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TÓPICOS CONTEMPORÂNEOS DE CONTABILIDADE PÚBLICA Incluindo: LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL E EXERCÍCIOS RESOLVIDOS DE CONCURSOS Leonardo Silveira do Nascimento e Bernardo Creimer Cherman TODOS OS DIREITOS RESERVADOS VEMCONCURSOS – 2005 www.vemconcursos.com.br Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 2 Autores Leonardo Silveira do Nascimento Contador, formado na Universidade de Brasília. Atualmente Analista de Finanças e Controle na Secretaria do Tesouro Nacional - Ministério da Fazenda, na Coordenação-Geral de Contabilidade, aprovado em 1º lugar. Realiza acompanhamento e avaliação contábil das Unidades Gestoras da Administração Pública Federal no tocante à Contabilidade Governamental (SIAFI) e Legislação Orçamentária e Financeira. Foi aprovado em outros concursos públicos de nível superior (em 3º lugar para contador da Petrobras em 2000 e em 1º lugar para Auditor da Petrobrás Distribuidora em 2002). Bernardo Creimer Cherman Professor de Contabilidade Geral, Contabilidade de Custos, Análise de Balanços, Auditoria e Contabilidade Avançada em diversos cursos preparatórios para concursos públicos. Aprovado nos concursos públicos Fiscal de Betim/MG, 14º lugar, Ministério Público/MG (Setor de Contabilidade), 6º lugar, Tribunal de Alçada/MG (Setor de Contabilidade), 1º lugar e Analista de Finanças e Controle/DF - STN, 3º lugar, cargo que exerce atualmente. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 3 APRESENTAÇÃO Esta obra, estruturada em tópicos, visa atualizar o concursando, o aluno de graduação em Contabilidade e os gestores públicos quanto à implementação de novas rotinas e a revisão das já existentes no tocante à Execução Orçamentária, Patrimonial e Financeira que estão no escopo da Contabilidade Governamental Brasileira. O livro traz uma abordagem bastante atualizada com Portarias e normas recentes da Secretaria do Tesouro Nacional. Com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000) a Contabilidade Pública ganhou uma importância ainda maior e houve uma significativa reformulação de alguns enfoques visando adaptar à nova lei. O livro traz, ainda, uma série de exercícios resolvidos de concursos. Os autores. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 4 ÍNDICE 1. Introdução 06 2. Noções de AFO e Introdução à Contabilidade Pública 07 2.1. Noções de Administração Financeira e Orçamentária – AFO 07 2.2. Conceito, Objeto e Campo de Aplicação da Contabilidade Pública 20 2.3. Comparações com a Contabilidade Privada 23 2.4. Exercício Financeiro 25 2.5. Regime Contábil 25 2.6. Avaliação de Itens Patrimoniais 26 2.7. Legislação Pertinente (Lei 4.320/64 e Lei Complementar nº 101/2000 - LRF) 27 3. Plano de Contas e Sistemas de Contas 28 3.1. Plano de Contas da Administração Pública Federal 28 3.2. Sistemática do Plano de Contas 39 4. Variações Patrimoniais 40 4.1. Conceitos e Legislação 40 4.2. Fatos Permutativos e Fatos Modificativos 41 4.3. Variações Patrimoniais Ativas e Passivas 42 4.4. Variações Ativas Orçamentárias 44 4.5. Variações Ativas Extra-orçamentárias 46 4.6. Variações Passivas Orçamentárias 47 4.7. Variações Passivas Extra-orçamentárias 49 4.8. Conflitos Doutrinários 51 4.9. Resumo 52 5. Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI 53 5.1. Histórico 53 5.2. Evolução, Campo de Aplicação e Peculiaridades do Sistema 53 5.3. Funcionamento 54 5.4. Principais Documentos 62 5.5. A Tabela de Eventos e Seus Fundamentos Lógicos 65 5.6. Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR 72 5.6.1. Introdução 72 5.6.2. Conceitos Básicos 73 5.6.3. Sistemática do CPR 74 5.6.4. Estrutura do Subsistema CPR 75 5.6.5. Habilitação dos Usuários no CPR 82 5.7. SIAFI Gerencial 82 6. Registros Contábeis Típicos da Administração Pública no SIAFI 83 6.1. Considerações Gerais 83 6.2. Previsão Inicial da Receita 85 6.3. Previsão Adicional da Receita 86 6.4. Anulação de Previsão de Receita 86 6.5. Arrecadação da Receita (fato modificativo) 87 6.6. Arrecadação da Receita (fato permutativo) 88 6.7. Registro dos Créditos Iniciais Provenientes da LOA 89 6.8. Abertura de Créditos Adicionais (suplementares, especiais e extraordinários) 90 6.9. Cancelamento de Créditos Orçamentários 91 6.10. Descentralização Interna de Créditos Orçamentários (Provisão) e Descentralização da Programação Financeira Correspondente. 91 6.11. Descentralização Externa de Créditos Orçamentários (Provisão) e Descentralização da Programação Financeira Correspondente. 92 6.12. Proposta de Programação Financeira (PPF) 95 6.13. Aprovação da Proposta de Programação Financeira (PFA) 97 6.14. Liberação das Cotas de Despesa Aprovada (Execução da PFA) 99 6.15. Empenho da Despesa 101 6.16. Liquidação da Despesa do Exercício 105 6.17. Restos a Pagar 107 6.18. Pagamento de Despesas do Exercício 110 6.19. Pagamento de Restos a Pagar 111 6.20. Despesas de Exercícios Anteriores 113 6.21. Dívida Ativa 114 6.22. Operações de Crédito 116 6.23. Empréstimos Concedidos 117 6.24. Registro de Assinatura de Contratos 118 6.25. Aquisição, Alienação e Baixa de Equipamentos e Materiais Permanentes 119 Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 5 6.26. Aquisição de Materiais de Consumo 122 6.27. Contratação de Serviços de Terceiros 124 6.28. Folha de Pagamento de Pessoal 125 6.29. Suprimento de Fundos 129 6.30. Lançamentos Relativos a Convênios 132 7. Estrutura e Análise das Demonstrações Contábeis 137 7.1. Considerações Gerais 137 7.2. Balanço Orçamentário 138 7.3. Demonstração das Variações Patrimoniais – DVP 140 7.4. Balanço Patrimonial 143 7.5. Balanço Financeiro 149 7.6. Demonstração das Disponibilidades por Fonte de Recursos – DFR 155 7.7. Exemplo Prático de Elaboração dos Demonstrativos Exigidos pela Lei 4.320/64 157 8. Gestão Fiscal Responsável (LRF, Resoluções do Senado Federal e Portarias) 179 9. Estrutura das Demonstrações Contábeis Exigidas pela LRF 211 9.1. Considerações Gerais acerca dos Demonstrativos 211 9.2. Relatório de Gestão Fiscal e Anexo de Riscos Fiscais 212 9.3. Relatório Resumido da Execução Orçamentária e Anexo de Metas Fiscais 238 10. Receitas Públicas – Manual de procedimentos (Portaria STN nº 219/2004) 342 11. Dívida Ativa – Manual de Procedimentos 349 12. Detalhamento das Naturezas de Despesas (Portaria STN nº 448/2002) 383 13. Transferência de Recursos Intergovernamentais (Portaria STN nº 447/2002) 386 14. Contabilização da Execução Orçamentária e FinanceiraDescentralizada (Portaria STN 339/2001) 389 15. Procedimentos Contábeis para o FUNDEF (Portaria STN 328/2001) 390 16. Consolidação das Contas Públicas no Âmbito da União, Estados, DF e Municípios 392 17. Contabilização dos Regimes Próprios de Previdência Social – RPPS 397 18. Provas de Concursos Resolvidas e Comentadas 429 19. Legislação Pertinente na Íntegra 533 19.1. Lei 4.320/1964 533 19.2. Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF 546 Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 6 1. INTRODUÇÃO O objetivo da presente obra é apresentar a Contabilidade Pública nos seus aspectos macro e micro-estruturais na forma de tópicos e exercícios resolvidos com introdução na Administração Financeira e Orçamentária – AFO, para melhor compreensão da Contabilidade Pública propriamente dita. Este livro possui algumas inovações e regulamentações introduzidas por recentes normas expedidas pela Secretaria do Tesouro Nacional – STN, como o Manual de Receitas Públicas, o Manual da Dívida Ativa e os Manuais de Elaboração dos Demonstrativos exigidos pela Lei Complementar nº 101 de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, a parte referente ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI, possui uma abordagem extremamente atualizada e inédita, principalmente no que se refere ao Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR, gerenciador do fluxo de caixa das Unidades Gestoras que utilizam o SIAFI, que está sendo utilizado em larga escala na Administração Pública Federal. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 7 2. NOÇÕES DE AFO E INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE PÚBLICA 2.1. Noções de Administração Financeira e Orçamentária - AFO Nesta parte, vamos nos ater aos conceitos orçamentários e doutrinários a respeito da receita e despesa públicas sem entrar no mérito no tratamento contábil de cada uma delas. Nos capítulos seguintes será dada mais atenção a este aspecto. Receita Pública O Manual de Receitas Públicas, aprovado pela Portaria STN nº 219/2004 – que visa padronizar os procedimentos contábeis nos três níveis de Governo, de forma a garantir a consolidação das contas exigida na Lei de Responsabilidade Fiscal , LRF (Lei Complementar nº 101/2000) - define: “Receitas Públicas são todos os ingressos de caráter não devolutivo auferidas pelo poder público em qualquer esfera governamental, para alocação e cobertura das despesas públicas. Dessa forma, todo o ingresso orçamentário constitui uma receita pública, pois tem como finalidade atender às despesas públicas”. Observe que nem todos os ingressos de disponibilidades são receitas públicas, apenas os de caráter não devolutivo para cobertura de despesas públicas. Os ingressos de disponibilidades não podem ser confundidos com as receitas públicas, pois representam arrecadações por parte do Poder Público independentemente da sua destinação. Estes ingressos podem ser orçamentários ou extra-orçamentários. Somente os ingressos orçamentários são receitas públicas, pois são os que vão financiar efetivamente os gastos públicos em programas e ações governamentais. Os ingressos extra-orçamentários ou variações ativas independentes da execução orçamentária representam um passivo financeiro que, de acordo com o art. 105 da lei 4.320/64, são compromissos cujo pagamento independa de autorização orçamentária. O Manual de Receitas Públicas define: “os ingressos extra-orçamentários são aqueles pertencentes ao ente público arrecadados exclusivamente para fazer face às exigências contratuais pactuadas para posterior devolução. Estes ingressos são denominados recursos de terceiros”. Da definição dada pelo Manual para ingressos extra-orçamentários depreende-se que se trata de um ingresso de caráter devolutivo e, portanto, não deve ser considerado receita pública. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 8 A receita pública, por sua vez, pode ser efetiva ou não efetiva, conforme os efeitos observados na Situação Patrimonial Líquida (= Ativo – Passivo ) no momento de sua arrecadação. Receita Pública Efetiva É aquela em que os ingressos de disponibilidades de recursos não foram precedidos de registro de reconhecimento do direito e não constituem obrigações correspondentes e por isto alteram a situação patrimonial líquida (aumentam). Receita Pública Não-Efetiva É aquela em que os ingressos de disponibilidades de recursos foram precedidos de registro do reconhecimento do direito e por isto não alteram a situação patrimonial líquida. Classificação da Receita conforme a Lei 4.320/1964 A lei 4.320/64 classificou a receita pública orçamentária em duas categorias econômicas: corrente e capital. Receitas Correntes De acordo com o Manual das Receitas Públicas, as receitas correntes são: “...os ingressos de recursos financeiros oriundos das atividades operacionais, para aplicação em despesas correspondentes, também em atividades operacionais correntes ou de capital, visando o atingimento dos objetivos constantes dos programas e ações de governo. São denominadas receitas correntes porque são derivadas do poder de tributar ou da venda de produtos e serviços que contribuem para a finalidade fundamental do órgão ou entidade pública”. São Receitas Correntes: Receitas Tributárias: Impostos, Taxas e Contribuições de Melhoria. Receitas de Contribuições: Há uma grande controvérsia no que diz respeito à classificação das receitas de contribuições. O Manual de Receitas Públicas classifica esta espécie de receita pública como Contribuições Sociais, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) e as Contribuições de Interesse das Categorias Profissionais ou Econômicas. A Secretaria de Orçamento Federal - SOF, em seu Manual Técnico, classifica as receitas de contribuições apenas como Contribuições Sociais e Contribuições Econômicas. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 9 Receita Patrimonial: São aquelas provenientes de investimentos sobre o Ativo Permanente. São receitas imobiliárias (de aluguéis, foros, laudêmios etc); receitas de valores mobiliários (juros de títulos de renda, dividendos, participações etc); receitas de concessões e permissões (outorga de serviços públicos etc) Receita Agropecuária: proveniente da atividade agropecuária de origem vegetal ou animal. Receita Industrial: proveniente da atividade industrial de extração mineral, transformação, construção, etc. Receita de Serviços: proveniente da prestação de serviços. Serviços Comerciais, Financeiros, de Transporte, de Comunicação, de Saúde etc Transferências Correntes: provenientes de outros entes ou entidades, referentes a recursos pertencentes ao ente ou entidade recebedora ou ao ente ou entidade transferidora desde que o objetivo seja a aplicação em despesas correntes. Outras Receitas Correntes: ingressos de outras origens não classificadas nas anteriores para atendimento de despesas correntes. Ex.: multas e juros de mora sobre tributos, contribuiçõesetc Receitas de Capital De acordo com o Manual das Receitas Públicas, as receitas de capital são: “... ingressos de recursos financeiros oriundos de atividades operacionais ou não operacionais para aplicação em despesas operacionais, correntes ou de capital, visando ao atingimento dos objetivos traçados nos programas e ações do governo. São denominados receita de capital porque são derivados da obtenção de recursos mediante a constituição de dívidas, amortização de empréstimos e financiamentos e/ou alienação de componentes do ativo permanente, constituindo- se em meios para atingir a finalidade fundamental do órgão ou entidade, ou mesmo, atividades não operacionais visando estímulo às atividades operacionais do ente”. São Receitas de Capital: Operações de Crédito: proveniente da colocação de títulos públicos ou contratação de empréstimos junto a entidades estatais ou privadas. Alienação de Bens: Alienação de componentes do Ativo Permanente Amortização de Empréstimo: recebimento de parcelas de empréstimos ou financiamentos concedidos Transferências de Capital: ingresso proveniente de outros entes referente a recursos pertencentes ao ente ou entidade recebedora ou transferidora desde que o objetivo seja a aplicação em despesas de capital. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 10 Outras Receitas de Capital: ingressos de outras origens não classificáveis nas anteriores. Outras Definições do Manual de Receitas Públicas (Portaria STN n° 219/2004) RECEITA PÚBLICA ORIGINÁRIA É a Receita Pública Efetiva oriunda das rendas produzidas pelos ativos do Poder Público, pela cessão remunerada de bens e valores (aluguéis e ganhos em aplicações financeiras), ou aplicação em atividades econômicas (produção, comércio ou serviços). É uma classificação da Receita Corrente. As Receitas Originárias também são denominadas como Receitas de Economia Privada ou de Direito Privado. Ex: Receitas Patrimoniais, Receitas Agropecuárias, Receitas Comerciais, Receitas de Serviço, etc. RECEITA PÚBLICA DERIVADA É a Receita Pública Efetiva obtida pelo Estado em função de sua soberania, por meio de Tributos, Penalidades, Indenizações e Restituições. É uma classificação da Receita Corrente. As Receitas Derivadas são formadas por Receitas Correntes, segundo a classificação da Receita Pública por Categoria Econômica. Ex: Receita Tributária, Receita de Contribuições, etc. RECEITA FINANCEIRA São as receitas decorrentes de aplicações financeiras, operações de crédito e alienação de ativos e outras. RECEITA NÃO-FINANCEIRA São as receitas oriundas de tributos, contribuições, patrimoniais, agropecuárias, industriais, serviços e outras. RECEITAS PÚBLICAS ORDINÁRIAS São as receitas que ocorrem regularmente em cada período financeiro. Ex.: Impostos, taxas, contribuições, etc. RECEITAS PÚBLICAS EXTRAORDINÁRIAS São aquelas que decorrem de situações emergenciais ou em função de outras de caráter eventual. Ex: Empréstimos compulsórios, doações, etc. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 11 RECEITA CORRENTE LÍQUIDA Terminologia dada ao parâmetro destinado a estabelecer limites legais definidos pela LRF. A Receita Corrente Líquida é o somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas correntes, consideradas as deduções conforme o ente União, Estado, Distrito Federal e Municípios. A metodologia para o cálculo da Receita Corrente Líquida é definida no Manual de Elaboração do Relatório Resumido da Execução Orçamentária quando trata do Demonstrativo da Receita Corrente Líquida. RECEITA LÍQUIDA REAL Definição dada pela Resolução do Senado Federal nº 96, de 15 de dezembro de 1989, que entende ser a receita realizada nos doze meses anteriores ao mês em que se estiver apurando, excluídas as receitas provenientes de operações de crédito e de alienação de bens. A referida Resolução dispõe sobre as operações de crédito internas e externas dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias, inclusive concessão de garantias, seus limites e condições de autorização RECEITA COMPARTILHADA Receita orçamentária pertencente a mais de um Beneficiário independente da forma de arrecadação e distribuição. RECEITA PREVISTA, ESTIMADA OU ORÇADA Volume de recursos, previamente estabelecido no orçamento do Ente, a ser arrecadado em um determinado exercício financeiro, de forma a melhor fixar a execução da despesa. É essencial o acompanhamento da legislação específica de cada receita onde são determinados os elementos indispensáveis à formulação de modelos de projeção, como a base de calculo, as alíquotas e os prazos de arrecadação. RECEITA VINCULADA É a receita arrecadada com destinação específica estabelecida em dispositivos legais. A vinculação da receita torna a programação financeira menos flexível, deixando parte dos recursos disponíveis apenas a uma destinação certa. RECEITAS COMPULSÓRIAS São receitas cujas origens encontram-se nas legislações que impõem aos particulares uma obrigação. São casos de receita compulsória: os tributos, as contribuições e etc. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 12 RECEITAS FACULTATIVAS As receitas facultativas possuem sua origem nos atos jurídicos bilaterais, ou seja, aquelas decorrentes da vontade das pessoas, como exemplos surgem os aluguéis (Receita Patrimonial), preços públicos, etc. RECEITAS PRÓPRIAS São as receitas enquadradas como Tributárias, Patrimoniais, de Serviços, Industriais e outros que não sejam decorrentes de transações que guardem características de transferências, mesmo que de outras esferas governamentais, como convênios, e operações de créditos. RECEITAS DE FONTES DIVERSAS São aquelas que guardam características de transferências, mesmo que de outras esferas governamentais, como convênios, e operações de créditos, ou seja, são originárias de terceiros que em determinados casos terão de ser devolvidos. ANTECIPAÇÃO DE RECEITAS São os valores recebidos em virtude de um fato que caracteriza uma “antecipação da receita prevista”. Ex.: Adiantamento de fornecimentos. RECEITA LÍQUIDA É a receita resultante da diferença entra a Receita Bruta e as deduções. RECEITA VINCULADA É a receita arrecadada que em função da legislação apresenta a sua destinação estabelecida. RENÚNCIA DE RECEITA É a não arrecadação de receita em função da concessão de isenções, anistias ou subsídios. Deve-se atentar, na renúncia de receita, ao disposto pela Lei nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal art. 14, que determina critérios a serem observados quanto a este fato que serão vistos posteriormente. Obs: Algumas classificações e codificações utilizadas pelo Manual de Receitas Públicas, assim como o roteiro de como utilizar a classificação, estão nos anexos desta obra. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 13 Estágios da Receita Pública 1º -Previsão: Estimativa de arrecadação da receita constante da LOA (Lei Orçamentária Anual). Sendo que esta está dividida em 2 partes: a primeira consiste no estabelecimento da metodologia de elaboração da estimativa e a segunda, consiste no lançamento que, segundo a Lei 4.320/1964, em seu art.53 : “...é o ato da repartição competente, que verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta”. Já o Código Tributário Nacional assim conceitua o lançamento: “Art.142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Obs: Não confundir o lançamento do crédito tributário com o lançamento contábil. O lançamento do crédito tributário é um procedimento administrativo com a finalidade descrita no art. 142 do CTN acima transcrito. O lançamento contábil é o das partidas dobradas obedecendo aos princípios gerais da contabilidade. 2º - Arrecadação: entrega realizada pelos contribuintes aos agentes arrecadadores ou bancos autorizados pelo ente dos recursos devidos ao Tesouro. A arrecadação ocorre somente uma vez, vindo em seguida o recolhimento. Quando um ente arrecada para outro ente, cumpre-lhe apenas entregar-lhe os recursos pela transferência dos recursos não sendo considerada arrecadação quando do recebimento pelo ente beneficiário (texto do Manual de Receitas Públicas). 3º - Recolhimento: transferência dos valores arrecadados à conta específica do Tesouro observado o princípio da Unidade de Caixa representado pelo controle centralizado dos recursos arrecadados em cada ente.(idem) Alguns outros aspectos introduzidos pelo Manual de Receitas Públicas no que tange à prática da contabilização dos fatos contábeis pertinentes à Administração Pública serão abordados nos tópicos seguintes. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 14 Dívida Ativa De acordo com o art.39 da lei 4.320/64, as importâncias relativas a tributo, multas e créditos da Fazenda Pública, lançados, mas não cobrados ou não recolhidos no exercício de origem, constituem Dívida Ativa a partir da data de sua inscrição. De acordo com o exposto a dívida ativa pode ser tributária ou não tributária. Para inscrição na dívida ativa é essencial que o crédito esteja vencido. Na União a dívida ativa será inscrita depois de verificada a sua liquidez e certeza na Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante: A inscrição da dívida ativa provoca aumento da situação patrimonial sem que o numerário tenha entrado efetivamente, constituindo uma exceção ao regime de caixa (ver tópico Regime Contábil). Despesa Pública Todo pagamento efetuado a qualquer título pelos agentes pagadores constitui a despesa pública (João Angélico). Para este autor, dispêndios, saídas, desembolsos ou despesas públicas são sinônimos. Para José Carlos Marion todo dinheiro que sai do caixa é despesa. Os desembolsos podem ser orçamentários ou extra-orçamentários. Para Francisco Glauber Lima Mota, “somente os desembolsos orçamentários são despesas públicas, posto que ela somente pode se realizar via lei do orçamento. Outros desembolsos, os autorizados pela via administrativa ou outros instrumentos (exceto lei orçamentária) não podem ser intitulados de despesa extra orçamentária, mas simplesmente desembolsos extra-orçamentários”.Os dispêndios extra- orçamentários são também conhecidas como variações passivas independente da execução orçamentária, apesar que, em algumas provas de concursos, usa-se a notação despesa extra-orçamentária. Despesa Pública Efetiva Em consonância com as receitas públicas, também podemos classificar as despesas públicas orçamentárias em efetivas e não efetivas. A despesa pública efetiva reduz a situação líquida patrimonial, desta forma, correspondendo ao conceito contábil de despesa, representando um fato contábil modificativo diminutivo. Despesa Pública Não-Efetiva A despesa pública não efetiva origina-se de fatos permutativos do patrimônio, não alterando desta forma, a situação líquida patrimonial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 15 Classificação da Despesa conforme a Lei 4.320/1964 De acordo com o art. 12 da lei 4.320/64, a exemplo da receita, a despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: despesas correntes e despesas de capital. Despesas Correntes As despesas correntes são aqueles dispêndios orçamentários que não contribuem para a aquisição ou formação de um bem de capital. São os gastos utilizados na manutenção dos serviços públicos que tem a função de contrapartida aos ingressos arrecadados dos contribuintes e que não trazem retorno imediato e tempestivo à Administração Pública. São Despesas Correntes: Despesas de Pessoal e Encargos Sociais: Despesas com salários do Pessoal Civil, Pessoal Militar, ativos ou inativos e os respectivos Encargos. Juros e Encargos da Dívida: Pagamento de juros, comissões e outros encargos de operações de crédito internas ou externas. Outras Despesas Correntes: Aquisição de Material para Consumo, pagamento de serviços por pessoas físicas (sem vínculo empregatício) ou jurídicas ou outras despesas com o custeio da Administração Pública não listadas nos outros Grupos de Despesa. Despesas de Capital As despesas de capital são aquelas que contribuem, diretamente, para a formação ou aquisição de um bem de capital. São Despesas de Capital: Investimentos: Despesas com o planejamento e a execução de obras, inclusive com a aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas, e com a aquisição de instalações, equipamentos e material permanente. Obras Públicas, Serviços em Regime de Programação Especial, Equipamentos e Instalações, Material Permanente, Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Empresas ou Entidades Industriais ou Agrícolas. Inversões Financeiras: Despesas com a aquisição de imóveis ou bens de capital já em utilização; aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do capital; e com a constituição ou aumento do capital de empresas. Aquisição de Imóveis, Participação em Constituição ou Aumento de Capital de Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 16 Empresas ou Entidades Comerciais ou Financeiras, Aquisição de Títulos Representativos de Capital de Empresa em Funcionamento, Constituição de Fundos Rotativos, Concessão de Empréstimos, Diversas Inversões Financeiras. Amortização da Dívida: Despesas com o pagamento e/ou refinanciamento do principal e da atualização monetária ou cambial da dívida pública interna e externa, contratual ou mobiliária. Amortização da Dívida Pública, Auxílios para Obras Públicas, Auxílios para Equipamentos e Instalações, Auxílios para Inversões Financeiras, Outras Contribuições. Estágios da Despesa Pública A Lei do Orçamento (LOA) é o documentoque caracteriza a fixação da despesa orçamentária. O estágio da fixação termina com a edição da lei orçamentária. Alguns grandes nomes da doutrina não consideram a fixação como estágio da despesa, apenas considerando os demais (empenho, liquidação e pagamento), ou seja, só os estágios que dizem respeito exclusivamente à execução da despesa pública. A Contabilidade Governamental adota esta última corrente, pois seu objeto, é a execução orçamentária. No ciclo orçamentário, na etapa da fixação e também após esta, os créditos orçamentários são consignados a cada Unidade Orçamentária e para cada crédito há uma dotação (montante) correspondente. O Orçamento, por possuir uma natureza dinâmica, apresenta as seguintes exceções às despesas fixadas, chamadas créditos adicionais, que podem ser: Créditos Suplementares - É destinado ao reforço da dotação orçamentária já existente. É utilizado quando os créditos são ou se tornam insuficientes. Créditos Especiais – É destinado às despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica na Lei Orçamentária Anual. O crédito especial cria uma nova despesa orçamentária para atender a um objetivo não previsto inicialmente no Orçamento. Créditos Extraordinários – É destinado a atender despesas urgentes e imprevistas como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. Independem da existência prévia de recursos disponíveis. Com isto, vamos aos estágios da Despesa considerados pela maioria da doutrina: 1º – Empenho: Segundo a Lei 4.320/1964, é o ato emanado de autoridade competente (chefe do executivo ou outros, por delegação de competência) que cria para o estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. O empenho não cria obrigação e sim ratifica a garantia ao fornecedor de pagamento. Ressalvado o disposto em lei complementar, é Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 17 vedado aos municípios empenhar no último mês do mandato do prefeito mais do que o duodécimo da despesa prevista no orçamento (exceto nos casos de calamidade pública). Para cada empenho será extraída a nota de empenho. O empenho é sempre anterior à execução da despesa, portanto, não existe empenho posterior. O que pode haver é um posterior reforço do empenho já existente. É vedada a realização de despesa (pagamento) sem prévio empenho. Em casos especiais previstos na legislação específica será dispensada a nota de empenho (mas não o empenho). Há 3 modalidades de empenho: Empenho Ordinário ou Normal: p/ despesas normais. Pagamento em uma única prestação. Empenho por Estimativa: Quando não se pode determinar o montante da despesa como por ex. água, luz, telefone, combustíveis, viagens, adiantamento a funcionários, etc. O valor da despesa é determinado por estimativa. - Se a estimativa for menor que o valor exato, far-se-á o empenho complementar (reforço de empenho). A fonte é a dotação. - Se a estimativa for maior, anula-se a diferença revertendo à dotação onde ocorreu a despesa. É emitida a nota de anulação. - No exercício subseqüente, as despesas que não se processarem na época própria poderão ser pagas à conta da dotação Despesas de Exercício Anteriores. Empenho Global: Utilizado p/ despesas contratuais (ex: aluguel de imóvel com pagamento mensal) e outras sujeitas a parcelamento. Um empenho global por ano caso o contrato exceda o exercício. 2º – Liquidação: É a verificação do implemento da condição. Nesta fase deve-se verificar o cumprimento da obrigação, tendo por base o contrato, a nota de empenho e os comprovantes de entrega. Feita a liquidação, é emitida a Ordem de Pagamento que é o despacho exarado pela autoridade competente determinando que a despesa seja paga. A realização da despesa ocorre com a liquidação. 3º – Pagamento: É o efetivo desembolso financeiro, precedido do empenho e da liquidação. Será efetuado por tesouraria ou pagadoria, por estabelecimentos bancários credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamentos. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 18 Restos a Pagar As despesas empenhadas e não pagas até 31 de dezembro são consideradas restos a pagar, dividindo-se em processadas (liquidadas) e não processadas (não liquidadas). A inscrição de restos a pagar é feita de modo automático. Caso os restos a pagar sejam pagos, o pagamento é considerado dispêndio extra-orçamentário. Caso não sejam pagos serão cancelados ao final do exercício, entretanto o direito permanece pelo prazo de cinco anos (prazo prescricional) a contar da data da inscrição. Na União, as despesas liquidadas irão constituir os restos a pagar processados, enquanto que aquelas não liquidadas poderão ou não serem inscritas em restos a pagar não processados. Ainda, na União, os critérios para inscrição de restos a pagar não processados são os seguintes: - ainda vigente prazo para cumprimento da obrigação assumida pelo credor; - vencido prazo para cumprimento da obrigação, mas esteja em curso a liquidação da despesa, ou seja, de interesse da administração exigir o cumprimento da obrigação assumida pelo credor; - se destinar a atender transferências a instituições públicas ou privadas; e - corresponder a compromisso assumido no exterior. Na União, os restos a pagar não processados quando inscritos são forçosamente liquidados surgindo a figura restos a pagar não processados liquidados. Importante: A inscrição de restos a pagar não processados é uma exceção ao regime de competência (ver tópico Regime Contábil). Depois de cancelados, caso as dívidas sejam pagas, a despesa deverá ser executada à conta despesas de exercícios anteriores. Este dispêndio é orçamentário. Com relação à anulação de restos a pagar observam-se dois casos: - Quando o valor já havia sido pago, a restituição é classificada como receita orçamentária. - Se a despesa não havia sido paga a baixa também será classificada como receita orçamentária, exceção ao regime de caixa para a receita. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 19 Despesas de Exercícios Anteriores São quatro os casos de despesas de exercícios anteriores: - Despesa de exercícios encerrados não processados na época própria; - Restos a pagar com prescrição interrompida; - Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício financeiro criados em virtude de lei; - Valor inscrito em restos a pagar menor que o valor real da despesa a ser paga. Despesas que não se tenham processado na época própria são aquelas cujo empenho tenha sido considerado insubsistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, mas que, dentro do prazo estabelecido, o credor tenha cumprido sua obrigação. Restos a Pagar com prescrição interrompida são as despesas cuja inscrição como restos a pagar tenham sido canceladas, mas ainda vigente o direito do credor. Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício são as obrigações de pagamento criadas em virtude de lei, mas somente reconhecido o direito do reclamante após o encerramento do exercício correspondente. Suprimento de Fundos Também conhecido como regime de adiantamentos,é aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste em entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria para o fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação (art.68). O adiantamento é uma excepcionalidade. Observe que pela própria natureza do adiantamento, o servidor, como regra, não poderá realizar gastos de capital (ex: compra de equipamentos, imóveis, instalações, etc). Não se fará adiantamentos a servidor em alcance nem a responsável por dois adiantamentos (Observe que o servidor pode receber até 2 adiantamentos). Alcance: Caracteriza-se pela não prestação de contas no prazo ou não aprovação de contas (aplicação do dinheiro em despesas que não aquelas para as quais foi feito o adiantamento). O Suprimento de Fundos será contabilizado e incluído nas contas do Ordenador como despesa realizada; as restituições, por falta de aplicação, parcial ou total, ou aplicação indevida, constituirão anulação de despesa, ou receita orçamentária, se recolhidas após o encerramento do exercício. É necessário ressaltar que é vedada a aquisição de material permanente por suprimento de fundos. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 20 2.2. Conceito, Objeto e Campo de Aplicação da Contabilidade Pública A Contabilidade Pública é o ramo da Ciência Contábil que registra, controla e demonstra os atos e fatos relativos à Administração Pública. A Contabilidade Pública deve ser considerada como um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza orçamentária, econômica, financeira, física e industrial. Quem seriam estes usuários? Os gestores do Patrimônio Público e das políticas econômicas e sociais do país para a tomada de decisões; a população em geral, como instrumento de transparência e confiabilidade da execução orçamentária, financeira e patrimonial da Administração Pública; os organismos internacionais de crédito e fomento, utilizando os demonstrativos como forma de “espelhar” a situação do país e a capacidade de retorno de investimento ou de solvência de obrigações relativas a operações de crédito. Objeto O objeto da Contabilidade Pública, assim como da Contabilidade Privada, em sentido amplo, é o Patrimônio (bens, direitos e obrigações). Mas neste aspecto, a Contabilidade Pública possui diferenças significativas em relação ao enfoque dado ao “objeto”. Não são objeto da Contabilidade Pública, por exemplo, bens públicos de uso generalizado como pontes, estradas, praças, monumentos etc apesar de estes últimos fazerem parte do Patrimônio Público. Verificar se esta frase está correta já que o objeto da contabilidade pública é o patrimônio público e o orçamento. O objeto da Contabilidade Pública utiliza-se dos conceitos do Código Civil para caracterizar o que seja o seu objeto: os bens de uso restrito, específico e não generalizado. Além disso, constitui objeto da Contabilidade Pública, o orçamento público e os atos administrativos (acordos, contratos, ajustes, convênios etc). Campo de Aplicação O campo de aplicação da Contabilidade Governamental ou Contabilidade Pública pode ser abordado sob dois aspectos: o aspecto dos fatos contábeis abrangidos e pelo aspecto dos órgãos e entidades que devem seguir os seus preceitos e regras. Sob o primeiro aspecto, podemos citar o art. 85 da Lei 4.320/1964, que dispõe: “Os serviços de Contabilidade serão organizados de forma a permitir o acompanhamento da execução orçamentária, o conhecimento da composição patrimonial, a determinação dos custos dos serviços industriais, o levantamento dos balanços gerais, a análise e a interpretação dos resultados econômicos e financeiros”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 21 Depreende-se do artigo citado que o objetivo da Contabilidade Pública é o de atender à Administração com informações que permitam ao gestor a tomada de decisões, contribuindo, desta forma, para a consecução da finalidade da Administração Pública que é o bem estar social. Podemos ver que a Contabilidade Governamental “inicia” o seu papel na execução orçamentária e, portanto, não contempla as fases anteriores da atividade financeira do estado que são o planejamento e a elaboração e a aprovação do Orçamento. Após a elaboração e aprovação do orçamento e a fixação da programação financeira para o exercício, a Contabilidade Pública de posse dos dados dos recursos orçamentários e financeiros disponibilizados a cada Unidade Gestora dos órgãos da Administração Pública, começa a acompanhar a execução propriamente dita destes recursos. É necessário esclarecer que a Contabilidade Governamental brasileira, ao contrário de vários outros países, contempla a execução orçamentária no método das “partidas dobradas”. Com isto, vários equívocos são observados na interpretação dos dados. A Contabilidade da esfera privada não contabiliza o orçamento. Ela apenas registra as permutações e alterações do patrimônio sem incluir no seu escopo a previsão de suas receitas e despesas, a qual é feita, previamente, de forma extra-contábil. Contempla os aspectos financeiros, patrimoniais e industriais, mas não contempla o aspecto orçamentário. Mais especificamente, por força dos arts. 85 e 89 da Lei 4.320/164, a Contabilidade Pública evidencia os fatos ligados à administração orçamentária, financeira, patrimonial e industrial além de fazer o levantamento dos balanços gerais e prover a análise e interpretação dos resultados econômicos e financeiros. Os art. 90 e 91 da mesma lei, dispõem: “A Contabilidade deverá evidenciar, em seus registros, o montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesa empenhada e a despesa realizada, à conta dos mesmos créditos, e as dotações disponíveis”. “O registro contábil da receita e da despesa far-se-á de acordo com as especificações constantes da Lei de Orçamento e dos créditos adicionais”. É devido à esta especificidade da Contabilidade Governamental que as suas receitas e despesas seguem, primordialmente, o conceito orçamentário e não o conceito estritamente contábil. Na Contabilidade Geral, aprendemos que só há receita ou despesa quando há a alteração do patrimônio líquido, já na Contabilidade Pública, qualquer ingresso ou dispêndio é considerado receita ou despesa, respectivamente, independente da afetação ou não do Patrimônio Líquido. Esta é a evidência da predominância do conceito orçamentário na Contabilidade Governamental brasileira. A tendência mundial no momento é a aproximação da Contabilidade Pública aos Conceitos já enraizados da Contabilidade Privada através de Organismos Internacionais como a Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 22 Federação Internacional dos Contadores – IFAC em suas “Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público – NICSP”. Ainda sob o primeiro aspecto, é necessário notar o que dispõe o art. 87 da Lei 4.320/1964: “Haverá controle contábil dos direitos e obrigações oriundos de ajustes ou contratos em que a administração pública for parte”. Neste ponto, a lei obriga que haja escrituração contábil dos fatos contábeis originadosde atos administrativos (e não fatos administrativos), ou seja, das potencialidades de afetação do patrimônio líquido. Esta escrituração, a princípio, não altera a situação patrimonial líquida e são feitas em contas contábeis de compensação, também chamadas contas de controle. No Plano de Contas, que será visto nos tópicos seguintes, veremos as contas que dizem respeito a este controle das potencialidades. A Lei 4.320/1964 também especifica nos arts. 94 a 100 diversas regras a serem observados pela Contabilidade Governamental no que se refere à abrangência de seus registros dos atos e fatos contábeis. “Art. 94. Haverá registros analíticos de todos os bens de caráter permanente, com indicação dos elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. Art. 95 A contabilidade manterá registros sintéticos dos bens móveis e imóveis. Art. 96. O levantamento geral dos bens móveis e imóveis terá por base o inventário analítico de cada unidade administrativa e os elementos da escrituração sintética na contabilidade. Art. 97. Para fins orçamentários e determinação dos devedores, ter-se-á o registro contábil das receitas patrimoniais, fiscalizando-se sua efetivação. Art. 98. Vetado. Parágrafo único. A dívida fundada será escriturada com individuação e especificações que permitam verificar, a qualquer momento, a posição dos empréstimos, bem como os respectivos serviços de amortização e juros. Art. 99. Os serviços públicos industriais, ainda que não organizados como empresa pública ou autárquica, manterão contabilidade especial para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da escrituração patrimonial e financeira comum. Art. 100 As alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução orçamentária, bem como as variações independentes dessa execução e as superveniências e insubsistências ativas e passivas, constituirão elementos da conta patrimonial.” Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 23 Este último artigo será objeto de um dos tópicos desta obra que trata sobre “Variações Patrimoniais”. Sob o segundo aspecto, o dos órgãos e entidades abrangidos pela Contabilidade Pública, podemos citar o art. 83 da Lei 4.320/1964, que dispõe: “A Contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados”. O campo de aplicação da Contabilidade Pública sob este enfoque é a Administração Pública nas três esferas de Governo (Federal, Estadual e Municipal), e ainda, as autarquias, fundações e empresas públicas quando estas fizerem uso de recursos públicos constantes das leis orçamentárias. Aplica-se também aos 3 Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). 2.3. Comparações com a Contabilidade Privada Como visto anteriormente, tanto as despesas quanto as receitas podem ser efetivas ou não efetivas. As receitas e despesas efetivas são aquelas que modificam a situação patrimonial líquida do ente, são oriundas de fatos modificativos. Essas receitas são contabilizadas como na área empresarial. Por outro lado, as receitas e despesas não efetivas não modificam a situação patrimonial líquida do ente e são oriundas de fatos permutativos. Estas não são contabilizadas como na área empresarial. Os exemplos a seguir demonstram algumas situações em que o tratamento contábil da Contabilidade Pública difere da Contabilidade Privada. No tópico “Variações Patrimoniais” será feito um aprofundamento neste assunto. Exemplo 1: Suponha que um ente público receba dinheiro pela prestação de um serviço. Trata-se de um fato modificativo. Logo é uma receita efetiva e é contabilizado como na contabilidade empresarial (contabilidade privada). O lançamento simplificado seria: D - Banco/Caixa C - Receita Orçamentária ....................XX Exemplo 2: O ente público pede empréstimo junto a um banco. Observe que se trata de um fato permutativo. Logo, a receita (entrada de dinheiro) é não efetiva. Como é utilizado o regime de caixa na administração pública, a entrada de dinheiro é registrada como receita, entretanto observe que como o fato é permutativo (receita não efetiva), criou-se na administração pública uma conta de resultado para "retirar" o efeito da receita. Assim, teríamos dois lançamentos de primeira fórmula: Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 24 D - Caixa C - Receita Orçamentária ....................XX D - Mutações Passivas (conta de resultado diminutivo) C - Empréstimos Bancários a Pagar ......................................XX Observe que a conta Mutações Passivas "anula" o efeito da Receita Orçamentária. Assim, no resultado final, o fato é permutativo. As mutações passivas são provenientes de uma receita. Na Contabilidade empresarial, o lançamento deste fato é o seguinte: D - Caixa C - Empréstimos Bancários a Pagar ....................................XX Exemplo 3: Suponha que Administração Pública pague pela prestação de um serviço qualquer. Trata-se de um fato modificativo (diminutivo). Logo a despesa é efetiva (diminui a situação patrimonial líquida). O lançamento (simplificado) é feito como na área empresarial: D - Despesa Orçamentária C - Caixa/Bancos....................................................................XX Exemplo 4: Suponha que a Administração Pública compre à vista um equipamento. Trata-se de um fato permutativo. Logo teremos uma despesa não efetiva. Como vimos, qualquer pagamento efetuado pela Administração Pública é considerada uma despesa. Logo este pagamento deve ser considerado uma despesa. Como no caso visto acima (para as receitas) devemos ter uma conta para anular o efeito desta despesa. Assim, o lançamento seria: D - Despesa C - Caixa/Bancos ...................................................XX D - Equipamentos C - Mutação Ativa (Resultado Aumentativo) ..........XX A conta Mutação Ativa anula o efeito da despesa no resultado. Assim, no resultado final o fato é tratado como permutativo. Na contabilidade empresarial o lançamento seria: D - Equipamentos C - Caixa/Bancos................................................XX Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 25 2.4. Exercício Financeiro Conforme o art. 34 da Lei 4.320/1964, “o exercício financeiro coincidirá com o ano civil”, começando em 1º de janeiro e encerrando em 31 de dezembro de cada ano. Devido ao enfoque orçamentário dado à Contabilidade Pública brasileira, há o respeito pelo princípio orçamentário da anualidade que estabelece que “as previsões de receita e despesa e sua execução devem referir-se sempre a um período limitado de tempo”. 2.5. Regime Contábil De acordo com o artigo 35 da lei 4.320, pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nele arrecadadas; e II - as despesas legalmente empenhadas. De acordo com o artigo, utiliza-se o chamado Regime Misto na Administração Pública: Caixa para as receitas e Competência para as despesas. Observação: As normas internacionais de contabilidade do setor público(NICSP) sugerem o uso do regime de competência tanto para as despesas quanto para as receitas. Assim, de acordo com o inciso I, o "fato gerador" da receita é seu efetivo recebimento. Se, por exemplo, a Administração Pública prestar um serviço em março, e receber o numerário em junho, a receita será contabilizada em junho. Outro exemplo, se a Administração Pública prestar um serviço em dezembro de XO e receber o numerário em janeiro de X1, a receita será contabilizada em X1 (orçamento de X1). Observação: De acordo com o Manual de Receitas Públicas (Portaria STN nº 219/2004), o reconhecimento de receita para o ente é a combinação da instituição de um tributo e sua inclusão no orçamento. Exceção ao Regime de Caixa A inscrição na Dívida Ativa é uma exceção ao Regime de Caixa, já que provoca um aumento na situação patrimonial sem que o numerário tenha entrado efetivamente. De acordo com o disposto no inciso II, para que uma despesa possa ser considerada do exercício, é necessário que seja legalmente empenhada. Deste modo, se, por exemplo, a Administração Pública fizer um empenho em X0 relativo a uma prestação de serviço de um fornecedor, sendo o serviço realizado em X0 e pago em X1, a despesa é considerada do exercício de X0. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 26 Exceção ao Regime de Competência A inscrição de restos a pagar não processados é uma exceção ao regime de competência já que a despesa é reconhecida sem que tenha ocorrido o fato gerador (a liquidação da despesa). De acordo com a lei 4.320/1964, são despesas do exercício aquelas legalmente empenhadas. Os restos a pagar não processados constituem despesas do exercício (já que foram empenhados) cujo fato gerador não ocorreu (não foram liquidados). 2.6. Avaliação de Itens Patrimoniais A avaliação dos itens patrimoniais estão constantes do art. 106 da lei 4.320/1964, que estabelece: “ Art. 106. A avaliação dos elementos patrimoniais obedecerá as normas seguintes: I - os débitos e créditos, bem como os títulos de renda, pelo seu valor nominal, feita a conversão, quando em moeda estrangeira, à taxa de câmbio vigente na data do balanço; II - os bens móveis e imóveis, pelo valor de aquisição ou pelo custo de produção ou de construção; III - os bens de almoxarifado, pelo preço médio ponderado das compras. § 1° Os valores em espécie, assim como os débitos e créditos, quando em moeda estrangeira, deverão figurar ao lado das correspondentes importâncias em moeda nacional. § 2º As variações resultantes da conversão dos débitos, créditos e valores em espécie serão levadas à conta patrimonial. § 3º Poderão ser feitas reavaliações dos bens móveis e imóveis.” Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 27 2.7. Legislação Pertinente (Lei nº 4320/64 e Lei Complementar nº 101/2000 - LRF) A Contabilidade Pública está normatizada, primordialmente, pela Lei 4.320/1964 em especial nos artigos 83 a 106. A Lei 4.320/1964 é a lei que regulamenta as normas gerais para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. A sua essência é orçamentária, embora dedique uma parte à regulamentação da Contabilidade Governamental. Os conceitos orçamentários estão arraigados na Contabilidade Pública e, por isso, ela possui algumas peculiaridades em relação à Contabilidade Privada como o regime misto (de caixa para as receitas e de competência para as despesas), por exemplo. Além disso, os registros contábeis não seguem a mesma lógica da Contabilidade Geral. Atualmente, as Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público – NICSP, estão fazendo com que haja um esforço a nível global de aproximação da Contabilidade Governamental da Contabilidade Privada, adotando o regime de competência para receitas e despesas, aumentando o enfoque patrimonialista da Contabilidade em detrimento do enfoque orçamentário. A Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF (Lei Complementar nº 101/2000) trouxe várias inovações na Contabilidade Pública no que se refere aos registros contábeis, mas, principalmente, quanto aos demonstrativos que foram acrescentados. A Secretaria do Tesouro Nacional vem expedindo diversas normas e procedimentos para a adaptação ao marco da LRF. Os manuais de elaboração dos demonstrativos exigidos pela LRF serão objeto desta obra mais adiante. A LRF, apesar de tratar do mesmo assunto, não revoga nem substitui a Lei nº 4.320/1964. A Constituição Federal exige que uma Lei Complementar trate deste assunto e, portanto, a Lei nº 4.320/1964 tem status de Lei Complementar, apesar de ser uma Lei Ordinária. A LRF atende ao art. 165 da Constituição em seu inciso II, §9º: “Cabe à Lei Complementar estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a instituição e funcionamento dos Fundos.” Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 28 3. PLANO DE CONTAS E SISTEMA DE CONTAS 3.1. Plano de Contas da Administração Pública Federal A Execução contábil, relativa aos atos e fatos de gestão financeira, orçamentária e patrimonial, por parte dos Órgãos e Entidades da Administração Pública Federal, obedece ao Plano de Contas elaborado e mantido de acordo com os padrões estabelecidos, tendo como parte integrante a Relação de Contas, a Tabela de Eventos (adendo A) e a Tabela de Conta-corrente Contábil (adendo B). Neste tópico, estudaremos a Relação de Contas e a Tabela de Contas- correntes contábeis. A tabela de eventos será objeto de um estudo à parte no tópico SIAFI, pois esta só é aplicável por causa da plataforma do SIAFI constituída em um sistema informatizado. Relação de Contas Conceito de Conta A Conta é o título representativo da composição, variação e estado do patrimônio, bem como de bens, direitos, obrigações e situações nele não compreendidas, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, exigindo por isso o controle contábil específico. A Contabilidade para manter a sua confiabilidade deverá sempre ser estruturada em contas e documentos (eletrônicos ou não) que representam os fenômenos contábeis (devidamente comprovados por papéis). A estrutura do Plano de Contas atual objetiva, principalmente: • Realçar o estado patrimonial e suas variações, concentrando as contas típicas de controle nos grupos de compensação de forma a propiciar o conhecimento adequado da situação econômico-financeira da gestão administrativa; • Padronizar o nível de informações dos órgãos e entidades da administração direta e indireta com a finalidade de auxiliar o processo de tomada de decisão, ampliando o leque de alternativas gerenciais, e facilitar a elaboração do Balanço Geral da União; • Permitir, por meio da relação de contas e da tabela de conta- corrente, a manutenção de um sistema integrado de informações orçamentárias, financeiras e patrimoniais na Administração Pública Federal, com a extração de relatórios necessários à análise gerencial, incluindo balanços e demais demonstrações contábeis, capazes de atender aos aspectos legais e fiscais. Tópicos Contemporâneos de ContabilidadePública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 29 Desdobramento da Conta A Relação de Contas está disponível na forma ON LINE, podendo ser consultada por meio da transação CONCONTA, no SIAFI, compreendendo sete níveis de desdobramento, classificados e codificados de acordo com a seguinte estrutura: Subitem X X X Conta Corrente 3º nível - 4º nível - 5º nível - 6º nível - 7º nível - Subgrupo Elemento Subelemento Item 1º nível - Classe 2º nível - Grupo X X XX XX Código Variável Considerações sobre a Estrutura do Plano de Contas A codificação das contas de ativo e passivo no Plano de Contas segue a ordenação dos demonstrativos de saída, mais especificamente, o Balanço Patrimonial. Já as contas de despesa e receita (de resultado) guardam relação com a classificação determinada pela Secretaria de Orçamento Federal - SOF, mais especificamente, a classificação das despesas quanto à natureza. A estrutura básica do Plano de Contas em nível de classe e grupo consiste na seguinte disposição: 1 A T I V O 2 P A S S I V O 1.1 CIRCULANTE 2.1 CIRCULANTE 1.2 REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 2.2 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 2.3 RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS 1.4 PERMANENTE 2.4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 1.9 COMPENSADO 2.9 COMPENSADO 3 D E S P E S A 4 R E C E I T A 3.3 DESPESAS CORRENTES 4.1 RECEITAS CORRENTES 3.4 DESPESAS DE CAPITAL 4.2 RECEITAS DE CAPITAL 4.9 * DEDUÇÕES DA RECEITA Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 30 5 RESULTADO DIMINUTIVO DO EXERCÍCIO 6 RESULTADO AUMENTATIVO DO EXERCÍCIO 5.1 RESULTADO ORÇAMENTÁRIO 6.1 RESULTADO ORÇAMENTÁRIO 5.2 RESULT. EXTRA-ORÇAMENTÁRIO 6.2 RESULT.EXTRA-ORÇAMENTÁRIO 6.3 RESULTADO APURADO O primeiro nível representa a classificação máxima na agregação das contas nas seguintes classes: • Ativo – inclui as contas correspondentes dos bens e direitos, demonstrando aplicação dos recursos; • Passivo – compreende as contas relativas às obrigações, evidenciando as origens dos recursos aplicados; • Despesa – inclui as contas representativas dos recursos despendidos na gestão, a serem computados na apuração do resultado do exercício; • Receita – inclui as contas representativas dos recursos auferidos na gestão, a serem computadas na apuração do resultado do exercício; • Resultado Diminutivo do Exercício – inclui as contas representativas das variações negativas da situação líquida do patrimônio e da apuração do resultado respectivo; • Resultado Aumentativo do Exercício – inclui as contas representativas das variações positivas da situação líquida do patrimônio e da apuração do resultado respectivo. O segundo nível de desdobramento do Plano de Contas atual compreende os seguintes grupos de contas para o Ativo: • Ativo Circulante – compreende as disponibilidades de numerário, bem como outros bens e direitos pendentes ou em circulação, realizáveis até o término do exercício seguinte; • Ativo Realizável a Longo Prazo – compreende os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte; • Ativo Permanente – representa os investimentos de caráter permanente, as imobilizações, bem como despesas diferidas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício; • Ativo Compensado – compreende as contas com função precípua de controle, relacionadas à situações não compreendidas no patrimônio mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, inclusive as que dizem respeito a atos e fatos ligados à execução orçamentária e financeira. O Passivo é representado pelos seguintes grupos de contas: • Passivo Circulante – compreende as obrigações pendentes ou em circulação, exigíveis até o término do exercício seguinte; • Passivo Exigível a Longo Prazo – compreende as obrigações exigíveis após o término do exercício seguinte; • Resultado de Exercícios Futuros – compreende as contas representativas de receitas de exercícios futuros, deduzidas dos custos e despesas correspondentes ou contrapostos a tais receitas; Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 31 • Patrimônio Líquido – representa o capital, as reservas e os resultados acumulados; • Passivo Compensado – compreende as contas com função precípua de controle, relacionadas à situações não compreendidas no patrimônio mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, inclusive as que dizem respeito a atos e fatos ligados à execução orçamentária e financeira. A Despesa é desdobrada nas seguintes categorias econômicas: • Despesas Correntes – compreendem as contas, desdobradas em transferências e aplicações diretas, de despesas com pessoal e encargos sociais, juros e encargos das dívidas interna e externa e outras despesas correntes, observadas as conceituações legais e normativas pertinentes; • Despesas de Capital – correspondem às contas, desdobradas em transferências e aplicações diretas, de despesas de investimentos, inversões financeiras, amortizações das dívidas interna e externa e outras despesas de capital, observadas as conceituações legais e normativas pertinentes. A Receita é desdobrada nas seguintes categorias econômicas: • Receitas Correntes – compreendem as tributárias, de contribuições, patrimoniais agropecuárias, industriais, de serviços e outras receitas correntes, bem como provenientes de transferências correntes, observadas as conceituações legais e normativas pertinentes; • Receitas de Capital – correspondem às operações de crédito, alienações de bens, amortizações e outras receitas de capital, bem como as provenientes de transferências de capital, observadas as conceituações legais e normativas pertinentes. O Resultado do Exercício contém os seguintes grupos (os grupos de contas de resultado orçamentário e extra-orçamentário são estruturados de forma a distinguir as variações diminutivas e aumentativas da situação líquida do patrimônio): • Resultado Orçamentário relativo à diminuição da situação líquida do patrimônio – corresponde às despesas orçamentárias, interferências passivas e às mutações passivas, resultantes da execução orçamentária; • Resultado Orçamentário relativo ao aumento da situação líquida do patrimônio – inclui as contas representativas da receita orçamentária, interferências ativas e mutações ativas, resultantes da execução orçamentária; • Resultado Extra-Orçamentário relativo à diminuição da situação líquida do patrimônio – inclui as contas representativas das despesas extra-orçamentárias, interferências passivas e mutações passivas, independentes da execução orçamentária; • Resultado Extra-Orçamentário relativo ao aumento da situação líquida do patrimônio – inclui as contas representativas das receitas Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 32 extra-orçamentárias, interferências ativas e mutações ativas, independentes da execução orçamentária; • Resultado Apurado – conta utilizada no encerramento do exercício para demonstrar a apuração do resultado do exercício. IMPORTANTE: A consolidação das contas nos balanços é realizada no 3º nível(subgrupo), de acordo com a seguinte estrutura: 1 ATIVO 2 PASSIVO 1.1 Ativo Circulante 2.1 Passivo Circulante 1.1.1 Disponível 2.1.1 Depósitos 1.1.2 Créditos em Circulação 2.1.2 Obrigações em Circulação 1.1.3 Bens e Valores em Circulação 2.1.3 Empréstimos e Financiamentos em Circulação 1.1.4 Valores Pendentes a Curto Prazo 2.1.4 Valores Pendentes a Curto Prazo 1.2 Ativo Realizável a Longo Prazo 2.2 Passivo Exigível a Longo Prazo 1.2.1 Depósitos Realizáveis e Longo Prazo 2.2.1 Depósitos Exigíveis a Longo Prazo 1.2.2 Créditos Realizáveis a Longo Prazo 2.2.2 Obrigações Exigíveis a Longo Prazo 2.2.3 Outras Exigibilidades 2.3 Resultado de Exercícios Futuros 2.3.1 Receitas de Exercícios Futuros 2.3.2 Custos e Despesas de Exercícios Futuros 1.4 Ativo Permanente 2.4 Patrimônio Líquido 1.4.1 Investimentos 2.4.1 Patrimônio/Capital 1.4.2 Imobilizado 2.4.2 Reservas 1.4.3 Diferido 2.4.3 Resultado Acumulado 2.4.4 Ajuste do Patrimônio/Capital 1.9 Ativo Compensado 2.9 Passivo Compensado 1.9.1 Execução Orçamentária da Receita 2.9.1 Previsão Orçamentária da Receita 1.9.2 Fixação Orçamentária da Despesa 2.9.2 Execução Orçamentária da Despesa 1.9.3 Execução da Programação Financeira 2.9.3 Execução da Programação Financeira 1.9.4 Despesas e Dívidas dos Estados e Municípios 2.9.4 Despesas e Dívidas dos Estados e Municípios 1.9.5 Execução de Restos a Pagar 2.9.5 Execução de Restos a Pagar 1.9.9 Compensações Ativas Diversas 2.9.9 Compensações Passivas Diversas Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 33 3 DESPESA 4 RECEITA 3.3 Despesas Correntes 4.1 Receitas Correntes 3.4 Despesas de Capital 4.2 Receitas de Capital 4.9 * Deduções da Receita 5 RESULTADO DIMINUTIVO DO EXERCÍCIO 6 RESULTADO AUMENTATIVO DO EXERCÍCIO 5.1 Resultado Orçamentário 6.1 Resultado Orçamentário 5.1.1 Despesa Orçamentária 6.1.1 Receita Orçamentária 5.1.2 Interferências Passivas 6.1.2 Interferências Ativas 5.1.3 Mutações Passivas 6.1.3 Mutações Ativas 5.2 Resultado Extra-Orçamentário 6.2 Resultado Extra-Orçamentário 5.2.1 Despesa Extra-Orçamentária 6.2.1 Receita Extra-Orçamentária 5.2.2 Interferências Passivas 6.2.2 Interferências Ativas 5.2.3 Mutações Passivas 6.2.3 Mutações Ativas 6.3 Resultado Apurado A Relação de Contas apresenta desdobramento no nível mais detalhado e possui as seguintes características: • O sinal = (igual) antes da intitulação de determinadas contas contábeis, identifica a necessidade de tratamento a nível individualizado (conta corrente), peculiar a cada item, cujo objetivo é proporcionar maior flexibilidade no gerenciamento dos dados desejados; • As contas redutoras ou retificadoras são identificadas pelo sinal (*) (asterisco), colocado antes da intitulação da conta contábil retificada. Uma das limitações encontradas no Plano de Contas atual reside na total vinculação ao Orçamento, afastando-se, assim, das normatizações e tendências mundiais de classificação contábil. Além disso, qualquer alteração pela SOF das classificações de receitas e despesas exigem que o Plano de Contas seja alterado. Muitos estudantes de Contabilidade Pública enfrentam dificuldades de se diferenciar a classificação orçamentária da classificação contábil no Plano de Contas. Na verdade, há um acréscimo de dígitos na classificação orçamentária das receitas e despesas de modo a adaptá-la ao Plano de Contas. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 34 Tomemos como exemplo a conta 3.3.3.9.0.30.01 – Combustíveis e Lubrificantes Automotivos, no Plano de Contas atual, possui a seguinte estrutura: Codificação do plano de contas atual DÍGITO DESDOBRAMENTO DESCRIÇÃO 1º dígito Classe (3) Despesa 2º dígito Grupo (3) Despesas Correntes 3º dígito Sub-grupo (3) Outras Despesas Correntes 4º dígito Elemento (9) Aplicações Diretas 5º dígito Sub-elemento (0) - 6º e 7º dígitos Item (30) Material de Consumo 8º e 9º dígitos Sub-item (01) Combustíveis e Lubrificantes Automotivos A classificação orçamentária segundo a natureza de despesa serviu de base para a estrutura acima. No orçamento, a Classificação Econômica (ou quanto à natureza) das despesas é definida pelo código 3.3.90.30 (correspondente aos 2º, 3º, 4º combinado com o 5º, 6º e 7º dígitos do código da conta), sendo que: Codificação da classificação orçamentária (econômica) DÍGITO DESDOBRAMENTO DESCRIÇÃO 1º dígito Categoria Econômica (3) Despesa Corrente 2º dígito Grupo de Despesa (3) Outras Despesas Correntes 3º e 4º dígitos Modalidade de Aplicação (90) Aplicações Diretas 5º e 6º dígitos Elemento de Despesa (30) Material de Consumo Pode-se notar que, na estrutura da conta sob o código 3.3.3.9.0.30.01, o 5º dígito (Sub-elemento) não possui nenhuma descrição ou desdobramento associado a ele (representado pelo valor “0”). A causa desta “lacuna” na estrutura da conta é que, na classificação orçamentária, o desdobramento “Aplicações Diretas” é representado por dois dígitos (90). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 35 Muitos questionam o fato de a classificação utilizada no Plano de Contas diferir da classificação dada às contas pela Lei 4.320/1964 em seu artigo 105: “Art. 105. O Balanço Patrimonial demonstrará: I - O Ativo Financeiro; II - O Ativo Permanente; III - O Passivo Financeiro; IV - O Passivo Permanente; V - O Saldo Patrimonial; VI - As Contas de Compensação.” Pode-se verificar que a classificação utilizada pelo Plano de Contas atual difere da classificação dada pela Lei 4.320/1964 para o Balanço Patrimonial. Enquanto, no Plano de Contas, temos o Ativo Circulante, a Lei 4.320 refere-se a Ativo Financeiro, por exemplo. Para entender melhor esta diferença, deve-se ter em mente que a Lei 4.320/1964 refere-se à informação de saída, ou seja, aos demonstrativos contábeis. O Plano de Contas não precisa seguir a estrutura dos demonstrativos de “saída” da informação contábil como já foi falado, pois trata a entrada da informação no sistema contábil e não a saída. Tendo um plano de contas bem estruturado, ele pode permitir a confecção de qualquer demonstrativo que venha a ser exigido pela legislação, aprimorando, desta forma, o papel da Contabilidade Pública. Tabela de Contas-correntes Contábeis (adendo B) O código de conta-corrente permite o tratamento de informações conforme a individualização exigida pela conta objeto do detalhamento, de acordo com a tabela própria estruturada e cadastrada para permitir maior flexibilidade no gerenciamento dos dados necessários. O código conta-corrente é anexado à conta contábil (constante da relação das contas) permitindo um maior detalhamento por parte das Unidades Gestoras. Por exemplo, a conta de passivo 21211.01.00 – Fornecedores do Exercício possui um conta-corrente “anexado” a esta conta contábil que é o CPF, CNPJ ou UG, que identificará o credor daquele passivo e permitindo, dessa forma, um maior controle e transparência da informação contábil. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRFe Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 36 A seguir, apresentamos a listagem atual dos contas-correntes utilizados no Plano de Contas (atualizados até 23/02/2005): 00 NAO EXIGE 01 BANCO+AGENCIA+CONTA BANCARIA 02 CNPJ, CPF, UG, IG OU 999 03 UG+FR 04 EXERCICIO + CNPJ, CPF, UG, IG OU 999 06 ORDEM BANCARIA 07 SUBITEM DO ELEMENTO DE DESPESA 08 INDIVIDUALIZACAO DE IMOVEIS 09 INDIVIDUALIZACAO DE MARCAS E PATENTES 10 INDIVIDUALIZACAO DE PROJETOS 11 CODIGO DE DESTINACAO DA RECEITA 12 FONTE DE RECURSOS 13 NUMERO DE DOCUMENTO HABIL PARA PAGAMENTO 14 CELULA DA RECEITA (NATUREZA RECEITA + FTE REC) 15 CONTRATO DE PROGRAMAS DE REPASSE 16 CELULA DA DESPESA (EO+PTRES+FR+ND+UGR+ PI) 17 LIMITE PARA EXECUCAO FINANCEIRA 18 CLASSIFICACAO INSTITUCIONAL DA RECEITA PREVISTA 19 INDIVIDUALIZACAO DO INCENTIVO FISCAL 20 NATUREZA DA RECEITA 21 FINALIDADE DE TRANSFERENCIA 22 CODIGO DE TRIBUTO 23 CLASSIFICACAO DE ENCARGOS (PI + BANCO) 24 CATEGORIA DE GASTO + ANO + MES 25 ORDENS DE PRODUCAO 26 NOTA DE EMPENHO 27 CNPJ 28 FONTE SOF 29 NUMERO DA OBRIGACAO 30 NUMERO DE CADASTRO DE CONVENIO 31 CELULA DA DESPESA COM ND DETALHADA 32 UG+CEL.FINANCEIRA(FONTE SOF+CAT.GASTOS)+ANO+MES 33 CELULA SOF(EO+PTRES+IDOC+ND+FR) 34 CONTROLE DE VALORES 35 NUMERO DE AUXILIO, SUBVENCOES OU CONTRIBUICOES 36 NUMERO DO CONVENIO + NUMERO DA PARCELA 37 CLASSIFICACAO INSTITUCIONAL RECEITA ARRECADADA 38 NUMERO RIP DE IMOVEL 39 SIGLA DA UF 40 UG + GESTAO + NUMERO DO PRE-EMPENHO 41 UGR + CLASSIFICACAO DA DESPESA 42 UG+FONTE(4)+CATEGORIA DE GASTO 43 ORGAO + FONTE (4) + CATEGORIA DE GASTO (1) 44 (CNPJ, CPF, UG, PF OU EX) + PC OU RC 45 VINCULACAO DE PAGAMENTO FONTE+COD.VINCULACAO) 46 UG + FONTE RECURSOS + VINCULACAO 47 CENTRO DE CUSTOS 48 CODIGO DE CONTRIBUICAO DA PREVIDENCIA SOCIAL 49 CODIGO DE TRIBUTO ESTADUAL/MUNICIPAL 50 UG/FONTE/CATEGORIA/RECURSOS/VINCULACAO/MES 51 UGR + CELULA DA DESPESA DETALHADA 52 FONTE/VINCULACAO PAGAMENTO/TIPO DOCUMENTO/MES 53 ORGAO SUPERIOR + FONTE + VINCULACAO 54 ORGAO SUPERIOR 55 CEL.DESP.C/ ND DETAL.(SEM PI)+IG OU OBRIGACAO 56 UNIDADE GESTORA 57 CODIGO DE SALARIO EDUCACAO 58 UGR + UO + PROGRAMA + ACAO + MES 59 CODIGO DE RECOLHIMENTO FGTS 60 CODIGO DE PAGAMENTO 61 CENTRO DE CUSTO (UGR+CENTRO CUSTO + CLASSIF1) 62 NUMERO DA OBRIGACAO + DATA 63 FONTE RECURSOS (10) + CATEGORIA DE GASTO (1) 64 CODIGO DE RECOLHIMENTO 65 CODIGO DE DESTINACAO DE RECOLHIMENTO 66 BANCO + DATA 67 UG + FONTE RECURSOS + CATEGORIA DE GASTO 68 CODIGO MUNICíPIO + CODIGO TRIBUTO 69 NUMERO DE REFERENCIA DA GRU 70 CELULA DA DESPESA-PROJETO DE LEI ORCAMENTARIA 71 NUMERO DA RA (REGISTRO DE ARRECADACAO) 72 CLASSIFICACAO RECEITA REALIZADA (TIPO ARRECAD.) 73 CELULA DA DESPESA (FONTE+ESF+PTRES+GD+MES+ANO) 74 CELULA DA DESPESA (ESF+PTRES+FONTE+ND+MES+ANO) Obs: Não se deve ter a pretensão de “decorar” todos estes códigos, mas eles constam aqui a título ilustrativo. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 37 Indicadores Contábeis Os Indicadores são utilizados para definir o uso das contas pelas UG (Unidades Gestoras) de acordo com restrições legais, fiscais e normativas. Um destes indicadores contábeis é o conta-corrente , que vimos anteriormente. São parâmetros para que o Gestor contabilize as contas corretamente, sem infringir nenhuma norma. Não se trata de um dos adendos do Plano de Contas, mas de uma Tabela Auxiliar. Exemplo de indicadores contábeis que podem ser consultados através da transação CONINDCONT (Consulta Indicadores Contábeis) no SIAFI: INDICADOR: 50 - ENCERRAMENTO - Indica a condição de permanência do saldo em uma conta, conforme sua natureza INDICADOR: 51 - CONTA-CORRENTE - Indica o código correspondente ao desdobramento exigido pela conta e que possibilita o tratamento de informações no menor nível de detalhe permitido pelo Sistema. INDICADOR: 52 - INVERSÃO DE SALDO - Indica se a conta permitirá a inversão de saldo em virtude da necessidade de registros especiais e eventuais, para algum tipo de ajuste e acerto. INDICADOR: 53 - SISTEMA CONTABIL – Indica a qual sistema pertence a conta, sistema este que deverá se manter equilibrado, devendo, portanto, esta conta se relacionar somente com outras pertencentes ao mesmo sistema que o seu. INDICADOR: 54 - USO DO SAFEM - Indica se a conta poderá ser utilizada pelos Estados e Municípios no âmbito da Administração Financeira dos Estados e Municípios – SAFEM. INDICADOR: 55 - LANCAMENTO POR ORGAO – indica a quais órgãos é permitido fazer lançamentos na conta. INDICADOR: 56 - TIPO DE SALDO – Indica o tipo de saldo da conta, de acordo com a sua natureza, com a finalidade de manter a distinção lógica entre saldos credores e devedores, o que servirá de base para o método das “partidas dobradas” (débito e crédito) INDICADOR: 57 - INTEGRACAO DE BALANCO – Indica se a conta permite integração de balanços de unidades da administração indireta e de Estados e Municípios. INDICADOR: 58 - LANCAMENTO ATRAVES DE NSSALDO – Indica se a conta, de acordo com a sua natureza, permite a transferência, incorporação ou extinção de saldos em virtude da descontinuidade da Unidade por fusão, incorporação, cisão ou extinção. INDICADOR: 59 - CONTA DE SALDOS TRANSITORIOS – Indica se o saldo da conta é de natureza transitória, devendo o mesmo, em caso afirmativo, ser regularizado, ou seja, transferido para a conta com saldo de natureza constante em que ficará registrado, no prazo de 30 dias. INDICADOR: 60 - RESTRICAO PARA REGISTRO DE CONVENIO – Permite controlar a natureza de despesa quando da emissão de empenho e sua utilização para registro de convênios de forma que restrinja a sua transferência em mais de um convênio, a exceção daqueles que, por suas características peculiares, possam constar emum ou mais convênios. INDICADOR: 61 - EMPENHO PARA PAGAMENTO CONTRA ENTREGA – Indicador para especificar a natureza de despesa permitida para registro de empenhos para pagamento contra-entrega. INDICADOR: 62 - COMPOE RESULTADO PRIMARIO – Indica se as contas de receita e despesa compõem o resultado primário (conceito de Finanças Públicas). Sistemas de Contas Na Contabilidade privada utilizamos dois sistemas de contas: Patrimoniais e de Resultado e podemos registrar em uma só partida contas patrimoniais e contas de resultado. O mesmo não ocorre na Contabilidade Pública que trabalha com quatro sistemas distintos: o Financeiro, o Patrimonial, o de Compensação e o Orçamentário. Para cada sistema de contas pode ser elaborado um balancete de verificação. Dessa forma, um lançamento a débito, por exemplo, do sistema patrimonial tem como contrapartida, necessariamente, um crédito no mesmo sistema. Não podemos nunca, na Contabilidade Pública, debitar uma conta de um sistema e creditar em conta de outro sistema. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 38 Sistema Financeiro Registra pagamentos e recebimentos de despesas e receitas orçamentárias e extra-orçamentárias. É fácil saber se uma conta é do sistema financeiro ou não. Todas as contas que tenham como contrapartida a conta “caixa” (sendo pagamento ou recebimento) são do sistema financeiro. Assim, fazem parte do sistema financeiro as seguintes contas: - Banco ou Caixa (bens representados por dinheiro) - Direitos a Receber (financeiros) - Obrigações a Pagar (financeiros) - Receitas Orçamentárias - Despesas Orçamentárias - Ingressos Extra-Orçamentários - Desembolsos Extra-Orçamentários - Etc. Sistema Patrimonial Registra bens, direitos e obrigações que não estejam relacionados à movimentação financeira. Exemplo: - Bens (não financeiros) - Direitos (não financeiros) - Obrigações (Ex: provisões) - Mutações Ativas e Passivas - Transferências - Etc. Sistema de Compensação Tem como função principal o controle dos atos administrativos. São os bens, direitos e obrigações potenciais. Quando se faz um contrato, por exemplo, registra-se uma conta do sistema compensado e credita-se em outra conta do mesmo sistema. Quando o contrato é executado, faz-se o lançamento inverso. Assim, essas contas fazem contrapartida consigo mesma. Não alteram a situação líquida patrimonial. Exemplo de contas de compensação: Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 39 - Contratos - Fiança - Aval - Convênios - Etc. Sistema Orçamentário Tem o objetivo de efetuar o controle da execução do orçamento público. Têm as mesmas características do sistema compensado por efetuarem controle também. Não geram alteração na situação líquida patrimonial. Exemplo: - Dotação Inicial - Dotação Adicional - Emissão de Empenho - Receita a Realizar - Receita Realizada - Etc. 3.2. Sistemática do Plano de Contas Um único fato contábil pode gerar, simultaneamente, lançamentos em contas de diversos sistemas, mas a contrapartida de cada uma das contas deverá ser, necessariamente, em uma conta do mesmo sistema. Atualmente, com a implantação do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI em 1986 e a posterior criação da Tabela de Eventos (adendo A do Plano de Contas) estes lançamentos são feitos automaticamente em cada conta, cabendo ao gestor, apenas, a escolha do evento. A Tabela de Eventos será tema de um dos tópicos a seguir. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 40 4. VARIAÇÕES PATRIMONIAIS 4.1. Conceitos e Legislação Uma das grandes dificuldades para o estudante de Contabilidade é adaptar- se às peculiaridades inerentes à Contabilidade Governamental durante seu aprendizado. O enfoque dado à Contabilidade Pública difere da Contabilidade Privada em vários pontos apesar da doutrinária unicidade da Ciência Contábil. Para o aluno habituado aos registros contábeis e técnicas de escrituração da Contabilidade Privada é muito difícil, na maioria das vezes, entender as diferenças conceituais que a Contabilidade Governamental possui. Por este motivo, o estudo comparativo torna-se adequado para o entendimento dessas diferenças e também dos mecanismos que regem a Contabilidade Pública. Uma das grandes diferenças será abordada neste tópico, em que veremos como são tratadas as Variações Patrimoniais no âmbito da Contabilidade Pública. Primeiramente, é necessário revisarmos o enfoque dado à Contabilidade Governamental no Brasil. O Decreto-lei 200/1967 enuncia que “o acompanhamento da execução orçamentária será feito pelos órgãos de contabilização”. No Brasil, quase tudo na área pública tem origem no orçamento. Dada a importância que o orçamento tem, a Contabilidade Pública concentra muito de sua atenção no orçamento aprovado e, principalmente, no acompanhamento da execução orçamentária. Então, é importante salientar que a Contabilidade Pública brasileira possui um enfoque predominantemente orçamentário. Disto resulta, entre outras coisas, o regime misto (de caixa para as receitas e de competência para as despesas) em que, por exemplo, toda e qualquer entrada em caixa - mesmo que seja na forma de depósitos que serão devolvidos futuramente, operações de crédito que gerarão uma obrigação etc - são consideradas receita. Na Contabilidade Privada, a variação de um determinado item patrimonial - uma conta de “Bens Imóveis” por exemplo - sofre débitos e créditos devido a fatos contábeis que não são identificados por uma conta contábil específica. Já na Contabilidade Pública, qualquer variação de um item patrimonial é registrada nas contas de Variação Patrimonial para que atenda o enfoque orçamentário dado pela legislação, mais especificamente a Lei 4.320/1964. O art.100 da Lei 4.320/1964 estabelece que: “as alterações da situação líquida patrimonial, que abrangem os resultados da execução orçamentária, bem como as variações independentes dessa execução e as superveniências e insubsistências ativas e passivas, constituirão elementos da conta patrimonial”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 41 Portanto, na Contabilidade Pública, há a obrigatoriedade de se registrar na conta contábil as alterações que ocorrerem com cada item integrante do patrimônio e que possam refletir na situação líquida patrimonial. Essa obrigatoriedade é reforçada pelo artigo 104 da mesma lei que estabelece: “...a Demonstração das Variações Patrimoniais evidenciará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício”. Para atender a exigência legal da divulgação da Demonstração das Variações Patrimoniais – DVP é necessário evidenciar separadamente as variações da situação líquida patrimonial que ocorrem durante o exercício e isso é cumprido pela Contabilidade Pública atual. 4.2 Fatos Permutativos e Fatos Modificativos Na Contabilidade, temos os chamadosfatos contábeis permutativos, que apenas trocam os saldos das contas de bens direitos e obrigações, sem afetar a situação líquida patrimonial e temos, também, os fatos contábeis modificativos que alteram a situação líquida patrimonial para maior (fato modificativo aumentativo) ou para menor (fato modificativo diminutivo). Diferentemente da Contabilidade Privada, a Contabilidade Pública considera, receita ou despesa, os fatos permutativos do patrimônio, ou seja, a receita e a despesa são contabilizadas até mesmo em fatos contábeis permutativos. Exemplo: Contabilização da compra de um bem móvel na Contabilidade Privada: D – Bens Móveis C – Bancos c/ Movimento O lançamento acima não tem nenhum reflexo no patrimônio, pois há apenas a permuta de um ativo por outro. Há, ao mesmo tempo, um aumento (bens móveis) e uma diminuição (bancos c/ movimento) do ativo sem alterar a situação líquida patrimonial. Trata-se de um fato contábil PERMUTATIVO. Na Contabilidade Pública, mesmo os fatos permutativos geram receitas ou despesas devido ao enfoque orçamentário dado à Contabilidade Pública pela Lei 4.320/1964. A compra de um bem móvel no âmbito da Contabilidade Pública gera uma despesa orçamentária a ser contabilizada e registrada. E essa despesa, apesar de ser decorrente de um fato permutativo, não irá alterar a situação líquida patrimonial? Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 42 A despesa, de fato, irá gerar uma variação patrimonial passiva e, como o fato contábil em questão é permutativo, para que este não altere a situação líquida patrimonial, é necessário creditar uma conta de variação patrimonial ativa – mais precisamente uma mutação ativa – para que “anule” o efeito da despesa orçamentária. Contabilizando-se dessa forma tem-se a informação que deverá constar da DVP (mutação ativa e despesa orçamentária) e ainda contabiliza-se na forma do orçamento, pois todo e qualquer desembolso deve ser considerado despesa. O lançamento contábil (desconsiderando, por enquanto, o sistema orçamentário), então, seria: No sistema patrimonial: D – Bens Móveis C – Variação Ativa (mutação ativa) – aumenta a situação líquida patrimonial No sistema financeiro: D – Despesa Orçamentária – diminui a situação líquida patrimonial C – Bancos c/ Movimento Pode-se verificar que a despesa orçamentária (variação passiva) será “anulada” pela mutação ativa (variação ativa), que representa o aumento dos bens do ativo, para que a situação líquida patrimonial não fique superavaliada pelo fato permutativo. Mais à frente veremos o tratamento destes fatos contábeis com mais detalhes pois o nosso objetivo no momento é apenas entender o conceito de variação patrimonial na Contabilidade Pública. Tanto na Contabilidade Pública quanto na Contabilidade Privada os fatos modificativos, ou seja, aqueles que alteram a situação líquida patrimonial para maior (fatos modificativos aumentativos) ou para menor (fatos modificativos diminutivos) são tratados da mesma forma, como receitas e despesas. A única diferença seria o regime de caixa para as receitas, pois, do ponto de vista orçamentário, as receitas só são registradas no momento do seu ingresso em caixa (arrecadação) sem considerar-se a razoabilidade de sua ocorrência. 4.3 Variações Patrimoniais Ativas e Passivas As variações patrimoniais podem ser: ativas e passivas. As variações ativas ocorrem quando há um incremento no patrimônio ocasionado pelo aumento do montante de bens e direitos (ativo) ou pela diminuição de obrigações (passivo). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 43 As variações passivas, ao contrário, ocorrem quando há uma retração no patrimônio ocasionado pela diminuição do montante de bens e direitos (ativo) ou pelo aumento de obrigações (passivo). ATIVO(bens e direitos) PASSIVO (obrigações) AUMENTO Variação Ativa Variação Passiva DIMINUIÇÃO Variação Passiva Variação Ativa O modelo da DVP, constante do anexo 15 da Lei 4.320/1964, apresenta na coluna da esquerda as variações ativas, isto é, as causas do aumento patrimonial e na coluna da direita as variações passivas, as origens da redução patrimonial. As variações ativas e passivas podem ser orçamentárias ou extra- orçamentárias. Como pode-se concluir facilmente, as variações ativas e passivas orçamentárias decorrem da execução do orçamento, enquanto que as variações ativas e passivas extra-orçamentárias são independentes da execução orçamentária. Em resumo: As VARIAÇÕES PATRIMONIAIS podem ser: VARIAÇÕES ATIVAS ORÇAMENTÁRIAS – aumentam a situação líquida patrimonial e decorrem da execução orçamentária; VARIAÇÕES ATIVAS EXTRA-ORÇAMENTÁRIAS – aumentam a situação líquida patrimonial e são independentes da execução orçamentária; VARIAÇÕES PASSIVAS ORÇAMENTÁRIAS – diminuem a situação líquida patrimonial e decorrem da execução orçamentária; VARIAÇÕES PASSIVAS EXTRA-ORÇAMENTÁRIAS – diminuem a situação líquida patrimonial e são independentes da execução orçamentária. É IMPORTANTE RESSALTAR QUE TODAS AS CONTAS DE VARIAÇÕES SÃO CONSIDERADAS CONTAS DE RESULTADO!! Agora que já foi visto o conceito de variações ativas e passivas, orçamentárias e extra-orçamentárias, pode-se conhecer as suas espécies de forma um pouco mais aprofundada. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 44 4.4 Variações Ativas Orçamentárias As variações ativas orçamentárias podem ser: Receita (aumento do ativo decorrente de um fato modificativo) ou Mutação Ativa (aumento do ativo ou redução do passivo decorrente de um fato permutativo). A receita correspondente a uma variação ativa é classificada como efetiva, ou seja, aumenta o ativo através de um ingresso no patrimônio de recursos financeiros ou de direitos a receber sem a correspondência de um aumento no passivo ou diminuição do próprio ativo, dessa forma, alterando positivamente a situação líquida patrimonial (fato modificativo aumentativo). A mutação ativa, diferentemente da receita, decorre de um fato permutativo e também altera a situação líquida patrimonial apesar de ter a função de apenas “compensar” o montante incorrido na despesa orçamentária não-efetiva. Na Contabilidade privada não há esta figura, pois os fatos permutativos (trocas “internas” de saldos patrimoniais) não transitam por contas de resultado, como já foi visto. A mutação ativa é decorrente da execução de uma despesa orçamentária não-efetiva que provocará o aumento de bens e direitos ou a diminuição de obrigações. A MUTAÇÃO ATIVA É SEMPRE DECORRENTE DA EXECUÇÃO DE UMA DESPESA ORÇAMENTÁRIA NÃO-EFETIVA!! Para entender melhor o conceito de mutação ativa, pode-se analisar o seguinte fato contábil e seus respectivos lançamentos: Concessão de empréstimos no valor de R$ 150,00. Na Contabilidade privada o lançamento seria o seguinte: D – Operações de Crédito (conta patrimonial do ativo) C – Bancos c/ Movimento......................................................................R$ XX,00 Na Contabilidade Pública, tendo em vista que, no conceito orçamentário, a concessão de empréstimos é tratada como uma Despesa Orçamentária, teríamos: No sistema patrimonial D – Operações de Crédito (conta patrimonial doativo) C – Variação Ativa – Mutação Ativa .............................R$ XX,00 Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 45 No sistema financeiro D – Despesa Orçamentária - Operações de Crédito (conta de resultado) C - Bancos c/ Movimento (conta patrimonial do ativo)..R$ XX,00 O elenco de contas de Variação Patrimonial Ativa Orçamentária é o seguinte (com base no Plano de Contas da Administração Pública Federal): 600000000 RESULTADO AUMENTATIVO DO EXERCICIO 610000000 RESULTADO ORCAMENTARIO 611000000 RECEITA ORCAMENTARIA 611100000 RECEITA CORRENTE 611200000 RECEITA DE CAPITAL 612000000 INTERFERENCIAS ATIVAS 612100000 TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS RECEBIDAS 612200000 CORRESPONDENCIA DE DEBITO 613000000 MUTACOES ATIVAS 613100000 INCORPORACAO DE ATIVOS 613300000 DESINCORPORACAO DE PASSIVOS Pode-se observar que o grupo Resultado orçamentário (Variações Ativas Orçamentárias) possui 3 subgrupos: - Receita Orçamentária – são aquelas que estão previstas na Lei Orçamentária Anual. Podem ser correntes ou de capital - Interferências Ativas (orçamentárias)– são valores recebidos por conta da movimentação financeira decorrente da execução orçamentária. Ex.: Cotas, repasses e sub-repasses recebidos. - Mutações Ativas – representam aquisições de bens e direitos (incorporação de ativos) ou baixa de obrigações (desincorporação de passivos) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 46 4.5 Variações Ativas Extra-Orçamentárias As variações ativas extra-orçamentárias podem ser: Superveniência do Ativo ou Superveniência Ativa (aumento do ativo) representados pelas receitas extra-orçamentárias, pelas interferências ativas ou pelos acréscimos patrimoniais ou, ainda, a Insubsistência do Passivo ou Insubsistência Ativa (diminuição do passivo) independentes da execução orçamentária. São exemplos de Variações Patrimoniais Ativas Extra-Orçamentárias: - Recebimento de bens a título de doação D- Bens (Ativo Permanente) C- Acréscimos Patrimoniais (Variação Patrimonial Ativa Independente da Execução Orçamentária) Pode-se verificar que, no caso acima, houve um aumento no Ativo sem a correspondência de um acréscimo no Passivo ou diminuição do próprio Ativo, alterando positivamente a situação líquida patrimonial. - Inscrição da Dívida Ativa D – Dívida Ativa (Ativo Realizável a Longo Prazo) C – Acréscimos Patrimoniais (Variação Patrimonial Ativa Independente da Execução Orçamentária) O elenco de contas de Variação Patrimonial Ativa Extra-orçamentária é o seguinte (com base no Plano de Contas da Administração Pública Federal): 620000000 RESULTADO EXTRA-ORCAMENTARIO 621000000 RECEITA EXTRA-ORCAMENTARIA 621100000 RECEITAS DE INSTITUICOES FINANCEIRAS 621200000 RECEITAS DE ENTIDADES COMERCIAIS 621300000 RECEITAS DE ENTIDADES INDUSTRIAIS 621900000 RECEITAS DE OUTRAS ENTIDADES 622000000 INTERFERENCIAS ATIVAS 622100000 TRANSFERENCIAS DE BENS E VALORES RECEBIDOS 622200000 TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS RECEBIDAS 622300000 MOVIMENTO DE FUNDOS A DEBITO 622900000 OUTRAS INTERFERENCIAS ATIVAS Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 47 623000000 ACRESCIMOS PATRIMONIAIS 623100000 INCORPORACAO DE ATIVOS 623200000 AJUSTES DE BENS, VALORES E CREDITOS 623300000 DESINCORPORACAO DE PASSIVOS 623400000 AJUSTES DE OBRIGACOES 623500000 VALORIZACOES DIVERSAS 623600000 AJUSTES MONETARIOS DO BALANCO 623700000 RESULTADO DA EQUIVALENCIA PATRIMONIAL 623800000 AJUSTES DE EXERCICIOS ANTERIORES 623900000 ACRESCIMOS PATRIMONIAIS DIVERSOS Pode-se observar que o grupo Resultado orçamentário (Variações Ativas Orçamentárias) possui 3 subgrupos: - Receita Extra-orçamentária – São receitas que não estão previstas na Lei Orçamentária Anual das entidades que não fazem parte do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Exemplo: Receitas de Instituições Financeiras (BB, CEF etc), de Entidades Comerciais (ECT), de Entidades Industriais. - Interferências Ativas (extra-orçamentárias) - são valores recebidos por conta da movimentação financeira e patrimonial extra-orçamentária. É necessário ressaltar que, enquanto as interferências ativas orçamentárias contemplam somente a movimentação financeira, a extra-orçamentária contempla tanto as movimentações financeiras quanto às patrimoniais. Ex.: transferências de bens entre unidades do mesmo órgão; - Acréscimos Patrimoniais – São incorporações de bens e direitos no patrimônio ou desincorporação de obrigações. Exemplo: Apreensão de mercadorias, recebimento de doações de bens. 4.6 Variações Passivas Orçamentárias As variações passivas orçamentárias podem ser: Despesa (diminuição do ativo ou aumento do passivo decorrente de um fato modificativo) ou Mutação Passiva (aumento do passivo ou redução do ativo decorrente de um fato permutativo). A despesa correspondente a uma variação passiva é classificada como efetiva, ou seja, representa uma redução do ativo em decorrência de um desembolso financeiro, à vista, pela execução da despesa, ou aumento do passivo Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 48 em decorrência do surgimento de obrigações, à prazo, pela execução da despesa. Isto deve-se à adoção do regime de competência para as despesas, diferentemente do que ocorre com as receitas que somente são contabilizadas quando do efetivo embolso financeiro. A despesa altera negativamente a situação líquida patrimonial. A mutação passiva, diferentemente da despesa, decorre de um fato permutativo e também altera a situação líquida patrimonial apesar de ter a função de apenas “compensar” o montante auferido na receita orçamentária não- efetiva. Na Contabilidade privada não há esta figura, pois os fatos permutativos (trocas “internas” de saldos patrimoniais) não transitam por contas de resultado, como já foi visto. A mutação passiva é decorrente da execução de uma receita orçamentária não-efetiva que provocará o aumento de bens e direitos ou a diminuição de obrigações. A MUTAÇÃO PASSIVA É SEMPRE DECORRENTE DA EXECUÇÃO DE UMA RECEITA ORÇAMENTÁRIA NÃO-EFETIVA!! Para entendermos melhor o conceito de mutação passiva, vamos analisar o seguinte fato contábil e seus respectivos lançamentos: Recebimento da Dívida Ativa (direito a receber). Na Contabilidade privada o lançamento seria o seguinte: D – Bancos c/ movimento C – Dívida Ativa (conta patrimonial do ativo) Obs: O exemplo de recebimento de Dívida Ativa na Contabilidade privada é apenas para ilustrar como seria se houvesse a figura da Dívida Ativa, mas, de qualquer forma, trata-se de uma conta de direito a receber. Na Contabilidade Pública teríamos: No sistema financeiro D – Bancos c/ movimento (conta patrimonial do ativo) C – Receita Corrente (conta de resultado) No sistema patrimonial D – Variação Passiva - Mutação Passiva C - Dívida Ativa (conta patrimonial do ativo) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de ConcursosLeonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 49 O elenco de contas de Variação Patrimonial Passiva Orçamentária é o seguinte (com base no Plano de Contas da Administração Pública Federal): 600000000 RESULTADO AUMENTATIVO DO EXERCICIO 610000000 RESULTADO ORCAMENTARIO 611000000 RECEITA ORCAMENTARIA 611100000 RECEITA CORRENTE 611200000 RECEITA DE CAPITAL 612000000 INTERFERENCIAS ATIVAS 612100000 TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS RECEBIDAS 612200000 CORRESPONDENCIA DE DEBITO 613000000 MUTACOES ATIVAS 613100000 INCORPORACAO DE ATIVOS 613300000 DESINCORPORACAO DE PASSIVOS Pode-se observar que o grupo Resultado orçamentário (Variações Passivas Orçamentárias) possui 3 subgrupos: - Despesa Orçamentária – são aquelas que estão previstas na Lei Orçamentária Anual. Podem ser correntes ou de capital. - Interferências Passivas (orçamentárias)– são valores concedidos por conta da movimentação financeira decorrente da execução orçamentária. Ex.: Cotas, repasses e sub-repasses concedidos. - Mutações Passivas – representam as alienações de bens e direitos (desincorporação de ativos) ou contração de obrigações (incorporação de passivos) 4.7 Variações Passivas Extra-orçamentárias As variações passivas extra-orçamentárias podem ser: Superveniência do Passivo ou Superveniência Passiva (aumento do passivo) representada pelas despesas extra-orçamentárias, pelas interferências passivas ou pelos decréscimos patrimoniais ou, ainda, Insubsistência do Ativo ou Insubsistência Passiva (diminuição do ativo) independentes da execução orçamentária. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 50 O elenco de contas de variações passivas é o seguinte: 500000000 RESULTADO DIMINUTIVO DO EXERCICIO 520000000 RESULTADO EXTRA-ORCAMENTARIO 521000000 DESPESAS EXTRA-ORCAMENTARIA 521100000 DESPESAS DE INSTITUICOES FINANCEIRAS 521200000 DESPESAS DE ENTIDADES COMERCIAIS 521300000 DESPESAS E CUSTOS DE ENTIDADES INDUSTRIAIS 521400000 DESPESAS DE ENTIDADES AUTARQUICAS 521900000 DESPESAS DE OUTRAS ENTIDADES 522000000 INTERFERENCIAS PASSIVAS 522100000 TRANSFERENCIAS DE BENS E VALORES CONCEDIDOS 522200000 TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS CONCEDIDAS 522300000 MOVIMENTO DE FUNDOS A CREDITO 522900000 OUTRAS INTERFERENCIAS PASSIVAS 523000000 DECRESCIMOS PATRIMONIAIS 523100000 DESINCORPORACOES DE ATIVOS 523200000 AJUSTES DE BENS, VALORES E CREDITOS 523300000 INCORPORACAO DE PASSIVOS 523400000 AJUSTES DE OBRIGACOES 523600000 AJUSTES MONETARIOS DO BALANCO 523700000 RESULTADO DA EQUIVALENCIA PATRIMONIAL 523800000 AJUSTES DE EXERCICIOS ANTERIORES 523900000 DECRESCIMOS PATRIMONIAIS DIVERSOS Pode-se observar que o grupo Resultado orçamentário (Variações Passivas Extra-orçamentárias) possui 3 subgrupos: - Despesa Extra-orçamentária – São despesas que não estão previstas na Lei Orçamentária Anual, pertencentes a entidades que não fazem parte do Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. Exemplo: Despesas de Instituições Financeiras (BB, CEF etc), de Entidades Comerciais (ECT), de Entidades Industriais. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 51 - Interferências Passivas (extra-orçamentárias)– São valores concedidos por conta da movimentação financeira e patrimonial extra- orçamentária. É necessário ressaltar que, enquanto as interferências passivas orçamentárias contemplam somente a movimentação financeira, a extra- orçamentária contempla tanto as movimentações financeiras quanto às patrimoniais. Ex.: transferências de bens entre unidades do mesmo órgão; - Decréscimos Patrimoniais – São desincorporações de bens e direitos no patrimônio ou incorporação de obrigações. Exemplo: Doação de bens a entidades privadas. 4.8 Conflitos Doutrinários No estudo da Contabilidade Pública e também nas provas de concursos públicos, são muito comuns algumas “pegadinhas” a respeito de palavras como “superveniência ativa” e “superveniência do ativo”, por exemplo. Para solucionar esta questão, pode-se conceituar cada uma dessas variações patrimoniais sob a luz da Contabilidade Pública e por pareceres recentes do Conselho Federal de Contabilidade e da Secretaria do Tesouro Nacional1: Superveniência Ativa (aumento do ativo) – variação patrimonial que ocasiona o aumento da situação líquida patrimonial; Superveniência do Ativo (aumento do ativo) – variação patrimonial que ocasiona o aumento da situação líquida patrimonial; Insubsistência Ativa (diminuição do passivo) – variação patrimonial que ocasiona o aumento da situação líquida patrimonial; Insubsistência do Ativo (diminuição do ativo) – variação patrimonial que ocasiona a diminuição da situação líquida patrimonial; Superveniência Passiva (aumento do passivo) – variação patrimonial que ocasiona a diminuição da situação líquida patrimonial; Superveniência do Passivo (aumento do passivo) – variação patrimonial que ocasiona a diminuição da situação líquida patrimonial; Insubsistência Passiva (diminuição do ativo) – variação patrimonial que ocasiona a diminuição da situação líquida patrimonial; Insubsistência do Passivo (diminuição do passivo) – variação patrimonial que ocasiona o aumento da situação líquida patrimonial; 1 O Conselho Federal de Contabilidade, em 2004 encaminhou consulta sobre o assunto à Coordenação Geral de Contabilidade da STN (CCONT/STN) e esta emitiu a Nota Técnica STN/CCONT nº 314/2004 a qual foi aceita integralmente pelo Conselho. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 52 4.9 Resumo É muito comum defrontar-se com dificuldades acerca dos conceitos de variações patrimoniais abordados neste tópico. Por isso, segue um resumo do que foi exposto: Fatos Permutativos – fatos contábeis que não alteram a situação líquida patrimonial (considerando-se todos os lançamentos em todos os sistemas de contas). Fatos Modificativos – fatos contábeis que alteram a situação líquida patrimonial para maior (fatos modificativos aumentativos) ou para menor (fatos modificativos diminutivos) Variação Patrimonial – variação na situação líquida patrimonial para maior ou menor que pode ser decorrente de um fato permutativo ou modificativo. Podem ser: Variação Ativa Orçamentária– Receita Orçamentária (fato modificativo ou permutativo); Interferência Ativa (fato modificativo); Mutação Ativa (fato permutativo). Variação Ativa Extra-orçamentária – Receita Extra-orçamentária (fato modificativo ou permutativo); Interferência Ativa (fato modificativo); Acréscimos Patrimoniais (fato modificativo). Variação Passiva Orçamentária – Despesa Orçamentária (fato modificativo ou permutativo); Interferência Passiva (fato modificativo); Mutação Passiva (fato permutativo). Variação Passiva Extra-orçamentária - Despesa Extra-orçamentária (fato modificativo ou permutativo); Interferência Passiva (fato modificativo); Decréscimos Patrimoniais (fato modificativo). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 53 5. SISTEMA INTEGRADODE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO GOVERNO FEDERAL - SIAFI 5.1. Histórico A Contabilidade Governamental brasileira possuía uma série de problemas até 1986. Do ponto de vista da transparência na execução financeira, orçamentária e patrimonial existia um grande “vácuo” entre as informações geradas pela Contabilidade e as tomadas de decisões pelos gestores públicos, fazendo com que a legalidade, legitimidade e economicidade - princípios constitucionais pertinentes às finanças públicas - ficassem prejudicados. A fiscalização pelo Controle Interno dos Poderes e pelos Tribunais de Contas (Controle Externo) eram dificultadas pela descentralização das informações, o que permitia diversas fraudes e incorreções que prejudicavam a gestão da Coisa Pública e causava enormes prejuízos ao erário. Do ponto de vista contábil podemos citar, entre outros, a falta de tempestividade dos registros, a falta de referência à documentação comprobatória dos lançamentos causando inconsistências e a precariedade da escrituração contábil feita manualmente. Com o advento do SIAFI em 1987 (implementado pelo Decreto 92.452/1986) criou-se um marco não só no Brasil, mas em diversos outros países do mundo, já que muitos desses países “importaram” a idéia e implementaram sistemas parecidos. A Contabilidade passou a garantir a sua função primordial, que é a de dar subsídios aos tomadores de decisão e assegurar a transparência da gestão administrativa através das “partidas dobradas” e de seus demonstrativos. A Contabilidade, segundo a melhor doutrina, deve estar embasada no trinômio “FENÔMENO – DOCUMENTO – CONTA”, em que o fenômeno (fato contábil) deve ser representado por um documento que o contabilize por meio das contas contábeis de um Plano de Contas pré-definido pelo sistema das “partidas dobradas”, no qual um ou mais débitos devem corresponder a um ou mais créditos de igual valor. 5.2. Evolução, Campo de Aplicação e Peculiaridades do Sistema O SIAFI vem ampliando o seu campo de aplicação não só no que diz respeito aos registros que abrange, mas também quanto à aplicação em todas as esferas administrativas e órgãos federais. Na implantação do SIAFI, o sistema era aplicável somente aos Órgãos do Poder Executivo e, gradualmente, expandiu-se aos demais Poderes devido ao bom feedback que apresentou em seus primeiros anos de funcionamento. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 54 Hoje, o SIAFI é utilizado por todos os órgãos da Administração Direta de todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e grande parte da Administração Indireta, excluindo-se, apenas, as empresas públicas e sociedades de economia mista (incluídas nestas categorias as instituições financeiras oficiais – BB, CEF etc) que não compõem o Orçamento Geral da União – OGU. As entidades que ainda não utilizam o SIAFI têm seus saldos integrados periodicamente para consolidação das informações do Governo Federal, sendo que as sociedades de economia mista só fazem registros no que tange à parte acionária do Governo nestas empresas. Uma grande evolução na Contabilidade Governamental brasileira foi a adoção da Conta Única do Tesouro Nacional em setembro de 1988, cuja principal função é “centralizar todas as disponibilidades financeiras das Unidades em uma só conta”. E, como conseqüência da implantação da Conta Única, surgiram algumas facilidades como o DARF Eletrônico e a GPS Eletrônica, por exemplo, que passaram a permitir o recolhimento de tributos por processamento eletrônico de dados, sem o trânsito pela rede bancária. Posteriormente, foi implantado o Manual SIAFI, que traz importantes informações e guia os usuários na utilização da complexa estrutura do SIAFI. Este Manual pode ser consultado pelo próprio sistema através da transação CONMANMF. Segundo o Manual, os objetivos do SIAFI são: 1 - Prover os Órgãos da Administração Pública de mecanismos adequados ao controle diário da execução orçamentária, financeira e contábil; 2 - Fornecer meios para agilizar a programação financeira, otimizando a utilização dos recursos do Tesouro Nacional, através da unificação dos recursos de caixa do Governo Federal; 3 - Permitir que a Contabilidade Aplicada à Administração Pública seja fonte segura e tempestiva de informações gerenciais para todos os níveis da Administração Pública; 4 - Integrar e compatibilizar as informações no âmbito do Governo Federal; 5 - Proporcionar a transparência dos gastos públicos. 5.3. Funcionamento O SIAFI é um sistema que centraliza a execução orçamentária, financeira e patrimonial de todos os órgãos abrangidos por seu campo de aplicação no Brasil e no exterior através de tele-processamento de dados. Essa centralização permite uma maior padronização no tratamento dos fatos contábeis considerados na Contabilidade Governamental. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 55 O SIAFI abrange desde o registro do da previsão orçamentária inicial da receita e da fixação orçamentária da despesa em todas as Unidades Gestoras (UG’s) até a emissão das demonstrações contábeis mensais e anuais, além dos procedimentos específicos de encerramento e abertura de exercício. Para entender melhor o funcionamento do SIAFI, é necessário recordar as fases da atividade financeira do Governo, que são: - Planejamento - O Planejamento consiste na fase em que o Estado faz um levantamento das necessidades sociais e estabelece o que deve ser feito para a consecução do bem estar comum. Este processo, na realidade brasileira, resulta no Plano Plurianual – PPA que define as prioridades do governo por um período de quatro anos. - Orçamento - O ciclo orçamentário é o processo de caráter contínuo, através do qual se elabora, aprova, executa, controla e avalia a programação de dispêndios do setor público nos aspectos físico e financeiro. - Execução Financeira e Patrimonial – É representada pelos efetivos dispêndios e ingressos financeiros e pelas aquisições ou alienações de bens permanentes e demais variações patrimoniais relativas a bens, direitos e obrigações. A fase do Planejamento ocorre no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, assim como a elaboração do Orçamento, que é feita por um outro sistema centralizado chamado Sistema Integrado de Dados Orçamentários - SIDOR. A fase de aprovação compete ao Congresso Nacional. Através do SIDOR, a Secretaria de Orçamento Federal - SOF elabora o orçamento detalhado por suas unidades orçamentárias (UO) e seus respectivos programas de trabalho (PT) o qual são consignadas dotações orçamentárias que serão executadas durante o exercício financeiro. Após a aprovação pelo Legislativo, o detalhamento por Unidades Orçamentárias e os respectivos Programas de Trabalho consignados a cada uma delas são consolidados através de uma “fita” que alimentará o SIAFI com os dados do orçamento aprovado. À partir deste momento, deixa de se considerar as Unidades Orçamentárias (UO) como unidades individualizadas para se considerar as Unidades Gestoras (UG) pertencentes a cada órgão responsável pela fase da execução do orçamento aprovado, abrangida pelo SIAFI. A competência para gerir a atividade financeira do Governo passa a ser também do Ministério da Fazenda, mais especificamente da Secretaria do Tesouro Nacional, que possui a prerrogativade ser o Órgão Central de Contabilidade e de Programação Financeira. Com os recursos orçamentários em seu poder, as Unidades Gestoras efetuam as fases da despesa pública como o empenho, a liquidação e o pagamento, pois até então só havia a previsão da despesa. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 56 Portanto, pode-se concluir que o SIAFI acompanha desde a fase da execução do orçamento aprovado até a execução financeira e patrimonial, não abrangendo as outras fases da atividade financeira do Governo que é o Planejamento e a elaboração e aprovação do Orçamento. O SIAFI, através de seus Demonstrativos, possibilita, ainda, o controle e a avaliação do orçamento (feedback) pelos Órgãos responsáveis. As UG de posse do orçamento a elas consignado passam então a firmar contratos para aquisição de bens e serviços, no sentido de cumprir suas metas; emite os empenhos, a partir da contratação desses bens e serviços, formalizando os compromissos financeiros assumidos com fornecedores e prestadores de serviço. Uma vez efetuada a entrega do bem adquirido, ou efetivada a prestação dos serviços contratados, e de acordo com sua programação financeira, a UG, de posse dos documentos comprobatórios, procede à liquidação da despesa, em regra, através de um subsistema do SIAFI denominado CPR (Contas a Pagar e a Receber), que será visto mais adiante, e, após o pagamento, encerra-se a execução financeira com o pagamento. A execução patrimonial ocorre concomitantemente à execução financeira, com a alienação, doação, incorporação ou aquisição de bens móveis e imóveis, assim como o trânsito dos itens patrimoniais também contemplados pela Contabilidade Geral. Por fim , o SIAFI emite os demonstrativos contábeis exigidos pela legislação (principalmente os exigidos pela Lei 4.320/64) e finaliza, desta forma, a atividade financeira do Governo que, através destes demonstrativos gerados, faz uma avaliação de todo o trâmite para que se inicie um novo exercício financeiro com as adequações e acertos necessários visando um melhor gerenciamento do Patrimônio Público. Agora que já foi visto o aspecto macro-estrutural do SIAFI nos parágrafos anteriores, é necessário expor as suas minúcias. O SIAFI possui duas modalidades de uso: - TOTAL - todos os Órgãos da Administração Direta e grande parte dos Órgãos da Administração Indireta utilizam o SIAFI nessa modalidade, que compreende (fonte: Manual Siafi): - O processamento de todos os atos e fatos de determinada Unidade pelo SIAFI, incluindo-se eventos de receitas próprias; - A inclusão de todas as disponibilidades financeiras da Unidade no conceito de Conta Única; - O processamento da contabilidade da Unidade pelo SIAFI; - A utilização plena dos procedimentos orçamentários e financeiros da Unidade no tratamento-padrão do SIAFI, incluindo o uso do Plano de Contas da Administração Federal. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 57 - PARCIAL - parte dos Órgãos da Administração Indireta utilizam o SIAFI apenas para controle financeiro dos recursos destinados às Unidades pelo Orçamento Geral da União - OGU, assim caracterizada (fonte: Manual Siafi): - É limitada aos recursos previstos no Orçamento Geral da União; - Não permite tratar recursos próprios da entidade; - As informações sobre os eventos realizados são tratadas em arquivos orçamentários e contábeis destinados exclusivamente ao registro desses eventos; - Não substitui a contabilidade da Unidade, sendo necessário, portanto, o envio de balancetes e balanços para integração pelas Unidades Setoriais do Sistema; As formas de acesso ao Sistema são conceituadas da seguinte maneira: - ON-LINE - permite o acesso direto ao Sistema, de mais de 5.000 Unidades Gestoras, via tele-processamento para a execução das operações diárias, tanto de entrada quanto à consulta de dados. - OFF-LINE - é o acesso indireto ao Sistema, por UG’s que não possuem ligação com o SIAFI, e que têm seus registros efetuados por outras UG on-line às quais são subordinadas, chamadas UG Pólo de Digitação. As UG Pólo de Digitação são unidades ON-LINE responsáveis pelo processamento e fornecimento das informações enviadas pelas UG OFF LINE de sua jurisdição, devendo portanto, disponibilizar todos procedimentos no que se refere à execução orçamentária, contábil e financeira. O SIAFI é estruturado da seguinte forma: Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 58 O controle da segurança do sistema no que diz respeito ao acesso às suas funções cabe à Coordenação Geral de Sistemas – COSIS/STN. O acesso para registro de documentos ou para consultas no SIAFI somente será autorizado apos o prévio cadastramento e habilitação dos usuários. Para viabilizar este cadastramento, cada Órgão da Administração Direta do Governo Federal deve indicar, formalmente, à Secretaria do Tesouro Nacional um servidor e seu substituto, para serem os responsáveis pelo processo de cadastramento dos usuários do Sistema no âmbito do respectivo Órgão - denominados Cadastradores de Órgão, de acordo com os procedimentos estabelecidos em Instrução Normativa. O SIAFI tem sua segurança baseada nos seguintes princípios e instrumentos: � Sistema de Segurança, Navegação e Habilitação do SIAFI – SENHA que permite a autorização de acesso aos dados do SIAFI, estabelecendo diferentes níveis desse acesso às suas informações; � Fidedignidade dos dados inseridos no sistema, por parte de seus usuários; � Conformidade Diária, a ser realizada pelos titulares das UG, ou por operadores por eles indicados; consiste na conferência diária, feita pela própria UG, verificando a correspondência entre a documentação comprobatória das operações e os respectivos lançamentos contábeis, registrados no SIAFI, devendo ser feita no dia útil seguinte ao da emissão. � Conformidade de Operadores, a ser realizada pelos titulares das UG, ou por operadores por eles indicados; a Conformidade de Operadores, que integra o processo de gerenciamento de acesso e segurança do sistema tem por objetivo automatizar a rotina periódica de confirmação ou desativação de usuários pela própria UG, através de seu Operador Representante ou Substituto. � Conformidade Documental, a ser realizada pelos titulares das UG, ou por operadores por eles indicados; a Conformidade de Suporte Documental consiste na responsabilidade do servidor, designado pela UG, quanto a certificação da existência de documento hábil que comprove a operação e retrate a transação efetuada. SISTEMA SIAFI SUBSISTEMAS DO SIAFI MÓDULOS DOS SUBSISTEMAS TRANSAÇÕES Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 59 � Conformidade Contábil a ser realizada pelas UG Setoriais de Contabilidade, visando validar os valores registradosno SIAFI; consiste na responsabilidade pelos registros contábeis efetuados e demonstrações deles decorrentes. A conferência efetuada poderá ter como resultado uma das situações a seguir: � SEM RESTRIÇÃO - será registrada nas seguintes situações: as Demonstrações Contábeis não apresentarem inconsistências ou desequilíbrios; as Demonstrações Contábeis espelharem as atividades fins do Órgão; os dados da UG não apresentarem inconsistências na transação CONCONTIR (Consulta Contas a Regularizar); a UG tenha registrado a Conformidade de Suporte Documental de todos os dias em que ocorreram registros contábeis. � COM RESTRIÇÃO - será registrada nas seguintes situações: falta do registro, pela UG, da Conformidade de Suporte Documental (caso a documentação não seja arquivada na Setorial Contábil); quando houver inconsistências ou desequilíbrios nas Demonstrações Contábeis; quando as Demonstrações Contábeis não espelharem as atividades fins do Órgão; quando a UG possuir inconsistências apresentadas na transação CONCONTIR (Consulta Contas a Regularizar). � Procedimento que permite identificar os operadores que efetuaram qualquer acesso à sua base de dados, mantendo registrados o número do CPF do operador, a hora e a data de acesso, a UG a que pertence, o número do terminal utilizado e as informações consultadas; � Mecanismo de segurança, sob a responsabilidade do SERPRO, destinado a manter a integridade dos dados do Sistema; e � Inalterabilidade das informações de todos os documentos incluídos no SIAFI, após sua contabilização. (IMPORTANTE!). Por fim, é necessário expor alguns conceitos básicos do SIAFI (obtidos do glossário do Manual SIAFI): Órgão – Denominação dada aos Ministérios, Ministério Público, Entidades Supervisionadas, Tribunais do Poder Judiciário, Casas do Poder Legislativo e as Secretarias da Presidência da República. Órgão Superior - Unidade da Administração Direta que tenha entidades por ele supervisionadas. Órgão Subordinado - Entidade supervisionada por um Órgão da Administração Direta. Subórgão - Representa um subconjunto de UG pertencentes a um mesmo Órgão. Setorial de Contabilidade de Órgão - Unidade responsável pelo registro da Conformidade Contábil de um Órgão, tendo por base a avaliação das conformidades de todas as UG pertencentes a tal Órgão, cujo responsável é o mesmo da Setorial de Contabilidade de UG. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 60 Setorial de Contabilidade de UG - Unidade responsável pela execução contábil no Sistema e registro da Conformidade Contábil de um determinado número de UG’s, cujo responsável é um Contabilista devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade - CRC, em dia com suas obrigações profissionais, lotado em unidade contábil e credenciado no SIAFI. Unidade Gestora (UG) – Unidade Orçamentária ou Administrativa que realiza atos de gestão orçamentária, financeira e/ou patrimonial, cujo titular, em conseqüência, está sujeito a tomada de contas anual na conformidade dos disposto nos artigos 81 e 82 do Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967. Executora (UGE) - Unidade que realiza atos de gestão orçamentária, financeira e/ou patrimonial, cujo titular, em consequência, está sujeito a tomada ou prestação de contas anual. Responsável (UGR) - Unidade que responde pela realização da parcela do programa de trabalho contida em um crédito orçamentário. UG “On-Line” - é aquela que tem acesso direto às informações do SIAFI, seja para consultas ou para entrada de dados, por seus próprios operadores. UG “Off-Line” - Unidade que não possui condições técnicas de acesso ao SIAFI. Para dispor de informações esta UG se utiliza de sua Unidade Pólo de Digitação. UG Pólo de digitação - Unidade responsável pela entrada de dados e pelo fornecimento das saídas necessárias às UG "off-line" de sua jurisdição. Gestão - Parcela do patrimônio de uma UG correspondente à entidade administrada pela mesma Unidade que, tendo ou não personalidade jurídica própria, deva ter demonstrações, acompanhamento e controles distintos, caracterizada por Gestão Tesouro, Gestão Fundo e Gestão 10.000. Plano de Contas – Estruturação ordenada e sistematizada das contas utilizadas por uma entidade. O Plano contém as diretrizes técnicas gerais e especiais que orientam os registros dos atos e fatos praticados na entidade. Fonte de Recursos - Indica a origem de recursos orçamentários transferidos para um determinado Órgão/Entidade, destinados à manutenção das suas atividades permanente programadas. Gestor Financeiro - Toda e qualquer autoridade que possua competência decorrente de lei ou de atos regimentais, podendo ser delegada, para autorizar pagamento. (§ 1º do art.43 do Decreto 93.872, de 23 de dezembro de 1986). Em Obediência ao citado dispositivo legal e ao princípio de Controle Interno da Segregação de Funções, o cargo de Gestor Financeiro não poderá ser exercido pela mesma pessoa que ocupa o cargo de Ordenador de Despesa. Mês 000 - Mês de abertura do exercício, corresponde ao movimento de transposição dos saldos do exercício anterior, para início da operacionalização do exercício atual. Mês 012 - Mês atual, corresponde os registros efetuados entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. Mês 013 - Mês de encerramento virtual das contas de resultado.É a fase em que ocorre a apresentação do resultado do exercício. Mês 014 – Mês em que os saldos da contas contábeis refletem o resultado do processo de encerramento das mesmas. É a fase onde ocorre as apropriações das reservas de compensação de prejuízos, dos órgãos regidos pela Lei nº 6.404/76. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 61 Plano Interno (PI) – Instrumento de planejamento e de acompanhamento da ação programada, usado como forma de detalhamento de um projeto/atividade, de uso exclusivo de cada Ministério ou Órgão, podendo desdobrar-se ou não em etapas. Unidade Orçamentária (UO) - Unidade da Administração Direta a que o Orçamento da União consigna dotações específicas para a realização de seus programas de trabalho e sobre os quais exerce o poder de disposição. Programa de Trabalho (PT) - Estrutura codificada (funcional programática) que permite a elaboração e a execução orçamentária, bem como o controle e acompanhamento dos planos definidos pela Unidade para um determinado período. Programa de Trabalho Resumido (PTRES) – corresponde à codificação resumida do Programa de Trabalho, de forma a facilitar e agilizar sua utilização, sobretudo quanto às consultas do SIAFI. Essa codificação é atribuída automaticamente pelo Sistema para cada Programa de Trabalho. Transação – Unidade de operação do SIAFI que corresponde à determinadas atividades de entrada ou de consulta aos dados do sistema. Documento – Representação do fato contábil no sistema com as informações referentes ao lançamento contábil. Os documentos do SIAFI possuem sempre o mesmo formato que evidencia o ano, o tipo de documento e o número do mesmo (ex.: 2005NE000252 – Nota de Empenho; ou 2005OB000623 – Ordem Bancária) Ordenador de Despesa - Toda e qualquer autoridade de cujos atos resultarem emissãode empenho, autorização de pagamento, suprimento ou dispêndio de recursos da União ou pela qual esta responda (art. 80, § 1º, Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967), em obediência ao art.43 Decreto , 93 873, de 23 de dezembro de 1986, e ao princípio de Controle Interno da Segregação de Funções, o cargo de Gestor Financeiro não poderá ser exercido pela mesma pessoa que ocupa o cargo de Ordenador de Despesa. Evento – Código estruturado que identifica o fluxo contábil completo de atos ou fatos administrativos e que substitui, de forma automática, o tradicional procedimento de registro contábil mediante a indicação das contas devedoras e credoras que constituem um determinado lançamento. Acordos, Ajustes e Convênios – Instrumentos legais para realização, em regime de mútua cooperação, de serviços de interesse recíproco dos Órgãos e Entidades da Administração Federal e de outras Entidades Públicas ou organizações particulares (art. 48, do Decreto nº 93.872, de 23 de dezembro de 1986). Vide Instrução Normativa STN nº 001/1997. Contrato - acordo entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) que transferem entre si algum direito ou se sujeitam a alguma obrigação. Encerramento do Exercício - Representa o conjunto de procedimentos aplicáveis ao encerramento dos saldos das contas de resultado e das contas da programação orçamentária e financeira, para apuração do resultado do exercício, com sua transferência para as contas correspondentes de Provisões Fiscais, Estatutárias, Patrimônio e Reservas, com vistas à elaboração do Balanço Patrimonial. Conta – Título representativo da formação, composição, variação e situação de um patrimônio, bem como de bens, direitos, obrigações e situações nele não compreendidas, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo, exigindo por isso controle contábil específico. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 62 Contas de Escrituração - Contas de menor nível na estrutura do Plano de Contas, na qual são efetuados os registros contábeis. Conta Única - Conta mantida junto ao BACEN operacionalizada pelo BB, destinada a acolher, em conformidade com o disposto no art. 164 da Constituição Federal, as disponibilidades financeiras da União, à disposição das UG "on-line". Conta-corrente contábil – Representa o menor nível de desdobramento da estrutura de uma conta contábil, permitindo o controle individualizado de saldos para os quais seja necessário maior detalhamento, principalmente para identificar fornecedores, empenhos, transferências e célula orçamentária. Conformidade – É um dos instrumentos de segurança do SIAFI, que permite às UG garantir a fidedignidade das operações por elas realizadas (Diária, Contábil, Documental e de Operadores). Entidade Supervisionada – Unidade da administração descentralizada federal que recebe recursos do OGU, sujeitando-se, dessa forma ao controle e acompanhamento decorrente da execução orçamentária, do Governo Federal. Não inclui a entidade que receba recurso exclusivamente a título de aumento de capital ou de prestação de serviço. Esfera - Compreende o nível de elaboração e execução orçamentária da União representando os três tipos de orçamento federal: o Fiscal, o da Seguridade Social e o de Investimentos das Empresas Estatais. Programação Financeira – consiste na elaboração das propostas de cronogramas de desembolso, estabelecimento do fluxo de caixa e fixação de limites de saques periódicos contra a Conta do Tesouro Nacional. Cronograma de Desembolso - instrumento que fixa datas e valores a serem liberados por uma entidade a favor de outra. Quando se tratar de operações de crédito, significa o cronograma de liberações de recursos do emprestador para o tomador. Quando se tratar de programação financeira do Tesouro Nacional, significa o cronograma de liberações da COFIN para os OSPF e destes para as UG. Limite de Saque - Disponibilidade financeira da UG, para a realização de pagamentos num determinado período. Vinculação de Pagamento - Processo pelo qual a STN fixa, limita e controla pagamentos dentro de cada Fonte de Recursos do Tesouro Nacional, no formato 01XXXXXXXX, combinada com a codificação de cada tipo de pagamento de forma a vincular a liberação com o respectivo pagamento. 5.4. Principais Documentos Os principais documentos utilizados pelo SIAFI são: OB (Ordem Bancária): é utilizada nas transferências financeiras entre órgãos, unidades gestoras, pagamento a fornecedores pessoal, recebimentos diversos etc. Pode ser utilizada para devolução de valores a terceiros. O sistema possui diversos tipos de OB: OB de Crédito (OBC) – utilizada para pagamentos por meio de crédito em conta- corrente do favorecido na rede bancária e transferências entre contas de UG (Intra- SIAFI); Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 63 OB de Pagamento (OBP) - utilizada para disponibilização imediata dos recursos à pessoa física, junto a qualquer agência do Banco do Brasil, ou quando for necessária a efetivação de pagamento à pessoa jurídica desde que comprovado a inexistência de domicílio bancário, cadastrado no SIAFI. Ordem Bancária para Banco (OBB) - utilizada para pagamentos a diversos credores ou folha de pessoal; para pagamento de documentos em que o agente financeiro deva dar quitação e contratação de câmbio com outros bancos. Ordem Bancária de Sistema (OBS) - utilizada para cancelamento de OB pelo agente financeiro com devolução dos recursos correspondentes, bem como pela STN para regularização das remessas não efetivadas; Ordem Bancária de Aplicação (OBA) - utilizada pelos Órgãos autorizados para aplicações financeiras de recursos disponíveis na Conta Única. Ordem Bancária de Câmbio (OBK) - utilizada para pagamento de operações de contratação de câmbio, no mesmo dia de sua emissão e pagamentos de diárias em moeda estrangeira, tendo como destinatário o Banco do Brasil. Ordem Bancária para Pagamentos da STN (OBSTN) - utilizada pelas UG da Secretaria do Tesouro Nacional, e por outras por ela autorizada para pagamentos específicos de responsabilidade do Tesouro Nacional, no mesmo dia de sua emissão, tendo como destinatário o Banco do Brasil. Ordem Bancária de Depósito Judicial (OBJ) - utilizada por qualquer UG, destina-se a pagamentos oriundos de decisões judiciais, não transitadas em julgado, que exijam efetivação imediata, ou seja, no mesmo dia de emissão da respectiva OB, os quais deverão ser comprovados com documentação junto à agência de relacionamento da UG. Todo e qualquer pagamento que não obedeça a estas condições deverá ser efetivado observando-se as demais regras de emissão de ordem bancária disponíveis no SIAFI. Ordem Bancária de Crédito de Reservas Bancárias (OBR) - utilizada pelas UG, autorizadas pela COFIN/STN, será indicada a possibilidade ou não de uso, na transação ATUUG, para realizar pagamentos por meio de crédito às contas Reservas Bancárias dos bancos, bem como outras mantidas no Banco Central do Brasil sendo obrigatória a indicação do Código de Finalidade STN, constante da transação CONFINSPB. Ordem Bancária de Cartão (OBCartão) - utilizada para registro de saque, efetuado pelo portador do Cartão Corporativo do Governo Federal, em moeda, observado o limite estipulado pelo Ordenadorde Despesas. Os procedimentos estão descritos no assunto CARTÃO DE CRÉDITO. Ordem Bancária de Processo Judicial (OBH) - utilizada para pagamento parcial ou integral de sentenças judiciais transitadas em julgado Ordem Bancária de Folha de Pagamento (OBF) - utlizada para pagamento de despesas relacionadas com pessoal apropriadas por meio de folha de pagamento; Ordem Bancária SPB (OBSPB) - utilizada para pagamento de despesas diretamente na conta corrente do beneficiário, em finalidade específica autorizada pela STN, por meio do Sistema de Pagamentos Brasileiro - SPB. Ordem Bancária de Fatura (OBD) – utilizada para pagamento de título de cobrança/boletos bancários, pela UG, com uso de código de barras. Como exemplo, têm-se os boletos emitidos para pagamento de fatura de concessionárias de água, energia e telefone ou para quitação de tributos estaduais (IPVA) e municipais (ISS), junto aos respectivos governos. NE (Nota de Empenho): é utilizada para a emissão de empenhos, reforço de empenhos emitidos a menor, anulação de empenhos emitidos a maior, cancelamento de Restos a Pagar não Processados de exercícios anteriores. Restos a Pagar processados são cancelados através de NL. NC (Nota de Movimentação de Crédito): é empregada na movimentação dos créditos orçamentários e/ou adicionais para dentro do mesmo órgão ou para outro órgão. Atenção: Movimenta os créditos, mas não Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 64 recursos financeiros que são movimentados através de PF (nota de programação financeira). NL (Nota de Lançamento – “de gestor”): é usada para os mais diversos fins tais como registro da previsão de receita, apropriação de despesas, basicamente é utilizada em todos os fatos que não envolvam movimentação financeira. LC (Lista de Credores): é utilizada para relacionar entidades ou pessoas que possuem créditos contra a Administração Pública. Os créditos não são contabilizados. Por exemplo, ao se pagar o salário dos funcionários faz-se uma LC para pagamento dos funcionários. Não há contabilização do passivo anterior a LC. Pré-Empenho: O pré-empenho é utilizado quando o órgão ou unidade gestora (UG) sabendo, por exemplo, que vai assinar um contrato ou firmar convênio, antes mesmo que estes fatos tenham ocorrido, separam parte da dotação para que não seja utilizada em outra despesa. Não está previsto na lei 4.320/64. O empenho, ao final do exercício, liquidado ou não, é inscrito em restos a pagar; o pré-empenho, não. Caso a despesa vinculada ao pré- empenho não seja realizada, perde-se a dotação daquele exercício. ND (Nota de Dotação): Utilizada no registro do orçamento da despesa e dotação estabelecida em créditos adicionais. DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) convencional (não eletrônico), que transita pela rede bancária, é emitido pelo contribuinte pessoa física e pessoa jurídica, exceto os Órgãos e Entidades integrantes da Conta Única do Tesouro Nacional. DARF Eletrônico que não transita pela rede bancária, é destinado ao recolhimento de receitas federais que tenham como contribuintes os Órgãos e Entidades integrantes da Conta Única do Tesouro Nacional. GPS (Guia da Previdência Social) - Permitir a agilização do pagamento das contribuições destinadas ao Fundo de Previdência e Assistência Social - FPAS, no âmbito das UG que utilizam o SIAFI, e do recolhimento do valor pago, através de transferências INTRA-SIAFI de recursos entre a UG recolhedora e o INSS. GRU (Guia de Recolhimento da União), é o documento utilizado pelas unidades do Governo Federal para a arrecadação de suas receitas, exceto para aquelas arrecadadas por DARF e GPS, via rede bancária ou diretamente no SIAFI (Intra-SIAFI) quando o recolhedor for Unidade Gestora (UG). É utilizada primordialmente para as receitas arrecadadas via rede bancária pelo contribuinte externo. Foi criada em 2004, representando um grande avanço no sistema, sob o ponto de vista da tempestividade do registro contábil, já que classifica a receita arrecadada de forma automática. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 65 NS (Nota de Lançamento de Sistema): Registra eventos contábeis de forma automática. Gerado pelo próprio sistema sem a interferência do gestor na escolha dos eventos que vão realizar os registros contábeis (vide conceito de evento no próximo tópico). 5.5. A Tabela de Eventos e Seus Fundamentos Lógicos A tabela de eventos é um artifício utilizado pelo SIAFI para contabilização dos atos e fatos contábeis de forma pré-definida pelo Órgão Central de Contabilidade do Governo Federal – CCONT/STN, padronizando, desta forma, as rotinas contábeis adotadas pelos Órgãos e Unidades Gestoras usuários do SIAFI. A adoção da tabela de eventos, que é parte integrante do Plano de Contas (ADENDO “A”), eliminou, em regra, os lançamentos contábeis individualmente considerados, sendo estes entendidos como lançamentos em que o gestor seleciona as contas que serão debitadas ou creditadas em um lançamento contábil. Restam raríssimas exceções (geralmente ligadas a acertos de inconsistências contábeis) em que há lançamentos com seleção das contas feitos privativamente pela Coordenação Geral de Contabilidade (CCONT/STN). O Gestor, ao fazer um lançamento contábil em um determinado documento do sistema (NL, por exemplo), ao invés de escolher, individualmente, as contas a serem debitadas ou creditadas em todos os 4 sistemas de contas (orçamentário, financeiro, patrimonial e de compensação), ele deve escolher um ou mais códigos de eventos que representem um determinado fato contábil, originado de atos ou fatos administrativos, que irá fazer toda a contabilização referente a cada um dos sistemas envolvidos, de forma padronizada para todas as Unidades Gestoras. O Gestor, ao escolher os eventos, deverá estar atento ao “método das partidas dobradas”. O código do evento é formado por 6 dígitos assim distribuídos: XX . Y . ZZZ � Os 2 primeiros (XX) representam a Classe do Evento. � O seguinte (Y), representa o Tipo de Utilização. � Os 3 últimos (ZZZ), representam o Código Seqüencial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 66 Classes de Eventos Os 2 primeiros dígitos (XX) correspondentes à Classe podem assumir a seguinte numeração, dependendo do ato ou fato contábil que se queira contabilizar, conforme se demonstra a seguir: 10.Y.ZZZ – Previsão Inicial e Adicional da Receita Orçamentária 20.Y.ZZZ – Dotação Inicial e Crédito Adicional da Despesa Orçamentária 30.Y.ZZZ – Movimentação de Crédito Orçamentário (Provisão e Destaque) 40.Y.ZZZ – Empenho da Despesa (pré-empenho, emissão, reforço etc) 51.Y.ZZZ – Apropriação da Despesa2 (liquidação da despesa orçamentária) 52.Y.ZZZ – Retenção de Obrigações (Ex.: IRRF a pagar, fornecedores, pessoal a pagar etc) 53.Y.ZZZ – Liquidação de Obrigações (que foram retidas pelos eventos da classe 52) 54.Y.ZZZ – Registros Diversos (registra todos os lançamentos que não se enquadrem nas outras classes - como acertos diversos, por exemplo - e, primordialmente, os lançamentos referentes a fatos contábeis originadosde atos administrativos como convênios, contratos etc) 55.Y.ZZZ – Apropriação de Direitos a Receber (valores a receber) 56.Y.ZZZ – Liquidação de Direitos (que foram apropriados pelos eventos da classe 55) 58.Y.ZZZ – Registros Diversos3 (idem ao evento da classe 54) 61.Y.ZZZ – Liquidação de Restos a Pagar Não Processados (restos a pagar “não processados” inscritos, ou seja, aqueles cuja despesa não submeteu-se ao 2º estágio - liquidação - no exercício anterior). 70.Y.ZZZ – Desembolsos e Transferências Financeiras (Ex.: interferências passivas, aplicações financeiras, devolução de depósitos de terceiros etc) 80.Y.ZZZ – Receita e Embolsos (Ex.: arrecadação de receitas orçamentárias, interferências ativas, resgate de aplicações financeiras etc) Pode-se observar que, há uma razoável seqüência lógica nas classes de eventos, representando as fases da execução orçamentária, financeira e patrimonial. O entendimento da lógica que existe no uso das classes de eventos é de fundamental importância para que se entenda o funcionamento dos lançamentos contábeis no SIAFI. Primeiramente, é necessário que os conceitos e particularidades da Relação de Contas (Plano de Contas) e dos sistemas contábeis (orçamentário, financeiro, patrimonial e de compensação) aplicáveis às contas, bem como o conhecimento do método das “partidas dobradas” já estejam assimilados satisfatoriamente. Caso não estejam, consulte os tópicos referentes a estes assuntos antes de seguir em frente. 2 Apesar da questionável denominação de “apropriação”, os eventos desta classe objetivam registrar os lançamentos do 2º estágio da despesa orçamentária, a liquidação.(N.A) 3 Esta classe foi introduzida em 2005, pois todos os códigos seqüenciais da classe “54” já haviam sido utilizados.(N.A) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 67 Cada uma das Classes de Eventos possuem a função de fazer transitar os saldos entre as contas do Plano de Contas, debitando-as ou creditando-as segundo o método das “partidas dobradas”. Algumas Classes permitem que os eventos sejam utilizados isoladamente em um documento do SIAFI (NL, NS, OB, NC etc), pois já respeitam por completo o preceito de que “um ou mais débitos devem corresponder a um ou mais créditos de igual valor” (método das partidas dobradas). São os chamados eventos fechados, podendo ser chamados também de balanceados ou equilibrados. Eles asseguram, por si só, a correspondência entre débitos e créditos oriundos de um determinado fato contábil. No entanto, os eventos de algumas Classes, devido a sua natureza, necessitam que seja informado, no mesmo documento do SIAFI, um outro evento, geralmente4, de outra Classe, para que seja respeitado o “método das partidas dobradas”. São os chamados eventos abertos, podendo ser chamados também de desbalanceados ou desequilibrados. Os registros efetuados por estes eventos não possuem a quantidade de contas debitadas igual ao de contas creditadas em um ou mais sistemas, deixando uma “lacuna" representada por uma ou mais contas, a qual deverá ser preenchida por outro evento informado no mesmo documento que alocará as respectivas contrapartidas contábeis. Quanto a esse aspecto, torna-se necessário um maior detalhamento de cada uma das Classes de eventos. 10.Y.ZZZ – São eventos fechados ou balanceados, geralmente utilizados automaticamente quando do processamento da “Fita SOF” (cujo conceito encontra-se no início deste tópico) que “alimenta” o SIAFI com os dados do Orçamento aprovado. Pode ser utilizado pelo Gestor também por NL. Registram a previsão da receita orçamentária segundo dados fornecidos pela SOF/MPOG, assim como as previsões adicionais e cancelamentos das previsões, normalmente nas contas do sistema orçamentário a nível de Unidade Orçamentária (UO); 20.Y.ZZZ – São eventos fechados ou balanceados, geralmente utilizados automaticamente (pelo documento NDSOF – Nota de Dotação da Secretaria de Orçamento Federal - SOF) quando do processamento da “Fita SOF” que “alimenta” o SIAFI com os dados do Orçamento aprovado. Pode ser utilizado pelo Gestor também por uma ND “normal”. Registram a dotação inicial da despesa orçamentária segundo dados fornecidos pela SOF/MPOG, assim como os créditos adicionais (suplementar, especial ou extraordinário) e suas anulações, normalmente nas contas do sistema orçamentário. 4 O termo “geralmente” foi empregado para ressaltar que os eventos “abertos” de uma mesma Classe, somente são informados no mesmo documento caso o outro seja de estorno (que possuem o formato XX.5.ZZZ, XX.6.ZZZ etc), geralmente, para alguma reclassificação de contas ou acerto contábil por NL . Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 68 30.Y.ZZZ - São eventos fechados ou balanceados utilizados no documento NC. Registram a provisão (descentralização interna de créditos orçamentários iniciais ou adicionais) ou destaque (descentralização externa) e suas respectivas anulações. Os eventos desta Classe irão afetar os saldos das contas da Unidade emitente e da favorecida do documento. Obs: Esta é uma das particularidades dos eventos que ainda não havia sido abordada até então, que é a de poder, em alguns casos, gerar contabilizações em outra Unidade. 40.Y.ZZZ - São eventos fechados ou balanceados utilizados no documento NE ou pelo documento Pré-Empenho (PE). Registram a emissão, reforço e anulação de empenhos ou pré-empenhos, assim como o cancelamento de Restos a Pagar. Os eventos desta Classe estão relacionados ao comprometimento do Orçamento aprovado. Assim como todos os eventos das Classes seguintes, os dessa Classe já são utilizados a nível de Unidade Gestora (UG). Representam o estágio do Empenho da Despesa (1º estágio). Os eventos das Classes que começam pelo nº 5 (5X.Y.ZZZ), com exceção dos eventos das Classes 54 e 58, são abertos ou desbalanceados, exigindo que seja informado um outro evento no documento em que é utilizado (NL, NS ou OB) para observar o método das “partidas dobradas”. 51.Y.ZZZ e 52.Y.ZZZ – São eventos abertos ou desbalanceados de natureza devedora e credora, respectivamente, sendo que ambos são utilizados pelos documentos NL ou NS. São utilizados em conjunto para que ocorra a retenção das obrigações (esta última ocasionada pelo evento da Classe 52, que irá gerar saldo em contas do Passivo, tais como fornecedores, pessoal a pagar etc) para posterior pagamento, respeitando, dessa forma, a ordem e a diferenciação dos estágios da Despesa Pública5. Os eventos dessas duas Classes no mesmo documento, representam o estágio da Liquidação da Despesa (2º estágio) referente a empenhos do exercício corrente (caso o empenho seja do exercício anterior – Restos a Pagar não processados – utiliza-se um evento da Classe 61). Atualmente, no SIAFI, esses eventos são utilizados em regra, com raríssimas exceções, pelas “situações” do Subsistema de Contas a Pagar e a Receber - CPR que será abordado no próximo tópico desta obra. 53.Y.ZZZ - São eventos abertos ou desbalanceados de natureza devedora utilizados pelo documento OB. Os eventos dessa Classe quitam as obrigações retidas pelos eventos da Classe 52, apesar de não serem utilizados conjuntamente com os da Classe 52. Representam o estágio do Pagamento (3º e último estágio da Despesa). A contrapartida dos eventos destaClasse são, geralmente, automáticos (“eventos de máquina” em que não há interferência do usuário na sua escolha) e Classe deste evento de contrapartida dependerá do recurso que será utilizado no pagamento. Atualmente, no SIAFI, esses eventos são utilizados em regra, com algumas raríssimas exceções, pelas “situações” do Subsistema de Contas a Pagar e a Receber - CPR que será abordado no próximo tópico desta obra. Através do 5 À partir de 2004, em regra, não há como realizar o pagamento de uma Despesa empenhada diretamente em uma Ordem Bancária (OB) sem que haja a sua retenção, caracterizando, dessa forma, o estágio da Liquidação (2º estágio). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 69 CPR, já no momento da liquidação, ao escolher a “situação”, o usuário, além de selecionar os eventos de liquidação e de apropriação (se for o caso), seleciona também, o evento que será acionado quando do pagamento de uma determinada Despesa. 54.Y.ZZZ e 58.Y.ZZZ - São eventos fechados ou balanceados utilizados nos documentos NL ou NS. São destinados a registrar os fatos contábeis oriundos de atos administrativos (ex.: convênios, contratos, etc), contabilizações relativas ao sistema patrimonial em geral (principalmente, no que tange aos bens do Ativo Permanente) e quaisquer outros registros de fatos contábeis não contemplados nas outras Classes, inclusive os relativos a acertos contábeis diversos. Também são utilizados no CPR. 55.Y.ZZZ - São eventos abertos ou desbalanceados de natureza devedora utilizados pelos documentos NL ou NS. Apropriam os valores a receber representativos de direitos da Unidade para com outras Unidades ou terceiros. São utilizados no CPR. 56.Y.ZZZ – São eventos abertos ou desbalanceados de natureza credora utilizados pelo documento NL, NS ou OB. Liquidam (baixam) os direitos a receber apropriados pelos eventos da Classe 55. Também são utilizados no CPR. 58.Y.ZZZ – ver 54.Y.ZZZ. 61.Y.ZZZ - São eventos abertos ou desbalanceados de natureza devedora utilizados pelo documento NL ou NS. São responsáveis pelo registro contábil do estágio da Liquidação (2º estágio da Despesa) de Restos a Pagar Não Processados. São utilizados em conjunto com os eventos da Classe 52 para que ocorra a retenção das obrigações (esta última ocasionada pelo evento da Classe 52, que irá gerar saldo em contas do Passivo, tais como fornecedores, pessoal a pagar etc) para posterior pagamento, respeitando, dessa forma, a ordem e a diferenciação dos estágios da Despesa Pública6. Os eventos dessas duas Classes no mesmo documento, representam o estágio da Liquidação da Despesa (2º estágio) referente a empenhos do exercício anterior não liquidados (caso o empenho seja do exercício corrente, utiliza-se um evento da Classe 51). Atualmente, no SIAFI, esses eventos são utilizados em regra, com raríssimas exceções, pelas “situações” do Subsistema de Contas a Pagar e a Receber - CPR que será abordado no próximo tópico desta obra, o qual irá identificar automaticamente que o empenho é de exercício anterior não liquidado e acionará um evento da Classe 61. 70.Y.ZZZ - São eventos abertos ou desbalanceados de natureza devedora utilizados pelos documentos OB, NL ou NS. Registram, primordialmente, as interferências passivas (cota, repasse, sub-repasse concedidos) na UG emitente do documento e as interferências ativas na UG favorecida do documento. Além disso, os eventos dessa Classe são utilizados 6 À partir de 2004, em regra, não há como realizar o pagamento de uma Despesa empenhada no exercício anterior (ou corrente) diretamente em uma Ordem Bancária (OB) sem que haja a sua retenção, caracterizando, dessa forma, o estágio da Liquidação (2º estágio). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 70 também para a restituição de depósitos de terceiros e outras devoluções. A contrapartida credora será um evento típico de OB, podendo ser de várias Classes, dependendo do tipo de recurso utilizado. São utilizados pelo CPR. 80.Y.ZZZ - São eventos abertos ou desbalanceados de natureza credora utilizados pelo documento OB, NL ou NS. Registram as Receitas arrecadadas e os embolsos financeiros da UG, são utilizados também para registro de recebimento de depósitos e resgate de aplicações financeiras. A contrapartida devedora deverá ser um evento que registre a entrada do recurso financeiro na conta bancária (ou Conta Única) da UG, dependerá da espécie do recurso financeiro que ingressará. São utilizados pelo CPR. No Tópico em que serão dados exemplos de lançamentos contábeis deveremos entender melhor o mecanismo das Classes de eventos. Tipos de Utilização dos Eventos O terceiro dígito (Y) do código de evento XX.Y.ZZZ representa o Tipo de Utilização. Segue o detalhamento de cada um deles: XX.0.ZZZ – Corresponde ao chamado “evento de gestor”, em que o usuário pode escolher o evento e utiliza-lo em um documento adequado (NL, OB etc). XX.1.ZZZ – Corresponde ao chamado “evento de máquina” ou “evento de acionamento automático”, em que o usuário não interfere na sua escolha e acionamento. Ele será acionado em documentos como NE, PF, DARF Eletrônico, GPS Eletrônica etc; como contrapartida de outros eventos utilizados na OB; na contabilização de convênios; ou ainda, será acionado por uma “situação” (e não evento) escolhida pelo Gestor no CPR. XX.2.ZZZ – Corresponde ao evento complementar do “evento de gestor” em que alguns lançamentos precisam de complementação para “fechar” a partida dobrada. São acionados automaticamente de acordo com o “evento de gestor” escolhido. XX.3.ZZZ - Corresponde ao evento complementar do “evento de máquina” em que alguns lançamentos precisam de complementação para “fechar” a partida dobrada. Também são acionados automaticamente. XX.5.ZZZ – Corresponde a um evento de “estorno” do “evento de gestor”. Não é acionado automaticamente, podendo o Gestor seleciona-lo. XX.6.ZZZ - Corresponde a um evento de “estorno” do “evento de máquina”. É acionado automaticamente sem a interferência do Gestor. É utilizado no CPR. XX.7.ZZZ – Corresponde a um evento de “estorno do complementar de um evento de gestor”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 71 XX.8.ZZZ - Corresponde a um evento de “estorno do complementar de um evento de máquina”. Também é utilizado no CPR. Código Seqüencial O Código Seqüencial corresponde aos 3 últimos dígitos do código do evento (4º, 5º e 6º dígitos – “ZZZ”). É apenas um “identificador” de um fato contábil a ser contabilizado por um documento do SIAFI, que pertence a uma Classe específica e possui um Tipo de Utilização pré-definido. Possui numeração de 001 a 999. Anteriormente, havia correlação entre algumas Classes e alguns códigos seqüenciais que foi quase que totalmente abandonada, devido à grande quantidade de fatos contábeis a serem contabilizados pelas Unidades Gestoras. Quadro para Memorização da Sistemática dos Eventos Torna-se muito difícil “decorar” todos estes códigos, classes, documentos, situações etc. e, por isso, torna-se imperiosa a construção de um quadro que faça um resumo de toda a lógica da tabelade eventos. O quadro sintético encontra-se a seguir: Classe Natureza Função e Contrapartidas Documento(s) CPR* 10 Fechado previsão da receita orçamentária, as previsões adicionais e cancelamentos das previsões. NL NÃO 20 Fechado dotação inicial da despesa orçamentária, créditos adicionais (suplementar, especial ou extraordinário) e suas anulações NDSOF e ND NÃO 30 Fechado provisão (descentralização interna de créditos orçamentários iniciais ou adicionais) ou destaque (descentralização externa) e suas respectivas anulações NC NÃO 40 Fechado emissão, reforço e anulação de empenhos ou pré-empenhos, assim como o cancelamento de Restos a Pagar NE e Pré-Empenho NÃO 51 Aberto (D) 52 Aberto (C) São utilizados em conjunto para que ocorra a retenção das obrigações (esta última ocasionada pelo evento da Classe 52, que irá gerar saldo em contas do Passivo, tais como fornecedores, pessoal a pagar etc) para posterior pagamento. NL e NS SIM 53 Aberto (D) quitam as obrigações retidas pelos eventos da Classe 52, apesar de não serem utilizados conjuntamente com os da Classe 52. Representam o estágio do Pagamento (3º e último estágio da Despesa) OB SIM 54 e 58 Fechado são destinados a registrar os fatos contábeis oriundos de atos administrativos (ex.: convênios, contratos, etc), contabilizações relativas ao sistema patrimonial em geral (principalmente, no que tange aos bens do Ativo Permanente) e quaisquer outros registros de fatos contábeis não contemplados nas outras Classes, inclusive os relativos a acertos contábeis diversos NL e NS SIM Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 72 55 Aberto (D) apropriam os valores a receber representativos de direitos da Unidade para com outras Unidades ou terceiros NL e NS SIM 56 Aberto (C) liquidam (baixam) os direitos a receber apropriados pelos eventos da Classe 55 NL, NS e OB SIM 61 Aberto (D) registro contábil do estágio da Liquidação (2º estágio da Despesa) de Restos a Pagar Não Processados. São utilizados em conjunto com os eventos da Classe 52 para que ocorra a retenção das obrigações NL e NS SIM 70 Aberto (D) registram, primordialmente, as interferências passivas (cota, repasse, sub- repasse concedidos). Além disso, os eventos dessa Classe são utilizados também para a restituição de depósitos de terceiros e outras devoluções. NL, NS e OB SIM 80 Aberto (C) registram as Receitas arrecadadas e os embolsos financeiros da UG, são utilizados também para registro de recebimento de depósitos e resgate de aplicações financeiras NL, NS e OB SIM Legenda: (D) – Evento Aberto de Natureza “Devedora”, ou seja, que gera contabilização normalmente a débito; (C) - Evento Aberto de Natureza “Credora”, ou seja, que gera contabilização normalmente a crédito; * - indica se a Classe de Eventos é utilizada pelo Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR através de “eventos de máquina” (XX.1.ZZZ). 5.6. Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR 5.6.1. Introdução O SIAFI possui alguns subsistemas, entre eles temos o Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR. A importância do estudo deste subsistema é a de que a grande maioria de pagamentos da Administração Pública Federal está sendo feita por meio dele. Desde a sua implantação, em 1998, algumas Unidades Gestoras utilizaram o subsistema em caráter experimental, até a sua obrigatoriedade à grande maioria das Unidades em abril de 2004. É necessário deixar claro que o CPR não se trata de um sistema independente do SIAFI e sim um subsistema deste, ou seja, está contido dentro do SIAFI. O objetivo do CPR é o de otimizar o processo de programação financeira, proporcionar informações que permitam ao gestor o melhor gerenciamento do fluxo de caixa (pagamentos e recebimentos) da Unidade sob a sua administração. Apesar de ser utilizado primordialmente na execução da despesa pública, deve ficar claro que o CPR possui a função de contabilizar a receita pública também. Tanto os valores a pagar quanto os valores a receber são “tratados” pelo subsistema. As vantagens do subsistema CPR são as seguintes: Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 73 - permite o cadastramento de todos os documentos referentes a determinado pagamento e recebimento. Ex.: O CPR guarda as informações desde o número da Nota Fiscal que originou o compromisso de pagamento até a Ordem Bancária (OB) emitida pelo sistema que quita a obrigação com o credor e os documentos de arrecadação de tributos correspondentes (DARF, GPS, etc); - diminui o volume de papéis nos processos de compra efetuados pelos Órgãos; - Assegura a tempestividade do registro contábil; - Através de seus demonstrativos, assegura uma melhor informação para os gestores, evidenciando os valores a receber e a pagar, permitindo o controle do fluxo de caixa; - Possibilita o rastreamento de todos os documentos envolvidos em determinado pagamento ou recebimento; - Possibilita a descentralização da execução orçamentária e financeira, ao permitir que outra Unidade efetue pagamentos em nome de outra. Ex.: Pagamento de servidores cedidos para outra unidade. 5.6.2. Conceitos Básicos Para conhecer melhor as funcionalidades do CPR é necessário fixar os conceitos básicos inerentes ao subsistema. Documento de Origem – É um documento (geralmente, em papel) emitido pela própria Unidade ou pelo fornecedor que irá gerar um documento digitalizado no sistema. Ex.: Nota Fiscal, recibo de pagamento, folha de pagamento de pessoal, contrato, fatura de serviços ou outros PAPÉIS que geram obrigações ou direitos para a Unidade Gestora. Documento Hábil – É a “digitalização” das informações do documento de origem, de forma que seja possível tratá-lo pelo CPR/SIAFI. Ex.: As informações (nº, série, CNPJ, etc) e valores constantes em uma Nota Fiscal do fornecedor são inseridos no CPR através de um documento hábil para que sejam armazenados e contabilizados pelo SIAFI. Documento de Referência – É um documento hábil, normalmente de previsão, daquele desembolso ou compromisso de pagamento que será efetuado. Corresponde, normalmente, à Nota de Empenho – NE, que representa, no SIAFI, o 1º estágio da despesa pública que é o EMPENHO. É necessário ressaltar que o documento de referência é um documento hábil. Situação – É a codificação do ato ou fato contábil que será contabilizado quando da inclusão do documento hábil. Cada situação, irá acionar “eventos de máquina” (51.1.XXX , 52.1.YYY, etc), responsáveis pelo lançamento do 2º estágio da despesa pública, que é o da LIQUIDAÇÃO. Além disso, a situação definirá também qual o documento de realização (OB, DARF, GPS, etc) e quais “eventos de máquina” serão acionados quando do pagamento através destes documentos. A situação também direciona o preenchimento adequado das telas para que as informações postadas correspondam aos contas-correntes dos eventos acionados pela situação. UG Emitente – É a Unidade Gestora que inseriu os documentos hábeis no sistema; UG Pagadora/Recebedora – No CPR, existem casos em que há a descentralização dos pagamentos e/ou recebimentos da Unidade Gestora. Nestes casos, há a figura da UG Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de ConcursosLeonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 74 pagadora (quando uma UG delega a outra o pagamento originado por um determinado doc.de origem) e da UG recebedora (quando há a delegação do recebimento). Credor / Devedor – Identifica o credor do pagamento ou o devedor do recebimento da Unidade Gestora. O credor ou devedor poder ser identificado pelo CNPJ, código da UG, CPF, etc. Dedução / Encargos – Quando alguns pagamentos exigem retenções de tributos (ex.: IRRF, INSS do empregado, etc) ou o pagamentos de encargos (ex.: INSS patronal) existe um código de dedução ou encargo a ser inserido do documento hábil de liquidação. É importante frisar que nem sempre o código do tributo em questão a ser retido ou pago corresponde ao código da dedução ou encargo utilizado pelo sistema. Por exemplo, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) pode ter um outro código no sistema, como IRFF (IRRF sobre a folha de pagamento). O código da dedução ou encargo irá acionar “eventos de máquina” correspondentes à contabilização da respectiva dedução ou encargo e irá gerar, no momento da realização, o documento de recolhimento correspondente, podendo ser uma OB, um DARF, uma GPS, etc. Qual é a diferença entre dedução e encargos? A dedução compõe o valor total do documento hábil e gera um compromisso que irá ser deduzido do principal. Ex.: O INSS do empregado é deduzido do valor a ser pago ao credor, no caso, o empregado. O encargo não compõe o valor total do documento hábil, sendo pago “por fora”, não sendo deduzido do valor a ser pago. Ex.: O INSS Patronal é obrigação do empregador e, portanto, não será deduzido do salário do empregado e irá gerar um compromisso adicional ao empregador (UG). Compromissos – Pode ser de pagamento ou recebimento. Após a inserção do “documento hábil” no sistema, o CPR irá gerar um compromisso, que, ao ser realizado, correspondente à última etapa da despesa pública, que é o PAGAMENTO. Ao realizar o compromisso, o sistema irá gerar automaticamente o documento de realização (OB, DARF, GPS etc) com os “eventos de máquina” correspondentes previamente definidos pela situação e/ou pela dedução informada. 5.6.3. Sistemática do CPR Como já foi visto em outro tópico, antes da obrigatoriedade do Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR, o SIAFI tratava as 3 fases da despesa pública (empenho, liquidação e pagamento) através dos seguintes documentos: NE – Nota de Empenho – Estágio do Empenho. NL – Nota de Lançamento (de Gestor) – Estágio da Liquidação. O Gestor tinha que selecionar os eventos pertinentes ao fato contábil em uma classe específica dentre centenas. Às vezes, era muito difícil selecionar o evento adequado. Ordem Bancária (OB), DARF, GPS, DAR ETC – Estágio do Pagamento (efetivo desembolso financeiro). Era também feito pelo Gestor que selecionava os eventos a serem utilizados. Às vezes o pagamento era realizado no mesmo documento em que se realizava a liquidação, através de eventos, contrariando a legislação orçamentária (Lei 4.320/1964). Com o advento do CPR ocorreram algumas mudanças relativas ao tratamento dado pelo SIAFI para as despesas: - O estágio do empenho continua sendo efetivada pelo documento NE (Nota de Empenho) fora do subsistema CPR, mas o CPR também contém informações sobre a NE emitida fora dele; Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 75 - Na fase da liquidação ocorreram mudanças significativas, a começar pelo documento que efetiva esta fase. Ao invés de uma NL – Nota de Lançamento (de gestor) com eventos de gestor (51.0.XXX , 52.0.XXX, etc) o sistema irá gerar, através das situações do CPR, uma NS – Nota de Lançamento de Sistema, documento automaticamente preenchido pelo sistema sem a interferência do gestor na escolha dos eventos e que utiliza “eventos de máquina” (51.1.XXX, 52.1.XXX etc) nas contabilizações. Todas as informações geradas até então (documento de origem, documento de referência, etc) e as informações futuras relativas ao pagamento - documento de realização (OB, DARF etc), eventos de pagamento, recursos financeiros a serem utilizados, dados bancários do credor etc - são informadas quando da liquidação, através de uma SITUAÇÃO selecionada pelo gestor e não um evento isolado; - A fase do pagamento ficou simplificada já que não é necessário utilizar os eventos de gestor para fazer uma OB – Ordem Bancária ou um DARF ou GPS. Todas as informações relativas ao pagamento (sem ocorrer o pagamento) são inseridas no momento da liquidação quando o usuário seleciona uma situação. Esta situação, além de definir os eventos de máquina de liquidação, já trazem, também, os documentos a serem emitidos e os eventos que serão acionados quando do pagamento posterior. 