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AULA 6 DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES DE ALTO DESEMPENHO Profª Fernanda Alves Chaves 02 CONVERSA INICIAL Olá! Ao longo deste curso, debruçamo-nos sobre diversos temas que possibilitaram um aprofundamento no tema “Equipes de Alto Desempenho”. Iniciamos a trajetória falando sobre a importância e os motivos pelos quais as pessoas se agrupam na sociedade, sobre as equipes, que são o melhoramento dos grupos, mas, principalmente, sobre as equipes de alto desempenho nos ambientes organizacionais. Quando pensamos em formar equipes, ou seja, criar equipes a partir de pessoas que inicialmente não se conhecem e não trabalharam juntas, direcionamos o estudo para o conhecimento das características dos membros de equipes de alto desempenho, sobre as particularidades no processo seletivo (ou seja, no processo de escolha de cada uma destas pessoas) e também dos papéis delas na transformação de grupos em equipes. A compreensão dos valores e atitudes humanos nos levam à compreensão e aplicação das categorizações ou tipologias grupais existentes a fim de alcançar os melhores resultados, mas, para chegar a isso, é necessário ter propósitos que sejam comuns a todos e fomentar os vínculos pessoais e organizacionais que podem ser claramente percebidos, utilizando a teoria da análise da curva de performance da equipe, conforme vimos em aulas anteriores. Para criar ambientes motivadores e energizantes de trabalho – que são celeiros de equipes de alto desempenho –, são necessários investimentos na melhoria continua da comunicação grupal, sabendo que as informações e orientações devem ser direcionadas à criação de estímulos nas pessoas e que estes possam gerar necessidades humanas que levem todos a se comportarem a fim de atingir resultados grupais. Para desenvolver membros de equipes de alto desempenho e conseguir extrair o melhor de cada um, estudamos como se dá a confiança entre as pessoas e como assumimos responsabilidades no trabalho – já que os membros são o bem mais importante das equipes. O nível de contribuição das pessoas também pode variar e, utilizando-se da ferramenta feedback de maneira adequada, criamos processos disciplinares melhor estruturados buscando diminuir ou erradicar os conflitos não funcionais nas equipes. Desenvolvendo os membros das equipes e sabendo estabelecer metas reais e alcançáveis que motivem os membros chegamos ao atingimento de resultados. 03 Por fim, chegamos ao elo entre os membros de equipe, entre os objetivos e a organização – chegamos ao líder. O relacionamento bem estabelecido do líder e de seus liderados, pautado em respeito e admiração, floresce o líder inspirador e a equipe de alto desempenho catalisando as forças produtivas de todos em prol dos objetivos com coesão e sinergia. Com assuntos relacionados ao líder e à liderança das equipes de alto desempenho, finalizamos a bateria de aulas que compõem a disciplina “Desenvolvendo Equipes de Alto Desempenho”. Nesta última aula, você terá a oportunidade de se aprofundar nos temas a seguir: Tema 1 – Formação do líder; Tema 2 – Liderança situacional; Tema 3 – Importância da liderança; Tema 4 – Delegando para liderar; Tema 5 – Características de líderes de equipe. Vamos lá! CONTEXTUALIZANDO Liderança é um dos assuntos mais estudados no macro tema negócios. Existe uma infinidade de livros, artigos e cursos sobre liderança e sobre como os líderes fazem com que equipes se tornem vencedoras. No entanto, quando estudamos as equipes de alto desempenho – o que temos feito nas últimas cinco aulas –, percebemos que, aparentemente, os membros destas equipes são tão maduros, competentes e coesos que não precisariam, a priori, de uma liderança institucionalizada. As características dos líderes que têm a capacidade de criar e manter equipes de alto desempenho são definidas como profissionais exemplares e muito inspiradores. Ao longo dos temas a seguir, seremos levados ao entendimento de que os verdadeiros líderes são aqueles que acreditam que isso é resultado de se trabalhar, disciplinadamente e arduamente, com coerência, consequência e consistência das falas e ações. Assim, dedicaremos as próximas páginas à compreensão do papel do líder e dos motivos pelo qual a presença deste é essencial para a condução de equipes ao alto desempenho. 