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CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 1
Prof. Diones Fernandes Zanin
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CONVERSA INICIAL
Vamos aprender mais sobre o funcionamento e aplicação da
contabilidade ao agronegócio, lembrando sempre que que o Brasil possui
participação significativa nesse ramo econômico. Nesta aula, serão abordados
alguns aspectos conceituais relativos à contabilidade rural, para melhor situá-los
nesse ramo contábil. Na sequência, trataremos sobre algumas questões
relacionadas à maneira de se determinar o exercício social na atividade rural.
Com base em conhecimentos prévios abordados, chega o momento de tratar a
ligação entre a contabilidade rural e o CPC 29, que trata dos ativos biológicos,
parte integrante desse ramo contábil. Encerraremos esta aula tratando da
aplicação da contabilidade rural com foco na atividade agrícola, a qual se divide
em culturas temporárias e culturas permanentes. Então, vamos entrar nesse
mundo da contabilidade aplicada ao agronegócio!
CONTEXTUALIZANDO
A contabilidade possui aplicabilidade nas mais diversas atividades
econômicas, cabendo aos profissionais buscarem o conhecimento necessário
para essas áreas diferenciadas. Essa diversidade de aplicação da contabilidade
chega até o agronegócio, atividade que possui algumas particularidades, no
entanto segue a mesma lógica contábil dos demais ramos contábeis.
Considerando o cenário brasileiro, que apresenta significativa participação do
agronegócio nas demais atividades, seja fornecendo matérias-primas, gerando
empregos, seja gerando de renda, devendo aplicar a contabilidade para que seja
possível melhorar a forma de gerir os negócios.
TEMA 1 – ASPECTOS CONCEITUAIS DA CONTABILIDADE RURAL –
AGRÍCOLA, ZOOTÉCNICA E AGROINDUSTRIAL
A contabilidade como ciência surgiu com a responsabilidade de gerir o
patrimônio das entidades, nas quais existem os mais variados ramos de atuação
econômica, cabendo a ela se moldar, visando atender às necessidades que
surjam, sempre seguindo os preceitos básicos que originaram essa ciência.
Surge então a necessidade de aplicar a contabilidade ao meio rural, pois
verifica-se que as atividades econômicas desenvolvidas nesse ambiente
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também necessitam da devida contabilização, apuração de resultados, bem
como uma gestão do patrimônio.
Cada propriedade rural é considerada uma entidade contábil, cabendo a
aplicação dos devidos preceitos contábeis, buscando uma gestão com maior
subsidio informacional. Marion (2014) trata a entidade rural ou propriedade rural,
como uma empresa rural, pois relata que são realizadas atividades de cunho
econômico com o objetivo de obtenção de renda, seja uma empresa rural
familiar, seja patronal.
Seguindo o conceito de Marion (2014), podemos perceber que, de certa
maneira, uma propriedade rural pode se equiparar a uma empresa, uma vez que
existe a produção de algo e que se objetiva realizar a venda e a obtenção de
lucro, semelhante a uma entidade comercial ou industrial.
São necessários três fatores de produção para que seja possível atuar na
atividade rural: terra, capital e trabalho (Marion, 2014). Sem esses recursos, a
atividade rural não terá condições de ser desenvolvida, visto a criticidade de se
explorar a terra.
Dentre os fatores de produção citados, o mais significativo é a terra, uma
vez que sem ela não é possível existir produção. Para produzir, são aplicados o
trabalho e o capital, visando ao alcance de renda significativo. Tanto o tamanho,
quanto a qualidade da terra terão influência na produção, cabendo ao produtor
atuar para salvaguardar a capacidade produtiva desse ativo.
O segundo fator de produção é o capital, representado por todos os
equipamentos, benfeitorias, animais e insumos, que são aplicados na terra
visando facilitar a produção. Em alguns casos, o capital terá importância
semelhante à da terra, pois, conforme for a condição da terra, apenas o capital
irá fazer com que se torne produtiva.
Por meio do trabalho, que ocorre para atuar com sinergia, reunindo a terra
e o capital, será aplicado o capital na exploração da terra, sendo o trabalho uma
espécie de “cereja do bolo” para que seja possível o bom andamento da
produção rural.
A empresa rural, ao utilizar seus fatores de produção, irá buscar o máximo
de desempenho de sua propriedade. Dentre as formas de realizar sua atividade,
Marion (2014) expõe três maneiras diferentes de atuar no meio rural:
a. Atividade agrícola;
b. Atividade zootécnica;
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c. Atividade agroindustrial.
Vale ressaltar que não necessariamente o produtor rural atuará em
apenas uma das atividades, podendo mesclá-las em busca de rendimentos
melhores. A contabilidade rural se aplicará em todas as atividades, fornecendo
informações de custos, apuração de resultados bem como dando condições
mais favoráveis à gestão.
A atividade agrícola é considerada a exploração da terra para o cultivo de
plantas, sejam elas hortaliças, forrageiras, cereais, árvores frutíferas, como
também árvores destinadas à produção de madeira. A contabilidade de sub-
ramo rural irá atuar desde o cultivo a momentos de colheita e posterior venda.
Compreende-se a atividade zootécnica como a exploração da atividade
rural por meio da criação de animais, por exemplo, bovinos, suínos, aves,
abelhas, caprino, dentre outros. A atuação contábil se dará tanto para os animais
destinados a corte quanto para aqueles destinados à produção, podendo então
atuar de forma análoga, uma vez que animais destinados ao corte podem ser
considerados como produtos em transformação de uma indústria. Como animais
de produção, podem ser considerados como se fossem máquinas, pois são
alimentados e cuidados para gerarem algum produto de forma contínua.
Caracteriza-se a atividade agroindustrial aquela que, conforme Marion
(2014), é capaz de combinar a seguintes características:
Não alterar a composição e as características do produto in natura;
Ser feita pelo próprio produtor rural, com equipamentos e utensílios
usualmente empregados nas atividades rurais;
Utilizar exclusivamente matéria-prima produzida na unidade rural
explorada.
Dessa maneira, se o beneficiamento dos produtos não cumprir os
requisitos apresentados, não se enquadrará como agroindustrial, e sim como
industrial. No entanto a maneira de praticar a contabilidade se assemelha na
indústria e na agroindústria.
Percebemos como a contabilidade, especificamente a rural, possui um
campo de atuação bem fértil para estudos e aplicação dos preceitos contábeis,
com os quais estamos ficando cada vez mais hábeis no decorrer da graduação.
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TEMA 2 – FORMA JURÍDICA DA ATIVIDADE RURAL – ANO AGRÍCOLA
VERSUS EXERCÍCIO SOCIAL
No meio rural, existem várias particularidades. Neste momento,
trataremos um pouco sobre a forma jurídica de desenvolver a atividade, como
também sobre o conflito entre o ano agrícola e o exercício social.
2.1 Forma de explorar atividade rural
Oliveira (2010) lembra que, no meio rural, existem duas formas de
explorar a atividade (como pessoa física ou como pessoa jurídica), mas existe a
predominância no Brasil da atuação como pessoa física.
Pode-se dizer que uma das causas para haver o predomínio de
explorações por pessoas físicas seja o fato de ser menos oneroso desempenhar
a atividade rural dessa maneira. Tanto os aspectos produtivos quanto de gestão
ficam a cargo da família dona da propriedade, sendo talvez esse outro motivador
da atuação como pessoa física, uma vez que os controles não são tão apurados,
diferentemente se fosse uma gestão profissional.
Por exemplo, para o produtor rural pessoa física que obtiver rendimentos
de até R$ 56.000,00, é dispensada a elaboração de livro-caixa, ao passo que
aqueles que ultrapassarem esse valor necessitam manter livro-caixa com seus
respectivos documentos comprobatórios. O produtorrural pessoa jurídica deverá
realizar toda a escrituração contábil, seguindo os mesmos moldes de uma
empresa do ramo comercial ou industrial.
Além da diferença quanto à documentação, também haverá diferença na
gestão e controle da entidade, sendo uma gestão não familiar, e sim profissional,
pois isso se faz necessário quando se atua de maneira empresarial.
2.2 Ano agrícola versus exercício social
No ramo contábil, é muito comum se falar em ano fiscal, que é o período
de 1 de janeiro até 31 de dezembro. Na maioria das empresas, o período fiscal
também é considerado o exercício social. Isso facilita bastante todos os
processos, pois essas atividades não sofrem a interferência de estações
climáticas, como ocorre no meio rural de forma mais significativa.
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Para o meio rural, o exercício social deverá ser baseado no ano agrícola.
Mas, afinal, o que é o ano agrícola? É o período de 12 meses que inicia o cultivo
até a colheita da principal cultura em termos de rendimentos da propriedade, ou
no caso de a pecuária ser a principal atividade, conforme seu ciclo produtivo para
determinar o ano agrícola.
Caso a propriedade tenha como sua principal fonte de renda a cultura da
soja, que possui plantio em setembro, e colheita prevista entre janeiro e maio, a
entidade deverá trabalhar com esse período como ano agrícola no caso do
exercício social. Caso fosse o milho a cultura principal, o plantio seria em agosto,
com colheita prevista entre dezembro e junho, determinando assim o ano
agrícola. Essas variações decorrem dos momentos adequados para plantio,
conforme o clima, bem como período de maturação das culturas para a colheita.
Em propriedades com predominância de atividades pecuárias, pode
acontecer de o ano agrícola e o fiscal coincidirem, pois a pecuária costuma ter
um ciclo operacional de receitas mensais, seja pela venda de animais, seja pela
venda da produção desses animais.
Considera-se sempre a atividade com maior rendimento para determinar
qual será o ano agrícola da propriedade. Mesmo em casos de existirem várias
culturas na mesma propriedade, sempre deverá haver o discernimento
necessário para verificar qual será a de maior rendimento.
TEMA 3 – CONTABILIDADE RURAL E O PRONUNCIAMENTO CPC 29 –
ATIVOS BIOLÓGICOS
Com o passar do tempo, a contabilidade rural, que não tinha tanta
atenção, passou a ter maior representatividade, principalmente pelo fato de
alguns normativos contábeis tratarem de situações mais comuns para as
entidades que desenvolvem atividades rurais.
O Pronunciamento CPC 29 – Ativos Biológicos surge para reger situações
que envolvem esse tipo de ativos, que são comuns nas atividades rurais, o que
explica a influência desse Pronunciamento no meio rural. Isso se justifica
também ao verificar o seu objetivo:
O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil,
e as respectivas divulgações, relacionados aos ativos biológicos e aos
produtos agrícolas (CPC, 2009, p. 2).
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No tocante aos produtos agrícolas, fica estabelecida de forma fácil a
ligação da atividade rural com esse pronunciamento, sendo abordado todo o
tratamento contábil e a maneira de divulgação.
No entanto, ao falar em ativos biológicos, faz-se necessário recorrer ao
conceito estabelecido pelo próprio CPC 29 (CPC, 2009, p. 4): “Ativo biológico é
um animal e/ou uma planta, vivos.”
Percebe-se que tanto os animais quanto as plantas são objeto de
patrimônio da entidade que atua na atividade rural, que posteriormente poderão
dar origem a produtos agrícolas, todos abrangidos por esse pronunciamento.
Vale ressaltar que também está ao alcance deste as subvenções
governamentais, que estão relacionadas à atividade da empresa rural.
Salienta-se que nem todas as plantas são abrangidas pelo CPC 29, sendo
a exceção as plantas portadoras, as quais têm a função de produção de frutos,
sendo cultivadas para produzir por mais de um período; São exemplos de plantas
portadoras as laranjeiras, pessegueiros, dentre outras plantas frutíferas.
Visando melhor ilustrar o que são ativos biológicos e produtos agrícolas,
o CPC 29 traz um exemplo, conforme o Quadro 1.
Quadro 1 – Ativos biológicos e produto agrícola
Ativos biológicos Produto agrícola Produtos resultantes do
processamento após a
colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para
madeira
Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa
Cana de açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhida Vinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha
Fonte: CPC, 2009, p. 3,
Conforme o exposto no Quadro 1, fica claro como a atividade rural e sua
contabilização se relacionam com o CPC 29, visto que necessitaram dos seus
ativos biológicos para que seja possível realizar a produção, chegando ao
produto agrícola. Assim, a primeira e a segunda coluna são tratadas pelo CPC
29, por serem ativos biológicos e produtos agrícolas, com exceção das plantas
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portadoras, como já abordado. Por outro lado, a terceira coluna apresenta
produtos acabados, que são tratados pelo CPC 16 – Estoques.
Além de tratar dos produtos oriundos das atividades rurais, o CPC 29
também relata que o tratamento contábil é mensurar os ativos biológicos a valor
justo (CPC, 2009).
De maneira bem simples, considera-se o valor justo o valor de troca de
uma mercadoria em uma transação não forçada.
Esse valor justo, em alguns casos, pode ser determinado pelo mercado.
Uma das funções da utilização do valor justo é a de determinar o valor do produto
no lugar da utilização do custo. Isso ocorre porque, dependendo dos controles,
pode ser difícil se estabelecer o custo dos ativos biológicos, bem como o custo
talvez não represente efetivamente o valor dos produtos.
Dessa maneira, podemos dizer que a contabilidade ultrapassa a barreira
de apurar exclusivamente o custo, trabalhando com o valor, o que constitui um
passo a mais para a evolução da contabilidade.
Tal evolução fica evidente ao verificar a aplicação desse normativo por
empresas que exploram a atividade rural e são participantes da B3, sendo esta
o máximo de aplicação do CPC 29. Entretanto esse máximo ainda deixa a
desejar, pois nas divulgações ainda existem pontos falhos quanto à evidenciação
das informações, que poderiam ser mais claras e detalhadas.
As entidades participantes da B3 acabam se preocupando em divulgar os
itens obrigatórios, que acabam sendo mínimos, no entanto poderiam apresentar
mais informações. Já as propriedades rurais de pessoas físicas talvez até
desconheçam a existência de tais normativos, que facilitariam sua gestão,
cabendo a nós, contadores, levar inicialmente a aplicação da contabilidade rural
às propriedades, e posteriormente evoluirmos para a aplicação dessas novas
normas.
Observamos, portanto, que a contabilidade rural possui uma ligação clara
com o CPC 29, e posteriormente veremos de forma mais detalhada sobre a
maneira contabilizar de acordo com o esse pronunciamento.
Saiba mais
Visando apresentar a aplicação do CPC 29 nas empresas da B3, que se
chamava BMF&Bovespa, recomendamos a leitura e análise de dois artigos, um
do ano de 2010, e outro do ano de 2014, ambos com temas semelhantes. Esses
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textos, além de agregarem um conhecimento, também fornecerão a
possibilidade de comparar dois períodos de verificação.
1. CARMO, C. R. S. et al. Pronunciamento técnico CPC:29: um estudo
sobre sua aplicação em empresas de capital aberto do setor sucroalcooleiro
listadas na BMF&Bovespa no ano de 2010. Cadernos da Fucamp, v. 10, n. 13,
2011. Disponível em:
<http://www.fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/6>.Acesso
em: 29 jul. 2019.
2. THEISS, V. et al. Práticas de divulgação dos ativos biológicos pelas
companhias listadas na BM&FBovespa. Registro Contábil, v. 5, n. 3, p. 41-58,
2014. Disponível em:
<http://www.seer.ufal.br/index.php/registrocontabil/article/view/1130>. Acesso
em: 29 jul. 2019.
TEMA 4 – ATIVIDADE AGRÍCOLA – CULTURAS TEMPORÁRIAS
Entende-se como atividade agrícola o cultivo do solo para a produção,
tendo uma divisão nos tipos de culturas a serem cultivadas (as temporárias e as
permanentes).
As culturas temporárias são aquelas que, a cada período de produção,
necessitam ser replantadas, já que, após a colheita, a planta morre, seja pelo
seu corte, seja por ser arrancada totalmente da terra. Temos como exemplos de
culturas temporárias o milho, trigo, feijão, arroz, cebola, alface, dentre outros.
Cada um dos produtos possui seu próprio período de cultivo, alguns com
períodos mais longos entre o plantio e colheita, e outros com períodos mais
curtos. No entanto, mesmo com as particularidades de cada cultura, o processo
contábil é semelhante, sendo acumulados os valores dos custos de produção no
estoque.
Os custos a serem consumidos pelas culturas temporárias serão
compostos por alguns elementos de custos. Essa apuração só será possível
caso a entidade possua o devido controle de tais informações. O Quadro 2
apresenta alguns elementos de custos com uma subdivisão.
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Quadro 2 – Elementos de custos
Insumos Mão de obra Gastos não
desembolsáveis
Outros custos
Sementes;
Mudas;
Adubos;
Pesticidas;
Herbicidas.
Salários;
Horas extras;
Férias;
13º salário;
INSS;
FGTS.
Depreciação;
Exaustão;
Amortização.
Energia elétrica;
Alugueis;
Água;
Combustível.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Conforme exposto no Quadro 2, na primeira coluna que demonstra os
insumos, estão todos os itens utilizados para o início do cultivo e manutenção
das plantas, até o momento em que possa ser iniciada a colheita. Em relação à
mão de obra apresentada na segunda coluna, contemplam-se todos os gastos
com pessoal que atua nos processos produtivos, desde o cultivo até os tratos
culturais e a colheita.
A terceira coluna se destina a todos os valores oriundos da depreciação
de equipamentos, amortização de gastos anteriores e valor de exaustão de
algum recurso natural, que são gastos não desembolsáveis, ou seja, não fazem
com que sejam desembolsados valores no exercício, realizando apenas
apropriação de valores.
Na última coluna, constam exemplos de outros custos que podem ser
utilizados, como a energia elétrica e o aluguel, que também fazem parte do
processo de produção
Todos esses custos serão acumulados no estoque, no entanto, visando
uma classificação adequada, as culturas temporárias terão uma divisão em três
categorias:
Cultura temporária em formação (nome da cultura);
Colheita em andamento (nome da cultura);
Produto agrícola (nome da cultura).
Cada categoria irá acumular custos em um determinado estágio da
produção.
A cultura temporária em formação irá acumular os custos desde o plantio
até o momento em que esteja pronto para colheita, ou seja, todos os gastos com
insumos, mão de obra, depreciação e demais outros custos para plantio e
formação da cultura serão estocados nessa conta.
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Quando a cultura estiver pronta para iniciar a colheita, o saldo da conta
de cultura temporária em formação será transferido para a conta contábil da
colheita em andamento, que, além de herdar os custos já acumulados pela
formação da cultura, irá também agregar os valores consumidos para a
realização da colheita, como depreciação, salários, combustível, dentre outros
gastos.
Após o término da colheita, o saldo da conta de colheita em andamento
será transferido para a conta contábil de produto agrícola, chegando assim a um
estoque que posteriormente será vendido pela entidade rural, visando então
obter lucro. É comum a existência desses gastos, pois no meio rural o preço de
venda dos produtos é ditado pelo mercado. Assim, em muitos casos, compensa
manter o produto agrícola estocado até que o preço seja o mais favorável
possível.
Na sequência vamos observar exemplos de lançamento contábeis das
culturas temporárias, para que assim seja mais fácil compreender a forma de
contabilizar. Algumas legendas serão utilizadas para facilitar:
CTF – Cultura temporária em formação
CA – Colheita em andamento
PA – Produto agrícola
Quadro 3 – Lançamentos das culturas temporárias
Pela formação da planta (gastos desde o preparo do solo até o início da colheita)
D – Nome da cultura CTF (Ativo Circulante – Estoques)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
________________________________________
Pelo Início da colheita (Transfere os saldos da cultura temporária para a colheita em
andamento)
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Nome da cultura CTF (Ativo Circulante – Estoques)
________________________________________
Durante a colheita (gastos até a colheita total)
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
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________________________________________
Pelo término da colheita (transfere os saldos da Colheita para Produtos Agrícolas)
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques)
______________c_________________________
Durante o armazenamento (gastos com armazenagem)
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
________________________________________
Pela venda dos produtos
(1º Reconhecer a receita)
D – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou
Cheques a receber ou Contas a receber (Ativo Circulante – Direitos)
C – Venda de nome do produto (Resultado – Receitas)
(2º Reconhecer o custo do produto)
D – Custo do nome do produto vendido (Resultado - CPV)
C – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
________________________________________
Pelas Despesas de Vendas, Administrativas ou Financeiras da Propriedade
D – Despesa com nome da despesa (Resultado –Despesas)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Seguindo o exposto no Quadro 3, temos exemplificações da
contabilização das culturas temporárias, sendo aplicável a propriedades rurais
exploradas por pessoas físicas e por pessoas jurídicas.
Salienta-se a importância de manter o devido registro de qual cultura se
trata para que contabilmente seja facilitada a identificação dos valores de cada
uma.
Pode-se perceber que, ao aplicar os preceitos contábeis das culturas
temporárias no cotidiano das propriedades, isso fará com que haja geração de
informações contábeis para o produtor.
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Saiba mais
Para que seja possível compreender melhor como as culturas temporárias
são trabalhadas quanto aos seus custos, recomendo a leitura de dois artigos que
tratam sobre custos nas culturas temporárias.
HOFER, E. et al. Gestão de custos aplicada ao agronegócio: culturas
temporárias. Contabilidade Vista & Revista, v. 17, n. 1, jan.- mar. 2006.
Disponível em:
<https://revistas.face.ufmg.br/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/2
90>. Acesso em; 29 jul. 2019.
SAMPAIO, A. L. M.; AKAHOSHI, W. B.; LIMA, E. M. Avaliação da
aplicação do métodode custeio baseado em atividades (ABC) na produção
agrícola de grãos: culturas temporárias. Custos e @gronegócios online, v. 7,
n. 3, set.-dez. 2011. Disponível em:
<http://custoseagronegocioonline.com.br/numero3v7/custos%20abc.pdf>.
Acesso em: 29 jul. 2019.
TEMA 5 – ATIVIDADE AGRÍCOLA – CULTURAS PERMANENTES
Enquanto as culturas temporárias necessitam de replantio após a colheita,
as culturas permanentes não precisam ser replantadas, fazendo com que a
produção dure mais de um ciclo. Os elementos de custos são os mesmos que
constam no Quadro 2. São exemplos de culturas permanentes a cafeicultura,
fruticultura, reflorestamento, dentre outras que produzam mais de um período.
Nas culturas temporárias, os custos são acumulados no estoque, ao
passo que para as culturas permanentes todos os valores para a formação da
cultura serão alocados no ativo imobilizado (Crepaldi, 2012).
Ao iniciar uma cultura permanente, todos os valores consumidos para isso
serão contabilizados no imobilizado na conta cultura permanente em formação,
especificando o nome da cultura em questão. Essa conta contábil possui
característica semelhante à da cultura temporária em formação, a não ser pelo
fato da mudança de classificação contábil.
Depois que a cultura permanente está pronta para a primeira colheita,
considera-se que não está mais em formação, e sim formada, alterando a
classificação contábil, de cultura permanente em formação para cultura
permanente formada, mantendo-a no ativo imobilizado.
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No momento em que a planta estiver apta para a produção, todos os
valores consumidos visando à obtenção do fruto serão contabilizados na conta
de colheita em andamento, que fica no estoque. Todos os custos necessários
para a colheita e sua preparação serão acumulados nessa conta, por exemplo a
poda, a capina, os herbicidas, o desbrote, dentre outros. A cultura permanente
terá seu gasto de formação a ser apropriado aos períodos produtivos. O período
produtivo será determinado por técnico da área e, baseado nesse prazo, a
cultura permanente será exaurida.
Na hipótese de alguns custos de tratos culturais prolongarem a vida
produtiva da cultura, esses valores deverão ser imobilizados para não
penalizarem a safra de um único período (Marion, 2014).
Com o termino da colheita, o valor acumulado na conta colheita em
andamento será transferido para a conta produto agrícola, permanecendo no
estoque, com outra classificação, é claro. Após a venda, o estoque será baixado,
transferindo-se para o custo do produto vendido no resultado.
Analogamente, as culturas permanentes funcionam como máquinas ou
equipamentos industriais, pois são utilizados alguns recursos para que esses
ativos possam produzir, e perduram assim por mais de um período.
Na sequência, vamos observar alguns exemplos de lançamentos
contábeis das culturas permanentes para que assim seja mais fácil compreender
a forma de contabilizar. Algumas legendas serão utilizadas para facilitar:
CPF – Cultura Permanente em Formação
CP – Cultura Permanente Formada
CA – Colheita em Andamento
PA – Produto Agrícola
Quadro 4 – Lançamentos das culturas permanentes
Pela formação da planta (gastos desde o preparo do solo até a primeira colheita)
D – Nome da cultura CPF (Ativo Não Circulante – Imobilizado)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou insumos ou materiais (Ativo Circulante
– Estoques) ou Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
________________________________________
Com a produção pronta para a colheita (transfere os saldos da Cultura Permanente em
Formação para Cultura Permanente Formada – somente na 1ª colheita).
D – Nome da cultura CP (Ativo Não Circulante – Imobilizado)
C – Nome da cultura CPF (Ativo Não Circulante – Imobilizado)
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________________________________________
Durante a formação do produto até a colheita (todos os gastos com tratos culturais para formar
o produto)
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou insumos ou materiais (Ativo Circulante
– Estoques) ou depreciação (Ativo Permanente – Imobilizado) ou Contas a pagar ou
Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
________________________________________
Pelo término da colheita (transfere os saldos da Colheita para Produtos Agrícolas)
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques)
________________________________________
Durante o armazenamento (gastos com armazenagem)
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
C – Caixa ou Bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Insumos ou materiais (Ativo Circulante
– Estoques) ou Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações)
________________________________________
Pela Venda dos Produtos
(1º - Reconhecer a receita)
D – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Cheques a Receber ou Contas a
Receber (Ativo Circulante – Direitos)
C – Venda de nome do produto (Resultado – Receitas)
(2º Reconhecer o custo do produto)
D – Custo do nome do produto vendido (Resultado - CPV)
C – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques)
________________________________________
Pelas Despesas de Vendas, Administrativas ou Financeiras da Propriedade
D – Despesa com nome da despesa (Resultado –Despesas)
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Contas a pagar ou Fornecedores
(Passivo Circulante – Obrigações)
Fonte: Elaborado pelo autor.
O Quadro 4 nos apresenta os lançamentos contábeis referente às culturas
permanentes, desde sua formação até a colheita, como também a venda.
Todo o processo contábil dessas culturas irá fornecer informações de
custos, que ajudarão no acompanhamento da atividade, uma vez que a cada
período poderão ter custos superiores ou inferiores. A oscilação dos custos pode
ter relação com alterações climáticas, pragas, dentre outras causas, culminando
em alterações de custos, como também evidenciando o desempenho da cultura
com o passar do tempo.
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As propriedades rurais poderão atuar simultaneamente com culturas
temporárias e permanentes, visando mesclar sua produção, consequentemente
variando também suas fontes de receitas.
TROCANDO IDEIAS
Imagine que daqui a alguns anos você possua um escritório contábil, que
conte com uma boa carteira de clientes, no entanto esta pode ser composta
exclusivamente por empresas industriais e comerciais.
Em um determinado momento, um empresário rural chegou ao eu
escritório, buscando seus serviços contábeis, já que seu atual contador lhe deixa
insatisfeito com os serviços prestados, além de ter recebido boas referências de
alguns de seus clientes. Percebe-se uma oportunidade interessante de um novo
cliente.
Considerando que, dentre todos seus clientes, nenhum é semelhante a
esse empresário rural, quais serão os primeiros procedimentos a serem
realizados para que seja possível que seu escritório atenda esse cliente de
maneira satisfatória?
NA PRÁTICA
Agora vamos praticar um pouco com algumas situações, inicialmente com
questões teóricas, e depois lançamentos contábeis.
1. Assinale a alternativa correta para cada questão:
a. Para efeitos contábeis, devem ser considerados alguns tipos de
culturas existentes, tais como:
( ) Culturas em erradicação;
( ) Culturas temporárias e flutuantes;
(X) Culturas permanentes e temporárias;
( ) Culturas flutuantes e de erradicação.
b. Marque “V” para verdadeiro e “F” para falso para as questões a seguir:
(F) Cultura permanente tem um período de vida longo, o que permite sua
colheita somente ao completar um ano;
(F) Por ser uma cultura permanente e proporcionar sua colheita ao
completar um ano, após requerendo o seu replantio, é exemplo típico de: arroz,
milho e feijão etc.;
17
(V) As culturatemporárias necessitam de replantio;
(V) As culturas permanentes perduram por mais de um período, não
necessitando de replantio;
c. No momento da colheita ou produção, como se classifica o produto da
cultura permanente?
( ) Imobilizações em curso;
( ) Investimentos;
(X) Estoque em andamento;
( ) Diferido.
d. Qual alternativa a seguir contempla apenas culturas temporárias?
( ) Milho, arroz, batata, tomate e uva;
(X) Tomate, mandioca, batata, milho e arroz;
( ) Arroz, milho, batata, mandioca e maçã;
( ) Batata, tomate, milho, arroz e pera.
e. As culturas permanentes formadas são contabilizadas em que grupo de
contas?
( ) Ativo Circulante;
( ) Estoques;
( ) Investimentos;
(X) Imobilizados.
2. Efetue os lançamentos do período agrícola até 31/03/2012 a seguir em
forma de razonetes. Os seguintes valores constam no seu Balanço em
31/03/2011:
Quadro 5 – Exemplo de lançamentos (1)
ATIVO PASSIVO
Circulante 102.000,00 Circulante 50.000,00
Disponível 50.000,00 Obrigações com
Fornecedores
50.000,00
Caixa 50.000,00 Fornecedores 50.000,00
Estoques 52.000,00
Feijão – PA
Soja - CA
Adubos
20.000,00
12.000,00
10.000,00
Combustíveis 10.000,00
Patrimônio Líquido 182.000,00
18
Não Circulante 130.000,00 Capital Subscrito 150.000,00
Imobilizado 130.000,00 Capital Social
Integralizado
150.000,00
Terras 70.000,00 Reservas de lucros 32.000,00
Tratores 50.000,00 Lucros Acumulados 32.000,00
Arados
Semeadoras
5.000,00
5.000,00
ATIVO 232.000,00 PASSIVO 232.000,00
Fonte: Elaborado pelo autor.
a. Consumidos R$ 2.000,00 do estoque de combustível no preparo do solo
para o plantio do milho;
b. Pago à vista gasto com aluguel colheitadeira de R$ 3.000,00 na colheita
da soja;
b. Compra a prazo de R$ 20.000,00 de semente de milho;
c. Venda de 70% do estoque de feijão por R$ 18.000,00 a vista, o restante
será utilizado como semente para o próximo plantio;
d. Pago frete à vista para entrega do feijão ao comprador R$ 500,00;
e. Compra à vista de R$ 3.000,00 em inseticidas;
f. Consumo de R$ 3.000,00 do estoque de adubo para a cultura do milho;
g. Plantio do milho, utilização de toda a semente estocada;
h. Aplicados R$ 2.000,00 de inseticidas na cultura do milho;
i. Depreciação do trator e maquinários no período R$ 5.000,00 (60% cultura
do milho e 40% Soja);
j. Pago salario período R$ 24.000,00 (50% cultura do milho, 30% soja e 20%
administração);
k. Término da colheita da soja;
l. Venda de toda safra de soja por R$ 25.000,00 à vista;
m. Gastos com energia elétrica R$ 50,00 pago à vista;
n. Gastos com telefone R$ 100,00 pago à vista;
o. Pagamentos com fornecedores R$ 25.000,00 em dinheiro;
p. Início da colheita do milho;
q. Consumidos R$ 3.000,00 do estoque de combustível na colheita do milho;
r. Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.000,00 na colheita do milho;
s. Termino da colheita do milho;
t. Venda de todo o estoque de milho por R$ 50.000,00 a prazo para a própria
cerealista.
19
Agora, vejamos como ficariam os lançamentos. Para melhor ilustrar, cada
lançamento terá a letra respectiva ao lado, sendo que os saldos iniciais e finais
não terão marcação.
Quadro 6 – Exemplo de lançamentos (2)
Caixa Feijão - PA Soja CA
50.000,00 3.000,00 b 20.000,00 14.000,00 d 12.000,00 24.200,00
l
d 18.000,00 500,00 e 6.000,00 b 3.000,00
m 25.000,00 3.000,00 f j 2.000,00
24.000,00 k k 7.200,00
50,00 n
100,00 o
25.000,00 p 20.000,00 20.000,00 24.200,00 24.200,00
1.000,00 s - - - -
Milho - CTF Sementes Milho
a 2.000,00 42.000,00 q c 20.000,00 20.000,00
h
g 3.000,00
h 20.000,00
i 2.000,00
j 3.000,00
k 12.000,00
93.000,00 56.650,00 42.000,00 42.000,00 20.000,00 20.000,00
36.350,00 - - - - -
Sementes de Feijão Inseticidas Adubos
6.0000,00 f 3.000,00 2.000,00 i 10.000,00 3.000,00 g
6.000,00 3.000,00 2.000,00 10.000,00 3.000,00
6.000,00 - 1.000,00 7.000,00 -
Terras Arados Combustíveis
70.000,00 5.000,00 10.000,00 2.000,00 a
3.000,00 r
70.000,00 - 5.000,00 - 10.000,00 5.000,00
70.000,00 - 5;0000,00 - 5.000,00 -
Milho CA Soja PA
(-) Depreciação
Acumulada
q 42.000,00 46.000,00 i l 24.200,00 24.200,00 m 5.000,00
j
r 3.000,00
s 1.000,00
46.000,00 46.000,00 24.200,00 24.200,00 - 5.000,00
- - - - - 5.000,00
Milho PA Semeadoras Tratores
20
f 46.000,00 46.000,00 u 5.000,00 50.000,00
46.000,00 46.000,00 5.000,00
- 50.000,00 -
- - 5.000,00
- 50.000,00 -
Duplicatas a Receber
u 50.000,00
50.000,00 -
50.000,00 -
Fornecedores Capital Social Lucros Acumulados
p 25.000,00 50.000,00 150.000,00 32.000,00
20.000,00 c
25.000,00 70.000,00 - 150.000,00 - 32.000,00
- 45.000,00 - 150.000,00 - 32.000,00
Venda Feijão Venda Soja Venda Milho
18.000,00 d 25.000,00 m 50.000,00 u
- 18.000,00 - 25.000,00 - 50.000,00
- 18.000,00 - 25.000,00 - 50.000,00
Custo Feijão PA Frete S/ Venda Feijão Salário ADM
d 14.000,00 e 500,00 k 4.800,00
14.000,00 - 500,00 - 4.800,00 -
14.000,00 - 500,00 - 4.800,00 -
Custo Milho PA Energia Elétrica
u 46.000,00 n 50,00
46.000,00 - 50,00 -
46.000,00 - 50,00 -
Custo Soja PA Telefone
m 24.200,00 o 100,00
21
24.200,00 - 100,00 -
24.200,00 - 100,00 -
Como podemos verificar, os lançamentos contábeis não são difíceis, e
com a prática tudo ficarámais fácil.
FINALIZANDO
Espero que tenham se empenhado e aprendido ao máximo com esta aula.
Iniciamos abordando sobre a contabilidade rural, bem como alguns aspectos
básicos que fazem parte das formas de desenvolver a atividade rural. Espero
que esses pontos os tenham aproximado do meio rural. Na sequência, tratamos
sobre a diferenciação do ano agrícola e do exercício social, sendo priorizada a
cultura que mais gere renda para a propriedade, assim determinando o período
que será contemplado como ano agrícola, que não necessariamente coincidirá
com o ano fiscal.
Em um terceiro momento, foi abordada a ligação entre a contabilidade
rural e o CPC 29, que trata dos ativos biológicos, os quais são objeto do
patrimônio da entidade, cabendo à contabilidade cuidar desse patrimônio. Os
ativos biológicos, conforme vimos, são quaisquer plantas ou animais vivos, que
são parte integrante da atividade rural, bem como de sua contabilização.
O quarto e quito assuntos estão interligados, pois ambos trataram das
culturas agrícolas, diferenciando-se apenas em culturas temporárias e
permanentes, que é uma subclassificação para melhor controle contábil. As
culturas temporárias são aquelas que necessitam replantio após a colheita, e
apresentam três classificações contábeis, ao passo que as permanentes irão
permanecer produzindo por mais de um período e possuem quatro
classificações contábeis.
Nesta aula, espero que tenha dado as devidas condições para
compreender como é possível ligar a atividade rural com a contabilidade. Nós,
como profissionais da área contábil, precisamos sempre conhecer mais áreas de
atuação, sendo a contabilidade aplicada ao meio rural uma delas. Apesar de
pouco explorada, aqueles que gostarem do assunto poderão se aprofundar.
22
REFERÊNCIAS
CADELCA, I. et al. Pronunciamento Técnico CPC 29: um estudo sobre sua
aplicação em empresas de capital aberto do setor sucroalcooleiro listadas na
BM&FBovespa no ano 2010. Cadernos da FUCAMP, v. 10, n. 13, p. 37-54,
Campinas, 2011.
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC
29 – Ativo Biológico e Produto Agrícola, 7 de agosto de 2009. Brasília: CPC,
2009.
CREPALDI, S. A. Contabilidade rural: uma abordagem decisorial. 7. ed. São
Paulo: Atlas, 2012.
HOFER, E. et al. Gestão de custos aplicada ao agronegócio: culturas
temporárias. Contabilidade Vista e Revista. v. 17, n. 1, p. 29-46, 2006.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
OLIVEIRA, N. C. Contabilidade do agronegócio: teoria e prática. 2. ed.
Curitiba: Juruá, 2010.
SAMPAIO, A. L. M.; AKAHOSHI, W. B.; LIMA, E. M. Avaliação da aplicação do
método de custeio baseado em atividades (ABC), na produção agrícola de grãos:
culturas temporárias. Custos e @gronegócio online. v. 7, n. 3, p. 133-158,
2011.
