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CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
        Resolução COFEN-256/2001 Autoriza o uso do Título de DOUTOR, pelos Enfermeiros. O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), no uso de suas competências e atribuições legais, no Art. 1º- Autoriza aos Enfermeiros, contemplados pelo art. 6º, incisos I, II, III, IV, da Lei 7.498/86, o uso do título de Doutor.
HISTÓRIA DA ENFERMAGEM
1º PERÍODO
APOSTILA CONTENDO TEXTOS E CAPÍTULOS DE LIVROS REFERENTES À DISCIPLINA 
PROFESSOR, Me. ADEMIR S. FERREIRA
	REFERÊNCIAS:
BARREIRA, I.A. Memória e História para uma nova visão da Enfermagem no Brasil. Rev. Latino-Am Enf. V.7, n.3, p. 87-93., 1999.
BERNARDES, M.M.R.; LOPES, G.T.;SANTOS, T.C.- O cotidiano das enfermeiras do Exército na Força Expedicionária Brasileira(FEB) no teatro de operações da 2º Guerra Mundial na Itália(1942-1945). Rev. Latino-Am Enf. 13(3) maio-junho, 2005.
COELHO, C P. A Escola de Enfermagem Anna Nery: Sua História - Nossas memórias. Rio de Janeiro: Editora Cultura Médica, 1997.
DAHER, D. V. Por detrás da lâmpada: A identidade social do enfermeiro. Niterói: Ed.UFF, 2000.
ELLIS, J.R.; HARTLEY, C.L. Enfermagem Contemporânea: Desafios, Questões e Tendências. Porto Alegre. Editora ARTMED, 1998.
GEOVANINI, T.; MOREIRA, A.; SCHOELLER, S.D.; MACHADO, W.C.A. História da Enfermagem: Versões e Interpretações. Editora: Revinter, Rio de Janeiro 2005.
COFEN. Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Rio de Janeiro, 1993.
PADILHA, M.I.C.S.; SOBRAL, V.R.S.; LEITE, L.M.R., PERES, M.A.A., ARAUJO, A.C . A construção de um modelo de comportamento a partir dos discursos médicos do início do século. Rev. Latino-Am Enf., v.5, n.4, p. 25-33, 1997.
PAIXÃO, V. Páginas de História da Enfermagem. Rio de Janeiro, 1963.
RIZZOTTO, M. L. F. História da enfermagem e sua Relação com a Saúde Pública. Goiânia, AB, 1999.
PORTO, F. AMORIM, W., BARREIRA, I.A., SANTOS.T.C.F.História da Enfermagem brasileira: ritos e emblemas. Rio de Janeiro: Águia Dourada, 2007.
HISTÓRIA DA ENFERMAGEM
1º CONTEÚDO TEÓRICO
TRECHOS DO TEXTO: CUIDADO: UMA REVISÃO TEÓRICA
AUTORA: VERA REGINA WALDOW
Revista Gaúcha de Enfermagem. Porto Alegre 13(2): 29-35, Jul. 1992. 
O QUE É CUIDAR?
Mayeroff identificou e descreveu os principais ingredientes do cuidar/cuidado e que incluem:
Conhecimento: cuidado abrange conhecimento implícito e explícito bem como conhecimento direto e indireto. Saber o que e como, conhecer quem é o outro, seus poderes e limitações, suas necessidades, são fatores imprescindíveis na relação de cuidado.
Ritmos alternados: constituem movimentos entre diferentes experiências. Experiências passadas podem servir como aprendizagem e ajudam a manter ou modificar comportamento de acordo com as circunstâncias e perspectivas.
Paciência: possibilita a participação perceptiva com o outro, ou seja, percebendo o ritmo e estilo do outro. Envolve observação. É ser paciente, tolerante e ouvir o outro.
Honestidade: é estar aberto (a) para si e para o outro, respeitando o outro, percebendo se o cuidado ajuda ou impede o crescimento. É agir de forma franca, aberta, sem enganar o outro deliberadamente.
Confiança: abrange a apreciação da existência do outro como ser independente. É permitir e acreditar que o outro (o ser cuidado) crescerá em seu próprio ritmo e época apropriada.
Humildade: envolve contínua aprendizagem e percepção da singularidade do outro e de cada nova situação. Inclui também aceitação de limitações pessoais.
Coragem: assumir riscos e desafiar possíveis fontes de segurança. É baseada em conhecimento, em experiências passadas e na confiança, na capacidade de crescimento de cada um.
ABORDAGENS TEÓRICAS NA ENFERMAGEM
Para Paterson e Zderad (1988), a enfermagem é uma experiência existencial na qual uma transação intersubjetiva constitui o foco principal. Isto significa que ambos, paciente e enfermeira (o) compartilham uma situação e atuam como desencadeadores de ações e respostas. A enfermagem é ainda visualizada pelas autoras, como tendo um caráter dialogal, ou seja, compreende o encontro de seres humanos (paciente/enfermeira(o), que se relacionam ambos como sujeitos numa presença real. Presença significa para Paterson e Zderad, disponibilidade e receptividade. Ainda com referência a este aspecto dialogal, paciente e enfermeira (o) atuam em uma transação de chamada e resposta e que refletem os modos de comunicação humana. Como experiência dialogada, a enfermagem toma a instância de tempo e espaço bem como o sentido comunitário em que as pessoas em sua capacidade de se relacionarem umas com as outras, têm a possibilidade de virem a ser mais. A teoria de Paterson e Zderad (1988) é baseada no trabalho de Martin Buber o qual descreveu a relação “eu-Tu” (I and Thou) no sentido de presença real, empatia e crescimento mútuo.
Outras autoras têm também enfatizado o aspecto humanístico e relacional na enfermagem tais como Peplau, Wiedenbach, Travelbee.
