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CONTABILIDADE COMERCIAL AULA 4 Prof. Alison Martins Meurer 2 CONVERSA INICIAL Esta aula tem por objetivo abordar os procedimentos contábeis referentes à importação de mercadorias, aos regimes aduaneiros especiais, à tributação incidente sobre a importação de mercadorias, à exportação de mercadorias e ao tratamento relativo à variação cambial. Vamos lá! CONTEXTUALIZANDO A abertura de diferentes mercados globais, os acordos estabelecidos entre países, o aumento da competitividade e de empresas atuantes em diferentes localidades do mundo, o valor e a qualidade dos produtos estão entre os motivos que fomentaram as organizações a expandirem seus horizontes e aumentarem cada vez mais o volume de importação e exportação de produtos. Diante desse contexto, é essencial que o contador saiba realizar de maneira coerente a mensuração e o reconhecimento dos valores inerentes a essas operações. TEMA 1 – IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E RECONHECIMENTOS CONTÁBEIS Nogueira (2018) define o processo de importação como a entrada temporária ou definitiva em território nacional de bens, produtos ou serviços originários ou procedentes de outros países, a título oneroso ou gratuito, apoiada em documentos oficiais e observadas as normas comerciais, cambiais e fiscais vigentes. Para o autor, entre as vantagens de realizar a importação estão: diversificação dos fornecedores; qualidade superior dos produtos; benefícios fiscais; variação cambial favorável; incentivos fiscais; baixa agregação de mão de obra; tempo de recebimento da importação menor do que o tempo da fabricação nacional. Assim, a importação faz parte da rotina de diversas empresas e é importante atentar-se aos aspectos que permeiam essas operações, como os elementos contábeis para agregação dos custos desse produto importado, os processos logísticos para o transporte dessa mercadoria e os processos burocráticos e legais para realizar o processo de importação. 3 Em relação às tratativas contábeis, quando uma empresa realiza a aquisição de mercadorias de outras jurisdições, é necessário realizar o registro dos valores desembolsados até deixar a mercadoria pronta para o uso. Iudícibus; Marion (2019) destacam que o custo de aquisição de mercadorias importadas é composto por: preço de aquisição; valor das embalagens, do transporte, do seguro e dos impostos não recuperáveis; despesas de desembaraço e despesas de instalações. Além disso, a variação cambial ocorrida até a data de contabilização da mercadoria, ou seja, até o momento que estiver pronta para ser comercializada, é incorporada ao seu custo, sendo que este tema será objeto de detalhamento mais adiante. É preciso ressaltar que a variação cambial consiste na diferença de preços de determinada moeda entre dois períodos. Por exemplo, uma mercadoria pode ser adquirida no dia 01 por US$ 100 e a cotação do dólar no dia 01 ser de R$ 4,00; se no dia 10 a cotação do dólar for R$ 4,50 essa diferença na cotação será chamada de variação cambial. Vale destacar que se a entidade decide realizar compras a prazo, na qual o valor a prazo diverge do valor à vista, o montante dos juros pagos a maior deverá ser apropriado como despesa financeira reconhecida ao longo do período negociado junto ao fornecedor. Portanto, os juros não compõem o custo da mercadoria escriturada no estoque, exceto para os casos de ativos qualificáveis, conforme CPC 20 – Custos de Empréstimos. São exemplos de ativos qualificáveis aqueles que demandam um tempo elevado para conclusão, como plantas industriais em construção, ativos intangíveis em desenvolvimento, entre outros. Quando uma mercadoria está em processo de importação, todos os valores agregados ao seu custo devem figurar na respectiva subconta pertencente ao grupo Estoques (Mercadorias para revenda, matéria-prima, produtos acabados, entre outros) seguido da nomenclatura Importação em Andamento, classificada no ativo circulante. Por exemplo, a Indústria ABC decide importar mercadorias da China que serão utilizadas para revenda, sendo contratados: seguro no valor de US$ 1.000; transporte marítimo da China para o Brasil por US$ 5.000; pagamento ao fornecedor pela mercadoria no total de US$ 30.000; taxas e impostos não recuperáveis, incidentes no desembaraço aduaneiro (chegada) da mercadoria ao Brasil, no valor de R$ 6.000; transporte do porto até empresa, no valor de R$ 1.000. Considere que todas as operações 4 foram pagas à vista e que a cotação do dólar no dia