Logo Passei Direto
Buscar

Informacao em Saude - O papel do médico

Livro sobre informação em saúde e o papel do médico: aborda o médico como produtor e usuário de dados, organiza capítulos por tema e apresenta estatísticas e informações disponíveis até 30/09/2016. Coordenação Ruy Laurenti e Maria Helena P. de Mello Jorge; Cremesp (2017).

User badge image
Bichano

em

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Ruy Laurenti
Maria Helena P. de Mello Jorge
Informação em Saúde:
o papel do médico
Informação em Saúde:
o papel do médico
São Paulo, 2017
Ruy Laurenti
Maria Helena P. de Mello Jorge
Informação em saúde: o papel do médico
Publicação do Centro de Bioética do Conselho Regional de Medicina
do Estado de São Paulo (Cremesp)
Elaborado por força de Convênio entre o Cremesp e o Centro de Apoio à
Faculdade de Saúde Pública da USP (nº 004/2014) São Paulo, 2014
Rua Luís Coelho, 26 – Consolação
São Paulo – SP – CEP 01309-900 – Tel.: (11) 4349-9900
Presidente do Cremesp
Lavínio Nilton Camarim
Vice-presidente do Cremesp
Renato Françoso Filho
Diretor do Departamento de Comunicação
Antonio Pereira Filho
Coordenador do Centro de Bioética
Reinaldo Ayer de Oliveira
Produção editorial
Fátima Barbosa
Revisão
Fernanda Corrêa, Andressa Picosque | Tikinet
Projeto gráfico/Diagramação/Capa (com ilustração de Monsitj/iStockphoto)
Moacir Barbosa
Apoio bibliográfico
Dinaura Paulino Franco e Maurício Seiko Yonamine
Apoio administrativo
Laura Abreu
Estagiárias:
Daiane Santos da Cruz e Katiuscia Silva Paiva
FICHA CATALOGRÁFICA
Informação em saúde: o papel do médico. / Coordenação de Ruy 
Laurenti e Maria Helena P. de Mello Jorge. São Paulo: Conselho 
Regional de Medicina do Estado de São Paulo, 2017. 
 212p
 ISBN 978-85-89656-27-6
1. Sistemas de Informações em saúde. 2. Médico. 3. Informações em 
saúde I. Laurenti, Ruy (coord.) II. Mello Jorge, Maria Helena P. de 
(coord.) III. Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo 
IV. Título
 NLM W 26.5
Este livro... uma explicação necessária
Desde fins da década de 1960, ligada à Faculdade de Saúde Pública da 
Universidade de São Paulo, aprendi com o Professor Ruy Laurenti a importân-
cia da informação em Saúde. Trabalhamos juntos, sempre perseguindo melho-
res dados e lutando pelo aprimoramento dos sistemas de informação em Saúde 
no Brasil.
Considerando que o médico é a figura central desse intrincado problema, 
fizemos palestras de sensibilização em associações, Conselhos, hospitais e facul-
dades de medicina no país, escrevemos artigos e fizemos pesquisas a esse res-
peito. Em fins de 2012, em um desses encontros, estando presentes o Dr. João 
Ladislau Rosa e o Professor Reinaldo Ayer de Oliveira, surgiu a ideia deste tra-
balho. Em 2014, veio a certeza de que, via convênio com o Cremesp, o sonho se 
tornaria realidade.
Informação em Saúde: o papel do médico traz à luz a nossa experiência 
sobre o tema, enfatizando a via de duas mãos que o compõe. O médico é visto, 
de um lado, como produtor da informação, nos atestados de óbito, nos pron-
tuários, ao notificar uma doença, e, de outro, como usuário dessa informação, 
retirando dos sistemas os dados que eles podem fornecer para auxiliá-lo em su-
as atividades profissionais diárias. Oxalá o nosso desejo se realize e o médico 
encontre aqui elementos que ponham por terra a ideia de que o Brasil não pos-
sui estatísticas de Saúde e que, para sua orientação, necessita utilizar dados de 
outros países. Os capítulos estão apresentados segundo o assunto de que tratam, 
e os dados referem-se aos mais recentes disponíveis em 30 de setembro de 2016.
Infelizmente, o Professor Laurenti não pôde participar da parte final do 
trabalho; o legado deixado por ele, entretanto, permitiu que eu o terminasse so-
zinha, mas sempre sob sua inspiração e seu modelo.
O convênio está terminando, e a obra, pronta. Ruy, eu a dedico a você.
 Maria Helena P. de Mello Jorge
 Outubro de 2017
A palavra do Cremesp
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) 
orgulha-se de ter colaborado com a eminente professora Maria Helena P. de 
Mello Jorge e com o saudoso professor Ruy Laurenti para a viabilização desta 
obra inédita no Brasil.
Informação em Saúde: o papel do médico preenche a lacuna que existia 
nessa área fundamental para o exercício da Medicina, sistematizando sob os 
mais diversos aspectos, em um só livro, o conhecimento existente, até o mo-
mento, a esse respeito. 
Conforme este livro esclarece, informação é um conjunto significativo 
de fatos ou dados ou o ato de informar ou comunicar fatos a partir de da-
dos brutos, daí a necessidade de diferenciar “informação” e “dado”. Na área da 
Saúde, “podem-se citar números de óbitos e de internações, casos de deter-
minada doença, número de hospitais, entre outros. Quando esses dados são 
qualificados segundo diferentes variáveis (sexo, idade, diagnósticos, ano ca-
lendário etc.) tem-se ‘informação’. Na prática diária, entretanto, não raro, vê-
se que os termos ‘informação’ e ‘dado’ são usados indiferentemente”.
No Brasil, a informação em Saúde tomou um novo impulso com a cria-
ção do Sistema Único de Saúde (SUS) e a consequente descentralização do 
setor. Ao estimular as ações de promoção da saúde – por meio da preven-
ção, tratamento e reabilitação de doenças –, a municipalização provocou uma 
maior necessidade de produção de informação e dados. Desde então, evoluí-
mos muito. Porém, podemos e devemos progredir ainda mais.
Como enfatiza, entretanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS), a 
informação não é um fim em si mesmo. Ela é um meio de auxiliar os profis-
sionais, sobretudo nós, médicos, a tomar as melhores decisões, seja no setor 
público ou privado, no estabelecimento de políticas em Saúde, planejamento, 
gerenciamento, monitorização e avaliação de programas e serviços, incluindo 
a assistência ao paciente e, dessa maneira, melhorarmos, sob diferentes ângu-
los, os serviços do setor.
A informação em Saúde, portanto, é mais uma ferramenta que, aliada aos 
inúmeros atributos necessários ao exercício da Medicina, temos para cuidar de 
nossos pacientes e prestar o atendimento adequado à saúde da população. 
 Lavínio Nilton Camarim
 Presidente do Cremesp
Sumário
Capítulo 1
Informações em Saúde
O que são e porque é necessário dispor delas. 
O uso das informações em Epidemiologia e para a tomada de decisões ..... 13
Os sistemas de informação em Saúde existentes no Brasil.............................................. 15
Construindo os indicadores de Saúde. A Rede Interagencial
de Informações Para a Saúde (Ripsa) .............................................................................................................. 17
O médico nesse contexto ................................................................................................................................................... 22
Referências ............................................................................................................................................................................................... 24
Capítulo 2
Informações sobre mortalidade
O início. Um pouco de história ................................................................................................................................ 27
Os fundamentos das estatísticas médicas internacionais .................................................. 29
As definições e propostas da Organização Mundial de Saúde para
orientar o médico no preenchimento do atestado de óbito ........................................... 31
Exemplos de atestados de óbito bem preenchidos com relação à causa ..... 36
A Declaração de Óbito no Brasil ............................................................................................................................ 38
A legislação brasileira referente à obrigatoriedade do médico
em fornecer a Declaração de Óbito .................................................................................................................... 42
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).............................................................. 46
Referências ............................................................................................................................................................................................... 63Capítulo 3
Informações sobre nascimentos vivos
Porque essas informações são necessárias ............................................................................................... 67
A padronização do conceito de nascido vivo em nível internacional ............ 69
O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) .............................................. 70
Referências ............................................................................................................................................................................................... 87
Capítulo 4
Informações sobre perdas ou mortes fetais
Definições importantes ......................................................................................................................................................... 89
O que, onde e como declarar. O papel do médico ....................................................................... 91
As estatísticas sobre perdas fetais. Óbitos fetais como parte do
SIM/MS. O que o Sistema pode oferecer ................................................................................................... 92
O problema da causa ................................................................................................................................................................ 93
Referências ............................................................................................................................................................................................... 99
Capítulo 5
Informações sobre morbidade
Aspectos gerais .................................................................................................................................................................................. 101
Morbidade hospitalar .............................................................................................................................................................. 102
O Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde
(SIH/SUS) ................................................................................................................................................................................................. 107
A morbidade relativa às doenças de notificação compulsória ................................... 117
O Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) ............................................................ 122
O Sistema de Informações de Atenção Básica (Siab) .............................................................. 123
A Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA) .............................................................................. 123
Registros especiais de doenças. Estimativas de incidência
de neoplasias malignas .......................................................................................................................................................... 130
Referências ............................................................................................................................................................................................... 132
Capítulo 6
Dados/informações a partir de inquéritos populacionais. Estudo dos fatores 
de risco para doenças crônicas não transmissíveis e outros
A importância da informação. As doenças crônicas
não transmissíveis (DCNT) ........................................................................................................................................... 137
As Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNAD) .................................. 140
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) .............................................................................................................. 141
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Projeto PeNSE) ......................................... 143
O Projeto Vigitel ............................................................................................................................................................................. 144
Referências ............................................................................................................................................................................................... 153
Capítulo 7
Informações sobre recursos em Saúde
Conhecendo dados sobre serviços, recursos humanos e equipamentos .... 155
Referências ............................................................................................................................................................................................... 160
Capítulo 8
A Classificação Internacional de Doenças (CID)
Nota explicativa ................................................................................................................................................................................ 161
Conhecimentos necessários ao médico. Análise da informação em
Saúde: 1893-1993, cem anos da Classificação Internacional de
Doenças (Transcrição de artigo publicado na Revista de Saúde Pública) .... 163
Breve atualização. A décima revisão ................................................................................................................. 184
Listas especiais para tabulação de mortalidade e morbidade.
A CID-BR .................................................................................................................................................................................................. 185
A décima primeira revisão .............................................................................................................................................. 186
Referências ............................................................................................................................................................................................... 188
Capítulo 9
O médico e o registro de deficiências e incapacidades. A Classificação
Internacional de Funcionalidade (CIF)
Aspectos gerais. Os números da deficiência no Brasil ........................................................... 189
A Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF) ........................................................................................................................................... 194
Referências ............................................................................................................................................................................................... 198
Capítulo 10
Outras questões de informação em Saúde que envolvem o médico
O problema do sigilo ................................................................................................................................................................ 201
O uso da informação por pesquisadores .................................................................................................... 206
Referências ............................................................................................................................................................................................... 208
 
15
CAPÍTULO
1
Informações em Saúde
O que são e porque é necessário dispor delas.
O uso das informações em Epidemiologia e para a tomada de decisões
A Constituição Brasileira de 1988 e a Lei nº 8.080/1990 lançaram as 
bases para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual passou a reunir 
todos os serviços públicos (nas esferas federal, estadual e municipal) e pri-
vados (conveniados/contratados) de saúde, preparando o acesso universal e 
equânime ao Sistema, bem como enfatizando ações de promoção de saúde: 
prevenção, tratamento e reabilitação de doenças (SILVA; LAPREGA, 2005).
A descentralização da Saúde, por sua vez, gerou nos municípios uma 
maior necessidade de informação, fato que, segundo Scatena e Tanaka (2001, 
p. 19), “tem estimulado a própria descentralização da informação em saúde”.
“Informação” pode ser entendida aqui como um conjunto significativode fatos ou dados ou, ainda, como o ato de informar ou comunicar fatos a 
partir de dados brutos, daí a necessidade de diferenciar “informação” e “da-
do”. Este último diz respeito a qualquer tipo de variável apresentada sob a 
forma de número absoluto ou bruto. Na área da Saúde, como exemplos, po-
dem-se citar: número de óbitos, número de internações, casos de uma doen-
ça, número de hospitais, entre outros. Quando esses dados são qualificados 
segundo diferentes variáveis (sexo, idade, diagnósticos, ano calendário etc.) 
tem-se “informação”. Na prática diária, entretanto, não raro, vê-se que os ter-
mos “informação” e “dado” são usados indiferentemente.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
16
Em qualquer área do conhecimento humano é possível verificar a impor-
tância da informação, que pode ser mensurada em razão da necessidade de 
seu uso.
Na história do Brasil, registra-se que José Bonifácio de Andrada e Silva, 
em meados do século XIX, no texto “Notas sobre a ‘aritmética política’ ou es-
tatística”, já fazia menção à importante relação entre a informação e o proces-
so decisório, discorrendo sobre a “arte de raciocinar por meio do cálculo so-
bre as matérias concernentes ao governo” (DIEGUES, 1979 apud MORAES, 
1994, p. 46).
Em Medicina, as informações são transmitidas principalmente sob a for-
ma de textos, oriundos de livros ou revistas, e são obtidas, quase sempre, a 
partir de bibliotecas. 
Bibliotecas priorizam a organização, gestão e, sobretudo, a dis-
seminação de informações, incorporando tanto elementos técni-
cos quanto lógicos, visando ao cumprimento de sua função socio-
cultural e à sua consolidação como espaço de compartilhamento e 
aprendizagem. Isso significa que, ao longo dos anos, das décadas 
e dos séculos, a biblioteca acompanha e absorve as inovações tec-
nológicas em prol das coletividades. Ferramentas de registro e, por 
conseguinte, a conservação e a difusão do conhecimento evoluem 
continuamente. Tábuas cerâmicas, os tokens (peças de argila cozi-
da), os tabletes de argila, os rolos de manuscritos, o papiro, o per-
gaminho, o códice, entre outros suportes, invariavelmente, após a 
invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, são, definitivamen-
te, relegados ao desuso e substituídos por livros em série. Tempos 
depois, é o momento de microfichas, compact discs (CD), digital 
versatile discs (DVD) e assim por diante, até alcançar o suporte digi-
tal, quando as bibliotecas físicas passam a se hospedar “nas nuvens”. 
(PINTO FERREIRA, 2012, p. 11)
Em Saúde Pública é, também, muito importante a informação recebida 
e difundida a partir de textos, livros, revistas e relatórios obtidos nas bibliote-
cas; porém, nesse caso, quando se fala em informação em Saúde, a referência 
é, quase que exclusivamente, àquelas obtidas a partir de dados de mortalidade, 
morbidade, recursos humanos para a Saúde, equipamentos etc., em uma de-
terminada população (país, estado, município), em um determinado momen-
to. Essas informações são oriundas dos respectivos sistemas: de mortalidade, 
de morbidade, de recursos humanos para a Saúde, além de vários outros.
17
Um sistema pode, assim, ser conceituado como qualquer conjunto de 
componentes que trabalham harmonicamente com a finalidade de atingir um 
objetivo comum. O objetivo, no caso de sistemas de informação em Saúde, é 
o de melhorar o gerenciamento dos serviços de Saúde por meio do apoio da 
informação (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2000; BRASIL, 2009).
É importante registrar que, na elaboração das informações em Saúde de 
uma população, houve, também, apreciável evolução. Assim, a primeira in-
formação documentada sobre saúde da população refere-se à mortalidade da 
população de Londres, registrada em 1662 por John Graunt (NORDENFELT, 
1983). Graunt trabalhou os dados manualmente, um a um, atribuindo a cada 
registro as diversas variáveis aplicáveis, como sexo, idade, causa de morte, re-
sidência etc. A elaboração das estatísticas de mortalidade melhorou continu-
amente, podendo ser, estas, nos tempos atuais, obtidas totalmente por meio 
das mais sofisticadas técnicas da informática.
É preciso ficar bem claro que a informação, entretanto, não é um fim em 
si mesma, mas um meio de auxiliar a tomar as melhores decisões no esta-
belecimento de políticas públicas em Saúde, planejamento, gerenciamento, 
monitorização e avaliação de programas e serviços, incluindo a assistência 
ao paciente e, desta maneira, melhorando, sob múltiplos aspectos, os servi-
ços de Saúde (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2000; BRASIL, 2009). 
Não se deve esquecer, por outro lado, que há, além dessa abordagem admi-
nistrativa em Saúde e de maneira não menos importante, o uso das infor-
mações para conhecimento e avaliação de vários aspectos epidemiológicos 
referentes à população de uma determinada área.
Os sistemas de informação
em Saúde existentes no Brasil
Sistema de Informação em Saúde pode ser conceituado como
um conjunto de componentes que atuam de forma integrada por 
meio de mecanismos de coleta, processamento, análise e trans-
missão da informação necessária e oportuna para implementar 
processos de decisão no Sistema de Saúde. Seu propósito é sele-
cionar dados pertinentes e transformá-los em informações para 
aqueles que planejam, financiam, propõem e avaliam os serviços 
de saúde. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 1981 apud 
FRANÇA, 2001, p. 20).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
18
Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ressaltou a importância 
dos sistemas de informação em Saúde associando-os às políticas da Saúde, pois
quando se concebem e utilizam, de maneira adequada, os sistemas 
de informação em saúde, têm eles o potencial de produzir valiosa 
informação clínica e administrativa orientada à gestão para o fun-
cionamento de serviços, programas e para a atenção do paciente. 
(OPAS, 1998 apud SANTOS, 2001, p. 15)
Marin (2010) define Sistema de Informação em Saúde (SIS) como um 
conjunto de componentes inter-relacionados que coletam, processam, arma-
zenam e distribuem a informação para apoiar o processo de tomada de deci-
são e auxiliar no controle das organizações de Saúde. Assim, como premissa 
básica, o SIS deve contribuir para a melhoria da qualidade, da eficiência e da 
eficácia do atendimento em Saúde, possibilitando a realização de pesquisas, o 
fornecimento da evidência e auxiliando o processo de ensino.
Do ponto de vista da Saúde, as “informações” – obtidas a partir de dados 
relativos a “quantos”, “quais”, “como”, “onde”, “quando” e “por que” –, puras ou 
combinadas, vão se constituir em indicadores capazes de orientar e nortear 
políticas públicas baseadas em evidências.
Fica clara, dessa maneira, a necessidade da obtenção de dados adequa-
dos, desde sua origem e registro até suas fases de armazenamento, crítica, 
análise e divulgação. É preciso saber, na realidade, o que se quer medir, pa-
ra então saber como medir. Dessa forma, para cada evento – cujo conceito 
necessita ser uniforme – devem ser selecionadas as variáveis mais adequadas 
(MELLO JORGE; LAURENTI; GOTLIEB, 2010), bem como a metodologia 
deve ser capaz de fazer alcançar os objetivos propostos.
Dessa forma, ficam claros também os requisitos necessários aos sistemas 
de informação, a fim de que estes venham a cumprir suas reais funções. Por 
isso, os dados que vão constituir cada sistema devem ser completos, fidedig-
nos e fáceis de obter.
É necessário também que os dados expressem, da melhor maneira possí-
vel, o que se quer representar e, ainda, que sejam oportunos. Esses requisitos 
são fundamentais para que o fluxo da tríade “problema ¦ informação ¦ ação” 
seja efetivo, isto é, que as ações postas em prática, frente ao problema, pos-
sam reverter em melhoria da saúde da população, uma vez que melhor infor-
mação leva sempre à maior qualidade na tomada de decisões.
Do ponto de vista epidemiológico, saber quantos morrem de determina-
da patologia, qual a frequência dessa mortalidadesegundo algumas variáveis, 
19
qual o tempo de permanência hospitalar para cada enfermidade, entre outros 
aspectos, vai ajudar a conhecer o perfil da saúde da população estudada.
No Brasil, são os seguintes os sistemas de informação em Saúde mais tra-
balhados atualmente:
• Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS)
• Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc)
• Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde
 (SIH/SUS)
• Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação (Sinan)
• Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS)
• Sistema de Informações de Atenção Básica (Siab)
Esses sistemas, criados majoritariamente nas décadas de 1970 e 1980, 
“refletiam a ótica centralizadora da atuação do Estado”, conforme Almeida e 
Alencar (2000, p. 242), que chamam atenção para o fato de que a tecnologia 
de processamento de dados existente à época estava baseada nos computa-
dores de grande porte, inexistentes fora dos grandes centros. Na década se-
guinte, verificou-se a expansão dos sistemas, o que veio a facilitar a obtenção 
de dados em nível municipal, constatando-se, também, o fato de ter ocorrido 
ampla disseminação da informação, com consequente elevação da quantida-
de de usuários (ALMEIDA; ALENCAR, 2000).
Alguns dados sobre esses sistemas são apresentados a seguir, como sua 
importância, características e uma avaliação dos pontos de vista quantitativo e 
qualitativo. Na publicação da OMS Design and Implementation of Health Infor-
mation Systems (WHO, 2000) são apontados vários erros ou falhas nos siste-
mas de informação em Saúde, tais como irrelevância das informações obtidas, 
má qualidade dos dados, duplicação pelo uso de sistemas paralelos, demora 
na apresentação e inexistência de feedback, além do pouco uso da informação. 
Mello Jorge, Laurenti e Gotlieb (2010) discutem essas falhas ou erros e apre-
sentam vários exemplos para os sistemas de informação em Saúde no Brasil.
Construindo os indicadores de Saúde.
A Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa)
No Brasil, a produção e a utilização de informações sobre Saúde proces-
sam-se em um contexto complexo de relações institucionais, compreendendo 
variáveis, mecanismos de gestão e financiamento. Além das estruturas gover-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
20
namentais nos três níveis de gestão do SUS, estão envolvidos outros setores 
de governo que produzem informações relativas à Saúde: instituições de en-
sino e pesquisa, associações técnico-científicas, agências não governamentais, 
organizações internacionais e instâncias de controle social. 
Apesar de, nas últimas décadas, o Ministério da Saúde ter concebido e 
implantado sistemas de informação sobre nascimentos, óbitos, internações 
hospitalares, doenças de notificação compulsória, entre outros, persistia ain-
da, nos anos 1990, o desafio quanto ao melhor aproveitamento dessas infor-
mações para o gerenciamento da gestão do SUS. Em razão de esse mesmo 
problema ocorrer em vários outros países das Américas, a Organização Pa-
namericana da Saúde (OPAS) instituiu, em 1995, a Iniciativa Regional de Da-
dos Básicos em Saúde, que se baseia, fundamentalmente, em um conjunto de 
indicadores selecionados que visam fornecer um panorama geral da situação 
de saúde na região. Alinhados com essa iniciativa, o Ministério da Saúde e 
a OPAS acordaram em cooperar no aperfeiçoamento de informações para a 
Saúde no Brasil, com uma estratégia de cooperação centrada na criação da 
Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA, 2002).
Assim, a Ripsa foi formalizada, em 1996, a partir da premissa segundo 
a qual
a disponibilidade de informação apoiada em dados válidos e confiá-
veis é condição essencial para a análise objetiva da situação sanitá-
ria, assim como para a tomada de decisões baseadas em evidências 
e para a programação das ações de saúde. (RIPSA, 2008, p. 13)
O projeto, baseado em parcerias, objetiva a sistematização de informa-
ções úteis ao conhecimento e à compreensão da realidade sanitária brasileira 
e suas tendências.
O produto principal da Ripsa é a publicação anual de uma coleção de 
indicadores e dados básicos (IDB) que englobam não apenas os números ab-
solutos, mas também os dados já trabalhados, como taxas, proporções e índi-
ces, compreendendo:
1. Indicadores demográficos
• População total
• Razão de sexos
• Taxa de crescimento da população
• Grau de urbanização
• Proporção de menores de cinco anos de idade na população
21
• Proporção de idosos na população
• Índice de envelhecimento
• Razão de dependência
• Taxa de fecundidade total
• Taxa específica de fecundidade
• Taxa bruta de natalidade
• Mortalidade proporcional por idade
• Mortalidade proporcional por idade em menores de um ano
• Taxa bruta de mortalidade
• Esperança de vida ao nascer
• Esperança de vida aos sessenta anos de idade
2. Indicadores socioeconômicos
• Taxa de analfabetismo
• Níveis de escolaridade
• Produto Interno Bruto (PIB) per capita
• Razão de renda
• Proporção de pobres
• Taxa de desemprego
• Taxa de trabalho infantil
3. Indicadores de mortalidade
• Taxa de mortalidade infantil
• Taxa de mortalidade neonatal precoce
• Taxa de mortalidade neonatal tardia
• Taxa de mortalidade pós-neonatal
• Taxa de mortalidade perinatal
• Taxa de mortalidade em menores de cinco anos
• Razão de mortalidade materna
• Mortalidade proporcional por grupos de causas
• Mortalidade proporcional por causas mal definidas
• Mortalidade proporcional por doença diarreica aguda em menores de 
 cinco anos 
• Mortalidade proporcional por infecção respiratória aguda em menores 
 de cinco anos
• Taxa de mortalidade específica por doenças do aparelho circulatório
• Taxa de mortalidade específica por causas externas
• Taxa de mortalidade específica por neoplasias malignas
• Taxa de mortalidade específica por acidentes do trabalho
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
22
• Taxa de mortalidade específica por diabetes melito
• Taxa de mortalidade específica por aids
• Taxa de mortalidade específica por afecções originadas no período
 perinatal
• Taxa de mortalidade específica por doenças transmissíveis
4. Indicadores de morbidade e fatores de risco
• Incidência de sarampo
• Incidência de difteria
• Incidência de coqueluche
• Incidência de tétano neonatal
• Incidência de tétano (exceto o neonatal)
• Incidência de febre amarela
• Incidência de raiva humana
• Incidência de hepatite B
• Incidência de hepatite C 
• Incidência de cólera
• Incidência de febre hemorrágica da dengue
• Incidência de sífilis congênita
• Incidência de rubéola
• Incidência de síndrome da rubéola congênita
• Incidência de doença meningocócica 
• Taxa de incidência de aids
• Taxa de incidência de tuberculose
• Taxa de incidência de dengue 
• Taxa de incidência de leishmaniose tegumentar americana
• Taxa de incidência de leishmaniose visceral
• Taxa de detecção de hanseníase
• Índice parasitário anual (IPA) de malária
• Taxa de incidência de neoplasias 
• Taxa de incidência de doenças relacionadas ao trabalho
• Taxa de incidência de acidentes do trabalho típicos 
• Taxa de incidência de acidentes do trabalho de trajeto
• Taxa de prevalência de hanseníase
• Taxa de prevalência de diabetes melito
• Índice CPO-D
• Proporção de crianças de cinco a seis anos com índice CPOD = 0
• Proporção de internações hospitalares (SUS) por grupos de causas
• Proporção de internações hospitalares (SUS) por causas externas
23
• Proporção de internações hospitalares (SUS) por afecções originadas 
 no período perinatal
• Taxa de prevalência de pacientes em diálise (SUS)
• Proporção de nascidos vivos por idade materna
• Proporção de nascidos vivos de baixo peso ao nascer
• Taxa de prevalência de déficit ponderal para a idade em crianças
 menores de cinco anos
• Taxa de prevalência de aleitamento materno
• Taxa de prevalência de aleitamento materno exclusivo
• Taxa de prevalência de fumantes regulares de cigarros
• Taxa de prevalênciade excesso de peso
• Taxa de prevalência de consumo excessivo de álcool
• Taxa de prevalência de atividade física insuficiente
• Taxa de prevalência de hipertensão arterial
5. Indicadores de recursos
• Número de profissionais de Saúde por habitante
• Número de leitos hospitalares por habitante
• Número de leitos hospitalares (SUS) por habitante
• Gasto público com Saúde como proporção do PIB 
• Gasto público com Saúde per capita
• Gasto federal com Saúde como proporção do PIB
• Gasto federal com Saúde como proporção do gasto federal total
• Despesa familiar com Saúde como proporção da renda familiar
• Gasto médio (SUS) por atendimento ambulatorial 
• Valor médio pago por internação hospitalar no SUS (AIH) 
• Gasto público com saneamento como proporção do PIB 
• Gasto federal com saneamento como proporção do PIB
• Gasto federal com saneamento como proporção do gasto federal total
• Número de concluintes de cursos de graduação em Saúde
• Distribuição dos postos de trabalho de nível superior em
 estabelecimentos de Saúde
• Número de enfermeiros por leito hospitalar
6. Indicadores de cobertura
• Número de consultas médicas (SUS) por habitante
• Número de procedimentos diagnósticos por consulta médica (SUS)
• Número de internações hospitalares (SUS) por habitante
• Proporção de internações hospitalares (SUS) por especialidade
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
24
• Cobertura de consultas de pré-natal
• Proporção de partos hospitalares 
• Proporção de partos cesáreos
• Razão entre nascidos vivos informados e estimados
• Razão entre óbitos informados e estimados
• Cobertura vacinal 
• Proporção da população feminina em uso de métodos anticonceptivos
• Cobertura de planos de saúde
• Cobertura de planos privados de saúde
• Cobertura de redes de abastecimento de água
• Cobertura de esgotamento sanitário
• Cobertura de coleta de lixo
Esses indicadores são apresentados em uma matriz que engloba, para ca-
da um, conceito, interpretação, usos, fontes, maneira de cálculo, categorias 
sugeridas para análise e limitações. Aparecem na publicação especial Indica-
dores Básicos para a Saúde no Brasil: conceitos e aplicações, cuja primeira edi-
ção é de 2002 e a segunda, de 2008 – a terceira encontra-se em preparação. 
Em meio eletrônico estão disponíveis em <www.ripsa.org.br>. Risi Júnior 
(2009) salienta que para cada indicador há uma ficha de qualificação, aces-
sível na própria base de dados, que se destina a auxiliar os usuários na com-
preensão do significado dos dados divulgados no IDB, mostrando seu uso 
potencial. Os indicadores são calculados e revisados por Comitês de Especia-
listas, fornecendo, dessa forma, os dados mais corretos, precisos e oportunos 
sobre a Saúde no país.
A qualidade da informação é preocupação constante dos membros da 
Ripsa, que buscam, incessantemente, o aprimoramento de seus dados e uma 
melhor e mais oportuna informação, capaz de gerar ações governamentais 
mais adequadas, com vistas à elevação dos níveis de saúde da população.
O médico nesse contexto
Marin (2010) destaca o fato de que todo e qualquer atendimento em saú-
de pressupõe o envolvimento e a participação de múltiplos profissionais. Para 
o médico, em particular, essas informações são de extrema importância, po-
dendo ser vistas tanto como um insumo ao seu bom e adequado atendimento 
(porque baseado em evidências), como uma forma de gerar as informações 
25
necessárias, visto que é ele quem produz, como fonte primária, grande parte 
dos dados necessários à construção dos indicadores de saúde.
É o médico o responsável, direta ou indiretamente, pela atestação ou de-
claração das diferentes variáveis incluídas nas fontes de dados – como as de 
mortalidade, por exemplo –, responsabilidade essa estabelecida legalmente 
no país (BRASIL, 1973; CFM, 2010) e que se estende, inclusive, à declaração 
da causa da morte.
É o médico quem faz o diagnóstico das doenças de notificação compul-
sória, além de também corresponder a esse profissional a responsabilidade 
pela elaboração do prontuário do paciente internado, uma importante fonte 
do Sistema de Informações Hospitalares e do Sistema de Informações sobre 
Nascidos Vivos.
Por outro lado, o médico, enquanto usuário da informação, necessita 
conhecer os aspectos epidemiológicos das doenças ligadas às suas especiali-
dades, como incidência, prevalência e letalidade de cada patologia, sua dis-
tribuição segundo variáveis biológicas e sociais e os fatores de risco/proteção 
para a mortalidade de cada uma, em cada área, em cada momento. (LAU-
RENTI; GOTLIEB; MELLO JORGE, 2005; MELLO JORGE; KOIZUMI, 
2012; MELLO JORGE, 2014). A Epidemiologia, mais do que qualquer outra 
ciência, contribui para a compreensão das causas de morte – inclusive as evi-
táveis – e auxilia na investigação do processo saúde-doença em seu contexto 
social.
San Martin, em 1960, já chamava atenção para o fato de que a manu-
tenção da saúde e o controle das doenças em uma população exigem que se 
conheçam quantas e quais são as enfermidades existentes, bem como sua 
distribuição geográfica. A primeira responsabilidade de um serviço de saú-
de corresponde à coleta e à análise das estatísticas vitais e de todos os dados 
estatísticos que têm relação com a Saúde Pública. Ressalta o autor que, para 
tanto, o médico tem um papel fundamental, visto que é ele o responsável pe-
los registros de nascimentos e de mortes, pela declaração dos casos de doen-
ças infecciosas notificáveis, bem como dos registros hospitalares, que se cons-
tituem no ponto de partida para a elaboração das referidas estatísticas (SAN 
MARTIN, 1960).
Alinhado a esse pensamento, Swaroop (1966) vai mais longe em suas ob-
servações, mostrando, inclusive, como corrigir e melhorar essas estatísticas e, 
assim como San Martin, exaltando também o papel do médico nesse contexto.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
26
Referências
ALMEIDA, M. F.; ALENCAR, G. P. Informação em saúde: necessidade de introdução de me-
canismos de gerenciamento dos sistemas. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 9, 
n. 4, p. 241-249, 2000.
BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos e dá ou-
tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1973. Seção 1, p. 13528.
______. Ministério da Saúde. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde. 
Brasília, DF: Ministério da Saúde, v. 1.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 1.931, de 17 de setembro de 
2009. Aprova o Código de Ética Médica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2010.
FRANÇA, T. Sistema de Informação em Atenção Básica: um estudo exploratório. 2001. Disser-
tação (Mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswal-
do Cruz, Rio de Janeiro, 2001.
LAURENTI, R.; GOTLIEB, S. L. D.; MELLO JORGE, M. H. P. Perfil epidemiológico da po-
pulação brasileira. In: MORAES, I. N. Tratado de cirurgia. São Paulo: ROCA, 2005. v. 2, 
cap. 14.
MARIN, H. F. Sistemas de informação em saúde: considerações gerais. Journal of Health In-
formatics, São Paulo, v. 2, n. 1, p. 20-24, 2010.
MELLO JORGE, M. H. P. Mortalidade na adolescência: o futuro comprometido In: SAITO, M. 
I.; VARGAS DA SILVA, L. E.; LEAL, I. N. Adolescência, prevenção e risco. 3. ed. São Paulo: 
Atheneu, 2014. Cap. 47.
MELLO JORGE, M. H. P; KOIZUMI, M. S. Epidemiologia do trauma no Brasil. In: ABIB, S. C. 
V.; PERFEITO, J. A. J. Trauma: guia de medicina ambulatorial e hospitalar da Unifesp. São 
Paulo: Manole, 2012. p. 15-28.
MELLO JORGE, M. H. P.; LAURENTI, R.; GOTLIEB, S. L. D. Avaliação dos sistemas de infor-
mação em saúde no Brasil. Cadernos de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 7-18, 
2010.
MORAES, I. H. S. Informações em saúde: da prática fragmentada ao exercício da cidadania. 
Rio de Janeiro: Hucitec, 1994.
NORDENFELT, L. Causes of Death: a Philosophical Essay. Estocolmo: FRN, 1983.
PINTO FERREIRA, S. M. Diálogo necessário entre bibliotecaspúblicas universitárias e socie-
dade. In: PINTO FERREIRA, S. M.; TARGINO, M. G. (Orgs.). Conhecimento: custódia e 
acesso. São Paulo: Sistema Integrado de Bibliotecas USP, 2012. p. 11-13.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE. Indicadores básicos para a 
saúde no Brasil: conceitos e aplicações. Brasília, DF: OPS/OMS, 2002.
______. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília, DF: 
OPS/OMS, 2008.
RISI JÚNIOR, J. B. Rede Interagencial de Informações para a Saúde (Ripsa): dez anos de de-
senvolvimento. In: BRASIL. Ministério da Saúde; Organização Panamericana da Saúde; 
Fundação Oswaldo Cruz. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde. 
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009.
SAN MARTIN, E. Salud y enfermedad. 2. ed. México: La Prensa Médica Mexicana, 1960.
SANTOS, H. L. Novas tecnologias da informação e os sistemas de informações sobre mortalidade 
e sobre nascidos vivos: potencialidades de uso na Secretaria Estadual de Saúde do Rio de 
Janeiro. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2001. Disponível em: http://www.arca.
fiocruz.br/handle/icict/5161. Acesso em: 22 mar. 2017.
SCATENA, J. H. G.; TANAKA, O. Y. Utilização do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/
SUS) e do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) na análise da descentralização 
27
da Saúde em Mato Grosso. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 10, n. 1, p. 19-
30, 2001.
SILVA, A. S.; LAPREGA, M. R. Avaliação crítica do Sistema de Informação em Atenção Básica 
e de sua implantação na região de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pú-
blica, Rio de Janeiro, v. 21, n. 6, p. 1821-1826, 2005. 
SWAROOP, S. Estadística sanitária. México: Fondo de Cultura Económica, 1966.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Design and Implementation of Health Information Sys-
tems. Geneva: WHO, 2000. 
 
29
CAPÍTULO
2
Informações sobre mortalidade
O início. Um pouco de história
A origem da estatística médica remonta à Londres do final do século 
XVI. Esse fato está muito bem documentado em textos médicos, de Epide-
miologia e de Saúde Pública, que dão conta de quanto a peste assolou a po-
pulação daquela cidade em torno de 1592. Por esse motivo, naquele ano foi 
emitido um decreto que determinava que 
em todas as cerimônias de enterro, nas paróquias, deveria ser indi-
cada uma pessoa para inspecionar o morto antes de ser o mesmo 
enterrado, além de se certificar sobre qual a possível doença que ha-
via levado à morte. A partir dessa disposição legal, para cada caso, 
cabia ao pároco fazer uma lista das mortes, com as características 
individuais de cada falecido, acrescidas da causa da morte. (NOR-
DENFELT, 1983, p. 4, tradução nossa)
Em 1662, surgiu o trabalho clássico de John Graunt, Natural and Political 
Observations Made upon the Bills of Mortality, no qual há uma descrição de-
talhada dessas listas, chamadas “bills of mortality”, que vinham sendo rotinei-
ramente elaboradas desde 1592. Graunt descreveu todas as características dos 
mortos, como sexo, idade, residência urbana ou rural e outras variáveis, asso-
ciando-as à causa da morte elencada na lista (NORDENFELT, 1983). Deram-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
30
se dessa forma os primeiros registros de informações sobre características da 
mortalidade – no caso, referentes à cidade de Londres. 
Graunt, embora não fosse médico nem estatístico, fez uma brilhante dis-
cussão a respeito das características da mortalidade, incluindo comentários 
lógicos a respeito da validade de alguns diagnósticos, e também estabeleceu – 
o que é muito interessante – pela primeira vez a distinção entre morte devida 
a uma doença e morte com uma doença. Foi Graunt quem determinou que 
cada morte deveria ser registrada como devida a uma só causa, o que passou 
a ser uma regra em todas as cidades ou países que começavam, então, a ela-
borar suas estatísticas de mortalidade.
Várias características da natalidade e da mortalidade foram descritas por 
Graunt, quase todas pela primeira vez, como, entre outros, o fato de nasce-
rem mais homens e, em todas as idades, morrerem mais homens, restando, 
assim, maior número de mulheres com idades mais avançadas. Uma preocu-
pação expressa nos seus escritos era a questão de as causas de morte serem 
apresentadas segundo uma lista, isto é, uma classificação ou, como ele mes-
mo dizia, “uma nomenclatura”. Graunt acreditava que se deveria utilizar uma 
mesma “lista” de causas nacionalmente, o que deveria ser feito em todas as 
cidades que apresentassem estatísticas de mortalidade segundo causas. Entre-
tanto, foi somente em 1837 que a Inglaterra adotou o “Registration Act”, que 
tornou obrigatório o registro das causas de morte em escala nacional.
Na ocasião, não eram somente os médicos os responsáveis pela declara-
ção da causa da morte, mas qualquer pessoa que tivesse conhecido o falecido, 
fato que fazia com que a terminologia utilizada não fosse uniforme. Em 1874, 
foi dado um importante passo ao se criar o “Birth and Death Registration 
Act”, no qual passou a haver, entre outros pontos, a obrigatoriedade de que 
um médico deveria assinar o atestado de óbito, indicando a causa da morte 
(NORDENFELT, 1983).
O criador dessa versão moderna das estatísticas vitais inglesas foi William 
Farr, médico-estatístico, na época, na chefia do Registrar General’s Office. 
Também se devem a Farr os esforços no sentido de elaborar uma classificação 
morfológica para apresentar as causas de morte. É dele a proposta das bases 
para uma classificação de causas de morte com finalidades estatísticas, visto 
que tinha uma noção clara da importância de se ter uma nomenclatura e uma 
classificação para sistematizar as causas de morte. 
Em seus escritos, Farr discutia bastante a questão da causa, alegando 
que ela poderia tanto estar relacionada ao processo ou à condição originados 
“dentro do corpo do falecido” quanto ser também consequência de um even-
to externo ao corpo. 
31
“Para evitar confusão, devo deixar claro como o termo “causa de 
morte” deve ser aqui entendido; um homem cai de uma altura e 
quebra o pescoço; uma mulher toma arsênico, o qual corrói a pa-
rede de seu estômago e, em ambos os casos, o resultado é a morte. 
O arsênico e a queda, ou a fratura de pescoço e a corrosão de estô-
mago, podem ser vistos como as causas da morte. Ambos poderiam 
ser registrados e ambos poderiam, separadamente, ser considera-
dos” (FARR, 1885, p. 215, tradução nossa).
A discussão de Farr sobre as possíveis diferentes cadeias causais é muito 
importante e de grande interesse para a Medicina. Ele sempre destacava o co-
nhecimento relativo à sequência causal, tanto mais longa quanto possível, vi-
sando encontrar a causa principal da morte, sobre a qual era essencial atuar 
para prevenir novos casos. Farr antecipou, de fato, aspectos da concepção mo-
derna de causa básica da morte, bem como indicou que essa causa poderia, 
também, estar fora do corpo do paciente, como uma causa ambiental (causa 
externa), e não apenas como uma causa médica (causa natural), como referido.
Os fundamentos das estatísticas médicas internacionais
Esse título aparece dessa maneira em várias publicações (FARR, 1885; 
GREENWOOD, 1948; NORDENFELT, 1983) referindo-se a diferentes pro-
cessos, mas, a rigor, ele deveria ser relacionado aos “fundamentos das estatís-
ticas internacionais de mortalidade”. De fato, as estatísticas de mortalidade, 
isto é, aquelas baseadas nos dados de mortalidade, se constituíram, como já 
mencionado, nas primeiras estatísticas médicas e, ainda hoje, são considera-
das “as mais importantes estatísticas médicas” (JOHANSSON, 2008).
Sentia-se a necessidade, amplamente discutida por Farr, de se criarem es-
tatísticas de mortalidade internacionalmente comparáveis. Essa ideia ganhou 
força no primeiro Congresso Internacional de Estatística, realizado em Bru-
xelas, em 1853. Na ocasião, expressou-se o desejo de que todos os países se-
guissem o exemploda Inglaterra e de alguns poucos outros, bem como a ideia 
de que a elaboração das estatísticas de mortalidade deveria basear-se na in-
formação médica. Esse pensamento intensificou-se no segundo Congresso, 
em 1855, quando também foi recomendado o uso de uma nomenclatura para 
classificar as causas de morte declaradas pelos médicos nos atestados de óbito. 
Esses comentários avançaram bastante, particularmente a partir das des-
cobertas e propostas de Farr, e foram fortalecidos pela importante figura do 
francês Jacques Bertillon (1851-1922), que muito batalhou para que os paí-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
32
ses tivessem estatísticas de mortalidade comparáveis e passassem a usar uma 
classificação das causas de morte. 
No Congresso Internacional de Estatística, em Chicago, em 1893, Ber-
tillon apresentou sua proposta de classificação de causas de morte. Essa pro-
posta foi aprovada e passou a ser, quase que imediatamente, adotada por 
vários países. Estados Unidos, México e Canadá foram os primeiros a utili-
zá-la, e propuseram, também, que fossem feitas revisões decenais dessa clas-
sificação, o que ocorreu nos anos de 1900, 1909, 1920, 1929 e 1938. Nesse 
período, ficou bem clara a noção de que para cada morte deveria constar 
apenas uma causa. Devido ao fato de os médicos declararem mais de uma 
causa para cada falecido, no atestado de óbito, foram criadas guias ou regras 
para selecionar a principal causa de morte, conhecida, a partir de 1948, co-
mo causa básica da morte.
Naquele ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS), logo após ser 
criada, aprovou a Sexta Revisão Decenal da Classificação Internacional de 
Doenças (CID-6) (WHO, 1948), dando início, assim, a uma nova era no cam-
po das estatísticas vitais e de Saúde, na qual se destacava o papel do médico 
no sistema de produção de estatísticas de mortalidade e de saúde em geral.
Se em 1847, na Inglaterra, tornou-se obrigatório, pela primeira vez, o pre-
enchimento do atestado de óbito pelo médico com a assinatura deste – o que 
depois se estendeu a outras nações –, com a revisão da OMS de 1948 ampliou-
se o papel do médico em todos os países. Criou-se assim um modelo de de-
claração de causa de morte para uso internacional e definiu-se qual causa da 
morte deveria aparecer nas estatísticas, fazendo-se necessário orientar o médi-
co no preenchimento da Declaração de Óbito. As propostas e recomendações 
da OMS pretendiam que todos os médicos do mundo passassem a declarar a 
causa da morte da mesma maneira e em um mesmo tipo de documento, pos-
sibilitando, assim, a comparabilidade entre os dados nas diferentes localidades.
Naquela ocasião, foram estabelecidos e aprovados pela OMS:
1) A Classificação Estatística Internacional de Doenças, Lesões e Causas 
de Morte, que passou a ser a sexta revisão, conhecida como CID-6, e 
que passava a prever revisões decenais
2) O atestado médico da causa da morte para uso internacional, deter-
minando a maneira correta de fazer a atestação da causa
3) A definição da causa da morte, que foi denominada “causa básica da 
morte”
4) Regras para a seleção de causa básica da morte, quando mais de uma 
causa fossem mencionadas pelo médico no atestado de óbito e
33
5) As tabulações para apresentar as causas básicas da morte e as causas 
múltiplas
As definições e propostas da Organização Mundial de Saúde
para orientar o médico no preenchimento do atestado de óbito
Incluídas no corpo da sexta revisão da Classificação Internacional de 
Doenças (CID-6) (WHO, 1948), aprovada pela OMS em 1948, as definições 
de causas e eventos, assim como o modelo da Declaração de Óbito para uso 
internacional, surgiram para orientar os médicos no trabalho de registro 
das informações. Também tinham a função de nortear os serviços de Saúde 
quanto aos procedimentos relativos à seleção da causa de morte, as regras e as 
propostas para tabulações de mortalidade.
Aprovadas na CID-6 e, em seguida, referendadas nas sucessivas revisões 
– até a mais recente, CID-10 (OMS, 1995) –, às vezes com pequenas modifi-
cações, as definições aparecem assim:
Causas de morte: são aquelas registradas pelo médico no atestado de 
óbito e definidas como “todas as doenças, afecções mórbidas ou lesões que 
ou produziram a morte ou contribuíram para ela e as circunstâncias do aci-
dente ou violência que produziram quaisquer de tais lesões” (OMS, 1995, 
p. 30). O propósito da definição foi assegurar que toda informação relevan-
te fosse registrada e que o atestante não escolhesse algumas afecções para 
menção e rejeitasse outras. É importante notar que a definição não incluía 
sintomas ou modos de morrer, tais como insuficiência cardíaca ou insufi-
ciência respiratória.
Causa básica da morte: na Sexta Conferência Internacional para a Re-
visão Decenal, houve um acordo no sentido de definir que a causa de morte, 
para a tabulação primária, fosse designada como “causa básica de morte”. Do 
ponto de vista de prevenção da morte, era necessário interromper a cadeia de 
eventos ou instituir a cura em algum ponto, visto que o objetivo mais eficaz 
em Saúde Pública foi, sempre, o de prevenir a ação da causa precipitante. Para 
esse fim, a causa básica tem sido definida como:
(a) a doença ou lesão que iniciou a cadeia de acontecimentos pato-
lógicos que conduziram diretamente à morte, ou (b) as circunstân-
cias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. (OMS, 
1995, p. 31)
Para a consecução dos objetivos do registro das causas de morte, o médi-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
34
co precisa conhecer bem essa definição, assim como a maneira de declará-la 
no atestado de óbito.
O modelo internacional de atestado médico da causa de morte
Até a adoção da CID-6, cada país usava, como já mencionado, um mo-
delo de Declaração de Óbito – alguns países, mais de um modelo. Na CID-6, 
o modelo proposto apresentava apenas três linhas – “a”, “b” e “c” – na primei-
ra parte, para o médico declarar as causas de morte, incluindo a causa básica. 
Em 1990, a quadragésima terceira Assembleia Mundial de Saúde adotou re-
comendação de que, onde fosse necessário, os países deveriam considerar a 
possibilidade de uma linha adicional (“d”) na “Parte I” do atestado. É respon-
sabilidade do médico que assina o atestado de óbito indicar corretamente, a 
partir da causa básica, quais as causas (diagnósticos) que conduziram direta-
mente à morte, ou seja, a partir da causa básica, declarar quaisquer afecções 
antecedentes à causa direta.
O modelo do atestado de óbito para o registro das causas apresentado 
a seguir destina-se a facilitar a declaração da causa básica. Na “Parte I” do 
modelo, a causa básica deve ser declarada em último lugar, na linha mais bai-
xa (geralmente, mas não obrigatoriamente, a linha “d”). Entre esta e a cau-
sa direta da morte (linha “a”), as causas declaradas são chamadas “causas an-
tecedentes à terminal” ou “consequentes à básica”. A “Parte II” destina-se a 
afecções (causas, diagnósticos) contribuintes para a morte, porém não rela-
cionadas à cadeia de causas declaradas na Parte I.
As partes I e II correspondem ao “atestado das causas de morte”, de dese-
nho absolutamente igual em todos os países do mundo (Figura 2.1).
Figura 2.1
Modelo internacional de atestado médico para a declaração
das causas de morte
 
