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Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 1 Salmos 46:1-11 Ao mestre de canto. Dos filhos de Corá. Em voz de soprano. Cântico Versos de 1-3 - Uma fortaleza segura ● Deus é o nosso refúgio (abrigo) e fortaleza (força e poder), socorro (assistência, apoio) bem presente na angústia (No heb. o verbo sig. para ser encontrado fortemente, abundamente). ● Portanto não temeremos, (paralelismo poético) ○ ainda que a terra se mude (seja removida, alterada, etc), ○ e ainda que os montes se transportem (sacudida, cambalear, vacilar) para o meio dos mares. ○ Ainda que as águas rujam (turbulência, alvoroço, barulho, etc) e se perturbem (tremer, abalar, etc), ○ ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) Versos de 4-7 - O Deus da aliança está conosco ● Há um rio (figura de linguagem) cujas correntes alegram (hb. Piel sig. intensamente, ficar feliz, contente), a cidade de Deus, ○ o santuário das moradas do Altíssimo. ● Deus está no meio dela; não se abalará. ● Deus a ajudará, já ao romper da manhã. ○ Os gentios (as nações) se embraveceram (heb. cambalear, colérico, agitado, etc) (salmo 2); ○ os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu. ● O Senhor (Yahweh) dos Exércitos (da guerra, Todo-Poderoso) está conosco; o Deus de Jacó (invocando a aliança) é o nosso refúgio. (Selá.) Versos de 8-11 - Convocação do Senhor ● Vinde (compareça, venha, aproxime-se), contemplai as obras do Senhor; (paralelismo poético) ○ que desolações tem feito na terra! ○ Ele faz cessar (hifil sig. a causa primária) as guerras até ao fim da terra; ○ quebra o arco e corta a lança; ○ queima os carros no fogo. ● Aquietai-vos (hifil sig. a causa primária, relaxar, ficar em paz) , e sabei ○ que eu sou Deus; ○ serei exaltado entre os gentios; ○ serei exaltado sobre a terra. ■ (NTLH): Ele diz: “Parem de lutar e fiquem sabendo que eu sou Deus. Eu sou o Rei das nações, o Rei do mundo inteiro.” ● O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. (Selá.) https://www.bibliaonline.com.br/acf/sl/46/1-11+ Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 2 Estudos no livro dos Salmos ● Autor do Salmo 46: Os filhos de Coré. Coré, o diretor de música. Pouco é conhecido sobre eles além de que participavam no culto do templo. Cf., e.g., 2 Crônicas 20.19. ● Contexto histórico do Salmo 46: embora o salmo não apresente uma situação específica, mas poderia ser a situação descrita em 2 Cr 20, como um exemplo de Deus salvando o seu povo, quando os moabitas e amonitas levantaram contra Josafá. Características dos salmos poéticos hebraicos: ● uso de figura de linguagem (metáfora e símile) para tocar as nossas emoções e imaginação. ● uso de paralelismo, linguagem figurada, e ordem das palavras não previsível ● Divisão do Salmo 46: ● o salmo é dividido pelo tríplice aparecimento de "Selá" e pelo estribilho (recurso literário pela repetição de um refrão) nos versos 7 e 11. ● Este salmo faz parte do segundo livro do Saltério: ○ Livro 1: Salmos 1-41 ○ Livro 2: Salmos 42-72 ○ Livro 3: Salmos 73-89 ○ Livro 4: Salmos 90-106 ○ Livro 5: Salmos 107-150 ○ Cada uma dessas divisões termina uma doxologia. ■ Exemplo: Salmo 41.13: "Bendito seja o Senhor Deus de Israel de século em século. Amém e Amém." ■ Cada livro termina com uma doxologia que marca cada coleção (SI 41.13; 72.18-19; 89.52; 106.48; 145.21). ● A distinção dos livros dos Salmos ● Introdução (Sl I—2). Alguns consideram os dois como um único salmo emoldurado pelas bem-aventuranças dos versículos 1.1 e 2.11. O primeiro convida o justo a meditar sobre os salmos, e o segundo centra-se no rei ungido no Monte Sião. ● Livro 1 (Sl 3—41). Os salmos aqui se concentram em Davi e em petições por proteção divina contra os inimigos. A maioria dos salmos