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PC-BA
1. Noções de administração. 1.1 Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração. ..... 1
1.2 Evolução da administração pública no Brasil após 1930. 1.3 Reformas administrativas. ............ 35
2 Noções de Administração Pública. 2.1 Princípios Constitucionais da Administração Pública. 2.2
Princípios Explícitos e Implícitos. 2.3 Ética na Administração Pública. ................................................... 50
2.4 Administração Pública. Organização administrativa. Centralização. Descentralização.
Desconcentração. 2.5 Órgãos Públicos. Administração Indireta. Autarquias. Fundações Públicas.
Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. 3 A nova gestão pública. ................................... 74
4 Processo administrativo. 4.1 Funções da administração: planejamento, organização, direção e
controle. 4.2 Estrutura organizacional. 4.3 Cultura organizacional. ....................................................... 103
5. Gestão de pessoas. 5.1 Equilíbrio organizacional. 5.2 Objetivos, desafios e características da
gestão de pessoas. 5.3 Comportamento organizacional: relações indivíduo/organização, motivação,
liderança, desempenho. ....................................................................................................................... 150
6 Gestão da qualidade e modelo de excelência gerencial. 6.1 Principais teóricos e suas contribuições
para a gestão da qualidade. 6.2 Ciclo PDCA. 6.3 Ferramentas de gestão da qualidade. ..................... 219
6.4 Modelo do gespublica ............................................................................................................... 246
7 Noções de gestão de processos: técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos .... 259
8 Legislação administrativa. 8.1 Administração direta, indireta e fundacional. ............................... 272
8.2 Atos administrativos. .................................................................................................................. 272
9 Noções de licitação pública: fases, modalidades, dispensa e inexigibilidade. .............................. 291
10 Noções de administração de recursos materiais. ....................................................................... 308
11 Ética no serviço público: comportamento profissional, atitudes no serviço, organização do trabalho,
prioridade em serviço. .......................................................................................................................... 325
12 Administração financeira e orçamentária. .................................................................................. 332
12.1 Orçamento público. 12.2 Princípios orçamentários. 12.3 Diretrizes orçamentárias. ............... 348
12.4 Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças: FIPLAN. ............................... 360
12.5 Receita pública: categorias, fontes, estágios e dívida ativa. .................................................... 366
12.6 Despesa pública: categorias e estágios. ................................................................................. 377
12.7 Suprimento defundos. ............................................................................................................ 402
12.8 Restos a pagar. 12.9 Despesas de exercícios anteriores. ....................................................... 408
12.10 Conta única do Tesouro. ........................................................................................................ 411
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Noções Básicas de Administração: Conceitos Básicos
Conceito de Organização1
Organização é uma palavra originada do Grego “organon” que significa instrumento, utensílio, órgão
ou aquilo com que se trabalha. De um modo geral, organização é a forma como se dispõe um sistema
para atingir os resultados pretendidos.
Podemos falar de organização escolar, organização empresarial, organização pessoal, organização
de eventos, organização doméstica, etc. Em todas essas aplicações, o sentido de organização se baseia
na forma como as pessoas se inter-relacionam entre si e na ordenação e distribuição dos diversos
elementos envolvidos, com vista a uma mesma finalidade.
Em Administração de Empresas, entende-se por organização uma entidade social formada por duas
ou mais pessoas que trabalham de forma coordenada em determinado ambiente externo visando um
objetivo coletivo. Envolve a divisão de tarefas e atribuição de responsabilidades.
Dependendo do tipo de organização, há uma pessoa que exerce um papel fundamental nas funções
de liderança, planejamento e controle dos recursos humanos e de outros recursos materiais, financeiros
e tecnológicos disponíveis na empresa.
A estrutura de uma organização pode ser formal ou informal. Uma organização formal é planejada e
estruturada seguindo um regulamento interno. Organização informal são as relações geradas
espontaneamente entre as pessoas, resultado do próprio funcionamento e evolução da empresa.
Existe um conjunto de elementos que estão diretamente associados a uma organização, tais como:
clientes, fornecedores, concorrentes, comunicação social, entre outros.
Organização Administrativa2
As empresas não são amorfas. Nem estáticas. Elas têm uma constituição, um organismo que vive
e palpita, que cresce e se desenvolve e que precisa ser organizado e estruturado para funcionar melhor.
Normalmente em nossos lares, temos cada coisa no seu devido lugar, seja na sala, cozinha, em cada
quarto: tudo é organizado de uma maneira lógica e racional. Também nas empresas as pessoas, os
equipamentos, enfim todos os recursos empresariais, são alocados e arranjados de acordo com as suas
funções, de uma maneira lógica e racional.
O papel da organização Administrativa é exatamente alocar, arranjar, agrupar, reunir, dividir o trabalho,
especializar, para que as atividades sejam executadas da melhor maneira possível.
Organização é a função administrativa que se incumbe do agrupamento das atividades necessárias
para atingir os objetivos da empresa. O agrupamento das atividades envolve a reunião de pessoas e
recursos empresariais sob a autorização de um chefe. Assim, a organização precisa lidar com pessoas,
órgãos e relações de autoridade e responsabilidade. Para que os objetivos sejam alcançados, os planos
executados e as pessoas possam trabalhar eficientemente, as atividades precisam ser adequadamente
agrupadas e a autoridade convenientemente distribuída.
A Organização Administrativa serve para agrupare estruturar todos os recursos da empresa -
pessoas e equipamentos - para permitir o alcance dos objetivos almejados da melhor forma possível.
1 Significados.com.br. Significados de Organização. Disponível em: http://www.significados.com.br/organizacao/.
2 Molina, J. Gestão em Petróleo e Gás. Organização. Disponível em: http://www.tecnicodepetroleo.ufpr.br/ apostilas/administracao e_gestao/organizacao.pdf.
1. Noções de administração. 1.1 Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da
administração.
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Assim, o objetivo da organização é agrupar as pessoas para que estas trabalhem melhor em conjunto. A
organização existe porque o trabalho empresarial a ser realizado é impossível para uma só pessoa. Daí
a necessidade de muitas pessoas em conjunto executando atividades diferentes, o que conduz a um novo
problema: o da coordenação entre as pessoas.
Mudança Organizacional e a Administração
As mudanças no ambiente organizacional estão cada vez mais frequentes, por isso as empresas
precisam adaptar-se às variações e oscilações tanto do ambiente interno como externo. Muitas dessas
mudanças são inesperadas e ocorrem em fases de extrema dificuldade das empresas, tornando o
processo decisório ainda mais difícil. Assim, conforme surgem novas exigências do mercado, as
empresas também anseiam novas necessidades, para que seja possível acompanhar o dinamismo do
mercado.
Esse processo composto por mudanças do ambiente externo e adaptações do ambiente interno faz
com que as empresas se tornem cada vez mais complexas, com processos cada vez mais burocráticos.
Natureza das Organizações
• As organizações são entidades fortes.
- Família: exemplo de primeira organização.
- Local de trabalho: outra organização.
As organizações são precisas na medida em que as necessidades não podem ser satisfeitas
por indivíduos (isolados)
• Necessidades de bens e serviços
• Necessidades sociais
Significa contexto de luta por poder e de exercício de influência de uns, noutros.
Requer a concepção de uma estrutura de organização de modo a:
– Assegurar que são atingidos objetivos;
– O trabalho é bem definido;
– O fluxo de informação é fluido;
– A coordenação, mas também o comando e o controle podem (e devem) ser concretizados.
• Especificadas de forma verbal ou com base em documentos com maior ou menor grau de detalhe e
formalismo;
• Operam no contexto de algum estado ao longo do tempo;
– São necessárias estratégias para assegurar a transição de condições caóticas para condições de
equilíbrio.
• São parte de um ambiente maior que contempla a sociedade, competidores, parceiros e instituições
de suporte;
– Constitui um sistema aberto e que interage e é muito permeável ao seu exterior.
Componentes da Organização
A figura abaixo apresenta um diagrama mostrando os principais componentes das organizações.
Portanto, uma organização é um sistema que transforma recursos em objetivos (produtos e serviços).
Uma organização é composta pelo que também chamamos de inputs e outputs, ou seja, toda
organização possui os recursos diversos, tais como: tecnológicos, humanos, materiais, financeiros, entre
outros, que, posteriormente, passam por um processo de transformação, sendo convergidos em objetivos
– e, claro, nos produtos ou serviços que são ofertados pela organização.
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Principais Componentes da Organização
Fonte: Adaptado de Maximiano, 1995.
1. TAREFAS - Divisão do trabalho, provocando a especialização de atividades e de funções.
2. PESSOAS - Considera-se as habilidades, aptidões, interesses, experiências e prática e o
comportamento de cada pessoa.
3. ÓRGÃOS - O trabalho e as pessoas são agrupadas em órgãos. Os órgãos são dispostos em níveis
hierárquicos. A departamentalização é determinada de acordo com os critérios de melhor atendimento
aos objetivos empresariais.
4. RELAÇÕES - Entre as pessoas e o trabalho, relacionamento entre uma pessoa com outras situadas
em setores diferentes da empresa, relacionamento informal entre os participantes em situações fora do
trabalho, etc.
Segundo Maximiano3, uma organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo
de objetivo, e tem dois componentes importantes: processos de transformação e divisão de trabalho,
como apresentado na figura acima.
Podemos destacar por meio da figura que além dos quatro componentes citados no início deste
subtópico, ainda temos os objetivos, recursos, processo de transformação e divisão de trabalho.
Vamos entendê-los melhor!
OBJETIVOS
As empresas são organizações sociais4 que utilizam recursos para atingir seus objetivos. Quanto aos
objetivos, existem empresas lucrativas, quando o objetivo final é o lucro, e empresas não lucrativas,
quando o objetivo final é a prestação de algum serviço público, independentemente do lucro.
Lucro é o excedente entre a receita obtida e a remuneração do empreendedor que assume os riscos
de um negócio.
Toda empresa existe para produzir algo: produtos (bens) ou serviços. As empresas que produzem
bens são chamadas empresas industriais, enquanto as empresas que produzem ou prestam serviços são
chamadas empresas prestadoras de serviços.
Além da produção, as empresas precisam colocar seus produtos ou serviços no mercado. Aí surge a
comercialização.
RECURSOS
Recursos são os meios ou ativos de que dispõem as empresas para poder produzir. Quanto mais
recursos as empresas tiverem ao seu alcance, tanto melhor o seu funcionamento e resultados. Quanto
menos recursos, tanto maiores as dificuldades no alcance dos objetivos.
Porém, excesso de recursos significa uma aplicação pouco rentável deles. A administração procura a
máxima rentabilização dos recursos necessários à obtenção dos objetivos.
Existe uma variedade de recursos empresariais, porém os recursos mais importantes são os seguintes:
Recursos materiais: são os recursos físicos, como edifícios, prédios, máquinas, equipamentos,
instalações, ferramentas, matérias-primas etc.
3 Maximiano, Antonio Cesar Amaru. Introdução à Administração – 6. ed. rev. e ampl. – São Paulo: Atlas, 2004.
4 Ana Carolina, 2010. As empresas e seus recursos. http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/as-empresas-e-seus-recursos/49451/
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Recursos financeiros: são recursos monetários, como capital, dinheiro em caixa ou em bancos,
créditos, investimentos, contas a receber etc.
Recursos humanos: são as pessoas que trabalham em todos os níveis da empresa, desde o
presidente até o mais humilde dos operários. Na verdade, as pessoas são os únicos recursos vivos e
inteligentes de uma empresa, capazes de lidar com todos os demais recursos empresariais. Os recursos
humanos estão distribuídos nos diversos níveis institucionais (direção), no nível intermediário (gerencia e
assessoria) e no nível operacional (técnicos, colaboradores, além dos supervisores de linha). Este é o
recurso mais importante da organização atualmente.
De certa forma, os economistas denominam os recursos empresariais como fatores de produção. Para
eles, a produção de riqueza somente ocorre quando três fatores de produção estão presentes: a natureza,
o capital e o trabalho.
Natureza: representa os meios que proporcionam matéria-prima, máquinas e equipamentos.
Capital: representa os meios que financiam a produção.
Trabalho: representa a mão de obra que transforma a matéria-prima em produto acabado ou serviço
prestado, com a ajuda de máquinas e equipamentos.
Modernamente, dois outros tipos de recursos passaram a integrar os recursos básicos da empresa: os
recursos mercadológicos e os administrativos.Recursos mercadológicos: são os recursos comerciais que as empresas utilizam para colocar seus
produtos ou serviços no mercado, como vendas, promoção, propaganda, pesquisa de mercado, definição
de preços etc.
Recursos administrativos: são os recursos gerenciais que as empresas utilizam para planejar,
organizar, dirigir e controlar suas atividades.
A falta de um desses recursos impossibilita o processo de produção e colocação dos bens e serviços
e colocação dos bens e serviços no mercado. Assim, todos os recursos empresariais são importantes.
Todavia, são os recursos humanos – as pessoas – os únicos recursos que proporcionam inteligência,
conhecimentos, competências e decisões que põem em ação todos os demais recursos empresariais,
que são inerentes, estáticos e sem vida própria.
Para administrar cada um dos recursos empresariais, existe uma área específica na empresa que é
dirigida, em princípio por um diretor, conforme mostra abaixo:
Diretor presidente → Diretor industrial (Recursos materiais e tecnológicos)
Diretor financeiro (Recursos financeiros)
Diretor de marketing (Recursos mercadológicos)
Diretor de RH (Recursos humanos e competências)
Processos de Transformação
Por meio de processos, a organização transforma os recursos para produzir os resultados.
Alguns processos que se encontram nas organizações:
- Produção: transformação de matérias-primas, por meio de máquinas e atividades humanas, em
produtos e serviços.
- Administração de encomendas: transformação de um pedido feito ou prestação de um serviço.
- Administração de recursos humanos: transformação de necessidades de mão-de-obra em
disponibilização de pessoas.
Divisão do Trabalho
Em uma organização, cada pessoa realiza tarefas específicas que contribuem para a realização dos
objetivos. A divisão do trabalho é o processo que permite superar as limitações individuais por meio da
especialização.
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Existem três tipos tradicionais básicos de Estrutura Organizacional: a Organização Linear, a
Funcional e a Linha-Staff.
Organização Linear
É a estrutura organizacional mais simples e antiga, baseada na autoridade linear. Esta é uma
decorrência do princípio da unidade de comando: significa que cada superior tem autoridade única e
absoluta sobre seus subordinados e que não a reparte com ninguém.
A organização linear ou estrutura linear tem suas origens na organização dos antigos exércitos e na
organização eclesiástica dos tempos medievais. Entre o superior e os subordinados existem linhas diretas
e únicas de autoridade (que significa o direito organizacional de exigir o cumprimento de ordens e
execução de tarefas) e de responsabilidade (que significa o dever ou incumbência de seguir ordens e
executar tarefas). Devido a estas linhas de autoridade e responsabilidade ocorre a cadeia escalar.
Organização Funcional
A organização funcional é a estrutura organizacional que aplica o princípio funcional ou princípio da
especialização das funções. O staff ou assessoria funcional decorre desse princípio, que separa, distingue
e especializa. Na antiguidade, o staff era constituído de chefes homéricos - que aconselhavam os reis da
Grécia - e do conselho dos sábios - que assessoravam os reis anglo-saxões.
Mais recentemente, nota-se que à medida que as empresas crescem e o seu ambiente se torna
mutável e competitivo, aumenta consideravelmente a necessidade de órgãos especializados capazes de
proporcionar conselhos e inovações rápidas e substanciais. Essa flexibilidade indispensável à
organização competitiva e inovadora é um dos principais fracassos da estrutura linear. Esta somente
funciona em um ambiente estável e rotineiro.
Taylor foi um dos defensores da organização funcional ao defrontar-se com o excessivo e variado
volume de atribuições concentradas nos mestres de produção de uma siderúrgica americana que adotava
a organização linear. Achava que a especialização do operário deveria ser acompanhada pela
especialização dos supervisores e da gerência por meio da estrutura funcional.
Organização Linha-Staff
Com o crescimento e complexidade das tarefas das empresas, a estrutura linear se mostrou
insuficiente para proporcionar eficiência e eficácia. As unidades e posições de linha (que têm autoridade
linear) passaram a se concentrar no alcance dos objetivos principais da empresa e a delegar autoridade
sobre serviços especializados e atribuições marginais a outras unidades e posições da empresa.
Assim, as unidades e posições de linha se livraram de uma série de atividades e tarefas para se
dedicarem, exclusivamente, aos objetivos básicos da empresa, como produzir, vender, etc. As demais
unidades e posições da empresa que receberam aqueles encargos passaram a denominar-se assessoria
(staff), cabendo-lhes a prestação de serviços especializados e de consultoria técnica, influenciando
indiretamente o trabalho dos órgãos de linha por meio de sugestões, recomendações, consultoria,
prestação de serviços como planejamento, controle, levantamentos, relatórios, etc.
Assim, os órgãos de staff assessoram os órgãos de linha por meio de sua especialização técnica.
Enquanto os especialistas de staff se aprofundam em um determinado campo de atividades, os gerentes
de linha se tornam os detentores da hierarquia da organização.
Características das Organizações
Toda organização quando criada é fundamentada com base em um propósito e, primeiramente,
precisamos identificar se essa organização é de produtos (fabricação de carros, móveis, etc.) ou serviços
(assistência técnica, salão de beleza, etc.).
As organizações podem ser públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, permanentes ou
temporárias.
Organização pública é aquela mantida pelo poder público, isto é, por qualquer nível de governo -
federal, estadual ou municipal.
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Organização privada é a mantida pela iniciativa privada, isto é, por pessoas sócias da organização.
Também existe a organização mista, na qual esforços públicos são combinados com privados.
Organização com fins lucrativos é aquela cujo objetivo é gerar lucro a partir das atividades por ela
desenvolvidas, para distribuí-lo aos seus sócios.
Organização sem fins lucrativos não tem objetivo de lucro, mas outras finalidades, como amparar
os necessitados, desenvolver atividades sociais (esportes, lazer), congregar pessoas. A ausência da
finalidade de lucro não impede que a organização venda mercadorias ou preste serviços remunerados,
mas o lucro dessas atividades deve reverter somente para a organização, jamais para seus proprietários.
Organização permanente é aquela constituída por prazo indeterminado, em princípio para sempre,
sem que isso impeça seu desaparecimento.
Organização temporária é a constituída com uma finalidade específica, para desaparecer tão logo
essa atividade tenha sido concluída. A Petrobras é uma organização mista, permanente, com finalidade
lucrativa. Um consórcio de empresas de engenharia constituído para construir uma estrada é uma
organização privada, temporária, com finalidade lucrativa. Um hospital municipal e uma associação de
moradores são organizações permanentes, sem fins lucrativos, o primeiro público e a segunda privada.
Importância das Organizações
- Servem à sociedade: são instituições sociais que refletem alguns valores e necessidades
culturalmente aceitos.
- Realizam Objetivos: coordenam os esforços de diferentes indivíduos, permitindo-nos alcançar metas
que, de outra forma, seriam muito mais difíceis ou até mesmo impossíveis de serem atingidas.
- Preservam o conhecimento: como as universidades, museus e corporações são essenciais porque
guardam e protegem a maior parte do conhecimento que nossa civilização juntou e registrou.
- Proporcionam carreiras: proporcionam aos seusempregados uma fonte de sobrevivência.
As Empresas
O objetivo principal das empresas é a produção de bens e serviços que serão oferecidos no mercado
de consumo.
Cada empresa constitui uma criação particular, pois tem as suas próprias características, seus
recursos, seus objetivos, etc. As empresas não são autônomas nem autossuficientes. Elas precisam ser
administradas por pessoas qualificadas e são orientadas para o lucro: Lucro (retorno financeiro que
excede o custo).
Assumem riscos, que neste caso envolvem tempo, dinheiro, recursos e esforços. As empresas não
trabalham em condição de certeza, como já comentado anteriormente.
São dirigidas por uma filosofia de negócios: Os administradores tomam decisões que se relacionam
com mercados, custos, preços, concorrência, governos, etc.
Segundo Chiavenato5, “É uma organização que utiliza recursos a fim de atingir determinados objetivos.
É uma organização social por ser uma associação de pessoas que trabalham em conjunto para a
exploração de algum negócio”.
A importância da Administração nas empresas
Segundo Stoner6: “A Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar os esforços
realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para
alcançar os objetivos estabelecidos."
Chiavenato concorda com o conceito de Stoner quando diz que a Administração é o processo de
planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos. Chiavenato ainda
complementa o conceito de Administração dizendo que “[...] a tarefa básica da Administração é a de fazer
as coisas por meio de pessoas de maneira eficiente e eficaz”.
5 CHIAVENATO, Idalberto. (2000). Teoria geral da administração. Vol I. 5. ed. São Paulo: Campus
6 STONER, James A. F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. 5 ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1999.
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Nos dias atuais, a Administração nas empresas desempenha um papel fundamental para o bom
desempenho organizacional, levando em consideração o atual cenário do mercado, que é extremamente
volátil e vive em constante mudança. Sendo assim, a administração representa um fator substancial para
qualquer negócio, pois oferece ferramentas que servem de apoio ao administrador e faz com que o
processo decisório torne-se mais rápido, mais seguro, mais otimizado, menos custoso, etc.
Quando se pensa em administrar, pensa-se naqueles que se utilizam dos elementos da administração,
em algumas pessoas as quais chamamos genericamente de administradores.
Este profissional, no entanto, não tem apenas esta função teórica, ele é responsável pela implantação
de tudo que planejou e, portanto, vai ser aquele que define os programas e métodos de trabalho,
avaliando os resultados e corrigindo os setores e procedimentos que estiverem com problemas.
O cotidiano do administrador é repleto de conteúdo administrativo e mesmo profissional de outras
áreas, como advogados, médicos e engenheiros, fazem uso do processo de administrar.
Como é função do administrador que a produtividade e os lucros sejam altos, ele também terá a função
de fiscalizar a produção e, para isto, é necessário que fiscalize cada etapa do processo, controlando
inclusive os equipamentos e materiais envolvidos na produção, para evitar desperdícios e prejuízos para
a empresa.
Para que tudo seja funcional, o administrador também faz um estudo do aproveitamento da mão-de-
obra, atuando, inclusive, na admissão e contratação dos funcionários, estabelece as relações da empresa
com contratados, tudo para garantir que o conjunto de fatores seja responsável pelo sucesso da empresa.
O administrador do novo milênio é o profissional de hoje que pensa e utiliza as ideias do futuro. O
executivo deve buscar a motivação ao encontrar um ambiente favorável, com autonomia e espaço para
a iniciativa, de maneira que possa estar sempre acreditando no que faz.
Um administrador competitivo deve saber desviar-se de todos esses problemas, sempre procurando
levar seus objetivos adiante, não importando o que possa vir a acontecer e deve sempre manter o
entusiasmo, mesmo que sua empresa não esteja bem no mercado. Os melhores profissionais não são
aqueles que levam a empresa quando ela está bem e sim aqueles que conseguem tirá-las de suas
maiores crises.
O profissional que utiliza a administração como meio de vida executa tarefas desde o nível hierárquico
de supervisão elementar até o nível de dirigente máximo da organização, assim como pode atuar em
diferentes frentes como a Administração da Produção, Administração Financeira, Administração de
Recursos Humanos, Administração de Materiais, Administração de Estoques, Administração
Mercadológica e Administração Geral.
Em cada nível ou em cada frente da Administração de empresas há uma dinâmica diferente, pois há
um conjunto de variáveis controláveis e incontroláveis. Não existem duas organizações iguais, assim
como não existem duas pessoas idênticas.
Stoner7 destaca as seguintes atribuições do administrador:
- Trabalham com outras pessoas e por meio delas;
- São responsáveis e têm que prestar contas de seus atos;
- Chegam a um equilíbrio entre objetivos concorrentes e estabelecem prioridades;
- Tem que pensar analítica (subdividir um problema, analisar seus elementos e propor uma solução
viável) e conceitualmente (ver toda a tarefa em abstrato e relacioná-la com outras tarefas);
• São mediadores - eles têm que acertar as discordâncias entre as pessoas antes que elas escapem
ao controle;
• São políticos - recorrem à persuasão e às soluções de meio-termo para alcançar os objetivos da
organização;
• São diplomatas - podem atuar como representantes oficiais de suas unidades em reuniões
organizacionais;
• Tomam decisões difíceis: cabe aos administradores propor soluções para problemas difíceis e fazer
acompanhamento de suas decisões.
7 STONER, J.A.F. Administração. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 2 ed. 1985.
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Cada organização possui uma identidade pessoal que é peculiar à sua gestão, ou seja, possui seus
objetivos, seu ramo de atividade, um ou mais produtos ou serviços que oferta, uma missão e visão que
cabe à sua cultura organizacional, seus pontos fortes e fracos, assim como cada uma possui ameaças e
oportunidades inerentes ao seu negócio, sua política empresarial, sua situação tecnológica e financeira,
entre outros.
Isso só confirma que cada organização é única, mas que todas necessitam de uma administração
eficiente e eficaz para conseguir agregar bons resultados.
Vale considerar também que as organizações não podem ser estáticas, já que elas mesmas são
compostas de seres humanos e são voltadas para um mercado consumidor em constante mutação, além
de operarem em um ambiente externo altamente dinâmico.
A evolução necessária das organizações se traduz em uma permanente readaptação das mesmas,
para que possam atender às dinâmicas externas e internas.
Devido a esse conjunto de particularidades que uma organização possui, é necessário traçar
estratégias exclusivas às suas necessidades, de forma a gerar inovação e competitividade.
É preciso entender o contexto no qual a empresa opera. O ambiente é todo o universo que envolve
externamente a empresa. E tudo fora dela, isto é, é a própria sociedade, outras empresas e organizações,
clientes, fornecedores, concorrentes, agências reguladoras. Isso porque as empresas não vivem no
vácuo, não estão isoladas e não são totalmente autossuficientes - funcionam dentro de um contexto do
qual obtém recursos e informações para subsistência e funcionamento.
Ressalta-se que as empresas constituem organizações inventadas pelo homem para se adaptarem
constantementeàs mudanças ambientais e alcançarem objetivos; são eficazes, sobrevivem e crescem
quando conseguem se adaptar às mudanças ambientais e alcançam seus objetivos.
Objetivos - Metas
Objetivos são as metas ou alvos que se busca atingir, todos nós possuímos objetivos, eles são as
molas propulsoras que impulsionam as nossas vidas. As organizações também possuem objetivos, e são
eles que alicerçam o trabalho, na medida em que determinam a estrutura das instituições, as atividades
e a distribuição dos recursos humanos nas diversas tarefas (Drucker8).
Os objetivos em uma empresa devem ser dinâmicos, pois são à base da relação entre a organização
o ambiente externo e os participantes e, portanto estão em contínua evolução, alterando essas relações,
devendo ser reavaliados e modificados em função das mudanças no ambiente externo e interno da
organização
Objetivos amplos em uma empresa possibilitam a definição de políticas, diretrizes, metas, programas,
procedimentos e normas; possibilitando que se identifique o papel que a organização desempenha na
sociedade em geral.
A administração possui dois objetivos principais:
- Alcançar a eficiência - se refere aos meios, os métodos, processos, regras e regulamentos sobre
como as coisas devem ser feitas na empresa a fim de que os recursos sejam adequadamente utilizados.
Uma organização eficiente é aquela que utiliza racionalmente seus recursos;
- Alcançar a eficácia - se refere aos fins, os objetivos e resultados a serem alcançados pela empresa,
significa a capacidade de realizar um objetivo ou resolver um problema, capacidade de se chegar aos
resultados.
Eficiência Eficácia
Ênfase nos meios Ênfase nos resultados
Fazer corretamente as coisas Fazer as coisas corretas
Utilizar produtivamente todos os recursos Atingir os objetivos
Salvaguardar recursos Cumprir metas
Mínimo de perdas e/ou desperdícios Realizar o que foi proposto
Custo-benefício maior Alcançar resultados organizacionais
Adaptado de Chiavenato: 1987
Eficiência é a palavra usada para indicar que a organização utiliza seus recursos produtivamente ou
de maneira econômica. Quanto mais alto for o grau de produtividade ou economia na utilização dos
8 DRUCKER, P.F. Introdução à administração. São Paulo, Pioneira, 1991.
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recursos, mais eficiente será a organização. A eficiência é alcançada quando o executivo manipula, de
forma adequada, os insumos de que necessita para atingir seus produtos.
De acordo com Maximiano9, a eficiência pode ser evidenciada quando se utiliza uma menor quantidade
de recursos para produzir mais. Por exemplo, na Fórmula 1, quando o carro para no box, os pneus são
trocados com eficiência máxima no uso do tempo. No entanto, a equipe tem uma ineficiência intrínseca,
que é a quantidade de pessoas na equipe; dessa forma, a equipe é eficiente na dimensão do uso do
tempo, mas ineficiente no uso de recursos humanos.
Na Administração Científica, o homem era tratado como uma extensão da máquina, o conceito de
“homo economicus”, cuja ideia principal é a de que a principal motivação da pessoa no trabalho é a
remuneração. A Administração Científica buscava a melhoria da eficiência e da produtividade por meio
do estudo dos tempos, que também auxiliava na precisão da definição do valor dos salários.
Na busca pela melhoria da eficiência e da produtividade, Taylor buscou estudar a “melhor maneira” de
se fazer tarefas, o que ficou conhecido como estudo de tempos e movimentos. O trabalho do operário era
analisado e cronometrado, de modo que os gerentes pudessem determinar a maneira mais eficiente de
se fazer uma tarefa. Determinada a forma mais eficiente (fácil e rápida) de executá-la, “os funcionários
eram treinados para fazer dessa forma – criando assim uma padronização do trabalho”10. A padronização
evita a execução de tarefas e movimentos desnecessários, o que evitaria uma rápida fadiga humana.
Para Taylor, a questão não era trabalhar duro, depressa ou bastante, e sim trabalhar de forma
inteligente. A Administração Científica deveria analisar os movimentos efetuados pelos trabalhadores
para conseguir desenhar um processo com um mínimo de esforço em cada tarefa.
Sistemas de administração de tarefas: após a definição do tempo-padrão para cada elemento
básico, a administração podia controlar todos os aspectos da produção, melhorando sua eficiência
produtiva, pois padronizava o trabalho.
Dessa forma, podemos dizer que a eficiência é alcançada quando o executivo manipula, de forma
adequada, os insumos de que necessita para atingir seus produtos. Por exemplo, em uma fábrica de
sapatos, a matéria-prima (couro, cola, borracha, etc.) deve ser utilizada da maneira mais econômica e
otimizada possível; devem-se estudar formas para evitar o desperdício.
A eficácia é atingida quando, sendo eficiente, o gerente atinge seus produtos de maneira apropriada,
como programado. Na eficácia, o que importa é alcançar o resultado final, fabricar um bom produto ou
prestar um serviço de qualidade. A eficácia não prega o desperdício de insumos, mas não se importa em
gastar um pouco mais de material para estimular a criatividade do funcionário, por exemplo - que por sua
vez pode criar ou melhorar o produto final.
Qual é à base de sustentação da administração? Seus princípios.
Para fazer a administração os administradores contam com técnicas, ferramentas e truques que
auxiliam no alcance de seus objetivos, entretanto estes meios e instrumentos não são tão importantes
quanto os princípios essenciais sob o qual se alicerçam a ciência da Administração (Drucker11).
Para Chiavenato12, princípio é uma afirmação, uma proposição geral válida e aplicável para
determinados fenômenos, é uma previsão antecipada do que deverá ser feito quando ocorrer àquela
determinada situação, é um guia de ação. Os princípios são a base sob a qual se sustentam as teorias,
não devem ser abordados de forma rígida, mas sim considerados relativamente e flexivelmente, tendo
como base o bom senso.
9 MAXIMIANO, Antonio César Amauri. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana à Revolução Digital. São Paulo: Atlas, 2007.
10 RENNÓ, R. (2013). Administração Geral para Concursos. Rio de Janeiro: Campus Elsevier.
11 DRUCKER, P.F.O melhor de Peter Drucker: a administração. São Paulo, Nobel, 2001.
12 CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. São Paulo, MAKRON BOOKS, 1993.
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. 10
Segundo Chiavenato os 11 princípios mais mencionados são:
Em relação aos objetivos:
1 - Os objetivos da empresa devem ser claramente definidos e estabelecidos por escrito. Toda
organização tem que ter um compromisso com metas comuns e valores compartilhados, tem de ter
objetivos simples, claros e unificantes, simples e flexíveis.
Em relação às atividades e agrupamento de atividades:
2 – As responsabilidades designadas para uma posição devem pertencer tanto quanto possível ao
desempenho de uma simples função.
3 – As funções devem ser designadas para os departamentos de modo homogêneo para que se
alcance a operação mais eficiente e econômica.
Em relação à autoridade:
4 - Deve haver uma linha de autoridade claramente definida, conhecida e reconhecida por todos, desde
o topo da organização até cada indivíduo da base.
5 – A autoridade, a responsabilidade, os deveres de cada pessoa ou órgão, bem como suas relações
com outras pessoas ou órgãos, devem ser definidos, estarem documentados e comunicados a todos.
6 - O desempenho das funções deve ser acompanhado da respectiva responsabilidade que deve andar
junto com a correspondente autoridade, ambas devem estar equilibradas entre si.
7 – A autoridade para tomar ou iniciar uma ação deve ser delegadao mais próximo possível da cena
da ação.
8 – O número de níveis de autoridade deve ser o mínimo possível.
Em relação às relações:
9 - Há um limite quanto ao número de pessoas que podem ser supervisionadas por um superior.
10 - Cada pessoa deve subordinar-se a um único superior, evitando-se duplicidade de ordens.
11 – A responsabilidade da autoridade mais elevada para com os atos de seus subordinados é
absoluta.
Os administradores que entenderem esses princípios e trabalharem sob sua luz muito provavelmente
serão administradores bem-formados e bem-sucedidos.
Porém, é mais comum encontrarmos a seguinte definição de princípios básicos da
administração:
Princípio da Especialização: a organização deve fundamentar-se na divisão do trabalho que provoca
a especialização das pessoas em determinadas atividades. A especialização produz um incremento da
quantidade e qualidade de trabalho executado.
Princípio da Definição Funcional: o trabalho de cada pessoa, a atividade de cada órgão e as relações
de autoridade e responsabilidade são aspectos que devem ser claramente definidos por escrito. As
empresas geralmente utilizam o organograma, a descrição do cargo ou o Manual de Organização para
atender ao princípio da definição funcional. O importante é deixar claro a posição de cada pessoa ou
órgão na estrutura organizacional da empresa.
Princípio da Paridade da Autoridade e Responsabilidade: a autoridade é o poder de dar ordens e
exigir obediência ao subordinado, e responsabilidade é o dever de prestar contas ao superior.
O princípio da Paridade salienta que deve haver uma correspondência entre o volume de autoridade
e de responsabilidade atribuído a cada pessoa ou órgão. Essa equivalência é necessária para evitar que
certas pessoas ou órgãos tenham excessiva responsabilidade sem a necessária autoridade. Ou, caso
contrário, demasiada autoridade para pouca responsabilidade. A cada responsabilidade deve
corresponder uma autoridade que permita realizá-la e a cada autoridade deve corresponder uma
responsabilidade equivalente.
Em decorrência do princípio da distribuição de autoridade e responsabilidade, outro aspecto discutido
pelos autores neoclássicos é a amplitude administrativa. A amplitude administrativa (ou amplitude de
comando ou ainda amplitude de controle) significa o número de subordinados que um administrador pode
supervisionar. Quando um administrador tem muitos subordinados, ele tem uma amplitude de comando
grande e ampla. Na prática, a amplitude média adotada por uma organização determina a configuração
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. 11
geral de sua estrutura organizacional. Uma amplitude média estreita com um maior número de níveis
hierárquicos produz uma estrutura organizacional alta e alongada. Ao contrário, uma amplitude média
larga com poucos níveis hierárquicos produz uma estrutura organizacional achatada e dispersada
horizontalmente. A tendência atual nas organizações é de achatar e comprimir a estrutura organizacional
no sentido de aproximar a base da cúpula e melhorar as comunicações.
Princípio Escalar: é decorrente do princípio anterior: cada pessoa deve saber exatamente a quem
prestar contas e sobre quem possui autoridade. Refere-se à cada cadeia de relações diretas de
autoridade de um superior para um subordinado em toda a organização, desde a base até a cúpula, onde
geralmente está o chefe principal como autoridade máxima.
Princípio da Funções de Linha e de Staff: deve-se definir, da maneira mais clara possível, não só a
quantidade de autoridade atribuída a cada pessoa ou órgão, mas também a natureza dessa autoridade.
Este princípio leva a distinção entre as funções de linha e de staff dentro da empresa. As funções de linha
são aquelas diretamente ligadas aos objetivos principais da empresa, enquanto as funções de staff são
aquelas que não se encontram diretamente ligadas àqueles objetivos. O critério da distinção é o
relacionamento direto ou indireto com os objetivos empresariais e não o grau de importância de uma
atividade sobre outra.
Estudos sobre Gerentes
O trabalho dos gerentes compreende:
- Atividades de tomar decisões.
- Atividades de processar informações.
- Atividades de relacionar-se com pessoas, de dentro e fora da organização.
Papéis Interpessoais
São aqueles que envolvem relações com pessoas de dentro e fora da organização. São três os papéis
interpessoais que os gerentes desempenham: imagem do chefe, líder e ligação.
- Imagem do chefe: compreende todas as atividades nas quais o gerente age como um símbolo e
representante de sua organização (falar em público, comparecer a solenidades, relacionar-se com
autoridades em nome de sua empresa).
- Líder: permeia todas as atividades gerenciais e não é uma atividade isolada.
- Ligação: envolve a teia de relações humanas que o gerente deve manter, principalmente com seus
pares.
Papel Intrapessoal
Compreende todas as relações e formas de reflexão e ação da pessoa a respeito dela própria, como:
autoanálise, autocontrole, automotivação, autoconhecimento, capacidade de organização pessoal e
administração do próprio tempo.
O equilibro entre as competências é a base da distinção ente o papel do administrador maestro e o do
administrador cirurgião.
- Administrador maestro: ele conhece as técnicas, mas não sabe como fazer o serviço.
- Administrador cirurgião: além de conhecer as técnicas, ele sabe executá-las para alcançar o
objetivo proposto.
Competências Gerenciais - Habilidades necessárias ao Administrador
O gerente ou o profissional que atua na Administração de uma empresa é avaliado por suas
habilidades técnicas (que são as técnicas ligadas ao saber fazer, às competências de domínio da função),
mas, principalmente, por suas habilidades comportamentais (estão ligadas com os fatores motivacionais,
psicológicos e emocionais do indivíduo). Ou seja, o profissional da Administração não é apenas avaliado
pelos seus conhecimentos tecnológicos da Administração, mas por seu modo de agir, pensar e tomar
decisões, por suas habilidades, competências, atitudes, comportamentos, personalidade e filosofia de
trabalho.
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. 12
Habilidades Técnicas: estão relacionadas com a capacidade do administrador para usar ferramentas,
procedimentos, técnicas e conhecimentos especializados relativos à sua área de atuação específica. São
as habilidades de fazer as coisas concretas e práticas, como desenhar um projeto, compor um
cronograma, elaborar um programa de produção, entre outras.
Habilidades Humanas: dizem respeito à capacidade do administrador para se relacionar com as
outras pessoas ou grupos, saber se comunicar com outras pessoas, entendendo-as, motivando-as e
liderando-as, o que torna essas habilidades cruciais para o seu desempenho, já que o administrador faz
uso de pessoas para conseguir resultados. Para um administrador de topo, as habilidades humanas são
também importantes para estabelecer relações com grupos de interesse externos da organização e para
conseguir agregar os membros internos em torno de uma visão estratégica para a organização.
Habilidades Conceituais: envolvem conceitos e ideias que possibilitam ao administrador uma visão
sistêmica da organização, dando-lhe condições para avaliar fatos, situações, informações e ideias.
Relacionadas com a capacidade do administrador para coordenar e integrar todos os interesses e
atividades de uma organização ou grupo. São habilidades que permitem que o administrador faça
abstrações e desenvolva filosofias, valores e princípios de ação. Representam as habilidades mais
sofisticadas e permitem as tomadas de decisões mais acertadas e inovadoras.
Para Katz13, a relevância de cada habilidade varia de acordo com o nível organizacional que o
administrador ocupa. Assim, para os administradores no nívelestratégico preponderam as habilidades
conceituais, enquanto para os administradores no nível operacional são mais importantes as habilidades
técnicas.
Habilidades necessárias a cada nível organizacional:
Figura: Modelo de habilidades gerenciais de Katz
Funções Organizacionais
As funções organizacionais são as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos executam, para
que a organização consiga realizar seus objetivos. As funções representam o conjunto de processos que
aplicam um recurso da organização.
Também chamadas de áreas funcionais, as quais são agrupamentos de processos que juntos
sustentam o ciclo de vida de um recurso e possibilitam que os objetivos e missão da empresa sejam
atingidos. As áreas funcionais são espaços de administração dos recursos dentro de seu ciclo de vida.
Segundo Maximiano14, as funções mais importantes de qualquer organização são analisadas
sucintamente a seguir: produção (ou operações), marketing, pesquisa e desenvolvimento, finanças e
recursos humanos.
A coordenação de todas essas funções especializadas é o papel da administração geral. Ou seja, são
as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos dentro de uma organização executam. As funções
mais essenciais dentro de uma organização são as apresentadas abaixo:
13 KATZ. R. The human side of Managing Technological Innovation. New York, Oxford University Press, 1997.
14 MAXIMIANO, Antonio César Amauri. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana à Revolução Digital. São Paulo: Atlas, 2007.
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. 13
Operações (Produção)
O objetivo de produção é fornecer o produto ou serviço da organização. Um sistema de operações
produtivas utiliza e transforma recursos para fornecer bens e serviços aos clientes, usuários ou público-
alvo.
No fornecimento de produtos, matérias-primas são transformadas por pessoas e uso de máquina. Por
exemplo: fabricação de pães e automóveis.
Na prestação de serviços, os clientes são processados e transformados. Por exemplo: pacientes
tratados em hospitais e alunos educados nas escolas.
Há três tipos principais de processos produtivos:
- Produção em massa: fornecimento de grande número de produtos e serviços, que podem ser simples
ou complexos.
- Produção por processo contínuo: fornecimento virtualmente ininterrupto de um único produto ou
serviço, como gasolina, corantes, açúcar ou transmissão de programas de televisão.
- Produção unitária e em pequenos lotes: fornecimento de produtos e serviços sob encomenda, simples
ou complexos.
A produção envolve:
• Fabricação:
- processo produtivo
- programação
- controle
• Qualidade:
- programação
- controle
• Manutenção:
- preventiva
- corretiva
Marketing
A função de marketing é estabelecer e manter a ligação entre a organização e seus clientes,
consumidores, usuários ou público-alvo. Sua função abrange atividades de:
- Pesquisa: identificação de interesses, necessidades e tendências do mercado (estudo de mercado).
