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CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Vamos aprender mais sobre o funcionamento e aplicação da 
contabilidade ao agronegócio, lembrando sempre que que o Brasil possui 
participação significativa nesse ramo econômico. Nesta aula, serão abordados 
alguns aspectos conceituais relativos à contabilidade rural, para melhor situá-los 
nesse ramo contábil. Na sequência, trataremos sobre algumas questões 
relacionadas à maneira de se determinar o exercício social na atividade rural. 
Com base em conhecimentos prévios abordados, chega o momento de tratar a 
ligação entre a contabilidade rural e o CPC 29, que trata dos ativos biológicos, 
parte integrante desse ramo contábil. Encerraremos esta aula tratando da 
aplicação da contabilidade rural com foco na atividade agrícola, a qual se divide 
em culturas temporárias e culturas permanentes. Então, vamos entrar nesse 
mundo da contabilidade aplicada ao agronegócio! 
CONTEXTUALIZANDO 
A contabilidade possui aplicabilidade nas mais diversas atividades 
econômicas, cabendo aos profissionais buscarem o conhecimento necessário 
para essas áreas diferenciadas. Essa diversidade de aplicação da contabilidade 
chega até o agronegócio, atividade que possui algumas particularidades, no 
entanto segue a mesma lógica contábil dos demais ramos contábeis. 
Considerando o cenário brasileiro, que apresenta significativa participação do 
agronegócio nas demais atividades, seja fornecendo matérias-primas, gerando 
empregos, seja gerando de renda, devendo aplicar a contabilidade para que seja 
possível melhorar a forma de gerir os negócios. 
TEMA 1 – ASPECTOS CONCEITUAIS DA CONTABILIDADE RURAL – 
AGRÍCOLA, ZOOTÉCNICA E AGROINDUSTRIAL 
A contabilidade como ciência surgiu com a responsabilidade de gerir o 
patrimônio das entidades, nas quais existem os mais variados ramos de atuação 
econômica, cabendo a ela se moldar, visando atender às necessidades que 
surjam, sempre seguindo os preceitos básicos que originaram essa ciência. 
Surge então a necessidade de aplicar a contabilidade ao meio rural, pois 
verifica-se que as atividades econômicas desenvolvidas nesse ambiente 
 
 
3 
também necessitam da devida contabilização, apuração de resultados, bem 
como uma gestão do patrimônio. 
Cada propriedade rural é considerada uma entidade contábil, cabendo a 
aplicação dos devidos preceitos contábeis, buscando uma gestão com maior 
subsidio informacional. Marion (2014) trata a entidade rural ou propriedade rural, 
como uma empresa rural, pois relata que são realizadas atividades de cunho 
econômico com o objetivo de obtenção de renda, seja uma empresa rural 
familiar, seja patronal. 
Seguindo o conceito de Marion (2014), podemos perceber que, de certa 
maneira, uma propriedade rural pode se equiparar a uma empresa, uma vez que 
existe a produção de algo e que se objetiva realizar a venda e a obtenção de 
lucro, semelhante a uma entidade comercial ou industrial. 
São necessários três fatores de produção para que seja possível atuar na 
atividade rural: terra, capital e trabalho (Marion, 2014). Sem esses recursos, a 
atividade rural não terá condições de ser desenvolvida, visto a criticidade de se 
explorar a terra. 
Dentre os fatores de produção citados, o mais significativo é a terra, uma 
vez que sem ela não é possível existir produção. Para produzir, são aplicados o 
trabalho e o capital, visando ao alcance de renda significativo. Tanto o tamanho, 
quanto a qualidade da terra terão influência na produção, cabendo ao produtor 
atuar para salvaguardar a capacidade produtiva desse ativo. 
O segundo fator de produção é o capital, representado por todos os 
equipamentos, benfeitorias, animais e insumos, que são aplicados na terra 
visando facilitar a produção. Em alguns casos, o capital terá importância 
semelhante à da terra, pois, conforme for a condição da terra, apenas o capital 
irá fazer com que se torne produtiva. 
Por meio do trabalho, que ocorre para atuar com sinergia, reunindo a terra 
e o capital, será aplicado o capital na exploração da terra, sendo o trabalho uma 
espécie de “cereja do bolo” para que seja possível o bom andamento da 
produção rural. 
A empresa rural, ao utilizar seus fatores de produção, irá buscar o máximo 
de desempenho de sua propriedade. Dentre as formas de realizar sua atividade, 
Marion (2014) expõe três maneiras diferentes de atuar no meio rural: 
a. Atividade agrícola; 
b. Atividade zootécnica; 
 
 
4 
c. Atividade agroindustrial. 
Vale ressaltar que não necessariamente o produtor rural atuará em 
apenas uma das atividades, podendo mesclá-las em busca de rendimentos 
melhores. A contabilidade rural se aplicará em todas as atividades, fornecendo 
informações de custos, apuração de resultados bem como dando condições 
mais favoráveis à gestão. 
A atividade agrícola é considerada a exploração da terra para o cultivo de 
plantas, sejam elas hortaliças, forrageiras, cereais, árvores frutíferas, como 
também árvores destinadas à produção de madeira. A contabilidade de sub-
ramo rural irá atuar desde o cultivo a momentos de colheita e posterior venda. 
Compreende-se a atividade zootécnica como a exploração da atividade 
rural por meio da criação de animais, por exemplo, bovinos, suínos, aves, 
abelhas, caprino, dentre outros. A atuação contábil se dará tanto para os animais 
destinados a corte quanto para aqueles destinados à produção, podendo então 
atuar de forma análoga, uma vez que animais destinados ao corte podem ser 
considerados como produtos em transformação de uma indústria. Como animais 
de produção, podem ser considerados como se fossem máquinas, pois são 
alimentados e cuidados para gerarem algum produto de forma contínua. 
Caracteriza-se a atividade agroindustrial aquela que, conforme Marion 
(2014), é capaz de combinar a seguintes características: 
 Não alterar a composição e as características do produto in natura; 
 Ser feita pelo próprio produtor rural, com equipamentos e utensílios 
usualmente empregados nas atividades rurais; 
 Utilizar exclusivamente matéria-prima produzida na unidade rural 
explorada. 
Dessa maneira, se o beneficiamento dos produtos não cumprir os 
requisitos apresentados, não se enquadrará como agroindustrial, e sim como 
industrial. No entanto a maneira de praticar a contabilidade se assemelha na 
indústria e na agroindústria. 
Percebemos como a contabilidade, especificamente a rural, possui um 
campo de atuação bem fértil para estudos e aplicação dos preceitos contábeis, 
com os quais estamos ficando cada vez mais hábeis no decorrer da graduação. 
 
 
 
5 
TEMA 2 – FORMA JURÍDICA DA ATIVIDADE RURAL – ANO AGRÍCOLA 
VERSUS EXERCÍCIO SOCIAL 
No meio rural, existem várias particularidades. Neste momento, 
trataremos um pouco sobre a forma jurídica de desenvolver a atividade, como 
também sobre o conflito entre o ano agrícola e o exercício social. 
2.1 Forma de explorar atividade rural 
Oliveira (2010) lembra que, no meio rural, existem duas formas de 
explorar a atividade (como pessoa física ou como pessoa jurídica), mas existe a 
predominância no Brasil da atuação como pessoa física. 
Pode-se dizer que uma das causas para haver o predomínio de 
explorações por pessoas físicas seja o fato de ser menos oneroso desempenhar 
a atividade rural dessa maneira. Tanto os aspectos produtivos quanto de gestão 
ficam a cargo da família dona da propriedade, sendo talvez esse outro motivador 
da atuação como pessoa física, uma vez que os controles não são tão apurados, 
diferentemente se fosse uma gestão profissional. 
Por exemplo, para o produtor rural pessoa física que obtiver rendimentos 
de até R$ 56.000,00, é dispensada a elaboração de livro-caixa, ao passo que 
aqueles que ultrapassarem esse valor necessitam manter livro-caixa com seus 
respectivos documentos comprobatórios. O produtorrural pessoa jurídica deverá 
realizar toda a escrituração contábil, seguindo os mesmos moldes de uma 
empresa do ramo comercial ou industrial. 
Além da diferença quanto à documentação, também haverá diferença na 
gestão e controle da entidade, sendo uma gestão não familiar, e sim profissional, 
pois isso se faz necessário quando se atua de maneira empresarial. 
2.2 Ano agrícola versus exercício social 
No ramo contábil, é muito comum se falar em ano fiscal, que é o período 
de 1 de janeiro até 31 de dezembro. Na maioria das empresas, o período fiscal 
também é considerado o exercício social. Isso facilita bastante todos os 
processos, pois essas atividades não sofrem a interferência de estações 
climáticas, como ocorre no meio rural de forma mais significativa. 
 
 
6 
Para o meio rural, o exercício social deverá ser baseado no ano agrícola. 
Mas, afinal, o que é o ano agrícola? É o período de 12 meses que inicia o cultivo 
até a colheita da principal cultura em termos de rendimentos da propriedade, ou 
no caso de a pecuária ser a principal atividade, conforme seu ciclo produtivo para 
determinar o ano agrícola. 
Caso a propriedade tenha como sua principal fonte de renda a cultura da 
soja, que possui plantio em setembro, e colheita prevista entre janeiro e maio, a 
entidade deverá trabalhar com esse período como ano agrícola no caso do 
exercício social. Caso fosse o milho a cultura principal, o plantio seria em agosto, 
com colheita prevista entre dezembro e junho, determinando assim o ano 
agrícola. Essas variações decorrem dos momentos adequados para plantio, 
conforme o clima, bem como período de maturação das culturas para a colheita. 
Em propriedades com predominância de atividades pecuárias, pode 
acontecer de o ano agrícola e o fiscal coincidirem, pois a pecuária costuma ter 
um ciclo operacional de receitas mensais, seja pela venda de animais, seja pela 
venda da produção desses animais. 
Considera-se sempre a atividade com maior rendimento para determinar 
qual será o ano agrícola da propriedade. Mesmo em casos de existirem várias 
culturas na mesma propriedade, sempre deverá haver o discernimento 
necessário para verificar qual será a de maior rendimento. 
TEMA 3 – CONTABILIDADE RURAL E O PRONUNCIAMENTO CPC 29 – 
ATIVOS BIOLÓGICOS 
Com o passar do tempo, a contabilidade rural, que não tinha tanta 
atenção, passou a ter maior representatividade, principalmente pelo fato de 
alguns normativos contábeis tratarem de situações mais comuns para as 
entidades que desenvolvem atividades rurais. 
O Pronunciamento CPC 29 – Ativos Biológicos surge para reger situações 
que envolvem esse tipo de ativos, que são comuns nas atividades rurais, o que 
explica a influência desse Pronunciamento no meio rural. Isso se justifica 
também ao verificar o seu objetivo: 
O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil, 
e as respectivas divulgações, relacionados aos ativos biológicos e aos 
produtos agrícolas (CPC, 2009, p. 2). 
 
 
 
7 
No tocante aos produtos agrícolas, fica estabelecida de forma fácil a 
ligação da atividade rural com esse pronunciamento, sendo abordado todo o 
tratamento contábil e a maneira de divulgação. 
No entanto, ao falar em ativos biológicos, faz-se necessário recorrer ao 
conceito estabelecido pelo próprio CPC 29 (CPC, 2009, p. 4): “Ativo biológico é 
um animal e/ou uma planta, vivos.” 
Percebe-se que tanto os animais quanto as plantas são objeto de 
patrimônio da entidade que atua na atividade rural, que posteriormente poderão 
dar origem a produtos agrícolas, todos abrangidos por esse pronunciamento. 
Vale ressaltar que também está ao alcance deste as subvenções 
governamentais, que estão relacionadas à atividade da empresa rural. 
Salienta-se que nem todas as plantas são abrangidas pelo CPC 29, sendo 
a exceção as plantas portadoras, as quais têm a função de produção de frutos, 
sendo cultivadas para produzir por mais de um período; São exemplos de plantas 
portadoras as laranjeiras, pessegueiros, dentre outras plantas frutíferas. 
Visando melhor ilustrar o que são ativos biológicos e produtos agrícolas, 
o CPC 29 traz um exemplo, conforme o Quadro 1. 
Quadro 1 – Ativos biológicos e produto agrícola 
Ativos biológicos Produto agrícola Produtos resultantes do 
processamento após a 
colheita 
Carneiros Lã Fio, tapete 
Plantação de árvores para 
madeira 
Árvore cortada Tora, madeira serrada 
Gado de leite Leite Queijo 
Porcos Carcaça Salsicha, presunto 
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa 
Cana de açúcar Cana colhida Açúcar 
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado 
Arbusto de chá Folha colhida Chá 
Videira Uva colhida Vinho 
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada 
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma 
Seringueira Látex colhido Produto da borracha 
Fonte: CPC, 2009, p. 3, 
Conforme o exposto no Quadro 1, fica claro como a atividade rural e sua 
contabilização se relacionam com o CPC 29, visto que necessitaram dos seus 
ativos biológicos para que seja possível realizar a produção, chegando ao 
produto agrícola. Assim, a primeira e a segunda coluna são tratadas pelo CPC 
29, por serem ativos biológicos e produtos agrícolas, com exceção das plantas 
 
 
8 
portadoras, como já abordado. Por outro lado, a terceira coluna apresenta 
produtos acabados, que são tratados pelo CPC 16 – Estoques. 
Além de tratar dos produtos oriundos das atividades rurais, o CPC 29 
também relata que o tratamento contábil é mensurar os ativos biológicos a valor 
justo (CPC, 2009). 
De maneira bem simples, considera-se o valor justo o valor de troca de 
uma mercadoria em uma transação não forçada. 
Esse valor justo, em alguns casos, pode ser determinado pelo mercado. 
Uma das funções da utilização do valor justo é a de determinar o valor do produto 
no lugar da utilização do custo. Isso ocorre porque, dependendo dos controles, 
pode ser difícil se estabelecer o custo dos ativos biológicos, bem como o custo 
talvez não represente efetivamente o valor dos produtos. 
Dessa maneira, podemos dizer que a contabilidade ultrapassa a barreira 
de apurar exclusivamente o custo, trabalhando com o valor, o que constitui um 
passo a mais para a evolução da contabilidade. 
Tal evolução fica evidente ao verificar a aplicação desse normativo por 
empresas que exploram a atividade rural e são participantes da B3, sendo esta 
o máximo de aplicação do CPC 29. Entretanto esse máximo ainda deixa a 
desejar, pois nas divulgações ainda existem pontos falhos quanto à evidenciação 
das informações, que poderiam ser mais claras e detalhadas. 
As entidades participantes da B3 acabam se preocupando em divulgar os 
itens obrigatórios, que acabam sendo mínimos, no entanto poderiam apresentar 
mais informações. Já as propriedades rurais de pessoas físicas talvez até 
desconheçam a existência de tais normativos, que facilitariam sua gestão, 
cabendo a nós, contadores, levar inicialmente a aplicação da contabilidade rural 
às propriedades, e posteriormente evoluirmos para a aplicação dessas novas 
normas. 
Observamos, portanto, que a contabilidade rural possui uma ligação clara 
com o CPC 29, e posteriormente veremos de forma mais detalhada sobre a 
maneira contabilizar de acordo com o esse pronunciamento. 
Saiba mais 
Visando apresentar a aplicação do CPC 29 nas empresas da B3, que se 
chamava BMF&Bovespa, recomendamos a leitura e análise de dois artigos, um 
do ano de 2010, e outro do ano de 2014, ambos com temas semelhantes. Esses 
 
 
9 
textos, além de agregarem um conhecimento, também fornecerão a 
possibilidade de comparar dois períodos de verificação. 
1. CARMO, C. R. S. et al. Pronunciamento técnico CPC:29: um estudo 
sobre sua aplicação em empresas de capital aberto do setor sucroalcooleiro 
listadas na BMF&Bovespa no ano de 2010. Cadernos da Fucamp, v. 10, n. 13, 
2011. Disponível em: 
<http://www.fucamp.edu.br/editora/index.php/cadernos/article/view/6>.Acesso 
em: 29 jul. 2019. 
2. THEISS, V. et al. Práticas de divulgação dos ativos biológicos pelas 
companhias listadas na BM&FBovespa. Registro Contábil, v. 5, n. 3, p. 41-58, 
2014. Disponível em: 
<http://www.seer.ufal.br/index.php/registrocontabil/article/view/1130>. Acesso 
em: 29 jul. 2019. 
TEMA 4 – ATIVIDADE AGRÍCOLA – CULTURAS TEMPORÁRIAS 
Entende-se como atividade agrícola o cultivo do solo para a produção, 
tendo uma divisão nos tipos de culturas a serem cultivadas (as temporárias e as 
permanentes). 
As culturas temporárias são aquelas que, a cada período de produção, 
necessitam ser replantadas, já que, após a colheita, a planta morre, seja pelo 
seu corte, seja por ser arrancada totalmente da terra. Temos como exemplos de 
culturas temporárias o milho, trigo, feijão, arroz, cebola, alface, dentre outros. 
Cada um dos produtos possui seu próprio período de cultivo, alguns com 
períodos mais longos entre o plantio e colheita, e outros com períodos mais 
curtos. No entanto, mesmo com as particularidades de cada cultura, o processo 
contábil é semelhante, sendo acumulados os valores dos custos de produção no 
estoque. 
Os custos a serem consumidos pelas culturas temporárias serão 
compostos por alguns elementos de custos. Essa apuração só será possível 
caso a entidade possua o devido controle de tais informações. O Quadro 2 
apresenta alguns elementos de custos com uma subdivisão. 
 
 
 
10 
Quadro 2 – Elementos de custos 
Insumos Mão de obra Gastos não 
desembolsáveis 
Outros custos 
 Sementes; 
 Mudas; 
 Adubos; 
 Pesticidas; 
 Herbicidas. 
 Salários; 
 Horas extras; 
 Férias; 
 13º salário; 
 INSS; 
 FGTS. 
 Depreciação; 
 Exaustão; 
 Amortização. 
 Energia elétrica; 
 Alugueis; 
 Água; 
 Combustível. 
 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Conforme exposto no Quadro 2, na primeira coluna que demonstra os 
insumos, estão todos os itens utilizados para o início do cultivo e manutenção 
das plantas, até o momento em que possa ser iniciada a colheita. Em relação à 
mão de obra apresentada na segunda coluna, contemplam-se todos os gastos 
com pessoal que atua nos processos produtivos, desde o cultivo até os tratos 
culturais e a colheita. 
A terceira coluna se destina a todos os valores oriundos da depreciação 
de equipamentos, amortização de gastos anteriores e valor de exaustão de 
algum recurso natural, que são gastos não desembolsáveis, ou seja, não fazem 
com que sejam desembolsados valores no exercício, realizando apenas 
apropriação de valores. 
Na última coluna, constam exemplos de outros custos que podem ser 
utilizados, como a energia elétrica e o aluguel, que também fazem parte do 
processo de produção 
Todos esses custos serão acumulados no estoque, no entanto, visando 
uma classificação adequada, as culturas temporárias terão uma divisão em três 
categorias: 
 Cultura temporária em formação (nome da cultura); 
 Colheita em andamento (nome da cultura); 
 Produto agrícola (nome da cultura). 
Cada categoria irá acumular custos em um determinado estágio da 
produção. 
A cultura temporária em formação irá acumular os custos desde o plantio 
até o momento em que esteja pronto para colheita, ou seja, todos os gastos com 
insumos, mão de obra, depreciação e demais outros custos para plantio e 
formação da cultura serão estocados nessa conta. 
 
 
11 
Quando a cultura estiver pronta para iniciar a colheita, o saldo da conta 
de cultura temporária em formação será transferido para a conta contábil da 
colheita em andamento, que, além de herdar os custos já acumulados pela 
formação da cultura, irá também agregar os valores consumidos para a 
realização da colheita, como depreciação, salários, combustível, dentre outros 
gastos. 
Após o término da colheita, o saldo da conta de colheita em andamento 
será transferido para a conta contábil de produto agrícola, chegando assim a um 
estoque que posteriormente será vendido pela entidade rural, visando então 
obter lucro. É comum a existência desses gastos, pois no meio rural o preço de 
venda dos produtos é ditado pelo mercado. Assim, em muitos casos, compensa 
manter o produto agrícola estocado até que o preço seja o mais favorável 
possível. 
Na sequência vamos observar exemplos de lançamento contábeis das 
culturas temporárias, para que assim seja mais fácil compreender a forma de 
contabilizar. Algumas legendas serão utilizadas para facilitar: 
 CTF – Cultura temporária em formação 
 CA – Colheita em andamento 
 PA – Produto agrícola 
Quadro 3 – Lançamentos das culturas temporárias 
Pela formação da planta (gastos desde o preparo do solo até o início da colheita) 
D – Nome da cultura CTF (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou 
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou 
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
________________________________________ 
Pelo Início da colheita (Transfere os saldos da cultura temporária para a colheita em 
andamento) 
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Nome da cultura CTF (Ativo Circulante – Estoques) 
________________________________________ 
Durante a colheita (gastos até a colheita total) 
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou 
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou 
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
 
 
12 
________________________________________ 
Pelo término da colheita (transfere os saldos da Colheita para Produtos Agrícolas) 
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques) 
______________c_________________________ 
Durante o armazenamento (gastos com armazenagem) 
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou 
Insumos ou materiais (Ativo Circulante – Estoques) ou 
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
________________________________________ 
Pela venda dos produtos 
(1º Reconhecer a receita) 
D – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou 
Cheques a receber ou Contas a receber (Ativo Circulante – Direitos) 
C – Venda de nome do produto (Resultado – Receitas) 
 
(2º Reconhecer o custo do produto) 
D – Custo do nome do produto vendido (Resultado - CPV) 
C – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
________________________________________ 
Pelas Despesas de Vendas, Administrativas ou Financeiras da Propriedade 
D – Despesa com nome da despesa (Resultado –Despesas) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou 
Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
Seguindo o exposto no Quadro 3, temos exemplificações da 
contabilização das culturas temporárias, sendo aplicável a propriedades rurais 
exploradas por pessoas físicas e por pessoas jurídicas. 
Salienta-se a importância de manter o devido registro de qual cultura se 
trata para que contabilmente seja facilitada a identificação dos valores de cada 
uma. 
Pode-se perceber que, ao aplicar os preceitos contábeis das culturas 
temporárias no cotidiano das propriedades, isso fará com que haja geração de 
informações contábeis para o produtor. 
 
 
 
13 
Saiba mais 
Para que seja possível compreender melhor como as culturas temporárias 
são trabalhadas quanto aos seus custos, recomendo a leitura de dois artigos que 
tratam sobre custos nas culturas temporárias. 
HOFER, E. et al. Gestão de custos aplicada ao agronegócio: culturas 
temporárias. Contabilidade Vista & Revista, v. 17, n. 1, jan.- mar. 2006. 
Disponível em: 
<https://revistas.face.ufmg.br/index.php/contabilidadevistaerevista/article/view/2
90>. Acesso em; 29 jul. 2019. 
SAMPAIO, A. L. M.; AKAHOSHI, W. B.; LIMA, E. M. Avaliação da 
aplicação do métodode custeio baseado em atividades (ABC) na produção 
agrícola de grãos: culturas temporárias. Custos e @gronegócios online, v. 7, 
n. 3, set.-dez. 2011. Disponível em: 
<http://custoseagronegocioonline.com.br/numero3v7/custos%20abc.pdf>. 
Acesso em: 29 jul. 2019. 
TEMA 5 – ATIVIDADE AGRÍCOLA – CULTURAS PERMANENTES 
Enquanto as culturas temporárias necessitam de replantio após a colheita, 
as culturas permanentes não precisam ser replantadas, fazendo com que a 
produção dure mais de um ciclo. Os elementos de custos são os mesmos que 
constam no Quadro 2. São exemplos de culturas permanentes a cafeicultura, 
fruticultura, reflorestamento, dentre outras que produzam mais de um período. 
Nas culturas temporárias, os custos são acumulados no estoque, ao 
passo que para as culturas permanentes todos os valores para a formação da 
cultura serão alocados no ativo imobilizado (Crepaldi, 2012). 
Ao iniciar uma cultura permanente, todos os valores consumidos para isso 
serão contabilizados no imobilizado na conta cultura permanente em formação, 
especificando o nome da cultura em questão. Essa conta contábil possui 
característica semelhante à da cultura temporária em formação, a não ser pelo 
fato da mudança de classificação contábil. 
Depois que a cultura permanente está pronta para a primeira colheita, 
considera-se que não está mais em formação, e sim formada, alterando a 
classificação contábil, de cultura permanente em formação para cultura 
permanente formada, mantendo-a no ativo imobilizado. 
 
 
14 
No momento em que a planta estiver apta para a produção, todos os 
valores consumidos visando à obtenção do fruto serão contabilizados na conta 
de colheita em andamento, que fica no estoque. Todos os custos necessários 
para a colheita e sua preparação serão acumulados nessa conta, por exemplo a 
poda, a capina, os herbicidas, o desbrote, dentre outros. A cultura permanente 
terá seu gasto de formação a ser apropriado aos períodos produtivos. O período 
produtivo será determinado por técnico da área e, baseado nesse prazo, a 
cultura permanente será exaurida. 
Na hipótese de alguns custos de tratos culturais prolongarem a vida 
produtiva da cultura, esses valores deverão ser imobilizados para não 
penalizarem a safra de um único período (Marion, 2014). 
Com o termino da colheita, o valor acumulado na conta colheita em 
andamento será transferido para a conta produto agrícola, permanecendo no 
estoque, com outra classificação, é claro. Após a venda, o estoque será baixado, 
transferindo-se para o custo do produto vendido no resultado. 
Analogamente, as culturas permanentes funcionam como máquinas ou 
equipamentos industriais, pois são utilizados alguns recursos para que esses 
ativos possam produzir, e perduram assim por mais de um período. 
Na sequência, vamos observar alguns exemplos de lançamentos 
contábeis das culturas permanentes para que assim seja mais fácil compreender 
a forma de contabilizar. Algumas legendas serão utilizadas para facilitar: 
 CPF – Cultura Permanente em Formação 
 CP – Cultura Permanente Formada 
 CA – Colheita em Andamento 
 PA – Produto Agrícola 
Quadro 4 – Lançamentos das culturas permanentes 
Pela formação da planta (gastos desde o preparo do solo até a primeira colheita) 
D – Nome da cultura CPF (Ativo Não Circulante – Imobilizado) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou insumos ou materiais (Ativo Circulante 
– Estoques) ou Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
________________________________________ 
Com a produção pronta para a colheita (transfere os saldos da Cultura Permanente em 
Formação para Cultura Permanente Formada – somente na 1ª colheita). 
D – Nome da cultura CP (Ativo Não Circulante – Imobilizado) 
C – Nome da cultura CPF (Ativo Não Circulante – Imobilizado) 
 
 
15 
________________________________________ 
Durante a formação do produto até a colheita (todos os gastos com tratos culturais para formar 
o produto) 
D – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou insumos ou materiais (Ativo Circulante 
– Estoques) ou depreciação (Ativo Permanente – Imobilizado) ou Contas a pagar ou 
Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
________________________________________ 
Pelo término da colheita (transfere os saldos da Colheita para Produtos Agrícolas) 
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Nome da cultura CA (Ativo Circulante – Estoques) 
________________________________________ 
Durante o armazenamento (gastos com armazenagem) 
D – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
C – Caixa ou Bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Insumos ou materiais (Ativo Circulante 
– Estoques) ou Contas a pagar ou Fornecedores (Passivo Circulante – Obrigações) 
________________________________________ 
Pela Venda dos Produtos 
(1º - Reconhecer a receita) 
D – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Cheques a Receber ou Contas a 
Receber (Ativo Circulante – Direitos) 
C – Venda de nome do produto (Resultado – Receitas) 
 
(2º Reconhecer o custo do produto) 
D – Custo do nome do produto vendido (Resultado - CPV) 
C – Nome do produto PA (Ativo Circulante – Estoques) 
________________________________________ 
Pelas Despesas de Vendas, Administrativas ou Financeiras da Propriedade 
D – Despesa com nome da despesa (Resultado –Despesas) 
C – Caixa ou bancos (Ativo Circulante – Disponível) ou Contas a pagar ou Fornecedores 
(Passivo Circulante – Obrigações) 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
O Quadro 4 nos apresenta os lançamentos contábeis referente às culturas 
permanentes, desde sua formação até a colheita, como também a venda. 
Todo o processo contábil dessas culturas irá fornecer informações de 
custos, que ajudarão no acompanhamento da atividade, uma vez que a cada 
período poderão ter custos superiores ou inferiores. A oscilação dos custos pode 
ter relação com alterações climáticas, pragas, dentre outras causas, culminando 
em alterações de custos, como também evidenciando o desempenho da cultura 
com o passar do tempo. 
 
 
16 
As propriedades rurais poderão atuar simultaneamente com culturas 
temporárias e permanentes, visando mesclar sua produção, consequentemente 
variando também suas fontes de receitas. 
TROCANDO IDEIAS 
Imagine que daqui a alguns anos você possua um escritório contábil, que 
conte com uma boa carteira de clientes, no entanto esta pode ser composta 
exclusivamente por empresas industriais e comerciais. 
Em um determinado momento, um empresário rural chegou ao eu 
escritório, buscando seus serviços contábeis, já que seu atual contador lhe deixa 
insatisfeito com os serviços prestados, além de ter recebido boas referências de 
alguns de seus clientes. Percebe-se uma oportunidade interessante de um novo 
cliente. 
Considerando que, dentre todos seus clientes, nenhum é semelhante a 
esse empresário rural, quais serão os primeiros procedimentos a serem 
realizados para que seja possível que seu escritório atenda esse cliente de 
maneira satisfatória? 
NA PRÁTICA 
Agora vamos praticar um pouco com algumas situações, inicialmente com 
questões teóricas, e depois lançamentos contábeis. 
1. Assinale a alternativa correta para cada questão: 
a. Para efeitos contábeis, devem ser considerados alguns tipos de 
culturas existentes, tais como: 
( ) Culturas em erradicação; 
( ) Culturas temporárias e flutuantes; 
(X) Culturas permanentes e temporárias; 
( ) Culturas flutuantes e de erradicação. 
b. Marque “V” para verdadeiro e “F” para falso para as questões a seguir: 
(F) Cultura permanente tem um período de vida longo, o que permite sua 
colheita somente ao completar um ano; 
(F) Por ser uma cultura permanente e proporcionar sua colheita ao 
completar um ano, após requerendo o seu replantio, é exemplo típico de: arroz, 
milho e feijão etc.; 
 
 
17 
(V) As culturatemporárias necessitam de replantio; 
(V) As culturas permanentes perduram por mais de um período, não 
necessitando de replantio; 
 
c. No momento da colheita ou produção, como se classifica o produto da 
cultura permanente? 
( ) Imobilizações em curso; 
( ) Investimentos; 
(X) Estoque em andamento; 
( ) Diferido. 
d. Qual alternativa a seguir contempla apenas culturas temporárias? 
( ) Milho, arroz, batata, tomate e uva; 
(X) Tomate, mandioca, batata, milho e arroz; 
( ) Arroz, milho, batata, mandioca e maçã; 
( ) Batata, tomate, milho, arroz e pera. 
e. As culturas permanentes formadas são contabilizadas em que grupo de 
contas? 
( ) Ativo Circulante; 
( ) Estoques; 
( ) Investimentos; 
(X) Imobilizados. 
2. Efetue os lançamentos do período agrícola até 31/03/2012 a seguir em 
forma de razonetes. Os seguintes valores constam no seu Balanço em 
31/03/2011: 
Quadro 5 – Exemplo de lançamentos (1) 
ATIVO PASSIVO 
Circulante 102.000,00 Circulante 50.000,00 
 Disponível 50.000,00 Obrigações com 
Fornecedores 
50.000,00 
 Caixa 50.000,00 Fornecedores 50.000,00 
 Estoques 52.000,00 
 Feijão – PA 
 Soja - CA 
 Adubos 
20.000,00 
12.000,00 
10.000,00 
 
 Combustíveis 10.000,00 
 Patrimônio Líquido 182.000,00 
 
 
18 
Não Circulante 130.000,00 Capital Subscrito 150.000,00 
 Imobilizado 130.000,00 Capital Social 
Integralizado 
 
150.000,00 
 Terras 70.000,00 Reservas de lucros 32.000,00 
 Tratores 50.000,00 Lucros Acumulados 32.000,00 
 Arados 
 Semeadoras 
 5.000,00 
5.000,00 
 
 
ATIVO 232.000,00 PASSIVO 232.000,00 
Fonte: Elaborado pelo autor. 
a. Consumidos R$ 2.000,00 do estoque de combustível no preparo do solo 
para o plantio do milho; 
b. Pago à vista gasto com aluguel colheitadeira de R$ 3.000,00 na colheita 
da soja; 
b. Compra a prazo de R$ 20.000,00 de semente de milho; 
c. Venda de 70% do estoque de feijão por R$ 18.000,00 a vista, o restante 
será utilizado como semente para o próximo plantio; 
d. Pago frete à vista para entrega do feijão ao comprador R$ 500,00; 
e. Compra à vista de R$ 3.000,00 em inseticidas; 
f. Consumo de R$ 3.000,00 do estoque de adubo para a cultura do milho; 
g. Plantio do milho, utilização de toda a semente estocada; 
h. Aplicados R$ 2.000,00 de inseticidas na cultura do milho; 
i. Depreciação do trator e maquinários no período R$ 5.000,00 (60% cultura 
do milho e 40% Soja); 
j. Pago salario período R$ 24.000,00 (50% cultura do milho, 30% soja e 20% 
administração); 
k. Término da colheita da soja; 
l. Venda de toda safra de soja por R$ 25.000,00 à vista; 
m. Gastos com energia elétrica R$ 50,00 pago à vista; 
n. Gastos com telefone R$ 100,00 pago à vista; 
o. Pagamentos com fornecedores R$ 25.000,00 em dinheiro; 
p. Início da colheita do milho; 
q. Consumidos R$ 3.000,00 do estoque de combustível na colheita do milho; 
r. Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.000,00 na colheita do milho; 
s. Termino da colheita do milho; 
t. Venda de todo o estoque de milho por R$ 50.000,00 a prazo para a própria 
cerealista. 
 
 
19 
Agora, vejamos como ficariam os lançamentos. Para melhor ilustrar, cada 
lançamento terá a letra respectiva ao lado, sendo que os saldos iniciais e finais 
não terão marcação. 
Quadro 6 – Exemplo de lançamentos (2) 
 Caixa Feijão - PA Soja CA 
 
 50.000,00 3.000,00 b 20.000,00 14.000,00 d 12.000,00 24.200,00 
l 
d 18.000,00 500,00 e 6.000,00 b 3.000,00 
 
m 25.000,00 3.000,00 f j 2.000,00 
 
 24.000,00 k k 7.200,00 
 
 50,00 n 
 
 100,00 o 
 
 25.000,00 p 20.000,00 20.000,00 24.200,00 24.200,00 
 
 1.000,00 s - - - - 
 
 
 
 Milho - CTF Sementes Milho 
 
 a 2.000,00 42.000,00 q c 20.000,00 20.000,00 
h 
 g 3.000,00 
 
 h 20.000,00 
 
 i 2.000,00 
 
 j 3.000,00 
 
 k 12.000,00 
 
 
 
 93.000,00 56.650,00 42.000,00 42.000,00 20.000,00 20.000,00 
 
 36.350,00 - - - - - 
 
 
 Sementes de Feijão Inseticidas Adubos 
 6.0000,00 f 3.000,00 2.000,00 i 10.000,00 3.000,00 g 
 
 
 
 
 
 6.000,00 3.000,00 2.000,00 10.000,00 3.000,00 
 6.000,00 - 1.000,00 7.000,00 - 
 
 Terras Arados Combustíveis 
 70.000,00 5.000,00 10.000,00 2.000,00 a 
 3.000,00 r 
 
 
 
 
 
 70.000,00 - 5.000,00 - 10.000,00 5.000,00 
 70.000,00 - 5;0000,00 - 5.000,00 - 
 
 Milho CA Soja PA 
 (-) Depreciação 
Acumulada 
 
q 42.000,00 46.000,00 i l 24.200,00 24.200,00 m 5.000,00 
j 
r 3.000,00 
 
s 1.000,00 
 
 
 
 
 
 
 
 46.000,00 46.000,00 24.200,00 24.200,00 - 5.000,00 
 
 - - - - - 5.000,00 
 
 
 
 Milho PA Semeadoras Tratores 
 
 
 
20 
f 46.000,00 46.000,00 u 5.000,00 50.000,00 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 46.000,00 46.000,00 5.000,00 
 
- 50.000,00 - 
 
 - - 5.000,00 
 
- 50.000,00 - 
 
 
 Duplicatas a Receber 
u 50.000,00 
 
 
 
 
 
 50.000,00 - 
 50.000,00 - 
 
 Fornecedores Capital Social Lucros Acumulados 
p 25.000,00 50.000,00 150.000,00 32.000,00 
 20.000,00 c 
 
 
 
 
 25.000,00 70.000,00 - 150.000,00 - 32.000,00 
 - 45.000,00 - 150.000,00 - 32.000,00 
 
 Venda Feijão Venda Soja Venda Milho 
 18.000,00 d 25.000,00 m 50.000,00 u 
 
 
 
 
 - 18.000,00 - 25.000,00 - 50.000,00 
 - 18.000,00 - 25.000,00 - 50.000,00 
 
 Custo Feijão PA Frete S/ Venda Feijão Salário ADM 
 d 14.000,00 e 500,00 k 4.800,00 
 
 
 
 
 14.000,00 - 500,00 - 4.800,00 - 
 14.000,00 - 500,00 - 4.800,00 - 
 
 Custo Milho PA Energia Elétrica 
u 46.000,00 n 50,00 
 
 
 
 
 46.000,00 - 50,00 - 
 46.000,00 - 50,00 - 
 
 Custo Soja PA Telefone 
m 24.200,00 o 100,00 
 
 
 
 
21 
 
 
 24.200,00 - 100,00 - 
 24.200,00 - 100,00 - 
Como podemos verificar, os lançamentos contábeis não são difíceis, e 
com a prática tudo ficarámais fácil. 
FINALIZANDO 
Espero que tenham se empenhado e aprendido ao máximo com esta aula. 
Iniciamos abordando sobre a contabilidade rural, bem como alguns aspectos 
básicos que fazem parte das formas de desenvolver a atividade rural. Espero 
que esses pontos os tenham aproximado do meio rural. Na sequência, tratamos 
sobre a diferenciação do ano agrícola e do exercício social, sendo priorizada a 
cultura que mais gere renda para a propriedade, assim determinando o período 
que será contemplado como ano agrícola, que não necessariamente coincidirá 
com o ano fiscal. 
Em um terceiro momento, foi abordada a ligação entre a contabilidade 
rural e o CPC 29, que trata dos ativos biológicos, os quais são objeto do 
patrimônio da entidade, cabendo à contabilidade cuidar desse patrimônio. Os 
ativos biológicos, conforme vimos, são quaisquer plantas ou animais vivos, que 
são parte integrante da atividade rural, bem como de sua contabilização. 
O quarto e quito assuntos estão interligados, pois ambos trataram das 
culturas agrícolas, diferenciando-se apenas em culturas temporárias e 
permanentes, que é uma subclassificação para melhor controle contábil. As 
culturas temporárias são aquelas que necessitam replantio após a colheita, e 
apresentam três classificações contábeis, ao passo que as permanentes irão 
permanecer produzindo por mais de um período e possuem quatro 
classificações contábeis. 
Nesta aula, espero que tenha dado as devidas condições para 
compreender como é possível ligar a atividade rural com a contabilidade. Nós, 
como profissionais da área contábil, precisamos sempre conhecer mais áreas de 
atuação, sendo a contabilidade aplicada ao meio rural uma delas. Apesar de 
pouco explorada, aqueles que gostarem do assunto poderão se aprofundar. 
 