5.6.4. Estrutura do subsistema CPR A estrutura do sistema SIAFI pode ser representada pela figura a seguir: SISTEMA : SIAFI SUBSISTEMA : CPR MÓDULOS DO CPR: - ENTRADADOS - CONSULTA - FLUXO DE CAIXA. SISTEMA SIAFI SUBSISTEMAS DO SIAFI MÓDULOS DOS SUBSISTEMAS TRANSAÇÕES Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 76 Transações do Módulo Entradados Através deste módulo que são inseridas todas as informações que serão tratadas pelo CPR. ATUCPR – atualiza documento hábil do CPR. Esta transação inclui, altera (quando já inserido no sistema) ou cancela (estorna a liquidação) um documento hábil no CPR que, como já foi visto, é o responsável, entre outras coisas, pela fase da liquidação da despesa. Esta transação possui diversas telas em que todas as informações pertinentes não só à liquidação, mas também ao empenho e ao pagamento são inseridas no documento hábil, agilizando, dessa forma, o processo do pagamento propriamente dito e o do recolhimento dos tributos pertinentes se for o caso. Para entender melhor como funciona, vamos simular uma situação real ao longo deste tópico. Ex.: Documento de Origem : Recibo de Pagamento de autônomo A Unidade Gestora vai pagar ao autônomo R$ 8.000,00 e os dados do documento de origem (o próprio recibo) são os seguintes: Nº do recibo: 733/01 (serviço prestado de consultoria administrativa à Unidade Gestora) Dados do profissional (credor): x Nome: José da Silva x CPF : 003.002.001-00 Valor Total do Serviço: R$ 8.000,00 Descontos (Tributos a serem retidos): x IRRF – R$ 1.741,00 x ISS – R$ 400,00 Valor Líquido a pagar ao credor: R$ 5.859,00 (= 8.000 – 1.741 – 400 ) O momento da liquidação possui diversas telas que deverão ser preenchidas, já com os dados do pagamento. A seguir, encontra-se o roteiro da transação ATUCPR: 1º Passo da ATUCPR Primeiramente, o gestor deverá escolher o documento hábil e a situação pertinentes ao fato contábil. Isto pode ser feito através de duas tabelas auxiliares que podem ser consultadas através das transações CONDOCHAB (Consulta Tipo de Documento Hábil) e CONSITDOC (Consulta Situação do Documento). E, se houver pagamentos de encargos de tributos ou retenções, ele deverá escolher o código de encargo ou dedução correspondente através da tabela CONDEDUCAO (consulta dedução). A seguir, estão alguns exemplos de documentos hábeis e de situações constantes das referidas tabelas: CONDOCHAB (Consulta Tipo de Documento Hábil) DOCUMENTO ESTÁGIO NATUREZA CR CONTRATO DE RECEITA PREVISAO RECEBIMENTO DD DEVOLUCAO DE DESPESAS REALIZACAO RECEBIMENTODR DEVOLUCAO DE RECEITAS REALIZACAO PAGAMENTO DT DOC. RECOL.TRIBUTOS,MULTAS,DEP.,ETC REALIZACAO PAGAMENTO FC FUNDOS CONST. DE FINANCIAMENTO REALIZACAO PAGAMENTO FP FOLHA DE PAGAMENTO REALIZACAO PAGAMENTO GD GRU DEVOLUCAO DESPESA REALIZACAO RECEBIMENTO NE NOTA DE EMPENHO PREVISAO PAGAMENTO NM NOTA FISCAL DEV. DE MERCADORIAS REALIZACAO PAGAMENTO NO NOTA FISCAL PAGTO/FATURA-C/CONT. REALIZACAO PAGAMENTO NP NOTA FISCAL PAGTO/FATURA REALIZACAO PAGAMENTO NR NOTA FISCAL DE RECEBIMENTO REALIZACAO RECEBIMENTO Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 77 PF PROP. DE PROGRAM. FINANCEIRA PREVISAO PAGAMENTO PP PROP. DE PROG. FIN. SOLICITADA PREVISAO PAGAMENTO PR PROP. DE PROG. FIN. A RECEBER PREVISAO RECEBIMENTO RB REEMBOLSO DE DESPESAS REALIZACAO PAGAMENTO RD RESSARCIMENTO DE DIARIAS REALIZACAO PAGAMENTO RP RECIBO DE PAGAMENTO REALIZACAO PAGAMENTO RR RECIBO EMITIDO REALIZACAO RECEBIMENTO SF SUPRIMENTO DE FUNDOS REALIZACAO PAGAMENTO Na tabela temos as informações se o documento hábil é utilizado para pagamento ou recebimento ou se é de previsão ou de realização. O documento hábil segue a regra do SIAFI para os demais documentos: ano- documento-nº do documento (Ex.: 2005RP000001 ); O documento hábil para o exemplo é o RP (recibo de pagamento). Detalhando este documento na CONDOCHAB, temos as demais informações: TIPO DO DOCUMENTO HABIL : RP TITULO : RECIBO DE PAGAMENTO NATUREZA : PAGAMENTO ESTAGIO DA APLICACAO : REALIZACAO ATUALIZACAO NO CPR : SIM EXIGE DOCUMENTO DE ORIGEM : OPCIONAL EXIGE DOMICILIO BANCARIO UG : SIM EXIGE DATA DE ATESTE : SIM TIPO DOCUMENTO ORIGEM : RC SITUACOES PERMITIDAS :E25 E30 E49 E50 E69 F00 F01 F02 F04 F10 F12 F18 F19 F21 F22 F24 F30 F31 F33 F37 F52 M01 O07 O10 O40 O66 P01 P02 P03 P05 P06 P07 P08 P09 P10 P11 P16 P17 P24 P28 P33 P36 P37 P58 P61 P63 P64 P66 P69 P73 P81 P82 P83 P87 P92 P96 P97 P98 Q10 Q22 Q36 Q37 Q41 Q42 Q44 Q47 Q50 Q50 Q51 Q52 Q53 Q54 Q63 Q66 Q68 Q69 Q84 Q89 Q99 T21 T23 T24 T50 T51 CONSITDOC (Consulta Situação do Documento) DOCUMENTO ESTÁGIO EVENTO P01 DESP.CORRENTE SERVIÇOS PAGAMENTO 511001 P02 DESP.C/SERVICOS EM GERAL COM CONTRATO PAGAMENTO 511002 P03 DESPESAS COM MATERIAIS PARA ESTOQUE PAGAMENTO 511003 P04 DESP.C/AQUISICAO DE BENS P/ESTOQUE C/CONTRAT PAGAMENTO 511004 P05 DESPESAS COM MATERIAIS PARA CONSUMO IMEDIATO PAGAMENTO 511005 P06 DESP. MATERIAIS P/CONSUMO IMEDIATO C/CONTRAT PAGAMENTO 511006 P07 DESPESAS COM OBRAS E INSTALACOES(INSC.08) PAGAMENTO 511007 P08 DESPESA C/ OBRAS E INSTAL.(INSC.08)C/CONTRAT PAGAMENTO 511008 P09 DESPESAS ANTECIPADAS PAGAMENTO 511009 P10 DESPESAS ANTECIPADAS C/ CONTRATO NO EXTERIOR PAGAMENTO 511010 P11 DESP. C/ AQUISICAO DE BENS MOVEIS PERMANENTE PAGAMENTO 511011 P12 DESPESA C/ AQUISICAO BENS MOVEIS COM CONTRAT PAGAMENTO 511012 P13 DESP.C/SERVICOS PJ C/DEBITO EM CONTA BANCARI PAGAMENTO 511110 P14 DESPESAS COM MERCADORIAS PARA DOACAO PAGAMENTO 511014 A situação pertinente ao fato contábil exemplificado é uma despesa corrente com serviços sem contrato, portanto, o código dela é P01. É necessário notar que a tabela já mostra o evento de liquidação a ser contabilizado (o sistema capta automaticamente o exercício do empenho informado no documento hábil e aciona o evento correspondente) no caso de empenhos de exercícios anteriores – restos a pagar (61.1.001) como de empenhos do exercício corrente (51.1.001); o evento de compromisso da Classe 52 (quando há retenção de obrigações) documento a ser gerado no pagamento (OB); os eventos de realização (53.1.314) que serão utilizados nos documentos OB, DARF ou GPS, além de outras informações. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 78 SITUACAO : P01 TITULO : DESP.CORRENTE SERV/MAT.DISTR.GRAT(EXC.DOACAO) NATUREZA : PAGAMENTO DOCUMENTO DE REALIZACAO : OB TIPO OB: NORMAL CONTABILIZADO NO CPR : SIM EXIGE DOC. REFERENCIA : SIM TIPO DOC. REFERENCIA : NE EXCLUSIVIDADE DOC. REF. : NAO RELACIONAMENTO UNICO DOC REF: NAO EQUIVALENCIA VALOR DADO CONT.: SIM EFEITO SOBRE DOC. REFERENCIA : BAIXA COMPROMISSOS DO DOC. REFERENCIA EVENTO DE LIQUIDACAO EVENTO DE COMPROMISSO PARA EXERCICIOS ANTERIORES : 611001 PARA EXERCICIO ANTERIOR : 521244 PARA EXERCICIO CORRENTE : 511001 PARA EXERCICIO CORRENTE : 521214 EVENTO DE REALIZACAO EVENTO DE REMANEJAMENTO : PARA EXERCICIO CORRENTE : 531314 PARA EXERCICIOS POSTERIORES : 531342 EVENTO CANCEL. PRESCRICAO : 541379 EVENTO CENTRO CUSTO: 541609 CONDEDUCAO (Consulta Dedução/Encargo) No exemplo apresentado, a legislação tributária exige que sejam retidos o ISS (imposto sobre serviços) e o IRRF (imposto de renda retido na fonte). Para isso é necessário informar, no momento da liquidação, o código da dedução a ser utilizada. Cada dedução irá acionar “eventos de máquina”, tanto na liquidação quanto no pagamento. Os códigos de dedução podem ser obtidos através da transação CONDEDUCAO. DEDUÇÃO/ENCARGO DOC. EVENTO INSF RETENCAO DE INSS - SEM CONTROLE NE GP 521255 INSP DESP. C/ENCARGOS SOCIAIS - INSS PATRONAL GP 521292 INSS RETENCAO DE INSS GP 521293 INST INSS PATRONAL P/RECOLHIM.POR OUTRO DOCUMENTO 521231 IPI IPI A RECOLHER DF 521287 IRAC IMPOSTO DE RENDA A COMPENSAR 551547 IRCP COMPENSACAO DO IMPOSTO DE RENDA 561645 IRFF IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - DF 521239 IRPJ IRPJ A RECOLHER DF 521303 IRRF IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DF 521308 IRRP IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - RP PROCES. DF 521347 DEDUCAO : IRRF TITULO : IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DESCRICAO : APROPRIACAO DAS RETENCOES DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (COM CONTROLE NE) GERA COMPROMISSO : SIM TIPO DE PF: DOCUMENTO GERADO : DARFEVENTO LIQUID. EXERC. CORRENTE: EVENTO LIQUID. EXERC. ANTERIOR: EVENTO DE DEDUCAO : 521308 - APROP.RETENCOES.IMP.RENDA-CPR EVENTO DE REALIZACAO : EV.CENTRO CUSTO: EVENTO MULTA/JUROS EXER. CORR. : 511034 - DESP.C/ENCARGOS SOCIAIS A REC. EVENTO MULTA/JUROS EXER. ANT. : EVENTO CANCELAMENTO PRESCRICAO : 541209 - CANC.OBRIG.EXERC.ANTERIOR (SF) VINCULADA A COMPROMISSO : NAO DEDUZ DO VALOR DO DOCUMENTO: SIM EXCLUSIVA DOS DOCUMENTOS : PJ NP RT ST RP NO DT AV SJ CE TF PC INDICADOR DEDUCAO / ENCARGO : DEDUCAO Pode-se ver que, na tabela acima, o sistema informa que o documento a ser gerado é um DARF (eletrônico) e acionará o evento de dedução 52.1.308 (“evento de máquina”). É necessário observar o indicador “dedução/encargo”. A diferença entre os dois é que enquanto a dedução diminui do valor total do documento hábil o valor retido do tributo, o encargo irá gerar um compromisso à parte do valor total, ou seja, não integrará o valor do documento hábil e irá exigir um empenho próprio. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 79 O evento que será acionado no pagamento será definido pelo tipo de recurso (fonte e vinculação de pagamento) que será informado quando da realização na transação CONFLUXO (Consulta Fluxo de Caixa). 2º Passo da ATUCPR Após escolhermos o documento hábil, a situação, e as deduções, podemos realizar a fase da liquidação da despesa na ATUCPR. A transação ATUCPR é composta de várias telas em que serão pedidos os dados acima e outros como NE (documento de referência), documento de origem, dados do documento de recolhimento de tributo, etc. Após a confirmação do preenchimento, o sistema informará o nº do documento hábil, assim como o nº da Nota de Lançamento de Sistema – NS gerada. Podemos acessar também o espelho contábil do documento e visualizar as contabilizações que foram feitas. Após preencher todas as telas da ATUCPR, só faltará a última fase da despesa que será feita em outro módulo, o FLUXO DE CAIXA. No exemplo, temos os seguintes dados: Documento de Origem: Recibo 733/01 emitido pelo prestador do serviço. Documento de Referência: Nota de Empenho (NE) - Documento Hábil: RP com a situação “P01” e as deduções “IRRF” e “ISS” (é necessário reforçar que nem sempre os códigos de dedução correspondem ao código dos tributos. O IRRF pode ter um código de dedução no sistema como “IRFF” por exemplo, que é aplicável à Folha de Pagamento e aciona eventos diferentes apesar de ser o mesmo tributo). Compromissos: os compromissos gerados e que estarão no módulo FLUXOCAIXA são os seguintes: Valor do principal : R$ 5.859,00 (no módulo FLUXOCAIXA o sistema irá abater o valor das deduções automaticamente do valor a ser realizado) a ser realizado por Ordem Bancária – OB, para crédito na conta corrente do credor; Valor da retenção do IRRF : R$ 1.741,00, a ser realizado pelo documento de arrecadação DARF eletrônico. Valor da retenção do ISS: R$ 400,00, a ser realizado pelo documento de arrecadação correspondente ao Município credor do tributo (DAR, OB etc). Falta, no exemplo, apenas realizar os compromissos, pois todos os dados referentes ao pagamento já foram informados na liquidação. As outras transações do Módulo Entradados são ATULR (Atualiza Lista de Recolhedores), ATULOB (Atualiza Lista de Ordens Bancárias) e PROTOCOLO. Não será dado mais detalhes a respeito dessas transações, pois o objetivo é dar uma idéia geral do funcionamento do CPR e, principalmente, assimilar seus conceitos. Transação do Módulo Fluxo de Caixa Através deste módulo que são realizados os compromissos assumidos pela transação ATUCPR e/ou pelas outras transações do Módulo Entradados. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 80 Transação CONFLUXO (Consulta Fluxo de Caixa) O Módulo Fluxo de Caixa possui apenas uma transação, que é a CONFLUXO (Consulta Fluxo de Caixa) que, apesar do nome, não só consulta, mas realiza a fase da despesa relativa ao pagamento. A CONFLUXO possui diversos filtros nos quais, pode-se consultar, dependendo do demonstrativo selecionado, os compromissos pendentes ou pagos classificados por data, credor, vencimento etc. Por meio desta transação que o gestor poderá controlar o fluxo de caixa da Unidade Gestora através dos seus 3 demonstrativos: O Demonstrativo dos Compromissos, que mostra os compromissos de pagamento e recebimento da Unidade e através deste demonstrativo, é possível escolher a forma que será realizado e os dados financeiros pertinentes. No exemplo, caso entrássemos na transação CONFLUXO, encontraríamos os compromissos a serem realizados conforme a seguir: DATA: 17/Fev/2005 _ 17Fev 00300200100 070026/2005RP000261 5859,00 P _ 17Fev 00300200100 070026/2005RP000261 1741,00 P _ 17Fev 00300200100 070026/2005RP000261 400,00 P REC: 0,00 PAG: 8000,00 LIQ: 8000,00 Pode-se observar que a liquidação através da ATUCPR gerou 3 compromissos pelo valor devido, totalizando o total do documento hábil 2005RP000261 (nº atribuído pelo sistema). No campo à esquerda do compromisso, o gestor deve decidir a forma com que o compromisso será realizado informando uma letra (ver abaixo). Dependendo da escolha, o sistema irá gerar o “evento de máquina” de realização juntamente com o “evento de máquina” que irá baixar o recurso financeiro informado no referido campo. As opções são: A - REALIZACAO AUTOMATICA - BATCH G - PAGAMENTO AUTOMATICO C/ VINCULACAO R - REALIZACAO ON-LINE V - PAGAMENTO COM LIMITE DE VINCULACAO F - REALIZACAO PARCIAL M - REALIZACAO PARCIAL COM LIMITE DE VINCULACAO B - BAIXA POR REALIZACAO FORA DO CPR K - BAIXA POR CANCELAMENTO FORA DO CPR C - CANCELAMENTO P - CANCELAMENTO POR PRESCRICAO / EX. ANTERIORES L - LIBERADO PARA PAGAMENTO I - INDISPONIVEL X - APROVACAO DE PF N - TRANSFERENCIA ON-LINE OBS: Não vamos aqui detalhar cada uma destas opções, pois não é o propósito de nossa aprendizagem. Após informarmos a letra que corresponda à opção desejada o sistema apresentará uma tela informando os números documentos de realização (OB, DARF, DAR, GPS etc) que foram gerados e os respectivos espelhos contábeis. IMPORTANTE: É necessário informar que o sistema nos dá a opção de cancelamento de um compromisso isoladamente (um dos compromissos gerados pelo documento hábil), mas é necessário ressaltar que QUANDO HÁ DEDUÇÃO NO DOCUMENTO HÁBIL o sistema não permite o CANCELAMENTO DO COMPROMISSO NO DEMONSTRATIVO DA CONFLUXO. Neste caso, a liquidação deverá ser estornada utilizando a Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de ConcursosLeonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 81 opção de cancelamento no ATUCPR (esta opção irá acionar o evento de estorno correspondente ao da liquidação, restabelecendo o saldo do empenho respectivo). O segundo , Demonstrativo do Fluxo Financeiro apresenta os totais a receber e a pagar assim como a disponibilidade atual da Unidade. É meramente informativo. DISP. ATUAL 171.045.271,25 DISP. EM 17/02/2005 171.045.271,25 DATA REC.PAGTO RECEBIMENTOS PAGAMENTOS MOVIMENTO LIQUIDO 17/Fev/2005 0,00 8000,00 8000,00- TOTAL GERAL 0,00 8000,00 8000,00- DISPONIBILIDADE PREVISTA PARA 17/FEV/2005 171.037.271,25 O terceiro e último demonstrativo, é o Consolidado dos Compromissos que permite consultar o total de compromissos e suas respectivas datas de vencimento, se eles estão pendentes, pagos ou vencidos. Também é meramente informativo. DATA REC.PAGTO VENCIDO A VENCER NO VENCIMENTO 17/Fev/2005 0,00 8000,00 8000,00 TOTAL GERAL 0,00 8000,00 8000,00 Transações do Módulo Consulta Possui as seguintes transações: CONCPR – consulta documento hábil do CPR. Por meio desta transação o usuário pode consultar todas as telas do documento hábil já inserido no sistema, ou seja, já ocorreu a fase da liquidação. A inclusão de documento hábil é feita por meio da transação ATUCPR (atualiza documento hábil do CPR). CONLOB – consulta lista de OB. Por meio desta transação, o usuário pode consultar listas de Ordens Bancárias já inseridas no sistema. A inclusão da lista de OB dá-se através da transação ATULOB (atualiza lista de ordem bancária) no módulo “ENTRADADOS” do CPR. A Lista de Ordem Bancária LO ( a ser informada na transação ATUCPR) serve para pagamento da folha de salário de servidores, por exemplo. A Unidade informa os valores totais no documento hábil e a LO se encarrega de “dividir” o valor da OB gerada para cada um dos credores da Folha e seus respectivos domicílios bancários. CONLR – consulta lista de recolhedores. Por meio desta transação, o usuário pode consultar listas de recolhedores já inseridas no sistema. A inclusão da lista de recolhedores dá-se através da transação ATULR (atualiza lista de recolhedor) no módulo “ENTRADADOS” do CPR. Segue a mesma linha de raciocínio da LO, só que a Lista de Recolhedores – LR é utilizada quando há a necessidade de emitir mais do que 5 DARF’s por exemplo (por limitações no sistema , um único doc. Hábil pode gerar até 5 darf’s ou outro documento eletrônico de arrecadação). É utilizada em situações bem específicas. CONMOVDOC – consulta movimentação do documento hábil. Por meio desta transação, o usuário tem acesso a todos os documentos comprobatórios das fases da despesa ou receita . Por exemplo, no caso da despesa, através do nº de um documento hábil pode-se obter o nº do documento de referência (NE) ou o nº da ordem bancária de pagamento, por outro lado, caso se queira obter os documentos hábeis que liquidaram a despesa de determinado documento de referência (NE), também é Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 82 possível. Trata-se de uma importante transação do subsistema que permite um melhor acompanhamento da execução orçamentária e financeira e do fluxo de recursos. Seguem as telas da CONMOVDOC: SIAFI2005-CPR-CONSULTA-CONMOVDOC (CONSULTA MOVIMENTACAO DOCUMENTO HABIL) 17/02/05 16:57 USUARIO UG/GESTAO EMITENTE : 70026_ / 1____ NUMERO : 2005RP000001 PF1=AJUDA PF2=DETALHA PF3=SAI PF4=DOC.REFERENCIADOPF5=DOC.REFERENCIA PF6=DOC.RECEBIMENTO/PAGAMENTO PF9=DOC.RECEBIDO/PAGO Ao digitarmos o documento de referência ou o documento hábil, podemos encontrar os documentos relacionados através das opções na tela. No exemplo acima, se quisermos achar o documento de referencia do documento hábil informado, teclamos “F5”; por outro lado, se quisermos achar o documento de realização ( a OB por exemplo) , teclamos “F9”. 5.6.5. Habilitação dos Usuários no CPR Habilitação dos Órgãos e Unidades Gestoras Existem 3 modalidades de habilitação para órgãos e UG’s: NÃO UTILIZA – Nenhum pagamento ou recebimento é feito através do CPR e sim pelos documentos OB, DARF etc através de eventos de gestor. PARCIAL – Permite que os documentos OB, DAR, DARF, GPS etc sejam realizados tanto por meio do subsistema CPR (“eventos de máquina”) quanto “por fora”, com “eventos de gestor”. TOTAL – As UG’s ou Órgãos só podem pagar seus compromissos via CPR. 5.7. SIAFI Gerencial O SIAFI Gerencial constitui-se em um dos mais importantes dispositivos de saída da informação contábil gerada pelo SIAFI Operacional (normal). Através dele pode-se fazer consultas construídas pelo próprio usuário e, através dos parâmetros de consulta, o SIAFI Gerencial retorna os dados em uma planilha eletrônica que permite a manipulação dos mesmos. Com a criação do SIAFI Gerencial, o SIAFI consolidou-se como uma importante ferramenta de Gestão Orçamentária, Financeira e Patrimonial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 83 6. REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO SIAFI 6.1. Considerações Gerais Os registros contábeis no âmbito da Contabilidade Governamental brasileira são realizados, geralmente, por sistemas informatizados e interligados. Na esfera federal, temos o Sistema Integrado de Administração Financeira – SIAFI que registra os fatos contábeis através de eventos, que já foram objeto de estudo no tópico específico. É necessário enfatizar que os registros contábeis efetuados pelo Gestor, com a seleção das contas a serem contabilizadas e suas contrapartidas, de maneira individual, foram praticamente extintos. O Gestor deve selecionar um código pertinente a um ou mais eventos ou uma ou mais situações (esta última no caso do Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR) que o SIAFI irá contabilizar as contas em um ou mais sistemas envolvidos com o fato contábil (patrimonial, orçamentário, financeiro e de compensação). Todos estes procedimentos ocorrem de maneira automática, e isso só torna-se possível por causa da informatização da Contabilidade Governamental brasileira. Os exemplos a seguir vão estar focados não só no tratamento dado aos fatos contábeis pela Contabilidade Pública em sentido amplo, e a respectiva contabilização em cada um dos sistemas (orçamentário, financeiro, patrimonial e de compensação) , mas também, na utilizaçãodos eventos correspondentes disponibilizados pelo SIAFI e seus respectivos códigos simplificados (somente Classe e Tipo de Utilização) nos documentos do Sistema. As Contabilizações são feitas em 2 níveis: o de Unidade Orçamentária (UO) e o de Unidade Gestora (UG). A primeira registrará toda a previsão da receita e fixação da despesa, descentralização de créditos orçamentários e a proposta de programação financeira através do SIAFI de acordo com os dados Fornecidos pelos Órgãos Centrais de Orçamento (Secretaria de Orçamento Federal – SOF/MPOG) e de Programação Financeira (Secretaria do Tesouro Nacional – STN/MF). O processo de programação financeira, quase sempre, acompanha o processo de execução orçamentária, pois, tendo os recursos orçamentários disponíveis, as Unidades precisam que exista disponibilidade financeira para que a despesa seja empenhada, liquidada e paga. As Unidades Gestoras, com estes recursos em seu poder, advindos da execução orçamentária e da execução da programação financeira estarão aptas a empenhar, liquidar e, posteriormente, pagar a despesa orçamentária. Então, conclui-se que a contabilização ocorre a nível de Unidade Orçamentária - UO até o momento da conclusão do processo de descentralização orçamentária, tornando-se possível os estágios da despesa. Após os processos de descentralização, a contabilização ocorre a Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 84 nível de Unidade Gestora – UG (Executora). As fases da atividade financeira do Governo, ou ciclo orçamentário, seguem o seguinte ordenamento: 1. PLANEJAMENTO 2. ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO 3 . APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO 4. EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E DA PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA 5. EXECUÇÃO FINANCEIRA (ingressos e dispêndios) E PATRIMONIAL (bens, direitos e obrigações) 6. CONTROLE E AVALIAÇÃO. A fase 1 e a fase 2 competem à Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos SPI/MPOG e à SOF/MPOG e são realizadas nos sistemas SIGPLAN E SIDOR, respectivamente. São levadas em consideração outras leis aprovadas como o Plano Plurianual – PPA e a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO. A fase 3 compete ao Poder Legislativo que aprovará a proposta do Executivo, sendo esta fase apenas de caráter legal e de ajustes no Orçamento apresentado para se chegar à sua versão final. A Lei Orçamentária Anual - LOA, materializa-se. Até aqui o SIAFI não trata as informações. Na fase 4, já no âmbito do SIAFI, inicia-se as atribuições das Unidades Orçamentárias (UO) que terão ao seu dispor o Orçamento aprovado com as despesas fixadas e as receitas estimadas pela LOA e, ainda, acompanhando a execução orçamentária, ocorrerá a execução da programação financeira (ver esquema da página anterior) fixada por Decreto do Poder Executivo. A fase 5, também no âmbito do SIAFI, ocorre nas Unidades Gestoras (UG), que executam o orçamento destinado às UO’s, os estágios da despesa (empenho, liquidação e pagamento) e da receita (arrecadação e recolhimento), assim como a aquisição de bens permanentes, celebração de convênios, transferência de bens etc. É necessário não confundir a execução da programação financeira com a execução financeira. A primeira, ocorre na fase anterior e trata-se de previsão de desembolsos de acordo com o Orçamento consignado, enquanto que a segunda, diz respeito à efetiva arrecadação e o efetivo dispêndio do caixa do Governo, por seus Órgãos e Unidades Gestoras. E, finalmente, a fase 6 inicia-se no SIAFI através da divulgação de seus demonstrativos e sua devida análise pelos gestores e também pelos auditores internos da Secretaria Federal de Controle Interno da Controladoria Geral da União (SFC/CGU/PR) ligada à Presidência da República. Após todas as fases, procede-se a avaliação do orçamento e sua execução do exercício anterior, já no âmbito do MPOG, para se reiniciar o processo para o outro exercício ou para os exercícios subseqüentes com os ajustes necessários, devido ao resultado da avaliação. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 85 IMPORTANTE! É necessário ressaltar que, para entendimento deste tópico, torna-se necessário a assimilação do tópico anterior relativo às variações patrimoniais. As contas, eventos e documentos utilizados nos exemplos, assim como as rotinas contábeis estão de acordo com o Plano de Contas atualizado até a conclusão desta obra. O referido Plano de Contas “simplificado” a nível de subitem está nos anexos desta obra e a consulta a este facilita a aprendizagem. Procure analisar os efeitos contábeis apenas, sem ater-se demais às codificações numéricas das contas, observando as contas debitadas e creditadas em cada etapa da receita e da despesa e a lógica dos lançamentos. 6.2. Previsão Inicial da Receita A previsão inicial da Receita ocorre no momento em que, com a Lei Orçamentária Anual aprovada, as Unidades Orçamentárias (UO) registram a sua estimativa de receita para o exercício financeiro correspondente. Não há aumento da situação líquida patrimonial, já que não houve arrecadação e sim uma previsão do que aquela Unidade Orçamentária irá arrecadar. Nota-se que o fato só irá gerar contabilização em contas do Ativo e Passivo Compensado – 19XXX.YY.ZZ e 29XXX.YY.ZZ (não confundir com o sistema de compensação) e, portanto, não gera alteração patrimonial, sendo apenas um controle da execução do Orçamento através da Contabilidade e seu sistema de “partidas dobradas”. DOCUMENTO(S) UTILIZADO(S) NL (Entidades não Integrantes do Orçamento Geral da União – OGU, como algumas empresas públicas) com “eventos de gestor” (10.0.ZZZ) ou NS (Entidades Integrantes do OGU, administração pública em geral) com “eventos de máquina” (10.1.ZZZ) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 10.Y.ZZZ D – Receita a Realizar (19111.00.00) C – Previsão Inicial da Receita (29111.00.00) OBSERVAÇÃO Apesar de constar os eventos e os documentos acima especificados, este lançamento é feito, NA MAIORIA DOS CASOS, de forma automática no SIAFI (com “eventos de máquina” – 10.1.XXX) por meio de fitas que a SOF envia à STN que contém os dados do Orçamento Aprovado, classificados por Unidade Orçamentária (UO) e Classificação Institucional da Receita Prevista. O sistema, ao processar estas fitas, já contabiliza corretamente em cada Unidade Orçamentária (UO). É necessário ressaltar que uma única UO pode pertencer a várias UG (executoras no SIAFI, à partir do empenho da despesa e arrecadação efetiva da receita). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 86 6.3. Previsão Adicional da Receita A Previsão Adicional da Receita ocorre quando há um ajuste na previsão inicial. Também é contabilizada a nível de UO e não altera o patrimônio. É necessário ressaltar que houve aumento da “receita a realizar” da Unidade. DOCUMENTO(S) NL (Entidades não Integrantes do OGU), com “eventos de gestor” (10.0.ZZZ) ou NS (Entidades Integrantes do OGU) com “eventos de máquina” (10.1.ZZZ). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 10.Y.ZZZ D – Receita a Realizar (19111.00.00) C – Previsão Adicional da Receita (29112.00.00)OBSERVAÇÃO Apesar de constar os eventos e os documentos acima especificados, este lançamento é feito de forma automática no SIAFI (com “eventos de máquina” – 10.1.XXX) por meio de fitas que a SOF envia à STN que contém os dados do Orçamento Aprovado, classificados por Unidade Orçamentária (UO) e Classificação Institucional da Receita Prevista. O sistema, ao processar estas fitas, já contabiliza corretamente em cada Unidade Orçamentária (UO). É necessário ressaltar que uma única UO pode pertencer a várias UG (executoras no SIAFI, à partir do empenho da despesa e arrecadação efetiva da receita). 6.4. Anulação de Previsão de Receita Ocorre também quando há retificação da previsão inicial, só que “a menor”. O lançamento é feito somente por NS, por alguma retificação contida também nas Fitas SOF. DOCUMENTO(S) NL (Entidades não Integrantes do OGU), com “eventos de gestor” (10.0.ZZZ) ou NS (Entidades Integrantes do OGU) com “eventos de máquina” (10.1.ZZZ). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 10.Y.ZZZ D – (*) Anulação da Previsão da Receita (29119.00.00) C – Receita a Realizar (19111.00.00) OBSERVAÇÃO É interessante reparar o asterisco (*) antes da conta de Anulação. No estudo do Plano de Contas foi visto que trata-se de uma conta retificadora, ou seja, apesar de figurar no passivo, possui natureza devedora. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 87 6.5. Arrecadação da Receita (fato modificativo) A arrecadação da receita representa a apropriação da previsão inicial ou adicional tratada nos lançamentos anteriores. Na arrecadação, há alteração do patrimônio pela variação ativa (fato modificativo) representada pela Receita Orçamentária no sistema financeiro, mas o controle no sistema orçamentário não pode deixar de ser contabilizado. Portanto, haverá contabilização nos dois sistemas e, ainda, no sistema de compensação. Os eventos utilizados que irão contabilizar o sistema financeiro são: um da classe 55.Y.XXX que faz lançamentos a débito e tem a função principal de registrar a “entrada em caixa” (registrar uma conta do ativo) e um da classe 80.0.XXX que faz lançamentos a crédito e tem a função principal de registrar “receitas e ingressos”. (Vide tópico “Tabela de Eventos”). No sistema orçamentário, há a “baixa” da “receita a realizar” e o registro em “receita realizada”, significando que a receita prevista inicialmente já foi realizada em parte. E, por último, no sistema de compensação, quando existem contas do sistema financeiro envolvidas no lançamento, é necessário registrar a “disponibilidade financeira” gerada pela Receita arrecadada (controle da programação financeira). Ocorre o fato modificativo quando a receita a ser contabilizada é de serviços ou arrecadação de receitas próprias da Unidade. Portanto, não há alienação de bens, por exemplo. DOCUMENTO(S) NL (gestor) ou NS (pelo documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 55.Y.ZZZ D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 80.Y.ZZZ D – Receita Realizada (19114.00.00) C – Receita a Realizar (19111.00.00) C – Receita Orçamentária (4XXXX.YY.ZZ) D – Disponibilidade por Fonte de Recursos (19329.02.00) C – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) OBSERVAÇÃO Apesar de termos demonstrado cada lançamento separadamente, o documento em que foram feitos estes lançamentos é o mesmo e um único evento da classe 80.Y.ZZZ pode fazer lançamentos nos sistemas financeiro, de compensação e orçamentário. Ele guardará a regra de que somente as contas do mesmo sistema podem ser a contrapartida umas das outras. O evento 55 só contabilizou o débito na conta de disponibilidade financeira (Bancos c/ Única). Pode-se ver que os eventos da Classe 55 e da Classe 80 são “abertos”, mas possuem também lançamentos completos de “partidas dobradas”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 88 6.6. Arrecadação da Receita (fato permutativo) Como visto no item anterior, a arrecadação da receita representa a apropriação da previsão inicial ou adicional tratada nos lançamentos anteriores. No caso de receita de alienação de bens, por exemplo, NÃO há alteração na situação patrimonial líquida (fato permutativo). Há uma receita orçamentária que será “anulada/compensada” por uma outra conta de resultado denominada mutação passiva (variação patrimonial passiva). Os eventos utilizados que irão contabilizar o sistema financeiro são: um da classe 55.Y.XXX que faz lançamentos a débito e tem a função principal de registrar a “apropriação direitos” (registrar uma conta do ativo) e um da classe 80.0.XXX que faz lançamentos a crédito e tem a função principal de registrar “receitas e ingressos”. (Vide tópico “Tabela de Eventos”). No sistema orçamentário, há a “baixa” da “receita a realizar” e o registro em “receita realizada”, significando que a receita prevista inicialmente já foi realizada em parte. Houve entrada de numerário na conta única, portanto, o controle da disponibilidade financeira no sistema de compensação deverá sofrer registros. E, finalmente, no sistema patrimonial, ocorre a diferença entre este lançamento e o lançamento anterior (fato modificativo). Haverá o crédito na conta do ativo que foi alienado, por exemplo, e o débito na conta de mutação passiva (variação passiva orçamentária). DOCUMENTO(S) NL (gestor) ou NS (pelo documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 55.Y.ZZZ D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 80.Y.ZZZ D – Receita Realizada (19114.00.00) C – Receita a Realizar (19111.00.00) C – Receita Orçamentária (4XXXX.YY.ZZ) D – Mutação Passiva - Alienação de Bens (51311.YY.ZZ) C – Ativo (Alienado) (1XXXX.YY.ZZ) D – Disponibilidade por Fonte de Recursos (19329.02.00) C – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) OBSERVAÇÃO O lançamento no sistema patrimonial (única diferença em relação ao lançamento do fato contábil do item anterior) trata-se de uma mutação passiva (variação passiva), pois houve uma diminuição do ativo. Essa mutação passiva irá “compensar” a receita orçamentária (variação ativa), caracterizando, dessa forma, um fato permutativo. Estes lançamentos poderiam ser utilizados também para registro de receitas de operações de crédito (empréstimos concedidos), para isso, bastaria substituir o ativo “alienado” pela conta de ativo de “operações de crédito”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 89 6.7. Registros dos Créditos Iniciais Provenientes da LOA Após a etapa de aprovação do orçamento, como já foi visto nas considerações gerais (6.1) deste tópico, a SOF/MPOG envia as Fitas SOF para a Secretaria do Tesouro Nacional – STN/MF que registrarão os créditos iniciais consignados para cada UO, detalhados por Programa de Trabalho (PT). O registro do Orçamento aprovado no SIAFI deve gerar, concomitantemente, contabilizações quedizem respeito à execução da programação financeira, pois, para que se execute uma despesa, além da fixação orçamentária, é necessário que haja o controle da disponibilidade financeira de acordo com a arrecadação da receita prevista (ver esquema em “considerações gerais”). O instrumento que dá sustentação ao registro do crédito inicial é a Lei Orçamentária Anual - LOA (aprovada pelo Legislativo) e o que dá sustentação à programação financeira é um Decreto do Poder Executivo. Não há alteração da situação líquida patrimonial, pois trata-se de registro de potencialidades (previsão) e não da execução propriamente dita. Estes registros ocorrem em contas de controle do ativo e passivo compensado (19XXX.YY.ZZ ou 29XXX.YY.ZZ) nos sitemas orçamentário e de compensação. DOCUMENTO(S) NDSOF (pela fita SOF gerada) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 20.Y.ZZZ D – Dotação Inicial (19211.YY.ZZ) C – Crédito Disponível (29211.00.00) 20.Y.ZZZ (Na OSPF do Órgão da Adm. Direta) D – (*) Diversas Cotas Orçamentárias (29311.99.00) C – Cota de Despesa a Programar (29311.01.02) 20.Y.ZZZ (Na COFIN/STN) D – Cota de Despesa a Programar (19311.01.02) C – (*) Diversas Cotas de Despesas (19311.99.00) OBSERVAÇÃO O mesmo evento gera todas estas contabilizações, inclusive no órgão central de programação financeira (COFIN/STN) através de seu evento principal e dos complementares. Os 2 primeiros lançamentos foram realizados na UO a qual foi consignado o crédito orçamentário e na respectiva Setorial Financeira (Órgão Setorial de Programação Financeira – OSPF). O último lançamento foi realizado na COFIN/STN para que esta controle as disponibilidades das Unidades e a programação financeira. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 90 6.8. Abertura de Créditos Adicionais (Suplementares, Especiais ou Extraordinários) Após a aprovação do crédito inicial visto no tópico anterior é possível que sejam necessários ajustes no orçamento consignado através da abertura de créditos adicionais, que podem ser de 3 tipos: Suplementar – Destinado ao reforço da dotação orçamentária já existente. Especial – Para despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica na LOA. Extraordinário – Destinado a atender despesas urgentes e imprevistas, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública. Este independe da existência de recursos disponíveis. As contabilizações nos 3 casos são semelhantes. E todas no sistema orçamentário são originadas pelas Fitas SOF no SIAFI, originados de leis ou medidas provisórias (crédito extraordinário) e no sistema de compensação pela programação financeira prevista no Decreto emitido pelo Executivo. DOCUMENTO(S) NDSOF (pela fita SOF gerada) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 20.Y.ZZZ D –Dotação Suplementar/Especial/Extraordinária (1921X.YY.ZZ) C – Crédito Disponível (29211.00.00) 20.Y.ZZZ (Na OSPF do Órgão) D – (*) Diversas Cotas Orçamentárias (29311.99.00) C – Cota de Despesa a Programar (29311.01.02) 20.Y.ZZZ (Na COFIN/STN) D – Cota de Despesa a Programar (19311.01.02) C – (*) Diversas Cotas de Despesas (19311.99.00) OBSERVAÇÃO Veja que o lançamento é semelhante ao do registro do crédito inicial. O que difere são apenas as contas de dotação que, no caso da suplementar, é a 19212.YY.ZZ, enquanto que a da especial é 19213.YY.ZZ e a da extraordinária é 19214.YY.ZZ. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 91 6.9. Cancelamento de Créditos Orçamentários DOCUMENTO(S) NDSOF (pela fita SOF gerada) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 20.Y.ZZZ D – Crédito Disponível (29211.00.00) C – (*) Dotação Cancelada (19219.YY.ZZ) 20.Y.ZZZ (Na OSPF do Órgão Superior) D – Cota de Despesa/Repasse/Sub- Repasse Indisponível (29311.YY.01) C – (*) Diversas Cotas Orçamentárias (29311.99.00) 20.Y.ZZZ (Na COFIN/STN) D – (*) Diversas Cotas de Despesas (19311.99.00) C – Cota de Despesa/Repasse/Sub- Repasse Indisponível (19311.YY.01) OBSERVAÇÃO Veja que o lançamento reduz o crédito disponível e registra o cancelamento em uma conta própria. Devem ocorrer, também, os ajustes na programação financeira conforme demonstrado. O YY nas Contas de “Cota Indisponível” , pode ser uma cota de despesa “01”, cota de repasse “02” e cota de sub-repasse “04”. 6.10. Descentralização Interna de Créditos Orçamentários (Provisão) e Descentralização da Programação Financeira Correspondente Como já foi visto no início deste tópico nas considerações gerais, existem dois tipos de descentralização orçamentária: a interna (provisão) e a externa (destaque). A descentralização interna ocorre entre Unidades de um mesmo Órgão, Ministério ou Entidade da Administração Indireta integrantes do OGU. A descentralização da programação financeira (e não descentralização financeira) quase sempre deverá acompanhar a orçamentária, mas é necessário considerar se houve ou não a arrecadação efetiva da receita prevista. O SIAFI possui eventos que contabilizam somente a descentralização orçamentária ou somente a descentralização da programação financeira. Mas nesta obra, será visto o que acontece nos dois casos quando há simultaneidade nas descentralizações. Quando não há, basta considerar os lançamentos das descentralizações orçamentárias e da programação financeira isoladamente. É necessário estabelecer a diferença: Descentralização da Programação Financeira – é a transferência dos recebimentos potenciais advindos da programação financeira. Alguns autores referem-se como “descentralização financeira”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 92 Descentralização Financeira – é a efetiva transferência financeira entre as Unidades com reflexo patrimonial. É a materialização (efetivação) da potencialidade da programação. É necessário fazer a seguinte correlação: LOA Aprovada Decreto de Programação Financeira DOTAÇÃO COTA Descentralização Orçamentária Descentralização da Programação Financeira PROVISÃO (Interna) COTA DE SUB-REPASSE (Interna) DESTAQUE (Externa) COTA DE REPASSE (Externa) Obs: sub-repasses e repasses são “espécies” do “gênero” cota. Portanto, um mesmo evento irá contabilizar os vários sistemas e as contas de natureza orçamentária e de programação financeira tanto nas Unidades transferidoras dos recursos quanto nas Unidades recebedoras dos recursos. DOCUMENTO(S) NC (Nota de Movimentação de Crédito) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 30.Y.ZZZ (UG descentralizadora órgão X) D – Crédito Disponível (29211.00.00) C – Provisão Concedida (29222.YY.ZZ) D –Cota de Sub- repasse a Programar (19311.04.02) C – (*) Outras Cotas de Sub-repasse (19311.04.99) 30.Y.ZZZ (UG recebedora, também do Órgão X) D – Provisão Recebida (19222.YY.ZZ)C – Crédito Disponível (29211.00.00) D –(*) Outras Cotas de Sub-repasse (29311.04.99) C – Cota de Sub- repasse a Programar (29311.04.02) OBSERVAÇÃO Á partir desta etapa, as descentralizações são realizadas no âmbito das Unidades Gestoras (UG), mas com controle por Unidades Orçamentárias (UO) através dos contas-correntes contábeis do Plano de Contas. Sob o ponto de vista orçamentário, o Crédito Disponível de uma determinada UG é transferido para outra UG do mesmo Órgão no caso da provisão, não alterando o Orçamento a nível de Órgão. Sob o ponto de vista da programação financeira, é necessário notar que os nomes das contas 19311.YY.ZZ e 29311.YY.ZZ são os mesmos na UG transferidora e na favorecida, mas a diferença está no dígito inicial. Enquanto que a 19311.YY.ZZ registra a obrigação das UG descentralizadoras, a 29311.YY.ZZ registra o direito das UG recebedoras/favorecidas. 