Se houver um único elo na cadeia de acontecimentos, é suficiente uma 
CAUSAS DA MORTE
PARTE I
Doença ou estado mórbido que causou
diretamente a morte
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, que
produziram a causa acima registrada,
mencionando-se em último lugar
a causa básica.
PARTE II
Outras condições significativas que contri-
buíram para a morte, e que não entraram,
porém, na cadeia acima
40 ANOTE SOMENTE UM DIAGNÓSTICO POR LINHA Tempo estimado entre o início da 
doença e a morte:
CID
a
b
c
d
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
35
menção na linha “a”.Se houver mais de um elo, a causa direta é registrada 
em “a”, e a causa antecedente originária é registrada por último, enquanto 
qualquer causa interveniente é listada nas linhas “b” ou “c”. Um exemplo de 
atestado de óbito com quatro elos na cadeia dos acontecimentos que condu-
zem diretamente à morte é o expresso na Figura 2.2.
Figura 2.2
A “Parte II” destina-se a qualquer outra afecção significativa que te-
nha contribuído para o evento fatal, mas não relacionada com a doença ou 
afecção que causou diretamente a morte, lembrando que podem ser des-
critas nesse item, por exemplo, síndrome de Down, desnutrição, diabetes, 
entre outros.
Após as palavras “devido a” ou “como consequência de”, que no atestado 
aparecem abaixo das linhas “a”, “b” e “c”, devem ser incluídas não apenas a 
causa direta ou processo patológico, mas também as causas indiretas, como, 
por exemplo, quando uma causa antecedente se predispôs à causa direta por 
lesão dos tecidos ou deficiência de função, mesmo após um longo intervalo.
A partir do momento em que se adotou o modelo internacional para a 
declaração das causas nos atestados de óbito, houve grande preocupação dos 
países em treinar os médicos quanto ao seu preenchimento. Surgiram, assim, 
várias publicações de órgãos de Epidemiologia e estatísticas a esse respeito. 
Algumas delas, embora escritas há bastante tempo, podem ainda ser conside-
radas úteis e atuais (LOGAN, 1964; MORIYAMA, 1956).
O problema do tempo
Anotar o intervalo aproximado (minutos, horas, dias, semanas, meses ou 
anos) entre o início de cada afecção e a data da morte ajuda o médico que 
atesta o óbito a estabelecer a cadeia dos acontecimentos que conduziram à 
morte, sendo útil também para, posteriormente, orientar o codificador na se-
leção dos códigos apropriados.
CAUSAS DA MORTE
PARTE I
Doença ou estado mórbido que causou
diretamente a morte
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, que
produziram a causa acima registrada,
mencionando-se em último lugar
a causa básica.
PARTE II
Outras condições significativas que contri-
buíram para a morte, e que não entraram,
porém, na cadeia acima
40 ANOTE SOMENTE UM DIAGNÓSTICO POR LINHA Tempo estimado entre o início da 
doença e a morte:
CID
a
b
c
d
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Embolia pulmonar
Fratura patológica
Carcinoma secundário do fêmur
Carcinoma de mama
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
36
As causas de morte. Causa básica e causas múltiplas
A causa básica dá origem a uma sucessão de afecções que são chamadas 
causas consequenciais; entre estas, a última é denominada causa imediata ou 
direta da morte. Outras causas que não entram na cadeia iniciada pela básica 
– e que, no atestado, devem ser declaradas na “Parte II” – são denominadas 
causas contributórias.
As afecções consequenciais e as contributórias vão se constituir no con-
junto de causas associadas (LAURENTI, 1973). Entretanto, para efeitos de ta-
bulação de mortalidade, há muito se adota o critério de atribuir a cada óbito 
uma só causa (LAURENTI, 1973), razão pela qual as estatísticas de morta-
lidade são apresentadas, sempre, segundo causas básicas. O avanço tecnoló-
gico, entretanto, permite que se conheça, também, a mortalidade segundo 
causas múltiplas – básica e associadas –, que podem ser registradas nas decla-
rações de óbito e cujo estudo oferece uma vasta gama de informações.
Dorn, desde a década de 1960 (DORN; MORIYAMA, 1964), enfatizava a 
importância desse estudo, mostrando a contribuição que a análise da associa-
ção de causas poderia trazer ao conhecimento sobre cada patologia.
Uma primeira possibilidade é a de que ela permite evidenciar, para cada 
causa básica, quais as consequências mais frequentes, pensando em termos 
de prevenção da morte, não somente a nível primário. Outro tipo de estudo é 
o referente a duas causas específicas, não se considerando as consequenciais, 
mas, sim, a básica e a contributória. Laurenti, em 1973, já mencionava, por 
exemplo, a importância, para estudos epidemiológicos das doenças crônicas, 
da associação entre o diabetes e as doenças arteriais, hipertensão, cardiopa-
tias, nefropatias, entre outras; com relação às causas infecciosas em crianças, 
chamava atenção para o binômio infecção-desnutrição, sendo a primeira a 
básica, e a segunda, contributória (LAURENTI, 1973).
Além disso, é importante salientar que, como as populações estão enve-
lhecendo – e, consequentemente, acumulando morbidades –, o número de 
diagnósticos médicos por atestado de óbito vem aumentando, o que faz ele-
var-se, também, a possibilidade do estudo das causas múltiplas.
Assim, é possível conhecer, para cada causa:
• O número de vezes que aparece citada e, dentre essas, quantas vezes é 
selecionada como básica
• Quando uma causa é considerada básica, a quais causas ela pode estar 
associada
• Quando uma causa aparece como associada, a quais causas básicas está 
ligada, evidenciando a importância do estudo de associação de causas
A apuração de todos os diagnósticos informados nos atestados de 
37
óbito permite o reconhecimento da frequência de doenças não seleciona-
das como básica, inclusive as que raramente são apuradas, um dado de con-
siderável utilidade para o estudo da história natural das entidades mórbidas 
(LAURENTI, 1973). Ishitani e França comentam que o estudo das causas 
múltiplas, além da básica, vai se constituir em um avanço nos estudos de 
mortalidade, principalmente no momento em que a expectativa de vida e a 
importância das doenças crônico-degenerativas aumentam na população 
mundial (ISHITAMI; FRANÇA, 2001).
A escolha (seleção) da causa básica da morte quando o médico
não declara corretamente a sequência das causas
Muitas vezes, o médico não sabe onde ou como declarar a causa básica 
da morte no atestado de óbito, mencionando-a em qualquer posição. Não ra-
ro, também, o médico declara apenas uma causa terminal sem nenhum outro 
antecedente. São os casos em que são registradas “parada cardíaca”, “falência 
de múltiplos órgãos”, “insuficiência respiratória”, entre outras.
O que fazer nesses casos? Não cabe a esta apresentação descrever os pro-
cedimentos adotados pelos serviços de Saúde para selecionar a causa básica, 
mas tão somente informar de sua existência aos médicos. Esses procedimen-
tos são chamados “regras internacionais para seleção da causa básica” ou “re-
gras para a seleção da causa antecedente originária”.
As “regras de seleção” baseiam-se na chamada “sequência”, que se refe-
re ao fato de duas ou mais causas serem declaradas em linhas sucessivas da 
“Parte I”, sendo cada diagnóstico uma causa aceitável como devida àquela de-
clarada na linha anterior. Quando esse procedimento é feito corretamente, ou 
seja, quando a parte médica do atestado de óbito foi bem preenchida, respei-
tando uma sequência lógica entre as causas descritas na “Parte I”, culminando 
na causa básica declarada na última linha, chama-se “princípio geral”. Quan-
do este não se aplica, recorre-se às chamadas regras de seleção 1, 2 e 3 e sele-
ciona-se, assim, a causa básica. Uma vez selecionada a causa básica, ela pode 
ser alterada por meio de seis regras conhecidas como “regras de modificação” 
(regras A, B, C, D, E e F).
A operação para selecionar a causa básica não é simples. Ela é feita por 
técnicos especializados e bem treinados, os chamados “codificadores da 
causa de morte”, que existem em todas as secretarias de Saúde municipais 
e estaduais do Brasil. Ficam, assim, evidentes a importância e a necessidade 
de o médico preencher corretamente a parte médica da Declaração de Óbi-
to, incluindo a causa básica na última linha da “Parte I”, bem como a sequ-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
38
ência entre ela e a primeira linha (“a”). Quando isso ocorre, a causa básica é 
facilmente escolhida.
Exemplos de atestados de óbito bem preenchidos com relação à causa
Apresenta-seneste item alguns exemplos de histórias clínicas, demons-
trando claramente como deveriam ser preenchidos os atestados de óbito. Pa-
ra maiores esclarecimentos sobre o assunto, ver Brasil (2009a) e Laurenti e 
Mello Jorge (2008; 2015).
Caso I – feminino, dois anos
Há três dias com diarreia e vômitos. Por vários motivos não foi trazida ao 
PS; veio hoje e estava extremamente desidratada, ofegante e reagindo pouco aos 
estímulos. Ao serem iniciados os procedimentos, vomitou um pouco e teve para-
da respiratória. Tentadas manobras de ressuscitação, não respondeu e foi consi-
derada morta.
Figura 2.3
Atestado
 
Caso II – masculino, 85 anos
Fez tratamento de diabetes desde os 55 anos de idade e sempre passava 
bem. Há quinze anos, começou a apresentar hipertensão arterial e, uma ou 
duas vezes, teve arritmia; era atendido frequentemente em PS ou com médico 
particular e respondia muito bem ao tratamento. Há três meses, fez consulta de 
rotina e teve como diagnósticos: diabetes mellitus, hipertensão arterial, cardio-
patia hipertensiva (+++) e catarata bilateral. Há cinco dias, teve intensa dor 
pré-cordial, sudorese, tontura e grande mal-estar geral. Foi socorrido em casa e 
o médico informou à família que o paciente havia tido “infarto do miocárdio” e 
poderia fazer tratamento em casa. Passou bem, em repouso absoluto, e há qua-
CAUSAS DA MORTE
PARTE I
Doença ou estado mórbido que causou
diretamente a morte
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, que
produziram a causa acima registrada,
mencionando-se em último lugar
a causa básica.
PARTE II
Outras condições significativas que contri-
buíram para a morte, e que não entraram,
porém, na cadeia acima
40 ANOTE SOMENTE UM DIAGNÓSTICO POR LINHA Tempo estimado entre o início da 
doença e a morte:
CID
a
b
c
d
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Parada respiratória minutos
Extremamente desidratada 3 dias
Gastroenterocolite 3 dias
39
tro horas começou a apresentar “muita falta de ar e tosse com chiado no peito, e 
os dedos e os lábios ficaram roxos”. O médico chegou após três horas e diagnos-
ticou “edema agudo de pulmão”. Morreu após uma hora.
Figura 2.4
Atestado
 
Caso III – Feminino, trinta anos
Foi atacada na rua com arma de fogo pelo ex-marido. Levou dois tiros na 
cabeça e morreu na hora. O corpo foi encaminhado ao IML, onde foi feita ne-
cropsia e o legista preencheu a DO1.
Figura 2.5
Atestado
CAUSAS DA MORTE
PARTE I
Doença ou estado mórbido que causou
diretamente a morte
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, que
produziram a causa acima registrada,
mencionando-se em último lugar
a causa básica.
PARTE II
Outras condições significativas que contri-
buíram para a morte, e que não entraram,
porém, na cadeia acima
40 ANOTE SOMENTE UM DIAGNÓSTICO POR LINHA Tempo estimado entre o início da 
doença e a morte:
CID
a
b
c
d
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Edema agudo de pulmão 4 horas
Cardiopatia Hipertensiva anos
Hipertensão Arterial anos
Diabetes mellitus 30 anos
(1) Assassinato.
CAUSAS DA MORTE
PARTE I
Doença ou estado mórbido que causou
diretamente a morte
CAUSAS ANTECEDENTES
Estados mórbidos, se existirem, que
produziram a causa acima registrada,
mencionando-se em último lugar
a causa básica.
PARTE II
Outras condições significativas que contri-
buíram para a morte, e que não entraram,
porém, na cadeia acima
40 ANOTE SOMENTE UM DIAGNÓSTICO POR LINHA Tempo estimado entre o início da 
doença e a morte:
CID
a
b
c
d
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Devido ou como consequência de:
Lesão crâneo-encefálica 
2 tiros de revólver na cabeça (homicídio)
–
–
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
40
A Declaração de Óbito no Brasil
Os primórdios
No Brasil, como em outros países ocidentais, antes de existirem os re-
gistros oficiais, os óbitos eram anotados pelos párocos em livros ou atas pa-
roquiais. As informações desses registros, inclusive as relacionadas à saúde, 
podem ser recuperadas (MELLO JORGE, 1990). Flamínio Fávero, em seu 
clássico livro Medicina legal, é quem melhor descreve a situação sobre os ates-
tados de óbito no Brasil do século XIX e das primeiras décadas do XX: 
Até há certo tempo, os atestados de óbito em nosso meio não obe-
deciam ao melhor tipo aconselhado pelos entendidos. Os médi-
cos, servindo-se do próprio formulário de receitas, atestavam a 
morte do cliente, sem atender a qualquer nomenclatura e sem cui-
dar das finalidades relevantes de ordem sanitária que o documen-
to iria desempenhar. 
[…] Estes atestados, numa única via, iam para os Cartórios de Re-
gistro Civil, a fim de serem organizados os mapas pelos quais o ser-
viço sanitário, periodicamente, fazia as suas estatísticas. Acontecia, 
entretanto, que, não só os dados eram insuficientes para a elabo-
ração das estatísticas, mas, além disso, continham inúmeros erros, 
justamente, na sua parte capital, representada pela informação so-
bre a causa do óbito. E até certo ponto se explica o mal. Os atesta-
dos de óbito escritos pelo médico, cuja letra tem fama de péssima, e 
com razão, eram lidos e interpretados por leigos em medicina que, 
nem sempre, compreendiam o verdadeiro significado das palavras. 
Essas “traduções traidoras” iam servir, posteriormente, para os fun-
cionários das repartições sanitárias.
Em 1919, Oscar Freire, impressionado com o fato, fêz, pela nossa 
Sociedade de Medicina e Cirurgia, uma campanha para serem os 
óbitos atestados em folhas duplas, onde se contivessem todas as in-
dagações necessárias aos vários misteres que tais documentos devem 
preencher (“Anais Paul. de Med. e Cirg.”, 1919, nº 12). A sua sugestão 
foi posteriormente atendida com a modificação de se chamar “decla-
ração de óbito”, a primeira parte (que iria ser, depois de registrada 
pelo cartório, remetida, por este, ao Serviço Sanitário), e “atestado 
de óbito”, a segunda parte, que deveria ficar arquivada no registro ci-
vil, e esta, evidentemente, com informações mais sintéticas.
41
Atestado o óbito nessa dupla folha, pelo médico, o registro da do-
ença e da causa mortis eram feitos pelo cartório competente, que 
elaborava o necessário mapa, posteriormente, examinado e verifi-
cado pela repartição sanitária, à luz do próprio atestado do médico, 
presente com o mapa.
Percebe-se, desde logo, a vantagem do sistema. As informações são 
completas, tanto quanto possível, e os diagnósticos bem interpreta-
dos porque a verificação dos mapas é feita por médicos que estabe-
lecem o necessário contraste com o original do atestado. Ademais, 
há possibilidade, comumente, de se apurar, ao lado da verdadeira 
causa da morte, a doença na qual essa se instalou. Para isso, os mé-
dicos devem ter presente a nomenclatura internacional das causas 
de óbitos (Classificação de Bertillon) que facilita, muito, a atestação 
do óbito, ou a “Standard Classified Nomenclature of Disease” (New 
York – The Commonwealt Fund – 1935). (FÁVERO, 1962, p. 60-63)
1975/1976
Em 1975, o Ministério da Saúde do Brasil, capitaneado por Paulo de Al-
meida Machado, criou um grupo de trabalho que tinha como fim específi-
co a implantação de um Sistema de Informação em Saúde no país (ver item 
“Concepção e implantação. Breve histórico” deste trabalho); frente à existên-
cia de 43 modelos diferentes do formulário em que eram declaradas as mor-
tes entre nós, estabeleceu que a primeira providência a ser tomada deveria 
ser a de adotar um documento padrão para essa finalidade. Designado co-
mo “Declaração de Óbito” (DO), o documento mantinha, na parte relativa às 
causas de morte, as regras estabelecidas pela Organização Mundial da Saú-
de e uniformizava a maneira de registrar os demais tipos de informação, o 
número de vias e seu fluxo, permitindo, assim, a comparabilidadenacional e 
possibilitando maior racionalização das atividades baseadas nessas informa-
ções (LAURENTI; MELLO JORGE; GOTLIEB, 2006b).
Esse modelo, como produto de avaliações sucessivas, vem sofrendo al-
gumas modificações em sua formatação, visando a uma melhor performance 
das variáveis constantes de seu conteúdo.
O modelo de Declaração de Óbito em vigor no Brasil (2011).
As variáveis constantes do formulário
O modelo de DO em vigor no Brasil, a partir de 2011 (Figura 2.6) é com-
posto por três vias autocopiativas e numeradas sequencialmente. As 59 variá-
veis que abrange estão divididas em nove blocos, como descrito a seguir:
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
42
Bloco I (campos 1 a 14) – identificação:
 1. Tipo de óbito (fetal ou não)
 2. Data do óbito/hora
 3. Cartão SUS
 4. Naturalidade
 5. Nome do falecido
 6. Nome do pai
 7. Nome da mãe
 8. Data de nascimento
 9. Idade
10. Sexo
11. Raça/cor
12. Situação conjugal
13. Escolaridade (última série concluída)
14. Ocupação habitual
Bloco II (campos 15 a 19) – residência:
15. Logradouro
16. CEP
17. Bairro/distrito
18. Município de residência
19. UF
Bloco III (campos 20 a 26) – ocorrência:
20. Local de ocorrência do óbito
21. Estabelecimento
22. Endereço de ocorrência
23. CEP
24. Bairro/distrito
25. Município de ocorrência
26. UF
Bloco IV (campos 27 a 36) – fetal ou menor que um ano – informações 
sobre a mãe:
27. Idade
28. Escolaridade (última série concluída)
29. Ocupação habitual
30. Número de filhos tidos
31. Número de semanas de gestação
43
32. Tipo de gravidez
33. Tipo de parto
34. Morte em relação ao parto
35. Peso ao nascer
36. Número da Declaração de Nascido Vivo
Bloco V (campos 37 a 40) – condições e causas do óbito:
37. Óbitos de mulher em idade fértil (a morte ocorreu durante a
 gravidez, parto ou puerpério)
38. Assistência médica
39. Diagnóstico confirmado por necropsia
40. Causas da morte
PARTE I – destinada à anotação das causas que levaram à morte:
Letra a: causa terminal estados mórbidos que produziram a causa regis-
trada na letra a (causas antecedentes ou consequenciais – listar b e c) e a 
causa básica – letra d.
PARTE II – destinada à anotação de outras condições significativas que 
contribuíram para a morte, porém não fizeram parte da cadeia referida 
na “Parte I”.
• Tempo aproximado entre o início da doença e a morte.
• Os espaços destinados aos códigos da CID são destinados à codificação
 e não devem, portanto, ser preenchidos pelo médico.
Bloco VI (campos 41 a 47) – médico:
41. Nome
42. CRM
43. Condição do médico atestante
44. Município e UF do SVO ou IML
45. Meio de contato
46. Data do atestado
47. Assinatura
Bloco VII (campos 48 a 52) – causas externas:
48. Tipo
49. Acidente de trabalho
50. Fonte de informação
51. Descrição sumária do evento e tipo de local de ocorrência
52. Endereço
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
44
Bloco VIII (campos 53 a 57) – cartório:
53. Cartório
54. Registro
55. Data
56. Município
57. UF
Bloco IX (campos 58 e 59) – localidade sem médico:
58. Declarante
59. Testemunhas
A legislação brasileira referente à obrigatoriedade
do médico em fornecer a Declaração de Óbito
O médico representa, na legislação brasileira, a figura central no even-
to óbito. Código civil, Código penal e Processo penal, Consolidação das Leis 
do Trabalho e Lei dos Registros Públicos fazem menção a esse papel, e leis 
complementares e esparsas, além do Código de Ética Médica e Resoluções do 
Conselho Federal de Medicina, regulamentam a matéria, determinando re-
gras e estabelecendo competências.
Nesse sentido, a Lei dos Registros Públicos define, em seu artigo 77, que:
Nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial de regis-
tro do lugar do falecimento, extraída após a lavratura do assento de 
óbito, em vista do atestado de médico. (BRASIL, 1973)
Ou seja, o preenchimento desse documento compete única e exclusiva-
mente a esse profissional, constituindo-se, em exceção, somente os casos em 
que não haja médico na localidade.
Quanto a estabelecer que médico deve ser o responsável, em que situa-
ções está ele obrigado por lei a fazê-lo e quando pode eximir-se dessa tarefa, 
é matéria discutida em publicações específicas (BRASIL, 2009a; LAURENTI; 
MELLO JORGE, 2015). Em linhas gerais, é possível determinar como divisor 
de águas o fato de a causa da morte ter sido natural ou decorrente de evento 
externo (acidental ou intencional).
O Código de processo penal (CPP) brasileiro, ao mencionar a questão das 
provas, em Direito, determina em seu artigo 159 que peritos oficiais “são os 
responsáveis pelo exame de corpo de delito”, o que remete à obrigatoriedade 
45
de necropsia – nos institutos de Medicina Legal – para as pessoas vítimas de 
morte por causas violentas (BRASIL, 2014a). 
Em resumo, pode-se dizer que:
Óbitos por causas não naturais: devem ter DO fornecida por peri-
to legista do IML
Óbitos por causas naturais: devem ter DO fornecida pelo médico 
que tratava do falecido, admitidas algumas exceções impostas 
por legislação especial
Óbitos por causas não naturais
No primeiro caso citado acima, cumpre esclarecer que perito legista cor-
responde a médico-legista do Instituto Médico Legal (IML); na falta desse, o 
parágrafo primeiro do artigo 159 do CPP determina que o exame de corpo de 
delito seja feito por “duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso 
superior, preferencialmente da área específica dentre as que tiverem habilita-
ções técnicas relacionadas com a natureza do exame” (BRASIL, 2014a).
Na falta do perito legista, a autoridade judicial ou policial da localidade 
sem IML designará, como perito ad hoc, qualquer médico da localidade pa-
ra proceder ao exame. Entretanto, exatamente por falta de habilitação técni-
ca e de infraestrutura para a realização da necropsia, bastará, nesse caso, um 
exame externo do cadáver para a elaboração do laudo, no qual deve ser feita 
menção ao fato de que se trata de um perito ad hoc e, por via de consequên-
cia, de uma necropsia, conforme Fávero, “sumária” (FÁVERO, 1962). Para 
maiores esclarecimentos nesse sentido, ver Laurenti e Mello Jorge (2015).
Óbitos por causas naturais
A situação, em casos de mortes decorrentes de causas naturais, é mais 
complexa e comporta maior número de exceções. Como regra geral, estabele-
cida, inclusive, pelo Conselho Federal de Medicina, a emissão de Declaração 
de Óbito consequente a causas naturais (inclusive complicações) é da compe-
tência do médico que tratava do falecido.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
46
Figura 2.6
Modelo da Declaração de Óbito no Brasil, 2011
47
O Código de Ética Médica (CFM, 2010, art. 115) estabelece que é vedado 
ao médico
Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando assis-
tência, exceto quando houver indício de morte violenta.
Portanto, se a morte se verifica na vigência de assistência médica, tem-se 
o disposto na Resolução 1.779/2005 (CFM, 2005, art. 2, 1, II):
a) a DO deverá ser fornecida sempre que possível pelo médico que 
vinha prestando assistência ao paciente;
b) a DO de paciente internado sob regime hospitalar deverá ser for-
necida pelo médico assistente e, na sua falta, por médico substi-
tuto, pertencente à instituição;
c) a DO de paciente em tratamento sob regime ambulatorial deverá 
ser fornecida pelo médico designado pela instituição que presta-
va assistência ou pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO);
d) a DO de paciente em tratamento sob regime domiciliar (Progra-
ma de Saúde da Família, internação domiciliar e outros) deverá 
ser fornecida pelo médico pertencente ao Programa no qual o 
paciente estava cadastrado ou pelo SVO, caso o médico não con-
siga correlacionar o óbito com o quadro clínico concernente ao 
acompanhamento do paciente.
Em caso de morte sem assistência médica, a legislação impõe que:
1) Nas localidades com Serviço de Verificação de Óbito, a DO deve 
ser fornecida por médico dessainstituição
2) Nas localidades sem SVO, a DO deverá ser fornecida pelos médi-
cos do Serviço Público de Saúde mais próximo do local onde ocor-
reu o evento e, na sua ausência, por qualquer médico da localidade
Outras especificações contidas, ainda, na Resolução 1.779/2005 (CFM, 
2005) citada são referentes a casos de óbito fetal, a serem vistos no Capítulo 4 
desta publicação.
Serviço de Verificação de Óbitos de São Paulo
Foi criado pelo Decreto nº 4.967, de 13 de abril de 1931 (SÃO PAULO, 
1931), com o objetivo de determinar, segundo o artigo 3º, a causa da morte 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
48
“dos indivíduos falecidos sem assistência médica” e “dos indivíduos falecidos 
com atestado médico, sempre que o Serviço Sanitário julgar conveniente aos 
interesses da saúde pública apurar a exatidão de tal atestado”. Em 1939, pelo 
Decreto nº 10.139, de 18 de abril de 1939, é transferido para a Faculdade de 
Medicina da Universidade de São Paulo, anexada ao Departamento de Ana-
tomia Patológica (SÃO PAULO, 1939).
Hoje, reorganizado pela Lei Estadual nº 10.095, de 3 de dezembro de 
1968 (SÃO PAULO, 1968), e, posteriormente, pela Lei Estadual nº 5.452, 
de 22 de dezembro de 1986 (SÃO PAULO, 1986), está mantida sua filiação 
à Universidade de São Paulo, mas encontra-se subdividido em SVOC, para 
atendimentos da população da capital de São Paulo, e SVOI, para atendimen-
to de população do interior do estado de São Paulo, com sede na Faculdade 
de Medicina de Ribeirão Preto. Sua finalidade, hoje, é esclarecer a causa da 
morte em casos de óbitos por moléstia mal definida ou sem assistência médi-
ca, ocorridos em São Paulo.
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
Concepção e implantação. Breve histórico
Durante os anos 1960, a epidemiologista norte-americana Ruth Puffer 
coordenou, no Brasil, investigações internacionais sobre a saúde do adulto* e 
da criança**. Estava interessada não apenas em conhecer os perfis dessa mor-
talidade, mas também em avaliar as estatísticas oficiais produzidas nos países 
participantes. Paralelamente, professores brasileiros realizavam, fora do país, 
cursos sobre classificação de doenças e seu uso, utilizando em seguida esses 
conhecimentos para criar, em alguns estados do Brasil, “sistemas de informa-
ção de mortalidade” que, embora insipientes, começavam a mostrar seu po-
tencial na área, como foi o caso de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
Em 1975, o Ministério da Saúde do Brasil, 
reconhecendo a importância dos dados de mortalidade para ações 
específicas no setor e, a exemplo do que já ocorria em alguns estados, 
como referido, idealizou a implantação de um Sistema de Informação 
em Saúde – SIS – para o qual um subsistema sobre mortalidade, com 
dados abrangentes e confiáveis, constituía-se em um primeiro passo. 
(LAURENTI; MELLO JORGE; GOTLIEB, 2006b, p. 23)
*Investigação Interamericana de Mortalidade no adulto (OPS/OMS, 1962-4)
**Investigação Interamericana de Mortalidade na Infância (OPS/OMS, 1968-70)
49
Em julho daquele mesmo ano, já designado um grupo de trabalho*** 
com o objetivo de estabelecer as linhas mestras do subsistema, seus mem-
bros depararam-se com a existência de 43 modelos de atestados de óbito no 
país, sem mencionar os casos em que, embora não mais tão comuns, as mor-
tes eram declaradas no próprio receituário do médico, como citado por Fáve-
ro (1962). Havia ainda, do ponto de vista do fluxo da informação, uma multi-
plicidade de situações descritas.
Esse grupo elaborou recomendações específicas, principalmente no senti-
do da adoção de um modelo único, padronizado para todo o país – muito em-
bora o Brasil já adotasse o modelo internacional para a declaração das causas. 
A impressão do documento deveria ficar a cargo do nível central, o Ministério 
da Saúde, que seria responsável, também, pela sua distribuição aos estados, e 
estes, aos municípios. O fluxo deveria, também, ser padronizado, e o proce-
dimento de codificação e análise deveria ser feito em nível central, não só em 
razão da falta de pessoal especializado, à época, mas, também, pela não dispo-
nibilidade de equipamentos de informática nos estados e municípios.
O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) foi criado e implan-
tado durante o ano de 1976, e os primeiros dados disponíveis para o país da-
tam já do ano seguinte (BRASIL, 1980). Um fato digno de nota foi a criação, 
em 1976, do Centro Brasileiro de Classificação de Doenças, por meio de con-
vênio entre o Ministério da Saúde, a Organização Panamericana de Saúde e a 
Universidade de São Paulo.
Seguiram-se então reuniões de trabalho, intensa formação de recursos 
humanos e preparo de material didático, que foram absolutamente funda-
mentais para a consolidação do recém-criado SIM. O documento básico ins-
tituído pelo Sistema foi a Declaração de Óbito, de preenchimento obrigatório 
pelo médico e que deveria ser usado tanto para declaração de mortes quanto 
para a atestação de óbitos fetais. Por essa razão, foi designada como primeira 
variável uma casela específica para a determinação de que tipo de óbito se 
tratava (fetal ou não).
A descentralização na coleta de dados de mortalidade e a codificação 
das causas de morte. O Seletor de Causa Básica (SCB)
O aprimoramento da qualidade da informação sobre mortalidade tem 
como pilar fundamental a seleção da causa básica. Por isso, é preciso que o 
***Integravam o grupo Ruy Laurenti (FSP/USP), João Antonio Neto Caminha (Secretaria de 
Estado da Saúde do Rio Grande do Sul), José Leão Costa (Ministério da Saúde), José da Rocha 
Carvalheiro (FM – Ribeirão Preto/USP) e Sylvain N. Levy (Ministério da Saúde).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
50
médico conheça bem seu conceito e não deixe de fazer referência a ela quan-
do preencher a DO. Com relação às regras internacionais relativas à seleção 
da causa básica da morte, elas permitem atingir esse objetivo, mesmo nos ca-
sos em que o médico preenche inadequadamente a DO, conforme referido 
(LAURENTI; MELLO JORGE; GOTLIEB, 2009).
A pesquisa de Niobey, Cascão, Duchiade e Sabroza (1990), sobre óbitos 
de menores de um ano, estudou esse problema. Além disso, levantamento re-
lativo à mortalidade de mulheres em idade fértil (LAURENTI; MELLO JOR-
GE; GOTLIEB, 2006a) mostrou que em 90,6% das mortes houve concordân-
cia entre a causa básica do atestado original e o que foi refeito pela pesquisa. 
Da mesma forma, o trabalho evidenciou que a proporção de DO bem preen-
chidas está em ascensão, quando comparada a levantamentos anteriores.
A codificação das causas e a seleção da causa básica têm sido referidas, 
algumas vezes, como um entrave à boa qualidade da informação. É preci-
so deixar claro, entretanto, que os codificadores são preparados e treinados 
pelo Centro Brasileiro de Classificação de Doenças (CBCD) e, além disso, o 
avanço tecnológico no país está permitindo usar os meios eletrônicos em be-
nefício dos sistemas de informação. Intenso material didático foi produzido, 
enquanto uma legislação específica estabeleceu os diferentes papéis a serem 
assumidos por municípios, estados e União (BRASIL, 2009a; 2014b).
No Brasil, a partir de 1993, o Departamento de Informática do SUS, 
em parceria com o CBCD, desenvolveu um sistema denominado Seletor de 
Causa Básica (SCB), que se encontra implantado on-line e é utilizado pela 
maioria das secretarias municipais de Saúde. Com base nos códigos especí-
ficos de cada patologia da CID-10, esse software seleciona a causa básica a 
partir das tabelas de decisão adaptadas à realidade brasileira. A entrada dos 
dados é feita por meio de uma janela semelhante ao modelo do atestado de 
óbito brasileiro, o que facilita sua interface. O programa é interativo, com a 
existência de uma janela de diálogo, com perguntas cujas respostas devem 
ser colocadas de forma a garantir informações de melhor qualidade. O SCB 
está em constante atualização, mas sempre dependerá do codificador ler e 
entenderas condições ou diagnósticos colocados pelo médico para proceder 
a uma correta codificação.
Atualmente, apesar de continuar gerido pelo Ministério da Saúde, o 
SIM está descentralizado, havendo, por disposição específica da Portaria nº 
116, de 11 de fevereiro de 2009, atribuições específicas para as esferas Esta-
dual e Municipal, bem como para o médico responsável pelo preenchimen-
to da DO (BRASIL, 2009b). As competências de cada um desses níveis são 
as seguintes:
51
Federal: o Ministério da Saúde (MS) imprime os formulários com sequên-
cia numérica única e os distribui às secretarias estaduais de Saú-
de, conforme padrões pré-estabelecidos.
Estadual: as secretarias estaduais de Saúde (SES) são responsáveis pela dis-
tribuição de DO aos municípios.
Municipal: as secretarias municipais são responsáveis pela distribuição de DO 
às unidades notificadoras, que passarão a ser responsáveis pela sé-
rie numérica recebida, entendendo-se por unidades notificadoras: 
estabelecimentos de Saúde, institutos de Medicina Legal (IML), 
serviços de verificação de óbitos (SVO), médicos cadastrados. 
Quanto aos cartórios, a distribuição é permitida somente em loca-
lidades onde não haja médico, existindo previsão específica quanto 
a não ser permitida a distribuição de DO para empresas funerárias.
As secretarias municipais de Saúde (SMS) devem promover equipes para 
controle das DO, inclusive para a codificação da causa, que deve ser sempre 
feita na localidade onde a morte ocorreu. Quanto ao fluxo, a primeira via de-
ve ser enviada à Secretaria Municipal de Saúde; a segunda via é levada pelo 
representante da família, para fins de registro, ao Cartório, que a retém e, em 
contrapartida, fornece à família a Certidão de Óbito (ou protocolo para pos-
terior retirada), utilizada com finalidade jurídica; e a terceira via, por sua vez, 
permanece na unidade notificadora.
No Capítulo IV da Portaria 116 (BRASIL, 2009b), já mencionada, es-
tão previstas:
• Transferência de dados, prazos e regularidade no envio, sendo que 
as SES recebem os dados das SMS e garantem sua transferência no 
prazo de até sessenta dias após o encerramento do mês de ocorrên-
cia do óbito
• Norma complementar do Ministério da Saúde quanto à investigação 
de óbitos, regulamentando o processo de investigação de óbitos cujo 
registro tenha sido feito com qualidade inadequada quanto aos pa-
drões aceitáveis para óbitos infantis, maternos e relativos a doenças de 
notificação compulsória e devido a causas modificadas 
O SIM hoje. Avaliação do Sistema. O problema da educação médica
Após quarenta anos de implantação e um investimento pesado por parte 
do próprio Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais de Saúde 
e grupos de especialistas ligados à área – com destaque para o Centro Bra-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
52
sileiro de Classificação de Doenças –, sucessivos ajustes do modelo da DO e 
do fluxo da informação, o Sistema atinge, hoje, status de maior credibilidade, 
tanto do ponto de vista de sua qualidade quanto da sua abrangência.
Quanto à sua cobertura, a Rede Interagencial de Informações para a Saú-
de tem estimado valor crescente, tanto para os óbitos totais como para mor-
tes de menores de um ano. É claro que, com a vigência da lei que instituiu a 
gratuidade dos registros (de nascimentos e de óbitos), seria de se esperar um 
aumento do número de eventos captados pelo sistema; entretanto, esses va-
lores seguiram em ascensão e beiram, hoje, os 95% (RIPSA, 2012; BRASIL, 
2015). Com relação aos óbitos de menores de um ano, a razão entre óbitos 
informados e estimados é de 85% (RIPSA, 2012), apresentando, entretanto, 
sensíveis diferenças regionais: maiores proporções nas regiões Sul e Sudeste e 
menores nas regiões Nordeste e Norte.
A qualidade da informação, por sua vez, tradicionalmente mensurada 
pelo número de caselas com informação não respondida – análise dos “bran-
cos” – e pela quantidade de casos de óbitos em que a informação sobre a cau-
sa é precária (localizando-se entre as causas mal definidas) mostra, também, 
apreciável melhora, atingindo, em 2013, proporção equivalente a 5,9%*. Os 
dados do Sistema são bastante consistentes e coerentes, como atestam as dife-
rentes formas de análise a que foram submetidos (BRASIL, 2012).
O SIM é um sistema universal, visto que, pelo fato de ter como docu-
mento básico a Declaração de Óbito, abrange toda a população, tenham as 
pessoas tido ou não assistência médica e, em caso positivo, tenha essa assis-
tência sido prestada pelo sistema público de Saúde ou não.
Recentemente, foi desenvolvido – e está sendo gerenciado pela Agên-
cia Nacional de Saúde – o chamado Sistema de Informações de Beneficiários 
(SIB), do qual constam registros de beneficiários de planos privados de as-
sistência à saúde. Trata-se de um sistema absolutamente fundamental para o 
conhecimento do perfil epidemiológico e sociodemográfico da população be-
neficiária de planos de saúde (BRASIL, 2006 ). Relacionado com o SIM, o SIB 
vai permitir traçar o perfil dessa população específica, adotando como pa-
drão os valores atribuídos à população brasileira, visando estabelecer seme-
lhanças e diferenças (SASSON; SILVEIRA; SANTOS et al., 2007) por meio da 
identificação de pessoas constantes das duas bases de dados.
* Disponível em: <http://bit.ly/2pUCtpP>. Acesso em: 20 mar. 2017.
53
O problema da educação médica
Ainda com relação à qualidade da informação dos dados de mortalidade, 
é importante salientar que o Código de Ética Médica (CFM, 2010) estabele-
ce normas sobre a Declaração de Óbito, constituindo-se seu preenchimento e 
sua emissão em ato privativo do médico.
Não poucas vezes, entretanto, tem sido referido o fato de que, à primeira 
vista, pode parecer que somente o preenchimento das causas que levaram à 
morte estaria afeto ao médico. É preciso deixar claro que essa ótica está equi-
vocada, uma vez que a legislação do país reconhece como competência e res-
ponsabilidade desse profissional toda a informação constante do formulário 
(BRASIL, 2009a; LAURENTI; MELLO JORGE, 2015).
Quanto ao fato de o médico estar ou não devidamente capacitado para 
o cumprimento dessa tarefa, a situação já era comentada por Laurenti, desde 
publicações bastante antigas (FONSECA; LAURENTI, 1974). Mais recente-
mente, entretanto, outras publicações mostram que, apesar do tempo decor-
rido, algumas dúvidas ainda persistem. Em trabalho realizado com dados de 
instituições hospitalares de Belém (PA), Silva, Yamaki e Oliveira (2013) veri-
ficaram que cerca de 70% das DO analisadas continham pelo menos um erro.
Wanderley, Arruda, Frias e Arruda (2002) indicam a omissão de registro 
de algumas variáveis no bloco “Óbitos fetais e de menores de um ano”, ape-
sar de estarem analisando formulários de um Centro de Referência Nacional 
para a área Materno-infantil: a frequência de não preenchimento da variá-
vel “duração da gestação” foi de 27,3%, e do “número de filhos tidos nascidos 
mortos” chegou a 47,4%. 
No que se refere às questões relativas a óbitos de mulheres em idade fér-
til, embora tivessem encontrado mais acertos do que erros, Struque, Cordero 
e Cury (2003) mostraram que essas variáveis são ainda bastante negligencia-
das pelos médicos. Quanto às causas da morte, ressaltam elevada proporção 
de casos descritos com termos vagos, como “parada cardíaca” ou “falência de 
múltiplos órgãos”.
Lucena, Cagliar, Tanaka e Bonamico (2014) chamam atenção para o fato 
de que, em Santa Catarina, a frequência de médicos que relataram usar essa 
terminologia chegou a quase 40%. Ainda no que tange às causas, esses mes-
mos autores referiam dificuldades quanto ao preenchimento da DO em casos 
de morte sem assistência médica e por causas externas, além de não saberem, 
exatamente, como anotar a causa básica.
Com relação ao tempo decorrido entre o início da doença e a morte, ve-
rificou-se que, em todos os trabalhos consultados, constitui-se na variável 
mais mal preenchida(ou não preenchida).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
54
O que se pode concluir é que, como já salientava Laurenti desde 1980, 
muitos profissionais se deparam com a DO somente quando perdem seu 
primeiro paciente (LAURENTI; MELLO JORGE, 2008), ou negligenciam o 
aprendizado sobre ela. Assim, é necessário que se reveja a formação do mé-
dico quanto a esse aspecto, promovendo educação continuada e procuran-
do investir no seu aprimoramento desde a graduação, mas também na pós-
gradua ção, especialização, residência, cursos especiais, seminários e palestras 
sobre o assunto (LAURENTI; MELLO JORGE, 2015). Somente assim, devi-
damente preparados, esses profissionais tornarão possível a redução do nú-
mero de imperfeições no preenchimento da DO, objetivando, em última aná-
lise, uma melhoria constante do Sistema de Mortalidade.
O que o Sistema pode oferecer
Com relação às causas básicas
Na qualidade de usuário do SIM, o médico, dependendo de sua especia-
lidade, pode necessitar conhecer o comportamento dos dados sobre mortes 
segundo várias características. Assim, tomando como base os dados contidos 
em <www.datasus.gov.br>, de 1996 (ano em que foi implantada a décima re-
visão da CID no Brasil, para esse evento) a 2014 (ano com informação dispo-
nível mais recente, quando da elaboração deste trabalho), é possível chegar a 
algumas conclusões interessantes ao se cruzar alguns dados:
1) Caso se queira estudar a distribuição dos óbitos no país em 2014, por 
exemplo, segundo sexo (Tabela 2.1) ou idade (Tabelas 2.1 e 2.2). Verifica-se 
que, quanto ao sexo, a proporção de óbitos de homens, dentre as 1.227.039 
mortes, é maior do que a de mulheres (respectivamente 56,6% e 43,4%), ha-
vendo uma proporção desprezível de casos em que a informação não estava 
especificada. Com relação à distribuição etária, há a possibilidade de estudá-
la tanto de idade a idade como segundo grupos etários ou mesmo de acordo 
com fases ou ciclos de vida. Assim, é possível notar, por exemplo, a baixa 
frequência de mortes em crianças e adolescentes – como, aliás, seria de se 
esperar – e a concentração em faixas etárias elevadas (64,1% das mortes no 
Brasil, em 2014, ocorreram em pessoas com sessenta anos ou mais). Anali-
sadas em conjunto, as variáveis sexo e idade, verifica-se maior mortalidade 
masculina em quase todas as faixas etárias (com exceção do grupo de ses-
senta anos ou mais, em que morreram, proporcionalmente, mais mulheres) 
(Tabela 2.2 e Gráfico 2.1)
2) Com relação à distribuição segundo causas, o estudo pode ser feito 
com causas detalhadas ou agrupadas segundo a CID-BR, ou, ainda, segundo 
55
Capítulos da CID-10 (ver Capítulo 8 desta publicação), lembrando que a cau-
sa apurada pelas estatísticas oficiais de mortalidade refere-se, sempre, à cau-
sa básica da morte, conforme já mencionado. Neste caso, nota-se, por exem-
plo, que as doenças do aparelho circulatório foram responsáveis, no país, em 
2014, por 340.284 óbitos, o que representou 27,7% do total de mortes no ano. 
Em segundo lugar, apareceram as neoplasias de todos os tipos, com 16,5%. E, 
por último, o conjunto de agravos constituintes das chamadas causas externas 
representadas pelos acidentes e violências (12,8%), podendo-se estudar, tam-
bém, a distribuição das causas segundo sexo (Tabela 2.3)
3) O cruzamento desses dados, entre si, vai permitir conhecer as cau-
sas mais frequentes, por exemplo, em cada sexo e faixa etária ou ciclo de vi-
da (Quadro 2.1). Verifica-se, assim, que, nas crianças menores de dez anos, 
do sexo masculino, preponderam as causas perinatais e anomalias congêni-
tas; entre os adolescentes, as causas externas têm frequência relativa de quase 
80% no sexo masculino e quase 40% no feminino, aparecendo, em segundo 
lugar, as neoplasias, em ambos os sexos. Entre vinte e 39 anos, grupo aqui 
chamado “adulto I”, de novo, os acidentes e violências são as causas de maior 
representatividade; o segundo posto, nessa faixa etária, é ocupado por cau-
sas diferentes, aparecendo, entre os homens, as doenças do aparelho circu-
latório, e, nas mulheres, as neoplasias. No grupo de idosos, com frequências 
muito próximas, os óbitos masculinos e os femininos apresentam as doenças 
de aparelho circulatório e as neoplasias, nos dois primeiros lugares
Quanto à distribuição das causas de morte segundo causa detalhada e, 
por exemplo, sexo, o oncologista pode estar interessado em conhecer a fre-
quência de determinado tipo de neoplasia e sua distribuição segundo sexo. 
Na Tabela 2.4, pode-se constatar a ocorrência de 107.306 óbitos por tumo-
res no sexo masculino e 94.631 no sexo feminino. A sua distribuição segun-
do tipo de neoplasia, em cada sexo, vai mostrar, por sua vez, que, excluído 
o grupo “restante das neoplasias e as de tipo não especificado”, assumem os 
primeiros postos:
• No sexo masculino, neoplasia de traqueia, brônquios e pulmão 
(14,1%), próstata (13,2%) e estômago (8,4%)
• No sexo feminino, sobressaem os tumores de mama (15,5%), de tra-
queia, brônquios e pulmão (10,9%) e de cólon, reto e ânus (8,9%) (Ta-
bela 2.4)
O mesmo oncologista pode verificar a ocorrência do câncer de traqueia, 
brônquios e pulmão em cada sexo, segundo fases da vida (Tabela 2.5), obser-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
56
vando sua absoluta concentração no grupo de sessenta anos ou mais: 77,0% 
entre os homens e 71,2% no sexo feminino.
Outra maneira de estudar uma doença é acompanhar sua frequência, 
em anos diferentes, em números absolutos, proporções ou taxas. Analisando, 
por exemplo, os casos de diabetes (Gráfico 2.2), verifica-se sua evolução no 
tempo. Os valores das taxas mostram-se em elevação, tanto para o homem 
quanto para a mulher, apresentando-se estas com valores sempre mais altos. 
A mortalidade por aids, também estudada segundo série histórica de 1996 a 
2012 (Gráfico 2.3), mostra-se mais elevada entre os homens, com valores pra-
ticamente estabilizados nos últimos cinco anos.
Com relação às causas múltiplas
O SIM permite conhecer, ainda, a mortalidade segundo causas múltiplas, 
sendo possível obter:
1) Todas as menções diagnósticas e sua distribuição segundo o número 
de vezes em que foram selecionadas como básica e consideradas asso-
ciadas (consequenciais e contributórias)
2) Para os casos em que foram selecionadas como básicas, quais as cau-
sas associadas e
3) Para os casos considerados como causa associada, quais as causas bá-
sicas referidas
Tomando como exemplo os transtornos mentais em 2011, no Brasil, 
verifica-se terem ocorrido 13.725 mortes deles decorrentes, isto é, casos em 
que esse grupo de patologias foi responsável pelos óbitos como causa básica 
(Tabela 2.6). Entretanto, ao estudar a mortalidade segundo causas múltiplas, 
constata-se que os transtornos mentais apareceram citados em DO 62.810 ve-
zes. Ou seja, nas vezes em que foram citados, foram selecionados como cau-
sa básica em 21,9% dos casos (Tabela 2.6), classificando-se os restantes como 
causas associadas.
Na análise dos transtornos mentais segundo ciclos de vida (Tabela 2.7), 
é possível verificar suas maiores frequências no idoso (46,8% como causa bá-
sica e 50,7% como causa associada) e no chamado adulto II, para os quais os 
dados mostram, respectivamente, proporções de 37,7% e 38,4% dentre o total 
de menções.
Na análise segundo tipos de transtornos mentais (Tabela 2.8), fica paten-
te a importância relativa do alcoolismo para os diversos tipos, visto que re-
presentou 53,5% do total de vezes em que os transtornos mentais foram causa 
57
básica e 41,5% do total de vezes em que foi considerado causa associada a ou-
tra patologia. Verifica-se que ele apareceu citado 27.695 vezes nas DO, sendo 
selecionado como causa básica em 7.335 vezes; se o interesse for, por exem-
plo, conhecer a que causas básicas ele apareceu associado, tem-se o disposto 
na Tabela 2.9. Constata-se que em 28,9% das vezes foi causa associada a outro 
transtorno mental, em 29,7% esteveassociado a uma doença do aparelho di-
gestivo e, em 17,1%, a uma patologia do aparelho circulatório.
Esse tipo de análise das causas de morte deixa clara a importância de se 
trabalhar com causas múltiplas, visto que são analisadas todas as menções de 
cada patologia na Declaração de Óbito*.
Tabela 2.1 
Óbitos segundo sexo e faixa etária, Brasil, 2014 (nº e %)
Faixa etária Masculino Feminino Não especificado Total
(em anos) Nº % Nº % Nº % Nº %
Menor 1 21.366 3,1 16.873 3,2 193 25,6 38.432 3,1
1 a 4 3.308 0,5 2.797 0,5 - - 6.105 0,5
5 a 9 2.098 0,3 1.531 0,3 - - 3.629 0,3
10 a 14 3.351 0,5 1.974 0,4 - - 5.325 0,4
15 a 19 18.192 2,6 3.927 0,7 1 0,1 22.120 1,8
20 a 29 45.628 6,6 10.538 2,0 6 0,8 56.172 4,6
30 a 39 46.881 6,7 18.129 3,4 12 1,6 65.022 5,3
40 a 49 60.053 8,6 31.147 5,9 17 2,3 91.217 7,4
50 a 59 94.131 13,6 55.070 10,3 25 3,3 149.226 12,2
60 a 69 119.279 17,2 80.605 15,1 40 5,3 199.924 16,3
70 a 79 133.110 19,2 113.633 21,3 59 7,8 246.802 20,1
80 e mais 143.646 20,7 195.711 36,8 99 13,1 339.456 27,7
Ignorada 2.879 0,4 427 0,1 303 40,1 3.609 0,3
Total 693.922 100,0 532.362 100,0 755 100,0 1.227.039 100,0
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
*Os dados do SIM estão disponíveis em www.datasus.gov.br ¦ estatísticas vitais ¦ mortalidade.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
58
Tabela 2.2
Óbitos segundo sexo e ciclos de vida, Brasil, 2014 (nº e %)
Ciclos da vida
 Masculino Feminino Não especificado Total
 Nº % Nº % Nº % Nº %
Crianças
(0 a 9) 26.772 3,9 21.201 4,0 193 25,6 48.166 3,9
Adolescentes
(10 a 19) 21.543 3,1 5.901 1,1 1 0,1 27.445 2,2
Adulto I
(20 a 39) 92.509 13,3 28.667 5,4 18 2,4 121.194 9,9
Adulto II
(40 a 59) 154.184 22,2 86.217 16,2 42 5,6 240.443 19,6
Idoso
(60 ou +) 396.035 57,1 389.949 73,2 198 26,2 786.182 64,1
Ignorada 2.879 0,4 427 0,1 303 40,1 3.609 0,3
Total 693.922 100,0 532.362 100,0 755 100,0 1.227.039 100,0
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
Gráfico 2.1
Mortalidade proporcional segundo sexo e ciclos de vida, Brasil, 2014 (%)
 
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
59
Tabela 2.3
Óbitos segundo sexo e causas*, Brasil, 2014 (nº e %)
 Não
 Masculino Feminino especificado Total
 
Causas*
 Nº % Nº % Nº % Nº %
Algumas doenças infecciosas e
parasitárias 29.811 4,3 22.339 4,2 24 3,2 52.174 4,3
Neoplasias (tumores) 107.306 15,5 94.631 17,8 31 4,1 201.968 16,5
Doenças do sangue e dos órgãos
hematopoéticos e transtornos
imunitários 2.976 0,4 3.129 0,6 3 0,4 6.108 0,5
Doenças endócrinas nutricionais
e metabólicas 33.592 4,8 40.363 7,6 17 2,2 73.972 6,0
Transtornos mentais e
comportamentais 8.959 1,3 3.514 0,7 7 0,9 12.480 1,0
Doenças do sistema nervoso 14.777 2,1 17.594 3,3 10 1,3 32.381 2,6
Doenças do olho e anexos 10 0,0 8 0,0 - - 18 0,0
Doenças do ouvido e da apófise
mastoide 80 0,0 77 0,0 - - 157 0,0
Doenças do aparelho circulatório 178.288 25,7 161.916 30,4 80 10,6 340.284 27,7
Doenças do aparelho respiratório 71.574 10,3 67.418 12,7 53 7,0 139.045 11,3
Doenças do aparelho digestivo 39.031 5,6 23.711 4,4 21 2,8 62.763 5,1
Doenças da pele e do tecido
subcutâneo 1.834 0,3 2.464 0,5 2 0,3 4.300 0,4
Doenças do sistema osteomus-
cular e tecido conjuntivo 1.912 0,3 3.412 0,6 1 0,1 5.325 0,4
Doenças do aparelho
geniturinário 15.702 2,3 16.790 3,1 18 2,4 32.510 2,7
Gravidez, parto e puerpério - - 1.889 0,3 - - 1.889 0,2
Algumas afecções originadas
no período perinatal 12.643 1,8 9.757 1,8 82 10,9 22.482 1,8
Malformações congênitas,
deformidades e anomalias
cromossômicas 5.788 0,8 5.155 1,0 107 14,2 11.050 0,9
Sintomas, sinais e achados
anormais de exames clínicos
(mal definidas) 40.465 5,8 30.616 5,8 110 14,6 71.191 5,8
Causas externas de morbidade
e mortalidade 129.174 18,6 27.579 5,2 189 25,0 156.942 12,8
Total 693.922 100,0** 532.362 100,0 755 100,0 1.227.039 100,0
*Capítulos da CID-10.
** Arredondamento para 100%.
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
60
Quadro 2.1
Óbitos segundo sexo, ciclos de vida e causas principais, Brasil, 2014
(% e posto)
Sexo Masculino
 Ciclos de vida
 Posto Criança Adolescente Adulto I Adulto II Idoso
 (0 a 9) (10 a 19) (20 a 39) (40 a 59) (60 ou +)
 
1º
 Perinatais* C. externas C. externas D. ap. circ. D. ap. circ.
 47,0% 77,8% 66,5% 24,3% 33,7%
 
2º
 A. congênitas Neoplasias D. ap. circ. C. externas Neoplasias
 18,4% 4,2% 6,6% 19,3% 19,2%
 
3º 
 C. externas Mal def. Infecciosas Neoplasias D. ap. resp.
 8,1% 3,5% 5,7% 16,7% 14,3%
 
4º
 D. ap. resp. Sist. nervoso Mal def. D. ap. dig. D. endócrinas
 6,3% 3,1% 4,5% 9,6% 6,3%
 
5º
 Infecciosas D. ap. circ. Neoplasias Mal def. Mal def.
 5,2% 3,0% 4,2% 6,5% 6,1%
* Algumas afecções originadas no período perinatal.
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
Sexo feminino
 Ciclos de vida
 Posto Criança Adolescente Adulto I Adulto II Idoso
 (0 a 9) (10 a 19) (20 a 39) (40 a 59) (60 ou +)
 1º Perinatais C. externas C. externas Neoplasias D. ap. circ. 45,8% 40,2% 25,4% 30,9% 34,5%
 2º A. congênitas Neoplasias Neoplasias D. ap. circ. Neoplasias 20,3% 10,6% 18,9% 26,5% 15,7%
 3º D. ap. resp. Sist. nervoso D. ap. circ. D. ap. resp. D. ap. resp. 6,9% 7,6% 12,8% 7,2% 14,8%
 4º C. externas D. ap. circ. Infecciosas D. endócrinas D. endócrinas 6,6% 6,2% 9,6% 6,5% 8,5%
 
Infecciosas
 D. ap. resp. 
D. ap. resp. C. externas Mal def. 5º 
5,6%
 6,1% 
5,4% 6,1% 6,1% Mal def.
 6,1% 
* Algumas afecções originadas no período perinatal.
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
 
61
Tabela 2.4
Óbitos por neoplasias malignas (NM) e outras segundo sexo e tipos, Brasil, 
2014 (nº e %)
 Não
Causa – CID-BR-10 Masculino Feminino especificado Total
 Nº % Nº % Nº % Nº %
NM do lábio, cavidade
oral e faringe 5.766 5,4 1.601 1,7 - - 7.367 3,7
NM do esôfago 6.275 5,8 1.823 1,9 2 6,5 8.100 4,0
NM do estômago 9.021 8,4 5.005 5,3 2 6,5 14.028 6,9
NM do cólon, do reto
e do ânus 7.864 7,3 8.457 8,9 5 16,1 16.326 8,1
NM do fígado e das
vias biliares
intra-hepáticas 5.234 4,9 3.931 4,1 5 16,1 9.170 4,5
NM do pâncreas 4.476 4,2 4.415 4,7 4 12,9 8.895 4,4
NM da laringe 3.622 3,4 519 0,5 1 3,2 4.142 2,1
NM da traqueia, dos
brônquios e dos
pulmões 15.127 14,1 10.299 10,9 1 3,2 25.427 12,6
NM da pele 916 0,8 693 0,7 - - 1.609 0,8
NM da mama 161 0,1 14.622 15,5 3 9,7 14.786 7,3
NM do colo do útero - - 5.448 5,8 - - 5.448 2,7
NM de corpo e partes
não especificadas
do útero - - 3.482 3,7 - - 3.482 1,7
NM do ovário - - 3.320 3,5 - - 3.320 1,6
NM da próstata 14.161 13,2 - - - - 14.161 7,0
NM da bexiga 2.561 2,4 1.216 1,3 - - 3.777 1,9
NM das meninges, do
encéfalo e de outras
partes do sistema
nervoso central 4.562 4,2 4.178 4,4 1 3,2 8.741 4,3
Linfoma não Hodgkin 2.310 2,2 1.883 2,0 1 3,2 4.194 2,1
Mieloma múltiplo e
NM de plasmócitos 1.418 1,3 1.395 1,5 2 6,5 2.815 1,4
Leucemia 3.508 3,3 2.965 3,1 - - 6.473 3,2
Neoplasias in situ,
benignas e de
comportamento incerto
ou desconhecido 1.879 1,8 1.781 1,9 - - 3.660 1,8
Restante de NM 18.445 17,2 17.598 18,6 4 12,9 36.047 17,9
Total 107.306 100,0 94.631 100,0 31 100,0 201.968 100,0
Fonte: SIM/MS.
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
62
Tabela 2.5
Óbitos por neoplasias de traqueia, brônquios e pulmões segundo sexo e ci-
clos de vida, Brasil, 2014 (nº e %)
 Não
Ciclos de vida Masculino Feminino especificado Total
(em anos) Nº % Nº % Nº % Nº %
Criança
(0 a 9) 5 0,0 3 0,0 – – 8 0,0
Adolescente
(10 a 19) 21 0,1 14 0,1 – – 35 0,1
Adulto I
(20 a 39) 177 1,2 207 2,0 – – 384 1,5
Adulto II
(40 a 59) 3.278 21,7 2.736 26,6 – – 6.014 23,7
Idoso
(60ou +) 11.643 77,0 7.338 71,2 1 100,0 18.982 74,7
Ignorado 3 0,0 1 0,0 – – 4 0,0
Total 15.127 100,0 10.299 100,0 1 100,0 25.427 100,0
Fonte: SIM/MS.
Gráfico 2.2
Taxa de mortalidade por diabetes segundo sexo, Brasil, 1996-2011
(por cem mil habitantes)
 
Fonte: RIPSA (2012); SIM/MS (dados brutos).
 
