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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
HISTÓRIA IBÉRICA 
 
 
 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 2.861 DO DIA 13/09/2004 
 
0800 283 8380 
 
www.portalprominas.com.br 
 
 
 
Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de 
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios 
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e 
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 
2 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 3 
UNIDADE 1 – ASPECTOS GEOGRÁFICOS DA PENÍNSULA IBÉRICA ................................................... 5 
1.1 RELEVO E HIDROGRAFIA ............................................................................................................................. 6 
1.2 POSIÇÃO GEOGRÁFICA, FORMAS E DIMENSÕES .......................................................................................... 8 
1.3 REINO DE ESPANHA .................................................................................................................................... 11 
1.4 PORTUGAL .................................................................................................................................................. 12 
1.5 ANDORRA ................................................................................................................................................... 13 
1.6 GIBRALTAR ................................................................................................................................................ 14 
UNIDADE 2 – PRÉ-HISTÓRIA DA PENÍNSULA IBÉRICA ........................................................................ 17 
2.1 DO PALEOLÍTICO À INFLUÊNCIA FENÍCIA.................................................................................................. 17 
2.2 DOS IBEROS À INVASÃO ROMANA .............................................................................................................. 20 
2.3 A INVASÃO DO IMPÉRIO ROMANO, O DOMÍNIO ÁRABE E A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NA FORMAÇÃO DOS 
POVOS ............................................................................................................................................................... 22 
UNIDADE 3 – IDADE MÉDIA: CRUZADAS E FEUDALISMO .................................................................. 37 
UNIDADE 4 – A RECONQUISTA, A FORMAÇÃO DOS ESTADOS IBÉRICOS E AS MONARQUIAS 
PORTUGUESA E ESPANHOLA NO CONTEXTO EUROPEU ................................................................... 40 
4.1 A RECONQUISTA ......................................................................................................................................... 40 
4.2 A FORMAÇÃO DOS ESTADOS IBÉRICOS ..................................................................................................... 41 
4.3 AS MONARQUIAS PORTUGUESA E ESPANHOLA .......................................................................................... 43 
UNIDADE 5 – GUERRAS E REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX QUE ENVOLVERAM OS PAÍSES 
IBÉRICOS ........................................................................................................................................................... 50 
5.1 PRIMEIRA E SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ................................................................................................. 50 
5.2 A GUERRA CIVIL ESPANHOLA .................................................................................................................... 55 
5.3 A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS ..................................................................................................................... 57 
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 60 
 
 
Todos os direitos reservados ao Instituto Prominas de acordo com a convenção internacional de 
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios 
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e 
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 
3 
INTRODUÇÃO 
 
Península Ibérica! Espanha e Portugal! Países europeus que muito 
acrescentaram à nossa cultura! Não, não estamos falando somente de cultura 
brasileira, mas de todo um continente extenso que são as Américas! América 
portuguesa praticamente representada pelo Brasil, mas também América Espanhola 
que se estende do Caribe à Argentina, passando por inúmeros outros países. 
Influentes, desbravadores, grandes conquistadores são algumas das 
características desses dois países que tem uma história bem antiga e rica como 
veremos ao longo do módulo. 
Igualmente são dois países que foram cobiçados por outros povos como os 
muçulmanos e cristãos. 
Não nos esquecemos de Gibraltar e Andorra. Sim, eles fazem parte da 
península Ibérica. 
Península por definição é uma formação geológica consistindo de uma 
extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os 
lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamada 
istmo1. Ou simplesmente, um braço de terra que avança pelo mar, ligando-se ao 
resto do continente pelo chamado istmo. 
A península Ibérica envolve Portugal, Espanha, Andorra e Gibraltar (cuja 
soberania pertence ao Reino Unido). 
Pois bem, começaremos o módulo justamente falando sobre generalidades 
geográficas da península Ibérica para em seguida traçarmos uma linha do tempo 
que nos guiará pela história desses países. Usaremos e “abusaremos” dos mapas, 
uma vez que a visualização ajuda sobremaneira a conhecer e entender a história. 
Lembramos que: 
Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa 
ser científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos licença 
 
1 É o istmo que define o limite de uma península. No caso da Península Ibérica o istmo situa-se a norte dos 
Pireneus, pelo que uma parte do território francês pertence geograficamente à Península Ibérica. 
 
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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios 
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 
4 
para fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para 
que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos 
científicos. 
Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das 
ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se 
tratando, portanto, de uma redação original. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir 
para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 
 
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5 
UNIDADE 1 – ASPECTOS GEOGRÁFICOS DA PENÍNSULA 
IBÉRICA 
 
A história está intimamente ligada à geografia, afinal de contas, as 
conquistas, as invasões e as vitórias, principalmente estas, muitas das vezes 
acontecem devido à contribuição da geografia local e de umbom planejamento 
estratégico, mesmo porque os conquistadores geralmente vislumbram algo de muito 
bom no local a ser conquistado, inclusive sua geografia pode ser um dos fatores 
desencadeantes para sua conquista, portanto, entender a geografia de um local é de 
suma importância e requer o entendimento de alguns conceitos básicos. Vejamos: 
Relevo é o nome dado às diferentes formas apresentadas pela superfície 
terrestre. Aqui encontramos: 
 planície – grande superfície plana e de pouca altitude; 
 planalto – grande superfície plana ou ondulada de média ou grande altitude; 
 montanha – elevação de terreno que se destaca do terreno circundante pela 
sua altitude; 
 vale – espaço compreendido entre dois montes (geralmente onde corre um 
rio); 
 cordilheira – conjunto de montanhas. 
Através dos mapas de relevo conseguimos identificar as diferentes altitudes 
que uma zona pode apresentar através das suas cores: 
 verde – planícies de baixa altitude; 
 amarelo – planícies onduladas e planaltos de baixa altitude; 
 castanho-claro – planaltos de grande altitude e algumas serras; 
 castanho – montanhas de grande altitude (quanto mais escuro for o 
castanho maior a altitude). 
A hidrografia, os recursos naturais, minerais e vegetais, a posição 
estratégica são outros fatores que nos mostram a importância de um país. 
 
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6 
 
1.1 Relevo e hidrografia 
Relevo e principais rios da Península Ibérica 
 
 
A Península Ibérica é uma região bastante montanhosa constituída por um 
conjunto de planaltos e montanhas que se inclinam para ocidente. Destacam-se 
conforme mostra o mapa acima: 
 a Cordilheira Central – cadeia montanhosa que corta a meio o Planalto 
Central; 
 a Cordilheira dos Pirineus – montanhas altas e escarpadas; 
 o Planalto Central – mais extenso e alto dos planaltos peninsulares; 
 a Planície do Ebro; 
 a Planície do Guadalquivir; 
 a Planície do Tejo-Sado. 
 
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7 
Os rios da Península Ibérica nascem nas grandes cadeias montanhosas 
onde abundam as nascentes e as neves. Como estão viradas para ocidente, os rios 
correm nessa direção e vão desaguar no Oceano Atlântico, com exceção do rio Ebro 
que corre para o Mediterrâneo. 
Principais rios da Península Ibérica: 
 rio Minho; 
 rio Douro; 
 rio Tejo – rio com maior extensão; 
 rio Guadiana; 
 rio Sado; 
 rio Guadalquivir; 
 rio Ebro. 
Quanto ao clima, o planeta Terra apresenta diferentes zonas climáticas: 
 zona quente – próxima do Equador; 
 zonas frias – em redor dos polos; 
 zonas temperadas – entre as zonas frias e as zonas quentes. 
A Península Ibérica tem um clima temperado, por isso apresenta as quatro 
estações durante o ano: primavera; verão; outono; inverno. 
Existem também diferenças regionais distinguindo-se três zonas: 
 norte e noroeste – elevada umidade e precipitação, temperaturas suaves 
tanto no Inverno como no Verão; 
 interior – pouca precipitação, invernos muito frios e verões muito 
quentes; 
 sul – pouca precipitação, invernos suaves e verões quentes. 
Essas diferenças se devem aos seguintes fatores: proximidade do mar; 
ventos dominantes; relevo. 
 
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Sobre o tipo de vegetação que existe na Península ibérica, podemos 
distinguir duas zonas: 
 Ibéria úmida – florestas de folha caduca, prados naturais verdes e matagais 
com fetos, giesta, urze e tojo. Junto à costa predominam os pinheiros; 
 Ibéria seca – florestas de folha persistente, matagais e arbustos. Junto à 
costa predominam as palmeiras, as piteiras e os cactos. 
 
1.2 Posição geográfica, formas e dimensões 
Araújo (2001) nos explica que a Península Ibérica faz a transição entre a 
Europa e a África. Todavia, como é difícil e ocioso estabelecer limites num domínio 
de transição, não adianta especular sobre o carácter mais ou menos “africano” da 
Península Ibérica, comum a toda a faixa mediterrânica em que aquela se integra, 
temperada, neste caso, pela sua posição atlântica. 
Sendo a Península europeia que mais se aproxima de África, a Península 
Ibérica funciona como uma ponte entre os dois continentes, o que lhe permitiu ser 
alvo privilegiado das invasões árabes, fato de que decorre uma parte importante da 
história das nações ibéricas durante a Idade Média como veremos mais adiante. 
A conjugação entre uma posição mediterrânica e a sua situação ocidental 
(só ligeiramente ultrapassada pela Irlanda), convertem a Península numa 
encruzilhada de caminhos, frente ao mar e ao Novo Mundo. 
A superfície da Península Ibérica tem 581. 000 km2 (um pouco mais do que 
a França, 6 vezes e meia maior que Portugal). 
A Península Ibérica tem uma largura máxima de cerca de 1000 km, à latitude 
do cabo Finisterra. À latitude de Barcelona, a largura reduz-se para cerca de 800 
km. Aumenta ligeiramente e é de 850 km à latitude do Cabo da Nau (e da península 
de Lisboa). 
Segundo os meridianos, as suas dimensões apresentam valores 
ligeiramente inferiores, mas da mesma ordem de grandeza. Assim, o comprimento 
 
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da Península varia entre 820 km à longitude de Gibraltar e 700 km à longitude de 
Huelva. 
Trata-se de valores bastante próximos, o que mostra, só por si, um carácter 
maciço inequívoco. 
A circunstância de possuir uma ossatura constituída por um núcleo extenso 
de rochas precâmbricas e paleozóicas (Maciço Hespérico) permite à Península 
Ibérica apresentar o seu aspecto maciço. As rochas dessa idade (precâmbricas e 
paleozóicas) afloram raramente na Península Balcânica e nunca na Península 
Itálica. 
Como é natural numa península, a Península Ibérica apresenta um grande 
desenvolvimento dos litorais (4118 km) do qual cerca de metade corresponde ao 
litoral mediterrâneo. 
A linha de costa, sobretudo no litoral mediterrânico, desenvolve-se segundo 
grandes arcos apoiados nos diversos cabos (Finisterra, Carvoeiro, Roca, Espichel, 
Sines, Sagres, Stª Maria, Gibraltar, Gata, Palos, da Nao e de Creus). A costa 
Cantábrica tem um traçado diverso, com um caráter muito mais retilíneo no seu 
conjunto, embora com reentrâncias de pormenor. Trata-se, em linhas gerais, de um 
litoral pouco recortado. As rias2 galegas e o estuário do Tejo são as maiores 
aberturas existentes no litoral da Península Ibérica. 
Essa visão geral não deve conduzir-nos a generalizações excessivas. Com 
efeito, a ideia de que a Península Ibérica apresenta litorais pouco recortados, 
apoiada em mapas de pequena escala, deve ser matizada pela análise dos mapas 
de maior escala, onde já podemos aperceber-nosde algumas reentrâncias, ligadas 
às embocaduras dos rios e (ou) a acidentes geológicos relevantes. Estas últimas, 
em Portugal, agrupam-se em áreas bem definidas, ligadas, geralmente, ao 
afloramento de rochas mesozóicas (veja-se o caso da costa ocidental entre a 
Nazaré e Setúbal e da costa algarvia). 
Numa costa predominantemente retilínea, como é a generalidade da costa 
portuguesa, estes acidentes foram aproveitados, desde tempos mais ou menos 
 
2
 Ria é palavra tipicamente galega e asturiana. Braço de mar que avança terra adentro formando paisagens 
absolutamente únicas. 
 
