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APOSTILA
CND - Curso Normal à Distância
(21) 3347-3030 / 2446-0502
Literatura Infantil e 
Produção de Texto 
 
2 
 
 
 
Sumário 
 
Introduçâo ............................................................................................................ 3 
1. Funções da leitura. ........................................................................................... 5 
1.1. Leitura como ato político ..................................................................... 5 
1.2. O importante papel do leitor- apreendendo o sentido do texto .................. 7 
2. A concepçâo escolar da leitura. ..................................................................... 14 
2.1. Repensando a alfabetização ................................................................... 15 
2.2. A formação acadêmica do professor-leitor .............................................. 22 
2.3. O professor conhecendo a caminhada do aluno como leitor ................... 27 
2.3.1. Desenvolvendo significados para o mundo ....................................... 28 
3. A construção do sentido do texto. .................................................................. 34 
3.1. Ajudando a estabelecer os sentidos do texto .......................................... 37 
4. Contando histórias e falando de poesia ......................................................... 42 
4.1. A história de contar histórias .................................................................... 42 
4.2. História da literatura infantil ..................................................................... 46 
4.3. A história da literatura infantil no Brasil .................................................... 53 
4.4. A poesia infantil ....................................................................................... 61 
4.4.1. Alguns poetas em destaque .............................................................. 62 
4.4.2. A poesia e o trabalho do professor .................................................... 68 
5. Viabilizando a formação de leitores-escritores ............................................... 71 
5.1. Reafirmando a importância da produção de textos. ................................ 71 
5.2. Projeto didático e formação de leitor ....................................................... 75 
5.3. A importância da biblioteca escolar. ........................................................ 80 
5.4. O jornal em sala de aula .......................................................................... 87 
5.4.1. Que outras características jornalísticas precisam ser trabalhadas em 
classe? ........................................................................................................ 91 
Referências bibliográficas .................................................................................. 94 
 
 
3 
 
 
 
INTRODUÇÂO 
 
Olá aluno e aluna do IECS 
 
. O tema da apostila que trabalharemos é a Literatura e a produção de 
texto. Nossa introdução é um convite ao encantamento. 
 Desenvolver as habilidades de leitura e escrita nos alunos é tarefa 
primordial da escola. 
 Que responsabilidade temos, nós da escola com, por exemplo, o retrato 
do ENEM 2014/15 onde apareceram uma enormidade de notas zero na 
redação? Ou num universo de apenas 250 alunos ou 0,004 % de estudantes 
tirando a nota máxima? 
 Os depoimentos dos alunos bem sucedidos apontam alguns caminhos. 
Há os que se dedicaram a escrever textos em oficinas para produção de texto, 
há os que atribuem o sucesso obtido à leitura variada de jornais, revistas e 
livros, há em aqueles que se referem ao costume de ler desde muito cedo, 
outros se referem a uma técnica para fazer redação e desenvolver ideias. Há 
alguns alunos que lembraram da importância de "costurar ideias,não só lançá-
las separadas no texto". 
 Assim precisamos, desde cedo, a partir da Educação Infantil, tratar de ir 
conquistando leitores, à medida em que envolvemos o aluno no mundo 
encantado da Literatura. O educador que vivencia de perto a evolução da 
criança sabe a importância do contato com textos recheados de encantamento. 
 Ler é também um ato político, pois através do conhecimento ampliado 
pela leitura crítica , vamos nos constituindo como cidadãos. 
 Dessa maneira nossa apostila visa tratar de aspectos que o auxiliarão na 
tarefa pedagógica de formar leitores - escritores que apreciem a leitura e o bem 
escrever . 
 
4 
 
 
 
 O capítulo 1 trará aspectos relativos às funções da leitura e ao que 
devemos ou não fazer para auxiliar, através da leitura, o aluno a conhecer cada 
vez mais e a entender os sentidos do texto. 
 O capítulo 2 abordará a concepção de leitura na escola e a importância 
da formação acadêmica do professor- leitor que precisa gostar de ler. 
 O capítulo 3 trata especificamente do trabalho de construção de sentido 
do texto, mostrando que esse sentido não é só do escritor nem só do leitor e 
está entrecortado por histórias de vida e até pelo suporte onde se veicula o 
texto. 
 O capítulo 4 trará todo o encantamento da história da literatura, 
destacará autores importantes na Literatura Infantil no mundo e no Brasil e 
abordará o universo encantado da poesia. 
 O capítulo 5 descreve atividades tais como projetos de leitura, uso de 
jornal na escola e a importância da Biblioteca escolar. 
 A leitura deste material pretende, enfim, que você utilize esse recurso do 
modo mais adequado e consiga tornar seu aluno um leitor consciente do mundo 
que se abre para ele com essa atividade 
 
 
 
5 
 
 
 
 
1. FUNÇÕES DA LEITURA. 
 
Neste primeiro momento do nosso material a respeito de 
Literatura e produção de texto iniciamos apresentando reflexões a 
respeito da importância da leitura. Podemos considerar a leitura 
essencial para a aprendizagem do ser humano, pois é at ravés dela que 
podemos enriquecer nosso vocabulário, obter informações, dinamizar o 
raciocínio e a interpretação, enfim auxiliar no conhecimento da 
realidade. 
 
 
 
 
 
 
 
1.1.Leitura como ato político 
 
Não entender e não ser capaz de interpretar o que lê equivale a 
constatar no leitor o atrofiamento de sua qualidade humana de atribuir 
sentidos, cada vez mais complexos, aos signos da realidade. É impor 
limites à sua relação com o mundo. É condenar a pessoa a assumir os 
valores de outros, ou ditados oralmente com o poder da voz. É 
incorporar a história dos outros como se fosse a sua própria. Enfim, é 
alienar o indivíduo de si mesmo. 
O analfabetismo e a péssima constituição do leitor são 
responsáveis poderosos pela situação de desigualdade social no 
Brasil. Porém, a porcentagem elevada de analfabetismo no Nordeste, 
Ao final da leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes 
competências e habilidades 
Avaliar a importância da leitura como ato político. 
Reconhecer os descaminhos que a escola toma no tocante ao preparo do 
aluno para a leitura . 
Identificar as possibilidades de melhor trabalhar na escola com a leitura e a 
escrita 
 
6 
 
 
 
por exemplo, isoladamente não explica a miséria. O Sul e o Sudeste, 
com índices bem mais baixos,também não apresentam quadro social 
mais animador. O que confirma que alfabetizar nem sempre produz 
indivíduos capazes de lidar com os textos da realidade. Urge proceder 
a um trabalho de "leiturização", no dizer do educador francês 
Foucambert. O que isso significa? 
Trata-se de capacitar leitores a atuarem como produtores de 
sentidos, aptos a estabelecerem diálogos produtivos com os textos, 
neles fazendo atuar concordâncias e diferenças, sem perder de vista 
que a linguagem aponta sempre para o sujeito e para o mundo. E, 
principalmente, ligados indissoluvelmente à leitura, que passa a 
integrar suas necessidades diárias. 
A leitura não tem o poder de intervir diretamente na crise social 
do país. O livro não enfrenta, de igual para igual, as decisões políticas 
e governamentais. Suas mudançasprocessam-se internamente, 
dependem exclusivamente da relação entre os sujeitos do ato de ler - 
autor e leitor, intermediados pelo texto. 
A escola, mesmo que realize um trabalho competente de 
formação, não conseguirá consolidar o leitor sem o respaldo da 
sociedade que a sustenta. 
Ler as linguagens da realidade e, especialmente, ler os livros, 
implica o resgate da cidadania, uma vez que conscientizam o leitor do 
poder de criar sentidos para os textos que se apresentam, a cada 
passo do cotidiano. 
A amplitude do alcance social e individual da literatura 
completa-se com o prazer interior despertado pelo contato com a 
beleza da criação artística. Cabe, porém, perguntar, sem preconceitos 
e sem argumentos falsos, como a escola tem patrocinado o encontro 
do leitor com essa revelação. 
 
7 
 
 
 
Ser leitor é um importante passo para a conscientização de todo 
cidadão. A partir dessa perspectiva Evangelista (1999) afirma que a 
leitura: é responsável pela construção de um mundo de referências que 
dão sentido à existência humana. A atividade de leitura é posta como 
um ato político. (p. 121-122). Sendo considerada como ato político 
temos maior clareza, em entender qual é a função que o leitor pode e 
deve assumir, na relação com o conhecimento. 
 
1.2. O importante papel do leitor- apreendendo o sentido do texto 
 
É interessante também citar que o ato de leitura envolve um 
conjunto de histórias de leituras do texto e do leitor, apontando para o 
ineditismo de sentidos renovados, assim estamos colocando que você 
como leitor ,em diversas situações pode dar sentidos diversos ao 
texto. Da mesma forma a nossa subjetividade pode nos fazer ler um 
texto de forma diversa de outra pessoa. 
Por muito tempo, a função do leitor reduzia-se a interpretar uma 
suposta vontade, expressa pelo autor no texto sob análise. Era muito 
frequente na escola a pergunta: "O que o autor qu is dizer neste texto?" 
Hoje, as teorias da recepção de textos deslocam a importância do 
papel exercido pelo sentido e significado do texto para o receptor, isto 
é, o leitor. 
Considera-se que um livro fechado não existe, não tem vida. 
Quem lhe dá força e sobrevivência é a leitura, ação praticada por um 
leitor. Dessa forma, o leitor deixa de ocupar um papel secundário, 
subordinado à vontade do autor e/ou do texto, para ocupar o papel 
principal de fonte de sentidos. 
Um texto que não pode ser compreendido, também não existe. 
E as palavras de um texto vão recebendo os sentidos que um leitor, 
 
8 
 
 
 
motivado por elas, lhes atribui. Mais ainda, os estudos recentes de 
Linguística e da Análise do Discurso afirmam que os significados das 
palavras são flutuantes e variáveis. Dependem do contexto cultural e 
pessoal, das palavras que compõem o restante do texto, da 
experiência de vida e leitura do leitor e assim por diante. 
O resultado é que o sentido flutua e, ao ler, o sujeito leitor 
projeta, sobre a materialidade das palavras, significados que se 
alteram de leitor para leitor — nem sempre com muita diferença, mas 
sempre com nuances, com pequenas distinções, frutos da 
individualidade de cada leitor. 
Essa nova posição teórica vem alterar substancialmente o 
trabalho escolar com a leitura, que passa a valorizar muito mais a força 
e a capacidade do leitor de construir sentidos diferenciados, para os 
textos que lê. Experimente ler o mesmo texto em situações diferentes 
de sala de aula. Ou em momentos diferentes do ano. Ou em anos 
diferentes. O texto será o mesmo, mas as interpretações de um mesmo 
leitor serão, sem dúvidas, diferentes. Esse simples teste comprova a 
mobilidade dos sentidos e a vitalidade dos textos. Vitalidade, porque 
há uma renovação permanente na leitura de textos, o que determina a 
dinamicidade no processo de leitura e a impossibilidade de declarar 
que uma interpretação é definitiva e/ou fechada. 
Podemos entender, pois, que qualquer texto tem um sentido em 
aberto. Cabe ao leitor selecionar os sentidos, a partir de sua 
experiência com as palavras, e montar um conjunto coerente que 
produza a interpretação que satisfaça aos objetivos colocados no início 
da leitura. 
É diferente buscar um sentido quando se é obrigado a extrair do 
texto palavras isoladas (adjetivos, por exemplo) ou quando o aluno 
procura responder a perguntas de respostas óbvias como: Quantos 
 
9 
 
 
 
porquinhos o Lobo Mau comeu? Por que a história se intitula O Gato de 
Botas? E assim por diante. 
Cabe ao professor promover inteligentes, instigantes e 
polêmicas perguntas, sobre diferentes perspectivas do texto, para que 
os alunos possam exercitar sua capacidade de 
compreensão. 
Devemos considerar que caso tratemos o texto como um 
conjunto de elementos gramaticais, o que ocorre quando o professor 
utiliza o texto para desenvolver uma série de atividades gramaticais, há 
um isolamento do texto, uma fragmentação e um desvio de função, 
uma vez que a compreensão da ideia geral, da visão de mundo 
expressa acaba por se perder. Consequentemente, a realização de 
uma leitura significativa para o aluno fica perdida. 
Muito embora alguns livros didáticos utilizem com frequência 
essa concepção, com o foco na gramática, ela contribui para o 
desinteresse e o desestímulo do leitor para a leitura, uma vez que um 
texto é muito mais do que um conjunto de fatos gramaticais. Ele visa 
comunicar ideias, provocar efeitos no leitor, registrar acontecimentos 
ou pensamentos. 
Tanto a pergunta "Qual é a mensagem do texto?" quanto a 
ordem "Vamos ler palavra por palavra, para depois interpretar" são 
questões equivocadas do ponto de vista teórico. Essa atitude tem tudo 
para produzir um leitor passivo e acomodado. Ou ainda, um leitor 
 
10 
 
 
 
insatisfeito, porque se descobre incapaz de chegar ao todo da 
significação do texto, porque somente consegue trabalhar com partes e 
fragmentos. 
Por outro lado devemos conscientizar o aluno da 
intencionalidade do autor, refletida na escolha das 
palavras. 
Substituir aquela palavra escolhida pelo autor por um sinônimo, 
que mais ou menos mantém o sentido original, vai contra essa 
conscientização. A solicitação de sinônimos e antônimos 
descontextualizados representa bem a imagem desva lorizada do texto. 
Ela é apenas a listagem de palavras que se tornam pouco 
significativas. 
Também é criticada a atividade na qual o aluno deve responder 
a uma pergunta sobre o texto ou a que apenas recomenda a procura 
trechos que repitam o material já decodificado da pergunta. Essa 
atividade em nada modifica a visão de mundo do aluno, sendo , 
portanto, pobre e desestimulante. 
A linguagem não funciona dessa maneira isolada: ela é 
associativa, uma rede de sentidos. .O professor erra, mais ainda, ao 
deixar de investigar, com maior profundidade, o pensamento expresso 
no texto. Em lugar desse questionamento, o professor transfere ao 
aluno a capacidade de opinar: sem que o estudante tenha sequer 
compreendido o texto. De repente o professor começa a pedir a 
 
11 
 
 
 
opinião do aluno, o posicionamento crítico, a concordância ou 
discordância com o autor, sem que o aluno esteja preparado para isso. 
É igualmente negativa para a intenção de formar um bom leitor, 
aquela atitude que transforma a leitura, principalmente aquela em voz 
alta, em forma de avaliação de compreensão. Também é um erro 
avaliar se o aluno realmente leu silenciosamente o texto indicado, por 
meio de uma prova ou questionário. Tudo isso fica muito distante da 
atitude que visa incentivar a leitura. 
Reafirmamos essa ideia, citando Kleiman (2000, p. 23).: 
"Resumos, relatórios e preenchimentos de fichas representam a 
redução da atividade(de leitura) a uma avaliação desmotivadora”. 
(KLEIMAN, 2000, p. 23). 
A leitura medida por páginas, realizada sem objetivos, para 
atender à ordem do professor ou à cobrança, age negativamente sobre 
o aluno e impedeque o texto seja significativo para ele, para sua 
aprendizagem, para sua vida. 
O importante é ter em mente que qualquer texto, oral ou escrito, 
tem uma intencionalidade. Visa informar, persuadir, influenciar o 
interlocutor e somente o fará na medida em que o leitor possa interagir 
com ele, confrontando os objetivos e intenções do autor com as suas 
próprias. 
Desde cedo quando vamos trabalhando a Literatura Infantil com 
o aluno, vai-se formando essa habilidade e o leitor ou ouvinte vai 
interagindo com o texto, relacionando o seu conteúdo com a sua 
vivência ou com outras leituras às quais tenha tido acesso. 
 
12 
 
 
 
 
Vamos transcrever um pequeno trecho do conto “Dona Cotinha, 
Tom e Gato Joca” de Cleo Busatto que é escritora, mestre em Teoria 
Literária e consultora de literatura infanto-juvenil. 
 
Em frente à minha casa tem outra casa, pequena, de madeira, 
azul, com janelas brancas. Está no fim de um terreno enorme com 
muitas árvores. Para mim aquilo é o que chamam de floresta. Tom diz 
que é um quintal. Ali mora Dona Cotinha, uma velhinha que tem 
cabelos lilás e dirige um fusquinha vermelho. Esse passou a ser meu 
esconderijo. Dona Cotinha sempre aparece com um prato de comida e 
diz: 
- Vem, gatinho. Olha só o que eu trouxe para você! 
 
 
A partir de uma leitura como esta, a criança poderá dar asas à 
imaginação, pensando como é uma floresta para ela, qual a diferença 
entre floresta e quintal, qual a comida que vem no pratinho para o gato, 
enfim, tantas coisas. Além disso, há o desenvolvimento do gosto pela 
leitura, à medida que o pequeno leitor percebe o prazer de entrar no 
mundo da fantasia. 
 
13 
 
 
 
Atividade: 
Comente o texto de Maria Bernardete Abaurre, apresentando as 
funções da leitura. 
Se o objetivo do trabalho com a leitura de textos é a constituição de 
leitores com uma gama variada de habilidades de leitura, de leitores capazes 
de ler para informar; para estudar e entender o ponto de vista de um autor: 
para compará-lo com o de outros autores; para buscar e construir novos 
conhecimentos; para fruir, apreciar e refletir sobre o conteúdo, a estrutura 
textual ou os recursos de linguagem utilizados; para relacionar o texto lido 
com outros; para criticar aspectos do texto ou da realidade que retrata etc., o 
aluno deve ser exposto a textos reais (e não artif icialmente construídos, para 
enfatizarem "um problema de ordem gramatical" ou "temático"). 
(ABAURRE,1997,p.10) 
 
 Esse capítulo inicial nos apresentou uma 
reflexão sobre a importância política da leitura. Sendo a leitura uma 
forma de descortinar a realidade, fica evidente que a tarefa da escola 
na constituição de bons leitores. Assim há uma série de 
recomendações e lembretes sobre as armadilhas que devemos evitar 
no trabalho de formar bons leitores. A seguir a temática vai apontar 
sobre as responsabilidades da escola e do professor no 
desenvolvimento de correta concepção de leitura. 
 