63
Gráfico 2.3
Taxa de mortalidade por aids segundo sexo, Brasil, 1996-2011
(por cem mil habitantes)
 
Fonte: RIPSA (2012); SIM/MS (dados brutos).
Tabela 2.6
Óbitos por transtornos mentais selecionados como causa básica, considerados 
como causas associadas e total de menções, segundo sexo, Brasil, 2011
Sexo Causa básica Causas associadas Total de menções
Masculino 9.833 35.952 45.785
Feminino 3.892 13.121 17.013
Ignorado – 12 12
Total 13.725 49.085 62.810
Fonte: SIM/MS.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
64
Tabela 2.7
Óbitos por transtornos mentais como causa básica, associadas e total de 
menções, segundo ciclos de vida, Brasil, 2011 (nº e %)
Ciclos de vida Causa básica Causas associadas Total de menções
(em anos) Nº % Nº % Nº %
Criança
(0 a 9) 19 0,1 47 0,1 66 0,1
Adolescente
(10 a 19) 99 0,7 309 0,6 408 0,6
Adulto I
(20 a 39) 1.982 14,5 4.909 10,0 6.891 11,0
Adulto II
(40 a 59) 5.172 37,7 18.846 38,4 24.018 38,2
Idoso
(60 ou +) 6.424 46,8 24.898 50,7 31.322 49,9
Ignorado 29 0,2 76 0,2 105 0,2
Total 13.725 100,0 49.085 100,0 62.810 100,0
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
Tabela 2.8
Óbitos por transtornos mentais selecionados como causa básica, associadas 
e total de menções, segundo tipo, Brasil, 2011 (nº e %)
Tipo
 Causa básica Causas associadas Total de menções
 Nº % Nº % Nº %
Demência vascular 331 2,4 2.445 5,0 2.776 4,4
Demência NE 2.776 20,2 2.812 5,7 5.588 8,9
Uso de álcool 7.335 53,5 20.360 41,5 27.695 44,1
Uso de fumo 1.382 10,1 18.967 38,6 20.349 32,4
Esquizofrenia 303 2,2 842 1,7 1.145 1,8
Episódios depressivos 469 3,4 1.755 3,6 2.224 3,6
Outros 1.129 8,2 1.904 3,9 3.033 4,8
Total 13.725 100,0 49.085 100,0 62.810 100,0
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
 
65
Tabela 2.9
Óbitos com menção de alcoolismo na DO segundo causa básica 
correspondente, Brasil, 2011 (nº e %)
Causa Básica Nº %
Doenças infecciosas e parasitárias 1.108 4,0
Neoplasias (tumores) 1.368 4,9
Doenças endócrinas nutricionais e metabólicas 907 3,3
Transtornos mentais 7.995* 28,9
Doenças do aparelho circulatório 4.742 17,1
Doenças do aparelho respiratório 1.722 6,2
Doenças do aparelho digestivo 8.233 29,7
Causas externas 761 2,8
As demais 859 3,1
Total 27.695 100,0
* Sendo 7.335 o próprio alcoolismo.
Referências
BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos e dá ou-
tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1973. Seção 1, p. 13528.
______. Ministério da Saúde. Estatísticas de Mortalidade, 1977. Brasília, DF, 1980.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução nº 1.779, de 11 de novembro de 
2005. Regulamenta a responsabilidade médica no fornecimento da Declaração de Óbito. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 dez. 2005.
______. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Saúde Suplementar. [http://www.ans.gov.
br/portal/site/perfil_operadoras/cadastro_beneficiarios_regulamentacao.asp]. Rio de Ja-
neiro, 2006. 
______. Ministério da Saúde. A Declaração de Óbito: documento necessário e importante. Bra-
sília, DF, 2009a.
______. Ministério da Saúde. Portaria nº 116, de 11 de fevereiro de 2009. Regulamenta a coleta 
de dados, fluxo e periodicidade de envio das informações sobre óbitos e nascidos vivos pa-
ra os Sistemas de Informações em Saúde sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Brasília, DF, 2009b. (mimeo).
______. Resolução nº 1.931, de 17 de setembro de 2009. Aprova o Código de Ética Médica. 
Diá rio Oficial da União, Brasília, DF, 2010.
______. Ministério da Saúde. Saúde Brasil, 2011: uma análise da situação da saúde e a vigilân-
cia da saúde da mulher. Brasília, DF, 2012.
BRASIL. Código de processo penal: Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941, com altera-
ções posteriores. São Paulo: Saraiva, 2014a.
______. Ministério da Saúde. Saúde Brasil, 2014: uma análise da situação de saúde e das causas 
externas. Brasília, DF, 2015.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
66
______. Ministério da Saúde. Manual de instruções para o preenchimento da Declaração de 
Óbito. Brasília, DF, 2014b. (Série A – Normas e Manuais Técnicos) Disponível em: <http://
bit.ly/2p2b6Fa>. Acesso em: 24 dez. 2016.
DORN, H. F.; MORIYAMA, J. M. Uses and significance of multiple cause tabulations for mor-
tality statistics. American Journal of Public Health, Washington, DC, n. 54, p. 400-406, 
1964.
FARR, W. Vital Statistics: Memorial volume of selections from the reports and writings. Lon-
dres: Humphreys, 1885.
FÁVERO, F. Medicina legal. São Paulo: Martins, 1962.
FONSECA, L. A. M.; LAURENTI, R. A qualidade da certificação médica da causa de morte. 
Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 8, n. 1, p. 21-29, 1974. 
GREENWOOD, M. Medical Statistics from Graunt to Farr. Cambridge: Cambridge University 
Press, 1948.
ISHITAMI, L. H.; FRANÇA, E. Uso das causas múltiplas de morte em Saúde Pública. Informe 
Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 10, n. 4, p. 163-175, 2001.
JOHANSSON, L. A. Targeting non-obvious errors in death certificates. 2008. Tese (Doutorado 
em Medicina) – Uppsala University, Uppsala, 2008.
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P. Causas múltiplas de morte. 1973. Tese (Livre-Do-
cência) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1973. LAU-
RENTI, R. Aspectos históricos sobre o uso dos registros paroquiais para a construção de 
indicadores de saúde. In: BASSANESI, M. S.; BEOSSO, C.; BOTELHO, T. R. (Orgs.). Li-
nhas e entrelinhas: as diferentes leituras dos atos paroquiais dos setecentos e oitocentos. 
Belo Horizonte: Veredas & Cenários, 2009. 
______. O atestado de óbito. São Paulo: CBCD, 2008. (Série Divulgação, nº 1).
______. O atestado de óbito: aspectos médicos, estatísticos, éticos e jurídicos. São Paulo: Cre-
mesp, 2015. 
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P.; GOTLIEB, S. L. D. Estudo da mortalidade de mu-
lheres de 10 a 49 anos com ênfase na mortalidade materna. Brasília, DF: MS, 2006a.
______. O Sistema de Informações sobre Mortalidade: passado, presente e futuro. São Paulo: 
CBCD, 2006b. (Série Divulgação, nº 11).
______. Informação em mortalidade: o uso de regras internacionais para a seleção da causa 
básica. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 195-203, 2009.
LOGAN, W. P. D. Instruction of Medical Practitioners in Death Certification in England and 
Wales. Bulletin of the World Health Organization, Geneva, v. 11, p. 258-261, 1964. 
LUCENA, L.; CAGLIAR, G. H. B.; TANAKA, J.; BONAMICO, E. L. Declaração de Óbito: 
preenchimento pelo corpo clínico de um hospital universitário. Revista Bioética, Brasília, 
DF, v. 22, n. 2, p. 318-324, 2014.
MELLO JORGE, M. H. P. Registro dos eventos vitais: sua importância em Saúde Pública. São 
Paulo: CBCD, 1990. (Série Divulgação nº 5)
MORIYAMA, I. M. Development of the Present Concept of Cause of Death. American Journal 
of Public Health, Washington, DC, n. 46, p. 436-441, 1956.
NIOBEY, F. M. L.; CASCÃO, A. M.; DUCHIADE, M. P.; SABROZA, P. C. Qualidade do 
preenchimento dos atestados de óbito de menores de um ano na Região Metropolitana do 
Rio de Janeiro. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 24, n. 4, p. 311-318, 1990.
NORDENFELT, L. Causes of Death: a philosophical essay. Estocolmo: FRN, 1983.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças 
e Problemas Relacionados à Saúde. 10. rev. São Paulo: Centro Brasileiro de Classificação de 
Doenças; Edusp, 1995.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE. Indicadores básicos para a 
67
saúde no Brasil, 2011. Brasília, DF: Ripsa, 2012. Disponível em: <www.ripsa.org.br>.Aces-
so em: 24 dez. 2016.
SÃO PAULO. Decreto nº 4.967, de 13 de abril de 1931. Cria o Serviço de Verificação de Óbi-
tos. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 41, n. 90, p. 3067, 21 abr. 1931. 
______. Decreto nº 10.139, de 18 de abril de 1939. Regulamenta o Serviço de Verificação de 
Óbitos. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 49, n. 89, p. 16-19, 21 abr. 1939.
______. Lei nº 10.095, de 3 de maio de 1968. Dispõe sobre o Serviço de Verificação de Óbitos 
do Município de São Paulo e dá outras providências. Diário Oficial do Estado de São Paulo, 
São Paulo, v. 78, n. 82, p. 3-4, 4 maio 1968.
______. Lei nº 5.452, de 22 de dezembro de 1986. Reorganiza os Serviços de Verificação de 
Óbitos no Estado de São Paulo. Diário Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, v. 96, n. 
245, p. 2-3, 23 dez. 1986.
SASSON, D.; SILVEIRA, D. P.; SANTOS, I. S. et al. Diferenças no perfil de mortalidade da 
população brasileira e da população beneficiária de planos de saúde. In: BRASIL. Saúde 
Brasil, 2006: uma análise da desigualdade em saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 
2007. p. 105-210.
SILVA, J. A. C.; YAMAKI, V. N.; OLIVEIRA, J. P. S. et al. Declaração de Óbito, compromisso 
no preenchimento: avaliação em Belém/Pará, em 2010. Revista da Associação Médica Bra-
sileira, São Paulo, v. 59, n. 4, p. 335-340, 2013.
STRUQUE, C. O.; CORDERO, J. A.; CURY, P. M. Avaliação dos erros ou falhas de preenchi-
mento dos atestados de óbito feitos pelos clínicos e pelos patologistas. Jornal Brasileiro de 
Patologia e Medicina Laboratorial, Rio de Janeiro, v. 39, n. 4, p. 361-364, 2003.
WANDERLEY, L. C.; ARRUDA, A. K. G.; FRIAS, P. G.; ARRUDA, S. Avaliação da qualidade 
do preenchimento das declarações de óbito em unidade terciária de atenção à saúde ma-
terno-infantil. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 11, n. 1, p. 7-14, 2002.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Health Statistics: Manual of the International 
Statistical Classification of Diseases, Injuries and Causes of Death. Geneva: WHO, 1948.
 
 
69
CAPÍTULO
3
Informações sobre nascimentos vivos
Porque essas informações são necessárias
contar pessoas ou coisas sempre fez parte dos hábitos do ser huma-
no. A história das estatísticas vitais mostra que “contar pessoas” – retrato 
inaugural dos atuais recenseamentos – já era comum no Egito e Roma an-
tigos, embora suas finalidades pudessem ser diferentes daquelas dos dias 
de hoje (NACIONES UNIDAS, 1955). De igual sorte, levantar o número 
de quantas pessoas nasciam e quantas morriam foi prática adotada, tam-
bém, entre os povos primitivos. A Inglaterra do século XVII contou com 
os trabalhos de Graunt, e a dos anos 1800, como já mencionado, com os de 
Farr para mostrar ao mundo que nasciam mais homens do que mulheres 
e que era maior a mortalidade no sexo masculino, entre outros aspectos 
(NORDENFELT, 1983).
No Brasil, dados sobre nascidos vivos provinham do Registro Civil, obri-
gatório no país desde 1888 e garantido, hoje, pela Lei dos Registros Públicos, 
de 1973 (BRASIL, 1973). Esse registro, no entanto, embora se constituísse na 
mais importante e tradicional fonte de obtenção dessa informação, não refle-
tia a realidade, nem do ponto de vista quantitativo, nem do qualitativo. 
Do ponto de vista quantitativo, visto que os registros eram pagos*, eles 
englobavam somente o número de casos cuja informação sobre o evento 
* A gratuidade dos registros de nascimento e morte foi instituída, no Brasil, somente em 1997 
pela Lei nº 9.534, de 10 de dezembro de 1997 (ver art. 30 da Lei dos Registros Públicos).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
70
chegava aos cartórios, deixando de lado os que, por motivos variados, omi-
tiam a informação oficial sobre o nascimento ocorrido (sub-registro de nas-
cimento). Tendo em conta que sua finalidade era, fundamentalmente, jurídi-
ca – a de fazer prova da existência da pessoa – acrescida ao fato de ser feito 
por declaração voluntária e verbal das pessoas enumeradas na lei, deixavam 
de ser conhecidas informações consideradas importantes para outras áreas 
que não a do Direito.
Dessa forma, depreciava-se também o lado qualitativo, pois não se tinha 
acesso a dados importantes, como as condições da criança à época do nasci-
mento e algumas características maternas que guardam, sabidamente, relação 
com a sobrevivência/mortalidade infantil. Concordando com o que afirmava 
San Martin (1960), que “a vida do homem é a história de sua concepção, gra-
videz, nascimento, crescimento e desenvolvimento, felicidade e desgraça, saú-
de e doença e, finalmente, a morte”, sabe-se que dados sobre tempo e tipo de 
gestação, paridade, tipo de parto, peso ao nascer, entre outros, são considera-
dos extremamente relevantes para a área da Saúde, e a falta deles limita muito 
as ações dessa área.
Para suprir essas lacunas, inúmeros países passaram a adotar documen-
tos individualizados e padronizados para a coleta de dados sobre nascimen-
tos, tendo como nova fonte de informação os hospitais onde ocorriam partos 
(MELLO JORGE; GOTLIEB; SOBOLL et al., 1992). No Brasil, a concepção 
de um sistema de informação sobre nascidos vivos se tornou realidade no fim 
dos anos 1980, quando o Ministério da Saúde designou grupo de especialistas 
para estudar o problema*.
Com base em sistemas internacionais e algumas experiências nacionais 
feitas pontualmente (FERREIRA; ORTIZ, 1982; SÃO PAULO, 1987), mostran-
do que os registros hospitalares constituíam-se na principal fonte de obtenção 
de dados sobre nascimentos vivos e que um fluxo a partir daí era possível, o 
Grupo de Estatísticas Vitais do Ministério da Saúde (Gevims) considerou 
prioritária a implantação de um sistema nacional relativo a esse evento.
Concebido e montado à semelhança do SIM/MS, o novo subsistema ob-
jetivava partir de um documento básico, padronizado para todo o país, e que 
deveria ser gerado nos hospitais ou outras instituições de Saúde (para os par-
tos ali realizados) e nos Cartórios do Registro Civil (para nascimentos ocor-
* Grupo de Estudo de Estatísticas Vitais do Ministério de Saúde (Gevims), instituído pela Por-
taria nº 649/GM/MS, de 4 de julho de 1989, publicada no DOU nº 126, de 05/07/1989, e 
composto por João Antonio Neto Caminha, José da Silva Guedes, Lupércio de Souza Cortez 
Júnior, M. Helena P. de Mello Jorge, Neide Lopes Patarra, Roberto Augusto Becker e Ruy 
Laurenti.
71
ridos em domicílio). Considerava-se que, com o sucessivo aumento do nú-
mero de partos hospitalares no Brasil (cerca de 80%, segundo dados de 1980) 
(BALDIJÃO; SOBOLL; MELLO JORGE; FERREIRA, 1990), essas instituições 
seriam os melhores locais onde se poderiam obter as mais completas e corre-
tas informações relativas aos nascimentos. O grupo elaborou, então, um do-
cumento – a Declaração de Nascido Vivo – que continha alguns dados exigi-
dos por lei e outras variáveis importantes para definir o perfil epidemiológico 
dos nascidos vivos.
A padronização do conceito de nascido vivo em nível internacional
Quando se fala em Estatísticas de Saúde, é usual estabelecerem-se com-
parações com o seu comportamento em outras áreas. Na elaboração e aná-
lise de informações sobre nascidos vivos, entre outros eventos, há necessi-
dade de, em primeiro lugar, padronizar seu conceito, isto é, “falar a mesma 
linguagem”. Nesse sentido, desde 1950, a Organização Mundial da Saúde já 
havia apresentado o conceito do evento, que vem sendo observado por to-
dos os países membros, inclusive pelo Brasil, que foi signatário dessa de-
cisão (NACIONES UNIDAS, 1955). Esse conceito está em vigor até hoje e 
vem sendo reproduzido nas diferentes edições da Classificação Internacio-
nal de Doenças:
Nascido vivo é o produto de concepção que é expulso ou extraído 
do corpo materno, independentemente do tempo de gestação, e 
que, após essa separação, respira ou apresenta qualquer outro sinal 
de vida, tal como batimentos do coração, pulsação do cordão umbi-
lical ou movimentos efetivosdos músculos de contração voluntária, 
estando ou não cortado o cordão e estando ou não desprendida a 
placenta. (OMS, 2008, p. 154)
Isso posto, fica claro que o único requisito exigido para que um produ-
to de concepção seja considerado nascido vivo é o sinal de vida. É possível 
notar que o tempo de gestação é absolutamente irrelevante para que a defi-
nição seja aplicada e que o critério de viabilidade não é, sequer, considerado. 
Assim, percebe-se que, ainda que o concepto venha a morrer no minuto se-
guinte ao do nascimento, isto é, cessem seus sinais vitais sem possibilidade 
de ressuscitação, ele deve ser considerado como nascido vivo, que, no caso, 
evoluiu para óbito.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
72
O Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc)
Concepção e implantação
Lançada a semente, o Sistema veio à luz em 1990 e, gradativamente, foi 
implantado em todo o país, primeiro nas Capitais e, em seguida, nas demais 
cidades. Ele parte de um documento básico, a Declaração de Nascido Vivo 
(DN), e tem fluxo análogo ao da Declaração de Óbito no SIM, com codifi-
cação e transcrição efetuadas pelas secretarias municipais/estaduais de saúde 
(RIPSA, 2008).
A DN, desde que foi criada, teve diferentes formatos, visando, principal-
mente, aprimorar a captação e a qualidade de sua informação. Em 2011, um 
novo modelo foi elaborado e implantado pelo Ministério da Saúde e segue vi-
gente até hoje (Figura 3.1).
A Declaração de Nascido Vivo (DN): as variáveis que a compõem. 
Quem deve preencher o formulário
A Declaração de Nascido Vivo (DN) em vigor no país é constituída por 
52 variáveis ou campos, categorizadas em oito blocos, englobando aspectos 
estatísticos, sociodemográficos e epidemiológicos considerados importantes 
para a compreensão do problema dos nascidos vivos entre nós (Figura 3.1).
As variáveis existentes na DN, a partir do modelo citado, são as seguintes:
Bloco I (campos 1 a 6) – identificação do recém-nascido:
1. Nome do RN – nº do Cartão Nacional de Saúde do RN
2. Data e hora do nascimento
3. Sexo, raça/cor do RN
4. Peso ao nascer (em gramas)
5. Índice de Apgar
6. Detectada alguma anomalia congênita
Bloco II (campos 7 a 13) – local de ocorrência:
7. Se hospital ou outros estabelecimentos de Saúde ou domicílio
8. Estabelecimento (nome)
9. Endereço da ocorrência
10. CEP
11. Bairro/distrito
12. Município de ocorrência
13. UF
73
Bloco III (campos 14 a 27) – mãe:
14. Nome
15. Cartão SUS
16. Escolaridade (última série concluída)
17. Ocupação habitual
18. Data de nascimento da mãe
19. Idade
20. Naturalidade
21. Situação conjugal
22. Raça/cor
23. Residência – logradouro
24. CEP
25. Bairro/distrito
26. Município
27. UF
Bloco IV (campos 28 e 29) – pai: 
28. Nome
29. Idade
Bloco V (campos 30 a 40) – gestação e parto: 
Gestações anteriores:
30. Histórico gestacional
Gestação atual:
31. Data da última menstruação (DUM)
32. Número de semanas de gestação se a DUM for ignorada
33. Número de consultas de pré-natal
34. Mês da gestação em que iniciou o pré-natal
35. Tipo de gravidez
Parto:
36. Apresentação
37. O trabalho de parto foi induzido?
38. Tipo de parto
39. Cesárea ocorreu antes do trabalho de parto iniciar?
40. Nascimento assistido por
Bloco VI (campo 41) – anomalias congênitas: 
41. Discriminar todas as anomalias congênitas observadas
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
74
Bloco VII (campos 42 a 47) – preenchimento:
42. Data
43. Nome
44. Função
45. Tipo de documento
46. Número
47. Órgão emissor
Bloco VIII (campos 48 a 52) – cartório: 
48. Cartório (nome)
49. Registro (número)
50. Data
51. Município
52. UF
Quem deve preencher o formulário
Aqui é importante salientar que o médico, embora possa fazê-lo, não es-
tá obrigado ao preenchimento da DN (MELLO JORGE; GOTLIEB; SOBOLL 
et al., 1992; BRASIL, 2009; 2014a). O Sistema prevê que essa tarefa seja feita 
por qualquer profissional designado pelo hospital. Entretanto, o documento 
no qual esse profissional (responsável pelo preenchimento) vai se basear para 
gerar a DN será, sempre, o prontuário médico da mãe/concepto, este, sim, de 
competência do médico.
O prontuário deve, portanto, conter as informações que vão permitir o 
adequado preenchimento de todas as variáveis da DN. Por isso, a ideia de um 
prontuário padronizado, com campos específicos para cada variável solicita-
da, ganha terreno, na medida em que viria a suprir a falta de informações que 
ainda persiste no sistema para algumas variáveis. O prontuário bem preen-
chido será, desse modo, a documentação hábil para a elaboração da DN, fi-
cando claro o papel do médico nesse contexto.
O reconhecimento da importância da DN foi estabelecido no próprio 
ano em que o Sinasc foi implantado, por meio do art. 10 do Estatuto da crian-
ça e do adolescente (ECA) (BRASIL, 1998, p. 3), que estabelece que “os hos-
pitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e 
particulares, são obrigados a […] fornecer declaração de nascimento onde 
constem, necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento 
do neonato”.
 
75
Figura 3.1
Modelo da Declaração de Nascido Vivo no Brasil, 2011
 
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
76
Fluxo de dados. Análise crítica e publicação das estatísticas
A Declaração de Nascido Vivo, impressa em papel autocopiativo, é com-
posta por três vias, de cores diferentes, devendo a primeira (branca) perma-
necer no hospital até ser recolhida pela Secretaria Municipal de Saúde; a se-
gunda (amarela), entregue à família para os procedimentos de registro civil 
do nascimento, conforme a Lei dos Registros Públicos (BRASIL, 1973) e do 
Estatuto da criança e do adolescente (BRASIL, 1998); já a terceira (rosa) deve 
ser anexada ao prontuário da mãe e permanecer no hospital.*
É importante salientar que o layout da DN mudou bastante desde a sua 
implantação, visando a esclarecer melhor as variáveis e suas modalidades, 
bem como facilitar a compreensão de cada uma delas. Essas alterações certa-
mente se reverterão em benefícios ao Sistema pelo estabelecimento do mais 
correto perfil da natalidade no país. Almeida, Alencar e Schoeps (2009), em 
um interessante artigo, promovem uma avaliação da trajetória desse docu-
mento.
Os dados obtidos via DN são submetidos à análise crítica do Ministério 
da Saúde e estão disponíveis em <http://www.datasus.gov.br>.
Avaliação do sistema
Com cerca de 25 anos de implantação e vinte anos de dados publicados, 
é possível verificar que o Sinasc alcançou um elevado grau de qualidade. Sua 
cobertura é, hoje, de cerca de 95% (RIPSA, 2012), chegando, entretanto, a 
praticamente 100% nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
A existência de variáveis com informação não preenchida vem declinan-
do no tempo, atingindo proporções mínimas no caso de sexo, idade da mãe e 
tipo de parto, embora algumas outras possam, ainda, apresentar problemas, 
como é o caso, por exemplo, do registro de anomalias congênitas. A propor-
ção de não preenchimento dessa variável vem desde 1994, quando foi intro-
duzida, mas também apresenta queda, o que chamou a atenção do próprio 
Ministério da Saúde, pois esses valores declinaram de 37,1% de não preenchi-
mento para 3,5% em um período de dez anos (BRASIL, 2012b). 
É importante citar que, por meio da Lei nº 12.662, de 5 de junho de 
2012, foi assegurada validade nacional à DN, regulada sua expedição e alte-
rada, novamente, a Lei dos Registros Públicos (BRASIL, 2012a). A Lei obriga 
a emissão de DN para todos os nascimentos com vida que ocorrerem no país. 
* Variações desse fluxo estão previstas na Portaria nº 116, de 11 de fevereiro de 2009 (BRASIL, 
2009), e no Manual de instruções para o preenchimento da Declaração de Nascido Vivo (BRA-
SIL, 2014a).
77
Embora a DN não substitua o Registro Civil do recém-nascido, tem validade 
em todo o território nacional e será válida até que seja lavrado o registro, pa-
ra a alimentação do sistema deinformações Sinasc e para a formação de polí-
ticas públicas na área.
O que o Sistema pode oferecer
Embora, como mencionado, o médico não esteja obrigado, ele próprio, a 
preencher a Declaração de Nascido Vivo, será sempre de sua responsabilida-
de a elaboração/manutenção do prontuário dos pacientes (no caso específico, 
mãe e concepto), para que desse modo outro profissional da instituição tenha 
elementos para gerar a DN adequadamente. Assim, enfermeiros (ou outros 
profissionais designados pelo hospital para esse mister) terão à mão a docu-
mentação hábil para o preenchimento completo e correto do formulário.
Enquanto usuários da informação produzida pelo sistema, obstetras, 
neo natologistas e pediatras poderão dispor de frequências simples relativas 
às variáveis da DN (maternas ou fetais) ou obtidas pelo cruzamento destas. 
É bom lembrar que o número de nascidos vivos é usado como parâmetro pa-
ra estimar o número de mulheres grávidas e de partos, sendo, portanto, ex-
tremamente importante para o dimensionamento de serviços especializados. 
Acresce a isso que o número de nascidos vivos constitui-se no denominador 
do coeficiente de mortalidade infantil, indicador que estima o risco de um 
nascido vivo morrer durante seu primeiro ano de vida. 
Além disso, as principais causas de óbito infantis são, em sua maioria, 
evitáveis por uma melhor assistência ao pré-natal e ao parto. Da mesma for-
ma, o baixo escore ao Índice de Apgar no quinto minuto de vida está, tam-
bém, fortemente associado à mortalidade infantil. Outras características dos 
nascidos vivos são, também, de extrema importância, razão pela qual se con-
sidera recomendável a continuidade de seu uso como marcadores de situação 
de risco infantil (ILIODROMITI; MACKAY; SMITH et al., 2014).
Utilizando os dados fornecidos pelo Sinasc referentes ao Brasil, em 2011, 
verifica-se que o total de nascidos vivos no país captado pelo Sistema foi de 
2.913.160, valor esse que permite o cálculo de uma taxa de natalidade igual a 
15,6 por mil habitantes (RIPSA, 2012). Essa taxa, vista em relação às de anos 
anteriores, ao lado das taxas de fecundidade, mostra uma queda apreciável 
na natalidade, entendida esta como a intensidade com que ela atua sobre a 
população (Tabela 3.1), fato que evidencia redução no número de filhos por 
mulher, hoje considerada abaixo do seu nível de reposição (BRASIL, 2013). 
Dados de 2014 mostram o número de 2.979.259 nascidos vivos nesse ano, do 
que se estima uma taxa de natalidade de 14,7 por mil habitantes.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
78
Com relação aos cruzamentos disponíveis no sistema, pode ser de inte-
resse do médico, por exemplo, conhecer algumas características que, sabida-
mente, exercem influência sobre o estado de saúde e as chances de sobrevi-
vência do recém-nascido:
• Número de nascidos vivos segundo sexo e peso ao nascer
• Número de nascidos vivos segundo idade da mãe
• Número de nascidos vivos segundo tipo de parto
• Número de nascidos vivos segundo idade gestacional
• Número de nascidos vivos segundo medida do Índice de Apgar
• Presença de anomalias congênitas (e sua discriminação)
• Número de nascidos vivos segundo o número de consultas de pré-natal
 da mãe
Os dados estão disponíveis no site do Datasus (www.datasus.gov.br), 
sendo, até o fechamento desta publicação, os de 2014 os mais atuais.
No que se refere ao peso ao nascer, é sabido que essa medida, nos meni-
nos, é sempre mais elevada do que nas meninas. Pode-se constatar esse fato 
pelos dados da Tabela 3.2, na qual se vê que, no total de recém-nascidos de 
baixo peso, o contingente feminino foi maior que o masculino (respectiva-
mente, 53,2% e 46,8%). Calculando a proporção sobre o total de nascidos vi-
vos em cada sexo, observa-se que a proporção de baixo peso no sexo masculi-
no foi de 7,6%, enquanto no feminino foi de 9,1%. 
O baixo peso ao nascer, definido pela OMS como abaixo de 2.500 gra-
mas, é um dos principais fatores de morbidade e de mortalidade neonatal e 
perinatal (OMS, 2008), visto que a insuficiência ponderal do recém-nascido 
é um importante fator preditivo de sua saúde e de sua sobrevivência. A OMS 
refere que prevalência do baixo peso ao nascer é da ordem de 13% na região 
da África, 26% na Ásia Ocidental e varia entre 7% e 8% na Europa e na região 
das Américas (OMS, 2012). Na cidade de São Paulo, observa-se uma estabi-
lidade do baixo peso (em torno de 9,5%); a Tabela 3.3 mostra a distribuição 
dos nascidos vivos segundo o peso ao nascer, de 2001 a 2014, podendo-se ve-
rificar, também, a “estabilidade” com relação aos conceptos de “muito baixo 
peso” (abaixo de 1.500 gramas) (SÃO PAULO, 2015). 
A idade da mãe é variável importante em estudos demográficos e, do 
ponto de vista da Saúde, é utilizada como estimativa do risco de baixo peso 
ao nascer e da mortalidade infantil. Quanto à distribuição segundo essa va-
riável (Tabela 3.4), constata-se que mães em idade ótima (20 a 34 anos) per-
fizeram quase 70% do total de nascidos vivos em 2014, distribuindo-se os 
79
restantes em 18,9% para adolescentes (com destaque para 28.245 menores de 
quinze anos) e 12,2% de mães com 35 anos ou mais. 
Acompanhando a série histórica referente à proporção de mães ado-
lescentes no país, verificam-se valores em declínio de 1997 (23,5%) a 2012 
(19,2%), além de variações geográficas relevantes, como percentuais mais ele-
vados nas regiões menos desenvolvidas. Os estudos sobre mães adolescentes 
são importantes, pois essa faixa etária tende a acumular desvantagens, como, 
por exemplo, uso/consumo de fumo, álcool e drogas durante a gestação, fato-
res que levam, em geral, a um início mais tardio do atendimento de pré-natal 
(MELLO JORGE; LAURENTI; GOTLIEB et al., 2014).
Com relação ao grupo das chamadas “mães idosas” (35 anos ou mais), 
nota-se que, enquanto os dados mostram, para o Brasil, em 2014, proporção 
igual a 12,2%, na cidade de São Paulo esse valor esteve próximo a 17%. Na 
publicação Nascer na cidade de São Paulo, os autores comentam que a mu-
dança na estrutura etária da fecundidade no município relaciona-se provavel-
mente com maior acesso à educação, com a ampliação da participação femi-
nina no mercado de trabalho, com a utilização de métodos anticoncepcionais 
ao longo da vida e com as tecnologias de reprodução assistida em idades mais 
avançadas (SÃO PAULO, 2015).
Quanto ao tipo de parto (Tabela 3.5), observa-se que a proporção de 
57,1% de partos cesáreos no país, apesar de muito elevada, pode mascarar 
percentuais ainda mais altos verificados em algumas Unidades da Federação, 
como é o caso de Rondônia, Goiás e do Espírito Santo (mais que 66%), bem 
como as diferenças verificadas entre hospitais públicos e privados. No mu-
nicípio de São Paulo, dados interessantes, distinguindo partos vaginais e ce-
sáreos na rede pública e na rede privada, deixam claras essas diferenças; em 
2014, podem ser observadas essas variações (Tabela 3.6): em hospitais priva-
dos (não SUS) alcançando a cifra de mais de 85%.
No que diz respeito ao registro da presença de anomalias congênitas, va-
riável introduzida na DN em 1994, é possível ver que sua frequência foi de 
somente 0,7% para o Brasil. Esse valor retrata uma situação de quase descré-
dito para com essa variável, entre nós, na medida em que, em outros países, 
a prevalência de anomalias congênitas em nascidos vivos tem sido estimada 
em número bastante mais elevado, como mostram os trabalhos desenvolvi-
dos pelo Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congêni-
tas (ESTUDO…, [ca. 2016]). 
Para o estado de São Paulo, no mesmo período, os dados do Sinasc re-
tratam frequência de 1,1% e, para o município de São Paulo, onde existe um 
forte incentivo, por parte da Secretaria Municipal da Saúde, para a melhora 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
80
dessa informação, foi de 1,7% (Tabela 3.7). Essa proporção, embora bastante 
maior que a do Brasil, está ainda aquém do esperado.Em trabalho realizado com nascidos vivos de algumas maternidades da 
cidade de São Paulo, com metodologia baseada em pesquisa de campo e aná-
lise do prontuário mãe/filho, Laurenti, Siqueira, Mello Jorge et al. (2014) cha-
mam atenção para esse problema, enumerando as possíveis causas que pode-
riam explicar a subenumeração de anomalias congênitas na DN. Os autores 
referem que o médico (obstetra/pediatra/neonatologista), por motivos varia-
dos, pode não diagnosticar a anomalia no momento do nascimento, ou diag-
nosticá-la e não proceder ao seu registro no prontuário, até porque não existe 
campo específico para tal. 
Quando o médico faz o diagnóstico e anota a informação no prontuário, 
quem vai preencher a DN pode não reconhecer como tal todas as anomalias 
congênitas, principalmente as síndromes, anotando, portanto, apenas os tipos 
mais conhecidos ou somente aqueles precedidos da expressão “anomalia con-
gênita de …”, fato que, indiretamente, vai ser responsável pela subenumera-
ção do evento. 
Com base nessas constatações, a exemplo do que já haviam feito Luquetti 
e Koifman (2011), os autores sugerem, enfaticamente, prontuários padroniza-
dos ou, ao menos, a inserção de um campo específico para o registro de ano-
malias congênitas ao nascer (LAURENTI; SIQUEIRA; MELLO JORGE et al., 
2014). É importante chamar atenção para o fato de que, nessa pesquisa, o re-
gistro de anomalias congênitas entre os nascidos vivos foi de 4,3% e, entre os 
nascidos mortos, 9,1% (LAURENTI; SIQUEIRA; MELLO JORGE et al., 2014).
É claro que, apesar disso, algumas críticas a esse tipo de informação ain-
da poderiam ser feitas. Inclui-se, entre estas, a observação de que o registro 
das anomalias é precário em razão de os diagnósticos da presença de malfor-
mações importantes poderem não ser feitos no momento do nascimento. Es-
sa limitação tem fundamento e pode ser comprovada quando se examinam, 
por exemplo, os principais tipos de anomalias referidos no Sinasc (Tabela 
3.8), em que sobressaem as mais visíveis e, às vezes, menos importantes do 
ponto de vista de risco à vida (deformidades do sistema osteomuscular, por 
exemplo).
Com relação ao Índice de Apgar medido no primeiro e no quinto minu-
tos de vida, os dados mostram que, embora no primeiro minuto 12,8% dos 
nascidos vivos tenham apresentado baixos escores, esse valor decresceu para 
2,4% no quinto minuto. Isso evidencia, entretanto, que, segundo esse marca-
dor, quase 2,5% dos nascidos vivos no país ainda se encontravam em situação 
de risco nesse momento (Tabela 3.9).
81
Quanto à idade gestacional, é sabido que a prematuridade está fortemen-
te associada à mortalidade infantil (LAWN; BLENCOWE; OZA et al., 2014), 
o que fez com que se considerasse importante conhecer o número de nas-
cidos vivos segundo essa característica. Utilizando os limites internacionais 
(OMS, 2008) estabelecidos para a classificação das gestações segundo tempo 
de gestação, tem-se, no Brasil, em 2014:
Pré-termo: menos de 37 semanas (ou 259 dias): 11,2%
Termo: de 37 a menos de 42 semanas completas (259 a 293 dias): 82,8%
Pós-termo: 42 semanas completas ou mais (294 dias ou mais): 3,2%*
Os autores chamam atenção para o fato de que 1,5 milhão de recém-nas-
cidos no mundo são de pré-termo, e Shah, Mullany, Darmstadt et al. (2014) 
relatam que a metade dos óbitos neonatais ocorre, também, em conceptos 
dessa categoria. No Brasil, o elevado crescimento da proporção de gestação 
de pré-termo é mostrado pelos dados do Sinasc (Tabela 3.10), ao que Vic-
tora, Aquino, Leal et al. (2011) chamam atenção para a elevada e crescente 
frequên cia desse evento entre nós.
Quanto ao número de consultas de pré-natal, embora o quantitativo não 
passe a ideia de qualidade, é importante conhecer sua distribuição, visto que 
o Ministério da Saúde estabeleceu como valor mínimo adequado o de sete 
consultas. Pela Tabela 3.11 verifica-se que, em mais de 75 mil dos quase 3 mi-
lhões de nascidos vivos, as mães não tiveram nenhuma consulta de pré-natal 
(2,6%), sendo que, em 199.552 casos, o número de consultas esteve entre uma 
e três. É possível constatar, portanto, que para 1.925.124, o número de con-
sultas (mais de 65%) enquadrou-se no patamar estabelecido pelas autorida-
des de Saúde do país (Tabela 3.11). Observa-se, ainda, que as gestantes ado-
lescentes atingem, com menor frequência, a meta desejada. 
Essas características, isoladas ou em conjunto, constituem-se em impor-
tantes marcadores do concepto de alto risco, os chamados near miss neona-
tal* sendo seu registro na DN a fonte para o estudo desse grupo. Na Tabela 
3.11 encontra-se essa distribuição segundo idade da mãe, podendo-se ver as-
pectos bastante interessantes**.
 
* Observe-se que, em 2,8% dos casos, a informação sobre o tempo de gestação não estava 
especificada.
** Trabalho em andamento de Kale e Mello Jorge: Situação de risco à saúde infantil e fatores 
associados (FSP/USP, 2015).
*** Os dados do Sinasc estão disponíveis em <www.datasus.gov.br> � estatísticas vitais � nas-
cidos vivos.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
82
Tabela 3.1
Número de nascidos vivos e taxa bruta de natalidade (por mil habitantes), 
Brasil, 1996 a 2011
Ano Nº NV Taxa
1996 2.945.425 21,76
1997 3.026.658 22,21
1998 3.148.037 21,80
1999 3.256.433 21,86
2000 3.206.761 20,32
2001 3.115.474 19,49
2002 3.059.402 18,73
2003 3.038.251 18,23
2004 3.026.548 17,88
2005 3.035.096 17,47
2006 2.944.928 17,00
2007 2.891.328 16,60
2008 2.934.828 16,26
2009 2.881.581 15,98
2010 2.861.868 15,78
2011 2.913.160 15,63
Fonte: Até 2011, RIPSA (2012).
Tabela 3.2
Nascidos vivos segundo peso ao nascer (em gramas) e sexo, Brasil, 2014 (nº e %)
Peso (em gramas) Masculino Feminino Total
 Nº %1 %2 Nº %1 %2 Nº %1 %2
- 500 1.705 48,5 (0,1) 1.814 51,5 (0,1) 20 3.539 100,0 (0,1)
500 a 999 7.270 50,9 (0,5) 6.999 49,1 (0,5) 43 14.312 100,0 (0,5)
1000 a 1499 10.814 50,0 (0,7) 10.796 50,0 (0,7) 53 21.663 100,0 (0,7)
1500 a 2499 96.825 46,1 (6,3) 113.155 53,9 (7,8) 146 210.126 100,0 (7,1)
Total baixo peso 116.614 46,8 (7,6) 132.764 53,2 (9,1) 262 249.640 100,0 (8,4)
2500 a 2999 303.199 44,4 (19,8) 379.248 55,6 (26,1) 144 682.591 100,0 (22,9)
3000 a 3999 1.008.901 53,2 (66,1) 885.773 46,8 (61,0) 233 1.894.907 100,0 (63,6)
4000 ou + 97.385 64,7 (6,4) 53.112 35,3 (3,7) 20 150.517 100,0 (5,0)
Não especificado 808 50,4 (0,1) 796 49,6 (0,1) - 1.604 100,0 (0,1)
Total 1.526.907 51,3 (100,0) 1.451.693 48,7 (100,0) 659 2.979.259 100,0 (100,0)
Notas: (1) Proporções calculadas sobre o total de casos com informação conhecida.
 (2) Os números entre parêntesis referem-se às proporções calculadas nas colunas.
Fonte: Sinasc (dados brutos).
 
Nã
o
es
pe
cif
ica
do
83
Tabela 3.3
Nascidos vivos segundo peso ao nascer (em gramas), município de
São Paulo, 2001 a 2014 (nº e %)
 Peso ao nascer (em gramas)
 <1500 1500 a 2499 2500 a 3999 4000 e + Total
 Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº %
2001 2.364 1,3 14.536 8,1 154.364 86,5 6.847 3,8 345 0,2 178.456 100,0
2002 2.495 1,4 13.980 7,9 152.824 86,7 6.708 3,8 313 0,2 176.320 100,0
2003 2.496 1,4 14.303 8,2 151.480 86,7 6.223 3,6 201 0,1 174.703 100,0
2004 2.483 1,4 14.060 8,0 151.475 86,7 6.565 3,8 225 0,1 174.808 100,0
2005 2.424 1,4 13.581 7,9 148.579 86,6 6.802 4,0 179 0,1 171.565 100,0
2006 2.528 1,5 13.375 8,0 144.298 86,6 6.536 3,9 10 0,0 166.747 100,0
2007 2.587 1,5 13.645 8,0 149.012 86,8 6.315 3,7 17 0,0 171.576 100,0
2008 2.578 1,5 13.626 7,9 150.427 86,7 6.849 3,9 22 0,0 173.502 100,0
2009 2.644 1,5 14.156 8,2 150.258 86,4 6.772 3,9 25 0,0 173.855 100,0
2010 2.644 1,5 13.888 8,0 151.181 86,8 6.530 3,7 12 0,0 174.255 100,0
2011 2.695 1,5 13.976 7,9 152.860 86,6 6.907 3,9 12 0,0 176.450 100,0*
2012 2.628 1,5 14.344 8,2 151.841 86,3 7.059 4,0 12 0,0 175.884 100,0
2013 2.567 1,5 13.998 8,1 149.487 86,4 6.887 4,0 4 0,0 172.943 100,0
2014 2.650 1,5 13.931 7,9 152.184 86,6 7.004 4,0 3 0,0 175.772 100,0
* Arredondamento para 100%.
Fonte:SP/SMS (2015).
 
Não
especificado
An
o 
de
 n
as
cim
en
to
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
84
Tabela 3.4
Nascidos vivos segundo idade da mãe, Brasil, 2014 (nº e %)
Idade (em anos) Nº %
Menor que 15 28.245 0,9
15 a 19 534.364 17,9
Total de Adolescentes 562.609 18,9
20 a 24 745.007 25,0
25 a 29 722.174 24,2
30 a 34 584.970 19,6
Total de Idade Ótima 2.052.151 68,9
35 a 39 290.901 9,8
40 a 44 68.876 2,3
45 a 49 4.234 0,1
50 ou + 394 0,0
Total de Idosas 364.011 12,2
Não Especificada 94 0,0
Total 2.979.259 100,0*
* Arredondamento para 100%.
Porcentagem calculada sobre número de casos com idade conhecida.
Fonte: Sinasc.
 
85
Tabela 3.5
Nascidos vivos segundo Unidade da Federação e tipo de parto,
Brasil, 2014 (nº e %)
 Unidade da Federação Vaginal Cesário Não Total
 Nº % Nº % especificado Nº %
Rondônia 9.254 33,6 18.263 66,4 43 27.560 100,0
Acre 10.631 62,1 6.500 37,9 8 17.139 100,0
Amazonas 50.149 62,0 30.722 38,0 274 81.145 100,0
Roraima 7.241 65,3 3.845 34,5 34 11.120 100,0
Pará 70.839 49,5 72.380 50,5 284 143.503 100,0
Amapá 10.445 64,3 5.799 35,7 27 16.271 100,0
Tocantins 11.928 47,9 12.988 52,1 28 24.944 100,0
Maranhão 66.904 57,4 49.741 42,6 426 117.071 100,0
Piauí 22.378 46,7 25.540 53,3 23 47.941 100,0
Ceará 54.009 42,1 74.424 57,9 248 128.681 100,0
Rio Grande do Norte 19.274 40,1 28.746 59,9 91 48.111 100,0
Paraíba 24.096 41,9 33.351 58,1 88 57.535 100,0
Pernambuco 65.396 45,6 77.893 54,4 200 143.489 100,0
Alagoas 23.382 45,2 28.356 54,8 121 51.859 100,0
Sergipe 18.919 55,1 15.433 44,9 17 34.369 100,0
Bahia 112.919 55,5 90.581 44,5 534 204.034 100,0
Minas Gerais 111.339 41,8 155.253 58,2 538 267.130 100,0
Espírito Santo 18.757 33,2 37.736 66,8 55 56.548 100,0
Rio de Janeiro 88.580 38,0 144.754 62,0 250 233.584 100,0
São Paulo 241.125 38,6 384.264 61,4 298 625.687 100,0
Paraná 58.943 36,9 100.904 63,1 68 159.915 100,0
Santa Catarina 36.812 39,5 56.368 60,5 52 93.232 100,0
Rio Grande do Sul 53.056 37,0 90.221 63,0 38 143.315 100,0
Mato Grosso do Sul 16.741 38,0 27.315 62,0 2 44.058 100,0
Mato Grosso 21.812 38,6 34.655 61,4 32 56.499 100,0
Goiás 32.258 32,4 67.290 67,6 250 99.798 100,0
Distrito Federal 19.988 44,8 24.632 55,2 101 44.721 100,0
Total 1.277.175 42,9 1.697.954 57,1 4.130 2.979.259 100,0
Nota: Proporções calculadas sobre o total de casos com informação conhecida.
Fonte: Sinasc (dados brutos).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
86
Tabela 3.6
Nascidos vivos segundo tipo de parto (SUS e não SUS), Município de São 
Paulo, 2014 (nº e %)
Tipo SUS Não SUS
Vaginal 65,6 14,4
Cesáreo 34,6 85,6
Total 100,0 100,0
Fonte: SP/SMS (2015).
Tabela 3.7
Nascidos vivos segundo registro de presença de anomalia congênita (AC) na 
Declaração de Nascido Vivo, Brasil, ESP e MSP, 2014 (nº e %)
 Brasil Estado de Município deRegistro de São Paulo (ESP) São Paulo (MSP)
Presença de AC Nº % Nº % Nº %
Sim 22.287 0,7 6.903 1,1 2.977 1,7
Não 2.874.082 96,5 613.302 98,0 172.781 98,3
Não especificada 82.890 2,8 5.482 0,9 82 0,0
Total 2.979.259 100,0 625.687 100,0 175.840 100,0
Fonte: Sinasc (dados brutos).
 
