais). Portanto, pode-se verificar que algum estresse é importante para a realização de qualquer atividade e que sua total ausência, assim como seu excesso, podem ser prejudiciais à saúde. Entretanto, o prolongamento de situações de estresse pode repercutir num quadro patológico, originando distúrbios transitórios ou mesmo doenças graves, como o estresse ocupacional. 12.3 Burnout e Estresse Ocupacional Devido ao fato de essas síndromes serem ocasionadas a partir de situações relacionadas ao trabalho, há quem desconsidere suas diferenças. No entanto, embora não haja na literatura um consenso em relação à gênese das mesmas, burnout não é o mesmo que estresse ocupacional. burnout é o resultado de um prolongado processo de tentativas de lidar com determinadas condições de estresse (Rabin, Feldman, & Kaplan, 1999). O estresse pode ser visto como seu determinante, mas não coincide com o mesmo. Farber (citado em Roazzi, Carvalho, & Guimarães, 2000) explora a idéia de que burnout não resulta só do estresse em si (que pode ser inevitável em profissões assistenciais), mas do “estresse não mediado, do estresse não moderado, sem possibilidade de solução. Assim, burnout não é um evento, mas sim um processo e, apesar de compartilharem duas características - esgotamento emocional e escassa 86 realização pessoal - burnout e estresse ocupacional diferem pelo fator despersonalização (Cherniss, citado em Roazzi, Carvalho, & Guimarães, 2000). León e Iguti (1999) consideram burnout como um quadro clínico mental extremo do estresse ocupacional. Através de pesquisa longitudinal, realizada com psicólogos escolares dos EUA, Mills e Huebner (1998) observaram a natureza transacional do relacionamento entre burnout e experiências ocupacionais estressantes. Os dados sugerem que, não somente estas experiências podem predispor os indivíduos a experienciar burnout, mastambém que elevados níveis de burnout podem levá-los a desenvolver estresse ocupacional adicional. Parece haver um consenso em torno da síndrome poder ser caracterizada como uma resposta ao estresse laboral crônico, mas é importante que seus conceitos sejam mantidos distintos. burnout tem como conseqüência uma dessensibilização dirigida às pessoas com quem se trabalha, incluindo usuários, clientes e a própria organização, e o estresse é um esgotamento diverso que, de modo geral, interfere na vida pessoal do indivíduo, além de seu trabalho (Codo & Vasques-Menezes, 1999). Entretanto, apesar de suas particularidades, as diferenças entre os dois não são claras, em função dos fatores desencadeadores serem muito, o que dificulta o estabelecimento de um diagnóstico preciso e de uma relação de comorbidade. 12.4 Sintomas, Causas e Consequências Considerando a evolução da síndrome de burnout, que afeta de maneira significativa a relação do indivíduo em suas atividades laborais a síndrome de burnout apresenta sintomas, físicos, psíquicos, comportamentais e defensivos. Existe na literatura uma extensa lista de sintomas associados a essa síndrome. A tabela utilizada a seguir, faz parte dos estudos de Benevides-Pereira (2004), que foi mencionada por trazer uma melhor e mais completa compreensão dos sintomas da síndrome de burnout. Sintomatologia de Burnout 87 FÍSICOS COMPORTAMENTAIS Fadiga constante e progressiva Negligência ou excesso de escrúpulos Distúrbios do sono Irritabilidade Dores musculares ou osteo- musculares Incremento de agressividade Cefaleias, enxaquecas Incapacidade de relaxar Perturbações gastrointestinais Dificuldade na aceitação de mudanças Imunodeficiência Perda de iniciativa Transtornos cardiovasculares Aumento do consumo de substâncias Distúrbios do sistema respiratório Comportamento de alto-risco Disfunções sexuais Suicídio Alterações menstruais nas mulheres PSIQUICOS DEFENSIVOS 88 Falta de atenção, de concentração Tendência ao isolamento Alterações do pensamento Sentimento de onipotência Lentificação do pensamento Perda de interesse pelo trabalho (até pelo lazer) Sentimento de alienação Absenteísmo Sentimento de solidão Ironia, cinismo Impaciência Sentimento de insuficiência Baixa autoestima Labilidade emocional Dificuldades de autoaceitação Astenia, desânimo, disforia, depressão Desconfiança, paranoia Segundo Carlotto (2002) há uma preocupação em identificar as causas do burnout. Faber (1991 apud CARLOTTO, 2002), considera que as causas podem ser uma combinação entre fatores individuais, organizacionais e sociais, 89 pois esta interação produziria uma percepção de baixa valorização profissional. Benevides-Pereira (2004) ressalta que as causas são multifatoriais, tratando das características pessoais, tipo de função realizada e também da constelação de variáveis advindas da organização/instituição onde o trabalho é desenvolvido. Afirma ainda que esses fatores podem mediar ou facilitar o processo de estresse ocupacional, que futuramente irá dar lugar ao burnout. As variáveis de personalidade, assim como as sócio- demográficas, não são em si deflagradoras do burnout, mas diante de uma instituição comprometida, podem facilitar o desencadeamento da mesma. Soares e Cunha (2007) destacam que as consequências da síndrome de burnout podem ser graves, como por exemplo, a desmotivação, frustração, depressão e até a dependência de drogas, refletindo nas relações interpessoais e familiares do indivíduo. Faz-se necessário salientar que nem todos os sintomas devem estar necessariamente presente em todos os casos, esses dependerão dos fatores individuais, ambientais e o estágio que o indivíduo se encontra na síndrome de burnout. Nesse sentido, Lopes (2009), faz menção ao trabalho de Benevides- Pereira, em que a autora enfatiza que as manifestações dos sintomas de burnout referem-se às características individuais e às circunstâncias em que se encontram, ou seja, o grau de manifestação é diferente, no qual se deparam com a frequência e a intensidade em que ocorrem, podendo ser num processo gradual e