é atribuída a Davi. ● Livro 2 (Sl 42—72). Há uma boa possibilidade de que os dois primeiros livros fossem originalmente um só, sendo que sessenta dos setenta salmos versam sobre Davi. Salmos 42—49 são atribuídos aos “filhos de Coré”, provavelmente uma família encarregada da música do templo, enquanto Salmos 51— 65; 68— 70 seriam davídicos. ● Livro 3 (Sl 73—89). Esses são principalmente atribuídos a Asafe (Sl 73— 83) e formam uma série de lamentos que se concentram no rompimento da aliança e no triste estado da nação. ● Livro 4 (Sl 90—106). Uma nova esperança é apresentada quando Javé é rei (Sl 93; 95— 99) e realiza seus poderosos atos em favor de seu povo. Moisés desempenha um papel central (é mencionado sete vezes), a fim de mostrar que o mesmo Deus, que salvou Israel antes, pode fazê-lo agora. Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 3 Ainda que a monarquia tenha acabado, Javé pode salvá-los. ● Livro 5 (Sl 107—145). Deus realmente livrou os israelitas de suas dificuldades (talvez do exílio) e está na hora de se voltar ao modelo de Davi (SI 108— 110; 138— 145). Salmos 120— 143 são “cânticos” de ascensão que se concentram na peregrinação para Jerusalém com a finalidade da adoração. ● Conclusão (Sl 146— 150). ■ Fonte: (Livro Espiral Hermenêutica de Grant R. Osborne) ● Grupos dos salmos dentro do Saltério: ○ Salmos davídicos: 3-41; 51-72; 108-110; 138-145 ○ Salmos coraítas: 42-29; 84,85; 87,88 ○ Salmos eloítas (que usa o nome de Elohim em referência a Deus): 42-83 ○ Salmos asafitas: 73-83 ○ Salmos de realeza: 93-100 ○ Salmos de louvor: 103-107 ○ Salmos de ascensão( usados em peregrinação a Jerusalém ou no regresso do exílio: 120-134 ○ Salmos de aleluia (que começam e terminam com "Aleluia"): 111-118; 146-150 ● Autores dos Salmos: ○ Alguns Salmos se referem ao nome dos autores. ■ Setenta e dois (72) se referem a Davi, ■ doze (12) a Asafe, ■ onze (11) aos filhos de Coré, ■ dois (2) a Salomão ■ e um (1) a Moisés. ■ Quarenta e nove (49) não incluem nenhuma referência a um autor. ● Tipos de Salmos ○ Hinos: 92, 103, 113 ○ Lamentos: a) dividual: 3, 7, 13, 17, 26, 88; b) coletivo: 12, 44, 60, 74, ○ Salmos de ações de graça ○ Salmos de recordação ○ Salmos de sabedoria ○ Salmos de realeza ○ Salmos de confiança Natureza dos salmos: ● “O livro de Salmos era o Hinário de Israel. O título hebraico do livro é Tehillím, o plural do substantivo tehillâh, um derivado nominativo do verbo hãlal. Este verbo no qal é traduzido como gabar, mas no piel é traduzido como louvar. Num sentido real, então, louvar a Deus é gabar intensamente de Deus Javé, o Senhor Soberano de Israel.” ● “Na verdade, foi sábio obedecer a Deus Javé usando os Salmos de vários modos, para culto, meditação e instrução.” ● Os Salmos são “incluídos em categorias como história, lei, confissão e Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 4 admoestação, bem como louvor e profecia, mas a sabedoria está integrada nele”. ● “Os Salmos, conforme mencionado, podem ser considerados ○ cantos, orações, reflexões pessoais, ○ sendo para se usar em culto público ○ e particular e como material didático. E praticamente universal a aceitação do fato que os Salmos exibem uma coleção ampla e variada de características poéticas hebraicas ■ Fonte: (Gerard Van Groiningen) A Teologia dos Salmos● “...o papel dos Salmos no progresso da revelação de Deus Javé foi o de tomar conhecida a revelação passada, o que significava e o que exigia para a vida diária, e as conseqüências da aceitação e obediência bem como da rejeição e desobediência. Nesse contexto, verdades reveladas eram repetidas, explicadas, desenvolvidas e aplicadas. ● “...os Salmos mostram ter um papel na apresentação e desenvolvimento do cordão dourado...o Reino, a Aliança e o Mediador. ○ Quatro aspectos