6.11. Descentralização Externa de Créditos Orçamentários (Destaque) e Descentralização da Programação Financeira Correspondente A descentralização externa ocorre entre diferentes Unidades dos Órgãos, Ministérios ou Entidades da Administração Indireta integrantes do OGU. Como já foi visto, a descentralização da programação financeira quase sempre deverá acompanhar a orçamentária, mas é necessário Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 93 considerar se houve ou não a arrecadação efetiva da receita prevista. O SIAFI possui eventos que contabilizam somente a descentralização orçamentária e somente a descentralização da programação financeira. Ver esquema em considerações gerais e a tabela de correlação entre os tipos de descentralização constantes do item anterior. Cabe destacar que o remanejamento de cotas advindos de um destaque orçamentário irá configurar uma interferência ativa na UG recebedora e uma interferência passiva na UG cedente. Há alteração, dessa forma, da situação líquida patrimonial da UG concedente e da UG recebedora do crédito orçamentário e do repasse. Existem diversos tipos de cota: - Cota de Despesa (X9311.01.ZZ)– diz respeito ao Orçamento e é gerada pela aprovação da dotação inicial ou suplementar do orçamento; - Cota de Repasse (X9311.02.ZZ) – também acompanha o orçamento aprovado, mais especificamente as descentralizações externas ou destaques; - Cota Financeira (X9311.03.ZZ) – diz respeito à programação financeira propriamente dita, que será tratada nos próximos itens (PPF/PFA). São contas de controle que estão à parte das outras cotas. - Cota de Sub-Repasse (X9311.04.ZZ) – acompanham o orçamento aprovado, mais especificamente as descentralizações internas ou provisões. Destaque (Descentralização Externa Orçamentária) DOCUMENTO(S) NC (Nota de Movimentação de Crédito) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 30.Y.ZZZ (UG descentralizadora da Adm. Indireta) D – Crédito Disponível (29211.00.00) C – Créditos Concedidos (29221.YY.ZZ) 30.Y.ZZZ (UG recebedora da Adm. Indireta) D – Créditos Recebidos (19221.YY.ZZ) C – Crédito Disponível (29211.00.00) OBSERVAÇÃO Repare que, segundo o Plano de Contas atual, na descentralização externa a conta é “crédito concedido/recebido” enquanto que na interna é “provisão concedida/recebida”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 94 Repasse (Descentralização da Programação Financeira) DOCUMENTO(S) PF (Nota de Programação Financeira) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 70.1.ZZZ (UG descentralizadora da Adm. Indireta) D – Interferência Passiva – Repasse Concedido (51212.00.00) D – Cota Financeira Liberada (19311.03.03) C – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) D – Cota de Repasse Liberada (19311.02.04) C – Cota de Repasse a Liberar (19311.02.03) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidades P/ Fonte de Recursos (19329.02.00) 56.1.ZZZ (UG descentralizadora da Adm. Indireta) C – Limite de Saque c/ Vinc. De Pagamento (11216.04.00) 56.1.ZZZ (UG recebedora da Adm. Indireta) D – Limite de Saque c/ Vinc. De Pagamento (1216.04.00) 70.1.ZZZ (UG recebedora da Adm. Indireta) C – Interferência Ativa – Repasse Recebido (61212.00.00) D – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) C – Cota Financeira Recebida (29311.03.03) D – Cota de Repasse a Receber (29311.02.03) C – Cota de Repasse Recebida (29311.02.04) D – Disponibilidades P/ Fonte de Recursos (19329.02.00) C – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) OBSERVAÇÃO Repare que os lançamentos no sistema de compensação alteram-se no que se refere à descentralização da programação financeira externa ou interna. Enquanto que na interna, são cotas de sub-repasse, na externa, são cotas de repasse. Na descentralização interna de créditos orçamentários, há lançamentos correspondentes de programação financeira na própria NC, mas na descentralização externa, é necessário que se faça, além da NC, uma PF (Nota de Programação Financeira) para transferir os saldos das contas de repasse. P s.: As PF podem ser utilizadas separadamente na descentralização interna também, quando há a necessidade de transferir os saldos de programação financeira em momento posterior ao da ocorrência da descentralização orçamentária interna. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 95 6.12. Proposta de Programação Financeira (PPF) Até agora foram vistos todos os lançamentos referentes à aprovação do orçamento e descentralização dos créditos orçamentários, assim como os lançamentos de previsão e arrecadação da receita orçamentária. É preciso detalhar o processo de programação financeira por completo, já que foi visto que a descentralização orçamentária será quase sempre acompanhada da descentralização da programação financeira. Mas fica a pergunta sobre os lançamentos dos itens anteriores: e as cotas de sub- repasse concedidos, de onde vieram? Como pode o Órgão/Unidade descentralizar um determinado instrumento de programação financeira (cota, repasse ou sub-repasse) se ainda não houve o início do processo? É exatamente isto que será visto agora. A programação financeira começa com a proposta de programação financeira (PPF) que é realizada pelas Unidades Gestoras (UG). Estas propostas são encaminhadas para as Setoriais Financeiras dos Órgãos (OSPF) que realizam cortes ou remanejamentos nestas propostas e, após a consolidação de todas as propostas de todas as UG sob sua responsabilidade, fazem uma nova Proposta (PPF) e encaminham ao Órgão Central de Programação Financeira (STN) através da Coordenação-Geral de Programação Financeira (COFIN/STN/MF) que também realiza cortes e remanejamentos e aprova ou não a PPF solicitada pelas OSPF. Em seguida, a COFIN/STN/MF envia às OSPF, as propostas de programação financeira aprovadas (PFA). E as OSPF, por sua vez, consignam às a PFA para cada uma de UG subordinadas. Veja o esquema: Unidades Gestoras (UG) Setoriais Financeiras dos Órgãos/Entidades (OSPF*) Órgão Central deProgramação Financeira (STN/MF) Fase 1. Elaboram a PPF e enviam às OSPF. Fase 2. Após cortes e remanejamentos, a OSPF de cada Órgão/Entidade envia a sua PPF consolidada para a STN (Órgão Central). Fase 3. A STN/MF consolida todas as PPF e realiza ajustes nas mesmas através de estudos técnicos e de acordo com o Orçamento. Fase 6. Encerrando o processo de programação financeira as UG recebem as suas respectivas PFA. E, somente, à partir daqui pode realizar a descentralização financeira, no que se refere à programação. Fase 5. As OSPF recebem a sua respectiva PFA e distribui entre as suas UG subordinadas, emitindo a PFA a nível de Órgão Setorial. Fase 4. Após os ajustes, envia a cada OSPF a sua respectiva PFA. * OSPF – Órgão Central de Programação Financeira do Órgão da Administração Direta ou Entidade da Administração Indireta. É necessário notar que, enquanto as propostas orçamentárias não transitam pelo SIAFI (somente a execução do orçamento aprovado), as propostas de programação financeira são contabilizadas no SIAFI, até mesmo no CPR, através de sua sistemática. Tratemos, primeiramente, do fluxo de “ida” das propostas, antes da sua aprovação pela Unidade responsável, ou seja, do fluxo das PPF. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 96 A programação financeira é tratada em 4 níveis: Órgão Central (COFIN/STN), OSPF de Òrgão Superior (Adm. Direta), OSPF de Órgão Subordinado (Adm. Indireta) e Unidades Gestoras Subordinadas à OSPF do Órgão Superior (Adm. Direta). FASE 1 – As UG da Adm. Direta e as OSPF da Adm. Indireta formalizam a PPF à OSPF do Órgão Superior a que estão subordinadas. DOCUMENTO(S) PF (podendo ser também por documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANC. PATRIM. COMPENSAÇÃO 54.Y.ZZZ (UG subordinada) D – (*) Diversas Cotas Financeiras (29311.03.99) C – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) D – Cota de Sub-Repasse a Programar (29311.04.02) C – Cota de Sub-Repasse a Aprovar (29311.04.15) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) C – (*) Diversas Cotas Financeiras (19311.03.99) D – Cota de Sub-Repasse a Aprovar (19311.04.15) C – Cota de Sub-Repasse a Programar (19311.04.02) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Subordinado da Administração Indireta) D – (*) Diversas Cotas Financeiras (29311.03.99) C – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) D – Cota de Repasse a Programar (29311.02.02) C – Cota de Repasse a Aprovar (29311.02.15) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) C – (*) Diversas Cotas Financeiras (19311.03.99) D – Cota de Repasse a Aprovar (19311.02.15) C – Cota de Repasse a Programar (19311.02.02) OBSERVAÇÃO Repare que, segundo o Plano de Contas atual, o que definirá se é um repasse ou um sub-repasse nesta primeira fase será o nível de “item” da conta. As “X9311.02.ZZ” representa Repasses, enquanto que as “X9311.04.ZZ” representam os Sub-Repasses. Os lançamentos sombreados referem-se à PPF das UG da Adm. Direta enviadas à OSPF do Órgão Superior e os que estão em branco referem-se à PPF das OSPF da Adm. Indireta enviadas ao Órgão Superior a que estão subordinadas. FASE 2 – As OSPF dos Órgãos Superiores da Adm. Direta consolidam e formalizam as PPF ao Órgão Central de Programação Financeira (COFIN/STN). DOCUMENTO(S) PF (podendo ser também por documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANC. PATRIM. COMPENSAÇÃO 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – (*) Diversas Cotas Financeiras (29311.03.99) C – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) D – Cota de Despesa a Programar (29311.01.02) C – Cota de Despesa a Aprovar (29311.01.15) 54.Y.ZZZ (COFIN/STN) D – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) C – (*) Diversas Cotas Financeiras (19311.03.99) D – Cota de Despesa a Aprovar (19311.01.15) C – Cota de Despesa a Programar (19311.01.02) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 97 OBSERVAÇÃO Repare que, segundo o Plano de Contas atual, o que definiu se era um repasse ou um sub-repasse na primeira fase foi o nível de “item” da conta. As “X9311.02.ZZ” representam Repasses, enquanto que as “X9311.04.ZZ” representam os Sub-Repasses. Na segunda fase, o “item” da Cota de Despesa é “01”. Com isto, termina a fase das PPF, dando lugar à PFA após cortes e remanejamentos efetuados pelo Órgão competente. Ressalte-se que as contas do ativo e passivo compensado são “potencialidades” e não fatos contábeis propriamente ditos (não há recursos a serem pagos ou recebidos por enquanto). Trata-se apenas de uma programação. Ex.: antes de recebermos nosso salário, nós fazemos a nossa programação do mês, considerando os ingressos e dispêndios antes dos mesmos ocorrerem. 6.13. Aprovação da Proposta de Programação Financeira (PFA) Tratemos, agora, do fluxo de “volta” das propostas, após o seu estudo, ajustes e sua devida aprovação pela Unidade responsável, ou seja, do fluxo das PFA. Após o registro da PFA, as Unidades já poderão proceder à descentralização da programação financeira (previsão de cotas, repasses e sub-repasses) acompanhando a execução orçamentária como foi visto nos lançamentos anteriores. Ver quadro demonstrativo no item anterior. FASE 3 – A STN/MF consolida todas as PPF e realiza ajustes nas mesmas através de estudos técnicos e de acordo com o Orçamento aprovado e a arrecadação das receitas. FASE 4 – Após os ajustes, envia a cada OSPF de Órgão Superior a sua respectiva PFA. Esta fase é contabilizada conforme a seguir: DOCUMENTO(S) PF (podendo ser também por documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANC. PATRIM. COMPENSAÇÃO 54.Y.ZZZ (STN/COFIN) D – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) C – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) D – Cota de Despesa a Liberar (19311.01.03) C – Cota de Despesa a Aprovar (19311.01.15) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) C – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) D – Cota de Despesa a Aprovar (29311.01.15) C – Cota de Despesa a Receber (29311.01.03) OBSERVAÇÃO Repare que, o “item” da Cota de Despesa é “01”, seguindo o mesmo raciocínio das PPF. Então, com isso, as 4 contas com saldos remanescentes e que farão parte da seqüência do processo de programação financeira serão a “Cota Financeira a Liberar” (COFIN/STN), “Cota Financeira a Receber” (OSPF – Órgão Superior da Adm. Direta), “Cota de Despesa a Liberar” (COFIN/STN) e a “Cota de Despesa a Receber” (OSPF- Órgão Superior da Adm. Direta). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 98 FASE 5 – As OSPF do Órgão Superior da Administração Direta, de acordo com a PFA recebida do Órgão Central, realiza ajustes, cortes e remanejamentos na programação orçamentária e aprova a PPF das OSPF da Adm. Indireta subordinadas. FASE 6 – As OSPF do Órgão Superior da Administração Direta, de acordo com a PFA recebida do Órgão Central, realiza ajustes, cortes e remanejamentos na programação orçamentária e aprova a PPF das UG da Adm. Diretasubordinadas. DOCUMENTO(S) PF (podendo ser também por documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANC. PATRIM. COMPENSAÇÃO 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) C – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) D – Cota de Repasse a Liberar (19311.02.03) C – Cota de Repasse a Aprovar (19311.02.15) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Subordinado da Administração Indireta) D – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) C – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) D – Cota de Repasse a Aprovar (29311.02.15) C – Cota de Repasse a Receber (29311.02.03) 54.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) C – Cota Financeira Solicitada (19311.03.01) D – Cota de Sub-Repasse a Liberar (19311.04.03) C – Cota de Sub-Repasse a Aprovar (19311.04.15) 54.Y.ZZZ (UG Subordinada) D – Cota Financeira Solicitada (29311.03.01) C – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) D – Cota de Sub-Repasse a Aprovar (29311.04.15) C – Cota de Sub-Repasse a Receber (29311.04.03) OBSERVAÇÃO Após o fim do processo de programação financeira, as contas com saldos remanescentes e que farão parte da seqüência do processo de programação financeira serão a “Cota Financeira a Liberar” (OSPF – Órgão Superior da Adm. Direta), “Cota Financeira a Receber” (OSPF – Órgão Subordinado da Adm. Indireta e UG Subordinada), “Cota de Repasse a Liberar” (OSPF – Órgão Superior da Adm. Direta), “Cota de Repasse a Receber” (OSPF – Órgão Subordinado da Adm. Indireta). E, ainda, “Cota de Sub-Repasse a Liberar” (OSPF – Órgão Superior da Adm. Direta), “Cota de Sub-Repasse a Receber” (UG Subordinada). Pode haver um questionamento neste ponto acerca da classificação das contas. Por que, por exemplo, a conta “Cota de Despesa a Receber” ou “Cota de Repasse a Receber” figuram no passivo compensado e não no ativo, já que é um direito da unidade recebedora/solicitante? Deve-se ao fato de ter sido convencionado que a Unidade descentralizadora contabilizaria as contas de ativo compensado (no que se refere apenas à programação financeira) e a favorecida ou solicitante as contas de passivo compensado. Isto não traz grandes problemas pois são “potencialidades” e não integram o patrimônio objeto da Contabilidade, e constitui-se em um controle apenas. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 99 6.14. Liberação das Cotas de Despesa Aprovadas (Execução da PFA) Tratou-se, até aqui, somente as potencialidades, ou seja, o trâmite do orçamento aprovado e o trâmite da programação financeira. À partir deste momento em diante, serão tratados os fatos contábeis propriamente ditos, entendidos como aqueles fatos que alteram as contas patrimoniais através de fatos permutativos ou modificativos (aumentativos ou diminutivos). Mas não significa que a execução orçamentária e da programação financeira não sofram mais registros, mas, pelo contrário, elas irão acompanhar todos os estágios, concomitantemente, até o final do exercício financeiro. Nos itens 6.5 e 6.6 deste tópico foram vistas partes dos fatos contábeis permutativos e modificativos quando foi estudada a efetiva arrecadação das receitas, mas, de agora em diante, será dada ênfase aos reflexos que os fatos contábeis trazem ao patrimônio, objeto da Contabilidade. Após o processo de programação financeira e a efetiva arrecadação das receitas, a STN/MF e as OSPF de Órgãos Superiores da Adm. Direta realizam a descentralização financeira propriamente dita para as OSPF de Entidades da Adm. Indireta e para as Unidades Gestoras Subordinadas, que consiste na efetiva transferência dos recursos programados na etapa anterior. As OSPF de Entidades da Adm. Indireta e as Unidades Gestoras Subordinadas, de posse do orçamento aprovado (dotações) e da efetiva disponibilidade de caixa, à partir de então, estarão aptas a executar o orçamento através dos estágios da despesa, que consistem no empenho, na liquidação e no pagamento, ou seja, poderão firmar contratos, comprar bens móveis, pagar pessoal etc. Agora, serão vistos os lançamentos da efetiva liberação de recursos previstos na programação financeira aprovada (PFA). DOCUMENTO(S) OB (que pode ser gerada também pelo CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAM. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 70.Y.ZZZ (COFIN/STN) D – Interferência Passiva – Cota Concedida (51211.00.00) C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) D – Cota Financeira Liberada (19311.03.03) C – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) D – Cota de Despesa Liberada (19311.01.04) C – Cota de Despesa a Liberar (19311.01.03) 55.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 100 70.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) C – Interferência Ativa – Cota Recebida (61211.00.00) D – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) C – Cota Financeira Recebida (29311.03.03) D – Cota de Despesa a Receber (29311.01.03) C – Cota de Despesa Recebida (29311.01.04) 70.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Interferência Passiva – Repasse Concedido (51212.00.00) C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) D – Cota Financeira Liberada (19311.03.03) C – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) D – Cota de Repasse Liberada (19311.02.04) C – Cota de Repasse a Liberar (19311.02.03) 55.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Subordinado da Administração Indireta) D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 70.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Subordinado da Administração Indireta) C – Interferência Ativa – Repasse Recebido (61212.00.00) D – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) C – Cota Financeira Recebida (29311.03.03) D – Cota de Repasse a Receber (29311.02.03) C – Cota de Repasse Recebida (29311.02.04) 70.Y.ZZZ (OSPF de Órgão Superior) D – Interferência Passiva – Sub-Repasse Concedido (51213.00.00) C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) D – Cota Financeira Liberada (19311.03.03) C – Cota Financeira a Liberar (19311.03.02) D – Cota de Sub-Repasse Liberada (19311.04.04) C – Cota de Sub-Repasse a Liberar (19311.04.03) 55.Y.ZZZ (UG Subordinada) D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 70.Y.ZZZ (UG Subordinada) C – Interferência Ativa – Sub-Repasse Recebido (61213.00.00) D – Cota Financeira a Receber (29311.03.02) C – Cota Financeira Recebida (29311.03.03) D – Cota de Sub-Repasse a Receber (29311.04.03) C – Cota de Sub-Repasse Recebida (29311.04.04) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 101 OBSERVAÇÃO Finalização do Processo de Programação Financeira A Programação Financeira encerra-se (em termos) com a liberação efetiva das cotas, repasses e sub-repasses arrecadados. Veja que as contas do ativo e passivo compensado não sofrerão mais lançamentos, pois os valores já foram recebidos, mas é necessário ter em mente que este processo ocorre durante todo o exercício à medida em que ocorrerem as arrecadações previstas peloDecreto de Programação Financeira e de acordo com os pagamentos de despesas a serem efetuados. Início da Execução Financeira e Patrimonial À partir deste ponto, as UG estão aptas a empenhar, liquidar e pagar as suas despesas pois já têm em seu poder recursos orçamentários e financeiros disponíveis. O registro do recebimento das cotas, repasses e sub-repasses são variações ativas orçamentárias conhecidas como interferências ativas. Como vimos no tópico que trata das Variações Patrimoniais, há modificação da situação líquida patrimonial para maior (fato modificativo aumentativo). O evento 70, apesar de ser um evento “aberto” de natureza devedora, é a contrapartida de um evento 55 de natureza devedora também. Isto deve-se ao fato de um mesmo evento da Classe 70 registrar a interferência ativa (a crédito) nas Unidades recebedoras e ao mesmo tempo a interferência passiva nas Unidades que liberam os recursos aprovados (a débito). 6.15. Empenho da Despesa O estágio do empenho da despesa consiste em “retirar” das dotações orçamentárias contidas na LOA, os recursos necessários para que as Unidades possam dar andamento à execução orçamentária, financeira e patrimonial. Segundo a Lei 4.320/1964, “empenho é o ato emanado de autoridade competente (chefe do executivo ou outros, por delegação de competência) que cria para o estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição”. O empenho não cria obrigação e sim ratifica a garantia ao fornecedor de pagamento. O empenho é sempre anterior à execução da despesa, portanto, não existe empenho posterior. O que pode haver é um posterior reforço do empenho já existente. É vedada a realização de despesa (pagamento) sem prévio empenho. Empenho DOCUMENTO(S) NE (acionará eventos de máquina) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANC. PATRIM. COMPENS. 40.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Crédito Disponível (29211.00.00) C – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) D – Emissão de Empenhos (19241.01.01) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – Valores em Liquidação (29241.04.01) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 102 D – Empenhos por Modalidade de Licitação (19241.02.ZZ) C – Empenhos a Liquidar (29241.01.01) D – Valores Comprometidos (19241.04.01) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) OBSERVAÇÃO Nestes lançamentos, pode-se ver que o empenho da despesa gera uma série de controles por meio das partidas dobradas. Além da baixa do crédito disponível da UG, tem-se os lançamentos de controle da emissão de empenhos (19241.01.01, dos valores que estão em liquidação (29241.04.01), dos empenhos detalhados pela modalidade de licitação ou pela inexigibilidade ou dispensa da mesma (19241.02.ZZ e 29241.02.ZZ) e o dos empenhos detalhados pelo credor (19241.04.ZZ). Parece muito complexo, mas quando os lançamentos são analisados com atenção, vê-se a lógica dos controles por empenho. O controle por essas contas relativas ao empenho estarão presentes em todas as fases da despesa, em lançamentos concomitantes com os dos outros sistemas de contas. Nota-se que no estágio do empenho, só há lançamentos nas contas do sistema orçamentário. As contas de controle da programação financeira estarão presentes no próximo estágio da despesa que é a liquidação. Reforço do Empenho da Despesa DOCUMENTO(S) NE (acionará eventos de máquina) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANC. PATRIM. COMPENS. 40.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Crédito Disponível (29211.00.00) C – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) D – Reforço de Empenhos (19241.01.02) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – Empenhos a Liquidar (29241.01.01) D – Empenhos por Modalidade de Licitação (19241.02.ZZ) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) D – Valores Comprometidos (19241.04.01) C – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) C – Valores em Liquidação (29241.04.01) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 103 OBSERVAÇÃO Trata-se da adição de um determinado montante ao empenho para cobrir despesas que possam exceder o valor do mesmo. Geralmente são utilizados para ajuste dos empenhos por estimativa. Anulação do Empenho da Despesa DOCUMENTO(S) NE (acionará eventos de máquina) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANC. PATRIM. COMPENS. 40.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C – Crédito Disponível (29211.00.00) D – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) C – (*) Anulação de Empenho (19241.01.09) D – Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) D – (*)Outros Empenhos por Emissão (19241.99..00) C – Empenhos por Mod. De Licitação (19241.02.ZZ) D –Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) D – (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) C – Valores Comprometidos (19241.04.01) D – Valores em Liquidação (29241.04.01) C – (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) OBSERVAÇÃO É utilizado quando o empenho é superior ao valor da despesa incorrida. Geralmente é utilizado para ajustes nos empenhos por estimativa. Para que se entenda melhor o mecanismo do empenho e seu respectivo reforço ou anulação, pode-se analisar os razonetes contábeis em que o nº (1.X) representa os lançamentos do empenho propriamente dito e suas contrapartidas, (2.Y) representa os lançamentos do reforço do empenho e (3.Z) representa os lançamentos de anulação do empenho. As colunas de débito ou crédito sombreadas indicam a natureza da conta (devedora ou credora). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman - - 104 Crédito Disponível (29211.00.00) D C (1.1) (2.1) (Saldo inicial da UG) (3.1) Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) D C (3.1) (1.1) (2.1) Emissão de Empenhos (19241.01.01) D C (1.2) (*) Outros Empenhos por Emissão (19241.99.00) D C (3.2) (3.4) (3.6) (1.2) (1.5) (1.6) (2.2) (2.4) (2.5) (2.6) (*) Outras Emissões de Empenho (29241.99.00) D C (1.3) (1.6) (1.7) (2.3) (2.5) (2.7) (3.3) (3.5) (3.7) Valores em Liquidação (29241.04.01) D C (3.7) (1.3) (2.7) Empenhos por Mod. De Licitação (19241.02.ZZ) D C (1.4) (2.4) (3.4) Empenhos a Liquidar (29241.01.01) D C (3.3) (1.4) (2.3) Valores Comprometidos (19241.04.01) D C (1.5) (2.5) (2.6) (3.6)Reforço de Empenhos (19241.01.02) D C (2.2) Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) D C (3.5) (1.7) (2.5) (*) Anulação de Empenhos (19241.01.09) D C (3.2) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -105- Para entender melhor o que ocorre com as contas no estágio do empenho, segue a listagem (simplificada) de algumas das contas envolvidas e suas devidas classificações no Plano de Contas. ATIVO COMPENSADO PASSIVO COMPENSADO 19240.00.00 – Execução da Despesa 19241.01.00 – Empenhos por Emissão 19241.01.00 – Empenhos por Nota de Empenho 19241.01.01 – Emissão de Empenhos 19241.01.02 – Reforço de Empenhos 19241.01.09 – (*) Anulação de Empenhos 19241.02.00 – Empenhos por Mod. De Licitação 19241.02.01 – Concurso 19241.02.02 – Convite 19241.02.ZZ - ... (dispensa, inexigível etc) 19241.04.00 – Empenhos por Credor 19241.04.01 – Valores Comprometidos 19241.99.00 – (*) Outros Empenhos por Emissão 29240.00.00 – Execução da Despesa 29241.01.00 – Emissão de Empenhos 29241.01.00 – Empenhos por Nota de Empenho 29241.01.01 – Empenhos a Liquidar 29241.01.02 – Empenhos Liquidados 29241.02.00 – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar 29241.02.01 – Concurso 29241.02.02 – Convite 29241.02.ZZ - ... (dispensa, inexigível etc) 29241.03.00 – Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado 29241.03.01 – Concurso 29241.03.02 – Convite 29241.03.ZZ - ... (dispensa, inexigível etc) 29241.04.00 – Empenhos por Credor 29241.04.01 – Valores em Liquidação 29241.04.02 – Valores Liquidados a Pagar 29241.04.03 – Valores Pagos 29241.99.00 – (*) Outras Emissões de Empenho 6.16. Liquidação da Despesa do Exercício A Liquidação, segundo a Lei 4.320/1964, “...consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito”. Ainda, segundo a lei “...essa verificação tem por fim apurar a origem e objeto do que se deve pagar, a importância exata a pagar, a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. À partir deste momento, se inicia a execução financeira e patrimonial, pois até agora só foram tratadas as execuções orçamentárias e da programação financeira. Depreende-se da Lei 4.320/1964 que a liquidação ocorre no momento em que, prestado o serviço ou entregue a mercadoria, por exemplo, cria para a Unidade a obrigação de pagar um valor certo a um credor definido pelo documento de origem do objeto do pagamento, ou seja, a Nota Fiscal, o Recibo de Pagamento, a Solicitação de Diárias, etc. A obrigação já existe, mas não necessariamente ocorrerá o pagamento no mesmo momento, pois, trata-se do 3º e último estágio da despesa que é o pagamento. A liquidação, inclusive, pode ocorrer em exercício diverso do empenho que é o caso dos Restos a Pagar Não-Processados (ou não Liquidados), assim como o pagamento pode ocorrer em exercício diverso do da liquidação, que é o caso dos Restos a Pagar Processados (ou Liquidados). O estágio da Liquidação da Despesa tem sido feita primordialmente pelo Subsistema de Contas a Pagar e a Receber – CPR como já foi visto no tópico específico através de “eventos de máquina” gerados pelas situações e/ou deduções selecionadas no documento hábil. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -106- O exemplo a seguir refere-se a liquidação de despesas correntes, tratando-se, portanto de um fato modificativo, pois haverá a redução da situação patrimonial líquida pela ocorrência da despesa orçamentária sem ocorrer uma mutação ativa pelo aumento do ativo. Na liquidação, o evento da Classe 51 (ou 61) é comumente utilizado com um evento da Classe 52 que irá fazer o registro da obrigação a pagar no passivo. DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa Corrente (33XXX.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO É necessário notar que, no momento da Liquidação, todas as contas com saldos remanescentes do estágio do empenho são “baixadas”. Cada controle (por credor, por nota de empenho, por modalidade de licitação) tem seus saldos transferidos para a respectiva conta “liquidados”. Foi visto no tópico “tabela de eventos” que tanto os eventos da Classe 51 quanto da Classe 52 são abertos e possuem, respectivamente, naturezas devedora e credora. Isto fica evidenciado no lançamento acima, já que o débito na conta de despesa da Classe 51, corresponderá a um crédito na conta de passivo “obrigações a pagar” na Classe 52. Quando há utilização dos recursos de programação financeira, é necessário também contabilizar no sistema de compensação, a baixa das contas de disponibilidades financeiras. Estes lançamentos, a título de exemplo, equivalem à situação “P01” do CPR. Os lançamentos de liquidação vistos acima, referem-se a um fato modificativo (altera a situação líquida patrimonial). E no caso de um fato contábil permutativo, geralmente ocasionado pela incorrência de uma despesa de capital, como ficariam os lançamentos? Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -107- DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa de Capital (34XXX.YY.ZZ) D – Ativo (1XXXX.YY.ZZ) C – Mutação Ativa (613XX.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (2121X.YY.ZZ)OBSERVAÇÃO A única diferença para os lançamentos do fato modificativo (lançamento anterior) é a partida dobrada no sistema patrimonial, fazendo com que a mutação ativa “anule” a despesa de capital, caracterizando, dessa forma, o fato permutativo. 6.17. Restos a Pagar As despesas empenhadas e não pagas até 31 de dezembro são consideradas restos a pagar, dividindo-se em processadas (liquidadas) e não processadas (não liquidadas). A inscrição de restos a pagar é feita de modo automático. Na União, as despesas liquidadas irão constituir os restos a pagar processados, enquanto que aquelas não liquidadas poderão ou não serem inscritas em restos a pagar não processados. Ainda, na União, os critérios para inscrição de restos a pagar não processados são os seguintes: - ainda vigente prazo para cumprimento da obrigação assumida pelo credor; - vencido prazo para cumprimento da obrigação, mas esteja em curso a liquidação da despesa, ou seja, de interesse da administração exigir o cumprimento da obrigação assumida pelo credor; - se destinar a atender transferências a instituições públicas ou privadas; e - corresponder a compromisso assumido no exterior. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -108- Inscrição de Restos a Pagar Não-Processados (Não Liquidados) Suponha que a Unidade empenhou determinada despesa no ano de X1 e o fornecedor ainda não concluiu o serviço ou não entregou o bem que foi objeto da despesa apesar de ainda estar dentro do prazo estipulado, ou seja, não houve a liquidação, ou então, enquadrou-se em um dos casos que a Lei 4.320/1964 prevê como restos a pagar não-processados. No caso exemplificado, deve ocorrer a inscrição em restos a pagar não- processados de despesas correntes. Esta inscrição dá-se de 2 formas: automática, no encerramento do exercício quando são definidas as normas de encerramento das Unidades ou então pelo próprio Gestor, através de NL com o evento 54.0.000. DOCUMENTO(S) NL quando o gestor inscreve ou por processamento automático no encerramento do exercício. CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.000 (Pelo Gestor) ou Processamento Automático D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Empenhos Inscritos em Restos a Pagar (29241.04.05) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa Corrente (33XXX.YY.ZZ) C – Restos a Pagar Não Processados a Liquidar (21216.02.02) D – Inscrição de Restos a Pagar (19510.00.00) C – Restos a Pagar a Liquidar (29510.00.00) D – Inscrição de Restos a Pagar (19241.05.05) C – (*) Outras Inscrições de RP (19241.05.99) D - (*) Outras Inscrições de RP (29241.05.99) C – Inscrição de Restos a Pagar (29241.05.05) D – RP por Empenho (19581.00.00) C – RP por Empenho (29581.00.00) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) OBSERVAÇÃO É necessário notar que, no momento da inscrição em Restos a Pagar não- processados, ocorre a liquidação do empenho relativo ao exercício do mesmo e os valores que estavam “em liquidação” são transferidos para “empenhos inscritos em restos a pagar”. A Despesa foi empenhada e, portanto, dado o princípio da anualidade do Orçamento, deve ser reconhecida no exercício em que foi empenhada (Lei 4.320/1964) e a sua contrapartida será uma conta de “restos a pagar não- processados”, não especificando a natureza da obrigação. A inscrição em restos a pagar irá gerar controles específicos nas contas do ativo e passivo compensado que são contabilizadas no “sistema de compensação” que têm a função de controlar os RP por credor (X9241.YY.ZZ) e por Nota de Empenho (195XX.YY.ZZ e 295XX.YY.ZZ) pelos respectivos contas-correntes. Como são envolvidas contas do sistema financeiro, é necessário baixar as disponibilidades do controle de programação financeira. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -109- Restos a Pagar Processados (Liquidados) Quanto aos restos a pagar processados não há nenhuma contabilização a ser feita, pois só resta o estágio do pagamento, que será feito no exercício subseqüente ao da inscrição. Depois que ocorre a liquidação dentro do mesmo exercício do empenho, a inscrição é automática pois o valor a pagar já consta no passivo financeiro e os valores dos empenhos já foram baixados e liquidados. Cancelamento de Restos a Pagar Não Processados O saldo de restos a pagar não processados possui o prazo de 1 (um) exercício financeiro para ser liquidado, caso contrário, deverá ser cancelado ao final do exercício, apesar do credor poder fazer valer o seu direito de recebimento pelo prazo de 5 (anos) a contar da data da inscrição (Lei 4.320/1964). DOCUMENTO(S) NE CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 40.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Restos a Pagar Não Processados a Liquidar (21216.02.02) C – Desincorporação de Obrigações - Restos a Pagar (62331.05.00) D – Restos a Pagar a Liquidar (29510.00.00) C – (*) Cancelamento de Restos a Pagar (1959X.00.00) D–Restos a Pagar a Liquidar(29241.05.01) C – (*) Cancelamento de Restos a Pagar Não Processados (29241.05.09) D – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) C – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) OBSERVAÇÃO O cancelamento de Restos a Pagar será contabilizado por um evento da Classe 40 pois refere-se ao cancelamento de um empenho e será realizada por NE com eventos de máquina. Todas as contas dos respectivos sistemas que registravam os RP a Liquidar devem ser baixadas, assim como a disponibilidade gerada pela programação financeira. No sistema financeiro, ocorre uma variação ativa independente da execução orçamentária (insubsistência do passivo ou insubsistência ativa) alterando a situação líquida patrimonial. Liquidação de Restos a Pagar Não Processados Após a despesa ser empenhada no exercício anterior sem a devida liquidação (RP Não-Processados), ocorreu, no exercício corrente, a entrega do objeto do empenho ou a prestação do serviço. Este fato caracteriza a liquidação dos Restos a Pagar Não-Processados. À partir de então, torna-se líquido e certo o direito do credor e faltará apenas o estágio do pagamento. O RP Não-Processado não tem mais como ser cancelado ao final do exercício. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -110- DOCUMENTO(S) NS (pelo subsistema CPR) e NL (pelo Gestor) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 61.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Restos a Pagar Não Processados a Liquidar (21216.02.02) D – Restos a Pagar a Liquidar (29510.00.00) C – Restos a Pagar Liquidados (29540.00.00) 52.1.ZZZ (Na UnidadeGestora Executora) C – Obrigações a Pagar (2121X.YY.ZZ) D–Restos a Pagar a Liquidar (29241.05.01) C – Restos a Pagar Liquidados no Exerc. Corrente (29241.05.02) OBSERVAÇÃO Na Liquidação dos Restos a Pagar Não-Processados a conta “genérica” de passivo financeiro “restos a pagar não-processados a liquidar” é transferida para a obrigação correspondente, de acordo com a sua natureza. No sistema de compensação há a baixa das contas de controle de “restos a pagar a liquidar” com controles por empenho e por credor. Pode ocorrer que a liquidação de RP Não-Processados seja referente a um fato permutativo, por exemplo, a aquisição de material de consumo. Neste caso, os lançamentos seriam os mesmos, no entanto, teria mais um lançamento no sistema patrimonial registrando uma conta de variação ativa – acréscimos patrimoniais (623XX.YY.ZZ) a crédito e débito da conta de ativo (1XXXX.YY.ZZ) que foi adquirido. 6.18. Pagamento de Despesas do Exercício Já foram vistos os 2 primeiros estágios da despesa – empenho e liquidação – falta-nos verificar os reflexos da contabilização do pagamento tanto das despesas do próprio exercício, quanto a de exercícios anteriores (Restos a Pagar Processados e Não-Processados). Caracterizando o último estágio da despesa. O pagamento deverá originar-se da efetiva arrecadação da receita e o registro correspondente na Conta Única do Tesouro Nacional e na conta de controle “Limite de Saque c/ Vinculação de Pagamento” conforme foi visto no item 6.5. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -111- DOCUMENTO(S) OB CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 53.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Obrigações a Pagar (2121X.YY.ZZ) D – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) C – Valores Pagos (29241.04.03) Na COFIN/STN D – Recursos a Liberar para Vinc. De Pagamento (21216.04.00) 56.Y.ZZZ Na UG Executora C – Limite de Saque c/ Vinculação de pagamento (11216.04.00) Na UG Executora D – Pagamentos Efetuados (19321.07.01) C – (*) Outros pagamentos (19321.07.99) 70.Y.ZZZ Na COFIN/STN C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.YY) OBSERVAÇÃO Observe que o evento da Classe 53 de natureza devedora “fecha” a partida dobrada com o evento da Classe 56 de natureza credora na UG Executora. E o evento da Classe 70 de natureza devedora “fecha” com o evento 56 porque o crédito da Conta Única da UG deve corresponder a um débito na COFIN/STN (Órgão Central de Programação Financeira) responsável pelo controle da Conta Única. O CPR, no momento da realização, irá acionar automaticamente todos estes eventos. As contabilizações do evento da Classe 56 referem-se às contas de controle do limite de saque das UG, que corresponde ao limite autorizado para a UG dispor da Conta Única segundo a execução da programação financeira. 6.19. Pagamento de Restos a Pagar Os Restos a Pagar Processados só necessitam cumprir a última fase da despesa que é o pagamento. Já os Restos a Pagar Não-Processados necessitam da liquidação, que foi vista no item anterior, e do pagamento da obrigação empenhada no exercício anterior e liquidada no exercício corrente. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -112- Restos a Pagar Não-Processados (Despesa Já Liquidada no Ex. Corrente) DOCUMENTO(S) OB CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 53.