87
Tabela 3.8
Nascidos vivos com registro de anomalias congênitas (AC) na Declaração de 
Nascido Vivo segundo tipo de anomalia, Brasil, 2014 (nº e %)
Tipo Nº %
Espinha bífida 650 2,9
Outras malformações congênitas do sistema nervoso 1.863 8,4
Malformações congênitas do aparelho circulatório 2.164 9,7
Fenda labial e fenda palatina 1.485 6,7
Ausência, atresia e estenose do intestino delgado 47 0,2
Outras malformações congênitas do aparelho digestivo 900 4,0
Testículo não descido 385 1,7
Outras malformações do aparelho urinário 1.799 8,1
Deformidades congênitas do quadril 143 0,6
Deformidades congênitas dos pés 2.714 12,2
Outras malformações e deformidades congênitas do aparelho osteomuscular 6.172 27,7
Outras malformações congênitas 2.950 13,2
Anomalias cromossômicas NCOP* 916 4,1
Hemangioma e linfangioma 99 0,5
Total 22.287 100,0
* NPOC: não classificadas em outra parte.
Fonte: Sinasc (dados brutos).
 
Tabela 3.9
Nascidos Vivos segundo o valor do Índice de Apgar no 1º e no 5º minutos de 
vida, Brasil, 2014 (nº e %)
Índice de Apgar
 1º minuto 5º minuto
 Nº % Nº %
0 a 2 23.323 0,8 8.341 0,3
3 a 5 80.823 2,8 12.599 0,4
6 e 7 267.319 9,2 47.847 1,7
Subtotal 371.465 12,8 68.787 2,4
8 a 9 2.527.652 87,2 2.830.725 97,6
Não Especificado 80.142 * 79.747 *
Total 2.979.259 100,0 2.979.259 100,0
* Não calculada.
Proporções calculadas sobre o total de casos com informação conhecida.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
88
Tabela 3.10
Nascidos Vivos segundo duração da gestação, Brasil, 2001 a 2014 (nº e %)
 Não
Ano Pré-termo Termo Pós-termo especificado Total
 Nº % Nº % Nº % Nº % Nº %
2001 197.613 6,3 2.818.382 90,5 49.581 1,6 49.898 1,6 3.115.474 100,0
2002 192.567 6,3 2.787.225 91,1 41.982 1,4 37.628 1,2 3.059.402 100,0
2003 192.252 6,3 2.777.171 91,4 36.759 1,2 32.069 1,1 3.038.251 100,0
2004 196.537 6,5 2.774.458 91,7 30.665 1,0 24.888 0,8 3.026.548 100,0
2005 199.018 6,5 2.785.197 91,8 29.918 1,0 20.963 0,7 3.035.096 100,0
2006 194.783 6,6 2.692.742 91,4 26.361 0,9 31.042 1,1 2.944.928 100,0
2007 190.155 6,6 2.644.512 91,4 22.837 0,8 33.824 1,2 2.891.328 100,0
2008 201.441 6,9 2.697.784 91,9 21.790 0,7 13.813 0,5 2.934.828 100,0
2009 202.102 7,0 2.641.867 91,7 19.566 0,7 18.046 0,6 2.881.581 100,0
2010 204.299 7,1 2.618.495 91,5 22.439 0,8 16.635 0,6 2.861.868 100,0
2011 285.592 9,8 2.424.369 83,2 90.950 3,1 112.249 3,9 2.913.160 100,0
2012 344.656 11,9 2.315.066 79,7 105.361 3,6 140.706 4,8 2.905.789 100,0
2013 333.452 11,5 2.354.242 81,1 102.825 3,5 113.508 3,9 2.904.027 100,0
2014 332.992 11,2 2.466.267 82,8 96.583 3,2 83.417 2,8 2.979.259 100,0
Fonte: Sinasc (dados brutos).
 
Tabela 3.11
Nascidos vivos segundo idade materna e número de consultas de pré-natal, 
Brasil, 2014
Nº de consultas Idade materna Não 10 a 19 20 a 34 35 ou mais especificado Total
Nenhuma Nº 16.035 50.457 9.009 28 75.529
 % 2,9 2,5 2,5 * 2,6
1 a 3 Nº 57.735 124.135 17.661 21 199.552
 % 10,3 6,1 4,9 * 6,7
4 a 6 Nº 187.396 494.851 74.214 25 756.486
 % 33,6 24,3 20,5 * 25,6
7 ou + Nº 297.181 1.367.494 260.437 12 1.925.124
 % 53,2 67,1 72,1 * 65,1
Não especificada Nº 4.262 15.214 3.084 8 22.568
 % * * * * *
Total Nº 562.609 2.052.151 364.405 94 2.979.259
 % 100,0 100,0 100,0 100,0* 100,0
* Proporção calculada sobre o total de casos com informação conhecida
89
Referências
ALMEIDA, M. F.; ALENCAR, G. P.; SCHOEPS, D. O Sistema de Informações sobre Nascidos 
Vivos – Sinasc: uma avaliação de sua trajetória. In: BRASIL; ORGANIZAÇÃO PAN-AME-
RICANA DA SAÚDE; FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. A experiência brasileira em sis-
temas de informação em saúde. Brasília, DF, 2009. p. 11-38. (Série B – Textos Básicos de 
Saúde, v. 1).
BALDIJÃO, M. F. A.; SOBOLL, M. L. M. S., MELLO JORGE, M. H. P., FERREIRA, C. E. C. 
Sistema de Informações sobre Nascimentos – Sinasc: sua importância para o aprimora-
mento das Estatísticas Vitais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 1., 
1990, Campinas. Anais… Campinas: Abrasco, 1990.
BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos e dá ou-
tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1973. Seção 1, p. 13528.
______. Estatuto da criança e do adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de junho de 1990. São Paulo: 
Saraiva, 1998. (Coleção Saraiva de Legislação).
______. Ministério da Saúde. Portaria nº 116, de 11 de fevereiro de 2009. Regulamenta a coleta 
de dados, fluxo e periodicidade de envio das informações sobre óbitos e nascidos vivos pa-
ra os Sistemas de Informações em Saúde sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde. 
Brasília, DF, 2009. Mimeografado.
______.Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2011: uma análise da situação de saúde e a vigilân-
cia da saúde da mulher. Brasília, DF, 2012b.
______. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2012: uma análise da situação de saúde e dos 40 
anos do Programa Nacional de Imunizações. Brasília, DF, 2013.
______. Lei nº 12.662, de 5 de junho de 2012. Assegura validade nacional à Declaração de 
Nascido Vivo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 6 jun. 2012a. Seção 1, p. 3.
______. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2013: uma análise da situação da saúde e das doen-
ças transmissíveis relacionadas à pobreza. Brasília, DF, 2014b.
______. Ministério da Saúde. Manual de instruções para o preenchimento da Declaração de 
Nascido Vivo. Brasília, DF, 2014a. (Série A – Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: 
<http://bit.ly/2lHKg4v>. Acesso em: 26 dez. 2016.
ESTUDO Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (Eclamc). [ca. 2016]. 
Disponível em: <http://bit.ly/2mUaq3W>. Acesso em: 26 dez. 2016.
FERREIRA, C. E. C.; ORTIZ, L. P. Proposta da implantação de uma Declaração de Nascimen-
to: uma pesquisa de campo na Grande São Paulo. Informe Demográfico, São Paulo, v. 7, p. 
83-122, 1982.
ILIODROMITI, S.; MACKAY, D. F.; SMITH, G. C. S. et al. Apgar score and the risk of cause-s-
pecific infant mortality: a population-based cohort study. The Lancet, London, v. 384, n. 
9956, p. 1749-1755, 2014.
LAURENTI, R.; SIQUEIRA, A. A. F.; MELLO JORGE, H. P. et al. The importance of congenital 
malformations at birth. Journal of Human Growth and Development, São Paulo, v. 24, n. 3, 
p. 328-338, 2014.
LAWN, J. E.; BLENCOWE, H.; OZA, S. et al. Every newborn: progress, priorities and potential 
beyond survival. The Lancet, London, v. 384, n. 14, p. 189-205, 2014.
LUQUETTI, D. V.; KOIFMAN, R. J. Surveillance of birth defects: Brazil and the US. Ciência e 
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, supl. 1, p. 777-785, 2011.
MELLO JORGE, M. H. P.; GOTLIEB, S. L. D.; SOBOLL, M. L. M. S. et al. O Sistema de Infor-
mações sobre Nascidos Vivos – Sinasc. São Paulo: CBCD, 1992. (Série Divulgação, n. 7).
MELLO JORGE, M. H. P; LAURENTI, R.; GOTLIEB, S. L. D. et al. Características das gesta-
ções de adolescentes internadas em maternidades do estado de São Paulo, 2011. Revista 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
90
Epidemiologia e Saúde, Brasília, DF, v. 23, n. 2, p. 305-316, 2014.
NACIONES UNIDAS. Departamento de Asuntos Económicos y Sociales Internacionales. Ma-
nual de métodos de estadísticas vitales. Nueva York, 1955. (Estudios metodológicos, Série F, 
n. 7).
NORDENFELT, L. Causes of death: a philosophical essay. Stockholm: FRN, 1983.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
Problemas Relacionados à Saúde. 8. ed. São Paulo: CBCD; Edusp, 2008. v. 2.
ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Estadísticas Sanitarias Mundiales. Genebra, 
2012.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE (Ripsa). Indicadores Básicos 
para a Saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília, DF: Organização Pan-Ameri-
cana da Saúde, 2008.
______. Indicadores e dados básicos: Brasil 2012. 2012. Disponível em: <http://bit.ly/1Po-
aWyc>. Acesso em: 26 dez. 2016.
SAN MARTIN, E. Salud y enfermedad. 2. ed. Ciudad de México: La Prensa Médica Mexicana, 
1960.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Relatório técnico do Grupo 
de Trabalho referente à implantação da Declaração de Nascimento no Estado de São Paulo, 
1987. Mimeografado.
SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Saúde. Coordenação de Epidemiologia e 
Informação. Nascer na cidade de São Paulo: 15 anos do Sinasc. Boletim CEInfo Análise, São 
Paulo, v. 10, n. 11, maio 2015.
SHAH, R.; MULLANY, L. C.; DARMSTADT, G. L. et al. Determinants and pattern of care 
seek ing for preterm newborns in a rural Bangladeshi cohort. BMC Health Services Resear-
ch, London, v. 14, p. 417, 2014. Disponível em: <http://bit.ly/2qpJn6c>. Acesso em: 2 maio 
2017.
VICTORA, C. G.; AQUINO, E. M. L.; LEAL, M. C. et al. Maternal and child health in Brazil: 
progress and challenges. The Lancet, London, v. 377, n. 9780, p. 1863-1876, maio 2011.
 
 
91
CAPÍTULO
4
Informações sobre perdas
ou mortes fetais
Definições importantes
Produtos de gestação que vêm à luz sem qualquer sinal vital consti-
tuem-se, dentro das estatísticas vitais/Epidemiologia, nas chamadas perdas 
fetais, mortes fetais ou óbitos fetais. O conceito desse evento foi estabelecido 
pela Assembleia Mundial da Saúde (Resoluções WHA 20.19 e 43.24), tam-
bém em 1950, em razão da diversidade de critérios existentes, à época, nos 
diferentes países: “Óbito fetal é a morte de um produto de concepção antes 
da expulsão ou extração do corpo da mãe, independentemente da duração da 
gravidez” (NACIONES UNIDAS, 1955, p. 58).
O óbito indica que o feto, depois da separação, não respirou nem apre-
sentou qualquer outro sinal de vida, como batimentos do coração, pulsações 
do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração vo-
luntária. Esse conceito está em vigor até hoje e vem sendo reproduzido em 
todas as revisões da Classificação Internacional de Doenças (OMS, 1995; 
2008). Fica claro, assim, que a perda fetal corresponde exatamente ao oposto 
do nascido vivo, sendo a ausência de sinais vitais no momento do parto a sua 
principal característica.
Isso posto, é possível admitir que as perdas fetais incluem produtos cuja 
gestação termina em aborto e os nascidos mortos. A classificação dessas per-
das, segundo idade gestacional ou características do produto, mostra-se fun-
damental, visto que:
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
92
1) Perdas fetais englobam, no seu conjunto, casos de interrupção da gra-
videz por aborto (espontâneo ou provocado), dos quais não se tem 
qualquer tipo de registro (ou os existentes são bastante precários)
2) O período gestacional é utilizado no cálculo do importante indica-
dor de mortalidade perinatal, que é conceituado como o “período que 
tem início com 22 semanas completas de gestação (154 dias), época 
em que o peso de nascimento é, normalmente, de quinhentos gramas 
e termina com sete dias completos de vida após o nascimento” (OMS, 
2008, p. 155). Aqui é importante salientar que, nesse período, podem 
vir à luz tanto conceptos com vida como os que nasceram sem ne-
nhum sinal de vida
É importante referir também que, até a vigência da nona revisão da Clas-
sificação Internacional de Doenças (1995), incluíam-se no conceito de nasci-
do morto as perdas fetais cuja idade gestacional fosse de 28 semanas ou mais, 
com peso do produto equivalente a mil gramas e estatura corresponden-
te a, pelo menos, 35 centímetros (LAURENTI; MELLO JORGE; LEBRÃO; 
GOTLIEB, 2005). Entretanto, em razão de existência de nascimentos vivos – 
que permaneciam vivos – de produtos com menor tempo de gestação e pesos 
e estaturas mais baixos, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu – 
e a OMS referendou – que, a partir da entrada em vigor da décima revisão da 
CID, o limite inferior da idade gestacional, para o conceito de nascido morto, 
deveria passar a ser de 22 semanas, quinhentos gramas de peso e 25 centíme-
tros de estatura. Assim, o responsável direto pela mudança na determinação 
do limite inferior da idade gestacional para o estabelecimento do conceito de 
nascido morto foi a nova definição de mortalidade perinatal (OMS, 2008), 
que passou a ser considerada como tal, exatamente a partir de 154 dias.
É necessário registrar, também, que a legislação brasileira referente aos 
Registros Públicos (BRASIL, 1973) é taxativa quanto ao registro dos nasci-
dos mortos, inclusive por sua importância dentro do Direito das Sucessões. É 
preciso deixar esse critério bastante evidente, uma vez que, na área jurídica, 
nascidos mortos não são sujeitos de direito. Fica claro, portanto, que, embora 
a lei não defina o evento, deixando a tarefa a critério da Medicina, vale o que 
foi estabelecidopela OMS, tendo em conta que o Brasil foi signatário da refe-
rida resolução.
Médicos, em sala de parto, entretanto, apesar disso, viam-se, não pou-
cas vezes, em dificuldades com relação a como proceder com esses produ-
tos, principalmente quando a idade gestacional era uma medida difícil de 
ser obtida.
93
Em 2000, por meio da Resolução nº 1.601, o Conselho Federal de Me-
dicina estabeleceu novas regras, determinando que, para permitir que todos 
os conceptos de 22 semanas fossem registrados, o limite inferior, obrigatório 
para o fornecimento do atestado, deveria ser de vinte semanas. Ao lado disso, 
em função de crescimento intrauterino segundo idade gestacional, passou-se 
a considerar obrigatório, também, que produtos com peso e/ou estatura mí-
nimas, respectivamente quinhentos gramas e 25 centímetros, fossem objeto 
da atestação como nascido morto (CFM, 2000)*. Essa resolução, considerada 
um marco no intrincado problema do registro das perdas fetais, e, principal-
mente, no fornecimento de uma Declaração de Óbito Fetal, foi revogada por 
nova determinação do Conselho Federal de Medicina, em 2005, que, entre-
tanto, não alterou seu espírito inicial.
Assim, restam claras a obrigatoriedade do fornecimento de um atestado 
e as características que o produto deve apresentar para ser objeto dessa ates-
tação. O Conselho Federal de Medicina veio estabelecer as regras a serem se-
guidas nessas situações (CFM, 2005). Diz a Resolução nº 1.779, de 11 de no-
vembro de 2005, em seu artigo 2º:
em caso de morte fetal, os médicos que prestaram assistência à mãe 
ficam obrigados a fornecer a DO quando a gestação tiver duração 
igual ou superior a 20 semanas ou o feto tiver peso corporal igual ou 
superior a 500 gramas e estatura igual ou superior a 25 centímetros.
O que, onde e como declarar. O papel do médico
O documento hábil para a atestação da ocorrência de um nascido mor-
to é a Declaração de Óbito Fetal (DOF) em vigor no país (ver Capítulo 2), 
a ser feita no mesmo documento em que é atestado o óbito. Notar que a 
primeira casela do formulário é destinada à especificação do tipo de óbito: 
fetal ou não fetal.
A legislação em vigor determina que nascidos mortos devem ser inscri-
tos no Registro Civil, e a Lei dos Registros Públicos (BRASIL, 1973) e a Re-
solução do Conselho Federal de Medicina (CFM, 2005) estabelecem regras 
sobre o documento necessário para que esse registro seja efetuado. Quanto 
ao médico competente para fornecer a DOF, fica claro que a legislação faz re-
* É interessante observar que esses critérios não eram cumulativos, ou seja, bastava a existência 
de um deles, no feto, para que o médico estivesse obrigado a declará-lo.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
94
ferência específica ao “médico que prestava assistência à mãe”, nada haven-
do, entretanto, que impeça que outro profissional possa fazê-lo. Também se 
verifica que existe obrigatoriedade do fornecimento da DOF para produtos 
que atendam a especificação, não havendo impedimento, todavia, de que, se 
a família desejar promover o enterramento do produto, a DOF possa ser for-
necida para produtos com características de menor idade gestacional, menor 
peso ou menor estatura.
Com relação a esse particular, entretanto, a própria OMS estabelece cri-
térios de notificação (OMS, 2008), dispondo que, para saber se um evento 
ocorreu durante o período perinatal, devem ser aplicados, na seguinte ordem:
1) Peso ao nascer
2) Idade gestacional
3) Comprimento cabeça-calcanhar
As estatísticas sobre perdas fetais. Óbitos fetais como parte do SIM/MS.
O que o Sistema pode oferecer
O fluxo da informação sobre perdas fetais pode ser assim resumido: acon-
tecido o evento, o médico fornece a DOF, que é levada ao Cartório de Registro 
Civil para o competente registro (como nascido morto). A partir daí, a trajetó-
ria da informação é semelhante à do óbito, sendo que as estatísticas sobre cada 
um dos eventos são produzidas, analisadas e publicadas em separado.
As estatísticas vêm mostrando que o número de perdas fetais, no Bra-
sil, apresenta-se em declínio desde 1996. Esse ano é importante, pois repre-
senta o início do trabalho, em Epidemiologia/Medicina/Saúde, com novos 
conceitos quanto à obrigatoriedade da atestação pelo médico. Verifica-
se uma queda acentuada em seu número global, de mais de 40 mil casos, 
em 1996, para cerca de 32 mil em 2014 (dezessete anos depois, queda de 
20,5%) (Tabela 4.1).
Quanto à distribuição segundo o sexo, é interessante observar que, em 
2014, perdas do sexo masculino corresponderam a 53,9%, enquanto para o 
sexo feminino ficaram em 46,1% (notam-se, ainda, 938 casos sem informa-
ção sobre o sexo) (Tabela 4.2). Os dados permitem observar que a razão de 
sexos foi igual a 1,17:1.
A distribuição das perdas fetais segundo idade materna evidencia quase 
20% de mães adolescentes com filhos nascidos mortos; 63,6% para mães em 
idade ótima; e 16,9% para mães idosas. É interessante olhar essas frequências 
95
comparativamente à distribuição dos nascidos vivos segundo essa mesma va-
riável, sendo digna de nota a constatação de 16,9% (Tabela 4.2) de mães ido-
sas dentre as perdas fetais e 12,2% daquelas com filhos nascidos vivos, con-
forme visto na Tabela 3.4.
É necessária uma referência ao fato de que o Conselho Federal de Medi-
cina tomou a deliberação do corte às vinte semanas a fim de garantir que to-
dos os casos de 22 semanas fossem notificados*. Aqui é importante, também, 
salientar a existência de uma determinação da Ripsa segundo a qual, para o 
cálculo da mortalidade perinatal,
considerando a subnotificação de óbitos fetais e a precariedade de 
informação disponível sobre a duração da gestação, recomenda-se 
somar – tanto no numerador quanto no denominador – o número 
de óbitos fetais com idade gestacional ignorada ou não preenchida. 
(RIPSA, 2008, p. 117)
Ainda quanto à idade gestacional (Tabela 4.3), pode chamar atenção o 
fato de o Sistema abranger casos de perdas fetais com idade gestacional me-
nor que 22 semanas. É importante lembrar que a determinação é de que se-
jam obrigatoriamente fornecidas, pelo médico, DOF para os casos de 20 se-
manas ou mais, não havendo impedimento, entretanto, de gerar o formulário 
para os casos em que a idade gestacional esteja abaixo desse limite, conforme 
já mencionado.
As Tabelas 4.4 e 4.5 apresentam óbitos fetais, respectivamente, segundo 
peso ao nascer e tipos de parto, chamando atenção para a ocorrência de mais 
de 30% de partos cesáreos com feto morto.
O problema da causa
Quanto às causas das perdas fetais, é importante salientar que elas po-
dem ser divididas em causas maternas e causas fetais, sendo que essa deter-
minação é extremamente importante para o estudo do binômio mãe-filho. 
Verifica-se, pela Tabela 4.6, que a informação existente no Brasil é ainda pre-
cária nesse aspecto, com elevada proporção de casos em que os médicos utili-
zam apenas a expressão “nascido morto”, sem outra especificação, bem como 
* CFM – Atas de reuniões do Grupo elaborador de “Declaração de Óbito: documento necessá-
rio e importante”, Brasília, DF, 2007.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
96
apenas “anóxia intrauterina”, sem a preocupação de especificar se essa anóxia 
foi decorrente de uma causa materna ou de uma causa fetal.
Com relação às causas das perdas, é importante dizer que o Brasil é dos 
poucos países que dispõem dessa informação, embora ela seja, ainda, passí-
vel de alguma crítica, situação que pode ser melhorada com educação médica 
adequada. Nesse particular, é preciso deixar claro que para o médico – no ca-
so, aquele que atendeu a mãe – que a utilização da expressão “nascido mor-
to”, sozinha, não leva a resultado nenhum. De igual sorte, o registro de que 
se trata de um caso de anóxia ou hipóxia intra uterina é insuficiente, visto 
que a causa que leva o produto a nascer sem qualquer sinal vital será, sempre, 
decorrente de um problema materno ou fetal. Paramaiores esclarecimentos 
sobre “o que” e como registrar “as causas” ver Laurenti e Mello Jorge (2015).
Pela Tabela 4.6, em que as perdas ocorridas no país, em 2014, são anali-
sadas segundo causa, é possível verificar a concentração de casos decorrentes 
de causas perinatais: 92,9%, correspondendo a “feto e recém-nascido afetados 
por fatores maternos” (40,5%), seguidos de “restante das causas perinatais” 
(25,7%) e anóxia e hipóxia ao nascer (24,8%), ficando as anomalias congê-
nitas responsáveis por 5,8% do total de casos de óbitos fetais. Esta proporção 
chama atenção pelo fato de mostrar-se bem mais elevada do que a prevalên-
cia das anomalias congênitas entre os nascidos vivos, o que corrobora os co-
mentários já feitos no Capítulo 3.
Embora, como já dito, a declaração de perdas fetais seja feita no mesmo 
formulário que o óbito, a apuração é executada e apresentada em separado. 
Assim, é possível conhecer as perdas fetais segundo uma série de variáveis, 
conforme evidenciado nas tabelas que se seguem.
Da distribuição segundo duração da gestação, por exemplo, é possí-
vel verificar que 66,8% das perdas ocorreram no período de pré-termo (me-
nos que 37 semanas), enquanto nos nascimentos vivos essa proporção foi de 
11,2% (comparação entre as Tabelas 4.3 e 3.10), bem como maior valor entre 
as perdas de menos de 22 semanas de duração.
É importante salientar que a obtenção dos dados sobre nascidos mortos 
permite conhecer, ainda, a taxa de mortalidade perinatal (Tabela 4.7), já cal-
culada pela Ripsa.
O coeficiente de mortalidade perinatal é calculado pela fórmula:
 Nº de perdas fetais de 22 ou mais semanas de gestação + nº de
 óbitos de menores de sete dias de vida, área A, ano t 
X 1000
 Nº de nascidos vivos + nº de perdas fetais de 22 semanas
 ou mais, área A, ano t
97
Isso posto, recomenda-se aos médicos que, de acordo com a Resolução 
CFM nº 1.779/2005, elaborem Declaração de Óbito Fetal (DOF) para produtos:
• De gestação de vinte semanas ou mais
• De peso equivalente a pelo menos quinhentos gramas
• De estatura correspondente a 25 cm ou mais
deixando aos gestores do Sistema de Informações sobre Mortalidade a ela-
boração de estatísticas que preencham os critérios da OMS para o cálculo da 
mortalidade perinatal (LAURENTI; MELLO JORGE, 2015).
Quanto à qualidade da informação, Oliveira (2008), ao analisar a mortalida-
de fetal no país entre 2000 e 2005, comenta a elevada proporção de casos com in-
formação ignorada nos campos relativos à duração da gestação (8,4%) e ao peso 
ao nascer (18,3%). Em 2014, esses valores foram, respectivamente, 10,8% e 8,1%.
Tabela 4.1
Óbitos fetais, Brasil, 1996 a 2014
Ano do Óbito Óbitos Fetais
1996 40.434
1997 41.473
1998 40.321
1999 40.824
2000 39.429
2001 38.759
2002 37.417
2003 37.129
2004 36.214
2005 34.233
2006 33.434
2007 32.165
2008 32.065
2009 32.147
2010 30.929
2011 31.613
2012 32.229
2013 31.981
2014 32.145
Fonte: SIM/MS.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
98
Tabela 4.2
Óbitos fetais segundo sexo do concepto e idade da mãe, Brasil, 2014 (nº e %)
 NãoIdade da mãe Masculino Feminino especificado Total(em anos)
 Nº % Nº % Nº Nº %
Adolescentes
(10 a 19) 2.937 19,5 2.512 19,5 155 5.604 19,5
Idade ótima
(20 a 34) 9.550 63,2 8.280 64,1 447 18.277 63,6
Idosas
(35 ou +) 2.618 17,3 2.118 16,4 118 4.854 16,9
Não especificada 1.728 * 1.464 * 218 3.410 *
Total 16.833 100,0 14.374 100,0 938 32.145 100,0
* Percentuais calculados sobre o total de casos com informação conhecida (31.207).
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
Tabela 4.3
Óbitos fetais segundo sexo do concepto e duração da gestação.
Brasil, 2014 (nº e %)
 Não Razão
Duração gestação Masculino Feminino especificado Total M/F
(em semanas) Nº % Nº % Nº Nº % 
Menos de 22 1.598 9,5 1.225 8,5 168 2.991 9,3 1,3
22 a 27 2.923 17,4 2.577 17,9 223 5.723 17,8 1,1
28 a 31 2.608 15,5 2.467 17,2 111 5.186 16,1 1,1
32 a 36 4.043 24,0 3.424 23,6 135 7.575 23,6 1,2
Subtotal 11.172 66,4 9.666 67,2 637 21.475 66,8 1,2
37 a 41 3.769 22,4 3.132 21,8 107 7.008 21,8 1,2
42 ou mais 111 0,6 84 0,6 1 196 0,6 1,3
Não especificada 1.781 10,6 1.492 10,4 193 3.466 10,8 *
Total 16.833 100,0 14.374 100,0 938 32.145 100,0 1,2
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
99
Tabela 4.4
Óbitos fetais segundo peso ao nascer (em gramas) e duração da gestação 
(em semanas), Brasil, 2014
 Duração da Gestação (em semanas)
Peso ao nascer Menos 22 a 27 28 a 31 32 a 36 37 a 41 42 ou Não Total (em gramas) de 22 mais especificada
- 500 889 569 120 35 22 - 133 1.768
500 a 999 1.337 3.837 1.344 384 42 1 642 7.587
1000 a 1499 198 879 2.014 1.210 131 - 353 4.785
1500 a 2499 206 204 1.304 3.772 1.566 22 559 7.633
2500 a 2999 73 10 102 1.045 1.680 35 242 3.187
3000 a 3999 84 4 36 606 2.560 97 318 3.705
4000 e mais 20 7 3 102 654 28 78 892
Não especificado 184 213 263 421 353 13 1.141 2.588
Total 2.991 5.723 5.186 7.575 7.008 196 3.466 32.145
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
Tabela 4.5
Óbitos fetais segundo sexo do concepto e tipo de parto, Brasil, 2014
 Não
Tipo parto Masculino Feminino especificado Total
 Nº % Nº % Nº Nº %
Vaginal 11.019 68,9 9.562 69,7 636 21.217 69,5
Cesário 4.985 31,1 4.147 30,3 174 9.306 30,5
Não Especificado 829 * 665 * 128 1.622 *
Total 16.833 100,0 14.374 100,0 938 32.145 100,0
* % partos cesáreos sobre o total de casos com informação conhecida (30.226). 
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
100
Tabela 4.6
Óbitos fetais segundo sexo do concepto e causas, Brasil, 2014
 Não
Lista Mort CID-10 Masculino Feminino especificado Total
 Nº % Nº % Nº % Nº %
Algumas doenças infecciosas e
parasitárias 224 1,3 183 1,3 5 0,5 412 1,3
Algumas afecções originadas no
período perinatal 15.774 93,7 13.334 92,8 772 82,3 29.880 92,9 
Feto e recém-nascido afetados por
fatores maternos 6.898 41,0 5.838 40,6 297 31,7 13.033 40,5
Transtornos relacionados à
duração da gravidez 229 1,4 207 1,4 14 1,5 450 1,4
Traumatismo ocorrido durante o
nascimento 12 0,1 11 0,1 1 0,1 24 0,1
Hipóxia intrauterina e asfixia ao
nascer 4.210 25,0 3.567 24,8 195 20,8 7.972 24,8
Outras afecções respiratórias do
recém-nascido 9 0,1 9 0,1 1 0,1 19 0,1
Transtornos hemorrágicos e
hematológicos do feto 63 0,4 49 0,3 1 0,1 113 0,3
Restante das afecções perinatais 4.353 25,8 3.653 25,4 263 28,0 1.853 25,7
Malformações congênitas,
deformidades e anomalias 835 5,0 857 5,9 161 17,2 1.853 5,8
Hidrocefalia e espinha bífida
congênitas 36 0,2 45 0,3 6 0,6 87 0,3
Outras malformações congênitas
do sistema nervoso 152 0,9 229 1,6 15 1,6 396 1,2
Malformações congênitas do
coração 88 0,5 90 0,6 8 0,9 186 0,6
Outras malformações congênitas
do aparelho circulatório 4 0,0 5 0,0 3 0,3 12 0,0
Síndrome de Down e outras
anomalias cromossômicas 83 0,5 88 0,6 12 1,3 183 0,6
Malformações congênitas
não especificadas 472 2,8 400 2,8 117 12,5 989 3,1
Total 16.833 100,0 14.374 100,0 938 100,0 32.145 100,0
Fonte: SIM/MS (dados brutos).
 
101
Tabela 4.7
Taxa de mortalidade perinatal*, estados selecionados, 1997 a 2011
Ano ES RJ SP PR SC RS MS DF
1997 22,63 28,23 20,28 20,44 16,03 18,61 25,82 23,76
1998 22,50 26,81 22,80 22,22 16,22 18,93 25,94 23,14
1999 21,42 25,47 21,34 22,78 16,07 18,40 23,19 17,74
2000 21,80 23,76 20,52 22,13 16,36 17,27 24,58 18,18
2001 21,27 22,54 19,38 20,59 15,77 17,66 27,75 18,40
2002 21,28 22,50 18,59 19,81 15,79 16,94 22,97 16,80
2003 20,45 21,71 17,50 18,85 14,88 16,89 21,76 16,82
2004 18,33 21,62 17,11 18,11 14,12 17,10 21,52 15,49
2005 18,64 19,49 15,29 16,80 13,65 15,84 20,11 15,60
2006 18,38 19,80 14,93 16,02 14,31 15,85 20,42 15,73
2007 17,09 19,33 14,51 15,47 13,82 15,52 19,30 14,67
2008 16,78 18,86 14,52 15,89 12,70 15,17 19,66 14,92
2009 14,94 18,69 14,41 15,00 12,62 13,63 19,84 15,412010 14,80 18,34 13,77 15,36 12,50 13,91 18,23 15,23
2011 15,83 18,02 13,61 14,67 12,77 13,65 17,07 14,14
* Por mil nascimentos totais.
Fonte: RIPSA (2012) (Indicador C-2).
Referências
BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros públicos e dá ou-
tras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1973. Seção 1, p. 13528.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução nº 1.601, de 9 de agosto de 2000. Regula-
menta a responsabilidade médica no fornecimento da Declaração de Óbito. Brasília, DF: 
CFM: 2000. (Revogada pela Resolução CFM nº 1.779/2005).
______. Resolução nº 1.779, de 11 de novembro de 2005. Regulamenta a responsabilidade mé-
dica no fornecimento da Declaração de Óbito. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 dez. 
2005. Seção 1, p. 121.
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P. O atestado de óbito: aspectos médicos, estatísticos, 
éticos e jurídicos. São Paulo: Cremesp, 2015.
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P.; LEBRÃO, M. L.; GOTLIEB, S. L. D. Estatísticas de 
saúde. 2. ed. São Paulo: EPU, 2005.
NACIONES UNIDAS. Departamento de Asuntos Económicos y Sociales Internacionales. Ma-
nual de métodos de estadísticas vitales. Nueva York, 1955. (Estudios metodológicos, Série F, 
n. 7).
OLIVEIRA, H. Mortalidade fetal. In: BRASIL. Saúde Brasil 2007: uma análise da desigualdade 
em saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2008. p. 87-106.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
102
Problemas Relacionados à Saúde. São Paulo: CBCD; Edusp, 1995. v. 1. 
______. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 8. 
ed. São Paulo: CBCD; Edusp, 2008. v. 2.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE (Ripsa). Indicadores Bási-
cos para a Saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília, DF: Organização Pan- 
Americana da Saúde, 2008.
 
 
103
CAPÍTULO
5
Informações sobre morbidade
Aspectos gerais
 À medida que os indicadores de mortalidade passaram a ser mais uti-
lizados, sentiu-se a necessidade de sua complementação com dados de maior 
amplitude e abrangência e que incorporassem, também, além dos aspectos 
biológicos, algum tipo de informação sobre os avanços tecnológicos ocorri-
dos com o passar do tempo.
A introdução de novos hábitos, nas últimas décadas, levando a popula-
ção a um novo estilo de vida, assim como os progressos das ciências médicas 
e o emprego de novos medicamentos, tem modificado de tal modo a estru-
tura da mortalidade, que o volume maior de doenças tem se transferido para 
idades mais avançadas, de forma mais intensa em alguns países do que em 
outros (LAURENTI; MELLO JORGE; LEBRÃO; GOTLIEB, 2005). Logan, já 
em 1967, comentava que, a partir dessa premissa, tornou-se mais necessário 
dispor de informações – as mais completas e atuais possíveis – a respeito da 
morbidade das populações. As estatísticas de morbidade permitem estudar 
toda a patogenia das doenças, investigando desde fatores de risco até os mé-
todos de prevenção e cura (LOGAN, 1967).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
104
Morbidade hospitalar
O hospital como fonte de informação
As estatísticas hospitalares, embora apresentem a restrição de serem se-
letivas (porque fornecem somente informações a respeito das doenças que 
exigiram hospitalização e, portanto, principalmente as de maior gravidade) 
e parciais (porque, mesmo as pessoas para as quais foi recomendada inter-
nação, por razões diferentes, podem não ter sido hospitalizadas), são extre-
mamente importantes (LAURENTI; MELLO JORGE; LEBRÃO; GOTLIEB, 
2005). É preciso deixar claro, portanto, que as estatísticas hospitalares não re-
presentam a morbidade global de uma comunidade, visto que, em diferen-
tes classes e categorias, a população doente pode não estar totalmente coberta 
(Figura 5.1).
 
Figura 5.1
Esquema básico relativo à cobertura das estatísticas hospitalares em relação 
à população doente
 População
 Sadia Doente
 Não procura Procura
 médico médico
 Não procura Procura
 hospital hospital
 Tratamento Tratamento
 ambulatorial hospitalar
Fonte: Laurenti, Mello Jorge, Lebrão e Gotlieb (2005).
No entanto, apesar dessa limitação, os dados aí produzidos são consi-
derados extremamente relevantes, tanto do ponto de vista epidemiológico 
quanto administrativo. No primeiro caso, por conta do estudo das doenças 
105
que exigiram hospitalização e a distribuição de seus casos segundo variáveis 
consideradas importantes, como sexo, idade, tipo de patologia. Do ponto de 
vista administrativo, objetivam, por meio da mensuração do tempo de per-
manência de cada patologia, estimar gastos com internação e, especifica-
mente, com Unidade de Terapia Intensiva, taxa de letalidade hospitalar, entre 
outros indicadores, com vistas à produção de melhores serviços para o aten-
dimento da população.
Lebrão (1997) afirma que, em linhas gerais, podem ser considerados 
três usos fundamentais para as estatísticas hospitalares: clínico, administra-
tivo e epidemiológico, chamando atenção para o fato de que, do ponto de 
vista clínico, os dados estatísticos de pacientes hospitalizados não têm sido 
usados na medida que se esperava, a despeito de seu potencial para medi-
das de desempenho e carga de trabalho, seja pelo pequeno traquejo dos clí-
nicos na área da estatística, seja, ainda, pelo pouco interesse que demons-
tram nas estatísticas produzidas.
O prontuário médico
Nesse contexto, destaca-se a figura do médico em razão do duplo papel 
que pode exercer: enquanto usuário da informação produzida e na qualidade 
de produtor dessa mesma informação, já que a ele estão afetas a abertura, re-
gistro, manutenção e guarda do prontuário médico.
Embora, na Grécia antiga, tenham sido descobertos registros de nomes 
de pacientes acompanhados de resumos da evolução de suas doenças, a his-
tória revela que foi com Hipócrates, no século V a.C., que a utilização do 
método de registro da história clínica do paciente se mostrou mais presente, 
por meio de anotações sobre doenças e doentes. Consta que Hipócrates in-
centivava os médicos a elaborarem registros escritos com a finalidade de po-
der ser avaliada a evolução de cada enfermidade e identificar suas possíveis 
causas (MARIN; MASSAD; AZEVEDO NETO, 2003). Florence Nightingale, 
segundo os mesmos autores, além disso, referia outros usos para os registros 
hospitalares, como comparações entre a evolução de diferentes pacientes e 
“como o dinheiro público vinha sendo usado” (MARIN; MASSAD; AZEVE-
DO NETO, 2003).
No fim do século XIX, nos Estados Unidos, há documentação sobre o 
fato de que a Clínica Mayo, em vez de registros feitos em ordem cronológica 
e em documento único, introduziu a ideia de registros individuais, ou seja, 
seguia-se a ordem cronológica, mas cada paciente passava a ter o seu próprio 
registro, estabelecendo-se, anos depois, um conjunto mínimo de dados a se-
rem anotados nos prontuários.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
106
Segundo o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, o pron-
tuário médico, como utilizado hoje, teve seu uso introduzido no Brasil pela 
Professora Doutora Lourdes de Freitas Carvalho, Professora Titular de Admi-
nistração Hospitalar da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São 
Paulo (PAULA E SILVA, 2008).
Conceito
A palavra “prontuário” vem do termo latino “promptuariu” e significa 
“lugar onde são guardadas coisas de que se pode precisar a qualquer mo-
mento” ou “manual de indicações úteis” ou, ainda, “ficha que contém os da-
dos pertinentes a uma pessoa” (PATRÍCIO; MAIA; MACHIAVELLI; NA-
VAES, 2011).
Pelo Conselho Federal de Medicina (2002), segundo o artigo 1º da Reso-
lução nº 1.638/2002 prontuário médico é definido como
documento único constituído de um conjunto de informações, si-
nais e imagens registradas, geradas a partir de fatos, acontecimentose situações sobre a saúde do paciente e a assistência a ele prestada, 
de caráter legal, sigiloso e científico, que possibilita a comunicação 
entre membros da equipe multiprofissional e a continuidade da as-
sistência prestada ao indivíduo.
Constitui-se, assim, em uma importante ferramenta para o trabalho do 
médico, representando, também, valioso instrumento para sua defesa legal.
Algumas considerações sobre ele necessitam, ainda, ser feitas. Quan-
to ao nome, embora seja mantida a denominação de “prontuário médi-
co”, o documento é, hoje, multiprofissional, visto que vários profissionais 
pontuam ali suas anotações, servindo-se, também, daquelas que ali foram 
inseridas por outros profissionais (enfermeiros, fisioterapeutas, nutricio-
nistas, entre outros), visando ao total e completo bom atendimento ao 
paciente. Os usuários dos prontuários são, assim, os profissionais direta-
mente envolvidos na prestação do cuidado e na gestão, além de pesqui-
sadores, docentes e o próprio paciente (VASCONCELOS; GRIBEL;
MORAES, 2008).
Nessa linha de raciocínio, o prontuário se constitui, hoje, tanto em im-
portante aliado ao atendimento do paciente como em inesgotável fonte de 
dados para a pesquisa científica, para o ensino e para o planejamento em Saú-
de, incluindo a elaboração de estatísticas e indicadores para o setor da Saúde 
e para a administração hospitalar.
107
A quem pertence
Está, atualmente, consagrada a ideia de que o prontuário pertence ao pa-
ciente, podendo, este, portanto, a ele ter acesso a qualquer momento. Nesse 
particular, fica claro que médicos e hospitais apresentam-se, nesse contexto, 
somente como guardiães do prontuário, prevendo, inclusive, o Código de Éti-
ca Médica punição para o médico que negar ao paciente acesso ao prontuário, 
ficha clínica ou similar.
No caso de paciente menor ou incapaz (temporária ou permanente), seu 
representante legal goza dos mesmos direitos atribuídos ao paciente. No ca-
so de paciente falecido, pode ser questionado o direito de posse do prontu-
ário. Decisões judiciais têm ido na direção de que a entrega do prontuário 
médico de paciente falecido a familiares deveria obedecer à ordem da suces-
são hereditária, não havendo, entretanto, unanimidade quanto a esse posicio-
namento (cf. CFM, exp. nº 7.218/2011, com nota técnica do setor jurídico nº 
002/2012).
Essas observações são importantes, visto que o prontuário, tendo caráter 
sigiloso, não pode, sem autorização de seu titular, ser manuseado por pessoal 
não autorizado.
A utilização do prontuário médico para fins de pesquisa científica é per-
mitida apenas para projetos aprovados por comitês de ética, de acordo com a 
legislação em vigor (FRANCISCONE; GOLDIN, 1998), que vai exigir autori-
zação do paciente (por escrito), consolidada pelo Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido.
Conjunto mínimo de dados
Embora o Conselho Federal de Medicina esclareça que o modelo da fi-
cha pode ficar a cargo de cada instituição, alguns itens se fazem obrigatórios.
Itens obrigatórios:
• Identificação do paciente
• Anamnese
• Exame físico
• Hipóteses diagnósticas
• Diagnóstico definitivo
• Tratamento efetuado
Atributos:
• Nome completo
• Data de nascimento
• Sexo
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
108
• Naturalidade
• Endereço completo
• Data de abertura do prontuário
• Situação familiar
• Escolaridade
• Ocupação (situação no mercado de trabalho)
Necessidade de avaliação
Importante instrumento para os fins a que se destina, prontuários mé-
dicos devem ser completos e corretos, contendo todas as informações neces-
sárias ao bem cuidar do paciente. Além disso, devem ser escritos, sempre, de 
forma clara e compreensível a qualquer outro profissional que venha a utili-
zá-lo; deve ser legível*, permitindo, inclusive, identificar os profissionais de 
Saúde envolvidos no cuidado ao paciente**.
Vasconcelos, Gribel e Moraes (2008), em estudo transversal de prontuá-
rios relativos a atendimentos em hospitais do Rio de Janeiro, verificaram a 
completude dos mesmos quanto aos dados de identificação dos usuários, 
ainda que se tenha verificado baixa presença de atributos sociais. Além dis-
so, somente metade dos prontuários estudados possuía registro da data de 
abertura. Quanto aos registros de características de atendimento, prontuários 
de mulheres hipertensas e diabéticas deixaram a desejar (VASCONCELOS; 
GRIBEL; MORAES, 2008).
Os dados constantes do prontuário médico são importante fonte para 
pesquisas e básicos para alguns dos mais importantes sistemas de informação 
em Saúde do país. Isso posto, fica clara a relevância da participação do médi-
co nesse contexto a fim de que possam ser alcançados seus objetivos.
* Em 16/03/2016, o Conselho Regional de Medicina de Roraima lançou a campanha Letra Le-
gível (disponível no Portal CFM), visando orientar os médicos sobre a importância da adoção 
desta nos receituários (conteúdo válido também para prontuários).
** Quanto a esse aspecto, vale relatar experiência pessoal de um dos autores, vivida em país da 
África, onde esteve a trabalho pela Organização Mundial da Saúde, em importante instituição 
hospitalar situada na capital. Ao ser indagado sobre o resultado de necropsias de caráter ana-
tomopatológico ali realizadas, o patologista do hospital refere que os resultados das necrop-
sias eram muitas vezes prejudicados em razão de, apesar de os prontuários acompanharem 
os corpos dos falecidos para exame, o aproveitamento de seus dados era muito pequeno, pois 
os médicos da instituição, muitos de países estrangeiros – por não dominarem bem a língua 
portuguesa e, ainda, em razão do pouco tempo de que dispunham para as anotações – escre-
viam em seus próprios idiomas (!) (relato de M. H. P Mello Jorge).
109
O Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde
(SIH/SUS)
Breve histórico. A Autorização de Internação Hospitalar (AIH).
Os conceitos de diagnósticos principal e secundário
O Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde 
(SIH/SUS) – originalmente Sistema de Assistência Médico-Hospitalar da Pre-
vidência Social (SAMHPS) – foi concebido em 1981, fundamentalmente com 
o objetivo de operar o sistema de pagamento de internação hospitalar contra-
tado pelo Ministério da Previdência Social. Breve análise da linha do tempo 
mostra que, em meados da década de 1980, foi ampliado aos hospitais filan-
trópicos, para atendimentos prestados a não segurados da Previdência Social. 
Em 1987, os hospitais universitários e de ensino passaram, também, a rece-
ber recursos da Previdência Social e, em 1988, com a promulgação da nova 
Constituição Federal, o SAMHPS foi estendido para todo o Sistema Único de 
Saúde (SUS), incluindo os hospitais públicos, municipais, estaduais e federais, 
transformando-se, então, no SIH/SUS a partir de 1991 (RIPSA, 2008).
O SIH/SUS é gerido pela Secretaria de Assistência à Saúde do Ministé-
rio da Saúde, e seu documento básico é a Autorização de Internação Hospita-
lar (AIH), que habilita a internação do paciente e gera valores de pagamento. 
Trata-se de um documento que autoriza a internação hospitalar para a reali-
zação de qualquer procedimento. É um registro administrativo que indica o 
hospital, o paciente, os serviços executados durante a hospitalização e os pro-
fissionais envolvidos nos cuidados, além de informar os valores pagos pela 
internação (AMARAL; COELI; COSTA et al., 2004).
O preenchimento da AIH é feito pela instituição hospitalar, e seu conteú-
do é remetido, mensalmente, em meio magnético, ao gestor municipal ou es-
tadual do SUS para que, no nível nacional, os dados sejam consolidados no 
Departamento de Informática do SUS. Quanto ao problema dos diagnósticos, 
a AIH comporta duas possibilidades: anotação sobre o diagnóstico principal 
e anotação sobre o diagnóstico secundário.
Diagnóstico principal: refere-se à doença ou lesão que motivou o 
atendimento hospitalar, a ser registrado pelo seu código correspon-
dente na Classificação Internacionalde Doenças. (CID-10)
Diagnóstico secundário: refere-se a outras patologias – já existentes 
ou apresentadas pelo paciente durante a internação, sendo, também, 
registrado(s) pelo(s) seu(s) código(s) correspondente(s). (CID-10)
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
110
É importante salientar que, no que tange a internações por lesões/envene-
namentos, o campo relativo ao diagnóstico principal deve ser preenchido com 
a natureza da lesão que motivou a internação (traumatismo de crânio, fratura 
de coluna etc.), segundo o disposto no Capítulo XIX da CID-10 (OMS, 1995). 
A partir de 1998, o diagnóstico secundário passou a requerer, obrigatoriamen-
te, o preenchimento com o tipo de causa externa que motivou a lesão descri-
ta no diagnóstico principal (queda, acidente de trânsito, tentativa de suicídio 
etc.) (BRASIL, 1997). A lógica dessa determinação baseia-se no já referido 
conceito de causa básica de morte, bastante utilizado no Sistema de Mortalida-
de e que se constitui no pilar fundamental da prevenção em Saúde.
Pepe (2009), comenta que, por sua natureza e seu objetivo, o SIH/SUS 
constitui-se em um banco de dados administrativos. E, segundo Schramm 
(2000), para além de seu objetivo precípuo, oferece três potenciais utilizações:
1) A que ocorre em estudos descritivos da prática clínica, contemplan-
do variações na prática, variação geográfica de condutas, variação da 
oferta de serviços
2) Aquela fornecida por estudos comparativos de resultados de duas ou 
mais intervenções ou dois ou mais hospitais e
3) Uma função adjunta a outras metodologias, podendo seus dados ser 
usados de modo combinado, por exemplo, com dados primários ou 
com bancos de natureza clínica
A informação é encontrada em <http://www.datasus.gov.br>, lembran-
do que os dados são disponibilizados para o público sempre no menor pra-
zo possível, em razão, principalmente, de o sistema lidar com informações fi-
nanceiras (por exemplo, em meados de 2016, ainda que sujeitos a revisão, já 
estão disponíveis dados de 2015).
Avaliação do Sistema e suas limitações
A análise dos dados das hospitalizações no Brasil impõe-se, ainda, co-
mo um grande desafio à Saúde Pública. Mesmo subutilizados em análises do 
ponto de vista epidemiológico e restritos aos serviços financiados pelo SUS, 
os dados provenientes do SIH vêm sendo usados em estudos que extrapolam 
o âmbito financeiro, visto que permitem conhecer o comportamento epide-
miológico da morbidade hospitalar entre nós.
Do ponto de vista de sua cobertura, estima-se que esteja ao redor de 
75% do total de hospitalizações do país, com diferenças apreciáveis entre as 
re giões brasileiras e as Unidades da Federação em razão das variações pro-
111
porcionais das populações SUS-dependentes e usuárias de planos de saúde. A 
estimativa feita pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 
para 2008 (IBGE, 2010) previu as seguintes porcentagens referentes à po-
pulação brasileira coberta por planos e seguros de assistência suplementar à 
saúde: região Norte, 13,3%; Nordeste , 13,2%; Sudeste, 35,6%; Sul , 30,0%; e 
Centro- Oeste, 24,6% – média 25,9% para o Brasil. 
Essa estimativa permite consequentemente conhecer a população SUS-
dependente e, portanto, a abrangência dos dados do SIH. Na última Pesqui-
sa Nacional de Saúde (PNS – 2013) (IBGE, 2015) foi estimado que, no Bra-
sil, em 2013, 27,9% da população tinha algum plano de saúde, sendo que as 
maiores proporções se concentravam nas Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oes-
te – respectivamente 36,9%, 32,8% e 30,4% – e as menores, nas Regiões Norte 
e Nordeste – respectivamente 13,3% e 15,5% –, tendo como corolário o fato 
de que, para o país, 72% utilizavam hospitais SUS. Quanto à sua utilização, 
podem ser feitos vários comentários.
Veras e Martins (1994) comentam que o Sistema possui “dados extrema-
mente relevantes para a programação, gerência e avaliação dos serviços hos-
pitalares, além de ser de grande utilidade para a área de investigação em ser-
viços de saúde, para estudos epidemiológicos e atividades de vigilância em 
saúde”, razão pela qual, apesar das poucas limitações apontadas, possibilitam 
que “políticas para esse setor sejam elaboradas em prol de uma qualidade me-
lhor no atendimento ao paciente SUS”.
Carvalho (2009) ressalta que o fato de os dados do SIH virem sendo uti-
lizados, cada vez mais, para outras finalidades que não as de pagamento – pa-
ra o qual foi criado – é perfeitamente explicável “em razão não só da enorme 
quantidade de dados de que dispõe, mas também em razão da riqueza de re-
gistros individuais que associam procedimentos ao perfil dos pacientes”.
O que o Sistema pode oferecer
Embora, como mencionado, o Sistema tenha sido concebido com finali-
dades administrativas – principalmente de faturamento – é, hoje, importante 
fonte de dados epidemiológicos. São registradas no SIH as internações pagas 
pelo Sistema Único de Saúde, que, em 2014, totalizaram 11.320.287 hospitali-
zações em todo o país.
Da maneira como está estruturado, permite conhecer esse montante se-
gundo diversas variáveis (epidemiológicas e administrativas), tais como:
1) Internações hospitalares segundo sexo e idade (Tabela 5.1): desse 
ponto de vista, é possível constatar maior atendimento para o sexo fe-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
112
minino (59%) do que para o masculino, sendo que os grupos corres-
pondentes às faixas etárias de 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos são as 
preponderantes (respectivamente 23,8% e 15,6%). O Gráfico 5.1 mos-
tra internações segundo sexo e ciclos de vida
2) Internações hospitalares segundo causas, que podem estar detalha-
das, agrupadas segundo capítulos da CID ou, ainda, em uma classi-
ficação especial de morbidade, conforme expresso nas tabelas que se 
seguem. Quanto às causas estudadas segundo os capítulos da CID-10, 
chama atenção o atendimento maciço verificado em gravidez, parto e 
puerpério (35,2% do total de mulheres atendidas), enquanto entre os 
homens lideram as causas externas (16,9%) (Tabela 5.2).
3) Adicionalmente, é possível conhecer as características epidemiológi-
cas relativas e cada patologia. Por exemplo, internações por tubercu-
lose segundo tipo e sexo (Tabela 5.3), internações por diabetes segun-
do sexo (Tabela 5.4). Relativamente às internações por tuberculose 
(total de 12.437), verifica-se que ocorrem em maior número no sexo 
masculino do que no feminino (respectivamente, 72% e 38%). Quan-
to aos tipos de tuberculose, sobressai a pulmonar, tanto entre os ho-
mens quanto entre as mulheres (respectivamente 73,6% e 69,7%), fi-
cando as demais frequências distribuídas entre tuberculoses de outras 
localizações
As internações por diabetes, que totalizaram quase 1,5 milhão de hospi-
talizações entre 2000 e 2014, representaram um aumento constante no perío-
do: no sexo masculino, o crescimento foi de 41,6% e, nas mulheres, 22,9%.
Com relação às neoplasias, por exemplo, verifica-se que, em 2014, hou-
ve 725.685 internações, sendo 297.996 (41,1%) e 427.689 (58,9%) respectiva-
mente nos sexos masculino e feminino (Tabela 5.5). Quanto aos tipos, verifi-
ca-se uma distribuição a partir da qual é possível notar que próstata, no sexo 
masculino, e mama e útero, entre as mulheres, foram os que apresentaram 
proporções mais elevadas. No que tange às doenças do aparelho circulatório, 
as proporções relativas a internações segundo tipo mostram, por exemplo, 
valores mais elevados para as cérebro-vasculares, com variações importantes 
segundo regiões do país (RIPSA, 2008). 
O SIH/SUS possibilita, ainda, o cálculo de alguns indicadores adminis-
trativos, tais como tempo de permanência e gastos totais e por patologias, 
lembrando sempre, entretanto, que os valores referem-se somente às interna-
ções feitas no âmbito do Sistema Único de Saúde. Valores médios relativos ao 
tempo de internação de algumas enfermidades mostram, no Gráfico 5.2, por 
113
exemplo, que as mais elevadas médias de permanênciahospitalar referem-se 
aos transtornos mentais (39,7 dias), sendo importante ressaltar, entretanto, 
que esses valores, apresentados segundo os capítulos da CID, podem escon-
der dados importantes relativos a cada doença de per si (Gráfico 5.2). Para 
as doenças infecciosas, por exemplo, analisadas em conjunto, o tempo médio 
de permanência foi, em 2014, de 6,9 dias (para a tuberculose pulmonar, 25,5 
dias; para a aids, 18,2 dias; para a dengue, 3 dias). 
Com relação às doenças do aparelho circulatório, o tempo médio de per-
manência foi de 6,6 dias, variando entre 19,5 dias para o grupo das “outras 
doenças vasculares periféricas” e 1,6 dias, para hemorroidas. Quanto à per-
manência hospitalar para o atendimento de lesões/envenenamentos provoca-
dos por acidentes e violências, (média de 5,3 dias), verificou-se que foi de 6,1 
dias para traumatismo craniano, 7,2 dias para traumas de outros órgãos in-
ternos e 7 dias para queimaduras e corrosões.
No que tange aos gastos SUS para o atendimento de pacientes interna-
dos, verifica-se que o valor médio gasto com a hospitalização de cerca de 12 
milhões de pacientes no país, em 2013, foi de R$ 1.134,07, havendo, entretan-
to, variação significativa entre as diferentes patologias (Gráfico 5.3).
Quanto à utilização do banco do SIH/SUS, Bittencourt, Camacho e Leal 
(2006) conduziram estudo para identificar pesquisas, que foram classificadas 
em cinco categorias:
1) Qualidade da informação
2) Estratégias para potencializar o uso das informações para a pesquisa, 
a gestão e a assistência médica prestada
3) Descrição do padrão de morbidade/mortalidade hospitalar
4) Vigilância epidemiológica e validação de outros sistemas de informa-
ção em Saúde e
5) Avaliação do desempenho da assistência hospitalar
Os autores reconhecem as pesquisas como importantes e chamam aten-
ção para o amplo espectro que os dados abrangem.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
114
Tabela 5.1
Internações hospitalares segundo sexo e idade, Brasil, 2014 (nº e %)
Faixa etária Masculino Feminino Total
(em anos) Nº % Nº % Nº %
Menor 1 309.077 6,7 253.325 3,8 562.402 5,0
1 a 4 310.820 6,7 247.058 3,7 557.878 4,9
5 a 9 213.626 4,6 152.315 2,3 365.941 3,2
10 a 14 168.643 3,6 140.786 2,1 309.429 2,7
15 a 19 198.852 4,3 695.251 10,4 894.103 7,9
20 a 29 456.038 9,8 1.590.534 23,8 2.046.572 18,1
30 a 39 495.516 10,7 1.043.553 15,6 1.539.069 13,6
40 a 49 522.630 11,3 627.280 9,4 1.149.910 10,2
50 a 59 614.201 13,2 581.039 8,7 1.195.240 10,6
60 a 69 605.744 13,0 534.699 8,0 1.140.443 10,1
70 a 79 468.648 10,1 457.441 6,9 926.089 8,2
80 e mais 279.678 6,0 353.533 5,3 633.211 5,6
Total 4.643.473 100,0 6.676.814 100,0 11.320.287 100,0
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
Gráfico 5.1
Internações hospitalares segundo sexo e ciclos de vida, Brasil, 2014 (%)
 
