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INTOLERÂNCIA E VIOLÊNCIA
VISÃO CONTEMPORÂNEA DE UM PROBLEMA SOCIAL
SOCIOLOGIA – Primeiro ANO – Cap.21
CÉLIA FONSECA
A VIOLÊNCIA concretiza-se através da opressão 
dos grupos, do abuso de poder e da tirania, em 
todos níveis e instâncias da sociedade humana.
Fonte: Mapa da Violência
Segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado pelo 
Instituto Sangari, o número de assassinatos no país 
passou de:
➢13.910 em 1980
➢para 49.932 em 2010
Correspondendo a um aumento de 259%
Ou o equivalente ao crescimento de 4,4% ao ano. 
A taxa de homicídios que era de 11,7 para cada 100 mil 
habitantes atingiu, no mesmo período, 26,2.
A ONU – Organização das Nações Unidas - considera 
aceitável o índice de 10 homicídios para cada grupo de 100 
mil habitantes.
Nessa faixa estão países desenvolvidos, como Estados 
Unidos, Canadá, europeus e asiáticos. 
O Brasil, porém, com mais do que o dobro desse patamar, 
se alinha às nações mais pobres da América Latina e 
África.
Fonte: Mapa da Violência
Oito unidades da federação ultrapassam a pesada marca 
dos 100 homicídios para cada 100 mil jovens negros:
➢ Alagoas 
➢ Espírito Santo
➢ Paraíba
➢ Pernambuco
➢ Mato Grosso
➢ Distrito Federal
➢ BAHIA
➢ Pará
Taxas extremas e inaceitáveis, são as de Simões Filho, na 
Bahia ou as de Ananindeua, no Pará na faixa dos 400 
homicídios para cada 100 mil jovens negros.
www.mapadaviolencia.org.br
http://www.mapadaviolencia.org.br/
A violência é um grave problema do país desde a década de 
1990 
Tem causas complexas, mas entre elas pode-se destacar
O TRÁFICO DE DROGAS. 
VIOLÊNCIA NO BRASIL 
Nos últimos anos, a sociedade brasileira entrou no grupo das 
sociedades mais violentas do mundo. 
Hoje, o país tem altíssimos índices de violência urbana:
Violência praticada nas ruas, como 
assaltos, sequestros, extermínios, etc.
Violência doméstica (praticadas no 
próprio lar).
Violência familiar e violência contra a 
mulher, que, em geral, é praticada pelo 
marido, namorado, ex companheiro, 
etc... 
Não há consenso entre os pesquisadores quanto as 
causas que produzem a violência nem mesmo quanto ao 
fenômeno em si. 
Isto confirma a constatação de Georges Sorel, um dos 
primeiros autores a tematizar a questão no século XX: 
"os problemas da violência ainda permanecem 
obscuros". 
As respostas a este fenômeno têm se mostrado múltiplas e 
diversas, abrangendo uma gama de medidas, nos mais 
diversos níveis: individual, comunitário, governamental.
As pessoas se armam e cercam as casas. 
As comunidades fazem 
passeatas pedindo paz e o 
governo procura implementar 
medidas como a restrição à 
venda de armas. 
O tema da segurança é incluído na agenda do dia de muitos 
organismos e grupos. 
O assunto tem sido discutido, nos últimos anos, por 
pesquisadores de diferentes áreas, incluindo a médica, 
pois os assassinatos estão entre as principais causas de 
mortes de jovens no país.
As causas do aumento da violência no Brasil são 
complexas e envolvem questões socioeconômicas, 
demográficas, culturais e políticas. 
Fonte:http://www.inf.ufes.br
Além de falhar nos fatores preventivos o Estado também 
falha na repressão ao crime organizado. 
As polícias civil e militar no Brasil são mal remuneradas e 
conhecidas pela corrupção e truculência.
A violência policial no país é constantemente alvo de 
denúncias por entidades como a Anistia Internacional.
A violência aparece como um problema ligado à 
educação, percebido tanto em relação à escola quanto 
à cultura, e investigando desde a percepção da 
questão, o estudo de suas causas e manifestações, 
até a proposição explícita de uma educação para a 
paz.
Esse cenário nos convida a um aprofundamento deste 
fenômeno multifacetado, naquilo que Paul Ricoeur chama 
de “anatomia da guerra” e de “fisiologia da violência”.
"Ninguém que se tenha dedicado a pensar a 
história e a política pode permanecer alheio ao 
enorme papel que a violência sempre 
desempenhou nos negócios humanos...”
Hannah Arendt
Filósofa alemã 
AFINAL, O QUE É VIOLÊNCIA? 
A violação da integridade física e 
psíquica da dignidade humana
(Marilena Chauí – filósofa) 
Segundo o Dicionário Houaiss:
VIOLÊNCIA é a “ação ou efeito de violentar, de empregar 
força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral 
contra (alguém); ato violento, crueldade, força”. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define 
violência como “a imposição de um grau 
significativo de dor e sofrimento evitáveis”. 
Na comunidade internacional de direitos humanos, a 
violência é compreendida como todas as violações dos 
direitos: 
➢ Civis (vida, propriedade, liberdade de ir e vir, de 
consciência e de culto)
➢ Políticos (direito a votar e a ser votado, ter participação 
política)
➢Sociais (habitação, saúde, educação, segurança)
➢Econômicos (emprego e salário) 
➢Culturais (direito de manter e manifestar sua própria 
cultura). 
