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PADRONlZAÇÃO
DE
MEDlCAMENTOS
s medica111entos represenram uma das maiores parcelas
dos cusros hospitalares. A racionalização dos gastos com
medica rnenLos garanLe que o usuário receba a melhor
terapêutica ao n1enor custo, de acordo con1 a realidade
nacional. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preco-
niza a cobertura terapêutica da população, en1 uma polí-
tica de assistê11cia médico-farn1acêutica, com cerca de 270
íármacos básicos.
E11te11de-se por padronização de 111edican1entos a co11stitui-
ção de u1na relação básica de produtos que atendan1 aos
critérios propostos pelo Ministério da Saúde. Conslituindo
os estoques das farmácias hospitalares, esse tipo de re lação
objetiva o atendimento médico-hospitalar de acordo com
as necessidades e peculiaridades de cada instituição. Assin1,
os itens selecionados devem ser de an1plo aproveitan1ento,
desde que seja de for111a equilibrada e qualitativa.
Tal medida acarreta a utilização racional do arsenal
terapêutico, proporcionando como vantagens preápuas,
entre outras, as seguintes:
• reduzir o custo de terapêutica sem prejuízos para a se-
gurança e a eficácia dos medica1nencos;
• raciona lizar o número de rnedicamentos. com conse-
quen te redução dos custos de aquisição do arsenal te-
A • rapeuuco;
FARMÁCIA HOSPITALAR UM ENFOQUE EM SISTEMAS DE SAÚDE
• facilitar as atividades de planejamento, aquisição, arn1a-
zenamento, distribuição e con1role dos n1edica .1nenros;
• disciplinar o receituário 1nédico-hospitalar e uniformi-
~ .
zar a terapeuuca;
• aumentar a qualidade da farmacoterapia e facil itar a
vigilância farmacológica;
• disciplinar a inclusão e/ou exclusão de n1edicame11ros
quando necessário;
• possibilitar o uso de u1na mesma linguagen1 (non1e
genérico) por todos os 1nen1bros da equipe de saúde;
• propiciar a sistematização de informações sobre o arse-
nal terapêutico.
ll COMlSSÃO DE FARMÁCIA E TERAPÊUTICA (CFT}
Unia estratégia de j)adronização é a criação de uma co-
missão de farn1ácia e terapêutica {CFT), destinada espe-
cialn1ence a essa finalidade.
A seguir, apresencamos un1a proposta de estatuto para
tal comissão, com a intenção de facilitar sua implantação.
m MODELO DE ESTATUTO PARA COMISSÃO
DE FARMÁClA E TERAPÊUTlCA (CFT}
CONCEITO
A CFf é a junta deliberativa designada pe la diretoria
clínica co1n a finalidade de regulan1e11tar a padronização
dos 1ncdican1e11tos utilizados 110 receituário hospitalar.
OBJETIVO
Padronizar o elenco de medicamentos; divulgar, alterar
e elaborar estudos; registrar informações e manter arqui-
vo da documen1ação pertinente.
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
' CRITERIOS
1. Padron izar medicamentos pelo non1e genérico, confor-
1ne a Deno1ninação Comu1n Brasile ira (.DCB).
2. Padronizar n1edicame.ntos com um único princípio
ativo, excluindo-se, se1npre que possível. as associa-
-çoes.
3. Padronizar de preferência medica n1 en tos que resguar-
den1 a qt1alidade, levando-se en1 conta o i11enor custo
de aq ui sição, armazenamento, dispensação e con trole.
4. Padronizar, preferenciahnente, formas far1nacêuticas
que permita1n a individua lização na distribuição.
5. Padronizar formas farmacêu ticas, apresentação e dosa-
gcn1, considerando:
- a co1nodidade de administração aos pacientes;
- a faixa etária da clientela;
- a facilidade para cálculo das doses usuahnente mi -
nistradas;
- a facilidade de fraciona1nento ou m ultipli cação de
doses.
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Cornposição
Sugere-se que a CFf seja constituída de:
• um (1) far1nacêutico- chefe da Far1nácia ou farmacêu -
tico por ele indicado, que atuará como membro nato;
• um ( l) 1nédico - representante da Clínica Médica;
• um ( l) médico - representan te da Clínica Cirúrgica;
• um ( 1) inédico - representante da Pediatria;
• um ( l ) médico - presidente da Comissão de Co11tro lc
de Infecção Hospitalar (C.C.I.H.) ou médico por ele
ind icado;
• u m ( l) eníermeiro - chefe de En fe rmagem ou enfer-
1neiro po r ele indicado.