da contratação/do pagamento das operações era de R$ 3,00. Para realizar a contabilização desses valores, primeiramente é necessário converter para reais os que estão em dólares. Sabe-se que todas as operações foram pagas à vista, portanto não haverá a necessidade de controlar a variação cambial nessa operação, mas esse tipo de controle também será tratado nesta aula, mais adiante. Agora, veja a Tabela 1. Tabela 1 – Procedimento para conversão dos valores de dólares para reais Operações Valor em Dólar (1) Cotação do Dólar (2) Valor em Reais (1x2) Seguro US$ 1.000 R$ 3,00 R$ 3.000 Transporte marítimo US$ 5.000 R$ 3,00 R$ 15.000 Fornecedor da mercadoria US$ 30.000 R$ 3,00 R$ 90.000 Agora que já conhecemos todos os valores em reais, é necessário realizar a contabilização deles. Lembre-se: o custo do estoque é todo o valor gasto para deixar essa mercadoria ou material pronto para a venda ou para o uso no processo produtivo, desde que esse gasto seja não recuperável. A contabilização será da seguinte forma: Lançamentos Segregados • Seguros D - Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento R$ 3.000 C - Caixa ou Banco R$ 3.000 • Transporte marítimo D - Estoques Matéria-Prima – Importação em Andamento R$ 15.000 C - Caixa ou Banco R$ 15.000 • Fornecedor D - Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento R$ 90.000 C - Caixa ou Banco R$ 90.000 • Taxas e impostos não recuperáveis D - Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento R$ 6.000 C - Caixa ou Banco R$ 6.000 • Transporte do porto até a empresa D - Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento R$ 1.000 C - Caixa ou Banco R$ 1.000 Quando a mercadoria chegar à fábrica, o processo de importação será finalizado e o valor constante na conta Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento será zerado e passado para a conta de Estoques de Mercadorias, visto que todo o processo de importação já ocorreu. Logo, sabe-se que a soma de todos os desembolsos ocorridos no processo de importação monta o valor de R$ 115.000 e o seguinte lançamento será realizado: 5 Lançamentos Segregados • Transferência de Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento para Estoques Matéria-Prima D - Estoques de Mercadorias R$ 115.000 C - Estoques de Mercadorias – Importação em Andamento R$ 115.000 A partir desse momento, a conta de importação em andamento ficará com saldo zerado e somente voltará a ser movimentada por um novo processo de importação de mercadorias. Sugestão de leitura A Receita Federal disponibiliza diversas orientações frente aos procedimentos burocráticos a serem realizados no processo de importação, para conhecer mais informações acesse o conteúdo disponível em: <http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de- importacao>. TEMA 2 – REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS Os regimes aduaneiros são as modalidades de tributação e procedimentos utilizados para realizar a importação e a exportação de mercadorias. Já os regimes aduaneiros especiais são exceções à regra de tributação aplicável sobre a importação ou exportação de produtos nos regimes comuns de importação ou exportação. A Receita Federal (2019) também expõe que dependendo do regime aduaneiro pode haver tratamento diferenciado nos controlesrealizados durante a importação ou exportação de produtos. Além disso, os regimes especiais aduaneiros podem ser utilizados para atender setores específicos da economia, nos quais, além de possuírem tratamento diferenciado nos processos aduaneiros e na tributação, podem ter acesso a financiamentos especiais para fomentar suas atividades (KPMG, 2019). Um regime aduaneiro especial bastante utilizado é o drawback. Este regime suspende ou elimina a tributação sobre a importação de mercadorias ou outros insumos utilizados na fabricação de produtos que serão exportados futuramente. O fato de haver menor tributação sobre a importação de matéria- prima e demais insumos apresenta-se como um incentivo às exportações, pois barateia o custo dos produtos exportados deixando-os mais competitivos no mercado internacional. http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-importacao http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-importacao 6 Os benefícios do drawback podem ocorrer por meio da isenção de tributos, em que um item importado é isento de tributação visto que ele foi utilizado para repor outro item já importado e tributado e que, posteriormente, foi usado na fabricação de produtos destinados à exportação. A