THEISS, V. et al. Práticas de divulgação dos ativos biológicos pelas companhias
listadas na BM&FBovespa. Registro Contábil, v. 5, n. 3, p. 41-58, 2014.
Disponível em:
<http://www.seer.ufal.br/index.php/registrocontabil/article/view/1130>. Acesso
em: 29 jul. 2019.
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 2
Prof. Diones Fernandes Zanin
2
CONVERSA INICIAL
Olá caros alunos, bem-vindo à disciplina de Contabilidade de
Agronegócios. Já trabalhamos alguns conceitos iniciais e chegou o momento de
estudarmos de forma mais profunda esse ramo da contabilidade.
Vamos iniciar abordando sobre os ativos biológicos, desde seu
reconhecimento e mensuração, e posteriormente, iremos compreender como a
contabilização das culturas temporárias e permanentes irá ser alterada e
adaptada, considerando o exposto no CPC 29 com relação aos ativos biológicos.
Veremos a questão de perda de valor dos ativos biológicos, que pode
ocorrer por meio da Depreciação, Exaustão ou Amortização, que conforme a
característica do ativo biológico, irá incorrer em uma maneira diferente de
desvalorização e apropriação contábil.
Trabalharemos com o plano de contas a ser utilizado nas empresas que
exploram a atividade agrícola, o qual deve ser customizado considerando as
particularidades da atividade.
Terminaremos nossa aula com a operacionalização do plano de contas, a
qual possibilitará a apuração de custo por inventário, facilitando o processo de
gestão.
Bons Estudos!
CONTEXTUALIZANDO
Cada vez mais o conhecimento básico é necessário, no entanto, devemos
como contadores permanecer buscar a evolução e aplicação das melhores
técnicas. Com a assunção das normas internacionais, a contabilidade traz
conceitos mais elaborados, para então aprimorar a contabilidade aplicada, e
nesse caso, a contabilidade aplicada ao agronegócio.
Sendo relevante estudar as formas de reconhecimento e mensuração
adequados, facilitando o processo de contabilização e a elaboração de um plano
de contas correto.
Sabemos que uma contabilidade de qualidade começa com um plano de
contas moldado a atender as necessidades da empresa, principalmente quando
se considera a atividade rural como objeto da aplicação da contabilidade.
3
TEMA 1 – ATIVOS BIOLÓGICOS: RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO
Os ativos biológicos possuem todas as características dos chamados
ativos convencionais, claro que, guardadas as devidas particularidades, sendo
necessário reconhecer tais ativos, e esse ato é entendido como o registro
contábil do ativo.
Para que possamos compreender melhor aspectos relacionados ao
reconhecimento, vamos recorrer ao CPC 29 (2009), que traz as três condições
para que possa ocorrer o reconhecimento dos ativos biológicos ou produto
agrícola, que são:
(a) controla o ativo como resultado de eventos passados;
(b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o
ativo fluirão para a entidade; e
(c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado
confiavelmente. (CPC 29, 2009, p. 6)
Como podemos ver, as plantas ou animais vivos que façam parte da
atividade da empresa agrícola serão registrados ao atender as condições
supracitadas.
O controle geralmente se entende pela propriedade do bem, como
também sua devida utilização, visando a geração de benefícios futuros. Em
termos de mensuração, pode ser considerado o valor justo ou o custo.
Sempre que for possível mensurar o valor justo do ativo biológico de
maneira confiável, os mesmo deve ser reconhecido inicialmente pelo valor justo
deduzido das possíveis despesas de venda. Ao final de cada período também
deve ser realizada a verificação para ajustar possíveis variações do valor justo.
Os produtos agrícolas oriundos de ativos biológicos, também serão
mensurados a valor justo, considerando o momento adequado o início da
colheita, visto a confiabilidade e mensuração nesse período (CPC 29, 2009).
Falamos sobre mensurar a valor justo, caros alunos, lhes questiono: o que
é o valor justo?
Poderíamos pensar em inúmeros conceitos a respeito disso, ainda mais
se pensarmos na etimologia da palavra, conceitos de justiça e afins, mas vamos
optar por um conceito contábil básico.
O CPC 46 é o pronunciamento responsável por tratar sobre o valor justo,
abordando conceito, mensuração e formas de divulgação a respeito disso.
O valor justo é tido como valor de troca em uma transação não forçada
entre duas partes, ocorrendo em um mercado. Como as duas partes concordam
4
com a transação, sendo então considerada uma negociação justa (CPC 46,
2012).
Para a correta compreensão da aplicação do valor justo, é necessário
observar que deve existir um mercado que opera com o bem negociado, no
nosso caso, ativo biológico ou produto agrícola.
Para clarificar essa situação o CPC 46 estabelece uma hierarquia,
considerando 3 níveis de valor justo, cada um com suas particularidades quanto
às informações disponíveis.Vamos verificar o Quadro 1 com os três níveis de
informação relacionada ao valor justo.
Quadro 1 – Níveis do valor justo
Fonte: CPC 46, 2012, p. 15-17.
Do nível 1 para o nível 3 vamos de informações mais confiáveis até um
grau inferior de confiabilidade.
No nível 1 o valor justo vem de uma fonte do mercado, como por exemplo
no caso do meio rural, ter o preço da soja cotada pelo mercado. Esse mercado
é quem determina o valor justo.
Já o nível 2 não possui informações em mercado ativo, porém, são
observáveis de forma direta ou indireta. Podem ser consideradas informações
similares que constam em mercados ativos, visando assim aproximar ao máximo
o nível 2 do nível 1.
Por último, o nível 3 irá suprir a necessidade que não puder ser resolvida
com os anteriores, considerando então informações não observáveis. Nesse
nível a entidade deve buscar o máximo de dados, tendo mais subsídio para
poder determinar o valor justo.
Mesmo estando ciente dos diferentes níveis, ainda existem dificuldades
para aplicar o conceito, seja por diferença de qualidade ou peso, como por outras
5
possibilidades. Devido a isso, pode-se agrupar os ativos biológicos considerando
suas similaridades, possibilitando uma mensuração mais adequada e facilitada.
Sempre será buscada a aplicação dos conceitos de valor justo para
mensurar os ativos biológicos e produtos agrícolas, mas como já vimos, alguns
casos podem ocorrer a mensuração pelo custo.
Vejamos inicialmente o que o CPC 29 (2009) afirma sobre possíveis
proximidades desses valores.
Os custos podem, algumas vezes, aproximar-se do valor justo,
particularmente, quando:(a) uma pequena transformação biológica
ocorre desde o momento inicial (por exemplo, mudas plantadas no
período imediatamente anterior ao de encerramento das
demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido); ou (b) não se
espera que o impacto da transformação do ativo biológico sobre o
preço seja material (por exemplo, para o crescimento inicial da
plantação de pinos cujo ciclo de produção é de 30 anos). (CPC 29,
2009, p. 8)
Na ocorrência do reconhecimento inicial ser muito próxima do final do
exercício, a variação será mínima, aproximando o custo do valor justo, o que é
uma situação comum no meio rural, pois talvez algumas culturas podem ser
plantadas ao final do exercício, devido às suas características e exigências.
O mesmo pode ocorrer com animais, tanto pelo ciclo produtivo, como por
aquisições. Situações com ciclos longo demais irão incorrer mudanças muito
pequenas, não causando mudança material entre o custo e valor justo.
Com a utilização do valor justo pode ocorrer ganhos ou perdas, os quais
podem acontecer no reconhecimento inicial, como também ao final de cada
período com o devido ajuste pela variação. A perda ou ganho deverá ser
registrada no período em que ocorrer, visto sua competência.
A perda pode ocorrer pelo fato do custo até então registrado ser superior
ao valor justo, como também o valor justo do reconhecimento anterior ser
superior ao da data do novo reconhecimento. Em relação ao ganho, poderá
ocorrer pelo fato do valor justo ser superior ao valor de custo, como também o
ajuste do valor justo decorrente do valor anterior ser inferior ao atual.
Os ganhos e perdas podem ser comuns no meio rural, pois vários de seus
ativos podem sofrer variação em decorrência do mercado.
Por exemplo: uma safra recorde, ou uma safra ruim, as duas situações
afetarão o valor de mercado do produto, afetando o processo contábil, seja por
uma perda ou ganho.
6
Podem existir situações em que o valor justo não poderá ser mensurado
de maneira confiável, e sua mensuração deverá ser feita pelo custo. Isso poderá
ocorrer pela falta de informação do mercado ativo, ou até mesmo alguma
impossibilidade momentânea (falta de informação ou falta de confiabilidade
dessa informação).
Vale ressaltar que o reconhecimento da mensuração feita pelo valor de
custo só pode ser feito no reconhecimento inicial, posteriormente buscando
fontes de evidência para utilização do valor justo. Os ativos biológicos que forem
mensurados a valor justo deverão assim permanecer mensurados, até que
ocorra sua venda.
Como podemos ver, é muito importante conhecer o momento de se
reconhecer um ativo, bem como compreender a forma adequada para sua
mensuração, que conforme vimos, para os ativos biológicos e produto agrícola
são regidos pelo CPC 29.
O CPC 29 trata da mensuração a ser realizada pelo valor justo, que é
definido pelo CPC 46, o que demonstra que os pronunciamentos contábeis
sempre estarão atuando de maneira interligada.
Saiba Mais
Caros alunos, visando fornecer maior base conceitual relativa a
mensuração dos ativos biológicos, recomendo a leitura e análise de um artigo:
O impacto do valor justo na mensuração dos ativos biológicos nas empresas
listadas na BM&F Bovespa.
Acesse o link: <http://www.atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-
06/index.php/UERJ/article/viewArticle/1424>. Acesso em: 30 jul. 2019.
TEMA 2 – ATIVOS BIOLÓGICOS: CONTABILIZAÇÃO DE CULTURAS
TEMPORÁRIAS E PERMANENTES
Já vimos sobre como é feita a contabilização das culturas temporárias e
permanentes, desde os aspectos iniciais do cultivo, até o fim da colheita.
No entanto, consideramos apenas a contabilização de maneira simples, a
qual se utiliza do custo como base de valor para os ativos biológicos e produtos
agrícolas.
7
Nesse momento vamos verificar a alteração do comportamento contábil
das contas referentes às culturas temporárias e permanentes, quando utilizamos
o conceito de mensuração do valor justo.
O contador deve dar a devida atenção para que a contabilidade da
entidade rural seja efetuada da maneira mais acertada, refletindo então com
maior confiabilidade as informações contábeis.
Para ficar mais fácil, vamos segregar os dois tipos de cultura, abordando
cada uma em seu próprio tópico. Já realizamos lançamentos em razonetes, e
agora vamos trabalhar com lançamentos em forma de diário.
2.1 Contabilização de Culturas Temporárias
Vamos utilizar o caso da obra de Marion (2014) com algumas adaptações
para ilustrar a contabilização utilizando o valor justo.
Digamos que determinada empresa rural atue na produção de soja, sendo
esses os ativos biológicos objeto da empresa, os quais são vendidos a terceiros.
Conforme determinado pelo CPC 29, a produção de soja, que é um ativo
biológico, deve ser mensurada pelo valor justo, descontado os valores que serão
gastos para a realização da venda.
Não vamos esquecer que desde o início do cultivo o ativo será mensurado
ao seu valor de custo, e posteriormente, quando for possível mensurar
confiavelmente a produção, utiliza-se o conceito do valor justo.
Primeiramente todos os valores consumidos para plantio e formação da
cultura da soja serão contabilizados da seguinte maneira:
Fato Contábil: Plantio da Soja.
D – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 20,00
C – Caixa/insumos – AC – R$ 20,00
Assumimos como exemplo o valor de R$ 20,00, sendo utilizado desde
insumos, mão de obra e afins. Todos os valores serão acumulados em conta do
estoque.
Chegado ao momento que é possível mensurar a quantidade estimada da
produção, iremos mensurar o valor justo. O período do plantio até esse momento
pode variar conforme a cultura, região, clima, dentre outras causas.
A soja que está sendo utilizada como exemplo é uma commodity que
possui mercado ativo.
8
A entidade utilizará os dados do mercado ativo, considerando o mercado
futuro para mensurar ao valor justo.
Vamos considerar que o valor justo seja de R$ 70,00, e o valor das
despesas de venda é de R$ 7,00, que equivale a 10% do valor justo. Vamos
então a contabilização desse ajuste.
D – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 43,00
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado – R$ 43,00
Podemos perceber que já é reconhecidaa receita do ativo biológico.
Quase podemos comparar como uma antecipação de receita, no entanto sem
que ocorra a entrada de dinheiro na entidade.
O valor justo era de R$ 70,00, ao deduzir a despesa de venda que é de
R$ 7,00, restando o valor de R$ 63,00, como já temos R$ 20,00 contabilizados,
iremos realizar o lançamento apenas da diferença.
Quando chega o momento da colheita, novamente deve ser mensurado o
valor justo, atualizando o valor.
Todos os valores consumidos na colheita serão contabilizados como
gasto do período, pois o custo será baseado pelo valor justo.
Digamos que agora o valor justo é de R$ 80,00, com despesas de venda
no valor de R$ 8,00, o que representa 10% do valor justo, então devemos ajustar
o valor na contabilidade.
Primeiro é necessário transferir o saldo de ativo biológico para produto
agrícola, uma vez que com a colheita ocorre a mudança de status.
Mudança contábil de classificação:
D – Produto Agrícola soja – AC – R$ 63,00
C – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 63,00
Reconhecimento da diferença do valor justo:
D – Produto Agrícola soja – AC – R$ 9,00
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – AC – R$ 9,00
Então reconhecemos o valor justo da soja que foi colhida e estocada,
sendo o valor de R$ 72,00, que são os R$ 80,00 do valor de mercado, deduzidas
as despesas de venda no valor de R$ 8,00.
9
Vamos verificar como seria a contabilização da venda à vista,
considerando ainda os dados de valor justo de R$ 80,00.
Pela Venda:
D – Caixa/Banco – AC – R$ 80,00
C – Receita de venda de soja – Resultado – R$ 80,00
Pela despesa de venda:
D – Despesa de venda – Resultado – R$ 8,00
C – Frete a pagar – PC – R$ 8,00
Pela baixa do estoque:
D – Custo do produto vendido – Resultado – R$ 72,00
C – Produto Agrícola soja – AC – R$ 72,00
Assim, encerra-se o processo de contabilização considerando o CPC 29.
Como a contabilização das culturas temporárias sofre alterações ao utilizarmos
os conceitos do CPC 29, nós, contadores, devemos estar sempre atentos.
2.2 Contabilização de Culturas Permanentes
Agora veremos um exemplo da contabilização das culturas permanentes
considerando o valor justo conforme estabelece o CPC 29.
Vamos utilizar como exemplo a cultura da laranja, lembrando que estamos
utilizando dados fictícios, visando única e exclusivamente compreender a
contabilização.
Os valores consumidos para a formação da cultura permanente são
contabilizados conforme já vimos, serão agora alterados os lançamentos da
produção para os oriundos da laranjeira.
Hipoteticamente vamos assumir que a laranjeira teve um custo de
formação no valor de R$ 1.000,00 e sua vida útil é de 10 anos, então, a cada
ano, o valor de R$ 100,00 será incorporado ao custo da produção.
No caso da cultura permanente formada, serão realizados gastos com os
tratos culturais, que são todos os processos de cuidado da planta para que possa
produzir de forma sadia.
Contabilizaremos esses gastos para as laranjas que serão produzidas.
Vamos assumir o valor de tratos culturais de R$ 700,00:
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D – Ativo Biológico: laranja – ANC – R$ 700,00
C – Caixa/insumos – AC – R$ 700,00
Assim que for possível mensurar de maneira confiável, deve ser
reconhecido o valor justo.
Vamos assumir que a produção foi avaliada a preço de mercado, ou seja,
valor justo de R$ 1.000,00, e os custos de venda são de 5% desse valor, ou seja,
R$ 50,00. Seria assim a contabilização desse ajuste:
D - Ativos Biológicos laranja – ANC – R$ 250,00
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado - R$
250,00
Assim como acontece com as culturas temporárias, nas culturas
permanentes também se reconhece a receita nesse momento, mesmo sem que
tenha ocorrido a venda ou recebimento de dinheiro. Então temos o valor justo de
R$ 1.000,00, ao deduzir a despesa de venda que é de R$ 50,00, restando o valor
de R$ 950,00. Como já temos R$ 700,00 contabilizados, iremos realizar o
lançamento apenas da diferença. No momento da colheita novamente é
necessário mensurar o valor justo, vamos supor que seja de R$ 980,00, com as
despesas estimadas em 5% desse valor.
Mudança contábil de classificação:
D – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 950,00
C – Ativos Biológicos laranja – ANC – R$ 950,00
Reconhecimento da diferença do valor justo:
D – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado – R$ 19,00
C – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 19,00
Então reconhecemos o valor justo da laranja que foi colhida e estocada,
sendo o valor de R$ 931,00, que são os R$ 980,00 do valor de mercado,
deduzidas as despesas de venda de R$ 49,00.
Vamos verificar como seria a contabilização da venda, considerando
ainda os dados de valor justo de R$ 980,00.
Pela venda à vista:
D – Caixa/Banco – AC – R$ 980,00
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C – Receita de venda de laranja – Resultado – R$ 980,00
Pela despesa de venda:
D – Despesa de venda – Resultado – R$ 49,00
C – Frete a pagar – PC – R$ 49,00
Pela baixa do estoque:
D – Custo do produto vendido – Resultado – R$ 931,00
C – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 931,00
Conforme podemos ver, a contabilização irá refletir o valor justo dos ativos
biológicos e produtos agrícolas, atendendo o exposto no CPC 29, bem como
seguindo o apresentado pelo CPC 46 para determinar o valor justo.
TEMA 3 – ENTENDENDO DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO DOS
ATIVOS BIOLÓGICOS
A contabilidade atua para gerar informação do patrimônio da entidade aos
usuários, dessa forma existem alguns procedimentos que visam atender a esse
objetivo.
Quando a entidade realiza um alto desembolso em algum bem que irá ser
usufruído por mais de um período, o valor deverá ser apropriado aos períodos
de utilização desse bem.
Na contabilidade os procedimentos que irão servir a esse propósito são
conhecidos como depreciação, exaustão e amortização.
A escolha do procedimento se dará conforme o item que consumiu o
recurso que será apropriado aos períodos subsequentes.
3.1 Depreciação
O conceito de depreciação aplica-se a bens que sejam tangíveis, ou seja,
aqueles que podem ser tocados. No meio rural, Marion (2014) traz como
exemplo os tratores, colheitadeiras, outros implementos, culturas permanentes
que produzam frutos, animais de produção, bem como instalações e
construções.
Quanto à depreciação de construções, o procedimento é semelhante à do
meio comercial e industrial. Vamos verificar exemplos das demais depreciações.
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3.1.1 Depreciação de animais de produção
Os animais de produção, como bovinos leiteiros e reprodutores, serão
depreciados de forma linear em função de sua vida útil. Uma matriz leiteira pode
ter uma vida útil variável, mas vamos assumir que seja 7 anos. O valor gasto
para aquisição ou formação desse reprodutor será apropriado durante sua vida
útil. Vamos verificar de maneira simples quais seriam os lançamentos.
Pela formação do reprodutor:
D – Matriz – ANC – R$ 7.000,00
C – Caixa/insumos/mão de obra – AC – R$ 7.000,00
Assumindo que o gasto de formação ou aquisição da matriz foi de R$
7.000,00, então esse valor será apropriado aos próximos 7 anos. Vejamos o
lançamento de apropriação.
D – Bezerros – AC – R$ 1.000,00
C – Depreciação Matriz – ANC – R$ 1.000,00
Esse é o lançamento quando a propriedade atua na criação de animais,
apropriando o valor aos bezerros. No caso de a produção ser de leite, o valor de
R$ 1.000,00 será apropriado como custo da produção leiteria desse animal,
semelhante a uma máquina industrial, que tem sua depreciação apropriada aos
produtos, tendo o lançamento a seguir:
D – Leite – AC – R$ 1.000,00
C – Depreciação Matriz – ANC – R$ 1.000,00
Conforme a utilização dos animais de produção, seu valor de depreciação
será apropriado aos produtos específicos, ou animais oriundos de reprodução e
com esse propósito.
3.1.2 Depreciação de Culturas permanentesAs culturas permanentes que são depreciadas serão aquelas que irão
produzir frutos, e após a extração dos mesmos, a planta continuará a produzir
para o próximo exercício. Ocorrerá a depreciação em função da vida útil da
cultura, tal prazo sendo fornecido por especialista da área. A título de exemplo
13
vamos considerar a cultura de café, bem como assumiremos a vida útil de 10
anos. Como já vimos, todo o valor gasto para formar a cultura permanente será
contabilizado no imobilizado, conforme a seguir:
D – Cultura Permanente de Café – ANC – R$ 20.000,00
C – Caixa/Salários/Mudas/Insumos – AC – R$ 20.000,00
Conforme o exemplo, a depreciação anual será no valor de R$ 2.000,00,
a ser contabilizado como depreciação da cultura, tendo como contrapartida o
custo da colheita da cultura. Vamos verificar o lançamento contábil:
D – Café CA (Colheita em Andamento) – AC – R$ 2.000,00
C – (-) Depreciação Acumulada – ANC – R$ 2.000,00
O lançamento para a depreciação de culturas permanentes será esse,
lembrando que utilizamos a cultura do café como exemplo, seguindo
procedimentos semelhantes para a laranja, uva, oliveiras, dentre outras culturas.
Dependendo da cultura, a primeira colheita pode ter um rendimento
inferior ao normal, para tanto a depreciação deverá ser proporcional.
Por exemplo: considerando que o café produza normalmente em
determinada área a quantidade de 500 sacas, como é a primeira colheita, a
mesma será de 200 sacas, ou seja, 40%. Então, a depreciação ao invés de ser
de R$ 2.000,00, será de R$ 800,00, seguindo a proporção para não penalizar o
custo da primeira colheita.
3.1.3 Depreciação de implementos e tratores
Os implementos e tratores são equipamentos utilizados para a produção,
podendo ser equiparados a máquinas industriais, e são depreciados em função
da vida útil. No meio rural deve-se considerar a particularidade de cada
implemento, por exemplo, um implemento que no período de um ano foi utilizado
por apenas 3 meses, não é justo depreciar o equivalente a um ano.
Visando sanar tal problema, alguns itens utilizados no meio rural podem
ser depreciados conforme as horas de utilização. O trator é um exemplo claro,
uma vez que o trator vem de fábrica com um medidor de horas.
O valor da depreciação será apropriado na cultura que for utilizado o
implemento. A título de exemplo, vamos considerar um implemento agrícola no
14
valor de R$ 20.000,00, que possui uma vida útil de 10 anos. Durante o ano esse
implemento foi utilizado 50% do tempo na cultura do milho, 30% do tempo na
cultura da soja e 20% do tempo na cultura do feijão. Temos a seguinte
contabilização:
D – Cultura do Milho – AC – R$ 1.000,00
D – Cultura do Soja – AC – R$ 600,00
D – Cultura do Feijão – AC – R$ 400,00
C – Depreciação Implemento – ANC – R$ 2.000,00
Assim seria a contabilização da depreciação de um implemento, agora
vejamos como seria de um trator. Vamos assumir o valor de R$ 100.000,00 para
o trator, e uma vida útil de 8.000 horas, então temos a depreciação por hora no
valor de R$ 12,50 (R$ 100.000,00 / 8.000). No período foi utilizado o trator por
100 horas, sendo 60 horas na cultura do milho, 30 horas na cultura da soja e 10
horas na cultura do feijão. Temos a contabilização da depreciação do trator
conforme as horas utilizadas em cada cultura:
D – Cultura do Milho – AC – R$ 750,00
D – Cultura do Soja – AC – R$ 375,00
D – Cultura do Feijão – AC – R$ 125,00
C – Depreciação Trator – ANC – R$ 1.250,00
3.2 Exaustão
A exaustão terá comportamento semelhante ao da depreciação, no
entanto, irá se aplicar aos recursos vegetais e minerais que são exauríveis, ou
seja, aqueles que com o desenvolvimento da atividade irá fazer com que o
recurso vá terminando. Temos como exemplos as florestas e reflorestamentos,
bem como exploração de minerais não renováveis.
Nesses casos, as árvores são cortadas e as minas serão consumidas.
Temos as culturas permanentes que serão cortadas para a realização da
colheita, como árvores plantadas com objetivo de obtenção de madeira, cana de
açúcar, pastagens, dentre outras culturas, e as explorações de minérios.
O valor da exaustão será apropriado nos períodos de consumo da cultura
a ser exaurida. No caso das árvores, será considerada a quantidade cortada, e
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para minerais, estimado um volume de produção, e conforme for sendo extraído,
irá ser contabilizada a exaustão.
Vejamos um exemplo de exaustão, considerando um reflorestamento de
uma determinada espécie de árvore, com 5.000 árvores, e custo de formação no
valor de R$ 30.000,00. Dessa forma, a cada árvore cortada, é contabilizado
referente a exaustão o valor de R$ 6,00 (R$ 30.000,00 / 5.000). Digamos que
foram cortadas 200 árvores, temos então seguinte contabilização:
D – Árvores CA – AC – R$ 1.200,00
C – Exaustão – ANC – R$ 1.200,00
Como podemos ver, ao realizar o corte da árvore, o valor de exaustão
será apropriado ao estoque de árvores que estão em processo de colheita.
Quando ocorrer o corte total das 5.000 árvores, todo esse reflorestamento terá
sido exaurido, ou seja, terá o valor contábil zerado.
3.3 Amortização
Será aplicada a amortização a itens intangíveis ou investimentos pré-
operacionais. Temos como exemplos as marcas e patentes, e mais
especificamente no meio rural, podemos observar a aplicação em gastos
destinados à melhoria de solo, pois a empresa rural irá investir na melhoria do
solo para que o mesmo possa ser fértil por vários períodos, sendo o valor
apropriado durante os períodos de uso.
Quando se inicia o cultivo em algum lugar novo, é comum a existência de
gastos para deixar o terreno em condições ideais de cultivo. Os gastos mais
comuns são em deslocamento, terraplanagem, nivelamento do solo etc.
Tais gastos podem ter dois tratamentos, o primeiro seria considerar como
valorização do terreno, então o valor seria contabilizado juntamente no valor do
terreno. A outra possibilidade é ativar o gasto nos períodos de uso da terra.
No caso da segunda hipótese, o valor ficará contabilizado no ativo
intangível, em uma conta de melhoria de solo.
A utilização de corretivos de solo também terá tratamento semelhante,
sendo amortizados conforme o uso da terra nas culturas que serão beneficiadas.
Vejamos um exemplo de valores gastos na melhoria do solo de R$ 30.000,00, e
tais melhorias serão amortizadas em 5 anos.
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Lançamentos dos gastos de melhoria do solo:
D – Melhorias do Solo (Ativo Intangível) – ANC R$ 30.000,00
C – Caixa/Bancos/Estoques – AC – R$ 30.000,00
No primeiro ano será amortizado o valor de R$ 6.000,00 (R$ 30.000,00 /
5 anos). O solo foi utilizado nas culturas do Soja, Milho e Feijão, as quais foram
plantadas nesse período.
D – Milho CTF – AC – R$ 2.000,00
D – Soja CTF – AC – R$ 2.000,00
D – Trigo CTF – AC – R$ 2.000,00
C – Amortização Acumulada – ANC – R$ 6.000,00
Vemos a apropriação da amortização conforme o uso do solo que
consumiu recursos anteriormente, para que então, a propriedade ficasse em
condições de produzir.
TEMA 4 – PLANO DE CONTAS PARA ITENS DE EMPRESAS AGRÍCOLAS
A realização da contabilidade sempre terá como base o plano de contas,
no qual constam todas as contas contábeis que receberão os lançamentos. No
meio rural será seguida a mesma lógica, mas claro, algumas contas são
diferentes das de empresas urbanas.
Cada empresa deve ter seu plano de contas moldado de acordo com as
suas necessidades, facilitando o processo contábil. Para o meio rural vamos
utilizar um plano de contas voltado para a atividade, no entanto, a essência da
contabilidade permanece a mesma.
Inicialmente, observamos diferenças quanto às contas do estoque, pois
ao verificarmos as culturas temporárias e permanentes e todo seu processo de
transformação, temos uma semelhança com as indústrias.
No meio rural teremos estoques de matérias primas, produtos em
elaboração,produtos acabados, almoxarifado e os animais. As matérias primas
são equivalentes aos insumos de produção (sementes, adubos, defensivos,
mudas, rações etc.). Os produtos em elaboração são aqueles que estão em
processo, E no meio rural são chamados de culturas temporárias em andamento
(CTF) e as colheitas em andamento (CA).
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O produto acabado basicamente é um estoque mais simples, onde
ficaram os valores respectivos dos produtos prontos para venda, que de maneira
sintética, são a produção colhida.
No almoxarifado ficarão contabilizados itens que não irão compor os
produtos, mas são estocados com a finalidade de manter as atividades da
empresa.
Os animais da propriedade que serão mantidos com a finalidade de serem
vendidos serão contabilizados no estoque. Há uma segregação de contas
conforme a classificação de animais.
Vamos verificar uma exemplificação do estoque no Quadro 2, para então
compreender melhor essa característica no plano de contas.
Quadro 2 – Estoque na Empresa Rural
Fonte: Adaptado de Marion (2014).
O Quadro 2 foi adaptado da obra de Marion (2014), exemplificando o
plano de contas concernente ao estoque da empresa rural. Devido às
características peculiares do meio rural, o plano de contas do imobilizado
também terá alguns detalhes a serem tratados para facilitar o fluxo contábil da
empresa rural.
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As culturas permanentes serão contabilizadas no imobilizado, desde a
sua formação a quando estiver apta a produção, sendo as culturas permanentes
em formação (CPF) e culturas permanentes formadas (CP).
Para as empresas rurais que atuam na pecuária com pastagens (caso a
atuação seja em confinamento não será necessária pastagem), também teremos
as pastagens em formação e formadas, bem como os animais de reprodução e
trabalho constarão no imobilizado.
Vejamos no Quadro 3 um exemplo do plano de contas do imobilizado de
uma empresa rural.
Quadro 3: Imobilizado na Empresa Rural
Fonte: Adaptado de Marion (2014).
Como podemos ver no Quadro 3, o imobilizado mantém suas
características essenciais no plano de contas, apenas são inclusas conta
específicas cabíveis às empresas que atuam na atividade rural.
No restante do plano de contas para as empresas rurais, mantém-se o
padrão contábil sem mais particularidades referentes ao meio rural, cabendo
então aos contadores, atuar com o intuito operacionalizar tal plano para gerar
informações contábeis úteis.
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TEMA 5 – OPERACIONALIZANDO O PLANO DE CONTAS COM APURAÇÃO
DE CUSTO DO INVENTÁRIO
Marion (2014) trata que para se operacionalizar o plano de contas é
necessário verificar qual será o tipo de inventário utilizado pela entidade rural.
O inventário é realizado para compreender aquilo que existe ou não
dentro da empresa.
O mais comum quando se fala em inventário, é pensar sobre o estoque,
se os saldos estão corretos, valores corretos, dentre outras variações.
Existem dois tipos de inventário:
1. Permanente
2. Periódico.
Entende-se por inventário permanente o controle de estoque que
represente a quantidade existente a qualquer momento que for verificado.
Significa que ao verificar a ficha de estoque, ela efetivamente irá representar a
quantidade correta no estoque, isso acontecendo de forma permanente. Esse
método possibilita a geração de informações em tempo real.
Enquanto o inventário periódico é apurado ao final de cada período, não
podendo fornecer informações em tempo real. É recomendado quando o método
permanente for inviável. No meio rural pode ser difícil trabalhar com o inventário
periódico, mas em alguns casos será necessário.
Vamos verificar como seria o inventário periódico aplicado a uma empresa
rural, lembramos, que tal situação não é a ideal. Para tanto, são necessárias
adaptações ao plano de contas, em especial na conta Custo do Produto
Vendido, que deverá conter os grupos conforme o Quadro 4:
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Quadro 4 – Custo do Produto Vendido
5.1 CUSTO DO PRODUTO VENDIDO
5.1.1 Estoques Iniciais
Insumos
1 Sementes
2 Adubos
3 Fertilizantes
4 Herbicidas
5 Mudas
6 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação
7 Colheitas em Andamento
8 Produtos Agrícolas
5.1.2 Compras no Exercício
Insumos
1 Sementes
2 Adubos
3 Fertilizantes
4 Herbicidas
5 Mudas
5.1.3 Mão de obra
Salários
Férias
13º Salário
INSS
FGTS
Aviso Prévio
5.1.4 Outros Custos Agrícolas
Irrigação
Energia Elétrica
Depreciação
Exaustão
Almoxarifado
Aluguéis
5.1.5 Estoques Finais
Insumos
1 Sementes
2 Adubos
3 Fertilizantes
4 Herbicidas
5 Mudas
6 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação
7 Colheitas em Andamento
8 Produtos Agrícolas
Adaptado de Marion, 2014.
Como podemos ver no Quadro 4, são criadas subcontas para possibilitar
a correta apuração do inventário periódico, para ao final funcionar como uma
equação de apuração do custo do produto vendido. A equação
simplificadamente é a seguinte conforme Marion (2014):
Estoques iniciais + Compras do Exercício + Mão de obra + Outros custos
agrícolas - Estoques Finais
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Primeiramente, todos os valores de estoques iniciais serão transportados
para as contas que irão apurar os valores do custo do produto vendido.
Sementes de Milho Milho CTF Milho PA
2.000,00 1.000,00 8.000,00
Após os estoques iniciais vamos verificar outros valores de custo do
produto vendido.
Compras Mão de Obra Outros Custos
800,00 4.000,00 500,00
Agora que já temos os saldos devedores do custo, chega o momento de
verificar os saldos credores, ou seja, identificar o estoque final, e deduzir dos
custos totais.
Sementes de Milho Milho CTF Milho PA
500,00 400,00 5.000,00
Agora com todas as contas de apuração do custo do produto vendido,
vamos junta-las e verificar o valor do custo.
Custo do Produto Vendido
2.000,00 500,00
1.000,00 400,00
8.000,00 5.000,00
800,00
4.000,00
500,00
16.300,00 5.900,00
10.400,00
Dessa forma, realizamos o inventário periódico apurando um custo de
produto vendido de $ 10.400,00. Lembrando que o ideal não é trabalhar com
esse tipo de inventário, e sim com o inventário permanente, que irá refletir em
tempo real os custos e estoques da entidade.
22
TROCANDO IDEIAS
Caros alunos, estudamos alguns conceitos novos nesta aula, e vamos
então conversar um pouco sobre o reconhecimento e mensuração dos ativos
biológicos.
Digamos que vocês são responsáveis pela contabilidade de uma grande
empresa que atua no ramo industrial e comercial, e cada vez mais vem elevando
sua participação no mercado.
Foi chegado o momento de crescimento em que a empresa iniciará
atividades com reflorestamento, o corte para fabricação de celulose.
As árvores são ativos biológicos, algo extremamente novo dentro dessa
empresa, e sem o devido planejamento serão enfrentados graves problemas no
processo contábil. Nessa situação é necessário moldar o processo para se
adequar a essa nova realidade.
Quais medidas vocês como contadores responsáveis da empresa
tomariam para fazer com que a entidade realize a contabilização de forma
correta?
NA PRÁTICA
Caros alunos, agora vamos praticar um pouco com algumas situações
retiradas da obra de Marion (2014). Assinale a resposta correta para cada
questão:
1. Com relação ao inventário de estoque, pode-se dizer que:
a. O melhor método da atividade agrícola é o inventário permanente;
b. Adotando o inventário periódico, torna-sedifícil avaliar uma cultura em
formação ou uma safra em formação;
c. No inventário periódico, torna-se fácil avaliar uma cultura em formação ou uma
safra em formação;
d. As alternativas a e b estão corretas.
2. A conta “Matéria-prima” para uma indústria equivale, na
Contabilidade Agropecuária, a:
a. Produtos Agrícolas;
b. Culturas Temporárias em Formação;
c. Almoxarifados;
d. Insumos;
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3. A conta “Estoques de Produtos em Elaboração” para uma indústria
equivale, na contabilidade agropecuária, a:
a. Produtos Agrícolas;
b. Ativos Biológicos;
c. Almoxarifados;
d. Materiais.
4. A conta “Produtos Acabados” para uma indústria equivale, na
Contabilidade Agropecuária, a:
a. Produtos Agrícolas;
b. Colheitas em Andamento;
c. Almoxarifados;
d. Insumos.
5. Cultura temporária em formação (Ativos Biológicos) é classificada
como:
a. Ativo - Circulante - Estoque;
b. Ativo – Não Circulante - Investimento;
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado;
d. Ativo – Não Circulante - Intangível.
6. Cultura permanente em formação (Ativos Biológicos) é classificada
como:
a. Ativo - Circulante - Estoque;
b. Ativo – Não Circulante - Investimento;
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado;
d. Ativo – Não Circulante - Intangível.
7. Cultura permanente formada (Ativos Biológicos) é classificada
como:
a. Ativo - Circulante - Estoque;
b. Ativo – Não Circulante - Investimento;
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado;
d. Ativo – Não Circulante - Intangível.
Respostas: 1a/2d/3b/4a /5a /6c/7c
24
FINALIZANDO
Hoje trabalhamos novos conceitos e fomos aprofundando vossos
conhecimentos sobre a contabilidade aplicada ao agronegócio.
Começamos com uma abordagem referente a forma de reconhecer e
mensurar ativos que são encontrados com maior facilidade no meio rural.