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
 
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
17,9
7,9
20,5
24,5
29,2
39,4
9,8
12,5
18,1
20,2
Masculino Feminino
Criança (0 a 9) Adolescente (10 a 19) Adulto I (20 a 39) 
Adulto II (40 a 59) Idoso (60 ou +)
115
Tabela 5.2
Internações hospitalares segundo causa* e sexo, Brasil, 2014 (nº e %)
 Masculino Feminino Total
Causas
 Nº % Nº % Nº %
Algumas doenças infecciosas e parasitárias 427.972 9,2 398.635 6,0 826.607 7,3
Neoplasias (tumores) 297.996 6,4 427.689 6,4 725.685 6,4
Doenças do sangue e dos órgãos hemato-
poéticos e transtornos imunitários 40.917 0,9 48.527 0,7 89.444 0,8
Doenças endócrinas nutricionais e
metabólicas 124.392 2,7 145.007 2,2 269.399 2,4
Transtornos mentais e comportamentais 155.479 3,3 88.317 1,3 243.796 2,1
Doenças do sistema nervoso 89.630 1,9 90.124 1,3 179.754 1,6
Doenças do olho e anexos 48.123 1,0 54.686 0,8 102.809 0,9
Doenças do ouvido e da apófise mastoide 8.900 0,2 9.617 0,1 18.517 0,2
Doenças do aparelho circulatório 569.142 12,3 571.650 8,6 1.140.792 10,1
Doenças do aparelho respiratório 653.520 14,1 594.415 8,9 1.247.935 11,0
Doenças do aparelho digestivo 548.417 11,8 531.622 8,0 1.080.039 9,5
Doenças da pele e do tecido subcutâneo 132.413 2,9 106.721 1,6 239.134 2,1
Doenças do sistema osteomuscular
e tecido conjuntivo 113.511 2,4 93.954 1,4 207.465 1,8
Doenças do aparelho geniturinário 301.221 6,5 493.603 7,4 794.824 7,0
Gravidez, parto e puerpério - - 2.353.466 35,2 2.353.466 20,8
Algumas afecções originadas no período
perinatal 121.956 2,6 113.681 1,7 235.637 2,1
Malformações congênitas, deformidades
e anomalias cromossômicas 45.098 1,0 33.401 0,5 78.499 0,7
Sintomas, sinais e achados anormais de
exames clínicos (mal definidas) 81.475 1,8 73.245 1,1 154.720 1,4
Lesões, envenenamentos e algumas outras
consequências de causas externas 781.264 16,9 334.882 5,0 1.116.146 9,9
Causas externas de morbidade e
mortalidade 2.510 1.200 3.710 
Contatos com serviços de Saúde 99.537 2,1 112.372 1,7 211.909 1,9
Total 4.643.473 100,0 6.676.814 100,0 11.320.287 100,0
* Capítulos da CID-10
Nota: As causas correspondentes aos Capítulos 19 e 20 referem-se a causas externas, devendo, 
portanto, ser analisadas em conjunto.
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
116
Tabela 5.3
Internações hospitalares por tuberculose (TB) segundo tipo e sexo,
Brasil, 2014 (nº e %)
Tipo
 Masculino Feminino Total
 Nº % Nº % Nº %
TB respiratória 8.196 91,5 3.104 89,2 11.300 90,8
Pulmonar (6.593) (73,6) (2.426) (69,7) (9.019) (72,5)
Outras respiratórias (1.603) (17,9) (678) (19,5) (2.281) (18,3)
Outras 762 8,5 375 10,8 1.137 9,2
Sistema Nervoso (135) (1,5) (86) (2,5) (221) (1,8)
Intestino (34) (0,4) (26) (0,7) (60) (0,5)
Óssea (66) (0,7) (20) (0,6) (86) (0,7)
Aparelho Geniturinário (7) (0,1) (7) (0,2) (14) (0,1)
Miliar (325) (3,6) (132) (3,8) (457) (3,7)
Restante (195) (2,2) (104) (3,0) (299) (2,4)
Total 8.958 100,0 3.479 100,0 12.437 100,0
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
Tabela 5.4
Internações hospitalares por diabetes mellitus segundo sexo em pacientes 
com 50 anos ou mais, Brasil, 2000/2014 (nº e %)
Ano
 Masculino Feminino Total
 Nº % Nº % Nº %
2000 32.201 36,6 55.831 63,4 88.032 100,0
2001 33.030 36,1 58.505 63,9 91.535 100,0
2002 31.181 35,8 55.838 64,2 87.019 100,0
2003 30.389 36,7 52.314 63,3 82.704 100,0
2004 30.897 37,1 52.331 62,9 83.228 100,0
2005 32.261 37,6 53.535 62,4 85.796 100,0
2006 32.844 38,0 53.622 62,0 86.467 100,0
2007 33.782 38,3 54.533 61,7 88.317 100,0
2008 37.638 40,6 57.706 59,4 95.344 100,0
2009 41.930 39,7 61.592 60,3 103.522 100,0
2010 44.954 40,5 64.822 59,5 109.776 100,0
2011 46.073 41,0 64.253 59,0 110.326 100,0
2012 44.653 41,7 60.567 58,3 105.220 100,0
2013 44.924 42,5 59.044 57,5 103.968 100,0
2014 45.800 44,4 57.325 55,6 102.125 100,0
Inclui casos de sexo não especificado em 2003; 2006 e 2007.
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
117
Tabela 5.5
Internações hospitalares por neoplasias segundo sexo e idade, Brasil, 2014
Faixa etária Masculino Feminino Total
(em anos) Nº % Nº % Nº %
Menor 1 1.282 0,4 1.102 0,3 2.384 0,3
1 a 4 7.475 2,5 5.989 1,4 13.464 1,9
5 a 9 7.318 2,5 5.427 1,3 12.745 1,8
10 a 14 7.381 2,5 5.991 1,4 13.372 1,8
15 a 19 8.296 2,8 7.700 1,8 15.996 2,2
20 a 29 11.804 4,0 20.348 4,8 32.152 4,4
30 a 39 15.938 5,3 54.127 12,7 70.065 9,7
40 a 49 29.506 9,9 106.878 25,0 136.384 18,8
50 a 59 61.066 20,5 88.009 20,6 149.075 20,5
60 a 69 75.517 25,3 69.074 16,2 144.591 19,9
70 a 79 52.080 17,5 43.713 10,2 95.793 13,2
80 ou mais 20.333 6,8 19.331 4,5 39.664 5,5
Total 297.996 100,0 427.689 100,0 725.685 100,0
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
Quadro 5.1
Internações hospitalares segundo sexo, ciclos de vida e causas principais, 
Brasil, 2014 (% e posto)
Sexo masculino
 Ciclo de vida
Posto Criança Adolescente AdultoI Adulto II Idoso
 (0 a 9) (10 a 19) (20 a 39) (40 a 59) (60 ou +)
 
 1º 
 D. ap. resp. C. externas C. externas D. ap. circ. D. ap. apirc.
 32,0% 32,1% 33,8% 17,0% 24,5 
 
 2º 
 Infecciosas D. ap. digestivo D. ap. digestivo C. externas D. ap. resp.
 16,8% 11,9% 12,6% 16,0% 14,9%
 
3º 
 Perinatais D. ap. resp. Transtornos mentais D. ap. digestivo D. ap. digestivo
 14,6% 10,5% 7,9% 15,4% 11,1%
 
4º 
 D. ap. digestivo Infecciosas Infecciosas D. ap. resp. Neoplasias
 7,2% 9,4% 7,7% 8,0% 10,9%
 5º 
 C. externas D. ap. genit. D. ap. resp. Neoplasias D. ap. genit.
 6,8% 7,2% 6,6% 7,2% 8,1%
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
118
Sexo feminino
 Ciclo de vida
Posto Criança Adolescente Adulto I Adulto II Idoso
 (0 a 9) (10 a 19) (20 a 39) (40 a 59) (60 ou +)
 1º D. ap. resp. GPP GPP Neoplasias D. ap. circ.
 32,6% 67,3% 65,7% 16,1% 23,8%
 2º Infecciosas D. ap. genit. D. ap. genit. D. ap. circ. D. ap. resp.
 19,0% 5,8% 6,7% 14,8% 14,9%
 3º Perinatais D. ap. digestivo D. ap. digestivo D. ap. digestivo D. ap. digestivo
 16,7% 4,7% 5,9% 13,7% 9,8
 4º D. ap. digestivo D. ap. resp. C. externas D. ap. genit. Neoplasias
 5,9% 4,6% 3,1% 11,9% 9,8%
 5º C. externas Infecciosas Infecciosas C. externas C. externas
 5,0% 4,1% 2,8% 6,7% 8,0%
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
Gráfico 5.2
Média de permanência hospitalar segundo algumas patologias, Brasil, 2014 
(em dias)
 
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
45,0
40,0
35,0
30,0
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
0,0
39,7
1,6
26,4
18,2 17,9
7,1 7,0 6,1
3,0
TM
 (Tr
ans
tor
no
s m
ent
ais)
He
mo
rró
ida
s
TP
 (Tu
ber
cul
ose
 pu
lmo
nar
)
 Do
enç
as 
pel
o v
íru
s H
IV
Ou
tra
s d
oen
ças
 va
scu
lare
s p
erif
éric
as
Tra
um
as 
de 
órg
ãos
 int
ern
os
Qu
eim
adu
ras TC
E
De
ngu
e
119
Gráfico 5.3
Valor médio (em Reais) das internações por neoplasias segundo alguns tipos, 
Brasil, 2014
 
Fonte: SIH/SUS (dados brutos).
A morbidade relativa às doenças de notificação compulsória
O que são e quais são essas doenças
Doenças/agravos de notificação compulsória são eventos cuja gravidade, 
magnitude, transcendência ou capacidade de disseminação do agente causa-
dor e potencial para causar surtos e epidemias exigem medidas eficazes para 
a sua prevenção e controle (SÃO PAULO, 2006). A notificação compulsória 
corresponde a um registro que obriga e universaliza as notificações visando a 
um rápido controle do evento.
A primeira iniciativa de listar doenças de notificação remonta ao fim do 
século XIV, ocasião em que foi elaborada uma legislação sobre quarentena. 
Teixeira, Penna, Risi et al. (1998) observam que, em 1851, a cidade de Veneza 
sediou a Primeira Conferência Sanitária Internacional, na qual foram estabe-
lecidos princípios de máxima proteção contra a propagação internacional de 
algumas enfermidades. Esses princípios foram fundamentais para a formula-
ção do Primeiro Regulamento Sanitário Internacional, em 1951, quando seis 
doenças que requeriam quarentena (peste, cólera, febre amarela, varíola, tifo 
e febre recorrente) foram listadas.
3.327,76 3.187,17 
3.040,50
 
2.876,45
 
2.637,45
 
2.021,89
 
1.997,02
 
1.788,16
 
1.454,10
 
959,49
3.500,00
3.000,00
2.500,00
2.000,00
1.500,00
1.000,00
500,00
0,00
Leu
cem
ia
Enc
éfa
lo
Jun
ção
 re
to/
ânu
s
Pró
sta
ta
Est
ôm
ago
Ma
ma
Tot
al n
eop
lasi
as
Co
lo d
o ú
ter
o
Tra
qu
eia
, br
ôn
qu
ios
 e p
ulm
ão Pel
e
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
120
A notificação consiste na declaração obrigatória dos casos conhecidos de 
determinadas doenças, que são registrados em órgãos oficiais de saúde, pos-
sibilitando, a qualquer momento, consultas sobre tais ocorrências e a respec-
tiva obtenção de informações a elas relacionadas. No que concerne a essas 
doen ças, um bom registro, aliado à rapidez com que as autoridades sanitárias 
tomam conhecimento dos casos, pode impedir que as mesmas se alastrem 
(LAURENTI; MELLO JORGE; LEBRÃO; GOTLIEB, 2005).
Todos os países possuem uma lista de doenças notificáveis, que inclui as 
transmissíveis e, em algumas áreas, moléstias profissionais, acidentes do tra-
balho, entre outras.
No Brasil, em 1975, foi criado o Sistema Nacional de Vigilância Epide-
miológica e, por meio da Lei nº 6.529, de 30 de outubro daquele ano, regu-
lamentada pelo Decreto nº 78.231, de 12 de agosto de 1976, foi estabelecida 
uma série de normas relativas à notificação compulsória de doenças (BRA-
SIL, 1975; 1976). Diz a Lei, em seu artigo 8º, que:
é dever de todo cidadão comunicar à autoridade sanitária local, a 
ocorrência de caso de doença transmissível, suspeito ou confirma-
do, sendo obrigatória a médicos e outros profissionais de saúde 
no exercício de sua profissão, bem como aos responsáveis por or-
ganizações e estabelecimentos, públicos ou particulares, de saúde e 
de ensino. (BRASIL, 1975, grifo nosso)
Aqui, é importante salientar que a notificação obrigatória constitui-se em 
um dos casos de quebra do sigilo médico, em razão do dever imposto pela 
própria lei. O Código penal brasileiro, inclusive, considera, em seu artigo 269, 
crime o fato de “deixar o médico de denunciar à autoridade pública, doença 
cuja notificação é obrigatória” (BRASIL, 2014a).
A informação relativa ao sigilo é complementada pelo artigo 7º previsto 
em Portaria do Ministério de Saúde (BRASIL, 2014b), que expressa que “as 
autoridades de saúde garantirão o sigilo das informações pessoais integrantes 
da notificação compulsória que estejam sob sua responsabilidade”.
As doenças ou agravos de notificação compulsória, no Brasil, estão re-
feridas na Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória, que, ob-
viamente, requer revisões periódicas, a fim de mantê-la sempre atualizada. A 
lista em vigor no Brasil está apresentada no Quadro 5.2, sendo que, segundo 
disposto na própria legislação, esta pode ser completada com a inclusão de 
agravos de interesse estadual ou municipal (BRASIL, 2014b).
121
• Acidentes por animais peçonhentos 
• Atendimento antirrábico 
• Botulismo 
• Carbúnculo ou Antraz 
• Cólera 
• Coqueluche 
• Dengue 
• Difteria 
• Doença de Creutzfeldt-Jakob 
• Doença meningocócica e outras meningites 
• Doenças de Chagas aguda 
• Esquistossomose 
• Eventos adversos pós-vacinação 
• Febre amarela 
• Febre do Nilo Ocidental 
• Febre maculosa 
• Febre tifoide 
• Hanseníase 
• Hantavirose 
• Hepatites virais 
• Infecção pelo vírus da imunodeficiência 
humana (HIV) em gestantes expostas ao risco 
de transmissão vertical
• Influenza humana por novo subtipo 
• Intoxicações exógenas 
•	 Leishmaniose	tegumentar	americana	
•	 Leishmaniose	Visceral
•	 Leptospirose	
•	 Malária	
•	 Paralisia	flácida	aguda	
•	 Peste	
•	 Poliomielite	
•	 Raiva	humana	
•	 Rubéola	
•	 Sarampo	
•	 Sífilis	adquirida	
•	 Sífilis	congênita	
•	 Sífilis	em	gestante	
•	 Síndrome	da	Imunodeficiência	Adquirida	
(aids) 
•	 Síndrome	da	rubéola	congênita	
•	 Síndrome	do	Corrimento	Uretral	Masculino	
•	 Síndrome	Respiratória	Aguda	Grave	associada	
ao Coronavírus (SARS-CoV) 
•	 Tétano	
•	 Tuberculose	
•	 Tularemia	
•	 Varíola	
•	 Violência	doméstica,	sexual	e/ou	outras	
violências
O Ministério da Saúde publica, periodicamente, o guia de bolso Doenças 
infecciosas e parasitárias (BRASIL, 2008), obra 
especialmente dirigida aos médicos que necessitam obter, em sua 
prática do dia a dia, informações atualizadas sobre aspectos clíni-
cos, epidemiológicos e medidas de prevenção e controle de doenças 
que se encontram sob monitoramento, devido à sua potencialidade 
de causar danos à saúde dos indivíduos e de se tornar um problema 
de saúde pública. (SILVA JÚNIOR, 2004, p. 11)
 
Quadro 5.2
Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória, Brasil, 2014
Fonte: Brasil (2014b).
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
122
O Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação (Sinan)
O mecanismo relativo à notificação e o sistema que dele seorigina es-
tão expostos em publicação específica do Ministério da Saúde (BRASIL, 
2007), na qual são apresentados: objetivo, atribuições das três esferas de go-
verno; implantação do Sistema (abrangendo instrumentos de coleta, trans-
missão dos dados, qualidade das informações e sigilo); rotinas para a notifi-
cação de casos.
O Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) tem como 
objetivo coletar, transmitir e disseminar dados gerados rotineiramente pelo 
Sistema de Vigilância Epidemiológica para apoiar o processo de investigação 
e dar subsídios às análises das informações de vigilância das doenças de noti-
ficação compulsória (BRASIL, 2007). Foi implantado gradualmente no país a 
partir de 1993, sendo que, desde 1998, é obrigatório aos estados, municípios e 
Distrito Federal alimentar regularmente a base de dados nacional. O Sistema 
possui instrumentos padronizados de coleta da informação, dispondo de do-
cumentos básicos como:
• Ficha Individual de Notificação (FIN), a ser preenchida pelas unidades 
assistenciais a partir da suspeita clínica da ocorrência de algum agravo 
de notificação obrigatória (ver lista no Quadro 5.2). Trata-se de docu-
mento em duas vias (a primeira deve ser enviada pela unidade de Saú-
de, e a segunda, arquivada pela própria unidade de Saúde)
• Ficha Individual de Investigação (FII), que contém campos específicos 
de orientação para a investigação de cada caso (RIPSA, 2008)
O que o Sistema pode oferecer
Os dados do Sistema estão disponíveis em meio eletrônico (www.data-
sus.gov.br) e oferecem informações sobre a incidência das doenças elencadas 
no Quadro 5.2. Alguns exemplos relativos ao tétano, sífilis congênita e tuber-
culose são encontrados nas Tabelas 5.6 a 5.8.
Com relação à dengue, patologia antiga e que recrudesceu, no país, nos 
últimos tempos, o Sinan registrou, em 2012, 584.780 novos casos (RIPSA, 
2012); em 2015, 1.587.080 casos prováveis (BRASIL, 2015b); e, em 2016, 
até a semana epidemiológica de 27 de fevereiro daquele ano, 396.582 casos 
(BRASIL, 2016).
123
Tabela 5.6
Incidência de tétano (exceto o neonatal) e tétano neonatal, Brasil, 1990/2012
Ano Tétano (casos confirmados) Tétano neonatal (casos confirmados)
1990 1.548 291
1992 1.312 233
1994 1.043 171
1996 1.025 93
1998 705 74
2000 520 42
2002 607 34
2004 472 15
2006 447 10
2008 326 6
2010 321 7
2012 312 2
Fonte: Ripsa.
Tabela 5.7
Incidência de sífilis congênita (casos confirmados) segundo região,
Brasil, 2000/2012
Ano Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
2000 187 716 2.642 287 309 4.141
2001 228 984 2.211 308 214 3.949*
2002 219 1.057 2.122 285 243 3.933
2003 529 1.490 2.598 313 282 5.213
2004 383 1.618 2.589 261 350 5.202
2005 518 2.033 2.580 308 379 5.819
2006 639 2.252 2.298 340 381 5.910
2007 744 1.685 2.019 376 288 5.112
2008 943 1.906 2.503 533 431 6.316
2009 667 1.922 1.660 527 317 5.093
2010 636 2.297 2.983 657 340 6.913
2011 797 3.202 4.089 913 392 9.393
2012 847 3.674 5.126 1.143 524 11.314
* Inclui casos de região não especificada.
Fonte: Ripsa.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
124
Tabela 5.8
Incidência de tuberculose* (todas as formas) segundo região,
Brasil, anos selecionados
Ano Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
1990 72,1 61,5 48,7 36,8 41,7 51,8
1992 73,0 57,4 64,9 37,4 44,5 57,8
1994 66,0 64,8 41,5 38,1 39,2 49,3
1996 61,5 56,2 61,4 37,6 36,0 54,7
1998 54,0 53,3 56,4 38,4 35,0 51,3
2000 51,0 47,6 55,1 33,5 30,6 47,8
2002 51,0 44,1 48,3 34,9 26,3 44,2
2004 49,9 45,4 44,6 33,9 24,2 42,7
2006 46,0 40,7 41,3 30,5 24,0 38,7
2008 46,4 38,6 42,1 32,6 23,2 38,7
2010 45,4 36,7 40,7 32,9 22,6 37,5
2012 45,2 36,9 40,2 32,3 24,7 37,3
* Taxa de incidência: casos por 100.000 habitantes.
Fonte: Ripsa.
Interessante artigo, publicado no ano 2000 pelo Informe Epidemiológico 
do SUS, visou identificar a potencialidade do Sistema de Informações Hospi-
talares à vigilância e monitoramento das doenças de notificação compulsó-
ria, por meio da identificação do comportamento das doenças consideradas 
de transmissão entre pessoas, nos dois sistemas (SILVA JÚNIOR; MENDES; 
CAMPOS NETA et al., 2000). O relacionamento de bancos de dados será vis-
to no Capítulo 10 desta publicação.
O Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS)
O SIA/SUS é o sistema responsável pela captação e processamento das 
contas ambulatoriais do SUS, que totalizam mais de 200 milhões de atendi-
mentos mensais. É gerido pela Secretaria de Assistência à Saúde do Ministé-
rio da Saúde e tem como documento básico o chamado Boletim de Produção 
Ambulatorial (BPA), que é preenchido pelas unidades ambulatoriais.
O SIA/SUS foi implantado em 1991 como parte de uma lógica de con-
trole de gastos com atendimentos ambulatoriais. Por essa razão, não contém 
dados epidemiológicos, bem como não apresenta dados individualizados, 
fornecendo, portanto, somente indicadores operacionais (RIPSA, 2008). É 
125
importante salientar que, relativamente aos procedimentos de alta complexi-
dade e custo elevado, como, por exemplo, hemodiálise ou terapia oncológica, 
o SIA/SUS tem como documento básico a chamada “Autorização para Proce-
dimento de Alto Custo/Complexidade (Apac)”, cujas informações, estas sim, 
são não só individualizadas, mas bastante detalhadas (RIPSA, 2008).
O Sistema de Informações de Atenção Básica (Siab)
Criado em 1998, o Siab objetiva auxiliar o acompanhamento e a avalia-
ção das atividades realizadas pelo pessoal ligado ao Programa de Saúde da 
Família (PSF). Tem sido, entretanto, alvo de críticas (RADIGONDA; CON-
CHON; CARVALHO; NUNES, 2010; SILVA; LAPREGA, 2005) e sugestões, 
para que possa atingir integralmente os objetivos para os quais foi criado.
A Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA)
As causas externas constituem-se em um grave problema na área da 
Saúde. Elevados números na mortalidade do país e sua frequência predomi-
nante em vítimas internadas têm sido responsáveis por valores bastante altos 
do indicador de saúde “Anos Potenciais de Vida Perdidos”. Andrade e Mello 
Jorge (2016) comentam que mais de 1 milhão de anos potenciais de vida fo-
ram perdidos no Brasil, em 2013, somente por acidentes de transporte ter-
restre, em razão da elevada taxa de mortalidade por essa causa, principal-
mente no adulto jovem.
Do ponto de vista da morbidade hospitalar, dados do SIH/SUS mostram, 
também, notável ocupação de leitos, com média de permanência alta e gastos 
absolutamente não desprezíveis. Mais recentemente, o problema das sequelas 
começa a preocupar os estudiosos, visto que acidentes e violências estão for-
mando uma legião de pessoas com deficiências, temporárias ou permanentes, 
e que, além dos problemas gerados para as próprias vítimas, oneram o país de 
maneira particular (MELLO JORGE; KOIZUMI, 2012).
Com relação aos dados epidemiológicos capazes de retratar essa situa-
ção, é possível conhecer uma população que sofre um acidente ou uma vio-
lência, o estado das vítimas e por meio de que sistemas de informação elas 
podem ser estudadas.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
126
Figura 5.2
Fontes de dados para estudo das causas externas no Brasil 
 
No Capítulo 2 desta publicação foi visto que o Sistema de Informações 
sobre Mortalidade (SIM/MS) capta e divulga as informações sobre mortes, 
inclusive as decorrentes de acidentes/violências (óbitos ocorridos no local do 
evento ou posteriormente). No Capítulo 5, de igual sorte, foram apresentados 
os dados relativos a pacientes internados, coletados e apresentados pelo SIH/
SUS, inclusive, com as limitações que o Sistema apresenta ao abranger so-
mente os atendidos pelo SUS. Os dois sistemas permitem, entretanto, somen-
te o conhecimento sobre os casos mais graves, de grande magnitude e que 
levam à internação ou à morte. Os casos de menor gravidade, todavia, que 
demandam os serviços de urgências e emergências, continuavam descober-
tos, o que fazia comque esses eventos ficassem invisíveis no conjunto de fa-
tores determinantes e condicionantes de sua ocorrência (GAWRYSZEWSKI; 
SCARPELINI; DIB et al., 2008).
“Com o objetivo de construir um diagnóstico mais sensível da situação, 
especialmente os casos não reconhecidos e não incorporados ao SIM e ao 
SIH/SUS, o Ministério da Saúde implantou, em 2006, o Sistema de Vigilância 
de Violências e Acidentes (VIVA)” (BRASIL, 2009, p. 17). Sua estruturação 
baseou-se nas Portarias do Ministério da Saúde nº 1.356, de 23 de junho de 
2006, e nº 1.384, de 12 de junho de 2007 (BRASIL, 2009).
SIM
Óbito Óbito Óbito
Ileso Alta Alta Sequela
Acidentes/
Violências PS Hospital
BO
Resgate
?
?
SIH/SUS ?
127
O VIVA foi estruturado em dois componentes:
1. Vigilância contínua (VIVA Contínuo)
2. Vigilância por inquérito (VIVA Inquérito)
O VIVA Contínuo refere-se à investigação individual de violência do-
méstica, sexual ou outras violências e foi, a partir de 2009, incorporado ao 
Sinan (BRASIL, 2009). O VIVA Inquérito, ou Sentinela, como é chamado, é 
realizado por meio de pesquisas anuais, com base em informações coletadas 
durante um determinado período, em hospitais de urgência/emergência sele-
cionados em áreas escolhidas com base em critérios específicos.
Para ambos os componentes, nas situações envolvendo crianças, adoles-
centes, mulheres e pessoas idosas, é de caráter compulsório, com base no Es-
tatuto da criança e do adolescente (BRASIL, 1998), Estatuto do idoso (BRASIL, 
2003a) e notificação da violência contra a mulher (BRASIL, 2003b).
VIVA Contínuo
O VIVA Contínuo, atualmente VIVA/Sinan, tem como objetivo a notifi-
cação da violência doméstica, sexual e outras. Anualmente, 2.209 municípios, 
distribuídos em todos os estados do país e no Distrito Federal, notificam ca-
sos de violência segundo a definição dada pela OMS:
uso intencional de força física ou do poder – real ou em ameaça – 
contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma 
comunidade que resulta ou venha resultar em lesão, morte, dano 
psicológico, deficiência de desenvolvimento ou de privação. (OMS, 
2002, p. 5)
Os dados obtidos evidenciam que, a cada dia, aumenta o número de no-
tificações, bem como de unidades notificantes. Dos 9.038 casos notificados, 
em 2006-7, nos 35 municípios que iniciaram o projeto, o Sistema atingiu, em 
2010, 73.794 notificações, sendo 16,9% referentes a crianças menores de dez 
anos; 25,4% a adolescentes (dez a dezenove anos); 51,4% ao grupo entre vinte 
e 59 anos, e 4,9% a idosos (sessenta anos ou mais) (note-se que houve 1,4% 
dos casos sem informação quanto à idade).
A mensuração da violência doméstica por meio desse sistema é impor-
tante visto que, como apontam Reichenheim, Souza, Moraes et al. (2011), 
ainda que ela não tenha frequência elevada dentre os óbitos, sua parcela na 
morbidade é grande, embora nem sempre os casos cheguem aos hospitais.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
128
Quanto a algumas informações sobre a violência, em crianças menores 
de dez anos, por exemplo, Assis, Avanci, Pesce et al. (2012) comentam que 
a sua notificação deve ser compreendida como um instrumento de garantia 
de direitos e de proteção social. De igual sorte, graças a essa notificação tem 
sido possível dimensionar a magnitude da violência no país, planejar o in-
vestimento em núcleos de vigilância e assistência, possibilitar a garantia de 
direitos e subsidiar pesquisas e ajustes na rede de proteção. Alguns resultados 
estão apresentados nas Tabelas 5.9 a 5.11.
VIVA Inquérito
Concebido e implantado no Brasil, em 2006, o VIVA Inquérito (BRASIL, 
2009) refere-se a um levantamento destinado a completar os dados de morbi-
mortalidade por causas externas oriundos do SIM/MS e do SIH/SUS relacio-
nados à assistência pré-hospitalar.
O Ministério da Saúde ressalta que “a implantação da vigilância epide-
miológica de violências e acidentes em emergências hospitalares foi desenvol-
vida com a finalidade de permitir conhecer a dimensão e o perfil das cau-
sas externas atendidas nesses serviços de saúde. Com isso, é possível ter uma 
aproximação da real situação das lesões de menor gravidade, que não deter-
minaram mortes ou internações, mas que são responsáveis por uma forte de-
manda nas emergências” (BRASIL, 2009).
Os primeiros dados do VIVA datam de 2006 e 2007. Com critérios es-
pecíficos, foram selecionados municípios do país ligados ao SUS, em 23 Uni-
dades de Federação. O número de municípios e serviços vem aumentan-
do progressivamente, com uma população de estudo composta de vítimas 
de violência que procuraram atendimento nesses locais, chamados serviços 
“sentinela”. Os dados mostraram predominância de vítimas de acidentes so-
bre vítimas de violência e, dentre esses acidentes, as quedas foram as que 
apresentaram frequência mais elevada (40,2%), seguidas pelos acidentes de 
transporte (26,6%) (BRASIL, 2009).
Alguns dados extremamente relevantes também puderam ser obtidos: 
parte do corpo atingida, natureza da lesão, local de ocorrência e evolução do 
caso, ressaltando-se, aqui, que 64,4% dos pacientes tiveram alta; 17,9% tive-
ram que ser internados; 13,6% encaminhados para tratamento ambulatorial; 
0,7% evadiram-se; e 0,2%, em razão da gravidade de suas lesões, tiveram óbi-
to como tipo de saída (BRASIL, 2009).
Dados mais recentes do VIVA Inquérito (BRASIL, 2013) mostram que, 
embora as quedas continuem como responsáveis pelo maior número de aten-
dimentos, os acidentes de trânsito passaram a representar 26% do total. Re-
129
sultado interessante verificado por meio desses dados evidenciou que, consi-
derando-se as causas externas como um todo, a ingestão de bebida alcoólica 
nas seis horas anteriores ao evento esteve presente em apreciável número de 
casos, variando entre 9,5% em Macapá e 24,9% em Salvador.
Dentre as violências, chama atenção o número de crianças e adolescentes 
vítimas de agressão; embora não seja o mais elevado, quando analisado se-
gundo tipo, mostra diferenças importantes nas duas faixas etárias analisadas.
As Tabelas 5.9 a 5.11 e o Gráfico 5.4 ilustram a situação.
 
Tabela 5.9
Notificação de violência doméstica, sexual e outras contra crianças e 
adolescentes segundo sexo e idade e algumas variáveis contidas nas 
notificações, Brasil, 2009 e 2010 (%)
Variáveis Menor de 10 anos 10 a 19 anos
 M F Total M F Total
Local de ocorrência % % % % % %
Residência 58,5 64,5 61,9 28,5 49,9 42,6
Outros tipos 
Violência física 37,2 29,6 32,8 76,1 53,2 61,0
Violência sexual 22,4 45,5 35,6 8,4 41,9 30,4
Negligência/abandono 42,8 30,1 35,6 10,3 7,2 8,3
Psicológica 18,4 23,5 21,3 14,3 29,4 24,3
Fonte: VIVA/Sinan (BRASIL, 2013).
Notas
1. O total de tipos de violência é maior que o número de crianças, pois cada uma pode ter sofrido 
mais de um tipo.
2. Os totais segundo idade incluem casos em que o sexo não estava especificado.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
130
Tabela 5.10
Caracterização dos atendimentos por violência doméstica, sexual e outras 
contra idosos, segundo sexo, Brasil, 2009 e 2010
Variáveis 2009 2010 Total 
 Nº % Nº % Nº %
Local de ocorrência 
Residência 1.337 51,7 2.231 74,8 3.568 64,1
Outros 1.250 48,3 750 25,2 2.000 35,9
Tipos de violência 
Física 1.767 68,3 1.578 52,9 3.345 60,1
Psicológica/moral 394 15,2 102 34,3 1.415 25,4
Negligência/abandono 608 23,5 904 30,3 1.512 27,2
Sexual 23 0,9 156 5,2 179 3,2
Financeira 137 5,3 281 9,4 418 7,5
Meios de agressão 
Força corporal/espancado 1.033 39,9 1.144 38,4 2.177 39,1
Ameaça 190 7,3 526 17,6 716 12,9
Natureza da lesão 
Contusão 397 15,3 472 15,8 869 15,6
Corte/laceração 729 28,2 303 10,2 1.032 18,5
Fratura 124 4,8 105 3,5 229 4,1
Parte do corpo atingida 
Cabeça 761 29,4 423 14,2 1.184 21,3
Membros Superiores 289 11,2 323 10,8 612 11,0
Fonte: VIVA/Sinan (BRASIL, 2013). Dados relativos a 2013 estão disponíveis em Brasil (2015c).
131
100 -
90 -80 -
70 -
60 - 
50 - 
40 - 
30 -
20 -
10 -
0
Tabela 5.11
Atendimentos por violências e acidentes em serviços sentinelas de urgência 
e emergência em 24 Capitais e Distrito Federal segundo sexo e ciclos de 
vida, setembro a outubro, 2011
Características das vítimas
 Acidentes Violências
 Nº % Nº %
Sexo 
Masculino 27.904 64,17 3.181 70,39
Feminino 14.975 35,69 1.306 29,41
Sem informação 79 0,14 10 0,19
Idade (em anos) 
Criança (- 10) 7.057 15,65 191 4,05
Adolescentes (10 a 19) 7.665 17,73 809 17,41
Adulto I (20 a 39) 16.999 39,26 2.578 56,93
Adulto II (40 a 59) 7.789 18,79 746 17,44
Idoso (60 ou +) 3.308 8,28 130 2,95
Sem Informação 140 0,29 53 1,72
Total 42.958 100,00 4.497 100,00
Fonte: VIVA/Sinan.
Gráfico 5.4
Atendimentos de casos de violência em crianças e adolescentes
segundo tipo, Brasil, 2011
 
Fonte: VIVA/Sinan.
78,3
97,2
6,1
14,8
0,8 1,6 0,3 0,9
Física Sexual Negligência Outras
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
132
Registros especiais de doenças.
Estimativas de incidência de neoplasias malignas
Em fins da década de 1970, Brooke definiu “registro” como “um arqui-
vo de documentos contendo informações individuais uniformes a respeito 
de pessoas, coletadas de maneira sistemática e abrangente, de modo a ser-
vir a determinado propósito” (BROOKE, 1997, p. 107). Do ponto de vista de 
doen ças, os registros podem fornecer importante subsídio para o estudo de 
seu comportamento, permitindo, ainda, estimativas de sua incidência para 
anos futuros. O mesmo autor comenta sua utilização para a tuberculose e pa-
ra o câncer, referindo iniciativas importantes para a criação de registros de 
câncer no mundo: Massachusetts, 1927; Grã-Bretanha, 1930; França, 1943.
Registros de câncer correspondem a uma notificação ativa de casos e de-
vem ser, sempre, de base populacional. Têm por objetivo coletar e centralizar 
informações detalhadas de todos os novos casos da doença, a partir de uma 
data determinada, referentes a uma população de tamanho e características 
conhecidas e a uma área geográfica bem determinada. Os dados precisam ser 
fornecidos por todas as fontes possíveis: hospitais, clínicas, médicos, labora-
tórios de anatomia patológica e clínicas, serviços de verificação e registros de 
óbito (SÃO PAULO, 1964).
As finalidades de um registro de câncer são:
• Determinar a incidência e prevalência globais do câncer, bem como 
das várias localizações
• Determinar os coeficientes de mortalidade real de câncer
• Promover pesquisas epidemiológicas
• Fornecer indicações para pesquisas experimentais e clínicas
• Possibilitar a profilaxia do câncer por meio dos dados obtidos nas pes-
quisas epidemiológicas
• Avaliar as possibilidades de as organizações médicas serem aproveita-
das em um plano de controle do câncer
• Coletar todos os dados indispensáveis para um planejamento da luta 
contra o câncer em geral e
• Servir e cooperar com os médicos e organizações médicas ligadas ao 
problema do câncer
No Brasil, o primeiro Registro de Câncer foi o de São Paulo, criado ofi-
cialmente por meio de Convênio entre o Ministério da Saúde, Governo do 
Estado e do Município de São Paulo e a Universidade de São Paulo, e teve 
133
suas atividades iniciadas em 1º de janeiro de 1969, com sede na Faculdade de 
Saúde Pública da USP (MIRRA, 2005). Farta documentação, entretanto, re-
vela que, desde 1956, iniciativas importantes, capitaneadas pelo oncologista 
Antonio Pedro Mirra, do hospital A. C. Camargo da Fundação Antônio Pru-
dente, já haviam sido feitas com vistas à criação do registro, não atingindo, 
entretanto, os objetivos esperados por conta de entraves administrativos e fi-
nanceiros (SÃO PAULO, 1964; SÃO PAULO, 1971; MIRRA, 2005).
A ideia desenvolvida em São Paulo tomou força e inspirou outros esta-
dos a empreenderem a mesma tarefa. Hoje, segundo dados de 2015, estão em 
funcionamento no país trinta Registros de Base Populacional, sendo cinco na 
região Norte; nove no Nordeste; quatro no Centro-Oeste; nove na região Su-
deste e três na região Sul (http://www.abrc.org.br).
A partir desses dados, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) periodi-
camente elabora estatísticas que permitem estudo mais detalhado dessa pa-
tologia entre nós. Estima, anualmente, a taxa de incidência de neoplasias 
malignas (códigos C00 a C97 da CID-10), por cem mil habitantes, na po-
pulação residente em determinado espaço geográfico. Essas estimativas ba-
seiam-se em metodologia adotada internacionalmente (BLACK; BRAY; 
FERLAY; PARKIN, 1997) e têm como principal fonte de dados aqueles ob-
tidos em Registros de Câncer da Base Populacional (RCBP), no Sistema de 
Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e base demográfica 
do IBGE para a população.
Os resultados representam a incidência estimada – expressa em valores 
absolutos e em taxas por 100 mil habitantes – para as Unidades da Federa-
ção e municípios das Capitais. A incidência para o país e grandes regiões foi 
obtida a partir do somatório dos valores absolutos por estado (RIPSA, 2008). 
Os dados sobre os registros de câncer da base populacional estão disponí -
veis em https://www.inca.gov.br/estimativa/2016/estimativa-2016-v11.pdf.
Quanto às estimativas, os últimos dados disponíveis referem, para o biê-
nio 2016-7, no Brasil, a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer. 
Excetuando-se o câncer de pele não melanoma (aproximadamente 180 mil 
casos novos), ocorrerão 420 mil casos novos da doença. Dentre estes, os ti-
pos apresentados no Quadro 5.3 são estimados como os de maior frequência: 
próstata, pulmão, intestino, estômago e cavidade oral, entre os homens; e ma-
ma, intestino, colo de útero, pulmão e estômago, nessa ordem, para as mulhe-
res (Quadro 5.3). Os dados estão disponíveis em https://goo.gl/0dJfKk.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
134
Quadro 5.3
Estimativas da incidência de câncer segundo sexo e localização, Brasil, 
biênio 2016-7
 