 
 
 
22 
REFERÊNCIAS 
CADELCA, I. et al. Pronunciamento Técnico CPC 29: um estudo sobre sua 
aplicação em empresas de capital aberto do setor sucroalcooleiro listadas na 
BM&FBovespa no ano 2010. Cadernos da FUCAMP, v. 10, n. 13, p. 37-54, 
Campinas, 2011. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Pronunciamento Técnico CPC 
29 – Ativo Biológico e Produto Agrícola, 7 de agosto de 2009. Brasília: CPC, 
2009. 
CREPALDI, S. A. Contabilidade rural: uma abordagem decisorial. 7. ed. São 
Paulo: Atlas, 2012. 
HOFER, E. et al. Gestão de custos aplicada ao agronegócio: culturas 
temporárias. Contabilidade Vista e Revista. v. 17, n. 1, p. 29-46, 2006. 
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
OLIVEIRA, N. C. Contabilidade do agronegócio: teoria e prática. 2. ed. 
Curitiba: Juruá, 2010. 
SAMPAIO, A. L. M.; AKAHOSHI, W. B.; LIMA, E. M. Avaliação da aplicação do 
método de custeio baseado em atividades (ABC), na produção agrícola de grãos: 
culturas temporárias. Custos e @gronegócio online. v. 7, n. 3, p. 133-158, 
2011. 
THEISS, V. et al. Práticas de divulgação dos ativos biológicos pelas companhias 
listadas na BM&FBovespa. Registro Contábil, v. 5, n. 3, p. 41-58, 2014. 
Disponível em: 
<http://www.seer.ufal.br/index.php/registrocontabil/article/view/1130>. Acesso 
em: 29 jul. 2019. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá caros alunos, bem-vindo à disciplina de Contabilidade de 
Agronegócios. Já trabalhamos alguns conceitos iniciais e chegou o momento de 
estudarmos de forma mais profunda esse ramo da contabilidade. 
Vamos iniciar abordando sobre os ativos biológicos, desde seu 
reconhecimento e mensuração, e posteriormente, iremos compreender como a 
contabilização das culturas temporárias e permanentes irá ser alterada e 
adaptada, considerando o exposto no CPC 29 com relação aos ativos biológicos. 
Veremos a questão de perda de valor dos ativos biológicos, que pode 
ocorrer por meio da Depreciação, Exaustão ou Amortização, que conforme a 
característica do ativo biológico, irá incorrer em uma maneira diferente de 
desvalorização e apropriação contábil. 
Trabalharemos com o plano de contas a ser utilizado nas empresas que 
exploram a atividade agrícola, o qual deve ser customizado considerando as 
particularidades da atividade. 
Terminaremos nossa aula com a operacionalização do plano de contas, a 
qual possibilitará a apuração de custo por inventário, facilitando o processo de 
gestão. 
Bons Estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Cada vez mais o conhecimento básico é necessário, no entanto, devemos 
como contadores permanecer buscar a evolução e aplicação das melhores 
técnicas. Com a assunção das normas internacionais, a contabilidade traz 
conceitos mais elaborados, para então aprimorar a contabilidade aplicada, e 
nesse caso, a contabilidade aplicada ao agronegócio. 
Sendo relevante estudar as formas de reconhecimento e mensuração 
adequados, facilitando o processo de contabilização e a elaboração de um plano 
de contas correto. 
Sabemos que uma contabilidade de qualidade começa com um plano de 
contas moldado a atender as necessidades da empresa, principalmente quando 
se considera a atividade rural como objeto da aplicação da contabilidade. 
 
 
 
3 
TEMA 1 – ATIVOS BIOLÓGICOS: RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO 
Os ativos biológicos possuem todas as características dos chamados 
ativos convencionais, claro que, guardadas as devidas particularidades, sendo 
necessário reconhecer tais ativos, e esse ato é entendido como o registro 
contábil do ativo. 
Para que possamos compreender melhor aspectos relacionados ao 
reconhecimento, vamos recorrer ao CPC 29 (2009), que traz as três condições 
para que possa ocorrer o reconhecimento dos ativos biológicos ou produto 
agrícola, que são: 
(a) controla o ativo como resultado de eventos passados; 
(b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o 
ativo fluirão para a entidade; e 
(c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado 
confiavelmente. (CPC 29, 2009, p. 6) 
Como podemos ver, as plantas ou animais vivos que façam parte da 
atividade da empresa agrícola serão registrados ao atender as condições 
supracitadas. 
O controle geralmente se entende pela propriedade do bem, como 
também sua devida utilização, visando a geração de benefícios futuros. Em 
termos de mensuração, pode ser considerado o valor justo ou o custo. 
Sempre que for possível mensurar o valor justo do ativo biológico de 
maneira confiável, os mesmo deve ser reconhecido inicialmente pelo valor justo 
deduzido das possíveis despesas de venda. Ao final de cada período também 
deve ser realizada a verificação para ajustar possíveis variações do valor justo. 
Os produtos agrícolas oriundos de ativos biológicos, também serão 
mensurados a valor justo, considerando o momento adequado o início da 
colheita, visto a confiabilidade e mensuração nesse período (CPC 29, 2009). 
Falamos sobre mensurar a valor justo, caros alunos, lhes questiono: o que 
é o valor justo? 
Poderíamos pensar em inúmeros conceitos a respeito disso, ainda mais 
se pensarmos na etimologia da palavra, conceitos de justiça e afins, mas vamos 
optar por um conceito contábil básico. 
O CPC 46 é o pronunciamento responsável por tratar sobre o valor justo, 
abordando conceito, mensuração e formas de divulgação a respeito disso. 
O valor justo é tido como valor de troca em uma transação não forçada 
entre duas partes, ocorrendo em um mercado. Como as duas partes concordam 
 
 
4 
com a transação, sendo então considerada uma negociação justa (CPC 46, 
2012). 
Para a correta compreensão da aplicação do valor justo, é necessário 
observar que deve existir um mercado que opera com o bem negociado, no 
nosso caso, ativo biológico ou produto agrícola. 
Para clarificar essa situação o CPC 46 estabelece uma hierarquia, 
considerando 3 níveis de valor justo, cada um com suas particularidades quanto 
às informações disponíveis.Vamos verificar o Quadro 1 com os três níveis de 
informação relacionada ao valor justo. 
Quadro 1 – Níveis do valor justo 
 
Fonte: CPC 46, 2012, p. 15-17. 
 
Do nível 1 para o nível 3 vamos de informações mais confiáveis até um 
grau inferior de confiabilidade. 
No nível 1 o valor justo vem de uma fonte do mercado, como por exemplo 
no caso do meio rural, ter o preço da soja cotada pelo mercado. Esse mercado 
é quem determina o valor justo. 
Já o nível 2 não possui informações em mercado ativo, porém, são 
observáveis de forma direta ou indireta. Podem ser consideradas informações 
similares que constam em mercados ativos, visando assim aproximar ao máximo 
o nível 2 do nível 1. 
Por último, o nível 3 irá suprir a necessidade que não puder ser resolvida 
com os anteriores, considerando então informações não observáveis. Nesse 
nível a entidade deve buscar o máximo de dados, tendo mais subsídio para 
poder determinar o valor justo. 
Mesmo estando ciente dos diferentes níveis, ainda existem dificuldades 
para aplicar o conceito, seja por diferença de qualidade ou peso, como por outras 
 
 
5 
possibilidades. Devido a isso, pode-se agrupar os ativos biológicos considerando 
suas similaridades, possibilitando uma mensuração mais adequada e facilitada. 
Sempre será buscada a aplicação dos conceitos de valor justo para 
mensurar os ativos biológicos e produtos agrícolas, mas como já vimos, alguns 
casos podem ocorrer a mensuração pelo custo. 
Vejamos inicialmente o que o CPC 29 (2009) afirma sobre possíveis 
proximidades desses valores. 
Os custos podem, algumas vezes, aproximar-se do valor justo, 
particularmente, quando:(a) uma pequena transformação biológica 
ocorre desde o momento inicial (por exemplo, mudas plantadas no 
período imediatamente anterior ao de encerramento das 
demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido); ou (b) não se 
espera que o impacto da transformação do ativo biológico sobre o 
preço seja material (por exemplo, para o crescimento inicial da 
plantação de pinos cujo ciclo de produção é de 30 anos). (CPC 29, 
2009, p. 8) 
Na ocorrência do reconhecimento inicial ser muito próxima do final do 
exercício, a variação será mínima, aproximando o custo do valor justo, o que é 
uma situação comum no meio rural, pois talvez algumas culturas podem ser 
plantadas ao final do exercício, devido às suas características e exigências. 
O mesmo pode ocorrer com animais, tanto pelo ciclo produtivo, como por 
aquisições. Situações com ciclos longo demais irão incorrer mudanças muito 
pequenas, não causando mudança material entre o custo e valor justo. 
Com a utilização do valor justo pode ocorrer ganhos ou perdas, os quais 
podem acontecer no reconhecimento inicial, como também ao final de cada 
período com o devido ajuste pela variação. A perda ou ganho deverá ser 
registrada no período em que ocorrer, visto sua competência. 
A perda pode ocorrer pelo fato do custo até então registrado ser superior 
ao valor justo, como também o valor justo do reconhecimento anterior ser 
superior ao da data do novo reconhecimento. Em relação ao ganho, poderá 
ocorrer pelo fato do valor justo ser superior ao valor de custo, como também o 
ajuste do valor justo decorrente do valor anterior ser inferior ao atual. 
Os ganhos e perdas podem ser comuns no meio rural, pois vários de seus 
ativos podem sofrer variação em decorrência do mercado. 
Por exemplo: uma safra recorde, ou uma safra ruim, as duas situações 
afetarão o valor de mercado do produto, afetando o processo contábil, seja por 
uma perda ou ganho. 
 
 
6 
Podem existir situações em que o valor justo não poderá ser mensurado 
de maneira confiável, e sua mensuração deverá ser feita pelo custo. Isso poderá 
ocorrer pela falta de informação do mercado ativo, ou até mesmo alguma 
impossibilidade momentânea (falta de informação ou falta de confiabilidade 
dessa informação). 
Vale ressaltar que o reconhecimento da mensuração feita pelo valor de 
custo só pode ser feito no reconhecimento inicial, posteriormente buscando 
fontes de evidência para utilização do valor justo. Os ativos biológicos que forem 
mensurados a valor justo deverão assim permanecer mensurados, até que 
ocorra sua venda. 
Como podemos ver, é muito importante conhecer o momento de se 
reconhecer um ativo, bem como compreender a forma adequada para sua 
mensuração, que conforme vimos, para os ativos biológicos e produto agrícola 
são regidos pelo CPC 29. 
O CPC 29 trata da mensuração a ser realizada pelo valor justo, que é 
definido pelo CPC 46, o que demonstra que os pronunciamentos contábeis 
sempre estarão atuando de maneira interligada. 
Saiba Mais 
Caros alunos, visando fornecer maior base conceitual relativa a 
mensuração dos ativos biológicos, recomendo a leitura e análise de um artigo: 
O impacto do valor justo na mensuração dos ativos biológicos nas empresas 
listadas na BM&F Bovespa. 
Acesse o link: <http://www.atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-
06/index.php/UERJ/article/viewArticle/1424>. Acesso em: 30 jul. 2019. 
TEMA 2 – ATIVOS BIOLÓGICOS: CONTABILIZAÇÃO DE CULTURAS 
TEMPORÁRIAS E PERMANENTES 
Já vimos sobre como é feita a contabilização das culturas temporárias e 
permanentes, desde os aspectos iniciais do cultivo, até o fim da colheita. 
No entanto, consideramos apenas a contabilização de maneira simples, a 
qual se utiliza do custo como base de valor para os ativos biológicos e produtos 
agrícolas. 
 
 
7 
Nesse momento vamos verificar a alteração do comportamento contábil 
das contas referentes às culturas temporárias e permanentes, quando utilizamos 
o conceito de mensuração do valor justo. 
O contador deve dar a devida atenção para que a contabilidade da 
entidade rural seja efetuada da maneira mais acertada, refletindo então com 
maior confiabilidade as informações contábeis. 
Para ficar mais fácil, vamos segregar os dois tipos de cultura, abordando 
cada uma em seu próprio tópico. Já realizamos lançamentos em razonetes, e 
agora vamos trabalhar com lançamentos em forma de diário. 
2.1 Contabilização de Culturas Temporárias 
Vamos utilizar o caso da obra de Marion (2014) com algumas adaptações 
para ilustrar a contabilização utilizando o valor justo. 
Digamos que determinada empresa rural atue na produção de soja, sendo 
esses os ativos biológicos objeto da empresa, os quais são vendidos a terceiros. 
Conforme determinado pelo CPC 29, a produção de soja, que é um ativo 
biológico, deve ser mensurada pelo valor justo, descontado os valores que serão 
gastos para a realização da venda. 
Não vamos esquecer que desde o início do cultivo o ativo será mensurado 
ao seu valor de custo, e posteriormente, quando for possível mensurar 
confiavelmente a produção, utiliza-se o conceito do valor justo. 
Primeiramente todos os valores consumidos para plantio e formação da 
cultura da soja serão contabilizados da seguinte maneira: 
Fato Contábil: Plantio da Soja. 
D – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 20,00 
C – Caixa/insumos – AC – R$ 20,00 
Assumimos como exemplo o valor de R$ 20,00, sendo utilizado desde 
insumos, mão de obra e afins. Todos os valores serão acumulados em conta do 
estoque. 
Chegado ao momento que é possível mensurar a quantidade estimada da 
produção, iremos mensurar o valor justo. O período do plantio até esse momento 
pode variar conforme a cultura, região, clima, dentre outras causas. 
A soja que está sendo utilizada como exemplo é uma commodity que 
possui mercado ativo. 
 
 
8 
A entidade utilizará os dados do mercado ativo, considerando o mercado 
futuro para mensurar ao valor justo. 
Vamos considerar que o valor justo seja de R$ 70,00, e o valor das 
despesas de venda é de R$ 7,00, que equivale a 10% do valor justo. Vamos 
então a contabilização desse ajuste. 
D – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 43,00 
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado – R$ 43,00 
Podemos perceber que já é reconhecidaa receita do ativo biológico. 
Quase podemos comparar como uma antecipação de receita, no entanto sem 
que ocorra a entrada de dinheiro na entidade. 
O valor justo era de R$ 70,00, ao deduzir a despesa de venda que é de 
R$ 7,00, restando o valor de R$ 63,00, como já temos R$ 20,00 contabilizados, 
iremos realizar o lançamento apenas da diferença. 
Quando chega o momento da colheita, novamente deve ser mensurado o 
valor justo, atualizando o valor. 
Todos os valores consumidos na colheita serão contabilizados como 
gasto do período, pois o custo será baseado pelo valor justo. 
Digamos que agora o valor justo é de R$ 80,00, com despesas de venda 
no valor de R$ 8,00, o que representa 10% do valor justo, então devemos ajustar 
o valor na contabilidade. 
Primeiro é necessário transferir o saldo de ativo biológico para produto 
agrícola, uma vez que com a colheita ocorre a mudança de status. 
Mudança contábil de classificação: 
D – Produto Agrícola soja – AC – R$ 63,00 
C – Ativos Biológicos soja – AC – R$ 63,00 
 
Reconhecimento da diferença do valor justo: 
D – Produto Agrícola soja – AC – R$ 9,00 
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – AC – R$ 9,00 
Então reconhecemos o valor justo da soja que foi colhida e estocada, 
sendo o valor de R$ 72,00, que são os R$ 80,00 do valor de mercado, deduzidas 
as despesas de venda no valor de R$ 8,00. 
 
 
9 
Vamos verificar como seria a contabilização da venda à vista, 
considerando ainda os dados de valor justo de R$ 80,00. 
Pela Venda: 
D – Caixa/Banco – AC – R$ 80,00 
C – Receita de venda de soja – Resultado – R$ 80,00 
 
Pela despesa de venda: 
D – Despesa de venda – Resultado – R$ 8,00 
C – Frete a pagar – PC – R$ 8,00 
 
Pela baixa do estoque: 
D – Custo do produto vendido – Resultado – R$ 72,00 
C – Produto Agrícola soja – AC – R$ 72,00 
Assim, encerra-se o processo de contabilização considerando o CPC 29. 
Como a contabilização das culturas temporárias sofre alterações ao utilizarmos 
os conceitos do CPC 29, nós, contadores, devemos estar sempre atentos. 
2.2 Contabilização de Culturas Permanentes 
Agora veremos um exemplo da contabilização das culturas permanentes 
considerando o valor justo conforme estabelece o CPC 29. 
Vamos utilizar como exemplo a cultura da laranja, lembrando que estamos 
utilizando dados fictícios, visando única e exclusivamente compreender a 
contabilização. 
Os valores consumidos para a formação da cultura permanente são 
contabilizados conforme já vimos, serão agora alterados os lançamentos da 
produção para os oriundos da laranjeira. 
Hipoteticamente vamos assumir que a laranjeira teve um custo de 
formação no valor de R$ 1.000,00 e sua vida útil é de 10 anos, então, a cada 
ano, o valor de R$ 100,00 será incorporado ao custo da produção. 
No caso da cultura permanente formada, serão realizados gastos com os 
tratos culturais, que são todos os processos de cuidado da planta para que possa 
produzir de forma sadia. 
Contabilizaremos esses gastos para as laranjas que serão produzidas. 
Vamos assumir o valor de tratos culturais de R$ 700,00: 
 
 
10 
D – Ativo Biológico: laranja – ANC – R$ 700,00 
C – Caixa/insumos – AC – R$ 700,00 
Assim que for possível mensurar de maneira confiável, deve ser 
reconhecido o valor justo. 
Vamos assumir que a produção foi avaliada a preço de mercado, ou seja, 
valor justo de R$ 1.000,00, e os custos de venda são de 5% desse valor, ou seja, 
R$ 50,00. Seria assim a contabilização desse ajuste: 
D - Ativos Biológicos laranja – ANC – R$ 250,00 
C – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado - R$ 
250,00 
Assim como acontece com as culturas temporárias, nas culturas 
permanentes também se reconhece a receita nesse momento, mesmo sem que 
tenha ocorrido a venda ou recebimento de dinheiro. Então temos o valor justo de 
R$ 1.000,00, ao deduzir a despesa de venda que é de R$ 50,00, restando o valor 
de R$ 950,00. Como já temos R$ 700,00 contabilizados, iremos realizar o 
lançamento apenas da diferença. No momento da colheita novamente é 
necessário mensurar o valor justo, vamos supor que seja de R$ 980,00, com as 
despesas estimadas em 5% desse valor. 
Mudança contábil de classificação: 
D – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 950,00 
C – Ativos Biológicos laranja – ANC – R$ 950,00 
 
Reconhecimento da diferença do valor justo: 
D – Variação do valor justo dos ativos biológicos – Resultado – R$ 19,00 
C – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 19,00 
Então reconhecemos o valor justo da laranja que foi colhida e estocada, 
sendo o valor de R$ 931,00, que são os R$ 980,00 do valor de mercado, 
deduzidas as despesas de venda de R$ 49,00. 
Vamos verificar como seria a contabilização da venda, considerando 
ainda os dados de valor justo de R$ 980,00. 
Pela venda à vista: 
D – Caixa/Banco – AC – R$ 980,00 
 
 
11 
C – Receita de venda de laranja – Resultado – R$ 980,00 
 
Pela despesa de venda: 
D – Despesa de venda – Resultado – R$ 49,00 
C – Frete a pagar – PC – R$ 49,00 
 
Pela baixa do estoque: 
D – Custo do produto vendido – Resultado – R$ 931,00 
C – Produto Agrícola laranja – AC – R$ 931,00 
Conforme podemos ver, a contabilização irá refletir o valor justo dos ativos 
biológicos e produtos agrícolas, atendendo o exposto no CPC 29, bem como 
seguindo o apresentado pelo CPC 46 para determinar o valor justo. 
TEMA 3 – ENTENDENDO DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO DOS 
ATIVOS BIOLÓGICOS 
A contabilidade atua para gerar informação do patrimônio da entidade aos 
usuários, dessa forma existem alguns procedimentos que visam atender a esse 
objetivo. 
Quando a entidade realiza um alto desembolso em algum bem que irá ser 
usufruído por mais de um período, o valor deverá ser apropriado aos períodos 
de utilização desse bem. 
Na contabilidade os procedimentos que irão servir a esse propósito são 
conhecidos como depreciação, exaustão e amortização. 
A escolha do procedimento se dará conforme o item que consumiu o 
recurso que será apropriado aos períodos subsequentes. 
3.1 Depreciação 
O conceito de depreciação aplica-se a bens que sejam tangíveis, ou seja, 
aqueles que podem ser tocados. No meio rural, Marion (2014) traz como 
exemplo os tratores, colheitadeiras, outros implementos, culturas permanentes 
que produzam frutos, animais de produção, bem como instalações e 
construções. 
Quanto à depreciação de construções, o procedimento é semelhante à do 
meio comercial e industrial. Vamos verificar exemplos das demais depreciações. 
 
 
12 
3.1.1 Depreciação de animais de produção 
Os animais de produção, como bovinos leiteiros e reprodutores, serão 
depreciados de forma linear em função de sua vida útil. Uma matriz leiteira pode 
ter uma vida útil variável, mas vamos assumir que seja 7 anos. O valor gasto 
para aquisição ou formação desse reprodutor será apropriado durante sua vida 
útil. Vamos verificar de maneira simples quais seriam os lançamentos. 
Pela formação do reprodutor: 
D – Matriz – ANC – R$ 7.000,00 
C – Caixa/insumos/mão de obra – AC – R$ 7.000,00 
Assumindo que o gasto de formação ou aquisição da matriz foi de R$ 
7.000,00, então esse valor será apropriado aos próximos 7 anos. Vejamos o 
lançamento de apropriação. 
D – Bezerros – AC – R$ 1.000,00 
C – Depreciação Matriz – ANC – R$ 1.000,00 
Esse é o lançamento quando a propriedade atua na criação de animais, 
apropriando o valor aos bezerros. No caso de a produção ser de leite, o valor de 
R$ 1.000,00 será apropriado como custo da produção leiteria desse animal, 
semelhante a uma máquina industrial, que tem sua depreciação apropriada aos 
produtos, tendo o lançamento a seguir: 
D – Leite – AC – R$ 1.000,00 
C – Depreciação Matriz – ANC – R$ 1.000,00 
Conforme a utilização dos animais de produção, seu valor de depreciação 
será apropriado aos produtos específicos, ou animais oriundos de reprodução e 
com esse propósito. 
3.1.2 Depreciação de Culturas permanentesAs culturas permanentes que são depreciadas serão aquelas que irão 
produzir frutos, e após a extração dos mesmos, a planta continuará a produzir 
para o próximo exercício. Ocorrerá a depreciação em função da vida útil da 
cultura, tal prazo sendo fornecido por especialista da área. A título de exemplo 
 
 
13 
vamos considerar a cultura de café, bem como assumiremos a vida útil de 10 
anos. Como já vimos, todo o valor gasto para formar a cultura permanente será 
contabilizado no imobilizado, conforme a seguir: 
D – Cultura Permanente de Café – ANC – R$ 20.000,00 
C – Caixa/Salários/Mudas/Insumos – AC – R$ 20.000,00 
Conforme o exemplo, a depreciação anual será no valor de R$ 2.000,00, 
a ser contabilizado como depreciação da cultura, tendo como contrapartida o 
custo da colheita da cultura. Vamos verificar o lançamento contábil: 
D – Café CA (Colheita em Andamento) – AC – R$ 2.000,00 
C – (-) Depreciação Acumulada – ANC – R$ 2.000,00 
O lançamento para a depreciação de culturas permanentes será esse, 
lembrando que utilizamos a cultura do café como exemplo, seguindo 
procedimentos semelhantes para a laranja, uva, oliveiras, dentre outras culturas. 
Dependendo da cultura, a primeira colheita pode ter um rendimento 
inferior ao normal, para tanto a depreciação deverá ser proporcional. 
Por exemplo: considerando que o café produza normalmente em 
determinada área a quantidade de 500 sacas, como é a primeira colheita, a 
mesma será de 200 sacas, ou seja, 40%. Então, a depreciação ao invés de ser 
de R$ 2.000,00, será de R$ 800,00, seguindo a proporção para não penalizar o 
custo da primeira colheita. 
3.1.3 Depreciação de implementos e tratores 
Os implementos e tratores são equipamentos utilizados para a produção, 
podendo ser equiparados a máquinas industriais, e são depreciados em função 
da vida útil. No meio rural deve-se considerar a particularidade de cada 
implemento, por exemplo, um implemento que no período de um ano foi utilizado 
por apenas 3 meses, não é justo depreciar o equivalente a um ano. 
Visando sanar tal problema, alguns itens utilizados no meio rural podem 
ser depreciados conforme as horas de utilização. O trator é um exemplo claro, 
uma vez que o trator vem de fábrica com um medidor de horas. 
O valor da depreciação será apropriado na cultura que for utilizado o 
implemento. A título de exemplo, vamos considerar um implemento agrícola no 
 
 
14 
valor de R$ 20.000,00, que possui uma vida útil de 10 anos. Durante o ano esse 
implemento foi utilizado 50% do tempo na cultura do milho, 30% do tempo na 
cultura da soja e 20% do tempo na cultura do feijão. Temos a seguinte 
contabilização: 
D – Cultura do Milho – AC – R$ 1.000,00 
D – Cultura do Soja – AC – R$ 600,00 
D – Cultura do Feijão – AC – R$ 400,00 
C – Depreciação Implemento – ANC – R$ 2.000,00 
Assim seria a contabilização da depreciação de um implemento, agora 
vejamos como seria de um trator. Vamos assumir o valor de R$ 100.000,00 para 
o trator, e uma vida útil de 8.000 horas, então temos a depreciação por hora no 
valor de R$ 12,50 (R$ 100.000,00 / 8.000). No período foi utilizado o trator por 
100 horas, sendo 60 horas na cultura do milho, 30 horas na cultura da soja e 10 
horas na cultura do feijão. Temos a contabilização da depreciação do trator 
conforme as horas utilizadas em cada cultura: 
D – Cultura do Milho – AC – R$ 750,00 
D – Cultura do Soja – AC – R$ 375,00 
D – Cultura do Feijão – AC – R$ 125,00 
C – Depreciação Trator – ANC – R$ 1.250,00 
3.2 Exaustão 
A exaustão terá comportamento semelhante ao da depreciação, no 
entanto, irá se aplicar aos recursos vegetais e minerais que são exauríveis, ou 
seja, aqueles que com o desenvolvimento da atividade irá fazer com que o 
recurso vá terminando. Temos como exemplos as florestas e reflorestamentos, 
bem como exploração de minerais não renováveis. 
Nesses casos, as árvores são cortadas e as minas serão consumidas. 
Temos as culturas permanentes que serão cortadas para a realização da 
colheita, como árvores plantadas com objetivo de obtenção de madeira, cana de 
açúcar, pastagens, dentre outras culturas, e as explorações de minérios. 
O valor da exaustão será apropriado nos períodos de consumo da cultura 
a ser exaurida. No caso das árvores, será considerada a quantidade cortada, e 
 
 
15 
para minerais, estimado um volume de produção, e conforme for sendo extraído, 
irá ser contabilizada a exaustão. 
Vejamos um exemplo de exaustão, considerando um reflorestamento de 
uma determinada espécie de árvore, com 5.000 árvores, e custo de formação no 
valor de R$ 30.000,00. Dessa forma, a cada árvore cortada, é contabilizado 
referente a exaustão o valor de R$ 6,00 (R$ 30.000,00 / 5.000). Digamos que 
foram cortadas 200 árvores, temos então seguinte contabilização: 
D – Árvores CA – AC – R$ 1.200,00 
C – Exaustão – ANC – R$ 1.200,00 
Como podemos ver, ao realizar o corte da árvore, o valor de exaustão 
será apropriado ao estoque de árvores que estão em processo de colheita. 
Quando ocorrer o corte total das 5.000 árvores, todo esse reflorestamento terá 
sido exaurido, ou seja, terá o valor contábil zerado. 
3.3 Amortização 
Será aplicada a amortização a itens intangíveis ou investimentos pré-
operacionais. Temos como exemplos as marcas e patentes, e mais 
especificamente no meio rural, podemos observar a aplicação em gastos 
destinados à melhoria de solo, pois a empresa rural irá investir na melhoria do 
solo para que o mesmo possa ser fértil por vários períodos, sendo o valor 
apropriado durante os períodos de uso. 
Quando se inicia o cultivo em algum lugar novo, é comum a existência de 
gastos para deixar o terreno em condições ideais de cultivo. Os gastos mais 
comuns são em deslocamento, terraplanagem, nivelamento do solo etc. 
Tais gastos podem ter dois tratamentos, o primeiro seria considerar como 
valorização do terreno, então o valor seria contabilizado juntamente no valor do 
terreno. A outra possibilidade é ativar o gasto nos períodos de uso da terra. 
No caso da segunda hipótese, o valor ficará contabilizado no ativo 
intangível, em uma conta de melhoria de solo. 
A utilização de corretivos de solo também terá tratamento semelhante, 
sendo amortizados conforme o uso da terra nas culturas que serão beneficiadas. 
Vejamos um exemplo de valores gastos na melhoria do solo de R$ 30.000,00, e 
tais melhorias serão amortizadas em 5 anos. 
 
 
16 
Lançamentos dos gastos de melhoria do solo: 
D – Melhorias do Solo (Ativo Intangível) – ANC R$ 30.000,00 
C – Caixa/Bancos/Estoques – AC – R$ 30.000,00 
No primeiro ano será amortizado o valor de R$ 6.000,00 (R$ 30.000,00 / 
5 anos). O solo foi utilizado nas culturas do Soja, Milho e Feijão, as quais foram 
plantadas nesse período. 
D – Milho CTF – AC – R$ 2.000,00 
D – Soja CTF – AC – R$ 2.000,00 
D – Trigo CTF – AC – R$ 2.000,00 
C – Amortização Acumulada – ANC – R$ 6.000,00 
Vemos a apropriação da amortização conforme o uso do solo que 
consumiu recursos anteriormente, para que então, a propriedade ficasse em 
condições de produzir. 
TEMA 4 – PLANO DE CONTAS PARA ITENS DE EMPRESAS AGRÍCOLAS 
A realização da contabilidade sempre terá como base o plano de contas, 
no qual constam todas as contas contábeis que receberão os lançamentos. No 
meio rural será seguida a mesma lógica, mas claro, algumas contas são 
diferentes das de empresas urbanas. 
Cada empresa deve ter seu plano de contas moldado de acordo com as 
suas necessidades, facilitando o processo contábil. Para o meio rural vamos 
utilizar um plano de contas voltado para a atividade, no entanto, a essência da 
contabilidade permanece a mesma. 
Inicialmente, observamos diferenças quanto às contas do estoque, pois 
ao verificarmos as culturas temporárias e permanentes e todo seu processo de 
transformação, temos uma semelhança com as indústrias. 
No meio rural teremos estoques de matérias primas, produtos em 
elaboração,produtos acabados, almoxarifado e os animais. As matérias primas 
são equivalentes aos insumos de produção (sementes, adubos, defensivos, 
mudas, rações etc.). Os produtos em elaboração são aqueles que estão em 
processo, E no meio rural são chamados de culturas temporárias em andamento 
(CTF) e as colheitas em andamento (CA). 
 
 
17 
O produto acabado basicamente é um estoque mais simples, onde 
ficaram os valores respectivos dos produtos prontos para venda, que de maneira 
sintética, são a produção colhida. 
No almoxarifado ficarão contabilizados itens que não irão compor os 
produtos, mas são estocados com a finalidade de manter as atividades da 
empresa. 
Os animais da propriedade que serão mantidos com a finalidade de serem 
vendidos serão contabilizados no estoque. Há uma segregação de contas 
conforme a classificação de animais. 
Vamos verificar uma exemplificação do estoque no Quadro 2, para então 
compreender melhor essa característica no plano de contas. 
Quadro 2 – Estoque na Empresa Rural 
Fonte: Adaptado de Marion (2014). 
O Quadro 2 foi adaptado da obra de Marion (2014), exemplificando o 
plano de contas concernente ao estoque da empresa rural. Devido às 
características peculiares do meio rural, o plano de contas do imobilizado 
também terá alguns detalhes a serem tratados para facilitar o fluxo contábil da 
empresa rural. 
 
 
18 
As culturas permanentes serão contabilizadas no imobilizado, desde a 
sua formação a quando estiver apta a produção, sendo as culturas permanentes 
em formação (CPF) e culturas permanentes formadas (CP). 
Para as empresas rurais que atuam na pecuária com pastagens (caso a 
atuação seja em confinamento não será necessária pastagem), também teremos 
as pastagens em formação e formadas, bem como os animais de reprodução e 
trabalho constarão no imobilizado. 
Vejamos no Quadro 3 um exemplo do plano de contas do imobilizado de 
uma empresa rural. 
Quadro 3: Imobilizado na Empresa Rural 
 
Fonte: Adaptado de Marion (2014). 
Como podemos ver no Quadro 3, o imobilizado mantém suas 
características essenciais no plano de contas, apenas são inclusas conta 
específicas cabíveis às empresas que atuam na atividade rural. 
No restante do plano de contas para as empresas rurais, mantém-se o 
padrão contábil sem mais particularidades referentes ao meio rural, cabendo 
então aos contadores, atuar com o intuito operacionalizar tal plano para gerar 
informações contábeis úteis. 
 
 
19 
TEMA 5 – OPERACIONALIZANDO O PLANO DE CONTAS COM APURAÇÃO 
DE CUSTO DO INVENTÁRIO 
Marion (2014) trata que para se operacionalizar o plano de contas é 
necessário verificar qual será o tipo de inventário utilizado pela entidade rural. 
O inventário é realizado para compreender aquilo que existe ou não 
dentro da empresa. 
O mais comum quando se fala em inventário, é pensar sobre o estoque, 
se os saldos estão corretos, valores corretos, dentre outras variações. 
Existem dois tipos de inventário: 
1. Permanente 
2. Periódico. 
Entende-se por inventário permanente o controle de estoque que 
represente a quantidade existente a qualquer momento que for verificado. 
Significa que ao verificar a ficha de estoque, ela efetivamente irá representar a 
quantidade correta no estoque, isso acontecendo de forma permanente. Esse 
método possibilita a geração de informações em tempo real. 
Enquanto o inventário periódico é apurado ao final de cada período, não 
podendo fornecer informações em tempo real. É recomendado quando o método 
permanente for inviável. No meio rural pode ser difícil trabalhar com o inventário 
periódico, mas em alguns casos será necessário. 
Vamos verificar como seria o inventário periódico aplicado a uma empresa 
rural, lembramos, que tal situação não é a ideal. Para tanto, são necessárias 
adaptações ao plano de contas, em especial na conta Custo do Produto 
Vendido, que deverá conter os grupos conforme o Quadro 4: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
Quadro 4 – Custo do Produto Vendido 
 5.1 CUSTO DO PRODUTO VENDIDO 
 5.1.1 Estoques Iniciais 
 Insumos 
 1 Sementes 
 2 Adubos 
 3 Fertilizantes 
 4 Herbicidas 
 5 Mudas 
 6 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação 
 7 Colheitas em Andamento 
 8 Produtos Agrícolas 
 
 5.1.2 Compras no Exercício 
 Insumos 
 1 Sementes 
 2 Adubos 
 3 Fertilizantes 
 4 Herbicidas 
 5 Mudas 
 
 5.1.3 Mão de obra 
 Salários 
 Férias 
 13º Salário 
 INSS 
 FGTS 
 Aviso Prévio 
 
 5.1.4 Outros Custos Agrícolas 
 Irrigação 
 Energia Elétrica 
 Depreciação 
 Exaustão 
 Almoxarifado 
 Aluguéis 
 
 5.1.5 Estoques Finais 
 Insumos 
 1 Sementes 
 2 Adubos 
 3 Fertilizantes 
 4 Herbicidas 
 5 Mudas 
 6 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação 
 7 Colheitas em Andamento 
 8 Produtos Agrícolas 
Adaptado de Marion, 2014. 
Como podemos ver no Quadro 4, são criadas subcontas para possibilitar 
a correta apuração do inventário periódico, para ao final funcionar como uma 
equação de apuração do custo do produto vendido. A equação 
simplificadamente é a seguinte conforme Marion (2014): 
Estoques iniciais + Compras do Exercício + Mão de obra + Outros custos 
agrícolas - Estoques Finais 
 
 
21 
Primeiramente, todos os valores de estoques iniciais serão transportados 
para as contas que irão apurar os valores do custo do produto vendido. 
 
 Sementes de Milho Milho CTF Milho PA 
 2.000,00 1.000,00 8.000,00 
 
 
 
 
 
Após os estoques iniciais vamos verificar outros valores de custo do 
produto vendido. 
 
 Compras Mão de Obra Outros Custos 
 800,00 4.000,00 500,00 
 
 
 
 
 
Agora que já temos os saldos devedores do custo, chega o momento de 
verificar os saldos credores, ou seja, identificar o estoque final, e deduzir dos 
custos totais. 
 
 Sementes de Milho Milho CTF Milho PA 
 500,00 400,00 5.000,00 
 
 
 
 
 
Agora com todas as contas de apuração do custo do produto vendido, 
vamos junta-las e verificar o valor do custo. 
Custo do Produto Vendido 
2.000,00 500,00 
1.000,00 400,00 
8.000,00 5.000,00 
800,00 
4.000,00 
500,00 
 
16.300,00 5.900,00 
10.400,00 
 
Dessa forma, realizamos o inventário periódico apurando um custo de 
produto vendido de $ 10.400,00. Lembrando que o ideal não é trabalhar com 
esse tipo de inventário, e sim com o inventário permanente, que irá refletir em 
tempo real os custos e estoques da entidade. 
 
 
22 
TROCANDO IDEIAS 
Caros alunos, estudamos alguns conceitos novos nesta aula, e vamos 
então conversar um pouco sobre o reconhecimento e mensuração dos ativos 
biológicos. 
Digamos que vocês são responsáveis pela contabilidade de uma grande 
empresa que atua no ramo industrial e comercial, e cada vez mais vem elevando 
sua participação no mercado. 
Foi chegado o momento de crescimento em que a empresa iniciará 
atividades com reflorestamento, o corte para fabricação de celulose. 
As árvores são ativos biológicos, algo extremamente novo dentro dessa 
empresa, e sem o devido planejamento serão enfrentados graves problemas no 
processo contábil. Nessa situação é necessário moldar o processo para se 
adequar a essa nova realidade. 
Quais medidas vocês como contadores responsáveis da empresa 
tomariam para fazer com que a entidade realize a contabilização de forma 
correta? 
NA PRÁTICA 
Caros alunos, agora vamos praticar um pouco com algumas situações 
retiradas da obra de Marion (2014). Assinale a resposta correta para cada 
questão: 
1. Com relação ao inventário de estoque, pode-se dizer que: 
a. O melhor método da atividade agrícola é o inventário permanente; 
b. Adotando o inventário periódico, torna-sedifícil avaliar uma cultura em 
formação ou uma safra em formação; 
c. No inventário periódico, torna-se fácil avaliar uma cultura em formação ou uma 
safra em formação; 
d. As alternativas a e b estão corretas. 
2. A conta “Matéria-prima” para uma indústria equivale, na 
Contabilidade Agropecuária, a: 
a. Produtos Agrícolas; 
b. Culturas Temporárias em Formação; 
c. Almoxarifados; 
d. Insumos; 
 
 
23 
3. A conta “Estoques de Produtos em Elaboração” para uma indústria 
equivale, na contabilidade agropecuária, a: 
a. Produtos Agrícolas; 
b. Ativos Biológicos; 
c. Almoxarifados; 
d. Materiais. 
4. A conta “Produtos Acabados” para uma indústria equivale, na 
Contabilidade Agropecuária, a: 
a. Produtos Agrícolas; 
b. Colheitas em Andamento; 
c. Almoxarifados; 
d. Insumos. 
5. Cultura temporária em formação (Ativos Biológicos) é classificada 
como: 
a. Ativo - Circulante - Estoque; 
b. Ativo – Não Circulante - Investimento; 
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado; 
d. Ativo – Não Circulante - Intangível. 
6. Cultura permanente em formação (Ativos Biológicos) é classificada 
como: 
a. Ativo - Circulante - Estoque; 
b. Ativo – Não Circulante - Investimento; 
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado; 
d. Ativo – Não Circulante - Intangível. 
7. Cultura permanente formada (Ativos Biológicos) é classificada 
como: 
a. Ativo - Circulante - Estoque; 
b. Ativo – Não Circulante - Investimento; 
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado; 
d. Ativo – Não Circulante - Intangível. 
 