cumulativo. Assinala ainda uma referência quanto à frequência, que quando esporádico, os sintomas podem ser classificados em menor grau, no entanto, se o sintoma é permanente pode ser considerado em grau maior. Com relação à intensidade, esta pode ser considerada em níveis baixo e alto, que pode ser desde as irritações à presença de doenças e somatizações 90 12.5 Tratamento De acordo com Jbeili (2008), o tratamento da síndrome de burnout, é essencialmente psicoterapêutico com psicólogo. Para os casos que o indivíduo apresenta problemas biofisiológicos, é necessário ser acompanhado da administração de medicamentos. Menciona ainda entre os métodos psicoterápicos não há uma abordagem melhor que a outra, deve-se considera a melhor adaptação individual para cada método disponível. Em relação à medicação, também deve ser levado em consideração que cada caso é específico e pode alternar entre analgésicos e complementos minerais até ansiolíticos e antidepressivos. 91 Quando o assunto é o tratamento em conjunto com a instituição que o indivíduo trabalha, Carlotto (2009) coloca que é importante o tratamento juntamente com a empresa em que o trabalhador atua, para que assim, possa haver a diminuição dos fatores de estresse que acarretam na doença. Projeto de lei A esse respeito, em meados de 2009 a Câmera dos Deputados de São Paulo, aprovou o Projeto de Lei nº 15.206, de autoria do então Vereador Penna, sendo tal medida responsável pela criação da semana de conscientização sobre a síndrome de burnout. Destaque-se que ainda no referido ano, foi apresentado em Brasília, outro projeto com o mesmo escopo, qual seja, o de criar uma semana referente a tal síndrome, contudo a nível nacional. Assim, tal iniciativa tem o intuito de conscientizar a população acerca dos males que acometem muitos trabalhadores das mais diversas áreas, precavendo assim a sociedade, sobre os danos causados pela síndrome laboral. 92 Diante de tal exposição hoje o principal desafio é que a síndrome de burnout seja reconhecida como uma doença, pois desta forma, será possível realizar os diagnósticos necessários, a fim de se identificar a síndrome em questão ainda em seu estágio inicial, fato este que, poderá impedir que tal mau se agrave. Neste contexto, fora realizado um estudo epidemiológico com professores segundo (Carlotto & Palazzo, 2006) apud Levy (2009), com objetivo final identificar a existência de síndrome de burnout em relação a tais profissionais. O referido estudo consistiu-se na aplicação de questionário sócio demográfico (Maslach Burnout Inventory) em relação a 217 professores de uma escola particular da região metropolitana de Rio Grande do Sul/RS. Dessa forma, apurou- se que o mau comportamento dos alunos, as expectativas geradas por seus familiares e a precária participação dos professores nas decisões institucionais, foram os fatores que acarretaram em uma associação direta com a síndrome em questão. Nessa acepção, alguns estados já adotaram as medidas necessárias em relação aos professores que por ventura venham apresentar sinais da síndrome, tendo como exemplo a Cidade de Cuiabá, que segundo a iniciativa do Vereador Washington Barbosa (2009), líder do PRB no Legislativo da Capital de Mato Grosso, dispõe que os profissionais que ingressam na educação, devem ser avaliados por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicólogos e assistentes 93 sociais, os quais anualmente deveriam submeter-se a realização de tais acompanhamentos, a fim de se avaliar a saúde mental e emocional dos docentes. Com base nas pesquisas acima citadas nos deixa claro que temos subsídios o suficiente para sabermos quea síndrome de Burnout se não tratada pode trazer sérios danos a saúde física e mental do trabalhador, sendo imprescindível a constante avaliação dos mesmos 13.0 GRUPOS E DINÂMICAS DE GRUPO ➢ Grupo: Coletânea de duas ou mais pessoas que interagem umas com as outras e tem em comum metas inter-relacionadas. ➢ Equipe: o É como um grupo o Possui 3 propriedades específicas: ◦ Ações dos membros interdependentes e coordenadas; ◦ Cada membro tem um papel especifico e ◦ Existência de metas e objetivos comuns TODAS AS EQUIPES SÃO GRUPOS, MAS NEM TODOS O GRUPOS SÃOO EQUIPES ➢ Grupo x Equipe • Grupo – pessoas que trabalham juntas, mas podem realizar seu trabalho sem as outras; • Equipe – grupo de pessoas que não pode realizar seu trabalho (não com eficácia) sem os outros membros ◦ Conceitos Importantes o Papéis (atribuições e responsabilidades) ◦ Os papéis formais são especificados pela organização, ◦ já os papéis informais surgem da interação do grupo. o Normas 94 ◦ regras tácitas de comportamento aceitas pelos membros de um grupo de trabalho. o Coesão ◦ soma das forças que atraem os membros do grupo e os mantém unidos. Conflito (discordâncias) o Competitivo ◦ É aquele no qual os indivíduos da equipe promovem o próprio ponto de vista, pouca consideração por opiniões alheias e tentam impor as próprias posições. o Cooperativo ◦ É aquele no qual os indivíduos da equipe expressam abertamente suas visões divergentes, respeitam as opiniões uns dos outrs e se concentram na solução. o Perda de Processo ◦ Qualquer aspecto de uma interação de grupo que iniba a boa solução de problemas. o Comprometimento com a equipe ◦ Intensidade do envolvimento de um membro com a equipe, desejo de se empenhar e aceitação das metas 12.2 As instituições, as organizações e os grupos Retomemos agora a questão inicial: nossa vida cotidiana é marcada pela vida em grupo. Para que possamos viver em grupo, são necessárias certas regras, combinações e acertos. Tomemos como exemplo a rotina do nosso trabalho. Saímos de casa em uma determinada hora e vamos a um ponto de ônibus. Sabemos que este passará em uma certa hora que nos permitirá estar no trabalho na hora precisa que nós tenhamos a tranqüilidade de esperar o ônibus sabendo que ele virá, foram necessários alguns acertos e combinações que, no caso, ocorreram sem que