Posto
 Masculino Feminino
 Localização % Localização %
 1º Próstata 28,6 Mama 28,1
 2º Pulmão 8,1 Intestino 8,8
 3º Intestino 7,8 Colo de útero 7,9
 4º Estômago 6,0 Pulmão 5,3
 5º Cavidade oral 5,2 Estômago 3,7
Fonte: Inca (2016).
Referências
AMARAL, A. C. S.; COELI, C. M.; COSTA, M. C. E. et al. Perfil de morbidade e de mortalida-
de de pacientes idosos hospitalizados. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 20, n. 
6, p. 1617-1626, 2004.
ANDRADE, S. S. C. A.; MELLO JORGE, M. H. P. Mortalidade e anos potenciais de vida per-
didos por acidentes de transporte no Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, p. 50-59, 
2016.
ASSIS, S. G.; AVANCI, J. Q.; PESCE, R. P. et al. Notificações de violência doméstica, sexual e 
outras violências contra crianças no Brasil. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, 
n. 9, p. 2305-2317, 2012.
BITTENCOURT, A. S.; CAMACHO, L. A. B.; LEAL, M. C. O Sistema de Informação Hospita-
lar e sua aplicação em saúde coletiva. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, 
p. 19-30, 2006.
BLACK, R. J.; BRAY, F.; FERLAY, J.; PARKIN, D. M. Cancer incidence and mortality in the Eu-
ropean Union: cancer registry data and estimates of national incidence for 1990. European 
Journal of Cancer, Oxford, v. 33, n. 7, p. 1075-1177, 1997.
BRASIL. Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975. Dispõe sobre a organização das ações de Vi-
gilância Epidemiológica, sobre o Programa Nacional de Imunizações, estabelece normas 
relativas à notificação compulsória de doenças e dá outras providências. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 31 out. 1975. Seção 1, p. 14433. Disponível em: <http://bit.ly/2mBe-
jie>. Acesso em: 30 dez. 2016.
______. Decreto nº 78.231, de 12 de agosto de 1976. Regulamenta a Lei nº 6.259, de 30 de ou-
tubro de 1975. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 ago. 1976. Seção 1, p. 10731. Dispo-
nível em: <http://bit.ly/2mBfJcs>. Acesso em: 30 dez. 2016.
______. Estatuto da criançae do adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de junho de 1990. São Paulo: 
Saraiva, 1998. (Coleção Saraiva de Legislação).
______. Ministério da Saúde. Portaria nº 142, de 13 de novembro de 1997. Dispõe sobre o pre-
enchimento da Autorização de Internação Hospitalar (AIH) em casos com quadro compa-
tível com causas externas. Brasília, DF, 17 nov. 1997.
______. Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Dispõe sobre o Estatuto do idoso e dá outras 
135
providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 out. 2003a. Seção 1, p. 1. Disponível 
em: <http://bit.ly/1HAI0zB>. Acesso em: 30 dez. 2016.
______. Lei nº 10.778, de 24 de novembro de 2003. Estabelece a notificação compulsória, 
no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em servi-
ços de saúde públicos ou privados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 nov. 2003b. 
Seção 1, p. 11.
______. Ministério da Saúde. Vigilância de violências e acidentes (Viva), 2006 e 2007. Brasília, 
DF, 2009.
______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Sistema de Informação de 
Agravos de Notificação (Sinan): normas e rotinas. 2. ed. Brasília, DF, 2007.
______. Ministério da Saúde. Guia de bolso: doenças infecciosas e parasitárias. Brasília, DF, 
2008.
______. Ministério da Saúde. Vigilância e violências e acidentes (Viva), 2009 e 2011. Brasília, 
DF, 2013.
______. Código penal brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2014a.
______. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.271, de 6 de junho de 2014. Define a Lista Nacional 
de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública nos Serviços 
de Saúde Públicos e Privados em todo o território nacional, nos termos do anexo, e dá ou-
tras providências. Brasília, DF, 2014b. Disponível em: <http://bit.ly/2mjRu1K>. Acesso em: 
30 dez. 2016.
______. Ministério da Saúde. Saúde Brasil, 2014: uma análise da situação de saúde e das causas 
externas. Brasília, DF, 2015c.
______. Ministério da Saúde. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e fe-
bre pelo vírus Zika até a semana epidemiológica 47. Boletim Epidemiológico, Brasília, DF, v. 
46, n. 42, 2015a. Disponível em: <http://bit.ly/2mBl2IU>. Acesso em: 3 mar. 2017.
______. Ministério da Saúde. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e fe-
bre pelo vírus Zika até a semana epidemiológica 48. Boletim Epidemiológico, Brasília, DF, v. 
46, n. 44, 2015b. Disponível em: <http://bit.ly/2mUQoqe>. Acesso em: 30 dez. 2016.
______. Ministério da Saúde. Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e fe-
bre pelo vírus Zika até a semana epidemiológica 8. Boletim Epidemiológico, Brasília, DF, v. 
47, n. 14, 2016. Disponível em: <http://bit.ly/2mix3ld>. Acesso em: 7 mar. 2017.
BROOKE, E. M. The current and future use of registrars in health information systems. In: LE-
BRÃO, M. L. Estudos de morbidade. São Paulo: Edusp, 1997. p. 107. 
CARVALHO, D. M. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). In: BRASIL. Mi-
nistério da Saúde. A experiência brasileira em Sistemas de Informação em Saúde. Brasília, 
DF, 2009. v. 1. p. 49-70.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM). Resolução nº 1.638, de 10 de julho de 2002. 
Define prontuário médico. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 ago. 2002. 
______. Exp. nº 7.218/2011 com nota técnica do setor jurídico nº 002/2012. Brasília, DF: Anvi-
sa, 2012. Disponível em: <https://goo.gl/JGwPFg>. Acesso em: 11 ago. 2017.
FRANCISCONE, C. F.; GOLDIN, J. R. Aspectos bioéticos da confidencialidade e privacidade. 
In: COSTA, S. I. F.; GARRAFA, V.; OSELKA, G. Iniciação à bioética. Brasília, DF: CFM, 
1998. p. 269-284. Disponível em: <http://bit.ly/2p6tdK2>. Acesso em: 20 mar. 2017.
GAWRYSZEWSKI, V. P.; SCARPELINI, S.; DIB, J. A. et al. Atendimentos de emergência por 
lesões decorrentes de causas externas: características das vítimas e local de ocorrência, es-
tado de São Paulo, Brasil, 2005. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 5, p. 
1121-1129, 2008.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Um panorama da saú-
de no Brasil: acesso e utilização dos serviços de saúde, condições de saúde e fatores de ris-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
136
co e proteção à saúde. In: ______. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 
2008). Rio de Janeiro, 2010.
______. Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Rio de Janeiro, v. 1 e 2, 2015.
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P.; LEBRÃO, M. L.; GOTLIEB, S. L. D. Estatísticas de 
saúde. 2. ed. São Paulo: EPU, 2005.
LEBRÃO, M. L. Estudos de morbidade. São Paulo: Edusp, 1997.
LOGAN, R. F. La necesidad de evaluar la morbilidad y los niveles de salud. In: ORGANIZA-
CIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Tendencias actuales de los estudios de morbilidad y mor-
talidad. Genebra, 1967. p. 9-17.
MARIN, H. F.; MASSAD, E.; AZEVEDO NETO, R. S. Prontuário eletrônico do paciente: de-
finições e conceitos. In: ______. (Eds.). O prontuário eletrônico do paciente na assistência, 
informação e o conhecimento médico. São Paulo: USP, 2003. p. 1-20.
MELLO JORGE, M. H. P.; KOIZUMI, M. S. Sequelas visíveis em vítimas de acidentes de trân-
sito: primeiros dados brasileiros. Revista Abramet, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 36-45, 2012.
MIRRA, A. P. Registros de Câncer no Brasil e sua história. São Paulo: Ministério da Saúde; USP, 
2005.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
Problemas relacionados à saúde. São Paulo: CBCD; Edusp, 1995.
______. Relatório Mundial sobre Violência e Saúde. Brasília, DF: Organização Pan-Americana 
da Saúde; OMS, 2002.
PATRÍCIO, C. M.; MAIA, M. M.; MACHIAVELLI, J. L.; NAVAES, M. A. O prontuário eletrô-
nico do paciente no Sistema de Saúde Brasileiro: uma realidade para os médicos? Scientia 
Medica, Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 121-131, 2011.
PAULA E SILVA, A. P. M. A titularidade do prontuário médico na sucessão causa mortis. Âm-
bito Jurídico, Rio Grande, v. 11, n. 50, 2008. Disponível em: <http://bit.ly/2mOKCHi>. 
Acesso em: 3 mar. 2016.
PEPE, V. E. Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). In: 
BRASIL. Ministério da Saúde. A experiência brasileira em sistemas de informação em saúde. 
v. 2. Brasília, DF, 2009. p. 65-86.
RADIGONDA, B.; CONCHON, M. F.; CARVALHO, W. O.; NUNES, E. F. P. A. O Sistema de 
Informação da Atenção Básica e sua utilização pela equipe de Saúde da Família: uma revi-
são integrativa. Espaço para a Saúde, Londrina, v. 12, n. 1, p. 38-47, dez. 2010.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE (Ripsa). Indicadores Básicos 
para a Saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília, DF: Organização Pan-Ameri-
cana da Saúde, 2008.
______. Indicadores e dados básicos para a Saúde: Brasil 2012. 2012. Disponível em: <http://bit.
ly/1PoaWyc>. Acesso em: 26 dez. 2016.
REICHENHEIM, M. E.; SOUZA, E. R.; MORAES, C. L. et al. Violence and injuries in Bra-
zil: the effect, progress made and challenges ahead. The Lancet, London, v. 377, n. 9781, p. 
1962-1975, 2011.
SÃO PAULO. Boletim informativo do serviço de registro geral de câncer de São Paulo. São Paulo, 
v. 1, n. 1, 1964. Mimeografado.
______. Secretaria Municipal de Saúde. Doenças de notificação compulsória e as comissões de 
controle de infecção hospitalar. Informe Técnico XV, São Paulo, out. 2006. Disponível em: 
<http://bit.ly/2mk1kRe>. Acesso em: 30 dez. 2016.
SCHRAMM, J. M. A. A natimortalidade e mortalidade neonatal precoce e o Sistema de Informa-
ções Hospitalares do Sistema Único de Saúde: uma abordagem metodológica. 2000. 105 f. 
Tese (Doutorado em Saúde Pública) – Instituto de Medicina Social, Universidade Estadual 
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000.
137
SILVA, A. S.; LAPREGA, M. R. Avaliação crítica do Sistema de Informação de Atenção Básica 
e de sua importância na região de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pú-
blica, Rio de Janeiro, v. 21, n. 6, p. 1821-1826, 2005.
SILVA JÚNIOR, J. B. Apresentação. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de bolso:doenças 
infecciosas e parasitárias. 4. ed. Brasília, DF, 2004. p. 11.
SILVA JÚNIOR, J. B.; MENDES, A. C. G.; CAMPOS NETA, T. J. et al. Sistema de Informações 
Hospitalares: fonte complementar na vigilância e monitoramento de doenças transmitidas 
entre pessoas. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 9, n. 2, p. 137-162, 2000.
TEIXEIRA, M. G.; PENNA, G. O.; RISI, J. B. et al. Seleção de doenças de notificação compul-
sória: critérios e recomendações para as três esferas de Governo. Informe Epidemiológico 
do SUS, Brasília, DF, v. 7, n. 1, p. 7-28, 1998.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Faculdade de Saúde Pública. Registro de Câncer de São 
Paulo: Inquérito Piloto 1963-1965. São Paulo: USP, 1971.
VASCONCELOS, M. M.; GRIBEL, E. B.; MORAES, I. H. S. Registros em saúde: avaliação da 
qualidade do prontuário do paciente na atenção básica. Cadernos de Saúde Pública, Rio de 
Janeiro, v. 24, supl. 1, p. S173-S182, 2008.
VERAS, C. M.; MARTINS, M. A. A confiabilidade dos dados nos formulários de Autorização 
de Internação Hospitalar (AIH), Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de 
Janeiro, v. 10, n. 3, p. 339-355, 1994.
 
139
CAPÍTULO
6
Dados/informações a partir
de inquéritos populacionais. Estudo dos 
fatores de risco para doenças crônicas não 
transmissíveis e outros
A importância da informação.
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
As informações em saúde são cada vez mais essenciais para o planeja-
mento, a programação, o monitoramento e a gestão das intervenções em saú-
de coletiva e individual, principalmente quando se consideram o contexto de 
mudanças do padrão epidemiológico, a ampliação do conceito de saúde-doen-
ça e de promoção da saúde (MALTA; LEAL; COSTA; MORAIS NETO, 2008). 
Barros (2008) defende que o monitoramento do estado de saúde das popu-
lações é fundamental para a formulação das políticas e programas de Saúde, 
sendo do interesse de todos os níveis de governo, assim como da sociedade em 
geral e suas organizações, na busca de melhores patamares de saúde.
Os atuais sistemas de informação em saúde existentes no Brasil (referi-
dos em capítulos anteriores desta publicação), entretanto, embora sejam de 
capital importância enquanto fornecedores de dados sobre nascimentos, 
óbitos, internações hospitalares, entre outros, não dão conta de responder a 
todas as necessidades da gestão da saúde. Dessa forma, e com o intuito de 
completar esse panorama, lança-se mão dos chamados inquéritos nacionais 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
140
de saúde que, segundo Malta, Leal, Costa e Morais Neto (2008, p. 160), vão 
permitir “conhecer o perfil de saúde [no país] e a distribuição dos fatores de 
risco em uma população”.
Os mesmos autores chamam atenção para o fato de que, com a atuali-
zação periódica e comparações sequenciadas no tempo e entre áreas geo-
gráficas, os inquéritos possibilitam estabelecer correlações entre os agravos 
e problemas de saúde, com as condições socioambientais e mesmo com a 
percepção do estado de saúde pelos indivíduos, permitindo a descrição e a 
qualificação das iniquidades em saúde, tanto relacionadas à ocorrência de 
doenças quanto à exposição de riscos (MALTA; LEAL; COSTA; MORAIS 
NETO, 2008).
Exemplos de inquéritos populacionais nessa área são encontrados prin-
cipalmente em países de alta renda, todos eles fornecendo elementos precio-
sos para o alcance dos objetivos visados. Nos países de baixa renda, sua rea-
lização é mais difícil, visto que eles, embora necessários, têm custo bastante 
elevado, o que representa um fator limitante à sua realização. Barros (2008) 
traça breve histórico sobre os inquéritos internacionais de saúde, e Berquó 
(2008), especificamente sobre o sistema internacional de pesquisas em demo-
grafia e saúde reprodutiva.
No Brasil, exemplos de informações em saúde oriundas de inquéritos 
de população são fornecidos, principalmente, pelas Pesquisas de Amostra de 
Domicílios (PNAD) feitas pelo IBGE com o apoio do Ministério da Saúde. 
Outros exemplos que poderiam ser citados são: Pesquisa Nacional de Saúde 
(PNS); Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Projeto PeNSE); Inquérito 
Nacional sobre Fatores de Risco e Proteção de Doenças não Transmissíveis; 
Projeto Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por 
Inquérito Telefônico (Vigitel).
As doenças crônicas não transmissíveis 
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) constituem-se, hoje, em 
elemento de extrema importância no cenário da saúde no Brasil e no mundo. 
A Organização Mundial da Saúde, segundo dados de 2004, estima que esse 
grupo de doenças seja responsável por quase 60% das mortes ocorridas no 
mundo e mais de 45% da carga global das doenças (OMS, 2012). Quanto ao 
Brasil, o país vem atravessando, há algum tempo, período de transição epide-
miológica no qual ocorre profunda modificação de padrões de saúde/doença. 
Verifica-se que, embora as doenças infecciosas sejam, ainda, significativas, o 
grupo das chamadas doenças crônicas não transmissíveis surge como o mais 
relevante (SZWARCWALD; SOUZA JÚNIOR; DAMACENA, 2010). 
141
Moura, Morais Neto, Malta et al. (2008), citando Malta e colaboradores, 
chamam atenção para o fato de que séries históricas de estatísticas de morta-
lidade disponíveis para as capitais de estados brasileiros indicam que a pro-
porção de mortes por DCNT aumentou mais de três vezes entre as décadas 
de 1930 e 1990 (Moura et al., 2008). As doenças cardiovasculares represen-
taram, em 2014, a principal causa de morte (27,7%), seguidas das neoplasias 
(16,5%), das causas externas (12,8%) e das doenças do aparelho respiratório 
(11,3%) (Tabela 2.3). A diabetes é responsável direta por grande parte dos 
óbitos por doenças crônicas não transmissíveis.
Por outro lado, é sabido que um pequeno conjunto de fatores de risco 
tem sido apontado como responsável por essa situação. A OMS informa que 
o hábito de fumar, de ingerir bebidas alcoólicas em excesso, o sedentarismo 
e a dieta inadequada devem ser responsáveis por elevada proporção de coro-
nariopatias e doenças cérebro-vasculares. O sobrepeso e a obesidade também 
aumentaram o risco dessas patologias, além da diabetes e de diversos tipos de 
câncer. A prevalência mundial de obesidade (índice de massa corporal igual 
ou superior a 30 kg/m2) quase duplicou entre 1980 e 2008, ano este em que a 
OMS refere que 10% dos homens e 14% das mulheres do mundo eram obe-
sos, em comparação com, respectivamente, 5% e 8% em 1980 (OMS, 2012).
Os fatores de risco para essas doenças, já bastante descritos na literatura 
especializada, devem, assim, ser estudados e pesquisados, a fim de que pos-
sam ser controlados. Schmidt, Duncan, Hoffmann et al. (2009) comentam o 
comportamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, mostran-
do que a prevalência, por exemplo, do diabetes e da hipertensão está aumen-
tando, paralelamente à prevalência do excesso de peso, aumentos esses que 
estão associados a mudanças desfavoráveis na dieta e na atividade física.
Os dados sobre esses fatores de risco e comportamentos relaciona-
dos com a saúde, em geral, são obtidos por meio de entrevistas domiciliá-
rias. A OMS assinala, entretanto, que a confiabilidade desses dados está na 
dependência da qualidade geral dos marcos e métodos de amostra utiliza-
dos, da formação do entrevistador, dos procedimentos adotados e das aná-
lises estatísticas de dados (OMS, 2012). Nesse aspecto, Barros (2008) refe-
re que os dados obtidos precisam ser oportunos e atuais, além de acurados 
e completos. Ressalta, ainda, a necessidade de implementar ou propiciar 
maior desenvolvimento de várias iniciativas, como validação e avaliação de 
questionários, escalas e instrumentos, visando a comparações com estudos 
internacionais, além de questões éticas e metodológicas, que necessitam ser 
sempre aprimoradas.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
142
As Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (PNAD)O Sistema de Pesquisas em Domicilio, implantando progressivamente no 
Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de 
1967, tem como finalidade a produção de informações básicas para o estu-
do do desenvolvimento socioeconômico do país. Trata-se de um sistema de 
pesquisas que, por ter propósitos múltiplos, investiga diversas características 
da população (IBGE, 2010). A pesquisa é realizada por amostra probabilísti-
ca em três estágios de seleção: o município, setores censitários e, por fim, as 
unidades domiciliares. Sua cobertura, desde 2004, abrange todo o território 
nacional, inclusive, a zona rural.
As PNAD vêm sendo realizadas com sucesso, obtendo dados sobre os 
domicílios e os indivíduos residentes. Elas têm caráter contínuo e são com-
postas por um questionário básico e um de tema suplementar, com periodici-
dade variável segundo sua natureza, constituindo-se, assim, em suplementos 
temáticos. No que se refere à saúde, o primeiro suplemento data de 1981 e foi 
formado por um amplo questionário que abordou diversos temas, incluindo 
morbidade, uso de serviços de saúde, cobertura vacinal, cuidado da mãe e da 
criança, hospitalização, assistência odontológica, portadores de deficiências e 
de incapacidade física, além de dados sobre gastos privados em saúde e fontes 
de financiamentos do consumo dos serviços de saúde. Seguiram-se publica-
ções PNAD-Saúde nos anos de 1986, 1988, 1998, 2003 e 2008.
O suplemento de 1998 passou a contar com seis blocos independentes: 
morbidade, cobertura por planos de saúde, acesso a serviços, utilização de 
serviços, limitações de atividades físicas para maiores de treze anos e gastos 
privados com saúde (TRAVASSOS; VIACAVA; LAGUARDIA, 2008). Esses 
mesmos autores ressaltam que 
a geração de informação de base populacional – e de âmbito nacio-
nal – é essencial ao processo de planejamento e ao acompanhamen-
to, pela sociedade, do cumprimento dos princípios constitucionais 
da saúde como direito ao acesso integral e igualitário aos serviços 
de saúde. (TRAVASSOS; VIACAVA; LAGUARDIA, 2008, p. 111)
Ainda segundo eles, a série histórica dos suplementos tem possibilitado 
acompanhar aspectos relevantes da situação brasileira, bem como conhecer 
e monitorar os diferentes recortes geográficos e socioeconômicos, as políticas 
de saúde voltadas para o acesso e a utilização dos serviços de saúde (TRA-
VASSOS; VIACAVA; LAGUARDIA, 2008).
143
Em 2008, a PNAD foi realizada em convênio com o Ministério da Saúde 
e entrevistou 391.868 pessoas em 150.591 unidades domiciliares de todos os 
estados brasileiros. Originou-se dessa investigação, a publicação Um panora-
ma da saúde no Brasil: acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fa-
tores de risco e proteção à saúde, 2008 (IBGE, 2010).
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)
Trata-se de uma pesquisa independente das PNAD, visto que tem “dese-
nho próprio, elaborado, especificamente, para coletar informações de saúde” 
(IBGE, 2014; 2015). Fundamenta-se em três eixos principais: 1) desempenho 
do sistema nacional de saúde; 2) condições de saúde da população brasileira; 
e 3) vigilância das doenças crônicas não transmissíveis e fatores de risco asso-
ciados. Utilizando amostra da PNAD contínua, foi levada a campo, no país, 
em 2013. É importante salientar que, pela primeira vez, além do questionário, 
foram coletadas amostras biológicas para a realização de exames complemen-
tares, a saber:
•	 Coleta	de	 sangue:	hemoglobina	 glicada;	 colesterol	 total;	 LDL	 e	HDL;	
hemograma; creatinina; sorologia da dengue
•	 Coleta	de	urina	para	dosagem	de	sódio	e	potássio;	creatinina
Os resultados da PNS mostram alguns aspectos bastante interessantes, 
relativos a
•	 Percepção	 do	 estado	 de	 saúde,	 abrangendo	 autoavaliação	 do	 estado	
de saúde
•	 Estilos	de	vida,	englobando:	consumo	alimentar;	uso	de	álcool;	ativida-
de física; hábito de assistir televisão; tabagismo
•	Doenças	 crônicas,	 reunindo	 dados	 sobre	 diabetes,	 colesterol,	 asma,	
doen ças cardiovasculares, problema crônico de coluna, distúrbios 
osteo musculares relacionados ao trabalho (Dort), depressão, insufi-
ciência renal crônica e câncer
Em outra publicação (IBGE, 2015), estão apresentados os dados relativos 
ao acesso e à utilização de serviços de saúde, acidentes e violências. Ambas as 
publicações são acompanhadas por CD-ROM que contém, além de todas as 
tabelas do volume impresso, dados desagregados e os números absolutos ob-
tidos e coeficientes de variação das estimativas.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
144
Quanto ao papel do médico, é importante ressaltar que, enquanto 
usuá rio da informação, ele encontra, nas tabelas apresentadas, material útil 
ao seu conhecimento e prática, já que, do ponto de vista epidemiológico, as 
tabelas apresentadas exemplificam o potencial das informações fornecidas 
pela pesquisa.
Chama ainda atenção o fato de que, quanto à morbidade, embora se tra-
te de morbidade referida, a pesquisa trabalhou apenas com os casos em que o 
entrevistado referiu ter tido diagnóstico médico sobre cada patologia, fato que 
reforça o papel do médico na produção da informação. Assim, com relação 
ao tabagismo, por exemplo, considerado importante fator de risco para várias 
doenças, pôde-se verificar prevalência de 15%, o que correspondeu a 21,9 mi-
lhões de pessoas, com variação importante segundo sexo (19,2% para homens 
e 11,2% para mulheres) e por faixa etária (19,4% na faixa de 40 a 59 anos).
A mensuração referente ao uso/abuso de álcool – também considerado 
fator de risco para várias doenças e, inclusive, para acidentes e violências – 
mostrou que a população de dezoito anos ou mais que declarou consumir be-
bida alcoólica uma ou mais vezes por semana totalizou 24% no país, variando 
entre 18,8% na região Norte e 28,4% na região Sul. Na tentativa de medir a 
relação entre álcool e direção veicular, a pesquisa estimou a proporção de in-
divíduos que conduziram veículo motorizado (carro ou motocicleta) após o 
consumo de bebida alcoólica, independente da quantidade consumida e de 
sua periodicidade. Essa proporção foi de 24,3% na pesquisa e, considerando a 
população total do país, representa 4,4%.
Com relação às doenças crônicas, algumas considerações são importantes.
1) Quanto à hipertensão, não houve aferição da medida por parte do 
pesquisador
2) Para todas as patologias, a informação só foi considerada após infor-
mação do entrevistado de que “aquele diagnóstico teria sido dado 
por médico”
A Tabela 6.1 revela a prevalência de algumas doenças (total e segundo 
sexo) para o Brasil e para o estado de São Paulo. A Tabela 6.2, por sua vez, 
mostra, com relação às pessoas que declararam ter recebido diagnóstico mé-
dico de diabetes, a proporção das que tomaram medicamento, das que tive-
ram exames complementares solicitados e conseguiram fazer todos, das que 
receberam assistência médica nos últimos doze meses anteriores à entrevista 
e daquelas que apresentaram internação hospitalar por causa do diabetes. As 
145
frequências são apresentadas em proporção (%), segundo sexo, para o Brasil 
e para o estado de São Paulo.
A Tabela 6.3, a partir da mesma lógica, faz referência a pessoas com de-
pressão, segundo diagnóstico feito por profissional da saúde, e, desses, os que 
declararam tomar medicamento para depressão, fazer psicoterapia e ter rece-
bido assistência médica para depressão nos últimos doze meses.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Projeto PeNSE)
O Projeto PeNSE foi realizado pela primeira vez no Brasil em 2009, 
abordando questões importantes, como aspectos socioeconômicos, contexto 
social e familiar, hábitos alimentares, prática de atividade física, experimenta-
ção e consumo de cigarro, álcool e outras drogas, saúde sexual e reprodutiva, 
violência, segurança e acidentes, a percepção da imagem corporal, entre ou-
tros aspectos, medidos na população de adolescentes brasileiros.
Em 2012, o inquérito foi repetido, entrevistando-se,dessa vez, 109.104 
escolares do nono ano do Ensino Fundamental em 2.842 instituições de en-
sino amostradas, com metodologia que permitiu sua representação nacional 
e estratificação para as grandes regiões do país, tendo sido incluídos temas 
como trabalho entre escolares, hábitos de higiene, saúde mental, uso de ser-
viços de saúde, prevalência de asma, entre outros. O levantamento realizado 
em 2015, além da amostra de escolares do nono ano (antiga oitava série) do 
Ensino Fundamental, investigou amostra “composta por estudantes de treze a 
dezessete anos frequentando as etapas de ensino de interesse” (IBGE, 2016).
A partir do pressuposto de que a escola é acessível a mais de 97% da po-
pulação de seis a catorze anos, e quase 90% na faixa de quinze a dezenove 
anos para o ano de 2012 (IBGE, 2013), o objetivo do trabalho foi o de conhe-
cer as características da população de adolescentes que frequentam a escola. 
Os resultados mostraram predominância do sexo feminino sobre o masculi-
no, bem como que 86,0% dos entrevistados tinham entre treze e quinze anos, 
segmento etário preconizado pela OMS como referência para estudos sobre o 
adolescente escolar.
Práticas relativas à frequência à escola, aos hábitos alimentares, ao uso 
do tempo livre e a atividades físicas foram pesquisados. A Tabela 6.4 reve-
la a situação de trabalho com ou sem pagamento, e a Tabela 6.5 mostra a 
situa ção dos escolares no que concerne ao uso de cigarro e outros produtos 
do tabaco, bem como referentes ao consumo de bebida alcoólica, para os 
anos de 2012 e 2015.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
146
A partir da ideia de que um dos principais aspectos da adolescência é a 
iniciação da vida sexual, o projeto pesquisou e mostrou que 28,7% dos es-
colares declararam já ter tido relação sexual alguma vez na vida (30,9% para 
estudantes do sexo masculino e 18,2% para o feminino). Na Tabela 6.5, os da-
dos relativos a 2015 mostram que, com relação ao uso de preservativos pelos 
escolares, 75,3% dos que declaram já ter tido relação afirmaram tê-los utiliza-
do em sua última relação sexual. No que tange a informações sobre sexuali-
dade fornecidas pela escola, 89,1% dos entrevistados afirmaram ter recebido 
orientação da escola sobre aids e outras DST, enquanto 82,9% relataram ter 
sido instruídos, também na escola, sobre como prevenir uma gravidez.
A pesquisa investigou, ainda, temas relacionados a aspectos em que a 
violência pode afetar os adolescentes, como sentimentos de insegurança no 
trajeto para a escola, envolvimento em brigas com armas, agressão física pro-
vocada por adulto da família, violência no trânsito e bullying. 
Houve também registro de doenças como a asma, cuja prevalência foi es-
tudada. Os resultados mostraram que 23,2% dos adolescentes entrevistados 
referiram ter tido chiado no peito e asma alguma vez na vida e nos doze me-
ses anteriores à entrevista, não tendo sido observadas diferenças significativas 
entre estudantes de escolas públicas e privadas.
Os dados relativos ao levantamento feito em 2015 mostram-se bastante 
semelhantes aos de 2012 e os relativos à amostra 1 são apresentados com o 
objetivo de compará-los aos de 2012 (IBGE, 2016).
O Projeto Vigitel
Breve descrição
No Brasil, como parte do processo para dotar o país de instrumentos efica-
zes para monitorar a frequência e a distribuição de dados relativos a fatores de 
risco para algumas patologias, o Ministério da Saúde, em parceria com o Nú-
cleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Universi-
dade de São Paulo, implantou, em 2006, o chamado Projeto Vigitel (Vigilância 
de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefôni-
co) (BRASIL, 2007; 2009a; 2009b; 2010; 2011; 2012; 2013; 2014; 2015; 2017).
Trata-se de um sistema de monitoramento de fatores de risco para do-
enças crônicas de grande importância para a Saúde Pública brasileira. Ob-
jetiva, para cada uma das capitais das 26 Unidades da Federação e o Distri-
to Federal, obter amostras probabilísticas a partir da população de adultos 
residentes servidos por linha telefônica (BRASIL, 2007; 2009a; 2009b; 2010; 
147
2011; 2012; 2013; 2014; 2015; 2017). As questões feitas referem-se a carac-
terísticas sociodemográficas, padrão de alimentação, incluindo frequência 
de consumo de determinados alimentos, peso e altura referidos, frequência 
de consumo de cigarro e de bebidas alcoólicas, autoavaliação do estado de 
saúde e morbidade referida. Quanto ao fato de estar limitado à população 
que dispõe de linha telefônica, Barros (2009) esclarece que, para enfrentar 
as enormes desigualdades existentes no país, também nesse aspecto, o Pro-
jeto Vigitel emprega um sistema de ponderação que permite corrigir as es-
timativas brutas obtidas.
É importante salientar que, nestes casos, para este tipo de pesquisa, 
o médico não está envolvido como produtor da informação; entretanto, na 
qualidade de usuário, encontra nos dados produzidos excelente fonte para 
o estudo/acompanhamento e análises relativas a esses fatores, tanto de risco 
quanto de proteção, para um apreciável grupo de patologias.
O envolvimento mais direto do médico ocorre nos casos em que, para 
algumas questões, são solicitadas informações relativas a diagnóstico médico 
prévio de algumas dessas doenças. O Ministério da Saúde esclarece que, 
de forma semelhante à empregada por outros sistemas de vigilân-
cia [como o usado pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados 
Unidos – Behavior Risk Factor Surveillance System] (CDC, 2008), 
o Vigitel estima a frequência de indivíduos que referem diagnóstico 
médico prévio do fator de risco [ou doença de interesse]. (BRASIL, 
2013, p. 97)
A partir das variáveis selecionadas, tem sido possível estimar que mais de 
um quinto da população amostrada refere, por exemplo, ter diagnóstico médi-
co de hipertensão arterial, prevalência de diabetes e, quanto aos idosos, consti-
tui-se no grupo que mais apresenta excesso de peso, insuficiente atividade físi-
ca e baixo consumo de frutas e hortaliças (SANTOS; DUARTE, 2009).
O que o Sistema pode oferecer
As tabelas apresentadas a seguir (6.6 a 6.12) dizem respeito à caracteri-
zação da evolução anual das frequências desses fatores de risco/proteção pa-
ra doenças crônicas, sendo que a construção de séries históricas possibilita 
conhecer seu comportamento no tempo, inclusive mensurando as alterações 
havidas. Quanto às estimativas das frequências de indivíduos que referem 
diagnóstico prévio do fator de risco ou de doença de interesse, é importante 
salientar que essa aferição indireta dos fatores de risco e doenças crônicas que 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
148
necessitam diagnóstico médico ocorre em razão da impossibilidade de esti-
mativa direta da patologia, uma vez que o projeto é realizado, como já salien-
tado, por meio de entrevistas telefônicas.
O diagnóstico médico da hipertensão, por exemplo, referido na pesqui-
sa realizada em 2013, mostrou variação entre 15,2%, em Palmas, e 28,7%, na 
cidade do Rio de Janeiro, com o sexo feminino apresentando, sempre, valores 
mais elevados que o masculino. Dados de 2014 mostram as maiores frequên-
cias em Porto Alegre e Recife, respectivamente 29,2% (sendo 32,2% entre as 
mulheres) e 28,4%. Com relação à distribuição segundo idade (Tabela 6.11), 
pode-se verificar a ocorrência de frequências mais elevadas nos mais idosos 
(quase 60% entre a população de 65 anos ou mais, sendo 56,1% entre os ho-
mens e 61,9% no sexo feminino) (BRASIL, 2016). Proporções mais altas es-
tiveram presentes em indivíduos de baixa escolaridade (menos de nove anos 
de estudo), comparativamente aos grupos de nove a onze anos e de doze ou 
mais anos de estudos (Tabela 6.11).
Quanto ao diabetes, no conjunto das 27 cidades, a frequência do diag-
nóstico médico prévio variou de 3,9%, em Palmas, e 8,8% no Rio de Janeiro; 
São Paulo foi o local que mostrou o valor mais elevado entre as 26 capitaisanalisadas, no sexo masculino. É importante esclarecer que o diagnóstico de 
diabetes mostra frequência mais elevada com o avanço da idade. Com relação 
à escolaridade, frequência também mais alta apareceu nos indivíduos com até 
oito anos de estudo (Tabela 6.12)
Analisando as estimativas de variação temporal de indicadores, de 2006 
a 2014, para o conjunto da população adulta das 26 capitais e do Distrito Fe-
deral, o Projeto Vigitel pôde concluir que:
1) houve tendência estatisticamente significativa de variação temporal 
para os indicadores relacionados a tabagismo, excesso de peso e obe-
sidade, consumo alimentar, atividade física, exame de mamografia e 
diagnóstico de diabetes
2) a frequência de fumantes diminuiu, em média, 0,6% ao ano
3) as frequências de excesso de peso e de obesidade aumentaram em 
média, respectivamente, 1,3% e 0,8% ao ano
Com relação ao tabagismo, é importante assinalar que a Comissão de 
Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira, formada para es-
tudar o problema, considera seus valores ainda bastante elevados, apesar do 
declínio verificado no período. Em razão disso, e por considerar ainda que 
o uso do tabaco continua a ter grande relevância na mortalidade, além de 
149
preparar normas específicas dentro do Projeto Diretrizes (AMB, 2014), a co-
missão está propondo a inclusão de uma variável (tabagista; não tabagista e 
ex-tabagista) na Declaração de Óbito, com vistas a facilitar análises sobre o 
problema quanto à causa da morte*.
Quanto ao álcool, cujos dados mostram que não houve declínio de 
consumo referido, mortes por causas externas relacionadas ao seu uso/abu-
so continuam a acontecer, deixando claro o insucesso das iniciativas feitas 
até então.
Tabela 6.1
Proporção (%) de pessoas de dezoito anos ou mais que referiram
diagnóstico médico para algumas patologias, segundo sexo,
Brasil e estado de São Paulo (ESP), 2013
Diagnóstico médico (patologia) Local Total Masculino Feminino
Hipertensão Brasil 21,4 16,3 24,2
 ESP 23,0 20,8 24,8
Diabetes Brasil 6,2 5,4 7,0
 ESP 7,7 7,6 7,9
Alguma doença do coração Brasil 4,2 3,9 4,4
 ESP 5,0 6,3 4,8
Acidente vascular cerebral Brasil 1,5 1,6 1,4
 ESP 1,6 1,7 1,2
Câncer Brasil 1,8 1,6 2,0
 ESP 2,6 2,8 3,5
Asma Brasil 4,4 3,6 5,1
 ESP 4,9 4,1 5,6
Artrite/reumatismo Brasil 6,4 3,5 9,0
 ESP 5,6 3,2 7,7
Depressão Brasil 7,6 3,9 10,9
 ESP 8,4 4,7 11,7
Fonte: PNS (IBGE, 2014).
* MIRRA, A. P. Comunicação pessoal, em outubro de 2015.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
150
Tabela 6.2
Proporção (%) de pessoas de dezoito anos ou mais que referiram
diagnóstico médico de diabetes, Brasil e estado de São Paulo (ESP), 2013
Diabetes e Local Total Masculino Feminino
diagnóstico médico de diabetes Brasil 6,2 5,4 7,0 ESP 7,7 7,6 7,9
que tomaram medicamento para diabetes (ou insulina) Brasil 80,2 81,2 79,6 ESP 85,2 90,6 80,6
nas duas semanas anteriores à entrevistaque tiveram Brasil 95,3 96,2 94,0exames complementares solicitados e ESP 97,0 98,9 95,2conseguiram fazer todos
que foram internados por causa do diabetes Brasil 13,4 15,0 12,2 ESP 9,6 14,1 5,7
que receberam assistência médica para diabetes nos Brasil 73,2 72,8 73,5
últimos 12 meses anteriores à entrevista ESP 73,4 77,5 69,8
Nota: Fusão das tabelas 6.13.1.1, 6.14.1.1, 6.16.1.1, 6.19.1.1 e 6.23.1.1 do original.
Fonte: PNS (IBGE, 2014).
Tabela 6.3
Proporção (%) de pessoas de dezoito anos ou mais que referiram
diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental,
Brasil e estado de São Paulo (ESP), 2013
Depressão Local Total Masculino Feminino
Pessoas com diagnóstico de depressão Brasil 7,6 3,9 10,9 ESP 8,4 4,7 11,7
e que tomaram medicamento para depressão Brasil 52,0 51,2 62,3 ESP 56,9 61,0 53,3
e que fazem psicoterapia Brasil 16,4 19,8 15,4 ESP 20,2 28,6 17,2
e que receberam assistência médica para depressão nos Brasil 46,4 43,0 47,6
últimos 12 meses anteriores à entrevista ESP 47,7 46,3 48,2
Nota: Fusão das tabelas 6.42.1.1, 6.43.1.1, 6.44.1.1 e 6.46.1.1.
Fonte: PNS (IBGE, 2014).
151
Tabela 6.4
Percentual (%) de escolares frequentando o nono ano do Ensino 
Fundamental que possuem (ou não) trabalho/emprego e recebem dinheiro 
(ou não), Brasil e regiões, 2012 e 2015
 2012 2015
Região Não Trabalha e Trabalha e Não Trabalha e Trabalha e
 trabalha recebe não recebe trabalha recebe não recebe
Norte 88,0 13,3 1,3 87,5 11,4 1,1
Nordeste 87,2 11,6 1,2 88,1 10,9 1,0
Sudeste 88,5 10,4 1,1 87,7 11,0 1,3
Sul 83,7 15,1 1,2 81,9 17,0 1,1
Centro-Oeste 84,3 14,3 1,3 80,9 17,9 1,2
Brasil 86,9 11,9 1,2 86,6 12,2 1,2
Fonte: IBGE (2013; 2016) (Projeto PeNSE).
Tabela 6.5
Percentual (%) de escolares frequentando o nono ano do Ensino 
Fundamental segundo alguns hábitos, Brasil, 2012 e 2015
Hábitos 2012 2015
Experimentaram cigarro alguma vez 19,6 18,4
Tomaram uma dose de bebida alcoólica alguma vez 50,3 55,5
Referiram algum episódio de embriaguês* 21,8 21,4
Usaram droga ilícita alguma vez 7,3 9,0
Fumaram maconha nos últimos 30 dias 2,5 4,1
Tiveram relação sexual alguma vez 28,7 27,1
Usaram preservativo na última relação sexual* 75,3 61,2
Receberam orientação da escola sobre aids e outras DST 89,1 87,3
Receberam orientação da escola de como evitar a gravidez 82,9 79,2
Foram agredidos fisicamente por um adulto da família 16,6 14,5
Fonte: IBGE (2013; 2016) (Projeto PeNSE).
* Dados disponíveis segundo sexo, região do país e dependência administrativa da escola (pública 
ou particular).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
152
Tabela 6.6
Proporção de fumantes adultos (maiores de dezoito anos) segundo idade e 
anos de estudo, capitais de estados brasileiros e DF, 2006 a 2015 (%)
Características 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012 2013 2014 2015
Idade 
18 a 24 14,2 16,5 14,8 15,0 12,5 8,7 8,5 7,1 7,8 7,2
25 a 34 14,8 15,6 15,6 16,4 17,3 9,1 11,7 12,1 11,9 10,5
35 a 44 19,0 17,6 15,4 15,1 15,2 11,3 12,9 11,2 9,9 10,4
45 a 54 22,1 21,7 18,3 19,0 18,3 15,0 16,0 15,1 13,2 12,7
55 a 64 15,4 15,5 15,0 16,9 16,5 14,1 15,0 13,6 12,5 12,8
65 ou + 9,3 8,0 9,3 8,1 8,1 6,2 7,6 6,9 8,1 8,2
Anos de Estudo 
0 a 8 19,1 19,4 19,4 19,3 18,6 11,9 16,4 15,0 14,1 14,4
9 a 11 13,7 13,2 10,4 11,3 11,6 8,5 10,0 10,3 10,3 9,0
12 ou + 11,6 12,8 10,7 11,1 10,2 8,7 9,1 7,4 6,8 7,2
Total 16,2 16,4 15,2 15,5 15,1 10,3 12,1 11,3 10,8 10,4
* Beneficiários de Planos de Saúde
Fonte: Vigitel
Tabela 6.7
Proporção de adultos (maiores de dezoito anos) com excesso de peso (índice 
de massa corporal maior ou igual a 25 kg/m2), segundo idade e anos de 
estudo, capitais de estados brasileiros e DF, 2006 a 2015 (%)
Características 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012 2013 2014 2015
Idade 
18 a 24 21,2 21,0 22,3 31,2 29,6 27,0 28,9 29,7 31,5 33,2
25 a 34 38,9 41,2 40,2 42,4 44,5 46,2 47,7 45,3 48,0 49,6
35 a 44 49,8 49,4 49,6 51,2 52,7 54,3 55,9 56,4 58,6 60,2
45 a 54 56,0 56,1 56,4 55,9 59,3 60,3 60,8 60,7 61,6 62,4
55 a 64 57,6 57,5 59,0 59,7 61,7 63,7 60,3 62,7 61,8 63,8
65 ou + 53,1 50,3 53,4 55,3 58,4 56,7 58,5 56,3 57,8 57,3
Anos de Estudo 
0 a 8 47,0 47,1 45,9 50,9 52,1 50,8 57,3 58,1 58,9 61,7
9 a 11 37,9 37,3 39,1 41,5 42,6 43,7 46,7 47,3 51,6 52,0
12 ou + 40,6 44,3 42,7 43,4 46,7 48,1 48,4 45,5 45,0 48,6
Total 43,0 43,4 43,3 46,6 48,1 48,0 51,0 50,8 52,5 53,9
* Beneficiários de Planos de Saúde
Fonte: Vigitel
153
Tabela 6.8
Proporção de adultos (maiores de dezoito anos) que nos últimos trinta 
dias consumiram quatro ou mais doses (mulher) ou cinco ou mais doses 
(homem) de bebida alcoólica, em uma mesma ocasião, segundo idade e 
anos de estudos, capitais de estados brasileiros e DF, 2006 a 2015 (%)
Características 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012 2013 2014 2015
Idade 
18 a 24 18,9 23,0 21,4 23,0 20,3 18,0 21,8 19,0 18,2 20,2
25 a 34 21,4 21,9 23,4 22,9 23,2 13,9 24,7 22,7 23,2 23,5
35 a 44 18,0 17,1 21,2 20,6 19,5 19,5 20,0 17,5 18,0 19,4
45 a 54 13,2 15,9 16,9 17,0 16,1 14,9 16,6 15,0 15,1 15,5
55a 64 7,4 10,5 11,0 10,5 10,4 12,6 11,9 10,5 11,0 11,0
65 ou + 2,4 3,2 4,3 4,2 4,5 3,9 5,0 4,0 3,8 3,7
Anos de Estudo 
0 a 8 15,4 16,7 18,5 17,1 16,0 12,7 15,0 12,8 12,3 13,2
9 a 11 16,6 18,3 20,0 19,8 19,2 16,5 19,4 17,5 18,4 18,1
12 ou + 17,3 18,7 20,7 23,1 22,3 21,6 22,0 19,7 19,5 20,9
Total 16,1 17,5 19,0 18,9 18,0 15,2 18,4 16,4 16,5 17,2
* Beneficiários de Planos de Saúde
Fonte: Vigitel
Tabela 6.9
Proporção de adultos (maiores de dezoito anos) com obesidade (índice de 
massa corporal maior ou igual a 30 kg/m2), segundo idade e anos de estudo, 
conjunto de capitais de estados brasileiros e DF, 2006 a 2015 (%)
Características 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012 2013 2014 2015
Idade 
18 a 24 4,3 4,0 4,2 6,9 6,3 5,3 7,5 6,3 8,5 8,3
25 a 34 10,4 11,4 11,9 12,7 13,3 13,7 15,1 15,0 15,1 17,9
35 a 44 12,3 14,9 15,0 15,6 16,6 17,0 19,7 20,1 22,0 23,6
45 a 54 15,8 19,4 19,3 17,4 21,6 20,0 22,6 22,5 21,3 21,7
55 a 64 17,0 20,3 19,9 20,7 20,6 22,6 23,4 24,4 23,1 22,7
65 ou + 15,9 13,5 16,5 16,9 19,4 18,5 19,0 20,2 19,8 19,4
Anos de Estudo 
0 a 8 13,5 14,9 15,0 16,1 17,3 16,4 21,7 22,3 22,7 23,6
9 a 11 9,0 10,7 10,6 11,6 12,2 12,2 15,2 15,1 17,2 17,8
12 ou + 9,6 11,3 10,9 11,6 13,4 13,4 14,4 14,3 12,3 14,6
Total 11,4 12,9 13,0 13,9 15,0 14,5 17,4 17,5 17,9 18,9
* Beneficiários de Planos de Saúde
Fonte: Vigitel
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
154
Tabela 6.10
Proporção de adultos (>18 anos) fisicamente inativos, segundo idade e anos 
de estudo, capitais de estados brasileiros e DF, 2006 a 2015 (%)
Características 2006 2007 2008 2009 2010 2011* 2012 2013 2014 2015
Idade 
18 a 24 30,1 31,8 26,2 15,4 12,0 12,1 12,6 13,7 12,0 15,1
25 a 34 24,2 23,9 21,4 11,4 9,7 10,7 10,6 11,8 12,3 11,9
35 a 44 23,7 22,8 21,7 9,6 10,9 10,7 11,8 12,4 10,7 11,5
45 a 54 26,5 25,6 24,3 11,7 13,5 12,5 12,8 13,7 13,9 12,9
55 a 64 32,0 31,9 31,8 15,8 20,0 19,6 16,9 20,2 15,9 18,2
65 ou + 56,1 56,5 52,6 22,3 36,7 33,7 15,8 38,4 38,2 37,5
Anos de Estudo 
0 a 8 24,7 27,4 22,4 8,5 14,5 13,4 18,5 20,3 19,0 20,4
9 a 11 27,6 27,3 25,1 14,2 12,9 13,0 11,8 12,9 12,6 14,0
12 ou + 45,8 38,8 39,0 26,8 15,7 16,8 14,2 15,3 14,5 13,2
Total 29,2 29,2 26,3 13,2 14,2 13,7 14,9 16,2 15,4 16,0
* Beneficiários de Planos de Saúde
Fonte: Vigitel
Tabela 6.11
Proporção de adultos (>18 anos) que referiram diagnóstico médico de 
hipertensão arterial, segundo sexo, idade e anos de estudo, capitais de 
estados brasileiros e DF, 2015 (%)
Características Masculino Feminino Total
Idade 
18 a 24 4,5 4,2 4,4
25 a 34 11,5 9,7 10,1
35 a 44 17,7 20,0 18,9
45 a 54 31,8 35,6 33,9
55 a 64 43,3 49,6 47,0
65 ou + 56,1 61,9 59,6
Anos de Estudo 
0 a 8 32,1 46,6 39,9
9 a 11 16,5 19,7 18,2
12 ou + 16,7 13,8 15,1
Total 22,0 27,3 24,9
Fonte: Vigitel
155
Tabela 6.12
Proporção de adultos (>18 anos) que referiram diagnóstico médico de 
diabetes, segundo sexo, idade e anos de estudo, capitais de estados 
brasileiros e DF, 2015 (%)
Características Masculino Feminino Total
Idade 
18 a 24 0,8 0,9 0,9
25 a 34 1,1 1,7 1,4
35 a 44 4,1 5,7 5,0
45 a 54 10,3 8,4 9,2
55 a 64 16,3 15,5 15,8
65 ou + 24,2 21,5 22,6
Anos de Estudo 
0 a 8 12,1 14,8 13,5
9 a 11 4,4 4,5 4,4
12 ou + 3,7 3,7 3,7
Total 6,9 7,8 7,4
Fonte: Vigitel
Referências
ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB). Projeto Diretrizes. 2014. Disponível em: ht-
tp://amb.org.br/comissao-de-combate-ao-tabagismo/. Acesso em: 1 jan. 2017.
BARROS, A. J. D. Editorial. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 43, supl. 2, p. 1-2, 2009.
BARROS, M. B. A. Inquéritos domiciliares de saúde: potencialidades e desafios. Revista Brasi-
leira de Epidemiologia, São Paulo, v. 11, supl. 1, p. 6-19, 2008.
BERQUÓ, E. Sobre o sistema internacional de pesquisas em demografia e saúde reprodutiva. 
Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 11, supl. 1, p. 72-89, 2008.
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2006: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2007.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2007: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009a.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2008: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009b.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2009: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2010: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2011: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2012: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2013: vigilância de fatores de risco e proteção para 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
156
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2014: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2015.
______. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2015: vigilância de fatores de risco e proteção para 
doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016.
CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Behavior risk factor surveillance 
system: questionnaire, 2008. Atlanta, 2007. Disponível em: <http://bit.ly/2m40V2Y>. Aces-
so em: 16 fev. 2017.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por 
Amostra de Domicílios: um panorama da saúde no Brasil: acesso e utilização dos serviços, 
condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde, 2008. Rio de Janeiro, 2010.
______. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2012. Rio de Janeiro, 2013.
______. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: percepção do estado de saúde, estilos de vida e do-
enças crônicas. Rio de Janeiro, 2014. v. 1.
______. Pesquisa Nacional de Saúde 2013: acesso e utilização dos serviços, acidentes e violências. 
Rio de Janeiro, 2015. v. 2.
______. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015. Rio de Janeiro, 2016.
MALTA, D. C.; LEAL, M. C.; COSTA, M. F. L.; MORAIS NETO, O. L. Inquéritos nacionais de 
saúde: experiência acumulada e proposta para o inquérito de saúde brasileiro. Revista Bra-
sileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 11, supl. 1, p. 159-167, 2008.
MOURA, E. C.; MORAIS NETO, O. L.; MALTA, D. C. et al. Vigilância de fatores de risco 
para doenças crônicas por inquérito telefônico nas capitais dos 26 estados brasileiros e 
no Distrito Federal (2006). Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 11, supl. 1, 
p. 20-37, 2008.
ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE SALUD. Estadísticas sanitarias mundiales. Genebra: OMS, 
2012.
SANTOS, I. S.; DUARTE, E. C. Fatores de risco e proteção para doenças crônicas não trans-
missíveis na população brasileira. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 43, supl. 2, p. 5-6, 
2009.
SCHMIDT, M. I.; DUNCAN, B. B.; HOFFMANN, J. F. et al. Prevalência de diabetes e hiper-
tensão no Brasil baseada em inquérito de morbidade auto-referida, Brasil, 2006. Revista de 
Saúde Pública, São Paulo, v. 43, supl. 2, p. 74-82, 2009.
SZWARCWALD, C. L.; SOUZA-JÚNIOR, P. R. B.; DAMACENA, G. N. Socioeconomic ine-
qualities in the use of outpatient service in Brazil according to health case need: evidence 
from the World Health Survey. BMC Health Services Research, London, p. 10-217,2010. 
Disponível em: <http://bit.ly/2mng9mm>. Acesso em: 1 jan. 2017.
TRAVASSOS, C.; VIACAVA, F.; LAGUARDIA, J. Os suplementos Saúde na Pesquisa Nacional 
por Amostra de Domicílio (PNAD) no Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Pau-
lo, v. 11, supl. 1, p. 98-112, 2008.
 