 
 
14 
 
 
 
2. A CONCEPÇÂO ESCOLAR DA LEITURA. 
 
A entrada da criança na escola corresponde a uma formalização 
no aprendizado, que ela já havia iniciado desde o nascimento. Mas na 
escola há formas mais específicas de se apresentar o conhecimento. É 
sobre a inserção do aluno no mundo da leitura e do papel do professor 
no tocante a esse aspecto, que trataremos nesse capítulo. 
 
 
 
 
 
 
No tocante à leitura e produção de textos esses aspectos e 
objetivos se acentuam. O texto abaixo reforça essa ideia: 
A escola é uma instituição em que o fluxo das tarefas e das ações é 
ordenado através de procedimentos formalizados de ensino e de organização 
dos alunos em categorias (idade, grau, série, tipo de problema etc.) que 
determinam um tratamento escolar específico (horários, natureza e volume 
de trabalho, lugares de trabalho, saberes a aprender, competências a 
adquirir. modos de ensinar e de aprender, processos de avaliação e de 
seleção etc.). É a esse inevitável processo - ordenação de tarefas e ações, 
procedimentos formalizados de ensino, tratamento peculiar dos saberes pela 
seleção, e consequente exclusão de conteúdos, pela ordenação e 
sequenciação desses conteúdos, pelo modo de ensinar e de fazer aprender 
esses conteúdos - é a esse processo que se chama escolarização, processo 
inevitável, porque é da essência mesma da escola, é o processo que a 
institui e a constitui.(SOARES, 1999, p. 21). 
 
A atuação da escola na formação de leitores de primeiras letras 
Ao final da leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes 
competências e habilidades 
Reconhecer a importância do papel e formação do professor como leitor 
diante da concepção de leitura na escola . 
Identificar as mudanças de paradigma no tocante à alfabetização. 
Reconhecer na transdisciplinaridade as possibilidades de trato dos 
conhecimentos de todas as disciplinas tendo como suporte a leitura. 
 
 
15 
 
 
 
pode, entre outros aspectos, resultar em acréscimo significativo de 
valores humanos. 
A iniciação da criança nas habilidades de leitura abre -lhe portas 
ao conhecimento. A competência de leitura, adquirida nas trocas que, 
enquanto leitor, ela realiza, aperfeiçoa-se ao longo da vida e pode 
mantê-la conectada a toda produção do pensar, agir e criar, realizada 
pela humanidade e registrada em formato de textos escritos. A força 
dessa aprendizagem constrói consciências e atitudes eficazes ao longo 
da vida. 
 
2.1. Repensando a alfabetização 
Por essas razões, a necessidade de realizar uma alfabetização 
eficaz torna-se essencial e é uma tarefa da qual a escola não pode 
abrir mão. São inúmeras as circunstâncias que interferem no 
cumprimento desse objetivo, mas alguns cuidados devem ser tomados 
para facilitar a aprendizagem e auxiliar a formação de leitores 
competentes. 
 
16 
 
 
 
 
O conceito de alfabetização ampliou-se como explica Resnick, 
citada por Colomer e Campos(2002,p 16). Segundo o autor a 
alfabetização deixou de ser apenas "mera capacidade de firmar ou de 
ler uma mensagem simples", para ser uma "leitura de novo material e 
recopilação de novas informações a partir de um material". 
 
 
Fonte da imagem: http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/album/2013/01/18/dia-
de-chuva-na-praia-veja-brincadeiras-para-distrair-as-criancas-dentro-de-casa.htm 
 
A criança já traz para o ambiente escolar a consciência da 
importância do desempenho linguístico oral, para a obtenção de uma 
melhor comunicação e interação com os demais membros da 
comunidade em que se insere. Portanto, já conhece algumas regras 
básicas da linguagem, que a constituem como sujeito e como 
participante de relações com outros sujeitos. Já domina intuitivamente 
uma série de normas e procedimentos linguísticos que a auxiliarão a 
penetrar no reino das palavras em sua representação escrita. 
O professor sabe que a língua, produto do trabalho de sujeitos 
sócio-histórico-culturalmente marcados, guarda as marcas da história 
 
17 
 
 
 
da sua constituição, visíveis nas variedades linguísticas que convivem 
no espaço marcadas pela classe/grupo social, pela origem regional, 
pelo contato maior ou menor com a escrita, pela própria subje tividade e 
que se sucedem no tempo. Há algumas formas marcadas pela variação 
da linguagem na linha do tempo, e que se pode encontrar convivendo 
no mesmo espaço, quando, por exemplo, se compara a linguagem 
usada pelas gerações mais velhas com a linguagem dos jovens. 
É nessa diversidade e mobilidade da língua, em que a criança já 
se encontra inserida, que se dará sua iniciação na forma escrita que 
representa a linguagem sem ser dela transcrição. Isto é, embora esteja 
ligada ao oral, a escrita apresenta-se com leis próprias, que devem ser 
exercidas e exercitadas para que a aprendizagem se concretize. 
Além do mais, quem fala uma modalidade de língua, seja ela 
qual for. tanto será mais competente quanto mais habilidosoem 
distinguir onde, por quando e de que maneira poderá servir -se dessa 
ou de outra qualquer modalidade. A capacidade de adequação é 
condição inerente ao falante. eficaz. 
Para iniciarmos o processo de alfabetização precisaremos levar 
em conta, portanto, a variedade da língua oral , bem como escrita 
consideradas princípio básico de aprendizagem e desempenho. 
 
Assim como para aprender a produzir textos, a criança deve 
dominar o código da escrita, saber o que dizer, ter razões para dizer, e 
ter claro um interlocutor. A leitura de textos escritos por outros tem 
determinações semelhantes. 
A leitura não pode ser cartilhesca, isto é, exercida sobre textos 
construídos com a finalidade de servir de apoio a atividades e 
exercícios de língua, que tem uma construção fragmentada, de frases 
sem coerência e sem sentido, construídas como narrativas que nada 
 
18 
 
 
 
digam ao imaginário infantil, nem respondem às expectativas desse 
público. 
 
É muito frequente o professor de séries iniciais utilizar textos 
alheios, apresentados nos livros didáticos. Sobre eles, recai a crítica 
da padronização e da facilitação, uma vez que são criados e 
executados para atender crianças-padrão, sem levar em conta as 
diferenças individuais, sociais e regionais.. Também é por demais 
conhecida a padronização das informações e exercícios, muitas vezes 
sem o devido apoio teórico, numa predileção por jogos e brincadeiras 
que deixam em segundo plano a aprendizagem mais sistemática e 
científica. 
 
O início do Ensino Fundamental é essencia l para os alunos 
desenvolverem autonomia para se tornarem leitores. É importante 
trabalhar com gêneros variados que vão sendo introduzidos, de acordo 
com a faixa etária, com as características locais e com o momento que 
os alunos vivem. 
 
Atualmente, os professores se preocupam em descobrir modos 
de incentivar a leitura, muito além das técnicas de alfabetização, uma 
vez que buscam criar uma nova visão do trabalho com os textos. A 
presença da literatura entre as tarefas da escola produz um contínuo 
questionamento a respeito de estratégias para levar os alunos aos 
textos, sobre técnicas de leitura, diversidade dos textos escritos e 
desenvolvimento de estreitas relações de curiosidade, desempenho e 
satisfação, no que se refere à literatura. 
 
19 
 
 
 
 
O problema da sociedade contemporânea está mais no 
iletramento, do que no analfabetismo, uma vez que, pelo menos nos 
países industrializados, há um avanço na escolaridade universalizada, 
mas um crescimento assustador nos índices de analfabetismo funcional 
que se caracteriza pela incapacidade do leitor/escritor de fazer até 
mesmo uma simples correspondência entre o oral e o escrito, enfim de 
compreender o que leu. 
Transcrevemos uma definição para iletramento: "a incultura da 
escrita, o desconhecimento tanto do que ela produz e transforma, como 
dos meios de ter acesso a ela e dela participar"(FOUCAMBERT, 1997, 
p. 13). 
Os índices de analfabetismo funcional têm crescido rapidamente 
no Brasil. Fatores diversos podem ser apontados, desde a formação 
deficiente no período escolar, a baixa escolaridade, o desinteresse 
pela leitura na sociedade, causado sobretudo pelo desprestígio da 
escrita e do magistério, a concorrência entre a leitura e todos os meios 
de comunicação de massa, a onipresença do computador, a 
desvinculação criada entre o diploma e o sucesso em diversas 
carreiras, a criação artificial de ídolos semi-alfabetizados, o preço do 
papel e dos insumos necessários à impressão, que encarecem 
demasiadamente o livro, políticas equivocadas de incentivo à leitura e 
muitos outros. 
Há um autor que chega a afirmar que a boa leitura "é um 
recurso contra o absurdo da condição humana." . Por quê ? Pelas 
possibilidades de conscientização que a leitura , feita de forma 
adequada, proporciona. 
Essa interpretação socio-ideológica da leitura, faz sobressair a 
importância da atuação do professor para auxiliar a criação de uma 
 
20 
 
 
 
sociedade diferente e menos resignada. 
Desloca o foco de um trabalho de 
formação do leitor de esquemas de 
alfabetização, para exercícios e 
vivências de Ietramento. Sobre ser 
letrado tratamos longamente no material 
sobre Metodologia da Alfabetização. Se 
precisar reavivar sua memória , basta 
relê-lo. 
 
Muito tem-se falado, na educação 
contemporânea, da necessidade de fazer 
interagir as diferentes áreas do 
conhecimento. Esse processo, 
denominado interdisciplinaridade, vem 
sendo defendido pelos mais importantes 
educadores do século XX (Paulo Freire, 
Vygotsky, Emília Ferrero entre outros). 
A influência desses pensadores 
tem determinado comportamentos e 
atividades ao longo dos últimos anos, na 
busca por melhorar e aperfeiçoar o 
conhecimento e as práticas educativas. 
Mas, o viés epistemológico 
comum a todos essas possibilidades de 
trato do conhecimento está apoiado na 
leitura. É ela que se configura numa 
prática transdisciplinar, que mantém 
unidas e coesas todas as ciências e todo o sistema que delas trata, em 
Os hipertextos, seja online ou offline 
são informações textuais 
combinadas com imagens, 
sons, organizadas de forma a 
promover uma leitura (ou 
navegação) não-linear, 
baseada em indexações e 
associações de ideias e 
conceitos, sob a forma de 
links. Os links funcionam 
como portas virtuais que 
abrem caminhos para outras 
informações. O hipertexto é 
uma obra com várias 
entradas, onde o 
leitor/navegador escolhe seu 
percurso pelos links. 
Leia mais em:< 
http://www.webartigos.com/ar
tigos/o-que-e-
hipertexto/63870/#ixzz3Qg7D
Ocmx > 
Lembrete 
Um texto pode ser 
escrito ou oral e pode ser 
também não verbal. 
 
 
 
http://www.webartigos.com/artigos/o-que-e-hipertexto/63870/#ixzz3Qg7DOcmx
http://www.webartigos.com/artigos/o-que-e-hipertexto/63870/#ixzz3Qg7DOcmx
http://www.webartigos.com/artigos/o-que-e-hipertexto/63870/#ixzz3Qg7DOcmx
http://www.webartigos.com/artigos/o-que-e-hipertexto/63870/#ixzz3Qg7DOcmx
 
21 
 
 
 
especial no âmbito escolar. 
Dessa forma, a transdisciplinaridade converteu-se no fio que 
enlaça e dá solidez ao conhecimento. Não importa qual o suporte que a 
veicula (o livro, o hipertexto, os textos culturais não verbais), a leitura 
é entendida enquanto uma atividade de construção de sentido . 
A História, a Filosofia, a Arquitetura, a Informática, a Medicina, 
a Psicologia, a Educação, a Literatura, a Administração, a Gestão de 
Negócios, o Direito, enfim, todos os campos do saber, dos mais 
informatizados aos mais estreitamente dependentes da tecnologia do 
livro, todos eles têm na leitura a forma de aprender a refletir e 
conhecer. 
Estão, portanto, indissoluvelmente ligados pela interpretação e 
pelo atuante papel do leitor. Daí que a leitura se converte numa 
disciplina nova,que atravessa todas as demais, uma transdisciplina, um 
novo campo do saber científico. 
Atividade: 
Explique o texto sobre transdisplinaridade : 
Novos espaços de conhecimento são gerados, passando-se, 
assim, da interação das disciplinas à interação dos conceitos e, daí, à 
interação das metodologias. A transdisciplinaridade realiza-se em uma 
problemática "transversal", "através" e "além" e dissolve -se em seu 
objeto..(CELANI,1998.p.133) 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
 
2.2. A formação acadêmica do professor-leitor 
 
A Educação pressupõe dois parceiros fundamentais e que, 
necessariamente, devem interagir: o professor e o aluno. No trabalho 
de formação do leitor, consideram-se sempre as bases teóricas que 
fundamentam a atividade docente. 
Para que possamos pensar na leitura na escola, em sentido 
amplo, não devemos desconsiderar a formação do professor, um dos 
principais agentes de formação de leitores. Por essa razão, é preciso 
avaliar os fundamentos, conhecimentos e objetivos que servem de 
parâmetros para o trabalho docente e que, portanto, constar da suaformação. 
Podemos verificar no Brasil alguns resultados positivos de 
estudos a partir do registro das vozes, suas concepções de mundo e 
seus percursos dos professores. 
Um interessante depoimento de uma professora-alfabetizadora, 
dado a uma pesquisadora, bem resume a história de envolvimento com 
a leitura de muitos professores brasileiros. Vamos reproduzir aqui as 
falas dessa professora e da pesquisadora. Estamos usando o P para 
identificar as respostas da professora e E para identificar a 
pesquisadora como entrevistadora. 
Para preservar a ideia do trabalho utilizamos a linguagem 
coloquial comum na fala. Não nos preocupamos em fazer a correção 
ortográfica do texto. 
 
23 
 
 
 
P[professora] - Eu não me lembro dos meus pais lerem alguma 
coisa prá mim, não. Não, meus pais, acho que não. Ele, meu pai, 
brincava muito comigo. É, aquela brincadeira "balança caixão", né ? 
Essas coisas ele brincava demais. É, minha mãe... não me lembro 
assim de minha mãe brincar com a gente assim, nem tanto. Mais era 
meu pai. Mas de leitura, não. Acho que leitura, nem um pouco. Me 
lembro assim de jornal. Aos domingos tinha, mas não me lembro se ele 
mostrava alguma coisa. Acho que, não sei. Eu acredito que a parte de 
alfabetização era mais a escola. Eles deixavam essa parte prá escola 
mesmo, não tinha incentivo em casa. 
E- [a pesquisadora] - Nem Bíblia, nada? 
P- Sempre teve, sempre teve. 
E- Então, por que eu to perguntando leitura, é... 
P- Geral, tá. Sempre teve Bíblia em casa [...] 
E- Então eles liam? 
P- Liam, liam. 
E- Então, por que é justamente aí que eu to... 
P- Ah! Tá! Eu to entendendo [...] Não, isso tem. Isso sempre 
teve. Meu pai sempre leu jornal, é, minha mãe a Bíblia, liv ro mais, 
assim, religioso [...] Desde pequena. Isso eu me lembro, bastante [...] 
E- Você falou que na sua casa tinha muita música? 
 P- Minha mãe sempre cantou muito. Música de igreja, ou 
música, qualquer música assim que a gente tem, que eu lembre, né, de 
artista. Gostava de escutar aquelas rádios, que tem até hoje, né? . 
Então isso tem, sempre teve sim. Muitos discos... 
E- Vocês acompanhavam, às vezes? Que às vezes tinha escrito. 
P- Tem isso, aqueles folhetos, tem, tem, tem. 
E- Aqueles livretos. Prá dá um exemplinho. 
P- Isso, tinha, lia. Sempre tivemos. 
E- E isso era comum? 
P- Comum, comum. Mesmo na escola eu era, eu sempre 
participava de teatro. Até me lembro no pré, que teve a história de D. 
Batatinha e suas filhas e eu era D. Batatinha. E eu sempre, ass im, me 
destacava nessas coisas porque eu sempre gostei de decorar as 
coisas, de ler, jogral. Essas coisas, sempre eu tava no meio. Eu 
sempre gostei disso. (GUEDES PINTO, 2002, p.146/147). 
 
24 
 
 
 
Você percebeu neste depoimento, como a própria professora- 
desconhece que a leitura, de que trata a pesquisadora, se refere a 
qualquer tipo de escrito (Bíblia jornal, folhetos, dramaturgia) e não 
apenas à literatura de ficção.? 
À medida que a conversa se desenvolve, o conceito de leitura 
vai sendo esclarecido, e a professora acrescenta mais informações, 
alterando a fala inicial de que não havia leitura em casa de seus pais. 
As informações da professora dão conta de uma formação 
deficitária no ambiente doméstico, o que acaba influindo em sua 
formação docente, pois o repertório construído ao longo da vida indica 
os percursos de leitura e não pode ser descartado, passando a integrar 
um modo de ler e preferências pessoais (temas, estilos, tipos de 
textos) além de indicar as lacunas que exigirão preenchimento. 
 
E você aluno do IECS? Lembra de sua trajetória pessoal de 
Leitura? Como era na sua casa? 
 
