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TEORIA CRÍTICA DOS DIREITOS HUMANOS NO SÉCULO XXI Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Chanceler: Dom Dadeus Grings Reitor: Joaquim Clotet Vice-reitor: Evilázio Teixeira Conselho Editorial: Alice Therezinha Campos Moreira Ana Maria Tramunt Ibaños Antônio Carlos Hohlfeldt Draiton Gonzaga de Souza Francisco Ricardo Rüdiger Gilberto Keller de Andrade Jaderson Costa da Costa Jerônimo Carlos Santos Braga Jorge Campos da Costa Jorge Luis Nicolas Audy (Presidente) José Antônio Poli de Figueiredo Lauro Kopper Filho Maria Eunice Moreira Maria Helena Menna Barreto Abrahão Maria Waleska Cruz Ney Laert Vilar Calazans René Ernaini Gertz Ricardo Timm de Souza Ruth Maria Chittó Gauer EDIPUCRS: Jerônimo Carlos Santos Braga � Diretor Jorge Campos da Costa � Editor-chefe Alejandro Rosillo Martínez / Amilton Bueno de Carvalho Antonio Carlos Wolkmer / Antonio Salamanca Serrano Asier Martínez de Bringas / César Augusto Baldi David Sánchez Rubio / Helio Gallardo Henrique Marder da Rocha / Joaquín Herrera Flores José Carlos Moreira da Silva Filho / Juan Antonio Senent de Frutos Juan Carlos Suárez / Maria José González Ordovás Maria Lúcia Karam / Nicolás Angulo Sánchez Raúl Fornet-Betancourt / Ricardo Timm de Souza Salo de Carvalho / Silvia Rivera Cusicanqui TEORIA CRÍTICA DOS DIREITOS HUMANOS NO SÉCULO XXI Porto Alegre, 2008 © EDIPUCRS, 2008 Capa: Vinícius Xavier Preparação de originais: Eurico Saldanha de Lemos Revisão: da organizadora Editoração e composição: Phenix Produções Gráficas Impressão e acabamento: Teoria crítica dos direitos humanos no século XXI / Alejandro Rosillo Martínez... [et al.]. � Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008. 522 p. Apresenta textos em português e espanhol. ISBN 978-85-7430-776-3 1. Direitos Humanos. 2. Teoria Crítica. 3. Filosofia do Direito. 4. Pluralismo (Direito). 5. Multiculturalismo. I. Martínez, Alejan- dro Rosillo. CDD 341.27 T314 Ficha Catalográfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informação da BC-PUCRS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização expressa da Editora EDIPUCRS Av. Ipiranga, 6681 - Prédio 33 Caixa Postal 1429 90619-900 PORTO ALEGRE/RS BRASIL Fone/Fax: (51) 3320-3523 E-mail: edipucrs@pucrs.br AUTORES ALEJANDRO ROSILLO MARTÍNEZ � Professor de Filosofia do Di- reito na Universidade Autónoma de San Luis Potosí, México. AMILTON BUENO DE CARVALHO � Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil. ANTONIO CARLOS WOLKMER � Professor do Programa de Pós- graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. ANTONIO SALAMANCA SERRANO � Professor Convidado da Universidade Autônoma San Luis Potosí, México. ASIER MARTÍNEZ DE BRINGAS � Investigador do Instituto de Direitos Humanos da Universidade de Deusto e membro do IPES, Pamplona, Espanha. CÉSAR AUGUSTO BALDI � Mestre em Direito (ULBRA/RS), Espe- cialista em Direito Político (UNISINOS), Assessor da Presidência do TRF/4ª Região, Porto Alegre, Brasil. DAVID SÁNCHEZ RUBIO � Professor Titular de Filosofia do Direi- to da Universidade de Sevilha, Espanha. HELIO GALLARDO � Professor de Filosofia da Universidade da Costa Rica, San José, Costa Rica. HENRIQUE MARDER DA ROCHA � Assessor de Desembargador no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Brasil. Mestre em Filosofia (PUCRS). JOAQUÍN HERRERA FLORES � Diretor do Programa de Doutorado em Derechos Humanos y Desarrollo, Universidade Pablo de Olavi- de, Sevilha, Espanha. JOSÉ CARLOS MOREIRA DA SILVA FILHO � Mestre (UFSC) e Doutor em Direito (UFPR). Professor do Mestrado em Direito da Unisinos, São Leopoldo, Brasil. JUAN ANTONIO SENENT DE FRUTOS � Professor de Filosofia do Direito, Universidade de Sevilha, Espanha. JUAN CARLOS SUÁREZ � Professor Titular de Filosofia na Univer- sidade de Sevilha, Espanha. MARIA JOSÉ GONZÁLEZ ORDOVÁS � Professora da Universida- de de Zaragoza, Espanha. MARIA LÚCIA KARAM � Juíza de Direito aposentada, ex-Juíza auditora da Justiça Militar Federal, coordenadora no Rio de Janeiro do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Brasil. NICOLÁS ANGULO SÁNCHEZ � Doutor em Direito, Espanha. RAÚL FORNET-BETANCOURT � Catedrático de Filosofia na Uni- versidade de Bremen e membro do Instituto Missio (Aachen), Ale- manha. RICARDO TIMM DE SOUZA � Professor dos Programas de Pós- graduação em Filosofia e Ciências Criminais da PUCRS, Porto Ale- gre, Brasil. SALO DE CARVALHO � Mestre (UFSC) e Doutor em Direito (UFPR). Professor Titular de Direito Penal e de Criminologia na PUCRS. SILVIA RIVERA CUSICANQUI � Professora da Oficina de História Oral Andina-UMSA, La Paz, Bolívia. SUMÁRIO Apresentação ..................................................................... 7 Presentación ...................................................................... 11 I. Teoria Crítica Dos Direitos Humanos .......................... 13 1. Derechos Humanos, Liberación y Filosofía de la Realidad Histórica � Alejandro Rosillo Martínez ............. 15 2. Direitos Humanos no Século XXI: A Reconfiguração Contemporânea da Questão desde a Crítica da Idéia Moderna de Liberdade � Ricardo Timm de Souza . 46 3. Sujeto Libre Ante la Ley. Contexto Actual y Posibilidad de Recuperación � Juan Antonio Senent de Frutos .......... 68 4. Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos � Nicolás Angulo Sánchez ................ 97 5. ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos o Carta Socialdemócrata a Santa Claus? � Antonio Salamanca Serrano .................... 122 6. El Potencial Epistemológico y Teórico de la Historia Oral: De la Lógica Instrumental a la Descolonización de la Historia � Silvia Rivera Cusicanqui .. 154 II. Pluralismo Jurídico e Multiculturalismo .................... 177 7. Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos: Dimensões Emancipadoras � Antonio Carlos Wolkmer ...................... 179 8. Pluralismo Jurídico y Emancipación Social (Aportes Desde la Obra de Antonio Carlos Wolkmer) � David Sánchez Rubio ..................................................... 200 9. Cultura y Derechos Humanos: La Construcción de los Espacios Culturales � Joaquín Herrera Flores ....... 223 10. Los Pueblos Indígenas Ante la Construcción de los Procesos Multiculturales. Inserciones en los Bosques de la Biodiversidad � Asier Martínez de Bringas ............. 265 11. Da Diversidade de Culturas à Cultura da Diversidade: Desafios dos Direitos Humanos � César Augusto Baldi ....................................................... 295 12. De la Importancia de la Filosofía Intercultural para la Concepción y el Desarrollo de Nuevas Políticas Educativas en América Latina � Raúl Fornet-betancourt ................................................... 320 13. Direitos Indígenas e Direito à Diferença: O Caso Do Morro Do Osso Em Porto Alegre � José Carlos Moreira da Silva Filho ................................. 336 III. Gênero e Direitos Humanos ...................................... 361 14. Violencia Invisible, Derechos Humanos e Igualdad de Género � Juan Carlos Suárez ....................... 363 15. Proibições, Crenças e Liberdade: O Debate sobre o Aborto � Maria Lúcia Karam ............................... 391 IV. Direitos Humanos, Controle Social e Crítica ao Sistema de Justiça Penal ................................ 413 16. Lucha Social, Pinochet y la Producción de Justicia � Helio Gallardo .............................................. 415 17. La Ciudad en Clave de Riesgo: El Derecho a la Seguridad o la Obsesión por Ella � Maria José González Ordovás ........................................ 437 18. A Radicalização Garantista na Fundamentação das Decisões � Uma Abordagem a partir do Tribunal � Amilton Bueno de Carvalho e Henrique Marder da Rosa .. 461 19. Criminologia, Garantismo e Teoria Crítica dos Direitos Humanos: Ensaio sobre o Exercício dos Poderes Punitivos � Salo De Carvalho ............................. 476 APRESENTAÇÃO A presente publicação é a consolidação do intercâmbiorealizado entre o Programa de Pós-graduação em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, e o Curso de Doutorado em Derechos Humanos y Desarrollo da Universidad Pablo de Ola- vide (UPO), Sevilha. Trata-se da terceira edição do projeto Anuário Ibero- Americano de Direitos Humanos, publicado inicialmente em 2001/2002. O segundo volume, intitulado Direitos Humanos e Globalização: fundamentos e possibilidades desde a Teoria Crítica, apresentou os trabalhos de investigação referente ao biênio 2003/2004. Ambos foram editados pela Editora Lumen Juris, Rio de Janeiro. Após breve suspensão da periodicidade, e agora inte- grado formalmente no projeto o Departamento de Filosofia do Direito da Universidade de Sevilha, a terceira edição (2007/ 2008) é intitulada Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI. Fundamental lembrar que o projeto, ao longo deste pe- ríodo, permitiu integrar inúmeros pesquisadores ibero-ame- ricanos que têm desenvolvido, em suas instituições, impor- tantes trabalhos teóricos com real incidência no cotidiano das pessoas e dos coletivos que sentem a violência da lesão aos seus direitos fundamentais. Assim, faz-se necessário registrar a participação ativa dos investigadores, além dos que estão na presente edição, que ajudaram a construir esta rede de pesquisa em Direitos Humanos: Agostinho Ramalho Marques Neto (Universidade Federal do Maranhão/Brasil); Alejandro Medici (Universidad Nacional de La Plata/Argentina); Alexandre Wunderlich (PU- CRS/Brasil); Antonio Manuel Peña Freire (Universidad de Granada/Espanha); Carlos María Cárcova (Universidad de 10 Buenos Aires/Argentina); Demián Zayat (INECIP/Argentina); Diego J. Duquelsky Gómez (INECIP/Argentina); Eduardo Raí- ces (INECIP/Argentina); Felipe Gómez Isa (Universidad de Deusto/Espanha); Franz J. Hinkelammert (Departamiento Ecu- ménico de Investigaciones/Costa Rica); Geraldo Prado (Uni- versidade Estácio de Sá/Brasil; Gilberto Bercovici (Universi- dade de São Paulo/Brasil); Ielbo Marcus Lobo de Souza (Uni- sinos/Brasil); Jacinto Nélson de Miranda Coutinho (Universi- dade Federal do Paraná/Brasil); Jesús Antonio de la Torre Ran- gel (Universidad Autónoma de Aguascalientes/México); José Luis Bolzan de Morais (Unisinos/Brasil); José María Seco (UPO/Espanha); Lenio Luiz Streck (Unisinos/Brasil); Luciana Sánchez (INECIP/Argentina); Luciano Oliveira (Universida- de Federal de Pernambuco/Brasil); Luís Fernando Massonetto (Universidade de São Paulo/Brasil); Luis Prieto Sanchís (Uni- versidad Castilla La Mancha/Espanha); Luís Roberto Barroso (Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Brasil); Luiz Ed- son Fachin (Universidade Federal do Paraná/Brasil); María Ana Martínez (INECIP/Argentina); Norman José Solórzano Alfaro UPO/Espanha); Rafael Rodríguez Prieto (UPO/Espanha); Ro- drigo Stumpf González (Unisinos/Brasil) e Vera Regina Pereira de Andrade (Universidade Federal de Santa Catarina/Brasil). A troca de experiências fornecida permite a todos per- ceber, conforme lembrou David Sanchéz Rubio em sua �Pre- sentación� ao livro, que �fenómeno jurídico no se conciba como un ente, un sistema o una entidad autónoma e independiente de contexto social, cultural e histórico en el que se desarrolla.� Desde esta perspectiva entendemos a crítica que emba- sa os artigos expostos na publicação. Salo de Carvalho PUCRS, Porto Alegre, agosto de 2007 Apresentação 11Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI PRESENTACIÓN Este libro es la tercera entrega de un proyecto que vio la luz gracias a la genial propuesta realizada por mi gran amigo y reconocido criminólogo Salo de Carvalho. Junto con el Anu- ário Ibero-Americano de Direitos Humanos (2001/2002) y Di- reitos Humanos e Globalização: Fundamentos e possibilida- des desde a Teoría Crítica, ambos editados por la Editorial Lumen Juris, nos encontramos con un conjunto de autores y de trabajos unidos por varios puntos en común. � En primer lugar, pocas son las publicaciones bilin- gües que en el mundo jurídico, editan escritos tanto en portu- gués como en español o castellano de investigadores, acadé- micos y operadores del Derecho que desarrollan su trabajo a uno y otro lado del Atlántico. Teniendo a Brasil como el cen- tro de impresión y de emisión principal, nos encontramos con una serie de artículos realizados en uno de estos dos idiomas, poniéndose su granito de arena en promocionar y fomentar el diálogo, siempre necesario, entre aquellas culturas latinoa- mericanas que los hablan. � En segundo lugar, mucho menos son los libros o re- vistas que, en el continente latinoamericano, presentan pers- pectivas y teorías unidas por, al menos, dos afinidades: a) La mirada interdisciplinar y pluridimensional de sus estudios; y b) la dimensión crítica con la que se aborda el Derecho. a) La interidisciplinariedad permite que el fenómeno jurídico no se conciba como un ente, un sistema o una enti- dad autónoma e independiente de contexto social, cultural e histórico en el que se desarrolla. Además posibilita, no solo ubicar el mundo jurídico en su contexto social, sino también vislumbrar y analizar su propia estructura interna pluridimen- sional: el Derecho no solo guarda relación con el mundo de lo económico, lo político, lo social y lo cultural, sino que el De- 12 recho está formado por elementos políticos, económicos, so- ciales y culturales. b) Asimismo, las teorías críticas se caracteriza por el inconformismo ante lo empíricamente dado y previamente establecido, adoptando un fuerte compromiso por aquellos colectivos que, por diversas circunstancias, sufren diversos procesos de discriminación, marginación o exclusión por ra- zones de género, étnicas, socioeconómicas o culturales. � En tercer lugar, mínimas son las probabilidades de que aparezcan trabajos y resultados de investigaciones que, de manera transversal y conjunta, tengan a los derechos hu- manos como principal referente e instrumento central de aná- lisis, pero, además, vistos estos desde ópticas distintas a la concepción oficial y predominante establecida por una cul- tura excesivamente formalista y descaradamente positivista. Este tercer volumen que sale a la calle, reúne y profun- diza en estas tres dimensiones que ya aparecían el los dos libros anteriores, y desde mi punto de vista, lo hace con gran solvencia y extremada seriedad. Tratándose temas en clave de derechos humanos que van desde el pluralismo jurídico y el multiculturalismo, pasando por los problemas de género, hasta el conflicto del control social, la seguridad y los siste- mas punitivos, nos encontramos con una obra comprometida que llega como aire fresco en un mundo corroído por la desi- gualdad, la corrupción, las guerras de alta y baja intensidad y la ausencia de una cultura de derechos humanos. Hay que agradecer a la editorial de la Pontifícia Univer- sidade Católica do Rio Grande do Sul y al propio Salo de Car- valho que se posibilite al mundo académico y al mundo me- nos académico el poder acceder a libros como este, que nos permiten repensar el mundo del Derecho y de los derechos humanos sin perder en ningún momento a su principal pro- tagonista tanto creador como destinatario de sus produccio- nes: el ser humano concreto, diferenciado y plural. David Sánchez Rubio En Sevilla, julio de 2007. Presentación 13Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI � I � TEORIA CRÍTICA DOS DIREITOS HUMANOS 1 � DERECHOS HUMANOS, LIBERACIÓN Y FILOSOFÍA DE LA REALIDAD HISTÓRICA Alejandro Rosillo Martínez INTRODUCCIÓN Una parte sobresaliente de la filosofía de Ignacio Ella- curía busca fundamentar la praxis por la liberación, consti- tuyéndose en un camino hacia una filosofía de la liberación. Sin embargo, su asesinato en 1989 impidió que llegara a pre- sentar sistemáticamente su pensamiento filosófico.1 Entre las aportaciones de esta tarea filosófica, el método de historiza- ción de los conceptos contiene un gran potencial para la filo- sofía de los derechos humanos. En especial si consideramosla importancia que esta filosofía da a conceptos como el bien común, la justicia y los derechos humanos; conceptos sobre los cuales el propio Ellacuría reflexionó su historización. Di- gamos, usando las palabras de Jesús Antonio de la Torre2, que la filosofía ellacuriana es una herramienta para la historización de lo jurídico. En este sencillo trabajo pretendo presentar di- cha contribución al pensamiento jurídico. 1 Después de su muerte se ha publicado ELLACURÍA, Ignacio, Filosofía de la realidad histórica, UCA Editores, 19992 (primera edición en 1990). También ha sido publicada en España por la Editorial Trotta. Además, la editorial de la Universidad Centroamericana �José Simeón Cañas� (UCA) ha publicado en tres tomos sus escritos filosóficos, en cuatro tomos tanto sus escritos teológi- cos como sus escritos políticos, algunos de los cuales tienen buena carga filo- sófica. 2 Cfr. DE LA TORRE RANGEL, Jesús Antonio, Liberación y justicia: la historiza- ción de lo jurídico en Ellacuría, en �Revista de Investigaciones Jurídicas� de la Escuela Libre de Derecho, México, 2002. 16 MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 1. La realidad histórica como objeto de la Filosofía Ellacuría parte de la filosofía de la realidad de Xavier Zubiri para realizar un pensamiento profundamente marcado por la realidad latinoamericana. Aunque su filosofía se encuentra ubicada en un contexto determinado � como lo está cualquier otra �, esto no quiere decir que sea una filosofía parcial. Ellacuría no compartía la opinión de reducir la filosofía latinoamericana a regionalismos, sino que desde la realidad de nuestro continente se contribuyera de manera profunda y seria a la filosofía universal. En efecto, enuncia que la filosofía pretende ocuparse de lo que es últimamente la realidad, de lo que es la realidad en cuanto totalidad. Es así como se inserta en la clásica pregunta de la filosofía por su objeto. Siguiendo a Zubiri, sostiene que determinar el objeto de la filosofía no es una ocurrencia, y posiblemente tampoco un mero punto de partida, sino el punto de llegada de una ardua reflexión; entendiendo por objeto �aquello que constituye el tema central de una determinada filosofía o metafísica�3. La filosofía zubiriana se ubica en un horizonte distinto al de la filosofía clásica y la medieval. Mientras que el horizonte clásico es la movilidad, y el medieval es la nihilidad, Zubiri se ubica en el horizonte de la factualidad intramundana que es el único al que tiene acceso el hombre como aprehensor de la realidad. Así es como Zubiri, según Ellacuría, ha logrado establecer lo histórico en un concepto válido de realidad, construido no sólo desde y para la naturaleza sino desde y para la historia4. En el curso �Estructura dinámica de la realidad� de 1968, Zubiri formula el carácter constitutivamente histórico de la totalidad de la realidad. Realiza el análisis del 3 ELLACURÍA, Ignacio, El objeto de la filosofía en �Filosofar en situación de indigencia� (J.C. Scannone y G. Remolina, eds.), Universidad de Comillas, Madrid, s/a, p. 21. 17Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI dinamismo histórico y de su especificidad respecto a los otros dinamismos de la realidad. Es decir, la realidad como una estructura dinámica. �La realidad no es solamente lo que es actualmente; también está, en una o en otra forma, inmersa en eso que de una manera más o menos vaga podemos llamar el devenir. Las cosas devienen, la realidad deviene�5. �La realidad como esencia es una estructura. Una estructura constitutiva, pero cuyos momentos y cuyos ingredientes de constitución son activos y dinámicos por sí mismos�6. Pero ahí no queda la tesis zubiriana, pues la historia no es un devenir sin más. Tampoco es el desarrollo de un germen biológico, de la materia o de un principio o espíritu absolutos. La historia es una realidad cualitativamente nueva que, aunque surgida de la naturaleza y subtendida dinámicamente por ella, es más que naturaleza debido a la apertura humana y a su realización manifestada en un hacer opcional de carácter cuasi-creador o de una libertad absolutamente relativa, en el que se van actualizando las posibilidades dadas en las estructuras sociales. El dinamismo histórico es un dinamismo de actualización de posibilidades, lo que hace que la historia sea una estructura abierta.7 Estas posibilidades se fundan en última instancia en la realidad en cuanto realidad: �Lo cual significa que el mundo, la realidad en tanto que mundo, es constitutivamente histórica. El dinamismo histórico afecta la realidad constituyéndola en tanto que realidad. La historia no es simplemente un acontecimiento que le pasa a unas pobres realidades, como les puede pasar la gravitación a las 4 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Filosofía y política en �Veinte años de historia de El Salvador�, Ob. Cit., p. 51. 5 ZUBIRI, Xavier, Estructura dinámica de la realidad, Alianza Editorial � Funda- ción Xavier Zubiri, Madrid, 1995, p. 7. 6 Ídem., p. 327. 7 Cfr. Ídem., p. 270. 18 realidades materiales. No: es algo que afecta precisamente al carácter de realidad en cuanto tal�8. Por su parte, en un famoso artículo publicado en 1981 en la Revista de Estudios Centroamericanos titulado �El objeto de la filosofía�9, Ellacuría analiza en un primer momento las posturas de Hegel, Marx y Zubiri respecto a cómo han entendido el objeto de la filosofía. Después plantea que se considere a la �realidad histórica� � ya no a la historia � como el objeto adecuado de la filosofía, y explica cinco tesis sobre las que apoya su posición. En resumen son las siguientes10: I. La Unidad de la realidad intramundana. Toda realidad constituye una sola unidad física compleja y diferenciada, de modo que ni la unidad anula las diferencias ni las diferencias anulan la unidad. Para Ellacuría, �la totalidad no es una totalidad abstracta sino una totalidad concreta, que no sólo viene más de la realidad que de la razón sino que viene de los elementos o momentos de esa realidad: es una totalidad plenamente cualificada y, además, está en proceso�11. II. El carácter dinámico de la realidad intramundana. La realidad es intrínsecamente dinámica, de modo que la pregunta por el origen del movimiento es o una falsa pregunta o, al menos, una pregunta secundaria. �Cada cosa real es intrínsecamente respectiva a todas las demás en su carácter mismo de realidad, y esa respectividad intrínseca es constitutivamente dinámica. Surge así la funcionalidad de lo real en tanto que real, la funcionalidad de cada cosa respecto de todas las demás. Esta funcionalidad puede ser de muchos tipos y no se reduce a lo que pudiera denominarse una causalidad mecánica eficiente. Ya la determinación o codeterminación de unas cosas por otras es una forma de 8 Ídem., p. 272. 9 ELLACURÍA, Ignacio, El objeto de la filosofía, Ob. Cit. 10 Cfr. Ídem., pp. 30 � 45. 11 Ídem., p. 32. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 19Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI funcionalidad, quizá la más profunda, pues lleva a un mayor carácter de unidad, donde por codeterminación se entiende formalmente el ser nota-de y no meramente el determinar algo en la otra cosa, se entiende el formar conjuntamente una unidad superior�12. III. El carácter no unívocamente dialéctico. La realidad siendo en sí misma sistemática, estructural y unitaria, no es necesariamente dialéctica, al menos no es unívocamente dialéctica. �Esta tesis no quiere negar que de hecho todo dinamismo intramundano sea dialéctico, sino tan sólo pone en guardia contra la tesis que sostuviera que en principio y de derecho todo dinamismo intramundano es dialéctico de la misma forma. No es, pues, una tesis antihegeliana o antimarxista, sino una tesis que va contra usos mecánicos y formalistas de la dialéctica, cosa que horrorizaría a Hegel y más aún a Marx. La dialéctica tiene sentidos muy varios y hay que determinar en cada caso cómo se la entiende y si se da de hechoesa dialéctica así entendida. Al menos puede sostenerse que no son formalmente lo mismo dinamismo estructural y dialéctica y que, por tanto, cabe en principio que se dé el primero sin la segunda, aunque no la segunda sin el primero�13. IV. El carácter procesal y ascendente de la realidad. La realidad no sólo forma una totalidad dinámica, estructural y, en algún modo, dialéctica, sino que es un proceso de realización, en el cual se van dando cada vez formas más altas de realidad, que retienen las anteriores, elevándolas. Es decir, la realidad superior no se da separada de todos los momentos anteriores del proceso real; se da, entonces, un más dinámico de la realidad, que parte en y por la realidad inferior; es así como la realidad inferior se hace presente de modos diferentes y siempre necesariamente en la realidad superior. 12 Ídem., p. 33. 13 Ídem., pp. 33-34. 20 Hablando respecto a la teoría de la evolución en relación con esta tesis, Ellacuría afirma que no depende estrictamente de la verdad y realidad de la teoría evolutiva, pero que en ella encuentra una buena comprobación empírica. Además, �lo que la teoría o el hecho de la evolución añade es la explicación procesual de por qué lo inferior se hace presente en lo superior, cómo lo superior viene de lo inferior, cómo mantiene lo inferior y cómo realmente lo supera sin anularlo�14. V. La realidad histórica como objeto de la filosofía. La realidad histórica es el objeto último de la filosofía entendida como metafísica intramundana, no sólo por su carácter englobante y totalizador, sino en cuanto manifestación suprema de la realidad. Con base en las tesis previas, Ellacuría comprende por �realidad histórica� el último estadio de la realidad (el más superior), en el cual se hacen presentes todos los demás.15 Opta en hablar de �realidad histórica� y no simplemente de �historia� porque la realidad histórica abarca todas las demás formas de realidad (realidad material y biológica, realidad personal y social), sobre las que está subtendida dinámicamente, a la vez que en la realidad histórica es donde los otros tipos de realidad dan más de sí y donde alcanzan su mayor grado de apertura: en la realidad histórica se nos da no sólo la forma más alta de realidad sino también el campo abierto de las máximas posibilidades de lo real. Es decir, la realidad histórica es la realidad entera asumida en el reino social de la libertad.16 No se habla, entonces, de historia simplemente sino de la realidad histórica, es decir, se toma lo histórico como ámbito histórico más que como contenidos históricos y en ese ámbito la pregunta es por su realidad, por lo que la realidad da de sí y se muestra en él. 14 Ídem., pp. 36. 15 Cfr. Ídem., p. 38. 16 Cfr. Ídem., p. 38. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 21Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI El conocimiento de la realidad histórica necesita de un logos histórico, no de un logos predicativo. No de una adecuación entre entendimiento y cosa, sino que la verdad de la realidad se dimensiona de manera prioritaria desde la propia praxis histórica del ser humano.17 En efecto, la filosofía de la realidad histórica no es un historicismo que margine el quehacer personal, que desconozca la existencia de la persona humana, su creatividad y libertad relativa, estableciendo una clase de colectivismo, tipo hegeliano. De ser así, se perdería de vista el objeto pleno de la filosofía, porque entonces ese objeto quedaría disminuido, simplemente porque no entraría en él formal y específicamente una forma de realidad: �La historia tiende a convertirse con facilidad en historia social, en historia estructural, donde el quehacer originario de las personas puede quedar desdibujado y disminuido. Pero no es un peligro en el cual ha de caerse necesariamente. Y, por otra parte, la consideración puramente personal, incluso interpersonal y común no explica el poder creador de la historia, cuando es en ese poder creador y renovador, en ese novum histórico donde la realidad va dando efectivamente de sí. Por otro lado, sólo de la totalidad histórica, que es el modo concreto en el cual se realiza la persona humana, en el cual el ser humano vive, se ven adecuadamente lo que son esa persona y esa vida. Puestos en la realidad histórica ésta exige, para su explicación última, el estudio de la persona, de la vida, de la materia, etcétera, mientras que la recíproca no es cierta: un estudio de la persona y de la persona humana, al margen de la historia, es un estudio abstracto e irreal. Y lo mismo cabe decir de la materia o de cualquier otra forma de realidad, aunque por distintas razones�18. 17 Cfr. Ídem., p. 40. 18 Ídem., p. 39. 22 Siguiendo la misma argumentación, Ellacuría sostiene que el objeto de la filosofía debe ser la realidad histórica pues ésta incluye más fácilmente a la realidad personal: �Así tenemos que personas egregias no han podido dar todo de sí por cuanto han vivido en momentos históricos que no lo posibilitan. Por otro lado, es distinta la apertura y la creatividad innovadora de la persona que la apertura y la creatividad de la historia. En definitiva, la realidad histórica incluye más fácilmente la realidad personal que ésta a aquélla�19. En resumen, en la clásica búsqueda filosófica de ese algo que abarca y totaliza todas las cosas, Ellacuría propone la �realidad histórica� como objeto de la filosofía porque es la unidad más englobante y manifestativa de realidad. 2. La praxis histórica En su ya mencionada obra �Filosofía de la realidad histórica�, Ellacuría analiza la presencia en la historia de las demás formas de realidad y sus dinamismos. Sostiene que la filosofía debe ser una reflexión sobre la �praxis histórica�, porque es justamente en la realidad histórica donde se actualizan las máximas posibilidades de lo real, en especial pero no exclusivamente la posibilidad de una progresiva liberación integral de la humanidad. �Praxis� entendida no como un tipo de actividad humana contrapuesta a otras, sino como �la totalidad del proceso social en cuanto transformador de la realidad tanto natural como histórica�20 o como �la unidad de todo lo que el conjunto social hace en orden a su transformación�21. Por su carácter transformador, la praxis es el ámbito donde con mayor claridad se expresa la interacción entre el ser humano y el mundo, pues en ella las relaciones 19 Ídem., p. 39. 20 ELLACURÍA, Ignacio, Función liberadora de la filosofía en ECA 435-436, 1985, p. 57. 21 Ídem. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 23Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI no son siempre unidereccionales sino respectivamente codeterminantes.22 Ellacuría reconoce la dimensión social y personal de la praxis histórica, basándose en la filosofía de la �inteligencia sentiente� de Zubiri23, pensando la historia desde el concepto de posibilidad; es decir, que la historia no puede reducirse a sujetos o instancias fuera de ella (un macro sujeto) como lo sostienen, por ejemplo, Hegel (Espíritu Absoluto) o Engels (Materia). En efecto, la historia no hay que entenderla como un progreso cuya meta estuviera prefijada. La realidad histórica no se predice, sino que se produce, se crea a partir de la praxis humana sobre la base del sistema de posibilidades determinado por cada situación y momento del proceso histórico.24 Es así como el proceso histórico no está determinado ni orientado por algo, sólo por lo que pueda hacer y crear la actividad humana a partir de la apropiación de posibilidades y según determinadas capacidades. Pero nada nos asegura que la apropiación de posibilidades sea la más adecuada para la instauración de la justicia. Por eso, para Ellacuría, la praxis no es liberadora en sí misma. El ser humano se va configurando históricamente en virtud de las posibilidades que en cada momento recibe y se apropia. En este sentido, la realidad histórica puede ser principio de libertad, humanización y liberación,pero también de alineación, dominación y opresión. De esto se desprende su interés por plantearse la necesidad del aporte de la filosofía a las luchas por la liberación; es decir, que la praxis histórica sea una praxis liberadora. 22 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Filosofía de la realidad histórica, Ob. Cit., p. 594. 23 Cfr. ZUBIRI, Xavier, Inteligencia y Logos, Alianza Editorial, Madrid, 1982; Inteligencia y Razón, Alianza Editorial, Madrid, 1983; Inteligencia y Realidad, Alianza Editorial, Madrid, 1991 24 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Filosofía de la realidad histórica, Ob. Cit., p. 596. 24 3. Liberación y Filosofía A través de la praxis se muestra el poder creativo del ser humano. Este poder �está en estrecha relación con el grado de libertad que vaya alcanzado [el hombre] dentro del proceso histórico�25. Es así como Ellacuría entiende la libertad: �La opción por la cual la posibilidad se convierte en realidad implica dar poder a una posibilidad entre otras. El hombre, por tanto, no es una realidad meramente sub-stante, sino una realidad supra-stante, en el doble sentido de poder estar sobre sí y de ofrecerse a sí mismo posibilidades, que no emergen naturalmente de él, sino que debe crearlas muchas veces y debe apropiárselas siempre. Y se las apropia en función de lo que quiere hacer �realmente de sí�, de la figura que ha ido eligiendo como propia más allá de cada una de las opciones particulares. Esta determinación de lo que quiere ser y de lo que quiere hacer en razón de lo que quiere ser, cualesquiera sean los estímulos que acompañen este querer, es la libertad. Libertad que es, por tanto, libertad �de� la naturaleza, pero �en� y �desde� la naturaleza como subtensión dinámica y, sobre todo, libertad �para� ser lo que se quiere ser�26. Como señalábamos, para Ellacuría la realidad histórica es la total y última realización de lo real, el último estadio de realidad. Así, la historia se nos presenta como un crecimiento de la libertad que supone un proceso de liberación progresiva de la humanidad; liberación de la naturaleza y de todo tipo de condicionamientos materiales, políticos y sociales. En otras palabras, la actualización de la libertad es resultado de un proceso de liberación. De diversas maneras, sostiene Ellacuría, �la filosofía ha estado íntimamente vinculada con la libertad. Esta consideración implica que es obra de hombres libres, en pueblos libres, libres al menos de aquellas necesidades básicas 25 SAMOUR, Héctor, Filosofía y libertad en �Ignacio Ellacuría. Aquella libertad esclarecida� (Jon Sobrino y R. Alvarado), Sal Terrae, Santander, 1999, p. 110. 26 ELLACURÍA, Ignacio, Filosofía de la realidad histórica, Ob. Cit., p. 350. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 25Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI que impiden ese modo de pensar que es la filosofía; pero, por otra parte, admitimos también con nuestro autor que la filosofía ha ejercido una función liberadora para quien filosofa y que, como ejercicio supremo de la razón, ha liberado del oscurantismo, de la ignorancia y de la falsedad a los pueblos�27. Sin embargo, también existen pseudo-filosofías (más bien ideologías) que han colaborado para mantener órdenes establecidos lejanos a la libertad y la justicia, jugando un papel dogmático y anulando la libre determinación de personas y comunidades. De todo lo anterior se desprende la función liberadora que Ellacuría le atribuye a la filosofía, expuesta principalmente en un trabajo titulado �Función liberadora de la filosofía�. Esta función o contribución a la liberación no es meramente especulativa sino práctica, y parte de darse cuenta de dos situaciones: (a) Las mayorías populares de Latinoamérica � y la mayor parte de la humanidad � viven estructuralmente en condiciones de opresión y aun de represión, en la cual han contribuido presentaciones o manifestaciones ideológicas de ciertas filosofías y aquellas realidades socioeconómicas y políticas que nutren dichas ideologías. (b) La ausencia de una filosofía latinoamericana que provenga de su propia realidad histórica y que desempeñe una función liberada respecto a ella. Por eso, la finalidad principal y el horizonte fundamental filosófico estarían indudablemente en la liberación de esas mayorías. La filosofía tiene una capacidad de crítica y una capacidad de creación y, �evidentemente, éstos son dos poderosos factores de liberación, y no sólo de liberación interior o subjetiva, sino también, aunque en un grado reducido y complementario de liberación objetiva y estructural�28. Por una parte, la función liberadora de la filosofía se 27 ELLACURÍA, Ignacio, Función liberadora de la filosofía, Ob. Cit., p. 62. 28 Ídem., p. 47. 26 expresa a través de la crítica que debe estar orientada, según Ellacuría, a desenmascarar lo que de falso, injusto y desajustado contiene la ideología dominante como momento estructural de un sistema social. De la misma manera, esta actitud crítica de la filosofía también debe estar enfilada a otras notas de la estructura social, como lo económico, lo político, lo cultural, etcétera. Sin embargo, la prioridad la tendrá la crítica a la ideologización pues ésta puede ser reproducida no sólo por los aparatos teóricos sino también por estructuras, ordenamientos y relaciones sociales.29 La ideologización, según Ellacuría, contiene los siguientes elementos30: (a) Una visión totalizadora, interpretativa y justificativa de cierta realidad, tras la cual se esconden elementos importantes de falsedad e injusticia. (b) Dicha deformación de la realidad, tiene un cierto carácter colectivo y social que opera pública e impersonalmente. Además, responde inconscientemente a intereses colectivos, que son los determinantes de la representación ideologizada en lo que dice, en lo que calla, en lo que desvía y reforma. (c) Se presenta como verdadera, tanto por quien la produce como por quien la recibe. (d) Se presenta usualmente con caracteres de universalidad y necesidad, usando abstracciones y principios, aunque la referencia es siempre a realidades concretas que quedan justificadas en las grandes formulaciones generalizadas y ahistóricas. 29 Cfr. Ídem., p. 47. Cabe aclarar que Ellacuría comprende el término �ideología� como ambiguo, pues tiene un sentido positivo y necesario, y otro peyorativo. El primero consiste en entender la ideología como �una explicación coherente, totalizadora y valorizadora, sea por medio de conceptos, de símbolos, de imáge- nes, de referencias, etcétera, que va más allá de la pura constatación fragmenta- da, tanto de campos limitados como, sobre todo, de campos más generales y aun totales� (Ídem., p. 49.). Por su parte, el sentido peyorativo reside en el factor de ideologización existente en toda ideología, que consiste en expresar visiones de la realidad que lejos de manifestarla, la esconden y deforman, presentando como verdadero y justo lo que es falso e injusto. 30 Cfr. Ídem., p. 49. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 27Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI El peligro de la ideologización consiste en la legitimación que puede otorgarle a un sistema injusto, en búsqueda de mantener el status quo, pues se realza lo bueno y se oculta lo malo que tiene, utilizando expresiones ideales que son contradichas por los hechos reales y por los medios empleados para poner en práctica el contenido de dichos ideales. En este sentido, Ellacuría escribe: �Estos se dan en el sistema social como un todo, por ejemplo, en los marcos constitucionales que para nada reflejan la realidad o en las instituciones sociales más restringidas como el ejército o la Iglesia, para no hablar de los partidos políticos, cuyo discurso conceptual en nada se adecua con la práctica cotidiana, aunque se supone, cuando no hay patente hipocresía, que aquel discurso se mantiene honradamente�31. La filosofía puede ser una herramienta importante, más no la única ni suficiente, contra los aparatosideológicos, �si ella misma guarda sus cautelas y no se convierte en arma de ideologización�32. Es decir, la filosofía no debe perder su criticidad pues es algo que, además, la ha distinguido históricamente.33 La criticidad de la filosofía se complementa con su fundamentalidad, por la búsqueda de fundamentos. Cuando se indagan los �fundamentos últimos totalizantes� se puede descubrir la des-fundamentación de los aparatos ideológicos. En otras palabras, la filosofía se encuentra en posibilidades de identificar y combatir lo que quiere presentarse como fundamento real algo que en realidad es un fundamento imaginado o falso. Pero la labor crítica de la filosofía no se limita a su faceta negativa. La criticidad debe partir desde algo y para algo, y en este criticar y negar deben aparecer formulaciones positivas y aspectos inesperados de la realidad, ocultos muchas veces 31 Ídem., p. 50. 32 Ídem., pp. 49-50. 33 Cfr. Ídem., p. 50. 28 por la ideologización.34 Es cuando aparece la función creadora de la filosofía, como parte del proceso de liberación del ser humano35. Pero no basta una filosofía dedicada a la mera especulación. Ellacuría no se suma a aquellos filósofos que al tratar de interpretar el mundo creen que lo manejan y transforman36. De ahí la necesaria conexión entre filosofía y praxis, que tiene como presupuesto que los filósofos y teóricos sociales, desde un aspecto epistemológico, se ubiquen en el lugar adecuado para encontrar la verdad de la realidad histórica. Para Ellacuría este lugar es, según la configuración actual de la realidad, las grandes mayorías populares, porque en ellas negativa y positivamente está la verdad de la realidad.37 Ellacuría habla del lugar-que-da-verdad para referirse a esta cuestión epistemológica, a este locus adecuado para una filosofía latinoamericana con validez universal.38 La efectividad liberadora de la filosofía latinoamericana debe partir del compromiso con una praxis histórica de liberación. No se concibe una filosofía acompañada de un quietismo político. De ahí que, como habíamos comentado, al ser la realidad histórica el objeto de la filosofía, el logos filosófico debe ser un logos histórico, es decir un logos que sintetice la necesidad de comprensión y transformación de una realidad que es intrínsecamente histórica. Este logos histórico debe ser una síntesis entre un logos exclusivamente contemplativo y un logos meramente práxico: �Un logos histórico que (...) busca la realidad y no sólo el funcionalismo de la realidad, pero busca la realidad en su acción y concreción histórica. (...) un logos que tiene que ver con la historia y su 34 Cfr. Ídem., p. 52. 35 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, El desafío de las mayorías pobres, ECA 493-494, 1989, p. 1079. 36 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Función liberadora de la filosofía, Ob. Cit., p. 53. 37 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, El desafío de las mayorías pobres, Ob. Cit., p. 1078. 38 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Función liberadora de la filosofía, Ob. Cit., p. 60. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 29Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI transformación, pero también con el entendimiento de esa historia y con la iluminación de esa transformación�39. Para Ellacuría, la reflexión filosófica, �ejercitada desde un logos histórico, no intenta tan sólo determinar la realidad y el sentido de lo ya hecho, sino que, desde esa determinación y en dirección a lo por hacer, debe verificar, hacer verdadero y real lo que ya en sí es principio de verdad�40. Si bien, todo tipo de actividad humana está incluido en la reflexión filosófica de la praxis humana, Ellacuría pone énfasis en las praxis históricas de liberación, es decir, en aquellas que actúan como productoras de estructuras nuevas más humanizantes. Para Ellacuría, ya decíamos, la liberación es un proceso a través del cual el hombre va ejerciendo su libertad, va haciéndose cada vez más libre, gracias a su estructura de esencia abierta. �La liberación es, por lo pronto, un proceso. Un proceso que, en lo personal, es, fundamentalmente, un proceso de conversión y que, en lo histórico, es un proceso de transformación, cuando no de revolución�41. Bajo esta perspectiva, la liberación consiste en: Liberación de las necesidades básicas, cuya satisfacción es necesaria para una vida humana.42 Es lo que se debe llamar, según Ellacuría, �liberación de la opresión material�. Liberación de las ideologías y de las instituciones jurídico-políticas deshumanizante43. Es la �libertad de represión�. Liberación personal y colectiva de todo tipo de dependencia que impiden una autodeterminación plena44. Y la liberación de sí mismo, �pero de sí mismo como realidad absolutamente absoluta, que 39 ELLACURÍA, Ignacio, Tesis sobre la posibilidad, necesidad y sentido de una teología latinoamericana en �Escritos Teológicos�, Tomo I, UCA Editores, San Salvador, 2000, p. 295. 40 Ídem., p. 297. 41 ELLACURÍA, Ignacio, En torno al concepto y a la idea de liberación, en �Escri- tos Teológicos�, Tomo I, Ob. Cit., p. 640. 42 Cfr. Ídem., p. 645. 43 Cfr. Ídem., p. 645. 44 Cfr. Ídem., p. 646. 30 no lo es, pero no de sí mismo como realidad relativamente absoluta, que sí lo es�45. Ya señalábamos que la realidad histórica no es creación de un macro sujeto, sino que es tarea de la humanidad misma. Por eso, para Ellacuría, no existe un paradigma único de liberación humana que sea válido en todo tiempo y lugar. Siempre será necesario discernir las formas, objetivos y contenidos de la posible praxis liberadora, pues la praxis se identifica con el proceso histórico mismo, en cuanto este proceso es productivo y transformativo. 4. El método de historización de los conceptos Una aplicación de los aspectos que hemos expuesto de la filosofía ellacuariana � realidad histórica, criticidad, creatividad, desideologización, praxis y liberación � es el �método de historización de los conceptos�. Analicemos sus principales características. Un concepto historizado se contrapone a un concepto abstracto y universal, y busca situar el contenido del concepto en relación con la praxis histórica y descubrir cómo opera en el proceso social. Un concepto histórico es aquel que responde en sus contenidos a la realidad histórica; esto es así porque se entiende por concepto un momento ideológico de la praxis humana. Para Ellacuría, el método de historización tiene en cuenta lo que toda acción e interpretación se deben a las condiciones reales de una sociedad y a los intereses sociales que las sustentan, y tiene como propósito medir no �cuál es un determinado sentido crítico, sino cómo ha podido surgir realmente un determinado sentido a partir de un desde dónde físico�46. 45 Ídem., p. 646. 46 ELLACURÍA, Ignacio, Hacia una fundamentación del método teológico latino- americano, en �Escritos Filosóficos�, Tomo III, UCA Editores, San Salvador, 2001, p. 216. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 31Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Al ser momentos ideológicos de la praxis humana, los conceptos pueden convertirse en momentos ideologizados cuando ocultan o protegen intereses y privilegios minoritarios. Es así como la historización hace una función de desideologización, pues cuestiona y desfundamenta aquellos conceptos que, por ejemplo, presentados como inmutables e invariables por una supuesta naturaleza humana son negación, en la realidad, de lo que dicen ser. En efecto, este método responde a la necesidad de hacer históricos unos conceptos abstractos y universales que, probablemente, pueden estar protegiendo los intereses de los sectores privilegiados de una sociedad. Diría Ellacuría, �mostrar qué van dando de sí en una determinada realidad ciertos conceptos, es lo que se entiende por historización�47. Dicho método fue aplicado de manera explícita por Ellacuría al analizar tres conceptos: bien común, derechos humanos y propiedad privada. En efecto, sobre la base de estos tres artículos, podemos sostenerque historizar un concepto consiste en48: (a) Verificar si en una realidad determinada se da lo que formalmente se presenta en el concepto. (b) Descubrir si lo que hace el concepto en esa realidad determinada está al servicio de los intereses de grupos privilegiados, que son precisamente los que más reivindican dicho concepto. Para Ellacuría, �las ideologías dominantes viven de una falacia fundamental, la de dar como conceptos históricos, como valores efectivos y operantes, como pautas de acción eficaces, unos conceptos o representaciones, unos valores y unas pautas de acción, que son abstractos y universales. Como abstractos y universales son admitidos por todos; aprovechándose de ello, se subsumen realidades, que en su efectividad histórica, 47 ELLACURÍA, Ignacio, La historización del concepto de propiedad como prin- cipio de desideologización, en ECA 335-336, 1976, p. 428. 48 Cfr. SERRANO, Omar, Sobre el método de la historización de los conceptos de Ignacio Ellacuría en �Para una Filosofía liberadora�, UCA Editores, San Salva- dor, 1995, p. 44. 32 son la negación de lo que dicen ser�.49 (c) Identificar cuáles son las condiciones que impiden la realización efectiva del concepto y cuáles son las que pueden poner en marcha el proceso de esa realización. Ellacuría, continuando su reflexión del párrafo arriba trascrito, afirma: �Se habla, por ejemplo, de libertad de prensa como derecho fundamental y como condición indispensable de la democracia; pero si esa libertad de prensa sólo la puede ejercitar quien posee medios de producción no adquiribles por las mayorías dominadas, resulta que la libertad de prensa es un pecado fundamental y una condición artera que hace imposible la democracia�50. (d) Por último, cuantificar el tiempo prudencial para constatar un grado aceptable de cumplimiento de lo planteado en el concepto como un �deber ser�. El método de historización no se detiene en conocer cómo se actualiza en la realidad histórica un concepto, en verificar su contenido histórico, sino también busca colaborar en su realización y a orientar su deber ser. Supone que los conceptos tienen que ver con realidades y no con abstracciones. Esto está estrechamente relacionado con el ya citado logos histórico � o la historicidad de la inteligencia �, pues los conceptos deben ser operativos, es decir, deben ser conceptos cuya verdad se pueda medir en sus resultados y cuyo contenido debe ir cambiando en función del momento procesual de la realidad histórica y según el contexto histórico en que se dan. Ellacuría nos propone una hermenéutica histórico-realista, en contraposición a una idealista, que busca adecuarse a lo que es la histórica como proceso real y englobante de toda la realidad humana, personal y colectiva-estructural; esto tomando en cuenta el carácter práxico de la historia: �Frente al concepto de historia como relato histórico con su propia 49 ELLACURÍA, Ignacio, La historización del concepto de propiedad como prin- cipio de desideologización, Ob. Cit., p. 428. 50 Ídem. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 33Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI hermenéutica está el concepto de historia como acción histórica, como proceso real histórico, con la hermenéutica social e histórica, que le corresponde�51. En conclusión, frente a la abstracción que realiza la ideologización, el método de la historización de los conceptos busca la verificación histórica para mostrar si es verdad y en qué sentido lo es cualquier principio, formulación o discurso abstracto, pues la puesta en práctica de cualquiera de ellos muestra lo que esconde o descubre, o las insuficiencias de los métodos utilizados para lograr sus contenidos. 5. Historización de los Derechos Humanos Ellacuría reconoce el valor del planteamiento formal tanto de los derechos humanos como del bien común. Pero sostiene la insuficiencia de estos enfoques formales, ya que sus aspectos positivos tienen que ser reasumidos en el proceso de historización, de lo contrario serán postulados abstractos sin ninguna incidencia en al realidad. 5.1 El bien común Para el filósofo salvadoreño, estos dos temas de amplia tradición en el pensamiento jurídico guardan una estrecha conexión, pues �los derechos humanos pueden considerarse como el despliegue del bien común de la humanidad como un todo�52. En uno de sus trabajos titulado �Historización del bien común y de los derechos humanos en una sociedad 51 ELLACURÍA, Ignacio, Hacia una fundamentación del método teológico lati- noamericano, Ob. Cit., p. 199. 52 ELLACURÍA, Ignacio, Historización del bien común y de los derechos huma- nos en una sociedad dividida, en �Escritos Filosóficos�, Tomo III, UCA Edito- res, San Salvador, 2001., pp. 211. Este artículo constituye una ponencia de Ellacuría en un Encuentro Latinoamericano celebrado en febrero de 1978, en San José. Fue publicado en la revista Christus, octubre de 1979, México, pp. 42 � 48, con el título �Derechos humanos en una sociedad dividida�. 34 dividida�, escrito en 1978, enumera los aspectos positivos del análisis formal del bien común; estos son53: (a) No hay bien particular sin referencia al bien común y sin la existencia real del bien común no puede hablarse de un bien particular, sino tan sólo de una ventaja interesada e injusta. No hay, por tanto, posibilidad ética de apropiación privada del bien común con menoscabo de la comunidad de ese bien. (b) No se consigue el bien común por acumulación de bienes individuales, esto es, persiguiendo el interés individual, sino por la búsqueda primaria del bien común. (c) El bien común es fundamentalmente un conjunto de condiciones estructurales y se expresa en la justicia de la sociedad. La justicia, como puesta en marcha del bien común, es la virtud fundamental de la ciudad y es el norte orientador del ciudadano y del político. Ellacuría cuestiona este enfoque de la siguiente manera: �¿Qué falla, entonces, en todo este planteamiento formalmente tan razonable y progresista para que no resulte realmente satisfactorio incluso como planteamiento? ¿Qué hay de mistificado en la idea de un bien común que se supone superior al bien particular?�54. A lo cual él mismo responde que es debido a �su mismo carácter formal y su interpretación en la línea de la abstracción idealista. Dicho en otros términos, no tiene en cuenta las condiciones reales, sin las cuales la persecución del bien común es engañosa. De lo cual resulta que ni se tiene claro cuál debe ser en cada situación histórica el contenido del bien común, ni se tiene determinado cuál es el camino para conseguirlo. Paralelamente, no se conoce cuál es la escala jerárquica de los derechos humanos, ni cuál es la causa verdadera de su permanente violación estructural, muchas veces más allá de lo que pudieran considerarse voluntades personales�55. 53 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Historización del bien común y de los derechos humanos en una sociedad dividida, Ob. Cit., pp. 212-214. 54 Ídem., pp. 214-215. 55 Ídem., p. 215. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 35Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI En la realidad vemos muchas acciones que, predicadas como bien común, en los hechos dejan de ser una totalidad para convertirse en una parcialidad, de la cual no sólo no disfrutan todos sino que disfrutan unos pocos, porque otros se ven privados de disfrutar lo que han producido. Detrás de estas acciones existe un mecanismo ideológico que desfigura de esta manera el bien común, pues se afirma idealmente la búsqueda de éste y no se realiza ni se historiza esa afirmación ideal y formal. Esto en virtud de dos modos: �ante todo, no se verifica cuán común es el bien propuesto como bien común, esto es, a cuántos y de qué modo alcanza la utilización de ese bien común; después, se propugna abstractamente un bien común sin que se pongan las condiciones materiales para su realización, más aún, poniendo aquellas condiciones materiales que hacenimposible la realización de un auténtico bien común�56. A lo anterior hay que añadir otro factor que colabora con la ideologización del bien común: aceptar que el orden establecido es un orden fundamentalmente justo, y �no se quiere ver qué situación real de injusticia puede darse tras la apariencia de una falta de orden, de paz y de legalidad; no se acepta que el orden y la paz no son tales si no responden a la existencia más radical del bien común y sólo pueden ser valorados por su relación con él�57. Y es que una teoría del bien común que no se posibilite su puesta en práctica en una sociedad internamente conflictiva, que no tenga en cuenta la existencia de intereses contrario, no puede plantear ni resolver el problema de la superación del mal común. Lo primero que debe percatarse es que en la realidad hay un dominio del �mal común�, entendiéndose esto como �aquel mal estructural y dinámico que, por su propio dinamismo estructural, tiene la capacidad de hacer malos a la mayor parte de los que constituye una unidad social�58. 56 Ídem., p. 216. 57 Ídem., p. 216. 58 ELLACURÍA, Ignacio, El mal común y los derechos humanos, en �Escritos Filosóficos�, Tomo III, Ob. Cit., p. 448. 36 La historización, en este caso, busca comprobar si un bien supuestamente general es común, si está siendo comunicado a todos los miembros de la sociedad. Para esto es importante caer en la cuenta de que �una sociedad en conflicto, que es la realmente existente, obliga a plantear el problema del bien común y, consecuentemente, de los derechos humanos en términos muy precisos, que no pueden ser borrados por una consideración ingenua y abstracta del bien común�59. Pero no basta con percatarse de que da de sí un bien supuestamente común en un momento determinado, sino la orientación del proceso; pero no una orientación ideal, sino su orientación real. La actual configuración mundial está dominada por estructuras de �mal común�, pero que mitifican el bien común. Donde la defensa de los �derechos� de unos cuantos va en detrimento de la vida digna de la mayoría; en este sentido es claro que hay un predominio de la parte sobre el todo. Como señala Ellacuría, �el presunto bien común es, en este contexto, tan sólo un marco formal que permite legalmente la negación del bien común real�. En este sentido, uno de los instrumentos utilizados para mitificar, para darle un uso ideologizado al bien común suele ser el Estado60. Ellacuría busca determinar los pasos a seguir para plantearse históricamente el problema del bien común y de los derechos humanos. Para lo cual señala que se debe tener en cuenta que la verdad real de un proceso histórico está en los resultados objetivos de ese proceso; no bastan las buenas intenciones. Además, la verdad real está en la participación del bien común y en el estado real de la mayoría de los hombres y los ciudadanos, pues no es suficiente con los resultados obtenidos ni los bienes que obtienen unas minorías. 59 ELLACURÍA, Ignacio, Historización del bien común y de los derechos huma- nos en una sociedad dividida, Ob. Cit., p. 219. 60 Cfr. Ídem., pp. 220-221. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 37Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI De lo cual se desprende que �el tercer mundo es la verdad del primer mundo y las clases oprimidas son la verdad de las clases opresoras�61. Con lo cual volvemos al ya mencionado �lugar-que-da-verdad�; es decir, desde la realidad de las mayorías oprimidas debe verse la verdad del bien común. En este sentido, es necesario un proceso de liberación porque sólo mediante este proceso podrá llegar a hablarse de un verdadero bien común, que pueda ser participado de manera equitativa por todos los integrantes de la humanidad. Contra el �mal común� imperante, el proceso de liberación deberá apuntar hacia el �bien común�. Éste será, por tanto, un bien realmente común, �cuando tenga la capacidad de afectar con su bondad a la mayor parte; segundo, cuando tenga de por sí esa comunicabilidad bienhechora; tercero, cuando tenga un cierto carácter estructural y dinámico�62. En otras palabras, se trata de hacer justicia estructural e institucional que posibilite eficazmente a que la mayor parte de los individuos puedan satisfacer sus necesidades básicas y puedan construir personalmente sus vidas. Lo cual conlleva a evitar que unas minorías se aprovechen del bien que a todos pertenece, pues �el bien común atiende al todo de la sociedad, pero no puede atender de la misma forma a todos los miembros de la sociedad, si es que en ella se dan sectores que son negadores del bien común�63. Por último, Ellacuría no acepta el colectivismo que deja en manos exclusivas del Estado la realización del bien común, ni tampoco admite, como hemos visto, que el bien común se logre por la mera suma de la consecución del bien propio. Su posición requiere de la participación de la sociedad: �La discusión del bien común debe proponerse en términos 61 Ídem., p. 222. 62 ELLACURÍA, Ignacio, El mal común y los derechos humanos, Ob. Cit., p. 449. 63 ELLACURÍA, Ignacio, Historización del bien común y de los derechos huma- nos en una sociedad dividida, Ob. Cit., p. 224. 38 predominantemente sociales y, por lo tanto, con la participación inmediata del mayor número de integrantes de la sociedad. Visto el bien común desde la sociedad, lo que se está propugnando es la tarea utópica de la comunicación de bienes y tras ella se esconde la persuasión de que negando el interés privativo del egoísmo individual es como se realiza a una el hombre y la sociedad comunitaria�64. 5.2 Los Derechos Humanos Ellacuría entiende, en un primer momento, los derechos humanos como algo debido cuya carencia o disfrute condiciona seriamente el propio desarrollo humano; son la concreción del bien común, o en sentido negativo, la superación del mal común: �Una consideración de los derechos humanos desde esta perspectiva del mal común dominante los mostraría como el bien común concreto, que debe ser buscado en la negación superadora del mal común, que realmente se presenta como una situación en el que son violados permanente y masivamente los derechos humanos�65. No obstante, se debe ser consciente de que los derechos humanos son momentos ideologizados de la praxis humana y por eso necesitan de su historización. De lo contrario son sólo una abstracción sobre la cual se predican principios que nada tienen que ver con la realidad, y aunque esos principios sean parte de su �deber ser�, el darlos por asentados sin realizar su verificación histórica conlleva a un uso ideologizado. Tal es el caso de la �universalidad� que se predica sobre estos derechos. La necesidad de historizar los derechos humanos surge de su complejidad, pues en ellos no sólo confluye la dimensión universal del ser humano con la situación realmente distinta en la que desarrollan su vida los hombres, sino que además 64 Ídem., p. 225. 65 ELLACURÍA, Ignacio, El mal común y los derechos humanos, Ob. Cit., p. 449. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 39Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI fácilmente son utilizados ideológicamente no al servicio del hombre y su liberación, sino a los intereses de unos grupos que oprimen a otros. La historización de los derechos humanos, nos dice Ellacuría, no consiste formalmente en contar la historia del concepto, ni tampoco relatar la historia real connotada, sino que trata en66 (a) la verificación práxica de la verdad-falsedad, justicia-injusticia, ajuste-desajuste que se da del derecho proclamado; (b) la constatación de si el derecho proclamado sirve para la seguridad de unos pocos y deja de ser efectivo para los más; (c) el examen de las condiciones reales, sin las cuales no tienen posibilidad de realidad los propósitos intencionales; (d) la desideologización de los planteamientos idealistas, que en vez de animar a los cambios sustanciales, exigibles para el cumplimiento efectivo del derecho yno sólo para la afirmación de su posibilidad o desiderabilidad, se conviertan en obstáculo de los mismos; y (e) la introducción de la dimensión tiempo para poder cuantificar y verificar cuándo las proclamaciones ideales pueden convertirse en realidades o alcanzar, al menos, cierto grado aceptable de realización. La universalidad es una de las características de los derechos humanos que con mayor facilidad puede caer en la abstracción, en una mistificación semejante a lo que sucede con el bien común y, por tanto, en la ya tan reiterada ideologización. En efecto, Ellacuría nos da cuenta de que las primeras declaraciones de derechos humanos, aún cuando se proclamaron como �para todos los hombres� y se sostuvo su �universalidad�, en la práctica son derechos limitados a una forma determinada de ser hombres67. Esto debido, en parte, a que en el proceso real de surgimiento de los derechos humanos 66 Cfr. ELLACURÍA, Ignacio, Historización de los derechos humanos desde los pobres oprimidos y las mayorías populares, en �Escritos Filosóficos�, Tomo III, Ob. Cit., p. 434. 67 Cfr. Ídem., p. 437. 40 se aprecia el siguiente esquema: situación de agravio comparativo, conciencia de ese agravio comparativo (desigualdad, hechos de opresión, formas de explotación, entre otras), apropiación de esa conciencia por una clase social, objetivización de esa protesta y, cuando tras una lucha se ha logrado el triunfo, justificación con referencias ideales de todo tipo. En este sentido, las ya referidas declaraciones como la Carta Magna (1215), el Bill of Rights (1689), o la Declaración de Virginia (1776) son producto de la lucha de determinados grupo que, contando ya con la base material y la conciencia suficiente, se consideraban privados de algo que les pertenecía, pero que sus referencias ideales no concordaron con la realidad y fueron usadas ideológicamente para la defensa ahora de sus derechos. Por eso Ellacuría establece que este proceso es positivo pero a la vez limitado y muestra claras referencias al carácter ideologizado de esta concepción de los derechos humanos, pues �aunque abren un ideal positivo y muestran un método eficaz de lucha para hacer que el derecho sea real, muestran al mismo tiempo su carácter inhumano y se vuelven a convertir en la fuerza legitimadora de los poderosos�68. Y es que la mera condición de ser humano parece no ser todavía suficiente para poder exigir y disfrutar de los derechos humanos. Se necesita ser miembro reconocido de una sociedad o clase social que cuente con las condiciones materiales para ejercerlos efectivamente; es decir, vale más la ciudadanía que el hecho de ser persona. Lo anterior muestra que para alcanzar una perspectiva y validez universal de los derechos humanos es necesario tener en cuenta el �para� quién y �para� qué se proclaman. Para Ellacuría, consecuente con su filosofía y praxis, estos �para� deben ser desde los pueblos oprimidos y desde las mayorías para o en busca de su liberación. Esto en función de que son 68 Ídem., p. 437. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 41Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI la realidad más universal y donde los derechos humanos son negados sistemáticamente. Además, a partir de este lugar epistemológico se adquiere una posición crítica sobre la doctrina de los derechos humanos; desde la cual, por ejemplo, no se acepta ingenuamente una posición eurocéntrica que identifique el proceso de los países primermundistas con la dirección global del proceso histórico, y es capaz de denunciar �la mentira de los países ricos y de las clases poderosas dominantes, que tratan de aparentar el que en ellos se da el pleno cumplimiento de los derechos humanos, cuando lo que se da es el disfrute de derechos nacionalistas, mediante la negación efectiva de los derechos que competen a la humanidad en su conjunto�69. Así, la historización exige buscar la raíz más profunda de la negación de los derechos humanos, que debe verse desde dos polos: desde la realidad negada, que no puede llegar a ser aquello que podría y debería ser precisamente porque se lo impiden, y desde la realidad negadora, sea ésta personal, grupal, estructural, institucional, etcétera. Este es un proceso dialéctico donde la teoría interviene para descubrir la historicidad del derecho negado y deseable, y donde praxis debe luchar por la realización de la justicia, y para lograr superar la realidad negadora de dicho derecho. Es la lucha por los derechos humanos como expresión más clara de una conciencia madura al respecto: �(...) los derechos humanos deben ser primariamente derechos de los oprimidos, pues los opresores no pueden tener derecho alguno, en tanto que opresores, y a los sumo tendrán el derecho a que se les saque de su opresión. Sólo haciendo justicia a los pueblos y a las clases oprimidas se propiciará su auténtico bien común y los derechos humanos realmente universales�70. 69 Ídem., p. 443. 70 ELLACURÍA, Ignacio, Historización del bien común y de los derechos huma- nos en una sociedad dividida, Ob. Cit., p. 223. 42 Con estas bases, la historización de los derechos humanos desde los pueblos oprimidos muestra que el problema radical es �el de la lucha de la vida en contra de la muerte, es la busca de lo que da vida frente a lo que la quita o da muerte�71. Una lucha contra la muerte en diversos grados � social, personal, estructural �, no sólo restringiendo la vida a la biológica sino a todo tipo de vida, y que se expande a diversos planos: el de la libertad, el de la justicia, el de la dignidad, el de la solidaridad, entre otros. Por otro lado, �la lucha de la vida en contra de la muerte� constituye un principio fundamental para plantearse el problema de los distintos derechos humanos y su jerarquización. Ellacuría nos percata de que en los hechos se da el disfrute de unos derechos no fundamentales (y muchas veces superfluos) por unos pocos, y estos se constituyen en una causa real para que la mayor parte se vea privada o desprovista de sus derechos fundamentales, de aquellos que aseguran la vida, por lo menos biológica: �No podrían los pocos (grupos humanos o países) disfrutar de lo que consideran sus derechos, si no fuera por la violación o la omisión de esos mismos derechos en el resto de la humanidad. Sólo cuando se acepte esto, se comprenderá la obligación de los pocos a resarcir el mal hecho a los muchos y la justicia fundamental al exigir lo que realmente les es debido. No puede darse la muerte de muchos para que unos pocos tengan más vida; no puede darse la opresión de la mayoría para que una minoría goce de libertad�72. En conclusión, no basta el discurso ni la implementación de los derechos humanos en textos legales nacionales o internacionales, pues se corre el peligro de que los derechos humanos se reduzcan a una normatividad absoluta y abstracta, independiente de toda circunstancia histórica, y que 71 ELLACURÍA, Ignacio, Historización de los derechos humanos desde los pobres oprimidos y las mayorías populares, Ob. Cit., p. 439. 72 Ídem., p. 442. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 43Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI probablemente consista en una forma velada de defender lo ya adquirido o adquirible en el futuro por los más fuertes. La lucha por los derechos humanos debe consistir no sólo en un triunfo de la razón sobre la fuerza, sino en hacerle justicia al oprimido, al débil, contra el opresor, a través de una praxis que supere las realidades negadoras de los derechos humanos. En efecto, es necesario comprender la justicia � y los derechos humanos como una de sus concreciones � como el objetivo primario del proceso de liberación; pero una �justicia de todos para todos, entendiendo por justicia que cada uno sea, tenga y se le dé, no lo que se supone que ya es suyo, porque lo posee, sino lo que le es debido por su condición de persona humana y de socio de una determinada comunidad y, en definitiva, miembrode la misma especie, a la que en su totalidad psico-orgánica corresponde regir las relaciones correctas dentro de ella misma y en relación con el mundo natural circundante. Puede decirse que no hay justicia sin libertad, pero la recíproca es más cierta aún: no hay libertad para todos sin justicia para todos�73. CONCLUSIÓN El método de historización es una forma peculiar para enfrentarse a la realidad. Se origina de una filosofía que se comprende como saber historizador, que se piensa desde y para una realidad concreta, y que es fruto de comprender la historia como apropiación de posibilidades. La historización de los derechos humanos desde la realidad negadora y desde una perspectiva que descubra cuál es el rostro histórico del derecho deseable y posible, constituye una dialéctica que le otorga un gran valor a la utopía: �Se da aquí una relación entre utopía y denuncia que mudamente se potencian. Sin una cierta 73 ELLACURÍA, Ignacio, En torno al concepto y a la idea de liberación en �Escri- tos Teológicos�, Tomo I, Ob. Cit., p. 647. 44 apreciación, al menos atemática de un ideal utópico, que es posible y es exigible, no puede darse la toma de conciencia de que algo puede ser superado; pero sin la constatación efectiva, cuyo origen puede ser múltiple y complejo en el orden biológico, psicológico, ético, social, cultural, político, etc., de que se da una negación, que es privación y violación, la toma de conciencia no se convierte en exigencia real y en dinamismo de la lucha�74. La filosofía de la realidad histórica otorga al iusfilósofo un marco conceptual para repensar críticamente los derechos humanos, yendo más allá del método de historización que aplicó el propio Ellacuría. Así, por ejemplo, otorga elementos para realizar un iusnaturalismo de corte histórico, no sólo respecto al bien común y a los derechos humanos, sino en todo su planteamiento. Como señala Jesús Antonio de la Torre, �es importante señalar que el gran peligro que afronta el iusnaturalismo es el de su ahistorización, es decir, en reducirse a conceptos bonitos pero vacío de contenidos reales. Para aceptar la validez de los postulados iusnaturalistas, es necesario historizar la justicia y el bien común. Pues si el Derecho y el Estado se dan en la historia, son reales, la justicia y el bien común deben ser también históricos, reales, si no, me atrevería a decir que el iusnaturalismo es ineficaz, que no tiene factibilidad humana, por su incapacidad de hacer históricos sus postulados. Y una doctrina sin realidad, que no es factible, es mera ideología, no incide mayormente en las relaciones reales entre los hombres�75 . Además, la filosofía de la realidad histórica permite comprender que tanto el universalismo de los derechos humanos como su contraparte, el relativismo, tienen 74 ELLACURÍA, Ignacio, Historización de los derechos humanos desde los po- bres oprimidos y las mayorías populares, Ob. Cit., p. 438. 75 DE LA TORRE RANGEL, Jesús Antonio, Derechos humanos desde el iusnatu- ralismo histórico analógico, Porrúa � UAA, México, 2001, p. 72. MARTINEZ, Alejandro R. � Derechos Humanos, Liberación y Filosofia de la Realidad Histórica 45Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI momentos ideológicos que desenmascarar. Ambas posturas deben ser historizadas para, yendo más allá de sus discursos abstractos, describir la función que realizan a favor o en contra de los procesos de liberación. Aunado a lo anterior, se reafirma que el proceso de los derechos humanos es algo inacabado, en el cual pueden generarse nuevos derechos y darse nuevas interpretaciones de los existentes. Así, los derechos humanos no son un producto histórico que haga acto ciertas potencias establecidas desde siempre en el ser humano, sino que es producto de la praxis humana dentro de un momento de la historia que otorga ciertas posibilidades, como parte de su hacerse cargo de la realidad. Por eso, si la realidad actual es drásticamente diferente a la realidad donde se generaron las primeras declaraciones de derechos, la concepción, filosofía y defensa de estos, si efectivamente quieren ser parte de las luchas de liberación de los pueblos y grupos sociales, de sus resistencias ante los excesos de todo tipo de poder, deben repensarse y evitar caer, según palabras de David Sánchez Rubio, en una cultura anestesiada de los derechos humanos.76 76 Cfr. SÁNCHEZ RUBIO, David, Contra una cultura anestesiada de los dere- chos humanos, UASLP � CEDH, San Luis Potosí, 2007. 46 2 � DIREITOS HUMANOS NO SÉCULO XXI: A RECONFIGURAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA QUESTÃO DESDE A CRÍTICA DA IDÉIA MODERNA DE LIBERDADE Ricardo Timm de Souza INTRODUÇÃO O presente texto, cujas linhas principais de argumen- tação remontam a uma série de trabalhos nossos, tanto re- centes quanto antigos1, pretende se constituir em uma abor- 1 As bases filosóficas gerais próximas e distantes do presente texto, que não serão aqui referidas em detalhe para evitar o excesso de citações, encontram- se especialmente em nossos livros O tempo e a Máquina do Tempo � estudos de filosofia e pós-modernidade; Totalidade & Desagregação. Sobre as frontei- ras do pensamento e suas alternativas; Existência em Decisão � uma introdu- ção ao pensamento de Franz Rosenzweig; Sujeito, Ética e História � Levinas, o traumatismo infinito e a crítica da filosofia ocidental; Sentido e Alteridade � Dez ensaios sobre o pensamento de Emmanuel Levinas; Metamorfose e extin- ção � sobre Kafka e a patologia do tempo; Ainda além do medo � filosofia e antropologia do preconceito; Sobre a construção do sentido � o pensar e o agir entre a vida e a filosofia; Responsabilidade Social � uma introdução à Ética Política para o Brasil do século XXI; Ética como fundamento � uma introdução à ética contemporânea; As fontes do humanismo latino � A condição humana no pensamento filosófico contemporâneo; Razões plurais � itinerários da raci- onalidade ética no século XX; Sentidos do Infinito � A categoria de �Infinito� nas origens da racionalidade ocidental, dos pré-socráticos a Hegel; Em torno à Diferença � aventuras da alteridade na complexidade da cultura contempo- rânea, bem como nos artigos e capítulos �Nós e os outros. Sobre a questão do humanismo, hoje�; �Justiça, liberdade e alteridade ética. Sobre a questão da radicalidade da justiça desde o pensamento de E. Levinas�; �Da lógica do 47Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI dagem inicial da reconsideração filosófica de um ponto es- pecialmente sensível da questão dos direitos humanos: o tema da liberdade. Promulgado desde os alvores da moder- nidade como uma espécie de proto-direito, por todos os de- mais pressuposto, o direito à liberdade individual se confi- gura simultaneamente como uma das maiores conquistas da modernidade e como um verdadeiro foco instável e sensí- vel para efetivação mínima do que normalmente se entende por direitos humanos, sejam os considerados fundamentais, sejam os considerados derivados, que habitam o lugar-co- mum mental quando tal temática é abordada � e isso tanto entre especialistas como entre leigos no assunto. O fato é que, em nome de uma idéia geral de liberdade, tanto se rea- lizam aspectos do que se entende, desde variadas vertentes filosóficas, como expressões legítimas de liberdade, como também se obliteram amiúde dimensões de efetivação real de liberdade, ou seja, daquilo que se entende de modo am- plo por este termo para além de conveniências particulares de indivíduos ou grupos restritos. Assim, de um modo mais específico, nossa tarefa aqui consiste essencialmente em problematizar criticamente este conceito, procurando mos- trar a) a que ponto exatamente este �lugar-comum� atrás re- ferido não apenas não mantém consistência teórica na con- temporaneidade, como tem se constituído tanto em álibi para o cometimento de violência � �em nome da liberdade�! �, como também na razão de certas lógicas de violência, e b) como o pensamento filosófico contemporâneo oferece alter- nativas profícuas ao desgastado conceito de liberdade mo- derna.Em suma, o que aqui pretendemos é propor de forma incipiente as condições de uma crítica, mais implícita do sentido ao sentido da lógica: Levinas encontra Platão�, além de vários artigos e textos isolados inéditos. Para referências bibliográficas completas, cf. Refe- rências Bibliográficas, ao fim do texto. 48 SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI que explícita, das idéias correntes de direitos humanos, a partir de uma crítica radical da idéia �normal� de liberdade. 1. Liberdade e Direitos Humanos: a questão A modernidade também pode ser classicamente des- crita como a era da liberdade. Porém, filosoficamente, cum- pre ser bem mais prudente: deve-se, pelo menos desde a der- rocada dos grandes sonhos civilizatórios a partir de meados do século XIX, tratar com extremo cuidado estes arroubos de otimismo2. Deve-se considerar a modernidade, sob esta pers- pectiva, antes como a era da vontade e da promulgação for- mal da liberdade, figuras essas que passam, de algum modo, a habitar tanto as dimensões particulares e privadas como as públicas e institucionais � efetivando-se, por vezes, de forma extrema segundo seus parâmetros de compreensão do indiví- duo moderno em surgimento e ascensão e se reconfigurando em ideários sociais � quando, por sociedade, entende-se um agrupamento de indivíduos autônomos ou pretensamente autônomos ligados por contratos sociais explícitos ou implí- citos. Esta � afora as dimensões libertárias imponderáveis do foro íntimo, que ninguém pode atestar existirem ou inexisti- rem anteriormente à era moderna, de um ponto de vista �ci- entificamente� descritivo � é a verdadeira conquista da idéia moderna de liberdade em relação aos modelos antigos e me- dievais. Desse modo, entende-se facilmente que a idéia de liberdade moderna se articula estreitamente com a idéia de indivíduo (moderno), sujeito de ação, do qual é, em última análise, derivada e dependente. Sua exacerbação libertária conduz ao que se poderia considerar como sendo o libertaris- mo anarquista, extremamente perigoso para a idéia de insti- tuição moderna, pretensamente baseada, exatamente, na li- 2 Cf. nosso Totalidade & Desagregação � sobre as fronteiras do pensamento e suas alternativas, especialmente p. 15-29. 49Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI berdade, porque expõe a não-liberdade real que habita o nú- cleo de tal idéia de instituição3 � um tema, aliás, que é central nas teorias da cultura pelo menos desde Foucault. Por outro lado, seu processo de crescente aceitação social, no sentido de fundar ideologicamente a sociedade moderna, que contou desde a primeira hora com o aval e a legitimação argumenta- tiva, para os padrões modernos, de filósofos eminentes � boa parte da filosofia política moderna é, em suma, um vasto elo- gio à liberdade: Rousseau, Kant, especialmente Hegel, e tan- tos outros4 �, acaba, em seu processo osmótico com o capita- lismo florescente, por se confundir exatamente com dimen- sões essenciais deste (como bem o evidenciam as retóricas correntes da globalização desenfreada), em um processo de mútua pertença e teia de sentidos de elucidação extremamente difícil teoricamente, embora constituidor do imaginário soci- al contemporâneo das sociedades ditas democráticas5. Pois temos hoje, na geopolítica global, precisamente os resultados desta complexa articulação, com suas infinitas contradições, avanços e apropriações discursivas e ideológicas6. E, não obs- tante, é deste veio que se alimentam algumas das mais sofis- ticadas teorias contemporâneas dos direitos humanos, mui- tas vezes ignorando exatamente as condições desta comple- xidade ambígua com todas as suas idiossincrasias violentas. Como já dissemos, o que aqui se pretende é propor as condições de uma crítica das idéias correntes de direitos hu- 3 Cf. nosso Ética como fundamento � uma introdução à ética contemporânea, p. 30-34. 4 Cf. nossos Sentidos do Infinito � A categoria de �Infinito� nas origens da raci- onalidade ocidental, dos pré-socráticos a Hegel, �Hegel e o infinito � alguns aspectos da questão� e Responsabilidade Social � uma introdução à Ética Política para o Brasil do século XXI, entre outros. 5 Cf. especialmente FLICKINGER, Hans-Georg. Em nome da liberdade � ele- mentos da crítica ao liberalismo contemporâneo e Marx e Hegel � o porão de uma filosofia social. 6 Cf., apenas a título de exemplo, AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer � o poder soberano e a vida nua I e Estado de Exceção. 50 manos a partir de uma crítica radical da idéia corrente de liberdade, a partir das quais muitas das teorias insuficientes de direitos humanos são credoras � insuficiência, esta, deri- vada precisamente da insuficiência das idéias das quais se alimentam, das quais a de liberdade é uma das mais ideologi- camente carregadas. Liberdade: termos contemporâneos de um tema ancestral Revisemos alguns dos termos clássicos da temática. Entre as questões que mereceram a maior atenção de pensa- dores de todas as épocas e culturas está aquela da própria existência da liberdade. Existe a liberdade? O que é liberda- de? Como é possível pensá-la? Como é possível agirmos li- vremente? Estes são alguns dos temas que perpassam a filo- sofia de todos os tempos. E esta questão toma ainda maior relevância na conturbação dos tempos contemporâneos, quan- do a própria noção de �ser humano� tem de ser repensada a fundo, em meio aos desafios ético-sociais e ecológicos deste início de século7. Com efeito, costuma-se, não sem razão, associar a ques- tão da liberdade à própria questão do ser humano. É comum ouvirmos definições que caracterizam o humano, exatamen- te, através da liberdade que lhe é inerente ou de que faz uso � diferentemente das máquinas, inteiramente programadas, ou dos demais seres vivos, determinados por sua fisiologia e seus instintos. Segundo esta definição, o ser humano é necessari- amente livre, ou não será humano. Suas ações são, segundo esta concepção, dirigidas por decisões livres frente ao mun- do que o cerca. Esta definição parece-nos em sua pretensão SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 7 Cf. nossos Fontes do humanismo latino � A condição humana no pensamento filosófico moderno e contemporâneo(Introdução); �Humanismo e alteridade. A filosofia frente à radicalidade do desafio humano�; �A dignidade da pessoa humana; uma visão contemporânea�; �Nós e os outros. Sobre a questão do humanismo, hoje�. 51Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI de abrangência muito adequada; temos, porém, que nos ver com problemas graves que advêm, justamente, da articula- ção íntima entre �ser humano� e �liberdade�. A questão é: não serão, estas idéias de livre-arbítrio que derivam em ações livres, em última análise, expressões camufladas de determi- nismos genéticos, constitucionais, históricos? Não chegará a ciência, eventualmente, a evidenciar esta causalidade neces- sária e absoluta, esvaziando exatamente o que de mais caro habita e tem habitado pelos séculos a idéia de liberdade, a livre opção, o livre-arbítrio consubstanciado em ações huma- nas adjetivadas �livres�? O que seria da própria idéia de li- berdade, e de tudo o que dela deriva, se isso se configurasse dessa forma? A falência do modelo tradicional de liberdade não significaria, ipso facto, a falência da própria idéia de hu- manidade que se foi constituindo ao longo dos séculos da civilização ocidental e da qual somos, de uma ou de outra forma, todos credores? Estas questões precisam ser repensadas a fundo. Pare- ce-nos que o que as pode resumir operacionalmente é o se- guinte: não se tratará, a liberdade, de uma ilusão, ou seja, não será o ser humano não apenas condicionado por circunstân- cias históricas e sociais e instintos biológicos, mas predeter- minado por instintos que, assumindo aspectos sociais e cul- turais, tomam a aparência de decisões livres? O tema é, sob qualquer ângulo de visão, extremadamente complexo. A rigor, e com todas as ressalvas da fenomenolo- gia8, é muito difícil, senão impossível, determinar compreci- são até que ponto uma certa forma de agir não é determinada por um conjunto de instintos biológicos e determinações so- ciais e culturais que emprestam a esta forma de agir a aparên- cia de ação livre quando, na verdade, trata-se de uma ação predeterminada por estes instintos e determinações (muito 8 Cf. nosso Sobre a construção do sentido � o pensar e o agir entre a vida e a filosofia. 52 embora as formas de tais instintos e determinações não pos- sam ser conhecidas, ou possam não ser ainda conhecidas) � isto é o que chamamos de hipótese da determinação absolu- ta. Os filósofos têm feito enormes esforços, ao longo dos sé- culos, para solucionar a questão da liberdade humana; e, embora tenham feito grandes progressos, a idéia de uma li- berdade enquanto uma essência meramente �pensada� pare- ce continuar sem poder responder à objeção acima, e isso não apenas pelas invectivas constantes das ciências positi- vas e do biologismo, mas pelas próprias insuficiências do conceito filosófico de liberdade, tal como ele se constituiu e se configurou na tradição intelectual hegemônica do ociden- te especialmente na era moderna. Todavia, se é verdade que a própria noção de �ser hu- mano� depende de sua liberdade, ou seja, da possibilidade de atos livres � como é nosso parecer, se não quisermos pen- sar na idéia do ser humano como uma máquina pré-progra- mada, o que significaria capitular irrecorrivelmente ao acima exposto �, então é necessário que abordemos novamente este tema da possível aparência de atos livres que seriam, na ver- dade, atos instintivos ou socialmente determinados. Esta abor- dagem, porém, será feita neste momento desde outra pers- pectiva, para superar o obstáculo aparentemente instranspo- nível que a objeção acima propõe. Assim, temos de pensar a liberdade não apenas enquan- to uma dimensão formal que caracterize certo ato, como na expressão �este é um ato livre�. A liberdade não pode ser, em nenhuma hipótese, meramente adjetiva; ela tem de ser subs- tantiva. O problema, porém, é que em nome da liberdade já se cometeram e se cometem os mais diversos crimes e violên- cias. De forma nenhuma estamos, então, propondo a idéia de uma liberdade �absoluta� (o que, de resto, é impossível, se levamos em consideração todos os condicionamentos a que estamos comprovadamente sujeitos, de ordem histórica, lin- güística, ambiental e todas as outras possíveis, e cuja evidên- SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 53Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI cia é inegável ainda aos mais fervorosos paladinos da liber- dade em sua expressão tradicional). O que estamos propondo, portanto, é que a liberdade só se efetiva em atos cujo conteúdo mais próprio seria a razão de ser da própria liberdade para além de seu mero conceito. Em outros termos: a liberdade tem que ser concebida como uma faculdade eminentemente humana de estabelecimento de condições humanas de vida. De uma forma simples, esta idéia se traduz assim: I � Na hipótese da determinação absoluta: a ausência total de liberdade, substituída por infinitas causalidades dis- cerníveis e compreensíveis pela razão científica, levaria ao caos moral absoluto. Em outros termos: se abandonarmos a idéia de liberdade, teremos necessariamente de abandonar a ética, a moral, o direito, a cultura e tudo o mais que deriva de atitudes humanas propriamente ditas; a ética e o direito se- riam imediatamente abolidos, e ninguém poderia ser culpa- do por suas ações. O tema da justiça seria �superado�, e teríamos um mundo onde o caos e a violência seriam absolu- tos, pois qualquer um poderia alegar que os atos que come- teu estariam previamente determinados em sua natureza, e ele não teria podido agir senão como o fez. II � Por outro lado, a idéia de liberdade não existe em si mesma, mas apenas na sua concretização, nas suas obras; é apenas quando se estabelecem condições propriamente hu- manas de vida em uma sociedade � ou seja, eticamente e eco- logicamente sustentáveis �, que se pode reivindicar, para os atos realizados, a característica de �livres�. III � Assim, os termos da questão são reordenados. Não se trata de provar a liberdade por ações que podem ou não ser livres, pela lógica acima apresentada, mas se trata de pro- var a idéia de liberdade como conditio sine qua non da pró- pria viabilidade da humanidade. Esta prova se dá por deriva- ção de sua própria contraprova, numa inversão algo parado- xal: a liberdade somente existe infensa a ataques cientificis- 54 tas de quaisquer ordens, e indubitavelmente existe, quando a percebemos como dimensão instituidora da ética � do agir humano � independentemente de toda e qualquer prova ci- entífica de causalidade, por exemplo, biológica; ou, se qui- sermos, com todas as provas biológicas, possíveis e imaginá- veis, da causa de uma determinada ação ética. A realidade efetiva desta ação se constitui, por si mesma, em postulado de existência ética da liberdade. A base da questão da liber- dade não é, portanto, ontológica � o que é a liberdade? � mas ética � o que foi feito, a ação, positivando ou negativizando a autocompreensão da humanidade do humano, ou a vitalida- de da vida? A ausência científica de plausibilidade de algo como uma �essência livre� não invalidade a existência e per- sistência da liberdade enquanto eticidade realizada � a pro- va disso é, por exemplo, a ainda vigência de processos éticos corretivos da iniqüidade ou, para falarmos com Derrida, uma �loucura� pela justiça coetânea ao ser humano em todas as eras9, ou ainda, de forma cabalmente simples, pela impossi- bilidade de que, em nossa vida, alguém, por atos e não por conceitos, tenha agido eticamente em relação a nós, ou não estaríamos vivos (podemos negar a liberdade o quanto quei- ramos, mas não podemos negar que, em nosso passado, nos- sa vida foi promo-vida por atos que viabilizaram nossa exis- tência até agora, e estes atos não são ocorrências ao acaso, mas fruto da vontade de pessoas)10. A loucura pela justiça, ou seja, o chamamento ético fundamental das ações que se tra- duz em sua ocorrência inegável, reduz as aporias da liberda- de abstrata promulgada a um status de quase-dispensabilida- de cognitiva, na medida em que se constitui como elemento SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 9 Cf. DERRIDA, J. �Force de Loi: le �fondement mystique de l�autorité��, bem como nosso Razões plurais � itinerários da racionalidade ética no século XX: Adorno, Bergson, Derrida, Levinas, Rosenzweig. 10 Cf. nosso Ética como fundamento � uma introdução à ética contemporânea, p. 19-20. 55Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI precípuo de sub-stância que, sub-jazendo às ações, dispensa as adjetivações tradicionais nas quais a palavra �livre� é nor- malmente compreendida. Em suma, um ato não é primaria- mente livre, mas primariamente é ético ou não-ético (não- neutro), e, se é ético ou não-ético, é livre no seu destino ético, na realidade da obra em que culmina, independentemente do que a ciência ou a filosofia possam dizer a respeito da idéia de liberdade. Essa é uma solução da questão da liberda- de que, sem tentar escapar às teias do cientificismo � como as soluções filosóficas tradicionais � se estabelece em um outro registro de realidade, onde a questão não é o problema teóri- co da liberdade, mas o estatuto ético das ações � uma formu- lação algo modificada da liberdade investida de que fala Le- vinas11. A liberdade é, assim, essencialmente subalterna à ética. A essência do argumento � a alteridade reconstituindo a idéia possível de liberdade Temos desta forma a possibilidade de estabelecer algu- mas conclusões importantes para nossa cadeia argumentati- va, que simultaneamente a sintetizam: a) �Humano� e �livre� estão intimamente ligados. Não é possível pensarmos o humano a não ser na condição de livre. b) Porém �liberdade� não pode ser um conceito mera- mente formal. Se não for logicamente regulado � e ontologi- camente constituído � por seus resultados, um ato �livre� podeser compreendido, ou como o resultado de uma predetermi- nação instintiva ou social, ou como um fator predisponente à violência contra o outro, como é comum nas retóricas globa- lizadas da liberdade. Em ambos os casos o conceito de liber- dade está esvaziado de humanidade, e se presta magnifica- mente a manipulações ideológicas de todo teor. 11 Cf. nosso �Justiça, liberdade e alteridade ética. Sobre a questão da radicali- dade da justiça desde o pensamento de E. Levinas�. 56 c) A forma de concretização da liberdade humana é a realização de atos que favoreçam a vida e a sustentabilidade ecológica e social do planeta (caso contrário, a liberdade, en- tendida como se queira, se auto-anularia no exercício de atos que, ao aniquilarem a vida, igualmente a aniquilariam, numa derivação de características kantianas evidentes do atrás ex- posto). d) A esta forma de concretização da liberdade em ter- mos de sustentação da vida podemos dar o nome de �ética�; �ética�, o agir propriamente humano, é a realização concreta da liberdade humana, para além de sua mera idéia, em fun- ção daquilo que não é ela nem sua idéia: a alteridade. E este encaminhamento final é, também, o encaminhamento desta que é uma das mais veneráveis e complexas questões filosó- ficas: a da existência da liberdade. A liberdade não existe porque se manifesta a partir de alguma essência própria de seu conceito em atos que lhe são como que ontologicamente posteriores, mas porque a história de cada ato ético � cada ato que procura a justiça �, pode ser, exatamente, histórica e temporalmente reconstruída, e é nesta reconstrução que se (re)encontra precisamente a liberdade que permitiu que ele acontecesse. Em suma, em um estranho paradoxo, de certo modo é a liberdade que depende da ética para legitimar seu estatuto de existência, e não, como estamos acostumados a pensar, o contrário. e) Ainda, esta reconsideração leva a uma renovada no- ção de ser humano; podemos dizer, como P. Pivatto, que �ou se é moral, ou não se é humano�. O ser humano é aquele que é capaz de agir de tal forma que venha a favorecer a vida na terra, realizando assim sua liberdade que não tem valor em si, mas em relação ao que não é ela � a alteridade � uma liber- dade ética. É neste ponto, e apenas aqui, que o paradoxo re- ferido acima se desfaz: ou a liberdade é ética, ou é uma qui- mera a ser paulatinamente desconstruída pela teia de causa- lidades científicas ou filosóficas. Mas uma quimera perigosa. SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 57Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI f) Por fim, é clara a inferência de que, modificando-se substancialmente a noção de ser humano, modifica-se igual- mente de forma substancial a noção de direitos humanos; es- tes seriam doravante pensáveis a partir do que Levinas deno- minou, no título de um seus livros menos conhecidos, �hu- manismo do outro homem�12. O direito humano fundamen- tal é o direito de ser tratado eticamente como alteridade irre- dutível a qualquer violência por parte de qualquer poder; o abuso deste direito, ou seja, a transgressão desta máxima fun- dante, conduz o indivíduo à posição de negador da alterida- de e, portanto, sobre seus atos incidem a exigência atrás refe- rida. Ou seja: não se trata de um direito incondicional, mas de um direito condicionado e condicionante que apenas se realiza e se justifica na constituição subjetiva do sujeito ético propriamente dito13. 2. Como conclusão: Liberdade e Direitos Humanos � a reconfiguração filosófica da idéia de Direitos Humanos desde a crítica da idéia de liberdade pelo imperativo da justiça �A instrumentalização dos direitos humanos em favor da im- plantação global do projeto (neo)liberal de sociedade perten- ce ao conjunto de características da atual geopolítica do po- der em âmbito internacional. Poder-se-ia referir a um �impe- rialismo� dos � mal compreendidos � direitos humanos, que ameaça, pela ausência de reconhecimento do factum da li- berdade humana que a eles subjaz, levá-los ao descrédito. Caso não se deseje tripudiar sobre o seu papel central na con- 12 LEVINAS, E. Humanismo do outro homem. 13 Cf. SOUZA, Ricardo Timm de. �Fenomenologia e metafenomenologia: subs- tituição e sentido � sobre o tema da �substituição� no pensamento ético de Levinas�. In: SOUZA, Ricardo, Timm de; OLIVEIRA, Nythamar Fernandes de. (Orgs.) Fenomenologia hoje � existência, ser e sentido no alvorecer do século XXI, p. 379-414. 58 formação de uma ordem de liberdade também internacional, então é pertinente a atenção aos �déficits� de fundamentação de sua compreensão liberal hegemônica. São estes que escla- recem as dinâmicas de poder dos atuais discursos a respeito dos direitos humanos�. Hans-Georg FLICKINGER14 A instrumentalização dos direitos humanos em favor de interesses que nada têm a ver com a manutenção da liber- dade humana e da própria humanidade, a não ser para gru- pos específicos detentores de poderes e privilégios e com fi- nalidades muito claras, de que nos fala Flickinger no excerto acima, deriva exatamente da confusão que se estabelece nos termos do abuso do conceito de liberdade nos moldes da tra- dição filosófica-conceitual de compreensão da mesma, abu- so este oportunizado pela ausência de �atenção aos �déficits� de fundamentação de sua (dos direitos humanos) compreen- são liberal hegemônica�. Entender que a liberdade não pode ter, por motivos tanto científicos como filosóficos, realidade substancial em si, é entender que um outro telos se posta no horizonte interpretativo, um telos � o ato ético � que a inves- te de realidade para além de demiurgias discursivas desgas- tadas pelo choque que a vivência de catástrofes e a falência SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 14 FLICKINGER, Hans-Georg. �Im Namen der Freiheit � Über die Instrumen- talisierbarkeit der Menschenrechte�, in: Deutsche Zeitschrift für Philoso- phie, Berlin 54 (2006) 6, p. 851: �Die Instrumentalisierung der Menschen- rechte zu Gunsten der globalen Durchsetzung des (neo)liberalen Gesells- chaftskonzepts gehört zu den charakteristischen Merkmalen gegenwärti- ger Machtpolitik auf internationaler Ebene. Man könnte auch von einem Imperialismus � falsch verstandener � Menschenrechte sprechen, der ohne die Annerkennung des ihnen zu Grunde liegenden Faktums menschlicher Freiheit die Menschenrechte in Misskredit zu bringen droht. Will man de- ren zentrale Rolle in der Ausgestaltung einer auch internationalen Freiheit- sordnung nicht verspielen, lohnt der Blick auf die Begründungsdefizite ihres verherrschenden liberalen Verständnisses. Diese sind es, die über die Machanfálligkeit des gegenwártigen Menschenrechsdiskurses au- fklären� (tradução nossa). 59Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI das representações vividas no último século denunciaram suficientemente15. A reordenação da questão dos direitos humanos a partir de uma nova noção de humanidade na qual a idéia de liberdade se insira nos moldes atrás descritos fa- lhará, porém, se não tivermos, no conjunto das reflexões, algo que já foi referido rapidamente na cadeia argumentativa: a vontade de justiça. É a vontade de justiça, a �loucura pela justiça�, no sentido de Derrida, que permite ao humano per- manecer em si, em sua humanidade. Como, agora, pensar a questão da justiça no presente contexto, de modo aproximado, porém incisivo? Parece-nos a solução traumática a mais adequada. É necessário conside- rar, neste momento, o próprio fundamento do pensar desde um ponto de vista que, geralmente, não é suficientemente levado em conta, quando se pensa no conjunto da filosofia. É necessário pensar o momento onde nossa respiração é sus- pensa pela suspensão da própria vida que ocorre, por exem- plo, na percepção de uma situação de injustiça cometida, algo que nos traumatiza, algo que nos revolve internamente, algo que desordena as nossas lógicas e faz com que a própria idéia de justificar o acontecido apareça como indecente16. Talvez seja este um dos inícios do pensamento, talvezseja isto que tenha dado origem ao próprio pensamento: o insuportável que, ao trazer à nossa consciência a consciência da precarie- dade da existência, nos interdita a paz. Pois é possível pensar também a filosofia como indignação; indignação frente ao fato de que a realidade é tratada indignamente; indignação frente à percepção do fato de que temos sido indignos das expecta- tivas que, de alguma forma, se abrem a nós pela promessa de futuro que a nossa vida propõe; indignação frente às habili- 15 Cf., entre outros, NESTROWSKY, Arthur; SELIGMANN-SILVA, Márcio (Orgs.), Catástrofe e Representação. 16 Cf. nosso ensaio �O delírio da solidão: o assassinato e o fracasso original�. In: SOUZA, R. T. Sentido e Alteridade � Dez ensaios sobre o pensamento de E. Levinas, p. 23-43. 60 dades do nosso intelecto em tecer teias justificativas para o injustificável. Indignação, enfim, que se coloca como origem da necessidade de superar, em todo o sentido possível, o ele- mento de indignação, ou seja, de indignidade, que aqui é cor- relato ao tema da não-vida, e, portanto, ao tema da não-ética. Ora, um ponto de partida para pensar essa estrutura é, desde o ponto de vista do trauma da injustiça cometida, a questão da justiça como fundamento da estrutura das relações huma- nas. Esta parece ser uma dimensão fundamental de análise para a compreensão das reais �dinâmicas de poder dos atuais discursos a respeito dos direitos humanos�. O tema da justiça não é apenas um tema da filosofia política. O tema da justiça é uma ansiedade literal de todo e qualquer pensar. Apenas, e aí está a grande questão, é possí- vel utilizar o próprio pensar para camuflar este tema em meio a outros temas, levando, inclusive, a um possível �descrédi- to� no sentido dos direitos humanos, pela sua �instrumenta- lização�, como diz Flickinger, tornada possível pela retórica esvaziada da liberdade burguesa-liberal. Queremos aqui, po- rém, seguir na direção inversa; queremos ressaltar a que pon- to este tema é central e, simultaneamente, culminante nas reflexões filosóficas e científicas, que por decorrência, por definição e por origem, não são senão éticas. A questão se encaminha da seguinte forma: qual é, a rigor, o sentido do mundo sem a nossa fidelidade na busca da justiça? Parece- nos não haver na história do pensamento humano nenhuma grande obra que tenha ignorado este fato, esteja ele presente de forma explícita, ou esteja ele implicitamente presente nos conteúdos que se desenvolvem. O ser humano, a condição humana, é, antes de tudo, nesse sentido, ansiedade por justi- ça. Ansiedade por ser justamente tratado. Ansiedade que, em termos relacionais, significa ansiedade por tratar justamente o que não é si mesmo, para que si mesmo tenha sentido. Justi- ça, portanto, não é � repetimos e acentuamos � uma categoria da filosofia, ou da ciência jurídica, ou das ciências sociais, como SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 61Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI qualquer outra categoria, mas é o essencial da própria pos- sibilidade da filosofia, das ciências jurídicas, das ciências so- ciais e humanas, e da Ciência em geral. Justiça significa as- sim, aqui, a base possível do próprio pensamento e, simulta- neamente, o seu telos, sua idéia reguladora máxima e defini- tiva, a negação, em sentido adorniano, do status quo de in- justiça globalizada-naturalizada. Justiça significa a exuberân- cia da vida que se encontra consigo mesma. Porém, justiça não pode ser, a rigor, afirmada como realização plena no pre- sente do indicativo. Justiça é uma ansiedade, é uma dimen- são de construção que se constrói com tijolos infinitamente pequenos, porém infinitamente recorrentes, incansáveis, só- lidos e delicados. Justiça é o objeto da ciência e da filosofia, porque é o conteúdo da própria humanidade, sem o qual a humanidade torna-se vazia. Como conceber a condição hu- mana sem a ansiedade por justiça? Há quem consiga pensar fora da ansiedade por justiça? Parece-nos que, levada a argu- mentação neste sentido, não há pensamento e construção humana que não seja expressão, mais ou menos bem-sucedi- da, da reparação desta ansiedade por justiça � inclusive a rea- lização possível da liberdade. E, neste sentido, justiça, ansie- dade por justiça, é o coração da liberdade. Mas, se assim é, como pode o tema da justiça muitas vezes estar deslocado a esferas quase indivisíveis da própria especulação filosófica e científica? Não temos tempo agora para tratar da genealogia deste espantoso desvio17. Interessa- nos antes ressaltar o fato de que a justiça pretende se consti- tuir, enquanto negação explícita e inequívoca da injustiça, em uma espécie de retórica ética máxima, uma eloqüência da vida. A vida eloqüente é a vida que exige justiça. Neste 17 Tratamos deste tema em nosso ensaio �Da neutralização da diferença à dig- nidade da Alteridade: estações de uma história multicentenária�. In: SOU- ZA, R. T. Sentido e Alteridade � Dez ensaios sobre o pensamento de E. Levi- nas, p. 189-208. 62 sentido, temos aqui uma espécie de terminação provisória das reflexões que até agora desenvolvemos. Partimos de uma abstrata idéia de condição humana desde o ponto de vista de um de seus constitutivos clássicos, a liberdade; procuramos aprofundá-la em alguns de seus termos essenciais, e desem- bocamos finalmente em algo originante, a ansiedade absolu- ta pela justiça realizada, fundamento de toda ação humana e única justificação da própria liberdade. E assim podemos, se admitirmos tal lógica de desenvolvimento, supor que a ética é exatamente, e nada mais nem menos, do que isso: vontade de justiça em realização, justiça em todos os sentidos, justiça para com o que não é nós, justiça para com o outro: �Louca pretensão ao invisível, no momento em que uma ex- periência pungente do humano ensina, no século XX, que os pensamentos dos homens são conduzidos pelas necessidades, as quais explicam sociedade e história; que a fome e o medo podem ser os determinantes de toda resistência humana e de toda liberdade... É este adiamento perpétuo da hora da trai- ção � ínfima diferença entre o homem e o não-homem � que supõe... o desejo do absolutamente outro ou a nobreza, a di- mensão da metafísica.� Emmanuel LEVINAS18. REFERÊNCIAS ADORNO, Theodor W. Minima moralia. São Paulo: Ática, 1993. �����. Palavras e Sinais � Modelos críticos 2. Petrópolis: Vozes, 1995. �����. Notas de Literatura I. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2003. �����. Ästhetische Theorie. Frankfurt a.M.: Suhrkamp (Teoria es- tética, São Paulo, Martins Fontes). �����. Negative Dialektik. Frankfurt a. M.: Suhrkamp. SOUZA, Ricardo Timm de � Direitos Humanos no Século XXI 18 Totalité et Infini, p. 5. 63Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI �����. Prismas. São Paulo, São Paulo: Ática, 1998. ADORNO, T. - HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. AGAMBEN, Giorgio. Homo sacer � o poder soberano e a vida nua I. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2002. �����. Estado de Exceção. 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Se parte de la perspectiva frente a la ley mostrada por Jesús, como motor de la crítica secularizadora. En la historia se ha sospechado más de las personas que de las buenas instituciones legales o políticas. Frente a ello, irrumpe la posición de Jesús, las instituciones son medios al servicio de la vida de las personas, que son por tanto el fin al que deben servir. Este es el punto de partida para una crítica secularizadora y humanizadora de las instituciones. Cuando se entra en diálogo con otras posiciones de nuestra Antigüedad, por ejemplo con el mundo griego, esta posición mostrará algunos de los límites que el funcionamiento de las instituciones legales tiene para los seres humanos. En la modernidad, donde también se parte de una secularización que busca la humanización de las instituciones, se adopta una posición de defensa de la persona frente al sistema legal y político fundamentalmente proponiendo unos derechos del individuo previos a las leyes y al Estado. Los sistemas legales se mejoran incorporando 69Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI derechos humanos, pero anteponiendo de nuevo, institución a persona. En este contexto, y ante los límites que este proceso de perfeccionamiento de las instituciones tiene, surge de nuevo en la actualidad la necesidad de pensar un marco de relación entre los sujetos y las instituciones que no sea de simple subordinación. Ello lo que está planteando no es sólo la cuestión del tipo de institución a implantar sino el tipo de sujeto y de relación que se va mantener con las instituciones. Ahí se ubica entonces la posibilidad del discernimiento de la ley. Ello exige, a su vez, recuperar entonces el problema del sujeto en nuestro contexto, la crítica de la idea de sujeto en la postmodernidad actual y la reivindicación de otros caminos para la expresión de lo humano a partir de algunas experiencias históricas y actuales que posibiliten otro marco de relación con la ley. En cuanto al modo de abordar estas cuestiones señaladas, he tratado de desarrollar una reflexión libre a partir de algunos temas abordados por Franz J. Hinkelammert en el libro El grito del Sujeto. Del teatro mundo del evangelio de Juan al perro mundo de la globalización (San José, 1999). Ahí se plantea la posibilidad de elaborar una crítica de la ley y del poder, inspirándose en los textos del evangelio de Juan. Desde mi punto de vista, el evangelio de Juan es un libro que alumbra historia, en el sentido de Zubiri, ya que permite reconocer nuevas posibilidades de intelección para la acción humana. El libro de Hinkelammert trata de apuntar esas posibilidades. Una vez más, lo �nuevo� reside en la recuperación de la �originalidad�. Esto es, en su capacidad para volver a leer en los orígenes de la experiencia histórica del cristianismo. Ahí se vislumbran posibilidades de acción y hábitos, de formas de construir y de estar en la realidad desde donde relacionarse con la ley y el poder que habían sido cerradas, aunque no extinguidas, con la inculturación del cristianismo en la sociedad del imperio romano. Desde este trasfondo, he tratado de lanzar algunos problemas y de ensayar algunos caminos. 70 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 1. Delimitación general de la cuestión sujeto libre y del discernimiento de la ley 1.1. �Sujeto� y contexto de recuperación de la �perspectiva del sujeto�: Plantear hoy la cuestión de la relación de los sujetos frente a las instituciones legales puede parecer una tarea imposible en tiempos postmodernos y postmetafísicos. En el terreno de las ideas, se nos dice que no hay certezas de ningún tipo. En este contexto, si nos preguntamos por el sujeto, en medios académicos nos dirán, parafraseando a Nietzsche, que no hay �sujetos� sino �interpretaciones de sujetos�. Igual que no habría hechos sino interpretaciones de hechos. Y una interpretación no deja de ser un artificio entre otros posibles. No hay una verdad del �sujeto� accesible. Este es el prejuicio sobre el que gira la moderna teoría del conocimiento �crítica�. No hay acceso a las cosas �en sí�. Nietzsche culminará esta senda crítica de la modernidad introduciéndonos en la postmodernidad. Como no hay acceso, el conocimiento está desfundamentado, cualquier juicio vale porque ninguno vale nada. El conocimiento entonces es una gran mentira, legitimado por la apariencia de verdad que se pretende desde la historia, la moral, la religión o el poder. La salida de Nietzsche a este punto donde desemboca su radicalización del criticismo moderno1, es postular una instancia radical de verdad, que nos permite no ya conocer nuestro modo de conocimiento sino los auténticos instintos que crean nuestra realidad humana. El conocimiento �fisiológico�, es el único que puede pretender ofrecer la verdad de ser humano, desde él se pretende discernir entre los instintos fuertemente humanos y los débilmente humanos. Ese conocimiento fisiológico es el que, más allá de Nietzsche, orienta el realismo político hegemónico. El hombre es lobo para el hombre, hacia la naturaleza, y hacia las otras 1 CONILL, J., El poder de la mentira, Madrid, 1997, pp. 22 y ss. 71Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI culturas, religiones, y para Dios. O domina, o será dominado. El gran deconstructor de los residuos metafísicos de occidente, nos lanza a su vez, paradójicamente, a la misma inconmovible seguridad sobre el destino de lo humano a la que nos proyecta el realismo político. Paradójicamente, de �interpretaciones� pasamos a evidencias. Por ello, decía al principio, que proponer un marco general de que pueda existir una relación entre los sujetos y las leyes es una tarea sólo aparentemente imposible, pues el discurso postmoderno tiene un carácter fuertemente ideológico. Si existe algo así como una relación anterior o coetánea de los sujetos frente a las instituciones legales éstas serían inviables. O los sujetos están en el marco institucional subsumidos y regulados, o la regulación sería un sinsentido. En ese discurso, se agazapa un presupuesto o idea fuerte de ser humano de carácter dogmático y que pretende cerrar cualquier otro camino de expresión y construcción de lo humano. En este sentido, vivimos tiempos doblemente nietzscheanos. (Sin que ello suponga otorgarle ningún poder de causación del tiempo presente). En el plano de las ideas, nos movemos en la incertidumbre. En el plano de las realizaciones de la razón práctica hegemónica, se actúa desde el postulado de que la dominación, en última instancia la muerte del otro/lo otro, es la garantía de la vida de uno. Esta es la mayor seguridad metafísica de nuestro tiempo sociohistórico. Ya sabemos qué ha dado de sí la historia. El gran profeta de nuestro tiempo nos lo recuerda por si se nos había olvidado: �La historia entera no es otra cosa que la refutación empírica del principio relativo al llamado �orden moral del mundo�2. Por ello, �sabemos que el mundo donde vivimos es inmoral, no-divino, inhumano�3. Desde las ideas dominantes de la cultura occidental, suele presentarse al ser humano como enfrentado y opuesto 2 NIETZSCHE, F., Ecce homo. Como se llega a ser lo que es, Madrid, 1993, p. 163. 3 El nihilismo: Escritos póstumos, Península, Barcelona, 1998, p. 38. 72 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley almundo. Este sujeto, es un presupuesto metafísico que se historiza. Si consigue permanecer en su ser es venciendo al mundo (sujeto de la técnica moderna), y cuando se articula social y jurídicamente con otros, o es negándose así mismo (abandonando su ser-estado natural), para entrar domesticado al circuito de la obediencia al poder, o negando a los demás (individuo propietario). En realidad, una y otra posición expresan el miedo a lo otro; tanto a la naturaleza como a los otros sujetos. Socialmente domesticado para evitar el caos a que conduciría la libre expresión de la subjetividad de cada persona (declaración de guerra desde arriba, fuente de diversos totalitarismos), o bien otro camino �dejarle� que haga la guerra para que produzca orden entre los otros sometidos (declaración de guerra entre los iguales para que produzcan desigualdad, es decir, la generación de orden por medio del mercado). Por diferentes caminos, el mismo punto de partida conduce al mismo punto de llegada. Apuntemos algunas sendas tomadas desde esos presupuestos. Para Hobbes, la persona es un complejo material movido por los instintos4, y se asegura dominando a los demás. Para Locke el cuerpo está dirigido por la razón que le ordena su autopreservación individual, no habiendo responsabilidad por los otros5. Para Nietzsche la salud del ser humano está en seguir los instintos más fuertes, más peligrosos, en la voluntad de poder que es un trasunto de la voluntad de dominación6. El 4 Cf. Leviatán (1651) Parte I. 5 Cf. Segundo tratado del gobierno civil (1690), passim. 6 A partir de los instintos fuertes se libera el poder destructivo-creador. Siendo la destrucción, la abolición de la solidaridad de los débiles, del amor al prójimo, de la compasión, del deseo de vida larga; y estando el camino de lo humano, en la lucha sin piedad, liberados de la compasión, para asegurar la asimetría de la dominación que prescribe el espíritu aristocrático, rebelión contra el espíritu democrático, tras el que se esconden los perdedores y los decadentes. Sin embargo, los fuertes, no están seguros, tras la falsa humildad de los débiles se agazapa su resentimiento, que vuelve tras el instinto de rebaño y su deseo de igualdad para combatir a los mejores tipos. El imperativo es �nunca hacer igual 73Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI trasfondo del planteamiento weberiano del poder, se fundamenta en la dominación de la fiera que es el ser humano. Para Weber7 el �arte real de la política en el que no hay quiebras�, es en última instancia la guerra8. El �Estado sólo es definible sociológicamente por referencia a un medio específico que él posee: la violencia física. Todo estado está fundado en la violencia (...) La violencia no es naturalmente ni el medio normal ni el único medio de que el Estado se vale, pero sí es su medio específico�9. Ese medio distintivo, que es/debe ser monopolizado por el poder público es la posibilidad radical de ser tal poder. Lo que es primera ratio, desde un punto de vista interno y circular también puede ser su última ratio. ¿No es la violencia última ratio del Estado, porque en última instancia después de otras máscaras sociales, hay siempre una fiera que someter? ¿Por otra parte, cuál es la fiera por someter? ¿Es simplemente el sujeto peligroso de conductas agresivas y antisociales, o es también la hybris de los débiles que quieren orientar el funcionamiento de las leyes y del poder lo desigual�, en ello consiste la rebelión de los mejores: �los más fuertes y afortu- nados son débiles cuando tienen contra sí los organizados instintos del rebaño, la cobardía de los débiles, de los superiores en número. (...) Aunque suene raro: siempre hay que armar a los fuertes frente a los débiles, a los afortunados frente a los desafortunados, a los sanos frente a los degradados y tarados genéticamen- te� (El nihilismo: Escritos póstumos, Barcelona, 1998, p. 131-132). Por ello, �A los iguales, igualdad; a los desiguales, desigualdad � así habla la justicia para noso- tros. Y lo que se desprende de ello: nunca hacer igual lo desigual� (ib.), p. 163. En estos tiempos neonietzscheanos, no debe sorprender que este autor (aunque esto no se oiga demasiado), tenga el mismo ideal de justicia que el gran precep- tor de Alejandro Magno: Aristóteles. 7 Max Weber, a pesar de las diferencias, se mueve en el mismo horizonte metodo- lógico que Carl Schmitt. Para éste, el espacio de lo político está delimitado por la distinción de amigo y enemigo. Enemigos son aquellos otros a quienes se puede potencialmente hacer la guerra, y por tanto matar físicamente. Entre los �ami- gos� (el espacio social propio que está construido políticamente por la delimita- ción de lo interno y lo externo), sobre los que tiene autoridad un soberano, puede darse el Derecho en estricto sentido. 8 La política como vocación, trad. F. Rubio Llorente, p. 170 (sub. mío). 9 Ib. p. 83. 74 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley en su servicio, que pretenden que �otro mundo es posible�? Los cantos de sirena de la posmodernidad quieren despistarnos de que vivimos tiempos modernos, demasiado modernos. Por eso, el problema de nuestra época no es la afirmación de certezas perdidas sino de apertura de nuevos sentidos de la historia y con ello la búsqueda de mejores posibilidades de vida para todos. Un mundo, a pesar de Nietzsche, más humano y por ello, más divino. Señala John Holloway, que la lucha revolucionaria es hoy �una lucha contra la reificación y la certeza�10. Si Nietzsche tiene razón, entonces también la tiene Ellacuría: cansados ya de la repetición de la historia de la dominación, hay que �revertir la historia, subvertirla y lanzarla en otra dirección�. En realidad no es nada nuevo. Es la lucha de siempre que cada vez se ve más necesaria. El ser humano no termina por conformarse con la habitualidad del miedo, del sufrimiento y de la desesperanza. Una y otra vez llama a las puertas del cielo. No sabe qué es el cielo, pero lo inventa, lo proyecta y lo experimenta en sus relaciones reconstruidas como superación del tiempo presente. El animal de realidades, como gustaba decir a Zubiri, se revela como un ser rebelde: no se conforma con el infierno en la tierra. En este contexto, se da el �retorno del sujeto�, no es en forma de idea sino desde las condiciones prácticas de nuestra historia actual. Es teoría, en un momento segundo y derivado. Hay una ubicuidad de experiencias límite (insoportabi- lidad, inaceptabilidad, insostenibilidad de la vida/vidas en la sociedad mundial globalizada), por ello son globales. A todos nos afectan, aunque no a todos en las mismas condiciones. Todos estamos concernidos, y esto cada vez es más visible. Ni las islas de riqueza y de seguridad con el primer mundo se creía a salvo, pueden garantizar aquello que pretenden. 10 Cambiar el mundo sin tomar el poder. El significado de la revolución hoy, 2002, p. 192. 75Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI El retorno del sujeto se da en forma de sujeto crítico- práctico. Dice Holloway sobre el sujeto crítico: �somos personas cuya subjetividad es parte del barro de la sociedad en que vivimos, somos moscas atrapadas en una telaraña./ ¿Quiénes somos pues y cómo podemos criticar? La respuesta más obvia es que nuestra crítica y nuestro grito surgen de nuestra experiencia negativa de la sociedad capitalista, del hecho de que estamos oprimidos, de que somos explotados. Nuestro grito proviene de la experiencia de la diariamente repetida separación entre el hacer y lo hecho, una separación experimentada más intensamente en el proceso de la explotación pero que impregna cada aspecto de la vida�11. Considero que esto es así, pero además hay que indicar, que como antes señalamos todos están afectados12 por las dinámicas de explotación pluriformes, los críticos y los no- críticos. El �antisujeto� pretende asegurarse continuando las tendencias destructivas del sistema global. El sujeto se rebela contra las mismas. Pero esta rebelión es ya potencialmente ubicua. Puededarse en cualquier lugar, en cualquier momento y por cualquiera. La tópica clásica de los sujetos revolucionarios es hoy redimensionada. Por ello, señala Hinkelammert, que �el ser humano no es sujeto, sino hay un proceso en el cual se revela, que no puede vivir sin hacerse sujeto. No hay sobrevivencia porque el proceso, que se desarrolla en función de la inercia del sistema, es autodestructor. Aplasta al sujeto, que cobra 11 Ib., p. 193. 12 Los fabricantes de las telas de araña también se ven envueltos en sus propias trampas. De alguna manera, la insolidaridad ejercida contra otros y contra la naturaleza vuelve a veces inesperadamente. Así, por ejemplo, como ya vamos conociendo cada vez mayor con claridad y actualidad, hay una responsabilidad social en la generación de desórdenes medioambientales que termina afectan- do negativamente a las condiciones de sobrevivencia y de desarrollo de la vida humana. Muchos de los llamados desastres naturales, están agravados y poten- ciados por la actividad social. La negación de la propia responsabilidad puede terminar siendo suicida. 76 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley conciencia de ser llamado a ser sujeto en cuanto se resiste a esta destructividad. Tiene que oponerse a la inercia del sistema si quiere vivir, y al oponerse, se desarrolla como sujeto�13. En este contexto, no es otro a priori construido lo que se propone, sino contestar el a priori metafísico que orienta el dinamismo de nuestra historia: �Por eso, el sujeto no es un a priori del proceso, sino resulta como su a posteriori�14. Aun suponiendo que la verdad trascendental del ser humano consistiera en un afán predatorio autoreferencial inscrito en sus dinamismos instintivos más recurrentes; surge un grito, una necesidad, una exigencia, una petición, otra proyección, una posición y una disposición diferente: otro sujeto es posible. Surge de la experiencia vivida, de la conciencia lúcida, iluminada y esperanzada; del cansancio de la verdad construida y repetida, normalizada, proyectada y realizada una y otra vez; de la voluntad rebelde que no se entrega a la muerte rápida y que busca reproducir la vida; de la cotidianidad de las vidas sencillas. Ni la dominación ni la fiereza destructiva del ser humano son la última palabra de la historia sobre el poder ni sobre la expresión del ser humano. El sujeto se revuelve y se rebela, cansado de la mecánica ciega retributiva que parece triunfar en el orden empírico: el poder está para dominar; la seguridad del derecho para la inseguridad de los débiles; la economía al servicio de los fuertes. Desde ahí, interpela el funcionamiento de las instituciones para subvertirlas con una orientación incluyente. Sin embargo, para interpelar la dinámica del orden his- tórico, tiene que �reinventarse� como sujeto. Por ello, la teo- ría refleja del sujeto a partir de las experiencias de oposición a las tendencias destructivas, visualiza otra idea de sujeto, 13 HINKELAMMERT, F., �La vuelta del sujeto reprimido frente a la estrategia de la globalización� en El vuelo de Anteo. Derechos humanos y crítica de la razón liberal, Herrera, J. (ed.), Bilbao, 2000, p. 212. 14 Ib. 77Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI que no se puede inscribir en otras conceptualizaciones de la persona, como es la de �individuo� (presocial y desvincula- do moral y materialmente, en la tradición liberal-burguesa); o la de �sujeto del conocimiento� (en la perspectiva episte- mológica y metafísica de la filosofía moderna) desvinculado del mundo-objeto; pero tampoco es el mero �sujeto de dere- cho� (que opera en el Derecho gracias al propio Derecho y al reconocimiento del Estado). El �sujeto� no es un ente metafísico transmundano ni una mónada, sino un ser de este mundo, constituido en una red social y natural, que es trascendente en el mundo. Esta trascendencia intramundana es la que le permite reconocerse vinculado, atravesado tanto por los otros humanos como por la naturaleza. La idea �asesinato es suicidio�15, donde asesi- nato es tanto del otro como la muerte de la naturaleza, da cuenta de la seriedad con que el sujeto se reconoce siendo también por el otro y por lo natural, y por tanto sabe radical- mente de su interdependencia. Esta conceptualización de la persona como �sujeto� expresa la necesidad de superar otras visiones insuficientes e ineficaces de la realidad humana, pero ella es fruto de una �perspectiva�, de una mirada sin cuya visi- ón no es alcanzable la conceptualización de esta posición. La perspectiva es mirada trascendente porque no se agota en el límite de la piel, sino que busca allende su realidad inmediata lo que también forma parte de su realidad y de su experiencia, pero que si no es �descentrándose� no puede tomarlas en con- sideración. Al trascender el límite de su cuerpo, y su interés y realización autocentrada, puede reconocerse inscrito en un �circuito social y natural�. La �salida� de sí, para responsabili- zarse en la suerte de los otros y de la naturaleza, no es deca- dencia ni enfermedad de la voluntad, no es �olvido o negación de sí� y permite un reencuentro más pleno con su subjetividad enriquecida por lo real. La afirmación de la vida como �centra- 15 HINKELAMMERT, F., Solidaridad o suicidio colectivo, Costa Rica, 2003, pp. 91 y ss. 78 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley miento en sí� aparece entonces, desde esta perspectiva como engaño, la mentira que le impide ver que los otros/lo otro son condición de posibilidad de su vida. El sujeto no es un punto de partida: es una reacción que busca alterar la mecánica de reacciones previsibles del sistema en cuanto excluyente. Reacción, que sigue a la acción; pero que no se sigue de ella. El ser humano se hace sujeto en tanto en cuanto trata de introducir una novedad en el orden empírico subvirtiéndolo. 1.2. Contexto de recuperación de la perspectiva del sujeto frente a la ley y las instituciones En América Latina brota de nuevo la crítica de la ley, propiciado por la experiencia cotidiana de que el funciona- miento de la legalidad no sirve en muchos casos16 a las nece- sidades de las mayorías populares, pero a mi juicio, intensifi- cado por un caso extremo: El cumplimiento de la ley que obliga al pago de la deuda externa como conjunción de la legalidad del Estado de derecho y de las leyes del mercado y que condena a las mayorías populares de tantos países lati- noamericanos a situaciones de abandono social y les cierra posibilidades de desarrollo humano. La ley se cumple desde una doble necesidad, (1) cumplir con las obligaciones asu- midas de los contratos (2) para que puedan seguir operando las leyes del mercado. Sin cumplimiento de las obligaciones asumidas, se rompe la confianza para seguir operando eco- nómicamente. O pago o exclusión del mercado global. Y sin embargo, pagando la deuda nunca se llega a cumplir plena- mente con la obligación. Se profundizan entonces los efectos de pauperización social que muestran la insoportabilidad y la irracionalidad de la legalidad que condena al pago de la 16 Es algo que ha sido mostrado por Elsa Tamez en �Pablo y la ley en Romanos. Una relectura desde América Latina�, 2004. (Texto documentación DEI). 79Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI deuda externa17. En este contexto emerge la necesidad de pensar sobre el cumplimiento de las leyes, de las jurídicas y de las económicas. La reflexión entonces cuestiona tanto el Estado de derecho como el capitalismo, pensando también sobre sus posibles alternativas. Lo que se percibe no es meramente lo que tantas veces se ha hablado a cerca de los países latinoamericanos, sobre la corrupción de los administradores públicos y sobre el déficit de institucionalización de los mecanismos del Estado de derecho. Si en su origen los compromisos de financiamiento surgen a veces de dinámicas de corrupción, el cumplimiento fiel de las obligaciones asumidas es fruto de una �mejora� en la dinámica de funcionamiento del Estado de derecho. Mientras más se cumple,más �seguridad jurídica� existe de que los acreedores tienen garantizados el cobro de los intereses y del capital prestados. Si un país trata de pagar, entonces podrá seguir recibiendo nuevos créditos, para poder pagar los créditos anteriores. El caso de Argentina, en los últimos años, muestra cómo mientras más seguridad jurídica consiguen los acreedores internacionales más inseguridad social se puede generar. Esta experiencia, como otras semejantes, muestra una quiebra de la justificación universal del pago de las deudas. La ideología hegemónica había impuesto dos evidencias: La primera, sin cumplimiento universal de la ley no es posible la vida social, siendo el Estado la instancia para su efectividad: el Estado de derecho sirviendo a la ley evita el caos. La segunda, es que no hay alternativa al Capitalismo: o leyes del mercado sin distorsiones o miseria y muerte. La subjetividad estaba entonces ideológicamente subsumida y garantizada tanto por el funcionamiento del Estado de derecho como por la economía capitalista. 17 HINKELAMMERT, F., �¿Hay una salida al problema de la deuda externa?�, en El huracán de la globalización, Hinkelammert, F. (compilador), San José, 1999. 80 FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley Cuando en las últimas décadas la realidad social desmiente estas evidencias, aparece entonces la vida como aplastada tanto por el Estado de derecho como por el sistema económico. Lo que se postulaban como mediaciones necesarias para posibilitar la vida humana en sociedad, aparecen como instituciones que aprisionan y que llegan a ejecutar vidas. Por ello, lo que se presentaba como esperanza civilizatoria para enfrentar los males sociales, se presenta hoy como problema. Surgen entonces los dilemas cuyo planteamiento no prejuzga ninguna solución de antemano. La vida o la ley, el capitalismo o la vida. No hay soluciones unipolares, sólo hay la emergencia del problema que antes no se podía reconocer con la misma intensidad. El problematismo en sí mismo resi- de en que se rompe la identidad entre protección de la vida y funcionamiento de la institución. Al no estar asegurada, an- tes bien, puesta en peligro por la propia dinámica institucio- nal, surge entonces la reflexión por el tipo de instituciones que implantar. Sin embargo, esta no es la reflexión mayor. Los dilemas surgen porque se visualiza la tensión entre vida de los sujetos e instituciones. La tensión existente (�alta�) puede dar lugar a una �reforma� de las instituciones legales y económicas. Pero no es este el hecho mayor, de donde la pre- gunta que surge no es qué ley/institución establecer, sino qué relación con la ley/institución mantener, incluso con las �bu- enas� leyes y las �buenas� instituciones económicas y políti- cas. Desde ahí se plantea la necesidad de realizar y de mante- ner un �discernimiento de la ley y de las instituciones�, dis- cernimiento que no es simple acto sino proceso que acom- paña la vida de los sujetos del mismo modo que le acom- pañan el funcionamiento de las instituciones. Dada la tensi- ón, no puede haber una relación ingenua con las mismas. Es un proceso vigilante y problematizador que no se cierra con la institucionalización de luchas emancipadoras. A la visualización del problematismo, se llega como 81Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI resultado de un análisis �coprolegal e institucional�. Son las disfunciones que surgen en el cumplimiento de éstas lo que pone bajo sospecha de que no realizan automáticamente aque- llo que prometen. Surge de una perspectiva antropocéntrica y secularizadora: centrada en los seres humanos y centrada en el mundo de los seres humanos. Por tanto, desde la vida de los seres humanos, se valora, se critica y se denuncia en su caso el carácter superior, hipostasiado de lo que son vistas como me- diaciones, que no pueden tomarse como fines en sí mismos. Por ello desde la secularización crítica, la ley, el Estado o la economía no son considerados como la manifestación de la suprema bondad, perfección, conocimiento, ni como supremo fundamento de la vida humana que únicamente operan la sa- lud humana. Pero la secularización crítica, no es, ni mucho menos demonización de las instituciones. Ni se las ve como simples expresiones superiores o divinas ni como simples mecanismos infernales. Reconoce la necesidad de institucio- nes legales, políticas o económicas, pero siempre supeditadas a un horizonte humano, con un carácter instrumental. La denuncia surge, en este contexto, con el funciona- miento automático de las instituciones. Aún cuando haya unas instituciones pretendidamente �buenas�; como desde la mo- dernidad hegemónica trató de construirse un sistema legal que en su conjunto pueda considerarse racional, o un siste- ma político legítimo, o un sistema económico eficiente; su aplicación no debe ser mecánica o automática. La pretendida racionalidad, legitimidad o eficiencia por sí mismas no ga- rantizan en su desenvolvimiento aquello que prometen. No es sólo cuestión de desviación de los tipos ideales, sino de la confianza en que a partir de la orientación por ellos sólo ope- ran resultados �ideales�. Desde esta confianza, surge el afán de justificación subjetiva de aquellos que se creen justifica- dos por la justificación objetiva de la institución. Los admi- nistradores de las instituciones cumpliendo con sus exigen- cias internas se consideran justificados más allá de los resul- 82 tados. Si hay resultados adversos (para los seres humanos), hay que asumirlos sin que ello cambie la pretensión de justi- ficación de la institución ni de justificación subjetiva. En este contexto, la �perspectiva del sujeto� y su crítica de las instituciones y de la institucionalidad se ve potencia- da por una tradición que provee herramientas para la misma. Se trata del replanteamiento de la teología cristiana de la ley y su crítica antiidolátrica, que arranca de la perspectiva de Jesús como sujeto, siguiendo aquí el análisis de Franz Hinke- lammert en su obra �El grito del sujeto�. El �discernimiento de la ley� implica una disposición y una posición del �sujeto rebelde� peculiar frente a la ley. Es lo que a continuación consideraremos para avanzar la cuestión. 2. Jesús como sujeto 2.1. Disposiciones y actitudes del sujeto frente a la ley desde la perspectiva de Jesús Presentaremos aquí de forma sumaria algunas caracterizaciones que expresan las disposiciones y actitudes de Jesús frente a la ley. Ello permitirá avanzar una mayor inteligibilidad de la posición de Jesús ante las instituciones: 1. La rebeldía: ¿Desde dónde se expresa el �sujeto�? El sujeto se expresa como �rebelión�. Es la emergencia de la vida sumergida por el peso de la ley. Jesús asume la perspectiva del sujeto frente a ley como respuesta a la vida del pueblo ahogada por la ley. Se rebela contra la práctica de la ley que siguen sus administradores en su contexto, los �doctores de la ley�: �!Ay de vosotros, los legistas, que imponéis a los hom- bres cargas intolerables¡� (Lc, 11, 46a; Mt 23, 4a). El poder, es también ocasión de dominio tiránico, pero se resiste a con- formarse con esa lógica, y trata de introducir otra orientación en las relaciones sociales (Mc 10, 42-45). Es la ruptura de la complicidad y connivencia con la dominación en nombre de FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 83Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI las instituciones para abrir otras posibilidades de funciona- miento institucional, no para anulación. 2. Rebeldía y libertad: Para hacerse libre frente a los poderes sociales hay que rebelarse, pero para rebelarse hay que ser de algún modo libre previamente. Sin embargo, no tiene porqué considerarse como una disposición fundada en una condición ontológica estática, sino más bien, consiste en la disposición a hacerse libre en el proceso de la vida. La disposición del �sujeto rebelde�, donde la libertad es anterior estructuralmente a la ley, no es actitud circunstancial (puede darse o no como oposición) sino como unadisposición radical que permite desacralizar y relacionarse con la ley de un modo reflexivo. Por ello, el sujeto considera las normas y cualquier institución en función de la vida de los sujetos afectados, tomándolas �como instrumentos�, no como �fines en sí mismos�. 