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ANTINEOPLÁSICOS - Quimioterápicos utilizados para a destruição seletiva de células tumorais Problemas inerentes à quimioterapia Células tumorais vs células normais: - Não existem diferenças bioquímicas qualitativas entre as células normais e as tumorais - Dificuldade de obtenção de citotoxicidade específica sobre as células tumorais - Progressos na investigação da biologia celular e molecular do câncer têm permitido a proposta de novos fármacos que atuem predominantemente ou apenas nas células cancerígenas O termo câncer abrange mais de cem distintas formas da doença, distintas quanto à sua apresentação clínica, história natural, possibilidade de cura ou controle, consequentemente tratamento. O êxito no tratamento dependerá no conhecimento clínico de cada neoplasia e da formulação de um esquema básico adequado de tratamento para cada situação clínica. A cura é sempre o objetivo do tratamento , mas, por não ser possível na maioria das vezes, o prolongamento da vida e obtenção de efeitos paliativos passa a ser importante também. Protocolo de quimioterapia é o termo empregado para definir as propostas de tratamento que combinam diferentes medicamentos, com doses e datas de administração programadas. Os protocolos apresentam resultados semelhantes, quando aplicados em diferentes centros de tratamento no mundo todo, sendo possível estimar sua eficácia terapêutica e os prováveis efeitos colaterais antes de iniciar o tratamento. Um protocolo estabelece os medicamentos a serem utilizados, determina suas doses em função do peso ou da superfície corpórea do paciente (calculada com base no peso e na altura) e propõe as datas para sua administração. A recuperação do organismo do paciente é também estimada pelo protocolo, que prevê um período livre de tratamento antes do início de cada novo ciclo de quimioterapia. PROTOCOLO Perfil do paciente •Sintomas e complicações de uma doença grave •Co-morbidades e uso contínuo de medicamentos concomitante ao tratamento oncológico •Automedicação e tratamentos alternativos sem conhecimento do médico assistente •Citotoxicidade e estreita margem terapêutica do tratamento quimioterápico antineoplásico •Tratamento de suporte e reações adversas relacionadas •Imunossupressão O tratamento quimioterápico tem duração bastante variável. Algumas vezes segue uma programação com datas e número de ciclos preestabelecidos. Nos casos de quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante, por exemplo, os tratamentos têm duração programada. Entretanto, na maior parte dos casos a programação é mantida em aberto: a proposta de tratamento vai sendo reavaliada após a aplicação de alguns ciclos de quimioterapia. A manutenção ou mudança do esquema quimioterápico dependem dos resultados obtidos com o tratamento DURAÇÃO DO TRATAMENTO EFEITOS ADVERSOS Náuseas e Vômitos É uma reação comum ao uso de alguns poucos quimioterápicos, que, na maioria dos casos, pode ser controlada com medicamentos específicos. A sensibilidade individual aos quimioterápicos apresenta grande variação. Durante a aplicação de um mesmo protocolo, algumas pessoas nunca sentem náusea, enquanto outras se mostram frequentemente nauseadas. As náuseas e os vômitos podem ocorrer tanto por irritação da superfície do estômago, como pela ação dos quimioterápicos sobre o sistema nervoso central. O controle da náusea é obtido pelo uso de medicamentos específicos, os antieméticos (que controlam o vômito), aplicados durante a quimioterapia e nos dias que se seguem ao tratamento. Náuseas e vômitos devem ser sempre relatados para que se possa determinar o ajuste das medicações a cada paciente. Estudos em animais demonstram que o dano produzido pela quimioterapia nas células enterocromafins leva à liberação de serotonina (5-hidroxitriptamina) e de dopamina. A serotonina e a dopamina se ligam, respectivamente, aos receptores de 5-HT3 e de dopamina, ocasionando o estímulo vagal e das vias aferentes esplâncticas Outro neurotransmissor de destaque na fisiopatogenia da NVIQ é a substância P secretada pelas células enterocromafins e por células do sistema nervoso central. A substância P se liga aos receptores de NK1 (neurocinina 1), estimula a via aferente vagal, ativa o centro coordenador do vômito, que leva a deflagração do arco reflexo do vômito. A via efetora deste reflexo inicia no núcleo do trato solitário e no núcleo gelatinoso, os quais dão origem aos neurônios efetores vagais, responsáveis pelo reflexo motor Os corticosteroides são drogas efetivas tanto na prevenção da êmese aguda quanto tardia, porém pouco se sabe a respeito do seu mecanismo de ação na profilaxia de NVIQ. As principais drogas