O ENSINO DO CUIDADO
	A enfermagem, tendo o cuidado como seu foco principal, não pode ser analisada isoladamente de suas raízes históricas. Ao contrário, deve resgatá-las e construir uma nova disciplina baseada em sua condição de gênero e tendo como sustentáculo, o cuidado humano. Agora é a vez e o tempo da enfermagem tentar encontrar seu espaço, sua própria identidade. É a vez e o tempo de a enfermagem participar, enfrentar riscos, fazer escolhas e tomar decisões.
	A enfermagem tem tido problemas quanto ao seu reconhecimento e valorização em termos de trabalho. Geralmente mal paga, a profissão não obtém status nem poder.
		Em relação à educação de enfermagem, currículos mesmo com enfoques humanísticos e liberais, têm legitimado uma condição de opressão o que tem, senão impedido, limitado o completo desenvolvimento da profissão de forma autônoma e coerente. Várias contradições são observadas na prática e no ensino de enfermagem.
A população brasileira tem aceitado passivamente as injustiças no fornecimento do cuidado à saúde. O desconhecimento é acentuado pelo desvio de interesses e uso errôneo da informação. A saúde vai cada vez pior, a população cada vez mais pobre, as instituições de saúde cada vez mais precárias e os profissionais médicos exercem seu comércio num mercado cada vez mais competitivo e elitista. A enfermagem, neste caos, fica entre sentimentos de ambivalência e dualidade.
	O conhecimento na área de enfermagem ocupa atualmente seu clímax. Este conhecimento, que tem sido sugerido como uma exploração do conhecimento pessoal, e do cuidado na enfermagem não pode ser generalizado, necessitando, pois, ser adaptado a cada contexto.
2º CONTEÚDO TEÓRICO
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO DA AUTORA: PAIXÃO, WALESKA – PÁGINAS DA HISTÓRIA DA ENFERMAGEM – RIO DE JANEIRO (1963).
ORIGENS DA ENFERMAGEM
	Eis porque, nas mais remotas eras, podem imaginar a mãe como primeira enfermeira da família.
	Entretanto, a convicção de que as doenças eram um castigo de Deus, ou efeitos do poder diabólico exercido sobre os homens, levaram ou povos primitivos a recorrer a seus sacerdotes ou feiticeiros, acumulando estes, as funções de médico, farmacêutico e enfermeiro. A terapêutica se limitava a dois fins: aplacar as divindades por meio de sacrifícios expiatórios e afastar os maus espíritos. Para isso, os meios eram variados: massagens, banho de água fria ou quente, purgativos, substâncias provocadoras de náuseas.
TEMPOS ANTIGOS
	Não há grande documentação referente diretamente à Enfermagem nas fontes históricas que nos legaram os tempos antes de Cristo. Conhecimentos sobre a Enfermagem vêm envoltos com assuntos médicos, sociais e religiosos.
Alguns papiros, inscrições e monumentos, ruínas de aquedutos e esgotos, códigos e livros de orientação política e religiosa e enfim, mais tarde, verdadeiros tratados de medicina, até hoje célebres, são os meios que nos permitem formar uma idéia do tratamento dos doentes nesse período.
EGITO: O povo egípcio foi o que nos legou os mais remotos documentos sobre medicina. Do ano 4688 A.C. ao 1552 da mesma era, foram escritos seis livros sagrados, onde se acha descrita a medicinaentão praticada no Egito. Incluem eles a descrição de doenças, operações e drogas. A decifração de alguns papiros projetou no século XX novas luzes sobre a medicina egípcia. Assim, o papiro de Berlin é do apogeu da época faraônica. Nele se encontram 170 prescrições. As fórmulas médicas são seguidas de fórmulas religiosas que o doente deveria pronunciar, enquanto tomava o remédio. Aquele que preparava a droga devia fazê-lo ao mesmo tempo em que dizia uma oração a Isis e a Horus, princípio de todo bem.
ÍNDIA: documentos do século VI antes de Cristo nos dão a conhecer o adiantamento dos hindus em medicina e enfermagem, assim como seu cuidado em proporcionar assistência inteligente aos mais despreparados. O período áureo da medicina e da enfermagem hindu foi devido ao Budismo, cujas doutrinas de bondade eram grande incentivo ao progresso. Nessa época já conheciam e descreviam ligamentos, vasos linfáticos, músculos, nervos e plexos. Julgavam ser o coração a sede da consciência e ponto de partida de todos os nervos. Conheciam o processo da digestão. Faziam suturas, amputações, trepanações e corrigiam fraturas. Os hindus queriam que seus enfermeiros tivessem: asseio, habilidade, inteligência, conhecimento de arte culinária e de preparo dos remédios. Moralmente deveriam ser: puros, dedicados e cooperadores. Ainda um ponto revela o grau de adiantamento hindu: pressentia ser possível à prevenção das doenças, achando melhor prevenir do que remediar. No “Tratado de Medicina” escrito por Charaka lê-se: O médico, as drogas, o enfermeiro e o paciente constituem um agregado de quatro. Devemos conhecer as qualidades de cada um na contribuição para a cura. Conhecimento do preparo das drogas e de sua administração, inteligência, dedicação, pureza do corpo e espírito são as quatro qualidades do enfermeiro. Os Vedas, livros sagrados hindus, mencionam a origem das doenças e os meios de combate-las, fornecidos pelo próprio Brama.
PALESTINA: a palestina, entre todos os povos antigos, pela crença em um só Deus. O exame do doente, o diagnóstico, o isolamento, o expurgo, a desinfecção, o afastamento dos objetos contaminados para lugar inacessível, são ensinados. Não se sabe que os Israelitas tenham tido hospitais permanentes. Estabeleciam-se apenas em casos de calamidade pública, mas visitavam os enfermos em suas casas e instalavam hospedarias gratuitas para viajantes pobres, havendo nelas lugar reservado aos doentes.