Se a formação profissional, em nível de graduação, contiver e 
exigir requisitos específicos no campo da leitura - como disciplinas, 
atividades que exijam e multipliquem leituras, teorias atualizadas e 
adequadas, aplicações justas e criativas - haverá condições do 
professor resgatar e aperfeiçoar sua história de leitura e qualificar -se 
para um bom desempenho profissional. 
Mesmo tendo em conta as situações adversas, consideramos a 
dedicação e a persistência do professor e seu papel imprescindível no 
desenvolvimento das inteligências, na transmissão do saber acumulado 
ao longo dos séculos pela Humanidade, na formação do pensamento 
crítico, na experimentação de comportamentos de cidadania. 
Para que este papel se cumpra, é essencial a aprendizagem da 
 
25 
 
 
 
leitura, a descoberta de sua utilidade, a prática do intercâmbio 
constante com os textos. Para que esse trabalho possa realizar-se em 
sua plenitude, estará sempre presente a história pessoal do p rofessor-
leitor. O conhecimento dessa história permite que o professor possa 
lidar, com maior segurança, com a orientação e a formação de outros 
leitores. Por mais simples que o início da vida de leitor do docente 
tenha sido, ela deixou marcas indeléveis que estarão presentes em seu 
trabalho na escola. 
Convém lembrar, mais uma vez, que a leitura tem um poder 
conscientizador, que possibilita ao homem descobrir as suas 
representações do mundo. Que tal conhecer o depoimento de 
Lopes(1995)1 a esse respeito: 
Gosto de ler. Mas, se pensarmos que todos os gestos e todos os - 
poucos - movimentos que estão presentes na hora da leitura, e mais o 
imobilismo a que ela nos sujeita, fadigam-nos, fazem-nos doer as costas, a 
nuca, o dorso, os quadris, os olhos, por vezes entorpecem-nos as mãos... 
então, de onde vem o gosto? Haveria prazer no ato de ler? De qual prazer se 
fala, quando se fala no prazer da leitura? 
Sou uma leitora antiga. Isto quer dizer que leio há muito tempo, 
desde quando sobre mim se aplicou a máxima sentença pedagógica, 
definidora de destinos, "ela aprendeu a ler". Assim foi sentenciado, quando 
as primeiras palavras que me entraram pelos olhos e me saíram pela boca, 
quase simultaneamente - há especialistas que sabem o que se passa entre 
um momento e outro - foram: Olhem para mim. Eu me chamo Lili. Eu comi 
muito doce. Eu gosto tanto de doce! Vocês gostam de doce? Declamo isso, 
sem me importar se era mesmo assim que estava no cartaz à minha frente e 
na cartilha às minhas mãos. Somente muito tempo depois, apel idaram-me 
Lili; mesmo assim, aprendi a ler e até ganho a vida com isso, hoje. (LOPES, 
1995/2015) 
 
Dada a importância da presença da leitura na vida do leitor, 
convém que o professor tenha, em relação a sua própria formação, o 
cuidado de continuar, pela vida profissional afora, buscando na 
literatura a efetivação de leituras constantes. Mesmo que lacunas 
possam ter existido no início da sua vida de leitor, nunca é tarde para 
 
1
 http://www.unicamp.br/iel/memoria/projetos/ensaios/ensaio26.html 
 
26 
 
 
 
se reconsiderar. 
A preocupação com sua própria formação de leitor leva o 
professor ao melhor conhecimento do que é a história dos livros, da 
leitura, dos novos produtos existentes no mercado, apura o gosto 
pessoal e dá maior segurança ao trabalho de formação de leitores 
infantis e juvenis. 
Em virtude das deficiências, observadas no curso de magistério 
e no curso superior, o professor acaba apoiando-se no livro didático, 
com todas as suas falhas, para trabalhar com leitura. Constata -se, 
assim, um problema; os professores estão passando para seus alunos 
uma concepção muito limitada do processo de leitura. 
Uma outra questão que não pode ser esquecida diz respeito à 
figura do professor que não gosta de ler. Em função disso, as 
metodologias utilizadas nas aulas de leitura com as crianças e os 
adolescentes acabam sendo a repetição do que ele conheceu como 
"aula de leitura", pois não há conhecimento das teorias da leitura, nem 
a intenção de se formar leitores críticos e maduros. 
Assim, os professores devem procurar sempre novos caminhos 
de aperfeiçoamento pessoal, promovendo o progresso constante de 
seus alunos, juntamente com a evolução pessoal de leiturase 
conhecimentos. 
Concluindo nossa exposição sobre ser um professor leitor 
precisamos mudar o quadro expresso a seguir . Pesquisas comprovam 
que o professor-leitor crítico é raridade. Podem ser invocadas as mais 
variadas razões - falta de salário digno, tempo escasso, 
desinformação, lacunas na formação profissional - mas a verdade é 
que a constatação das fragilidades do sistema de ensino no Brasil 
passa, sem dúvida, pela pouca familiaridade com o livro, que não seja 
aquele de ligação direta com a profissão - e, mesmo assim, de forma 
 
27 
 
 
 
eventual. Ler as obras relacionadas somente com o exercício 
profissional não constitui um leitor. Ser leitor pressupõe sempre a 
capacidade de desempenhar-se bem em múltiplas escritas e a 
competência de ler entrelinhas. 
 
Como você , aluno do IECS, cursando o CND, explica o texto 
resumo que se segue? 
 
A prática docente deve estar orientada para dois tipos de 
atendimento, no que se refere à formação de leitores: a preocupação com o 
aluno - e, portanto, a seleção de textos adequados à sua idade e às funções 
da leitura na vida escolar e pessoal - e a preocupação consigo próprio, uma 
vez que nunca se completa nossa formação de leitores. 
 
 
 
 
 
2.3. O professor conhecendo a caminhada do aluno como leitor 
 
Antes mesmo de ver a luz do dia, o feto já reage aos estímulos 
do exterior, interpretando as reações maternas. Suas primeiras 
expressões de contato com o mundo indicam uma aprendizagem 
contínua, que se concretiza em risos, choros e satisfações, modos de 
interpretar a realidade que o cerca. 
Essa realidade deve-se ao fato de que a natureza, os homens e 
a sociedade constituem textos codificados e cumpre ao sujeito ir 
decifrando, isto é, lendo-os e interpretando-os, na medida em que vive. 
Desde os fenômenos naturais (a chuva, o sol, o frio, a noite, por 
exemplo) até as convenções sociais (como os rituais de amizade, 
 
28 
 
 
 
acasalamento, poder e a linguagem) tudo passa pela interpretação, 
São signos, isto é, representações que significam algo para alguém. 
Essa capacidade e ofício de ler sinais e linguagens do mundo, à 
exceção dos escritos, caracterizam o leitor. Portanto, ler e interpretar 
tornam-se sinônimos, à luz das teorias da linguagem. 
Para Martins (1994, p. 31) as teorias da leitura podem ser 
divididas em dois grandes grupos: 
Como decodif icação mecânica de signos linguísticos, por meio 
de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento estímulo -
resposta (perspectiva behaviorista cognitivo-sociológica) e como 
processo de compreensão abrangente, cuja dinâmica envolve 
componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, 
neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos (perspectiva 
cognitivo-sociológica). 
Apresente a síntese de ideias sobre as duas formas de encarar 
a leitura. 
 
 
 
 
 
2.3.1.Desenvolvendo significados para o mundo 
No percurso de significação do mundo, o sujeito vai percorrendo 
etapas. Há várias denominações e concepções dessas etapas. 
Uma delas, já apresentada, é a que prevê ao menos duas: o 
escritor e o leitor, conforme se considere o mundo e os escritos. 
Outra trata de três diferentes camadas, não necessariamente 
excludentes para os tipos de leitura : 
- a leitura sensorial - apoiada nos sentidos: o ver, o ouvir etc. 
 
29 
 
 
 
 - a leitura emocional - o poder que os textos têm de despertar 
emoções e sentimentos, incitando a fantasia e o inconsciente 
 - e a leitura racional - a capacidade de produzir e apreciar a 
linguagem, em especial a artística. 
Outros autores ao estudarem sobre a leitura tratam do 
analfabetismo, do analfabetismo funcional ou secundário, o leitor 
crítico, o leitor "expert" e o leitor erudito. 
Para compreender como se atinge, ou não, um determinado 
estágio de leitura, cumpre pensar nas características e estratégias que 
definem um leitor na sociedade em que vivemos. 
Na busca do texto prazeroso, fica evidenciada a oposição entre 
ele e a leitura obrigatória, ou aquela realizada apenas visando a 
avaliação. Defendida por uma pedagogia que se coloca como um novo 
paradigma no ensino, caracterizado pela valorização da subjetividade e 
a iniciativa pessoal, além da preservação da história pessoal de vida, o 
trabalho com a leitura na escola tem procurado colocar a criança em 
contato direto, sempre que possível, sem mediações, com os objetos 
de leitura. Como isso vem sendo feito? Salas de leitura, horários 
especiais para a atividade, a revitalização das bibliotecas e outras 
atividades de incentivo têm proporcionado uma relação menos ansiosa 
e mais produtiva com os livros, nos espaços privados e públicos. 
As livrarias que mantêm uma seção de livros infantis criaram um 
ambiente adequado a essa faixa etária: cadeiras, mesas, cores, 
almofadas, gôndolas com apelos especiais, liberdade de escolha e 
leitura fazem parte do acolhimento ao leitor-criança, proporcionando-
lhe um espaço de bem-estar. 
Apesar desse panorama otimista, a escritora carioca e imortal 
da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado alerta que : 
 
 
30 
 
 
 
[...] edita-se cada vez mais. As editoras despejam livros na praça 
sem parar, as livrarias enchem suas prateleiras, o público compra. Vai tudo 
bem, não? Uma sociedade cheia de livros [...] 
Mas de que livros? Ainda recentemente, um artigo do crítico Wilson 
Martins chamava a atenção para o aspecto descartável do livro considerado 
apenas como mercadoria, livro efêmero, de vida cada vez mais curta. Os 
jornais e revistas somente comentam as novidades, as livrarias apenas 
compram os últimos lançamentos, somente exibem o que está sendo 
comentado. Por pouco tempo, porque logo vem outra leva, como numa 
padaria, em que, assim que uma nova fornada de pães começa a cheirar, 
ninguém mais quer levar o pãozinho da fornada anterior. E as editoras, por 
sua vez, acabam recorrendo ao expediente das padarias: várias fornadas 
sucessivas de pães cheirosos e convidativos [...] (MACHADO, 1999, p. 74-
75). 
Da mesma forma, o livro, de embalagem bonita e atraente, 
esconde muitas vezes a pobreza, a vulgaridade e a mesmice do texto 
que divulga.Na história da escrita, nunca se publicou tanto como no 
século XX. Mesmo com a entrada vitoriosa dos computadores na vida 
moderna, a escrita e a leitura continuam sendo ações indispensáveis. 
No entanto, não cresce na mesma proporção o número dos leitores 
críticos, com domínio em textos complexos. 
A associação entre divertimento, entretenimento, prazer e livros 
para consumo é extremamente danosa à formação continuada do leitor. 
Quanto já não ouvimos de preferências por livros, que são balizadas 
pelo número de páginas, o colorido e quantidade das ilustrações, o 
enredo repetitivo, o final feliz, muita narrativa e nenhuma poesia e 
outros fatores relacionados à sensação de leitura prazerosa? 
Há, entretanto, outro ângulo pelo qual se pode entender essa 
busca exclusiva do prazer na leitura. É o que está relacionado com a 
cultura de nosso tempo: hedonista, egocêntrica, sensorial, imediatista, 
descompromissada. Nela, o prazer é um fim em si mesmo. A leitura 
 
31 
 
 
 
desvincula-se de tempo e espaço que não sejam o aqui e o agora. 
Tudo converge para uma satisfação momentânea, que desconhece 
vínculos e diferenças. 
É preciso divulgar a noção de que leitura é trabalho, é 
atividade, é intervenção do leitor no texto produtivo e para exemplificar 
citamos Carneiro (2001, p.44): 
Leio bem quando não desprezo o texto, quando sei perceber o jogo 
que ele me está propondo e diante dele tomo uma atitude digna: ou 
abandoná-lo, porque a partida não me interessa, ou aceitá-lo e, aí, jogar com 
tudo o que sei. [...] Exemplo de texto ruim: o que deseja explicar tudo, texto 
tagarela, que despreza a inteligência do leitor. Texto frígido, que não quer 
ser seduzido. Texto que não deixa o leitor inventar,exercer sua função de 
coautor. 
O livro em sala de aula - e não importa o estágio de estudos em 
que o educando se encontra - é um ato de comunicação em que a 
interação entre o sujeito autor e o leitor permite descobrir e criar 
sentidos para os signos textuais. E não se trata apenas de signos 
verbais escritos, mas de uma gama variada de linguagens que atraem 
o leitor .Por isso, ao ler, exercitamos todos os sentidos. 
 
Fonte: http://nossalinguadobrasil.blogspot.com.br/2012/09/historia -em-
quadrinhosobjetivos.html 
 
E qual é a realidade da leitura na escola? Como se dá a 
formação do leitor na instituição criada para cumprir função, 
socialmente, tão essencial? 
 
32 
 
 
 
Pesquisas entre alunos e egressos do sistema escolar têm 
demonstrado que a maior dificuldade que os leitores encontram ao se 
defrontarem com um texto é interpretá-lo, quando não, simplesmente, 
entender o que dizem as palavras ali escritas. Conclui-se facilmente 
que a sala de aula tem sido apenas uma alfabetizadora, isto é, capaz 
de dar a conhecer às crianças a correspondência entre o som e a letra 
A associação entre o prazer, o lúdico e o riso, na formação do 
leitor, merece ser acrescida de uma reflexão sobre a leitura como um 
ato coletivo e democrático. 
Não podemos esquecer que a prática de ler em sala de aula, ao 
lado de ser uma prática individual, constitui -se boa parte das vezes, 
também, numa tarefa coletiva. Seja pelo confronto de opiniões, pelos 
diferentes níveis de atenção despertados, ou seja ainda pelo gosto 
diferenciado de cada leitor, a oportunidade de discussão e 
confrontação permite a cada um o seu posicionamento em relação ao 
texto. http://www.rioeduca.net/ 
A exposição em grupo, onde a argumentação é personalizada, 
constitui muitas vezes a primeira experiência que temos, ao nível de 
cidadania. Não seria exagerado, pois, afirmar que esse exercício 
reforça concretamente a ideia de uma democracia da leitura na sala de 
aula. 
Paulo Freire já nos ensinou o quanto a alfabetização constitui 
um fato que estimula, pela aquisição da linguagem, a emancipação do 
 
33 
 
 
 
sujeito em sua relação ativa com o mundo. Na verdade, porém, esta 
emancipação apenas começa com a alfabetização. 
Atividade: 
Comente o texto abaixo, com base na leitura deste material e 
nos seus conhecimentos anteriormente adquiridos: 
Ler é ter acesso ao mundo e como o mundo hoje está disposto 
em uma rede de conexões que promove o encontro de diversas 
pessoas no planeta, ainda que consideremos que existem parcelas 
significativas alheias a essa realidade, hoje o homem da cidade é um 
componente da rede de informações.(SOUZA, 2009,p.18) 
 
 
 
 
 
O capítulo que trabalhamos procurou nos despertar para uma 
série de considerações, em especial, sobre a importância da tarefa da 
escola na formação de leitores e a igualmente importante tarefa de 
formação do professor leitor. Abordou ainda aspectos sobre leitura 
como ato de prazer e fruição mas,ao mesmo tempo, sem deixar de 
entendê-la como ato político, como já havia sido tratado no capítulo 1. 
O próximo capítulo tratará da habilidade de construção de sentido do 
texto, uma vez que ler é, como já apresentamos, bem mais do que 
decodificar os signos de escrita. 
 
 
34 
 
 
 
3. A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO DO TEXTO. 
 
As atividades de leitura pressupõem, de início, uma relação 
interativa entre dois sujeitos (o autor e o leitor) mediada pelo texto. O 
ato de escrever baseia-se em um processo de significação. Mas não é 
apenas o escritor que trabalha,emite e processa significados; o leitor 
também constrói sentidos a partir do estímulo textual e de sua história 
particular de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
Nós fazemos parte do conjunto dos chamados sujeitos-leitores. 
O foco da produção de sentidos está no modo de relação de leitura 
entre o dito e o compreendido. 
Os sentidos dos textos não nascem espontaneamente, são 
convencionados e construídos pelas pessoas numa conjunção de 
ordem sócio-histórica. Isto é, alteram-se no tempo e com a evolução 
social. 
Os sentidos não pertencem nem ao autor, nem ao leitor: são 
efeitos da troca de linguagem. Por isso, não se extinguem com esses 
sujeitos: têm um passado e projetam-se no futuro. Essa qualidade é 
uma das razões que permite a permanência dos textos com sua 
multiplicação de sentidos, ao longo da história. 
A atividade do leitor, na busca da construção do sentido, pode 
passar por etapas que vão da visão mais estreita ao conhecimento 
Ao final da leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes 
competências e habilidades 
 
 
35 
 
 
 
mais ampliado, dependendo do tipo de pergunta proposta ao texto. 
Podemos olhar o texto e fazer perguntas sobre letras, mas, 
então, precisaremos de uma quantidade relativamente concentrada de 
informação visual e veremos muito pouco. Ou podemos olhar para o 
texto e fazer perguntas sobre palavras, vendo, então, um pouquinho 
mais, mas, provavelmente, não o sufic iente para encontrar sentido 
naquilo que estamos tentando ler. Ou podemos olhar para o texto e 
fazer perguntas sobre o significado, situação na qual não teremos 
consciência das palavras individuais e teremos a maior chance de ter a 
verdadeira compreensão do texto. 
 
Quando tratamos do leitor em sua atividade de produção de 
sentidos, convém ressaltar que ele o faz a partir de uma combinação 
de histórias: a sua, pessoal, de sujeito falante e significante e a 
histórico-social, isto é, submetido aos mecanismos de coerção social 
determinados pelas instituições ( Igreja, a escola, a cultura, os 
organismos de poder, a família e outros). Trata-se, portanto, de uma 
combinação de fatores individuais e coletivos, dinamizados no 
momento mesmo em que o leitor se defronta com um texto qualquer da 
cultura. 
Além desses dois importantes fatores, os sentidos vão sofrer 
ainda a pressão das circunstâncias que estão presentes no ato mesmo 
de construir sentidos,dependente do modo como o discurso foi 
construído, isto é, as circunstâncias da enunciação. 
Também o modo como foi apresentado: o papel, a impressão, 
as cores, o cheiro, a maleabilidade, o volume entre outros.Outra 
influência é percebida relativamente às letras :sua forma, tamanho e 
disposição.Se o livro tem ou não ilustrações, há combinação de 
imagens com letras, composição gráfica, o tipo de papel e outros mais. 
 
