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FMU – ACÚSTICA e PSICOACÚSTICA I e II BASES DA AUDIOLOGIA TESTES LOGOAUDIOMÉTRICOS LOGOAUDIOMETRIA O homem, como ser social, tem na comunicação a base de seu desenvolvimento. Assim, é importante avaliar a capacidade de comunicação que depende, entre outros aspectos, da possibilidade de compreensão da fala. Os objetivos dos testes logoaudiométricos (audiometria vocal) são: Mensurar a capacidade de detecção e de discriminação de palavras, através da percentagem de acertos de repetições de fonemas ouvidos. Confirmar da audiometria tonal liminar. Auxiliar na determinação do topodiagnóstico e da hipótese diagnóstica. Detectar perdas funcionais ou psicogênicas. Auxiliar a indicação de próteses auditivas. Avaliar o rendimento social auditivo do indivíduo. Equipamentos Os testes devem ser realizados em cabine acústica, com audiômetro com um ou dois canais contendo: Microfone. Medidor de volume (vumeter). Fones. Circuito para a recepção de respostas do paciente (monitor). Realização Pode ser realizado a viva voz, ou usando CD. O examinador deve controlar o “vumeter” e usar anteparo durante o teste (não dar pistas visuais). Limiar de Detecção de Voz (LDV) ou SDT (Speech Detection Threshold) · Menor intensidade na qual o indivíduo consegue perceber a voz humana, sem necessariamente compreender o que está sendo falado. · O indivíduo deve responder a 50% das apresentações. Utilizado em pacientes com perdas auditivas severas ou profundas (quando não há intensidade suficiente no equipamento) ou em pacientes que não conseguem compreender ou responder a outros testes logoaudiométricos. Objetivo: confirmar os limiares tonais da via aérea. Procedimento: · Orientar o paciente a levantar a mão ou realizar a tarefa combinada cada vez que ouvir o som. · Colocar intensidade acima do limiar tonal. · Falar a sílaba “pa” como se fosse uma palavra: “papapa”. · Diminuir gradativamente a intensidade. Quando o paciente não responder mais, subir de 5 em 5 dB até que ele responda a 50% das apresentações. O método ascendente é o inverso, ou seja, do silêncio para o som. Resultado Deve ser igual aos melhores limiares tonais. OBS: Se isto não ocorrer, a audiometria e/ou o SDT devem ser refeitos. Limiar de Recepção de Fala (LRF) ou SRT (Speech Reception Threshold) · Exprime a menor intensidade para a qual o indivíduo consegue identificar 50% das palavras apresentadas. · Objetivo: confirmar os limiares tonais da via aérea. Estímulos utilizados: palavras trissílabas ou dissílabas, perguntas, figuras. Procedimentos Instruções ao paciente: “Você vai escutar uma série de palavras e deve repeti-las da forma como entender. O volume irá diminuir, mas você não deverá se importar com isso”. Iniciar por intensidade confortável ao paciente (40 dB acima da média dos limiares tonais nas frequências de 500, 1000 e 2000 Hz). Falar uma palavra e reduzir 10 dB. Continuar nesse procedimento até que o paciente não consiga responder. Subir 5 dB e falar 4 palavras; se ele repetir corretamente duas das palavras, tem-se o SRT. Caso acerte menos de duas, subir de 5 em 5 dB até que ele responda a 50% das palavras ditas. Caso acerte mais de duas, descer de 5 em 5 dB até que ele responda a 50% das palavras ditas. O método ascendente é o inverso, ou seja, do silêncio para o som. Resultado: O SRT deve concordar com a média tonal de 500, 1000 e 2000 Hz, estando igual ou até 10 dB acima desta, conforme a configuração da curva audiométrica (espera-se ao menos 3 limiares tonais com valores menores dos que os observados no SRT). OBS: Se isto não ocorrer, a audiometria e/ou o SRT devem ser refeitos. Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) É a medida da inteligibilidade de fala em uma intensidade fixa (40 dB acima da média tonal de 500, 1000 e 2000 Hz), na qual o indivíduo consegue repetir corretamente o maior número de palavras. Estímulos: 25 monossílabos e 25 dissílabos balanceados foneticamente e de uso cotidiano. Cada palavra equivale a 4% (25 totalizam 100%). Observações: · Pequenas adaptações podem ser necessárias em pacientes que apresentam lesões cocleares com recrutamento (recrutantes) → o teste deve ser realizado na intensidade que o paciente refere ser mais confortável (geralmente entre 20 a 30 dBNS).Recrutamento: fenômeno