 
 
 
Respostas: 1a/2d/3b/4a /5a /6c/7c 
 
 
24 
FINALIZANDO 
Hoje trabalhamos novos conceitos e fomos aprofundando vossos 
conhecimentos sobre a contabilidade aplicada ao agronegócio. 
Começamos com uma abordagem referente a forma de reconhecer e 
mensurar ativos que são encontrados com maior facilidade no meio rural. 
Existem particularidades referente ao reconhecimento e maneira de mensurar, 
principalmente naquilo que diz respeito ao valor justo. Devendo o contador, além 
de seguir conceitos do CPC 29 referente aos ativos biológicos, também se 
atentar com aplicabilidade do CPC 46 ao tratar do valor justo. Como resultado 
do reconhecimento e mensuração, vem a contabilização. Trabalhamos em 
especial a contabilização das culturas temporárias e permanentes. 
Como terceiro tópico de nossa aula, focamos nos conceitos de 
depreciação, exaustão e amortização, que são maneiras de contabilização da 
desvalorização de bens. Cada conceito se aplica a algum tipo de situação, sendo 
a depreciação aplicável a bens tangíveis como implementos, tratores e outros 
equipamentos do meio rural. A exaustão se aplica a bens naturais, ou seja, que 
seu uso irá fazer com o recurso natural vá terminando, como reflorestamentos, 
pastos, dentre outros. E a amortização se aplica a gastos anteriores que serão 
usufruídos por vários períodos, porém, são gastos em bens intangíveis. 
Os últimos assuntos também possuem uma ligação direta, o plano de 
contas aplicado ao meio rural e a operacionalização do mesmo para a apuração 
do custo por inventário. O plano de contas guia todo o processo contábil, em 
especial colaborando quando a entidade optar pelo inventário periódico, criando 
as contas adequadas para possibilitar esse processo. 
Nesse momento terminamos nossa segunda aula, aprendendo mais 
conceitos da contabilidade aplicada ao agronegócio. Quanto mais 
aprofundarmos os estudos, mais conceitos nos serão apresentados, e a 
complexidade poderá se elevar. 
Bons Estudos!! 
 
 
 
25 
REFERÊNCIAS 
BARROS, C. O impacto do valor justo na mensuração dos ativos biológicos nas 
empresas listadas na BM&F Bovespa. Rio de Janeiro, Revista de Contabilidade 
do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, v. 17, n.3, p.41-59, 2012. 
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14º Ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 
29 - Ativo Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [sn], 2009. 
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 
46 – Mensuração do Valor Justo. Brasília: [sn], 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá, caros(as) alunos(as), chegamos a mais uma aula de Contabilidade 
de Agronegócios. Até o momento, estudamos inúmeros conceitos da 
contabilidade aplicada ao agronegócio, em especial focamos na agricultura, e 
nesse momento vamos iniciar abordagens relacionadas à pecuária. 
O primeiro assunto da nossa aula será relacionado a alguns conceitos da 
contabilidade pecuária, para que possamos nos familiarizar mais com o tema, e 
para posteriormente estarmos aptos a avançar em assuntos mais complexos. 
Em um segundo momento abordaremos sobre o plano de contas para a 
pecuária, bem como a maneira de classificar o gado, pois tais informações 
servirão de subsídio para que o processo contábil possa ser realizado de forma 
mais eficiente. Nosso terceiro assunto está relacionado à comparação entre o 
método de registro pelo custo e o método do valor de mercado, pois dessa forma 
a contabilidade terá parâmetros mais reais para o registro contábil, bem como 
levantando possibilidades de se realizar a contabilidade, e no que tange ao valor 
de mercado, estando alinhado ao CPC 29. Atrelado ao terceiro tema, o quarto 
tratará sobre uma técnica para que a contabilidade trabalhe com o método do 
custo histórico. Finalizaremos nossa aula abordando sobre os custos na 
pecuária. 
Bons Estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Assim como a agricultura, a pecuária também possui importância 
econômica, bem como se faz necessário efetuar os registros contábeis. Então, 
caros(as) alunos(as), devemos buscar mais conhecimento sobre a aplicação 
contábil na pecuária, desde conceitos mais básicos, até pontos mais complexos. 
Mesmo a planificação contábil pode ser simples, no entanto exige 
dedicação para que esse processo seja realizado de maneira adequada. Apurar 
custo é processo complexo, e na pecuária por se tratar de uma atividade que é 
realizada no campo, às vezes com controles inadequados, ou até inexistentes, 
faz com que o profissional contábil busque conhecimento de custos, bem como 
entender o funcionamento da pecuária. 
 
 
 
 
3 
TEMA 1 – CONCEITOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE PECUÁRIA 
A pecuária é considerada a atividade de criação de animais, que pode ser 
realizada com a finalidade de subsistência ou para geração de renda. Enquanto 
atividade econômica, temos as várias possibilidades de criação de animais, tais 
como: bovinos, aves, caprinos, equinos, suínos etc. 
Os animais podem ter funções diferentes nas propriedades rurais, e que 
impactam diretamente na maneira de contabilizá-los. Nesse momento, vamos 
abordar essas funções de forma simples, não aprofundando na contabilização, 
pois tal ponto será tratado posteriormente. 
Dentre as diferentes funções dos animais mantidos na propriedade, estão 
àqueles destinados para comercialização, para abate direto, engorda, para 
trabalho ou reprodução. Em relação aos mantidos com a finalidade de 
reprodução, serão mantidos machos e fêmeas, que gerarão crias que, 
posteriormente, poderão gerar venda ou serem utilizados, também, para 
reprodução. 
Podemos verificar que a pecuária possui uma divisão simples em três 
fases. A primeira trata de produzir animais, cuidando do processo de reprodução, 
enquanto que, na segunda, podemos considerar como uma espécie de 
“adolescência” dos animais, que é o período posterior ao animal ser capaz de 
viver sem a mãe, até que ele chegue a uma espécie de maioridade, que é terceira 
fase. 
Vamos assumir como exemplo os bovinos de corte, os quais possuem as 
três fases expostas com as seguintes nomenclaturas: I) cria; II) recria; e, III) 
engorda. Marion (2014, p. 94) traz as seguintes definições: 
a) Cria: a atividade básicaé a produção de bezerros que só serão 
vendidos após o desmame. Normalmente, a matriz (de boa fertilidade 
produz um bezerro por ano. 
b) Recria: a atividade básica é, a partir do bezerro adquirido, a 
produção e a venda do novilho magro para a engorda. 
c) Engorda: a atividade básica é, a partir do novilho magro adquirido, a 
produção e a venda do novilho gordo. 
Como podemos observar, as três fases ficam bem definidas, e mesmo 
utilizando o exemplo dos bovinos, os demais animais terão processos 
semelhantes. Os suínos, por exemplo, terão um processo similar aos bovinos, 
pois haverá o processo de produção de leitões, posteriormente sendo 
 
 
4 
engordados até o momento de seu abate. Para as aves, seguirá a mesma linha, 
tendo as galinhas poedeiras para gerar os ovos que, depois de chocados, vem 
a fase dos pintinhos, que posteriormente serão engordados para abate. 
Para cada tipo de animal, haverá algumas variações quanto às fases da 
pecuária, e cada propriedade rural pode atuar em uma dessas fases, ou 
combinar mais de uma atividade. Dessa maneira, surgem seis combinações 
possíveis de exploração da pecuária de corte: 
• Cria 
• Recria 
• Cria-Recria 
• Cria-Recria-Engorda 
• Recria-Engorda 
• Engorda 
O empresário rural deverá ter ciência de sua capacidade técnica e 
estrutural para optar pela fase, ou combinação de fases, que seja capaz de 
desempenhar de maneira eficiente, pois apenas dessa forma conseguirá gerar 
receitas para sua atividade. 
Até o momento falamos muito sobre o processo até a engorda, que 
posteriormente leva os animais ao abate. No entanto, todo o processo de criação 
dos animais irá passar pelas matrizes e reprodutores, que serão os animais 
utilizados para gerar os demais. 
Esses animais destinados à reprodução serão selecionados e criados 
exatamente para essa finalidade, e, por isso, terão alguns cuidados 
diferenciados. Por exemplo, no caso dos bovinos, os machos destinados à 
engorda são castrados, enquanto os reprodutores não, havendo processos 
similares às demais espécies. 
No que diz respeito às aves, em especial as galinhas, aquelas destinadas 
a pôr os ovos serão mantidas com essa finalidade, com toda alimentação 
adequada à sua função. 
Saiba mais 
Caros(as) alunos(as), trago para vossa leitura o artigo intitulado “A 
Utilização da Informação Contábil na Gestão da Pecuária Bovina de Corte: Uma 
Pesquisa Empírica”, com o objetivo de viabilizar uma melhor compreensão da 
participação da contabilidade no meio rural. Disponível em: 
 
 
5 
<https://www.bbronline.com.br/index.php/bbr/article/download/423/645>. 
Acesso em: 8 ago. 2019. 
TEMA 2 – CLASSIFICAÇÃO DO GADO NA CONTABILIDADE PECUÁRIA E 
PLANO DE CONTAS 
Assim como vimos anteriormente sobre o plano de contas e divisão de 
fases da produção agrícola, nesse momento vamos verificar os aspectos 
semelhantes sobre a pecuária. 
Visando facilitar nossos estudos, vamos segregar esse momento de 
nossa aula em duas partes, primeiramente a classificação do gado, que será 
informação pertinente para o plano de contas, que é a segunda parte. 
2.1 Classificação dos Animais na Contabilidade Pecuária 
A todo momento em sociedade, vivemos separando itens, criando 
classificações e subclassificações, tudo isso visando obter uma facilidade para 
lidar com as situações. Para a classificação dos animais isso também é 
pertinente, tanto para aspectos contábeis como para situações operacionais. 
Marion (2014) traz uma divisão simples na classificação dos animais, 
como sendo os com finalidade de comercialização e aqueles mantidos na 
propriedade com a finalidade de trabalho e reprodução, estes últimos mantidos 
na propriedade por longos períodos de tempo. 
Em relação à classificação, o Fisco também atua para estabelecer 
regulamento quanto à maneira de classificar os animais, sendo disposto no 
Parecer Normativo nº 57/76. 
2.1. ATIVO IMOBILIZADO 
Podemos considerar como integrante do ativo imobilizado as contas a 
seguir indicadas, tendo em vista o disposto no art. 241 - RIR/75, 
Decreto 76.186/75, verbis: 
"Integram o ativo imobilizado, para os efeitos de correção monetária, 
os bens que se destinem à exploração do objeto social ou à 
manutenção das atividades da pessoa jurídica." 
2.1.1. Gado Reprodutor, indicativa de touros puros de origem, touros 
puros de cruza, vacas puras de cruza, vacas puras de origem e plantel 
destinados à inseminação artificial; 
2.1.2. Gado de Renda, representando bovinos, suínos, ovinos e 
eqüinos que a empresa explora para a produção de bens que 
constituem objeto de suas atividades; 
2.1.3. Animais de Trabalho, compreendendo eqüinos, bovinos, 
muares, asininos destinados a trabalhos agrícolas, sela e transporte; 
2.2. ATIVO REALIZÁVEL 
 
 
6 
De conformidade com o art. 241, § 1º, letra a do RIR/75, aprovado pelo 
Decreto 76.186/75: 
"integram o ativo realizável os bens adquiridos para revenda, os 
destinados a constituir parte integrante, bens produzidos para revenda, 
ou a serem consumidos na produção de bens ou serviços para venda." 
Portanto, serão classificadas no Realizável, em conta apropriada, 
aves, gado bovino, suínos, ovinos, eqüinos, caprinos, coelho, peixe e 
pequenos animais, destinados a revenda, ou a serem consumidos na 
produção de bens para venda (Parecer Normativo nº 57/76). 
Quando o Fisco segrega em Imobilizado e Realizável, de maneira mais 
simples e atualizada, atualmente denominamos como Não Circulante e 
Circulante respectivamente. 
Também é conveniente verificarmos o exposto pelo CPC 26 (R1) (2011), 
que trata da apresentação das demonstrações contábeis, bem como classificar 
os itens em circulante e não circulante. Tendo a seguinte redação: 
66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer 
qualquer dos seguintes critérios: 
(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou 
consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; 
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; 
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do 
balanço; ou 
(d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no 
Pronunciamento Técnico CPC 03 –Demonstração dos Fluxos de 
Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se 
encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do 
balanço. 
Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes 
(CPC 26 (R1), 2011, p. 20). 
Verifica-se que o CPC, enquanto órgão contábil, deve ser seguido, 
verificando quais animais se enquadram como circulante, de forma simples 
aqueles mantidos para serem comercializados, e os demais como não circulante. 
Ao alinharmos o apresentado por Marion, Fisco e o CPC, vemos que todos 
os animais que são destinados à venda ou ao consumo serão mantidos no Ativo 
Circulante, enquanto os animais destinados a reprodução, produção de algum 
tipo de item a ser vendido e aqueles destinados ao trabalho serão classificados 
no Ativo Não Circulante. 
Propriedades rurais que atuam na reprodução e venda necessitarão 
renovar seus animais, reprodutores e matrizes, para tanto irão monitorar as crias, 
visando aqueles de maior potencial. Até que seja efetivamente definido que os 
animais serão mantidos para reprodução, estarão contabilizados no circulante, 
e após a decisão de manter os animais, serão transferidos para o não circulante. 
 
 
 
7 
2.2 Plano de Contas 
Assim como na agricultura, na pecuária também é necessário atuar com 
um plano de contas adequado, voltado a atender as necessidades da empresa 
rural. A classificação do rebanho será refletida no plano de contas, que terá essa 
divisão como base do planejamento contábil. 
Vamos verificar, no Quadro 1, uma exemplificação simples do Plano de 
Contas do Balanço Patrimonial, considerando a bovinocultura como exemplo. 
Quadro 1 – Balanço Patrimonial Pecuária – Ativo 
 1 ATIVO 
 11 Ativo Circulante 
 111 Disponível 
 112 Clientes e Títulos113 Ativos Biológicos 
 1131 Bezerros (as) de 0 a 8 meses 
 1132 Novilhos (as) de 9 a 18 meses 
 1133 Novilhos de 19 a 36 meses 
 1134 Novilhos acima de 37 meses 
 1135 Novilhas acima de 19 meses (em experimentação) 
 1136 Garrotes (tourinhos) acima de 25 meses (em experimentação) 
 12 Ativo Não Circulante 
 121 Realizável a Longo Prazo 
 122 Investimentos 
 123 Imobilizado 
 1231 Ativos Biológicos - Rebanhos 
 12311 Reprodutores 
 12312 Matrizes 
 1232 Ativos Biológicos – Animais de Trabalho 
 12321 Cavalos e éguas 
 12322 Burros e mulas 
 12323 Jumentos, Bois etc 
 1233 Ativos Biológicos – Animais e aves de cria 
 12331 Ovinos 
 12332 Caprinos 
 12333 Equinos 
 12334 Suínos 
Fonte: Adaptado de Marion, 2014. 
Como podemos ver no Quadro 1, a empresa rural que atua com a 
pecuária deverá adaptar seu plano de contas, visando atender a particularidade 
dessa atividade. Não demonstramos o passivo nesse momento, pois o mesmo 
continuará constando as obrigações da entidade, sem muitas diferenças de uma 
empresa comercial. 
Haverá particularidades quanto à denominação das contas de resultado, 
constando no plano de contas nomes que remetem à atividade. Por exemplo, 
tratando de “Receitas com Gado”, ou também “Receitas com ovos”, conforme a 
 
 
8 
atividade desenvolvida. Vamos verificar, no Quadro 2, a exemplificação do Plano 
de Contas para demonstração de resultado da pecuária. 
Quadro 2 – Demonstração de Resultado 
 4 Receita Bruta 
 41 Receita do Gado Bovino 
 411 Venda do Gado Bovino 
 412 Variação Patrimonial Líquida 
 42 Outras Receitas 
 421 Leite 
 5 Custo/Despesa/Deduções 
 51 Custo do gado vendido (método de custo) 
 52 Custo do rebanho no período (método de valor de mercado) 
 53 Despesas operacionais e outros itens 
Fonte: Adaptado de Marion, 2014. 
Podemos ver, de maneira simplificada, as contas de resultado pertinentes 
à pecuária, que serão de suma importância para a apuração do resultado da 
entidade rural que atua com a criação de animais. Quanto às terminologias 
utilizadas de “método de custo” e “método de valor de mercado”, serão 
abordadas de forma específica, na sequência de nossa aula. 
Todo o planejamento começa com o plano de contas, e sua elaboração 
de maneira correta irá contribuir para que a contabilidade seja realizada de forma 
fidedigna, bem como facilitando o processo. 
TEMA 3 – MÉTODO DE CUSTO X MÉTODO A VALOR DE MERCADO (VALOR 
JUSTO) 
O método de custo e o método a valor de mercado são possibilidade de 
se mensurar o estoque na atividade rural. Marion (2014) trata desses aspectos 
levando em conta que o rebanho pode ser mensurado considerando o valor 
consumido para sua formação, além de ser possível mensurar pelo preço 
corrente do rebanho. Assim, o primeiro é o método de custo e o segundo o 
método a valor de mercado. 
Quanto aos aspectos da confiança da informação contábil, deverá ser 
priorizado o método a valor de mercado, que irá refletir o valor justo. Apenas 
quando não for possível mensurar o valor justo de maneira segura, que se 
recomenda a utilização do método de custo. 
Para melhor diferenciarmos cada método, veremos, na sequência, em 
tópicos separados. Vamos verificar, primeiramente, o procedimento de quando 
 
 
9 
a propriedade rural trabalha com engorda de animais, e também 
exemplificaremos o procedimento quando do nascimento de bezerros. Dessa 
maneira, conseguiremos ter uma visualização dos dois métodos em 
circunstâncias diferentes. 
3.1 Método de Custo 
O método de custo acaba sendo simples devido sua semelhança com a 
aplicação no meio industrial, pois todos os custos de produção são estocados, e 
quando ocorre a venda, os mesmo se tornam custo no resultado. Olhando para 
o meio rural, o processo é idêntico, pois serão contabilizados os custos para 
“produzir” o rebanho, e quando da venda, o valor deve ser transferido para o 
resultado do período. 
Uma das características básicas desse método é que a apuração do lucro 
ocorre apenas quando acontece a venda. Pode até parecer estranho pensar em 
apurar o lucro em um momento diferente da venda, visto que a contabilidade 
atua com fatos contábeis sendo registrado conforme a competência, ou seja, 
registrando no momento que acontece o fato contábil. Entretanto, em alguns 
casos o lucro não será apurado no momento da venda, que é a situação do 
método a valor de mercado, que vamos verificar posteriormente. 
Nesse momento, observemos o Quadro 3, que contém um esquema 
simplificado do método de custo para melhor compreendermos. 
Quadro 3 – Método de Custo 
 
Verificando no Quadro 3, na cor azul estão os valores consumidos para 
formar o rebanho, ou seja, o custo do rebanho que está em estoque. Quando 
 
 
10 
ocorre a venda, o custo é baixado do estoque, e vai para o resultado, que é o 
valor na cor vermelha. 
Então, é possível ver que o método de custo para o rebanho acaba sendo 
bem simples, facilitando a contabilização. Na sequência, vamos verificar como 
seria o procedimento no caso de nascimento de um bezerro. 
Marion (2014) trata que, para o registro contábil do nascimento de 
bezerros, o método de custo é o mais correto, mesmo sendo diferente do 
entendimento fiscal. 
Nesse caso, com o nascimento do bezerro, o mesmo irá para o estoque 
na conta Bezerros de 0 a 8 meses, conforme o Quadro 1. Vejamos, no Quadro 
4, o procedimento contábil. 
Quadro 4 – Método de Custo Nascimento de Bezerro 
 
Como podemos ver, todo o valor consumido para manter o touro e matriz 
será alocado ao bezerro quando ele nascer, dando, assim, origem ao custo do 
bezerro. Dentre os gastos para manter os reprodutores, haverá a alimentação, 
sanidade, depreciação, mão de obra utilizada no manejo, dentre outros custos 
destinados a esses animais. 
Em termos de informação para gerenciar o negócio, conhecer seus custos 
é essencial, sendo que o método de custo fornece essa possibilidade ao produto 
rural. 
3.2 Método a Valor de Mercado 
Esse método é utilizado considerando o preço de mercado para mensurar 
o valor do estoque, que na maioria dos casos é maior do que o custo. Tal 
procedimento irá ocasionar um ganho econômico, que será reconhecido na 
 
 
11 
contabilidade, pois com o crescimento do rebanho, automaticamente terá seu 
valor elevado, realizando o procedimento geralmente uma vez por ano (Marion, 
2014). 
Dessa forma todos os valores consumidos para manter o plantel serão 
contabilizados como custo do período, enquanto o ganho econômico do 
crescimento dos animais será considerado uma Variação Patrimonial Líquida, 
que equivale à receita, no entanto, sem que entre dinheiro. 
Apenas quando ocorrer a venda é que o valor do ganho econômico será 
realizado financeiramente, e não antes disso. Dessa maneira, anualmente é 
apurado o resultado da atividade com receita e custo, mesmo sem a ocorrência 
da venda. 
No caso do nascimento de bezerros, também é considerada a receita 
econômica, pois, de certa forma, a empresa rural está lucrando pelo fato de o 
bezerro ter nascido. Nesse caso, todos os valores e manutenção do touro e 
matriz que geraram o bezerro serão considerados como custo do período. 
Primeiramente vejamos uma comparação na contabilização do método de 
custo com o método a valor de mercado dos animais já existentes no rebanho. 
Para isso vamos assumir alguns dados da obra de Marion (2014) para o 
exemplo: 
• Estoque no início de X1 é de dez cabeças de gado a $ 900,00 cada, 
totalizando $ 9.000,00. 
• Durante o ano, foi consumido o valor de $ 10.600,00 para manter o 
rebanho. 
• Ao final de X1, o valor de mercado de cada cabeça de gado era de $ 
2.100,00, totalizando $ 21.000,00. 
• No período nenhum animal foi vendido. 
Vejamos agora, no Quadro 5, a comparação dos dois métodos baseados 
nos dados do exemplo. 
Quadro 5 – Comparação de Métodos 
Método de Custo Método a Valor de Mercado 
BalançoPatrimonial DRE Balanço Patrimonial DRE 
Ativo Circulante 
Ativos Biológicos 9.000,00 
Custo Acum. 10.600,00 
 19.600,00 
Nada se registra, pois não 
houve venda do gado; 
portanto não se apura 
resultado. 
Ativo Circulante 
Ativos Biológicos 9.000,00 
Valorização 12.000,00 
 21.000,00 
Variações Patrimoniais 
Líquidas 12.000,00 
Custo Prod. (10.600,00) 
Luc. Econômico 1.400,00 
O crescimento biológico e o ganho de peso não são 
reconhecidos como ganho econômico. 
Reconhece o ganho econômico mostrando aos usuários 
que valeu a pena manter o rebanho no ano, já que trouxe 
lucro econômico para a empresa. 
Fonte: Marion, 2014, p. 107. 
 
 
12 
Fica claro que pelo método de custo só haverá resultado quando ocorrer 
efetivamente a venda, e o custo dos animais será mantido conforme o valor de 
recursos consumidos na criação dos mesmos. Enquanto pelo método a valor de 
mercado, ao final do período o ganho econômico pelo crescimento dos animais 
será reconhecido como variação patrimonial líquida, equivalente à receita, no 
entanto sem haver venda dos animais. Em contrapartida da variação patrimonial 
líquida, os custos consumidos para a manutenção do rebanho serão lançados 
como custo do período. 
Quanto aos bezerros, o processo de contabilização pelo método a valor 
de mercado é simples, devendo ser reconhecida a receita econômica ocorrida 
pelo nascimento. Vejamos um exemplo: 
Receita Econômica Ativo circulante - Estoque 
 R$ 500,00 R$ 500,00 
 
 
 
 
Pelo nascimento do bezerro será reconhecida a receita econômica, e em 
contrapartida é dada a entrada do bezerro no estoque. Os valores de 
manutenção do touro e matriz serão contabilizados como custo do período. 
Nesse momento de nossa aula, vimos dois métodos para mensurar o valor 
do estoque na empresa rural, devendo o contador ter o conhecimento necessário 
para poder desempenhar seu papel de maneira íntegra e eficiente. 
Saiba mais 
Caros(as) alunos(as), para que possamos alcançar mais conhecimento 
relacionado aos custos da pecuária, como assunto pertinente de nossa aula, 
recomendo a leitura e análise de dois artigos. O primeiro é intitulado “Custos de 
produção de gado bovino: revisão sob o enfoque da contabilidade de custos”. 
Disponível em: 
<https://www.researchgate.net/profile/Laercio_Melz/publication/263198708_Cu
stos_de_producao_de_gado_bovino_revisao_sob_o_enfoque_da_contabilidad
e_de_custos/links/00b4953acaf82a139d000000/Custos-de-producao-de-gado-
bovino-revisao-sob-o-enfoque-da-contabilidade-de-custos.pdf>. Acesso em: 9 
ago. 2019. 
Já o segundo é intitulado “Para um debate saudável: custo histórico 
versus justo valor”. Disponível em: 
 
 
13 
<https://www.occ.pt/fotos/editor2/RevistaTOC113II.pdf>. Acesso em: 9 ago. 
2019. 
TEMA 4 – TÉCNICA PARA UTILIZAÇÃO DO CUSTO HISTÓRICO NA PECUÁRIA 
O custo histórico é conhecido por ser utilizado quando a entidade registra 
seus ativos pelo valor de aquisição ou pelo custo de fabricação (Marion, 2014). 
Seguindo esse conceito, a maioria das entidades utiliza o custo histórico, e no 
meio rural também haverá essa ocorrência. 
A grande utilização do custo histórico também se justifica pela maneira 
simples de se trabalhar, pois basta apropriar o custo consumido pelo rebanho 
para o próprio rebanho. 
Todos os gastos do período com o rebanho serão somados, chegando ao 
valor total de custo consumido para manter o rebanho, esse valor será dividido 
pela quantidade de animais, chegando ao custo médio de cada cabeça. Os 
valores consumidos pelos reprodutores e matrizes também farão parte do 
cálculo do custo médio por cabeça. 
O processo de contabilização se assemelha ao industrial, em que os 
reprodutores e matrizes equivalem a máquinas de produção, enquanto os 
animais do rebanho equivalem ao produto em elaboração. 
Para melhor ilustrar o procedimento para se utilizar o custo histórico, 
vamos verificar um exemplo. Imaginem uma propriedade que possui matrizes e 
reprodutores, e as matrizes pariram nesse período, iniciando a formação de um 
rebanho de bezerros. 
O gasto de manutenção dos animais é composto pelos salários, 
alimentação, exaustão da pastagem, depreciação dos reprodutores e matrizes, 
sanidade e outros gastos, perfazendo um total de R$ 29.000,00. Esse total será 
transferido para uma conta auxiliar de custo do rebanho em formação, para 
depois ser alocado na respectiva conta do estoque, pois os animais nascidos 
podem ser fêmeas ou machos. 
Digamos que no período nasceram 100 animais, sendo 50 fêmeas e 50 
machos. O procedimento de alocação do custo de formação será por cabeça de 
animal, da seguinte forma: 
29.000,00
100
= 290,00 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐 
 
 
14 
Com o valor unitário por animal, agora deverá ser multiplicado pela 
quantidade de animais em cada classificação. 
50 𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝐵𝐵 𝑑𝑑𝑐𝑐 0 𝑐𝑐 8 𝑚𝑚𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑥𝑥 290 = 14.500,00 
50 𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝑝𝑝𝑝𝑝𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑑𝑑𝑐𝑐 0 𝑐𝑐 8 𝑚𝑚𝑐𝑐𝐵𝐵𝑐𝑐𝐵𝐵 𝑥𝑥 290 = 14.500,00 
Vejamos agora o esquema da contabilização em razonetes. 
 
Como podemos ver, o processo é simples, e sempre utilizamos o valor de 
custo efetivamente consumido, que é o preceito básico do custo histórico. 
Caso a propriedade possuísse outras classificações no rebanho, como 
novilhos (as) ou bois gordos, o procedimento seria o mesmo, que é a divisão do 
custo de formação ou manutenção do rebanho, dividido pelo número de animais. 
Seguindo o mesmo exemplo, no próximo exercício, se os bezerros forem 
mantidos na propriedade, serão transferidos para a conta de novilhos e novilhas, 
conforme podemos visualizar na sequência. 
 
 
 
15 
Sempre que os animais mudarem de classificação, o saldo da conta será 
transferido para a nova classificação, seguindo o custo histórico já acumulado 
dos animais. 
O custo histórico é ferramenta de gestão, facilitando para a propriedade 
compreender seus reais custos, e planejando a formação do preço de venda 
quando necessário. 
TEMA 5 – CUSTOS NA PECUÁRIA 
Como vimos anteriormente, o custo histórico irá acumular todos os valores 
consumidos para formar o rebanho, no entanto existem algumas críticas a essa 
forma de se trabalhar. Tais críticas surgem devido ao longo ciclo produtivo dos 
animais, que devido a questões de inflação ou deflação, pode fazer com que o 
valor do custo histórico não consiga refletir exatamente o valor atualizado de 
custo do rebanho. 
Fica claro um panorama que alguns preferem o custo histórico, enquanto 
outros o criticam e optam pelo valor mercado. No entanto, talvez possa haver um 
terceiro perfil que não aprecie nenhuma das opções anteriores, sendo esse 
ponto que iremos tratar nesse momento. 
De forma a mesclar o custo histórico com o valor de mercado, podemos 
trabalhar corrigindo o valor do estoque, porém realizando tal procedimento 
apenas com fins gerenciais e não fiscais. Dessa maneira, serão geradas 
informações para a gestão da propriedade tomar decisões considerando a 
atualização do valor. 
O valor dos animais será considerado o custo histórico acrescido de uma 
taxa de mercado, visando, assim, aproximar ao valor de mercado, porém 
dificilmente será o mesmo. 
Um dos fatores mais difíceis é a determinação do índice que será utilizado 
para efetuar a correção monetária, seja UFIR, IGPM, INPC, dentre outras 
possibilidades. Nesse momento, vamos trabalhar com índices fictícios para 
ilustrar a situação. 
Para exemplo, assumiremos uma propriedade que possui um rebanho 
com 450 animais, e em abril de x1 nasceram 50 bezerros. Então vamos 
demonstrar como seria essa apuração de custos considerando a correção a ser 
realizada ao final do período. Visando simplificar o processo e facilitar o 
 
 
16 
entendimento, trabalharemos apenas com os bezerros, pois para os demais 
animais seguirão o mesmoprocesso. 
Vejamos o Quadro 6, com informações dos custos de formação do 
rebanho. 
Quadro 6 – Custos de Formação do Rebanho 
Mês Custo 
formação do 
Rebanho 
Número de 
animais total 
Custo 
unitário 
Número de 
Bezerros 
Custo dos 
Bezerros 
Abril 11.075,00 500 22,15 50 1.107,50 
Maio 11.250,00 500 22,50 50 1.125,00 
Junho 11.530,00 500 23,06 50 1.153,00 
Julho 5.847,50 250 23,39 50 1.169,50 
Agosto 5.962,50 250 23,85 50 1.192,50 
Setembro 6.047,50 250 24,19 50 1.209,50 
Outubro 6.155,00 250 24,62 50 1.231,00 
Novembro 6.245,00 250 24,98 50 1.249,00 
Dezembro 6.275,00 250 25,10 50 1.255,00 
 
Ao final do exercício, os 50 Bezerros terão um custo histórico acumulado 
de R$ 10.692,00, sendo o valor de R$ 213,84 por animal. Vale lembrar que, 
conforme estudamos anteriormente, o custo de formação do rebanho é 
composto por todos os gastos necessários para manter o mesmo, bem como ao 
dividir o valor total pela quantidade de animais, chegamos no custo por cabeça 
do rebanho. 
Vamos considerar uma taxa de inflação de 12% no período, para que 
possamos realizar a correção dos valores. Então, temos o seguinte cálculo: 
10.692,00 𝑥𝑥 12% = 1.283,04 
Assim, chegamos ao valor de R$ 1.283,04, que se refere à correção 
monetária, ou seja, o valor a ser acrescentado ao custo histórico. Temos, então, 
o valor de custo desses bezerros de R$ 11.975,04. A correção monetária propicia 
que a entidade consiga atualizar o valor, visto que, com o passar do tempo, 
existirá uma desvalorização do dinheiro, e corrigindo podemos atualizar o valor. 
Agora que vimos como funciona o procedimento, vamos aplicá-lo em um 
exemplo com mais animais envolvidos. Vejamos, então, o relatório de animais. 
 
 
 
17 
Quadro 7 – Relatório de Animais de X1 
Mês Custo 
formação 
do 
Rebanho 
Bezerros 
de 0 a 8 
meses 
Novilhos 
de 9 a 18 
meses 
Novilhos 
de 19 a 36 
meses 
Total de 
animais 
Custo 
unitário 
por 
animal 
Janeiro 9.180,00 0 0 360 360 25,50 
Fevereiro 11.895,60 0 100 360 460 25,86 
Março 12.116,40 0 100 360 460 26,34 
Abril 12.429,20 0 100 360 460 27,02 
Maio 12.539,60 0 100 360 460 27,26 
Junho 14.430,00 60 100 360 520 27,75 
Julho 14.892,80 60 100 360 520 28,64 
Agosto 15.132,00 60 100 360 520 29,10 
Setembro 15.267,20 60 100 360 520 29,36 
Outubro 15.553,20 60 100 360 520 29,91 
Novembro 15.672,80 60 100 360 520 30,14 
Dezembro 15.750,80 60 100 360 520 30,29 
Agora, vamos verificar qual é o valor de custo que será agregado a cada 
classificação de animais em cada mês. 
Quadro 8 – Custo mensal por tipo de animal 
Mês Custo formação do 
Rebanho 
Bezerros de 0 a 
8 meses 
Novilhos de 9 
a 18 meses 
Novilhos de 19 a 
36 meses 
Janeiro 9.180,00 0,00 0,00 9.180,00 
Fevereiro 11.895,60 0,00 2.586,00 9.309,60 
Março 12.116,40 0,00 2.634,00 9.482,40 
Abril 12.429,20 0,00 2.702,00 9.727,20 
Maio 12.539,60 0,00 2.726,00 9.813,60 
Junho 14.430,00 1.665,00 2.775,00 9.990,00 
Julho 14.892,80 1.718,40 2.864,00 10.310,40 
Agosto 15.132,00 1.746,00 2.910,00 10.476,00 
Setembro 15.267,20 1.761,60 2.936,00 10.569,60 
Outubro 15.553,20 1.794,60 2.991,00 10.767,60 
Novembro 15.672,80 1.808,40 3.014,00 10.850,40 
Dezembro 15.750,80 1.817,40 3.029,00 10.904,40 
Total 164.859,60 12.311,40 31.167,00 121.381,20 
Como podemos ver, cada classificação de animal recebeu seu respectivo 
valor de custo histórico, mas ao final do exercício devemos corrigir o valor, então 
vamos utilizar uma inflação de 15%. Com o custo dos bezerros de 0 a 8 meses, 
será acrescido em R$ 1.846,71, chegando ao valor de R$ 14.158,11. Os novilhos 
de 9 a 18 meses será acrescido de R$ 4.675,05, totalizando o saldo da conta em 
R$ 35.842,05. E os novilhos de 19 a 36 meses será corrigido no valor de R$ 
18.207,18, chegando ao saldo da conta de R$ 139.588,38. 
Esse método irá atuar para corrigir os valores históricos e aproximá-los do 
valor de mercado, sendo uma alternativa gerencial para apurar o custo da 
entidade rural. Cabe ao profissional contábil atuar de forma diligente para apurar 
 
 
18 
os custos na pecuária, visando, então, gerar informações úteis aos proprietários 
rurais. 
TROCANDO IDEIAS 
Caros alunos, alcançamos mais conhecimentos em nossa disciplina de 
Contabilidade de Agronegócios, em específico sobre a pecuária, que possui 
várias nuances semelhantes à atividade industrial, pois existem estoques em 
elaboração da mesma maneira. 
A apuração de custo pode ser feita por meio do custo histórico, valor de 
mercado ou até mesmo uma junção dos dois efetuando correção monetária. 
Seguindo os conceitos estudados nesta aula, imaginemos que vocês são 
contratados para serem contadores de uma empresa rural, que atua 
prioritariamente com a pecuária. Quais medidas vocês tomariam para 
implementar uma apuração do custo histórico? Quais medidas para se trabalhar 
com o valor de mercado? E quais seriam suas ideias para a correção monetária? 
Discutam com seus colegas para que possam chegar na melhor opção. 
NA PRÁTICA 
Caros alunos, agora vamos praticar um pouco com algumas situações 
que remetem ao conteúdo estudado. 
1 – Considerando uma propriedade rural que atua na criação de bovinos 
possui o seguinte rebanho em 31/12/X1 
Classificação Cabeças Valor 
Bezerros de 0 a 1 ano 600 R$ 210.000,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 1.000 R$ 400.000,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 2.400 R$ 1.488.000,00 
Animais em estoque 4.000 R$ 2.098.000,00 
Matrizes 2.000 R$ 800.000,00 
Touros 500 R$ 300.000,00 
Animais em imobilizado 2.500 R$ 1.100.000,00 
Total do Rebanho 6.500 R$ 3.198.000,00 
 
No mês janeiro de X2 ocorreram 500 nascimentos, ou seja, mais 500 
bezerros de 0 a 1 ano. No mês de janeiro, o custo de manutenção do rebanho 
foi de R$ 118.350,00. Pergunta-se: 
a) Qual o valor de custo de formação do rebanho por cabeça, no mês de 
janeiro de X2? 
 
 
19 
b) Qual o valor de custo da formação do rebanho será alocado a cada 
classificação de animais? 
c) Qual o saldo do estoque de cada classificação de animais ao final de 
janeiro de X2, considerando o custo histórico? 
2 – Considerando uma propriedade rural que atua na criação de bovinos 
possui o seguinte rebanho em 31/12/X1 
Classificação Cabeças Valor 
Bezerros de 0 a 1 ano 400 R$ 106.136,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 R$ 533.070,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 R$ 1.411.950,00 
Animais em estoque 2.800 R$ 2.051.156,00 
Matrizes 1.200 R$ 1,800.000,00 
Touros 300 R$ 900.000,00 
Animais em imobilizado 1.500 R$ 2.700.000,00 
Total do Rebanho 4.300 R$ 4.751.156,00 
 
No mês janeiro de X2 ocorreram 600 nascimentos, ou seja, mais 600 
bezerros de 0 a 1 ano. No mês de janeiro o custo de manutenção do rebanho foi 
de R$ 99.620,00. Pergunta-se: 
a) Qual o valor de custo de formação do rebanho por cabeça, no mês de 
janeiro de X2? 
b) Qual o valor de custo da formação do rebanho que será alocado a cada 
classificação de animais? 
c) Qual o saldo do estoque de cada classificação de animais ao final de 
janeiro de X2, considerando o custo histórico? 
d) Considerando uma inflação de 0,6% em janeiro de X2, qual é o saldo 
contábil de cada classificação dos animais? 
e) No mês de fevereiro de X2 foram mantidos na propriedade os mesmos 
animais, sem nenhum nascimento, morte ou venda, para tanto foi gasto na 
manutenção do rebanho o valor de R$ 109.480,00. Com essas informações, e 
considerando uma inflação de 0,5% no mês fevereiro, efetue os procedimentos 
e chegue ao novo saldo contábil de cada classificação de animais ao fim de 
fevereiro. 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final da nossa aula, a qual trabalhamos conceitos da 
contabilidade aplicada à pecuária, abordando alguns aspectos básicos que 
 
 
20 
visam situá-los dentro desse arcabouço teórico específico envolvendo a 
aplicação da contabilidade no meio rural. 
Em um segundo momento, abordamos o plano de contas a ser aplicado 
à pecuária, bem como a divisão dos animais conforme sua classificação, por 
exemplo os bezerros de 0 a 8 meses,novilhos de 9 a 18 meses, e assim por 
diante. Esse processo visa facilitar o procedimento contábil, além da organização 
da entidade, demonstrando a importância do plano de contas e sua aplicação. 
Nosso terceiro assunto foi relacionado ao custo, em específico 
trabalhamos a comparação entre o método de custo e o método do valor de 
mercado. O primeiro trata sobre contabilizar os animais conforme o seu custo 
histórico, sendo alternativa válida quando o método do valor de mercado não 
puder ser aplicado. O segundo método, então, atua considerando o valor justo 
dos animais, dessa maneira considerando esse valor nos registros contábeis, o 
que irá proporcionar receitas econômicas para a entidade. 
Também trabalhamos técnicas para aplicar o custo histórico na pecuária, 
visando, assim, manter esses controles conforme o número de animais e 
consumos dos gastos de manutenção do rebanho. 
Finalizamos com nosso quinto assunto, abordando os custos da pecuária 
de maneira diferenciada, tais como a mescla do custo histórico com o valor de 
mercado. Para esse procedimento haverá uma correção monetária do custo 
histórico, para então aproximá-lo do valor de mercado. Esse procedimento será 
utilizado para a finalidade gerencial da propriedade rural. 
Encerramos, então, nossa aula, que teve como foco a pecuária, desde 
aspectos conceituais, aprofundando no plano de contas, e meios de apuração 
dos custos. Todos esses assuntos fazem com que a aplicação da contabilidade 
ao meio rural seja mais precisa. 
Bons estudos!! 
 