36 
 
 
 
Temos memória de sentidos com relação aos livros e isso 
interfere na interpretação. Vamos aprendendo a trabalhar com textos e 
ficamos expostos a seus sentidos possíveis, dos quais atualizamos uns 
poucos, mas o fazemos, também, com a experiência de outros 
participantes, de quem fomos recebendo instruções para operar a 
interpretação. Descrevendo de outra forma, citamos Orlandi 
(1998,p.96). 
Os aparelhos de poder de nossa sociedade geram a memória 
coletiva. Dividem os que estão autorizados a ler, a falar e a escrever (os que 
são intérpretes e autores com obra própria) dos outros, os que fazem os 
gestos repetidos que impõem aos sujeitos seu apagamento atrás da 
instituição. Seja essa instituição a Igreja, o Estado, a empresa, o partido, a 
escola etc. Em todo discurso podemos encontrar a divisão do trabalho da 
interpretação, distribuído pelas diferentes posições dos sujeitos: o padre, o 
professor, o gerente, o líder sindical, o líder partidário etc. E há uma enorme 
produção de textos (falados ou escritos) que trabalham esta divisão: 
regimentos, constituições, panfletos, livros didáticos, programas partidários, 
estatutos etc. Os sentidos não estão soltos, eles são adminis trados. 
 
A essa característica coletiva e poderosa da interpretação vêm 
somar-se os diferentes suportes tecnológicos, que veiculam esses 
textos, de que a televisão é, ainda na sociedade brasileira, o veículo 
mais influente, o mais intenso formador de opinião. Quanto podemos 
mediressa influência no dia-a-dia? Aquilo que foi divulgado por essa 
mídia, à noite, é, no dia seguinte, a opinião da maioria das pessoas, 
como se ela tivesse brotado do próprio intelecto. 
 
 
37 
 
 
 
3.1. Ajudando a estabelecer os sentidos do texto 
Para que essa compreensão de um texto, resultante do 
exercício da interpretação, torne-se mais efetiva na escola, algumas 
etapas precisam ser cumpridas. 
Em primeiro lugar, cabe definir qual a tarefa de compreensão a 
ser executada: o sentido de palavras novas, as ideias centrais de um 
texto, a construção de representações narrativas (como espaço, 
personagens, situações) e por aí adiante. 
Após essa definição, cabe escolher a estratégia de leitura a ser 
utilizada: selecionar, pesquisar, comparar, recor tar/colar, desenhar e 
outras mais. No momento seguinte, cabe ao professor esclarecer qual 
a utilidade de tal procedimento. A importância dessa orientação pode 
garantir melhor o sucesso da tarefa, uma vez que o aluno estará mais 
seguro de ter o controle do processo em suas mãos. 
Na etapa seguinte, o professor deve mapear os procedimentos 
da descoberta da interpretação, tornando transparente o processo. 
Evidenciar como chegar-se a construir o sentido, seja pelo contexto, 
seja pela associação de palavras, seja pela memória de textos e 
interpretações anteriores. 
Na sequência, a intervenção do professor deve tornar -se 
paulatinamente menos intensa, criando, aos poucos, a autonomia do 
aluno no processo de interpretação. Esse é o passo seguinte: levar os 
estudantes a confrontarem sua compreensão do texto com a dos 
colegas, reforçando o conhecimento dos passos da estratégia utilizada. 
Por último, cabe ao professor assegurar que a estratégia 
adotada possa ser reutilizada em momentos posteriores da 
aprendizagem; que ela tenha passado do patamar de exercício para o 
de conhecimento adquirido. Para tanto, o uso de questões que possam 
direcionar, na fase de aprendizagem, o leitor -criança para a 
compreensão, sempre, são muito eficazes. Questões do tipo onde? 
 
38 
 
 
 
quando? por quê? o quê? como? facilitam o caminho rumo à 
compreensão. 
Entre as estratégias para o domínio do texto a ser interpretado, 
uma de grande eficácia é a divisão do texto em partes, para que, 
apenas num primeiro momento, a unidade menor permita um 
desempenho mais controlável, pelo leitor e pelo professor. Não se 
deve, no entanto, perder de vista que a recomposição das partes será 
necessária em algum momento, pois a unidade de sentido do texto 
precisa ser preservada. 
Também se torna importante que a leitura possa existir no plano 
do indivíduo (a compreensão tem componentes psico-neurológicos que 
cada qual atualiza de maneira pessoal) numa leitura silenciosa; como 
pode ser socializada, compartilhada, quando professor e alunos 
dividem o texto, as dúvidas e as certezas da compreensão. Esse não é 
um processo limitado à infância: a troca de interpretações e de 
compreensão de sentidos de textos deveria realizar -se ao longo da 
vida. Sabemos o quanto é importante socializar, trocar, intercambiar 
pontos de vista oriundos de interpretação de textos, com outros 
leitores. 
As estratégias que podem ser adotadas para que a atividade de 
leitura seja o melhor sucedida possível compreendem, num primeiro 
momento, a definição clara dos objetivos do que se vai ler. O esquema 
a seguir informa alguns desses objetivos, entre outros possíveis. 
 
39 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
seguir 
instruções 
revisar um 
escrito 
próprio 
para praticar 
a leitura em 
voz alta 
para 
comunicar 
um texto a 
um auditório 
aprender e 
para verificar 
o que se 
compreendeu 
obter uma 
informação 
precisa 
Para que se 
lê um texto? 
 
40 
 
 
 
 
 
Um segundo momento, consiste em ativar o conhecimento 
prévio do leitor e ativar suas previsões a respeito do que vai ser lido. 
Nenhuma leitura é ingênua, isto é, não entramos em contato com um 
texto escrito sem que, previamente, estabeleçamos alguns conceitos a 
respeito de seu conteúdo. Seja porque conhecemos outros textos do 
autor, ou outros, sobre o mesmo assunto; seja porque o papel ou a 
letra ou a ilustração recorda-nos outros textos; seja porque há 
estímulos sensoriais que desencadeiam afetos (cheiros, cores, 
espessuras, imagens); seja porque lemos ou ouvimos algo sobre o 
livro. Enfim, os mais variados motivos permitem-nos prever 
expectativas a respeito do texto a ser lido. 
 
Ao leitor também cabe o papel de formular questões sobre o 
texto. Não de forma explícita, como se entrevistasse o autor ou organi -
zasse um questionário sobre o texto, mas pequenas e importantes 
indagações, como "o que virá a seguir?" "por que tal personagem disse 
isso?", "onde o autor pretende chegar com esse argumento?" "será que 
não vai dizer tal palavra?" e muitas outras. São perguntas silenciosas, 
que permitem aumentar a ligação entre leitor e texto e facilitar -lhe a 
compreensão. Ensinar os alunos a reconhecerem essas perguntas 
diretivas, ajudá-los a formulá-las em momentos adequados, insistir que 
as reconheçam, funcionam, no momento da aprendizagem da leitura, 
como excelente itinerário de compreensão de texto. 
Para concluir o capítulo sobre a construção do sentido texto 
reafirmamos que o mesmo passa pelo exercício continuado da leitura, 
pelo reconhecimento das tarefas a serem realizadas, pelo 
 
41 
 
 
 
compartilhamento de compreensões, pela intensa atenção aos fatos da 
língua, por entender que o texto é uma organização de linguagem, pelo 
entendimento que os sentidos se formam no sujeito -leitor, mas que sua 
atuação sobre o texto pode estar direcionada pelo sistema ideológico 
social. 
Atividade: 
Com base no que você leu e aprendeu, comente o trecho do 
livro “Alice viaja nas histórias”de Gianni Rodari. 
Ficha técnica: Alice viaja nas histórias 
Coleção:Leituras saborosas 
Autor:RODARI, Gianni 
Tradutor:Marino, Denise Mattos e Leite, Silvana Cobucci 
Ilustrador:Cantone, Anna Laura 
Idioma:Português 
Editora:Biruta 
Ano:2008 
A Bela Adormecida acorda assustada e , ao olhar em volta, só 
vê Alice, uma garotinha que não deveria estar ali. Aliás, nem ali nem 
na história do Gato de Botas. Mas a pequena Alice sabe muito bem que 
pertence ao mundo das coisas de verdade. 
 
Tratamos de apresentar nesse capítulo uma série de propostas 
para trabalho com textos. O próximo capítulo tem como objetivo geral 
contar como se desenrolou a história de contar histórias e a origem da 
Literatura. 
http://www.livrariacultura.com.br/busca;_lcid=46Neu7lm3qZgCZCxTNtsu9qJlsKC01WYzt12r1pai3dLsBtmRrUv!215871490?Ntt=RODARI%2C+GIANNI
http://www.livrariacultura.com.br/busca;_lcid=46Neu7lm3qZgCZCxTNtsu9qJlsKC01WYzt12r1pai3dLsBtmRrUv!215871490?Ntt=MARINO%2C+DENISE+MATTOS
http://www.livrariacultura.com.br/busca;_lcid=46Neu7lm3qZgCZCxTNtsu9qJlsKC01WYzt12r1pai3dLsBtmRrUv!215871490?Ntt=LEITE%2C+SILVANA+COBUCCI
http://www.livrariacultura.com.br/busca;_lcid=46Neu7lm3qZgCZCxTNtsu9qJlsKC01WYzt12r1pai3dLsBtmRrUv!215871490?Ntt=CANTONE%2C+ANNA+LAURA
http://www.livrariacultura.com.br/busca;_lcid=46Neu7lm3qZgCZCxTNtsu9qJlsKC01WYzt12r1pai3dLsBtmRrUv!215871490?Ntt=BIRUTA
 
42 
 
 
 
4. CONTANDO HISTÓRIAS E FALANDO DE POESIA 
 Para formação do bom leitor precisamos, dentre outras 
ações, envolvê-los no mundo da contação de histórias. Dos contadores 
de história apresentamos , em desdobramento, a Literatura e a Poesia. 
Esse será o foco do nosso capítulo. Vamos tratar de Literatura, 
Literatura Infantil,e em especial dos autores brasileiros em destaque. 
 
 
 
 
 
 
 
4.1. A história de contar histórias 
 Os contadores de história nasceram com a humanidade. 
Falar sobre e encadear acontecimentos, acrescentando-lhes uma 
interpretação, são atributos humanos. Usar o corpo para acentuar e 
definir a expressão do pensamento pertence aos artifícios da 
comunicação entre os seres. Ocontador reúne essas duas qualidades: 
a capacidade de narrar e de representar - com a voz, o olhar e os 
gestos - essas narrativas. 
A atração que sempre exerceu a narração oral reporta -se ao 
tempo das cavernas, quando as caçadas e os acontecimentos do dia 
compunham uma espécie de jornal falado, atraente, histórico e de forte 
carga ideológica. 
É possível identificar, em funções semelhantes, que migrantes 
nômades, disseminados por regiões diversas e culturas diferentes, 
distribuíam saberes e ficções que ajudavam a construir o que hoje 
denominamos História. Por exemplo os rapsodos e os atores 
Ao final da leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes 
competências e habilidades 
Reconhecer a importância da Literatura na preservação do imaginário e da 
história da humanidade 
Identificar o passo a passo do desenvolvimento da Literatura Infantil e citar 
os principais autores que contribuíram para esse acervo 
Exemplificar autores e obras de literatura Infantil brasileira,tanto em prosa 
quanto em verso. 
 
43 
 
 
 
perpetuaram as narrativas míticas gregas. 
Para saber mais 
Um rapsodo era um poeta popular, ou cantor, que ia de cidade 
em cidade recitando poemas épicos: Homero era um rapsodo. 
Considere também como sendo um poeta cujo canto parece sintetizar 
os acentos mais sensíveis a seu povo. 
Fonte : http://www.dicio.com.br/rapsodo/ 
 
Os jograis, os trovadores e os cantores mantiveram vivas as 
lendas e as paixões medievais. As tribos africanas e americanas, 
também, tinham em seus feiticeiros, sacerdotes e pajés o repositório 
da sabedoria ancestral, externada em falas poéticas, expressas em 
momentos de rituais. 
À medida que a civilização evoluiu, os recursos refinaram-se, a 
arte de contar ganhou formatos e intenções diferentes. Nasceu o teatro 
dos rituais religiosos, que ao longo dos séculos, ocupou praças e 
edifícios. À narrativa dos fatos, pensamentos e sentimentos do homem , 
somaram-se os recursos da encenação teatral: o palco, o cenário, a 
música, o figurino. 
Paralelamente, os contadores, em configuração mais despojada, 
usando o corpo e a voz exclusivamente, conviveram com artes mais 
elaboradas. Transportaram-se a si mesmos e a sua arte para todos os 
espaços possíveis. Fizeram de todos os momentos da vida o instante 
próprio e sedutor da contação. Presentes em todas as sociedades, 
hoje, representam uma espécie de crônica viva das histórias dos mais 
diferentes povos. 
Comunidades convertem seus contadores em historiadores e 
sacerdotes, porque eles conservam em suas narrativas os saberes do 
povo. Comunidades detentoras da escrita veem nos contadores a 
 
44 
 
 
 
vivificação da história. São eles os mensageiros vivos de saberes 
registrados e muitas vezes desconhecidos. Atores e artistas da 
oralidade, os contadores articulam a ficção e o público; os 
pensamentos, expressos nos textos, com a reflexão momentânea dos 
ouvintes; os sentimentos, registrados na escrita, com as emoções 
despertadas no calor da contação. Leitores especiais, os contadores 
transcendem o texto na intenção de disseminá-lo por um público maior. 
Essa importância dos contadores de histórias pode ser melhor 
apreendida na palavra de Zumthor (1993, p. 71) . 
Não se pode negar a importância do papel dos recitadores e 
cantores profissionais, através de regiões tão variadas, na formação de 
línguas poéticas românicas e germânicas e, talvez, de sistemas de 
versificação. Papel triplo ou quádruplo. O próprio nomadismo de muitos 
intérpretes, a dispersão de sua clientela tornaram possível a 
necessária constituição de idiomas comuns a regiões mais ou menos 
extensas, transcendendo os dialetos locais originais. 
A palavra poética vocalmente transmitida dessa forma, 
reatualizada, reescutada, mais e melhor do que teria podido a escrita, 
favorece a migração de mitos, de temas narrativos, de formas de 
linguagem, de estilos, de modas, sobre áreas às vezes imensas, 
afetando profundamente a sensibilidade e as capacidades inventivas 
de populações que, de outro modo, nada teria aproximado. 
Considerando essa justificativa de ordem histórica, linguística, 
cultural e funcional, pode-se concluir que os caminhos de atuação de 
um contador e seu papel social ultrapassam o prazer de contar e ouvir. 
Em termos muito pragmáticos, uma definição de contador é 
apresentada por um dos mais admirados e profissionais grupos de 
contadores de histórias, o Morandubetá, do Rio de Janeiro: 
O contador de histórias é um todo orgânico que se expressa 
 
45 
 
 
 
através da voz, do corpo, das expressões faciais, como resultado de 
um estímulo que tem sua raiz no texto contado, mas, previamente 
elaborado em termos de imagens, ritmo, movimentos, memória, emo-
ções, silêncio e treinamento.(COSTA,p.81 )2 
Além destas qualidades, é preciso acentuar que o contador tem 
de ser, sobretudo, um leitor plural e crítico. 
Na contação, as palavras devem assumir toda sua densidade, 
todo seu poder de evocação, o poder de fazer ressurgir no contador e 
no ouvinte as sensações e as experiências vitais nelas depositadas. 
Daí o valor humano, assumido pelo ato de contar histórias. 
A partir dessas ideias, podemos afirmar que contar histórias - 
assim como ouvi-las - é uma experiência humana insubstituível. 
É comum encontrarmos associados: o ato de contar histórias e 
o público infantil. De fato, um dos caminhos para integrar as crianças 
no universo cultural construído ao longo dos séculos, é contar-lhes 
histórias imaginativas. Além da função de resgate da cultura, essa 
atividade proporciona momentos em que o ouvinte trabalha mais 
intensamente, e de maneira individualizada, o seu imaginário. Há, 
portanto, uma função psíquica formadora na contação de histórias. 
Além, é claro, do natural prazer e divertimento de poder compartilhar 
narrativas inventadas. 
Não apenas as crianças gostam e devem ouvir histórias. Os 
adultos recebem com igual prazer, encantamento e 
 
2
 https://books.google.com.br/books?isbn=8538707892 
 
46 
 
 
 
curiosidade. 
Quem trabalha em bibliotecas e em escolas com a formação de 
leitores conhece de perto o poder de sedução de uma bela história. 
Para falar apenas de meios de comunicação populares e acessíveis, 
podemos observar que o cinema e a televisão se tornaram veículos 
privilegiados de encenação das infinitas histórias criadas ou a criar. A 
ligação afetiva, emocional e ideológica dos espectadores exemplifica, 
muito bem, a força atrativa das histórias ali apresentadas, não 
distinguindo nessa atração idade, sexo, religião ou nacionalidade. 
Assistimos a uma telenovela, por exemplo, como nossos antepassados 
ouviam alguém ler ou contar longos folhetins com histórias, igualmente, 
complicadas e emocionantes. 
 
4.2. História da literatura infantil 
A literatura surgiu, particularmente, com a tradição 
oral.(COSTA, 2009, p.139). Suas fontes estão no folclore, com suas 
lendas, mitos e narrativas exemplares. Mais tarde, a partir do século 
XIX, com a valorização social da criança, essas narrativas passaram a 
ser contadas para as crianças, com intuito formativo. 
A princípio, a literatura surgiu com fins moralizadores, pois a 
criança era vista como um "projeto de adulto", ou seja, ela deveria ser 
educada conforme os objetivos traçados pelos adultos, sem se 
preocupar com as capacidades e anseios próprios da infância. 
 