Existem particularidades referente ao reconhecimento e maneira de mensurar,
principalmente naquilo que diz respeito ao valor justo. Devendo o contador, além
de seguir conceitos do CPC 29 referente aos ativos biológicos, também se
atentar com aplicabilidade do CPC 46 ao tratar do valor justo. Como resultado
do reconhecimento e mensuração, vem a contabilização. Trabalhamos em
especial a contabilização das culturas temporárias e permanentes.
Como terceiro tópico de nossa aula, focamos nos conceitos de
depreciação, exaustão e amortização, que são maneiras de contabilização da
desvalorização de bens. Cada conceito se aplica a algum tipo de situação, sendo
a depreciação aplicável a bens tangíveis como implementos, tratores e outros
equipamentos do meio rural. A exaustão se aplica a bens naturais, ou seja, que
seu uso irá fazer com o recurso natural vá terminando, como reflorestamentos,
pastos, dentre outros. E a amortização se aplica a gastos anteriores que serão
usufruídos por vários períodos, porém, são gastos em bens intangíveis.
Os últimos assuntos também possuem uma ligação direta, o plano de
contas aplicado ao meio rural e a operacionalização do mesmo para a apuração
do custo por inventário. O plano de contas guia todo o processo contábil, em
especial colaborando quando a entidade optar pelo inventário periódico, criando
as contas adequadas para possibilitar esse processo.
Nesse momento terminamos nossa segunda aula, aprendendo mais
conceitos da contabilidade aplicada ao agronegócio. Quanto mais
aprofundarmos os estudos, mais conceitos nos serão apresentados, e a
complexidade poderá se elevar.
Bons Estudos!!
25
REFERÊNCIAS
BARROS, C. O impacto do valor justo na mensuração dos ativos biológicos nas
empresas listadas na BM&F Bovespa. Rio de Janeiro, Revista de Contabilidade
do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, v. 17, n.3, p.41-59, 2012.
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14º Ed. São Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC
29 - Ativo Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [sn], 2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC
46 – Mensuração do Valor Justo. Brasília: [sn], 2012.
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 3
Prof. Diones Fernandes Zanin
CONVERSA INICIAL
Olá, caros(as) alunos(as), chegamos a mais uma aula de Contabilidade
de Agronegócios. Até o momento, estudamos inúmeros conceitos da
contabilidade aplicada ao agronegócio, em especial focamos na agricultura, e
nesse momento vamos iniciar abordagens relacionadas à pecuária.
O primeiro assunto da nossa aula será relacionado a alguns conceitos da
contabilidade pecuária, para que possamos nos familiarizar mais com o tema, e
para posteriormente estarmos aptos a avançar em assuntos mais complexos.
Em um segundo momento abordaremos sobre o plano de contas para a
pecuária, bem como a maneira de classificar o gado, pois tais informações
servirão de subsídio para que o processo contábil possa ser realizado de forma
mais eficiente. Nosso terceiro assunto está relacionado à comparação entre o
método de registro pelo custo e o método do valor de mercado, pois dessa forma
a contabilidade terá parâmetros mais reais para o registro contábil, bem como
levantando possibilidades de se realizar a contabilidade, e no que tange ao valor
de mercado, estando alinhado ao CPC 29. Atrelado ao terceiro tema, o quarto
tratará sobre uma técnica para que a contabilidade trabalhe com o método do
custo histórico. Finalizaremos nossa aula abordando sobre os custos na
pecuária.
Bons Estudos!
CONTEXTUALIZANDO
Assim como a agricultura, a pecuária também possui importância
econômica, bem como se faz necessário efetuar os registros contábeis. Então,
caros(as) alunos(as), devemos buscar mais conhecimento sobre a aplicação
contábil na pecuária, desde conceitos mais básicos, até pontos mais complexos.
Mesmo a planificação contábil pode ser simples, no entanto exige
dedicação para que esse processo seja realizado de maneira adequada. Apurar
custo é processo complexo, e na pecuária por se tratar de uma atividade que é
realizada no campo, às vezes com controles inadequados, ou até inexistentes,
faz com que o profissional contábil busque conhecimento de custos, bem como
entender o funcionamento da pecuária.
3
TEMA 1 – CONCEITOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE PECUÁRIA
A pecuária é considerada a atividade de criação de animais, que pode ser
realizada com a finalidade de subsistência ou para geração de renda. Enquanto
atividade econômica, temos as várias possibilidades de criação de animais, tais
como: bovinos, aves, caprinos, equinos, suínos etc.
Os animais podem ter funções diferentes nas propriedades rurais, e que
impactam diretamente na maneira de contabilizá-los. Nesse momento, vamos
abordar essas funções de forma simples, não aprofundando na contabilização,
pois tal ponto será tratado posteriormente.
Dentre as diferentes funções dos animais mantidos na propriedade, estão
àqueles destinados para comercialização, para abate direto, engorda, para
trabalho ou reprodução. Em relação aos mantidos com a finalidade de
reprodução, serão mantidos machos e fêmeas, que gerarão crias que,
posteriormente, poderão gerar venda ou serem utilizados, também, para
reprodução.
Podemos verificar que a pecuária possui uma divisão simples em três
fases. A primeira trata de produzir animais, cuidando do processo de reprodução,
enquanto que, na segunda, podemos considerar como uma espécie de
“adolescência” dos animais, que é o período posterior ao animal ser capaz de
viver sem a mãe, até que ele chegue a uma espécie de maioridade, que é terceira
fase.
Vamos assumir como exemplo os bovinos de corte, os quais possuem as
três fases expostas com as seguintes nomenclaturas: I) cria; II) recria; e, III)
engorda. Marion (2014, p. 94) traz as seguintes definições:
a) Cria: a atividade básicaé a produção de bezerros que só serão
vendidos após o desmame. Normalmente, a matriz (de boa fertilidade
produz um bezerro por ano.
b) Recria: a atividade básica é, a partir do bezerro adquirido, a
produção e a venda do novilho magro para a engorda.
c) Engorda: a atividade básica é, a partir do novilho magro adquirido, a
produção e a venda do novilho gordo.
Como podemos observar, as três fases ficam bem definidas, e mesmo
utilizando o exemplo dos bovinos, os demais animais terão processos
semelhantes. Os suínos, por exemplo, terão um processo similar aos bovinos,
pois haverá o processo de produção de leitões, posteriormente sendo
4
engordados até o momento de seu abate. Para as aves, seguirá a mesma linha,
tendo as galinhas poedeiras para gerar os ovos que, depois de chocados, vem
a fase dos pintinhos, que posteriormente serão engordados para abate.
Para cada tipo de animal, haverá algumas variações quanto às fases da
pecuária, e cada propriedade rural pode atuar em uma dessas fases, ou
combinar mais de uma atividade. Dessa maneira, surgem seis combinações
possíveis de exploração da pecuária de corte:
• Cria
• Recria
• Cria-Recria
• Cria-Recria-Engorda
• Recria-Engorda
• Engorda
O empresário rural deverá ter ciência de sua capacidade técnica e
estrutural para optar pela fase, ou combinação de fases, que seja capaz de
desempenhar de maneira eficiente, pois apenas dessa forma conseguirá gerar
receitas para sua atividade.
Até o momento falamos muito sobre o processo até a engorda, que
posteriormente leva os animais ao abate. No entanto, todo o processo de criação
dos animais irá passar pelas matrizes e reprodutores, que serão os animais
utilizados para gerar os demais.
Esses animais destinados à reprodução serão selecionados e criados
exatamente para essa finalidade, e, por isso, terão alguns cuidados
diferenciados. Por exemplo, no caso dos bovinos, os machos destinados à
engorda são castrados, enquanto os reprodutores não, havendo processos
similares às demais espécies.
No que diz respeito às aves, em especial as galinhas, aquelas destinadas
a pôr os ovos serão mantidas com essa finalidade, com toda alimentação
adequada à sua função.
Saiba mais
Caros(as) alunos(as), trago para vossa leitura o artigo intitulado “A
Utilização da Informação Contábil na Gestão da Pecuária Bovina de Corte: Uma
Pesquisa Empírica”, com o objetivo de viabilizar uma melhor compreensão da
participação da contabilidade no meio rural. Disponível em:
5
<https://www.bbronline.com.br/index.php/bbr/article/download/423/645>.
Acesso em: 8 ago. 2019.
TEMA 2 – CLASSIFICAÇÃO DO GADO NA CONTABILIDADE PECUÁRIA E
PLANO DE CONTAS
Assim como vimos anteriormente sobre o plano de contas e divisão de
fases da produção agrícola, nesse momento vamos verificar os aspectos
semelhantes sobre a pecuária.
Visando facilitar nossos estudos, vamos segregar esse momento de
nossa aula em duas partes, primeiramente a classificação do gado, que será
informação pertinente para o plano de contas, que é a segunda parte.
2.1 Classificação dos Animais na Contabilidade Pecuária
A todo momento em sociedade, vivemos separando itens, criando
classificações e subclassificações, tudo isso visando obter uma facilidade para
lidar com as situações. Para a classificação dos animais isso também é
pertinente, tanto para aspectos contábeis como para situações operacionais.
Marion (2014) traz uma divisão simples na classificação dos animais,
como sendo os com finalidade de comercialização e aqueles mantidos na
propriedade com a finalidade de trabalho e reprodução, estes últimos mantidos
na propriedade por longos períodos de tempo.
Em relação à classificação, o Fisco também atua para estabelecer
regulamento quanto à maneira de classificar os animais, sendo disposto no
Parecer Normativo nº 57/76.
2.1. ATIVO IMOBILIZADO
Podemos considerar como integrante do ativo imobilizado as contas a
seguir indicadas, tendo em vista o disposto no art. 241 - RIR/75,
Decreto 76.186/75, verbis:
"Integram o ativo imobilizado, para os efeitos de correção monetária,
os bens que se destinem à exploração do objeto social ou à
manutenção das atividades da pessoa jurídica."
2.1.1. Gado Reprodutor, indicativa de touros puros de origem, touros
puros de cruza, vacas puras de cruza, vacas puras de origem e plantel
destinados à inseminação artificial;
2.1.2. Gado de Renda, representando bovinos, suínos, ovinos e
eqüinos que a empresa explora para a produção de bens que
constituem objeto de suas atividades;
2.1.3. Animais de Trabalho, compreendendo eqüinos, bovinos,
muares, asininos destinados a trabalhos agrícolas, sela e transporte;
2.2. ATIVO REALIZÁVEL
6
De conformidade com o art. 241, § 1º, letra a do RIR/75, aprovado pelo
Decreto 76.186/75:
"integram o ativo realizável os bens adquiridos para revenda, os
destinados a constituir parte integrante, bens produzidos para revenda,
ou a serem consumidos na produção de bens ou serviços para venda."
Portanto, serão classificadas no Realizável, em conta apropriada,
aves, gado bovino, suínos, ovinos, eqüinos, caprinos, coelho, peixe e
pequenos animais, destinados a revenda, ou a serem consumidos na
produção de bens para venda (Parecer Normativo nº 57/76).
Quando o Fisco segrega em Imobilizado e Realizável, de maneira mais
simples e atualizada, atualmente denominamos como Não Circulante e
Circulante respectivamente.
Também é conveniente verificarmos o exposto pelo CPC 26 (R1) (2011),
que trata da apresentação das demonstrações contábeis, bem como classificar
os itens em circulante e não circulante. Tendo a seguinte redação:
66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer
qualquer dos seguintes critérios:
(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou
consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do
balanço; ou
(d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no
Pronunciamento Técnico CPC 03 –Demonstração dos Fluxos de
Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se
encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do
balanço.
Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes
(CPC 26 (R1), 2011, p. 20).
Verifica-se que o CPC, enquanto órgão contábil, deve ser seguido,
verificando quais animais se enquadram como circulante, de forma simples
aqueles mantidos para serem comercializados, e os demais como não circulante.
Ao alinharmos o apresentado por Marion, Fisco e o CPC, vemos que todos
os animais que são destinados à venda ou ao consumo serão mantidos no Ativo
Circulante, enquanto os animais destinados a reprodução, produção de algum
tipo de item a ser vendido e aqueles destinados ao trabalho serão classificados
no Ativo Não Circulante.
Propriedades rurais que atuam na reprodução e venda necessitarão
renovar seus animais, reprodutores e matrizes, para tanto irão monitorar as crias,
visando aqueles de maior potencial. Até que seja efetivamente definido que os
animais serão mantidos para reprodução, estarão contabilizados no circulante,
e após a decisão de manter os animais, serão transferidos para o não circulante.
7
2.2 Plano de Contas
Assim como na agricultura, na pecuária também é necessário atuar com
um plano de contas adequado, voltado a atender as necessidades da empresa
rural. A classificação do rebanho será refletida no plano de contas, que terá essa
divisão como base do planejamento contábil.
Vamos verificar, no Quadro 1, uma exemplificação simples do Plano de
Contas do Balanço Patrimonial, considerando a bovinocultura como exemplo.
Quadro 1 – Balanço Patrimonial Pecuária – Ativo
1 ATIVO
11 Ativo Circulante
111 Disponível
112 Clientes e Títulos113 Ativos Biológicos
1131 Bezerros (as) de 0 a 8 meses
1132 Novilhos (as) de 9 a 18 meses
1133 Novilhos de 19 a 36 meses
1134 Novilhos acima de 37 meses
1135 Novilhas acima de 19 meses (em experimentação)
1136 Garrotes (tourinhos) acima de 25 meses (em experimentação)
12 Ativo Não Circulante
121 Realizável a Longo Prazo
122 Investimentos
123 Imobilizado
1231 Ativos Biológicos - Rebanhos
12311 Reprodutores
12312 Matrizes
1232 Ativos Biológicos – Animais de Trabalho
12321 Cavalos e éguas
12322 Burros e mulas
12323 Jumentos, Bois etc
1233 Ativos Biológicos – Animais e aves de cria
12331 Ovinos
12332 Caprinos
12333 Equinos
12334 Suínos
Fonte: Adaptado de Marion, 2014.
Como podemos ver no Quadro 1, a empresa rural que atua com a
pecuária deverá adaptar seu plano de contas, visando atender a particularidade
dessa atividade. Não demonstramos o passivo nesse momento, pois o mesmo
continuará constando as obrigações da entidade, sem muitas diferenças de uma
empresa comercial.
Haverá particularidades quanto à denominação das contas de resultado,
constando no plano de contas nomes que remetem à atividade. Por exemplo,
tratando de “Receitas com Gado”, ou também “Receitas com ovos”, conforme a
8
atividade desenvolvida. Vamos verificar, no Quadro 2, a exemplificação do Plano
de Contas para demonstração de resultado da pecuária.
Quadro 2 – Demonstração de Resultado
4 Receita Bruta
41 Receita do Gado Bovino
411 Venda do Gado Bovino
412 Variação Patrimonial Líquida
42 Outras Receitas
421 Leite
5 Custo/Despesa/Deduções
51 Custo do gado vendido (método de custo)
52 Custo do rebanho no período (método de valor de mercado)
53 Despesas operacionais e outros itens
Fonte: Adaptado de Marion, 2014.
Podemos ver, de maneira simplificada, as contas de resultado pertinentes
à pecuária, que serão de suma importância para a apuração do resultado da
entidade rural que atua com a criação de animais. Quanto às terminologias
utilizadas de “método de custo” e “método de valor de mercado”, serão
abordadas de forma específica, na sequência de nossa aula.
Todo o planejamento começa com o plano de contas, e sua elaboração
de maneira correta irá contribuir para que a contabilidade seja realizada de forma
fidedigna, bem como facilitando o processo.
TEMA 3 – MÉTODO DE CUSTO X MÉTODO A VALOR DE MERCADO (VALOR
JUSTO)
O método de custo e o método a valor de mercado são possibilidade de
se mensurar o estoque na atividade rural. Marion (2014) trata desses aspectos
levando em conta que o rebanho pode ser mensurado considerando o valor
consumido para sua formação, além de ser possível mensurar pelo preço
corrente do rebanho. Assim, o primeiro é o método de custo e o segundo o
método a valor de mercado.
Quanto aos aspectos da confiança da informação contábil, deverá ser
priorizado o método a valor de mercado, que irá refletir o valor justo. Apenas
quando não for possível mensurar o valor justo de maneira segura, que se
recomenda a utilização do método de custo.
Para melhor diferenciarmos cada método, veremos, na sequência, em
tópicos separados. Vamos verificar, primeiramente, o procedimento de quando
9
a propriedade rural trabalha com engorda de animais, e também
exemplificaremos o procedimento quando do nascimento de bezerros. Dessa
maneira, conseguiremos ter uma visualização dos dois métodos em
circunstâncias diferentes.
3.1 Método de Custo
O método de custo acaba sendo simples devido sua semelhança com a
aplicação no meio industrial, pois todos os custos de produção são estocados, e
quando ocorre a venda, os mesmo se tornam custo no resultado. Olhando para
o meio rural, o processo é idêntico, pois serão contabilizados os custos para
“produzir” o rebanho, e quando da venda, o valor deve ser transferido para o
resultado do período.
Uma das características básicas desse método é que a apuração do lucro
ocorre apenas quando acontece a venda. Pode até parecer estranho pensar em
apurar o lucro em um momento diferente da venda, visto que a contabilidade
atua com fatos contábeis sendo registrado conforme a competência, ou seja,
registrando no momento que acontece o fato contábil. Entretanto, em alguns
casos o lucro não será apurado no momento da venda, que é a situação do
método a valor de mercado, que vamos verificar posteriormente.
Nesse momento, observemos o Quadro 3, que contém um esquema
simplificado do método de custo para melhor compreendermos.
Quadro 3 – Método de Custo
Verificando no Quadro 3, na cor azul estão os valores consumidos para
formar o rebanho, ou seja, o custo do rebanho que está em estoque. Quando
10
ocorre a venda, o custo é baixado do estoque, e vai para o resultado, que é o
valor na cor vermelha.
Então, é possível ver que o método de custo para o rebanho acaba sendo
bem simples, facilitando a contabilização. Na sequência, vamos verificar como
seria o procedimento no caso de nascimento de um bezerro.
Marion (2014) trata que, para o registro contábil do nascimento de
bezerros, o método de custo é o mais correto, mesmo sendo diferente do
entendimento fiscal.
Nesse caso, com o nascimento do bezerro, o mesmo irá para o estoque
na conta Bezerros de 0 a 8 meses, conforme o Quadro 1. Vejamos, no Quadro
4, o procedimento contábil.
Quadro 4 – Método de Custo Nascimento de Bezerro
Como podemos ver, todo o valor consumido para manter o touro e matriz
será alocado ao bezerro quando ele nascer, dando, assim, origem ao custo do
bezerro. Dentre os gastos para manter os reprodutores, haverá a alimentação,
sanidade, depreciação, mão de obra utilizada no manejo, dentre outros custos
destinados a esses animais.
Em termos de informação para gerenciar o negócio, conhecer seus custos
é essencial, sendo que o método de custo fornece essa possibilidade ao produto
rural.
3.2 Método a Valor de Mercado
Esse método é utilizado considerando o preço de mercado para mensurar
o valor do estoque, que na maioria dos casos é maior do que o custo. Tal
procedimento irá ocasionar um ganho econômico, que será reconhecido na
11
contabilidade, pois com o crescimento do rebanho, automaticamente terá seu
valor elevado, realizando o procedimento geralmente uma vez por ano (Marion,
2014).
Dessa forma todos os valores consumidos para manter o plantel serão
contabilizados como custo do período, enquanto o ganho econômico do
crescimento dos animais será considerado uma Variação Patrimonial Líquida,
que equivale à receita, no entanto, sem que entre dinheiro.
Apenas quando ocorrer a venda é que o valor do ganho econômico será
realizado financeiramente, e não antes disso. Dessa maneira, anualmente é
apurado o resultado da atividade com receita e custo, mesmo sem a ocorrência
da venda.
No caso do nascimento de bezerros, também é considerada a receita
econômica, pois, de certa forma, a empresa rural está lucrando pelo fato de o
bezerro ter nascido. Nesse caso, todos os valores e manutenção do touro e
matriz que geraram o bezerro serão considerados como custo do período.
Primeiramente vejamos uma comparação na contabilização do método de
custo com o método a valor de mercado dos animais já existentes no rebanho.
Para isso vamos assumir alguns dados da obra de Marion (2014) para o
exemplo:
• Estoque no início de X1 é de dez cabeças de gado a $ 900,00 cada,
totalizando $ 9.000,00.
• Durante o ano, foi consumido o valor de $ 10.600,00 para manter o
rebanho.
• Ao final de X1, o valor de mercado de cada cabeça de gado era de $
2.100,00, totalizando $ 21.000,00.
• No período nenhum animal foi vendido.
Vejamos agora, no Quadro 5, a comparação dos dois métodos baseados
nos dados do exemplo.
Quadro 5 – Comparação de Métodos
Método de Custo Método a Valor de Mercado
BalançoPatrimonial DRE Balanço Patrimonial DRE
Ativo Circulante
Ativos Biológicos 9.000,00
Custo Acum. 10.600,00
19.600,00
Nada se registra, pois não
houve venda do gado;
portanto não se apura
resultado.
Ativo Circulante
Ativos Biológicos 9.000,00
Valorização 12.000,00
21.000,00
Variações Patrimoniais
Líquidas 12.000,00
Custo Prod. (10.600,00)
Luc. Econômico 1.400,00
O crescimento biológico e o ganho de peso não são
reconhecidos como ganho econômico.
Reconhece o ganho econômico mostrando aos usuários
que valeu a pena manter o rebanho no ano, já que trouxe
lucro econômico para a empresa.
Fonte: Marion, 2014, p. 107.
12
Fica claro que pelo método de custo só haverá resultado quando ocorrer
efetivamente a venda, e o custo dos animais será mantido conforme o valor de
recursos consumidos na criação dos mesmos. Enquanto pelo método a valor de
mercado, ao final do período o ganho econômico pelo crescimento dos animais
será reconhecido como variação patrimonial líquida, equivalente à receita, no
entanto sem haver venda dos animais. Em contrapartida da variação patrimonial
líquida, os custos consumidos para a manutenção do rebanho serão lançados
como custo do período.
Quanto aos bezerros, o processo de contabilização pelo método a valor
de mercado é simples, devendo ser reconhecida a receita econômica ocorrida
pelo nascimento. Vejamos um exemplo:
Receita Econômica Ativo circulante - Estoque
R$ 500,00 R$ 500,00
Pelo nascimento do bezerro será reconhecida a receita econômica, e em
contrapartida é dada a entrada do bezerro no estoque. Os valores de
manutenção do touro e matriz serão contabilizados como custo do período.
Nesse momento de nossa aula, vimos dois métodos para mensurar o valor
do estoque na empresa rural, devendo o contador ter o conhecimento necessário
para poder desempenhar seu papel de maneira íntegra e eficiente.
Saiba mais
Caros(as) alunos(as), para que possamos alcançar mais conhecimento
relacionado aos custos da pecuária, como assunto pertinente de nossa aula,
recomendo a leitura e análise de dois artigos. O primeiro é intitulado “Custos de
produção de gado bovino: revisão sob o enfoque da contabilidade de custos”.
Disponível em:
<https://www.researchgate.net/profile/Laercio_Melz/publication/263198708_Cu
stos_de_producao_de_gado_bovino_revisao_sob_o_enfoque_da_contabilidad
e_de_custos/links/00b4953acaf82a139d000000/Custos-de-producao-de-gado-
bovino-revisao-sob-o-enfoque-da-contabilidade-de-custos.pdf>. Acesso em: 9
ago. 2019.
Já o segundo é intitulado “Para um debate saudável: custo histórico
versus justo valor”. Disponível em:
13
<https://www.occ.pt/fotos/editor2/RevistaTOC113II.pdf>. Acesso em: 9 ago.
2019.
TEMA 4 – TÉCNICA PARA UTILIZAÇÃO DO CUSTO HISTÓRICO NA PECUÁRIA
O custo histórico é conhecido por ser utilizado quando a entidade registra
seus ativos pelo valor de aquisição ou pelo custo de fabricação (Marion, 2014).
Seguindo esse conceito, a maioria das entidades utiliza o custo histórico, e no
meio rural também haverá essa ocorrência.
A grande utilização do custo histórico também se justifica pela maneira
simples de se trabalhar, pois basta apropriar o custo consumido pelo rebanho
para o próprio rebanho.
Todos os gastos do período com o rebanho serão somados, chegando ao
valor total de custo consumido para manter o rebanho, esse valor será dividido
pela quantidade de animais, chegando ao custo médio de cada cabeça. Os
valores consumidos pelos reprodutores e matrizes também farão parte do
cálculo do custo médio por cabeça.
O processo de contabilização se assemelha ao industrial, em que os
reprodutores e matrizes equivalem a máquinas de produção, enquanto os
animais do rebanho equivalem ao produto em elaboração.
Para melhor ilustrar o procedimento para se utilizar o custo histórico,
vamos verificar um exemplo. Imaginem uma propriedade que possui matrizes e
reprodutores, e as matrizes pariram nesse período, iniciando a formação de um
rebanho de bezerros.
O gasto de manutenção dos animais é composto pelos salários,
alimentação, exaustão da pastagem, depreciação dos reprodutores e matrizes,
sanidade e outros gastos, perfazendo um total de R$ 29.000,00. Esse total será
transferido para uma conta auxiliar de custo do rebanho em formação, para
depois ser alocado na respectiva conta do estoque, pois os animais nascidos
podem ser fêmeas ou machos.
Digamos que no período nasceram 100 animais, sendo 50 fêmeas e 50
machos. O procedimento de alocação do custo de formação será por cabeça de
animal, da seguinte forma:
29.000,00
100
= 290,00 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
14
Com o valor unitário por animal, agora deverá ser multiplicado pela
quantidade de animais em cada classificação.
50 𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝐵𝐵 𝑑𝑑𝑐𝑐 0 𝑐𝑐 8 𝑚𝑚𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑥𝑥 290 = 14.500,00
50 𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝑝𝑝𝑝𝑝𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑑𝑑𝑐𝑐 0 𝑐𝑐 8 𝑚𝑚𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑥𝑥 290 = 14.500,00
Vejamos agora o esquema da contabilização em razonetes.
Como podemos ver, o processo é simples, e sempre utilizamos o valor de
custo efetivamente consumido, que é o preceito básico do custo histórico.
Caso a propriedade possuísse outras classificações no rebanho, como
novilhos (as) ou bois gordos, o procedimento seria o mesmo, que é a divisão do
custo de formação ou manutenção do rebanho, dividido pelo número de animais.
Seguindo o mesmo exemplo, no próximo exercício, se os bezerros forem
mantidos na propriedade, serão transferidos para a conta de novilhos e novilhas,
conforme podemos visualizar na sequência.
15
Sempre que os animais mudarem de classificação, o saldo da conta será
transferido para a nova classificação, seguindo o custo histórico já acumulado
dos animais.
O custo histórico é ferramenta de gestão, facilitando para a propriedade
compreender seus reais custos, e planejando a formação do preço de venda
quando necessário.
TEMA 5 – CUSTOS NA PECUÁRIA
Como vimos anteriormente, o custo histórico irá acumular todos os valores
consumidos para formar o rebanho, no entanto existem algumas críticas a essa
forma de se trabalhar. Tais críticas surgem devido ao longo ciclo produtivo dos
animais, que devido a questões de inflação ou deflação, pode fazer com que o
valor do custo histórico não consiga refletir exatamente o valor atualizado de
custo do rebanho.
Fica claro um panorama que alguns preferem o custo histórico, enquanto
outros o criticam e optam pelo valor mercado. No entanto, talvez possa haver um
terceiro perfil que não aprecie nenhuma das opções anteriores, sendo esse
ponto que iremos tratar nesse momento.
De forma a mesclar o custo histórico com o valor de mercado, podemos
trabalhar corrigindo o valor do estoque, porém realizando tal procedimento
apenas com fins gerenciais e não fiscais. Dessa maneira, serão geradas
informações para a gestão da propriedade tomar decisões considerando a
atualização do valor.
O valor dos animais será considerado o custo histórico acrescido de uma
taxa de mercado, visando, assim, aproximar ao valor de mercado, porém
dificilmente será o mesmo.
Um dos fatores mais difíceis é a determinação do índice que será utilizado
para efetuar a correção monetária, seja UFIR, IGPM, INPC, dentre outras
possibilidades. Nesse momento, vamos trabalhar com índices fictícios para
ilustrar a situação.
Para exemplo, assumiremos uma propriedade que possui um rebanho
com 450 animais, e em abril de x1 nasceram 50 bezerros. Então vamos
demonstrar como seria essa apuração de custos considerando a correção a ser
realizada ao final do período. Visando simplificar o processo e facilitar o
16
entendimento, trabalharemos apenas com os bezerros, pois para os demais
animais seguirão o mesmoprocesso.
Vejamos o Quadro 6, com informações dos custos de formação do
rebanho.
Quadro 6 – Custos de Formação do Rebanho
Mês Custo
formação do
Rebanho
Número de
animais total
Custo
unitário
Número de
Bezerros
Custo dos
Bezerros
Abril 11.075,00 500 22,15 50 1.107,50
Maio 11.250,00 500 22,50 50 1.125,00
Junho 11.530,00 500 23,06 50 1.153,00
Julho 5.847,50 250 23,39 50 1.169,50
Agosto 5.962,50 250 23,85 50 1.192,50
Setembro 6.047,50 250 24,19 50 1.209,50
Outubro 6.155,00 250 24,62 50 1.231,00
Novembro 6.245,00 250 24,98 50 1.249,00
Dezembro 6.275,00 250 25,10 50 1.255,00
Ao final do exercício, os 50 Bezerros terão um custo histórico acumulado
de R$ 10.692,00, sendo o valor de R$ 213,84 por animal. Vale lembrar que,
conforme estudamos anteriormente, o custo de formação do rebanho é
composto por todos os gastos necessários para manter o mesmo, bem como ao
dividir o valor total pela quantidade de animais, chegamos no custo por cabeça
do rebanho.
Vamos considerar uma taxa de inflação de 12% no período, para que
possamos realizar a correção dos valores. Então, temos o seguinte cálculo:
10.692,00 𝑥𝑥 12% = 1.283,04
Assim, chegamos ao valor de R$ 1.283,04, que se refere à correção
monetária, ou seja, o valor a ser acrescentado ao custo histórico. Temos, então,
o valor de custo desses bezerros de R$ 11.975,04. A correção monetária propicia
que a entidade consiga atualizar o valor, visto que, com o passar do tempo,
existirá uma desvalorização do dinheiro, e corrigindo podemos atualizar o valor.
Agora que vimos como funciona o procedimento, vamos aplicá-lo em um
exemplo com mais animais envolvidos. Vejamos, então, o relatório de animais.
17
Quadro 7 – Relatório de Animais de X1
Mês Custo
formação
do
Rebanho
Bezerros
de 0 a 8
meses
Novilhos
de 9 a 18
meses
Novilhos
de 19 a 36
meses
Total de
animais
Custo
unitário
por
animal
Janeiro 9.180,00 0 0 360 360 25,50
Fevereiro 11.895,60 0 100 360 460 25,86
Março 12.116,40 0 100 360 460 26,34
Abril 12.429,20 0 100 360 460 27,02
Maio 12.539,60 0 100 360 460 27,26
Junho 14.430,00 60 100 360 520 27,75
Julho 14.892,80 60 100 360 520 28,64
Agosto 15.132,00 60 100 360 520 29,10
Setembro 15.267,20 60 100 360 520 29,36
Outubro 15.553,20 60 100 360 520 29,91
Novembro 15.672,80 60 100 360 520 30,14
Dezembro 15.750,80 60 100 360 520 30,29
Agora, vamos verificar qual é o valor de custo que será agregado a cada
classificação de animais em cada mês.
Quadro 8 – Custo mensal por tipo de animal
Mês Custo formação do
Rebanho
Bezerros de 0 a
8 meses
Novilhos de 9
a 18 meses
Novilhos de 19 a
36 meses
Janeiro 9.180,00 0,00 0,00 9.180,00
Fevereiro 11.895,60 0,00 2.586,00 9.309,60
Março 12.116,40 0,00 2.634,00 9.482,40
Abril 12.429,20 0,00 2.702,00 9.727,20
Maio 12.539,60 0,00 2.726,00 9.813,60
Junho 14.430,00 1.665,00 2.775,00 9.990,00
Julho 14.892,80 1.718,40 2.864,00 10.310,40
Agosto 15.132,00 1.746,00 2.910,00 10.476,00
Setembro 15.267,20 1.761,60 2.936,00 10.569,60
Outubro 15.553,20 1.794,60 2.991,00 10.767,60
Novembro 15.672,80 1.808,40 3.014,00 10.850,40
Dezembro 15.750,80 1.817,40 3.029,00 10.904,40
Total 164.859,60 12.311,40 31.167,00 121.381,20
Como podemos ver, cada classificação de animal recebeu seu respectivo
valor de custo histórico, mas ao final do exercício devemos corrigir o valor, então
vamos utilizar uma inflação de 15%. Com o custo dos bezerros de 0 a 8 meses,
será acrescido em R$ 1.846,71, chegando ao valor de R$ 14.158,11. Os novilhos
de 9 a 18 meses será acrescido de R$ 4.675,05, totalizando o saldo da conta em
R$ 35.842,05. E os novilhos de 19 a 36 meses será corrigido no valor de R$
18.207,18, chegando ao saldo da conta de R$ 139.588,38.
Esse método irá atuar para corrigir os valores históricos e aproximá-los do
valor de mercado, sendo uma alternativa gerencial para apurar o custo da
entidade rural. Cabe ao profissional contábil atuar de forma diligente para apurar
18
os custos na pecuária, visando, então, gerar informações úteis aos proprietários
rurais.
TROCANDO IDEIAS
Caros alunos, alcançamos mais conhecimentos em nossa disciplina de
Contabilidade de Agronegócios, em específico sobre a pecuária, que possui
várias nuances semelhantes à atividade industrial, pois existem estoques em
elaboração da mesma maneira.
A apuração de custo pode ser feita por meio do custo histórico, valor de
mercado ou até mesmo uma junção dos dois efetuando correção monetária.
Seguindo os conceitos estudados nesta aula, imaginemos que vocês são
contratados para serem contadores de uma empresa rural, que atua
prioritariamente com a pecuária. Quais medidas vocês tomariam para
implementar uma apuração do custo histórico? Quais medidas para se trabalhar
com o valor de mercado? E quais seriam suas ideias para a correção monetária?
Discutam com seus colegas para que possam chegar na melhor opção.
NA PRÁTICA
Caros alunos, agora vamos praticar um pouco com algumas situações
que remetem ao conteúdo estudado.
1 – Considerando uma propriedade rural que atua na criação de bovinos
possui o seguinte rebanho em 31/12/X1
Classificação Cabeças Valor
Bezerros de 0 a 1 ano 600 R$ 210.000,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 1.000 R$ 400.000,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 2.400 R$ 1.488.000,00
Animais em estoque 4.000 R$ 2.098.000,00
Matrizes 2.000 R$ 800.000,00
Touros 500 R$ 300.000,00
Animais em imobilizado 2.500 R$ 1.100.000,00
Total do Rebanho 6.500 R$ 3.198.000,00
No mês janeiro de X2 ocorreram 500 nascimentos, ou seja, mais 500
bezerros de 0 a 1 ano. No mês de janeiro, o custo de manutenção do rebanho
foi de R$ 118.350,00. Pergunta-se:
a) Qual o valor de custo de formação do rebanho por cabeça, no mês de
janeiro de X2?
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b) Qual o valor de custo da formação do rebanho será alocado a cada
classificação de animais?
c) Qual o saldo do estoque de cada classificação de animais ao final de
janeiro de X2, considerando o custo histórico?
2 – Considerando uma propriedade rural que atua na criação de bovinos
possui o seguinte rebanho em 31/12/X1
Classificação Cabeças Valor
Bezerros de 0 a 1 ano 400 R$ 106.136,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 R$ 533.070,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 R$ 1.411.950,00
Animais em estoque 2.800 R$ 2.051.156,00
Matrizes 1.200 R$ 1,800.000,00
Touros 300 R$ 900.000,00
Animais em imobilizado 1.500 R$ 2.700.000,00
Total do Rebanho 4.300 R$ 4.751.156,00
No mês janeiro de X2 ocorreram 600 nascimentos, ou seja, mais 600
bezerros de 0 a 1 ano. No mês de janeiro o custo de manutenção do rebanho foi
de R$ 99.620,00. Pergunta-se:
a) Qual o valor de custo de formação do rebanho por cabeça, no mês de
janeiro de X2?
b) Qual o valor de custo da formação do rebanho que será alocado a cada
classificação de animais?
c) Qual o saldo do estoque de cada classificação de animais ao final de
janeiro de X2, considerando o custo histórico?
d) Considerando uma inflação de 0,6% em janeiro de X2, qual é o saldo
contábil de cada classificação dos animais?
e) No mês de fevereiro de X2 foram mantidos na propriedade os mesmos
animais, sem nenhum nascimento, morte ou venda, para tanto foi gasto na
manutenção do rebanho o valor de R$ 109.480,00. Com essas informações, e
considerando uma inflação de 0,5% no mês fevereiro, efetue os procedimentos
e chegue ao novo saldo contábil de cada classificação de animais ao fim de
fevereiro.
FINALIZANDO
Chegamos ao final da nossa aula, a qual trabalhamos conceitos da
contabilidade aplicada à pecuária, abordando alguns aspectos básicos que
20
visam situá-los dentro desse arcabouço teórico específico envolvendo a
aplicação da contabilidade no meio rural.
Em um segundo momento, abordamos o plano de contas a ser aplicado
à pecuária, bem como a divisão dos animais conforme sua classificação, por
exemplo os bezerros de 0 a 8 meses,novilhos de 9 a 18 meses, e assim por
diante. Esse processo visa facilitar o procedimento contábil, além da organização
da entidade, demonstrando a importância do plano de contas e sua aplicação.