 
157
CAPÍTULO
7
Informações sobre recursos em saúde
Conhecendo dados sobre serviços,
recursos humanos e equipamentos
Informações sobre a disponibilidade de serviços e profissionais em 
saúde são fundamentais para qualquer planejamento no setor. A distribui-
ção do número de profissionais (por exemplo, médicos, enfermeiros, odon-
tólogos) subsidia processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas 
voltadas para a prestação de serviços de saúde, assim como para a formação 
de profissionais de saúde e sua inserção no mercado de trabalho. A distri-
buição do número de leitos hospitalares, por sua vez, avalia variações ge-
ográficas e temporais na oferta de leitos públicos e privados, identificando 
situações de desigualdades e tendências que demandem estudos específicos 
(RIPSA, 2008).
Laurenti, Mello Jorge, Lebrão e Gotlieb (2005), ao discorrerem sobre 
indicadores de saúde, referem que, dentre os relativos a serviços, é possível 
identificar os que dizem respeito a recursos disponíveis e os referentes aos 
serviços prestados à população. No primeiro grupo, os indicadores medem a 
sua disponibilidade, utilização e produção, podendo ser citados como exem-
plos o número de leitos em hospital geral por habitante; quanto à utilização, 
a percentagem de ocupação desses leitos; e, com relação à produção, o núme-
ro de egressos de um hospital, o número de vacinas aplicadas (LAURENTI; 
MELLO JORGE; LEBRÃO; GOTLIEB, 2005). Os indicadores relacionados a 
serviços de saúde prestados à população medirão, por exemplo, a cobertura 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
158
de consultas médicas SUS, número de consultas de pré-natal, cobertura vaci-
nal, cobertura de planos de saúde.
A Rede Interagencial de Informações para a Saúde, em sua publicação 
Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações, desenvolve, 
em dois capítulos, os indicadores responsáveis por mensurar e avaliar essa 
situação (RIPSA, 2008). É importante salientar que os dados básicos para a 
produção desses indicadores provêm de diversas fontes, entre as quais os pró-
prios sistemas de informação já aqui apresentados e discutidos. Em seu capí-
tulo final, essa publicação apresenta breve resumo sobre essas fontes, discu-
tindo, inclusive, sua representatividade e grau de fidedignidade.
Assim, por exemplo, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde 
(CNES), instituído no país em 2000 (BRASIL, 2000), registra as característi-
cas dos estabelecimentos, tais como, leitos, serviços, equipamentos, a entida-
de mantenedora e forma de relacionamento com o Sistema Único de Saúde. 
Está disponível em <www.datasus.gov.br>. O número de profissionais de saú-
de provém do Sistema de Informações de Recursos Humanos do Ministério 
da Saúde.
Quanto aos serviços prestados à população, a Ripsa registra, entre ou-
tros,
• Número de consultas médicas SUS por habitantes
• Número de internações hospitalares SUS por habitantes
• Número de internações hospitalares SUS por especialidade
• Número de consultas de pré-natal
• Cobertura vacinal
• Cobertura de planos de saúde
É possível perceber pela Tabela 7.1 que o número de leitos por habitantes 
não é homogêneo nas várias regiões do país (RIPSA, 2012). Ao promover a 
distribuição desses leitos por Unidades da Federação, verifica-se que alguns 
estados, assim como o Distrito Federal, apresentam razões bem mais eleva-
das que outros. Situação análoga ocorre com a distribuição de leitos (tabela 
7.2), inclusive de Unidades de Terapia Intensiva, levando ao que, já em 2002, 
Duarte, Schneider, Paes-Sousa et al. (2002) chamaram de desigualdades em 
saúde no Brasil. O próprio Ministério da Saúde chama atenção para esse fato 
ao referir-se a aumento de 49% de estabelecimentos cadastrados pelo CNES, 
entre 2004 e 2006, sempre mais concentrados na Região Sudeste e nos muni-
cípios mais populosos (BRASIL, 2006).
A pesquisa da cobertura de planos de saúde é uma importante avalia-
ção para estimar o acesso aos serviços de saúde (médicos ou odontológicos), 
159
sendo que o último levantamento foi feito pela Pesquisa Nacional de Saúde 
2013. Foi constatado que 27,9% da população investigada possuíam cobertu-
ra de saúde suplementar (Tabela 7.3). Essa proporção apresentou significativa 
variação regional, de 13,3% na região Norte a 36,9% na região Sudeste. Com 
relação a planos de saúde odontológicos, a proporção foi de 5,2% para o Bra-
sil, variando de 3,4% na região Norte a 6,5% na região Sudeste. A Tabela 7.3 
mostra a situação do país segundo as regiões.
Tabela 7.1
Número de médicos por mil habitantes, segundo regiões, Brasil, anos 
selecionados
Ano Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
1990 0,5 0,7 1,6 1,1 1,0 1,1
2000 0,4 0,8 2,0 1,4 1,2 1,4
2005 0,8 1,0 2,3 1,7 1,7 1,7
2010 0,9 1,1 2,5 2,1 1,8 1,9
Fonte: Ripsa (2012).
 
Tabela 7.2
Leitos hospitalares, segundo esfera administrativa do estabelecimento e tipo 
de prestadores, segundo regiões, Brasil, 2012 (%)
Região 2012
 Federal Estadual Municipal Privado Total
Norte 2,2 32,3 24,3 41,2 100,0
Nordeste 2,7 18,7 29,8 48,8 100,0
Sudeste 3,7 13,7 12,6 70,0 100,0
Sul 5,1 5,9 10,3 78,7 100,0
Centro-Oeste 3,1 14,8 19,5 62,6 100,0
Brasil 3,5 15,1 18,1 63,3 100,0
Fonte: Ripsa (2012).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
160
Tabela 7.3
Proporção (%) de pessoas que tinham algum plano de saúde (médico ou 
odontológico) na população residente segundo regiões, Brasil, 2013
Região Total
Norte 13,3
Nordeste 15,5
Sudeste 36,9
Sul 32,8
Centro-Oeste 30,4
Brasil 27,9
Nota: Fusão das tabelas 6.13.1.1, 6.14.1.1, 6.16.1.1, 6.19.1.1 e 6.23.1.1.
Fonte: PNS (IBGE, 2015).
A publicação Demografia médica, elaborada pelo Conselho Regional de 
Medicina do Estado de São Paulo e divulgada em 2015, ressalta ter havido 
um “aumento no número de médicos no país, considerando o crescimento 
populacional, a ampliação das vagas em escolas médicas e a entrada, maior 
que a saída, de profissionais no mercado” (SCHEFFER, 2015, p. 47). A Tabela 
7.4 expõe esses dados.
 
161
Tabela 7.4
Distribuição de médicos, segundo Unidades da Federação e grandes regiões, 
Brasil, 2014
UF/região Médicos Médicos/1.000 habitantes
Rondônia 2.288 1,32
Acre 881 1,13
Amazonas 4.362 1,15
Roraima 728 1,49
Pará 7.281 0,91
Amapá 742 1,01
Tocantins 2.230 1,51
Região Norte 18.512 1,09
Maranhão 5.396 0,79
Piauí 3.737 1,17
Ceará 11.043 1,26
Rio Grande do Norte 5.050 1,50
Paraíba 5.925 1,51
Pernambuco 15.116 1,64
Alagoas 4.221 1,28
Sergipe 3.382 1,54
Bahia 18.924 1,26
Região Nordeste 72.794 1,30
Minas Gerais 44.258 2,15
Espírito Santo 8.581 2,24
Rio de Janeiro 61.346 3,75
São Paulo 117.995 2,70
Região Sudeste 232.180 2,75
Paraná 21.546 1,96
Santa Catarina 13.738 2,07
Rio Grande do Sul 27.419 2,46
Região Sul 62.703 2,18
Mato Grosso 4.513 1,42
Mato Grosso do Sul 4.776 1,85
Goiás 11.795 1,83
Distrito Federal 11.951 4,28
Região Centro-Oeste 33.035 2,20
Brasil 419.224 2,09
Fonte: Scheffer (2015).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
162
Levantamento feito sobre a oferta de serviços, equipamentos e recursos 
humanos, de 1970 a 2010, está apresentado em O sistema de Saúde brasileiro: 
história, avanços e desafios (PAIM; TRAVASSOS; ALMEIDA et al., 2011).
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 376, de 3 de outubro de 2000. Institui o Cadastro 
Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 
out. 2000. Disponível em: <http://bit.ly/2pZAwsd>. Acesso em: 20 mar. 2017.
DUARTE, E. C.; SCHNEIDER, M. C.; PAES-SOUSA, R. et al. Epidemiologia das desigualdades 
em saúde no Brasil: um estudo exploratório. Brasília,DF: Organização Pan-Americana da 
Saúde, 2002.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde: 
acesso e utilização dos serviços, acidentes e violências. Rio de Janeiro: IBGE, 2015.
LAURENTI, R.; MELLO JORGE, M. H. P.; LEBRÃO, M. L.; GOTLIEB, S. L. D. Estatísticas de 
Saúde. 2. ed. São Paulo: EPU, 2005.
PAIM, J.; TRAVASSOS, C.; ALMEIDA, C. et al. The Brazilian health system: history, advances 
and challenges. The Lancet, London, v. 377, n. 9779, p. 1778-1797, 2011.
REDE INTERAGENCIAL DE INFORMAÇÕES PARA A SAÚDE. Indicadores básicos para a 
saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2. ed. Brasília, DF: OPS/OMS, 2008.
______. Indicadores e dados básicos: Brasil 2012. 2012. Disponível em: <http://bit.ly/1Po-
aWyc>. Acesso em: 26 dez. 2016.
SCHEFFER, M. (Coord.). Demografia médica no Brasil. São Paulo: Cremesp, 2015.
 
163
CAPÍTULO
8
A Classificação Internacional
de Doenças (CID)
Nota explicativa
Em 1993, ao se comemorar o 25º aniversário da Revista de Saúde Públi-
ca, celebrava-se, também, o centenário da Classificação de Doenças, já que 
foi no ano de 1893 que a mesma apareceu pela primeira vez. O Professor Ruy 
Laurenti, convidado a escrever um artigo para a revista, escolheu como tema 
o assunto em tela, praticamente, esgotando a questão (LAURENTI, 1991).
Esta publicação que o leitor tem em mãos, ao selecionar o assunto para 
constituir seu Capítulo 8, solicitou autorização da Revista de Saúde Pública 
(em anexo) para a reprodução do que havia sido publicado naquela ocasião. 
Aqui, inova somente com o item 8.3, no qual, em breves palavras, apresen-
ta a décima revisão, em vigor no Brasil, para estudos de mortalidade, desde 
1996, e de morbidade, desde 1998. De igual sorte, no item 8.4, também sucin-
tamente, refere-se às listas especiais para tabulação de mortalidade e morbi-
dade e, no 8.5, informa a situação relativa à décima primeira revisão.
 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
164
165
Conhecimentos necessários ao médico
Análise da informação em saúde: 1893-1993,
cem anos da Classificação Internacional de Doenças
Analysis of Information on Health Data: 1893-1993, a Hundred Years of 
the International Classification of Diseases
Ruy Laurenti*
LAURENTI, R. Análise da informação em saúde: 1893-1993, cem 
anos da Classificação Internacional de Doenças. Rev. Saúde públ., S. Pau-
lo, 25: 407-17, 1991. A análise da mortalidade por causas, bem como da 
morbidade, necessita de um instrumento que agrupe as doenças segundo 
características comuns, isto é, uma classificação de doenças. Atualmen-
te está em uso a Classificação Internacional de Doenças da OMS, na sua 
Nona Revisão. Esta classificação surgiu em 1893; para 1993 está proposta 
a implantação da Décima Revisão. O trabalho descreve as raízes de uma 
classificação internacional, fazendo referências a John Graunt, William 
Farr e Jacques Bertillon bem como à evolução pela qual passou em suas 
sucessivas revisões. Inicialmente era uma classificação de causas de mor-
te passando a ser, a partir da Sexta Revisão, uma classificação que incluiu 
todas as doenças e motivos de consultas, possibilitando seu uso em mor-
bidade, sendo que a partir da Décima Revisão se propõe uma “família” de 
classificações, para os mais diversos usos em administração de serviços 
de saúde e epidemiologia. O trabalho também apresenta algumas críticas 
que são feitas à Classificação Internacional de Doenças.
Descritores: Classificação de doenças. Mortalidade. Morbidade.
A mais tradicional e ao mesmo tempo uma das mais importantes 
dentre as informações para o setor saúde refere-se às estatísticas de causa 
de morte; nas últimas décadas passaram também a ser elaboradas as es-
* Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São
 Paulo. Centro Brasileiro de Classificação de Doenças - São Paulo, SP - Brasil. 
 Separatas/Reprints: R. Laurenti - Av. Dr. Arnaldo, 715 - 01255 - São Paulo, SP - Brasil. 
 Publicação financiada pela FAPESP - Processo Medicina 90/4602-1.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
166
tatísticas de morbidade. Para se analisar estatisticamente a frequência de 
doenças na população é necessário o uso de um instrumento que as agru-
pe ou classifique segundo determinados critérios, sendo que a primeira 
classificação de uso internacional foi aprovada em 1893 e, desde então, 
vem sendo periodicamente revista, chegando-se à décima revisão, apro-
vada em 1989 e que será posta em uso em 1993. As raízes desta classifica-
ção internacional, bem como alguns fatos destes cem anos de uso, consti-
tuem o objetivo da presente publicação.
Nosografia, Nosologia, Nomenclatura e Classificação
Para se cumprir o principal objetivo da Saúde Pública, “... ciência e 
arte de evitar a doença, prolongar a vida e promover a saúde mediante a 
atividade organizada da sociedade”, é preciso conhecer quais são os pro-
blemas de saúde, quais seus tipos e como eles se distribuem na popula-
ção. Os nomes que a eles são dados e as maneiras de classificá-los forne-
cem os elementos para seu melhor conhecimento e compreensão.
A classificação de pessoas doentes segundo grupos – qualquer que 
seja o critério de classificação – bem como os acordos ou definições 
quanto aos critérios ou limites dos grupos é chamado nosologia. A atri-
buição de um nome a cada entidade mórbida é chamado nosografia, sen-
do a reunião desses nomes uma nomenclatura de doenças6.
A nosografia tenta traduzir e possibilitar nossa compreensão sobre as 
causas, sobre a patogênese e sobre a natureza da doença e, segundo Last7, 
é o arcabouço conceitual para o conhecimento sobre os problemas de 
saúde, fornecendo as bases para o planejamento e a avaliação. Possibilita 
a todos que tratam da assistência bem como dos problemas de saúde se 
comunicarem entre si em uma mesma linguagem.
A nosografia ou a nomenclatura de doenças é, portanto, a manei-
ra pela qual um determinado agravo à saúde, que tenha determinados 
sintomas, sinais, bem como alterações patológicas específicas, recebe o 
mesmo rótulo, que pode também ser chamado diagnóstico, em qualquer 
lugar do mundo. Por definição, uma nomenclatura é um catálogo de ter-
mos e, no caso de uma nomenclatura de doenças, cada uma delas deve 
apresentar um verbete, visto que sua função principal é ajudar a se che-
gar à expressão mais precisa que descreve o padecimento do doente, isto 
é, o diagnóstico.
A nosologia, isto é, o agrupamento de doenças segundo característi-
167
cas comuns constitui, como se expôs acima, uma classificação e serve, ba-
sicamente, para finalidades estatísticas de análises quanto à distribuição 
das doenças na população.
É comum dizer que “nomenclatura” (nosografia) e “classificação” 
(nosologia) não são antagônicas mas, antes, têm finalidades distintas e 
uma boa classificação, obviamente, só pode ser construída se se tiver uma 
boa nomenclatura.
Nosografias sempre existiram em todas as sociedades, mesmo as 
mais primitivas, as quais apresentavam teorias sobre a origem natural e 
sobrenatural da doença e o nome dado a uma doença, quase sempre, ten-
tava traduzir isso. O conceito de entidade mórbida específica aparece nos 
textos médicos primitivos hindus, assírios e egípcios, podendo-se citar 
o Papiro Ginecológico de Kahun (1900 a.C.), o Papiro de Edwin Smith 
(1600 a.C.), o Papiro de Ebers (1500 a.C.), as tábuas de argila da biblio-
teca de Nínive do rei Assurbanipal (668-626, a.C.) e o Charaka Samhita 
(100 A.D.), sendo que o texto hindu conhecido como Sushruta Samhi-
ta (600 A.D.) apresenta uma classificação ordenada de doenças e lesões11. 
Este último, portanto, é, ao que tudo indica, a mais antiga proposta de 
classificação de doenças e lesões.
Classificação de Doenças
Ao se obter uma uniformização terminológica, isto é, quando se 
passou a ter nomenclatura de doenças, passou-se a ter uma linguagem 
comum o que permitiu uma melhor troca de informação sobre o conhe-
cimento de umadoença específica quanto à sua história natural, manei-
ras de diagnosticar e tratar, bem como, prevenir. Muito importante foi a 
possibilidade de serem feitas comparações e verificar diferenças nas fre-
quências das doenças em áreas distintas, surgindo então as análises epi-
demiológicas dos diferentes agravos à saúde, o que trouxe grande contri-
buição à prevenção.
A descrição de numerosas outras doenças que passaram a acometer 
o homem, sendo que grande número delas eram também causas de mor-
te, foram tornando as nomenclaturas muito extensas e de difícil uso no 
estudo estatístico da mortalidade por causa. O estudo estatístico da mor-
talidade por causa, como entendemos atualmente, iniciou-se no século 
XVII com John Graunt, como será descrito mais a frente, e no século XIX 
teve um grande impulso, particularmente na Inglaterra, com William 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
168
Farr, que foi um dos grandes incentivadores à criação de uma classifica-
ção de doenças de uso internacional.
A análise estatística de uma variável com grande número de catego-
rias – como é o caso da variável doença – só é possível, classificando es-
sas categorias. Uma classificação de doenças é um sistema que agrupa as 
doenças análogas, semelhantes ou afins, segundo uma hierarquização ou 
eixo classificatório. Uma classificação estatística de doenças implica, por-
tanto, um conjunto de grupos de diagnósticos ou doenças, visto que o in-
teresse principal refere-se aos agrupamentos e não os casos individualiza-
dos como em uma nomenclatura.
Em uma classificação, o número de categorias tem que ser restringi-
do e sempre deve estar prevista a possibilidade de incluir um novo diag-
nóstico dentro de um agrupamento já existente.
Segundo numerosos estudiosos do assunto há unanimidade quanto 
a atribuir ao inglês John Graunt o primeiro estudo estatístico de doen-
ças, no caso análise da mortalidade por causa. Esse estudo apareceu na 
clássica e sempre citada publicação de 1662 “Natural and Political Obser-
vation Made Upon the Bills of Mortality”, onde analisou a mortalidade de 
Londres, a partir dos dados registrados nas paróquias, segundo algumas 
variá veis, como sexo, idade, procedência e – o grande feito! – causa. 
Graunt listou 83 causas de morte as quais incluiam algumas expli-
citamente etiológicas (“shot”, “smothered and stifed”, “drowne”, “plague”); 
outras levando a algum tipo de indicação da patogenia (“apoplex”, “ex-
cessive drinking”, “measles”, “quinsey”, “worms”) e outras referindo-se 
principalmente às circunstâncias que causaram a morte ou os sintomas 
e sinais que a precederam (“abortive and stillborn”, “aged”, “cancer” “con-
vulsion”, “surfet”)7. Comentando a lista elaborada por Graunt, Last diz o 
seguinte: “... mostra a dificuldade – ainda hoje existente – de construir 
uma nosografia que apresente um conceito uniforme de doença. Somos 
incapazes de escapar de uma classificação híbrida onde algumas condi-
ções referem-se ao conhecido ou suposto etiologicamente, outras apare-
cem segundo a morfologia ou a fisiopatologia, bem como outras segundo 
o sistema afetado ou ainda circunstâncias externas”7.
Quando se comenta sobre classificação de doenças, a lista de Graunt 
é sempre citada como uma das primeiras ou mesmo a primeira tentativa 
ou proposta. É importante, porém, frisar que não se tratava realmente de 
uma classificação, mas, muito mais de uma nosografia, isto é, uma lista-
gem de doenças ou sintomas sem nenhum agrupamento formalizado. Is-
169
to pode ser observado na reprodução da lista original que se segue e está 
apresentada em inglês exatamente como foi feita por Graunt. É possível 
reconhecer a maioria dos diagnósticos, mas, alguns deles não são tão fa-
cilmente identificáveis.
Causas de Morte elaboradas por John Graunt a partir das Listas
de Mortalidade de Londres
 1. Abortive and stillborn 42. Lethargy
 2. Aged 43. Livergrown, Spleen and Rickets
 3. Ague and fever 44. Lunatique
 4. Apoplex 45. Meagrom
 5. Bleach 46. Measles
 6. Blasted 47. Mother
 7. Bleeding 48. Murthered
 8. Bloody Flux, Scouring and Flux 49. Overlayd and starved at Nurse
 9. Burnt 50. Palsie
10. Calenture 51. Piles
11. Cancer, Gangrene and Fistula 52. Plague
12. Canker, Sore Mouth and Thrush 53. Plague in the Guts
13. Childbed 54. Planet
14. Chrisomes and Infants 55. Pleurisie
15. Cold and Cough 56. Poysoned
16. Colick and Wind 57. Purples and spotted fever
17. Consumption and Cough 58. Quinsie and sore throat
18. Convulsion 59. Rickets
19. Cramp 60. Rising of the Lights
20. Cut of the Stone 61. Rupture
21. Dropsy and Tympany 62. Scal’d-head
22. Drowned 63. Sciatica
23. Excessive Drinking 64. Scurvey
24. Executed and Prest to Death 65. Shingles
25. Fainted in a bath 66. Shot
26. Falling-Sickness 67. Smothered and stifled
27. Flox and small Pox 68. Sores, Ulcers, broken and brused limb
28. Found dead in the Streets 69. Spleen
29. French-Pox 70. Starved
30. Frighted 71. Stitch
31. Gowt 72. Stone and Strangury
32. Grief 73. Stopping of the Stomach
33. Hanged and made away with themselves 74. Surfet
34. Head-Ach 75. Swine-Pox
35. Impostumes 76. Teeth and Worms
36. Itch 77. Thrush
37. Jaundies 78. Tissick
38. Jaw-faln 79. Vomiting
39. Killed by several Accidents 80. Wen
40. King’s Evil 81. Wolf
41. Leprosy 82. Worms
 83. Sodainly
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
170
Grenwood4 ao historiar as estatísticas médicas, quase que exclusiva-
mente as de mortalidade por causa, no período que vai do século XVII ao 
século XIX, iniciando com Graunt e indo até Farr, nos dá conta das várias 
tentativas que foram feitas para se obter uma classificação de doenças. 
Na maioria das vezes, eram classificação de causas de morte, excluindo-
se, portanto, as doenças não letais. Assim, em 1680, Felix Platter elaborou 
uma sistematização baseada nos sintomas apresentados pelos doentes; o 
grande médico inglês Sydenham (1624-1689) sugeria que as doenças, à 
maneira das plantas, deveriam ser agrupadas de acordo com os aspectos 
identificáveis externamente. Deve-se destacar o famoso médico e botâ-
nico sueco Linneu (1707-1778), que criou uma sistematização botânica 
e zoológica e que também fez uma classificação de doenças, o “Genera 
Morborum”, à maneira da sugestão de Sydenham. Outras classificações 
de doenças foram elaboradas e publicadas na Europa: François Bassier de 
Lacroix, mais conhecido como Sauvages, em 1768, publicou a “Nosologia 
Methodica”; Vogel, em 1772; McBride, em 1772; Cullen, em 1785; Crich-
ton, em 1804; Parr, em 1810; Young, em 1813 e Mason Good, em 1817. 
Essas foram as mais conhecidas ou, pelo menos as mais citadas, porém, 
a rigor, a única que teve um prestígio maior e passou, inclusive, a ser uti-
lizada para finalidades estatísticas foi a de Cullen, denominada “Synopsis 
Nosologiae Methodicae”, que chegou a ser adotada na Inglaterra e País de 
Gales, para classificar as causas da morte4.
As classificações enumeradas acima quase sempre não passavam de 
exercícios médicos, à maneira de trabalhos acadêmicos, sem aplicações 
aparentes. Poucas foram realmente utilizadas e, quando o eram, a utiliza-
ção era limitada. Não havia uma classificação de uso internacional, o que 
dificultava - ou praticamente - impedia a comparabilidade internacional 
sobre frequência de doenças que eram causas de morte.
No século XIX, havia um grande interesse em uma classificação de 
causas de morte que fosse de uso internacional, sendo que várias tenta-
tivas nesse sentido foram feitas mas, com uma aceitação bastante limita-
da. Em 1893 surgiu uma classificação que, com suas sucessivas revisões, 
passou a ser usada internacionalmente como classificação de causas de 
morte e, na metade do século XX, passou a ser uma classificação inter-
nacional de doenças, mesmo que não fossem causas de morte. É o que se 
descreve a seguir.
171
A Classificação Internacional de Doenças
Desde Graunt, em sua publicação de 1662, até praticamente as pri-
meirasdécadas do século XX, as informações sobre frequência de doen-
ças eram aquelas advindas das estatísticas de mortalidade por causa. Com 
exceção de dados sobre as chamadas doenças notificáveis, geralmente 
doen ças infecciosas e epidêmicas, não havia estatísticas de morbidade, 
como por exemplo as hospitalares e as de atendimento ambulatorial. Es-
se é o motivo pelo qual a história das classificações de doenças e, parti-
cularmente, a da classificação internacional como a atualmente existente, 
inicou-se e por muito tempo continuou como sendo uma classificação de 
causas de morte.
A necessidade de comparar causas de morte segundo áreas ou re-
giões de um país e, principalmente, entre países, fez crescer o interesse 
para se usar uma mesma classificação internacionalmente. Várias tenta-
tivas foram feitas nesse sentido, principalmente a partir da segunda me-
tade do século XIX. Nesta questão, de uma classificação internacional 
de doenças, não pode deixar de se mencionar o nome de William Farr. 
Também inglês como John Graunt, ambos podem ser considerados como 
marcos importantes quando se descreve a história das informações em 
saúde: um, o iniciador das estatísticas de mortalidade por causa e, o ou-
tro, o batalhador que visava melhorar as classificações de doenças então 
existentes e promover o uso de uma que fosse internacional, bem como 
o verdadeiro iniciador das estatísticas de saúde, particularmente análises 
das estatísticas de mortalidade.
Realmente, não é possível descrever a história de uma classifica-
ção internacional de doenças sem referir-se a William Farr (1808-1883) 
que foi o primeiro médico estatístico do “General Register Office of En-
gland and Wales”. A partir de 1837, quando assumiu seu posto, além de 
várias atividades no campo das estatísticas de saúde, procurou tirar o 
maior proveito possível das classificações então existentes, as quais jul-
gava bastante imperfeitas, assim como elaborar uma classificação e mui-
to trabalhou para se obter uniformização internacional quanto ao uso10. 
Farr discutiu bastante no primeiro Relatório Anual do Registro Geral os 
princípios que deveriam orientar uma classificação estatística de doenças 
e a importância de se ter uma classificação uniforme e de uso generaliza-
do. Descreveu e comparou as finalidades de uma nomenclatura e de uma 
classificação e, descrevendo esta última como um método de generali-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
172
zação, diz: “qualquer classificação que inclua em grupos doenças que te-
nham bastante afinidade ou que são possíveis de serem confundidas entre 
si, favorecem a dedução de princípios gerais”5.
Ao propor uma classificação para as causas de morte, Farr acentuou 
que as doenças poderiam ser classificadas de diferentes maneiras visan-
do servir a propósitos estatísticos e, quanto à finalidade de estudar causas 
de morte, ele foi influenciado pela maneira como havia feito Linneu, em 
suas classificações hierarquizadas, botânica e zoológica. Farr propôs uma 
classificação, como se verá a seguir, e que se reconhece como a base estru-
tural da atual classificação internacional de doenças.
A importância de uma classificação estatística de uso internacional 
foi reconhecida e fortemente recomendada no Primeiro Congresso Inter-
nacional de Estatística realizado em Bruxelas, 1853, e os participantes in-
dicaram William Farr e Marc d’Espine, de Genebra, para realizar a tarefa 
de preparar uma “nomenclatura uniforme de causas de morte aplicável a 
todos os países”. Em 1855, em Paris, realizou-se o Segundo Congresso In-
ternacional de Estatística e Farr e d’Espine apresentaram listas separadas 
e baseadas em eixos diferentes de classificação. A classificação proposta 
por Farr continha 5 classes da seguinte maneira:
Classe 1 - Doenças epidêmicas, endêmicas e contagiosas
Classe 2 - Doenças constitucionais
Classe 3 - Doenças localizadas
Classe 4 - Doenças do desenvolvimento
Classe 5 - Doenças ou mortes violentas
Essas classes eram divididas em ordens e, particularmente para a 
Classe 3, existiam 8 ordens que, como pode ser observado a seguir, foi a 
matriz para a atual classificação internacional:
Ordem 1 - Doenças do Sistema Nervoso
Ordem 2 - Doenças da Circulação
Ordem 3 - Doenças da Respiração
Ordem 4 - Doenças da Digestão
Ordem 5 - Doenças do Sistema Urinário
Ordem 6 - Doenças da Reprodução
Ordem 7 - Doenças da Locomoção
Ordem 8 - Doenças do Sistema Inter-tegumentário
A Lista apresentada por Marc d’Espine agrupava as doenças de acor-
173
do com sua natureza (gotosa, hemática, herpética...) e não teve muita 
aceitação. O Congresso adotou uma Lista de 138 rubricas, mantendo a 
estrutura proposta por Farr com a inclusão de algumas sugestões de d’Es-
pine. Os Congressos subsequentes de 1864, 1874, 1880 e 1886 revisaram 
essa lista. Esta classificação, adotada no Congresso de 1855 e revista nos 
seguintes não foi universalmente aceita, mas é preciso destacar que o 
princípio de agrupar as doenças, principalmente por localização anatô-
mica, como havia sido proposto por Farr, sobreviveu e influenciou forte-
mente a futura classificação de doenças de uso internacional10. 
Em 1891 o então criado “Instituto Internacional de Estatística”, em 
Viena, substituiu os Congressos Internacionais de Estatística quanto a 
questões relativas a classificações e, neste ano, formou uma Comissão pa-
ra preparar uma nova classificação. Essa Comissão estava sob a direção 
de Jacques Bertillon (1852-1922), de Paris, e preparou uma classificação 
de causas de morte que ficou conhecida como “Classificação das Causas 
de Morte de Bertillon”.
Bertillon era o chefe dos serviços de estatísticas da cidade de Paris, 
função semelhante à que tinha tido William Farr na Inglaterra, e a classi-
ficação que elaborou apresentava 14 grupos ou capítulos; este último no-
me persiste até hoje para as grandes divisões da Classificação Internacio-
nal de Doenças. Os 14 capítulos tinham, em conjunto, 161 categorias ou 
causas de morte.
A Classificação de Bertillon foi adotada em 1893 pelo Instituo Inter-
nacional de Estatística e recomendado o seu uso internacionalmente, o 
que foi adotado por vários países. É considerada a primeira classificação 
internacional de causas de morte. É interessante apresentar como eram 
identificados seus 14 capítulos e que está a seguir, devendo-se notar que 
os capítulos estavam ordenados segundo números romanos, tradição que 
se segue até hoje.
Classificação de Bertillon
I - Doenças Gerais
II - Doenças do Sistema Nervoso e Órgãos dos Sentidos
III - Doenças do Aparelho Circulatório
IV - Doenças do Aparelho Respiratório
V - Doenças do Aparelho Digestivo
VI - Doenças do Aparelho Geniturinário e de seus Anexos
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
174
Anexos
VII - Estado Puerperal
VIII - Doenças da Pele e do Tecido Celular
IX - Doenças dos Órgãos de Locomoção
X - Vícios de Conformação
XI - Primeira Idade
XII - Velhice
XIII - Afecções Produzidas por Causas Externas
XIV - Doenças Mal Definidas
Observando-se a terminologia utilizada por Bertillon, alguns co-
mentários podem ser feitos. Assim, o termo “afecção” tornou-se um 
jargão ainda hoje muito utilizado entre os usuários da Classificação In-
ternacional de Doenças, porém com o significado amplo de “doença”, 
“diagnóstico”, “patologia”, “lesão”. Bertillon utilizou-o no Capítulo XIII 
(Affection) com o significado de “lesão” ou mesmo “consequência”, dife-
renciado de “doença” (Maladie) utilizado nos outros capítulos. Quase cer-
tamente foi o introdutor da terminologia “Doença Mal Definida” ou pelo 
menos, a partir dele, passou a ser muito utilizado, visto que pela primeira 
vez apareceu e continua aparecendo nas sucessivas revisões da Classifica-
ção Internacional. Na Classificação de Farr, mostrada também nesta apre-
sentação, existiam 5 classes, todas com terminologia que expressam cau-
sas “bem definidas”. Além dessas, Farr deixava um resíduo que chamou 
de “Ignorado Estatístico”, nãoutilizando a terminologia “Mal Definida”. 
Voltando-se bastante no tempo, verifica-se que, para Graunt, em sua lista 
de causas de morte, não existiam causas mal definidas, ou melhor, ele não 
listou a expressão “causa ignorada” ou “mal definida”, ainda que muitos 
diagnósticos que aparecem em sua lista, atualmente para nós, são real-
mente mal definidos (“Bleeding”, “Colick”, “Convulsion”, “Spleen” e mui-
tos outros).
Ainda como comentário à Classificação de Bertillon, nota-se que 
foi empregado o termo “Envelhecimento” (Capítulo XII) (“Viellesse”) 
sendo que, nas últimas revisões da Classificação, passou-se a utilizar 
mais “Senilidade”.
A Classificação de Bertillon teve uma primeira revisão em 1900 e, 
a segunda, em 1909, seguindo-se o que havia sido proposto quando foi 
pela primeira vez aprovada em 1893, isto é, as revisões deveriam, na me-
dida do possível, ser feitas, aproximadamente, a cada dez anos. Quan-
175
do desta segunda revisão (“Lista de Mortalidade de Bertillon – Segunda 
Revisão”, como era usualmente conhecida), Bertillon escreveu os seguin-
tes comentários a respeito do uso internacional, como nos conta Wells11. 
“Todos os países de língua inglesa e de língua espanhola, no mundo, es-
tão agora unidos quanto à adoção da Lista Internacional. Todo o hemis-
fério ocidental, incluindo as Américas do Norte, Central e do Sul; Aus-
trália e Nova Zelândia; China, Japão e Índia Britânica, na Ásia; Egito, 
Argéria e África do Sul na África e muitos países da Europa estão atual-
mente ou muito brevemente estarão entre aqueles que desejam uma uni-
formidade internacional”.
A Classificação de Bertillon foi usada pela primeira vez nas Américas 
na elaboração das estatísticas de mortalidade de São Luiz de Potosi, Méxi-
co, pelo médico Jesus E. Monjarás e, em 1898, a Associação Americana de 
Saúde Pública, recomendou a adoção da mesma pelos oficiais de registro 
do Canadá, Estados Unidos e México, bem como sugeriu sua revisão a 
cada dez anos6. No Brasil não foi ainda recuperada a informação quanto 
ao início do uso, sendo que, no estado de São Paulo, o órgão que elabo-
rava as estatísticas de mortalidade usava a Classificação de Bertillon, na 
primeira década do século XX.
As revisões da Lista Internacional de Causas de Morte, da Primei-
ra à Quinta, foram convocadas pelo Governo francês e eram aprovadas 
nas chamadas “Conferência Internacional de Revisão da Classificação de 
Bertillon” ou “Classificação Internacional de Causas de Morte”. Bertillon 
continuou sendo o grande incentivador e trabalhador sendo que as três 
primeiras revisões (1900, 1910 e 1920) foram efetuadas sob sua direção, 
tendo falecido em 1922 aos 71 anos de idade.
A partir da Sexta Revisão, a de 1948, posta em uso em 1950, a res-
ponsabilidade pelos trabalhos de revisão, publicação e divulgação da 
Classificação Internacional de Doenças, passou a ser da Organização 
Mundial de Saúde. “A Conferência da Sexta Revisão Decenal constituiu o 
princípio de uma nova era no campo internacional das estatísticas vitais 
e sanitárias. Além de aprovar uma longa lista para mortalidade e morbi-
dade e estabelecer regras internacionais para seleção da causa básica de 
morte, recomendou a adoção de amplo programa de colaboração inter-
nacional no campo da estatística vital e sanitária, inclusive a criação de 
comissões nacionais especializadas que se encarregassem de coordenar o 
trabalho de estatística no país e de servir de enlace entre os serviços de 
estatísticas nacionais e a Organização Mundial de Saúde”6.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
176
As Revisões e a Mudança de Objetivos da Classificação Internacional 
de Doenças
Partindo-se da Classificação de Farr, adotada pelo Congresso Inter-
nacional de Estatística em 1855, e que continha 126 códigos para causas 
de morte (doenças) e 12 códigos para causas externas (total de 138 códi-
gos), e da Classificação de Bertillon, adotada em 1893 pelo Instituto In-
ternacional de Estatística com um total de 161 categorias (sendo 150 para 
doenças e 11 para causas externas), as revisões seguintes sempre conta-
ram com número crescente de categorias, exceto da terceira para a quarta 
em que se observou redução de 5 categorias e da quarta para quinta que 
tiveram igual número, como pode ser verificado na Tabela 1.
 
Tabela 1
Revisões da Classificação Internacional de Doenças segundo o ano em 
que foi adotada, anos de uso e número de categorias
 Categorias
 Ano da Motivos 
Revisões Conferência Anos de uso Doenças C. Externas Assist. Total
 que a adotou Saúde
Primeira 1900 1900-1909 157 22 179
Segunda 1909 1910-1920 157 32 189
Terceira 1920 1921-1929 166 39 205
Quarta 1929 1930-1938 164 36 200
Quinta 1938 1939-1948 164 36 200
Sexta 1948 1949-1957 769 153 88 1.010
Sétima 1955 1958-1967 800 153 88 1.041
Oitava 1965 1968-1978 858 182 48 1.088
Nona 1975 1979-1992 909 192 77 1.178
Décima 1989 1993-2002(?) 1.575 373 82 2.032
 
O que chama atenção na evolução das revisões é o grande aumento 
de categorias da Quinta para Sexta Revisão. Esta última deixou de ser a 
“classificação de causas de morte de Bertillon” para ser uma “classificação 
de doenças, lesões e de causas de morte da OMS” incluindo-se motivos 
de consultas que não por doenças presentes no momento da consulta.
O que ocorreu é que a Classificação Internacional de Doenças 
(CID) começou como um instrumento estatístico para enumerar e ana-
177
lisar as causas de morte sem incluir, portanto, as doenças não mortais.
Ainda hoje essa é uma de suas principais funções e seu único uso 
em numerosos países. Farr e Bertillon reconheciam a necessidade de se 
ter outras classificações para estudar a doença nos vivos sendo que o úl-
timo chegou a produzir uma versão de sua classificação de mortalidade 
para ser usada nos registros de morbidade. Quando a OMS assumiu as 
revisões, a partir da Sexta em 1948, esta foi bastante expandida, visando 
a classificar morbidade, além de mortalidade. Essa decisão não foi toma-
da simplesmente sem antes haver sido bastante discutida a questão de 
se ter ou não duas classificações distintas: uma para mortalidade e outra 
para morbidade. Optou-se por uma só e muitos dos problemas com que 
hoje nos defrontamos poderiam ter sido evitados se houvesse sido de-
cidido por duas distintas. A atual revisão, Nona, e principalmente a que 
se seguirá a partir de 1993, são mais classificações para morbidade, difi-
cultando o uso para mortalidade dada a sua extensão, devida ao grande 
número de especificações, tanto que o próprio nome da CID-10 passou 
a ser “Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas 
Relacionados à Saúde”.
Durante a preparação da Oitava Revisão houve pressões por par-
te de alguns países, particularmente aqueles que vinham elaborando há 
tempos estatísticas de morbidade (hospitalar, ambulatorial, para paga-
mentos de procedimentos segundo diagnósticos e outros) no sentido de 
que a classificação fosse muito mais voltada para esses usos. Esse objeti-
vo não foi muito atingido na Oitava Revisão, mas pretendeu-se atingi- 
lo na Nona, que foi bastante expandida, se não no número total de ca-
tegorias, mas, particularmente, nas chamadas subcategorias, muitas das 
quais foram criadas para possibilitar várias especificações ou manifesta-
ções de uma mesma doença (categoria). Além deste fato, a Nona Revi-
são passou a ter, para muitas doenças uma “dupla classificação” quan-
do se atribuiu um código (assinalado com uma cruz+) para a etiologia 
da doen ça e usado para mortalidade e outro código (assinalado por um 
asterisco) para a manifestação ou manifestações (mais de um asterisco, 
isto é, para um código de etiologia pode haver várias subcategorias de 
asterisco uma para cada manifestação).
Este fato é um tanto paradoxal, isto é, uma sistematização ou clas-
sificação em que um dos objetos a ser classificado, no caso doença ou 
diagnóstico, pode aparecer em dois ou mais lugares. Esta, porém, foi uma 
concessãofeita no sentido de se ter uma classificação possível de ser uti-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
178
lizada para morbidade. Levou, por outro lado, a ser bastante criticada e 
criando algumas dificuldades para sua utilização. E o pior é que não satis-
fez plenamente, fazendo com que alguns países, como os Estados Unidos, 
mantivessem e melhorassem uma adaptação clínica – a chamada modifi-
cação clínica da CID (ICDCM, Internacional Classification of Diseases – 
Clinical Modification).
A Décima Revisão – CID-10 – aprovada em 1989 e que está sendo re-
comendada para ter sua implantação em 1993 ampliou enormente o núme-
ro de categorias e, particularmente subcategorias, visando a satisfazer plena-
mente os usuários em morbidade. Comentários sobre ela são feitos a seguir.
A Classificação Para o Século XXI: A Décima Revisão (CID-10)
Tendo-se em vista a necessidade de maior número de códigos para 
os vários usos em morbidade, houve, como se disse acima, uma grande 
expansão da CID-10 tendo, inclusive, sido necessária a transformação 
dos códigos que passaram a ser alfa-numéricos para possibilitar a citada 
expansão. Verifica-se que na CID-9 havia 1.281 possibilidades de catego-
rias, das quais apenas 1.178 utilizadas, passando, na CID-10, a 2.499, com 
2.032 utilizadas.
A CID-10, que passou a se chamar Classificação Estatística Interna-
cional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, diferentemente do 
que vinha ocorrendo desde a CID-6, será apresentada em três volumes 
sendo que o I conterá a chamada Lista Tabular de Categorias de Três Dí-
gitos (uma letra e dois algarismos) e de subcategorias com um quarto dí-
gito; o volume II, que conterá toda parte referente ao Atestado Médico 
da Causa de Morte, as regras internacionais para codificar mortalidade, 
as regras de morbidade, as definições, recomendações e regulamento, as-
sim como as listas especiais para tabulação. O volume III será o Índice 
Alfabético. A CID-10 mantém a mesma estrutura da CID-9, tendo-se in-
corporado a ela, como parte da classificação propriamente dita, a classi-
ficação de causas externas que até a CID-9 era chamado “código E” e a 
classificação de motivos de consulta que não constituem doenças ou le-
sões (código V da CID-9). Enquanto a CID-9 tinha 17 capítulos e duas 
classificações suplementares (E e V), a CID-10 passará a ter 21 capítulos, 
e o motivo deste aumento pode ser verificado na Tabela 2 e que foi basea-
da em um trabalho sobre comparação entre a CID 9 e CID-10 feito por 
Avilan Rovira2, um grande estudioso do assunto.
 
179
Tabela 2
Correspondência entre capítulos da CID-10 e números de categorias 
de 3 dígitos segundo os capítulos das duas revisões
 Categorias de 3 dígitos
 Capítulos Ocupadas Livres
 CID-9 CID-10 CID-9 CID-10 CID-9 CID-10
I (011-139) I A00-B99 121 168 18 32
II (140-239) II C00-D49 92 135 8 15
III (240-279) IV E00-E99 37 69 3 31
IV (280-289) III D50-D99 10 56 14
V (290-319) V F00-F99 30 77 23
VI (320-359) VI G00-G99 35 70 5 30
 (360-379) VII H00-H59 20 47 13
 (380-389) VIII H60-H99 10 24 16
VII (390-459) IX I00-I99 58 75 12 25
VIII (460-519) X J00-J99 50 62 10 38
IX (520-579) XI K00-K99 48 72 12 28
X (580-629) XIV N00-N99 47 84 3 16
XI (630-679) XV O00-O99 46 75 4 25
XII (680-709) XII L00-L99 26 71 4 29
XIII (710-730) XIII M00-M99 30 80 20
XIV (740-759) XVII Q00-Q99 20 84 16
XV (760-779) XVI P00-P99 20 63 37
XVI (780-799) XVIII R00-R99 20 91 4
XVII (800-999) XIX S00-S99 190 192 10 8
 (E800-E999) XX V01-V99 
 W00-W99 
 X00-X99 
 Y00-Y99 192 375 8 24
 (V01-V82) XXI Z00-Z99 77 82 5 18
CID-9 – I - D. Infec. E Parasit. II – Noplasias. III – D. Gl. Endoc., Nutr. E Metab. E transt. Imunit. IV 
– D. Sangue e Org. Hemat. V – Transt. Mentais. VI – D. Sist. Nerv. E dos Órgãos dos Sent. VII – D 
Apar. Circ. VIII – D. Apar. Resp. IX – D. Ap. Digestivo. X – D. Ap. Genit. XI – Compl. Grav., Parto 
e do Puerpério. XII – D. Pele e do Tec. Cel. Subcut. XVI – Sist., Osteomusc. E do Tec. Conj. XIV 
– Anom. Cong. XV – Algumas Afc. Orig. no Período Perinatal. XVI – Sint., Sinais e Afec. Mal De-
finidas. XVII – Lesões e Envenenamentos. Causas Externas (E800-E999) e Contactos com Serviços 
de Saúde (V01-V82).
CID-10 - I – Algumas D. Infec. E Parasit. II – Noplasias. III – D. Sangue e Org. Hemat. IV – D. Gl. 
Endoc., Nutr. E Metab. E transt. Imunit. V – Transt. Mentais. e Comport. VI – D. Sist. Nerv. VII – 
D. olho e Anexos. VIII – D. Ouvido e Pr. Mastoideo. IX – D. Sist. Circul. X – D. Ap. Resp. XI – D. 
Sist. Digest. XII – D. Pele e Tec. Cel. Subc. XIII – D. Sist. Muscoloesq. e Tec. Conj. XIV – D. Sist. 
Genitur. XV – Compl. Gravid., Parto e Puerp. XVI – Afec. Período Perinatal. XVII – Mal. Cong., 
Deform. e Anormal. Cromoss. XVIII – Sint., Sinais e Ach. Laborat. XIX – Lesões, Envenen. e Al-
gumas Outras Conseq. C. Extern. XX – Contactos com Serv. Saúde.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
180
Ainda que a CID-10 seja a classificação que estará em uso no início 
do século XXI, o autor desta apresentação não quer com isso dizer que 
se trata da classificação ideal, bastante lógica e que cumprirá – quanto à 
sua utilização – tudo o que se deseja. Ela é do século XXI porque estará 
em uso, pelo menos na primeira década, e não porque a qualificação “do 
século XXI” esteja indicando uma classificação perfeita. Ela se expandiu 
tanto que, em sua maior parte, é desnecessária ao uso em mortalidade, o 
que dificulta seu uso nesta área. Por outro lado, em morbidade, nem to-
dos os usuários estão muito satisfeitos, visto que, embora cobrindo – ao 
que tudo indica – todas as manifestações, especificações e variações das 
doenças (que têm interesse em morbidade) não responde a certos requi-
sitos específicos de alguns sistemas de pagamentos que cruza diagnósti-
co com procedimento. Há ainda a discutida questão do uso em assistên-
cia primária!
A CID-10 pela sua expansão e, particularmente pelo fato de ser al-
fa-numérica, vai requerer, obrigatoriamente, quando de sua implanta-
ção, grandes adaptações programáticas quanto aos uso de computadores 
e serão precisos também mais recursos para reciclagem e treinamento de 
pessoal. Mesmo a tradução para idiomas nacionais será mais custosa, sem 
falar nos custos de impressão de muito maior quantidade de material, in-
clusive porque passa a ter três volumes!
A proposta da OMS aprovada na Conferência da Revisão (1989) e 
adotada pela Assembleia Mundial de Saúde (1990), pela totalidade dos 
países, é que a CID-10 seja implantada em 1º de Janeiro de 1993. Poucos 
países terão condições de conseguir isso! Poderá ocorrer mesmo de al-
guns somente o conseguirem nos últimos 2 a 3 anos deste século ou até 
mesmo primeiros do século XXI. Nesse sentido será uma “classificação 
do século XXI”!
Críticas à Classificação Internacional de Doenças
Existem críticas à CID, quer do ponto de vista formal quer do ponto 
de vista conceitual. Na forma, a crítica que se faz é que ela não é uma ver-
dadeira classificação, pois não apresenta um sistema classificatório uni-
forme. Aliás os próprios organizadores da CID reconhecem esse fato e, na 
introdução do Volume I da Oitava Revisão, consta o seguinte “O estabe-
lecimento de um sistema de classificação de doenças e traumatismos, pa-
ra uso estatístico geral, requer vários ajustes e concessões. Têm até agora 
181
fracassado todas as tentativas no sentido de formular uma classificação 
estritamente lógica das afecções mórbidas. Os diversos títulos da classi-
ficação representam, portanto, uma série inevitável de ajustes entre siste-
mas baseados na etiologia, na localização anatômica, na idade do pacien-
te e nas primeiras manifestações da doença, assim como na qualidade da 
informação disponível nos registros médicos...” ...“embora seja impossível 
atender, com uma única classificação, todas essas finalidades específicas, 
é necessário proporcionar uma base comum para uso estatístico geral”9.Conceitualmente têm sido feitas algumas restrições à CID, particu-
larmente quanto ao fato de que segue um esquema “biologicista” e por 
não apresentar nenhum compromisso quanto a ser um instrumento que 
favorece uma análise mais profunda do processo saúde-doença. Nesse 
sentido, Breilh e Granda3 comentam que não se pode negar a validade da 
CID para a clínica e, particularmente, para algumas áreas da administra-
ção em saúde, porém, questionam a adoção deste instrumento como o 
padrão para estudo do processo saúde-doença.
Para eles, a observação do processo saúde-doença, sob o ângulo da 
epidemiologia, não se limita apenas à verificação de alterações biológi-
cas ou psíquicas em uma série de indivíduos, afirmando que uma das 
categorias básicas para estabelecer uma classificação epidemiológica é a 
classe social.
Os autores têm razão, e ninguém nega, quanto à importância da clas-
se social para uma boa caracterização do quadro epidemiológico. Difícil, 
porém, é entender como uma classificação de doenças pode incorporar 
a classe social em suas categorias e subcategorias. Comentando o que 
dizem Breilh e Granda3, Avilan-Rovira1 considera que, para efeitos de 
avaliação e vigilância, bem como para outros aspectos de promoção da 
saúde, o que se requer é a identificação da doença e que, para esse obje-
tivo, a CID satisfaz plenamente e no que diz respeito especificamente aos 
aspectos sociais diz o seguinte “...Como solucionar a lamentável falta de 
análise dos dados de morbimortalidade em função das condições sócio- 
econômicas? Pois bem, assim como se conhecem as taxas de incidência, 
prevalência e mortalidade por idade, sexo, e lugar de residência, visto es-
sas variáveis estarem também registradas nos atestados, sem que elas te-
nham que estar incorporadas na estrutura da CID, da mesma maneira os 
elementos para estabelecer o perfil epidemiológico segundo classe social 
pode-se incluir nos atestados como as demais variáveis, para ser objeto 
de análise”. Concordamos com o autor desses comentários quanto a ser 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
182
desnecessário que as variáveis sociais, que são importantes para o perfil 
epidemiológico, se incorporem na estrutura da CID. Seria o mesmo que 
querer utilizar o sexo e a idade para construir categorias ou subcatego-
rias da CID. É interessante lembrar que desde Farr, iniciando-se com ele 
e tendo seguimento desde então, são publicadas na Inglaterra estatísticas 
de mortalidade segundo algumas variáveis sociais e nunca se julgou ne-
cessário ter incorporado à CID categorias e subcategorias de doenças e 
que incluam classes sociais. A questão se resume, pode-se dizer, em ter-se 
numeradores e denominadores apropriados, não se tratando, portanto, de 
uma deficiência da CID.
Há também questionamentos no sentido de que a CID não satis-
faz às necessidades para informações de um nível de assistência primá-
ria, onde é atendida grande proporção dos problemas de saúde. Assim, 
White12, ao contestar o uso da CID nesses casos, diz que ela está baseada 
principalmente nas necessidades e interesses daqueles que lidam com as 
doenças nas etapas finais da história natural das mesmas, isto é, no nível 
terciário da assistência. Avilan-Rovira1 comentando isso, diz o seguinte 
“Ninguém discute o fato de que a CID não é adequada para as estatís-
ticas de assistência primária. Uma grande proporção da demanda ao ní-
vel primário de assistência não pode descrever-se em termos de doença. 
Como se sabe, muitos desses elementos de demanda são expressos como 
sintomas, sinais ou suas combinações, o que não é muito fácil categorizá
-los em uma classificação baseada principalmente em doenças”. É preciso 
insistir que a CID inicialmente era uma classificação de causas de morte 
e, quando se expandiu para ser uma classificação de doenças, pensou-se 
muito mais no uso em estatísticas de internações hospitalares ou então 
assistência hospitalar ambulatorial.
Tentando resolver essa situação foram propostas várias classificações 
para assistência primária, entre as quais as norte-americanas “Reason for 
Encounter Classification”, “National Ambulatory Medical Care-Survey 
– Reason for Visit Classification” e mesmo uma adaptação da CID, a co-
nhecida ICD-9-CM (“Clinical Modification”). Também bastante conheci-
da é a Classificação Internacional de Problemas de Saúde em Assistência 
Primária, mais conhecida pela sigla em inglês ICHPPC. Porém, todas es-
sas não dispensaram o conhecimento da CID havendo sempre um com-
ponente para “doença/diagnóstico” baseado nela.
Há também o oposto, isto é, a CID não satisfaz plenamente as esta-
tísticas para especialidades pois, nesse caso, deveria ser muito mais deta-
183
lhada. Entretanto, se se detalhasse, para todas as especialidades, ter-se-ia 
uma CID “gigante”!
Visando solucionar esses problemas, os “Centros Colaboradores da 
OMS para a Classificação de Doenças”, juntamente com a OMS, vêm, 
desde os preparativos da Nona Revisão da CID, tentando criar uma “fa-
mília de classificações”, com o que se cobririam todas as necessidades de 
se obter informações para a saúde: desde a clássica e tradicional estatís-
tica de mortalidade por causa até as informações detalhadas para espe-
cialidades médicas, assim como as estatísticas de motivo de consulta em 
assistência primária. A Conferência Internacional Para a Décima Revisão 
da Classificação Internacional de Doenças, realizada pela OMS, em Ge-
nebra, 198913, aprovou a idéia de que somente uma “família” de classifica-
ções de doenças e de problemas relacionados à saúde poderia satisfazer as 
diferentes necessidades e usos em Saúde Pública.
O núcleo (ou o “core”, como é conhecido) desta “família” é a “classi-
ficação nuclear” que consiste na CID em nível de três caracteres (ou dí-
gitos), isto é, sem detalhes de especificações em subcategorias e que se-
ria classificação para uso, particularmente, em mortalidade e para alguns 
níveis e morbidade; a essa classificação nuclear se somaria uma série de 
outras, algumas relacionadas hierarquicamente e outras de natureza su-
plementar.
O esquema desta “família” de classificações pode ser observado na 
Figura. Partindo-se de Graunt, com sua publicação de 1662, onde apre-
sentou uma “lista de causas de morte”, e passando-se por Farr, na segun-
da metade do século XIX, e por Bertillon, nas duas primeiras décadas do 
século XX, com suas “classificações de causas de morte”, bem como pe-
la OMS que, na metade do século atual, elaborou uma “classificação de 
doen ças e causas de morte”, chega-se ao século XXI com uma “família” de 
classificações. Partiu-se, portanto, da necessidade de obtenção de infor-
mações sobre mortalidade por causa e chegou-se, atualmente, à possibili-
dade de se obter informações para todos os níveis de assistência à saúde e 
à doença. É preciso notar, porém, que as classificações componentes desta 
“família” não contemplam a inclusão de variáveis sociais as quais, ainda 
que importantíssimas para uma perfeita caracterização do quadro saúde-
doença da população, devem ser obtidas por outros métodos e “cruzadas” 
com as categorias que se desejar em qualquer uma daquelas classificações.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
184
CLASSIFICAÇÃO ESTATÍSTICA 
INTERNACIONAL DE 
DOENÇAS E DE PROBLEMAS 
RELACIONADOS À SAÚDE
Núcleo (“core”) – CID com
3 caracteres (dígitos)
• Diagnóstico
• Sintomas
• Incapacidades
• Achados anormais de 
laboratório
• Lesões e envenenamentos
• Causas externas de 
morbidade e mortalidade
• Fatores que influenciam o 
estudo de saúde
Figura 1 – Família de Classificações de Doenças e Problemas relacio-
nados à Saúde
INFORMAÇÃO PARA 
ASSISTÊNCIA PRIMÁRIA
• Informe por leigos
 (“Lay reporting”)
• Outros tipos de
 informações buscadas
 na comunidade
ADAPTAÇÃO PARA 
ESPECIALIDADES
• Oncologia
• Odontologia e
 estomatologia
• Oftalmologia
• Dermatologia
•	 Psiquiatria
• Neurologia
• Otorrinolaringologia
• Reumatologia e
 Ortopedia
• Pediatria• Etc.
• Prática médica geral
OUTRAS
CLASSIFICAÇÕES 
RELACIONADAS
• Incapacidades e
 Deficiências
• Procedimentos
• Motivos de consulta
 (queixas)
NOMENCLATURA
INTERNACIONAL
DE DOENÇAS
Listas 
abreviadas
de Tabulação
CID com
4 caracteres 
(dígitos)
185
LAURENTI, R. [Analysis of information on health data: 1893-1993, a 
hundred years of the Internacional Classification of Diseases] Rev. Saú-
de Públ., S. Paulo, 25: 407-17, 1991. The analysis of mortality by cause, 
as well as of morbidity, calls for an instrument that groups the diseases 
according to common characteristics, that is to say, a classification of 
diseases. The WHO Internatinal Classification of Diseases, in its Ninth 
Revision, is currently in use. This classification first appeared in 1893; 
its Tenth Revision is being proposed for 1993. This present paper des-
cribes the origins of this international classification, making special re-
ferences to John Graunt, William Farr and Jacques Bertillon as well as 
describing the evolution that has occurred through its successive revi-
sions. Initially it was a classification that included only causes of death. 
After the Sixth Revision included all the diseases and causes of medical 
consultations, thus allowing its use in morbidity. For the tenth and la-
ter revisions, a “family” of classifications is proposed, for a great variety 
of uses in health services, administration and epidemiology. Some cri-
tical observations on the current international classification of diseases 
are also presented.
Keywords: Diseases classification. Mortality. Morbidity
Referências Bibliográficas
 1. AVILAN-ROVIRA, J.M. La Classificación Internacional de Enfermedades en la for-
mación de analistas de información. Cuad. Esc. Salud publ., Caracas, (53): 3-14, 1989.
 2. AVILAN-ROVIRA, J.M. Comparación de la novena y decima revisiones de la 
Classifica ción Internacional de Enfermadades. Caracas, 1989. [Trabajo precentado en 
la Facultad de Medicina, Universidad Central de Venezuela para el ascenso a Profes-
sor Titular - Mimeografado].
 3. BREILH, J. & GRANDA, E. Investigación de salud en la sociedad. La Paz, Bolivia, 
Fundación Salud y Sociedad, 1985.
 4. GREENWOOD, N. Medical statistics from Graunt to Farr. Cambridge, U.K., Universi-
ty Press, 1948.
 5. ISRAEL, R. A. The history of the International Classification of Diseases. [Apresenta-
do à Conferência da OMS Para a Revisão da Classificação Internacional de Doenças, 
Genebra, 1989 - Mimeografado].
 6. LAST, J. M. Dictionary of epidemiology. New York, Oxford University Press, 1983.
 7. LAST, J. M. Nosography: conceptual, epidemiological and statistical implications. In: 
International Conference on Health Statistics for the Year 2000. Rockefeller Foundation 
& World Health Organization. Budapest, Statistical Publishing House, 1984. p. 34-48.
 8. LAURENTI, R. Classificação de doenças e classificação de causas de morte. Carisma, 
S. Paulo, 2(1): 17-26, 1981.
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
186
 9. MANUAL de Classificação Estatística Internacional de Doenças, Lesões e Causas 
de Óbito; 8a revisão. Washington, DC, Organização Panamericana de Saúde, 1969. 
(OPAS - Publicação Científica, 190.)
10. MANUAL de Classificação Internacional de Doenças, Lesões e Causas de Óbito: 9a 
revisão (1975). Genebra, Organização Mundial de Saúde, 1978.
11. WELLS, R. Experiences with the International Classification of Diseases and emer-
ging problems. In: International Conference on Health Statistics for the Year 2000. Ro-
ckefeller Foundation & World Health Organization. Budapest, Statistical Publishing 
House, 1984. p. 18-33.
12. WHITE, K. L. Introduction to health statistics for the year 2000: patients, primary ca-
re, populations and pathology. In: International Conference on Health Statistics for the 
Year 2000. Rockefeller Foundation & World Health Organization. Budapest, Statistical 
Publishing House, 1984. p. 12-7.
13. WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Conference for the tenth revi-
sion of the International Classification of Diseases; (report). Geneva, 1989. (WHO/
ICD-10/Rev.Conf/89.19.Rev.1).
 