ASSÍRIA E BABILÔNIA: O mais antigo dos códigos que atravessaram os tempos foi o de HAMURABI, rei da Babilônia (2100 A.C.). Foi conservado facilmente por ter sido gravado em pedra. È cheio de senso de justiça e interesse pelos pobres e desamparados. Menciona os deveres dos médicos e seus honorários, que deveriam ser diferentes, segundo as posses dos clientes. Estabelece castigos rigorosos para os médicos em caso de fracasso. O cirurgião incapaz podia sofrer a pena de amputação das mãos e o médico que deixasse morrer um escravo deveria pagar ao senhor uma indenização correspondente ao valor do mesmo. A princípio a medicina era toda baseada na magia. Deitavam os doentes nas ruas para que os transeuntes receitassem conforme suas prévias experiências em casos semelhantes. Não há menção de hospitais nem de enfermeiros nos documentos assírio-babilônicos. A cirurgia se desenvolveu mais depressa do que a medicina, porque esta última ficou muito tempo sob o domínio da magia. As epidemias eram atribuídas às influências astrais. Já faziam pesquisas anatômicas em animais. Placas de pedras achadas em Nivine falam em trabalhos de sanitarismo.
PÉRSIA: O dualismo, crença em dois princípios: Ormuzd, princípio do bem, Ahriman, princípio do mal, foi à base das doutrinas médicas persas. Os sacerdotes médicos persas se preparavam nos templos pela adoração e pelo estudo. Construíram hospitais para os pobres, que eram servidos por escravos. Os persas classificaram 99.999 doenças o que faz supor que esses números incluíam meros sintomas. 
CHINA: Como todos os povos antigos, os chineses deram às suas experiências médicas um caráter religioso. Os templos chineses eram rodeados de jardins onde se cultivavam plantas medicinais. As doutrinas de Confúcio mantiveram essa tradição. Entre os sacerdotes havia 3 categorias. As doenças eram catalogadas: benignas, medis e graves. Cada grupo sacerdotal conforme suas importâncias se ocupavam de um desses grupos de doenças. As doenças graves e semi-graves eram tratadas exclusivamente com orações e cerimônias conjuratórias. As doenças de terceira categoria se beneficiavam de uma terapêutica bastante rudimentar e nem sempre lógica. Assim, a água de determinada fonte era dada aos doentes febris, faziam aplicações locais de água fria nas luxações, mas o remédio indicado para as cólicas era ingestão de uma pitada de cinzas de papel dourado, previamente queimados diante do altar dos mortos da família. Conheciam a varíola desde os tempos remotos. Em época mais recente, descrevem as manifestações primárias, secundárias e terciárias da sífilis, bem como a forma congênita. O diagnóstico era feito principalmente pelo pulso. Mencionam operações de lábios leporinos feitas no ano 1000 A.C. Os médicos que se notabilizavam eram adorados como deuses. Descreveram em sua farmacopéia mais de 2000 medicamentos, distinguindo-se: ferro para as anemias, mercúrio para sífilis, arsênico para dermatoses, certas raízes para verminoses e ópio como narcótico. Também aplicavam tratamento higiênico-dietético. Os sacerdotes de Buda organizaram hospitais com enfermeiros. Construíram hospitais de isolamento e casas de repouso para convalescentes. Havia parteiras em instituições especiais, precursoras das maternidades. Só a cirurgia estacionou, pela impossibilidade de dissecarem cadáveres.A medicina chinesa pouco a pouco se tornou astrológica.
JAPÃO: A medicina foi fetichista até o início da era cristã. A única terapêutica era das águas termais. A eutanásia era considerada lícita. A medicina budista penetrou no Japão graças a um bonzo chinês a quem o imperador confiou à missão de organizar o ensino médico em todo o Império. Depois de algum progresso, as guerras civis provocaram a decadência do ensino médico.
GRÉCIA: A celebridade da Grécia no domínio da filosofia, letras e artes, se estendem também ao campo da medicina. Mesmo no período mitológico e empírico, a medicina grega já tinha seu esplendor. No período pré- Hipocrático as primeiras teorias gregas sobre a medicina se prendiam à Mitologia. Apolo, Deus do Sol é também o Deus da saúde e da medicina. S médicos gregos conheciam pelo menos:
De Anatomia: ossos, músculos e articulações.
Classificavam os ferimentos em superficiais e profundos.
Terapêutica: além de fitoterapia, usavam sedativos fortificantes e hemostáticos. 
De patologia: epidemias, lesões traumáticas, ferimentos. Faziam ataduras e extração de corpos estranhos. Os mais antigos estabelecimentos que conhecemos na Grécia, para o tratamento dos doentes chamavam-se Xenodóquia. Seu primeiro objetivo era hospedar os viajantes. Havendo, porém doente entre os mesmos, prestavam-se a esses cuidados necessários. Outro estabelecimento grego era o Iatrion, que corresponde aos nossos atuais ambulatórios. 
Depois que Hipócrates lançou as bases da medicina científica, mais se firmou a Grécia como autoridade médica. Tão importante foi à atuação de Hipócrates, que se divide a medicina grega em dois períodos: antes e depois de Hipócrates. A influência de Hipócrates foi levada por seus filhos à escola de Alexandria que foi um célebre centro de estudos nos últimos séculos antes da era cristã, atraindo homens de valor de todas as regiões civilizadas da época. Entre os progressos promovidos pela famosa escola de Alexandria, foi de grande importância o adiantamento da Anatomia, pela dissecação dos cadáveres. Para Hipócrates, a NATUREZA é o melhor médico. Seu primeiro cuidado é não contrariá-la. 