Nosso terceiro assunto foi relacionado ao custo, em específico
trabalhamos a comparação entre o método de custo e o método do valor de
mercado. O primeiro trata sobre contabilizar os animais conforme o seu custo
histórico, sendo alternativa válida quando o método do valor de mercado não
puder ser aplicado. O segundo método, então, atua considerando o valor justo
dos animais, dessa maneira considerando esse valor nos registros contábeis, o
que irá proporcionar receitas econômicas para a entidade.
Também trabalhamos técnicas para aplicar o custo histórico na pecuária,
visando, assim, manter esses controles conforme o número de animais e
consumos dos gastos de manutenção do rebanho.
Finalizamos com nosso quinto assunto, abordando os custos da pecuária
de maneira diferenciada, tais como a mescla do custo histórico com o valor de
mercado. Para esse procedimento haverá uma correção monetária do custo
histórico, para então aproximá-lo do valor de mercado. Esse procedimento será
utilizado para a finalidade gerencial da propriedade rural.
Encerramos, então, nossa aula, que teve como foco a pecuária, desde
aspectos conceituais, aprofundando no plano de contas, e meios de apuração
dos custos. Todos esses assuntos fazem com que a aplicação da contabilidade
ao meio rural seja mais precisa.
Bons estudos!!
21
REFERÊNCIAS
GOUVEIA, J. B. Para um debate saudável: custo histórico versus justo valor.
Revista TOC, n. 113, p. 28-31, 2009.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
MELZ, L. J. Custos de produção de gado bovino: revisão sob o enfoque da
contabilidade de custos. Custo e @gronegócio Online, Recife, v. 9, n. 1, p. 119-
136, 2013.
PEREIRA, A. C.; OLIVEIRA, A. B. S.; BARBALHO, V. F. A Utilização da
Informação Contábil na Gestão da Pecuária Bovina de Corte: Uma Pesquisa
Empírica. Brazilian Business Review, Vitória, v. 4, n. 1, p. 40-59, 2007.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC
26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Brasilia: [sn], 2011.
Gabarito
Resolução Ex. 1
a) Para responder a primeira pergunta é necessário efetuar a divisão do
valor de custo da formação do rebanho pelo total de animais do rebanho. Então,
temos:
118.350,00
4500
= 26,30 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
O número de 4500 animais é composto pelas 4000 cabeças que se tinha
em estoque, acrescidos dos 500 animais nascidos no período.
O valor por cabeça é encontrado de maneira bem simples.
b) Para responder a essa pergunta, o processo é bem simples também.
Devemos efetuar a multiplicação do valor por cabeça, pela quantidade de
animais de cada classificação. Observemos o Quadro:
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano 1.100 x 26,30 R$ 28.930,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 1.000 x 26,30 R$ 26.300,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 2.400 x 26,30 R$ 63.120,00
22
c) Nesse momento, devemos efetuar a soma do valor que já é o saldo da conta
com o valor alocado do mês de janeiro de X2.
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 210.000,00 + R$ 28.930,00 R$ 238.930,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 400.000,00 + R$ 26.300,00 R$ 426.300,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.488.000,00 + R$ 63.120,00 R$ 1.551.120,00
Chegamos à resposta da terceira pergunta. Poderíamos complementar o
processo gerencial adicionando a correção monetária. Então, vamos assumir
uma inflação no mês de janeiro de 0,8%. Com isso devemos acrescentar esse
percentual ao saldo em estoque.
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 238.930,00 x 1,008 R$ 240.841,44
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 426.300,00 x 1,008 R$ 429.710,40
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.551.120,00 x 1,008 R$ 1.563.528,96
Tal procedimento da correção monetária pode ser realizado mensalmente
ou ao fechamento do período anual.
Resolução Ex. 2
a) Para responder a primeira pergunta é necessário efetuar a divisão do
valor de custo da formação do rebanho pelo total de animais do rebanho. Então
temos:
99.620,00
3400
= 29,30 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
O número de 3400 animais é composto pelas 2800 cabeças que se tinha
em estoque, acrescidos dos 600 animais nascidos no período.
O valor por cabeça é encontrado de maneira bem simples.
b) Para responder a essa pergunta, o processo é bem simples também.
Devemos efetuar a multiplicação do valor por cabeça, pela quantidade de
animais de cada classificação. Observemos o Quadro:
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano 1.000 x 29,30 R$ 29.300,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 x 29,30 R$ 26.370,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 x 29,30 R$ 43.950,00
c) Nesse momento, devemos efetuar a soma do valor que já é o saldo da
conta com o valor alocado do mês de janeiro de X2.
23
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 106.136,00 + R$ 29.300,00 R$ 135.436,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 533.070,00 + R$ 26.370,00 R$ 559.440,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.411.950,00 + R$ 43.950,00 R$ 1.455.900,00
d) Agora vamos aplicar a inflação do período, acrescentando o percentual
ao estoque.
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 135.436,00 x 1,006 R$ 136.248,62
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 559.440,00 x 1,006 R$ 562.796,64
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.455.900,00 x 1,006 R$ 1.464.635,40
Ao aplicar a inflação como correção, chegando então ao novo saldo
contábil.
e) Então, verificamos agora o mês de fevereiro, todo o processo.
- Cálculo do valor por cabeça.
109.480,00
3400
= 32,20 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐
- Cálculo do valor alocado a cada classificação de animais:
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano 1.000 x 32,20 R$ 32.200,00
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 x 32,20 R$ 28.980,00
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 x 32,20 R$ 48.300,00
- Chegar no novo saldo das contas:
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 136.248,62 + R$ 32.200,00 R$ 168.448,62
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 562.796,64 + R$ 28.980,00 R$ 591.776,64
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.464.635,40 + R$ 48.300,00 R$ 1.512.935,40
- Realizar a correção dos valores:
Classificação Cálculo Saldo Contábil
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 168.448,62 x 1,005 R$ 169.290,86
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 591.776,64 x 1,005 R$ 594.735,49
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.512.935,40 x 1,005 R$ 1.520.500,08
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 4
Prof. Diones Fernandes Zanin
2
CONVERSA INICIAL
Nesse momento já passamos da metade de nossa disciplina de
Contabilidade de Agronegócios, e cada vez mais estudamos novos conceitos
que vão se interligando. Nessa aula, a ligação dos assuntos será ainda mais
importante para alcançarmos uma profundidade de conhecimento.
Vamos iniciar essa aula abordando a maneira de se reconhecer receita
na pecuária, que não será necessariamente no momento da venda, abrindo
possibilidades diferenciadas para situações específicas.
Na sequência, vamos verificar uma forma de tratamento relacionada ao
momento que os bezerros nascem, como também quando eles devem mudar de
categoria, tais procedimento devem ser realizados com toda a diligência para
que a propriedade rural tenha as informações mais fidedignas e confiáveis
possível.
Como terceiro assunto, veremos a avaliação no encerramento do balanço,
ferramenta que pode ser relevante para a adequada gestão e maneira de apurar
o estoque, sendo procedimento contábil aceito, mesmo havendo outras
possibilidades de se avaliar as categorias.Já abordaremos a maneira de reconhecer as receitas, então, é
conveniente trabalharmos a questão da confrontação dessa receita com a
despesa, pois como bons conhecedores da contabilidade, devemos sempre nos
ater que a existência de uma receita implicará em alguma despesa.
Iremos finalizar abordando situações e exemplos da contabilização dos
ativos biológicos pertinentes à pecuária, seguindo os preceitos designados pelo
CPC 29, e então, aplicando a interligação de conhecimentos entre os conteúdos.
Bons Estudos!
CONTEXTUALIZANDO
Ao aplicar a contabilidade ao meio rural surge a necessidade de
considerar as particularidades, pois apenas dessa forma será possível ter uma
contabilidade integra e adequada.
Podemos evidenciar dentro dessas particularidades e maneira de se
reconhecer a receita, o fato da mudança de categoria dos animais também deve
ter a atenção do contador.
3
Cabe utilizar todo o conhecimento e diligência para conseguir alcançar no
meio rural as mesmas possibilidades contábeis que já existem no meio
empresarial urbano.
O CPC 29 contribui para que se possa equiparar as condições, fazendo
com que a contabilidade realize o seu papel de maneira a atender todas as
necessidades dos usuários, gerando informações úteis e relevantes.
Dentre as recomendações do CPC 29 está a mensuração dos estoques
do meio rural ao valor de mercado, antecipando o reconhecimento da receita,
mesmo sem que ela seja realizada financeiramente.
TEMA 1 – RECONHECIMENTO DA RECEITA NA PECUÁRIA
Muito se questiona sobre o momento adequado para se reconhecer a
receita, pois algumas situações podem ocasionar mudança na interpretação
sobre os conceitos de receita, bem como a identificação do fato gerador da
mesma.
Geralmente se estipula que o momento de se reconhecer a receita é
quando ocorre a transferência do serviço ou bem negociado, sendo assumido
como o momento da venda. Entretanto, podem ocorrer circunstâncias em que
será necessário reconhecer a receita antes da ocorrência da venda (Marion,
2014).
No meio rural se vê mais claramente essa possibilidade de
reconhecimento da receita, pois geralmente os ciclos são mais longos na
produção, em decorrência do crescimento natural das plantas ou animais.
Em especial, nosso foco será a forma de reconhecer a receita na pecuária,
pois os bovinos, por exemplo, possuem um ciclo de estoque considerado longo
quando comparados a outras atividades, já que os animais, desde seu
nascimento até atingirem maturidade para venda final, podem passar até 5 anos
em estoque.
Hendriksen e Van Breda (1999) que são autores seminais da Teoria da
Contabilidade, já abordaram sobre a devida aceitação do reconhecimento da
receita de maneira diferenciada quando os produtos tiverem um ciclo operacional
longo.
Dentre as justificativas para utilizar esse procedimento está um apelo dos
acionistas, pois o ciclo operacional de um plantel irá perdurar por 5 anos
4
consumindo recursos da entidade, para só então ser vendido e ter sua receita
reconhecida e confrontada com seu custo.
No entanto, nesse meio tempo, alguns acionistas poderão se desligar da
entidade. Eles terão contribuído com o crescimento do plantel e quando
ocorrerem as vendas, não colherão os benefícios. O semelhante ocorre quando
se inicia a atividade, podendo ter o mesmo desenrolar da situação.
Devido a essa situação e outras possibilidades, se torna válido reconhecer
a receita antes da venda, não como receita realizada financeiramente, e sim,
como receita econômica, que normalmente será realizada posteriormente.
Outra justificativa para atuar dessa maneira em relação à receita é o fato
dos animais terem um crescimento natural, que faz com que tenham uma
valorização superior aos valores gastos para manutenção do rebanho.
Caso a entidade opte por não considerar o reconhecimento da receita
conforme ocorre o crescimento, fará com que seu patrimônio fique com valor
inferior ao real, ou seja, não evidenciará informações fidedignas da entidade.
Diferentemente das indústrias, que têm certa dificuldade em determinar
valores dos estoques em elaboração, o gado, a qualquer momento, terá meios
de ser precificado pelo mercado, principalmente pelo fato dos valores serem
estipulados pelo peso dos animais (Marion, 2014).
Para realizar o procedimento de reconhecimento da receita antes da
venda é preciso dos dados de mercado que propiciem uma avaliação objetiva do
valor dos animais em decorrência do seu desenvolvimento natural.
As propriedades rurais devem sempre estar atentas a estes valores de
mercado da sua produção, para que possam realizar a devida contabilização,
alcançando maior exatidão nas demonstrações contábeis.
O estabelecimento das fontes de informação do valor mercado juntamente
com a padronização do procedimento contábil, irão exigir uma atuação atenciosa
por parte do profissional contador. Deve-se ter muita atenção ao realizar o
processo contábil, principalmente a questão da receita econômica, conhecida
como Variação Patrimonial ou Superveniências Ativas. Serão contemplados
todos os animais do rebanho na avaliação de mercado (até mesmo os bezerros
ao nascerem).
Para exemplificar o procedimento: ao debitar a conta dos bezerros, a
contrapartida será o crédito na conta de variação patrimonial no resultado do
período.
5
Saiba Mais
Caros alunos, para que possamos alcançar mais conhecimento sobre a
receita na pecuária, busquei lhes trazer maior fonte de subsídio sobre o assunto
e recomendo a leitura e análise de dois artigos:
O primeiro é intitulado de “Aplicação do valor, disponível em:
<https://www.researchgate.net/profile/Vinicius_Martins/publication/285133092_
Fair_Value_application_to_biological_assets_and_agricultural_produce_in_live
stock_farming/links/58492e1008aeda6968281c83/Fair-Value-application-to-
biological-assets-and-agricultural-produce-in-livestock-farming.pdf>. Acesso em:
8 ago. 2019.
O segundo artigo fala sobre como essa maneira de se reconhecer a
receita pode influenciar na questão tributária: “Impostos diferidos na atividade
pecuária originados da avaliação dos ativos biológicos pelo valor justo: um
estudo de seu reconhecimento e evidenciação nas maiores propriedades rurais
do estado de mato grosso”. Disponível em:
<http://gorila.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/article/view/907>. Acesso
em: 8 ago. 2019.
TEMA 2 – NASCIMENTO DE BEZERROS E AVALIAÇÃO DE MUDANÇA DE
CATEGORIA
Dentro da contabilidade aplicada à pecuária, é imperativo compreender
inúmeras variáveis que, devido às particularidades da atividade, terão influência
nos procedimentos contábeis. Dentre o rol de variáveis está a divisão de
categorias dos animais.
De forma mais específica, iremos trabalhar a maneira de avaliar
contabilmente o momento e os valores da mudança de categoria. Os animais
estarão em categorias conforme suas idades em meses, no entanto, os animais
terão idades variadas devido às datas de nascimento, prejudicando o
procedimento contábil ao segregar os animais, principalmente com o nascimento
de mais bezerros.
Para facilitar o processo contábil, a entidade deverá atuar buscando dois
meios de melhorar o procedimento: organizar os nascimentos e buscar a
mudança de categoria de maneira controlada.
Marion (2014) aborda que algumas entidades pecuárias atuam
planejando o nascimento de bezerros. Para realizar esse processo de
6
planejamento, é necessário inicialmente que as matrizes sejam separadas em
lotes conforme o período de cio normal, ou até mesmo, quando estimulado o
período de cio.
Esse planejamento será feito para que a monta dos touros ou a
inseminação ocorra no período adequado, tendo um lote de prenhes organizado
para que o parto seja feito no mesmo momento. Esse meio de trabalho contribui
para que tanto a gestão do rebanho, quanto a alocação de custos sejafacilitada,
pois animais com a mesma idade formarão um lote uniforme.
A mudança de categorias dos animais é mais fácil quando a entidade rural
planeja seus nascimentos, pois a avaliação para mudar de categoria será feita
por lote de animais exatamente com a mesma idade. A entidade que tenha os
nascimentos (planejados ou não) deverá buscar meios de avaliar como irá
realizar a mudança de categoria dos animais.
O primeiro passo é determinar quais serão as categorias a serem
utilizadas e lista-las no plano de contas, sendo cada uma delas, utilizada para a
segregação do rebanho.
Marion (2014) traz dois exemplos para realizar a mudança de categoria,
de maneira anual ou semestral, opções válidas que irão refletir a realidade da
empresa pecuária. Vamos verificar:
• Mudança de categoria de maneira anual: as categorias são separadas
considerando 12 meses de intervalo. Então, os animais irão mudar de
categoria no mês de seu aniversário, em especial os bezerros, que
mudam para a categoria de novilhos. Por mais cabível que seja esse
método, ele fará com que o estoque possua valor desatualizado, pois a
defasagem pode chegar até 11 meses, já que os animais que tenham
nascido logo após o fechamento do balanço trarão maior diferença de
valores. Em resumo: mesmo sendo prático considerar o aniversário do
animal para realizar a mudança de categoria, esse procedimento pode
prejudicar a exatidão dos valores do estoque do rebanho.
• Mudança de categoria de maneira semestral: ocasiona maior
quantidade de categorias e pode ocasionar a mudança de categoria duas
vezes ao ano. Esse processo também terá certa falta de exatidão nos
valores contábeis do rebanho, porém, os dados estarão mais atualizados
do que o método anual, já que a defasagem será de no máximo 5 meses.
Vejamos as possibilidades de categorias do rebanho bovino no Quadro 1:
7
Quadro 1 – Categorias do Rebanho
Fonte: Autor, 2019.
Como podemos observar, optando pelo método semestral de mudança há
mais categorias a serem utilizadas, e por mais que isso ocasione um pouco mais
de trabalho na contabilidade, fará com que os valores fiquem mais próximos da
realidade. Em compensação, o método anual terá informações menos precisas
e menos trabalho contábil.
Além dessas duas maneiras, a empresa rural pode optar por realizar a
mudança de categoria a cada quadrimestre, trimestre ou bimestre, buscando a
melhor forma de contabilizar e realizar o controle dentro de sua entidade.
Saiba Mais
Vamos verificar um artigo que trata das categorias dos bovinos e realiza
uma abordagem com as NBC’s e CPC’s, visando alinhar o meio rural com os
normativos contábeis: “Contabilização do setor pecuário do agronegócio:
aplicação das NBCS e CPCS”. Segue o link para acesso:
<http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/dialogoscont/article/view/1246>.
Acesso em: 8 ago. 2019.
TEMA 3 – AVALIAÇÃO NO ENCERRAMENTO DO BALANÇO
Além das mudanças de categorias considerando o critério anual e
semestral, que agregam um grande rol de possibilidades, temos ainda a
avaliação das categorias no momento de enceramento do balanço.
Para realizar esse procedimento é preciso conhecer a idade de cada
animal e então, realizar o controle adequado e alinhado com a forma de
contabilizar o rebanho, bem como sua divisão em categorias. Ao seguir esse
procedimento, a entidade deverá avaliar os bezerros pelo seu nascimento e fazer
uma reavaliação ao final do exercício, esta, com base nos meses vividos pelo
animal.
8
Para facilitar esse processo, a empresa pecuária deve agrupar os animais
conforme o mês de nascimento. Para facilitar a tarefa, pode planejar os cios,
prenhes e partos. A propriedade que não possui a devida organização prejudica
o processo contábil.
Depois do final do exercício de nascimento dos bezerros, nos períodos
subsequentes, mudarão de categoria (de bezerros para novilhos) e assim
sucessivamente, até se tornarem bois gordos e serem vendidos (pode ocorrer a
venda antes dessa categoria). Esse procedimento só será possível com
existência dos controles adequados dos lotes do rebanho. Visando facilitar,
vejamos no Quadro 2 um exemplo de mapeamento do rebanho.
Quadro 2 – Mapa do Rebanho
Fonte: Autor, 2019.
Como podemos ver, os animais serão avaliados no mês de nascimento,
e depois, ao final do exercício. No exemplo, assumimos o encerramento do
balanço em dezembro. Ao realizar a avaliação do rebanho ao final do exercício,
teremos um valor de estoque mais atualizado do que utilizando o critério
semestral ou anual, evitando assim a defasagem de valor na data do balanço.
TEMA 4 – CONFRONTAÇÃO DA DESPESA
Sempre que ocorrer alguma receita, a entidade terá, em contrapartida,
uma despesa, que será o valor consumido utilizado para dar origem à receita.
Ao realizar o reconhecimento de uma receita, é necessário reconhecer também
a despesa correspondente. Esse processo é designado como confrontação da
despesa.
9
Os gastos nessa situação são chamados de despesa, no entanto, dentro
desse conceito, entram todos os custos dos produtos vendidos, devendo sempre
feita a associação entre a receita, os custos e despesas.
Quando a entidade reconhece a receita no momento da venda o processo
é facilitado. É mais comum e acontece em entidades comerciais e industriais.
No caso da pecuária, a receita será reconhecida antes da ocorrência de
venda, considerando o crescimento natural do rebanho. Dessa maneira, uma vez
ao ano é reconhecida uma receita pela maturação do rebanho (Marion, 2014).
Com a realização desse procedimento, todos os valores de custos
consumidos com a manutenção do rebanho não serão alocados ao estoque, e
sim, contabilizados no resultado. Dessa maneira, a receita econômica
reconhecida em virtude da maturação do rebanho terá como gastos
confrontados, os custos de formação do rebanho consumidos no período.
Quando ocorre a venda, como consequência, poderão ocorrer despesas,
as quais terão seus valores exatos conhecidos no momento da venda. No
entanto, devido ao fato de reconhecer a receita antes desse momento, é
necessário estimar os valores de despesas que irão acontecer, fazendo então,
o provisionamento desses valores. Deve ser utilizada uma estimativa baseada
em dados passados, visando chegar ao mais próximo dos valores exatos.
Temos como exemplos de tais despesas: o frete e os impostos sobre
venda. O frete, quando é por conta da entidade vendedora, deverá ser estimado,
porém, sem o conhecimento do futuro comprador, essa tarefa será dificultada,
pois deve-se buscar estimativas, possivelmente utilizando média dos valores de
períodos anteriores.
No caso dos impostos, o mais simples de ser tratado é o Funrural (Fundo
de Assistência ao Trabalhador Rural), pois trata-se de um percentual sobre o
valor da venda. Com o reconhecimento da receita pela maturidade do rebanho,
é facilmente estimado o valor de Funrural a ser provisionado.
A Confrontação da Despesa é uma tarefa que o contador deve
desenvolver com cuidado, evitando o reconhecimento de valores inadequados
ou incoerentes.
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Saiba Mais
Nesse momento vamos verificar um artigo que visa agregar mais
conhecimento a vocês que apresenta aspectos referentes a confrontação da
despesa. Adianto que mesmo o artigo abordando a confrontação da despesa em
outra área de aplicação, devemos observá-lo como oportunidade, pois podemos
comparar analogamente com a aplicação do conceito à pecuária.
O artigo é intitulado “Contabilidade de custos na gestão de projetos de
construção de longo prazo”. Para ler, acesse:
<https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/article/view/1725>. Acesso em: 8
ago. 2019.
TEMA 5 – CONTABILIZAÇÃO DE ATIVOS BIOLÓGICOS CONFORME O CPC 29
Vamos verificar uma evolução do rebanho dentro da contabilidade, para
tanto, utilizaremos exemplos de lançamentos com animais classificadosem
estoque (não iremos considerar os animais do imobilizado). Iremos apresentar
fatos contábeis de um exercício, seguindo os lançamentos em forma de diário,
visando possibilitar melhor compreensão da contabilização da pecuária
considerando o pronunciamento técnico CPC 29.
• Ano X1
a. Nascimento de 100 bezerros (as) com valor de mercado de $90,00 cada,
totalizando $9.000,00.
D – Bezerros (as) – AC – $9.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $9.000,00
b. No período ocorreram Despesas e Custos no valor de $6.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $6.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $6.000,00
c. Considera-se o percentual de 3% do valor de mercado como provisão de
Despesas de distribuição.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $70,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $270,00
11
Com os fatos ocorridos no exercício, teremos uma receita econômica de
$9.000,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos conforme rege o CPC 29.
Dessa receita, iremos deduzir o valor de $6.270,00, composto por $ 6.000,00
dos custos/despesas do período e $270,00 referentes às despesas com
distribuição.
Teremos um resultado de $2.730,00, enquanto o estoque de bezerros(as)
terá um valor líquido de $8.730,00, sendo $9.000,00 referentes à avaliação dos
bezerros e deduzido o valor de $270,00 da provisão de despesas com
distribuição.
• Ano X2
a. Nascimento de 150 bezerros (as) com valor de mercado de $120,00 cada,
totalizando $18.000,00.
D – Bezerros (as) – AC – $18.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $18.000,00
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses.
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $9.000,00
C – Bezerros (as) – AC – $9.000,00
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $14.000,00, ou
seja, $140,00 por novilho(a).
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $5.000,00
C – Ajustes ao valor justo – Receita – $5.000,00
d. No período ocorreram Despesas e Custos no valor de $15.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $15.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $15.000,00
e. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição. Esse percentual será aplicado sobre o valor
dos bezerros(as) nascidos, mais a valorização dos novilhos.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $690,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $690,00
12
Com os fatos ocorridos no exercício de X2, teremos uma receita
econômica de $23.000,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos
($18.000,00) e o valor justo referente a maturação dos(as) novilhos(as)
($5.000,00), conforme rege o CPC 29.
Dessa receita iremos deduzir o valor de $15.690,00, composto por
$15.000,00 de custos/despesas do período e $690,00 referentes às despesas
com distribuição.
Teremos então um resultado de $7.310,00 no período, enquanto o
estoque de animais terá um valor líquido de $31.040,00, sendo $18.000,00
referentes à avaliação dos bezerros nascidos em X2 e $14.000,00 referentes aos
novilhos(as) de 13 a 24 meses, e deduzido o valor de $960,00 da provisão de
despesas com distribuição.
• Ano X3
a. Nascimento de 120 bezerros (as) com valor de mercado de $130,00 cada,
totalizando $15.600,00;
D – Bezerros (as) – AC – $15.600,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.600,00
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses.
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $18.000,00
C – Bezerros (as) – AC - $18.000,00
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses que nasceram em X1 mudam dessa
categoria, para a categoria de novilhos(as) de 25 a 36 meses.
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $14.000,00
C – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $14.000,00
d. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $30.000,00, ou
seja, $200,00 por novilho(a).
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $12.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $12.000,00
e. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses foram reavaliados a $27.000,00, ou
seja, $270,00 por novilho(a).
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $13.000,00
13
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $13.000,00
f. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $25.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $25.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $25.000,00
g. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição. Será aplicado esse percentual sobre o valor
dos bezerros(as) nascidos mais a valorização dos novilhos.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.218,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.218,00
Com os fatos ocorridos no exercício de X3, teremos uma receita
econômica de $30.600,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos
($15.600,00), o valor justo referente à maturação dos(as) novilhos(as) de 13 a
24 meses ($12.000,00) e o valor referente à maturação dos(as) novilhos(as) de
25 a 36 meses ($13.000,00), conforme rege o CPC 29.
Dessa receita iremos deduzir o valor de $26.218,00, composto por
$25.000,00 dos custos/despesas do período e $1.218,00 referentes às despesas
com distribuição.
Teremos então um resultado de $4.382,00, enquanto o estoque de
animais terá um valor líquido de $70.422,00, sendo $15.600,00 de avaliação dos
bezerros nascidos em X3; $30.000,00 referentes aos novilhos(as) de 13 a 24
meses e $27.000,00 referentes aos novilhos(as) de 25 a 36 meses, deduzido o
valor de $2.178,00 da provisão de despesas com distribuição.
• Ano X4
a. Nascimento de 100 bezerros (as) com valor de mercado de $140,00 cada,
totalizando $14.000,00.
D – Bezerros (as) – AC – $14.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $14.000,00
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses.
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $15.600,00
C – Bezerros (as) – AC – $15.600,00
14
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses que nasceram em X2 mudam dessa
categoria, para a categoria de novilhos(as) de 25 a 36 meses.
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $30.000,00
C – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $30.000,00
d. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa
categoria, para a categoria de bois gordos.
D – Bois Gordos – AC – $27.000,00
C – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $27.000,00
e. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $26.400,00, ou
seja, $220,00 por novilho(a).
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $10.800,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $10.800,00
f. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses foram reavaliados a $45.000,00, ou
seja, $300,00 por novilho(a).
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $15.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.000,00
g. Os bois gordos foram reavaliados a $50.000,00, ou seja, $500,00 por boi.
D – Bois gordos – AC – $23.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $23.000,00
h. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $40.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $40.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $40.000,00
i. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição. Será aplicado esse percentual sobre o valor
dos bezerros(as) nascidos mais a valorização dos novilhos.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.884,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.884,00
Com os fatos ocorridos no exercício de X4, teremos uma receita
econômica de $62.800,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos
($14.000,00), ovalor referente a maturação dos(as) novilhos(as) de 13 a 24
meses ($10.800,00), o valor justo de maturação dos(as) novilhos(as) de 25 a 36
15
meses ($15.000,00), e o valor justo referente aos bois gordos ($23.000,00)
conforme rege o CPC 29.
Dessa receita iremos deduzir o valor de $41.884,00, composto por
$40.000,00 dos custos/despesas do período e $1.884,00 referentes despesas
com distribuição.
O resultado é de $ 20.916,00 no período, enquanto o estoque de animais
terá valor líquido de $131.338,00, sendo $14.000,00 referentes à avaliação dos
bezerros nascidos em X4; $26.400,00 aos novilhos(as) de 13 a 24 meses;
$45.000,00 referentes aos novilhos(as) de 25 a 36 meses e $50.000,00
referentes aos bois gordos, deduzido o valor de $4.062,00 da provisão de
despesas com distribuição.
Vimos um ciclo da contabilização pecuária de bovinos, desde o
nascimento até a fase de bois gordos, em que podem ser vendidos. Podemos
identificar claramente a situação de uma propriedade que trabalha com as três
fases dos animais: a cria, a recria e a engorda. No caso da venda dos animais,
o procedimento contábil se assemelha ao das entidades comerciais e industriais.
TROCANDO IDEIAS
Caros alunos, dentre os temas trabalhados em nossa disciplina até o
momento, podemos perceber a intercalação entre os assuntos, elevando o grau
de complexidade. Vamos então imaginar que vocês foram contratados para
realizarem a contabilização da atividade pecuária de uma entidade que não
possui controles adequados do rebanho, menos ainda, ao se tratar dos aspectos
contábeis. Nesse momento, seguindo os conceitos estudados, realizem uma
análise da situação, e posteriormente, apontem as medidas que devem ser
tomadas para que a contabilidade possa ser realizada de maneira fidedigna e
correta. Devem ser verificadas situações de classificação do rebanho e o impacto
disso na contabilidade.
Discutam com seus colegas para que possam chegar na melhor
alternativa para essa empresa rural.
NA PRÁTICA
Vamos praticar um pouco com algumas situações que remetem ao
conteúdo estudado?
16
As três primeiras atividades foram extraídas da obra de Marion (2014):
1. Admita-se que um bezerro tenha nascido em X1 e que sua avaliação
seja de $ 300,00. No seu crescimento foram observados os seguintes estágios
e avaliação:
• X2 : novilho de 9 a 18 meses – $450,00
• X3: novilho de 19 a 24 meses – $800,00
• X4: venda a prazo – $1.100,00
Contabilizar as operações anteriores utilizando razonetes ou em forma de
diário e considerando o método de valor de mercado.
2. A Fazenda Orru apresentou as seguintes movimentações do rebanho
avaliado a preço de mercado:
a. Nascimento dos bezerros(as) – 10 x $100,00 cada;
b. Transferência da categoria de 10 bezerros(as) para novilhos(as) de 9-18
meses;
c. Valor de reavaliação ao preço de mercado, que ocorre pela mudança da
categoria de bezerros(as) para a categoria de novilhos(as) de 9-18 meses.
Preço atual de $150,00 cada;
d. Transferência de categoria de novilhos(as) de 9-18 meses para a
categoria de 19-24 meses;
e. Valor de reavaliação ao preço de mercado da categoria de novilhos(as)
de 9-18 meses para a de novilhos(as) de 19 -24 meses. Preço atual de
$270,00 cada;
f. Transferência de metade do rebanho (novilhas) da categoria de
novilhos(as) de 19 meses para a categoria de fêmeas em experimentação
para reprodução. Essa transferência poderia ser realizada diretamente de
novilhos(as) de 9-18 meses para Gado em Experimentação – Fêmeas;
g. Venda da metade do plantel (novilhos) por $380,00 cada um, à vista.
Não vamos considerar provisão para Despesas de Distribuição.
Realizem a contabilização em razonetes ou em forma de diário, de toda a
movimentação do rebanho.
3. Cia Estância Nova Vida.
Ano X1: Nascem 10 bezerros avaliados ao preço de mercado de $200,00
cada. O custo de produção anual é d $1.600,00.
17
Ano X2: Os bezerros passam para novilhos de 9-18 meses.
Valor de Mercado: $500,00 cada.
Custo de Produção: $2.200,00.
Ano X3: Os novilhos são vendidos por $800,00 cada, à vista. No Ano 0 o
balanço possuía apenas $5.000,00 em caixa, e $5.000,00 como capital social.
Realizar os lançamentos, Balanço e Demonstração de Resultado de cada ano.
Para tanto, considerar que os custos sempre foram pagos à vista.
4. Nesse momento vamos abordar o todo de nossa aula, com uma
atividade de 5 anos. Vamos considerar a Fazenda Feliz na atividade, que possui
200 matrizes destinadas à reprodução.
Com os dados dos anos X1, X2, X3 e X4, realize os lançamentos
contábeis respectivos.
Ano X1
a. Nascimento de 80 bezerros com valor de mercado de $100,00 cada,
totalizando $8.000,00;
b. Nascimento de 80 bezerras com valor de mercado de $120,00 cada,
totalizando $9.600,00;
c. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $10.000,00;
d. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição.
Ano X2
a. Nascimento de 100 bezerros com valor de mercado de $110,00 cada,
totalizando $11.000,00;
b. Nascimento de 70 bezerras com valor de mercado de $125,00 cada,
totalizando $8.750,00;
c. Os bezerros que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhos de 13 a 24 meses;
d. As bezerras que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhas de 13 a 24 meses;
e. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.000,00, ou seja,
$125,00 por novilho;
f. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.800,00, ou seja,
$135,00 por novilha;
18
g. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $14.000,00;
h. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição.
Ano X3
a. Nascimento de 60 bezerros com valor de mercado de $115,00 cada,
totalizando $6.900,00;
b. Nascimento de 120 bezerras com valor de mercado de $130,00 cada,
totalizando $15.600,00;
c. Os bezerros que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhos de 13 a 24 meses;
d. As bezerras que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhas de 13 a 24 meses;
e. Os novilhos que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhos de 25 a 36 meses;
f. As novilhas que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 25 a 36 meses;
g. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $15.000,00, ou seja,
$150,00 por novilho;
h. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $11.200,00, ou seja,
$160,00 por novilha;
i. Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.000,00, ou seja,
$200,00 por novilho;
j. As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $17.600,00, ou seja,
$220,00 por novilha;
k. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $20.000,00;
l. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição.
Ano X4
a. Nascimento de 90 bezerros com valor de mercado de $120,00 cada,
totalizando $10.800,00;
b. Nascimento de 100 bezerras com valor de mercado de $140,00 cada,
totalizando $14.000,00;
c. Todas as novilhas de 25 a 36 meses foram vendidas por $25.000,00;
19
d. Os bezerros que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhos de 13 a 24 meses;
e. As bezerras que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhas de 13 a 24 meses;
f. Os novilhos que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhos de 25 a 36 meses;
g. As novilhas que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a
categoria de novilhas de 25 a 36 meses;
h. Os novilhos de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa
categoria, para a categoria de bois gordos;
i. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $8.400,00, ou seja,
$140,00 por novilho;
j. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $18.000,00, ou seja,
$150,00por novilha;
k. Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $20.500,00, ou seja,
$205,00 por novilho;
l. As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.100,00, ou seja,
$230,00 por novilha;
m. Os bois gordos foram reavaliados a $22.400,00, ou seja, $280,00 por boi.
n. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $30.000,00;
o. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição.
FINALIZANDO
Iniciamos nossa aula abordando a forma a ser utilizada para efetuar o
reconhecimento da receita. Para tanto, verificamos que, no caso da pecuária, a
receita poderá ter como fator gerador o crescimento natural do rebanho, e não
necessariamente a venda. Lidar com isso muitas vezes pode ser difícil,
principalmente considerando as particularidades do ramo e a mensuração a
valor de mercado que se deve submeter o rebanho.
O segundo assunto trabalhado foi o nascimento dos bezerros e a
mudança de categoria. A ocorrência do nascimento de bezerros faz com que a
a contabilidade tenha “mais trabalho”, pois deve mensurar o valor de mercado e
posteriormente, com o crescimento do animal, o transferir para outra categoria,
e assim sucessivamente. Identificamos que a mudança de categoria utiliza
20
critérios diferentes, podendo ocorrer a cada seis meses ou de forma anual,
dependendo do tipo de informação que a entidade quer gerar.
Seguimos tratando sobre a avaliação do rebanho e suas categorias no
momento de encerramento do balanço. Destaca-se como vantagem o fato de
reavaliar o animal no fechamento, tendo uma posição contábil mais atualizada,
que reflete melhor a realidade da empresa.
A confrontação da despesa é o quarto tema, mostrando uma realidade
básica da maioria dos negócios: para cada receita deve haver uma despesa, a
mesma responsável pela geração de tal receita. Para simplificar, podemos dizer
que cada receita tem uma despesa/ligada agregada a ela.
Encerramos nossa aula abordando sobre a forma de contabilizar a
pecuária conforme o CPC 29, que trata dos quatro temas estudados,
interligando-os.
Visualizamos os lançamentos com suas respectivas contas e
classificações contábeis.
Chegamos ao fim da aula. Hoje abrangemos um nicho contábil que talvez
até então, não havíamos percebido como papel importante na contabilidade.
Bons Estudos!
21
REFERÊNCIAS
BRITO, E.; RIBEIRO, S.; MARTINS, V.A.; LEMES, S. Aplicação do valor justo
aos ativos biológicos e produtos agrícolas na pecuária bovina. Custos e
@gronegócio on line. 2014. Disponível
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a.pdf>. Acesso em: 9 ago. 2019.
CHAGAS, M.; ELEUTÉRIO, A.; ELEUTÉRIO, A.; PEIXOTO, L. Contabilização
do setor pecuário do agronegócio: aplicação das NBCs e CPCs. Franca,
Diálogos em Contabilidade: Teoria e Prática, v. 3, n. 1, p. 1-19, 2015.
HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. São Paulo:
Atlas, 1999.
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14º Ed. São Paulo: Atlas, 2014.
RECH, I.; PEREIRA, I.; OLIVEIRA, J. Impostos diferidos na atividade pecuária
originados da avaliação dos ativos biológicos pelo valor justo: um estudo de seu
reconhecimento e evidenciação nas maiores propriedades rurais do estado de
mato grosso. Blumenau, Revista Universo Contábil, v. 4, n. 2, p. 42-58, 2008.
VERSTEG, S.; THEIS, V.; SCHREIBER, D. Contabilidade de custos na gestão
de projetos de construção de longo prazo. Bauru, Gestão da Produção,
Operações e Sistemas. v. 12, n. 3, p. 288-312, 2017.
22
RESPOSTAS
Questão 1:
X1– Nascimento:
D – Bezerros (as) – AC – $300,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $300,00
X2 – Mudança de categoria e reavaliação a valor justo:
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $300,00
C – Bezerros (as) – AC – $300,00
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $150,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $150,00
X3 – Mudança de categoria e reavaliação a valor justo:
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC - $450,00
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $450,00
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $250,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $250,00
X4 – Ocorrência da venda:
D – Duplicatas a receber – AC – $1.100,00
C – Receita com Venda – Receita – $1.100,00
D – CPV – Custo – $800,00
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $800,00
Questão 2:
a) Nascimento:
D – Bezerros (as) – AC – $1.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.000,00
b) Mudança de categoria:
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $1.000,00
C – Bezerros (as) – AC – $1.000,00
c) Reavaliação dos novilhos(as) 9 a 18 meses:
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $500,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $500,00
23
d) Mudança de categoria:
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.500,00
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $1.500,00
e) Reavaliação dos novilhos(as) 19 a 24 meses:
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.200,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.200,00
f) Mudança de categoria:
D – Fêmeas em experimentação – $1.350,00
C – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.350,00
g) Venda dos novilhos:
D – Caixa – AC – $1.900,00
C – Receita com venda – Receita – $1.900,00
D – CPV – Custo – $1.350,00
C - Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.350,00
Questão 3:
*Os resultados foram mantidos em conta de “Lucros” no Patrimônio Líquido, não
havendo destinações, visto o objetivo da atividade ser a contabilização dos
animais.
Ano X1:
D – Bezerros (as) – AC – $2.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.000,00
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $1.600,00
C – Caixa – AC – $1.600,00
24
Ano X2:
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $2.000,00
C – Bezerros (as) – AC – $2.000,00
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $3.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $3.000,00
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $2.200,00
C – Caixa – AC – $2.200,00
Ano X3:
D – Caixa – AC – $8.000,00
C – Receita com Vendas – $8.000,00
D – CPV – $5.000,00
C - Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $5.000,00
Questão 4:
Ano X1:
a) Nascimento de 80 bezerros com valor de mercado de $100,00 cada,
totalizando $8.000,00.
25
D – Bezerros – AC – $8.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $8.000,00
b) Nascimento de 80 bezerras com valor de mercado de $120,00 cada,
totalizando $9.600,00.
D – Bezerras – AC - $9.600,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $9.600,00
c) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $10.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas - $10.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $10.000,00
d) Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão
de Despesas de distribuição.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $528,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $528,00
Ano X2:
a) Nascimento de 100 bezerros com valor de mercado de $110,00 cada,
totalizando $11.000,00.
D – Bezerros – AC – $11.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $11.000,00
b) Nascimento de 70 bezerras com valor de mercado de $125,00 cada,
totalizando $8.750,00.
D – Bezerras – AC – $8.750,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $8.750,00
c) Os bezerros que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhos de 13 a 24 meses.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $8.000,00
C – Bezerros (as) – AC – $8.000,00
d) As bezerras que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 13 a 24 meses.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $9.600,00
C – Bezerros (as) – AC – $9.600,00
26
e) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.000,00, ou seja,
$125,00 por novilho.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $2.000,00C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.000,00
f) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.800,00, ou seja,
$135,00 por novilha.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $1.200,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.200,00
g) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $14.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas - $14.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $14.000,00
h) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão
de Despesas de Distribuição.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.147,50
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.147,50
Ano X3:
a) Nascimento de 60 bezerros com valor de mercado de $115,00 cada,
totalizando $6.900,00.
D – Bezerros – AC – $6.900,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.900,00
b) Nascimento de 120 bezerras com valor de mercado de $130,00 cada,
totalizando $15.600,00.
D – Bezerras – AC - $15.600,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.600,00
c) Os bezerros que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhos de 13 a 24 meses.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC - $11.000,00
C – Bezerros – AC - $11.000,00
d) As bezerras que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 13 a 24 meses.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $8.750,00
27
C – Bezerras – AC - $8.750,00
e) Os novilhos que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhos de 25 a 36 meses.
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $10.000,00
C – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $10.000,00
f) As novilhas que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 25 a 36 meses.
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $10.800,00
C – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $10.800,00
g) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $15.000,00, ou seja,
$150,00 por novilho.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $4.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $4.000,00
h) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $11.200,00, ou seja,
$160,00 por novilha.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $2.450,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.450,00
i) Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.000,00, ou seja,
$200,00 por novilho.
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $6.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.000,00
j) As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $17.600,00, ou seja,
$220,00 por novilha.
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $6.800,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.800,00
k) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $20.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $20.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $20.000,00
l) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão de
Despesas de Distribuição.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $2.087,50
28
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $2.087,50
Ano X4:
a) Nascimento de 90 bezerros com valor de mercado de $120,00 cada,
totalizando $10.800,00.
D – Bezerros – AC – $10.800,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $10.800,00
b) Nascimento de 100 bezerras com valor de mercado de $140,00 cada,
totalizando $14.000,00.
D – Bezerras – AC – $14.000,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $14.000,00
c) Todas as novilhas de 25 a 36 meses foram vendidas por $25.000,00.
D – Caixa/Duplicatas a receber – AC – $25.000,00.
C – Receita com Vendas – $25.000,00
D – CPV - $17.600,00
C – Novilhas de 25 a 36 meses – $17.600,00
d) Os bezerros que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhos de 13 a 24 meses.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $6.900,00
C – Bezerros – AC - $6.900,00
e) As bezerras que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 13 a 24 meses.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $15.600,00
C – Bezerras – AC - $15.600,00
f) Os novilhos que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhos de 25 a 36 meses.
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $15.000,00
C – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $15.000,00
g) As novilhas que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria
de novilhas de 25 a 36 meses.
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $11.200,00
C – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $11.200,00
29
h) Os novilhos de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa
categoria, para a categoria de bois gordos.
D – Bois Gordos – AC - $16.000,00
C – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $16.000,00
i) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $8.400,00, ou seja,
$140,00 por novilho.
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $1.500,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.500,00
j) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $18.000,00, ou seja,
$150,00 por novilha.
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $2.400,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.400,00
k) Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $20.500,00, ou seja,
$205,00 por novilho.
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $5.500,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $5.500,00
l) As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.100,00, ou seja,
$230,00 por novilha.
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $4.900,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $4.900,00
m) Os bois gordos foram reavaliados a $22.400,00, ou seja, $280,00 por boi.
D – Bois gordos – AC – $6.400,00
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.400,00
n) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $30.000,00.
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $30.000,00
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $30.000,00
o) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão
de Despesas de Distribuição.
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $2.275,00
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $2.275,00
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 5
Prof. Diones Fernandes Zanin
2
CONVERSA INICIAL
Estamos chegando ao final desta disciplina e, consequentemente,
agregando mais conhecimentos, tanto no aspecto quantitativo, quanto
qualitativo. Nesta aula, focaremos, inicialmente, nos custos, e, depois, em
questões tributárias.
No primeiro tema, abordaremos o cálculo do custo dos bezerros e também
verificaremos as formas de se efetuar tal cálculo, fazendo com que a entidade
rural possa ter informações detalhadas e fidedignas para tomada de decisões.
Em um segundo momento, trataremos de compreender a maneira de se calcular
o Imposto de Renda, no meio rural, para as microempresas e empresas de
pequeno porte, pois é um procedimento relevante e o contador deve ser diligente
na tarefa de apurar tais impostos.
Como terceiro tema, trabalharemos algumas situações nas quais a
Pessoa Jurídica atuante na atividade rural tem alguns incentivos fiscais, os quais
podem ser decisivos para o bom andamento da atividade na propriedade,
permitindo que se chegue a um resultado operacional desejado pelos
proprietários.
Visando à ligação entre os assuntos abordados anteriormente, veremos,
no quarto tema, a forma de se determinar o lucro das pessoas jurídicas que
exploram a atividade, diferenciando-se das empresas que atuam no meio urbano
pela particularidade das atividades desenvolvidas e que devem ser consideradas
ao realizar o processo de apuração do resultado do período.
Ainda concernente à questão tributária, no quinto tema verificaremos
algumas especificidades da tributação de pessoas físicas que residem e
exploram atividade no meio rural, o que, muitas vezes, passa despercebido por
tais pessoas, do mesmo modo que por alguns contadores, que não dão a devida
atenção à questão tributária da Pessoa Física rural. Tal contexto pode ser um
nicho de mercado ainda pouco exploradopelos profissionais contábeis, com
possibilidades de ser a porta de entrada para uma consultoria, o que culminaria
na transformação de uma Pessoa Física em Pessoa Jurídica.
Adentraremos, nesta aula, em questões tributárias relacionadas a
pessoas do meio rural, permitindo que estas, quer sejam físicas ou jurídicas,
atuem de acordo com a legislação fiscal, de modo a evitar possíveis problemas
futuros – como penalização das entidades devido a apuração inadequada de
tributos – que podem afetar a continuidade de suas atividades. Bons estudos!
3
CONTEXTUALIZANDO
Atuar com contabilidade exige grande conhecimento da legislação
pertinente a esse ramo de trabalho. Tais leis são bem específicas no que diz
respeito aos aspectos tributários, os quais também cabem ao meio rural.
Dentro das formas da lei, a tributação das atividades rurais pode ser
aplicada a pessoas física e jurídica, no entanto, muitas vezes os contadores
ficam distantes de tais atividades, em especial daquelas de Pessoa Física, seja
por falta de conhecimento ou até mesmo por não perceber um possível nicho de
mercado a ser explorado.
Um dos aspectos mais comuns da atuação contábil no meio rural é a
apuração do Imposto de Renda dos produtores rurais. No entanto, tal serviço
contábil, apenas pontual, pode ser mais efetivo e atuante. E, como é que, nós,
profissionais contábeis, devemos vislumbrar tais oportunidades de modo a
contribuir para que a profissão contábil cresça tanto no campo de trabalho quanto
em prestígio? Tais aspectos serão abordados mais especificamente na
sequência desta aula.
TEMA 1 – CÁLCULO DO CUSTO DO BEZERRO – CUSTO MÉDIO DO REBANHO
E DE REPRODUTORES
Em qualquer atividade comercial ou industrial, o cálculo do custo dos
produtos é necessário para gerar informações à gestão, e no meio rural também
existe esta necessidade. Em vista disso, no que tange à pecuária, o cálculo do
custo do bezerro é assunto relevante, pois, ao conhecer tal custo, a gestão
tomará decisões com maior subsídio.
Marion (2014) destaca três motivos para que se execute o procedimento
de cálculo do custo dos bezerros, conforme segue:
a) para saber se é viável ter gado reprodutor na fazenda ou se seria
mais interessante adquirir de terceiros os bezerros para a recria e
engorda;
b) para avaliar de forma adequada o Ativo da empresa, já que os
bezerros têm um custo real;
c) para avaliar de forma adequada o restante do rebanho destinado a
corte. Não há dúvida de que uma avaliação inadequada dos bezerros
irá refletir no restante do rebanho. (Marion, 2014, p. 175)
Podemos, então, perceber três vertentes de raciocínio, podendo o cálculo
do custo dos bezerros ser utilizado como ferramenta de verificação para
4
responder a uma pergunta comum no meio industrial: “A empresa deve comprar
ou produzir?”. Este raciocínio também serve para o cálculo de bezerros, e a
informação poderá ser útil para compreender o valor contábil do patrimônio, bem
como para comparar com o restante do rebanho já existente.
Dos bezerros, se originará o rebanho, bem como os possíveis
reprodutores, portanto vamos trabalhar, a seguir, com o cálculo do custo médio
do rebanho e dos reprodutores.
1.1 Custo médio do rebanho
O procedimento do cálculo e apropriação dos custos do rebanho é
relativamente simples, pois basicamente os custos consumidos no período serão
apropriados ao rebanho de maneira proporcional. Com esse procedimento é
possível conhecer o custo, bem como estabelecer parâmetros de valor médio
para o valor de cada animal.
Conceber o custo do rebanho gera informação para a devida verificação
de viabilidade, que está relacionada ao valor de venda, uma vez que este
geralmente é estabelecido pelo mercado.
De acordo com Marin (2014), existem duas premissas para se calcular o
custo do rebanho, que são as seguintes:
“a) Inicialmente, soma-se o custo do rebanho (salário, alimentação de
gado, exaustão de pastagens, depreciações de reprodutores, cuidados
veterinários...) e divide-se o resultado pelo total de cabeças do rebanho
em formação (em crescimento e aqueles nascidos no período).
Tem-se portanto, o custo médio de produção por cabeça, por período,
inclusive dos bezerros.
b) O número de cabeças do rebanho exemplificado a seguir não inclui,
para efeito de rateio de custo, o gado reprodutor em plena reprodução,
pois eles não recebem custos (já não estão em formação). Todavia o
custo da manutenção desse rebanho já formado (alimentação,
tratamento veterinário, depreciação...) será incluído no custo do
rebanho e distribuído para o rebanho em formação.” (Marion, 2014, p.
176)
Como podemos ver, apenas os animais que são mantidos para venda, ou
até mesmo os que estão em formação, receberão os valores dos custos de
manutenção do rebanho.
Então, o cálculo do custo médio do rebanho é simples, podendo ser
resumido a uma divisão para se chegar ao valor por animal. Vejamos, então, um
exemplo devidamente fundamentado.
5
Imaginemos uma Fazenda que atua com pecuária que possui 50 matrizes,
com valor unitário de $ 1.200,00, e 3 reprodutores no valor unitário de $ 3.000,00.
O objetivo da fazenda é atuar com cria-recria-engorda, ou seja, todo o ciclo
produtivo. No primeiro ano ocorreram 40 nascimentos – 25 bezerros e 15
bezerras.
Nesse período, foram consumidos $ 10.000,00 em custos de formação e
manutenção do rebanho, o qual deverá ser apropriado aos bezerros nascidos e,
caso haja mais animais no rebanho em formação, como novilhos, também serão
alocados custos a eles. O cálculo a ser realizado é simples, como já vimos
anteriormente. Basta dividir os valores dos custos pela quantidade de animais.
10.000
40
= 250,00
Agora, então, é necessário multiplicar o valor por animal pela quantidade
de animal de cada tipo.
Bezerros – 25 x 250,00 = 6.250,00
Bezerras – 15 x 250,00 = 3.750,00
Com isso, é possível realizar o cálculo do custo médio do rebanho. Este
procedimento deve ser seguido a cada ano. Basicamente será considerado
como custo dos bezerros(as) nascidos(as) o valor do custo dos reprodutores e
matrizes, ao passo que, para o restante do rebanho, serão apropriados os custos
consumidos para a manutenção destes.
Esse processo sempre irá ocorrer para o rebanho em formação, até que
ele seja vendido ou seja incorporado ao rebanho de reprodução.
1.2 Custo médio dos reprodutores
Para maior exatidão do custo dos bezerros, é necessário, inicialmente,
proceder o cálculo do custo dos reprodutores, para então apropriar o valor aos
bezerros nascidos.
Deve ser rateado o valor de manutenção do rebanho para todos os
animais, incluindo os reprodutores e deixando de fora os bezerros nascidos no
período, para então poder apropriar o valor dos reprodutores a esses animais.
O processo é relativamente simples. Vejamos uma situação com valores
para melhor exemplificar:
6
Quadro 1 – Rebanho
Classificação Quantidade
Bezerros 80
Bezerras 50
Novilhos 200
Novilhas 220
Reprodutores 40
Matrizes 250
Total 840
Considerando que no período ocorreram 150 nascimentos, sendo 75
bezerras e 75 bezerros, o custo de manutenção do rebanho foi de $ 100.800,00.
Primeiramente, vamos descobrir o valor por cabeça:
100.800
840
= 120,00 𝑝𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑏𝑒ç𝑎
Agora, devemos descobrir, do valor de manutenção, quanto corresponde
aos reprodutores e matrizes:
120 𝑥 290 = 34.800,00
Chega, então, o momento de apropriar o valor aos bezerros(as)
nascidos(as):
34.800
150
= 232,00 𝑝𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑏𝑒ç𝑎
Chegamos, assim, ao valor de $ 232,00 por animal nascido.
Podemos perceber que o custo médio dos reprodutores será repassado
aos nascimentos do período, devendo o processo contábil se atentar a isso para
poder realizar seu papel de forma mais efetiva, pois conhecer os custos de
manutenção do rebanho é tão importante quanto aqueles custos de formação do
rebanho.
Saiba mais
Para ampliarseu horizonte de conhecimentos, leia os dois artigos indicados a
seguir, relacionados ao custo de bezerros:
MELHORIA organizacional na produção de bezerros de corte a partir
dos centros de custos. Disponível em:
<https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/96108>. Acesso em: 8 ago. 2019.
ANÁLISE da sensibilidade da metodologia dos centros de custos
mediante a introdução de tecnologias em um sistema de produção de cria.
7
Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/107076>. Acesso em:
8 ago. 2019.
TEMA 2 – CALCULANDO O IMPOSTO DE RENDA NA AGROPECUÁRIA –
PARA MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE
É comum que a exploração da maioria das atividades econômicas no meio
rural aconteça como Pessoa Física, porém, trataremos, neste momento, do
processo de atuação como Pessoa Jurídica.
Como Pessoa Jurídica, existem possibilidades diferentes, que podem
variar conforme o porte da atividade, porém neste momento verificaremos como
seria o procedimento para microempresas e empresas de pequeno porte, as
quais, em sua maioria, são tributadas pelo regime tributário do Simples Nacional.
Para se enquadrar como Microempresa, a entidade rural deverá ter
faturamento anual até R$ 360.000,00, ao passo que a empresa de pequeno porte
possui limitação de faturamento até R$ 4.800.000,00.
Após entendermos as limitações de faturamento enquadradas no regime
do Simples Nacional, também é necessário compreender a forma de tributá-las.
Simplificadamente, as atividades rurais de exploração agrícola e pecuária se
enquadram no Anexo I do simples, ao passo que possíveis prestações de
serviços do meio rural terão tributação conforme o Anexo III.
Dentre possíveis motivações para o produtor rural optar pela abertura de
um CNPJ que terá como regime tributário o Simples Nacional, está a facilidade
relacionada aos procedimentos obrigatórios a serem seguidos, se comparados
com o de empresas de outros regimes tributários. Marion (2014) acrescenta que
essas entidades rurais são desobrigadas, pela legislação fiscal, de realizar a
escrituração comercial, mas, para tanto, devem manter com o devido zelo os
seguintes itens:
“Livro-caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação
financeira, inclusive bancária.
Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os
estoques existentes no término de cada ano-calendário.
Todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a
escrituração dos livros-caixas e Registro de Inventário.” (Marion, p.
190, 2014)
Observa-se que o processo de contabilização será muito mais simples do
que o de outras entidades, o que facilita a vida do produtor rural, bem como
8
incentiva a abertura de mais empresas que atuam neste meio. Portanto,
empresas rurais pequenas, enquadradas como microempresas ou empresas de
pequeno porte poderão ser tributadas pelo Simples Nacional, que, conforme
vimos irá seguir os Anexos I e III.
Focaremos, neste momento, nas atividades mais comuns do meio rural,
relacionadas à realização de atividades produtivas com a finalidade de
comercialização. Temos, então, a tributação que ocorre conforme o Anexo I.
Quadro 2 – Anexo I do Simples Nacional
Faixa Alíquota Valor a deduzir
(em R$)
Receita bruta em doze meses
(em R$)
1ª Faixa 4,00% - Até 180.000,00
2ª Faixa 7,30% 5.940,00 De 180.000,01 até 360.000,00
3ª Faixa 9,50% 13.860,00 De 360.000,01 até 720.000,00
4ª Faixa 10,70% 22.500,00 De 720.000,01 até 1.800.000,00
5ª Faixa 14,30% 87.300,00 De 1.800.000,01 até
3.600.000,00
6ª Faixa 19,00% 378.000,00 De 3.600.000,01 até
4.800.000,00
Fonte: Receita Federal, 2019.
Como podemos observar no Quadro 2, conforme for a receita de
propriedade somada dos últimos doze meses, será determinada a faixa de
alíquota em que a propriedade será enquadrada, bem como será desencadeado
o processo de cálculo do valor de tributos a serem recolhidos.
Dos valores a serem recolhidos no Simples Nacional, haverá a divisão dos
valores em diversos tributos, conforme o Quadro 3:
Quadro 3 – Tributos no Simples Nacional
Faixas CPP CSLL ICMS* IRPJ Cofins PIS/Pasep
1ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76%
2ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76%
3ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
4ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
5ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76%
6ª Faixa 42,10% 10,00% - 13,50% 28,27% 6,13%
Fonte: Receita Federal, 2019.
(*) Com relação ao ICMS, quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a
parcela que não ultrapassar o sublimite, o percentual efetivo desse imposto será calculado
conforme segue: {[(RBT12 x 14,30%) – R$ 87.300,00]/RBT12} x 33,5%
9
Após verificarmos as faixas do Simples Nacional, vejamos agora um
exemplo de cálculo dos tributos a serem recolhidos pelas propriedades
enquadras nesse regime tributário.
Primeiramente é necessário verificar qual foi o faturamento dos doze
meses anteriores ao período vigente e efetuar, então, a soma dos valores para
se chegar à faixa de enquadramento. Para tanto, vamos imaginar um
faturamento dos doze meses anteriores somados de R$ 400.000,00, com isso
ficando enquadrado na 3ª Faixa. Neste mês, o faturamento foi de R$ 25.000,00,
devendo-se agora utilizar o faturamento dos doze meses anteriores multiplicados
pela alíquota da faixa:
400.000 𝑥 9,5% = 38.000,00
Nesse momento do valor encontrado, será deduzida a parcela a ser
deduzida da faixa:
38.000,00 − 13.860,00 = 24.140,00
Com o valor encontrado, será calculada a alíquota efetiva a ser aplicada
sobre o faturamento do mês de apuração:
24.140,00
400.000,00
= 0,06035 𝑜𝑢 6,035%
Chegamos então a 6,035% como alíquota efetiva, que será aplicada sobre
o valor de R$ 25.000,00:
25.000,00 𝑥 6,035% = 1.508,75
Então, o valor de tributos a serem recolhidos será de R$ 1.508,75, nesta
situação hipotética, sendo esse valor dividido entre os tributos que constam no
Quadro 3. O valor de IRPJ, então, é de R$ 82,98, aproximadamente,
representando 5,5% dos tributos.
O intuito do exemplo apresentado é demonstrar a forma de calcular os
impostos das propriedades rurais com CNPJ e enquadradas como
microempresas ou empresas de pequeno porte.
TEMA 3 – PESSOA JURÍDICA – INCENTIVOS FISCAIS E RESULTADO
OPERACIONAL
As pessoas jurídicas que atuam no meio rural e possuem faturamento que
não se enquadre como Simples Nacional, terão sua apuração de Imposto de
Renda conforme o regime de Lucro Real, Lucro Presumido ou Arbitrado. O
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recolhimento dos tributos terá processamento e funcionamento semelhante ao
das pessoas jurídicas que possuem atividade no meio urbano.
A apuração do Imposto de Renda poderá será realizada de forma
trimestral ou anual. Para a segunda opção, deve haver o recolhimento mensal
dos valores daqueles enquadrados no Lucro Real.
De forma simplificada, a alíquota do IRPJ será de 15%, também incidindo
mais 10% sobre os valores excedentes, que anualmente é de R$ 240.000,00,
como de maneira proporcional é de R$ 20.000,00 ao mês.
Ao efetuar o pagamento mensal do Imposto de Renda, a entidade ainda
poderá ter, ao final do exercício, valores a pagar, caso sua estimativa tenha sido
a menor, ou tenha valor a compensar posteriormente, na hipótese de a
estimativa ser a maior do que o valor a ser recolhido.
Vejamos então um exemplo: uma entidade rural realizou apuração e
pagamento por estimativa mensal de R$ 250.000,00 no ano de X1. No entanto,
em X2, ao realizar a apuração do valor devido, se chegou a R$ 230.000,00.
Dessa maneira, a entidade teria um saldo de R$ 20.000,00 de Imposto de Renda
a compensar.
Portanto, os lançamentos contábeis seriam:
- Pela apuração mensal:
D: IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 250.000,00
C: Caixa/Banco R$ 250.000,00
- Pela apuração do resultado e valor devido de IRPJ:
D – Resultado do Exercício R$ 230.000,00
C– IRPJ a pagar R$ 230.000,00
- Pela compensação dos valores pagos e devidos de IRPJ:
D – IRPJ a pagar R$ 230.000,00
C - IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 230.000,00
Vemos, nesse exemplo, que a empresa rural efetuou pagamentos a
maior, ficando um saldo para compensar em outro período. Caso os pagamentos
tivessem sidos inferiores ao valor devido, a entidade deveria pagar o saldo
restante.
11
3.1 Incentivos fiscais
Explorar a atividade rural não é fácil, pois a dependência do clima,
sujeição a preços de mercado, dentre outros fatores, acabam por desfavorecer
aqueles que atuam nesse meio. Visando reduzir tal disparidade, existem alguns
incentivos fiscais destinados àqueles que possuem empresas na atividade rural.
O benefício de que iremos tratar se refere aos bens do ativo imobilizado
que são destinados à produção, uma vez que a entidade rural poderá
depreciá-los integralmente no ano em que foi adquirido. Dessa maneira, a
entidade terá redução na base de cálculo do Imposto de Renda, gerando então
uma economia do valor a ser pago.
Caso uma empresa rural tenha adquirido em X1 um implemento no valor
de R$ 50.000,00, o qual possui vida útil de 5 anos, ou seja, depreciação de R$
10.000,00 por ano, ao final de X1 a entidade terá contabilizado no resultado R$
10.000,00 de depreciação, sendo os outros R$ 40.000,00 deduzidos para efeito
de apuração do Imposto de Renda. Suponhamos, então, que no período houve
um lucro de R$ 70.000,00, devendo ser deduzido dele os R$ 40.000,00 restante
do valor do implemento, tendo como base de cálculo do Imposto de Renda o
valor de R$ 30.000,00.
No exercício de X2, a entidade irá contabilizar o valor de R$ 10.000,00 de
depreciação, no entanto, no momento de apuração do imposto renda, caso o
lucro do período tenha sido hipoteticamente de R$ 50.000,00, deverá ser
agregado o valor da depreciação, chegando então a R$ 60.000,00 como base
de cálculo do imposto. Isso ocorre pelo fato de que em X1 a entidade já usufruiu
da depreciação de forma antecipada, para reduzir os impostos, devendo então,
em X2, o valor da depreciação ser agregado à base de cálculo.
3.2 Resultado operacional
De forma geral, no meio empresarial, o resultado operacional – que
representa o lucro ou o prejuízo – é apurado por meio da consideração de todas
as atividades principais e acessórias, que são a razão de existir da entidade
empresarial. No meio rural, no entanto, ao se falar de resultado operacional,
existirá uma diferença, pois serão consideradas apenas as atividades principais.
12
São atividades principais da Pessoa Jurídica rural a produção e venda de
seus produtos, todos oriundos de seus processos. Marion (2014) destaca como
atividades acessórias as seguintes:
aplicações financeiras;
variações monetárias ativas e passivas;
reversões de provisões;
recuperação de créditos;
resultados positivo e negativo na equivalência patrimonial;
dividendos de investimentos avaliados pelo custo de aquisição;
aluguel ou arrendamento;
compra e venda de mercadorias;
prestação de serviços; (Marion, p. 194, 2014)
Como podemos ver nas situações apresentadas por Marion, existirão
receitas e despesas das atividades acessórias, as quais não irão compor o
resultado operacional da Pessoa Jurídica que atua no meio rural.
Considerando tal situação, as entidades rurais que possuam essas
atividades acessórias deverão manter controles separados na contabilidade,
para que possam realizar a apuração do resultado contábil, bem como o
resultado fiscal das atividades realizadas.
TEMA 4 – DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA PJ QUE EXPLORA ATIVIDADE
RURAL
Na atividade rural, assim como nas atividades comercial e industrial,
haverá a apuração do lucro da atividade, o qual basicamente é encontrado pela
dedução dos custos e despesas do valor total das receitas com vendas.
O lucro, além de informação sobre o andamento da atividade, também é
utilizado como base de tributos sobre o lucro, para as entidades rurais
enquadradas no regime tributário do Lucro Real.
Nem sempre o resultado contábil será a base para os tributos sobre o
lucro, pois poderá haver adições e exclusões na base de cálculo. Um exemplo
disso ocorre quando um bem do imobilizado é depreciado integralmente no ano
de aquisição, sendo realizada uma adição, e nos outros períodos acontece uma
exclusão do valor de depreciação.
Marion (2014) relata que se a empresa rural atua com outras atividades
além da rural, será considerada uma empresa que detém atividade mista, e, para
tanto, todos os controles contábeis de receitas, custos e despesas da atividade
rural devem ser mantidos de forma separada da outra atividade.
13
Na hipótese de não ser possível separar os dados contábeis de cada
atividade, deverão ser estabelecidos rateios proporcionais às receitas para a
devida apuração. Custos e despesas comuns às atividades também deverão ser
rateados, e geralmente o ideal é que se utilize a proporção da receita líquida da
atividade em relação à receita total.
Vejamos agora um exemplo, para identificarmos separadamente cada
atividade, bem como compreender o rateio e a formação da base de cálculo do
Imposto de Renda.
Quadro 4 – Informações da propriedade
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total
Receitas das
atividades
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00
Custos e
Despesas
$ 100.000,00 $ 70.000,00 $ 170.000,00
Custos e
Despesas Comuns
$ 40.000,00 $ 40.000,00
No Quadro 4 podemos ver as receitas e custos de cada atividade, bem
como os valores comuns às duas atividades. Os custos e despesas comuns
deverão ser rateados, para isso vamos utilizar a proporção da receita.
Quadro 5 – Rateio dos gastos comuns
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total
Receitas das
atividades
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00
Proporção 60% 40% 100%
Custos e
Despesas
Comuns
$ 24.000,00 $ 16.000,00 $ 40.000,00
Agora, conseguimos apropriar o valor correto a cada atividade, então
vamos elaborar uma apuração de resultado para identificar o lucro de cada uma
delas.
Quadro 6 – Rateio dos gastos comuns
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural
Receitas das atividades $ 300.000,00 $ 200.000,00
Custos e Despesas ($ 100.000,00) ($ 70.000,00)
Custos e Despesas Comuns ($ 24.000,00) ($ 16.000,00)
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00
14
Dessa forma, chegamos ao lucro da empresa rural e, claro, para a
apuração dos tributos sobre o lucro, devem ser consideradas as adições e
exclusões determinadas pela legislação fiscal vigente. Vamos então simular
essa situação, considerando adições no valor de $ 20.000,00 da atividade
industrial, e exclusões no valor de $ 15.000,00 da atividade rural.
Agora, vamos verificar como ficariam as bases de cálculo do Imposto de
Renda.
Quadro 7 – Base de cálculo do Imposto de Renda
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00
Adição/Exclusão $ 20.000,00 ($ 15.000,00)
Base de Cálculo IR $ 196.000,00 $ 99.000,00
Chegamos, então, ao lucro que será tributado, tanto na atividade rural,
quando na industrial. Para a empresa rural que optar pelo regime do Lucro Real,
será necessário manter vários controles para que possam ser geradas
informações corretas para apuração de resultado contábil, dentre eles, o fiscal,
que será base de tributação.
Vimos, portanto, a forma de tributar as empresas rurais enquadradas no
Lucro Real, no entanto também há a possibilidade de a entidade ser de regimes
de Lucro Presumido ou Arbitrado. No caso do Lucro Presumido, a entidade irá
aplicar a alíquota de presunção do lucro sobre o valor da receita, para então
aplicar a alíquota do Imposto de Renda. O percentual de presunção de lucro será
de 8%. Já o regime Arbitrado é imposto às empresas que não seguiram os
regulamentos fiscais, e são penalizadascom um valor de lucro determinado pelo
fisco.
Saiba mais
Para ampliar sua cadeia de conhecimento, leia o artigo indicado a seguir, que
trata da questão tributária da atividade rural.
AVALIAÇÃO da carga tributária de uma empresa com atividade
agrícola. Disponível em:
<http://periodicos.redebatista.edu.br/index.php/ADMCC/article/view/58>.
Acesso em: 9 ago. 2019.
15
TEMA 5 – PESSOA FÍSICA – CONSIDERAÇÕES QUANTO À TRIBUTAÇÃO
Assim como a Pessoa Jurídica atuante no meio rural, a Pessoa Física
também está sujeita a aspectos tributários e também deve atender às
regulamentações legais.
As pessoas físicas que possuam uma receita anual superior a
R$ 56.000,00 devem manter um Livro-caixa, no qual serão realizadas as
escriturações dos fatos contábeis. Já as pessoas físicas com receita inferior a
R$ 56.000,00 não estão sujeitas a tal obrigatoriedade.
Todos os valores de receitas e gastos da produção devem ter devida
comprovação documental. Vale ressaltar que, assim como a Pessoa Jurídica
que pode atuar com depreciação acelerada no primeiro ano, a Pessoa Física
também irá considerar itens do imobilizado de forma equivalente a despesas do
período, reduzindo, assim, o resultado e, consequentemente, a base de cálculo
do Imposto de Renda. Vendas de bens do imobilizado serão consideradas
receitas da atividade.
O cálculo do resultado será feito por meio do regime de caixa. Para tanto,
os registros do Livro-caixa serão utilizados para encontrar a base de tributação
pelo Imposto de Renda da Pessoa Física. De forma simplificada, deverão ser
deduzidos todos os gastos de produção, do valor total de receitas do período.
A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física será, então, o
resultado da atividade. Outra opção é a tributação simplificada, a qual irá
desconsiderar os valores de custos e despesas, aplicando o percentual de 20%
sobre a receita bruta, chegando à base de cálculo do imposto. Outra situação a
ser considerada é a de produtos que tenham tido prejuízo em exercícios
anteriores, os quais poderão ser compensados de forma integral nos períodos
posteriores em que se obtiver lucro.
Vejamos então um exemplo para melhor entender como seria o cálculo
do valor a ser tributado pelo produtor Pessoa Física.
Determinado produtor rural auferiu uma receita bruta no ano de x1 no valor
de R$ 2.000.000,00. Nesse mesmo período teve custos e despesas no valor de
R$ 1.000.000,00. Também foram realizados investimentos em implementos no
valor de R$ 700.000,00. Possuía um saldo de prejuízo a compensar, no valor de
R$ 30.000,00. Vejamos, agora, como ficaria a apuração da base de cálculo do
Imposto de Renda dessa Pessoa Física rural.
16
Quadro 8 – Apuração do resultado tributável
Receita Bruta R$ 2.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.700.000,00
Resultado Inicial R$ 300.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 30.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 270.000,00
Resultado Tributável R$ 270.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 400.000,00
Chegamos às duas possibilidades de base de cálculo do Imposto de
Renda de Pessoa Física. Podemos ver que considerar o resultado tributável é
mais viável nesse exemplo perante a tributação simplificada, no entanto, não
podemos assumir que isso será verdade em todos os casos.
No caso da Pessoa Física, deve ser considerada a tabela progressiva do
Imposto de Renda, para então proceder o cálculo de forma correta. Na Tabela 1
é apresenta essa questão:
Tabela 1 – Tabela progressiva do IRPF
Base de Cálculo (R$) Alíquota
(%)
Parcela a deduzir do IRPF
(R$)
Até 22.847,76 - -
De 22.487,77 até 33.919,80 7,5% 1.713,58
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.257,57
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 7.633,51
Acima de 55.976,17 27,5% 10.432,32
Ao ser encontrada a base de cálculo, deverá ser deduzido o valor da
Tabela 1, aplicando a alíquota respectiva. No exemplo do Quadro 8, tanto o
resultado tributável quanto a tributação simplificada estão na mesma faixa, ou
seja, deve-se deduzir o valor R$ 10.432,32, para então aplicar a alíquota de
27,5%. Tendo, pelo resultado tributável, o valor de R$ 270.000,00, ao deduzir a
parcela fica R$ 259.567,68. Aplicando a alíquota de 27,5%, o valor a ser
recolhido é de R$ 71.381,11. No caso da tributação simplificada, o valor de R$
400.000,00 será deduzido da parcela, ficando R$ 389.567,68. Aplicando a
alíquota de 27,5%, o valor a ser recolhido é de R$ 107.131,11.
Explorar atividade rural demanda conhecimento técnico da atividade, bem
como discernimento para identificar o melhor modelo de negócio – se explorar
como Pessoa Física ou jurídica – e, no caso de Pessoa Jurídica, verificar o
melhor regime tributário.
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TROCANDO IDEIAS
Caros alunos, nesta aula abordamos aspectos tributários inerentes à
atividade rural, tanto os relacionados à Pessoa Jurídica do meio rural – que pode
desenvolver em paralelo outra atividade –, quanto a Pessoa Física que explora
atividade rural. Dentre os aspectos tributários surgem possibilidades diversas, as
quais podem gerar maior economicidade quanto aos tributos, ou onerar a
atividade rural caso a escolha seja inadequada.
