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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E MATEMÁTICA FINANCEIRA Autoria: Heraldo da Costa Reis Nelson Chalfun Homsy Dados Pessoais Nome: _________________________________________________________ Turma:____________ Matrícula:__________ Curso: __________________ Endereço: _____________________________________________________ Cidade: _____________________________________ UF: _______________ CEP: ________________ Telefone: _________________________________ E-mail: ________________________________________________________ CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito - Cx. P. 191 - 89.130-000 INDAIAL/SC - Fone Fax: (47) 3281-9000/3281- 9090 - www.uniasselvipos.com.br Programa de Pós-Graduação EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Ivan Tesck Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz Prof.ª Tathyane Lucas Simão Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa Prof. Ivan Tesck Revisão Gramatical: Equipe de Produção de Materiais Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz Equipe Pedagógica do IBAM: Prof. Heraldo da Costa Reis Profª. Márcia Costa Alves da Silva Profª. Tereza Cristina Baratta Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2017 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. 658.15 R375h Reis, Heraldo da Costa Administração financeira e matemática financeira / Heraldo da Costa Reis; Nelson Chalfun Homsy. Indaial : UNIASSELVI, 2017. 163 p. : il. ISBN 978-85-69910-55-8 1. Administração Financeira. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci PARCERIA ENTRE IBAM E UNIASSELVI No momento atual, em todos os países, em qualquer instância de governo, observa-se um movimento de revisão do papel do Estado, somado à exigência das populações por atuação governamental de qualidade. Esta tendência conduz à demanda expressiva para que se consolide a existência e o funcionamento de um sistema qualificado de Gestão para a implementação de políticas públicas. A institucionalização dos processos de gestão e a profissionalização dos servidores públicos passam a ser instrumentos estratégicos para alavancar condições de melhor execução de atividades e projetos, bem como dos meios de controle necessários para avaliação de resultados da atuação governamental. Inúmeras iniciativas são implementadas para dar consistência a este modelo de gestão governamental que se apoia na valorização da transparência, da participação e do controle social, que não podem existir sem instrumentos adequados e pessoas qualificadas. É neste contexto que se forma a parceria do IBAM com a UNIASSELVI. Aprimorar o sistema de gestão pública, apoiar a formação de profissionais que queiram ser ou já são do quadro do setor público e ampliar a informação para o cidadão sobre como deve funcionar o governo são os propósitos iniciais do MBA em Finansas e Políticas Fiscais que passa a integrar o programa de pós-graduação da UNIASSELVI. A equipe de Professores Autores que o compõe se destaca pelo desempenho profissional em projetos da Administração Pública e como docentes universitários. A experiência da UNIASSELVI em processos educacionais em nível superior, aliada à do IBAM, que há 60 anos atua, em nível nacional e internacional, para o aprimoramento da administração pública, é composição de excelência para enriquecer o cenário que se quer alcançar. O IBAM e a UNIASSELVI desejam a todos os participantes uma boa jornada de estudos. Aos que se dirigem ao setor público, que consolidem sua formação; e, aos demais, que ampliem o nível de informação sobre governo e aprendam a articular-se com ele como cidadãos. Paulo Timm Superintendente Geral do Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM Prof. Carlos Fabiano Fistarol Pró-Reitor de Pós-Graduação a Distância Grupo UNIASSELVI Me. Nelson Chalfun Homsy Doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (IE/UFRJ), Mestre em Planejamento Urbano e Regional (UCLA) e Graduado em Economia (I E/UFRJ). Sua carreira profissional inclui importantes posições de administração, gerência e supervisão em departamentos de planejamento, mercado de capitais, pesquisa, sistemas de informação e finanças, nas áreas de habitação e infraestrutura. Como consultor atua nas áreas de políticas tributária e fiscal, provisão e distribuição de serviços públicos, gestão do crescimento econômico, política habitacional e análise e avaliação de projetos. É professor de Economia do Setor Público e de Matemática Financeira no Instituto de Economia da UFRJ. Seus principais temas de pesquisa, além das questões acadêmicas, são Economia Urbana e Regional e Finanças Públicas e Empresariais. Heraldo da Costa Reis É contador formado pela UFRJ, Mestre em Ciências Contábeis pelo Instituto Superior de Estudos Contábeis, da Fundação Getúlio Vargas (ISEC/FGV), com área de Concentração em Contabilidade Gerencial. É professor de Graduação e Pós-Graduação nas disciplinas de Gestão Governamental e Controle; Contabilidade Governamental e de Auditoria Governamental; Contabilidade Pública; Auditoria Governamental; Orçamento Público; Administração Financeira; área de Finanças, Contabilidade; Orçamento, em instituições como: UFRJ, UFPE, UFPR, UFCE, UFRN, PUC-MG, PUC-GO, CESUPA e ENSUR/IBAM. Atua como Consultor Técnico e parecerista em diversas áreas; é Coordenador de Ensino, da Escola Nacional de Serviços Urbanos do IBAM; Coordenador do Centro de Estudos Interdisciplinares em Finanças Públicas - CEIF - da ENSUR/IBAM. Consultor em vários projetos internacionais. Coordenador técnico dos projetos da parceria IBAM/BNDES. Autor e coautor de livros e artigos, dentre os quais destaca-se os seguintes livros: O que os Gestores Municipais devem saber, 2ª Ed. IBAM, 2007. Contabilidade e Gestão Governamental, Estudos Especiais, 1ª Ed. IBAM, 2004. A Lei 4.320 Comentada, na 33a. Ed. Lúmen Juris-IBAM, com a introdução de comentários à Lei de Responsabilidade Fiscal, 2010. Membro da Comissão de Contas Públicas do Conselho Federal de Contabilidade. Responsável pela Editoria Técnica da revista de Administração Municipal (IBAM). Sumário APRESENTAÇÃO ......................................................................9 CAPÍTULO 1 Fundamentos da Administração Financeira Governamental ...................................................13 CAPÍTULO 2 Receita e Despesa Governamentais ....................................37 CAPÍTULO 3 Gestão Orçamentária e Financeira .....................................55 CAPÍTULO 4 O Patrimônio Financeiro .......................................................73 CAPÍTULO 5 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos ...............................................101 CAPÍTULO 6 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro ..................................................................127 CAPÍTULO 7 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização ....................................................................147 APRESENTAÇÃO Caro pós-graduando! Qualquer organização, com ou sem fins lucrativos, governamental ou de direito privado, tem problema a ser resolvido, principalmente pelo momento que se vive, ou seja, de incertezas políticas, que tem se agravado e produzido impactos negativos sobre a situação econômica do país. A área governamental, por exemplo, sofre diretamente os impactos negativos dessa situação política, pois faz surgir situações que revelam as responsabilidades dos gestores públicos. As transformações socioeconômicas da última década vêm demandando a formulação de novas estratégias no plano da gestãoagrupamento, as seguintes receitas: • Aluguéis, resultantes da execução de contratos desta natureza de prédios, equipamentos e de outros bens de propriedade do Estado. • Arrendamento, de terrenos e terras, indústrias, de propriedade do Estado. • Participações Societárias, das quais podem resultar dividendos de sociedades de economia mista. • Lucros de empresas públicas. • Superávit em alienações de bens tangíveis, ações, títulos da dívida pública, e outros. Esclareça-se que este resultado deverá ser aplicado na aquisição de bens de capital e, quando for o caso e determinado por lei, na extinção de dívidas previdenciárias, como dispõe o art. 44 da Lei Complementar nº 101/2000. • Aplicações financeiras temporárias, mediante a obtenção de juros. Atividades de fruição do patrimônio referem-se ao resultado financeiro da fruição do patrimônio, seja decorrente de bens tangíveis, seja advinda de participação societária, seja oriunda de superávits apurados nas alienações de bens patrimoniais. 43 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 Também, nas receitas acima especificadas, identifica-se a vinculação de cada uma a despesas que lhes dão origens, classificando-se todas como Receita Patrimonial. • Transferências resultantes de participações em receitas de impostos de outras esferas governamentais por força de mandamento da Constituição da República; de convênios ou ainda de transferências voluntárias, ou de Transferências Legais. • Conversão ou cobranças de direitos tais como multas, juros de mora, cobrança da dívida ativa tributária e não tributária, indenizações e restituições e outras. Estas receitas são classificadas em Receitas Correntes/Outras Receitas Correntes. • Crédito, do qual são obtidos recursos financeiros mediante operações de crédito do tipo empréstimos, financiamentos e emissão de títulos da dívida pública. Os empréstimos e financiamentos são operações vinculadas a projetos de execução em longo prazo de maturação, enquanto as emissões de títulos da dívida pública estão vinculadas à política financeira e econômica, podendo, dependendo da legislação, também se vincular a projetos de longa maturação. Essas operações são autorizadas previamente por lei, havendo a necessidade de passarem pelos crivos do Senado da República e do Banco Central, além de estarem vinculadas ao cálculo da capacidade de pagamento e de endividamento, para o que se calculam o Resultado Primário e o Resultado Nominal, respectivamente. • Alienações de bens, provenientes das vendas de bens patrimoniais mediante autorizações específicas em leis, principalmente as que dizem respeito aos bens imóveis. As alienações devem ser sempre precedidas de avaliações ou reavaliações conforme dispõe a Lei Federal nº 8.666/93, bem como de depreciações, dependendo da natureza do bem, e as aplicações do produto das alienações deverão observar o que dispõe o art. 44 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Classificação da Receita Legalmente, as receitas classificam-se nas seguintes categorias econômicas: a) Receitas Correntes, as que provêm das atividades próprias da entidade, no caso o Estado, ou de suas relações jurídicas com outras entidades, seja por força de mandamento constitucional, como as oriundas de partilhamento de receitas tributárias, seja as oriundas de convênios, e das chamadas transferências voluntárias. Estas receitas são as seguintes: As alienações devem ser sempre precedidas de avaliações ou reavaliações conforme dispõe a Lei Federal nº 8.666/93, bem como de depreciações, dependendo da natureza do bem, e as aplicações do produto das alienações deverão observar o que dispõe o art. 44 da Lei de Responsabilidade Fiscal. 44 Administração Financeira e Matemática Financeira • Receita Tributária, neste item classificam-se os tributos Impostos, Taxas e Contribuição de Melhoria de competência do ente federado. • Receita de Contribuições, são as contribuições previdenciárias e outras espécies de contribuições obrigatórias. • Receita Patrimonial, que se origina da exploração econômica do patrimonial, como já vimos no item anterior. • Receita Agropecuária, que se origina de atividade econômica na área de agropecuária. • Receita Industrial, que se origina de atividades industriais do ente federado. • Receita de Serviços, que se origina de serviços prestados ao usuário do serviço. • Transferências Correntes, que se origina de mandamentos constitucionais, de leis específicas e/ou de convênios. • Outras Receitas Correntes, que se originam da conversão em espécie da cobrança de direitos inscritos na Dívida Ativa, e da cobrança de multas, juros de mora e outras operações. b) Receitas de Capital, que provêm de empréstimos e financiamentos contratados, empréstimos sob a forma de emissão de títulos da dívida pública, da alienação de bens patrimoniais, mediante a recuperação do custo atual do bem, de transferências de capital quando se destinem a atender a Despesas de Capital e de outras fontes não classificáveis nas anteriores. São as seguintes: • Operações de Crédito, provenientes de contratações de empréstimos ou financiamentos, ou ainda da emissão de títulos da Dívida Pública. Essas operações só podem ser efetuadas mediante as respectivas autorizações em leis específicas, devendo, ainda, submeterem-se aos crivos do Senado da República e do Banco Central. São realizadas sempre com base no Resultado Nominal. • Alienação de Bens, proveniente da venda de bens patrimoniais mediante autorizações específicas em leis, principalmente as que dizem respeito aos bens imóveis. As alienações devem ser sempre precedidas de avaliações ou reavaliações, bem como de depreciações, dependendo da natureza do bem. • Amortização de Empréstimos, proveniente da recuperação de valores referentes a empréstimos e/ou financiamentos concedidos. • Transferências de Capital, provenientes de receitas destinadas a atender Despesas de Capital. • Outras Receitas de Capital, para classificar receitas que não se classificam nos subagrupamentos anteriores. 45 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 Atividades de Estudos: 1) Escreva o que é receita na sua verdadeira acepção técnica: _________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Com base no que você estudou neste capítulo, qual a função da receita na Administração Pública? ____________________________________________________ _________________________________________________ _________________________________________________ ________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 3) Quais as classificações da receita pública? _______________________________________________ ______________________________________________ _______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ Conceito de Despesa A despesa em qualquer organização resulta do conhecimento prévio, mediante diagnóstico interno e externo, das necessidades coletivas e administrativas. A despesa, no entanto, em toda e qualquer organização, é tratada como saída de valores do patrimônio da entidade com objetivos determinados. Diz-se também que é o esforço despendido para alcançar um objetivo predeterminado. 46 Administração Financeira e Matemática Financeira Em realidade, diferentemente da receita, a despesa é seguida de váriosentendimentos conceituais, tais como o emprego das expressões gastos, despesas e investimentos. Pode-se, portanto, adotar o seguinte entendimento, já que as expressões são também empregadas na Administração Pública: • Gasto é toda aplicação de caixa para aquisição de bens e serviços. • Despesa é o consumo efetivo de bens e serviços nas atividades da organização, que geram benefícios a curto prazo. • Investimento é toda e qualquer aplicação de bens e serviços no sentido de se alcançar um benefício a longo prazo. A saída de caixa, além de se destinar às aquisições de bens e serviços de consumo em curto e longo prazos, também se destina aos pagamentos de obrigações financeiras como amortizações e juros de empréstimos e financiamentos tomados. Essas aplicações são feitas efetivamente nas chamadas áreas de responsabilidades em que o Estado cumpre com as suas obrigações para com a sociedade, tais como Saúde, Educação, Cultura, Defesa Nacional, Segurança Pública e outras, inclusive nas atividades-meio. As aplicações, de acordo com a natureza do objetivo, podem ser classificadas como de caráter: • Social, cujo objetivo é dar condições de crescimento e desenvolvimento social, e que se processam nas áreas da Assistência Social, Cultura, Educação, Saúde e outras do gênero. • Econômico, cujo objetivo é promover o desenvolvimento e crescimento econômico, os quais se processam nas áreas dos setores da agricultura, serviços, comércio e indústria. • Administrativo, cujo objetivo é dar condições de funcionamento às atividades administrativas dos setores da Administração governamental. Do que se entendeu, despesa é o consumo efetivo de bens e serviços com objetivo de dar condições de funcionamento às atividades- meio e fim e, assim, concretizar os resultados predeterminados. A locução consumo de bens e serviços ativados significa que bens tangíveis, como equipamentos, máquinas e outros meios materiais, bem como serviços das mais variadas naturezas, foram utilizados A despesa em qualquer organização resulta do conhecimento prévio, mediante diagnóstico interno e externo, das necessidades coletivas e administrativas. A despesa, no entanto, em toda e qualquer organização, é tratada como saída de valores do patrimônio da entidade com objetivos determinados. Diz-se também que é o esforço despendido para alcançar um objetivo predeterminado. Despesa é o consumo efetivo de bens e serviços com objetivo de dar condições de funcionamento às atividades- meio e fim e, assim, concretizar os resultados predeterminados. 47 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 em várias atividades-meio e fim, com o propósito de concretizar os objetivos da organização. É com esta ótica que devemos examinar as despesas, para então verificarmos se houve ou não desperdício de recursos. Aqui, sim, é que se identificam a nocividade das aplicações malfeitas, das aplicações ilegítimas, que geram danos ao patrimônio público. Destinações das Despesas As aplicações dos recursos são classificadas de várias formas, segundo a natureza dos objetivos, como segue: • Áreas de responsabilidades, também conhecidas como Funções de Governo, tais como Saúde, Educação, Segurança Pública e outras. Nessas áreas de responsabilidades é que se identificam os propósitos ou as intenções governamentais. • Programas de trabalho, ou seja, conjunto de ações permanentes ou temporárias, com metas ou cargas de trabalho a executar em um determinado tempo/prazo. Essas ações se classificam como atividades (ações permanentes) ou projetos (ações temporárias). Os programas de trabalho são classificados nas áreas de trabalho com as quais se identificam ou são congruentes. • Órgãos, também conhecida como classificação institucional, mediante a qual se procura conhecer as responsabilidades da organização, ou de cada setor da administração, bem como, daqueles que decidem sobre o que fazer, como fazer, com o que fazer, quando fazer, por que fazer e onde fazer. Os órgãos podem ser classificados como unidades orçamentárias, ou seja, aqueles aos quais se destinam recursos para a execução das suas atividades-meio e fim. Também se classificam como Administração Central os que compreendem a estrutura do ente federado. Exemplo: no Governo Federal, o Ministério da Educação. No âmbito do Governo do Estado: a Secretaria Estadual da Saúde. No âmbito do Município: Secretaria Municipal de Governo. Entidades da Administração descentralizada, aqueles que possuem personalidade jurídica de direito público interno, como as autarquias, e de direito privado, como as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as fundações. • Insumos, ou recursos classificados nas categorias econômicas mais conhecidas por Despesas Correntes e Despesas de Capital. Em realidade, 48 Administração Financeira e Matemática Financeira estas classificações permitem conhecer as despesas que possibilitaram a execução dos programas de trabalho e, consequentemente, a concretização do objetivo da organização. Classificação da Despesa É de real importância tomar conhecimento de que a Portaria Interministerial nº 163/2001, com as modificações posteriores, introduziu alguns conceitos que, de acordo com o seu art. 3º, são os seguintes: • Despesas Correntes e Despesas de Capital medem as contribuições do Estado para o desenvolvimento e crescimento da sua economia e das suas atividades. Assim, a natureza da despesa se identificará com o tipo de aplicação e com o objetivo pretendido. • Grupos de natureza de despesa é conceituado como a agregação de elementos de despesas que apresentam as mesmas características quanto ao objeto de gasto. • Modalidade de aplicação - tem por finalidade indicar se os recursos são aplicados diretamente por órgãos ou entidades no âmbito da mesma esfera de governo ou por outro ente da federação e suas respectivas entidades, e objetiva possibilitar a eliminação da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados. • O elemento de despesa é conceituado como aquele que tem por objetivo identificar os objetos de gasto, tais como vencimentos e vantagens fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e material permanente, auxílios, amortização e outros de que a administração pública se serve para a consecução dos seus fins. Para fins orçamentários, as despesas, de acordo com a concepção qualitativa, estão classificadas como funções de governo, conforme a Portaria nº 42/1999: 01 – Legislativa: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas, cujos programas sejam congruentes com o objetivo geral a ser delineado para esta área de atuação do governo. 02 – Judiciária: nesta função classificam-se as subfunções típicas e aquelas Para fins orçamentários, as despesas, de acordo com a concepção qualitativa, estão classificadas como funções de governo, conforme a Portaria nº 42/1999. 49 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 que, por necessidade do planejamento, lhes sejam incorporadas, nas quais se incluirão os programas voltados para o objetivo da área. 03 – Essencial à Justiça: nesta função classificam-se as subfunções típicas e aquelas que lhes serão incorporadas com os programas necessários aos propósitos governamentais. 04 – Administração: nesta função classificam-se as subfunções típicas e as atípicas que lhes sejam incorporadas, com os respectivos programas cujas ações estejam relacionadas com as chamadas atividades-meio e fim. Exemplos: Atividades do Gabinete do Secretário de Educação e do Gabinete do Secretário de Saúde. 05 – Defesa Nacional: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas, com os respectivos programas voltados para a consecução dos objetivos que lhes são determinados. 06 – Segurança Pública:nesta função classificam-se as funções típicas e aquelas que poderão lhes ser incorporadas, com os respectivos programas de trabalho que sejam congruentes com o objetivo previamente delineado para a área. 07 – Relações Exteriores: nesta função classificam-se as subfunções típicas e, possivelmente, as atípicas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 08 – Assistência Social: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 09 – Previdência Social: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 10 – Saúde: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 11 – Trabalho: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 12 – Educação: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas 50 Administração Financeira e Matemática Financeira que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 13 – Cultura: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 14 – Direitos da Cidadania: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 15 – Urbanismo: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 16 – Habitação: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 17 – Saneamento: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 18 – Gestão Ambiental: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 19 – Ciência e Tecnologia: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 20 – Agricultura: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 21 – Organização Agrária: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 22 – Indústria: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 51 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 23 – Comércio e Serviços: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 24 – Comunicações: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 25 – Energia: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 26 – Transporte: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 27 – Desporto e Lazer: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. 28 – Encargos Especiais: nesta função classificam-se as subfunções típicas e atípicas que porventura lhes sejam incorporadas, cujos programas guardam congruência com o objetivo delineado para a área. Para concluir este assunto, é relevante informar que em cada função estão classificadas subfunções que com ela guardam tipicidade, o que, entretanto, não significa que uma subfunção de uma função não possa ser utilizada em outra função, desde que o seu produto final seja congruente com os propósitos estabelecidos na função, conforme se explica em cada uma delas. Neste caso, utiliza-se do conceito da atipicidade. Além disso, aos programas de trabalho são alocados os insumos ou recursos, classificados nas categorias econômicas Despesas Correntes e Despesas de Capital, necessários à execução das ações que os compõem, objetivando, assim, alcançar as metas que lhes foram determinadas (conforme a Portaria Interministerial nº 163/2001). Outra informação importante é que cada esfera governamental pode organizar os seus próprios programas de trabalho e classificá-los na função e subfunção que melhor atender às suas intenções. Aos programas de trabalho são alocados os insumos ou recursos, classificados nas categorias econômicas Despesas Correntes e Despesas de Capital, necessários à execução das ações que os compõem, objetivando, assim, alcançar as metas que lhes foram determinadas (conforme a Portaria Interministerial nº 163/2001). 52 Administração Financeira e Matemática Financeira Atividades de Estudos: 1) Qual a função da despesa pública? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ 2) Como se classificam as despesas públicas? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ Algumas Considerações Vimos, ao longo da exposição deste capítulo, os conceitos de receitas e despesas, como resultados das operações realizadas pelo ente federado. Observe que as receitas têm fontes diferentes, quais sejam: 1– as próprias atividades; 2– mandamentos constitucionais e 3– relações jurídicas com outras entidades privadas com ou sem fins lucrativos e com outras entidades governamentais. As despesas, entendemos, portanto, que são aplicações que visam identificar como o ente federado contribui para o desenvolvimento socioeconômico do país, possibilitando a geração de dois tipos de retorno: 1- em favor da própria entidade e 2- em benefício da população. As classificações das receitas e das despesas são feitas, como apresentadas, apenas para facilitar controles, análises e avaliações das atividades governamentais. 53 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 Referências BALEEIRO, Aliomar. Uma introdução à ciência das finanças. 12. ed. Rio de Janeiro:Forense, 1978. p. 130. BRASIL. Ministério da Fazenda e Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MF/MPOG). Portaria Interministerial N. 163/2001. Dispõe sobre normas gerais de consolidação das Contas Públicas no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2017. BRASIL. Portaria MPOG N. 42/1999. Atualiza a discriminação da despesa por funções de que tratam o inciso I do § 1º do art. 2º e § 2º do art. 8º, ambos da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estabelece os conceitos de função, subfunção, programa, projeto, atividade, operações especiais, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2017. BRASIL. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (atualizada até a EC n° 95, de 15/12/2016 - DOU 16/12/2016). Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2017. BRASIL. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 29 fev. 2017. 54 Administração Financeira e Matemática Financeira CAPÍTULO 3 Gestão Orçamentária e Financeira A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender a diferença entre a gestão orçamentária e a gestão financeira. � Entender os significados das operações financeiras orçamentárias e não orçamentárias e seus reflexos no fluxo de caixa. � Entender o significado e o porquê da aplicação do regime de competência. � Diferenciar a gestão por caixa única, por fundos especiais e depósitos de diversas origens. Heraldo da Costa Reis 56 Administração Financeira e Matemática Financeira 57 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 Contextualização A gestão orçamentária tem por fim executar as normas estabelecidas nos arts. 2 a 33 da Lei nº 4.320/1964, que regulam o conteúdo da lei de orçamento, a elaboração da proposta orçamentária e a elaboração da Lei Orçamentária. Já a gestão financeira, que tem as suas diretrizes estabelecidas nos art. 34 a 73 da já referida Lei 4.320/1964, refere-se às operações de origens orçamentárias ou não, realizadas no período denominado exercício financeiro, que coincide com o ano civil, com início no dia 1º de janeiro e término no dia 31 de dezembro de cada ano. As demonstrações e os relatórios sobre a gestão orçamentária e financeira devem incluir a utilização do regime de competência no reconhecimento das receitas e das despesas, a fim de que a situação líquida do Patrimônio Financeiro e a Situação Líquida Patrimonial reflitam valores reais ou, pelo menos, aproximados da realidade. Demonstrações Orçamentárias O exercício financeiro se inicia com a execução do orçamento geral, aprovado por lei específica, inclusive com a reabertura no limite dos respectivos saldos deixados no encerramento do exercício financeiro anterior dos créditos especiais e extraordinários autorizados e abertos em um dos últimos quatro meses desse exercício. A gestão financeira da execução orçamentária se processa a partir do conhecimento da estrutura do orçamento geral, conforme as demonstrações recebidas da Contabilidade, tais como se apresentam a seguir: Quadro 1 – Estrutura Orçamentária A gestão orçamentária tem por fim executar as normas estabelecidas nos arts. 2 a 33 da Lei nº 4.320/1964, que regulam o conteúdo da lei de orçamento, a elaboração da proposta orçamentária e a elaboração da Lei Orçamentária. A gestão financeira da execução orçamentária se processa a partir do conhecimento da estrutura do orçamento geral, conforme as demonstrações recebidas da Contabilidade. Movimentos Receitas Correntes Previsão Lançto. Arrecad. A Receber Saldo Prev. Tributária 1.500.000 1.000.000 950.000 50.000 500.000 Contrib. 500.000 350.000 250.000 100.000 150.000 Agro-Pec. 800.000 550.000 500.000 50.000 250.000 Serviços 700.000 300.000 250.000 50.000 400.000 Industrial 300.000 150.000 100.000 50.000 150.000 Patrimonial 450.000 350.000 300.000 50.000 100.000 58 Administração Financeira e Matemática Financeira Transfs. 2.000.000 1.300.000 1.300.000 0 700.000 Diversas 800.000 650.000 550.000 100.000 150.000 Capital Transfrs. 