- Produtos: criação, desenvolvimento e lançamento de novos produtos e serviços, inclusive seus
nomes, marcas e preços, forma de apresentação e embalagem.
- Distribuição (Praça): desenvolvimento dos canais de distribuição e gestão dos pontos de venda (se
será venda direta, venda por atacado, varejo, distribuidores autorizados).
- Preço: políticas comerciais e estratégias de preço, estrutura de preços, descontos, facilidades de
pagamento e prazos.
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. 14
- Promoção: comunicação com o público-alvo, por meio de propaganda, publicidade e promoção nos
pontos de venda. Envolve material promocional e amostra grátis.
- Vendas.
Finanças
A função financeira cuida do dinheiro da organização. Abrange também as decisões de:
- Planejamento de recursos financeiros: realização de orçamentos, programação das necessidades de
recursos financeiros, projeções financeiras, análise do mercado de capitais.
- Investimento: avaliação e escolha de alternativas de aplicação de recursos em prol de maiores
retornos.
- Financiamento: identificação e escolha de alternativas de fontes de recursos (como títulos,
empréstimos e financiamentos)
- Controle e Gestão dos recursos disponíveis: acompanhamento e avaliação dos resultados financeiros
da organização (como realização de pagamentos, recebimentos, operações bancárias, fluxo de caixa e
acompanhamento do orçamento financeiro).
- Destinação dos resultados: seleção de alternativas para aplicação dos resultados financeiros da
organização.
- Seguros: análise do mercado securitário, contratação de apólices, administração de apólices -
liquidação de sinistros.
Função Contábil15
Muitas vezes realizada juntamente com as finanças (pertence às finanças). A Contabilidade controla a
evolução do patrimônio da empresa; através da contabilidade é possível calcular e registrar todas as
operações comerciais e financeiras realizadas em certo período, produzindo relatórios que são usados
para fornecer aos seus usuários (internos e externos) informações úteis e relevantes para análise da
situação econômica e patrimonial da empresa.
As principais funções da Contabilidade são16: registrar, organizar, demonstrar, analisar e acompanhar
as modificações do patrimônio em virtude da atividade econômica ou social que a empresa exerce no
contexto econômico.
- Registrar todos os fatos que ocorrem e podem ser representados em valor monetário;
- Organizar um sistema de controle adequado à empresa;
- Demonstrar com base nos registros realizados, expor periodicamente - por meio de demonstrativos -
a situação econômica, patrimonial e financeira da empresa;
- Analisar os demonstrativos com a finalidade de apuração dos resultados obtidos pela empresa;
- Acompanhar a execução dos planos econômicos da empresa, prevendo os pagamentos a serem
realizados, as quantias a serem recebidas de terceiros e alertando para eventuais problemas.
Recursos Humanos ou Departamento Pessoal
Em recursos humanos o objetivo é encontrar, atrair e manter as pessoas de que a organização
necessita. Isso envolve atividades que começam antes de uma pessoa ser empregada da organização e
vão até depois que a pessoa se desliga.
Recursos humanos têm outras funções como:
- Planejamento de mão de obra: definição da quantidade de pessoas necessária para trabalhar na
organização e das competências que elas devem ter. Envolve: programação de necessidades de pessoal,
análise de mercado de trabalho, pesquisa de recursos humanos, orçamento de pessoal.
- Recrutamento e seleção: localização e aquisição de pessoas para a organização. Envolve a
divulgação de vagas externas, cadastramento de candidatos a emprego, técnicas de seleção como
análise de currículo, dinâmicas em grupo e aplicação de testes e entrevistas.
- Treinamento e desenvolvimento: transformação dos potenciais das pessoas em competências.
15 http://atitudeenegocios.com/funcao-da-contabilidade/
16 http://www.covrecontabilidade.cnt.br/2011/08/logo-estaremos-no-ar.html
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. 15
- Avaliação de desempenho: informação sobre o desempenho das pessoas e definição de ações que
permitam o aprimoramento do desempenho. Deve-se acompanhar e controlar as atividades das pessoas
e averiguar resultados.
- Remuneração ou compensação: definição de mecanismo de recompensas para as pessoas por seu
trabalho, considerando seus cargos e salários e o mercado de trabalho.
- Higiene, saúde e segurança: proteção das pessoas que trabalham para a organização, considerando
condições ambientais e psicológicas satisfatórias e qualidade de vida, além de relações com sindicatos.
- Administração de pessoal: realização de atividades burocráticas,com registro de pessoal,
manutenção de arquivos e prontuários, contagem de tempo de serviço, preparação de folhas de
pagamento e acompanhamento de carreiras.
- Funções pós-emprego: recolocação, aposentadoria e outros tipos de benefícios para ex-funcionários.
Pesquisa e Desenvolvimento
A função de pesquisa e desenvolvimento (P&D) é transformar as informações de marketing em
produtos e serviços. Tem também outras funções, como a identificação e a introdução de novas
tecnologias e melhoramentos nos processos produtivos, para reduzir custos.
As grandes organizações geralmente têm muitas pessoas trabalhando em atividades de P&D. São
técnicos de todas as profissões que trabalham em laboratórios e centros de pesquisa para idealizar e
desenvolver produtos e serviços de todos os tipos. As pequenas organizações às vezes têm também
atividades de P&D, mas, em muitos casos, as ideias e as fórmulas são compradas ou copiadas de
organizações maiores e mais inovadoras.
Funções Organizacionais Não Tradicionais
Além das funções organizacionais já expostas, existem outras funções menos recorrentes como:
Área Técnica: executam serviços de especializados dentro das organizações. Possuem atribuições
variadas, entre elas a manutenção dos sistemas de informação, atendimento a um público específico
(como área técnica de graduação ou pós-graduação em universidades), serviços de assistência técnica,
etc.
Segurança: Apesar do setor de Recursos humanos gerir a segurança local, muitas vezes o setor de
segurança (composto pelos seguranças, supervisores e vigilantes, que de fato operacionalizam a
segurança local) ocorre como um departamento autônomo. Muitas empresas terceirizam este setor para
uma empresa especializada.
Administrativa: possui o maior leque de atribuições dentro de uma organização. Em geral, quando
não existe um setor especializado em uma organização, mas a função organizacional correspondente
existe e é necessária, tal função é atribuída à administrativa.
Um exemplo são as microempresas na qual um mesmo gestor possui múltiplas funções. As funções
organizacionais administrativas podem ser: compras, manutenção do patrimônio, contabilidade, finanças,
recursos humanos, atendimento aos clientes, etc.
Questões
01. (CRF/RS - Agente Administrativo – Quadrix) Advertindo que os princípios de administração são
flexíveis e não absolutos, e devem poder ser empregados independentemente de condições mutáveis ou
especiais, Fayol enumerou catorze princípios de administração derivados de sua experiência. Um dos
princípios defende que “os empregados devem receber ordens somente de um superior”. Esse princípio
é conhecido como:
(A) Princípio da Divisão do Trabalho.
(B) Princípio da Autoridade e Responsabilidade.
(C) Princípio da Unidade de Comando.
(D) Princípio da Ordem.
(E) Princípio da Disciplina.
02. (Colégio Pedro II - Assistente de Administração - INSTITUTO AOCP) O que é Administração?
(A) É o ato de trabalhar só, para realizar seus objetivos.
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. 16
(B) É o ato de trabalhar com várias pessoas, mas sem nenhuma preocupação com a organização.
(C) É o ato de trabalhar com e por intermédio de outras pessoas para realizar os objetivos da
organização, bem como de seus membros.
(D) Trabalhar para realizar os objetivos pessoais sem a participação e conhecimento de ninguém
(E) É o ato de trabalhar somente por intermédio de terceiros para realizar os objetivos da organização,
bem como as suas.
03. (UFT DPE-TO Assistente de Defensoria Pública – COPESE) Sobre administração é
INCORRETO afirmar:
(A) Fazer as organizações serem capazes de utilizar corretamente seus recursos e atingir seus
objetivos.
(B) É o processo de tomar decisões sobre objetivos e utilização de recursos.
(C) A quantidade de recursos empregados torna mais ou menos complexo o processo de administrar.
(D) Um sistema econômico predominante nos países industrializados e em desenvolvimento.
04. (CEMIG-TELECOM - Analista Administrativo Jr. – FRAMINAS) Os administradores, para
exercer as funções gerenciais, precisam dominar determinadas habilidades para desempenhar seu
trabalho com eficiência e eficácia.
A habilidade relacionada ao entendimento da organização como um todo e que permite o administrador
compreender as dificuldades enfrentadas tanto pelo seu departamento quanto pelos outros é a
(A) conceitual.
(B) humana.
(C) técnica.
(D) comportamental.
05. (UNIRIO - Administrador – UNIRIO) As três habilidades básicas do administrador, são,
necessariamente,
(A) técnicas, humanas e conceituais.
(B) conceituais, filosóficas e estruturais.
(C) estruturais, humanas e institucionais.
(D) institucionais, filosóficas e psicossociais.
(E) psicossociais, técnicas e estruturais.
06. (MAPA - Administrador – CONSULPLAN) Segundo Chiavenato (2000), os recursos empresariais
são os componentes ou meios pelos quais as organizações sociais utilizam para realizar suas atividades
e, assim, atingir seus objetivos. Constituem-se recursos empresariais, EXCETO:
(A) Recursos materiais.
(B) Recursos humanos.
(C) Recursos da natureza.
(D) Recursos mercadológicos.
07. (SEFAZ-RJ - Oficial de Fazenda – CEPERJ) Pode-se dizer que um dos principais objetivos da
administração é:
(A) elevar a produtividade
(B) garantir o crescimento econômico
(C) promover a redistribuição de renda
(D) assegurar a governabilidade
(E) colaborar com a paz social
08. (Prefeitura de Santana do Jacaré – MG - Auxiliar Administrativo - REIS & REIS/2015) A
organização administrativa deve basear-se em princípios de organização.
“Refere-se a cada cadeia de relações diretas de autoridade de um superior para um subordinado em
toda a organização, desde a base até a cúpula, onde geralmente está o chefe principal como autoridade
máxima”.
Qual princípio foi definido acima?
(A) Função de linha e de Staff;
(B) Definição funcional;
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. 17
(C) Escalar;
(D) Especialização.
09. (CODEBA - Analista Portuário – Administrador - FGV/2016) As opções a seguir representam
os princípios gerais fundamentais da administração, à exceção de uma. Assinale-a.
(A) Princípio de autoridade e responsabilidade.
(B) Princípio das indefinições.
(C) Princípio da cadeia escalar.
(D) Princípio da unidade de comando.
(E) Princípio da amplitude administrativa.
10. (EBSERH - Assistente Administrativo/HU-FURG – IBFC/2016) Funções organizacionais são
tarefas especializadas que contribuem para a empresa realizar seus objetivos. Todas as empresas têm
praticamente as mesmas funções, mesmo que às vezes elas estejam acumuladas em um só
departamento. Abaixo estão descritas essas funções. Assinale a alternativa que não condiz com uma
dessas funções.
(A) Produção.
(B) Marketing.
(C) Finanças.
(D) Recursos Humanos.
(E) Redes de internet.
Respostas
01. Resposta: C
Unidade de comando. Cada empregado deve receber ordens de apenas um superior. É o princípio da
autoridade única.
02. Resposta: C
Segundo Stoner17: “A Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar os esforços
realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para
alcançar os objetivos estabelecidos.” Chiavenato18 concorda com o conceito de Stoner quando diz que a
Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar
objetivos.
A administração procura a máxima rentabilização dos recursos necessários à obtenção dos objetivos.
Existe uma variedade de recursos empresariais, porém os recursos mais importantes são os seguintes:
Recursos materiais: são os recursos físicos, como edifícios, prédios, máquinas, equipamentos,
instalações, ferramentas, matérias-primas etc.
Recursos financeiros: são recursos monetários, como capital,dinheiro em caixa ou em bancos,
créditos, investimentos, contas a receber etc.
Recursos humanos: são as pessoas que trabalham em todos os níveis da empresa, desde o
presidente até o mais humilde dos operários. Na verdade, as pessoas são os únicos recursos vivos e
inteligentes de uma empresa, capazes de lidar com todos os demais recursos empresariais.
Chiavenato ainda complementa o conceito de Administração dizendo que “[...] a tarefa básica da
Administração é a de fazer as coisas por meio de pessoas de maneira eficiente e eficaz”.
03. Resposta: D
A administração não é baseada em um país ou região, mas sim por sua eficácia, eficiência e
características, seja o local em que está inserida desenvolvido, subdesenvolvido, ou em desenvolvimento.
04. Resposta: A
As habilidades conceituais são necessárias para todos os administradores, mas substanciais aos que
fazem parte do nível estratégico, ou seja, da Alta Administração, pois essas habilidades requerem o
raciocínio rápido e eficiente, úteis principalmente para a tomada de decisão. É a capacidade de ter uma
visão sistêmica, um olhar crítico e perceber como é a dinâmica de uma organização, como é estruturada,
organizada - em outras palavras, é enxergar a relação que cada área estabelece entre si.
17 STONER, James A. F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. 5 ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1999.
18 CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
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05. Resposta: A
Habilidades Técnicas são as habilidades ligadas à execução do trabalho, e ao domínio do
conhecimento específico para executar seu trabalho operacional.
Habilidades Humanas são as habilidades necessárias para um bom relacionamento.
Habilidades Conceituais são as habilidades necessárias ao proprietário, presidente, CEO de uma
empresa. São essas habilidades que mantêm a visão da organização como um todo, influenciando
diretamente no direcionamento e na Administração da empresa.
06. Resposta: C
Chiavenato descreve cinco tipos de recursos empresariais, a seguir:
1) Recursos Materiais: são os recursos físicos utilizados nas realizações da atividades empresariais.
Ex.: Máquinas, ferramentas, edifício etc.;
2) Recursos Financeiros: são os recursos que financiam as operações da empresa. Ex.: Fluxo de caixa,
capita etc.;
3) Recursos Humanos: são os conjuntos de colaboradores, capital intelectual que opera as atividades.
Ex.: Diretores, supervisores etc.;
4) Recursos Mercadológicos: pode ser compreendido como os meios utilizados para entrar em contato
com o ambiente externo, abrangem controle de qualidade, propagandas, análise de mercado, pontos de
distribuição, assistência técnica etc.;
5) Recursos Administrativos: é a gestão utilizada pela empresa, abrange o planejamento, organização,
direção e controle Integrando ainda, os outros recursos empresariais.
07. Resposta: A
Esta ideia de melhoria da produtividade advém da Escola da Administração Científica, desenvolvida
nos Estados Unidos, a partir dos trabalhos de Taylor. A preocupação básica era aumentar a produtividade
da empresa por meio do aumento de eficiência no nível operacional, isto é, no nível dos operários. A
preocupação original foi eliminar o fantasma do desperdício e das perdas sofridas pelas indústrias e elevar
os níveis de produtividade por meio da aplicação de métodos e técnicas da engenharia industrial.
08. Resposta: C
Cadeia de comando, também chamada de cadeia escalar, é a linha de autoridade formal em uma
organização. Ela pode ser observada no organograma da organização, o qual identifica os papéis de cada
indivíduo e quem deve responder a quem dentro da estrutura organizacional. A cadeia de comando é a
definição formal do sentido da comunicação dentro da organização, e da responsabilidade de cada
indivíduo desta organização.
09. Resposta: B
A única exceção é este princípio das indefinições, inclusive é possível deduzir isso a partir da
comparação desta assertiva com as demais.
10. Resposta: E
As funções organizacionais são as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos executam para
que a organização consiga realizar seus objetivos. As funções mais importantes de uma organização são:
produção (ou operações), marketing, pesquisa e desenvolvimento, finanças, contabilidade, administração
de materiais, logística e recursos humanos.
Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração
A Abordagem Clássica da Administração ou Escola Clássica engloba a Administração Científica, a
Teoria Clássica e a Teoria da Burocracia.
Atenção!!!
Muitas bancas tentam confundir a Teoria Clássica de Fayol com a Abordagem Clássica da
Administração.
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Administração científica
Contexto
A Revolução Industrial transformou as cidades, as relações de trabalho e o processo produtivo. Os
comerciantes reuniram trabalhadores em galpões, para exercer maior controle sobre seu desempenho,
assim surgiram as fábricas e as primeiras empresas industriais.
A emigração da área rural para os centros industriais das cidades originou novas necessidades de
administração pública (infraestrutura como, saneamento básico, moradia, serviços de saúde etc.), a figura
do artesão (profissional que fabrica produtos por meio de um processo manual ou com auxílio de
ferramentas) foi substituída pelo operário especializado.
O artesão conhecia e participava de todo o processo produtivo, já o operário especializado trabalhava
de acordo com a divisão do trabalho, ou seja, o operário era treinado e capacitado para executar apenas
uma tarefa específica, como aparafusar um assento de bicicleta.
De acordo com os teóricos da Administração Científica era mais fácil treinar os funcionários para uma
especialidade, do que treiná-lo para montar uma bicicleta inteira.
As primeiras máquinas a vapor fabricavam tecidos e retiravam a água acumulada nas minas de ferro
e de carvão. Esse novo maquinário permitiu um novo tipo de processo produtivo, o da produção em
massa.
Com o aumento da produção de mercadorias e, consequentemente, dos lucros dos donos de fábricas,
os empresários ingleses começaram a investir na instalação de indústrias.
A máquina a vapor, também proporcionou uma revolução na logística de distribuição, pois por meio
dos navios e trens a vapor, as empresas alcançavam mercados consumidores cada vez maiores e mais
distantes.
No entanto, as condições de trabalho nas fábricas eram rudes. Os trabalhadores operários (homens e
mulheres sem qualificação específica, inclusive crianças) ficavam totalmente à disposição do industrial e
capitalista, e não podiam reclamar dos salários, horários de trabalho, barulho e sujeira nas fábricas e em
suas casas.
Nesse ambiente de trabalho havia um grande desperdício e baixa eficiência nas indústrias. Dessa
forma, a administração buscava racionalizar o modo como o trabalho se realizava com o objetivo de
aumentar a produção.
Taylor e o movimento da Administração Científica
Frederick Winslow Taylor (1856-1915) nasceu na Pensilvânia e foi o criador e participante mais
destacado do movimento da Administração Científica. “Seu trabalho junta-se ao de outras pessoas que,
na mesma época, compartilhavam esforços para desenvolver princípios e técnicas de eficiência, que
possibilitassem resolver os grandes problemas enfrentados pelas empresas industriais”19.
Apesar de ser filho de uma família abastada e de ter sido aprovado no exame de admissão da Escola
de Direito de Harvard, Taylor tornou-se trabalhador manual.
PERÍODO CARREIRA DE TAYLOR
1874 e
1878
Trabalhou em uma empresa fabricante de bombas hidráulicas, onde aprendeu o ofício
de torneiro. Nesse período, Taylor observou o que considerava má administração,“corpo-mole” dos funcionários e relações de má qualidade entre os trabalhadores e os
gerentes.
1878
Ingressou na Midvale Steel, uma usina siderúrgica, na qual trabalhou 12 anos, iniciando
como trabalhador e terminando como engenheiro chefe. Nesse período, Taylor estudou
engenharia à noite, e obteve o título de mestre em 1883.
1890 e
1893
Taylor foi gerente geral de uma empresa fabricante de papel. Em 1893, foi contratado
para trabalhar na Bethletem Steel, uma grande siderúrgica, com cerca de quatro mil
empregados em 1900, na qual desenvolveu suas ideias a respeito da Administração
Científica.
1901
Taylor deixa Bethlehem e retorna para Filadélfia, dedicando-se à divulgação de suas
ideias.
1910
Nesse ano foi criada a Sociedade para a Promoção da Administração Científica, que se
tornou em 1915, ano de sua morte, Sociedade de Taylor.
19 MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana a Revolução Digital. Editora Atlas, 7 ed. São Paulo, 2012.
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 20
Elaborado com base em Maximiano (2012, p.57).
Enquanto trabalhou na Midvale, Taylor observou alguns problemas das operações fabris:
- A administração não tinha noção clara da divisão de suas responsabilidades com o trabalhador;
- Não havia incentivos para melhorar o desempenho do trabalhador;
- Muitos trabalhadores não cumpriram com suas responsabilidades;
- As decisões dos administradores baseavam-se na intuição e no palpite;
- Não havia integração entre os departamentos da empresa;
- Os trabalhadores eram colocados em tarefas para as quais não tinham aptidão;
- Os gerentes pareciam ignorar que a excelência no desempenho significaria recompensas tanto para
eles próprios quanto para a mão de obra;
- Havia conflitos entre capatazes e operários a respeito da quantidade da produção.
Na visão de Taylor, os funcionários não eram comprometidos com os objetivos organizacionais,
ficavam vadiando, faziam seu trabalho como achavam melhor, de forma empírica, na base da tentativa e
erro. Os gerentes não estudavam as melhores formas de se trabalhar. O trabalho não era padronizado,
Taylor acreditava que o trabalho poderia ser realizado de forma mais produtiva. Dessa forma, a
Administração Científica buscou a melhoria da eficiência e da produtividade.
Eficiência
Eficiência é a palavra usada para indicar que a organização utiliza seus recursos produtivamente ou
de maneira econômica. Quanto mais alto for o grau de produtividade ou economia na utilização dos
recursos, mais eficiente será a organização. A eficiência é alcançada, quando o executivo manipula, de
forma adequada, os insumos de que necessita para atingir seus produtos.
De acordo com Maximiano, a eficiência pode ser evidenciada quando se utiliza uma menor quantidade
de recursos para produzir mais. Por exemplo, na Fórmula 1, quando o carro para no box, os pneus são
trocados com eficiência máxima no uso do tempo. No entanto, a equipe tem uma ineficiência intrínseca,
que é a quantidade de pessoas na equipe, dessa forma, a equipe é eficiente na dimensão do uso do
tempo; mas ineficiente no uso de recursos humanos.
Na busca pela melhoria da eficiência e da produtividade, Taylor buscou estudar a “melhor maneira” de
se fazer tarefas, o que ficou conhecido como estudo de tempos e movimentos. O trabalho do operário era
analisado e cronometrado, de modo que os gerentes pudessem determinar a maneira mais eficiente de
se fazer uma tarefa. Determinada a forma mais eficiente (fácil e rápida) de se executar uma tarefa, “os
funcionários eram treinados para executá-las dessa forma – criando assim uma padronização do trabalho”
20. A padronização evita a execução de tarefas e movimentos desnecessários, o que evitaria uma rápida
fadiga humana.
Para Taylor, a questão não era trabalhar duro, depressa ou bastante, e sim trabalhar de forma
inteligente, a Administração Científica deveria analisar os movimentos efetuados pelos trabalhadores para
conseguir desenhar um processo com um mínimo de esforço em cada tarefa.
Os três momentos da Administração Científica
Primeira fase
Problema dos salários: havia dois sistemas de pagamento, o pagamento por dia trabalhado e o
pagamento por peça produzida, ambos faziam o trabalhador acreditar que só o patrão se beneficiava, por
sua vez, os engenheiros e empregadores acreditavam que os trabalhadores não se empenhavam de
forma adequada. Taylor desenvolveu o piece-rate system, que consistia em um sistema de pagamento
por peça, no qual a administração deveria descobrir quanto tempo levaria para que um homem, dando o
melhor de si, completasse uma tarefa, para depois estabelecer uma forma de pagamento por peça, de
forma que o trabalhador se visse compelido a trabalhar o suficiente para assegurar uma remuneração
razoável.
20 RENNÓ, R. Administração geral para concursos. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2013.
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 21
Estudo sistemático de tempos e movimentos: cada tarefa deveria ser dividida em seus elementos
básicos, cronometradas e registradas, com a colaboração dos trabalhadores. Em seguida, eram definidos
tempos-padrão para os elementos básicos.
Sistemas de administração de tarefas: após a definição do tempo-padrão para cada elemento
básico, a administração podia controlar todos os aspectos da produção, melhorando sua eficiência
produtiva, pois padronizava o trabalho.
Na Administração Científica, o homem era tratado como uma extensão da máquina, o conceito de
“homo economicus”, cuja ideia principal é a de que a principal motivação da pessoa no trabalho é a
remuneração. A Administração Científica buscava a melhoria da eficiência e da produtividade, por meio
do estudo dos tempos, que também auxiliava na precisão da definição do valor dos salários.
Segunda fase
Ampliação de escopo, da tarefa para a administração: a ênfase deslocou-se dos salários para a
produtividade do trabalhador e o aprimoramento dos métodos de trabalho, como padronização das
ferramentas e equipamentos, sequenciamento e programação de operações e estudo de movimentos.
Homem médio e homem de primeira classe: surge o estudo da administração de operações fabris,
no qual Taylor distingue o homem médio do homem de primeira classe. Ao homem de primeira classe
deveria ser selecionado para a tarefa que lhe fosse mais apropriada e incentivada financeiramente, pois
este é altamente motivado e realiza seu trabalho sem desperdiçar tempo nem restringir sua produção. No
entanto, um homem de primeira classe pode tornar-se ineficiente se lhe faltarem incentivos ou se sofrer
pressão do grupo de trabalho para diminuir a produção.
Taylor define os princípios de administração do trabalho:
- Seleção e treinamento de pessoal
- Salários altos e custos baixos de produção
- Identificação da melhor maneira de executar tarefas
- Cooperação entre administração e trabalhadores
Terceira Fase
Consolidação dos princípios da Administração Científica:
1º. Desenvolver uma ciência para cada elemento do trabalho, para substituir o velho método empírico.
2º. Selecionar cientificamente e depois treinar, instruir e desenvolver o trabalhador, que, no passado,
escolhia seu próprio trabalho e treinava-se o melhor que podia.
3º. Cooperar sinceramente com os trabalhadores, de modo a garantir que o trabalho seja feito de
acordo com os princípios da ciência que foi desenvolvida.
4º. Existe uma divisão quase igual de trabalho e de responsabilidade entre a administração e os
trabalhadores. A administração incumbe-se de todo o trabalho para o qual esteja mais bem preparada
que os trabalhadores, enquanto no passado quase todo o trabalho e a maior parte da responsabilidade
recaíam sobre a mão de obra.
A principal diferença dessa fase consistiu nacriação de um departamento de planejamento, ao qual
caberia o trabalho de estudar e propor melhorias no chão-de-fábrica.
Taylor distinguiu a filosofia ou princípios da Administração Científica das técnicas ou mecanismos da
Administração Científica:
- Estudos de tempos e movimentos.
- Padronização de ferramentas e instrumentos.
- Padronização de movimentos.
- Conveniência de uma área de planejamento.
- Cartões de instruções.
- Sistemas de pagamento de acordo com o desempenho.
- Cálculo de custos.
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. 22
Taylor foi o primeiro autor a sistematizar um modelo de administração, com princípios e mecanismos,
no entanto, a Administração Científica contou com a colaboração de outros estudiosos.
Podemos citar o casal Frank e Lilliam Gilbreth, que permearam as ideias de Taylor, mas no ramo da
construção. Eles contribuíram com estudos de movimentos e da fadiga, em 1912, publicaram o livro
Primer of scientific management (Introdução à Administração Científica).
Críticas à Administração Científica
Apesar de a Administração Científica ter despertado entusiasmo na indústria e no governo, entre os
trabalhadores, imprensa e políticos, despertou opiniões e reações desfavoráveis. De acordo com Rennó,
a Administração Científica pecou por analisar só o ambiente interno, deixando de lado, a análise da
organização como um todo e seu contexto. Maximiano expôs que as pessoas temiam que a busca pela
eficiência produtiva concentrada em resolver problemas do chão de fábrica, provocasse o desemprego,
além de servir apenas para fazer o operário trabalhar mais e ganhar menos.
Rennó apresentou as principais críticas à Administração Científica:
Mecanicismo: a organização funcionaria como uma “máquina” e seus funcionários seriam
“engrenagens” que deveriam funcionar no máximo da eficiência;
Superespecialização do trabalhador: se as tarefas mais simples eram mais fáceis de serem
treinadas e padronizadas, tornavam o trabalho extremamente monótono, o que deixava o operário pouco
motivado, já não tinha mais desafios;
Visão microscópica do homem: a Administração Científica se baseava na ideia de que o homem se
motivava principalmente por influência dos incentivos materiais, focando-se, principalmente, no trabalho
manual.
Abordagem de sistema fechado: A visão de Taylor era voltada para dentro da empresa, sem se
preocupar com o ambiente externo (mercado, concorrentes, fornecedores, política, meio ambiente, etc.).
Exploração dos empregados: “apesar de Taylor propor um relacionamento “ganha-ganha” entre
patrões e empregados, na prática a aplicação dos preceitos da Administração Científica levou a uma
maior exploração dos empregados”.
Recompensas limitadas: as recompensas eram limitadas a incentivos materiais, atualmente, diversos
outros fatores servem de motivadores para as pessoas, como o reconhecimento, prêmios, participação
nos lucros, etc.
Produção em massa e linha de montagem
De acordo com a Ford Motor Company21, Henry Ford concebeu a sua primeira linha de montagem em
1913 e revolucionou os processos de produção do seu Modelo T. Essa linha de montagem, na primeira
fábrica Ford em Highland Park, Michigan, tornou-se um marco de referência para os métodos de produção
em série no mundo.
O propósito de Henry Ford era produzir o maior número de veículos possível, com um design simples
e ao mais baixo custo. Quando a posse de um veículo se limitava ainda a alguns privilegiados, Henry
Ford tinha o objetivo de "colocar o mundo sobre rodas" e produzir um veículo economicamente acessível
ao público em geral.
Nos primórdios, Ford construía automóveis do mesmo modo que os outros – um de cada vez. O veículo
ficava assentado no chão durante o processo de construção enquanto os mecânicos e respectivas
equipes de apoio preparavam as peças e voltavam ao carro para montá-las a partir do chassi. Para
acelerar o processo, os veículos eram em seguida montados em bancadas que eram deslocadas de uma
equipe de operários para outra. Mas essa ação não era rápida, uma vez que Ford precisava de equipes
de trabalho competentes para montar o veículo “construído à mão”. Por isso, os níveis de produção
permaneciam baixos e o preço dos veículos era mais elevado para compensar os custos mecânicos.
21 Ford Motor Company. Disponível em: <http://www.ford.pt/ExperienciaFord/SobreFord/InformacaoSobreEmpresa/Heritage/TheEvolutionofMassProduction>.
Acesso em: janeiro de 2015.
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. 23
Era preciso automatização. Henry Ford e os seus engenheiros inventaram máquinas para produzir
grandes quantidades de peças necessárias para o veículo e conceberam métodos de montagem das
peças assim que eram fabricadas. Estavam prontos para a revolução.
Para alcançar o objetivo de Henry Ford relativo ao consumo massificado proporcionado pela produção
em série, a produtividade tinha de aumentar. Na fábrica de Detroit, no Michigan, os trabalhadores eram
colocados em postos definidos e o chassi era transportado para junto deles utilizando cabos resistentes.
O chassi parava em cada posto, onde eram encaixadas as peças até esta operação estar completamente
concluída.
Henry Ford pôs em prática os princípios básicos de pioneiros como Elihu Root, que foi o mentor de um
sistema de montagem para Samuel Colt, o qual dividia o processo de produção de modo a simplificá-lo.
Continuou a tentar até que aperfeiçoou todas as etapas, transformando a sua visão de produção em série
em realidade.
Para reduzir a dependência de mão-de-obra qualificada, Henry Ford utilizava peças intercambiáveis,
que podiam ser facilmente montadas por operários não qualificados. As experiências continuaram com
barras de gravidade e correias transportadoras. Naturalmente, até o próprio posicionamento dos homens
e das ferramentas foi pensado meticulosamente para assegurar que a produção fosse a mais eficiente
possível.
No processo de produção, cada departamento foi dividido nos seus elementos constitutivos. Essas
linhas de submontagem eram definidas em cada área até que, como Henry observou "tudo muda de lugar
na fábrica".
A última etapa foi a criação da linha de montagem móvel. Começando pelo chassi, que desloca-se ao
longo da linha e através de cada posto de trabalho até o veículo completo ser conduzido para fora das
instalações, acionado pelo seu próprio motor. Um componente essencial desse processo era o fato de
todas as linhas de alimentação ao longo do percurso estarem sincronizadas para fornecer as peças
corretas na altura certa.
A velocidade de produção aumentou, enquanto a produção artesanal consumia 12 horas e 28 minutos,
a linha de montagem móvel passou a consumir 1 hora e 33 minutos.
Essa combinação de precisão, continuidade e velocidade introduziu a produção em série no mundo.
Em Highland Park, a produção do Modelo T bateu níveis recorde com um veículo completo a sair da linha.
Ford podia então reduzir os preços, aumentar o salário mínimo diário para 5 dólares, produzir um produto
superior e continuar a realizar lucros.
Nessa altura, a Ford produzia, por ano, dois milhões de automóveis, Modelo T, os quais eram vendidos
a 260 dólares.
Princípios da Produção em massa
A produção em massa possui dois princípios, o primeiro diz respeito às peças e componentes
padronizados e intercambiáveis e o segundo à especialização do trabalhador.
Peças e componentes padronizados e intercambiáveis: Na produção massificada, cada peça ou
componente pode ser montado em qualquer sistema ou produto final. Para alcançar a padronização, Ford
passou a utilizar o mesmo sistema de calibragem para todas as peças, em todo o processo de manufatura.
Esse princípio deu origem ao controle da qualidade, cujo objetivo era assegurar a uniformidade das peças.
Além de padronização, Ford procurousimplicidade, reduzindo o número de peças de seus produtos. Por
exemplo, o bloco de seu motor de quatro cilindros era uma única peça fundida, ao passo que seus
concorrentes fundiam os quatro cilindros separadamente, para depois juntá-los22.
Especialização do trabalhador: Na produção massificada, o produto é dividido em partes e o
processo de fabricá-lo é dividido em etapas. Cada etapa do processo produtivo corresponde à montagem
de uma parte do produto. Cada pessoa e cada grupo de pessoas, num sistema de produção em massa,
tem uma tarefa fixa dentro de uma etapa de um processo predefinido. A divisão do trabalho implica
especialização do trabalhador. Na produção artesanal, o trabalhador faz um produto do começo ao fim –
desde o projeto até o controle de qualidade final – ou parte significativa de um produto final23.
O trabalho desenvolvido por Henry Ford ficou conhecido como Fordismo, que consistiu em um conjunto
de métodos de racionalização da produção, no qual a empresa deveria produzir um único produto, e
22 MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana a Revolução Digital. Editora Atlas, 7 ed. São Paulo, 2012.
23 MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana a Revolução Digital. Editora Atlas, 7 ed. São Paulo, 2012.
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. 24
padronizar o processo de produção. Ford desenvolveu três princípios, o princípio da intensificação
(redução do tempo de produção e rápida colocação do produto no mercado), princípio da
economicidade (redução do estoque da matéria-prima em transformação, e rápida colocação do produto
no mercado, para buscar vender os automóveis antes do pagamento das matérias-primas consumidas e
dos salários dos empregados), princípio de produtividade (aumento da quantidade de produção por
trabalhador em um menor tempo, por meio da especialização e da linha de montagem).
Os princípios difundidos pelo Fordismo se espalharam por todo o mundo, e apesar de terem sido em
parte modificados, ainda se pode encontrá-los no processo de produção das indústrias de muitos países.
A figura a seguir apresenta os princípios da produção em massa:
Fonte: Maximiano (2012, p.68)
Teoria Clássica
Contexto
Contemporâneo a Taylor (1856-1915), o francês Henry Fayol (1841-1925) desenvolveu a escola do
processo de administração, a Teoria Clássica. A Teoria Clássica foi gerada na mesma época da
Administração Científica, no entanto, Fayol focou a eficiência através das estruturas organizacionais e
tinha uma visão de “cima para baixo” das empresas, enquanto a Administração Científica concentrava-se
nas tarefas e o foco de Taylor era no “chão de fábrica”.
O contexto da Teoria Clássica englobava grandes conglomerados (conjunto de empresas que
dependem de uma mesma empresa matriz), que seguiam uma linha de comando de cima para baixo
(hierarquia) e buscavam verticalizar suas atividades, ou seja, a especialização das atividades essenciais
da empresa em torno de sua tarefa principal e terceirização das demais. Nesse contexto, a função da
administração vislumbrou um aumento de sua importância.
Fayol e o processo administrativo
Fayol é considerado o “pai da teoria administrativa”, pois elaborou princípios gerais do trabalho de um
administrador, e após um século, seu trabalho é relevante para o entendimento do trabalho de um gestor
atual.
Em 1916, Fayol publicou o livro Administração geral e industrial, no qual apresentou a administração
como uma função distinta das demais funções da empresa, como finanças, produção e distribuição; e
também apresentou cinco funções para a administração24:
24 MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana a Revolução Digital. Editora Atlas, 7 ed. São Paulo, 2012.
PRINCÍPIOS DA PRODUÇÃO
EM MASSA
PEÇAS PADRONIZADAS TRABALHADOR ESPECIALIZADO
• Máquinas especializadas
• Sistema universal de fabricação e
calibragem
• Controle de qualidade
• Simplificação das peças
• Simplificação do processo
produtivo
• Uma única tarefa ou pequeno
número de tarefas
• Posição fixa dentro de uma
sequência de tarefas
• O trabalho vem até o
trabalhador
• As peças e máquinas ficam no
posto de trabalho
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 25
Planejamento (previsão): prever o futuro e traçar um plano de ação no médio e longo prazo.
Organização: montar uma estrutura com recursos humanos e materiais para realizar o
empreendimento.
Comando: manter e comandar o pessoal de toda a empresa.
Coordenação: reunir, unificar e harmonizar toda a atividade e esforço.
Controle: verificar e controlar para que os planos e ordens se realizem conforme o planejado.
A Figura a seguir ilustra as função da empresa e as funções da administração segundo Fayol.
Fonte: Maximiano (2012, p.77)
As funções da administração apresentadas por Fayol sofreram uma pequena modificação nas
funções de comando e coordenação, que por serem muito similares foram agrupadas na função
direção, resultando no PODC – Planejamento, Organização, Direção e Controle, e são estudadas até
hoje, de acordo com o demonstrado a seguir:
- PLANEJAMENTO – o ato de planejar consiste na determinação dos objetivos e metas para o
desempenho organizacional esperado em um período futuro, determinando quais tarefas e recursos serão
utilizados para alcance dos objetivos organizacionais.
O planejamento produz planos que se baseiam em objetivos e nos melhores procedimentos para
alcançá-los adequadamente. Assim, planejar envolve a solução de problemas e a tomada de decisões
quanto às alternativas futuras. O planejamento, portanto, é o processo de estabelecer objetivos e o curso
de ação adequado para alcançar esses objetivos25.
- ORGANIZAÇÃO – o ato de organizar consiste no processo de designação de tarefas, de
agrupamento de tarefas em departamentos e de alocação de recursos para os departamentos.
25 CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
EMPRESA
Função comercial
Função financeira
Função de administração
Função de segurança
Função técnica
Função de contabilidade
Controle
Coordenação
Comando
Organização
Planejamento
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 26
A organização é o processo de engajar as pessoas em um trabalho conjunto de uma maneira
estruturada para alcançar objetivos comuns26.
- DIREÇÃO – o ato de dirigir ou liderar é a habilidade de influenciar outras pessoas a realizarem suas
tarefas de modo a alcançar os objetivos estabelecidos, envolvendo energização, ativação e persuasão
sob os recursos humanos.
A direção representa a colocação em marcha daquilo que foi planejado e organizado. Para tanto a
direção é a função administrativa que envolve o uso de influência para ativar e motivar as pessoas a
alcançarem os objetivos organizacionais. Ela envolve influenciação, comunicação, orientação, motivação
e liderança das pessoas para desempenhar tarefas essenciais27.
A liderança é a arte de comandar pessoas, atrair seguidores e influenciar o comportamento alheio de
forma positiva. A liderança pode surgir de forma natural e informal, quando uma pessoa se destaca no
papel de líder, sem possuir um cargo de liderança. A liderança formal é exercida quando uma pessoa
assume um cargo de liderança dentro da organização, no qual tem autoridade sobre seus subordinados.
A liderança é um fenômeno social, pois ocorre em grupos sociais.
- CONTROLE – o processo de assegurar que as atividades desempenhadas pela organização estão
sendo executadas em conformidade com as atividades que foram planejadas.
O controle representa o acompanhamento, a monitoração e a avaliação de desempenhoorganizacional para verificar se tudo está acontecendo de acordo com o planejado, organizado e dirigido.
Controle é a função administrativa relacionada com a monitoração das atividades, a fim de manter a
organização no caminho adequado para o alcance dos objetivos, permitindo as correções necessárias
para atenuar os desvios28.
A análise dos processos nas empresas implica a identificação das diversas dimensões desses
processos: fluxo (volume por unidade de tempo), sequência das atividades, esperas e duração do ciclo,
dados e informações, pessoas envolvidas, relações e dependências entre as partes comprometidas no
funcionamento do processo29.
A ideia de hierarquia é fundamental para a identificação dos processos essenciais e para a análise
sistêmica das organizações. De acordo com essa ideia, os processos podem ser agregados em
macroprocessos e subdivididos em subprocessos ou grupos de atividades. O nível de agregação mais
adequado depende do tipo de análise que se pretende fazer.
Gonçalves30 ressalta que as empresas convencionais tendem a ter uma visão voltada para a sua
própria realidade interna, sendo centradas em si mesmas. O problema é não considerar o ambiente
externo à organização. O ambiente externo está em constante transformação, em seu contexto temos os
governos, a sociedade, o meio ambiente, organizações não governamentais, empresas concorrentes, etc.
Para Fayol, a administração é uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos (família,
negócios, governo), que sempre exigem algum grau de planejamento, organização, comando,
coordenação e controle. Portanto, todos deveriam estudá-la, o que exigiria uma teoria geral da
administração que pudesse ser ensinada. Para responder a essa necessidade, Fayol criou e divulgou sua
própria teoria, a qual começa por dividir a empresa em seis atividades ou funções distintas:
1. Técnica (produção, manufatura).
2. Comercial (compra, venda, troca).
3. Financeira (procura e utilização de capital).
4. Segurança (proteção da propriedade e das pessoas).
5. Contabilidade (registro de estoques, balanços, custos e estatísticas).
6. Administração (planejamento, organização, comando, coordenação e controle).
26 CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
27 CHIAVENATO, Idalberto. Gerenciando com as pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
28 Idem.
29 Processo, que processo? Rev. adm. empres. [online]. 2000, vol.40, n.4, pp. 8-19.
30 Idem.
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. 27
A Teoria Clássica se baseava no conceito de homo economicus (o homem é motivado por incentivos
materiais) e na teoria de sistema fechado, pois dava mais importância aos aspectos internos das
organizações, deixando de analisar as inter-relações entre a organização e seu ambiente externo tal como
a Administração Científica. De acordo com Fayol, existem 14 princípios gerais da administração:
1. Divisão do trabalho: consiste na designação de tarefas específicas para cada pessoa, com o
objetivos da especialização das funções para aumentar a eficiência;
2. Autoridade e responsabilidade: a autoridade é o direito de dar ordens e o poder fazer ser
obedecido. A responsabilidade é uma consequência natural da autoridade e resulta no dever de prestar
contas, e consequentemente, receber a recompensa ou penalidade.