TERAPÊUTICA: seu principal princípio era não contrariar a natureza, mas auxiliá-la a reagir. Conservou o uso de massagens, banhos, ginásticas.Determinou as dietas para diferentes caso. Também usava sangria, ventosas, vomitórios, clisters, purgativos. Descreve 236 plantas medicinais. Entre os medicamentos minerais empregou: enxofre, alumínio, chumbo, cobre e arsênico. Hipócrates descreveu doenças do pulmão, do aparelho digestivo, do sistema nervoso. Já tinha conhecimentos sobre doença mental. Praticava a cirurgia, distinguia cicatrizações por primeira e segunda intenção. Operava catarata. TEORIA HUMORAL: considerava a saúde como o equilíbrio dos humores: sangue, linfa, bile branca e bile negra. O desequilíbrio entre os humores é a doença. As causas de desequilíbrio, segundo Hipocrates poderia ser: ar viciado, o trabalho excessivo, as bruscas alterações de temperatura. 
ROMA: Distinguiram-se os romanos principalmente por suas obras de saneamento. Rua limpa casa bem ventilada, água pura e abundante, banhos públicos, rede de esgoto, combate à malária pela drenagem das águas dos terrenos pantanosos, foram às preocupações máximas dos governantes. Além do sanitarismo, os romanos se distinguiram por seus cuidados aos guerreiros. Estabeleceram para estes vários hospitais. Durante muito tempo foi a profissão médica considerada indigna do cidadão romano. Assim, quando o médico não era estrangeiro, era escravo. Os serviços de enfermagem eram também confiados aos escravos. O escoamento dos brejos se fazia por meio de galerias subterrâneas. O sexto Júlio Frontinus deveu Roma seu notável abastecimento d água. Construiu 14 aquedutos que traziam à cidade as águas das montanhas vizinhas. Os grandes edifícios públicos de Roma eram suficientes para que cada habitante de Roma tomasse banho diariamente. Algumas termas se tornaram célebres, pois eram lugares de encontro para conversas sobre todos os acontecimentos de importância. O sistema de esgoto de Roma foi uma grande realização. Os mortos eram sepultados fora da cidade. Além de sanitarismo, os romanos se distinguiam por seus cuidados aos guerreiros especializaram-se em cirurgias de guerra. Durante muito tempo, foi à profissão médica considerada indigna do cidadão romano. Assim, quando o médico não era estrangeiro, era escravo. Os serviços de Enfermagem eram também confiados aos escravos. 
3º CONTEÚDO TEÓRICO
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO DA AUTORA: PAIXÃO, WALESKA – PÁGINAS DA HISTÓRIA DA ENFERMAGEM – RIO DE JANEIRO (1963).
PERÍODO DA UNIDADE CRISTÃ
DIÁCONOS
São Pedro organizou os diáconos para socorrê-los (Atos VI, 3).
Iguais serviços prestavam as diaconisas às mulheres necessitadas. São Paulo cita: Febe, Maria, Trifena, Trifosa, Priscila, Pérside como tendo trabalhado muito (Romanos XVI, 1, 6, 12).
As viúvas que dispunham de tempo, assim como as virgens que se consagravam a Deus, tomavam parte ativa nesse socorro a pobres e doentes.
DIACONISAS E XENODOQUIA
	A primitiva assistência prestada pelos diáconos e diaconisas levou o povo a denominar diaconisas os lugares onde se recolhiam os doentes, querem em casas particulares, quer em hospitais.
	O grande número de necessitados, a maior difusão da igreja, a extinção das perseguições, forma causas de grande modificação no sistema de assistência.
	Começou esta a centralizar-se no bispado, com instalações maiores e permanentes, semelhantes aos xenodoquia gregos, cujo nome adotou. O Edito de Milão (335) pelo qual Constantino dava aos cristãos a liberdade de culto fechou os hospitais dedicados a Esculápio e estimulou a fundação de hospitais cristãos.
	Grande número de bispos tinha conhecimento de medicina, o que os colocava duplamente em condições de organizar e orientar a assistência.
	Os séculos IV e V marcam um período de grande florescimento de hospitais. Neles eram recebidos, além dos doentes, órfãos, velhos, aleijados e peregrinos.
VIDA RELIGIOSA
A grande difusão do Cristianismo em Roma levou muitas de suas mais distintas damas a se dedicar ao serviço dos pobres e doentes. Após o Édipo de Milão puderam as virtuosas romanas transformar seus palácios em casas de caridade. Destacavam-se entre elas: Santa Paula, Fabíola e Marcela. 
MONAQUISMO
	Entre os homens, a liberdade religiosa inspirou também a muitos a idéia de se reunir em comunidades a serviço da cristandade.
	Já havia anteriormente pequenos núcleos de homens virtuosos, que se reuniam para estimular-se mutuamente a viver o cristianismo na sua perfeição, estabelecidos, porém, em regiões desertas. Depois do Edito de Milão, essas agremiações se estabeleceram em plena cidade e tomaram novo impulso. Foi isso nos últimos tempos do Império Romano.
	O mais célebre organizador de tais instituições foi São Bento, conhecido como “o pai dos monges do Ocidente”, que viveu no VI século.
AS GRANDES ABADÊSSAS
	Na direção dos conventos femininos (que nos interessam particularmente) estavam as abadessas. Muitas se distinguiram na ciência e nas letras, mas todas trabalharam também do modo especial, no progresso dos hospitais e dos cuidados dispensados aos doentes.
SANTA RADEGUNDA (século VI) – deixou o trono de França e fundou um convento especialmente dedicado ao tratamento dos leprosos, do qual se tornou abadessa.
SANTA HILDEGARDA (século XI) – Nascida na Alemanha, é conhecida como a Sibila do Reno. De família nobre, educada num convento desde a infância, tornou-se uma das mais célebres abadessas, distinguindo-se pelos seus grandes conhecimentos de Ciências naturais, Enfermagem e Medicina.
Escreveu sobre doenças do pulmão, verminose, icterícia e disenteria.
Dava grande importância à água em sua terapêutica, recomendando aos doentes que a bebessem em quantidade, e às enfermeiras, que proporcionavam freqüentes banhos a seus pacientes.
Conta-se que conseguiu curas notáveis e que seus conhecimentos médicos sobrepujavam os dos homens mais notáveis de seu tempo.