1.000.000 850.000 850.000 0 150.000 Soma 8.050.000 5.500.000 5.050.000 450.000 2.550.000 Movimentos Despesas Corren- tes Prov. Empen Proc. A Proc. Sdo.Dot Pess. e Encs. Sociais 4.000.000 2.300.000 1.800.000 500.000 1.700.000 Juros e Encs. Dív. 150.000 100.000 100.000 0 50.000 Outras Desp. Ctes. 650.000 550.000 500.000 50.000 100.000 Capital Investimentos 2.500.000 1.800.000 1.600.000 200.000 700.000 Inversões Fin. 350.000 250.000 200.000 50.000 100.000 Amort. da Dívida 400.000 300.000 250.000 50.000 100.000 Soma 8.050.000 5.300.000 4.450.000 850.000 2.750.000 Fonte: O autor. As demonstrações indicam as várias situações com as quais o gestor financeiro se defrontará durante a execução orçamentária, a partir do entendimento do conteúdo das colunas que dizem respeito aos movimentos da Receita e da Despesa orçamentárias, como segue: a) Receita • Previsão: indica a que está inscrita na Lei Orçamentária. O valor previsto para cada fonte de receita foi calculado com base na metodologia descrita na Lei de Diretrizes Orçamentárias. • Lançamentos: indica o ato administrativo da autoridade competente de reconhecer um direito sobre um valor recebível que pode ter origem em um contrato, em um tributo ou de um mandamento constitucional. Neste caso, ainda que se possa desconhecer o valor em si, o direito pode ser reconhecido, ajustando-se, posteriormente, à medida que o orçamento vai sendo executado. Esta coluna indica que as receitas têm o tratamento do regime de competência no reconhecimento dos direitos sobre valores recebíveis. • Arrecadação: indica os direitos convertidos em receita efetiva. As demonstrações indicam as várias situações com as quais o gestor financeiro se defrontará durante a execução orçamentária. 59 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 • Direitos a Receber: indica a diferença entre o lançamento e a arrecadação. Indica também valores de propriedade do ente federativo em mãos dos devedores. • Saldo da Previsão: indica o que deixou de ser lançado e cobrado. Essa diferença pode sinalizar que a metodologia de previsão deve ser aperfeiçoada. b) Despesa • Provisão: indica o quanto será possível gastar para obter um bem ou um serviço. Indica também a despesa prevista ou, ainda, fixada como limite no orçamento geral. São valores projetados de acordo com a metodologia estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias. • Empenhos: indica o volume de empenhos sobre as dotações previstas ou fixadas no orçamento geral, feitos no período a que se refere a demonstração. Refletem também operações de aquisições de bens e serviços para as atividades desenvolvidas pela Administração, bem como de cumprimento de obrigações financeiras de longo prazo, mediante contratos ou mandamentos em leis específicas. • Processamento (Proc.): indica o volume de despesas que passaram pelo processo de verificação do cumprimento do objeto do contrato ou do mandamento legal ou constitucional. Dessa verificação, uma vez confirmado o cumprimento do contrato ou da lei, resulta a obrigação de pagar, que, por sua vez, obedeceráà programação de pagamentos no período. • A Processar: indica despesas cujos contratos ou leis ainda estão em franca execução, os quais serão transferidos para o período seguinte. • Saldo da dotação: é a diferença entre a dotação prevista e o volume de empenhos procedidos. É a partir do conhecimento do conteúdo de cada coluna que o gestor financeiro inicia a avaliação das operações realizadas no período a que se refere a demonstração. 60 Administração Financeira e Matemática Financeira Gestão Financeira Como se observa até o presente instante, a gestão financeira compreende uma série de atividades que têm por objetivo auxiliar a Administração a alcançar os seus objetivos, cumprir com as suas obrigações e assegurar a realização dos seus direitos. Essas atividades, desenvolvidas pela gestão financeira, podem refletir: • Na obtenção definitiva das suas receitas. • Na realização concreta dos direitos da entidade, mediante a cobrança de débitos de contribuintes ou de usuários de serviços prestados e inscritos na dívida ativa. • Na realização das receitas garantidas pela Constituição da República para os Estados e Municípios, via os Fundos Especiais de Participação dos Estados e dos Municípios. • Na realização de recursos financeiros, ainda que eventuais e temporários, mediante empréstimos e financiamentos, e alienações de bens patrimoniais que integram o patrimônio do ente federativo. • Na extinção de obrigações de caráter financeiro mediante pagamentos via rede bancária ou as opções garantidas pela lei, via negociações, como compensação tributária, dação em pagamento e permutas, dentre outras. • Na negociação com contribuintes para incentivar pagamentos de tributos em atraso, renúncias de receitas, doações feitas e recebimentos de bens em doações. • Nas aquisições de bens e serviços e de outros recursos, que serão empregados nas ações planejadas e programadas pelo ente federativo, com vistas à produção de bens e serviços para a sociedade via institucionalização, expansão ou aperfeiçoamento das atividades governamentais. • Nos recebimentos e devoluções de valores pertencentes a terceiros, sobre os quais a entidade governamental, como fiel depositária, tem responsabilidade pela guarda e custódia. • Na guarda, custódia e controle de valores pertencentes à entidade governamental, tais como ações representativas de participações em empresas e valores entregues a entidades com ou sem fins lucrativos a título de subvenções econômicas e sociais, contribuições e auxílios. A gestão financeira das operações governamentais se processa da seguinte forma: a) Caixa Única, b) Caixa Fundos Especiais e c) Caixa Depósitos de Diversas Origens. A gestão financeira compreende uma série de atividades que têm por objetivo auxiliar a Administração a alcançar os seus objetivos, cumprir com as suas obrigações e assegurar a realização dos seus direitos. 61 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 a) Caixa Única A gestão por Caixa Única decorre do que dispõe o art. 56, da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, a seguir transcrito: “Art. 56 - O recolhimento de todas as receitas far-se-á em estreita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para a criação de caixas especiais” (BRASIL, 1964). Do entendimento do caput do artigo, fica claro que a Lei estabelece a gestão por Caixa Única ou Unidade de Tesouraria para todas as receitas obtidas pelo ente federativo por meio das suas atividades próprias, desde que não tenham destinação específica. Ressalte-se, entretanto, que, no que respeita aos impostos dos entes federativos, principalmente os de competência da União e do Estado membro da federação, há exceções, porquanto a Constituição da República permite que parcelas de certos impostos de competência dessas unidades federativas, tais como o Imposto de Renda, Imposto de Produtos Industrializados, estejam vinculadas aos Fundos de Participação do Estado e dos municípios, de responsabilidade da União, e ICMS e IPVA ao Fundo constituído no âmbito do Estado, de responsabilidade do Estado, para serem distribuídas entre os municípios localizados no seu território. Observe que a Lei não se preocupa com a organização administrativa da gestão financeira, mas, apenas, com a centralização das receitas em uma só caixa, no sentido de evitar o aparecimento de feudos, muito comum na Administração Pública. A organização administrativa, que envolve a Tesouraria, é da responsabilidade direta da Administração do ente federativo, que a desenvolve de acordo com o volume das suas atividades. A Tesouraria Geral, por exemplo, ficará com a obrigação de elaborar e controlar a Programação de Caixa, cujos pagamentos e recebimentos poderão se efetivar por intermédio da rede bancária, ou, até mesmo, manter unidades descentralizadas, com materiais e pessoal próprios. Neste caso, porém, o ente federativo terá de arcar com custos elevados com a manutenção e operacionalização dessas unidades. Há que se chamar a atenção para o fato de que com as mudanças introduzidas pela Constituição Federal, de 1988, as receitas poderão ser lançadas e arrecadadas pelos demais Poderes, como é o caso do Poder Judiciário, no âmbito da União e do Estado. Mas a responsabilidade pela gestão do caixa único poderá caber ao Poder Executivo e, neste caso, essas receitas deverão ser-lhe A Lei não se preocupa com a organização administrativa da gestão financeira, mas, apenas, com a centralização das receitas em uma só caixa, no sentido de evitar o aparecimento de feudos, muito comum na Administração Pública. 62 Administração Financeira e Matemática Financeira entregues pelo Judiciário, para o cumprimento do que determina o art. 56 da Lei nº 4.320/64. Por fim, as disponibilidades do Caixa Único destinam-se a atender a pagamentos de obrigações das mais variadas naturezas, independentemente das áreas de atuação do Poder Público. b) Fundos Especiais Uma das formas mais comuns de gestão financeira na Administração Pública é a que se denomina de Fundo Especial, ou seja, um volume de recursos financeiros formado por receitas especificadas destinadas a financiar um programa de trabalho, uma ação específica, ou mesmo ações de entidade jurídica de direito público personalizada, como uma autarquia, conforme se depreende do caput do art. 71 da Lei nº 4.320, de 17 de 1964, a seguir transcrito: “Art. 71 – Constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que, por lei, se vinculam à realização de determinados objetivos ou serviços, facultada a adoção de normas peculiares de aplicação” (BRASIL, 1964). Pode-se destacar como Fundo Especial os seguintes: I. Receitas ou parcelas de receitas especificadas que se vinculam a um programa de trabalho. II. Empréstimos ou financiamento, cujo produto se destina a financiar aquisições de bens e serviços. III. Convênios. IV. Autarquia ou empresa pública. Neste caso, os fundos especiais tomam a forma de entidades jurídicas, com autonomia de gestão. • Objetivo A ideia da institucionalização de um Fundo Especial, portanto, está associada à identificação de ações tidas como prioritárias no contexto da Administração, diante da incerteza financeira que pode comprometer a execução de tais prioridades. Tendo em vista esta situação, certas receitas ou parcelas dessas receitas são vinculadas a programas de trabalho com a finalidade de garantir a aquisição de bens e serviços e, consequentemente, a concretização dos respectivos objetivos específicos. Assim, pode-se afirmar que o Fundo Especial tem por fim assegurar recursos financeiros suficientes para a viabilização de programas, que, desta forma, constituem o seu objetivo específico. Pode-se afirmar que o Fundo Especial tem por fim assegurar recursos financeiros suficientes para a viabilização de programas, que, desta forma,constituem o seu objetivo específico. 63 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 • Fundo Especial como forma de gestão versus Fundo Contábil O Fundo Especial como forma de gestão de receitas possui características peculiares que o diferenciam de Fundos Contábeis. Por exemplo, o Fundo como forma de gestão de receitas implica descentralizações do processo decisório e de receitas especificadas, que deverão estar expressas na lei criadora. Observe que esta forma de gestão, por ser exceção à regra contida no art. 56 da Lei n° 4.320/64, exige plano de aplicação e contabilidade próprios. O Fundo Contábil, como a própria denominação indica, é uma opção da administração de adotar um sistema de informações contábeis de caráter gerencial e financeiro para o controle e avaliação de desempenho em cada uma das várias áreas em que atua. O Fundo Especial como forma de gestão implica a existência de uma contabilidade própria, mediante a segregação de contas específicas que produzirão informações sobre a gestão dos recursos financeiros que o constituem, ainda que a gestão financeira seja a Caixa Única, o que não ocorre com o Fundo Contábil, por ser um sistema de informações optativo. • Características de um Fundo Especial São características fundamentais de um Fundo Especial, constantes da lei que o cria, as seguintes: − Objetivo claramente definido, ou seja, a formação de um lastro financeiro ou disponibilidades que assegurarão o pagamento das obrigações assumidas e oriundas de aquisições de bens e serviços a serem empregados nas atividades ligadas ao objeto da organização por intermédio do programa de trabalho. − Receitas especificadas com clareza. Aquelas que integram o elenco de receitas do ente federativo, com exclusão dos impostos que não podem ter vinculações específicas, ressalvadas as permitidas pela Constituição da República. − Despesas relacionadas com o objetivo. Em realidade, são obrigações assumidas a serem pagas com os recursos financeiros que formam as disponibilidades asseguradas pelas receitas especificadas na lei. − Órgão ao qual o fundo se vincula, ou ao qual o caixa especial vai se vincular. Isto a lei vai determinar. − Designação do gestor do fundo ou do caixa especial. Pode ser o gestor O Fundo Especial como forma de gestão implica a existência de uma contabilidade própria, mediante a segregação de contas específicas que produzirão informações sobre a gestão dos recursos financeiros que o constituem, ainda que a gestão financeira seja a Caixa Única, o que não ocorre com o Fundo Contábil, por ser um sistema de informações optativo. 64 Administração Financeira e Matemática Financeira do órgão ao qual este caixa se vinculará, ou poderá continuar com o responsável pela gestão de finanças do ente federativo. Neste caso, não é a lei criadora do fundo que o determinará, mas o Chefe do Poder Executivo, mediante decreto. Em realidade, o que se está mencionando aqui é simplesmente a descentralização administrativa de caráter interno. − Ativos ou bens adquiridos com os recursos financeiros do fundo. Estes integrarão sempre o patrimônio do ente federativo, mas serão sempre utilizados como meios materiais do programa. − Passivos ou obrigações com terceiros assumidas em razão de assunção de encargos sociais ou financeiros ou, ainda, de aquisições de bens e serviços que serão empregados na execução dos programas de trabalho a cargo do órgão, os quais serão pagos com os recursos financeiros constituintes do Fundo. − Contabilidade própria. Conforme mencionado, a Contabilidade do Fundo Especial é organizada mediante a segregação de contas específicas, integrantes do sistema de informações contábeis do ente federativo. − Prestação de contas da gestão do fundo. O agente que for designado pelo Chefe de Poder do ente federativo para gerir o caixa deverá preparar a demonstração da movimentação financeira do caixa especial. Em realidade, essa demonstração servirá de base para confronto com o plano de aplicação do fundo. − Destinação do saldo apurado em Balanço do exercício. A lei institucionalizadora do fundo especial deverá dispor se o saldo desta conta deverá integrar o saldo do caixa geral ou se continuará vinculado ao objetivo para o qual fora instituído. • Posição do Fundo Especial no orçamento e na contabilidade Desde que a lei não estabeleça o contrário, o Fundo Especial não é entidade jurídica, órgão ou unidade orçamentária, mas tão somente um conjunto de recursos financeiros destinados à formação das disponibilidades de caixa especial e aos pagamentos de obrigações resultantes da execução de programas de trabalho do órgão ao qual se vincula para a concretização do objetivo preestabelecido. Assim, neste caso, a sua inclusão no orçamento se dá apenas com a elaboração dos adendos II e III da Lei 4.320, em que se demonstrarão a vinculação das receitas que se destinam à formação das disponibilidades e as despesas A lei institucionalizadora do fundo especial deverá dispor se o saldo desta conta deverá integrar o saldo do caixa geral ou se continuará vinculado ao objetivo para o qual fora instituído. 65 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 do órgão que gerenciará os programas relacionados com o objetivo pretendido, das quais, possivelmente, surgirão as obrigações que serão pagas com esses recursos financeiros. Evidentemente, é necessária a preparação do Plano de Aplicação, onde serão previstas as receitas e as aplicações respectivas no sentido de atender ao mandamento contido no art. 2º, § 2°, I, da Lei n° 4.320/64. Sob a ótica da Contabilidade, o Fundo Especial terá contas específicas, segregadas das contas gerais para os registros das operações que lhes digam respeito. A gestão financeira se processará normalmente, ou seja, os empenhos serão feitos sobre as dotações fixadas para as despesas do órgão, observando, entretanto, o seguinte: as alterações orçamentárias, mediante abertura dos créditos adicionais suplementares e especiais, bem como os remanejamentos, transposições ou transferências de recursos de uma categoria de programação para outra, serão feitos com os recursos do próprio órgão ao qual se vincula o fundo. Duas observações importantes: − O saldo do Fundo, apurado no encerramento do exercício, passará para o exercício seguinte a crédito do próprio fundo, desde que a lei institucionalizadora desse fundo não disponha em contrário, ou seja, determine a sua integração ao Caixa Geral ou Central, e que o Fundo poderá relacionar-se com outros fundos, desde que previsto na lei criadora. Ao encerrar-se o exercício, a Contabilidade providenciará as demonstrações contábeis e orçamentárias exigidas pela Lei n° 4.320/64, já mencionada, passando a integrar o Balanço Geral e, consequentemente, a prestação de contas geral do ente federativo. − Sob a ótica do orçamento e da sua execução, a gestão financeira por fundos especiais, em razão das suas peculiaridades, observa o seguinte: os créditos adicionais suplementares e especiais serão autorizados em lei e abertos por decreto do Poder Executivo. Os recursos para a abertura de tais créditos sairão do orçamento do próprio órgão ao qual o Fundo (de natureza financeira) está vinculado. No caso de utilizar-se: − Anulação parcial ou total de dotações. Os recursos sairão das próprias despesas do órgão. − Excesso de Arrecadação. Este não é calculado tomando-se as receitas que se destinam a formar o Fundo. − O Superávit Financeiro. Este deve ser calculado no próprio Balanço Financeiro do Fundo Especial. Sob a ótica da Contabilidade, o Fundo Especial terá contas específicas, segregadas das contas gerais para os registros das operações que lhes digam respeito. 66 Administração Financeira e Matemática Financeira Os remanejamentos, as transposições e as transferências de recursosde uma categoria de programação para outra serão feitos por repriorizações de programas de trabalho e serão autorizados por lei específica. No caso do órgão, cujas despesas ou obrigações serão pagas com os recursos financeiros do Fundo, não há porque se pensar em remanejamentos, já que estes destinam-se a refletir movimentos de recursos orçamentários entre órgãos e, assim mesmo, por ocasião de reforma administrativa autorizada em lei. Para a evidenciação dos recursos financeiros que o constituirão, ou seja, as receitas determinadas para a formação das disponibilidades de caixa que se vincularão ao órgão, é importante que os Adendos II e III sejam preparados na elaboração do orçamento da entidade governamental, no caso, do município. Assim, o Fundo, por não ser órgão, unidade orçamentária ou entidade jurídica, não terá orçamento, mas apenas um plano de aplicação em que se demonstrarão as receitas e os pagamentos de obrigações que resultarem da execução dos programas de trabalho do órgão ao qual se vincula, nos termos do art. 71, da Lei n° 4.320/64. No caso dos movimentos orçamentários, o Plano de Aplicação não sofrerá alterações, a não ser as de natureza financeira, as quais serão indicadas nesse instrumento de gerência financeira (e não orçamentária). Como o Fundo é uma forma de gestão de receitas e de pagamentos, não há porque pensar-se em estrutura administrativa para a sua operacionalização, qualquer que seja o seu objetivo. Sua contabilidade, por exemplo, é feita mediante segregações de contas específicas das quais serão geradas as informações para controle e avaliação da sua gestão. Apesar disso, não há impedimento para a descentralização contábil, ou seja, organizar a Contabilidade junto ao órgão ao qual se vincula o Fundo. Neste caso, a Contabilidade Central funcionará à base de relatórios que lhe serão remetidos pela unidade descentralizada. No caso de se corrigir o orçamento elaborado com base em disposições legais equivocadamente conceituadas, nas quais tratam o Fundo como órgão e, consequentemente, unidade orçamentária, a administração da entidade governamental solicitará ao Poder Legislativo local a necessária autorização para os remanejamentos, transposições e transferências dos recursos dos programas de trabalho para o órgão ao qual o Fundo se vincula. Como o Fundo é uma forma de gestão de receitas e de pagamentos, não há porque pensar- se em estrutura administrativa para a sua operacionalização, qualquer que seja o seu objetivo. Sua contabilidade, por exemplo, é feita mediante segregações de contas específicas das quais serão geradas as informações para controle e avaliação da sua gestão. 67 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 c) Caixa - Depósitos de Diversas Origens Os depósitos de diversas origens resultam de operações financeiras não orçamentárias. São valores em moeda, recebidos de devedores da Fazenda Pública como garantia de execução de contratos, de andamento de processo judicial de natureza tributária, de contribuições previdenciárias e outras operações, os quais ficam sob a guarda e custódia da Fazenda Pública, que age nesses casos como fiel depositária de valores que não lhe pertencem, e são contabilizados em conta apropriada de Ativo Circulante. O fato desses valores serem contabilizados no Ativo Circulante não significa que podem ou devem ser aplicados nas atividades financeiras do ente federado ou da entidade jurídica governamental descentralizada. Existe a possibilidade de certos valores serem empregados nessas atividades, mas como empréstimos e desde que haja lei autorizando. Esses valores têm as suas respectivas contrapartidas inscritas no Passivo Circulante, cujas devoluções são programadas para após o término do processo de que participam. Atividades de Estudos: 1) Explique a diferença entre a gestão orçamentária e a gestão financeira. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Escreva sobre a importância e sobre a diferença entre gestão por caixa única, por fundos especiais e depósitos de diversas origens. ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 68 Administração Financeira e Matemática Financeira Operações Orçamentárias e Não Orçamentárias e Seus Efeitos no Fluxo de Caixa Algumas operações orçamentárias, das quais possam resultar entradas de recursos financeiros, nem sempre refletem receitas efetivas. Por exemplo: • Um empréstimo obtido, cujo produto será empregado na compra de um trator, ou na entrada de um valor conveniado, ou ainda um empréstimo por antecipação de receita orçamentária. • Um contribuinte, que entra com uma demanda contra a Fazenda Pública, deposita o valor correspondente conforme pode determinar a Lei. • Retenções em folhas de pagamentos de contribuições previdenciárias de servidores e de valores consignados em favor de terceiros. Estas operações refletirão sempre relações jurídicas do ente federativo receptor com terceiros. Uma situação que não é levada em consideração na gestão do fluxo de caixa é o reconhecimento de direitos sobre recebíveis mediante os lançamentos de valores tributários e de valores a receber por contratos, com alegação de que a administração financeira só operacionaliza à base do regime de caixa. Em realidade, é um conceito equivocado, pois deixa de considerar expectativas em torno dos créditos a receber e dos seus reflexos no fluxo de caixa (REIS, 2004). Por outro lado, o empenhamento de uma despesa contratada não reflete, de imediato, uma obrigação de pagamento, mas apenas uma condição exigida no art. 58 da Lei 4.320/64 para que se possa executar um contrato ou o mandamento de uma lei. A obrigação de pagamento surge após a verificação, no processo de liquidação, do cumprimento do implemento de condição ou do mandamento da lei, conforme o estabelecido nos arts. 62 e 63, ambos da Lei 4.320/64. Conquanto não se tenha processado ou liquidado, o contrato empenhado e em execução produzirá sempre uma expectativa de reflexo no fluxo de caixa e, evidentemente, no Patrimônio Financeiro. a) Dívida Ativa do Ente Federado Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária e não tributária, de acordo com o art. 39 e seus parágrafos, da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, combinado com os arts. 201 a 204 da Lei Federal nº 5.172/1966, que aprova o Algumas operações orçamentárias, das quais possam resultar entradas de recursos financeiros, nem sempre refletem receitas efetivas. 69 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 Código Tributário Nacional, CTN, serão inscritos na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, após apurada a sua liquidez e certeza. A gestão da Dívida Ativa, para o seu efetivo controle, exige da Administração governamental a manutenção de um eficiente sistema de cobrança e de baixa, o que, por certo, evitará problemas de cobranças e baixas indevidas, que podem gerar desgastes administrativos e, até mesmo, demandas judiciais. Desta forma, o recebimento de Dívida Ativa tem a sua origem em ações de cobrança, seja ela administrativa ou judicial, as quais, de acordo com a lei, podem ser de duas formas: recebimentos em espécie ou na forma de bens, tanto pela adjudicação, quanto pela dação em pagamento. O abatimento ou a anistia dos créditos inscritos na Dívida Ativa depende de autorização legal, devendo ser observado o disposto no artigo 14, §1º, da LRF, que pode servir como instrumento de incentivo em programasde recuperação de créditos ou como fomento à cultura voltada para a espera de anistias futuras, levando à inadimplência e à desvalorização do tesouro e dos tributos de competência dos entes federativos. O cancelamento decorre de determinação de autoridade competente no sentido de baixar o crédito inscrito em Dívida Ativa, tanto em nível administrativo quanto judicial. b) Da Dívida Passiva e do Endividamento O Ente Federativo, ou seja, a União, o Estado e o Município, tal qual as entidades de direito privado, busca nos capitais de terceiros a complementação dos seus recursos financeiros quando as receitas que se originam das suas atividades próprias não são suficientes para atender às necessidades de expansão e/ou aperfeiçoamento dessas mesmas atividades. A utilização dos capitais de terceiros se apresenta de diversas maneiras, tais como: • Compras de bens e serviços a prazo, geralmente para serem pagos no exercício financeiro em que a operação foi realizada. • Empréstimos e/ou financiamentos vinculados a objetos específicos, mediante contratos, tomados a entidades financeiras internas e/ou externas, geralmente com prazos de pagamentos superiores a 12 meses. O recebimento de Dívida Ativa tem a sua origem em ações de cobrança, seja ela administrativa ou judicial, as quais, de acordo com a lei, podem ser de duas formas: recebimentos em espécie ou na forma de bens, tanto pela adjudicação, quanto pela dação em pagamento. O Ente Federativo, ou seja, a União, o Estado e o Município, tal qual as entidades de direito privado, busca nos capitais de terceiros a complementação dos seus recursos financeiros quando as receitas que se originam das suas atividades próprias não são suficientes para atender às necessidades de expansão e/ou aperfeiçoamento dessas mesmas atividades. 70 Administração Financeira e Matemática Financeira • Convênios com outras entidades governamentais ou privadas, das quais recebem recursos financeiros destinados ao objeto do convênio. • Empréstimos tomados à população, mediante a emissão de títulos, com prazos de pagamentos também superiores a 12 meses. • Confissões de dívidas, geralmente de natureza previdenciária, com prazos superiores a 12 meses. • Valores recebidos em doação com ônus para o donatário. • Concessão de garantia. • Refinanciamento da dívida mobiliária. De acordo com a legislação, a dívida pública, acima explicitada, se classifica como segue: • Flutuante: oriunda de compromissos financeiros a serem cumpridos no próprio exercício financeiro de origem. • Consolidada ou fundada: montante total, apurado sem duplicidade, de obrigações financeiras do ente da Federação, assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de crédito, para amortização em prazo superior a 12 meses. • Mobiliária: representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil, Estados e Municípios. Para a mesma legislação, como operações de crédito são considerados os compromissos financeiros assumidos em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de títulos, aquisição financiada de bens, recebimentos antecipados de valores provenientes de vendas a termo de bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com usos de derivativos financeiros. A realização de operação de crédito vinculada a objetivo e objeto específico depende da observância dos limites estabelecidos pelo art. 30, §§ e incisos respectivos da LC nº 101/2000, combinados com as disposições da Resolução do Senado Federal nº 43/2001, com as modificações que lhe foram introduzidas. Em relação à garantia para realizar uma operação de crédito de natureza financeira, há que se observar as determinações contidas no art. 40, §§ e incisos respectivos da Lei Complementar nº 101/2000, bem como ao que dispõe a Constituição da República, que permite a vinculação de impostos de competência da unidade da Federação, conforme se verifica no seu art. 167, inciso IV. A realização de operação de crédito vinculada a objetivo e objeto específico depende da observância dos limites estabelecidos pelo art. 30, §§ e incisos respectivos da LC nº 101/2000, combinados com as disposições da Resolução do Senado Federal nº 43/2001, com as modificações que lhe foram introduzidas. 71 Gestão Orçamentária e Financeira Capítulo 3 A entidade pode receber também valores como garantias de execução de contratos e de gestão, convênios, e outros tipos de operações, inclusive aquelas autorizadas por servidores, pelos quais se responsabiliza pela guarda e custódia, o que caracteriza a sua responsabilidade como fiel depositária de valores que não lhe pertencem. Atividades de Estudos: 1) Fale sobre as diferenças entre as operações financeiras orçamentárias e não orçamentárias e seus reflexos no fluxo de caixa. ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Identifique o significado e o porquê da aplicação do regime de competência. ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 3) Considerando o que dispõe a legislação pertinente, fale sobre a Dívida Ativa e sobre a Dívida Passiva e o endividamento do ente federado. _____________________________________________ _____________________________________________ _____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ 72 Administração Financeira e Matemática Financeira Algumas Considerações Vimos, ao longo da exposição deste capítulo, tratamentos diferenciados dispensados às operações financeiras de origem ou não na execução do orçamento, tendo como base a natureza dos valores integrantes dessas operações. Vimos também como o reconhecimento das receitas e despesas no regime de competência reflete direitos e obrigações de pagamento e, como tais,,, produzem efeitos no chamado fluxo de caixa. Estas observações nos levam a concluir que a atuação do gestor financeiro, como uma espécie de controlador das finanças do ente federado, guarda alta dose de responsabilidade, daí a necessidade de planejar e controlar as atividades financeiras do Estado com certo rigor. Referências BRASIL. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (atualizada até a EC n° 95, de 15/12/2016 - DOU 16/12/2016). Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. REIS, Heraldo da Costa. Contabilidade e gesto governamental: estudos especiais. Rio de Janeiro: IBAM, 2004. CAPÍTULO 4 O Patrimônio Financeiro A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintesobjetivos de aprendizagem: � Entender o significado do setor do Balanço Patrimonial denominado Patrimônio Financeiro. � Compreender o porquê da adoção do regime de competência nas operações que afetam o Patrimônio Financeiro. � Saber os significados da elaboração do Balanço Financeiro e da Demonstração do Fluxo de Caixa nos regimes misto e de Competência. � Entender os significados da prestação de contas e das funções dos Tribunais de Contas. Heraldo da Costa Reis 74 Administração Financeira e Matemática Financeira 75 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Contextualização O Patrimônio Financeiro é uma das partes mais importantes do Balanço Patrimonial de uma entidade governamental. Nele são identificados vários elementos informativos, dentre os quais o Superávit Financeiro como fonte de recursos para abertura de créditos adicionais suplementares e especiais. É estudando e avaliando as informações sobre o Patrimônio Financeiro que se tem uma visão geral da situação financeira do ente federado. Funções dos Balanços Patrimonial e Financeiro, e do Fluxo de Caixa por Atividades Dentre as demonstrações contábeis e financeiras que integram a prestação de contas elaborada para um ente federativo por ocasião do encerramento do exercício financeiro, destacam-se o Balanço Patrimonial, o Balanço Financeiro e o Fluxo de Caixa por Atividades. O Balanço Patrimonial (ver quadro a seguir) demonstra, de um lado, as disponibilidades em moeda de movimentação livre e vinculada, os depósitos de diversas origens, direitos, os bens tangíveis e intangíveis, e do outro lado, as obrigações assumidas com terceiros por aquisições de bens e serviços a prazo e valores de terceiros, consignações, empréstimos a curto e longo prazos, bem como a dívida mobiliária. Esta demonstração classifica o seu conteúdo em grupos e subgrupos de contas a fim de facilitar o entendimento da informação por quem a utilizar. Exemplos: • Grupos: Ativo, em que se classificam os bens e direitos, e Passivo, em que se classificam as obrigações a pagar. • Subgrupos: Ativo Circulante e Não Circulante e Passivo Circulante e Não Circulante. Nestes subgrupos se classificam as contas que refletem o movimento financeiro do período. Assim, no Ativo Circulante classificam-se as contas representativas de Caixa, de movimentação livre e vinculada, os Depósitos de Diversas Origens e os Direitos sobre valores recebíveis no exercício; e no Passivo Circulante, as obrigações a pagar vencíveis no exercício financeiro demonstrado, os Valores de Terceiros (contrapartida dos Depósitos de Diversas Origens) e as Consignações. 76 Administração Financeira e Matemática Financeira Quadro 2 – Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Circulante Circulante Não Circulante Não Circulante Passivo Real a Descoberto Ativo Real Líquido Fonte: O autor. Do encontro das contas componentes dos subgrupos Ativo Circulante e Passivo Circulante, quando aquele é maior que este, surge uma diferença positiva à qual se denomina Patrimônio Financeiro, que se equivale ao Capital Circulante ou de Giro próprio das empresas. O Patrimônio Líquido, ou Ativo Real Líquido, compreende a diferença entre os totais do Ativo e do Passivo, em que o total do Ativo é superior ao total do Passivo. O Balanço Financeiro (ver quadro a seguir) demonstra o movimento de caixa durante o exercício financeiro a que se referir, podendo-se elaborá-lo com base no regime misto, conforme dispõe o art. 35 da Lei 4.320/64, e no regime de competência (ver Quadro 4), conforme os novos procedimentos contábeis que se vêm adotando ultimamente. Quadro 3 – Balanço Patrimonial – Regime Misto O Patrimônio Líquido, ou Ativo Real Líquido, compreende a diferença entre os totais do Ativo e do Passivo, em que o total do Ativo é superior ao total do Passivo. BALANÇO FINANCEIRO (Regime Misto – Art. 35, I e II-Lei 4.320/64) RECEITAS DESPESAS Orçamentárias (Arrecadadas) Orçamentárias (Empenhadas) Extraorçamentárias Extraorçamentárias Restos a Pagar (Pagamentos obgs. ants) Depósitos Diversos Depósitos Diversos Devol. Cx. Outros Poderes Liber. Recursos Outros Pod. Outras Outros Saldos Exercs. Ante- riores Saldos p/Exercs. Se- guintes Soma Total Soma Total Fonte: O autor. 77 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Quadro 4 – Balanço Patrimonial – Regime de Competência BALANÇO FINANCEIRO (Competência – Lei 4.320/64) RECEITAS DESPESAS Orçamentárias Orçamentárias Créditos a Receber (Processadas) Capital Extraorçamentárias Extraorçamentárias Restos a Pagar (Proces- sados) (Pagtos. Obgs. Ants.) Depósitos Diversos Depósitos Diversos Devol. Cx. Outros Pode- res Liber. Recursos Outros Pod. ------- Saldo de Créditos a Receber Outras Outros Saldos de Exercs. Ants. Saldos p/Exerc. Se- guinte Soma Total Soma Total Fonte: O autor. O Fluxo de Caixa por atividades é a mais nova demonstração do movimento de caixa exigida às organizações governamentais. A ideia veio da Contabilidade empresarial e tem por objetivo revelar o movimento de caixa por grupos de atividades denominadas de Operacionais, Investimentos e Financiamentos. Quadro 5 – Fluxo de Caixa por Atividade O Fluxo de Caixa por atividades é a mais nova demonstração do movimento de caixa exigida às organizações governamentais. FLUXO DE CAIXA POR ATIVIDADE 1 – ATIVIDADES OPERACIONAIS Despesas que não utilizam o Caixa Mais Resultado Financeiro Origens de Caixa Créditos a Receber Outras Receitas Soma Menos Aplicações de Caixa Pagamentos Saldo de Créditos a Receber Fluxo de Caixa – Atividades Operacionais 78 Administração Financeira e Matemática Financeira 2 – ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS Origens de Caixa Aplicações de Caixa Fluxo de Caixa – Investimentos 3 – ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS Origens de Caixa Aplicações de Caixa Fluxo de Caixa - Financiamentos Fonte: Ao autor. Estes são os relatórios em que serão demonstradas operações que produziram efeitos no fluxo de caixa. Obs.: As demonstrações Balanço Financeiro e Fluxo de Caixa por Atividades são diferentes dos modelos apresentados na Lei 4.320/64, posto que estes não se prestam para os objetivos deste trabalho. Princípio da Competência na Administração Financeira Conforme já afirmado, a alegação de que a Administração Financeira opera apenas no regime de caixa, em que, de um lado, as receitas se fazem efetivas, e do outro os pagamentos ou saídas de caixa, não faz sentido. Com este procedimento, deixa de considerar a expectativa dos recebimentos das receitas que se sujeitam a lançamentos prévios, mediante o reconhecimento de direitos sobre valores recebíveis, como os créditos tributários dos quais surge a receita efetiva tributária e as que se originam de contratos, e do outro, os efeitos dos créditos pendentes de recebimentos no fluxo de caixa no término do período a que se refere a demonstração. Com esta observação, o que se pretende é mostrar que os créditos a receber devem ser indicados nas demonstrações financeiras Balanço Financeiro e Fluxo de Caixa por Atividades. Desta forma, preconiza-se a adoção do princípio de competência na Administração Financeira ou na gestão do fluxo de caixa na Administração pública. De qualquer maneira, os procedimentos de Administração Financeira resultantes da aplicação deste princípio, sem dúvida alguma, serão analisados com muita atenção, em razão da série de consequências que refletem decisões que poderão mudar os rumos da vida econômica e financeira do ente federativo. 79 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Em realidade, o que nos impele a adotar o princípio da competência para as operações de caráter financeiro que envolvem receitas e despesas governamentais são as determinações contidas nos arts. 39, 52, 53, 58 e 60, respectivos parágrafose incisos, em conjunto com o art. 35, I e II, todos da Lei 4.320/64, combinados com as disposições contidas no Código Tributário Nacional, na Lei de Licitações e Contratos (Lei n° 8.666/93), no Código Civil e no Código Penal. O reconhecimento das receitas e das despesas governamentais com aplicação do princípio da competência se processa conforme se explicita a seguir: a) Receitas De tributos: a Administração Financeira deverá verificar se admitem lançamentos diretos de ofício, por homologação ou por declaração (Conforme o Código Tributário Nacional). Os tributos de lançamento direto, por homologação ou por declaração, podem ter as suas respectivas receitas reconhecidas após o ato administrativo de constituição do crédito tributário, posto que o direito à percepção de ditas receitas já está concretizado pela lei que aprova o Código Tributário do ente federativo. De contratos: os lançamentos diretos deverão ser feitos a partir das datas estabelecidas para entregas de serviços e bens diversos contratados. De transferências constitucionais, a Administração Financeira as considerará a partir da publicação no Diário Oficial correspondente, identificando de um lado os créditos líquidos a receber, e do outro, a receita propriamente dita. As transferências conveniadas e as voluntárias, cujos valores antecipados ou adiantados somente serão reconhecidos quando a parceira ou a entidade receptora cumprir a sua parte estabelecida no convênio. A Dívida Ativa em cobrança judicial do exercício passa a ser registrada no Ativo Circulante. Receberá a carga dos devedores da Fazenda Pública, inscritos em créditos líquidos a receber para a cobrança administrativa, quando forem judicialmente inscritos para aquele tipo de cobrança. As demais receitas do ente federativo serão reconhecidas na arrecadação ou segundo a respectiva natureza. O que nos impele a adotar o princípio da competência para as operações de caráter financeiro que envolvem receitas e despesas governamentais são as determinações contidas nos arts. 39, 52, 53, 58 e 60, respectivos parágrafos e incisos, em conjunto com o art. 35, I e II, todos da Lei 4.320/64, combinados com as disposições contidas no Código Tributário Nacional, na Lei de Licitações e Contratos (Lei n° 8.666/93), no Código Civil e no Código Penal. 80 Administração Financeira e Matemática Financeira O setor encarregado do lançamento administrativo direto, por homologação e/ou por declaração do tributo, informará à Contabilidade e à Administração Financeira sobre o valor lançado, cujo registro poderá ser feito em uma conta intitulada Créditos Líquidos a Receber/ Devedores Tributários/Impostos, Taxas ou Contribuição de Melhoria/ Fulano de Tal. Para o setor da Administração Financeira funcionar com eficiência é necessário que se organize e integre as suas atividades às do setor de gestão e controle das Receitas e às da Contabilidade, a fim de que as informações sobre o lançamento do tributo e do reconhecimento da receita, por via de consequência, não sejam prejudicadas na elaboração das demonstrações Balanço Financeiro e Fluxo de Caixa por Atividades. b) Despesa A Lei 4.320/64 proíbe a aquisição de Ativos (bens e serviços) sem o empenho prévio e, consequentemente, o reconhecimento da obrigação no período não se processa. A despesa, na sua verdadeira acepção técnica, independentemente de empenho, será reconhecida no período pelo seu fato gerador, ou seja, pelo consumo efetivo desses ativos (bens e serviços). No que respeita às subvenções sociais e econômicas, ou ainda às contribuições e aos auxílios, as despesas somente devem ser reconhecidas a partir da realização dos respectivos objetos identificada na prestação de contas obrigatória, a ser apresentada pela entidade beneficiada e/ou receptora. Os adiantamentos ou suprimentos de fundos (caixa) feitos aos agentes administrativos ou políticos só devem ser reconhecidos como despesas efetivas após as respectivas comprovações de aplicações em prestação de contas na forma da legislação vigente. Assim, nos casos precedentes, a Contabilidade da entidade governamental deverá contabilizar os valores dos convênios e transferências voluntárias recebidos por antecipação como Passivo Circulante, e os adiantamentos como Ativo Circulante. Para o setor da Administração Financeira funcionar com eficiência é necessário que se organize e integre as suas atividades às do setor de gestão e controle das Receitas e às da Contabilidade, a fim de que as informações sobre o lançamento do tributo e do reconhecimento da receita, por via de consequência, não sejam prejudicadas na elaboração das demonstrações Balanço Financeiro e Fluxo de Caixa por Atividades. Os adiantamentos ou suprimentos de fundos (caixa) feitos aos agentes administrativos ou políticos só devem ser reconhecidos como despesas efetivas após as respectivas comprovações de aplicações em prestação de contas na forma da legislação vigente. 81 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 O Resultado Orçamentário O Orçamento se estrutura em dois grandes conjuntos: Receita e Despesa, ou seja, de um lado há uma expectativa de entradas de recursos, que possibilitarão a formação de lastro financeiro, e do outro, empenhamentos que garantirão aquisições de bens e serviços a serem utilizados nos vários programas de trabalho planejados. O confronto entre esses dois conjuntos pode produzir uma diferença denominada Resultado Orçamentário previsto, cujo valor não produz qualquer efeito financeiro, uma vez que o orçamento não está sendo executado. Na sua execução, entretanto, o confronto entre a Receita Lançada e a Despesa Empenhada produz uma diferença que se denomina Resultado Orçamentário Efetivo, que pode interferir no Resultado Financeiro e, portanto, no Patrimônio Financeiro, bem como nas informações que serão retratadas no Balanço Financeiro e na Demonstração do Fluxo de Caixa por Atividades. Tomem-se como exemplo os seguintes totais: Quadro 6 – Orçamento; Previsão x Realizado Previsão Receita 8.050.000 Despesa 8.050.000 Resultado Orçamentário Previsto 0 Resultado Orçamentário Realizado Receita Lançada 5.500.000 Despesa Empenhada 5.300.000 Resultado Orçamentário do Exercício 200.000 Fonte: O autor. O Resultado Financeiro O Resultado Financeiro é consequência da confrontação entre os totais das receitas lançadas, das receitas efetivas e das despesas empenhadas processadas e não processadas, quando, então, pode surgir o superávit ou déficit financeiro. É apurado no subsistema de contabilidade financeira organizado para gerar informações sobre operações que transitaram pelo Patrimônio Financeiro, resultantes ou não da execução do orçamento. Ele mede, pois, o impacto dessas operações no fluxo de caixa e na estrutura daquele patrimônio. Vejamos os exemplos a seguir, tomando-se os totais: 82 Administração Financeira e Matemática Financeira Receita Lançada R$ 5.500.000 Despesa Empenhada Processada R$ 4.450.000 Resultado Financeiro Esperado R$ 1.050.000 Receita Arrecadada R$ 5.050.000 Despesa Processada R$ 4.450.000 Resultado Financeiro Efetivo R$ 600.000 Confrontando-se os Resultados Financeiros, Esperado e Efetivo, encontraremos a diferença de R$ 450.000 que corresponde aos Créditos Líquidos a Receber. Observe que ainda temos o valor de R$ 850.000 correspondente às Despesas em Processamento que, possivelmente, exigirá mais recursos financeiros do Caixa, dependendo, evidentemente, do saldo desta conta com que o exercício financeiro foi iniciado. Assim, confrontando-se o saldo de Créditos Líquidos a Receber (R$ 450.000) com o saldo de Despesas em Processamento (R$ 850.000), que passou para o período seguinte, fica demonstrada a necessidade de Caixa para cobrir a diferença desses dois saldos, que demonstra existir um déficit financeiro de R$pública. A combinação de fatores como volume maior de encargos, recursos fiscais escassos e ampliação da participação da sociedade tem levado todas as esferas governamentais a atuarem de forma inovadora, articulando esforços e recursos tanto públicos quanto privados. As questões sobre o orçamento público deficitário e o ajuste fiscal, no âmbito do governo federal, têm despertado o interesse da sociedade e provocado debates em torno desses assuntos, sempre na busca de soluções adequadas, pois, em realidade, são questões que envolvem a sociedade e todas as esferas governamentais. A Lei Complementar nº 101, de maio de 2000, mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, que dispõe sobre normas gerais de finanças públicas, estabelece no § 1º, do seu art. 1º, que a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, para que se previnam riscos e se corrijam desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas, bem como a obediência a limites e condições no que tange à renúncia de receita, geração de despesa com pessoal, da seguridade fiscal e outras, dívida consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação da receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. Em um cenário de dificuldades, mas de grandes potencialidades para as unidades da Federação, desenha-se a necessidade de se conferir especial atenção à promoção de oportunidades de atualização e aprimoramento dos quadros técnicos governamentais de forma a melhorar e aumentar a capacidade de gestão, a eficiência, a eficácia e a efetividade das políticas públicas. Neste contexto, a Administração Financeira, no âmbito do Estado, vem se solidificando como uma das suas atividades mais importantes, mormente neste momento em que se discute a situação econômica e financeira da União, dos Estados e dos Municípios, destacando-se, inclusive, as responsabilidades dos gestores. Assim, a Administração Financeira, como uma das atividades da organização governamental, é apresentada como um modo de controle das operações financeiras governamentais, possibilitando inclusive discutir as formas de gestão orçamentária e financeira por meio de instrumentos próprios, com os quais assume a responsabilidade pela gestão do processo de controle e efetivação das receitas, despesas e direitos e o cumprimento das obrigações governamentais, a análise e avaliação desses fatos de natureza financeira sobre o fluxo de caixa para, desta forma, alcançar os objetivos da Lei de Responsabilidade Fiscal. No exercício das suas funções, a Administração Financeira utiliza técnicas e informações de outras ciências, como as da contabilidade, da matemática financeira, da economia, com a finalidade de buscar soluções adequadas a possíveis problemas de natureza social, econômica e financeira com que se defronte, objetivando a maximização do resultado econômico e financeiro da corporação. A administração financeira, como uma das atividades da organização governamental, assume, portanto, a responsabilidade pela gestão do processo de controle e efetivação das receitas, despesas e direitos, pela verificação do cumprimento das obrigações governamentais, pela análise e avaliação desses fatos de natureza financeira sobre o fluxo de caixa, visando alcançar os objetivos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Os capítulos a seguir serão apresentados de maneira que você compreenda e identifique as relações da Administração Financeira com as outras áreas de conhecimento, como o Direito, a Economia e a própria Administração Geral. No que diz respeito ao conhecimento de Matemática Financeira, podemos afirmar que é fundamental para a gestão e negociação de empréstimos, financiamentos e descontos com bancos oficiais e privados, fornecedores, contribuintes e de análise de viabilidade de projetos. Sua aplicação é feita, principalmente, entre profissionais que já possuem esta formação, em função do próprio ofício (trabalham em secretarias de Fazenda, ou na área de compras, ou são auditores etc.), e por pessoas que desempenham suas funções nas áreas de ensino, saúde, assistência social e que necessitam dialogar com profissionais das áreas especificamente financeiras. Para tanto, a primeira parte deste material didático apresenta os Regimes de Cálculo de Juros, Juros Simples e Juros Compostos. A segunda parte trata dos Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juros, e a terceira parte versa sobre os Planos de Financiamento e as Tabelas de Amortização. Um apêndice com exercícios propostos e respectivas soluções acompanha este volume. No caso de você já ter lido outros livros ou feito outros cursos de Matemática Financeira, irá reparar que o material aqui contido pressupõe que você nunca estudou Matemática Financeira, ou que, se estudou, não entendeu alguns conceitos básicos que não estão incluídos em outros livros ou apostilas, como a ênfase nos conceitos relativos à contagem do tempo, à maneira de entender a diferença entre taxa nominal e taxa efetiva, e outros pontos que, à primeira vista, parecem difíceis, mas não são. Esperamos que este módulo permita que você goste do assunto e se interesse cada vez mais por ele, seja por curiosidade, seja por necessidade. Quanto mais você aprende e ganha segurança sobre determinado assunto, mais aumenta o seu grau de “amizade” com esse assunto e maior a sua curiosidade em aprender o tema mais detalhadamente. Esperamos, pois, que, ao ler este módulo, você inicie ou fortaleça a sua amizade com a Matemática Financeira. Bom trabalho! Bons estudos! Os autores. CAPÍTULO 1 Fundamentos da Administração Financeira Governamental A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Conceituar administração financeira. � Conhecer quais as operações que produzem impactos financeiros. � Conhecer as principais fontes de recursos financeiros do Estado. � Saber em que são aplicados os recursos financeiros. Heraldo da Costa Reis 14 Administração Financeira e Matemática Financeira 15 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 Contextualização Este capítulo procura ressaltar a Administração Financeira como um processo de planejamento financeiro e controle da gestão dos recursos governamentais disponíveis para aplicação em favor da sociedade, para a qual deve gerar benefícios como retorno às contribuições tributárias. Para a sua manutenção e funcionamento devem ser utilizadas as informações e instrumentos próprios de planejamento e controle, a fim de que a Administração Governamental possa alcançar os seus objetivos sem interrupção. Conceito de Administração Financeira A teoria clássica das Finanças Públicas trata a Administração Financeira como a atividade que cuida apenas das receitas e das despesas governamentais, com a inclusão, por alguns estudiosos, do crédito público como uma terceira linha de estudos da Administração Financeira. Atualmente, a Administração Financeira pode ser visualizada de outra maneira, ou seja, por seus instrumentos de controle gerenciais e de decisões, passando a ser considerada como uma das principais atividades de qualquer organização privada ou pública, executada mediante ações ou funções planejadas e programadas, cujos objetivos de caráter financeiro preconcebidos se concretizam por meio: a) Do planejamento e programação como início de toda ação de controle; b) Da elaboração do orçamento, cujo conteúdo deve refletir um conjunto de ações a ser executado durante o exercício financeiro; c) Da obtenção dos recursos financeiros cujas receitas se destinarão ao financiamento da execução das ações programadas; d) Utilização da Contabilidade e Auditoria, como registros e verificações das operações financeiras realizadas. Para saber mais, leia: REIS, Heraldo da Costa. Planejamento400.000, desde que, evidentemente, os créditos líquidos a receber sejam cobrados e recebidos. Operações que Influenciam o Resultado Financeiro Adotado um ou outro regime e no sentido de preservar o patrimônio, o resultado e o equilíbrio financeiro, algumas regras estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal serão observadas: a) Limitações de Empenhos O art. 9º da Lei Complementar nº 101/2000 (LRF) dispõe que, se verificado ao final de um bimestre que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecido no anexo de metas fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos 30 dias subsequentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. O dispositivo trata de medidas que devem ser providenciadas por todos os Poderes constituídos das esferas governamentais, ou seja, a União, o Estado Adotado um ou outro regime e no sentido de preservar o patrimônio, o resultado e o equilíbrio financeiro, algumas regras estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal serão observadas. 83 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 membro da federação e o Município, no sentido de proteger as finanças da entidade, quando se verificar que as metas fiscais estabelecidas nas Diretrizes Orçamentárias correm o risco de serem prejudicadas nas suas respectivas realizações. São as seguintes: • Combate à evasão e à sonegação de tributos e de outras fontes de receitas de competência do ente federativo; • Quantidade e valores de ações ajuizadas para a cobrança da dívida ativa; • Verificação da evolução do montante dos créditos tributários e não tributários (ver art. 39 da Lei 4.320/64), passíveis de cobrança administrativa. b) Renúncia de Receita De acordo com o art. 14 da Lei Complementar nº 101/2000, a concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário e financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência, e, nos dois seguintes, atender ao disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: • Demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo próprio da Lei de Diretrizes Orçamentárias. • Estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquota, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição. A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. c) Extinção do Crédito Tributário De acordo com o art. 156 da Lei Federal nº 5.172/1966, que dispõe sobre normas gerais de Direito Tributário, extinguem o crédito tributário: • O pagamento; • A compensação; • A transação; De acordo com o art. 14 da Lei Complementar nº 101/2000, a concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário e financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência, e, nos dois seguintes, atender ao disposto na Lei de Diretrizes Orçamentárias. 84 Administração Financeira e Matemática Financeira • A remissão; • A prescrição e a decadência; • A conversão de depósito em renda; • O pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; • A consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; • A decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; • A decisão judicial passada em julgado; • A dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Indicadores Financeiros Os indicadores financeiros prestam-se às análises e avaliações das demonstrações contábeis, financeiras e orçamentárias, cujas informações dizem respeito ao desempenho operacional de uma entidade ou dos gestores públicos, e são considerados básicos na avaliação da gestão por parte dos órgãos de controle público. a) Resultado Primário O Resultado Primário é parâmetro para medir a capacidade da entidade de pagar as suas obrigações de curto e longo prazos, assumidas com o fim de financiar as suas atividades. Este resultado é apurado no subsistema financeiro. Ele é calculado tomando-se, primeiramente, as chamadas receitas oriundas das atividades próprias, as quais podemos denominar de Receitas Operacionais, tais como: Receita Tributária + Receitas de Serviços + Receitas Industriais + Receitas de Contribuições + Receita Patrimonial + Receitas de Transferências + Receitas Diversas. Entre as Receitas de Transferências incluem-se as Receitas de Transferências de Capital. Da Receita de Contribuições exclui-se a Receita de Previdência, e da Receita Patrimonial excluem-se as receitas oriundas de juros de aplicações financeiras e de alienações de bens. Tem-se, então, Receita Operacional Total. Em seguida, tomam-se as Despesas Correntes, das quais excluem-se aquelas referentes aos juros pagos em que se encontram as Despesas Correntes Líquidas. O Resultado Primário é parâmetro para medir a capacidade da entidade de pagar as suas obrigações de curto e longo prazos, assumidas com o fim de financiar as suas atividades. Este resultado é apurado no subsistema financeiro. 85 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Por fim, o Resultado Primário é formado pela subtração do total da Receita Operacional Total o total das Despesas Correntes Líquidas, ou seja: Resultado Primário = Receita Operacional menos Total Despesas Correntes Líquidas (REIS, 2012, p. 47). 1 - Receitas Operacionais Líquidas Receita Tributária Receitas de Serviços Receitas Industriais Receitas de Contribuições Receita Patrimonial Receitas de Transferências Receitas Diversas Soma Menos 2 - Despesas Operacionais Líquidas Despesas Correntes - Despesas de Custeio - menos Juros - Transferências Correntes Soma Diferença (1 – 2) Esclareça-se que as despesas que se consideram no cálculo do Resultado Primário são as chamadas despesas processadas ou prontas para pagamento. b) Receita Corrente Líquida A Receita Corrente Líquida é apurada de acordo com o disposto no art. 2º, IV, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nº 101/2000). Toma-se o somatório das receitas classificáveis como Receitas Correntes, subtraindo-se deste total os valores estabelecidos em a, b e c, do inciso mencionado, observando-se, contudo, as disposições contidas nos parágrafos 1º, 2º e 3º do artigo acima mencionado. c) Resultado Nominal O Resultado Nominal é uma medida da capacidade de assumir novas obrigações a longo prazo, geralmente classificadas no Passivo Não Circulante, como Dívida Fundada, Dívida Consolidada ou Dívida Mobiliária. As despesas que se consideram no cálculo do Resultado Primário são as chamadas despesas processadas ou prontas para pagamento. O Resultado Nominal é uma medida da capacidade de assumir novas obrigações a longo prazo, geralmente classificadas no Passivo Não Circulante, como Dívida Fundada, Dívida Consolidada ou Dívida Mobiliária. 