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15/04/2020 Cirrose Hepática - Doenças do Aparelho Digestivo - Esadi - Espaço de Saúde do Aparelho Digestivo
www.esadi.com.br/aparelho-digestivo/doenca/cirrose-hepatica/ 1/4
Doenças do aparelhoDoenças do aparelho
digestivodigestivo
Cirrose Hepática
O fígado, maior órgão do corpo humano, é essencial em manter o organismo funcionando
adequadamente. Ele remove ou neutraliza toxinas do sangue, produz agentes imunológicos para
controlar infecções e remove germes e bactérias da circulação. Além disto, produz proteínas que
regulam a coagulação do sangue e produz bile para ajudar na absorção de gorduras e vitaminas. A vida
não é possível sem um fígado funcionante. 
Na cirrose, um tecido fibroso substitui o tecido hepático normal, bloqueando o fluxo sanguíneo através
do órgão e impedindo que o fígado exerça suas funções como deveria. A cirrose é uma doença com
altos custos em termos de sofrimento, perda de produtividade e tratamento, além de ser a oitava causa
mais frequente de morte por doenças nos Estados Unidos.
Causas
A cirrose hepática tem várias causas. O alcoolismo e a hepatite C são as mais frequentes em nosso
meio.
Doença hepática alcoólica: Para muitas pessoas, cirrose é sinônimo de alcoolismo. Na verdade, o
abuso alcoólico crônico é apenas uma de suas causas. A cirrose hepática alcoólica geralmente se
desenvolve depois de mais de uma década de etilismo pesado. A quantidade de álcool que pode
danificar o fígado varia muito de pessoa para pessoa. Em mulheres, beber tão pouco quanto duas a
três doses de bebida por dia tem sido considerado suficiente para desenvolver a doença. Em
homens, três a quatro doses. É importante lembrar que não há relação entre embriaguez e dano
hepático. Ou seja, o fato de a pessoa não ficar embriagada não significa que seu fígado não esteja
sofrendo.
Hepatite crônica C: É uma das causas mais frequentes de cirrose, ao lado da doença hepática
alcoólica. A infecção por este vírus causa inflamação e danos de forma lentamente progressiva ao
fígado, o que após vários anos pode levar à cirrose. 
Hepatites crônicas B e D: O vírus da hepatite B é provavelmente a causa mais comum de cirrose se
considerarmos o mundo inteiro. É frequente principalmente no Oriente. A hepatite B, como a C, causa
inflamação e danos que ao longo dos anos pode levar à cirrose. O vírus da hepatite D é mais um
vírus que infecta o fígado, e ocorre somente em pessoas que já possuem o vírus B. 
Hepatite autoimune: Este tipo de hepatite é causado por problemas no sistema imune. 
Doenças herdadas: Deficiência de alfa-1 antitripsina, hemocromatose, doença de Wilson,
galactosemia e doenças do armazenamento do glicogênio estão entre as doenças herdadas que
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interferem com a maneira como o fígado produz, processa e armazena enzimas, proteínas, minerais e
outras substâncias de que o corpo necessita para funcionar adequadamente. 
Esteato-hepatite não alcoólica: Na esteato-hepatite, há um acúmulo de gorduras no fígado. Isto
pode inflamá-lo e levar à formação de tecido fibroso – que, com o tempo, pode levar à cirrose. Este
tipo de hepatite parece estar associado com diabetes, obesidade e excesso de colesterol no sangue,
entre outras condições. 
Obstrução dos ductos biliares: Quando os ductos que levam a bile para fora do fígado estão
bloqueados, a bile fica estagnada e pode danificar o tecido hepático. Em bebês, esta obstrução é
mais comumente causada por atresia biliar, uma doença na qual os ductos biliares estão ausentes ou
danificados. Em adultos, a causa mais frequente é a cirrose biliar primária, uma doença na qual os
ductos se tornam inflamados, bloqueados e fibrosados. A cirrose biliar secundária pode acontecer
depois de uma cirurgia de vesícula biliar, se os ductos forem inadvertidamente lesados. 
Drogas, toxinas, e infecções: Reações intensas a medicamentos, exposição prolongada a toxinas
presentes no meio ambiente, e congestão hepática prolongada (por exemplo em casos de
insuficiência cardíaca) podem levar à cirrose.
 