FARMÁCIA HOSPITALAR UM ENFOQUE EM SISTEMAS DE SAÚDE
Representante da
Residência Médica
Representante
da Enfermagem
Farmacêutico Chefe
..
Membro Eventual
(Suplente)
Representante da
Clínica Médica
Representante da
Clínica Cirúrgica
Membro da C.C.l.H.
Representante da
Clínica Pediátrica
Representante da Clínica
Ginecologia/Obstetrícia
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA COMISSÃO OE PADRONIZAÇÃO
Competência da Comissão
Cabe à CFT:
• estabelecer critérios para inclusão e exclusão de mcdi-
can1entos;
• elaborar a lista de medicamentos padronizados, divul-
gá-la periodican1ente e determinar seu uso co1110 ins-
trumento básico para prescrição rnédica;
• rever e atualizar a lista de medicamentos padronizados
anualmente;
• estudar os 1ncdica1ncntos do ponto de vista clínico, bio-
f a r1nacoci nético e quín1ico, emitindo parecer técnico
sobre sua eficácia terapêutica. como critério f undamen-
tal de escolha;
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
• registrar dados farmacológicos e clínicos rela tivos a
novos medicamentos ou agen tes cerapêucicos propos-
tos pa ra uso no hospital;
• divulgar informações relacionadas a estudos clínicos
relativos a medicamentos incluídos e excluídos;
• servir con10 órgão assessor à equipe de saúde e à admi-
nistração do hospital em assuntos relacio11ados a medi-
camentos.
Atribuições
Do PRESIDENTE
• convocar e presidir reuniões da comissão;
• dirigir os trabalhos da comissão;
• indicar seu substituto en rre os membros da comissão;
• representar a comissão perante a diretoria clínica;
• subscrever os documentos e as resoluções da co1nissão;
• estabelece r a orden1 do dia para as reuniões ordi11árias
e excraordinárias;
• distribuir as tarefas para os 1nen1bros da comissão.
00 SECRETÁRIO
• registrar cm atas as resoluções da comissão;
• receber e expedir a doct1men1ação da co1nissão:
• manter arqu ivo de documentação;
• registrar em fichas individualizadas, para cada medica -
n1e11to padronizado, informações pertinentes às ocor-
rências relativas a seu uso.
Dos M.E1'v\BROS DA COMISSÃO
• co111parccer às reuniões convocadas;
• colaborar com os trabalhos da comissão quando solici-
tado pelo presidente.
Instruções Gerais
1. A CFT deve subordinar-se à diretoria clínica.
FARMÁCIA HOSPITALAR UM ENFOQUE EM SISTEMAS DE SAÚDE
2. Os mernbros da CFT serão designados pelo diretor clí-
.
nico.
3. O presidente da CFT é eleito por set1s pares na prin1ei-
ra reunião da co1nissão.
4 . O diretor clínico designa o fa rn1acêu tico, representan te
da Farmácia, con10 n1embro nato da CFT, o qual desem-
penhará, entre outra funções, a de secretário executivo.
5. O mandato dos 1ne1nbros da CFT corresponde ao perío-
do de mandato da diretoria clínica do hospital.
6. A CFT deve reunir-se ordinaria1nente a cada trinta (30)
dias ou, extraordinarian1ente, quando necessário, para
avaliar so licitações de inclusão e/ou exclusão de medi-
camentos.
7. Para cada reu11ião rea lizada, deve ser lavrada ata, subs-
crita pelos presentes.
8. As resolt1ções da CFT terão caráter norn1ativo e deve-
rão ser cumpridas pela equipe de saúde.
9. Os casos ornissos serão resolvidos pela diretoria clínica,
em reunião convocada para esse fim.
il PADRONlZAÇÃO DE MEDlCAMENTOS
•
ESTRATEGIAS
1. Pesquisar, com a equipe de saúde, as necessidades bá-
sicas, en1 n1edicamentos, para o ace11dimenro médico-
hospitala r, considerando o perfil epide1niológico das
doenças incidentes e prevalecentes.