04 TEMA 1 – FORMAÇÃO DO LÍDER As condições que fazem com que o líder seja efetivamente o responsável pelo sucesso de uma equipe são as mais inexplicáveis. Ninguém nasce este líder que aclamamos e nem todos aspiram a liderança com tanta ênfase quanto se fala. Se todos os líderes realmente levassem a resultados tão positivos, o mundo corporativo seria diferente. A liderança, assim como quase tudo nas organizações, é cíclica e a estabilidade dos líderes tem relação com os resultados alcançados, com as estratégias da organização, com os modelos de gestão e até com as políticas e relacionamentos internos. Robert Katz (1986, p. 62) é um grande pesquisador dos comportamentos organizacionais e diz que a liderança demanda, basicamente, três competências essenciais em proporções diferentes. Habilidades técnicas – a capacidade do líder de aplicação de conhecimento ou habilidades específicas relacionadas diretamente às atividades da sua equipe. Habilidades humanas – capacidades de trabalhar com outras pessoas, de se relacionar consigo e com as outras pessoas, saber motivar, ser bom ouvinte, tomar decisões, mediar conflitos, liderar efetivamente. Habilidades conceituais – capacidade do líder de analisar cenários e diagnosticar situações complexas e, com base nisso, tomar decisões que levem sua equipe ao atingimento de resultados. As habilidades técnicas são relativamente fáceis de serem adquiridas e aprimoradas, pois dependem exclusivamente da dedicação do líder. Já as habilidades humanas são as mais complexas de serem adquiridas e também as que mais dependem de um líder. As habilidades conceituais, assim com as técnicas, também dependem mais do líder, mas têm um nível de dificuldade extrema em virtude dos vários cenários envolvidos. Quando um líder assume uma equipe de alto desempenho, ele assume os prós e contras da imensa responsabilidade da posição perante todos os envolvidos no processo. É um tanto quando difícil imaginar que a escolha de um profissional para ser líder, por parte da empresa, seja o mais acertado – mesmo que o líder seja uma pessoa reconhecidamente preparada. A dinâmica grupal do líder e liderados, através do tempo, ditará os desafios do dia a dia e serão 05 necessárias reavaliações de atuações. O sucesso de uma liderança é mais incerto do que podemos levantar com análises. O processo de construção de uma liderança costuma ser ignorado ou minimizados pela maioria das organizações. Jeronimo Mendes (2012, p. 156) diz que o líder se forma com o desenvolvimento e dedicação árdua a: Autoavaliação – É quando o líder se pergunta se está pronto, ou não, para ser líder. Se ele está devidamente distanciado da operação e já mudou seu modelo mental na busca estratégica. É quando a pessoa se questiona sobre em que nível estão suas habilidades técnicas, humanas e conceituais, mas, principalmente, quando ele descobre suas lacunas de desenvolvimento. Internalização – É quando a pessoa levantou todas as características básicas de um líder e associou isto à análise dos atributos de um líder de equipes de alto desempenho. Outra coisa importante é mapear seus pontos fortes e fracos para iniciar o processo de transformação e aprendizado da liderança. Mudança de hábitos – É quando, de posse do conhecimento sobre as características, competências e habilidades imprescindíveis a um líder, você começa a assumir a responsabilidade e se predispõe afazer mudanças profundas de pensamento e de comportamento diante do seu gestor, da sua equipe e de si mesmo. Maturidade – É quando o líder realmente entende que a liderança é um processo constante e interminável de aprendizado interno e externo e se predispõe a suportar a pressão envolvida na busca do atingimento de altos resultados, renovando-se dia a dia sem abrir mão de seus próprios valores e princípios éticos e morais. Se tornar um líder de equipe de alto desempenho respeitado requer um estilo de liderança definidos e pautado em metodologias de atuação. A liderança é uma arte que precisa ser aprendida dia após dia exigindo firmeza, amadurecimento, renúncia e comprometimento com os resultados. TEMA 2 – LIDERANÇA SITUACIONAL Em cenários competitivos e equipes de alto desempenho, o líder é figura cada vez mais importante, que tem a