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QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL PCPR SUMÁRIO Apresentação ............................................................................................ 3 Edital Verticalizado .................................................................................... 4 Questões de Inquérito Policial .................................................................... 13 Questões de Prisão Em Flagrante ................................................................. 50 Questões de Prisão Temporária ................................................................... 73 Questões de Prisão Preventiva ..................................................................... 80 APRESENTAÇÃO Prezados alunos, Eu sou o professor Carlos Alfama. Atualmente, exerço o cargo de Delegado de Polícia no Estado de São Paulo. Também sou professor da Zero Um Concursos (curso on-line para concursos policiais). Preparei para vocês esta apostila com questões comentadas de Direito Processual Penal para ajudá-los no concurso da Polícia Civil do Paraná (PCPR). Espero sinceramente que o material seja útil na sua preparação. Aproveite e conheça nosso curso on-line completo para a Polícia Civil do Paraná (PCPR). É só clicar no link abaixo: >>> CONHEÇA NOSSOS CURSOS ON-LINE PARA PCPR <<< Se preferir, pode usar também o QR Code, que irá te direcionar para nosso curso completo para a PCPR (videoaulas e apostilas em PDF de todos os tópicos do edital). Aproveite e siga a Zero Um Concursos no Instagram (@zeroumconcursos). Todos os dias temos muito conteúdo gratuito para os concurseiros da área policial. Grande abraço a todos. Prof. Carlos Alfama (@profcarlosalfama) Atualmente, o professor Carlos Alfama é Dele- gado de Polícia na PCSP. Autor do livro “Direito Processual Penal para Concursos”. Foi aprovado em 1º lugar no último concurso para Policial do Senado Federal (em 2012). Em 2019, foi aprova- do, dentro do número de vagas, em todas as fases dos concursos para Delegado de Polícia da PCSP e para Delegado de Polícia da PCGO. É professor de Direito Penal e Direito Processual Penal na Zero Um Concursos. EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 4acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • DATA DA PROVA: 26/07/2020 • BANCA EXAMINADORA: FUNPAR • Total de 350 VAGAS, das quais: INVESTIGADOR DE POLÍCIA: PAPILOSCOPISTA: REMUNERAÇÃO INICIAL: • R$ 5.588,05 – Investigador de Polícia • R$ 5.867,45 – Papiloscopista EDITAL VERTICALIZADO INVESTIGADOR DE POLÍCIA E PAPILOSCOPISTA PCPR 2020 EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 5acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br ESCOLARIDADE: Superior Completo em qualquer área de conhecimento para ambos os cargos. DA INSCRIÇÃO: • DATA: 04/05/2020 até 02/06/2020 • TAXA: R$120,00 • As questões objetivas terão o formato de MÚLTIPLA ESCOLHA, com cinco alternativas cada, das quais apenas uma deve ser assinalada. • Em casos de dupla marcação, essas marcações serão ambas consideradas como respostas erradas. DAS FASES E DAS PROVAS EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 6acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br As questões de Língua Portuguesa visam a averiguar a capacidade da candidata e do candidato, quanto: • À apreensão do significado global dos textos; • Ao estabelecimento de relações intratextuais e intertextuais; • Ao reconhecimento da função desempenhada por diferentes recursos gramaticais no texto, nos níveis fonológico, morfológico, sintático, semântico e textual/ discursivo; • À apreensão dos efeitos de sentido decorrentes do uso de recursos verbais e não verbais em textos de diferentes gêneros: tiras, quadrinhos, charges, gráficos, infográficos etc.; • À identificação das ideias expressas no texto, bem como de sua hierarquia (principal ou secundária) e das relações entre elas (oposição, restrição, causa/ consequência, exemplificação etc.); • Na análise da organização argumentativa do texto: identificação do ponto de vista (tese) do autor, reconhecimento e avaliação dos argumentos usados para fundamentá-lo; • À dedução de ideias e pontos de vista implícitos no texto; • Ao reconhecimento das diferentes “vozes” dentro de um texto, bem como dos recursos linguísticos empregados para demarcá-las; • Ao reconhecimento da posição do autor frente às informações apresentadas no texto (fato ou opinião; concordância ou discordância etc.), bem como dos recursos linguísticos indicadores dessas avaliações; DAS FASES E DAS PROVAS CONHECIMENTOS BÁSICOS LÍNGUA PORTUGUESA EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 7acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • À identificação do significado de palavras, expressões ou estruturas frasais em determinados contextos; • À identificação dos recursos coesivos do texto (expressões, formas pronominais, relatores) e das relações de sentido que estabelecem; • Ao domínio da variedade padrão escrita: normas de concordância, regência, ortografia, pontuação etc. • Ao reconhecimento de relações estruturais e semânticas entre frases ou expressões; • À identificação, em textos de diferentes gêneros, das marcas linguísticas que singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais ou de registro. • Conceitos básicos de operação com arquivos no sistema operacional Linux (Ubuntu versão 14 ou superior). • Noções de uso de Internet e correio eletrônico, utilizando os navegadores Firefox e Google Chrome no sistema operacional (Ubuntu versão 14 ou superior). • Noções de trabalho com computadores em rede interna, no sistema operacional (Ubuntu versão 14 ou superior). • Noções de escrita e editoração de texto utilizando LibreOffice-Writer (versão 5.0.6 ou superior). • Noções de cálculo e organização de dados em planilhas eletrônicas utilizando o LibreOffice-Calc (versão 5.0.6 ou superior). • Noções, como usuário, do funcionamento de computadores e de periféricos (impressoras e digitalizadoras). • Noções, como usuário, do sistema operacional Linux (Ubuntu versão 14 ou superior). INFORMÁTICA EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 8acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • Resolução de problemas envolvendo números reais, conjuntos, • contagem e porcentagem. Sistemas, equações e regra detrês. • Semelhança e relações métricas no triângulo retângulo. Área, volume e capacidade. • Medidas de tendência central, Leitura e interpretação de dados representados em tabelas e gráficos. • Problemas de raciocínio lógico-matemático envolvendo proposições, conectivos, equivalência e implicação lógica. RACIOCÍNIO LÓGICO EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 9acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios. • Organização administrativa da União: administração direta e indireta. • Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos; regime jurídico único: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime disciplinar; responsabilidade civil, criminal e administrativa. • Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do poder. • Serviços públicos: conceito, classificação, regulamentação e controle; forma,meioserequisitos;delegação:concessão,permissão,autorização. • Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; controle judicial; controle legislativo; responsabilidade civil do Estado. • Direitos e deveres fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos; direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade; direitos sociais; nacionalidade; cidadania e direitos políticos; partidos políticos; garantias constitucionais individuais;garantias dos direitos coletivos, sociais epolíticos. • Poder Legislativo: fundamento, atribuições e garantias de independência. • Poder Executivo: forma e sistema de governo; chefia de Estado e chefia de governo; atribuições e responsabilidades do presidente daRepública. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 10acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; • Organização da segurança pública. • Ordem social: base e objetivos; seguridade social; educação, cultura e desporto; ciência e tecnologia; comunicação social; meio ambiente; família, criança, adolescente e idoso. • Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU – 1948). • Infração penal: elementos, espécies. • Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal. • Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade. • Erro de tipo e erro de proibição. • Imputabilidade penal. Concurso de pessoas. • Crimes contra a pessoa, o patrimônio e a administração pública. • Inquérito policial; notitia criminis. Ação penal: espécies. • Jurisdição; competência. • Prova (artigos 158 a 184 do CPP). Prisão em flagrante. • Prisão preventiva. • Prisão temporária (Lei nº 7.960/1989). NOÇÕES DE DIREITO PENAL NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 11acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br • Tráfico ilícito e uso indevido de drogas (Lei nº 11.343/2006). Crimes hediondos (Lei nº 8.072/1990). • Crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor (Lei nº • 7.716/1989). • Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019). Crimes de tortura (Lei nº 9.455/1997). • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990). Estatuto do desarmamento (Lei nº 10.826/2003). • Crimes previstos no Código de proteção e defesa do consumidor (Lei nº 8.078/1990). • Crimes contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/1998). Juizados especiais (Lei nº 9.099/1995 e Lei nº10.259/2001). • Crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997). Interceptação telefônica (Lei nº 9.296/1996). • Lei nº 12.830/2013; • Pacote AntiCrime. NOÇÕES DE LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL EDITAL VERTICALIZADO | PCPR 2020 Zero Um Concursos 12acesse outros conteúdos: www.zeroumconcursos.com.br QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 13acesse outros conteúdos: INQUÉRITO POLICIAL 1. Depois de adquirir um revólver calibre 38, que sabia ser produto de crime, José passou a portá-lo municiado, sem autorização e em desacordo com determinação legal. O comportamento suspeito de José levou-o a ser abordado em operação policial de rotina. Sem a autorização de porte de arma de fogo, José foi conduzido à delegacia, onde foi instaurado inquérito policial. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item seguinte. O inquérito instaurado contra José é procedimento de natureza administrativa, cuja finalidade é obter informações a respeito da autoria e da materialidade do delito. 2. O inquérito policial, procedimento persecutório de caráter administrativo instaurado pela autoridade policial, tem como destinatário imediato o Ministério Público, titular único e exclusivo da ação penal. 3. Toda e qualquer infração penal é investigada através do inquérito policial. 4. No CPP, não há distinção entre prova e elemento informativo da investigação. 5. O valor probatório do inquérito policial, como regra, é considerado relativo, entretanto, nada obsta que o juiz absolva o réu por decisão fundamentada exclusivamente em elementos informativos colhidos na investigação. 6. A recente jurisprudência do STJ, em homenagem ao princípio constitucional do devido processo legal, firmou-se no sentido de que eventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória, mesmo diante da natureza inquisitiva do inquérito policial, contaminam a ação penal dele oriunda. 7. O inquérito policial somente poderá ser avocado ou redistribuído, mediante decisão fundamentada de superior hierárquico, por motivo de interesse público ou por inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 14acesse outros conteúdos: 8. O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria e por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e as garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os advogados, sem prejuízo da possibilidade – sempre presente no Estado Democrático de Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados, praticados pelos membros daquela instituição. 9. O inquérito policial, na atual sistemática processual, é exclusivamente escrito, nos termos dos artigos 9º e 405, § 1º, ambos do Código de Processo Penal. 10. Tanto o acompanhamento do inquérito policial por advogado quanto seus requerimentos ao delegado caracterizam a observância do direito ao contraditório e à ampla defesa, obrigatórios na fase inquisitorial e durante a ação penal. 11. A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato criminoso não ocorreu. 12. Uma das características do inquérito policial é o sigilo, razão pela qual não poderá o defensor do indiciado ter acesso aos autos, ainda que em relação àquilo já documentado. 13. O inquérito policial é dispensável à propositura de ação penal, mas denúncia desacompanhada de um mínimo de prova do fato e da autoria é denúncia sem justa causa. 14. O desenvolvimento da investigação no IP deverá seguir, necessariamente, todas as diligências previstas de forma taxativa no Código de Processo Penal, sob pena de ofender o princípio do devido processo legal. Além disso, há uma sequência preeestabelecida de atos investigativos que devem ser realizados pela autoridade policial. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 15acesse outros conteúdos: 15. A requisição do MP para instauração do IP tem a natureza de ordem, razão pela qual não pode ser descumprida pela autoridade policial, ainda que, no entender desta, seja descabida a investigação. 16. Em consonância com o dispositivo constitucional que trata da vedação ao anonimato, é vedada a instauração de inquérito policial com base unicamente em denúncia anônima, salvo quando constituírem, elas próprias, o corpo de delito. 17. Nos crimes de ação penal privada, o inquérito policial poderá ser instaurado a requerimento da vítima ou do MP. 18. O conhecimento pela autoridade policial da infração penal por meio de requerimento da vítima denomina-se notitia criminis de cognição imediata. 19. Cabe ao promotor ou ao juiz, mediante requisição, determinar o indiciamento de alguém pela autoridade policial. 20. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que o juízo houver expedido a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. 21. Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial, o juiz determinará a remessa de oficio ao tribunal de justiça para que seja designado outro órgãode MP para oferecê-la. 22. O Tribunal está obrigado a acolher a manifestação de arquivamento de investigação criminal formulada pelo Procurador-geral de Justiça, na hipótese de competência originária. 23. Mesmo depois de ordenado pela autoridade judiciária, em caso de arquivamento do inquérito por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá, se de outras provas tiver notícia, proceder a novas pesquisas. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 16acesse outros conteúdos: 24. Na visão do pretório excelso, a decisão que determina o arquivamento do inquérito policial, a pedido do Ministério Público, quando o fato nele apurado for considerado atípico, produz, mais que preclusão, coisa julgada material, impedindo ulterior instauração de processo que tenha por objeto o mesmo episódio, mesmo com a existência de novas provas. 25. Há previsão de recurso de ofício em caso de arquivamento do inquérito policial que verse sobre crime contra a economia popular ou contra a saúde pública regrado pela Lei n. 1.521/51. 26. A jurisprudência dos tribunais superiores admite o arquivamento implícito, quando o promotor de justiça deixa de denunciar réu indiciado em inquérito policial. 27. Segundo a doutrina, arquivamento indireto do inquérito policial é o fenômeno de ordem processual que decorre de quando o titular da ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum dos indiciados, sem expressa manifestação desse procedimento, e o juiz recebe a denúncia sem remeter a questão ao chefe institucional do Ministério Público. 28. Considere que a autoridade policial tenha instaurado inquérito para apurar a prática de crime cuja punibilidade fora extinta pela decadência. Nessa situação, ao tomar conhecimento da investigação, o acusado poderá se valer do habeas corpus para impedir a continuação da investigação e obter o trancamento do inquérito policial. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 17acesse outros conteúdos: GABARITO 1. C 2. E 3. E 4. E 5. C 6. E 7. C 8. C 9. E 10. E 11. E 12. E 13. C 14. E 15. C 16. C 17. E 18. E 19. E 20. E 21. E 22. C 23. C 24. C 25. C 26. E 27. E 28. C QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 18acesse outros conteúdos: QUESTÕES COMENTADAS 1. Depois de adquirir um revólver calibre 38, que sabia ser produto de crime, José passou a portá-lo municiado, sem autorização e em desacordo com determinação legal. O comportamento suspeito de José levou-o a ser abordado em operação policial de rotina. Sem a autorização de porte de arma de fogo, José foi conduzido à delegacia, onde foi instaurado inquérito policial. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item seguinte. O inquérito instaurado contra José é procedimento de natureza administrativa, cuja finalidade é obter informações a respeito da autoria e da materialidade do delito. Gabarito: certo. O inquérito policial é um procedimento destinado a apurar a materialidade1 e a autoria2 de uma infração penal por meio da realização de um conjunto de diligências investigativas3, a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. 1 Apurar a materialidade significa apurar se o fato investigado configura crime e, caso configure, qual foi o crime praticado. 2 Apurar a autoria significa apurar quem praticou o crime e em quais circunstâncias. 3 Diligências investigativas são as ações de investigação realizadas pela autoridade policial para apuração da conduta investigada. Exemplo: oitiva das testemunhas, perícias, etc. Quanto à natureza do inquérito policial, é importante lembrar que se trata de PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO! Logo: • não é processo. E não é processo porque não se estabelece; no inquérito policial, a relação processual (partes e juiz imparcial). Além disso, no inquérito QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 19acesse outros conteúdos: policial ainda não há o exercício da pretensão acusatória, em outras palavras, ninguém é acusado da prática de delitos no curso do inquérito policial, tanto é que o resultado das investigações não é a aplicação de uma sanção penal, mas sim um relatório das ações de investigação realizadas. • Não é judicial, pois não é conduzido por um juiz, mas por uma autoridade policial. 2. O inquérito policial, procedimento persecutório de caráter administrativo instaurado pela autoridade policial, tem como destinatário imediato o Ministério Público, titular único e exclusivo da ação penal. Gabarito: errado. Na sua prova, você não pode esquecer quem são os destinatários do inquérito policial. • Destinatários imediatos: são os titulares da ação penal: • o Ministério Público, titular exclusivo da ação penal pública (CF/88, art. 129, I); e • o ofendido, titular da ação penal privada (CPP, art. 30). • Destinatário mediato: o Poder Judiciário, que se utilizará dos elementos de informação constantes do inquérito policial para auxiliar na formação de seu convencimento sobre o mérito e para decidir sobre a decretação de medidas cautelares. 3. Toda e qualquer infração penal é investigada através do inquérito policial. Gabarito: errado. As infrações de menor potencial ofensivo são investigadas por meio do termo circunstanciado. O termo circunstanciado, previsto na Lei nº 9.099/1995, é o método investigativo destinado a apurar as infrações de menor potencial ofensivo (IMPO). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 20acesse outros conteúdos: Infrações de menor potencial ofensivo são: • as contravenções penais; e • os crimes cuja pena máxima não seja superior a 02 anos, cumulados ou não com multa. As infrações de menor potencial ofensivo são investigadas por meio do termo circunstanciado, por ser um procedimento que garante maior celeridade e simplicidade nas investigações. Em verdade, o termo circunstanciado é extremamente simples, muito semelhante a um boletim de ocorrência, em que se registram as informações sobre o delito prestadas pelos envolvidos (vítima, testemunhas e investigado). O STJ entende que, nas infrações de menor potencial ofensivo, a autoridade policial pode substituir o termo circunstanciado pelo inquérito policial quando a complexidade ou as circunstâncias do caso assim recomendem (STJ, HC nº 26.988/SP). RELEMBRANDO ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 21acesse outros conteúdos: 4. No CPP, não há distinção entre prova e elemento informativo da investigação. Gabarito: errado. No Direito Processual Penal, há uma distinção conceitual entre a terminologia “prova” e a terminologia “elemento informativo”. Essa diferença entre prova e elementos de informação é expressa no art. 155 do Código de Processo Penal: CPP, art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Da análise do dispositivo e da doutrina, podemos sintetizar a diferença existente no seguinte quadro: PROVAS ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO Em regra, são informações sobre a materialidade e a autoria produzidas na fase judicial. São informações sobre a materialidade e a autoria produzidas na fase de investigação preliminar. Assim, noinquérito policial, em regra, não há colheita de provas, mas sim de elementos de informação. Exceções são as provas cautelares, as provas não repetíveis e as provas antecipadas, que são informações sobre o crime produzidas na fase investigatória, mas que possuem natureza jurídica de “prova”. As provas cautelares, as provas não repetíveis e as provas antecipadas serão estudadas no material referente às PROVAS NO PROCESSSO PENAL. Nesse momento inicial, apenas nos cabe entender as diferenças entre provas e elementos informativos. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 22acesse outros conteúdos: Em relação a essa distinção (entre provas e elementos informativos), outras diferenças que podem ser apontadas são as seguintes: PROVAS ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO Na produção das provas, é assegurado o contraditório e a ampla defesa. Não é assegurado o contraditório e ampla defesa na produção de elemento informativos. A produção da prova se sujeita ao princípio da identidade física do juiz (art. 399, §2º, CPP). As provas devem, via de regra, ser produzidas na presença do juiz que vai proferir a sentença. Os elementos informativos não são produzidos na presença do juiz, mas sim na presença da autoridade policial. Finalidade da produção das provas: formar a convicção do juiz da causa acerca do fato em julgamento. Finalidades da produção dos elementos informativos: • auxiliar na formação da opinio delicti (opinião do MP acerca do fato investigado); • fundamentar a decretação de medidas cautelares. Por ser um procedimento destinado a colher elementos informativos sobre o crime, o inquérito policial é classificado como PROCEDIMENTO INFORMATIVO. ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 23acesse outros conteúdos: 5. O valor probatório do inquérito policial, como regra, é considerado relativo, entretanto, nada obsta que o juiz absolva o réu por decisão fundamentada exclusivamente em elementos informativos colhidos na investigação. Gabarito: certo. Analisar qual é o valor probatório do inquérito policial é identificar a possibilidade de o juiz fundamentar sua decisão com base nos elementos nele colhidos. Nesse sentido, podemos dizer que o inquérito policial tem um VALOR PROBATÓRIO RELATIVO. Isso porque, isoladamente, os elementos informativos produzidos nos IP não podem servir de fundamento para uma condenação. Ou seja, o juiz não pode condenar alguém exclusivamente com base em elementos informativos. Todavia, em conjunto com provas produzidas em contraditório judicial, os elementos produzidos no IP podem, sim, influenciar na formação da convicção do julgador (STF, HC 83.348). Em relação à sentença absolutória (decisão judicial que absolve o réu), é certo que o juiz pode concedê-la somente com base nos elementos do IP. 6. A recente jurisprudência do STJ, em homenagem ao princípio constitucional do devido processo legal, firmou-se no sentido de que, em regra, eventuais irregularidades ocorridas na fase investigatória, mesmo diante da natureza inquisitiva do inquérito policial, contaminam a ação penal dele oriunda. Gabarito: errado. É recorrente em questões de concursos a questão sobre o efeito de eventuais irregularidades ou vícios que porventura ocorram no transcorrer do inquérito policial. CUIDADO! QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 24acesse outros conteúdos: Em decorrência do caráter meramente informativo do inquérito policial, o posicionamento pacificado dos tribunais superiores é no sentido de que, em regra, os eventuais vícios ocorridos no inquérito policial não são hábeis a contaminar a ação penal. EXCEÇÕES! Haverá a extensão da nulidade à eventual ação penal nos seguintes casos: • se houver violações de garantias constitucionais e legais expressas e o órgão ministerial, na formação da opinio delicti, não consiguir afastar os elementos informativos maculados para persecução penal em juízo. Exemplo: situação em que todos os elementos informativos do inquérito policial derivaram de uma interceptação telefônica ilícita; • se o advogado nomeado do investigado for impedido de assisti-lo em seu interrogatório policial. Esse vício ensejará nulidade absoluta do ato de interrogatório e dos atos dele derivados, nos termos da Lei nº 13.245/2016. 7. O inquérito policial somente poderá ser avocado ou redistribuído, mediante decisão fundamentada de superior hierárquico, por motivo de interesse público ou por inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. Gabarito: certo. LEI Nº 12.830/13. Art. 2º, §4º. O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. A avocação ou redistribuição de investigação criminal conduzida por delegado de polícia por superior hierárquico somente pode ser feita mediante despacho motivado em duas situações: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 25acesse outros conteúdos: • motivo de interesse público; • inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação. 8. O Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria e por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que respeitados os direitos e as garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os advogados, sem prejuízo da possibilidade – sempre presente no Estado Democrático de Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados, praticados pelos membros daquela instituição. Gabarito: certo. No dia 14 de maio de 2015, o Plenário do STF, no julgamento do RE 593727 (recurso esse que teve reconhecida a repercussão geral), confirmou seu entendimento de que o Ministério Público tem atribuição para promover, por autoridade própria e por prazo razoável, investigações de natureza penal. REQUISITOS: • Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos investigados; • A atuação do MP fica sob permanente controle jurisdicional; • Devem ser respeitadas as hipóteses constitucionais de reserva de jurisdição; • Devem ser respeitadas as prerrogativas garantidas aos advogados. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 26acesse outros conteúdos: • EXCEPCIONALIDADE! A investigação criminal não é atividade ordinária do Ministério Público, somente podendo ser exercida em casos excepcionais, como nos casos de procrastinação da investigação pelos órgãos policiais, crimes de abuso de autoridade, crimes contra a Administração Pública e crimes praticados por policiais. Vale lembrar ainda a Súmula nº 234, STJ: “A participação de membro do MP na fase investigatória não acarreta o seu impedimento ou suspeição para oferecimento da denúncia”. O principal fundamento da investigação pelo Ministério Público é a TEORIA DOS PODERES IMPLÍCITOS. Segundo essa teoria, a expressa outorga ao Ministério Público da competência para promover aação penal pública pressupõe que se reconheça, ainda que por implicitude, a titularidade de meios destinados colheita de informações sobre a infração penal, conferindo-se, com isso, efetividade aos fins constitucionalmente reconhecidos órgão. Apesar de o MP poder investigar crime, jamais pode presidir inquéritos policias. A investigação pelo MP é feita por meio de procedimento próprio, qual seja o PIC – Procedimento Investigatório Criminal. 9. O inquérito policial, na atual sistemática processual, é exclusivamente escrito, nos termos dos artigos 9º e 405, § 1º, ambos do Código de Processo Penal. Gabarito: errado. De nada serviria um inquérito policial oral, visto que sua finalidade é subsidiar uma ação penal. ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 27acesse outros conteúdos: Nesse sentido, o art. 9º do CPP determina que todas as peças do Inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Do dispositivo se extrai a informação de que todas as diligências investigativas devem ser registradas por escrito, para que seja possível levar as informações apuradas aos responsáveis pela persecução penal. Apesar do que determina o art. 9º do CPP, é possível a utilização de recursos audiovisuais para a gravação de diligências investigativas realizadas no curso do inquérito policial. Aliás, não é somente possível, como é recomendável que a autoridade policial o faça quando for possível, por força de determinação expressa do CPP: Art. 405, §1º, CPP. Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações (alterado pela Lei nº 11.719/2008). Apesar de o supracitado dispositivo legal estar previsto no Título do Código de Processo Penal que trata dos processos judiciais em espécies, ele se aplica também à fase de investigação preliminar, tanto é que utilizou os termos “investigado e indiciado”. Assim, verifica-se que o inquérito policial não é um procedimento exclusivamente escrito, pois é possível o registro de suas diligências também de outra forma além da forma escrita. 