47 
 
 
 
 
São desse período remoto as primeiras fábulas com animais, 
representando virtudes e defeitos humanos. A mais antiga coletânea 
vem do Oriente . Ela é constituída de 14 livros, que e pensa ter sido 
escrito por um indiano. Mais tarde, o material foi sendo traduzido para 
o persa e para uma versão árabe, até ser traduzido para o castelhano, 
no século XIII, exercendo fortíssima influência sobre narrativas 
ocidentais. 
Dessa tradição vêm as fábulasde Esopo, um escravo grego, 
cujos textos atravessam os séculos e permanecem na cultura até hoje, 
com raposas, corvos, bois, cães, lobos e cordeiros fazendo o papel de 
humanos e com finalidade moral explícita. Imagem do 
Clip-art 
 
As mudanças sociais, ao longo da História, acabaram 
determinando alterações também na Literatura Infantil. Nas sociedades 
primitivas, as crianças eram criadas para aprender somente o que seus 
pais passavam para elas; a menina assemelhava-se à mãe e o menino 
ao pai. Na época Clássica (Grécia e Roma) as crianças eram educadas 
para servir ao Estado ou à sociedade; em geral, os meninos tornavam-
se grandes guerreiros. 
No período medieval, enquanto as crianças nobres liam os 
autores consagrados pela tradição, orientados por seus preceptores, 
as das classes desfavorecidas, em geral, liam ou ouviam as histórias 
da cavalaria, de aventuras e as narrativas pitorescas de heróis 
 
48 
 
 
 
espertos, usando recursos pouco usuais e nascidos do povo. Nessa 
época a literatura popular tem grande importância, reunindo lendas e 
contos folclóricos. 
Da Idade Média e do Renascimento (séculos XV a XVII 
aproximadamente) datam os primeiros livros considerados Literatura 
Infantil; são os catecismos, criados pelos padres Jesuítas para pregar 
o cristianismo às crianças. Esta foi a primeira forma de literatura 
infantil, espontânea, com a finalidade única de facilitar o ensino às 
crianças. 3 
Também são conhecidas e muito populares as novelas de 
cavalarias com os Ciclos do Rei Artur e do Imperador Carlos Magno, 
narrando as aventuras de cavaleiros medievais em luta pela afirmação 
da fé religiosa cristã e em torneios e batalhas, em defesa do amor, da 
religião e do rei. Essas narrativas atravessam o Oceano Atlântico e 
vêm encontrar espaço nas narrativas populares de cordel do Nordeste 
brasileiro. 
Por volta de 1600, foi publicado na Itália um livro chamado 
Pentamerone (ou o conto dos contos). Esse livro foi escrito por Giam 
Battista Basile, mas ele também apenas reuniu contos já existentes na 
cultura popular. Esse livro reúne 50 contos de fadas; entre eles, 
podemos encontrar algumas histórias que são famosas hoje em dia e 
outras histórias sobre as quais muita gente nunca ouviu falar. 
 
3
 ucbweb2.castelobranco.br/.../literaturainfantil 
 
49 
 
 
 
 
 
 
 
Seguindo o modelo das fábulas greco-latinas de Esopo e Fedro, 
surge na França a obra de Jean de La Fontaine- Fábulas- em que o 
escritor renova o gênero e usa de maneira comunicativa o verso, para 
dar novo impulso a esse tipo de texto literário. 
 
No século XVII, mais precisamente em 1697, surgiu a obra do 
famoso francês, que ao trazer histórias da tradição oral, como A Bela 
Adormecida, A Gata Borralheira, Chapeuzinho Vermelho, O Pequeno 
Polegar e Pele de asno, entre outros, conseguiu resgatar esse 
repertório e aplicá-lo criticamente aos vários tipos humanos da 
sociedade da época, acentuando nas narrativas a forma mágica, 
própria das crianças, de encarar as situações.Foi isso que permitiu 
que esses contos de fadas permanecessem na cultura de todo o mundo 
civilizado. 
O famoso livro As mil e uma noites, de origem árabe, foi 
revelado em 1704, por meio da tradução para o francês por Galland . 
 
50 
 
 
 
Imagem do Clip art 
Com ele, a cultura oriental tornou-se mais conhecida, além de 
mostrar a importância da criatividade, do conhecimento e da liberdade 
na vida das pessoas, já que Sherazade, a protagonista, teve que usar 
de sua inteligência para conquistar a atenção do rei. São narrativas 
encadeadas umas às outras; entre elas, podem ser destacadas: O 
mercador e o gênio, Aladim e a lâmpada maravilhosa, Ali-Babá e os 
quarenta ladrões e Simbad, o marinheiro. 
Também é importante destacar que alguns livros, escritos para 
adultos, tiveram maior reconhecimento entre crianças e adolescentes, 
como: Robinson Crusoé (1719) de Daniel Defoe e As viagens de 
Gulliver (1726) de Jonathan Switf. A primeira foi adaptada para as 
crianças como um "manual de conquistas pessoais" e a última, apesar 
da crítica social, apresenta um teor fantástico, ao ver um homem 
transformado em gigante na terra dos anões.Agora vamos entrar no 
mundo da imaginação? 
Descubra sobre quem estamos tratando: 
Era uma vez dois irmãos que há mais de 200 anos começavam 
a publicar histórias que habitariam o imaginário das crianças de todo o 
mundo. Uma moça humilde que vai ao baile oferecido pelo príncipe e 
acaba perdendo um de seus sapatos. Uma princesa tão graciosa e alva 
como a neve que teve de fugir de seu castelo por causa da inveja de 
sua madrasta. Uma garota que decide visitar sua avó, mas percebe 
 
51 
 
 
 
que há algo de estranho nela: "por que olhos tão grandes? E a boca, 
então?", ela chega a se perguntar. Esses são apenas alguns dos 
famosos enredos escritos por esses irmãos e você, provavelmente, 
deve saber o nome dessas histórias. Sim, estamos falando da 
Cinderela, da Branca de Neve e da Chapeuzinho Vermelho.(Fonte EBC 
cultura) 
 
Apresentamos os irmãos Grimm: Jacob e Wilhelm Grimm 
originários da Alemanha. 
Continuando na linha da imaginação, agora é a vez do 
dinamarquês Hans Christian Andersen. 
 
Hans Christian Andersen, com 30 anos de idade, escreveu seu 
primeiro conto de fadas: Eventyr Fortalle for Born (contos infantis). Até 
1872 produziu cerca de 150 contos e histórias, convertendo-se no 
nome mais popular da literatura para crianças na Europa. Seus contos 
tiveram como raiz a tradição oral, popular e a vida real. Destacou -se 
por sua originalidade em criar histórias e personagens. 
Por sua contribuição à literatura infantil e juvenil, o dia de seu 
nascimento é atualmente o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil e, 
além disso, o mais importante prêmio internacional do gênero tem seu 
nome. 
 
52 
 
 
 
Você lembra de ter lido essas histórias? O patinho feio, A roupa 
nova do imperador, O soldadinho de chumbo, O rouxinol e o imperador 
da China, A Pequena Sereia, que é símbolo da cidade de Kopenhagen, 
a capital da Dinamarca? São obras de Andersen. 
 
Merecem destaque também , nesse panorama sobre a Literatura 
Infantil, as obras de 
 Com os clássicos 
Alice no país das maravilhas (1765; Alice 's Adventures in the 
Wonderland) e Alice no país dos espelhos (1772; Through the Looking-
Glass) que relatam histórias ditas "fora do padrão" da época. 
Outro destaque é a publicação de As aventuras de Pinóquio 
(publicada em fascículos entre 1771-1773. Foi escrita pelo italiano 
Carlo Lorenzini, vulgo Collodi, tratando das aventuras de um boneco 
que se transforma em menino de verdade. 
 
Para saber mais : 
Os contos de fadas facilitam o uso do lúdico junto ao cognitivo; con-
tribuindo, intensamente, para a criação de um gênero específico voltado 
para o público infantil. 
Sobre os contos de fadas Sosa (1977,p.29) escreveu: 
 
Estimulam, nas crianças, interesses adormecidos que esperam que essa 
espécie de varinha mágica os desperte para aspectos do mundo que as 
rodeia; agem sobre as forças do intelecto, como a imaginação ou o senso 
estético, que precisam do impulso de correntes exteriores para adquirir pleno 
desenvolvimento na evolução psíquica da criança. 
 
 
53 
 
 
 
Numa época em que o acesso à internet, à TV, ao rádio e ao 
cinema são tão frequentes e expressam, muitas vezes, os valores de 
uma sociedade capitalista e utilitarista, faz-se necessário retomar uma 
literatura herdada de povos seculares e que vem atravessando os 
séculos. 
 
4.3.A história da Literatura Infantil no Brasil 
Com a implantação da Imprensa Régia, em 1808, começaram a 
ser publicados livros para crianças no Brasil. Mas essas publicações 
eram esporádicas e insuficientes para caracterizar uma produção 
literária brasileira para a infância. Porém, os livros, a partir dessa data, 
deixam de serobjetos tão raros no país. 
Por muito tempo predominou em nosso país a literatura oral, o 
que se deveu em parte à falta de uma Literatura Infantil e o privilégio 
de uma pequena elite econômica capacitada para ler. 
As correntes culturais negras, trazidas para o Brasil durante o 
ciclo da escravidão, fizeram florescer histórias dos velhos narradores e 
contadores de histórias. Ao lado dessa influência destacou-se ainda a 
influência europeia que prosseguiu mesmo depois da independência. 
Após a Proclamação da República, uma aceleração da 
urbanização propiciou o aparecimento da Literatura Infantil, pois a 
sociedade brasileira estava mais preparada para a absorção de novos 
produtos culturais. 
Assim em 1905, ocorreu o lançamento da revista infantil O tico-
tico, que mesclava textos de invenção com jogos e brincadei ras, textos 
de informação científica e ilustrações chamativas. 
 
54 
 
 
 
 Imagem Clip-art 
Com a valorização da instrução e da escola no país, percebeu-
se a carência de material adequado de leitura para crianças brasileiras. 
Assim houve uma movimentação de intelectuais, jornalistas e 
professores e começaram a ser produzidos livros infantis que tinham 
um endereço certo: o corpo discente das escolas, com obras 
igualmente reivindicadas como necessárias à consolidação do projeto 
de um Brasil moderno. 
Além é claro, da tarefa patriótica, não faltava também a 
recompensa financeira: via de regra, escritores e intelectuais dessa 
época eram extremamente bem relacionados na esferas 
governamentais, o que lhes garantia a adoção maciça do que 
escrevessem. 
Durante este período, observou-se, também, a circulação de 
obras traduzidas. Carlos Jansen foi um pioneiro na tradução e 
adaptação de textos como Contos seletos das Mil e uma noites, 
Robinson Crusoé, As aventuras do celebérrimo Barão de Munchausen, 
entre outros, que foram prefaciados por intelectuais como Rui Barbosa, 
Sílvio Romero e Machado de Assis. 
E, na mesma época, Olavo Bilac e Coelho Neto edita ram seus 
Contos Pátrios (1904) e Júlia Lopes de Almeida lança as Histórias da 
nossa terra.
 
55 
 
 
 
 Júlia Almeida foi uma das primeiras romancistas brasileiras, sua 
produção literária é farta e abrange vários gêneros: conto, peça 
teatral, crônica e literatura infanto-juvenil. 
A obra "Os livros do povo", de Antonio Marques Rodrigues, foi o 
primeiro livro de grande repercussão escolar. Contos da carochinha, 
de Figueiredo Pimentel, reunindo narrativas de fadas, fábulas e contos 
exemplares, foi a primeira coletânea brasileira de literatura infantil 
organizada com expressa intenção de traduzir em linguagem brasileira 
os contos infantis que circulavam em coletâneas estrangeiras, ou 
traduções portuguesas. 
Com o romance Saudade (1919) Tales de Andrade encerra este 
período de origem da Literatura infantil brasileira. Trata -se de um texto 
com evidentes características brasileiras, na recuperação do tempo de 
meninice, no interior do estado de São Paulo. 
De acordo com a estudiosa Coelho (1991), em análise dessa 
fase da Literatura Infantil no Brasil, fica o registro : 
A Literatura Infantil praticamente não existia entre nós. Antes de 
Monteiro Lobato havia tão somente o conto com fundo folclórico. Nossos 
escritores extraíam dos vetustos fabulários o lema e a moralidade das 
engenhosas narrativas que deslumbraram e enterneceram as crianças das 
antigas gerações. (COELHO, 1991, p. 223). 
De forma geral, a imagem da criança presente em textos desta 
época é estereotipada, quer como virtuosa de comportamento 
exemplar, quer como negligente e cruel. Além disso, é comum também 
que esses textos infantis envolvam a criança que os protagoniza em 
situações igualmente modelares de aprendizagem : lendo livro, ouvindo 
histórias edificantes, tendo conversas educativas com os pais e 
professores. 
A Literatura Brasileira está marcada pelo registro das 
peculiaridades locais. Mas a principal marca da Literatura Infantil é a 
 
56 
 
 
 
obra de Monteiro Lobato, dividindo essa literatura em antes e depois 
do autor. 
Monteiro Lobato publicou, em 1921, Narizinho arrebitado, que já 
apresentava um apelo à imaginação, movimentação dos diálogos, 
enredo, linguagem visual, humor e a graça na expressão linguística e 
representava "toda uma soma de valores temáticos e linguísticos que 
renovava inteiramente o conceito de Literatura infantil no Brasil" 
(ARROYO, 1990, citado por COSTA, 2009). 
Considerado o maior clássico da Literatura Infantil brasileira, 
Monteiro Lobato criou um universo para a criança, "num cenário 
natural, enriquecido pelo folclore de seu povo, aspecto indispensável à 
obra infantil."(CARVALHO, 1972, p. 32). Buscou o nacionalismo na 
criação de personagens que refletiam a brasilidade na linguagem, nos 
comportamentos, na afetividade, na relação com a natureza. 
O espaço do sítio do Pica pau Amarelo se constituiu sempre no 
ponto de entrada de todas as narrativas de Reinações de narizinho 
(1931) : nome novo para Narizinho arrebitado, obra que dá início à 
etapa mais fértil da ficção brasileira, com personagens representando 
seres humanos, como Lúcia, Pedrinho, D. Benta, Tia Anastácia... e que 
apresentam a mesma textura das personagens inventadas (a Boneca 
Emília, o sabugo Visconde de Sabugosa, o Pequeno Polegar...) "todas 
elas existem com a mesma verdade, dentro do universo faz de conta, 
que Lobato criou.” (COELHO, 1991). 
No Sítio do Pica pau Amarelo tudo é possível. A Fantasia mistura-se 
com a realidade e passa a fazer parte do cotidiano da menina Narizinho e do 
seu primo Pedrinho. E é com personagens adultas que as crianças 
compartilham as suas aventuras num mundo fantástico onde vivem tanto a 
boneca Emília, quanto o Visconde de Sabugosa, o Saci Pererê, a Cuca, 
personagens inventadas por Narizinho no seu mundo de sonho, que se torna 
realidade no Sítio do Pica pau Amarelo. 
 
57 
 
 
 
Lobato foi lido por milhões de leitores e traduzido em diversos 
países, mas durante algum tempo foi considerado como subversivo. 
Na atualidade algumas visões críticas têm sido colocadas a sua 
obra. Observe uma reportagem publicada em 2012 a respeito de uma 
das obras do autor. 
Caçada a Lobato 
O Supremo Tribunal Federal está prestes a emitir uma das mais importantes 
decisões judiciais sobre a literatura brasileira: como conjugar a obra do maior autor 
infanto-juvenil do país com a era politicamente correta que se vive na atualidade – num 
momento “pós-mensalão”. Desde o ano passado, Monteiro Lobato está no banco dos 
réus por acusações de racismo no livro Caçadas de Pedrinho. 
Fonte: http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/cultura/cacada-lobato 
 
Retornando à linha de tempo sobre a literatura infantil no Brasil , 
temos a referência que entre o período de 1920-1945, houve um 
aumento da criação literária infantil. Na década de 30, os romancistas 
e críticos compartilharam a evolução da Literatura Infantil brasileira, 
embora de modo diferenciado. Alguns recorreram ao folclore e às 
histórias populares, outros criaram narrativas originais, como Érico 
Veríssimo, em As aventuras do avião vermelho (1936) 
. 
 
58 
 
 
 
Nesse livro o menino Fernando passa a tarde lendo histórias: sua 
preferida é a do valente Capitão Tormenta, que percorre o mundo num avião 
vermelho. O menino ganha um aviãozinho vermelho e, dando asas à 
imaginação, passeia pela Lua, pela China, pela África e chega à Índia.No ano de 
2014 a história virou filme. 
Quer saber sobre o filme ? Acesse: 
As Aventuras do Avião Vermelho (2014) - Trailer Oficial ... 
www.youtube.com/watch?v=ryO_Z5nrJMc 
Nov 13, 2014 - Uploaded by BrazucaTrailers 
Trailer oficial. Estreia: 4 de dezembro Ficha técnica: Direção: 
Frederico Pinto, José Maia Roteiro: Camila Gonzatto e Emiliano Urbin . 
 