 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
GOUVEIA, J. B. Para um debate saudável: custo histórico versus justo valor. 
Revista TOC, n. 113, p. 28-31, 2009. 
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
MELZ, L. J. Custos de produção de gado bovino: revisão sob o enfoque da 
contabilidade de custos. Custo e @gronegócio Online, Recife, v. 9, n. 1, p. 119-
136, 2013. 
PEREIRA, A. C.; OLIVEIRA, A. B. S.; BARBALHO, V. F. A Utilização da 
Informação Contábil na Gestão da Pecuária Bovina de Corte: Uma Pesquisa 
Empírica. Brazilian Business Review, Vitória, v. 4, n. 1, p. 40-59, 2007. 
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 
26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Brasilia: [sn], 2011. 
 
Gabarito 
Resolução Ex. 1 
a) Para responder a primeira pergunta é necessário efetuar a divisão do 
valor de custo da formação do rebanho pelo total de animais do rebanho. Então, 
temos: 
118.350,00
4500
= 26,30 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐 
O número de 4500 animais é composto pelas 4000 cabeças que se tinha 
em estoque, acrescidos dos 500 animais nascidos no período. 
O valor por cabeça é encontrado de maneira bem simples. 
b) Para responder a essa pergunta, o processo é bem simples também. 
Devemos efetuar a multiplicação do valor por cabeça, pela quantidade de 
animais de cada classificação. Observemos o Quadro: 
Classificação Cálculo Valor alocado 
Bezerros de 0 a 1 ano 1.100 x 26,30 R$ 28.930,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 1.000 x 26,30 R$ 26.300,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 2.400 x 26,30 R$ 63.120,00 
 
 
 
22 
 
c) Nesse momento, devemos efetuar a soma do valor que já é o saldo da conta 
com o valor alocado do mês de janeiro de X2. 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 210.000,00 + R$ 28.930,00 R$ 238.930,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 400.000,00 + R$ 26.300,00 R$ 426.300,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.488.000,00 + R$ 63.120,00 R$ 1.551.120,00 
 
Chegamos à resposta da terceira pergunta. Poderíamos complementar o 
processo gerencial adicionando a correção monetária. Então, vamos assumir 
uma inflação no mês de janeiro de 0,8%. Com isso devemos acrescentar esse 
percentual ao saldo em estoque. 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 238.930,00 x 1,008 R$ 240.841,44 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 426.300,00 x 1,008 R$ 429.710,40 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.551.120,00 x 1,008 R$ 1.563.528,96 
 
Tal procedimento da correção monetária pode ser realizado mensalmente 
ou ao fechamento do período anual. 
Resolução Ex. 2 
a) Para responder a primeira pergunta é necessário efetuar a divisão do 
valor de custo da formação do rebanho pelo total de animais do rebanho. Então 
temos: 
99.620,00
3400
= 29,30 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐 
O número de 3400 animais é composto pelas 2800 cabeças que se tinha 
em estoque, acrescidos dos 600 animais nascidos no período. 
O valor por cabeça é encontrado de maneira bem simples. 
b) Para responder a essa pergunta, o processo é bem simples também. 
Devemos efetuar a multiplicação do valor por cabeça, pela quantidade de 
animais de cada classificação. Observemos o Quadro: 
Classificação Cálculo Valor alocado 
Bezerros de 0 a 1 ano 1.000 x 29,30 R$ 29.300,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 x 29,30 R$ 26.370,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 x 29,30 R$ 43.950,00 
 
 
c) Nesse momento, devemos efetuar a soma do valor que já é o saldo da 
conta com o valor alocado do mês de janeiro de X2. 
 
 
23 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 106.136,00 + R$ 29.300,00 R$ 135.436,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 533.070,00 + R$ 26.370,00 R$ 559.440,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.411.950,00 + R$ 43.950,00 R$ 1.455.900,00 
d) Agora vamos aplicar a inflação do período, acrescentando o percentual 
ao estoque. 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 135.436,00 x 1,006 R$ 136.248,62 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 559.440,00 x 1,006 R$ 562.796,64 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.455.900,00 x 1,006 R$ 1.464.635,40 
Ao aplicar a inflação como correção, chegando então ao novo saldo 
contábil. 
e) Então, verificamos agora o mês de fevereiro, todo o processo. 
- Cálculo do valor por cabeça. 
109.480,00
3400
= 32,20 𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝𝑝 𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐𝑐ç𝑐𝑐 
 
- Cálculo do valor alocado a cada classificação de animais: 
Classificação Cálculo Valor alocado 
Bezerros de 0 a 1 ano 1.000 x 32,20 R$ 32.200,00 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos 900 x 32,20 R$ 28.980,00 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos 1.500 x 32,20 R$ 48.300,00 
 
- Chegar no novo saldo das contas: 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 136.248,62 + R$ 32.200,00 R$ 168.448,62 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 562.796,64 + R$ 28.980,00 R$ 591.776,64 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.464.635,40 + R$ 48.300,00 R$ 1.512.935,40 
 
- Realizar a correção dos valores: 
Classificação Cálculo Saldo Contábil 
Bezerros de 0 a 1 ano R$ 168.448,62 x 1,005 R$ 169.290,86 
Novilhos (as) de 1 a 2 anos R$ 591.776,64 x 1,005 R$ 594.735,49 
Novilhos (as) de 2 a 3 anos R$ 1.512.935,40 x 1,005 R$ 1.520.500,08 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesse momento já passamos da metade de nossa disciplina de 
Contabilidade de Agronegócios, e cada vez mais estudamos novos conceitos 
que vão se interligando. Nessa aula, a ligação dos assuntos será ainda mais 
importante para alcançarmos uma profundidade de conhecimento. 
Vamos iniciar essa aula abordando a maneira de se reconhecer receita 
na pecuária, que não será necessariamente no momento da venda, abrindo 
possibilidades diferenciadas para situações específicas. 
Na sequência, vamos verificar uma forma de tratamento relacionada ao 
momento que os bezerros nascem, como também quando eles devem mudar de 
categoria, tais procedimento devem ser realizados com toda a diligência para 
que a propriedade rural tenha as informações mais fidedignas e confiáveis 
possível. 
Como terceiro assunto, veremos a avaliação no encerramento do balanço, 
ferramenta que pode ser relevante para a adequada gestão e maneira de apurar 
o estoque, sendo procedimento contábil aceito, mesmo havendo outras 
possibilidades de se avaliar as categorias.Já abordaremos a maneira de reconhecer as receitas, então, é 
conveniente trabalharmos a questão da confrontação dessa receita com a 
despesa, pois como bons conhecedores da contabilidade, devemos sempre nos 
ater que a existência de uma receita implicará em alguma despesa. 
Iremos finalizar abordando situações e exemplos da contabilização dos 
ativos biológicos pertinentes à pecuária, seguindo os preceitos designados pelo 
CPC 29, e então, aplicando a interligação de conhecimentos entre os conteúdos. 
Bons Estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Ao aplicar a contabilidade ao meio rural surge a necessidade de 
considerar as particularidades, pois apenas dessa forma será possível ter uma 
contabilidade integra e adequada. 
Podemos evidenciar dentro dessas particularidades e maneira de se 
reconhecer a receita, o fato da mudança de categoria dos animais também deve 
ter a atenção do contador. 
 
 
3 
Cabe utilizar todo o conhecimento e diligência para conseguir alcançar no 
meio rural as mesmas possibilidades contábeis que já existem no meio 
empresarial urbano. 
O CPC 29 contribui para que se possa equiparar as condições, fazendo 
com que a contabilidade realize o seu papel de maneira a atender todas as 
necessidades dos usuários, gerando informações úteis e relevantes. 
Dentre as recomendações do CPC 29 está a mensuração dos estoques 
do meio rural ao valor de mercado, antecipando o reconhecimento da receita, 
mesmo sem que ela seja realizada financeiramente. 
TEMA 1 – RECONHECIMENTO DA RECEITA NA PECUÁRIA 
Muito se questiona sobre o momento adequado para se reconhecer a 
receita, pois algumas situações podem ocasionar mudança na interpretação 
sobre os conceitos de receita, bem como a identificação do fato gerador da 
mesma. 
Geralmente se estipula que o momento de se reconhecer a receita é 
quando ocorre a transferência do serviço ou bem negociado, sendo assumido 
como o momento da venda. Entretanto, podem ocorrer circunstâncias em que 
será necessário reconhecer a receita antes da ocorrência da venda (Marion, 
2014). 
No meio rural se vê mais claramente essa possibilidade de 
reconhecimento da receita, pois geralmente os ciclos são mais longos na 
produção, em decorrência do crescimento natural das plantas ou animais. 
Em especial, nosso foco será a forma de reconhecer a receita na pecuária, 
pois os bovinos, por exemplo, possuem um ciclo de estoque considerado longo 
quando comparados a outras atividades, já que os animais, desde seu 
nascimento até atingirem maturidade para venda final, podem passar até 5 anos 
em estoque. 
Hendriksen e Van Breda (1999) que são autores seminais da Teoria da 
Contabilidade, já abordaram sobre a devida aceitação do reconhecimento da 
receita de maneira diferenciada quando os produtos tiverem um ciclo operacional 
longo. 
Dentre as justificativas para utilizar esse procedimento está um apelo dos 
acionistas, pois o ciclo operacional de um plantel irá perdurar por 5 anos 
 
 
4 
consumindo recursos da entidade, para só então ser vendido e ter sua receita 
reconhecida e confrontada com seu custo. 
No entanto, nesse meio tempo, alguns acionistas poderão se desligar da 
entidade. Eles terão contribuído com o crescimento do plantel e quando 
ocorrerem as vendas, não colherão os benefícios. O semelhante ocorre quando 
se inicia a atividade, podendo ter o mesmo desenrolar da situação. 
Devido a essa situação e outras possibilidades, se torna válido reconhecer 
a receita antes da venda, não como receita realizada financeiramente, e sim, 
como receita econômica, que normalmente será realizada posteriormente. 
Outra justificativa para atuar dessa maneira em relação à receita é o fato 
dos animais terem um crescimento natural, que faz com que tenham uma 
valorização superior aos valores gastos para manutenção do rebanho. 
Caso a entidade opte por não considerar o reconhecimento da receita 
conforme ocorre o crescimento, fará com que seu patrimônio fique com valor 
inferior ao real, ou seja, não evidenciará informações fidedignas da entidade. 
Diferentemente das indústrias, que têm certa dificuldade em determinar 
valores dos estoques em elaboração, o gado, a qualquer momento, terá meios 
de ser precificado pelo mercado, principalmente pelo fato dos valores serem 
estipulados pelo peso dos animais (Marion, 2014). 
Para realizar o procedimento de reconhecimento da receita antes da 
venda é preciso dos dados de mercado que propiciem uma avaliação objetiva do 
valor dos animais em decorrência do seu desenvolvimento natural. 
As propriedades rurais devem sempre estar atentas a estes valores de 
mercado da sua produção, para que possam realizar a devida contabilização, 
alcançando maior exatidão nas demonstrações contábeis. 
O estabelecimento das fontes de informação do valor mercado juntamente 
com a padronização do procedimento contábil, irão exigir uma atuação atenciosa 
por parte do profissional contador. Deve-se ter muita atenção ao realizar o 
processo contábil, principalmente a questão da receita econômica, conhecida 
como Variação Patrimonial ou Superveniências Ativas. Serão contemplados 
todos os animais do rebanho na avaliação de mercado (até mesmo os bezerros 
ao nascerem). 
Para exemplificar o procedimento: ao debitar a conta dos bezerros, a 
contrapartida será o crédito na conta de variação patrimonial no resultado do 
período. 
 
 
5 
Saiba Mais 
Caros alunos, para que possamos alcançar mais conhecimento sobre a 
receita na pecuária, busquei lhes trazer maior fonte de subsídio sobre o assunto 
e recomendo a leitura e análise de dois artigos: 
O primeiro é intitulado de “Aplicação do valor, disponível em: 
<https://www.researchgate.net/profile/Vinicius_Martins/publication/285133092_
Fair_Value_application_to_biological_assets_and_agricultural_produce_in_live
stock_farming/links/58492e1008aeda6968281c83/Fair-Value-application-to-
biological-assets-and-agricultural-produce-in-livestock-farming.pdf>. Acesso em: 
8 ago. 2019. 
O segundo artigo fala sobre como essa maneira de se reconhecer a 
receita pode influenciar na questão tributária: “Impostos diferidos na atividade 
pecuária originados da avaliação dos ativos biológicos pelo valor justo: um 
estudo de seu reconhecimento e evidenciação nas maiores propriedades rurais 
do estado de mato grosso”. Disponível em: 
<http://gorila.furb.br/ojs/index.php/universocontabil/article/view/907>. Acesso 
em: 8 ago. 2019. 
TEMA 2 – NASCIMENTO DE BEZERROS E AVALIAÇÃO DE MUDANÇA DE 
CATEGORIA 
Dentro da contabilidade aplicada à pecuária, é imperativo compreender 
inúmeras variáveis que, devido às particularidades da atividade, terão influência 
nos procedimentos contábeis. Dentre o rol de variáveis está a divisão de 
categorias dos animais. 
De forma mais específica, iremos trabalhar a maneira de avaliar 
contabilmente o momento e os valores da mudança de categoria. Os animais 
estarão em categorias conforme suas idades em meses, no entanto, os animais 
terão idades variadas devido às datas de nascimento, prejudicando o 
procedimento contábil ao segregar os animais, principalmente com o nascimento 
de mais bezerros. 
Para facilitar o processo contábil, a entidade deverá atuar buscando dois 
meios de melhorar o procedimento: organizar os nascimentos e buscar a 
mudança de categoria de maneira controlada. 
Marion (2014) aborda que algumas entidades pecuárias atuam 
planejando o nascimento de bezerros. Para realizar esse processo de 
 
 
6 
planejamento, é necessário inicialmente que as matrizes sejam separadas em 
lotes conforme o período de cio normal, ou até mesmo, quando estimulado o 
período de cio. 
Esse planejamento será feito para que a monta dos touros ou a 
inseminação ocorra no período adequado, tendo um lote de prenhes organizado 
para que o parto seja feito no mesmo momento. Esse meio de trabalho contribui 
para que tanto a gestão do rebanho, quanto a alocação de custos sejafacilitada, 
pois animais com a mesma idade formarão um lote uniforme. 
A mudança de categorias dos animais é mais fácil quando a entidade rural 
planeja seus nascimentos, pois a avaliação para mudar de categoria será feita 
por lote de animais exatamente com a mesma idade. A entidade que tenha os 
nascimentos (planejados ou não) deverá buscar meios de avaliar como irá 
realizar a mudança de categoria dos animais. 
O primeiro passo é determinar quais serão as categorias a serem 
utilizadas e lista-las no plano de contas, sendo cada uma delas, utilizada para a 
segregação do rebanho. 
Marion (2014) traz dois exemplos para realizar a mudança de categoria, 
de maneira anual ou semestral, opções válidas que irão refletir a realidade da 
empresa pecuária. Vamos verificar: 
• Mudança de categoria de maneira anual: as categorias são separadas 
considerando 12 meses de intervalo. Então, os animais irão mudar de 
categoria no mês de seu aniversário, em especial os bezerros, que 
mudam para a categoria de novilhos. Por mais cabível que seja esse 
método, ele fará com que o estoque possua valor desatualizado, pois a 
defasagem pode chegar até 11 meses, já que os animais que tenham 
nascido logo após o fechamento do balanço trarão maior diferença de 
valores. Em resumo: mesmo sendo prático considerar o aniversário do 
animal para realizar a mudança de categoria, esse procedimento pode 
prejudicar a exatidão dos valores do estoque do rebanho. 
• Mudança de categoria de maneira semestral: ocasiona maior 
quantidade de categorias e pode ocasionar a mudança de categoria duas 
vezes ao ano. Esse processo também terá certa falta de exatidão nos 
valores contábeis do rebanho, porém, os dados estarão mais atualizados 
do que o método anual, já que a defasagem será de no máximo 5 meses. 
Vejamos as possibilidades de categorias do rebanho bovino no Quadro 1: 
 
 
7 
Quadro 1 – Categorias do Rebanho 
 
Fonte: Autor, 2019. 
Como podemos observar, optando pelo método semestral de mudança há 
mais categorias a serem utilizadas, e por mais que isso ocasione um pouco mais 
de trabalho na contabilidade, fará com que os valores fiquem mais próximos da 
realidade. Em compensação, o método anual terá informações menos precisas 
e menos trabalho contábil. 
Além dessas duas maneiras, a empresa rural pode optar por realizar a 
mudança de categoria a cada quadrimestre, trimestre ou bimestre, buscando a 
melhor forma de contabilizar e realizar o controle dentro de sua entidade. 
Saiba Mais 
Vamos verificar um artigo que trata das categorias dos bovinos e realiza 
uma abordagem com as NBC’s e CPC’s, visando alinhar o meio rural com os 
normativos contábeis: “Contabilização do setor pecuário do agronegócio: 
aplicação das NBCS e CPCS”. Segue o link para acesso: 
<http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/dialogoscont/article/view/1246>. 
Acesso em: 8 ago. 2019. 
TEMA 3 – AVALIAÇÃO NO ENCERRAMENTO DO BALANÇO 
Além das mudanças de categorias considerando o critério anual e 
semestral, que agregam um grande rol de possibilidades, temos ainda a 
avaliação das categorias no momento de enceramento do balanço. 
Para realizar esse procedimento é preciso conhecer a idade de cada 
animal e então, realizar o controle adequado e alinhado com a forma de 
contabilizar o rebanho, bem como sua divisão em categorias. Ao seguir esse 
procedimento, a entidade deverá avaliar os bezerros pelo seu nascimento e fazer 
uma reavaliação ao final do exercício, esta, com base nos meses vividos pelo 
animal. 
 
 
8 
Para facilitar esse processo, a empresa pecuária deve agrupar os animais 
conforme o mês de nascimento. Para facilitar a tarefa, pode planejar os cios, 
prenhes e partos. A propriedade que não possui a devida organização prejudica 
o processo contábil. 
Depois do final do exercício de nascimento dos bezerros, nos períodos 
subsequentes, mudarão de categoria (de bezerros para novilhos) e assim 
sucessivamente, até se tornarem bois gordos e serem vendidos (pode ocorrer a 
venda antes dessa categoria). Esse procedimento só será possível com 
existência dos controles adequados dos lotes do rebanho. Visando facilitar, 
vejamos no Quadro 2 um exemplo de mapeamento do rebanho. 
Quadro 2 – Mapa do Rebanho 
 
Fonte: Autor, 2019. 
Como podemos ver, os animais serão avaliados no mês de nascimento, 
e depois, ao final do exercício. No exemplo, assumimos o encerramento do 
balanço em dezembro. Ao realizar a avaliação do rebanho ao final do exercício, 
teremos um valor de estoque mais atualizado do que utilizando o critério 
semestral ou anual, evitando assim a defasagem de valor na data do balanço. 
TEMA 4 – CONFRONTAÇÃO DA DESPESA 
Sempre que ocorrer alguma receita, a entidade terá, em contrapartida, 
uma despesa, que será o valor consumido utilizado para dar origem à receita. 
Ao realizar o reconhecimento de uma receita, é necessário reconhecer também 
a despesa correspondente. Esse processo é designado como confrontação da 
despesa. 
 
 
9 
Os gastos nessa situação são chamados de despesa, no entanto, dentro 
desse conceito, entram todos os custos dos produtos vendidos, devendo sempre 
feita a associação entre a receita, os custos e despesas. 
Quando a entidade reconhece a receita no momento da venda o processo 
é facilitado. É mais comum e acontece em entidades comerciais e industriais. 
No caso da pecuária, a receita será reconhecida antes da ocorrência de 
venda, considerando o crescimento natural do rebanho. Dessa maneira, uma vez 
ao ano é reconhecida uma receita pela maturação do rebanho (Marion, 2014). 
Com a realização desse procedimento, todos os valores de custos 
consumidos com a manutenção do rebanho não serão alocados ao estoque, e 
sim, contabilizados no resultado. Dessa maneira, a receita econômica 
reconhecida em virtude da maturação do rebanho terá como gastos 
confrontados, os custos de formação do rebanho consumidos no período. 
Quando ocorre a venda, como consequência, poderão ocorrer despesas, 
as quais terão seus valores exatos conhecidos no momento da venda. No 
entanto, devido ao fato de reconhecer a receita antes desse momento, é 
necessário estimar os valores de despesas que irão acontecer, fazendo então, 
o provisionamento desses valores. Deve ser utilizada uma estimativa baseada 
em dados passados, visando chegar ao mais próximo dos valores exatos. 
Temos como exemplos de tais despesas: o frete e os impostos sobre 
venda. O frete, quando é por conta da entidade vendedora, deverá ser estimado, 
porém, sem o conhecimento do futuro comprador, essa tarefa será dificultada, 
pois deve-se buscar estimativas, possivelmente utilizando média dos valores de 
períodos anteriores. 
No caso dos impostos, o mais simples de ser tratado é o Funrural (Fundo 
de Assistência ao Trabalhador Rural), pois trata-se de um percentual sobre o 
valor da venda. Com o reconhecimento da receita pela maturidade do rebanho, 
é facilmente estimado o valor de Funrural a ser provisionado. 
A Confrontação da Despesa é uma tarefa que o contador deve 
desenvolver com cuidado, evitando o reconhecimento de valores inadequados 
ou incoerentes. 
 
 
 
 
10 
Saiba Mais 
Nesse momento vamos verificar um artigo que visa agregar mais 
conhecimento a vocês que apresenta aspectos referentes a confrontação da 
despesa. Adianto que mesmo o artigo abordando a confrontação da despesa em 
outra área de aplicação, devemos observá-lo como oportunidade, pois podemos 
comparar analogamente com a aplicação do conceito à pecuária. 
O artigo é intitulado “Contabilidade de custos na gestão de projetos de 
construção de longo prazo”. Para ler, acesse: 
<https://revista.feb.unesp.br/index.php/gepros/article/view/1725>. Acesso em: 8 
ago. 2019. 
TEMA 5 – CONTABILIZAÇÃO DE ATIVOS BIOLÓGICOS CONFORME O CPC 29 
Vamos verificar uma evolução do rebanho dentro da contabilidade, para 
tanto, utilizaremos exemplos de lançamentos com animais classificadosem 
estoque (não iremos considerar os animais do imobilizado). Iremos apresentar 
fatos contábeis de um exercício, seguindo os lançamentos em forma de diário, 
visando possibilitar melhor compreensão da contabilização da pecuária 
considerando o pronunciamento técnico CPC 29. 
• Ano X1 
a. Nascimento de 100 bezerros (as) com valor de mercado de $90,00 cada, 
totalizando $9.000,00. 
D – Bezerros (as) – AC – $9.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $9.000,00 
b. No período ocorreram Despesas e Custos no valor de $6.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $6.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $6.000,00 
c. Considera-se o percentual de 3% do valor de mercado como provisão de 
Despesas de distribuição. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $70,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $270,00 
 
 
 
11 
Com os fatos ocorridos no exercício, teremos uma receita econômica de 
$9.000,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos conforme rege o CPC 29. 
Dessa receita, iremos deduzir o valor de $6.270,00, composto por $ 6.000,00 
dos custos/despesas do período e $270,00 referentes às despesas com 
distribuição. 
Teremos um resultado de $2.730,00, enquanto o estoque de bezerros(as) 
terá um valor líquido de $8.730,00, sendo $9.000,00 referentes à avaliação dos 
bezerros e deduzido o valor de $270,00 da provisão de despesas com 
distribuição. 
• Ano X2 
a. Nascimento de 150 bezerros (as) com valor de mercado de $120,00 cada, 
totalizando $18.000,00. 
D – Bezerros (as) – AC – $18.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $18.000,00 
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para 
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $9.000,00 
C – Bezerros (as) – AC – $9.000,00 
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $14.000,00, ou 
seja, $140,00 por novilho(a). 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $5.000,00 
C – Ajustes ao valor justo – Receita – $5.000,00 
d. No período ocorreram Despesas e Custos no valor de $15.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $15.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $15.000,00 
e. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. Esse percentual será aplicado sobre o valor 
dos bezerros(as) nascidos, mais a valorização dos novilhos. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $690,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $690,00 
 
 
 
12 
Com os fatos ocorridos no exercício de X2, teremos uma receita 
econômica de $23.000,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos 
($18.000,00) e o valor justo referente a maturação dos(as) novilhos(as) 
($5.000,00), conforme rege o CPC 29. 
Dessa receita iremos deduzir o valor de $15.690,00, composto por 
$15.000,00 de custos/despesas do período e $690,00 referentes às despesas 
com distribuição. 
Teremos então um resultado de $7.310,00 no período, enquanto o 
estoque de animais terá um valor líquido de $31.040,00, sendo $18.000,00 
referentes à avaliação dos bezerros nascidos em X2 e $14.000,00 referentes aos 
novilhos(as) de 13 a 24 meses, e deduzido o valor de $960,00 da provisão de 
despesas com distribuição. 
• Ano X3 
a. Nascimento de 120 bezerros (as) com valor de mercado de $130,00 cada, 
totalizando $15.600,00; 
D – Bezerros (as) – AC – $15.600,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.600,00 
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para 
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $18.000,00 
C – Bezerros (as) – AC - $18.000,00 
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses que nasceram em X1 mudam dessa 
categoria, para a categoria de novilhos(as) de 25 a 36 meses. 
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $14.000,00 
C – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $14.000,00 
d. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $30.000,00, ou 
seja, $200,00 por novilho(a). 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $12.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $12.000,00 
e. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses foram reavaliados a $27.000,00, ou 
seja, $270,00 por novilho(a). 
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $13.000,00 
 
 
13 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $13.000,00 
f. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $25.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $25.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $25.000,00 
g. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. Será aplicado esse percentual sobre o valor 
dos bezerros(as) nascidos mais a valorização dos novilhos. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.218,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.218,00 
Com os fatos ocorridos no exercício de X3, teremos uma receita 
econômica de $30.600,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos 
($15.600,00), o valor justo referente à maturação dos(as) novilhos(as) de 13 a 
24 meses ($12.000,00) e o valor referente à maturação dos(as) novilhos(as) de 
25 a 36 meses ($13.000,00), conforme rege o CPC 29. 
Dessa receita iremos deduzir o valor de $26.218,00, composto por 
$25.000,00 dos custos/despesas do período e $1.218,00 referentes às despesas 
com distribuição. 
Teremos então um resultado de $4.382,00, enquanto o estoque de 
animais terá um valor líquido de $70.422,00, sendo $15.600,00 de avaliação dos 
bezerros nascidos em X3; $30.000,00 referentes aos novilhos(as) de 13 a 24 
meses e $27.000,00 referentes aos novilhos(as) de 25 a 36 meses, deduzido o 
valor de $2.178,00 da provisão de despesas com distribuição. 
• Ano X4 
a. Nascimento de 100 bezerros (as) com valor de mercado de $140,00 cada, 
totalizando $14.000,00. 
D – Bezerros (as) – AC – $14.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $14.000,00 
b. Os(as) bezerros(as) que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para 
a categoria de novilhos(as) de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $15.600,00 
C – Bezerros (as) – AC – $15.600,00 
 
 
 
14 
c. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses que nasceram em X2 mudam dessa 
categoria, para a categoria de novilhos(as) de 25 a 36 meses. 
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $30.000,00 
C – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $30.000,00 
d. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa 
categoria, para a categoria de bois gordos. 
D – Bois Gordos – AC – $27.000,00 
C – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $27.000,00 
e. Os(as) novilhos(as) de 13 a 24 meses foram reavaliados a $26.400,00, ou 
seja, $220,00 por novilho(a). 
D – Novilhos (as) de 13 a 24 meses – AC – $10.800,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $10.800,00 
f. Os(as) novilhos(as) de 25 a 36 meses foram reavaliados a $45.000,00, ou 
seja, $300,00 por novilho(a). 
D – Novilhos (as) de 25 a 36 meses – AC – $15.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.000,00 
g. Os bois gordos foram reavaliados a $50.000,00, ou seja, $500,00 por boi. 
D – Bois gordos – AC – $23.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $23.000,00 
h. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $40.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $40.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $40.000,00 
i. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. Será aplicado esse percentual sobre o valor 
dos bezerros(as) nascidos mais a valorização dos novilhos. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.884,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.884,00 
Com os fatos ocorridos no exercício de X4, teremos uma receita 
econômica de $62.800,00 oriunda de valor justo dos animais nascidos 
($14.000,00), ovalor referente a maturação dos(as) novilhos(as) de 13 a 24 
meses ($10.800,00), o valor justo de maturação dos(as) novilhos(as) de 25 a 36 
 
 
15 
meses ($15.000,00), e o valor justo referente aos bois gordos ($23.000,00) 
conforme rege o CPC 29. 
Dessa receita iremos deduzir o valor de $41.884,00, composto por 
$40.000,00 dos custos/despesas do período e $1.884,00 referentes despesas 
com distribuição. 
O resultado é de $ 20.916,00 no período, enquanto o estoque de animais 
terá valor líquido de $131.338,00, sendo $14.000,00 referentes à avaliação dos 
bezerros nascidos em X4; $26.400,00 aos novilhos(as) de 13 a 24 meses; 
$45.000,00 referentes aos novilhos(as) de 25 a 36 meses e $50.000,00 
referentes aos bois gordos, deduzido o valor de $4.062,00 da provisão de 
despesas com distribuição. 
Vimos um ciclo da contabilização pecuária de bovinos, desde o 
nascimento até a fase de bois gordos, em que podem ser vendidos. Podemos 
identificar claramente a situação de uma propriedade que trabalha com as três 
fases dos animais: a cria, a recria e a engorda. No caso da venda dos animais, 
o procedimento contábil se assemelha ao das entidades comerciais e industriais. 
TROCANDO IDEIAS 
Caros alunos, dentre os temas trabalhados em nossa disciplina até o 
momento, podemos perceber a intercalação entre os assuntos, elevando o grau 
de complexidade. Vamos então imaginar que vocês foram contratados para 
realizarem a contabilização da atividade pecuária de uma entidade que não 
possui controles adequados do rebanho, menos ainda, ao se tratar dos aspectos 
contábeis. Nesse momento, seguindo os conceitos estudados, realizem uma 
análise da situação, e posteriormente, apontem as medidas que devem ser 
tomadas para que a contabilidade possa ser realizada de maneira fidedigna e 
correta. Devem ser verificadas situações de classificação do rebanho e o impacto 
disso na contabilidade. 
Discutam com seus colegas para que possam chegar na melhor 
alternativa para essa empresa rural. 
NA PRÁTICA 
Vamos praticar um pouco com algumas situações que remetem ao 
conteúdo estudado? 
 
 
16 
As três primeiras atividades foram extraídas da obra de Marion (2014): 
1. Admita-se que um bezerro tenha nascido em X1 e que sua avaliação 
seja de $ 300,00. No seu crescimento foram observados os seguintes estágios 
e avaliação: 
• X2 : novilho de 9 a 18 meses – $450,00 
• X3: novilho de 19 a 24 meses – $800,00 
• X4: venda a prazo – $1.100,00 
Contabilizar as operações anteriores utilizando razonetes ou em forma de 
diário e considerando o método de valor de mercado. 
2. A Fazenda Orru apresentou as seguintes movimentações do rebanho 
avaliado a preço de mercado: 
a. Nascimento dos bezerros(as) – 10 x $100,00 cada; 
b. Transferência da categoria de 10 bezerros(as) para novilhos(as) de 9-18 
meses; 
c. Valor de reavaliação ao preço de mercado, que ocorre pela mudança da 
categoria de bezerros(as) para a categoria de novilhos(as) de 9-18 meses. 
Preço atual de $150,00 cada; 
d. Transferência de categoria de novilhos(as) de 9-18 meses para a 
categoria de 19-24 meses; 
e. Valor de reavaliação ao preço de mercado da categoria de novilhos(as) 
de 9-18 meses para a de novilhos(as) de 19 -24 meses. Preço atual de 
$270,00 cada; 
f. Transferência de metade do rebanho (novilhas) da categoria de 
novilhos(as) de 19 meses para a categoria de fêmeas em experimentação 
para reprodução. Essa transferência poderia ser realizada diretamente de 
novilhos(as) de 9-18 meses para Gado em Experimentação – Fêmeas; 
g. Venda da metade do plantel (novilhos) por $380,00 cada um, à vista. 
Não vamos considerar provisão para Despesas de Distribuição. 
Realizem a contabilização em razonetes ou em forma de diário, de toda a 
movimentação do rebanho. 
3. Cia Estância Nova Vida. 
Ano X1: Nascem 10 bezerros avaliados ao preço de mercado de $200,00 
cada. O custo de produção anual é d $1.600,00. 
 
 
17 
Ano X2: Os bezerros passam para novilhos de 9-18 meses. 
Valor de Mercado: $500,00 cada. 
Custo de Produção: $2.200,00. 
Ano X3: Os novilhos são vendidos por $800,00 cada, à vista. No Ano 0 o 
balanço possuía apenas $5.000,00 em caixa, e $5.000,00 como capital social. 
Realizar os lançamentos, Balanço e Demonstração de Resultado de cada ano. 
Para tanto, considerar que os custos sempre foram pagos à vista. 
4. Nesse momento vamos abordar o todo de nossa aula, com uma 
atividade de 5 anos. Vamos considerar a Fazenda Feliz na atividade, que possui 
200 matrizes destinadas à reprodução. 
Com os dados dos anos X1, X2, X3 e X4, realize os lançamentos 
contábeis respectivos. 
Ano X1 
a. Nascimento de 80 bezerros com valor de mercado de $100,00 cada, 
totalizando $8.000,00; 
b. Nascimento de 80 bezerras com valor de mercado de $120,00 cada, 
totalizando $9.600,00; 
c. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $10.000,00; 
d. Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. 
Ano X2 
a. Nascimento de 100 bezerros com valor de mercado de $110,00 cada, 
totalizando $11.000,00; 
b. Nascimento de 70 bezerras com valor de mercado de $125,00 cada, 
totalizando $8.750,00; 
c. Os bezerros que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhos de 13 a 24 meses; 
d. As bezerras que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhas de 13 a 24 meses; 
e. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.000,00, ou seja, 
$125,00 por novilho; 
f. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.800,00, ou seja, 
$135,00 por novilha; 
 
 
18 
g. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $14.000,00; 
h. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. 
Ano X3 
a. Nascimento de 60 bezerros com valor de mercado de $115,00 cada, 
totalizando $6.900,00; 
b. Nascimento de 120 bezerras com valor de mercado de $130,00 cada, 
totalizando $15.600,00; 
c. Os bezerros que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhos de 13 a 24 meses; 
d. As bezerras que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhas de 13 a 24 meses; 
e. Os novilhos que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhos de 25 a 36 meses; 
f. As novilhas que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 25 a 36 meses; 
g. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $15.000,00, ou seja, 
$150,00 por novilho; 
h. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $11.200,00, ou seja, 
$160,00 por novilha; 
i. Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.000,00, ou seja, 
$200,00 por novilho; 
j. As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $17.600,00, ou seja, 
$220,00 por novilha; 
k. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $20.000,00; 
l. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. 
Ano X4 
a. Nascimento de 90 bezerros com valor de mercado de $120,00 cada, 
totalizando $10.800,00; 
b. Nascimento de 100 bezerras com valor de mercado de $140,00 cada, 
totalizando $14.000,00; 
c. Todas as novilhas de 25 a 36 meses foram vendidas por $25.000,00; 
 
 
19 
d. Os bezerros que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhos de 13 a 24 meses; 
e. As bezerras que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhas de 13 a 24 meses; 
f. Os novilhos que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhos de 25 a 36 meses; 
g. As novilhas que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a 
categoria de novilhas de 25 a 36 meses; 
h. Os novilhos de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa 
categoria, para a categoria de bois gordos; 
i. Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $8.400,00, ou seja, 
$140,00 por novilho; 
j. As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $18.000,00, ou seja, 
$150,00por novilha; 
k. Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $20.500,00, ou seja, 
$205,00 por novilho; 
l. As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.100,00, ou seja, 
$230,00 por novilha; 
m. Os bois gordos foram reavaliados a $22.400,00, ou seja, $280,00 por boi. 
n. No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $30.000,00; 
o. Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. 
FINALIZANDO 
Iniciamos nossa aula abordando a forma a ser utilizada para efetuar o 
reconhecimento da receita. Para tanto, verificamos que, no caso da pecuária, a 
receita poderá ter como fator gerador o crescimento natural do rebanho, e não 
necessariamente a venda. Lidar com isso muitas vezes pode ser difícil, 
principalmente considerando as particularidades do ramo e a mensuração a 
valor de mercado que se deve submeter o rebanho. 
O segundo assunto trabalhado foi o nascimento dos bezerros e a 
mudança de categoria. A ocorrência do nascimento de bezerros faz com que a 
a contabilidade tenha “mais trabalho”, pois deve mensurar o valor de mercado e 
posteriormente, com o crescimento do animal, o transferir para outra categoria, 
e assim sucessivamente. Identificamos que a mudança de categoria utiliza 
 
 
20 
critérios diferentes, podendo ocorrer a cada seis meses ou de forma anual, 
dependendo do tipo de informação que a entidade quer gerar. 
Seguimos tratando sobre a avaliação do rebanho e suas categorias no 
momento de encerramento do balanço. Destaca-se como vantagem o fato de 
reavaliar o animal no fechamento, tendo uma posição contábil mais atualizada, 
que reflete melhor a realidade da empresa. 
A confrontação da despesa é o quarto tema, mostrando uma realidade 
básica da maioria dos negócios: para cada receita deve haver uma despesa, a 
mesma responsável pela geração de tal receita. Para simplificar, podemos dizer 
que cada receita tem uma despesa/ligada agregada a ela. 
Encerramos nossa aula abordando sobre a forma de contabilizar a 
pecuária conforme o CPC 29, que trata dos quatro temas estudados, 
interligando-os. 
Visualizamos os lançamentos com suas respectivas contas e 
classificações contábeis. 
Chegamos ao fim da aula. Hoje abrangemos um nicho contábil que talvez 
até então, não havíamos percebido como papel importante na contabilidade. 
Bons Estudos! 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
BRITO, E.; RIBEIRO, S.; MARTINS, V.A.; LEMES, S. Aplicação do valor justo 
aos ativos biológicos e produtos agrícolas na pecuária bovina. Custos e 
@gronegócio on line. 2014. Disponível 
em:<http://www.custoseagronegocioonline.com.br/numero1v10/AB%20pecuari
a.pdf>. Acesso em: 9 ago. 2019. 
CHAGAS, M.; ELEUTÉRIO, A.; ELEUTÉRIO, A.; PEIXOTO, L. Contabilização 
do setor pecuário do agronegócio: aplicação das NBCs e CPCs. Franca, 
Diálogos em Contabilidade: Teoria e Prática, v. 3, n. 1, p. 1-19, 2015. 
HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. São Paulo: 
Atlas, 1999. 
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14º Ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
RECH, I.; PEREIRA, I.; OLIVEIRA, J. Impostos diferidos na atividade pecuária 
originados da avaliação dos ativos biológicos pelo valor justo: um estudo de seu 
reconhecimento e evidenciação nas maiores propriedades rurais do estado de 
mato grosso. Blumenau, Revista Universo Contábil, v. 4, n. 2, p. 42-58, 2008. 
VERSTEG, S.; THEIS, V.; SCHREIBER, D. Contabilidade de custos na gestão 
de projetos de construção de longo prazo. Bauru, Gestão da Produção, 
Operações e Sistemas. v. 12, n. 3, p. 288-312, 2017. 
 