ORDENS MILITARES
	Desde o século VII tinha Jerusalém caído em poder dos muçulmanos. Isso acarretou inúmeras dificuldades para os cristãos que faziam peregrinações à Terra Santa. Os muçulmanos os perseguiam de tal maneira que, pouco a pouco, foi crescendo entre os povos cristãos a idéia de libertar o túmulo de Cristo. Foi esta a origem das expedições militares conhecidas sob o nome de Cruzadas e iniciadas no século XI.
	Esse movimento, por sua vez, deu origem a novas organizações de enfermagem, sob a forma religiosa-militar.
	As principais foram: Os cavaleiros de São João de Jerusalém, os de São Lázaro e os Cavaleiros Teutônicos. A primeira teve início com a fundação de dois hospitais em Jerusalém. Seus fundadores, negociantes italianos, tendo visto os sofrimentos dos peregrinos perseguidos pelos muçulmanos, criaram, para socorrê-los, os hospitais de São João e de Santa Maria Madalena; o primeiro para homens, o segundo para mulheres.
 Os Cavaleiros Hospitalários Bandeira da Ordem dos Hospitalários.
 
Brasão da Ordem de Malta. Ordem dos Cavaleiros Hospitalários
 
Ordem dos Cavaleiros de Ordem dos Cavaleiros Teutônicos
São Lázaro
 
Os Cavaleiros Teutônicos
 
 
ORDENS SECULARES
	São Luis, Rei da França, Santa Isabel de Hungria, Santa Isabel de Portugal, pertenciam à Ordem Terceira Franciscana, Santa Catarina de Siena, à Dominicana.
	Santa Catarina de Siena – Não se contentava com servir doentes no hospital. Procurava-os, abandonados pelas ruas ou em casebres, e providenciava sua internação. Em 1372, durante uma epidemia, trabalhou dia e noite no hospital de Scala. Para honrar sua memória é que o velho hospital em ruínas foi reconstruído séculos depois. Pode-se visitar, ainda hoje, seu obre quarto, onde se conservava a lâmpada que lhe servia para procurar os doentes abandonados pelas ruas escuras de Siena.
	Catarina de Siena é um nome que deve ser guardado pelas enfermeiras como uma das mais perfeitas realizadorasde seu ideal.
	Santa Isabel de Hungria – Casada aos 15 anos com o Landgrave da Turíngia, não abandonou, antes intensificou seu interesse pelos pobres e doentes. Visitava-os pela manhã e à tarde, banhava os leprosos, levava-lhes alimentos. Viúva com quatro filhos foi expulsa do palácio pela sogra e pelo cunhado. Desprendida como era dos bens terrenos, não se perturbou com isso. Viveu o resto de seus dias na pobreza achando ainda meios de ajudar os mais pobres.
	Morta aos 24 anos teve tempo de encher sua curta existência com boas obras que lhe imortalizaram o nome: na Igreja, como santa, na História, como elemento de grande progresso social; na Enfermagem, como um dos seus mais admiráveis modelos.
DECADÊNCIA DA ENFERMAGEM
	Parece que o progresso da medicina e a difusão de hospitais deveriam, logicamente, trazer à enfermagem aquisições de valor. No entanto isso não se deu.
	Os períodos de fervor religioso sucediam-se outros de relaxamento. Sendo a enfermagem, nesse tempo, função exclusiva da igreja, a baixa do espírito cristão repercutia sempre sobre a quantidade e a qualidade das pessoas a serviço dos enfermos.
	Escasseava também os donativos particulares, o que obrigava os hospitais a restrições seriamente prejudiciais.
	Alimentação escassa, falta de roupa e de leitos, tais eram algumas das deficiências. Houve hospitais que chegaram a utilizar grandes leitos, onde eram colocados seis doentes de uma vez.
	Pouco a pouco a decadência se tornou quase geral. Aqui e acolá ainda se encontravam pessoas generosas e capazes que procuravam remediar essa triste situação. Pouco, porém, conseguiram esses esforços isolados.
	Foi preciso que o mal tomasse proporções assustadoras e fosse quebrada a própria unidade da Igreja, para que um esforço coeso pusesse um dique à derrocada e abrisse novos rumos às almas capazes de elevados idéias.
AS MISERICÓRDIAS
Seria injusto passar em silêncio uma iniciativa de valor, tanto mais notável quanto mais contrastava com a decadência geral. Referimo-nos às Confrarias da Misericórdia, que tanto bem realizaram em Portugal e suas colônias. Deve-se sua fundação a Frei Miguel de Contreras, religioso espanhol. A 1ª foi fundada em Lisboa.
Encontrou Frei Miguel um terreno admirável preparado para realizar seus planos. O povo português exercera sempre as obras de misericórdia, o que intensificou com a profunda influência dos Dominicanos e Franciscanos.
Obtendo o apoio de D. Leonor, rainha de Portugal, Frei Contreras aproveitou um velho casarão e nele instalou o Hospital de Nossa Senhora do Amparo.
Para manter viva a instituição, foi fundada a Confraria da Misericórdia a 15 de agosto de 1498.
Se nenhuma notícia tem de ensino de enfermagem nesse e nos outros estabelecimentos semelhantes, fundados do Reino e nas Colônias, sabemos que as confrarias, tomando a sério seu programa de práticas de obras de misericórdia, levavam os seus associados ao exercício de muitas atividades próprias de enfermagem, e a caridade com que se dedicavam certamente contribuía para manter a elevação desses misteres e a eficiência compatível com os raros conhecimentos da época em matéria de enfermagem.
Além disso, qualquer núcleo de povoação, iniciado em colônias portuguesas procurava logo ter a sua Santa Casa de Misericórdia.
3º CONTEÚDO TEÓRICO
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO DA AUTORA: PAIXÃO, WALESKA – PÁGINAS DA HISTÓRIA DA ENFERMAGEM – RIO DE JANEIRO (1963).