tarefa de influenciar pessoas a entregar resultados elevados e de qualidade. Existe um debate, ao longo dos anos, que 06 questiona: A liderança é nata ou pode ser aprendida? Independente da resposta, existe um conceito comum entre os grandes teóricos da liderança, ela deve ser aperfeiçoada e desenvolvida ao longo dos tempos. Existe no mercado uma infinidade de teorias que discorrem o tema tentando, cada uma delas, abranger o máximo de variáveis possíveis sobre a liderança. Dentre várias (teoria dos traços de personalidade, teoria dos estilos de liderança, teoria do líder transacional, teoria do líder transformacional, teoria do grid de liderança, teoria contingencial etc.), destacamos a Teoria da Liderança Situacional, desenvolvida por Paul Hersey e Kenneth Blanchard e apresentado no livro Psicologia para Administradores: A teoria e as técnicas da liderança situacional. Esta teoria enfrenta ambientes competitivos e desafiadores ajustando o líder à situação na qual tanto ele quanto a equipe estão inseridos. Ou seja, é por meio da relação entre líder e liderados que é classificada a maturidade de cada membro de equipe e adequado o comportamento do líder. Segundo os próprios autores da teoria, ela se baseia na relação entre o tipo de orientação e direção que o líder oferta a sua equipe de acordo com a maturidade e o desempenho na tarefa que cada um dos profissionais apresenta. Nesse modelo, a maturidade do membro de equipe pode ser definida não apenas como a vontade, mas também a capacidade de o membro assumir a responsabilidade sobre si e seus comportamento. Figura 1 – Níveis de maturidade Fonte: Hersey; Blanchard, 1974. 07 Existem quatro níveis de maturidade, sendo eles: M1 – Profissionais com baixa maturidade costumam ser novos na tarefa e não estão preparados para realização das atividades. Há pouca confiança na sua atuação. M2 – Profissionais com maturidade baixa ou moderada já desenvolveram experiência na tarefa, mas ainda têm dificuldades em realizá-la. Estão motivados, mas precisam de apoio. M3 – Profissionais com maturidade moderada ou alta apresentam alto conhecimento e experiência, mas estão desmotivados. M4 – Profissionais com alta maturidade são pessoas que já têm o domínio das suas tarefas e são altamente motivados para realizar as atividades. De acordo com a maturidade de cada membro de equipe, cabe ao líder a leitura e, após isso, entender e aplicar um dos quatro estilos de liderança, de acordo com sua equipe. Dessa forma o líder deve utilizar um dos quatro estilos de liderança: E1 – Direcionar: Quando a equipe se encontra no estágio de formação (M1), o comprometimento é alto, porém a equipe ainda está tentando entender o que se espera dela. Nesse caso, o líder deve direcionar cada membro da equipe, dar uma diretriz clara do que deve ser feito, alinhar as expectativas de cada membro com as expectativas do projeto. E2 – Persuadir: Quando a equipe se encontra no estágio de conflito (M2) as preocupações são maiores com os conflitos do que com os objetivos do projeto. Se o conflito atingir um estágio irreversível, existe risco alto de o projeto fracassar. Quando está nesse estágio, o líder deve ter um papel diferenciado como coaching (pessoa que, com técnicas apuradas, auxilia outrem a avançar em alguma área da sua vida profissional, pessoal, esportiva etc.), direcionando os membros da equipe a atuarem de maneira profissional e positiva em grupo por meio do auxílio na resolução de conflitos e construindo times com os talentos individuais. E3 – Compartilhar: Quando a equipe se encontra no estágio de normatização (M3), a tendência é que a equipe comece a atuar de forma auto-organizada (equipes que sabem o que tem que ser feito, como deve ser feito e como se organizar para atingir o objetivo), tendo o líder como 08 uma figura de suporte e de líder servidor, muito mais que um direcionador de tarefas. E4 – Delegar: A equipe está no auge da auto-organização, no estágio de desempenho (M4), altamente comprometida com os objetivos do projeto e vê em seu líder o grande capitão, inspirador e coach. O líder pode delegar responsabilidades e fazer um acompanhamento macro, pois sabe que tem uma equipe de altíssimo nível nas mãos. Assim, o modelo de Hersey e Blanchard (1974) auxilia o líder a identificar os níveis de