3. Disciplina: depende de obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito aos acordos
estabelecidos entre a empresa e seus agentes;
4. Unidade de comando: cada empregado deve receber ordens de apenas um superior;
5. Unidade de direção: um só chefe e um só plano para cada conjunto de atividades que tenham o
mesmo objetivo;
6. Interesse Geral: o interesse individual deve ficar abaixo ou subordinado ao interesse geral;
7. Remuneração do pessoal: deve ser justa e satisfatória para o funcionário e para a organização em
termos de retribuição;
8. Centralização: refere-se à concentração da autoridade no topo da hierarquia da organização, na
figura do chefe e na sua capacidade de enfrentar suas responsabilidades e a iniciativa dos seus
subordinados;
9. Cadeia escalar: linha de autoridade que vai do mais alto escalão ao mais baixo da hierarquia;
10. Ordem: um lugar para cada pessoa, e cada pessoa em seu lugar;
11. Equidade: benevolência e justiça (usando o rigor e a energia, quando necessários) para alcançar
a lealdade dos empregados;
12. Estabilidade do pessoal: manutenção e desenvolvimento do pessoal, pois a rotatividade de
pessoal é prejudicial para a eficiência da organização;
13. Iniciativa: coloca que os agentes devem ter a capacidade de visualizar o plano e assegurar
pessoalmente seu sucesso;
14. Espírito de equipe: o desenvolvimento e manutenção da harmonia, gera união entre as pessoas,
o que aumenta a força da organização.
Fayol apresentou que a administração deveria ser visualizada como uma função separada das demais
funções da empresa, assim o papel dos executivos (administradores de nível mais alto na hierarquia da
organização) é administrar a empresa como um todo, portanto, devem separar seu trabalho das
atividades operacionais da empresa.
O papel do dirigente executivo “consiste em tomar decisões, estabelecer metas, definir diretrizes e
atribuir responsabilidades aos integrantes da organização, de modo que as atividades de planejar,
organizar, comandar, coordenar e controlar estejam numa sequência lógica”. Destaca-se que a Teoria
Clássica enfatizava os objetivos e os resultados. Fayol elaborou 16 deveres para os gerentes, pois os
funcionários necessitam de ordens para saber o que fazer, suas ações precisam de coordenação e suas
tarefas de controle31:
31 MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana a Revolução Digital. Editora Atlas, 7 ed. São Paulo, 2012.
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. 28
1. Assegurar a cuidadosa preparação dos planos e sua rigorosa execução.
2. Cuidar para que a organização humana e material seja coerente com o objetivo, os recursos e os
requisitos da empresa.
3. Estabelecer uma autoridade construtiva, competente, enérgica e única.
4. Harmonizar atividades e coordenar esforços.
5. Formular as decisões de forma simples, nítida e precisa.
6. Organizar a seleção eficiente do pessoal.
7. Definir claramente as obrigações.
8. Encorajar a iniciativa e o senso de responsabilidade.
9. Recompensar justa e adequadamente os serviços prestados.
10. Usar sanções contra faltas e erros.
11. Manter a disciplina.
12. Subordinar os interesses individuais ao interesse geral.
13. Manter a unidade de comando.
14. Supervisionar a ordem material e humana.
15. Ter tudo sob controle.
16. Combater o excesso de regulamentos, burocracia e papelada.
Críticas à Teoria Clássica
Como crítica à Teoria Clássica destaca-se a preocupação com a organização formal, em detrimento
da falta de preocupação com a organização informal, constituída pela rede de relacionamentos, contatos,
interações pessoais e agrupamentos de pessoas (amizades e antagonismos) que se desenvolve
espontaneamente entre as pessoas que ocupam posições na organização formal.
Teoria da Burocracia ou Teoria Burocrática
Contexto
Max Weber (1864-1920) nasceu na Prússia e desenvolveu a Teoria das Organizações, dentro desta,
o Modelo Burocrático, no qual estabeleceu o tipo ideal de burocracia. Weber viveu na mesma época que
Taylor (1856-1915) e Fayol (1841-1925). No entanto, os escritos de Weber só foram traduzidos para o
inglês em meados da década de 1940. “Weber analisa o processo de racionalização da sociedade na
passagem da Idade Média para a Idade Moderna”32.
O cenário de Max Weber também sofria os efeitos da revolução industrial, de maneira que o Estado
passou a se organizar paraaumentar a infraestrutura do país, prestar cada vez mais serviços à população
e induzir o crescimento econômico, além de lidar com a ordem interna e externa. Tanto os governos
quanto as empresas necessitavam de uma administração mais racional e que maximizasse os recursos,
além possibilitar uma maior estabilidade e previsibilidade em suas operações e processos de trabalho.
O Patrimonialismo, modelo de gestão pública que vigorava na época, no qual o patrimônio público se
“mesclava” com o privado e as relações se baseavam na confiança e não no mérito, não era suficiente
para atender às novas demandas do Estado. A Teoria da Burocracia buscou adaptar as organizações
aos novos desafios da sociedade moderna (industrialização, regimes democráticos, urbanização
acelerada). O modelo burocrático de Weber buscava alcançar eficiência por meio da previsibilidade e
padronização do desempenho dos seus funcionários.
As organizações burocráticas
Todas as organizações formais são burocracias. A palavra burocracia identifica as organizações que
se baseiam em regulamentos. Portanto, se uma organização é regida por regulamentos que criam direitos
e obrigações ela é uma burocracia. A palavra burocracia deriva do termo francês “bureau”, que significa
escritório, e do termo grego “kratia”, que se relaciona a poder ou regra. Dessa forma, burocracia refere-
se a “escritório” ou os servidores de carreira seriam os detentores do poder.
Para Weber, as organizações formais modernas se baseavam em leis, que as pessoas aceitavam
porque acreditavam serem racionais, isto é, definidas em função do interesse das próprias pessoas e não
para satisfazer apenas o dirigente. As pessoas aceitam que outras pessoas representem a autoridade da
lei, como os guardas de trânsito, juízes e gerentes.
32 FARIA, J. H.; MENEGHETTI, F. K. BUROCRACIA COMO ORGANIZAÇÃO, PODER E CONTROLE. RAE, v. 51, n.5, p. 424-439, 2011.
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. 29
O Modelo Burocrático de Max Weber vinha de encontro com as necessidades de uma sociedade cada
vez mais complexa, com demandas sociais emergentes e empresas cada vez maiores. O objetivo do
Modelo Burocrático consistia em combater o desperdício, a ineficiência e a corrupção, ou seja, uma
administração mais racional e impessoal. Nas empresas, o modelo buscava o aumento consistente da
produção. O Modelo Burocrático baseia-se na estrutura organizacional, e tem como característica
principais:
Formalidade: as organizações são constituídas com base em normas e regulamentos expressamente
escritos e detalhados, chamados leis. A figura da autoridade (chefe) é definida pela lei e restrita aos
objetivos propostos pela organização, o poder da autoridade somente é exercido no ambiente de trabalho,
nunca na vida privada. As comunicações internas e externas são todas padronizadas e formais.
Impessoalidade: Os direitos e deveres dos chefes e subordinados são estabelecidos em normas. As
regras são aplicadas de forma igual a todos, conforme seu cargo em função na organização. Segundo
Weber, no tipo ideal de Burocracia o que conta é o cargo e não a pessoa deve-se evitar lidar com as
emoções e as irracionalidades humanas. As pessoas devem ser promovidas por mérito, e não por
ligações afetivas. A autoridade decorre do cargo ocupado e não da pessoa.
Profissionalização: As organizações são formadas por funcionários, que são remunerados, obtendo
meios para sua subsistência. Os funcionários podem ser qualificados por meio de treinamento
especializado.
O Modelo Burocrático trouxe uma lógica científica para a administração. A formalidade presente na
norma escrita e detalhada é uma vantagem da burocracia, pois todos são iguais perante a lei, permitindo
uma mentalidade mais democrática.
A comunicação formal por meio de ofícios, memorandos, cartas etc. não dá margem para boatos,
fofocas e confere um maior controle da comunicação e dos procedimentos da organização.
A impessoalidade no tratamento permite evitar favoritismos, bem como emoções nos julgamentos e
na tomada de decisões.
A característica do profissionalismo requer um funcionário especialista no seu cargo, por este motivo,
a contratação se realiza com base em sua competência técnica. A promoção é realizada de acordo com
o plano de carreira e capacidade do funcionário, a meritocracia caracteriza a forma de contratação e
promoção dos empregados. No setor público, a meritocracia dá-se por meio dos concursos públicos.
A Burocracia confere o poder suficiente para que a estrutura organizacional funcione de forma eficaz,
onde as atividades são desempenhadas seguindo o princípio da racionalidade. A racionalidade está
ligada ao alcance dos objetivos, as decisões rápidas sobre o que e quem fará, precisão na definição dos
cargos e operações onde as pessoas conhecem os deveres e limites de sua responsabilidade.
Por fim, “a burocracia configura uma forma específica de racionalização que tem como sustentação o
que acontece no âmbito da produção, especialmente, na divisão técnica e social do trabalho”.
A burocracia pode ser entendida como organização, poder e controle. Como organização abriga a
divisão técnica e social do trabalho, que estabelece a forma como as outras dimensões da vida
influenciam o cotidiano dos indivíduos. Como poder estabelece a autoridade que formata as relações
sociais e institui a formalidade. Como controle porque a burocracia é capaz de criar normas formais ou
mecanismos subjetivos informais para estabelecer o controle, por exemplo, “a tecnologia que se emprega
no interior da racionalidade burocrática, bem como as normas, as regras formais e os procedimentos são
exemplos de meios instituintes de controle33”.
Críticas à Burocracia
Na Burocracia havia uma desconfiança extrema em relação às pessoas, por este motivo eram
desenvolvidos controles dos processos e dos procedimentos, para evitar os desvios. Com o passar dos
anos as desvantagens da burocracia ficaram tão conhecidas que o termo “burocracia” virou sinônimo de
ineficiência e lentidão.
33 Idem.
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Maximiano apresentou as principais disfunções da burocracia:
Particularismo: dentro da organização, defender os interesses de grupos externos, por motivos de
convicção, amizade ou interesse material. Fazer “panelinhas” com colegas de escola.
Satisfação de interesses pessoais: defender interesses pessoais dentro da organização. Contratar
parentes, fazer negócios com empresas e da família.
Excesso de regras: multiplicidade de regras e exigências para a realização de atividades. Firma
reconhecida, encaminhamento de processos burocráticos.
Hierarquia e individualismo: a hierarquia divide responsabilidades e atravanca o processo decisório.
Realça vaidades e estimula a luta pelo poder. Hierarquia das grandes empresas e dos militares.
Mecanicismo: burocracias são sistemas de cargos limitados, que colocam pessoas em situações
alienantes. Cargos de escritório, montadores de peças.
Como no Modelo Burocrático tudo é padronizado, os funcionários têm pouca liberdade para escolher
a melhor forma de resolver problemas ou atender clientes, por isso acabam preocupando-se mais com a
forma (seguir regulamentos) do que com o resultado.
RESUMO DA ESCOLA CLÁSSICA
INTEGRANTES DA ESCOLA
CLÁSSICA
IDEIAS PRINCIPAIS
Frederick Winslow Taylor
Movimento da administração científica, eficiência,
combate ao desperdício, tempos e movimentos,
racionalização do trabalho, melhor maneira de fazer as
tarefas.
Henry Ford
Linha de montagem; produtos, peças e trabalhadores
padronizados; eficiência do processo produtivo.
Henri Fayol
Administração como processo, com identidade e papel
próprios dentro das funções da empresa; papel dos
gerentes e do executivoprincipal; diretrizes sobre como
administrar.
Max Weber
Burocracia como forma de autoridade, eficiência da
burocracia, tipo ideal de burocracia, organização como
máquina burocrática.
Fonte: MAXIMIANO (2012, p.10).
Atenção!!! É importante estar atento para o ideal da burocracia preconizada pelo Modelo
Burocrático de Max Weber, e não confundi-lo com as disfunções ou desvantagem da burocracia.
Teoria dos Sistemas (Abordagem sistêmica)
Contexto
A Teoria dos Sistemas derivou dos trabalhos do biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy (1901-1972).
De acordo com Bertalanffy, um sistema é um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas para
alcançar um propósito ou objetivo. Von Bertalanffy pretendia que os princípios e conclusões de
determinadas ciências fossem aplicáveis a todas as demais ciências.
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. 31
Características da Teoria dos Sistemas
Para ilustrar a teoria dos sistemas: o corpo humano é um conjunto de sistemas, como o sistema
digestivo, sistema respiratório, sistema nervoso, sistema sensorial, etc. A interação e o bom
funcionamento desse sistema é essencial para a saúde humana.
Da mesma forma, as organizações são sistemas. As áreas da organização são subsistemas, como a
área financeira, área de recursos humanos, área de pesquisa e desenvolvimento, etc. A forma como
essas áreas interagem implicará no desempenho da organização.
Tal como os sistemas do corpo humano, o sistema organizacional é interdependente, por exemplo, no
corpo humano, o processo de digestão começa no sistema digestivo e termina no sistema excretor ou
sistema urinário, um depende do outro. Na organização, a área de pesquisa e desenvolvimento deve
trabalhar de forma conjunta (interdependente) com a área financeira, para saber se o produto
desenvolvido é viável financeiramente; com a engenharia de produção para transformar os atributos do
novo produto em requisitos técnicos, com os recursos humanos para saber se há pessoal suficiente ou
com a especialização necessária para produção, entre outros.
Como as partes da organização são interdependentes não há como uma área da empresa ter sucesso
se a outra não acompanhá-la, por exemplo, se a área de recursos humanos não contratar pessoal
suficiente ou com a qualificação necessária, todas as áreas da empresa podem ser prejudicadas.
O termo “holismo”, parte do princípio que o sistema é um todo, e que a mudança em uma parte da
organização afeta as outras partes, por isso, o administrador deve ter uma visão do todo da organização,
para saber como suas partes interagem e quais são suas interdependências, e assim, tomar suas
decisões. Quando o sistema busca o equilíbrio constantemente, usa-se o termo “homeostase”.
A Teoria dos Sistemas apresenta as organizações como sistemas abertos, isto é, realizam trocas
continuamente com o meio ambiente. O meio ambiente, é o ambiente externo, o ambiente no qual a
organização está inserida. Com o meio ambiente a organização troca matéria-prima, energia,
informações, etc. Dessa forma, um sistema ou organização possui entradas, saídas e feedback:
Entradas: tudo o que o sistema recebe tudo o que entra do ambiente externo para a organização
poder funcionar.
Saídas: o que o sistema produz, as saídas podem ser bens, serviços, informações, energia etc.
Feedback: é o retorno sobre o que foi produzido, de modo que o sistema possa se corrigir ou modificar.
A Teoria dos Sistemas mostrou que os sistemas fechados têm a tendência de se desintegrar. Por
exemplo, uma empresa que não analisa o ambiente externo, têm a tendência de perder competitividade,
até falir. Para explicar essa tendência, a Teoria dos Sistemas tomou emprestado da termodinâmica o
termo entropia, que aplicado às organizações refere-se à tendência da organização caminhar para a
desordem e declínio.
Atualmente, as organizações são vistas como sistemas abertos complexos, no qual as partes se inter-
relacionam e interagem constantemente com o meio ambiente. Nos sistemas abertos, os objetivos podem
ser alcançados de várias maneiras, de acordo com a equifinalidade. Por equifinalidade entende-se que
um sistema pode atingir um estado final igual, ainda que suas origens iniciais sejam distintas.
Questões
01. (CESPE - Analista de Planejamento - INPI) As habilidades aprender a aprender; comunicação e
colaboração; raciocínio criativo e solução de problemas; conhecimento tecnológico; conhecimento global
dos negócios; e liderança e autogerenciamento da carreira são requeridas ao profissional desde o
advento do Taylorismo/Fordismo.
( ) Certo ( ) Errado
02. (ESAF - Analista Técnico - Administrativo - Mtur) Analise as alternativas que se seguem e
assinale a opção correta.
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As abordagens tradicionais da administração são caracterizadas pela ênfase de cada uma das teorias.
I. Tanto a Teoria da Administração Científica como a Teoria Clássica dão ênfase às tarefas.
II. As abordagens tradicionais são: Teoria da Administração Científica, Teoria Clássica, Teoria da
Organização Burocrática (ou Teoria da Burocracia) e Teoria das Relações Humanas.
III. A Teoria da Organização Burocrática dá ênfase à estrutura organizacional.
(A) Somente II está correta
(B) Somente I e II estão corretas
(C) Somente I e III estão corretas.
(D) Somente II e III estão corretas
(E) I, II e III estão corretas
03. (FCC - Analista Judiciário - TRT - 18ª Região GO) O modelo burocrático de Max Weber é um
modelo organizacional disseminado nas administrações durante o século XX em todo o mundo. O modelo
burocrático é atribuído a Max Weber porque o sociólogo alemão analisou e sintetizou suas principais
características. NÃO corresponde a essas características o que está expresso em
(A) caráter racional e divisão do trabalho.
(B) hierarquia de autoridade.
(C) impessoalidade nas relações.
(D) relação de coesão ou de antagonismo.
(E) caráter formal das comunicações.
04. (TJ/RO – Analista Judiciário – Administrador – CESPE) De acordo com a teoria da burocracia:
(A) o aspecto sociológico deve ser enfatizado nas organizações.
(B) a gerência deve ter natureza democrática e participativa.
(C) o processo produtivo deve ser o foco central de uma organização.
(D) a autoridade deve ser exercida de forma racional-legal.
(E) a organização é um sistema social.
05. (EXATUS - Administrador - DETRAN-RJ) O conceito de homo economicus, segundo o qual toda
pessoa é concebida como influenciada exclusivamente por recompensas salariais, econômicas e
materiais está diretamente relacionado a administração:
(A) Contingencial.
(B) Humanística.
(C) Sistêmica.
(D) Científica.
06. (DETRAN-RO - Auxiliar Administrativo – FEC) As Organizações possuem características como
Sistemas Abertos quando:
(A) são herméticos a qualquer influência ambiental;
(B) têm comportamento probabilístico e interdependência das partes;
(C) têm comportamento determinístico e programado;
(D) não recebem recurso externo e nada produzem que seja enviado para fora;
(E) não recebem influência do ambiente e também não o influenciam.
07. (ELETROBRAS - Administrador – CESGRANRIO) Desde o nascimento (ou, até mesmo, antes
dele) e ao longo de nossa vida, somos dependentes das organizações. As organizações são sistemas
abertos, simultaneamente sociais e técnicos. As empresas são sistemas abertos porque:
(A) são sistemas determinísticos em que a relação entre causa e efeito é controlada e conhecida.
(B) são sistemas mecânicos dependentes de processos produtivos que utilizam máquinas e
equipamentos.
(C) são sistemas autônomos que não estabelecem relações de interdependência com o meio em que
atuam.
(D) são consideradas similares aos sistemas orgânicos e atuam, basicamente, segundo uma relação
determinística.
(E) interagem com o meio ambiente,gerando relações de causa e efeito, influenciando e sendo
influenciadas pelas diferentes interações com o meio.
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. 33
08. (CRF-PR - Assistente Administrativo Operacional – Quadrix/2016) A ênfase no ambiente surgiu
com a _________ (que trata as organizações como sistemas abertos em constante interação e
intercâmbio com o meio ambiente), sendo completada pela Teoria da Contingência. Esta, posteriormente,
desenvolveu a ênfase na tecnologia. Mais recentemente, as novas abordagens trouxeram à tona a
emergente necessidade de competitividade das organizações em um mundo globalizado e carregado de
mudanças e transformações.
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.
(A) Teoria dos Sistemas
(B) Teoria das Relações Humanas
(C) Teoria do Desenvolvimento Organizacional
(D) Teoria Estruturalista
(E) Teoria Neoclássica
09. (SPTrans - Analista de Gestão Pleno – VUNESP) A teoria sistêmica foi desenvolvida a partir dos
estudos de L. Von Bertalanffy, reunidos na sua obra Teoria Geral dos Sistemas (TGS), que forneceu um
meio para interpretar as organizações como um sistema unificado e direcionado de partes inter-
relacionadas, ou seja, como um sistema aberto. Um dos conceitos da TGS, que foi apropriado pelas
teorias organizacionais, refere-se ao fato de os sistemas abertos regularem seu ambiente interno de forma
a manter uma condição estável nas suas trocas com o ambiente.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente o nome desse conceito.
(A) Feedback.
(B) Sinergia.
(C) Homeostase dinâmica.
(D) Holismo.
(E) Equifinalidade.
Respostas
01. Resposta: Errado.
No taylorismo, a questão não era trabalhar duro, depressa ou bastante, e sim trabalhar de forma
inteligente. No fordismo havia grande ênfase na especialização. No entanto, conceitos como aprender a
aprender, comunicação e colaboração; raciocínio criativo e solução de problemas; conhecimento
tecnológico; conhecimento global dos negócios; e liderança e autogerenciamento da carreira são
requeridas ao profissional foram desenvolvidos mais tarde, com as teorias contemporâneas.
02. Resposta: D.
(D) Somente II e III estão corretas
I. Tanto a Teoria da Administração Científica como a Teoria Clássica dão ênfase às tarefas. -
INCORRETA
Contemporâneo a Taylor (1856-1915), o francês Henry Fayol (1841-1925) desenvolveu a escola do
processo de administração, a Teoria Clássica. A Teoria Clássica foi gerada na mesma época da
Administração Científica, no entanto, Fayol focou a eficiência através das estruturas organizacionais e
tinha uma visão de “cima para baixo” das empresas, enquanto a Administração Científica concentrava-se
nas tarefas e o foco de Taylor era no “chão de fábrica”.
II. As abordagens tradicionais são: Teoria da Administração Científica, Teoria Clássica, Teoria da
Organização Burocrática (ou Teoria da Burocracia) e Teoria das Relações Humanas. - CORRETA
As Teoria da Administração Científica, Teoria Clássica, Teoria da Organização Burocrática (ou Teoria
da Burocracia) e Teoria das Relações Humanas são as teorias tradicionais, pois as outras teorias são
desdobramentos dessas.
III. A Teoria da Organização Burocrática dá ênfase à estrutura organizacional. - CORRETA
A Teoria Burocrática dá ênfase à estrutura organizacional formal, com cargos bem definidos e
autoridade hierárquica. A burocracia confere o poder suficiente para que a estrutura organizacional
funcione de forma eficaz por meio da formalidade, impessoalidade e profissionalização. As atividades
devem ser desempenhadas seguindo o princípio da racionalidade.
03. Resposta: D.
O modelo burocrático de Max Weber é um modelo organizacional disseminado nas administrações
durante o século XX em todo o mundo. O modelo burocrático é atribuído a Max Weber porque o sociólogo
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alemão analisou e sintetizou suas principais características. NÃO corresponde a essas características o
que está expresso em
(A) caráter racional e divisão do trabalho. – característica do modelo burocrático
(B) hierarquia de autoridade. – característica do modelo burocrático
(C) impessoalidade nas relações. – característica do modelo burocrático
(D) relação de coesão ou de antagonismo. – característica da organização informal.
(E) caráter formal das comunicações. – característica do modelo burocrático
04. Resposta: D.
A burocratização do Estado Novo buscou introduzir no aparelho administrativo brasileiro, a
centralização, a impessoalidade, a hierarquia, o sistema de mérito, e principalmente, a separação entre
o público e o privado. A Burocracia é o poder suficiente para que a estrutura organizacional funcione de
forma eficaz, onde as atividades são desempenhadas seguindo o princípio da racionalidade. A
racionalidade está ligada ao alcance dos objetivos, as decisões rápidas sobre o que e quem fará, precisão
na definição dos cargos e operações onde as pessoas conhecem os deveres e limites de sua
responsabilidade. A formalidade é o meio pelo qual se controla o bom funcionamento da organização.
05. Resposta: D.
Na Administração Científica, o homem era tratado como uma extensão da máquina, o conceito de
“homo economicus”, cuja ideia principal é a de que a principal motivação da pessoa no trabalho é a
remuneração. A Administração Científica buscava a melhoria da eficiência e da produtividade, por meio
do estudo dos tempos, que também auxiliava na precisão da definição do valor dos salários.
06. Resposta: B
Uma das características das organizações como sistemas abertos é o comportamento probabilístico e
não determinístico. Como os sistemas sociais, as organizações são sistemas abertos afetados por
mudanças em seus ambientes, denominadas variáveis externas. O ambiente inclui variáveis
desconhecidas e incontroláveis. Por essa razão, as consequências dos sistemas sociais são
probabilísticas e não-determinísticas e seu comportamento não é totalmente previsível. As organizações
são complexas e respondem a muitas variáveis ambientais que não são totalmente compreensíveis. Outra
característica é a interdependência das partes - A organização é um sistema social cujas partes são
independentes mas inter-relacionadas. A organização não é um sistema mecânico no qual uma das
partes pode ser mudada sem um efeito concomitante sobre as outras partes. Devido à diferenciação
provocada pela divisão do trabalho, as partes precisam ser coordenadas através de meios de integração
e de controle.
07. Resposta: E
Quanto a sua natureza os sistemas podem ser classificados como:
Fechados: não apresentam intercâmbio com o meio ambiente que os circunda, sendo assim não
recebem nenhuma influência do ambiente e por outro lado não influenciam. Não recebem nenhum recurso
externo e nada produzem que seja enviado para fora. Ex.: A matemática é um sistema fechado, pois não
sofrerá nenhuma influência do meio ambiente, sempre 1+1 será 2.
Abertos: são os sistemas que apresentam relações de intercâmbio com o ambiente, por meio de
entradas e saídas.
Os sistemas abertos trocam matéria, energia e informação regularmente com o meio ambiente. São
eminentemente adaptativos, isto é, para sobreviver devem reajustar-se constantemente as condições do
meio.
08. Resposta: A
Um sistema, de acordo com Bertalanffy, é um conjunto de unidades reciprocamente relacionadas para
alcançar um propósito ou objetivo. Assim, a Teoria dos Sistemas acolheu o conceito no qual as
organizações são sistemas abertos, ou seja, que trocam continuamente energia (ou matéria-prima,
informações etc.) com o meio ambiente. Portanto, não podemos entender uma organização sem saber o
contexto em que ela opera. Do mesmo modo, uma organização é a soma de suas partes (gerência de
marketing, gerência de finanças etc.) e uma área depende da outra – o conceito de interdependência.
Fique Atento: Atualmente,as organizações são vistas como sistemas abertos.
09. Resposta: C
A Homeostase (dinâmica) significa que o sistema busca o equilíbrio, “condição estável”.
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. 35
A EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A Administração Pública constitui um importante segmento da ciência da Administração. Ela
representa o aparelho do Estado e funciona como o instrumento do governo.
Embora nosso conteúdo inicie em 1808, o ilustre professor da FGV Frederico Lustosa da Costa (2008
apud Paludo 2013) afirma que “havia na colônia uma ampla, complexa e ramificada administração... que
não obedecia a critérios uniformes... e um caos legislativo”. Essa administração colonial abrangia quatro
níveis: “as instituições metropolitanas, a administração central, a administração regional e a administração
local”.
Quanto ao modelo de administração utilizado no Brasil Colônia, tínhamos o mesmo patrimonialismo
que vigorou nos Estados até a segunda metade do século XIX.
O marco para a construção do Estado nacional e da Administração Pública brasileira ocorreu em 1808,
com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. “O fato é que a transferência
da corte e, mais tarde, a elevação do Brasil a parte integrante do Reino Unido de Portugal constituíram
as bases do Estado nacional, com todo o aparato necessário à afirmação da soberania e ao
funcionamento do autogoverno” (Frederico Costa, 2008). A Coroa portuguesa veio acompanhada de
milhares de pessoas (os dados divergem entre 5 e mais de 10 mil pessoas), e tanto o rei quanto seus
nobres se instalaram em palacetes e casas de ricos comerciantes e fidalgos, desalojando-os.
Marco para a construção do Estado
Brasileiro
→ Chegada da corte portuguesa
→
Elevação do Brasil a Integrante do Reino de
Portugal
O rei Dom João VI criou cargos e honrarias para compensar os súditos que fielmente o acompanharam.
Conforme relata Frederico Costa (2008 apud Paludo 2013), importantes e necessários organismos e
instituições foram criados nesse período, como “a Academia de Marinha, a de Artilharia e Fortificações,
o Arquivo Militar, a Tipografia Régia, a Fábrica de Pólvora, o Jardim Botânico, a Biblioteca Nacional, a
Academia de Belas-Artes, o Banco do Brasil e os estabelecimentos ferríferos de Ipanema”.
O monarca Dom João retorna a Portugal em 1821, e quem assume o comando da nação é o príncipe
Dom Pedro I, que, em 7 de setembro de 1822, proclama a Independência do Brasil. Em 1824 o Brasil
ganha sua primeira Constituição com quatro poderes constituídos: o Legislativo, o Judiciário, o Executivo
e o Moderador, este com poder final sobre os demais poderes.
Bresser-Pereira (2001 apud Paludo 2013) considera que, nesse período, “o Brasil era um Estado
oligárquico dominado por uma elite de senhores de terra (burguesia rural) e de políticos patrimonialistas”.
Bresser cita Raymundo Faoro para dizer que “o poder político do Estado está concentrado em um
estamento aristocrático-burocrático de juristas, letrados e militares que derivam seu poder e sua renda do
próprio Estado”. A função primordial do Estado, segundo Bresser, “era garantir empregos para a classe
média pobre ligada aos proprietários rurais”.
Quem Detinha o PODER
→ Burguesia Rural
Primeiro plano
→ Políticos Patrimonialistas
→
Segundo plano Estamentos: Juristas e Militares
→
1.2 Evolução da administração pública no Brasil após 1930. 1.3 Reformas
administrativas.
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. 36
A elite brasileira, nessa época, era formada por juristas, e estes, regra geral, eram magistrados com
grande capacidade de processar conflitos entre os grupos dominantes, o que garantia a estabilidade do
sistema imperial. Nesse período, segundo Bresser-Pereira (2001), “não havia democracia, as eleições
eram uma farsa e a distância educacional e social entre as elites e a população era enorme”. Os critérios
de ocupação de cargos públicos eram pessoais e a preocupação com a eficiência da máquina estatal “era
nula”.
Atenção!!!
Estamentos eram grupos da sociedade que detinham parcela de poder e status jurídico próprio. Ex.:
juristas, militares, segmentos da classe política.
O critério para pertencer a esses estamentos não era econômico, mas social: possuir status e prestígio.
No patrimonialismo vigente, os estamentos utilizavam sua parcela de poder para se apropriar e usufruir
de vantagens do Estado: eram também denominados burocratas patrimonialistas, pois suas rendas
provinham do Estado.
Na visão de Wanderley Santos (2006), as oligarquias dominavam a cena política, e a maior marca do
Estado era um intervencionismo regulatório direcionado para o principal produto de exportação da época:
o café.
Depois de sucessivas crises e revoltas, e da abdicação do trono em favor de Dom Pedro II, em 1889
o marechal Deodoro da Fonseca, através de golpe militar, declara proclamada a República no Brasil, que
em 1891 ganha sua segunda Constituição, reduzindo os poderes para três, tal qual os atuais, e institui
um Tribunal de Contas (o Tribunal de Contas da União).
No período compreendido entre a proclamação da República e a era Vargas (1889-1930), conhecida
também como República Velha, quando a elite cafeeira paulistana e mineira revezava o cargo da
presidência da República movida por seus interesses políticos e econômicos, o Brasil não teve uma
Administração Pública organizada. A ação estatal sofria forte influência do coronelismo, que atendia aos
interesses da burguesia rural em detrimento dos interesses puros do Estado e da sociedade. As políticas
sociais eram relegadas a um segundo plano e, em regra, assumidas por organizações religiosas (algumas
santas casas de misericórdia surgiram nesse período).
Atenção!!!
A Administração Pública existiu desde a época do Brasil Colônia, mas não era organizada.
A partir de 1894 há uma mudança representada pela “presença efetiva dos militares do Exército na aliança
do poder”. A proclamação da República trazia expectativas que não se verificaram, pois as estruturas de
poder não mudaram e a economia continuou igual. Considerando esse cenário, Bresser afirma que “o
regime continuava oligárquico, as eleições, fraudulentas; e o eleitorado subira apenas de um para dois
por cento da população com a República” (Bresser-Pereira, 2001).
Não obstante as palavras de Bresser, houve uma mudança significativa: a Constituição de 1891
promoveu a descentralização política, e os governadores locais (assim como as oligarquias locais)
aumentaram seu poder.
Os governadores locais teriam importância fundamental nos rumos políticos do país até o advento da era
Vargas: trata-se da política do “café com leite”, em que a Presidência da República ora seria exercida por
um paulista (produtor de café), ora por um mineiro (produtor de gado/leite). Os governadores passaram
a ter mais poderes perante a União, no entanto, em muitos locais, a figura do “coronel” detinha mais poder
que os próprios governadores (a transitoriedade/instabilidade dos governadores contribuía para esse
fato).
Os primeiros movimentos sociais a reclamar por reformas foram registrados na segunda década do
século XX, com a concentração das populações nas regiões metropolitanas das grandes cidades como
Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre.
Com o aumento da população urbana, a burguesia comercial se fortalece; algumas empresas se
expandem e já não podem mais ser administradas diretamente pela família dos proprietários (necessitam
de um modelo de administração profissional). Ainda nesse período teremos as primeiras indústrias
nacionais básicas, com o surgimento de uma nova classe burguesa: a burguesia industrial.
Nesse período (década 1920) havia motivos que pressionavam os governos a realizar reformas na
administração, dentre eles: o surgimento de organizações de grandeporte; as demandas sociais
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emergentes; a necessidade de combater a corrupção e o nepotismo vigentes; e a necessidade de
organizar a Administração Pública para alavancar o desenvolvimento da nação brasileira.
Por outro lado, a insatisfação crescia entre os militares quanto à condução político-administrativa do país.
A quebra da política do “café com leite”, com a eleição consecutiva de outro paulista (Julio Prestes para
substituir Washington Luís), foi a gota d’água. Através de aliança militar, em 1930, houve a revolução
vitoriosa, com Vargas assumindo o Governo. Os 15 anos seguintes, comandados por Vargas, serão
transformadores para o Estado brasileiro.
1821-1930 1930-... Início?
Sociedade Mercantil-Senhorial Capitalista Industrial Pós-Industrial
Estado (Política) Oligárquico Autoritário Democrático (1935)
Estado (Administração) Patrimonial Burocrático Gerencial (1995)
Formas Históricas de Estado e Sociedade no Brasil.
Fonte: BRESSER-PEREIRA, L. C. Do Estado Patrimonial ao Gerencial. São Paulo: Cia das Letras,
2001.
A reforma burocrática e a criação do Dasp
No Brasil, o modelo de administração burocrática emerge a partir dos anos 1930. Ela surge num quadro
de aceleração da industrialização brasileira, em que o Estado assume papel decisivo intervindo
pesadamente no setor produtivo de bens e serviços. A partir da reforma empreendida no Governo Vargas
por Maurício Nabuco e Luiz Simões Lopes, a Administração Pública sofre um processo de racionalização
que se traduziu no surgimento das primeiras carreiras burocráticas e na tentativa de adoção do concurso
como forma de acesso ao serviço público. A implantação da Administração Pública burocrática é uma
consequência clara da emergência de um capitalismo moderno no país.
A década de 1930 foi um período de grandes transformações. A revolução de Vargas trouxe para o poder
novos grupos oligárquicos, com o consequente enfraquecimento da burguesia rural. No entanto, Lustosa
da Costa (2008) vê um significado maior na revolução de 1930, para ele “significa, na verdade, a
passagem do Brasil agrário para o Brasil industrial”.
O Governo Vargas chegou num momento de forte crise financeira do Estado brasileiro decorrente do
“crack” da Bolsa de Nova York. Como o café era na época nosso principal produto de exportação, a crise
dos EUA causou tanto a queda no volume das exportações, como a queda nos preços da saca do café.
A reação brasileira à crise de 1929 foi centralizar e fechar a economia para poder desenvolver
instituições e mercados.
Sem a exportação do café, o Governo brasileiro não tinha mais como comprar os produtos de outras
nações – necessários para atender à demanda da sociedade –, não havia saldo na balança comercial
para o pagamento desses produtos e isso iria influenciar diretamente a industrialização brasileira via
substituição de importações.
O campo político-econômico-social era protagonista de lutas interclasses. Segundo Fabio Gomes (2006),
a classe oligárquica batalhando para assegurar seu poder político e prestígio, ao mesmo tempo em que
seu poder econômico ia perdendo espaço para as novas formas de acumulação. Enquanto isso a
burguesia industrial em ascensão fortalecia progressivamente seu poder econômico e ampliava o espaço
político na estrutura social em transformação.
As camadas mais populares, os trabalhadores das fábricas, funcionários públicos e a grande massa
camponesa tinham pouco poder para influenciar politicamente esse processo, e presenciavam a distância
o processo de transição. Serviam de massa de manobra para os vários grupos de interesses que iam se
estabelecendo na sociedade.
Para Bresser-Pereira (2001), Vargas era um “Estadista frio no uso do poder. Mas, apaixonado pela missão
de mudar o país, Vargas lidera com extraordinária competência política e administrativa a transição”. No
início houve grande concentração de poderes nas mãos do Poder Executivo, com nomeação de
interventores para os governos estaduais. Mesmo com a Constituição de 1934 restaurando direitos aos
cidadãos, restabelecendo o Legislativo e devolvendo a autonomia aos Estados, os recursos e encargos
ficaram concentrados na União.
As primeiras medidas adotadas por Vargas foram de cunho saneador das finanças públicas, e de
racionalização administrativa. Fato decorrente, seguiu-se uma significativa centralização no nível
político, econômico e administrativo, emergindo um Estado autoritário, que deu início ao processo
de modernização da Administração Pública e de industrialização do país. Vê-se um novo Estado, que
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ultrapassa as funções tradicionais de regulação social e econômica, e que intervém fortemente na
economia com vistas a promover o desenvolvimento econômico do país.
Atenção!!!
Esse estado novo e forte fez surgir o que alguns autores denominaram “Estado administrativo”.
Com o objetivo de realizar a modernização administrativa, foi criado o Departamento Administrativo do
Serviço Público – Dasp, em 1936. Os principais objetivos do DASP podem ser assim resumidos:
centralizar e reorganizar a administração pública mediante ampla reforma; definir política para a gestão
de pessoal; e racionalizar métodos, procedimentos e processos administrativos em geral. O Dasp era um
órgão singular e dotado de amplos poderes. Promoveu a unificação dos recursos humanos, mediante a
universalização do sistema de mérito, e da área de materiais, por meio da padronização dos materiais
permanentes e de consumo a ser utilizada por toda a administração. Cabe ressaltar que a reforma
administrativa realizada através do Dasp trazia a ideia de modernização, de aumento na produtividade e
na eficiência. Destacam-se ainda os seguintes aspectos característicos da reforma do Dasp: o
imediatismo da reforma; a perspectiva globalizante em oposição ao caráter gradual e seletivo; a ênfase
no controle e não na orientação e acompanhamento; o centralismo (administrativo, econômico e político);
a observância às normas gerais e inflexíveis.
Os principais objetivos do DASP podem ser assim resumidos: centralizar e reorganizar a administração
pública mediante ampla reforma; definir política para a gestão de pessoal; e racionalizar métodos,
procedimentos e processos administrativos em geral. Num sentido mais amplo, o objetivo era combater
as práticas patrimonialistas de gestão
A promoção da administração burocrática no serviço público se baseava na padronização, normatização
e implantação de mecanismo de controle promoveu uma série de transformações no aparelho de Estado
partir de 1937. Foram criadas diversas empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações,
inclusive a Companhia Vale do Rio Doce.
Antigas práticas clientelistas e um resquício de administração patrimonialista, que ainda persistiam no
governo federal. A reforma administrativa do Estado Novo foi, portanto, o primeiro esforço sistemático de
superação do patrimonialismo. Foi uma ação deliberada e ambiciosa no sentido da burocratização do
Estado brasileiro, que buscava introduzir no aparelho administrativo do país a centralização, a
impessoalidade, a hierarquia, o sistema de mérito, a separação entre o público e o privado.
A Administração paralela do governo JK
Década de 1950
A Administração paralela de JK era formada por Grupos de trabalho (ligados ao Conselho de
Desenvolvimento e atuavam na preparação de projetos de leis e decretos, de acordo com os objetivos do
Plano de Metas) e Grupos Executivos (compostos de administradores do Estado e representantes das
empresas privadas). Os Grupos executivos aprovavam os projetos elaborados pelos Grupos de Trabalho.
Os Grupos de Trabalho eram criados por decreto e tinham autonomia orçamentária e para recrutamento
de pessoal, e ficavam fora das injunções políticas, comuns em outros órgãos do Estado.
Os objetivosda Administração paralela consistiam em racionalizar as ações do Estado brasileiro na área
econômica facilitando a implementação do Plano de Metas; libertar o governo da política clientelística de
empregos, já que os órgãos eram criados pelo presidente e tinham autonomia orçamentária; e cooptar os
militares, colaborando para a preservação da estabilidade política do período.
O governo republicano de Juscelino Kubitschek (1956 - 1961) foi marcado pelo plano de ação "Cinquenta
anos em cinco", marca do desenvolvimentismo, que tinha destaque para quatro setores-chave: energia,
transporte, indústria pesada e alimentação.
A promessa de industrialização acelerada amparada em capitais nacionais e estrangeiros, com ênfase
na indústria de bens duráveis, automobilística (entrada das empresas estrangeiras Chrysler e Ford), e de
transporte rodoviário, acabou por endividar o Brasil.
A criação da COSB (Comissão de Simplificação Burocrática) e da CEPA (Comissão de Estudos e Projetos
Administrativos), em 1956, representa as primeiras tentativas de realizar as chamadas reformas globais.
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O objetivo principal da COSB era promover estudos visando à descentralização dos serviços, por meio
da avaliação das atribuições de cada órgão ou instituição e da delegação de competências, com a fixação
de sua esfera de responsabilidade e da prestação de contas das autoridades.
Já a CEPA tinha a incumbência de assessorar a presidência da República em tudo que se referisse aos
projetos de reforma administrativa.
A administração direta estava entregue ao clientelismo e submetida, aos ditames de normas rígidas e
controles, já a administração descentralizada (autarquias, empresas, institutos, entre outros) eram
dotadas de maior autonomia gerencial e podiam recrutar seus quadros sem concursos. A coordenação
política das ações se fazia através dos grupos executivos nomeados pelo presidente da República.