10. Tanto o acompanhamento do inquérito policial por advogado quanto seus requerimentos ao delegado caracterizam a observância do direito ao contraditório e à ampla defesa, obrigatórios na fase inquisitorial e durante a ação penal. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 28acesse outros conteúdos: Gabarito: errado. Prevalece o entendimento de que não há necessidade de observância do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial. Ademais, em razão da inquisitoriedade do IP, não é obrigatória a atuação de advogado na defesa do investigado. O único inquérito em que é assegurado o contraditório é o instaurado pela polícia federal, a pedido do Ministro da Justiça, visando à expulsão de estrangeiro (Decreto nº 86.715/1981). ATUAÇÃO DO ADVOGADO NA FASE INQUISITIVA (LEI Nº 13.245/2016) A Lei n º 13.245/216 alterou o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (Lei nº 8.906/1994) e inclui nele vários direitos aos advogados na fase inquisitiva: • Direito de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital (art. 7º, XIV da Lei nº 8.906/1994). • Direito de assistir a seus clientes durante investigação, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados (art. 7º, XXI da Lei nº 8.906/1994). • Direito de apresentar razões e quesitos (art. 7º, XXI, ‘a’ da Lei nº 8.906/1994). Apesar de haver doutrina entendendo que, com essa alteração, passou a ser assegurado o contraditório e a ampla defesa no inquérito policial, não é essa a posição que prevalece. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 29acesse outros conteúdos: O entendimento que deve ser levado para provas de concurso é no sentido de que o inquérito policial continua sendo inquisitivo, ou seja, que continua não sendo assegurado o contraditório e a ampla defesa no inquérito policial. Não obstante, o fato de não ser assegurado o contraditório e a ampla defesa não afasta o plexo de direitos a que faz jus o investigado e seu advogado na fase inquisitória (direito ao silêncio, direito de acesso aos autos, etc). Reforça esse entendimento o fato de que o advogado já tinha outros direitos assegurados em sua atuação na fase inquisitiva, dentre eles: • direito de ingressar livremente as salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares; • direito de permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no item anterior, independentemente de licença; • direito de reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento; 11. A autoridade policial poderá arquivar o inquérito policial se verificar que o fato criminoso não ocorreu. Gabarito: errado. A indisponibilidade do inquérito policial é figura repetida nas questões de concurso público sobre o tema! Importantíssimo saber que o inquérito é um PROCEDIMENTO INDISPONÍVEL! QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 30acesse outros conteúdos: Isso significa que, não obstante a discricionariedade na realização de diligências, depois de instaurado, a autoridade policial não pode mandar arquivar os autos do Inquérito policial (art. 17 do CPP), nem mesmo requerer o arquivamento ao juiz, já que o titular da ação penal é o Ministério Público. A única conclusão possível do inquérito policial é o relatório previsto no art. 10, § 1°, do CPP: A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. 12. Uma das características do inquérito policial é o sigilo, razão pela qual não poderá o defensor do indiciado ter acesso aos autos, ainda que em relação àquilo já documentado. Gabarito: errado. De fato, o inquérito policial é um procedimento sigiloso. Isso porque o Código de Processo Penal dispõe: Art. 20, CPP. A autoridade assegurará no Inquérito policial o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Esse dispositivo constitui uma limitação ao direito de obter informações de órgãos públicos, assegurado no art. 5°, XXXIII, da CF/88, e tem como finalidade garantir a eficácia do inquérito policial e garantir a intimidade do investigado. Pode-se dizer ainda que o sigilo do inquérito policial consubstancia uma exceção à regra que vige no Direito Processual Penal no que diz respeito à publicidade dos atos processuais (CF/88, art. 5º, LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 31acesse outros conteúdos: Não obstante o sigilodo inquérito policial, é possível, em hipóteses excepcionais, que seja dada publicidade a alguma diligência desse procedimento, desde que haja interesse público e que a divulgação não resulte em prejuízo para as investigações. Exemplo: divulgação de retrato falado para localização de investigado. No entanto, o sigilo do inquérito policial não se aplica a três pessoas: • ao Ministério Público; • ao Juiz da causa; e • ao advogado do investigado (representando o interesse do próprio investigado). Em relação ao advogado do defensor, era tão comum que lhes fossem negados o acesso aos autos do inquérito policial que o Supremo Tribunal Federal editou uma Súmula Vinculante: Súmula Vinculante n° 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter amplo acesso aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. A pergunta mais comum sobre o acesso do advogado é a seguinte: CONSIDERANDO QUE O SIGILO NÃO PODE SER OPOSTO AO DEFENSOR, COMO A AUTORIDADE POLICIAL FARÁ PARA GARANTIR A EFICÁCIA DE DILIGÊNCIAS QUE DEPENDEM DO SIGILO PARA SEU ÊXITO? SÚMULA QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 32acesse outros conteúdos: No caso de uma decretação judicial de interceptação das comunicações telefônicas, por exemplo, o conhecimento pelo advogado dessa decisão certamente impediria o sucesso das investigações, já que o investigado jamais revelaria em uma conversa telefônica qualquer informação sobre o esquema criminoso em que está envolvido sabendo que suas ligações estão sendo captadas. Nesse sentido, pensando em munir a autoridade policial de meios legítimos para evitar o conhecimento pelo indiciado e seu defensor de procedimentos ainda em trâmite, percebam que a súmula apenas garantiu acesso do defensor às informações já introduzidas nos autos do inquérito, não abrangendo, portanto, as diligências investigativas ainda em curso (STF: HC 82.354). No caso da interceptação telefônica, por exemplo, o advogado apenas tem acesso a essa diligência após o fim do procedimento, com a juntada da transcrição das conversas captadas na interceptação telefônica aos autos. 13. O inquérito policial é dispensável à propositura de ação penal, mas denúncia desacompanhada de um mínimo de prova do fato e da autoria é denúncia sem justa causa. Gabarito: certo. A dispensabilidade do inquérito policial é uma das questões mais cobradas em concursos públicos sobre o tema. Por isso é importantíssimo saber: O inquérito policial é um procedimento DISPENSÁVEL! Isso significa que o titular da ação penal pode propô-la independentemente da instauração de inquérito policial, desde que conte com elementos de informação suficientes para um lastro probatório mínimo. CUIDADO! QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 33acesse outros conteúdos: • FUNDAMENTO LEGAL: Art. 39. § 5º O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias. A ação penal proposta sem um mínimo de elementos de informação que apontem para a fidedignidade da acusação proposta em juízo constitui ação penal sem justa causa. 14. O desenvolvimento da investigação no IP deverá seguir, necessariamente, todas as diligências previstas de forma taxativa no Código de Processo Penal, sob pena de ofender o princípio do devido processo legal. Além disso, há uma sequência preestabelecida de atos investigativos que devem ser realizados pela autoridade policial. Gabarito: errado. O inquérito policial é um procedimento administrativo pautado pela DISCRICIONARIEDADE! Isso significa que, em regra, a autoridade policial pode proceder às diligências investigativas que julgar convenientes no momento que achar mais oportuno para a investigação da infração penal, obedecendo sempre os requisitos legais de cada caso. A autoridade policial pode, por exemplo, optar por fazer a reprodução simulada dos fatos (reconstituição do crime) ou deixar de fazer, por considerar irrelevante para a apuração da infração penal. Em razão da discricionariedade do IP, o delegado não é obrigado a seguir uma sequência preestabelecida de atos no seu desenvolvimento. Assim, diferente do que ocorre no procedimento judicial, o interrogatório do investigado não necessariamente será a última diligência do procedimento. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 34acesse outros conteúdos: Ainda como decorrência da discricionariedade do inquérito policial, o CPP assim dispõe: Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade. Segundo o dispositivo, o ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado podem requerer a realização de ações de investigação à autoridade que conduz o inquérito policial, mas cabe a essa última avaliar se a diligência requerida pode ou não auxiliar no esclarecimento do fato investigado. Caso a autoridade policial entenda que se trata de diligência meramente protelatória, poderá indeferir o requerimento. 15. A requisição do MP para instauração do IP tem a natureza de ordem, razão pela qual não pode ser descumprida pela autoridade policial, ainda que, no entender desta, seja descabida a investigação. Gabarito: certo. É função institucional do MP requisitar diligências investigativas (art. 129, VIII). Assim, diante da requisição do órgão ministerial, a autoridade policial é obrigada a realizar a diligência, salvo quando manifestamente ilegal. Não há hierarquia entre Delegado de Polícia e membro do MP. A obrigatoriedade de atendimento à requisição se dá por força da previsão constitucional de que essa atividade (requisitar diligências e a instauração do inquérito policial) é atribuição do Ministério Público. ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 35acesse outros conteúdos: 16. Em consonância com o dispositivo constitucional que trata da vedação ao anonimato, é vedada a instauração de inquérito policial com base unicamente em denúncia anônima, salvo quando constituírem, elas próprias, o corpo de delito. Gabarito: certo. A questão que repetidamente cai em provas de concursos sobre esse tema é o efeito da notícia anônima, também denominada de DELATIO CRIMINIS INQUALIFICADA. O tema já foi pacificado na jurisprudência. Diante da vedação ao anonimato na Constituição Federal e diante da impossibilidade de responsabilização do falso delator na notícia anônima, entende-se que não é possível a instauração do Inquérito policial com base, exclusivamente, em uma delatio criminis inqualificada! Todavia, isso não significa que a notícia anônima não seja admitida no ordenamento jurídico brasileiro. A notícia anônima é, sim, admitida em nosso ordenamento jurídico. Diante de uma notícia anônima (delatio criminis inqualificada), a autoridade policial deve verificar a procedência das informações por meio de diligências cabíveis, e, caso seja constatada a veracidade da notícia, é perfeitamente possível a instauração do inquérito policial! EXCEÇÃO: será possível a instauração de inquérito policial unicamente com base em notícia anônima quando ela for recebida por meio de um documento apócrifo que constituir o próprio corpo de delito (STF, Inq 1957/ PR). Exemplo: declaração particular ideologicamente falsa sem assinaturado declarante. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 36acesse outros conteúdos: 17. Nos crimes de ação penal privada, o inquérito policial poderá ser instaurado a requerimento da vítima ou do MP. Gabarito: errado. Nos crimes de ação penal privada, a autoridade policial não pode instaurar o inquérito mediante requerimento do MP. Também não pode instaurá-lo de ofício ao tomar conhecimento da prática de infração penal. Isso porque, conforme preceitua o art. 5°, § 5o, do CPP, “nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la”. 18. O conhecimento pela autoridade policial da infração penal por meio de requerimento da vítima denomina-se notitia criminis de cognição imediata. Gabarito: errado. Notitia Criminis é a notícia do crime. Trata-se do conhecimento, espontâneo ou provocado, pela autoridade, da prática de um delito. As espécies de Notitia Criminis são as seguintes: Notitia Criminis de cognição imediata (espontânea ou direta) Ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso por meio de suas atividades rotineiras. Notitia Criminis de cognição mediata (provocada ou indireta) Ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento da prática da infração penal por meio de um documento escrito. Exemplo: requisição do MP. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 37acesse outros conteúdos: Notitia Criminis de cognição coercitiva Ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento da infração penal por meio da apresentação de pessoa presa em flagrante. IMPORTANTE REVISAR: conforme já estudamos, quando há uma delatio criminis inqualificada, só se instaurará o inquérito se verificada, por meio de diligências policiais preliminares, a veracidade das informações. Em razão disso, a delatio criminis inqualificada é considerada pela maior parte da doutrina como Notitia Criminis de Cognição Imediata! 19. Cabe ao promotor ou ao juiz, mediante requisição, determinar o indiciamento de alguém pela autoridade policial. Gabarito: errado. Indiciamento é um ato privativo da autoridade policial que consiste em atribuir a autoria da infração penal a determinada pessoa! Sendo ato privativo do Delegado de Polícia, não é possível ao Ministério Público ou ao juiz requisitarem o indiciamento à autoridade policial (Informativo nº 552, STJ). RELEMBRANDO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 38acesse outros conteúdos: OUTRAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA REVISÃO: • ATO VINCULADO: prevalece o entendimento de que o indiciamento é ato vinculado, ou seja, a autoridade policial, ao se convencer da autoria do crime por determinada pessoa, deve indiciá-la. • REQUISITOS DO INDICIAMENTO (Lei nº 12.830/213, art. 2º, § 6º): • Deve ser um ato formal; • Deve ser fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do fato; • Deve indicar a materialidade, autoria e as circunstâncias da infração penal. • MOMENTO: o indiciamento pode ser feito durante toda a investigação (desde a peça inaugural até o relatório final da autoridade policial). Importante! O indiciamento formal após o recebimento da denúncia gera constrangimento ilegal (STJ, 6ª Turma, HC 182.455 SP). • ESPÉCIES: a doutrina classifica o indiciamento em duas espécies: • indiciamento direto: ocorre quando o indiciamento é feito na presença do investigado; é a regra. • indiciamento indireto: ocorre quando o indiciamento não é feito na presença do investigado. Pode ser feito quando o investigado não é encontrado ou quando é intimado e não comparece. 20. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que o juízo houver expedido a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 39acesse outros conteúdos: Gabarito: errado. O Código de Processo Penal determina que o inquérito policial deve terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nessa hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. O erro da questão está na parte que fala “contado o prazo, nessa hipótese, a partir do dia em que o juízo houver expedido a ordem de prisão”. Na verdade, em caso de indiciado preso, o prazo é contado da data em que executar a ordem de prisão. É Importante observar, para revisão, que pode ser prorrogado o prazo do inquérito policial no caso de investigado solto! Sintetizando as informações mais importantes sobre o prazo do IP: PRAZOS DO INQUÉRITO POLICIAL NO CPP INDICIADO PRESO (PRISÃO EMFLAGRANTE OU PREVENTIVA) INDICIADO SOLTO 10 dias 30 dias Contados da data em que se executar a ordem de prisão. Contados da data do ato inaugural do inquérito policial. Não há previsão legal para prorrogação do inquérito policial. O mero descumprimento do prazo não enseja revogação da prisão, no entanto o excesso desarrazoado do prazo pode sim ensejar revogação da prisão preventiva (STJ, 6ª T., HC 44.604/RN). O I.P. pode ser prorrogado pelo prazo assinalado pelo juiz nos casos em que a complexidade da investigação ou o número de investigados exigirem. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 40acesse outros conteúdos: Esses são os prazos gerais, que se aplicam caso não haja previsão diversa em lei específica. Além dos prazos previstos no CPP, há prazos diferenciados previstos em leis especiais, situações em que deixa de valer o prazo geral previsto no CPP e passam a ser aplicados os prazos especiais. A conclusão deriva do princípio da especialidade, utilizado para resolver o conflito aparente de leis, segundo o qual a norma especial afasta a aplicação da norma geral (lex especialis derrogat lex generalis). Os prazos especiais do inquérito policial são os seguintes: PRAZOS ESPECIAIS DO INQUÉRITO POLICIAL INDICIADO PRESO INDICIADO SOLTO CRIMES FEDERAIS (Lei nº 5.010/1996) 15 dias prorrogáveis por até mais 15 dias (art. 66). 30 dias (como a Lei nº 5.010/1996 não dispõe, aplica-se o prazo do CPP, cabendo ampliação). Lei de Drogas 30 dias (duplicável, ouvido o MP). 90 dias (duplicável, ouvido o MP). Código de Processo Penal Militar (art. 20) 20 dias 40 dias, prorrogável por mais 20 pela autoridade militar superior. Crimes contra a Economia Popular (Lei nº 1.521/51) 10 dias, preso ou solto. ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 41acesse outros conteúdos: 21. Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial, o juiz determinará a remessa de oficio ao tribunal de justiça para que seja designado outro órgão de MP para oferecê-la. Gabarito: errado. Conforme vimos, a autoridade policial não pode arquivar o inquérito policial, pois o arquivamento do inquérito policial é uma decisão judicial, sempre a pedido do titular da ação penal. Não há dúvida de que, se o juiz concordar com o pedido de arquivamento, o inquérito será arquivado. Todavia, se o juiz não concordar com o pedido de arquivamento do inquérito policial, feito pelo Ministério Público,deverá remetê-lo ao Procurador-Geral para que este: • ofereça denúncia; • designe outro órgão do MP para oferecer a denúncia; • insista no arquivamento (só então o juiz estará vinculado a arquivar o I.P.). Isso é exatamente o conteúdo do art. 28 do CPP, que consagra o princípio da devolução. PRINCÍPIO DA DEVOLUÇÃO: a remessa da promoção de arquivamento ao Procurador-Geral é denominada de “princípio da devolução”. Para simplificar o entendimento do procedimento, segue o mapa mental: PROCEDIMENTO DE ARQUIVMANETO DO IP (ART. 28, CPP) MP pede arquivamento ARQUIVA!Juiz concorda Juiz discorda PGJ Oferece denúncia Designa outro órgão do MP Insiste no arquivamento QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 42acesse outros conteúdos: Apesar de não haver previsão legal, a doutrina entende que o Procurador-Geral de Justiça pode também requisitar diligências imprescindíveis. 22. O Tribunal está obrigado a acolher a manifestação de arquivamento de investigação criminal formulada pelo Procurador-geral de Justiça, na hipótese de competência originária. Gabarito: certo. O art. 28 do CPP (que determina que o juiz remeta o pedido de arquivamento do IP ao PGJ quando discordar das razões invocadas) não se aplica em dois casos: • no caso de requerimento de arquivamento do IP nas hipóteses de atribuição originária do PGR ou do PGJ, é inviável a aplicação do procedimento do art. 28 do CPP. A decisão de arquivamento nessa hipótese pode ser administrativa, pois, se remetida ao Poder Judiciário, este será obrigado a arquivar o inquérito policial (STF, Inq. 2054). • no caso de requerimento de arquivamento do IP nas hipóteses de atribuição de membro do MPF que atua perante o STJ, não se aplica o art. 28 do CPP, pois a jurisprudência do STJ é no sentido de que os membros do MPF atuam por delegação do Procurador-Geral da República na instância especial (Informativo nº 558, STJ). 23. Mesmo depois de ordenado pela autoridade judiciária, em caso de arquivamento do inquérito por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá, se de outras provas tiver notícia, proceder a novas pesquisas. Gabarito: certo. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia (CPP, art. 18). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 43acesse outros conteúdos: 24. Na visão do pretório excelso, a decisão que determina o arquivamento do inquérito policial, a pedido do Ministério Público, quando o fato nele apurado for considerado atípico, produz, mais que preclusão, coisa julgada material, impedindo ulterior instauração de processo que tenha por objeto o mesmo episódio, mesmo com a existência de novas provas. Gabarito: certo. Sobre a coisa julgada na decisão de arquivamento do inquérito policial, é importante lembrar do seguinte: Coisa julgada é a imutabilidade das decisões judiciais. Por questões de segurança jurídica, uma vez que uma decisão judicial é proferida, após o fim do prazo para recurso (se couber), essa decisão se torna imodificável. O arquivamento do inquérito policial, que é uma decisão judicial, pode ter diversos fundamentos; a depender desse fundamento, gerará coisa julgada formal e material ou apenas coisa julgada formal. • A COISA JULGADA FORMAL torna imutável a decisão somente no mesmo processo em se insere, sendo possível que nova decisão sobre os mesmos fatos se sobrevierem novos fatos. Trata-se de um fenômeno endoprocessual. Quando a decisão de arquivamento do inquérito policial gerar apenas coisa julgada formal, serão possíveis novas investigações, se surgirem notícias de novas provas. • A COISA JULGADA MATERIAL é a imutabilidade da decisão dentro e fora do processo em que se insere. Pressupõe a coisa julgada formal, ou seja, sempre que a decisão gerar coisa julgada material, irá gerar também coisa julgada formal. Quando a decisão de arquivamento do inquérito policial gerar coisa julgada material, isso significa que a autoridade não poderá sequer investigar mais o mesmo fato delituoso, sob pena de ofensa ao princípio do ne bis in idem! Ocorre quando houver decisão sobre o mérito da causa. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 44acesse outros conteúdos: FUNDAMENTO DO ARQUIVAMENTO GERA COISA JULGADA MATERIAL? PREVISÃO LEGAL FALTA DE BASE PARA A DENÚNCIA Não gera coisa julgada material, mas apenas coisa julgada formal Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia (CPP, art. 18). AUSÊNCIA DE CONDIÇÃO DA AÇÃO (arquivamento provisório do IP) Não gera coisa julgada material, mas apenas coisa julgada formal. Não há. MANIFESTA ATIPICIDADE DA CONDUTA GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Obs.: gera coisa julgada material ainda que tenha sido tomada por juiz absolutamente incompetente (STJ, HC 173.397/RS e STF, HC 83.346/SP). Não há. MANIFESTA EXCLUDENTE DE ILICITUDE DIVERGÊNCIA NOS TRIBUNAIS SUPERIORES STJ: GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL (STJ, REsp 791.471/RJ)! STF: GERA APENAS COISA JULGADA FORMAL (Informativo nº 538, Informativo nº 796, Pleno do STF no HC 87.395/PR). Não há. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 45acesse outros conteúdos: MANIFESTA EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE, SALVO INIMPUTABILIDADE GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Não há. MANIFESTA EXCLUDENTE DE PUNIBILIDADE GERA COISA JULGADA FORMAL E MATERIAL! Exceção: se for fundamentada em documento falso não gera coisa julgada material (STF, HC 84.525). Não há. 25. Há previsão de recurso de ofício em caso de arquivamento do inquérito policial que verse sobre crime contra a economia popular ou contra a saúde pública regrado pela Lei n. 1.521/51. Gabarito: certo. A decisão de arquivamento, em regra, é irrecorrível! Além disso, não é possível ação penal privada subsidiária da pública em face da decisão de arquivamento, pois não há inércia do Ministério Público nessa situação. Há, no entanto, EXCEÇÕES em que cabe recurso contra a decisão de arquivamento do inquérito policial: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 46acesse outros conteúdos: HIPÓTESE EXCEPCIONAL RECURSO CABÍVEL PREVISÃO LEGAL Lei de Crimes Contra a Economia Popular Recurso de ofício Lei nº 1.521/1951 (art. 7º) Contravenções penais do Jogo do Bicho e de corrida de cavalo fora do hipódromo. Recurso em Sentido Estrito. Lei nº 1.508/1951 Arquivamento de ofício pelo juiz. Correição parcial. Trata-se de erro de procedimento para o qual não há recurso específico previsto em lei. Casos de atribuição originária do Procurador-Geral de Justiça. Recurso ao Colégio de Procuradores de Justiça. Lei nº 8.625/1993 (art.12). 26. A jurisprudência dos tribunais superiores admite o arquivamento implícito, quando o promotor de justiça deixa de denunciar réu indiciado em inquérito policial. Gabarito: errado. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 47acesse outros conteúdos: O arquivamento implícito ocorre quando, havendo mais de um investigado ou mais de um crime sendo apurado no inquérito policial, o Ministério Público deixade incluir um ou outro na denúncia bem como deixa de requerer o arquivamento em relação a um ou a outro e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. ESPÉCIES DE ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO: • ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO OBJETIVO: ocorre quando, havendo mais de um crime sendo apurado no inquérito policial, o Ministério Público deixa de requerer o arquivamento em relação a um ou a outro e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. • ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO SUBJETIVO: o arquivamento implícito ocorre quando, havendo mais de um investigado sendo investigado no inquérito policial, o Ministério Público deixa de incluir um ou outro na denúncia e o juiz recebe a denúncia sem se manifestar sobre a omissão do parquet. A doutrina e a jurisprudência são pacíficas em não admitir o arquivamento implícito, pois todas as decisões do Ministério Público devem ser fundamentadas (STF, RHC 95.141/RJ). Para que o MP deixe de incluir algum crime apurado ou algum indiciado no IP, deve requerer o arquivamento em relação ao crime ou indiciado não incluído na denúncia. JURISPRUDÊNCIA PARA REVISAR STJ, HC 21.074: É inadmissível o oferecimento de ação penal privada subsidiária da pública no caso de arquivamento implícito. O juiz deve adotar o procedimento do art. 28 do CPP. JURISPRUDÊNCIA QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 48acesse outros conteúdos: 27. Segundo a doutrina, arquivamento indireto do inquérito policial é o fenômeno de ordem processual que decorre de quando o titular da ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum dos indiciados, sem expressa manifestação desse procedimento, e o juiz recebe a denúncia sem remeter a questão ao chefe institucional do Ministério Público. Gabarito: errado. O arquivamento indireto do inquérito ocorre quando o juiz não concorda com o pedido de declinação de competência formulado pelo MP. Como o juiz não pode obrigar o MP a oferecer a denúncia, deve adotar, por analogia, o procedimento do art. 28 do CPP para solucionar a controvérsia. O erro da questão é descrever o arquivamento implícito e dizer que se refere à situação do arquivamento indireto. 28. Considere que a autoridade policial tenha instaurado inquérito para apurar a prática de crime cuja punibilidade fora extinta pela decadência. Nessa situação, ao tomar conhecimento da investigação, o acusado poderá se valer do habeas corpus para impedir a continuação da investigação e obter o trancamento do inquérito policial. Gabarito: certo. O trancamento também é denominado de encerramento anômalo do inquérito policial. O trancamento é medida a ser determinada pelo Poder Judiciário que acarreta a paralisação imediata de uma investigação criminal em andamento. Trata-se de uma medida de natureza excepcional, somente possível em hipóteses excepcionais, como, por exemplo, as seguintes: • manifesta atipicidade da conduta investigada; • presença de causa extintiva da punibilidade; • instauração de Inquérito Policial em crime de ação penal pública condicionada ou de ação penal privada sem a representação ou requerimento, respectivamente. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 49acesse outros conteúdos: O instrumento jurídico utilizado para se obter o trancamento do inquérito policial é o habeas corpus, salvo quando não houver risco à liberdade de locomoção (hipótese em que o remédio cabível será o mandado de segurança). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 50acesse outros conteúdos: PRISÃO EM FLAGRANTE 1. A prisão em flagrante, medida cautelar, realiza-se no momento em que está ocorrendo ou termina de ocorrer o crime. 2. Com relação aos meios de prova e os procedimentos inerentes a sua colheita, no âmbito da investigação criminal, julgue o próximo item. A entrada forçada em determinado domicílio é lícita, mesmo sem mandado judicial e ainda que durante a noite, caso esteja ocorrendo, dentro da casa, situação de flagrante-delito nas modalidades próprio, impróprio ou ficto. 3. A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante-delito. 4. O fato de a autoridade policial encontrar provas que justifiquem o flagrante- delito convalida a irregular entrada em residência sem autorização judicial e sem permissão do morador. 5. O cidadão que presenciar pessoa cometendo uma infração penal tem a obrigação de prendê-la em flagrante. 6. Admite-se a prisão em flagrante na modalidade de flagrante presumido de alguém perseguido pela autoridade policial logo após o cometimento de um crime e encontrado em situação que faça presumir ser ele o autor da infração. 7. Nas infrações permanentes, enquanto não cessar a permanência, entende-se o agente em flagrante-delito. 8. É possível a prisão em flagrante nos crimes habituais. 9. Nos crimes formais, o flagrante deve considerar o momento da produção do resultado naturalístico. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 51acesse outros conteúdos: 10. Configura crime impossível o flagrante denominado esperado, que ocorre quando a autoridade policial, detentora de informações sobre futura prática de determinado crime, se estrutura para acompanhar a sua execução, efetuando a prisão no momento da consumação do delito. 11. O flagrante diferido que permite à autoridade policial retardar a prisão em flagrante com o objetivo de aguardar o momento mais favorável à obtenção de provas da infração penal prescinde, em qualquer hipótese, de prévia autorização judicial. 12. O indivíduo “A”, que coloca dolosamente sua carteira na mochila de “B”, para logo em seguida acionar a polícia, sob a alegação de haver sido furtado por “B”; tendo os policiais encontrado a carteira de “A” no interior da mochila de “B”, “B” é preso em flagrante pela prática de crime. A hipótese ora narrada é, pela doutrina, denominada flagrante urdido. 13. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do estado. 14. Quando o fato for praticado na presença do Juiz de Direito, ou contra este, no exercício de suas funções, ele não poderá presidir o respectivo auto de prisão em flagrante, sob pena de ver afetada sua imparcialidade. 15. Em decorrência de um homicídio doloso praticado com o uso de arma de fogo, policiais rodoviários federais foram comunicados de que o autor do delito se evadira por rodovia federal em um veículo cuja placa e características foram informadas. O veículo foi abordado por policiais rodoviários federais em um ponto de bloqueio montado cerca de 200 km do local do delito e que os policiais acreditavam estar na rota de fuga do homicida. Dada voz de prisão ao condutor do veículo, foi apreendida QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 52acesse outros conteúdos: arma de fogo que estava em sua posse e que, supostamente, tinha sido utilizada no crime. Considerando essa situação hipotética, julgue o seguinteitem. Durante o procedimento de lavratura do auto de prisão em flagrante pela autoridade policial competente, o policial rodoviário responsável pela prisão e condução do preso deverá ser ouvido logo após a oitiva das testemunhas e o interrogatório do preso. 16. João, aproveitando-se de distração de Marcos, juiz de direito, subtraiu para si uma sacola de roupas usadas a ele pertencentes. Marcos pretendia doá-las a instituição de caridade. João foi perseguido e preso em flagrante-delito por policiais que presenciaram o ato. Instaurado e concluído o inquérito policial, o Ministério Público não ofereceu denúncia nem praticou qualquer ato no prazo legal. Considerando a situação hipotética descrita, julgue o item a seguir. O prazo previsto para que a autoridade policial comunique a prisão de João ao juiz competente é de cinco dias. 17. Valter, preso em flagrante por suposta prática de furto simples, não pagou a fiança arbitrada pela autoridade policial, tendo permanecido preso até a audiência de custódia, realizada na manhã do dia seguinte a sua prisão. A partir dessa situação hipotética, julgue o seguinte item. Na audiência de custódia, ao entrevistar Valter, o juiz deverá abster- se de formular perguntas com a finalidade de produzir provas sobre os fatos objeto do auto da prisão em flagrante, mas deverá indagar acerca do tratamento recebido nos locais por onde o autuado passou antes da apresentação à audiência, questionando sobre a ocorrência de tortura e maus tratos. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 53acesse outros conteúdos: GABARITO 1. C 2. C 3. C 4. E 5. E 6. E 7. C 8. C 9. E 10. E 11. E 12. C 13. C 14. E 15. E 16. E 17. C QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 54acesse outros conteúdos: QUESTÕES COMENTADAS 1. A prisão em flagrante, medida cautelar, realiza-se no momento em que está ocorrendo ou termina de ocorrer o crime. Gabarito: Certo. O termo “flagrante” tem origem etimológica no latim flagrare, que significa queimar. Nesse sentido, o momento do flagrante é o momento da infração penal ou aquele próximo ao cometimento da infração penal, ou seja, enquanto a conduta criminosa do agente ainda “queima”. Diante disso, a doutrina conceitua a prisão em flagrante como a detenção do agente no momento de maior certeza da autoria do crime. Quanto à natureza jurídica, prevalece que, de fato, trata-se de medida cautelar (prisão cautelar). Isso porque, na prisão em flagrante, estão presentes os pressupostos gerais das medidas cautelares na prisão em flagrante: exige-se o “fumus comissi delicti”, pois deve haver fundadas razões de situação flagrancial; e exige-se o “periculum libertatis”, pois se a prisão não for efetuada há probabilidade de perda de informações relevantes para a elucidação do fato. Além disso, o próprio Código de Processo Penal define a prisão em flagrante como prisão cautelar: Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante-delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. § 1º As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à infração a que não for isolada, cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 55acesse outros conteúdos: 2. Com relação aos meios de prova e os procedimentos inerentes a sua colheita, no âmbito da investigação criminal, julgue o próximo item. A entrada forçada em determinado domicílio é lícita, mesmo sem mandado judicial e ainda que durante a noite, caso esteja ocorrendo, dentro da casa, situação de flagrante-delito nas modalidades próprio, impróprio ou ficto. Gabarito: Certo. A Constituição Federal de 1988 prevê que em caso de flagrante-delito é possível a violação do domicílio, não trazendo limitação de horário, nem a necessidade de autorização judicial para a medida. Ademais, a Constituição Federal não limita a possibilidade de violação de domicílio em caso de flagrante a uma situação flagrancial específica, de forma que a entrada em domicílio é autorizada em qualquer hipótese de flagrante-delito prevista no art. 302 do CPP (próprio, impróprio ou presumido). 3. A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante-delito. Gabarito: Certo. Como já vimos em questão anterior, a Constituição Federal de 1988 prevê que em caso de flagrante-delito é possível a violação do domicílio, não trazendo limitação de horário, nem a necessidade de autorização judicial para a medida. O Supremo Tribunal Federal, ao analisar o dispositivo constitucional, assentou o seguinte entendimento: Informativo nº 806 do STF: A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante-delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 56acesse outros conteúdos: É importante que o candidato perceba que, de acordo com o STF, há um requisito para que o domicílio de alguém seja violado, sem ordem judicial, inclusive durante a noite: devem estar presentes fundadas razões de situação flagrancial. Isso significa que não se pode violar o domicílio de alguém com base em uma mera suposição de que há flagrante-delito no local. A invasão do domicílio feita com base em mera suposição gera nulidade da diligência e, consequentemente, a ilicitude da apreensão das provas encontradas no local. Nesse mesmo sentido o STJ: O ingresso regular de domicílio alheio depende, para sua validade e regularidade, da existência de fundadas razões (justa causa) que sinalizem para a possibilidade de mitigação do direito fundamental em questão. É dizer, somente quando o contexto fático anterior à invasão permitir a conclusão acerca da ocorrência de crime no interior da residência é que se mostra possível sacrificar o direito à inviolabilidade do domicílio. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo recorrido, embora pudesse autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o consentimento do morador – que deve ser mínima e seguramente comprovado – e sem determinação judicial. (REsp 1.574.681/ RS). Assim, em síntese, pode-se concluir que: • Havendo fundadas razões de situação flagrancial é possível a violação de domicílio, sem mandado judicial, inclusive durante a noite. • Havendo mera intuição de situação flagrancial não é possível a violação de domicílio. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 57acesse outros conteúdos: Mas qual seria a diferença entre as duas expressões (fundadas razões e mera intuição)? Bem, entendemos como “fundadas razões” de situação flagrancial a situação em que há algo concreto e documentável que demonstre a probabilidade da situação de flagrante feito no momento da violação de domicílio.Esquematizando: FUNDADAS RAZÕES DE SITUAÇÃO FLAGRANCIAL MERA INTUIÇÃO DE SITUAÇÃO FLAGRANCIAL Situação em que há algo concreto, objetivo e documentável a posteriori que demonstra a probabilidade de situação de flagrante na residência. Situação em que há nada documentável que demonstre a probabilidade de situação de flagrante na residência. Há apenas a suposição de que há flagrante ali. Autoriza a violação de domicílio, sem ordem judicial, inclusive durante a noite. Não autoriza a violação de domicílio. Por fim, vale ressaltar que não responde por abuso de autoridade o agente policial que, diante de fundadas razões de situação flagrancial, viole o domicílio de alguém sem ordem judicial e se depare com uma diligência frustrada (por não encontrar o flagrante que imaginou que existia). Nesse caso, terá agido em consonância com a orientação do STF, não tendo, portanto, abusado de seu poder. 4. O fato de a autoridade policial encontrar provas que justifiquem o flagrante-delito convalida a irregular entrada em residência sem autorização judicial e sem permissão do morador. Gabarito: Errado. Se a entrada em domicílio foi irregular (por ter se dado sem a existência de fundadas razões de situação flagrancial), as provas encontradas não convalidam a ilicitude, de forma que devem ser consideradas provas ilícitas por derivação e, portanto, desentranhadas do processo. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 58acesse outros conteúdos: 5. O cidadão que presenciar pessoa cometendo uma infração penal tem a obrigação de prendê-la em flagrante. Gabarito: Errado O cidadão que presenciar pessoa em situação de flagrante PODE (não “deve”) prendê- lo em flagrante. Neste ponto, importante revisar a distinção entre flagrante facultativo e flagrante obrigatório (ou coercitivo). A diferença é encontrada no art. 301 do CPP: Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante-delito. O flagrante facultativo é a possibilidade que a lei conferiu a qualquer pessoa do povo (inclusive a vítima do crime) de prender aquele que estiver em situação de flagrante-delito. O cidadão comum que prende um agente em flagrante-delito age em exercício regular de direito. Já o flagrante obrigatório (coercitivo) é a obrigação imposta pela lei aos agentes policiais de prender aquele que estiver em situação de flagrante-delito. O agente policial que prende alguém em flagrante-delito age em estrito cumprimento do dever legal. 6. Admite-se a prisão em flagrante na modalidade de flagrante presumido de alguém perseguido pela autoridade policial logo após o cometimento de um crime e encontrado em situação que faça presumir ser ele o autor da infração. Gabarito: Errado. A questão apresenta a situação do flagrante impróprio (ou quase flagrante). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 59acesse outros conteúdos: Importante relembrar as situações flagranciais: Art. 302. Considera-se em flagrante-delito quem: I – está cometendo a infração penal; II – acaba de cometê-la; III – é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; IV – é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. O Código de Processo Penal descreveu as situações consideradas como flagrante- delito no art. 302, e a doutrina, com base nesse dispositivo, divide o flagrante em algumas espécies: • Flagrante Próprio (Perfeito, Real ou Verdadeiro) Há flagrante próprio quando o agente é preso no momento do crime, em uma das situações previstas no art. 302, I e II, do CPP: I – está cometendo a infração penal; II – acaba de cometê-la; Na primeira hipótese (art. 302, I) a infração penal está na fase executória e ainda não se consumou. Deve ter ocorrido ao menos um ato executório. Não é possível a prisão em flagrante enquanto apenas há a prática de atos preparatórios, salvo quando o ato preparatório for definido como crime autônomo ou em caso de atos preparatórios para o terrorismo (Lei nº 13.260/16). Na segunda hipótese (art. 302, II), recém ocorreu a consumação do delito. Ambas são hipóteses de flagrante próprio, também denominado de perfeito, real ou verdadeiro. • Flagrante Impróprio (Imperfeito, Irreal ou quase flagrante) QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 60acesse outros conteúdos: O flagrante impróprio é aquele previsto no art. 302, III, do CPP. III – é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; Para configurá-lo são necessários dois requisitos: • REQUISITO DE ATIVIDADE: Perseguição¹ ao agente. ¹ Em relação ao que se entende por perseguição¹, o próprio CPP (art. 290, § 1°) ensina que esta se dá quando o executor: a) tendo avistado o procurado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha perdido de vista; b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que o procurado tenha passado, há pouco tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for ao seu encalço. Importante! É comum ouvirmos que o prazo para prisão em flagrante é de 24 horas, o que não tem nenhum fundamento jurídico. Não há um prazo definido em que perdura a situação de flagrância! Enquanto a perseguição não for interrompida perdura o estado de flagrância. O QUE ACONTECE SE O AGENTE QUE ESTÁ SENDO PERSEGUIDO PASSA PARA O TERRITÓRIO DE OUTRA CIRCUNSCRIÇÃO? Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de outro município ou comarca, o executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar, apresentando-o imediatamente à autoridade local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção do preso. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 61acesse outros conteúdos: • REQUISITO TEMPORAL: A perseguição deve se iniciar logo após o delito²; ² Já em relação ao que se entende por logo após, prevalece que é o lapso temporal necessário no caso concreto entre o acionamento da polícia, seu comparecimento ao local e a colheita de elementos necessários para o início da perseguição. Ex.: A vítima de furto de objetos de sua residência aciona a polícia. Cerca de 30 minutos depois do acionamento a polícia comparece ao local e encontra uma carteira com um documento de identificação dentro, presumindo diante disso que a pessoa do documento é o autor do delito. Diante disso sai em busca do indivíduo identificado, encontrando-o 36 horas depois com os objetos materiais do crime. Nessa situação haverá prisão em flagrante impróprio. • REQUISITO CIRCUNSTANCIAL: Situação que faça presumir a autoria. • Flagrante Presumido (ficto ou assimilado) Há flagrante presumido na situação prevista no art. 302, IV, do CPP: IV – é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. Na hipótese do flagrante presumido, não há perseguição. Aqui o agente é encontrado logo depois do delito portando instrumentos, armas, objetos ou papéis que demonstrem, por presunção, ser ele o autor da infração penal. Não há um prazo definido para o período que o termo “logo depois” compreende, mas há entendimento doutrinário que é um período mais extenso do que o entendimento que se dá ao “logo após” presente na descrição legal da hipótese de flagrante impróprio. Não obstante, entendemosque são expressões sinônimas. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 62acesse outros conteúdos: FLAGRANTE IMPRÓPRIO FLAGRANTE PRESUMIDO O agente é perseguido. O agente é encontrado. A perseguição se inicia “logo após”. O agente é encontrado “logo depois”. Há uma situação que faça presumir a autoria. Instrumentos, armas, objetos ou papéis fazem presumir a autoria. 7. Nas infrações permanentes, enquanto não cessar a permanência, entende-se o agente em flagrante-delito. Gabarito: certo. Crimes permanentes são aqueles em que a consumação se prolonga no tempo e sobre o qual o agente continua detendo o poder de fazer cessar a execução. É o caso do sequestro, por exemplo. Nesses crimes, enquanto não cessar a permanência, perdura o estado de flagrância. É o conteúdo do art. 303, do CPP: Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante-delito enquanto não cessar a permanência. 8. É possível a prisão em flagrante nos crimes habituais. Gabarito: certo. Os crimes habituais são aqueles que, para se caracterizarem, dependem da prática reiterada de determinada conduta. Sem a reiteração, o fato é atípico. Exemplo de crime habitual é o “exercício ilegal de medicina” do art. 282 do Código Penal (uma única prescrição de medicamento não configura o delito). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 63acesse outros conteúdos: É possível a prisão em flagrante nos crimes habituais; no entanto, para que seja realizada, deve haver comprovação, no ato da prisão, da reiteração da prática da conduta. 9. Nos crimes formais, o flagrante deve considerar o momento da produção do resultado naturalístico. Gabarito: errado. Crimes formais são aqueles em que há previsão de resultado naturalístico, o qual é dispensável para sua consumação. É perfeitamente possível a prisão em flagrante, que deve se dar no momento da consumação do delito (momento da conduta) e não por ocasião do exaurimento (momento do resultado naturalístico). Exemplo: crime de concussão (funcionário público que exige vantagem indevida): a prisão pode ser realizada no momento da exigência da vantagem, mas não no momento do recebimento da vantagem. 10. Configura crime impossível o flagrante denominado esperado, que ocorre quando a autoridade policial, detentora de informações sobre futura prática de determinado crime, se estrutura para acompanhar a sua execução, efetuando a prisão no momento da consumação do delito. Gabarito: errado. No flagrante esperado, a autoridade policial não induz a prática do delito, mas permanece em vigilância para efetuar a prisão em flagrante caso o crime que espera aconteça. A questão está errada, porque é perfeitamente lícita a prisão em flagrante nesse caso! QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 64acesse outros conteúdos: EXEMPLO Um policial, diante de várias notícias de furtos em veículos de um determinado estacionamento, permanece em vigilância no local. De repente, percebe a prática do delito noticiado em um automóvel, determinando, de pronto, a prisão em flagrante do agente. A prisão em flagrante, nesse caso, é perfeitamente lícita, por se tratar de um flagrante esperado e não induzido (provocado) pela autoridade policial. É importante não confundir a situação do flagrante esperado (prisão legal) com a situação do flagrante provocado (prisão ilegal). O flagrante preparado ou provocado, nos delitos putativos por obra do agente provocador (ou delito de ensaio, ou delito de experiência), trata-se de uma espécie de crime impossível. Os delitos putativos por obra do agente provocador são aqueles em que o executor da prisão induz a prática do delito por meio de um elemento provocador, mas adota precauções suficientes para que o delito não venha a se consumar. ATENÇÃO É ilícita a prisão efetuada em razão do cometimento de crime no qual a autoridade, por meio de um elemento provocador, dá ensejo à prática criminosa de terceiros que, ausente tal circunstância, não cometeriam o delito. SÚMULA Súmula nº 145, STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 65acesse outros conteúdos: EXEMPLO Após prender um traficante, a policia apreende uma lista de contato de usuários de drogas, clientes habituais do traficante preso. De posse dessa lista de contatos, a autoridade policial passa a efetuar ligações aos usuários combinando um local para a venda da droga. Os usuários então comparecem ao local combinado e, ao efetuar o pagamento e receber a droga, são presos por agentes policiais a paisana pela prática do delito do art. 28 da Lei de Drogas. 11. O flagrante diferido que permite à autoridade policial retardar a prisão em flagrante com o objetivo de aguardar o momento mais favorável à obtenção de provas da infração penal prescinde, em qualquer hipótese, de prévia autorização judicial. Gabarito: errado. Flagrante diferido é a situação que ocorre na chamada ação controlada. Consiste no retardamento da prisão em flagrante do agente para gerar oportunidade de ampliar a colheita de provas. O flagrante prorrogado não consiste em exceção à obrigatoriedade do flagrante, mas sim exceção à obrigatoriedade da imediata prisão em flagrante pela autoridade policial, pois, nos casos em que a lei autoriza a prorrogação, pode-se efetuar a prisão em momento posterior. Só é possível diante de expressa previsão legal. São hipóteses legais de ação controlada: • Lei de Drogas (art. 53, II); • Lei de Lavagem de Capitais (Art. 4º-B); • Nova Lei das Organizações Criminosas (Lei nº 12.850/2013, art. 8º). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 66acesse outros conteúdos: ATENÇÃO A nova Lei de Organizações Criminosas é a única hipótese em que a ação controlada dispensa prévia autorização judicial! Basta prévia comunicação ao juiz! 12. O indivíduo “A”, que coloca dolosamente sua carteira na mochila de “B”, para logo em seguida acionar a polícia, sob a alegação de haver sido furtado por “B”; tendo os policiais encontrado a carteira de “A” no interior da mochila de “B”, “B” é preso em flagrante pela prática de crime. A hipótese ora narrada é, pela doutrina, denominada flagrante urdido. Gabarito: certo. Há o flagrante forjado (urdido ou maquinado) quando alguém cria a prova de um crime inexistente com a finalidade de justificar uma prisão em flagrante. Exemplo: policiais que plantam uma arma de fogo dentro de um carro para efetuar prisão em flagrante do condutor do veículo. Trata-se, obviamente, de uma prisão ilegal! 13. Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do estado. Gabarito: certo. O uso de algemas na prisão em flagrante é medida de natureza excepcional regulamentada pela Súmula Vinculante nº 11: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 67acesse outros conteúdos: SÚMULA Súmula Vinculante n° 11: “Só é lícito ouso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”. Vale ressaltar que a Súmula Vinculante nº 11 somente regulamenta o uso de algemas no momento da prisão e no momento da prática de atos processuais. O âmbito de aplicação da Súmula Vinculante nº 11 não abrange o uso de algemas em momentos diversos (atos administrativos da autoridade policial, por exemplo). Nesse sentido: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 68acesse outros conteúdos: INFORMATIVO Informativo nº 827, STF: A apresentação do custodiado algemado à imprensa pelas autoridades policiais não afronta o Enunciado 11 da Súmula Vinculante. No caso em julgamento, o uso de algemas foi feito um dia após a prisão, quando o reclamante já se encontrava na delegacia de polícia, tão somente no momento da exibição dos presos à imprensa. Assim, eventual responsabilização do Estado ou dos agentes envolvidos, decorrente dos fatos noticiados na inicial, teve de ser buscada na via apropriada. Ainda em relação ao uso de algemas, o CPP assim dispõe: CPP, art. 292, parágrafo único. É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério imediato (Alteração da Lei nº 13.434/17). 14. Quando o fato for praticado na presença do Juiz de Direito, ou contra este, no exercício de suas funções, ele não poderá presidir o respectivo auto de prisão em flagrante, sob pena de ver afetada sua imparcialidade. Gabarito: errado. Se o crime tiver sido praticado na presença do juiz ou contra ele no exercício de suas funções, é possível que se lavre o Auto de Prisão em Flagrante (art. 307cdo CPP). 15. Em decorrência de um homicídio doloso praticado com o uso de arma de fogo, policiais rodoviários federais foram comunicados de que o autor do delito se evadira por rodovia federal em um veículo cuja placa e características foram informadas. O veículo foi abordado por policiais rodoviários federais em um ponto de bloqueio QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 69acesse outros conteúdos: montado cerca de 200 km do local do delito e que os policiais acreditavam estar na rota de fuga do homicida. Dada voz de prisão ao condutor do veículo, foi apreendida arma de fogo que estava em sua posse e que, supostamente, tinha sido utilizada no crime. Considerando essa situação hipotética, julgue o seguinte item. Durante o procedimento de lavratura do auto de prisão em flagrante pela autoridade policial competente, o policial rodoviário responsável pela prisão e condução do preso deverá ser ouvido logo após a oitiva das testemunhas e o interrogatório do preso. Gabarito: errado. No procedimento de lavratura do APF, o condutor é o primeiro a ser ouvido. Nesse ponto, importante relembrar o procedimento completo de lavratura do APF. Para a lavratura do APF, a autoridade policial deve seguir o seguinte procedimento: • Primeira parte (art. 304, primeira parte, CPP): • OUVIR O CONDUTOR e colher, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. • Segunda parte (art. 304, segunda parte, CPP): • OUVIR AS TESTEMUNHAS que o acompanharem, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas; • Entende-se que, se houverem, devem ser ouvidas ao menos 2 testemunhas, incluindo-se na contagem o condutor, se tiver presenciado a prática do delito. • A falta de testemunhas presenciais da prática do ato, entretanto, não impedirá a lavratura do APF, mas, nesse caso, com o condutor, deverão assinar pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade (testemunhas fedatárias), conforme dispõe o art. 304, §2°, do CPP. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 70acesse outros conteúdos: • Proceder ao INTERROGATÓRIO DO ACUSADO sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após a oitiva, sua assinatura. • O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado (art. 5°, LXIII, CF/88). A presença de advogado não é obrigatória para a lavratura do APF, mas é direito do acusado caso assim o deseje. • LAVRAR O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE (APF). Depois da oitiva do condutor, das testemunhas e do interrogatório do acusado, a autoridade policial deve, finalmente, lavrar o Auto de prisão em Flagrante, que deve ser assinado pelo preso. Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham ouvido sua leitura na presença deste (art. 304, §3°, CPP). Na falta ou no impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade lavrará o auto, depois de prestado o compromisso legal (art. 305 do CPP). ATENÇÃO Da lavratura do auto de prisão em flagrante, deverá constar a informação sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa (art. 304, §4º, do CPP). 16. João, aproveitando-se de distração de Marcos, juiz de direito, subtraiu para si uma sacola de roupas usadas a ele pertencentes. Marcos pretendia doá-las a instituição QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 71acesse outros conteúdos: de caridade. João foi perseguido e preso em flagrante-delito por policiais que presenciaram o ato. Instaurado e concluído o inquérito policial, o Ministério Público não ofereceu denúncia nem praticou qualquer ato no prazo legal. Considerando a situação hipotética descrita, julgue o item a seguir. O prazo previsto para que a autoridade policial comunique a prisão de João ao juiz competente é de cinco dias. Gabarito: errado. Após a lavratura do APF, a autoridade policial deve: • Comunicar imediatamente a prisão ao juiz, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. • Remeter o APF, dentro de 24 horas, ao juiz competente e à defensoria pública, caso o autuado não tenha nomeado advogado. • Entregar ao preso, dentro de 24 horas, mediante recibo, a nota de culpa. Nota de culpa é o documento informativo dos motivos e dos responsáveis pela prisão e pelo interrogatório. A nota de culpa tem previsão constitucional, trata-se de direito individual do cidadão previsto no art. 5º da CF/88: CF/88, art. 5°, LXIV – o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; 17. Valter, preso em flagrante por suposta prática de furto simples, não pagou a fiança arbitrada pela autoridade policial, tendo permanecido preso até a audiência de custódia, realizada na manhã do dia seguinte a sua prisão. A partir dessa situação hipotética, julgue o seguinte item. Na audiência de custódia, ao entrevistar Valter, o juiz deverá abster- se de formular perguntas com a finalidade de produzir provas sobre os fatos objeto do auto da prisão em flagrante, mas deverá indagar acerca do tratamento recebido nos locais por onde o autuado passou antes da apresentação à audiência, questionando sobre a ocorrência detortura e maus tratos. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ Zero Um Concursos – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 72acesse outros conteúdos: Gabarito: certo. A audiência de custódia consiste na apresentação da pessoa presa a autoridade judiciária para que este, em até 24 horas após a prisão, aprecie a custódia executada pela autoridade policial. Materializa o direito de toda pessoa presa de ser apresentada, sem demora, a uma autoridade judiciária para que decida pela manutenção de sua prisão. ATENÇÃO A audiência de custódia não se destina a permitir que o juiz julgue o fato ensejador da prisão, mas sim dos aspectos formais da prisão realizada. O preso não deve ser ouvido quanto ao fato. A oitiva do preso deve ser limitada aos aspectos relacionados à prisão. OBSERVAÇÕES 1) O CNJ (Resolução nº 213/2015) regulamentou a audiência de custódia e determinou que o preso deve ser apresentado em 24 horas a autoridade judiciária, inclusive em fim de semana e feriado. 