PERÍODO CRÍTICO DA ENFERMAGEM
REFORMA RELIGIOSA
		Como em todo movimento violento, os reformadores foram mais longe do que pretendiam. Assim, renunciando ao Catolicismo, a Alemanha e a Inglaterra expulsaram dos hospitais as religiosas que se dedicavam aos doentes. Não dispondo de nenhuma organização, religiosa ou leiga, para substituí-las, foram obrigadas a fechar grande número de hospitais. Só na Inglaterra foram fechados mais de mil. Entre os restantes, foi preciso, da noite para o dia, recrutar pessoal remunerado para o serviço dos doentes. Os pretensos enfermeiros desses estabelecimentos deixavam os doentes morrerem ao abandono e lhes extorquiam gorjetas, mesmo aos indigentes. Imperava a falta de higiene. A comida era detestável e insuficiente. Não havia quem se interessasse em amenizar os sofrimentos físicos e, muito menos, os morais.
CONCÍLIO DE TRENTO
	Para esclarecer os pontos doutrinários atacados pelos protestantes e tomar as necessárias providências para a reforma dos costumes, foi convocado pelo Papa o Concílio de Trento. Durou o mesmo 18 anos.
	A questão da assistência aos enfermos foi estudada com grande cuidado. Constam das Atas desse Concílio: recomendação aos bispos para organização, manutenção e fiscalização dos serviços hospitalares; regras a serem observadas pelos que servem os doentes; orientações para a assistência espiritual nos hospitais, bem como para os religiosos e religiosas a serviço dos doentes.
	Essas orientações, assim como a reforma do clero e as muitas instituições para melhor formação do povo, foram o ponto de partida de numerosas organizações religiosas dedicadas à enfermagem.
TENTATIVAS PROTESTANTES
	A falta das Irmãs nos países protestantes levou os governos a tomarem a seu cargo os hospitais.
	Não tendo, porém, pessoal para o tratamento e serviço dos doentes, serviam-se de mulheres da mais baixa esfera. O tipo comum da enfermeira era bêbada, desordeira, mulher de má vida. Podem-se imaginar os perigos que corriam os doentes, o abandono em que eram deixados, a miséria material e moral que era o seu quinhão.
	Por isso, apenas os mais abandonados eram levados, contra a vontade, a esses lugares de horror.
	As pessoas de boa vontade não podiam ser indiferentes a esse estado de coisas. Lembravam-se das Diaconisas dos primeiros séculos e procuravam um meio de fazer reviver a instituição. O próprio Lutero pensou ser essa a solução do problema hospitalar, mas se convenceu de que isso era irrealizável no protestantismo.
	Outros, porém, na Alemanha e Inglaterra, fizeram com êxito a experiência.
	Fundaram-se, na Inglaterra, as Irmandades de Todos os Santos, Santa Margarida, São João, as Irmãs da Caridade protestantes e outras.
PERSPECTIVAS HISTÓRICAS DA ENFERMAGEM
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO DE ELLIS, JANICE RIDER; HARTLEY, CÉLIA – ENFERMAGEM CONTEMPORÂNEA – DESAFIOS, QUESTÕES E TENDÊNCIAS, 5ª ED. PORTO ALEGRE, 1998.
A IMAGEM FOLCLÓRICA DA ENFERMAGEM
	As habilidades da enfermagem primeiramente evoluíram pela intuição. Por exemplo, durante o processo de se planejar uma dieta familiar, a mulher sábia observou que, comer certos tipos de alimentos resultava em episódios de diarréia e vômitos, enquanto que comer outras ervas, raízes e folhas resultavam em um efeito certeiro sobre o corpo. As famílias desenvolveram métodos que eram transmitidos de geração para geração; tratamentos eficazes eram arquivados e compartilhados.
A IMAGEM RELIGIOSA DA ENFERMEIRA
	A primeira continuidade na história da enfermagem começou com a Cristandade. Os ensinamentos de Cristo recomendavam às pessoas a amar e cuidar de seus vizinhos. Com o estabelecimento das igrejas na Era Cristã, foram organizados grupos cuja preocupação primária era cuidar dos doentes, dos obres, dos órfãos, dos viúvos, dos idosos, dos escravos e dos prisioneiros, tudo feito em nome da caridade e do amor Cristão. Os preceitos de Cristo colocaram o homem e a mulher em igualdade, e a antiga igreja fez ambos, diáconos, com poder igual.
A IMAGEM SERVIL DA ENFERMEIRA
	Também associado à Reforma houve uma mudança no papel da mulher. A igreja Protestante, que se posicionava pela liberdade religiosa e de pensamento, não garantia muita liberdade para a mulher. Uma vez reverenciadas pela igreja e encorajadas a fazer atividades de caridade, as mulheres da Reforma eram consideradas subordinadas aos homens. Seu papel estava definido dentro dos limites do lar; suas obrigações eram cuidar das crianças e da casa. O trabalho em hospitais não atraía mais as mulheres de berço elevado. O cuidado nos hospitais foi relegado às mulheres “incomuns”, um grupo que compreendia prisioneiras, prostitutasmulheres que sustentavam sua própria vida com ordenados eram forçadas a trabalhar como serventes domésticas; e embora a enfermagem fosse considerada um serviço doméstico, não era um serviço desejável. O pagamento era pouco, as horas eram longas, e o trabalho era estressante. A enfermeira era considerada a mais subalterna das serventes. Assim, começaram o que pode ser chamado de “os Anos Negros da Enfermagem”.
A INFLUÊNCIA DE NIGHTINGALE
	Todas as três imagens discutidas (a folclórica, a servil e a religiosa) influenciaram o desenvolvimento da enfermagem, mas na última metade do século 18 uma mulher mudou a forma e a direção da enfermagem e foi bem sucedida em estabelecer a enfermagem como um campo respeitável de atuação. Esta mulher notável foi Florence Nightingale.