nós precisássemos intervir. Chegando ao trabalho, esperamos encontrar a porta aberta e o espaço organizado para que iniciemos nossas tarefas. Sabemos também que vamos encontrar os nossos colegas. Todos esses eventos acontecem a partir desses acertos implícitos, dessa regularidade, dessas normas, os quais nos permitem conviver em grupo. A isso chamamos 95 institucionalização, ou seja, o estabelecimento de regularidades comportamentais que possibilitam o viver coletivo. A institucionalização começa como um processo em que as pessoas vão, aos poucos, descobrindo qual a melhor forma, a mais rápida, a mais econômica, de desempenhar suas tarefas. Quando essa forma se repete muitas vezes, torna-se um hábito. Com o passar do tempo, com a transferência desse hábito para as gerações seguintes, começa a haver uma tradição que não exige mais questionamentos e, então, impõe-se por ser uma herança dos antepassados. Depois de muitas gerações, passamos a não nos dar conta do por que continuamos a fazer daquela forma, perdemos a referência de que a herdamos de nossos antepassados. Nesse momento, dizemos que a regra social foi institucionalizada. A instituição é, pois, “um valor ou regra social reproduzida no cotidiano com estatuto de verdade, que serve como guia básico de comportamento e padrão ético para as pessoas em geral [...] é o que mais se reproduz e o que menos se percebe nas relações sociais” (BOCK, 1999, p. 217). Esse conjunto de regras e valores concretiza-se na sociedade em uma instância chamada organização. A organização pode ser complexa, como as empresas, ou mais simples, como um pequeno estabelecimento, uma entidade não governamental. De todas as maneiras, é onde vão se manter e reproduzir as instituições sociais, ou seja, é na organização que vamos dar vida ao conjunto de regras que estabelecemos para a convivência em grupo. Assim, tanto as instituições quanto as organizações somente existem em função de um conjunto de pessoas que reproduzem e, às vezes, reformulam as regras e os valores: o grupo. Os autores definem grupo como sendo uma unidade que se dá quando os indivíduos interagem entre si e compartilham normas e objetivos. 13.1 Tipos de grupos Os grupos podem ser classificados como primários ou secundários. Os grupos primários são aqueles constituídos para a satisfação das necessidades básicas da pessoa e a formação de sua identidade. Caracterizam-se por fortes vínculos afetivos interpessoais e uma hierarquização de poder. Um exemplo pode ser o grupo familiar. Os grupos secundários são aqueles constituídos para a satisfação das necessidades sistêmicas ou de interesses de grandes grupos e classes. Sua identidade é construída pelo papel social que o indivíduo desempenha e o poder está centrado na capacidade e na ocupação social dos seus membros. Um 96 exemplo de grupo funcional pode ser o grêmio estudantil ou os conselhos de classe de uma escola. Assim, um conceito-síntese de grupo pode ser o proposto por Martín-Baró: “uma estrutura de vínculos e relações entre pessoas que canaliza em cada circunstância suas necessidades individuais e/ou interesses coletivos” (citado por MARTINS, 2003, p. 204). 13.2 A dinâmica dos grupos Um grupo é um todo dinâmico. Apesar de ser um conjunto de pessoas, não é simplesmente a soma dos participantes, o que significa que qualquer mudança que ocorra em um dos participantes vai interferir no estado do grupo como um todo. E por estarmos sempre mudando é que o grupo é dinâmico. Quando um grupo se estabelece, uma série de fenômenos passa a atuar sobre as pessoas individualmente e, conseqüentemente, sobre o grupo. É o chamado processo grupal. Vamos destacar alguns desses fenômenos: 1) coesão – significa o resultado da aderência do indivíduo ao grupo, a fidelidade aos seus objetivos e a unidade nas suas ações. Todo grupo só consegue sobreviver se mantiver uma atração entre seus membros, assim, faz-se necessário uma certa pressão entre os membros para que nele permaneçam. Um grupo, de acordo com suas características, pode apresentar uma maior ou menor coesão. Uma maior coesão geralmente é obtida quando o grupo observa que as finalidades estão sendo cumpridas e os resultados estão sendo obtidos. Quanto maior a coesão maior a satisfação dos membros e maior a produtividade. Isso pode ser claramente observado em um time de futebol. Quanto mais ele se reveste do sentimento de equipe, melhores são os resultados obtidos. E viceversa: quanto melhores os resultados, mas aumenta a coesão do time. 2) padrões grupais – são as expectativas de comportamentos partilhados por parte dos membros do grupo. Esses padrões ou normas de comportamento são estabelecidos com a especificação de atitudes ou comportamentos desejáveis por parte dos membros. A partir disso, estabelece-se uma fiscalização por parte do grupo quanto ao cumprimento dessas normas, aplicando-se sanções aos que não as cumprem. Esses padrões muitas vezes não são explicitados, mas espera- se que o indivíduo ao ingressar no grupo os perceba. Por exemplo, não é necessário ressaltar para um membro de um grupo de jovens católico que ele deve comparecer à missa, pois isso está implícito. 97 3) motivações individuais e objetivos do grupo – são os elementos que estão relacionados com a escolha que cada indivíduo faz quando decide participar de um grupo e são importantes para garantir a adesão. Uma pessoa geralmente escolhe participar de um grupo a partir de suas motivaçõespessoais, sejam motivações referentes aos objetivos do grupo, sejam atrações exercidas por membros daquele grupo. É importante observar as respostas que o grupo dá a essas manifestações individuais, as quais até podem ser admitidas, desde que não interfiram nos objetivos centrais do grupo, que sempre prevalecerão. Quanto mais o grupo zela pela sua coesão, menos manifestações individuais serão toleradas. Uma manifestação individual que atente contra os objetivos do grupo serão punidas com a exclusão daquele membro. 