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antigos, para a localização de portos de pesca e (ou) dos portos comerciais 
modernos. 
Das penínsulas do Sul da Europa, a Península Ibérica é a que se liga ao 
continente por um istmo mais estreito (440 km). Além disso, está separada da 
Europa pelos Pirineus. Por isso, a Península Ibérica funciona, efetivamente, quase 
como uma ilha, destacada do resto da Europa. Atendendo às suas dimensões, 
poderemos dizer que a Península Ibérica corresponde a um continente em 
miniatura, com uma grande diversidade geo-estrutural e climática, que, juntamente 
com a diversidade cultural, contribui para a existência de paisagens muito variadas. 
O isolamento relativamente ao resto da Europa (apoiado nas barreiras 
físicas dos Pirineus e do mar) deve ser explorado de uma forma o menos 
determinista possível. Isto porque barreiras como os Alpes e os Pirineus nunca 
foram intransponíveis. Por outro lado, o mar aproxima mais do que afasta. Tudo 
depende da vontade de ultrapassar os obstáculos físicos e das técnicas postas ao 
seu serviço. Na era das comunicações via satélite, em que uma parte importante do 
tráfego se realiza por via aérea, as cadeias montanhosas perderam, obviamente, o 
seu papel de barreiras significativas (ARAÚJO, 2001). 
A circunstância de ser “quase uma ilha” poderia ter levado a Península 
Ibérica a constituir uma unidade politicamente homogênea. Todavia, ela só atingiu a 
unidade política de forma episódica. Pelo contrário, o espaço Ibérico sempre foi 
atravessado por regionalismos e por culturas diversificadas. A unificação de 
Espanha é um fenômeno relativamente recente, que continua a ser contestado, por 
vezes de forma violenta, em algumas das suas regiões autônomas. A independência 
de Portugal nunca se teria restaurado se a experiência das descobertas e o 
comércio marítimo que se lhe seguiu não tivesse criado interesses econômicos 
fortes que se sentiram ameaçados com a hegemonia imposta por Castela. 
As barreiras físicas funcionam, sobretudo, quando são interiorizadas. 
Assim, a “originalidade” dos processos políticos e sociais dos povos da 
Península a partir do século XV, com um reforço especial a partir dos anos trinta do 
século XX, permitiu que se falasse numa metáfora de evidentes conotações 
 
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geológicas, de uma “jangada de pedra”, a propósito da Península Ibérica (ARAÚJO, 
2001). 
 
 
1.3 Reino de Espanha 
A Espanha ou Reino de Espanha (nome oficial) é o país que se limita com 
Portugal, a oeste; com o Mar Mediterrâneo, a leste e ao sul; e com a França e o 
oceano Atlântico, ao norte. Geograficamente, o território espanhol encontra-se parte 
no hemisfério norte e parte no hemisfério ocidental. 
O país tem como capital a cidade de Madrid. O território do país abrange 
uma área de 504 782 km2, onde está dispersa uma população de aproximadamente 
46 milhões de habitantes (2008). 
A moeda oficial é o Euro, o tipo de governo é a monarquia parlamentarista. 
Possui 17 comunidades autônomas. As principais cidades são: Madri, Barcelona, 
Valência, Sevilha, Zaragoza e Bilbao, Málaga, Oviedo, Vigo, Granada, Alicante, 
Palma de Mallorca. 86% da população é de espanhóis; 5% europeus não espanhóis; 
5% caribenhos, sul e centro-americanos e 3%, outros (dados de 2012). 
 
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12 
Além do idioma oficial que é o espanhol, temos o basco, o galego e o 
catalão. Em termos de religião, o país está assim dividido: cristianismo 90,1% 
(católicos 92,3%, outros 1,8%, dupla filiação 1%, sem filiação 3%), agnoscismo e 
ateísmo 8,1%, outros 0,2%, islamismo 1,6% (dados de 2010). 
A densidade populacional é de 93,4 hab./km2 (estimativas de 2014) com 
uma média de 80% nas cidades e 20% no campo. Dados de 2013 apontavam um 
índice de analfabetismo na casa dos 2% e um IDH muito alto: 0,885. Renda per 
capita em 2013: U$29.180. 
 
1.4 Portugal 
Portugal é um Estado da Europa meridional, cuja parte continental se situa 
no extremo sudoeste da Península Ibérica, ocupando uma área de 91.985 Km2. 
Segundo informações do Instituto Nacional de Estatística de Portugal, em 
2013, a população do país era 10.427.301 pessoas. 
A língua oficial é o português. A língua portuguesa, oriunda do latim popular 
(sermo vulgaris), contributo da civilização romana, é uma língua neolatina ou 
românica e deriva do galaico-português. 
O português, propriamente dito, nasceu da cisão do galaico-português em 
dois falares distintos (galego e português) no período medieval. A sua estrutura de 
língua novilatina manteve-se, mas recebeu, ao longo do seu período de formação, o 
 
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13 
contributo de outras línguas, das quais se destacam o árabe e as línguas 
germânicas. No período renascentista, o grego e, principalmente, o latim erudito 
contribuíram para uma maior variedade vocabular, maior plasticidade da língua e 
para a normativização linguística e gramatical, fixando-se, assim, o português 
moderno. Com as Descobertas, a língua portuguesa adotou vocábulos de origens 
mais longínquas. Nos séculos XVIII e XIX, sofre influência do francês e, no século 
XX, do inglês, resultando de tudo isto o português que hoje se fala em oito países, 
espalhados por cinco continentes, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-
Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste, além da Região 
Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, e de pequenos 
núcleos radicados em Goa, Damão e Diu. 
O português é hoje uma das línguas mais faladas no mundo, estimando-se 
que seja utilizado por cerca de 200 milhões de pessoas 
(http://www.embaixadadeportugal.org.br/portugal/portlingua.php). 
Lisboa, a capital, situa-se às margens do Rio Tejo e tem no Porto sua 
segunda maior cidade, de grande importância e muito conhecida pelo vinho que leva 
seu nome. 
Nos termos da atual Constituição (02 de abril de 1976), a República 
Portuguesa é um Estado de direitodemocrático, baseado na soberania popular, no 
pluralismo de expressão e organização política democrática e no respeito e na 
garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais, que tem por objetivo a 
realização da democracia econômica, social e cultural e o aprofundamento de 
democracia participativa. 
 
1.5 Andorra 
Com uma população em torno de 70 mil habitantes, no ano de 2007 contava 
com a maior expectativa de vida do mundo (média de 83,5 anos), Andorra é um 
pequeno país situado na cordilheira dos Pirineus, entre o nordeste da Espanha e o 
sudoeste da França. Antes isolado, o principado é hoje um país próspero 
principalmente devido ao crescimento do turismo e por seu status de paraíso fiscal. 
 
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O principado é o único país do mundo cuja única língua oficial é o catalão, 
embora represente apenas 0,22% do total de catalanófonos da Europa, a maioria 
deles distribuídos na Catalunha, Valência e Baleares. No seu território também são 
falados o castelhano, o português e o francês, nesta ordem de números de falantes. 
Andorra também é o sexto menor país da Europa, maior apenas que Malta, 
Liechtenstein, São Marinho, Mónaco e Vaticano. Sua capital é a cidade de Andorra-
a-Velha, também conhecida como Andorra la Vella. 
Localização de Andorra na Europa 
 
 
1.6 Gibraltar 
Território britânico ultramarino, Gibraltar localiza-se no extremo sul da 
Península Ibérica. Corresponde a uma pequena península, com uma estreita 
fronteira terrestre a norte, é limitado, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, 
Estreito de Gibraltar e Baía de Gibraltar, já no Atlântico. A Espanha mantém a 
reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população 
gibraltina (GOVERNO DE GIBRALTAR, 2009). 
O nome Gibraltar origina-se na expressão árabe jabal al-Tariq, que significa 
“montanha do Tárique”. A montanha, um promontório militarmente estratégico na 
entrada do mar Mediterrâneo, guarnece o estreito oceânico que separa a África do 
 
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15 
continente europeu. O nome é uma homenagem ao general muçulmano Tárique que 
no ano de 711 d.C. aí desembarcou, iniciando a conquista do reino visigótico. 
 
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Localização de Gibraltar na Europa 
 
 
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UNIDADE 2 – PRÉ-HISTÓRIA DA PENÍNSULA IBÉRICA 
 
A presença de sinais do homem na península Ibérica data de 
aproximadamente 1,2 milhões de anos quando os primeiros hominídeos lá 
chegaram e com o início das guerras Púnicas3, o território entrou no domínio da 
história escrita. 
Como já sabemos, um dos problemas fundamentais da História desse 
período é justamente a questão da “prova”, ou seja, estabelecer a cronologia exata, 
os exatos primeiros habitantes e as relações étnicas, mas os indícios são muitos. 
Faremos uma breve apresentação em formato de linha do tempo, pois temos 
muito a discorrer sobre a Península Ibérica, as cruzadas, o feudalismo, a invasão 
pelos mouros, a reconquista, os cristãos e mulçumanos, as monarquias, as guerras 
contemporâneas como a 1ª e 2ª guerras mundiais, a guerra espanhola, a Revolução 
dos Cravos. Enfim: é um território de inúmeras e ricas histórias. 
 
2.1 Do paleolítico à influência fenícia 
a) É no paleolítico, em torno de 1,2 milhões de anos ou 7000 a.C. que 
encontramos os primeiros vestígios da presença dos hominídeos em Portugal e 
Espanha, principalmente na região de Atapuerca, neste último país existem grutas 
com o registro da presença humana. 
Já o homo sapiens – o homem moderno tem sua entrada na península 
Ibérica no fim do paleolítico. Durante algum tempo, neandertais e o homem moderno 
coexistiram, até a extinção do primeiro, sendo o seu último refúgio do homem do 
neandertal o território atual de Portugal. 
 
3 As Guerras Púnicas foram uma série de conflitos com duração de aproximadamente um século – de 246 a 146 
a.C. – entre as Repúblicas de Roma e Cartago pelo domínio das rotas do mar Mediterrâneo, que era a principal 
via comercial da região na antiguidade fazendo a ligação entre as civilizações e possibilitando o 
desenvolvimento marítimo e comercial. 
Cartago localizava-se na parte norte da África e, por volta do século III a.C., foi berço de uma das mais 
prósperas civilizações comerciais da antiguidade graças ao seu desenvolvimento no Mediterrâneo, que 
possibilitava o comércio de produtos como minério de prata e cereais para a Ásia Menor e Europa. Neste 
contexto a civilização cartaginense tinha em Roma uma das suas principais aliadas comerciais, mas isto não 
perdurou por muito tempo depois que a mesma passou a sentir-se ameaçada economicamente por seu 
desenvolvimento. 
 
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Não vamos discorrer sobre o Mesolítico (período intermediário entre o 
Paleolítico e o Neolítico presente), pois justamente essa sua condição de 
intermediário não acrescenta muito aos nossos estudos. Mas vale saber que as 
regiões que sofreram maiores efeitos das glaciações tiveram Mesolíticos mais 
evidentes. Na península Ibérica, menos afetada pelas glaciações, não se fez sentir 
com intensidade. 
b) O Neolítico, 7000 a.C. a 3000 a.C. é o período em que o homem passou 
de simples coletor para agricultor, levando as populações a fixar-se definitivamente, 
tendo por base uma economia produtora e proporcionando um maior controle das 
fontes de alimentação. 
Pesquisas apontam que a península se desenvolveu tardiamente na 
agricultura, de todo modo trouxe mudanças à paisagem humana e junto com a 
agricultura espalhou por toda Europa Ocidental e parte do Norte da África, 
encontrando em Portugal, um dos centros mais antigos desta cultura. 
Persistem até hoje inúmeros registros, sendo o Cromeleque de Almendres 
(figura abaixo), na região de Évora, o mais importante de toda península, devido ao 
tamanho e ao estado de conservação. 
 