	Nascida em 12 de maio de 1820, a segunda filha de uma família rica, ela foi batizada em homenagem à cidade que nasceu Florença, Itália. Devido à alta posição econômica e social de sua família, ela era culta, muito viajada e educada. Aos 17 anos já dominava vários idiomas e matemática e era extremamente bem informada. Através das pessoas influentes que conhecia, esperava-se que ela escolheria um parceiro agradável, casar e assumir o seu papel na sociedade. Mas Florence Nightingale tinha outras idéias. Queria se tornar enfermeira. Para isso sua família era impensável. Ela continuava a viajar com sua família e seus amigos. Em suas viagens, conheceu o Sr. e Sra. Sidney Herbert que estavam interessados na reforma dos hospitais. A Srta. Nightingale começou a coletar informações sobre a saúde pública e sobre hospitais e logo se tornou importante autoridade no assunto.
	Por intermédio de amigos ela aprendeu a respeito do instituto do Pastor Fliedner em Kaiserwerth. Como era uma instituição religiosa sob os auspícios da igreja, ela poderia ir lá, embora não pudesse ir aos hospitais ingleses. Em 1851, ela passou três meses estudando em Kaiserwerth.
	Em 1853, começou a trabalhar com um comitê que supervisionava um “Estabelecimento para Senhoras durante as Doenças”. Ela era eventualmente apontada como superintendente do estabelecimento. À medida que o seu conhecimento sobre os hospitais e sobre a reforma da enfermagem crescia, ela era consultada por ambos reformuladores e médicos que estavam começando a ver a necessidade de enfermeiras “treinadas”. Sua família ainda tinha objeções às suas atividades.
	Quando a Guerra da Criméia explodiu, os correspondentes de guerra escreveram a respeito da maneira abominável pelas quais os soldados doentes e feridos eram cuidados pelo Exército Inglês.
	Florence Nightingale, já então uma autoridade reconhecida em cuidados hospitalares, escreveu para seu amigo Sir Sidney Herbert que era então o Secretário da Guerra e ofereceu-se para levar um grupo de 38 enfermeiras para a Criméia.
A IMAGEM DA ENFERMEIRA CONTEMPORÂNEA.
	Durante o final dos anos 70 e o início dos anos 80, Beatrice e Phillip Kalisch escreveram muito sobre o assunto. Muitos de seus escritos tratam de segmentos de um estudo global da imagem da enfermeira nas várias formas dos meios de comunicação, incluindo rádio, cinema, TV, jornais, revistas e novelas Acreditavam que as atitudes populares, os conceitos sobre enfermeiras e sobre o que as enfermeiras poderiam contribuir para o bem estar do paciente, poderiam influenciar o futuro da enfermagem em larga escala. Para elas, após os anos 70, a imagem popular da enfermeira não só falhou em refletir as condições profissionais em alteração, mas também em assumir traços que corroeram a confiança pública e o respeito pela enfermeira profissional. As enfermeiras devem estar preocupadas a respeito das imagens incorretas e negativas, porque podem influenciar as atitudes de pacientes e políticos. Atitudes negativas sobre a enfermagem podem também afastar pretendentes capacitadas que escolherão outra carreira que ofereça um maior apelo em status. A enfermeira era frequentemente retratada como o “braço direito” do médico e pontuava alto em atitudes tais como obediência, permissividade, conformidade, flexibilidade e serenidade. É interessante notar que as enfermeiras ficavam em nível inferior aos médicos em itens como humanismo, auto-sacrifício, dever e preocupações com a família, todos eles valores tradicionalmente atribuídos as enfermeiras.
4º CONTEÚDO TEÓRICO
FLORENCE NIGHTINGALE (1820-1910)
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO DE BROWN, P. PERSONAGENS QUE MUDARM O MUNDO – OS GRANDES HUMANISTAS: FLORENCE NIGHTINGALE. RIO DE JANEIRO: EDITORA GLOBO, 1993.
TRECHOS RETIRADO DO LIVRO DE ELLIS, JANICE RIDER; HARTLEY, CÉLIA – ENFERMAGEM CONTEMPORÂNEA – DESAFIOS, QUESTÕES E TENDÊNCIAS, 5ª ED. PORTO ALEGRE, 1998.
INTRODUÇÃO
	Nascida em 12 de maio de 1820, a segunda filha de uma família rica, ela foi batizada em homenagem à cidade que nasceu, Florença, Itália. Devido à alta posição econômica e social de sua família, ela era culta, muito viajada e educada. Aos 17 anos já dominava vários idiomas e matemática e era extremamente bem informada. Através das pessoas influentes que conhecia, esperava-se que ela escolheria um parceiro agradável, casar e assumir o seu papel na sociedade. Mas Florence Nightingale tinha outras idéias. Queria se tornar enfermeira. Para isso sua família era impensável. Ela continuava a viajar com sua família e seus amigos. Em suas viagens, conheceu o Sr. e Srª Sidney Herbert que estavam interessados na reforma dos hospitais. A Srta. Nightingale começou a coletar informações sobre a saúde pública e sobre hospitais e logo se tornou importante autoridade no assunto.
	Por intermédio de amigos ela aprendeu a respeito do instituto do Pastor Fliedner em Kaiserwerth. Como era uma instituição religiosa sob os auspícios da igreja, ela poderia ir lá, embora não pudesse ir aos hospitais ingleses. Em 1851, ela passou três meses estudando em Kaiserwerth.
	Quando a Guerra da Criméia explodiu, os correspondentes de guerra escreveram a respeito da maneira abominável como os soldados feridos e doentes eram cuidados pelo exército inglês. Florence já então uma autoridade reconhecida em cuidados hospitalares, escreveu para o amigo Sir Sidney Herbert que era então o Secretário da Guerra e ofereceu-se para levar um grupo de 38 enfermeiras para a Guerra da Criméia. Ao mesmo tempo ele havia escrito uma carta requisitando sua assistência para resolver aquela crise nacional. Suas cartas cruzaram os correios. Suas conquistas na Criméia foram tão impressionantes, embora tenham afetado sua saúde. 