decorrente da lesão de células ciliadas da cóclea. Caracteriza-se pela percepção distorcida da intensidade do som. Exemplo: apresentamos um som de 40 dBNS e o paciente tem a sensação de que o som é muito mais forte. Pode sentir desconforto com sons pouco acima dos limiares tonais. · Pacientes com alterações cocleares também podem necessitar o uso de palavras maiores (dissílabos, trissílabos) para aumento da pista auditiva. Em pacientes com alterações retro cocleares não observamos melhora no desempenho, mesmo com o aumento da pista auditiva. Resultados: Pacientes normais e condutivos: entre 88% e 100% de acertos. Pacientes com lesões cocleares: resultados compatíveis com a audiometria tonal (geralmente entre 60 e 90%). O aumento da pista auditiva auxilia o paciente, mas o aumento da intensidade pode gerar platô pelo desconforto (platô de desconforto: a discriminação auditiva não melhora, mesmo aumentando-se a intensidade). Pacientes com lesões retro cocleares: resultados incompatíveis com o grau da perda - ruins, mesmo em perdas leves (geralmente abaixo de 60%). O aumento da pista auditiva não auxilia o paciente e o aumento da intensidade pode gerar fenômeno de “rollover”.Fenômeno de “rollover”: quanto mais se aumenta a intensidade, maior a dificuldade de discriminação auditiva. Mascaramento: deve ser utilizado quando a orelha não testada puder responder pela orelha testada. OBS.: Quando o resultado observado com a lista de monossílabos resultar 88% de acertos ou menos, realizar também a lista de dissílabos. Resultados dos testes logoaudiométricos esperados em cada caso: OBSERVAÇÃO 1 – Audiometria tonal Casos condutivos: VO normal + diferença entre VA e VO ≥ 15 dB. Casos neurossensoriais: VO ≥ 30 dB (rebaixada) + diferença entre VA e VO entre zero e 10 dB. Casos mistos: VO ≥ 30 dB (rebaixada) + diferença entre VA e VO ≥ 15 dB. OBSERVAÇÃO 2 – Resultados do IPRF Audiometria normal ou casos condutivos → IPRF normal (entre 88% e 100%). Casos neurossensoriais cocleares → IPRF de acordo com o grau da perda (geralmente entre 60% e 90%). Casos neurossensoriais retro cocleares → IPRF não compatível com o grau da perda (geralmente 60%). EXEMPLOS: Caso A Caso B Caso C CASO A – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 36,6 (35 dB) SDT SRT IPRF 30 dB 40 ou 45 dB Condutivo Monossílabos: 100% a 75 dB (melhor limiar) (5 a 10 dB acima da média) Dissílabos: - NS coclear Monossílabos: 88% a 75 dB Dissílabos: 92% a 75 dB NS retro coclear Monossílabos: 64% a 75 dB Dissílabos: 60% a 75 dB CASO B – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 45 dB SDT SRT IPRF 20 dB 45 ou 50 ou 55 dB Condutivo Monossílabos: 100% a 85 dB (melhor limiar) (= a média, 5 ou 10 dB acima) Dissílabos: - NS coclear Monossílabos: 88% a 85 dB Dissílabos: 96% a 85 dB NS retro coclear Monossílabos: 60% a 85 dB Dissílabos: 56% a 85 dB CASO C – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 46,6 dB (45dB) SDT SRT IPRF 20 dB 45 ou 50 ou 55 dB Condutivo Monossílabos: 96% a 85 dB (melhor limiar) (= a média, 5 ou 10 dB acima) Dissílabos: - NS coclear Monossílabos: 84% a 85 dB Dissílabos: 88% a 85 dB NS retro coclear Monossílabos: 56% a 85 dB Dissílabos: 56% a 85 dB Caso D Caso E Caso F CASO D – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 48,3 dB (50dB) SDT SRT IPRF 30 dB 50, 55 ou 60 dB Condutivo Monossílabos: 88% a 90 dB (melhor limiar) (= a média, 5 ou 10 dB acima) Dissílabos: 100% a 90 dB NS coclear Monossílabos: 80% a 80 dB * Dissílabos: 84% a 80 dB * * IPRF realizado na intensidademais confortável NS retro coclear Monossílabos: 48% a 90 dB Dissílabos: 44% a 90 dB CASO E – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 23,3 dB (25 dB) SDT SRT IPRF 20 dB 35 dB Condutivo Monossílabos: 100% a 65 dB (melhor limiar) (10 dB acima da média) Dissílabos: - NS coclear Monossílabos: 84% a 65 dB Dissílabos: 92% a 65 dB NS retro coclear Monossílabos: 60% a 65 dB Dissílabos: 60% a 65 dB CASO F – média de 500, 1000 e 2000 Hz = 11,6 dB (10dB) SDT SRT IPRF 5 dB 15 ou 20 dB Condutivo Monossílabos: 100% a 50 dB (melhor limiar) (5 ou 10 dB acima da média) Dissílabos: - NS coclear Monossílabos: 92% a 50 dB Dissílabos: - NS retro coclear Monossílabos: 72% a 50 dB Dissílabos: 72% a 50 dB Profª Maria Lúcia Bertoncini Torres Texto baseado na aula da Profª Marisa Sacaloski