86 Administração Financeira e Matemática Financeira É calculado a partir da seguinte fórmula: • Ativo Circulante Caixa Geral + (Caixas Vinculados - Caixa Depósito de Diversas Origens) = Caixa Líquido(Caixa Líquido + Receites de Privatizações) menos (Restos a Pagar + Serviços da Dívida a Pagar + ARO) = Ativo Circulante Líquido • Passivo Não Circulante Dívida Consolidada = Soma de todas as dívidas assumidas e inscritas no Passivo Não Circulante. • Resultado Nominal = Ativo Circulante Líquido menos Dívida Consolidada Se, porventura, a Dívida Consolidada é maior que o Ativo Circulante Líquido, evidentemente o Resultado Nominal é negativo e, neste caso, fica demonstrada a incapacidade da entidade de assumir novas dívidas a longo prazo. Esclareça-se que o Restos a Pagar é composto apenas das despesas efetivamente empenhadas e processadas. Este resultado é apurado no subsistema patrimonial, conjugado com o subsistema financeiro (REIS, 2012, p. 48). Análises Vertical e Horizontal das Receitas e Despesas Governamentais Receitas e Despesas Governamentais podem ser analisadas nas formas vertical e horizontal, cujo sentido é de verificar e interpretar o desempenho ou o comportamento da administração na gestão desses valores. a) Receitas No sentido vertical, a análise verifica e interpreta a relação de uma espécie da receita e da despesa em relação ao total ou ao conjunto de um ou mais períodos determinados. Receitas e Despesas Governamentais podem ser analisadas nas formas vertical e horizontal, cujo sentido é de verificar e interpretar o desempenho ou o comportamento da administração na gestão desses valores. 87 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Quadro 7 – Análise Vertical Exercícios X0 X1 Receitas $ % $ % Receita Tributária 101.000 20,20 50.000 20,27 Receita de Contribuições 800 0,16 3.000 0,41 Receita de Agropecuária 1.200 2,24 15.000 2,03 Receita de Serviços 8.000 1,60 12.000 1,62 Receita Industrial 10.000 2,00 25.000 3,38 Receita Patrimonial 4.000 0,80 10.000 1,35 Receitas de Transferências 350.000 70,00 500.000 67,57 Receitas Diversas 15.000 3,00 25.000 3,38 Soma 500.000 100,00 740.000 100,00 Fonte: O autor. No sentido horizontal podemos ter vários períodos e, destes, escolher o primeiro e fixá-lo para apurar as variações em torno deste período, a fim de se avaliar a evolução desses valores no tempo. Existem outras modalidades de análises, mediante as quais procura-se interpretar os efeitos das decisões sob os enfoques econômico, financeiro, social, patrimonial etc. Atividades de Estudos: 1) De acordo com os estudos feitos neste capítulo, expresse o seu entendimento sobre o Patrimônio Financeiro e sobre as demonstrações financeiras Balanço Financeiro e Fluxo de Caixa por Atividades. ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ 88 Administração Financeira e Matemática Financeira 2) Como se processa a utilização do princípio da competência pela Administração Financeira? ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ b) Despesa A despesa também poderá ser analisada nos sentidos vertical e horizontal com os mesmos objetivos, tendo como base uma série histórica, tal qual se exemplificou com as receitas. c) Outras formas Uma forma de se avaliar a eficiência da administração, e também quanto aos resultados, é agrupar as atividades da organização, tal como se indica: • Atividades geradoras de receitas sem vínculos com despesas, tais como os impostos e as transferências constitucionais. • Atividades que geram somente despesas, que se correlacionam com os respectivos produtos, tais como a segurança pública, cujas atividades são geradoras apenas de despesas, mas que se correlacionam com os produtos esperados. • Atividades que geram receitas, despesas e produtos, em que se espera um certo correlacionamento entre esses valores. Em realidade, as receitas são consideradas variáveis dependentes, as despesas e os produtos como variáveis independentes. Estas formas de avaliar a eficiência do desempenho da organização são difíceis de desenvolver, pois há que se estudar de forma aprofundada as atividades da organização e identificar as possíveis correlações da receita com a despesa. 89 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Prestação de Contas A prestação de contas é um ato praticado por pessoa física, e por pessoa jurídica pública ou privada com ou sem fins lucrativos, que tenha sob a sua responsabilidade valores de qualquer espécie, representados por bens e/ou dinheiros, de propriedade de entidade governamental, os quais são empregados nas suas atividades, tendo em vista a concretização de um objetivo. A Constituição da República, no seu art. 70, assim dispõe (BRASIL, 1988): Art. 70 – A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Parágrafo Único – Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária. Evidentemente, o simples fato de apresentar a sua prestação de contas não significa que a pessoa estará isenta da fiscalização do ente governamental, cujo objetivo é o de verificar e constatar o cumprimento daquilo que foi a razão da entrega e do recebimento do valor pelo qual se responsabilizou. Daí a necessidade de a pessoa, física ou jurídica, receptora de valores do ente federativo ou de entidade pública descentralizada para serem aplicados nas suas atividades para cumprir com objetivos previamente delineados, observar a regra do artigo 83 da Lei 4.320/64, bem como o artigo 74 e incisos da Constituição Federal. a) Fiscalização A submissão à fiscalização decorre de mandamento da própria Constituição Federal, conforme se constata no seu artigo 74, II, que dispõe que compete ao sistema de controle interno, mantido pelo Poder concedente, comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia e eficiência da gestão A prestação de contas é um ato praticado por pessoa física, e por pessoa jurídica pública ou privada com ou sem fins lucrativos, que tenha sob a sua responsabilidade valores de qualquer espécie, representados por bens e/ou dinheiros, de propriedade de entidade governamental, os quais são empregados nas suas atividades, tendo em vista a concretização de um objetivo. O simples fato de apresentar a sua prestação de contas não significa que a pessoa estará isenta da fiscalização do ente governamental, cujo objetivo é o de verificar e constatar o cumprimento daquilo que foi a razão da entrega e do recebimento do valor pelo qual se responsabilizou. 90 Administração Financeira e Matemática Financeira orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado (REIS, 2012). A fiscalização, de que trata o dispositivo constitucional, é de várias naturezas e significados, quais sejam: • Contábil: de verificaros registros das operações realizadas de acordo com as normas da legislação pertinente, o que inclui a observância aos princípios de contabilidade. • Financeira: de verificar os efeitos das transações sobre o fluxo de caixa da entidade receptora dos valores pertencentes ao ente federativo. • Orçamentária: de verificar se a operação realizada tinha adequação orçamentária, e tenha observado as regras impostas pela legislação para a execução, tanto da receita, quanto da despesa. • Patrimonial: de verificar os efeitos da operação realizada na estrutura econômico-financeira do patrimônio da entidade governamental e das entidades receptoras dos valores que lhes foram entregues pelo ente federativo ou pela entidade pública descentralizada. • Operacional: de verificar a concretização das metas e do objetivo previamente determinados, tendo em vista a execução das ações planejadas e programadas. É importante assinalar que a fiscalização, independentemente da sua natureza e significado, levará em conta os aspectos da legalidade e da legitimidade, bem como os conceitos de caráter gerencial, tais como a economicidade, a eficiência e a eficácia. Em relação ao controle externo, cabe ao Poder Legislativo, com o auxílio do Tribunal de Contas, julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público, conforme explicitado no art. 71, II, da Constituição da República. b) Conceito de Prestação de Contas Preliminarmente se destaca o conceito de prestação de contas nestes fundamentos, tal como se descreve a seguir. É importante assinalar que a fiscalização, independentemente da sua natureza e significado, levará em conta os aspectos da legalidade e da legitimidade, bem como os conceitos de caráter gerencial, tais como a economicidade, a eficiência e a eficácia. 91 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 Prestação de Contas deve ser entendida como um ato voluntário do agente da administração, responsável por bens e valores pertencentes ou confiados à Fazenda Pública. Segundo Piscitelli et al. (1995, p. 321): Entende-se como agente responsável toda pessoa física que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos da União e das entidades da administração indireta ou pelos quais estas respondam, ou que, em nome destas, assuma obrigação de natureza pecuniária e, ainda, o gestor de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, Distrito Federal, a Município, a entidades públicas ou organizações particulares. Não é outra a determinação da Constituição da República, que se verifica por intermédio do parágrafo único do seu art. 70, já exposto. Sobressai-se aqui, pois, o conceito de Contas de Gestão, que reflete a responsabilidade individualizada do agente da administração pública, político ou administrativo. Para a geração de informações úteis e confiáveis sobre a gestão de recursos do Patrimônio da Entidade Governamental, qualquer que ela seja, e que estão sob a responsabilidade de agentes da Administração Pública, a administração organizará o seu sistema de contabilidade de tal forma que as responsabilidades dos gestores sejam evidenciadas, conforme determinado no art. 83, da Lei nº 4.320/64, a seguir transcrito: “Art. 83. A contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados” (BRASIL, 1964). Mais adiante, a lei dispõe sobre outra forma de gestão de recursos financeiros que são colocados à disposição de um agente público, que pode ser administrativo, para o fim especial de efetuar pagamentos em nome da administração pública, tal como se verifica pelo art. 68, da já referida Lei nº 4.320/64, como se transcreve a seguir: “Art. 68. O regime de adiantamento é aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria, para o fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação” (BRASIL, 1964). Observe que são várias as formas de gestão administrativa e financeira de recursos públicos utilizadas pela administração, as quais têm à frente o gestor designado por ato governamental para assumir a responsabilidade. Essa responsabilidade é assumida por delegação de competência, quando for Prestação de Contas deve ser entendida como um ato voluntário do agente da administração, responsável por bens e valores pertencentes ou confiados à Fazenda Pública. 92 Administração Financeira e Matemática Financeira de interesse do gestor principal. Quer dizer, cada agente, político ou administrativo, pode assumir obrigações em nome da entidade governamental, desde que legalmente habilitado, conforme já mencionado. Podemos citar como exemplo os seguintes: • O almoxarife, que gerencia o setor denominado almoxarifado; • O tesoureiro, que tem sob a sua responsabilidade a gestão da tesouraria; • O agente administrativo designado para ser portador de um adiantamento ou suprimento de fundo; • O agente designado para ser o gestor de um fundo especial. Cada um desses agentes deverá apresentar a sua prestação de contas acompanhada do respectivo relatório de gestão. Entretanto, esclareça-se que essa descentralização não é obrigatória. Ela ocorre naturalmente, ou seja, à medida que as necessidades da administração se apresentem em decorrência do aumento das demandas, é feita aquela delegação de competência, habilitando legalmente cada um dos auxiliares designados para assumir, no âmbito da organização, obrigações com terceiros, a partir do momento em que inicia a execução dos programas de trabalho do órgão. Este é o sentido do art. 58, da Lei nº 4.320/64, que assim dispõe: “Art. 58. Empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não do implemento de condição” (BRASIL, 1964). Assim, autoridade competente é o agente investido legalmente da competência para assumir em nome da Entidade governamental direitos ou obrigações. Ora, só pode ser autoridade competente, inicialmente, por exemplo, no âmbito da administração municipal, o prefeito que, por investidura, mediante eleição, detém o poder de decidir e, posteriormente, aquele a quem ele delega competência. O mesmo acontece com o Presidente do Poder Legislativo Municipal ou do Poder Legislativo de outra esfera governamental. A esse respeito, uma das regras estabelecidas pela Lei nº 4.320/64 para o reconhecimento das obrigações no exercício assim dispõe: “Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nele arrecadadas; e II - as despesas nele legalmente empenhadas”. Observe que o dispositivo impõe uma restrição para o reconhecimento da obrigação no período: que ela seja legalmente empenhada. E o que esta expressão quer dizer? Dentre outras coisas, que toda e qualquer obrigação só pode ser reconhecida como tal se assumida por agente legalmente habilitado. E já sabemos o que significa agente legalmente habilitado. Cada agente, político ou administrativo, pode assumir obrigações em nome da entidade governamental, desde que legalmente habilitado, conforme já mencionado. 93 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 A Lei nº 4.320/64, já mencionada, não obriga a descentralização administrativa ou financeira pelo simples fato de determinar a elaboração do orçamento e a programação da despesa pelos órgãos que constituem a estrutura administrativada entidade. Ela o faz apenas no sentido de informar o volume de recursos que o órgão possui e utilizará na execução dos programas de trabalho a seu cargo, e, desta maneira, permitir a apuração dos custos respectivos. Por outro lado, a Constituição da República inovou, principalmente no que respeita à função controle, conforme se verifica no seu art. 74, incisos e parágrafos respectivos. Neste dispositivo, a função Controle Interno, que antes estava sob a responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, como determinado no art. 76, da Lei nº 4.320/64, foi repartida pelos Poderes que constituem os governos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando então nasce o conceito de Contas de Governo. A Constituição da República deu, pois, ênfase ao controle interno nas entidades governamentais, determinando-lhes a sua organização, no âmbito de cada Poder, a fim de preservar a integridade das respectivas parcelas patrimoniais sob a responsabilidade desse mesmo Poder. Por aquele dispositivo constitucional, cada Poder fica obrigado a organizar e manter o seu próprio sistema de controle interno, em razão de responsabilidade mantida na gestão da parcela patrimonial que lhe cabe. Desta forma, cada Poder (no âmbito do Município, Poder Executivo e Poder Legislativo) deverá elaborar as suas próprias demonstrações contábeis e financeiras e relatório de gestão, a fim de revelar como foi gerida a parcela patrimonial que lhe cabe (REIS, 1992). Muitas dúvidas têm surgido com relação à linguagem adotada no art. 74 mencionado, principalmente no que se refere à expressão "[...] de forma integrada, sistema de controle interno [...]" (REIS, 1992, p. 20), posto que, em realidade, a maioria das entidades governamentais não tem cumprido a determinação constitucional. A obrigatoriedade de se manter um sistema de controle interno não é mais somente do Poder Executivo. A Constituição de 1988 a estende também aos Poderes Legislativo e Judiciário, conforme o disposto no artigo 74. Além do seu próprio sistema de controle interno, os Poderes manterão de forma integrada um outro sistema de controle interno, o que resultará na existência de três níveis de controle: o externo executado pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas; o interno no âmbito de cada Poder, e o interno A Constituição da República inovou, principalmente no que respeita à função controle, conforme se verifica no seu art. 74, incisos e parágrafos respectivos. Neste dispositivo, a função Controle Interno, que antes estava sob a responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, como determinado no art. 76, da Lei nº 4.320/64, foi repartida pelos Poderes que constituem os governos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando então nasce o conceito de Contas de Governo. 94 Administração Financeira e Matemática Financeira integrado, mantido em conjunto pelos Poderes. Como se vê, o sistema de informação contábil (orçamentária, financeira, patrimonial e gerencial) deverá ser estruturado de tal maneira que possibilite a visualização das contas de cada Poder, melhor dizendo, cada Poder terá o seu próprio sistema de informação contábil, mediante o qual serão elaborados demonstrações contábeis e relatórios específicos, que possibilitarão a visualização da gestão daquelas parcelas patrimoniais, e, consequentemente, nas respectivas prestações de contas. Cabe aqui, entretanto, o alerta de que, antes da elaboração das demonstrações contábeis finais de cada Poder, é necessário o preparo das demonstrações contábeis das gestões individualizadas e as respectivas combinações com o restante da Contabilidade do Poder, para o levantamento do balanço e relatório finais. A prestação de contas não é responsabilidade exclusiva dos agentes gestores responsáveis pela custódia de bens e valores pertencentes ou confiados à Fazenda Pública e às unidades políticas integrantes das esferas de governo, tais como os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas se estende às unidades da Federação, ou seja, a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e aos respectivos órgãos da administração descentralizada, as autarquias, as fundações, as empresas públicas e as sociedades de economia mista. A administração da entidade central, desde que as necessidades coletivas exijam a sua presença mais próxima à população, descentraliza certos programas de trabalho, no sentido de agilizar a execução respectiva, entregando-os à responsabilidade de órgãos tais como autarquias, fundações, sociedades de economia mista e empresas públicas, denominadas de órgãos da administração descentralizada. Observe que cada uma destas entidades possui personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira. Cada uma dessas entidades, a central e as descentralizadas, está obrigada pela lei a levantar os seus balanços respectivos, acompanhados dos relatórios de gestão. Assim, pode-se afirmar que as contas da entidade classificam-se em: • Contas da entidade central; • Contas das entidades descentralizadas; Além do seu próprio sistema de controle interno, os Poderes manterão de forma integrada um outro sistema de controle interno, o que resultará na existência de três níveis de controle: o externo executado pelo Poder Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas; o interno no âmbito de cada Poder, e o interno integrado, mantido em conjunto pelos Poderes. A prestação de contas não é responsabilidade exclusiva dos agentes gestores responsáveis pela custódia de bens e valores pertencentes ou confiados à Fazenda Pública e às unidades políticas integrantes das esferas de governo, tais como os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas se estende às unidades da Federação, ou seja, a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e aos respectivos órgãos da administração descentralizada, as autarquias, as fundações, as empresas públicas e as sociedades de economia mista. 95 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 • Contas de entidade econômica, que se identificam através do balanço geral consolidado. Aqui chega-se a dois conceitos, o das contas da entidade (da entidade central e de cada entidade descentralizada), ou seja, da entidade jurídica, conforme preceituam os arts. 1º, 83 a 106, 109 e 110, incisos e parágrafos respectivos, todos da Lei nº 4.320/64, e o das contas da entidade econômica. Assim, contas da entidade são as que, observando as regras que lhes pertinem e os princípios de contabilidade, dentre os quais o da entidade, refletem, individualmente, a totalidade do seu patrimônio, ativos e passivos assumidos, indicando ou revelando como o mesmo foi gerido no período a que se refere o resultado apurado. Enquanto as contas da entidade econômica se refletem pela consolidação dos balanços da entidade central com os das entidades descentralizadas, e assim elabora-se o balanço geral consolidado. Este balanço consolidado decorre das disposições contidas no parágrafo único do art. 110 e no art. 111, todos da Lei nº 4.320/64. Para chegar-se às contas definitivas da entidade há que se transpor algumas fases, tais como: • No âmbito de cada Poder, a unificação das contas de gestão dos Fundos Especiais com os restantes das contas que evidenciam a gestão pela Unidade de Tesouraria; • Integração das contas dos Poderes, para levantar-se o balanço geral da entidade central. Neste ponto chegamos ao conceito de controle interno integrado, conforme disposto no já mencionado art. 74, parágrafos e incisos da Constituição da República. c) Periodicidade da prestação de contas Como já exposto, a prestação de contas é feita e apresentada pelos agentes da Administração, conforme determinado no parágrafo único do art. 70 da Constituição da República. Conforme a sua periodicidade, a prestaçãode contas é elaborada: • Por encerramento de gestão, que pode ser em qualquer momento do exercício, em razão de substituições; a prestação de contas é adstrita à movimentação de valores ou à realização de ações pertinentes ao setor gerido. Por exemplo, o Almoxarifado. Contas da entidade são as que, observando as regras que lhes pertinem e os princípios de contabilidade, dentre os quais o da entidade, refletem, individualmente, a totalidade do seu patrimônio, ativos e passivos assumidos, indicando ou revelando como o mesmo foi gerido no período a que se refere o resultado apurado. A prestação de contas é feita e apresentada pelos agentes da Administração, conforme determinado no parágrafo único do art. 70 da Constituição da República. 96 Administração Financeira e Matemática Financeira • Por encerramento do exercício - como decorrência da aplicação da regra contida no art. 34 da Lei 4.320, de 17 de março de 1964, a prestação de contas é feita apenas para dar uma satisfação sobre os resultados obtidos no exercício, que coincide com o ano civil, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. Geralmente é feito pelo gestor principal da Administração da entidade, no caso o Município, ou seja, pelo Chefe do Poder Executivo, o Prefeito, e pelo Chefe do Poder Legislativo. De uma forma global, a prestação de contas é elaborada pela entidade governamental tal como o Município, a autarquia, a Fundação, a Empresa Pública e a Sociedade de Economia Mista. • Por encerramento de mandato - a prestação de contas tem o significado de apresentar ao sucessor a real situação econômica, financeira, social, administrativa e jurídica da entidade, a fim de que este possa iniciar a sua gestão a partir de medidas que devem ser providenciadas para solucionar questões demandadas pela população e por aqueles com os quais a entidade tem relações de caráter jurídico, econômico e financeiro. Dentre as questões que poderão estar presentes na prestação de contas de encerramento de mandato, destaca-se a que se relaciona à compatibilização do volume de obrigações assumidas e transferidas para o sucessor com as disponibilidades de caixa do Município, conforme se verifica da interpretação do art. 42 e seu parágrafo único da Lei Complementar nº 101/2000 – LRF, para a qual buscará medidas de solução adequadas à situação encontrada. d) A composição da prestação de contas • Relatório de gestão A prestação de contas, independentemente do motivo, pode ser assim composta: I - Relatório de gestão, cujo significado é o de apresentar de forma descritiva as ações desenvolvidas e os resultados obtidos, bem como as medidas que se fizeram necessárias para solucionar problemas que se apresentaram durante o período de gestão. Quando por fim de mandato, o relatório de gestão é elaborado por área de atuação do Governo. Exemplos: • Educação, descrever as ações desenvolvidas para a obtenção dos resultados nesta área, em relação às metas e ao objetivo pretendido. • Saúde, descrever as ações desenvolvidas para a obtenção dos resultados nesta área, em relação às metas e ao objetivo pretendido. E, assim, 97 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 sucessivamente. II – Relatórios contábeis e financeiros É o conjunto de demonstrações contábeis exigidas pela legislação pertinente, as quais devem ser preparadas pelo setor da contabilidade, quais sejam: • Balanço Patrimonial. • Demonstração das Variações Patrimoniais. • Balanço Financeiro. • Demonstração dos Fluxos de Caixa. • Balanço Orçamentário. • Relatório Resumido da Execução Orçamentária. • Relatório de Gestão Fiscal. III – Demonstrações Contábeis e Financeiras das entidades descentralizadas • Autarquias. • Fundações. • Empresas Públicas. • Sociedades de Economia Mista. IV – Demonstração de Balanço Consolidado • Demonstrações da entidade central com as das autarquias e fundações. • Demonstrações de empresas públicas. • Demonstrações de sociedades de economia mista. A prestação de contas é encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado ou do Município para verificações e emissão do parecer que será submetido ao Poder Legislativo, de acordo com determinações contidas na Constituição Federal. e) O papel do Tribunal de Contas De acordo com as normas constitucionais, o controle externo é função do Poder Legislativo, que o exerce com o auxílio do Tribunal de Contas tanto da União, quanto os dos Estados, cujas atividades são delineadas na Constituição da República e nas Constituições dos Estados, respectivamente. O Poder Legislativo municipal, por exemplo, é auxiliado pelo De acordo com as normas constitucionais, o controle externo é função do Poder Legislativo, que o exerce com o auxílio do Tribunal de Contas tanto da União, quanto os dos Estados, cujas atividades são delineadas na Constituição da República e nas Constituições dos Estados, respectivamente. 98 Administração Financeira e Matemática Financeira Tribunal de Contas do Estado em que se localiza o Município. Esse Tribunal de Contas organiza o setor que se destina a examinar as contas municipais e as do Estado. Neste caso, são exceções os Municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro, que, em razão das respectivas populações, possuem o seu próprio Tribunal de Contas. Aos Tribunais de Contas cabem, dentre outras, as seguintes atribuições: • Julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos das unidades dos Poderes públicos constituídos, e bem assim, das entidades da administração indireta, incluídas as fundações e empresas, instituídas, organizadas e mantidas pelos respectivos Poderes, os fundos e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano ao erário. • Exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos Poderes do ente federado, e das demais entidades referidas anteriormente. • Apreciar as contas anuais do Chefe do Executivo e exarar o respectivo Parecer para ser apresentado e discutido no âmbito do Poder Legislativo. Atividades de Estudos: 1) Atendendo à legislação vigente, de que forma deve ser feita a prestação de contas de uma entidade jurídica de direito público interno? ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ 99 O Patrimônio Financeiro Capítulo 4 2) Informe a importância da avaliação da despesa governamental por atividades. ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Algumas Considerações Como vimos, o Patrimônio Financeiro é a parte do Balanço Patrimonial que nos oferece uma visão da situação financeira de curto prazo de qualquer ente federado, pois dele obtemos informações sobre o movimento de caixa, constantes do Balanço Financeiro e também da Demonstração do Fluxo de Caixa por atividades, além de oferecer informações sobre a existência de superávit financeiro para a abertura de créditos adicionais, conforme as disposições do art. 43, §§ da Lei nº 4.320/64. Referências BRASIL. Lei Federal nº 5.172/66. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributárioaplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Lei Federal nº 8.666/93. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. 100 Administração Financeira e Matemática Financeira ______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (atualizada até a EC n° 95, de 15/12/2016 - DOU 16/12/2016). Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. ______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2017. PISCITELLI, Roberto Bocaccio et al. Contabilidade pública. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995. p. 321. REIS, Heraldo da Costa. Áreas e centros de responsabilidade no controle interno das entidades governamentais. In: Revista de Administração Municipal, Rio de Janeiro: IBAM, v. 39, n. 205, p. 19-35, out./dez. 1992. REIS, Heraldo da Costa. Planejamento governamental e controle. Indaial: Uniasselvi, 2012. p. 47. CAPÍTULO 5 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender que o valor do dinheiro no tempo obedece a dois regimes distintos de cálculo. O primeiro é chamado “regime de juros simples” e o segundo é chamado “regime de juros compostos”. � Elaborar cálculos relativos às operações que envolvem o conhecimento do valor do dinheiro no tempo. Nelson Chalfun Homsy 102 Administração Financeira e Matemática Financeira 103 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Contextualização Você há de concordar que R$ 100,00 a serem recebidos depois de um ano valem menos do que os mesmos R$ 100,00 hoje. Uma razão é que o dinheiro devido no futuro ou depositado em um prazo fixo não pode ser gasto imediatamente. Espera-se, portanto, ser compensado pelo adiamento do consumo. Uma outra razão é que, além disso, os preços podem aumentar e os R$ 100,00 não terão o mesmo poder aquisitivo que teriam hoje. Finalmente, há sempre um risco, mesmo insignificante, de que o dinheiro nunca será recebido. Assim, a maneira pela qual o dinheiro muda seu valor no tempo é uma questão de importância fundamental nas finanças. Com isso, devemos nos preocupar principalmente com duas questões: - Qual é o valor futuro de uma quantia investida ou emprestada hoje? - Qual o valor presente de uma quantia a ser paga ou recebida em certo momento no futuro? As respostas dependem de vários fatores, que serão discutidos no presente capítulo. Este tópico é muitas vezes referido como o valor do dinheiro no tempo. E o valor do dinheiro no tempo pode ser calculado de acordo com dois regimes de cálculo: o regime de juros simples e o regime de juros compostos. Regime de Juros Simples No regime de juros simples, o valor do juro é calculado a cada período sobre o valor aplicado, é considerado como recebido (sacado). Observe a seguinte situação na prática: João fez uma aplicação de $ 1.000,00 pelo prazo de cinco anos, à taxa de juro de 10% a.a., no regime de juros simples. Observe a descrição do processo que ocorre quanto ao cálculo de juro e ao valor do resgate final. 104 Administração Financeira e Matemática Financeira Ao final de cada ano, João receberá os juros calculados sobre a quantia aplicada ($ 1.000,00). Ao final desse prazo, João resgatará a quantia aplicada ($ 1.000,00). Vejamos o que ocorre durante cada um dos cinco períodos e ao final do prazo de cinco anos. 1. Obtém $ 100,00 de juros (10% de $ 1.000) ao final do primeiro ano. João recebe os $ 100,00. 