3.Reflexividad y libertad: reacción ante la vida imposi- bilitada: Por ello, en los casos donde la vida concreta por ac- ción u omisión conforme a la ley se hace prácticamente invi- able, es decir, cuando interfiere imposibilitando la vida de los sujetos, ésta debe ser suspendida. Por ello, el excepciona- miento de la ley no es banal, ni para situaciones irrelevantes. No se plantea que dé igual atender a las exigencias legales, sino que para cumplir con lo que se imputa como suprema exigencia legal, que es el servicio a la vida, tiene que reorien- tarse la interpretación de la ley (�no he venido para abolir�, Mt 5, 17). Cuando la vida humana está comprometida como consecuencia de ciertos actos que permite o impide la ley, ésta debe ser antepuesta. 4.Reconocimiento relativo: La ley puede ser buena y necesaria, y sin embargo, de su cumplimiento universal no se tiene porqué seguir en todas las situaciones un bien para los sujetos, por tanto su �bondad� es cuestionada. La �bondad o maldad� de las leyes está en relación, en respectividad, con 84 sus efectos sociales y personales. El pago de las deudas puede ser obligación legal, y además hay buenas razones para pagarlas. En este sentido, podría hablarse de una ley �buena�. Sin embargo, ni la ley con mayor legitimidad que se pretenda puede considerarse incondicionalmente buena, ni siquiera aunque su origen la dotara de una virtud incontestable, como entonces se atribuía a las leyes de origen divino, y hoy podríamos hablar de leyes surgidas por medio de procedimientos democráticos. Si la legalidad se considera de forma absoluta, y por tanto �suelta� o separada del contexto social en el que se inserta, entonces nos encontramos frente a algo que escapa al horizonte de lo humano. 5. Razonabilidad dialógica: En el tratamiento de la ley, exige �tomársela en serio�. Sólo desde esta actitud, se puede emitir un juicio crítico responsable que no es sin más un capricho fruto de una voluntad indolente ni despótica (no he venido para derogar ni una coma, sino para dar cumplimiento). Por ello, el sujeto puede dar razón de su comportamiento (en el caso de Jesús, tiene razones para dar y las da para explicar su posición ante la ley, sin embargo, no siempre puede comunicarlas, como en el caso del Juicio cuando permanece en silencio, dada imposibilidad de entablar un diálogo real). 6. Descentramiento y universalidad: Se trata, por tanto, de una consideración instrumental, �al servicio de� las personas. Pero esta función de servicio debe ser �universal�. Desde otras disposiciones, la ley puede estar al servicio de uno; al servicio del poder económico, político o religioso; de la sociedad en general pero de cada persona en particular (�conviene que uno muera para que el pueblo viva� � Caifás - ). La experiencia histórica de la humanidad, ha estado marcada por la conciencia de que la ley, suele estar al servicio de los que tienen el poder, a cuyo lado se inclina y sirve. El código de Hammurabi, pretende ya, desde los albores de la memoria histórica, subvertir el signo usual de la función de la ley para FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 85Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI evitar que el poderoso oprima al débil18. La ley no sólo debe amparar las situaciones de los que están arriba, también debe proteger y servir a lo que están abajo. Sólo así, su función instrumental puede pretender universalidad. Si la ley, �dada para la vida�, produce o induce a la muerte de alguien, es la derrota de una vida, pero también el �fracaso de la ley�. El sujeto libre denuncia el cumplimiento torpe de la ley, pero no sólo en lo que a su persona respecta, sino también, frente a otros. No defiende sólo �su vida�, sino también la vida de los otros. ¿Acaso podrá seguir viviendo tras el fracaso de los otros? 7.Conocimiento de la ley: Se reclama la llave de la ciencia, que ha sido arrebatado a los sojuzgados (cf. Lc 11, 52). El conocimiento no es competencia técnico jurídica: puede haberla o no. En el caso de Jesús discute con autoridad los entresijos de la ley, sin embargo, la denuncia de Jesús se orienta a otro problema: se ha usurpado la posibilidad de juzgar sobre la interpretación de la ley por parte de sus administradores, sobre su sentido y sobre la obediencia/ excepcionamiento en caso de conflicto con la vida. (David comió de los bienes consagrados en el templo porque tuvo hambre). Conocimiento en un sentido fundamental es la experiencia de estar bajo el yugo de la ley19 la cual es universal y no separa �doctores de la ley�20 de no doctores. Desde esta 18 �(...) entonces Anum y Enlil me designaron a mí, Hammurabi, príncipe piado- so, temeroso de mi dios, para que proclamase en el País el orden justo, para destruir al malvado y al perverso, para evitar que el fuerte oprima al débil, para que, como hace Shamash Señor del Sol, me alce sobre los hombres, ilumine el País y asegure el bienestar de las gentes.� (Fragmento inicial de Código). 19 El cuerpo es así última instancia del conocimiento de la ley. Es algo que retoma genialmente Kafka en su obra En la colonia penitenciaria, cuando al condenado ni siquiera se le comunica la sentencia, si bien, el condenado, aun desconoci- endo el idioma de la sentencia, llega a conocerla en su cuerpo. En otro contexto, también puede verse ello en el Salmo 82. 20 Aún cuando los �doctores� sean quienes imponen el yugo al pueblo, ellos se sitúan formalmente como esclavos de la ley, que igualmente tienen que hacer esclavos al resto. Aunque traten de buscar subterfugios para escapar fraudulen- 86 experiencia, cualquiera puede emitir un juicio sobre la ley o ser simple pieza de su ejecución. 8. Oposición a los idólatras/idolatrías/sacralizaciones de las instituciones: Los �idólatras� son los que asumen una posición de descarga de la responsabilidad en las instituciones y mandatos del poder. Se hacen sus siervos y funcionarios. Pretenden que no les cabe ninguna responsabilidad porque toda la han desplazado hacia arriba. Cumplen con su deber desde la lógica de la formalidad del mandato dado o del tenor literal de la ley. Pueden ser rigurosos, hasta llegar al rigor de la muerte. La ley/instituciones y sus idólatras tienen poderosas razones para señorear sobre la vida y la muerte de los sometidos, sin que ni la vida ni la muerte le sean significativos como límites insuperables porque en última instancia les parecen circunstancias banales en comparación superioridad del poder/deber al que están sujetos. 9. Crítica desveladora: En la crítica de la ley, Jesús asu- me la posición del �mago sin magia�21. En un primer sentido de �mago�, como alguien que se sitúa a misma la altura de los administradores para conocer y desvelar las trampas con que operan para hacer pasar como magia la relación con la ley, en sus sentidos de producción de algo intocable, que genera una relación de �encantamiento� por su condición de maravillo- so/no natural-ordinario. En este sentido es un mago en nega- tivo o el reverso del mago. Pero, también por ello, en un se- gundo término, �sin magia�, la deconstrucción de los mitos de la ley y del poder, situándolos en un horizonte de finitud debido a la �infinitud� de los seres humanos (�sois dioses�, tamente (juicio de Jesús, p. e., Mt, 1-14) al cumplimiento rigorista de la ley aparentan no poder hacer otra cosa que servir a la ley/institución por encima de ninguna otra causa. 21 Tomo la expresión del libro de Mara Selvini Palazoli El mago sin magia. Cómo cambiar la situación paradójica del psicólogo en la escuela, Barcelona, 1996, aun dándole a ello otros sentidos. FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 87Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Jn 10, 34®Sal 82, 6), se realiza �sin magia�.La relación con la ley y con el poder no es siempre victoriosa, no hay una omni- potencia del sujeto que se libra de los procesos de mala fini- tud. Se intenta reorientar hacia otros dinamismos funcionales a la vida de los sujetos, pero no siempre es posible porque no en todos los casos es tolerado o se consigue (cf. Jn, 8, 1-12). 2.2. Posición de Jesús frente la ley: el sujeto como señor de la ley Comencemos por la conocida afirmación de Jesús: �El Sábado es para el hombre y no el hombre para el Sábado�, que puede tomarse como punto de partida para mostrar una posición frente a cualquier ley o institución humana. Desde esta posición, la libertad del sujeto frente a la ley es anterior a la ley. No se puede fundar en ella, aunque se pueda hacer valer también la libertad desde la ley. La ley no le constituye como sujeto libre, sino que sólo puede reconocer a quien es capaz de libertad. Porque no es una criatura de la ley, puede trascender el punto de vista interno, aunque ésta no se lo permita expresamente. La posición de Jesús no se puede entender en primer término como la afirmación de unos derechos anteriores al derecho de las sociedades (reconducible al debate clásico iusnaturalismo/positivismo). Se trata de algo más modesto pero más radical. La persona tiene libertad y responsabilidad frente a la ley y su cumplimiento. Porque tiene estas facultades, podrá en su caso, como hacen algunas tradiciones de pensamiento, reivindicar el respeto a unos derechos determinados que pueden ser desconocidos por el poder. Pero esto no es lo primordial, ni tiene que darse en esos términos. Para reivindicar en su caso �derechos�, tiene que ser sujeto. Puede relacionarse con distancia crítica de los sistemas vigentes y cuestionarlos o denunciar disfunciones para las personas afectadas por esos sistemas. Puede incluso distanciarse críticamente de presuntos �derechos naturales anteriores a las leyes�, cuando le obligan a ejercer la violencia 88 protectora de los mismos frente a las amenazas sociales y políticas. Busca afirmar su vida y la de todos. Su responsabilidad no es sólo ante el funcionamiento de la ley (Sistemas norma- tivos), sino también frente a sus propios derechos (sean lega- les, morales, naturales...). Disponer de un status, o de buenas razones para actuar no le justifica en último término frente a todo, es decir, no le constituye como irresponsable una vez que disponga de algún modo de justificación jurídica o mo- ral. Dicho en lenguaje veterotestamentario, porque es respon- sable, siempre le asaltaría una pregunta desestabilizadora: �¿dónde está tu hermano?�, a lo que no puede simplemente responder �¿soy yo acaso el guardián de mi hermano?�. Un sistema (social, personal...) que funciona con víctimas está siempre puesto cuestión y su justificación tiene los pies de barro. Dado un sistema normativo, la justificación puede pre- tenderse en función del mismo. Entonces, los ejecutores de la ley, se declaran inocentes: �Yo sólo cumplía la ley�. Aunque la cuestión de la subjetividad constituida por la atribución y reconocimiento de la ley es un asunto típica- mente tematizado en la teoría jurídica moderna, atraviesa tam- bién la perspectiva de Jesús. Cuando en el pórtico de Salo- món acude al Salmo 82 (�sois dioses�, y no debéis ser violen- tados por la práctica de la ley y del poder22), de algún modo está presente la cuestión, para romper el poder de atribución/ no atribución de subjetividad jurídica23 en el reconocimiento de las necesidades. La discusión del pórtico, tiene como tras- 22 �Dios se levanta en la asamblea divina,/ en medio de los dioses juzga:/ ¿Hasta cuándo juzgaréis inicuamente,/ y haréis acepción de los impíos?/ juzgad a favor del débil y del huérfano,/ al humilde, al indigente haced justicia;/ al pobre libe- rad,/ de la mano de los impíos arrancadle!/ No saben ni comprenden; caminan en tinieblas,/ todos los cimientos de la tierra vacilan./ Yo había dicho: �¡Voso- tros, dioses sois,/ todos vosotros hijos del Altísimo!�. 23 En esta línea, el Salmo 112, nos dice: �Él levanta del polvo al desvalido,/ del estiércol hace subir a pobre/ para sentarle con los príncipes,/ con los príncipes de su pueblo�. FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 89Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI fondo la cuestión de la blasfemia contra Dios que los fariseos imputan a Jesús. Pero la blasfemia hay que entenderla en el contexto de la discusión sobre la ley. Jesús se reclama de fili- ación divina, pero con ello no reclama sino lo que es condici- ón de todos (�¿No está escrito en vuestra Ley: Yo he dicho: dioses sois?�, Jn 8, 34b). En la pretensión de Jesús, �uno de tantos�, era de filiación divina. Frente a esto, para los fariseos el Dios del cielo no se podía hacer terreno. Lo inasumible para los administradores de la ley, era que Dios dejara su tro- no (celestial), proyectándose en cada uno de lo seres huma- nos, con ello, no se podía seguir sosteniendo el yugo de la ley. Parecía que si Dios se hacía como uno cualquiera, la au- toridad de los administradores de la ley dejaba de estar �por encima�, pues el Dios que se abajó desmontó su apariencia de superioridad, haciéndolos también �uno de tantos�. La divinización de los seres humanos borra la supremacía de las jerarquías mundanas, y pone en pie de igualdad a los seres humanos con los príncipes, los jueces y las leyes, quienes tratan de alzarse sobre el resto y ocupar la posición del Altí- simo para someterlos gracias a su endiosamiento. Sintetizando la posición de Jesús frente a la ley, diría- mos que se trata de la afirmación del sujeto como señor de la ley y de la institución. En términos joánicos, podríamos de- cir que está en la ley sin ser de la ley: se trata de un señorío no despótico sobre la ley que busca enfrentar los dinamis- mos �mundanos�, es decir, destructivos de la vida de los se- res humanos. 2.3. Sujeto y teoría jurídica: la cuestión del sábado y la superación del universo de la ley En la teoría jurídica contemporánea las discusiones sobre la ley giran sobre todo a partir de las posibles relaciones, conflictos, o en su caso de la posible identidad, entre dos dimensiones fundamentales: de un lado, la validez de la ley; y del otro, la legitimidad o justicia de la ley. Las discusiones 90 entre las diversas posiciones del positivismo jurídico y las diversas posiciones iusnaturalistas, recaen fundamentalmente en torno al par validez/legitimidad de la ley. Las dimensiones fundamentales de la ley son esas24, y sobre ellas debe girar el universo de la ley. Este universo autocentrado en la modernidad, en última instancia se pretende que reposa en sí mismo. Los seres humanos y las sociedades son vistos como piezas de ese mundo que los totaliza, al igual que la naturaleza externa. Sin embargo, hay otras discusiones sobre las dimensio- nes de la ley que puede tener su proyección en la teoría jurí- dica, por parte de algunos autores que tratan de pensar críti- camente los fenómenos jurídicos desde el contexto latinoa- mericano en las últimas décadas, y que introducen nuevos elementos analíticos y conceptuales que permiten, a mi jui- cio, ampliar la discusión sobre las dimensiones de la ley, y con ello, dar paso a una reconceptualización crítica y políti- ca de la ley. Es el caso, por ejemplo de Franz Hinkelammert, Enrique Dussel o Ignacio Ellacuría. En este momento, sim- plemente trataremos de plantear, a partir del primero de es- tos autores, un problema bosquejado en su libro El grito del sujeto. Si tomamos en serio la afirmación de Jesús frente a los fariseos en el contexto de su crítica a la ley, habría que reformular la teoría jurídica común, porque desde ella no puede ser inteligible: �¿No es Moisés el que os dio la Ley? Y ninguno de vosotros cumple la Ley� (Jn, 7, 19). 24 Otros aspectos materiales de esas dos dimensiones pueden ser considerados como manifestaciones empíricas de éstas, y en este sentido como algo derivado de ellas, aunque no en un sentido causal sino como sus supuestos. Juntoa la legitimidad, estarían los procesos de legitimación del derecho, y junto a la vali- dez, están los procesos de eficacia material de las normas, lo que en última instancia dotaría de existencia a las normas (aunque esa existencia tuviera su primera instancia en otro �lugar�). FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 91Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Los fariseos se decían fieles servidores de la ley, por tanto reconocían su �validez� y la acataban y cumplían. También defendían la santidad y la justicia de la Ley de Moisés, hoy diríamos que para ellos era una ley absolutamente �legítima�. Éstos imputaban a Jesús, su violación, haber roto la validez de la ley del Sábado por haber curado a un hombre en Sábado. También el haber tratado de deslegitimarla. Sin embargo, Jesús pretende a su vez ser auténtico cumplidor de la ley de Moisés, la cual la consideraría, por decirlo con nuestros términos, �válida� y �legítima�. Es más, él se presenta no como quien pretende abolir la ley, sino como su cumplidor y �perfeccionador�. Aquí no hay en primer término un problema de reforma del Derecho, es decir, de la diacronía de la ley, el de una ley mejor que sustituya a la previa con contenidos más emancipadores; sino de sincronía de la ley, no de cambios de leyes sino de habérselas con las leyes en ese momento existentes que están operando ya y sometiendo el mundo de las interacciones humanas. Ello implica, que hay un conflicto de fondo entre dos visiones del Derecho, entre dos �teorías�, no elaboradas, pero sí presentes de alguna manera en sus juicios. Jesús transgrede la ley de Sábado, y viola su tenor lite- ral y la interpretación que de la misma hacen sus administra- dores. Pero sin embargo, Jesús violando esta ley, no se reputa a sí mismo ni como delincuente, ni como hoy podríamos pen- sar �desobediente civil� (quien viola una ley injusta a sabien- das y públicamente para que en el futuro esa ley sea derogada y cambiada por otra que incorpore los aspectos reivindica- dos). Sin embargo, los que guardan su validez y legitimidad son sus incumplidores. Él se entiende a sí mismo como su perfeccionador. Pero para ello, establece el juicio de reflexi- vidad sobre la ley, que supone un discernimiento para otro tipo de cumplimiento. Para ello, rompe el universo autopoié- tico de la ley, descentrándolo a favor del universo de los se- res humanos concretos y del pueblo. Para poder �cumplir� 92 en un sentido nuevo, no en un cumplimiento literal, ritual y mortal de la ley es necesaria otra relación con la ley, donde la ley no sea un ídolo violento sino un instrumento al servicio de aquellos. Como señala Hinkelammert en este contexto, �la ley es para la vida, en consecuencia hay que suspenderla para que sirva la vida�25. Ahora bien, insistimos en que esta suspensión no supone para Jesús una pretensión de anulación o de derogación formal, en suma de cuestionamiento de su validez, ni tampoco de su legitimidad. Ello implica, para no ser autocontradictorio en su posición, otra idea de validez, y otra idea de legitimidad. Si teorizamos esta perspectiva, diríamos que hay dos dimensiones de la ley no presentes en la teoría hegemónica, que podríamos denominar, una primera de �factibilidad social�, y una segunda de �factibilidad personal�. Jesús interpela la aplicación de la ley que supone un yugo insoportable para el pueblo. Para Jesús no puede haber un cumplimiento de la ley que respete a los seres humanos, si es a costa del malestar y de la vida del pueblo en el que opera. Hoy podríamos ver ese juicio de factibilidad social26, por ejemplo, con respecto al cumplimiento de las leyes que obligan al pago de las deudas externas. Pero también, asume el punto de vista de la �factibilidad personal�. Aunque sólo sea un ser humano particular el sometido, y por tanto su vida sea impedida con ocasión de la ley, esta debe ser suspendida. Jesús cura a un enfermo en Sábado transgrediendo esa ley pero pretendiendo que con ello le hace su auténtico recono- 25 Ib., p. 36. 26 La estabilidad y subsistencia, es decir, la factibilidad de un sistema político está también tensionada, condicionada y posibilitada en su caso por la propia facti- bilidad del conjunto social. La factibilidad social no se plantea con ello como a- política. Pero dicho sea de paso, tampoco la factibilidad personal está ajena al campo de la factibilidad política, pudiendo, en ocasiones cuestionar un sacrifi- cio personal la aceptación de una instancia política. FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 93Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI cimiento (a la ley) como posible instrumento de humanizaci- ón. Ahora bien, para que la visión de Jesús sea consistente, estos otros momentos o dimensiones de la ley que surgen a partir del discernimiento y por tanto de la relación libre fren- te a la ley, y partiendo de su propio juicio (y continuando esa lógica implícita en la situación práctica descrita), tienen que estar integrados sistemáticamente unos con otros. Podríamos considerar desde esta perspectiva: 1Validez→ 2Legitimidad→ 3Factibilidad social→ 4Factibilidad personal27 En este contexto, desde el juicio de reflexividad unos niveles perfeccionan a los anteriores, sin derogarlos sino integrándolos en una unidad más compleja, en un universo plural anclado en un horizonte a servicio de los seres humanos. No se trata por ello, meramente de una apelación al sentido de la ley, aunque lo incluye (lo cual podría entenderse como una interpretación teleológica), o del reconocimiento de un principio jurídico que cambie el sentido de la aplicación de una norma (principios jurídicos vs. normas), ni de un juicio moral externo al derecho que lo desacredita y propugna por su sustitución, sino en última instancia de tomar las leyes como supeditadas al proceso de reproducción de la sociedad y de sus integrantes; y por ello que el juicio de validez y en su caso de legitimidad, integre los otros momentos de factibilidad social y personal. Si se toman como niveles integrables, entonces surge otra idea de validez donde ésta se �perfecciona� desde el ni- vel 2, 3 y 428. Si la ley se aplica sólo desde los niveles 1 y 2, 27 Podríamos hablar en este contexto de una quinta dimensión de �factibilidad ecológica� resultante de un sistema jurídico y social, pero dejamos esto por ahora a un lado en aras de la brevedad. 28 Desde la perspectiva contraria, pueden darse a su vez esquemas de la legalidad que prescindan de una o varias dimensiones. Por ejemplo, desde el esquema de legalidad que postula el realismo político (por ejemplo, en Caifás), se prescinde del nivel de factibilidad personal para pretender asegurar la factibilidad social y la continuidad de la ley y la institución (�Conviene que un hombre muera 94 pueden ocasionar el fracaso de la vida colectiva y personal. Dada una ley vigente y legítima, como las que obligan al pago de las deudas, si no se toman en consideración los niveles 3 y 4, ésta deja de �servir�. El grado de bien común habría que considerarlo en relación a la integración de los niveles 3 y 4 en el universo legal-institucional que pretende girar exclusi- vamente alrededor de los niveles 1 y 2. O dicho de otra ma- nera, el centro de gravedad de una sociedad en donde reinara el bien común, como bien de todos y del todo, se asienta so- bre la potenciación de la factibilidad social y personal que aspira a la utopía de una sociedad en la que quepan todos, y tengan vida en abundancia. Si los niveles están desintegrados se da lugar a diversas formas de despotismos y de totalitarismos. El desarrollo de todo ello llevaría lejos, pues son muchos los planteamientos habituales que se problematizan. El camino no ha hecho sino comenzar. Por otra parte, es necesaria la delimitación del dis- cernimiento de la ley que lleva a postular otras dimensiones necesarias de los sistemas normativos vigentes, respecto de categorías y cuestiones afines e interconectadas, aunque no reconducibles a mi juicio al mismo, comoson la objeción de conciencia, la desobediencia civil/insumisión, la interpreta- ción teleológica, la moralización del derecho, el estado de necesidad, entre otras. A continuación se proponen dos figuras. La primera (figura 1) en lo que no sería el modelo desde la perspectiva propuesta. La segunda (figura 2) sí trata de expresar gráfica- mente la misma. Como metáforas visuales no pueden ser sino instrumentos aproximativos y no representaciones aca- badas. para que el pueblo viva�). Un sistema de legalidad como el nazi, se desentiende de la factibilidad personal, social y de la legitimidad (o la subsume en la vali- dez). FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 95Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI N.4 Nivel 3 Nivel 2 Nivel 1 Figura 129: Representación de lo que no sería una concepción compleja e integrada, sino como niveles superpuestos. N.1 Nivel 2 Nivel 3 Nivel 4 Nivel 5 Figura 2: Nivel 1: Validez-existencia; Nivel 2: Legitimidad- legitimación; nivel 3: Factibilidad social; nivel 4: Factibilidad personal; nivel 5: Factibilidad ecológica. 29 Los diversos tipos de desintegración podrían representarse cada uno. La figura 1, p. ej. valdría para expresar no sólo la desintegración entre niveles sino por ejemplo el despotismo individual que no busca un lugar para todos sino a costa de todos. 96 Los niveles 4 y 3 (y 2) participan todos del nivel 1, pero este nivel de la validez, en parte, puede excluir los otros ni- veles. Mientras mayor es la exclusión, mayores serían las di- ficultades en orden a su subsistencia. El universo de la ley hegemónico es descentrado a favor de los sujetos que se eri- gen en centro de la estabilidad del sistema legal, integrados a su vez, en un circuito natural, y por tanto dependientes a su vez de la factibilidad ecológica del conjunto del sistema de acciones y orientaciones normativas de la sociedad. Un siste- ma legal puede funcionar produciendo casualties personales (n.4), subsistiendo el sistema social donde se desarrolla el sistema legal. En ese supuesto el sistema legal tiene elemen- tos de irracionalidad (sin sentido) y de no factibilidad para las víctimas del mismo y para quienes son capaces de verlas. Si el desenvolvimiento y cumplimiento de un sistema legal pone en crisis las estructuras de mantenimiento y reproduc- ción del conjunto social, podemos decir que se trata de un orden inestable, abocado a su propio fracaso (por ejemplo, sistema nazi), incluyendo el propio sistema político. Si un sistema legal no tiene en cuenta de modo suficiente la nece- sidad de legitimación y de la legitimidad de un sistema legal puede tener problemas eficacia. FRUTOS, Juan Antonio Senent de � Sujeto Libre Ante la Ley 97Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI 4 � PAZ, SEGURIDAD, DESARME, DESARROLLO Y DERECHOS HUMANOS Nicolás Angulo Sánchez 1. La �mundialización� o �globalización� La paz, la seguridad, el desarme y el desarrollo huma- no y sostenible (es decir, no cualquier tipo de desarrollo) bien pueden considerarse como derechos humanos, pues no fal- tan razones legitimadoras para ello. Ahora bien, deben con- frontarse al contexto histórico actual que suele denominarse como �mundialización� o �globalización�, predominantemen- te comercial y financiera, y en el que se desbordan las fronte- ras estatales. En realidad, esta globalización se limita en gran medida a una mundialización de los valores e intereses de los grandes grupos y fuerzas hegemónicos que dominan la producción y el mercado capitalistas1, en su versión más ul- traliberal (el denominado �neoliberalismo�), es decir, lejos de llevar a cabo políticas redistributivas de la riqueza a esca- la planetaria, tal y como se ha venido haciendo, con mayor o menor efectividad, en los denominados Estados sociales o de bienestar vigentes en los países capitalistas más industriali- zados tras la II Guerra Mundial, con el propósito de evitar conflictos o de resolverlos pacíficamente mediante la con- 1 A saber: los Estados más ricos e industrializados, encabezados por EE.UU. y su poderoso aparato militar, las instituciones financieras y comerciales internacionales (Fondo Monetario Internacional, Banco Mundial, y Organización Mundial del Comercio, principalmente), todos ellos bajo la tutela de hecho, por muy opaca que sea, de las grandes empresas y bancos transnacionales. 98 SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos certación social (política interna) o la diplomacia y la poten- ciación de organizaciones internacionales (política exterior), es decir, medidas de carácter político no represivas ni de ca- rácter bélico. Sin embargo, multitud de frentes bélicos han venido ocupando un lugar preponderante en el largo período deno- minado como �guerra fría� entre las dos superpotencias mili- tares (EE.UU. y URSS), que sucedió a la conflagración mun- dial mencionada, y que tuvo como campos de batalla princi- palmente los pueblos y territorios colonizados que luchaban precisamente por su descolonización e independencia2. Este belicismo se ha visto aún más agudizado e intensificado tras el final de la susodicha guerra fría3, merced a la implosión de la URSS, constituyendo dicho belicismo y la industria mili- tar subyacente la punta de lanza de una gran ofensiva por parte de la superpotencia militar restante (EE.UU.) y de su �nueva� ideología �globalizadora�: el �neo�liberalismo. Lo sucedido el 11 de septiembre de 2001 en EE.UU. y su hiper- mediatización han constituido un pretexto idóneo para faci- litar dicha ofensiva4. Las dificultades para incorporar a este 2 Corea, Vietnam, Argelia o Sudáfrica no fueron ni mucho menos lós únicos casos, pero pueden servir de ejemplo de las guerras nada �frías� que se entablaron frente a las potencias coloniales vencedoras en la II Guerra Mundial. 3 Los conflictos y guerras del Oriente Medio (Israel Palestina, Irak, Aganistán, �) no son más que los más �visibles�, pues hay otros muchos frentes abiertos, aunque �olvidados� (sobre todo en África, pero también en América Latina: Colombia) por parte de unos medios de comunicación asimismo dominados y controlados por las fuerzas hegemónicas mencionadas (vèase: Guerra global permanente. La nueva cultura de la inseguridad, José Angel Brandariz y Jaime Pastor (ed.), editorial Catarata, Madrid 2005. 4 Dicha hipermediatización resulta evidente si se compara con la repercusión que tuvieron eventos igualmente sangrientos, como fue, por ejemplo, el golpe militar efectuado precisamente un 11 de septiembre, el de 1973, en Chile contra un gobierno democrático, y que desencadenó una represión cuyo número de víctimas fue aún muy superior. Fue uno más de los muchos golpes y dictaduras militares subsiguientes de esas características apoyados por EE.UU. y sus aliados. Asimismo, Adolfo Pérez Esquivel (Premio Nobel de la paz en 1985), señala: �el día 11 de septiembre, cuando hubo ese ataque 99Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI tipo de mundialización-globalización una dimensión �soci- al� o �humana� son cada vez más patentes5 y los más perjudi- cados son, como de costumbre, los más vulnerables6. 2. Normas y declaraciones internacionales En la constitución original de la Organización Interna- cional del Trabajo (OIT), creada en 1919, ante la secuela de desastres y calamidades causados por la recién terminada I Guerra Mundial y como fruto de la preocupación de la co- munidad internacional por crear condiciones para que la humanidad pudiera vivir en paz y seguridad, se señala que �una paz universal y permanente sólo puede basarse en la justicia social�. Estas preocupaciones y observaciones se hi- cieron de nuevo patentes cuando ya se anunciaba el fin de la II Guerra Mundial y ante un panorama no menos catastrófi- co, concretamente en la Conferencia de Filadelfia de 1944, de donde emanó la Declaración de Filadelfia, y en la que se terrorista en las Torres Gemelas en Nueva York, justamente en el mismo momento, la FAOpublica un informe que dice que ese día murieron más de 35.000 niños en el mundo de hambre, ningún diario habló de ello, Naciones Unidas no se reunió, ni el Consejo de Seguridad, no habló el secretario general y esto pasó desapercibido; pero todos los días mueren esa cantidad de niños en el mundo. Pero se invierten miles de millones de dólares para la destrucción y la muerte, en armamento, los traficantes de la muerte� (véase de dicho autor: El derecho a la paz, en la revista electrónica �Seguridad sostenible�, edición 10, 15 de febrero de 2003 (www.iigov.org). También Las facetas del neoliberalismo terrorista, de François Houtart, en �Alai-amlatina� (Agencia Latinoamericana de Información), 28 de enero de 2006 (http://alainet.org). 5 Véase La asociación global para el desarrollo y su relación con la Ronda de Doha, de Juan Pablo Prado Lallande y María Cristina Rosas, en �Revista española de desarrollo y cooperación�, num. 17, invierno 2005. Asimismo, Ronda de Doha: expectativas y frustraciones de los países en desarrollo, de Carlos M. Correa, en la revista �Gloobal�, 9 de noviembre de 2006 (www.gloobal.info/iepala). También �Revista del Sur� n.º 168, nov/dic 2006, dedicado asimismo al estado actual de la Ronda de Doha de la OMC. 6 Véase Infancia y conflictos bélicos, de Carlos Taibo, en �LaRepública.es�, 4 de octubre de 2006 (www.larepublica.es). 100 decidió revitalizar los principios de la OIT, considerando di- cha paz y justicia social como objetivos primordiales, así como las condiciones y medidas para lograrlas: �el cumplimiento de los objetivos enunciados en esta Decla- ración (paz universal y permanente basada sobre la justicia social), puede obtenerse mediante una acción eficaz en el ámbito internacional y nacional, que incluya medidas para aumentar la producción y el consumo, evitar fluctuaciones económicas graves, realizar el progreso económico y social de las regiones menos desarrolladas, asegurar mayor estabi- lidad de los precios mundiales de materias primas y produc- tos alimenticios básicos y fomentar un comercio internacio- nal de considerable y constante volumen�.7 Asimismo, en el Preámbulo de la Carta de las Naciones Unidas, los pueblos de las Naciones Unidas manifestaron estar resueltos: �a unir nuestras fuerzas para el mantenimiento de la paz y seguridad internacionales, a asegurar, mediante la aceptaci- ón de principios y la adopción de métodos, que no se usará la fuerza armada sino en servicio del interés común, y a em- plear un mecanismo internacional para promover el progre- so económico y social de todos los pueblos�. Los propósitos de los pueblos que deciden formar parte de las Naciones Unidas se exponen en el artículo 1 y en sín- tesis son: � mantener la paz y la seguridad internacionales; � fomentar entre las naciones relaciones de amistad basadas en el respeto de los principios de igualdad de dere- chos y de libre determinación; � cooperar en la solución de los problemas internacio- nales de carácter económico, social, cultural y humanitario y en el estímulo del respeto a los derechos humanos y las liber- tades fundamentales. 7 Véase el párrafo IV de la Declaración de Filadelfia de 1944. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 101Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI � servir de centro que armonice los esfuerzos de las naciones por alcanzar estos propósitos comunes; De esto se deduce que, según dicha Carta, la paz y la seguridad internacionales sólo serán posibles en un contexto de estabilidad y bienestar generalizados. Poco despúes, con el propósito de dar contenido a dicha estabilidad y bienestar, se redactó la Declaración Universal de los Derechos Huma- nos (DUDH), en la que se enumeran una serie de derechos considerados de valor universal y que deben ser respetados por todos. Dichos derechos constituyen la base de la liber- tad, la justicia y la paz en el mundo. Es decir, la paz debe ser una paz justa, en la que los conflictos y controversias se resu- elvan mediante procedimientos pacíficos y equitativos, no una paz impuesta basada en la represión y en la imposición por la fuerza de determinados intereses y privilegios elitis- tas, tanto a escala nacional como internacional, camuflados bajo eufemismos del estilo de �la seguridad nacional e inter- nacional�, �el orden público�, �la lucha contra la subversión o el comunismo� y, más recientemente, �la lucha contra el terrorismo�. Una paz sin respeto de los derechos humanos y de las libertades fundamentales e impuesta mediante la agre- sión militar no es paz, sino una muestra de la violencia ejer- cida desde una situación de dominación para silenciar a los opositores y disidentes, tanto a escala nacional como inter- nacional. La I Conferencia Internacional de los Derechos Huma- nos se celebró en Teherán en 1968 y en ella se aprobó la �Pro- clamación de Teherán�, donde se puso de relieve la estrecha relación entre la paz y los derechos humanos. En su preám- bulo se considera que la paz y la justicia resultan indispensa- bles para lograr la efectividad de los derechos humanos y de las libertades fundamentales8. La Declaración de la Asam- 8 Asimismo, en su apartado 11 se señala que la violación de los derechos humanos pone en peligro los fundamentos de la libertad, de la justicia y de la paz en el mundo. 102 blea General de las Naciones Unidas relativa al Derecho de los Pueblos a la Paz, adoptada mediante la Resolución 39/11, de 12 de noviembre de 1984, resulta ser una de las declara- ciones más breves de las Naciones Unidas y en ella se su- braya el estrecho vínculo entre la paz y los derechos huma- nos, constituyendo un precedente relevante de la posterior Declaración sobre el Derecho al Desarrollo (DDD), adoptada el 4 de diciembre de 1986, mediante la Resolución 41/128. La DDD, por su parte, considera en su preámbulo que �la paz y la seguridad internacionales son elementos esenciales para la realización del derecho al desarrollo� y, por esta razón, dispone en su artículo 7 que: �Todos los Estados deben promover el establecimiento, man- tenimiento y fortalecimiento de la paz y la seguridad inter- nacionales y, con ese fin, deben hacer cuanto esté en su po- der por lograr el desarme general y completo bajo un control internacional eficaz, así como lograr que los recursos libera- dos con medidas efectivas de desarme se utilicen para el de- sarrollo global, en particular de los países en desarrollo�. Posteriormente, en la Consulta Global sobre el Derecho al Desarrollo, celebrada en Ginebra en 1989, se puso de ma- nifiesto que fortalecer la cooperación multilateral y facilitar el establecimiento de una sociedad internacional equitativa y equilibrada es del interés de todas las naciones (párrafo 55), dado que las desigualdades dentro y entre las naciones origi- nan numerosos conflictos y tensiones (párrafo 52). A este respecto, las Naciones Unidas tienen una especial responsa- bilidad, pues su Carta fundacional establece claramente el estrecho vínculo entre la paz y la seguridad, por un lado, y el desarrollo económico y el progreso social, por otro. De ahí que la seguridad en el mundo no puede garantizarse sin unas relaciones económicas equilibradas, equitativas y justas en- tre los Estados (párrafo 56). Por estas razones, la paz, la segu- ridad, el desarrollo y los derechos humanos son interdepen- dientes: la realización de los derechos humanos a través de SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 103Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI un proceso de desarrollo resulta crucial para la estabilidad nacional y la promoción de la paz y seguridad internaciona- les (párrafo 159). De nuevo, el relevante papel que desempeña el sistema de las Naciones Unidas se destaca en la Declaración y Pro- grama de Acción de Viena de 1993, fruto de la II Conferencia Internacional de los Derechos Humanos, celebrada en dicha ciudad, al señalar que: �los esfuerzos del sistema de las Naciones Unidas por lograrel respeto universal y la observancia de los derechos huma- nos y las libertades fundamentales de todos contribuyen a la estabilidad y el bienestar necesarios para que haya relacio- nes de paz y amistad entre las naciones y para que mejoren las condiciones para la paz y la seguridad, así como para el desarrollo económico y social, de conformidad con la Carta de las Naciones Unidas� (párrafo I.6). Por lo tanto, es necesario generar un clima de paz y confianza entre las naciones del mundo, basado en un diálo- go permanente, respetuoso y constructivo, tanto bilateral como multilateral, mediante el cual dichas naciones puedan resolver pacíficamente sus controversias. Este clima de paz es de particular importancia ya que los conflictos armados suelen ser causa, tanto directa como indirectamente, de vio- laciones masivas de los derechos humanos9. Asimismo, los Estados, y en especial los más industrializados y poderosos militarmente, deben promover el establecimiento, manteni- miento y fortalecimiento de la paz y la seguridad internacio- nales, por lo que deben hacer todo lo posible por lograr el progresivo desarme bajo control internacional, con objeto de liberar recursos hacia la aplicación del derecho al desar- 9 Véase: Sobre la relación entre el desarrollo y el disfrute de todos los derechos humanos, reconociendo la importancia de crear condiciones en que todos puedan disfrutar de esos derechos, de Hubert W. Conroy, documento preparatorio para la Conferencia Mundial de Derechos Humanos de Viena de 1993, doc. A/CONF.157/PC/60/Add. 2, Nueva York 1993, párrafo 223. 104 rollo10. Asimismo, las sucesivas conferencias mundiales so- bre cuestiones relacionadas con los derechos humanos orga- nizadas por las Naciones Unidas han recalcado los estrechos lazos entre tres objetivos cruciales de la Carta de las Nacio- nes Unidas, a saber, la paz, el desarrollo y los derechos hu- manos. Así, por ejemplo, la Declaración sobre Desarrollo So- cial de Copenhague, fruto de la Conferencia Mundial sobre Desarrollo Social celebrada en dicha ciudad en 1995, por ejem- plo, considera de vital importancia: �apoyar el progreso y la seguridad de los seres humanos y de las comunidades, de modo que cada miembro de la sociedad pueda satisfacer sus necesidades humanas básicas y realizar su dignidad personal, su seguridad y su creatividad�11. El Programa de Desarrollo, adoptado por la Asamblea General de las Naciones Unidas el 20 de junio de 1997, mediante la Resolución 51/240, afirma claramente que la paz y el desarrollo están estrechamente relacionados entre sí y se apoyan mutuamente, y que sin desarrollo no puede haber paz ni seguridad (párrafo 3), de ahí que el Programa de De- sarrollo y el Programa de Paz resulten complementarios12. En efecto, no se puede alcanzar el desarrollo si no hay paz y seguridad y si no se respetan todos los derechos humanos y libertades fundamentales (párrafo 4). Además, advierte di- cho Programa que los gastos excesivos para fines militares, el comercio de armas y las inversiones destinadas a la produc- ción, adquisición y acumulación de armas van en detrimento de las perspectivas de desarrollo (párrafo 4), por lo que con- viene reducir estos gastos a fin de poder asignar más fondos al desarrollo económico y social (párrafo 71). 10 Véase la Resolución 52/136 de la Asamblea General de las Naciones Unidas, de 12 de diciembre de 1997 (A/RES/52/136, 3 de marzo de 1998). 11 Doc. A/CONF. 166/9, p. 12. 12 Ambos elaborados a iniciativa del ex-Secretario General de las Naciones Unidas, Sr. Boutros Boutros-Gali, y publicados por el Departamento de Información Pública, Naciones Unidas, Nueva York 1995. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 105Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Estos principios y propuestas, y esta manera de conce- bir e interpretar su estrecha conexión, se han seguido reite- rando hasta textos más recientes, como el informe presenta- do por el Secretario General de las Naciones Unidas, Sr. Kofi Annan, de cara al V aniversario de la Cumbre del Milenio y de la proclamación de los Objetivos de Desarrollo del Mile- nio (ODM) allí establecidos13, y en el documento final de la cumbre mundial celebrada en Nueva York del 14 al 16 de setiembre de 2005 con motivo de dicho aniversario: �Reconocemos que la paz y la seguridad, el desarrollo y los derechos humanos son los pilares del sistema de las Nacio- nes Unidas y los cimientos de la seguridad y el bienestar colectivos. Reconocemos que el desarrollo, la paz y la segu- ridad y los derechos humanos están vinculados entre sí y se refuerzan unos a otros�.14 3. La pobreza supone la negación del derecho al desarrollo Existe una estrecha y recíproca relación entre la reduc- ción de la pobreza, el desarrollo y los derechos humanos, pues el desarrollo consiste en la realización de los derechos humanos y, por consiguiente, en la progresiva reducción de la pobreza. El desarrollo humano debe estar centrado en los pueblos y en los individuos que los conforman, y tiene como objetivos la mejora de su bienestar y el respeto de su digni- dad e identidad. Por esta razón, la pobreza constituye, en la medida en que supone la antítesis del desarrollo social, una brutal y violenta negación de todos los derechos humanos, que limita sustancialmente el alcance de las libertades públi- 13 Véase el informe Un concepto más amplio de libertad: desarrollo, seguridad y derechos humanos para todos, donde se afirma que �no tendremos desarrollo sin seguridad, no tendremos seguridad sin desarrollo y no tendremos ni seguridad ni desarrollo si no se respetan los derechos humanos� (doc. A/59/2005, párrafo 17). 14 Véase doc. A/RES/60/1, párrafo 9. 106 cas de los más pobres, privando a éstos y a las comunidades a las que pertenecen de los bienes necesarios para vivir dig- namente. Al igual que el desarrollo humano y sostenible, la po- breza posee un carácter multidimensional y complejo al im- plicar elementos materiales, como el hambre, la malnutrici- ón, la falta de seguridad alimentaria, la falta de agua potable y para la higiene personal, los problemas de salud ligados a enfermedades fácilmente curables con las medicinas y cono- cimientos actuales, las viviendas precarias e insalubres, el desempleo y el subempleo, y la escasez de ingresos económi- cos, así como elementos inmateriales, como el analfabetis- mo, el acceso restringido a centros de educación y a otros servicios públicos, la exclusión y la marginación social, la violencia y, en definitiva, la falta de perspectivas y de espe- ranzas de que la situación mejore, que empuja a la desespe- ración15. Asimismo, la pobreza implica una importante limi- tación de los derechos de participación política al limitar la capacidad de expresión de las necesidades e intereses en la vida pública. Por este motivo, cabe cuestionarse qué signifi- ca la libertad para quien no tiene suficiente para comer e in- cluso se muere de hambre, pues los derechos humanos y del ciudadano carecen de sentido para aquellos hombres que vegetan en el hambre, la enfermedad y la ignorancia16. La carencia de bienes esenciales para vivir dignamente y la exclusión de la vida económica, política, social y cultu- ral no son problemas exclusivos de los países más pobres, pues también en los países más ricos e industrializados mu- cha gente no puede satisfacer sus necesidades básicas, caso 15 La II Conferencia Mundial sobre Derechos Humanos, celebrada en Viena en el año 1993, denunció que �la generalización de la pobreza extrema impide el pleno y eficaz disfrute de los derechos humanos� (párrafo I.14). 16 Véase Kéba M�Baye: Le droit au développement comme un droit de l�homme, en �Revue des droits de l�homme�, vol. V - 1, ed. Pédone, Paris, 1972, p. 524. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 107Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI por ejemplo de EE.UU., donde pasan hambre 30 millones de personas, entre ellos 13 millones de niños menoresde 12 años17. En este país se calcula en 38 millones el número de personas que sobreviven por debajo del umbral de pobre- za y en el conjunto de los países más industrializados se cal- cula que más de cien millones de personas viven por debajo de dicho umbral. Estas cifras no sólo no están disminuyen- do, sino que su tendencia es al alza, al igual que la desigual- dad económica y social en el resto del mundo18. La catástrofe causada por el ciclón Katrina en el Sur de EE.UU. puso al descubierto hasta qué punto este superestado está afectado por la pobreza y la desigualdad, a pesar del empeño de los grandes medios de comunicación en ocultar- lo. Es también significativo que en este país, fuertemente marcado por una violencia estructural en todos los ámbitos, la población reclusa alcance la cifra de 715 presos por cada 100.000 habitantes (cifra casi cinco veces superior a la de España, que es una de las más altas de la Unión Europea)19, los cuales, al igual que gran parte de los condenados a muer- te, son en su mayoría pobres con insuficientes recursos para costear debidamente una asistencia jurídica adecuada que haga frente a multitud de irregularidades procesales. El Banco Mundial (BM) establece en un dólar diario el umbral de la denominada �pobreza extrema�, lo cual no deja de ser arbitrario, puesto que el dólar es una moneda de un país industrializado y su valor monetario no sólo no equivale a la misma cantidad de bienes en los diferentes lugares del planeta, sino que la disparidad puede ser muy elevada. Así pues, establecer en un dólar diario el umbral de la pobreza extrema permite ocultar que también existe este tipo de po- 17 Véase informe sobre desarrollo humano del Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo Humano (PNUD) correspondiente al año 1998. 18 Véase informe sobre desarrollo humano del PNUD correspondiente al año 2006 (http://firgoa.usc.es/drupal/node/32602). 19 Véase el diario �El País�, de 24 de octubre de 2005, p. 25. 108 breza en los países que se presumen más �desarrollados�. En cualquier caso, si tomamos ese dólar como referencia a título orientativo, aun con todas sus imprecisiones, se calcula actu- almente entre 1.200 y 1.300 millones los seres humanos a lo ancho del planeta que viven (malviven) con menos de dicho dólar diario20. Esto supone que uno de cada cuatro o cinco seres humanos vive en condiciones de �pobreza extrema� y con escasas perspectivas de que su situación cambie a corto plazo, dado que el número de personas que viven en tales condiciones no está disminuyendo. Una característica relevante de este fenómeno es su fe- minización, es decir, la pobreza incide con más intensidad en las mujeres, pues se estima que el 70% de personas que viven en condiciones de pobreza extrema en todo el mundo son mujeres. Es más, sólo perciben una décima parte de los beneficios y poseen solamente una décima parte de los dere- chos de propiedad21. Ello se debe, entre otras cosas, a los gran- des obstáculos que encuentran las mujeres en su emancipa- ción a causa de determinadas leyes locales profundamente arraigadas en tradiciones culturales y costumbres sociales, de las que los agentes de la economía de mercado capitalista, principalmente las empresas transnacionales, no dudan en aprovecharse para incrementar la sobreexplotación laboral y así obtener mayores beneficios con menor coste22. 20 Véase el informe sobre desarrollo humano del PNUD del año 2000, p. 4. Asimismo, Francine MESTRUM: Mondialisation et pauvreté , ed. L�Harmattan, Paris 2002, p. 59. También El sentido de la �lucha contra la pobreza� para el neoliberalismo, de François Houtart (http://firgoa.usc.es/ drupal/node/23910). 21 Véase Human Rights today. A United Nations priority, en �UN Briefing Papers�, New York, octubre de 1998, p. 22. 22 Es el caso de las denominadas �maquilas� en América Latina, que también existen en gran número en países del este asiático, es decir, los denominados �tigres� y �dragones� asiáticos en los decenios ochenta y noventa del pasado siglo hasta la crisis de 1997, la cual puso en evidencia la fragilidad de su �modélico� modelo de producción, valga la redundancia, según las empresas transnacionales y los Estados más industrializados, quienes tampoco paran mientes en �detalles� como la explotación de mano de obra infantil. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 109Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Algunas de las principales dificultades de los países del tercer mundo se refieren a la enorme carga de la deuda externa, el deterioro de la relación de intercambio comercial, la disminución de la Ayuda Oficial al Desarrollo (AOD) y la escasez de corrientes de capital privado y de recursos huma- nos hacia dichos países. Asimismo, llama la atención sobre la difícil situación del continente africano, donde la pobreza alcanza niveles particularmente graves: �Gran parte del continente se ve afectada, entre otras cosas, por una infraestructura física e institucional deficiente, es- caso desarrollo de los recursos humanos, falta de seguridad alimentaria, malnutrición, hambruna, epidemias, enferme- dades generalizadas, desempleo y subempleo. A todo ello se suman diversos conflictos y desastres. Estas variadas limita- ciones y restricciones hacen que sea difícil para África bene- ficiarse plenamente de los procesos de mundialización y de liberalización del comercio e integrarse plenamente en la economía mundial� (párrafo 17)23. Por este motivo, �la críti- ca situación de África y de los países menos avanzados exige que se asigne prioridad a esos países en la cooperación inter- nacional para el desarrollo y en la asignación de la Asisten- cia Oficial para el Desarrollo� (párrafo 185). Esta lamentable situación empuja a muchos jóvenes africanos a intentar desesperadamente emigrar a Europa u otros países industrializados, muriendo muchos de ellos en el empeño, o siendo maltratados y malheridos, al intentar atravesar unas fronteras cada vez más difíciles de franquear, y que convierten a los Estados más ricos e industrializados en una especie de fortalezas inaccesibles, contradiciendo abiertamente su reiterada autoproclamación de �libres�. 23 Véase Programa de Desarrollo de 1997, adoptado por la Asamblea General de las Naciones Unidas mediante la Resolución 51/240, de 20 de junio de 1997. 110 4. La pobreza no consiste solamente en la escasez de ingresos La pobreza es la negación de los derechos humanos y la libertad, sin el respeto y cumplimiento de los derechos eco- nómicos, sociales y culturales, es mera ilusión24. Una cum- bre particularmente relevante fue la Conferencia Mundial sobre Desarrollo Social, celebrada en Copenhague en 1995, a cuyo término se aprobó la Declaración sobre Desarrollo Soci- al, donde se plantea como objetivo primordial de la comuni- dad internacional la erradicación de la pobreza, en tanto que imperativo ético, social, político y económico de la humani- dad25. La pobreza se caracteriza como un problema complejo y multidimensional que requiere un enfoque intersectorial e integrado, al igual que el desarrollo humano y sostenible. Al fin y al cabo, la pobreza es consecuencia de la negación del desarrollo y, por lo tanto, de los derechos humanos, inclui- dos los derechos económicos, sociales y culturales. Uno de los aspectos relevantes de la pobreza se manifi- esta, según lo expresado en la citada Cumbre, a través de la falta de participación de los grupos e individuos más vulnera- bles en la adopción de decisiones en la vida civil, social y cul- tural. Ello se debe a que la pobreza constituye un importante hándicap para la comunicación y el acceso a las instituciones, los mercados, el empleo y los servicios públicos, lo cual facili- ta que estos sectores de población sean olvidados y margina- dos por los encargados de elaborar y decidir políticas. Ade- más, se considera que la satisfacción de las necesidades bási- cas es esencial para reducir la pobreza, y para que esto sea posible se insiste en lanecesidad de crear empleo digno26. 24 Véase �The Realization on the Right to Development. Global Consultation on the Right to Development as a Human Right�, celebrada en Ginebra en 1989, párrafo 108. 25 Declaración sobre Desarrollo Social de Copenhague, 1995, Doc.A/CONF.166/ 9, p. 48. 26 Ibíd. p. 66. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 111Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Asimismo, desde hace tiempo, son muchos los autores y expertos que denuncian que �el deterioro de las actuales formas de intercambio prosigue su tarea de pauperización internacional�27, y que por este motivo, es más realista hablar de países subdesarrollados y no en vías de desarrollo, dado que los hechos muestran que más bien se encuentran en vías del subdesarrollo, y que más propiamente podríamos hablar del �desarrollo del subdesarrollo�, o del �subdesarrollo del desarrollo� en el denominado tercer mundo28. La pobreza, como carencia de medios para producir y reproducir la vida con un mínimo de dignidad, tiene su origen en situaciones y estructuras económicas sociales y políticas que hacen funci- onar a nivel internacional mecanismos que generan ricos cada vez más ricos y pobres cada vez más pobres29. Otro aspecto fundamental para entender y definir la pobreza consiste en lo que se denomina como componente relacional, el cual es un factor que suele ser obviado por los autores de ideología liberal. Dicho componente relacional está estrechamente vinculado con el sentimiento de dignidad y de autoestima respecto de sí mismo, el cual es un aspecto que los propios pobres suelen recalcar con notoriedad a la hora de definir y de describir por sí mismos en qué consiste la pobreza y qué es lo que les hace sentirse pobres. En este sentido, la pobreza posee no sólo una dimensión que se refi- ere a los ingresos, en la que se define a los pobres como qui- enes viven por debajo de un determinado nivel de ingresos o de consumo, sino que también posee una dimensión que se refiere a la dificultad de acceso a los recursos necesarios para desarrollar plenamente sus capacidades. Es decir, la pobreza no se reduce a una mera falta de ingresos económicos, sino 27 Véase K. M�Baye, op. cit., p. 533. 28 Véase André Gunder Frank: El subdesarrollo del desarrollo. Un ensayo autobiográfico, ed. Iepala, Madrid 1992. 29 Véase Juan Álvarez Vita: Derecho al desarrollo, Instituto Interamericano de Derechos Humanos, ed. Cuzco, Lima 1988, p. 37. 112 también a una falta de desarrollo de las capacidades o facul- tades personales, debido a la privación o escasez de los me- dios y recursos necesarios para poder llevar a cabo dicho de- sarrollo. De este modo, la pobreza se traduce en una deficien- te calidad de vida, de seguridad y de autoestima personal. Así pues, la pobreza se subdivide en dos dimensiones: la eco- nómica, ligada a la escasez de ingresos para satisfacer sus necesidades básicas, y la social, que se vincula con la margi- nación y la exclusión social, y donde el aspecto relacional mencionado adquiere mayor relieve, especialmente en los países más ricos e industrializados30. Este último guarda, asi- mismo, una estrecha relación con el grado de desigualdad económica y social en el seno de una comunidad, y es lo que hace que los habitantes de Harlem (distrito de Nueva York), o de cualquier otro �ghetto� de pobres y marginados en las gran- des metrópolis, se sientan más pobres, aunque su nivel de ingresos y de consumo sea mucho mayor, que los habitantes de países del tercer mundo. 5. Medidas que deberían aplicarse Una de las medidas reseñables se refiere al respaldo de la denominada �Iniciativa 20/20�, adoptada por varias agen- cias y programas de las Naciones Unidas (PNUD, UNESCO, FNUAP, UNICEF y OMS), que consiste en hacer un llamami- ento a todos los Estados, ricos y pobres, para que asignen al menos un 20% de la Ayuda Oficial al Desarrollo (AOD) y un 20% de los presupuestos estatales a programas sociales bási- cos, es decir, a la provisión de servicios sociales básicos para todos, especialmente para los más desprotegidos31. En efecto, 30 Véase A. Bhalla, y F. Lapeyre: Social exclusion: towards an analytical and operational framework, en �Development and change�, Vol.28, World Bank Report. Citados en Comment se construit la pauvreté ?, en �Alternatives Sud�, Vol. VI (1999) 4, ed. CETRI L�Harmattan, Louvain la Neuve, Belgique, p. 9. 31 Resolución 2626 (XXV), de 24 de octubre de 1970, de la Asamblea General de las Naciones Unidas. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 113Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI hay que destacar la necesidad de disponer de servicios soci- ales básicos para todos, principalmente para los más pobres, lo cual constituye un elemento esencial en cualquier estrate- gia de lucha contra la pobreza. Estos servicios sociales deben comprender, por ejemplo, la alimentación suficiente, la aten- ción primaria de la salud, la educación básica, la salud de la reproducción y la planificación familiar, el abastecimiento de agua potable y el saneamiento en viviendas adecuadas, entre otros, por lo que toda estrategia de lucha contra la po- breza requiere, además, la colaboración conjunta de organis- mos como la Organización para la Agricultura y la Alimenta- ción (FAO), la Organización Mundial de la Salud (OMS), la Organización de las Naciones Unidas para la Educación y la Cultura (UNESCO) o la Organización de las Naciones Unidas para la Infancia (UNICEF), por ejemplo, los cuales se ocupan a escala planetaria de las cuestiones de la alimentación, de la salud, de la educación básica y de los niños, respectivamente. Además, deben tomarse medidas no sólo para �aliviar� sino incluso para anular enteramente la pesada carga de la deuda externa, dado que en muchos casos se trata de deuda ilegítima u odiosa, especialmente por parte de los acreedores del Club de París y de las instituciones financieras internaci- onales (Fondo Monetario Internacional y Banco Mundial)32. Estas medidas deberían ser acompañadas de la aplicación de políticas económicas y sociales apropiadas y el fomento de la capacidad técnica y de las infraestructuras física e institucio- nal necesarias para llevar a cabo estas políticas, así como dedicar al menos el 0,15% del PNB (20% del 0,7%) de los países donantes de Ayuda al Desarrollo a los países menos 32 Véase ¡Investiguemos la deuda!. Manual para realizar auditorías de la deuda del tercer mundo, de AAJ, ATTAC (Uruguay), CADTM, CETIM, COTMEC, Auditoria Cidadã da Dívida (Brasil), Emaús Internacional, EURODAD, Jubileo Sur, South Centre, ed. CETIM y CADTM, Ginebra 2006.; así como el libro colectivo Le Droit international, instrument de lutte ?, ed. CADTM (Bélgica) y Syllepse (Francia), 2005. 114 avanzados. En particular, deberían emprenderse medidas es- pecíficas para combatir las enfermedades que se cobran un elevado número de vidas humanas (SIDA, malaria, por ejem- plo) y para reducir los efectos desmesurados de los desastres y catástrofes naturales en estos países. También cabe mencionar los Objetivos de Desarrollo del Milenio, acordados en la Cumbre del Milenio de las Na- ciones Unidas, celebrada en Nueva York en septiembre del año 2000. En dichos objetivos los líderes mundiales (parti- ciparon en total 189 Estados) fijaron una serie de metas a lograr en plazos definidos y cuyo progreso hacia su realizaci- ón fuera mensurable. Dichas metas y objetivos consisten bá- sicamente en la lucha contra la pobreza, el hambre, las enfer- medades endémicas, el analfabetismo, el deterioro del medio ambiente y la discriminación contra la mujer. Entre los obje- tivos citados figura el reducir a la mitad el número de perso- nas que subsisten con menos de un dólar diario para el año 2015. En la Cumbre sobre el Desarrollo Sostenible, cele- brada en Johannesburgo en el año 2002, se insistió particu- larmente en las metas encaminadas a reducir el número de personas que carecen de acceso a agua potable y desaneami- ento e higiene básico, entre otros. Sin embargo, son múlti- ples las voces que manifiestan abiertamente su pesimismo al respecto, en la medida en que no se están llevando a cabo profundas reformas en el proceso de globalización o mundi- alización económica imperante, que no hace sino ahondar más y más la desigualdad y la brecha entre ricos y pobres no sólo a escala mundial, sino también en el interior de cada país, incluidos los más ricos e industrializados33. 33 Véase el dossier Objetivos del milenio: misión imposible, en �Revista española de desarrollo y cooperación�, núm. 17, invierno 2005. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 115Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Las naciones unidas y su consejo de seguridad Dada la relevancia de las actividades en pro de la paz y la seguridad por parte del sistema de las Naciones Unidas, conviene precisar que su Carta fundacional considera el ar- reglo pacífico de controversias como una obligación de los Estados (artículos 2.3 y 33) y como una función de la Orga- nización de las Naciones Unidas (artículos 33 a 38), corres- pondiendo esta labor principalmente al Consejo de Seguri- dad. Son de destacar las operaciones de mantenimiento de la paz y de la seguridad internacionales (Capítulos VI y VII de la Carta) que consisten en el desplazamiento de contingentes militares a zonas en conflicto. A este respecto, se observa re- cientemente la tendencia a utilizar estas operaciones para asegurar el suministro de asistencia humanitaria en casos de catástrofes naturales o de conflictos bélicos. Respecto de es- tos últimos, debe tenerse en cuenta que la acción de las Naci- ones Unidas debe prolongarse durante la situación posterior al conflicto, debido a que las tareas de consolidación de la paz abarcan tanto medidas dirigidas a la prevención de con- flictos como medidas cuya aplicación se prevé una vez fina- lizado el conflicto. Estas tareas consisten, por ejemplo, en la desmilitarización de la zona, el control del armamento, las reformas institucionales y legislativas, la organización de un poder judicial independiente y efectivo y la asistencia al de- sarrollo, entre otras. La creciente demanda de este tipo de intervenciones explica la propuesta lanzada por el Secretario General de crear una Comisión de Consolidación de la Paz34 y recogida en el documento final de la cumbre mundial de se- tiembre de 200535. No obstante, la actuación de los contin- gentes militares enviados y financiados por las Naciones Unidas ha sido también objeto de frecuentes controversias, 34 Véase el informe Un concepto más amplio de libertad: desarrollo, seguridad y derechos humanos para todos, op. cit. (doc. A/59/2005), párrafos 114 a 119. 35 Véase doc. A/RES/60/1, op. cit., párrafos 97 a 105. 116 tanto por el modo en que se han utilizado dichas fuerzas como por la manera en que éstas han actuado, abundando los casos de corrupción, incluidos el tráfico ilegal de armas y de perso- nas. De hecho, la preocupación por estos hechos se manifiesta en este mismo documento (párrafo 96) y en el informe prepa- ratorio del Secretario General mencionado (párrafo 113). Por otro lado, dado el protagonismo del Consejo de Se- guridad sería conveniente su profunda reforma con miras a establecer mecanismos de control político y jurídico del po- der discrecional de este órgano, a través de la Asamblea Ge- neral y del Tribunal Internacional de Justicia, que garantiza- ran la conformidad de las actuaciones del Consejo con la Carta de las Naciones Unidas y con el derecho internacional. Asi- mismo, procede exigir una mayor democratización de dicho órgano para así reforzar su legitimidad. Esta democratización debería consistir en primer lugar en eliminar el derecho de veto a los cinco Estados que disponen de él y no a extender- lo, como mal menor, a otros Estados más o menos representa- tivos del tercer mundo. Sin embargo, los Estados con privile- gio de veto no parecen estar dispuestos en absoluto a renun- ciar a tal privilegio, lo cual constituye uno de los principales factores de inestabilidad que contribuyen a la progresiva de- gradación de las actuales relaciones internacionales, junto con la voluntad deliberada de dichos Estados de ignorar este ór- gano si no se aceptan sus puntos de vista. La agresión y posterior ocupación militar de Iraq, co- menzada en 2003, bajo el pretexto de �liberar� a los iraquíes de la tiranía de Saddam Hussein o de su supuesta posesión de armas de destrucción masiva constituye todo un ejemplo de arbitrariedad por parte de algunos de los Estados miem- bros con derecho de veto en el Consejo de Seguridad, puesto que no solo no contó con la autorización formal de dicho Consejo (la intervención de la OTAN en Yugoslavia, tampo- co), único órgano legal y legítimo en condiciones de hacerlo, sino que además EE.UU. tuvo la desfachatez de declarar for- SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 117Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI malmente el fin de las hostilidades en mayo de 2003: ¿se trata entonces de una guerra no declarada?, ¿esto es así para no tener que reconocer a los prisioneros de guerra como tales y tratar de eludir los convenios internacionales de derecho humanitario al respecto, entre otros la prohibición de la tor- tura y de las cárceles clandestinas? No obstante, la Organización de las Naciones Unidas (ONU) sigue siendo necesaria y el mejor instrumento de los existentes para lograr la paz y la seguridad internacionales en la actualidad, dado que continúa siendo la organización más representantiva de la legalidad y de la comunidad inter- nacionales, y sus principios son los del derecho internacio- nal que regula las relaciones internacionales, conforme a su Carta fundacional, aunque tenga serias dificultades en hacer efectivo este conjunto de normas y principios, en particular respecto de las grandes potencias militares. Pero la responsa- bilidad por esta inefectividad no debe achacarse a la ONU como tal, sino precisamente a dichas potencias militares no sólo por no subordinar el uso de su fuerza a las normas y principios mencionados, sino incluso por actuar deliberada- mente en su contra36. 7. El desarme Asimismo, respecto del desarme, son los Estados con derecho de veto en el Consejo de Seguridad quienes consti- tuyen los principales obstáculos para hacerlo efectivo. En efecto, las fuerzas y armamentos militares se encuentran muy desigualmente repartidos en el mundo actual y son las gran- des potencias militares, lideradas por los cinco Estados con derecho a veto en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas, las principalmente responsables del lamentable es- tado de la situación, y quienes más deberían hacer en pro del 36 Véase: ONU. Droits pour tous ou loi du plus fort ?, ed. CETIM (Centre Europe Tiers Monde), Ginebra 2005. 118 desarme. Pero los estrechos vínculos entre los dirigentes gu- bernamentales y militares de dichas potencias con la indus- tria del armamento, dado que son los principales producto- res y exportadores de armas, dificultan enormemente cual- quier avance al respecto. Por ello, procede denunciar: �el fácil acceso que tienen grupos armados y regímenes repre- sivos a material militar, de seguridad y policial, debido a que el comercio de armas sigue siendo descontrolado y está rode- ado de secretismo. Los países exportadores de armas todavía no aplican suficientes medidas de control a sus transferencias de armas y siguen exportando armas a países en conflicto, con situaciones graves de violación de derechos humanos�37. En particular, resulta llamativo que cuatro de cada cin- co víctimas de conflictos armados (30 millones desde el fi- nal de la II Guerra Mundial) lo son a causa del uso de armas ligeras. La gran mayoría de estas víctimas (90%) son civiles, sobre todo mujeres y niños, por lo que se puede concluir que las armas ligeras son las que más matan. En efecto, las armas de pequeño calibre son las �armasde destrucción masiva� de los pobres. Causan más muertos y heridos, y más daños en los ámbitos político y social, que cualquier otro tipo de arma- mento38. A la principal potencia militar, EE.UU., hay que aña- dir ahora los Estados miembros de la Unión Europea amplia- da, cuya capacidad de producción y exportación de armas acumulada se acerca a la de EE.UU., a quien parecen querer imitar hasta en la escandalosa ineficacia de los controles en la exportación de dichas armas39. 37 Véase El control del comercio de armas, en �Justicia global. Las alternativas de los movimientos del Foro de Porto Alegre�, dir. Rafael Díaz Salazar, ed. Icaria, Barcelona 2003, p. 291. 38 Véase Working for peace, security and stability, publicado por la Oficina de Publicaciones de la Comisión Europea, Luxemburgo 2005, pág. 25. 39 Así, por ejemplo, el �Código de la UE para impedir la exportación irresponsable de excedentes de armas�. A ello hay que añadir la paradoja de que los Estados europeos fabricantes de armas ligeras suelen ser quienes, por otro lado, conceden importantes ayudas para el desarrollo o para la SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 119Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI 8. El derecho a la paz y a la seguridad El derecho a la paz no debe reducirse únicamente a la ausencia de guerra, sino que éste implica también el derecho a la seguridad y a estar protegido contra todo acto de violen- cia, así como a oponerse a las violaciones de los derechos humanos. Este derecho a la paz y a la seguridad incluye el derecho de exigir a los Estados, y en particular a los más po- derosos militarmente, el establecimiento de un sistema in- ternacional de seguridad colectiva conforme a los principios de la Carta de las Naciones Unidas y la resolución por vías pacíficas de las crisis y conflictos internacionales, lo que implica que las operaciones de las Naciones Unidas y de otras organizaciones internacionales, como la OTAN, debidamen- te subordinadas y bajo la dirección de Naciones Unidas, es- tén encaminadas al mantenimiento de la paz y a la asistencia humanitaria40. Todo esto va mucho más allá de la mera lucha contra el �terrorismo� a la que parece querer reducirse la ayuda a los países del tercer mundo41. Además el término �terroris- mo� 42 resulta difícilmente definible por un régimen o siste- ma que no sólo no puede prescindir de la violencia y del reconstrucción de las áreas devastadas por un conflicto armado, el cual no hubiera sido tan destructivo, o incluso no se hubiera desencadenado, si tales armas no hubieran sido exportadas con tal facilidad al lugar en conflicto (Véase la revista Amnistía Internacional, núm. 68, agosto 2004, p. 35. Asimismo, el núm. 78, abril 2006, y el núm. 80, agosto 2006). 40 Se trata del derecho a la asistencia humanitaria de todos los individuos y pueblos del mundo que se corresponde con el deber de prestar dicha asistencia por parte de todos los Estados y de la comunidad internacional, paralelamente al deber de socorrer que obliga a todo ser humano, y no el derecho de �ingerencia humanitaria� o por �razones humanitarias�, expresión bajo cuyo pretexto pretenden camuflarse determinadas pretensiones imperialistas o neocolonialistas de algunas de las actuales potencias militares, no exentas de un trasnochado paternalismo. 41 Véase Ayuda al desarrollo y seguridad: ¿dos agendas incompatibles?, de Carlos Illán Sailer, en �Revista española de desarrollo y cooperación�, num. 17, invierno 2005. 42 Véase Les périlleuses tentatives pour définir le terrorisme, de John Brown, en �Le Monde diplomatique�, febrero de 2002, pp. 4 5. 120 �terror�, si es preciso, para su supervivencia, sino que ade- más hace apología de ello43. Otra vertiente de la seguridad consiste en lo que se de- nomina �seguridad humana�, en el sentido de que los Esta- dos y la comunidad internacional deben garantizar a todo ser humano los medios y recursos necesarios para vivir digna- mente y desarrollar plena y libremente su personalidad. Esta noción de seguridad humana viene siendo promovida desde los organismos en pro del desarrollo y los derechos humanos del sistema de las Naciones Unidas, en particular el Progra- ma de las Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD), y con- cretamente desde sus informes anuales a partir de 1994. Por otro lado, el derecho a la paz debe incluir, asimis- mo, el derecho de los pueblos y de los individuos al desarme y a que los cuantiosos recursos destinados al rearme se des- víen hacia fines humanitarios y sociales, así como al control de armamentos, incluida la prohibición de las armas de des- trucción masiva, lo cual implica la adopción de medidas po- líticas y económicas a nivel nacional e internacional para controlar y reducir progresivamente la producción y el tráfi- co de armas. Así pues, como se ha dicho, el derecho a la paz no debe reducirse únicamente a la ausencia de guerra, sino que incluye también el derecho a oponerse a la guerra como método de resolución de conflictos y, por esta razón, a solici- tar y obtener en todo momento el estatuto de objetor de con- ciencia44, aunque conviene dejar claro que, hoy por hoy, for- malmente se carece de una protección jurídica a escala inter- nacional de tales derechos y no existe una perspectiva a cor- 43 Valga como ejemplo el uso y abuso de actos violentos de toda índole en los contenidos de la prolífica producción de la poderosa industria �hollywoodiana� y su hegemonía mundial en los mercados cinematográficos. 44 Véase: Revisiter la troisième génération des droits de l�Homme avant leur codification, de Karel Vasak, en el libro �Héctor Gros Espiell Amicorum Liber�, ed. Bruylant, Bruxelles 1997, p. 1661. Véase también el borrador de Anteproyecto de Tercer Pacto Internacional Relativo a los Derechos de Solidaridad que se formula como propuesta en dicho texto. SÁNCHEZ, Nicolás Angulo � Paz, Seguridad, Desarme, Desarrollo y Derechos Humanos 121Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI to plazo en este sentido. El primer paso a dar debería consis- tir en la codificación del derecho a la paz en el marco del derecho internacional de los derechos humanos45. CONCLUSIÓN El derecho a la paz, contra la guerra y contra la violaci- ón de los derechos humanos se ubica junto con otros dere- chos humanos de reciente elaboración y que se les suele de- nominar como derechos de �tercera generación�. Principal- mente son: el derecho al desarrollo, contra la pobreza, a la asistencia humanitaria en cualquier parte del mundo ante situaciones de extrema gravedad (catástrofes, conflictos béli- cos, etc.), a un medio ambiente sano y a preservarlo frente al deterioro grave y progresivo del conjunto de los ecosistemas planetarios, así como a la existencia de un patrimonio común de la humanidad que, asimismo, debe preservarse. De este modo, se pone de relieve la necesaria cooperación y solidari- dad que debe existir entre todos los seres humanos, con el propósito de respetar, proteger y promover aquellos valores y aspiraciones que se consideran comunes a todos (universa- les). Esto requiere la contribución por parte de todos los indi- viduos y de todos los pueblos en un esfuerzo coordinado, conscientes de la existencia de esa responsabilidad común y solidaria y, por lo tanto, del espíritu de cooperación necesario para hacer realidad estos derechos, aunque ello parezca cada vez más difícil en el contexto de un modelo de mundializaci- ón o globalización que, en general, prima y fomenta más bien lo contrario, es decir, la competitividad, la confrontación, el egoísmo, la unilateralidad y, en definitiva, la guerra de todos contra todos en todos los ámbitos de la vida. 45 Véase: Las Naciones Unidas ante el nuevo escenario preventivo. El reto de los derechos humanos, de Carlos Villán Durán, curso en San Sebastián los días 12 y 13 de septiembre de 2005, capítulo V, titulado El derecho a la paz como derecho humano. Asimismo, La Declaración de Luarca sobre el derecho humano a la paz, de 30 de octubrede 2006. 122 5 � ¿REVOLUCIÓN DE LOS DERECHOS HUMANOS DE LOS PUEBLOS O CARTA SOCIALDEMÓCRATA A SANTA CLAUS? Antonio Salamanca Serrano 1. El hecho ambivalente de la mundialización En los comienzos del siglo XXI, para muchas personas la �globalización� es ya un hecho incontestable. En este traba- jo, también así lo afirmamos respecto al contenido que se quiere indicar con esa palabra. Sin embargo, utilizaremos el término �mundialización� en lugar de �globalización�, como más ajustado a la realidad, por la referencia que tiene el mundo a la materialidad del mismo. Pues bien, la mundialización es el contenido de la interacción interdependiente (respectivi- dad) material del mundo. Este hecho no es reciente, sino que su longue durée se inicia en el mismo momento de la aparici- ón de la especie humana sobre el planeta Tierra1. Ahora bien, lo que está ocurriendo en los últimos siglos, y de modo parti- cular en las últimas décadas, es: (i) la intensificación de la interacción de los seres humanos no sólo entre sí, sino tam- bién con el medio natural; (ii) la intensificación de los efec- tos del crecimiento de esa relación; y (iii) la intensificación de la �conciencia� de dichas interacciones y efectos. En los últimos años, gran parte de los pueblos están viviendo este 1 K. A. APPIAH, Ciudadanos del mundo: en M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos (Barcelona: Crítica, 2004) 197-232; 200; 213. 123Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI acontecimiento como un auténtico �huracán de mundializa- ción� (globalización)2. La intensificación de esas relaciones, efectos y conci- encia, está siendo binaria. Por un lado, se manifiesta como una gran revolución de la vida humana en el saber, la partici- pación geopolítica y el poder. Y, por otro, aparece como una apocalíptica contrarrevolución de la muerte por el dogmatis- mo fanático, la geopolítica capitalista y la tiranía genocida. A comienzos del tercer milenio, por desgracia, lo hegemónico es la mundialización de la insatisfacción persistente de las necesidades de vida de todo el planeta3. Ahora bien, como el sentido de la �mundialización� es ambivalente y aún no está definitivamente escrito, urge re- vertirlo (revolucionarlo), antes de que sea demasiado tarde, para hacer hegemónica la mundialización de la satisfacción de las necesidades materiales de vida de todos los pueblos de la Tierra4. En esa tarea, los Derechos Humanos5 son el conte- nido, la legitimación y el camino de realización de todo 2 Cfr. F. J. HINKELAMMERT, El huracán de la globalización: la exclusión y la destrucción del medio ambiente vistos desde la teoría de la dependencia: Pasos 69 (1997) 21-27; ID., (comp.), El Huracán de la Globalización (San José [Costa Rica]: DEI, 1999); cf. R. FORNET-BETANCOURT, Transformación intercultural de la filosofía (Bilbao: Desclée de Brouwer, 2001) 173-189. 3 M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 13-14; S. GEORGE, ¿Globalización de los derechos?: en M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 25; 37-38. 4 R. FORNET-BETANCOURT, Transformación intercultural de la filosofía, o. c., 193-194. 5 Cfr. P. BARCELLONA, La globalización y los derechos humanos en la construcción europea: Revista de la Facultad de Derecho de la Universidad de Granada, 7 (2004) 9-27; M. CASTELLS, Globalización, Estado y sociedad civil: el nuevo contexto histórico de los derechos humanos: Isegoria: Revista de Filosofía Moral y Política, 22 (2000) 5-17; L. T. DÍAZ MÜLLER (coord.), Globalización y derechos humanos (México: Universidad Nacional Autónoma, 2003); A. HOOGVELT, Globalisation and the Postcolonial World (London, 1997); A. JULIOS-CAMPUZANO, La globalización y la crisis paradigmática de los derechos humanos: Revista de Estudios Políticos, 116 (2002) 189-218; J. E. LANE, Globalization and politics: promises and dangers (Burlington, VT: Ashgate Pub., 2006); J. LIMA TORRADO, Globalización y derechos humanos: Anuario de filosofía del derecho, 17 (2000) 43-74. 124 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... proyecto político revolucionario (transformador) del orden cainita vigente. 2. El Proyecto Político de la Revolución mundial de los DH de los pueblos Los Derechos Humanos los definimos como la positiva- ción de las necesidades materiales de vida del pueblo, por el pueblo y para producir y reproducir su vida, bajo la sanción coactiva de la fuerza física de la comunidad. Son las necesi- dades materiales6 para producir y reproducir la vida humana sobre la Tierra las que fundamentan, legitiman y estructuran los derechos humanos como contenido del proyecto político revolucionario. Las necesidades materiales estructurales de vida no deben confundirse con los modos (medios) históri- cos de satisfacerlas (satisfactores). Como ilustra J. Boltvinik: �Una cosa es decir que los medios de satisfacer necesidades tienen un significado social y otra muy diferente es decir que las necesidades y los satisfactores están completamente embrollados y no pueden distinguirse del todo. Un Cadillac es un satisfactor de la necesidad de transporte, pero �estar privado de poseer un Cadillac� es una frase sin sentido, mi- entras estar privado de transporte puede resultar mortal. Sa- tisfactores de la misma necesidad son sustituibles entre sí (si uno no tiene un Cadillac puede usar el transporte público), pero las necesidades no son sustituibles unas por otras: uno no puede trasladarse a la clínica ingiriendo más alimentos. Si uno está enfermo y no puede llegar a la clínica puede re- sultar seriamente dañado�7. El carácter cultural e histórico del satisfactor es el modo propio que tiene de aparecer en el mundo. Pero, en cuanto mediación, los satisfactores son culturalmente intercambia- 6 Ver Apéndice. 7 J. BOLTVINIK, Economía Moral. 2006: fin de la ilusión democrática: La Jornada, 29 de diciembre de 2006. 125Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI bles a la hora de satisfacer una misma necesidad material de vida. A diferencia de los satisfactores, las necesidades mate- riales de la praxis de realidad humana (de la vida) no son intercambiables. Son constantes irreductibles en ellas mis- mas. Sería un error caer en la doble reducción de identificar necesidad material con las �apetencias� (wants), reivindicaci- ones (demands), o con los modos culturales de los satisfacto- res8. La historia de los derechos humanos9 se remonta mu- cho más atrás del siglo XVIII. Podemos decir que, en su mate- rialidad, aparecen con la especie humana, claro está, en su germinal grado de complejidad. Conviene no olvidar que los derechos humanos nacen de las necesidades materiales de vida del pueblo10. Otra cosa es la conciencia de su personali- zación (subjetivación), generalización, universalización, in- divisibilidad e interdependencia, y concreción histórica (es- pecificación). Si la conciencia de la personalización y gene- ralización se acrecienta a partir de la Revolución americana y francesa, la conciencia de su mundialización se intensifica particularmente desde 1948. Hoy, muchos que plantean du- das sobre el �carácter universal [e innato]�11 de los DH, más bien lo que quieren reivindicar es una �universalidad� no abs- 8 Cfr. J. BOLTVINIK, Ampliar la Mirada. Un nuevo enfoque de la pobreza y el florecimiento humano: Desacatos. Revista de antropología social 23 (2005); H. SHAH; N. MARKS, A Well-Being Manifesto for a Flourishing Society (London: New Economics Foundation, 2004); A. HELLER, Una revisión de la teoría de las necesidades (Barcelona: Paidós, 1996); ID., Teoría de las necesidades en Marx (Barcelona: Editorial Península, 1972). 9 Cfr. K. A. APPIAH, Ciudadanos del mundo: en M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 197-232. Cfr. M. ISHAY, The history of human rights: from ancient times to the globalization era (Berkeley: University of California Press, 2004). 10 Cfr. G. ANDREOPOULOS; Z. F. KABASAKAL ARAT; P. JUVILER, (Eds.), Non-state actors in the human rightsuniverse (Bloomfield, CT: Kumarian Press, Inc., 2006). 11 CONFERENCIA MUNDIAL DE DERECHOS HUMANOS, Declaración y programa de acción de Viena, aprobada por la Conferencia Mundial de Derechos Humanos el 25 de junio de 1993, ONU Doc. A/CONF.157/23 (1993) nº 1. 126 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... tracta sino que sea a la vez concreta12, plural13 e histórica- mente dinámica y abierta14. La conciencia de la indivisibilidad e interdependencia de los DH ha sido reforzada con la Declaración y Programa de Acción de Viena (1993). Con ello no se hace sino afirmar que la vida humana es indivisible, y que de ella emanan inte- gradamente todas las necesidades humanas que legitiman la positivación de los DH y los sistemas de Derecho de cada comunidad nacional. En este sentido, afirma: �Todos los derechos humanos son universales, indivisibles e interdependientes y están relacionados entre sí. La comuni- dad internacional debe tratar los derechos humanos en for- ma global y de manera justa y equitativa, en pie de igualdad y dándoles a todos el mismo peso. Debe tenerse en cuenta la importancia de las particularidades nacionales y regionales, así como de los diversos patrimonios históricos, culturales y religiosos, pero los Estados tienen el deber, sean cuales fue- ran sus sistemas políticos, económicos y culturales, de pro- mover y proteger todos los derechos humanos y las liberta- des fundamentales�15. Como los Derechos Humanos se asientan en última ins- tancia en la materialidad necesitante de la vida humana como praxis material de realidad, la vida humana no puede inter- pretarse de forma restringida como la mera subsistencia or- gánica, sino que queda referida a todo el ámbito de la praxis 12 Cfr. J. HERRERA FLORES, Los derechos humanos como productos culturales: crítica del humanismo abstracto (Madrid: Los Libros de la Catarata, 2005) 219-234. 13 La jurisprudencia internacional, en particular refiriéndose a los Derechos económicos, sociales y culturales, afirma que �no existe una vía única para su realización�, ONU: CONSEJO ECONÓMICO Y SOCIAL, Los principios de Limburgo relativos a la aplicación del Pacto Internacional de Derechos económicos, sociales y culturales (1986) nº 6. 14 Cfr. CONFERENCIA MUNDIAL DE DERECHOS HUMANOS, Declaración y programa de acción de Viena, o.c. 15 Ibid., nº 5. 127Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI de realidad humana16. Éste es el tenor de los criterios jurídi- cos interpretativos acogidos por Naciones Unidas, en especi- al, los Principios de Limburgo (1986), la Conferencia de Vie- na sobre Derechos Humanos (1993) y las Directrices de Ma- astricht (1997). En ellos, y en el conjunto de documentos so- bre Derechos Humanos, queda afirmado que la producción y reproducción de la vida humana es el contenido del progreso y el desarrollo social al que Naciones Unidas vincula el Dere- chos de los Pueblos. El derecho matriz a la vida (universal, indivisible e interdependiente, e inalienable) exige a la co- munidad internacional, entre otras cosas, la eliminación de todo tipo de explotación y colonialismo; el comercio interna- cional justo; la distribución equitativa de la renta; la modifi- cación de las relaciones económicas internacionales; la par- ticipación popular en la vida económica; la creación de uni- dades productivas cooperativas; el control del capital; la jus- ticia en la redistribución fiscal; el aumento del gasto social; la reforma agraria; la coexistencia pacífica entre países, etc17. La conciencia de la pluralidad en la concreción históri- ca (especificación) de los DH se ha intensificado desde las últimas décadas del siglo XX, reflejándose en las positivacio- nes particulares de DH. Sin embargo, este proceso, que mere- ce ser elogiado por reconocer la riqueza de la pluralidad de 16 Cfr. L. BOFF, Virtudes para otro mundo posible (Santander: Sal Terrae, 2006); ID., Del iceberg al arca de Noé: el nacimiento de una ética planetaria (Santander: Sal Terrae, 2004); P. CHEAH, Inhuman conditions: on cosmopolitanism and human rights (Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2006); A. HELLER, Una revisión de la teoría de las necesidades (Barcelona: Paidós, 1996); ID., Para una filosofía radical (Barcelona: El Viejo Topo, 1980); ID., Teoría de los sentimientos (Barcelona: Editorial Fontamara, 1980); ID., La revolución de la vida cotidiana (Barcelona: Editorial Materiales, 1979); ID., Teoría de las necesidades en Marx (Barcelona: Editorial Península, 1972); A. SALAMANCA, Fundamento de los derechos humanos (Madrid: Nueva Utopía, 2003). 17 Cfr. Declaración sobre el Progreso y el Desarrollo en lo Social (1969); Declaración sobre el derecho al desarrollo (1986). 128 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... las necesidades humanas, no ha sido muy exitoso hasta el momento en la articulación de la interdependencia e indivi- sibilidad de los DH. A nuestro juicio, es la unidad estructural de la vida humana, la estructuración de sus necesidades ma- teriales, la fuente integradora de todos los DH. A continuaci- ón, proponemos la constante estructural de las necesidades materiales de la vida humana, en su posible satisfacción e insatisfacción18. Esta constante es el criterio articulador de los DH. La potitivación internacional de los mismos debería organizarse en función de ella19. Estructura de las Necesidades Mundiales de la Vida Humana Comunicación eco-estética Información Liberación Comunicación ero-económica Opinión Autodeterminación Comunicación Conocimiento Revolución político-institucional Estructura de la Insatisfacción de las Necesidades Mundiales de la Vida Humana Necesidades Necesidades Necesidades de de de Comunicación Material Verdad Material Libertad Material Degradación eco-estética Desinformación Esclavitud Empobrecimiento Manipulación Tiranía ero-económico de la Opinión Incomunicación Desconocimiento Contrarrevolución político-institucional 18 Ver Apéndice I. 19 Cfr. A. SALAMANCA, Fundamento de los derechos humanos, o. c. 129Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Estructura de los Derechos Humanos Derechos Humanos Derechos Humanos Derechos Humanos de de de Comunicación Material Verdad Material Libertad Material Derechos eco-estéticos Derechos de Derechos de Liberación Información Derechos ero-económicos Derechos de Opinión Derechos de Autodeterminación Derechos Derechos de Derechos de político-institucionales Conocimiento Revolución La dificultad que tiene la comunidad internacional en articular la indivisibilidad e interdependencia de los DH se explica en parte por las dificultades filosóficas en definir lo que sean los DH, así como por las dificultades en la delimita- ción de su contenido. Pero también, por la presencia de ideo- logías contrarias a los DH que obstaculizan el avance de los mismos. Ideologías que se están apropiando el discurso de los DH para legitimar un imperialismo militar, político/eco- nómico e ideológico. Ideologías contra las que hay que reve- larse declarándoles una batalla de ideas. 