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Obrigações a Pagar (2121X.YY.ZZ) D – Restos a Pagar Liquidados no Exercício Corrente (29241.05.02) C – Restos a Pagar Não- Processados pagos (29241.05.03) D – Restos a Pagar Liquidados (29540.00.00) C – Restos a Pagar Pagos (29520.00.00) Na COFIN/STN D – Recursos a Liberar para Vinc. De Pagamento (21216.04.00) 56.Y.ZZZ Na UG Executora C – Limite de Saque c/ Vinculação de pagamento (11216.04.00) Na UG Executora D – Pagamentos Efetuados (19321.07.01) C – (*) Outros pagamentos (19321.07.99) 70.Y.ZZZ Na COFIN/STN C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.YY) OBSERVAÇÃO Observe que o evento da Classe 53 de natureza devedora “fecha” a partida dobrada com o evento da Classe 56 de natureza credora na UG Executora. E o evento da Classe 70 de natureza devedora “fecha” com o evento 56 porque o crédito da Conta Única da UG deve corresponder a um débito na COFIN/STN (Órgão Central de Programação Financeira) responsável pelo controle da Conta Única. O CPR, no momento da realização, irá acionar automaticamente todos estes eventos. As contabilizações do evento da Classe 56 referem-se às contas de controle do limite de saque das UG, que corresponde ao limite autorizado para a UG dispor da Conta Única segundo a execução da programação financeira. Restos a Pagar Processados (Despesa Liquidada no Ex. Anterior) DOCUMENTO(S) OB CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 53.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Obrigações a Pagar (2121X.YY.ZZ) D – Restos a Pagar Liquidados no Ex. Anterior (29241.05.08) C – Restos a Pagar Processados Pagos (29241.05.10) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -113- Na COFIN/STN D – Recursos a Liberar para Vinc. De Pagamento (21216.04.00) 56.Y.ZZZ Na UG Executora C – Limite de Saque c/ Vinculação de pagamento (11216.04.00) Na UG Executora D – Pagamentos Efetuados (19321.07.01) C – (*) Outros pagamentos (19321.07.99) 70.Y.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) Na COFIN/STN C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.YY) OBSERVAÇÃO Os lançamentos e eventos utilizados são semelhantes aos do pagamento do RP Não-Processado. A única diferença está no lançamento do “sistema de compensação” do evento da Classe 53. 6.20. Despesas de Exercícios Anteriores Como já foi visto, são quatro os casos de despesas de exercícios anteriores: - Despesa de exercícios encerrados não processados na época própria; - Restos a pagar com prescrição interrompida; - Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício financeiro criados em virtude de lei; - Valor inscrito em restos a pagar menor que o valor real da despesa a ser paga. Despesas que não se tenham processado na época própria são aquelas cujo empenho tenha sido considerado insubsistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, mas que, dentro do prazo estabelecido, o credor tenha cumprido sua obrigação. Restos a Pagar com prescrição interrompida são as despesas cuja inscrição como restos a pagar tenham sido canceladas, mas ainda vigente o direito do credor. Compromissos reconhecidos após o encerramento do exercício são as obrigações de pagamento criadas em virtude de lei, mas somente reconhecido o direito do reclamante após o encerramento doexercício correspondente. As Despesas de Exercícios Anteriores são aquelas cuja emissão do empenho ocorre no exercício atual referente a despesa do exercício anterior. É necessário ressaltar que as despesas de exercícios anteriores exigem novo empenho, nova liquidação e o pagamento (já tratados anteriormente), já que o orçamento do exercício a que pertence a despesa já foi encerrado e não há Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -114- como “empenhar retroativamente”. Por isso, ocorre a oneração do exercício corrente quando trata-se de despesas de exercícios anteriores. Um exemplo é algum direito devido a um servidor que, por inércia deste, foi solicitado no exercício seguinte ao início do benefício que tinha direito (salário-família por exemplo). Neste caso, a Unidade não tem mais como empenhar a despesa no exercício anterior, mas o valor é devido e, portanto, deve-se onerar o orçamento do exercício corrente com um novo empenho. O mesmo ocorre com os Restos a Pagar que não foram liquidados (não Processados) até o final do exercício seguinte àquele em que a despesa foi empenhada. Neste caso, sendo devido, o pagamento correrá por conta de despesas de exercícios anteriores, onerando o orçamento corrente. 6.21. Dívida Ativa A Lei 4.320/1964 em seu art. 39 define que “os créditos da fazenda pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias”. Vê-se no trecho da citada Lei a presença do “regime de caixa” para as receitas. A Dívida Ativa é uma exceção a esse Regime de Caixa. A Dívida Ativa está prevista no art.39 § 1º: “...os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a receita será escriturada a esse título.” O crédito da fazenda para com o particular exige que se cumpram os 3 estágios: lançamento, arrecadação e recolhimento. O lançamento consiste em verificar o devedor, definir o montante a ser pago por ele e, ainda, identificar a natureza do crédito. Após o transcurso do prazo exigido, para que o devedor pague o valor devido (arrecadação), o Poder Público verifica a liquidez e certeza do crédito e o inscreve na Dívida Ativa. Trata-se de uma exceção ao regime de caixa, pois a fazenda pública reconhece o direito para com o devedor mesmo sem o devido recebimento. A própria Lei 4.320/64 estabelece que “pertencem ao exercício, as receitas nele arrecadadas”. Se não houve a arrecadação, como reconhecer a receita? No âmbito da União cabe à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN a tarefa de apurar a liquidez e certeza do crédito e a determinação de sua inscrição na Dívida Ativa após o transcurso do prazo para pagamento. É necessário, pela legislação, que o crédito seja exigível e esteja vencido. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -115- Inscrição da Dívida Ativa A Inscrição da Dívida Ativa deverá ocasionar um aumento da situação patrimonial líquida (fato modificativo) pois há um aumento de um ativo (direito a receber) sem a diminuição de um outro ativo ou o aumento do passivo. Trata- se de um Acréscimo Patrimonial. DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Dívida Ativa (12211.00.00) C – Acréscimos Patrimoniais - Incorporação de Direitos (62317.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Não há segredo no lançamento da inscrição da Dívida Ativa. Basta reconhecer o direito a receber e a conta de Variação Ativa – Superveniência Ativa – Acréscimos Patrimoniais – Incorporação de Direitos. Isto, após da autorização da PGFN e apuração da sua liquidez e certeza. Recebimento da Dívida Ativa Após sua inscrição, suponha que o devedor recolha mo montante devido com as devidas atualizações. DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 55.0.ZZZ D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 80.0.ZZZ D – Receita Realizada (19114.00.00) C –Receita a Realizar (19111.00.00) C – Receita da Dívida Ativa (4193X.YY.ZZ) D – Mutação Passiva – Dívida Ativa (51312.02.00) C –Dívida Ativa (12211.00.00) OBSERVAÇÃO Neste lançamento voltamos ao regime de caixa para as receitas, pois, mesmo a receita da Dívida Ativa sendo de exercício anterior, a receita decorrente de seu recebimento será considerada no exercício em que for arrecadada. Por isso, no sistema orçamentário e no financeiro registra-se a receita e a entrada em caixa e no sistema patrimonial deve-se baixar a conta de Ativo gerada na inscrição. Trata-se de um fato permutativo, pois a receita é compensada pela mutação passiva. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -116- Cancelamento da Dívida Ativa O Direito da Fazenda Pública de cobrar o crédito tributário ou não tributário, em regra, prescreve em 5 (cinco) anos a contar da data do lançamento (e não da inscrição em Dívida Ativa). Suponha que, decorridos esses 5 anos, não houve recebimento. Assim, o Poder Público deverá registrar a baixa de direitos a receber. DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.ZZZ D – Decréscimos Patrimoniais – Desincorporação de Direitos (51312.02.00) C –Dívida Ativa (12211.00.00) OBSERVAÇÃO Quando há o cancelamento, altera a situação líquida patrimonial pois há uma variação passiva - insubsistência passiva ou insubsistência do ativo – decréscimos patrimoniais - desincorporação de direitos. 6.22. Operações de Crédito As operações de crédito são receitas de capital decorrente basicamente da colocação de títulos públicos ou de empréstimos obtidos junto a agentes financeiros e de fomento nacionais e internacionais. A grosso modo, seria uma receita decorrente de um empréstimo, sobre o qual correrão juros e que deverá ser amortizado em um período pré-definido. Recebimento do Crédito Trata-se de um fato permutativo, pois a Unidade irá contrair um determinado montante de disponibilidade e , ao mesmo tempo, haverá o registro de um passivo. No entanto, orçamentariamente, deve-se reconhecer todo e qualquer ingresso de recursos como receita. Neste caso, trata-se de uma receita orçamentária não-efetiva que gera uma mutação passiva. DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 55.0.ZZZ D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 80.0.ZZZ D – Receita Realizada (19114.00.00) C –Receita a Realizar (19111.00.00) C – Receita de Operações de Crédito (421XX.YY.ZZ) D – Mutação Passiva – Operações de Crédito (51331.00.00) C –Obrigações a Longo Prazo (222XX.YY.ZZ) TópicosContemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -117- OBSERVAÇÃO A operação de crédito é reconhecida pela legislação como receita de capital. É necessário notar que trata-se de um fato permutativo, pois há o ingresso na disponibilidade e o reconhecimento de um passivo. O fato contábil acima demonstrado refere-se à Dívida Fundada ou Consolidada, pois ocorreu o registro na conta de passivo exigível a Longo Prazo. O outro tipo de Dívida, a Flutuante, são registradas no passivo financeiro e são decorrentes das atividades normais das Unidades (restos a pagar, depósitos de terceiros, fornecedores a pagar etc) Atualização (Serviços da Dívida) A dívida contraída pelas operações de crédito devem sofrer atualizações monetárias e incorrer em juros. Isto chama-se “serviço da dívida”. Tanto as atualizações monetárias, os juros a pagar quanto às amortizações devem ser devidamente empenhadas, liquidadas e pagas durante o exercício. Os estágios de empenho, liquidação e pagamento já foram tratados anteriormente. Portanto, não será demonstrado o lançamento específico, mas é necessário ressaltar que trata-se de Despesas Correntes Orçamentárias (332XX.YY.ZZ). Amortização da Dívida A amortização da Dívida também deve ser empenhada, liquidada e paga durante o exercício financeiro. Também não serão demonstrados os lançamentos, pois são quase iguais aos de qualquer empenho e aos da liquidação relativa a fatos permutativos. É necessário ressaltar, apenas, que, enquanto os juros e correções sobre o valor devido constituem despesas orçamentárias correntes, a amortização do principal da Dívida é uma Despesa Orçamentária de Capital (346XX.YY.ZZ). 6.23. Empréstimos Concedidos E no caso da concessão de empréstimos pelo Poder Público, como deve ser o registro? Seguem a mesma lógica das operações de crédito (empréstimos obtidos). Para ocorrer a sua concessão, as Despesas Orçamentárias (como devem ser consideradas) deverão ser empenhadas, liquidadas e pagas aos devedores. Registro Antes da liquidação, deverá ocorrer a baixa do crédito disponível (ver lançamento do empenho). Na liquidação ocorre o efetivo registro da Despesa Orçamentária de Capital ocasionada por um fato contábil permutativo, pois, há saída de disponibilidade e, em contrapartida, há o reconhecimento de um Ativo, um direito a receber para com terceiros. A Classificação dada é Despesa de Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -118- Capital - Inversões Financeiras - Concessão de Empréstimos e Financiamentos (345XX.YY.ZZ). Atualização e Amortização O recebimento das atualizações e amortizações devem ser consideradas receita do exercício em que ocorrer o seu devido pagamento, respeitando-se, dessa forma, o regime de caixa para as receitas. Os recebimentos das atualizações serão receitas correntes oriundas de fatos modificativos (4191X.YY.ZZ), enquanto que as amortizações serão receitas de capital oriundas de fatos permutativos (423XX.YY.ZZ), pois haverá o recebimento de disponibilidade em contrapartida de uma redução no ativo, ou seja, a troca de um ativo por outro. 6.24. Registro de Assinatura de Contratos Trata-se do registro das “potencialidades” que estão no campo de aplicação da Contabilidade Governamental brasileira e que foi tema desta obra em tópico anterior. A Lei 4.320/1964 em seu art. 87 estabelece: “Haverá controle contábil dos direitos e obrigações oriundos de ajustes ou contratos em que a administração pública for parte”. Neste ponto, a lei obriga que haja escrituração contábil dos fatos contábeis originados de atos administrativos (e não fatos administrativos), ou seja, das potencialidades de afetação do patrimônio líquido. Esta escrituração, a princípio, não altera a situação patrimonial líquida e são feitas em contas contábeis do sistema de compensação, nas chamadas compensações ativas e passivas diversas (X99XX.YY.ZZ). As compensações ativas detalham a natureza do contrato (ex.: 19971.01.00 – Contrato com Terceiros – de Serviços) e as compensações passivas apenas evidenciam se o controle refere-se a “valores, títulos e bens sob responsabilidade” (29910.00.00), “valores em garantia” (29950.00.00), “direitos e obrigações conveniadas”(29960.00.00), “direitos e obrigações contratadas”(29970.00.00) e “compensações diversas”(29990.00.00). O lançamento da assinatura de um contrato é da seguinte forma: DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.ZZZ D – Direitos e Obrigações Contratuais - Contratos (1997X.YY.ZZ) C –Direitos e Obrigações Contratadas (29970.00.00) OBSERVAÇÃO Não há variação no patrimônio, nem permutação, pois trata-se de uma potencialidade e não de um fato contábil propriamente dito. A contabilização ocorre por força da Lei 4.320/1964. A simples assinatura do contrato, deve originar os lançamentos pelo valor firmado que deverá ser baixado quando da liquidação da despesa. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -119- 6.25. Aquisição, Alienação e Baixa de Equipamentos e Materiais Permanentes As aquisições de bens móveis permanentes podem ser decorrentes de um contrato de fornecimento com uma empresa ou pessoa devidamente registrado, mas também podem não ser. De acordo com a legislação, em alguns casos deverá ser firmado o contrato para o fornecimento de bens, serviços etc. Esta peculiaridade terá reflexo nos lançamentos contábeis a serem realizados. O mesmo ocorre com os lançamentos que serão vistos nos itens seguintes (6.26 e 6.27). O empenho e o pagamento seguem os mesmos roteiros já tratados anteriormente neste tópico. A Lei 4.320/1964 em seu art. 15, § 2º define que : “Para efeito da classificação da despesa, considera-se material permanente o de duração superior a 2 (dois) anos”. Liquidação – Vinculada a Contratos DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa de Capital – Equipamentos e Material Permanente (34490.52.ZZ) D – Bens Móveis (14212.YY.ZZ) C – Mutação Ativa – Bens Móveis (61311.02.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) D –Direitos e Obrigações Contratadas (29970.00.00) C – Direitos e Obrigações Contratuais - Contratos de Fornecimento de Bens (19972.04.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidaçãojá visto anteriormente, a diferença está na baixa das contas que foram contabilizadas quando da assinatura do contrato. Isto significa que o valor total ou parte do valor contratado já foi executado pelo fornecedor dos bens. Outra diferença é que trata-se de um fato permutativo, pois há a despesa orçamentária compensada pela mutação ativa, não alterando a situação líquida patrimonial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -120- Liquidação - Sem Contratos DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa de Capital – Equipamentos e Material Permanente (34490.52.ZZ) D – Bens Móveis (14212.YY.ZZ) C – Mutação Ativa – Bens Móveis (61311.02.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. A única peculiaridade é que trata-se de um fato permutativo, pois há a despesa orçamentária compensada pela mutação ativa, não alterando a situação líquida patrimonial. Registro da Alienação ou Baixa de Bens Permanentes A baixa dos bens permanentes adquiridos podem ocorrer de diversas formas, entre elas, temos a doação, a alienação onerosa (venda) ou a baixa de bens por algum fator imprevisível (perda decorrente de fenômenos naturais ou de outra calamidade inevitável). Doações de Bens Permanentes DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.ZZZ (Na UG Doadora do bem) D – Decréscimos Patrimoniais (523XX.YY.ZZ) C – Bens Móveis (14212.YY.ZZ) 54.0.ZZZ (Na UG Recebedora do bem) D – Bens Móveis (14212.YY.ZZ) C – Acréscimos Patrimoniais (623XX.YY.ZZ) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -121- OBSERVAÇÃO Veja os lançamentos nas unidades doadoras e recebedoras do bem. Um único evento já contabiliza as contas nas duas UG. Não se trata de mutação, pois não é um fato permutativo, o que houve foi uma insubsistência do ativo ou desincorporação de ativos na doadora e, por sua vez, uma superveniência do ativo ou incorporação de ativos na recebedora. Este fato altera a situação líquida patrimonial das duas unidades. Neste caso, ocorreu uma doação. Caso a Unidade, por força de lei, tivesse que transferir o bem, seria tratada como interferência ativa na transferidora e interferência passiva na recebedora. Baixa do Bem Os lançamentos são os mesmos da contabilização da doação, mas, logicamente, não há contrapartida em outra UG. Este fato só iria alterar a situação líquida patrimonial da UG que baixou o bem por algum motivo imprevisível e inevitável. Venda (Alienação Onerosa) do Bem Existem casos que a legislação permite, mediante licitação, a venda de bens permanentes do Poder Público. Como seria o lançamento? Trata-se de uma Receita Orçamentária de Capital. DOCUMENTO(S) NL (gestor) ou NS (pelo documento hábil do CPR) CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 55.Y.ZZZ D – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.ZZ) 80.Y.ZZZ D – Receita Realizada (19114.00.00) C – Receita a Realizar (19111.00.00) C – Receita de Capital – Alienação de Bens (4221X.YY.ZZ) D – Mutação Passiva - Alienação de Bens (51311.YY.ZZ) C – Ativo (Alienado) (1XXXX.YY.ZZ) D – Disponibilidade por Fonte de Recursos (19329.02.00) C – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) OBSERVAÇÃO O lançamento no sistema patrimonial trata-se de uma mutação passiva (variação passiva), pois houve uma diminuição do ativo. Essa mutação passiva irá “compensar” a receita orçamentária (variação ativa), caracterizando, dessa forma, um fato permutativo em que há um ingresso em caixa (aumento do ativo) e, ao mesmo tempo, uma saída do ativo pelo seu preço de custo (diminuição do ativo). Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -122- 6.26. Aquisição de Materiais de Consumo Liquidação - Vinculada a Contratos DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Despesa Corrente – Material de Consumo (33390.30.ZZ) D – Material de Consumo (113XX.YY.ZZ) C – Mutação Ativa – Bens de Estoque (61311.02.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) D –Direitos e Obrigações Contratadas (29970.00.00) C – Direitos e Obrigações Contratuais - Contratos de Fornecimento de Bens (19972.04.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente, a diferença está na baixa das contas que foram contabilizadas quando da assinatura do contrato. Isto significa que o valor total ou parte do valor contratado já foi executado pelo fornecedor do material de consumo. Outra diferença é que trata-se de um fato permutativo, pois há a despesa orçamentária compensada pela mutação ativa, não alterando a situação líquida patrimonial. Liquidação - Sem Contratos DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados aPagar (29241.04.02) D – Despesa Corrente – Material de Consumo (33390.30.ZZ) D – Material de Consumo (113XX.YY.ZZ) C – Mutação Ativa – Bens de Estoque (61311.02.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -123- D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. A única peculiaridade é que trata-se de um fato permutativo, pois há a despesa orçamentária compensada pela mutação ativa, não alterando a situação líquida patrimonial. Registro da Saída de Materiais de Consumo do Almoxarifado A lei determina que os materiais destinados ao consumo devem receber um controle específico em almoxarifado. A saída dos materiais é controlada através de inventários (permanentes ou periódicos). O primeiro controla cada saída e cada entrada no momento em que ocorrem e o segundo faz um apuração, ao final do exercício, dos saldos inicial e final de cada item. O art. 106 da Lei 4.320/1964 estabelece que os bens de almoxarifado serão avaliados pelo preço médio ponderado das compras. Este método é um dos tipos de apuração do inventário permanente que calcula a média do preço das entradas de mercadorias para se apurar o seu custo. Portanto, a legislação exige que se tenha um controle permanente do almoxarifado. E como seria registrada a saída dos bens de almoxarifado? DOCUMENTO(S) NL CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 54.0.ZZZ (Na UG Doadora do bem) D – Decréscimos Patrimoniais (523XX.YY.ZZ) C – Material de Consumo (113XX.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO O registro da saída de itens de almoxarifado ocorre quando há a apuração do custo dos produtos utilizados, no caso do inventário periódico, é utilizada a equação “Custo = Estoque Inicial + Compras - Estoque Final” e no caso do inventário permanente, o custo é apurado pelo preço médio ponderado das compras e o seu registro é concomitante à saída do item do almoxarifado. A Lei exige que seja observado este último método para itens de almoxarifado. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -124- 6.27. Contratação de Serviços de Terceiros Liquidação - Vinculada a Contratos DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Outras Despesas Correntes - Serviços (33390.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) D –Direitos e Obrigações Contratadas (29970.00.00) C – Direitos e Obrigações Contratuais - Contratos de Serviços (19972.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente, a diferença está na baixa das contas que foram contabilizadas quando da assinatura do contrato. Isto significa que o valor total ou parte do valor contratado já foi executado pelo prestados do serviço. Liquidação - Sem Contratos Formalizados DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D – Outras Despesas Correntes - Serviços (33390.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -125- 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Obrigações a Pagar (passivo financeiro) (2121X.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. Veja que, como não houve a assinatura de contrato, não há contabilização das contas do sistema de compensação relativas à assinatura do contrato. 6.28. Folha de Pagamento de Pessoal A Folha de Pagamento dos Órgãos é feita atualmente pelo subsistema de contas a pagar e a receber – CPR, através do documento FP. Há uma série de lançamentos que devem ser realizados, mas não serão abordados todos eles por tratar-se de um procedimento complexo e que exige um conhecimento avançado do SIAFI. Apropriação do Valor Bruto da Folha Na apropriação são inseridos os valores referentes ao salário e os benefícios que serão pagos ao servidor como adicional noturno, auxílio transporte, auxílio alimentação, etc sem considerar, por enquanto, os descontos e retenções (IRRF, INSS, PSSS, etc). DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D –Despesas Correntes – Pessoal e Encargos Sociais (331XX.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Pessoal a Pagar (21212.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. É necessário atentar para a classificação da despesa e da conta de passivoregistrada pelo evento da Classe 52. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -126- Adiantamentos na Folha de Pagamento Caso a UG necessitasse fazer um adiantamento a um servidor (adiantamento de férias, por exemplo) precisaria fazer um outro lançamento de apropriação pelo valor do adiantamento, o registro seria bem parecido com o da apropriação da Folha, mas haveria um lançamento para registrar o adiantamento, pois representa um direito a receber para a Unidade. O adiantamento de férias consiste em pagar ao servidor, na folha correspondente ao mês de férias do servidor, 2/3 (dois terços) do salário. Estes 2/3 deverão ser devolvidos (descontados) na folha do mês subseqüente. O lançamento seria da seguinte forma: DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D –Despesas Correntes – Pessoal e Encargos Sociais (331XX.YY.ZZ) D – Adiantamentos a Pessoal (11242.00.00) C – Mutação Ativa – Adiantamentos Concedidos (61312.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Pessoal a Pagar (21212.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. É necessário atentar o lançamento no sistema patrimonial. Este caso, diferentemente da liquidação do valor bruto da folha, representa um fato permutativo, pois há a despesa e a mutação ativa. Há o reconhecimento de um passivo (pessoal a pagar) e de um ativo (adiantamentos a receber). Apropriação das Retenções da Folha de Pagamento As retenções são os valores de INSS, IRRF, PSSS etc a serem descontados do valor a pagar do servidor para que a Unidade recolha ao Tesouro através da rotina própria de cada tributo ou outro tipo de retenção. São os “descontos” nos contracheques dos servidores. O adiantamento de férias concedido na forma do item anterior, pode ser incluído nas retenções, baixando o direito a receber da UG para com o servidor. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -127- DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 52.6.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D –Pessoal a Pagar (21212.YY.ZZ) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – IRRF/PSSS/INSS a Recolher (211XX.YY.ZZ) 54.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D –Decréscimos Patrimoniais – Baixa de Direitos (52317.YY.ZZ) C – Adiantamentos a Pessoal (11242.00.00) OBSERVAÇÃO A liquidação do valor bruto da folha já ocorreu no lançamento anterior, mas falta registrar as retenções (sistema financeiro) e os demais abatimentos do valor bruto, como o adiantamento de férias, por exemplo (sistema patrimonial). Veja que o evento utilizado para abater do valor bruto apropriado no lançamento anterior as retenções, é um evento 52.6.ZZZ (estorno do evento de máquina), pois os eventos da Classe 52 são de natureza credora. O valor abatido da conta “pessoal a pagar” é transferido para as contas das respectivas retenções a recolher. E, por último, há lançamento com evento da Classe 54 que baixa o valor de adiantamento concedido para servidor em meses anteriores (adiantamento de férias do exemplo anterior). Apropriação dos Encargos Sobre a Folha de Pagamento Já foram expostos os procedimentos para apropriação do valor bruto da folha de pagamento de pessoal e da apropriação das retenções (deduções) sobre o valor bruto. Falta-nos analisar o procedimento para apropriação dos encargos. As retenções ou deduções são abatidas do valor bruto a pagar ao servidor (perfazendo o valor líquido), enquanto que os encargos são obrigações patronais (do empregador) para com as entidades ou fundos de previdência e assistência social – PSSS ou INSS patronal - , FGTS etc. O encargo exige um empenho à parte, com uma natureza de despesa própria do encargo patronal e a liquidação e o pagamento também ocorrem em separado dos demais. DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D –Despesas Correntes – Pessoal e Encargos Sociais (331XX.YY.ZZ) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -128- D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Encargos Sociais a Recolher (21213.YY.ZZ) OBSERVAÇÃO Os lançamentos correspondem ao estágio da liquidação já visto anteriormente. É necessário atentar o lançamento no sistema patrimonial. Este caso, diferentemente da liquidação do valor bruto da folha, representa um fato permutativo, pois há a despesa e a mutação ativa. Há o reconhecimento de um passivo (pessoal a pagar) e de um ativo (adiantamentos a receber). Pagamento do Líquido de Pessoal, das Retenções e dos Encargos Líquido de Pessoal DOCUMENTO(S) OB*, DARF*, GPS*, DAR* CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 53.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Pessoal a Pagar (2121X.YY.ZZ) * D – IRRF/PSSS/INSS a Recolher (211XX.YY.ZZ) * D – Encargos Sociais a Recolher (21213.YY.ZZ) * * O roteiro de pagamento será o mesmo para as 3 obrigações, por isso foram colocados os 3 débitos. Na verdade, os lançamentos ocorrerão separadamente. D – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) C – Valores Pagos (29241.04.03) Na COFIN/STN D – Recursos a Liberar para Vinc. De Pagamento (21216.04.00) 56.Y.ZZZ Na UG Executora C – Limite de Saque c/ Vinculação de pagamento(11216.04.00) Na UG Executora D – Pagamentos Efetuados (19321.07.01) C – (*) Outros pagamentos (19321.07.99) 70.Y.ZZZ Na COFIN/STN C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.YY) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -129- OBSERVAÇÃO Observe que o evento da Classe 53 de natureza devedora “fecha” a partida dobrada com o evento da Classe 56 de natureza credora na UG Executora. E o evento da Classe 70 de natureza devedora “fecha” com o evento 56 porque o crédito da Conta Única da UG deve corresponder a um débito na COFIN/STN (Órgão Central de Programação Financeira) responsável pelo controle da Conta Única. O CPR, no momento da realização, irá acionar automaticamente todos estes eventos. As contabilizações do evento da Classe 56 referem-se às contas de controle do limite de saque das UG, que corresponde ao limite autorizado para a UG dispor da Conta Única segundo a execução da programação financeira. O líquido, que restou da conta de pessoal a pagar será pago através da OB. * O roteiro de pagamento será o mesmo para as 3 obrigações, por isso foram colocados os documentos OB, DARF, GPS, DAR etc. Na verdade, os lançamentos ocorrerão separadamente. 6.29. Suprimento de Fundos O Suprimento de Fundos ou Regime de Adiantamentos é destinado a atender despesas que não se enquadrem em processo licitatório (despesas de pequeno vulto, por exemplo). A Unidade disponibiliza uma certa quantia para que o Servidor, denominado suprido, realize as compras de acordo com o objeto do suprimento de fundos e com a natureza de despesa do empenho. Equivale ao “Fundo Fixo de Caixa” da Contabilidade Privada em que um determinado valor é consignado a uma pessoa responsável, suficiente para os pagamentos de diversos dias e, periodicamente, efetua-se a prestação de contas total do valor desembolsado. O suprido é o responsável e depois deverá prestar contas à Unidade que concedeu o suprimento de fundos. Este fato gera as seguintes contabilizações: 1. Empenho da Despesa – Este estágio é exatamente o mesmo que já foi visto. É definida a natureza de despesa objeto do suprimento. Ex.: Compras de Material de Consumo (33.90.30) ou Pagamento de Serviços de Terceiros (33.90.39). 2. Liquidação da Despesa - A liquidação da despesa possui uma particularidade. A conta de despesa que deverá ser creditada deverá ter o sub-item “genérico” 96 (pagamento antecipado). Por exemplo, para a natureza de despesa Material de Consumo, que vai servir de exemplo para os lançamentos, a conta de despesa será 33390.30.96, que, segundo o Plano de Contas, é “Material de Consumo – Pagamento Antecipado”. Obs.: Ver a explicação da correlação da natureza de despesa (classificação orçamentária) com as contas de despesa (do Plano de Contas) no tópico “Plano de Contas”. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -130- DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D–Empenhos a Liquidar (29241.01.01) C–Empenhos Liquidados (29241.01.02) D – Crédito Empenhado a Liquidar (29213.01.00) C- Crédito Empenhado Liquidado (29213.02.01) D–Valores em Liquidação(29241.04.01) C – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) D – Empenhos por Mod. De Licitação a Liquidar (29241.02.ZZ) C - Empenhos por Mod. De Licitação Liquidado (29241.03.ZZ) D –Despesas c/ Material de Consumo – Pagamento Antecipado (33390.39.96) D – Material de Consumo (11318.01.00) C – Mutação Ativa - Bens de Estoque (61311.02.02) D – Decréscimos Patrimoniais – Bens de Estoque – Consumo Imediato (52312.02.02) C – Material de Consumo (11318.01.00) D – Disponibilidades Financeiras (29320.00.00) C – Disponibilidade Por Fonte de Recursos (19329.02.00) D – Suprimento de Fundos (19911.06.00) C – Valores, Bens e Títulos sob Responsabilidade (29910.00.00) 52.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) C – Suprimento de Fundos (21219.60.02) OBSERVAÇÃO Os lançamentos no sistema orçamentário não diferem dos demais na liquidação do suprimento de fundos. No sistema financeiro, a despesa é reconhecida em um sub-item “genérico” (sub-item 96) para posterior classificação, e o passivo também é creditado em uma conta “genérica” denominada suprimento de fundos. No sistema patrimonial, como presume-se a aquisição e consumo imediato dos materiais de consumo, é necessário registrar a entrada e a saída do almoxarifado, sendo, neste caso, a entrada um fato permutativo e a saída um fato modificativo. No sistema de compensação, além do controle das disponibilidades financeiras, há também contas de controle de suprimento de fundos no ativo e passivo compensados. 3. Disponibilização do Valor ao Suprido – Após a liquidação, é necessário que o suprido disponha dos valores a ele consignados para que efetue os pagamentos para os quais foi designado. DOCUMENTO(S) OB CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENT. FINANCEIRO PATRIM. COMPENSAÇÃO 53.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) D – Suprimento de Fundos (21219.60.02) D – Valores Liquidados a Pagar (29241.04.02) C – Valores Pagos (29241.04.03) 56.Y.ZZZ Na COFIN/STN D – Recursos a Liberar para Vinc. De Pagamento (21216.04.00) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -131- Na UG Executora C – Limite de Saque c/ Vinculação de pagamento (11216.04.00) Na UG Executora D – Pagamentos Efetuados (19321.07.01) C – (*) Outros pagamentos (19321.07.99) 70.Y.ZZZ Na COFIN/STN C – Conta Única do Tesouro Nacional (11112.01.YY) OBSERVAÇÃO Os lançamentos de pagamento são os mesmos já vistos. Só a conta de passivo que difere. Há a baixa da conta “genérica” de passivo “Suprimento de Fundos” no sistema patrimonial. 4. Realização de Gastos pelo Suprido – Esta fase não é contabilizada, mas o suprido deverá prestar contas depois de decorrido o prazo estabelecido pela Unidade. 5. Classificação das Despesas Efetuadas pelo Suprido – Após a etapa anterior, o suprido deverá prestar contas do que foi gasto. Deverá apresentar todas as Notas e Recibos para que haja a classificação correta da despesa nos sub-itens corretos e não no sub-item “96” de pagamento antecipado. Neste ponto, a Unidade reconhece a Despesa na classificação correta e estorna a Despesa classificada como pagamento antecipado (sub-item “96”). Suponha que o suprido tenha efetuado despesas no seguinte material de consumo: material de expediente (sub-item “16”). DOCUMENTO(S) NS gerada por situação do documento hábil do CPR (acionará eventos de máquina) ou, excepcionalmente, por NL (para UG’s que não utilizam CPR). CONTABILIZAÇÕES NOS SISTEMAS DE CONTAS EVENTO(S) ORÇAMENTÁRIO FINANCEIRO PATRIMONIAL COMPENSAÇÃO 51.1.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) registro no sub-item correto da despesa D –Despesas c/ Material de Consumo– Material de Expediente (33390.39.16) 51.6.ZZZ (Na Unidade Gestora Executora) estorno da despesa registrada no sub- item “96” C –Despesas c/ Material de Consumo – Pagamento Antecipado (33390.39.96) D – Valores, Bens e Títulos sob Responsabilidade (29910.00.00) C – Suprimento de Fundos (19911.06.00) OBSERVAÇÃO Os outros lançamentos permanecem (só há mudança a nível de conta-corrente contábil), veja que há o estorno da despesa “genérica” de suprimento de fundos (pagamento antecipado) e, concomitantemente há o registro da classificação correta de acordo com as despesas realizadas pelo suprido (material de expediente). No sistema de compensação, há a baixa das contas de controle do suprimento de fundos. O valor a ser contabilizado é o montante utilizado pelo suprido. O que ele não utilizar deverá ser devolvido. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -132- 6. Devolução do Valor Não Utilizado pelo Suprido – Caso o suprido não tenha gasto todo o valor consignado a ele, o mesmo terá que devolver à Unidade. Para isso, é utilizada a Guia de Recolhimento da União – GRU com um código de depósito específico. Após acusar a entrada do valor não utilizado pelo suprido em suas disponibilidades, a Unidade fará o estorno da Despesa contabilizada a maior em lançamento semelhante ao anterior (de estorno) e a anulação do empenho, também pelo montante utilizado a maior. Com isso, encerra-se o procedimento do suprimento de fundos. 