No conjunto das obras sobre a literatura infantil brasileira 
predominou a ficção, ficando quaseausente a poesia, representada por 
nomes de alguns modernistas como Guilherme de Almeida, autor de 
obras como O sonho de Marina e também da obra João Pestana 
(1941). Outra obra a ser citada é A estrela azul- poemas para crianças 
(1940) de Murilo Araújo. Podemos, ainda nessa década, citar o 
trabalho de Henriqueta Lisboa, O menino poeta (1943). 
O menino poeta 
quero ver de perto. 
Quero ver de perto 
para me ensinar 
as bonitas coisas 
do céu e do mar. 
Esse crescimento quantitativo da produção para crianças e a 
atração que ela começa a exercer sobre escritores comprometidos com 
a renovação da arte nacional demonstram que o mercado estava 
favorável, devido aos fatores sociais: maior número de consumidores, 
avanço da industrialização e aumento da escolarização dos grupos 
https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=9&sqi=2&ved=0CD4QtwIwCA&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DryO_Z5nrJMc&ei=N9TbVKWPM833yQSLuoKgDA&usg=AFQjCNEc5xZjYVPZLc9EHenm1G3iOAZuZQ
 
59 
 
 
 
urbanos. 
Na década de 50, com o fim da era getulista, prosseguem os 
debates acerca das reformas e reestruturações no campo do ensino, 
mas, apesar das discussões, a mudança nas condições de educação 
são muito lentas. Nessa década, muitos consideraram que se instalou 
a crise da leitura. Também nesse período há o surgimento das 
histórias em quadrinhos, que eram acusadas de ser uma das causas da 
falta de interesse pela leitura. 
Nos anos 60 e 70, ocorre uma fomentação e discussão sobre 
Literatura Infantil. Nascem instituições preocupadas com a leitura e o 
livro infantil, como a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil 
(FNLIJ) e há toda uma mobilização do Estado apoiando e agilizando o 
envolvimento com a leitura. 
Essa etapa da Literatura Infantil brasileira se caracteriza pela 
temática urbana, focalizando o Brasil atual com seus problemas e 
crises. 
Nessa fase destaca-se Ziraldo Alves Pinto que continua 
escrevendo e divertindo seu público leitor, que vai das crianças aos 
adultos. 
Sua obra mais conhecida é “O menino maluquinho” . 
 
60 
 
 
 
Esse livro é a história da infância de um menino e que 
corresponde a vida de muitas crianças. É um livro que mostra a 
verdadeira infância.O personagem desse livro mostra um menino cheio 
de vida e entusiasmo e que curte a infância de todas as maneiras.Com 
variadas ilustrações bem divertidas e versos gostosos que mostram as 
estripulias de um menino maluquinho4 
Também nos anos 70, Ana Maria Machado, Eva Furnari, Sylvia 
Orthoff, Bartolomeu Campos Queirós, Lygia Bojunga Nunes, Marina 
Colasanti, Raquel de Queiroz e Ruth Rocha são alguns dos autores 
que compõem esse panorama. 
Um destaque atual é Lygia Bojunga Nunes, que por meio dos 
personagens e das situações que arma, questiona valores 
estabelecidos, debatendo os arraigados preconceitos contra a mulher, 
contra o velho, contra o artista, contra a criança. 
Hoje, as funções da Literatura Infantil no Brasil estendem-se 
para além da educação formal. Informar e educar passam a ser pano 
de fundo do interesse de autores e obras. Passam a primeiro plano o 
conhecimento do próprio indivíduo-leitor, o entretenimento (chamado, 
por vezes, de prazer) o experimentalismo na linguagem narrativa, o 
lúdico, a aventura do conhecimento humano. 
 
 
4 http://projetoleiah.tripod.com/resumo/autor/defaulto.htm 
 
 
61 
 
 
 
4.4. A poesia infantil 
A poesia brasileira para a infância é muito rica e diversificada, 
tanto pela variedade de tipos textuais quanto pelo grande número de 
poetas que se espalham por todo o país. Essa presença poética atende 
a diversos fatores: a tradição do verso em composições dirigidas à 
infância, a crença de que escrever poemas é fácil e basta colocar 
rimas em final de linha e se terá um bom poema infantil, e a tendência 
natural da criança para o ritmo e a metáfora. 
De acordo com Cunha (1973, p.93) 
É muito comum compararmos a criança e o poeta. Realmente, o 
mundo infantil é cheio de imagens, como o campo da poesia. A fantasia e a 
sensibilidade caracterizam a ambos. [...] O predomínio da linguagem afetiva 
existe na poesia e na criança. A primeira forma de expressão do homem em 
sua história é a primeira a encontrar ressonância na alma infantil. É fácil 
entender, portanto, por que entre as formas de arte a criança prefira primeiro 
a música, depois a poesia. (CUNHA, 1973, p. 93). 
 
Porém, há uma avaliação, difundida na escola, de que poesia é 
difícil e que, por não ser narrativa, cansa e dispersa a atenção da 
criança. Podemos explicar essa visão errônea, pela má escolha do 
poema e por seu tratamento equivocado em classe. Alguns livros 
apresentam à criança poemas didáticos demais, com lições de moral e 
linguagem nada poética, pregando amor à Pátria, àS árvores, às boas 
ações. Esses textos, geralmente, são produzidos por educadores e não 
por poetas. 
Para o trabalho coerente da poesia vale citar que a poesia é a 
primeira manifestação de expressão literária; é pela poesia que se 
iniciam todas as Literaturas. E isto é prova de que o homem somente 
se encontra pela expressão afetiva, pela sensibilidade, que o revela e 
o conduz a seu semelhante, aos seres, às coisas, à natureza, enfim, ao 
 
62 
 
 
 
universo, em toda a sua grandeza. 
Poesia é transfiguração da realidade objetiva ou subjetiva em 
expressão de beleza e de contemplação emocional. É o encontro e a 
harmonização do eu existencial com o eu poético, realizando a revelação do 
ser, da essência (CARVALHO, 1972, p. 222-223). 
Continuando a citar Carvalho(1972) "a poesia não é apenas 
linguagem versificada, mas linguagem poética, simbólica. ” Ainda 
segundo a estudiosa, a poesia deve apresentar certos requisitos tais 
como ritmo, sonoridade, simplicidade, clareza e pequena extensão. 
Quanto à estrutura, a poesia é composta por ritmo e sonoridade, 
que buscam a unidade com o aspecto semântico, atingindo a riqueza 
estética. O ritmo é um elemento essencial e deverá ser fortemente 
marcado e, junto à rima, compõe o lúdico, característica atraente para 
o leitor infantil. 
O entendimento da poesia não é o essencial, pois a poesia é 
para ser sentida, muito mais que compreendida. Uma das principais 
características do fenômeno poético é exatamente a ambiguidade, a 
conotação. A poesia é fruto da sensibilidade do leitor: emoção e 
beleza. De todos os gêneros, deve ser o menos comprometido com 
aspectos morais ou instrutivos. 
Por isso tudo, é imprescindível expor o leitor -criança a um 
material poético diversificado. Assim, ao se sentir intrigado com um 
certo tipo de poema, poderá recorrer a outros que o agradem, ao invés 
de afastar-se da poesia. 
 
4.4.1 Alguns poetas em destaque 
Os poetas que constituíram marcos da poesia infantil brasileira, 
principalmente no que diz respeito à mudança no tratamento da arte, 
deixando de apresentar o cunho pedagógico são: Cecília Meireles, 
Vinícius de Morais, Ziraldo, Bartolomeu Campos Queirós, Ângela Leite 
 
63 
 
 
 
de Souza, Sérgio Caparelli e Vinicius de Moraes. entre outros. 
Cecília Meireles é uma das mais importantes escritoras de 
poesia infantil. Lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade 
do Texas, nos Estados Unidos da América. Também foi jornalista, 
tendo sido responsável por uma seção sobre problemas do ens ino no 
Diário de Notícias e uma seção de estudos do folclore infantil, no jornal 
A Manhã. Foi a criadora de uma biblioteca infantil, uma das primeiras 
do gênero no Brasil. Sua atividade diversificada permitiu -lhe divulgar 
as obras maiores da literatura, bem como a tornaram conhecida, e ao 
seu trabalho, nacional e internacionalmente. 
Cecília Meireles conheceu o universo infantil e tirou proveito 
disso, concretizando-o nos mais variados temas. Na obra Ou isto ou 
aquilo, por exemplo, temos o poema que dá títuloà obra e cujo tema é 
a dúvida, explicitada pela forte presença da antítese. 
Ou isto ou aquilo (Cecília Meireles) 
Ou se tem chuva e não se tem sol, 
ou se tem sol e não se tem chuva! 
Ou se calça a luva e não se põe o anel, 
ou se põe o anel e não se calça a luva! 
Quem sobe nos ares não fica no chão, 
quem fica no chão não sobe nos ares. 
É uma grande pena que não se possa 
estar ao mesmo tempo em dois lugares! 
Ou guardo dinheiro e não compro o doce, 
ou compro o doce e não guardo o dinheiro. 
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo 
e vivo escolhendo o dia inteiro! 
Não sei se brinco, não sei se estudo, 
se saio correndo ou fico tranquilo. 
Mas não consegui entender ainda 
qual é melhor: se é isto ou aquilo. 
 
64 
 
 
 
 
Nesta poesia o eu lírico mostra que a vida é feita de escolhas e 
estas, muitas vezes, são difíceis de resolver. Apresenta uma riqueza 
nas formas e na rima, com uma musicalidade agradável à criança. 
A poesia pode ser pensada em três grandes modalidades: 
 o poema que se realiza de maneira mais lírica ou mais 
lúdica; 
 o poema narrativo que é a história contada em versos com 
rima e ritmo; 
 a prosa poética que, sem estar presa ao verso, se constrói 
a partir de imagens poéticas. 
Cecília Meireles apresenta maior expressão na tendência lírica. 
Na poesia citada, o jogo sonoro e visual, a tematização do cotidiano 
infantil e até o reaproveitamento de formas folclóricas, como a 
adivinha, são atravessados por um estado de alma que funde sujeito e 
mundo, próprio do lírico. De forma emocional e globalizante, a criança 
apreende o universo em que se insere, não apenas num processo de 
reconhecimento, mas de revelação. O eu lírico diz, imaginariamente, o 
mundo existente. O cotidiano do ser, marcado pela dúvida e pela 
dificuldade de decisão, é poetizado. Na simplicidade dos versos, "Ou 
guardo o dinheiro e não compro o doce/ou compro o doce e gasto o 
dinheiro", estão representados os polos opostos da realidade e do 
prazer que o ser humano é, constantemente, obrigado a conciliar. Sem 
dúvida, Cecília Meireles abre a porta para que a criança se instale no 
espaço do poema, tratando de um tema que não tem idade, sem 
menosprezar a inteligência e a sensibilidade infantis, mas ajustando o 
foco à percepção própria do mundo. 
Considerando a prosa poética que não está presa ao verso, mas 
busca a musicalidade da linguagem e vale-se de imagens poéticas, o 
 
65 
 
 
 
nome de Ziraldo precisa ser novamente citado. O menino não é mais 
aquele do "ama a terra em que nasceste", mas O Menino Maluquinho, 
que sabe ser feliz e tem agradado a inúmeras gerações, desde que foi 
lançado pela primeira vez. O mesmo sucesso faz Flic ts, a cor que não 
tinha lugar na terra e se encontrou na lua, um livro em que os recursos 
poéticos da palavra se aliam à ilustração e aos aspectos gráficos, 
conferindo-lhe um lugar de destaque na Literatura Infantil brasileira. A 
obra de Ziraldo inclui, também, histórias escritas em versos que 
exploram a rima, o ritmo, como é caso da coleção dos livros para cada 
letra ao alfabeto, que podem estar inseridas na divisão anterior . 
O trabalho de Bartolomeu Campos Queiros é dos exemplos mais 
expressivos de prosa poética na Literatura Brasileira. Nela, há uma 
simbologia profunda, densa, e seus textos encaminham-se para a 
busca da essencial idade humana. Em O peixe e o pássaro, por 
exemplo, o texto é uma exposição lírica sobre a questão da identidade 
e metaforiza os dilemas da existência humana. 
 
 O autor narra sobre o amor impossível entre um peixe e um 
pássaro. 
Outra escritora de destaque na literatura atual é Ângela Leite de 
 
66 
 
 
 
Souza. Sua obra compõe-se de quarenta títulos, aproximadamente, 
entre livros para adultos e infanto-juvenis, tradução, pesquisa, prosa e 
poesia. Já recebeu diversos prêmios nacionais e reconhecimento 
inclusive internacional. 
 Outro destaque foi Vinicius de Moraes. Ele foi diplomata, 
dramaturgo, crít ico de cinema e letrista. Desde 1960, seus poemas 
infantis circulam em antologias, mas só em 1970 eles são reunidos no 
livro A arca de Noé, provavelmente o mais conhecido livro de poesia 
infantil, no Brasil, na segunda metade do século XX. 
 
 Sua merecida popularidade decorre do jogo sonoro, da 
perspectiva infantil assumida pela voz poética, do humor, do 
aproveitamento de recursos típicos da poesia popular como a quadra, a 
redondilha e a rima nos versos pares, além da temática animal, um dos 
temas de maior empatia junto às crianças. Além desses motivos, outra 
razão para sua popularidade é o fato de os poemas terem s ido 
musicados por importantes compositores brasileiros – Tom Jobim entre 
eles – e gravados em dois discos lançados em 1972. 
Um de seus poemas infantis mais conhecidos é “A Casa”, na 
verdade uma canção – com letra e música de Vinicius –, que 
transforma em estranho o conhecido: o poema desconstrói – verso a 
 
67 
 
 
 
verso – a noção de casa, construindo uma ausência muito engraçada. 
Para apreciar no Youtube 
https://www.youtube.com/watch?v=ipjly96rzxA 
Música e imagens sobre A casa de Vinicius 
A Casa 
Era uma casa 
Muito engraçada 
Não tinha teto 
Não tinha nada 
Ninguém podia 
Entrar nela não 
Porque na casa 
Não tinha chão 
Ninguém podia 
Dormir na rede 
Porque na casa 
Não tinha parede 
Ninguém podia 
Fazer pipi 
Porque penico 
Não tinha ali 
Mas era feita 
Com muito esmero 
Na Rua dos Bobos 
Número Zero. 
 Explique de que modo esta poesia atende aos interesses 
infantis e pode contribuir para a formação do leitor. 
 
 
 
 
 
68 
 
 
 
4.4.2. A poesia e o trabalho do professor 
 
Há muitos escritores e obras que merecem destaque e 
valorização. Assim a nossa ação como educadores, proporcionando ao 
nosso aluno uma vivência com a poesia é indicada e necessária. Para 
tanto precisamos estar encantados com as possibilidades de ação 
pedagógica visando estimular a leitura da poesia em classe. Assim 
talvez pudéssemos obter melhores resultados no sentido da formação 
completa de leitores. A citação de Kirinus(2008) reforça a nossa tarefa 
educativa. 
Compreender, amar e conhecer a poesia são fragmentos do mesmo 
todo que compõe o ser poético - agente de religações e recitações 
ancestrais e múltiplas. É também a condição prioritária e essencial para o 
professor que procura o reequilíbrio racional-imaginário entre os alunos. 
(KIRINUS, 2008, p.102) 
 
O professor deve propiciar a vivência da poesia, pelos 
movimentos rítmicos, pela dramatização, pelos jogos fônicos, pelas 
mensagens experimentadas e sentidas, em sua riqueza de conteúdo e 
de linguagem. Ele deve, também, mostrar que a beleza da poesia é 
uma beleza que se encontra nas criaturas, na natureza e na vida 
cotidiana; tudo pode ser poesia. 
Os poemas de cordel, as letras de canções, as quadras de 
adivinhas, são ricas possibilidades de trabalho, que não 
necessariamente precisam de fichas de leitura, nem análise da 
versificação, nem a obrigatoriedade de memorizar para a declamação 
na festa dos pais, ou no aniversário do colégio. O que estamos 
querendo indicar é que o conhecimento mais formal da poesia, 
algumas vezes, tira a espontaneidade que tanto a enriquece. 
 
 
69 
 
 
 
Uni, duni, té 
Salame minguê 
Um sorvete colore 
O escolhido foi você. 
 
Animais que se multiplicam, que se apresentam e representam 
em formas visuais, dando vida ao desenho das letras, fazendo-as 
obedecerem a um novo traçado igualmente significante, como os 
poemas figurativos de Marco Antônio Barreto da Silva em "Isca de 
pássaro é peixe na gaiola." 
Que tal esse exemplo de poesia que brinca de dizer muito a 
partir do mínimo e de suas combinações? 
Afinando violino 
Toco lino 
Viofino 
Toco vio 
Fonolino 
Vio toco 
Linofino 
Toco fino 
Violino (CAPARELLI, 2014). 
 
Para fecharmos o tópico sobre a poesia é preciso apresentar70 
 
 
 
mais algumas reflexões, em especial sobre o que considerar como 
poesia infantil. 
Uma das mais respeitadas estudiosas do assunto, Bordini, 
alerta que quando colocarmos o rótulo infantil na poesia, é como se 
criássemos uma limitação nas suas características artísticas. 
Prossegue na análise e posiciona-se com maior clareza: "a poesia 
infantil genuína é indistinguível da poesia não adjetivada, salvo, talvez, 
em termos temáticos." (BORDINI, 1976, p. 13). 
Outros autores se preocupam com a colocação de rótulos na 
literatura e afirmam que a literatura que traz o destinatário, infantil ou 
juvenil, incluído em seu modo de ser, não é polêmica em sua essência 
(o substantivo literatura), mas em suas restrições (os adjetivos infantil 
e juvenil). Para Khède (1986) essa posição acaba por levar a 
restrições, a limites que influem na criatividade. 
 
 No capítulo 4 da nossa apostila CND tivemos como objetivo 
tratar da Literatura como um todo e dos aspectos gerais ligados à 
produção literária brasileira para crianças. Tratamos de discutir 
também a respeito do rótulo infantil que é colocado tanto nas obras em 
prosa como nos de poesia, mas acima de tudo tivemos como meta 
inspirá-los a conhecer e apreciar as produções literárias de forma a 
melhor atuar quando estiver regendo uma turma. 
 O próximo capítulo terá como enfoque proporcionar a você, 
futuro professor, algumas sugestões relativas a formação de leitores e 
produção de texto. 
 