2. Os $ 1.000,00 são reaplicados, obtendo novamente $ 100,00 de juros ao final do segundo ano. Recebe os $ 100,00. 3. Os $ 1.000,00 são reaplicados, obtendo novamente $ 100,00 de juros ao final do terceiro ano. Recebe os $ 100,00. 4. Idem para o quarto ano. 5. Os $ 1.000,00 são reaplicados, obtendo novamente $ 100,00 de juros ao final do quinto e último ano. Recebe os $ 100,00 e resgata os $ 1.000,00 originalmente aplicados. Conclusão: João aplicou $ 1.000,00, recebeu de juros $ 100,00 (10% x 1.000,00) ao final de cada ano. Ao longo desses cinco anos João obteve de rendimento $ 500,00 (5 x $ 100,00). No final da aplicação João resgatou os $ 1.000,00. Conclusão: o valor final da sua aplicação foi de $ 1.500,00 ($ 500, isto é, os juros + $ 1.000,00, isto é, o resgate da aplicação original). Portanto, para calcular o valor dos juros de uma aplicação no regime de juros simples multiplica-se o valor da aplicação original pela taxa de juros e pelo número de vezes de incidência da taxa de juros. O valor final é obtido somando-se o valor originalmente aplicado com o valor total dos juros recebidos. A representação do cálculo das variáveis no processo de juros simples por meio de fórmulas é a seguinte: Dados: • VF (Valor Futuro ou Montante). • VP é o Valor Presente ou Principal. • i é a taxa de juro expressa em percentagem. • n é o prazo da aplicação. • p é o número de períodos de cálculo de juros. • i/p é a taxa proporcional. Se a expressão da taxa (a.a., a.m. etc.) coincide com o período de cálculo de juros (a.a., a.m. etc.) o valor de “p” é igual a 1. 105 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Então: Montante ou Valor Futuro de uma soma VF = VP x (1 + i x n/p) Valor Presente, ou Valor Atual ou Valor Descontado de uma quantia VP = VF/ (1 + i x n/p), onde: Valor do Juro J = VF - VP Valor da Taxa de juro Taxa de juro = (VF/ VP) -1 Valor do Prazo Prazo = N = ((VF/VP)-1)/i Atividades de Estudos: 1) Em quantos meses um capital aplicado à taxa nominal de juros de 4% a.m., no regime de juros simples, triplica de valor? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Uma loja quer anunciar que está cobrando juros de 2% a.m., quando na realidade cobra 6% a.m. Para parecer que está cobrando 2% a.m., pretende aumentar o preço de venda à vista. Se vender em 12 prestações mensais, com a primeira de entrada, em que percentual precisa aumentar seu preço à vista? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________106 Administração Financeira e Matemática Financeira Regime de Juros Compostos No regime de juros compostos os juros vão sendo incorporados ao saldo da aplicação existente em cada período. No regime de juros compostos não há o recebimento (saques) dos juros que são calculados sobre o valor originalmente aplicado, como acontece no regime de juros simples. Observe a seguinte situação na prática: João fez uma aplicação de $ 1.000,00 pelo prazo de cinco anos, à taxa de juro de 10% a.a. sob o regime de juros compostos. Observe a descrição do processo que ocorre quanto ao cálculo de juros e ao valor do resgate final. Ao final de cada ano, João não receberá os juros calculados sobre a quantia aplicada. Ao final do prazo de cinco anos, João resgatará a quantia aplicada, acrescida dos juros calculados sobre os saldos existentes ao final de cada período. Vejamos o que ocorre durante esses cinco anos, período em que João não irá sacar (receber) os juros. Os juros serão incorporados ao saldo da aplicação existente em cada período. 1. O saldo aplicado ao início do primeiro ano é de $ 1.000,00. Ao final do primeiro ano, João incorpora $ 100,00 (10% de $ 1.000) ao valor inicial da aplicação de $ 1.000,00, passando o seu saldo aplicado para $ 1.000,00 + $ 100,00 = $ 1.100,00, pois os juros não foram sacados, foram incorporados ao saldo inicial, que era de $ 1.000,00. 2. O saldo aplicado ao início do segundo ano é $ 1.100,00, valor que veio transferido do final do primeiro ano. Ao final do segundo ano, João passa a ter $ 1.100,00 + $ 110,00 = $ 1.210,00, pois os juros de $ 110,00 (10% de $ 1.100,00) foram incorporados ao saldo inicial do segundo período (ano). 3. O saldo aplicado ao início do terceiro ano é $ 1.210,00, valor que veio transferido do final do segundo ano. Ao final do terceiro ano, João passa a ter $ 1.210,00 + $ 121,00 = $ 1.331,00, pois os juros de $ 121,00 (10% de $ 1.210,00) foram incorporados ao saldo inicial do terceiro período (ano). 4. O saldo aplicado ao início do quarto ano é $ 1.331,00, valor que veio transferido do final do segundo ano. Ao final do quarto ano, João passa a ter $ 1.331,00 + $ 133,10 = $ 1.464,10, pois os juros de $ 133,10 (10% de $ 1.331,00) foram incorporados ao saldo inicial do quarto período (ano). 107 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 5. O saldo aplicado ao início do quinto e último ano é $ 1.464,10, valor que veio transferido do final do quarto ano. Ao final do quinto e último ano, João passa a ter $ 1.464,10 + $ 146,41 = $ 1.610,51, pois os juros de $ 146,41 (10% de $ 1.464,10) foram incorporados ao saldo inicial do terceiro período (ano). Conclusão: João aplicou $ 1.000,00, reaplicou (incorporou) os juros calculados ao final de cada ano e resgatou $ 1.610,51, resultado da soma do valor inicialmente aplicado ($ 1.000,00) mais o valor total dos juros ($ 610,51). Quadro 7 - Comparação entre os regimes de juros simples e compostos Fonte: O autor. Observe que, enquanto que no regime de juros simples o valor do capital originalmente aplicado não se altera ($ 1.000,00), no regime de juros compostos o capital original vai aumentando continuamente a cada período, até o prazo final da sua aplicação, passando de um valor inicial de $ 1.000,00 para um valor final de $ 1.610,51. Faça uma reflexão sobre o material já apresentado sobre os processos de evolução do valor no tempo, no regime de juros simples e no regime de juros compostos, e observe como os resultados decorrentes da aplicação de cada um dos regimes de cálculo diferem. Observe que o Quadro 1 apresenta a comparação do resultado da aplicação de $ 1.000,00 nos regimes de juros simples e de juros compostos. Pode ser observado que o capital aplicado no regime de juros simples não se altera durante o prazo de aplicação, pois os 108 Administração Financeira e Matemática Financeira juros vão sendo recebidos (sacados) pelo investidor. Para efeito de cálculo do VF, a soma dos juros é adicionada ao valor originalmente aplicado. Já no regime de juros compostos a taxa de juros incide sobre o valor acumulado do capital, ou seja, o capital original mais os juros que a ele se incorporam. Atividades de Estudos: 1) Em quantos meses um capital aplicado à taxa nominal de juros de 4% a.m., no regime de juros compostos, triplica de valor? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Em quantos meses um capital aplicado a 4% a.a., no regime de juros compostos, triplica de valor? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Você aplica $ 10.000 à taxa nominal de juros de 2 % a/m, com capitalização composta, mais atualização monetária de 0,7 % a/m, durante 6 meses. Quanto receberá no final? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 109 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Juros Compostos e Fator de Capitalização O Quadro 8 a seguir repete os valores do Quadro 7 que representa o Regime de Juros Compostos, acima apresentado, mas inclui uma nova coluna denominada “Fator de Capitalização”. Vemos que, no regime de juros compostos, o capital original vai aumentando continuamente a cada período, até o prazo final da sua aplicação, passando de $ 1.000,00 para $ 1.100,00; de $ 1.100,00 para $ 1.210,00 etc., até atingir $ 1.610,51, numa razão constante, equivalente à soma de (1+ i/100), “um mais a taxa de juro”, razão esta que está apresentada em cada linha da coluna “Fator de Capitalização”. O Fator de Capitalização, no valor de “1,1”, que aparece em todas as linhas da última coluna, representa a soma (1+0,1) ou (1+10%), isto é, “um mais a taxa de juros da aplicação a cada período de cálculo de juro”. Quadro 8 – Fator de capitalização Fonte: O autor. Podemos representar o Fator de Capitalização a cada Período de Cálculo de Juros utilizando a expressão genérica obtida a partir do cálculo abaixo: 110 Administração Financeira e Matemática Financeira Figura 1 – Representação Genérica do Fator de Capitalização a cada Período de Cálculo de Juros Fonte: O autor. Figura 2 – Representação do Fator de Capitalização a cada Período de Cálculo de Juros Fonte: O autor. Outra maneira de se apresentar o Fator de Capitalização a cada Período de Cálculo de Juros é através do resultado da divisão de cada valor da coluna Saldo (Fim) pelo seu correspondente da coluna Saldo (Início). Observe novamente o Quadro 2. Primeiramente, divide-se o valor $ 1.100,00 por $ 1.000,00. O resultado é 1,1. Em seguida, divide-se $ 1.210,00 por $ 1.100,00. Novamente, o resultado é 1,1. E assim, sucessivamente, até dividirmos $ 1.610,51 por $ 1.464,10, encontrando-se 1,1. 111 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Portanto, se quisermos achar o valor capitalizado de uma aplicação ao final de um prazo (múltiplo de períodos), basta multiplicar-se o valor da aplicação no início do período pelo fator de capitalização (1+i/100)n “1 mais a taxade juro”, elevado ao expoente n, igual ao número de períodos de cálculo de juros. Na tabela contendo a aplicação de $ 1.000,00, à taxa de juro de 10% a.a. no regime de juros compostos, aplicamos o fator 1,1 em cada um dos cinco períodos. Para os cinco períodos tomados em conjunto, isto é, o prazo total da aplicação, temos: Repare que o VF de um período passa a ser o (novo) VP do período seguinte. Exemplo: o VF 0 passa a ser o VP 1 ; o VF1 passa a ser o VP 2 , e assim sucessivamente. Pode-se dizer, então, que VP 0 x (1,1 x 1,1 x 1,1 x 1,1 x 1,1) = VF 5 , que é o VF “final”. ou que VP 0 x 1,15 = VF 5 => VP 0 x 1,61051 = VF 5 Utilizando os dados do Quadro 2, podemos partir do valor inicial (C 0 ) = $ 1.000,00 e chegar ao valor final (C 5 ) = $ 1.610,51, “cortando o caminho” e efetuando o seguinte cálculo: VP 0 x 1,15 = VF 5 => 1.000,00 x 1,15 = 1.000,00 x 1,61051 = 1.610,51 O valor do expoente “5” corresponde ao prazo total da aplicação, isto é, à soma do número de períodos de cálculo de juros. 112 Administração Financeira e Matemática Financeira Resumindo: Aplica-se o Fator de Capitalização por um período de cálculo de juros multiplicando-se o VP por (1+i/100). Aplica-se o Fator de Capitalização para vários períodos de cálculo de juros multiplicando-se o VP por (1+i/100)n. Atividade de Estudos: 1) Com base nos conceitos de Juros Compostos e Fator de Capitalização, calcule o VF resultante da aplicação de $ 2.000,00, durante cinco anos, à taxa de juro de 11% a.a. no regime de juros compostos. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) João pretende viajar em 30 de outubro e estima gastos de $ 20.000. Seu saldo na aplicação em 1º de janeiro era de $ 4.000. Entretanto, irá receber uma gratificação, paga a metade em de 30 de maio e a outra metade em 30 de julho. De quanto deverá ser essa gratificação, de modo a poder viajar? A aplicação rende 0,7 % ao mês. Considerar capitalização composta e mês comercial. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Uma geladeira pode ser comprada com uma entrada e mais 2 prestações sem juros, ou à vista com 10% de desconto. Qual a taxa de juro do financiamento? ____________________________________________________ 113 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Uma empresa está preparando um levantamento de debêntures à taxa de juro de 6% ao semestre, prazo de 5 anos e resgate ao final. Entretanto, você só conseguirá colocar seus papéis no mercado a 8% ao semestre. Qual será o desconto que deve ser dado nas debêntures para atingir a taxa de mercado? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Descapitalização ou Desconto De forma análoga ao cálculo do valor do juro e do valor final de uma aplicação, podemos também calcular o Desconto ou o Valor Presente ou Valor Atual ou Valor Descontado de uma determinada soma. O regime de juros da operação financeira (simples ou composto) influi no cálculo do desconto de maneira semelhante à que ocorre quando calculamos juros que são incorporados ao valor original. a) O Cálculo do Desconto no Regime de Juros Simples - Desconto Simples ou “Por Fora” O desconto simples é também chamado “desconto bancário” ou “desconto comercial” ou “desconto por fora” ou “desconto a uma taxa de desconto”. O desconto simples (d) é equivalente ao juro cobrado adiantado sobre o valor final do título (VF) a uma taxa de desconto (i), durante o prazo (n) que decorre desde a transação até o vencimento do título. 114 Administração Financeira e Matemática Financeira Obs.: o desconto simples é, muitas vezes, erroneamente confundido com a descapitalização de um valor futuro. A descapitalização é um processo que ocorre no regime de juros compostos (ver adiante). Observe o seguinte exemplo prático: Suponha que você queira antecipar o pagamento de uma dívida de $ 1.500 que vence daqui a nove meses e que a taxa de desconto é de 6% a.a. Qual o valor do desconto? Quanto deverá pagar, após o desconto? Observe a descrição do processo que ocorre quanto ao cálculo do desconto de juros e do valor do pagamento final. Valor da dívida: (M ou VF) = 1.500,00 Vencimento (prazo): n = 9 meses Taxa de desconto: i = 6,00% a.a. ou 0,06 ao ano Taxa Proporcional: i/p = 0,06 x 9 meses/12 meses = 0,06 x 0,75 = 0,045 Valor do desconto: d = VF x i/p = 1.500 x 0,045 = 67,50 Valor Atual: VP = VF – d = 1.500 – 67,50 = 1.432,50 Respostas: O valor do desconto é $ 67,50. Deverá pagar após o desconto $ 1.432,50. b) O Cálculo do Desconto no Regime de Juros Compostos - Desconto Verdadeiro ou "Por Dentro" O desconto verdadeiro é também chamado “desconto por dentro” ou “desconto racional” ou “desconto a uma taxa de juro”. O desconto verdadeiro ou “por dentro” é aquele em que o valor do desconto é obtido pela diferença entre o valor da dívida original (Valor Futuro ou VF) e o valor da dívida descontada (Valor Presente ou VP). O valor da dívida descontada (Valor Presente ou VP) é obtido dividindo-se o valor original (VF) pelo fator de desconto f = (1+i/100) (ver adiante). Observe o seguinte exemplo prático: Suponha que você queira antecipar o pagamento de uma dívida de $ 1.500 que vence daqui a nove meses e que a taxa de juro é de 6% a.a. Quanto deverá pagar, após o desconto? Qual o valor do desconto? 115 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Observe a descrição do processo que ocorre quanto ao cálculo do desconto e juros e do valor do pagamento final. Valor da dívida: (M ou VF) = 1.500,00 Vencimento (prazo): n = 9 meses Taxa de juro: i = 6,00% a.a. ou 0,06 ao ano Taxa Proporcional: i/p = 0,06 x 9/12 = 0,045 Fator de desconto: f = (1+ i/p) = 1,045 Valor Atual: VP = VF/f = 1500/1,045 = 1.435,41 Valor do Desconto: d = VF – VP = 1.500,00 – 1.435,41 = 64,59 Respostas: Deverá pagar após o desconto $ 1.435,41. O valor do desconto é $ 64,59. Qual a razão de este tipo de desconto se chamar “verdadeiro”? É que no desconto verdadeiro, se realizarmos a operação inversa, isto é, se multiplicarmos o Valor Atual (VP) pela taxa utilizada para efetuar o desconto, encontraremos o valor original VF, o que não ocorre no desconto simples ou “por fora”. Observe a recomposição dos valores originais nos descontos Simples e Verdadeiro: Desconto Verdadeiro: 1.435,41 x 0,045 = 64,59 > 1.435,41+ 64,59 = 1.500,00 (valor original!) Desconto Simples: 1.432,50 x 0,045 = 64,46 > 1432,50 + 64,46 = 1.496,96 (diferente do valor original!) Fator de Desconto ou de Valor Atual ou de Valor Presente ou de Descapitalização Acabamosde ver que o valor atual ou valor presente (VP) de uma soma futura (VF) é obtido descapitalizando-se essa soma futura, de acordo com uma taxa de juro, pelos períodos de tempo compreendidos entre a data final e uma data anterior. A data final é a data de vencimento do pagamento ou recebimento expresso no contrato. A data anterior pode ser qualquer data que anteceda a data de 116 Administração Financeira e Matemática Financeira vencimento, inclusive uma data pretérita à atual. Admitindo-se que estejamos no dia 12 de março de 2025 (considerada como data atual) e uma obrigação de pagamento vença em 12 de março de 2030 (data futura), podemos calcular o valor atual dessa obrigação tendo como referência o dia 12 de março de 1999 (data anterior – pretérita à data atual), dependendo da necessidade. Nesse caso o Valor Presente que se quer calcular não está referido à data de 12 de março de 2025, mas à data de 12 de março de 1999. O Fator de Desconto ou de Valor Atual ou de Valor Presente ou de Descapitalização é a expressão genérica do processo de desacumulação ou descapitalização dos juros sobre um determinado valor, dados o Valor Futuro (VF), a taxa de juro (i), o prazo (n) e o período de (des)capitalização. O esquema a seguir apresenta a descapitalização da quantia de $ 106,00, que se converte em $ 100,00. Figura 3 – Descapitalização da quantia de $ 106,00, que se converte em $ 100,00 Fonte: O autor. O Fator de Desconto é o inverso do Fator de Capitalização. Portanto, se a representação genérica do Fator de Capitalização é (1+i/100)n, a representação genérica do Fator de Desconto no Regime de Juros Compostos é [1/(1+i/100)n]. Quando desejamos calcular o Valor Futuro de uma soma (VF), sendo conhecido o seu Valor Presente (VP), devemos multiplicar o VP pelo fator de capitalização (1+ i/100)n, sendo o expoente n igual ao número de períodos de cálculo de juros. Se desejamos calcular o Valor Presente ou Valor Descontado ou Valor Atual (VP) de uma soma, sendo conhecido o seu Valor Futuro (VF), devemos multiplicar o VF pelo fator de desconto [1/(1+ i/100)n], elevado ao expoente n igual ao número de períodos de cálculo de juros. De maneira equivalente, podemos dividir o VF pelo fator de desconto (1+ i/100)n, elevado ao expoente n igual ao número de períodos de cálculo de juros. Observe que o expoente do fator de capitalização “1,1” é “1”. Embora não seja “elegante” escrever o expoente “1”, ele aparece a fim de representar um período de descapitalização. 117 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 O esquema a seguir apresenta de maneira esquemática o cálculo do Valor Futuro e do Valor Presente, utilizando-se, respectivamente, o Fator de Capitalização e o Fator de Desconto. Comparação entre o Emprego do Fator de Capitalização e do Fator de Desconto Fator de Capitalização, ou de Valor Futuro, ou de Valor Final ou Montante: VF = VP x (1+ i/100) n Fator de Desconto, ou de Valor Atual, ou de Valor Presente ou de Descapitalização: VP = VF / (1+i/100) n No Quadro 9 são apresentados de forma comparativa os processos de capitalização de uma soma inicial (VP = $ 1.000,00) e de descapitalização de uma soma futura (VF = $ 1.610,51), com o objetivo de explicitar como funcionam os fatores de capitalização e de desconto. Quadro 9 – Processos de Capitalização de uma soma inicial (VP) e de Descapitalização de uma soma futura (VF) 118 Administração Financeira e Matemática Financeira Fonte: O autor. No ramo esquerdo do Quadro 9 repete-se o Quadro 8, com a evolução da capitalização da quantia de $ 1.000,00, por cinco períodos (cinco anos), à taxa de juro de 10% ao ano. O ramo direito do Quadro 9 apresenta o processo de descapitalização da quantia de $ 1.610,51, por cinco períodos (cinco anos), à taxa de juro de 10% ao ano. No processo de descapitalização o fator de desconto “1,1”, divide, no primeiro período, a quantia inicial de $ 1.610,51, sendo encontrada a quantia de $ 1.464,10. Diminuindo-se $ 1.464,10 de $ 1.610,51, encontramos $ 146,41, o valor do desconto. Repete-se esse cálculo mais quatro vezes, perfazendo n =5 vezes, até encontrarmos a quantia de $ 1.000,00. No Quadro 9, em cada um dos cinco períodos aplicamos o fator 1,1. Para os cinco períodos tomados em conjunto temos: VF 5 / 1,1 = VP 4 ; VF 4 /1,1 = VP 3 ; VF 3 / 1,1 = VP 2 ; VF 2 / 1,1 = VP 1 ; VF 1 x 1,1 = VP 0 Podemos dizer, então, que VF 5 / (1,1 x 1,1 x 1,1 x 1,1 x 1,1) = VP 0 Representação esquemática do processo de capitalização do valor no tempo ou que VF 5 / 1,15 = VP 0 => VF 5 / 1,61051 = C 0 Utilizando os dados do Quadro 9 podemos “voltar” do Valor Futuro (VF 5 ) = 1.610,51 e chegar ao Valor Presente (VP 0 ) = $ 1.000,00, efetuando o seguinte cálculo: 119 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 VF 5 / 1,15 = VP 0 => 1.610,51 / 1,15 = 1.610,51 / 1,61051 = 1.000,00 Capitalização e Desconto de um Valor e de uma Série de Valores no Tempo Constituir um fundo (acumular) é o oposto de pagar um financiamento (amortizar). No primeiro caso se está aumentando, por meio de depósitos e de juros, quantias inicialmente denominadas Valor Inicial ou Valor Presente, isto é, capitalizando. No segundo caso, se está reduzindo a dívida contraída, por meio de pagamentos previamente determinados (carnê de prestações fixas, por exemplo) ou pagamentos esporádicos (de valores e em datas não determinadas). Amortizar significa amortecer. Não significa quitar a dívida. Quando amortizamos uma parcela da dívida, amortecemos o peso dos juros que são calculados sobre o saldo existente. Significa que estamos devolvendo ao credor (a quem se deve) parte do dinheiro que foi emprestado. Amortizar significa também sacar de um fundo que rende juros quantias previamente determinadas (recebimento de aposentadoria e pensões) ou recebimentos esporádicos (prêmio de sorteio em fundos de capitalização). Capitalização de um Valor e de Uma Série de Valores no Tempo O Valor Futuro ou Valor Capitalizado ou Montante ou Valor Final pode ser resultado da realização de (por exemplo): 1. Um único depósito (Valor Presente - VP) de $ 1.000,00 aplicado por um período (1 ano), à taxa de juro nominal de 10% a.a., com capitalização ao ano, que produz um Valor Futuro (VF) de $ 1.100,00. 120 Administração Financeira e Matemática Financeira 2. Um único depósito (Valor Presente – VP) de $ 1.000,00 aplicado por vários períodos (5 anos), à taxa de juro nominal de 10% a.a., com capitalização ao ano, que produz um Valor Futuro (VF) de 1.610,51. 3. Uma série de depósitos (Valor Presente – VP) de valores diferentes, em datas esporádicas, que poderão ser resgatados em uma data específica. Cada depósito pode ser considerado isolado ou tomado em seu conjunto. Observe que os expoentes dos fatores de capitalização são diferentes, pois os prazos de aplicação são diferentes. As taxas de juro também podem ser diferentes, dependendo das condições que tenham sido contratadas. Conforme pode ser visto em cada linha do exemplo, os três depósitos têm a sua capitalização feita de forma isolada, mas como são resgatados em uma mesma data, somamos os seus VF. 4. Uma série de depósitos (Valor Presente – VP) de valores iguais e em datas periódicas, isto é, que são efetuados em intervalo de tempo igual, e que serão resgatados em uma data específica. Observe que os expoentes dos fatores de capitalização são diferentes, pois os prazos de aplicação são diferentes. As taxas de juro também podem ser diferentes, dependendo das condições que tenham sido contratadas. Este tipo de série “bem comportada”, na qual os termos são uniformes e o intervalo entre seus termos são constantes, é denominado Anuidade. Para a 121 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5anuidade há teclas e funções específicas na HP 12C e na planilha eletrônica para o cálculo do seu Valor Futuro. Quando este tipo de série é “infinita”, ou apresenta um número “muito grande de termos”, diz-se que ela é uma “Perpetuidade”. Descapitalização de um Valor e de uma Série de Valores no Tempo A solução de problemas financeiros envolve também a amortização de financiamentos parcial ou total, a realização de saques ou retiradas em fundos já constituídos ou em constituição, a análise da viabilidade de operações comerciais, de investimento etc. Essas operações exigem que tomemos decisões no presente, mas que são baseadas em fatos que ocorrerão no futuro, sobre os quais só possuímos expectativas. São essas expectativas que se transformam em valores monetários, ou seja, naquilo que desejamos receber ou pagar e que podemos numericamente “descontar”, pois precisamos saber quanto elas valem no presente a fim de que possamos tomar a melhor decisão. Essas são operações típicas de cálculo de Valor Atual ou Descontado. O Valor Presente ou Valor Descapitalizado ou Valor Atual ou Valor Descontado pode, portanto, ser resultado da antecipação de: 1. Uma única quantia futura (Valor Futuro - VF) de $ 1.100,00 descontada por um período (ano), à taxa de juro nominal de 10% a.a., com descapitalização ao ano. 2. Uma única quantia futura (Valor Futuro – VF) de $ 1.610,51 descontada, tendo como referência uma data anterior, por vários períodos (anos), à taxa de juro nominal de 10% a.a., com descapitalização ao ano. 122 Administração Financeira e Matemática Financeira 3. Uma série de quantias futuras (Valor Futuro – VF) de valores diferentes, em datas esporádicas, descontadas, tendo como referência uma ou mais datas anteriores. Cada quantia pode ser considerada isolada ou tomada em seu conjunto. Observe que os expoentes dos fatores de desconto são diferentes, pois os prazos de descapitalização são diferentes. As taxas de juro também podem ser diferentes, dependendo das condições que tenham sido contratadas. 4. Uma série de quantias futuras (Valor Futuro – VF) de valores iguais e em datas periódicas, isto é, que são efetuados em intervalo de tempo igual, e que serão descontadas, tendo como referência uma data específica. Observe que os expoentes dos fatores de desconto são diferentes, pois os prazos de descapitalização são diferentes. As taxas de juro também podem ser diferentes, dependendo das condições que tenham sido contratadas. Este tipo de série “bem comportada”, na qual os termos são uniformes e o intervalo entre seus termos são constantes é denominado Anuidade. Para a anuidade há teclas e funções específicas na HP 12C e na planilha eletrônica para o cálculo do seu Valor Presente. A representação do cálculo das variáveis no processo de juros compostos por meio de fórmulas é a seguinte: 123 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Quando o cálculo envolve uma quantia única: Dados: • VF é o Valor Futuro ou Montante • VP é o Valor Presente ou Principal • i é a taxa de juro expressa em percentagem • n é o prazo da aplicação • p é o número de períodos de cálculo de juros. Se a expressão da taxa (a.a., a.m. etc.) coincide com o período de cálculo de juros (a.a., a.m. etc.) o valor de “p” é igual a 1. Então: Montante ou Valor Futuro, dada uma Taxa Nominal de juro VF = VP x (1 + i /p)n Montante ou Valor Futuro, dada uma Taxa Efetiva de juro VF = VP x (1 + i)n/p Valor Presente, ou Valor Atual ou Valor Descontado, dada uma Taxa Nominal de juro VP = VF/ (1 + i /p)n Valor Presente, ou Valor Atual ou Valor Descontado, dada uma Taxa Efetiva de juro VP = VF/ (1 + i)n/p Valor do Juro J = VF – VP Valor da Taxa de juro Taxa de juro = (VF/ VP)1/n – 1 Valor do Prazo, dada uma Taxa Nominal de juro Prazo = n = log (VF/VP) / log (1+i/p) Valor do Prazo, dada uma Taxa Efetiva de juro Prazo = n = log (VF/VP) / log [(1+i)1/p ] Quando o cálculo envolve uma série de quantias iguais e periódicas a uma mesma taxa de juro - anuidade temporária, constante e periódica: 124 Administração Financeira e Matemática Financeira Dados: • VF é o Valor Futuro ou Montante • VP é o Valor Presente ou Principal • i é a taxa de juro expressa em percentagem • n é o prazo da aplicação; o número de termos da série • p é o número de períodos de cálculo de juros. Se a expressão da taxa (a.a., a.m. etc.) coincide com o período de cálculo de juros (a.a., a.m. etc.) o valor de “p” é igual a 1. • A é o termo da série de pagamento ou recebimento, podendo ser antecipado (A ant efetuado ao início de cada período) ou postecipado (A post efetuado ao final de cada período). Montante ou Valor Futuro VF ant = A ant x (1+i) x [(1+i)n – 1] / i VF post = A post x [(1+i)n – 1] / i Valor Presente, ou Valor Atual ou Valor Descontado VP ant = A ant x (1+i) x [1 - (1+i)-n ] / i VP post = A post x [1 - (1+i)-n ] / i Valor do Termo da Série Amortização A ant = VP x [ i / (1 + i) x (1 –(1+i)-n )] A post = VP x [ i / 1 - (1+i)-n )] Capitalização A ant = (1/(1+i)) x (VF x i)/(1+i)n -1 A post = VF x [ i / (1+i)n -1) 125 Regimes de Cálculo de Juro: Juros Simples e Juros Compostos Capítulo 5 Valor do Prazo (Número de termos da série) Amortização n ant = log [A ant / A ant – (i x VP) / (1+i) ] / log (1+i) n post = log [A post / (A post – VP x i)] / log (1+i) Capitalização n ant = log [(1+(VF x i)) / A ant x (1+i) ] / log (1+i) n post = log [1 + (VF x i) / A post ] / log (1+i) Algumas Considerações O cálculo financeiro é uma parte tão importante da vida moderna que quase toda pessoa pode se beneficiar ao compreendê-lo melhor. E o que é mais surpreendente é o fato de que não há muitas diferenças entre os problemas financeiros enfrentados por um investidor médio, um pequeno empresário, uma grande empresa ou uma família. No nível mais básico, estes problemas são sobre como alocar o dinheiro. As escolhas são muitas: o dinheiro pode ser gasto no consumo, oferecido por empréstimo, pode ser poupado, tomado emprestado ou investido em projetos. Projetos podem ser realizados com parceiros ou com o auxílio dos credores. Projetos podem, entretanto, ser evitados quando não são considerados vantajosos. E o cálculo financeiro oferece auxílio no processo de se decidir entre as alternativas de investimento. Há um tema principal que domina o campo das finanças. É o valor. E a principal razão pela qual você precisa estimar o valor é que você vai querer comprar objetos, cujos valores estejam acima dos seus custos e evitar aqueles em que o seu custo é superior ao seu valor. Na prática, encontrar o valor de um bem não é trivial. Mas, conforme observado neste capítulo, há maneiras bastante conhecidas e utilizadas que empregam apenas as cinco principais operações (adição, subtração, multiplicação, divisão e a exponenciação). 126 Administração Financeira e Matemática Financeira Referências FUNENSEG. Diretoria de Ensino e Produtos. Fundamentos de Matemática Financeira. Assessoria Técnica: Nelson Chalfun Homsy. 6. ed. Rio de janeiro: FUNENSEG, 2007. CAPÍTULO 6 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Distinguir entre as diversas formas de taxas de juro. � Acompanhar a elaboração de exercícios relativos às operações que envolvem a aplicação das taxas de juro. Nelson Chalfun Homsy 128 Administração Financeira e Matemática Financeira 129 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Contextualização As taxas de juro recebem diversos nomes, dependendo do tipo de situação em que elas são empregadas. A seguir são apresentados oito tipos de taxas mais referidos nos problemas financeiros.governamental e controle. Indaial: Uniasselvi, 2012. Atualmente, a Administração Financeira pode ser visualizada de outra maneira, ou seja, por seus instrumentos de controle gerenciais e de decisões. 