suspensão também é uma forma de drawback e incide quando um item é importado e não ocorre a tributação na importação, pois há conhecimento de que este item será utilizado na fabricação de produtos que serão destinados à exportação. Por fim, a restituição de tributos pela forma de drawback ocorre quando um item é importado e tributado, mas pelo fato de ser utilizado posteriormente na fabricação de produtos destinados à exportação é realizado um processo para restituição dos tributos pagos anteriormente. O drawback é o principal regime aduaneiro especial no Brasil, contudo há diversas outras modalidades que podem ser adotadas de acordo com as atividades desenvolvidas pela empresa. As sugestões de leitura a seguir podem contribuir para que você possa expanda seus conhecimentos em relação à temática. Sugestão de leitura • SERPA - O que são e quais os tipos de regimes aduaneiros especiais? Disponível em: <https://www.gruposerpa.com.br/tipos-de-regimes- aduaneiros/>. • KPMG - Regimes Aduaneiros Especiais. Disponível em: <https://home.kpmg/br/p<t/home/servicos/tax/global-trade-excellence- center-gtec/regimes-aduaneiros-especiais.html>. TEMA 3 – TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E CUIDADOS COM BITRIBUTAÇÃO Sobre a importação de mercadorias pode haver a incidência de alguns tributos como o PIS-Importação e a Cofins-Importação, incidentes sobre produtos e serviços provenientes do exterior. No caso dos serviços, há a tributação quando uma pessoa física ou jurídica que é domiciliada no exterior executa esse serviço no Brasil. As hipóteses de incidência e os fatos geradores dessas contribuições podem ser encontrados na Lei n. 10.865/2004. É importante destacar que o ICMS, o PIS e a Cofins não compõem a base de https://home.kpmg/br/p%3ct/home/servicos/tax/global-trade-excellence-center-gtec/regimes-aduaneiros-especiais.html https://home.kpmg/br/p%3ct/home/servicos/tax/global-trade-excellence-center-gtec/regimes-aduaneiros-especiais.html 7 cálculo dessas contribuições, ou seja, a base de cálculo do PIS-Importação e da Cofins-Importação é o valor aduaneiro (PÊGAS, 2017). O valor aduaneiro compreende o valor efetivamente pago para deixar a mercadoria pronta para venda no país de destino, isto é, ele compreende o valor da mercadoria, o custo de transportes, os seguros e as demais taxas. É importante ficarmos atentos à formação da base de cálculo desses tributos para que não haja bitributação no processo de importação dos produtos. Além disso, as alíquotas dessas contribuições são diferenciadas: • PIS-Importação: 2,10% para mercadorias e 1,65% para prestação de serviços; • Cofins-Importação: 9,65% para mercadorias e 7,60% para prestação de serviços. Empresas tributadas pelo regime não cumulativo (Lucro Real) podem utilizar créditos de tributos incidentes na importação, sendo este crédito calculado sobre a base de cálculo do PIS-Importação e da Cofins-Importação, adicionados do valor do IPI incidente sobre a importação quando este compuser o custo de aquisição do produto. As alíquotas incidentes sobre a base de cálculo do crédito foram as expostas anteriormente. Referente ao IPI, seu fato gerador na importação de mercadorias é o seu desembaraço aduaneiro, o qual corresponde à liberação da mercadoria pela alfândega para o seu ingresso no país. Já a base de cálculo é o valor da operação acrescida das despesas aduaneiras e do Imposto sobre Importação (II). A alíquota do IPI incidente sobre cada produto pode ser consultada na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). As operações de importação de mercadorias também estão sujeitas à tributação do ICMS. Neste caso, a base de cálculo corresponde à soma do valor da mercadoria, II, IPI, IOF e demais taxas, impostos e despesas aduaneiras ocorridas até o desembaraço da mercadoria (PÊGAS, 2017). As alíquotas do ICMS incidentes sobre a importação devem ser consultadas no Regulamento de ICMS de cada unidade da federação. Nas importações de produtos há a incidência do Imposto sobre Importação incidente nas aquisições realizadas no exterior. Esse imposto é acrescido ao custo do produto, seja ele destinado à revenda, ao consumo próprio ou utilizado como insumo na industrialização. A base de cálculo do II é o valor 8 aduaneiro, e a alíquota incidente sobre cada produto pode ser consultada na Tarifa Externa Comum (TEC). TEMA 4 – EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E RECONHECIMENTOS CONTÁBEIS Apesar de haver no Brasil o Imposto sobre a Exportação (IE), este praticamente não