É nesse período que ocorre pela expansão marítima do mediterrâneo, a 
cultura da cerâmica cardial, associada a processos migratórios, embora 
pesquisadores assinalem que foi lento o desenvolvimento das culturas neolíticas nas 
regiões atlânticas. 
 
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Outra característica do neolítico na península Ibérica é o surgimento e 
desenvolvimento da pintura levantina e arte esquemática, encontradas em abrigos 
rochosos das serras no interior da península, representando cenas de grupos, cenas 
estas dinâmicas e figuras humanas mais estilizadas. 
c) No Calcolítico ou Idade do Cobre (3000 a.C. – 1900 a.C.) dá-se o início da 
metalurgia. No caso ibérico, temos o aparecimento das primeiras civilizações e de 
extensas redes de troca e comércio que vão do Norte de África até ao Mar Báltico, 
com relevo para as Ilhas Britânicas. 
Afloram formações geológicas ricas em cobre, ouro e prata que são 
minerados e trabalhados, mas ainda macios demais para substituir as ferramentas 
de pedra. 
A partir do terceiro milênio antes de Cristo e nos séculos seguintes, os bens 
metálicos com fins decorativos e rituais tornam-se mais comuns, assim como os 
rituais funerários e também momento em que há uma demarcação entre as culturas, 
ou seja, a portuguesa mais mediterrânea a sul e leste e outra mais europeia, 
continental a norte e oeste. 
A área metropolitana onde está situada Lisboa mostra o surgimento de 
povoações do período calcolítico. 
d) Idade do Bronze (1800 a.C. – 700 a.C.) – evidentemente foi o período em 
que ocorreu o desenvolvimento da liga resultante da mistura de cobre com estanho, 
permitindo a fabricação de ferramentas capazes de substituir os artefatos em pedra 
e maior interação entre os povos habitantes da península. 
e) Idade do Ferro (700 a.C. – 218 a.C.) – com certeza a dureza do ferro em 
relação ao bronze e um maior número de jazidas desse metal, o qual era importado 
do Oriente (através da emigração de tribos celtas4 que começaram a chegar à 
Europa Ocidental a partir de 1200 a.C.) que já permitia intercâmbio entre os povos, 
acelerou o desenvolvimento da península. 
 
4 Celtas é a designação dada a um conjunto de povos, organizados em múltiplas tribos, pertencentes à família 
linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do noroeste da Europa a partir do II milênio a.C., 
desde a península Ibérica até a Anatólia. 
 
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Já se observava nessa época uma diferença social entre chefes de tribos 
locais e uma elite de cavaleiros. É um período de expansão da cultura celta em 
vários grupamentos pelo lado ocidental da península. 
f) Cultura Fenícia! Fenícios, gregos e cartegineses, todos colonizaram partes 
da península Ibérica, estabelecendo postos comerciais, evidente que vindos pela 
costa mediterrânica. Os fenícios fundaram a colônia de Gadir (atual Cádis), próximo 
de Tartessos, o que fez desta a mais antiga cidade com uma ocupação contínua da 
Europa ocidental, tradicionalmente datada de 1104 a.C.. Ao longo de séculos, os 
fenícios fizeram da cidade o posto comercial, deixando uma vasta herança de 
artefatos, como notáveis sarcófagos. Ao contrário do que por vezes se afirma, não 
há registo de colônias fenícias a oeste do Algarve (nomeadamente Tavira), embora 
possam ter havido viagens de exploração fenícia, e a influência que estes tiveram no 
território do atual Portugal foi feita a partir de trocas comerciais e culturais com 
Tartessos5. 
No século IX a.C., os fenícios de Tiro (Líbano) fundaram Cartago e 
exerceram grande influência na península com a introdução da metalurgia e uso do 
ferro, da roda de oleiro, a produção de azeite e vinho. Foram também responsáveis 
pelas primeiras formas de escrita ibérica, influenciaram a religião e aceleraram o 
desenvolvimento urbano. Há, contudo, falta de provas da fundação fenícia de Lisboa 
em 1300 a.C., sob o nome Alis Ubo (porto seguro), embora neste período datem 
assentamentos em Olissipona com claras influências mediterrânicas. 
Houve uma forte influência e presença fenícia na cidade de Balsa (atual 
Tavira - Portugal) no século VIII a.C., que seria violentamente destruída no século 
VI. Com o declinar da colonização fenícia na costa mediterrânica muitas das 
colônias foram abandonadas, sendo substituídos pelo domínio da poderosa Cartago. 
 
2.2 Dos Iberos à invasão romana 
 
5 Tartessos era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente. Herdeiros da cultura 
megalítica andaluza, que se desenvolveu no triângulo formado pelas atuais cidades de Huelva, Sevilha e Cádis, 
os tartessos poderão ter desenvolvido uma língua e escrita distintas das dos povos vizinhos, com influências 
culturais de egípcios e fenícios. 
 
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Os Iberos eram povos autóctones (natural do país que habita) que habitaram 
o sul e o leste da península Ibérica na Antiguidade. A respeito da sua origem, há 
várias teorias: a primeira considera que os Iberos são os habitantes originais da 
Europa Ocidental e os criadores da grande cultura megalítica que teve início no 
território do Portugal de hoje. Outra teoria sugere que eram povos originários do 
Norte da África, de onde emigraram provavelmente no século VI a.C. para a 
península Ibérica, onde ocuparam uma faixa de terra entre a Andaluzia e o 
Languedoc (na França). Segundo outra teoria, os Iberos seriam de origem 
caucasiana, e teriam construído ópidos6 muito semelhantes às mesmas construções 
encontradas na Escócia. Essa teoria está apoiada em evidências arqueológicas, 
genéticas e linguísticas (MAIA, 1987). 
 Eles são considerados não indo-europeus, ao contrário dos tartessos, 
cônios e celtas que eram considerados indo-europeus. 
Quando as primeiras migrações celtas chegaram ao ocidente europeu, os 
iberos já estavam estabelecidos alguns milênios antes, principalmente no este da 
península ibérica. Foram parceiros comerciais dos Fenícios, os quais fundaram 
dentro do território dos Iberos várias colônias comerciais, como Cádis, Eivíssia e 
Empúrias. Contra os romanos, a aliança entre Iberos e Celtas tornou-se mais forte e 
a partir do no século I a.C. formaram o povo conhecido como Celtiberos. 
Os cónios (do latim, Conii) eram os habitantes das atuais regiões do Algarve 
e Baixo Alentejo, no sul de Portugal, em data anterior ao século VIII a.C., até serem 
integrados na Província Romana da Lusitânia. 
Para os defensores das teorias linguísticas atualmente aceitas, os cônios 
teriam origem celta. Antes do século VIII a.C., a zona de influência cônia, segundo 
estudo de caracterização paleoetnológico da região, abrangeria muito para além do 
sul de Portugal, desde o centro de Portugal até ao Algarve e todo o sul de Espanha 
até Múrcia. 
No Baixo Alentejo e Algarve foram descobertos vários vestígios 
arqueológicos que testemunham a existência de uma civilização detentora de 
escrita, a denominada escrita do sudoeste, anterior à chegada dos fenícios, e que se 
 
6
 Seria a principal povoação em qualquer área administrativa do Império Romano 
 
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teria desenvolvido entre o séculos VIII-V a.C. A escrita que está presente nas 
lápides sepulcrais desta civilização e nas moedas de Salatia (Alcácer do Sal) é 
datável na Primeira idade do Ferro, surgindo no sul de Portugal e estendendo-se até 
à zona de fronteira. 
Os Celtas, como já falamos, é a designação dada a um conjunto de povos, 
organizados em múltiplas tribos, pertencentes à família linguística indo europeia que 
se espalhou pela maior parte do noroeste da Europa a partir do II milênio a.C., 
desde a península Ibérica até a Anatólia. 
As origens dos povos celtas são controversas, especulando-se que entre 
1900 – 1500 a.C. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores 
danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes. Esta incerteza 
deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas, que além de englobarem 
grupos distintos, parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. 
Na península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, 
o que resultou no surgimento dos celtiberos. Estudos defendem que as Escritas 
paleohispânicas encontradas em estelas no sudoeste da península Ibérica 
demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do 
sudoeste de Espanha. 
Obs.: provavelmente o nome península ibérica foi dado pelos celtas devido 
ao rio Ebros (Iberus). 
 
2.3 A invasão do império romano, o domínio árabe e a importância 
da língua na formação dos povos 
A conquista romana da península Ibérica iniciou-se no contexto da Segunda 
Guerra Púnica (218-201 a.C.), quando as legiões romanas se movimentaram 
taticamente, a fim de atacar pela retaguarda os domínios de Cartago na região. 
De fato, a influência cartaginesa na península Ibérica permitia um expressivo 
reforço, tanto de suprimentos quanto de homens, a Cartago. A estratégia do senado 
romano visava, assim, enfraquecer as forças cartaginesas, afastando os seus 
exércitos da península Itálica. 
 
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A derrota dos cartagineses, no entanto, não garantiu a ocupação pacífica da 
península. A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, 
denominados genericamente Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., 
denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acesa 
pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da atual Andaluzia. 
Ao iniciar-se a fase imperial romana, a Pax Romana de Augusto também se 
fez sentir na Hispânia: com o fim das Guerras Cantábricas, a partir de 19 a.C., as 
legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos 
cântabros e astures. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras e 
pacificava-se a região, de modo a que não constituísse ameaça para as populações 
do vale do rio Ebro e da chamada Meseta, já em plena romanização. 
Eis que de todos esses acontecimentos, podemos de antemão inferir que 
tanto o galego antigo como o castelhano e as demais línguas históricas e porventura 
faladas na Península Ibérica foram muito importantes na formação do português e 
do galego atuais, sob diferentes e variados aspectos, tais como: o léxico, a fonética, 
as estruturas sintáticas, morfológicas e semânticas, entre outros (AREÁN-GARCIA, 
2009). 
O galego, o português, o castelhano, como também a maioria das línguas da 
região, exceção feita ao basco, originaram-se do processo de romanização da 
Península aliado ao substrato indo-europeu característico de cada localidade e ainda 
somado aos superstratos germânicos e aos adstratos vizinhos. 
De acordo com o mapa 1 abaixo, podem ser notados os diferentes povos 
que habitaram a Península Ibérica antes da colonização do Império Romano e que 
devem ter contribuído decididamente com o substrato local na origem do processo 
de formação das línguas atuais. 
Mapa 1 - Povos pré-ibéricos e ibéricos 
 
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Por exemplo, nota-se que a região que foi o berço do galego-português era, 
no período pré-romano, ocupada pelos povos galaicos e lusitanos que ali deixaram 
um substrato característico de seus falares como herança linguística. 
No ano de 210 a.C., iniciou-se a colonização da Península Ibérica como 
empreendimento da expansão do Império Romano, que inicialmente, conforme o 
mapa 2, nota-se que se deteve no litoral mediterrâneo principalmente visando a 
estabelecer o domínio de cidades de colonização grega e fenícia. Posteriormente, 
de 197 a 133 a.C., durante o Império de Augusto, houve uma grande investida em 
direção ao interior da Península com sua quase total incorporação ao Império, 
ficando apenas o extremo norte povoado pelos bascos e cântabros, e extremo 
noroeste, povoado pelos galaicos à margem imperial. Segundo Bassetto (2001, p. 
102), somente em 19 d.C., os povos do norte e noroeste foram romanizados, ainda 
que Estrabão, em sua Geografia (29 a.C.), afirme que estes povos caracterizavam-
se pela “brutalidade e selvageria”. 
 