3. La revolución de los derechos humanos Los DH son para el siglo que comienza una maravillosa e imprescindible herencia de nuestros antepasados. Son, como hemos indicado, el contenido jurídico de toda política crítica que busque afirmar la vida humana sobre el planeta y rever- tir la actual hegemonía mundial genocida20. Con todo, los DH 20 Cfr. G. J. BIDART CAMPOS; G. I. RISSO (coords.), Los derechos humanos del siglo XXI : La revolución inconclusa (Buenos Aires: Ediar, 2005); B. DE SOUSA SANTOS; C. A. RODRÍGUEZ-GARAVITO (Eds.) Law and globalization from below: towards a cosmopolitan legality (Cambridge: Cambridge University Press, 2005); E. ECHART (et al.), Origen, protesta y propuestas del movimiento 130 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... son, sin embargo, un dinamismo histórico, inacabado y per- fectible. Así, por ejemplo, las positivaciones internacionalesdeben tomarse como algo ahistórico (inmutable), acabado y perfecto. Por el contrario, los DH están sometidos a la concre- ción histórica de los pueblos, en el pluralismo de sus expre- siones culturales, económicas, políticas, etc. Están someti- dos, además, a la ineludible pluralidad histórica de necesi- dades que tendrán que ser positivadas. Y, también, los DH son susceptibles de verificación histórica en sus formulacio- nes, contenidos e implementación, con vistas a garantizar su realización. El criterio para la verificación histórica de los DH es la satisfacción de las necesidades estructurales de la vida humana de los pueblos. Aplicando este criterio, algunas formulaciones, contenidos e implementación de los DH, de- ben reivindicarse, revisarse y revertirse. Nos limitamos en el análisis a tres de ellos: (i) el derecho humano a la revolución; antiglobalización (Madrid: Catarata; Instituto Universitario de Desarrollo y Cooperación (UCM), 2005); R. FORNET-BETANCOURT, Transformación intercultural de la filosofía, o. c.; S. GEORGE, ¿Globalización de los derechos?: en J. M. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 21-38; M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c.; Mª. A. GIRALT, Globalización y los Derechos Humanos: Revista de Filosofía de la Universidad de Costa Rica, 88/89 (1998) 467-472; F. GÓMEZ ISA, Derechos humanos y globalización: Tiempo de Paz, 60 (2001) 41-51; M. GOODHART, Democracy as human rights: freedom and equality in the age of globalization (New York, NY: Routledge, 2005); C. LÓPEZ GUTIÉRREZ; F. J. URIBE PATIÑO; J. J. VÁZQUEZ ORTEGA (coords.), Globalización, violencia y derechos humanos: entre lo manifiesto y lo oculto (México, D.F.: Universidad Autónoma Metropolitana, 2005); J. C. MONEDERO, Cansancio del Leviatán: problemas políticos en la mundialización (Madrid: Trotta, 2003); B. OREND, Human Rights Education: Form, Content and Controversy: Encounters on Education 5 (2004) 61-80; M. ORTEGA CARCELÉN, Cosmocracia: política global para el siglo XXI (Madrid: Síntesis, 2006); I. RAMONET (et al.), Los desafíos de la globalización (Madrid: Hoac, 2004); J. P. ROBÉ, Multinational Enterprises: The Constitution of a Pluralistic Legal Order: G. TEUBNER (Ed.), Global Law without a State (Dermouth, 1997) 46-47; M. ROBINSON , A voice for human rights (Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2006); J. D. RUIZ RESA, Usos del discurso de los derechos humanos en la fase de la globalización: Anales de la Cátedra Francisco Suárez 35 (2001) 99-128. 131Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI (ii) el derecho humano a la apropiación cooperativa (social y estatal) de los medios de producción; (iii) el derecho humano a la apropiación cooperativa (social y estatal) de los medios de información, opinión y conocimiento. La materialización de estos tres derechos humanos, cuya positivación internaci- onal reivindicamos, no es posible en el sistema económico capitalista (en cualquiera de sus modalidades). Esta afirma- ción seguramente será muy bien acogida por personas de iz- quierdas. Sin embargo, a los socialdemócratas tal vez les cu- este más digerir que la realización de esos derechos tampoco es posible en la socialdemocracia como sistema socioeconó- mico (v.gr. la España de J. L. R. Zapatero, el Chile de M. Ba- chelet, el Reino Unido de T. Blair, el Perú de A. García, etc.). La socialdemocracia capitalista impide la revolución de los Derechos Humanos; esto es, la producción y reproducción de la vida de los pueblos en la interdependencia indivisible de sus necesidades. 3.1. El derecho humano concreto a la revolución El derecho humano a la vida (producir y reproducir la vida)21 es el derecho humano universal, madre de todos los demás. En los comienzos del siglo XXI, este derecho se encu- entra positivado en las Declaraciones Internacionales de De- rechos Humanos, y en las Constituciones de todos los países. Sin embargo, el contenido del derecho universal a la vida está positivado de forma incompleta22. Esto es, el derecho a la afirmación �universal� a la vida es al tiempo el derecho humano �concreto� que tienen los pueblos a rebelarse cuando 21 F. HINKELAMMERT, Crítica de la razón utópica (Bilbao: Desclée, 2002) 317-323; Cfr. E. DUSSEL, Hacia una Filosofía Política Crítica (Bilbao: Desclée, 2001) 103-110; 103; 114-119. 22 Cfr. D. SÁNCHEZ RUBIO, Reversibilidad del derecho: los derechos humanos tensionados entre el mercado, los seres humanos y la naturaleza: Pasos, nº. 116 (2004). 132 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... la satisfacción de sus necesidades de vida es impedida. Es de- cir, afirmando la vida humana desde su concreción histórica, el derecho humano universal a la vida es el derecho humano concreto a la revolución23. Con ello, la Revolución se consti- tuye en fuente de derechos ya que se asienta radicalmente en la unidad de un derecho originario que tienen todos los pue- blos: el derecho humano a la vida-revolucionaria24. El derecho humano a la revolución lo definimos como el derecho que tienen los pueblos a satisfacer sus necesidades materiales de vida y a revertir las relaciones que producen y reproducen la muerte por la insatisfacción de aquéllas. El contenido material del derecho humano a la revolución es, por tanto, mucho más que su momento de �rebelión� como cambio por la fuerza de las instituciones políticas, económi- cas o sociales de una nación; más que la inquietud, alboroto, sedición; más que un cambio rápido y profundo. El conteni- do material del derecho humano a la revolución es sobre todo �afirmación� histórica positiva de la satisfacción de las nece- sidades de la vida humana de los pueblos del planeta; y es, al tiempo, �reversión� de aquellas relaciones que generan la in- 23 A. SALAMANCA, El Derecho a la Revolución (San Luis Potosí: UASLP, 2006) 8; O. CORREAS, Acerca de los Derechos Humanos. Apuntes para un ensayo (México: Ediciones Coyoacán, 2003) 9. 24 Negar el derecho a la revolución (resistencia a la opresión) �� sería negar que en 1787 los Padres Fundadores de los Estados Unidos de América aprobaron su Constitución Republicana y proclamaron presidente de esa nación al general George Washington, quien los había conducido a la victoria sobre el colonialismo inglés; o negar los principios de libertad, igualdad, y fraternidad de la Revolución Francesa, que dio inicio a una nueva era de la Humanidad�, O. MIRANDA BRAVO, Cuba/USA Nacionalizaciones y Bloqueo (La Habana: Editorial de Ciencias Sociales, 20032 ) 6; 4-6. Sería negar la �primera emancipación� de la Revolución Mexicana de 1810, hoy en vísperas de su segundo centenario. Sería negarle al pueblo las realizaciones de la Revolución Cubana. Sería negar las transformaciones de la Revolución Bolivariana, silenciada en nuestra América, E. CARDENAL, Venezuela: La Revolución silenciada: Pasos, v.124 (2006). Sería negar el derecho indígena al triunfo electoral de la Revolución Boliviana, en 2006, A. SALAMANCA, El Derecho a la Revolución, o. c., 8-9. 133Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI satisfacción de dichas necesidades de vida, y que causan la muerte de los pueblos. Los señores del imperio han expropiado al pueblo de la �legalidad� (y positivación) internacional y nacional del dere- cho humano a la revolución. La expropiación no ha sido sólo operativa y legal, sino también �espiritual�. El �derecho a la revolución� ha sido �expulsado� del pensamiento y el lengua- je �civilizado�. Hay miedo a �pensar� y utilizar el término en la población en general, y particularmente en el ámbito univer- sitario. Están exorcizados con los �sagrados� instrumentos de la �democracia�, el �orden público� y la �seguridad nacional�. Pero, como diría J. Martí de la justicia, de la revolución no tienen nada que temer los pueblos, sino los que se le resisten. Los �cosmócratas piratas� ni siquiera leen lo que invo- can una y otra vez contra el �demonio revolucionario�: Democracia: �Al no existir un modelo único de sociedadde- mocrática, se considerará como tal a la sociedad que recono- ce y respeta los derechos humanos establecidos en la Carta de las Naciones Unidas y en la Declaración Universal de los Derechos Humanos�25. Orden público: Éste es �el conjunto de normas que aseguran el funcionamiento de la sociedad, o como el conjunto de prin- cipios fundamentales sobre los que se basa una sociedad. El respeto de los derechos económicos, sociales y culturales for- ma parte del orden público�26. Seguridad Nacional: �La violación sistemática de los dere- chos económicos, sociales y culturales socava la verdadera seguridad nacional y puede poner en peligro la paz y la se- guridad internacionales. El Estado responsable de una viola- ción a estos derechos no deberá invocar la seguridad nacio- nal como medio para justificar la adopción de medidas des- 25 ONU: CONSEJO ECONÓMICO Y SOCIAL, Los principios de Limburgo relativos a la aplicación del Pacto Internacional de Derechos económicos, sociales y culturales (1986) nº 55. 26 Ibid., nº 66. 134 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... tinadas a suprimir toda oposición a tal violación o para per- pretar prácticas represivas contra la población�27. Si tomamos el pulso vital a nuestro mundo no pode- mos sino afirmar que casi la totalidad de los pueblos del pla- neta necesitan apropiarse del derecho humano a la revoluci- ón que les ha sido expropiado. Y necesitan hacerlo con ur- gencia para revertir la muerte que se les impone. Los pueblos de la Tierra, en los comienzos del siglo XXI, no se encuen- tran bajo la hegemonía revolucionaria, ocupada en satisfacer sus necesidades vitales, sino que, por el contrario, sufren el yugo hegemónico de la tiranía sátrapa y genocida. Por ello, el derecho humano a la revolución es hoy, en la mayoría de los países, derecho a la reversión revolucionaria de un sistema de relaciones mundiales que extermina la vida de los pue- blos. La insatisfacción de las necesidades materiales de vida de los pueblos es el criterio objetivo que evidencia esta afir- mación. A continuación mostramos las diferentes variables de la constante material estructural � la insatisfacción persis- tente de las necesidades de vida � que nos permiten llegar a afirmar el estado, el contenido y la urgencia del derecho hu- mano a la revolución. A la insatisfacción de las necesidades económicas, informativas, de opinión y de conocimientos nos referimos en los apartados siguientes por razones sistemáti- cas. Pero a la hora de realizar el juicio crítico que justifique la praxis revolucionaria, todas ellas deben articularse, desde la pluralidad, en la unidad de la praxis humana. A) Insatisfacción de las necesidades de comunicación mundial Insatisfacción de la necesidad eco-estética. Nos referi- mos a algunas de sus principales concreciones históricas: de- gradación del suelo, chabolas, desnutrición y enfermedad. 27 Ibid., nº 65. 135Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI La degradación del suelo es una manifestación incon- testable de la destrucción del hábitat humano (v.gr. la conta- minación radioactiva, el calentamiento del planeta, el deshi- elo polar, etc.). El 2% de la superficie de la tierra son bosques tropicales, los cuales mantienen vivos el 70% de las especies vegetales y animales. Sin embargo, cada año se destruyen más de 3 millones de hectáreas. En los últimos 50 años, la selva africana se ha reducido en más del 18%, el 30% la asiática, y el 18% la latino-americana y caribeña28. En África, el 70% del suelo está seriamente degradado; el 71% en Asia; en la zona sur mediterránea 2/3 del suelo padece la sequía recur- rente. En África, pueblos como los Bambara, Bororo, Djerma, Haussa, Mossi, Ogoni, Peuls, Sarokolés, Touaregs, Toucou- leurs, Wolofs, comienzan a ser �refugiados ecológicos� a cau- sa de las inclemencias del medio, y de la actuación humana sobre él29. Las chabolas. El 40% de la población mundial vive en chabolas (llamadas eufemísticamente �hábitats insalubres�) en Asia, África y América Latina. En ellas se �disputan� con las ratas la poca comida familiar30. En las chabolas de Chiapas, Dacca, Fortaleza, Karachi, Tegucigalpa, etc., la vida humana con dignidad parece un sueño irreal. En las chabolas se llora, se sufre, y �el dolor del presente es un dolor para la eterni- dad�31. En contrapartida, los �cosmócratas�, particularmente la burguesía de los países saqueados, compran lujosas resi- dencias en Cannes, Marbella, Miami, etc., donde se sienten �en casa�32. La desnutrición. El �killerkapitalismus� (capitalismo ase- sino, genocida) mata cada año más personas que la guerra. 28 J. ZIEGLER, L�empire de la honte (Paris: Librairie Arthème Fayard, 2005) 220. 29 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde (Paris: Librairie Arthème Fayard, 2002) 145-149. 30 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 13. 31 Ibid., 48. 32 Ibid., 85. 136 SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... En la década 1996/2006 han muerto de hambre más de 40 millones de personas. En nuestro mundo hay cerca de 900 millones de personas sub-alimentadas, que no disponen de las 2.700 calorías diarias necesarias, cuando el planeta Tierra tiene hoy recursos para alimentar a una población de 12.000 millones de seres humanos. Unos 10 millones de niños me- nores de 5 años mueren cada año por problemas de subali- mentación, contaminación de las aguas y epidemias relacio- nadas. El 50% de las muertes ocurren en los seis países más empobrecidos del planeta. El 90% de las víctimas pertene- cen a los países del sur33. De los estados africanos, sólo 15 de ellos tienen suficiencia alimentaria. Los restantes 37 estados tienen que recurrir al mercado mundial para atender las ne- cesidades nutritivas de su población34. El �agua� potable es un bien escaso en el planeta. El 33 % de la población mundial bebe agua contaminada. Por su causa, cada día mueren 9.000 niños menores de 10 años. En el África subsahariana, 285 millones de personas no tienen acceso regular al agua potable. En la misma situación se en- cuentran 248 millones de personas en el Sur de Asia; 398 millones en el Este de Asia; 180 millones en el Sureste asiáti- co y el Pacífico; 92 millones en América Latina y el Caribe; 67 millones en los países Árabes35. La enfermedad. En 122 países del Tercer Mundo, don- de vive el 80% de la población del planeta, la carencia de micronutrientes provoca tragedias irreparables que heredan las generaciones futuras. Entre las enfermedades provocadas por las carencias nutritivas se encuentran la anemia, beribe- ri, ceguera, dengue, escorbuto, fiebre amarilla, kwashiorkor, raquitismo, tifus, etc. Cada año nacen en el mundo más de 150 millones de niños con falta de peso. De ellos, la mitad 33 Ibid., 38. 34 Ibid., 245-246. 35 Ibid., 285. 137Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI sufrirá insuficiencias en su desarrollo físico y psíquico36. Más de 10 millones de personas mueren cada año por enfermeda- des curables, la mayoría en países del sur. En el mundo, hay unos 40 millones de personas que sufren la enfermedad del sida. De ellos, 24 millones viven en África. La mayor parte de estos enfermos no tienen acceso a las terapias. En Etiopía, un país con 71 millones de habitantes, el 82% de la población vive en la extrema pobreza. La media de calorías por persona adulta y día es de 1.750, la más baja de toda África, con défi- cit grave en yodo, hierro, vitamina A. Unos 2 millones de personas están infectadas con el virus del sida. La esperanza de vida es de 45,5 años. Sólo el 2,9 % de la población llega a los 65 años37. A los servicios de salud mínimos sólo tiene acceso el 12% de la población. En Brasil, el 10,5 % de los menores de 10 años tienen menos talla de lo normal por el déficit alimentario. En los Estados más pobres de Maranhão y Bahia, el 17,9 % de los incapacitados menores de 10 años se debe a problemas de subalimentación crónica38. Mientras, el mercado farmacéutico mundial �desastiende� las enferme-dades de los pobres. Según los datos de la última estadística de la OMS, de los 1.393 nuevos medicamentos autorizados por los gobiernos para su comercialización, sólo 16 estaban destinados al tratamientos de las �enfermedades desatendi- das� de los pobres39. Las transcontinentales farmacéuticas, con la privatización de las patentes médicas, practican la �farma- copiratería� que no es más que un genocidio farmacéutico. Insatisfacción de las necesidades de reconocimiento afec- tivo. Los �piratas del mundo� se han instalado al margen de la humanidad solidaria. Son seres perdidos, depredadores, que �no tienen historia, no construyen nada y mueren sin jamás 36 Ibid., 39. 37 Ibid., 177-178. 38 Ibid., 213. 39 Ibid., 253. 138 haber abierto los ojos ante los hombres que les rodean�40. Es- tos sociópatas disfrutan con el trato sádico que infligen a sus esclavos. En Arabia, Qatar o Kuwait las jóvenes filipinas vi- ven humilladas, explotadas, retenidas y tratadas como escla- vas por los señores del petróleo41. En Etiopía, el matrimonio es frecuente a partir de los 12 años, y de forma forzada. Las mujeres a los 24 años tienen una media de 8 a 10 niños. La mujer etíope es explotada en la casa, en el campo y en la cama. La infibulación, la mutilación y la ablación afectan al 70 % de las niñas jóvenes. Más de 300.000 menores mendi- gan por el país, expuestos al abuso, a las enfermedades y a la muerte prematura42. En Brasil, el salario de las mujeres res- pecto al de los hombres es un 37% menor, y si además la mujer es negra, la diferencia salarial es del 60%43. Insatisfacción de las necesidades político-instituciona- les. El �Estado del pueblo, por el pueblo y para el pueblo� está siendo dinamitado por los �piratas imperialistas�. En su lugar están afianzando el �estado colonial pirata�44. La mayor parte de los Estados nacionales del planeta son hoy colonias, que como siempre, envían a las metrópolis recursos naturales y mano de obra esclava gratis, a pie, en patera o volando. Las colonias están siendo además cárceles sin costo, campos de concentración para los �flagelados� que osen soñar con la emi- gración. En el confinamiento de la miseria de sus países ha- brán de cargar por generaciones con el peso de la deuda45. Refiriéndonos a la institución de Naciones Unidas46, la ONU está secuestrada ideológicamente, político-económica- 40 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 115-116. 41 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 159. 42 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 27-28. 43 Ibid., 214. 44 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 117. 45 Ibid., 80. 46 Cfr. P. M. KENNEDY, The parliament of man: the past, present, and future of the United Nations (New York: Random House, 2006). SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 139Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI mente y militarmente, por EE. UU. El 26% del presupuesto de funcionamiento de la ONU es pagado por EE. UU. Los altos funcionarios de la ONU son espiados por los servicios de espionaje de EE. UU. Prácticamente ningún funcionario superior al grado P-5 puede ocupar su puesto sin la aprobaci- ón de la Casa Blanca47. En el seno del Consejo de Derechos Humanos, antes Comisión de Derechos Humanos, los Esta- dos Unidos votan siempre contra la concreción de los dere- chos económicos, sociales y culturales. Contra el derecho al desarrollo en general, y en particular, contra el derecho a la alimentación, vivienda, educación, salud, agua potable48. B) Insatisfacción de las necesidades de revolución mundial: esclavitud, terrorismo de Estado, Guerra La esclavitud. Aparte de la esclavitud ideológica, eco- nómica y de movimiento en que vive la mayoría de los seres humanos del planeta, hay otras esclavitudes que los atormen- tan. Enfermedades mentales, sectas destructivas, adicciones (v.gr. alcohol, tabaco, drogas ilegales, ludopatía, sexo, juego, consumismo, bulimia, etc.). Por ejemplo, en México hay más de 15.000.000 de mexicanos con alguna enfermedad mental; 11.500.000 de obesos, y unos 17.000.000 de consumistas, de los cuales unos 500.000 necesitan ayuda médica. El Terrorismo de Estado. Aunque también es terrorismo de Estado matar a los pueblos de hambre y enfermedad, el terrorismo de Estado, en su modalidad represiva, busca im- pedir, con el ejercicio de la violencia física, la autodetermi- nación de los pueblos. Aún están abiertas las heridas del ter- rorismo de Estado de las décadas de los 70 y 80 en América Latina. La Guerra Fría llevó su campo de terror estatal a estas tierras. En el Cono Sur se organizó la Operación Cóndor, en 47 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 129. 48 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 48. 140 1975. En el conjunto de Nuestra América, la Operación Cón- dor dejó 4 millones de exiliados, 400 mil encarcelados; 50 mil asesinatos; 30 mil desaparecidos49. Como resultado, en Argentina desaparecieron, a causa del terrorismo de Estado, más de 30.000 personas; oficialmente se reconoció la desapa- rición de sólo 9.000. Los vuelos del Cóndor eran Vuelos de la Muerte50. Especialmente activa fue la Tripe A (Alianza Anti- comunista Argentina), creada en 1973. En Chile, el terror del Estado asesinó a unas 3.000 personas. En Brasil, se ha docu- mentado más de 265 personas que fueron �desaparecidas� por el terror estatal. En Bolivia, los desaparecidos ascienden a 200. Centroamérica también fue flagelada por el terrorismo de Estado, particularmente El Salvador, Nicaragua, Guatemala, etc.51 Algunos de los responsables del terrorismo de Estado aplicado en América Latina en estas décadas fueron �defor- mados� en la Escuela de las Américas, constituida en Panamá en 1946. En ella se han adiestrado en el terrorismo más de 45.000 militares de toda América Latina. Macabramente des- tacan: Roberto D�Abuisson, Hugo Bánzer Suárez, Leopoldo Fortunato Galtieri, Augusto Pinochet, Efraín Ríos Mont, Anas- tasio Somoza, Leonidas Trujillo, Jorge Rafael Videla, Roberto Viola52. El terrorismo de Estado estadounidense ha �legalizado� la tortura �made Abu Ghraib�, y con ello la �degradación su- prema de la dignidad humana�53. El terrorismo de Estado con- tra los presos, muchos de ellos sin un juicio rápido ni justo, clama al cielo. Recluidos en auténticos campos de concen- tración, en ausencia de luz solar, sin espacio, sin higiene, 49 J. M. SOLÍS DELGADILLO, Nn. La operación Cóndor. Memoria y Derecho (México: UASLP, 2006) 105. 50 Ibid., 145-151. 51 Ibid., 42. 52 Ibid., 78. 53 S. ZIZEK, Bienvenue dans le désert du réel [tr. F. Théron, Welcome to the desert of the real (London: Flammarion, 2002] (Paris: Flammarion, 2005) 129. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 141Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI conviviendo con ratas, y otros insectos, son condenados a miles de enfermedades y agresiones de internos y funciona- rios54. La Guerra. La agresión a los Estados es el estado �nor- mal� de la patología del imperio: el estado de guerra. La guer- ra es agresión extrema contra los pueblos en su vida cultural, económica, política, jurídica y militar55. El �estado de guerra� bombardea, tortura y asesina genocidamente a los pueblos. Las guerras preventivas del intervencionismo imperialista militar humanitario no es otra cosa que la búsqueda de la expropiación, el robo y el dominio de la vida de millones de seres humanos56. Desde 1993, más de 10.000 guerras de baja intensidad han recorrido el planeta. Se llaman así a aquellas guerras que asesinan a menos de 10.000 personas por año. Especialmente repugnante fue el �holocausto de Rwan- da�, en 1994. En los tres meses de abril a junio de ese año, aproximadamente 1.000.000 de rwandeses tutsis y hutus fue- ron asesinados ante la impasibilidad de las Naciones Unidas, y de los Cascos Azules. Los machetes vinieron en los cuatro años anteriores de China, y las armas de fuego principalmen- te de Francia, Egipto, África del Sur y Bélgica. La deuda del �holocausto rwandés�asciende a más de 1.000 millones de dólares. Lo más vomitivo después de la masacre es que el FMI y el BM impongan a los supervivientes de esa carnice- ría, muchos de ellos mutilados por la violencia, la devoluci- ón mes tras mes de esa �deuda odiosa�57. A los �cosmócratas� sólo les interesan los �derechos humanos� que les permitan la explotación de los pueblos. Ellos odian a muerte los �dere- chos humanos revolucionarios� que les enfrentan con la veri- ficación de la realidad de sus mentiras, explotación y opresi- 54 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 233. 55 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 49. 56 Ibid., 55. 57 Ibid., 113-115. 142 ón; con la muerte como consecuencia de sus prácticas58. Los �señores de la guerra� atacan a los Estados, a la soberanía po- pular, a su poder normativo59; están creando nuevos campos de concentración para el homo sacer60. A ellos llevan tambi- én a aquellos militares (refuzniks61), que como en 2002 en Israel, se opongan a �dominar, expulsar avergonzar y humi- llar a todo un pueblo�, además �próximo�62. A la fecha, la invasión y ocupación de Irak, principal- mente estadounidense, ha matado a más de 650. 000 iraquíes, el 2,5% de la población. Sólo entre marzo de 2003 y septiem- bre de 2004, Estados Unidos asesinó a más de 100.000 ira- quíes (entre ellos miles de mujeres y niños). Por su parte, el régimen de Vladimir Putin, desde 1995, ha matado unos 180.000 civiles chechenos. Un genocidio de más del 17% de la población63. En 2005, el gasto militar en armamento de to- dos los Estados de la comunidad internacional sobrepasó el 1,12 billones de dólares. En la última década el gasto en ar- mamento aumentó un 34%. Estados Unidos hace el 48% del total. 3.2. El derecho humano a la apropiación cooperativa (social y estatal) de los medios de producción, circulación y distribución (economía para la vida) La revolución de los DH, si no quiere ser una carta soci- aldemócrata a Santa Claus, está urgida a positivar el derecho humano que tienen los pueblos a apropiarse cooperativamente de los medios de producción, la circulación y la distribución del trabajo y la riqueza producida. Los pueblos tienen dere- cho a apropiarse: de los medios de producción, de la unidad 58 Ibid., 311. 59 Ibid., 317-318. 60 S. ZIZEK, Bienvenue dans le désert du réel, o. c., 142-143. 61 Ibid.,168. 62 Ibid., 172. 63 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 68. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 143Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI productiva en forma cooperativa (social y estatal), del tiem- po de su trabajo, del producto de su trabajo, del mercado mundial, de la banca y del beneficio del comercio mundial. La revolución de los DH está urgida, también, a prohibir y negar como derecho humano la apropiación privada los me- dios de producción, de la circulación y distribución del tra- bajo y la riqueza producida. Este pseudoderecho, esencia del sistema capitalista, es incompatible con la materialización de los DH de los pueblos. Veamos en qué grado de insatisfacción se encuentran las necesidades de comunicación económica tras décadas y décadas de �cartas socialdemócratas a Santa Claus�. La larga experiencia histórica de insatisfacción de las necesidades eco- nómicas de vida del pueblo no hace sino verificar práctica- mente el carácter genocida del capitalismo imperialista (tam- bién en su versión socialdemócrata), y legitimar la revoluci- ón de una economía para la vida (comunista)64. Expropiación de los medios de producción del pueblo. En el mundo hay unas 85.000 sociedades multinacionales (son aquéllas que tienen actividad al menos en cinco países a la vez). De ellas, hay 500 que son especialmente grandes. El 58% de las 500 corporaciones transcontinentales, que se es- 64 Cfr. J. DINE; A. FAGAN (Eds.), Human rights and capitalism: a multidisciplinary perspective on globalisation (Northampton: Edward Elgar, 2006); U. DUCHROW, F. J. HINKELAMMERT, Property for people, not for profit: alternatives to the global tyranny of capital (New York: Palgrave Macmillan, 2004); ID., La vida o el Capital. Alternativas a la dictadura global de la propiedad (San José [Costa Rica]: DEI, 2003); E. DUSSEL, 20 Tesis de Política (México D. F.: Siglo XXI, 2006); ID., Hacia una Filosofía Política Crítica (Bilbao: Desclée, 2001); ID., La producción teórica de Marx. Un comentario a los Grundrisse (México: Siglo XXI, 19912); ID., El último Marx (1963-1982) y la liberación latinoamericana (México: Siglo Veintiuno Editores, 1990); ID., Hacia un Marx Desconocido. Un comentario de los Manuscritos del 61-63 (México: Siglo Veintiuno Editores, 1988); F. J. HINKELAMMERT; H. MORA, Hacia una Economía de Para la Vida (San José de Costa Rica: DEI, 2005); J. J. MORA MOLINA, Globalización económica y derechos humanos. ¿Derechos economizados?: Sistema. Revista de Ciencias Sociales, 170 (2002) 69-87. 144 tán apropiando del mundo, son originarias de Estados Uni- dos. Estos 500 �piratas corporativos� emplean al 1,8% de la mano de obra mundial. Se han �apropiado� de tanta riqueza, como la que pueden acumular los 133 países más pobres del mundo65. En Brasil, por ejemplo, el 43% de la tierra producti- va está en manos del 2% de propietarios66. Expropiación del trabajo de los pueblos. El capitalista está extendiendo mundialmente su �ideal� del trabajo produc- tivo: las fábricas del sudor y sangre (v. gr. las maquiladoras). Zonas francas donde el empresario explota al trabajador sin miramientos. Zonas que no pagan derechos de importación, exportación, ni impuestos. En Brasil, por ejemplo, centena- res de miles de trabajadores �sin tierra�, en régimen de escla- vitud, son llevados de los Estados del Norte y del Nordeste al �dominio� de la agroindustria en las zonas de la Amazonia, del Para, del Acre y de Rondonia67. Expropiación del producto del trabajo del pueblo. La mundialización (globalización) de la expropiación del pro- ducto del trabajo del pueblo es hoy un �dogma� y un tabú en el capitalismo imperial. A los expropiados del producto de su trabajo sólo les queda �mendigar� las migajas (efecto chor- reo) que caen de la mesa de los ricos cuando sus necesidades están satisfechas en un cierto punto68. Esta mundialización está ocasionando que hoy en nuestro planeta más de 1.800 millones de personas �vegetan� con menos de un dólar diario. Mientras, el 1% de la población, �estructuralmente ladrona�, dispone de tanto dinero como el 57% de las personas más �saqueadas� del planeta.69 Frente al club de la países ricos (G- 8), hay otro club, al que eufemísticamente se le llama el gru- po de los países menos adelantados (PMA). En la actualidad 65 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 241. 66 Ibid., 193. 67 Ibid., 220. 68 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 89. 69 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 39. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 145Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI lo forman 49 países, 34 de ellos africanos, con una población de 650 millones de personas, que generan menos del 1% de ingreso mundial70. En Estados Unidos, la fortuna de Bill Ga- tes es igual a la suma de los recursos de los 106 millones de estadounidenses más pobres. La fortuna del club de los 15 más ricos del mundo es superior al producto interior bruto de toda el África subsahariana71. Expropiación del comercio de los pueblos. �La Organiza- ción Mundial del Comercio (OMC72) es ciertamente la máqui- na de guerra más poderosa en las manos de los depredado- res�73. Es el liberticidio de los depredadores en el comercio mundial. Para ellos, la mundialización comercial consiste en �... la libertad para mi grupo de invertir donde quiera, el tiem- po que quiera, para producir lo que quiera, abastecerse y ven- der donde quiera, teniendo que soportar las menos posibles limitaciones en materia de derecho laboral y convenciones so- ciales�74. El 80% del comercio mundial está controlado por los Estados Unidos,Canadá, Japón y la Unión Europea (v. gr. el comercio mundial de los cereales está dominado por 30 com- pañías transcontinentales). En las negociaciones de la OMC en Ginebra, los países pobres no tienen para pagarse el hospe- daje, menos los astronómicos honorarios de los abogados. En la práctica, muchas veces ni pueden asistir. Lo que realmente ocurre es que �los países ricos deciden, y los pobres siguen�75. Expropiación del dinero (de la Banca) de los pueblos. La mundialización del capitalismo ha expropiado a los pue- blos de su dinero y de sus bancos. La banca capitalista es la �talibanca� dirigida por el �mollah dollar�76. El Fondo Moneta- 70 Ibid., 107. 71 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 35. 72 La OMC no forma parte de la ONU. 73 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 179. 74 Ibid., 180-181. 75 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 193. 76 Ibid., 252. 146 rio Internacional y la Banca Mundial son las principales ins- tituciones financieras de Bretton-Woods. En el FMI, el crite- rio de �legitimidad� en la votación de los países es �un dólar un voto�. Es decir, el poder de votación se mide en función del poder financiero de cada país. Los EE.UU. tienen el 17% de votos. El FMI, a través de las �cartas de intención�, hace firmar a los países necesitados de recursos el Consenso de Washington77. Estos �piratas mundiales� del BM y del FMI, por medio de la violencia estructural económica de la deuda, �legalizan� el flujo de capitales que los países saqueados (endeudados) del Sur transfieren anualmente a los países usureros del Nor- te. La transferencia anual es más de lo que aquéllos reciben en concepto de inversión, crédito de cooperación, ayuda hu- manitaria o ayuda al desarrollo (v. gr. en el 2003 los países del Norte transfirieron a los del Sur 54.000 millones de dóla- res. A cambio, los del Sur transfirieron a los del Norte 436.000 millones en concepto de pago de la deuda)78. 77 El �Consenso de Washington� es un conjunto de acuerdos informales tomados en los años 80s y 90s por las principales corporaciones transcontinentales, los bancos de Wall Street, la Reserva Federal Americana, el Banco Mundial, el FMI, y otros organismos financieros internacionales. Éste busca apropiarse (privatizar) del Mundo, establecer un mercado mundial unificado y autorregulado, y desintegrar la oposición del poder de los Estados nacionales. Sus diez mandamientos ideológicos son: (i) reforma fiscal. Exención y rebaja de impuestos a los ricos, para que inviertan. Extensión de los contribuyentes, y supresión de las exenciones impositivas a los pobres; (ii) liberalización de los mercados financieros; (iii) igualdad de trato entre los inversores nacionales y los extranjeros; (iv) desmantelamiento del sector público y privatización de las empresas estatales; (v) desregulación de la economía para permitir la libre competencia sin trabas legales; (vi) sobreprotección de la propiedad privada; (vii) liberalización de los intercambios comerciales, eliminando las tasas aduaneras; (viii) desarrollo prioritario de los sectores económicos orientados a la exportación; (ix) limitación del déficit presupuestario; (x) eliminación de subsidios estatales al sector privado nacional, J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde o. c., 268. 78 J. ZIEGLER, L�empire de la honte, o. c., 81. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 147Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI La Bolsa, el botín de los �cosmócratas�, está dirigida por los especuladores del tiempo y el espacio del pueblo. Éstos son la quintaesencia del capitalismo financiero. �� una pa- sión demencial de poder y beneficio les anima, una voluntad inagotable de machacar la concurrencia les devora�79 (el ca- pital financiero en circulación es más de 18 veces el valor de todos los bienes y servicios producidos y disponibles en un año en el planeta). Expropiación del capital. El botín de los �piratas cos- mócratas� elude todo tipo de fiscalidad emigrando a los para- ísos fiscales: Aruba, Bahamas, Bermudas, Curaçao, Gibraltar, Guernesey, Islas Vírgenes, Jersey, etc. En el caso del archipi- élago de las Bahamas, con una población de 275.000 perso- nas, el 80% negros, en Nassau, capital de la isla principal �Nueva Providencia�, hay establecidos más de 470 bancos. En sus depósitos hay más de 1 billón de dólares, dinero proce- dente la mayor parte de Europa. Mediante la creación de una IBC (International Business Company; trust, en el ámbito anglo-sajón), se obtiene el secreto bancario (mentira banca- ria), la cínica neutralidad política (genocida) y ausencia im- positiva, y la libre e impune convertibilidad de divisas. En esto consiste la �felicidad paradisíaca� del capital robado al pueblo80. 3.3. El derecho humano a la apropiación cooperativa (social y estatal) de los medios de información, opinión y conocimiento Si la revolución de los DH no quiere ser una �Carta so- cialdemócrata a Santa Claus� éstos tienen que positivar la ne- cesidad de los pueblos de apropiarse en forma cooperativa (social y estatal) de los medios de información, opinión y co- 79 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 138. 80 J. ZIEGLER, Les nouveaux maîtres du monde, o. c., 170-172. 148 nocimiento. Al tiempo, los DH tienen que prohibir y negar todo falso derecho a la apropiación privada de los mismos. Esto supone, entre otras cosas, �revolucionar� el fetichizado derecho a la �libertad de expresión�. Para comenzar, y a modo de mero apunte indicativo, este derecho tiene que ser recon- ceptualizado porque tiene un contenido sustantivo propio que no es la libertad principalmente sino que está referido a la �verdad�. El llamado derecho a la �libertad de información, opinión y conocimiento� es un derecho a la verdad de la in- formación, de la opinión y del conocimiento. Por supuesto que el contenido de este derecho puede verse tanto desde la libertad, como desde la comunicación material económica. Hemos afirmado que todos los derechos humanos son res- pectivos. Pero, a nuestro juicio, es una reducción analizar el contenido de la verdad desde el prisma de la libertad. Cada uno de ellos tiene su contenido propio. Con respecto a este derecho humano concreto a satisfacer las necesidades de los pueblos a la información, opinión y conocimiento, el grado de insatisfacción es directamente proporcional al grado de in- conciencia que de su violación tienen los pueblos. Expropiación de los medios de información. En los co- mienzos del tercer milenio, en la casi totalidad de los países, el imperialismo mundial ha expropiado a los pueblos de los medios de información (v. gr. radio, televisión, prensa)81. La riqueza de la realidad es excluida progresivamente de la tele- visión, radio y prensa82. Poseídos por los �piratas mundiales�, estos medios, en lugar de ser instrumentos para la construc- 81 N. CHOMSKI, �Recuperación de los derechos�: Un camino sinuoso: en M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 81-86; J. E. STIGLITZ, Sobre la libertad, el derecho a estar enterado y el discurso público: el papel de la transparencia en la vida pública: en GIBNEY, M. J., La globalización de los derechos humanos, o c., 125-167; 125;144. Cfr. H. K. BHABHA, El derecho a escribir: en M. J. GIBNEY, La globalización de los derechos humanos, o. c., 171-190. 82 P. BOURDIEU, Sur la télévision (Paris: Raisons D�Agir Editions, 1996) 7. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 149Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI ción de la democracia directa, se convierten por el contrario en �instrumentos de opresión simbólica�83. Son medios de vi- olencia simbólica del imperialismo84. La pantalla de la tele- visión, los receptores de radio y las páginas de los periódicos se han convertido en una especie de �espejo de Narciso� que refleja el espacio y el tiempo del rostro del poder; y la �invisi- bilidad� del pueblo ausente85. La mayor censura en la televi- sión, radioy prensa, es invisible (autocensura). Los �cosmó- cratas piratas� imponen el tema noticioso, el sujeto que pro- duce la noticia y las condiciones de la �información rápida� de la acción informativa86. El contenido de la información no es la veracidad, imparcialidad y objetividad contrastada de los hechos, sino la �fabricación� de los hechos que se vendan en el mercado como �noticias�. En este sentido, no deja de ser ilustrador el pleito que los �cachorros mediáticos del impe- rio� tienen con la aplicación del �derecho a la libertad de ex- presión� por parte del gobierno venezolano. En el art. 58 de la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela que- da positivada la obligación de �veracidad� de la información: [�] Toda persona tiene derecho a la información, oportuna, veraz e imparcial, sin censura, de acuerdo con los principios de esta Constitución, así como a la réplica y rectificación cuando se vea afectada directamente por informaciones ine- xactas o agraviantes. Los niños, niñas y adolescentes tienen derecho a recibir información adecuada para su desarrollo�. Pues bien, la Relatoría para la Libertad de Expresión de la Organización de Estados Americanos, así como la Socie- dad Interamericana de Prensa (SIP), acusan al gobierno de Venezuela porque ha positivado constitucionalmente la obli- gación de la �veracidad� de la información. Según ellos, resul- 83 Ibid., 8. 84 Ibid., 16. 85 Ibid., 11. 86 Ibid., 13-14. 150 ta que la veracidad de la información es incompatible con la libertad de expresión. Para garantizar ésta, se propone la des- penalización de los delitos de injurias y calumnias. Éstos deben ser sustituidos por sanciones civiles en los casos en que, siempre a posteriori, se demuestre que la información falsa fue producida con �real malicia�87 ¡Buen servicio de los cachorros a sus amos! Expropiación de los medios de opinión88. Además de los medios de información, los �piratas cosmócratas imperiales� expropian al pueblo de los medios de recepción, búsqueda, y participación-difusión de opinión bien formada. El pueblo no tiene acceso a recibir, buscar y participar, y difundir opi- nión en los medios. Esto es coto cerrado para el �sacerdocio periodístico�. Nuevos chamanes que crean lo �noticiable� se- gún el criterio del amo que les paga89. La televisión, la radio y la prensa se convierten en prestidigitadores que manipulan y deforman la realidad. Desde el engaño de los hechos mode- lan la mente de millones de personas90. En el análisis de los hechos, los debates son auténticos �juegos de charlatanes�. Están preparados los aparentes oponentes y el moderador. Todo es la �dramatización teatral� de algo preparado91. A estos expropiadores de la opinión del pueblo, algunos de ellos lati- noamericanos, conviene recordarles las palabras de la Corte Interamericana de Justicia: �...la libertad de expresión se puede ver también afectada sin la intervención directa de la acción estatal. Tal supuesto po- dría llegar a configurarse, por ejemplo, cuando por efecto de la existencia de monopolios u oligopolios en la propiedad de 87 OEA, Informe Anual del Relator para la Libertad de Expresión (1999) 17ss. 88 Cfr. UN: ECONOMIC AND SOCIAL COUNCIL, GENERAL COMMENTS (HRC) nº 10: Freedom of opinion, o. c., 133; UN: ECONOMIC AND SOCIAL COUNCIL, GENERAL COMMENTS (HRC) nº 22: Freedom of thought, conscience or religion, o. c., 155-158. 89 P. BOURDIEU, Sur la télévision, o. c., 18-19. 90 Ibid., 17-18. 91 Ibid., 37-42. SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 151Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI los medios de comunicación, se establecen en la práctica �me- dios encaminados a impedir la comunicación y la circulación de ideas y opiniones� (OC-5/85 del 13 de noviembre de 1985). Expropiación de los medios de conocimiento. La en- señanza media y universitaria es todavía un privilegio en muchos lugares del planeta. Un privilegio con el que los �pi- ratas de la educación� especulan sin cesar, entre otros medi- os, �patentado� el conocimiento. Mientras, en nuestro mundo hay 850 millones de adultos analfabetos y 325 millones de niños sin escolarizar. En Etiopía, por ejemplo, el 40,3% de la población de más de 15 años es analfabeta. CONCLUSIÓN En definitiva, al comienzo del tercer milenio, afirma- mos la urgencia que tienen los pueblos de la Tierra de rever- tir la hegemonía de la mundialización genocida. En esa tarea reivindicamos la indivisibilidad e interdependencia de los DH como el contenido jurídico de toda política revoluciona- ria. La legitimidad del proyecto político revolucionario de los DH se asienta en la obligación de satisfacer las necesida- des materiales, indivisibles e interdependiente que tienen los pueblos de la Tierra para producir y reproducir sus vidas. Ahora bien, la positivación vigente de los DH no es perfecta, neutral e inmutable, sino que es perfectible, partisana e histórica. Para que los DH puedan materializarse como contenido del proyec- to político de vida del pueblo urge, entre otras cosas, positivar y apoderar al pueblo con: (i) el derecho humano concreto a la revolución; (ii) el derecho humano concreto a la apropiación cooperativa (comunitaria y estatal) de los medios de producci- ón, circulación, y distribución de la riqueza del pueblo; (iii) el derecho humano concreto a la apropiación cooperativa (co- munitaria y estatal) de los medios de información, opinión y conocimiento del pueblo. De lo contrario, los DH no dejarán de ser una carta socialdemócrata a Santa Claus. 152 APÉNDICE Estructuración de las necesidades materiales de la vida humana, en función de la estructura de la praxis material de realidad de los pueblos, que debe articular la positivación internacional de los derechos humanos. I. Necesidades materiales de comunicación Eco-estética: 1ª Necesidad del disfrute de un medioambiente salu- dable 2ª Necesidad nutritiva diaria 3ª Necesidad de una vivienda digna 4ª Necesidad de atención médica Ero-económica: 5ª Necesidad de reconocimiento y acogimiento familiar 6ª Necesidad de reconocimiento y acogimiento en la co- munidad nacional 7ª Necesidad de trabajo 8ª Necesidad de propiedad comunitaria (cooperativa y estatal) de los medios de producción. 9ª Necesidad de propiedad personal del fruto del es- fuerzo del trabajo Político-institucional: 10ª Necesidad de la institución de la soberanía nacio- nal territorial 11ª Necesidad institucional de un sistema de salud po- pular 12ª Necesidad institucional de un sistema económico cooperativo comunista 13ª Necesidad institucional de un Estado (Legislativo, Judicial, Ejecutivo) 14ª Necesidad de instituciones internacionales revolu- cionarias SERRANO, Antonio Salamanca � ¿Revolución de los Derechos Humanos de los Pueblos... 153Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI 15ª Necesidad institucional de medios de información del pueblo 16ª Necesidad institucional de medios de opinión del pueblo 17ª Necesidad institucional de un sistema educativo popular 18ª Necesidad institucional de centros de desadicción y rehabilitación 19ª Necesidad institucional del Derecho revolucionario 20ª Necesidad institucional de una policía y ejército re- volucionarios II. Necesidades materiales de libertad 21ª Necesidad de apoderamiento de la fuerza de libera- ción 22ª Necesidad de autodeterminación en el proyecto político revolucionario 23ª 0 político revolucionario III. Necesidades materiales de verdad 24ª Necesidad de información veraz 25ª Necesidad de opinión bien formada 26ª Necesidad de conocimiento 154 6 � EL POTENCIAL EPISTEMOLÓGICO Y TEÓRICO DE LA HISTORIA ORAL: DE LA LÓGICA INSTRUMENTAL A LA DESCOLONIZACIÓN DE LA HISTORIA1 Silvia Rivera Cusicanqui Cuando, en 1969 Jorge Luis Borges publicó su pequeño relato titulado �El etnógrafo�, quizás no se percatara del todo de que en esas dos páginas estaba resumiendo los principa- les problemas epistemológicos y éticos de las ciencias soci- ales de nuestra época. Relata Borges que un estudiantede doctorado de una universidad norteamericana había sido in- ducido por su profesor al estudio de las lenguas indígenas y de los ritos tribales de una sociedad de indios de la pradera. Los secretos de los brujos indios � una vez analizados y verti- dos en categorías aceptables para la comunidad científica � permitirían al etnógrafo obtener el ansiado título doctoral y ganar un sitial de prestigio en la estructura académica oficial de su país. Murdock, así se llamaba el etnógrafo en ciernes, ensayó por dos años la aventura de convivir con la tribu de indios de la pradera. Aprendió su idioma, �se cubrió con ro- pas extrañas, olvidó los amigos y la ciudad, llegó a pensar de 1 Los contenidos de esta ponencia han surgido de innumerables discusiones internas con los compañeros y compañeras del Taller de Historia Oral Andina, en sesiones de reflexión y autocrítica sobre nuestro trabajo con comunidades andinas y sectores artesanales urbanos. Aunque me hago responsable de la sistematización presentada, cabe recalcar la dinámica colectiva que dio origen a muchas de estas ideas. 155Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI una manera que su lógica rechazaba�. Su compenetración con la cultura y cosmovisión indígena fue tan profunda, que �lle- gó a soñar en un idioma que no era el de sus padres�. Fue iniciado por el principal ritualista de la tribu. Este, al cabo de un largo aprendizaje, le confió los secretos de su doctrina ancestral. Cuando el estudiante Murdock retornó a la �civilizaci- ón� se presentó ante su profesor para declarar que conocía los secretos de la cosmovisión indígena, pero que no los re- velaría a nadie. No escribió su tesis doctoral, se negó por el resto de su vida a hablar de esas experiencias, y terminó con- vertido en oscuro empleado de biblioteca en una universi- dad local. Argumentando sobre su decisión, dijo: �El secreto, por lo demás, no vale lo que valen los caminos que me con- dujeron a él. Esos caminos hay que andarlos� (Borges, 1974:989-990). El relato de Borges plantea con simplicidad el dilema epistemológico de la etnografía: la esencial intraductibilidad � lingüística y cultural � propia de una relación asimétrica entre individuos y culturas cuyo horizonte cognoscitivo es diametralmente opuesto. Pero al mismo tiempo, plantea el dilema ético que sacude a las ciencias sociales contemporá- neas: El conocimiento fetichizado y convertido en instrumento de prestigio y poder, puede volcarse en contra de las necesi- dades e intereses de la colectividad estudiada, y el investiga- dor transformarse en agente inconsciente de su derrota o de- sintegración. Desvelar y desnudar lo que se conoce del �otro� � sea éste un pueblo indio colonizado, o cualquier sector �su- balterno� de la sociedad � equivale entonces a una traición. Frente a esta posibilidad desesperanzadora, el silencio se con- vierte entonces en la única forma de manifestar el compro- miso ético con el grupo social estudiado, aunque esta actitud pasiva no haga sino reforzar su clausura e intraductibilidad. En la presente ponencia voy a exponer cómo ha venido siendo enfrentado este dilema en nuestro país, a partir de la 156 experiencia de trabajo del Taller de Historia Oral Andina. Previamente, voy a señalar a grandes rasgos el contexto so- cial y político de la investigación social en América Latina en las últimas dos décadas, destacando dos momentos con- cretos: el primero enmarcado en el ascenso de las moviliza- ciones sociales y políticas populares de la década de los años 70, que condujo a la elaboración de una nueva propuesta metodológica basada en la �investigación-acción�. El segun- do, se caracteriza más bien por un profundo reflujo y frag- mentación de estas movilizaciones y proyectos políticos, que configura un panorama de intensa búsqueda de nuevos es- tilos y métodos de trabajo. En países como Bolivia, esta se- gunda coyuntura vio surgir vigorosos fenómenos de auto- conciencia y organización autónoma india, que enmarcan el espacio de esta búsqueda y conducen a importantes re- planteamientos � teóricos y epistemológicos. Basándome en la experiencia del Taller de Historia Oral Andina de la UMSA � y con apoyo en algunas referencias complementarias en el Ecuador � voy a apuntar algunas de las temáticas sobre las que giran estos cuestionamientos, a través de las cuales po- drá apreciarse que existen potenciales salidas a la tajante disyuntiva que plantea el relato de Borges y la etnografía tradicional. 1. El contexto latinoamericano: auge y crisis del marxismo Desde fines de la década del 60 y gran parte de la del 70 las estructuras académicas de los países andinos se hallaban sacudidas por una intensa fiebre. Los estudios marxistas � renovados por corrientes estructuralistas, encarnadas en la escuela althusseriana � habían creado la ilusión de que el marxismo había al fin logrado producir un marco conceptu- al adecuado a la comprensión de sociedades tan abigarra- das y heterogéneas como las nuestras, en las que conviven sectores de fuerte concentración obrera y capitalista, junto con las formas más �primitivas� de organización social y CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 157Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI productiva, pasando por una enorme gama de situaciones intermedias. La teoría de los modos de producción invadió así la sociología, la historiografía, la economía y la antropología. En esta última disciplina, resulta elocuente el que un conoci- do antropólogo peruano publicara en 1971 una tesis en la que se descubrió �el carácter predominantemente capitalista de la economía peruana�, mostrando, a través de decenas de cuadros estadísticos, la subordinación de una gran diversidad de �modos de producción precapitalistas� (Montoya, 1984). Si bien esfuerzos como éste, en los que �la taxonomía predomina sobre la historia� han sido certeramente critica- dos en su momento (Tandeter, 1978), la importancia teórica de esta crítica aún no ha sido totalmente asimilada por las ciencias sociales. Su argumento central se refiere a un hecho que hoy nos parece evidente: el carácter colonial de nuestras sociedades, que desafía cualquier conceptualización en tér- minos de modos de producción. Esta reflexión ya había sido adelantada en 1973 por Garavaglia (en Assadourian y otros, 1973), en el contexto de una de las tantas fases del debate sobre los modos de producción coloniales. No obstante, el conjunto de las discusiones permanecía anclado en el esque- ma marxista-estructuralista, y terminó recluido a la caracte- rización del periodo colonial. De este modo, el planteamien- to del problema colonial, que pudo haber generado una im- portante renovación teórica en aquellos núcleos de investi- gación más ligados a la problemática étnica, quedó amputa- do de sus potenciales efectos críticos. Por su parte, los antropólogos se movían en direcciones contradictorias. La tendencia marxista-estructuralista inva- día los programas académicos, modificaba curricula y gene- raba violentas controversias político-científicas. En la prácti- ca, sus resultados fueron muy pobres: en pocas ocasiones pasaron más allá de declaraciones de principio antipositivis- tas, que luego eran acompañadas por descripciones más o 158 menos tradicionales, en las que el énfasis en los procesos económicos parecía la única demostración de un �método marxista�. Junto a estas corrientes, en las que las sociedades indi- as eran frecuentemente encajadas en la camisa de fuerza de definiciones �clasistas�, se desarrollaban también otras, rela- tivamente marginales. Persistían los enfoques desarrollistas de inspiración norteamericana, asentados en la idea del tran- sito de lo �tradicional� a lo �moderno�. Otros antropólogos y etnólogos, por el contrario, cerraban filas en torno a la emer- gente disciplina de la etnohistoria, que muy a pesar de sus valiosísimos aportes en torno a la �originalidad� de las socie- dades indígenas, se recluyó en la tarea de reconstruir cómo eran éstasantes de la invasión colonial europea. Su visión de la colonia � en ocasiones un tanto apocalíptica � se limitó a definiciones por carencia constatando la �destrucción�, el �trauma�, la �desestructuración� de dichas sociedades, o bien su �continuidad�, siempre disminuida y recortada por la opre- sión colonial (ver, entre otros, Wachtel, 1973; Murra, 1975; Platt, 19762). En consecuencia, no aportaron sustancialmen- te al conocimiento de nuevos fenómenos como la etnogéne- sis, la articulación ideológica y la redefinición estructural de las sociedades indias en el contexto colonial y neocolonial. El escaso desarrollo de la antropología académica, au- nado al bullicioso debate marxista sobre la cuestión agraria desde otras disciplinas, acabó integrando el grueso de la in- vestigación antropológica en las corriente �campesinistas�, que por su rígida conceptualización en términos de clase, soslayaban también el tema de las relaciones coloniales; su visión homogeneizadora relegaba a las sociedades nativas al papel de un modo de producción más, articulado y domina- do por el capitalismo, al igual que cualquier sociedad campe- CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 2 En otros trabajos (Platt, 1982), Platt desarrolla un nuevo enfoque de �antropología histórica� que da cuenta de estos procesos. 159Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI sina. Por lo tanto, sus demandas debían integrarse en el cam- po más vasto de las luchas �campesinas�, para no fragmentar y dividir el �campo popular�. El etnólogo o el etnohistoriador que continuaban insistiendo sobre la especificidad de la cu- estión étnica quedaron descalificados por la izquierda: Su �romanticismo indigenista� y su �nostalgia por el pasado� los colocaban al margen de las grandes tareas revolucionarias que demandaba el futuro. En esta historia en la que los protagonistas son las es- tructuras, la teoría y la investigación social �comprometidas� sirvieron para encubrir nuevas prácticas paternalistas y co- loniales frente a la cuestión étnica. Las elites de izquierda, de raíz cultural criolla occidental, tenían una visión meramente instrumental de las demandas étnicas: ellas eran útiles sólo en tanto no se autonomizaran de la movilización popular controlada por la izquierda. Allí se esconde un esfuerzo de integrar y �civilizar� al indígena no muy diferenciado de las matrices ideológicas que el marxismo combatía � el naciona- lismo y el liberalismo �, con las cuales comparte una visión evolucionista del devenir histórico, colocando a las socieda- des indígenas en idéntico papel de objetos de una misión ci- vilizadora. Su perspectiva no podía ser otra que la desinte- gración, ya sea dentro del molde del �ciudadano libre e igual� del capitalismo, o del trabajador masa del socialismo. En el plano epistemológico, se reproducía una relación asimétrica entre un �sujeto cognoscente� que compartía en lo esencial la visión del mundo de la sociedad occidental domi- nante, y un �otro� étnico, cuya identidad era atribuida desde fuera, o forzada a una redefinición radical, para encajar con los intereses mas vastos del campesinado y el proletariado. Pese a todas las declaraciones verbales de compromiso con el pueblo, y la adscripción principista a una epistemología �di- aléctica�, la labor investigativa generada por la mayoría de instituciones y militantes de la izquierda acabó condenando al silencio y a la intraductibilidad a las conceptualizaciones 160 y sistematizaciones generadas desde adentro del grupo indí- gena estudiado. El silencio no fue roto por los investigadores, sino por los propios indígenas. El dramático final de los procesos po- líticos reseñados � clausura, en la mayor parte de los casos violenta, de las �aperturas democráticas�, escaladas represi- vas, clandestinización de las organizaciones sindicales y po- líticas de izquierda � modificó sustancialmente el contexto de la investigación social en nuestros países. La desmoraliza- ción y fragmentación del movimiento popular institucionali- zado, se vio sin embargo contrastada por la emergencia de nuevos actores sociales, de difícil categorización según las concepciones habituales. De entre ellos � que abarcan una gama muy variada de definiciones no estrictamente clasis- tas, como los movimientos de mujeres, la movilización juve- nil, barrial y regional � quizás el más significativo para los países andinos sea el movimiento indio. Las causas que explican estos fenómenos son difíciles de establecer. Es posible que la intensa movilización social precedente � en muchos casos con significativa participaci- ón del campesinado-indio � hubiese llevado a sus límites las estructuras estatales destinadas a cooptar y controlar a estos sectores, y a neutralizar sus conflictos. Con ello se produjo la quiebra de los modelos de control social como el indigenis- mo, el clientelismo y el �bonapartismo� estatal, que anterior- mente habían servido para bloquear las demandas autóno- mas de estos sectores. Lo cierto es que en la década del 70 surgen en toda el área vigorosos procesos de autoconciencia étnica y se forman organizaciones que reclaman para sí el derecho de generar sus propias sistematizaciones ideológicas y políticas, despla- zando del rol de intermediarios a los intelectuales y cientis- tas sociales de las diversas disciplinas. Un antropólogo co- lombiano hace al respecto una conmovedora declaración post- facto: CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 161Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI �Ya sabemos que la opción de una etnología positiva y aca- demicista no es satisfactoria y nuestra desconfianza de un �activismo antropológico� irresponsable es justificada, (pues) la experiencia nos ha demostrado que éste se enfrenta desfa- vorablemente al poder constituido. Además, debemos acep- tar que los indígenas nos desplacen de su vocería y su defen- sa: Ellos mismos la van asumiendo cada día más, aún a costa de pagar con sus vidas... debemos estar preparados, pues hacer etnología será cada vez más difícil� (Uribe, 1980) Es claro que los matices subversivos de la investigaci- ón no eran nada nuevo en la década de los años 80. Sin em- bargo, las dificultades de la práctica antropológica no pudie- ron ser reconocidas sino más tarde, gracias a que las movili- zaciones y organizaciones indias asumían un creciente con- trol y crítica frente a los intentos de instrumentalización del investigador y del político de izquierda. Fue ésta la base de los más sustanciales cuestionamientos epistemológicos y te- óricos hacia las disciplinas que trabajan con las sociedades indias. 2. La investigación-acción: ¿un nuevo paradigma? La emergencia de nuevos fenómenos políticos y movi- lizaciones populares en el período precedente � fines de la década del 60 y principios de la del 70 � no dejó, sin embar- go, de producir importantes modificaciones en la práctica investigativa. La instrumentalización implícita de la meto- dología positivista, con su pretendida �neutralidad valorati- va�, fue criticada en la práctica y refutada en la teoría. Por otra parte, el contacto intensificado de los investigadores con sujetos sociales activos y movilizados comenzó a generar, nuevos estilos de trabajo, poco ortodoxos pero más adecua- dos a las exigencias prácticas del momento. El énfasis co- menzó a desplazarse de una exigencia interna a la lógica del investigador (búsqueda de coherencia, verificabilidad, ope- racionalización), a una exigencia externa y políticamente com- 162 prometida: Producir conocimientos y resultados de investi- gación significativos no sólo para el investigador y la comu- nidad académica, sino también para los intereses del grupo estudiado. Estos eran entendidos por lo general en términos de necesidades de transformación radical de las condiciones de explotación y opresión a que se halla sometido. Estos nue- vos estilos, surgidos al calor de la movilización social y polí- tica, comenzarona producir reflexiones y sistematizaciones, y a clarificar sus diferencias con la tradición heredada por las ciencias sociales latinoamericanas, El ejemplo colombiano puede servir de marco adecua- do para analizar estos procesos. En 1977, se realizó en Carta- gena un simposio mundial sobre �Crítica y Política en Cien- cias Sociales� (Punta de Lanza, 1978), que constituyó un im- portante intento de sistematizar y evaluar las implicaciones epistemológicas y teóricas de las nuevas prácticas investiga- tivas. En una situación que ofrece interesantes paralelismos con los efectos del llamado �boom latinoamericano� en lite- ratura, el subcontinente parecía estar asumiendo un auténti- co liderazgo en materia de investigación comprometida. En Cartagena se consolidó así la posición de los investigadores de la región, que esgrimían a la investigación � acción como una práctica llamada a jugar el papel de nuevo paradigma para las ciencias sociales (Moser, 1978). Producto de muchos años de experimentación, esta propuesta epistemológica pa- recía ser capaz de articular las exigencias del rigor científico con las demandas pragmático-políticas de una radical trans- formación de. la sociedad. Pero a pesar del énfasis puesto en la interacción cotidi- ana con las colectividades investigadas, pienso que la razón instrumental subyacente en el positivismo sólo sufrió un des- plazamiento, pero no una radical transformación. Si antes se había instrumentalizado a estas colectividades en función de la verificación de hipótesis y teorías construidas asimétrica- mente desde fuera del espacio cognoscitivo �popular�, ahora CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 163Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI se las instrumentalizaba en áreas de proyectos de cambio so- cial y político que, si bien se legitimaban como �intereses generales� del pueblo, se situaban igualmente en la esfera de una intelectualidad externa, encarnada en las cúpulas de los partidos políticos que se disputaban la representación del movimiento popular. Lo ocurrido en la década del 70 con los esfuerzos de investigación-acción en el contexto de la imponente movili- zación social de la ANUC (Asociación Nacional de Usuarios Campesinos) en Colombia, es una muestra palpable de este fenómeno (Rivera, 1982). La ANUC, que había surgido a principios de la década de los años 70 como expresión de las tensiones generadas por el tímido proceso de reforma agraria implementado por Lleras Restrepo, contó desde sus inicios con el aporte de des- tacados investigadores, que volcaron sus esfuerzos a la pro- ducción de trabajos significativos para la movilización cam- pesina. Estas investigaciones, surgidas en la interacción con los participantes de la intensa ola de tomas de tierras, inten- taban promover la organización de nuevas formas producti- vas capaces de superar las perspectivas de fragmentación parcelaria de los campesinos movilizados. Así surgieron los �baluartes de autogestión campesina�, que, apoyados en prác- ticas de comunicación y educación popular, buscaban recu- perar las tradiciones de solidaridad y cooperación locales, generando una suerte de �enclaves� socialistas, que manten- drían vivas las energías revolucionarias del campesinado mientras se consumase la transformación total de la socie- dad. No obstante, el enorme esfuerzo de estos equipos de investigación-acción, terminó apuntalando la estrategia polí- tica de una organización que se formó con base en la alta cúpula de la ANUC y dirigentes izquierdistas de origen uni- versitario. Tras múltiples episodios de conflicto con el Esta- do y con otras fuerzas de izquierda, este grupo terminó con- 164 tribuyendo a la disgregación y fragmentación de la ANUC. La manipulación sindical por parte de este grupo de izquierda se extendió también al movimiento indio colombiano, que desde el sur del país daba sus primeros pasos en busca de recuperar sus tierras y fortalecer su identidad y cultura. La meta global del movimiento se orientó entonces a consolidar un �sujeto-partido�, representante en gran medida auto-atri- buido del interés popular, que convirtió su discurso en me- canismo legitimador y encubridor de una nueva asimetría social, en la que las elaboraciones teóricas de la cúpula se distanciaron irremediablemente de las percepciones internas del campesinado � mestizo o indio �, creando las condicio- nes para una acentuada vulnerabilidad y fragmentación. Todo ello fue posible, además, porque la teoría marxista, sustenta- da en la visión homogeneizadora de la clases sociales, no fue capaz de dar cuenta de las demandas diferenciadas de los distintos componentes del movimiento, sujeto en muchas re- giones a una cadena colonial de discriminación y exclusión. El recuento de esta experiencia nos sirve para adelan- tar un razonamiento, que la experiencia de los países andi- nos confirmará con mucha mayor contundencia. La lógica instrumentalizadora que se vislumbra en las direcciones po- líticas de la ANUC ha sido legitimada por un enfoque teórico que supone la posibilidad de una representación del campe- sinado-indio por parte de individuos o grupos de otra extrac- ción social y cultural. Ello quizás sería posible si en nuestros países hubiese estado plenamente conformado el �individuo libre e igual� del capitalismo, proceso a través del cual que- darían difuminados los comportamientos corporativos y las identidades diferenciadas propias de situaciones coloniales. La no verificación de este proceso de individuación es un hecho que salta a la vista, más aún en países como Bolivia, donde la heterogeneidad étnica es un fenómeno masivo y vi- goroso, y donde las estructuras de poder continúan asenta- das en una matriz de claro corte colonial. CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 165Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI El déficit de la investigación-acción, tal como ha sido practicada en nuestros países, resulta entonces de dos órde- nes de fenómenos. El uno, de naturaleza epistemológica, por el cual se reproduce la asimetría sujeto-objeto a través de la instrumentalización de las necesidades y demandas de los sectores populares hacia metas colectivas formuladas desde fuera de dichos sectores, las cuales poco tienen que ver con las percepciones endógenas. Y el otro, de orden teórico � que en este caso, es déficit de la teoría marxista de las clases sociales � que presume la intercambiabilidad de experiencias, es decir, la �traductibilidad� fundamental de lo vivido, pro- pia de situaciones de homogeneidad social y cultural, inexis- tentes en nuestros países debido a la continuidad de las es- tructuras de dominación y discriminación coloniales. 3. La historia oral: ¿más allá de la lógica instrumental? El contexto de los proyectos de historia oral realizados por el THOA se enmarca, al igual que en otros países, en la crisis de los modelos de sistematización teórica comprometi- da con proyectos de transformación social generados desde la izquierda partidista. La emergencia de nuevos movimien- tos y organizaciones indios, que no encajan en el marco de las contradicciones estructurales de clase, constituye el ne- cesario telón de fondo de estos esfuerzos de investigación. Estos movimientos han forjado una vasta corriente opi- nión que cuestiona el �pongueaje político� por parte de los gobiernos de turno, al igual que la manipulación interesada de los grupos de izquierda, que niegan la problemática étni- ca o la combaten abiertamente, acusando a sus portavoces de �racismo�. La autonomía de su discurso ideológico se nutre de la recuperación de horizontes �cortos� y �largos� de me- moria histórica, que remiten a las luchas anticoloniales del siglo XVIII, tanto como a la fase de mayor autonomía y movi- lización democrática de la revolución nacional de 1952 (Ri- vera, 1984). Los símbolos y temáticas del movimiento se 166 manifiestan en una doble demanda crítica hacia la sociedad q�ara dominante:la lucha por la ciudadanía � permanente- mente escamoteada por la vigencia de mecanismos de discri- minación y exclusión � y la lucha por el respeto a la autono- mía cultural y territorial india enarbolada con firmeza como fuente de autodeterminación política. Estos dos temas centrales generarán también diferencia- ciones internas en el movimiento: algunos sectores privilegian los elementos de ciudadanía, buscan alianzas internas con otros sectores oprimidos y explotados en términos de clase, y enmarcan sus luchas en el contexto de la nación boliviana. Otros, en cambio, enfatizan la liberación india frente a toda una estructura multisecular de poder colonial. El debate de- semboca en la formación de Partidos y Movimientos Políti- cos Indios de diversa composición y énfasis programático, que en conjunto forman un espectro de posiciones comple- mentarias que contribuyen a profundizar y ampliar el debate sobre la cuestión colonial en el conjunto de la sociedad (Ri- vera, 1984 a). Obviamente, el énfasis sobre la historia es central a to- dos estos movimientos: el pasado adquiere nueva vida al ser el fundamento central de la identidad cultural y política in- dia, y fuente de radical critica a las sucesivas formas de opre- sión que ejerce sobre el indio la sociedad q�ara. Es en este contexto que surgen los proyectos de historia oral del THOA, como un intento de poner en práctica las exi- gencias de recuperación histórica de los movimientos indi- os. Los propios aymaras sondean vínculos con intelectuales no-aymaras, eligen sus potenciales aliados e invierten así una larga tendencia de manipulación entre indios y criollos. La selección se basa no sólo en los discursos explícitos de los sectores criollos: sobre todo se evalúan los comportamientos y prácticas cotidianas, conscientes de que la brecha entre lo que se dice y lo que se hace es rasgo central del accionar político q�ara. Obviamente, un requisito básico exigido al CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 167Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI intelectual no-indio es su total desvinculación de la política partidista. Así surge el trabajo con los comunarios de Ilata y los familiares y escribanos del cacique-apoderado Santos Marka Tula, que cuenta con la aceptación de los organismos sindicales locales y regionales. Cristalizan equipos mixtos, bajo conducción aymara, que se sujetan a las exigencias éti- cas de los comunarios de base, con quienes se definen las metas, tareas y formatos de la investigación. La recolección de testimonios por hablantes nativos del aymara permite superar las brechas de comunicación habi- tuales, pero además, la devolución sistemática de resultados permite que la �fidelidad� de la información recogida sea evaluada en términos de los intereses y percepciones inter- nas de los comunarios y dirigentes aymaras. Las discusiones generan un proceso permanente de refinamiento metodoló- gico: en él resaltan los aspectos interaccionales y éticos del proceso de comunicación que se genera en las entrevistas, y se desarrollan instancias de consulta, tanto con las comuni- dades como con las organizaciones e instituciones aymaras de base urbana. Así, en ocasión de la presentación de la bio- grafía de Santos Marka Tula (THOA, 1984), se realiza un acto público en la comunidad de Chuxña-Ilata, donde los ancia- nos entrevistados comienzan a formular críticas a la conduc- ción sindical posterior a 1952. Los vínculos intergeneracio- nales � rotos en gran medida por efecto de la imposición del sindicato � van siendo restablecidos, y el puente entre pasa- do y presente recupera su fluidez. Por otra parte, la reconstrucción histórica comienza a prestar más atención a las percepciones internas de los comu- narios: su visión de la historia, de la sociedad y el estado q�aras: estas percepciones contrastan radicalmente con la versión que genera el mundo criollo sobre la resistencia india. De este modo no sólo se fundamenta una posición crítica frente a la histo- riografía oficial, sino que se descubre la existencia de raciona- lidades históricas diversas, que cumplen funciones legitima- 168 doras de las respectivas posiciones en conflicto. Otro aspecto fundamental del trabajo es la atención que se presta a la historia mítica � categoría fundamental del pen- samiento histórico indio (cf. Mamani, 1986). El mito funcio- na como mecanismo interpretativo de las situaciones históri- cas, sobre las cuales vierte sanciones éticas que contribuyen a reforzar la conciencia de legitimidad de la lucha india. In- teresa, por lo tanto, no sólo reconstruir la historia �tal cual fue�, sino también, fundamentalmente, comprender la forma cómo las sociedades indias piensan e interpretan su experi- encia histórica (Rivera, 1982 a.). En este proceso, puede dar- se incluso una contradicción entre temporalidades y lógicas históricas: si la historia documental presenta una sucesión lineal de eventos, la historia mítica � y las valoraciones éti- cas que implica � nos remite a tiempos largos, a ritmos lentos y a conceptualizaciones relativamente inmutables, donde lo que importa no es tanto �lo que pasó�, sino por qué pasó y quién tenía razón en los sucesos: es decir, la valoración de lo acontecido en términos de la justicia una causa. En este sen- tido, la historia oral india es un espacio privilegiado para descubrir las percepciones profundas sobre el orden coloni- al, y la requisitoria moral que de ellas emana: a pesar de los cambios de gobierno, de los mecanismos diversos de domi- nación y neutralización, se descubren las constantes históri- cas de larga duración, encarnadas en el hecho colonial, que moldean tanto el proceso de opresión y alienación que pesa sobre la sociedad colonizada, como la renovación de su iden- tidad diferenciada. 4. Hacia una teoría de la dominación colonial Lo oral indio es en Bolivia el espacio fundamental de la crítica, no sólo al orden colonial, sino a toda la concepción occidental de la historia, que sitúa lo �histórico� tan sólo a partir de la aparición de la escritura, y legitima por lo tanto la invasión colonial como una heroica misión �civilizadora�. La CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 169Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI práctica historiográfica india permite, por el contrario, des- cubrir estratos muy profundos de la memoria colectiva: el iceberg sumergido de la historia precolonial, que se transmi- te a través del mito hacia las nuevas generaciones, alimen- tando la visión de un proceso histórico autónomo y la espe- ranza de recuperar el control sobre un destino histórico alie- nado por el proceso colonial (cf. Mamani, 1986). La conexión mito-historia recupera así su valor herme- néutico y permite descubrir el sentido profundo de los ciclos de resistencia india, en los cuales la sociedad oprimida reto- ma su carácter de sujeto de la historia. Las rebeliones, que siempre fueron vistas como una reacción �espasmódica� (cf. Thompson) frente a los abusos de la sociedad criolla o es- pañola, pueden leerse entonces desde otra perspectiva: como puntos culminantes de un proceso de acumulación ideológi- ca subterránea, que salen cíclicamente a la �superficie� para expresar la continuidad y autonomía de la sociedad india. Se ha superado así la visión instrumental del mito como un es- pacio de conocimientos de los inmanentes universales del �pensamiento salvaje�, o bien � en el otro polo � como mera fabricación de la imaginación, desconectada por completo de la realidad �objetiva�. Historia cíclica e historia mítica permiten aún otro descubrimiento: la interacción entre el pasado y el presen- te corre por diversos caminos en una sociedad como la nuestra. Cada segmento de ella � la casta dominante, la sociedad india colonizada, pasando por toda una cadena de mediaciones basada en el mestizaje cultural � razona históricamente de distinta manera. Tenemos, entonces, no historia, sino historias, todas ellasde diversa profundidad. A veces, una movilización social concreta conjuga hori- zontes históricos diversos, y los articula en formas ideoló- gicas complejas � tal, por ejemplo, el caso de la combina- ción entre los temas referidos a la igualdad ciudadana, y aquellos vinculados a la diferenciación y autonomía étni- 170 cas, que se presentan en la mayoría de movimientos indi- os contemporáneos. Pero la existencia de estos horizontes no forma una sucesión lineal que permanentemente se su- pera a sí misma y avanza hacia un �destino�: son referen- tes inherentemente conflictivos, parcelas vivas del pasado que habitan el presente y bloquean la generación de meca- nismos de totalización y homogeneización. Por lo tanto, no son intercambiables, y exigen un proceso de auténtica y simétrica �traducción�. La inteligibilidad y convivencia social bolivianas son entonces fenómenos en los que no sólo se reúnen diversas y conflictivas identidades lingüís- ticas y regionales: en el presente coexisten seres intrínse- camente no-contemporáneos, cuyas contradicciones entre sí están más enraizadas en la diacronía, que en la esfera sincrónica del modo de producción o de las clases soci- ales. Además de las implicaciones de este fenómeno para los procesos de comunicación de los resultados de la in- vestigación histórica, ello supone, a mi juicio, una radical crítica frente a todas las conceptualizaciones generadas a partir de paradigmas basados en la homogeneidad de la sociedad. Otro aspecto conexo, que emana de estas reflexiones, se refiere a la conexión entre historia oral e historia �estruc- tural�. La coexistencia de múltiples historias no configura un universo desorganizado y errático de �sociedades� que habi- tan un mismo espacio como compartimientos estancos. To- das ellas están organizadas de acuerdo al eje colonial, que configura una cadena de gradaciones y eslabonamientos de unos grupos sobre los otros. En tal sentido, la cuestión colo- nial apunta a fenómenos estructurales muy profundos y ubi- cuos, que van desde los comportamientos cotidianos y esfe- ras de �micro-poder�, hasta la estructura y organización del poder estatal y político de la sociedad global. Para finalizar, vamos a señalar algunas de las implica- ciones epistemológicas que entraña la práctica de la historia CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 171Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI oral en un contexto de opresión colonial. Si la estructura ocul- ta, subyacente de la sociedad es el orden colonial, los inves- tigadores occidentalizados están siendo reproductores incons- cientes de este orden por el sólo hecho de centrar sus inqui- etudes conceptuales en las teorías dominantes de la homoge- neidad social. Al pensar en términos homogéneos y sincróni- cos, homogeneizan; al pensar en los indios como �campesi- nos� están negando activamente su �otredad� y contribuyen- do a reforzar la opresión colonial � basada, precisamente, en la negación y exclusión. Están, también, atribuyendo exter- namente identidades e imponiendo modificaciones en la au- topercepción india. Se convierten entonces en cómplices del etnocidio y del despojo, y perpetúan la condición alienada del conjunto de la sociedad, incluyendo su propia alienaci- ón, que los convierte en tributarios de segunda mano de un orden conceptual y racional ajeno y adverso. Todas sus invo- caciones de nacionalismo y �antiimperialismo� están pues asentadas sobre fundamentos de arena, pues � ya lo dijo el Inca Yupanki � un pueblo que oprime a otro no puede ser libre. La historia oral en este contexto es por eso mucho más que una metodología �participativa� o de �acción� (donde el investigador es quién decide la orientación de la acción y las modalidades de la participación): es un ejercicio colectivo de desalienación, tanto para el investigador como para su inter- locutor. Si en este proceso se conjugan esfuerzos de interac- ción consciente entre distintos sectores: y si la base del ejer- cicio es el mutuo reconocimiento y la honestidad en cuanto al lugar que se ocupa en la �cadena colonial�, los resultados serán tanto más ricos en este sentido. Por ello, al recuperar el estatuto cognoscitivo de la ex- periencia humana, el proceso de sistematización asume la forma de una síntesis dialéctica entre dos (o más) polos ac- tivos de reflexión y conceptualización, ya no entró� un �ego cognoscente� y un �otro pasivo�, sino entre dos sujetos que 172 reflexionan juntos sobre su experiencia y sobre la visión que cada uno tiene del otro. Con ello se generan las condiciones para un �pacto de confianza� (cf. Ferrarotti), de innegable valor metodológico, que permite la generación de narrati- vas autobiográficas en cuyo proceso la conciencia se va trans- formando: superando lo meramente acontecido para descu- brir lo significativo, aquello que marca al sujeto como un ser activo y moralmente comprometido con su entorno so- cial. Estudios como el de Antonio Males (1985) en el Ecua- dor, muestran el grado de compenetración mutua entre el investigador y sus interlocutores. Antonio, indio otavaleño y antropólogo social, ha logrado un recuento muy rico de la experiencia de los otavaleños residentes y migrantes a la ciudad, en el que destaca la preocupación común por una identidad amenazada. Esta experiencia compartida podría lograrse también en la interacción de sectores heterogéneos (indios y mestizos; trabajadores manuales e intelectuales) siempre y cuando el investigador sepa superar los bloqueos de comunicación (lingüísticos, culturales) y las brechas de comportamiento, hábito y gesto inconsciente que marcan � más que ningún elemento discursivo o consciente � las re- laciones de asimetría social y cultural en el contexto de si- tuaciones coloniales. Elemento crucial de este postulado de simetría será también la disponibilidad del investigador a sujetarse al control social de la colectividad �investigada�: este control se refiere no sólo al destino que tendrá el pro- ducto final de la investigación, sino al compartir los avala- res de todo el proceso, desde la selección de temas, el di- seño de las entrevistas, el sistema de trabajo, la devolución sistemática de transcripciones y las finalidades o usos de los materiales resultantes. Resulta, obvio que la modificación de los términos y sentidos metodológicos de la investigación alcanzarán tam- bién a los métodos de exposición de resultados finales. Los materiales llamados de �educación popular� utilizados con CUSICANQUI, Silvia Rivera � El Potencial Epistemológico y Teórico de La Historia Oral 173Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI frecuencia por las instituciones, implican una definición unilateral de contenidos atribuidos externamente a lo �po- pular�. Muchos de estos materiales revelan un gesto abierto de paternalismo criollo, al reproducir interpretaciones ofi- ciales de la historia en versión �popularizada�, convertida en mensaje digerible para un �pueblo� al que se presupone simple, despojado de toda sutileza conceptual o lingüística. Si, por el contrario, las comunidades y movimientos inves- tigados participan activamente en todas las fases de la in- vestigación, se descubrirá la complejidad y riqueza de los modos de pensamiento y visiones de la historia que gene- ran los propios actores en su experiencia vital. Más allá de la �popularización de la historia�, que refuerza la lógica ins- trumental y la manipulación ideológica del investigador, nos aproximaremos entonces a la desalienación y descoloniza- ción de la historia. REFERENCIAS BORGES, Jorge Luis. (1974). El Etnógrafo, en Obras Completas. Buenos Aires: Ed. Emecé. FERRAROTTI, Franco. (1983). Histoire et histoires de vie: la métho- de biographique dans les sciencies sociales. Paris: Ed. Libraire des meridiens. GARAVAGLIA, J. Carlos. (1973). Introducción, en Assadourian et al. Modos de Producción En América Latina. Cuadernos de Pasado y Presente, Córdoba. MALES, Antonio. (1985). Vilamanta Ayllucunapac puntacausai. 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Trata-se de repensar um projeto social e político contra-hegemônico, capaz de reordenar as relações tradicionais entre Estado e So- ciedade, entre o universalismo ético e o relativismo cultural, entre a razão prática e a filosofia do sujeito, entre o discurso de integração e de diversidade, entre as formas convencio- nais de legalidade e as experiências plurais não-formais de jurisdição. Ressignificar outro modo de vida impulsiona a dimen- são cultural por outras modalidades de experiência, de rela- ções sociais e ordenações das práticas emergentes e institu- intes. Em tal intento, a prioridade não estará no Estado-Naci- onal e no Mercado, mas, presentemente, na força da socieda- de enquanto novo espaço comunitário de efetivação da plu- ralidade democrática, comprometida com a alteridade e com a diversidade cultural. Em sua capacidade geradora, o poder * Artigo foi publicado, em uma primeira versão, na Revista Sequência. CPGD/ UFSC, nº 53, dez.2006, p. 113-128. 180 WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos da instância societária proporciona, para os horizontes insti- tucionais, valores culturais diferenciados, procedimentos dis- tintos de prática política e de acesso à justiça, �novas defini- ções de direitos, de identidades e autonomia�, projetando a força de sujeitos sociais como fonte de legitimação do locus sociopolítico e da constituição emergente de direitos que se pautam pela dignidade humana e pelo reconhecimento à di- ferença. Ora, diante dos recentes processos de dominação e ex- clusão produzidas pela globalização, pelo capital financeiro e pelo neoliberalismo que vem afetando substancialmente relações sociais, formas de representação e de legitimação, impõe-se repensar politicamente o poder de ação da comuni- dade, o retorno dos agentes históricos, o aparecimento inédi- to de direitos relacionados às minorias e a produção alterna- tiva de jurisdição, com base no viés interpretativo da plurali- dade de fontes. Certamente que a constituição de uma cultu- ra jurídica antiformalista, antiindividualista e antimonista, fundada nos valores do poder da comunidade, está necessa- riamente vinculada aos critérios de uma nova legitimação social e de um novo diálogo intercultural. O nível dessa efi- cácia passa pelo reconhecimento da identidade1 dos sujeitos sociais (aqui incluindo os grupos culturais minoritários), de suas diferenças, de suas necessidades básicas e de suas rei- vindicações por autonomia. Por conseguinte, é fundamental destacar, na presente contemporaneidade, as novas formas plurais emancipatórias e contra-hegemônicas de legitimação do Direito.2 Antes de mais nada, na perspectiva da América Latina, para se instituir uma cultura político-jurídica mais democrá- 1 Compreende-se, aqui, identidade como o conjunto de características específicas a determinado grupo humano, em seu modo de ser, pensar e agir. 2 SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Reconhecer para Libertar: os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. p. 25-66. 181Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI tica é necessário pensar e forjar formas de produção do co- nhecimento que partam da práxis democrática pluralista en- quanto expressão do Direito à diferença,3 à identidade coleti- va, à autonomia4 e à igualdade de acesso a direitos. Há, por- tanto, que desencadear tal processo, revendo o pluralismo como princípio de legitimidade política, jurídica e cultural. Do pluralismo não como possibilidade, mas como condição primeira. É o que se verá nesta reflexão: ao criticar o neocolo- nialismo liberal do capital financeiro e os desenfreados ge- nocídios étnico-culturais, introduz o pluralismo democráti- co como instrumento de luta para combater as mazelas da globalização e para legitimar-se como estratégia contra-hege- mônica de afirmação aos direitos humanos emergentes. 1. Processos de mundialização e ações políticas contra-hegemônicas Redefinir a vida humana, configurada na historicidade de sujeitos singulares e coletivos com dignidade, com identi- dade e com reconhecimento à diferença implica ter consciên- cia e lutar contra imposições padronizadas que caracterizam 3 Para León Olivé o Direito à diferença refere-se ao direito dos indivíduos a serem reconhecidos como integrantes de certa comunidade cultural, desfrutando �das condições apropriadas para que esta se preserve, se desenvolva e floresça, de acordo com as decisões que seus membros tomem de maneira autônoma.� (OLIVÉ, León. Multiculturalismo y pluralismo. México: Paidós, 1999. p. 89; _____. Interculturalismo y justicia social. México: UNAM, 2004. p. 89). 4 A autonomia pode ser vista como uma das formas de manifestação do princípio da autodeterminação. Implica a luta de comunidades minoritárias (populações indígenas, grupos afro-americanos, identidades nacionais, etc.) para preservar suas tradições. Tais comunidades podem �estabelecer livremente o seu status político e prosseguir livremente o seu desenvolvimento econômico, social e cultural�. Assim, no entendimento de Yash Ghai, o princípio da autodeterminação confere às comunidades minoritárias o �direito de autonomia ou de autogoverno em relaçãoa questões relacionadas a seus assuntos internos e locais�. (GHAI, Yash. �Globalização, multiculturalismo e direito�. In: SANTOS, Boaventura de S. (Org.). Reconhecer para libertar. p. 570). 182 a sociedade mundial, estremecida com o enfraquecimento dos Estados-nacionais, com a supremacia selvagem do mercado financeiro e com a hegemonia política do neoliberalismo. Nesse sentido, importa sublinhar breve recorte do cenário cultural por fenômenos como globalização e neoliberalismo. Tendo em conta seu impacto no âmbito da vida humana, no Direito e na sociedade, convém explicitar, como faz Octávio Ianni, que a globalização, mais que a �intensificação das rela- ções sociais em escala mundial (...) é uma realidade em pro- cesso, que (...) atinge as coisas, as gentes e as idéias, bem como as sociedades e as nações, as culturas e as civilizações (...)�, colocando-se �o problema do contraponto globalização e diversidade (...).�5 Parece claro que a questão da globalização, introduzida na década de 70 (M. McLuhan) na esfera da comunicação e da cultura, acaba sendo adotada e difundida nos parâmetros da sociedade internacional relacionada à mundialização de políticas econômicas, comerciais e financeiras de grandes conglomerados empresariais. O processo de mundialização do espaço não-nacional é contingência, certamente, dos avanços científicos e das revo- luções tecnológicas (informática, telecomunicação, biotecno- logia, novas formas de energia, como o lazer, etc.).6 Embora sejam processos concomitantes que permanecem interagin- do �nas últimas décadas, há que se diferenciar a globalização WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 5 IANNI, Octávio. �Globalização: novo paradigma das ciências sociais.� In: A Sociologia entre a Modernidade e a Contemporaneidade. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1995. p. 13-25. Constatar, ainda em O. Ianni, A Sociedade Global. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996; BAUMAN, Zygmunt. Globalização. As Conseqüências Humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999; SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização: do pensamento único à consciência universal. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000. 6 Cf. DOWBOR, Ladislau. �Governabilidade e Descentralização� In: São Paulo em Perspectiva. São Paulo: Seade, n. 3, jul.-set./96. p. 23; _____. A Reprodução Social. Propostas para uma Gestão Descentralizada. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 29-46. 183Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI (ampliação do espaço, desterritorialização e transnaciona-li- zação, principalmente econômica, tecnológica e cultural) da doutrina teórico-prática de justificação e legitimização deno- minada neoliberalismo�. Em tal sentido, a interpretação e a prática da ideologia neoliberal, particularmente na América Latina, tem-se projetado como �concepção radical do capita- lismo que tende a absolutizar o mercado, até convertê-lo em meio, em método e fim de todo comportamento humano ra- cional. Segundo essa concepção, ficam subordinados ao mer- cado a vida das pessoas, o comportamento da sociedade e a política dos governos. O mercado absolutista não aceita ne- nhuma forma de regulamentação�7. Tal sistema de princípios e valores exime o Estado de grande parcela de sua responsa- bilidade, limitando-lhe a intervenção e atuação a garantir o mínimo de bens para todo cidadão. Ao ajustar e estabilizar a economia capitalista para as grandes burocracias e as elites financeiras internacionais, o neoliberalismo acabou, na es- teira dessas manobras, contribuindo para acelerar imensos desequilíbrios econômicos, elevadas taxas de desemprego, profundas desigualdades sociais, acentuados desajustes no cotidiano das comunidades locais e o genocídio cultural. Assim, o surgimento de novas formas de dominação e exclusão produzidas pela globalização e pelo neoliberalismo afetou substancialmente também as práticas políticas tradi- cionais e os padrões normativos que têm regulado as condi- ções de vida em sociedade. Tais reflexos têm incidido igual- mente na própria instância convencional de poder, o Estado 7 CARTA dos Superiores Provinciais da Companhia de Jesus da América Latina. O Neoliberalismo na América Latina. São Paulo: Loyola, 1996. p. 19 e 21. Sobre a crítica ao �neoliberalismo�, consultar: SADER, Emir; GENTILI, Pablo. Pós-Neoliberalismo � As Políticas Sociais e o Estado Democrático. 2. ed. Rio de Janeiro: Graphia, 1995; BATISTA, Paulo Nogueira. O Consenso de Washington: a visão Neoliberal dos Problemas da América Latina. 2. ed. São Paulo: Pedex, l994; COMBLIN, José. O Neoliberalismo. Ideologia dominante na virada do século. Petrópolis: Vozes, 2000. 184 nacional e soberano. Nesse aspecto, fica evidente um certo esgotamento do Estado-Nação enquanto instância institucio- nal privilegiada de legitimação. Não parece correto afirmar, como adverte Ianni, que o Estado deixará de existir, mas es- tão sendo postas em discussão suas funções clássicas, para readequá-las aos novos cenários mundiais, gerados pelo con- fronto entre Sociedade e Mercado. Por certo que �as forças sociais, econômicas, políticas, culturais, geopolíticas, religi- osas e outras, que operam em escala mundial, desafiam o Estado-Nação, com a sua soberania, com o lugar da hegemo- nia. Sendo assim, os esforços do Projeto Nacional, seja qual for a sua tonalidade prática ou econômica, reduzem-se, anu- lam-se ou somente podem ser recriados sob outras condições. A globalização cria injunções e estabelece parâmetros, anula e abre horizontes.�8 Diante do declínio das práticas tradicionais de repre- sentação política, da escassa eficácia das estruturas judiciais e estatais em responder à pluralidade de demandas e confli- tos, do crescente aumento de bolsões de miséria e das novas relações colonizadoras de países ricos com nações em desen- volvimento, abre-se a discussão para a consciente busca de alternativas capazes de desencadear diretrizes, práticas e re- gulações voltadas para o reconhecimento à diferença (singu- lar e coletiva) de uma vida humana com maior identidade, autonomia e dignidade. Diante da nova relação entre Estado e Sociedade, em todo esse processo de lutas e superações multiculturais no âmbito local, cria-se um novo espaço comunitário, �de cará- ter neo-estatal, que funde o Estado e a Sociedade no público: WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 8 IANNI, Octávio. 1995. p. 17. Sobre a problematização do Estado-Nação e sua discussão atual, verificar também: HELD, David. La Democracia y el Orden Global. Del Estado Moderno al Gobierno Cosmopolita. Barcelona: Paidós, 1997; FIORI, Jorge Luis. �Globalização, Estados Nacionais e Políticas Públicas�. Ciência Hoje. v. 16, n. 96, dez./93. p. 24-31; NOVAES, Adauto (Org.). A Crise do Estado-Nação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 185Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI um espaço de decisões não controladas nem determinadas pelo Estado, mas induzidas pela sociedade�.9 Nessa perspec- tiva, o pluralismo comprometido com a alteridade e com a diversidade cultural projeta-se como instrumento contra-he- gemônico, porquanto mobiliza concretamente a relação mais direta entre novos sujeitos sociais e poder institucional, fa- vorecendo a radicalização de um processo comunitário parti- cipativo, definindo mecanismos plurais de exercício demo- crático e viabilizando cenários de reconhecimento e de afir- mação de Direitos Humanos. 2. Pluralismo jurídico na perspectiva da alteridade e da participação O reconhecimento do pluralismo na perspectiva da al- teridade e da emancipação revela o locus de coexistência para uma compreensão crescente de elementos multiculturais cri- ativos, diferenciados e participativos. Em uma sociedade com- posta por comunidades e culturas diversas, o pluralismo fun- dado numa democracia expressa o reconhecimento dos valo- res coletivos materializados na dimensão cultural de cada grupo e de cada comunidade.10 Tal intento de conceber a plu- ralidade de culturas na sociedade, de estimular a participa- ção de grupos culturaisminoritários e de comunidades étni- cas se aproxima da temática do �multiculturalismo�11. O ter- 9 GENRO, Tarso F. O Futuro por Armar: democracia e socialismo na era globalitária. Petrópolis: Vozes, 1999. p. 41. 10 Observar: D�ADESKY, Jacques. Pluralismo Étnico e Multiculturalismo. Racismos e Anti-Racismos no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2001. p. 196- 205; VERHELST, Thierry G. O Direito à Diferença. Petrópolis: Vozes, 1992. p. 92; OLIVÉ, Leon. Multiculturalismo y Pluralismo. p. 107 e ss.; _____. Interculturalismo y Justicia Social. p. 70-75 e p. 142. 11 Autores como Adela Cortina relembram que foi na Espanha do tempo da Reconquista que se constituíram os primórdios do debate multicultural, expresso na �convivência de três culturas � cristã, árabe e judia � em um certo número de cidades.� Assim, cabe assinalar �que o começo do debate do multiculturalismo data do século XVI e, concretamente, do momento da grande expansão da cultura européia�. O vocábulo é retomado e passa a ser 186 mo multiculturalismo, que adquire diferentes significados (conservador, progressista, crítico, etc.) expressa, no dizer de Boaventura de S. Santos e João A. Nunes, a �coexistência de formas culturais ou de grupos caracterizados por culturas diferentes no seio da sociedade �moderna�. (...)�.12 Trata-se de �conceito eurocêntrico, criado para descrever a diversidade cultural no quadro dos Estados-Nação do hemisfério norte e para lidar com a situação resultante do afluxo de imigrantes vindos do sul para um espaço europeu sem fronteiras inter- nas, da diversidade étnica e afirmação identitária das mino- rias nos EUA e dos problemas específicos de países como o Canadá, com comunidades lingüísticas ou étnicas territorial- mente diferenciadas. (...) um conceito que o Norte procura impor aos países do Sul um modo de definir a condição his- tórica e identidade destes.�13 Entretanto, como ressaltam Bo- aventura de S. Santos e João A. Nunes, �existem diferentes noções de multiculturalismo (...)�, no caso específico da ver- são emancipatória, esta centraliza-se no reconhecimento �do direito à diferença e da coexistência ou construção de uma vida em comum além de diferenças de vários tipos�14, poden- do tornar-se imperativo como exigência e afirmação do diálo- go. Naturalmente, o pluralismo como valor aberto e democrá- tico, que representa distinções, diversidade e heterogeneida- de, tem no multiculturalismo uma de suas formas possíveis de reconhecimento e articulação das diferenças culturais. WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos utilizado crescentemente nos debates acadêmicos a partir dos anos 70 do século XX, em países como Canadá, Estados Unidos e Austrália. (Ciudadanos del mundo. Hacia una teoría de la ciudadania. Madrid: Alianza, 1999. p. 180 e 183-184). 12 SANTOS, Boaventura de S. (Org.). Reconhecer para Libertar. p. 26; SEMPRINI, Andrea. Multiculturalismo. Bauru/SP: EDUSC, 1999; TAYLOR, Charles et al. Multiculturalismo. Lisboa: Instituto Praget, s/d. 13 SANTOS, Boaventura de S. (Org.). Op. cit., p. 30. 14 SANTOS, Boaventura de S. (Org.). Ibidem, p. 33 e 62; McLAREN, Peter. Multiculturalismo Crítico. São Paulo: Cortez Editora, 1997; ETXEBERRIA, Xabier. Sociedades Multiculturales. Bilbao: Mens Aero, 2004. 187Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI Na configuração dos princípios iniciais de um horizon- te culturalmente compartilhado e dialógico, o pluralismo le- gitima-se como proposta político-multicultural nos níveis te- órico e prático. Sob um viés progressista, o pluralismo se redefine como locus privilegiado que se contrapõe aos extremos da fragmen- tação atomista e da ingerência sem limites do poder político. Enquanto expressão da hegemonia de corpos sociais inter- mediários, o pluralismo tem seu embate articulado contra as diversas formas de individualismo e de estatismo, pautada por autonomia, diferença e tolerância15. A problematização e a relevância da temática pluralis- ta conduz, necessariamente, à discussão das possibilidades de nova cultura jurídica, com legitimação assentada no reco- nhecimento da justa satisfação de necessidades básicas e na ação participativa dos sujeitos insurgentes, singulares e cole- tivos. No âmbito do Direito, a pluralidade expressa �a coexis- tência de normatividades diferenciadas que define ou não relações entre si. O pluralismo pode ter como intento, práti- cas normativas autônomas e autênticas, geradas por diferen- tes forças sociais ou manifestações legais plurais e comple- mentares, podendo ou não ser reconhecidas, incorporadas ou controladas pelo Estado�.16 Certamente que o pluralismo ju- rídico tem o mérito de revelar a rica produção legal informal engendrada pelas condições materiais, lutas sociais e contra- dições pluriclassistas. Isso explica por que, no capitalismo periférico latino-americano, o pluralismo jurídico passa �pela redefinição das relações entre poder centralizador de regula- mentação do Estado e pelo esforço desafiador de auto-regula- ção dos movimentos sociais e múltiplas entidades voluntárias excluídas�.17 15 Cf. WOLKMER, Antonio Carlos. Pluralismo Jurídico - Fundamentos de uma nova cultura no Direito. 3 ed. São Paulo: Alfa-Omega, 2001. p. 174. 16 WOLKMER, Antonio C. Op. cit., p. 222. 17 WOLKMER, Antonio C. Ibidem., p. 223-331. 188 O reconhecimento de outra cultura jurídica, marcada pelo pluralismo de tipo comunitário-participativo e pela le- gitimidade construída através das práticas internalizadas de sujeitos sociais, permite avançar na redefinição e afirmação de direitos humanos numa perspectiva da interculturalida- de. Da interculturalidade entendida como filosofia crítico- cultural, como horizonte de diálogo eqüitativo, �como um espaço da negociação (...), como reconhecimento do pluralis- mo cultural (...), em que nenhuma cultura é um absoluto, senão uma possibilidade constitutivamente aberta a possível fecundação por outras culturas.�18 Ainda que por vezes seja associado ao multiculturalismo (ou uma forma ou variante deste), a interculturalidade tem especificidade própria, pois, tendo em conta o pluralismo cultural e a nova hermenêutica filosófica, revela-se �um horizonte de diálogo�; define-se, conforme Isidoro Moreno, como �um quadro comum de refe- rência metacultural�, compatibilizando �conceitos, estratégi- as, identificação de problemas, valores e formas de negocia- ção de cada parte.19 Para Salas Astrain, a interculturalidade �alude a um tipo de sociedade emergente, em que as comuni- dades étnicas, os grupos e classes sociais se reconhecem em suas diferenças e buscam sua mútua compreensão e valori- zação�, o que se efetiva através de �instâncias dialogais�.20 Já WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 18 MORENO, Isidoro. �Derechos Humanos, Ciudadanía e Interculturalidad�. In: Repensando la Ciudadanía. Emma Martín Díaz y Sebastián de la Obra Sierra (Editores). Sevilla: El Monte, 1998. p. 31. Sobre a discussão da �interculturalidade�, consultar: FORNET-BETANCOURT, Raúl. Transformación Intercultural de la Filosofía. Bilbao: Desclée de Brouwer, 2001; SIDEKUM, Antonio (Org.). Alteridade e Multiculturalismo. Ijuí: UNIJUÍ, 2003. p. 299-316; SORIANO, Ramón. Interculturalismo: entre liberalismo y comunitarismo. Córdoba: Almuzara, 2004. p. 81 e ss.; VALLESCAR PALANCA, Diana (stj). Cultura, Multiculturalismo e Interculturalidad. Hacia una racionalidad intercultural. Madrid: El Perpetuo Socorro, 2000. 19 MORENO, Isidoro. �Derechos Humanos, Ciudadanía e Interculturalidad�. p. 31. 20 SALAS ASTRAIN, Ricardo. �Ética Intercultural e Pensamento Latino- Americano�. In: Alteridade e Multiculturalismo. p. 327. 189Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI na perspectiva hermenêutica da filosofia, a interculturalida- de �tem como tema central a problemática da identidade, o modo de ser, o modo peculiar de pensar�. Trata-se de um dis- curso sobre culturas enquanto �síntese de elementos inova- dores, transportados, assimiladas num processo histórico.�21 Por conseqüência,a interculturalidade em sua dimensão plu- ralista tem caráter dialógico, hermenêutico e interdisciplinar. Tendo em conta esse espaço transformador e de diálogo intercultural é que se buscam formas alternativas de funda- mentação, quer de um pluralismo jurídico de tipo progressis- ta, quer dos direitos humanos como processo intercultural. Certamente que tais pressupostos instituem-se na práxis par- ticipativa de sujeitos insurgentes diferenciados e no reconhe- cimento da satisfação de suas necessidades dentre os quais, a vida humana com dignidade e com respeito à diversidade. Assim, cumpre considerar que no espaço da multicul- turalidade de �interações das formas de vida, empregar pro- cessos comunitários significa adotar estratégias de ação vin- culadas à participação consciente e ativa de novos sujeitos sociais. É ver em cada identidade humana (individual e cole- tiva) um ser capaz de agir de forma solidária e emancipadora, abrindo mão do imobilismo passivo liberal e do beneficia- mento individualista comprometido�.22 É desse modo que o conceito histórico-cultural de �sujei- to� está, mais uma vez, associado a uma tradição de utopias revolucionárias, de lutas e de resistências. Num cenário de exclusões, opressões e carências, as práticas emancipadoras das novas identidades sociais (múltiplos grupos de interes- ses, movimentos sociais, corpos intermediários, redes de in- termediação, ONGs) revelam-se portadoras potenciais de re- 21 SIDEKUM, Antonio. �Alteridade e Interculturalidade�. In: Alteridade e Multiculturalismo. p. 287-288. 22 Cf. WOLKMER, Antonio Carlos. �Direitos, Poder Local e Novos Sujeitos Sociais�. In: RODRIGUES, H. W. [Org.]. O Direito no Terceiro Milênio. Canoas: Ulbra, 2000. p. 97. 190 centes e legítimas formas de fazer política, bem como fonte inovadora e plural de produção normativa.23 A ineficácia das instâncias legislativas e jurisdicionais do clássico Direito Moderno (capitalista, liberal e formalista) favorece �a expansão de procedimentos extrajudiciais e prá- ticas normativas não-estatais�, exercidas por subjetividades sociais que, apesar de, por vezes, oprimidas e inseridas �na condição de �ilegalidade� para as diversas esferas do sistema oficial, definem uma forma plural e emancipadora de legiti- mação. [...]. Os centros geradores de Direito não se reduzem mais tão-somente às instituições oficiais e aos órgãos repre- sentativos do monopólio do Estado Moderno, pois o Direito, por estar inserido nas práticas e nas relações sociais das quais é fruto, emerge de diversos centros de produção normativa. As novas exigências globalizadas e os conflitos em es- paços sociais e políticos periféricos, tensos e desiguais, como os da América Latina, torna, presentemente, significativo con- ceber, na figura dos novos movimentos sociais, uma fonte legítima de engendrar práticas legais emancipadoras e cons- tituir direitos humanos, bem como reconhecer ações contra- hegemônicas de resistência ao desenfreado processo de des- regulamentação e descons-titucionalização da vida.24 Posta a questão dos sujeitos sociais como primeiro pres- suposto de fundamentação, cabe considerar, agora, o reco- nhecimento das necessidades humanas e sua justa satisfação como critério para serem pensadas novas formas de legitima- ção no âmbito do pluralismo jurídico centrado na alteridade e na emancipação. A estrutura das necessidades humanas que permeia a coletividade refere-se tanto a um processo de sub- jetividade, modos de vida, desejos e valores, quanto à cons- tante �ausência� ou �vazio� de algo almejado e nem sempre realizável. Por serem inesgotáveis e ilimitadas no tempo e no WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 23 WOLKMER, �Direitos, Poder...�, Op. cit., p. 104. 24 Cf. WOLKMER, �Direitos, Poder...�, Ibidem, p. 104-105. 191Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI espaço, as necessidades humanas estão em permanente re- definição e criação.25 O conjunto das necessidades humanas varia de uma sociedade ou cultura para outra, envolvendo amplo e complexo processo de socialização. Há que distin- guir, portanto, na problematização das necessidades, suas implicações contingentes com exigências de legitimação. Ora, na reflexão de autores como Agnes Heller, uma necessidade �pode ser reconhecida como legítima se sua sa- tisfação não inclui a utilização de outra pessoa como mero meio�.26 Torna-se, deveras, imprópria qualquer determinação arbitrária sobre a qualidade e a quantidade das necessidades, cabendo ao cidadão � comprometido com o procedimento justo � não só rechaçar a idéia de objetivações cotidianas in- teriorizadas por dominação, como, sobretudo, �praticar o re- conhecimento de todas as necessidades, cuja satisfação não supõe o uso� e a exploração dos demais membros da comuni- dade.27 É inegável que, em tempos de transição paradigmática, a configuração de perspectiva jurídica mais progressista, in- terdisciplinar e intercultural, expressa na prática determinante e efetiva de novos sujeitos históricos, projeta-se não só como fonte de legitimação da pluralidade jurídica emancipatória e de direitos humanos diferenciados, mas também como meio privilegiado de resistência radical e contra-hegemônica aos processos de exclusão e de desconstitucionalização do �mun- do da vida�. 25 Cf. WOLKMER, Antonio Carlos. �Sobre a Teoria das Necessidades: a condição dos novos direitos�. In: Alter Ágora. Florianópolis: CCJ/UFSC, n. 01, maio/ 1994. p. 43. 26 HELLER, Agnes; FEHÉR, Ferenc. Políticas de la Postmodernidad. Barcelona: Península, 1989. p. 171-172. Ver também: HELLER, Agnes. Teoría de las Necesidades en Marx. Barcelona: Península, 1978. 27 HELLER, Agnes. Más allá de la Justicia. Barcelona: Crítica, 1990. p. 238-239. 192 3. Direitos Humanos: sua dimensão intercultural e emancipatória Na presente contemporaneidade político-institucional, inter-relacionada ao processo capitalista de produção e à ló- gica individualista de representação social, vem impondo-se a busca de �alternativas plausíveis ao capitalismo globaliza- do�.28 Uma das estratégias possíveis está em trazer, para a pauta de discussão, o referencial dos direitos humanos em sua dimensão utópica, emancipadora e multicultural. Mesmo não se atendo a questionamentos sobre a natu- reza, os fundamentos e a evolução histórica, não se poderia deixar de mencionar brevemente que a doutrina dos direitos humanos tem respondido aos valores, exigências e necessi- dades de momentos culturais distintos na historicidade da sociedade moderna ocidental. Assim, há que se reconhecer certos matizes processuais específicos da concepção dos di- reitos humanos liberal-burguesa dos séculos XVIII e XIX e daquela própria de fins do século XX, num cenário de des- construção globalizante neoliberal. Se, por um lado, foi ideologicamente relevante a ban- deira dos direitos humanos como apanágio da luta contra as formas arbitrárias de poder e em defesa da garantia das liber- dades individuais, por outro, além de sua idealização assu- mir contornos formais e abstratos, sua fonte de legitimação reduziu-se ao poder oficial estatal. Parte-se, portanto, de um formalismo monista em que toda produção jurídica moderna está sujeita ao poder do Estado e às leis do mercado. Natural- mente, como reconhece Boaventura de Sousa Santos, a con- cepção moderna dos direitos humanos apresenta limites ine- gáveis. O primeiro argumento reside no fato de que os direi- tos humanos confinaram-se ao direito estatal, limitando �mui- WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 28 HOUTART, François. �Alternativas Plausíveis ao Capitalismo Globalizado�. In: CATTANI, Antonio David (Org.). Fórum Social Mundial. A Construção de um Mundo Melhor. Porto Alegre/Petrópolis: UFRGS/Vozes, 2001. p. 165-178. 193Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI to o seu impacto democratizador�,29 pois deixou-os sem uma base mais direta com outros direitos não-estatais. Um segun- do limite prende-se à negação vivenciada e reproduzida pelo DireitoModerno, traduzida na ênfase técnico-formal pela promulgação positiva de direitos, com a conseqüente negli- gência �do quadro de aplicação�, de negação da real efetivi- dade desses direitos, abrindo uma �distância entre os cida- dãos e o Direito�.30 Para enfrentar o momento histórico assumido pela apro- priação do capital financeiro e pela ordem internacional mar- cada pela globalização neoliberal, percebe-se uma nova fase histórica e uma �nova perspectiva teórica e política no que se refere aos Direitos Humanos�.31 Trata-se de questionar �a na- tureza individualista, essencialista, estatista e formalista dos direitos� e partir para uma redefinição multicultural de Di- reitos Humanos, �entendidos como processos sociais, econô- micos, políticos e culturais que, por um lado, configurem materialmente (...) esse ato ético e político maduro e radical de criação de uma nova ordem; e, por outro, a matriz para a constituição de novas práticas sociais, de novas subjetivida- des antagonistas (...) dessa ordem global�32 vigente. É relevante, portanto, o processo de redefinir e de con- solidar a afirmação de direitos humanos numa perspectiva integral, local e intercultural. Como assinala Flávia Piovesan, �se, tradicionalmente, a agenda de Direitos Humanos centrou- se na tutela de direitos civis e políticos (...), testemunha-se, atualmente, a ampliação dessa agenda tradicional, que passa 29 SANTOS, Boaventura de S. �Os Direitos Humanos na Pós-Modernidade�. In: Direito e Sociedade. Coimbra, n. 4, março/1989. p. 7-8. 30 SANTOS, Boaventura de S. Op. cit., p. 8-9. 31 HERRERA FLORES, Joaquín. �Los Derechos Humanos en el Contexto de la Globalización: tres precisiones conceptuales.� In: Direitos Humanos e Globalização: Fundamentos e Possibilidades desde a Teoria Crítica. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004. p. 95. 32 HERRERA FLORES, Joaquín. Op. cit., p. 95 e 100. 194 a incorporar novos direitos, com ênfase nos direitos econô- micos, sociais e culturais (...)�.33 Torna-se, hoje, primordial, para melhor compreensão dos direitos humanos, direcioná-los em termos multicultu- rais, ou seja, concebê-los como novas concepções de cidada- nia, fundados, como querem Boaventura de S. Santos e João A. Nunes, no �reconhecimento da diferença e na criação de políticas sociais voltadas para a redução das desigualdades, a redistribuição de recursos e a inclusão�34 social. Correto é ponderar que os direitos humanos, engendrados no bojo de uma tradição liberal-burguesa, não estão mais centrados nos direitos individuais, mas incluem direitos sociais, econômi- cos e culturais. Certamente que na evolução dos direitos hu- manos, a discussão do direito das minorias e dos grupos étni- cos marginalizados tem favorecido o cenário do multicultu- ralismo como pauta e como processo de desenvolvimento da democracia em número crescente de países.35 Ao proclamar a legitimidade de que todo indivíduo tem o direito a partici- par da vida cultural (art. 15, �a�), o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966), avança para além, englobando os direitos coletivos das minorias e dos múltiplos grupos étnicos, pois �os direitos individuais à cul- tura não podem ser exercidos efetivamente se não se reco- nhecem ao mesmo tempo os direitos da coletividade cultu- ral.�36 Assim, para Stavenhagen, há de se sustentar que �a luta pelos direitos humanos é tarefa coletiva que requer que WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos 33 PIOVESAN, Flávia. �Direitos Sociais, Econômicos e Culturais e Direitos Civis e Políticos.� In: SUR � Revista Internacional de Direitos Humanos. São Paulo: SUR, n. 1, 1º sem., 2004. p. 29. 34 SANTOS, Boaventura de S. Ibidem, p. 34. 35 Cf. SIDEKUM, Antonio. �Multiculturalismo: desafios para a educação na América Latina�. In: LAMPERT, Ernâni (Org.). Educação na América Latina: encontros e desencontros. Pelotas: EDUCAT/UFPeL. p. 77. 36 STAVENHAGEN, Rodolfo. �Derechos Humanos y Ciudadanía Multicultural: los pueblos indígenas.� In: MARTÍN DÍAZ, E.; OBRA SIERRA, Sebastián (Ed.). Op. cit., p. 102. 195Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI o Estado e o sistema jurídico reconheçam as identidades gru- pais de populações minoritárias, tradicionalmente margina- lizadas e excluídas.�37 Naturalmente, na advertência de Yrigoyen Fajardo, �a resistência da mentalidade monista, monocultural e racista dos operadores jurídicos e políticos (...) constitui uma barrei- ra importante para a efetiva vigência do reconhecimento do pluralismo legal e da construção de um Estado pluricultu- ral�.38 De qualquer forma, urge �a superação do conceito in- dividualista, monocultural e positivista dos direitos huma- nos para, sobre a base da igual dignidade das culturas, abrir caminho para uma definição e interpretação intercultural dos direitos humanos�.39 Em verdade, por trás dos embates pelos direitos huma- nos, surge para Boaventura de S. Santos, �um novo ecume- nismo de lutas contra-hegemônicas, emancipatórias, em que grupos sociais, movimentos de base, partindo de pressupos- tos culturais diferentes � islâmicos, hindus, católicos, pro- testantes � estão tentando encontrar formas de dialogar so- bre, ou sob todas as diferenças culturais que os dividem�.40 Sintetizando, é na perspectiva paradigmática do Plura- lismo Jurídico de tipo comunitário-participativo e com base 37 Ibidem, p. 105. 38 YRIGOYEN FAJARDO, Raquel. �Vislumbrando un Horizonte Pluralista: Rupturas y Retos Epistemológicos y Políticos�. In: LUCIC, Milka Castro (Editora). Los Desafíos de la Interculturalidad: Identidad, Política y Derecho. Santiago: Universidad de Chile, 2004. p. 220-221. Observar sobre o Estado Pluralista: VILLORO, Luis. Estado Plural, Pluralidad de Culturas. México: Paidós, 1998. 39 YRIGOYEN FAJARDO, Raquel. Op. cit., p. 198. Observar, igualmente: EBERHARD, Christoph. �Direitos Humanos e Diálogo Intercultural: uma perspectiva antropológica�. In: BALDI, Cesar A. (Org.). Direitos Humanos na Sociedade Cosmopolita. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. p. 159-203. 40 Entrevista com Prof. Boaventura de S. Santos / Jurandir Marbela, mimeo, Coimbra, 27/12/1995. p. 13. Ver também: Uma Concepção Multicultural de Direitos Humanos. Revista Lua Nova. São Paulo: Cedec, n. 39, 1997. p. 105-124. 196 WOLKMER, Antonio Carlos � Pluralismo Jurídico e Direitos Humanos num diálogo intercultural que se deverá definir e interpretar os marcos de uma nova concepção de direitos humanos. REFERÊNCIAS BAUMAN, Zygmunt. Globalização. As Conseqüências Humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. BATISTA, Paulo Nogueira. O Consenso de Washington: a visão Ne- oliberal dos Problemas da América Latina. 2. ed. São Paulo: Pedex, 1994. BEUCHOT, Mauricio. Interculturalidad y Derechos Humanos. Mé- xico: Siglo XXI/ UNAM,2005. 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Y lo hizo contándome la siguiente curiosa historia: «Eran dos ranas que vivían en un charco. Un día, una de ellas decidió abandonar el lugar porque se sentía aburri- da. Necesitaba conocer nuevas fronteras. Tras despedirse de su compañera partió, dejando a su amiga triste y sola. Con el transcurso del tiempo, pasado un año, la rana viajera regresó al charco. Su amiga, llena de felicidad, tras darle un cálido abrazo, le preguntó: �¿Qué tal el viaje? ¿Cómo te ha ido por ahí?�. El anfibio aventurero le respondió que muy bien, que había conocido paisajes únicos e indescriptibles y cosas in- creíbles y maravillosas. La rana amiga le volvió a preguntar: 201Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI �¿Y qué es lo que más te ha llamado la atención?�. Tras medi- tar un rato, el anfibio viajero le respondió: �pues mira, lo que más me ha sorprendido ha sido descubrir un charco como este pero tan grande tan grande, que no se veía el otro lado.� Evidentemente la rana viajera se refería al mar». Terminado el relato, el abogado ecuatoriano me seña- ló: �moraleja, cuando hablamos del Derecho, estamos ha- blando del charco. Cualquier otra cosa que no sea el charco, es decir, el Derecho, será otra cosa, pero no es el charco, no es el Derecho. Por tanto, hablar de pluralismo jurídico es referirse a sistemas normativos que no son jurídicos, es de- cir, fuera del marco del Estado y del Derecho estatal no hay expresiones jurídicas. Referirnos a ellas es aludir a otra cosa, al igual que cuando describimos el mar no nos estamos refi- riendo al charco�. Con estas palabras y este cuento me quedé algo perple- jo. Resultaba curioso que este estudiante aludía, principal- mente, a un conflicto ya tradicional sobre si hay sistemas normativos no estatales que pueden ser calificados de jurídi- cos. En este caso, para este abogado andino, sólo el Estado resulta ser la fuente única de creación de las normas jurídi- cas. Otras normas de origen social y en donde intervienen otros actores, quedan fuera del charco, por tanto, no pueden ser calificadas como Derecho. Seguidamente, tras pensármelo un rato, recreándome un poco, le contesté al estudiante lo siguiente: es cierto que un charco es un charco, y que para la mayoría de la gente, el Derecho es el Derecho. No obstante, a pesar de que existan múltiples definiciones que acentúan bien el elemento nor- mativo o el institucional o el estructural e, incluso, el social o el valorativo del fenómeno jurídico, también hay que reco- nocerque de la misma manera que el charco es el charco, los hay de diverso tamaño, unos más grandes y otros más chicos. Incluso también nos encontramos con concentraciones de agua que ni se reducen a un charco ni tampoco al mar: hay 202 RUBIO, David Sánchez � Pluralismo Jurídico y Emancipación Social estanques, charcas, lagunas, lagunillas, embalses, presas, bardos... Por esta razón, también aparecen tipos de sistemas jurídicos distintos (Derecho estatal, Derecho canónico, la lex mercatoria, Derecho indígena, Derecho de la Unión Euro- pea...). Pero lo más sorprendente de todo es: �¿de dónde pro- cede el agua del charco?� � Le pregunté �. El abogado me contestó: �de la lluvia�. Le volví a inquirir: �¿Y el agua de la lluvia de dónde viene?�. Respondió: �del mar�. �Luego hay elementos básicos y centrales � afirmé � que unen el charco con las otras clases de acumulación hídrica� (relaciones hu- manas, relaciones de poder, necesidades, ideologías, sujetos, actores sociales...). Asimismo, inmediatamente le comenté que el charco puede estar lleno de agua estancada y putrefacta si no se renueva. Incluso puede secarse si hay un periodo largo de sequía. Las ranas pueden acabar muertas si se descuidan. Mi moraleja, que va dirigida tanto hacia él como hacia los lectores de esta obra que estamos presentando al público hispanohablante, se centra en lo siguiente: cuando hablamos del fenómeno del pluralismo jurídico nuestra posición de- penderá, no solamente de la noción que tengamos sobre lo que es el Derecho (si es como el charco o, por el contrario, implica más cosas que no se reducen a él), sino también de la disposición y la capacidad que poseemos para visualizar, re- lacionar y vincular los distintos elementos del mundo en donde vivimos y en el que, también, participamos, formando el ámbito jurídico parte del mismo. Además, hay que tener en cuenta quiénes son los actores que consideramos intervi- enen en el proceso de creación de la realidad y, en el caso del Derecho, en el proceso de su generación, su interpretación y su uso. Por esta razón, podemos concebir el mundo jurídico como un único sistema independiente y separado del con- texto histórico, social, cultural, político y económico, o todo lo contrario, entendiéndolo como un sistema o varios siste- mas insertos, interrelacionados y vinculados con los diver- sos elementos que conforman la vida en sociedad, en donde 203Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI los seres humanos participan de diversa manera en el proce- so de dotación de sentido de las normas y las instituciones. Asimismo, la capacidad de análisis y los niveles de pro- fundidad vienen mediados por la disposición que se tenga a la hora de saber distinguir y, simultáneamente, no separar los componentes interrelacionados que conforman tanto nu- estros ricos mundos en general, como el ámbito jurídico en particular. En este proceso de distinción y diferenciación con- ceptual, adoptaremos una concepción más monista-estatalis- ta o más pluralista, según pensemos dónde reside la centrali- dad y las claves fundamentales del campo del Derecho. Finalmente, tampoco hay que olvidar el contexto cul- tural en el que nos movemos. Muchas veces consideramos que nuestros marcos categoriales y nuestros esquemas men- tales son universales, ignorando la trayectoria histórica y la ubicación espacio-temporal y cultural de todo aquello que interpretamos (en este caso las instituciones jurídicas) y con lo que interpretamos (las teorías). Damos por hecho que lo que sucede en la historia occidental es la única historia váli- da. Cuando hablamos de conceptos como Estado o Derecho, partimos de la premisa que su creación sólo puede tener el molde que marcaron los procesos históricos desarrollados al interior de Occidente. No pensamos que esas mismas institu- ciones pueden tener un significado diferente en otros con- textos culturales. Incluso siguiendo con el cuento, para otros pueblos, designar el charco no sea la manera más adecuada de referirse al Derecho1. Por estas y otras razones, según la postura o posición que se tome en torno a una visión monista o pluralista del fenómeno jurídico, toda una gama de concepciones apare- 1 Sobre la importancia de las culturas jurídicas y el cuestionamiento del mar- co occidentalocéntrico, ver la teoría de multijuridicismo de Le Roy, (1998); asimismo, ver Sousa Santos (1998), p. 75 y ss.; Eberhard (2002), principal- mente, p. 271 y ss.; y De Julios (2004), p. 217 a 239. 204 RUBIO, David Sánchez � Pluralismo Jurídico y Emancipación Social cen, en ocasiones contrapuestas unas a las otras, pero en otros casos, complementarias. De este modo tenemos el siguiente panorama: desde aquellas posiciones que consideran que el monopolio de la producción jurídica lo detenta el Estado, por lo que sólo el Derecho estatal y positivo es el único Derecho, siendo cualquier otra manifestación de normas no estatales expresión de un fenómeno de pluralismo no jurídico, sino, como mucho, meramente normativo; pasando por aquellos planteamientos que también dentro del paradigma monista, hablan de un pluralismo jurídico interno, referido a las fuen- tes de creación del propio Derecho del Estado; siguiendo con las teorías que mencionan el fenómeno de paralelismo jurí- dico para aludir a la práctica ilegal diaria que la gente común realiza frente a la ineficacia o a la ausencia de un Derecho oficial y contra las desigualdades sociales y locales más pro- pias de los países de capitalismo periférico o semiperiférico2; hasta llegar a los planteamientos de pluralismo jurídico ex- terno o en sentido estricto, que consideran la coexistencia de una pluralidad de derechos en un mismo territorio o espacio sociopolítico. En este caso se niega que el Estado sea la única y exclusiva fuente de producción jurídica, bien porque se vi- sualiza la presencia de diferentes órdenes jurídicos debido a la existencia de otras culturas que conviven en un mismo espa- cio, bien porque se defiende la coexistencia conflictiva o tole- rada de varios órdenes normativos, de una pluralidad de siste- mas de Derecho en el seno de una unidad de análisis determi- nada, ya sea de carácter local, nacional o internacional. 2. Pluralismo jurídico y teoría crítica del derecho en Antonio Carlos Wolkmer El paradigma pluralista propio o en sentido estricto es el que adopta Antonio Carlos Wolkmer en su obra Pluralismo 2 Ver en este sentido Lima y Lopes (2003), p. 242. 205Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI jurídico. Fundamentos de una nueva cultura del Derecho. Desde una visión interdisciplinaria, relacional y compleja del fenómeno jurídico, el profesor de la Universidad Federal de Santa Catarina, reconociendo la variedad de expresiones y la polisemia de la noción central del título del libro, por un lado denuncia la insuficiencia y el agotamiento del modelo clási- co occidental de legalidad positiva y, por otro lado, reivindi- ca, a partir de una toma de posición por lo que el autor deno- mina teoría crítica del Derecho, la necesidad de construir y preparar los horizontes de un nuevo paradigma de legalidad basado en supuestos que parten de las condiciones históri- cas actuales y de las prácticas y luchas sociales reales e in- surgentes3. Para el autor, la estructura normativa del moderno De- recho positivo formal a comienzos del siglo XXI, es poco efi- caz, sobre todo para solucionar y atender los problemas rela- cionados con las necesidades de las sociedades periféricas. En América Latina, la nueva fase de desarrollo del capitalis- mo y su proceso de expansión por medio de las estrategias de dominación de las naciones más poderosas, intensifica la san- gría de los mercados de los países más débiles y pobres e incrementa los niveles de desigualdad y contradicción soci- al. Entre otras cosas, provoca una crisis de legitimidad y de funcionamiento de la justicia basada en la primacía y la ex- clusividad del modelo estatalista del Derecho y en los valo- res del individualismo liberal. Como contrapartida, AntonioCarlos Wolkmer propone la búsqueda de una visión jurídica, más pluralista, democrática y antidogmática que refleje me- jor y de cuenta del nuevo contexto en el que se encuentran los países latinoamericanos. El iusfilósofo brasileño está en- tre quienes piensan que nos encontramos en un periodo de crisis de paradigma, precondición necesaria para el surgimi- ento de nuevas propuestas teóricas y nuevos referentes. 3 Ver Wolkmer (2003), p. 247-248. 206 A partir de una postura militante y comprometida, nu- estro autor apuesta por un proyecto de un �nuevo� Derecho transformándolo en una instancia al servicio de la justicia, la emancipación y la dignificación de los seres humanos (Wolk- mer, 2003, p. 13-14 y 16). Su propuesta parte de una noción de pluralismo jurídico, capaz de reconocer y legitimar nor- mas extra e infraestatales, engendradas por carencias y nece- sidades provenientes de nuevos actores sociales, y capaz de captar las representaciones legales de sociedades emergentes marcadas por estructuras con igualdades precarias y pulveri- zadas por espacios de conflicto permanente (Wolkmer, 2003, p. 248). Hay que tener en cuenta que el autor, desde hace mu- cho tiempo es uno de los máximos representantes de la teo- ría jurídica crítica latinoamericana, siendo a su vez, uno de los principales valedores del movimiento brasileño Direito Alternativo4. Este es un dato que nos sitúa en el permanente inconformismo de Wolkmer por lo empíricamente dado y por su búsqueda de posibilidades nuevas en el ámbito jurídico. No es otra la razón de que entienda que la teoría jurídica crí- tica se refiera a un �profundo ejercicio reflexivo de cuestionar lo que se encuentra normativizado y oficialmente consagrado (en el plano del conocimiento, del discurso y del comportami- ento) en una determinada formación social, así como la posi- bilidad de concebir otras formas no alienantes, diferenciadas y pluralistas de la práctica jurídica� (Wolkmer, 2003, pp. 13- 14 y 33). Desde esta perspectiva, defiende el paradigma plu- ralista del Derecho por dos razones fundamentales: a) por- que permite una mejor interpretación de la complejidad de los actuales acontecimientos que el contexto de la globaliza- ción está provocando sobre el mundo jurídico; y b) porque en su versión emancipadora, el Derecho puede ser un instru- 4 En este sentido ver Sánchez Rubio (2002); y Bueno de Carvalho y Carvalho (2004). RUBIO, David Sánchez � Pluralismo Jurídico y Emancipación Social 207Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI mento al servicio de los colectivos más desprotegidos y más vulnerables. 3. Antecedentes del pluralismo jurídico, contexto global y emancipación El objetivo básico de Antonio Carlos Wolkmer es en- contrar un nuevo criterio de racionalidad que permita expli- car la complejidad de la realidad social latinoamericana (lo que él mismo denomina un nuevo paradigma societario de producción normativa). Y cree verlo en un nuevo concepto de pluralismo jurídico5. No obstante, desde el principio hay que incorporar algunos puntos importantes en el proceso de elaboración teórica del mismo: � En primer lugar, el fenómeno de pluralismo jurídico no es nuevo. La diferencia ahora reside en las particulares características que adquiere con el nuevo contexto determi- nado por los procesos globalizadores. Históricamente, den- tro de la tradición occidental, la Edad Media fue un ejemplo de la concurrencia de diferentes órdenes normativos con rango de Derecho, como fueron el Derecho señorial, el Derecho ca- nónico, el Derecho burgués y el Derecho real. Ninguno tenía el monopolio de la producción jurídica. Durante los siglos XVII y XVIII, los diversos sistemas legales se fueron integran- do en una legislación común con el desarrollo de un Estado unificado y centralizador. Fue en este periodo cuando se va pasando hacia la autoridad de la legalidad, de la ley. Pese a la primacía y la pretensión de monopolio del Derecho estatal que negaba esa cualidad jurídica a otros órdenes normativos6, en- 5 El autor lo delimita y define como �la multiplicidad de manifestaciones o prácticas normativas en un mismo espacio socio-político, impulsados por el conflicto o por el consenso, oficiales y/o no oficiales, teniendo su razón de ser en las necesidades existenciales, materiales y culturales�. Wolkmer (1994), p. XII y 195. 6 Oscar Correas (2003), p. 109, señala que la juridicidad no es otra cosa que el calificativo que permite legitimar, privilegiar, un sistema normativo (en este caso el estatal) sobre cualquier otro al que se arroja a la antijuridicidad�. 208 tre finales del siglo XIX y mediados del siglo XX hubo una fuerte reacción como alternativa al normativismo estatalista por parte de las doctrinas pluralistas como las de Gierke, Hau- riou, Santi Romano, Del Vecchio, Ehrlich, Gurvitch, Griffi- ths, Thome, Rouland, Sally Falk Moore, Masaji Chiba y Van- derlinden, entre muchos otros (Wolkmer, 2003, p. 250). Estos autores daban cuenta de la existencia de diferentes formas, sistemas y subsistemas jurídicos con dinámicas de funciona- miento distintas a las propias del Derecho del Estado. Actualmente, nos encontramos con un resurgimiento y un mayor protagonismo de órdenes y teorías que reflejan la dimensión plural del fenómeno jurídico. Ahora lo que ha cam- biado es el contexto mundial, marcado por la nueva fase de desarrollo del sistema capitalista y la división estructural que ha provocado en el orden internacional. Y con él pasamos al siguiente punto a tener en cuenta. � En segundo lugar, tal como señala José Eduardo Faria, el sistema capitalista de la �economía-mundo� está domina- do por una lógica económica global avasalladora en donde los mercados transnacionales multiplican las capacidades de actuación normativa de empresas, instituciones y conglome- rados comerciales, mientras que se ponen en jaque los prin- cipios básicos de la soberanía de los estados. Estos pierden progresivamente el control de la coherencia sistemática de sus leyes y acaban sometiendo sus ordenamientos a la com- petencia de otros ordenamientos procedentes tanto de orga- nismos multilaterales de centros transnacionales como de centros regionales y locales. Nos encontramos con una situa- ción de policentrismo normativo, con nuevas formas de or- ganización de la división internacional del trabajo, nuevos patrones de acumulación y una movilidad ilimitada de la cir- culación de los capitales financieros (Faria, 2001). Según Antonio Carlos Wolkmer el pluralismo jurídico liberal burgués defendido a mediados del siglo XX, está sien- do reintroducido como la nueva estrategia del nuevo ciclo RUBIO, David Sánchez � Pluralismo Jurídico y Emancipación Social 209Teoria Crítica dos Direitos Humanos no Século XXI del capitalismo mundial. Las principales tendencias son: la descentralización administrativa, la integración de mercados, la globalización y acumulación flexible del capital, la forma- ción de bloques económicos, las políticas de privatización y de ajuste estructural, la dirección informal de servicios y la regulación social supranacional, etc. En realidad, los países latinoamericanos se ven afecta- dos por esta estrategia en cuanto que sus economías se hacen dependientes al ser controladas desde el siglo XVI por las condiciones y los juegos de intereses del capital dominante. Nuestro autor indica las particularidades de un país como Brasil en donde su sistema normativo reproduce los esque- mas institucionales estatalistas de los países del Norte, pero con los límites que el capitalismo periférico implica al esta- blecer un modelo de desarrollo cuyo contenido se caracteri- za por la subordinación, la sumisión y el control de las es- tructuras socio-económicas y político-culturales locales na- cionales a los intereses de las transnacionales y de las econo- mías de los centros hegemónicos. Por ello, las condición de dependencia de los países periféricos evidencia cada vez más la complejidad y las contradicciones entre el Centro y la Peri- feria, el Norte rico