	Em 1860, dedicou seus esforços para a criação de uma escola de enfermagem no St. Thomas’ Hospital em Londres, financiado pelo Nightingale Fund. Os princípios básicos nos quais Florence fundou sua escola incluíam:
· As enfermeiras deveriam ser treinadas em hospitais associados com escolas médicas e organizadas para este propósito;
· As enfermeiras deveriam ser cuidadosamente selecionadas e deveriam residir em casas de enfermeiras que deveriam moldar e formar a disciplina e o caráter;
· A matrona da escola deveria ter a autoridade final sobre o currículo, o dia-a-dia, e outros aspectos da escola;
· O currículo deveria incluir ambos os materiais teóricos e experiências práticas;
· Os professores seriam pagos pela sua instrução;
· Seriam mantidos registros sobre os estudantes que seriam obrigados a assistir as aulas, submeter-se a provas orais, escrever artigos e manter diários.
Em suas escolas, Florence baseava sua filosofia em quatro ideal-chave:
· O dinheiro público deveria manter o treinamento de enfermeiras e este, deveria ser considerado tão importante, quanto qualquer outra forma de ensino;
· Deveria existir uma estreita associação entre hospitais e escolas de treinamento, sem estas dependerem financeiramente e administrativamente;
· O ensino de enfermagem deveria ser feito por enfermeiras profissionais, e não or qualquer pessoa não envolvida com a enfermagem;
· Deveria ser oferecida, às estudantes, durante todo o período de treinamento, residência com ambiente confortável e agradável, próximo ao local.
As primeiras escolas de treinamentoministravam cursos de um ano, que com o tempo, passaram a ser de dois anos. Florence deu origem às prescrições médicas por escrito e, também, exigia que suas enfermeiras acompanhassem os médicos em suas visitas aos pacientes para prevenirem erros, diretivas mal compreendidas e instruções esquecidas ou ignoradas. A seu ver, para melhoria do estado de saúde do país, o ensino de Enfermagem era uma grande responsabilidade das enfermeiras. Preconizava a idéia de que a saúde era não apenas estar bem, mas ser capaz de usar toda nossa capacidade. Florence julgava que o propósito da enfermagem era colocar-nos na melhor condição possível para que a natureza possa restaurar ou preservar a saúde, prevenir ou curar as doenças.
Ela foi reconhecida em 1907 pela Rainha da Inglaterra com a condecoração da Ordem ao Mérito. De diversas formas, Florence Nightingale projetou a enfermagem como profissão. Ela acreditava que as enfermeiras deveriam gastar o seu tempo cuidando dos pacientes, não limpando; que as enfermeiras deveriam continuar estudando ao longo de suas vidas e não se tornar “estagnadas”; que as enfermeiras deveriam ser inteligentes e utilizar essa inteligência para melhorar as condições do paciente; e que os líderes de enfermagem deveria ter um reconhecimento social. Ela possuía uma visão de como a enfermagem poderia e deveria ser. Em 1901, completamente cega, parou de trabalhar. Morreu em Londres, em 13 de agosto de 1910 em seu sono aos 90 anos.
FLORENCE NIGHTINGALE E SUA OBRA.
TRECHOS RETIRADOS DO LIVRO NIGHTINGALE, Florence. NOTAS SOBRE A ENFERMAGEM. O que é o que não é. São Paulo: Cortez, 1989.
	Sua obra Notas sobre Enfermagem apresenta como seriam os fundaentos da enfermagem, pois nessa obra Florence registra o resultado de sua experiência de mais de 14 anos no rato com doentes, enfermeiras, hospitais.
	Quando Florence Nightingale publicou o Notes on Nursing, tinha quarenta anos incompletos e há muito se tornara uma heroína nacional, graças à terna gratidão dos soldados ingleses e de suas famílias, ao apoio da imprensa, de médicos, parlamentares e prelados.
	Assim, ela evidenciou “o que é e o que não é” enfermagem, mostrando a possibilidade e a necessidade de uma preparação formal e sistemática para aquisição de um conhecimento de natureza distinta daquele buscado pelos médicos e cujos fundamentos permitiam manter o organismo em condições de não adoecer ou de se recuperar de doenças. Sua percepção da doença como um esforço da natureza para restaurar a saúde mostrou-se uma idéia fecunda, dando à enfermagem uma dimensão original, o qual seja a de favorecer esse processo reparativo, mediante o uso de ar puro, da luz e do calor, da limpeza, do repouso e da dieta, com o mínimo de dispêndio de energias vitais do paciente, de modo a mantê-lo nas melhores condições para que a natureza nele pudesse agir. Suas instruções sobre como criar e manter o que se chama hoje um ambiente terapêutico permanece inaccessível. A importância essencial por ela atribuída à capacidade da enfermeira de observar com profundidade e descrever com propriedade conferiu um novo caráter intelectual e científico à enfermagem.
Principais abordagens de sua obra:
1. Arejamento e Aquecimento
2. Condições Sanitárias das Moradias
3. Controle de Atividade Menores
4. Ruídos
5. Variedade
6. Alimentação
7. Tipos de Alimentos
8. Cama e Roupas de Cama
9. Iluminação
10. Limpeza de Quartos e Paredes
11. Higiene Pessoal
12. Esperanças e Conselhos
13. Observação do Doente
14. Acréscimo de Conteúdo
Juro livre e solenemente, dedicar minha vida profissional a serviço da pessoa humana, exercendo a Enfermagem com consciência e dedicação; guardar sem desfalecimento os segredos que me forem confiados, respeitando a vida desde a concepção até a morte; não participar voluntariamente de atos que coloquem em risco a integridade física ou psíquica do ser humano; manter e elevar os ideais de minha profissão, obedecendo aos preceitos da ética e da moral, preservando sua honra, seu prestígio e suas tradições.
Florence Nightingale

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