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ESPÉCIES DE PEDIDO 
As espécies de pedido: 
 
a) cominatório (art. 287 do CPC): Toda obrigação que o réu tenha o dever 
de fazer ou não fazer alguma coisa ou entregar algum bem, o pedido pode 
conter, além do cumprimento efetivo, a cominação de uma multa pecuniária 
por dia de não-cumprimento. 
 
Exemplo: um determinado pintor se recusa a pintar uma tela da qual havia se 
comprometido por contrato. A parte ingressa no Judiciário, mas o Juiz não tem 
poderes físicos para obrigar o pintor a cumprir a obrigação. Assim, cria um 
mecanismo de estímulo, a multa, pois, enquanto perdurar a contumácia do 
réu, a multa será devida. 
 
b) alternativo (art. 288 do CPC): quando, pela natureza da obrigação, o réu 
puder cumprir a obrigação por mais de um modo. Os pedidos têm a mesma 
hierarquia, pois, cumprindo de qualquer maneira, o réu se exime da obrigação. 
A escolha cabe ao réu. 
 
Exemplo: Pedro vende para João um cavalo. Um dia após a aquisição do 
semovente, João verifica que o cavalo não tem os dentes de trás. Ingressa 
com uma ação formulando pedido alternativo para o réu. Ou bem se devolve o 
dinheiro, o autor devolve o cavalo ou se faz um abatimento no preço, pois se 
comprou o cavalo com todos os dentes. 
 
c) sucessivo (art. 289 do CPC): o autor formula mais de um pedido 
em ordem sucessiva, para que o Juiz conheça do posterior se não 
puder conhecer do anterior. Não se confunde com o pedido alternativo, porque 
o sucessivo contém um pedido principal e o outro, subsidiário, em caráter de 
prejudicialidade. É o famoso “caso Vossa Excelência não entenda”. 
 
Exemplo: João financia um apartamento e vem pagando devidamente as 
parcelas. Decorrido um ano, o proprietário do referido apartamento aliena o 
imóvel a um terceiro. João formula um pedido sucessivo. O principal deseja o 
apartamento e, se o Juiz não entender cabível requer, ao menos, a devolução 
das parcelas pagas. 
 
d) prestações periódicas (art. 290 do CPC): as obrigações de uma pessoa 
para com outra poderão se dar, por vezes, não apenas em uma parcela, mas 
em várias. Nesses casos, se o autor formular um pedido, os demais que se 
vencerem no curso da lide são devidos automaticamente. É a espécie de 
pedido implícito, ou seja, aquele que não está formulado expressamente na 
petição inicial, contudo, encontra-se subentendido. Nesse caso, o Juiz poderá 
conceder todas as parcelas mesmo que se tenha pedido apenas a primeira 
(relações de trato sucessivo). Exemplo: alimentos ou consignação em 
pagamento. 
 
Exemplo: o filho ingressa com uma ação de alimentos contra o pai. O Juiz fixa 
os alimentos provisórios. Todo mês esses alimentos serão devidos enquanto o 
processo estiver em curso. Os demais meses não precisam ser expressamente 
requeridos (pedido implícito), pois são devidos de pleno direito. Assim, pode o 
Juiz, v.g., determinar o desconto em folha mês a mês até a sentença. 
 
e) cumulados (art. 292 do CPC): recebe também o nome de cumulação de 
ações. Difere-se do sucessivo, pois, no pedido cumulado, o autor pede que o 
Juiz conheça todos os pedidos conjuntamente. Assim, determinadas situações 
da vida que ensejam a propositura de uma ação podem oportunizar ao autor 
formular mais de um pedido, porque aconteceu mais de uma conseqüência 
jurídica. 
 
Exemplo: ação de cobrança de aluguel cumulada com despejo, ação de dano 
emergente cumulada com lucros cessantes, ação de dano material cumulada 
com dano moral. 
 
Entretanto, para que se possa cumular, é necessário observar os requisitos 
previstos em lei: 
 
I) que os pedidos sejam compatíveis entre si, ou seja, decorram 
da mesma relação de Direito Material, que não se anulem. 
 
II) mesmo Juízo competente para conhecer de todos os pedidos: para 
que se possa cumular, é necessário que o Juiz esteja investido de competência 
para julgar todos os pedidos (assim, não se pode cumular causa cível com 
causa de família, pois a competência é diferente). 
 
III) adoção do mesmo procedimento: o procedimento que veiculará 
os pedidos deve ser o mesmo, deve se cumular ordinário com 
ordinário, sumário, com sumário. 
 
Atenção: entretanto, serão aceitos procedimentos distintos se, para todos, 
puder adotar rito ordinário, consoante dispõe o art. 292, § 2.º, do CPC. 
 
IV) valor da causa: sabe-se que toda causa tem um valor certo, ainda que 
sem conteúdo econômico imediato. Os arts. 259 e 260 do CPC dão os critérios 
do valor da causa, e o art. 261 do mesmo diploma legal permite ao réu 
impugnar esse valor no prazo da contestação. 
 
V) provas: não basta apenas alegar, é preciso demonstrar a veracidade dos 
fatos narrados e alegados na inicial. As provas documentais, via de regra, 
são juntadas desde logo à petição inicial (art. 283 do CPC) e as demais formas 
(pericial, testemunhal, depoimento pessoal etc.) são protestadas para serem 
produzidas em posterior audiência de instrução. 
 
VI) requerimento de citação: consoante o art. 213 do CPC, a citação é o ato 
de se chamar o réu em Juízo para se defender. Pode ser realizada pelo correio, 
por Oficial de Justiça ou por edital. 
 
Temos duas formas de citação: a real (correio e Oficial de Justiça) ou a ficta 
(edital e hora certa). A real aconteceu de fato (o carteiro entregou a citação 
para o réu, que assinou o aviso de recepção; o Oficial colheu a assinatura do 
réu no mandado), já a ficta, não se sabe ao certo se ocorreu (não há dados 
precisos para se saber se o réu leu por edital ou se soube da citação por hora 
certa – decorre do nome ficção). 
 
No sistema processual pátrio, a regra é pelo correio, exceto nas alíneas do art. 
222 do CPC, visto que, naqueles casos, a citação deve ser pessoal (por meio 
de Oficial de Justiça). Assim ocorre na execução, quando as Fazendas forem 
parte, ou nas ações de Estado. 
 
Entretanto, existem outras formas de citação: dá-se a citação por edital (art. 
231 do CPC) quando for desconhecido o réu ou residente em lugar incerto ou 
inacessível. Exemplo: citar réu que mora na favela (local de difícil acesso) ou 
quando se tratar de invasão de terra (réu desconhecido). 
 
A citação por hora certa (art. 227 do CPC) ocorre quando o Oficial de Justiça 
procura o réu – que tem domicílio ou residência certa – por três vezes, porém 
não o encontra, havendo suspeita de ocultação. Assim, ele cita um parente ou 
vizinho e informa que, no dia seguinte, na hora em que se designar, irá 
comparecer na residência para efetivar a citação.

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