Década de 1960
O governo João Goulart criou a Comissão Amaral Peixoto, cuja missão era projetar uma ampla reforma
administrativa, objetivando a descentralização administrativa e a delegação de competências.
Mas, com o Golpe de 1964, o novo governo retirou do Congresso Nacional o projeto de lei elaborado
pela Comissão Amaral Peixoto para reexame do assunto por parte do Poder Executivo. Instituiu a
COMESTRA (Comissão Especial de Estudos da Reforma Administrativa), presidida pelo ministro
extraordinário para o planejamento de coordenação econômica, que reexaminou os processos
elaborados e elaborou outros.
Do trabalho dessa comissão e das revisões que se seguiram em âmbito ministerial resultou a edição do
Decreto-Lei n. 200, de 25 de fevereiro de 1967, o mais sistemático e ambicioso empreendimento para a
reforma da administração federal. Esse decreto fixava princípios e estabelecia conceitos apoiando-se em
uma doutrina que definia preceitos claros de organização e funcionamento da máquina administrativa.
Reforma do período militar: Decreto-Lei 200/1967
De fato, o ministério extraordinário para a reforma administrativa elaborou quatro projetos que nunca
conseguiram aprovação no Congresso, mas alguns especialistas no assunto afirmam que foi a partir deles
que se concebeu o Decreto-Lei nº 200, de 1967. O estatuto básico prescreve cinco princípios
fundamentais:
1) O planejamento (princípio dominante);
2) A expansão das empresas estatais (sociedades de economia mista e empresas públicas), bem como
de órgãos independentes (fundações públicas) e semi-independentes (autarquias);
3) A necessidade de fortalecimento e expansão do sistema do mérito, sobre o qual se estabeleciam
diversas regras;
4) Diretrizes gerais para um novo plano de classificação de cargos;
5) O reagrupamento de departamentos, divisões e serviços em 16 ministérios: justiça, interior, relações
exteriores, agricultura, indústria e comércio, fazenda, planejamento, transportes, minas e energia,
educação e cultura, Trabalho, Previdência e Assistência Social, Saúde, Comunicações, Exército, Marinha
e Aeronáutica.
Costa ainda acrescenta o decreto-Lei nº 200 prescrevia que a administração pública deveria se guiar
pelos princípios do planejamento, da coordenação, da descentralização, da delegação de competência e
do controle. Além de estabelecer uma distinção entre a administração direta — os ministérios e demais
órgãos diretamente subordinados ao presidente da República — e a indireta, constituída pelos órgãos
descentralizados — autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista.
O Decreto-Lei nº 200 fixava a estrutura do Poder Executivo federal, indicando os órgãos de assistência
imediata do presidente da República e distribuindo os ministérios entre os setores político, econômico,
social, militar e de planejamento, além de apontar os órgãos essenciais comuns aos diversos ministérios.
E ainda:
- Desenhava os sistemas de atividades auxiliares - pessoal, orçamento, estatística, administração
financeira, contabilidade e auditoria e serviços gerais.
- Definia as bases do controle externo e interno.
- Indicava diretrizes gerais para um novo plano de classificação de cargos.
- Estatuía normas de aquisição e contratação de bens e serviços.
Para Beatriz Wahrlich34:
34 WAHRLICH, B. M.S. Desburocratização e desestatização: novas considerações sobre as prioridades brasileiras de reforma administrativa na década de 80.
Revista de Administração Pública, v. 18, n. 4, 1984.
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De 1964 até 1978 assistiu-se ao ressurgimento da reforma administrativa como programa de governo
formal.
De 1967 a 1979, a coordenação da reforma administrativa cabia à SEMOR (Subsecretaria de
Modernização e Reforma Administrativa), que cuidava dos aspectos estruturais, sistêmicos e processuais,
e ao DASP, que atuava somente no domínio dos recursos humanos. Nesta fase, a SEMOR se preocupou
em recorrer a frequentes exames da estrutura organizacional e analisou projetos de iniciativa de outros
departamentos, visando à criação, fusão ou extinção de órgãos e programas que trouxessem maior
eficácia à gestão pública.
O Decreto-Lei nº 200 contribuiu para a consolidação do modelo de administração para o desenvolvimento
no Brasil, apesar da discrepância entre as metas estabelecidas e metas cumpridas? Em parte, pois na
verdade, a reforma administrativa não foi implementada com sucesso e a crise política do regime militar,
que se iniciava nos anos 1970, agravou ainda mais a situação da administração pública, já que a
burocracia estatal foi identificada com um sistema autoritário em pleno processo de degeneração35.
Algumas disfunções da burocracia que culminam com programas nacionais de desburocratização36:
- pelo culto do processo, pelo qual a forma se toma mais importante que a substância;
- pela excessiva especialização e departamentalização, levando a que o funcionário perca a noção de
conjunto do organismo a que pertence;
- pela concentração do poder decisório nas esferas mais altas, com o consequente esvaziamento das
funções periféricas;
- pela valorização excessiva das atividades meio (em detrimento das atividades fim) e multiplicação
desnecessária dos controles prévios e/ou cruzados;
- pela transferência, ao usuário ou cliente, de certas atribuições que à própria administração competem,
tudo isso resultando na perda inevitável da eficiência administrativa.
A administração pública na Nova República37
De acordo com Costa, apesar da reforma do Estado ser a promessa mais evidente da Nova República, o
Estado necessitava de diversas reformas fora do cunho administrativo, como:
- Vigência efetiva do império da lei,
- Desobstrução do Legislativo,
- Aparelhamento da Justiça,
- Reforma tributária,
- Descentralização,
- Reforma agrária,
- Saneamento da previdência,
- Implantação do sistemaúnico de saúde,
- Erradicação do analfabetismo,
- Reforma do ensino básico,
- Desenvolvimento regional.
“Tancredo Neves promoveu uma pequena reforma administrativa destinada a acomodar os interesses
das diversas facções políticas que o apoiavam — ampliação do número de ministérios e criação de novas
diretorias em quase todas as empresas estatais. A verdadeira reforma do Estado, prometia, viria depois
da posse. Para realizar essa imensa tarefa, ele indicou um ministro extraordinário da administração para
dirigir o velho e desgastado DASP.”
Governo civil – 1985
Depois de mais vinte anos de ditadura militar, o governo civil herdou um aparato administrativo marcado
pela excessiva centralização. Apesar de representar a primeira tentativa de reforma gerencial da
administração pública pela intenção de mexer na rigidez burocrática, o Decreto-Lei n. 200/67 deixou
sequelas negativas.
1º O ingresso de funcionários sem concurso público permitiu a reprodução de velhas práticas
patrimonialistas e fisiológicas.
2º A negligência com a administração direta (burocrática e rígida) não sofreu mudanças significativas
na vigência do decreto, enfraqueceu o núcleo estratégico do Estado, fato agravado pelo senso oportunista
35 Bresser-Pereira (1996). Disponível em: http://www.bresserpereira.org.br/papers/1996/95.admpublicaburocraticaagerencial.pdf
36 WAHRLICH, B. M.S. Desburocratização e desestatização: novas considerações sobre as prioridades brasileiras de reforma administrativa na década de 80.
Revista de Administração Pública, v. 18, n. 4, 1984.
37 COSTA, F. L. Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas. Revista do Serviço Público. Rio de Janeiro 42 (5):829-
74, set/out, 2008.
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. 41
do regime militar que deixa de investir na formação de quadros especializados para os altos escalões do
serviço público.
Como discutido anteriormente, a ineficiência da administração pública burocrática tornou-se uma ameaça
para a legitimidade do Estado Social, pois a sociedade continuava a demandar por serviços públicos e o
discurso neoliberal de que o consumo público poderia ser substituído com vantagem pelo privado não foi
aceita pela sociedade. Dessa forma, a tarefa da Nova República era mostrar que o estado estava usando
bem os recursos dos impostos, que os contribuintes não estavam “jogando dinheiro bom em cima de
dinheiro ruim” – uma frase típica dos oponentes do Estado Social. A Reforma Gerencial era a resposta
para a reversão desse quadro, que necessitava tornar o aparelho administrativo mais reduzido, eficiente
e receptivo às demandas da sociedade38.
“O governo Sarney instituiu uma numerosa comissão, cujos objetivos eram extremamente ambiciosos, já
que, num primeiro momento, pretendia redefinir o papel do Estado (nas três esferas de governo);
estabelecer as bases do funcionamento da administração pública; fixar o destino da função pública;
reformular as estruturas do Poder Executivo federal e de seus órgãos e entidades; racionalizar os
procedimentos administrativos em vigor; além de traçar metas para áreas consideradas prioritárias, como
a organização federal, recursos humanos e a informatização do setor público. Nessa época, ainda
operavam os programas de privatização e desburocratização herdados do governo Figueiredo39.”
Segundo Marcelino40, o documento elaborado pela comissão geral da reforma define as propostas para
a reorganização da administração pública:
- Restauração da cidadania para prover os cidadãos de meios para a realização de seus direitos,
obedecendo aos critérios de universalidade e acesso irrestrito;
- Democratização da ação administrativa em todos os níveis do governo, por meio de dinamização,
redução do formalismo e transparência dos mecanismos de controle, controle do Poder Executivo pelo
Poder Legislativo e pela sociedade, e articulação e proposição de novas modalidades organizacionais de
decisão, execução e controle administrativo-institucional;
- Descentralização e desconcentração da ação administrativa com o objetivo de situar a decisão pública
próxima do local de ação, além de reverter o processo de crescimento desordenado da administração
federal;
- Revitalização do serviço público e valorização dos serviços;
- Melhoria dos padrões de desempenho afim de promover a alocação mais eficiente de recursos.
Essa comissão, criada em agosto de 1985, suspende seus trabalhos em fevereiro de 1986, quando todas
as atenções e esforços estavam voltados para o plano de estabilização da economia — o Plano Cruzado.
O governo Collor – 1990
A reforma administrativa no governo Collor caminhou de forma errática e irresponsável no sentido da
desestatização e da racionalização. As medidas de racionalização foram conduzidas de maneira perversa
e equivocada. Cortes de pessoal desnecessários; fusões equivocadas de ministérios, que criavam
superestruturas (como os ministérios da Economia e da Infraestrutura) sujeitas a pressões de interesses
poderosos, e dificultavam a supervisão que intentavam favorecer.
A reforma administrativa desmantelou a máquina pública, paralisando todos os programas sociais. Depois
do início da crise de seu governo, Collor voltou ao velho sistema de concessões políticas para atrair
apoios, desmembrando e criando ministérios.
O governo de Fernando Henrique Cardoso
1995 – Apresentação do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado:
1º Em nível estratégico, é o Estado que formula e avalia as diretrizes e políticas públicas, garantindo que
sua implementação se dê em benefício de todos os cidadãos;
2º Em nível executivo, implementa-se as políticas formuladas, com observância das diretrizes definidas.
38 BRESSER PEREIRA, L. C. DEMOCRACIA, ESTADO SOCIAL, E REFORMA GERENCIAL. Intervenção no VI Fórum da Reforma do Estado. Rio de Janeiro,
1º de outubro de 2007.
39 COSTA, F. L. Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas. Revista do Serviço Público. Rio de Janeiro 42 (5):829-
74, set/out, 2008.
40 MARCELINO, G. F. Em Busca da Flexibilidade do Estado: o Desafio das Reformas Planejadas no Brasil. Revista de Administração Pública, v. 37, n. 3, 2003.
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Para entender a forma de atuação do Estado na Era FHC, do Plano Diretor, Marcelino41 expõe que:
- No núcleo estratégico, que corresponde ao Ministério Público, ao Poder Legislativo e, no Poder
Executivo, à Presidência da República e aos ministérios. É no núcleo estratégico que as diretrizes, as leis
e as políticas são formuladas e avaliadas e seu cumprimento é cobrado.
- Setor de atividades exclusivas do Estado, no qual são implementadas as políticas públicas, por meio de
prestação de serviços e execução de atividades que só o Estado pode realizar. É neste setor que se
insere o projeto de agências executivas.
- Setor de serviços não exclusivos do Estado, composto por autarquias ou fundações públicas e por
empresas públicas ou de economia mista que operam em serviços públicos ou setores considerados
estratégicos. O Estado atua com outras organizações públicas não estatais como as universidades, os
hospitais, os centros de P&D e museus.
- Setor de produção de bens e serviços para o mercado, caracterizado pelas atividades econômicas
voltadas para o lucro como siderurgia, telecomunicações e energia elétrica, que foram assumidas pelo
Estado durante o período de “administração para o desenvolvimento”. É o setor em processo de
privatização.
O Plano Diretor da Reforma do Estado inovava ao propor a substituição do modelo burocrático weberiano
pelo modelo de administração gerencial. Dessa forma, a administração gerencial passou a ser o principal
instrumento do governo na busca da flexibilidade do Estado, conhecido tambémcomo Reforma Bresser.
O Plano Diretor partia da premissa que a crise latino-americana era uma crise do Estado. E por isso,
indicou os seguintes pilares do projeto de reforma do Estado:
- ajustamento fiscal duradouro;
- reformas econômicas orientadas para o mercado que, acompanhadas de uma política industrial e
tecnológica, garantissem a concorrência interna e criassem condições para o enfrentamento da
competição internacional;
- reforma da previdência social;
- inovação dos instrumentos de política social, proporcionando maior abrangência e promovendo melhor
qualidade para os serviços sociais;
- reforma do aparelho de Estado, com vistas a aumentar sua “governança”, ou seja, sua capacidade de
implementar de forma eficiente políticas públicas.
O Brasil já se havia dado conta da necessidade da distinção de funções em diferentes esferas de gestão
desde o Decreto-lei nº 200, de 25-2-1967, e foi realizado um esforço de reforma administrativa orientado,
entre outras diretrizes, pela atribuição das atividades de execução a entidades descentralizadas, na forma
de autarquias, fundações e empresas estatais.
De acordo com Costa42, para que o Estado abandonasse a ineficiência e a rigidez gerada pela
administração burocrática para uma administração pública gerencial, flexível e eficiente, voltada para o
atendimento da cidadania, o Plano Diretor da Reforma do Estado deveria:
- Redefinir os objetivos da administração pública, voltando-a para o cidadão-cliente;
- Aperfeiçoar os instrumentos de coordenação, formulação, implementação e avaliação de política
públicas;
- Flexibilizar as normas e a simplificar de procedimentos;
- Redesenhar as estruturas mais descentralizadas;
- Aprofundar as ideias de profissionalização e de permanente capacitação dos servidores públicos (ideias
que vêm da administração pública burocrática, mas que não foram nela plenamente desenvolvidas).
Governo Lula e Dilma43
Segundo Abrucio44, “O governo Lula continuou uma série de iniciativas advindas da experiência anterior
da modernização do Estado brasileiro particularmente no reforço de algumas carreiras, no campo do
governo eletrônico e na nova moldagem que deu à Controladoria Geral da União, hoje um importante
instrumento no combate à ineficiência e à corrupção. Além disso, aproveitou sua inspiração na
democracia participativa para discutir mais e melhor o PPA com a sociedade, em várias partes do Brasil,
realizando um avanço no campo do planejamento.”
41 MARCELINO, G. F. Em Busca da Flexibilidade do Estado: o Desafio das Reformas Planejadas no Brasil. Revista de Administração Pública, v. 37, n. 3, 2003.
42 COSTA, F. L. Brasil: 200 anos de Estado; 200 anos de administração pública; 200 anos de reformas. Revista do Serviço Público. Rio de Janeiro 42 (5):829-
74, set/out, 2008.
43 Pactos Políticos e Reformas Administrativas no Brasil. Disponível em: http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnAPG/enapg_2012/2012_EnAPG403.pdf.
44 ABRUCIO, Fernando Luiz. Trajetória recente da gestão pública brasileira: um balanço crítico e a renovação da agenda de reformas. Rev. Adm. Pública. 2007,
vol.41, n.spe, pp. 67-86. ISSN 0034-7612. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-76122007000700005.
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A pior característica do modelo administrativo do governo Lula, segundo Abrucio, foi “o amplo loteamento
dos cargos públicos, para vários partidos e em diversos pontos do Executivo federal, inclusive com uma
forte politização da administração indireta e dos fundos de pensão. Prossegue o autor dizendo que “Ao
mesmo tempo que abre as portas da administração pública à politização, o governo Lula deixa como
legado positivo o aperfeiçoamento de alguns importantes mecanismos de controle da corrupção. As ações
da Polícia Federal e, principalmente, o trabalho da Controladoria Geral da União são inegáveis avanços
da gestão petista que devem ser definitivamente incorporados pelo Estado brasileiro.”
Isabela Cristina Pedrosa Bittencourt45 concorda com o autor Luiz Fernando Abrucio ao propor quatro eixos
estratégicos para a modernização do Estado brasileiro: ”profissionalização do alto escalão
governamental, redução dos cargos em comissão, fortalecimento das carreiras estratégicas de Estado,
capacitação dos servidores públicos; eficiência através da mudança na lógica do orçamento,
aprimoramento do governo eletrônico, redução de gastos governamentais; efetividade através de uma
visão de gestão de resultados de longo prazo, entrosamento entre os níveis de governo, fortalecimento
da regulação dos serviços públicos, aumento da transparência e a responsabilização do poder público.
Diante do exposto, ressalvando nosso ponto de vista quanto aos pontos negativos acima expostos, e
considerando a necessidade de contínuo aprimoramento da gestão pública brasileira reconhecemos a
importância da reforma Bresser-Pereira para a mudança da cultura burocrática do Estado em uma cultura
gerencial.”
Como ressalva, a opinião de Abrucio foi apresentada no primeiro mandato do governo Lula. Já a partir de
2005, é possível identificar sinais que apontam para a formação de um novo pacto Popular-Democrático46,
embora a proximidade histórica ainda ofusque de alguma forma as análises deste período tão recente.
Os governos Lula e Dilma têm se pautado pela necessidade de reduzir a desigualdade social e fortalecer
o mercado interno mediante o aumento da renda real dos trabalhadores. Programas estratégicos do
governo, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e ProUNI, são indicações claras de uma
orientação distributivista47.
Ressalta-se que a preocupação com a distribuição da renda não é suficiente para caracterizar um
pacto de tipo desenvolvimentista. Apesar do fortalecimento do mercado interno e a distribuição de
renda possam serem instrumentos importantes na geração do desenvolvimento econômico, a marca
fundamental do desenvolvimentismo é a tomada, por parte do Estado, do papel de principal condutor do
processo de desenvolvimento econômico.
O neoliberalismo prega o Estado mínimo e coloca o mercado como principal instituição promotora do
desenvolvimento, relegando ao Estado o papel de assegurador do cumprimento de contratos e regulador
da moeda, o desenvolvimentismo pressupõe um Estado forte, interventor, que assume a coordenação de
setores estratégicos da atividade econômica.
Nesse sentido, os primeiros anos do governo Lula mostraram certa timidez na elaboração e
implementação de políticas claras para o desenvolvimento econômico nacional. Na tentativa de apaziguar
os mercados, resistentes à eleição para presidente de um ex-lider sindical, Lula consolidou a política
macroeconômica ortodoxa de seu antecessor, manteve o regime de metas de inflação e o câmbio
flutuante, mesmo quando a excessiva valorização do real passou a prejudicar o desempenho da indústria
nacional. É apenas em 2005, com o aumento da importância do BNDES e a consolidação do Programa
Bolsa Família, que o governo passa a emitir sinais de que o Estado estava se preparando para retomar
seu papel indutor da atividade econômico. O PAC, inaugurado em 2007, o esforço diplomático para a
realização das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil e os programas de ampliação do acesso ao
crédito, liderado pelos bancos públicos, são outros exemplos de ações que sinalizam uma maior
orientação desenvolvimentista por parte do governo.
Embora o governo tenha insistido na ortodoxia macroeconômica, os recentes desdobramentos nessa
área no governo Dilma, com a progressiva redução da taxa SELIC, as mudanças nas regras da poupança
e o uso dos bancos públicos para combater as altas taxas de spread bancário, parecem indicar uma maior
disposição da nova presidente em promover mudanças macroeconômicas com o objetivo de promover o
crescimento. Assim, a crise de 2008 representa um marco de inflexão, uma oportunidade para adoção
gradual denovas alternativas de política macroeconômica.
45 Os modelos organizacionais e a reforma administrativa. Disponível em: http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,os-modelos-organizacionais-e-a-reforma-
administrativa,48702.html.
46 BRESSER-PEREIRA, L. C. Os três ciclos da Sociedade e do Estado. Textos para discussão – Escola de Economia de São Paulo. Fundação Getúlio Vargas,
Abril, 2012.
47 Pactos Políticos e Reformas Administrativas no Brasil. Disponível em: http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnAPG/enapg_2012/2012_EnAPG403.pdf.
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. 44
De acordo com Bresser Pereira, não seria possível caracterizar um pacto político se o governo fosse o
único a dar sinais de mudança política. A formação de pactos políticos depende da confluência de
interesses de diferentes classes sociais. É possível observar, na sociedade civil brasileira, sinais
indicativos dessas confluências. Organizações representativas do empresariado nacional, como FIESP e
IEDI, estão articulando um novo discurso, mais compatível com a ideia de desenvolvimento econômico,
após anos de hegemonia neoliberal.
Sindicatos passaram a serem interlocutores privilegiados do governo, e suas preocupações com o
emprego ganharam maior importância na agenda governamental. A ampliação das contratações e
reestruturação do aparelho de Estado, por sua vez, deu novo ânimo à burocracia pública, dotando o
estado de capacidade de formulação e implementação de políticas públicas.
O novo pacto desenvolvimentista que parece estar se formando é composto pelo empresariado nacional,
tecnoburocratas públicos e trabalhadores48. No entanto, o fortalecimento de mecanismos participação
social, por parte do governo, vem ampliando a participação de grupos antes marginalizados, ampliando
a própria definição e significado da noção de desenvolvimento, incorporando múltiplos adjetivos a um
conceito antes compreendido quase como sinônimo de crescimento econômico. Em um contexto
efetivamente democrático, as classes condutoras de um pacto político devem possuir a capacidade de
articular e dar vazão a tais demandas.
Apesar dos avanços na consolidação de carreiras estratégicas de Estado, prevaleceu, no entanto, a lógica
da agenda burocrática de gestão: as novas contratações se deram no regime estatutário, as iniciativas
de remuneração variável adotadas no período FHC progressivamente foram abolidas, embora iniciativas
de mensuração e avaliação do desempenho individual de servidores sigam existindo.
Uma outra característica deste período é a eleição de programas prioritários, que passam a receber
tratamento diferenciado e monitoramento intensivo, parecem ser as marcas da gestão nos governos Lula
e Dilma. Iniciativas, como a criação de Conselhos setoriais de políticas e a aprovação da Lei de Acesso
à Informação parecem apontar para o avanço de uma agenda de promoção da governança pública. No
entanto, ainda não é possível ter clareza sobre as propostas para a gestão de um eventual novo pacto
político desenvolvimentista.
O quadro a seguir faz uma análise qualitativa do governo Lula 49
Balanço de um Governo: avaliação qualitativa de três anos de administração Lula
Pontos positivos Pontos negativos
Estabilidade macroeconômica; Crescimento lento e instável
Moderado aumento do custo de vida, com
tendências declinantes graças ao regime de
metas de inflação;
Setores ainda oligopolizados e tarifas públicas
pressionam o preço e aumentam as despesas dos
consumidores;
Contas fiscais ajustadas ou quase; tentativa
(frustrada) da área econômica de fixar um
superávit primário mais elevado;
Diferentes focos de pressão por novos gastos,
sobretudo previdenciários e salários do
funcionalismo;
Dinamismo exportador, saldos comerciais
crescentes, a despeito da não concretização de
acordos comerciais relevantes;
Câmbio excessivamente valorizado, baixo
comprometimento com novos acordos de
liberação;
Retomada de investimentos produtivos em
algumas áreas da economia;
Baixa poupança e manutenção de níveis irrisórios
de investimento público;
Atração de investimento estrangeiro em alguns
setores selecionados
Obstáculos significativos à instalação de novos
negócios; ambiente burocratizado;
Tentativas iniciais de reforma sindical e
trabalhista, não levadas adiante em virtude da
própria base sindical do governo
Diminuição moderada do desemprego, aumento
da informalidade e da precariedade laboral;
Manutenção das regras do jogo no ambiente
empresarial e financeiro
Temores remanescentes inviabilizam maiores
níveis de investimento privado;
48 BRESSER-PEREIRA, L. C. Os três ciclos da Sociedade e do Estado. Textos para discussão – Escola de Economia de São Paulo. Fundação Getúlio Vargas,
Abril, 2012.
49 Revista Espaço Acadêmico. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/058/58almeida.htm
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 45
Modernização produtiva de algumas grandes
empresas e internacionalização de grandes e
médias empresas brasileiras;
Burocracia e regulacionismo excessivos para a
criação e o fechamento de empresas; ambiente
negativo para os negócios;
Aumento do gasto social, sobretudo no Bolsa, a
partir da unificação dos programas anteriores
Esquemas assistencialistas não incidem sobre a
capacitação de mão-de-obra e não afetem
condicionalidades (saúde e escola);
Esforço sincero para elevação do salário mínimo,
mesmo ao custo de previdência;
Concentração de renda e riqueza mantidas
inalteradas; falta de foco na infância;
Tentativa de reforma administrativa, embora
centrada no Estado;
Mau funcionamento do Estado, criação de estatais,
ineficiências administrativas;
Políticas de inclusão de grupos sociais
subalternos ou minoritários;
Tentativas de enquadramento de atividades
culturais e jornalísticas;
Ativismo na frente externa, com política centrada
no relacionamento com o Sul e na integração
regional sul-americana;
Falta de meios efetivos à disposição das políticas
pretendidas; retóricas ainda supera as realizações
efetivas.
Fonte: Paulo Roberto de Almeida (2006)
Teorias das Formas e dos Sistemas de Governo
A teoria das formas de governo se deriva de duas questões básicas: quem governa e como se governa?
As formas de Governo50
Aristóteles (384-322 a.C.) na obra Política, dividi o governo de três formas:
1) Monarquia: cujo governo tem caráter hereditário, visa o bem comum, como a obediência ás leis e ás
tradições. O governo cabe a uma única pessoa, que possui poderes não só para fazer as leis, como
também para aplicá-las. A forma distorcida da monarquia é a Tirania, na qual o governo é de um homem
só que ascende ao poder por meios ilícitos.
2) Aristocracia: o Estado é governado por um pequeno grupo de pessoas, que tem tese, seria o grupo
ou classe mais apta a conduzir o Estado. No entanto, a distorção da aristocracia, e a Oligarquia, uma
forma impura de governo. Na oligarquia em governa são os mais poderosos, geralmente, os mais ricas,
possuidores de títulos de nobreza ou que conquistaram o poder pela força.
3) Politéia: governo do povo, exercido com respeito ás leis e em benefício de todos. A forma distorcida
da Politéia é a Democracia, na qual a maioria exerce o poder, favorecendo preferencialmente os pobres.
Além disso, Aristóteles também ordena essas formas de governo de modo hierárquico. Assim como em
Platão, o critério hierárquico é o mesmo: a forma pior é a forma degradada da melhor e a degradação das
formas que seguem a melhor é cada vez mais amena. Sendo assim, a ordem hierárquica dessas seis
formas seria: monarquia, aristocracia, politéia, democracia, oligarquia e tirania. Na Ética a Nicômaco, essa
ordem pode ser confirmada: “Delas a melhor é o reino, e a pior é a timocracia” (1150 A.C.) e “Masa
democracia é o desvio menos ruim: com efeito, pouco se afasta da forma de governo correspondente”.
Políbio confirma a teoria tradicional das seis formas de governo e, além disso, propõe que elas sucedem-
se de acordo com determinado ritmo: monarquia, tirania, aristocracia, oligarquia, democracia e oclocracia.
A única alteração em relação ao modelo anterior é que, para Políbio, a democracia é uma forma boa e a
oclocracia sua forma degradada. Além disso, Políbio tem uma visão fatalista da história, no sentido de
que esse ciclo sempre será mantido na alternância entre constituições boas e ruins, sendo que a boa que
se segue é sempre pior do que a boa anterior.
O conceito moderno de Democracia política no Ocidente
Democracia Representativa é o exercício do poder político pela população eleitora, mas não
diretamente, e sim através de seus representantes eleitos por meio de voto direito e secreto, com valor
igual para todos. Os pilares de sustentação da Democracia Representativa são: liberdade de escolha
exercida pelo povo e capacidade de análise feita pelo povo.
50 As Teorias sobre as Formas de Governo. Disponível em: http://www.pucrs.br/edipucrs/XISalaoIC/Ciencias_Sociais_Aplicadas/Direito/84434-
ELAINETICIANAPOLIZEL.pdf
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Parlamentarismo é um sistema de governo no qual o parlamento representa o Estado. O Chefe de Estado
não é eleito diretamente pelo povo, não podendo, por conseguinte, exercer livremente os poderes que
lhe são atribuídos pela Constituição (só os exerce a pedido do governo) por falta de legitimidade
democrática. No entanto, o governo age com autonomia, podendo em determinadas situações dissolver
o parlamento e convocar eleições gerais.
Presidencialismo é um sistema de governo no qual o presidente da república é chefe de governo e chefe
de Estado. Como chefe de Estado, é ele quem escolhe os chefes dos grandes departamentos ou
ministérios. Juridicamente, o presidencialismo se caracteriza pela separação de poderes Legislativo,
Judiciário e Executivo. O Presidente da República não pode dissolver a Assembleia, e nem ser destituído
pela Assembleia, e governa por todo período de seu mandato.
Questões
01. (STJ - Analista Judiciário - Administrativa – CESPE/2015) Com relação à evolução da
administração pública e à reforma do Estado, julgue o item a seguir.
Inspirada no gerencialismo inglês, a reforma do Estado brasileiro deflagrada em 1995 teve como principal
objetivo manter as contas públicas equilibradas e reduzir o poder da ação gerencial do Estado.
( ) Certo ( ) Errado
02. (AL-GO - Assistente Legislativo - Assistente Administrativo - CS-UF/2015) Na década de 1930,
com o nascimento da República Nova, houve uma tentativa de profissionalizar a Administração Pública
brasileira com a criação do Departamento de Administração do Serviço Público - DASP. Por intermédio
do DASP, promoveu-se a estruturação básica do aparelho administrativo instituindo-se, por exemplo, o
concurso público e as regras para admissão. Tal modelo buscou modernizar a máquina pública e ficou
conhecido como
(A) modelo burocrático.
(B) modelo patrimonialista.
(C) modelo gerencial.
(D) modelo do novo serviço público.
03. (SEFAZ-PI - Analista do Tesouro Estadual – FCC/2015) A criação do Departamento Administrativo
do Serviço Público - DASP foi um marco importante na Administração pública federal, com a introdução
de características de administração
(A) gerencial, com foco na gestão de resultados.
(B) burocrática, com ênfase na centralização e reorganização da Administração, gestão de pessoal e
racionalização de procedimentos.
(C) empreendedora, com ênfase na atuação de fomento.
(D) patrimonialista, com ampla criação de órgãos e entidades governamentais.
(E) pré-Gerencial, com a introdução de conceitos de avaliação de desempenho.
04. (Polícia Federal - Agente de Polícia Federal – CESPE) A respeito da evolução da administração
pública no Brasil após 1930, julgue o item seguinte.
O Decreto-lei n.º 200/1967, estatuto básico da reforma administrativa do governo militar, reafirmou a
importância do planejamento entendido sob uma ótica tecnicista.
( ) Certo ( ) Errado
05. (SUFRAMA - Analista Técnico – Administrativo – CESPE) Acerca da evolução da administração
pública no Brasil, julgue os itens a seguir.
A primeira reforma na administração pública brasileira ocorreu na década de 1930, durante o governo de
Getúlio Vargas, e promovia a racionalidade técnica e a burocratização do Estado
( ) Certo ( ) Errado
Repostas
01. Resposta: ERRADO.
O Plano Diretor da Reforma do Estado inovava ao propor a substituição do modelo burocrático
weberiano pelo modelo de administração gerencial. Não reduziu o poder de ação gerencial do Estado
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. 47
e sim aumentou esse poder por meio da atribuição das atividades de execução a entidades
descentralizadas, na forma de autarquias, fundações e empresas estatais.
02. Resposta: A.
Com o objetivo de realizar a modernização administrativa, foi criado o Departamento Administrativo do
Serviço Público – Dasp, em 1936 período em que ocorria a reforma burocrática, tornando o Dasp
conhecido como modelo burocrático.
03. Resposta: B.
Os principais objetivos do DASP podem ser assim resumidos: centralizar e reorganizar a administração
pública mediante ampla reforma; definir política para a gestão de pessoal; e racionalizar métodos,
procedimentos e processos administrativos em geral.
04. Resposta: CERTO.
O planejamento era o princípio dominante do Decreto-lei n.º 200/1967 e por este motivo é retratado pela
sua reafirmação do Planejamento, sob uma ótica tecnicista.
05. Resposta: CERTO.
A empreendida no Governo Vargas por Maurício Nabuco e Luiz Simões Lopes, em 1930 promoveu a
racionalização técnica que se traduziu no surgimento das primeiras carreiras burocráticas e na tentativa
de adoção do concurso como forma de acesso ao serviço público. A implantação da Administração
Pública burocrática é uma consequência clara da emergência de um capitalismo moderno no país.
REFORMA ADMINISTRATIVA51
A reforma administrativa é um processo de mudança que permite ajustar as estruturas e o funcionamento
administrativo, de acordo com as pressões exercidas pelo ambiente político e social (Araújo 2005).
O movimento de reforma, embora diferente de país para país, fez-se sentir em todo o mundo. Em termos
gerais, podemos verificar que nos países ocidentais a reforma administrativa é marcada por uma
diminuição do estado, nos países em vias de desenvolvimento a preocupação centra-se na promoção da
eficiência do estado e nos países de leste os esforços são desenvolvidos para transformar o Estado num
ente regulados de uma economia de mercado. Além disso, a reforma administrativa está intimamente
relacionada com a cultura política, e não só, de cada país. Nos países desenvolvidos encontram-se alguns
fatores decisivos para o sucesso da reforma, nomeadamente a vontade e determinação política, a
existência de uma administração experiente, a pressão pública e, em especial, o desenvolvimento da
economia.
De acordo com Caiden, as reformas administrativas servem apenas para controlar e não para curar os
males da Administração Pública. A reforma administrativa tem duas principais preocupações: melhorar o
que existe; corrigir as deficiências e o que é feito erradamente ("maladministration" nos termos do autor).
Globalmente falando, é possível verificar que, em primeiro lugar, surgiu a preocupação em redefinir o
Estado e as suas funções. Só depois se passa para uma fase em que a atenção se centra nas
características administrativas, burocráticas, gestionários e profissionais que precisam de ser
redesenhadas.
Quando se analisa a reforma administrativa,é possível destacar algumas medidas com maior relevância,
nomeadamente reorganização, desburocratização, privatização e inovação. A reorganização das
estruturas administrativas é a primeira necessidade numa reforma, mas nem sempre consegue os seus
propósitos. A desburocratização pretende eliminar as disfunções da burocracia e as patologias, usando
a terminologia de Caiden, e não eliminar a burocracia em si. Por outro lado, pretende transformar os
burocratas em funcionários preocupados e ao serviço da Comunidade.
Espera-se também que a desburocratização aumente a confiança pública no governo e minimize a
necessidade soa cidadãos usarem intermediários para lidar em seu nome com a burocracia pública. A
privatização visa a diminuição da dimensão do sector público, do controlo do Estado e do orçamento
público. Em cada situação, a reforma é uma inovação, na medida em que consiste em fazer algo, na
organização, pela primeira vez. O fato de uma medida ser bem sucedida em determinada organização,
51 http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/inovacao-e-reforma-administrativa/53038/
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 48
em determinado período de tempo, não garante o seu sucesso noutra organização, noutro momento. Os
reformadores têm de moldar as propostas à medida de cada situação concreta. Infelizmente o que
acontece muitas vezes é imitação e não inovação
Paradigmas da Reforma Administrativa
A reforma da Administração Pública começa a desenvolver-se a partir de meados da década de 70. Esta
surge porque o "Estado Welfare" se encontra em crise e o modelo de Administração Profissional que lhe
corresponde precisava de ser substituído. As políticas defendidas para corrigir os efeitos do "Estado
Welfare" incluem a privatização e a contratação de serviços ao exterior da Administração Pública
("contracting-out").
Se o "Estado Welfare" entre em crise, a teoria administrativa que lhe está associada (administração
profissional) também entra em crise. Na Europa, este modelo resulta essencialmente do agregado da
burocracia clássica e da burocracia profissional.
A questão central é que a intervenção do Estado, resultante da vertente Keynesiana, não resolveu os
problemas existentes. Defende-se, então, o liberalismo económico, promovendo práticas como a
privatização e a diminuição da intervenção do estado na economia, e mesmo para actividades que não
seriam passíveis de privatização sugerem a utilização da gestão empresarial. Surge um novo tipo de
Administração Pública e novos modelos teóricos que vão servir de base à reforma do estado.
As bases teóricas desta reforma, iniciada em meados dos anos 70, encontram-se em dois conjuntos de
ideias, a teoria da escolha pública e o managerialismo. No entanto, os dois paradigmas gerem princípios
contraditórios. Nalguns casos, a reforma administrativa conseguiu conciliar os dois paradigmas. Noutros
casos, a reforma administrativa é reflexo das contradições existentes entre os dois modelos.
Em meados da década de 80, surge o "New Public Management". Este modelo pretende utilizar técnicos
de gestão privada como forma de melhorar o funcionamento da Administração Pública. Nos finais da
década de 80 e inícios de 90, este modelo comporta instrumentos de gestão tais como a Gestão da
Qualidade Total (TQM), a reengenharia e a reinvenção.
Da adopção da "administração empresarial" resultam as seguintes dimensões (Rocha 2001):
Primazia do mercado – privatização do sector público (considerado ineficiente) e gestão empresarial
para o que não é "privatizável". Isto implica uma alteração da cultura política e administrativa, o que por
sua vez implica que o cidadão seja considerado consumidor e os funcionários considerados vendedores.
Estruturas organizativas – criação de agências e promoção da descentralização administrativa.
Indicadores de performance – novos processos de controlo dos serviços públicos, através da avaliação
da sua performance, utilizando indicadores de eficiência, eficácia e qualidade. A introdução da gestão da
performance na Administração Pública implica a clara definição de objetivos, alterações institucionais e a
criação de sistemas de informação da performance.
A introdução do modelo do New Public Management (nova administração pública) foi transformando o
Estado Administrativo, característico do Estado Welfare, em Estado Managerial, sem com isso,
obviamente, ter perdido as suas funções sociais. A grande novidade é que as funções sociais são ou
podem agora ser levadas a cabo por outras entidades diferentes dos serviços públicos.
Reforma Administrativa e Desestatização
Com o impulso da Reforma do Estado e da privatização, passamos a ter novamente a concessão de
serviços públicos que deve ser utilizada sob a forma de delegação de serviços a empresas privadas. Isto
ocorre através da desestatização (venda de ações de empresas estatais para o setor privado, sendo que
tais empresas não retém mais o controle acionário do Estado) e com a abertura de licitação para outorga
de novas concessões.
A privatização ou desestatização tentou afastar os regimes de monopólio existentes na prestação de
serviços públicos de caráter econômico, podendo citar como exemplo o serviço de geração, distribuição
e fornecimento de energia elétrica. A licitação foi dispensada pelo estatuto, podendo a Administração
escolher com queira contratar.
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. 49
Historicamente, o primeiro passo para mudar o Estado como prestador de serviços foi a instituição do
Programa Nacional de Desestatização, instituído pela Lei nº 8031 de 12.4.1990. Posteriormente, essa lei
foi revogada pela Lei nº 9.491 de 9 do 9 de1997, que, embora tenha alterado procedimentos previstos na
lei anterior, conservou as linhas básicas do Programa.
Poderão submeter-se à desestatização: 52
a) as empresas, incluídas as instituições financeiras, controladas direta ou indiretamente pela União;
b) as empresas criadas pelo setor privado que, por qualquer razão, passaram ao controle da União;
c) os serviços públicos objeto de concessão, permissão ou autorização;
d) as instituições financeiras públicas estaduais que tenham sofrido desapropriação de ações de seu
capital social;
e) bens móveis e imóveis da União.
Outro aspecto concerne às formas pelas quais se processam as desestatizações.
São elas:
a) alienação de participação societária, inclusive de controle acionário;
b) abertura de capital;
c) aumento de capital, com o Estado renunciando aos direitos de subscrição ou cedendo-os, total ou
parcialmente;
d) alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e instalações;
e) dissolução de sociedades ou desativação parcial de seus empreendimentos, sendo alienados os seus
ativos;
f) concessão, permissão ou autorização de serviços públicos;
g) aforamento, remição de foro, permuta, cessão, concessão de direito real de uso resolúvel e alienação
mediante venda de bens imóveis de domínio da União.
Ainda de extrema importância é o significado do termo desestatizar: retirar o Estado de certo
departamento de atividades, enquanto "privatizar" significa tornar algo privado, converter algo em privado.
Com o advento da Lei nº 9491/1997, o termo desestatização passou a denominar o que a lei anterior
denominava privatização, pois além de se tornar compatível com o nome instituído pelo Programa, ainda
indicou que o objetivo principal seria retirar do Estado o status de executor de algumas atividades e
serviços.
Neste sentido segue o que diz a lei 9491/1997:
Art. 2 º
(...)
§ 1 º Considera-se desestatização:
a) a alienação, pela União, de direitos que lhe assegurem, diretamente ou através de outras controladas,
preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade;
b) a transferência, paraa iniciativa privada, da execução de serviços públicos explorados pela União,
diretamente ou através de entidades controladas, bem como daqueles de sua responsabilidade.
c) (Vide Medida Provisória nº 2.161-35, de 23.8.2001)
Portanto, atualmente podemos dizer que o Estado, após ser detentor por vários anos da execução de
muitas atividades empresariais e de serviços públicos, achou melhor dar um novo avanço governamental,
transferindo, como dito anteriormente, os serviços para sociedades e grupos empresariais.
Vale ainda frisar que a empresa desestatizada, ainda possui um certo controle da pessoa administrada,
anteriormente controladora. Assim, devemos pensar na intervenção estatal em pessoa privatizada.
Podemos citar a “Golden Share” como propriedade exclusiva do antigo ente controlador, conferindo certas
prerrogativas, como o poder de veto e às deliberações da assembleia geral em algumas matérias prévias.
52 Filho, José dos Santos Carvalho, Manual de Direito Administrativo, 27ª edição, editora: Atlas, 2014.
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. 50
Questões
01. (Questão adaptada – 2015). Considere certo ou errado para a assertiva abaixo:
Considera-se desestatização: a alienação, pela União, de direitos que lhe assegurem, diretamente ou
através de outras controladas, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria
dos administradores da sociedade:
( ) certo ( ) errado
02. (Questão adaptada – 2015). No que pertine as formas pelas quais se processam as desestatizações,
qual das alternativas abaixo está incorreta?