constituintes do reino ■ Yahweh, o Rei ■ O trono ■ O reino ■ O domínio ● Conforme Peter Craigie aponta, a estrutura para isso é fornecida pelo conceito de aliança: “O conhecimento deles de Deus está enraizado na aliança; eles respondem a Deus em oração, em louvor, ou em situações específicas de vida, em função de uma relação de aliança que existe, o que toma essa resposta possível” ● Willem VanGemeren (1991:15-17) apresenta sete aspectos de uma teologia dos Salmos: ○ (1) os nomes de Deus (Javé, 700 vezes; Elohim, 365 vezes; Adonai, 54 vezes; mostrando a centralidade da aliança); ○ (2) as perfeições de Deus (sua bondade e glória, sua compaixão e amor, e também seu julgamento e justiça); ○ (3) os atos de Deus (criação, redenção, proclamação, salvação, bênção e julgamento de seu povo); ○ (4) a esperança de redenção e justiça (o resultado dos primeiros três que se concentram no começo do governo de justiça de Deus na terra e na demonstração de sua total soberania); ○ (5) o reino de Deus (o Deus da criação que fez e sustenta este mundo, e que regerá sobre ele por intermédio de seu povo, Israel, no qual o reino divino está presente); ○ (6) o Messias davídico (o rei davídico [SI 2; 72; 89; 132] é o instrumento de Deus para estender o seu reino sobre o mundo); ○ (7) a sabedoria do alto (mesmo perseguido, o justo de Deus vive cm obediência às suas leis, em outras palavras, uma vida de sabedoria). ■ Fonte:(Espiral Hermenêutico) Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 5 Características dos salmos poéticos hebraicos: ● uso de figura de linguagem (metáfora e símile) para tocar as nossas emoções e imaginação. ● uso de paralelismo, linguagem figurada, e ordem das palavras não previsível ● Três tipos de paralelismo: ○ sinonímico - acontece quando o segundo verso repete o primeiro com acréscimo de pouco ou nenhum significado. ○ sintético - os defensores da abordagem sintética argumentam que o segundo verso reforça o primeiro e, desse modo, ele não seria puramente sinonímico. ■ O paralelismo progressivo também é chamado “paralelismo sintético” refere a um desenvolvimento do pensamento no qual o segundo verso acrescenta ideias ao primeiro. ■ exemplo é Salmos 1.3: ● Ele será como árvore plantada junto às correntes de águas, que dá o seu fruto no tempo certo ● e cuja folhagem não murcha. ● Tudo que ele fazer prosperará. ■ Há três “passos” aqui: plantar (v. 1) para dar fruto (v. 2), para não murchar (v. 3), para uma colheita bem-sucedida ○ e antitético - em vez de haver um desenvolvimento de uma ideia no segundo verso, observa-se a ocorrência de um contraste com o primeiro verso. Exemplo no Salmos 20.7 diz: ■ Uns confiam em carros, outros, em cavalos; ■ nós, porém, nos gloriaremos em o nome do S e n h o r , nosso Deus. ● Chaves de introdução dos Salmos ○ A primeira chave para determinar a teologia dos salmos comunitários, bem como dos salmos individuais é considerar o gênero. ○ A segunda chave é uma exegese holística ○ E a terceira chave é que todos os aspectos mencionados a respeito dos escritos de sabedoria se aplicam igualmente aos Salmos. ○ Por fim, cada aspecto deve relacionar-se, de algum modo, ao culto de Israel, seu sistema ritual de adoração. (Espiral Hermenêutica) ● Princípios Hermenêuticos ○ 1. Observe os padrões eutróficos (as estrofes) do poema ou hino. A estrutura é o primeiro passo da exegese. O elemento primário da poesia hebraica é o padrão de versos e estrofes paralelas. As traduções mais recentes ajudam o leitor a colocar os versos lado a lado, isolando o paralelismo e deixando um espaço entre as estrofes. O critério mais importante para descobrir uma quebra entre as estrofes é o desenvolvimento da ideia. ○ 2. Agrupe os versos paralelos. O poeta expressa o seu pensamento em unidades inteiras, usando