Vamos supor, neste momento, que você possua um escritório contábil
atuante de modo especial no planejamento tributário de empresas, mas que até
então nunca atuou em casos que envolvam a atividade rural, até que, num
determinado dia, surge um cliente atuante como Pessoa Física, explorando
atividade rural, porém com dúvidas sobre a viabilidade de continuar atuando de
tal maneira.
Considerando os aspectos tributários envolvidos na atividade rural, você
precisa fazer a verificação de qual seria a maneira mais viável de esse produtor
continuar na atividade rural – se como Pessoa Física ou jurídica –, e, no segundo
caso, qual seria o regime mais adequado.
Discuta com seus colegas para que possam chegar à melhor alternativa
a ser aplicada para esse cliente, Em seguida, elenque as informações que
deverão ser solicitadas a ele para que seja possível fazer uma análise adequada
e eficaz do caso.
NA PRÁTICA
Caro(a) aluno(a), vamos agora colocar em prática os conhecimentos adquiridos,
levando em consideração algumas situações que remetem ao conteúdo
estudado.
1) No ano de 2018, a Fazenda Feliz, pertencente ao Senhor Pedro,
desenvolvendo sua atividade como Pessoa Física, realizou cultivos agrícolas e
também atividades pecuárias. Das atividades desempenhadas, foi alcançada
uma receita no valor de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais),
tendo como custos e despesas do período o valor de R$ 1.400.000,00 (um
milhão e quatrocentos mil reais). No ano de 2017, a fazenda teve um prejuízo no
valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Com base nessas informações, qual
18
será o resultado tributável, considerando apenas receitas e despesas? Qual será
o resultado tributável se o senhor Pedro optar pelo arbitramento da receita bruta
por meio da tributação simplificada?
2) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu
uma receita no valor de R$ 5.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de produção
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros,
totalizando R$ 2.500.000,00. Nesse período, foram realizados investimentos em
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 300.000,00. Também foi gasto
o valor de R$ 80.000,00 com despesas operacionais. Calcule o valor de Imposto
de Renda a ser pago por essa empresa rural.
3) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu
uma receita no valor de R$ 8.000.000,00 no ano de X2. Teve custos de produção
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros,
totalizando R$ 4.900.000,00. Nesse período foram realizados investimentos em
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 1.000.000,00.Também foi
gasto o valor de R$ 150.000,00 com despesas operacionais. No período de X1
essa empresa teve um prejuízo de R$ 1.500.000,00. Calcule o valor de Imposto
de Renda a ser pago por essa empresa rural.
4) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Presumido
auferiu uma receita no valor de R$ 4.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de
produção relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário,
dentre outros, totalizando R$ 1.800.000,00. Nesse período foram realizados
investimentos em infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 100.000,00.
Também foi gasto o valor de R$ 60.000,00 com despesas operacionais. Calcule
o valor de Imposto de Renda a ser pago por essa empresa rural.
5) A empresa agropecuária Fazenda Alegre Ltda., no período de X4, obteve uma
receita no valor de R$ 10.000.000,00. Nesse período, teve custos produtivos no
valor de R$ 7.000.000,00, bem como despesas no valor de R$ 600.000,00.
Possui um prejuízo a compensar no valor de R$ 700.000,00. Considerando os
dados da Fazenda Alegre Ltda., assinale a alternativa que representa a base de
cálculo do IRPJ caso a empresa fosse do Lucro Real e do Lucro Presumido,
respectivamente.
19
a) R$ 2.400.000,00; R$ 800.000,00.
b) R$ 1.700.000,00; R$ 100.000,00.
c) R$ 3.000.000,00; R$ 200.000,00.
d) R$ 1.700.000,00; R$ 800.000,00.
e) R$ 2.400.000,00; R$ 100.000,00.
6) A empresa agropecuária Sítio Fundo possui tradição no meio rural, sendo, em
vários aspectos, referência regional. Alcança receita média anual, nos últimos 10
anos, de R$ 20.000.000,00. Possui um custo médio de 62,5% dos valores das
receitas, bem como despesas operacionais de 8% das receitas. Basicamente
todo ano alcança lucro. Porém, seu proprietário, mesmo estando satisfeito com
os negócios, está com “uma pulga atrás da orelha”, pois atualmente a empresa
é tributada pelo Lucro Real, e o proprietário crê que talvez outro regime tributário,
ou até mesmo atuar como Pessoa Física, possa ser mais vantajoso para ele.
Considerando esta situação, calcule quais seriam os valores de Imposto de
Renda da empresa sendo do Lucro Real, Lucro Presumido, bem como simulando
os dados caso a exploração fosse feita por meio de Pessoa Física.
FINALIZANDO
Começamos nossa aula abordando o assunto relacionado à contabilidade
da pecuária, tratando também do cálculo do custo dos bezerros, bem como o
custo médio do rebanho.
Na sequência, focamos nos aspectos tributários relacionados à atividade
rural. Verificamos a forma de se tributar as pessoas jurídicas que atuam no meio
rural e se caracterizam como microempresas e empresas de pequeno porte, as
quais são tributadas conforme rege o regulamento do Simples Nacional.
Destacamos também que estas são tributadas conforme o Anexo I e III do
Simples Nacional – no primeiro caso, para atividades de comércio da atividade
rural; no segundo, para prestação de serviços rurais.
Posteriormente, nos detivemos à questão de incentivos fiscais e no
resultado operacional. Constatamos que a atividade rural encara muitos
percalços, como dependência do clima e sujeição ao mercado no
estabelecimento de preços, sendo necessários alguns incentivos para
compensar tais dificuldades, como a possibilidade da depreciação integral dos
bens no ano de aquisição. Vimos que, conforme a atividade, e considerando os
20
possíveis incentivos, deve ser apurado o resultado operacional. Do mesmo
modo, caso haja outra atividade desenvolvida pela propriedade, que não seja
rural, devem ser mantidos registros separados, e só depois consolidados.
Nosso penúltimo assunto foi a forma de se determinar o lucro para as
pessoas jurídicas que atuam no meio rural, considerando o regime tributário do
Lucro Real, Presumido e Arbitrado. Vimos que a forma de se determinar o lucro
se assemelha à de empresas do meio urbano, sendo levadas em conta apenas
algumas particularidades para se determinar o lucro.
Finalizamos nossa aula verificando aspectos tributários relativos à Pessoa
Física que atua no meio rural, abordando os registros que devem ser mantidos
para uma possível fiscalização, devendo o produtor Pessoa Física mantê-los
todos de forma adequada e comprovada.
Ao fim desta aula concluímos o assunto abordando a questão tributária
presente no meio rural, chegando a mais um nicho de atuação para nós,
contadores, que é o da consultoria tributária de atividades rurais, de modo a
realizar um planejamento eficiente e atender às necessidades desse contexto.
21
REFERÊNCIAS
COSTA, K. L.; FERREIRA, R. M. Avaliação da carga tributária de uma empresa
com atividade agrícola. Belo Horizonte, Revista de Administração & Ciências
Contábeis, v. 9, n. 1, 2015.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
OAIGEN, R. P.; BARCELLOS, J. O. J.; CHRISTOFARI, L. F.; BRACCINI NETO,
J.; OLIVEIRA, T. E.; PRATES, E. R. Análise da sensibilidade da metodologia dos
centros de custos mediante a introdução de tecnologias em um sistema de
produção de cria. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 6, p. 1155-
1162, 2009.
_____. Melhoria organizacional na produção de bezerros de corte a partir dos
centros de custos. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. 3, p. 580-
587, 2008.
RECEITA FEDERAL. Simples Nacional. Disponível em:
<http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/>. Acesso em: 16 abr.
2019.
22
GABARITO
1) Resolução:
Receita Bruta R$ 2.500.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.400.000,00
Resultado Inicial R$ 1.100.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 200.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 900.000,00
Resultado Tributável R$ 900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 500.000,00
2) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 5.000.000,00
Custos ($ 2.500.000,00)
Despesas Operacionais ($ 80.000,00)
Lucro Líquido $ 2.420.000,00
Adição/Exclusão ($ 300.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 2.142.000,00
IRPJ (15%) $ 321.300,00
IRPJ Adicional (10%) $ 190.200,00
*Investimentos.
3) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 8.000.000,00
Custos ($ 4.900.000,00)
Despesas Operacionais ($ 150.000,00)
Lucro Líquido $ 2.950.000,00
Adição/Exclusão ($ 2.500.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 450.000,00
IRPJ (15%) $ 67.500,00
IRPJ Adicional (10%) $ 21.000,00
* Investimentos no valor de $ 1.000.000,00, e prejuízos a compensar no valor de $ 1.500.000,00.
4) Resolução:
Receitas das atividades $ 4.000.000,00
Presunção (8%) $ 320.000,00
IRPJ (15%) $ 48.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 8.000,00
5) Resolução:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 10.000.000,00
Custos ($ 7.000.000,00)
23
Despesas Operacionais ($ 600.000,00)
Lucro Líquido $ 2.400.000,00
Adição/Exclusão ($ 700.000,00)*
Base de Cálculo IR $ 1.700.000,00
Receitas das atividades $ 10.000.000,00
Presunção (8%) $ 800.000,00
Alternativa A.
6) Resolução:
Lucro Real:
Descrição Atividade Rural
Receitas das atividades $ 20.000.000,00
Custos ($ 12.500.000,00)
Despesas Operacionais ($ 1.600.000,00)
Lucro Líquido $ 6.900.000,00
Base de Cálculo IR $ 6.900.000,00
IRPJ (15%) $ 1.035.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 666.000,00
Lucro Presumido:
Receitas das atividades $ 20.000.000,00
Presunção (8%) $ 1.600.000,00
IRPJ (15%) $ 240.000,00
IRPJ Adicional (10%) $ 136.000,00
Pessoa Física:
Receita Bruta R$ 20.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 14.100.000,00
Resultado Inicial R$ 5.900.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 0,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 5.900.000,00
Resultado Tributável R$ 5.900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 4.000.000,00
Parcela a deduzir R$ 10.432,32
Alíquota 27,5%
Resultado Tributável R$ 1.619.631,11Opção pela Tributação Simplificada R$ 1.097.131,11
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
AULA 6
Prof. Diones Fernandes Zanin
2
CONVERSA INICIAL
Abordaremos nesta aula mais tópicos que podemos integrar ao meio rural
por meio da atuação da ciência contábil em mais uma parte do mercado, para
atender às necessidades dos usuários.
Iniciaremos nossa aula trabalhando conceitos de avaliação do estoque no
meio rural, bem como trataremos das despesas e custos da atividade, que são
pontos importantes a serem alinhados entre o processo contábil e a prática do
cotidiano da propriedade rural. Em seguida vamos verificar a diferenciação entre
o regime de caixa e o regime de competência, que cremos que não seja uma
total novidade a você, pois tais regimes são de certa maneira conflitantes, bem
como cada situação pode suscitar uma necessidade de determinado regime. Em
um terceiro momento abordaremos a aplicação e a importância da demonstração
de fluxo de caixa, possibilitando análises envolvendo como o caixa está atuando
dentro da atividade agropecuária, facilitando a verificação e o planejamento do
processo financeiro em consonância com o fluxo econômico no qual a entidade
está envolvida. Alinhado ao terceiro assunto, chegaremos então à análise de
verificação da estrutura da demonstração do fluxo de caixa, demonstrando a
importância de tal procedimento. Encerraremos estudando sobre quais são as
práticas de divulgação dos ativos biológicos conforme rege o CPC 29, visando
então a evidenciar quais as formas mais adequadas de realizar este
procedimento.
Bons estudos!
CONTEXTUALIZANDO
A contabilidade, para ser realizada de forma adequada e útil aos usuários,
necessita de muita atenção aos detalhes por parte do profissional, que vão desde
questões básicas de controles, até escrituração, passando ainda pela divulgação
das informações contábeis. Para que se alcance uma contabilidade que atenda
todos os propósitos gerenciais, administrativos, fiscais, dentre outros, todo o
processo contábil deverá iniciar de maneira correta, com a devida estruturação,
tanto nos aspectos conceituais, quanto operacionais. Tais cuidados se tornam
ainda mais necessários nas empresas do meio rural, uma vez que, por não haver
uma atuação constante dos profissionais contábeis, cabe maior cuidado com os
detalhes devido às particularidades da atividade rural.
3
Desta maneira, nessa aula iremos estudar alguns aspectos contábeis
específicos que o contador e a entidade rural devem estar atentos no dia a dia,
para que o trabalho ocorra de forma correta, facilitando os processos.
TEMA 1 – AVALIAÇÃO DE ESTOQUES E DESPESAS/CUSTOS COM
ATIVIDADE AGRÍCOLA
Abordar o estoque parece tarefa muito simples; no entanto, envolve
alguns aspectos que devem ser considerados, e que sem os quais as
informações contábeis do estoque estarão desalinhadas com a realidade. No
meio rural tais cuidados devem permear o tempo, mantendo todos os processos
para melhorarem os controles e gerando informação para a gestão.
Para tais situações no meio rural foi estabelecido pelo Decreto-lei n.
1.598/1977, segundo o qual os estoques deverão ser avaliados de acordo com
os preços correntes dos produtos rurais. Dessa maneira também se alinha ao
que estabelece o CPC 29 (2009), que dita que os estoques do meio rural devem
ser avaliados ao valor justo, que, de certa maneira, é equivalente ao valor de
mercado.
Dentre as recomendações relacionadas ao estoque da atividade rural,
deve ser verificado periodicamente o inventário, para que então tenhamos o valor
de estoque compatível com a realidade.
Mesmo havendo a recomendação de se manter o valor de estoque pelo
valor de mercado, também há a possibilidade, quando existe o devido controle
por parte da entidade rural, de manter os registros pelos respectivos custos de
produção.
O inventário deverá ser realizado nos períodos de elaboração das
demonstrações contábeis, e considerando, por exemplo, uma pessoa jurídica,
este pode ser realizado de maneira trimestral.
Com relação aos estoques, será necessário inicialmente segregar as
culturas agrícolas dos animais. O estoque das culturas agrícolas será composto
pelos produtos em elaboração, que comumente são divididos em culturas em
formação e culturas com colheita em andamento, como também os produtos
acabados. Já para os animais, serão mantidos em estoque aqueles que terão
destinação de venda para obtenção de recursos, seja para venda como
bezerreiro, que é o primeiro estágio, como também para venda de animais para
abate, que terão alcançado uma maturidade maior.
4
Toda essa questão de avaliar o estoque a valor de mercado exigirá um
cuidado elevado, bem como um processo contábil bem alinhado para gerar
informações úteis.
Surge então a figura de duas contas contábeis oriundas da avaliação a
valor de mercado, que são as contas de superveniências ativas e insubsistências
ativas. A primeira será creditada quando o valor de mercado for superior ao
registrado na contabilidade, e é equivalente a uma receita econômica, tendo
como débito na conta valorizada; a segunda conta, por sua vez, será debitada
quando o valor de mercado for inferior ao registro contábil, ocorrendo uma
desvalorização que irá reduzir o resultado do período, bem como diminuir o valor
contábil do estoque avaliado.
Tanto as superveniências, quanto as insubsistências, serão a diferença
do valor de mercado comparado aos gastos consumidos para a formação dos
ativos.
Saiba mais
Agora iremos buscar mais fontes para agregar ao nosso conhecimento,
por isso selecionamos dois artigos para sua leitura. Ambos abordam aspectos
relacionados com o estoque.
O primeiro é intitulado “A relevância do controle contábil para o
desenvolvimento do agronegócio em pequenas e médias propriedades rurais”, e
está disponível em: <https://revistas.ufpr.br/rcc/article/view/21490>.
O segundo artigo chama-se “Caracterizando aspectos do sistema de
informação contábil na gestão de custos: um estudo empírico no âmbito do
agronegócio”, que pode ser acessado em: <https://emnuvens.com.br/abcustos/
article/view/19>.
TEMA 2 – REGIME DE COMPETÊNCIA VERSUS REGIME DE CAIXA
Quando se estuda contabilidade, os primeiros passos são os
aprendizados referentes ao débito e crédito, bem como a distinção do regime de
competência e do regime de caixa.
O regime de competência preza pelo registro contábil dos fatos contábeis
quando estes efetivamente ocorrem, ou seja, o foco está especificamente no
momento de apropriação do fato contábil, não se levando em conta se houve ou
não o efetivo pagamento.
5
Por outro lado, o regime de caixa leva em consideração a movimentação
do caixa, ou seja, o momento do pagamento ou recebimento em caixa do fato
contábil.
De maneira sucinta a diferença está em considerar como mais importante
o momento do fato contábil, ou optar por priorizar o momento do recebimento ou
desembolso.
A utilização do regime de caixa ou de competência pode envolver a
preferência por um deles, alguma obrigação legal, ou até mesmo questões
culturais. Então vejamos a diferença quanto às atividades agropecuárias e sua
relação com o assunto considerando a cultura dos Estados Unidos.
Naquele país a agropecuária utiliza com predominância o regime de caixa,
haja vista a simplicidade em levar em consideração o pagamento e os
recebimentos, o que também faz com que a apuração do resultado se torne
facilitada ao subtrair os pagamentos dos recebimentos (Marion, 2014).
No regime de competência é considerado o fato contábil do crescimento
natural que ocorre no meio rural, e com isso é reconhecido um ganho, porém no
regime de caixa esse ganho não será reconhecido, pois não houve recebimento
em caixa referente a tal fato. Nesse mesmo raciocínio, isto fará comque
depreciações não sejam reconhecidas, e apenas será registrado o pagamento
pelo bem na data de aquisição.
Além da simplicidade, isto faz com que o produtor não precise manter
controles de estoque ou imobilizado. Outra situação é a consideração da
movimentação de caixa; toda aquisição de insumos será apropriada a esse
período, mesmo que seja mantido algum insumo para o plantio do próximo ano.
Algo semelhante ocorre para as receitas, caso parte da produção seja vendida,
e o restante para próximos períodos seja estocado. Tais fatos fazem com que
ocorra uma redução do imposto de renda nesse momento inicial, porém tal
economia irá gerar um desembolso posterior, quando a produção de exercícios
anteriores for vendida.
Caso a propriedade rural mantenha estoque muito grande para esperar
preços mais favoráveis, no momento em que esta realizar a venda ocorrerá uma
grande entrada de recursos em caixa, o que então poderá gerar um vultuoso
valor de imposto de renda a ser pago. Outra desvantagem que pode ser citada
está no fato de que frustrações de safras – quando ocorrem fatos climáticos, ou
6
quaisquer outros tipos de dano à safra, fazendo com que não haja produção, ou
a produção seja extremamente baixa – não poderão ser compensadas.
Enquanto o regime de caixa pode ser o desejado pelos produtos rurais,
os profissionais contábeis atuam seguindo o regime de competência conforme
regem as normas contábeis, pois contabilmente é o procedimento mais correto,
considerando apenas fatos contábeis. Com o regime de competência poderão
ser reconhecidas perdas, reduzindo assim o valor a ser tributado.
Observando de maneira simples, o regime de caixa pode ser manipulado,
o que faz com que a confiabilidade seja afetada, o que não nos permite entender
este como um método adequado para a finalidade contábil. A complexidade do
regime de competência se dá principalmente ao se aplicar a propriedades
menores, as quais não possuem controles adequados, dificultando o trabalho de
aplicar a competência.
Dentre as particularidades dos regimes, ao checarmos a realidade do
Brasil, os produtores rurais que atuam como pessoa física irão utilizar o regime
de caixa, pois, como já falamos, é a maneira mais simples de se operacionalizar,
principalmente para propriedades menores. Por outro lado, as propriedades
rurais que atuam como pessoa jurídica irão utilizar o regime de competência para
a apuração do resultado, assim como para o imposto de renda (com exceção
daqueles que optam pelo lucro presumido).
Assim, para a propriedade rural atuar de forma consistente, deve-se ter
consciência sobre que regime será utilizado: o de caixa, no caso de pessoa
física, e o de competência, no caso de pessoa jurídica.
Muitas vezes, porém, o acesso a essas informações está distante do
produtor rural, cabendo ao profissional contábil construir a ponte para levar tais
conhecimentos técnicos às propriedades rurais.
Saiba mais
Visando adquirir mais subsídios para seu conhecimento, selecionamos
dois artigos. Ambos abordam a questão do regime de caixa e de competência.
O primeiro é intitulado “Contabilidade vs. fluxo de caixa”, de autoria do
renomado professor Eliseu Martins, muito conhecido no meio contábil. Está
disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
92511990000100001&script=sci_arttext>.
O segundo artigo possui como título “O fluxo de caixa no setor rural
(conforme alguns estudos nos Estados Unidos)”, de autoria do também
7
conhecido professor José Carlos Marion, autor de diversos livros e artigos
relacionados à contabilidade aplicada à atividade rural. Acesse em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
92511993000200002&script=sci_arttext&tlng=pt>.
TEMA 3 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA NA CONTABILIDADE
AGROPECUÁRIA
Com vistas a auxiliar na geração de informações referentes ao fluxo de
caixa da entidade – no nosso caso a empresa agropecuária – surge a figura da
Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC).
Essa demonstração se tornou obrigatória no cenário brasileiro a partir do
ano de 2008 (Marion, 2014). Essa demonstração possui, basicamente, a
capacidade de evidenciar o quão capaz a entidade é de gerar caixa, seja com
suas atividades de curso normal, seja com atividade periféricas ou incidentais.
Para que seja possível elaborar a DFC, serão necessárias informações
das transações que fazem com que o caixa da entidade seja movimentado, bem
como informações contábeis oriundas dos registros contábeis que seguem o
regime de competência, pois serão utilizados dados da apuração de resultado,
que é feita por meio do regime de competência.
Podemos então dizer que ao elaborar a DFC, estaremos moldando uma
demonstração hibrida do regime de caixa e do regime de competência ao utilizar
o método indireto, dada a utilização de figuras atinentes aos dois regimes. Logo,
essa demonstração irá representar de forma clara onde o dinheiro da entidade
está sendo aplicado. Para tanto, serão utilizadas informações do lucro líquido da
entidade, das entradas e saídas de caixa oriundas de recebimentos e
pagamentos, respectivamente, como também serão consideradas operações
financeiras ou não financeiras do período.
Com essa ferramenta contábil é possível compreender o quanto a
entidade está gerando e consumindo de seu caixa, bem como evidenciar origens
e destinações desses recursos. O cuidado com o caixa é imprescindível, pois a
saúde do caixa fará com que a entidade possa honrar seus compromissos e,
com a devida atenção destinada à gestão e planejamento do caixa, será possível
identificar antecipadamente uma necessidade futura de reposição de caixa.
Além de utilidades internas para a DFC, haverá também usuários externos
que irão utilizar tal demonstração juntamente com a demonstração de resultado,
8
como instituições financeiras que poderão emprestar recursos para a entidade
rural. Ao verificar as duas demonstrações, a instituição financeira irá verificar o
quão bem-sucedida a entidade está sendo em gerar lucros, bem como o quão
eficientemente tem feito a aplicação de seu dinheiro – e claro, se há alguma
margem de sobra de recursos, pois será com esses que a empresa vai honrar o
empréstimo posteriormente. Entretanto, analisar de forma isolada essas duas
demonstrações irá fornecer uma boa percepção do curto prazo, porém no longo
prazo é necessário verificar outros pontos.
Tal desconfiança no longo prazo se dá pelo fato de que uma entidade que
esteja auferindo lucros regulares pode não estar conseguindo o mesmo êxito em
gerar caixa, fazendo com que não consiga honrar seus compromissos. Isso pode
acontecer pelo fato de a entidade se preocupar demasiadamente em vender,
sem dar a devida atenção à realização de vendas a prazo que poderão ser
perdidas. Situação contrária também pode ocorrer: uma entidade não conseguir
gerar lucro, porém ser eficiente na geração de caixa, seja pela venda de algum
imobilizado, entre outras razões.
Temos então, com a DFC, um instrumento de verificação relacionada à
geração de caixa da entidade, devendo tomar os devidos cuidados para evitar
que esta seja uma demonstração enganosa. Vale atentar ao fato de que nas
atividades agropecuárias o cuidado com o caixa é ainda mais proeminente, pois
devido à sazonalidade das culturas agrícolas, por exemplo, não haverá entrada
de recursos de forma periódica – mas apenas em determinados momentos –
enquanto que as saídas de caixa normalmente são mensais.
Saiba mais
Para que possamos verificar mais conceitos, buscamos dois artigos que
tratam sobre a DFC.
O primeiro tem por título “A importância da gestão no planejamento do
fluxo de caixa para o controle financeiro de micros e pequenas empresas”, e está
disponível em: <https://revistas.pucsp.br/redeca/article/view/28566>.
O segundo artigo é “A importância da demonstração dos fluxos de caixa
enquantoinstrumento gerencial para a tomada de decisão”, que pode ser
acessado em: <http://revista.pgsskroton.com.br/index.php/rcger/article/view/267
1>.
9
TEMA 4 – ESTRUTURA E ANÁLISE DA DFC EM ATIVIDADES DO
AGRONEGÓCIO
Para propiciar uma análise adequada, bem como uma padronização da
DFC, esta deve seguir uma estrutura pré-definida, que, de maneira simples, é
dividida em três grupos, conforme nos apresenta Marion (2014, p. 216-217):
a) Atividade Operacional: envolve a produção e venda de bens e
serviços relativos à atividade operacional da empresa. No setor rural,
haveria necessidade de subtrair, além das despesas operacionais
pagas, a retirada de dinheiro para a manutenção da família, que
corresponde a salários de trabalho e administração dos mesmos.
b) Atividade Referente a Investimento: focaliza o fluxo de caixa para
compra e venda de bens de capital (máquinas, implementos agrícolas),
animais de reprodução (criação), planos de aposentadoria etc.
c) Atividade de Financiamento: inclui os financiamentos, empréstimos,
amortizações de dívida, capital dos proprietários, operações com
leasing etc.
Dentro dessa estrutura, a entidade irá classificar as operações conforme
o enquadramento da atividade, ou seja, atividades de cunho operacional – e
normal – da propriedade se encaixarão na categoria operacional (por exemplo,
a produção e venda de cereais e os gastos para tal produção). Operações de
compra ou venda de imobilizado, por sua vez, entrarão como investimento.
Quanto a transações envolvendo empréstimos, entrarão como atividade de
financiamento.
Seguindo a estrutura exposta, a elaboração da DFC pode ser realizada
de duas maneiras: por meio do Método Direto e pelo Método Indireto. O método
direto se caracteriza por ser mais simples de se elaborar, pois evidencia de forma
mais fácil as entradas de caixa representadas pelas vendas, bem como a saídas
de caixas oriundas das despesas, por exemplo.
Vejamos então uma exemplificação da DFC pelo método direto no Quadro
1:
10
Quadro 1 – DFC pelo Método Direto
Atividades Operacionais
Receita Operacional Recebida
(-) Despesas Operacionais Pagas
De Vendas
Administrativas
Financeiras (juros etc)
Caixa Gerado no Negócio
+ Outras Receitas Recebidas
(-) Outras Despesas Pagas
(-) Imposto de Renda Contribuições Pagas
Caixa Líquido após Impostos
Atividades de Investimentos
Aquisição de Não Circulante
(-) Vendas de Não Circulante
Atividades de Financiamento
Novos Financiamentos
Aumento de Capital em Dinheiro
(-) Dividendos
Resultado Financeiro Líquido
Fonte: Marion, 2014, p. 217.
Como podemos observar, a DFC acaba sendo simples de ser elaborada,
chegando ao final no resultado financeiro líquido, ou seja, representando o
desempenho em termos de geração de caixa.
Verificando agora o método indireto, a DFC iniciará com o lucro líquido
oriundo da demonstração de resultado. Dessa maneira serão confrontados o
regime de competência por meio do lucro líquido, com o regime de caixa
considerando as transações envolvendo o caixa.
Ao utilizar esse método todas as variações do circulante serão
consideradas na seção das atividades operacionais, para então compreender as
alterações nessas contas contábeis, e itens do não circulante serão
enquadrados como atividades de investimento. Quanto às atividades de
financiamento, estas poderão se relacionar tanto às dívidas de curto e longo
prazo, bem como ao valor levantado com os empréstimos, que poderão ser
aplicados no circulante ou não circulante do ativo, conforme for a finalidade do
dinheiro do financiamento, englobando ainda os pagamentos dos
financiamentos.
Para possibilitar a utilização do método indireto é necessário realizar
algumas adequações no valor do lucro líquido. Os gastos não desembolsáveis
que reduzem o lucro, como depreciação e amortização, deverão ser somados
ao lucro, pois tais gastos, mesmo que reduzindo o resultado do período, não
ocasionam saídas de caixa.
11
Vejamos então no Quadro 2 um modelo da DFC pelo método indireto.
Quadro 2 – DFC pelo Método Indireto
Atividades Operacionais
Lucro Líquido (Obtido na DRE – Fluxo Econômico)
(+) Depreciação e outras despesas econômicas (não afetam o caixa)
Ajustes por mudança no Ativo Circulante
Aumento/Diminuição em Duplicatas a Receber
Aumento/Diminuição em Estoques etc.
Ajustes por mudança no Passivo Circulante
Aumento/Diminuição em Fornecedores
Aumento/Diminuição em Salários a Pagar etc.
Atividades de Investimento
Aquisição de Ativo Não Circulante
(-) Vendas de Ativo Não Circulante
Atividades de Financiamento
Novos Financiamentos
Aumento de Capital em Dinheiro
(-) Dividendos
Resultado Financeiro Líquido
Fonte: Marion, 2014, p. 219.
Como podemos ver, tanto o método direto quanto o indireto apresentam
a mesma estrutura, diferenciando-se por meio do detalhamento dos itens.
Ambos os métodos irão evidenciar o resultado financeiro da entidade, ou seja,
qual o valor de caixa gerado ou consumido no período.
Para a entidade rural não basta apenas elaborar a DFC; esta deve
também realizar uma análise, a fim de compreender o comportando do caixa da
entidade, de onde os recursos estão vindo e para onde o dinheiro está indo.
Vejamos agora nos Quadros 3 e 4 a DFC da Empresa Rural Modelo, para que
possamos realizar uma análise.
12
Quadro 3 – DFC Método Direto
DFC - Modelo Direto - Empresa Rural Modelo
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais
Recebimento de Receitas da produção R$ 536.250,00
Pagamento de Compra de Insumos -R$ 31.864,80
Pagamento de despesas operacionais -R$ 268.950,00
Juros pagos -R$ 82.500,00
Contribuições e Impostos -R$ 28.050,00
Retiradas para manutenção da Família -R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 19.800,00
Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.550,00
Pagamento de compra de gado reprodutor -R$ 3.300,00
Pagamento de compra de Insiladeira -R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade de Investimento -R$ 18.150,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Amortização de Financiamento -R$ 39.600,00
Pagamento de Empréstimo -R$ 75.900,00
Novos Empréstimos R$ 21.450,00
Novos Financiamentos R$ 34.650,00
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento -R$ 59.400,00
Acréscimo de caixa no período R$ 1.135,20
Caixa Inicial de 20x2 R$ 20.000,00
Caixa Final de 20x2 R$ 21.135,20
Quadro 4 – DFC Método Indireto Reconciliação do Lucro
Lucro Líquido do Período (DRE) R$ 85.285,20
Ajustes:
Acréscimo no Estoque R$ 18.150,00
Decréscimo de duplicatas a receber -R$ 1.650,00
Ganhos/perdas de capital R$ 14.850,00
Total de Ajustes a subtrair da receita -R$ 31.350,00
Itens referentes a Despesa
Depreciação R$ 70.950,00
Total e Ajustes a adicionar na receita R$ 70.950,00
Retiradas da família para sua manutenção -R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20
13
Podemos observar inicialmente que a atividade operacional conseguiu
gerar um caixa de R$ 78.685,20, valor este que foi utilizado nas atividades de
investimento e de financiamento.
As atividades de investimento consumiram R$ 18.150,00 do valor do
caixa, justificado pelos novos investimentos realizados, dos quais se espera que
gerem bons frutos no futuro.
As atividades de financiamento, por sua vez, consumiram o valor de R$
59.400,00, justificando-se pelo alto valor empregado no pagamento de
empréstimos e financiamentos, demonstrando assim o quanto a Empresa Rural
Modelo é capaz de pagar suas dívidas. Isso, sem considerar o fato de que o
pagamento das dívidas ter sido de R$ 115.500,00 (39.600,00 + 75.900,00),
enquanto que novos empréstimos e financiamentos foramde R$ 56.100,00
(21.450,00 + 34.650,00), evidenciando desta forma melhoria na saúde
financeira, pois o passivo da entidade está sendo reduzido.
Porém, como demonstrado no Quadro 4, também podemos realizar outra
análise: que de todo o valor de lucro líquido da empresa – R$ 85.285,20 – ao
verificar os ajustes, percebe-se que o valor da depreciação de R$ 70.950,00 não
saíra do caixa, e esse valor poderá ser utilizado para pagar os novos
investimentos no valor de R$ 49.500,00, gerando ainda uma sobra de caixa.
Como podemos observar, não basta elaborar demonstrações de fluxo de
caixa sem que se realize a devida análise, a qual será base para tomadas de
decisão. Outra alternativa que irá deixar a análise mais sofisticada seria a
projeção do fluxo de caixa do próximo exercício, comparando-o assim ao atual,
e o utilizando como planejamento.
Outro ponto que não podemos esquecer é que a análise da entidade não
pode se limitar apenas a uma demonstração – devemos também buscar outros
relatórios para gerar dados mais precisos e úteis para a tomada de decisão e
verificação do desempenho das decisões anteriores.
TEMA 5 – PRÁTICAS DE DIVULGAÇÃO DOS ATIVOS BIOLÓGICOS SEGUNDO
O CPC 29
O CPC29 é o pronunciamento contábil que rege os ativos biológicos.
Conforme já vimos anteriormente, ele trata desde a identificação até a
mensuração desses ativos, chegando agora o momento de verificarmos a
divulgação das informações relativas aos ativos biológicos.
14
Conforme já visto, os ativos biológicos serão avaliados a valor justo, e
considerando tal acontecimento, devem ser divulgados todas as perdas ou
ganhos decorrentes da variação do valor no início e ao final do período, e devem
ser demonstrados os aumentos e reduções do ativo biológico oriundos de
compras e vendas ocorridas no período.
De maneira conjunta à divulgação das variações dos valores dos ativos
biológicos, devem ser apresentadas descrições para explanar de forma
dissertativa e quantitativa o que cada grupo de ativos representa.
Relacionado à questão quantitativa, o CPC 29 (2009) sugere que as
entidades, no momento da preparação das informações a serem divulgadas, que
segreguem os ativos biológicos em consumíveis e de produção, ou ainda,
separando os maduros dos imaturos, ou seja, a forma que for mais cabível para
a entidade. A exemplificação seria divulgar aqueles que poderão ser consumidos
no período, bem como os demais que serão utilizados para a produção de outros
ativos, ocorrendo o mesmo para os maduros e imaturos. Vejamos como o CPC
29 (2009) define essas separações que podem ser feitas com os ativos
biológicos.
Ativos biológicos consumíveis são aqueles passíveis de serem colhidos
como produto agrícola, ou vendidos como ativos biológicos;
Ativos biológicos para produção são os demais tipos, como rebanhos de
animais para produção de leite ou árvores frutíferas das quais são
colhidos seus frutos;
Ativos biológicos podem ser classificados como maduros ou imaturos. Os
maduros são aqueles que alcançaram a condição para serem colhidos
(ativos biológicos consumíveis) ou estão aptos para sustentar colheitas
regulares (ativos biológicos de produção).
Por mais que alguma entidade alegue não compreender a divisão entre
consumo e produção, ou maduros e imaturos, o CPC 29 deixa muito clara a
definição a ser seguida, não podendo, portanto, ser alegado desconhecimento.
Além do já abordado, a entidade deverá indicar quais são as atividades
que envolvem os grupos de ativos biológicos, o que pode ser controlado por meio
de algum relatório, ou até mesmo de maneira conjunta com as demonstrações
contábeis.
15
Uma particularidade da divulgação desses ativos está no fato ser
obrigatório realizar a divulgação de forma clara referente aos ativos biológicos
dos quais a entidade não tenha total propriedade, bem como de itens que são
cedidos como garantia em alguma operação. Relacionado a esse fato, devem
ser evidenciados os planos da entidade para lidar com riscos inerentes tanto à
garantia dos ativos, como daqueles que não são totalmente seus.
Como já abordado em nossa disciplina, os ativos biológicos devem ser
avaliados pelo valor justo, exceto quando isso não for praticável, e é necessário
divulgar essas situações. Desta forma, nos casos de a mensuração ser realizada
pelo custo, o CPC 29 (2009, p. 12) traz a necessidade da divulgação das
seguintes informações:
(a) uma descrição dos ativos biológicos;
(b) uma explicação da razão pela qual o valor justo não pode ser
mensurado de forma confiável;
(c) se possível, uma faixa de estimativas dentro da qual existe alta
probabilidade de se encontrar o valor justo;
(d) o método de depreciação utilizado;
(e) a vida útil ou a taxa de depreciação utilizada; e
(f) o total bruto e a depreciação acumulada (adicionada da perda por
irrecuperabilidade acumulada) no início e no final do período.
As divulgações para os casos mensurados a custo deverão contemplar
os itens apresentados acima. Além de divulgar tais informações, também devem
ser apresentados possíveis ganhos ou perdas decorrentes desse tipo de
mensuração.
Tão importante quanto o tratamento contábil dos ativos biológicos, é a
devida divulgação, mantendo os usuários a par das informações da entidade que
atua na atividade rural.
Obviamente a divulgação será apropriada desde que a contabilização
tenha sido feita de forma correta, cabendo aos profissionais contábeis todo o
zelo e dedicação.