Mapa 2 - Expansão do império romano na Península Ibérica 
 
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Durante o processo de romanização, foram introduzidos vários elementos 
socioculturais desconhecidos pelos povos autóctones, tais como: 
 o direito romano; 
 a língua latina (processo de latinização); 
 a organização militar, civil e política; que foram assimilados pelos povos 
autóctones da Península conforme a estratégia de colonização aplicada a 
cada localidade, visando à manutenção e integridade do Império. 
Como reflexo dessa romanização, nota-se no Mapa 3, a seguir, que na 
evolução da divisão política, a região dos povos galaicos foi a de último interesse 
para o Império Romano. No ano 287, a Gallaecia, província do Império de 
Dioclesiano, foi descrita por geógrafos e historiadores como os territórios 
compreendidos desde o Mar Cantábrico até o rio Douro e, desde Finisterris até a 
Cantábria. Suas principais cidades eram Brigantium, atual cidade de La Corunha; 
Lucus Augusti, atual cidade de Lugo; Braccara Augusta, atual cidade de Braga e 
Portucale, atual cidade do Porto. 
Mapa 3 – Divisão da península ibérica durante o império romano 
 
Em Conimbriga (PT), encontram-se as ruínas de uma das maiorespovoações romanas de que há vestígio em Portugal. Há autocarros (ônibus) saindo 
de Coimbra (uma bela cidade do ano 1111, que abriga a Universidade de mesmo 
 
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nome, datada de 1290) e táxi que levam a Conímbriga com tempo de espera de 1 
hora para visitar as ruínas cobrando em torno de 50 euros. É uma experiência que 
vale a pena, pois nos transportamos no tempo e revivemos uma parte muito 
interessante da colonização romano bem perto de nós, conforme pode ser 
observado pelas duas fotos abaixo tiradas em novembro de 2014. 
Conimbriga – ruínas romanas em Portugal 
 
 
 
Segundo Monteagudo (1999, p. 62), os fatores fundamentais que 
contribuíram para a latinização da região noroeste da península foram: 
 a reorganização político administrativa com a demarcação do território, que 
afetou principalmente as elites locais; 
 o exército romano, que afetou diretamente os falares das classes mais baixas; 
 a política de concessão de direitos e de cidadania romana; 
 a criação e o crescimento das cidades; 
 
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 a exploração mineira; 
 a escola de Braga; 
 a rede viária que facilitou a mobilidade territorial e possibilitou a integração da 
Gallaecia ao resto da prefeitura de Hispania, promovendo também a 
intensificação das atividades comerciais e a imigração de latinos falantes em 
direção à região. 
É interessante notar que, se por um lado, a mobilidade no território 
promoveu uma grande variedade linguística, por outro lado se apoiou no uso do 
latim como língua franca. 
Segundo Monteagudo (1999, p. 56), em termos sociolinguísticos, a diglossia 
proveniente da latinização acabou desencadeando um processo massivo de 
assimilação linguística, que culminou com a extinção das línguas autóctones na 
parte ocidental do Império. Dessa maneira, o latim se sobrepôs às línguas locais e 
distintas em épocas diferentes na Península Ibérica, significando que, durante a 
romanização, nunca deve ter havido uma unidade linguística total na região 
peninsular. Também, convém notar que os distintos povos conquistados ao adotar o 
latim, devem ter passado a pronunciá-lo com seus próprios hábitos articulatórios e a 
incorporar ao seu léxico palavras autóctones, formando variedades dialetais 
características. Com a construção das vias romanas, foi estimulada a maior 
interação entre os povos, propiciando as mais variadas interferências linguísticas, 
além do contato permanente com Roma e suas variantes do latim. 
No entendimento de Bassetto (2001, p. 110), a norma vulgar foi 
preponderante no processo de difusão e fixação do latim nas províncias, uma vez 
que era falada pelo exército, pelos colonos civis e militares e pelos comerciantes – 
que mantinham contato direto e permanente com as populações autóctones. 
Assim, a Gallaecia, uma das últimas regiões a ser romanizada na Península, 
já moldava suas características, como fruto sociolinguístico, na assimilação do latim. 
 
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Mapa 4 - Principais zonas de imigrações na Península Ibérica 
 
 
Com o enfraquecimento do Império Romano no final do século IV, 
começaram as grandes migrações de povos não romanos que duraram quase dois 
séculos (BASSETTO, 2001). 
Os vândalos, povos germânicos orientais e linguisticamente ligados ao 
gótico, estavam divididos em: ásdingos e sílingos; que, como aliados dos suevos 
(povos germânicos ocidentais) e dos alanos (de origem indo-iraniana), chegaram à 
Península Ibérica. Os suevos e ásdingos seguiram para a região da Gallaecia, os 
alanos (povos não germânicos) para a Lusitânia, e os sílingos para a Bética. 
Posteriormente chegaram os visigodos à Península, originários do sul da 
Escandinávia, que dizimaram os sílingos na Bética e perseguiram os alanos e 
ásdingos, obrigando-os a se fixarem na região de Vandalusia, “terra dos vândalos” 
(atual Andaluzia). 
De acordo com Mariño Paz (1988, p. 59), os povos ásdingos (vândalos), que 
inicialmente se fixaram na Gallaecia juntamente com os suevos em 411, se 
deslocaram da na região entre o rio Douro e Tejo, já em 419, para o sul da Bética e, 
posteriormente para o norte da África, sendo perseguidos pelos visigodos da 
Península e pelas milícias do Império Bizantino. Assim, em 534, a região de 
Vandalusia foi tomada pelo Império Bizantino de acordo com o empreendimento 
militar de destruir o reino vândalo, conforme o ilustrado no Mapa 4, a seguir 
(AREÁN-GARCIA, 2009). 
 
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Segundo Monteagudo (1999, p. 69), os suevos, pouco romanizados e, 
inicialmente, não cristãos, seriam os responsáveis por dar início ao particularismo da 
língua galego-portuguesa, ao se instalarem na Gallaecia no início do século V, em 
411. A fusão dos povos galaicos-romanos e suevos, foi um processo prolongado que 
parece somente ter se estabilizado em 559 com a conversão destes ao catolicismo. 
Seu reino ocupou desde a região norte do rio Tejo e toda a província da 
Gallaecia com a capital em Braga, mas sucumbiu em 585 com as campanhas de 
expansão do reino visigodo de Leovigildo, que em 618 já dominava quase toda a 
Península Ibérica, conforme o exposto no Mapa 5, a seguir. 
 
Mapa 5 – Reino dos povos não românicos na Península Ibérica 
 
 
De acordo com Bassetto (2001, p. 152), no século VI, iniciou-se uma grande 
expansão dos domínios árabes impulsionada, principalmente pela incipiente religião 
Islâmica. Após a morte de Maomé, em 632, com a Guerra Santa, em dois anos, a 
expansão, encabeçada pelo Califa Abu Bakr, estendeu-se por toda a Península 
Arábica. 
Com o Califa Omar, o Império Árabe tornou-se uma teocracia com 
administração militar, na qual o comandante militar era também o governador civil, 
 
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chefe religioso e juiz supremo. Em 645, o Império Árabe já dominara a Síria, a 
Palestina, o Egito e a Líbia, e, em 698, também toda a África do Norte. 
Dessa forma, pouco mais de cem anos foi o tempo bastante para que os 
árabes tivessem conseguido estender sua religião e língua, bem como seu domínio 
político em um imenso espaço que ia desde o Oceano Índico ao Atlântico. 
Segundo Saraiva (1999, p. 33), os fatores que explicaram essa rapidez 
foram a fraqueza dos impérios vizinhos,ou seja, o Império Persa e Império 
Bizantino, as ferozes lutas religiosas que então se travavam no Oriente Próximo, 
entre judeus e cristãos e a situação das populações oprimidas das áreas 
conquistadas, que em várias regiões, como por exemplo, no Norte da África e toda 
Península Arábica, os acolheram como libertadores. 
Devido à rapidez da conquista e facilitada pelo traçado das vias romanas, 
em 711, a expansão do Império Árabe já se iniciava na Península Ibérica, com as 
conquistas de Tarik e Musa, durante a dinastia dos Omíadas. Segundo Bassetto 
(2001, p. 148), no ano seguinte, Tarik já conseguira a conquista de Toledo, e em 
732, quando já conquistara quase toda a Península, foi derrotado na batalha de 
Poitiers pelos Francos, conforme Mapa 6, a seguir. 
Mapa 6 – Expansão do domínio Árabe na Península Ibérica 
 
 
 
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De acordo com Saraiva (1999, p. 35-36), também a atitude dos povos 
visigodos da Península favoreceu o seu rápido domínio, pois a situação das 
populações perante o domínio árabe dependia da atitude que assumiam diante da 
nova religião: se a aceitavam, faziam parte da comunidade; se continuavam fiéis ao 
cristianismo, podiam manter suas propriedades, mas eram obrigadas a pagar 
tributos; se resistiam com armas eram aniquiladas. Portanto, a resistência armada 
não foi o caso mais geral, afinal os tributos teriam que ser pagos quer o senhor fosse 
cristão, quer islâmico. 
Assim, segundo Bassetto (2001, p. 149), foi a religião o fator fundamental de 
distanciamento entre as populações árabes e românicas, concluindo-se que também 
foi um fator de distanciamento entre as línguas latinas e arábicas. No entanto, nesse 
período, a população visigoda dividiu-se em: moçárabes, que permaneceram 
cristãos, e muladis, que se converteram ao islamismo, mas continuaram com a 
língua romance. 
Durante o período de conquistas, os árabes ampliaram seu conhecimento 
através da absorção das culturas de outros povos, levando-as adiante a cada nova 
conquista e espalhando-o por seus territórios (AREÁN-GARCIA, 2009). 
A cultura árabe caracterizou-se pela construção de palácios e mesquitas 
com seus jardins exuberantes. Destacam-se, nestas construções, os arabescos para 
ilustração e decoração, nos quais houve o emprego e a disseminação da geometria 
e álgebra aplicadas. A literatura também teve um grande valor, com obras até hoje 
conhecidas no Ocidente, tais como: As mil e uma noites, As minas do rei Salomão e 
Ali Babá e os Quarenta ladrões. Especificamente na Península Ibérica, assim como 
o Império Romano floresceu na Bética, também o Império Árabe floresceu ao sul da 
península. Sevilha foi um grande centro irradiador de sua cultura, principalmente 
durante o século XI e XII, ali se desenvolveram a medicina, filosofia, direito, história, 
astronomia, teologia e as letras, com grande destaque à poesia. Como 
personalidades importantes culturalmente desse período, destacam-se Averróis 
(1126-1198) e Maimônides (1135-1204). Ainda que a cultura árabe, com sua técnica 
e ciência, tenha sido muito mais refinada e, sob determinados aspectos, muito mais 
desenvolvida que a dos povos românicos ali instalados, é curioso notar que a língua 
dos dominadores não se sobrepôs à dos dominados (AREÁN-GARCIA, 2009). 
 
