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EXERCÍCIOS WALLON - EMILY OLIVEIRA FONSECA 1) Pensar a criança completa, concreta e contextualizada significa abrir mão do caráter universal e a-histórico do desenvolvimento. Wallon construiu sua teoria sobre essa base. Como você poderia justificar a escolha feita por ele? Para Wallon, o ser humano é geneticamente social. Porém a resposta do meio vai favorecer o estabelecimento de conexões pela criança, entre as ações do adulto próximo e as manifestações impulsivas, e, em pouco tempo, essas associações fisiológicas transformam-se em manifestações expressivas. Suas reações impulsivas, orgânicas e desordenadas precisam ser completadas, compensadas e interpretadas pelo meio envolvente. 2) Wallon descreve o desenvolvimento infantil como uma construção progressiva, em que se sucedem períodos com predominância alternadamente afetiva e cognitiva. A que correspondem as atividades predominantes em cada etapa? Wallon define o ser humano ao nascer, um ser centrípeto, mais ocupado consigo mesmo reagindo pouco ou nada aos objetos do mundo físico. Suas reações irão se voltar ao adulto mais próximo dele, na maioria dos casos, a mãe, desenvolvendo assim seu lado afetivo. Gradativamente, os elementos do mundo exterior vão se constituindo como objeto de interesse e exploração, fazendo predominar um aspecto mais centrífugo no desenvolvimento, que se complementará com o andar (possibilitando a criança o deslocamento) e com a fala (que permitirá a criança nomear e identificar objetos). Isso significa que há uma troca, de uma fase centrípeta e subjetiva (ligada ao emocional) para uma fase centrífuga e objetiva (ligada a cognição de conhecimento sensorial do mundo). 3) De acordo com a teoria walloniana, o fundamento do psiquismo é a emoção, que opera a passagem do mundo orgânico para o social. A partir desse pressuposto, discuta: · O que caracteriza essa passagem? Caracteriza essa passagem o estágio do personalismo, onde a criança já consegue identificar e nomear objetos, iniciando outra vez a fase centrípeta do desenvolvimento. · Qual o papel do meio humano no processo? É o meio humano que será imitado pela criança, que colocará novamente a criança em situação de oposição e sedução. Fazendo a criança adquirir um pouco mais de autonomia e ampliar deu domínio do espaço físico. 4) A inteligência pode ser caracterizada de diferentes maneiras, ao longo do desenvolvimento da criança, segundo Wallon. Uma delas é o pensamento sincrético, presente entre os três e os seis anos de idade. Como você explica? A atividade mental da criança percebe e representa a realidade de forma diferenciada, misturando sujeito e objeto, assim como os vários planos do conhecimento, ou seja, a representação dos objetos e situações pela criança está cheia de experiências sensoriais e afetivas. 5) Ainda entre os três e os seis anos de idade, a grande tarefa da criança é a construção do “eu”. Nesse sentido, a construção do objeto deve estar a serviço da construção do sujeito e não o contrário. Por quê? O processo de simbolização vai permitir que o pensamento se distancie da subjetividade para atingir uma representação mais objetiva da realidade, a partir da preponderância de referências mais objetivas. Saber diferenciar o sujeito e o objeto é a tarefa do o pensamento ideomotor desenvolvimento do pensamento. Ao longo do período em que prevalece 6) Observando crianças de aproximadamente dois anos de idade registrou-se a seguinte cena: Aproximando-se de novo do espelho, J. (20 meses) “fala” com ele. Olha, abre a boca, ergue os braços, ergue a roupa, olha sua barriga e a barriga do espelho. Encosta o rosto no espelho e “fala” de novo, Aproxima-se e distancia-se. Ri, faz careta, se mexe e sai do espelho. Discuta seu significado no processo de consciência de si. Essa diferenciação se produzirá no que Wallon denomina período do espelho, quando a objetivação do próprio corpo, possível graças às diferentes formas de duplicação da própria imagem e aos primeiros avanços ao mundo simbólico, permitirá à criança conhecer-se de fora para dentro, integrando sensação, percepção e imagem de si mesma. Assim como será possível identificar e nomear objetos, o que Wallon denomina consciência de si, permitirá a ela objetivar-se, identificando sua imagem e seu nome. No estágio do personalismo, essa conquista vai fazer com que se volte de novo para o mundo humano, no qual se colocará, sucessivamente, em situação de oposição, sedução e imitação, iniciando outra vez uma fase centrípeta do desenvolvimento. 7) Vendo imagens do grupo de crianças ao qual pertence, filmadas em dias anteriores, L. (33 meses), parecendo entusiasmada com a própria imagem, identifica-se espontaneamente como L., utilizando a terceira pessoa para referir-se a si mesma. Em seguida diz “Sou eu! Sou eu!”. Como você explica essa situação? Da perspectiva da consciência de si, a utilização dos pronomes possessivos e pessoais, na forma direta ou oblíqua, em primeira pessoa, será uma conquista do terceiro ano de vida, da passagem da etapa projetiva para a personalista. Até então, a criança utiliza o termo “eu” ocasional mente, referindo-se a si mesma na terceira pessoa, como se fosse o outro, mal distinguindo seu ponto de vista. Wallon afirma que: O período da 3ª pessoa é também o da 2ª: a criança não sabe transformar em eu os tu que lhe são dirigidos e que inci- tam seus diálogos consigo mesma. A causa disso c sempre sua incapacidade de integrar as situações das quais participa ao sentimento soberano de sua identidade pessoal. (Ibid., p. 259) 8)Exigir que a criança pequena fique sentada, parada, impede-a de pensar. Relacione essa afirmação com o pensamento ideomotor. Pensamento ideomotor e um alagamento do espaço mental, no qual os limites vão se ampliando na medida do pensamento, que vai ser expresso por intermédio do movimento e da linguagem simultaneamente. O pensamento é sustentado pela motricidade é, gradativamente, ao longo da infância, a motricidade se reduzira aos movimentos vocais e o pensamento será impulsionado pela fala. 9)Qual é o papel da imitação no desenvolvimento da criança? O “poder” imitar reflete uma fusão a situação ou ao objeto ,ou seja,e perceber, elaborar e copiar uma ação no aqui ou no agora, ou “querer” imitar, contudo ,sobrepõe se a essa ação: de um lado , tem-se aquilo que se e percebido, imaginado ou desejado e, de outro, aquilo que e realizado ou que se constitui a representação do modelo.