A violência pode ser entendida como um produto da 
ineficiência dos mecanismos sociais destinados 
a resolver conflitos e a reparar injustiça.
OS JUSTICEIROS
A VIOLÊNCIA URBANA é o termo usado para designar 
ataques relativamente sérios à lei e à ordem pública que 
veem a violência se exprimir em uma ou mais cidades de 
um ou mais países. 
O Brasil responde por 10% de todos os homicídios praticados 
no mundo, segundo dados de um estudo realizado a pedido do 
governo suíço, divulgado no ano de 2008, em Genebra. 
http://www.mundoeducacao.com.br/geografia/violencia-urbana-no-brasil.htm
VIOLÊNCIA URBANA
Designa um conjunto de comportamentos 
intencionalmente transgressor da lei, que quebra as regras 
de convívio civilizado e regulado por regras estáveis.
.
Pode ser praticada por indivíduos ou por grupos
http://4.bp.blogspot.com/_mSfFjBVgdCA/TTSNther1TI/AAAAAAAABVo/3iBn4yIe_TI/s1600/skinhead-46482.jpg
VIOLÊNCIA URBANA é a expressão que designa o 
fenômeno social de comportamento deliberadamente 
transgressor e agressivo, apresentado pelo conjunto dos 
cidadãos ou por parte deles, nos limites do espaço 
urbano. 
Sua manifestação mais evidente são os altos índices 
de criminalidade grave e a mais constante é a 
infração dos códigos elementares de conduta 
civilizada.
A VIOLÊNCIA URBANA não pode, ser reduzida à 
criminalidade e nem seus agentes podem ser confundidos 
exclusivamente com assaltantes e marginais
Ela abarca também a chamada violência branca, 
que pode ser resumida por uma série de pequenos 
crimes praticados diária e subterraneamente por uma 
sociedade injusta e discriminatória contra o cidadão.
VIOLÊNCIA ESTATAL
Manifesta-se pela 
incapacidade ou descaso 
do Estado em criar ou 
fazer funcionar 
instituições que atendam 
as demandas populares 
por justiça ou direitos, 
além do amparo em caso 
de desemprego ou 
doença. VIOLÊNCIA LEGÍTIMA
Nas grande e médias cidades do país a violência e a 
criminalidade vicejam e o combate a essas mazelas sociais 
não parece ser fácil nem evidente. 
Ao contrário, o controle da criminalidade é 
insatisfatório
A sociedade tolera a desordem, incentiva 
comportamentos desviantes e soluções 
agressivas aos corriqueiros conflitos humanos, 
além de consumir produtos de entretenimento 
que exploram a degradação do caráter 
humano. 
Já é tempo de a sociedade brasileira se 
conscientizar de que, violência não é ação. 
Violência é, na verdade, reação.
O ser humano não comete violência sem 
motivo.
.
Infelizmente, os governos tem usado ferramentas 
erradas e conceitos errados na hora de entender 
o que é causa e o que é consequência. 
A violência que mata e que destrói está muito 
mais para sintoma social do que doença social.
Aliás, são várias as doenças sociais que produzem 
violência como um tipo de sintoma. 
Em todo o mundo as principais causas da violência são: o 
desrespeito, a prepotência, crises de raiva causadas por 
fracassos e frustrações, crises mentais (loucura 
consequente de anomaliaspatológicas que, em geral, são 
casos raros). 
No Brasil, um dos desafios do combate à 
violência é buscar uma solução para problemas 
que se tornaram comuns no país ao longo da 
última década:
➢o narcotráfico
➢ o crime organizado
➢ a violação dos direitos humanos
➢e as falhas do sistema policial e carcerário
O Código Penal Brasileiro é de 1940. 
O mundo evoluiu muito nestes 62 anos e a realidade é 
outra. 
Crimes que não existiam passaram acontecer com 
frequência. 
A Justiça, talvez por falta de leis modernas e eficazes, age 
com morosidade. 
O modelo de Justiça que temos á arcaico, não atendendo 
aos anseios da população. 
A violência funciona como um último recurso que 
tenta restabelecer o que é justo segundo a ótica 
do agressor. 
Portanto, sempre que houver violência é porque, 
alguma coisa, já estava anteriormente errada.
É essa “coisa errada” a real causa que precisa 
ser corrigida para diminuirmos, de fato, os 
diversos tipos de violências. 
Quando a mídia fala da violência ela está agindo, é um ator, 
assim como a polícia, como os criminosos e nós, vítimas, 
também somos atores. 
A mídia, ao tratar da violência, não está apenas 
descrevendo e noticiando o fato.
A mídia é um ator, ela 
seleciona quem acusar, quais 
políticas públicas que 
deveriam ser aplicadas e 
confere prestígio aos que 
praticam os crimes.
TEORIAS PRECONCEITUOSAS
A violência não floresce necessariamente em regiões de 
grande miséria.
Pensar que onde há pobre e excluído há violência pode 
ser uma forma brutal de discriminação.
O estado do Piauí, 
comprovadamente um dos 
mais pobres do país, não 
apresenta inquietantes de 
criminalidade ou de outras 
formas de violência. 
“A pobreza não é causa da violência. Mas quando aliada 
à dificuldade dos governos em oferecer melhor distribuição
dos serviços públicos, torna os bairros mais pobres mais 
atraentes para a criminalidade e a ilegalidade.”
Luís Antônio Francisco de Souza
Sociólogo

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