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 
33 
É interessante notar também que a duração do domínio árabe variou muito 
de região para região na Península Ibérica. Nunca chegou a ser exercido nas terras 
mais setentrionais, pois ao norte do Rio Ebro já retornara ao domínio cristão em 809. 
As cidades de Porto e Braga foram conquistadas pelos cristãos em 868, Coimbra em 
1064, e Lisboa em 1147. Já Sevilha, Córdoba e Faro fizeram parte do Império Árabe 
durante cerca de seis séculos e Granada somente deixou de fazer parte deste 
domínio no final do século XV. Apesar do grande legado linguístico deixado pelos 
árabes, principalmente no castelhano, segundo Saraiva (1999, p. 34), as variações 
do domínio árabe em cada região repercutiram diretamente na intensidade da 
influência da cultura árabe sobre as populações peninsulares, mas foi limitada na 
linguagem: não deixando vestígios na sintaxe e no léxico contribuindo com cerca de 
oitocentos vocábulos. 
Segundo Barraclough e Parker (1999 apud AREÁN-GARCIA, 2009), durante 
o Império Árabe também houve invasões na Península Ibérica de normandos 
(“homens do norte”), povos provenientes da Escandinávia, guerreiros-marinheiros 
que entre o século VIII e o século XI pilharam, invadiram e colonizaram as costas da 
Europa e ilhas Britânicas. 
Estes povos, que manejavam muito bem as embarcações à vela, marcaram 
sua presença nas costas do Atlântico e, posteriormente, do Mediterrâneo. Embora 
sejam conhecidos principalmente como disseminadores da destruição, fundaram 
povoados e fizeram comércio pacificamente. Entretanto, em 844, costeando a 
Península Ibérica, desde o Cantábrico até o Mediterrâneo, saquearam Gijón, A 
Corunha, Lisboa, Beja, o Algarve, Cádiz e Sevilha. Posteriormente, em 859, 
atacaram Valência, as Ilhas Baleares e Barcelona. Porém, parecem ter deixado 
poucas influências linguísticas em seu rastro pela Península. 
Segundo Saraiva (1999, p. 33-36), o que realmente teve impacto marcante 
na formação das atuais línguas da Península Ibérica foi o processo de reconquista 
dos territórios peninsulares pelos cristãos, cujo início é a ruptura do Império Árabe, 
seu enfraquecimento político após a crise dos Omíadas, bem como a distância entre 
al-Andalus e o centro do Império na Península Arábica, além do desinteresse dos 
árabes pelo norte ibérico. 
 
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34 
Em 756, de acordo com Barraclough eParker (1999, p. 120-121 apud 
AREÁN-GARCIA, 2009), Abd ar-Rahman, o único sobrevivente dos Omíadas da 
revolução árabe que levou os Abássidas ao poder do Império, fugiu da Península 
Arábica e, ao chegar a al-Andalus, proclamou ali sua independência com a capital 
em Córdoba, tornando-se o novo califa da região. Abd ar-Rahman I, reestruturou o 
seu regime monárquico, baseado nas anteriores monarquias visigodas, como 
também reestruturou as instituições administrativas e fiscais adaptando-as à 
realidade social da região. No século VIII, Al-Hakam (796-822) conseguiu 
reestruturar o exército de al-Andalus, entre outras coisas, por meio de incentivos e 
da manutenção de um salário permanente, com o qual pode conter diversas revoltas 
internas e enfrentar o primeiro ataque forte dos povos cristãos do norte provenientes 
do reino de Astúrias de Alfonso II. 
Nas primeiras décadas do século IX, o governo de Abd ar-Rahman II, 
centralizado em Córdoba, promoveu uma melhoria nas condições sociais das 
populações andaluzas e introduziu algumas regalias aos muladis, incentivando a 
conversão religiosa ao Islamismo. Entretanto, a partir da segunda metade do século 
IX, começou a ocorrer uma grande crise política com a revoltade várias regiões que 
estavam submetidas ao poder central do emirado de Córdoba, conforme o Mapa 7, a 
seguir. Além disso, nesse período também ocorrem revoltas e descontentamentos 
da população moçárabe e cristã, devido ao processo de hegemonia árabe, a 
“arabização” cultural que deixava à margem social os não muçulmanos, aliada a 
berberes e muladis irritados com as diferenças a favor dos árabes e sírios (AREÁN-
GARCIA, 2009). 
Mais adiante falaremos sobre a origem de Portugal que se situa 
contextualmente no início do século XII, quando por intransigência, houve a 
perseguição e a expulsão das minorias não muçulmanas, principalmente moçárabes 
e judias, que passaram a se fixar em território cristão. Pouco depois, iniciou-se a 
decadência e as divisões internas, o que permitiu aos cristãos a retomada e o 
sucesso do seu empreendimento de expansão: a Reconquista. 
 
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35 
Mapa 7 - Crise do emirado de Córdoba 
 
 
Guarde... 
A verdade é que na península Ibérica, a romanização ocorreu 
concomitantemente com a conquista, tendo progredido desde a costa mediterrânica 
até ao interior e à costa do oceano Atlântico. Para esse processo de aculturação 
foram determinantes a expansão do latim e a fundação de várias cidades, tendo 
como agentes, a princípio, os legionários e os comerciantes. 
Os primeiros, ao se miscigenarem com as populações nativas, constituíram 
famílias, fixando os seus usos e costumes, ao passo que os segundos iam 
condicionando a vida econômica, em termos de produção e consumo. Embora não 
se tenha constituído uma sociedade homogênea na península, durante os seis 
séculos de romanização, registraram-se momentos de desenvolvimento mais ou 
menos acentuado, atenuando, sem dúvida, as diferenças étnicas do primitivo 
povoamento. 
A língua latina acabou por se impor como língua oficial, funcionando como 
fator de ligação e de comunicação entre os vários povos. As povoações, até aí 
predominantemente nas montanhas, passaram a surgir nos vales ou planícies, 
habitando casas de tijolo cobertas com telha. Como exemplo de cidades que 
surgiram com os Romanos, temos Braga (Bracara Augusta), Beja (Pax Iulia), 
Santiago do Cacém (Miróbriga), Conímbriga e Chaves (Aquae Flaviae). 
 
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A indústria desenvolveu-se, sobretudo, a olaria, as minas, a tecelagem, as 
pedreiras, o que ajudou a desenvolver também o comércio, surgindo feiras e 
mercados, com a circulação da moeda e apoiado numa extensa rede viária (as 
famosas “calçadas romanas”, de que ainda há muitos vestígios no presente) que 
ligava os principais centros de todo o Império. 
A influência romana fez-se sentir também na religião e nas manifestações 
artísticas. Tratou-se, pois, de uma influência profunda, sobretudo a sul, zona 
primeiramente conquistada. Os principais agentes foram os mercenários que vieram 
para a Península, os grandes contingentes militares romanos aqui acampados, a 
ação de alguns chefes militares, a imigração de romanos para a Península, a 
concessão da cidadania romana. 
 
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UNIDADE 3 – IDADE MÉDIA: CRUZADAS E FEUDALISMO 
 
A Europa passou por um longo período de instabilidade após a queda do 
Império Romano em 476. Conforme alguns historiadores, a formação do feudalismo 
se deu do século III (ainda em meio a crise do Império Romano) até o século IX. 
Todo esse período foi marcado por invasões e instabilidade. 
Do século IX ao XI veio o período de consolidação do feudalismo, e depois 
chegamos a Baixa Idade Média, quando a Europa passava por transformações e 
atingiria o apogeu do sistema feudal. 
O século XI apresentou uma era de progresso para a Europa. Mesmo que 
nesse tempo começassem as Cruzadas, em paralelo assistiríamos ao Renascimento 
Comercial e Urbano e o desenvolvimento da Burguesia. 
No fim do século XI, o papa Urbano II convocou o Concílio de Clermont, no 
qual invocava os cristãos europeus para que fossem lutar pela “Terra Santa” 
(Jerusalém), que havia sido tomada pelos “infiéis” muçulmanos. 
Iniciaria aí, um período de quase 200 anos de guerra entre cristãos e 
muçulmanos (1095-1270), sobre o qual destacamos as principais causas: 
 os cristãos (tanto católicos quanto ortodoxos) visavam reaver o controle de 
Jerusalém, local de peregrinação tomado pelo império árabe-muçulmano; 
Jerusalém é a região do santo sepulcro, local do sepultamento de Jesus 
Cristo; 
 o papa ia em socorro dos bizantinos, que sofriam derrotas militares para os 
muçulmanos, mas visava a reunificação da cristandade sob seu comando, 
uma vez que os bizantinos haviam se separado do catolicismo há poucas 
décadas quando criaram a Igreja Ortodoxa; 
 muitos nobres iam em busca de terras, pois havia o crescimento populacional 
da nobreza europeia também. A nobreza chegou a criar reinos feudais ao 
redor de Jerusalém; 
 o papa havia prometido o perdão dos pecados (indulgências) aos cavaleiros 
que participassem das expedições. Como era uma época de muita fé, reis 
 
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importantes, como Ricardo Coração-de-leão da Inglaterra, atenderam à 
convocação da Igreja. 
Ao fim de oito grandes expedições (incrementadas por expedições menores 
intermediárias), os católicos conseguiram vencer apenas a primeira Cruzada. A 
“Terra Santa” ficaria sob o poder muçulmano. Porém, em meio ao insucesso militar 
cristão, novas rotas comerciais se abriam. Os caminhos usados pelos cavaleiros 
cruzados agora eram também usados para se trazer especiarias do Oriente. As 
cidades italianas desenvolviam seu comércio mediterrâneo e impulsionavam o 
Renascimento Comercial e Urbano. 
Portugal, especialmente, viria a beneficiar das Cruzadas em trânsito para o 
Médio Oriente, tendo estas desempenhado um papel importantíssimo na tomada de 
algumas cidades portuguesas e subsequente expansão, bem como na fundação do 
próprio Reino de Portugal. 
A Europa vivia seu período de estabilidade e o feudalismo, bem como suas 
instituições, iam bem desde o século XI. Porém, o século XIV apresentou uma 
devastadora crise que colocaria em xeque o Sistema feudal e a organização política 
e econômica da Europa daquela época. Instaurava-se a Crise do Feudalismo. 
Era uma crise vista como inerente ao próprio sistema e suas contradições 
internas, uma vez que o feudalismo por si só era de produção para subsistência, 
mas assistia a um crescimento populacional muito grande e via o embrionário 
capitalismo surgir, com a burguesia e o comércio internacional, seja de especiarias 
ou artigos regionais. 
Mas o que desencadeoude fato a crise foi a crise ecológica/agrícola da 
década de 1330, quando a produção mal dava para alimentar os camponeses, que, 
subnutridos, ainda tinham que sustentar clero e nobreza. Veio a fome, seguiram-se a 
peste e as revoltas. E para coroar esta crise, a Guerra dos Cem Anos. O feudalismo 
não resistiria, e alternativas foram aparecendo. Era época da formação das 
Monarquias Nacionais, do crescimento do comércio e da burguesia. Os reis, a 
nobreza e a burguesia teriam que se rearticular para resolver essa crise (é daí que 
observamos o nascimento do Absolutismo). A queda de Constantinopla, pelos 
Turcos Otomanos, em 1453, foi o golpe final, pois dificultava ainda mais a situação 
 
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ao distanciar ainda mais as especiarias dos mercadores ocidentais (as Navegações 
do século XV e XVI seriam a solução). 
Ao mesmo tempo, o Renascimento, com as críticas ao poder católico, estava 
engatinhando. 
Sobre a crise agrícola da década de 1330, é importante saber que mesmo 
que as técnicas e a produção de alimentos estivessem melhorando, a população 
estava crescendo como não crescia antes. Na realidade, crises agrícolas eram mais 
ou menos comuns na Idade Média europeia, mas a crise que se estabeleceu a partir 
desta crise levou muita gente à fome e deixou milhões de europeus suscetíveis às 
doenças. 
Quanto à Peste Bubônica, naquela época era chamada de “peste negra” 
devido às manchas negras que deixava pelo corpo da vítima atingida pela bactéria 
yersinia pestis, transmitida aos humanos por pulgas. 
No período, a Europa tinha muitos esgotos a céu aberto, lixos mal 
acomodados e ainda sofria da crise agrícola, tornando-se um alvo fácil para a 
pandemia que veio do oriente, possivelmente junto com as especiarias que 
chegavam da China. 
Aproximadamente 25 milhões de pessoas morreram em poucos anos. Era 
um terço do total da população europeia da época. A peste negra causou, além das 
mortes, uma época de grande fervor religioso e de perseguição a grupos religiosos 
minoritários, como os judeus. 
 