incide sobre nenhuma operação, visto que o país possui acordo internacional celebrado com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, conforme artigo 3°, inciso II, da Lei n. 87/1996, o ICMS não incide sobre produtos exportados, “operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados ou serviços”. Da mesma forma, o PIS e a Cofins não incidem sobre operações com fins de exportação. Logo, as receitas com vendas de mercadorias para o exterior, independentemente da forma de recebimento, não são tributadas por PIS e Cofins. Assim como a renda de prestação de serviços ao exterior, com a entrada de divisas e a receita de vendas para empresas comerciais exportadoras desde que comprovado o embarque das mercadorias para o exterior em até 180 dias, também não são tributadas por PIS e Cofins. Para exemplificar, imagine que a Empresa Y é uma exportadora e realiza a compra de mercadorias da Empresa X para posteriormente efetuar a exportação. Caso a Empresa Y exporte essas mercadorias em até 180 dias, a receita da venda da Empresa X ocorrida pela venda para a Empresa Y não será tributada por PIS e Cofins. Porém, se passados 180 dias e a Empresa Y não realizar a exportação, então a Empresa X deverá realizar o recolhimento dessas contribuições. Por força da Constituição Federal, em seu artigo 153, parágrafo 3º, inciso III, o IPI “não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior”. É possível notar que maior parte dos tributos não incide sobre as exportações ou possui tratamento especial acerca das operações que envolvem a exportação. Isso se deve ao fato de o governo incentivar o comércio internacional deixando os produtos brasileiros com menor custo para competir no mercado mundial. Logo, as operações de venda de mercadorias com fim de exportação tendem a não possuir lançamentos contábeis inerentes a maioria dos tributos. Portanto, se determinada empresa for exportar um produto no valor de R$ 9 100.000 à vista e o custodessa mercadoria for de R$ 65.000, os lançamentos contábeis a serem realizados desconsiderando eventual variação cambial são: Lançamentos Segregados D - Caixa ou Banco R$ 100.000 C - Receita Bruta de Venda – Exportação R$ 100.000 D - Custo das Mercadorias Vendidas R$ 65.000 C - Estoques R$ 65.000 É importante que as receitas provenientes das exportações sejam controladas em conta específica devido à materialidade da informação e também para evitar que alguma receita seja erroneamente tributada devido à impossibilidade de identificar a parcela referente as exportações. TEMA 5 – A VARIAÇÃO CAMBIAL E SUA CONTABILIZAÇÃO A variação cambial é a oscilação da conversão de uma moeda para outra, comparando dois momentos distintos; é um elemento importante a ser observado ao realizar operações de importação ou exportação, pois pode representar uma parcela significativa de ganhos, perdas ou custo da operação que está sendo realizada. Tratando especificamente do processo de importação, Gelbcke et al. (2018, p. 67) citam que “a variação cambial incorrida até a data da entrada do produto no estabelecimento do adquirente deverá ser agregada ao custo”. Esse tratamento faz todo sentido e está em alinhado ao CPC 16 – Estoques, pois o custo de um produto é representado por todo o esforço dedicado para adquirir a mercadoria e deixá-la pronta para ser revendida ou utilizada no processo produtivo. Neste sentido, Gelbcke et al. (2018, p. 67) complementam que na prática, a taxa de câmbio é fechada no momento do desembaraço aduaneiro, que ocorre na autorização emitida pela alfândega para o ingresso da mercadoria ao país, por meio da emissão da nota fiscal de entrada, daí em diante, qualquer variação cambial até a data do pagamento ao fornecedor no exterior passará a ser despesa financeira. No caso de valores a receber, o CPC 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis cita a necessidade da conversão dos valores em reais na data do balanço e o reconhecimento da variação como ganhos ou perdas financeiras do período. Vamos tomar como exemplo a seguinte situação: A empresa Cidade Ltda. realizou um pedido de mercadoria para um fornecedor chinês. O valor das 10 mercadorias foi de US$ 20.000 para ser pago com 60 dias. Os demais gastos (transporte, seguros, entre outros) ocorridos durante o processo de importação foram no valor de US$ 2.000, pagos à vista, pela cotação do dólar no dia do embarque. O gasto com transporte do porto brasileiro até o barracão onde ficam os estoques da empresa foi de R$ 500, pagos à vista. Além disso, tem-se