71 
 
 
 
 
5. VIABILIZANDO A FORMAÇÃO DE LEITORES-ESCRITORES 
Nesse capítulo, após termos tratado de leitura, de aspectos 
ligados à formação de leitores e da importância de trabalharmos na 
escola com textos variados, vamos buscar formas de viabilização para 
isso. Assim sugerimos projetos de leitura na escola, o trabalho com o 
jornal e a biblioteca escolar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.1 Reafirmando a importância da produção de textos. 
Segundo a Revista Nova Escola,Gestão Escolar,nº18 de 2012: 
"Estimular os estudantes a expressar as opiniões por meio da palavra 
escrita e, desse modo, elaborar um percurso como autor é uma das 
principais funções da escola." 
Você aluno do IECS, na sua trajetória escolar, foi envolvido em 
atividade de produção de texto. Mas a forma de realizar essa tarefa 
vem se modificando ao longo do tempo. 
De acordo com o pesquisado na Revista Nova Escola, que já 
citamos, é possível fazer um verdadeiro túnel do tempo com relação ao 
assunto. 
Assim nos anos 50 do século XX, as escolas costumavam pedir 
composições livres ou com base em imagens e no desenvolvimento de 
um tema e se exigiam determinado número de linhas como desenvolver 
Ao final da leitura do capítulo você poderá ter construído as seguintes 
competências e habilidades 
Identificar aspectos relativos a importância da produção de textos na 
atualidade 
Relacionar as possibilidades de trabalhar com projetos para melhor 
viabilizar a formação de sujeitos leitores e escritores 
Avaliar a importância da existência da Biblioteca escolar e do trabalho com 
o jornal, visando a variedade de trabalhos com os diferentes gêneros 
textuais. 
 
72 
 
 
 
o tem em 30 linhas. 
Nas décadas seguintes, de 60 e 70,predominaram as propostas 
de narração, descrição e dissertação. 
A chegada dos anos 80 deram ênfase às redações tipo textos 
com características semelhantes às dos textos que circulam 
socialmente, mas a ênfase voltou para a sequência de escrita com 
começo, meio e fim e a garantia do uso de aspectos formais que 
sustentassem a estrutura textual. 
Podemos considerar que a partir da metade da década de 90 o 
que se apresenta,de forma mais predominante é o trabalho com 
gêneros e se mantém até hoje. 
Daí para cá a prática docente tem revelado diferentes 
compreensões a respeito do que é ensinar a escrever baseando-se em 
gêneros discursivos. 
Com a orientação dada pelos PCNs de Língua Portuguesa, a 
partir de1997 em diante, algumas expressões passaram a ser 
frequentemente utilizadas: produção de textos, diversidade textual e 
gênero discursivo. Sobre esses aspectos vamos tratar a seguir 
tratando de algumas considerações a partir dos PCNs. 
Para começar indagamos ? Que "redação" temos que trabalhar 
na escola? 
Ensinar a escrever textos torna-se uma tarefa difícil fora do 
convívio com textos que tenham envolvimento numa situação de 
comunicação que os tornem necessários. Fora da escola escrevem-se 
textos dirigidos a interlocutores de fato. 
Feita essa observação inicial é preciso ter em conta que todo 
texto pertence a um determinado gênero, com uma forma própria, que 
se pode aprender. São os textos que circulam socialmente aqueles que 
devem servir como referência à produção textual. "Dessa forma a 
 
73 
 
 
 
diversidade textual que existe fora da escola pode e deve estar a 
serviço da expansão do conhecimento letrado do aluno." (PCNs DE 
LÍNGUA PORTUGUESA ,p.26). 
Essa visão difundida pelos Parâmetros lembra ainda que há 
necessidade de mudança nas concepções mais tradicionais de 
alfabetização,uma vez que o sentido restrito de aquisição da escrita 
alfabética, hoje ocorre dentro de um processo mais amplo de 
aprendizagem da Língua Portuguesa. Esse enfoque coloca 
necessariamente um novo papel para o professor das séries iniciais: o 
de professor de Língua Portuguesa e traz para centro da discussão a 
produção de texto. 
Um texto não se define por sua extensão. Observem os 
exemplos: 
 O aluno desenha e assina o desenho -é texto 
 A lista de compra que a mãe dita para uma criança - é um 
texto. Um conto é um texto 
 Um romance também é texto. 
 Se você entra num hospital e lê SILENCIO,ou lê uma faixa 
PARE pintada no cruzamento de uma rua ,também é um texto. 
Por outro lado se a professora pede ao aluno para escrever 5 
palavras com a letra D, não se pode considerar como texto ou parte 
dele , porque não envolve situação de comunicação. 
Diante dessas considerações os PCNs ressaltam que: 
Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e 
textos há um equívoco (...): tenta-se aproximar os textos das crianças — 
simplif icando-os —, no lugar de aproximar as crianças dos textos de 
qualidade.(p.29) 
 
Nessa concepção podemos considerar que não se formam bons 
leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos, justamente no 
 
74 
 
 
 
momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. 
Como estamos tratando de Literatura Infantil e produção de 
texto,reforçamos que, aos poucos, o texto literário deve ir sendo 
incorporado às práticas cotidianas da sala de aula, pois trata -se de um 
texto cheio de especificidades. Vejamos algumas delas. 
A literatura não é cópia do real, nem somente um tratado de 
linguagem. Mas também não é só uma fantasia. Quando ,por vezes a 
consideramos como conhecimento, ela apresenta,via de regra, ligação 
indireta com o real. 
O real e o imaginário sofrem a mediação dos signos verbais e 
até dos não verbais. 
Pensar a literatura a partir dessa autonomia relativa diante do 
real significa pensá-la como um tipo específico de diálogo que envolve 
aproximações e afastamentos da realidade, uso de criatividade na 
linguagem, muita subjetividade misturada a racionalizações, 
referências ao já escrito e, citações e vivências dadas a partir do 
cotidiano das sociedades. 
Nesse nosso caminhar sobre produção de texto, literatura e 
formação de leitores-escritores,cabe mais uma reflexão extraída dos 
PCNs , p.40: 
O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores 
competentes e, consequentemente, a formação de escritores, pois a 
possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de 
leitura, espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências(...) 
A leitura, por um lado, nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que 
escrever. Por outro, contribui para a constituição de modelos: como 
escrever.75 
 
 
 
5.2. Projeto Didático e formação de leitor 
Os educadores, atualmente, convivem com uma questão 
preocupante em relação aos discentes: o desinteresse pela leitura. 
Se realizarmos uma pequena pesquisa e apresentarmos uma 
lista de possibilidades de distração aos alunos tais como ver televisão, 
ir ao cinema, utilizar as variadas mídias ou ler um livro impresso, é 
possível que a leitura do texto impresso fique em último lugar. Também 
se buscarmos saber da existência de uma biblioteca em casa , mesmo 
entre as pessoas de bom nível econômico, ou de busca de obras 
literárias nas bibliotecas públicas ou escolares teremos uma dimensão 
do desinteresse pela leitura. 
Hoje, com apelos incessantes a atividades que levam a 
constante interação, a leitura acaba sendo deixada de lado, pois exige 
introspecção. O consumo em shopping centers, os jogos no 
computador, as muitas festas e passeios, acompanhados de pouca 
exigência social de conhecimento sólido e de informação estão 
produzindo uma geração que não valoriza devidamente a cultura 
veiculada pelos livros . 
Em busca de formas de atrair o aluno para leitura um recurso a 
ser utilizado é o projeto didático. Por ser uma atividade pedagógica 
composta de sequências e tarefas que culminam num produto final com 
destinatário definido, é um bom auxiliar na tarefa de formar leitores. 
De acordo com Gouveia, cuja experiência de leitura foi 
apresentada em 2009, pela Revista Nova Escola: 
O projeto didático é a melhor forma de realizar o que os especialistas 
chamam de transposição didática dos usos sociais da escrita por colocar o 
aluno diante de uma prática que considera a função comunicativa da 
linguagem. (GOUVEIA, 2009) 
Como fazer para desenvolver um bom projeto de leitura? 
Para a elaborar um projeto de leitura, o professor poderá 
 
76 
 
 
 
inicialmente, apoiar-se em fazeres pedagógicos anteriores. 
Como destaque citamos Celestin Freinet, crítico tanto da escola 
tradicional quanto das escolas novas e sobre quem já tratamos em 
outros módulos do nosso curso. 
Freinet foi criador, na França, de um movimento que marcou a 
forma de se trabalhar a educação. Para ele, a relação direta do homem 
com o mundo físico e social é feita através do trabalho como atividade 
coletiva, e liberdade é aquilo que decidimos em conjunto. 
Analisou de forma crítica o autoritarismo da escola tradicional, 
expresso nas regras rígidas da organização do trabalho, no conteúdo 
determinado de forma arbitrária, compartimentado e defasado em 
relação à realidade social e ao progresso das ciências. 
Para Freinet, as mudanças necessárias e profundas na 
educação deveriam ser feitas pela base, ou seja, pelos próprios 
professores. A escola, por ele concebida, é vista como elemento ativo 
de mudança social e é também popular, por não marginalizar as 
crianças das classes menos favorecidas. Freinet propôs o 
trabalho/jogo como atividade fundamental. Deu grande importância à 
participação e integração entre famílias/comunidade e escola, 
defendendo o ponto de vista de que "se se respeita a palavra da 
criança, necessariamente há mudanças". Algumas técnicas da 
pedagogia de Freinet: tais como o desenho livre, o texto livre, as aulas-
passeío, a correspondência interescolar, o jornal, o livro da vida (diário 
e coletivo) o dicionário dos pequenos, o caderno circular para os 
professores etc. 
Essas atividades têm como objetivo favorecer o 
desenvolvimento dos métodos naturais da linguagem (desenho, escrita, 
gramática) da matemática, das ciências naturais e das ciências sociais. 
Porém, não são um fim em si mesmas, e, sim, momentos de um 
 
77 
 
 
 
processo de aprendizagem, que, a partir dos interesses mais profundos 
da criança, propicia as condições para o estabelecimento da 
apropriação do conhecimento. Entrelaçando essas ideias com as 
propostas de realização de projetos é possível pensar em bons 
resultados. 
Em outras palavras, como o citado nos PCNs de Língua 
Portuguesa,se cabe à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo 
dos textos que circulam socialmente, ensinar a produzi -los e a 
interpretá-los, esse pode ser um caminho seguro. 
Isso inclui os textos das diferentes disciplinas, com os quais o 
aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e, mesmo 
assim, não consegue manejar, pois não há um trabalho planejado com 
essa finalidade. Um exemplo: nas aulas de Língua Portuguesa, não se 
ensina a trabalhar com textos expositivos como os das áreas de 
História, Geografia e Ciências Naturais; e nessas aulas também não, 
pois considera-se que trabalhar com textos é uma atividade específica 
da área de Língua Portuguesa, ou seja o aluno acaba não tendo a 
chance de aprender a usar diferentes textos. 
Vamos preparar o aluno para que ele se torne capaz de : 
 compreender um conceito 
 apresentar uma informação nova 
 descrever um problema 
 comparar diferentes pontos de vista 
 argumentar a favor ou contra uma determinada hipótese ou 
teoria 
É essa capacidade, que permite o acesso à informação escrita 
com autonomia, é condição para o bom aprendizado, pois dela 
depende a possibilidade de aprender os diferentes conteúdos. Por isso, 
todas as disciplinas têm a responsabilidade de ensinar a utilizar os 
 
78 
 
 
 
textos de que fazem uso, mas é a de Língua Portuguesa que deve 
tomar para si o papel de fazê-lo de modo mais sistemático. 
Você aluno do IECS já se imaginou criando um projeto de jornal 
escolar para uma turma de 4º ano, por exemplo? Certamente a 
atividade estimularia a formação de leitores. 
 
O projeto de leitura na escola deve possibilitar a indagação, 
pesquisa, criação, de maneira que a literatura venha a ter uma função 
atual, verdadeira, recreativa e estética, social e renovadora. 
Os projetos necessitam de entusiasmo, tanto de professores 
quanto de alunos, de uma boa base de recursos materiais e, 
sobretudo, de sólida teoria educacional que permita a caminhada 
segura. 
 
Os alunos da Escola Estadual Francisco Máximo de 
Souza(estado do Tocantins) estão participando de um projeto 
denominado "Correio Cultural", em que trocam correspondências com 
escritores regionais e nacionais. O projeto é uma ação do PDE - Plano 
de Desenvolvimento da Escola - e tem o objetivo de combater as 
deficiências na leitura, principalmente, das turmas de Educação de 
Jovens e Adultos. Também visa formar o aluno leitor. Para 
corresponderem-se com os escritores, os alunos leem suas obras e 
biografias e, em seguida, escrevem para eles comentando suas obras. 
Os escritores, quando podem, visi tam a escola e, quando não podem 
estar junto aos alunos, enviam cartas e livros para serem sorteados 
entre os estudantes.Paralelo a esse projeto, a escola desenvolve o 
Programa Circuito da Leitura, executado com o auxílio dos voluntários 
da escola e com alunos da l.a fase do Ensino Fundamental.Com esses 
 
79 
 
 
 
projetos, a biblioteca Humberto Campos, da Escola Francisco Máximo 
de Souza, está sendo sempre visitada. 
Outra escola que se destaca com projetos de leitura é a Escola 
Estadual Vila Nova, também no Tocantins, que desenvolve o "Cantinho 
da Leitura". Nesse espaço, os alunos participam das atividades como a 
Hora da História, Produção de Textos e Concurso de Poesia. Além de 
conhecer os textos narrativos, os estudantes aprendem a narrar suas 
próprias histórias. 
Vamos apreciar mais um projeto didático sobre a produção do 
sentido do texto? 
Esse material foi elaborado por uma professora de Língua 
Portuguesa, em São Paulo. Ela pediu aos seus alunos do quinto ano 
que escrevessem um conto de fadas. Notou que eles já conheciam 
muitos contos clássicos, mas tinham muitas dificuldades em ortografia, 
na exposição das ideias, na identificação dos gêneros textuais. Isso 
mostrou que eles tinham pouca leitura. A solução lógica foi fazê -los ler 
mais. 
Fiquem atentos a umtrecho da história do “Chapeuzinho 
Vermelho” adaptada por esses alunos, com uma roupagem atual: 
 
Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho... Azulado. 
Todas as sextas-feiras ela ia levar pizzas para sua vovó, pois a 
velhinha adorava uma bela pizza de frango com catupiry. Ao chegar lá, 
viu sua vovó toda amarrada. Ficou com muita raiva.”Vovó, quem 
amarrou você desse jeito?”, disse a menina furiosa. “Foi o malvado 
lobo, minha netinha. Ele vive querendo comer minhas pizzas”, falou a 
vovó assustada. Chapeuzinho pegou o celular e ligou para seu amigo 
caçador. Mas, de repente, apareceu o lobo e pulou a janela. Sua avó 
pegou uma frigideira de ferro e bateu na cabeça do animal. No final 
 
80 
 
 
 
tudo acabou em pizza. A menina e sua vovó viveram felizes para 
sempre.(DIDONÊ, 2007) 
 
Observamos que o conto tradicional dos Irmãos Grimm está 
modificado com detalhes que o atualizam, mas percebem-se os 
aspectos comuns ao gênero, as marcas do estilo: Era uma vez, foram 
felizes para sempre, vitória do bem, presença de vilões e seres 
mágicos. 
 
5.3. A importância da biblioteca escolar. 
 
Um pouco da história das bibliotecas pode nos servir de 
inspiração. As bibliotecas existem desde que o homem transmite suas 
ideias para um objeto concreto, seja a madeira, o papiro, a argila, a 
pedra ou o papel. De acordo com historiadores, os escritos surgiram no 
Oriente e, com eles, as bibliotecas. 
Assim temos que registro que as mais antigas civilizações 
guardavam seus acervos registrados em pergaminhos5 e manuscritos. 
 
Destacam-se como as mais notáveis e célebres bibliotecas as 
de Pérgamo, no território da Turquia atual e a de Alexandria, no antigo 
Egito, com rolos de papiro, selecionados por filósofos, matemáticos e 
pesquisadores de diversas áreas, que traduziam para o grego os 
conhecimentos de várias culturas. 
A biblioteca instaurou uma nova escritura científica "começando 
 
81 
 
 
 
a alterar a situação anterior de lugar depósito, destinado a acolher 
somente livros religiosos e inventários de bens dos reis." (NÓBREGA, 
2002, p. 122). E, influenciou os modos de escrita e leitura. 
Na história das bibliotecas, destacamos que Paulo Emílio é o 
nome do primeiro fundador de uma biblioteca, em Roma. Os romanos 
conservavam as bibliotecas proibidas ao público até o reinado de 
Augusto. Cabe a César a iniciativa das bibliotecas públicas. 
No século IV, Roma já possuía 217 bibliotecas públicas. Essa 
história apresenta o fato lamentável de, habitualmente, as bibliotecas 
haverem sido destruídas e reduzidas a cinzas em guerras, seja por 
bárbaros ou por cristãos revoltados contra os pagãos. Não se 
encontram registros de bibliotecas infantis, pois a criança não tinha 
ainda relevância, nem mesmo existência simbólica, na soc iedade do 
tempo. 
Na etimologia, biblioteca vem do grego bibliou = livro e théke = 
caixa, armário. Aos poucos, com a multiplicação dos livros, as 
transformações das ciências, literatura e artes, a diminuição do 
analfabetismo e o surgimento de universidades, as bibliotecas passam 
a ser um centro de divulgação de conhecimento e não mais um 
depósito de manuscritos. 
Com o desenvolvimento da imprensa, a biblioteca vai se 
tornando um lugar de acesso às informações. Foi na Inglaterra surgiu a 
primeira Biblioteca Infantil, no ano de 1747. No Brasil, por volta de 
1917, Alexina Magalhães Pinto projeta uma biblioteca infantil, um 
inventário do que havia sido produzido sobre a infância e a juventude, 
até então. Mas é em 1936, que Lenyra Fraccaroli cria a primeira 
Biblioteca Infantil Municipal, em São Paulo. 
 