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UNIDADE 4 – A RECONQUISTA, A FORMAÇÃO DOS 
ESTADOS IBÉRICOS E AS MONARQUIAS PORTUGUESA E 
ESPANHOLA NO CONTEXTO EUROPEU 
 
4.1 A reconquista 
O processo histórico conhecido como Guerra de Reconquista consistiu na 
retomada dos territórios conquistados pelos mouros (berberes que professavam a 
religião muçulmana) na Península Ibérica. Apesar de boa parte dos historiadores 
considerarem a reconquista restrita ao século XV, é possível afirmar que ela se 
compôs de uma série de batalhas ocorridas entre os séculos VIII e XV. 
A invasão da Península Ibérica se deu a partir do norte da África durante a 
expansão do Império Islâmico, por volta do ano de 711. Sob o comando de Tarik ibn-
Zyiad, as tropas mouras obrigaram os visigodos que habitavam o local a se 
refugiarem no norte da Península, na região montanhosa das Astúrias. As condições 
geográficas facilitavam a defesa dos visigodos na região, possibilitando ainda 
investidas contra as possessões mouras que eram constituídas. 
A primeira revolta que se tem notícia foi a revolta de Pelágio (ou Pelayo), em 
718, iniciando a resistência e avanço dos cristãos contra os mouros que 
conquistavam a península. A luta por conquista de territórios se transformava 
também em uma luta religiosa opondo os cristão e os muçulmanos. 
Porém, entre os séculos VIII e XI, foram os mouros a conseguirem os 
maiores feitos, conquistando quase toda a Península Ibérica e consolidando-se com 
a formação do Emirado de Córdoba. 
Mas a partir do século XII, com o apoio do movimento das cruzadas, os 
reinos cristãos da região passaram a ampliar sua dominação. Vários reinos e outros 
territórios foram criados após as batalhas: Condado Portucalense, Reino de Aragão, 
Reino de Castela, Reino de Navarra e Reino de Leão. A partir dessas conquistas, 
exércitos foram formados para lutar contra os mouros, garantindo a manutenção das 
posições geográficas conseguidas. 
 
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As principais consequências das Guerras de Reconquista foram a criação de 
dois Estados Nacionais: Portugal e Espanha. 
A formação de Portugal ocorreu a partir da formação do Condado 
Portucalense, no noroeste da Península, expandindo-se para a faixa litorânea ao sul, 
conquistando áreas urbanas e de forte comércio que eram controladas pelos 
mouros. O caso mais notório foi a conquista da cidade de Lisboa pelas tropas de 
Afonso Henriques, auxiliadas por cruzados ingleses, em 1147. Essa conquista 
fortaleceu Afonso Henriques econômica e politicamente frente aos senhores feudais 
do Norte, pois ampliou os territórios sob seu controle e o colocou em contato com 
uma economia monetarizada, que havia sido desenvolvida nas cidades litorâneas. 
Mapa 8 – reconquista cristã na Península Ibérica 
 
Essa situação fortaleceu Afonso Henriques e sua dinastia, Borgonha, que 
governou até 1383, quando foram derrotados na revolução de Avis. Entretanto, as 
condições para a formação do primeiro Estado Nacional europeu, Portugal, foram 
constituídas durante a Guerra de Reconquista, aliada com a ação de algumas 
cruzadas. Veremos mais detalhes adiante. 
 
4.2 A Formação dos Estados Ibéricos 
 
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42 
Existe relações próximas entre a expansão marítima europeia, passagens do 
feudalismo para Idade moderna e, claro, os processos de formação das monarquias 
europeias, aqui mais especificamente Portugal e Espanha, países da península 
Ibérica, nosso objeto de estudo. 
Segundo Sousa (2011), para tentarmos compreender esse conjunto de 
fatores históricos, devemos frisar como o reaquecimento das atividades comerciais, 
a crise das práticas feudais e o movimento das cruzadas foram de central 
importância para que essas duas nações desbravassem novas rotas marítimas que 
transformaram tanto o eixo comercial europeu, quanto a visão que o homem 
europeu tinha do mundo. 
Em certo aspecto, as Cruzadas foram de fundamental importância para a 
expansão comercial europeia. Tomados pela pregação papal que reivindicava o 
controle cristão da cidade de Jerusalém e a perseguição dos “infiéis” (em sua grande 
maioria muçulmanos), vários exércitos da Europa partiram rumo ao Oriente. O 
movimento cruzadista, sob seu apelo religioso, foi responsável pela consolidação de 
novas rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente. 
No entanto, esse desdobramento econômico-religioso também pôde ser 
observado dentro da Península Ibérica. No século VII, vários grupos muçulmanos 
empreenderam a expansão do MundoÁrabe e, dessa forma, estabeleceram-se 
dentro da Península Ibérica. No século XI, o contexto das Cruzadas e da Baixa 
Idade Média ofereceram a formação do chamado movimento de Reconquista. 
Nesse movimento, os reinos cristãos de Leão, Castela e Aragão se 
unificaram com o objetivo de anular a presença muçulmana da região. Por meio 
dessa mobilização teríamos, em 1469, o ensaio da formação do Estado espanhol 
que se consolidou vinte e dois anos mais tarde (1492) no momento em que a 
expulsão muçulmana havia se concretizado. 
Durante a Reconquista, os reinos de Leão e Castela obtiveram o apoio do 
nobre francês Henrique Borgonha que – em troca de sua participação nos conflitos – 
recebeu as terras do Condado Portucalense nos fins do século XI. Nessa troca, anos 
mais tarde, formar-se-ia o território originário do Reino de Portugal. 
 
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No século XIV, mediante a crise sucessória causada pelo fim da dinastia de 
Borgonha, um conjunto de comerciantes da região se mobilizou contra uma possível 
reintegração do Condado Portucalense aos reinos de Leão e Castela. 
Empreendendo uma guerra contra os castelhanos, o reino de Portugal foi 
consolidado pela Revolução de Avis. Em 1385, os comerciantes portucalenses 
apoiaram a ascensão política do chefe da Ordem Militar de Avis, Dom João. 
Com a estabilidade política conquistada por tais processos, a influência do 
legado científico árabe e os novos valores renascentistas, as burguesias mercantis 
ibéricas foram as primeiras a desenvolverem uma tecnologia marítima capaz de 
consolidar novas rotas comerciais e, posteriormente, a conquista do continente 
americano. 
 
4.3 As monarquias portuguesa e espanhola 
Monarquia nos remete de imediato ao continente europeu, seja Inglaterra, 
França, Portugal ou Espanha, não é verdade? Não conseguimos imaginar a Europa 
sem essa forma de governo a qual, além do que nos conta a própria história, está 
gravado em inúmeros filmes e fotografias de maneira geral. 
Esses países começaram a se consolidar a partir da Baixa Idade Média, 
paralelamente ao desenvolvimento do comércio e das cidades. 
Até então, nos diversos reinos formados pela Europa com a desagregação 
do Império Romano do ocidente, os reis exerciam, principalmente, funções militares 
e políticas. Sem cumprir atividades administrativas, o rei tinha seus poderes 
limitados pela ação da nobreza feudal, que, por serem os senhores da terra, 
controlava de fato o poder. Essa organização do poder é chamada monarquia feudal 
e sua principal característica era a fragmentação do poder. 
A partir do século XI, em algumas regiões da Europa, as monarquias feudais 
iriam servir de base para a formação de governos centralizados: é o caso da França, 
da Inglaterra e de Castela (atual Espanha). 
Os reis começaram então a concentrar grandes poderes, em parte por causa 
do apoio e do dinheiro recebido dos burgueses. Ao longo de algum tempo, a 
 
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aproximação entre o rei e a burguesia colocariam fim à fragmentação do poder. 
Entretanto, isso não significou a exclusão da nobreza feudal do poder. Ela se 
manteve ligada ao rei e usufruindo da sua política. 
Além dos reis, ganharam importância nesse processo os burgueses, que se 
tornaram o grupo social de maior poder político e, sobretudo, econômico. 
Durante quase toda a Idade Média não existiam países como os que 
conhecemos hoje. Assim, morar em Londres ou em Paris não significava morar na 
Inglaterra ou na França. As pessoas sentiam-se ligadas apenas a uma cidade, a um 
feudo ou a um reino. 
O processo de formação de monarquias com poder centralizado na Europa 
iniciou-se no século XI e consolidou-se entre os séculos XIV e XVI. Ao final de 
alguns séculos, esse processo daria origem a muitos dos países atuais da Europa, 
como França, Portugal e Espanha. Entretanto, ele não ocorreu ao mesmo tempo e 
da mesma maneira em todos os lugares do continente. Em regiões como a 
península Itálica e o norte da Europa nem chegaria a se consolidar. 
Quase sempre estiveram envolvidos nesse processo de centralização do 
poder os mesmos grupos sociais: os reis, a burguesia e os nobres feudais. Cada um 
desses grupos era movido por interesses próprios. Muitas vezes, esses interesses 
eram convergentes; outras vezes, radicalmente opostos. 
Para a burguesia, novo grupo social se formava, a descentralização política 
do feudalismo era inconveniente. Isso porque submetia os burgueses aos impostos 
cobrados pelos senhores e dificultava a atividade comercial pela ausência de moeda 
comum e de pesos e medidas padronizados. 
Essas circunstâncias acabaram aproximando os burgueses dos reis, 
interessados em concentrar o poder em suas mãos. Nessa aliança, a burguesia 
contribuía com o dinheiro e o rei, com medidas políticas que favoreciam o comércio. 
O dinheiro da burguesia facilitava aos reis a organização de um exército para impor 
sua autoridade à nobreza feudal. 
Essa mesma nobreza feudal, por sua vez, encontrava-se enfraquecida pelos 
gastos com as Cruzadas e tinha necessidade de um apoio forte, até mesmo para se 
 
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defender das revoltas camponesas, que se intensificavam. Procurou esse apoio nos 
reis, apesar de muitas vezes se sentir prejudicada com a política da realeza em 
favor da burguesia, que colocava fim a vários dos privilégios feudais. Dividido entre a 
burguesia e a nobreza feudal, o rei serviu como uma espécie de mediador entre os 
interesses dos dois grupos. 
Ao final de um longo período, esse processo acabou possibilitando a 
formação de um poder centralizado e a consolidação de uma unidade territorial. 
Com isso, formar-se-iam em diversas regiões da Europa monarquias com poder 
centralizado, nas quais os reis detinham grande parte do poder. 
Assim, a monarquia foi forma de governo sob a qual se organizou a Europa 
entre o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna. Vejamos alguns detalhes da 
formação de monarquias em Portugal e Espanha. 
a) A monarquia portuguesa 
Portugal foi um dos primeiros países da Europa a consolidar um governo 
forte, centralizado na pessoa do rei. A formação da Monarquia Portuguesa iniciou-se 
nas lutas pela expulsão dos árabes que, desde o século VIII, ocupavam a península 
Ibérica. Essas lutas ficaram conhecidas como guerras de Reconquista como vimos 
anteriormente. 
Durante o domínio árabe, os povos cristãos ficaram restritos ao norte da 
península. A partir do século XI, pouco a pouco eles conseguiram ampliar seu 
território. Foram fundados, então, vários reinos, entre os quais Aragão, Navarra, 
Leão, Castela. Com isso os muçulmanos começaram a recuar em direção ao litoral 
sul. 
Durante as guerras de Reconquista, destacou-se o nobre Henrique de 
Borgonha. Como recompensa, ele recebeu do rei de Leão e Castela, Afonso VI, a 
mão de sua filha e as terras do condado portucalense. 
O filho de Henrique deBorgonha, Afonso Henriques, proclamou-se então rei 
de Portugal, em 1139, rompendo os laços com Leão e Castela. Tinha início, assim, a 
dinastia de Borgonha. Afonso Henriques, o Conquistador, estendeu seus domínios 
para o sul, até o rio Tejo, e fez de Lisboa sua capital. 
 