(A) alienação de participação societária, inclusive de controle acionário;
(B) abertura de capital;
(C) redução de capital, com o Estado renunciando aos direitos de subscrição ou cedendo-os,
parcialmente;
(D) alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e instalações;
Respostas
01. Resposta: Certo
Art. 2º, lei 9491 /1997. Poderão ser objeto de desestatização, nos termos desta Lei:
( )
§ 1º Considera-se desestatização:
a) a alienação, pela União, de direitos que lhe assegurem, diretamente ou através de outras controladas,
preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade;
02. Resposta: B
O correto é aumento de capital, com o Estado renunciando aos direitos de subscrição ou cedendo-os,
total ou parcialmente.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA53
Administração é a ciência que trata das organizações, e sua história remonta ao ano 5.000 a.C. Segundo
Granjeiro (2006), a ideia central de administração é a ação corretamente calculada para realizar
determinados objetivos desejados. A administração é a ação humana cooperativa com alto grau de
racionalidade.
O termo administração é utilizado tanto para designar funções de planejamento e direção, como para
designar as atividades de execução. O administrador, por sua vez, é o profissional (agente público) que
atua nas organizações e exerce as funções de planejar, organizar, dirigir, coordenar e controlar. A alta
administração corresponde aos agentes com poder de decisão, que deverão tomar as decisões certas
e a tempo, a fim de conduzir a organização ao alcance dos objetivos institucionais, ao crescimento e à
sustentabilidade.
A Administração compreende todo o aparato existente (estrutura e recursos; órgãos e agentes;
serviços e atividades) à disposição dos governos para a realização de seus objetivos políticos e do
objetivo maior e primordial do Estado: a promoção do bem comum da coletividade.
Atenção!!!
A administração pública em sentido amplo compreende: o governo (que toma as decisões políticas), a
estrutura administrativa e a administração (que executa essas decisões).
Em sentido estrito compreende apenas as funções administrativas de execução dos programas de
governo, prestação de serviços e demais atividades.
53 Paludo, Augustinho. Administração pública. – 3. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
2 Noções de Administração Pública. 2.1 Princípios Constitucionais da
Administração Pública. 2.2 Princípios Explícitos e Implícitos. 2.3 Ética na
Administração Pública.
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. 51
Vários conceitos são utilizados para definir a Administração Pública. Numa primeira divisão encontram-
se os conceitos relacionados à ciência administrativa e à ciência jurídica.
Quanto à ciência da Administração: Administração Pública é o ramo da Administração aplicada nas
Administrações direta e indireta das três esferas (ou níveis) de Governo: Federal, Estadual e Municipal.
Quanto à ciência jurídica: corresponde às atividades desenvolvidas pelos entes públicos, dentro dos
limites legais, com o fim de prestar serviços ao Estado e à sociedade em prol do bem comum. Nesse
sentido formal-jurídico só são considerados administração pública os órgãos e entidades que a lei
considera como tal.
A dimensão jurídica, oriunda do Direito Administrativo, permite apresentar dois conceitos específicos, e,
como complemento, um conceito operacional.
• O sentido subjetivo/formal/orgânico: corresponde ao conjunto de pessoas jurídicas e órgãos públicos
criado para realizar a função administrativa do Estado, cujas atividades são desempenhadas pelos seus
agentes – portanto, nesse sentido, temos as pessoas jurídicas de Direito Público Interno, as pessoas
jurídicas da Administração indireta, os órgãos da Administração direta e os agentes públicos.
O conjunto orgânico corresponde à Administração Pública direta e indireta dos três poderes. Para Hely
Lopes Meirelles os órgãos são “centros de competências instituídos para o desempenho de funções
estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem”. Hely
Meirelles classifica os órgãos em independentes, autônomos, superiores e subalternos:
Independentes: são os que têm sua origem na Constituição e não se submetem a nenhuma hierarquia
superior. Ex.: Presidência da República, Congresso Nacional, Senado, Câmara e Tribunais Judiciários.
Autônomos: encontram-se no topo da estrutura administrativa; estão imediatamente abaixo e
subordinados aos órgãos independentes. Ex.: Ministérios de Governo, Controladoria-Geral, Advocacia-
Geral da União.
Superiores: exercem funções de comando, direção e controle, e sujeitam-se ao controle hierárquico de
autoridade superior. Ex.: gabinetes, diretorias, secretarias, coordenadorias.
Subalternos: praticamente não detêm poder algum e atuam na execução de atividades. Ex.: portarias,
seções de atendimento ao público.
Atenção!!!
Podem existir órgãos na Administração indireta, quando forem desconcentradas competências
internamente, dentro da mesma pessoa jurídica: autarquia, fundação etc.
Os agentes são as pessoas físicas (eventualmente jurídicas: concessionários/permissionários) que
exercem alguma atividade estatal. Para a lei de improbidade administrativa o conceito é mais amplo, pois
inclui todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou
função na Administração Pública.
O conjunto de agentes apontados por Hely Lopes Meirelles inclui os agentes políticos, administrativos,
honoríficos e delegados:
Políticos – ocupam os escalões mais altos, e sua investidura ocorre mediante eleição, nomeação e
designação. Ex.: presidente, ministros, senadores, deputados, juízes.
Administrativos – são os diversos tipos de servidores públicos: civis (estatutários ou celetistas) e
militares.
Honoríficos – têm como características a transitoriedade e a ausência de remuneração. Ex.: mesários
eleitorais, jurados do Tribunal do Júri.
Delegados – executam determinada atividade, serviço ou obra mediante delegação do PoderPúblico.
Ex.: concessionários, permissionários, peritos, tradutores.
Credenciados – podem praticar atividade específica ou representar a Administração em determinado ato
– mediante pagamento.
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. 52
• O sentido Objetivo/Material/Funcional: corresponde à função administrativa propriamente dita e às
atividades necessárias à prestação dos serviços públicos em geral. Nesse conceito, inclui-se tanto a
função administrativa desempenhada pelo Governo (decisões de governo), quanto as desempenhadas
pelos órgãos e demais entes públicos (decisões administrativas e ações de execução).
Insere-se nesse contexto tanto a prestação dos serviços públicos, como a intervenção no domínio
econômico e o exercício do Poder de Polícia, e, ainda, o fomento e incentivo às atividades em geral de
interesse ou de utilidade pública.
Pode-se, ainda, utilizar o conceito operacional de Administração Pública, definido por Hely Meirelles
como “o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços do Estado, ou por ele assumido,
em benefício da coletividade”.
Características da Administração Pública
A Administração Pública possui as seguintes características principais:
É executora – a Administração, direta ou indiretamente, centralizada ou descentralizada, executa as
atividades desejadas pelo Estado, tendo em vista o bem-estar da coletividade. A atividade da
Administração Pública é de execução: presta serviços públicos e pratica atos administrativos através de
seus órgãos e agentes. Ela não pratica atos políticos nem atos de governo.
É instrumental – a Administração Pública não é um fim em si mesma, mas um instrumento do Estado
para a promoção do desenvolvimento do país e do bem comum da sociedade. É o meio de que se valem
o Estado e o Governo para realização de seus fins.
É hierarquizada – a estrutura da Administração Pública obedece a uma hierarquia, em que há
subordinação dos órgãos inferiores aos superiores. Os agentes lotados nos órgãos inferiores (ainda que
chefes hierárquicos) também obedecem às instruções das autoridades que comandam os órgãos
superiores.
Possui competência limitada – a Administração Pública só possui poder para decidir e comandar a área
de sua competência (competência específica). A competência, por sua vez, é estabelecida por lei e fixa
os limites da atuação administrativa, de seus órgãos e agentes.
Tem responsabilidade técnica – ao prestar serviços públicos e praticar atos administrativos, a
Administração Pública obedece a normas jurídicas e técnicas. O desvio dessas normas invalidará o ato
praticado e responsabilizará o agente que o praticou. Os agentes públicos são responsáveis pelos atos
que praticam, e estão sujeitos à prestação de contas perante a própria Administração, os órgãos de
controle e a sociedade.
Tem apenas poder administrativo – a Administração não tem poder político, mas apenas administrativo:
suas decisões se restringem a assuntos técnicos, financeiros e jurídicos, e todas as atividades
administrativas submetem-se aos princípios e normas vigentes no ordenamento jurídico.
É dependente – a função administrativa consiste em implementar as decisões tomadas pelo Governo,
pelo Legislativo ou pelo Judiciário (quando submetidas a sua apreciação). A Administração Pública,
portanto, é uma atividade dependente e vinculada às decisões/opções do Governo, dos poderes e dos
demais órgãos que detêm competência legal para fiscalização e controle de sua atuação.
É neutra – a Administração Pública deve tratar a todos igualmente. Como parte da estrutura do Estado,
perseguindo o bem comum da coletividade, não lhe é permitido afastar-se desse fim pretendido pelo
Estado e expresso pelas normas e princípios vigentes. Não pode, pois, a Administração
favorecer/discriminar pessoas, políticos, determinada categoria ou região, em detrimento dos demais, sob
pena de desvio de finalidade e ofensa ao ordenamento jurídico vigente.
Questões
01. (FBN - Assistente Administrativo - FGV) Administração Pública é o conjunto harmônico de princípios
jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta
e imediatamente os fins desejados pelo Estado.
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Assinale a afirmativa que indica os dois sentidos em que se divide o conceito de Administração Pública.
(A) Objetivo e funcional.
(B) Material e funcional.
(C) Objetivo e subjetivo.
(D) Subjetivo e orgânico.
02. (TJ-RO - Analista Judiciário – Administração – CESPE) A respeito da administração pública no
Brasil, assinale a opção correta.
(A) O Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) foi criado com o objetivo de fiscalizar o
controle burocrático realizado nas instituições.
(B) A administração pública, no seu aspecto formal, é o elenco de órgãos instituídos para a consecução
dos objetivos do Governo.
(C) A administração pratica atos de governo com maior ou menor autonomia.
(D) Cabe ao gestor da administração pública realizar quaisquer atividades desde que não conste
dispositivo legal que proíba.
(E) A substituição da administração pública burocrática pela administração pública gerencial deu-se em
virtude da incompatibilidade daquela administração com o capitalismo industrial e com as democracias
parlamentares surgidas no século XIX.
03. (TRE-PR - Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC) Com relação à conceituação da
Administração Pública, considere as afirmativas a seguir:
I. É o conjunto de órgãos constitucionais responsáveis pela função política do Estado, ou seja,
compreende as atividades típicas dos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário.
II. A Administração não pratica atos de governo; pratica tão somente atos de execução, com maior ou
menor autonomia funcional, segundo a competência dos órgãos e de seus agentes.
III. Administração Pública abrange as atividades exercidas pelas entidades, órgãos e agentes incumbidos
de atender concretamente às necessidades coletivas.
IV. Os poderes da Administração Pública são eminentemente instrumentais, ou seja, são instrumentos
conferidos à Administração e utilizados exclusivamente com a finalidade de satisfazer o interesse público.
V. À Administração Pública faculta-se agir somente de acordo com a Lei ou maneira a não afrontá-la, isto
é, pode fazer tudo aquilo que a Lei não proíbe.
Está correto o que se afirma em
(A) II e V, apenas.
(B) I, III e IV, apenas.
(C) II, III e IV, apenas.
(D) I, III, IV e V, apenas.
(E) I, II, III e IV, apenas.
04. (MPE-ES - Agente Técnico – Administrador – VUNESP) No sentido objetivo, material ou funcional,
a expressão Administração Pública compreende
(A) os entes que exercem a atividade administrativa.
(B) as pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos incumbidos de exercer a atividade administrativa.
(C) os órgãos administrativos e os órgãos governamentais.
(D) em sentido estrito, apenas os órgãos administrativos.
(E) a natureza da atividade exercida pelos entes que realizam a atividade administrativa.
Respostas
01. Resposta: C.
• O sentido subjetivo/formal/orgânico: corresponde ao conjunto de pessoas jurídicas e órgãos públicos
criado para realizar a função administrativa do Estado, cujas atividades são desempenhadas pelos seus
agentes – portanto, nesse sentido, temos as pessoas jurídicas de Direito Público Interno, as pessoas
jurídicas da Administração indireta, os órgãos da Administração direta e os agentes públicos.
• O sentido Objetivo/Material/Funcional: corresponde à função administrativa propriamente dita e às
atividades necessárias à prestação dos serviços públicos em geral. Nesse conceito, inclui-se tanto a
função administrativa desempenhada pelo Governo (decisões de governo), quanto as desempenhadas
pelos órgãos e demais entes públicos (decisões administrativas e ações de execução).
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02. Resposta: B.
O sentido subjetivo/formal/orgânico: corresponde ao conjunto de pessoas jurídicas e órgãos públicos
criado para realizar a função administrativa do Estado, cujas atividades são desempenhadas pelos seus
agentes – portanto, nesse sentido, temos as pessoas jurídicas de Direito Público Interno, as pessoas
jurídicas da Administração indireta, os órgãos da Administração direta e os agentes públicos.
03. Respostas: C.
A Administração compreende todo o aparato existente (estrutura e recursos; órgãos e agentes;
serviços e atividades) à disposição dos governos para a realização de seus objetivos políticos e do
objetivo maior e primordial do Estado: a promoção do bem comum da coletividade.
Em sentido amplo compreende: o governo (que toma as decisões políticas), a estrutura administrativa e
a administração (que executa essas decisões). Em sentido estrito compreende apenas as funções
administrativas de execução dos programas de governo, prestação de serviços e demais atividades.
04. Resposta: E.
O sentido Objetivo/Material/Funcional: corresponde à função administrativa propriamente dita e às
atividades necessárias à prestação dos serviços públicos em geral. Nesse conceito, inclui-se tanto a
função administrativa desempenhada pelo Governo (decisões de governo), quanto as desempenhadas
pelos órgãos e demais entes públicos (decisões administrativas e ações de execução).
PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Os Princípios da Administração Pública se encontram no artigo 37 da Constituição, a saber54:
“Art. 37 A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência”.
Perfazem um total de cinco princípios, podendo ser facilmente memorizados através da palavra LIMPE.
Vejam: L (legalidade), I (impessoalidade), M (moralidade), P (publicidade) e E (eficiência).
Esses princípios têm natureza meramente exemplificativa, posto que representam apenas o mínimo que
a Administração Pública deve perseguir quando do desempenho de suas atividades. Exemplos de
princípios implícitos: supremacia do interesse público, razoabilidade, motivação, segurança das relações
jurídicas.
Ressaltamos que não há hierarquia entre os princípios (expressos ou não), visto que tais diretrizes devem
ser aplicados de forma harmoniosa. Assim, a aplicação de um princípio não exclui a aplicação de outro e
nem um princípio se sobrepõe aos outros.
Os princípios da Administração abrangem a Administração Pública direta e indireta de quaisquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 37 da CF/88).
54 Princípios constitucionais da Administração Pública. Disponível em: http://jus.com.br/artigos/3489/principios-constitucionais-da-administracao-
publica/2#ixzz3hTZDFxTZ.
Princípios da Administração Pública. http://sitenovo.ceart.udesc.br/wpcontent/uploads/Principios_da_Administracao_Publica.pdf.
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Princípio da Legalidade
É fundamento do Estado democrático de direito, tendo por fim combater o poder arbitrário do Estado. Os
conflitos devem ser resolvidos pela lei e não mais através da força.
Dessa forma: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”
(art. 5º, II da CF).
O Princípio da legalidade estabelece um limite para a atuação do Poder Público ao mesmo tempo em que
expressa a garantia de que o Estado deverá atuar com base na lei. Já a iniciativa privada, vistas as
exigências do Estado para as empresas, são somente aquelas que estiverem previstas na lei.
No direito público, a atividade administrativa deve estar baseada numa relação de subordinação com a
lei, na qual “Administrar é aplicar a lei de ofício”, “É aplicar a lei sempre”. Já no direito privado, a atividade
desenvolvida pelos particulares deve estar baseada na não contradição com a lei.
Em outras palavras, o Estado pode fazer tudo o que a lei permite e a iniciativa privada pode fazer tudo o
que a lei não proíbe.
Existem algumas exceções a serem observadas:
1- Medidas provisórias: Atos com força de lei que só podem ser editados em matéria de relevância e
urgência. Deve ser editada dentro dos parâmetros constitucionais (requisitos da relevância e da urgência);
2- Estado de sítio e estado de defesa: Momentos de anormalidade institucional. São instituídos por um
decreto presidencial que poderá obrigar a fazer ou deixar de fazer - mesmo não sendo lei.
Princípio da Impessoalidade
Refere-se à neutralidade da administração em relação aos administrados, ficando proibida de estabelecer
discriminações gratuitas. Não pode haver favoritismo ou perseguição de nenhum contratado, e questões
pessoais não devem se interpor ao trabalho da administração pública. Só pode fazer discriminações que
se justifiquem em razão do interesse coletivo, pois as gratuitas caracterizam abuso de poder e desvio de
finalidade, que são espécies do gênero ilegalidade.
O administrador não pode contratar quem quiser, deve abrir concurso público, o qual pode trazer
discriminações relacionadas à natureza do cargo, mas não discriminações gratuitas, e deve-se respeitar
a ordem de classificação dos candidatos para o ingresso no serviço público.
Para contratação de serviços ou aquisição de bens deve-se abrir licitação, a qual também pode conter
discriminações, mas não gratuitas.
Na liquidação de seus débitos, a Administração tem que respeitar a ordem cronológica de apresentação
dos precatórios para evitar privilégios. Se for quebrada a ordem, pode gerar sequestro de verbas públicas,
crime de responsabilidade e intervenção federal.
“À exceção dos créditos de natureza alimentar, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual
ou Municipal, em virtude de sentença judiciária far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim” (art. 100 da CF).
Publicidade nos meios de comunicação de atos do governo:
“A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo, ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens
que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos” (art. 37, §1º da CF).
A publicidade dos atos de governo deve ser impessoal em razão dos interesses que o Poder Público
representa quando atua (também fere ao princípio da publicidade).
Princípio da Moralidade
A administração deve atuar com moralidade - tendo em vista que tal princípio integra o conceito de
legalidade. Decorre a conclusão de que ato imoral é ato ilegal, inconstitucional e, portanto, o ato
administrativo estará sujeito a um controle do Poder Judiciário. É preciso ter ética na conduta
administrativa. A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal,
devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum (nem tudo que é legal é moral).
“Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio
público ou entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
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patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e ônus
de sucumbência” (art. 5º, LXXIII da CF). Já a “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação
popular” (súmula 365 do STF).
Da imoralidade administrativa:
Atos de improbidade administrativa que importem em enriquecimento ilícito (art. 9ºda Lei 8429/92).
Atos de improbidade administrativa que importem em prejuízo ao erário (art. 10 da Lei 8429/92).
Atos de improbidade administrativa que atentem contra os princípios da Administração (art. 11 da Lei
8429/92).
É crime de responsabilidade o ato do Presidente da República que atente contra a Constituição Federal,
especialmente contra probidade administrativa (art. 85, V da CF).
A Lei n. 8.429/92, no art. 9.º, apresentou, exemplificativamente, as hipóteses de atos de improbidade
administrativa:
a) Usar bens e equipamentos públicos com finalidade particular;
b) Intermediar liberação de verbas;
c) Estabelecer contratação direta quando a lei manda licitar;
d) Vender bem público abaixo do valor de mercado;
e) Adquirir bens acima do valor de mercado (superfaturamento).
Princípio da Publicidade
Significa que a administração tem o dever de manter plena transparência de todos os atos que praticar e
de todos os seus comportamentos, inclusive de oferecer informações que estejam armazenadas em seus
bancos de dados, quando sejam solicitadas, em razão dos interesses que ela representa quando atua.
Assim, deve dar total transparência a todos os atos que praticar, uma vez que o ato administrativo não
pode ser sigiloso. Este princípio se refere à obrigatória divulgação dos atos da Administração Pública,
com o objetivo de permitir seu conhecimento e controle pelos órgãos estatais competentes e por toda a
sociedade.
“Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado” (art. 5º, XXXIII da CF). O prazo
para que as informações sejam prestadas é de 15 dias (Lei 9051/95).
“A lei disciplinará as formas de participação do usuário na Administração direta e indireta, regulando
especialmente o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,
observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII” (art. 37, §3º, II da CF).
Ressalta-se que a publicidade só será admitida se tiver fim educativo, informativo ou de orientação social,
proibindo-se a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos por meio de nomes, símbolos e
imagens.
Exceções podem ser apontadas (art. 37, § 3.º, II, da CF/88):
-Quando os atos e atividades se relacionarem com a segurança nacional
-Quando o conteúdo da informação for resguardado por sigilo
Princípio da Eficiência
A Administração Pública deve buscar um aperfeiçoamento na prestação dos serviços públicos, mantendo
ou melhorando a qualidade dos serviços, com economia de despesas. O princípio da eficiência é de
suma importância nas mais diversas searas em que a Administração Pública atua, desde a contratação
e exoneração de agentes públicos até a prestação de seus serviços.
“A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas
ou provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista
em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração” (art. 37, II da CF) - também presente no princípio da impessoalidade.
“A União, os Estados, e o Distrito Federal manterão escolas de governo para formação e aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos como um dos requisitos para a
promoção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes
federados” (art. 39, §2º da CF).
O servidor nomeado para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público submete-se a um
estágio probatório de 3 anos, em que o administrador irá apurar a eficiência na prática (art. 41 da CF).
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Exemplos: O administrador verificará a frequência, o rendimento no trabalho, o cumprimento de ordens
emitidas pelo superior.
“Como condição à aquisição de estabilidade, o servidor está submetido à avaliação de desempenho por
uma comissão constituída para essa finalidade” (art. 41, §4º da CF): Trata-se de uma norma de eficácia
limitada, pois está na inteira dependência de uma lei que dirá quem vai integrar a comissão, quais serão
os critérios, quais matérias serão avaliadas, etc.
O servidor público estável poderá perder o cargo em razão de insuficiência de desempenho, mediante
procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complementar, assegurada a ampla
defesa e contraditório (art. 41, III da CF): Trata-se de uma norma de eficácia limitada, pois está na inteira
dependência da lei.
“A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não
poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar” (art. 169 da CF).
A Lei Complementar 101/00 estabeleceu que a União não pode gastar com seu pessoal mais de 50% do
que arrecada. Já os Municípios e os Estados não podem gastar mais de 60% do que arrecadam. Para
cumprimento destes limites acima, o Poder Público pode tomar algumas medidas (art. 169, §3º da CF):
Redução de pelo menos 20% das despesas com servidores que titularizem cargo em comissão e função
de confiança (art. 169, §3º, I da CF).
Exoneração dos servidores não estáveis (art. 169, §3º, II da CF).
Se as medidas acima não forem suficientes, dispensarão servidores estáveis, desde que o ato normativo
especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto de redução de pessoal (art.
169, §4º da CF). O Poder Público deve demonstrar porque a escolha recaiu em determinado servidor,
tendo em vista que os critérios não são livres, isto é, deve considerar o tempo de serviço, a remuneração
percebida, o número de dependentes, a idade do servidor, etc.
Assim, o servidor público pode perder o cargo por excesso de quadro ou despesa, quando o Poder Público
estiver gastando mais do que lhe for permitido, sendo assegurados o contraditório e a ampla defesa.
“A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e
indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder
público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para órgão ou entidade, cabendo à lei
dispor sobre: o prazo de duração do contrato; os controles e critérios de avaliação de desempenho,
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes, a remuneração do pessoal” (art. 37, §8º, I, II e III
da CF): Trata-se do contrato de gestão através do qual se oferece maior autonomia às Autarquias e
Fundações em troca do atingimento, durante prazo certo e determinado, de novas metas de desempenho
(Agências executivas).
“Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas decorrentes de cada órgão, autarquia e
fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e
desenvolvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a
forma de adicional ou prêmio de produtividade” (art. 39, §7º da CF).
Princípios Secundários da Administração Pública55
Além dos princípios que estão no art. 37, este segundo grupo trata dos princípios que são os implícitos
no texto constitucional. Também são conhecidos como princípios infraconstitucionais e derivam de outras
legislações esparsas e específicas.
55 http://principios-constitucionais.info/direito-administrativo/principios-da-administracao-publica.html. Acesso em: 23.07.2015
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Princípio da Supremacia do Interesse Público
O princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privadoé intimamente unido em toda e
qualquer sociedade organizada. Segundo a própria CF, “todo o poder emana do povo”, por isso, o
interesse público irá trazer o benefício e bem-estar à população.
A Administração Pública, na prática de seus atos, deve sempre respeitar a lei e zelar para que o interesse
público seja alcançado. Natural, assim, que sempre que constate que um ato administrativo foi expedido
em desconformidade com a lei, ou que se encontra em rota de colisão com os interesses públicos, tenham
os agentes públicos a prerrogativa administrativa de revê-los, como uma natural decorrência do próprio
princípio da legalidade.
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público
Este princípio é o segundo pilar do regime jurídico-administrativo, funcionando como contrapeso ao
princípio da Supremacia do Interesse Público.
Ao mesmo tempo em que a Administração tem prerrogativas e poderes exorbitantes para atingir seus fins
determinados em lei, ela sofre restrições, limitações que não existem para o particular. Essas limitações
decorrem do fato de que a Administração Pública não é proprietária da coisa pública, não é proprietária
do interesse público, mas sim, mera gestora de bens e interesses alheios que pertencem ao povo.
Em decorrência deste princípio, a Administração somente pode atuar pautada em lei. A Administração
somente poderá agir quando houver lei autorizando ou determinando a sua atuação. A atuação da
Administração deve, então, atender o estabelecido em lei, único instrumento capaz de retratar o que seja
interesse público. Assim, o princípio da Indisponibilidade do Interesse Público tem estreita relação com o
princípio da Legalidade, sendo que alguns autores utilizam essas expressões como sinônimas.
Este princípio também se encontra implícito em nosso ordenamento, surgindo sempre que estiver em
jogo o interesse público. Exemplos da utilização deste princípio na prática:
- os bens públicos não são alienados como os particulares, havendo uma série de restrições a sua venda.
- em regra, a Administração não pode contratar sem prévia licitação, por estar em jogo o interesse público.
- necessidade de realização de concurso público para admissão de cargo permanente.
Princípio da Finalidade
É dever do administrador público buscar os resultados mais práticos e eficazes. Esses resultados devem
estar ligados às necessidades e aspirações do interesse público.
"Esse princípio impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue com
rigorosa obediência à finalidade de cada qual. Isto é, cumpre-lhe cingir-se não apenas à finalidade própria
de todas as leis, que é o interesse público, mas também à finalidade específica obrigada na lei a que
esteja dando execução" (Mello).
Enfim, o princípio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o
ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei.
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Princípio da Igualdade
O art. 5º da CF prevê que todos temos direitos iguais sem qualquer distinção. Para o administrador não
é diferente. Ele não pode distinguir as situações, sendo obrigado, por lei, a agir de maneira igual em
situações iguais e desigual em situações desiguais.
Aristóteles afirmava que a lei tinha que dar tratamento desigual às pessoas que são desiguais e igual aos
iguais. A igualdade não exclui a desigualdade de tratamento indispensável em face da particularidade da
situação. Como exemplo, podemos pensar em um portador de necessidades físicas especiais para
locomoção. Já que ele está em uma situação desigual, um tratamento desigual é demandado para que
ele esteja em condições de acesso e locomoção equivalentes aos demais, por meio de rampas de acesso
e outras estruturas (o tratamento desigual cabe apenas no quesito de acessibilidade).
A lei só poderá estabelecer discriminações se o fator de discriminação utilizado no caso concreto estiver
relacionado com o objetivo da norma, pois, caso contrário, ofenderá o princípio da isonomia. Ex: A idade
máxima de 60 anos para o cargo de estivador está relacionada com o objetivo da norma.
A lei só pode tratar as pessoas de maneira diversa se a distinção entre elas justificar tal tratamento, senão
seria inconstitucional. Assim, trata diferentemente para alcançar uma igualdade real (material,
substancial) e não uma igualdade formal.
“Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos sem
preconceitos de origem, raça, sexo, cor idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, IV da
Constituição Federal).
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” (art. 5º da Constituição Federal).
“São direitos dos trabalhadores: Proibição de diferença de salário, de exercício de funções e de critério
de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil” (art. 7º, XXX da Constituição Federal).
Princípio da Lealdade e boa-fé
O princípio da legalidade e boa-fé resume-se em que o administrador não deve agir com malícia ou de
forma astuciosa para confundir ou atrapalhar o cidadão no exercício de seus direitos; deve agir de acordo
com a lei e com bom-senso.
A boa-fé pode ser entendida como expressão da sinceridade, veracidade e franqueza. A boa-fé
representa o contrário da mentira, hipocrisia, duplicidade, rechaçando, assim, dissimulações e artifícios,
ou seja, todas as possíveis formas da má-fé56.
Dando continuidade à análise do significado da boa-fé, deve-se observar outra perspectiva a ser citada
que é a da ligação existente entre a boa-fé e a ética. A palavra ética, em grego, significa caráter e, de
acordo com a interpretação feita por Aristóteles, ética é a busca do bem.
Princípio da Motivação
Para todas as ações dos servidores públicos deve existir uma explicação, um fundamento de base e
direito. O princípio da motivação é o que vai fundamentar todas as decisões que serão tomadas pelo
agente público.
Motivação segundo o Estatuto do servidor público da União (Lei 8112/90):
Segundo o artigo 140 da Lei 8112/90, motivar tem duplo significado. Assim, o ato de imposição de
penalidade sempre mencionará o fundamento legal (dispositivos em que o administrador baseou sua
decisão) e causa da sanção disciplinar (fatos que levarão o administrador a aplicar o dispositivo legal
àquela situação concreta).
A lei, quando é editada é genérica, abstrata e impessoal, portanto é preciso que o administrador
demonstre os fatos que o levaram a aplicar aquele dispositivo legal para o caso concreto. Só através dos
fatos que se pode apurar se houve razoabilidade (correspondência) entre o que a lei abstratamente prevê
e os fatos concretos levados ao administrador.
Falta de motivação:
A falta de motivação leva à invalidação, à ilegitimidade do ato, pois não há o que falar em ampla defesa
e contraditório se não há motivação. Os atos inválidos por falta de motivação estarão sujeitos também a
um controle pelo Poder Judiciário.
56 COMTE-SPONVILLE, 2004, p. 214.
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Motivação nas decisões proferidas pelo Poder Judiciário:
Se até mesmo no exercício de funções típicas pelo Judiciário, a Constituição exige fundamentação, a
mesma conclusão e, por muito maior razão, aplica-se à Administração quando da sua função atípica ou
principal.
“Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as
decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias
partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade
do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação” (art. 93, IX da CF).
“As decisões administrativas dos tribunais serão motivadas, sendo as disciplinarestomadas pelo voto da
maioria absoluta de seus membros” (art. 93, X da CF).
Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade
Na medida que o administrador público deva estrita obediência à lei (princípio da legalidade) e tenha
como dever absoluto a busca da satisfação dos interesses públicos (princípio da finalidade), há que se
pressupor que a prática de atos administrativos discricionários se processe dentro de padrões estritos
de razoabilidade, ou seja, com base em parâmetros objetivamente racionais de atuação e sensatez.
Deveras, ao regular o agir da Administração Pública, não se pode supor que o desejo do legislador seria
o de alcançar a satisfação do interesse público pela imposição de condutas bizarras, descabidas,
despropositadas ou incongruentes dentro dos padrões dominantes na sociedade e no momento histórico
em que a atividade normativa se consuma. Ao revés, é de se supor que a lei tenha a coerência e a
racionalidade de condutas como instrumentos próprios para a obtenção de seus objetivos maiores. Dessa
noção indiscutível, extrai-se o princípio da razoabilidade: Em boa definição, é o princípio que determina à
Administração Pública, no exercício de faculdades, o dever de atuar em plena conformidade com critérios
racionais, sensatos e coerentes, fundamentados nas concepções sociais dominantes.
O princípio da razoabilidade tem o objetivo de proibir o excesso, com a finalidade de evitar as restrições
abusivas ou desnecessárias realizadas pela Administração Pública. Esse princípio envolve o da
proporcionalidade, assim as competências da Administração Pública devem ser feitas proporcionalmente,
sendo ponderadas, segundo as normas exigidas para cumprimento da finalidade do interesse público.
Pode-se entender que, se a administração pública fizer menos do que está previsto na lei, é uma conduta
abusiva e, se fizer a mais, também é abuso. Deve-se seguir o limite do que é estabelecido em lei, sem
excesso ou escassez.
Outros Princípios:
Princípio da Autotutela
A Administração Pública tem possibilidade de revisar (rever) seus próprios atos, devendo anulá-los por
razões de ilegalidade (quando nulos) e podendo revogá-los por razões de conveniência ou oportunidade
(quando inoportunos ou inconvenientes).
“A Administração pode declarar a nulidade dos seus próprios atos” (súmula 346 STF).
-Anulação: Tanto a Administração como o Judiciário pode anular um ato administrativo. A anulação gera
efeitos “ex tunc”, isto é, retroage até o momento em que o ato foi editado, com a finalidade de eliminar
todos os seus efeitos até então.
-Revogação: Somente a Administração pode fazê-la. Caso o Judiciário pudesse rever os atos por razões
de conveniência ou oportunidade, estaria ofendendo a separação dos poderes. A revogação gera efeitos
“ex nunc”, pois até o momento da revogação o ato era válido.
Anulação Revogação
Fundamento Por razões de ilegabilidade Por razões de conveniência e
oportunidade
Competência Administração e Judiciário Administração
Efeitos Gera efeitos “ex tunc” Gera efeitos “ex nunc”
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. 61
Princípio da Continuidade da Prestação do Serviço Público
A execução de um serviço público não pode vir a ser interrompida. Assim, a greve dos servidores públicos
não pode implicar em paralisação total da atividade, caso contrário será inconstitucional (art. 37, VII da
CF).
Não será descontinuidade do serviço público:
Serviço público interrompido por situação emergencial (art. 6º, §3º da lei 8987/95): Interrupção resultante
de uma imprevisibilidade. A situação emergencial deve ser motivada, pois resulta de ato administrativo.
Se a situação emergencial decorrer de negligência do fornecedor, o serviço público não poderá ser
interrompido:
- Serviço público interrompido, após aviso prévio, por razões de ordem técnica ou de segurança das
instalações (art. 6º, §3º, I da lei 8987/95).
- Serviço público interrompido, após aviso prévio, no caso de inadimplência do usuário, considerado o
interesse da coletividade (art. 6º, §3º, II da lei 8987/95): Cabe ao fornecedor provar que avisou e não ao
usuário, por força do Código de Defesa do Consumidor. Se não houver comunicação, o corte será ilegal
e o usuário poderá invocar todos os direitos do consumidor, pois o serviço público é uma relação de
consumo, já que não deixa de ser serviço só porque é público.
Questões
01. (TRT-3ª Região – Técnico Judiciário – FCC/2015) A Administração pública deve nortear sua
conduta baseada em certos princípios. Assim, entre os princípios expressamente informados na
Constituição Federal, NÃO se incluem os princípios da
(A) moralidade e eficiência.
(B) legalidade e publicidade.
(C) entidade e indisponibilidade.
(D) impessoalidade e publicidade.
(E) legalidade e moralidade.
02. (DPE-MT – Assistente Administrativo – FGV/2015) A respeito dos princípios da Administração
Pública, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
( ) O princípio da continuidade estabelece que os serviços públicos não podem ser paralisados, pois as
necessidades da população são incessantes.
( ) O princípio da impessoalidade significa que qualquer atividade da gestão pública deve ser dirigida a
todos os cidadãos.
( ) O princípio da moralidade determina que os atos da gestão pública são condicionados por princípios
éticos.
As afirmativas são, respectivamente,
(A) V, V e V.
(B) V, V e F.
(C) V, F e V.
(D) F, V e V.
(E) F, F e V.
03. (TJ-SC – Analista Administrativo – FGV/2015) A Administração Pública brasileira é regida por
princípios definidos na Constituição de 1988. Estes determinam condições para o bom funcionamento do
aparelho do Estado e órgãos públicos, orientando principalmente a ação dos servidores públicos no
exercício de suas funções. O servidor que, no exercício de sua função, realiza ações legais de forma
oculta ou interfere na fiscalização de qualquer tipo de atividade contraria o princípio da:
(A) legalidade;
(B) impessoalidade;
(C) moralidade;
(D) publicidade;
(E) eficiência.
04. (TRT 38ª Região – GO- Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC) A Administração pública
tem como finalidade
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(A) a prestação de serviços aos cidadãos.
(B) a conservação e aprimoramento de bens públicos.
(C) a limitação dos princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas.
(D) a ampliação da estrutura constitucional do Estado.
(E) o estabelecimento de alicerces da formalidade e da materialidade.
05. (FUB - Auxiliar em Administração – CESPE/2016) Com relação à administração pública, julgue o
item que se segue.
Como um dos princípios da administração pública brasileira, a publicidade destina-se a garantir a
transparência dos atos dos agentes públicos
( ) Certo ( ) Errado
06. (SEGEP-MA - Técnico da Receita Estadual - Tecnologia da Informação - Conhecimentos Gerais
- FCC/2016) São princípios da Administração pública expressos na Constituição brasileira:
(A) moralidade e eficiência.
(B) legalidade e proporcionalidade.
(C) eficiência e razoabilidade.
(D) motivação e publicidade.
(E) moralidade e proporcionalidade.
Respostas
01. Resposta C.
Lembrem-se do macete: LIMPE - L (legalidade), I (impessoalidade), M (moralidade), P (publicidade)
e E (eficiência).
02. Resposta: A.
Princípio da continuidade: via de regra, os serviços públicos não podem ser interrompidos, não podem
ser paralisados. Exemplo da exceção é a INADIMPLÊNCIA.
Princípio da impessoalidade: abrange os princípios da finalidade (a administração pública deve buscar
a satisfação do interesse público) e isonomia (tratar os iguais de maneira igual e os desiguais de forma
desigual).
Princípio da moralidade: O administrador deve respeitar aos princípios éticos. Sendo assim, deve
cumprir seu dever funcional de acordo como manda a lei,respeitando a moralidade administrativa.
03. Resposta: D.
O princípio da publicidade significa que a administração tem o dever de manter plena transparência de
todos os atos que praticar e de todos os seus comportamentos, inclusive de oferecer informações que
estejam armazenadas em seus bancos de dados, quando sejam solicitadas, em razão dos interesses que
ela representa quando atua.
04. Resposta A.
A Administração Pública tem como fim a realização do bem comum, atendendo ao interesse da
coletividade, desde a proteção das fronteiras, segurança da paz, até as mínimas necessidades comuns
das pessoas.
05. Resposta: Certo.
O Princípio da PUBLICIDADE apresenta uma dupla acepção em face do sistema decorrente da CF/88, a
saber:
A - exigência de publicação oficial, como requisito de eficácia, dos atos administrativos que devam
produzir efeitos externos e dos atos que impliquem ônus para o patrimônio público;
B - exigência de transparência da atuação administrativa.
06. Resposta: A.
CF/88 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
Legalidade
Impessoalidade
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Moralidade
Publicidade
Eficiência
Ética no Serviço Público
A questão ética é um fator imprescindível para uma sociedade e por isso sempre encontramos diversos
autores tentando definir o que vem a ser ética e como ela se interfere em uma sociedade.
O tema: Ética é por si só polêmico, entretanto causa ainda mais inquietação quando falamos sobre a ética
na administração pública, pois logo pensamos em corrupção, extorsão, ineficiência, etc., mas na realidade
o que devemos ter como ponto de referência em relação ao serviço público, ou na vida pública em geral,
é que seja fixado um padrão a partir do qual possamos em seguida julgar a atuação dos servidores
públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na vida pública, entretanto não basta que haja padrão,
tão somente, é necessário que esse padrão seja ético, acima de tudo.
Adentrando no estudo da ética relacionada ao serviço público, vale destacar que, se a Ética, num sentido
amplo, é composta por ao menos dois elementos - a Moral e o Direito (justo); no caso da disciplina da
Ética no Setor Público a expressão é adotada num sentido estrito. Ética corresponde ao valor do justo,
previsto no Direito vigente, o qual é estabelecido com um olhar atento às prescrições da Moral para a vida
social. Em outras palavras, quando se fala em ética no âmbito do Estado não se deve pensar apenas na
Moral, mas sim em efetivas normas jurídicas que a regulamentam, o que permite a aplicação de sanções.
A ética no serviço público corresponde ao valor de justiça previsto no Direito vigente, observando-se não
só os valores morais, mas efetivamente as normas jurídicas que regulam essa moral, o que permite
aplicação de sanção.
Os valores éticos na função pública visam que o interesse da Administração Pública sejam mantidos em
prol da sociedade, ou seja, há a separação do interesse privado do interesse público pelo servidor público.
Assim, a desobediência da ética no âmbito da Administração Pública gera coação, já que regulamentado
por norma jurídica. Por exemplo, o desrespeito ao princípio da moralidade, caracteriza improbidade
administrativa e o servidor público pode sofrer sanção.
A ética pública seria a moral incorporada ao Direito, consolidando o valor do justo. Diante da relevância
social de que a Ética se faça presente no exercício das atividades públicas, as regras éticas para a vida
pública são mais do que regras morais, são regras jurídicas estabelecidas em diversos diplomas do
ordenamento, possibilitando a coação em caso de infração por parte daqueles que desempenham a
função pública.
O Estado tem que se conduzir por valores éticos morais e impostos pelo Direito, o que é feito através dos
agentes públicos que compõe a Administração Pública e mantém a estrutura da sociedade.
Segundo Nalini57, o princípio fundamental seria o de agir de acordo com a ciência, se mantendo sempre
atualizado, e de acordo com a consciência, sabendo de seu dever ético; tomando-se como princípios
específicos:
- Princípio da conduta ilibada - conduta irrepreensível na vida pública e na vida particular.
- Princípio da dignidade e do decoro profissional - agir da melhor maneira esperada em sua profissão e
fora dela, com técnica, justiça e discrição.
- Princípio da incompatibilidade - não se deve acumular funções incompatíveis.
- Princípio da correção profissional - atuação com transparência e em prol da justiça.
- Princípio do coleguismo - ciência de que você e todos os demais operadores do Direito querem a mesma
coisa, realizar a justiça.
- Princípio da diligência - agir com zelo e escrúpulo em todas funções.
- Princípio do desinteresse - relegar a ambição pessoal para buscar o interesse da justiça.
- Princípio da confiança - cada profissional de Direito é dotado de atributos personalíssimos e
intransferíveis, sendo escolhido por causa deles, de forma que a relação estabelecida entre aquele que
busca o serviço e o profissional é de confiança.
- Princípio da fidelidade - Fidelidade à causa da justiça, aos valores constitucionais, à verdade, à
transparência.
- Princípio da independência profissional - a maior autonomia no exercício da profissão do operador do
Direito não deve impedir o caráter ético.
- Princípio da reserva - deve-se guardar segredo sobre as informações que acessa no exercício da
profissão.