2) O CNJ (Resolução nº 213/2015) determinou também que a audiência de custódia deve ser realizada na presença de defensor e do MP. 3) A resolução do CNJ veda a presença dos policiais que realizaram a prisão na audiência de custódia. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 73acesse outros conteúdos: PRISÃO TEMPORÁRIA 1. Cabe prisão temporária quando esta for imprescindível para as investigações do inquérito policial, ou quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade, bem como quando houver fundadas razões de autoria ou participação do indiciado nos crimes que a lei lista, entre eles o de estelionato. 2. A prisão temporária pode ser decretada após a conclusão da investigação criminal. 3. A prisão temporária deve ser decretada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento do MP ou por representação da autoridade policial. 4. Quando o MP representar por prisão temporária, não será possível que se decrete a prisão preventiva, uma vez que isso representaria ofensa ao princípio da inércia da jurisdição 5. O prazo da prisão temporária de até 10 dias, prorrogáveis uma única vez por mais 10 dias, em caso de extrema e comprovada necessidade. 6. O magistrado não poderá determinar de ofício a prorrogação do prazo da prisão temporária, ainda que comprovada pela autoridade judiciária a necessidade da referida medida. 7. Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva. 8. Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas vias, uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa 9. Os presos temporários deverão permanecer, se possível, separados dos demais detentos. 10. Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um plantão permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação dos pedidos de prisão temporária. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 74acesse outros conteúdos: GABARITO 1. E 2. E 3. E 4. E 5. E 6. C 7. C 8. C 9. E 10. C QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 75acesse outros conteúdos: QUESTÕES COMENTADAS 1. Cabe prisão temporária quando esta for imprescindível para as investigações do inquérito policial, ou quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade, bem como quando houver fundadas razões de autoria ou participação do indiciado nos crimes que a lei lista, entre eles o de estelionato. Gabarito: errado. Sendo a prisão temporária uma prisão cautelar, são dois os requisitos para sua decretação: • o fumus comissi delicti (fumaça do cometimento do delito); • o periculum libertatis (perigo na manutenção da liberdade). a) Fumus comissi delicti: para que seja decretada a prisão temporária de alguém, é necessário que haja a chamada “fumaça do cometimento do delito” (fumus comissi delicti), de algum dos crimes previstos no art. 1º, III, da Lei nº 7.960/1989 ou de algum crime hediondo ou equiparado (previstos na Lei nº 8.072/1990). Diz-se, portanto, que há a fumaça do cometimento do delito, quando existirem fundadas razões de autoria ou participação do indiciado em algum dos seguintes crimes: • todos os crimes hediondos e equiparados (Lei n° 8.072/1990, art. 2º, §4º); • homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°); • sequestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°); • roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 76acesse outros conteúdos: • extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°); • envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com art. 285); • quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal; (atualmente é o crime de associação criminosa que admite a prisão temporária). • crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986). • atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); CRIME REVOGADO! • rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); CRIME REVOGADO! ATENÇÃO Não há previsão de prisão temporária para nenhum crime culposo, nem para contravenções penais. OBSERVAÇÃO Para a decretação da prisão temporária, não se exige a prova do crime, mas apenas indícios do crime e do envolvimento do agente. Mesmo porque se trata de uma prisão decretada no início das investigações, sendo certo que a maioria das informações sobre o fato será produzida após a prisão do suspeito. b) Periculum libertatis: para se decretar a prisão temporária, deve estar presente o “perigo na liberdade do acusado” (periculum libertatis), que é verificado quando se encontra presente uma das duas hipóteses previstas no art. 1°, I e II, da Lei n° 7.960/1989: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 77acesse outros conteúdos: I – quando a prisão for imprescindível para as investigações do inquérito policial; OU II – quando o indicado não tiver residência fixa OU não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; 2. A prisão temporária pode ser decretada após a conclusão da investigação criminal. Gabarito: errado. A prisão temporária somente pode ser decretada durante a fase de investigação, isto é, durante o inquérito policial. Não é possível decretação de prisão temporária no curso da ação penal. 3. A prisão temporária deve ser decretada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento do MP ou por representação da autoridade policial. Gabarito: errado. ATENÇÃO Não há decretação de prisão temporária de ofício pelo juiz, devendo haver requerimento do Ministério Público ou da autoridade policial. Na hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público (art. 2°, §1°, Lei n° 7.960/1989). 4. Quando o MP representar por prisão temporária, não será possível que se decrete a prisão preventiva, uma vez que isso representaria ofensa ao princípio da inércia da jurisdição Gabarito: errado. O juiz não pode decretar a prisão temporária de ofício. Também não pode decretar a prisão preventiva de ofício durante as investigações. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUALPENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 78acesse outros conteúdos: No entanto, se o MP ou o Delegado de Polícia requererem alguma medida cautelar, o juiz poderá decretar a prisão temporária ou a prisão preventiva, ainda que ela não conste especificamente no pedido. Isso porque, nesse caso, o juiz já terá sido provocado (logo, não estará agindo de ofício), ainda que não tenha sido provocado especificamente em relação à prisão preventiva ou à prisão temporária. 5. O prazo da prisão temporária de até 10 dias, prorrogáveis uma única vez por mais 10 dias, em caso de extrema e comprovada necessidade. Gabarito: errado. Em regra, o prazo da prisão temporária será de cinco dias, podendo ser prorrogado por outros cinco, em casos de extrema e comprovada necessidade. Quando se tratar de crimes hediondos o prazo é de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 (art. 2°, §4°, Lei n° 8.072/1990). 6. O magistrado não poderá determinar de ofício a prorrogação do prazo da prisão temporária, ainda que comprovada pela autoridade judiciária a necessidade da referida medida. Gabarito: certo. A prisão temporária não pode ser decretada de ofício pelo juiz. Também não pode ser prorrogada de ofício pelo juiz. 7. Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva. Gabarito: certo. § 7° Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso deverá ser posto imediatamente em liberdade, salvo se já tiver sido decretada sua prisão preventiva. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 79acesse outros conteúdos: Terminado o prazo estipulado pelo juiz, o indiciado deve ser imediatamente libertado pela autoridade policial, independentemente de expedição de alvará de soltura pelo juiz, salvo se tiver sido decretada a prisão preventiva. 8. Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas vias, uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa Gabarito: certo. Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de prisão, em duas vias, uma das quais será entregue ao indiciado e servirá como nota de culpa (art. 2º, §4º, Lei nº 7.960/1989). 9. Os presos temporários deverão permanecer, se possível, separados dos demais detentos. Gabarito: errado. Os presos temporários deverão permanecer, obrigatoriamente, separados dos demais detentos (art. 3°, Lei n° 7.960/1989). 10. Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um plantão permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação dos pedidos de prisão temporária. Gabarito: certo. Lei nº 7.960/1989, art. 5° Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um plantão permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário e do Ministério Público para apreciação dos pedidos de prisão temporária. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 80acesse outros conteúdos: PRISÃO PREVENTIVA 1. A prisão preventiva decretada pelo juiz somente é cabível na fase de investigação policial. 2. A prisão preventiva terá duração máxima de 81 (oitenta e um) dias. 3. A prisão preventiva pode ser mantida por ocasião da sentença condenatória recorrível que aplicou o regime semiaberto para o cumprimento da pena, desde que persistam os motivos que inicialmente a justificaram e que seu cumprimento se adeque ao modo de execução intermediário aplicado. 4. A atual sistemática da prisão preventiva impõe a observância das circunstâncias fáticas e normativas estabelecidas no CPP e, sobretudo, em qualquer das hipóteses de custódia preventiva, que o crime em apuração seja doloso punido com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. 5. O Código de Processo Penal autoriza a decretação da prisão preventiva se o crime envolver violência doméstica e familiar contra criança, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. 6. Não é admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la. 7. A existência de prova concludente da autoria delitiva constitui um dos requisitos indispensáveis para a decretação da prisão preventiva. 8. A prisão cautelar deve ser fundamentada em elementos concretos que justifiquem, efetivamente, sua necessidade. 9. A prisão cautelar pode ser decretada para garantia da ordem pública potencialmente ofendida, especialmente nos casos de: reiteração delitiva, participação em organizações criminosas, gravidade em concreto da conduta, periculosidade social do agente, ou pelas circunstâncias em que praticado o delito (modus operandi). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 81acesse outros conteúdos: 10. A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva. 11. A fuga do distrito da culpa, comprovadamente demonstrada e que perdura por longo período, é fundamentação suficiente a embasar a manutenção da custódia preventiva para garantir a aplicação da lei penal. 12. A gravidade específica do ato infracional e o tempo transcorrido desde a sua prática devem ser considerados pelo juiz para análise e deferimento de prisão preventiva. 13. Mesmo que presente mais de um dos requisitos previstos no art. 312 do CPP, o juiz somente poderá converter a prisão em flagrante em preventiva quando se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão. 14. A prisão preventiva não é legítima nos casos em que a sanção abstratamente prevista ou imposta na sentença condenatória recorrível não resulte em constrição pessoal, por força do princípio da homogeneidade. 15. Os fatos que justificam a prisão preventiva devem ser contemporâneos à decisão que a decreta. 16. A prisão preventiva poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. Neste caso, para garantir a coercibilidade da medida cautelar é dispensável a prévia análise de cabimento de outras medidas cautelares como substitutas à cautelar descumprida. 17. A prisão preventiva decretada em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta ao paciente não está submetida às circunstâncias e hipóteses previstas no art. 313 do CPP, de acordo com a sistemática das novas cautelares pessoais. 18. A decisão que decretar a prisão preventiva será sempre motivada, mas a decisão que denegar a prisão dispensa fundamentação. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 82acesse outros conteúdos: 19. Não deve ser decretada a prisão preventiva se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato em estado de necessidade, em legítima defesa ou em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 20. Não é cabível a decretação de prisão preventiva de acusado que se apresente espontaneamente à autoridade policial competente. 21. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa e que não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. 22. A prisão domiciliar pode ser cumulada com medidas cautelares diversas da prisão. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS– Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 83acesse outros conteúdos: GABARITO 1. E 2. E 3. C 4. E 5. C 6. E 7. E 8. C 9. C 10. C 11. C 12. C 13. C 14. C 15. C 16. E 17. C 18. E 19. C 20. E 21. C 22. C QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 84acesse outros conteúdos: QUESTÕES COMENTADAS 1. A prisão preventiva decretada pelo juiz somente é cabível na fase de investigação policial. Gabarito: Errado. A prisão preventiva é uma medida cautelar de constrição da liberdade de alguém que esteja sendo investigado em inquérito policial ou processado em ação penal. Assim, diferente da prisão temporária (que só pode ser decretada no curso da investigação), a prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal. 2. A prisão preventiva terá duração máxima de 81 (oitenta e um) dias. Gabarito: Errado. Diferente da prisão temporária, em que a lei estipula um prazo determinado de duração, no caso da prisão preventiva, não há previsão legal de prazo determinado de duração. Em regra, a prisão preventiva perdura até que cessem os motivos que determinaram sua decretação. Nesse sentido, o Código de Processo Penal prevê: Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 3. A prisão preventiva pode ser mantida por ocasião da sentença condenatória recorrível que aplicou o regime semiaberto para o cumprimento da pena, desde que persistam os motivos que inicialmente a justificaram e que seu cumprimento se adeque ao modo de execução intermediário aplicado. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 85acesse outros conteúdos: Gabarito: Certo. A PRISÃO PREVENTIVA PODE SER MANTIDA APÓS A SENTENÇA CONDENATÓRIA RECORRÍVEL QUE APLICOU O REGIME SEMIABERTO DE CUMPRIMENTO DE PENA, desde que estejam presentes dois requisitos: • que persistam os motivos que levaram à decretação da prisão preventiva; • que o cumprimento da prisão preventiva observe as regras do regime prisional aplicado. Nesse sentido, segue jurisprudência do STJ: Informativo nº 560, STJ: A prisão preventiva pode ser mantida por ocasião da sentença condenatória recorrível que aplicou o regime semiaberto para o cumprimento da pena, desde que persistam os motivos que inicialmente a justificaram e que seu cumprimento se adeque ao modo de execução intermediário aplicado. 