Sintomas
Muitas pessoas com cirrose, nos estágios iniciais da doença, são assintomáticas. Entretanto, com a
progressão da substituição das células normais do fígado pela fibrose, a função do órgão começa a ser
afetada e o indivíduo pode apresentar os seguintes sintomas:
exaustão
fadiga
perda do apetite
náusea
fraqueza
perda de peso
À medida que a doença avança, complicações podem aparecer. Em algumas pessoas, elas podem ser
os primeiros sinais da doença.
Complicações da Cirrose
A perda da função hepática afeta o organismo de diversas maneiras. A seguir, estão problemas
comuns, ou complicações, causados pela cirrose.
Edema e ascite: Quando o fígado perde a capacidade de produzir uma proteína chamada albumina
em quantidade suficiente, líquido se acumula nas pernas (edema) e na cavidade abdominal (ascite).
Sangramentos: Quando o fígado diminui a produção de proteínas necessárias para a coagulação do
sangue, o indivíduo passa a apresentar sangramentos e equimoses (“roxos”) com mais facilidade.
Icterícia: Icterícia é um tom amarelado dos olhos e da pele que aparece quando o fígado não
consegue mais processar e eliminar as bilirrubinas de maneira eficiente.
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Prurido: Produtos da bile depositados na pele podem causar prurido intenso (coceira).
Toxinas no sangue ou cérebro: Um fígado danificado não consegue remover toxinas do sangue,
causando seu acúmulo na circulação. Isto pode perturbar o funcionamento do sistema nervoso
central, causando mudanças de personalidade, coma e até mesmo a morte. Sinais do acúmulo de
toxinas no cérebro incluem perda do cuidado pessoal, esquecimentos, problemas de concentração,
mudanças no padrão de sono e confusão mental.
Sensibilidade às medicações: A cirrose diminui a capacidade do fígado de “filtrar” os
medicamentos do sangue. Como o fígado não remove as drogas da circulação na velocidade
habitual, elas agem por mais tempo do que o esperado e podem se acumular no organismo. Isto torna
as pessoas mais sensíveis aos medicamentos e mais propensas a apresentarem efeitos colaterais.
Hipertensão portal: Normalmente, o sangue proveniente dos intestinos e do baço é levado ao
fígado pela veia porta. No entanto, a cirrose dificulta o fluxo de sangue através desta veia,
aumentando a pressão dentro dela. Esta condição é denominada hipertensão portal.
Varizes de esôfago: Quando o fluxo de sangue através da veia porta está dificultado, o sangue
proveniente do baço e dos intestinos é desviado para outras veias, que passam pelo estômago e pelo
esôfago. Como estas veias não foram “projetadas” para receber tanto sangue, elas acabam por se
dilatar, formando varizes. O problema é que estas varizes podem se romper, causando hemorragias
graves, com elevada taxa de mortalidade.
Problemas em outros órgãos: A cirrose causa problemas no sistema imune, deixando a pessoa
mais vulnerável a infecções. O fluido no abdome (ascite) pode se infectar com bactérias normalmente
presentes nos intestinos. A doença pode também causar alterações na função dos rins – levando até
mesmo à insuficiência renal.
 
Diagnóstico
O médico pode diagnosticar cirrose com base nos sintomas, exames complementares, pela história
médica do paciente, e pelo exame físico. Por exemplo, durante o exame físico, o médico pode perceber
que o fígado está maior ou mais endurecido do que o habitual e pedir exames de sangue que
demonstrarão se há doença hepática presente.
Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada podem trazer dados adicionais,
assim como a inspeção do fígado através da videolaparoscopia. O diagnóstico pode ser confirmado
pela realização de uma biópsia hepática ou de testes não invasivos como a elastografia.
TratamentoO dano hepático da cirrose geralmente é pouco reversível, mas o tratamento pode interromper a
progressão da doença e reduzir suas complicações. O tratamento dependerá da causa da cirrose e das
complicações presentes. Por exemplo: cirrose causada pelo álcool é tratada pela cessação do consumo
de álcool.
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Tratamento de cirrose decorrente de hepatites envolve medicamentos usados para o tratamento destas,
como antivirais para hepatites por vírus e corticóides para hepatite auto-imune. Ou seja, o tratamento
dependerá da cusa subjacente. Em todos os casos, independente da causa, seguir uma dieta saudável
e editar o álcool são essenciais, pois o corpo necessita de todos os nutrientes que puder obter, e o
álcool levará apenas a mais dano hepático.
O manejo das complicações, quando presentes, também faz parte do tratamento. Por exemplo, para
ascite e edema, o médico poderá recomendar uma dieta pobre em sódio e o uso de diuréticos, que
retirarão fluidos do organismo. Antibióticos serão prescritos para infecções, e vários medicamentos
podem aliviar o prurido.
Proteínas levam à formação de toxinas no aparelho digestivo, e por isto uma dieta pobre em proteínas
ajudará a diminuir o acúmulo de toxinas na circulação e no cérebro. O médico poderá também
prescrever laxantes para evitar a absorção de toxinas a partir dos intestinos.
Para a hipertensão portal, poderão ser prescritos medicamentos que diminuem a pressão no sistema
porta, como beta-bloqueadores. Se as varizes sangrarem, pode ser realizado tratamento endoscópico
com esclerose ou ligadura elástica. Estes tratamentos estarão indicados tanto para fazer parar o
sangramento quanto para prevenir ressangramentos.
Quando não se consegue controlar as complicações ou quando o fígado foi danificado a ponto de sua
função se tornar gravemente comprometida, um transplante hepático estará indicado. No transplante, o
fígado doente é removido e substituído por um sadio. Atualmente, de 80 a 90% das pessoas sobrevivem
ao transplante.
As taxas de sobrevivência têm melhorado muito nos últimos anos em virtude do uso de drogas como a
ciclosporina e o tacrolimus, que suprimem o sistema imune e impedem que ele ataque e danifique o
novo fígado.

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