16 Administração Financeira e Matemática Financeira Quando a Administração Financeira se torna mais complexa, pode-se organizá-la em atividades específicas como Administração de: a) Disponibilidades de caixa vinculadas e não vinculadas. b) Empréstimos e financiamentos. c) Obrigações a pagar. d) Tesouraria. e) Programação financeira. f) Depósitos de diversas origens. Estas novas concepções de gestão e controle foram introduzidas pela Lei federal nº 4.320, de 17 de março de 1964, que obrigou as esferas governamentais a ajustarem as suas estruturas de informações contábeis, de execução orçamentária e de tesouraria ou de administração financeira (REIS, 1964, p. 87). Assim, nos últimos anos a administração pública brasileira tem passado por mudanças e inovações no que diz respeito ao planejamento e ao controle da gestão das finanças governamentais, algumas de ordem constitucional, outras pelas exigências da evolução natural das coisas (REIS, 1964, p. 87). De ordem constitucional, ou seja, da Constituição de 1988, art. 165, § 2º, nas atividades de planejamento, por exemplo, introduziram- se os instrumentos plano plurianual, diretrizes orçamentárias e deu-se uma nova feição ao orçamento anual, sendo agora organizada de forma tridimensional, ou seja, orçamento fiscal, orçamento da seguridade e orçamento de investimentos nas empresas. Objetivo da Administração Financeira As determinações constitucionais visam, sobretudo, dotar a Administração Pública brasileira dos instrumentos necessários à obtenção de informações sobre o desempenho governamental nos âmbitos da economicidade, eficiência, eficácia e efetividade no trato e gestão dos recursos públicos postos à sua disposição. O objetivo da administração financeira é, portanto, permitir visualizar os efeitos da concretização das receitas esperadas, dos valores que se possam converter em dinheiro e dos pagamentos das obrigações assumidas sobre o fluxo de caixa de uma organização governamental, compreendendo ainda o recebimento, a guarda e custódia de valores pertencentes a terceiros, negociações de recursos Nos últimos anos a administração pública brasileira tem passado por mudanças e inovações no que diz respeito ao planejamento e ao controle da gestão das finanças governamentais, algumas de ordem constitucional, outras pelas exigências da evolução natural das coisas (REIS, 1964, p. 87). 17 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 financeiros via empréstimos, financiamentos e alienações de bens e direitos e de convênios, bem como prestação de contas. Operações Resultantes da Execução Orçamentária As operações resultantes da execução orçamentária se concretizam a partir da abertura do orçamento no início do exercício financeiro para o qual a lei orçamentária foi aprovada, que reúne dois grandes grupos de valores, quais sejam: receita e despesa. A execução orçamentária da receita e da despesa obedecerá às regras pertinentes a cada um desses valores, e que são reconhecidas e estabelecidas pela legislação pertinente, sobre as quais falaremos a seguir: a) Receita • Previsão, ou seja, a receita é projetada e prevista no orçamento para se efetivar a sua arrecadação. A previsão é calculada mediante técnica estatística, após estudos, análises e avaliações das suas características que poderão ser exclusivamente econômica e/ou financeira ou conter as duas. A metodologia de previsão da receita deve ser descrita na Lei de Diretrizes Orçamentárias, na diretriz denominada Orientações para a Elaboração do Orçamento a partir do conhecimento das características da fonte da receita. Exemplo: O ICMS, imposto de competência exclusiva do ente federativo Estado, é de natureza econômica, pois resulta de operações de comércio. A previsão desta receita deve ser calculada conforme a metodologia descrita na Lei de Diretrizes Orçamentárias. • Lançamento é o processo de reconhecimento do direito, pela autoridade administrativa, sobre um valor recebível. O lançamento se processa de várias formas, quais sejam: de ofício, também denominado de direto, é o que se produz sobre o contribuinte. Por exemplo: lançamento do IPTU, imposto de competência do Município. Lançamento por declaração é o processo pelo qual o contribuinte declara o que vai pagar, e por homologação, que é a ratificação pela autoridade competente da declaração do contribuinte do que tem a pagar após a verificação pela fiscalização tributária. • Arrecadação é o processo de efetivação das receitas previstas no orçamento. A execução orçamentária da receita e da despesa obedecerá às regras pertinentes a cada um desses valores, e que são reconhecidas e estabelecidas pela legislação pertinente. 18 Administração Financeira e Matemática Financeira • Recolhimento é processo de canalizar a receita para um só caixa, conforme se explicita no art. 56 da Lei Federal nº 4.320, de 17 de março de 1964. b) Despesa • Provisão, cujo significado é o de prover, em valor amoedado, pelo menos graficamente, cada espécie de despesa incluída no orçamento. Também é conhecida como dotação. Isto é possível após os diagnósticos internos e externos que se processam no sentido de se conhecer previamente os problemas da administração e de se planejar e programar as ações que serão adotadas como soluções para os problemas detectados junto à sociedade. • Fixação é o valor amoedado provido à despesa, fixado como limite, pela lei orçamentária, para a sua realização. • Empenho é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não do implemento de condição. Em realidade, o ato de empenhar significa reservar parcela da dotação fixada para a despesa, para possibilitar a sua realização. A realização da despesa pode resultar das seguintes situações: a) da execução de contrato, cujo pagamento dependerá do cumprimento do implemento de condição, e b) de mandamento de lei específica. Neste caso, cita-se como exemplo o FPM, cujo pagamento das transferências é feito por força de mandamento constitucional. • Liquidação é o ato da Administração de reconhecer os direitos de terceiros, após verificar se os mesmos se originaram de mandamento de lei ou se o implemento de condição estabelecido em contrato foi cumprido, ou seja, se a obra foi concluída, se o serviço foi realmente prestado ou se o material foi entregue. • Pagamento é o ato da Administração de extinguir a sua obrigação com terceiros, após o processo da liquidação. Além do pagamento em dinheiro, existem outras formas de extinção de obrigações, tais como a compensação tributária e a dação em pagamento. É preciso conhecer também as situações que afetam a execução orçamentária: a) Insuficiência de recurso orçamentário para a realização de uma despesa. Neste caso, recorre-se à sua suplementação. É preciso conhecer também as situações que afetam a execução orçamentária. 19 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 b) Despesa não incluída na lei orçamentária, cuja realização é necessária para dar andamento a uma atividade da Administração. Neste caso, recorre-se à abertura de um crédito especial. c) Guerras, revoluções, calamidade pública provocada por mudanças climáticas tais como cheias, secas, ou outras situações etc. Nestes casos, a Administração busca solução nos chamados créditos extraordinários. Atividade de Estudos: 1) Tomando por base os estudos efetuados neste capítulo, explique a importância do art. 74, incisos I e II da Constituição da República quanto à organização do sistema de controle interno no âmbito dos Poderes constituídos. Preocupa-seTaxa de Juro Nominal A taxa de juro expressa sob a forma nominal é o “nome” da taxa. Ela não nos diz muita coisa: apenas seu “nome”. Imagine três pessoas chamadas Maria, com diferentes estaturas. Elas são necessariamente iguais por terem o mesmo nome? Claro que não, pois a primeira pode ser alta, a segunda baixa e a terceira apresentar estatura mediana. Além disso, cada uma delas tem um sobrenome diferente, feições diferentes etc. Imagine agora três situações em que devemos utilizar taxas de juro nominal de 6% ao ano. Essas situações são necessariamente iguais em virtude do fato da taxa de juro ter o mesmo nome? Como no caso das Marias, claro que não, pois a primeira poderá estar sendo utilizada no cálculo de juros mensais de uma caderneta de poupança, a segunda para calcular os juros semestrais de um título do Tesouro, enquanto que a terceira será utilizada no cálculo dos juros anuais de uma aplicação. Ou seja, a unidade de tempo em que a taxa nominal é expressa (no nosso caso, igual a 6% ao ano) nem sempre coincide com a unidade de tempo do período em que os juros são calculados. No parágrafo anterior, os juros da caderneta são calculados ao mês e os do título do Tesouro, ao semestre. Mas, e se ela coincide? Imagine que estamos efetuando o cálculo de juros anuais de uma aplicação, no qual a taxa nominal é igual a 6% ao ano e o período de cálculo de juros é também de um ano. Aqui existe uma igualdade entre a unidade de tempo em que a taxa de juro é expressa (6% a.a.) e o período em que os juros são calculados (também ao ano). 130 Administração Financeira e Matemática Financeira Atividades de Estudos: 1) Imagine uma aplicação de R$ 100,00 pelo prazo de um ano, à taxa de juro de 6% ao ano, sendo os juros calculados ao se completar o período de um ano. Qual será o valor final da aplicação (um ano)? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Calcular o montante de uma aplicação ÚNICA de R$ 1.000,00, à taxa nominal de 6% a.a., capitalizados mensalmente, com resgate em 30 de dezembro. Considerar as hipóteses de o depósito ser efetuado: 1) em 1º de janeiro do mesmo ano e 2) em 30 de janeiro do mesmo ano. Considerar o mês comercial (mês de 30 dias). Métodos utilizados: a. Elaborar uma planilha demonstrando a evolução dos montantes ao início e ao final de cada período. b. Efetuar os cálculos utilizando o fator de capitalização, a calculadora HP 12C e a planilha Excel. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Um investidor irá resgatar em 30 de dezembro a quantia de R$ 16.000,00, como resultado de um depósito efetuado em 1º de janeiro do mesmo ano. Calcular o valor deste depósito, sabendo- se que a taxa nominal de juros da aplicação é de 6% a.a., com capitalização mensal. Considerar o mês comercial (30 dias). Usar a HP 12C, realizando o cálculo com e sem a utilização das teclas financeiras. ____________________________________________________ ____________________________________________________ 131 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Um título com data de resgate em 30/12/08 paga juros nominais (cupom) de 5% a.s. Ele foi negociado em 01/07/03 com deságio de 30%. Qual a rentabilidade ao ano do título na data de compra? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Portanto, toda vez que você se deparar com uma taxa de juro, deve indagar qual a periodicidade utilizada para calcular os juros. É como se toda a taxa de juro tivesse “um nome” (6% ao ano, 3,45% ao mês etc.) e “um sobrenome” (“com capitalização mensal” ou “com capitalização trimestral”, por exemplo). No nosso dia a dia encontramos várias situações em que as taxas não são expressas com essa transparência: “taxa com nome e sobrenome”. No caso de um investimento que fazemos ou um dinheiro que pegamos emprestado, devemos sempre perguntar, além do valor da taxa nominal, qual a periodicidade com que os juros são calculados. Se a periodicidade do cálculo de juros coincide com o prazo sob o qual a taxa nominal é expressa (6% a.a. nominal, com capitalização anual; 1% a.m. nominal, com capitalização mensal etc.), o resultado efetivo (a taxa efetiva) corresponde ao da taxa nominal. Se a periodicidade não coincidir, teremos resultados diferentes. Quando temos que resolver algum problema em uma prova, por exemplo, essa transparência também deve existir. Há vários problemas que são propostos de maneira errada, apresentando apenas a taxa de juro sem especificar se ela está expressa sob a forma nominal. Obs.: Vamos tratar da Taxa Efetiva mais adiante. Taxa de Juro Proporcional (Nominal) É a taxa de juro calculada a partir de uma taxa nominal e é empregada nas operações envolvendo juros simples. Duas taxas são consideradas proporcionais quando seus valores expressam uma razão entre seus respectivos períodos de 132 Administração Financeira e Matemática Financeira aplicação. Uma vez que a taxa proporcional representa uma fração ou um múltiplo de uma taxa nominal, a taxa proporcional é também uma taxa nominal. No quadro a seguir, a taxa de 2% associada ao período de 12 meses representa uma fração (ou submúltiplo) da taxa de 24%, associada ao período de um ano. Já a taxa de 18% associada ao período de um ano representa um múltiplo da taxa de 9% associada ao período de dois semestres. Taxa Período Taxa Período 24% 1 ano 9% 2 semestres 2% 12 meses 18% 1 ano O conceito de taxa proporcional é muito importante no cálculo financeiro, pois a conversão “taxa nominal em taxa efetiva” é feita através da taxa proporcional. O fator de capitalização “um mais a taxa de juro” é, na realidade, formado por “um mais a taxa de juro proporcional”. Atividade de Estudos: 1) Considere a seguinte situação: João aplicou $ 100,00 pelo prazo de um ano, à taxa de juro nominal de 12% ao ano, no regime de juros simples, sendo os juros calculados mensalmente. José aplicou a mesma quantia nas mesmas condições, com a exceção de que os juros são calculados anualmente. Qual a diferença entre o resultado das duas aplicações? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 133 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Atividades de Estudos: 1) Uma quantia qualquer foi aplicada, à taxa de juro nominal de 5% ao período, prazo (n) = 3 (períodos de capitalização) e incorporação cumulativa dos juros ao capital. Achar a taxa efetiva da operação. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________2) Calcule a taxa efetiva ao mês referente a uma aplicação de R$ 100,00, à taxa de juro nominal de 6% a.a. com capitalização mensal, no regime de juros compostos, por um ano. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Taxa de Juro Efetiva A taxa efetiva reflete efetivamente o que acontece com a atualização de uma soma em dinheiro. Considere um capital aplicado à taxa nominal de i % (i/100) por um prazo qualquer (n). a) Havendo capitalização em múltiplos desse prazo, com a incorporação cumulativa dos juros ao capital, a taxa efetiva (ou a transformação que efetivamente ocorrerá com o valor do capital) será igual a: [(1+ i/100)]n – 1] 134 Administração Financeira e Matemática Financeira 3) Que taxa de juro efetiva ao ano transforma 36 prestações mensais de $ 100,00 em 12 prestações trimestrais de $ 309,09 cada? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Uma soma aplicada por quatro meses a uma determinada taxa de juro produziu o montante de $ 850,85. Essa mesma soma, se diminuída dos juros ganhos, reduz-se a $ 549,15. Determinar o valor da soma aplicada e a taxa de juro mensal efetiva ganha na aplicação. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5) A rentabilidade efetiva de um investimento é de 10% a.a. Se os juros ganhos forem de $ 27.473,00 sobre um capital investido de $ 83.000,00, determinar o prazo da aplicação. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ b) Havendo capitalização em submúltiplos (p) desse período (n), a taxa efetiva (ou a transformação que efetivamente ocorrerá com o valor do capital) segue o processo apresentado no Quadro 5. 135 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Quadro 10 – Taxa efetiva por período Taxa Nominal Período de Capitalização Taxa Proporcional Taxa Efetiva Por período Submúltiplo Significado À nominal No período 6% ao ano Mensal 12 meses em 1 ano 0,06/12 = 0,005 a.m. [(1+0,005)12]-1 = 0,0617 5% ao sem. Trimestral 2 trim. em 1 sem. 0,05/2 = 0,025 a.t. [(1+0,025)2]-1 = 0,050625 Fonte: O autor. O Quadro 10 apresenta duas taxas nominais (6% a.a. e 5% a.s.). A informação importante, que completa o “nome” da taxa é o período de capitalização. Ele nos diz que a taxa de 6% a.a será aplicada sobre uma determinada quantia a cada período de mês, por 12 meses. Para que não capitalizemos a quantia por 12 meses à taxa de 6%, devemos fracionar a taxa de 6% por 12 (0,06/12) e criar o fator de capitalização para 12 períodos mensais. O mesmo raciocínio se aplica à taxa de 5% ao semestre. Atividades de Estudos: 1) Depositei $ 100,00 em uma conta que rende juros de 6% a.a. (nominal), o período de capitalização é anual e o prazo de aplicação é um ano. Quanto terei ao final do ano? Qual a taxa efetiva da operação? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) João aplicou $ 100,00 pelo prazo de um ano, à taxa de juro nominal de 12% ao ano, no regime de juros compostos, sendo os juros calculados mensalmente. José aplicou a mesma quantia nas mesmas condições, com a exceção de que os juros são calculados anualmente. Qual a 136 Administração Financeira e Matemática Financeira diferença entre o resultado das duas aplicações? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Depositei $ 100,00 em uma conta que rende juros de 6% a.a. (nominal), o período de capitalização é trimestral, o prazo de aplicação é um ano e os juros são cumulativamente incorporados ao capital. Quanto terei ao final do ano? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Taxas de Juro Equivalentes A equivalência entre taxas de juro pode ocorrer entre: a) Uma taxa nominal e sua correspondente proporcional: taxa período taxa período 24% 1 ano 9% 2 semestres 2% 12 meses 18% 1 ano b) Uma taxa nominal e sua correspondente efetiva: - No caso de períodos múltiplos Taxa Nominal i = 5% ou 5/100 (nominal) e n = 3 (capitalizações) Taxa Efetiva: [(1+ 0,05)]3 – 1] = (1 + 0,157625) – 1 = 0,157625 ou 15,7625% - No caso de períodos submúltiplos: 137 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Quadro 11 – Taxa nominal e efetiva Taxa Nominal Período de Capitalização Taxa Proporcional Taxa Efetiva Por período Submúltiplo Significado À nominal No período 6% a.a. Mensal 12 meses em 1 ano 0,06/12 = 0,005 a.m. [(1+0,005)12]-1 = 0,0617 5% a.s. Trimestral 2 trim. em 1 sem. 0,05/2 = 0,025 a.t. [(1+0,025)2]-1 = 0,050625 Fonte: O autor. c) Uma taxa efetiva e sua correspondente efetiva Duas ou mais taxas efetivas são equivalentes quando, sempre no regime de juros compostos, elas produzem resultados que se equivalem (não são iguais nem proporcionais) levando-se em conta os respectivos períodos em que estão expressas. Em todo problema que envolve cálculo financeiro deve haver a preocupação em se saber se a taxa de juro apresentada é nominal ou efetiva, com exceção da taxa de juro ao dia. Isto ocorre porque se uma taxa está referida ao período-dia, ela é sempre uma “taxa-piso”, pois não há período menor do que o dia. Quando a taxa de juro é uma “taxa-piso” ela é, ao mesmo tempo, nominal e efetiva. No caso da taxa estar referida “ao trimestre” ou “ao quadrimestre”, por exemplo, e se deseja saber taxa(s) efetiva(s) a ela equivalente(s), mas referidas a períodos superiores (semestre e ano, por exemplo), ela será considerada “taxa- piso”. No caso de desejarmos saber taxas a ela equivalentes, mas referidas a períodos inferiores (mês ou dia, por exemplo), elas passarão a ser “taxa-teto”, isto é, seu valor serve como o máximo a ser encontrado quando procedermos à capitalização. Assim, uma taxa efetiva de 9,54451%ao semestre equivale a uma taxa efetiva de 20% ao ano. Isso ocorre porque, no regime de juros compostos, uma quantia aplicada à taxa de juro de 9,54451% por dois períodos semestrais (isto é, um ano) valorizará 20%. Façamos os cálculos: Taxa Efetiva ao semestre: 9,54451% a.s. ou 0,0954451 ao semestre. Como o ano possui dois semestres, temos: (1+0,0954451)2 -1 = 0,20 ou 20% a.a. 138 Administração Financeira e Matemática Financeira Importante: a taxa-piso ao semestre é nominal e efetiva, pois o que se desejou foi saber a taxa efetiva a ela equivalente cujo período é um múltiplo (ano). Atividades de Estudos: 1) Encontre a taxa efetiva ao trimestre, equivalente à taxa efetiva de 30% a.a. _______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ ______________________________________________ Taxa de Juro Aparente (Nominal ou Efetiva) A “taxa aparente” corresponde à taxa de juro (nominal ou efetiva) acrescida do valor da inflação que ocorreu (ou que ocorrerá) no período em que o capital (des)valoriza. O termo “aparente” é utilizado para evitar-se o uso do termo “nominal”, empregado para expressar valores que trazem incorporada a inflação. O uso do termo “nominal” pode gerar confusão com a taxa de juro sob a forma nominal. Quando se diz que em um período de 12 meses a taxa aparente do rendimento de uma aplicação foi igual a 16%, se está alertando para o fato de que esta taxa traz embutida a inflação que ocorreu no mesmo período. 139 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Taxa de Juro Real (Nominal ou Efetiva) A taxa real é a taxa “pura”, sem a inflação observada durante o tempo em que o capital valoriza ou desvaloriza. Quando se diz que em um ano a taxa aparente foi igual à taxa nominal de 16% ao ano, e que a inflação no mesmo período foi de 6% ao ano, então a taxa real é: Taxa Real, considerando uma Taxa Aparente de 16% a.a. e uma inflação de 6% a.a. [(1 + 0,16) / (1 + 0,06)] – 1 = 0,09434 ou 9,434% ao ano Podemos concluir, portanto, que em uma economia na qual a inflação é zero, as taxas de juro aparente e real são iguais. Atividade de Estudos: 1) Comprei um título por $ 100 e o vendi por $ 116 um ano depois. Com inflação de 5,5% no período, o ganho real obtido foi: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Uma ação que pagará dividendo de $ 0,80 daqui a um mês está cotada hoje a $ 4,00. Se ela for vendida na data do pagamento do dividendo pelo preço atual, inexistindo inflação, calcular o retorno mensal esperado. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 140 Administração Financeira e Matemática Financeira 3) A assinatura anual de uma revista (12 exemplares) custa $ 600. O preço atual de cada exemplar nas bancas é de $ 50, subindo de acordo com a inflação. Fazendo a assinatura, há um brinde de 5 números atrasados. Se o dinheiro pode ser aplicado a 1% a/m (aparente), por quanto está sendo vendido cada número atrasado? Inflação prevista para 12 meses: 0,5 % a/m. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Comprei uma ação em 01/01 por R$ 5,00. Recebi de dividendos R$ 0,11 em 30/03 e R$ 0,18 em 30/06 e espero receber R$ 0,25 em 30/09 e R$ 0,33 em 30/12. Por quanto devo vender a ação em 30/12 para obter uma rentabilidade de 14% ao ano (efetiva)? Considerar mês comercial. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5) Em uma empresa de vendas a varejo os preços de compra e de venda (ambos à vista) de um produto são, respectivamente, 1350 e 1750. Os impostos totalizam 20% calculados sobre o preço de venda e devem ser pagos 30 dias após. O prazo médio de estocagem das mercadorias para venda é de 3 meses e a taxa de juro (custo de oportunidade), ao mês, é de 3%. Com base nessas informações, calcular o resultado líquido da operação. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 141 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 6) Comprei uma casa pagando 25 mil de entrada e prestações trimestrais de 1.200, por 10 anos, a juros nominais de 6% a.a., com capitalização trimestral. Qual o valor da casa à vista? Considerar os pagamentos como efetuados ao início de cada período. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 7) Um lote de terra está à venda por $ 2.500, sendo $ 500 de entrada e 4 parcelas mensais iguais e consecutivas também de $ 500. Após algumas negociações, o vendedor reduziu o preço (somente para o pagamento à vista) para $ 2.250. Qual a taxa de juro que está sendo utilizada no financiamento? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 8) Comprei um imóvel, pagando $ 30 mil de entrada e financiando o resto em 36 prestações de $ 2.657,14, sendo os pagamentos realizados ao final de cada período. Após o pagamento da 10ª prestação, vendi o imóvel, aplicando o índice de inflação observada no período, por R$ 115 mil. O comprador me pagou parte à vista e assumiu o meu saldo devedor, devendo pagar as 26 prestações restantes, de acordo com o cronograma do contrato original. Entretanto, como houve modificações nas condições financeiras do mercado, a taxa nominal de juros cobrada do comprador passou a ser de 1,5% a.m. 142 Administração Financeira e Matemática Financeira Entre a data da minha aquisição e da venda ao comprador a inflaçãomédia mensal foi de 0,4454634%. Qual o valor da prestação paga pelo comprador que adquiriu o meu imóvel? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 9) Um equipamento que custa $ 15.000 será pago em oito prestações mensais postecipadas, a saber: as três primeiras de $ 2.000, as três seguintes de $ 800, a sétima de $ 3.000 e a oitava de $ 5.000. Determinar a taxa de juro efetiva cobrada no financiamento. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 10) Um empréstimo tomado hoje será reembolsado em 12 prestações mensais de $ 2.443,80 cada, a primeira para 30 dias. Se os juros a serem pagos durante o período totalizam $ 5.000, determinar a taxa de juro contratada. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 143 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 Taxa de Juro Over (Nominal Mensal) É a taxa nominal mensal equivalente a um fator diário, obtido descapitalizando- se uma taxa efetiva pelo número de dias úteis (ou saques) compreendidos no período a que ela se refere. O cálculo é semelhante ao das taxas nominais, com a ressalva de que o denominador é sempre igual a 30 (dias). Com isso obtemos uma taxa efetiva diária de juro que se capitalizará somente em dias úteis. Exemplo: Para uma Taxa Over (nominal) de 2% a.m., teremos uma taxa diária (nominal) de: (0,02 / 30) = 0,000667 ou 0,0667% a.d. Não há nenhuma taxa de juro cuja expressão seja inferior ao dia. Portanto, essa taxa ao dia (0,0667%) é, ao mesmo tempo, uma taxa nominal e uma taxa efetiva (ela é a taxa-piso). Suponha que no período a que se refere a Taxa Over de 2% a.m. existam 23 dias úteis. Então a taxa efetiva obtida no período de 23 dias úteis será: [(1 + 0,000667)23 ] - 1 = 0,015446 ou 1,5446 % a.m. Atividades de Estudos: 1) Um investidor compra um título por R$ 100.000,00, com resgate após 23 dias úteis. Quais serão os valores de resgate bruto e líquido, admitindo-se que a taxa over estimada nos primeiros dez dias úteis é de 2,20% a.m. e, nos restantes, é de 2,25% a.m.? A alíquota do imposto que incide sobre o rendimento, após o seu recebimento, é de 15%. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 144 Administração Financeira e Matemática Financeira 2) Para um período de 35 dias corridos (26 dias úteis), o mercado está sinalizando HOJE uma taxa efetiva ao mês de 0,9684%. Calcular a taxa over (TOV) mensal correspondente: ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Apliquei $ 100 mil por 31 dias corridos (23 dias úteis) e obtive o resultado final de $ 101.830,33. Qual a TOV? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Apliquei $ 1.000,00 e recebi $ 1.053,65, a uma TOV de 1,0052%. Qual o número de dias úteis dessa operação? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Taxa Interna de Retorno (Efetiva) - TIR É a taxa de juro que anula um fluxo financeiro descontado ou é a taxa que exprime a capacidade de um projeto econômico qualquer "se pagar". No exemplo, a soma algébrica dos valores (positivos e negativos) da linha Fluxo Nominal é igual a 10, isto é, (-100 + 20 + 20 + 30 + 40 = 10). Já a soma algébrica da última linha (Fluxo Descontado) é igual a zero (-100 + 19,33 + 18,68 + 27,08 + 34,90). Os valores da última linha são obtidos descontando-se cada um dos valores da linha “Fluxo Nominal” à taxa de 3,4664% por período. Por exemplo, o valor 145 Tipos e Formas de Expressão de Taxas de Juro Capítulo 6 27,08 é obtido dividindo-se 30,00 por (1+0,034664)3, isto é, o fator de desconto 1,034664 elevado ao cubo. Já o valor 34,90 é obtido dividindo-se 40 por (1+ 0,034664)4, isto é, o fator de desconto 1,034664 elevado à quarta potência. Quadro 12 - TIR Fonte: O autor. Algumas Considerações Neste capítulo vimos que o conceito de taxa de juros se refere à remuneração paga pela utilização de uma determinada quantia por um determinado período de tempo. Vimos, porém, que as taxas de juro recebem diversos nomes, dependendo do tipo de situação em que elas são empregadas nas operações financeiras. Referências FUNENSEG. Diretoria de Ensino e Produtos. Fundamentos de Matemática Financeira. Assessoria Técnica: Nelson Chalfun Homsy. 6. ed. Rio de janeiro: FUNENSEG, 2007. 146 Administração Financeira e Matemática Financeira CAPÍTULO 7 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Compreender o processo de recuperação de investimento, de acordo com o critério de equivalência do valor no tempo. � Elaborar tabelas de amortização, explicitando os valores de saldo devedor inicial, prestação, juro, amortização e saldo ao final de cada período. Nelson Chalfun Homsy 148 Administração Financeira e Matemática Financeira 149 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 Contextualização Você acabou de comprar uma nova casa e o preço de uma habitação é geralmente o maior valor que, individualmente, você irá despender. Entretanto, a aquisição é financiada em prazos longos, tais como dez, 20 ou 30 anos. E em geral, os empréstimos pessoais envolvem o pagamento de prestações mensais, o que significa o pagamento de 120, 240 ou 360 prestações mensais, período no qual o imóvel é dado como garantia do próprio empréstimo, a chamada hipoteca. Os pagamentos mensais que você fizer incluem uma parcela, denominada amortização (ou devolução do principal e uma parcela paga a título de juro sobre o saldo que ainda resta a pagar). Como o saldo a pagar vai reduzindo ao longo do tempo, a parcela correspondente ao juro é declinante. O financiamento imobiliário é apenas um dos vários tipos de financiamento, que envolvem a aquisição de automóveis, máquinas, equipamentos e indústrias. Os Diversos Tipos de Planos de Financiamento Planos de financiamento, de pagamento ou amortização de empréstimos, envolvem o pagamento de parcelas de juros sobre o saldo devedor e o pagamento das parcelas de amortização, ou de devolução do principalao emprestador. A soma dessas duas parcelas é igual ao valor da prestação. Prestação = Amortização + Juro O plano de financiamento mais comum segue as regras do Sistema de Prestações Constantes, ou Price, no qual o valor dos juros decresce, enquanto o valor da amortização aumenta. O plano de amortização é calculado de maneira a produzir pagamentos constantes em cada período (daí o nome Sistema de Prestações Constantes). Este sistema é utilizado no financiamento a pessoas físicas e jurídicas, para as operações de crédito de longo e curto prazo (capital de giro, crédito direto ao consumidor etc.). Utilizamos as tabelas de amortização para apresentar a evolução dos planos de financiamento de empréstimos. As tabelas de amortização incluem os valores do saldo devedor, das prestações, dos juros e das amortizações. 