4) liderança – A habilidade do líder para motivar e influenciar o grupo produz efeitos na atmosfera deste. O grupo pode desenvolver-se em um clima democrático, autoritário ou relaxado, dependendo da vocação do grupo e de lideranças que viabilizem essa vocação. Assim, por exemplo, um grupo cujos membros acreditam que a melhor forma de organizar as relações é a autoritária, vai necessitar de um líder autoritário, que, por sua vez, reforçará a atmosfera autoritária dentro do grupo. Um dos grandes estudiosos da questão da liderança foi Kurt Lewin (1890-1974). Para ele, os grupos democráticos tinham mais eficiência a longo prazo, enquanto os autoritários tinham uma eficiência imediata. Como as decisões são centralizadas na figura do líder, os membros somente funcionam a partir de sua demanda e são, geralmente, cumpridores de tarefas. Já os grupos democráticos exigem maior participação de seus membros, que dividem as responsabilidades com a liderança. Isso torna a realização dos objetivos mais demorada, entretanto, mais duradoura. 98 13.3 O que é dinâmica de grupo A dinâmica de grupo para empresas é um exercício conduzido com o objetivo de extrair ou disseminar um conhecimento específico aos participantes. Entretanto, algumas dicas de dinâmicas de grupo são valiosas para seu negócio alcançar um excelente resultado com a prática. Alguns exemplos disso. Por meio das dinâmicas de grupo para empresas, é possível trabalhar: • contratações; • treinamentos; • maneiras de ampliar a motivação; • novas técnicas para desenvolver a criatividade; • o clima organizacional; • o engajamento dos colaboradores. Por mais que, a princípio, a dinâmica de grupo não pareça ser um exercício promissor para engajar os colaboradores, pesquisadores entendem que, quando bem aplicadas, são uma das ações motivacionais no trabalho mais eficazes. https://www.siteware.com.br/comunicacao/engajamento-entre-colaboradores/ https://www.xerpa.com.br/blog/acoes-motivacionais-no-trabalho/ 99 Você se engana se acha que a dinâmica de grupo é apenas uma ferramenta para processos de recrutamento e seleção de novos funcionários. Ela é uma poderosa maneira de garantir total integração e alinhamento com os diversos objetivos da empresa. Veremos, inclusive, diversos exemplos de dinâmicas de grupo para processo seletivo e também para enquadrar-se em outras particularidades, como o a motivação e o estímulo à criatividade. Antes de partimos para as dicas e os diferentes tipos de dinâmica de grupo, aproveite para dar uma conferida em nosso e-book, feito especialmente para quem preocupa-se com o engajamento dos seus colaboradores: responda o formulário e receba nosso e-Book com soluções para a retenção de talentos! 13.4 Por que fazer uma dinâmica em grupo na empresa A dinâmica de grupo pode ser usada como: ● uma das etapas do processo de recrutamento e seleção; ● em treinamentos e capacitações de funcionários; ● promover o engajamento dos colaboradores, entre outros objetivos. Além das metas gerais apresentadas acima, as dicas de dinâmica de grupo para empresas também têm objetivos mais amplos. Alguns exemplos, logo a seguir: ● ferramenta social, ajudando a “quebrar o gelo” entre membros novos na empresa. Sem falar que contribui com uma relação mais íntima e cheia de afinidade entre os participantes; ● melhorar o clima organizacional da empresa; ● avaliar as características de cada profissional; ● desenvolver o trabalho colaborativo — entre os times e com outras áreas; ● identificar e desenvolver novas lideranças; ● fazer uma análise do perfil comportamental dos membros da empresa. Portanto, a aplicação da dinâmica de grupo proporciona imensa versatilidade à https://www.xerpa.com.br/blog/recrutamento-e-selecao/ https://www.xerpa.com.br/blog/retencao-de-talentos/ 100 empresa e ainda estimula o engajamento e a motivação dos participantes. Isto porque é uma atividade bastante interativa! Leia também: Programas de incentivo: um guia para motivar seus colaboradores Além disso, ela pode vir acompanhada de muitos elementos de gamificação, com a criação de uma situação lúdica para expor uma perspectiva empresarial. 13.5 Tipos de técnicas / dinâmicas 13.5.1 Técnica quebra-gelo Ajuda a tirar as tensões do grupo, desinibindo as pessoas para o encontro. Pode ser uma brincadeira onde as pessoas se movimentam e se descontraem. Resgata e trabalha as experiências de criança. São recursos que quebram a seriedade do grupo e aproximam as pessoas. Modelos de dinâmica: • Dinâmica Rodada de Entrevistas A criatividade é o que nos permite fazer a mesma coisa de modo diferente. Que tal, então, ao invés de apenas colocar os profissionais para conversar, dar a eles a oportunidade de serem “repórteres por um dia” e de conhecer seu colega de forma diferente? A dinâmica da rodada de entrevistas é bem divertida, pois propõe a integração das pessoas de um modo diferenciado por meio de perguntas. Assim, é possível que todos se conheçam um pouco melhor, exercitem a arte de perguntar, sem que o exercício se torne algo cansativo. 101 Como realizar – será necessário ter uma cadeira, de preferência giratória, para que entrevistado possa sentar-se e os demais possam fazer um círculo ao seu redor. O tempo deve ser de um a dois minutos para cada um. Os participantes, por sua vez, devem ser incentivados a fazer perguntas sobre: os hobbies do colega, sua formação profissional, departamento onde atua, porque escolheu sua profissão, tempo de empresa, experiências na área e as atividades que realiza em seu dia a dia, por exemplo. Assim que todos tiverem sido entrevistados, a equipe deve ser convidada a falar sobre a experiência e a compartilhar o que aprendeu com a entrevista coletiva. O objetivo final é que todos possam se conhecer melhor e quebrar a barreira da falta de conhecimento sobre quem o outro é e o que faz. • Dinâmica da amnésia Essa dinâmica auxilia a quebrar o gelo em um grupo que ainda não se conhece. É simples