4. A atual sistemática da prisão preventiva impõe a observância das circunstâncias fáticas e normativas estabelecidas no CPP e, sobretudo, em qualquer das hipóteses de custódia preventiva, que o crime em apuração seja doloso punido com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. Gabarito: Errado. As hipóteses que autorizam a prisão preventiva são aquelas previstas no art. 313 do CPP: Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: JURISPRUDÊNCIA QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 86acesse outros conteúdos: I – nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II – se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; III – se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. Vê-se, portanto que, para a decretação da prisão preventiva, não se exige, em qualquer das hipóteses, que o crime em apuração seja doloso punido com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. Na verdade, essa é apenas uma das quatro hipóteses autorizadoras dessa modalidade de prisão cautelar. 5. O Código de Processo Penal autoriza a decretação da prisão preventiva se o crime envolver violência doméstica e familiar contra criança, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. Gabarito: Certo. As hipóteses que autorizam a prisão preventiva são aquelas previstas no art. 313 do CPP: QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 87acesse outros conteúdos: Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I – nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II – se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; III – se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. 6. Não é admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la. Gabarito: Errado. Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I – nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II – se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal; QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 88acesse outros conteúdos: III – se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; § 1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. 7. A existência de prova concludente da autoria delitiva constitui um dos requisitos indispensáveis para a decretação da prisão preventiva. Gabarito: Errado. De acordo com o art. 312, caput, do CPP, os pressupostos para a decretação da prisão preventiva são: • FUMUS COMISSI DELICTI: • Prova da existência do crime (materialidade do delito): é a certeza de que ocorreu o delito, não bastando meros indícios. • Indício suficiente de autoria: em relação à autoria, basta que haja fundada suspeita de que o indiciado ou réu seja autor da infração penal para que se determine a prisão preventiva (se estiver presente algum dos casos abaixo). • PERICULUM LIBERTATIS: CIC– GOP – GALP – GOE QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 89acesse outros conteúdos: Explicando o mnemônico: CIC – Conveniência da Instrução Criminal (CIC) GOP – Garantia da Ordem Pública (GOP) GALP – Garantia da Aplicação da Lei Penal (GALP) GOE – Garantia da Ordem Econômica (GOE) 8. A prisão cautelar deve ser fundamentada em elementos concretos que justifiquem, efetivamente, sua necessidade. Gabarito: Certo. A presença dos pressupostos da prisão preventiva não pode ser uma mera suposição do juiz, para a decretação dessa prisão cautelar, devem existir elementos objetivos nos autos que demonstrem a necessidade da privação da liberdade do indivíduo para manutenção da ordem pública, da ordem econômica, para garantir a aplicação da lei penal ou pela conveniência da instrução criminal. 9. A prisão cautelar pode ser decretada para garantia da ordem pública potencialmente ofendida, especialmente nos casos de: reiteração delitiva, participação em organizações criminosas, gravidade em concreto da conduta, periculosidade social do agente, ou pelas circunstâncias em que praticado o delito (modus operandi). Gabarito: Certo. Há necessidade de decretação da prisão preventiva sob o fundamento da garantia da ordem pública quando tal medida é indispensável para manter a ordem e a incolumidade pública na sociedade. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 90acesse outros conteúdos: Prevalece o entendimento doutrinário no sentido de que haverá necessidade da prisão preventiva pela garantia da ordem pública quando houver probabilidade de que o investigado/acusado volte a praticar delitos, ou seja, caso seja demonstrada sua PERICULOSIDADE. De acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, são circunstâncias que permitem ao juiz concluir pela periculosidade do investigado ou do acusado, dentre outras: • a reiteração delitiva; • a participação em organizações criminosas; • a gravidade em concreto da conduta; • a periculosidade social do agente; • as circunstâncias em que praticado o delito (modus operandi). 10. A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva. Gabarito: Certo. De acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, são circunstâncias que não permitem ao juiz decretar a prisão preventiva do investigado/acusado, dentre outras: • a alusão genérica sobre a gravidade do delito; e • o clamor público ou a comoção social; 11. A fuga do distrito da culpa, comprovadamente demonstrada e que perdura por longo período, é fundamentação suficiente a embasar a manutenção da custódia preventiva para garantir a aplicação da lei penal. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 91acesse outros conteúdos: Gabarito: Certo. Há necessidade de decretação da prisão preventiva sob o fundamento da garantia de aplicação da lei penal quando tal medida cautelar é necessária para assegurar que a decisão final do processo seja útil, ou seja, que o agente cumpra a pena caso seja condenado. A doutrina cita como exemplo o caso do agente que tenta fugir do país. Nesse exemplo, a inação do Estado pode tornar inútil o provimento jurisdicional definitivo. Nesse mesmo sentido, o STJ: A fuga do distrito da culpa, comprovadamente demonstrada e que perdura por mais de 6 (seis) anos, é fundamentação suficiente a embasar a manutenção da custódia preventiva para garantir a aplicação da lei penal. (STJ, RHC 47394 PR. – 18.06.2014) 12. A gravidade específica do ato infracional e o tempo transcorrido desde a sua prática devem ser considerados pelo juiz para análise e deferimento de prisão preventiva. Gabarito: Certo. Atos infracionais são as condutas definidas como crime ou como contravenção penal quando praticadas por menor de 18 anos. De acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, a anterior prática de atos infracionais, apesar de não poder ser considerada para fins de reincidência ou maus antecedentes, pode servir para justificar a manutenção da prisão preventiva como garantia da ordem pública (STJ, 3ª Seção, RHC nº 63855/MG). JURISPRUDÊNCIA QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 92acesse outros conteúdos: A toda evidência, isso não equivale a sustentar a possibilidade de se decretar a prisão preventiva, para garantia da ordem pública, simplesmente porque o réu cometeu um ato infracional anterior. O raciocínio é o mesmo que se utiliza para desconsiderar antecedente penal que, por dizer respeito a fato sem maior gravidade, ou já longínquo no tempo, não deve, automaticamente, justificar o decreto preventivo. É, pois, indispensável que a autoridade judiciária competente, para a consideração dos atos infracionais do então adolescente, averigue: a) a particular gravidade concreta do ato ou dos atos infracionais, não bastando mencionar sua equivalência a crime abstratamente considerado grave; b) a distância temporal entre os atos infracionais e o crime que deu origem ao processo (ou inquérito policial) no curso do qual se há de decidir sobre a prisão preventiva; c) a comprovação desses atos infracionais anteriores, de sorte a não pairar dúvidas sobre o reconhecimento judicial de sua ocorrência. 13. Mesmo que presente mais de um dos requisitos previstos no art. 312 do CPP, o juiz somente poderá converter a prisão em flagrante em preventiva quando se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão. Gabarito: Certo. A prisão preventiva é sempre medida de ultima ratio, ou seja, medida excepcional, somente admissível quando não for suficiente e adequado sua substituição por outra medida cautelar. Nesse sentido: CPP, art. 282, § 6º A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 93acesse outros conteúdos: 14. Por força do princípio da homogeneidade, a prisão preventiva não é legítima nos casos em que a sanção abstratamente prevista ou imposta na sentença condenatória recorrível não resulte em constrição pessoal. Gabarito: Certo. A decretação da prisão preventiva deve observar o princípio da homogeneidade, segundo o qual deve-se observar um critério de proporcionalidade na decretação dessa custódia cautelar. Nesse sentido, se a sanção penal prevista em abstrato no tipo penal ou a pena imposta na sentença condenatória recorrível não autorizarem a privação da liberdade ao final do processo, não será admitida a prisão preventiva antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 15. Os fatos que justificam a prisão preventiva devem ser contemporâneos à decisão que a decreta. Gabarito: Certo. Nesse sentido, a jurisprudência dos tribunais superiores: STJ, HC 119533/ES,Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA; e STJ, HC 246229/SP,Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA. 16. A prisão preventiva poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. Neste caso, para garantir a coercibilidade da medida cautelar é dispensável a prévia análise de cabimento de outras medidas cautelares como substitutas à cautelar descumprida. JURISPRUDÊNCIAS QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 94acesse outrosconteúdos: Gabarito: Errado. A primeira parte da questão está correta. De fato, a prisão preventiva poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. Trata-se da PRISÃO PREVENTIVA SUBSIDIÁRIA! Nesse sentido: Art. 312. Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). No entanto, a segunda parte da questão está errada! Antes da decretação da prisão preventiva em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta, em nome da excepcionalidade da constrição da liberdade, o juiz deve verificar se é possível substituir a medida por outra ou impor mais uma em cumulação. Somente se não for possível se decretará a preventiva. Nesse sentido, o Código de Processo Penal: CPP. Art. 282. §4°. No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único). 17. A prisão preventiva decretada em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta ao paciente não está submetida às circunstâncias e hipóteses previstas no art. 313 do CPP, de acordo com a sistemática das novas cautelares pessoais. Gabarito: Certo. Prevalece o entendimento de que, para decretação da prisão preventiva em razão do descumprimento de medidas cautelares, não é necessária a existência de uma QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 95acesse outros conteúdos: das hipóteses autorizadoras do art. 313 do CPP (Eugênio Pacelli de Oliveira e Renato Brasileiro, por exemplo). A jurisprudência do STJ também é nesse sentido: “A prisão preventiva decretada em razão do descumprimento de medida cautelar anteriormente imposta ao paciente não está submetida às circunstâncias e hipóteses previstas no art. 313 do CPP, de acordo com a sistemática das novas cautelares pessoais”. STJ, HC 281.472/MG – 18/06/2014. 18. A decisão que decretar a prisão preventiva será sempre motivada, mas a decisão que denegar a prisão dispensa fundamentação. Gabarito: Errado. Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre motivada. Jamais se admite a prisão preventiva automática. A fundamentação da decisão sobre o pedido da prisão preventiva é imprescindível, ainda que denegue o pleito. A doutrina preleciona que essa fundamentação pode ser concisa, mas não pode se limitar à mera repetição dos termos legais. Havendo coautores ou partícipes do mesmo delito, a prisão preventiva eventualmente decretada deve ser fundamentada individualmente. JURISPRUDÊNCIA ATENÇÃO QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 96acesse outros conteúdos: 19. Não deve ser decretada a prisão preventiva se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato em estado de necessidade, em legítima defesa ou em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Gabarito: Certo. Em hipótese alguma será decretada a prisão preventiva do investigado que agiu acobertado por uma das excludentes de ilicitude previstas na parte geral do Código Penal: • legítima defesa; • estado de necessidade; • estrito cumprimento do dever legal; • exercício regular de direito. 20. Não é cabível a decretação de prisão preventiva de acusado que se apresente espontaneamente à autoridade policial competente. Gabarito: Errado. A doutrina é pacífica no sentido de que, diferentemente do que ocorre com a prisão em flagrante, a apresentação espontânea do agente não impede a decretação da prisão preventiva. Assim, se estiverem presentes seus requisitos, mesmo diante da apresentação espontânea, pode-se decretar a prisão preventiva. 21. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa e que não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 97acesse outros conteúdos: Gabarito: Certo. A questão cobra a mera literalidade do Código de Processo Penal: Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que: I – não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II – não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. 22. A prisão domiciliar pode ser cumulada com medidas cautelares diversas da prisão. Gabarito: Certo. Mais uma vez, a questão cobra a mera literalidade do Código de Processo Penal: Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A [substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar] poderá ser efetuada sem prejuízo da aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319 deste Código [medidas cautelares diversas da prisão]. PARA REVISAR! Importante revisarmos as hipóteses que autorizam a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar. O juiz pode substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: I – maior de 80 (oitenta) anos; II – extremamente debilitado por motivo de doença grave; III – imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; IV – gestante. V – mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; QUESTÕES COMENTADAS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ ZERO UM CONCURSOS – Prof. Carlos Alfama www.zeroumconcursos.com.br 98acesse outros conteúdos: VI – homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. ATENÇÃO! Exige-se a comprovação dos requisitos para substituição da preventiva pela prisão domiciliar. O ônus da prova será do investigado/acusado que pleitear a substituição.