150 Administração Financeira e Matemática Financeira A prestação (mensal, trimestral, semestral etc.) é considerada como um caso típico de pagamento periódico e de valor constante no tempo. O valor da prestação deve ser tal que, ao final do prazo de pagamento, o saldo devedor seja igual a zero. Estamos, então, tratando de uma situação na qual a soma dos valores das prestações descontadas equivale ao valor do empréstimo. O valor do empréstimo concedido pelo emprestador é considerado como uma saída de recursos (com o sinal negativo) e o pagamento das prestações como as entradas (ou receitas), que recebem o sinal positivo. É por essa razão que ao digitarmos o VP na HP 12C ou na função do Excel, o fazemos com o sinal negativo. Caso contrário, devemos digitar o valor da prestação com o sinal positivo. Assim, para determinarmos o valor da prestação devemos calcular o valor atual de um fluxo futuro de recebimentos iguais e periódicos que seja exatamente igual ao valor do empréstimo efetuado. A taxa de juro empregada na Tabela Price é a TIR do fluxo, pois é a taxa que faz com que a soma algébrica do valor atual das parcelas seja igual a zero. O exemplo a seguir ilustra o Plano de Financiamento ou de Amortização de Empréstimo segundo o Sistema de Prestações Constantes, conhecido como Tabela Price ou Crédito Direto ao Consumidor (CDC). As condições do empréstimo são: Utilizando a fórmula de cálculo da prestação, temos: VP post = A post x [1 - (1+i)-n ] / i >> A post = VP post / [1 - (1+i)-n ] / i A post = 14000/((1-(1/(1,1)5))/0,1) = 3.693,16 Uma vez encontrado o valor da prestação, siga as seguintes etapas: 1. Complete as cinco linhas da coluna Prestação com o valor encontrado ($ 3.693,16). 2. Lance o valor do empréstimo na primeira linha da coluna Saldo Devedor. 3. Multiplique o valor do saldo devedor pela taxa de juro (10%) e lance o valor na primeira linha da coluna Juro. 151 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 4. Subtraia do valor da prestação o valor do juro e lance-o na coluna Amortização. 5. Subtraia do valor do Saldo Devedor o valor da Amortização e lance o novo valor do Saldo Devedor na segunda linha (14.000,00 – 2.293,16 = 11.706,84). 6. Repita as operações efetuadas nas etapas 3, 4 e 5 até completar a tabela. Observe que os valores do Saldo Devedor e de Amortização da quinta linha são iguais a $ 3.357,42 (valores assinalados). Isto significa que o Saldo Devedor será zerado quando do pagamento desta última Amortização. Quadro 13 – Saldo devedor x Amortização Fonte: O autor. Observe, ainda, que a variação do valor da amortização entre dois pagamentos consecutivos (última coluna) é igual ao fator referente à taxa de juro por período (1+10% ou 1,10). Assim, sabendo-se o valor de qualquer parcela de amortização, podemos calcular qualquer outro valor (anterior ou posterior) de amortização deste financiamento. Por exemplo, sabendo-se o valor da quarta parcela de amortização ($ 3.052,20), podemos calcular o valor da segunda parcela de amortização (3.052,20 / 1,102 = 2.522,48). Atividades de Estudos: 1) Em um financiamento pelo sistema Price (Sistema de Prestações Constantes), com prazo de 36 meses, os valores da 21ª e 22ª amortizações são 180,62 e 186,04, respectivamente. Qual o valor do financiamento? (Obs.: desprezar os centavos na resposta). ____________________________________________________ ____________________________________________________ 152 Administração Financeira e Matemática Financeira ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Uma pessoa pode comprar à vista por $ 17.000,00 ou a prazo pagando 20 prestações trimestrais postecipadas de $ 3.000,00 cada, pelo Sistema Price. Se a pessoa pode aplicar seus recursos ganhando uma taxa efetiva de 6% a.m., qual é a melhor alternativa: comprar à vista ou a prazo? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Uma pessoa quer efetuar oito depósitos mensais numa conta que paga juros de 1% a.m., para retirar 18 parcelas mensais de $ 1.500,00, fazendo a primeira retirada um mês após o último depósito. Quanto deverá depositar mensalmente, a fim de que após o último resgate de $ 1.500,00 a conta apresente saldo zero? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 4) Elaborar uma tabela de amortização de um financiamento pelo Sistema de Prestações Constantes (Price), apresentando as colunas com os valores de prestação, amortização e juros. Considerar o empréstimo com as seguintes condições: VP = 14.000,00, n =10 meses, prestações mensais postecipadas, i = 9,6% a.a. nominal ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 5) Elaborar uma tabela de amortização de um financiamento pelo Sistema de Amortizações Constantes (SAC), apresentando as colunas com os valores de prestação, amortização e juros. 153 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 Considerar o empréstimo com as seguintes condições: VP = 14.000,00, n =10 meses, prestações mensais postecipadas, i = 9,6% a.a. nominal ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 6) Elaborar a tabela de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Considerar um período de carência de dois anos, no qual o devedor paga somente os juros. Utilizar o Sistema de Amortizações Constantes – SAC. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 7) No exercício anterior, a taxa de juro do financiamento é de 1% a.a. Como podemos garantir que a taxa de 1% a.a. foi realmente respeitada, tendo em vista a não observância do número de prestações previamente estabelecido e a existência do pagamento apenas dos juros durante a carência? ____________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 8) Elaborar a tabela de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Considerar um período de dois anos de carência total (sem pagamento de amortizações e juros). Utilizar o Sistema de Amortizações Constantes – SAC. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 154 Administração Financeira e Matemática Financeira 9) Elaborar a tabela de amortização de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Considerar um período de dois anos de carência total (sem pagamento de amortizações e juros). Após esse período, o devedor solicitará a reforma do empréstimo. Utilizar o Sistema de Amortizações Constantes – SAC. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 10) Elaborar a tabela de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Utilizar o Sistema de Prestações Constantes – Price. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 11) Elaborar a tabela de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Considerar um período de carência de dois anos, no qual o devedor paga somente os juros. Utilizar o Sistema de Prestações Constantes – Price. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 12) Elaborar a tabela de um financiamento de 100 mil reais, com juros de 1% ao ano, e prazo de cinco anos, explicitando os valores de juros, amortizações, prestações e evolução do saldo devedor anuais. Considerar um período de dois anos de carência total (sem pagamento de amortizações e juros). Após esse período, o devedor solicita a reforma do empréstimo. Utilizar o Sistema de Prestações Constantes – Price. 155 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 13) Uma financeira informou às lojas de eletrodomésticos que os financiamentos pelo CDC (Sistema Price) não poderiam ter prestações superiores a 30% do preço à vista. Se o custo real do dinheiro para CDC é de 1% a/m, qual o maior prazo possível de financiamento? A inflação prevista é de 0,5% a/m. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ O Plano de Financiamento e a Taxa Interna de Retorno (TIR) Vamos agora calcular a TIR do fluxo de prestações da tabela de financiamento anterior utilizando a planilha eletrônica Excel. Observe que o valor da TIR é 10%, isto é, a taxa que anula a série descontada de prestações. 156 Administração Financeira e Matemática Financeira Figura 4 – Cálculo da TIR do fluxo de prestações de uma tabela de financiamento utilizando a planilha eletrônica Excel Fonte: O autor. Obs.: Para o cálculo da TIR, utilize a opção TIR do menu “funções financeiras” da planilha Excel. Marque os valores constantes da coluna C (C4:C9) e pressione a tecla ENTER na célula C10. Cálculo do Valor da Prestação Conforme o Conceito de Descapitalização de uma Série de Valores no Tempo Podemos também calcular o valor da prestação aplicando o conceito de descapitalização de uma série de valores no tempo. Vimos que o valor da prestação deve ser tal que, ao final do prazo de pagamento, o saldo devedor seja igual a zero, isto é, seja totalmente amortizado. Repetindo os dados do exercício: 157 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 Esquematicamente, temos: 14.000 = p 1 / (1+0,10)1 + p 2 / (1+0,10)2 + p 3 / (1+0,10)3 + p 4 / (1+0,10)4 + p 5 / (1+0,10)5 Ou seja, a soma dos termos do lado direito da igualdade, divididos pelo fator (“um” mais a taxa de juro) elevado ao respectivo expoente da série, deve ser igual a 14.000. Já que p 1 = p 2 = ... = p 5 , isto é, o valor da prestação é constante, podemos colocar “p” em evidência e reescrever a equação acima da seguinte maneira: 14.000 = p x [1 / (1,10)1 + 1 / (1,10)2 + 1 / (1,10)3 + 1 / (1,10)4 + 1 / (1,10)5] p (prestação) = 14.000 / [1 / (1,10)1 + 1 / (1,10)2 + 1 / (1,10)3 + 1 / (1,10)4 + 1 / (1,10)5] Os valores entre colchetes caracterizam uma Progressão Geométrica de razão 1 / 1,10, com cinco termos. Podemos então calcular a soma desta PG. p (prestação) = 14.000 / 3,79079 = 3.693,16 Cálculo do Valor do Saldo Devedor O saldo devedor inicial é igual ao valor do empréstimo. O saldo devedor subsequente é obtido subtraindo-se do saldo devedor inicial o valor da primeira parcela de amortização e, assim, sucessivamente. 158 Administração Financeira e Matemática Financeira Cálculo do Valor do Juro O juro é calculado aplicando-se a taxa de juro sempre sobre o saldo devedor. Conforme verificado, o valor do juro lançado na primeira linha é 1.400, igual a 10% sobre o valor do primeiro saldo devedor (no caso, o valor do empréstimo = 14.000). A segunda parcela de juro é igual a 10% aplicados sobre 11.706,84 e, assim, sucessivamente. Cálculo do Valor da Amortização A amortização é obtida pela diferença entre o valor da prestação e o valor do juro, pois: Prestação = Amortização + Juro Devemos nos lembrar de que apenas o valor da prestação é constante, enquanto que a amortização e o juro variam. A amortização representa a parcela do capital que está sendo devolvida ao emprestador (amortecida do capital, usando um sentido figurado). Por essa razão ela é abatida do valor do saldo devedor a cada período. O valor do juro é calculado pela aplicação da taxa de juro sobre o saldo devedor (que vai diminuindo por força das deduções das amortizações). No nosso caso, temos: - Prestação = 3.693,16 - Valor da primeira parcela de juro = 1.400,00. - Valor da primeira parcela de amortização = 2.293,16 (3.693,16 – 1.400,00) A determinação dos valores de amortização pode ser obtida a partir do valor da primeira parcela, multiplicando-a por (1 + taxa)k-1, sendo k o número de ordem da amortização que se deseja determinar. No nosso exemplo, o valor da parcela de amortização referente à quinta prestação é igual a: - Valor da primeira parcela de amortização: 2.293,16 - Valor da quinta parcela de amortização: 2.293,16 x (1,10)5-1 = 3.357,42 O valor da amortização é o valor da prestação descontada. 159 Planosde Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 Quando um financiamento é realizado, o credor espera que o devedor pague os juros sobre o VP que lhe é emprestado, de acordo com uma taxa de juro, período de cálculo de juros, periodicidade dos pagamentos (diários, mensais, trimestrais etc.) e prazo previamente combinados. Se o contrato não estabelece uma periodicidade no pagamento dos valores ao credor, o devedor pode pagar os juros e amortizar o financiamento conforme a sua conveniência. A maior parte dos financiamentos, entretanto, estabelece regras de pagamento das prestações de forma periódica. Os financiamentos se enquadram no conceito de Anuidade (ver item CAPITALIZAÇÃO DE UM VALOR E DE UMA SÉRIE DE VALORES NO TEMPO, deste capítulo). Figura 5 – Saldo devedor x Amortização Fonte: O autor. A tabela anterior recupera os dados da tabela de financiamento já apresentada, na qual calculamos o valor das amortizações subtraindo os juros do valor das prestações, pois Prestação = Amortização + Juros. Nesta tabela estamos calculando o valor das mesmas amortizações de maneira diferente. Estamos aplicando o esquema usado no item CAPITALIZAÇÃO DE UM VALOR E DE UMA SÉRIE DE VALORES NO TEMPO nº 4. Estamos dividindo cada uma das prestações (seus valores se repetem) pelo fator de desconto (1,10), cada um deles com o expoente correspondente à “linha Período”. Portanto, temos (assinalado na tabela): 3.693,16/1,101 = 3.357,42; 3.693,16/1,102 = 3.052,20; etc. Esses valores são os mesmos da tabela anterior, mas estão na ordem inversa. Na outra tabela os juros são maiores ao início e as amortizações são menores. As diferenças estão na maneira de se contabilizar os valores. Os juros são receita financeira e as amortizações são receitas de capital. 160 Administração Financeira e Matemática Financeira Sob a perspectiva de um banqueiro, ele estaria recebendo uma receita financeira maior no curto prazo e a recomposição do seu capital seria mais lenta. Para um empresário a expectativa é a de que ele recupere o seu capital mais rápido, para reinvestir. Repare que a soma das amortizações é igual ao VP. Surge aqui outro conceito importante no cálculo financeiro: o VPL, ou Valor Presente Líquido. Ele significa que se somarmos o valor do financiamento (com o sinal negativo) e os valores descontados das prestações, em termos líquidos, teremos ZERO! Vejamos: -14000+ 3.357,42 + 3.052,20 + 2.774,73 + 2.522,48 + 2.293,16 = ZERO Revendo o item TAXA INTERNA DE RETORNO (EFETIVA) – TIR podemos concluir que uma tabela de financiamento é semelhante ao esquema de recuperação de um investimento, de acordo com o critério da TIR. Atividades de Estudos: 1) Um inquilino resolve antecipar, de uma só vez, o pagamento de dez aluguéis mensais de R$ 400,00, ao assinar o contrato. Calcular o valor desse pagamento total, sabendo-se que a taxa de juro é igual a 1% a.m. (um por cento ao mês) e que o pagamento dos aluguéis iria ocorrer ao final de cada mês. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Um funcionário, prevendo sua aposentadoria, resolve efetuar nos próximos dois anos depósitos mensais iguais em um fundo de pecúlio, sendo o primeiro depósito efetuado ao término do primeiro mês. A totalidade do capital acumulado será resgatada por meio de dez retiradas semestrais de $ 80.000, ocorrendo a primeira dois anos após o último depósito. Considerando um 161 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 rendimento efetivo do fundo de 4% a.m., determinar o valor dos depósitos mensais $ 3.446,34. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Operações de Leasing Ou Arrendamento Mercantil A operação de leasing é um caso particular da operação normal de financiamento. A diferença é que em uma operação normal de financiamento não há resíduo após o pagamento da última prestação. O tratamento financeiro que se dá às operações de leasing é o de calcular o valor atual do resíduo (trazê-lo para a data inicial) e subtraí-lo do valor do financiamento. De maneira geral, uma operação de leasing ou arrendamento de natureza mercantil (não financeira), congrega três agentes: 1) o fabricante do bem de consumo ou de capital, 2) o usuário do bem e 3) a instituição financeira que compra o bem do fabricante e o aluga ao usuário. Do ponto de vista da análise financeira, as variáveis envolvidas em uma operação de leasing estão registradas em contrato e compreendem: 1) o valor do bem, 2) o valor residual do bem (que é a estimativa do valor futuro de mercado do bem ao término do contrato de arrendamento), 3) o número de prestações que o usuário se compromete a pagar ao banco, 4) o valor da prestação e 5) a taxa de juro. Exemplo: Um empresário efetuou um leasing de uma laminadora por cinco meses. O valor do equipamento é $ 100.000,00 e o valor residual é $ 1.000,00. Calcular o valor da prestação mensal, sabendo-se que a taxa de juro da operação é de 2,5% a.m. Resolver a questão desenvolvendo uma tabela que evidencie a amortização do financiamento. 162 Administração Financeira e Matemática Financeira Valor do equipamento 100.000,00 Valor residual 1.000,00 Taxa de juro (a.m.) 2,50% Período (meses) 5 Solução: Constrói-se a tabela de amortização como se o empréstimo fosse de $ 100.000,00. Abate-se deste o Valor Presente do valor residual do equipamento e tem-se o valor da prestação do leasing. Cálculo do Valor Presente do valor residual do equipamento 1.000 x (1/(1+0.025) 5) = $ 883,85 Cálculo da Prestação a) Determinação do Valor do Empréstimo, abatendo-se o Valor Presente do valor residual do equipamento. 100.000,00 - 883,85 = 99.116,15 b) Cálculo da Prestação n =5; a 1 = q = 1 / (1.025); Empréstimo = 99.116,15 Prestação = 99.116,15 / 4,6458285 = 21.334,44 163 Planos de Financiamento e Tabelas de Amortização Capítulo 7 Algumas Considerações A concessão de empréstimos para o consumo e para o investimento é instrumento importante para a geração do crescimento econômico e para o atendimento das necessidades de cidadãos, empresas e governos. A flexibilidade das operações de financiamento no que respeita ao pagamento dos empréstimos em prazos e condições diferenciados facilita a possibilidade da realização de um elevado número de operações de financiamento. As tabelas de amortização de financiamentos em prestações constantes e em amortizações constantes apresentam a desagregação do calendário de pagamentos da primeira à última prestação. Elas detalham o valor das parcelas de capital e dos juros pagos e do saldo devedor a cada período. A tabela de amortização é um dos mais importantes instrumentos para o acompanhamento dos contratos de financiamento. Referências FUNENSEG. Diretoria de Ensino e Produtos. Fundamentos de Matemática Financeira. Assessoria Técnica: Nelson Chalfun Homsy. 6. ed. Rio de janeiro: FUNENSEG, 2007.de dotar a Administração Pública brasileira de instrumentos que possam medir o seu desempenho nos âmbitos da economicidade, eficácia, eficiência e efetividade no trato e gestão dos recursos públicos postos à sua disposição. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Operações Paralelas à Execução Orçamentária Durante o exercício, a administração do ente governamental realiza certas operações de caráter financeiro, às vezes para suprir o caixa de recursos financeiros para efetuar pagamentos de obrigações, como as chamadas operações de crédito por antecipação da receita orçamentária, conhecidas como ARO, ou para atender as aquisições de bens de capital às quais se vinculam por lei. 20 Administração Financeira e Matemática Financeira Outras vezes, entretanto, a Administração Financeira é obrigada a realizar operações de recebimentos e de pagamento, também de caráter financeiro, para atender como garantias a certas situações originárias de contratos de obras, serviços e outros, ou para cumprir mandamentos legais, como as contribuições previdenciárias dos servidores públicos. Funções da Administração Financeira A Administração Financeira governamental, mediante essas ações administrativas, visa: a) À efetivação das receitas esperadas, mediante a execução das atividades próprias geradoras de receitas e daquelas que se originam dos seus relacionamentos jurídicos com outras entidades de natureza privada e pública. b) À conversão dos direitos, mediante a cobrança dos débitos dos contribuintes ou dos usuários dos serviços postos à sua disposição, inscritos na Dívida Ativa Tributária e Não Tributária. c) À obtenção de recursos financeiros, ainda que eventuais, mediante empréstimos e/ou financiamentos, ou por alienação de bens e direitos integrantes do patrimônio público. d) À extinção de obrigações de natureza financeira, mediante pagamentos em dinheiro, e outras modalidades permitidas em lei, tais como dação em pagamento, permutas e compensações tributárias. e) Às aquisições de bens e serviços e de outros recursos para emprego nas atividades governamentais planejadas e programadas, com vistas à produção de bens e serviços, mediante a institucionalização, expansão ou aperfeiçoamento das atividades governamentais. f) Ao recebimento e devolução de valores pertencentes a terceiros, sobre os quais a entidade, como fiel depositária, tem responsabilidade pela guarda e custódia. As Responsabilidades do Gestor Financeiro Em 4 de maio de 2000 foi promulgada a Lei Complementar nº 101, cujo art. 1º dispõe sobre o seu objetivo, qual seja, o de estabelecer normas de Durante o exercício, a administração do ente governamental realiza certas operações de caráter financeiro, às vezes para suprir o caixa de recursos financeiros para efetuar pagamentos de obrigações, como as chamadas operações de crédito por antecipação da receita orçamentária, conhecidas como ARO, ou para atender as aquisições de bens de capital às quais se vinculam por lei. 21 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 responsabilidade fiscal para os gestores governamentais de todas as esferas governamentais, União, Estados, Municípios, Distrito Federal, bem como dos gestores das entidades jurídicas descentralizadas de direito público e privado, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição da República. O parágrafo 1º do mencionado art. 1º dispõe que a responsabilidade na gestão fiscal pressupõe ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e se corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange à renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidadas e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em restos a pagar. Evidentemente, a Lei Complementar nº 101/2000, mais conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, dispõe de uma forma explícita que os entes federativos devem organizar o seu sistema de controle interno, a fim de que as suas mencionadas determinações sejam cumpridas de tal maneira, que as respectivas prestações de contas, conforme o disposto no parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal, as evidenciem. O texto que ora se transcreve a seguir diz muito sobre responsabilidade dos gestores governamentais, diante do que dispõe a Lei de Reponsabilidade Fiscal. Vejamos: Ora, a Lei de Responsabilidade Fiscal traz regras específicas sobre o gerenciamento dos recursos fiscais. Logo, o gestor deverá pautar a sua ação rigorosamente dentro dos preceitos estabelecidos no texto. Pode-se, por exemplo encontrar o administrador tentando burlar a lei no que diz respeito aos limites com despesa total de pessoal. Simulando enxugamento da estrutura operacional humana, reduz o número de servidores e empregados públicos. Depois, terceiriza a mão de obra. Contrata empresa, repondo o pessoal por via transversa. Agindo desta forma, estará atuando dentro de um fim que lhe é defeso (MOTTA, 2000, p. 246-247). E prossegue: Podem ser citados outros exemplos: • Utilizar disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social em empréstimos aos segurados ou ao Poder Público, aqui incluindo empresas sob o seu controle. • Criar ação governamental, que implique em aumento de receita, sem estimativa do impacto orçamentário-financeiro e sem declaração do ordenador de despesa, no sentido de que A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe ação planejada e transparente. 22 Administração Financeira e Matemática Financeira a medida é compatível com o orçamento anual, com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias. • Realizar operação de crédito por antecipação da receita no último ano de mandato (MOTTA, 2000, p. 247). Verifica-se, pois, desta maneira, que a responsabilidade do gestor financeiro é mais pesada que a dos demais, pois tem sob a sua guarda e custódia os recursos para pagamento das obrigações assumidas, daí a necessidade de observar o planejamento financeiro, que deve ser organizado previamente. A Lei 4.320/1964, conforme se observa nos seus art. 58 a 60 e respectivos §§ e incisos, também abre espaço para destacar as responsabilidades do gestor financeiro. Os Instrumentos de Administração Financeira Podem ser considerados instrumentos de Administração Financeira o Plano Plurianual, as Diretrizes Orçamentárias, o Orçamento Anual, a Contabilidade, o Cronograma de Desembolso, a Programação Financeira das Despesas, a Avaliação do Desempenho Governamental e a Auditoria, sobre os quais falaremos a seguir. a) Plano Plurianual A adoção e manutenção do Plano Plurianual é da mais alta importância, posto que tem por objetivo dar continuidade à Administração do ente federativo, devendo inclusive refletir o plano de governo daquele que fora eleito Presidente da República, Governador de Estado e Prefeito Municipal. Conforme dispõe o art. 165, § 1º, da Constituição Federal, o Plano Plurianual, em princípio, estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da Administração para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Observe que no Plano Plurianual devem constar recursos para as despesas de capital de execução plurianual, entendendo-se como tais toda e qualquer aplicação que custeie as atividades governamentais eda qual se esperam benefícios de natureza financeira, social e econômica. A responsabilidade do gestor financeiro é mais pesada que a dos demais, pois tem sob a sua guarda e custódia os recursos para pagamento das obrigações assumidas, daí a necessidade de observar o planejamento financeiro, que deve ser organizado previamente. 23 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 Assim, no Plano Plurianual devem constar, portanto, os recursos necessários para os investimentos a serem realizados pela Administração governamental centralizada e/ou descentralizada, esta por intermédio das suas autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista. O Plano Plurianual, elaborado com base nas normas constitucionais, deverá prever, portanto, recursos para a manutenção e funcionamento desses investimentos, bem como será renovado anualmente a fim de manter a continuidade das projeções. b) Diretrizes Orçamentárias As Diretrizes Orçamentárias que integram o planejamento governamental fazem a ligação do Plano Plurianual com o Orçamento Anual. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, de acordo com o que dispõe o art. 165, § 2º da Constituição Federal, possui o seguinte conteúdo: • Compreenderá metas e prioridades da Administração, o que inclui as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente. As metas poderão ser de natureza financeira, social e econômica, e as prioridades aquelas já implantadas e implementadas, as quais podem ser classificadas como obrigatórias, tais como a saúde, a educação, a segurança pública, a defesa nacional e outras. • Orientará a elaboração do orçamento, na qual se destacará a metodologia de projeção de receitas e de despesas a serem realizadas no exercício para o qual se elabora o orçamento anual, bem como mostrará como deverão atuar integradamente todos os setores da Administração, sejam órgãos centralizados, sejam aquelas entidades jurídicas descentralizadas. • Disporá sobre a legislação tributária, indicando as providências da administração que digam respeito às alterações tributárias e que produzirão efeitos nas projeções das receitas de tal natureza na estrutura da lei orçamentária e por extensão nas respectivas arrecadações. • Disporá também sobre regras sobre as despesas com pessoal, conforme dispõe o art. 169 da Constituição Federal. • Estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. As Diretrizes Orçamentárias que integram o planejamento governamental fazem a ligação do Plano Plurianual com o Orçamento Anual. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, de acordo com o que dispõe o art. 165, § 2º da Constituição Federal 24 Administração Financeira e Matemática Financeira As diretrizes constitucionais foram ampliadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme se verifica pelos seus arts. 4º e 5º, e respectivos §§ e incisos. c) Orçamento Anual A elaboração do orçamento se inicia com a proposta orçamentária, cujo conteúdo é estabelecido no art. 22 e incisos respectivos da Lei nº 4.320/1964, observando, entretanto, os prazos estabelecidos nas Constituições Federal e Estaduais e nas Leis Orgânicas Municipais, enquanto a Lei que estabelecerá regras de Direito Financeiro, em tramitação no Congresso Nacional, não for aprovada. Eis o conteúdo da proposta orçamentária: • Mensagem, que conterá exposição circunstanciada da situação econômico-financeira, documentada com demonstração da dívida fundada (consolidada) e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a pagar e outros compromissos financeiros exigíveis; exposição e justificação da política econômico-financeira do Governo; justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento de capital. • Projeto de lei do orçamento. • Tabelas explicativas, das quais, além das estimativas de receita e despesa, constarão, em colunas distintas, para comparação: o Receita arrecadada nos três últimos exercícios anteriores àquele em que se elaborou o orçamento. o Receita prevista para o exercício em que se elabora a proposta. o Receita prevista para o exercício a que se refere a proposta. o Despesa realizada no exercício imediatamente anterior. o Despesa fixada para o exercício em que se elabora a proposta. o Despesa prevista para o exercício a que se refere a proposta. • Especificação dos programas especiais de trabalho, custeados por dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas em termos de custo das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas da justificação econômica, financeira, social e administrativa. O parágrafo único do mencionado art. 22, da Lei 4.320/1964, dispõe que acompanhará a proposta orçamentária uma descrição sucinta das atividades administrativas de cada unidade, que compreende a estrutura administrativa do ente federativo. O parágrafo único do mencionado art. 22, da Lei 4.320/1964, dispõe que acompanhará a proposta orçamentária uma descrição sucinta das atividades administrativas de cada unidade, que compreende a estrutura administrativa do ente federativo. 