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MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: 
ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL 
DE UMA ORTÓTESE DE 
TORNOZELO E PÉ 
 
 
CRISTIAN LÓPEZ RICO 
 
Dissertação Final 
 
Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica 
 
Orientador: Professor Doutor João Manuel R. S. Tavares (FEUP/DEMec) 
 
Co-orientador: Doutora Andreia S. P. Sousa (ESTSP) 
 
 
 
 
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 
Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica 
 
 
 
Junho 2014 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus pais e irmão, 
graças ao seu apoio incondicional ao longo de todos estes anos de estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
I 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 Em primeiro lugar tenho que agradecer a meu professor João Manuel R.S. Tavares por 
toda a disponibilidade demonstrada e a dedicação na orientação do projeto que era uma área 
totalmente desconhecida para mim. 
 
 A todos os colaboradores na recolha de informações realizada, nomeadamente à Dra. 
Andreia Sousa do Centro de Estudos do Movimento e Atividade Humana da Escola Superior 
de Tecnologia da Saúde do Porto e ao Emilio pela disposição como sujeito de estudo. 
 
 Também ao Manuel Cuevas por fornecer a sua dissertação para comparação dos 
resultados. 
 
 Os meus pais, Angel e Goyi, e a toda minha família por todo o apoio durante todos 
estes duros anos de estudo. 
 
 A minha namorada Andrea por todo seu apoio mostrado nos momentos difíceis e suas 
palavras de ânimo todo o tempo. 
 
 O meu colega de Erasmus Javier, pela sua ajuda e todas as horas de estudo e aulas 
juntos. 
 
 As minhas amigas Sara e Julia por todos os momentos de estudo durante a carreira 
universitária e sua ajuda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
III 
 
RESUMO 
 
 Nesta tese faz-se uma introdução aos ossos e arcos do pé que intervêm no movimento 
do tornozelo nos distintos planos, assim como um estudo detalhado sobre a marcha humana 
“normal” identificando as distintas fases da mesma e explicando que acontece e os objetivos 
principais em cada uma. 
 
 Também realiza-se uma análise cinemática onde observa-se as variações angulares da 
flexão plantar e dorsal do tornozelo, e uma análise cinética onde estudaram-se os momentos e 
a potência na articulação do tornozelo durante o ciclo da marcha. 
 
 Existe um capítulo dedicado ao estudo de diferentes problemas funcionais do 
tornozelo e pé, e uma classificação das distintas doenças e patologias que conduzem ao uso de 
uma ortótese. As ortóteses são dispositivos aplicados externamente para auxiliar os sistemas 
neuro-musculares-esqueléticos. Um caso particular são as OTPs, que são ortóteses do 
tornozelo e pé e cujas funções principais são: assistir na marcha, proporcionar estabilidade no 
tornozelo e manter ou restringir o movimento problemático devido a patologia. 
 
 As OTPs são classificadas em função do material em que são produzidas, 
principalmente em metal e plástico, e identificam-se os distintos tipos existentes. Também 
explica-se os sistemas de controlo que as ortóteses possuem para realizarem a sua função. 
 
 Por último, apresenta-se um estudo experimental realizado no laboratório do Centro de 
Estudos do Movimento e Atividade Humana Responsável de um sujeito com e sem o uso da 
uma OTP atendendo a fatores como o angulo do tornozelo e os momentos produzidos durante 
a marcha, assim como uma comparação com os dados obtidos por a simulação da mesma 
OTP por meios computacionais. 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
V 
 
ABSTRACT 
 
 This thesis presents an overview about the bones and foot arches involved in ankle 
movement in different planes. Also, it includes a detailed study of the normal human walking, 
to clearly identify the different stages of human gait and explaining what happens in each 
stage and the main objectives addressed. 
 
 In addition, it is included a kinematic analysis in which can be observed the angular 
variation of the ankle plantar and dorsal flexion and a kinetic analysis showing the moments 
and forces applied on the ankle during the walking cycle. 
 
 A specific chapter is included about the different functional errors related to ankle and 
foot and also a classification of the different diseases and disorders that lead to the use of 
orthesis. Orthesis are devices applied externally to help the neuro-muscular systems, and in 
particular the AFOs, which are orthesis of ankle and foot and whose functions are to attend 
the walking of human, provide stability to the ankle and maintain or restrict the range of 
movement in people with a pathology. 
 
 AFOs are classified according to the material which they are made; mainly, metal or 
plastic. Control systems that orthosis can integrate to perform its main functions are also 
discussed. 
 
 Finally, there is an experimental study performed at the laboratory of the Centre for 
Studies of Movement and Human Activity. This study involved the analysis of a subject using 
or not an AFO during gait and according to several factors, such as the angle of the ankle and 
the moments produced during the walking. Also, it is presented a comparison with the data 
obtained by computational simulation for the same AFO in a previous project. 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
VI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
VII 
 
 TABELA DE CONTEÚDOS 
 
CAPÍTULO I ............................................................................................................................ 1 
Introdução ................................................................................................................................. 1 
1.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 2 
1.2. OBJETIVOS .................................................................................................................... 2 
CAPÍTULO II ........................................................................................................................... 4 
Anatomia e movimento do pé e tornozelo .............................................................................. 4 
2.1. ANATOMIA DO PÉ E TORNOZELO ........................................................................... 5 
2.2. MOVIMENTO DO PÉ E TORNOZELO ........................................................................ 7 
CAPÍTULO III ....................................................................................................................... 11 
Análise do ciclo da marcha humana “normal” .................................................................... 11 
3.1. CICLO DA MARCHA HUMANA “NORMAL” ......................................................... 12 
3.2. FASES DO CICLO DA MARCHA .............................................................................. 14 
3.3. BIOMECÂNICA DO TORNOZELO ........................................................................... 25 
3.4. ANÁLISE CINEMÁTICA DO TORNOZELO DURANTE A MARCHA .................. 25 
3.5. ANÁLISE CINÉTICA DO TORNOZELODURANTE A MARCHA ........................ 28 
3.6. TEORIAS DO ESTUDO DA MARCHA ...................................................................... 30 
3.7. MÉTODOS DE ESTUDO DA MARCHA HUMANA ................................................. 33 
3.7.1. Plataformas de força ................................................................................................ 34 
3.7.2. Fotopodograma........................................................................................................ 36 
3.7.3. Baropodometría eletrónica ...................................................................................... 36 
3.7.4. Goniometria ............................................................................................................. 36 
3.7.5. Fotografia estática ................................................................................................... 37 
3.7.6. Eletromiografia........................................................................................................ 37 
3.7.7. Inclinometría ........................................................................................................... 37 
3.7.8. Videografia digital................................................................................................... 37 
CAPÍTULO IV ........................................................................................................................ 38 
Marcha humana patológica ................................................................................................... 38 
4.1. MARCHA HUMANA PATOLÓGICA ........................................................................ 39 
4.2. MECANISMOS PATOLÓGICOS BÁSICOS DA ALTERAÇÃO DA MARCHA ..... 39 
4.3. CLASSIFICAÇÃO DA MARCHA DE ACORDO COM A ÁREA ANATÔMICA 
AFETADA ............................................................................................................................ 41 
4.3.1.Erros funcionais do tornozelo .................................................................................. 41 
4.3.1.1. Flexão plantar excessiva do tornozelo .............................................................. 41 
4.3.1.2. Excessiva dorsiflexão do tornozelo .................................................................. 45 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
VIII 
 
4.3.1.3. Erros funcionais do pé ...................................................................................... 47 
4.4. CLASSIFICAÇÃO DA MARCHA DE ACORDO COM AS PATOLOGIAS ............ 50 
4.4.1. Marcha patológica por anormalidades frequentes ................................................... 50 
4.4.2. Marcha patológica por deficits neurológicos de origem central ............................. 51 
4.4.3. Marcha patológica por lesões neurológicas periféricas........................................... 53 
CAPÍTULO V ......................................................................................................................... 55 
Ortóteses tornozelo-pé ............................................................................................................ 55 
5.1. DEFINIÇÃO E OBJETIVOS DAS ORTÓTESES ....................................................... 56 
5.2. CLASIFICAÇÃO DAS OTPs SEGUNDO O FUNCIONAMENTO ........................... 58 
5.2.1. OTPs ativas ............................................................................................................. 58 
5.2.2. OTPs passivas ......................................................................................................... 58 
5.3. CLASSIFICAÇÃO DAS OTPs SEGUNDO O MATERIAL ....................................... 59 
5.3.1.OTP metálicas .......................................................................................................... 59 
5.3.2. OTP de plástico ....................................................................................................... 62 
5.3.3. Comparação entre as OTPs metálicas e plásticas .................................................... 66 
5.3.4. OTP híbrida ............................................................................................................. 66 
5.4. MATERIAIS DAS ORTÓTESES ................................................................................. 67 
5.4.1. Metais ...................................................................................................................... 68 
5.4.2. Plásticos ................................................................................................................... 69 
5.4.2.1. Termoplásticos ................................................................................................. 69 
5.4.2.2. Plásticos termoestáveis ..................................................................................... 70 
5.5. BIOMECÂNICA DAS OTPs ........................................................................................ 70 
5.5.1. Três pontos de pressão ............................................................................................ 71 
5.5.2. Força de reação ao solo ........................................................................................... 73 
5.5.3. Comparação entre os sistemas 3PP e GRF.............................................................. 74 
CAPÍTULO VI ........................................................................................................................ 76 
Estudo experimental de uma OTP ........................................................................................ 76 
6.1. TRABALHO EXPERIMENTAL .................................................................................. 77 
6.2. RESULTADOS ............................................................................................................. 79 
CAPÍTULO VII ...................................................................................................................... 86 
Conclusões e Trabalho Futuro .............................................................................................. 86 
7.1. CONCLUSÕES FINAIS ............................................................................................... 87 
7.2. TRABALHO FUTURO ................................................................................................. 88 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 89 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
IX 
 
 ÍNDICE DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Ossos existentes no pé humano (Netter, 1996). ......................................................... 5 
Figura 2 - Partes do pé: Antepé, meiopé e retropé (Schulte, 2013). ........................................... 6 
Figura 3 - Vista lateral dos arcos do pé (Tortora e Derrickson, 2008). ...................................... 7 
Figura 4 - Os três planos de referência e as seis direções fundamentais (Whittle, 2007). ......... 8 
Figura 5 - Movimentos de dorsiflexão e plantarflexão (Palastanga, 2012). ............................... 9 
Figura 6 - Movimentos de abdução e adução (Whittle, 2007). .................................................. 9 
Figura 7 - Movimentos de inversão e eversão (Whittle, 2007). ............................................... 10 
Figura 8 - Movimentos de supinação (esquerda) e pronação (direita) (Kapandji, 2010). ........ 10 
Figura 9 - Ciclo da marcha humana (Perry, 1992). .................................................................. 13 
Figura 10 - Apoios sucessivos dos pés no solo num ciclo de marcha (Whittle, 2007). ........... 14 
Figura 11 - Fase de contato inicial (Perry, 1992). .................................................................... 17 
Figura 12 - Fase de reposta à carga (Perry, 1992) .................................................................... 18 
Figura 13 - Fase média de apoio(Perry, 1992). ....................................................................... 19 
Figura 14 - Fase final de apoio (Perry, 1992). .......................................................................... 20 
Figura 15 - Fase prévia à oscilação (Perry, 1992). ................................................................... 22 
Figura 16 - Fase inicial de oscilação (Perry, 1992). ................................................................. 23 
Figura 17 - Fase média de oscilação (Perry, 1992). ................................................................. 24 
Figura 18 - Fase final de oscilação (Perry, 1992). .................................................................... 25 
Figura 19 - Intervalo I, fase de contato inicial à fase de apoio médio (Vera, 1999). ............... 26 
Figura 20 - Intervalo II, fase de apoio médio à fase prévia de oscilação (Vera, 1999). ........... 27 
Figura 21 - Intervalo III, fase de oscilação (Vera, 1999). ........................................................ 27 
Figura 22 - Ângulo de flexão do tornozelo durante a marcha (Winter, 1991). ........................ 28 
Figura 23 - Momento articular do tornozelo (Winter, 1991). ................................................... 29 
Figura 24 - Potência articular do tornozelo (Winter, 1991). .................................................... 30 
Figura 25 - Teoria dos seis determinantes da marcha (Medved, 2001). ................................... 31 
Figura 26 - Terceiro determinante da marcha (Medved, 2001). ............................................... 32 
Figura 27 - Quarto e quinto determinantes da marcha (Medved, 2001)................................... 32 
Figura 28 - Plataforma de forças extensométricas (Collado, 2005). ........................................ 35 
Figura 29 - Impressões plantares (Viladot, 1989). ................................................................... 36 
Figura 30 - Posição de mínima de pressão intra-articular com 15° de flexão plantar no 
tornozelo (Perry, 1992). ............................................................................................................ 40 
Figura 31 - Fases da marcha onde a flexão plantar excessiva é importante (Perry, 1992)....... 42 
Figura 32 - Compensações para a perda de progressão (Perry, 1992). .................................... 43 
Figura 33 - Fases média e final de oscilação com flexão plantar excessiva (Perry, 1992). ..... 44 
Figura 34 - Contratura de flexão plantar de 15º que bloqueia o avanço da tíbia (Perry, 1992).
 .................................................................................................................................................. 45 
Figura 35 - Fase final de apoio com excessiva dorsiflexão (Perry, 1992)................................ 46 
Figura 36 - Paciente com pé caído (Perry, 1992). .................................................................... 52 
Figura 37 - Ângulos do pé na fase média de oscilação: Ângulos normais (à esquerda) e 
ângulos de pé caído (à direita) (Kirienko, 2004). ..................................................................... 52 
Figura 38 - Paralisia do glúteo medio (Millares, 2007). ........................................................... 54 
Figura 39 - Marcha com paralisia do quadríceps (Millares, 2007). ......................................... 54 
Figura 40 - OTP ativa (Alam, 2014)......................................................................................... 58 
Figura 41 - OTP metálica (Lin, 2003). ..................................................................................... 59 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
X 
 
Figura 42 - Esquema dos componentes numa união do tornozelo de dupla ação (Braddom, 
2011). ........................................................................................................................................ 60 
Figura 43 - Estribo sólido (à esquerda) e estribo de separação (à direita) (Braddom, 2011). .. 61 
Figura 44 - Controlo das deformações varo e valgo com uma cinta em forma de T (Braddom, 
2011). ........................................................................................................................................ 62 
Figura 45 - Lâmina elástica posterior OTP plástica (Lin, 2003). ............................................. 63 
Figura 46 - OTP sólida (Braddom, 2011). ................................................................................ 64 
Figura 47 - OPT articulada (Lin, 2003). ................................................................................... 65 
Figura 48 - OTP em espiral (Edelstein e Bruckner, 2002). ...................................................... 66 
Figura 49 - OTP hibrida (Lin, 2003). ....................................................................................... 67 
Figura 50 - Três pontos de pressão (A) e quatro pontos de pressão (B) (Gulshad, 2009). ...... 71 
Figura 51 - Três pontos de pressão para controlar a dorsiflexão (A), a flexão plantar (B), a 
abdução (C) e a adução (D) (Gulshad, 2009). .......................................................................... 72 
Figura 52 - Quatro pontos de pressão para controlar a eversão (à esquerda) e a inversão (à 
direita) (Lin, 2003). .................................................................................................................. 72 
Figura 53 - Força de reação ao solo na fase de apoio sem ortótese (A) e com ortótese (B) 
(Gulshad, 2009). ....................................................................................................................... 73 
Figura 54 - Força de reação ao solo na deformação valgo da articulação subtalar (Gulshad, 
2009). ........................................................................................................................................ 74 
Figura 55 - Câmaras usadas para capturar o movimento. ........................................................ 77 
Figura 56 - Placas de forças usadas. ......................................................................................... 78 
Figura 57 - Colocação dos marcadores..................................................................................... 79 
Figura 58 - Ângulo do tornozelo Vs. Tempo............................................................................ 80 
Figura 59 - Força no eixo y Vs. Tempo. ................................................................................... 81 
Figura 60 - Força no eixo z Vs. Tempo. ................................................................................... 81 
Figura 61 - Momento no eixo x Vs. Tempo. ............................................................................ 82 
Figura 62 - Momento no eixo y Vs. Tempo. ............................................................................ 82 
Figura 63 - Momento no eixo z Vs. Tempo. ............................................................................. 83 
Figura 64 - Ângulo do tornozelo direito Vs. Tempo (Cuevas, 2013). ...................................... 84 
Figura 65 - Força z Vs. Tempo (Cuevas, 2013)........................................................................ 84 
Figura 66 - Momento Y Vs. Tempo (Cuevas, 2013). ............................................................... 85 
 
 ÍNDICE DE TABELAS 
 
Tabela 1 - Diferencias entre 3PP e GRF (Gulshad, 2009) …………………………………...74 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO I 
 Introdução 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
2 
 
 
1.1. INTRODUÇÃO 
 
O ciclo da marcha inclui uma sequência de eventos que ocorre entre duas repetições 
consecutivas de qualquer um dos eventos da marcha. 
 
O seu estudo é uma importante ferramenta de diagnóstico na avaliaçãodas patologias 
neuro-músculo-esqueléticas e fornece possibilidades para a avaliação clínica e o seguimento 
das doenças e lesões, permitindo determinar a natureza e a gravidade das mesmas, com a 
adequação de ortoses e próteses, pretende-se a reabilitação da marcha de forma a ser o mais 
correta possível, quer ao nível funcional, quer estético, e que permita a máxima independência 
do paciente. 
 
 Muitas são as pessoas que têm algum tipo de doença ou deformação, fazendo com que 
o seu ciclo de marcha não seja “normal”, de forma que precisam do uso de ortóteses. As 
ortóteses são dispositivos aplicados externamente para auxiliar os sistemas neuro-musculares-
esqueléticos. 
 
 Dentro das ortóteses, as ortóteses para o membro inferior são muito importantes já que 
são as que afetam fortemente o ciclo da marcha humana. Por exemplo, nos Estados Unidos as 
ortóteses do membro inferior foram as mais usadas em 2012, correspondendo a 56.8 % do 
total do uso de ortóteses. 
 