 
5
 http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=607616 
 
82 
 
 
 
As funções de uma biblioteca escolar são muitas , mas podem 
se destacar como o local de guarda de acervo, isto é, assumir a 
responsabilidade pelo material nela depositado, proveniente de 
suportes diversos: os livros, os jornais, CDs, material de informática, 
fotos, revistas, filmes. 
Outra função correlata é a de preservar, isto é, a de manter em 
bom estado todo esse material, que faz parte da história da cultura. 
Ainda pode ser entendida como função da biblioteca a de 
preservar tudo aquilo que diga respeito à história da escola, de seus 
alunos, do bairro. 
Imprescindível é, também, a função de difundir, isto é, de 
divulgar a qualidade e importância do que ali está guardado. Trazer, 
pela propaganda, sempre novos usuários. 
Também é importante para ativar o conhecimento, uma vez que 
nela estão depositados os registros do conhecimento acumulado pela 
humanidade ao longo de sua história e em formato materializado. E, 
principalmente, estimular a leitura, criando novos leito res e mantendo 
os já existentes. 
De acordo com Sandroni e Machado (1977), a biblioteca escolar 
deveria, principalmente, orientar a criança para desenvolver sua 
capacidade de estudo, dando-lhe meios para que através de 
pesquisas, ampliar seu conhecimento. 
Além disso, nos países em desenvolvimento, devido ao baixo 
poder aquisitivo da população, deseja-se que a biblioteca escolar supra 
a falta de livros, ofertando, além de livros didáticos, obras de ficção, 
poesia, teatro, prosa. 
Mas é exatamente por motivos sócio-econômico-culturais, que 
as escolas, muitas vezes, não possuem bibliotecas. Os estudantes 
passam a procurar nas bibliotecas públicas e atualmente, cada vez 
 
83 
 
 
 
mais, na internet, os materiais de referência escolar para seus 
trabalhos. 
Na biblioteca, existe a oportunidade de se desfazer o 
condicionamento da leitura dirigida tão somente ao livro didático, 
através da apresentação da diversidade de opções de leitura, com a 
livre escolha da criança e o contato agradável com os livros. 
Com as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias busca-
se suplantar a mera organização dos livros que se concretiza nos 
acervos de uma biblioteca. A sua correta utilização permite a 
democratização do acesso ao conhecimento e por isso, deve ser 
dinamizado. “Trabalhar em acervos implica competência científica e 
clareza política, para definir comportamentos de organização e 
preservação.” (NÓBREGA, 2002, p. 127). 
Nóbrega também propõe criar ambientes de leitura como 
espaços agradáveis para o convívio com os livros e demais suportes 
de leitura e diversidade de linguagens. Bibliotecas infantis com 
tapetes, almofadas, cadeiras de balanço, cores para proporcionar 
prazer e tranquilizar os usuários. 
Há outros educadores que pensam que a biblioteca, para evitar 
ser um espaço tradicional, deveria abster-se de exigir silêncio: a 
criança seria atraída por jogos, pela hora do conto, por revistas e 
jornais específicos para a infância, podendo trocar ideias no local. 
Poderiam portar-se, na biblioteca, como quisessem: ficar sentadas ou 
deitadas, isto é, na posição que preferissem, somente importaria o 
hábito de manusear e ler o livro. De todos os recursos utilizados para 
tornar a biblioteca mais atraente, o objetivo principal deve ser o 
estreito relacionamento com o livro. 
A iniciação do contato com a biblioteca deveria ocorrer desde 
cedo, mesmo antes de frequentar a escola. Durante as férias, a 
 
84 
 
 
 
biblioteca escolar deveria proporcionar o encontro entre as crianças, 
estimulando-as a participarem na organização e seleção do material, 
na arrumação e no funcionamento dela. 
O bibliotecário, quando houvesse alguém atuando 
especificamente na função, deveria reunir-se periodicamente com o 
pessoal que atua na escola, para a avaliação da proposta desenvolvida 
e planejamento dos futuros trabalhos. 
Dessa maneira a biblioteca pública infantil, escolar ou não, 
deveria ser como uma casa e não como um depósito de livros. Assim, 
passaria a fazer parte do dia-a-dia das crianças. Deveria,também ser 
animada por contadores de histórias, representações teatrais, com 
histórias relacionadas aos livros da biblioteca. 
A partir do que estamos expondo é fácil concluir a apresentação 
da biblioteca é muito importante.Os alunos de todos os anos escolares, 
levados à biblioteca, devem ser recebidos através de uma 
apresentação descontraída e, ao mesmo tempo, informativa. A 
biblioteca pode expor: histórias em quadr inhos, textos de jornais, 
revistas e suplementos infantis, anúncios, classificados, canções, 
poesias, quadrinhas trava-língua, lendas populares, e folhetos de 
cordel,entre outros materiais. 
Um meio de levar as crianças ao livro é espalhá-los sobre a 
mesa, em grande número. O bibliotecário pode dizer algumas palavras 
sobre cada o livro, em seguida, os próprios alunos os folheiam. 
Uma outra sugestão é o trabalho chamado de "a hora do conto". 
Essa atividade atrai principalmente o aluno menos interessado pelo 
livro, pois, ao ouvir um contador, perceberá sua expressão facial, 
compreenderá mais facilmente os significados, as personagens e as 
situações narrativas. 
Em setembro de 2010,uma escola em Santa Catarina realizou a 
 
85 
 
 
 
hora do conto e depois os próprios alunos trataram de ilustrar a história 
apreciada O material ficou exposto na biblioteca. 
Eles expressaram através de desenhos a história"Conceição e Peri, uma história de 
amor". 
 
Vejam só como ficaram na nossa biblioteca. 
 
 
Fonte: Biblioteca infantil do Colégio Catarinense 
Outra possível atividade é a presença e conversa com autores 
de livros infantis. É possível criar espaço para o bater papo sobre 
livros, a organização de exposições, passeios turísticos orientados às 
estantes, reprodução ou reelaboração de livros a partir de leituras 
realizadas e comentadas. 
Também se pode criar a biblioteca de classe. A criação de uma 
estante em sala de aula, em que cada aluno cederia um ou dois livros, 
formando o acervo da classe, que funcionaria através do sistema de 
empréstimo. Por meio do revezamento, um aluno controlaria as saídas 
e devoluções. Assim, mesmo a escola que não possua biblioteca, 
poderá ter, em ambiente escolar, uma biblioteca. Sua informalidade 
atrairia a criança para o contato imediato com os livros, sem 
intermediação do adulto.. 
Sandroni e Machado (1977) sugerem que para as regiões mais 
http://4.bp.blogspot.com/_Yyvcv4eCLuI/TJLV-OFO14I/AAAAAAAABEU/jzfvja31eZQ/s1600/fotos+para+separar2010+111.jpg
 
86 
 
 
 
carentes da periferia, a fim de suprir a falta de biblioteca e incentivar o 
hábito da leitura, a caixa-estante é uma ótima alternativa. Pode-se 
solicitar a instalação ao Departamento de Bibliotecas Infanto -Juvenis, 
existente nas bibliotecas públicas municipais ou estaduais. Uma 
pessoa indicada é treinada para serviço de empréstimo, sendo 
avaliadas as dificuldades e resolvidas pelo responsável da caixa -
estante. O acervo é renovado após um período que permita que todas 
as obras sejam conhecidas pelos leitores. 
Entre todas as atividades na biblioteca, deve-se visar: 
discussões, reflexões, debates, planos, sonhos, democratizando o 
espaço e o tempo, aos vários pontos de vista, oportunizando a 
circulação dos diversos saberes. 
O caráter impositivo e obrigatório de tarefas pode, algumas 
vezes, afastar o leitor. Em contrapartida, cr ianças e adolescentes 
manifestam interesse, criatividade, reflexão e posicionamento crítico, 
quando podem escolher livremente seu livro. As experiências 
extraescolares são uma alternativa de proporcionar o contato 
espontâneo com os livros. 
Sandroni e Machado(1977) apresentam ainda a sugestão de se 
ter uma salinha de leitura, sem características mais formais de 
biblioteca, em que o adulto não pressione à leitura, somente crie 
condições de leitura e atuando, apenas, quando solicitado, não 
interferindo na escolha dos textos, duração de leitura, nem no modo de 
realizá-la. 
Que tal realizar esse sonho? 
A biblioteca escolar deveria ser um lugar de encontro com os 
livros: ler, escrever, ouvir, contar, reinventar, criar histórias, declamar, 
trocar material de leitura entre as crianças. A construção do espaço 
contaria com a simplicidade e aconchego, com livros em evidência com 
 
87 
 
 
 
as capas expostas, mesinhas com cadeiras pequenas, almofadões 
espalhados sobre o chão, rede. um pequeno sofá, escrivaninha e 
cadeiras. 
Que criança resistiria em habitar um espaço como esse? 
 
Quer conhecer projetos sobre bibliotecas? 
Acesse 
http://www.rioeduca.net/blog.php?tag=riodeleitores&pg=10 
 
 
5.4. O jornal em sala de aula 
Acordar de manhã e pegar o jornal para saber das notícias? É 
comum para você essa cena? Formar esse hábito no seu aluno seria 
ótimo, não é ? 
A esse respeito Faria (1979, p.12) assim se expressa: 
A linguagem jornalística oferece hoje uma espécie de português 
fundamental, uma língua base, nem tão restrita, que limite o crescimento 
linguístico do aluno, e nem tão ampla, que torne difícil ou inacessível o texto 
escrito ao comum dos estudantes. 
O texto jornalístico possibilita ao professor abordar diversos 
tipos de informações, através de atividades que levam o aluno a 
 
88 
 
 
 
praticar a expressão oral e escrita 
Como já abordamos quando nos referimos a outros suportes a 
introdução do trabalho com jornal precisa ser feito com algum preparo, 
por parte do professor. 
Assim devemos providenciar o manuseio do material, 
destacando as dimensões, qualidade do papel, numeração das 
páginas, apresentação dos textos em colunas, variedade de caracteres 
tipográficos, explorando a importância da composição da primeira 
página e mostrando que o texto de jornal é perecível, diferentemente 
do livro. 
Fonte: blogs.odiario.com 
Esse material tão rico precisa ser explorado em múltiplas 
dimensões. 
 
Manchete- Notícia- Reportagem- Publicidade- Entrevista- 
Editorial- Artigo de opinião- Crônica 
 
Primeiramente, deve ser bem explorada a manchete, que é o 
título principal, escrito com letras graúdas, publicada com grande 
destaque. As principais manchetes, geralmente estão na primeira 
página do jornal ou revista. Indica o fato jornalístico de maior 
importância entre as noticias contidas na edição. 
Posteriormente a este primeiro contato com o jornal, podemos 
tratar de apresentar os diversos tipos de textos, mais comuns no 
gênero jornalístico. 
 
89 
 
 
 
Atenção ! Atenção! Notícia de Última Hora. 
A notícia é o gênero jornalístico que marca a atualidade de uma 
publicação, e seus textos apresentam-se como unidades informativas 
completas, que contêm todos os dados necessários para que o leitor 
compreenda a informação, sem necessidade de recorrer a textos anteriores 
pois não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá -la, ou 
de ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação, ou em publicações 
similares. É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: 
começa pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. 
A notícia consta de três partes claramente diferenciadas: o título, a 
introdução e o desenvolvimento. O título cumpre uma dupla função - 
sintetizar o tema central e atrair a atenção do leitor. Os manuais de estilo 
dos jornais sugerem que os títulos não excedam a treze palavras. 
O título, a que se refere o texto acima, é também conhecido como 
"lead", a parte mais importante da notícia. Quando bem elaborado, exibe 
clareza, é atrativo, direto e simples. Deve-se observar, ainda, que a notícia é 
redigida na terceira pessoa, pois o redator deve manter-se à margem do que 
conta e transmitir a informação de com estilo formal e objetivo. 
Atenção ! Siga esta reportagem. 
Importante gênero jornalístico utilizado pela imprensa é a 
reportagem, que se reconhece pela sua maior elaboração. Trata-se de um 
trabalho que não sofre tão diretamente os efeitos da urgência. O jornalista 
dispõe demais tempo para estudar o tema, aprofundá-lo, procurar 
informações em fontes diversas e, por fim, encontrar o estilo de escrita 
adequado a uma melhor e mais direta transmissão do significado dos 
acontecimentos. Uma reportagem é uma notícia apenas um pouco mais 
aprofundada e com uma maior carga de interpretação pessoal, por parte do 
jornalista. Na elaboração de uma reportagem, o jornalista pode recorrer a 
entrevistas, a testemunhas dos acontecimentos, à investigação direta no 
local ou locais abrangidos pelo trabalho e à consulta de fontes impressas, 
em especial de livros , folhetos, estatísticas, materiais de arquivo em geral. 
 
 
90 
 
 
 
Atenção ao valor da entrevista: 
Outro gênero de texto apresentado nos jornais é a entrevista. 
A entrevista enquadra-se numa tipologia de textos de grande 
importância para o jornal, pois "A palavra falada, citada textualmente, 
transmite vida a um relato."(LETRIA; GOULÃO, 1976. p. 172) . Ela pode ser 
apresentada de forma convencional, sob a forma direta de pergunta-
resposta, reproduzindo fielmente o diálogo entre o jornalista e o 
entrevistado, ou. alternando o discurso direto e indireto e acrescentado 
comentários do jornalista. 
 
 
Quando a publicidade influencia. 
Dentro do jornal, o leitor encontrará diversos textos publicitários . 
No sistema capitalista no qual vivemos a publicidade é um elemento 
essencial à vida dos jornais. É com a receita da publicação de anúncios que 
a maior parte dos jornais garante a sobrevivência, pagando, ao mesmo 
tempo, um preço elevado por essa relação de dependência . Isso significa 
uma incursão do discurso publicitário no espaço visual e textual da 
linguagem jornalística. 
 
Você sabe identificar um editorial como a opinião de um jornal ? 
O editorial é um espaço em que são comentados os fatos atuais da 
sociedade. Trata-se de um artigo ou comentário, que exprime a opinião do 
jornal sobre determinado assunto. O ponto de partida do editorial é a notícia; 
através dela se faz o enquadramento de fatos relevantes e atuais numa 
situação mais geral. O texto abrange opiniões, advertências e soluções 
possíveis. Esse texto não é assinado pelo autor. 
 
 
 
 
 
91 
 
 
 
Essa é a sua opinião? 
O artigo de opinião tem a mesma estrutura do editorial, porém, 
recebe a assinatura do autor. Nesse texto o autor usa argumentos visando 
convencer o leitor utilizando argumentos de forma a convencer o leitor sobre 
as suas "verdades"usando estratégias discursivas,que validam a sua 
posição pessoal diante do acontecimento. As estratégias mais adotadas 
estão as acusações claras,as ironias, as insinuações, os apelos à 
sensibilidade do leitor . O jornalista pode também optar por uma linguagem 
aparentemente neutra, impessoal mostrando certa objetividade no proposto. 
Você é capaz de perceber essas características num artigo de opinião? 
Acredita que esse tipo de texto tem a função de debater ideias e contribuir 
para a formação política, técnica e cultural dos leitores? Essa é a sua 
chance de argumentar criando um texto opinativo. 
 
Você gosta de crônicas? 
Outro tipo de texto encontrado no jornal é a crônica. Nela, o autor dá 
vazão aos sentimentos. É um estilo jornalístico exercitado com objetivos 
artísticos, como ato de criação estética, e, referindo-se à atualidade. 
Assim se expressaram Letria e Goulão(1976, p.176) sobre a crônica: 
É a arma ideal para realçar a realidade e a atualidade através da 
ficção; a crônica transmite a reação pessoal, com a qual muitas vezes os 
leitores se identificam, através do humor, da ironia, do elogio emocionado, 
de todas as formas de expressar sentimentos. 
 
 
5.4.1. Que outras características jornalísticas precisam ser trabalhadas em 
classe? 
No trabalho pedagógico em sala com o jornal, é preciso ensinar 
o aluno a perceber a intencionalidade da publicação . 
É necessário pedir aos alunos para sempre observarem o corpo 
das letras dos títulos porque isso é um indicador a considerar relativo à 
posição adotada pela redação, com relação ao assunto. 
 
92 
 
 
 
Atividade interessante também pode ser feita com a 
comparação entre jornais, mostrando o enfoque dado a um fato 
acontecido. A tendência ao aparecimento de versões precisa ser 
considerada nesse caso.. 
Incentivar a criação de texto,com as características dos escritos 
jornalísticos é outra forma de aprimorar a exploração do jornal e 
realizar a atividade de escrita resgatando o sujeito -autor, estimulando 
a construção do imaginário do aluno dando-lhe a chance de recriar e 
solidificando a sua ação como um sujeito-leitor. 
 
Atividade: 
No livro Escola, leitura e produção de textos, Kaufman e 
Rodriguez (1995) orientam: 
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se 
na publicação, para melhor conhecer a ideologia da mesma. 
Fundamentalmente, a primeira página, as páginas ímpares e o extremo 
superior das folhas dos jornais trazem as informações que se quer 
destacar. Esta localização antecipa ao leitor a importância que a 
publicação deu ao conteúdo desses textos. (KAUFMAN e RODRIGUES, 
1995) 
Comente a intencionalidade dos detalhes descritos nesse texto 
 
 
 
 
 
93 
 
 
 
Esse capítulo tratou de produção de texto, trabalho com 
projetos e jornais e enfatizou aspectos ligados à importância da 
Biblioteca escolar. 
Assim acreditamos estar contribuindo para a sua reflexão sobre 
aspectos que poderão auxiliá-lo, na tarefa de transformar seus futuros 
alunos, em sujeitos da própria atividade de aquisição de 
conhecimentos e em pessoas capazes de estabelecer julgamentos e 
realizar escolhas, dando a atividade leitora a sua máxima valorização. 
Tanto a literatura quanto a produção de texto são assuntos ricos 
em conteúdo. Não se encerra aqui o estudo sobre esses tópicos . Ao 
contrário é desejo do IECS que você tenha sido despertado para o 
gosto e a fruição da leitura e se coloque como leitor-escritor e autor 
das suas aprendizagens, buscando conhecer sempre mais. 
 
94 
 
 
 
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Paulo: Ática, 1991. 
 
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