uma linguagem muito emotiva, colorida. ○ 3. Estude a linguagem metafórica. Em poesia, a linguagem figurada é mais predominante e às vezes mais difícil de compreender do que na prosa. ○ 4. Observe, se possível, o pano de fundo histórico do salmo. Em Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 6 muitos casos ele é fornecido pelo título tradicional do poema. Embora os títulos tenham sido acrescentados mais tarde e não façam parte das Escrituras canônicas, eles são tradições geralmente confiáveis. ○ 5. Estude os salmos de acordo com seu tipo e posição básica. Cada tipo de sal mo analisado (lamento, louvor, real) deve ser estudado de forma diferente. ○ 6. Estude os salmos messiânicos de acordo com seu propósito histórico antes de se deter no seu significado escatológico. Salmos 2, 8, 16, 22, 40, 45, 69, 72, 89, 102, 109, 110 e 132 têm sido considerados, em parte ou no todo, como messiânicos. ○ 7. Estude o salmo como um todo antes de tirar conclusões. O fluxo de ideias no salmo é crucial para o seu significado. E aqui também se deve seguir as diretrizes hermenêuticas gerais, conforme foi explicado nos capítulos um a cinco. ○ Fonte: (Espiral Hermenêutica) Princípios hermenêuticos para interpretação dos Salmos conforme Louis Berkhof ● Regras para a Interpretação. Em relação ao que já vimos até aqui, as seguintes regras se aplicam à interpretação dos salmos: ○ a. Se houve uma ocasião histórica para a composição de um salmo, ela deve ser cuidadosamente estudada. Observe como isso ilumina os seguintes salmos: 3 ,32 ,51,63. ○ b. O elemento psicológico é importante para a interpretação correta dos salmos, uma vez que eles são muito mais subjetivos do que outras partes da Bíblia. O intérprete deve estudar o caráter do poeta e a disposição de espírito na qual compôs a sua canção. Quanto mais compreendermos Davi, melhor entenderemos seus salmos. ○ c. Devido ao fato de os salmos não serem puramente individuais, mas grandemente comunitários, devem ser considerados como expressões do coração regenerado, da vida nascida de Deus; e o intérprete não deve se satisfazer até entender como eles também revelam a vontade de Deus. ○ d. Na interpretação dos salmos messiânicos, deve-se fazer uma distinção cuidadosa entre os salmos ou as partes de salmos que são diretamente messiânicos e os indiretamente messiânicos. ■ Enquanto os salmos 2, 22, 45, 110 são diretamente messiânicos, ■ outros como o 72 e o 89 se aplicam primeiramente ao poeta ou a algum outro santo do Antigo Testamento e, só por meio dele como um tipo interveniente, se aplicam em segundo lugar a Cristo. ■ Há também outros que não podem ser classificados em nenhum desses grupos, os quais Binnie prefere chamar de “salmos misticamente messiânicos” devido ao fato de a verdadeira chavepara sua interpretação não ser encontrada na doutrina dos tipos, mas, sim, na união mística de Cristo com a Igreja. Cf. SI 16, 40. Hermenêutica Seminário Presbiteriano Fundamentalista Prof. Pb. Ademir Souza 7 ■ Visto que os salmos messiânicos são proféticos, deve-se prestar atenção às citações deles no Novo Testamento e no cumprimento das suas predições no Novo Testamento. ● e. Com relação aos chamados “Salmos Imprecatórios”, ou melhor, imprecações nos salmos, certos fatos devem ser levados em consideração: ○ 1. Os orientais gostam do que é concreto e, conseqüentemente, algumas vezes representam o pecado na forma concreta do pecador. ○ 2. Essas imprecações incorporam o desejo dos santos do Antigo Testamento pela vindicação da justiça e da santidade de Deus. ○ 3. Eles não são expressões do caráter vingativo pessoal, mas da aversão da Igreja ao pecado, personificado no pecador. ○ 4. Ao mesmo tempo, eles são uma revelação da atitude de Deus para com os que são hostis a ele e a seu Reino.