e não exige muitos materiais. Ainda, para aplicá-la você vai precisar apenas de canetas e etiquetas. Confira: ▪ Distribua as canetas e as etiquetas entre os participantes; ▪ Peça para que cada um escreva o nome de uma pessoa famosa na etiqueta sem mostrar aos demais participantes; ▪ Faça duplas ou trios. O importante é criar pequenos grupos para a dinâmica ser mais organizada. ▪ Se a dinâmica for dividida em duplas, peça para o participante colar sua etiquete na testa do colega, sem que este veja o que está escrito. Agora, cada pessoa passa a representar a pessoa famosa escrita na etiqueta, como se houvesse se esquecido de quem é; ▪ Chegou a hora de cada um adivinhar quem está fazendo o papel; ▪ As pessoas devem fazer perguntas para tentar adivinhar quem são. Mas atenção, as respostas só podem ser sim ou não. Depois da rodada, com toda a certeza os participantes estarão mais entrosados e à vontade. 102 • Dinâmica de apresentação Esse é um exemplo de dinâmica para a apresentação de pessoas para um grupo de até 15 participantes. Para aplicá-lo, você precisa apenas de uma bola: ▪ Posicione as pessoas do grupo em pé e em um círculo, de forma que elas consigam ver a todos os outros participantes; ▪ Explique que quem estiver com a bola deverá fazer uma pergunta e jogar a bola para outroparticipante; ▪ As perguntas podem abordar diversas questões. Exemplos: nome, profissão, com o que atua hoje, um ponto forte, um defeito etc; ▪ Quem recebe a bola deve responder a pergunta feita e fazer outra pergunta na sequência, jogando a bola para outro integrante; ▪ Ainda, o mediador deve participar do círculo, também fazendo e respondendo perguntas. • Auto-avaliação do grupo Essa dinâmica de grupo é ideal para equipes que trabalham juntas. Também pode ser utilizada dentro de uma empresa para propor melhorias para a próxima fase. A dinâmica funciona dessa maneira: 103 ▪ Cada integrante escreve em um papel o que considera ser o ponto mais forte e a maior dificuldade de trabalhar com aquela equipe. Reforce aos participantes que a dinâmica será toda feita de forma anônima; ▪ Os papéis são recolhidos pelo mediador e redistribuídos de forma aleatória entre os participantes; ▪ Cada integrante fica com um papel de um colega e o lê em voz alta; ▪ Depois a equipe deve discutir sobre ideias. Assim, o objetivo é manter os pontos positivos e solucionar os negativos. Certamente, vale lembrar que essa dinâmica de grupo precisa ser acompanhada por um mediador. • Exercício de criatividade Que tal pedir para o grupo desenvolver alguma ideia criativa? Separe o grupo em equipes de 4 ou 5 pessoas. Depois, dê um problema para eles solucionarem em conjunto. Por exemplo: trabalhe com a hipótese de que a empresa recebeu uma reclamação sobre o seu serviço. Assim, o grupo precisa criar uma ação para responder o cliente insatisfeito. Então, ofereça de 20 a 30 minutos para o grupo trabalhar e criar essa solução. Durante esse tempo, circule pela sala e observe os participantes. Depois é hora de eles apresentarem a solução. Esse momento é muito importante e deve ser feito para todos os presentes – tanto os avaliadores quanto para o restante das equipes. Ainda, para aproveitar ao máximo a atividade, estimule que sejam feitas perguntas depois de cada apresentação. Dessa forma, é possível ver quais as perguntas feitas por cada um – assim como a reação de cada colaborador. Quem toma as iniciativas? Quem possui uma boa postura e lidera o grupo? Assim sendo, essa dinâmica permite que seja avaliado a maneira a qual as pessoas trabalham em grupo. Igualmente, é possível identificar perfis de liderança. Ainda, auxilia a analisar a forma como cada um trabalha na resolução de problemas e sob pressão. 104 13.5.2 Técnica de apresentação Ajuda a apresentar-se uns aos outros, possibilitando descobrir: quem sou, de onde venho, o que faço, como e onde vivo, o que gosto, sonho, sinto e penso. Sem máscaras e subterfúgios, mas com autenticidade e sem violentar a vontade das pessoas. Exige diálogo verdadeiro, onde partilho o que posso e quero ao novo grupo. São as primeiras informações da minha pessoa. Precisa ser desenvolvida num clima de confiança e descontração. O momento para a apresentação, motivação e integração. É aconselhável que sejam utilizadas dinâmicas rápidas, de curta duração. Modelos de dinâmica: • Por trás do nome Cada pessoa tem um nome, obviamente. No entanto, as pessoas raramente conhecem a história por trás do nome de outra pessoa. Peça a todos que compartilhem a história de como receberam seu nome. Talvez eles tenham o nome de um tio-avô ou o nome deles seja um compromisso entre os pais. Conhecer essas histórias pode ajudar a gravar os nomes e fornecer uma pequena visão do histórico de cada membro da equipe. Pergunte sobre a origem ou o significado por trás do nome de cada pessoa para uma discussão mais prolongada. • Devolva a bolinha Tamanho do grupo: até 30 participantes. Material: 1 bolinha, podendo ser até mesmo de papel. Tempo: Considera-se um minuto para cada participante. Desenvolvimento O facilitador coloca a bolinha no chão e pede aos participantes que formem um círculo em volta da bolinha. Logo após, solicita que alguém, de forma espontânea, pegue a bolinha. A pessoa que pegou a bolinha deverá se apresentar, dizendo o nome, o que faz na empresa 105 e qual sua melhor qualidade e depois passar a bolinha para outra pessoa, sem deixar cair e assim sucessivamente. Sem dizer nada aos participantes, mas após o último se apresentar, é solicitado que façam o caminho inverso com a bolinha e que o antecessor fale o nome, o que faz na empresa e a qualidade da pessoa a quem ele vai devolver a bolinha. Essa dinâmica de apresentação é muito boa para quebrar o gelo e também sensibilizar os participante sobre a importância de ouvir e prestar atenção às pessoas que estão a nossa volta. • Roda de Conhecimento Forma-se um círculo com os participantes, no qual será passado de mão em mão uma bola ou qualquer objeto. A pessoa deve passá-la a outra pessoa que deverá dizer seu nome e revelar algo diferente sobre si, ou um defeito, ou qualidade (gosto de ver série, sou organizada, não gosto de matemática ou tenho um cachorro, uso lente de contato, etc.). 