6.30. Lançamentos Relativos a Convênios Os convênios constituem-se como um fato contábil oriundo de atos administrativos e a Lei 4.320/1964 obriga o seu registro pelo método das partidas dobradas da Contabilidade. As contas envolvidas nas contabilizações são todas do sistema de compensação. O Convênio é um instrumento de formalização que disciplina a transferência de recursos públicos, o qual tenha como partícipe órgão da Administração Pública Federal Direta, Autárquica ou Fundacional, Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista que esteja gerindo recursos dos Orçamentos da União, pelo qual se torna possível a execução descentralizada de Programas de Trabalho, projeto/atividade ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação, na forma de Auxílios, Contribuições ou Subvenções. Os artigos 87 e 93 da Lei 4.320, de 17 de março de 1964, determinam que sejam feitos registros contábeis específicos para as transferências de recursos financeiros dentro da esfera federal e desta para os Estados, Municípios ou para qualquer entidade privada. Devido a essa exigência legal, o Plano de Contas da Administração Federal apresenta um grupo de contas e eventos que permitem o registro individualizado das transferências no SIAFI. Para entender os lançamentos relativos aos convênios, é necessário ter conhecimento dos seguintes conceitos: CONCEDENTE - Órgão da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional, empresa pública ou sociedade de economia mista, responsável pela transferência dos recursos financeiros ou pela descentralização dos créditos orçamentários destinados à execução do objeto do convênio. CONVENENTE - Órgão da administração pública direta, autárquica ou fundacional, empresa pública ou sociedade de economia mista, de qualquer esfera de governo, ou organização particular com a qual a Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -133- administração federal pactua a execução de programa, projeto/atividade ou evento mediante a celebração de convênio. A formalização de um convênio pressupõe a manifestação das partes para a realização de um objeto. A operacionalização do convênio no SIAFI inicia-se através da inclusão do PRÉ-CONVÊNIO, pela transação ATUPRECONV (Atualiza Pré-Convênio) e a respectiva validação e publicação no Diário Oficial da União – DOU já com os dados da classificação da despesa, documento orçamentário sob o qual é embasada a celebração do convênio, dados individualizados do concedente e do convenente, justificativa da celebração, descrição das metas, etapas ou fases de execução, plano de aplicação e cronograma de execução. Até então, não são realizados lançamentos contábeis. Através da transação CONVERCONV, o PRÉ-CONVÊNIO passará ao status de CONVÊNIO. Após esta conversão, o convênio receberá um número automaticamente atribuído pelo sistema e será emitida uma Nota de Lançamento de Sistema (NS) com todos os lançamentos contábeis, individualizando os “valores a liberar” e os “valores a receber”. Quaisquer alterações posteriores poderão ser feitas pela transação INCADITIVO, que tem a finalidade de registrar as atualizações dos documentos orçamentários que embasam o convênio, bem como o cronograma; pela ATUCONV que permite alterações dos dados cadastrais e pela ALTUGCONV que permite alterar o código da UG concedente ou convenente. Estas 2 últimas só alterarão os contas-correntes contábeis das contas já lançadas por ocasião da conversão. Através de uma transação no SIAFI denominada EXECCONV (Executa Convênio), o concedente faz a execução das fases relativas à prestação de contas do convênio. As contas para registro de convênios no sistema de compensação são basicamente as seguintes (segundo o Plano de Contas): ATIVO COMPENSADO PASSIVO COMPENSADO 19900.00.00 COMPENSACOES ATIVAS DIVERSAS 19960.00.00 DIREITOS E OBRIGACOES CONVENIADOS 19961.00.00 ENTRADA DE RECURSOS 19961.01.00 CONVENIOS FIRMADOS 19961.01.01 = VALOR FIRMADO 19961.01.99 * VALOR FIRMADO 19961.03.00 = A RECEBER 19961.04.00 = A COMPROVAR 19961.05.00 = A APROVAR 19961.06.00 = APROVADO 19961.07.00 = HOMOLOGADO 19961.08.00 = IMPUGNADO 19961.09.00 INADIMPLENCIA 19961.09.01 = EFETIVA 19961.09.02 = SUSPENSA 19961.13.00 = CANCELADO 19961.14.00 = VALOR NAO RECEBIDO 19962.00.00 SAIDA DE RECURSOS 19962.01.00 CONVENIOS FIRMADOS 19962.01.01 = VALOR FIRMADO 19962.01.99 * OUTROS VALORES FIRMADOS 19962.03.00 = A LIBERAR 29900.00.00 COMPENSACOES PASSIVAS DIVERSAS 29960.00.00 DIREITOS E OBRIGACOES CONVENIADOS Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -134- 19962.04.00 = A COMPROVAR 19962.05.00 = A APROVAR 19962.06.00 = APROVADO 19962.07.00 = HOMOLOGADO 19962.08.00 = IMPUGNADO 19962.09.00 INADIMPLENCIA 19962.09.01 = EFETIVA 19962.09.02 = SUSPENSA 19962.13.00 = CANCELADO 19962.14.00 = VALOR NAO LIBERADO 19962.20.00 CONVENIOS NO EXTERIOR 19962.20.01 = A COMPROVAR19962.20.02 = COMPROVADO 19962.20.99 * OUTROS VALORES FIRMADOS NO EXTERIOR No quadro abaixo são demonstradas os lançamentos contábeis típicos de convênios nas contas acima: SITUAÇÃO UG CONCEDENTE UG CONVENENTE EXECUÇÃO DO CONVÊNIO Cadastro do Pré-Convênio (ATUPRECONV) NS - 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) C - Direitos e Obrigações Conveniadas (29960.00.00) D – Valor Firmado (19962.01.01) C – (*) Outros Valores Firmados (19962.01.99) D – Convênios Firmados – A Receber (19961.03.00) C – Direitos e Obrigações Conveniadas (29960.00.00) D – Valor Firmado (19961.01.01) C – (*) Outros Valores Firmados (19961.03.00) Liberação dos Recursos (Por OB ou PF) 70.Y.ZZZ ou 51.Y.ZZZ D – Convênios Firmados - A Comprovar (19962.04.00) C – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) D – Convênios Firmados - A Comprovar (19961.04.00) C – Convênios Firmados - A Receber (19961.03.00) Recebimento da Prestação de Contas (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados - A Aprovar (19962.05.00) C – Convênios Firmados – A Comprovar (19962.04.00) D – Convênios Firmados - A Aprovar (19961.05.00) C – Convênios Firmados - A Comprovar (19961.04.00) Aprovação da Prestação de Contas (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados - Aprovado (19962.06.00) C – Convênios Firmados – A Aprovar (19962.05.00) D – Convênios Firmados - Aprovado (19961.06.00) C – Convênios Firmados - A Aprovar (19961.05.00) INADIMPLÊNCIA (1) Registro da Inadimplência (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Inadimplência Efetiva (19962.09.01) C – Convênios Firmados – A Comprovar (19962.04.00) D – Inadimplência Efetiva (19961.09.01) C – Convênios Firmados - A Comprovar (19961.04.00) Suspensão da Inadimplência (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Inadimplência Suspensa (19962.09.02) C – Inadimplência Efetiva (19962.09.01) D – Inadimplência Suspensa (19961.09.02) C – Inadimplência Efetiva (19961.09.01) Retirada da Inadimplência (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados – A Comprovar (19962.04.00) C – Inadimplência Efetiva (19962.09.01) D – Convênios Firmados – A Comprovar (19961.04.00) C – Inadimplência Efetiva (19961.09.01) Retirada da Suspensão da Inadimplência (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Inadimplência Efetiva (19962.09.01) C – Inadimplência Suspensa (19962.09.02) D – Inadimplência Efetiva (19961.09.01) C - Inadimplência Suspensa (19961.09.02) IMPUGNAÇÃO (2) Impugnação pela UG Concedente (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Impugnado (19962.08.00) C – Convênios Firmados – A Aprovar (19962.05.00) D – Impugnado (19961.08.00) C – Convênios Firmados – A Aprovar (19961.05.00) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -135- Impugnação pela Setorial Contábil da UG (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Impugnado (19962.08.00) C – Convênios Firmados – Aprovado (19962.06.00) D – Impugnado (19961.08.00) C – Convênios Firmados – Aprovado (19961.06.00) Retirada da Impugnação pela UG Concedente (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados – A Aprovar (19962.05.00) C – Impugnado (19962.08.00) D – Convênios Firmados – A Aprovar (19961.05.00) C – Impugnado (19961.08.00) Retirada da Impugnação pela Setorial Contábil (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados – Aprovado (19962.06.00) C – Impugnado (19962.08.00) D – Convênios Firmados – Aprovado (19961.06.00) C – Impugnado (19961.08.00) VALORES NÃO LIBERADOS (3) Valores Não Liberados (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Valor Não Liberado (19962.14.00) C – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) D – Valor Não Recebido (19961.14.00) C – Convênios Firmados - A Receber (19961.03.00) DEVOLUÇÃO DE SALDOS (4) Devolução de Saldos (EXECCONV) NS – 54.1.ZZZ D – Convênios Firmados – A Aprovar (19962.05.00) C – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) D – Convênios Firmados – A Aprovar (19961.05.00) C – Convênios Firmados - A Receber (19961.03.00) EXCLUSÃO DE CONVÊNIOS (5) Exclusão de Convênios (EXECCONV) NS – 54.6.ZZZ (evento de estorno do cadastramento do pré- convênio) D - Direitos e Obrigações Conveniadas (29960.00.00) C – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) D – (*) Outros Valores Firmados (19962.01.99) C – Valor Firmado (19962.01.01) D - Direitos e Obrigações Conveniadas (29960.00.00) C – Convênios Firmados - A Receber (19961.03.00) D – (*) Outros Valores Firmados (19961.01.99) C – Valor Firmado (19961.01.01) CANCELAMENTO DO CONVÊNIO (6) Cancelamento de Convênios (INCADITIVO) NS – 54.1.ZZZ D - Convênios Firmados - Cancelados (19962.13.00) C – Convênios Firmados - A Liberar (19962.03.00) D - Convênios Firmados - Cancelados (19961.03.00) C – Convênios Firmados - A Receber (19961.03.00) (1) Inadimplência - Ocorre o registro de inadimplência com a correspondente inscrição no Cadastro de Inadimplentes do SIAFI e no CADIN, do convenente que: não tenha cumprido, no prazo estipulado, com obrigação pecuniária devida a qualquer Unidade da Administração; encontre-se em atraso com a prestação de contas; tenha deixado de executar, total ou parcialmente, o objeto pactuado; tenha descumprido cláusula ou condição do instrumento firmado; ou que esteja em débito junto a Órgão ou Entidade, relativamente a obrigações fiscais ou contribuições. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -136- (2) Impugnação – São convênios não-aprovados ou impugnados após aprovados. (3) Valores Não-Liberados – para convênios que, por algum motivo, não ocorre liberação total dos recursos, não sendo cabível a inclusão posterior de termo aditivo para a redução do valor total firmado. (4) Devolução de Saldos – para convênios vigentes quando ocorrer devolução de saldos pelo convenente. Esse valor deverá compor a prestação de contas. (5) Exclusão de Convênios – deverá ser executado quando for constatado que ocorreu erro no momento do cadastramento do convênio. Não poderá ser efetivado caso tenha ocorrido liberação de recursos referentes a qualquer parcela existente. (6) Cancelamento do Convênio – É o cancelamento dos valores “a liberar” pelo concedente e “a receber” pelo convenente por motivo justificado superveniente. Diferentemente da exclusão, o cancelamento deverá ser embasado por documento comprobatório e publicação no Diário Oficial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -137- 7. ESTRUTURA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS (da Lei 4.320/64) 7.1. Considerações Gerais Neste tópico, será feita uma abordagem prática na medida do possível para que o estudante da Contabilidade Governamental esteja apto a preparar e analisar os demonstrativos exigidos pela Lei 4.320/1964. Serão feitas simulações de lançamentos contábeis (tópico anterior), e, para cada lançamento será atribuído um valor fictício para posteriormente serem confeccionados os demonstrativos. Como os lançamentos contábeis foram objeto do tópico anterior, nãoserão considerados os documentos contábeis e nem os eventos envolvidos em cada lançamento. Eles serão demonstrados de maneira simplificada apenas com os sistemas de contas envolvidos e as contas contábeis. A classificação das contas e a montagem dos demonstrativos seguirá as orientações e normas mais recentes sobre o assunto emitidas pela STN, que estão de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público – NICSP emitidas pelo IFAC (International Federation of Accoutants). Apresentação das Demonstrações Contábeis A Lei 4.320/1964 dedica os arts. 101 a 106 para normatizar e listar os demonstrativos exigidos e nos anexos da Lei, existem os modelos para apresentação destes demonstrativos. O art. 101 da citada Lei, estabelece: “...Os resultados gerais do exercício serão demonstrados no Balanço Orçamentário, no Balanço Financeiro, no Balanço Patrimonial, na Demonstração das Variações Patrimoniais...” Além destes há a “Demonstração das Disponibilidades por Fonte de Recursos” que, apesar de não ser exigida por lei, é uma importante ferramenta de gerenciamento da Unidade pelo Gestor. A principal função das Demonstrações é a exposição ordenada e sistematizada de dados para os Gestores de modo que estes possam utilizá- las nas tomadas de decisões e possuem também uma outra função, não menos importante, que é a da transparência da gestão dos recursos públicos pelas Unidades. Acompanhando as demonstrações, têm-se as Notas Explicativas que discriminam cada situação ou item nos balanços que mereçam uma atenção especial, de acordo com os critérios da materialidade e da relevância das informações. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -138- TÍTULO PREVISÃO EXECUÇÃODIFERENÇA TÍTULO FIXAÇÃO EXECUÇÃO DIFERENÇA Receitas Correntes: Créditos Iniciais/Suplementares Tributária de Contribuições Patrimonial Agropecuária Industrial de Serviços Transferências Correntes Outras Receitas Correntes Despesas Correntes Pessoal e Encargos Sociais Juros e Encargos da Dívida Outras Despesas Correntes Despesas de Capital Investimentos Inversões Financeiras Amortizações da Dívida Outras Despesas de Capital Receitas de Capital: Créditos Especiais Despesas Correntes Pessoal e Encargos Sociais Juros e Encargos da Dívida Outras Despesas Correntes Despesas de Capital Investimentos Inversões Financeiras Amortizações da Dívida Outras Despesas de Capital Créditos Extraordinários Despesas Correntes Despesas de Capital SOMA SOMA DÉFICIT CORRENTE SUPERÁVIT CORRENTE DÉFICIT DE CAPITAL SUPERÁVIT DE CAPITAL TOTAL TOTAL DESPESARECEITA Operações de Crédito Alienação de Bens Amortizações e Empréstimos Transferências de Capital Outras Receitas de Capital A preparação das Demonstrações Contábeis, segundo o Manual SIAFI, devem observar o princípio contábil da competência, tanto na despesa quanto na receita. 7.2. Balanço Orçamentário No Balanço Orçamentário as despesas são discriminadas por natureza e divididas em duas categorias: correntes e de capital. A receita que se espera arrecadar denomina-se receita prevista, obtida com base em estimativas de arrecadação. A efetiva arrecadação das receitas estimadas em cada natureza de receita denomina-se receita realizada. As despesas, por sua vez, são discriminadas por tipo de crédito e por natureza de despesas divididas em duas categorias: Correntes e De Capital. A atualização deste balanço ocorre diariamente. Dessa forma, qualquer alteração orçamentária que ocorra no dia terá reflexo no dia seguinte. Pode ser consultado através da transação BALANORC no SIAFI. A seguir, tem-se o modelo do Balanço Orçamentário da Lei 4.320/1964, que estabelece que “...o Balanço Orçamentário demonstrará as receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas.”. O Balanço Orçamentário possui duas seções: Receitas e Despesas e, cada uma delas, possui três colunas: - Nas Receitas: 1ª coluna: Receita Prevista 2ª coluna: Execução da Receita 3ª coluna: Diferença entre a Receita Prevista e a Execução da Receita. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -139- - Nas Despesas: 1ª coluna: Despesa Fixada (dotação) 2ª coluna: Execução da Despesa 3ª coluna: Diferença entre a dotação e a Execução da Despesa. A interpretação do Balanço Orçamentário deve ser feita, comparando- se: - a 1ª coluna da receita (previsão) com a 1ª coluna da despesa (dotação) devem estar iguais pois o princípio do equilíbrio orçamentário exige que a receita prevista deve ser igual a despesa fixada; - A 2ª coluna da receita (execução), em relação a 2ª coluna da despesa (execução), podendo haver superávit ou déficit; Superávit – diferença a maior entre a execução da receita e da despesa, que deverá ser adicionada à coluna Execução da Despesa para igualar com a Execução da Receita; Déficit – diferença a menor entre a execução da receita e da despesa e deverá ser adicionada à coluna da Execução da Receita para igualar com a Execução da Despesa. - A 1ª coluna da receita (previsão) com a 2ª coluna da receita (execução). Neste caso, a diferença a maior entre a execução e a previsão há excesso de arrecadação e a diferença a menor, insuficiência de arrecadação. - A 1ª coluna da despesa (dotação) com a 2ª coluna da despesa (execução). Neste caso, a diferença a maior entre a despesa fixada (dotada) e a executada corresponde à economia orçamentária e a diferença a menor, não existe na prática, pois o Gestor não pode executar mais do que o montante fixado para a execução das despesas. Este último caso seria excesso na realização de despesa. Roteiro de Análise do Balanço Orçamentário - A receita prevista deve ser igual a despesa fixada - Receita prevista maior que a realizada – insuficiência de arrecadação - Receita prevista menor que a executada – excesso de arrecadação - Despesa fixada maior que a realizada – economia na realização de despesas - Despesa fixada menor que a realizada – excesso de despesas (hipotética) - Receita realizada (arrecadada) maior que a despesa realizada (empenhada) – superávit - Receita realizada (arrecadada) menor que a despesa realizada (empenhada) – déficit Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -140- - Receita realizada igual a despesa realizada – equilíbrio orçamentário na execução. 7.3. Demonstração das Variações Patrimoniais - DVP A Demonstrações das Variações Patrimoniais – DVP equivale à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE exigida pela Lei 6.404/1976 (que rege a ContabilidadePrivada). A DVP evidencia as alterações verificadas no patrimônio em um espaço de tempo (coincidente com o exercício financeiro), resultantes ou independentes da execução orçamentária, indicando o resultado patrimonial do exercício. As variações resultantes do orçamento são aquelas que dependem de orçamento aprovado e as independentes do orçamento ou extra- orçamentárias são aquelas que independem do orçamento aprovado. A Estrutura da DVP é constituída de contas de resultado (as chamadas variações patrimoniais), mediante comparação entre o exercício a que se refere e ao anterior. Apresenta um fluxo de saldos. O manual SIAFI, no capítulo que trata das demonstrações contábeis estabelece que: “...A DVP...observa duas formas de apresentação: a) por colunas, de acordo com a Lei nº 4.320/1964, evidenciando no lado esquerdo as Variações Ativas e no direito, as Passivas; b) dedutiva, de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público, em que as receitas são deduzidas das despesas, nos grupos correspondentes. Em ambas, o resultado apurado é o mesmo, que deverá ser igual àquele consignado no Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial sob o título de Resultado do Exercício.”. Neste ponto, observa-se o esforço para a adaptação da Contabilidade Governamental brasileira às Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público – NICSP, emitidas pelo IFAC (International Federation of Accountants). Na Demonstração por colunas, as Variações Ativas (Orçamentárias e Extra-Orçamentárias) ficam à esquerda e as Variações Passivas (Orçamentárias e Extra-Orçamentárias) à direita. O resultado patrimonial do exercício é a diferença entre as variações ativas e passivas, revelando superávit ou déficit do exercício. O superávit é alocado na coluna da direita e o déficit na coluna da esquerda de modo que os dois lados da DVP apresentem valores iguais. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -141- Para saber, a constituição das contas de variações ativas e passivas, consulte o tópico sobre este assunto. A demonstração dedutiva é gerada por Natureza e por Natureza e Função (de acordo com o detalhamento das despesas orçamentárias). A DVP dedutiva demonstra na estrutura vertical, os seguintes resultados: - Resultado Orçamentário – decorre da diferença entre as receitas e despesas orçamentárias, o qual deverá ser igual àquele apurado no balanço orçamentário; - Resultado Orçamentário após Interferências e Mutações – considera as variações ativas e passivas dessa natureza; - Resultado Após Receitas e Despesas Extra- Orçamentárias. - Resultado Patrimonial – apurado após as variações ativas e passivas extra-orçamentárias que poderá ser superávit ou déficit e corresponderá àquele consignado na DVP por colunas e também no Patrimônio Líquido do Balanço Patrimonial, no título Resultado do Exercício. A DVP por colunas não é exigida legalmente no Brasil, mas é necessário observar que há um esforço internacional para a padronização das demonstrações e rotinas contábeis, assim como ocorre na Contabilidade privada. A DVP por colunas, se analisada com atenção, e guardadas as devidas proporções, assemelha-se mais ainda à DRE exigida pela Lei 6.404/1976. O resultado patrimonial do exercício apurado na DVP deverá ser transferido para o Balanço Patrimonial, passando a constituir o saldo patrimonial existente no período. Existe um importante indicador de gestão que é obtido na análise da DVP. O superávit do orçamento corrente (receitas correntes maiores que despesas correntes), traduz os seguintes resultados de gestão: - Capitalização – quando o montante de receitas correntes são aplicadas em despesas de capital; - Descapitalização - quando as receitas de capital financiam as despesas correntes; Com isso, depreende-se que havendo superávit corrente, só há que considerar duas hipóteses: ou as receitas correntes estão sendo aplicadas em despesas de capital (capitalização através da aquisição de bens permanentes, por exemplo) ou então, as receitas de capital (operações de crédito – obtenção de empréstimos, por exemplo) estão financiando as despesas correntes. Com a Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (Lei Complementar nº 101/2000), este indicador de gestão passou a ser de extrema importância pois há uma série de vedações quanto a receitas de operações de crédito Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -142- financiarem as despesas correntes. Cita-se o artigo da Constituição Federal de 1988 – art. 167, inciso III – “É vedada a realização de operações de crédito que excedam as despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo Poder Legislativo por maioria absoluta”. É A CHAMADA “REGRA DE OURO” CONSTANTE NA CF E NA LRF. Essa regra constitucional pretende coibir o financiamento, via operação de crédito, de despesas correntes. É matéria orçamentária, ou seja, o limite das operações de crédito é o montante das despesas de capital previsto na LOA. Após a LRF, passou a ser também matéria financeira. Com a LRF, surgiu também a regra de que a DVP dará destaque à origem e ao destino dos recursos provenientes da alienação de ativos (art. 50, VI). Abaixo, segue o modelo de DVP que consta do anexo da Lei nº 4.320/1964 e o modelo segundo as NICSP. O modelo da Lei nº 4.320/1964, não previa as contas de interferências ativas e passivas, pois, na época em que foi editada, não havia a figura da Conta Única do Tesouro Nacional e os seus inúmeros controles e peculiaridades. DVP por Colunas As 2 colunas que estão dispostas depois das rubricas, demonstram os valores do exercício anterior e do atual. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -143- DVP Dedutiva (Por Natureza) 7.4. Balanço Patrimonial Segundo a Lei nº 4.320/1964 (art. 105), “...o Balanço Patrimonial demonstrará: I – O Ativo Financeiro; II- O Ativo Permanente; III – O Passivo Financeiro; IV – O Passivo Permanente; V – O Saldo Patrimonial; VI – As Contas de Compensação § 1º O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -144- § 2º O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. § 3º O Passivo Financeiro compreenderá “as dívidas fundadas e outras” cujo pagamento independa de autorização orçamentária. § 4º O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização e resgate. § 5º Nas contas de compensação serão registrados os bens, valores, obrigações e situações não compreendidas nos parágrafos anteriores e que, mediata ou indiretamente, possam vir a afetar o patrimônio.”. O Balanço Patrimonial reúne, basicamente, as contas das Classes 1 (Ativo) e 2 (Passivo) do Plano de Contas. A diferença entre as contas da classe1 e as da classe 2 corresponde ao Patrimônio Líquido. O Plano de Contas está quase que totalmente moldado nas contas do balanço patrimonial (ativos e passivos, correspondentes às Classes 1 e 2) e da DVP (variações ativas e passivas, correspondentes às Classes 3,4,5 e 6). Pode-se notar uma diferença entre a classificação estabelecida pela Lei 4.320/1964 e o elenco de contas (Plano de Contas) utilizado atualmente pelas Unidades. O Plano de Contas apresenta-se com a seguinte estrutura: Plano de Contas 1 ATIVO 2 PASSIVO 1.1 Ativo Circulante 2.1 Passivo Circulante 1.1.1 Disponível 2.1.1 Depósitos 1.1.2 Créditos em Circulação 2.1.2 Obrigações em Circulação 1.1.3 Bens e Valores em Circulação 2.1.3 Empréstimos e Financiamentos em Circulação 1.1.4 Valores Pendentes a Curto Prazo 2.1.4 Valores Pendentes a Curto Prazo 1.2 Ativo Realizável a Longo Prazo 2.2 Passivo Exigível a Longo Prazo 1.2.1 Depósitos Realizáveis e Longo Prazo 2.2.1 Depósitos Exigíveis a Longo Prazo 1.2.2 Créditos Realizáveis a Longo Prazo 2.2.2 Obrigações Exigíveis a Longo Prazo 2.2.3 Outras Exigibilidades 2.3 Resultado de Exercícios Futuros 2.3.1 Receitas de Exercícios Futuros 2.3.2 Custos e Despesas de Exercícios Futuros 1.4 Ativo Permanente 2.4 Patrimônio Líquido 1.4.1 Investimentos 2.4.1 Patrimônio/Capital 1.4.2 Imobilizado 2.4.2 Reservas 1.4.3 Diferido 2.4.3 Resultado Acumulado 2.4.4 Ajuste do Patrimônio/Capital 1.9 Ativo Compensado 2.9 Passivo Compensado 1.9.1 Execução Orçamentária da Receita 2.9.1 Previsão Orçamentária da Receita 1.9.2 Fixação Orçamentária da Despesa 2.9.2 Execução Orçamentária da Despesa 1.9.3 Execução da Programação Financeira 2.9.3 Execução da Programação Financeira 1.9.4 Despesas e Dívidas dos Estados e Municípios 2.9.4 Despesas e Dívidas dos Estados e Municípios 1.9.5 Execução de Restos a Pagar 2.9.5 Execução de Restos a Pagar 1.9.9 Compensações Ativas Diversas 2.9.9 Compensações Passivas Diversas Repare que, enquanto o Plano de Contas classifica como circulante, realizável a longo prazo, permanente e compensado as contas do ativo e como circulante, exigível a longo prazo, resultado de exercícios futuros, patrimônio líquido e compensado as contas do passivo, a demonstração Balanço Patrimonial classifica os ativos como financeiros, permanentes e compensado e os passivos como financeiros, permanentes e compensado. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -145- Não há a necessidade de que um Plano de Contas seja moldado conforme os demonstrativos exigidos pela Lei 4.320/1964 ou qualquer outro ato normativo pertinente, pois isso limita, de certa forma, o tratamento e a compreensão das informações “de entrada” no sistema contábil. O Plano de Contas foi moldado segundo a Lei 6.404/1976 que rege a Contabilidade do Setor Privado enquanto que o Demonstrativo “Balanço Patrimonial” deve obedecer classificações diferentes. Portanto, é necessário diferenciar as classificações do Plano de Contas e as classificações do Balanço Patrimonial. Quando, no capítulo específico sobre Plano de Contas, foi citado que a consolidação das contas ocorrem no 3º nível – Subgrupo, refere-se ao Plano de Contas (e não às rubricas constantes do balanço) que servirá de base para a construção do Balanço Patrimonial. Neste ponto, fica clara a diferença entre as informações de entrada (Plano de Contas) e de saída (Balanço Patrimonial e outras Demonstrações) do sistema de informações contábeis. Cabe ressaltar que o Balanço Patrimonial demonstra os saldos das contas em uma determinada data e não um fluxo de saldos (como a DVP, por exemplo), sendo assim, um demonstrativo estático. A estrutura do Balanço Patrimonial é a seguinte: O Ativo Financeiro é representado por: - Disponível – representa basicamente os valores disponíveis em caixa e em depósitos bancários à vista. Conta Única, Aplicações Financeiras, etc. - Créditos em Circulação - representa a soma dos créditos para com terceiros pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Faturas/Duplicatas a Receber, Créditos Tributários, Empréstimos e Financiamentos Concedidos, etc. - Valores Pendentes a Curto Prazo – algumas despesas antecipadas financeiras e depósitos. O Ativo Permanente (ou Ativo Não-Financeiro) é representado por: - Realizável a Curto Prazo - representa os créditos e os valores em Circulação; - Realizável a Longo Prazo - representa os Depósitos e Créditos Realizáveis a Longo Prazo; - Permanente - representa o conjunto dos Investimentos, Imobilizado e Diferido. O Ativo Real é a soma do Ativo Financeiro com o Ativo Não-Financeiro. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -146- O Passivo Financeiro é representado por: - Depósitos e Consignações - representa o montante do débito referente às consignações da folha, restituições a pagar, fianças e cauções; - Obrigações em Circulação - representa o total de despesa empenhada, liquidada e não paga (restos a pagar processados), a título de fornecedores, operações de crédito, encargos a recolher e outras exigibilidades, além dos Restos a Pagar não processados. - Valores Pendentes a Curto Prazo – Representa restituições e compensações passivas e outros valores pendentes a pagar. O Passivo Permanente (ou Não-Financeiro) é representado pelo conjunto das obrigações que dependam de autorização orçamentária para suas liquidações ou pagamentos representados por dívidas a longo prazo, de exigibilidade superior a um ano, quer sejam internas ou externas, contraídas para atender o desequilíbrio orçamentário ou financiamento de obras e serviços públicos. Subdivide-se em obrigações em circulação a longo prazo, valores pendentes a longo prazo e outras exigibilidades a longo prazo. O Passivo Real é a soma do Passivo Financeiro com o Passivo Não- Financeiro O Patrimônio Líquido Representa a diferença entre os componentes patrimoniais ativos e passivos. O saldo positivo representa uma situação patrimonial superavitária. O saldo negativo representa uma situação patrimonial deficitária. No saldo patrimonial podem ser encontradas três situações: - ATIVO REAL LÍQUIDO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO POSITIVO, decorrente da diferença a maior entre o Ativo Real e o Passivo Real. - PASSIVO REAL A DESCOBERTO ou PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO, decorrente da diferença a menor entre o Ativo Real e o Passivo Real. - PATRIMÔNIO LÍQUIDO NULO, decorrente da igualdade entre o ATIVO REAL e o PASSIVO REAL. O Ativo e Passivo Compensado representam contas com a função controles diversos, relacionadas aos bens, direitos, obrigações e situações não compreendidas no patrimônio mas que, representam potencialidades, ou seja, valores que podem vir a afetar o resultado patrimonial, financeiro ou orçamentário do exercício. O modelo de Balanço Patrimonial segundo a Lei 4.320/1964 é o seguinte (modelo analítico7): 7 O modelo apresentado está em consonância com os demonstrativos exigidos atualmente. Algumas rubricas não constam do modelo, mas o objetivo foi o de apresentar o maior número possível para que o estudante tenha idéia da estrutura mais próxima da real do Balanço Patrimonial. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidosde Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -147- Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -148- O modelo sintético8 seria o seguinte: Após analisar a estrutura acima, cabem mais algumas considerações acerca do Balanço Patrimonial. Pode-se notar que, tanto nos agrupamentos de contas do Ativo e Passivo Financeiros quanto nos do Ativo e Passivo Não-Financeiros existem rubricas denominadas Ativo Financeiro a Longo Prazo, Ativo Não-Financeiro a Curto Prazo, Passivo Financeiro a Longo Prazo e Passivo Não-Financeiro a Curto Prazo. Isto deriva do fato de que, dentro dos direitos a receber a curto prazo e a longo prazo, e das obrigações exigíveis a curto e a longo prazo, existem contas de natureza financeira e não-financeira. Já foi visto nos tópicos anteriores que a Contabilidade Pública possui quatro sistemas independentes entre si nas contabilizações, ou seja, as contrapartidas de cada lançamento devem estar dentro do mesmo sistema de contas. Ao fazer uma comparação com a Contabilidade Privada, pode-se notar que tem-se o Ativo e Passivo Circulantes (Direitos e Obrigações a curto prazo, respectivamente), o Ativo Realizável e o Passivo Exigível a Longo Prazo. No Balanço Patrimonial da Contabilidade Pública os Ativos não estão em ordem decrescente de liquidez e os Passivos não estão em ordem decrescente de exigibilidade, como acontece na Contabilidade Privada. BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Ativo Financeiro - Direitos a Curto Prazo - Direitos a Longo Prazo Passivo Financeiro - Exigibilidades a Curto Prazo - Exigibilidades a Longo Prazo Ativo Não-Financeiro - Direitos a Curto Prazo - Direitos a Longo Prazo Passivo Não-Financeiro - Exigibilidades a Curto Prazo - Exigibilidades a Longo Prazo 8 O modelo sintético visa simplificar a estrutura analítica vista anteriormente para melhor compreensão. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -149- É necessário ressaltar que os direitos e exigibilidades a longo prazo são exceções ao ativo e passivo financeiro, respectivamente e, pode-se dizer o mesmo quanto aos direitos e exigibilidades a curto prazo no ativo e passivo financeiro. Um importante indicador obtido do Balanço Patrimonial é o superávit financeiro que servirá de base para abertura de créditos adicionais (suplementares, especiais e extraordinários) no exercício seguinte. O superávit ou déficit financeiro são apurados pela confrontação entre o ativo e o passivo financeiros. 7.5. Balanço Financeiro O Balanço Financeiro assemelha-se à Demonstração do Fluxo de Caixa muito utilizada na Contabilidade Privada. O art. 103 da Lei 4.320/1964 estabelece: “...O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentárias, bem como os recebimentos e os pagamentos de natureza extra-orçamentária, conjugados com os saldos em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o exercício seguinte.”. Em seu parágrafo único, estatui que “ ...os Restos a Pagar do exercício serão computados na receita extra-orçamentária para compensar sua inclusão na despesa orçamentária.”. O Balanço Financeiro relaciona rubricas em duas colunas: os ingressos e dispêndios financeiros ocorridos no exercício (orçamentários e independentes da execução orçamentária), partindo do saldo remanescente do exercício anterior e chegando aos valores a serem transferidos para o exercício seguinte. Trata-se de um demonstrativo de fluxo de recursos e não um demonstrativo estático (como o Balanço Patrimonial, por exemplo). Demonstra os pagamentos e recebimentos do período a que se refere. O Balanço Financeiro faz uma distinção entre as contas patrimoniais e de resultado. Enquanto as primeiras são cumulativas, ou seja, o saldo corresponde ao total do movimento financeiro do período, as outras (de resultado) decorrem da diferença entre as entradas e saídas de recursos (saldo líquido). ATIVO FINANCEIRO – PASSIVO FINANCEIRO = SUPERÁVIT/DÉFICIT FINANCEIRO Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -150- A coluna de ingressos é constituída por: - receitas orçamentárias (podendo ser correntes ou de capital), deduzidos os incentivos fiscais, as restituições e as interferências ativas (cotas, repasses e sub-repasses recebidos) e as transferências para restos a pagar; - ingressos extra-orçamentários, que são os saldos atuais das contas de obrigações, incluindo, conforme a Lei 4.320/64, a compensação da inscrição de restos a pagar e retenções de depósitos de terceiros; - disponibilidade do exercício anterior. A coluna de dispêndios é constituída por: - despesas orçamentárias (correntes ou de capital), efetivamente realizadas, inclusive a inscrição de restos a pagar e as interferências passivas (cotas, repasses e sub-repasses concedidos) e as transferências para atender a restos a pagar; - dispêndios extra-orçamentários, representados pelos saldos atuais das contas de direitos, pagamento de restos a pagar e serviço da dívida (amortização e encargos), e retenções de depósitos de terceiros (devoluções); - disponibilidade transferida para o exercício seguinte. Convém analisar o modelo do Balanço Financeiro (modelo analítico) para uma melhor análise e compreensão de suas funções. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -151- Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -152- O modelo sintético, encontra-se a seguir: A Lei 4.320/1964 previa inicialmente que a Demonstração deveria ter duas colunas: a da receita e da despesa. Devido á evolução da Contabilidade Governamental e a adoção da Conta Única do Tesouro Nacional, o conceito de receitas e despesas tornou-se inadequado para o demonstrativo. Passou-se a adotar “ingressos” e “dispêndios”. Na coluna de ingressos, encontra-se a disponibilidade do exercício anterior e na coluna de dispêndios a disponibilidade para o exercício seguinte. Com isso, há o equilíbrio do Balanço nas duas colunas. O entendimento do Balanço Financeiro é simples e poderia ser demonstrado através da equação: DISPONIBILIDADE DO EXERCÍCIO ANTERIOR + INGRESSOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS = DISPÊNDIOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS + DISPONIBILIDADE DO EXERCÍCIO SEGUINTE Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -153- Como conseqüência tem-se a igualdade: O entendimento é simplificado com esta última equação, basta ter em mente que o demonstrativo é a “disponibilidade inicial do exercício” que,logicamente, é igual à “disponibilidade final do exercício anterior”, mais os “ingressos financeiros do exercício (aquisição de disponibilidades)” menos os “dispêndios financeiros do exercício (consumo das disponibilidades)”. É importante diferenciar despesa de dispêndio e receita de ingresso. O Balanço Financeiro leva em consideração apenas a aquisição ou o consumo de disponibilidades, ou seja a efetiva entrada ou saída de caixa, independentemente de ser receita ou despesa. Ocorre que, na Contabilidade Governamental, as despesas nem sempre são desembolsadas no exercício em que são empenhadas (regime de competência) e as receitas são necessariamente ingressos pertencentes ao exercício (regime de caixa). O resultado financeiro do exercício corresponde à diferença: É NECESSÁRIO TER CUIDADO NA ANÁLISE DO SUPERÁVIT OU DÉFICIT QUE SERÃO REFLETIDOS NO RESULTADO FINANCEIRO DO EXERCÍCIO! DISPONIBILIDADE DO EXERCÍCIO ANTERIOR ( + ) INGRESSOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS ( - ) DISPÊNDIOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS (=) DISPONIBILIDADE PARA O EXRCÍCIO SEGUINTE INGRESSOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS (-) DISPÊNDIOS ORÇAMENTÁRIOS E EXTRA-ORÇAMENTÁRIOS Resultado Financeiro do Exercício INGRESSOS > DISPÊNDIOS = SUPERÁVIT INGRESSOS < DISPÊNDIOS = DÉFICIT OU É IGUAL A DISPONIBILIDADES PARA O EXERCÍCIO SEGUINTE (-) DISPONIBILIDADE DO EXERCÍCIO ANTERIOR (=) sendo “> 0” - SUPERÁVIT sendo “< 0” - DÉFICIT Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -154- Somente o Superávit apurado no Balanço Patrimonial servirá de base para a abertura de créditos adicionais. O conceito do superávit ou déficit apurados no Balanço Financeiro difere do conceito do Balanço Patrimonial. Quais seriam as informações úteis que são extraídas do Balanço Financeiro? Possibilita, por exemplo, às Unidades Gestoras avaliarem o montante das disponibilidades é suficiente para pagar os bens e serviços adquiridos. O tratamento diferenciado dos restos a pagar deve-se à necessidade da Unidade saber o montante de despesas empenhadas e não pagas (incluída também as não liquidadas) para o exercício seguinte, a fim de que se possa avaliar se as disponibilidades serão suficientes para fazer frente a estas despesas. No entanto, para que não haja desequilíbrio no Balanço Financeiro, há a necessidade de inserir, no grupo dos ingressos orçamentários os valores de restos a pagar do exercício com a função de compensar os valores das correspondentes Despesas Orçamentárias que não foram pagas. As Despesas Orçamentárias constantes do Balanço correspondem às despesas empenhadas (independentes da ocorrência do devido pagamento). Os restos a pagar são justamente despesas empenhadas e não pagas e, sendo assim, estão incluídas nas despesas do exercício, sem representar um efetivo desembolso. Por isso, há a necessidade de incluir o montante correspondente aos restos a pagar na coluna dos ingressos e, com isso, refletir apenas os desembolsos do exercício do demonstrativo. Na coluna dos dispêndios, os restos a pagar referem-se às despesas inscritas no exercício anterior e pagas neste exercício. Restos a Pagar no Balanço Financeiro INGRESSOS DISPÊNDIOS Restos a Pagar (“anula” o efeito da consideração da despesa empenhada e não paga como desembolso – para que o demonstrativo reflita somente os desembolsos do exercício) Despesas (incluindo as despesas empenhadas e não pagas – não representam desembolso) Restos a pagar (representa os pagamentos – desembolsos – , no exercício corrente, dos restos a pagar inscritos no exercício anterior) Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -155- 7.6. Demonstração das Disponibilidades por Fonte de Recursos - DFR Segundo o Manual SIAFI “...a Demonstração das Disponibilidades por Fonte de Recursos, apesar de não ser instituída por lei, é importante como instrumento de acompanhamento gerencial, pois demonstra as disponibilidades financeiras em MOEDA NACIONAL e ESTRANGEIRA, o comprometimento desses saldos em relação aos direitos a receber e as obrigações financeiras e as disponibilidades por Fonte de Recursos.”. Fonte de Recursos - Indica a origem de recursos orçamentários transferidos para um determinado Órgão/Entidade, destinados à manutenção das suas atividades permanente programadas. A estrutura da Demonstração é constituída por duas colunas: A primeira diz respeito à descrição das disponibilidades (em moeda nacional e estrangeira) e a segunda demonstra a composição das disponibilidades financeiras. A seguir, é apresentada a estrutura da DFR. Para que seja apurada a Disponibilidade por Fonte de Recursos, é necessário confrontar o Ativo Financeiro com o Passivo Financeiro. A primeira coluna é representada pelas disponibilidades financeiras imediatas, enquanto que os direitos financeiros a receber constam na segunda coluna. É necessário notar que existem elementos negativos na segunda coluna (composição das disponibilidades), que são os créditos em circulação. Isto ocorre em razão de estar ligado ao raciocínio de que na segunda coluna estão Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -156- os valores disponíveis “mediatos” (disponibilidades mediatas), por estarem em mãos de terceiros (como os créditos a receber e os valores em trânsito) e, portanto, são “abatidos” dos valores da primeira coluna. É necessário ressaltar que o superávit ou déficit financeiro constante da DFR deve ser correspondente ao valor do superávit ou déficit financeiro (ativo financeiro menos passivo financeiro) apurado no Balanço Patrimonial. Isto deve-se ao fato de os grupos ativo e passivo financeiros no Balanço Patrimonial e a DFR fazerem as mesmas comparações entre os valores patrimoniais financeiros. Tópicos Contemporâneos de Contabilidade Pública, LRF e Exercícios Resolvidos de Concursos Leonardo S. do Nascimento e Bernardo C. Cherman -157- 7.7. Exemplo Prático da Elaboração dos Demonstrativos exigidos pela Lei 4.320/1964 Lançamentos Fictícios que no ano X1 (que servirão de base para os demonstrativos) As simulações levarão em consideração apenas os lançamentos nas contas que farão parte dos demonstrativos. Órgão A : – UG A.1 (Adm. Direta) – UG A.2 (Adm. Direta) – UG A.3 (Adm. Indireta) ANO X1 – LANÇAMENTOS NA UG A1 SISTEMAS DE CONTAS Fato Contábil Orçamentário Financeiro Patrimonial Compensação 1. Entrega da Fita SOF contendo a previsão inicial da receita a ser arrecadada no exercício de acordo com o orçamento aprovado. Discriminando a “natureza de receita” (tributária, patrimonial, operações de crédito etc) a nível de conta corrente. D – Receita a Realizar R$ 1.000.000,00 C – Previsão Inicial da Receita R$ 1.000.000,00 2. Entrega da Fita SOF contendo a fixação dos créditos iniciais consignados ao Órgão A de acordo com a LOA. D – Dotação Inicial R$ 1.000.000,00 C – Crédito Disponível R$ 1.000.000,00 3. Com o Orçamento registrado, a UG A.1 descentraliza