- Princípio da lealdade e da verdade - agir com boa-fé e de forma correta, com lealdade processual.
57 NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.
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- Princípio da discricionariedade - geralmente, o profissional do Direito é liberal, exercendo com boa
autonomia sua profissão.
- Outros princípios éticos, como informação, solidariedade, cidadania, residência, localização,
continuidade da profissão, liberdade profissional, função social da profissão, severidade consigo mesmo,
defesa das prerrogativas, moderação e tolerância.
Há também as diretivas de leis específicas sobre a ética no setor público que partem da Constituição
Federal, no qual estabelece alguns princípios fundamentais para a ética no setor público. Em outras
palavras, é o texto constitucional do artigo 37, especialmente o caput, que permite a compreensão de boa
parte do conteúdo das leis específicas, porque possui um caráter amplo ao preconizar os princípios
fundamentais da administração pública. Estabelece a Constituição Federal:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...]
São princípios da administração pública, nesta ordem:
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiência
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza
esperada da Administração Pública.
Neste contexto, podemos verificar que a ética está diretamente relacionada ao padrão de comportamento
do indivíduo, dos profissionais e também do político. O ser humano elaborou as leis para orientar seu
comportamento frente as nossas necessidades (direitos e obrigações) e em relação ao meio social,
entretanto, não é possível para a lei ditar nosso padrão de comportamento e é aí que entra outro ponto
importante que é a cultura, ficando claro que não a cultura no sentido de quantidade de conhecimento
adquirido, mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em prolda função social, do bem
estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do ser humano, este sim é o ponto fundamental, a
essência, o ponto mais controverso quando tratamos da questão ética na vida pública.
Frequentemente constatamos a opinião pública desabonar o comportamento ético no serviço público. A
crítica feita pela sociedade, decerto, como todo senso comum é imediatista e baseada em uma visão
superficial da realidade, que entre outras coisas, trabalha com generalizações, colocando no mesmo “rol”
servidores, gerentes e políticos. De fato, sabe-se que essa é uma realidade complexa e que precisa ser
analisada com cautela e visão histórica, recomendando-se tratar cada situação separadamente, dentro
de seu contexto e não de forma simplista e apressada.
É verdade que aquilo que a sociedade fala sobre o serviço público é o que se vê na prática através da
morosidade, do descaso, do empreguismo, improbidade administrativa, má conservação dos bens
públicos é motivo de descrédito da sociedade. A sociedade não tem condições de saber de quem é a
responsabilidade, na ausência de tais esclarecimentos faz generalizações distorcidas, impregnadas por
preconceitos que definem os funcionários públicos como preguiçosos, incompetentes e procrastinadores,
quando, de fato, existem pessoas que agem dessa forma, assim como em qualquer empresa, mas
existem também pessoas altamente qualificadas e preocupadas com o serviço público e com o bem
comum.
Diferente do que vem sendo posto em prática, as empresas éticas devem estimular e oportunizar o
advento da consciência crítica de seus colaboradores, clientes e parceiros, e não impor que eles aceitem
o que lhes é apresentado. É um ato humano e ético não aceitar verdades prontas, de forma imposta, mas
aquelas que a consciência crítica aponta como aceitáveis. É o ser humano quem deve decidir em quem
acreditar. As organizações éticas buscam na prática, se tornar honestas, justas, verdadeiras e
democráticas, por uma questão de princípio e não de conveniências na maioria das vezes muito embora
esse tipo de agir também traga sucesso e reconhecimento. As empresas éticas devem escolher seus
líderes e colaboradores considerando tanto suas qualidades técnicas, quanto éticas. Mesmo sabendo-se
que o ser humano está suscetível à falhas, uma boa política de Recursos Humanos, ou uma ótima
empresa e banca examinadora no caso dos órgãos públicos diminuem os riscos de práticas lesivas ao
patrimônio público.
Além da ética individual a empresa que almeja ser ética deverá refletir seu modo de ser, pois quando se
conquista a consideração e a confiança dos colaboradores desenvolve a lealdade e compromisso
necessários ao crescimento e estabilidade da organização.
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Quando a empresa conquista a confiança e o respeito de seus empregados desenvolve a lealdade e o
compromisso com ela. Estudos confirmam que as empresas mais éticas são as mais bem-sucedidas,
pois nas últimas décadas elas vêm tomando consciência disso e descobrindo que o ser humano, ou seja,
os clientes, colaboradores, sociedade, fornecedores, etc., são as coisas mais importantes na organização,
portanto devem agir de forma a fazer com que eles as admire, respeite, ame e não queira substituí-las
por outras empresas.
Em meio a tantas altercações em relação à ética na política, a generalização da corrupção tornou-se
evidente no setor público, um exemplo recente é a máfia das sanguessugas, mas não se deve esquecer
que existem pessoas muito éticas e conscientes em todas as organizações. Como se percebe, há uma
cobrança cada vez maior nos últimos anos por parte da sociedade por transparência e probidade, tanto
no trato da coisa pública, como no fornecimento de produtos e serviços ao mercado. A legislação
constitucional e a infraconstitucional têm possibilitado um acompanhamento mais rigoroso da matéria,
permitindo que os órgãos de fiscalização e a sociedade em geral adotem medidas judiciais necessárias
para coibir os abusos cometidos pelas empresas, espera-se que a impunidade não impere nas
investigações de ilicitudes.
A falta de ética nasce nas estruturas administrativas devido ao terreno fértil encontrado ocasionado pela
existência de governos autoritários, no qual são regidos por políticos sem ética, sem critérios de justiça
social e que, mesmo após o aparecimento de regimes democrático, continuam contaminados pela doença
da desonestidade, dos interesses escusos geralmente oriundos de sociedades dominadas por situações
de pobreza e injustiça social, abala a confiança das instituições, prejudica a eficácia das organizações,
aumenta os custos, afeta o bom uso dos recursos públicos e compromete a imagem da organização e
ainda castiga cada vez mais a sociedade que sofre com a pobreza, com a miséria, a falta de sistema de
saúde, de esgoto, habitação, ocasionados pela falta de investimentos financeiros do Governo, porque os
funcionários públicos priorizam seus interesses pessoais em detrimento dos interesses sociais.
A mudança que se deseja na Administração pública sugere numa gradativa, mas necessária
transformação cultural dentro da estrutura organizacional da Administração Pública, isto é, uma
reavaliação e valorização das tradições, valores morais e educacionais que nascem em cada um de nós
e se forma ao longo do tempo criando assim um determinado estilo de atuação no seio da organização
baseada em valores éticos.
Além destes cinco princípios administrativo-constitucionais diretamente selecionados pelo constituinte e
dos demais citados acima, podem ser apontados como princípios de natureza ética relacionados à função
pública a probidade e a motivação:
a) Princípio da probidade: um princípio constitucional incluído dentro dos princípios específicos da
licitação, é o dever de todo o administrador público, o dever de honestidade e fidelidade com o Estado,
com a população, no desempenho de suas funções. Possui contornos mais definidos do que a
moralidade. Diógenes Gasparini58 alerta que alguns autores tratam veem como distintos os princípios da
moralidade e da probidade administrativa, mas não há características que permitam tratar os mesmos
como procedimentos distintos, sendo no máximo possível afirmar que a probidade administrativa é um
aspecto particular da moralidade administrativa.
b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao administrador de motivar todos os atos que edita,
gerais ou de efeitos concretos. É considerado, entre os demais princípios, um dos mais importantes, uma
vez que sem a motivação não há o devido processo legal, uma vez que a fundamentação surge como
meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato impugnado, sendo verdadeiro meio de
viabilização do controle da legalidade dos atos da Administração.
Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso concreto e relacionar os fatos que
concretamente levaram à aplicação daquele dispositivo legal. Todos os atos administrativos devem ser
motivados para que o Judiciário possa controlar o mérito do ato administrativo quanto à sua legalidade.
Para efetuar esse controle, devem ser observados os motivos dos atos administrativos.
Em relação à necessidade de motivação dos atos administrativos vinculados (aqueles em que a lei aponta
um único comportamento possível) e dos atos discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites nela
previstos, aponta um ou mais comportamentos possíveis, de acordo com um juízo de conveniência e
oportunidade), a doutrina é uníssona na determinação da obrigatoriedade de motivação com relação aos
atos administrativos vinculados; todavia, diverge quanto à referida necessidade quanto aos atos
discricionários.
Meirelles59 entende que o ato discricionário, editado sob os limites da Lei, confere ao administrador uma
margem de liberdade para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não sendo necessária a58 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
59 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1993.
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motivação. No entanto, se houver tal fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da
necessidade de observância da Teoria dos Motivos Determinantes. O entendimento majoritário da
doutrina, porém, é de que, mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação para que se saiba qual
o caminho adotado pelo administrador. Gasparini60, com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta
inclusive a superação de tais discussões doutrinárias, pois o referido artigo exige a motivação para todos
os atos nele elencados, compreendendo entre estes, tanto os atos discricionários quanto os vinculados.
Em suma, é necessária obediência aos princípios éticos que regem a administração pública pelos
servidores para uma boa gestão pública e, consequentemente, manutenção da sociedade. Dessa forma,
a ética consolidada no ordenamento jurídico e inerente ao Estado, garante a preservação dos interesses
da coletividade.
Quando falamos sobre ética pública, logo pensamos em corrupção, extorsão, ineficiência, etc., mas na
realidade o que devemos ter como ponto de referência em relação ao serviço público, ou na vida pública
em geral, é que seja fixado um padrão a partir do qual possamos, em seguida julgar a atuação dos
servidores públicos ou daqueles que estiverem envolvidos na vida pública, entretanto não basta que haja
padrão, tão somente, é necessário que esse padrão seja ético, acima de tudo.
O fundamento que precisa ser compreendido é que os padrões éticos dos servidores públicos advêm de
sua própria natureza, ou seja, de caráter público, e sua relação com o público. A questão da ética pública
está diretamente relacionada aos princípios fundamentais, sendo estes comparados ao que chamamos
no Direito, de "Norma Fundamental", uma norma hipotética com premissas ideológicas e que deve reger
tudo mais o que estiver relacionado ao comportamento do ser humano em seu meio social, aliás, podemos
invocar a Constituição Federal. Esta ampara os valores morais da boa conduta, a boa-fé acima de tudo,
como princípios básicos e essenciais a uma vida equilibrada do cidadão na sociedade, lembrando
inclusive o tão citado, pelos gregos antigos, "bem viver".
Outro ponto bastante controverso é a questão da impessoalidade. Ao contrário do que muitos pensam, o
funcionalismo público e seus servidores devem primar pela questão da "impessoalidade", deixando claro
que o termo é sinônimo de "igualdade", esta sim é a questão chave e que eleva o serviço público a níveis
tão ineficazes, não se preza pela igualdade. No ordenamento jurídico está claro e expresso, "todos são
iguais perante a lei".
E também a ideia de impessoalidade, supõe uma distinção entre aquilo que é público e aquilo que é
privada (no sentido do interesse pessoal), que gera portanto o grande conflito entre os interesses privados
acima dos interesses públicos. Podemos verificar abertamente nos meios de comunicação, seja pelo
rádio, televisão, jornais e revistas, que este é um dos principais problemas que cercam o setor público,
afetando assim, a ética que deveria estar acima de seus interesses.
Não podemos falar de ética, impessoalidade (sinônimo de igualdade), sem falar de moralidade. Esta
também é um dos principais valores que define a conduta ética, não só dos servidores públicos, mas de
qualquer indivíduo. Invocando novamente o ordenamento jurídico podemos identificar que a falta de
respeito ao padrão moral, implica portanto, numa violação dos direitos do cidadão, comprometendo
inclusive, a existência dos valores dos bons costumes em uma sociedade.
A falta de ética na Administração Pública encontra terreno fértil para se reproduzir, pois o comportamento
de autoridades públicas estão longe de se basearem em princípios éticos e isto ocorre devido a falta de
preparo dos funcionários, cultura equivocada e especialmente, por falta de mecanismos de controle e
responsabilização adequada dos atos antiéticos.
A sociedade por sua vez, tem sua parcela de responsabilidade nesta situação, pois não se mobilizam
para exercer os seus direitos e impedir estes casos vergonhosos de abuso de poder por parte do Poder
Público. Um dos motivos para esta falta de mobilização social se dá, devido à falta de uma cultura cidadã,
ou seja, a sociedade não exerce sua cidadania. A cidadania Segundo Milton Santos " é como uma lei",
isto é, ela existe mas precisa ser descoberta, aprendida, utilizada e reclamada e só evolui através de
processos de luta. Essa evolução surge quando o cidadão adquire esse status, ou seja, quando passa a
ter direitos sociais. A luta por esses direitos garante um padrão de vida mais decente. O Estado, por sua
vez, tenta refrear os impulsos sociais e desrespeitar os indivíduos, nessas situações a cidadania deve se
valer contra ele, e imperar através de cada pessoa. Porém Milton Santos questiona, se "há cidadão neste
pais"? Pois para ele desde o nascimento as pessoas herdam de seus pais e ao longa da vida e também
da sociedade, conceitos morais que vão sendo contestados posteriormente com a formação de ideias de
cada um, porém a maioria das pessoas não sabem se são ou não cidadãos.
A educação seria o mais forte instrumento na formação de cidadão consciente para a construção de um
futuro melhor.
60 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
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No âmbito Administrativo, funcionários mal capacitados e sem princípios éticos que convivem todos os
dias com mandos e desmandos, atos desonestos, corrupção e falta de ética tendem a assimilar por este
rol "cultural" de aproveitamento em benefício próprio.
Se o Estado, que a princípio deve impor a ordem e o respeito como regra de conduta para uma sociedade
civilizada, é o primeiro a evidenciar o ato imoral, veem esta realidade como uma razão, desculpa ou
oportunidade para salvar-se, e, assim sendo, através dos usos de sua atribuição pública.
A consciência ética, como a educação e a cultura são aprendidas pelo ser humano, assim, a ética na
administração pública, pode e deve ser desenvolvida junto aos agentes públicos ocasionando assim, uma
mudança na administração pública que deve ser sentida pelo contribuinte que dela se utiliza diariamente,
seja por meio da simplificação de procedimentos, isto é, a rapidez de respostas e qualidade dos serviços
prestados, seja pela forma de agir e de contato entre o cidadão e os funcionários públicos.
A mudança que se deseja na Administração pública implica numa gradativa, mas necessária
"transformação cultura" dentro da estrutura organizacional da Administração Pública, isto é, uma
reavaliação e valorização das tradições, valores, hábitos, normas, etc., que nascem e se forma ao longo
do tempo e que criam um determinado estilo de atuação no seio da organização.
Conclui-se, assim, que a improbidade e a falta de ética que nascem nas máquinas administrativas devido
ao terreno fértil encontrado devido à existência de governos autoritários, governos regidos por políticos
sem ética, sem critérios de justiça social e que, mesmo após o advento de regimes democrático,
continuam contaminados pelo "vírus" dos interesses escusos geralmente oriundos de sociedades
dominadas por situações de pobreza e injustiça social, abala a confiança das instituições, prejudica a
eficácia das organizações, aumenta os custos, compromete o bom uso dos recursos públicos e os
resultados dos contratos firmados pela Administração Pública e ainda castiga cada vez mais a sociedade
que sofre com a pobreza, com a miséria, a falta de sistema de saúde, de esgoto, habitação, ocasionados
pela falta de investimentos financeiros do Governo, porque osfuncionários públicos priorizam seus
interesses pessoais em detrimento dos interesses sociais.
Essa situação vergonhosa só terá um fim no dia em que a sociedade resolver lutar para exercer os seus
direitos respondendo positivamente o questionamento feito por Milton Santos "há cidadãos neste país?"
E poderemos responder em alto e bom som que " SIM. Há cidadão neste pais. E somos todos brasileiros.".
Finalizando, gostaríamos de destacar alguns pontos básicos, que julgamos essenciais para a boa
conduta, um padrão ético, impessoal e moralístico:
Podemos conceituar ética, também como sendo um padrão de comportamento orientado pelos valores e
princípio morais e da dignidade humana.
O ser humano possui diferentes valores e princípios e a "quantidade" de valores e princípios atribuídos,
determinam a "qualidade" de um padrão de comportamento ético: Maior valor atribuído (bem), maior ética;
Menor valor atribuído (bem), menor ética.
A cultura e a ética estão intrinsecamente ligadas. Não nos referimos a palavra cultura como sendo a
quantidade de conhecimento adquirido, mas sim a qualidade na medida em que esta pode ser usada em
prol da função social, do bem-estar e tudo mais que diz respeito ao bem maior do ser humano.
A falta de ética induz ao descumprimento das leis do ordenamento jurídico.
Em princípio as leis se baseiam nos princípios da dignidade humana, dos bons costumes e da boa-fé.
Maior impessoalidade (igualdade), maior moralidade = melhor padrão de ética.
Referências Bibliográficas:
Ética no serviço público. Disponível em:
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Ministerio/Comissao_de_Etica/Etica_no_servico_publico.pdf.
Questões
01. (ANS – Técnico em Regulação – FUNCAB/2016) Com relação à ética no setor público, e de acordo
com os termos do Decreto n° 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder
Executivo Federal), é correto afirmar que:
(A) o trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como
acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse
trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
(B) o servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta, devendo decidir
apenas entre a legal e o ilegal.
(C) não é dever do servidor público zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas
da defesa da vida e da segurança coletiva.
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(D) salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da
Administração Pública, a publicidade do ato administrativo não constitui requisito de eficácia e moralidade.
(E) com relação à Administração Pública, a moralidade limita-se à distinção entre o bem e o mal.
02. (TRF - 4ª REGIÃO - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador Federal - FCC) O princípio
que traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações,
benéficas ou peculiares denomina-se princípio da:
(A) responsabilidade.
(B) moralidade.
(C) publicidade.
(D) supremacia do interesse público.
(E) impessoalidade.
03. (SEFAZ/RS - Técnico Tributário da Receita Estadual - FUNDATEC) São Princípios da
Administração Pública, expressos na Constituição Federal, exceto:
(A) Legalidade
(B) Probidade
(C) Impessoalidade.
(D) Eficiência.
(E) Publicidade.
04. (Caixa Econômica Federal – Advogado – CESPE) A respeito das classificações da ética como
campo de estudo, assinale a opção correta.
(A) Na abordagem da ética absoluta, toda ação humana é boa e, consequentemente, um dever, pois se
fundamenta em um valor.
(B) De acordo com a ética formal, não existem valores universais, objetivos, mas estes são convencionais,
condicionados ao tempo e ao espaço.
(C) Segundo a ética empírica, a distinção entre o certo e o errado ocorre por meio da experiência, do
resultado do procedimento, da observação sensorial do que de fato ocorre no mundo.
(D) Quanto ao aspecto histórico, a ética empírica possui a razão como enfoque para explicar o mundo,
na medida em que ela constrói a teoria explicativa e vai ao mundo para ver sua adequação.
(E) Em todas as classificações da ética, ela se torna equivalente à moral porque direciona o
comportamento humano para ações consideradas positivas para um grupo social.
05. (Caixa Econômica Federal – Advogado – CESPE) Acerca da relação entre ética e moral, assinale
a opção correta.
(A) O entendimento ético discorre filosoficamente, em épocas diferentes e por vários pensadores, dando
conceitos e formas de alusão ao termo ética.
(B) Durante as Idades Média e Moderna, a ética era considerada uma ciência, portanto, era ensinada
como disciplina escolar. Na Idade Contemporânea, a ética assumiu uma nova conotação, desvinculando-
se da ciência e da filosofia e sendo vinculada às práticas sociais.
(C) A simples existência da moral significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia
moral, isto é, uma reflexão que discute, problematiza e interpreta o significado dos valores morais.
(D) A ética não tem por objetivo procurar o fundamento do valor que norteia o comportamento, tendo em
vista a historicidade presente nos valores.
(E) O conhecimento do dever está desvinculado da noção de ética, pois este é consequência da
percepção, pelo sujeito, de que ele é um ser racional e, portanto, está obrigado a obedecer ao imperativo
categórico: a necessidade de se respeitar todos os seres racionais na qualidade de fins em si mesmos.
06. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH) Sobre moral e ética é incorreto
afirmar:
(A) A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada
sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc.
(B) Uma moral é um fenômeno social particular, que tem compromisso com a universalidade, isto é, com
o que é válido e de direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se se dizendo
universal, supostamente válida para todos.
(C) A ética a uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é puramente teoria. A ética é um
conjunto de princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é
balizar as ações humanas.
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(D) A moral é um conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de um grupo social e tem a
finalidade de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal.
(E) A moral é a aplicação da ética no cotidiano, é a prática concreta.
07. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH) Sobre a ética, moral e direito é
incorreto afirmar:
(A) Tanto a moral como o direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade
para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.
(B) O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado.
(C) As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde uma
determinada população ou seus delegados vivem.
(D) Alguns autores afirmam que o direito é um subconjunto da ética. Esta perspectiva pode gerar a
conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de
conflitos entre a ética e o direito.
(E) A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma
determinada lei. Este é um exemplo de que a moral e o direito, apesar de referirem-se a uma mesma
sociedade, podem ter perspectivas discordantes.
08. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH) Sobre moralidade administrativa e a
constituição federativa é incorreto afirmar:
(A) A carta magna faz menção em diversas oportunidades ao princípio da moralidade. Uma delas, prevista
no art. 5º, LXXIII, trata da ação popular contra ato lesivoà moralidade administrativa.
(B) Em outra, o constituinte determinou a punição mais rigorosa da imoralidade qualificada pela
improbidade (art. 37, §4º).
(C) Há ainda o art. 14, §9º, onde se visa proteger a probidade e moralidade no exercício de mandato, e o
art. 85, V, que considera a improbidade administrativa como crime de atividade administrativa.
(D) O princípio da moralidade, com o advento da Carta Constitucional de 1988 foi alçado, pela vez primeira
em nosso direito positivo a princípio constitucional, nos termos do artigo 37, caput, o qual estabelece
diretrizes à administração pública.
(E) Também o artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, prevê a possibilidade de anulação de atos
lesivos à moralidade administrativa.
09. (ASPERH – Professor auxiliar ética profissional – ASPERH) Referente a princípio constitucional
da moralidade administrativa e administração pública é incorreto afirmar:
(A) O princípio constitucional da moralidade administrativa configura um vigoroso instrumento à função
de controle de legalidade, legitimidade e economicidade dos atos administrativos dos quais resultam
despesas públicas
(B) O princípio atua positivamente, impondo à Administração Pública o dever de bem gerir e aumentando
os demais deveres de conduta administrativa, tais como os de agir impessoalmente, garantir a ampla
publicidade de seus atos, pautar-se com razoabilidade, motivar seus atos e decisões, agir com eficiência
e observar a compatibilidade entre o objetivo de suas ações e o ato praticado para operacionalizar tal
objetivo ou finalidade. Bem assim, configura cânone de interpretação e integração de norma jurídicas e/ou
atos administrativos.
(C) O princípio atua negativamente, impondo limites ao exercício da discricionariedade e permitindo a
correção dos atos praticados em desvio de finalidade, mediante o seu expurgo do mundo jurídico através
da invalidação
(D) O princípio geralmente “aplicável” isoladamente, compondo-se e articulando-se, algumas vezes, com
outros princípio jurídicos
(E) O princípio consubstancia “norma jurídica” e, portanto, ao utilizá-lo no exercício das funções
constitucionais de controle dos atos administrativos que geram despesas públicas sob os prismas de
legalidade e da legitimidade, não desborda o Tribunal de Contas de sua competência constitucional
10. (Correios – Agente de Correios – CONSULPLAN) Pode-se afirmar que a ética tem como objeto de
estudo:
(A) O ato humano (voluntário e livre) que é o ato com vontade racional, permeado por inteligência e
reflexão prévia.
(B) A distinção entre o existir e o agir, solenemente.
(C) A tradução dos costumes aceitos pela sociedade emergente.
(D) O conceito de moralidade dos povos segregados.
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(E) N.R.A.
11. (Nossa Caixa Desenvolvimento – Contador – FCC) A respeito dos conceitos de ética, moral e
virtude, é correto afirmar:
(A) A vida ética realiza-se no modo de viver daqueles indivíduos que não mantêm relações interpessoais.
(B) Etimologicamente, a palavra moral deriva do grego mos e significa comportamento, modo de ser,
caráter.
(C) Virtude deriva do latim virtus, que significa uma qualidade própria da natureza humana; significa, de
modo geral, praticar o bem usando a liberdade com responsabilidade constantemente.
(D) A moral é influenciada por vários fatores como, sociais e históricos; todavia, não há diferença entre
os conceitos morais de um grupo para outro.
(E) Compete à moral chegar, por meio de investigações científicas, à explicação de determinadas
realidades sociais, ou seja, ela investiga o sentido que o homem dá a suas ações para ser
verdadeiramente feliz.
12. (TRT 8ª Região – Técnico – FCC) O servidor público que deixa de acatar as ordens legais de seus
superiores e a sua fiel execução, infringe o dever de:(A) conduta ética.
(B) eficiência.
(C) obediência.
(D) lealdade.
(D) fidelidade.
13. (TRT 22ª Região – Técnico – FCC) O princípio da administração pública que tem por fundamento
que qualquer atividade de gestão pública deve ser dirigida a todos os cidadãos, sem a determinação de
pessoa ou discriminação de qualquer natureza, denomina-se(A) Eficiência.
(B) Moralidade.
(C) Legalidade.
(D) Finalidade.
(E) Impessoalidade.
14. (DPE/PR – Defensor – FCC) Sobre os princípios orientadores da administração pública é
INCORRETO afirmar:
(A) A administração pública não pode criar obrigações ou reconhecer direitos que não estejam
determinados ou autorizados em lei.
(B) A conduta administrativa com motivação estranha ao interesse público caracteriza desvio de finalidade
ou desvio de poder.
(C) A oportunidade e a conveniência são delimitadas por razoabilidade e proporcionalidade tanto na
discricionariedade quanto na atividade vinculada da administração pública.
(D) Além de requisito de eficácia dos atos administrativos, a publicidade propicia o controle da
administração pública pelos administrados.
(E) O princípio da eficiência tem sede constitucional e se reporta ao desempenho da administração
pública.
15. (TRF 5ª Região – Técnico – FCC) O artigo 37 da Constituição Federal estabelece os princípios
aplicáveis à Administração Pública, entre os quais NÃO se inclui, expressamente, (A) eficiência.
(B) finalidade.
(C) publicidade.
(D) impessoalidade.
(E) moralidade.
16. (SET/RN – Auditor Fiscal do Tesouro Estadual – ESAF) Sobre os princípios constitucionais da
administração pública, pode-se afirmar que:
I. o princípio da legalidade pode ser visto como incentivador do ócio, haja vista que, segundo esse
princípio, a prática de um ato concreto exige norma expressa que o autorize, mesmo que seja inerente
às funções do agente público;
II. o princípio da publicidade visa a dar transparência aos atos da administração pública e contribuir para
a concretização do princípio da moralidade administrativa;
III. a exigência de concurso público para ingresso nos cargos públicos reflete uma aplicação constitucional
do princípio da impessoalidade;
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IV. o princípio da impessoalidade é violado quando se utiliza na publicidade oficial de obras e de serviços
públicos o nome ou a imagem do governante, de modo a caracterizar promoção pessoal do mesmo;
V. a aplicação do princípio da moralidade administrativa demanda a compreensão do conceito de "moral
administrativa", o qual comporta juízos de valor bastante elásticos;
VI. o princípio da eficiência não pode ser exigido enquanto não for editada a lei federal que deve defini-lo
e estabelecer os seus contornos.
Estão corretas as afirmativas:
(A) I, II, III e IV.
(B) II, III, IV e V.
(C) I, II, IV e VI.
(D) II, III, IV e VI.
(E) III, IV, V e VI.
17. (TRE/MG – Técnico Judiciário – CONSULPLAN/2015) Os mais modernos postulados da gestão
administrativa, tanto no setor privado quanto no âmbito dos órgãos públicos, determinam que os atos
administrativos observem os padrões usuais de moralidade que estão indissociavelmente vinculados
a critérios de escolha pautados pela
(A) ética
(B) avaliação.
(C) subordinação.
(D) estandardização.
18. (ANS – Técnico em Regulação em Saúde Complementar – FUNCAB/2016) Com relação à ética
no setor público, e de acordo com os termos do Decreto n° 1.171/1994 (Código de Ética Profissional do
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal), é correto afirmar que:
(A) o trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como
acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante da sociedade, o êxito desse
trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
(B) o servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta, devendo decidir
apenas entre a legal e o ilegal.
(C) não é dever do servidor público zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas
da defesa da vida e da segurançacoletiva.
(D) salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e da
Administração Pública, a publicidade do ato administrativo não constitui requisito de eficácia e moralidade.
(E) com relação à Administração Pública, a moralidade limita-se à distinção entre o bem e o mal.
20. (Prefeitura de Fortaleza/CE – Analista de Gestão – Prefeitura de Fortaleza/CE/2016) João é
estagiário da Prefeitura de Fortaleza e foi flagrado pelo seu chefe acessando sítios impróprios em um dos
computadores do órgão. Nessa situação, a atitude do estagiário:
(A) não foi contra a ética no serviço público, porque João não é servidor público.
(B) foi indiferente em relação à ética do servidor público, porque João estava no intervalo do almoço.
(C) foi contra a ética no serviço público, mesmo que João seja apenas estagiário.
(D) não foi contra a ética, pois muitos estagiários acessam sítios impróprios em computadores do órgão
em questão.
21. (SEAP/GO – Técnico em Saúde – SEGPLAN/GO/2016) Considerando os valores fundamentais do
serviço público, relativos à ética, marque a opção incorreta.
(A) Tratar com educação os cidadãos que demandam os serviços do Estado.
(B) Resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos e de contratantes, que visem obter favores ou
vantagens do Estado.
(C) Ter a consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos: é bom para você e para a
sociedade como um todo.
(D) Ser eficiente e interessado na solução das necessidades do cidadão, dentro das normas da Instituição.
(E) Nenhuma das alternativas.
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Respostas
01. Resposta: A.
a) Certo. Das regras Deontológicas. V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a
comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão,
integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
02. Resposta: E.
O princípio da impessoalidade estabelece que a Administração Pública, através de seus órgãos, não
poderá, na execução das atividades, estabelecer diferenças ou privilégios, uma vez que deve imperar o
interesse social e não o interesse particular.
03. Resposta: B.
Pelo disposto no artigo 37, caput, da CF/88, a administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
04. Resposta: C.
Empirismo é a observação prática de um fenômeno. Enquanto que numa ética teórica bastaria a reflexão
para conhecer o certo e o errado, por uma ética empírica é preciso vivenciar o contato direto com
situações que permitam compreender estes valores.
Na filosofia, empirismo é um movimento que acredita nas experiências como únicas (ou principais)
formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas, havendo também uma vertente
no campo de estudo da ética.
05. Resposta: A.
O termo ética passa por diversas interpretações no decorrer da história, mas é possível notar que alguns
de seus elementos, guardadas as devidas particularidades, são reincidentes na formação deste conceito.
06. Resposta: B.
A Moral, embora seja mais subjetiva que a Ética, reflete o seu conteúdo, logo, também possui
universalidade. O sentimento moral é uno e repousa no seio social, sendo assim universal. Logo, a Moral
é válida para todos, não supostamente válida.
07. Resposta: D.
O Direito é um subconjunto da Ética e, por isso mesmo, suas normas devem refletir o conteúdo ético
sempre que possível, o que ocorre pela presença do valor do justo. Tomar como correta a afirmativa d
seria entender que o Direito pode não ser justo e ainda assim ser válido, premissa positivista refutada no
contexto pós-guerra.
08. Resposta: C.
Embora o artigo 85, V faça referência à probidade administrativa como um dos objetos de violação,
caracterizando crime de responsabilidade pelo Presidente da República, o ato de improbidade
administrativa praticado pelos servidores em geral tem natureza cível e está regulado na Lei nº 8.429/92.
09. Resposta: D.
O princípio da moralidade administrativa deve sempre ser lido em conjunto com os demais princípios
constitucionais, notadamente os aplicáveis à Administração Pública: legalidade, impessoalidade,
publicidade e eficiência.
10. Resposta: A.
O principal objeto de estudo da ética é a ação humana, num sentido de refletir sobre ela. De forma estrita,
a moral, parte da ética, estuda a ação humana enquanto ação propriamente dita. De qualquer maneira,
no âmbito da ética é feito um estudo da ação humana baseada na razão, na vontade racional.
11. Resposta: C.
Virtude é uma qualidade da natureza humana relacionada a um valor ético. A ação que seja virtuosa será
voltada sempre ao bem e praticada com responsabilidade e razoabilidade, sem o que perderia tal caráter.
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Vale destacar que a alternativa d está incorreta porque embora a ética seja imutável, preceitos morais
podem sofrer pequenas variações de um grupo social para outro sem que se perca a essência ética.
12. Resposta: C.
Dever de obediência é o que se liga diretamente à hierarquia que deve ser respeitada dentro das
instituições públicas, garantindo a melhor prestação do serviço. Os demais princípios são mais
abrangentes, referindo-se ao cargo como um todo, não apenas à relação hierárquica.
13. Resposta: E.
Todos os princípios da administração pública se ligam, por isso, ao menos indiretamente todos acabam
se fazendo presentes. Contudo, é preciso se atentar ao mais específico: o preâmbulo da questão
descreve exatamente o conceito do princípio da impessoalidade, que veda distinções indevidas entre os
administrados.
14. Resposta: C.
A alternativa a) define o princípio da legalidade para a administração pública, pelo qual ela somente pode
fazer o que a lei permite; a b) traz o princípio da motivação, pelo qual todos atos da administração devem
ser justificados pelo interesse público, sob pena de desvio de finalidade ou desvio de poder; a d) relembra
que a publicidade dos atos da administração facilita o controle destes pelo povo; a e) se refere ao art. 37
da CF e traz a principal finalidade do princípio da eficiência, que é a otimização do desempenho da
administração pública. A alternativa c) está incorreta porque oportunidade e conveniência somente são
delimitadas pela razoabilidade e pela proporcionalidade nos atos discricionários, nos quais a
administração possui alguma liberdade de escolha.
15. Resposta: B.
O artigo 37 da CF traz, nesta ordem, os princípios da administração pública: legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência (formando a palavra LIMPE).
16. Resposta: B.
O princípio da legalidade é reforço da moralidade, não incentivador do ócio e da preguiça, até mesmo
porque a exigência de lei expressa não exclui o desempenho de funções inerentes ao cargo pelo servidor.
O princípio da eficiência, por sua vez, consubstancia-se no binômio produtividade-economicidade e pode
ser exigido desde sua previsão no texto constitucional. Logo, I e VI estão incorretas.
17. Resposta: A.
O princípio da moralidade revela-se intimamente ligado à ideia de honestidade, de probidade
administrativa, de ética. Na linha do exposto, confira-se a seguinte lição de José dos Santos Carvalho
Filho:
"O princípio da moralidade impõe que o administrador público não dispense os preceitos éticos que devem
estar presentes em sua conduta." (Manual de Direito Administrativo, 26ª edição, 2013, p. 21)
18. Resposta: A.
a) Certo. Das regras Deontológicas. V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a
comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão,
integrante da sociedade,o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu maior patrimônio.
b) II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá
que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno
e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art.
37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.
c) XIV - São deveres fundamentais do servidor público: j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas
exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;
d) VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do Estado e
da Administração Pública, a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso, nos termos
da lei, a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando
sua omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.
e) III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser
acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na
conduta do servidor público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
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19. Resposta: C
20. Resposta: E
A Organização Administrativa compõe a parte do Direito Administrativo que estuda os órgãos e
pessoas jurídicas que a compõem, além da estrutura interna da Administração Pública.
Em âmbito federal, o assunto vem disposto no Decreto-Lei n. 200/67 que “dispõe sobre a organização
da Administração Pública Federal e estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa”.
Para que as suas competências constitucionais sejam cumpridas, a Administração utiliza-se de duas
formas distintas: a descentralização e a desconcentração.
A análise desses dois institutos é basilar para analisar a organização interna da Administração Pública.
Administração pública é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que procuram satisfazer
as necessidades da sociedade, tais como educação, cultura, segurança, saúde, etc. Em outras palavras,
administração pública é a gestão dos interesses públicos por meio da prestação de serviços públicos,
sendo dividida em administração direta e indireta.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA
A Administração Pública Direta é o conjunto de órgãos públicos vinculados diretamente ao chefe da
esfera governamental que integram. Não possuem personalidade jurídica própria, patrimônio e autonomia
administrativa e cujas despesas são realizadas diretamente através do orçamento da referida esfera.
Assim, ela é responsável pela gestão dos serviços públicos executados pelas pessoas políticas via de
um conjunto de órgãos que estão integrados na sua estrutura.
Sua competência abarca os diversos órgãos que compõem a entidade pública por eles responsáveis.
Exemplos: Ministérios, Secretarias, Departamentos e outros que, como característica inerente da
Administração Pública Direta, não possuem personalidade jurídica, pois não podem contrair direitos e
assumir obrigações, haja vista que estes pertencem a pessoa política (União, Estado, Distrito Federal e
Municípios).
A Administração direta não possui capacidade postulatória, ou seja, não pode ingressar como autor
ou réu em relação processual. Exemplo: Servidor público estadual lotado na Secretaria da Fazenda que
pretende interpor ação judicial pugnando o recebimento de alguma vantagem pecuniária. Ele não irá
propor a demanda em face da Secretaria, mas sim em desfavor do Estado que é a pessoa política dotada
de personalidade jurídica para estar no outro polo da lide.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA
São integrantes da Administração indireta as fundações, as autarquias, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista.
Essas quatro pessoas são criadas para a prestação de serviços públicos ou para a exploração de
atividades econômicas, com o objetivo de aumentar o grau de especialidade e eficiência da prestação do
serviço público.
O Poder Público só poderá explorar atividade econômica a título de exceção em duas situações
previstas na CF/88, no seu art. 173:
- para fazer frente à uma situação de relevante interesse coletivo;
- para fazer frente à uma situação de segurança nacional.
O Poder Público não tem a obrigação de gerar lucro quando explora atividade econômica. Quando
estiver atuando na atividade econômica, entretanto, estará concorrendo em grau de igualdade com os
particulares, estando sob o regime do art. 170 da CF/88, inclusive quanto à livre concorrência.
2.4 Administração Pública. Organização administrativa. Centralização.
Descentralização. Desconcentração. 2.5 Órgãos Públicos. Administração
Indireta. Autarquias. Fundações Públicas. Empresas Públicas e Sociedades de
Economia Mista. 3 A nova gestão pública.
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CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO
A execução do serviço público poderá ser por:
Centralização: Quando a execução do serviço estiver sendo feita pela Administração direta do Estado
(ex.: Secretarias, Ministérios etc.). Dessa forma, o ente federativo será tanto o titular do serviço público,
como o prestador do mesmo, o próprio estado é quem centraliza a atividade.
Descentralização: Quando estiver sendo feita por terceiros que não se confundem com a
Administração direta do Estado. Esses terceiros poderão estar dentro ou fora da Administração Pública.
Se estiverem dentro da Administração Pública, poderão ser autarquias, fundações, empresas públicas e
sociedades de economia mista (Administração indireta do Estado). Se estiverem fora da Administração,
serão particulares e poderão ser concessionários, permissionários ou autorizados.
Assim, descentralizar é repassar a execução e a titularidade, ou só a execução de uma pessoa para
outra, não havendo hierarquia. Por exemplo, quando a União transferiu a titularidade dos serviços
relativos à seguridade social à autarquia INSS.
Na esfera federal, a Administração Direta ou Centralizada é composta por órgãos subordinados à
Presidência da República e aos Ministérios, como o Departamento da Polícia Federal, Secretaria do
Tesouro Nacional ou a Corregedoria-Geral da União.
CONCENTRAÇÃO E DESCONCENTRAÇÃO
Desconcentração (Criar órgãos)
Mera técnica administrativa de distribuição interna de competências mediante criação de órgãos
públicos. Pressupõe a existência de apenas uma pessoa, pois os órgãos não possuem personalidade
jurídica própria.
Ocorre desconcentração administrativa quando uma pessoa política ou uma entidade da administração
indireta distribui competências no âmbito de sua própria estrutura afim de tornar mais ágil e eficiente a
prestação dos serviços. Desconcentração envolve, obrigatoriamente, uma só pessoa jurídica.
Porque a desconcentração ocorre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica, surge relação de
hierarquia, de subordinação, entre os órgãos dela resultantes. No âmbito das entidades desconcentradas
temos controle hierárquico, o qual compreende os poderes de comando, fiscalização, revisão, punição,
solução de conflitos de competência, delegação e avocação.
Concentração (extinguir órgãos)
Trata-se da técnica administrativa que promove a extinção de órgãos públicos. Pessoa jurídica
integrante da administração pública extingue órgãos antes existentes em sua estrutura, reunindo em um
número menor de unidade as respectivas competências. Imagine-se, como exemplo, que a secretaria da
fazenda de um município tivesse em sua estrutura superintendências, delegacias, agências e postos de
atendimento, cada um desses órgãos incumbidos de desempenhar específicas competências da referida
secretaria. Caso a administração pública municipal decidisse, em face de restrições orçamentárias,extinguir os postos de atendimento, atribuindo às agências as competências que aqueles exerciam, teria
ocorrido concentração administrativa.
Diferença entre Descentralização e Desconcentração: As duas figuras dizem respeito à forma de
prestação do serviço público. Descentralização, entretanto, significa transferir a execução de um serviço
público para terceiros que não se confundem com a Administração Direta, e a desconcentração significa
transferir a execução de um serviço público de um órgão para o outro dentro da Administração Direta,
permanecendo está no centro.
Feitas essas considerações iniciais, passamos à análise das pessoas jurídicas que compõem a
Administração Pública Indireta:
AUTARQUIAS
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público criadas para a prestação de serviços públicos,
contando com capital exclusivamente público, ou seja, as autarquias são regidas integralmente por regras
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de direito público, podendo, tão-somente, serem prestadoras de serviços e contando com capital oriundo
da Administração Direta (ex.: INCRA, INSS, DNER, Banco Central etc.).
Características
Temos como principais características das autarquias:
- Criação por lei: é exigência que vem desde o Decreto-lei nº 6 016/43, repetindo-se no Decreto-lei nº
200/67 e constando agora do artigo 37, XIX, da Constituição;
- Personalidade jurídica pública: ela é titular de direitos e obrigações próprios, distintos daqueles
pertencentes ao ente que a instituiu: sendo pública, submete-se a regime jurídico de direito público,
quanto à criação, extinção, poderes, prerrogativas, privilégios, sujeições;
- Capacidade de autoadministração: não tem poder de criar o próprio direito, mas apenas a
capacidade de se auto administrar a respeito das matérias especificas que lhes foram destinadas pela
pessoa pública política que lhes deu vida. A outorga de patrimônio próprio é necessária, sem a qual a
capacidade de autoadministração não existiria.