106 Quando todos já tiverem falado, haverá uma segunda rodada, na qual eles terão que passar a bola a alguém e dizer o nome da pessoa e o que ela disse na rodada anterior. O objetivo dessa dinâmica consiste em promover a integração entre os alunos e professor/calouros e veteranos/recrutamento de novos funcionários, fortalecendo a comunicação e o relacionamento interpessoal dos participantes. • Nome e gesto Os participantes devem formar um círculo. Logo depois, cada um irá se apresentar dizendo o primeiro nome e fazendo um gesto a sua escolha. A próxima pessoa, por sua vez, dirá o próprio nome, repetindo o nome e o gesto do participante anterior e complementando com um gesto seu. Isso deverá se repetir até que todos os participantes tenham se apresentado. A cada nova apresentação o nível de dificuldade aumenta, o que exige maior atenção e capacidade de memorização. Essa é uma forma de fazer com que todos prestem atenção na pessoa ao lado, sem que ela passe despercebido. É importante lembrar a importância desse tipo de atividade, afinal a partir dela se desenvolve integralização, socialização e engajamento, o que gera mais positividade e produtividade entre os colaboradores ou alunos ou participantes de um grupo. 107 13.5.3 Técnica de integração Permite analisar o comportamento pessoal e de grupo, a partir de exercícios bem específicos, que possibilitam partilhar aspectos mais profundos das relações interpessoais do grupo. Trabalhar a interação, comunicação, encontros e desencontros do grupo. Ajuda a sermos vistos pelos outros na interação de grupo e como nos vemos. O diálogo profundo no lugar da indiferença, discriminação, desprezo, vividos pelos participantes em suas relações. Os exercícios interpelam as pessoas a pensar suas atitudes e seu ser em relação. A técnica da integração permite uma ampla análise do comportamento pessoal e coletivo do grupo, o que acontece a partir de exercícios de caráter bem específicos, que possibilitam compartilhar aspectos mais profundos das relações interpessoais do grupo. 108 Além disso, essa técnica favorece um melhor trabalho de interação, comunicação e até a possibilidade de sanar divergências que possam ocorrer com um determinado grupo. Ela auxilia o indivíduo a ser visto pelos demais colegas com mais clareza e maior papel de atuação. Nesse caso, destaca o diálogo profundo e assegura sempre uma melhor relação de convivência. Os exercícios propostos pelas técnicas de integração fazem com que as pessoas possam refletir acerca das suas atitudes, de como se comportam em relação aos outros e também com a empresa da qual fazem parte. Modelos de dinâmica: • Dinâmica do conhecer CARTAZ: Objetivos: Favorecer a desinibição, aprofundar o conhecimento entre os membros do grupo e estimular a criatividade. Material: Papel e lápis (podem ser lápiscoloridos). 109 1ª Parte – A Dinâmica Material: Sulfite – Canetas – Lápis – Pincéis p/ quadro magnético Preparação: – checar arrumação sala e materiais, – cortar as tiras com os 11 tipos psicológico e por num envelope para sorteio. Instruções: Cada participante terá 20 min para que individualmente prepare uma apresentação de 5 min de si mesmo para o grupo, devendo ser criativo e original, como se ele próprio fosse um produto a ser vendido para os demais. No momento que for iniciar a sua apresentação pessoal, retirará um papel contendo um tipo psicológico, sem abri-lo. Durante a apresentação, o coordenador dará um sinal, indicando que deverá abrir o papel sorteado. Sem paradas e sem perder o ritmo, deverá abrir o papel sorteado com um tipo psicológico e continuar sua apresentação, imediatamente compondo o personagem – SEM QUALQUER PARADA OU INTERRUPÇÃO para finalizar os 5 min. Este papel, contendo o tipo psicológico não poderá ser mostrado ao restante do grupo, devendo ser, após sua leitura, guardado no bolso. Ao término da apresentação, anotar no quadro o nome do candidato e o grupo todo indicará que tipo ele compôs, devendo ser anotado na frente do nome correspondente. Passar para outro candidato e assim sucessivamente. No final, ir revelando, de acordo com a ordem em que se apresentaram o tipo que cada um tentou compor e checar com a percepção do grupo que foi anotada no quadro. Tempo médio: 2h 2ª Parte – A Escolha Anotar no quadro o nome de todos os participantes em coluna, deixando espaço à frente do nome de cada um. Individualmente e em ordem alfabética, cada um deverá votar em dois participantes que escolheriam para ocupar o cargo em função da apresentação, levando em consideração: jogo de cintura, criatividade, desenvoltura, agilidade, segurança, etc. Os participantes devem limitar-se a dar os dois nomes e não emitir qualquer justificativa. 3ª Parte – Encerramento Solicitar que cada um dê um feedback breve sobre a técnica, como se sentiram, etc. Agradecimentos e comprometimento em dar um retorno no dia seguinte. 110 13.5.4 Técnica de relaxamento Tem como objetivo eliminar as tensões, soltar o corpo, voltar-se para si e dar-se conta da situação em que se encontra, focalizando cansaço, ansiedade, fadigas etc. Elaborando tu.do isso para um encontro mais ativo e produtivo. Estas técnicas facilitam um encontro entre pessoas que se conhecem pouco e quando o clima de grupo é muito frio e impessoal. Devem ser usadas quando necessitam romper o ambiente frio e impessoal ou quando se está cansado e necessita retomar uma atividade. Modelos de dinâmicas: • Respiração diafragmática Quando estamos estressados, o corpo precisa de mais oxigênio e a respiração se acelera. Mas isso não é suficiente, a oxigenação do organismo requer o aumento do volume de ar que respiramos. Para conseguir isso, a recomendação é fazer entre 5 e 10 inspirações e expirações abdominais, de modo lento e profundo, a partir do diafragma. Respire pelo nariz e expulse o ar pela boca, e concentre-se em esvaziar completamente os pulmões antes de inspirar novamente. Não subestime os benefícios da boa respiração. 