Saiba mais
A fim de trazer outras experiências e pesquisas sobre o assunto,
selecionamos outros dois artigos para leitura. Estes tratam da divulgação das
informações sobre os Ativos Biológicos.
O primeiro chama-se “CPC 29: uma análise dos requisitos de divulgação
entre empresa de capital aberto e fechado do setor de agronegócios”, que pode
ser acessado em: <http://atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-
08/index.php/ufrj/article/viewArticle/1643>.
16
O segundo artigo é intitulado “Fatores explicativos da divulgação de ativos
biológicos e produtos agrícolas em empresas de capital aberto e fechado”,
disponível em: <http://www.furb.br/_upl/files/especiais/anpcont/2014/302_3.pdf
?20140829185746>.
TROCANDO IDEIAS
Caro aluno, dentre as abordagens presentes em nossa aula, demos maior
foco à questão do fluxo de caixa, tarefa tão importante em qualquer atividade
econômica, e igualmente fundamental às atividades no meio rural. Tal
representatividade se dá pelo fato de os recebimentos não ocorrerem de forma
constante, mas apenas no momento das vendas e que não ocorrem
mensalmente. E mesmo as entradas de caixa não sendo regulares, as saídas o
serão, pois há necessidade dos pagamentos da mão de obra, por exemplo,
dentre outros gastos mensais.
Cabe ao produtor ter o conhecimento necessário para uma gestão
adequada do caixa. No entanto, muitas vezes isso não acontece, pois há a
possibilidade de ninguém apresentar aos produtores a necessidade e as
vantagens de realizar um bom controle do caixa – tarefa essa que acabará por
recair sobre os profissionais contábeis.
Os contadores muitas vezes não estão dispostos, ou nem mesmo estão
habilitados a lidar com a atividade rural – e ainda que a contabilidade rural possa
ser aplicada ao meio rural, o profissional contábil deve visar à elevação de sua
atuação nessa área e, consequentemente, aproveitar para aumentar a
representatividade da profissão contábil.
Por isso, verificando o contexto apresentado, discuta com seus colegas e
elabore com eles primeiramente um plano de ação de como seria uma
abordagem inicial aos produtores rurais, considerando desde aspectos
contábeis, como também questões negociais de como abordar o produtor. Em
um segundo momento, elabore em grupo uma maneira de implementar uma
gestão do caixa do produtor. No entanto, para isso considere que não pode afetar
drasticamente os processos do produtor,mas sim criar um método simples e
eficaz, atendendo às necessidades dele, e sem prejudicar suas atividades em
termos de processos.
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NA PRÁTICA
Agora vamos praticar um pouco com algumas situações que remetem ao
conteúdo estudado. As respostas encontram-se ao final deste documento.
1. Uma empresa rural o(a) contratou para elaborar a Demonstração de Fluxo de
Caixa da empresa, dada a falta de confiabilidade das atuais informações. Na
sequência seguem os dados do Balanço Patrimonial e da Demonstração de
Resultado, que tornam possível elaborar a DFC.
Balanço Patrimonial
Ativo 20X2 20X1 Passivo 20X2 20X1
Caixa e bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 22.000,00 11.000,00
Clientes 18.000,00 16.000,00 Emp. LP 5.000,00 12.000,00
Estoque 21.000,00 14.000,00
Desp. Antecipadas 1.000,00 2.000,00 Capital 20.000,00 20.000,00
Títulos a receber 5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00
Terrenos 13.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 7.000,00 1.000,00
Total Ativo 60.000,00 50.000,00 Total Passivo 60.000,00 50.000,00
DRE
Vendas Líquidas 130.000,00
CMV - 85.000,00
Lucro Bruto 45.000,00
Despesas Administrativas - 25.000,00
Despesas com Vendas - 10.000,00
Lucro Líquido 10.000,00
2. Uma empresa rural lhe contratou para elaborar a Demonstração de Fluxo de
Caixa da empresa, devido à falta de confiabilidade das atuais informações. Na
sequência seguem dados do Balanço Patrimonial e da Demonstração de
Resultado, que permitem elaborar a DFC.
Balanço Patrimonial
Ativo 20X2 20X1 Passivo 20X2 20X1
Caixa e Bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 15.000,00 8.000,00
Clientes 17.000,00 14.000,00 Empréstimo LP 5.000,00 12.000,00
Estoque 21.000,00 13.000,00
Desp. Antecipadas 500,00 1.500,00 Capital 28.000,00 21.000,00
Títulos a Receber 7.000,00 7.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00
Terrenos 15.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 8.500,00 1.500,00
Total Ativo 62.500,000 48.500,00 Total Passivo 62.500,00 48.500,00
DRE
Vendas Líquidas 140.000,00
CMV 90.000,00
Lucro Bruto 50.000,00
Despesas Administrativas 27.000,00
Despesas com Vendas 11.000,00
Lucro Líquido 12.000,00
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3. Vejamos agora uma DFC elaborada pelo método indireto. Para praticarmos,
devemos analisá-la, para extrairmos informações relevantes para os usuários.
DFC – Modelo Indireto
Atividades Operacionais
Lucro Líquido R$ 64.747,00
Ajustamento para reconciliar o Lucro Líquido
Caixa líquido gerado pela Atividade Operacional
- Depreciação e Amortização R$ 35.359
- Ganho da Venda de Caminhões e Máquinas (R$ 11.800,00)
- Perda na Venda do Rebanho Reprodutor R$ 4.000,00
- Decréscimo nas Contas a Receber R$ 2.400,00
- Decréscimo nas Contas a Pagar (R$ 1.534,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 93.172,00
Atividades de Investimento
Caixa líquido gerado pela Atividade de Investimento
- Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 9.100,00
- Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.000,00
- Recebimento de receita de venda de caminhão R$ 800,00
- Pagamento de compra de Máquinas (R$ 47.500,00)
- Pagamento de plano de aposentadoria (R$ 1.950,00)
- Outros pagamentos (R$ 1.060,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 29.210,00)
Atividades de Financiamentos
Caixa líquido gerado pela Atividade de Financiamento
- Pagamento de Títulos de Curto Prazo (R$ 41.000,00).
- Pagamento de Títulos de Longo Prazo (R$ 29.970,00)
- Amortização de Financiamentos (R$ 13.000,00)
Caixa Líquido usado em Atividades de Financiamentos (R$ 83.970,00)
Decréscimo Líquido no Caixa (R$ 10.008,00)
Caixa Inicial de 20x2 R$ 33.000,00
Caixa Final de 20x2 R$ 22.992,00
Fonte: Adaptado de Marion, 2014.
FINALIZANDO
Essa aula se iniciou com abordagem relacionada à forma de se avaliar o
estoque na atividade rural, que, como em qualquer atividade econômica, a
avaliação do estoque irá contribuir para se conceber os valores de preços de
vendas, gerando assim informações sobre a quantidade de cada item que a
entidade possui. Também no primeiro Tema da aula foram abordados os custos
e despesas na atividade, os quais farão parte do estoque e do resultado do
19
período, devendo ser de conhecimento do produtor rural os seus custos e
despesas, o que facilitará a gestão da propriedade.
Em um segundo momento foi explanado sobre o regime de competência
e o regime de caixa. O primeiro é o regime preferido dos contadores, pois ele irá
atuar realizando a contabilização considerando o momento de ocorrência dos
fatos contábeis. Já o segundo prima pelo registro das ocorrências quando
acontece o pagamento ou recebimento via caixa, por isso o nome regime de
caixa, contabilizado apenas quando ocorre movimentação no caixa.
Nossos terceiro e quarto assuntos se referem à Demonstração de Fluxo
de Caixa. Essa demonstração terá função explicativa referente à destinação do
dinheiro da entidade, podendo ser elaborada pelo Método Direto ou pelo Método
Indireto, gerando informações para a entidade. No entanto, não basta elaborar a
DFC: também deve ser realizada uma boa análise para compreender a
movimentação do dinheiro, bem como identificar destinações desnecessárias,
possibilitando a tomada de medidas para evitar a saída de recursos sem retorno.
Encerramos nossa aula estudando as práticas de divulgação dos ativos
biológicos. Como vimos antes sobre os ativos biológicos, devemos realizar o
tratamento contábil adequado, porém apenas isso não é suficiente, devendo
também ser realizada a divulgação de tais informações. Para isso, devemos
seguir o que rege o CPC 29, que estabelece as diretrizes que deverão ser
levadas em conta pela entidade no momento da divulgação das informações
sobre os ativos biológicos.
Chegamos ao final de nossa aula. Buscou-se realizar a abordagem de
vários aspectos contábeis aplicáveis ao meio rural, que é o ambiente de
ocorrência do agronegócio, um campo de atuação contábil no qual ainda há
muito a ser preenchido pelos profissionais contábeis, com a possibilidade de
crescimento e busca desse nicho de mercado. Desta maneira, desejamos a
você, caro(a) aluno(a), muito sucesso em sua caminhada acadêmica e carreira
profissional.
20
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, A.; TEIXEIRA, E. M.; LICÓRIO, C. A importância da gestão no
planejamento do fluxo de caixa para o controle financeiro de micros e pequenas
empresas. Revista Eletrônica do Departamento de Ciencias Contábeis &
Departamento de Atuária e Métodos Quantitativos da FEA, São Paulo, v. 2,
n. 2, 2015.
BRASIL. Decreto-lei n. 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 27 dez. 1977.
CALLADO, A. A. C.; CALLADO, A. L. C.; SILVA, M. C. M.; MIRANDA, L. C.
Caracterizando aspectos do sistema de informação contábil na gestão de custos:
um estudo empírico no âmbito do agronegócio. ABCustos, São Leopoldo, v. 2,
n. 2, p. 47-69, 2007.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 29: Ativo Biológico e
Produtos Agrícola. Brasilia: [sn], 2009.
HOFER, E.; PACHECO, V.; SOUZA, A.; PROTIL, R. M. A relevância do controle
contábil para o desenvolvimento do agronegócio em pequenas e médias
propriedades rurais. Revista Contabilidade e Controladoria, Curitiba, v. 3, n.
1, p. 27-42, 2011.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
_____. O fluxo de caixa no setor rural (conforme alguns estudos nos Estados
Unidos). Caderno de Estudos, São Paulo, n, 9, 1993.
MARTINS, E. Contabilidade vs. fluxo de caixa. Caderno de Estudos, São Paulo,
n. 2, 1991.
SCHERER, L. M.; MUNHOZ, T. R.; ROTH, T. C. Fatores explicativos da
divulgação de ativos biológicos e produtos agrícolas em empresas de capital
aberto e fechado. In: VIII CONGRESSO ANPCONT, Anais..., 2014, Rio de
Janeiro, 2014.
SILVA, R. L. M.; FIGUEIRA, L. M.; PEREIRA, L. T. deO. A.; RIBEIRO, M. de S.
CPC 29: uma análise dos requisitos de divulgação entre empresa de capital
aberto e fechado do setor de agronegócios. Sociedade, Contabilidade e
Gestão, Rio de Janeiro, v. 8, n, 1, p. 26-49, 2013.
21
SPADIN, C. E. A importância da demonstração dos fluxos de caixa enquanto
instrumento gerencial para a tomada de decisão. Revista de Ciências
Gerenciais, Valinhos, v. 12, n. 14, p. 167-177, 2008.
22
RESPOSTAS
Resolução Atividade 1
DFC – Modelo Direto – Empresa Rural
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais
Recebimento de Receitas da produção R$ 128.000,00
Pagamento de Compra de Insumos (R$ 81.000,00)
Pagamento de despesas operacionais (R$ 34.000,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 13.000,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Compra de Terreno (R$ 3.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 3.000,00)
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Pagamento de Empréstimo (R$ 4.000,00)
Pagamento de Dividendos (R$ 7.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 11.000,00)
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00)
Caixa Inicial de 20x2 R$ 3.000,00
Caixa Final de 20x2 R$ 2.000,00
Resolução Atividade 2
DFC – Modelo Direto – Empresa Rural
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais
Recebimento de Receitas da produção R$ 137.000,00
Pagamento de Compra de Insumos (R$ 91.000,00)
Pagamento de despesas operacionais (R$ 37.000,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 9.000,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Compra de Terrenos (R$ 5.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 5.000,00)
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Pagamento de Empréstimo (R$ 7.000,00)
Pagamento de Dividendos (R$ 5.000,00)
Aumento de Capital Social em Dinheiro R$ 7.000,00
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 5.000,00)
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00)
Caixa Inicial de 20x2 R$ 3.000,00
Caixa Final de 20x2 R$ 2.000,00
23
Resolução Atividade 3
Podemos observar inicialmente que a atividade operacional conseguiu
gerar um caixa de R$ 93.172,00, valor este que foi utilizado nas atividades de
investimento e de financiamento.
As atividades de investimento consumiram R$ 29.210,00 do valor do
caixa, isso se justificando pelos novos investimentos realizados, em especial
maquinários novos, dos quais se espera que gerem bons frutos no futuro,
enquanto que as atividades de financiamento consumiram o valor de R$
83.970,00, justificando-se pelo alto valor empregado no pagamento de
empréstimos e financiamentos, demonstrando assim o quanto a Empresa Rural
Modelo é capaz de pagar suas dívidas.
CURSO: Ciências Contábeis
DISCIPLINA: Contabilidade de Agronegócios
CARGA HORÁRIA: 56 h
UTA CONTABILIDADE E
SUSTENTABILIDADE
PROFESSOR:
EMENTA DA DISCIPLINA
Proporciona uma compreensão de uma empresa voltada ao agronegócio e conseguir
desenvolver sua correta contabilização e mensuração econômico financeira.
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS
Compreender as particularidades dos agronegócios
Desenvolver a adequada contabilização das empresas de agronegócios
Gera informações para usuários com necessidades de informação específicas;
Ressalta a importância da aprendizagem continuada.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
ARRUDA, Leila Lúcia, SANTOS, Celso José. Contabilidade Rural. Curitiba: InterSaberes
2017.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO MÍNIMO
Aspectos conceituais da contabilidade rural: agrícola, zootécnica e agroindustrial
Forma jurídica da atividade rural; ano agrícola vs exercício social
Contabilidade de rural e o Pronunciamento CPC 29 - Ativos biológicos
Atividade agrícola: culturas temporárias
Atividade agrícola: culturas permanentes
Ativos biológicos: reconhecimento e mensuração
Entendendo depreciação, exaustão e amortização dos ativos biológicos
Plano de contas para itens de empresas agrícolas
Operacionalizando o plano de contas com apuração de custo do inventário
Conceitos básicos da contabilidade pecuária
Plano de contas e classificação do gado na contabilidade pecuária
Método de custo x método a valor de mercado (valor justo)
Técnica para utilização do custo histórico na pecuária
Custos na pecuária
Reconhecimento da receita na pecuária
Nascimento de bezerros e avaliação de mudança de categoria
Avaliação no encerramento do balanço
Confrontação da despesa
Contabilização de ativos biológicos conforme CPC 29
Cálculo do custo do bezerro: custo médio do rebanho e reprodutores
Calculando o imposto de renda na agropecuária, para microempresas e empresas de
pequeno porte
Pessoa jurídica: incentivos fiscais e resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que explora atividade rural
Avaliação de estoques e despesas/custos com atividade agrícola
Regime de competência x regime de caixa
Demonstração dos fluxos de caixa na contabilidade agropecuária
Estrutura e análise da DFC em atividades do agronegócio
Práticas de divulgação dos ativos biológicos segundo o CPC 29
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 1
Conversa Inicial
1. Aspectos conceituais da contabilidade rural
2. Forma jurídica da atividade rural
3. Contabilidade rural e o Pronunciamento CPC
29 – Ativos biológicos
4. Atividade agrícola – culturas temporárias
5. Atividade agrícola – culturas permanentes
Temas desta aula
Aspectos conceituais da
contabilidade rural – agrícola,
zootécnica e agroindustrial
Atividade rural = empresa rural
Terra
Capital
Trabalho
Atividade rural
(I) Atividade agrícola: exploração da terra
para o cultivo de plantas, sejam elas
hortaliças, forrageiras, cereais, árvores
frutíferas, como também árvores destinadas
à produção de madeira
Atividade rural
2
(II) Atividade zootécnica: exploração da
atividade rural por meio da criação de
animais, como bovinos, suínos, aves, abelhas,
caprinos, dentre outros animais
Atividade rural
(III) Atividade agroindustrial:
Não alterar a composição e as características
do produto in natura
Ser feita pelo próprio produtor rural, com
equipamentos e utensílios usualmente
empregados nas atividades rurais
Utilizar exclusivamente matéria-prima
produzida na unidade rural explorada
Marion (2014)
Atividade rural
Forma jurídica da atividade rural
e ano agrícola versus exercício
social
Pessoa Física ou Pessoa Jurídica?
Produtor rural como empreendedor:
competência, compartilhamento de risco,
planejamento, envolvimento da família, meio
ambiente, fator financeiro, gerenciamento
pessoal, organização da produção,
aproveitamento de oportunidade e
experiência comercial (CELLA; PERES, 2002)
Forma jurídica da atividade rural
Ano agrícola pode ser definido como o
período de 12 meses que inicia o cultivo até a
colheita da principal cultura em termos de
rendimentos da propriedade, ou, no caso de a
pecuária ser a principal atividade, conforme
seu ciclo produtivo
Ano agrícola versus Exercício social
Contabilidade rural e o
Pronunciamento CPC 29 - Ativos
Biológicos
3
Ativos biológicos são animais e/ou plantas,
vivos (CPC 29)
São o objeto de patrimônio da entidade
que atua na atividade rural, os quais,
posteriormente, darão origem a produtos
agrícolas
Ativos biológicos Ativos biológicos versus produtos agrícolas
Ativos biológicos Produto agrícola
Produtos resultantes do
processamento após a
colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para madeira Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa
Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhidaVinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha
C
P
C
2
9
C
P
C
1
6
Fonte: CPC 29, p. 3, 2009
Quadro 1 – Ativos biológicos e produtos agrícolas
Atividade agrícola –
culturas temporárias
São aquelas que, a cada período de produção,
necessitam ser replantadas, uma vez que,
após a colheita, a planta morre, seja devido a
seu corte ou pelo fato de ser arrancada
totalmente da terra. Exemplo: milho, trigo,
feijão, arroz, cebola, alface, dentre outros
Culturas temporárias
Culturas temporárias
Insumos Mão de obra Gastos não
desembolsáveis
Outros custos
Sementes
Mudas
Adubos
Pesticidas
Herbicidas
Salários
Horas extras
Férias
13º salário
INSS
FGTS
Depreciação
Exaustão
Amortização
Energia elétrica
Aluguéis
Água
Combustível
Fonte: Zanin, 2019.
Estoque – ativos biológicos
Cultura Temporária em Formação (CTF) -
Item
Colheita em Andamento (CA) - Item
Produto Agrícola (PA) - Item
Culturas temporárias
4
Formação da planta
D: CTF – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Colheita
D: CA – Item
C: CTF – Item
Culturas temporárias
Durante colheita
D: CA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Término da colheita
D: PA – Item
C: CA – Item
Culturas temporárias
Durante armazenamento
D: PA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Culturas temporárias
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa ou clientes
C: Venda de (Item)
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido - Item
C: PA – Item
Despesas de venda
D: Despesas com venda de (Item)
C: Caixa ou contas a pagar
Culturas temporárias
Atividade agrícola –
culturas permanentes
São aquelas que não necessitam ser
replantadas, fazendo com que a produção
dure mais de um ciclo. Exemplo: cafeicultura,
fruticultura, reflorestamento, entre outros
Culturas permanentes
5
Nas culturas temporárias os custos são
acumulados no estoque, ao passo que para as
culturas permanentes todos os valores para a
formação da cultura serão alocados no ativo
imobilizado (Crepaldi, 2012)
Culturas permanentes
Imobilizado – ativos biológicos
Cultura Permanentes em Formação (CPF) -
Item
Cultura Permanentes Formada (CP) - Item
Colheita em Andamento (CA) - Item
Produto Agrícola (PA) - Item
Culturas permanentes
Formação da planta
D: CPF – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Produção pronta para colheita
D: CP – Item
C: CPF – Item
Culturas permanentes
Formação do produto
D: CA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Término da colheita
D: PA – Item
C: CA – Item
Culturas permanentes
Durante armazenamento
D: PA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Culturas permanentes
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa ou clientes
C: Venda de (Item)
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido - Item
C: PA – Item
Despesas de venda
D: Despesas com venda de (Item)
C: Caixa ou contas a pagar
Culturas permanentes
6
Na Prática
Exercício 2
ATIVO PASSIVO
Circulante 102.000,00 Circulante 50.000,00
Disponível 50.000,00 Fornecedores 50.000,00
Estoques 52.000,00
Feijão – PA 20.000,00
Soja – CA 12.000,00
Adubos 10.000,00
Combustíveis 10.000,00 Patrimônio Líquido 182.000,00
Não circulante 130.000,00 Capital Subscrito 150.000,00
Imobilizado 130.000,00 Capital Social Integralizado 150.000,00
Terras 70.000,00 Reservas de lucros 32.000,00
Tratores 50.000,00 Lucros Acumulados 32.000,00
Arados 5.000,00
Semeadoras 5.000,00
ATIVO 232.000,00 PASSIVO 232.000,00
Finalizando
1. Aspectos conceituais da contabilidade rural
2. Forma jurídica da atividade rural
3. Contabilidade rural e o Pronunciamento CPC
29 – ativos biológicos
4. Atividade agrícola – culturas temporárias
5. Atividade agrícola – culturas permanentes
Temas estudados nesta aula
Referências
CELLA, D.; PERES, F. C. Caracterização dos fatores relacionados
ao sucesso do empreendedor rural. Revista de Administração da
Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 37, n. 4, p. 49-57,
2002.
CREPALDI, S. A. Contabilidade rural: uma abordagem decisorial.
7. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
FERREIRA, J. B.; LASSO, S.V.; MAINARDES, E. Características
empreendedoras do produtor rural capixaba. Gestão &
Regionalidade, v. 33, n. 99, p. 74-90, 2017.
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola,
contabilidade da pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos
Contábeis. CPC 29 - Ativo Biológico e Produtos Agrícola.
Brasilia: [sn], 2009.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 2
Conversa Inicial
Ativos Biológicos
Reconhecimento e mensuração
Contabilização de culturas temporárias e
permanentes
Entendendo depreciação, exaustão e amortização
dos ativos biológicos
Plano de contas para itens de empresas agrícolas
Operacionalizando o plano de contas com
apuração de custo do inventário
Temas desta aula
Ativos Biológicos:
reconhecimento e mensuração
Condições para o reconhecimento dos ativos
biológicos ou produto agrícola:
a. Controla o ativo como resultado de eventos
passados
b. For provável que benefícios econômicos futuros
associados com o ativo fluirão para a entidade
c. O valor justo ou o custo do ativo puder ser
mensurado confiavelmente (CPC 29, 2009, p. 6)
Reconhecimento
É tido como valor de troca em uma transação
não forçada entre duas partes ocorrendo em
um mercado (CPC 46, 2012)
Mensuração
2
Mensuração
Nível 1
São preços cotados (não ajustados) em mercados ativos
para ativos ou passivos idênticos a que a entidade possa
ter acesso na data de mensuração.
Nível 2
São informações que são observáveis para o ativo ou
passivo, seja direta ou indiretamente, exceto preços
cotados incluídos no Nível 1.
Nível 3 São dados não observáveis para o ativo ou passivo.
Quadro 1 - Níveis do valor justo
Fonte: CPC 46, 2012, p. 15-17
Os custos podem, algumas vezes, aproximar-se do valor
justo, particularmente, quando:
a. Uma pequena transformação biológica ocorre desde o
momento inicial (por exemplo: mudas plantadas no
período imediatamente anterior ao de encerramento das
demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido)
b. Não se espera que o impacto da transformação do ativo
biológico sobre o preço seja material (por exemplo: para
o crescimento inicial da plantação de pinos cujo ciclo de
produção é de 30 anos) (CPC 29, 2009, p. 8)
Mensuração
Ativos Biológicos: contabilização
de culturas temporárias e
permanentes
Plantio da Soja, com valores (R$20)
consumidos para plantio e formação da
cultura, pagos à vista
D: CTF – Soja R$20,00
C: Caixa e equivalentes R$20,00
Contabilização de Culturas Temporárias
Sendo a Soja um exemplo de commodity,
possuindo um mercado ativo, considerar um
valor justo de R$70 e R$7 como despesas de
venda (10% do valor justo)
D: CTF – Soja R$43,00
C: Variação do valor justo (Resultado)
R$43,00
Contabilização de Culturas Temporárias
Todos os valores consumidos na colheita
serão contabilizados como gasto do período,
pois o custo será baseado pelo valor justo
Um valor justo de R$80 e R$8 como
despesas de venda (10% do valor justo)
Contabilização de Culturas Temporárias
3
Mudança de classificação (colheita) e
considerando valor justo de R$80 e R$8 como
despesas de venda (10% do valor justo)
D: PA – Soja R$63,00
C: CTF – Soja R$63,00
D: PA – Soja R$9,00
C: Variação do valor justo (Resultado)
R$9,00
Contabilização de Culturas Temporárias
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa e equivalentes R$80,00
C: Venda de Soja R$80,00
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido – Soja R$72,00
C: PA – Soja R$72,00
Despesas de venda
D: Despesas com venda de Soja R$8,00
C: Fretes a pagar R$8,00
Contabilização de Culturas Temporárias
Custos de formação da Laranjeira de R$
1.000, com vida útil de 10 anos, pagos à vista
D: CPF – Laranjeira R$1.000,00
C: Caixa e equivalentes R$1.000,00
D: CP – Laranjeira R$1.000,00
C: CPF – LaranjeiraR$1.000,00
Contabilização de Culturas Permanentes
Tratos culturais de R$ 700,00, pago à vista
D: CA – Laranja R$700,00
C: Caixa e equivalentes R$700,00
Considerar VJ de R$1.000,00 e DV de 5%
D: CA – Laranja R$250,00
C: Variação do valor justo (Resultado)
R$250,00
Contabilização de Culturas Permanentes
No momento da colheita novamente é
necessário mensurar o valor justo
Um valor justo de R$980 e R$49 de
despesas de venda
Contabilização de Culturas Permanentes
Mudança de classificação (colheita) e
considerando valor justo de R$980
com R$49 de despesas de venda
D: PA – Laranja R$950,00
C: CA – Laranja R$950,00
D: PA – Laranja R$19,00
C: Variação do valor justo (Resultado)
R$19,00
Contabilização de Culturas Permanentes
4
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa e equivalentes R$980,00
C: Venda de Soja R$980,00
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido – Soja R$49,00
C: PA – Soja R$49,00
Despesas de venda
D: Despesas com venda de Soja R$931,00
C: Fretes a pagar R$931,00
Contabilização de Culturas Permanentes
Entendendo depreciação,
exaustão e amortização dos
ativos biológicos
Pela formação do reprodutor
D: Matriz (ANC) R$7.000,00
C: Caixa/insumos/mão de obra (AC)
R$7.000,00
Depreciação de animais de produção
Depreciação pela criação de animais
D: Bezerros (AC) R$1.000,00
C: Depreciação Matriz (ANC) R$1.000,00
Depreciação pela produção de leite:
D: Leite (AC) R$1.000,00
C: Depreciação Matriz (ANC) R$1.000,00
Depreciação de animais de produção
Gastos para formar a cultura permanente
D: CPF - Café (ANC) R$20.000,00
C: Caixa/Salários/Mudas/Insumos
R$20.000,00
Colheita em andamento
D: CA – Café R$2.000,00
C: (-) Depreciação acumulada R$2.000,00
Depreciação de Cultura Permanente
Durante o ano um implemento foi utilizado
50% do tempo na cultura do milho, 30% na
cultura da soja e 20% na cultura do feijão
D: Cultura do Milho (AC) R$1.000,00
D: Cultura do Soja (AC) R$600,00
D: Cultura do Feijão (AC) R$400,00
C: Depreciação Implemento (ANC)
R$2.000,00
Depreciação de implementos e tratores
5
Supor um trator no valor de R$ 100.000,00 e
uma vida útil de 8.000 horas
D: Cultura do Milho (AC) R$750,00
D: Cultura do Soja (AC) R$375,00
D: Cultura do Feijão (AC) R$125,00
C: Depreciação Trator (ANC) R$1.250,00
Depreciação de implementos e tratores
Exaustão
D: CA - Árvores (AC) R$ 1.200,00
C: (-) Exaustão Acumulada (ANC)
R$1.200,00
Amortização
D: CTF – Trigo (AC) R$2.000,00
C: (-) Amortização Acumulada (ANC)
R$2.000,00
Exaustão e Amortização
Plano de contas para itens de
empresas agrícolas
113 ESTOQUES
1131 Insumos
113101 Sementes
113102 Adubos
113103 Fertilizantes
113104 Inseticidas
113105 Embalagens
113106 Mudas
113107 Rações e concentrados
1131038 Suplementos Minerais
113109 Medicamentos Veterinários
1132 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação (Culturas Temporárias)
113201 Milho – CTF
113202 Soja - CTF
113203 Fedo - CTF
113204 Trigo - CTF
1133 Colheitas em Andamento (Culturas Permanentes)
113301 Laranja - CA
113302 Maça - CA
1134 Produtos Agrícolas
113401 Milho - PA
113402 Soja - PA
113403 Feijão - PA
113404 Laranja - PA
113405 Maça - PA
113406 Trigo - PA
1135 Almoxarifado
113503 Pneus e Câmaras
113504 Material de construção
113505 Material de Consumo
1136 Rebanho Bovino
113601 Bezerros (as)
113602 Novilhos (as)
113603 Gado de Engorda
113604 Touros Descartados
113605 Matrizes Descartadas Fonte: Adaptado de Marion (2014).
132 IMOBILIZADO
1321 Terras
322 Pastagens Formadas
1323 Benfeitorias
1324 Máquinas e Equipamentos
1325 Móveis e Utensílios
1326 Implementos Agrícolas
132601 Grades
132602 Arados
132603 Semeadoras
1327 Veículos
132701 Caminhões
132702 Tratores
132703 Colheitadeiras
132704 Automóveis
1328 Ativos Biológicos - Cultura Permanente Formada
132801 Laranja - CP
132802 Maçã - CP
1329 Rebanho Permanente
132901 Reprodutores
132902 Matrizes
132903 Animais de Trabalho
13210 (-) Depreciação Acumulada
13211 (-) Exaustão Acumulada
13212 Ativos Biológicos - Cultura Permanente em Formação
132121 Laranja - CPF
132122 Maçã - CPF
13213 Pastagens em Formação Fonte: Adaptado de Marion (2014).
Operacionalizando o plano de
contas com apuração de custo
do inventário
6
Permanente
controle de estoque que represente a quantidade
existente a qualquer momento que for verificado
Periódico
é apurado ao final de cada período, não podendo
fornecer informações em tempo real
Estoques iniciais + Compras do Exercício + Mão de
obra + Outros custos agrícolas - Estoques Finais
Tipos de Inventário
Na Prática
1. Com relação ao inventário de estoque, pode-se dizer que
a. a. O melhor método da atividade agrícola é o
inventário permanente
b. b. Adotando o inventário periódico, torna-se difícil
avaliar uma cultura em formação ou uma safra em
formação
c. c. No inventário periódico, torna-se fácil avaliar uma
cultura em formação ou uma safra em formação
R: As alternativas a e b estão corretas
Gabarito
2. Cultura temporária em formação
(Ativos Biológicos) é classificada como
a. Ativo - Circulante - Estoque
b. Ativo – Não Circulante - Investimento
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado
d. Ativo – Não Circulante - Intangível
Gabarito
3. Cultura permanente formada
(Ativos Biológicos) é classificada como
a. Ativo - Circulante - Estoque
b. Ativo – Não Circulante - Investimento
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado
d. Ativo – Não Circulante - Intangível
Gabarito
Finalizando
7
1. Ativos Biológicos: reconhecimento e mensuração
2. Ativos Biológicos: contabilização de culturas
temporárias e permanentes
3. Entendendo depreciação, exaustão e amortização
dos ativos biológicos
4. Plano de contas para itens de empresas agrícolas
5. Operacionalizando o plano de contas com apuração
de custo do inventário
Temas estudados nesta aula
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade
agrícola, contabilidade da pecuária. 14º Ed. São
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC29: Ativo
Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [sn],
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC46: Mensuração
do Valor Justo. Brasília: [sn], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 3
Conversa Inicial
Conceitos básicos da Contabilidade Pecuária
Classificação do gado na Contabilidade
Pecuária e no plano de contas
Método de custo x Método a valor de mercado
(valor justo)
Técnica para utilização do custo histórico na
pecuária
Custos na pecuária
Temas desta aula
Conceitos básicos da
Contabilidade Pecuária
Os animais podem ter funções diferentes nas
propriedades rurais. Em decorrência de sua
função, a maneira de contabilizá-lo poderá
ser diferenciada
(I) Cria
(II) Recria
(III) Engorda
Fonte: MARION, 2014
Conceitos
Classificação do gado na
Contabilidade Pecuária
e no plano de contas
2
Classificação do Gado na Contabilidade Pecuária
– Circulante e não circulante
Contabilização de Culturas Temporárias
Quadro 2: Demonstração de Resultado
4 Receita Bruta
41 Receita do gado bovino
411 Venda do gado bovino
412 Variação Patrimonial Líquida
42 Outras Receitas
421 Leite
5 Custo/Despesa/Deduções
51 Custo do gado vendido (método de custo)
52 Custo do rebanho no período (método de valor de mercado)
53 Despesas operacionais e outros itens
Fonte: Adaptado de Marion, 2014
Quadro 1: Balanço Patrimonial Pecuário – Ativo
1 ATIVO
11 Ativo Circulante
111 Disponível
112 Clientes e Títulos
113 Ativos Biológicos
1131 Bezerros(as) de 0 a 8 meses
1132 Novilhos(as) de 9 a 18 meses
1133 Novilhos de 19 a 36 meses
1134 Novilhos acima de 37 meses
1135 Novilhas acima de 19 meses (em experimentação)
1136 Garrotes (tourinhos) acima de 25 meses (em experimentação)
12 Ativo Não Circulante
121 Realizável a Longo Prazo
122 Investimentos
123 Imobilizado
1231 Ativos Biológicos – Rebanhos
12311 Reprodutores
12312 Matrizes
1232Ativos Biológicos – Animais de Trabalho
12321 Cavalos e éguas
12322 Burros e mulas
12323 Jumentos, bois etc.
1233 Ativos Biológicos – Animais e aves de cria
12331 Ovinos
12332 Caprinos
12333 Equinos
12334 Suínos
Fo
n
te: A
d
ap
tad
o
d
e M
ario
n
, 2
0
1
4
Método de custo x Método a
valor de mercado (valor justo)
Quadro 3: Método de custo
Fonte: ZANIN, 2019
Método de custo
Quadro 4: Método de custo – Nascimento de
bezerro
Fonte: Zanin, 2019
Método que considera o preço de mercado
para mensurar o valor do estoque e que, na
maioria dos casos, é maior do que o custo.
Tal procedimento irá ocasionar um ganho
econômico, que será reconhecido na
contabilidade, pois, com o crescimento do
rebanho, automaticamente eleva seu valor
(MARION, 2014)
Método a valor de mercado
3
Estoque no início de X1 é de dez cabeças de
gado a R$ 900,00 cada, totalizando
R$ 9.000,00
Durante o ano, foi consumido o valor de
R$ 10.600,00 para manter o rebanho
Ao final de X1, o valor de mercado de cada
cabeça de gado era de R$ 2.100,00,
totalizando R$ 21.000,00
No período, nenhum animal foi vendido
Quadro 5: Comparação de métodos
Método de custo Método a valor de mercado
Balanço Patrimonial DRE Balanço Patrimonial DRE
Ativo Circulante
Ativos biológicos
R$ 9.000,00
Custo acum.
R$ 10.600,00
R$ 19.600,00
Nada se
registra, pois
não houve
venda do
gado,
portanto não
se apura o
resultado
Ativo Circulante
Ativos biológicos
R$ 9.000,00
Valorização
R$ 12.000,00
R$ 21.000,00
Variações Patrimoniais
Líquidas
R$ 12.000,00
Custo prod.
(R$ 10.600,00)
Luc. econômico
R$ 1.400,00
O crescimento biológico e o ganho de
peso não são reconhecidos como
ganho econômico
Reconhece o ganho econômico mostrando aos
usuários que valeu a pena manter o rebanho
no ano, já que trouxe lucro econômico para a
empresa
Fonte: MARION, 2014, p. 107
Técnica para utilização do custo
histórico na pecuária
Custo histórico na pecuária
Custos na pecuária
Custo histórico ou valor de mercado?
Mesclar o custo histórico com o valor de
mercado, corrigindo o valor do estoque,
apenas com fins gerenciais e não fiscais
O valor dos animais será considerado o custo
histórico acrescido de uma taxa de mercado
(UFIR, IGPM, INPC), visando aproximar-se do
valor de mercado, porém dificilmente será o
mesmo
4
Na Prática
Exercício 1
Classificação Cabeças Valor
Bezerros de 0 a 1 ano 600 R$ 210.000,00
Novilhos(as) de 1 a 2 anos 1.000 R$ 400.000,00
Novilhos(as) de 2 a 3 anos 2.400 R$ 1.488.000,00
Animais em estoque 4.000 R$ 2.098.000,00
Matrizes 2.000 R$ 800.000,00
Touros 500 R$ 300.000,00
Animais em imobilizado 2.500 R$ 1.100.000,00
Total do rebanho 6.500 R$ 3.198.000,00
Fonte: Elaborada pelo autor
No mês de janeiro de X2 ocorreram 500
nascimentos, ou seja, mais 500 bezerros de
0 a 1 ano. O custo de manutenção do rebanho
foi de R$ 118.350,00. Pergunta-se:
a) Qual é o valor de custo da formação do
rebanho por cabeça no mês de janeiro de
X2?