maturidade dos seus membros de equipe, induzindo-o a assumir os comportamentos necessários para alcançar o melhor de si (em competências técnicas e comportamentais) e dos seus liderados. TEMA 3 – IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA A formação de equipes de alto desempenho demanda investimentos altos e permitir que essas equipes fracassem ou produzam menos do que poderiam causa problemas para os membros da equipe, para a organização e, principalmente, para a liderança. Independentemente do grau de dificuldade das metas, existem equipes que alcançam resultados extraordinários e outras que, infelizmente, falham. É nessas horas que valorizamos e percebemos o papel da liderança de maneira mais enfática. Don Carew e Eunice Parisi Carew revelam alguns casos de fracasso de equipes de alto desempenho no livro “Liderança de Alto Nível”, de Ken Blanchard (2011). Embora as razões destes fracassos não sejam diretamente das suas lideranças, estas têm papel muito importante, pois poderiam, sim, por meio de um trabalho mais efetivo, evitá-las. São elas: Falta de sólidas diretrizes que possam ajudar a equipe a definir seus propósitos e objetivos centrais, além de ajudar a trabalhar de forma coesa para alcançá-lo. De maneira geral, o líder deve ser o responsável pelo propósito da equipe e também pela disseminação e lembrança diária dos objetivos a serem alcançados, além de auxiliar no entendimento do resultado final das atividades e na relação deste resultado com as outras áreas da empresa. 09 Falta de responsabilidade mútua, ou seja, quando os resultados não são alcançados, a responsabilidade precisa ser assumida por todos, e não se deve culpar ou perseguir membros de equipe. Falta de recursos para efetivação ou cumprimentos dos objetivos ou a falta de respeito ou do uso criativo e eficaz destes recursos, sejam eles financeiros, materiais, equipamentos, mas, principalmente, das pessoas. Falta efetiva da liderança, que é quando o líder se abstém de orientar, delegar ou compartilhar que são atividades inerentes a sua atividade. Falta de normas que fomentes e estimulem o pensamento criativo, fazendo com que os membros de equipe tenham permissão para se arriscar e buscar excelência. Falta de planejamento, pois não existe equipe, em qualquer nível de maturidade, que resista ao trabalho sem o mínimo planejamento norteador de ações e de papéis. Talvez seja esta a principal atividade de um líder, planejar e nortear seus liderados em um plano. A inabilidade para lidar com conflitos é um dos principais ofensores de um líder em uma equipe de alto desempenho, pois as empresas sãoessencialmente uma fonte inesgotável de conflito e o líder maduro sabe lidar com eles. Falta de treinamento em habilidades de trabalho em equipe em todos os níveis, pois, naturalmente, o ser humano precisa aprender a trabalhar em equipe respeitando o próximo e direcionando suas potencialidades no atingimento dos resultados sem se descomprometer do todo. De maneira geral, conquistar um cargo de liderança é muito mais fácil que manter-se nesta atividade, performando adequadamente. Suportar a pressão da liderança depende de um processo longo e exaustivo de construção baseada em princípios e valores sólidos que possam ser repassados aos liderados. TEMA 4 – DELEGANDO PARA LIDERAR É necessária uma comparação cuidadosa entre poder e liderança, pois os dois conceitos são estreitamente interligados. Os líderes utilizam-se do poder como um meio de atingir as metas do grupo, um meio de facilitação das suas atividades de realizações. Poder e liderança podem ser diferenciados quando falamos sobre o respeito a compatibilidade de metas, pois o poder em si não requer 010 compatibilidade de metas, apenas dependência. Já a liderança requer coerência entre as metas do líder e a dos liderados. Uma segunda diferença é a direção da influência, pois a liderança influencia para baixo hierarquicamente, já o poder, não. O que determina a influência de líder sobre os seus liderados ou dos membros de uma equipe sobre outros membros é o poder, o qual pode ser classificado em cinco categorias, segundo John French e Bertran Raven (1959, p. 153). Poder coercitivo – é aquele que direciona as ações de outrem, utilizando- se do medo ou de uma possível repressão. Poder de recompensa – é o oposto do poder coercitivo e a influência se dá, pois, as pessoas concordam que a orientação de outrem pode produzir benefícios positivos. Poder legítimo – É o poder que uma pessoa recebe em resultado de uma posição hierárquica formal. Poder da competência – é a influência exercida como resultado de uma habilidade especial, uma especialização ou um conhecimento. Poder de referência – A base desta influência é a identificação com a pessoa por esta ter recursos desejáveis ou traços pessoais admiráveis. Existe uma tendência desenvolvida nas últimas décadas que traz enormes implicações para a liderança, é a tendência do empowerment ou da delegação do poder. Os grandes líderes estão partilhando seu poder e suas responsabilidades entre os membros da equipe fazendo com que seus liderados mostrem confiança, tenham maior visão, eliminem barreiras de bloqueio de desempenho, ofereçam estímulos, motivem e até treinem seus colegas liderados. Essa inclusão de uma liderança que, a princípio, parece ser compartilhada soa um pouco estranha inicialmente, já que o líder construído no senso comum é diretivo, orientado a tarefa e até um tanto autocrático. O problema com este movimento de delegação de poder é que ele tende a ignorar os limites da liderança compartilhada e suas condições. Em virtude da horizontalização das hierarquias organizacionais, as habilidades técnica, humana e conceitual dos próprios membros de equipe têm sido enaltecidas. As equipes autogerenciadas (com alto nível de maturidade de seus membros) são ótimo exemplo de uma abordagem de delegação de poder. Neste cenário, precisamos levar em consideração não apenas o movimento de delegação de poder pelos líderes, mas, também, a capacidade dos liderados 011 de receberem estas responsabilidades. Já sabemos que um dos maiores elementos de ser um bom líder é ter bons liderados, pois não é possível exercer a liderança de uma equipe que não se permite isso. Muito recentemente, começou a reconhecer-se que, além de ter bons líderes, as empresas precisam ter bons seguidores e as qualidades principais de um bom liderado, de acordo com Richard Luecke (2010), em seu livro Criando Equipes, são: Bons membros de equipe administram a si mesmos – São capazes de pensar por si próprios e trabalham sem a necessidade de supervisão próxima. Bons membros de equipe são comprometidos com o objetivo comum e consigo mesmos – Estas pessoas são comprometidas com algo, uma causa, um produto, uma equipe ou até a outras pessoas e também são muito comprometidas consigo, moral e eticamente. A maioria das pessoas gostam de trabalhar com outras pessoas que estejam tão comprometidas quanto ela, física e emocionalmente. Bons membros de equipe concentram esforços e desenvolvem competências que percebem necessárias – Estas pessoas identificam habilidades e competências necessárias a suas atividades, verificam suas lacunas de performance e se empenham com altos níveis no seu aprendizado e na busca dos objetivos. Bons membros de equipe costumam ser corajosos, honestos e dignos de confiança – Estes membros se estabelecem como pensadores independentes com altos padrões éticos, dando crédito onde estes são devidos e sem medo de admitir seus erros. O cenário das equipes de alto desempenho é feito de bons líderes e bons liderados, que trabalham em conjunto para o atingimento das metas comuns e, eventualmente, quando necessário, podem trocar de papéis situacionalmente sem prejuízos à coesão grupal. TEMA 5 – CARACTERÍSTICAS DE LÍDERES DE EQUIPE Saber selecionar pessoas, integrá-las a uma equipe composta de pessoas diferentes e com potencialidades diferentes, conhecer os pontos fortes e pontos a serem desenvolvidos, orientando-os ao atingimento de objetivos comuns, 012 desenvolvendo-os e criando metas desafiadoras, são macro atividades de um líder. Para fazer tudo isso, é primordial gostar de pessoas, gostar de gerir pessoas. Os líderes costumam ser automotivados, dedicados, comprometidos, mas, principalmente, proativos e ambiciosos por excelentes resultados. Muito diferente do que se imagina inicialmente, personalidade e crença são mais importantes que as habilidades e competências técnicas. O líder que é coerente e consistente terá, como consequência, uma liderança de sucesso e inspiradora. Ricardo Muniz (2012), em seu artigo Grandes líderes são coerentes, consistentes e consequentes, apresenta de maneira objetiva e simples as características que fazem de uma pessoa um líder. Ser inspirador – Pessoa que tem histórias de resiliência e superação. Ser exemplar – Pessoa com atitudes, hábitos e costumes coerentes com o que dizem e fazem. Gostar e entender genuinamente as pessoas – Compreender, escutar, apoiar, desafiar, conhecer, reconhecer, querer e gostar de pessoas. Ser coerente – Ter atitudes e comportamentos que condigam com suas próprias crenças e valores. Ser consistente – Falar e fazer o que acredita e valorizar a credibilidade. Ser eterno aprendiz – Não perder nenhuma oportunidade de aprender e se desenvolver. Ter humidade – Ser desprendido de ego. Ter escuta ativa – Se interessar pelo que as pessoas dizem e fazer leitura das pessoas. Saber se comunicar – Ser capaz de comunicar as expectativas, reconhecer e repreender, utilizando-se de feedback quando necessário. Contratar as pessoas certas – Planejar a vaga até integrá-la com pessoas aderentes. Motivação para equipe – Capacidade de integrar, articular e negociar com pessoas para atingimento de resultados. Saber dizer não – Analisar cenários e saber a hora de dizer não para as pessoas, com embasamento. Ter missão ou legado – Todo grande líder tem uma missão que pauta suas ações. Todo líder quer deixar um legado condizente com sua missão. Se conhecer – Autoconhecimento e busca de quem se é, porque é e como é. 013 Encorajar e delegar – Empodere sua equipe e delegue, ensinando que a liberdade requer responsabilidade. Ser técnico (coach) – Saber ensinar e liderar diagnosticando que os níveis de competência e comprometimento do aprendiz. Ter inteligência emocional– Saber equilibrar seus sentimentos e emoções para que eles ajudem ao alcance dos objetivos Ter atitude positiva – Demonstrar atitudes positivas e integridade mesmo em situações adversas. Ser empático – Se colocar no lugar do outro e fazer esforços para sentir o que ele sente. Fomentar a diversidade – Fomentar a integração de pessoas diferentes sendo capaz de evitar conflitos. Ser bom com análises – Ter a capacidade de leitura e análise dos mais diversos cenários que envolvam sua atividade ou sua equipe. Treinar, treinar e treinar – Vivenciar as coisas, sem medo de ter que repetir se necessário. Quando elencamos as características o líder de uma equipe de alto desempenho, deparamo-nos com um profissional altamente qualificado e com uma propensão muito grade ao desenvolvimento, tanto seu quanto de sua equipe. Mas, talvez o aspecto mais importante seja que esta pessoa precisa ter em mente que nenhum produto ou serviço a ser entregue é mais importante que a equipe talentosa que o desenvolveu. FINALIZANDO A liderança representa um papel fundamental na compreensão da dinâmica grupal envolvida em equipes de alto desempenho pelo simples fato de que o líder é quem, geralmente, fornece a direção para a realização das metas e objetivos comuns deste grupo de pessoas altamente qualificadas e com grande sinergia. Nesta última aula, trouxemos os aspectos importante para a formação de um líder, pois entendemos que esse profissional não nasce feito, ele precisa de aprimoramento constante. Um grande avanço em nossa compreensão de liderança pode ser percebido quando reconhecemos, por meio da Teoria Situacional da Liderança, a necessidade de incluir fatores situacionais e variáveis que pautam o comportamento do líder para o atingimento de resultados. 014 Além disso, pudemos esperar mais progressos das equipes de alto desempenho na busca pelas metas quando agimos preventivamente na minimização das falhas, à medida que aprendemos mais sobre as características pessoas dos seguidores, dos membros de equipe. A liderança com a delegação de poder vem se mostrando cada vez mais popular, porém os líderes não devem presumir que delegar poder aos membros das equipes é um estilo que pode ser adotado em todas as ocasiões. Finalmente, enfocamos algumas questões contemporâneas e comportamentais, ou seja, algumas características pessoais que os liderados tendem a associar a líderes mais carismáticos favorecendo o comprometimento e a lealdade da equipe. 015 REFERÊNCIAS BLANCHARD, K. 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