111 • Visualização positiva É uma variação da meditação tradicional, e é preciso pôr a imaginação em marcha, talvez ativando as recordações de cenas prazerosas como as das férias. Alimentar a imaginação tem recompensa. A ideia é direcionar a concentração para imagens positivas e agradáveis, pensando em situações que gostaríamos de viver ou lembrando momentos felizes do passado. É aconselhável recorrer aos sentidos para tentar imaginar o cheiro, o tato e os sons da cena. • Dinâmica das emoções: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/27/estilo/1461786324_318365.html 112 Nesta dinâmica você vai precisar de papel em branco cortado em pequenas tiras, canetas e uma pequena lixeira. A ideia é que os participantes sejam convidados a pensar em três sentimentos negativos que estão sentindo naquele momento, como ansiedade e estresse e escrevê-los individualmente num papel e, para cada sensação ruim, escolher e escrever três sentimentos positivos para substituir por aquele que está lhes preocupando. A ideia é que no cotidiano, a cada vez que o colaborador se deparar com emoções intrusivas, ele possa saber como reciclá-las e transformá-las em algo de construtivo e que motive seu trabalho e o bom desempenho. 13.5.5 Técnica de capacitação Deve ser usada para trabalhar com pessoas que já possuem alguma prática de animação de grupo. Possibilita a revisão, a comunicação e a percepção do que fazem os destinatários, a realidade que os rodeia. Amplia a capacidade de escutar e observar. Facilita e clareia as atitudes dos animadores para que orientem melhor seu trabalho de grupo, de forma mais clara e livre com os grupos. Modelos de dinâmica: 113 • Dinâmica para comunicação Objetivos: Incentivar o uso de outra forma de comunicação que não a verbal. Processo: O animador inicia, explicando que os pensamentos e sentimentos devem ser expressos segundo um estilo. As descobertas científicas são escritas em linguagem técnica; a música é escrita e executada; outros sentimentos criativos são pintados, cantados, dançados, falados, representados. Seja de que modo for, a pessoa comunica sua experiência através do uso ou postura de seu corpo ou de alguma parte do mesmo. A seguir os participantes são avisados pelo animador de que não podem expressar-se com palavras escritas ou faladas. Os membros do grupo são orientados para que se amontoem na sala, procurando relacionar-se entre si durante quinze minutos, sem palavras. Decorrido o tempo, seguem-se os comentários acerca da experiência vivenciada, podendo cada qual expressar em palavras suas descobertas e os seus sentimentos. • Dinâmica comportamento verbal e não verbal Dividir a turma em dois grupos Parte 1: Cada um escreve três palavras ou frases, dobramos os papeis e colocamos em uma caixinha. Parte 2: Cada grupo tem um minuto para tentar acertar o máximo de frases ou palavras possíveis, é permitido falar coisas relacionadas ao que está escrito sem mencionar o que é. 114 Parte 3: Terminada a parte anterior, agora dobramos novamente os papeis e colocamos na caixinha, e novamente se dá um minuto para cada grupo adivinhar o que está escrito no papel mas desta vez, se pode usar apenas uma palavra que descreva melhor o que está escrito, SEM FALAR O QUE É Parte 4: novamente os papeis são dobrados, e desta fez se utiliza da mimica e gestos para que os colegas do grupo adivinhem o que está escrito no papel. Depois discutir sobre o que entenderam sobre a dinâmica, o que foi mais fácil e o que foi mais difícil. • Dinâmica da ilha deserta Esse é um exercício simples e muito comum entre os setores de RH. Nessa dinâmica, é preciso aplicar um questionário pequeno aos participantes, solicitando que respondam a 3 perguntas simples: • Supondo que você esteja perdido em uma ilha deserta, qual colega do grupo você gostaria que estivesse com você? • Supondo que você ganhou uma viagem com direito a 3 acompanhantes, quem do grupo você levaria? • Supondo que você precise organizar um evento, qual colega você escolheria para dividir essa tarefa? É importante orientar os colaboradores para que as respostas não contenham apenas os nomes dos colegas, como também uma justificativa. Cada pessoa preencherá o seu cartão sem a identificação do autor. Após finalizado, é necessário colocar os questionários dentro de um envelope. O coordenador da dinâmica pedirá, então, que todos se sentem em uma roda e apresentem as suas justificativas para as escolhas, sem citar os nomes dos colegas escolhidos. As palavras-chave apresentadas nessas justificativas serão anotadas em um quadro, e se tornarão valores importantes de companheirismo, sendocaracterísticas necessárias para desenvolver e aprimorar junto ao trabalho em equipe. https://rockcontent.com/blog/o-que-sao-palavras-chave/ https://rockcontent.com/blog/trabalho-em-equipe/ https://rockcontent.com/blog/trabalho-em-equipe/ 115 • Dinâmica da observação Nessa dinâmica, é trabalhado o desenvolvimento da habilidade de observação no dia a dia, permitindo que os participantes aprendam a observar uns aos outros, e dar atenção aos detalhes da empresa. Reúna os participantes em uma sala, formando um círculo. Em seguida, solicite que eles fechem os olhos. Feito isso, é hora de dar início às perguntas. O gestor responsável por coordenar a ação levantará algumas perguntas relacionadas aos integrantes. Por exemplo: “quem está de blusa amarela ou quem está de camisa verde?”. Os participantes que lembrarem as respostas devem levantar a mão, considerando que o primeiro a se manifestar sempre terá prioridade. Dessa forma, a cada resposta certa, o participante ganha um ponto, e o que finalizar o jogo com a maior pontuação ganha um prêmio. 