 Em particular, as ortóteses do pé e tornozelo são as mais usadas na atualidade, por isso 
é importante a compreensão do seu funcionamento e das suas características principais. 
 
1.2. OBJETIVOS 
 
Os principais objetivos da esta dissertação foram: 
 
- A compreensão do ciclo da marcha humana identificando as fases envolvidas e o que 
acontece em cada uma delas. 
 
- Identificar os erros funcionais do tornozelo e do pé, assim como os problemas associados à 
marcha humana patológica fazendo uma classificação da mesma. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
3 
 
- Realizar uma classificação das ortóteses do tornozelo e pé (OTP), atendendo ao material, e 
compreender e descrever o seu funcionamento. 
 
- Comprovar experimentalmente num laboratório de biomecânica os benefícios da utilização 
de uma OTP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO II 
 Anatomia e movimento do pé e 
tornozelo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
5 
 
 
 Neste projeto, torna-se importante a compreensão da constituição anatômica do pé e 
do tornozelo, assim como do movimento envolvido nos planos de referência usualmente 
considerados. Assim, tais temas são introduzidos neste capítulo. 
 
2.1. ANATOMIA DO PÉ E TORNOZELO 
 
 O pé e o tornozelo constituem uma estrutura mecânica complexa, constituída por 
ossos, ligamentos, tendões e músculos. Os ossos são tecidos rígidos que apoiam e protegem 
vários órgãos do corpo. Os tendões são faixas de tecido fibroso que ligam os músculos aos 
ossos, sendo a sua função principal traduzir as forças desenvolvidas pelos músculos aos ossos, 
criando, por exemplo, movimento. A função dos ligamentos é fortalecer e estabilizar as 
articulações. Por outro lado, os músculos são um tipo de tecido mole que contém fios de 
proteínas cuja função é fornecer força e causar movimento (Netter, 1996). 
 
 A estrutura óssea do pé é constituída por cerca de 26 ossos: 7 ossos do tarso (tálus, 
calcâneo, cuboide e 3 cuneiformes), 5 ossos do metatarso e 14 falanges (3 para cada um dos 
dedos, exceto o hálux que tem apenas 2), Figura 1. 
 
Figura 1 - Ossos existentes no pé humano (Netter, 1996). 
 
O pé é comumente dividido em antepé, meio pé e retropé: 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
6 
 
 
 O antepé contém 5 metatarsos e 14 falanges e está separado do restante do pé pela 
articulação tarsometatarsal. Os cinco metatarsos estão aproximadamente paralelos uns aos 
outros, os dois laterais com o cubóide e os três mediais com os três ossos cuneiformes. As 
falanges são os ossos dos dedos dos pés, existindo dois ossos no dedo gordo do pé e três em 
cada um dos outros dedos. O dedo gordo é chamado de hálux. 
 
O meio pé inclui os 3 cuneiformes, o cubóide e o navicular, e está separado da parte posterior 
do pé pela articulação transversal do tarso. 
 
O retropé contém dois ossos: o astrágalo e calcâneo (Netter, 1996): 
 
 O tálus ou astrágalo é o superior dos dois ossos do retropé. A sua superfície superior 
 forma a articulação do tornozelo, a articulação acima e medialmente com a tíbia e 
 lateralmente com a fíbula. Abaixo, o tálus articula-se com o calcâneo através da 
 articulação subtalar. Articula-se anteriormente com o mais medial e superior dos ossos 
 do médio pé (o navicular). 
 O calcâneo situa-se abaixo do tálus e articula-se com ele através da articulação 
 subtalar. A superfície anterior articula-se com o mais lateral e inferior dos ossos do 
 médio pé (o cuboide) (Whittle, 2007), Figura 2. 
 
Figura 2 - Partes do pé: Antepé, meiopé e retropé (Schulte, 2013). 
 
 Na articulação do tornozelo, os extremos inferiores da tíbia e perônio formam uma 
cavidade profunda que encaixa na superfície superior do tálus. A forma dos ossos e a força 
dos ligamentos circundantes mantém o tornozelo estável permitindo a liberdade de 
movimentos. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
7 
 
 Os ossos do pé são organizados em dois arcos que são mantidos em posição por meio 
dos ligamentos e dos tendões. Os arcos do pé permitem que o pé suporte o peso total do corpo 
proporcionando uma distribuição ideal nos tecidos moles e duros do pé. A parte dianteira 
suporta cerca de 40% do peso do corpo e o calcanhar os restantes 60%, Figura 3. 
 
Figura 3 - Vista lateral dos arcos do pé (Tortora e Derrickson, 2008). 
 
 Os dois arcos são suportados por vários ligamentos localizados na superfície plantar 
do pé que proporcionam uma flexível e forte base de suporte. Os três ligamentos principais 
são o ligamento cacaneonavicular plantar, o ligamento plantar longo e o ligamento 
calcaneocuboide plantar. 
 Os músculos são tecidos moles que exercem forças sobre os tendões que ligam aos 
ossos. Existem vários músculos responsáveis do movimento do pé e dos dedos destes que 
estão localizados na perna e no pé, muitos deles cruzando a articulação do tornozelo (Tortora 
e Derrickson, 2008). 
 
2.2. MOVIMENTO DO PÉ E TORNOZELO 
 
 O pé tem seis articulações: tornozelo, subtalar, mediotársica, tarsometatarsal, 
metatarsofalangiana e interfalangeanas que são controladas pelos músculos intrínsecos e 
extrínsecos. 
 
Para descrever o movimento das articulações e membros existem três planos geralmente 
considerados: 
 
 - Plano sagital: É um qualquer plano que divide parte do corpo nas subpartes esquerda 
e direita. O plano medio corresponde ao plano sagital que divide o corpo na metade direita e 
esquerda. 
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8 
 
 
 - Um plano frontal: Divide o corpo em partes anterior e posterior. Também é chamado 
de plano coronal. 
 
 - Um plano transversal: Divide as partes do corpo nas partes superior e inferior. 
Também é chamado de plano horizontal (Whittle, 2007), Figura 4. 
 
 
Figura 4 - Os três planos de referência e as seis direções fundamentais (Whittle, 2007). 
 
A maioria das articulações apenas permite movimentos num ou em dois planos. Os 
movimentos possíveis são: 
 
- Flexão e extensão que ocorrem no plano sagital. Na articulação do tornozelo, estes 
movimentos são chamados de dorsiflexão e plantiflexão. 
 
 Dorsiflexão: Aproximação do dorso do pé à parte anterior da perna, sendo a sua 
 amplitude em torno de 20°. 
 
 Plantiflexão: Baixar o pé alinhando-o com o maior eixo da perna com o calcanhar 
 elevado do solo com um movimento com cerca de 50° de amplitude, Figura 5. 
 
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9 
 
 
Figura 5 - Movimentos de dorsiflexão e plantarflexão (Palastanga, 2012). 
 
 - Abdução e adução ocorrem no plano frontal: 
 
 Abdução: Os dedosficam a apontar para a parte externa do corpo. 
 Adução: Movimento oposto à abdução, Figura 6. 
 
 
Figura 6 - Movimentos de abdução e adução (Whittle, 2007). 
 
- Inversão e eversão ocorrem no plano transversal: 
 
 Inversão: O pé dirige-se à parte medial da perna, a amplitude máxima é de 20º. 
 Eversão: O pé dirige-se à parte lateral da perna, a amplitude máxima é de 5º, Figura 7. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
10 
 
 
Figura 7 - Movimentos de inversão e eversão (Whittle, 2007). 
 
 O pé e tornozelo também podem combinar movimentos a fim de proporcionar 
flexibilidade e estabilidade durante a marcha, como a supinação e a pronação que são 
permitidos pela articulação subtalar. A supinação é uma combinação de adução, plantiflexão e 
inversão, enquanto a pronação é uma combinação de abdução, dorsiflexão e eversão, Figura 8. 
 
 
Figura 8 - Movimentos de supinação (esquerda) e pronação (direita) (Kapandji, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO III 
 Análise do ciclo da marcha humana “normal” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
12 
 
 Este capítulo aborda o ciclo da marcha humana “normal” e os seus aspetos cinéticos e 
cinemáticos. Existe ainda uma descrição sobre os diferentes métodos de estudo da marcha 
humana e sobre as distintas teorias referentes à mesma. 
 
3.1. CICLO DA MARCHA HUMANA “NORMAL” 
 
Atualmente, o estudo da marcha humana é uma ferramenta de diagnóstico importante 
na avaliação das patologias neuro-músculo-esqueléticas, quer sejam temporárias ou 
permanentes, locais ou gerais. Embora cada indivíduo tem uma maneira de andar e correr e é 
possível identificar uma pessoa pela sua maneira de andar ou mesmo pelo som dos seus 
passos, ainda assim existem muitos fatores que podem modificar o esquema geral da marcha, 
como extrínsecos, intrínsecos, fisiológicos ou patológicos, físicos ou psíquicos (Collado, 
2002). 
 
O ciclo da marcha é uma sequência de eventos que ocorre entre duas repetições 
consecutivas de qualquer um dos eventos da marcha. Por conveniência, é adotado como o 
início do ciclo o momento em que um pé tem contacto com o solo, geralmente através do 
calcanhar. Do mesmo modo, considera-se como origem o contato do pé direito, e o ciclo 
termina no apoio seguinte do pé. Por outro lado, o pé esquerdo experimenta a mesma série de 
eventos que o direito, deslocada no ciclo médio (Williams e Wilkins, 1981). 
 
Durante um ciclo completo da marcha, cada perna passa por uma fase de apoio, 
durante o qual o pé está em contacto com o solo, e por uma fase de balanço, em que o pé está 
no ar, ao mesmo tempo que avança em preparação para o próximo apoio. A fase de apoio 
começa com o contato inicial e termina com a decolagem do antepé. A fase de balanço é 
executada desde o momento da decolagem do antepé até o contacto seguinte com o solo. 
 
Em relação à duração do ciclo da marcha, a fase de apoio constitui, em condições 
normais, e para a velocidade de marcha normal para o sujeito, cerca de 60% do ciclo. 
 
A fase de balanço representa os 40% restantes. O mesmo se aplica ao membro 
contralateral: considera-se 50% do tempo, o que revela a existência de duas fases de apoio 
bipodal ou de duplo apoio, cada uma com 10% de duração. A duração relativa de cada uma 
dessas fases depende fortemente da velocidade do sujeito, aumento da proporção de oscilação 
durante o apoio de forma a aumentar a velocidade, gradualmente reduzindo os períodos de 
duplo apoio, que desaparecem na transição entre marcha e corrida (Perry, 1992). 
 
É chamado o período de apoio monopodal ao intervalo durante o qual apenas um 
membro está em contacto com o solo, enquanto o membro contralateral está na fase de 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
13 
 
balanço. O tempo de apoio modal esquerdo é igual ao tempo de oscilação direito. O tempo 
para apoiar um pé é igual à soma do tempo do apoio monopodal desse pé e aos dois tempos 
de apoio bipodal, Figura 9. 
 
 
Figura 9 - Ciclo da marcha humana (Perry, 1992). 
 
A distância medida entre dois apoios consecutivos do mesmo pé chama-se 
comprimento do passo. Já a distância medida na direção da progressão que separa o apoio 
inicial do pé direito do apoio inicial do pé esquerdo, é chamada o comprimento do passo 
esquerdo. Da mesma forma tem-se o comprimento do passo direito e a soma dos dois passos 
coincide com o comprimento do passo. 
O tempo do passo esquerdo é o tempo decorrido na consecução do passo esquerdo, ou 
seja, entre o contato inicial do pé direito e o contato inicial do pé esquerdo, e é igual à soma 
do tempo de balanço esquerdo e o tempo de duplo apoio imediatamente seguinte, que por sua 
vez corresponde à fase de descolagem do pé esquerdo. 
A separação lateral entre os apoios de ambos pés, geralmente medida entre os pontos 
médios dos calcanhares, é a largura do passo, largura de apoio ou base de apoio. 
O ângulo entre a linha média do pé e a direção da progressão é conhecido como 
ângulo de passo (Whittle, 2007), Figura 10. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
14 
 
 
Figura 10 - Apoios sucessivos dos pés no solo num ciclo de marcha (Whittle, 2007). 
 
A cadência é definida como o número de passos que são executados num intervalo de 
tempo, sendo a sua unidade o passo por minuto. Expressa em passos por segundo, a cadência 
é duas vezes o inverso da duração do ciclo. 
 
A velocidade da marcha é a distância percorrida pelo corpo na unidade de tempo na 
direção considerada. A velocidade média pode ser calculada como o produto da cadência pelo 
comprimento do passo (Whittle, 2007). 
 
3.2. FASES DO CICLO DA MARCHA 
 
O desenvolvimento do ciclo de marcha é marcado por uma série de eventos que 
permitem uma subdivisão mais fina, facilitando a sua descrição. Em condições normais são 
produzidos para cada pé os seguintes eventos sucessivos: 
 
- O contato do calcanhar com solo; 
- Apoio completo da sola do pé; 
- Decolagem do calcanhar ou do retropé; 
- Decolagem dos dedos ou do antepé; 
- Oscilação do membro; 
- Contato seguinte do calcanhar. 
 
No entanto, algumas das etapas anteriormente referidas podem não existir em certas 
alterações da marcha; por exemplo, o contato inicial pode não ser feito com o calcanhar, o 
membro oscilante pode arrastar-se no solo, etc.. Neste caso, para executar a subdivisão 
apropriada, é preciso definir as fronteiras entre as diferentes subfases, que são (Winter, 1991): 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
15 
 
 
· Fase de receção da carga; 
· Fase média de apoio; 
· Fase de decolagem; 
· Fase inicial de oscilação; 
· Fase final de oscilação. 
 
Dentro do período de apoio, a fase de receção de carga é executada entre o contato 
inicial e o contato total apoio do pé; em seguida, ocorre a fase média de apoio, até ao 
momento da decolagem do calcanhar; Finalmente, a fase de decolagem, até ao momento em 
que os dedos levantam-se acima do solo. Em termos de período de oscilação, a sua divisão é 
feita em dois intervalos de igual duração. 
 
Outra possível subdivisão e a mais difundida é a que considera o apoio composto de 
cinco períodos básicos e a oscilação constituída por outros três (Perry, 1992): 
 
Fases de apoio: 
 
Fases do contato inicial (CI) - 0-2%; 
Fase inicial de apoio e resposta à carga (AI) - 0-10%; 
 Fase média de apoio (AM) - 10-30%; 
Fase final de apoio (AF) - 30-55%; 
 Fase prévia de oscilação (OP) - 50-60%. 
 
Fase de oscilação: 
 
 Fase inicial de oscilação (OI) - 60-73%; 
 Fase média de oscilação (OM) - 73-87%; 
 Fase final de oscilação (OF) - 87-100%. 
 
 
A fase decontato inicial (CI) dá-se com o contato do pé com o solo, sendo o seu 
principal objetivo o posicionamento do membro para iniciar o apoio. Em pessoas normais este 
contato ocorre através do calcanhar. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
16 
 
A fase de contato inicial forma parte da fase inicial de apoio ou da resposta à carga 
(AI), sendo identificada com o primeiro período de duplo apoio. Esta fase é executada entre o 
momento do contato inicial e a decolagem do antepé no membro contralateral em condições 
normais. O membro inferior deve absorver o impacto inicial, mantendo ao mesmo tempo a 
estabilidade e a progressão. Durante este período flexiona-se o joelho e o tornozelo efetua 
uma flexão plantar controlada pelo quadríceps e o tibial anterior, dando-se a estabilização do 
quadril. 
 
Com a decolagem do membro contralateral começa a fase de apoio monopodal que 
tem duas subfases. Uma delas é a fase média de apoio (AM) que sucede o instante da 
decolagem do calcanhar, e a sua finalidade é a progressão do corpo sobre o pé estacionário, 
mantendo a estabilidade da perna e do tronco. Depois do total apoio do pé, ocorre uma 
dorsiflexão de tornozelo controlada e termina o movimento de flexão do joelho e estabiliza-se 
o corpo no plano frontal. A outra subfase é chamada de fase de apoio (AF) e começa com a 
decolagem do calcanhar e termina quando o membro contralateral está em contato com o solo. 
 
O início do segundo período de duplo apoio, correspondente à fase preliminar de 
oscilação (OP), começa com o contato inicial no membro contralateral e termina com a 
decolagem do antepé. A principal função da perna nesta fase é a preparação para fazer a 
oscilação facilitada pela entrada em carga do membro contralateral para o qual transfere-se 
rapidamente a carga. Nesta fase acontecem com um grau significativo a flexão do joelho e a 
flexão plantar do tornozelo. 
 
O primeiro terço do período de oscilação é a fase inicial da oscilação (OI) que começa 
com a decolagem do membro e o avanço do membro que ocorre com a flexão do quadril e o 
joelho, proporcionando uma separação adequada entre o pé e o solo. 
 
A segunda parte é a oscilação, ou fase média de oscilação (OM), que começa quando 
cruzam-se os dois membros e termina quando a tíbia em oscilação toma uma posição vertical. 
A progressão do membro a uma distância suficiente é favorecida pela dorsiflexão do 
tornozelo, acompanhada por uma flexão adicional do quadril. 
 
O período de oscilação finaliza com a fase final da oscilação (OF), sendo limitado pelo 
contato seguinte do membro com o solo dando lugar a um novo passo. Nesta fase ultima-se o 
avanço do membro e realiza-se a preparação para o contato iminente. Ocorre um recuo da 
flexão de quadril e o joelho termina em extensão, enquanto o tornozelo mantém um 
alinhamento neutro (0° anatômicos). 
 
A seguir, apresenta-se uma descrição mais detalhada do ciclo da marcha das diferentes 
subfases anteriormente definidas: 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
17 
 
 
 - Fase I: Fase de contato inicial: O principal objetivo no instante do contato inicial (0 - 
2% do ciclo, apoio bipodal) é a posição correta do pé em contato com o solo. A linha de ação 
da força de reação é posterior à articulação do tornozelo, passa pelo joelho produzindo um 
momento de flexão plantar do tornozelo. Em correspondência, em cada articulação acontece 
um momento interno que neutraliza a ação externa. Assim, no tornozelo estão ativos os 
flexores dorsais, no joelho intervêm os isquiotibiais e no quadril ocorre uma contração dos 
extensores. Além disso, existe atividade no quadríceps em preparação para a próxima fase 
(Whittle, 2007). 
 
 Ao mesmo tempo, começa o desempenho inicial do calcanhar ao produzir-se um 
movimento de rolamento do pé para baixo apoiado sobre o calcanhar e controlado 
principalmente pelo tibial anterior, Figura 11. 
 
 
Figura 11 - Fase de contato inicial (Perry, 1992). 
 
 - Fase II: Fase de reposta à carga: Esta fase estende-se até 10% do ciclo em apoio 
bipodal e a sua finalidade principal é a manutenção de uma progressão suave através do 
desempenho do calcanhar ao mesmo tempo que amortece o descenso do corpo. Esta 
desaceleração é claramente manifestada na força de reação vertical que aumenta acima do 
peso do corpo (Perry, 1992). 
 
A massa corporal desacelera-se através do controlo da flexão do joelho e da flexão 
plantar do tornozelo. No final da fase da resposta à carga, a flexão do joelho atinge cerca de 
15° e o tornozelo cerca de 10º. A ação do músculo tibial anterior para e começa a encolher o 
tríceps sural e o tibial posterior. No joelho ocorre um importante par externo de flexão que se 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
18 
 
opõe ao quadríceps. A força de reação torna-se posterior ao quadril e a sua ação torna-se 
gradualmente em extensão e interrompe a atividade dos extensores de quadril no final da fase. 
 
No plano frontal, a transferência de peso de corpo requer a intervenção dos abdutores 
do quadril. No pé, a força de reação cria um momento de eversão do mesmo. Com a eversão 
do calcâneo, o astrágalo gira internamente no plano transversal e produz uma rotação interna 
da tíbia e perónio que é transmitida para o fêmur. Este movimento é favorecido pelos 
adutores, isquiotibiais mediais e as fibras anteriores de glúteo médio, e é usado para puxar a 
pélvis para a frente (Whittle, 2007), Figura 12. 
 
 
Figura 12 - Fase de reposta à carga (Perry, 1992) 
 
 - Fase III: Fase média de apoio: Acontece entre os 10% e os 30% do ciclo da marcha e 
o seu início é marcado pela decolagem dos dedos do membro contralateral. Nesta fase, ocorre 
o desempenho do tornozelo mantendo a estabilidade do quadril e o joelho, enquanto o corpo 
move-se sobre um pé estacionário. Simultaneamente, o membro oposto começa a fase de 
oscilação e está em fase de apoio monopodal. O centro de massa atinge o seu máximo quando 
a sua velocidade vertical é zero (Perry, 1992). 
 
No plano sagital o momento externo do tornozelo é dorsiflexor devido à deslocação 
para a frente da força de reação que é anterior ao joelho e o quadril, criando momentos 
extensores em ambas as articulações. A atividade muscular dos glúteos, isquiotibiais e 
quadríceps termina e o sóleo estabiliza as três articulações. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
19 
 
No plano frontal a pelve cai cerca de 5° na sua extremidade contralateral. A massa do 
corpo é posicionada excentricamente sobre o membro de apoio e produz um momento externo 
de adução no quadril. No tornozelo a tibial posterior tem que manter a estabilidade do pé. 
 
No plano transversal continua a rotação interna da perna e a coxa gira internamente até 
extensão completa do joelho. Nesta fase, a pelve atinge a sua posição neutra. Os ombros estão 
também em posição neutra, rodando no sentido contrário da pelve, como mecanismo de 
compensação para o momento angular. Esses movimentos são devido às forças de inércia e 
portanto não requerem ação muscular (Whittle, 2007), Figura 13. 
 
 
Figura 13 - Fase média de apoio (Perry, 1992). 
 
 - Fase IV: Fase final de apoio: Acontece entre os 30% a 50% do ciclo e os seus 
principais objetivos são produzir aceleração e um comprimento do passo adequado. A 
aceleração é uma consequência da “queda para a frente” do centro de massa do corpo e gera 
cerca do 80% da energia necessária para a marcha em adultos ditos normais (Winter, 1991). 
 
Começa quando a projeção no solo do centro de massa adianta-se ao centro de 
pressões e o corpo começa a “cair para a frente” e no lado com falta de apoio. 
 
No plano sagital, os gêmeos juntam-se ao sóleo no controlo da dorsiflexão do 
tornozelo. Com o tríceps a contrair-se e o calcanhar a levantar-se do solo produz-se o iníciodo desempenho do antepé onde as cabeças dos metatarsos atuam como ponto de apoio para a 
rotação do membro. Ao nível do solo, a inclinação do eixo formado pelas cabeças dos 
metatarsos é de 60° para o eixo ântero-posterior do pé. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
20 
 
Quando começa a rotação sobre o eixo ântero-posterior do pé, a inversão do retropé 
bloqueia a articulação subastragalar e dá-se a aceleração e propulsão para a frente devido à 
combinação da ação do tríceps e a “queda do tronco para a frente”. O joelho atinge uma 
completa flexão e também o quadril na final da fase. O membro contralateral está agora na 
fase final da oscilação e a força de reação permanece anterior ao joelho e posterior ao quadril 
permitindo a estabilização passiva de ambas articulações. 
 
No plano frontal, continua o momento exterior de adução e o equilíbrio é mantido 
graças aos abdutores de quadril. 
 
No plano transversal, o lado em suspensão da pelve continua a girar para a frente junto 
com a perna em balanço. No membro de sustentação, o joelho é completamente estendido e a 
coxa e a perna rodam externamente em solidariedade. Como o pé não gira no solo, este 
movimento do membro é dividido entre o quadril e a articulação subastragalar. A rotação 
externa faz a supinação do retropé (inversão), levantando o arco plantar (Whittle, 2007), 
Figura 14. 
 
 
Figura 14 - Fase final de apoio (Perry, 1992). 
 
 - Fase V: Fase prévia à oscilação: Acontece entre os 50% e os 60% do ciclo e o 
principal objetivo é preparar o membro para a oscilação. O contato inicial (CI) do membro 
oposto marca o seu início e o começo da fase de duplo apoio. A análise cinemática e cinética 
desta fase revela uma atividade concêntrica dos flexores do quadril, impulsionando a coxa 
para a frente e a produzir-se uma flexão do joelho. Com a transferência do peso do corpo no 
membro contralateral e o avanço da perna, a força de reação está localizada atrás do joelho. O 
momento externo dorsiflexor diminui rapidamente com a redução da força de reação sobre o 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
21 
 
membro de apoio. Como resultado, os flexores plantais predominam e contribuem para a 
flexão do joelho (Perry, 1992). 
 
 Em cadência livre, as forças gravitacionais equilibram-se com as forças inerciais e o 
joelho flexiona-se nas fases de preoscilação e inicial de oscilação para um comportamento 
passivo na fase final da oscilação sem intervenção muscular adicional. No entanto, o membro 
inferior comporta-se como um pêndulo composto e a flexão será excessiva em cadências 
rápidas se não fora a ação do reto anterior. Uma cadência mais alta é alcançada através da 
aplicação de um maior momento de flexão plantar do tornozelo e de um maior momento 
flexor do quadril. O reto anterior aumenta a força de flexão do quadril impedindo uma flexão 
excessiva do joelho e uma elevação excessiva do calcanhar. Da mesma forma, em cadências 
inferiores ao normal, a flexão do joelho tem que aumentar, já que as forças de inércia são 
insuficientes. 
 
 Na mesma fase, a flexão plantar do tornozelo produz um alongamento do 
comprimento eficaz do membro de apoio e reduz-se a queda do centro de massa do corpo e 
conserva-se a energia. A cadência normal implica aproximadamente 27° de flexão plantar do 
tornozelo, 45° de flexão do joelho e 5° de flexão do quadril quando dá-se a decolagem do 
antepé. 
 
 No plano frontal, os abdutores do quadril param a sua atividade com a transferência 
rápida do peso para o membro oposto que reduz o momento externo de adução 
 
 No plano transversal, a pelve atinge a sua máxima rotação para trás no final da fase 
final de apoio. No início da preoscilação, a pelve começa a girar para a frente junto com o 
membro. O centro de pressões plantares move-se em direção a área medial, e no instante da 
decolagem dos dedos está localizado sob as cabeças dos primeiro e segundo metatarsos 
(Whittle, 2007), Figura 15. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
22 
 
 
Figura 15 - Fase prévia à oscilação (Perry, 1992). 
 
 - Fase VI: Fase inicial de oscilação: Acontece entre os 60% e os 73% do ciclo e os 
seus objetivos principais são de conseguir uma separação suficiente de segurança entre o pé e 
o solo e alcançar a cadência desejada A fase inicial da oscilação começa com a decolagem do 
antepé. Agora o pé está no ar e não existem forças de reação, e as forças externas que atuam 
sobre o membro são o peso, a gravidade e as forças inerciais. No tornozelo, estas forças 
produzem um momento de flexão plantar contrariado pelo tibial anterior. Para modificar a 
cadência o corpo precisa de um mecanismo que altera o período natural do membro que oscila 
como um pêndulo composto. Um primeiro mecanismo é a modificação da frequência natural 
através de um maior ou menor grau de flexão do joelho. A posição posterior do membro com 
os dedos apontando para o solo requer cerca de 60° de flexão do joelho para obter uma 
separação adequada entre o pé e o solo. No quadril, os flexores do membro aceleram o 
membro em oscilação e neutralizam a ação gravitacional (Perry, 1992). 
 
 No plano frontal os adutores ajudam os flexores no avanço do membro. Produz-se a 
máxima queda da pelve em cerca de 5°. Este mecanismo aumenta a flexão do joelho 
necessária para superar o nível do solo e diminui o movimento vertical do centro de massa. 
 
 No plano transversal, a pelve gira para a frente pela ação do adutor maior da coxa do 
membro de apoio onde a coxa, a perna e o pé giram externamente (Whittle, 2007), Figura 16. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
23 
 
 
Figura 16 - Fase inicial de oscilação (Perry, 1992). 
 
 - Fase VII: Fase média de oscilação: Acontece entre os 73% e os 87% do ciclo e o seu 
objetivo principal é manter a separação entre o pé e o solo. Com a extensão do joelho, a 
separação precisa da pelve relativamente horizontal, uma flexão suficiente do quadril e uma 
dorsiflexão adequada do tornozelo. Em marcha normal a separação mínima nesta fase é 
apenas 1.29 ± 0.45cm sendo a margem de erro pequena (Winter, 1991). 
 
 No plano sagital, o membro em oscilação comporta-se como um pêndulo composto 
onde qualquer aceleração durante a fase inicial da oscilação deve ser compensada na fase 
final. A fase média é um período de transição durante o qual a atividade muscular é mínima. 
No início da fase de oscilação a coxa está relativamente vertical, enquanto no final da fase o 
quadril atinge sua flexão máxima, e a posição da perna é quase vertical embora continue a 
extensão do joelho. Os movimentos do quadril e do joelho são produzidos graças às forças 
inerciais e gravitacionais. 
 
 No tornozelo, os músculos tibiais anteriores reduzem a flexão plantar e no final da fase 
atinge-se a máxima flexão do quadril de cerca de 35°, a flexão do joelho é reduzida para 30° e 
o pé atinge uma posição perto da neutra. 
 
 No plano frontal, os adutores do quadril estão inativos e o membro inferior move-se 
pela inércia. Na transição entre as ações dos adutores e abdutores, a pelve retorna à sua 
posição neutra em relação à horizontal (Whittle, 2007), Figura 17. 
 
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Figura 17 - Fase média de oscilação (Perry, 1992). 
 
 - Fase VIII: Fase final de oscilação: Acontece entre os 87% e os 100% do ciclo e os 
seus objetivos principais são a desaceleração da perna e tentar posicionar corretamente o pé 
para o contacto com o solo (Perry, 1992). 
 
 No plano sagital, é preciso uma extensão completa do joelho e uma posição neutra do 
pé em relação á perna para realizar o contato efetivo do calcanhar para o início do próximo 
ciclo. O quadril atinge a sua flexão máxima e o pé a sua posição neutra na final da fase. No 
inícioda fase final da oscilação, o joelho presenta uma flexão de 30° e no contato inicial está 
quase totalmente estendido. Os isquiotibiais diminuem a velocidade da coxa e da perna e 
evitam uma forte hiperextensão do joelho. Os extensores de quadril, o quadríceps e o tibial 
anterior estão preparados para resistir ao momento produzido pela força de reação no instante 
do contato inicial. 
 
 No plano frontal, os abdutores do quadril intervierem antes do contato inicial para 
suportar o iminente momento de adução. A posição do pé é crítica neste intervalo, já que uma 
posição em varo ou valgo no instante do impacto produz momentos elevados de inversão ou 
eversão, e a musculatura necessária para os contrariar está inativa podendo ocorrer um entorse 
de tornozelo. 
 
 No plano transversal, a pelve gira anteriormente com o acompanhamento do membro 
em oscilação, atingindo o seu máximo no instante do contato inicial. A rotação externa da 
coxa, perna e pé continuam até que começa a fase de apoio (Whittle, 2007), Figura 18. 
 
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25 
 
 
 
Figura 18 - Fase final de oscilação (Perry, 1992). 
 
3.3. BIOMECÂNICA DO TORNOZELO 
 
 Uma das principais peculiaridades da união entre a tíbia e o pé é a transferência das 
forças verticais de apoio do corpo a um sistema de apoio horizontal executado pelas 
articulações subastragalar e tibioastragalina. O astrágalo está localizado abaixo do eixo da 
tíbia e liga as cargas verticais apoiadas pela tíbia às estruturas do pé, permitindo a mobilidade 
relativa dos dois segmentos em três dimensões através de um mecanismo básico de duas 
articulações de eixos não paralelos. 
 
 A mobilidade e coordenação das grandes articulações do membro inferior são 
fundamentais para o desenvolvimento da marcha humana, incluindo o tornozelo, o joelho, o 
quadril e a pélvis. 
 
Nesta secção, só é realizada uma análise cinética e cinemática do tornozelo por ser este o 
objetivo principal de estudo neste projeto. 
 
3.4. ANÁLISE CINEMÁTICA DO TORNOZELO DURANTE A MARCHA 
 
A análise cinemática descreve os movimentos do corpo e os movimentos relativos das 
partes do corpo durante as várias fases da marcha. O papel do tornozelo é essencial para a 
progressão e a absorção do impacto na fase de apoio, e facilita o avanço do membro durante a 
fase de oscilação. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
26 
 
O tornozelo apresenta duas trajetórias de flexão plantar e duas de flexão dorsal, 
alternadamente. 
Durante a fase de apoio produzem-se sucessivamente uma flexão plantar, uma dorsal e 
outra plantar, enquanto na fase de oscilação apenas há uma flexão dorsal. 
A análise é seguidamente dividida em três intervalos sendo descrito o funcionamento 
do tornozelo no plano sagital em cada uma das fases (Vera, 1999): 
 
Intervalo I: Acontecem os movimentos das articulações no plano sagital entre o 
contato de calcanhar como o solo e o ponto médio de apoio (Vera, 1999): 
 
Momento de contato do calcanhar com o solo: A articulação do tornozelo está 
em posição neutra (0°), entre a dorsiflexão e a flexão plantar. 
 
Simultaneamente com o contacto do calcanhar: A articulação do tornozelo 
começa a mover-se em direção da flexão plantar. 
 
Instante quando a planta do pé faz contato com o solo: A articulação do 
tornozelo move-se 15° da posição neutra ao flexão plantar. 
 
Na fase media: A articulação do tornozelo passa rapidamente para cerca de 5° 
de dorsiflexão, Figura 19. 
 
 
Figura 19 - Intervalo I, fase de contato inicial à fase de apoio médio (Vera, 1999). 
 
Intervalo II: Movimento das articulações no plano sagital entre o apoio médio e a 
descolagem do pé do solo (Vera, 1999): 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
27 
 
No apoio médio: A articulação do tornozelo passa rapidamente para cerca de 5° 
de dorsiflexão. 
 
Instante no qual o calcanhar descola-se do solo: A articulação do tornozelo é de 
aproximadamente 15° de dorsiflexão. 
 
No intervalo de elevação do calcanhar e decolagem do pé: O tornozelo move-
se rapidamente 35°, e com a decolagem do pé do solo a articulação é 
aproximadamente 20° de flexão plantar, Figura 20. 
 
 
Figura 20 - Intervalo II, fase de apoio médio à fase prévia de oscilação (Vera, 1999). 
 
Intervalo III: Descreve o movimento das articulações no plano sagital na fase de 
balanço (Vera, 1999): 
 
Durante a fase de oscilação: O pé move-se da posição inicial de flexão plantar 
ao desprender-se do solo até uma posição neutra (0°) que é mantida durante 
toda a fase de balanço, Figura 21. 
 
 
Figura 21 - Intervalo III, fase de oscilação (Vera, 1999). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
28 
 
 
No gráfico da Figura 22 é possível observar os distintos ângulos de rotação do tornozelo em 
dorsiflexão e flexão plantar. 
 
 
Figura 22 - Ângulo de flexão do tornozelo durante a marcha (Winter, 1991). 
 
3.5. ANÁLISE CINÉTICA DO TORNOZELO DURANTE A MARCHA 
 
Durante o apoio, a exigência funcional sobre o tornozelo é originada pela força de 
reação e o peso do corpo, enquanto na oscilação, os fatores determinantes são as forças de 
inércia que atuam sobre o pé. 
 