utilizadas são dexametasona e metilprednisolona, as quais podem ser usadas em monoterapia na prevenção de NVIQ de drogas com baixo potencial emetogênico. Nos casos de quimioterapia moderadamente ou altamente emetogênica o benefício dos corticoides é maior quando administrado em conjunto antagonistas de 5-HT3 e/ou inibidores de NK1 Antieméticos mais frequentemente utilizados em quimioterapia: • Ondansetron (Zofran®) - antagonista de receptor 5HT3 • Dexametasona • Aprepitanto (Emend®) - antagonistas de receptor NK1 • Fosaprepitanto dimeglumina (Emend® Injetável) Os canabinoides como o nabilone (Cesamet®) e o dronabinol (Marinol®) possuem atividade antiemética modesta e efeitos colaterais importantes como xerostomia, sedação, disforia e hipotensão. Dessa forma, o papel dessa classe de medicações na prevenção de NVIQ é restrito O uso de protetores gástricos como ranitidina ou omeprazol antes da infusão de qualquer quimioterapia é recomendado independente do potencial emetogênico da medicação Alopecia Diarreia e obstipação Cansaço e fadiga Infecções Alterações na pele e nas unhas A toxicidade ao nível da medula óssea derivada dos fármacos citotóxicos pode resultar em neutropenia, anemia e trombocitopenia. A neutropenia (diminuição do número de neutrófilos) e a trombocitopenia (diminuição do número de plaquetas) são efeitos secundários muito sérios que podem colocar a vida em risco dos doentes por infecções ou hemorragias. A anemia (diminuição dos níveis de eritrócitos) pode contribuir para sintomas de fadiga e falta de ar, devido à diminuição da capacidade transportadora de oxigênio pelo reduzido número de eritrócitos, com impacto na qualidade de vida geral Os fármacos utilizados em quimioterapia que induzem com mais frequência mielossupressão como efeito tóxico dose-limitante incluem agentes alquilantes, nitrosoureias, taxóis, antraciclinas, inibidores da topoisomerase e muitos fármacos antimetabolitos No caso de neutropenia média a grave as possibilidades são: Redução nas doses e/ou espaçamento das aplicações de quimioterapia Utilização profilática de fluoroquinolonas Administração de fatores estimulantes de colônias de células hematopoiéticas (CSF), como o filgrastim (Granulokine®), um estimulante de granulócitos (G-CSF) Fases mitóticas Prófase - Os cromossomos tornam-se mais espiralados, encurtando-se, aumentando o diâmetro e individualizando-se. - a membrana nuclear desaparece e os centríolos migram para os pólos. Metáfase - os cromossomos se dispõe na posição mediana da célula (placa equatorial). - cromossomos estão bem individualizados e fortemente condensados (fase ideal p/ contagem). • Anáfase as cromátides separam-se pelo centrômero e migram para os pólos. Os centrômeros arrastam o restante do cromossomo. • Telófase a membrana nuclear é reconstituída em torno de cada núcleo-filho e os nucléolos reaparecem. Fim da divisão celular. • A intérfase divide-se em fases: • 1º fase: G1 após a mitose, ocorre a síntese de proteínas e de RNA para recuperar o volume da célula que foi reduzido durante a duplicação. • 2º fase: S Síntese do DNA. • 3º fase: G2 acúmulo de energia para ser utilizada na mitose. • As células que não se renovam saem do ciclo celular e entram na chamadafase G-zero. A maioria dos antineoplásicos atua sobre células que estão no ciclo celular que compreende as fases G1 (pré-sintética), S (síntese celular), G2 (pós-síntese) e M (mitose), precedidas de G0. Há agentes que atuam dependentemente deste ciclo, necessitando de proliferação celular para exercer seus efeitos citotóxicos. Alguns desses têm ação preferencial em uma fase específica do ciclo celular, sendo chamados de agentes dependentes do ciclo fase-específicos. Outros são citotóxicos em qualquer ponto do ciclo celular, constituindo-se em agentes dependentes do ciclo fase-não específicos. Há ainda fármacos independentes do ciclo celular que agem sobre células que estão fora desse ciclo. As associações medicamentosas com agentes que atuam em diferentes fases parecem ter ação sinérgica no combate ao crescimento e desenvolvimento do tumor Metotrexato Alquilantes Antraciclinas Actinomicina D Hidroxiureia 5-FU 6-MP 6TG Bleomicinas Antraciclinas Actinomicina D Alquilantes Mitomicina C Vincristina Vinblastina Alquilantes Antraciclinas VM26 (teniposídeo) DTIC Alquilantes Antraciclinas Actinomicina D Mitomicina C Asparaginase Procarbazina Mostarda nitrogenada Nitrosureias Exemplos de fármacos quimioterápicos que afetam a disponibilidade de precursores de RNA e DNA Problemas associados à quimioterapia Resistência - tratamentos intensos e de curta duração podem minimizar o desenvolvimento de resistência, o uso de fármacos associados também Resistência a multifármacos - P-glicoproteína transmembranar. Pode ocorrer resistência cruzada mesmo entre fármacos não relacionados estruturalmente Toxicidade – os quimioterápicos afetam outras células em rápida divisão como: células da mucosa oral, medula óssea, mucosa gastrintestinal e pelos. Apresentam índice terapêutico reduzido com efeitos adversos comuns à maioria dos quimioterápicos como: vômitos, estomatite, alopecia, mielossupressão, toxicidade cardíaca (doxorrubicina), toxicidade pulmonar (bleomicina). Tumores induzidos pelo tratamento Alquilantes são compostos capazes de substituir em outra molécula um átomo de hidrogênio por um radical alquil. Eles se ligam ao DNA de modo a impedir a separação dos dois filamentos do DNA na dupla hélice espiralar, fenômeno este indispensável para a replicação. Os alquilantes afetam as células em todas as fases do ciclo celular de modo inespecífico. Apesar de efetivos como agentes isolados para inúmeras formas de câncer, eles raramente produzem efeito clínico ótimo sem a combinação com outros agentes fase-específicos do ciclo celular. As principais drogas empregadas dessa categoria incluem a mostarda nitrogenada, a mostarda fenil-alanina, a ciclofosfamida, o bussulfam, as nitrosuréias, a cisplatina e o seu análago carboplatina, e a ifosfamida. Os antimetabólitos afetam as células inibindo a biossíntese dos componentes essenciais do DNA e do RNA. Deste modo, impedem a multiplicação e função normais da célula. Esta inibição da biossíntese pode ser dirigida às purinas (como é a ação dos quimioterápicos 6-mercaptopurina e 6-tioguanina), à produção de ácido timidílico (5-fluoruracil e metotrexato) e a outras etapas da síntese de ácidos nucléicos (citosina- arabinosídeo C). Os antimetabólitos são particularmente ativos contra células que se encontram na fase de síntese do ciclo celular (fase S). A duração da vida das células tumorais suscetíveis determina a média de destruição destas células, as quais são impedidas de entrar em mitose pela ação dos agentes metabólicos que atuam na fase S. Como pode ser deduzido, as diferenças entre a cinética celular de cada tipo de tumor pode ter considerável efeito na clínica, tanto na indicação quanto no esquema de administração desses agentes Fator angiogênico associado ao tumor Atóxica in vitro Os inibidores mitóticos podem paralisar a mitose na metáfase, devido à sua ação sobre a proteína tubulina, formadora dos microtúbulos que constituem o fuso espiralar, pelo qual migram os cromossomos. Deste modo, os cromossomos, durante a metáfase, ficam impedidos de migrar, ocorrendo a interrupção da divisão celular. Esta função tem sido útil na "sincronização" das células quando os inibidores mitóticos são combinados com agentes específicos da fase S do ciclo. Devido ao seu modo de ação específico, os inibidores mitóticos devem ser associados a outros agentes para maior efetividade da quimioterapia. Neste grupo de drogas estão incluídos os alcalóides da vinca rósea (vincristina, vimblastina e vindesina) e os derivados da podofilotoxina (o VP-l6, etoposídeo; e o VM-26, teniposídeo) Antibióticos são um grupo de substâncias com estrutura química variada que, embora interajam com o DNA e inibam a síntese deste ácido ou de proteínas, não atuam especificamente sobre uma determinada fase do ciclo celular. Apesar de apresentarem tal variação, possuem em comum anéis insaturados que permitem a incorporação de excesso de elétrons e a consequente produção de radicais livres reativos. Podem apresentar outro grupo funcional que lhes acrescenta novos mecanismos de ação, como alquilação (mitomicina C), inibição enzimática (actinomicina D e mitramicina) ou inibição da função do DNA por intercalação (bleomicina, daunorrubicina, actinomicina D e adriamicina e seus análogos mitroxantona e epirrubicina). Como todos os quimioterápicos, os antibióticos atuam tanto sobre as células normais como sobre as malignas. Por isso, também apresentam efeitos colaterais indesejáveis Algumas drogas não podem ser agrupadas em uma determinada classe de ação farmacológica. Entre elas, destacam-se a dacarbazina, indicada no tratamento do melanoma avançado, sarcomas de partes moles e linfomas; a procarbazina, cujo mecanismo de ação não foi ainda completamente explicado, e que é utilizada no tratamento da doença de Hodgkin; a L-asparaginase, que hidrolisa a L- asparagina e impede a síntese protéica, utilizada no tratamento da leucemia linfocítica aguda Farmacologia Integrada Roberto DeLucia Ricardo m de Oliveira-Filho Cleopatra S Planeta Marcia Gallacci Maria Christina W de Avellar Terceira edição, Editora Revinter, 2008 Farmacologia Ilustrada Richard D Howland Mary j Mycek Terceira edição, Artmed Editora, 2007