13.5.6 – Como enriquecer o vínculo dos colaboradores Promova festas de aniversário 116 Por meio da equipe de comunicação interna da empresa faça todos saberem da data de aniversário de cada um e promova uma pequena festa de celebração. Você pode fazer um bolo, comprar para o aniversariante, ou, se a empresa ainda for muito pequena e não tiver dinheiro sobrando, organize uma colaboração coletiva. Se em único mês houver muitos aniversariantes, marque uma data, como a última sexta-feira do mês para celebrar o aniversário de todos em conjunto. Essas momentos de descontração contribuem para a integração da equipe, trazem sentimentos positivos, combatem o cansaço de rotinas repetitivas e descansam a mente. Envolva as pessoas – a opinião da equipe é importante Para que os trabalhadores se sintam motivados, você deve fazer com que surja o sentimento de time na empresa. Isso só pode ser feito se a companhia valorizar a opinião e a qualidade de vida de seus colaboradores. Pensando nisso, promova encontros todo o mês, ou duas vezes ao mês, com toda a equipe reunida, para que cada pessoa possa dizer o que acha da forma como realiza as atividades no dia a dia. Peça ideias de aperfeiçoamento para a empresa, e dicas para mudar o que pode estar dando errado. Nesses encontros você pode agradecer a equipe pelo ótimo trabalho em conjunto, destacar o trabalho de quem realiza as atividades com qualidade e dedicação. 117 Também é interessante informar alguns planos seus para o futuro da empresa e como espera realizá-los por meio da dedicação de cada colaborador. Os profissionais devem entender a importância deles para as metas que a empresa deseja alcançar. Os objetivos de crescimento para a empresa precisam estar conectadas com a ideia de crescimento próprio e reconhecimento individual. Para que os colaboradores possam aperfeiçoar o trabalho que realizam no dia a dia, eles precisam do feedback de um superior. Tirar um tempo para ouvi-los e fazer um levantamento do caminho percorrido a cada reunião, é uma forma de proporcionar que eles se sintam importantes e responsáveis por aquilo o que fazem. Envolvê-los no processo de crescimento da empresa pode ser ótimo para o bem- estar de todos e excelente para os negócios. Dicas para o bem-estar no trabalho Além de organizar dinâmicas que envolvam mais o time e causem relaxamento, para o bem-estar dos colaboradores você também deve prestar atenção no conforto do ambiente profissional. Deve ficar atento se o local está limpo, se disponibiliza água, lanches rápidos e se o ar-condicionado está numa temperatura agradável. Também é importante lembrar as pessoas de beberem água regularmente, irem ao banheiro e, se o 118 trabalho consumir muita energia física e mental, como as atividades de escritório e escrita no computador, orientar para que deem uma pausa entre um exercício e outro e descansem a visão. REFERÊNCIA - SENA e SILVA, M. de F. e BRAZ DE AQUINO, C. A. (org.). Psicologia social: desdobramentos e aplicações. São Paulo: Escrituras Editora, 2004 – Coleção Ensaios Transversais, cap. 4, p. 93-113. - https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/historia-da- psicologia-organizacional - https://soac.imed.edu.br/index.php/mic/ixmic/paper/viewFile/60/33 - https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/evolucao- historica-da-psicologia-organizacional/15647 - http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/10888/1/1987_art_acrtupinamba.pdf - file:///C:/Users/Ana%20Paula/Downloads/292-Manuscrito%20do%20artigo-723- 1-10-20180718.pdf - ALENCAR, E.T.S; GOMES, A. A. (2005) Recursos Humanos e a aplicação de testes psicológicos para seleção de pessoal. Apresentação de pesquisa e painel no I Congresso da União Latino - Americana de Psicologia, São Paulo/SP. - BONIFACIO, Claudia Maria. Importância do recrutamento e seleção. Disponível em: <http://www.webartigos.com>. Acesso em: 07 set. 2013 https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-social/psicologia-social-um-compromisso-social https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/historia-da-psicologia-organizacional https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/historia-da-psicologia-organizacional https://soac.imed.edu.br/index.php/mic/ixmic/paper/viewFile/60/33 https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/evolucao-historica-da-psicologia-organizacional/15647 https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/evolucao-historica-da-psicologia-organizacional/15647 http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/10888/1/1987_art_acrtupinamba.pdf file:///C:/Users/Ana%20Paula/Downloads/292-Manuscrito%20do%20artigo-723-1-10-20180718.pdf file:///C:/Users/Ana%20Paula/Downloads/292-Manuscrito%20do%20artigo-723-1-10-20180718.pdf http://www.webartigos.com/ 119 .- Bernabe Soares, Mayara Heloise e Mendes Cardoso, Jorge Manoel. O PAPEL DO PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL NO RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL. Faculdade FCV - https://crppr.org.br/wp-content/uploads/2019/05/168.pdf - http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- 98932002000200004 - https://psicologado.com.br/psicopatologia/transtornos-psiquicos/sindrome-de- burnout - https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/dinmicas-de-grupo/ https://crppr.org.br/wp-content/uploads/2019/05/168.pdf http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000200004 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932002000200004 https://psicologado.com.br/psicopatologia/transtornos-psiquicos/sindrome-de-burnout https://psicologado.com.br/psicopatologia/transtornos-psiquicos/sindrome-de-burnout https://www.rhportal.com.br/artigos-rh/dinmicas-de-grupo/ 120 Curso de Capacitação em Psicologia Organizacional, Síndrome Burnout e Dinâmica de Grupo Se ainda não adquiriu o CERTIFICADO de 160 HORAS pelo valor promocional de R$ 57,00. 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