 
 
22 
RESPOSTAS 
Questão 1: 
X1– Nascimento: 
D – Bezerros (as) – AC – $300,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $300,00 
X2 – Mudança de categoria e reavaliação a valor justo: 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $300,00 
C – Bezerros (as) – AC – $300,00 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $150,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $150,00 
X3 – Mudança de categoria e reavaliação a valor justo: 
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC - $450,00 
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $450,00 
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $250,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $250,00 
X4 – Ocorrência da venda: 
D – Duplicatas a receber – AC – $1.100,00 
C – Receita com Venda – Receita – $1.100,00 
D – CPV – Custo – $800,00 
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $800,00 
Questão 2: 
a) Nascimento: 
D – Bezerros (as) – AC – $1.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.000,00 
b) Mudança de categoria: 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $1.000,00 
C – Bezerros (as) – AC – $1.000,00 
c) Reavaliação dos novilhos(as) 9 a 18 meses: 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $500,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $500,00 
 
 
23 
d) Mudança de categoria: 
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.500,00 
C – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $1.500,00 
e) Reavaliação dos novilhos(as) 19 a 24 meses: 
D – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.200,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.200,00 
f) Mudança de categoria: 
D – Fêmeas em experimentação – $1.350,00 
C – Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.350,00 
g) Venda dos novilhos: 
D – Caixa – AC – $1.900,00 
C – Receita com venda – Receita – $1.900,00 
D – CPV – Custo – $1.350,00 
C - Novilhos (as) de 19 a 24 meses – AC – $1.350,00 
Questão 3: 
*Os resultados foram mantidos em conta de “Lucros” no Patrimônio Líquido, não 
havendo destinações, visto o objetivo da atividade ser a contabilização dos 
animais. 
Ano X1: 
D – Bezerros (as) – AC – $2.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.000,00 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $1.600,00 
C – Caixa – AC – $1.600,00 
 
 
 
24 
Ano X2: 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $2.000,00 
C – Bezerros (as) – AC – $2.000,00 
D – Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $3.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $3.000,00 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $2.200,00 
C – Caixa – AC – $2.200,00 
 
Ano X3: 
D – Caixa – AC – $8.000,00 
C – Receita com Vendas – $8.000,00 
D – CPV – $5.000,00 
C - Novilhos (as) de 9 a 18 meses – AC – $5.000,00 
 
Questão 4: 
Ano X1: 
a) Nascimento de 80 bezerros com valor de mercado de $100,00 cada, 
totalizando $8.000,00. 
 
 
25 
D – Bezerros – AC – $8.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $8.000,00 
b) Nascimento de 80 bezerras com valor de mercado de $120,00 cada, 
totalizando $9.600,00. 
D – Bezerras – AC - $9.600,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $9.600,00 
c) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $10.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas - $10.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $10.000,00 
d) Será considerado o percentual de 3% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de distribuição. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $528,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $528,00 
Ano X2: 
a) Nascimento de 100 bezerros com valor de mercado de $110,00 cada, 
totalizando $11.000,00. 
D – Bezerros – AC – $11.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $11.000,00 
b) Nascimento de 70 bezerras com valor de mercado de $125,00 cada, 
totalizando $8.750,00. 
D – Bezerras – AC – $8.750,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $8.750,00 
c) Os bezerros que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhos de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $8.000,00 
C – Bezerros (as) – AC – $8.000,00 
d) As bezerras que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 13 a 24 meses. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $9.600,00 
C – Bezerros (as) – AC – $9.600,00 
 
 
26 
e) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.000,00, ou seja, 
$125,00 por novilho. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $2.000,00C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.000,00 
f) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $10.800,00, ou seja, 
$135,00 por novilha. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $1.200,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.200,00 
g) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $14.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas - $14.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $14.000,00 
h) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de Distribuição. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $1.147,50 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $1.147,50 
Ano X3: 
a) Nascimento de 60 bezerros com valor de mercado de $115,00 cada, 
totalizando $6.900,00. 
D – Bezerros – AC – $6.900,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.900,00 
b) Nascimento de 120 bezerras com valor de mercado de $130,00 cada, 
totalizando $15.600,00. 
D – Bezerras – AC - $15.600,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $15.600,00 
c) Os bezerros que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhos de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC - $11.000,00 
C – Bezerros – AC - $11.000,00 
d) As bezerras que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 13 a 24 meses. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $8.750,00 
 
 
27 
C – Bezerras – AC - $8.750,00 
e) Os novilhos que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhos de 25 a 36 meses. 
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $10.000,00 
C – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $10.000,00 
f) As novilhas que nasceram em X1 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 25 a 36 meses. 
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $10.800,00 
C – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $10.800,00 
g) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $15.000,00, ou seja, 
$150,00 por novilho. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $4.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $4.000,00 
h) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $11.200,00, ou seja, 
$160,00 por novilha. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $2.450,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.450,00 
i) Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.000,00, ou seja, 
$200,00 por novilho. 
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $6.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.000,00 
j) As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $17.600,00, ou seja, 
$220,00 por novilha. 
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $6.800,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.800,00 
k) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $20.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $20.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $20.000,00 
l) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão de 
Despesas de Distribuição. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $2.087,50 
 
 
28 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $2.087,50 
Ano X4: 
a) Nascimento de 90 bezerros com valor de mercado de $120,00 cada, 
totalizando $10.800,00. 
D – Bezerros – AC – $10.800,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $10.800,00 
b) Nascimento de 100 bezerras com valor de mercado de $140,00 cada, 
totalizando $14.000,00. 
D – Bezerras – AC – $14.000,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $14.000,00 
c) Todas as novilhas de 25 a 36 meses foram vendidas por $25.000,00. 
D – Caixa/Duplicatas a receber – AC – $25.000,00. 
C – Receita com Vendas – $25.000,00 
D – CPV - $17.600,00 
C – Novilhas de 25 a 36 meses – $17.600,00 
d) Os bezerros que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhos de 13 a 24 meses. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $6.900,00 
C – Bezerros – AC - $6.900,00 
e) As bezerras que nasceram em X3 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 13 a 24 meses. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $15.600,00 
C – Bezerras – AC - $15.600,00 
f) Os novilhos que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhos de 25 a 36 meses. 
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $15.000,00 
C – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $15.000,00 
g) As novilhas que nasceram em X2 mudam dessa categoria, para a categoria 
de novilhas de 25 a 36 meses. 
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $11.200,00 
C – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $11.200,00 
 
 
29 
h) Os novilhos de 25 a 36 meses que nasceram em X1 mudam dessa 
categoria, para a categoria de bois gordos. 
D – Bois Gordos – AC - $16.000,00 
C – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $16.000,00 
i) Os novilhos de 13 a 24 meses foram reavaliados a $8.400,00, ou seja, 
$140,00 por novilho. 
D – Novilhos de 13 a 24 meses – AC – $1.500,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $1.500,00 
j) As novilhas de 13 a 24 meses foram reavaliados a $18.000,00, ou seja, 
$150,00 por novilha. 
D – Novilhas de 13 a 24 meses – AC – $2.400,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $2.400,00 
k) Os novilhos de 25 a 36 meses foram reavaliados a $20.500,00, ou seja, 
$205,00 por novilho. 
D – Novilhos de 25 a 36 meses – AC – $5.500,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $5.500,00 
l) As novilhas de 25 a 36 meses foram reavaliados a $16.100,00, ou seja, 
$230,00 por novilha. 
D – Novilhas de 25 a 36 meses – AC – $4.900,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $4.900,00 
m) Os bois gordos foram reavaliados a $22.400,00, ou seja, $280,00 por boi. 
D – Bois gordos – AC – $6.400,00 
C – Ajustes ao Valor Justo – Receita – $6.400,00 
n) No período ocorreu Despesas e Custos no valor de $30.000,00. 
D – Custo/Despesa do Período – (-) Custo/Despesas – $30.000,00 
C – Caixa/Contas a Pagar – Ativo/Passivo – $30.000,00 
o) Será considerado o percentual de 5% do valor de mercado como provisão 
de Despesas de Distribuição. 
D – Despesa c/ Distribuição – (-) Custo/Despesas – $2.275,00 
C – Provisão c/ Despesa de Distribuição – AC – $2.275,00 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Estamos chegando ao final desta disciplina e, consequentemente, 
agregando mais conhecimentos, tanto no aspecto quantitativo, quanto 
qualitativo. Nesta aula, focaremos, inicialmente, nos custos, e, depois, em 
questões tributárias. 
No primeiro tema, abordaremos o cálculo do custo dos bezerros e também 
verificaremos as formas de se efetuar tal cálculo, fazendo com que a entidade 
rural possa ter informações detalhadas e fidedignas para tomada de decisões. 
Em um segundo momento, trataremos de compreender a maneira de se calcular 
o Imposto de Renda, no meio rural, para as microempresas e empresas de 
pequeno porte, pois é um procedimento relevante e o contador deve ser diligente 
na tarefa de apurar tais impostos. 
Como terceiro tema, trabalharemos algumas situações nas quais a 
Pessoa Jurídica atuante na atividade rural tem alguns incentivos fiscais, os quais 
podem ser decisivos para o bom andamento da atividade na propriedade, 
permitindo que se chegue a um resultado operacional desejado pelos 
proprietários. 
Visando à ligação entre os assuntos abordados anteriormente, veremos, 
no quarto tema, a forma de se determinar o lucro das pessoas jurídicas que 
exploram a atividade, diferenciando-se das empresas que atuam no meio urbano 
pela particularidade das atividades desenvolvidas e que devem ser consideradas 
ao realizar o processo de apuração do resultado do período. 
Ainda concernente à questão tributária, no quinto tema verificaremos 
algumas especificidades da tributação de pessoas físicas que residem e 
exploram atividade no meio rural, o que, muitas vezes, passa despercebido por 
tais pessoas, do mesmo modo que por alguns contadores, que não dão a devida 
atenção à questão tributária da Pessoa Física rural. Tal contexto pode ser um 
nicho de mercado ainda pouco exploradopelos profissionais contábeis, com 
possibilidades de ser a porta de entrada para uma consultoria, o que culminaria 
na transformação de uma Pessoa Física em Pessoa Jurídica. 
Adentraremos, nesta aula, em questões tributárias relacionadas a 
pessoas do meio rural, permitindo que estas, quer sejam físicas ou jurídicas, 
atuem de acordo com a legislação fiscal, de modo a evitar possíveis problemas 
futuros – como penalização das entidades devido a apuração inadequada de 
tributos – que podem afetar a continuidade de suas atividades. Bons estudos! 
 
 
3 
CONTEXTUALIZANDO 
Atuar com contabilidade exige grande conhecimento da legislação 
pertinente a esse ramo de trabalho. Tais leis são bem específicas no que diz 
respeito aos aspectos tributários, os quais também cabem ao meio rural. 
Dentro das formas da lei, a tributação das atividades rurais pode ser 
aplicada a pessoas física e jurídica, no entanto, muitas vezes os contadores 
ficam distantes de tais atividades, em especial daquelas de Pessoa Física, seja 
por falta de conhecimento ou até mesmo por não perceber um possível nicho de 
mercado a ser explorado. 
 Um dos aspectos mais comuns da atuação contábil no meio rural é a 
apuração do Imposto de Renda dos produtores rurais. No entanto, tal serviço 
contábil, apenas pontual, pode ser mais efetivo e atuante. E, como é que, nós, 
profissionais contábeis, devemos vislumbrar tais oportunidades de modo a 
contribuir para que a profissão contábil cresça tanto no campo de trabalho quanto 
em prestígio? Tais aspectos serão abordados mais especificamente na 
sequência desta aula. 
TEMA 1 – CÁLCULO DO CUSTO DO BEZERRO – CUSTO MÉDIO DO REBANHO 
E DE REPRODUTORES 
Em qualquer atividade comercial ou industrial, o cálculo do custo dos 
produtos é necessário para gerar informações à gestão, e no meio rural também 
existe esta necessidade. Em vista disso, no que tange à pecuária, o cálculo do 
custo do bezerro é assunto relevante, pois, ao conhecer tal custo, a gestão 
tomará decisões com maior subsídio. 
Marion (2014) destaca três motivos para que se execute o procedimento 
de cálculo do custo dos bezerros, conforme segue: 
a) para saber se é viável ter gado reprodutor na fazenda ou se seria 
mais interessante adquirir de terceiros os bezerros para a recria e 
engorda; 
b) para avaliar de forma adequada o Ativo da empresa, já que os 
bezerros têm um custo real; 
c) para avaliar de forma adequada o restante do rebanho destinado a 
corte. Não há dúvida de que uma avaliação inadequada dos bezerros 
irá refletir no restante do rebanho. (Marion, 2014, p. 175) 
Podemos, então, perceber três vertentes de raciocínio, podendo o cálculo 
do custo dos bezerros ser utilizado como ferramenta de verificação para 
 
 
4 
responder a uma pergunta comum no meio industrial: “A empresa deve comprar 
ou produzir?”. Este raciocínio também serve para o cálculo de bezerros, e a 
informação poderá ser útil para compreender o valor contábil do patrimônio, bem 
como para comparar com o restante do rebanho já existente. 
Dos bezerros, se originará o rebanho, bem como os possíveis 
reprodutores, portanto vamos trabalhar, a seguir, com o cálculo do custo médio 
do rebanho e dos reprodutores. 
1.1 Custo médio do rebanho 
O procedimento do cálculo e apropriação dos custos do rebanho é 
relativamente simples, pois basicamente os custos consumidos no período serão 
apropriados ao rebanho de maneira proporcional. Com esse procedimento é 
possível conhecer o custo, bem como estabelecer parâmetros de valor médio 
para o valor de cada animal. 
Conceber o custo do rebanho gera informação para a devida verificação 
de viabilidade, que está relacionada ao valor de venda, uma vez que este 
geralmente é estabelecido pelo mercado. 
De acordo com Marin (2014), existem duas premissas para se calcular o 
custo do rebanho, que são as seguintes: 
“a) Inicialmente, soma-se o custo do rebanho (salário, alimentação de 
gado, exaustão de pastagens, depreciações de reprodutores, cuidados 
veterinários...) e divide-se o resultado pelo total de cabeças do rebanho 
em formação (em crescimento e aqueles nascidos no período). 
Tem-se portanto, o custo médio de produção por cabeça, por período, 
inclusive dos bezerros. 
b) O número de cabeças do rebanho exemplificado a seguir não inclui, 
para efeito de rateio de custo, o gado reprodutor em plena reprodução, 
pois eles não recebem custos (já não estão em formação). Todavia o 
custo da manutenção desse rebanho já formado (alimentação, 
tratamento veterinário, depreciação...) será incluído no custo do 
rebanho e distribuído para o rebanho em formação.” (Marion, 2014, p. 
176) 
Como podemos ver, apenas os animais que são mantidos para venda, ou 
até mesmo os que estão em formação, receberão os valores dos custos de 
manutenção do rebanho. 
Então, o cálculo do custo médio do rebanho é simples, podendo ser 
resumido a uma divisão para se chegar ao valor por animal. Vejamos, então, um 
exemplo devidamente fundamentado. 
 
 
5 
Imaginemos uma Fazenda que atua com pecuária que possui 50 matrizes, 
com valor unitário de $ 1.200,00, e 3 reprodutores no valor unitário de $ 3.000,00. 
O objetivo da fazenda é atuar com cria-recria-engorda, ou seja, todo o ciclo 
produtivo. No primeiro ano ocorreram 40 nascimentos – 25 bezerros e 15 
bezerras. 
Nesse período, foram consumidos $ 10.000,00 em custos de formação e 
manutenção do rebanho, o qual deverá ser apropriado aos bezerros nascidos e, 
caso haja mais animais no rebanho em formação, como novilhos, também serão 
alocados custos a eles. O cálculo a ser realizado é simples, como já vimos 
anteriormente. Basta dividir os valores dos custos pela quantidade de animais. 
10.000
40
= 250,00 
Agora, então, é necessário multiplicar o valor por animal pela quantidade 
de animal de cada tipo. 
Bezerros – 25 x 250,00 = 6.250,00 
Bezerras – 15 x 250,00 = 3.750,00 
Com isso, é possível realizar o cálculo do custo médio do rebanho. Este 
procedimento deve ser seguido a cada ano. Basicamente será considerado 
como custo dos bezerros(as) nascidos(as) o valor do custo dos reprodutores e 
matrizes, ao passo que, para o restante do rebanho, serão apropriados os custos 
consumidos para a manutenção destes. 
Esse processo sempre irá ocorrer para o rebanho em formação, até que 
ele seja vendido ou seja incorporado ao rebanho de reprodução. 
1.2 Custo médio dos reprodutores 
Para maior exatidão do custo dos bezerros, é necessário, inicialmente, 
proceder o cálculo do custo dos reprodutores, para então apropriar o valor aos 
bezerros nascidos. 
Deve ser rateado o valor de manutenção do rebanho para todos os 
animais, incluindo os reprodutores e deixando de fora os bezerros nascidos no 
período, para então poder apropriar o valor dos reprodutores a esses animais. 
O processo é relativamente simples. Vejamos uma situação com valores 
para melhor exemplificar: 
 
 
 
6 
Quadro 1 – Rebanho 
Classificação Quantidade 
Bezerros 80 
Bezerras 50 
Novilhos 200 
Novilhas 220 
Reprodutores 40 
Matrizes 250 
Total 840 
Considerando que no período ocorreram 150 nascimentos, sendo 75 
bezerras e 75 bezerros, o custo de manutenção do rebanho foi de $ 100.800,00. 
Primeiramente, vamos descobrir o valor por cabeça: 
100.800
840
= 120,00 𝑝𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑏𝑒ç𝑎 
Agora, devemos descobrir, do valor de manutenção, quanto corresponde 
aos reprodutores e matrizes: 
120 𝑥 290 = 34.800,00 
Chega, então, o momento de apropriar o valor aos bezerros(as) 
nascidos(as): 
34.800
150
= 232,00 𝑝𝑜𝑟 𝑐𝑎𝑏𝑒ç𝑎 
Chegamos, assim, ao valor de $ 232,00 por animal nascido. 
Podemos perceber que o custo médio dos reprodutores será repassado 
aos nascimentos do período, devendo o processo contábil se atentar a isso para 
poder realizar seu papel de forma mais efetiva, pois conhecer os custos de 
manutenção do rebanho é tão importante quanto aqueles custos de formação do 
rebanho. 
Saiba mais 
Para ampliarseu horizonte de conhecimentos, leia os dois artigos indicados a 
seguir, relacionados ao custo de bezerros: 
 MELHORIA organizacional na produção de bezerros de corte a partir 
dos centros de custos. Disponível em: 
<https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/96108>. Acesso em: 8 ago. 2019. 
 ANÁLISE da sensibilidade da metodologia dos centros de custos 
mediante a introdução de tecnologias em um sistema de produção de cria. 
 
 
7 
Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/107076>. Acesso em: 
8 ago. 2019. 
TEMA 2 – CALCULANDO O IMPOSTO DE RENDA NA AGROPECUÁRIA – 
PARA MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE 
É comum que a exploração da maioria das atividades econômicas no meio 
rural aconteça como Pessoa Física, porém, trataremos, neste momento, do 
processo de atuação como Pessoa Jurídica. 
Como Pessoa Jurídica, existem possibilidades diferentes, que podem 
variar conforme o porte da atividade, porém neste momento verificaremos como 
seria o procedimento para microempresas e empresas de pequeno porte, as 
quais, em sua maioria, são tributadas pelo regime tributário do Simples Nacional. 
Para se enquadrar como Microempresa, a entidade rural deverá ter 
faturamento anual até R$ 360.000,00, ao passo que a empresa de pequeno porte 
possui limitação de faturamento até R$ 4.800.000,00. 
Após entendermos as limitações de faturamento enquadradas no regime 
do Simples Nacional, também é necessário compreender a forma de tributá-las. 
Simplificadamente, as atividades rurais de exploração agrícola e pecuária se 
enquadram no Anexo I do simples, ao passo que possíveis prestações de 
serviços do meio rural terão tributação conforme o Anexo III. 
Dentre possíveis motivações para o produtor rural optar pela abertura de 
um CNPJ que terá como regime tributário o Simples Nacional, está a facilidade 
relacionada aos procedimentos obrigatórios a serem seguidos, se comparados 
com o de empresas de outros regimes tributários. Marion (2014) acrescenta que 
essas entidades rurais são desobrigadas, pela legislação fiscal, de realizar a 
escrituração comercial, mas, para tanto, devem manter com o devido zelo os 
seguintes itens: 
“Livro-caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação 
financeira, inclusive bancária. 
Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os 
estoques existentes no término de cada ano-calendário. 
Todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a 
escrituração dos livros-caixas e Registro de Inventário.” (Marion, p. 
190, 2014) 
Observa-se que o processo de contabilização será muito mais simples do 
que o de outras entidades, o que facilita a vida do produtor rural, bem como 
 
 
8 
incentiva a abertura de mais empresas que atuam neste meio. Portanto, 
empresas rurais pequenas, enquadradas como microempresas ou empresas de 
pequeno porte poderão ser tributadas pelo Simples Nacional, que, conforme 
vimos irá seguir os Anexos I e III. 
Focaremos, neste momento, nas atividades mais comuns do meio rural, 
relacionadas à realização de atividades produtivas com a finalidade de 
comercialização. Temos, então, a tributação que ocorre conforme o Anexo I. 
Quadro 2 – Anexo I do Simples Nacional 
Faixa Alíquota Valor a deduzir 
(em R$) 
Receita bruta em doze meses 
(em R$) 
1ª Faixa 4,00% - Até 180.000,00 
2ª Faixa 7,30% 5.940,00 De 180.000,01 até 360.000,00 
3ª Faixa 9,50% 13.860,00 De 360.000,01 até 720.000,00 
4ª Faixa 10,70% 22.500,00 De 720.000,01 até 1.800.000,00 
5ª Faixa 14,30% 87.300,00 De 1.800.000,01 até 
3.600.000,00 
6ª Faixa 19,00% 378.000,00 De 3.600.000,01 até 
4.800.000,00 
Fonte: Receita Federal, 2019. 
Como podemos observar no Quadro 2, conforme for a receita de 
propriedade somada dos últimos doze meses, será determinada a faixa de 
alíquota em que a propriedade será enquadrada, bem como será desencadeado 
o processo de cálculo do valor de tributos a serem recolhidos. 
Dos valores a serem recolhidos no Simples Nacional, haverá a divisão dos 
valores em diversos tributos, conforme o Quadro 3: 
Quadro 3 – Tributos no Simples Nacional 
Faixas CPP CSLL ICMS* IRPJ Cofins PIS/Pasep 
1ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76% 
2ª Faixa 41,50% 3,50% 34,00% 5,50% 12,74% 2,76% 
3ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76% 
4ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76% 
5ª Faixa 42,00% 3,50% 33,50% 5,50% 12,74% 2,76% 
6ª Faixa 42,10% 10,00% - 13,50% 28,27% 6,13% 
Fonte: Receita Federal, 2019. 
(*) Com relação ao ICMS, quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a 
parcela que não ultrapassar o sublimite, o percentual efetivo desse imposto será calculado 
conforme segue: {[(RBT12 x 14,30%) – R$ 87.300,00]/RBT12} x 33,5% 
 
 
9 
Após verificarmos as faixas do Simples Nacional, vejamos agora um 
exemplo de cálculo dos tributos a serem recolhidos pelas propriedades 
enquadras nesse regime tributário. 
Primeiramente é necessário verificar qual foi o faturamento dos doze 
meses anteriores ao período vigente e efetuar, então, a soma dos valores para 
se chegar à faixa de enquadramento. Para tanto, vamos imaginar um 
faturamento dos doze meses anteriores somados de R$ 400.000,00, com isso 
ficando enquadrado na 3ª Faixa. Neste mês, o faturamento foi de R$ 25.000,00, 
devendo-se agora utilizar o faturamento dos doze meses anteriores multiplicados 
pela alíquota da faixa: 
400.000 𝑥 9,5% = 38.000,00 
Nesse momento do valor encontrado, será deduzida a parcela a ser 
deduzida da faixa: 
38.000,00 − 13.860,00 = 24.140,00 
Com o valor encontrado, será calculada a alíquota efetiva a ser aplicada 
sobre o faturamento do mês de apuração: 
24.140,00
400.000,00
= 0,06035 𝑜𝑢 6,035% 
Chegamos então a 6,035% como alíquota efetiva, que será aplicada sobre 
o valor de R$ 25.000,00: 
25.000,00 𝑥 6,035% = 1.508,75 
Então, o valor de tributos a serem recolhidos será de R$ 1.508,75, nesta 
situação hipotética, sendo esse valor dividido entre os tributos que constam no 
Quadro 3. O valor de IRPJ, então, é de R$ 82,98, aproximadamente, 
representando 5,5% dos tributos. 
O intuito do exemplo apresentado é demonstrar a forma de calcular os 
impostos das propriedades rurais com CNPJ e enquadradas como 
microempresas ou empresas de pequeno porte. 
TEMA 3 – PESSOA JURÍDICA – INCENTIVOS FISCAIS E RESULTADO 
OPERACIONAL 
As pessoas jurídicas que atuam no meio rural e possuem faturamento que 
não se enquadre como Simples Nacional, terão sua apuração de Imposto de 
Renda conforme o regime de Lucro Real, Lucro Presumido ou Arbitrado. O 
 
 
10 
recolhimento dos tributos terá processamento e funcionamento semelhante ao 
das pessoas jurídicas que possuem atividade no meio urbano. 
A apuração do Imposto de Renda poderá será realizada de forma 
trimestral ou anual. Para a segunda opção, deve haver o recolhimento mensal 
dos valores daqueles enquadrados no Lucro Real. 
De forma simplificada, a alíquota do IRPJ será de 15%, também incidindo 
mais 10% sobre os valores excedentes, que anualmente é de R$ 240.000,00, 
como de maneira proporcional é de R$ 20.000,00 ao mês. 
Ao efetuar o pagamento mensal do Imposto de Renda, a entidade ainda 
poderá ter, ao final do exercício, valores a pagar, caso sua estimativa tenha sido 
a menor, ou tenha valor a compensar posteriormente, na hipótese de a 
estimativa ser a maior do que o valor a ser recolhido. 
Vejamos então um exemplo: uma entidade rural realizou apuração e 
pagamento por estimativa mensal de R$ 250.000,00 no ano de X1. No entanto, 
em X2, ao realizar a apuração do valor devido, se chegou a R$ 230.000,00. 
Dessa maneira, a entidade teria um saldo de R$ 20.000,00 de Imposto de Renda 
a compensar. 
Portanto, os lançamentos contábeis seriam: 
- Pela apuração mensal: 
D: IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 250.000,00 
C: Caixa/Banco R$ 250.000,00 
- Pela apuração do resultado e valor devido de IRPJ: 
D – Resultado do Exercício R$ 230.000,00 
C– IRPJ a pagar R$ 230.000,00 
- Pela compensação dos valores pagos e devidos de IRPJ: 
D – IRPJ a pagar R$ 230.000,00 
C - IRPJ mensal por estimativa a compensar R$ 230.000,00 
Vemos, nesse exemplo, que a empresa rural efetuou pagamentos a 
maior, ficando um saldo para compensar em outro período. Caso os pagamentos 
tivessem sidos inferiores ao valor devido, a entidade deveria pagar o saldo 
restante. 
 
 
 
11 
3.1 Incentivos fiscais 
Explorar a atividade rural não é fácil, pois a dependência do clima, 
sujeição a preços de mercado, dentre outros fatores, acabam por desfavorecer 
aqueles que atuam nesse meio. Visando reduzir tal disparidade, existem alguns 
incentivos fiscais destinados àqueles que possuem empresas na atividade rural. 
O benefício de que iremos tratar se refere aos bens do ativo imobilizado 
que são destinados à produção, uma vez que a entidade rural poderá 
depreciá-los integralmente no ano em que foi adquirido. Dessa maneira, a 
entidade terá redução na base de cálculo do Imposto de Renda, gerando então 
uma economia do valor a ser pago. 
Caso uma empresa rural tenha adquirido em X1 um implemento no valor 
de R$ 50.000,00, o qual possui vida útil de 5 anos, ou seja, depreciação de R$ 
10.000,00 por ano, ao final de X1 a entidade terá contabilizado no resultado R$ 
10.000,00 de depreciação, sendo os outros R$ 40.000,00 deduzidos para efeito 
de apuração do Imposto de Renda. Suponhamos, então, que no período houve 
um lucro de R$ 70.000,00, devendo ser deduzido dele os R$ 40.000,00 restante 
do valor do implemento, tendo como base de cálculo do Imposto de Renda o 
valor de R$ 30.000,00. 
No exercício de X2, a entidade irá contabilizar o valor de R$ 10.000,00 de 
depreciação, no entanto, no momento de apuração do imposto renda, caso o 
lucro do período tenha sido hipoteticamente de R$ 50.000,00, deverá ser 
agregado o valor da depreciação, chegando então a R$ 60.000,00 como base 
de cálculo do imposto. Isso ocorre pelo fato de que em X1 a entidade já usufruiu 
da depreciação de forma antecipada, para reduzir os impostos, devendo então, 
em X2, o valor da depreciação ser agregado à base de cálculo. 
3.2 Resultado operacional 
De forma geral, no meio empresarial, o resultado operacional – que 
representa o lucro ou o prejuízo – é apurado por meio da consideração de todas 
as atividades principais e acessórias, que são a razão de existir da entidade 
empresarial. No meio rural, no entanto, ao se falar de resultado operacional, 
existirá uma diferença, pois serão consideradas apenas as atividades principais. 
 
 
12 
São atividades principais da Pessoa Jurídica rural a produção e venda de 
seus produtos, todos oriundos de seus processos. Marion (2014) destaca como 
atividades acessórias as seguintes: 
 aplicações financeiras; 
 variações monetárias ativas e passivas; 
 reversões de provisões; 
 recuperação de créditos; 
 resultados positivo e negativo na equivalência patrimonial; 
 dividendos de investimentos avaliados pelo custo de aquisição; 
 aluguel ou arrendamento; 
 compra e venda de mercadorias; 
 prestação de serviços; (Marion, p. 194, 2014) 
Como podemos ver nas situações apresentadas por Marion, existirão 
receitas e despesas das atividades acessórias, as quais não irão compor o 
resultado operacional da Pessoa Jurídica que atua no meio rural. 
Considerando tal situação, as entidades rurais que possuam essas 
atividades acessórias deverão manter controles separados na contabilidade, 
para que possam realizar a apuração do resultado contábil, bem como o 
resultado fiscal das atividades realizadas. 
TEMA 4 – DETERMINAÇÃO DO LUCRO DA PJ QUE EXPLORA ATIVIDADE 
RURAL 
Na atividade rural, assim como nas atividades comercial e industrial, 
haverá a apuração do lucro da atividade, o qual basicamente é encontrado pela 
dedução dos custos e despesas do valor total das receitas com vendas. 
O lucro, além de informação sobre o andamento da atividade, também é 
utilizado como base de tributos sobre o lucro, para as entidades rurais 
enquadradas no regime tributário do Lucro Real. 
Nem sempre o resultado contábil será a base para os tributos sobre o 
lucro, pois poderá haver adições e exclusões na base de cálculo. Um exemplo 
disso ocorre quando um bem do imobilizado é depreciado integralmente no ano 
de aquisição, sendo realizada uma adição, e nos outros períodos acontece uma 
exclusão do valor de depreciação. 
Marion (2014) relata que se a empresa rural atua com outras atividades 
além da rural, será considerada uma empresa que detém atividade mista, e, para 
tanto, todos os controles contábeis de receitas, custos e despesas da atividade 
rural devem ser mantidos de forma separada da outra atividade. 
 
 
13 
Na hipótese de não ser possível separar os dados contábeis de cada 
atividade, deverão ser estabelecidos rateios proporcionais às receitas para a 
devida apuração. Custos e despesas comuns às atividades também deverão ser 
rateados, e geralmente o ideal é que se utilize a proporção da receita líquida da 
atividade em relação à receita total. 
Vejamos agora um exemplo, para identificarmos separadamente cada 
atividade, bem como compreender o rateio e a formação da base de cálculo do 
Imposto de Renda. 
Quadro 4 – Informações da propriedade 
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total 
Receitas das 
atividades 
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00 
Custos e 
Despesas 
$ 100.000,00 $ 70.000,00 $ 170.000,00 
Custos e 
Despesas Comuns 
$ 40.000,00 $ 40.000,00 
No Quadro 4 podemos ver as receitas e custos de cada atividade, bem 
como os valores comuns às duas atividades. Os custos e despesas comuns 
deverão ser rateados, para isso vamos utilizar a proporção da receita. 
Quadro 5 – Rateio dos gastos comuns 
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural Total 
Receitas das 
atividades 
$ 300.000,00 $ 200.000,00 $ 500.000,00 
Proporção 60% 40% 100% 
Custos e 
Despesas 
Comuns 
$ 24.000,00 $ 16.000,00 $ 40.000,00 
Agora, conseguimos apropriar o valor correto a cada atividade, então 
vamos elaborar uma apuração de resultado para identificar o lucro de cada uma 
delas. 
Quadro 6 – Rateio dos gastos comuns 
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural 
Receitas das atividades $ 300.000,00 $ 200.000,00 
Custos e Despesas ($ 100.000,00) ($ 70.000,00) 
Custos e Despesas Comuns ($ 24.000,00) ($ 16.000,00) 
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00 
 
 
14 
Dessa forma, chegamos ao lucro da empresa rural e, claro, para a 
apuração dos tributos sobre o lucro, devem ser consideradas as adições e 
exclusões determinadas pela legislação fiscal vigente. Vamos então simular 
essa situação, considerando adições no valor de $ 20.000,00 da atividade 
industrial, e exclusões no valor de $ 15.000,00 da atividade rural. 
Agora, vamos verificar como ficariam as bases de cálculo do Imposto de 
Renda. 
Quadro 7 – Base de cálculo do Imposto de Renda 
Descrição Atividade Industrial Atividade Rural 
Lucro Líquido $ 176.000,00 $ 114.000,00 
Adição/Exclusão $ 20.000,00 ($ 15.000,00) 
Base de Cálculo IR $ 196.000,00 $ 99.000,00 
Chegamos, então, ao lucro que será tributado, tanto na atividade rural, 
quando na industrial. Para a empresa rural que optar pelo regime do Lucro Real, 
será necessário manter vários controles para que possam ser geradas 
informações corretas para apuração de resultado contábil, dentre eles, o fiscal, 
que será base de tributação. 
Vimos, portanto, a forma de tributar as empresas rurais enquadradas no 
Lucro Real, no entanto também há a possibilidade de a entidade ser de regimes 
de Lucro Presumido ou Arbitrado. No caso do Lucro Presumido, a entidade irá 
aplicar a alíquota de presunção do lucro sobre o valor da receita, para então 
aplicar a alíquota do Imposto de Renda. O percentual de presunção de lucro será 
de 8%. Já o regime Arbitrado é imposto às empresas que não seguiram os 
regulamentos fiscais, e são penalizadascom um valor de lucro determinado pelo 
fisco. 
Saiba mais 
Para ampliar sua cadeia de conhecimento, leia o artigo indicado a seguir, que 
trata da questão tributária da atividade rural. 
 AVALIAÇÃO da carga tributária de uma empresa com atividade 
agrícola. Disponível em: 
<http://periodicos.redebatista.edu.br/index.php/ADMCC/article/view/58>. 
Acesso em: 9 ago. 2019. 
 
 
 
15 
TEMA 5 – PESSOA FÍSICA – CONSIDERAÇÕES QUANTO À TRIBUTAÇÃO 
Assim como a Pessoa Jurídica atuante no meio rural, a Pessoa Física 
também está sujeita a aspectos tributários e também deve atender às 
regulamentações legais. 
As pessoas físicas que possuam uma receita anual superior a 
R$ 56.000,00 devem manter um Livro-caixa, no qual serão realizadas as 
escriturações dos fatos contábeis. Já as pessoas físicas com receita inferior a 
R$ 56.000,00 não estão sujeitas a tal obrigatoriedade. 
Todos os valores de receitas e gastos da produção devem ter devida 
comprovação documental. Vale ressaltar que, assim como a Pessoa Jurídica 
que pode atuar com depreciação acelerada no primeiro ano, a Pessoa Física 
também irá considerar itens do imobilizado de forma equivalente a despesas do 
período, reduzindo, assim, o resultado e, consequentemente, a base de cálculo 
do Imposto de Renda. Vendas de bens do imobilizado serão consideradas 
receitas da atividade. 
O cálculo do resultado será feito por meio do regime de caixa. Para tanto, 
os registros do Livro-caixa serão utilizados para encontrar a base de tributação 
pelo Imposto de Renda da Pessoa Física. De forma simplificada, deverão ser 
deduzidos todos os gastos de produção, do valor total de receitas do período. 
A base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física será, então, o 
resultado da atividade. Outra opção é a tributação simplificada, a qual irá 
desconsiderar os valores de custos e despesas, aplicando o percentual de 20% 
sobre a receita bruta, chegando à base de cálculo do imposto. Outra situação a 
ser considerada é a de produtos que tenham tido prejuízo em exercícios 
anteriores, os quais poderão ser compensados de forma integral nos períodos 
posteriores em que se obtiver lucro. 
Vejamos então um exemplo para melhor entender como seria o cálculo 
do valor a ser tributado pelo produtor Pessoa Física. 
Determinado produtor rural auferiu uma receita bruta no ano de x1 no valor 
de R$ 2.000.000,00. Nesse mesmo período teve custos e despesas no valor de 
R$ 1.000.000,00. Também foram realizados investimentos em implementos no 
valor de R$ 700.000,00. Possuía um saldo de prejuízo a compensar, no valor de 
R$ 30.000,00. Vejamos, agora, como ficaria a apuração da base de cálculo do 
Imposto de Renda dessa Pessoa Física rural. 
 
 
16 
Quadro 8 – Apuração do resultado tributável 
Receita Bruta R$ 2.000.000,00 
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.700.000,00 
Resultado Inicial R$ 300.000,00 
Prejuízo a ser compensado R$ 30.000,00 
Resultado após compensar prejuízo R$ 270.000,00 
 
Resultado Tributável R$ 270.000,00 
Opção pela Tributação Simplificada R$ 400.000,00 
Chegamos às duas possibilidades de base de cálculo do Imposto de 
Renda de Pessoa Física. Podemos ver que considerar o resultado tributável é 
mais viável nesse exemplo perante a tributação simplificada, no entanto, não 
podemos assumir que isso será verdade em todos os casos. 
No caso da Pessoa Física, deve ser considerada a tabela progressiva do 
Imposto de Renda, para então proceder o cálculo de forma correta. Na Tabela 1 
é apresenta essa questão: 
Tabela 1 – Tabela progressiva do IRPF 
Base de Cálculo (R$) Alíquota 
(%) 
Parcela a deduzir do IRPF 
(R$) 
Até 22.847,76 - - 
De 22.487,77 até 33.919,80 7,5% 1.713,58 
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.257,57 
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 7.633,51 
Acima de 55.976,17 27,5% 10.432,32 
Ao ser encontrada a base de cálculo, deverá ser deduzido o valor da 
Tabela 1, aplicando a alíquota respectiva. No exemplo do Quadro 8, tanto o 
resultado tributável quanto a tributação simplificada estão na mesma faixa, ou 
seja, deve-se deduzir o valor R$ 10.432,32, para então aplicar a alíquota de 
27,5%. Tendo, pelo resultado tributável, o valor de R$ 270.000,00, ao deduzir a 
parcela fica R$ 259.567,68. Aplicando a alíquota de 27,5%, o valor a ser 
recolhido é de R$ 71.381,11. No caso da tributação simplificada, o valor de R$ 
400.000,00 será deduzido da parcela, ficando R$ 389.567,68. Aplicando a 
alíquota de 27,5%, o valor a ser recolhido é de R$ 107.131,11. 
Explorar atividade rural demanda conhecimento técnico da atividade, bem 
como discernimento para identificar o melhor modelo de negócio – se explorar 
como Pessoa Física ou jurídica – e, no caso de Pessoa Jurídica, verificar o 
melhor regime tributário. 
 