Breve atualização. A décima revisão
A história da classificação das doenças se confunde um pouco com a his-
tória dos estudos de mortalidade e suas estatísticas. Lebrão (1997, p. 29) assi-
nala que
a estatística envolve contagem e tabulação de atributos, eventos ou 
pessoas. Porém, o precursor da contagem ou mensuração é a classi-
ficação que, em se tratando de doenças, corresponde a um sistema 
de categorias atribuídas a entendidas mórbidas segundo algum cri-
tério estabelecido.
E, de acordo com a OMS:
Uma classificação de doenças pode ser definida como um siste-
ma de categorias para as quais as entidades mórbidas são alocadas 
de acordo com critérios estabelecidos.
O propósito da CID é permitir a análise sistemática, a interpre-
tação e a comparação dos dados de mortalidade e morbidade cole-
tados nos diferentes países ou áreas em diferentes épocas.
A CID é usada para traduzir diagnósticos de doenças e outros 
problemas de saúde a partir de um código alfanumérico, o que per-
mite, facilmente, o arquivamento, a recuperação e a análise das in-
formações. (OMS, 1995, p. 3)
187
Está em vigor, hoje, a décima revisão, que abrange a Classificação In-
ternacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, considerada um 
“marco histórico na história das classificações relacionadas à saúde” (BU-
CHALLA, 2006). Entrou em vigor, no Brasil, em 1996 para análises de morta-
lidade e, em 1998, para estudos sobre a morbidade.
Informações importantes sobre sua apresentação, em três volumes, e o 
significado de capítulo, agrupamento, categoria e subcategoria são referidos 
no volume II. O volume I contém as principais classificações. Grande parte 
é ocupada pela classificação principal, composta de lista de categorias de três 
caracteres e a lista tabular de inclusões e subcategorias de quatro caracteres. 
Os capítulos da CID-10 estão mencionados no Quadro 8.1. Contém ainda: a 
morfologia das neoplasias; listas especiais de tabulação, definições e regula-
mentos de nomenclatura.
O volume II contém disposições para registro e codificação, além de 
definições importantes para uso em estatística. Está dividido em seis capí-
tulos, destacando-se, no Capítulo 3, a maneira de “como usar a CID”. No 
Capítulo 4, apresenta as “Regras e Disposições para a Codificação de Mor-
talidade e Morbidade”, e o Capítulo 5 é destinado à apresentação estatística 
(OMS, 1995; 2008).
O volume II é um índice alfabético da “Lista Tabular” do volume I. Tra-
ta-se de um auxiliar essencial a essa lista, uma vez que contém um grande nú-
mero de termos diagnósticos que não aparecem no volume I. Essa disposição 
faz com que ambos – volumes I e III – devam ser usados em conjunto (OMS, 
1995; 2008).
Outras classificações foram criadas nesse período. A ideia de classifica-
ção de doenças evoluiu para a de uma família de classificações, que surgiu 
por ocasião da CID-9, mas só tomou corpo em 2001, quando a Assembleia 
Mundial da Saúde aprovou a Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde (OMS, 2003) (ver Capítulo 9 desta publicação).
Listas especiais para tabulação de mortalidade e morbidade. A CID-BR
Em razão das dificuldades apresentadas por alguns países quanto ao uso 
bastante detalhado da Lista Básica, a própria OMS apresenta, desde a sexta 
revisão da CID, listas especiais, mais resumidas, para as tabulações de morta-
lidade e morbidade.
Na CID-10 há duas listas especiais para mortalidade, a primeira com 103 
causas e a segunda com 80 causas, além de uma lista, com 298 causas, para 
uso em morbidade. Além disso, existe a previsão de que essas listas possam 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
188
ser adaptadas segundo o interesse dos países membros, permitindo que os 
mesmos agreguem ou retirem rubricas conforme suas necessidades.
No Brasil, o Ministério da Saúdee o Centro Brasileiro de Classificação 
de Doenças promoveram, em 1980, essa adaptação, dando origem à chama-
da CID-BR, que, à época, atendia aos interesses do país quanto à sua mor-
bimortalidade.
Essa classificação vem sofrendo modificações, estando, hoje, em vigor a 
chamada CID-10 – Lista Tabular CID-BR. Ela é dividida em vinte capítulos, 
sendo que, dentro de cada um estão mencionadas as causas mais relevantes 
para o Brasil. É importante salientar, entretanto, que, conforme chama atenção 
o próprio Ministério da Saúde, para alguns grupos nem todos os elementos do 
subgrupo estão relacionados; existe, então, um subgrupo residual que não apa-
rece na tabulação, mas é contado no grupo (ver <www.datasus.gov.br>).
A décima primeira revisão
Até a nona revisão da CID (CID-9), as revisões ocorriam a cada dez 
anos. No entanto, a CID-10 foi aprovada em 1989 e encontra-se, ainda, em 
vigor. Laurenti, Di Nubila, Quadros et al. (2013) assinalam que esse mais am-
plo intervalo de tempo é, atualmente, admitido, em razão de a atualização da 
CID poder ser feita entre duas revisões, o que não ocorria antes. Exemplo 
disso é o que aconteceu com a síndrome pós-poliomielite, que teve uma pro-
posta de código específico apresentada pelo Centro Brasileiro de Classifica-
ção de Doenças em 2005, discutida e defendida na reunião do Mortality Re-
ference Group (MRG) na Suécia, em fevereiro de 2008, tendo sido aprovada 
em outubro daquele ano: foi adicionada ao agrupamento G10-G14, especifi-
camente ocupando a categoria G14 – atrofias sistêmicas que afetam princi-
palmente o sistema nervoso central:
Código G14 – síndrome pós-pólio
Inclui: síndrome mielítica pós-pólio
Exclui: sequela de poliomielite (B91)
A OMS previa que a décima primeira revisão da CID pudesse entrar em 
vigor em 2015, o que, todavia, não aconteceu, aparecendo o ano de 2017 co-
mo meta a ser alcançada. Alguns pontos ainda são polêmicos e será necessá-
rio aguardar para que essas dúvidas possam ser dirimidas.
 
189
Quadro 8.1
Classificação Internacional de Doenças – décima revisão, segundo capítulos
Nº Nome Códigos
 abrangidos
I Algumas doenças infecciosas e parasitárias A00 a B99
II Neoplasias (tumores) C00 a D48
III Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos
 e alguns transtornos imunitários D50 a D89
IV Doenças endócrinas nutricionais e metabólicas E00 a E90
V Transtornos mentais e comportamentais F00 a F99
VI Doenças do sistema nervoso G00 a G99
VII Doenças do olho e anexos H00 a H59
VIII Doenças do ouvido e da apófise mastoide H60 a H95
IV Doenças do aparelho circulatório I00 a I99
X Doenças do aparelho respiratório J00 a J99
XI Doenças do aparelho digestivo K00 a K93
XII Doenças da pele e do tecido subcutâneo L00 a L99
XIII Doenças do sistema osteomuscular e do tecido M00 a M99
 conjuntivo 
XIV Doenças do aparelho geniturinário N00 a N99
XV Gravidez, parto e puerpério O00 a O99
XVI Algumas afecções originadas no período perinatal P00 a P96
XVII Malformações congênitas, deformidades e anomalias Q00 a Q99
 cromossômicas 
XVIII Sintomas sinais e achados anormais de exames R00 a R99
 clínicos de laboratório não classificado em outra parte 
XIX Lesões, envenenamentos e algumas outras S, T
 consequências de causas externas 
XX Causas externas de morbidade e mortalidade V, W, X, Y
XXI Fatores que influenciam o estado de saúde Z00 a Z99
 e o contato com os serviços de Saúde 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
190
Referências
BUCHALLA, C. M. Das listas de mortalidade à qualidade de vida: a trajetória das classificações 
relacionadas à saúde. 2006. 139 f. Tese (Livre-Docência) – Faculdade de Saúde Pública, 
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
CENTRO BRASILEIRO DE CLASSIFICAÇÃO DE DOENÇAS (CBCD). O processo de atua-
lização da CID-10: códigos excluídos e códigos novos. Boletim CBCD, v. 27, p. 3-6, jan./
dez. 2008.
LAURENTI, R. Análise da informação em saúde: 1893 a 1993, cem anos da Classificação In-
ternacional de Doenças. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 25, n. 4, p. 407-417, 1991.
LAURENTI, R.; DI NUBILA, H. B. V.; QUADROS, A. A. J. et al. A Classificação Internacional 
de Doenças, a família de classificações internacionais, a CID-11 e a síndrome pós-polio-
mielite. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, São Paulo, v. 71, n. 9, p. 3-10, 2013.
LEBRÃO, M. L. Estudos de morbidade. São Paulo: Edusp, 1997.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação estatística internacional de doenças e 
problemas relacionados à saúde. São Paulo: Edusp, 1995. v. 2.
______. Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. 8. 
ed. São Paulo: CBCD; Edusp, 2008.
______. Classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde. São Paulo: CBCD; 
Edusp, 2003.
 
191
CAPÍTULO
9
O médico e o registro de deficiências
e incapacidades.
A Classificação Internacional
de Funcionalidade (CIF)
Aspectos gerais. Os números da deficiência no Brasil
O envelhecimento das populações e o maior risco de deficiência nos 
idosos, o aumento das doenças crônicas e dos acidentes e violências vêm 
sendo responsáveis pelo crescimento do número de pessoas com algum ti-
po de deficiência no mundo. A OMS tem referido que a deficiência faz parte 
da condição humana, sendo lícito pensar que praticamente todos, em algum 
momento da vida, sofrerão algum tipo de incapacidade temporária ou per-
manente, “e aqueles que chegarem à velhice terão maiores dificuldades fun-
cionais” (OMS; BANCO MUNDIAL, 2011).
Nos diferentes países, além do envelhecimento populacional e das doen-
ças crônicas, o abuso de drogas e os acidentes em geral têm gerado núme-
ros altos e crescentes. Conforme estimativas, mais de um bilhão de pessoas 
vivem com algum tipo de deficiência, o que representa, segundo a Pesquisa 
Mundial da Saúde (WHO, 2011; SZWARCWALD; VIACAVA, 2008) cerca de 
15% da população mundial (USTUN; CHATTERJI; MECHBAL et al., 2003), 
valor que se eleva para 19,4% segundo dados da Carga Global das Doenças 
(MURRAY; LOPEZ, 1996).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
192
A Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial, em seu Relatório 
Mundial sobre a Deficiência, publicado em língua portuguesa em 2011, afir-
mam que evidências sólidas ajudam a tomar decisões bem informadas sobre 
programas e políticas para pessoas com deficiência, visto que, “compreender 
o número de pessoas com deficiências […] pode melhorar os esforços para re-
mover as barreiras incapacitantes e prover serviços para permitir que as pesso-
as com deficiência participem mais” (OMS; BANCO MUNDIAL, 2011, p. 21).
Internacionalmente, vêm sendo recomendadas estratégias que objetivem 
aumentar a base de dados sobre deficiências. Diferentes autores, entretanto, 
têm expressado a grande dificuldade enfrentada para a sua adequada mensu-
ração, principalmente em razão da própria conceituação do que se deve en-
tender por deficiência, bem como das limitações por ela impostas. O método 
de coleta selecionado e as fontes de informação escolhidas constituem-se em 
outro desafio a ser encarado.
Em termos internacionais, em que pesem esses problemas, duas pesqui-
sas importantes foram capazes de medir a prevalência de deficiência nos di-
ferentes países: a Pesquisa Mundial da Saúde e a Carga Global das Doenças, 
ambas da OMS, já citadas (OMS; BANCO MUNDIAL, 2011). No Brasil, ape-
sar de o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmar 
que o tema relativo à deficiência tenha estado presente no primeiro levanta-
mento censitário brasileiro, em 1872, e nos Censos Demográficos de 1890, 
1900 e 1940, bem como no Primeiro Suplemento Saúde de Pesquisa Nacional 
por Amostra de Domicílios, em 1981 (IBGE, 2010), a investigação sobre as 
pessoas com deficiências só foi incorporada oficialmente ao Censo Demográ-
fico em 1991. A Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, referia-se à
obrigatoriedade de se incluir, nos Censos nacionais, questões espe-
cíficas sobre pessoascom deficiências, uma vez que o estudo des-
sa população passou a se constituir em condição indispensável para 
sustentar a definição de medidas específicas mais adequadas à reali-
dade nacional. (IBGE, 2000, p. 62)
Para o Censo de 2000, as questões formuladas no Boletim da Amostra 
permitiram mostrar que, dos 169.872.856 habitantes do país, 24.600.256 fo-
ram declarados como portadores de deficiência, o que representou uma pre-
valência de 14,6% em relação à população total (IBGE, 2000). No Recensea-
mento Geral de 2010, a estimativa da prevalência de deficiência, para esse 
ano, foi de 23,9%, o que significa que um total de 45.606.048 pessoas, no país, 
alegava apresentar pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, vi-
sual, auditiva ou motora) (IBGE, 2010).
193
A distribuição dessa população segundo sexo e idade (Tabela 9.1) mos-
tra maior frequência no sexo feminino, variando também com relação à 
idade considerada (Tabela 9.2). As diferentes proporções – e consequentes 
prevalências – podem ser explicadas como decorrência do processo de en-
velhecimento da população, como já citado (CHAIMOWICZ, 1997; IBGE, 
2010; LIMA E COSTA; GUERRA; BARRETO; GUIMARÃES, 2000; PA-
TARRA, 1990).
A distribuição da população segundo tipo de deficiência permitiu con-
cluir que, em 2010, 58,3% da população referiam possuir deficiência visual; 
15,8%, auditiva; 21,6%, motora; e 4,3% eram portadores de deficiência mental 
(Tabela 9.3). O número total de deficiências citado no censo de 2010 foi de 
61.368.845, o que projeta um número médio de deficiências por habitantes 
com deficiências igual a 1,3 deficiência/pessoa, valor bem próximo ao apre-
sentado no Censo de 2000, que foi de 1,4 (IBGE, 2010).
Os resultados do Censo possibilitaram, ainda, conhecer o grau de seve-
ridade dessas deficiências. Verificou-se, por exemplo, referência a 1.585.004 
deficiências que impossibilitavam as pessoas de enxergar, ouvir ou caminhar, 
perfazendo 2,6% das deficiências citadas (incapacidade total). As deficiências 
cuja existência conferia a seu portador grande dificuldade de enxergar, ouvir 
ou caminhar somavam um total de 11.545.429, o que corresponde a 18,8% do 
total referido (Tabela 9.3).
Os sistemas oficiais de informação em saúde ou outros podem se cons-
tituir também em importante fonte de dados para o estudo das deficiências, 
ainda que de maneira indireta. Aliás, o próprio Relatório Mundial, já refe-
rido, preconiza a utilização desses sistemas, “sempre que isso seja possível” 
(OMS; BANCO MUNDIAL, 2011).
No Brasil, não existe nenhum sistema de informação que permita conhe-
cer diretamente esse valor. Entretanto, alguns deles, ainda que de forma frag-
mentada, possibilitam chegar a uma aproximação da situação das deficiên-
cias entre nós. Merecem destaque: Sistema de Informações Hospitalares do 
Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) e Sistema de Informações sobre Nascidos 
Vivos (Sinasc), dentre os geridos pelo Ministério da Saúde, e os dados relati-
vos à concessão de benefícios, do Ministério da Previdência, para estimar o 
número de pessoas com deficiência além do registrado pelo Sistema de Infor-
mações sobre Mortalidade, para conhecer seu valor entre nascidos mortos e 
entre os óbitos por alguns tipos de anomalias congênitas.
É importante salientar que os dados obtidos por esses sistemas não se 
somam, não se completam, não se contrapõem. Podem, entretanto, fornecer 
“retratos” parciais sobre cada tipo de problema; são capazes de mostrar, por 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
194
exemplo, o aumento das internações por diabetes, dos casos de acidentes vas-
culares cerebrais, de doenças mentais – patologias que, com certeza, são pos-
síveis geradoras de algum tipo de deficiência.
Cascão (2006) mostrou a possibilidade de se obter, por meio do SIH/
SUS, o número de amputados por diabetes, a partir da análise conjunta das 
variáveis “tipos de diagnóstico”, “procedimento” e “tipo de saída” nos hospi-
tais próprios ou conveniados com o Sistema Único de Saúde.
De igual sorte, a elevação dos casos de acidentes e violências provocando 
lesões capazes de deixar sequelas – muitas das quais irreversíveis – é fator con-
tributivo para as elevadas ocorrências de deficiências. Alguns trabalhos foram 
feitos com o objetivo de mensurar esse problema. Tuono (2008), baseando-se 
nas internações hospitalares SUS de 2000 a 2005 no Brasil, estudou pacientes 
com diagnóstico de trauma de coluna, mostrando quem é a vítima, qual o ní-
vel de sua lesão e se houve comprometimento de medula, fazendo, dessa ma-
neira, uma primeira aproximação quanto ao número de sequelas por trauma 
raquimedular no país. Quanto ao tipo de causa externa responsável por essas 
lesões, a autora verificou que 42,5% foram devidos a quedas; quase 23% a aci-
dentes de trânsito; mais de 19% a outros tipos de acidentes; 6,4% consequen-
tes a tentativas de homicídios, seguidos de tentativas de suicídios.
O estabelecimento da relação entre o tipo de lesão e as circunstâncias do 
acidente/violência responsável por essa lesão é aspecto extremamente impor-
tante no que tange à prevenção desses eventos e, consequentemente, à pre-
venção de sequelas/incapacidades.
Ainda por meio dos dados do SIH/SUS, Brito, Chein, Marinho e Duarte 
(2011) estudaram o risco de paraplegia e tetraplegia. Pesquisa realizada em 
2010, com dados do mesmo sistema, Mello Jorge e Koizumi (2012) fizeram 
uma primeira estimativa de sequelas decorrentes de acidentes de trânsito no 
Brasil. Partindo da análise de algumas lesões que, certamente, seriam repre-
sentativas de sequelas/incapacidades (por exemplo, amputações, trauma ra-
quimedular e traumatismo de nervos) e de outras que, provavelmente, seriam 
responsáveis por sequelas (por exemplo, traumatismo cranioencefálico), es-
timaram que entre 3% e 22% dos pacientes internados, e cujo tipo de saída 
tenha sido “alta”, vão apresentar sequela decorrente do acidente, o que, em 
2008, correspondeu a cerca de 20 mil pessoas. Com a mesma metodologia, 
Andrade e Mello Jorge (2016) chegaram à proporção de 23,5%.
Em razão do já referido envelhecimento populacional, tem havido certa 
preocupação dos estudiosos com relação à chamada “long-term-care” (LTC), 
que corresponde a internações de longa duração. Estas, consideradas bastante 
onerosas, verificam-se principalmente com pessoas idosas e/ou que necessi-
195
tam de cuidados especiais devido a incapacidades consequentes a vários ti-
pos de deficiências. Maarse (2012) discute essa questão em relação a políticas 
de assistência à saúde na Holanda, onde a LTC cresce a uma média anual de 
1,8%. Esse é um aspecto bastante importante e os dados do SIH/SUS são ca-
pazes de ilustrar a situação no Brasil.
Com relação a deficiências/incapacidades consequentes a anomalias con-
gênitas, a mensuração de sua prevalência pode ser feita por meio dos dados 
do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). O Sistema já foi 
discutido no Capítulo 4 desta publicação e, como referido, contempla em seu 
formulário informações sobre essas anomalias. Entretanto, tem sido consta-
tado que, quanto a esse aspecto, o sistema, embora tenha melhorado desde 
a sua implantação, não alcançou ainda o patamar desejado do ponto de vista 
quantitativo, havendo críticas também quanto à qualidade da informação. 
É sabido que a prevalência de malformações congênitas no mundo os-
cila ao redor de 3% entre os nascidos vivos e, entre nós, não chegou, ainda, 
a atingir 1% (BRASIL, 2014). No município de São Paulo, vem sendo confe-
rido intenso incentivo junto aos hospitais-maternidades visando à melhoria 
do registro das anomalias congênitas, e é possível verificar que a frequência 
de registros de malformações congênitas no Sinasc atinge 1,8% dos nascidos 
vivos na área. Com relação à síndrome de Down, importante publicação se 
refere à matéria (SÃO PAULO, 2012). Do ponto de vista qualitativo, a crítica 
mais contundente é a que se refere ao fato de que grande número de anoma-
liasnão é detectado ao nascer, visto que demanda, não poucas vezes, exames 
mais apurados. Isso posto, vai ocorrer, no Sinasc, o registro de malformações 
mais visíveis e que, em grande número de casos, vão corresponder a anoma-
lias mais leves, ligadas, por exemplo, ao sistema osteomuscular.
Anomalias registradas em pesquisa feita em hospitais públicos do esta-
do de São Paulo e copiadas diretamente do prontuário hospitalar de mãe/
recém-nascido (independentemente da Declaração de Nascimento) mos-
tram que sua prevalência foi de 4,3% entre os nascidos vivos e 9,1% entre os 
nascidos mortos (LAURENTI; SIQUEIRA; MELLO JORGE et al., 2014). Os 
autores comentam, nesse particular, o papel do médico – obstetra ou neo-
natologista – no sentido de, em caso de anomalia congênita no RN, “fazer 
o diagnóstico quanto ao seu tipo e anotar seu achado no prontuário”. Isso 
permitirá que, ao ser elaborada a Declaração de Nascido Vivo, quem for pre-
enchê-la tenha elementos para registrar o fato no formulário. Os autores dis-
cutem, ainda, a necessidade de maior empenho das Secretarias de Saúde res-
ponsáveis pelo Sinasc quanto à formação de recursos humanos capazes de 
detectar, entre as patologias apresentadas pelo recém-nascido e registradas 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
196
pelo médico no prontuário, aquela consequente a defeitos congênitos. Esse 
problema é enfatizado, também, pelo Ministério da Saúde em sua publicação 
Saúde Brasil (BRASIL, 2014).
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)
Historicamente, as intervenções em reabilitação têm sido guiadas pelo 
modelo médico, que define saúde como a ausência de doenças e, por conse-
guinte, focaliza a avaliação e o tratamento dos sinais e sintomas de cada pa-
tologia, considerando apenas o nível físico. Na atualidade, os modelos de re-
abilitação refletem uma mudança de paradigma e definem saúde em termos 
mais amplos, indicando que fatores sociais, psicológicos e ambientais contri-
buem para a saúde e a qualidade de vida (SAMPAIO; MANCINI; FONSECA 
et al., 2005). Nesse sentido a Classificação Internacional de Doenças (OMS, 
1995) não consegue, sozinha, analisar desse problema, razão pela qual, desde 
os anos 1980, a OMS vem refletindo sobre como estudar a questão.
Com o objetivo geral de proporcionar uma linguagem unificada e padro-
nizada e uma estrutura que descreva a saúde e os estados relacionados à saú-
de, a OMS publicou, em 2001, a International Classification of Functioning, 
Disability and Health, aceita por 191 países e traduzida em língua portugue-
sa, em 2003, como Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapaci-
dade e Saúde (CIF) (OMS, 2003).
A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e 
Saúde – CIF – pertence à família das classificações internacionais 
desenvolvidas pela OMS para aplicação em vários aspectos da saú-
de. Essa família fornece um sistema para codificação de uma ampla 
gama de informações sobre saúde (por exemplo, diagnóstico, fun-
cionalidade e incapacidade, razões de consenso com os serviços de 
saúde) e apresenta linguagem comum padronizada, que permite a 
comunicação sobre saúde e assistência médica em todo o mundo, 
entre várias disciplinas e ciências. (OMS, 2003, p. 13)
O novo sistema de classificação para o entendimento da funcionalida-
de e da incapacidade humana “reflete a mudança de uma abordagem basea-
da nas consequências das doenças para outra, que prioriza a funcionalidade 
como um componente da saúde e considera o ambiente como facilitador ou 
como barreira para o desempenho de ações e tarefas” (NORDENFELT, 2003 
apud SAMPAIO; MANCINI, FONSECA et al., 2005, p. 130). Farias e Bu-
197
challa (2005) assinalam que o modelo da CIF substitui o enfoque negativo da 
deficiên cia e da incapacidade por uma perspectiva positiva, considerando as 
atividades que um indivíduo com deficiência pode desempenhar, assim como 
sua participação social.
É importante salientar que as condições de saúde (doenças, distúrbios, 
lesões etc.) são classificadas na CID – atualmente em sua décima revisão, 
conforme referido em outra parte desta publicação – que fornece uma “es-
trutura etiológica” das patologias. A funcionalidade e a incapacidade associa-
das aos estados de saúde são classificadas na CIF, razão pela qual é dito pela 
própria OMS que ambas são classificações complementares. Assim, é possível 
falar que, em conjunto, as informações sobre o diagnóstico e a funcionalidade 
fornecem uma informação mais ampla e significativa da saúde das pessoas ou 
da população, que pode ser utilizada para tomada de decisões (OMS, 2003).
Em fins da década de 1970, com o objetivo de abranger mais as conse-
quências das doenças, a OMS havia publicado a Classificação Internacional 
de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens, cujo longo processo de revi-
sões sucessivas veio a dar lugar à Classificação Internacional de Funcionalida-
de, Incapacidade e Saúde (CIF), em 2001 (FARIAS; BUCHALLA, 2005). Da 
classificação sobre as deficiências existente em 1980 – que considerava apenas 
os aspectos relativos às consequências das doenças, – a CIF tornou-se uma 
classificação dos componentes da saúde. Esse fato fez com que a classificação 
deixasse de se referir somente aos portadores de incapacidades, podendo ser 
utilizada por todas as pessoas, pois tem como escopo “fornecer uma descri-
ção de situação relacionada às funções do ser humano e suas restrições”.
A classificação é composta por duas partes, a saber: 
Parte I – referente à funcionalidade e à incapacidade
Parte II – referente aos chamados fatores contextuais. 
Cada uma delas abrange dois componentes: na primeira, o componente 
corpo (com classificação para as funções do corpo e sua estrutura) e o com-
ponente atividades e participação, que cobre a faixa completa de domínios.
A Classificação utiliza um sistema alfanumérico para abranger as fun-
ções e as estruturas do corpo, atividades e participação e fatores ambien-
tais. Trata-se de uma classificação com múltiplas finalidades, para ser usada 
em diferentes áreas disciplinares, como Saúde, Educação, Segurança Social, 
Emprego, Economia, Política Social, entre outras, destacando-se, entretan-
to, a área da Medicina Física e Reabilitação, principalmente no que se refere 
ao “acompanhamento do estado de saúde dos pacientes em tratamento” (DI 
NUBILA, 2007).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
198
A própria OMS menciona que a CIF tem sido utilizada:
• Como ferramenta estatística – na coleta e registro de dados
• Como ferramenta de investigação: para medir resultados, qualidade de 
vida ou fatores ambientais
• Como ferramenta clínica – na valorização de necessidades, para ho-
mogeneizar tratamentos com condições específicas de saúde, na valo-
ração vocacional, na reabilitação e na avaliação de resultados
• Como instrumento de política social – no planejamento de sistemas 
de segurança social, sistemas de computação e para conhecer e imple-
mentar políticas
• Como instrumento educativo – para estruturar o “currículo” e de for-
ma a aumentar a conscientização da sociedade e desenvolver ativida-
des sociais*
Di Nubila (2007) afirma que, na CIF, a informação está organizada em 
três componentes:
1) Constructo do “corpo”, com duas classificações: uma para funções do 
corpo e outra para suas estruturas
2) Constructo de “atividade e participação”, que cobre a extensão com-
pleta de domínios que denotam aspectos de funcionalidade, a partir da pers-
pectiva individual e social
3) Lista de fatores ambientais
A autora também apresenta todas as definições e conceitos de deficiên-
cias e incapacidades, além de ampla legislação sobre o tema (DI NUBILA, 
2007).
* Comunicado de imprensa da OMS, de 15 de novembro de 2001. Disponível em <http://bit.
ly/2pISpKM>. Acesso em: 16 fev. 2017.
199
Tabela 9.1
População com algum tipo de deficiência segundo sexo e idade, Brasil, 2010
Faixa etária (em anos) MasculinoFeminino Total
- 10 789.785 742.887 1.532.672
10 a 19 1.789.179 2.155.080 3.944.259
20 a 29 2.026.521 2.566.217 4.592.738
30 a 39 2.178.045 2.860.483 5.038.528
40 a 49 3.612.635 4.948.007 8.560.642
50 a 59 3.917.876 4.957.435 8.875.311
60 a 69 2.797.588 3.621.381 6.418.969
70 a 79 1.802.408 2.488.850 4.291.258
80 ou mais 891.330 1.460.341 2.351.671
Total 19.805.367 25.800.681 45.606.048
Fonte: IBGE (2010).
Tabela 9.2
Estimativa da prevalência de deficiências segundo sexo e faixa etária,
Brasil, 2010 (%)
Faixa etária (em anos) Masculino Feminino Total
- 10 789.785 742.887 1.532.672
0 a 14 7,3 7,8 7,5
15 a 64 22,2 27,6 24,9
65 ou mais 64,6 70,1 67,7
Total 21,2 26,5 23,9
Fonte: IBGE (2010).
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
200
Tabela 9.3
Tipos de deficiências referidos pela população residente segundo tipo e grau 
de severidade, Brasil, 2010
Tipo Nº %
Deficiência mental 2.611.536 4,3
Deficiência visual 35.774.392 58,3
 Incapacidade de enxergar 506.377 0,8
 Grande dificuldade 6.056.533 9,9
 Alguma dificuldade 29.211.482 47,6
Deficiência auditiva 9.717.318 15,8
 Incapacidade de ouvir 344.206 0,6
 Grande dificuldade 1.798.967 2,9
 Alguma dificuldade 7.574.145 12,3
Deficiência motora 13.265.599 21,6
 Incapacidade de caminhar 734.421 1,2
 Grande dificuldade 3.698.929 6,0
 Alguma dificuldade 8.832.249 14,4
Total 61.368.845 100,0
Fonte: IBGE (2010).
Referências
ANDRADE, S. S. C. A.; MELLO JORGE, M. H. P. Estimativa de sequelas físicas em vítimas de 
acidentes de transporte terrestre internadas em hospitais do Sistema Único de Saúde. Re-
vista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 100-111, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2013: uma análise de situação da saúde e das doen-
ças transmissíveis relacionadas à pobreza. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014.
BRITO, L. M. O.; CHEIN, M. B. C.; MARINHO, S. C.; DUARTE, T. B. Análise epidemiológica 
dos pacientes vítimas de trauma raquimedular. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 
Rio de Janeiro, v. 38, n. 5, p. 304-309, 2011.
CASCÃO, A. M. Avaliação da qualidade do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) a 
partir do relacionamento de bases de dados – estado do Rio de Janeiro, 2000 a 2003. 2006. 
Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio 
de Janeiro, 2006.
CHAIMOWICZ, F. A. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, 
projeções e alternativas. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 184-200, 1997.
DI NUBILA, H. B. V. Aplicação das Classificações CID-10 e CIF nas definições de deficiência e 
incapacidade. 2007. 181 f. Tese (Doutorado em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pú-
blica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.
FARIAS, N.; BUCHALLA, C. M. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacida-
de e Saúde da Organização Mundial da Saúde: conceitos, usos e perspectivas. Revista Bra-
sileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 8, n. 2, p. 187-193, jun. 2005.
201
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2000. Rio de Janeiro: 
IBGE, 2000.
______. Censo 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.
LAURENTI, R.; SIQUEIRA, A. A. F.; MELLO JORGE, M. H. P. et al. The importance of conge-
nital malformations at birth. Journal of Human Growth and Development, São Paulo, v. 24, 
n. 3, p. 328-338, 2014.
LIMA E COSTA, M. F. F.; GUERRA, H. L.; BARRETO, S. M.; GUIMARÃES, R. M. Diagnós-
tico da situação de saúde da população idosa brasileira: um estudo da mortalidade e das 
internações hospitalares públicas. Informe Epidemiológico do SUS, Brasília, DF, v. 9, n. 1, p. 
23-41, 2000.
MAARSE, H. The reform of long-term care in the Netherlands. European Observer, Brussels, v. 
18, n. 2, p. 33-35, 2012.
MELLO JORGE, M. H. P.; KOIZUMI, M. S. Sequelas visíveis de acidentes de trânsito: primei-
ros dados brasileiros. Revista Abramet, São Paulo, v. 29, n. 1, p. 36-45, 2012.
MURRAY, C. J. V; LOPEZ, A. D. (Eds.). The global burden of diseases: a comprehensive assess-
ment of mortality and disability from diseases, injury and risk factors in 1990 and projected 
to 2020. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1996.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e 
Problemas Relacionados à Saúde. São Paulo: CBCD; Edusp, 1995.
______. Classificação de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: CBCD; Edusp, 2003.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE; BANCO MUNDIAL. Relatório mundial sobre defi-
ciência. São Paulo: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2011.
PATARRA, N. L. Transição em marcha: novas questões demográficas. In: CONGRESSO BRA-
SILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 1., 1990, Campinas. Anais… Campinas: Abrasco, 1990. 
p. 187-197.
SAMPAIO, R. F.; MANCINI, M. C.; FONSECA, S. T. et al. Aplicação da Classificação Interna-
cional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) na prática clínica do fisioterapeuta. 
Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 9, n. 2, p. 129-136, 2005.
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Saúde. Coordenação de Epidemiologia e Informação. 
Síndrome de Down na cidade de São Paulo. Boletim Eletrônico CEInfo, São Paulo, ano 3, 
boletim 1, jun. 2012.
SZWARCWALD, C. L.; VIACAVA, F. Pesquisa Mundial da Saúde: aspectos metodológicos e 
articulação com a Organização Mundial da Saúde. Revista Brasileira de Epidemiologia, São 
Paulo, v. 11, supl. 1, p. 58-66, 2008.
TUONO, V. L. Traumas de coluna no Brasil: análise das internações hospitalares. 2008. 214 f. 
Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de 
São Paulo, São Paulo, 2008.
USTUN, T. B.; CHATTERJI, S.; MECHBAL, A. et al. The World Health Surveys. In: MURRAY, 
C. J. L.; EVANS, D. B. Health systems performance assessment: debates, methods and empi-
ricism. Genebra: WHO, 2003.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Health Survey. Genebra: WHO, 2002-2004. In: 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE; BANCO MUNDIAL. Relatório mundial sobre 
deficiência. São Paulo: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2011.
 
 
203
CAPÍTULO
10
Outras questões de informação
em saúde que envolvem o médico
O problema do sigilo
Como parte dos valores éticos, extensamente discutidos na área médi-
ca, o Código de Ética Médica (CFM, 2010) sinaliza vários aspectos relaciona-
dos ao problema do sigilo. Especificado em seu Capítulo IX, o código assina-
la, expressamente, “ser vedado ao médico”:
Art. 73 – Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do 
exercício de sua profissão, salvo por motivo justo, dever legal ou 
consentimento, por escrito, do paciente.
Parágrafo único – Permanece essa proibição:
a) mesmo que o fato seja de conhecimento público ou o paciente 
tenha falecido;
b) quando de seu depoimento como testemunha. Nessa hipótese, o 
médico comparecerá perante a autoridade e declarará seu impedi-
mento;
c) na investigação da suspeita de crime, o médico estará impedido 
de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal.
Regis Prado salienta que o sigilo já era aplicado a práticas curativas des-
de a antiguidade (PRADO, 2008). Entretanto, a primeira referência ao assun-
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
204
to, segundo Santos, Silva, Lucena et al. (2012), tenha, talvez, surgido do jura-
mento de Hipócrates, para quem o sigilo deveria ser cumprido pelo médico 
“por meio de uma atitude de discrição, a fim de resguardar os segredos de 
seus doentes” (GONZAGA, 2010).
Loch (2003) reitera que a importância de sigilo na relação médico-pa-
ciente pode ser vista como um processo interativo fundamentado nos prin-
cípios de confidencialidade e comunicação privilegiada. Do ponto de vista 
jurídico, as disposições do Código de Ética Médica encontram respaldo na 
Constituição Federal e nos códigos civil e penal do país.
Exemplo claro dessa ligação é o fato de que, com relação ao prontuário 
médico, está consolidado,na legislação, que ele pertence ao paciente, sendo 
o médico/hospital apenas seu guardião, e que as informações nele contidas 
não podem ser divulgadas, a não ser em razão do que dispõe a própria lei. A 
força desse dispositivo é de tal ordem que a Resolução nº 1.605, de 2000, do 
Conselho Federal de Medicina estabeleceu, em seu artigo 8º, que “sempre que 
houver conflito no tocante à remessa ou não de documentos a autoridades re-
quisitantes, o médico deverá consultar seu Conselho quanto ao procedimento 
a ser adotado” (CFM, 2000).
A ideia da não divulgação do segredo perdurou por séculos, sendo, gra-
dativamente, incluída na legislação de praticamente todos os países. De um 
ponto de vista lato, no Brasil, após ser inserido no Código penal de 1890, pas-
sou a fazer parte do código em vigor (BRASIL, 2014), nos seguintes termos:
Art. 154 – Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem 
ciên cia em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja 
revelação possa produzir dano a outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa.
Da mesma maneira, nas diferentes normatizações sobre ética médica, o 
sigilo constou de leis anteriores até ganhar a forma tal qual se expressa no có-
digo em vigor. O “guardar segredo”, hoje, todavia, não deve ser entendido co-
mo imperativo ou absoluto, como considerava Hipócrates com o seu conhe-
cido “o que sei por confissão, eu o sei menos do que aquilo que nunca soube”. 
Em dias atuais, a própria legislação prevê a existência do sigilo – que deve 
prevalecer como regra geral –, mas aponta situações em que a sua revelação 
se torna lícita. Como visto no art. 73 do Código de Ética Médica, o dever legal, 
a justa causa e o consentimento do paciente.
O dever legal deve ser entendido como a “quebra do sigilo” por força de 
205
lei, sendo o exemplo mais concreto representado pelo que ocorre com os ca-
sos de notificação compulsória de doenças, obrigatória por lei, conforme vis-
to no Capítulo 5 desta publicação. Aliás, é importante relembrar que, tendo o 
médico conhecimento de caso de doença notificável, ao deixar de comunicar 
o fato à autoridade sanitária competente, estará sujeito às penas previstas no 
art. 269 do Código penal.
No mesmo sentido caminham os pareceres de Conselhos Regionais e Fe-
deral de Medicina, que reconhecem, no exemplo citado, o fato de o legislador 
“ter dado prevalência ao valor Saúde Pública – cuja natureza é coletiva e pú-
blica – em detrimento da intimidade ou privacidade, cuja natureza é indivi-
dual e privada” (CREMESP, 2014, grifos nossos).
De igual sorte dispõe o Estatuto da criança e do adolescente, determinan-
do que “os casos suspeitos ou confirmados de maus tratos contra criança ou 
adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da res-
pectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais” (BRASIL, 1998, 
p. 3). Nesse caso, médicos e professores, em razão da própria lei, são obrigados 
a promover a comunicação, constituindo infração deixar de fazê-lo.
Quanto à “justa causa”, pode-se dizer que “corresponde a um interesse de 
ordem moral ou social que autoriza o não cumprimento de uma norma, con-
tanto que os motivos apresentados sejam relevantes para justificar tal violação” 
(FRANÇA, 2016]). O mesmo autor sinaliza que esse conceito se confunde 
com a noção do bem e do útil social, voltada aos interesses individuais ou co-
letivos, constituindo-se em ato cuja ocorrência torna lícita a transgressão.
Percebe-se, assim, que o universo da justa causa é amplo, o que não 
poucas vezes torna difícil estabelecer seus limites. Nesses casos, uma consul-
ta aos conselhos de classe se impõe, também, a fim de que, como refere Gar-
rafa, “o profissional tenha apoio de colegas ou mesmo de Comitês interdis-
ciplinares de Bioética, para uma tomada de decisão coletiva e amparada em 
visões técnicas multidisciplinares e moralmente plurais” (Garrafa, cit. CRE-
MESP, 2012). 
Quanto ao consentimento do paciente, conclui-se que ele não é necessá-
rio nos casos anteriores; é preciso lembrar que a lei prevê as três situações co-
mo não cumulativas, visto o emprego do vocábulo “ou” em vez de “e”, ou seja, 
o consentimento do paciente se constitui em uma terceira possibilidade para 
a quebra do sigilo e não um complemento às anteriores. O assunto, aliás, já 
foi referido em parecer proferido pelo Cremesp (2014).
A situação parece clara. Entretanto, no que tange especificamente à in-
formação em saúde, como se enquadrariam, por exemplo, a remessa/envio 
de prontuários, arquivos ou bancos de dados, ou, ainda, a solicitação de 
IN
FO
RM
AÇ
ÃO
 E
M
 S
AÚ
D
E:
 O
 P
AP
EL
 D
O
 M
ÉD
IC
O
206
consulta ou o manuseio de prontuários por pessoas ou instituições? A res-
posta não é simples.
Mello Jorge, Laurenti e Di Nubila (2010), em artigo sobre “O óbito e sua 
investigação. Reflexões sobre alguns aspectos relevantes”, referem que o mé-
dico deve, sempre, evitar a morte, mas quando esta ocorre, tem ele o dever 
de verificá-la, comprová-la e atestá-la. A legislação do país converge para esse 
ponto e, nesse aspecto, a elaboração da Declaração de Óbito passa a ser uma 
obrigação legal, no caso não sujeita a determinações éticas quanto ao sigilo 
profissional. Quando essa informação, entretanto, não é esclarecida, reme-
tendo, por exemplo, a uma causa de morte mal definida, o caso vai compor-
tar uma investigação, conforme disposição do próprio Ministério da Saúde 
(BRASIL, 2009). Essa investigação é, em geral, feita por pessoal especializa-
do de secretarias municipais/estaduais de Saúde, visando à “alimentação” dos 
sistemas oficiais de informação, com dados de melhor qualidade. A informa-
ção deve ser fornecida?
Nesses casos, pareceres favoráveis à quebra do sigilo têm sido emitidos 
pelo CFM e vários conselhos regionais, sendo quase unânime a afirmação que 
de a excludente do sigilo, nesses casos, é representada pelo “motivo justo”:
 CRM-SC – consulta nº 2.140/2012 (manuseio de prontuários para “alimen-
tar” sistemas do Ministério da Saúde).
 Considera a alimentação de sistema oficial de informação como 
“motivo justo”, entendido este como “o interesse relevante da co-
letividade capaz de permitir que a informação de pacientes venha 
a beneficiar determinado grupo de pessoas” (CRM-SC, 2012).
 Creman – consulta nº 1.357/2012. O encaminhamento de cópia de pron-
tuário médico ao IML, em razão de o IML necessitar de deter-
minadas informações que constam do prontuário, a fim de po-
der concluir sobre a morte do paciente. 
 O motivo foi considerado como enquadrado nos casos de ex-
ceção quanto à revelação de informações sigilosas (CREMAN, 
2012).
 Cremesp – consulta nº 130.292/2013. Ementa: solicitação de prontuário 
médico ao IML.
 Caso análogo ao anterior (parecer favorável ao envio de cópia 
dos prontuários) (CREMESP, 2013).
 CRM-MS – consulta nº 02/2016, relativa a envio de dados de pacientes on-
cológicos para Registros de Câncer de Base Populacional. Pare-
cer favorável (CRM-MS, 2016).
207
 CRM-PR – consulta nº 129/2009: o envio de informações sobre pacientes 
oncológicos visando a implantação de Registro de Câncer da 
Base Populacional é considerado como “justo motivo” (CRM
-PR, 2009)
 
 Em sentido contrário, alguns pareceres relacionados à cessão de infor-
mações para operadoras de planos de saúde:
 Cremec – consulta nº 10.049/2013: a colocação de dados sigilosos do pa-
ciente em formulários de encaminhamento para outros profis-
sionais, com identificação do diagnóstico, “fere normas éticas 
vigentes” (CREMEC, 2013)
 CFM – consulta nº 4.112/2009: inserção do código da doença (CID-10) 
nas solicitações de exames para operadora de planos de saúde 
vai no mesmo sentido do parecer anterior, “ainda que seja por 
meio eletrônico” (CFM, 2009)
 
Aqui é importante lembrar que, com relação à investigação de óbitos ma-
ternos, infantis e fetais, legislação específica do Ministério da Saúde regula-
menta a matéria:
Portaria GM nº 1.172, de 15 de junho de 2004 (BRASIL, 2004),

Mais conteúdos dessa disciplina