2 . Agrupar os medican1entos por aparel ho e/ou grupo
farmacológico.
3. Adotar o nome genérico para relacionar os 1nedica-
111entos.
4. Me11cionar, após cada nome ge11érico, a apresentação e
a dosagc1n.
5. Elaborar índice geral por grupo farmacológico ou apa-
relho.
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
6. Elaborar índice remissivo por nome genérico.
7. Divulgar a Pad ronização de Medicamentos por inter-
1nédio da diretoria clín ica do hospital.
ROTINAS1. A CFT fica incun1bida de elaborar rotinas relativas à
padronização definitiva de 1nedicam e11cos (inclusão) .
2. Ro tinas de aquisição de 1nedicamen 1os não-padroniza-
dos e1n situações especia is (receituário eventual).
ESTRATÉGIAS DE IMPLANTAÇÃO DA PADRONIZAÇÃO
Após a seleção do arsenal terapêtitico pela comissão, a
proposta deverá ser aprovada pelo corpo clínico, podendo
ser rea lizada por meio de um questionário, como o suge-
rido a seguir. Essa fase é chamada de pré-padronização.
Co1no rotina para solicicação de padronização definiti-
va e disciplinar ou de uso eventual, podemos utilizar as
rotinas e os 1nodelos de impressos sugeridos a segu ir.
Rotina para Solicitação de Padronização Definitiva
I. O chefe de clí11ica deverá preencher formulário apro-
priado, que íicará disponível nos postos de enferma-
gem e no serv iço de farmácia.
2 . A soliciração será encaminhada à farmácia, onde serão
anotadas as infor1nações téc11icas necessárias à avalia-
ção da Co1nissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) .
3 . A CFT emitirá parecer conclusivo sobre a padronização
defu1itiva ou 11ão do medicame11to solicitado.
4 . O serviço de farinácia co111unicará ao 1n édico sobre a
decisão final e, cm caso positivo, providenciará a pa-
dronização e a con1pra inicia l.
FA RM ÁCIA HOSPITALAR U M EN FOQUE EM SIS T EM AS DE SA Ú DE
QUESTIONÁRIO DE AVAUAÇÃO DA PROPOSTA DE PADRONIZAÇÃO DE
MEDICAMENTOS E CRIAÇÃO DE (OMISSÃO OE FARMÁCIA E TERAPtUTICA
Este questionário tem por objetivo colher opiniões sobre uma proposta de padronização de
medicamentos para o Hospital e de implan-
tação de uma Comissão de Farmácia e Terapêutica (propostas anexas).
Nome: _________________________ _
Cargo: _________________________ _
Clínica ou setor: ______________________ _
1. A proposta de padronização anexa atende às necessidades terapêuticas desta clínica:
( ) Totalmente ( ) Satisfatoriamente
( ) Parcialmente ( ) lnsatisfatoriamente
2. Quais os medicamentos não contemplados nessa padronização e que deveriam ser
incluídos? Justifique sua resposta.
3. Em relação à proposta de criação e ao estatuto da Comissão de Farmácia e Terapêutica
(CFT). qual é sua avaliação?
( ) Altamente favorável
( ) Indeciso
( ) Favorável
( ) Contrário
4. Quais sugestões acrescentaria à proposta da CFT?
Assinatura
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
Rotina poro Aquisição de Medicamento
Não-Padronizado (Uso Eventual)
1. Quando efetuar a prescrição, o médico deverá verificar
se todos os medicamenros prescritos estão padroniza-
dos pelo hospiral.
2. En1 caso de consta r na prescrição algum medicamento
não-padronizado, o médico deverá preencher o formu-
lário apropriado, que ficará disponível nos postos de
cnfc r111agcm e no se rviço de fa rrnácia.
3. A solicitação será encaminhada à farmácia, onde serão
anotadas as informações técnicas necessárias à avalia-
ção da Co111issão de Far1nácia e Terapêutica (CFT).
4. O serviço de enfermagem conferirá a prescrição antes
de remetê-la ao serviço de farmácia. Caso o for1nulário
não tenl1a sido preenchido, a enfermagem enrrará em
contato com o tnédico, reitera11do sobre a necessidade
do cu1nprirnento dessa rotina.