Pode-se compreender que ela possui dirigentes e patrimônio próprios.
- Especialização dos fins ou atividades: coloca a autarquia entre as formas de descentralização
administrativa por serviços ou funcional, distinguindo-a da descentralização territorial; o princípio da
especialização impede de exercer atividades diversas daquelas para as quais foram instituídas; e
- Sujeição a controle ou tutela: é indispensável para que a autarquia não se desvie de seus fins
institucionais.
- Liberdade Financeira: As autarquias possuem verbas próprias (surgem como resultado dos serviços
que presta) e verbas orçamentárias (são aquelas decorrentes do orçamento). Terão liberdade para
manejar as verbas que recebem como acharem conveniente, dentro dos limites da lei que as criou.
- Liberdade Administrativa: As autarquias têm liberdade para desenvolver os seus serviços como
acharem mais conveniente (comprar material, contratar pessoal etc.), dentro dos limites da lei que as
criou.
Classificação
Para Carvalho Filho, pode-se apontar três fatores que de fato demarcam diferenças entre as
autarquias. São eles:
- o nível federativo: as autarquias podem ser federais, estaduais, distritais e municipais, conforme
instituídas pela União, Estados, Distrito Federal e pelos Municípios;
- quanto ao objeto: dentro das atividades típicas do Estado, as que estão pré-ordenadas; e
- as autarquias podem ter diferentes objetivos: as autarquias assistenciais são aquelas que visam
a dispensar auxílio a regiões menos desenvolvidas, ou à categorias sociais específicas, para o fim de
minorar as desigualdades regionais e sociais, conforme artigo 3º, inciso III, da Constituição (ex.:
SUDENE).
Segundo di Pietro, a classificação pode ser de acordo com vários critérios:
- tipo de atividade: Econômicas, de crédito e industriais, de previdência e assistência, profissionais
ou corporativas;
- capacidade administrativa: geográfica ou territorial e a de serviço ou institucional;
- estrutura: fundações e corporativas; e
- âmbito de atuação: federais, estaduais e municipais.
Quanto ao tipo de atividade elas ainda podem ser distribuídas em 5 grupos de classificação:
- Econômicas: São destinadas para incentivar a produção e controle de produtos. Como é o exemplo
do Instituto do Açúcar e do Álcool;
- De crédito e industriais: Para gestão de recursos financeiros, bem como sua distribuição mediante
empréstimo. Atualmente foram substituídas por empresas públicas, como é o caso da Caixa Econômica
Federal;
- De previdência e assistência: Para atividades de seguridade social. Como é o caso do INSS e o
IPESP;
- As profissionais ou corporativas: Para fiscalizar as profissões;
- As culturais ou de ensino: Universidades federais.
Patrimônio
A questão patrimonial diz respeito à caracterização dos bens em públicos e privados. Em 1916, o
sistema jurídico administrativo sofreu várias mudanças com a criação desse tipo especial de pessoas
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. 77
jurídicas - as autarquias - que, mesmo sem integrar a organização política do Estado, a ela está vinculada,
ostentando personalidade jurídica de direito público. Vários doutrinadores, com intuito de adaptarem-se
à norma do Código Civil e mais ainda de proteger os bens das pessoas federativas, qualificaram os bens
públicos como aqueles que integram o patrimônio das pessoas administrativas de direito público. Dessa
forma, pacificou-se o entendimento de que os bens das autarquias são considerados como bens públicos.
Pessoal
Com o artigo 39 da Constituição, em sua redação vigente, as pessoas federativas (União, Estados, DF
e Municípios) ficaram com a obrigação de instituir, no âmbito de sua organização, regime jurídico único
para todos os servidores da administração direta, das autarquias e das fundações públicas. Segundo
Carvalho Filho, o art. 39 da CF, foi a maneira que o legislador encontrou de manter planos de carreira
idênticos para esses setores administrativos, acabando com as antigas diferenças que, como é sabido,
por anos e anos, provocaram inconformismos e litígios entre os servidores.
Controle Judicial
As autarquias, por serem dotadas de personalidade jurídica de direito público, podem praticar atos
administrativos típicos e atos de direito privado (atípicos), sendo este último, controlados pelo judiciário,
por vias comuns adotadas na legislação processual, tal como ocorre com os atos jurídicos normais
praticados por particulares. Já os atos administrativos, possuem algumas características especiais, pois
eles são controlados pelo judiciário tanto por vias comuns, quanto pelas especiais, como é o caso do
mandado e da ação popular.
Necessário se faz destacar que os elementos do ato autárquico que resultam de valoração sobre a
conveniência e oportunidade da conduta, são excluídos de apreciação judicial, assim como os atos
administrativos em geral que trazem o regular exercício da função administrativa e são privativos dos
seus agentes administrativos.
Foro dos litígios judiciais
Os litígios comuns, onde as autarquias federais figuram como autoras, rés, assistentes ou oponentes,
têm suas causas processadas e julgadas na Justiça Federal, o mesmo foro apropriado para processar e
julgar mandados de segurança contra agentes autárquicos.
Quanto às autarquias estaduais e municipais, os processos em que encontramos como partes ou
intervenientes terão seu curso na Justiça Estadual comum, sendo o juízo indicado pelas disposições da
lei estadual de divisão e organização judiciárias.
Nos litígios decorrentes da relação de trabalho, o regime poderá ser estatutário ou trabalhista. Sendo
estatutário, o litígio será de natureza comum, as eventuais demandas deverão ser processadas e julgadas
nos juízos fazendários. Porém, se o litígio decorrer de contrato de trabalho firmado entre a autarquia e o
servidor, a natureza seráde litígio trabalhista (sentido estrito), devendo ser resolvido na Justiça do
Trabalho, seja a autarquia federal, estadual ou municipal.
Responsabilidade civil
Prevê a Constituição que as pessoas jurídicas de direito público respondem pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros.
A regra contida no referido dispositivo, consagra a teoria da responsabilidade objetiva do Estado,
aquela que independe da investigação sobre a culpa na conduta do agente.
Prerrogativas autárquicas
As autarquias possuem algumas prerrogativas de direito público, sendo elas:
- imunidade tributária: previsto no art. 150, § 2 º, da CF, veda a instituição de impostos sobre o
patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às suas finalidades essenciais
ou às que delas decorram. Podemos, assim, dizer que a imunidade para as autarquias tem natureza
condicionada.
- impenhorabilidade de seus bens e de suas rendas: não pode ser usado o instrumento coercitivo
da penhora como garantia do credor.
- imprescritibilidade de seus bens: caracterizando-se como bens públicos, não podem ser eles
adquiridos por terceiros através de usucapião.
- prescrição quinquenal: dívidas e direitos em favor de terceiros contra autarquias prescrevem em 5
anos.
- créditos sujeitos à execução fiscal: os créditos autárquicos são inscritos como dívida ativa e podem
ser cobrados pelo processo especial das execuções fiscais.
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. 78
- presunção de legitimidade de seus atos administrativos:
- principais situações processuais específicas:
As autarquias são consideradas como fazenda pública, razão pela qual, nos processos em que é parte,
tem prazo em dobro para recorrer (art. 183 do NCPC). Elas estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição. A
defesa de autarquia em execução por quantia certa, fundada em título judicial, se formaliza em outros
apensos ao processo principal e por meio de embargos do devedor.
Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais,
cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.
§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.
Chamamos a atenção com relação aos prazos:
A redação do Código de Processo Civil de 1973, previa prazo em dobro para a Fazenda Pública e
o Ministério Público se manifestarem e prazo em quádruplo para recorrer.
Com o novo Código de Processo de 2015, esse prazo sofreu modificações, de forma que o Ministério
Público, à Fazenda Pública e à Defensoria Pública gozam de prazo em dobro para manifestação nos
autos, exceto nos casos em que a lei estabelecer, de maneira expressa, outro prazo específico para
esses entes.
Entretanto, esse benefício da contagem do prazo em dobro, não se aplica ao ente público, Ministério
Público ou Defensoria Pública, quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o ente
público. (art. 183, §2º, NCPC)
§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa,
prazo próprio para o ente público.
Contratos
Os contratos celebrados pelas autarquias são de caráter administrativo e possuem as cláusulas
exorbitantes, que garantem à administração prerrogativas que o contratado não tem, assim, dependem
de prévia licitação, exceto nos casos de dispensa ou inexigibilidade e precisam respeitar os trâmites da
lei 8.666/1993, além da lei 10.520/2002, que institui a modalidade licitatória do pregão para os entes
públicos.
Isto acontece pelo fato de que por terem qualidade de pessoas jurídicas de direito público, as entidades
autárquicas relacionam-se com os particulares com grau de supremacia, gozando de todas as
prerrogativas estatais.
AUTARQUIA DE REGIME ESPECIAL
É toda aquela em que a lei instituidora conferir privilégios específicos e aumentar sua autonomia
comparativamente com as autarquias comuns, sem infringir os preceitos constitucionais pertinentes a
essas entidades de personalidade pública. O que posiciona a autarquia de regime especial são as regalias
que a lei criadora lhe confere para o pleno desempenho de suas finalidades específicas. 61
Assim, são consideradas autarquias de regime especial o Banco Central do Brasil, as entidades
encarregadas, por lei, dos serviços de fiscalização de profissões. Com a política governamental de
transferir para o setor privado a execução de serviços públicos, reservando ao Estado a regulamentação,
o controle e fiscalização desses serviços, houve a necessidade de criar na administração agências
especiais destinadas a esse fim.
OBS: Havia discussão no mundo jurídico acerca do regime jurídico da OAB, se seria autarquia de
regime especial ou não. No julgamento da ADIn 3026/DF o STF decidiu que “a OAB não é uma entidade
61 http://www.portaleducacao.com.br/direito/artigos/27676/autarquias-de-regime-especial
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
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da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público independente, categoria ímpar no
elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro”. Veja a íntegra do julgado:
“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 1º DO ARTIGO 79 DA LEI N. 8.906, 2ª PARTE.
"SERVIDORES" DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. PRECEITO QUE POSSIBILITA A OPÇÃO
PELO REGIME CELESTISTA. COMPENSAÇÃO PELA ESCOLHA DO REGIME JURÍDICO NO
MOMENTO DA APOSENTADORIA. INDENIZAÇÃO. IMPOSIÇÃO DOS DITAMES INERENTES À
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA. CONCURSO PÚBLICO (ART. 37, II DA
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL). INEXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO PARA A ADMISSÃO DOS
CONTRATADOS PELA OAB. AUTARQUIAS ESPECIAIS E AGÊNCIAS. CARÁTER JURÍDICO DA OAB.
ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO INDEPENDENTE. CATEGORIA ÍMPAR NO
ELENCO DAS PERSONALIDADES JURÍDICAS EXISTENTES NO DIREITO BRASILEIRO.
AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA ENTIDADE. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. VIOLAÇÃO DO
ARTIGO 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A Lei n. 8.906, artigo 79,
§ 1º, possibilitou aos "servidores" da OAB, cujo regime outrora era estatutário, a opção pelo regime
celetista. Compensação pela escolha: indenização a ser paga à época da aposentadoria. 2. Não procede
a alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impostos à Administração Pública Direta e Indireta. 3. A
OAB não é uma entidade da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público
independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. 4.
A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como "autarquias
especiais" para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas "agências". 5. Por
não consubstanciar uma entidade da Administração Indireta, a OAB não está sujeita a controle da
Administração, nem a qualquer das suas partes está vinculada. Essa não-vinculação é formal e
materialmente necessária. 6. A OAB ocupa-se de atividades atinentes aos advogados, que exercem
função constitucionalmente privilegiada, na medida em que são indispensáveis à administração da Justiça
[artigo 133 da CB/88]. É entidade cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de advogados.
Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer órgão público. 7. A Ordem dos
Advogados do Brasil, cujas características são autonomia e independência, não pode ser tida como
congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está voltada exclusivamente a
finalidades corporativas. Possui finalidade institucional. 8. Embora decorra de determinação legal, o
regime estatutário imposto aos empregados da OAB não é compatível com a entidade, que é autônoma
e independente. 9. Improcede o pedido do requerente no sentidode que se dê interpretação conforme o
artigo 37, inciso II, da Constituição do Brasil ao caput do artigo 79 da Lei n. 8.906, que determina a
aplicação do regime trabalhista aos servidores da OAB. 10. Incabível a exigência de concurso público
para admissão dos contratados sob o regime trabalhista pela OAB. 11. Princípio da moralidade. Ética da
legalidade e moralidade. Confinamento do princípio da moralidade ao âmbito da ética da legalidade, que
não pode ser ultrapassada, sob pena de dissolução do próprio sistema. Desvio de poder ou de finalidade.
12. Julgo improcedente o pedido”. (STF - ADI: 3026 DF, Relator: EROS GRAU, Data de Julgamento:
08/06/2006, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 29-09-2006 PP-00031 EMENT VOL-02249-03 PP-
00478)
Agências executivas
A qualificação de agências executivas se dá por meio de requerimento dos órgãos e das entidades
que prestam atividades exclusivas do Estado e se candidatam à qualificação. Aqui estão envolvidas a
instituição e o Ministério responsável pela sua supervisão.62
Segundo determina a lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998, artigos. 51 e 52 e parágrafos, o Poder
Executivo poderá qualificar como Agência Executiva autarquias ou fundações que tenham cumprido os
requisitos de possuir plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em
andamento além da celebração de Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.
Os planos devem definir diretrizes, políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e
do quadro de servidores, a revisão dos processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos
e o fortalecimento da identidade institucional da Agência Executiva.
62 http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=661
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. 80
O Poder Executivo definirá também os critérios e procedimentos para a elaboração e o
acompanhamento dos Contratos de Gestão e dos programas de reestruturação e de desenvolvimento
institucional das Agências.
A qualificação como Agência Executiva deve ser dada por meio de decreto do Presidente da República.
O Poder Executivo também estabelecerá medidas de organização administrativa específicas para as
Agências Executivas, com o objetivo de assegurar a sua autonomia de gestão, bem como as condições
orçamentárias e financeiras para o cumprimento dos contratos de gestão.
O plano estratégico de reestruturação deve produzir melhorias na gestão da instituição, com vistas à
melhoria dos resultados, do atendimento aos seus clientes e usuários e da utilização dos recursos
públicos.
O contrato de gestão estabelecerá os objetivos estratégicos e as metas a serem alcançadas pela
instituição em determinado período de tempo, além dos indicadores que medirão seu desempenho na
realização de suas metas contratuais, condições de execução, gestão de recursos humanos, de
orçamento e de compras e contratos.
A autonomia concedida estará subordinada à assinatura do Contrato de Gestão com o Ministério
supervisor, no qual serão firmados, de comum acordo, compromissos de resultados.
Organização administrativa das Agências Executivas.
As Agências Executivas serão objeto de medidas específicas de organização administrativa. Os
objetivos são, basicamente, aumento de eficiência na utilização dos recursos públicos, melhoria do
desempenho e da qualidade dos serviços prestados, maior autonomia de administração orçamentária,
financeira, operacional e de recursos humanos além de eliminar fatores restritivos à sua atuação como
instituição.
A não existência de certos limites de atuação das Agências é condicionada à existência prévia de
recursos orçamentários disponíveis e a necessidade dos serviços para o cumprimento dos objetivos e
metas do contrato de gestão.
Sem aumentar despesas e o numeral de cargos da entidade, os Ministros supervisores tem
competência para aprovação ou readequação das estruturas regimentais ou estatutos das Agências
Executivas. Esta competência poderá ser delegada pelo Ministro supervisor ao dirigente máximo da
Agência Executiva.
Os dirigentes máximos das Agências Executivas também poderão autorizar os afastamentos do País
de servidores civis das respectivas entidades.
As Agências Executivas também poderão editar regulamentos próprios de avaliação de desempenho
dos seus servidores. Estes serão previamente aprovados pelo seu Ministério supervisor e, provavelmente,
pelo substituto Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado nos governos posteriores à sua
extinção.
De acordo com o que se viu a partir da Emenda Constitucional nº 19 de 1998, os resultados da
avaliação poderão ser levados em conta para efeito de progressão funcional dos servidores das Agências
Executivas.
O art 7º do Decreto subordina a execução orçamentária e financeira das Agências Executivas aos
termos do contrato de gestão e isenta a mesma dos limites nos seus valores para movimentação,
empenho e pagamento. Esta determinação não se coaduna, entretanto, com o pensamento reinante de
administração fiscal responsável a partir do que se encontra positivado pela Lei Complementar 101 de
2000.
Algo semelhante é o que se deu também com o art. 8º e parágrafo que delega competência para os
Ministros supervisores e dirigentes máximos das Agências para a fixação de limites específicos, aplicáveis
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 81
às Agências Executivas, para a concessão de suprimento de fundos para atender a despesas de pequeno
vulto.
As Agências Executivas poderão editar regulamento próprio de valores de diárias no País e condições
especiais para sua concessão. O que se busca é adequá-las às necessidades específicas de todos os
tipos de deslocamentos. Todos os dados relativos a número, valor, classificação funcional programática
e de natureza da despesa, correspondentes à nota de empenho ou de movimentação de créditos devem
ser publicados no Diário Oficial da União em atendimento ao princípio constitucional da publicidade.
Agências Reguladoras
As agências reguladoras foram criadas pelo Estado com a finalidade de tentar fiscalizar as atividades
das iniciativas privadas. Tratam-se de espécies do gênero autarquias, possuem as mesmas
características, exceto pelo fato de se submeterem a um regime especial. Seu escopo principal é a
regulamentação, controle e fiscalização da execução dos serviços públicos transferidos ao setor privado.
São criadas por meio de leis e tem natureza de autarquia com regime jurídico especial, ou seja, é
aquela que a lei instituidora confere privilégios específicos e maior autonomia em comparação com
autarquias comuns, sem de forma alguma infringir preceitos constitucionais.
Uma das principais características das Agências Reguladoras é a sua relativa autonomia e
independência. As agências sujeitam-se ao processo administrativo (Lei 9.784/99, na esfera federal, além
dos próprios dispositivos das leis especificas).
Caso ocorra lesão ou ameaça de lesão de direito, a empresa concessionária poderá ir ao Judiciário.
Sua função é regular a prestação de serviços públicos, organizar e fiscalizar esses serviços a serem
prestados por concessionárias ou permissionárias.
FUNDAÇÕES PÚBLICAS
Fundação é uma pessoa jurídica composta por um patrimônio personalizado, destacado pelo seu
instituidor para atingir uma finalidade específica. As fundações poderão ser tanto de direito público quanto
de direito privado.
As fundações que integram a Administração indireta, quando forem dotadas de personalidade de
direito público, serão regidas integralmente por regras de Direito Público. Quando forem dotadas de
personalidade de direito privado, serão regidas por regras de direito público e direito privado.
O patrimônio da fundação pública é destacadopela Administração direta, que é o instituidor para definir
a finalidade pública. Como exemplo de fundações, temos: IBGE (Instituto Brasileiro Geográfico
Estatístico); Universidade de Brasília; FEBEM; FUNAI; Fundação Memorial da América Latina; Fundação
Padre Anchieta (TV Cultura).
Características:
- Liberdade financeira;
- Liberdade administrativa;
- Dirigentes próprios;
- Patrimônio próprio: Patrimônio personalizado significa dizer que sobre ele recai normas jurídicas que
o tornam sujeito de direitos e obrigações e que ele está voltado a garantir que seja atingido a finalidade
para qual foi criado.
Não existe hierarquia ou subordinação entre a fundação e a Administração direta. O que existe é um
controle de legalidade, um controle finalístico.
As fundações governamentais, sejam de personalidade de direito público, sejam de direito privado,
integram a Administração Pública. A lei cria e dá personalidade para as fundações governamentais de
direito público. As fundações governamentais de direito privado são autorizadas por lei e sua
personalidade jurídica se inicia com o registro de seus estatutos.
As fundações são dotadas dos mesmos privilégios que a Administração direta, tanto na área tributária
(ex.: imunidade prevista no art. 150 da CF/88), quanto na área processual (ex.: prazo em dobro).
As fundações respondem pelas obrigações contraídas junto a terceiros. A responsabilidade da
Administração é de caráter subsidiário, independente de sua personalidade.
As fundações governamentais têm patrimônio público. Se extinta, o patrimônio vai para a
Administração indireta, submetendo-se as fundações à ação popular e mandado de segurança. As
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particulares, por possuírem patrimônio particular, não se submetem à ação popular e mandado de
segurança, sendo estas fundações fiscalizadas pelo Ministério Público.
EMPRESAS PÚBLICAS
Empresas públicas são pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas para a prestação de serviços
públicos ou para a exploração de atividades econômicas que contam com capital exclusivamente público
e são constituídas por qualquer modalidade empresarial. Se a empresa pública é prestadora de serviços
públicos, por consequência está submetida a regime jurídico público. Se a empresa pública é exploradora
de atividade econômica, estará submetida a regime jurídico igual ao da iniciativa privada.
Alguns exemplos de empresas públicas:
- BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social): Embora receba o nome de banco,
não trabalha como tal. A única função do BNDS é financiar projetos de natureza social. É uma empresa
pública prestadora de serviços públicos.
- EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos): É prestadora de serviço público (art. 21, X, da
CF/88).
- Caixa Econômica Federal: Atua no mesmo segmento das empresas privadas, concorrendo com os
outros bancos. É empresa pública exploradora de atividade econômica.
- RadioBrás: Empresa pública responsável pela “Voz do Brasil”. É prestadora de serviço público.
As empresas públicas, independentemente da personalidade jurídica, têm as seguintes características:
- Liberdade financeira: Têm verbas próprias, mas também são contempladas com verbas
orçamentárias;
- Liberdade administrativa: Têm liberdade para contratar e demitir pessoas, devendo seguir as regras
da CF/88. Para contratar, deverão abrir concurso público; para demitir, deverá haver motivação.
Não existe hierarquia ou subordinação entre as empresas públicas e a Administração Direta,
independentemente de sua função. Poderá a Administração Direta fazer controle de legalidade e
finalidade dos atos das empresas públicas, visto que estas estão vinculadas àquela. Só é possível,
portanto, controle de legalidade finalístico.
A lei não cria, somente autoriza a criação das empresas públicas, ou seja, independentemente das
atividades que desenvolvam, a lei somente autorizará a criação das empresas públicas.
A empresa pública será prestadora de serviços públicos ou exploradora de atividade econômica. A
CF/88 somente admite a empresa pública para exploração de atividade econômica em duas situações
(art. 173 da CF/88):
- Fazer frente a uma situação de segurança nacional;
- Fazer frente a uma situação de relevante interesse coletivo: A empresa pública deve obedecer aos
princípios da ordem econômica, visto que concorre com a iniciativa privada. Quando o Estado explora,
portanto, atividade econômica por intermédio de uma empresa pública, não poderão ser conferidas a
ela vantagens e prerrogativas diversas das da iniciativa privada (princípio da livre concorrência).
Quanto à responsabilidade das empresas públicas, temos que:
Empresas públicas exploradoras de
atividade econômica
Empresas públicas prestadoras de
serviço público
A responsabilidade do Estado não existe,
pois, se essas empresas públicas contassem
com alguém que respondesse por suas
obrigações, elas estariam em vantagem
sobre as empresas privadas. Só respondem
na forma do § 6.º do art. 37 da CF/88 as
empresas privadas prestadoras de serviço
público, logo, se a empresa pública exerce
atividade econômica, será ela a responsável
pelos prejuízos causados a terceiros (art. 15
do CC);
Como o regime não é o da livre
concorrência, elas respondem pelas suas
obrigações e a Administração Direta
responde de forma subsidiária. A
responsabilidade será objetiva, nos termos
do art. 37, § 6.º, da CF/88.
Submetem-se a regime falimentar,
fundamentando-se no princípio da livre
concorrência.
Não se submetem a regime falimentar, visto
não estão em regime de concorrência.
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Vale fazer uma ressalva quanto às empresas públicas prestadoras de serviço público, muitos
doutrinadores divergem se eles podem ou não falir. Trouxemos os entendimentos apontados por alguns
doutrinadores no sentido que essas empresas não se submetem ao regime falimentar. Vejamos:
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, na obra: DIREITO ADMINISTRATIVO, 27ª edição, editora
ATLAS, 2014.
“As empresas públicas e sociedades de economia mista não estão sujeitas à falência, conforme está
expresso no artigo 2º da Lei nº 11.101 de 9-2- 2005 (Lei de Falências). Essa lei deu tratamento diferente
às empresas concessionárias e às empresas estatais (sociedades de economia mista e empresas
públicas). Estas últimas foram excluídas da abrangência da lei (art. 2º, I) . A diferença de tratamento tem
sua razão de ser: é que as empresas estatais fazem parte da Administração Pública indireta, administram
patrimônio público, total ou parcialmente, dependem de receitas orçamentárias ou têm receita própria,
conforme definido em lei, e correspondem a forma diversa de descentralização: enquanto as
concessionárias exercem serviço público delegado por meio de contrato, as empresas estatais são
criadas por lei e só podem ser extintas também por lei. Sendo criadas por lei, o Estado provê os recursos
orçamentários necessários à execução de suas atividades, além de responder subsidiariamente por suas
obrigações.
Só cabe fazer uma observação: a lei falhou ao dar tratamento igual a todas as empresas estatais, sem
distinguir as que prestam serviço público (com fundamento no artigo 1 75 da Constituição) e as que
exercem Administração Indireta atividade econômica a título de intervenção (com base no artigo 1 73 da
Constituição). Estas últimas não podem ter tratamento privilegiado em relação às empresas do setor
privado, porque o referido dispositivo constitucional, no § 1 º, II, determina que elas se sujeitem ao mesmo
regime das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações.”
Também ensina Celso Antônio Bandeira de Mello:
“Quando se tratar de exploradoras de atividade econômica, então, a falência terá curso absolutamente
normal, como se de outra entidade mercantil qualquerse tratara. É que a Constituição, no art. 173, §1º,
II, atribui-lhes sujeição "ao regime jurídico próprio das empresas privadas inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais (...).”
Para Jose dos Santos Carvalho Filho
“De plano, o dispositivo da Lei de Falências não parece mesmo consentâneo com a ratio inspiradora
do art. 173, § 1º, da Constituição Federal. De fato, se esse último mandamento equiparou sociedades de
economia mista e empresas públicas de natureza empresarial às demais empresas privadas, aludindo
expressamente ao direito comercial, dentro do qual se situa obviamente a nova Lei de Falências, parece
incongruente admitir a falência para estas últimas e não admitir para aquelas. Seria uma discriminação
não autorizada pelo dispositivo constitucional. Na verdade, ficaram as entidades paraestatais com
evidente vantagem em relação às demais sociedades empresárias, apesar de ser idêntico o objeto de
sua atividade. Além disso, se o Estado se despiu de sua potestade para atuar no campo econômico, não
deveria ser merecedor da benesse de estarem as pessoas que criou para esse fim excluídas do processo
falimentar.”
Para Hely Lopes Meirelles, o entendimento é o mesmo:
“A nova Lei de Falências (Lei 11.101, de 9.2.2005, que `regula a recuperação judicial, extrajudicial e a
falência do empresário e da sociedade empresária’) dispõe expressamente, no art. 2º, I, que ela não se
aplica às empresas públicas e sociedades de economia mista. Não obstante, a situação continuará a
mesma. Tal dispositivo só incidirá sobre as empresas governamentais que prestem serviço público; as
que exploram atividade econômica ficam sujeitas às mesmas regras do setor privado, nos termos do art.
173, §1º, II, da CF [...].”
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA
As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de Direito Privado criadas para a prestação
de serviços públicos ou para a exploração de atividade econômica, contando com capital misto e
constituídas somente sob a forma empresarial de S/A. As sociedades de economia mista são:
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- Pessoas jurídicas de Direito Privado.
- Exploradoras de atividade econômica ou prestadoras de serviços públicos.
- Empresas de capital misto.
- Constituídas sob forma empresarial de S/A.
Veja alguns exemplos de sociedade mista:
a. Exploradoras de atividade econômica: Banco do Brasil.
b. Prestadora de serviços públicos: Petrobrás, Sabesp, Metrô, CDHU (Companhia de Desenvolvimento
Habitacional Urbano) e CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços, empresa responsável pelo
gerenciamento da execução de contratos que envolvem obras e serviços públicos no Estado de São
Paulo).
As sociedades de economia mista têm as seguintes características:
- Liberdade financeira;
- Liberdade administrativa;
- Dirigentes próprios;
- Patrimônio próprio.
Não existe hierarquia ou subordinação entre as sociedades de economia mista e a Administração
Direta, independentemente da função dessas sociedades. No entanto, é possível o controle de legalidade.
Se os atos estão dentro dos limites da lei, as sociedades não estão subordinadas à Administração Direta,
mas sim à lei que as autorizou.
As sociedades de economia mista integram a Administração Indireta e todas as pessoas que a
integram precisam de lei para autorizar sua criação, sendo que elas serão legalizadas por meio do registro
de seus estatutos.
A lei, portanto, não cria, somente autoriza a criação das sociedades de economia mista, ou seja,
independentemente das atividades que desenvolvam, a lei somente autorizará a criação das sociedades
de economia mista.
A Sociedade de economia mista, quando explora atividade econômica, submete-se ao mesmo regime
jurídico das empresas privadas, inclusive as comerciais. Logo, a sociedade mista que explora atividade
econômica submete-se ao regime falimentar. Sociedade de economia mista prestadora de serviço público
não se submete ao regime falimentar, visto que não está sob regime de livre concorrência.
Para maior complemento de seus estudos, trouxemos as diferenças entre a empresa pública e
a sociedade de economia mista
Empresa Pública Sociedade de Economia Mista
Forma jurídica: As empresas públicas podem
revestir-se de qualquer das formas previstas em
direito (sociedades civis, sociedades comerciais,
Ltda, S/A, etc).
Forma Jurídica: As sociedades de economia
mista utilizam-se da forma de Sociedade
Anônima (S/A), sendo regidas, basicamente, pela
Lei das Sociedades por Ações (Lei n°
6.404/1976).
Composição do capital: o capital é composto
por integrantes da Administração Pública,
portanto é integralmente público. Dessa forma,
não se permite a participação de recursos
particulares na formação de capital das empresas
públicas.
Composição do Capital: o capital é composto
por recursos públicos e privados, sendo, portanto
as ações divididas entre a entidade
governamental e a iniciativa privada.
Foro processual: Será competente para
julgamento das empresas públicas federais,
quando estas se encontrarem nas condições de
autoras, rés, assistentes ou opoentes, exceto as
de falência, as de acidente do trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho, à Justiça Federal.
Foro processual: Será competentes para
julgamento das sociedades de economia federal
a Justiça Estadual, não usufrui de privilégios da
Justiça Federal.
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Diferença entre Autarquia e Fundações Públicas
Autarquia Fundação
Criação: ocorre por lei ordinária e específica Criação: ocorre por autorização legislativa e
lei complementar, o que permite definir a área de
atuação.
Personificação: serviço público. Personificação: patrimônio.
Pessoa Jurídica: de direito público. Pessoa Jurídica: de direito público ou
privado.
Funções: exerce função típica do Estado. Funções: exerce funções atípicas do Estado.
Natureza: administrativa Natureza: social
Questões
01. (TRE/SP - Analista Judiciário - Área Administrativa – FCC/2017). A Administração pública,
quando se organiza de forma descentralizada, contempla a criação de pessoas jurídicas, com
competências próprias, que desempenham funções originariamente de atribuição da Administração
direta. Essas pessoas jurídicas,
(A) quando constituídas sob a forma de autarquias, podem ter natureza jurídica de direito público ou
privado, podendo prestar serviços públicos com os mesmos poderes e prerrogativas que a Administração
direta.
(B) podem ter natureza jurídica de direito privado ou público, mas não estão habilitadas a desempenhar
os poderes típicos da Administração direta.
(C) desempenham todos os poderes atribuídos à Administração direta, à exceção do poder de polícia,
em qualquer de suas vertentes, privativo da Administração direta, por envolver limitação de direitos
individuais.
(D) quando constituídas sob a forma de autarquias, possuem natureza jurídica de direito público,
podendo exercer poder de polícia na forma e limites que lhe tiverem sido atribuídos pela lei de criação.
(E) terão natureza jurídica de direito privado quando se tratar de empresas estatais, mas seus bens
estão sujeitos a regime jurídico de direito público, o que também se aplica no que concerne aos poderes
da Administração, que desempenham integralmente, especialmente poder de polícia.
02. (ANS - Técnico Administrativo – FUNCAB/2016). Em relação à organização administrativa,
marque a alternativa correta.
(A) As entidades paraestatais, como as fundações ou entidades de apoio, e os serviços sociais
autônomos compõem a estrutura da Administração Pública e se submetem ao regime jurídico
administrativo previsto na Constituição da República.
(B) As autarquias, assim como as fundações públicas, podem assumir a personalidade de direito
privado ou público. No entanto, quando criadascom natureza privada, não se submetem ao regime
próprio das entidades públicas.
(C) As sociedades de economia mista federais são dotadas de personalidade jurídica de direito
privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, e só podem assumir a forma jurídica de
sociedades anônimas.
(D) Os servidores das empresas públicas federais são admitidos obrigatoriamente por concurso público
para ocupar cargos públicos sem estabilidade e sujeitos às normas estabelecidas na CLT.
(E) As fundações públicas de direito privado somente adquirem personalidade jurídica com a inscrição
da escritura pública de sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes aplicando as
demais disposições do Código Civil concernentes às fundações.
03. (PC/PE - Escrivão de Polícia – CESPE/2016). Com referência à administração pública direta e
indireta, assinale a opção correta.
(A) Os serviços sociais autônomos, por possuírem personalidade jurídica de direito público, são
mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais.
(B) A fundação pública não tem capacidade de autoadministração.
(C) Como pessoa jurídica de direito público, a autarquia realiza atividades típicas da administração
pública.
(D) A sociedade de economia mista tem personalidade jurídica de direito público e destina-se à
exploração de atividade econômica.
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(E) A empresa pública tem personalidade jurídica de direito privado e controle acionário majoritário da
União ou outra entidade da administração indireta.
04. (Prefeitura de São Paulo/SP - Assistente de Gestão de Políticas Públicas I – CESPE/2016).
No que se refere à administração pública direta e indireta, assinale a opção correta.
(A) As pessoas administrativas que formam a administração pública indireta são aquelas dotadas de
personalidade jurídica de direito público (como as autarquias e as fundações públicas).
(B) Na esfera municipal, a administração direta é formada pelos órgãos que compõem a prefeitura e a
câmara municipal, além das fundações e das empresas públicas de âmbito local.
(C) A administração indireta compreende as pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva
administração direta, desempenham atividades administrativas de forma descentralizada.
(D) Tanto a administração direta quanto a indireta são compostas por órgãos e por pessoas jurídicas
administrativas, com a diferença de que todas as que integram a administração indireta estão submetidas
a regime de direito privado.
(E) O aspecto mais relevante que caracteriza a administração indireta é o fato de ela ser, ao mesmo
tempo, titular e executora de serviço público.
05. (Prefeitura de São Lourenço/MG - Advogado – FUNDEP/2016). Entre os requisitos legais da
alienação de um bem imóvel pertencente a uma sociedade de economia mista, não se inclui:
(A) autorização legislativa.
(B) motivação.
(C) licitação.
(D) avaliação prévia.
06. (CASAN - Advogado - INSTITUTO AOCP/2016). Quanto à Administração Pública Indireta,
assinale a alternativa correta.
(A) Somente por lei específica poderá ser criada autarquia, empresa pública, sociedade de economia
mista e fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação.
(B) A criação de subsidiárias pelas empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como
sua participação em empresas privadas, depende de autorização legislativa, exceto se já houver previsão
para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei
criadora é a própria medida autorizadora.
(C) A fundação pública não pode ser extinta por ato do Poder Público.
(D) O chefe do Poder Executivo poderá, por decreto, extinguir empresa pública ou sociedade de
economia mista.
(E) A sociedade de economia mista poderá ser estruturada sob qualquer das formas admitidas em
direito.
07. (JUCEPAR/PR - Administrador – FAU/2016). A Administração Pública pode ser exercida por
meio de órgãos ou instituições diretas e indiretas, de várias formas e com conceitos e caracterizações
bem definidos. Neste sentido questiona-se: a que tipo de órgão ou instituição pertence a seguinte
caracterização?
“(...) o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de personalidade jurídica, de direito público ou
privado, e destinado por lei, ao desempenho de atividades do Estado na ordem social, com capacidade
de autoadministração e mediante controle da Administração Pública, nos limites da lei.”
(A) Autarquia.
(B) Sociedade de Economia Mista.
(C) Fundação.
(D) Agência Reguladora.
(E) Administração Direta.
08. (TCE/PR - Auditor – CESPE/2016). Na organização administrativa do poder público, as autarquias
públicas são
(A) entidades da administração indireta com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios.
(B) sociedades de economia mista criadas por lei para a exploração de atividade econômica.
(C) organizações da sociedade civil constituídas com fins filantrópicos e sociais.
(D) órgãos da administração direta e estão vinculadas a algum ministério.
(E) organizações sociais sem fins lucrativos com atividades dirigidas ao ensino e à pesquisa científica
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09. (ANAC - Especialista em Regulação de Aviação Civil – ESAF/2016). Complete as lacunas em
branco com os termos descentralização ou desconcentração.
Ao final, assinale a opção que contenha a sequência correta.
1. Em nenhuma forma de _____________ há hierarquia.
2. Ocorre a chamada ______________ quando o Estado desempenha algumas de suas atribuições
por meio de outras pessoas e não pela sua administração direta.
3. Trata-se, a ____________________, de mera técnica administrativa de distribuição interna de
competências.
4. Porque a ______________ ocorre no âmbito de uma pessoa jurídica, surge relação de hierarquia,
de subordinação, entre os órgãos dela resultantes.
(A) descentralização/desconcentração/desconcentração/ descentralização
(B) descentralização/descentralização/desconcentração/ desconcentração
(C) desconcentração/desconcentração/descentralização/ descentralização
(D) desconcentração/descentralização/desconcentração/ descentralização
(E) desconcentração/descentralização/descentralização/ desconcentração
10. (DER/CE - Procurador Autárquico – UECE-CE/2016). A criação de uma autarquia na estrutura
da Administração Pública consiste no instituto jurídico da
(A) descentralização.
(B) desconcentração.
(C) concentração.
(D) centralização.
11. (TJ/RS - Contador – FAURGS/2016). A Administração Direta compreende
(A) as autarquias.
(B) as empresas públicas.
(C) as sociedades de economia mista.
(D) as fundações públicas.
(E) a presidência da república e os ministérios.
12. (Prefeitura de Cláudio/MG - Guarda Municipal – FUNDEP/2016). Assinale a alternativa em que,
segundo o direito positivo brasileiro, todas as pessoas indicadas são componentes da Administração
Pública Indireta.
(A) Autarquia, fundação e organização social.
(B) Fundação, agência executiva e sociedade de propósitos específicos.
(C) Organização da sociedade civil de interesse público, conselho popular e consórcio público.
(D) Autarquia, sociedade de economia mista e empresa pública.
13. (Prefeitura de Resende/RJ - Assistente Administrativo – IBEG/2016). "Ocorre quando a
entidade da Administração, encarregada de executar um ou mais serviços, distribui competências, no
âmbito de sua própria estrutura, no intuito de tornar mais eficiente e ágil a prestação dos serviços”. O
presente conceito refere-se à:
(A) Descentralização administrativa.
(B) Centralização administrativa.
(C) Concentração administrativa.
(D) Desconcentração administrativa.
(E) Nenhuma das alternativas.
14. (EPT – Maricá -Assistente Administrativo –IESAP/2015). Sobre as autarquias não é correto
afirmar:(A) Deve ser criada mediante lei específica.
(B) Executa atividades típicas da administração pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
(C) É uma entidade com personalidade jurídica de direito privado, criada por lei.
(D) São entes de direito público com personalidade jurídica e patrimônios próprios.
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15. (ESAF - Analista de Planejamento e Orçamento - Conhecimentos Gerais – ESAF/2015). São
características das autarquias, exceto:
(A) criação por lei de iniciativa do Chefe do Poder Executivo.
(B) personalidade de direito público, submetendo-se a regime jurídico administrativo quanto à criação,
extinção e poderes.
(C) capacidade de autoadministração, o que implica autonomia referente às suas atividades de
administração ordinária (atividade meio), bem como às suas atividades normativas e regulamentares.
(D) especialização dos fins ou atividades, sendo-lhes vedado exercer atividades diversas daquelas
para as quais foram instituídas.
(E) sujeição a controle ou tutela, o que não exclui o controle interno.
16. (TJ/SC - Técnico Judiciário Auxiliar – FGV/2015). São pessoas jurídicas de direito privado,
integrantes da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma
jurídica adequada a sua natureza, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou,
em certas situações, execute a prestação de serviços públicos, as:
(A) autarquias;
(B) fundações públicas;
(C) fundações privadas;
(D) empresas públicas;
(E) agências reguladoras.
17. (Prefeitura de Rio de Janeiro – RJP- Assistente Administrativo - Prefeitura do Rio de Janeiro
– RJ/2015). De acordo com o entendimento doutrinário, as empresas públicas podem ser conceituadas
como:
(A) pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta, criadas por lei sob a
forma de sociedades anônimas para desempenhar funções que, despidas de caráter econômico, sejam
próprias e típicas de estado
(B) pessoas jurídicas de direito público, integrantes da Administração Indireta, criadas por autorização
legal sob qualquer forma jurídica adequada a sua natureza, para que o governo exerça atividades gerais
de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicos
(C) pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta, criadas por autorização
legal sob qualquer forma jurídica adequada a sua natureza, para que o governo exerça atividades gerais
de caráter econômico ou, em certas situações, execute a prestação de serviços públicos
(D) pessoas jurídicas de direito público, integrantes da Administração Indireta, criadas por autorização
legal sob a forma de sociedades anônimas, cujo controle acionário pertença ao Poder Público, tendo por
objetivo, como regra, a exploração de atividades gerais de caráter econômico e a prestação de serviços
públicos
Respostas
01. Resposta: D
De acordo com Maria Silvia de Pietro a autarquia é conceituada como "pessoa jurídica de direito
público, criada por lei, com capacidade de autoadministração, para o desempenho de serviço público
descentralizado, mediante controle administrativo exercido nos limites da lei".
02. Resposta: E
Decreto 200/1967
Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
( )
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins
lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não
exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e
de outras fontes.
( )
§ 3º As entidades de que trata o inciso IV deste artigo adquirem personalidade jurídica com a
inscrição da escritura pública de sua constituição no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não se lhes
aplicando as demais disposições do Código Civil concernentes às fundações.
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03. Resposta: C
Decreto 200/67
Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita
próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
04. Resposta: C
Segundo José dos Santos Carvalho Filho, a Administração Pública Indireta é o conjunto de pessoas
administrativas que, vinculadas à respectiva Administração direta, têm o objetivo de desempenhar as
atividades administrativas de forma descentralizada. (José dos Santos Carvalho Filho).