O centro de pressão move-se na base do pé a partir do calcanhar até as articulações 
metatarsofalagicas ao longo do apoio. No instante do contato inicial, a força da reação passa 
através de tornozelo dando origem a um momento de flexão plantar, compensado pelos 
músculos flexores dorsais em que a sua magnitude é reduzida, devido ao “curto braço da 
alavanca” existente, atingindo o seu valor máximo em torno de 2% do ciclo de marcha. O 
avanço do centro da pressão de antepé inverte a evolução deste momento externo, passando 
por zero aos 5% do ciclo de marcha, e é crescente na direção de flexão dorsal até pouco antes 
de contato do membro contralateral (correspondente a 48% do ciclo de marcha). O valor 
máximo do momento do músculo flexor plantar ocorre para localizar o centro de pressão nas 
cabeças dos metatarsos, devido ao efeito combinado do peso do corpo, das forças de inércia e 
de um “braço de alavanca” importante, como pode observar-se na Figura 23. 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
29 
 
 
Figura 23 - Momento articular do tornozelo (Winter, 1991). 
 
O diagrama de potência articular (Figura 24) é obtido pela consideração conjunta do 
padrão cinemático de flexão dorsal e plantar do tornozelo, e do momento resultante pelos 
músculos da articulação para contrariar as forças de reação e de inércia. Ao nível do 
tornozelo, dada a limitada relevância das forças de inércia, o momento exercido pela 
articulação é equivalente ao momento externo de sinal invertido. Na Figura 24, é possível 
observar o padrão característico da potência no tornozelo em cadência livre, com uma fase de 
absorção de energia (superfície T1), correspondente à flexão plantar inicial, controlado 
excentricamente pela tibial anterior, e uma dorsiflexão subsequente, excentricamente limitada 
pelo tríceps sural. Também há uma fase de geração de potência (superfície T2), que tem lugar 
durante a flexão plantar final do apoio causada pela contração concêntrica do tríceps sural. 
Em qualquer caso, as considerações da potência articular são variadas já que existem muitas 
variáveis (Wright, 1964). 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
30 
 
 
Figura 24 - Potência articular do tornozelo (Winter, 1991). 
 
3.6. TEORIAS DO ESTUDO DA MARCHA 
 
 A marcha humana é o resultado da interação dos movimentos das articulações e as 
forças dos músculos. Muitas das variáveis que contribuem para a marcha são frequentemente 
medidas ao longo do tempo, como as forças de reação ao solo ou o movimento dos membros, 
bem como o seu custo energéticoe metabólico. Durante décadas havia duas teorias sobre o 
estudo da marcha: a teoria do pêndulo invertido e a teoria dos seis determinantes da marcha 
(Sousa, 2010). 
 
 - Teoria de pêndulo invertido: A marcha pode ser comparada a um pêndulo onde a 
energia cinética é convertida em energia potencial e vice-versa, mantendo mais de 60% da 
energia mecânica necessária. A força decisiva no pêndulo invertido é a gravidade, a qual tem 
de ser pelo menos igual à forca centrípeta. Durante a marcha, a maioria do trabalho não é 
realizada por meio muscular de forma ativa, já que através de um mecanismo de mudança de 
energia cinética e potencial, uma vez que o centro de massa varia de acordo com o membro na 
fase de apoio, reduz-se o trabalho necessário para elevar o centro de gravidade. 
 
 Com uma análise biomecânica, observa-se que no final da fase aérea o centro de 
massa da cabeça, o tronco e os membros situam-se posteriormente ao final desta fase. O 
centro de massa começa a subir sobre o membro durante a fase inicial de apoio, devido à 
energia cinética. À medida que o centro de massa atinge a elevação máxima vertical na fase 
média de apoio, a velocidade do centro de massa diminui à medida que a energia cinética é 
convertida em energia potencial na elevação do centro de gravidade. Esta energia potencial é 
reconvertida em energia cinética na fase final de apoio, quando o centro de gravidade passa 
sobre o pé e a velocidade aumenta, e por isto existe uma transferência de energia entre passos 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
31 
 
sucessivos, com valor quase constante resultado da soma da energia cinética e potencial 
(Sousa, 2010). 
 
 - Teoria dos seis determinantes da marcha: A marcha humana utiliza diversos 
movimentos do quadril, joelho, pelve e tornozelo para manter o centro de gravidade num 
único plano horizontal. Estes movimentos são chamados de determinantes da marcha e os 
seus objetivos são maximizar a eficácia e diminuir o custo de energia. O centro de gravidade 
desloca-se duas vezes no seu eixo vertical durante um ciclo completo. O ponto de elevação 
máxima ocorre na metade da fase de apoio em que o membro que suporta o peso está em 
posição vertical, e o ponto mais baixo ocorre quando os dois membros suportam o peso, um 
membro na posição do choque de calcanhar e outro na posição de decolagem do calcanhar. A 
ondulação do centro de gravidade é representada por um ciclo que tem um deslizamento 
vertical de cerca de 5 cm (Cailliet, 1983), Figura 25. 
 
 
Figura 25 - Teoria dos seis determinantes da marcha (Medved, 2001). 
 
 a) Rotação pélvica: Produz a diminuição na amplitude das oscilações verticais 
onde a pelve oscila em relação ao eixo da região lombar da coluna vertebral. Observado desde 
acima, um lado da pelve desloca-se para a frente com o membro homolateral que oscila na 
mesma direção y que origina a redução dos ângulos da pelve com a coxa e do membro com o 
solo, e diminui a descida da pelve durante o passo. A cintura pélvica roda alternadamente para 
a direita e para a esquerda relativamente à linha de progressão e a seu magnitude é de 
aproximadamente 8º (4º na fase de oscilação e 4º na fase de apoio) e produz uma diminuição 
da ondulação vertical do centro de gravidade de 1 cm (Cailliet, 1983). 
 
 b) Inclinação da pelve: O movimento do centro de massa é produzido pela inclinação 
lateral da pelve que implica que tem de dobrar o joelho do membro em oscilação. A trajetória 
do centro de massa é diminuída, a trajetória pélvica atenuada e graças à flexão do joelho a 
energia é mantida por encurtamento do pêndulo (Sousa, 2010). 
 
 c) Flexão do joelho na fase de apoio unipodálico: O joelho está totalmente estendido 
com o choque do calcanhar com que inicia-se a fase de apoio no membro correspondente, mas 
flexiona-se quando o corpo desloca-se sobre o seu centro de gravidade cerca de 15º, até que 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
32 
 
toda a planta do pé que está apoiada no solo. Depois, o peso do corpo transfere-se para o outro 
pé e ocorre a extensão do joelho lentamente até que é completada a fase de apoio, Figura 26. 
 
 
Figura 26 - Terceiro determinante da marcha (Medved, 2001). 
 
 d) Pé e joelho: O quarto e o quinto determinantes são a combinação do movimento do 
joelho e o tornozelo. O tornozelo está em dorsiflexão cerca de 90º do instante do choque do 
calcanhar, e pouco a pouco ocorre a sua flexão plantar até que o pé está apoiado no solo e o 
corpo aproxima-se o seu centro de gravidade da postura ereta. Esta rotação efetua-se na 
articulação do tornozelo quando desloca-se sobre o calcanhar que suporta o peso, forma dois 
pequenos arcos de movimento que desaparecem pela flexão leve do joelho, Figura 27. 
 
 
Figura 27 - Quarto e quinto determinantes da marcha (Medved, 2001). 
 
 e) Deslocamento lateral da pelve: A pelve desloca-se lateralmente para conservar o 
equilíbrio corporal quando o membro levanta-se do solo. O membro que suporta o peso está 
em adução quando ocorre este deslocamento lateral da pelve que origina uma maior 
uniformidade ao movimento e facilita a conservação do equilíbrio. 
Os determinantes de rotação, inclinação e deslocamento da pelve e flexão do joelho e 
tornozelo, cumprem com a função de diminuir a amplitude do deslocamento vertical da pelve 
e o grau de ondulação. Tudo isto origina um menor custo de energia para levantar e descer o 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
33 
 
corpo durante a marcha. A diminuição do deslocamento vertical faz com que ocorra um 
aumento do comprimento relativo do membro inferior, e exerce um efeito semelhante no 
comprimento do passo sem que aumente o grau de flexão e extensão do quadril. A velocidade 
da marcha depende do comprimento do passo e não do crescimento na cadência pelo qual os 
determinantes da marcha são fatores que permitem uma maior velocidade de deslocamento 
sem aumentar a cadência (Cailliet, 1983). 
 
3.7. MÉTODOS DE ESTUDO DA MARCHA HUMANA 
 
 A marcha humana é descrita por parâmetros espaciais e temporais que variam entre 
sujeitos e no próprio sujeito depende das condições e de fatores que podem ser extrínsecos, 
intrínsecos, físicos, psicológicos, fisiológicos, patológicos, e as alterações do padrão da 
marcha podem ser transitórias ou permanentes (Pascual, 2003). 
 
 Durante a marcha bípede, os membros inferiores estão sujeitos às séries de cargas 
derivadas de sua interação com o solo, sendo no contato inicial mais abruptas. Os pés têm um 
sistema de amortecimento, mas as características do calçado também têm influência no 
amortecimento dos impactos que ocorrem durante a marcha (Ramiro, 1995). 
 
 Nos fatores transitórios, o ser humano caminha diferentemente de acordo com as 
perturbações sofridas, como por exemplo a natureza do terreno, o calçado, o transporte de 
cargas, o desporto, a fadiga, a idade, o peso e o humor. 
 
 O ser humano caminha de forma diferente dependendo do tipo de solo em que move-
se, os impactos do pé no solo aumentam quando caminha sobre solos duros, enquanto são 
suavizados quando o sujeito caminha sobre solos de mais suaves como de madeira ou areia 
(Lelièvre, 1993). 
 
 Nos fatores permanentes, a marcha bípede é desenvolvida de acordo com crescimento 
do ser, como a personalidade, a raça, o sexo, a capacidade de amortecimento, o controlo de 
movimento e as patologias associadas. 
 
 Para realizar um estudo da marcha com mais profundidade é recomendável usar-se 
informações cinéticas e cinemáticas em simultâneo. 
 
 Os estudos cinemáticos gravam as variações angulares das articulações do corpo, a 
inclinação, a torção e a oscilação dos segmentos do corpo. Descrevem em detalhe o 
movimento humano, independentemente das forças internas ou externas que causam o 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTALDE UMA OTP 
 
34 
 
movimento. Permitem assim a obtenção de padrões de locomoção “normal” e patológica que 
são úteis na prescrição de tratamentos e na avaliação de resultados terapêuticos. 
 
 Os estudos cinéticos mostram as forças de reação do solo e os momentos e as 
potências nas articulações. Uma variante desses estudos é a análise isocinética que permite 
quantificar a capacidade muscular. O sistema isocinético ajuda ao desenvolvimento de força 
com precisão durante um arco predefinido de movimento que pode ser medida com 
confiabilidade, com uma velocidade específica e durante um tempo predefinido, 
possibilitando a prevenção de lesões, reabilitações de base mais científica e a obtenção de 
medidas objetivas para estudos de biomecânica do corpo humano. 
 
 Usando os gráficos obtidos dos estudos cinéticos das forças de reação é possível 
realizar as seguintes análises: 
 
 - Aspetos do padrão da marcha humana (oscilação vertical do centro de 
 gravidade durante o apoio), forças de travagem e resistência a prono-supinação 
 do pé. 
 - A geração ou absorção de energia mecânica nas articulações devido há ação 
 muscular usando gráficos de potência. 
 - A inclinação que apresenta o sujeito ao caminhar que está diretamente 
 relacionada com os custos de energia. 
 
Existem vários mecanismos para a avaliação e análise científica da marcha humana: 
 
 3.7.1. Plataformas de força 
 
 São instrumentos mecânico-eletrónicos que permitem a medição e análise da força de 
reação que um indivíduo exerce no solo na execução de um movimento (Collado, 2005). 
 
 São sistemas de análise cinética do movimento e são baseados na terceira lei de 
Newton sendo possível obter o valor de uma força externa exercida sobre uma superfície para 
encontrar a força que origina igual amplitude e direção, mas em sentido oposto. A força 
aplicada na plataforma produz um sinal elétrico proporcional ao que seu valor. 
 
 As plataformas de força são superfícies planas e rígidas cujo deslocamento produzido 
por uma força pode ser medido usando sensores conectados a um sistema eletrônico de 
amplificação e gravação. Constam de uma superfície rígida para que o movimento seja 
impercetível para o sujeito. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
35 
 
 
Segundo os sensores que tenham, têm-se: 
 
a) Plataformas de força extensométricas que são compostas de uma plataforma rígida 
 de aço com a montagem em quatro colunas onde ficam os extensómetros. Quando 
 é exercida uma pressão sobre a plataforma são produzidas tensões pequenas sobre as 
 colunas provocando alterações nos sensores e é possível a medição dessas alterações 
 para obter a força resultante sobre os três eixos principais, Figura 28. 
 
 
Figura 28 - Plataforma de forças extensométricas (Collado, 2005). 
 
b) Plataformas de força piezoelétricas que são baseadas no mesmo princípio de 
mudança da resistência elétrica, mas em que são utilizados materiais com qualidades 
piezoelétricas e como resultado são criadas pequenas cargas de eletricidade estática 
dentro da matéria em resposta à pressão exercida. 
 
Os componentes que tais dispositivos permitem estudar são: 
 
 - Componente vertical relacionada com o peso do corpo que atua sobre os pés. 
 
 - Componente ântero-posterior representado usualmente por uma curva onde o seu 
 início indica a desaceleração produzida pela colisão do calcanhar e que atinge o seu 
 valor máximo na fase de apoio duplo, em seguida, a força diminui para zero no 
 momento do apoio monopodal (quando o centro de gravidade está sobre o pé que 
 suporta toda a carga). 
 
 - Componente meiolateral indica os desvios laterais do pé durante a marcha sendo 
 a sua amplitude maior quando aumenta a instabilidade do sujeito. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
36 
 
 - As forças de torção que traduzem os movimentos de rotação interna e externa do 
 membro inferior durante a deambulação. 
 
As aplicações das plataformas dinamométricas são a análise de marcha “normal”, a análise de 
marcha em patologias neurológicas, a análise de marcha em amputados, em geriatria, no 
desenvolvimento e avaliação de ajudas técnicas, na medicina esportiva e no estudo de 
patologias do aparato locomotor e de fraturas (Villa, 2008). 
 
 3.7.2. Fotopodograma 
 
 Estuda a impressão gráfica que deixa a planta do pé sobre um papel a fim de estudar 
como o pé apoia sobre o solo, Figura 29. 
 
 
 
Figura 29 - Impressões plantares (Viladot, 1989). 
 
 3.7.3. Baropodometría eletrónica 
 
 É um sistema de registo de pressões plantares segundo a vertical usando sensores. 
Deteta as alterações mecânicas e posturais do pé, o que permite uma melhor orientação do seu 
tratamento. Um sistema típico consiste de um corredor de 2 m, uma plataforma de captura 
baropodometrica (com 4800 sensores ativos segundo um comprimento de 1,2 m) e um 
software de captura e análise (Collado, 2005). 
 
 
 3.7.4. Goniometria 
 
 É um sistema que permite a medição da flexibilidade das articulações e a sua medição 
centra-se na determinação do trajeto angular que podem experimentar dois segmentos 
corporais. É importante saber que a flexibilidade é específica para cada articulação e que não 
existem índices gerais de flexibilidade que indicam o grau de mobilidade geral do indivíduo. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
37 
 
 3.7.5. Fotografia estática 
 
 Utilizada para medir a amplitude do movimento oferecendo um registro permanente. É 
muito útil quando fazem-se as identificações dos pontos anatômicos para as articulações. 
 
 3.7.6. Eletromiografia 
 
 É um sistema que registra a atividade muscular com carga. Com as contrações das 
fibras musculares produzem-se descargas recolhidas por eletrodos e depois é feita a análise do 
sinal recolhido por computador e calcula-se a atividade e a força exercida pelo sujeito. Este 
procedimento permite quantificar a contração dos músculos. 
 A Eletromiografia permite diagnosticar problemas nos músculos, nas conexões 
neuromusculares ou distúrbios nervosos. A interpretação da sequência de ativação e a 
intensidade relativa de esforço presentes no sinal fazem ser possível a avaliação da eficácia 
funcional da ação muscular, mas nunca consegue uma medida direta da força muscular 
(Bronzino, 2006). 
 
 3.7.7. Inclinometría 
 
 Instrumento para medir eletronicamente o intervalo da articulação de que é capaz de 
desenvolver um segmento do corpo constituído por mais de uma articulação. O seu princípio 
baseia-se na perpendicularidade de um indicador respetivamente ao solo, e do movimento de 
deslocamento que realiza um segundo indicador em relação ao primeiro. 
 
 
 3.7.8. Videografia digital 
 
 Técnica de filmagem onde usualmente são instalados refletores nas articulações do 
paciente. Usando um programa de computador é digitalizado o movimento filmado para 
formar uma imagem 2D/3D, e finalmente são detetadas as posições das marcas diferentes ao 
longo do tempo para obter as curvas associadas ao movimento em estudo. É uma importante 
ferramenta para a análise cinemática do movimento. 
 
As aplicações são a medida da cinemática dos segmentos corporais, a medição dos 
movimentos em marcha e em corrida e a avaliação de patologias do movimento (Villa, 2008). 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO IV 
 Marcha humana patológica 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
39 
 
 Neste capítulo abordam-se as diferentes classificações da marcha e as distintas 
marchas patológicas existentes. 
 
4.1. MARCHA HUMANA PATOLÓGICA 
 
Uma das características da marcha humana é a simetria (direita-esquerda)dos seus 
parâmetros: comprimento do passo, duração de passo e da fase de apoio. No entanto, observa-
se um certo grau de assimetria (direita-esquerda) em indivíduos considerados normais. 
 
A análise sistemática da evolução do indivíduo com distúrbios neuromusculares ou 
esqueléticos fornece possibilidades para avaliação clínica e seguimento de doenças e lesões, 
permitindo determinar a natureza e a gravidade das mesmas, a adequação de ortoses e 
próteses e a reabilitação da marcha tentando que esta seja o mais correta possível com um 
nível funcional e estético que permita a máxima independência do paciente. 
 
Existem muitas possibilidades de classificar as alterações da marcha devido a 
patologias, tal como de acordo com sua etiologia, com a área anatômica afetada, com a fase 
da marcha que está alterada, etc. 
 
No entanto, todos os processos patológicos acabam causando certas alterações que 
podem ser analisadas de forma objetiva mediante diferentes ferramentas utilizadas no estudo 
da marcha humana. 
 
4.2. MECANISMOS PATOLÓGICOS BÁSICOS DA ALTERAÇÃO DA MARCHA 
 
Os mecanismos mais comuns dos processos patológicos que afetam a marcha são: dor, 
limitação do movimento, fraqueza muscular e controlo de deficit neurológico (Prat, 1993): 
 
a) Dor: A principal causa de dor durante a locomoção é uma excessiva tração dos 
tecidos. As reações fisiológicas à dor vão alterar a marcha e também introduz outros 
problemas como a limitação de movimento e fraqueza muscular. 
 
Uma articulação inchada tende a adotar uma posição que coincide com a pressão 
mínima intra-articular que no tornozelo é de 15° de extensão e produz a máxima falta 
de força dos ligamentos. Portanto, depois de um derramamento articular pode ser 
esperada uma menor força muscular e um aumento da posição de proteção (Marco, 
2003), Figura 30. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
40 
 
 
Figura 30 - Posição de mínima de pressão intra-articular com 15° de flexão plantar 
no tornozelo (Perry, 1992). 
 
b) Limitação do movimento: Acontece quando os tecidos não permitem uma 
mobilidade suficiente para assumir posições normais durante a marcha. As contraturas 
são a causa mais comum como resultado de uma imobilidade prolongada ou sequelas 
da lesão. O grau de rigidez e madureza dos tecidos origina dois tipos de contratura: 
elásticas e rígidas. 
 
Uma contratura elástica pode desaparecer por estiramento passivo. Durante a fase de 
oscilação, as alterações devidas a contração serão mais aparentes que durante a fase de 
apoio, onde o peso do corpo alonga passivamente os tecidos causando uma mobilidade 
aparentemente normal ou levemente retardada. 
 
Uma contratura rígida resiste aos esforços de estiramentos e está presente durante todo 
o ciclo da marcha nas fases de oscilação e de apoio. 
 
No tornozelo, uma contratura de flexão plantar dificulta a progressão da tíbia durante a 
fase de apoio e não oferece possibilidade de uma separação adequada do pé durante a 
oscilação (Marco, 2003). 
 
c) Fraqueza muscular: Pode ser devida a uma atrofia muscular por desuso, lesões 
neurológicas e miopatias. Quando a causa é uma lesão motora dos neurônios ou uma 
patologia muscular (distrofia muscular), os pacientes possuem uma substituição 
muscular oportuna graças aos grandes grupos musculares (Nerín, 1999). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
41 
 
d) Controlo de deficit neurológico: Acontece quando existem patologias ao nível do 
sistema nervoso central ou periférico e aparecem alterações em combinações 
diferentes e com diferentes níveis de intensidade (Marco, 2003): 
 
Espasticidade tem como causas frequentes: paralisia cerebral, acidente vascular 
cerebral ou esclerose múltipla. 
 
As alterações da coordenação impedem ao paciente o controlo do tempo e da 
intensidade da ação muscular produzindo alterações na sequência da ação 
muscular. 
 
A alteração da propriocepção é uma causa importante da alteração da marcha já 
que o paciente não tem a sensação do contato com o solo. 
 
A combinação dos quatro mecanismos patológicos nas articulações do tornozelo, joelho e 
quadril causam alterações específicas da marcha em diferentes fases da mesma. 
 
4.3. CLASSIFICAÇÃO DA MARCHA DE ACORDO COM A ÁREA ANATÔMICA 
AFETADA 
 
Uma possível classificação da marcha pode ser feita com base na área anatômica 
afetada ou na fase de marcha que é alterada. Contudo, neste projeto só são considerados os 
erros funcionais do tornozelo e do pé, já que estas estruturas constituem o objetivo principal 
de mesmo: 
 
 4.3.1. Erros funcionais do tornozelo 
 
Os distúrbios funcionais da articulação do tornozelo são manifestados como uma 
excessiva dorsiflexão (flexão plantar inadequada) ou uma excessiva flexão plantar 
(dorsiflexão inadequada). 
Alterações de apenas 5º podem originar alterações na marcha devido à limitada 
mobilidade do tornozelo na marcha (Perry. 1992). 
 
 4.3.1.1. Flexão plantar excessiva do tornozelo 
 
 As fases afetadas da marcha são toda a fase de apoio e as fases médias e final da 
oscilação e as consequências mais percetíveis são: redução do comprimento do passo, 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
42 
 
diminuição da velocidade, dificuldade para alcançar uma posição vertical correta e uma perda 
de estabilidade (Vera, 1999), Figura 31. 
 
 
Figura 31 - Fases da marcha onde a flexão plantar excessiva é importante (Perry, 1992). 
 
 Na fase de contato inicial podem-se distinguir duas situações: 
 
 a) Pode-se abordar o solo com um contato de calcanhar baixo com cerca de 
 15° de flexão plantar de tornozelo e uma extensão completa do joelho com o pé 
 quase paralelo ao solo, e que pode ser seguido da queda incontrolada do antepé 
 quando o controle pretibial é fraco. 
 
 b) O contato inicial é feito com o antepé e presenta uma combinação de pé 
 equino com uma flexão do joelho de 20º, colocando o antepé mais baixo que o 
 calcanhar no momento do contato com o solo. 
 Este contato inicial do antepé pode originar três padrões de carga diferentes 
 dependendo da causa do flexão plantar excessiva: 
 
 - Se a retração é elástica, o pé cai rapidamente, enquanto o tibia 
 permanece vertical. 
 - Permanece em postura equina causada por uma flexão plantar rígida. 
 - Há uma queda de apoio completo do pé e a tíbia é conduzida 
 posteriormente pela presença de uma flexão plantar rígida de tornozelo. 
 
 Na fase média de apoio, uma flexão plantar excessiva impede o avanço da tíbia e a 
diminuição do desempenho de tornozelo encurta a progressão causando um comprimento de 
passo curto no membro contralateral, e como consequência os pacientes têm determinadas 
compensações para esta perda de progressão (Viel, 2002): 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
43 
 
 
 - Decolagem precoce do calcanhar, Figura 32a. 
 - A hiperextensão do joelho, Figura 32b, quando há uma lassitude de 
 ligamentos suficiente origina o avanço do corpo sobre a tíbia, enquanto o 
 fêmur continua o impulso do corpo e gira para a frente sobre a tíbia imóvel. 
 Isto é comum em casos de acidente vascular cerebral com hemiplegia, lesão 
 medular incompleta e paralisia cerebral. 
 - A inclinação anterior do tronco e da pelve, Figura 32c. 
 
 
Figura 32 - Compensações para a perda de progressão (Perry, 1992). 
 
 O tempo consumido nestas compensações provoca uma redução moderada na 
velocidade de cerca de 30% da velocidade dita normal. 
 
 Na fase final de apoio os efeitos dependem da capacidade do antepé para avançar. Se o 
paciente não pode realizar uma decolagem de calcanhar, o avanço do corpo é limitado ao 
intervalo de hiperextensão do joelho ou a inclinação do tronco e da pelve, que melhoram o 
avanço do membro oposto e a consequência de não conseguir uma boa estabilidadedo antepé 
é um encurtamento importante do comprimento do passo. 
 
 Na fase média da oscilação, a flexão plantar excessiva do tornozelo impede o 
progresso do membro onde a parte anterior do pé é incapaz de levantar-se do solo e rasteja-se 
o pé, Figura 33a. O paciente compensa esta situação flexionando exageradamente o quadril e 
o joelho e assim não rastejar o pé, Figura 33b, (Perry, 1992). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
44 
 
 Na fase final da oscilação pode persistir a queda dos dedos, mas tal raramente interfere 
o movimento. O pé é quase paralelo ao chão com a posição 15º, Figura 33c. 
 
Figura 33 - Fases média e final de oscilação com flexão plantar excessiva (Perry, 1992). 
 
As causas principais de flexão plantar excessiva são: 
 
 a) Fraqueza dos músculos pré-tibiais: Esta fraqueza provoca uma queda incontrolável do 
 pé. No caso em que apenas falhe, o tibial anterior cai apenas na parte medial do pé. Por 
 outro lado, a atividade sustentada pelo extensor largo dos dedos produz uma combinação 
 de dorsiflexão e eversão (Prat, 1993). 
 
 b) Contratura em flexão plantar: Existem três categorias: 
 
 - Flexão plantar rígida do 30º: Não há contato do calcanhar na fase de apoio e a única 
 forma de apoio é o antepé, de modo que o comprimento do passo é encurtado pela 
 ausência de desempenho de tornozelo e as fases de oscilação são modificadas pela 
 queda dos dedos. 
 
 - Flexão plantar rígida do 15º: Ocorre um contato baixo do calcanhar, um rápido 
 contato total do pé na fase inicial de apoio e uma falta de avanço da tíbia na fase média 
 de apoio, Figura 34. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
45 
 
 
Figura 34 - Contratura de flexão plantar de 15º que bloqueia o avanço da tíbia (Perry, 1992). 
 
 - Flexão plantar elástica de 15º: Conduz a uma posição incorreta do pé só na fase 
 inicial de contato e na fase média de oscilação onde origina uma flexão plantar 
 excessiva mostrando os músculos dorsiflexores insuficientes para o estiramento do 
 tecido recolhido, já que só estão preparados para levantar rapidamente o peso do pé 
 quando não há resistência no tornozelo. 
 
 c) Hiperatividade do sóleo e os gêmeos: Esta espasticidade começa na fase final de 
 oscilação quando o quadríceps estende o joelho para preparar o apoio e produz uma 
 ativação sinérgica do sóleo e os gêmeos. 
 
 4.3.1.2. Excessiva dorsiflexão do tornozelo 
 
 Provoca uma alteração funcional mais importante no apoio, que na oscilação, onde as 
únicas fases não afetadas são as fases média e final de apoio (Viel, 2002). 
 
 Os 10º de flexão que geralmente acompanham o contato total do pé são substituídos 
por um aumento na ação do desempenho do calcanhar, e introduz uma forma passiva de 
dorsiflexão exagerada quando o membro entra em carga. 
 
 A fixação do tornozelo numa posição neutra durante o apoio do calcanhar provoca um 
avanço da tíbia e como resultado, o efeito do desempenho de calcanhar sobre o joelho é 
aumentado e produz-se um aumento da demanda de quadríceps, Figura 35a. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
46 
 
 Apesar de não causar variações nas fases media e final de apoio pode-se observar esta 
irregularidade. Na fase média de apoio pode-se manifestar de duas maneiras: como uma 
mudança brusca de flexão plantar do tornozelo à flexão dorsal na fase inicial do apoio, e como 
um aumento progressivo da flexão dorsal do tornozelo durante as fases média e final do 
apoio. 
 
 Por outro lado, durante a fase final de apoio a alteração é observada quando o contato 
do calcanhar continua durante a fase final do apoio, Figura 35b, e quando inversamente a este 
processo, ocorre a decolagem de calcanhar, Figura 35c, (Perry, 1992). 
 
 
Figura 35 - Fase final de apoio com excessiva dorsiflexão (Perry, 1992). 
 
 A redução da flexão plantar de tornozelo em relação ao normal na fase de preoscilação 
provoca um avanço do corpo em presença de um contacto prolongado do calcanhar. 
 
As causas principais da excessiva dorsiflexão são (Prat, 1993): 
 
 a) Fraqueza dos tríceps sural e sóleo: A fraqueza do tríceps sural pode ser causada por 
 uma debilidade muscular (por desuso ou paralisia), um alargamento cirúrgico 
 excessivo ou um alargamento muscular. Quando a resposta do sóleo é inadequada, 
 aparece um adiantamento da tíbia sobre o pé durante a fase média de apoio 
 provocando uma dorsiflexão de tornozelo. Na fase final de apoio a fraqueza do sóleo 
 impede a decolagem de calcanhar devido a que é preciso o dobro do esforço muscular 
 necessário na fase média de apoio. 
 
 b) Bloqueio do tornozelo em posição neutra: O tornozelo pode aparecer bloqueado na 
 posição neutra devido a uma artrose da articulação de tornozelo impedindo a flexão 
 plantar fisiológica que ocorre durante o início da carga. Esta rigidez de tornozelo 
 aumenta a ação do rolo do calcanhar e origina uma prematura queda de pé arrastando a 
 tíbia e flexionando o joelho. Em consequência, aumenta-se a demanda do quadríceps. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
47 
 
 
 c) Flexão do joelho na fase média de apoio: Uma flexão persistente no joelho na fase 
 média de apoio requer uma excessiva dorsiflexão do tornozelo para alcançar que o 
 centro de pressões permaneça na base de apoio do pé. 
 
 4.3.1.3. Erros funcionais do pé 
 
 As alterações no pé podem causar uma mudança no padrão de contato deste durante a 
fase de apoio e produzir um desalinhamento durante a fase de oscilação. Estes problemas 
podem observar-se no plano sagital e no plano frontal: 
 
 A) Alterações no plano sagital: 
 
 O contato isolado prolongado do calcanhar que estende-se ao longo da fase de apoio 
provocando um aumento na intensidade de ação dos músculos pré-tibiais e uma redução na 
intensidade de ação dos músculos flexores plantares (Prat, 1993). 
 
 Uma decolagem prematura do calcanhar, que aparece durante a fase inicial e média do 
apoio, provoca uma perda do contato do calcanhar durante toda a fase de apoio e um contínuo 
apoio no antepé. 
 
 A presença de um contato tardio do calcanhar nas fases de contato inicial relaciona-se 
com uma contratura elástica em flexão plantar. 
 
 Um contato prolongado do calcanhar produz a ausência de decolagem do calcanhar 
nas fases final do apoio e na preoscilação. 
 
 Um tempo encurtado de apoio do calcanhar produz uma queda prematura do antepé e 
limita a ação do desempenho do calcanhar. 
 
 O arraste dos dedos na fase inicial da oscilação torna difícil o avanço do membro 
causando quedas ou desequilíbrios (Perry, 1992). 
 
As causas variam de acordo com a fase da marcha em que ocorrem: 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
48 
 
 - A fase de contato inicial: São chamados contato baixo do calcanhar, contato total do 
pé e contato inicial com o antepé: 
 
 O contato baixo do calcanhar ocorre quando há uma flexão plantar de tornozelo 
 de 15º, com o joelho estendido. Quando o calcanhar faz o contato inicial o 
 antepé está muito perto do solo e o período de apoio é anormalmente curto. 
 
 O contato total do pé é causado por um joelho com flexão e quando produz-se 
 não há o efeito do desempenho do calcanhar que causa uma flexão adicional do 
 joelho exigindo assim o desempenho do quadríceps. 
 
 O contato inicial com o antepé corresponde com uma decolagem rápida do 
 calcanhar causado pela combinação de flexão plantar de tornozelo e flexão do 
 joelho. A combinação mais comum é a espasticidade dos isquiotibiais e dos 
 flexores plantares do tornozelo. 
 
 - A fase inicial do apoio: O encurtamento do tempo de contato isolado do calcanhar 
pode levar a três situações: queda plantar do pé, contato tardio do calcanhar e a decolagem 
prematura do calcanhar. 
 
 A presençade um tibial anterior fraco provoca uma queda plantar do pé. 
 
 O contato tardio do calcanhar com o solo produz-se após um contato inicial 
 com o antepé. Com o carregamento do membro o tornozelo flexionado cria um 
 desempenho invertido que conduz o calcanhar até o solo e a progressão é 
 inibida. 
 
 A decolagem prematura do calcanhar começa quando o momento gerado é 
 suficiente para girar o membro para o antepé e as causas são a flexão plantar 
 excessiva do tornozelo ou a flexão do joelho (Viel, 2002). 
 
 - Fase média de apoio: Há uma decolagem prematura de calcanhar ou um contato 
tardio do calcanhar. Os pacientes com poder suficiente para executar uma marcha adequada 
usam a decolagem prematura como um mecanismo para o avanço da tíbia na ausência de rolo 
de calcanhar. A causa é uma contratura, uma postura de espasticidade em flexão plantar do 
tornozelo ou flexão excessiva do joelho. 
 - A fase final de apoio: Aparece uma decolagem tardia do calcanhar. O avanço da 
massa corporal sobre o pé que suporta a carga provoca um deslocamento da força de reação 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
49 
 
para o antepé e uma decolagem do calcanhar. O atraso na decolagem do calcanhar é o sinal 
mais significativo de um sóleo fraco. 
 
 - Fase de preoscilação: Corresponde a um período de duplo apoio, onde o peso 
corporal é transferido para o membro adiantado e provoca uma menor exigência do sóleo 
enfraquecido que permite o levantamento do tornozelo (Perry, 1992). 
 
 B) Alterações no plano frontal: 
 
 Inversão exagerada (varo): O varo do retropé é evidenciado por uma inclinação 
medial do calcâneo. Esta posição é caracterizada por uma elevação da cabeça do primeiro 
metatarsiano e um aumento na altura do arco plantar longitudinal. 
 
 Nas fases de contato inicial e inicial de apoio, produz-se um contato solo com o solo 
com a superfície lateral do calcanhar. 
 Durante a fase média de apoio, o contato com o solo ocorre com o quinto metatarso e 
com o calcanhar. 
 Nas fases de final de apoio e de preoscilação, ocorre um apoio do antepé em inversão 
durante a marcha normal. 
 
 As causas do varo exagerado estão relacionadas com as alterações usuais associadas 
aos tibial anterior, tibial posterior, tríceps sural, flexor longo comum dos dedos e flexor longo 
do dedo grande, que consistem numa ação prematura ou prolongada dos mesmos ou uma 
atuação invertida nas fases de apoio e oscilação. 
 
 Eversão exagerada (valgo): Ocorre quando o apoio do antepé é feito apenas na zona 
medial. Nestas circunstâncias, o contato com o solo realiza-se com o primeiro metatarsiano e 
não com quinto como acontece na marcha normal. Tal associa-se com uma redução do 
período de contato do calcanhar. 
 
 As causas do valgo exagerado são o resultado de uma fraqueza na atividade dos 
músculos de inversores do tornozelo. 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
50 
 
4.4. CLASSIFICAÇÃO DA MARCHA DE ACORDO COM AS PATOLOGIAS 
 
 Existem muitas possibilidades de classificar as alterações da marcha devidas as 
patologias classificando-lha de acordo com sua etiologia (marcha parkinsoniana, hemiplégica, 
etc.), embora estas descrições não são sempre úteis porque nem todos os pacientes com o 
mesmo diagnóstico têm o mesmo padrão de marcha. 
 
 Existem três grandes grupos sobre as causas que produz a marcha patológica: 
anormalidades frequentes, deficits neurológicos de origem central e lesões neurológicas 
periféricas. 
 
Explica-se cada uma delas nas seções seguinte. 
 
 4.4.1. Marcha patológica por anormalidades frequentes 
 
 A) Encurtamento do membro inferior: Produz-se uma queda do ombro pela queda da 
pelve na fase de apoio do membro encurtado se a diferença for inferior a 2 cm. Observa-se um 
aumento da flexão do quadril, joelho e tornozelo no lado oposto na fase de oscilação. Se a 
diferença for maior que 2 cm, o paciente caminhará com apoio do antepé no lado afetado 
(Bernal, 2008). 
 
 B) Limitação da amplitude articular ou Anquilose: Qualquer alteração no nível do 
quadril produz um movimento compensatório da coluna lombar. Os pacientes com flexo de 
quadril têm um aumento da lordose lombar para manter o tronco ereto durante a marcha. O 
flexo de joelho encurta o membro e os transtornos aparecem em velocidades rápidas quando o 
flexo é inferior a 30°. O joelho na extensão estende o membro inferior e na fase de oscilação 
produz uma elevação da pelve. Na fase de apoio, o choque de calcanhar é violento devido à 
falta de amortecimento devida à flexão do joelho. 
 
O pé equino produz a alongamento do membro e obriga a uma excessiva flexão do quadril e 
do joelho durante a oscilação. A fase de apoio está alterada e a decolagem do calcanhar é 
ineficaz. 
 
 C) Instabilidade articular: Causa uma amplitude articular excessiva com incapacidade 
de suportar o peso do corpo. 
 
 D) Marcha antálgica: Caracteriza-se por evitar o suporte do peso para reduzir a dor 
que ocorre durante a marcha. Nas lesões centrais da coluna vertebral, a marcha é lenta e 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
51 
 
simétrica com pequenos passos tentando limitar a fase de duplo apoio e a mobilização da 
coluna. Em lesões laterias de coluna, o alívio faz-se inclinando o tronco para o lado não 
afetado, e a marcha é com segundo passos curtos evitando o apoio do calcanhar do mesmo 
lado. 
 
 4.4.2. Marcha patológica por deficits neurológicos de origem central 
 
 A) Marcha Hemiplégica: É caracterizada pela flexão dorsal do tornozelo e os dedos 
dos pés no equilíbrio e a transferência de peso para o lado afetado. Ocorrem dois problemas 
principais; um, na fase de apoio durante a transferência do peso para a perna o que afeta a 
reação de equilíbrio, e outro, na fase de oscilação onde há que ensinar ao paciente a flexão do 
joelho com o quadril estendido sem levantar a pelves para levar o joelho para frente com a 
flexão dorsal do pé. 
 
 A causa principal desta marcha é a hemiplegia. A hemiplegia é a paralisia de um lado 
do corpo e que aparece por uma lesão das vias dos impulsos nervosos do cérebro ou da 
medula espinhal. A desordem corresponde a um distúrbio funcional da atividade dos 
músculos do lado oposto ao hemisfério cerebral afetado. Os sintomas incluem: paralisia e 
fraqueza muscular, espasticidade muscular alterada, distúrbios de movimento, fraqueza e 
rigidez causada pela incapacidade de controlar músculos da área afetada do cérebro. 
 
 No caso da extremidade inferior, a deformidade mais comum em pacientes com 
hemiplegia é o pé caído ou "drop foot" (Perry, 1992). 
 
 O pé caído não é uma enfermidade, mas sim uma complicação da hemiplegia. O pé 
caído é devido à dorsiflexão insuficiente na fase de oscilação, ou seja, a incapacidade de 
conduzir o pé para a tíbia. Este impedimento é apresentado pela debilidade dos músculos 
envolvidos no movimento de dorsiflexão do pé, especialmente o músculo tibial anterior, 
originando com que o paciente faça um contato para frente (nas cabeças dos metatarsos) em 
vez de um assentamento do calcanhar na fase de oscilação da marcha. Na Figura 36 pode 
observar-se um paciente com uma ação muita fraca do músculo tibial anterior, existindo 
flexão plantar e não flexão dorsal durante a fase média de oscilação (Freeman, 2007). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
52 
 
 
Figura 36 - Paciente com pé caído (Perry, 1992). 
 
 O pé caído não pode flexionar-se ativamente, mas sim passivamente para a posição 
neutra ou de ângulo reto. O grau de deficiência cresce com cada perda de graus de extensão 
dorsal, pelo qual o grau de anormalidade do pé caído é determinado com a medição do ângulo 
que formam o pé e a tíbia, conhecido como ângulo tibial - plantar. A posição neutra é com 
ângulo tibial - plantar de 90°, e aanormalidade pode ser descrita como leve (< 20º da posição 
neutra), moderada (20º - 40º da posição neutra) ou severo (> 40° da posição neutra) 
(Baumgartner, 1997), Figura 37. 
 
 
Figura 37 - Ângulos do pé na fase média de oscilação: Ângulos normais (à esquerda) e ângulos 
de pé caído (à direita) (Kirienko, 2004). 
 
 A incapacidade de levantar o pé acima da posição neutra aumenta o risco de tropeçar e 
afeta a segurança ao caminhar. É necessário realizar correções cirúrgicas para o tratamento de 
casos graves, e para alguns casos leves e moderados prescrevem-se fisioterapia e assistência 
ortopédica. 
 O tratamento mais comumente utilizado é a prescrição de ortose de tornozelo - pé 
AFO (ankle foot orthosis), que são dispositivos projetados para alinhar o pé, sustentar o 
tornozelo, ajudar os músculos fracos, correção de deformidades e fazer a redistribuição da 
carga do corpo para que caminhar seja o mais segura possível, tal como está explicado no 
seguinte capítulo. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
53 
 
 
 B) Marcha espática: Trata-se de uma marcha em tesoura em que ambos os membros 
inferiores são espáticos. Os membros movem-se para frente em choques rígidos 
acompanhados de movimentos compensadores do tronco e dos membros superiores (Bernal, 
2008). 
 
 C) Marcha atáxica: É irregular e instável. Produz-se uma perda do sentido da posição 
por alteração de sensibilidade profunda originando movimentos incontrolados. Na fase final 
de oscilação existem movimentos desiguais e uma colocação inadequada dos pés no solo. 
 
 D) Marcha parkinsoniana: Os distúrbios estão relacionados com o transtorno postural. 
Nos estádios iniciais, há uma ligeira inclinação para a frente e uma perda do bracejo, enquanto 
nos estádios avançados, o início da marcha é lento 
 
 E) Marcha dançante: É típica da escleroses múltipla. É resultado da combinação de 
espasticidade e ataxia nos membros inferiores. Além da rigidez e da falta de coordenação, o 
membro inferior que suporta o peso realiza saltos de pequena amplitude que repetem-se de 
forma rápida e irregular. 
 
 4.4.3. Marcha patológica por lesões neurológicas periféricas 
 
 A) Paralisia dos extensores do quadril: É típico da distrofia muscular, determina uma 
marcha lordótica que usa a gravidade para manter a extensão de quadril como uma inclinação 
do tronco para o lado do membro apoiado (Bernal, 2008). 
 
 B) Paralisia do glúteo medio: Produz a marcha conhecida por Trendelenburg. Por 
causa de uma função inadequada dos abdutores pélvicos, o paciente tende a cair para o lado 
oposto do lado afetado durante a fase de apoio, com o quadril oposto a cair para baixo. Para 
evitar esta queda, o paciente move o seu centro de gravidade em direção ao lado afetado, 
movendo o tronco e a cabeça naquela direção. O resultado é uma marcha com sacudida lateral 
para o lado afetado durante a fase do apoio (Millares, 2007), Figura 38. 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
54 
 
 
Figura 38 - Paralisia do glúteo medio (Millares, 2007). 
 
 C) Paralisia do quadríceps: A fraqueza ou paralisia do quadríceps tende a dobrar o 
joelho entre a fase de apoio do calcanhar e do apoio médio. Este deficit pode ser compensado 
usando os extensores do quadril e os flexores plantares do pé, como apoio do pé em rotação 
externa, com inclinação do tronco para a frente, permitindo que o peso estabilize o joelho, 
Figura 39. 
 
 
 
Figura 39 - Marcha com paralisia do quadríceps (Millares, 2007). 
 
 D) Paralisia dos músculos isquiotibiais: Estes músculos são importantes depois do 
apoio do calcanhar ajudando o glúteo maior na extensão do quadril. A sua fraqueza requer 
maior esforço pelo glúteo maior para evitar a flexão do quadril nesta fase (Millares, 2007). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
55 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO V 
 Ortóteses tornozelo-pé 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
56 
 
5.1. DEFINIÇÃO E OBJETIVOS DAS ORTÓTESES 
 
 As ortóteses são dispositivos aplicados externamente compostos por um único 
componente ou conjunto de componentes aplicados à totalidade ou parte dos membros 
inferiores, membros superiores, tronco, cabeça ou pescoço e suas articulações intermedias 
para auxiliar os sistemas neuro -musculares e esqueléticos, segundo a norma ISO (The 
International Organization for Standardization). 
 
 Por vezes confunde-se ortótese com prótese, mas uma ortótese é um dispositivo que 
suplementa ou corrige a alteração morfológica de um órgão, de um membro ou segmento de 
membro, ou a deficiência de uma função. Enquanto uma prótese é um aparelho ou dispositivo 
destinado a substituir um membro ou uma parte de um membro destruído ou gravemente 
afetado. 
 
As principais funções das ortóteses são: 
 
- A redução da dor, evitar dano das articulações e esforço dos ligamentos; 
- Prevenir ou corrigir uma deformidade; 
- Dar suporte e estabilidade; 
- Melhorar uma função; 
- Aumentar os músculos fracos assistindo ao movimento; 
- Controlo dos músculos com espasticidade; 
- Restrição de movimento; 
- Baixar a carga das articulações doentes ou lesionadas; 
- Retroalimentação sensorial ou visual que lembre ao paciente adotar uma posição mais 
corretiva ou adequada para evitar algumas atividades ou movimentos (Cuccurullo, 2002). 
 
Contudo, existem algumas contraindicações, sendo não aconselhável usar ortóteses nos 
seguintes casos: 
 
- Infeção de pele; 
- Se a força muscular é muito afetada pelo peso da ortótese; 
- Em caso de deformidade grave que não pode ser acomodada na ortótese; 
- Falta de motivação ou outros problemas psicológicos; 
- Em pessoas muito jovens ou muito velhas; 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
57 
 
- Onde as ortóteses interferem com roupas ou limitam o estilo de vida (Hasan, 2008). 
 
 Existem quatro grupos principais de ortóteses do membro inferior em função da zona 
anatómica onde são aplicadas: 
 
- Ortóteses pé-tornozelo OTP (AFO: Ankle-foot orthosis); 
 
- Ortóteses joelho-pé-tornozelo (KAFO: Knee-ankle-foot orthosis); 
 
- Ortóteses quadril-joelho-pé-tornozelo (HKAFO: Hip-knee-ankle-foot orthosis); 
 
- Ortóteses tronco-quadril-joelho-pé-tornozelo (THKAFO: Trunk-hip-knee-ankle-foot 
orthosis). 
 
Este projeto centra-se nas ortóteses do pé e tornozelo. 
 
Além das funções das ortóteses, numa OTP têm-se os seguintes objetivos: 
 
- Corrigir o pé até a melhor posição funcional para proporcionar estabilidade ao tornozelo: 
- Redistribuição da carga do corpo; 
- Assistir à marcha; 
- Manter ou restringir movimentos; 
- Limitar a cinemática anormal da marcha derivada do deficit de coordenação. 
 
 Os benefícios das OTPs são o incremento do comprimento do passo e da velocidade, a 
melhora do padrão da marcha e a redução do custo de energia (Skinner, 2006). 
 
 Como foi abordado anteriormente, as doenças e patologias que conduzem ao uso da 
uma OTP são a escleroses múltipla, a paralisia cerebral, a hemiplegia, o Parkinson, a lesão do 
cordão espinhal ou o pé caído, assim como os erros funcionais do tornozelo que incluem uma 
inadequada dorsiflexão ou flexão plantar. 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
58 
 
5.2. CLASSIFICAÇÃO DAS OTPs SEGUNDO O FUNCIONAMENTO 
 
As OTPs se dividem em ativas ou passivas: 
 
 5.2.1. OTPs ativas 
 
 As ortóteses ativas são aquelas que apresentam pelo menos um dispositivo de 
acionamento elétrico, como atuadores controlados por sinais elétricos. 
 
 Possuem a capacidade de agir em entorno de pé. São compostos de um sistema de 
controlo eletrônico, um atuador, um sistema de energia e um sistema de rigidez. O Sistema de 
controlonormalmente inclui componentes tais como um microprocessador, um medidor de 
ângulos, um acelerómetro e um sensor de força (Alam, 2014), Figura 40. 
 
 
Figura 40 - OTP ativa (Alam, 2014). 
 
 5.2.2. OTPs passivas 
 
 As ortóteses passivas são aquelas que não possuem nenhum mecanismo de 
acionamento elétrico e o seu funcionamento depende totalmente das forças empregadas pela 
pessoa que as utiliza. 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
59 
 
5.3. CLASSIFICAÇÃO DAS OTPs SEGUNDO O MATERIAL 
 
 As ortóteses de tornozelo e pé podem ser de metal, de plástico ou uma mistura 
chamada híbrida. 
 
 5.3.1. OTP metálicas 
 
 As OTPs metálicas consistem numa faixa proximal na parte posterior da perna, duas 
placas finas verticais, as uniões do tornozelo e um acessório do sapato para ancorar a ortótese. 
A zona posterior do metal da banda da parte posterior da perna deve ser de 1,5 a 3 polegadas 
de largura para distribuir corretamente a pressão. 
 
 Uma cinta de couro com velcro é normalmente usada para fechar a banda da parte 
posterior da perna porque proporciona uma facilidade de fechamento para os pacientes com 
apenas uma extremidade superior funcional (Braddom, 2011), Figura 41. 
 
 
Figura 41 - OTP metálica (Lin, 2003). 
 
 O movimento da união do tornozelo é controlado por passadores ou molas inseridos 
em canais. Os passadores são ajustados com uma chave de fenda para afinar a flexão plantar e 
a dorsal desejada. A mola também encaixa-se afina-se com uma chave de fenda para definir a 
quantidade adequada de tensão necessária para facilitar o movimento na articulação do 
tornozelo (usada para auxiliar a dorsiflexão). 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
60 
 
Canais mais compridos ajudam a mola e fornecem um controlo mais preciso do movimento 
do tornozelo (Braddom, 2011), Figura 42. 
 
 
Figura 42 - Esquema dos componentes numa união do tornozelo de dupla ação (Braddom, 2011). 
 
 Um estribo sólido, Figura 43a, é um pedaço de metal em forma de U, ligado 
permanentemente ao sapato. Ambas as extremidades são dobradas para cima para articular 
com as uniões medial e lateral do tornozelo. A fixação próxima do estribo consegue os 
movimentos desejados na união do tornozelo. A sola da ortótese pode ser estendida para além 
da área das cabeças dos metatarsos em casos que exigem um braço “longo de alavanca” para 
um melhor controlo da flexão plantar. 
 
 Um estribo de separação, Figura 43b, pode ser usado em vez de um estribo sólido. O 
estribo de separação tem uma sola com dois canais planos para a inclusão das placas finas 
verticais. As duas placas finas verticais agora são chamadas de calibradores e podem abrir e 
fechar distalmente para permitir a colocação da OTP. 
 O estribo de separação não é tão estável como o estribo sólido, já que pode 
desencaixar-se as placas finas verticais e é a principal razão por que não é comum o seu uso. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
61 
 
 
Figura 43 - Estribo sólido (à esquerda) e estribo de separação (à direita) (Braddom, 2011). 
 
 A união do tornozelo pode ser colocada numa posição neutra, de dorsiflexão ou de 
flexão plantar, dependendo da alteração da marcha em causa. Pode ainda ser ajustado para 
permitir uma gama de movimento parcial ou remover algum movimento. 
 
 Um acerto do efeito da colocação dos passadores, das molas e dos parafusos nos dois 
canais da união do tornozelo fornece o ajuste da ortótese ao paciente. Em seguida, explica-se 
os usos da união do tornozelo da ortótese metálica para a paragem posterior usando um 
passador (paragem plantar), a paragem anterior usando um passador (paragem de dorsiflexão) 
e a assistência posterior de dorsiflexão usando uma mola: 
 
 - Paragem plantar: É usada para controlar a espasticidade plantar ou ajudar a esticar 
gradualmente as contraturas plantais. A paragem plantar é de 90°. É inserido um passador no 
canal posterior do conjunto, Figura 42, para limitar a flexão plantar do tornozelo. Uma OTP 
com uma paragem plantar de 90º produz um momento de flexão no joelho durante o golpe do 
calcanhar. 
 
 - Paragem de dorsiflexão: É inserido um passador no canal anterior do conjunto, 
(Figura 42, para limitar a dorsiflexão do tornozelo. É usada para substituir a função do 
complexo gastrocnémio-sóleo e é em casos de fraqueza dos músculos da parte posterior da 
perna ou a fraqueza do quadríceps devido ao seu efeito sobre o joelho. A fraqueza dos 
músculos da parte posterior da perna permite ao tornozelo entrar em dorsiflexão, o que produz 
um momento de flexão no joelho após o golpe do calcanhar. A paragem anterior é fixada em 
5° de dorsiflexão. 
 
 - Assistência posterior de dorsiflexão: A mola no canal posterior tem duas finalidades, 
a substituição pela contração concêntrica dos dorsiflexores para evitar o pé caído depois da 
descolagem dos dedos do pé, e a substituição para a ativação excêntrica dos dorsiflexores após 
o golpe do calcanhar. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
62 
 
 A mola impede a rápida flexão plantar no golpe do calcanhar durante a sua 
compressão no canal posterior. Assim é outra vez comprimida durante a flexão plantar antes 
da descolagem dos dedos do pé. A mola no canal posterior ajuda o pé durante a fase de 
oscilação da marcha fornecendo um impulso descendente posterior na descolagem dos dedos, 
resultando uma dorsiflexão anterior à articulação do tornozelo. Quanto mais comprido é o 
canal, maior é a capacidade do controlo da dorsiflexão (Braddom, 2011). 
 
 O controlo varo e valgo de uma OTP: Varo e valgo são deformidades associadas com 
a rotação da articulação subtalar. Uma cinta em forma de T junta-se ao longo do lado do 
sapato distal à articulação subtalar para ajudar a minimizar e prevenir a deformidade. 
Também ajudam a distribuir corretamente a pressão ao longo do pé. 
 A cinta em forma de T pode ser medial ou lateral. Uma cinta lateral é costurada no 
lado lateral do sapato e o cinto é confortável em torno da posição vertical medial da OTP. É 
usada para controlar a deformidade em varo onde o cinto é fixado com uma fivela que ajuda a 
criar uma força conduzindo a articulação subtalar para fora o que neutraliza a supinação e a 
tendência de adução que resultaria em excesso na posição varo (Braddom, 2011), Figura 44. 
 
 
Figura 44 - Controlo das deformações varo e valgo com uma cinta em forma de T 
(Braddom, 2011). 
 
 
 5.3.2. OTP de plástico 
 
 As OTP de plástico são as mais usadas devido ao seu baixo custo, cosmética, peso 
leve, controlabilidade de varo e valgo e melhor suporte de deformidades do pé. Podem ser 
pré-fabricadas ou feitas à medida para o membro do paciente (Cooper, 2006). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
63 
 
 Geralmente abarca a região posterior da parte posterior da perna com um fecho de 
cinta de velcro continuando para baixo pelo tornozelo e estende-se até à superfície plantar do 
pé. O desenho das linhas de corte e da plataforma do pé ajudam a determinar o suporte 
estrutural e a rigidez da ortótese. 
 
Existem vários tipos de OTPs de plástico, como os explicados a seguir: 
 
 A) OTP Lâmina elástica posterior (PLS - Posterior Leaf Spring): Este tipo é o mais 
flexível, com uma banda de plástico muito fina atrás do tornozelo que permite ao paciente 
dominar o suporte do tornozelo durante o impulso e permite a posição de dorsiflexão do pé 
durante a fase de oscilação. Este tipo é apropriado para pacientes com dorsiflexores fracos e é 
usado geralmente para o pé caído. 
 
 Oferece resistência mínima à rotação médio-lateral e transversal do tornozelo e do pé. 
O movimento de rotação do tornozelo é acompanhado pelo plástico que se deforma e volta à 
forma original nos seguintes casos: 
 
 - Quando o membroavança para apoiar-se depois no solo, o plástico dobra para 
permitir a flexão dorsal do tornozelo. 
 - Quando o pé eleva-se do solo e o peso é transferido para o membro oposto a ortótese 
permite alguns graus de flexão plantar. 
 - Quando não é feita carga sobre a ortótese regressa à posição original (Edelstein e 
Bruckner, 2002), Figura 45. 
 
 
Figura 45 - Lâmina elástica posterior OTP plástica (Lin, 2003). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
64 
 
 B) OTP Sólida: É o tipo mais comumente usado para pacientes que têm os níveis mais 
elevados de espasticidade ou tom muscular quando a completa imobilização do tornozelo é 
necessária, como por exemplo após uma operação de pé ou tornozelo. A linha de corte de 
plástico pode ser no maléolo ou antes do maléolo não permitindo o movimento na articulação 
tibiotalar ou subtalar. 
 
 A OTP sólida tem uma plataforma do pé que estende-se através das cabeças dos 
metatarsos, mas se os dedos também são espáticos e em garra em uma posição de flexão, 
então uma plataforma completa do pé deve ser incorporada. Este tipo é usado para colocar os 
dedos em extensão de forma a ajudar a reduzir o tom muscular em toda a extremidade. Como 
não existe a articulação do tornozelo, normalmente a ortótese tem tendência a deslizar para 
cima e baixo no membro causando abrasão na perna do paciente (Cuccurullo, 2002), Figura 
46. 
 
 
Figura 46 - OTP sólida (Braddom, 2011). 
 
 C) OTP semirrígida: Tem as linhas de corte atrás do maléolo e permite um aumento do 
apoio e fornece uma posição de dorsiflexão do pé e uma estabilidade médio-lateral do 
tornozelo. 
 
 Este tipo de OTP é usado em pacientes com o pé caído ou com algum tom muscular 
extensor ou com instabilidade médio-lateral do tornozelo. 
 
 D) OTP ARTICULADA: Esta articulação permite ou movimento tornozelo e um 
controlo médio-lateral superior ao da lâmina elástica posterior. É um tipo amplamente 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
65 
 
utilizado porque é uma solução fácil para paragem da flexão plantar no plano sagital e um 
bom controlo nos planos coronal e transversal graças ao seu contato total, Figura 47. 
 
 As uniões do tornozelo mais comuns são a Tamarack, a Gaffney e a Oklahoma, que, 
contudo, têm uma contraindicação que o movimento do tornozelo produzir um aumento da 
contração e retração dos músculos associados (Lin, 2003). 
 
 
Figura 47 - OPT articulada (Lin, 2003). 
 
 E) OTP em espiral: É feita num polímero semirrígido e circunda todo o membro em 
360°. Tem as vantagens de ser leve, aerodinâmica e sem fechos. Este tipo de OTP facilita a 
fase inicial de apoio do membro que recebe a carga e assim melhorar a flexão plantar do 
tornozelo. Depois volta à sua forma original quando o tornozelo retorna à posição neutra 
durante o apoio do pé no solo, e desde a fase de apoio plantar até o fim da fase de apoio a 
ortótese comprime-se quando há a dorsiflexão do tornozelo. Por último, na fase de pré 
oscilação, a espiral distende-se auxiliando a flexão plantar, e na fase de aceleração a espiral 
retoma a sua forma original para apoiar o antepé e assim evitar o arrasto dos dedos, Figura 48. 
 
 Contudo, tem uma desvantagem já que é contraindicada para grandes deformações por 
impossibilidade de ajuste ao paciente (Edelstein e Bruckner, 2002). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
66 
 
 
Figura 48 - OTP em espiral (Edelstein e Bruckner, 2002). 
 
 F) OTP semiespiral: Este tipo de OTP envolve em apenas 180° o membro em causa e 
permite um controlo maior que a OTP em espiral nos casos de pé varo. 
 
 5.3.3. Comparação entre as OTPs metálicas e plásticas 
 
 As OTPs plásticas são mais desejáveis devido ao seu peso leve, custo menor, ajuste 
facilitado, atrativo design, melhor suporte da deformidade do pé e falta de ligação com o 
sapato. 
 
 No entanto, em alguns casos, a seleção de materiais plásticos pode ser inapropriada 
devido ao risco de pressão excessiva ou rotura da pele nas zonas de contacto. 
 
 As OTPs metálicas, por seu lado, têm melhores resultados em pacientes com pé 
insensível. 
 
 Contudo, as OTPs de metal, por exemplo, são contraindicadas em crianças já que o 
peso da ortótese pode causar rotação externa tibial. 
 
 5.3.4. OTP híbrida 
 
 Uma ortótese híbrida é uma solução que combina o uso de uma plataforma com um 
estribo de metal, uniões do tornozelo metálicas, barras laterais e uma seção de plástico na 
parte posterior da perna. Este tipo permite ao paciente usar uma variedade de sapatos e as 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
67 
 
uniões do tornozelo permitem opções de correção biomecânicas para ajuste no tornozelo, 
Figura 49. 
 
 A incorporação do estribo de metal e as uniões de metal do tornozelo fornece um 
bloqueio eficaz de dorsiflexão que não pode ser alcançado com as uniões plásticas de 
tornozelo. 
 
 O uso de uma seção de plástico na parte posterior da perna e uma plataforma 
biomecânicamente bem projetada produz uma melhoria na eficácia dos sistemas de três 
pontos de força usados nas ortóteses (Lin, 2003). 
 
 
Figura 49 - OTP hibrida (Lin, 2003). 
 
5.4. MATERIAIS DAS ORTÓTESES 
 
 Uma grande variedade de materiais são utilizados na fabricação de ortóteses, mas os 
mais usados são os metais e os plásticos. Para a seleção do material apropriado para uma 
ortótese deve ter-se em conta fatores como resistência, flexibilidade, durabilidade e peso. Esta 
seleção também depende da função que vai realizar a ortótese e as características do paciente 
que as vai usar. 
 
 As ortóteses metálicas têm maior resistência e durabilidade, sendo as mais utilizadas 
as de aço ou de alumínio, ou em forma de liga com outros materiais para aumentar, por 
exemplo, a resistência mecânica ou a resistência à corrosão. Como desvantagens podem ser 
indicados o peso superior e a fraca estética. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
68 
 
 
 As ortóteses de plástico são normalmente menos pesadas e podem adaptar-se melhor 
ao membro em causa, já que é possível fazer um molde para o mesmo. Devido à melhor 
adaptação, produz uma melhor distribuição das forças corretivas em relação às ortóteses 
metálicas. 
 
Uma caraterização mais detalhada é apresentada a seguir. 
 
 5.4.1. Metais 
 
 Os mais comumente usados são: 
 
 a) Aço: A sua principal vantagem é seu baixo custo e sua abundância. Possui 
resistência à fadiga, e proporciona uma alta rigidez e resistência. Os inconvenientes são o 
peso elevado e a necessidade de ligas para impedir a corrosão (Cuccurullo, 2002). 
 
 b) Alumínio: As suas vantagens são a resistência à corrosão e à oxidação devido à 
película de alumina e uma alta resistência. É escolhido em vez do aço graças a ser mais leve, 
mas não é tão duro e tem menor limite de resistência em carga dinâmica. Também é um 
pouco mais caro do que o aço. 
 
 O alumínio é o terceiro material mais abundante da natureza e é muito utilizado devido 
às suas propriedades mecânicas e altas condutividades térmica e elétrica. É um material não-
magnético com uma densidade de 2,7 g/cm3. Muitas das suas propriedades mecânicas variam 
de acordo com a liga em causa, que pode ser com cobre, silício, magnésio e zinco. 
 
 c) Titânio: Possui a vantagem de ser mais resistente à corrosão que as ligas de 
alumínio ou aço, mas tem como grande desvantagem o seu alto preço. 
 
 d) Magnésio: Tem um peso muito baixo e é usado quando a resistência não é um 
requisito importante. 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
69 
 
 5.4.2. Plásticos 
 
Os mais utilizados na fabricação da OTP são os termoplásticos e os termoestáveis. 
 
 5.4.2.1. Termoplásticos 
 
 São materiais que em temperatura ambiente são rígidos, mas quandoa temperatura 
aumenta tornam-se brandos e é possível moldá-los até o encaixamento no membro em causa. 
Isto é conseguido porque entre as suas redes microestruturais têm ligações conhecidas como 
forças de Van der waals que são enfraquecidas elevando a temperatura e faz com que o 
material seja moldável. Outra característica importante é que podem derreter-se sem que suas 
propriedades sejam alteradas e permitindo moldá-los em quase qualquer geometria. 
 
 Entre as vantagens do uso de termoplásticos temos a eficiência, flexibilidade, peso, 
preço e facilidade e rapidez de fabricação. 
 
Podem ser divididos em termoplásticos de alta e baixa temperatura: 
 
 A) Termoplásticos de baixa temperatura: Podem ser moldados diretamente no membro 
até uma temperatura de 80° C. Não são efetivos quando há uma tensão elevada, como nos 
casos de espasticidade e o seu principal uso é nos membros superiores (Cuccurullo, 2002). 
 
 B) Termoplásticos de alta temperatura: São usados nas ortóteses para uso prolongado 
com temperaturas até 150° C, acima das quais se tornam deformáveis usando a técnica de 
deformação em vácuo. Têm maior resistência e durabilidade do que os termoplásticos de 
baixa temperatura. A sua característica principal é conservar as suas propriedades físicas 
quando em temperaturas elevadas. 
 
 Entre este tipo de termoplásticos os mais utilizados são o acrílico, o polipropileno 
(PP), o polietileno (PE), o policarbonato (PC) e os copolímeros. 
 
Os mais usados são o polipropileno (PP) e o polietileno (PE) que são descritos a seguir. 
 
 a) Polipropileno: É caracterizado por uma excelente rigidez e um baixo peso 
específico. No entanto, o processo de fabrico é difícil devido a uma gama de temperaturas 
funcionais estreita e uma grande sensibilidade, em especial da superfície. (Otto, 2008). 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
70 
 
 O polipropileno comercial tem uma taxa de isotactidade de 0,95 que origina uma 
maior cristalização do polímero e melhores propriedades mecânicas como a resistência, a 
dureza e o módulo elástico. 
 
Existem dois tipos principais de polipropileno, o homopolímero e o copolímero: 
 
 - O Polipropileno homopolímero tem um baixo peso específico, uma boa 
 resistência a produtos químicos, uma boa resistência à fadiga, uma pequena 
 contração em torno de 2% e uma alta rigidez. A sua desvantagem é que tem um 
 baixo impacto, portanto deve ter-se cuidado durante o tratamento em tensão 
 para evitar fraturas. 
 
 - O Polipropileno copolímero tem mais resiliência do que os homopolímeros 
 graças à adição de polietileno entre 5% e 25%, mas é menos rígido e é 
 processado a temperaturas mais baixas. Também possui uma resistência ao 
 choque maior do que o homopolímeros, especialmente a baixas temperaturas. 
 
 b) Polietileno: É o polímero mais simples. Existem polietilenos de densidades 
diferentes, mas o mais usado é o polietileno de baixa densidade, que apresenta algumas 
características interessantes, como boa flexibilidade, transparência, impermeabilidade e é 
mais leve e mais barato (Otto, 2008). 
 
 5.4.2.2. Plásticos termoestáveis 
 
 São mais difíceis de usar do que os termoplásticos e geralmente causam maior 
irritação no corpo e mesmo reações alérgicas. Exemplos são o poliéster e a espuma de 
poliuretano (Cuccurullo, 2002). 
 
5.5. BIOMECÂNICA DAS OTPs 
 
 As ortóteses têm sistemas para manter as articulações anatômicas na posição correta e 
restringir o movimento anormal. Existem dois tipos de sistemas principais do controlo, a força 
de reação ao solo (GRF - Ground Force Control) e os três pontos de pressão (3PP - Three 
Points Pressure). 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
71 
 
 5.5.1. Três pontos de pressão 
 
 O sistema de controlo de três pontos de pressão baseia-se em parar a rotação de dois 
segmentos do corpo num ponto compartilhado na rotação. 
 
 Duas forças (F1 e F2) são aplicadas na extremidade livre de cada segmento e opõem-
se a uma terceira força corretiva (F3) aplicada no ponto da rotação, Figura 50a. 
 
 Aumentando a distância das forças F1 e F2 em relação à força corretiva, incrementam-
se os braços de alavanca e portanto aumenta-se a efetividade. Este sistema está baseado no 
princípio de pressão, onde a pressão é igual à força total dividida pela área de aplicação, e 
onde o objetivo é a distribuição das forças sobre uma área maior para reduzir as pressões 
resultantes (Lin, 2003). 
 
 Existe uma variante deste sistema, que é o mais utilizado nas ortóteses mais comuns 
que é o sistema de quatro pontos de pressão, Figura 50b. A força corretiva central é dividida 
em duas forças (F4 e F5) que atuam em áreas adjacentes, e a razão é que a pressão não é bem 
tolerada normalmente quando diretamente aplicada na articulação anatômica e uma ortótese 
com linhas de corte muito perto da articulação pode restringir o movimento (Gulshad, 2009). 
 
 
Figura 50 - Três pontos de pressão (A) e quatro pontos de pressão (B) (Gulshad, 2009). 
 
 As OTPs usam o sistema de controlo de três pontos de pressão, por exemplo, para 
controlo da dorsiflexão, Figura 51a, e da flexão plantar do tornozelo, Figura 51b. Contudo, tal 
sistema também é utilizado para evitar a abdução, Figura 51c, e a adução do antepé, Figura 
51d. 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
72 
 
 
 
Figura 51 - Três pontos de pressão para controlar a dorsiflexão (A), a flexão plantar (B), a 
abdução (C) e a adução (D) (Gulshad, 2009). 
 
 Também é utlizado o sistema de quatro pontos de pressão para controlar a eversão e a 
inversão da articulação subtalar porque a aplicação de uma única força corretiva não é 
possível, Figura 52. 
 
 
Figura 52 - Quatro pontos de pressão para controlar a eversão (à esquerda) e a inversão (à 
direita) (Lin, 2003). 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
73 
 
 5.5.2. Força de reação ao solo 
 
 O sistema de força de reação ao solo para controlar o movimento de um segmento do 
corpo ou uma articulação é usado com ou sem ortótese, mas apenas é empregue durante a fase 
de apoio quando há uma força de reação do solo para o membro inferior que provoca 
momentos em torno das articulações. 
 O movimento resultante nas articulações depende da posição da linha de ação desta 
força e do movimento disponível na articulação (Seymour, 2002), Figura 53. 
 
Figura 53 - Força de reação ao solo na fase de apoio sem ortótese (A) e com ortótese (B) 
(Gulshad, 2009). 
 
 Se a linha de ação da força cruza a articulação, nenhum momento ou movimento de 
rotação é gerado na articulação. Se isso não acontece, então cria-se um momento sobre a 
articulação e a força vai rodar o segmento sobre a articulação se esta não estiver limitada por 
ligamentos ou músculos (NHS, 2009). 
 Se uma ortótese bloqueia o movimento da articulação, a força de reação ao solo cria 
um momento sobre a próxima articulação livre. Na Figura 53b pode observar-se como a 
ortótese e a força bloqueiam a flexão plantar do tornozelo no instante do contato e assim 
impedem uma hiperextensão do joelho. 
 A força de reação ao solo ocorre em todas as fases de apoio e também inclui o 
movimento no plano frontal. 
 A Figura 54a mostra a posição patológica da deformidade valgo da articulação 
subtalar. A linha de ação da força é alinhada lateralmente com a articulação subtalar 
resultando um momento de eversão. 
 A aplicação de uma OTP, Figura 54b, desloca a linha de ação da força à articulação 
subtalar no contato do pé e gera-se um momento corretivo de inversão para posicionar o 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
74 
 
calcâneo na posição vertical correta antes do posicionamento do peso sobre o pé (Gulshad, 
2009). 
 
 
Figura 54 - Força de reação ao solo na deformaçãovalgo da articulação subtalar 
(Gulshad, 2009). 
 
 5.5.3. Comparação entre os sistemas 3PP e GRF 
 
 Três pontos de pressão Força de reação ao solo 
1 Eficaz nas fases de apoio e de 
oscilação 
É dependente do contato com o solo 
(Só na fase de apoio) 
2 Não é dependente da estrutura do 
sapato 
É dependente da estrutura do sapato 
3 Controlo das articulações no interior 
da ortótese 
Controlo das articulações próximo à 
ortótese 
4 Mais seguro porque a articulação é 
estável para todo o terreno 
Menos seguro já que a estabilidade da 
articulação depende do terreno 
5 Menos eficiente já que pode restringir 
o movimento da articulação 
Mais eficiente já que pode permitir 
mais movimento da articulação afetada 
Tabela 1 – Diferencias entre os sistemas 3PP e GRF (Gulshad, 2009). 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
75 
 
 
 1) O Controlo GRF do membro inferior pela ortótese só é possível quando a ortótese 
contata como o solo na fase de apoio, enquanto o controlo 3PP atua para controlar o 
movimento na articulação durante todo o ciclo da marcha. 
 2) O controlo GRF depende da resistência estrutural do sapato e da interface entre o 
sapato e a ortótese, enquanto o controlo 3PP não é dependente destes fatores. 
 3) O controlo GRF produz um momento sobre a primeira articulação livre próxima à 
ortótese através da aplicação das forças no segmento inferior esta articulação, enquanto o 
controlo 3PP só pode controlar o movimento das articulações no interior da ortótese, já que é 
necessário um braço de alavanca suficiente em cada lado da articulação 
 4) O controlo GRF é menos seguro porque a estabilidade da articulação correta 
depende do tipo de terreno onde a pessoa caminha, enquanto o controlo 3PP é mais seguro já 
que não depende deste fator. 
 Por exemplo, se o terreno é inclinado ou apresenta uma superfície muito irregular, a 
posição da linha de ação da força pode mudar e criar uma lesão em vez de um momento 
corretivo na articulação. O uso da uma ortótese com controlo GRF não protege contra essa 
mudança na linha de ação, enquanto o controlo 3PP atuará para proteger a articulação. 
 5) Em alguns casos, o controlo GRF não restringe tanto o movimento como o controlo 
3PP, e isto faz com que o controlo GRF seja mais eficiente energeticamente, Tabela 1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
76 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO VI 
 Estudo experimental de uma OTP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
77 
 
 Neste capítulo apresenta-se um estudo experimental realizado num laboratório de 
biomecânica para comprovar os efeitos e benefícios do uso da uma OTP. 
 
6.1. TRABALHO EXPERIMENTAL 
 
 A recolha de dados considerada neste projeto foi realizada no laboratório do Centro de 
Estudos do Movimento e Atividade Humana (CEMAH) da Escola Superior de Tecnologia da 
Saúde do Porto (ESTSP). 
 
 O laboratório tem diferentes softwares, equipamentos e materiais. O software utilizado 
foi o sistema Qualisys Track Manager (QTM) que encarrega do registo cinemático para 
análise e captura do movimento humano, permitindo a captura do movimento em 2D, 3D com 
6 graus de liberdade. 
 
 O sistema de captura de movimento está integrado com 4 câmaras Oqus com têm uma 
frequência de aquisição de 100 Hz. Cada câmara tem uma resolução de captura de 640×480 
pixeis (0.3 Megapixéis) e suporta uma captura de vídeo de alta velocidade. Com os dados (x, 
y) recolhidos a partir das câmaras, o QTM calcula as posições em 3D (x, y, z) (Qualisys, 
2014), Figura 55. 
 
 
Figura 55 - Câmaras usadas para capturar o movimento. 
 
 O sistema QTM também tem integração e sincronização com duas plataformas de 
forças. Estas plataformas são da marca Bertec e permitem a medição simultânea das três 
componentes de força ao longo dos eixos x, y e z, e das três componentes de momento sobre 
os eixos x, y e z, tendo um total de seis saídas (Qualisys, 2014). 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
78 
 
 
 Como já foi referido no capítulo sobre a marcha humana, as plataformas de força são 
instrumentos eletromecânicos que permitem a medição e análise da força de reação que um 
indivíduo exerce no solo na execução de um movimento. São sistemas de análise cinética do 
movimento baseados na terceira lei de Newton, sendo possível obter o valor de uma força 
externa exercida sobre uma superfície para encontrar a força que origina igual amplitude e 
direção, mas em sentido oposto. A força aplicada na plataforma irá produzir um sinal elétrico 
proporcional ao seu valor (Collado, 2005), Figura 56. 
 
 
Figura 56 - Placas de forças usadas. 
 
 Uma vez definidos os materiais do laboratório a usar, procede-se à recolha de dados. 
Antes de começar essa recolha, foi realizada a calibração do sistema, que executa de forma 
dinâmica e com um calibrador em forma de T com 2 marcadores nas pontas. O calibrador é 
movido para ocupar o volume que define o espaço para a captura do movimento. No entanto, 
sempre há erros associados à calibração que tem que ser igual ou inferior a 0,5 mm para 
garantir uma captação adequada. Realizaram-se cinco calibrações para conseguir este 
objetivo. 
 
 A seguir foram identificados os pontos anatómicos nos quais se colocaram os 
marcadores. Para a análise do ângulo do tornozelo e as forças e momentos exercidos pelo pé 
no solo, foi suficiente a colocação de três marcadores, um à altura do perônio, outro no 
maléolo e um último no quinto metatarso, como pode observa-se na Figura 57. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
79 
 
 
Figura 57 - Colocação dos marcadores. 
 
 O ângulo do tornozelo durante um ciclo da marcha é calculado pela variação do 
ângulo formado entre o marcador do quinto metatarso e o marcador do perônio, ambos em 
relação ao marcador do maléolo. 
 
 Realizaram-se três medições dos parâmetros ângulo, forças e momentos, para cada um 
dos casos em estudo: primeiramente, com o sujeito sem ortótese e depois com ortótese. O 
sujeito em causa tinha 1.80 m de altura e 76.3 Kg. 
 
 A ortótese elegida para o estudo foi uma OTP desenhada e fabricada por Rita Susana 
Quesado durante a na sua dissertação de Mestrado em Design Industrial da Universidade do 
Porto com o título “Design na usabilidade de dispositivos médicos”. 
 
6.2. RESULTADOS 
 
 Depois de obter os dados necessários e realizar uma análise de forma a descartar dados 
com erros, obtiveram-se os gráficos apresentados e discutidos a seguir. 
 
 Na Figura 58 é possível observar como o ângulo do tornozelo é menor com o uso do 
ortótese, o que está de acordo com o facto de uma das principais funções das OTPs ser a 
restrição da amplitude de movimento, limitando a flexão plantar e dorsal. Também o ângulo 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
80 
 
do tornozelo durante o ciclo da marcha obtido experimentalmente assemelha-se ao 
comportamento teórico esperado (Figura 22). 
 
 
 
Figura 58 - Ângulo do tornozelo Vs. Tempo. 
 
 Relativamente à reação que o solo provoca no pé durante a fase de apoio, observa-se 
que esta força é menor com a utilização da ortótese, Figuras 59 e 60. 
 
 No eixo y é observada uma desaceleração inicial durante o contato do calcanhar, e que 
atinge seu valor máximo na fase de duplo apoio e que depois diminui até 0 (zero) quando 
passa pela vertical com o centro de gravidade sobre o pé que suporta a carga. Também existe 
um novo valor máximo quando começa a outra fase de apoio bipodal. 
 
 No eixo x não foram verificadas variações significativas com o uso da ortótese. 
 
 
-20,0
-15,0
-10,0
-5,0
0,0
5,0
10,0
15,0
0 0,1 0,2 0,30,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
Â
N
G
U
LO
 D
O
 T
O
R
N
O
ZE
LO
 E
SQ
U
ER
D
O
TEMPO (SEG)
Ângulo do tornozelo Vs. Tempo
Sem OTP Com OTP
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
81 
 
 
Figura 59 - Força no eixo y Vs. Tempo. 
 
 No eixo z é produzida a força de maior magnitude, já que está relacionada com a 
aceleração da gravidade. Pode-se observar uma curva com dois picos máximos 
correspondentes ao contato do calcanhar e à descolagem do antepé. Com o uso da ortótese, 
estes picos máximos têm menor valor. 
 
 
Figura 60 - Força no eixo z Vs. Tempo. 
 
 Relativamente aos momentos, as Figuras 61 - 63 mostram os momentos criados em 
cada um dos três eixos no pé durante a fase de apoio. É importante observar como os 
-200,0
-150,0
-100,0
-50,0
0,0
50,0
100,0
150,0
200,0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7F
Y
 (
N
)
TEMPO (s)
Força Y Vs. Tempo
Sem OTP Com OTP
0,0
100,0
200,0
300,0
400,0
500,0
600,0
700,0
800,0
900,0
1.000,0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8
FO
R
Ç
A
 Z
 (
N
)
TEMPO (s)
Força Z Vs. Tempo
SEM OTP COM OTP
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
82 
 
momentos com o uso da ortótese são menores, exceto para o eixo y em que no início é 
também menor, mas depois apresenta um valor maior, devido provavelmente algum erro na 
recolha de dados no laboratório. 
 
 
Figura 61 - Momento no eixo x Vs. Tempo. 
 
 
Figura 62 - Momento no eixo y Vs. Tempo. 
-100,0
-80,0
-60,0
-40,0
-20,0
0,0
20,0
40,0
60,0
80,0
100,0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7
M
O
M
EN
TO
 X
 (
N
m
)
TEMPO (s)
Momento X Vs. Tempo
SEM OTP COM OTP
-15,0
-10,0
-5,0
0,0
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7M
O
M
EN
TO
 Y
 (
N
m
)
TEMPO (s)
Momento Y Vs. Tempo
SEM OTP COM OTP
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
83 
 
 
Figura 63 - Momento no eixo z Vs. Tempo. 
 
 Todos os dados obtidos no laboratório foram comparados com os dados obtidos 
mediante simulação computacional na dissertação de Manuel Cuevas relativo ao Mestrado 
Integrado em Engenharia Mecânica da Universidade do Porto com o título “Project e 
manufacture of a passive ankle-foot orthosis”. 
 
 A simulação foi feita com o software OpenSim, que é um software de uso aberto para 
criar e realizar a análise dinâmica de simulações do movimento. Na simulação foi usado um 
modelo inicial que foi modificado para incluir a ortótese em estudo feita de polipropileno. A 
simulação considerou um sujeito de 1.80 metros e 75.16 Kg, e o membro a estudar foi o 
direito, contudo, no laboratório a ortótese foi usada no membro esquerdo já que a ortótese 
utilizada fabricou-se para o membro esquerdo, contudo, tal não é significativo para esta 
comparação (Cuevas, 2013). 
 
 As simulações foram realizadas para os casos: sem ortótese, com ortótese de 
polipropileno e com ortótese de poliestireno. 
 
-15,0
-10,0
-5,0
0,0
5,0
10,0
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7
M
O
M
EN
TO
 Z
 (
N
m
)
TEMPO (s)
Momento Z Vs. Tempo
SEM OTP COM OTP
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
84 
 
 
Figura 64 - Ângulo do tornozelo direito Vs. Tempo (Cuevas, 2013). 
 
 Comparando o gráfico da Figura 64 com o da Figura 58, observa-se que em ambos os 
casos existe uma redução dos ângulos do tornozelo, tanto na dorsiflexão como na flexão 
plantar, pelo que comprova-se a eficácia da ortótese relativamente à limitação do movimento 
do tornozelo. 
 
 
Figura 65 - Força z Vs. Tempo (Cuevas, 2013). 
 
 Ao realizar a comparação entre os gráficos das Figuras 65 e 59, verifica-se que a 
máxima reação ocorre no contato do calcanhar, e em ambas situações, o uso de ortótese reduz 
a força de reação, um pouco mais na situação experimental do que na de simulação 
computacional. 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
85 
 
 Deve-se notar que o sistema de eixos de coordenadas usados na simulação e na parte 
experimental são diferentes, por isso os nomes de eixos são diferentes nos gráficos 
apresentados. 
 
 Na Figura 66 observa-se que, como base na simulação, o momento no contato do 
calcanhar é maior, mas no decolagem do antepé o momento é menor com o uso de ortótese, 
tal como aconteceu experimentalmente em toda a fase (Figura 61). 
 
 
Figura 66 - Momento Y Vs. Tempo (Cuevas, 2013). 
 
 As conclusões obtidas experimentalmente, que estão em conformidade com as obtidas 
pela simulação computacional anteriormente realizada, são que o uso de ortóteses, em 
particular de ortóteses de tornozelo e pé, produzem uma serie de benefícios nos pacientes com 
algum tipo de patologia. Comprovou-se como a ortótese estudada restringe o movimento 
incorreto, limitando a flexão plantar e dorsal. Além disso, comprovou-se que os momentos 
resultantes dos músculos e as forças de reação do solo são menores com o uso da ortótese. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO VII 
 Conclusões e Trabalho Futuro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCHA NORMAL E PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
87 
 
7.1. CONCLUSÕES FINAIS 
 
 Para apresentar as conclusões finais deste projeto, é também importante identificar 
quais foram os objetivos definidos no princípio do mesmo. 
 
 - O primeiro objetivo foi a compreensão do ciclo da marcha humana; assim, o capítulo 
3 foi direcionado nesse sentido, e incluí uma descrição sobre as fases de apoio e de oscilação, 
bem como sobre as distintas subfases que as constituem. Seguidamente, com base numa 
análise cinemática e observação das trajetórias dorsais e plantais, confirmação que o tornozelo 
é essencial para a progressão e a absorção do impacto na fase de apoio, e como facilita o 
avanço do membro associado durante a fase de oscilação. 
 
 - O seguinte objetivo foi a classificação da marcha patológica, tal como realizada no 
capítulo 4. Verificou-se que há diferentes formas de classificar a marcha patológica, uma 
delas é segundo a área anatômica afetada, e como neste projeto foi importante o tornozelo, 
que apresenta como principais erros funcionais uma excessiva dorsiflexão e flexão plantar, e 
observou-se quais as consequências que estes erros têm durante as distintas fases da marcha, 
assim como as suas causas. 
 
 Por outro lado, outra classificação da marcha patológica pode ser feita em função da 
patologia, sendo as patologias mais frequentes a escleroses múltipla, a paralisia cerebral, a 
doença de Parkinson ou a hemiplegia. A hemiplegia tem um problema particular chamado de 
pé caído, que é uma insuficiente dorsiflexão do tornozelo na fase de oscilação, e que é preciso 
tratar, por exemplo, com ortóteses de tornozelo e pé. 
 
 - No capítulo 5, foram descritas as diferentes ortóteses de tornozelo e pé, 
classificando-as segundo o material em que estão produzidas, principalmente metal e plástico. 
Conclui-se que as OTPs plásticas são mais desejáveis devido ao seu baixo peso, menor custo 
e ajuste facilitado. No entanto, por vezes podem ser inapropriadas devido ao risco de pressão 
excessiva ou rotura da pele nas zonas de contacto. 
 
 Quanto às OTPs plásticas, as melhores são as feitas de polipropileno e poliestireno 
relativamente os demais termoplásticos, devido às suas boas propriedades, como uma 
excelente rigidez, baixo peso específico e boa resistência à fadiga e a produtos químicos. 
 
 - O último objetivo foi o estudo experimental de uma OTP. Depois da recolha de 
dados experimentais em laboratório da uma pessoa com e sem o uso de uma OTP, geraram-se 
os gráficos característicos em análise da marcha humana. Com tais gráficos foi possível 
observar que o uso da ortótese restringe o ângulo do tornozelo durante a marcha, limitando a 
MARCHA NORMALE PATOLÓGICA: ESTUDO TEÓRICO E EXPERIMENTAL DE UMA OTP 
 
88 
 
flexão dorsal e plantar. Também podemos concluir que com o uso da ortótese as forças de 
reação do solo são menores, bem como são menores os momentos resultantes dos músculos 
da articulação do tornozelo. 
Em conclusão, pode-se concluir que as OTPs são uma solução satisfatória para pacientes que 
sofrem uma grande variedade de patologias. Em concreto, no caso do pé caído, a OTP impede 
que o pé arraste no solo com o bloqueio da flexão plantar. Adicionalmente, mesmo em 
pessoas sem patologias significativas, uma OTP pode melhorar a marcha devido a um menor 
amortecimento. 
 
7.2. TRABALHO FUTURO 
 
 Depois de comprovar por simulação computacional as vantagens de uma OTP usando 
um software de simulação, e comprovar-se experimentalmente neste projeto os mesmos 
benefícios num laboratório de análise de marcha humana, o passo seguinte pode ser o uso e 
avaliação da OTP estudada em pacientes reais, já que só foi ensaiado numa pessoa com 
marcha “normal”. 
 
 Seria interessante ainda a sua utilização em pacientes para verificar a sua eficácia e 
comodidade, e ter em conta a opinião dos pacientes sobre quais os aspetos que gostam mais 
ou menos na OTP estudada, de forma a melhorar o projeto da mesma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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