outras informações: • Sabe-se que no dia do embarque do pedido no porto chinês a cotação do dólar era de R$ 4,00. • As mercadorias demoraram 20 dias para chegar ao Brasil. • A cotação do dólar na data do desembaraço aduaneiro era de R$ 4,20. • A cotação do dólar no dia do pagamento ao fornecedor era de R$ 4,50. Primeiramente, temos que converter os valores em dólares para reais pela cotação no dia do embarque do pedido: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Fornecedor de mercadorias US$ 20.000 R$ 4,00 R$ 80.000 Demais gastos US$ 2.000 R$ 4,00 R$ 8.000 Os lançamentos contábeis a serem realizados da data do embarque do pedido no porto chinês são: Lançamentos Segregados • Fornecedor D - Estoques – Importação em Andamento R$ 80.000 C – Fornecedores R$ 80.000 • Demais gastos D - Estoques – Importação em Andamento R$ 8.000 C - Caixa ou Bancos R$ 8.000 O lançamento contábil a ser realizado referente à variação cambial do dia do desembaraço aduaneiro é: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Fornecedor de mercadorias US$ 20.000 R$ 4,20 R$ 84.000 R$ 80.000 R$ 4.000 Lançamentos Segregados D – Estoques – Importação em Andamento R$ 4.000 C – Fornecedores R$ 4.000 O lançamento contábil a ser realizado referente ao transporte do porto brasileiro até a empresa é: 11 Lançamentos Segregados • Transporte do porto até a empresa D - Estoques – Importação em Andamento R$ 500 C - Caixa ou Bancos R$ 500 Com o processo de importação finalizado, é chegada a hora de transferir o saldo da conta de Estoques – Importação em Andamento para Estoques. Lançamentos Segregados • Transferência de saldo para conta Estoques D - Estoques R$ 92.500 C - Estoques – Importação em Andamento R$ 92.500 Cálculo: Soma do Valor das Mercadorias R$ 80.000; Seguros R$ 8.000; Variação Cambial R$ 4.000; R$ 500 com gasto com transporte. No dia do pagamento da obrigação junto ao fornecedor serão realizados os seguintes lançamentos: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Fornecedor de mercadorias US$ 20.000 R$ 4,50 R$ 90.000 R$ 84.000 R$ 6.000 Lançamentos Segregados • Reconhecimento da variação cambial D - Variação Cambial Passiva (Despesa Financeira) R$ 6.000 C - Fornecedores R$ 6.000 • Pagamento do fornecedor D - Fornecedores R$ 90.000 C - Caixa ou Bancos R$ 90.000 Portanto, no caso das aquisições de mercadorias, a variação cambial é incorporada ao valor de estoque até o momento do desembaraço aduaneiro. A partir desse momento, o valor da variação cambial passa a ser lançado no resultado da empresa como uma receita ou despesa financeira. Vamos a mais um exemplo: Considere que a empresa Cidade tenha revendido essas mercadorias por US$ 100.000 para o exterior, para serem recebidas com 60 dias. Na data da venda a cotação do dólar era de R$ 4,50 e na data do recebimento era de R$ 4,60. Vamos aos lançamentos! Primeiramente, já sabemos que temos de converter os valores em dólares para reais pela cotação no dia da venda: Operações Valor em Dólar Cotação do dólar Valor em Reais Venda de Mercadorias US$ 100.000 R$ 4,50 R$ 450.000 12 Lançamentos segregados • Reconhecimento da venda e custo dos produtos D - Duplicatas a Receber R$ 450.000 C - Receita Bruta de Venda - Exportação R$ 450.000 D - Custo das Mercadorias Vendidas R$ 90.000 C - Estoques R$ 90.000 No dia do recebimento dos valores junto ao cliente serão realizados os seguintes lançamentos: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Venda de Mercadorias US$ 100.000 R$ 4,60 R$ 460.000 R$ 450.000 R$ 10.000 Lançamentos segregados • Reconhecimento da variação cambial D - Duplicatas a Receber R$ 10.000 C - Variação Cambial Ativa (Receita Financeira) R$ 10.000 • Recebimento junto ao cliente D - Caixa ou Bancos R$ 460.000 C - Duplicatas a Receber R$ 460.000 Portanto, a variação cambial deve ser observada e registrada de modo coerente, pois interfere tanto nos valores a pagar como nos valores a receber, representando uma parcela relevante do resultado gerado pela organização. TROCANDO IDEIAS Se a variação cambial pode ser passiva (despesa financeira) e ativa (receita financeira), então em quais situações será mais interessante que a cotação da moeda estrangeira seja maior do que o valor do real? E em que momento será melhor a cotação da moeda estrangeira ser menor que a do real? NA PRÁTICA Considere que a Companhia ABC tenha realizado a importação de mercadorias para posteriormente ser revendida. O valor de aquisição das mercadorias, incluindo seguros e fretes, foi de US$ 50.000, com vencimento para 90 dias. O transporte das mercadorias até o Brasil durou 15 dias e as despesas de desembaraço aduaneiro e de transporte foram pagas à vista, no valor de R$ 13.000. Considere a seguinte cotação do dólar: • Cotação do dólar no dia da aquisição/embarque: R$ 4,00. • Cotação do dólar no dia do desembaraço: R$ 4,20. 