 
17 
TROCANDO IDEIAS 
Caros alunos, nesta aula abordamos aspectos tributários inerentes à 
atividade rural, tanto os relacionados à Pessoa Jurídica do meio rural – que pode 
desenvolver em paralelo outra atividade –, quanto a Pessoa Física que explora 
atividade rural. Dentre os aspectos tributários surgem possibilidades diversas, as 
quais podem gerar maior economicidade quanto aos tributos, ou onerar a 
atividade rural caso a escolha seja inadequada. 
Vamos supor, neste momento, que você possua um escritório contábil 
atuante de modo especial no planejamento tributário de empresas, mas que até 
então nunca atuou em casos que envolvam a atividade rural, até que, num 
determinado dia, surge um cliente atuante como Pessoa Física, explorando 
atividade rural, porém com dúvidas sobre a viabilidade de continuar atuando de 
tal maneira. 
Considerando os aspectos tributários envolvidos na atividade rural, você 
precisa fazer a verificação de qual seria a maneira mais viável de esse produtor 
continuar na atividade rural – se como Pessoa Física ou jurídica –, e, no segundo 
caso, qual seria o regime mais adequado. 
Discuta com seus colegas para que possam chegar à melhor alternativa 
a ser aplicada para esse cliente, Em seguida, elenque as informações que 
deverão ser solicitadas a ele para que seja possível fazer uma análise adequada 
e eficaz do caso. 
NA PRÁTICA 
Caro(a) aluno(a), vamos agora colocar em prática os conhecimentos adquiridos, 
levando em consideração algumas situações que remetem ao conteúdo 
estudado. 
1) No ano de 2018, a Fazenda Feliz, pertencente ao Senhor Pedro, 
desenvolvendo sua atividade como Pessoa Física, realizou cultivos agrícolas e 
também atividades pecuárias. Das atividades desempenhadas, foi alcançada 
uma receita no valor de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), 
tendo como custos e despesas do período o valor de R$ 1.400.000,00 (um 
milhão e quatrocentos mil reais). No ano de 2017, a fazenda teve um prejuízo no 
valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Com base nessas informações, qual 
 
 
18 
será o resultado tributável, considerando apenas receitas e despesas? Qual será 
o resultado tributável se o senhor Pedro optar pelo arbitramento da receita bruta 
por meio da tributação simplificada? 
2) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu 
uma receita no valor de R$ 5.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de produção 
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros, 
totalizando R$ 2.500.000,00. Nesse período, foram realizados investimentos em 
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 300.000,00. Também foi gasto 
o valor de R$ 80.000,00 com despesas operacionais. Calcule o valor de Imposto 
de Renda a ser pago por essa empresa rural. 
3) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Real auferiu 
uma receita no valor de R$ 8.000.000,00 no ano de X2. Teve custos de produção 
relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, dentre outros, 
totalizando R$ 4.900.000,00. Nesse período foram realizados investimentos em 
infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 1.000.000,00.Também foi 
gasto o valor de R$ 150.000,00 com despesas operacionais. No período de X1 
essa empresa teve um prejuízo de R$ 1.500.000,00. Calcule o valor de Imposto 
de Renda a ser pago por essa empresa rural. 
4) Uma propriedade rural que atua como Pessoa Jurídica do Lucro Presumido 
auferiu uma receita no valor de R$ 4.000.000,00 no ano de X1. Teve custos de 
produção relacionados a insumos, mão de obra, combustível do maquinário, 
dentre outros, totalizando R$ 1.800.000,00. Nesse período foram realizados 
investimentos em infraestrutura e equipamentos no valor total de R$ 100.000,00. 
Também foi gasto o valor de R$ 60.000,00 com despesas operacionais. Calcule 
o valor de Imposto de Renda a ser pago por essa empresa rural. 
5) A empresa agropecuária Fazenda Alegre Ltda., no período de X4, obteve uma 
receita no valor de R$ 10.000.000,00. Nesse período, teve custos produtivos no 
valor de R$ 7.000.000,00, bem como despesas no valor de R$ 600.000,00. 
Possui um prejuízo a compensar no valor de R$ 700.000,00. Considerando os 
dados da Fazenda Alegre Ltda., assinale a alternativa que representa a base de 
cálculo do IRPJ caso a empresa fosse do Lucro Real e do Lucro Presumido, 
respectivamente. 
 
 
19 
a) R$ 2.400.000,00; R$ 800.000,00. 
b) R$ 1.700.000,00; R$ 100.000,00. 
c) R$ 3.000.000,00; R$ 200.000,00. 
d) R$ 1.700.000,00; R$ 800.000,00. 
e) R$ 2.400.000,00; R$ 100.000,00. 
6) A empresa agropecuária Sítio Fundo possui tradição no meio rural, sendo, em 
vários aspectos, referência regional. Alcança receita média anual, nos últimos 10 
anos, de R$ 20.000.000,00. Possui um custo médio de 62,5% dos valores das 
receitas, bem como despesas operacionais de 8% das receitas. Basicamente 
todo ano alcança lucro. Porém, seu proprietário, mesmo estando satisfeito com 
os negócios, está com “uma pulga atrás da orelha”, pois atualmente a empresa 
é tributada pelo Lucro Real, e o proprietário crê que talvez outro regime tributário, 
ou até mesmo atuar como Pessoa Física, possa ser mais vantajoso para ele. 
Considerando esta situação, calcule quais seriam os valores de Imposto de 
Renda da empresa sendo do Lucro Real, Lucro Presumido, bem como simulando 
os dados caso a exploração fosse feita por meio de Pessoa Física. 
FINALIZANDO 
Começamos nossa aula abordando o assunto relacionado à contabilidade 
da pecuária, tratando também do cálculo do custo dos bezerros, bem como o 
custo médio do rebanho. 
Na sequência, focamos nos aspectos tributários relacionados à atividade 
rural. Verificamos a forma de se tributar as pessoas jurídicas que atuam no meio 
rural e se caracterizam como microempresas e empresas de pequeno porte, as 
quais são tributadas conforme rege o regulamento do Simples Nacional. 
Destacamos também que estas são tributadas conforme o Anexo I e III do 
Simples Nacional – no primeiro caso, para atividades de comércio da atividade 
rural; no segundo, para prestação de serviços rurais. 
Posteriormente, nos detivemos à questão de incentivos fiscais e no 
resultado operacional. Constatamos que a atividade rural encara muitos 
percalços, como dependência do clima e sujeição ao mercado no 
estabelecimento de preços, sendo necessários alguns incentivos para 
compensar tais dificuldades, como a possibilidade da depreciação integral dos 
bens no ano de aquisição. Vimos que, conforme a atividade, e considerando os 
 
 
20 
possíveis incentivos, deve ser apurado o resultado operacional. Do mesmo 
modo, caso haja outra atividade desenvolvida pela propriedade, que não seja 
rural, devem ser mantidos registros separados, e só depois consolidados. 
Nosso penúltimo assunto foi a forma de se determinar o lucro para as 
pessoas jurídicas que atuam no meio rural, considerando o regime tributário do 
Lucro Real, Presumido e Arbitrado. Vimos que a forma de se determinar o lucro 
se assemelha à de empresas do meio urbano, sendo levadas em conta apenas 
algumas particularidades para se determinar o lucro. 
Finalizamos nossa aula verificando aspectos tributários relativos à Pessoa 
Física que atua no meio rural, abordando os registros que devem ser mantidos 
para uma possível fiscalização, devendo o produtor Pessoa Física mantê-los 
todos de forma adequada e comprovada. 
Ao fim desta aula concluímos o assunto abordando a questão tributária 
presente no meio rural, chegando a mais um nicho de atuação para nós, 
contadores, que é o da consultoria tributária de atividades rurais, de modo a 
realizar um planejamento eficiente e atender às necessidades desse contexto. 
 
 
21 
REFERÊNCIAS 
COSTA, K. L.; FERREIRA, R. M. Avaliação da carga tributária de uma empresa 
com atividade agrícola. Belo Horizonte, Revista de Administração & Ciências 
Contábeis, v. 9, n. 1, 2015. 
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
OAIGEN, R. P.; BARCELLOS, J. O. J.; CHRISTOFARI, L. F.; BRACCINI NETO, 
J.; OLIVEIRA, T. E.; PRATES, E. R. Análise da sensibilidade da metodologia dos 
centros de custos mediante a introdução de tecnologias em um sistema de 
produção de cria. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 38, n. 6, p. 1155-
1162, 2009. 
_____. Melhoria organizacional na produção de bezerros de corte a partir dos 
centros de custos. Viçosa, Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. 3, p. 580-
587, 2008. 
RECEITA FEDERAL. Simples Nacional. Disponível em: 
<http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/>. Acesso em: 16 abr. 
2019. 
 
 
 
22 
GABARITO 
1) Resolução: 
Receita Bruta R$ 2.500.000,00 
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.400.000,00 
Resultado Inicial R$ 1.100.000,00 
Prejuízo a ser compensado R$ 200.000,00 
Resultado após compensar prejuízo R$ 900.000,00 
 
Resultado Tributável R$ 900.000,00 
Opção pela Tributação Simplificada R$ 500.000,00 
 
2) Resolução: 
Descrição Atividade Rural 
Receitas das atividades $ 5.000.000,00 
Custos ($ 2.500.000,00) 
Despesas Operacionais ($ 80.000,00) 
Lucro Líquido $ 2.420.000,00 
Adição/Exclusão ($ 300.000,00)* 
Base de Cálculo IR $ 2.142.000,00 
IRPJ (15%) $ 321.300,00 
IRPJ Adicional (10%) $ 190.200,00 
*Investimentos. 
 
3) Resolução: 
Descrição Atividade Rural 
Receitas das atividades $ 8.000.000,00 
Custos ($ 4.900.000,00) 
Despesas Operacionais ($ 150.000,00) 
Lucro Líquido $ 2.950.000,00 
Adição/Exclusão ($ 2.500.000,00)* 
Base de Cálculo IR $ 450.000,00 
IRPJ (15%) $ 67.500,00 
IRPJ Adicional (10%) $ 21.000,00 
* Investimentos no valor de $ 1.000.000,00, e prejuízos a compensar no valor de $ 1.500.000,00. 
 
4) Resolução: 
Receitas das atividades $ 4.000.000,00 
Presunção (8%) $ 320.000,00 
IRPJ (15%) $ 48.000,00 
IRPJ Adicional (10%) $ 8.000,00 
 
5) Resolução: 
Descrição Atividade Rural 
Receitas das atividades $ 10.000.000,00 
Custos ($ 7.000.000,00) 
 
 
23 
Despesas Operacionais ($ 600.000,00) 
Lucro Líquido $ 2.400.000,00 
Adição/Exclusão ($ 700.000,00)* 
Base de Cálculo IR $ 1.700.000,00 
 
Receitas das atividades $ 10.000.000,00 
Presunção (8%) $ 800.000,00 
 
Alternativa A. 
 
6) Resolução: 
Lucro Real: 
Descrição Atividade Rural 
Receitas das atividades $ 20.000.000,00 
Custos ($ 12.500.000,00) 
Despesas Operacionais ($ 1.600.000,00) 
Lucro Líquido $ 6.900.000,00 
Base de Cálculo IR $ 6.900.000,00 
IRPJ (15%) $ 1.035.000,00 
IRPJ Adicional (10%) $ 666.000,00 
 
Lucro Presumido: 
Receitas das atividades $ 20.000.000,00 
Presunção (8%) $ 1.600.000,00 
IRPJ (15%) $ 240.000,00 
IRPJ Adicional (10%) $ 136.000,00 
 
Pessoa Física: 
Receita Bruta R$ 20.000.000,00 
Custos, Despesas e Investimentos R$ 14.100.000,00 
Resultado Inicial R$ 5.900.000,00 
Prejuízo a ser compensado R$ 0,00 
Resultado após compensar prejuízo R$ 5.900.000,00 
 
Resultado Tributável R$ 5.900.000,00 
Opção pela Tributação Simplificada R$ 4.000.000,00 
Parcela a deduzir R$ 10.432,32 
Alíquota 27,5% 
Resultado Tributável R$ 1.619.631,11Opção pela Tributação Simplificada R$ 1.097.131,11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Diones Fernandes Zanin 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Abordaremos nesta aula mais tópicos que podemos integrar ao meio rural 
por meio da atuação da ciência contábil em mais uma parte do mercado, para 
atender às necessidades dos usuários. 
Iniciaremos nossa aula trabalhando conceitos de avaliação do estoque no 
meio rural, bem como trataremos das despesas e custos da atividade, que são 
pontos importantes a serem alinhados entre o processo contábil e a prática do 
cotidiano da propriedade rural. Em seguida vamos verificar a diferenciação entre 
o regime de caixa e o regime de competência, que cremos que não seja uma 
total novidade a você, pois tais regimes são de certa maneira conflitantes, bem 
como cada situação pode suscitar uma necessidade de determinado regime. Em 
um terceiro momento abordaremos a aplicação e a importância da demonstração 
de fluxo de caixa, possibilitando análises envolvendo como o caixa está atuando 
dentro da atividade agropecuária, facilitando a verificação e o planejamento do 
processo financeiro em consonância com o fluxo econômico no qual a entidade 
está envolvida. Alinhado ao terceiro assunto, chegaremos então à análise de 
verificação da estrutura da demonstração do fluxo de caixa, demonstrando a 
importância de tal procedimento. Encerraremos estudando sobre quais são as 
práticas de divulgação dos ativos biológicos conforme rege o CPC 29, visando 
então a evidenciar quais as formas mais adequadas de realizar este 
procedimento. 
Bons estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
A contabilidade, para ser realizada de forma adequada e útil aos usuários, 
necessita de muita atenção aos detalhes por parte do profissional, que vão desde 
questões básicas de controles, até escrituração, passando ainda pela divulgação 
das informações contábeis. Para que se alcance uma contabilidade que atenda 
todos os propósitos gerenciais, administrativos, fiscais, dentre outros, todo o 
processo contábil deverá iniciar de maneira correta, com a devida estruturação, 
tanto nos aspectos conceituais, quanto operacionais. Tais cuidados se tornam 
ainda mais necessários nas empresas do meio rural, uma vez que, por não haver 
uma atuação constante dos profissionais contábeis, cabe maior cuidado com os 
detalhes devido às particularidades da atividade rural. 
 
 
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Desta maneira, nessa aula iremos estudar alguns aspectos contábeis 
específicos que o contador e a entidade rural devem estar atentos no dia a dia, 
para que o trabalho ocorra de forma correta, facilitando os processos. 
TEMA 1 – AVALIAÇÃO DE ESTOQUES E DESPESAS/CUSTOS COM 
ATIVIDADE AGRÍCOLA 
Abordar o estoque parece tarefa muito simples; no entanto, envolve 
alguns aspectos que devem ser considerados, e que sem os quais as 
informações contábeis do estoque estarão desalinhadas com a realidade. No 
meio rural tais cuidados devem permear o tempo, mantendo todos os processos 
para melhorarem os controles e gerando informação para a gestão. 
Para tais situações no meio rural foi estabelecido pelo Decreto-lei n. 
1.598/1977, segundo o qual os estoques deverão ser avaliados de acordo com 
os preços correntes dos produtos rurais. Dessa maneira também se alinha ao 
que estabelece o CPC 29 (2009), que dita que os estoques do meio rural devem 
ser avaliados ao valor justo, que, de certa maneira, é equivalente ao valor de 
mercado. 
Dentre as recomendações relacionadas ao estoque da atividade rural, 
deve ser verificado periodicamente o inventário, para que então tenhamos o valor 
de estoque compatível com a realidade. 
Mesmo havendo a recomendação de se manter o valor de estoque pelo 
valor de mercado, também há a possibilidade, quando existe o devido controle 
por parte da entidade rural, de manter os registros pelos respectivos custos de 
produção. 
O inventário deverá ser realizado nos períodos de elaboração das 
demonstrações contábeis, e considerando, por exemplo, uma pessoa jurídica, 
este pode ser realizado de maneira trimestral. 
Com relação aos estoques, será necessário inicialmente segregar as 
culturas agrícolas dos animais. O estoque das culturas agrícolas será composto 
pelos produtos em elaboração, que comumente são divididos em culturas em 
formação e culturas com colheita em andamento, como também os produtos 
acabados. Já para os animais, serão mantidos em estoque aqueles que terão 
destinação de venda para obtenção de recursos, seja para venda como 
bezerreiro, que é o primeiro estágio, como também para venda de animais para 
abate, que terão alcançado uma maturidade maior. 
 
 
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Toda essa questão de avaliar o estoque a valor de mercado exigirá um 
cuidado elevado, bem como um processo contábil bem alinhado para gerar 
informações úteis. 
Surge então a figura de duas contas contábeis oriundas da avaliação a 
valor de mercado, que são as contas de superveniências ativas e insubsistências 
ativas. A primeira será creditada quando o valor de mercado for superior ao 
registrado na contabilidade, e é equivalente a uma receita econômica, tendo 
como débito na conta valorizada; a segunda conta, por sua vez, será debitada 
quando o valor de mercado for inferior ao registro contábil, ocorrendo uma 
desvalorização que irá reduzir o resultado do período, bem como diminuir o valor 
contábil do estoque avaliado. 
Tanto as superveniências, quanto as insubsistências, serão a diferença 
do valor de mercado comparado aos gastos consumidos para a formação dos 
ativos. 
Saiba mais 
Agora iremos buscar mais fontes para agregar ao nosso conhecimento, 
por isso selecionamos dois artigos para sua leitura. Ambos abordam aspectos 
relacionados com o estoque. 
O primeiro é intitulado “A relevância do controle contábil para o 
desenvolvimento do agronegócio em pequenas e médias propriedades rurais”, e 
está disponível em: <https://revistas.ufpr.br/rcc/article/view/21490>. 
O segundo artigo chama-se “Caracterizando aspectos do sistema de 
informação contábil na gestão de custos: um estudo empírico no âmbito do 
agronegócio”, que pode ser acessado em: <https://emnuvens.com.br/abcustos/
article/view/19>. 
TEMA 2 – REGIME DE COMPETÊNCIA VERSUS REGIME DE CAIXA 
Quando se estuda contabilidade, os primeiros passos são os 
aprendizados referentes ao débito e crédito, bem como a distinção do regime de 
competência e do regime de caixa. 
O regime de competência preza pelo registro contábil dos fatos contábeis 
quando estes efetivamente ocorrem, ou seja, o foco está especificamente no 
momento de apropriação do fato contábil, não se levando em conta se houve ou 
não o efetivo pagamento. 
 
 
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Por outro lado, o regime de caixa leva em consideração a movimentação 
do caixa, ou seja, o momento do pagamento ou recebimento em caixa do fato 
contábil. 
De maneira sucinta a diferença está em considerar como mais importante 
o momento do fato contábil, ou optar por priorizar o momento do recebimento ou 
desembolso. 
A utilização do regime de caixa ou de competência pode envolver a 
preferência por um deles, alguma obrigação legal, ou até mesmo questões 
culturais. Então vejamos a diferença quanto às atividades agropecuárias e sua 
relação com o assunto considerando a cultura dos Estados Unidos. 
Naquele país a agropecuária utiliza com predominância o regime de caixa, 
haja vista a simplicidade em levar em consideração o pagamento e os 
recebimentos, o que também faz com que a apuração do resultado se torne 
facilitada ao subtrair os pagamentos dos recebimentos (Marion, 2014). 
No regime de competência é considerado o fato contábil do crescimento 
natural que ocorre no meio rural, e com isso é reconhecido um ganho, porém no 
regime de caixa esse ganho não será reconhecido, pois não houve recebimento 
em caixa referente a tal fato. Nesse mesmo raciocínio, isto fará comque 
depreciações não sejam reconhecidas, e apenas será registrado o pagamento 
pelo bem na data de aquisição. 
Além da simplicidade, isto faz com que o produtor não precise manter 
controles de estoque ou imobilizado. Outra situação é a consideração da 
movimentação de caixa; toda aquisição de insumos será apropriada a esse 
período, mesmo que seja mantido algum insumo para o plantio do próximo ano. 
Algo semelhante ocorre para as receitas, caso parte da produção seja vendida, 
e o restante para próximos períodos seja estocado. Tais fatos fazem com que 
ocorra uma redução do imposto de renda nesse momento inicial, porém tal 
economia irá gerar um desembolso posterior, quando a produção de exercícios 
anteriores for vendida. 
Caso a propriedade rural mantenha estoque muito grande para esperar 
preços mais favoráveis, no momento em que esta realizar a venda ocorrerá uma 
grande entrada de recursos em caixa, o que então poderá gerar um vultuoso 
valor de imposto de renda a ser pago. Outra desvantagem que pode ser citada 
está no fato de que frustrações de safras – quando ocorrem fatos climáticos, ou 
 
 
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quaisquer outros tipos de dano à safra, fazendo com que não haja produção, ou 
a produção seja extremamente baixa – não poderão ser compensadas. 
Enquanto o regime de caixa pode ser o desejado pelos produtos rurais, 
os profissionais contábeis atuam seguindo o regime de competência conforme 
regem as normas contábeis, pois contabilmente é o procedimento mais correto, 
considerando apenas fatos contábeis. Com o regime de competência poderão 
ser reconhecidas perdas, reduzindo assim o valor a ser tributado. 
Observando de maneira simples, o regime de caixa pode ser manipulado, 
o que faz com que a confiabilidade seja afetada, o que não nos permite entender 
este como um método adequado para a finalidade contábil. A complexidade do 
regime de competência se dá principalmente ao se aplicar a propriedades 
menores, as quais não possuem controles adequados, dificultando o trabalho de 
aplicar a competência. 
Dentre as particularidades dos regimes, ao checarmos a realidade do 
Brasil, os produtores rurais que atuam como pessoa física irão utilizar o regime 
de caixa, pois, como já falamos, é a maneira mais simples de se operacionalizar, 
principalmente para propriedades menores. Por outro lado, as propriedades 
rurais que atuam como pessoa jurídica irão utilizar o regime de competência para 
a apuração do resultado, assim como para o imposto de renda (com exceção 
daqueles que optam pelo lucro presumido). 
Assim, para a propriedade rural atuar de forma consistente, deve-se ter 
consciência sobre que regime será utilizado: o de caixa, no caso de pessoa 
física, e o de competência, no caso de pessoa jurídica. 
Muitas vezes, porém, o acesso a essas informações está distante do 
produtor rural, cabendo ao profissional contábil construir a ponte para levar tais 
conhecimentos técnicos às propriedades rurais. 
Saiba mais 
Visando adquirir mais subsídios para seu conhecimento, selecionamos 
dois artigos. Ambos abordam a questão do regime de caixa e de competência. 
O primeiro é intitulado “Contabilidade vs. fluxo de caixa”, de autoria do 
renomado professor Eliseu Martins, muito conhecido no meio contábil. Está 
disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
92511990000100001&script=sci_arttext>. 
O segundo artigo possui como título “O fluxo de caixa no setor rural 
(conforme alguns estudos nos Estados Unidos)”, de autoria do também 
 
 
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conhecido professor José Carlos Marion, autor de diversos livros e artigos 
relacionados à contabilidade aplicada à atividade rural. Acesse em: 
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-
92511993000200002&script=sci_arttext&tlng=pt>. 
TEMA 3 – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA NA CONTABILIDADE 
AGROPECUÁRIA 
Com vistas a auxiliar na geração de informações referentes ao fluxo de 
caixa da entidade – no nosso caso a empresa agropecuária – surge a figura da 
Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC). 
Essa demonstração se tornou obrigatória no cenário brasileiro a partir do 
ano de 2008 (Marion, 2014). Essa demonstração possui, basicamente, a 
capacidade de evidenciar o quão capaz a entidade é de gerar caixa, seja com 
suas atividades de curso normal, seja com atividade periféricas ou incidentais. 
Para que seja possível elaborar a DFC, serão necessárias informações 
das transações que fazem com que o caixa da entidade seja movimentado, bem 
como informações contábeis oriundas dos registros contábeis que seguem o 
regime de competência, pois serão utilizados dados da apuração de resultado, 
que é feita por meio do regime de competência. 
Podemos então dizer que ao elaborar a DFC, estaremos moldando uma 
demonstração hibrida do regime de caixa e do regime de competência ao utilizar 
o método indireto, dada a utilização de figuras atinentes aos dois regimes. Logo, 
essa demonstração irá representar de forma clara onde o dinheiro da entidade 
está sendo aplicado. Para tanto, serão utilizadas informações do lucro líquido da 
entidade, das entradas e saídas de caixa oriundas de recebimentos e 
pagamentos, respectivamente, como também serão consideradas operações 
financeiras ou não financeiras do período. 
Com essa ferramenta contábil é possível compreender o quanto a 
entidade está gerando e consumindo de seu caixa, bem como evidenciar origens 
e destinações desses recursos. O cuidado com o caixa é imprescindível, pois a 
saúde do caixa fará com que a entidade possa honrar seus compromissos e, 
com a devida atenção destinada à gestão e planejamento do caixa, será possível 
identificar antecipadamente uma necessidade futura de reposição de caixa. 
Além de utilidades internas para a DFC, haverá também usuários externos 
que irão utilizar tal demonstração juntamente com a demonstração de resultado, 
 
 
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como instituições financeiras que poderão emprestar recursos para a entidade 
rural. Ao verificar as duas demonstrações, a instituição financeira irá verificar o 
quão bem-sucedida a entidade está sendo em gerar lucros, bem como o quão 
eficientemente tem feito a aplicação de seu dinheiro – e claro, se há alguma 
margem de sobra de recursos, pois será com esses que a empresa vai honrar o 
empréstimo posteriormente. Entretanto, analisar de forma isolada essas duas 
demonstrações irá fornecer uma boa percepção do curto prazo, porém no longo 
prazo é necessário verificar outros pontos. 
Tal desconfiança no longo prazo se dá pelo fato de que uma entidade que 
esteja auferindo lucros regulares pode não estar conseguindo o mesmo êxito em 
gerar caixa, fazendo com que não consiga honrar seus compromissos. Isso pode 
acontecer pelo fato de a entidade se preocupar demasiadamente em vender, 
sem dar a devida atenção à realização de vendas a prazo que poderão ser 
perdidas. Situação contrária também pode ocorrer: uma entidade não conseguir 
gerar lucro, porém ser eficiente na geração de caixa, seja pela venda de algum 
imobilizado, entre outras razões. 
Temos então, com a DFC, um instrumento de verificação relacionada à 
geração de caixa da entidade, devendo tomar os devidos cuidados para evitar 
que esta seja uma demonstração enganosa. Vale atentar ao fato de que nas 
atividades agropecuárias o cuidado com o caixa é ainda mais proeminente, pois 
devido à sazonalidade das culturas agrícolas, por exemplo, não haverá entrada 
de recursos de forma periódica – mas apenas em determinados momentos – 
enquanto que as saídas de caixa normalmente são mensais. 
Saiba mais 
Para que possamos verificar mais conceitos, buscamos dois artigos que 
tratam sobre a DFC. 
O primeiro tem por título “A importância da gestão no planejamento do 
fluxo de caixa para o controle financeiro de micros e pequenas empresas”, e está 
disponível em: <https://revistas.pucsp.br/redeca/article/view/28566>. 
O segundo artigo é “A importância da demonstração dos fluxos de caixa 
enquantoinstrumento gerencial para a tomada de decisão”, que pode ser 
acessado em: <http://revista.pgsskroton.com.br/index.php/rcger/article/view/267
1>. 
 
 
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TEMA 4 – ESTRUTURA E ANÁLISE DA DFC EM ATIVIDADES DO 
AGRONEGÓCIO 
Para propiciar uma análise adequada, bem como uma padronização da 
DFC, esta deve seguir uma estrutura pré-definida, que, de maneira simples, é 
dividida em três grupos, conforme nos apresenta Marion (2014, p. 216-217): 
a) Atividade Operacional: envolve a produção e venda de bens e 
serviços relativos à atividade operacional da empresa. No setor rural, 
haveria necessidade de subtrair, além das despesas operacionais 
pagas, a retirada de dinheiro para a manutenção da família, que 
corresponde a salários de trabalho e administração dos mesmos. 
b) Atividade Referente a Investimento: focaliza o fluxo de caixa para 
compra e venda de bens de capital (máquinas, implementos agrícolas), 
animais de reprodução (criação), planos de aposentadoria etc. 
c) Atividade de Financiamento: inclui os financiamentos, empréstimos, 
amortizações de dívida, capital dos proprietários, operações com 
leasing etc. 
Dentro dessa estrutura, a entidade irá classificar as operações conforme 
o enquadramento da atividade, ou seja, atividades de cunho operacional – e 
normal – da propriedade se encaixarão na categoria operacional (por exemplo, 
a produção e venda de cereais e os gastos para tal produção). Operações de 
compra ou venda de imobilizado, por sua vez, entrarão como investimento. 
Quanto a transações envolvendo empréstimos, entrarão como atividade de 
financiamento. 
Seguindo a estrutura exposta, a elaboração da DFC pode ser realizada 
de duas maneiras: por meio do Método Direto e pelo Método Indireto. O método 
direto se caracteriza por ser mais simples de se elaborar, pois evidencia de forma 
mais fácil as entradas de caixa representadas pelas vendas, bem como a saídas 
de caixas oriundas das despesas, por exemplo. 
Vejamos então uma exemplificação da DFC pelo método direto no Quadro 
1: 
 
 
 
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Quadro 1 – DFC pelo Método Direto 
Atividades Operacionais 
Receita Operacional Recebida 
(-) Despesas Operacionais Pagas 
De Vendas 
Administrativas 
Financeiras (juros etc) 
Caixa Gerado no Negócio 
+ Outras Receitas Recebidas 
(-) Outras Despesas Pagas 
(-) Imposto de Renda Contribuições Pagas 
Caixa Líquido após Impostos 
Atividades de Investimentos 
Aquisição de Não Circulante 
(-) Vendas de Não Circulante 
Atividades de Financiamento 
Novos Financiamentos 
Aumento de Capital em Dinheiro 
(-) Dividendos 
Resultado Financeiro Líquido 
Fonte: Marion, 2014, p. 217. 
Como podemos observar, a DFC acaba sendo simples de ser elaborada, 
chegando ao final no resultado financeiro líquido, ou seja, representando o 
desempenho em termos de geração de caixa. 
Verificando agora o método indireto, a DFC iniciará com o lucro líquido 
oriundo da demonstração de resultado. Dessa maneira serão confrontados o 
regime de competência por meio do lucro líquido, com o regime de caixa 
considerando as transações envolvendo o caixa. 
Ao utilizar esse método todas as variações do circulante serão 
consideradas na seção das atividades operacionais, para então compreender as 
alterações nessas contas contábeis, e itens do não circulante serão 
enquadrados como atividades de investimento. Quanto às atividades de 
financiamento, estas poderão se relacionar tanto às dívidas de curto e longo 
prazo, bem como ao valor levantado com os empréstimos, que poderão ser 
aplicados no circulante ou não circulante do ativo, conforme for a finalidade do 
dinheiro do financiamento, englobando ainda os pagamentos dos 
financiamentos. 
Para possibilitar a utilização do método indireto é necessário realizar 
algumas adequações no valor do lucro líquido. Os gastos não desembolsáveis 
que reduzem o lucro, como depreciação e amortização, deverão ser somados 
ao lucro, pois tais gastos, mesmo que reduzindo o resultado do período, não 
ocasionam saídas de caixa. 
 
 
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Vejamos então no Quadro 2 um modelo da DFC pelo método indireto. 
Quadro 2 – DFC pelo Método Indireto 
Atividades Operacionais 
Lucro Líquido (Obtido na DRE – Fluxo Econômico) 
(+) Depreciação e outras despesas econômicas (não afetam o caixa) 
 
Ajustes por mudança no Ativo Circulante 
Aumento/Diminuição em Duplicatas a Receber 
Aumento/Diminuição em Estoques etc. 
Ajustes por mudança no Passivo Circulante 
Aumento/Diminuição em Fornecedores 
Aumento/Diminuição em Salários a Pagar etc. 
Atividades de Investimento 
Aquisição de Ativo Não Circulante 
(-) Vendas de Ativo Não Circulante 
Atividades de Financiamento 
Novos Financiamentos 
Aumento de Capital em Dinheiro 
(-) Dividendos 
Resultado Financeiro Líquido 
Fonte: Marion, 2014, p. 219. 
Como podemos ver, tanto o método direto quanto o indireto apresentam 
a mesma estrutura, diferenciando-se por meio do detalhamento dos itens. 
Ambos os métodos irão evidenciar o resultado financeiro da entidade, ou seja, 
qual o valor de caixa gerado ou consumido no período. 
Para a entidade rural não basta apenas elaborar a DFC; esta deve 
também realizar uma análise, a fim de compreender o comportando do caixa da 
entidade, de onde os recursos estão vindo e para onde o dinheiro está indo. 
Vejamos agora nos Quadros 3 e 4 a DFC da Empresa Rural Modelo, para que 
possamos realizar uma análise. 
 
 
 
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Quadro 3 – DFC Método Direto 
DFC - Modelo Direto - Empresa Rural Modelo 
Exercício de 20X2 
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais 
Recebimento de Receitas da produção R$ 536.250,00 
Pagamento de Compra de Insumos -R$ 31.864,80 
Pagamento de despesas operacionais -R$ 268.950,00 
Juros pagos -R$ 82.500,00 
Contribuições e Impostos -R$ 28.050,00 
Retiradas para manutenção da Família -R$ 46.200,00 
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento 
Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 19.800,00 
Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.550,00 
Pagamento de compra de gado reprodutor -R$ 3.300,00 
Pagamento de compra de Insiladeira -R$ 46.200,00 
Caixa Líquido da Atividade de Investimento -R$ 18.150,00 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento 
Amortização de Financiamento -R$ 39.600,00 
Pagamento de Empréstimo -R$ 75.900,00 
Novos Empréstimos R$ 21.450,00 
Novos Financiamentos R$ 34.650,00 
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento -R$ 59.400,00 
 
Acréscimo de caixa no período R$ 1.135,20 
Caixa Inicial de 20x2 R$ 20.000,00 
Caixa Final de 20x2 R$ 21.135,20 
Quadro 4 – DFC Método Indireto Reconciliação do Lucro 
Lucro Líquido do Período (DRE) R$ 85.285,20 
 
Ajustes: 
Acréscimo no Estoque R$ 18.150,00 
Decréscimo de duplicatas a receber -R$ 1.650,00 
Ganhos/perdas de capital R$ 14.850,00 
Total de Ajustes a subtrair da receita -R$ 31.350,00 
 
Itens referentes a Despesa 
Depreciação R$ 70.950,00 
Total e Ajustes a adicionar na receita R$ 70.950,00 
Retiradas da família para sua manutenção -R$ 46.200,00 
 
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20 
 
 
 
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Podemos observar inicialmente que a atividade operacional conseguiu 
gerar um caixa de R$ 78.685,20, valor este que foi utilizado nas atividades de 
investimento e de financiamento. 
As atividades de investimento consumiram R$ 18.150,00 do valor do 
caixa, justificado pelos novos investimentos realizados, dos quais se espera que 
gerem bons frutos no futuro. 
As atividades de financiamento, por sua vez, consumiram o valor de R$ 
59.400,00, justificando-se pelo alto valor empregado no pagamento de 
empréstimos e financiamentos, demonstrando assim o quanto a Empresa Rural 
Modelo é capaz de pagar suas dívidas. Isso, sem considerar o fato de que o 
pagamento das dívidas ter sido de R$ 115.500,00 (39.600,00 + 75.900,00), 
enquanto que novos empréstimos e financiamentos foramde R$ 56.100,00 
(21.450,00 + 34.650,00), evidenciando desta forma melhoria na saúde 
financeira, pois o passivo da entidade está sendo reduzido. 
Porém, como demonstrado no Quadro 4, também podemos realizar outra 
análise: que de todo o valor de lucro líquido da empresa – R$ 85.285,20 – ao 
verificar os ajustes, percebe-se que o valor da depreciação de R$ 70.950,00 não 
saíra do caixa, e esse valor poderá ser utilizado para pagar os novos 
investimentos no valor de R$ 49.500,00, gerando ainda uma sobra de caixa. 
Como podemos observar, não basta elaborar demonstrações de fluxo de 
caixa sem que se realize a devida análise, a qual será base para tomadas de 
decisão. Outra alternativa que irá deixar a análise mais sofisticada seria a 
projeção do fluxo de caixa do próximo exercício, comparando-o assim ao atual, 
e o utilizando como planejamento. 
Outro ponto que não podemos esquecer é que a análise da entidade não 
pode se limitar apenas a uma demonstração – devemos também buscar outros 
relatórios para gerar dados mais precisos e úteis para a tomada de decisão e 
verificação do desempenho das decisões anteriores. 
TEMA 5 – PRÁTICAS DE DIVULGAÇÃO DOS ATIVOS BIOLÓGICOS SEGUNDO 
O CPC 29 
O CPC29 é o pronunciamento contábil que rege os ativos biológicos. 
Conforme já vimos anteriormente, ele trata desde a identificação até a 
mensuração desses ativos, chegando agora o momento de verificarmos a 
divulgação das informações relativas aos ativos biológicos. 
 
 
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Conforme já visto, os ativos biológicos serão avaliados a valor justo, e 
considerando tal acontecimento, devem ser divulgados todas as perdas ou 
ganhos decorrentes da variação do valor no início e ao final do período, e devem 
ser demonstrados os aumentos e reduções do ativo biológico oriundos de 
compras e vendas ocorridas no período. 
De maneira conjunta à divulgação das variações dos valores dos ativos 
biológicos, devem ser apresentadas descrições para explanar de forma 
dissertativa e quantitativa o que cada grupo de ativos representa. 
Relacionado à questão quantitativa, o CPC 29 (2009) sugere que as 
entidades, no momento da preparação das informações a serem divulgadas, que 
segreguem os ativos biológicos em consumíveis e de produção, ou ainda, 
separando os maduros dos imaturos, ou seja, a forma que for mais cabível para 
a entidade. A exemplificação seria divulgar aqueles que poderão ser consumidos 
no período, bem como os demais que serão utilizados para a produção de outros 
ativos, ocorrendo o mesmo para os maduros e imaturos. Vejamos como o CPC 
29 (2009) define essas separações que podem ser feitas com os ativos 
biológicos. 
 Ativos biológicos consumíveis são aqueles passíveis de serem colhidos 
como produto agrícola, ou vendidos como ativos biológicos; 
 Ativos biológicos para produção são os demais tipos, como rebanhos de 
animais para produção de leite ou árvores frutíferas das quais são 
colhidos seus frutos; 
 Ativos biológicos podem ser classificados como maduros ou imaturos. Os 
maduros são aqueles que alcançaram a condição para serem colhidos 
(ativos biológicos consumíveis) ou estão aptos para sustentar colheitas 
regulares (ativos biológicos de produção). 
Por mais que alguma entidade alegue não compreender a divisão entre 
consumo e produção, ou maduros e imaturos, o CPC 29 deixa muito clara a 
definição a ser seguida, não podendo, portanto, ser alegado desconhecimento. 
Além do já abordado, a entidade deverá indicar quais são as atividades 
que envolvem os grupos de ativos biológicos, o que pode ser controlado por meio 
de algum relatório, ou até mesmo de maneira conjunta com as demonstrações 
contábeis. 
 
 
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Uma particularidade da divulgação desses ativos está no fato ser 
obrigatório realizar a divulgação de forma clara referente aos ativos biológicos 
dos quais a entidade não tenha total propriedade, bem como de itens que são 
cedidos como garantia em alguma operação. Relacionado a esse fato, devem 
ser evidenciados os planos da entidade para lidar com riscos inerentes tanto à 
garantia dos ativos, como daqueles que não são totalmente seus. 
Como já abordado em nossa disciplina, os ativos biológicos devem ser 
avaliados pelo valor justo, exceto quando isso não for praticável, e é necessário 
divulgar essas situações. Desta forma, nos casos de a mensuração ser realizada 
pelo custo, o CPC 29 (2009, p. 12) traz a necessidade da divulgação das 
seguintes informações: 
(a) uma descrição dos ativos biológicos; 
(b) uma explicação da razão pela qual o valor justo não pode ser 
mensurado de forma confiável; 
(c) se possível, uma faixa de estimativas dentro da qual existe alta 
probabilidade de se encontrar o valor justo; 
(d) o método de depreciação utilizado; 
(e) a vida útil ou a taxa de depreciação utilizada; e 
(f) o total bruto e a depreciação acumulada (adicionada da perda por 
irrecuperabilidade acumulada) no início e no final do período. 
As divulgações para os casos mensurados a custo deverão contemplar 
os itens apresentados acima. Além de divulgar tais informações, também devem 
ser apresentados possíveis ganhos ou perdas decorrentes desse tipo de 
mensuração. 
Tão importante quanto o tratamento contábil dos ativos biológicos, é a 
devida divulgação, mantendo os usuários a par das informações da entidade que 
atua na atividade rural. 
Obviamente a divulgação será apropriada desde que a contabilização 
tenha sido feita de forma correta, cabendo aos profissionais contábeis todo o 
zelo e dedicação. 
Saiba mais 
A fim de trazer outras experiências e pesquisas sobre o assunto, 
selecionamos outros dois artigos para leitura. Estes tratam da divulgação das 
informações sobre os Ativos Biológicos. 
O primeiro chama-se “CPC 29: uma análise dos requisitos de divulgação 
entre empresa de capital aberto e fechado do setor de agronegócios”, que pode 
ser acessado em: <http://atena.org.br/revista/ojs-2.2.3-
08/index.php/ufrj/article/viewArticle/1643>. 
 
 
16 
O segundo artigo é intitulado “Fatores explicativos da divulgação de ativos 
biológicos e produtos agrícolas em empresas de capital aberto e fechado”, 
disponível em: <http://www.furb.br/_upl/files/especiais/anpcont/2014/302_3.pdf
?20140829185746>. 
TROCANDO IDEIAS 
Caro aluno, dentre as abordagens presentes em nossa aula, demos maior 
foco à questão do fluxo de caixa, tarefa tão importante em qualquer atividade 
econômica, e igualmente fundamental às atividades no meio rural. Tal 
representatividade se dá pelo fato de os recebimentos não ocorrerem de forma 
constante, mas apenas no momento das vendas e que não ocorrem 
mensalmente. E mesmo as entradas de caixa não sendo regulares, as saídas o 
serão, pois há necessidade dos pagamentos da mão de obra, por exemplo, 
dentre outros gastos mensais. 
Cabe ao produtor ter o conhecimento necessário para uma gestão 
adequada do caixa. No entanto, muitas vezes isso não acontece, pois há a 
possibilidade de ninguém apresentar aos produtores a necessidade e as 
vantagens de realizar um bom controle do caixa – tarefa essa que acabará por 
recair sobre os profissionais contábeis. 
Os contadores muitas vezes não estão dispostos, ou nem mesmo estão 
habilitados a lidar com a atividade rural – e ainda que a contabilidade rural possa 
ser aplicada ao meio rural, o profissional contábil deve visar à elevação de sua 
atuação nessa área e, consequentemente, aproveitar para aumentar a 
representatividade da profissão contábil. 
Por isso, verificando o contexto apresentado, discuta com seus colegas e 
elabore com eles primeiramente um plano de ação de como seria uma 
abordagem inicial aos produtores rurais, considerando desde aspectos 
contábeis, como também questões negociais de como abordar o produtor. Em 
um segundo momento, elabore em grupo uma maneira de implementar uma 
gestão do caixa do produtor. No entanto, para isso considere que não pode afetar 
drasticamente os processos do produtor,mas sim criar um método simples e 
eficaz, atendendo às necessidades dele, e sem prejudicar suas atividades em 
termos de processos. 
 
 
 
17 
NA PRÁTICA 
Agora vamos praticar um pouco com algumas situações que remetem ao 
conteúdo estudado. As respostas encontram-se ao final deste documento. 
1. Uma empresa rural o(a) contratou para elaborar a Demonstração de Fluxo de 
Caixa da empresa, dada a falta de confiabilidade das atuais informações. Na 
sequência seguem os dados do Balanço Patrimonial e da Demonstração de 
Resultado, que tornam possível elaborar a DFC. 
Balanço Patrimonial 
Ativo 20X2 20X1 Passivo 20X2 20X1 
Caixa e bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 22.000,00 11.000,00 
Clientes 18.000,00 16.000,00 Emp. LP 5.000,00 12.000,00 
Estoque 21.000,00 14.000,00 
Desp. Antecipadas 1.000,00 2.000,00 Capital 20.000,00 20.000,00 
Títulos a receber 5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00 
Terrenos 13.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 7.000,00 1.000,00 
Total Ativo 60.000,00 50.000,00 Total Passivo 60.000,00 50.000,00 
 
DRE 
Vendas Líquidas 130.000,00 
CMV - 85.000,00 
Lucro Bruto 45.000,00 
Despesas Administrativas - 25.000,00 
Despesas com Vendas - 10.000,00 
Lucro Líquido 10.000,00 
 
2. Uma empresa rural lhe contratou para elaborar a Demonstração de Fluxo de 
Caixa da empresa, devido à falta de confiabilidade das atuais informações. Na 
sequência seguem dados do Balanço Patrimonial e da Demonstração de 
Resultado, que permitem elaborar a DFC. 
Balanço Patrimonial 
Ativo 20X2 20X1 Passivo 20X2 20X1 
Caixa e Bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 15.000,00 8.000,00 
Clientes 17.000,00 14.000,00 Empréstimo LP 5.000,00 12.000,00 
Estoque 21.000,00 13.000,00 
Desp. Antecipadas 500,00 1.500,00 Capital 28.000,00 21.000,00 
Títulos a Receber 7.000,00 7.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00 
Terrenos 15.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 8.500,00 1.500,00 
Total Ativo 62.500,000 48.500,00 Total Passivo 62.500,00 48.500,00 
 
DRE 
Vendas Líquidas 140.000,00 
CMV 90.000,00 
Lucro Bruto 50.000,00 
Despesas Administrativas 27.000,00 
Despesas com Vendas 11.000,00 
Lucro Líquido 12.000,00 
 
 
 
18 
3. Vejamos agora uma DFC elaborada pelo método indireto. Para praticarmos, 
devemos analisá-la, para extrairmos informações relevantes para os usuários. 
DFC – Modelo Indireto 
Atividades Operacionais 
Lucro Líquido R$ 64.747,00 
Ajustamento para reconciliar o Lucro Líquido 
Caixa líquido gerado pela Atividade Operacional 
- Depreciação e Amortização R$ 35.359 
- Ganho da Venda de Caminhões e Máquinas (R$ 11.800,00) 
- Perda na Venda do Rebanho Reprodutor R$ 4.000,00 
- Decréscimo nas Contas a Receber R$ 2.400,00 
- Decréscimo nas Contas a Pagar (R$ 1.534,00) 
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 93.172,00 
Atividades de Investimento 
Caixa líquido gerado pela Atividade de Investimento 
- Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 9.100,00 
- Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.000,00 
- Recebimento de receita de venda de caminhão R$ 800,00 
- Pagamento de compra de Máquinas (R$ 47.500,00) 
- Pagamento de plano de aposentadoria (R$ 1.950,00) 
- Outros pagamentos (R$ 1.060,00) 
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 29.210,00) 
Atividades de Financiamentos 
Caixa líquido gerado pela Atividade de Financiamento 
- Pagamento de Títulos de Curto Prazo (R$ 41.000,00). 
- Pagamento de Títulos de Longo Prazo (R$ 29.970,00) 
- Amortização de Financiamentos (R$ 13.000,00) 
Caixa Líquido usado em Atividades de Financiamentos (R$ 83.970,00) 
 
Decréscimo Líquido no Caixa (R$ 10.008,00) 
Caixa Inicial de 20x2 R$ 33.000,00 
Caixa Final de 20x2 R$ 22.992,00 
Fonte: Adaptado de Marion, 2014. 
FINALIZANDO 
Essa aula se iniciou com abordagem relacionada à forma de se avaliar o 
estoque na atividade rural, que, como em qualquer atividade econômica, a 
avaliação do estoque irá contribuir para se conceber os valores de preços de 
vendas, gerando assim informações sobre a quantidade de cada item que a 
entidade possui. Também no primeiro Tema da aula foram abordados os custos 
e despesas na atividade, os quais farão parte do estoque e do resultado do 
 
 
19 
período, devendo ser de conhecimento do produtor rural os seus custos e 
despesas, o que facilitará a gestão da propriedade. 
Em um segundo momento foi explanado sobre o regime de competência 
e o regime de caixa. O primeiro é o regime preferido dos contadores, pois ele irá 
atuar realizando a contabilização considerando o momento de ocorrência dos 
fatos contábeis. Já o segundo prima pelo registro das ocorrências quando 
acontece o pagamento ou recebimento via caixa, por isso o nome regime de 
caixa, contabilizado apenas quando ocorre movimentação no caixa. 
Nossos terceiro e quarto assuntos se referem à Demonstração de Fluxo 
de Caixa. Essa demonstração terá função explicativa referente à destinação do 
dinheiro da entidade, podendo ser elaborada pelo Método Direto ou pelo Método 
Indireto, gerando informações para a entidade. No entanto, não basta elaborar a 
DFC: também deve ser realizada uma boa análise para compreender a 
movimentação do dinheiro, bem como identificar destinações desnecessárias, 
possibilitando a tomada de medidas para evitar a saída de recursos sem retorno. 
Encerramos nossa aula estudando as práticas de divulgação dos ativos 
biológicos. Como vimos antes sobre os ativos biológicos, devemos realizar o 
tratamento contábil adequado, porém apenas isso não é suficiente, devendo 
também ser realizada a divulgação de tais informações. Para isso, devemos 
seguir o que rege o CPC 29, que estabelece as diretrizes que deverão ser 
levadas em conta pela entidade no momento da divulgação das informações 
sobre os ativos biológicos. 
Chegamos ao final de nossa aula. Buscou-se realizar a abordagem de 
vários aspectos contábeis aplicáveis ao meio rural, que é o ambiente de 
ocorrência do agronegócio, um campo de atuação contábil no qual ainda há 
muito a ser preenchido pelos profissionais contábeis, com a possibilidade de 
crescimento e busca desse nicho de mercado. Desta maneira, desejamos a 
você, caro(a) aluno(a), muito sucesso em sua caminhada acadêmica e carreira 
profissional. 
 
 
 
 
20 
REFERÊNCIAS 
ARAÚJO, A.; TEIXEIRA, E. M.; LICÓRIO, C. A importância da gestão no 
planejamento do fluxo de caixa para o controle financeiro de micros e pequenas 
empresas. Revista Eletrônica do Departamento de Ciencias Contábeis & 
Departamento de Atuária e Métodos Quantitativos da FEA, São Paulo, v. 2, 
n. 2, 2015. 
BRASIL. Decreto-lei n. 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 27 dez. 1977. 
CALLADO, A. A. C.; CALLADO, A. L. C.; SILVA, M. C. M.; MIRANDA, L. C. 
Caracterizando aspectos do sistema de informação contábil na gestão de custos: 
um estudo empírico no âmbito do agronegócio. ABCustos, São Leopoldo, v. 2, 
n. 2, p. 47-69, 2007. 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 29: Ativo Biológico e 
Produtos Agrícola. Brasilia: [sn], 2009. 
HOFER, E.; PACHECO, V.; SOUZA, A.; PROTIL, R. M. A relevância do controle 
contábil para o desenvolvimento do agronegócio em pequenas e médias 
propriedades rurais. Revista Contabilidade e Controladoria, Curitiba, v. 3, n. 
1, p. 27-42, 2011. 
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade da 
pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014. 
_____. O fluxo de caixa no setor rural (conforme alguns estudos nos Estados 
Unidos). Caderno de Estudos, São Paulo, n, 9, 1993. 
MARTINS, E. Contabilidade vs. fluxo de caixa. Caderno de Estudos, São Paulo, 
n. 2, 1991. 
SCHERER, L. M.; MUNHOZ, T. R.; ROTH, T. C. Fatores explicativos da 
divulgação de ativos biológicos e produtos agrícolas em empresas de capital 
aberto e fechado. In: VIII CONGRESSO ANPCONT, Anais..., 2014, Rio de 
Janeiro, 2014. 
SILVA, R. L. M.; FIGUEIRA, L. M.; PEREIRA, L. T. deO. A.; RIBEIRO, M. de S. 
CPC 29: uma análise dos requisitos de divulgação entre empresa de capital 
aberto e fechado do setor de agronegócios. Sociedade, Contabilidade e 
Gestão, Rio de Janeiro, v. 8, n, 1, p. 26-49, 2013. 
 
 
21 
SPADIN, C. E. A importância da demonstração dos fluxos de caixa enquanto 
instrumento gerencial para a tomada de decisão. Revista de Ciências 
Gerenciais, Valinhos, v. 12, n. 14, p. 167-177, 2008. 
 
 
 
22 
RESPOSTAS 
Resolução Atividade 1 
DFC – Modelo Direto – Empresa Rural 
Exercício de 20X2 
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais 
Recebimento de Receitas da produção R$ 128.000,00 
Pagamento de Compra de Insumos (R$ 81.000,00) 
Pagamento de despesas operacionais (R$ 34.000,00) 
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 13.000,00 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento 
Compra de Terreno (R$ 3.000,00) 
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 3.000,00) 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento 
Pagamento de Empréstimo (R$ 4.000,00) 
Pagamento de Dividendos (R$ 7.000,00) 
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 11.000,00) 
 
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00) 
Caixa Inicial de 20x2 R$ 3.000,00 
Caixa Final de 20x2 R$ 2.000,00 
Resolução Atividade 2 
DFC – Modelo Direto – Empresa Rural 
Exercício de 20X2 
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais 
Recebimento de Receitas da produção R$ 137.000,00 
Pagamento de Compra de Insumos (R$ 91.000,00) 
Pagamento de despesas operacionais (R$ 37.000,00) 
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 9.000,00 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento 
Compra de Terrenos (R$ 5.000,00) 
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 5.000,00) 
 
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento 
Pagamento de Empréstimo (R$ 7.000,00) 
Pagamento de Dividendos (R$ 5.000,00) 
Aumento de Capital Social em Dinheiro R$ 7.000,00 
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 5.000,00) 
 
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00) 
Caixa Inicial de 20x2 R$ 3.000,00 
Caixa Final de 20x2 R$ 2.000,00 
 
 
23 
Resolução Atividade 3 
Podemos observar inicialmente que a atividade operacional conseguiu 
gerar um caixa de R$ 93.172,00, valor este que foi utilizado nas atividades de 
investimento e de financiamento. 
As atividades de investimento consumiram R$ 29.210,00 do valor do 
caixa, isso se justificando pelos novos investimentos realizados, em especial 
maquinários novos, dos quais se espera que gerem bons frutos no futuro, 
enquanto que as atividades de financiamento consumiram o valor de R$ 
83.970,00, justificando-se pelo alto valor empregado no pagamento de 
empréstimos e financiamentos, demonstrando assim o quanto a Empresa Rural 
Modelo é capaz de pagar suas dívidas. 
 
 
 
CURSO: Ciências Contábeis 
DISCIPLINA: Contabilidade de Agronegócios 
CARGA HORÁRIA: 56 h 
 
UTA CONTABILIDADE E 
SUSTENTABILIDADE 
PROFESSOR: 
 
EMENTA DA DISCIPLINA 
 
Proporciona uma compreensão de uma empresa voltada ao agronegócio e conseguir 
desenvolver sua correta contabilização e mensuração econômico financeira. 
 
HABILIDADES E COMPETÊNCIAS 
 
Compreender as particularidades dos agronegócios 
Desenvolver a adequada contabilização das empresas de agronegócios 
Gera informações para usuários com necessidades de informação específicas; 
Ressalta a importância da aprendizagem continuada. 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
ARRUDA, Leila Lúcia, SANTOS, Celso José. Contabilidade Rural. Curitiba: InterSaberes 
2017. 
 
 
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO MÍNIMO 
 Aspectos conceituais da contabilidade rural: agrícola, zootécnica e agroindustrial 
 Forma jurídica da atividade rural; ano agrícola vs exercício social 
 Contabilidade de rural e o Pronunciamento CPC 29 - Ativos biológicos 
 Atividade agrícola: culturas temporárias 
 Atividade agrícola: culturas permanentes 
 Ativos biológicos: reconhecimento e mensuração 
 Entendendo depreciação, exaustão e amortização dos ativos biológicos 
 Plano de contas para itens de empresas agrícolas 
 Operacionalizando o plano de contas com apuração de custo do inventário 
 Conceitos básicos da contabilidade pecuária 
 Plano de contas e classificação do gado na contabilidade pecuária 
 Método de custo x método a valor de mercado (valor justo) 
 Técnica para utilização do custo histórico na pecuária 
 Custos na pecuária 
 Reconhecimento da receita na pecuária 
 Nascimento de bezerros e avaliação de mudança de categoria 
 Avaliação no encerramento do balanço 
 Confrontação da despesa 
 Contabilização de ativos biológicos conforme CPC 29 
 Cálculo do custo do bezerro: custo médio do rebanho e reprodutores 
 Calculando o imposto de renda na agropecuária, para microempresas e empresas de 
pequeno porte 
 Pessoa jurídica: incentivos fiscais e resultado operacional 
 Determinação do lucro da PJ que explora atividade rural 
 Avaliação de estoques e despesas/custos com atividade agrícola 
 Regime de competência x regime de caixa 
 Demonstração dos fluxos de caixa na contabilidade agropecuária 
 Estrutura e análise da DFC em atividades do agronegócio 
 Práticas de divulgação dos ativos biológicos segundo o CPC 29 
 
 
 
 
 
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 1
Conversa Inicial
1. Aspectos conceituais da contabilidade rural
2. Forma jurídica da atividade rural
3. Contabilidade rural e o Pronunciamento CPC 
29 – Ativos biológicos
4. Atividade agrícola – culturas temporárias 
5. Atividade agrícola – culturas permanentes
Temas desta aula
Aspectos conceituais da 
contabilidade rural – agrícola, 
zootécnica e agroindustrial
Atividade rural = empresa rural
Terra
Capital 
Trabalho
Atividade rural
(I) Atividade agrícola: exploração da terra 
para o cultivo de plantas, sejam elas 
hortaliças, forrageiras, cereais, árvores 
frutíferas, como também árvores destinadas 
à produção de madeira
Atividade rural
2
(II) Atividade zootécnica: exploração da 
atividade rural por meio da criação de 
animais, como bovinos, suínos, aves, abelhas, 
caprinos, dentre outros animais
Atividade rural
(III) Atividade agroindustrial: 
Não alterar a composição e as características 
do produto in natura
Ser feita pelo próprio produtor rural, com 
equipamentos e utensílios usualmente 
empregados nas atividades rurais
Utilizar exclusivamente matéria-prima 
produzida na unidade rural explorada
Marion (2014)
Atividade rural
Forma jurídica da atividade rural 
e ano agrícola versus exercício 
social
Pessoa Física ou Pessoa Jurídica?
Produtor rural como empreendedor: 
competência, compartilhamento de risco, 
planejamento, envolvimento da família, meio 
ambiente, fator financeiro, gerenciamento 
pessoal, organização da produção, 
aproveitamento de oportunidade e 
experiência comercial (CELLA; PERES, 2002)
Forma jurídica da atividade rural 
Ano agrícola pode ser definido como o 
período de 12 meses que inicia o cultivo até a 
colheita da principal cultura em termos de 
rendimentos da propriedade, ou, no caso de a 
pecuária ser a principal atividade, conforme 
seu ciclo produtivo
Ano agrícola versus Exercício social
Contabilidade rural e o 
Pronunciamento CPC 29 - Ativos 
Biológicos
3
Ativos biológicos são animais e/ou plantas, 
vivos (CPC 29)
São o objeto de patrimônio da entidade 
que atua na atividade rural, os quais, 
posteriormente, darão origem a produtos 
agrícolas
Ativos biológicos Ativos biológicos versus produtos agrícolas
Ativos biológicos Produto agrícola
Produtos resultantes do 
processamento após a 
colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para madeira Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa
Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhidaVinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha
C
P
C
 2
9
C
P
C
 1
6
Fonte: CPC 29, p. 3, 2009
Quadro 1 – Ativos biológicos e produtos agrícolas
Atividade agrícola –
culturas temporárias
São aquelas que, a cada período de produção, 
necessitam ser replantadas, uma vez que, 
após a colheita, a planta morre, seja devido a 
seu corte ou pelo fato de ser arrancada 
totalmente da terra. Exemplo: milho, trigo, 
feijão, arroz, cebola, alface, dentre outros
Culturas temporárias
Culturas temporárias
Insumos Mão de obra Gastos não 
desembolsáveis
Outros custos
 Sementes
 Mudas
 Adubos
 Pesticidas
 Herbicidas
 Salários
 Horas extras
 Férias
 13º salário
 INSS
 FGTS
 Depreciação
 Exaustão
 Amortização
 Energia elétrica
 Aluguéis
 Água
 Combustível
Fonte: Zanin, 2019.
Estoque – ativos biológicos
Cultura Temporária em Formação (CTF) -
Item
Colheita em Andamento (CA) - Item
Produto Agrícola (PA) - Item
Culturas temporárias
4
Formação da planta
D: CTF – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Colheita
D: CA – Item
C: CTF – Item
Culturas temporárias
Durante colheita
D: CA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Término da colheita
D: PA – Item
C: CA – Item
Culturas temporárias
Durante armazenamento
D: PA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Culturas temporárias
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa ou clientes
C: Venda de (Item)
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido - Item
C: PA – Item
Despesas de venda
D: Despesas com venda de (Item)
C: Caixa ou contas a pagar
Culturas temporárias
Atividade agrícola –
culturas permanentes
São aquelas que não necessitam ser 
replantadas, fazendo com que a produção 
dure mais de um ciclo. Exemplo: cafeicultura, 
fruticultura, reflorestamento, entre outros
Culturas permanentes
5
Nas culturas temporárias os custos são 
acumulados no estoque, ao passo que para as 
culturas permanentes todos os valores para a 
formação da cultura serão alocados no ativo 
imobilizado (Crepaldi, 2012)
Culturas permanentes
Imobilizado – ativos biológicos
Cultura Permanentes em Formação (CPF) -
Item
Cultura Permanentes Formada (CP) - Item
Colheita em Andamento (CA) - Item
Produto Agrícola (PA) - Item
Culturas permanentes
Formação da planta
D: CPF – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Produção pronta para colheita
D: CP – Item
C: CPF – Item
Culturas permanentes
Formação do produto
D: CA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Término da colheita
D: PA – Item
C: CA – Item
Culturas permanentes
Durante armazenamento
D: PA – Item
C: Caixa, fornecedores ou insumos
Culturas permanentes
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa ou clientes
C: Venda de (Item)
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido - Item
C: PA – Item
Despesas de venda
D: Despesas com venda de (Item)
C: Caixa ou contas a pagar
Culturas permanentes
6
Na Prática
Exercício 2
ATIVO PASSIVO
Circulante 102.000,00 Circulante 50.000,00
Disponível 50.000,00 Fornecedores 50.000,00
Estoques 52.000,00
Feijão – PA 20.000,00
Soja – CA 12.000,00
Adubos 10.000,00
Combustíveis 10.000,00 Patrimônio Líquido 182.000,00
Não circulante 130.000,00 Capital Subscrito 150.000,00
Imobilizado 130.000,00 Capital Social Integralizado 150.000,00
Terras 70.000,00 Reservas de lucros 32.000,00
Tratores 50.000,00 Lucros Acumulados 32.000,00
Arados 5.000,00
Semeadoras 5.000,00
ATIVO 232.000,00 PASSIVO 232.000,00
Finalizando
1. Aspectos conceituais da contabilidade rural
2. Forma jurídica da atividade rural
3. Contabilidade rural e o Pronunciamento CPC 
29 – ativos biológicos
4. Atividade agrícola – culturas temporárias 
5. Atividade agrícola – culturas permanentes
Temas estudados nesta aula
Referências
CELLA, D.; PERES, F. C. Caracterização dos fatores relacionados 
ao sucesso do empreendedor rural. Revista de Administração da 
Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 37, n. 4, p. 49-57, 
2002.
CREPALDI, S. A. Contabilidade rural: uma abordagem decisorial. 
7. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
FERREIRA, J. B.; LASSO, S.V.; MAINARDES, E. Características 
empreendedoras do produtor rural capixaba. Gestão & 
Regionalidade, v. 33, n. 99, p. 74-90, 2017. 
MARION, J. C. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, 
contabilidade da pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis. CPC 29 - Ativo Biológico e Produtos Agrícola.
Brasilia: [sn], 2009.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 2
Conversa Inicial
Ativos Biológicos
Reconhecimento e mensuração
Contabilização de culturas temporárias e 
permanentes
Entendendo depreciação, exaustão e amortização 
dos ativos biológicos
Plano de contas para itens de empresas agrícolas
Operacionalizando o plano de contas com 
apuração de custo do inventário
Temas desta aula
Ativos Biológicos: 
reconhecimento e mensuração
Condições para o reconhecimento dos ativos 
biológicos ou produto agrícola:
a. Controla o ativo como resultado de eventos 
passados
b. For provável que benefícios econômicos futuros 
associados com o ativo fluirão para a entidade
c. O valor justo ou o custo do ativo puder ser 
mensurado confiavelmente (CPC 29, 2009, p. 6)
Reconhecimento
É tido como valor de troca em uma transação 
não forçada entre duas partes ocorrendo em 
um mercado (CPC 46, 2012)
Mensuração
2
Mensuração
Nível 1
São preços cotados (não ajustados) em mercados ativos 
para ativos ou passivos idênticos a que a entidade possa 
ter acesso na data de mensuração.
Nível 2
São informações que são observáveis para o ativo ou 
passivo, seja direta ou indiretamente, exceto preços 
cotados incluídos no Nível 1.
Nível 3 São dados não observáveis para o ativo ou passivo.
Quadro 1 - Níveis do valor justo
Fonte: CPC 46, 2012, p. 15-17
Os custos podem, algumas vezes, aproximar-se do valor 
justo, particularmente, quando:
a. Uma pequena transformação biológica ocorre desde o 
momento inicial (por exemplo: mudas plantadas no 
período imediatamente anterior ao de encerramento das 
demonstrações contábeis ou gado recém-adquirido)
b. Não se espera que o impacto da transformação do ativo 
biológico sobre o preço seja material (por exemplo: para 
o crescimento inicial da plantação de pinos cujo ciclo de 
produção é de 30 anos) (CPC 29, 2009, p. 8)
Mensuração
Ativos Biológicos: contabilização 
de culturas temporárias e 
permanentes
Plantio da Soja, com valores (R$20) 
consumidos para plantio e formação da 
cultura, pagos à vista
D: CTF – Soja R$20,00
C: Caixa e equivalentes R$20,00
Contabilização de Culturas Temporárias 
Sendo a Soja um exemplo de commodity, 
possuindo um mercado ativo, considerar um 
valor justo de R$70 e R$7 como despesas de 
venda (10% do valor justo)
D: CTF – Soja R$43,00
C: Variação do valor justo (Resultado) 
R$43,00
Contabilização de Culturas Temporárias 
Todos os valores consumidos na colheita 
serão contabilizados como gasto do período, 
pois o custo será baseado pelo valor justo
Um valor justo de R$80 e R$8 como 
despesas de venda (10% do valor justo)
Contabilização de Culturas Temporárias 
3
Mudança de classificação (colheita) e 
considerando valor justo de R$80 e R$8 como 
despesas de venda (10% do valor justo) 
D: PA – Soja R$63,00
C: CTF – Soja R$63,00
D: PA – Soja R$9,00
C: Variação do valor justo (Resultado) 
R$9,00
Contabilização de Culturas Temporárias 
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa e equivalentes R$80,00
C: Venda de Soja R$80,00
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido – Soja R$72,00
C: PA – Soja R$72,00
Despesas de venda
D: Despesas com venda de Soja R$8,00
C: Fretes a pagar R$8,00
Contabilização de Culturas Temporárias 
Custos de formação da Laranjeira de R$ 
1.000, com vida útil de 10 anos, pagos à vista
D: CPF – Laranjeira R$1.000,00
C: Caixa e equivalentes R$1.000,00
D: CP – Laranjeira R$1.000,00
C: CPF – LaranjeiraR$1.000,00
Contabilização de Culturas Permanentes 
Tratos culturais de R$ 700,00, pago à vista
D: CA – Laranja R$700,00
C: Caixa e equivalentes R$700,00
Considerar VJ de R$1.000,00 e DV de 5%
D: CA – Laranja R$250,00
C: Variação do valor justo (Resultado) 
R$250,00
Contabilização de Culturas Permanentes 
No momento da colheita novamente é 
necessário mensurar o valor justo
Um valor justo de R$980 e R$49 de 
despesas de venda
Contabilização de Culturas Permanentes 
Mudança de classificação (colheita) e 
considerando valor justo de R$980 
com R$49 de despesas de venda
D: PA – Laranja R$950,00
C: CA – Laranja R$950,00
D: PA – Laranja R$19,00
C: Variação do valor justo (Resultado) 
R$19,00
Contabilização de Culturas Permanentes 
4
Venda (reconhecimento da receita)
D: Caixa e equivalentes R$980,00
C: Venda de Soja R$980,00
Venda (reconhecimento do custo)
D: Custo do produto vendido – Soja R$49,00
C: PA – Soja R$49,00
Despesas de venda
D: Despesas com venda de Soja R$931,00
C: Fretes a pagar R$931,00
Contabilização de Culturas Permanentes 
Entendendo depreciação, 
exaustão e amortização dos 
ativos biológicos
Pela formação do reprodutor
D: Matriz (ANC) R$7.000,00
C: Caixa/insumos/mão de obra (AC) 
R$7.000,00
Depreciação de animais de produção
Depreciação pela criação de animais
D: Bezerros (AC) R$1.000,00 
C: Depreciação Matriz (ANC) R$1.000,00
Depreciação pela produção de leite:
D: Leite (AC) R$1.000,00 
C: Depreciação Matriz (ANC) R$1.000,00
Depreciação de animais de produção
Gastos para formar a cultura permanente
D: CPF - Café (ANC) R$20.000,00
C: Caixa/Salários/Mudas/Insumos 
R$20.000,00
Colheita em andamento
D: CA – Café R$2.000,00 
C: (-) Depreciação acumulada R$2.000,00
Depreciação de Cultura Permanente
Durante o ano um implemento foi utilizado 
50% do tempo na cultura do milho, 30% na 
cultura da soja e 20% na cultura do feijão 
D: Cultura do Milho (AC) R$1.000,00 
D: Cultura do Soja (AC) R$600,00 
D: Cultura do Feijão (AC) R$400,00 
C: Depreciação Implemento (ANC) 
R$2.000,00
Depreciação de implementos e tratores
5
Supor um trator no valor de R$ 100.000,00 e 
uma vida útil de 8.000 horas
D: Cultura do Milho (AC) R$750,00 
D: Cultura do Soja (AC) R$375,00 
D: Cultura do Feijão (AC) R$125,00 
C: Depreciação Trator (ANC) R$1.250,00
Depreciação de implementos e tratores
Exaustão
D: CA - Árvores (AC) R$ 1.200,00
C: (-) Exaustão Acumulada (ANC) 
R$1.200,00
Amortização
D: CTF – Trigo (AC) R$2.000,00
C: (-) Amortização Acumulada (ANC) 
R$2.000,00
Exaustão e Amortização
Plano de contas para itens de 
empresas agrícolas
113 ESTOQUES 
1131 Insumos
113101 Sementes 
113102 Adubos 
113103 Fertilizantes 
113104 Inseticidas 
113105 Embalagens
113106 Mudas 
113107 Rações e concentrados 
1131038 Suplementos Minerais 
113109 Medicamentos Veterinários 
1132 Ativos Biológicos - Culturas Temporárias em Formação (Culturas Temporárias) 
113201 Milho – CTF
113202 Soja - CTF 
113203 Fedo - CTF 
113204 Trigo - CTF 
1133 Colheitas em Andamento (Culturas Permanentes) 
113301 Laranja - CA 
113302 Maça - CA 
1134 Produtos Agrícolas 
113401 Milho - PA 
113402 Soja - PA 
113403 Feijão - PA 
113404 Laranja - PA 
113405 Maça - PA 
113406 Trigo - PA 
1135 Almoxarifado
113503 Pneus e Câmaras
113504 Material de construção
113505 Material de Consumo 
1136 Rebanho Bovino
113601 Bezerros (as)
113602 Novilhos (as)
113603 Gado de Engorda
113604 Touros Descartados
113605 Matrizes Descartadas Fonte: Adaptado de Marion (2014).
132 IMOBILIZADO
1321 Terras 
322 Pastagens Formadas 
1323 Benfeitorias 
1324 Máquinas e Equipamentos
1325 Móveis e Utensílios 
1326 Implementos Agrícolas 
132601 Grades 
132602 Arados 
132603 Semeadoras 
1327 Veículos 
132701 Caminhões
132702 Tratores 
132703 Colheitadeiras 
132704 Automóveis 
1328 Ativos Biológicos - Cultura Permanente Formada 
132801 Laranja - CP 
132802 Maçã - CP 
1329 Rebanho Permanente 
132901 Reprodutores 
132902 Matrizes 
132903 Animais de Trabalho 
13210 (-) Depreciação Acumulada 
13211 (-) Exaustão Acumulada 
13212 Ativos Biológicos - Cultura Permanente em Formação 
132121 Laranja - CPF 
132122 Maçã - CPF 
13213 Pastagens em Formação Fonte: Adaptado de Marion (2014).
Operacionalizando o plano de 
contas com apuração de custo 
do inventário
6
Permanente
controle de estoque que represente a quantidade 
existente a qualquer momento que for verificado
Periódico
é apurado ao final de cada período, não podendo 
fornecer informações em tempo real
Estoques iniciais + Compras do Exercício + Mão de 
obra + Outros custos agrícolas - Estoques Finais
Tipos de Inventário
Na Prática
1. Com relação ao inventário de estoque, pode-se dizer que
a. a. O melhor método da atividade agrícola é o 
inventário permanente
b. b. Adotando o inventário periódico, torna-se difícil 
avaliar uma cultura em formação ou uma safra em 
formação
c. c. No inventário periódico, torna-se fácil avaliar uma 
cultura em formação ou uma safra em formação
R: As alternativas a e b estão corretas
Gabarito
2. Cultura temporária em formação 
(Ativos Biológicos) é classificada como
a. Ativo - Circulante - Estoque
b. Ativo – Não Circulante - Investimento
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado
d. Ativo – Não Circulante - Intangível
Gabarito
3. Cultura permanente formada 
(Ativos Biológicos) é classificada como 
a. Ativo - Circulante - Estoque
b. Ativo – Não Circulante - Investimento
c. Ativo – Não Circulante - Imobilizado
d. Ativo – Não Circulante - Intangível
Gabarito
Finalizando
7
1. Ativos Biológicos: reconhecimento e mensuração
2. Ativos Biológicos: contabilização de culturas 
temporárias e permanentes
3. Entendendo depreciação, exaustão e amortização 
dos ativos biológicos
4. Plano de contas para itens de empresas agrícolas
5. Operacionalizando o plano de contas com apuração 
de custo do inventário
Temas estudados nesta aula
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade 
agrícola, contabilidade da pecuária. 14º Ed. São 
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC29: Ativo 
Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [sn], 
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC46: Mensuração 
do Valor Justo. Brasília: [sn], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 3
Conversa Inicial
Conceitos básicos da Contabilidade Pecuária
Classificação do gado na Contabilidade 
Pecuária e no plano de contas
Método de custo x Método a valor de mercado 
(valor justo)
Técnica para utilização do custo histórico na 
pecuária
Custos na pecuária
Temas desta aula
Conceitos básicos da 
Contabilidade Pecuária
Os animais podem ter funções diferentes nas 
propriedades rurais. Em decorrência de sua 
função, a maneira de contabilizá-lo poderá 
ser diferenciada
(I) Cria
(II) Recria
(III) Engorda
Fonte: MARION, 2014
Conceitos
Classificação do gado na 
Contabilidade Pecuária 
e no plano de contas
2
Classificação do Gado na Contabilidade Pecuária 
– Circulante e não circulante
Contabilização de Culturas Temporárias 
Quadro 2: Demonstração de Resultado
4 Receita Bruta
41 Receita do gado bovino
411 Venda do gado bovino
412 Variação Patrimonial Líquida
42 Outras Receitas
421 Leite
5 Custo/Despesa/Deduções
51 Custo do gado vendido (método de custo)
52 Custo do rebanho no período (método de valor de mercado)
53 Despesas operacionais e outros itens
Fonte: Adaptado de Marion, 2014
Quadro 1: Balanço Patrimonial Pecuário – Ativo
1 ATIVO
11 Ativo Circulante
111 Disponível
112 Clientes e Títulos
113 Ativos Biológicos
1131 Bezerros(as) de 0 a 8 meses
1132 Novilhos(as) de 9 a 18 meses
1133 Novilhos de 19 a 36 meses
1134 Novilhos acima de 37 meses
1135 Novilhas acima de 19 meses (em experimentação)
1136 Garrotes (tourinhos) acima de 25 meses (em experimentação)
12 Ativo Não Circulante
121 Realizável a Longo Prazo
122 Investimentos
123 Imobilizado
1231 Ativos Biológicos – Rebanhos
12311 Reprodutores
12312 Matrizes
1232Ativos Biológicos – Animais de Trabalho
12321 Cavalos e éguas
12322 Burros e mulas
12323 Jumentos, bois etc.
1233 Ativos Biológicos – Animais e aves de cria
12331 Ovinos
12332 Caprinos
12333 Equinos
12334 Suínos
Fo
n
te: A
d
ap
tad
o
 d
e M
ario
n
, 2
0
1
4
Método de custo x Método a 
valor de mercado (valor justo)
Quadro 3: Método de custo
Fonte: ZANIN, 2019
Método de custo
Quadro 4: Método de custo – Nascimento de 
bezerro
Fonte: Zanin, 2019
Método que considera o preço de mercado 
para mensurar o valor do estoque e que, na 
maioria dos casos, é maior do que o custo. 
Tal procedimento irá ocasionar um ganho 
econômico, que será reconhecido na 
contabilidade, pois, com o crescimento do 
rebanho, automaticamente eleva seu valor 
(MARION, 2014)
Método a valor de mercado
3
Estoque no início de X1 é de dez cabeças de 
gado a R$ 900,00 cada, totalizando 
R$ 9.000,00
Durante o ano, foi consumido o valor de 
R$ 10.600,00 para manter o rebanho
Ao final de X1, o valor de mercado de cada 
cabeça de gado era de R$ 2.100,00, 
totalizando R$ 21.000,00
No período, nenhum animal foi vendido
Quadro 5: Comparação de métodos
Método de custo Método a valor de mercado
Balanço Patrimonial DRE Balanço Patrimonial DRE
Ativo Circulante
Ativos biológicos 
R$ 9.000,00
Custo acum. 
R$ 10.600,00
R$ 19.600,00
Nada se 
registra, pois 
não houve 
venda do 
gado, 
portanto não 
se apura o 
resultado
Ativo Circulante
Ativos biológicos 
R$ 9.000,00
Valorização 
R$ 12.000,00
R$ 21.000,00
Variações Patrimoniais 
Líquidas 
R$ 12.000,00
Custo prod. 
(R$ 10.600,00)
Luc. econômico 
R$ 1.400,00
O crescimento biológico e o ganho de 
peso não são reconhecidos como 
ganho econômico
Reconhece o ganho econômico mostrando aos 
usuários que valeu a pena manter o rebanho 
no ano, já que trouxe lucro econômico para a 
empresa
Fonte: MARION, 2014, p. 107
Técnica para utilização do custo 
histórico na pecuária
Custo histórico na pecuária
Custos na pecuária
Custo histórico ou valor de mercado?
Mesclar o custo histórico com o valor de 
mercado, corrigindo o valor do estoque, 
apenas com fins gerenciais e não fiscais
O valor dos animais será considerado o custo 
histórico acrescido de uma taxa de mercado 
(UFIR, IGPM, INPC), visando aproximar-se do 
valor de mercado, porém dificilmente será o 
mesmo
4
Na Prática
Exercício 1
Classificação Cabeças Valor
Bezerros de 0 a 1 ano 600 R$ 210.000,00
Novilhos(as) de 1 a 2 anos 1.000 R$ 400.000,00
Novilhos(as) de 2 a 3 anos 2.400 R$ 1.488.000,00
Animais em estoque 4.000 R$ 2.098.000,00
Matrizes 2.000 R$ 800.000,00
Touros 500 R$ 300.000,00
Animais em imobilizado 2.500 R$ 1.100.000,00
Total do rebanho 6.500 R$ 3.198.000,00
Fonte: Elaborada pelo autor
No mês de janeiro de X2 ocorreram 500 
nascimentos, ou seja, mais 500 bezerros de 
0 a 1 ano. O custo de manutenção do rebanho 
foi de R$ 118.350,00. Pergunta-se:
a) Qual é o valor de custo da formação do 
rebanho por cabeça no mês de janeiro de 
X2?
118.350 = 26,30 por cabeça
4.500
b) Qual valor de custo da formação do 
rebanho será alocado a cada classificação de 
animais?
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano 1.100 x 26,30 R$ 28.930,00
Novilhos(as) de 1 a 2 anos 1.000 x 26,30 R$ 26.300,00
Novilhos(as) de 2 a 3 anos 2.400 x 26,30 R$ 63.120,00
Fonte: Elaborada pelo autor
c) Qual é o saldo do estoque de cada 
classificação de animais ao final de janeiro de 
X2, considerando o custo histórico?
Classificação Cálculo Valor alocado
Bezerros de 0 a 1 ano
R$ 210.000,00 + R$ 
28.930,00
R$ 
238.930,00
Novilhos(as) de 1 a 2 
anos
R$ 400.000,00 + R$ 
26.300,00
R$ 
426.300,00
Novilhos(as) de 2 a 3 
anos
R$ 1.488.000,00 + R$ 
63.120,00
R$ 
1.551.120,00
Fonte: Elaborada pelo autor
Finalizando
5
Conceitos básicos da Contabilidade Pecuária
Classificação do gado na Contabilidade 
Pecuária e no plano de contas
Método de custo x Método a valor de mercado 
(valor justo)
Técnica para utilização do custo histórico na 
pecuária
Custos na pecuária
Temas estudados nessa aula
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade 
agrícola, contabilidade da pecuária. 14. ed. São 
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo 
Biológico e Produtos Agrícola. Brasília: [s.n.], 
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 4
Conversa Inicial
Reconhecimento da receita na pecuária
Nascimento de bezerros e avaliação de 
mudança de categoria
Avaliação no encerramento do Balanço
Confrontação da despesa
Contabilização de Ativos Biológicos conforme 
CPC 29
Temas desta aula
Reconhecimento da 
receita na pecuária
Geralmente se estipula que o momento de 
se reconhecer a receita é quando ocorre a 
transferência do serviço ou bem negociado, 
sendo assumido como o momento da venda. 
Entretanto, podem ocorrer circunstâncias que 
será necessário reconhecer a receita antes da 
ocorrência de venda (MARION, 2014)
Conceitos
Ciclo de estoque longo
Crescimento natural
Representação fidedigna
Valores de mercado da produção
2
Nascimento de bezerros e 
avaliação de mudança de 
categoria
Divisão de categorias dos animais
Meios de melhorar o procedimento: 
organizar os nascimentos e buscar mudança 
de categoria de maneira controlada
Anual ou semestral?
Contabilização de culturas temporárias 
Quadro 1: Categorias do rebanho
Avaliação Semestral Anual
0-6 meses Bezerros de 0 a 6 meses Bezerros de 0 a 12 meses
7-12 meses Bezerros de 7 a 12 meses Bezerros de 0 a 12 meses
13-18 meses Novilhos de 13 a 18 meses Novilhos de 13 a 24 meses
19-24 meses Novilhos de 19 a 24 meses Novilhos de 13 a 24 meses
25-30 meses Novilhos de 25 a 30 meses Novilhos de 25 a 36 meses
31-36 meses Novilhos de 31 a 36 meses Novilhos de 25 a 36 meses
37-42 meses Boi gordo de 37 a 42 meses Boi gordo de 37 a 48 meses
Fonte: ZANIN, 2019
Avaliação no encerramento do 
Balanço
Quadro 2: Mapa do rebanho
Mês Nascimentos 1ª avaliação
Janeiro 40 Janeiro
Fevereiro 0 Fevereiro
Março 30 Março
Abril 20 Abril
Maio 0 Maio
Junho 40 Junho
Julho 25 Julho
Agosto 15 Agosto
Setembro 30 Setembro
Outubro 0 Outubro
Novembro 0 Novembro
Dezembro 20 Dezembro
Fonte: ZANIN, 2019
Confrontação da despesa
3
Ao realizar o reconhecimento de uma receita 
é necessário reconhecer também a despesa 
correspondente
Quando ocorrer a venda poderão ocorrer 
despesas em consequência, as quais apenas 
terão seus valores exatos conhecidos no 
momento da venda
Contabilização de Ativos 
Biológicos conforme CPC 29
Ano X1, desconsiderados animais do 
Imobilizado
(a) Nascimento de 100 bezerros com valor de 
mercado de R$ 90,00 cada, totalizando 
R$ 9.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 9.000,00
Exemplo de contabilização – pecuária
(b) No período, ocorreram Despesas e Custos 
no valor de R$ 6.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período – R$ 6.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 6.000,00
(c) Será considerado o percentual de 3% do 
valor de mercado como provisão de Despesas 
de Distribuição
D: Despesa c/Distribuição – R$ 270,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 270,00
Apuração X1
Receita econômica R$ 9.000,00
Custos/Despesas: R$ 6.270,00
Resultado: R$ 2.730,00
4
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 270,00
Ano X2
(a) Nascimento de 150 bezerros com valor 
de mercado de R$ 120,00 cada, totalizando 
R$ 18.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 18.000,00
(b) Os bezerros nascidos em X1 mudam 
dessa categoria para a de novilhos de 
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 9.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 9.000,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses foram 
reavaliados em R$ 14.000,00, ou seja, 
R$ 140,00 por novilhoD: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 5.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 5.000,00
(d) No período, ocorreram Despesas e Custos 
no valor de R$ 15.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período 
– R$ 15.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 15.000,00
(e) Será considerado o percentual de 3% do 
valor de mercado como provisão de Despesas 
de Distribuição. Esse percentual será aplicado 
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a 
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 690,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 690,00
5
Apuração X2
Receita econômica: R$ 23.000,00
Custos/Despesas: R$ 15.690,00
Resultado: R$ 7.310,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 14.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 960,00
Ano X3
(a) Nascimento de 120 bezerros com valor 
de mercado de R$ 130,00 cada, totalizando 
R$ 15.600,00
D: Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 15.600,00
(b) Os bezerros nascidos em X2 mudam 
dessa categoria para a de novilhos de 
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 18.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 18.000,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses nascidos 
em X1 mudam dessa categoria para a de 
novilhos de 25 a 36 meses
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 14.000,00
C: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 14.000,00
(d) Os novilhos de 13 a 24 meses foram 
reavaliados em R$ 30.000,00, ou seja, 
R$ 200,00 por novilho
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 12.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 12.000,00
6
(e) Os novilhos de 25 a 36 meses foram 
reavaliados em R$ 27.000,00, ou seja, 
R$ 270,00 por novilho
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 13.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 13.000,00
(f) No período, ocorreram Despesas e Custos 
no valor de R$ 25.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período 
– R$ 25.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 25.000,00
(g) Será considerado o percentual de 3% do 
valor de mercado como provisão de Despesas 
de Distribuição. Esse percentual será aplicado 
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a 
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 1.218,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 1.218,00
Apuração X3
Receita econômica R$ 30.600,00
Custos/Despesas: R$ 26.218,00
Resultado: R$ 4.382,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 30.000,00
Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 27.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 2.178,00
Ano X4
(a) Nascimento de 100 bezerros com valor de 
mercado de R$ 140,00 cada, totalizando 
R$ 14.000,00
D: Bezerros (AC) – R$ 14.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 14.000,00
7
(b) Os bezerros nascidos em X3 mudam 
dessa categoria para a de novilhos de 
13 a 24 meses
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 15.600,00
C: Bezerros (AC) – R$ 15.600,00
(c) Os novilhos de 13 a 24 meses nascidos 
em X1 mudam dessa categoria para a de 
novilhos de 25 a 36 meses
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 30.000,00
C: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 30.000,00
(d) Os novilhos de 25 a 36 meses nascidos 
em X1 mudam dessa categoria para a de bois 
gordos
D: Bois gordos (AC) – R$ 27.000,00
C: Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 27.000,00
(e) Os novilhos de 13 a 24 meses foram 
reavaliados em R$ 26.400,00, ou seja, 
R$ 220,00 por novilho
D: Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 10.800,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 10.800,00
(f) Os novilhos de 25 a 36 meses foram 
reavaliados em R$ 45.000,00, ou seja, 
R$ 300,00 por novilho
D: Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 15.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 15.000,00
(g) Os bois gordos foram reavaliados a 
R$ 50.000,00, ou seja, R$ 500,00 cada um
D: Bois gordos (AC) – R$ 23.000,00
C: Ajustes ao valor justo (Receita) 
– R$ 23.000,00
8
(h) No período, ocorreram Despesas e Custos 
no valor de R$ 40.000,00, pagos à vista
D: Custo/Despesa do período 
– R$ 40.000,00
C: Caixa (Ativo) – R$ 40.000,00
(i) Será considerado o percentual de 3% do 
valor de mercado como provisão de Despesas 
de Distribuição. Esse percentual será aplicado 
sobre o valor dos bezerros nascidos mais a 
valorização dos novilhos
D: Despesa c/Distribuição – R$ 1.884,00
C: Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 1.884,00
Apuração X4
Receita econômica R$ 62.800,00
Custos/Despesas: R$ 41.884,00
Resultado: R$ 20.916,00
Ativos Biológicos
Bezerros (AC) – R$ 14.000,00
Novilhos de 13 a 24 meses (AC) 
– R$ 26.400,00
Novilhos de 25 a 36 meses (AC) 
– R$ 45.000,00
Bois gordos (AC) – R$ 50.000,00
Provisão c/Despesas de Distribuição 
– R$ 4.062,00
Na Prática
1. Admita-se que um bezerro tenha nascido 
em X1 e que sua avaliação seja de R$ 300,00. 
No seu crescimento foram observados os 
seguintes estágios de avaliação:
X2 – Novilho de 9 a 18 meses: R$ 450,00
X3 – Novilho de 19 a 24 meses: R$ 800,00
X4 – Venda a prazo: R$ 1.100,00
9
X1 – Nascimento
D: Bezerros (AC) – R$ 300,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 300,00
X2 – Mudança de categoria e reavaliação a 
valor justo
D: Novilhos de 9 a 18 meses (AC) 
– R$ 300,00
C: Bezerros (AC) – R$ 300,00
D: Novilhos de 9 a 18 meses (AC) 
– R$ 150,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 150,00
X3 – Mudança de categoria e reavaliação a 
valor justo
D: Novilhos de 19 a 24 meses (AC) 
– R$ 450,00
C: Novilhos de 9 a 18 meses (AC) 
– R$ 450,00
D: Novilhos de 19 a 24 meses (AC) 
– R$ 250,00
C: Ajustes ao valor justo (DRE) – R$ 250,00
X4 – Ocorrência da venda
D: Duplicatas a receber (AC) – R$ 1.100,00
C: Receita com venda (DRE) – R$ 1.100,00
D: CPV (DRE) – R$ 800,00
C: Novilhos de 9 a 18 meses (AC) 
– R$ 800,00
Finalizando
Reconhecimento da receita na pecuária
Nascimento de bezerros e avaliação de 
mudança de categoria
Avaliação no encerramento do Balanço
Confrontação da despesa
Contabilização de Ativos Biológicos 
conforme CPC 29
Temas estudados nessa aula
10
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade 
agrícola, contabilidade da pecuária. 14. ed. São 
Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo 
Biológico e Produtos Agrícolas. Brasília: [s.n.], 
2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 5
Conversa Inicial
Cálculo do custo do bezerro: custo médio do 
rebanho e reprodutores
Calculando o Imposto de Renda na 
agropecuária, para microempresas e 
empresas de pequeno porte
(...)
Temas desta aula
(...)
Pessoa Jurídica (PJ): incentivos fiscais e 
resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que explora 
atividade rural
Pessoa Física (PF): considerações quanto à 
tributação
Cálculo do custo do bezerro: 
custo médio do rebanho e 
reprodutores
Motivos para que se execute o procedimento 
de cálculo do custo dos bezerros
a) Para saber se é viável ter gado 
reprodutor na fazenda ou se seria mais 
interessante adquirir de terceiros os 
bezerros para a recria e engorda
(...)
Custo médio
2
(...)
b) Para avaliar de modo adequado o Ativo 
da empresa, já que os bezerros têm um 
custo real
c) Para avaliar de modo adequado o 
restante do rebanho destinado a corte 
(MARION, 2014)
Imagine uma fazenda que atua com pecuária 
possuindo 50 matrizes, com valor unitário de 
R$ 1.200,00, e três reprodutores no valor 
unitário de R$ 3.000,00
No primeiro ano ocorreram 40 nascimentos 
de 25 bezerros e 15 bezerras
Foram consumidos R$ 10.000,00 em custos 
de formação e manutenção do rebanho
Custo médio do rebanho
a) Soma-se o custo do rebanho e divide-se 
o resultado pelo total de cabeças do 
rebanho em formação
b) O número de cabeças do rebanho não 
inclui, para efeito de rateio de custo, o gado 
reprodutor em plena reprodução, pois eles 
não recebem custos (...)
(...) Todavia, o custo da manutenção desse 
rebanhojá formado será incluído no custo do 
rebanho e distribuído para o rebanho em 
formação (MARION, 2014)
Nascimento de 150 bezerros
Custo de manutenção do 
rebanho = R$ 100.800,00
𝟏𝟎𝟎. 𝟖𝟎𝟎
𝟖𝟒𝟎
𝟏𝟐𝟎 𝐩𝐨𝐫 𝐜𝐚𝐛𝐞ç𝐚
𝟏𝟐𝟎 𝐱 𝟐𝟗𝟎 𝟑𝟒. 𝟖𝟎𝟎
𝟑𝟒. 𝟖𝟎𝟎
𝟏𝟓𝟎
𝟐𝟑𝟐 𝐩𝐨𝐫 𝐜𝐚𝐛𝐞ç𝐚
Custo médio dos reprodutores
Classificação Quantidade
Bezerros 80
Bezerras 50
Novilhos 200
Novilhas 220
Reprodutores 40
Matrizes 250
Total 840
Calculando o Imposto de Renda na 
agropecuária, para microempresas 
e empresas de pequeno porte
3
Simples Nacional
Microempresa ≤ R$ 360.000,00
Empresa de pequeno porte ≤ R$ 4.800.000,00
Tributação Quadro 2: Anexo I do Simples Nacional
Faixa Alíquota
Valor a 
deduzir 
(em R$)
Receita Bruta 
em doze meses 
(em R$)
1ª faixa 4,00% - Até 180.000,00
2ª faixa 7,30% 5.940,00
De 180.000,01 até 
360.000,00
3ª faixa 9,50% 13.860,00
De 360.000,01 até 
720.000,00
4ª faixa 10,70% 22.500,00
De 720.000,01 até 
1.800.000,00
5ª faixa 14,30% 87.300,00
De 1.800.000,01 até 
3.600.000,00
6ª faixa 19,00% 378.000,00
De 3.600.000,01 até 
4.800.000,00
Faturamento (12 meses) 
= 400.000,00
Fat. do mês = 25.000,00
𝟒𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎 𝐱 𝟗, 𝟓% 𝟑𝟖. 𝟎𝟎𝟎, 𝟎𝟎
𝟑𝟖. 𝟎𝟎𝟎 𝟏𝟑. 𝟖𝟔𝟎 𝟐𝟒. 𝟏𝟒𝟎, 𝟎𝟎
𝟐𝟒. 𝟏𝟒𝟎
𝟒𝟎𝟎. 𝟎𝟎𝟎
𝟎, 𝟎𝟔𝟎𝟑𝟓 𝐨𝐮 𝟔, 𝟎𝟑𝟓%
𝟐𝟓. 𝟎𝟎𝟎, 𝟎𝟎 𝐱 𝟔, 𝟎𝟑𝟓%
𝟏. 𝟓𝟎𝟖, 𝟕𝟓
Fonte: Receita Federal, 2019
Pessoa Jurídica: incentivos 
fiscais e resultado operacional
Uma entidade rural realizou apuração e 
pagamento por estimativa mensal de 
R$ 250.000,00 no ano de X1. No entanto, em X2, 
ao realizar a apuração do valor devido, chegou a 
R$ 230.000,00 
Pela apuração mensal:
D: IRPJ mensal por estimativa a compensar 
= R$ 250.000,00
C: Caixa/Banco = R$ 250.000,00
Tributação
Pela apuração do resultado e valor devido de 
IRPJ:
D: Resultado do Exercício = R$ 230.000,00
C: IRPJ a pagar = R$ 230.000,00
Pela compensação dos valores pagos e 
devidos de IRPJ:
D: IRPJ a pagar = R$ 230.000,00
C: IRPJ mensal por estimativa a compensar 
= R$ 230.000,00
4
Incentivos fiscais
Bens do ativo imobilizado que são 
destinados à produção poderão ser 
depreciados integralmente no ano em que 
foram adquiridos
Apuração do IR
Resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que 
explora atividade rural
Nem sempre o resultado contábil será a base 
para os tributos sobre o lucro, pois poderão 
haver adições e exclusões na base de cálculo
Tributação Descrição Atividade 
industrial
Atividade rural
Receitas das atividades R$ 300.000,00 R$ 200.000,00
Custos e Despesas (R$ 100.000,00) (R$ 70.000,00)
Custos e Despesas comuns (R$ 24.000,00) (R$ 16.000,00)
Lucro Líquido R$ 176.000,00 R$ 114.000,00
Descrição Atividade 
industrial
Atividade rural
Lucro Líquido R$ 176.000,00 R$ 114.000,00
Adição/Exclusão R$ 20.000,00 (R$ 15.000,00)
Base de Cálculo do IR R$ 196.000,00 R$ 99.000,00
Pessoa Física: considerações 
quanto à tributação
Tributação para Pessoa Física
Todos os valores de receitas e gastos da 
produção devem ter sua devida comprovação 
documental
Depreciação acelerada
A base de cálculo do Imposto de Renda da 
pessoa física será o resultado da atividade
Tributação simplificada
5
Tributação
Receita Bruta R$ 2.000.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.700.000,00
Resultado inicial R$ 300.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 30.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 270.000,00
Resultado tributável R$ 270.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 400.000,00
Base de cálculo (R$) Alíquota Parcela a deduzir (R$)
Até 22.847,76 - -
De 22.847,76 até 33.919,80 7,5% 1.713,58
De 33.919,81 até 45.012,60 15% 4.257,57
De 45.012,61 até 55.976,16 22,5% 7.633,51
Acima de 55.976,17 27,5% 10.432,32
(270.000,00 – 10.432,32) x 27,5% = 71.381,11
(400.000,00 – 10.432,32) x 27,5% = 107.131,11
Na Prática Em 2018, a Fazenda Feliz, pertencente ao 
senhor Pedro, desenvolvendo sua atividade 
como pessoa física, realizou cultivos 
agrícolas e atividades pecuárias (...)
Questão 1
(...) Das atividades desempenhadas foi 
alcançada uma receita no valor de 
R$ 2.500.000,00, tendo como custos e 
despesas do período o valor de 
R$ 1.400.000,00
Em 2017, a Fazenda Feliz teve um prejuízo no 
valor de R$ 200.000,00. Com base nas 
informações: 
Qual será o resultado tributável, 
considerando apenas Receitas e Despesas?
Qual será o resultado tributável se o senhor 
Pedro optar pelo arbitramento da Receita 
Bruta por meio da Tributação Simplificada?
6
Questão 1 – Gabarito
Receita Bruta R$ 2.500.000,00
Custos, Despesas e Investimentos R$ 1.400.000,00
Resultado inicial R$ 1.100.000,00
Prejuízo a ser compensado R$ 200.000,00
Resultado após compensar prejuízo R$ 900.000,00
Resultado tributável R$ 900.000,00
Opção pela Tributação Simplificada R$ 500.000,00
A empresa agropecuária Fazenda Alegre 
Ltda., no período de X4, obteve uma receita 
no valor de R$ 10.000.000,00. Nesse período, 
teve custos produtivos no valor de 
R$ 7.000.000,00, assim como despesas no 
valor de R$ 600.000,00 (...)
Questão 5
Possui, também, um prejuízo a compensar no 
valor de R$ 700.000,00. Considerando os 
dados da Fazenda Alegre Ltda., assinale a 
alternativa que representa a base de cálculo 
do IRPJ caso a empresa fosse do Lucro Real e 
do Lucro Presumido, respectivamente
a) R$ 2.400.000,00; R$ 800.000,00
b) R$ 1.700.000,00; R$ 100.000,00
c) R$ 3.000.000,00; R$ 200.000,00
d) R$ 1.700.000,00; R$ 800.000,00
e) R$ 2.400.000,00; R$ 100.000,00
Questão 5
Questão 5 – Gabarito
Descrição Atividade rural
Receitas das atividades R$ 10.000.000,00
Custos (R$ 7.000.000,00)
Despesas operacionais (R$ 600.000,00)
Lucro Líquido R$ 2.400.000,00
Adição/Exclusão (R$ 700.000,00)*
Base de cálculo IR R$ 1.700.000,00
Receitas das atividades R$ 10.000.000,00
Presunção (8%) R$ 800.000,00
Finalizando
7
Cálculo do custo do bezerro: custo médio do 
rebanho e reprodutores
Calculando o Imposto de Renda na 
agropecuária, para microempresas e 
empresas de pequeno porte
(...)
Temas estudados nessa aula
(...)
Pessoa Jurídica (PJ): incentivos fiscais e 
resultado operacional
Determinação do lucro da PJ que explora 
atividade rural
Pessoa Física (PF): considerações quanto à 
tributação
Referências
MARION, J. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, 
contabilidade da pecuária. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis. CPC 29 – Ativo Biológico e Produtos Agrícolas. 
Brasília: [s.n.], 2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de Pronunciamentos 
Contábeis. CPC 46 – Mensuração do Valor Justo. Brasília: 
[s.n.], 2012.
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
Contabilidade de Agronegócios
Aula 6
Conversa Inicial
Avaliação de estoques e despesas/custos 
com atividade agrícola
Regime de competência x Regime de caixa
Demonstração dos Fluxos de Caixa na 
contabilidade agropecuária
(...)
Temas desta aula
(...)
Estrutura e análise da DFC em atividades do 
agronegócio
Práticas de divulgação dos Ativos Biológicos 
segundo o CPC 29
Avaliação de estoques e 
despesas/custos com 
atividade agrícola
Decreto-Lei nº 1.598/1977 e CPC 29: os 
estoques deverão ser avaliados de acordo 
com os preços correntes/valor justo dos 
produtos rurais
Verificar periodicamente o inventário
(...)
Avaliação
2
(...)
Quando existe controle por parte da entidade 
rural, pode ser registrado pelos respectivos 
custos de produção
Segregar as culturas agrícolas
Superveniências ativas e insubsistências 
ativas
Regime de competência x
Regime de caixa
Regime de competência preza o registro 
contábil dos fatos contábeis quando 
efetivamente ocorrem
Regime de caixa leva em consideração a 
movimentação do caixa, ou seja, o momento 
do pagamento ou recebimento em caixa do 
fato contábil
Depreciação?
Aquisição de insumos?
Confiabilidade
Regime de competência ou regime caixa?
Demonstração dos Fluxos de 
Caixa na contabilidade 
agropecuária
Auxiliar na geração de informações 
referentes ao Fluxo de Caixa da entidadeObrigatória (2008)
É possível compreender quanto a entidade 
está gerando e consumindo de seu caixa
Capacidade de honrar seus compromissos no 
curto e longo prazo
Demonstração dos Fluxos de Caixa
3
Estrutura e análise da DFC em 
atividades do agronegócio
Atividades operacionais
Atividades de investimento
Atividades de financiamento
Método direto e indireto
Estrutura e análise da DFC
DFC – Modelo direto – Empresa rural modelo
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades 
Operacionais
Recebimento de receitas da produção R$ 536.250,00
Pagamento de compra de insumos –R$ 31.864,80
Pagamento de despesas operacionais –R$ 268.950,00
Juros pagos –R$ 82.500,00
Contribuições e impostos –R$ 28.050,00
Retiradas para manutenção da família –R$ 46.200,00
Caixa líquido da atividade operacional R$ 78.685,20
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 19.800,00
Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.550,00
Pagamento de compra de gado reprodutor –R$ 3.300,00
Pagamento de compra de Insiladeira –R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade de Investimento –R$ 18.150,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Amortização de Financiamento –R$ 39.600,00
Pagamento de Empréstimo –R$ 75.900,00
Novos Empréstimos R$ 21.450,00
Novos Financiamentos R$ 34.650,00
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento –R$ 59.400,00
Acréscimo de caixa no período R$ 1.135,20
Caixa Inicial de 20X2 R$ 20.000,00
Caixa Final de 20X2 R$ 21.135,20 
Lucro Líquido do Período (DRE) R$ 85.285,20
Ajustes:
Acréscimo no estoque R$ 18.150,00
Decréscimo de duplicatas a receber –R$ 1.650,00
Ganhos/perdas de capital R$ 14.850,00
Total de ajustes a subtrair da Receita – R$ 31.350,00
Itens referentes à Despesa
Depreciação R$ 70.950,00
Total e ajustes a adicionar na Receita R$ 70.950,00
Retiradas da família para sua manutenção –R$ 46.200,00
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 78.685,20
Práticas de divulgação dos 
Ativos Biológicos segundo 
o CPC 29
4
Ativos Biológicos consumíveis são aqueles 
passíveis de serem colhidos como produto 
agrícola ou vendidos como Ativos Biológicos
Ativos Biológicos para produção são os 
demais tipos, como: rebanhos de animais 
para produção de leite; árvores frutíferas, 
das quais é colhido o fruto
(...)
Divulgação
(...)
Ativos Biológicos maduros ou imaturos: 
maduros são aqueles que alcançaram a 
condição para serem colhidos (Ativos 
Biológicos consumíveis) ou estão aptos para 
sustentar colheitas regulares (Ativos 
Biológicos de produção)
Avaliados a valor justo
O CPC 29 sugere que as entidades, no 
momento da preparação das informações a 
serem divulgadas, devem segregar os 
Ativos Biológicos em consumíveis e de 
produção, ou separar os maduros dos 
imaturos, a forma que lhe for mais cabível
Avaliados a valor justo
(a) Uma descrição dos Ativos Biológicos
(b) Uma explicação da razão pela qual o 
valor justo não pode ser mensurado de 
forma confiável
(c) Se possível, uma faixa de estimativas na 
qual existe alta probabilidade de se 
encontrar o valor justo
(...)
(...)
(d) O método de depreciação utilizado
(e) A vida útil ou a taxa de depreciação 
utilizada
(f) O total bruto e a depreciação acumulada 
(adicionada da perda por irrecuperabilidade
acumulada) no início e no final do período
Na Prática
5
Uma empresa rural contratou você para 
elaborar a Demonstração de Fluxo de Caixa 
(DFC), visto a falta de confiabilidade das 
atuais informações. Na sequência há dados 
do Balanço Patrimonial e da Demonstração 
de Resultado, para então ser possível 
elaborar a DFC
Questão 1 Questão 1
Balanço Patrimonial
Ativo 20X2 (R$) 20X1 (R$) Passivo 20X2 (R$) 20X1 (R$)
Caixa e bancos 2.000,00 3.000,00 Fornecedores 22.000,00 11.000,00
Clientes 18.000,00 16.000,00 Emp. LP 5.000,00 12.000,00
Estoque 21.000,00 14.000,00
Desp. 
antecipadas 1.000,00 2.000,00 Capital 20.000,00 20.000,00
Títulos a receber 5.000,00 5.000,00 Reservas 6.000,00 6.000,00
Terrenos 13.000,00 10.000,00 Lucros Acum. 7.000,00 1.000,00
Total Ativo 60.000,00 50.000,00 Total Passivo 60.000,00 50.000,00
Questão 1
DRE
Vendas Líquidas R$ 130.000,00
CMV –R$ 85.000,00
Lucro Bruto R$ 45.000,00
Desp. administrativas –R$ 25.000,00
Despesas com vendas –R$ 10.000,00
Lucro Líquido R$ 10.000,00
DFC – Modelo direto – Empresa rural
Exercício de 20X2
Fluxo de Caixa de Atividades Operacionais
Recebimento de Receitas da produção R$ 128.000,00
Pagamento de compra de insumos (R$ 81.000,00)
Pagamento de despesas operacionais (R$ 34.000,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 13.000,00
Fluxo de Caixa de Atividades de Investimento
Compra de terreno (R$ 3.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 3.000,00)
Fluxo de Caixa de Atividades de Financiamento
Pagamento de empréstimo (R$ 4.000,00)
Pagamento de dividendos (R$ 7.000,00)
Caixa Líquido da Atividade de Financiamento (R$ 11.000,00)
Acréscimo de caixa no período (R$ 1.000,00)
Caixa Inicial de 20X2 R$ 3.000,00
Caixa Final de 20X2 R$ 2.000,00
Questão 1
Vejamos agora uma DFC elaborada pelo método 
indireto. Para praticarmos, devemos analisá-la 
e extrair 
informações 
relevantes 
aos usuários
Questão 3
DFC – Modelo indireto
Atividades Operacionais
Lucro Líquido R$ 64.747,00
Ajustamento para reconciliar o Lucro Líquido
Caixa líquido gerado pela Atividade Operacional
- Depreciação e amortização R$ 35.359,00
- Ganho da venda de caminhões e máquinas (R$ 11.800,00)
- Perda na venda do rebanho reprodutor R$ 4.000,00
- Decréscimo nas contas a receber R$ 2.400,00
- Decréscimo nas contas a pagar (R$ 1.534,00)
Caixa Líquido da Atividade Operacional R$ 93.172,00
Atividades de Investimento
Caixa líquido gerado pela Atividade de Investimento
- Recebimento de receita de venda de gado reprodutor R$ 9.100,00
- Recebimento de receita de venda de maquinário R$ 11.000,00
- Recebimento de receita de venda de caminhão R$ 800,00
- Pagamento de compra de máquinas (R$ 47.500,00)
- Pagamento de plano de aposentadoria (R$ 1.950,00)
- Outros pagamentos (R$ 1.060,00)
Caixa Líquido da Atividade de Investimento (R$ 29.210,00)
Atividades de Financiamento
Caixa líquido gerado pela Atividade de Financiamento
- Pagamento de títulos de curto prazo (R$ 41.000,00)
- Pagamento de títulos de longo prazo (R$ 29.970,00)
- Amortização de Financiamentos (R$ 13.000,00)
Caixa líquido usado em Atividades de Financiamentos (R$ 83.970,00)
Decréscimo Líquido no Caixa (R$ 10.008,00)
Caixa inicial de 20X2 R$ 33.000,00
Caixa final de 20X2 R$ 22.992,00
6
Finalizando
Avaliação de estoques e despesas/custos com 
atividade agrícola
Regime de competência x Regime de caixa
Demonstração dos Fluxos de Caixa na 
contabilidade agropecuária
Estrutura e análise da DFC em atividades do 
agronegócio
Práticas de divulgação dos Ativos Biológicos 
segundo o CPC 29
Temas estudados nessa aula
Referências
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 29 – Ativo 
Biológico e Produtos Agrícolas. Brasília: 
[s.n.], 2009.
PRONUNCIAMENTO TÉCNICO, Comitê de 
Pronunciamentos Contábeis. CPC 46 –
Mensuração do Valor Justo. Brasília: [s.n.], 
2012.
4
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS
Aula 1
4
2
Aspectos conceituais da 
contabilidade rural – agrícola, 
zootécnica e agroindustrial
4
3
(I) Atividade agrícola
(II) Atividade zootécnica
(III) Atividade agroindustrial
ASPECTOS CONCEITUAIS
4
4
CPC 29 - Ativos biológicos: animais e/ou 
plantas, vivos
São o objeto de patrimônio da entidade 
que atua na atividade rural, os quais, 
posteriormente, darão origem a produtos 
agrícolas
ATIVOS BIOLÓGICOS
4
5
Ativos biológicos Produto agrícola
Produtos resultantes do 
processamento após a 
colheita
Carneiros Lã Fio, tapete
Plantação de árvores para madeira Árvore cortada Tora, madeira serrada
Gado de leite Leite Queijo
Porcos Carcaça Salsicha, presunto
Plantação de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupaCana-de-açúcar Cana colhida Açúcar
Plantação de fumo Folha colhida Fumo curado
Arbusto de chá Folha colhida Chá
Videira Uva colhida Vinho
Árvore frutífera Fruta colhida Fruta processada
Palmeira de dendê Fruta colhida Óleo de palma
Seringueira Látex colhido Produto da borracha
C
P
C
 2
9
C
P
C
 1
6
Fonte: CPC 29, p. 3, 2009
Quadro 1 – Ativos biológicos e produtos agrícolas
ATIVO BIOLÓGICO vs PRODUTO AGRÍCOLA
4
6
Reconhecimento
Mensuração, níveis de valor justo
Depreciação, exaustão e amortização
ATIVOS BIOLÓGICOS
4
7
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
8
Culturas temporárias: a cada período de 
produção, necessitam ser replantadas. 
Exemplo: milho, trigo, feijão, arroz, cebola, 
alface, dentre outros
Estoque – ativos biológicos
Cultura Temporária em Formação (CTF)
Colheita em Andamento (CA)
Produto Agrícola (PA)
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
9
Culturas permanentes: não necessitam ser 
replantadas. Exemplo: cafeicultura, 
fruticultura, reflorestamento, entre outros
Imobilizado – ativos biológicos
Cultura Permanentes em Formação (CPF)
Cultura Permanentes Formada (CP)
Colheita em Andamento (CA)
Produto Agrícola (PA)
ATIVIDADE AGRÍCOLA
4
10
ATIVIDADE AGRÍCOLA –
CONTABILIZAÇÃO
4
11
ATIVO 324.800,00 PASSIVO 70.000,00 
Circulante 142.800,00 Circulante 70.000,00 
Disponível 70.000,00 Fornecedores 70.000,00 
Estoques 72.800,00 
Feijão – PA 28.000,00 
Soja – CA 16.800,00 
Adubos 14.000,00 
Combustíveis 14.000,00 
Não Circulante 182.000,00 Não Circulante -
Imobilizado 182.000,00 
Terras 98.000,00 
Tratores 70.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 254.800,00 
Arados 7.000,00 Capital Subscrito 210.000,00 
Semeadoras 7.000,00 Reservas de lucros 44.800,00 
4
12
(a) Consumidos R$ 3.000,00 do estoque de 
combustível no preparo do solo para o plantio 
do milho;
Contabilização
4
13
(b) Pago à vista gasto com aluguel 
colheitadeira de R$ 4.000,00 na colheita da 
soja;
Contabilização
4
14
(c) Compra a prazo de R$ 35.000,00 de 
semente de milho;
Contabilização
4
15
(d) Venda de 50% do estoque de feijão por R$ 
18.000,00 à vista, o restante será utilizado 
como semente para o próximo plantio;
Contabilização
4
16
(e) Pago frete à vista para entrega do feijão ao 
comprador R$ 600,00;
Contabilização
4
17
(f) Compra a prazo de R$ 2.500,00 em 
inseticidas;
Contabilização
4
18
(g) Consumo de R$ 3.000,00 do estoque de 
adubo para a cultura do milho;
Contabilização
4
19
(h) Plantio do milho, utilização de toda a 
semente estocada;
Contabilização
4
20
(i) Aplicados R$ 2.200,00 de inseticidas na 
cultura do milho;
Contabilização
4
21
(j) Depreciação do trator e maquinários no 
período R$ 6.000,00 (60% cultura do milho e 
40% Soja);
Contabilização
4
22
(k) Pago salário período R$ 20.000,00 (50% 
cultura do milho, 30% soja e 20% 
administração);
Contabilização
4
23
(l) Término da colheita da soja;
Contabilização
4
24
(m) Venda de toda safra de soja por R$ 
25.000,00 a prazo;
Contabilização
4
25
(n) Gastos com energia elétrica e telefone R$ 
350,00 pago a prazo;
Contabilização
4
26
(o) Pagamentos com fornecedores R$ 
25.000,00 em dinheiro;
Contabilização
4
27
(p) Início da colheita do milho;
Contabilização
4
28
(q) Consumidos R$ 3.500,00 do estoque de 
combustível na colheita do milho;
Contabilização
4
29
(r) Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.400,00 
na colheita do milho;
Contabilização
4
30
(s) Término da colheita do milho;
Contabilização
4
31
(t) Venda de todo o estoque de milho por R$ 
48.000,00 à vista para a própria cerealista.
Contabilização
4
32
Obrigado
4
33
4
1
Prof. Allan Marcelo de Oliveira
CONTABILIDADE DE 
AGRONEGÓCIOS
Aula 2
4
2
(l) Término da colheita da soja;
Contabilização
4
3
(m) Venda de toda safra de soja por R$ 
25.000,00 a prazo;
Contabilização
4
4
(n) Gastos com energia elétrica e telefone R$ 
350,00 pago a prazo;
Contabilização
4
5
(o) Pagamentos com fornecedores R$ 
25.000,00 em dinheiro;
Contabilização
4
6
(p) Início da colheita do milho;
Contabilização
4
7
(q) Consumidos R$ 3.500,00 do estoque de 
combustível na colheita do milho;
Contabilização
4
8
(r) Pago aluguel de colheitadeira R$ 1.400,00 
na colheita do milho;
Contabilização
4
9
(s) Término da colheita do milho;
Contabilização
4
10
(t) Venda de todo o estoque de milho por R$ 
48.000,00 à vista para a própria cerealista.
Contabilização
4
11
ATIVIDADE PECUÁRIA –
CONTABILIZAÇÃO
4
12
ATIVO 500.000 PASSIVO + PL 500.000 
Circulante 500.000 Circulante
Disponível 500.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante PATRIM. LÍQ. 500.000 
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos Lucros acumul.
Balanço Patrimonial – Inicial
4
13
(a) Aquisição de 5 touros reprodutores por 
R$10.000 cada e 100 matrizes prontas para 
reprodução por R$2.000 cada
D: Touros (ANC) – R$ 50.000,00
D: Matriz (ANC) – R$ 200.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 250.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 01
4
14
ATIVO 500.000 PASSIVO + PL 500.000 
Circulante 250.000 Circulante
Disponível 250.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 500.000 
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul.
Balanço Patrimonial – Ano 01
4
15
(b) Nascimento de 100 bezerros. Seu custo 
(com vacinas, mão de obra direta, etc.) 
totalizou R$10.000. Entretanto, seu valor de 
mercado é de R$160 por cabeça com despesa 
de venda estimada em R$10 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 10.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 10.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 02
4
16
(b) Nascimento de 100 bezerros. Seu custo 
(com vacinas, mão de obra direta, etc.) 
totalizou R$10.000. Entretanto, seu valor de 
mercado é de R$160 por cabeça com despesa 
de venda estimada em R$10 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 5.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 5.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 02
4
17
ATIVO 505.000 PASSIVO + PL 505.000 
Circulante 255.000 Circulante
Disponível 240.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 Não Circulante
Bezerros 15.000
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 505.000 
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 5.000
Balanço Patrimonial – Ano 02
4
18
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no 
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou 
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado 
é de R$490 por cabeça com despesa de venda 
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 15.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 15.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
19
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no 
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou 
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado 
é de R$490 por cabeça com despesa de venda 
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 12.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 12.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
20
(c) Reclassificação dos bezerros nascidos no 
ano 02. Seu custo de manutenção totalizou 
R$12.000. Entretanto, seu valor de mercado 
é de R$490 por cabeça com despesa de venda 
estimada em R$40 por cabeça.
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 18.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 18.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
21
(d) Nascimento de novos 100 bezerros. Seu 
custo (com vacinas, mão de obra direta, etc) 
totalizou R$16.000. Entretanto, seu valor de 
mercado é de R$220 por cabeça com despesa 
de venda estimada em R$20 por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 16.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 16.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
22
(d) Nascimento de novos 100 bezerros. Seu 
custo (com vacinas, mão de obra direta, etc) 
totalizou R$16.000. Entretanto, seu valor de 
mercado é de R$220 por cabeça com despesa 
de venda estimada em R$20por cabeça.
D: Bezerros (AC) – R$ 4.000,00
C: Δ Valor Justo (resultado) – R$ 4.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 03
4
23
ATIVO 527.000 PASSIVO + PL 527.000 
Circulante 277.000 Circulante
Disponível 212.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 45.000 Não Circulante
Bezerros 20.000
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 527.000 
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 27.000
Balanço Patrimonial – Ano 03
4
24
(e) Reclassificação dos bezerros nascidos no 
ano 03 e 02. 
D: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 20.000,00
C: Bezerros (AC) – R$ 20.000,00
D: Novilhos 25-36 (AC) – R$ 45.000,00
C: Novilhos 13-24 (AC) – R$ 45.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
25
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por 
R$49.000 com pagamentos de R$4.000 
referente a frete e comissão de vendas.
D: Caixa e equivalentes – R$ 49.000,00
C: Receita de vendas (resultado) – R$ 
49.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
26
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por 
R$49.000 com pagamentos de R$4.000 
referente a frete e comissão de vendas.
D: CPV (resultado) – R$ 45.000,00
C: Novilhos 25-36 (AC) – R$ 45.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
27
(f) Foram vendidos 100 novilhos (25-36) por 
R$49.000 com pagamentos de R$4.000 
referente a frete e comissão de vendas.
D: Despesas de venda (resultado) – R$ 
4.000,00
C: Caixa e equivalentes – R$ 4.000,00
Exemplo de contabilização – ANO 04
4
28
RECEITA BRUTA 49.000
(-) CPV (45.000)
(=) LUCRO BRUTO 4.000
DESP. RECEITAS OPERACIONAIS 23.000
(-)DESPESA DE VENDA (4.000)
(+)VARIAÇÃO VALOR JUSTO 27.000
LUCRO LÍQUIDO 27.000
DRE – Ano 04
4
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ATIVO 527.000 PASSIVO + PL 527.000 
Circulante 277.000 Circulante
Disponível 257.000 Fornecedores
Ativos Biológicos
Novilho 25-36
Novilho 13-24 20.000 Não Circulante
Bezerros
Não Circulante 250.000 PATRIM. LÍQ. 527.000 
Imobilizado Capital Social 500.000
Ativos Biológicos 250.000 Lucros acumul. 27.000
Balanço Patrimonial – Ano 04
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