25 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 Evidentemente, entre os mencionados aspectos que deverão constar da proposta orçamentária, por ser de alta relevância, deverá estar o tipo de gestão financeira que é adotado pela Administração do ente federativo, ou seja, se caixa única, se caixa especial ou fundo especial ou os dois tipos, já que a proposta que se apresenta é estruturada sobre o conceito de caixa única. A Lei de Responsabilidade Fiscal impõe regras para que o orçamento se transforme em uma peça de gerência, o que facilita: • Controle e avaliação de custos. • Controle e avaliação da gestão financeira. • Controle e avaliação dos resultados da execução dos programas de trabalhos. • Controle e avaliação dos órgãos que compõem a estrutura administrativa da organização governamental. Uma vez elaborada a proposta orçamentária, esta é encaminhada ao Poder Legislativo, no prazo que a Lei lhe impõe, para ser discutida, rejeitada ou aprovada. Neste caso, transformada em lei, o orçamento entra em vigor no dia 1º de janeiro do exercício financeiro, assim como as regras pertinentes às realizações das receitas e das despesas governamentais. Recomenda-se aqui uma releitura sobre o assunto no texto Planejamento Governamental e Controle, que compõe a estrutura deste curso. d) Contabilidade Um dos instrumentos em que se apoia a Administração Financeira é a Contabilidade, que lhe fornece as informações que necessita para as decisões que deverão ser tomadas pelo gestor financeiro. A Contabilidade é organizada no sentido de gerar informações qualitativas e quantitativas sobre as operações realizadas pelo ente federativo, as quais servirão de base para a tomada de decisões no âmbito da Administração Financeira. Neste sentido, para apoiar a Administração Financeira, conforme determina a lei, se organiza para cumprir a sua missão de informar sobre: • A situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens pertencentes ou confiados à Fazenda Pública. • A execução orçamentária, o conhecimento da composição A Contabilidade é organizada no sentido de gerar informações qualitativas e quantitativas sobre as operações realizadas pelo ente federativo, as quais servirão de base para a tomada de decisões no âmbito da Administração Financeira. 26 Administração Financeira e Matemática Financeira patrimonial, a determinação dos custos dos serviços prestados, o levantamento dos balanços gerais, análise e interpretação dos resultados econômicos e financeiros. • O volume de direitos oriundos de ajustes ou contratos em que o ente federativo faz parte. • O montante dos créditos orçamentários vigentes, a despesaempenhada, a despesa realizada e as dotações disponíveis. É, pois, a partir destas informações que o gestor financeiro planeja as suas atividades de controle da gestão financeira do ente federativo, e prepara os seus instrumentos de controle, tais como a programação financeira, o cronograma ou orçamento de caixa, bem como os indicadores de desempenho financeiro. A Lei 4.320/1964 estabelece regras para a organização, manutenção e funcionamento das atividades contábeis, as quais se encontram nos seus arts. 83 a 115 e respectivos §§ e incisos, dentre as quais destacam-se as NBCASP de nº 1 a 11, editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, que passam a integrá-las. Dentre os artigos da Lei 4.320/1964, acima mencionados, destaca- se o 83, cujo caput estabelece que “a Contabilidade evidenciará perante a Fazenda Pública a situação de todos quantos, de qualquer modo, arrecadem receitas, efetuem despesas, administrem ou guardem bens a ela pertencentes ou confiados”. Com as mudanças que se processam na estrutura da Contabilidade, não apenas na técnica de registrar, mas no regime que passa a adotar, qual seja, o de competência no reconhecimento das receitas e das despesas, não existe impedimento a que a Administração Financeira adote o mesmo regime, conquanto alguns profissionais utilizem o regime de caixa para análise e avaliação das operações de natureza financeira (REIS, 2012). Com esta determinação, a Lei nº 4.320 estendeu à Contabilidade a responsabilidade de relatar nas suas demonstrações todas as operações realizadas pelas entidades governamentais, públicas e privadas, inclusive as que são realizadas com as entidades do setor privado, com ou sem finalidade lucrativa, o que significa afirmar que estas deverão também realçar essas operações nas respectivas contabilidades e demonstrações contábeis, mesmo porque o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal exige a devida prestação de contas. A Lei 4.320/1964 estabelece regras para a organização, manutenção e funcionamento das atividades contábeis, as quais se encontram nos seus arts. 83 a 115 e respectivos §§ e incisos, dentre as quais destacam-se as NBCASP de nº 1 a 11, editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, que passam a integrá- las. A Lei nº 4.320 estendeu à Contabilidade a responsabilidade de relatar nas suas demonstrações todas as operações realizadas pelas entidades governamentais, públicas e privadas. 27 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 As informações geradas pela Contabilidade devem ser relatadas nas seguintes demonstrações, cujos modelos se encontram anexados à Lei 4.320 e que são as seguintes: • Balanço Orçamentário (anexo 12), cujo objetivo é demonstrar a previsão e a execução dos orçamentos das receitas e das despesas governamentais, bem como o resultado orçamentário. • Balanço Financeiro (anexo 13), que tem por objetivo demonstrar a movimentação financeira da Tesouraria, as operações de caráter financeiro que produziram efeitos financeiros por meio do seu Caixa, Bancos e Equivalentes de Caixa. • Balanço Patrimonial (anexo 14), que tem por objetivo demonstrar os bens, direitos, obrigações e a situação líquida patrimonial da entidade governamental. • Variações Patrimoniais (anexo 15), que têm por objetivo demonstrar os efeitos das operações financeiras e econômicas, de natureza quantitativa e qualitativa, realizadas pela entidade governamental sobre o patrimônio líquido, produzindo-lhe acréscimos e/ou decréscimos na situação líquida. • Fluxo de Caixa por Atividade (anexo 18), cujo objetivo é demonstrar, de outra maneira, as operações de caráter financeiro por atividade, classificada como operacional, investimentos e financiamentos, e os respectivos efeitos nos valores de Caixa e Equivalentes de Caixa. As informações plotadas nas mencionadas demonstrações são geradas com base em operações registradas pela Contabilidade, inicialmente no regime misto, conforme o art. 35, I e II, da Lei 4.320/1964 e, recentemente, no regime de competência com a adoção das NBACASP do Conselho Federal de Contabilidade. Os exercícios que indicaremos sobre receitas e despesas governamentais serão desenvolvidos com base no regime de competência. e) Cronograma de Desembolso Este é um instrumento de controle financeiro, gerido na Tesouraria da organização governamental, em que se preveem as receitas e os pagamentos das obrigações assumidas à medida que as operações resultam ou não da execução orçamentária. Dois tipos de operações financeiras podem acontecer na Administração governamental, quais sejam: • Aquelas resultantes da arrecadação das receitas que se originam das atividades próprias da entidade governamental, portanto de natureza orçamentária e que podem ser previstas ou não no Orçamento Anual. 28 Administração Financeira e Matemática Financeira • Aquelas operações das quais resultam valores pertencentes a terceiros, pelos quais a entidade governamental é responsável pela guarda e custódia como fiel depositária. O cronograma de desembolso deve ser elaborado de acordo com a organização da gestão financeira, que deverá levar em conta a destinação dos recursos financeiros recebidos. Neste caso, será organizado para o caixa geral, para os caixas especiais e para os valores recebidos de terceiros pelos quais a entidade governamental é fiel depositária. Na organização dos cronogramas de desembolso para o caixa geral e para os caixas especiais, deverá ser considerado o art. 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal, que dispõe sobre providências por ato próprio que os Poderes Públicos, Judiciário, Legislativo, Executivo e Ministério Público deverão adotar no que respeita às limitações dos empenhos das respectivas despesas, nos montantes necessários, nos 30 dias subsequentes, quando as receitas não alcançam as metas que lhes foram estabelecidas para compor o resultado primário ou o nominal. O cronograma de desembolso é elaborado para período estabelecido pela própria entidade governamental, conforme a sua conveniência, e poderá ter o seguinte formato: O cronograma de desembolso deve ser elaborado de acordo com a organização da gestão financeira, que deverá levar em conta a destinação dos recursos financeiros recebidos. Na organização dos cronogramas de desembolso para o caixa geral e para os caixas especiais, deverá ser considerado o art. 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal. I - Receitas Previsão a) Créditos a Receber b) Receitas de Capital c) Outras Soma Menos II - Pagamentos Previsão Obrigações do Exercício • Despesas Correntes • Despesas de Capital b) Obrigações de Exercícios Anteriores c) Outros Soma III - Diferença IV - Mais ou Menos Saldo Anterior de Caixa Diferença V - Necessidades de Caixa 29 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 f) Programação Financeira da Despesa Uma vez aprovado o orçamento para o exercício financeiro, a primeira providência é a distribuição, por meio de quotas bimestrais, das dotações fixadas para os setores da administração governamental, a fim de que as respectivas atividades não sofram qualquer tipo de dificuldade na execução. Essa distribuição visa manter durante o exercício, na medida do possível, o equilíbrio entre a receita e a despesa a ser realizada, de modo a reduzir ao mínimo eventuais insuficiências de caixa. A distribuição das quotas bimensais será feita por item de insumo alocado a cada atividade e projeto, ou seja, despesas com pessoal, material de consumo, serviços de terceiros e outros do gênero, com a adoção de critérios previamente delineados, ou, se assim o desejar, dividir a dotação anual por seis bimestres. Exemplo: Uma vez aprovado o orçamento para o exercício financeiro, a primeira providência é a distribuição, por meio de quotas bimestrais,das dotações fixadas para os setores da administração governamental, a fim de que as respectivas atividades não sofram qualquer tipo de dificuldade na execução. O objetivo da lei é disciplinar, não apenas a execução da despesa, mas também o fluxo de caixa, ou seja, adequando as despesas a serem realizadas às realizações das receitas. Função: 12 – Educação Subfunção: 364 – Educação Superior Programa: 001 – Desenvolvimento Técnico-Cultural em Ensino a Distância Atividade: 0021 – Manutenção e Funcionamento Ensino a Distância Órgão: Faculdade de Ensino a Distância – Universidade XYZ. Despesa Dotação 1º Bim 2º Bim 3º Bim 4º Bim Despesas Correntes Despesas de Capital Total A Programação Financeira, no âmbito do Poder Executivo, deverá ser aprovada por ato do Chefe deste Poder, no caso, por decreto, que estabelecerá critérios para os empenhos e para a movimentação dos saldos bimensais. Estes poderão ser adicionados à parcela do bimestre seguinte ou se acumular com a última parcela correspondente ao último bimestre do exercício financeiro. Observe que o objetivo da lei é disciplinar, não apenas a execução da despesa, mas também o fluxo de caixa, ou seja, adequando as despesas a serem realizadas às realizações das receitas. 30 Administração Financeira e Matemática Financeira A programação da despesa será feita por unidade administrativa ou orçamentária, e se obedecerá a critérios que considerarão: • As prioridades em termos de consecução de objetivos, mediante a execução de projetos e de atividades. Evidentemente, devem ser consideradas prioridades aquelas atividades já implantadas e implementadas pela Administração. • A obrigatoriedade das despesas. • A efetiva realização das receitas, quando estas se destinarem ao atendimento de determinados gastos. g) Avaliação de desempenho governamental A avaliação de desempenho governamental é efetuada tendo em vista a sua atuação nos vários campos da sua atribuição, tais como social, econômico, financeiro, urbanos e outros, com a aplicação de indicadores específicos. Dificilmente, na área pública, serão empregados os indicadores que as empresas utilizam para avaliar o seu desempenho no seu campo de atuação. Entretanto, é possível o emprego de certos indicadores de natureza financeira, por exemplo, para avaliar o desempenho de unidade governamental encarregada da administração das receitas da instituição, assim como poderão ser empregadas certas técnicas para avaliação do resultado obtido em determinadas operações financeiras ou não. Tudo dependerá, evidentemente, do objetivo que se pretenda alcançar. Costumeiramente são aplicados indicadores de controle físico-financeiro de projetos para avaliação de desvios de execução, de economicidade de recursos, de padrão de desempenho, de realização e outros, que permitam medidas de correção das anormalidades detectadas. No sistema de contabilidade orçamentária, por exemplo, comparações entre as despesas orçadas e o volume de despesa empenhada permitem a adoção de medidas tais como a abertura de créditos adicionais suplementares. O sistema, entretanto, não permite identificar as causas que determinaram um volume de gastos maior que o valor originariamente orçado. Logicamente, as causas só poderão ser conhecidas mediante a adoção de sistemas de avaliação que sejam voltados para esse tipo de preocupação, não importando se é um projeto ou uma atividade. A avaliação de desempenho governamental é efetuada tendo em vista a sua atuação nos vários campos da sua atribuição, tais como social, econômico, financeiro, urbanos e outros, com a aplicação de indicadores específicos. 31 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 Os sistemas de contabilidade pública atualmente estão dirigidos para os aspectos formais das operações realizadas pelo Poder Público, não sendo utilizados, salvo raras exceções, como avaliação de desempenho da instituição. As raras exceções, como afirmado, são algumas análises de receitas e despesas mediante a aplicação de certas relações, tais como: Receita Tributária / Receita Corrente ou Receita Tributária / Receita Total, ou ainda, Despesas de Custeio / Despesa Total, Despesas de Custeio / Despesas Correntes, e outras relações entre os grupos de receitas e despesas. Isto no sentido vertical, para avaliar a composição de um ou de outro grupo. No sentido horizontal, as avaliações são feitas para verificar o comportamento de cada item de receita e/ou de despesa em relação ao ano anterior, considerando- se aqui as taxas de inflação. Essas análises, entretanto, são feitas isoladamente, isto é, cada uma das esferas governamentais independentemente. As consolidações dos balanços públicos são efetuadas sempre para avaliar volume de receitas obtidas ou de gastos efetuados. Entretanto, avaliações de eficiência e da eficácia administrativa podem ser feitas tomando por base as informações geradas pelos sistemas de contabilidade já mencionados, assim como da própria organização. h) Auditoria A Auditoria, como técnica de investigação, visa, sobretudo, no campo contábil-financeiro: • Orientar o conhecimento e fiscalizar o cumprimento das normas e da legislação específica sobre a matéria; • Prevenir e detectar irregularidade, erros ou falhas; verificar a consonância entre a previsão e a realização; • Objetivar a preservação do patrimônio municipal, a probidade e regularidade das operações realizadas, a perfeita apresentação da prestação de contas anual; • E, finalmente, preparar e facilitar a ação dos controles ou auditorias externas. Na execução dos trabalhos de Auditoria deverão ser obedecidas as normas e procedimentos próprios, bem como os princípios de Contabilidade tradicionalmente aceitos, dentre os quais destacamos: Os sistemas de contabilidade pública atualmente estão dirigidos para os aspectos formais das operações realizadas pelo Poder Público, não sendo utilizados, salvo raras exceções, como avaliação de desempenho da instituição. 32 Administração Financeira e Matemática Financeira • Auditoria é uma função administrativa que visa avaliar e medir a eficiência e a eficácia dos controles existentes. Tem um campo de ação amplo e não deve ser confundida com a função da Administração denominada controle. Controlar é ação executiva. Envolve todas as atividades da organização, desde o planejamento até a realização dos objetivos. • Auditoria é orientação, prevenção e fiscalização. Não é policiamento. Deve funcionar como uma assessoria da Administração como um todo e da Administração Financeira, especificamente, com vistas à maior eficiência, conveniência e qualidade dos trabalhos realizados. Somente com o advento do Decreto-lei nº 200/67 é que se iniciou efetivamente o ciclo da Auditoria no Serviço Público brasileiro, em seu sentido amplo. Primeiramente no campo financeiro, abrangendo o orçamento, a contabilidade e a tesouraria, e posteriormente se dirigindo aos poucos ao campo administrativo propriamente dito. Sempre, porém, com vistas a orientar, prevenir e fiscalizar e não somente fiscalizar a posteriori, como era feito anteriormente. Dependendo do objetivo estabelecido, a Auditoria pode ser: • Orçamentária: a que tem por fim examinar e verificar se a execução orçamentária observou as regras estabelecidas na legislação pertinente quanto às Receitas e às Despesas. A auditoria orçamentária se preocupará, outrossim, com as compatibilidades do orçamento com as leis de diretrizes orçamentárias e Plano Plurianual, tanto na sua elaboração, quanto na sua execução. • Contábil: a que tem por fim examinar e verificar se o processo gerador da informação contábil observa os princípios fundamentais de contabilidade para a consecução do seu objetivo, a evidenciação contábil. Esse exame e verificação tem como objetivoassegurar, além da utilidade e da qualidade, a consistência da informação contábil, com base na qual são providenciadas todas as decisões de natureza financeira e gerencial. • Financeira: a que tem por fim verificar os tipos de gestão financeira adotados pela Administração, se por unidade de tesouraria ou por fundos especiais, bem como examinar e verificar os resultados obtidos pelas entidades nas suas operações e sugerir medidas de correção, caso detectem desvios que possam traduzir-se em prejuízo para o patrimônio da entidade. • Patrimonial: a que tem por fim examinar e verificar se seus direitos e obrigações foram devidamente incorporados ao Patrimônio e se a contabilidade as evidencia, de tal forma que a administração da entidade Somente com o advento do Decreto-lei nº 200/67 é que se iniciou efetivamente o ciclo da Auditoria no Serviço Público brasileiro, em seu sentido amplo. Primeiramente no campo financeiro, abrangendo o orçamento, a contabilidade e a tesouraria, e posteriormente se dirigindo aos poucos ao campo administrativo propriamente dito. 33 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 possa louvar-se na informação contábil sobre os seus efeitos naquele Patrimônio. Também, preocupa-se a auditoria patrimonial, de constatar se esses elementos patrimoniais se encontram resguardados de toda e qualquer influência negativa, seja de natureza econômica ou não, e até mesmo de sinistros, roubos, furtos ou assaltos. As demonstrações contábeis, neste tipo de auditoria, assumem importância fundamental, pois é a partir das informações nelas contidas que se checarão a existência física daqueles elementos patrimoniais e as suas respectivas variações. • Operacional: a que está mais preocupada com a parte substantiva das atividades da entidade, ou seja, a concretização das políticas e dos programas governamentais delineados para o período. Assim, os custos por utilização dos insumos alocados aos programas, às metas, aos objetivos e até mesmo às modificações na programação e seus efeitos são elementos essenciais para o processo da auditoria operacional. Também, a estrutura organizacional, o processo decisório, os gastos administrativos de apoio para realização dos programas e consequentemente para a concretização das metas e objetivos, são objetos da auditoria operacional. A rentabilidade das empresas governamentais, em comparação com os orçamentos e o sistema de custo, será objeto de auditoria, bem como se preocupará com programas de manutenção de reposição de peças e acessórios de veículos, equipamentos, máquinas etc., e respectivos inventários. Atividade de Estudos: 1) Sabendo da importância dos instrumentos de verificação em relação às atividades governamentais, comente o papel da Auditoria na concretização das políticas e programas governamentais. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 34 Administração Financeira e Matemática Financeira Algumas Considerações O capítulo procurou trazer a lume a importância da Administração Financeira, como uma das atividades principais da Administração Pública, tendo em vista a sua fundamentação teórica e técnica. A Administração Financeira, como vimos, utiliza-se de informações e de instrumentos próprios que orientam as suas ações voltadas para o gerenciamento e controle dos recursos financeiros obtidos e recebidos de várias fontes, bem como dos direitos, das obrigações e dos pagamentos realizados e a realizar. Assim, diante da situação socioeconômica em que vivemos atualmente, a Administração Financeira se firma como aquela atividade que procura mostrar os caminhos pelos quais a gestão governamental deve seguir, a fim de cumprir com as suas obrigações com a sociedade. Referências BRASIL. Portaria MPOG nº 42/1999. Atualiza a discriminação da despesa por funções de que tratam o inciso I do § 1º do art. 2º e § 2º do art. 8º, ambos da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, estabelece os conceitos de função, subfunção, programa, projeto, atividade, operações especiais, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2017. ______. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (atualizada até a EC n° 95, de 15/12/2016 - DOU 16/12/2016). Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2017. ______. Lei complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2017. ______. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2017. 35 Fundamentos da Administração Financeira Governamental Capítulo 1 ______. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967. Dispõe sobre a organização da Administração Federal, estabelece diretrizes para a Reforma Administrativa e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 22 fev. 2017. MOTTA, Carlos Pinto Coelho et al. Responsabilidade Fiscal: Lei Complementar nº 101, de 04/05/2000. Belo Horizonte: Del Rey, 2000. p. 246-247. REIS, Heraldo da Costa. Contabilidade e gestão governamental: estudos especiais. Rio de Janeiro: IBAM, 1964. p. 87. ______. Planejamento governamental e controle. Indaial: Uniasselvi, 2012, p. 127. 36 Administração Financeira e Matemática Financeira CAPÍTULO 2 Receita e Despesa Governamentais A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Entender o que é receita na sua verdadeira acepção técnica, bem como as suas origens. � Verificar a despesa como um elemento gerador de benefícios. Heraldo da Costa Reis 38 Administração Financeira e Matemática Financeira 39 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 Contextualização Para cumprir com as suas obrigações com a sociedade, o ente governamental necessita, inicialmente, de recursos financeiros ou Receitas, as quais são conseguidas por meio das suas atividades próprias ou mediante relações de caráter jurídico e financeiro com outras entidades jurídicas governamentais ou privadas com ou sem finalidades lucrativas. Já os benefícios reclamados pela sociedade são gerados pelas Despesas, cujas identificações são feitas por classificações próprias que indicam ações de caráter social, econômico e ambiental, planejadas e programadas e previstas no Orçamento anual, com metas e prazos de execução. Conceito de Receita Pública As quantias recebidas pelos cofres públicos são genericamente designadas como entradas ou ingressos ou, ainda, receitas. Entretanto, nem todos esses ingressos constituem receitas públicas, pois alguns deles não passam de movimentos de fundos, sem produzir qualquer incremento no patrimônio governamental, desde que estão condicionados a restituição posterior ou representam mera recuperação de valores emprestados ou cedidos pelo governo. A expressão movimentos de fundos, utilizada por alguns estudiosos e relacionada à receita,significa apenas o movimento de dinheiro entre caixa em bancos e em tesouraria, entre entidades da mesma esfera de governo, ou entre as unidades políticas da mesma esfera governamental, tais como liberações de recursos financeiros do Poder Executivo para o Poder Legislativo e para o Poder Judiciário, e vice-versa. Esses valores constituir-se-ão sempre em passivos ou obrigações do Ente Federativo, posto que eles são dotados de uma característica fundamental, qual seja, a da reivindicação de terceiros, que é própria de qualquer passivo da organização. Exemplificam esses movimentos de fundos as simples entradas de caixa, destituídas de caráter de receitas – as cauções, fianças e depósitos recolhidos ao Tesouro; os empréstimos contraídos pelos Estados para suprirem os respectivos caixas, ou as amortizações daqueles que o governo acaso concedeu; enfim, as somas que se escrituram sob reserva As quantias recebidas pelos cofres públicos são genericamente designadas como entradas ou ingressos ou, ainda, receitas. Entretanto, nem todos esses ingressos constituem receitas públicas, pois alguns deles não passam de movimentos de fundos, sem produzir qualquer incremento no patrimônio governamental, desde que estão condicionados a restituição posterior ou representam mera recuperação de valores emprestados ou cedidos pelo governo. 40 Administração Financeira e Matemática Financeira a serem restituídas ao depositante ou pagas a terceiro, por qualquer razão de direito, e as indenizações devidas por danos causados às coisas públicas e liquidados segundo o Direito Civil (BALEEIRO, 1978, p. 130). Com esta lição do prof. Aliomar Baleeiro, tem-se, exatamente, uma ideia do que sejam as simples entradas de caixa, destituídas do caráter de receitas, a saber: • Cauções, fianças e depósitos recebidos para garantias de execução de contratos ou outros compromissos, pelos quais a entidade governamental responde como fiel depositária. • Empréstimos, financiamentos e amortizações, cujos valores foram tomados sob contratos, para serem devolvidos no prazo estabelecido em lei ou em contratos. • Consignações retidas em folhas de pagamento por força de lei, mandamentos judiciais e outros atos, sempre em favor de terceiros. “Receita pública é a entrada que, integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo” (BALEEIRO, 1978, p. 130). Ainda segundo o autor, “Receita é conjunto de entradas amoedadas em caixa sobre as quais não se identificam reivindicações de terceiros, reservas ou correspondências no passivo, e que evidenciam valores de propriedade da entidade” (BALEEIRO, 1978, p. 130). Assim, pode-se afirmar que receita é expressão de propriedade que se evidencia quando no valor respectivo não existe questionamento sobre a legitimidade da sua propriedade. Um exemplo é a demanda movida por um contribuinte contra a Fazenda Pública na qual reclama algum direito. Quando não existe qualquer tipo de questionamento sobre o valor recebido, o patrimônio público ou a situação líquida sofre um acréscimo do mesmo valor. Fontes da Receita Pública As receitas, como expressão de propriedade, têm as suas respectivas fontes ou origens nas atividades desenvolvidas pelo ente federativo, como as que seguem: “Receita é conjunto de entradas amoedadas em caixa sobre as quais não se identificam reivindicações de terceiros, reservas ou correspondências no passivo, e que evidenciam valores de propriedade da entidade”. 41 Receita e Despesa Governamentais Capítulo 2 Atividades tributárias correspondem à atividade principal do Estado, por intermédio das quais são obtidas as receitas tributárias, conforme a competência da esfera governamental arrecadadora. São os seguintes os tributos que compõem a receita tributária: • Imposto: o tributo que não está vinculado a qualquer atividade na sua origem e nem na sua destinação. Esta é a sua característica diferenciadora dos demais tributos. Entretanto, a Constituição da República estabelece exceção a esta regra quando, no âmbito da União, determina a distribuição de receitas de certos impostos de sua competência entre os Estados membros da Federação e entre os Municípios. O mesmo se dá com certos impostos da competência do Estado, sejam distribuídos entre os Municípios localizados no seu território, observadas as regras estabelecidas na legislação estadual que as parametrizam. • Taxas: cujas receitas estão vinculadas a atividades do Ente Federativo, seja pelo exercício do poder de polícia de sua competência, seja pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição. • Contribuição de Melhoria: em razão de execução de obras públicas, na forma como dispõe o art. 145, III, da Constituição da República. • Contribuições: tributos de caráter social e/ou econômico. Em realidade, algumas dessas contribuições são de competência da União, como a COFINS, o PASEP, a CIDE. Entretanto, a União, o Estado-membro da Federação e o Município poderão lançar e cobrar dos seus respectivos servidores a contribuição previdenciária que se destinará à manutenção e funcionamento do sistema previdenciário próprio, na forma disposta na Constituição da República. A característica diferenciadora destas receitas com as receitas tributárias de impostos está em que aquelas têm destinação específica, conquanto não estejam vinculadas a qualquer atividade na sua origem, enquanto as de impostos não estão vinculadas na origem e na destinação a qualquer atividade do Estado, com exceção as determinações constitucionais, como mencionadas. Segundo a natureza das destinações, as Contribuições podem ser classificadas em sociais e econômicas. • Empréstimos compulsórios: de competência exclusiva da União, tomados à população, em situações de emergência, como guerras, calamidade pública e investimentos de caráter urgente, conforme dispõe o art. 146, incisos I e II e seu Par. Único, da Constituição Federal. Atividades tributárias correspondem à atividade principal do Estado, por intermédio das quais são obtidas as receitas tributárias, conforme a competência da esfera governamental arrecadadora. 42 Administração Financeira e Matemática Financeira Trata-se aqui de atividades econômicas, das quais se pode obter receitas da exploração de atividades de Agropecuária, de Indústria, de Comércio e Serviços, e as de produção e entrega de produtos e serviços contratados. Essas atividades podem ser realizadas por órgãos de administração central ou entidades da administração descentralizada, ou seja, as autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista. Classificam-se, pois, as seguintes receitas: • Agropecuária é a resultante das atividades ou explorações agropecuárias, envolvendo as produções vegetal e animal e seus derivados, bem como atividades de beneficiamento ou transformações desses produtos, em instalações existentes nos próprios estabelecimentos. • Indústria é a proveniente de atividades industriais, definidas como tais pela Fundação IBGE e exploradas diretamente pelo Estado ou outra entidade governamental. • Serviços é a derivada de prestação de serviços, de comércio, transportes, comunicações, serviços hospitalares e outros do gênero. Uma característica fundamental que deverá ser utilizada no reconhecimento destas receitas é a vinculação às despesas ou custos de produção e/ou de prestação de serviços, as quais lhes deram as respectivas origens. Atividades de fruição do patrimônio referem-se ao resultado financeiro da fruição do patrimônio, seja decorrente de bens tangíveis, seja advinda de participação societária, seja oriunda de superávits apurados nas alienações de bens patrimoniais. Classificam-se, pois, neste