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46 
Em 1383, com a morte do último rei da dinastia de Borgonha, D. Fernando, o 
Formoso, a Coroa portuguesa ficou ameaçada de ser anexada pelos soberanos de 
Leão e Castela, parentes do rei morto. Os portugueses não desejavam que seu país 
fosse governado por um rei estrangeiro. A burguesia, por sua vez, temia ver seus 
interesses comerciais prejudicados pelos nobres castelhanos. 
Para evitar a perda da independência, os portugueses aclamaram D. João, 
meio-irmão do rei morto, como novo rei. João, mestre da cidade de Avis, venceu os 
espanhóis e assumiu o trono. O apoio financeiro da burguesia foi decisivo nessa 
vitória. Assim, durante toda a dinastia Avis, os reis favoreceram e apoiaram as 
atividades burguesas. 
REIS DA PRIMEIRA DINASTIA AFONSINA - PORTUGAL 
Rei Reinado Característica 
D. Afonso 
Henrique 
1143-1185 O conquistador – porque conquistou muitas terras. 
D. Sancho I 1185-1211 O povoador – por ter desenvolvido o povoamento do 
território. 
D. Afonso II 1211-1223 O gordo – por ser muito gordo. 
D. Sancho II 1223-1248 A capelo – por ter usado em criança o hábito de São 
Francisco. 
D. Afonso III 1248-1279 O bolonhês – por ter casado com D. Matilde, 
condessa de Bologna. 
D. Dinis 1279-1325 O lavrador – pelos benefícios feitos para a 
agricultura. 
D. Afonso IV 1325-1357 O bravo – pela bravura que mostrou na batalha de 
Salado. 
D. Pedro 1357-1367 O justiceiro – pela justiça igual que fez a todos. 
D. Fernando 1367-1383 O formoso – pela sua beleza física. 
 
REIS DA SEGUNDA DINASTIA AVIS - PORTUGAL 
Rei Reinado Característica 
D. João I 1385-1433 O da boa memória. 
 
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47 
D. Duarte 1433-1438 O eloquente – pelo seu grande saber e amor às 
letras. 
D. Afonso V 1438-1481 O africano – pelas conquistas que fez em África. 
D. João II 1481-1495 O príncipe perfeito – por ter governado com 
autoridade e interesse pela pátria. 
D. Manuel I 1495-1521 O venturoso – pelo feliz sucesso dos 
empreendimentos marítimos. 
D. João III 1521-1557 O piedoso – pelo seu grande fervor religioso e 
bondade. 
D. Sebastião 1557-1578 O desejado – por nascer quando era esperado por 
todos. 
D. Henrique 1578-1580 O casto – porque era Cardeal e não podia casar. 
b) A Monarquia Espanhola 
A formação da monarquia espanhola também está ligada às guerras de 
Reconquista da península Ibérica. Durante esse processo, diversos reinos foram 
constituídos. Em 1469, o casamento de Fernando (herdeiro do trono de Aragão) com 
Isabel (irmã do rei de Leão e Castela) uniu três reinos. Era o primeiro passo para a 
formação da Espanha. 
Os Reis Católicos eram conhecidos como Reis das Espanhas. Em 1493 o 
governo municipal de Barcelona se refere a Don Fernando como o “Rey de Spanya, 
nostre senyor” (ou “Rei de Espanha, nosso senhor”). A partir de Carlos I, todos os 
reis se autodenominam Rei das Espanhas, colocando esta legenda (em latim) nas 
moedas acunhadas durante seus reinados, ainda que normalmente utilizassem 
outros títulos, desde “Rei de Castela” até “Senhor de Vizcaya e de Molina”, ou 
simplesmente, “Eu o Rei”. 
Amadeu I é o primeiro que oficialmente utiliza a denominação de Rei da 
Espanha, já que os anteriores utilizavam o título abreviado de Rei das Espanhas. A 
partir de Amadeu, já todos adotam este título. 
Isabel de Castela e Fernando de Aragão - Reis católicos espanhóis 
 
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48 
 
 
Em 1492, os exércitos de Fernando e Isabel apoderaram-se de Granada e 
expulsaram definitivamente os árabes da península Ibérica, consolidando a 
monarquia espanhola. 
No século XVI, com Carlos I, a Monarquia Espanhola fortaleceu-se ainda 
mais. 
Além das guerras internas e externas e dos interesses da burguesia, outro 
movimento contribuiu para o fortalecimento do poder dos reis: as revoltas 
camponesas. 
Essas revoltas eram consequência da fome, da miséria e da exploração dos 
camponeses. Assustados com as rebeliões, os senhores feudais aceitavam a 
autoridade do rei, que, fortalecido, podia organizar exércitos para reprimir os 
numerosos movimentos de contestação. 
Na França, as principais rebeliões ganharam o nome de jacqueries. Isso em 
virtude da expressão “Jacques Bonhomme”, designação desdenhosa usada pelos 
nobres para referir-se a qualquer camponês (algo como Zé Ninguém). Na Inglaterra, 
os rebeldes foram liderados por um camponês artesão chamado Wat Tyler e por um 
padre de nome John Ball. 
Os camponeses na França e Inglaterra lutavam por melhores condições de 
vida. Não suportando mais as pesadas taxas exigidas pelos nobres, eles invadiam 
os castelos e saqueavam os depósitos de alimento. 
 
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49 
As revoltas não duraram muito tempo, pois foram reprimidas com violência 
pelos exércitos ligados ao rei. Mesmo assim, contribuíram para mostrar a 
capacidade de organização e de luta dos camponeses 
(http://www.sohistoria.com.br/ef2/centralizacaopoder/p3.php). 
 
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50 
UNIDADE 5 – GUERRAS E REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX 
QUE ENVOLVERAM OS PAÍSES IBÉRICOS 
 
5.1 Primeira e segunda guerra mundial 
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um dos eventos mais dramáticos 
ocorridos em solo europeu, não só pelas mortes, algo em torno de 10 milhões de 
pessoas como também por desfechos como o que acometeu o mundo todo ao final 
da guerra e no ano seguinte: a conhecida gripe espanhola que levou a óbito mais de 
50 milhões de pessoas em todo o mundo. 
Há que se frisar que pela época, o controle, as estatísticas e as informações 
não corriam com rapidez, eficiência e confiabilidade como na atualidade, portanto, o 
número de mortes pode ter sido muito maior, talvez o dobro! 
Outro fator que mostrou a dramaticidade dessa guerra é que todas as 
potências mundiais da época estavam na própria Europa onde o conflito ocorreu e 
acabou por envolver inúmeros outros países em quase todos os continentes. 
Vários países se declararam neutros, mas isso não significou umtotal 
isolamento da guerra. Em um momento ou outro, várias das nações oficialmente 
neutras cooperaram com algum dos lados ou mesmo os dois, permitindo uso de 
seus recursos ou território no esforço de guerra. A Espanha era neutra, ao mesmo 
tempo aliada do Reino Unido devido um tratado. 
Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que 
estava de acordo com as orientações da república ainda recentemente instaurada. 
Na primeira etapa do conflito, Portugal participou, militarmente, na guerra 
com o envio de tropas para a defesa das colônias africanas ameaçadas pela 
Alemanha. Face a este perigo e sem declaração de guerra, o governo português 
enviou contingentes militares para Angola e Moçambique. 
Em março de 1916, apesar das tentativas da Inglaterra para que Portugal 
não se envolvesse no conflito, o antigo aliado decidiu pedir ao estado português o 
apresamento de todos os navios germânicos na costa lusitana. Esta atitude justificou 
 
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51 
a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de março de 1916 
(apesar dos combates na África desde 1914). 
Em 1917, as primeiras tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário 
Português, seguiam para a guerra na Europa, em direção a Flandres. Portugal 
envolveu-se, depois, em combates na França. 
Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil 
homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de 
custos econômicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os 
objetivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra 
saíram gorados na sua totalidade, ou seja, nenhum deles deu certo. A unidade 
nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia 
até à queda do regime democrático em 1926. 
Igualmente na segunda guerra mundial (1939-1945), também tínhamos 
países neutros. Ao início da guerra, vinte nações tomaram a posição de 
neutralidade, mas ao fim desta, apenas oito conseguiram manter tal status, dentre 
estes oito, encontramos Portugal e Espanha. 
Portugal, embora fosse um país neutro, era governado na época pelo ditador 
Salazar, que apesar de manter um regime de orientação fascista, tinha simpatia 
pelos Aliados. Além disso, sua longínqua colônia de Timor fora invadida pelos 
japoneses, fato que levou a protestos diplomáticos por parte de Portugal. A Espanha 
era governada por outro ditador de orientação fascista, Francisco Franco, embora 
também declarasse neutralidade no conflito, tinha simpatia pelo Eixo (Franco chegou 
a enviar um grupo de voluntários espanhóis, conhecido como a Brigada Azul, para 
lutar ao lado dos alemães contra os soviéticos). 
Muitas pessoas não sabem que a gripe espanhola, na verdade, não é uma 
gripe do país Espanha! Foi uma gripe que começou a propagar-se no mundo e 
acabou virando uma pandemia, alcançando quase todo o globo terrestre com 
exceção de alguns locais no Polo Norte (Sibéria) e Oceania. 
No contexto histórico do ano de 1918, poucos sabiam da letalidade da 
epidemia de gripe espanhola, a comunidade médica, juntamente com a população, 
 
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52 
ainda não tinha conhecimento da epidemia de gripe. A gripe foi confundida com 
outras doenças como tifo, cólera e dengue (CARVALHO, 2014). 
Enquanto a I Guerra Mundial, segundo alguns pesquisadores do conflito, 
vitimou aproximadamente 10 milhões de pessoas, a gripe espanhola, que teve seu 
auge entre os meses de setembro e dezembro de 1918, vitimou assustadoramente 
cerca de 50 milhões de pessoas. 
A letalidade da epidemia até hoje não foi explicada de forma plausível pela 
comunidade médica, alguns médicos defenderam que a epidemia iniciou-se de uma 
gripe aviária, mas a gripe de aves não pode ser contraída diretamente pelos seres 
humanos. Os suínos fizeram a ligação para a gripe humana, primeiro a gripe aviária 
se transformou em gripe suína e, posteriormente, transformou-se em gripe humana. 
Uma explicação para o nome da gripe é a seguinte: 
Durante o ano de 1918 (ano final da guerra), somente a Espanha se 
encontrava neutra no conflito, não participou efetivamente da guerra. Portanto, a 
imprensa espanhola não tinha motivos e tampouco foi censurada pelo governo 
espanhol de noticiar a presença de gripe em seu território. A notícia da epidemia só 
chegava da Espanha, assim, ficou subtendido que a gripe tinha originado em 
território espanhol, por isso o nome “gripe espanhola”. Atualmente sabemos que a 
epidemia de gripe não iniciou na Espanha, segundo grande parte dos pesquisadores 
da doença, a epidemia começou na China, porém outros pesquisadores defendem 
que a origem da moléstia se deu nos Estados Unidos. 
Durante a I Guerra, milhares de combatentes também morreram infectados 
pela gripe no Front (CARVALHO, 2014). 
Quanto a Segunda Guerra Mundial, mesmo estando neutra e periférica, 
Portugal sofreu grandes efeitos ao nível da economia, sociedade e política. A 
Segunda Guerra Mundial, se por um lado provocou aquela que foi a primeira crise 
do regime fundado com o golpe de estado de 1926, conseguiu, por outro lado, e 
graças à política habilidosa, no campo nacional e internacional, do Presidente de 
Conselho, António de Oliveira Salazar, que esse regime se mantenha por quase 
mais trinta anos (MARCOS; CASTAÑO; RAMIRES, 2002). 
 
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53 
Uma vez que Salazar se havia formado pensador político e professor 
universitário no rescaldo da I Grande Guerra, era conhecedor dos efeitos disruptivos 
e subversivos que a guerra tinha no plano econômico, financeiro, político e ainda 
nas garantias da manutenção do império português e até mesmo da independência 
nacional. Como completam os autores acima, a agravar isto estava o fato de que a II 
Guerra Mundial foi uma guerra fortemente ideologizada, onde Democracia combatia 
o Totalitarismo. 
Alguns detalhes da política externa merecem ser analisados nesse contexto. 
Vejamos: 
Podemos dizer que a política externa não tinha um grande significado para o 
Estado Novo até à eclosão da Guerra Civil de Espanha, em 1936. Isto deve-se à 
prioridade da resolução dos graves problemas internos. O Estado Novo retoma a 
política externa portuguesa do século XVIII – assumia uma posição de semiperiferia 
dos centros político-econômicos. Desta forma, a sua política externa era 
essencialmente defensiva: 
a) Defesa da independência nacional face ao “perigo espanhol”: o medo da 
anexação espanhola de Portugal aumentou graças à eclosão da Guerra Civil do país 
vizinho. Portugal tinha medo que o Republicanismo, de matriz socialista, ganhasse a 
guerra civil e aumentasse o apoio aos grupos oposicionistas portugueses. Porém, 
durante a Segunda Guerra, houve o medo de que a Espanha falangista invadisse 
Portugal. 
A defesa do patrimônio colonial devia-se ao fato de Portugal temer que as 
potências coloniais europeiasfizessem uma re-divisão das colônias portuguesas. 
b) A defesa da sobrevivência do regime: apesar das convulsões políticas 
que assolavam a Europa – a ameaça ‘vermelha’ ou a vitória das democracias na 
Primeira Guerra –, Salazar procurará sempre cimentar o Estado Novo. 
c) Automarginalização de Portugal relativamente à política europeia 
continental, aos seus contenciosos, às suas perturbações: Portugal era uma 
“potência atlântica, presa pela natureza à Espanha, política e economicamente 
debruçados sobre o mar e as colônias”. Nesse sentido, sempre que possível, 
Portugal deveria evitar envolver-se nos conflitos europeus. Deveria manter-se a 
 
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54 
amizade peninsular e desenvolver as potencialidades coloniais. Com o Estado Novo 
regressava-se assumidamente ao atlantismo. A Guerra Civil de Espanha era tida 
como um adiamento do conflito do centro da Europa para a periferia europeia. 
Portugal ajudou a facção falangista para tentar exorcizar a vitória do Republicanismo 
de vertente socialista. 
A pedra angular do edifício estratégico de Portugal era a ‘Velha Aliança’ 
Luso-Britânica. Não se tratava de uma escolha portuguesa, mas sim de uma 
realidade estrutural que condicionava Portugal, interna e externamente. A Grã-
Bretanha era ainda senhora dos mares e tinha uma vasta fronteira com as colônias 
portuguesas na África e na Índia. Era também o grande fornecedor da economia 
portuguesa, o seu principal cliente e o transportador do grosso das exportações 
portuguesas; era também o principal investidor estrangeiro e fora o principal credor 
externo. Portugal agiu sempre, em relação à Grã-Bretanha, com uma calma e 
meticulosidade enormes, especialmente no que toca à Guerra civil espanhola e à II 
Grande Guerra. Pressionava o Reino Unido com o fato da Alemanha se ter tornado 
numa potência continental sua concorrente e só cedia caso isso fosse proveitoso 
para a manutenção dos interesses portugueses, nunca deixando que a ‘Velha 
Aliança’ se rompesse. 
d) Amizade peninsular: garantia a segurança política e integridade territorial 
de Portugal. Esconjuraria o perigo da anexação espanhola sob a forma da ameaça 
subversora “vermelha” (ajuda aos falangistas), quer sob a forma expansionista de 
certos meios falangistas e do exército franquista (tratado de não agressão – que 
teve, na sombra, um importante movimento diplomático, com vista a isolar e derrotar, 
no Outubro de 1942, Serrano Suñer e os setores intervencionistas e germanófilos de 
Falange e do exército espanhol). 
Enfim, a manutenção da neutralidade até ao fim da guerra jamais poderia ter 
sido conservada, especialmente no período crítico de 1939-42, se não fosse também 
do interesse da Alemanha. Berlim teve benefícios com a neutralidade portuguesa, 
especialmente do ponto de vista econômico. Porém, podemos dizer que o grande 
fator que Portugal beneficiou para que não fosse invadido pela Alemanha (operação 
“Félix” de Outubro de 1940) foi o fato de Hitler ter se decidido a invadir a URSS. 
 
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55 
Enfim, Portugal declarava apenas a neutralidade e não a não-beligerância. 
Com esta decisão distanciava-se da Grã-Bretanha. 
Neutralidade politicamente ativa, especialmente em relação à Espanha, que 
no quadro da aliança luso-britânica também queria ser neutro. 
Neste contexto, Portugal teve um importante papel na contenção da facção 
germanófila e intervencionista do regime franquista. Pedro Teotónio Pereira, 
embaixador de Portugal na Espanha, teve um papel decisivo nessa política, que 
culminou com o tratado de amizade e não agressão com Espanha e com a 
demissão de Serrano Suñer. 
 
5.2 A guerra civil espanhola 
Não poderíamos começar a discorrer sobre a Guerra Civil Espanhola 
ocorrida entre 1936 e 1939 sem fazer uma alusão ao painel “Guernica” de Pablo 
Picasso! Pois bem, eis na ótica deste mestre sua impressão trágica e clássica 
retratando as consequências do intenso bombardeio sofrido pela cidade de 
Guernica, anteriormente capital basca, durante a Guerra Civil Espanhola, em 26 de 
abril de 1937. 
 
Basicamente, justificando que embora merecesse muito tempo e espaço 
para discussões, a guerra civil espanhola foi um conflito interno entre os anos de 
1936 e 1939, mas que teve origem por volta de 1929 na crise econômica, sendo 
impulsionada por greves, manifestações e levantes de direita e de esquerda. 
 
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56 
Em 1931, a monarquia foi derrubada e foi proclamada a República, mas as 
reformas que ela promove não conseguem sanar a economia, deixando 
descontentes vários setores da sociedade. Durante todo esse tempo, explodem pelo 
país revoltas e manifestações antigovernamentais (FERREIRA, 2015). 
Atuavam e disputavam o poder momentos antes do conflito os falangistas e 
a frente popular. Os primeiros eram de tendência fascista e comandados pelo 
general Francisco Franco. Tinham como objetivo eliminar o crescente movimento 
comunista na Espanha. Tiveram o apoio dos setores tradicionais e conservadores da 
sociedade espanhola (Igreja, Exército e grandes proprietários rurais). Contaram 
também com a ajuda militar da Alemanha nazista e da Itália fascista. Tinham por 
objetivo a implantação de um governo autoritário. 
A Frente popular, de tendência esquerdista, contava com o apoio dos 
sindicatos, partidos políticos de esquerda e defensores da democracia. Queriam 
combater o nazi-fascismo, que estava crescendo na Espanha e outros países da 
Europa. Defendiam o Governo Republicano e tiveram o apoio externo da União 
Soviética. 
Os separatistas da Catalunha foram cruelmente reprimidos. Crimes e 
violências envolvem a vida espanhola, numa onda que parecia não ter fim. O 
parlamento foi dissolvido e novas eleições convocadas para 1936. Embora divididos, 
os partidos de esquerda conseguiram agrupar-se e lançaram Azaña y Dias como 
candidato à presidência, pela Frente Popular, que então saiu vitorioso. Enquanto 
isso, cresceram os esforços das correntes direitistas, organizadas na Falange, para 
se unirem contra a Frente Popular. Quando acontece, em julho de 1936, o 
assassinato do monarquista Calvo Sotelo, por oficiais da polícia, eclode o 
movimento armado para derrubar o governo. 
O general Francisco Franco, à frente das divisões estacionadas no 
Marrocos, lidera a Frente Popular, entrando na Espanha e tomando Sevilha e Cádiz. 
Outra frente militar ataca as províncias do norte, chegando perto da capital. A Itália, 
dominada por Mussolini, e a Alemanha, por Hitler, apoiam as tropas de Franco, 
enviando milhares de voluntários e material bélico. A URSS dá auxílio financeiro e 
material bélico aos militantes comunistas. 
 
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57 
Em abril, aviões alemães, em apoio aos nacionalistas, bombardearam a 
cidade basca de Guernica, palco da maior tragédia da guerra civil, numa 
demonstração de força que provocou revolta na opinião pública mundial. Franco 
avança até o Mediterrâneo, corta o contato entre Valença e Catalunha e obriga o 
governo republicano a transferir a capital para Barcelona. Em pouco tempo a 
Espanha se vê dominada pelos franquistas e, que entram em Barcelona, 
provocando a fuga em massa dos republicanos pela fronteira francesa. 
Em fevereiro de 1939, o presidente Azaña renuncia, dando lugar ao governo 
ditatorial de Franco, que durou até sua morte, em 1975. A guerra civil espanhola 
custou mais de meio milhão de vidas somente em combate, sem contar os que 
morreram de fome, desnutrição e doenças provocadas pela guerra. Além disso, o 
conflito serviu de palco para testes de novas armas e técnicas nazi-fascistas, 
deixando na Europa uma situação preparatória para a segunda grande guerra que 
eclodiria em seguida (FERREIRA, 2015). 
Saldo da Guerra Civil Espanhola: 
 cerca de 400 mil mortos; 
 destruição de prédios, igrejas e casas em várias cidades; 
 destruição no campo com prejuízos para agricultura e pecuária; 
 diminuição de cerca de 30% da renda dos espanhóis; 
 forte crise econômica na Espanha, que perdurou por vários anos. 
 
5.3 A Revolução dos Cravos 
Gabriela Porto (2015) conta com delicadeza e de maneira bem clara a 
Revolução dos Cravos, da qual nos fazemos valer para fechar o módulo que 
trabalhou a história da Península Ibérica. 
Vejamos: 
 
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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e 
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58 
 
 
A Revolução dos Cravos foi o movimento que derrubou o regime salazarista 
em Portugal, e ocorreu no ano de 1974, de forma a estabelecer liberdades 
democráticas, com o intuito de promover transformações sociais no país. 
Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura no país. Em 
1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro-ministro das finanças e 
ditador. Salazar instaurou então um regime inspirado no fascismo italiano, cujas 
liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a 
Constituição de 1933. O movimento representou aos portugueses: democratização, 
descolonização e desenvolvimento. A revolta militar foi uma consequência dos 13 
anos de guerra colonial, na qual os portugueses enfrentaram os movimentos de 
libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São 
Tomé e Príncipe e Timor Leste. 
No ano de 1968 o ditador sofreu um derrame cerebral, que resultou em sua 
substituição por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que deu continuidade à 
sua política. No entanto, a decadência econômica que o país sofreu, em conjunto 
com o desgaste com a guerra colonial, provocou descontentamento na população e 
nas forças armadas, o que resultou na aparição de um movimento contra a ditadura. 
No dia 25 de abril de 1974, explodiu a revolução. A senha para o início do 
movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio, a senha era 
uma música proibida pela censura, “Grândula Vila Morena”, de Zeca Afonso. Os 
 
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Instituto Prominas. 
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militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto. Ele acabou fugindo para 
o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A 
população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura de 48 anos, e distribuiu 
cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento, dando 
origem ao nome “Revolução dos Cravos”. 
Como resultado, os partidos políticos, inclusive o Comunista, foram 
legalizados a Pide, polícia política do salazarismo, foi extinta. O novo regime colocou 
Portugal em agitação revolucionária. No entanto, Spínola fracassou em sua tentativa 
de controlar a força política e militar da esquerda e renunciou em setembro de 1974. 
O governo passou então a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas 
(MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Nesse meio tempo, Angola, 
Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtiveram independência. 
Em março do ano seguinte, 1975, depois de uma tentativa de golpe 
fracassada de Spínola, o governo passou a ser dominado pelos generais Costa 
Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Deu-se início a uma política 
de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O Partido 
Socialista, de Mário Soares, venceu as eleições para a Assembleia Constituinte no 
mês de abril, e em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe 
de oficiais de extrema esquerda colocou fim ao período revolucionário. 
Apesar disso, a Constituição portuguesa de 1976, ainda influenciada pelo 
MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária. 
 
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