5. A CFT en1itirá parecer conclusivo sobre a aquisição do
1nedicamento solicitado ou sugerirá a utilização de um
sinúlar padronizado pelo hospital.
6. O serviço de far1nácia comunicará à enfermagem a
decisão final. Em caso de parecer positivo, providencia-
rá a aqu isição, em regime de urgência, para atender ao
paciente.
7. A CFT poderá outorgar essa atribuição ao serviço de
fa rmácia, em reunião o rdinári a, tendo e m vista que tais
solicitações ocorrem em ca rá ter de urgência e necessi-
tam de decisões rápidas.
FARMÁCIA HOSPITALAR UM ENFOQUE EM SISTEMAS DE SAÚDE
FORMULÁRIO DE SOLICITAÇÃO DE PADRONIZAÇÃO DEFINITIVA
Campos a serem preenchidos pelo médico
Médico:------------- Clinica: ________ _
Data:_/ ! __
Medicamento: -----------------------
Nome genérico:-----------------------
Dosagem: ____ Forma farmacêutica: _____________ _
Justificativa:
-----------------------~
Ao Serviço de Farmácia, em __ ./ __ ! __
Assinatura: _______________ _
carimbo
Campos a serem preenchidos pelo Serviço de Farmácia
Preço de comercialização:---------------
Similares padronizados e respectivos preços de compra:. __________ _
A CFT, em __ .! __ .! __
Assinatura: _______________ _
carimbo
Campos a serem preenchidos pela CFT
Parecer: -------------------------
Padronizar: ( ) Sim ( ) Não
Ao Serviço de Farmácia, em / / __
Assinatura:. _______________ _
carimbo
PADRONIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS
FORM ULÁRIO DE SOLICITAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTO
NÃO-PADRONIZADO (RECEITUARIO EVENTUAL)
Campos a serem preenchidos pelo médico
Médico: -------------D ata:_/ / __
Paciente: ____________ leito: ____ Idade:. ____ _
Medicamento:. _______________________ _
Nome genérico: ______________________ _
Dosagem:______ Forma farmacêutica:. ____________ _
Justificativa: ------------------------
Ao Serviço de Farmácia, em __ ./ __ / __
Assinatura: _______________ _
carimbo
Campos a serem preenchidos pelo Serviço de Farmácia
Fabricante/Fornecedor: ____________________ _
Preço de comercialização: ___________________ _
Origem: ( ) Nacional { ) Importado país de origem:. ___ _
Custo estimado do tratamento: -------------Similares padronizados e preços de compra: ______________ _
A CFT, em _ __,/ __ ./ __
Assinatura: ----------------carimbo
Campos a serem preenchidos pela CFT
Parecer:-------------------------
Adquirir: { ) Sim ( ) Não
Ao Serviço de Farmácia, em / ! __
Assinatura:. _______________ _
carimbo
FARMÁCIA HOSPITALAR UM ENFOQUE EM SISTEMAS DE SAÚDE
Sendo a padronização un1 dos principais recu rsos 1)ara
o traba lho em consonância com o corpo clínico no que diz
respe ito à Iarn1acoterapia dos pacientes, falaremos a se-
guir de outro recurso que pode ser i1nplantado para a
melhoria das informações sobre 1nedicamentos aos profis-
sionais da área da saúde.
CENTRO DE INFORMAÇÃO DE MEDICAMENTOS (CIM)
O Cent ro de Informação de Medicamentos é o local
onde se realiza a seleção, a análise e a ava liação das fon-
tes de informação sobre 1nedicamentos, permitindo a ela-
boração e a comu11icação de informações corretas para os
profissionais da saúde.
Porcanco, seu principal objetivo é fornecer infor1nações
para o uso raciona l de n1edicamentos. Suas niais releva11-
rcs funções são:
• promover a assistência terapêutica (farmacovigilância,
análise farmacocconô1n ica etc.);
• promover educação conrinuada (treina1nento);
• informar aos profissio11ais da área da saúde dados im-
portantes sobre os mcdica1nc11tos.
Para a in1pla11tação do CIM, é preciso fazer LlID levru1-
tamento sobre os recL1rsos hL1ma11os e a estrutura física
, .
nccessar1os.
1. Estrutura Física
• computador(es);
• linha telefônica;
, .
• ar1nar1os;
. • arquivos;
• biblioteca atualizada.