05. Resposta: A
Lei nº 8666/1993
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público
devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e
entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de
avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos:( )
06. Resposta: B
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
( )
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades
mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
Na ADIN 1.649-1 o STF firmou o seguinte entendimento: "é dispensável a autorização legislativa
para a criação de empresas subsidiárias, desde que haja previsão para esse fim na própria lei que
instituiu a empresa de economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida
autorizadora".
07. Resposta: C
Fundação pública – a entidade dotada de personalidade jurídica de direito público ou privado, sem fins
lucrativos, criada por lei (Fundação de Direito Público) ou criada em virtude de autorização legislativa
(Fundação de Direito Privado), para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por
órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de outras fontes.
08. Resposta: A
Autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno, pertencentes à Administração Pública
Indireta, criadas por lei específica para o exercício de atividades típicas da Administração Pública.
Algumas das autarquias mais importantes do Brasil são: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS,
Banco Central – Bacen, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis –
Ibama.
São dotadas de autonomia gerencial, orçamentária e patrimonial: autonomia é capacidade de
autogoverno representando um nível de liberdade na gestão de seus próprios assuntos, intermediário
entre a subordinação hierárquica e a independência.
09. Resposta: B
A descentralização administrativa ocorre quando o estado desempenha algumas de suas atribuições
por meio de outras pessoas e não pela sua administração direta. Ex: as autarquias.
A desconcentração trata-se de mera técnica administrativa de distribuição interna de funções, ocorre,
tanto na prestação de serviços pela Administração Direta, quanto pela Indireta.
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10. Resposta: A
Na descentralização administrativa, o Estado transfere a execução dessas atividades a particulares ou
a outras pessoasjurídicas, de direito público ou privado. Dito de outro modo, a descentralização
administrativa consiste na distribuição ou transferência de atividades ou serviços da Administração Direta
para a Administração Indireta ou para particulares, o que pressupõe a existência de pelo menos duas
pessoas, a pessoa política que transfere as atribuições e a pessoa física ou jurídica (de direito público ou
de direito privado) que recebe as atribuições.
11. Resposta: E
DL 200/67
Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da
Presidência da República e dos Ministérios.
12. Resposta: D
DL 200/67
Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da
Presidência da República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de
personalidade jurídica própria:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista.
d) fundações públicas.
13. Resposta: D
Ocorre desconcentração administrativa quando uma pessoa política ou uma entidade da administração
indireta distribui competências no âmbito de sua própria estrutura afim de tornar mais ágil e eficiente a
prestação dos serviços. Desconcentração envolve, obrigatoriamente, uma só pessoa jurídica.
14. Resposta: C
Criação: ocorre por lei ordinária e específica
Personificação: serviço público.
Pessoa Jurídica: de direito público.
Funções: exerce função típica do Estado.
Natureza: administrativa
15. Resposta: C
Embora possua capacidade de autoadministração e autonomia para o desenvolvimento de suas
atividades, as autarquias não possuem autonomia nas suas atividades normativas e regulamentares,
pois só podem editar normas e regulamentos nos limites definidos na lei. Nesse sentido, o STJ já
decidiu que não caberia a determinada autarquia expedir atos de caráter normativo por inexistir norma
expressa que lhe conferisse tal competência (Resp. 1.103.913/PR).
16. Resposta: D
Art. 5º, Decreto 200/1967.Para os fins desta lei, considera-se:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita
próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
II - Empresa Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio
próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o
Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência administrativa podendo
revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado,
criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas
ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta.
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins
lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não
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exijam execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e
de outras fontes.
17. Resposta: C
MAZZA (2014) — Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, criadas por
autorização legislativa, com totalidade de capital público e regime organizacional livre. Exemplos: Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos – ECT, Caixa Econômica Federal – CEF, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –
Embrapa e Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero.
Órgãos públicos
Dentro do conceito de Administração Pública Direta, temos os órgãos públicos. Mas o que são esses
órgãos? Temos vários significados, até chegar ao conceito de órgão para o Direito Administrativo
brasileiro. Vejamos:
Em sentido corriqueiro, as pessoas entendem como órgão qualquer instituição que faça parte da
Administração Pública. Ministério é um órgão, o Supremo Tribunal Federal é outro, a Petrobras é outro,
a ECT, o BRB...
O cidadão comum não tem a noção técnica e entende por órgão qualquer instituição que faça parte da
estrutura administrativa, independentemente de sua posição dentro dessa estrutura. O cidadão não tem
esse discernimento de estabelecer o que são órgãos para o exercício das funções administrativas. Então
ele usa um conceito de órgão em sentido amplo.
Se buscarmos em nossa Constituição, veremos uma curiosidade: quando trata da estrutura do Poder
Legislativo, ela não fala em órgãos. Fala que a função legislativa é exercida através do Congresso
Nacional, mas não o chama de órgão. Igualmente menciona que o Tribunal de Contas da União exerce a
função constitucional de fiscalização orçamentária, financeira, contábil, patrimonial e operacional, mas
sem chamá-lo de órgão.
Com o Poder Executivo, a Constituição não fala também em órgãos, se limita a mencionar apenas
Presidência da República e os Ministérios.
Entretanto, com relação ao Poder Judiciário há sim menção aos órgãos! É o que dispõe o art. 92 da
CF/88:
Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:
I - o Supremo Tribunal Federal;
I-A o Conselho Nacional de Justiça;
II - o Superior Tribunal de Justiça;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. [...]
Inclui até os juízes como órgãos. Assim, Juiz, na concepção constitucional, é tratado como órgão do
Poder Judiciário. Curiosamente, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública são
tratados como instituições. Mas, quando se trata do Conselho de Defesa Nacional e da República, a
Constituição usa a expressão “órgão”.
Deste modo, podemos observar que a Constituição não permite o estabelecimento de um conceito
jurídico de órgãos, pois é desuniforme nesse aspecto. As únicas ocasiões em que se usa a expressão
“órgão” ou “órgãos” são para o Conselho da República, para o Conselho de Defesa Nacional, e no Título
do Poder Judiciário, no art. 92.
No Direito Financeiro, damos uma conceituação diferente. Órgãos são somente as instituições que
integram o mais alto grau e nível hierárquico dos poderes. O conceito de órgão para fins de orçamento é
mais restrito. Presidência da República e Ministérios, por exemplo, na área do Poder Executivo. Na área
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do Poder Legislativo temos: a Câmara dos Deputados, Senado Federal e Tribunal de Contas da União
no Legislativo, e no Judiciário temos: os juízes e Tribunais.
Contudo, para o Direito Administrativo, o juiz é, na realidade, agente público, e não órgão!
Constitucionalmente, entretanto, é tratado como se órgão fosse.
Assim mostramos a desuniformidade na expressão “órgão” nas normas positivas. Todavia o que nos
interessa aqui é o conceito de órgão para efeito de Direito Administrativo.
Pode-se definir o órgão público como uma unidade que congrega atribuições exercidas pelos agentes
públicos que o integram com o objetivo de expressar a vontade do Estado.
Na realidade, o órgão não se confunde com a pessoa jurídica, embora seja uma de suas partes
integrantes; a pessoa jurídica é o todo, enquanto os órgãos são parcelas integrantes do todo. O órgão
também não se confunde com a pessoa física, o agente público,porque congrega funções que este vai
exercer. Conforme estabelece o artigo 1º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.784/99, que disciplina o processo
administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, órgão é "a unidade de atuação integrante da
estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração indireta". Isto equivale a dizer que o
órgão não tem personalidade jurídica própria, já que integra a estrutura da Administração Direta, ao
contrário da entidade, que constitui “unidade de atuação dotada de personalidade jurídica” (inciso II do
mesmo dispositivo); é o caso das entidades da Administração Indireta (autarquias, fundações, empresas
públicas e sociedades de economia mista).
Nas palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello, os órgãos: "nada mais significam que círculos de
atribuições, os feixes individuais de poderes funcionais repartidos no interior da personalidade estatal e
expressados através dos agentes neles providos".
Embora os órgãos não tenham personalidade jurídica, eles podem ser dotados de capacidade
processual. A doutrina e a jurisprudência têm reconhecido essa capacidade a determinados órgãos
públicos, para defesa de suas prerrogativas.
Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, "embora despersonalizados, os órgãos mantêm relações
funcionais entre si e com terceiros, das quais resultam efeitos jurídicos internos e externos, na forma legal
ou regulamentar. E, a despeito de não terem personalidade jurídica, os órgãos podem ter prerrogativas
funcionais próprias que, quando infringidas por outro órgão, admitem defesa até mesmo por mandado de
segurança".
Por sua vez, José dos Santos Carvalho Filho, depois de lembrar que a regra geral é a de que o órgão
não pode ter capacidade processual, acrescenta que "de algum tempo para cá, todavia, tem evoluído a
ideia de conferir capacidade a órgãos públicos para certos tipos de litígio. Um desses casos é o da
impetração de mandado de segurança por órgãos públicos de natureza constitucional, quando se trata
da defesa de sua competência, violada por ato de outro órgão".
Também a jurisprudência tem reconhecido capacidade processual a órgãos públicos, como Câmaras
Municipais, Assembleias Legislativas, Tribunal de Contas. Mas a competência é reconhecida apenas para
defesa das prerrogativas do órgão e não para atuação em nome da pessoa jurídica em que se integram.
A criação e a extinção dos órgãos públicos ocorre por meio de de lei, conforme se extrai da leitura
conjugada dos arts. 48, XI, e 84, VI, a, da Constituição Federal, com alteração pela EC n.º 32/2001.6 E,
em regra, a iniciativa para o projeto de lei de criação dos órgãos públicos é do Chefe do Executivo, na
forma do art. 61, § 1.º, II, e, da CRFB, também alterada pela citada Emenda Constitucional.
Entretanto, em alguns casos, a iniciativa legislativa é atribuída, pelo texto constitucional, a outros
agentes públicos, como ocorre, por exemplo, em relação aos órgãos do Poder Judiciário (art. 96, II, c e
d, da CRFB) e do Ministério Público (127, § 2.º), cuja iniciativa pertence aos representantes daquelas
instituições. 63
Trata-se do princípio da reserva legal aplicável às técnicas de organização administrativa
(desconcentração para órgãos públicos e descentralização para pessoas físicas ou jurídicas).
Atualmente, no entanto, não é exigida lei para tratar da organização e do funcionamento dos órgãos
públicos, já que tal matéria pode ser estabelecida por meio de decreto do Chefe do Executivo (art. 84, VI,
a, da CRFB).
63 Oliveira, Rafael Carvalho Rezende, Administração Pública, Concessões e Terceiro Setor, editora: Método, 3ª edição, 2015.
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. 93
Excepcionalmente, a criação de órgãos públicos poderá ser instrumentalizada por ato administrativo,
tal como ocorre na instituição de órgãos no Poder Legislativo, na forma dos arts. 51, IV, e 52, XIII, da
CRFB
Neste contexto, vemos que os órgãos são centros de competência instituídos para praticar atos e
implementar políticas por intermédio de seus agentes, cuja conduta é imputada à pessoa jurídica. Esse é
o conceito administrativo de órgão. É sempre um centro de competência, que decorre de um processo de
desconcentração dentro da Administração Pública. Isso posto, perguntamos o seguinte:
Qual a natureza dos órgãos? Temos algumas teorias para responder. A teoria subjetiva confunde
órgãos com agentes. Os órgãos são os próprios agentes. Significa que, uma vez morto o agente, morto
o órgão. A teoria objetiva, por sua vez, confunde órgão com funções, um complexo de funções. Mas o
órgão não tem vontade própria, então não poderia, por si mesmo, traduzir as funções. A teoria mista,
que é uma combinação das duas anteriores, peca pelas próprias críticas dirigidas às teorias anteriores.
Se os agentes desaparecem e os órgãos não têm vontade própria para serem realizadas, não há que se
falar em teoria subjetiva ou objetiva.
A outra questão é: qual seria a natureza jurídica da relação que se processa entre agentes e os órgãos
públicos? Aqui temos outras três teorias: do mandato ou do contrato, em que o Estado confere mandato
para que os agentes façam seus trabalhos, o que é uma teoria não aceita porque os órgãos não têm
vontade própria, então não podem estabelecer procuração para que os agentes ajam em seu nome. Há
também a teoria da representação, que vem do Direito Civil, Direito que fornece várias bases para o
Direito Administrativo. Essa teoria equipara o funcionamento dos órgãos aos incapazes no Direito Civil.
Tutores e curadores são representados. Não tem mais sustentação pelo fato de que, se acontecesse,
isso implicaria na impossibilidade da responsabilização do Estado em função de sua incapacidade. Não
dá para colocar essa relação como sendo de representação equiparada ao direito privado em função
daquilo que se faz para que os atos da vida civil daqueles que não podem se representar, que são
submetidos à tutela e curatela, a ser desempenhada por outra pessoa, em regra por designação judicial.
No Estado não há nenhuma designação judicial para que agentes públicos representem a Administração
Pública.
A teoria que ganhou importância foi a da imputação, vinda da Alemanha. É a teoria do órgão. Diz que
a conduta dos agentes públicos são imputadas sempre à pessoa jurídica a que pertencem, para que a
responsabilização se faça contra o próprio Estado, e, se for o caso, depois por ação de regresso contra
o próprio agente público. É a teoria que está na base da teoria da responsabilidade objetiva do Estado,
no art. 37, § 6º da nossa Constituição.
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito
de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
É a chamada teoria da responsabilidade objetiva do Estado, em que a conduta do agente público é
imputada ao próprio Estado. Isso é praticamente sacramentado na doutrina.
Assim, chegamos ao conceito técnico-doutrinário de órgão: centros de competência instituídos para o
desempenho de funções estatais, por intermédio de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa
jurídica que pertencem.
Resumindo todo o exposto, vamos repassar as teorias explicativas da relação entre os agentes e
órgãos públicos.
- Teoria do contrato ou do mandato, segundo a qual o Estado conferiria mandato para que o agente
atue em seu nome; não é aceita porque o Estado não tem vontade própria;
- Teoria da representação, segundo a qual o Estado seria representado pelos seus agentes, numa
relação como se fosse de tutela ou curatela, com consequente irresponsabilidade do Estado, motivo pelo
qual não é aceita;
- Teoria da Imputação, pela qual a conduta dos agentes públicos é sempre imputada à pessoa jurídica
a que pertencem.Dessa observação, podemos estabelecer algumas características que se colocam para órgão público.
O importante é que tenhamos em vista que o conceito de órgão público em Direito Administrativo é
referente à Administração Pública direta.
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Características dos órgãos públicos: órgãos, se tomados no sentido de Administração Direta ou
integrante da Administração, não são pessoas jurídicas, portanto não têm patrimônio público, e suas
receitas não são próprias. Muitas vezes se fala em receitas públicas, que pertencem aos órgãos a que
estão relacionados. União, estados, municípios e Distrito Federal. Órgão da Administração Direta não tem
nem patrimônio próprio. O que é adquirido irá integrar um patrimônio que pertence ao ente jurídico, e não
é dele. O órgão não pode dispor daquele patrimônio. Portanto a alienação de bens tem que ser precedida
de autorização legislativa, com avaliação dos bens.
Os órgãos atuam através de mandato, com relação interpessoal entre vários deles.
Outra característica que tiramos dos órgãos públicos em consequência disso é a incapacidade
processual do órgão. Não pode propor ações em juízo, e, em regra, existe sempre algum órgão que irá
defendê-lo. É o caso das Advocacias Públicas. Advocacia-Geral da União, por exemplo. O órgão por si
mesmo não tem capacidade processual. Então as ações têm que ser propostas contra o ente político a
que pertencem.
Terceira observação: os órgãos obedecem ao princípio da hierarquia, e estão colocados por
desconcentração, representados por uma pirâmide, com um chefe que é o comandante em função da
hierarquia. Temos, portanto, avocação e delegação de competência, possibilidade de punição,
estabelecimento de sanções, tudo decorrente do princípio da hierarquia. Há, entre os órgãos da
Administração Pública, a observância rigorosa desse princípio. São essas algumas características
principais que, em geral, a doutrina apresenta para os órgãos. Há outra questão que é relacionada à
possibilidade de alguns órgãos possuírem, por disposição legal, autonomia administrativa, financeira, e
orçamentária.
O Decreto-lei 200 estabelece, no art. 172, a possibilidade de alguns órgãos da Administração Pública
gozarem de autonomia financeira e orçamentária. Eram órgãos autônomos, essa era a denominação. Os
órgãos em posição hierárquica superior podem baixar regimentos, mas nem todos têm autonomia
administrativa. E financeira no sentido de terem receitas próprias sem que passem, necessariamente,
pelo ente político.
Art. 172. O Poder Executivo assegurará autonomia administrativa e financeira, no grau conveniente
aos serviços, institutos e estabelecimentos incumbidos da execução de atividades de pesquisa ou ensino
ou de caráter industrial, comercial ou agrícola, que por suas peculiaridades de organização e
funcionamento, exijam tratamento diverso do aplicável aos demais órgãos da administração direta,
observada sempre a supervisão ministerial.
Foi esse dispositivo que, concedia, no passado, por decreto, autonomia a alguns órgãos em função de
suas peculiaridades, principalmente na década de 70, ao lado da descentralização administrativa pela
que passou o poder na área federal. Exemplo: Departamento de Imprensa Nacional. Essas receitas são
da União, mas era revertido ao próprio departamento que não as recolhia. Tinha autonomia financeira.
Outro exemplo que acontecia no passado eram as antigas rádios e TVs nacionais, que depois
passaram a fazer parte da Radiobrás e da TV Brasil. Existe ali pagamento de cachês a artistas, e esses
veículos geram receita própria pela atividade comercial. Infelizmente esse tipo de situação desapareceu.
A gráfica do Senado Federal vende publicações técnicas. O art. 172 não está prejudicado, e continua
vigorando para a área federal.
Hoje são apenas os Poderes, estes com autonomia garantida pela Constituição, além de poucas
exceções em que os órgãos da Administração Direta gozam de autonomia financeira.
Demais classificações dos órgãos públicos
Há outras classificações dos órgãos colocadas pela doutrina, mas não há nenhuma disposição de
Direito Administrativo.
Temos um critério que tem em vista a localização institucional do órgão junto às suas pessoas jurídicas
políticas. Podem ser:
- Federais;
- Municipais;
- Estaduais;
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. 95
- do Distrito Federal.
Uma segunda classificação, quanto ao poder decisório, colocada pela doutrina também. Nela, temos
os órgãos independentes, com poderes harmônicos e independentes entre si. Art. 2º da Constituição:
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.
Congresso Nacional é constituído pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. O Tribunal de
Contas da União também pode ser colocado aqui, muito embora não seja, administrativamente, órgão
integrante do Poder Legislativo. Às vezes existe essa confusão, pois a Constituição de 1967 dizia que o
TCU era órgão auxiliar do Poder Legislativo. A Constituição atual não fala isso; O Tribunal de Contas
exerce uma função de auxiliar o Poder Legislativo na tarefa de fiscalização dos atos do Poder Executivo
e dos demais poderes.
No Poder Judiciário são órgãos independentes os Tribunais.
Dentro do Poder Executivo o órgão independente é só a Presidência da República. Uma coisa curiosa
é que, no Direito Financeiro, em termos de lei orçamentária atual, a Advocacia-Geral da União pertence
à Presidência da República.
Temos a classificação quanto à posição que os órgãos ocupam na estrutura estatal. De acordo com
ela, os órgãos podem ser:
- Independentes;
- Autônomos;
- Superiores;
- Subalternos.
Os independentes são os órgãos cuja competência deriva da norma constitucional e não estão
subordinados a nenhum outro.
Os órgãos autônomos são os que estão abaixo dos independentes, têm grande poder de decisão, e
exercem as atribuições de fixação de diretrizes políticas, como os Ministérios, Secretarias dos estados e
municípios e do Distrito Federal.
Depois temos os órgãos chamados superiores, que são os que também têm uma grande parcela de
poder decisório, porém abaixo dos órgãos autônomos. Então, em geral, são as divisões e departamentos.
Toda Administração tem uma divisão em departamentos. Hoje as agências e empresas estatais usam
gerências, como as de recursos humanos, de finanças, etc.
É curioso observar que a expressão órgão superior aparece designada especificamente para o
Conselho de Defesa Nacional. É o único caso em que se tem a expressão órgão superior. Art. 89 da
Constituição.
Aparece aqui o Conselho da República, ao contrário do Conselho de Defesa, que é órgão de consulta.
Art. 89. O Conselho da República é órgão superior de consulta do Presidente da República, e dele
participam:
Os órgãos subalternos são os que, via de regra, não tem poder decisório, e estão no final da hierarquia
administrativa. São aqueles de atendimento ao público, portarias, bibliotecas, protocolos. Só cumprem
decisões.
De uma maneira geral, levando-se em conta a situação do órgão ou da estrutura estatal podemos
classifica-los em: diretivos e subordinados. Sendo os diretivos, aqueles que detêm funções de
comando e direção; e os subordinados, os incumbidos das funções rotineiras de execução.
Outra classificação, bastante encontrada, é quanto ao número de órgãos.
Em regra os órgãos são compostos e não simples. O Ministérios são compostos de vários órgãos.
A seção de protocolo não tem, abaixo dela, nenhuma divisão. Mas, nos Ministérios, podemos ter a
consultoria jurídica, por exemplo. Geralmente, podemos afirmar que os órgãos subalternos são simples,
justamente por não terem subdivisões.
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Quanto à composição, os órgãos podemser singulares ou colegiados. Os singulares são aqueles
em que as decisões são tomadas por um único agente público. Ele tem a responsabilidade de tomar
decisões. Nos órgãos colegiados temos decisões tomadas pela maioria de seus membros, o que leva à
consequência de que deva haver um regimento interno. Congresso Nacional, Tribunal de Contas da
União, Tribunais. Os Conselhos, como o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério
Público, o Conselho da República e o Conselho da Defesa, claro que são órgão colegiados, então há um
regimento interno. Pode haver decisões por maioria simples ou por maioria absoluta. Como no Congresso
Nacional, lei ordinária é aprovada por maioria simples, e lei complementar é aprovada por maioria
absoluta. O órgão colegiado, então, tem que ter um regimento interno que contém as regras decisórias.
Há mais classificações. Os órgãos públicos podem ser temporários ou permanentes. Normalmente
a regra é que o órgão seja permanente. Exceção são os temporários, como as CPIs e comissões
específicas de licitações, além das comissões de concursos públicos.
Outra classificação encontrada é aquela entre órgãos primários, secundários e vicários. Os órgãos
primários são os cuja atividade decorre da própria lei. Os secundários desempenham funções por
delegação. E os vicários, que exercem competência substituindo outros órgãos. Vicário significa aquilo
que se faz no lugar de outra coisa ou pessoa.
Por último, uma outra classificação encontrada pela doutrina é entre órgãos ativos, consultivos e de
controle. Órgãos ativos são os que têm poder decisório. Os consultivos são os de consulta e
assessoramento, sem poder decisório. Como os Conselhos da República e de Defesa Nacional.
Advocacia-Geral da União desenvolve atividades jurídicas de consulta e assessoramento do Poder
Executivo Federal. Na verdade, representa a União judicial e extrajudicialmente, e ajuda o Poder
Executivo e não o Presidente da República. Não cabe à AGU defender o Presidente da República fora de
suas atribuições, como na ocasião em que ele aparece antecipadamente defendendo sua candidata na
eleição por vir. Defende a União, e não o Presidente da República.
Também não pode o Presidente da República chamar as Forças Armadas para defender sua fazenda,
que é propriedade particular, contra invasores. A AGU defende o ente político, e não a pessoa do
Presidente da República.
Em resumo, as classificações dos órgãos públicos podem ser assim discutidas:
Quanto à localização institucional do órgão junto às pessoas jurídicas políticas:
- Federais;
- Municipais;
- Estaduais;
- do Distrito Federal.
Quanto à posição que os órgãos ocupam na estrutura estatal:
- Independentes
- Autônomos
- Superiores
- Subalternos
Quanto ao número de órgãos:
- Simples
- Compostos
Quanto à composição:
- Singulares
- Colegiados
Quanto à duração:
- Temporários
- Permanentes
Quanto à origem da competência:
- Primários
- Secundários
- Vicários
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
. 97
Quanto ao poder:
- Ativos
- Consultivos
- De controle
Questões
01. (Prefeitura de Piraúba/MG - Agente Administrativo e Auxiliar de Saúde – MS
CONCURSOS/2017). Não é característica de um Órgão Público:
(A) Voltado para o cumprimento de uma atividade a ser desenvolvida pelo Estado.
(B) Composto por agentes públicos.
(C) Possui personalidade jurídica própria.
(D) Resulta de uma técnica de organização administrativa chamada “desconcentração”.
02. (Prefeitura de Várzea Paulista/SP - Procurador Jurídico – VUNESP/2016). No tocante aos
órgãos públicos, é correto afirmar que
(A) a criação depende de lei, mas a extinção poderá ocorrer por meio de decreto.
(B) somente a estruturação deverá ocorrer por meio de decreto do Chefe do Poder Executivo.
(C) atualmente, o ordenamento jurídico exige lei para criação, estruturação e atribuições.
(D) após alteração constitucional, a estruturação e atribuições podem ser processadas por meio de
decreto do Chefe do Executivo.
(E) a extinção depende de lei, mas a criação poderá ocorrer por meio de decreto.
03. (Câmara Municipal de Jaboticabal/SP - Assistente Administrativo Jurídico – VUNESP/2015).
Órgãos públicos são unidades abstratas que sintetizam os vários círculos de atribuições do Estado,
aqueles que expressam decisões estatais para o cumprimento dos fins da pessoa jurídica, são
classificados como órgãos
(A) consultivos.
(B) de controle.
(C) ativos.
(D) contenciosos.
(E) verificadores.
04. (TRE/RR - Analista Judiciário - Área Judiciária – FCC/2015). Os órgãos públicos consultivos
(A) admitem a delegação de atribuições, porém não a avocação de atribuições.
(B) fogem à relação hierárquica no que diz respeito ao exercício de suas funções.
(C) são exemplos típicos de órgãos onde se exclui totalmente a interferência de órgãos superiores.
(D) estão excluídos da hierarquia administrativa para fins disciplinares
(E) admitem a avocação de atribuições, porém não a delegação de atribuições.
05. (Prefeitura de Taubaté /SP - Oficial de Administração – PUBLICONSULT/2015). De acordo com
o art. 37 da Constituição Federal, a publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos
órgãos públicos:
(A) É terminantemente proibida no âmbito da Administração Pública, exceto para empresas públicas
que tenham concorrência no mercado.
(B) Poderá conter nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos, exceto durante o período de vedação eleitoral.
(C) Poderá conter nomes, porém não símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou agentes políticos, mesmo no período de vedação eleitoral.
(D) Não poderá, em nenhuma hipótese e em qualquer período, conter nomes, símbolos ou imagens
que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
06. (Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Assistente Técnico Legislativo – FJG/RIO)
Considerando-se os critérios doutrinários adotados para definir a classificação dos órgãos públicos, é
possível afirmar que:
(A) quanto à situação estrutural, os órgãos públicos classificam-se em diretivos e subordinados
(B) quanto à composição, os órgãos públicos dividem-se em federais, estaduais distritais e municipais
(C) quanto ao comportamento, os órgãos públicos classificam-se em subordinados e insubordinados
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(D) quanto à estrutura, os órgãos públicos classificam-se em simples e complexos
07. (CPRM - Analista em Geociências - CESPE) Com relação à organização administrativa, julgue
os itens que se seguem.
Órgão público é uma unidade organizacional sem personalidade jurídica, composta de agentes e de
competências.
(A) Certo
(B) Errado
08. (TJ/SP – Advogado – VUNESP) Os órgãos situados no alto da estrutura organizacional da
Administração Pública, logo abaixo dos órgãos independentes, podem ser classificados como:
(A) autônomos.
(B) subalternos
(C) superiores
(D) subordinados.
(E) complexos.
09. (Prefeitura de Água Branca/AL - Agente Administrativo – FAPEC). Na classificação dos órgãos
públicos, os Ministérios são considerados:
(A) superiores.
(B) independentes.
(C) subalternos.
(D) autônomos.
10. (TRF 5ª Região - Técnico Judiciário - FCC) Os órgãos públicos são
(A) centros de competência dotados de personalidade jurídica.
(B) os agentes públicos que desempenham as funções da Administração Pública.
(C) centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais.
(D) unicamente os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
(E) as pessoas, os sujeitos de direitos e obrigações, dentro da Administração Pública.
Respostas
01. Resposta: C
O órgão não tem personalidade jurídica própria, já que integra a estrutura da Administração Direta, ao
contrário da entidade, que constitui “unidade de atuação dotadade personalidade jurídica”
02. Resposta: D
Constituição Federal
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
VI - dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa
nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;
03. Resposta: C
Os órgãos ativos são os que editam atos administrativos que dão executoriedade às atividades
administrativas.
04. Resposta: B
Segundo Maria Sylvia Di Pietro, "há de se observar que a relação hierárquica é acessória da
organização administrativa. Pode haver distribuição de competências dentro da organização
administrativa, excluindo-se a relação hierárquica com relação a determinadas atividades. É o que
acontece, por exemplo, nos órgãos consultivos que, embora incluídos na hierarquia administrativa para
fins disciplinares, fogem à relação hierárquica no que diz respeito ao exercício de suas funções. Trata-se
de determinadas atividades que, por sua própria natureza, são incompatíveis com uma determinação de
comportamento por parte do superior hierárquico".
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05. Resposta: D
Art. 37, § 1º, Constituição Federal. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas
dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos.
06. Resposta:A
Quanto à situação estrutural, podemos classificar os órgãos públicos em diretivos (aqueles que detêm
funções de comando e direção); e os subordinados (os incumbidos das funções rotineiras de execução).
07. Resposta: A
Para identificar o conceito de órgão público, no momento da prova, é importante sempre lembrar que
este se trata de ente despersonalizado, isto é, desprovido de personalidade jurídica própria. Órgãos
públicos não são, por outras palavras, sujeitos de direitos. Não têm aptidão jurídica para adquirir direitos
e contrair obrigações em nome próprio. Para além dessa característica essencial, a doutrina clássica os
define como sendo “centros de competências”.
08. Resposta: A
Considerando a classificação quanto à posição que os órgãos ocupam na estrutura estatal eles
ocupam a seguinte posição: Independentes; Autônomos; Superiores; e Subalternos. Desta forma, logo
abaixo dos órgãos independentes vem os órgão autônomos.
09. Resposta: D
Os órgãos subalternos são aqueles com reduzido poder decisório e predominância de atribuições
executivas, devendo cumprir decisões e executar serviços rotineiros, que atendem aos administrados;
são dotados de um único centro de competências ou atribuições.
10. Resposta: C
Conceitua-se órgãos públicos como centros de competência instituídos para o desempenho de funções
estatais, por intermédio de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica que pertencem.
A NOVA GESTÃO PÚBLICA64
Em termos mais simples possíveis, a New Public Management nada mais é que “um conjunto de
doutrinas administrativas”, surgidas na década 1970, que orientaram as reformas realizadas na
Administração Pública em nível mundial. A NPM pretendia que os princípios gerenciais utilizados nas
empresas privadas fossem também aplicados no meio público.
Segundo Donald Kettl (2001), “a ideia de reformar o setor governamental, no sentido de aprimorá-lo,
é algo tão antigo como a própria ideia de governo”, porém, o esforço despendido nas décadas de 1970,
1980 e 1990, certamente, foram os maiores. Dois grandes fatores impulsionaram esses esforços: a
democracia e a globalização. A democracia cobra eficiência, participação nas decisões e accountability
governamental, e a globalização traz as tecnologias da informação e da comunicação, e a
competitividade.
Às vésperas das grandes reformas, tanto as mundiais quanto a brasileira, ganha destaque a afirmação
de que “os estados encontravam-se com menos recursos e com menos poder”: a maioria dos governos
não tinha mais como financiar seus déficits públicos.
O fato é que as reformas se tornaram indispensáveis: tanto no que se refere à promoção do
desenvolvimento econômico num mundo globalizado, quanto ao bem-estar geral da sociedade de cada
nação, com a prestação de serviços e a redução das desigualdades sociais (estas, especialmente na
América Latina).
64 Paludo, Augustinho. Administração pública. – 3. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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Atenção!!!
Não obstante as reformas, é possível afirmar que o Estado continua a atuar como o principal
instrumento de desenvolvimento econômico, social e político das nações. Ao mesmo tempo em que se
afasta da produção direta de bens e serviços, amplia sua atuação no campo da regulação, fiscalização e
controle.
O novo gerencialismo ou nova Administração Pública surge primeiro na Europa, como resposta do
Estado à crise econômica mundial, que pôs fim à “era de prosperidade” dos países capitalistas (crises do
petróleo de 1973 e 1979, e a estagnação econômica das nações europeias e dos Estados Unidos), e que
resultou numa crise fiscal dos Estados (Estados sem recursos); da necessidade de um novo
direcionamento para a atuação dos Estados, que agora deveriam concentrar-se nas questões
estratégicas para o bem comum e deixar as demais ações por conta da iniciativa privada, diretamente ou
compartilhadas num campo público não estatal; e da necessidade de um novo modelo de administração
capaz de atender às demandas dos cidadãos.
Num primeiro momento, as ideias do neoliberalismo (consenso de Washington) ganham força, e o
Estado é acusado de ser o causador da crise, sendo reduzido drasticamente (por vezes,
desmantelado). Os Estados deveriam adotar uma disciplina fiscal rígida, desregulamentar e abrir suas
economias, e não impor restrições à circulação de capitais externos. Segundo Fabio Gomes (2006), em
face da grave crise econômica dos anos 1970, onde a estagnação e a inflação se agravavam, as correntes
liberais passaram a acusar o Estado de ser o grande vilão da depressão.
Num segundo momento, percebendo que a resposta foi inadequada, afirma-se que o Estado deve
ser um regulador e controlador, sem esquecer que suas ações devem ser orientadas à satisfação dos
cidadãos-usuários: a questão da democracia, da liberdade política,da justiça social e do
desenvolvimento econômico não se coadunam com o estado mínimo.
Carlos Pimenta (1998) identifica oito princípios nas reformas gerenciais: desburocratização,
descentralização, foco no cidadão, competitividade, profissionalismo, ética, transparência e
accountability. A estes, acrescente-se o pensar/decidir/agir de cunho estratégico, voltado para
resultados e focando a sustentabilidade. Para Vera Osório (2003), a pedra angular da nova gerência
pública consiste na “gerência orientada para resultados como forma de se avaliar o desempenho do
aparelho estatal”.
Dentro desse novo modelo de gestão pública gerencial, ou novo gerencialismo, foram identificados
três estágios: o gerencialismo puro, o consumerism e o Public Service Orientation (PSO). No entanto,
essa separação consiste em alguns traços apenas, visto que a maior parte das ideias são comuns
aos três estágios.
Atenção!!!
Para diferenciar esses estágios concentre-se nas diferenças elencadas, pois há um núcleo comum de
características aplicáveis aos três estágios.
Gerencialismo puro ou managerialism
Esse primeiro estágio gerencial foi “inspirado” na administração de empresas privadas e surgiu na
Administração Pública como resposta à crise fiscal do Estado, voltando-se para a busca no incremento
da eficiência no setor público. Buscava reconstruir o Estado em basespós-burocráticas e identificou-se
com as ideias neoliberais, introduzindo técnicas de gerenciamento concomitantes com programas de
ajuste estrutural. Os programas implementados eram focados na redução de custos, enxugamento de
pessoal e aumento da eficiência, com clara definição das responsabilidades, dos objetivos
organizacionais, e maior consciência acerca do valor dos recursos públicos.
Atenção!!!
Redução de custos e aumento da eficiência foram os focos dessa reforma.
O managerialism procurou tornar a Administração Pública mais ágil no atendimento das demandas
sociais, ao mesmo tempo em que pretendia devolver ao Estado a capacidade de investir, mediante a
contenção da dívida pública e a redução do custo dos serviços prestados. Foi trazido da iniciativa privada
para o setor público o conceito de produtividade (fazer mais com menos), e iniciaram-se as grandes
privatizações.
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Nesse primeiro estágio, o usuário do serviço público é tido somente como o financiador do
sistema. Segundo Abrucio (1997), as primeiras reformas nesse sentido ocorreram na Inglaterra, com
Margareth Thatcher (1979), nos Estados Unidos, com Regan (1981), na Europa ocidental (1989) e no
Terceiro Mundo (1991). Cite-se também Canadá, Nova Zelândia, Austrália, França e Alemanha. Na
Inglaterra constatou-se mais uma redução de custos do que aumento de produtividade. Foi comprovada,
ainda, a baixa qualidade dos serviços prestados.
Consumerism
Este segundo estágio gerencial passa a direcionar suas ações com foco no “cliente”: o cidadão.
Flexibilizou-se a gestão e introduziu-se a perspectiva da qualidade como uma estratégia voltada para
a satisfação do consumidor, através de medidas que visavam tornar o Poder Público mais leve, ágil e
competitivo: descentralização administrativa, criação de opções de atendimento, incentivo à
competição entre organizações públicas e adoção do modelo contratual na prestação dos serviços. O
planejamento estratégico começa a ser utilizado pelas organizações públicas. Abrucio (1997) menciona
ainda a contratualização dos serviços públicos, como forma de obter melhores resultados na utilização
dos recursos públicos.
Nesse segundo estágio (meados da década 1980, na Inglaterra e Estados Unidos), o foco da
administração passa a ser o cliente-usuário dos serviços públicos, e a qualidade é tida como a
satisfação de suas necessidades.
A ideia de “redução de custos e eficiência a qualquer preço” é incompatível com os valores
democráticos e com as necessidades dos usuários: agora a questão do custo está subordinada à
avaliação do destinatário dos serviços, o cliente-cidadão.
O foco das ações decorre de um novo modo de se perceber o cidadão: se num primeiro momento
ele era apenas quem financiava a prestação dos serviços públicos, agora ele é muito mais: é o cliente-
destinatário das ações do Estado e da administração. O que se procura agora é melhorar a prestação de
serviços, a fim de que o cidadão fique satisfeito.
Atenção!!!
No consumerism não se busca a redução de custos “a qualquer preço”. Esta será perseguida em
segundo plano, pois procura-se agora prestar serviços com qualidade.
Public Service Orientation – PSO
Este terceiro estágio, ainda vigente, surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos no início da década
de 1990, e agregou princípios mais ligados à cidadania, como accountability e equidade, buscando
superar a ideia de que a Administração Pública deve tratar os administrados somente como clientes. O
PSO inclui a participação do cidadão e da sociedade nas decisões públicas.
Segundo Abrucio (1997), “toda a reflexão realizada pelos teóricos do PSO leva aos temas do
republicanismo e da democracia, utilizando-se de conceitos como accountability, transparência,
participação política, equidade e justiça”.
Nesse estágio mais atual, o termo cliente – embora ainda utilizado – fica em segundo plano, e o
termo cidadão ganha força. O termo cliente levaria a tratamento desigual (os clientes mais bem
organizados teriam tratamento melhor e melhores serviços). O termo cidadão traz consigo a noção de
tratamento isonômico e a noção de bem comum. Assim, destaca-se a busca pela equidade, ou seja, a
busca por um tratamento igual para os iguais (os que se encontram em situações semelhantes). O termo
cidadão não é uma via de mão única, não tem apenas direitos, mas também obrigações, como a de
fiscalizar a coisa pública e cobrar o accountability (prestação de contas dos responsáveis) dos gestores
pelos atos praticados.
Agora, a maneira de perceber o cidadão completa seu ciclo: migrou de financiador para destinatário
das ações do Estado, e nesse estágio compreende-se que ele é algo maior – é o titular da coisa pública.
Cidadão
→ Financiador
→ Usuário dos serviços
→ Titular da coisa pública
1428241 E-book gerado especialmente para MARIA CAROLINA SOARES SANATANA
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O quadro a seguir apresenta a evolução da Administração Pública gerencial.
EVOLUÇÃO – MODELO GERENCIAL DE ADMINISTRAÇÃO
MANAGERIALISM (gerencialismo
puro)
CONSUMERISM
(consumidor)
PUBLIC SERVICE
ORIENTATION (PSO)
Eficiência e Redução de Custos Foco no cliente e qualidade
Cidadania, Accountability,
Equidade
Taxpayers (contribuintes) Clientes/Consumidores Cidadãos
Fonte: ABRUCIO, Fernando. Caderno n° 10, Enap, 1997.
Bresser-Pereira (2002) considera que, na América Latina, as principais reformas (que apresentaram
resultados) foram as do Brasil e Chile, seguidos de perto pela Argentina, e que as realizadas no Uruguai,
México e Colômbia caminham lentas. As reformas do Peru, Bolívia e Venezuela também foram
mencionadas.
Christopher Pollitt e Geert Bouckaert (2002) destacam os seguintes principais resultados obtidos
em nível mundial, relacionados às reformas gerenciais: economia e redução do tamanho dos
governos; melhoria nos processos, melhoria na eficiência, melhoria na eficácia; sistema mais flexível; e
descentralização. Em estudo semelhante, Werner Jann e Christoph Reichard (2002) apontam a
contratualização dos serviços (similar ao nosso contrato de gestão) como uma conquista das reformas
gerenciais.
Questão
01. (CNJ - Analista Judiciário - Área Administrativa – CESPE/2013) A nova gestão pública ou a
administração pública gerencial refere-se a um tipo de gestão que emprega o modelo de mercado, a ideia
de gestão voltada ao consumidor e a adoção de tecnologias para o aumento da produtividade. Acerca
desse assunto, julgue os itens a seguir.
De acordo com a nova gestão pública, o governo deve adotar, além de técnicas de gestão de negócios,
valores relativos aos negócios, dos quais derivam práticas que foram propostas desde a gestão científica
até a gestão da qualidade total.
( ) Certo ( ) Errado
02. (TRE-CE - Técnico Judiciário - Área Administrativa FCC) Na chamada Nova Gestão Pública há
três principais vertentes, ou correntes conceituais importantes, as quais possuem vários traços em comum
como, por exemplo, uma ênfase significativa nos resultados da ação governamental, ou seja, um
deslocamento do foco nos processos para enfatizar os resultados. Uma delas tem sido denominada como
um "neotaylorismo", isto é, uma proposta calcada na busca da produtividade e na implantação do modelo
de gestão da empresa privada no setor público, outra busca a flexibilização da gestão pública, em que se
observa a passagem da lógica do planejamento para a lógica da estratégia e nesta são levadas em conta
as relações entre os atores envolvidos em cada política, de modo a montar cenários que permitam a
flexibilidade necessária para eventuais alterações nos programas governamentais. A terceira utiliza-se de
conceitos como accountability, transparência, participação política, equidade e justiça, em que é preciso
que no processo de aprendizado social na esfera pública se consiga criar uma nova cultura cívica, que
congregue políticos,