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1 Princípio da alternatividade Pelo princípio da alternatividade também são resolvidos alguns dos conflitos aparentes entre as normas penais. Alguns estudiosos (doutrinadores) ainda relutam em aceitar o princípio da alternatividade como uma opção para a resolução dos conflitos normativos, pois afirmam que não se pode falar em concurso ou conflito aparente de normas, uma vez que as condutas descritas pelos vários núcleos se encontram em um só preceito primário (conduta do crime). Mesmo com esse posicionamento, sabe-se que o princípio da alternatividade costumeiramente se encontra elencado nos livros de direito penal como um dos preceitos hábeis a solver os problemas atinentes ao concurso aparente entre as normas penais. Nesse sentido, entende-se pelo princípio da alternatividade aquele que se volta à solução de conflitos surgidos em face de crimes de ação múltipla, que são aqueles em que o tipo penal expõe vários núcleos, correspondendo cada um desses núcleos a uma conduta. É exemplo de crime de ação múltipla (ou plurinucleares) o de receptação, relacionado no art. 180, caput, do Código Penal da seguinte maneira: “Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte.” A despeito das várias modalidades de condutas praticadas no crime acima transcrito, é imprescindível que exista nexo de causalidade entre elas e que sejam praticadas no mesmo contexto fático. 2 Nesse caso, o agente será punido apenas por uma das modalidades descritas no tipo, mesmo que, no mesmo contexto, pratique várias ações descritas nos verbos do crime. Caso contrário, se o contexto fático for diferente, haverá tantos crimes quantas forem as condutas praticadas. Exemplo 1: O autor comprou e imediatamente guardou produto de crime. Nesse caso, responderá apenas por um crime de receptação, mesmo que tenha praticado duas ações, como “adquirir” e “comprar”, porque o contexto fático é o mesmo. Exemplo 2: O autor comprou um produto de crime, mas, no dia seguinte, ocultou outro produto de crime para um amigo que depois iria vender e lhe dar uma parte do dinheiro. Nesse caso, o autor responderá por dois crimes de receptação.