118.350 = 26,30 por cabeça
4.500
b) Qual valor de custo da formação do
rebanho será alocado a cada classificação de
animais?
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano 1.100 x 26,30 R$ 28.930,00
Novilhos(as) de 1 a 2 anos 1.000 x 26,30 R$ 26.300,00
Novilhos(as) de 2 a 3 anos 2.400 x 26,30 R$ 63.120,00
Fonte: Elaborada pelo autor
c) Qual é o saldo do estoque de cada
classificação de animais ao final de janeiro de
X2, considerando o custo histórico?
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano
R$ 210.000,00 + R$
28.930,00
R$
238.930,00
Novilhos(as) de 1 a 2
anos
R$ 400.000,00 + R$
26.300,00
R$
426.300,00
Novilhos(as) de 2 a 3
anos
R$ 1.488.000,00 + R$
63.120,00
R$
1.551.120,00
Fonte: Elaborada pelo autor
Finalizando
5
Conceitos básicos da Contabilidade Pecuária
Classificação do gado na Contabilidade
Pecuária e no plano de contas
Método de custo x Método a valor de mercado
(valor justo)
Técnica para utilização do custo histórico na
pecuária
Custos na pecuária
Temas estudados nessa aula
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade
agrícola, contabilidade da pecuária. 14. ed. São
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo
Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [s.n.],
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 4
Conversa Inicial
Reconhecimento da receita na pecuária
Nascimento de bezerros e avaliação de
mudança de categoria
Avaliação no encerramento do Balanço
Confrontação da despesa
Contabilização de Ativos Biológicos conforme
CPC 29
Temas desta aula
Reconhecimento da
receita na pecuária
Geralmente se estipula que o momento de
se reconhecer a receita é quando ocorre a
transferência do serviço ou bem negociado,
sendo assumido como o momento da venda.
Entretanto, podem ocorrer circunstâncias que
será necessário reconhecer a receita antes da
ocorrência de venda (MARION, 2014)
Conceitos
Ciclo de estoque longo
Crescimento natural
Representação fidedigna
Valores de mercado da produção
2
Nascimento de bezerros e
avaliação de mudança de
categoria
Divisão de categorias dos animais
Meios de melhorar o procedimento:
organizar os nascimentos e buscar mudança
de categoria de maneira controlada
Anual ou semestral?
Contabilização de culturas temporárias
Quadro 1: Categorias do rebanho
Avaliação Semestral Anual
0-6 meses Bezerros de 0 a 6 meses Bezerros de 0 a 12 meses
7-12 meses Bezerros de 7 a 12 meses Bezerros de 0 a 12 meses
13-18 meses Novilhos de 13 a 18 meses Novilhos de 13 a 24 meses
19-24 meses Novilhos de 19 a 24 meses Novilhos de 13 a 24 meses
25-30 meses Novilhos de 25 a 30 meses Novilhos de 25 a 36 meses
31-36 meses Novilhos de 31 a 36 meses Novilhos de 25 a 36 meses
37-42 meses Boi gordo de 37 a 42 meses Boi gordo de 37 a 48 meses
Fonte: ZANIN, 2019
Avaliação no encerramento do
Balanço
Quadro 2: Mapa do rebanho
Mês Nascimentos 1ª avaliação
Janeiro 40 Janeiro
Fevereiro 0 Fevereiro
Março 30 Março
Abril 20 Abril
Maio 0 Maio
Junho 40 Junho
Julho 25 Julho
Agosto 15 Agosto
Setembro 30 Setembro
Outubro 0 Outubro
Novembro 0 Novembro
Dezembro 20 Dezembro
Fonte: ZANIN, 2019
Confrontação da despesa
3
Ao realizar o reconhecimento de uma receita
é necessário reconhecer também a despesa
correspondente
Quando ocorrer a venda poderão ocorrer
despesas em consequência, as quais apenas
terão seus valores exatos conhecidos no
momento da venda
Contabilização de Ativos
Biológicos conforme CPC 29
Ano X1, desconsiderados animais do
Imobilizado
(a) Nascimento de 100 bezerros com valor de
mercado de R$ 90,00 cada, totalizando
R$ 9.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 9.000,00
Exemplo de contabilização – pecuária
(b) No período, ocorreram Despesas e Custos
no valor de R$ 6.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período – R$ 6.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 6.000,00
(c) Será considerado o percentual de 3% do
valor de mercado como provisão de Despesas
de Distribuição
D: Despesa c/Distribuição – R$ 270,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 270,00
Apuração X1
Receita econômica R$ 9.000,00
Custos/Despesas: R$ 6.270,00
Resultado: R$ 2.730,00
4
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 270,00
Ano X2
(a) Nascimento de 150 bezerros com valor
de mercado de R$ 120,00 cada, totalizando
R$ 18.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 18.000,00
(b) Os bezerros nascidos em X1 mudam
dessa categoria para a de novilhos de
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 9.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses foram
reavaliados em R$ 14.000,00, ou seja,
R$ 140,00 por novilhoD: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 5.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 5.000,00
(d) No período, ocorreram Despesas e Custos
no valor de R$ 15.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período
– R$ 15.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 15.000,00
(e) Será considerado o percentual de 3% do
valor de mercado como provisão de Despesas
de Distribuição. Esse percentual será aplicado
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 690,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 690,00
5
Apuração X2
Receita econômica: R$ 23.000,00
Custos/Despesas: R$ 15.690,00
Resultado: R$ 7.310,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 14.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 960,00
Ano X3
(a) Nascimento de 120 bezerros com valor
de mercado de R$ 130,00 cada, totalizando
R$ 15.600,00
D: Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 15.600,00
(b) Os bezerros nascidos em X2 mudam
dessa categoria para a de novilhos de
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 18.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses nascidos
em X1 mudam dessa categoria para a de
novilhos de 25 a 36 meses
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 14.000,00
C: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 14.000,00
(d) Os novilhos de 13 a 24 meses foram
reavaliados em R$ 30.000,00, ou seja,
R$ 200,00 por novilho
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 12.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 12.000,00
6
(e) Os novilhos de 25 a 36 meses foram
reavaliados em R$ 27.000,00, ou seja,
R$ 270,00 por novilho
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 13.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 13.000,00
(f) No período, ocorreram Despesas e Custos
no valor de R$ 25.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período
– R$ 25.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 25.000,00
(g) Será considerado o percentual de 3% do
valor de mercado como provisão de Despesas
de Distribuição. Esse percentual será aplicado
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 1.218,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 1.218,00
Apuração X3
Receita econômica R$ 30.600,00
Custos/Despesas: R$ 26.218,00
Resultado: R$ 4.382,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 30.000,00
Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 27.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 2.178,00
Ano X4
(a) Nascimento de 100 bezerros com valor de
mercado de R$ 140,00 cada, totalizando
R$ 14.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 14.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 14.000,00
7
(b) Os bezerros nascidos em X3 mudam
dessa categoria para a de novilhos de
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 15.600,00
C: Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses nascidos
em X1 mudam dessa categoria para a de
novilhos de 25 a 36 meses
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 30.000,00
C: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 30.000,00
(d) Os novilhos de 25 a 36 meses nascidos
em X1 mudam dessa categoria para a de bois
gordos
D: Bois gordos (AC) – R$ 27.000,00
C: Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 27.000,00
(e) Os novilhos de 13 a 24 meses foram
reavaliados em R$ 26.400,00, ou seja,
R$ 220,00 por novilho
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 10.800,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 10.800,00
(f) Os novilhos de 25 a 36 meses foram
reavaliados em R$ 45.000,00, ou seja,
R$ 300,00 por novilho
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 15.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 15.000,00
(g) Os bois gordos foram reavaliados a
R$ 50.000,00, ou seja, R$ 500,00 cada um
D: Bois gordos (AC) – R$ 23.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita)
– R$ 23.000,00
8
(h) No período, ocorreram Despesas e Custos
no valor de R$ 40.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período
– R$ 40.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 40.000,00
(i) Será considerado o percentual de 3% do
valor de mercado como provisão de Despesas
de Distribuição. Esse percentual será aplicado
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 1.884,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 1.884,00
Apuração X4
Receita econômica R$ 62.800,00
Custos/Despesas: R$ 41.884,00
Resultado: R$ 20.916,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 14.000,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC)
– R$ 26.400,00
Novilhos de 25 a 36 meses (AC)
– R$ 45.000,00
Bois gordos (AC) – R$ 50.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição
– R$ 4.062,00
Na Prática
1. Admita-se que um bezerro tenha nascido
em X1 e que sua avaliação seja de R$ 300,00.
No seu crescimento foram observados os
seguintes estágios de avaliação:
X2 – Novilho de 9 a 18 meses: R$ 450,00
X3 – Novilho de 19 a 24 meses: R$ 800,00
X4 – Venda a prazo: R$ 1.100,00
9
X1 – Nascimento
D: Bezerros (AC) – R$ 300,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 300,00
X2 – Mudança de categoria e reavaliação a
valor justo
D: Novilhos de 9 a 18 meses (AC)
– R$ 300,00
C: Bezerros (AC) – R$ 300,00
D: Novilhos de 9 a 18 meses (AC)
– R$ 150,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 150,00
X3 – Mudança de categoria e reavaliação a
valor justo
D: Novilhos de 19 a 24 meses (AC)
– R$ 450,00
C: Novilhos de 9 a 18 meses (AC)
– R$ 450,00
D: Novilhos de 19 a 24 meses (AC)
– R$ 250,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 250,00
X4 – Ocorrência da venda
D: Duplicatas a receber (AC) – R$ 1.100,00
C: Receita com venda (DRE) – R$ 1.100,00
D: CPV (DRE) – R$ 800,00
C: Novilhos de 9 a 18 meses (AC)
– R$ 800,00
Finalizando
Reconhecimento da receita na pecuária
Nascimento de bezerros e avaliação de
mudança de categoria
Avaliação no encerramento do Balanço
Confrontação da despesa
Contabilização de Ativos Biológicos
conforme CPC 29
Temas estudados nessa aula
10
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade
agrícola, contabilidade da pecuária. 14. ed. São
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo
Biológico e Produtos Agrícolas. Brasília: [s.n.],
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 5
Conversa Inicial
Cálculo do custo do bezerro: custo médio do
rebanho e reprodutores
Calculando o Imposto de Renda na
agropecuária, para microempresas e
empresas de pequeno porte
(...)
Temas desta aula
(...)
Pessoa Jurídica (PJ): incentivos fiscais e
resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que explora
atividade rural
Pessoa Física (PF): considerações quanto à
tributação
Cálculo do custo do bezerro:
custo médio do rebanho e
reprodutores
Motivos para que se execute o procedimento
de cálculo do custo dos bezerros
a) Para saber se é viável ter gado
reprodutor na fazenda ou se seria mais
interessante adquirir de terceiros os
bezerros para a recria e engorda
(...)
Custo médio
2
(...)
b) Para avaliar de modo adequado o Ativo
da empresa, já que os bezerros têm um
custo real
c) Para avaliar de modo adequado o
restante do rebanho destinado a corte
(MARION, 2014)
Imagine uma fazenda que atua com pecuária
possuindo 50 matrizes, com valor unitário de
R$ 1.200,00, e três reprodutores no valor
unitário de R$ 3.000,00
No primeiro ano ocorreram 40 nascimentos
de 25 bezerros e 15 bezerras
Foram consumidos R$ 10.000,00 em custos
de formação e manutenção do rebanho
Custo médio do rebanho
a) Soma-se o custo do rebanho e divide-se
o resultado pelo total de cabeças do
rebanho em formação
b) O número de cabeças do rebanho não
inclui, para efeito de rateio de custo, o gado
reprodutor em plena reprodução, pois eles
não recebem custos (...)
(...) Todavia, o custo da manutenção desse
rebanhojá formado será incluído no custo do
rebanho e distribuído para o rebanho em
formação (MARION, 2014)
Nascimento de 150 bezerros
Custo de manutenção do
rebanho = R$ 100.800,00
𝟏𝟎𝟎. 𝟖𝟎𝟎
𝟖𝟒𝟎
𝟏𝟐𝟎 𝐩𝐨𝐫 𝐜𝐚𝐛𝐞ç𝐚
𝟏𝟐𝟎 𝐱 𝟐𝟗𝟎 𝟑𝟒. 𝟖𝟎𝟎
𝟑𝟒. 𝟖𝟎𝟎
𝟏𝟓𝟎
𝟐𝟑𝟐 𝐩𝐨𝐫 𝐜𝐚𝐛𝐞ç𝐚
Custo médio dos reprodutores
Classificação Quantidade
Bezerros 80
Bezerras 50
Novilhos 200
Novilhas 220
Reprodutores 40
Matrizes 250
Total 840
Calculando o Imposto de Renda na
agropecuária, para microempresas
e empresas de pequeno porte
3
Simples Nacional
Microempresa ≤ R$ 360.000,00
Empresa de pequeno porte ≤ R$ 4.800.000,00
Tributação Quadro 2: Anexo I do Simples Nacional
Faixa Alíquota
Valor a
deduzir
(em R$)
Receita Bruta
em doze meses
(em R$)
1ª faixa 4,00% - Até 180.000,00
2ª faixa 7,30% 5.940,00
De 180.000,01 até
360.000,00
3ª faixa 9,50% 13.860,00
De 360.000,01 até
720.000,00
4ª faixa 10,70% 22.500,00
De 720.000,01 até
1.800.000,00
5ª faixa 14,30% 87.300,00
De 1.800.000,01 até
3.600.000,00
6ª faixa 19,00% 378.000,00
De 3.600.000,01 até
4.800.000,00
Faturamento (12 meses)
= 400.000,00
Fat. do mês = 25.000,00
𝟒𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎 𝐱 𝟗, 𝟓% 𝟑𝟖. 𝟎𝟎𝟎, 𝟎𝟎
𝟑𝟖. 𝟎𝟎𝟎 𝟏𝟑. 𝟖𝟔𝟎 𝟐𝟒. 𝟏𝟒𝟎, 𝟎𝟎
𝟐𝟒. 𝟏𝟒𝟎
𝟒𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎
𝟎, 𝟎𝟔𝟎𝟑𝟓 𝐨𝐮 𝟔, 𝟎𝟑𝟓%
𝟐𝟓. 𝟎𝟎𝟎, 𝟎𝟎 𝐱 𝟔, 𝟎𝟑𝟓%
𝟏. 𝟓𝟎𝟖, 𝟕𝟓
Fonte: Receita Federal, 2019
Pessoa Jurídica: incentivos
fiscais e resultado operacional
Uma entidade rural realizou apuração e
pagamento por estimativa mensal de
R$ 250.000,00 no ano de X1. No entanto, em X2,
ao realizar a apuração do valor devido, chegou a
R$ 230.000,00
Pela apuração mensal:
D: IRPJ mensal por estimativa a compensar
= R$ 250.000,00
C: Caixa/Banco = R$ 250.000,00
Tributação
Pela apuração do resultado e valor devido de
IRPJ:
D: Resultado do Exercício = R$ 230.000,00
C: IRPJ a pagar = R$ 230.000,00
Pela compensação dos valores pagos e
devidos de IRPJ:
D: IRPJ a pagar = R$ 230.000,00
C: IRPJ mensal por estimativa a compensar
= R$ 230.000,00
4
Incentivos fiscais
Bens do ativo imobilizado que são
destinados à produção poderão ser
depreciados integralmente no ano em que
foram adquiridos
Apuração do IR
Resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que
explora atividade rural
Nem sempre o resultado contábil será a base
para os tributos sobre o lucro, pois poderão
haver adições e exclusões na base de cálculo
Tributação Descrição Atividade
industrial
Atividade rural
Receitas das atividades R$ 300.000,00 R$ 200.000,00
Custos e Despesas (R$ 100.000,00) (R$ 70.000,00)
Custos e Despesas comuns (R$ 24.000,00) (R$ 16.000,00)
Lucro Líquido R$ 176.000,00 R$ 114.000,00
Descrição Atividade
industrial
Atividade rural
Lucro Líquido R$ 176.000,00 R$ 114.000,00
Adição/Exclusão R$ 20.000,00 (R$ 15.000,00)
Base de Cálculo do IR R$ 196.000,00 R$ 99.000,00
Pessoa Física: considerações
quanto à tributação
Tributação para Pessoa Física
Todos os valores de receitas e gastos da
produção devem ter sua devida comprovação
documental
Depreciação acelerada
A base de cálculo do Imposto de Renda da
pessoa física será o resultado da atividade
Tributação simplificada
5
Tributação
Receita Bruta R$ 2.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.700.000,00
Resultado inicial R$ 300.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 30.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 270.000,00
Resultado tributável R$ 270.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 400.000,00
Base de cálculo (R$) Alíquota Parcela a deduzir (R$)
Até 22.847,76 - -
De 22.847,76 até 33.919,80 7,5% 1.713,58
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.257,57
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 7.633,51
Acima de 55.976,17 27,5% 10.432,32
(270.000,00 – 10.432,32) x 27,5% = 71.381,11
(400.000,00 – 10.432,32) x 27,5% = 107.131,11
Na Prática Em 2018, a Fazenda Feliz, pertencente ao
senhor Pedro, desenvolvendo sua atividade
como pessoa física, realizou cultivos
agrícolas e atividades pecuárias (...)
Questão 1
(...) Das atividades desempenhadas foi
alcançada uma receita no valor de
R$ 2.500.000,00, tendo como custos e
despesas do período o valor de
R$ 1.400.000,00
Em 2017, a Fazenda Feliz teve um prejuízo no
valor de R$ 200.000,00. Com base nas
informações:
Qual será o resultado tributável,
considerando apenas Receitas e Despesas?
Qual será o resultado tributável se o senhor
Pedro optar pelo arbitramento da Receita
Bruta por meio da Tributação Simplificada?
6
Questão 1 – Gabarito
Receita Bruta R$ 2.500.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.400.000,00
Resultado inicial R$ 1.100.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 200.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 900.000,00
Resultado tributável R$ 900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 500.000,00
A empresa agropecuária Fazenda Alegre
Ltda., no período de X4, obteve uma receita
no valor de R$ 10.000.000,00. Nesse período,
teve custos produtivos no valor de
R$ 7.000.000,00, assim como despesas no
valor de R$ 600.000,00 (...)
Questão 5
Possui, também, um prejuízo a compensar no
valor de R$ 700.000,00. Considerando os
dados da Fazenda Alegre Ltda., assinale a
alternativa que representa a base de cálculo
do IRPJ caso a empresa fosse do Lucro Real e
do Lucro Presumido, respectivamente
a) R$ 2.400.000,00; R$ 800.000,00
b) R$ 1.700.000,00; R$ 100.000,00
c) R$ 3.000.000,00; R$ 200.000,00
d) R$ 1.700.000,00; R$ 800.000,00
e) R$ 2.400.000,00; R$ 100.000,00
Questão 5
Questão 5 – Gabarito
Descrição Atividade rural
Receitas das atividades R$ 10.000.000,00
Custos (R$ 7.000.000,00)
Despesas operacionais (R$ 600.000,00)
Lucro Líquido R$ 2.400.000,00
Adição/Exclusão (R$ 700.000,00)*
Base de cálculo IR R$ 1.700.000,00
Receitas das atividades R$ 10.000.000,00
Presunção (8%) R$ 800.000,00
Finalizando
7
Cálculo do custo do bezerro: custo médio do
rebanho e reprodutores
Calculando o Imposto de Renda na
agropecuária, para microempresas e
empresas de pequeno porte
(...)
Temas estudados nessa aula
(...)
Pessoa Jurídica (PJ): incentivos fiscais e
resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que explora
atividade rural
Pessoa Física (PF): considerações quanto à
tributação
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola,
contabilidade da pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos
Contábeis. CPC 29 – Ativo Biológico e Produtos Agrícolas.
Brasília: [s.n.], 2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos
Contábeis. CPC 46 – Mensuração do Valor Justo. Brasília:
[s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 6
Conversa Inicial
Avaliação de estoques e despesas/custos
com atividade agrícola
Regime de competência x Regime de caixa
Demonstração dos Fluxos de Caixa na
contabilidade agropecuária
(...)
Temas desta aula
(...)
Estrutura e análise da DFC em atividades do
agronegócio
Práticas de divulgação dos Ativos Biológicos
segundo o CPC 29
Avaliação de estoques e
despesas/custos com
atividade agrícola
Decreto-Lei nº 1.598/1977 e CPC 29: os
estoques deverão ser avaliados de acordo
com os preços correntes/valor justo dos
produtos rurais
Verificar periodicamente o inventário
(...)
Avaliação
2
(...)
Quando existe controle por parte da entidade
rural, pode ser registrado pelos respectivos
custos de produção
Segregar as culturas agrícolas
Superveniências ativas e insubsistências
ativas
Regime de competência x
Regime de caixa
Regime de competência preza o registro
contábil dos fatos contábeis quando
efetivamente ocorrem
Regime de caixa leva em consideração a
movimentação do caixa, ou seja, o momento
do pagamento ou recebimento em caixa do
fato contábil
Depreciação?
Aquisição de insumos?
Confiabilidade
Regime de competência ou regime caixa?
Demonstração dos Fluxos de
Caixa na contabilidade
agropecuária
Auxiliar na geração de informações
referentes ao Fluxo de Caixa da entidadeObrigatória (2008)
É possível compreender quanto a entidade
está gerando e consumindo de seu caixa
Capacidade de honrar seus compromissos no
curto e longo prazo
Demonstração dos Fluxos de Caixa
3
Estrutura e análise da DFC em
atividades do agronegócio
Atividades operacionais
Atividades de investimento
Atividades de financiamento
Método direto e indireto
Estrutura e análise da DFC
DFC – Modelo direto – Empresa rural modelo
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades
Operacionais
Recebimento de receitas da produção R$ 536.250,00
Pagamento de compra de insumos –R$ 31.864,80
Pagamento de despesas operacionais –R$ 268.950,00
Juros pagos –R$ 82.500,00
Contribuições e impostos –R$ 28.050,00
Retiradas para manutenção da família –R$ 46.200,00
Caixa líquido da atividade operacional R$ 78.685,20
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 19.800,00
Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.550,00
Pagamento de compra de gado reprodutor –R$ 3.300,00
Pagamento de compra de Insiladeira –R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade de Investimento –R$ 18.150,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Amortização de Financiamento –R$ 39.600,00
Pagamento de Empréstimo –R$ 75.900,00
Novos Empréstimos R$ 21.450,00
Novos Financiamentos R$ 34.650,00
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento –R$ 59.400,00
Acréscimo de caixa no período R$ 1.135,20
Caixa Inicial de 20X2 R$ 20.000,00
Caixa Final de 20X2 R$ 21.135,20
Lucro Líquido do Período (DRE) R$ 85.285,20
Ajustes:
Acréscimo no estoque R$ 18.150,00
Decréscimo de duplicatas a receber –R$ 1.650,00
Ganhos/perdas de capital R$ 14.850,00
Total de ajustes a subtrair da Receita – R$ 31.350,00
Itens referentes à Despesa
Depreciação R$ 70.950,00
Total e ajustes a adicionar na Receita R$ 70.950,00
Retiradas da família para sua manutenção –R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20
Práticas de divulgação dos
Ativos Biológicos segundo
o CPC 29
4
Ativos Biológicos consumíveis são aqueles
passíveis de serem colhidos como produto
agrícola ou vendidos como Ativos Biológicos
Ativos Biológicos para produção são os
demais tipos, como: rebanhos de animais
para produção de leite; árvores frutíferas,
das quais é colhido o fruto
(...)
Divulgação
(...)
Ativos Biológicos maduros ou imaturos:
maduros são aqueles que alcançaram a
condição para serem colhidos (Ativos
Biológicos consumíveis) ou estão aptos para
sustentar colheitas regulares (Ativos
Biológicos de produção)
Avaliados a valor justo
O CPC 29 sugere que as entidades, no
momento da preparação das informações a
serem divulgadas, devem segregar os
Ativos Biológicos em consumíveis e de
produção, ou separar os maduros dos
imaturos, a forma que lhe for mais cabível
Avaliados a valor justo
(a) Uma descrição dos Ativos Biológicos
(b) Uma explicação da razão pela qual o
valor justo não pode ser mensurado de
forma confiável
(c) Se possível, uma faixa de estimativas na
qual existe alta probabilidade de se
encontrar o valor justo
(...)
(...)
(d) O método de depreciação utilizado
(e) A vida útil ou a taxa de depreciação
utilizada
(f) O total bruto e a depreciação acumulada
(adicionada da perda por irrecuperabilidade
acumulada) no início e no final do período
Na Prática
5
Uma empresa rural contratou você para
elaborar a Demonstração de Fluxo de Caixa
(DFC), visto a falta de confiabilidade das
atuais informações. Na sequência há dados
do Balanço Patrimonial e da Demonstração
de Resultado, para então ser possível
elaborar a DFC
Questão 1 Questão 1
Balanço Patrimonial
Ativo 20X2 (R$) 20X1 (R$) Passivo 20X2 (R$) 20X1 (R$)
Caixa e bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 22.000,00 11.000,00
Clientes 18.000,00 16.000,00 Emp. LP 5.000,00 12.000,00
Estoque 21.000,00 14.000,00
Desp.
antecipadas 1.000,00 2.000,00 Capital 20.000,00 20.000,00
Títulos a receber 5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00
Terrenos 13.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 7.000,00 1.000,00
Total Ativo 60.000,00 50.000,00 Total Passivo 60.000,00 50.000,00
Questão 1
DRE
Vendas Líquidas R$ 130.000,00
CMV –R$ 85.000,00
Lucro Bruto R$ 45.000,00
Desp. administrativas –R$ 25.000,00
Despesas com vendas –R$ 10.000,00
Lucro Líquido R$ 10.000,00
DFC – Modelo direto – Empresa rural
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais
Recebimento de Receitas da produção R$ 128.000,00
Pagamento de compra de insumos (R$ 81.000,00)
Pagamento de despesas operacionais (R$ 34.000,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 13.000,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Compra de terreno (R$ 3.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 3.000,00)
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Pagamento de empréstimo (R$ 4.000,00)
Pagamento de dividendos (R$ 7.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 11.000,00)
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00)
Caixa Inicial de 20X2 R$ 3.000,00
Caixa Final de 20X2 R$ 2.000,00
Questão 1
Vejamos agora uma DFC elaborada pelo método
indireto. Para praticarmos, devemos analisá-la
e extrair
informações
relevantes
aos usuários
Questão 3
DFC – Modelo indireto
Atividades Operacionais
Lucro Líquido R$ 64.747,00
Ajustamento para reconciliar o Lucro Líquido
Caixa líquido gerado pela Atividade Operacional
- Depreciação e amortização R$ 35.359,00
- Ganho da venda de caminhões e máquinas (R$ 11.800,00)
- Perda na venda do rebanho reprodutor R$ 4.000,00
- Decréscimo nas contas a receber R$ 2.400,00
- Decréscimo nas contas a pagar (R$ 1.534,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 93.172,00
Atividades de Investimento
Caixa líquido gerado pela Atividade de Investimento
- Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 9.100,00
- Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.000,00
- Recebimento de receita de venda de caminhão R$ 800,00
- Pagamento de compra de máquinas (R$ 47.500,00)
- Pagamento de plano de aposentadoria (R$ 1.950,00)
- Outros pagamentos (R$ 1.060,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 29.210,00)
Atividades de Financiamento
Caixa líquido gerado pela Atividade de Financiamento
- Pagamento de títulos de curto prazo (R$ 41.000,00)
- Pagamento de títulos de longo prazo (R$ 29.970,00)
- Amortização de Financiamentos (R$ 13.000,00)
Caixa líquido usado em Atividades de Financiamentos (R$ 83.970,00)
Decréscimo Líquido no Caixa (R$ 10.008,00)
Caixa inicial de 20X2 R$ 33.000,00
Caixa final de 20X2 R$ 22.992,00
6
Finalizando
Avaliação de estoques e despesas/custos com
atividade agrícola
Regime de competência x Regime de caixa
Demonstração dos Fluxos de Caixa na
contabilidade agropecuária
Estrutura e análise da DFC em atividades do
agronegócio
Práticas de divulgação dos Ativos Biológicos
segundo o CPC 29
Temas estudados nessa aula
Referências
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo
Biológico e Produtos Agrícolas. Brasília:
[s.n.], 2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.],
2012.
4
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
Aula 1
4
2
Aspectos conceituais da
contabilidade rural – agrícola,
zootécnica e agroindustrial
4
3
(I) Atividade agrícola
(II) Atividade zootécnica
(III) Atividade agroindustrial
ASPECTOS CONCEITUAIS
4
4
CPC 29 - Ativos biológicos: animais e/ou
plantas, vivos
São o objeto de patrimônio da entidade
que atua na atividade rural, os quais,
posteriormente, darão origem a produtos
agrícolas
ATIVOS BIOLÓGICOS
4
5
Ativos biológicos Produto agrícola
Produtos resultantes do
processamento após a
colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para madeira Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupaCana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhida Vinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha
C
P
C
2
9
C
P
C
1
6
Fonte: CPC 29, p. 3, 2009
Quadro 1 – Ativos biológicos e produtos agrícolas
ATIVO BIOLÓGICO vs PRODUTO AGRÍCOLA
4
6
Reconhecimento
Mensuração, níveis de valor justo
Depreciação, exaustão e amortização
ATIVOS BIOLÓGICOS
4
7
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
8
Culturas temporárias: a cada período de
produção, necessitam ser replantadas.
Exemplo: milho, trigo, feijão, arroz, cebola,
alface, dentre outros
Estoque – ativos biológicos
Cultura Temporária em Formação (CTF)
Colheita em Andamento (CA)
Produto Agrícola (PA)
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
9
Culturas permanentes: não necessitam ser
replantadas. Exemplo: cafeicultura,
fruticultura, reflorestamento, entre outros
Imobilizado – ativos biológicos
Cultura Permanentes em Formação (CPF)
Cultura Permanentes Formada (CP)
Colheita em Andamento (CA)
Produto Agrícola (PA)
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
10
ATIVIDADE AGRÍCOLA –
CONTABILIZAÇÃO
4
11
ATIVO 324.800,00 PASSIVO 70.000,00
Circulante 142.800,00 Circulante 70.000,00
Disponível 70.000,00 Fornecedores 70.000,00
Estoques 72.800,00
Feijão – PA 28.000,00
Soja – CA 16.800,00
Adubos 14.000,00
Combustíveis 14.000,00
Não Circulante 182.000,00 Não Circulante -
Imobilizado 182.000,00
Terras 98.000,00
Tratores 70.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 254.800,00
Arados 7.000,00 Capital Subscrito 210.000,00
Semeadoras 7.000,00 Reservas de lucros 44.800,00
4
12
(a) Consumidos R$ 3.000,00 do estoque de
combustível no preparo do solo para o plantio
do milho;
Contabilização
4
13
(b) Pago à vista gasto com aluguel
colheitadeira de R$ 4.000,00 na colheita da
soja;
Contabilização
4
14
(c) Compra a prazo de R$ 35.000,00 de
semente de milho;
Contabilização
4
15
(d) Venda de 50% do estoque de feijão por R$
18.000,00 à vista, o restante será utilizado
como semente para o próximo plantio;
Contabilização
4
16
(e) Pago frete à vista para entrega do feijão ao
comprador R$ 600,00;
Contabilização
4
17
(f) Compra a prazo de R$ 2.500,00 em
inseticidas;
Contabilização
4
18
(g) Consumo de R$ 3.000,00 do estoque de
adubo para a cultura do milho;
Contabilização
4
19
(h) Plantio do milho, utilização de toda a
semente estocada;
Contabilização
4
20
(i) Aplicados R$ 2.200,00 de inseticidas na
cultura do milho;
Contabilização
4
21
(j) Depreciação do trator e maquinários no
período R$ 6.000,00 (60% cultura do milho e
40% Soja);
Contabilização
4
22
(k) Pago salário período R$ 20.000,00 (50%
cultura do milho, 30% soja e 20%
administração);
Contabilização
4
23
(l) Término da colheita da soja;
Contabilização
4
24
(m) Venda de toda safra de soja por R$
25.000,00 a prazo;
Contabilização
4
25
(n) Gastos com energia elétrica e telefone R$
350,00 pago a prazo;
Contabilização
4
26
(o) Pagamentos com fornecedores R$
25.000,00 em dinheiro;
Contabilização
4
27
(p) Início da colheita do milho;
Contabilização
4
28
(q) Consumidos R$ 3.500,00 do estoque de
combustível na colheita do milho;
Contabilização
4
29
(r) Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.400,00
na colheita do milho;
Contabilização
4
30
(s) Término da colheita do milho;
Contabilização
4
31
(t) Venda de todo o estoque de milho por R$
48.000,00 à vista para a própria cerealista.
Contabilização
4
32
Obrigado
4
33
4
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
CONTABILIDADE DE
AGRONEGÓCIOS
Aula 2
4
2
(l) Término da colheita da soja;
Contabilização
4
3
(m) Venda de toda safra de soja por R$
25.000,00 a prazo;
Contabilização
4
4
(n) Gastos com energia elétrica e telefone R$
350,00 pago a prazo;
Contabilização
4
5
(o) Pagamentos com fornecedores R$
25.000,00 em dinheiro;
Contabilização
4
6
(p) Início da colheita do milho;
Contabilização
4
7
(q) Consumidos R$ 3.500,00 do estoque de
combustível na colheita do milho;
Contabilização
4
8
(r) Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.400,00
na colheita do milho;
Contabilização
4
9
(s) Término da colheita do milho;
Contabilização
4
10
(t) Venda de todo o estoque de milho por R$
48.000,00 à vista para a própria cerealista.
Contabilização
4
11
ATIVIDADE PECUÁRIA –
CONTABILIZAÇÃO
4
12
ATIVO 500.000 PASSIVO + PL 500.000
Circulante 500.000 Circulante
Disponível 500.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante PATRIM. LÍQ. 500.000
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos Lucros acumul.
Balanço Patrimonial – Inicial
4
13
(a) Aquisição de 5 touros reprodutores por
R$10.000 cada e 100 matrizes prontas para
reprodução por R$2.000 cada
D: Touros (ANC) – R$ 50.000,00
D: Matriz (ANC) – R$ 200.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 250.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 01
4
14
ATIVO 500.000 PASSIVO + PL 500.000
Circulante 250.000 Circulante
Disponível 250.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 500.000
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul.
Balanço Patrimonial – Ano 01
4
15
(b) Nascimento de 100 bezerros. Seu custo
(com vacinas, mão de obra direta, etc.)
totalizou R$10.000. Entretanto, seu valor de
mercado é de R$160 por cabeça com despesa
de venda estimada em R$10 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 10.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 10.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 02
4
16
(b) Nascimento de 100 bezerros. Seu custo
(com vacinas, mão de obra direta, etc.)
totalizou R$10.000. Entretanto, seu valor de
mercado é de R$160 por cabeça com despesa
de venda estimada em R$10 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 5.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 5.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 02
4
17
ATIVO 505.000 PASSIVO + PL 505.000
Circulante 255.000 Circulante
Disponível 240.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros 15.000
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 505.000
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 5.000
Balanço Patrimonial – Ano 02
4
18
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado
é de R$490 por cabeça com despesa de venda
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 15.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 15.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
19
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado
é de R$490 por cabeça com despesa de venda
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 12.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 12.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
20
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado
é de R$490 por cabeça com despesa de venda
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 18.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 18.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
21
(d) Nascimento de novos 100 bezerros. Seu
custo (com vacinas, mão de obra direta, etc)
totalizou R$16.000. Entretanto, seu valor de
mercado é de R$220 por cabeça com despesa
de venda estimada em R$20 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 16.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 16.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
22
(d) Nascimento de novos 100 bezerros. Seu
custo (com vacinas, mão de obra direta, etc)
totalizou R$16.000. Entretanto, seu valor de
mercado é de R$220 por cabeça com despesa
de venda estimada em R$20por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 4.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 4.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
23
ATIVO 527.000 PASSIVO + PL 527.000
Circulante 277.000 Circulante
Disponível 212.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 45.000 Não Circulante
Bezerros 20.000
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 527.000
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 27.000
Balanço Patrimonial – Ano 03
4
24
(e) Reclassificação dos bezerros nascidos no
ano 03 e 02.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 20.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 20.000,00
D: Novilhos 25-36 (AC) – R$ 45.000,00
C: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 45.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
25
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por
R$49.000 com pagamentos de R$4.000
referente a frete e comissão de vendas.
D: Caixa e equivalentes – R$ 49.000,00
C: Receita de vendas (resultado) – R$
49.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
26
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por
R$49.000 com pagamentos de R$4.000
referente a frete e comissão de vendas.
D: CPV (resultado) – R$ 45.000,00
C: Novilhos 25-36 (AC) – R$ 45.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
27
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por
R$49.000 com pagamentos de R$4.000
referente a frete e comissão de vendas.
D: Despesas de venda (resultado) – R$
4.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 4.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
28
RECEITA BRUTA 49.000
(-) CPV (45.000)
(=) LUCRO BRUTO 4.000
DESP. RECEITAS OPERACIONAIS 23.000
(-)DESPESA DE VENDA (4.000)
(+)VARIAÇÃO VALOR JUSTO 27.000
LUCRO LÍQUIDO 27.000
DRE – Ano 04
4
29
ATIVO 527.000 PASSIVO + PL 527.000
Circulante 277.000 Circulante
Disponível 257.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 20.000 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 527.000
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 27.000
Balanço Patrimonial – Ano 04
4
30
Obrigado