13 •Cotação do dólar 60 dias após a aquisição: R$ 4,10. • Cotação do dólar 90 dias após a aquisição: R$ 4,30. Agora, indique as seguintes informações: a) Valor escriturado no estoque da empresa após o processo de importação. Gabarito Conversão da compra em dólares para reais: Operações Valor em Dólar Cotação do dólar Valor em Reais Fornecedor de Mercadorias US$ 50.000 R$ 4,00 R$ 200.000 D - Estoques – Importação em Andamento R$ 200.000 C - Fornecedores R$ 200.000 • Demais gastos D - Estoques – Importação em Andamento R$ 13.000 C - Caixa ou Bancos R$ 13.000 Variação cambial no dia do desembaraço: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Venda de Mercadorias US$ 50.000 R$ 4,20 R$ 210.000 R$ 200.000 R$ 10.000 D - Estoques – Importação em Andamento R$ 10.000 C - Fornecedores R$ 10.000 • Transferência de saldo para conta Estoques D - Estoques R$ 223.000 C - Estoques – Importação em Andamento R$ 223.000 Resposta: R$ 223.000 reconhecidos no estoque b) Lançamentos referentes a variação cambial da cotação realizada com 60 dias e com 90 dias após a aquisição. Gabarito Variação cambial 60 dias: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Venda de Mercadorias US$ 50.000 R$ 4,10 R$ 205.000 R$ 210.000 -R$ 5.000 D – Fornecedores R$ 5.000 C – Variação Cambial Ativa (Receita Financeira) R$ 5.000 14 Variação cambial 90 dias: Operações Valor em Dólar Cotação do Dólar Valor em Reais Valor reconhecido anteriormente Variação cambial Venda de Mercadorias US$ 50.000 R$ 4,10 R$ 215.000 R$ 205.000 R$ 10.000 D – Variação Cambial Passiva (Despesa Financeira) R$ 10.000 C – Fornecedores R$ 10.000 c) Lançamento de pagamento de fornecedor via banco. Gabarito D – Fornecedores R$ 215.000 C – Bancos R$ 215.000 FINALIZANDO Aprendemos nesta aula como realizar a formação do valor de custo de aquisição de mercadorias importadas. Além disso, vimos que há incentivos para a importação de mercadorias e de insumos, dependendo da sua utilização. No campo tributário, abordamos a incidência sobre as mercadorias importadas. Vimos também os procedimentos para importação e o tratamento da variação cambial. Que alegria! Construímos muito conhecimento em uma mesma aula. Até mais, futuros contadores! 15 REFERÊNCIAS BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 87/1996. Dispõe sobre o imposto dos Estados e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, e dá outras providências (Lei Kandir). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp87.htm>. Acesso em: 09 dez. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 10.865/2004. Dispõe sobre a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a importação de bens e serviços e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm>. Acesso em: 09 dez. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 09 dez. 2019. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 02 (R2) - Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis, 2010. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos- Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=47>. Acesso em: 09 dez. 2019. CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 16 (R1) - Estoques, 2009. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos- Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=47>. Acesso em: 09 dez. 2019. GELBCKE, E. R.; SANTOS, A.; IUDÍCIBUS, S.; MARTINS, E. Manual de Contabilidade Societária. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2018. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade Comercial. 11 ed. São Paulo: Gen, 2019. NOOGUEIRA, A. de S. Logística Empresarial - um guia prático de operações logísticas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2018. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed Conversa inicial Contextualizando TEMA 1 – IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E RECONHECIMENTOS CONTÁBEIS TEMA 2 – REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS TEMA 3 – TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E CUIDADOS COM BITRIBUTAÇÃO TEMA 4 – EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS E RECONHECIMENTOS CONTÁBeis TEMA 5 – A VARIAÇÃO CAMBIAL E SUA CONTABILIZAÇÃO Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS