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GRADUAÇÃO
 2014.2
TCC II
ELABORAÇÃO DE PROJETO
AUTORA: LUCI OLIVEIRA
Sumário
TCC II — Elaboração de projeto
APRESENTAÇÃO DO CURSO .................................................................................................................................... 3
UNIDADE I — O PROJETO DE PESQUISA — ELEMENTOS ESSENCIAIS ............................................................................... 5
UNIDADE II — CONDUÇÃO DA PESQUISA E COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS .................................................................. 26
UNIDADE III — EXEMPLOS DE PROJETO DE PESQUISA ................................................................................................ 40
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 3
APRESENTAÇÃO DO CURSO 
A graduação em Direito prevê como um dos componentes curriculares 
obrigatórios a entrega de um trabalho de conclusão de curso (TCC). 
Esse trabalho deve ser realizado em uma das áreas de especialização: (i) Ad-
vocacia Pública e Poder Judiciário; (ii) Advocacia Empresarial ou (iii) Rela-
ções Internacionais e Direito Global. E pode ser entregue em formato escrito 
(monografi a, artigo científi co, parecer jurídico, projeto de lei) ou audiovisual 
(fi lme jurídico). As normas sobre o TCC devem ser consultadas no Manual 
de Apresentação de Trabalhos escritos da FGV Direito Rio1.
A disciplina de metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso tem por 
objetivo auxiliar o aluno no planejamento, organização e desenvolvimento 
do TCC. 
No aspecto de planejamento o foco está na elaboração do projeto de pes-
quisa que dará origem ao trabalho de conclusão de curso. 
O projeto de pesquisa consiste em uma proposta do que o aluno pretende 
realizar, uma carta de intenções bem fundamentada, visando demonstrar o 
que se objetiva fazer (qual o tema de pesquisa e o que interessa o aluno nesse 
tema, ou seja, qual é o problema ou quais são as questões e aspectos que dese-
ja tratar); com base em que (qual é a discussão corrente, ou seja, o referencial 
teórico que permeia a discussão), para que fazer (qual é a meta e o objetivo 
que se alcançará com a realização da pesquisa), porque é importante fazê-lo 
(a justifi cativa ou relevância do que está sendo proposto), como se fará (qual 
metodologia será empregada) e quando (cronograma das etapas a serem re-
alizadas).
Além dos seis pontos listados acima, é preciso demonstrar que a execução 
do projeto é possível, e que a pesquisa é factível e viável (ou seja, há informa-
ção sufi ciente e disponível para a pesquisa, o aluno tem acesso aos recursos 
necessários para a pesquisa, em termos de tempo, conhecimento da literatu-
ra, etc.).
Nos aspectos de organização e desenvolvimento, o foco está nos elementos 
formais e metodológicos da pesquisa que será executada, concretizando-se no 
TCC. Trataremos dos cuidados na condução da pesquisa e na comunicação 
dos seus resultados.
Este material didático serve de apoio para o curso, visando orientar o alu-
no na elaboração do seu projeto de pesquisa e no desenvolvimento e comuni-
cação do trabalho fi nal, resultado dessa pesquisa. O material está estruturado 
em três unidades:
I. O projeto de pesquisa — elementos essenciais
II. Condução da pesquisa e comunicação dos resultados 
III. Exemplos de projeto de pesquisa
1. O manual pode ser obtido na coorde-
nação de TCC ou no site da FGV Direito 
Rio: http://academico.direito-rio.fgv.
br/ccmw/images/7/78/TCC-_Manu-
al_de_Trabalhos_Escritos.pdf 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 4
É importante frisar que o objetivo do trabalho de conclusão de curso é 
a produção de conhecimento jurídico-acadêmico, resultado da condução 
de pesquisa acadêmica, que pode ou não ter ênfase na aplicação prática. O 
que se espera do aluno é que ele demonstre suas habilidades de investigação, 
leitura, pensamento crítico e redação (aos que optarem pelo fi lme jurídico 
também será exigido um projeto de pesquisa no qual justifi que sua escolha), 
assim como domínio de técnicas de coleta, análise e interpretação de dados, 
uso de fontes de informação, e evidencie domínio do tema em que se insere 
seu TCC
Apesar da atividade de pesquisa ser comum tanto na vida acadêmica, 
quanto na atividade prática profi ssional, a metodologia, a linguagem e as 
técnicas que guiam a pesquisa nesses dois âmbitos tendem a ser diferentes. 
Como nos lembra Lee Epstein e Gary King (2002), a diferença entre o 
advogado praticante e o acadêmico é que o advogado praticante busca defen-
der uma causa ou tese, ele é o “advogado da hipótese”, que procura acumular 
todas as provas e evidências para comprovar a sua hipótese e desviar a atenção 
de qualquer coisa que possa ser vista como uma informação contraditória. Já 
o advogado acadêmico busca testar uma hipótese — e testar implica em que 
tal hipótese possa ser comprovada ou derrubada. Assim, o advogado acadê-
mico busca submeter a sua hipótese a todos os testes e fontes de dados possí-
veis, procurando inclusive provas e evidências contrárias a ela2. 
Com isso, no trabalho de conclusão de curso espera-se que o aluno realize 
uma pesquisa acadêmica, tendo por base procedimentos racionais e sistemáti-
cos, com o objetivo de proporcionar respostas aos problemas propostos, partin-
do de uma abordagem de caráter problematizante e investigativo (Gil, 2002)3.
Para ter êxito na realização da pesquisa e na conclusão do TCC, a postura 
que recomendamos aos alunos é a mesma que Gil (2002: 18) ressalta nos 
bons pesquisadores: “conhecimento do assunto a ser pesquisado; curiosida-
de; criatividade; integridade intelectual; atitude autocorretiva; sensibilidade 
social; imaginação disciplinada; perseverança e paciência e confi ança na ex-
periência”.
Esse material foi elaborado com base na experiência da autora em cursos 
de metodologia de pesquisa, e em artigos e livros recomendados abaixo para 
leitura e consulta:
• ADEODATO, João Maurício (1999). Bases para uma metodologia 
da pesquisa em Direito. REVISTA CEJ, Brasília, Centro de Estudos 
Judiciários do Conselho da Justiça Federal, vol. 3, nº 7, jan./abr.
• COURTIS, Christian. (Org.). (2006). Observar la ley - Ensayos 
sobre metodología de la investigación jurídica. Madrid: Editorial 
Trotta, v. 1. 
• GIL, Antônio Carlos. (1999). Pesquisa Social. São Paulo, Atlas.
2. EPSTEIN, Lee & Gary King (2002). 
“The Rules of Inference”. University of 
Chicago Law Review. 69 (1): 1-133. 
Disponível em http://epstein.law. 
northwestern.edu/research/rules.pdf 
(acesso em 20/04/2012)
3. GIL, Antonio Carlos (2002). Como ela-
borar projetos de pesquisa. São Paulo: 
Atlas. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 5
• LOPES, José Reinaldo Lima. (2006). Regla y compás. In Observar la 
ley, ed. C. Courtis. Madrid: Editorial Trotta.
• MCCONVILLE, Mike e CHUI, Wing Hong (2007). Research me-
thods for law. Edinburgh: Edinburgh University Press.
• OLIVEIRA, Luciano (2004), “Não Fale do Código de Hamurabi”. 
In: Sua Excelência o Comissário e outros ensaios de sociologia jurídi-
ca. Rio de Janeiro, Letra Legal 7. 
Uma observação se faz necessária ao documento que segue: não é reco-
mendado em trabalhos acadêmicos do tipo monografi a, artigo científi co, 
dissertação ou tese, a utilização de citações e transcrições de textos longas, 
como muitas utilizadas neste material didático. Aqui se utiliza desse recurso 
de forma didática, para pontuar argumentos importantes elaborados por de-
terminados autores, visando auxiliar alunos e pesquisadores no processo de 
condução de uma pesquisa.
UNIDADE I
O PROJETO DE PESQUISA — ELEMENTOS ESSENCIAIS
Nesta unidade, trataremos do desenho do projeto de pesquisa. Abordare-
mos sete aspectos:
1) O projeto de pesquisa e sua estrutura
2) A escolha e a delimitação do tema 
3) A questão de interesse ou problema de pesquisa
4) Tipo de pesquisa emetodologia
5) Justifi cativa, objetivo e hipótese
6) Marco teórico
7) Forma de entrega 
1) O projeto de pesquisa e sua estrutura
O projeto de pesquisa é o documento no qual se delineia o planejamento 
da pesquisa a ser executada para a realização do TCC. O objetivo do projeto é 
traçar o caminho intelectual, teórico e prático do processo de pesquisa. É um 
plano de ação, indicando o que se quer pesquisar, qual objetivo pretende-se 
atingir, a relevância de realização da pesquisa, a modalidade de pesquisa e os 
procedimentos de coleta e análise de dados, assim como a previsão da forma 
de apresentação dos resultados. O projeto deve trazer, ainda, um planejamen-
to temporal de execução das diversas etapas da pesquisa, o cronograma, e a 
indicação de uma bibliografi a inicial pertinente ao problema a ser pesquisado.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 6
Não há uma estrutura rígida para a elaboração de projetos de pesquisa. 
Conforme atenta Antonio Carlos Gil (2002), a estrutura do projeto é de-
terminada em grande parte pela natureza do problema a ser pesquisado e 
também pelo estilo do pesquisador (o autor do projeto). 
Qualquer que seja a estrutura que o autor adote, é necessário que o projeto 
permita responder às seguintes perguntas: 
• O que se quer fazer? (tema e problema de pesquisa)
• Com base em que? (referencial teórico no qual o problema de pes-
quisa se insere)
• Por quê? (justifi cativa da pesquisa)
• Para quê e para quem? (objetivos gerais e específi cos da pesquisa)
• Como e com o quê? (metodologia da pesquisa)
• Quando? (planejamento das etapas — cronograma)
Além destas seis perguntas, é importante considerar no aspecto metodoló-
gico quais são os recursos necessários para a execução da pesquisa, pensando 
em termos de sua viabilidade: disponibilidade de materiais, possibilidade de 
acesso às informações, tempo a ser dedicado na execução da pesquisa, orça-
mento, etc.
Uma possibilidade de estrutura para o projeto de pesquisa, tida como 
clássica em diversas áreas do conhecimento, é a que organiza os elementos 
essenciais do projeto em pré-textuais (capa, folha de rosto, sumário, título, 
dados de identifi cação do projeto), textuais (introdução; objetivos; referen-
cial teórico; metodologia; plano de exposição; cronograma) e pós-textuais 
(referências bibliográfi cas e anexos). Abaixo especifi camos o que cada um 
desses tópicos deve conter (nos itens A-L).
A. CAPA E FOLHA DE ROSTO
A instituição para a qual o projeto será apresentado usualmente tem um 
modelo de capa e folha de rosto. No caso do projeto de TCC, a FGV Direito 
Rio indica um modelo a ser seguido, que pode ser consultado no Manual de 
Trabalhos Escritos. Basicamente contém o nome da instituição, o título do 
trabalho, o nome do autor e do professor orientador, assim como local e data.
B. SUMÁRIO 
O sumário enumera as divisões do texto (tópicos, seções ou capítulos), 
indicando a ordem e paginação na qual aparecem no trabalho. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 7
C. TÍTULO
O título deve comunicar o teor do trabalho, ou seja, a área de estudo e o 
assunto de que trata a pesquisa. Ele deve ser abrangente, mas sintetizar o con-
teúdo da pesquisa. Uma dica é utilizar um subtítulo para delimitar melhor o 
assunto trabalhado. 
D. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO
Área de especialização da FGV Direito Rio: (i) Advocacia Empresarial; 
(ii) Advocacia Pública e Poder Judiciário ou (iii) Relações Internacionais e 
Direito Global)
Área de pesquisa (tabela de áreas do conhecimento CNPq: Direito Civil, 
Direito Internacional, Direito Privado, Direito Constitucional, etc.)
Forma de entrega: (i) monografi a; (ii) artigo científi co; (iii) projeto de lei; 
(vi) parecer jurídico; (v) fi lme jurídico.
E. INTRODUÇÃO
A introdução contempla quatro elementos do projeto de pesquisa: (i) o 
tema e sua delimitação; (ii) o problema de pesquisa; (iii) a hipótese e (iv) a 
justifi cativa. 
O texto da introdução é escrito de forma a enunciar o assunto sobre o qual 
o trabalho vai tratar, demarcando a extensão e a profundidade que se pretende 
empregar no desenvolvimento desse tema, delimitando-o em termos de tempo 
e espaço. Na sequência, indica-se especifi camente o que nesse tema é do inte-
resse do autor, ou seja, qual é a pergunta (ou perguntas) que se quer responder. 
E para guiar o desenvolvimento da pesquisa, é comum indicar uma pré-solução 
ou resposta possível ao problema levantado, ou seja, elaborar uma hipótese (ou 
hipóteses) de pesquisa. Em algumas pesquisas as hipóteses não estão explici-
tadas, mas é possível estabelecer hipóteses subjacentes. E por fi m, essa seção 
introdutória traz a justifi cativa para a pesquisa, ou seja, as razões que motivam 
o estudo (qual a importância de realizar o estudo proposto, qual a contribuição 
que trabalho trará - teórica, prática, etc.). Na justifi cativa é esperado que se liste 
argumentos que indiquem que a pesquisa é signifi cativa e relevante.
F. OBJETIVOS
Os objetivos indicam os propósitos da pesquisa, o que se pretende alcan-
çar (metas). É comum dividir a seção de objetivos em geral e específi cos. O 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 8
objetivo geral indica o resultado principal que se espera da pesquisa, e os 
objetivos específi cos indicam pontos que o trabalho discutirá. Uma recomen-
dação usual é que na exposição dos objetivos se utilize verbos no infi nitivo: 
esclarecer, defi nir, procurar, permitir, demonstrar, etc. 
G. REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico - também chamado de revisão da bibliografi a ou da 
literatura, embasamento teórico, pressupostos teóricos, estado da arte, entre 
outras designações — refere-se a contextualização do problema em uma dis-
cussão e debate mais amplos. A ideia aqui é que o aluno faça uma compilação 
crítica dos principais trabalhos no assunto que pretende discutir no TCC, 
demonstrando que tem familiaridade com os pressupostos e conceitos teó-
ricos pertinentes ao seu problema de pesquisa. O referencial teórico auxilia 
na fundamentação teórica do trabalho (indicando quem são os principais 
autores ou doutrinadores nessa área e qual a linha que a pesquisa seguirá). É 
um levantamento prévio do que já foi publicado sobre o assunto, auxiliando 
na identifi cação das lacunas e respostas que ainda precisam ser dadas nesse 
tema. Entre suas principais funções está ser um histórico sobre o tema, uma 
atualização da área, servindo como fonte de respostas aos problemas formu-
lados (hipóteses) e evitando a repetição de trabalhos já feitos. Note que não 
se espera que o aluno faça uma busca exaustiva da literatura, pois esta busca é 
parte do próprio trabalho de pesquisa. Mas na redação do projeto, espera-se 
uma leitura básica inicial, que de conta das principais categorias e conceitos 
que servirão de fundamento para o desenvolvimento da pesquisa.
H. METODOLOGIA
Este tópico trata do caminho que será seguido para responder a questão 
proposta, quais ferramentas serão adotadas para responder ao problema de 
pesquisa. Aqui o aluno deve indicar basicamente o tipo de pesquisa que re-
alizará (doutrinária, empírica, mista), o tipo de dados e informações com os 
quais trabalhará e a forma de coleta e análise destas informações (indicando 
as fontes de dados, técnicas de coleta e operacionalização e análise de dados). 
É importante frisar que a escolha da metodologia depende fundamentalmen-
te da natureza e escopo do problema de pesquisa. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 9
I. PLANO DE EXPOSIÇÃO 
O plano de exposição nada mais é do que a previsão de sumário que o 
trabalho de curso irá seguir. Nesse tópico o aluno apresenta uma estrutura 
provisória do TCC, indicando as divisões de capítulo, sub-capítulos e seções 
que o futuro trabalho deve contemplar. 
Abaixo um exemplo de plano deexposição extraído do projeto de TCC de 
Jordana Righeti, apresentado no primeiro semestre de 2011, como requisito 
para a disciplina de TCC1.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
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PLANO DE EXPOSIÇÃO
Inicialmente, o Parecer será composto por uma Ementa, um Relató-
rio da consulta efetuada, e objeto do TCC, a Fundamentação Jurídica 
com base em normas, jurisprudência e entendimentos doutrinários so-
bre questões que envolvam Licenciamento Ambiental, mais especifi ca-
mente de uma empresa de siderurgia. Ao fi nal, haverá uma Conclusão 
sobre os principais aspectos abordados e relevantes para a consulta.
 
EMENTA
RELATÓRIO
1. LICENCIAMENTO AMBIENTAL
1.1. COMPETÊNCIA PARA LICENCIAR
1.2. TIPOS DE LICENÇA
1.2.1. LICENÇA DE PRÉ-OPERAÇÃO
2. ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL
2.1. COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
2.2. SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO
2.3. OUTORGA DE USO DE ÁGUA
2.4. COGERAÇÃO DE ENERGIA (TERMOELÉTRICA)
2.5. MUDANÇAS CLIMÁTICAS
2.6. ENTREVISTAS MP E EMPRESAS
3. RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
3.1. DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
3.2. FILTROS DE EMISSÃO DE POLUENTES
4. JURISPRUDÊNCIA
5. OUTROS CUIDADOS A SEREM TOMADOS PELO EM-
PREENDEDOR
CONCLUSÃO
Em cada item, e ao longo de todo o Trabalho, serão abordadas as res-
postas para as seguintes perguntas: (i) qual o fato? (ii) quais as regras apli-
cáveis ao fato? (iii) como as regras são aplicadas ao fato? e (iv) conclusão.
J. CRONOGRAMA
O cronograma consiste na apresentação da sequência de etapas da inves-
tigação ao longo do tempo. Ele traz a identifi cação de cada etapa (revisão 
da literatura, coleta de dados, análise de dados, redação dos capítulos, etc.), 
assim como o tempo demandado para sua conclusão. Usualmente o crono-
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 11
grama é apresentado em forma de matriz de atividades, sendo que nas linhas 
encontram-se discriminadas as atividades e nas colunas o tempo (a unidade 
de referencia comum é mês). 
Exemplo de cronograma
K. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Neste tópico devem estar arroladas todas as obras, documentos e fon-
tes citados na elaboração do projeto. As referências bibliográfi cas devem ser 
construídas com base nas regras da ABNT.
L. ANEXOS
Neste tópico devem ser inseridos documentos citados que sejam relevantes 
para a compreensão do projeto (um projeto de lei, um parecer, etc.), ou ainda 
instrumentos de coleta de dados que se pretenderá usar (por exemplo, o ques-
tionário ou o roteiro de entrevista). Não é obrigatório haver anexo no pro-
jeto, mas caso haja ele deve vir ao fi nal, depois das referências bibliográfi cas. 
2) A escolha e a delimitação do tema
O processo de pesquisa no Direito, assim como em qualquer área do co-
nhecimento, começa a partir da escolha de um tema que se quer investigar. 
Alguns fatores a serem considerados na escolha de um tema são:
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 12
a) Afi nidade e familiaridade com a área de pesquisa escolhida;
b) Interesse pessoal ou gosto pelo assunto a ser trabalhado;
c) Tempo disponível para a realização do trabalho de pesquisa;
d) Relevância do tema, novidade, oportunidade, originalidade;
e) Recursos disponíveis para a realização do trabalho de pesquisa.
Exemplos de tema de pesquisa são:
• Acesso à justiça
• Recuperação judicial de empresas
• Processo decisório no judiciário
• Concorrência e atos de concentração
• Meios alternativos de solução de confl itos
• Criminalização do aborto
• Princípio da insignifi cância
• Reforma do judiciário
• Privacidade na internet
• Responsabilidade civil da administração pública 
Uma boa sugestão para a escolha dos temas é a leitura de periódicos cien-
tífi cos para acompanhar os trabalhos que estão sendo realizados na área de 
pesquisa que você elegeu como de interesse.
Caso você não saiba em quais revistas pesquisar, uma boa dica é consultar 
a tabela de periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pes-
soal de Nível Superior) para a área do Direito4. Outra dica é consultar Con-
gressos na área do Direito, sendo que no Brasil um dos principais congressos 
voltado para estudantes de graduação e pós-graduação é o CONPEDI (Con-
selho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito)5.
Além de periódicos científi cos e anais de congressos, uma boa fonte de 
inspiração temática são os portais jurídicos (Conjur, Jus Navegandi, etc.), e 
os jornais (Valor, Folha de S. Paulo, O Globo, etc. - que possuem colunistas 
voltados a cobrir aspectos do mundo jurídico). 
Após escolher o tema, o passo seguinte é delimitá-lo, ou seja, especifi car 
o aspecto desse tema que se pretende estudar. É preciso delimitar o tema no 
sentido de restringir o campo de investigação sob o ponto de vista de tempo 
e espaço, mas também de características e aspectos de interesse. Por exemplo, 
no caso do tema de acesso à justiça, posso perguntar sobre a utilização dos 
juizados especiais cíveis no Rio de Janeiro, nos últimos dez anos. No caso da 
recuperação judicial de empresas, posso me interessar pelos efeitos da mu-
dança legislativa de 2005 em casos de recuperação judicial de empresas. E no 
caso de processo decisório no judiciário, posso delimitar a partir do processo 
decisório no Supremo Tribunal Federal em casos de judicial review, desde a 
Constituição de 1988.
4. A tabela Qualis Capes para a área do Di-
reito pode ser acessada pelo link http://
qualis.capes.gov.br/arquivos/avaliacao/
webqualis/criterios2010_2012/Crite-
rios_Qualis_2011_26.pdf 
5. Os anais do Conpedi podem ser con-
sultados pelo link: http://www.conpe-
di.org.br/ 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 13
João Maurício Adeodato (1999)6 recomenda cinco estratégias para delimi-
tar um tema jurídico: (i) por assunto (“A dispensa abusiva no contrato de tra-
balho”); (ii) por autor (“O conceito de legitimidade em Hannah Arendt”); 
(iii) por circunscrição temporal (“Evolução do concubinato na segunda me-
tade do século XX”); (iv) por circunscrição espacial (“Ações de despejo na 
Comarca de Escada”) e (v) por referência expressa a aspecto específi co do 
Direito positivo (“O princípio da nacionalidade na Lei de Introdução ao 
Código Civil de 1916”).
O passo seguinte à delimitação do tema é a formulação do problema, ou 
seja, a problematização desse tema e a escolha da questão a ser respondida. 
3) A questão de interesse ou problema de pesquisa
Segundo José Reinaldo de Lima Lopes (2006)7, o ‘problema’ é o motor de 
uma pesquisa. “Não há verdadeira pesquisa sem que haja um problema a ser 
resolvido. E isto é o que é mais difícil no trabalho acadêmico: ‘construir’ um pro-
blema. Para isto, é preciso que o investigador tenha certa curiosidade, tenha dú-
vidas, encare o mundo, e o mundo do direito neste caso, como algo intrigante”.
O problema de pesquisa é formulado como uma pergunta para facilitar o 
desenvolvimento da pesquisa. Esse procedimento facilita a identifi cação do 
que efetivamente se deseja pesquisar. Por exemplo, no interesse em estudar o 
tema do “acesso à justiça”, delimitamos para “a utilização dos juizados espe-
ciais cíveis no Rio de Janeiro, nos últimos dez anos”. Uma forma de transfor-
mar esse tema em problema de pesquisa seria perguntar: “A instalação dos 
juizados especiais cíveis no Rio de Janeiro contribuiu para a ampliação do 
acesso à justiça da população mais carente?”
Outro exemplo, o tema de recuperação de empresas, poderia ser transfor-
mado em problema de pesquisa a partir da seguinte pergunta: “A mudança 
legislativa que ocorreu no processo de recuperação de empresas no Brasil em 
2005 levou à redução signifi cativa do número de falências no Brasil?”
No tema do processo decisório no STF, pode-se formular a seguinte per-
gunta: “quais são os fatores de maior impacto no direcionamento das decisões 
do Supremo Tribunal Federal em casos de ADI no período de 1988 a 2009?”.Segundo Gil (2002), “por se vincular estreitamente ao processo criativo, a 
formulação de problemas não se faz mediante a observação de procedimentos 
rígidos e sistemáticos. No entanto, existem algumas condições que facilitam 
essa tarefa, tais como: imersão sistemática no objeto, estudo da literatura 
existente e discussão com pessoas que acumulam muita experiência prática 
no campo de estudo” (Gil, 2002: 26).
6. Adeodato, João Maurício (1999). Ba-
ses para uma metodologia da pesquisa 
em Direito. REVISTA CEJ, Brasília, Centro 
de Estudos Judiciários do Conselho da 
Justiça Federal, vol. 3, nº 7,  jan./abr.
7. LOPES, José Reinaldo Lima. (2006). 
Regla y compás. In Observar la ley, ed. 
C. Courtis. Madrid: Editorial Trotta. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 14
Portanto, recomendamos que uma vez defi nido o tema de pesquisa, o 
aluno converse com seu orientador e faça pesquisa prévia na temática, lendo 
artigos e pesquisando na bibliografi a o que já foi feito sobre esse tema. 
Charles Ragin (1994)8 propõe um modelo analítico que ajuda a delimi-
tar o tema e encontrar um problema de pesquisa. Segundo o autor são dez 
as questões que se deve fazer ao seu tema ou objeto de estudo para ajudar a 
encontrar um problema e desenvolver uma pesquisa:
1) Isso é um caso de que tipo? 
2) Quais são as questões envolvidas? 
3) Quais os problemas que suscita? 
4) Qual a importância disso? 
5) O que já foi dito e pesquisado sobre isso? 
6) Quais são as comparações relevantes? 
7) Quais são as características relevantes? 
8) O que está faltando? 
9) Quais respostas é preciso dar? 
10) Quais perguntas devem ser feitas para se chegar a essas respostas? 
Formular um problema de pesquisa não é simplesmente fazer uma per-
gunta qualquer. A pergunta de pesquisa não é qualquer pergunta. Algumas 
condições são necessárias para sua elaboração. 
Recomenda-se primeiro formular para o seu tema perguntas básicas e sim-
ples: Como são as coisas? Quais suas causas? Quais suas consequências? 
Dado este diagnóstico, o que fazer? E se essas perguntas ainda não tiverem 
sido satisfatoriamente respondidas para o seu tema em questão, elas se ofere-
cem como boas estratégias de pesquisa. 
Caso essas perguntas já tenham sido satisfatoriamente respondidas, então 
a sugestão é avançar para outras questões, mas tendo em mente alguns cui-
dados. Gil (2002) afi rma que uma boa pergunta de pesquisa atende a três 
condições básicas: clareza, exequibilidade e pertinência.
O problema, ou pergunta de pesquisa, deve ser claro e preciso (ou seja, 
não deve ser vago). Por exemplo, um iniciante em pesquisa poderia per-
guntar: “Como funciona a mente do juiz?” Mas como afi rma Gil, esse tipo de 
problema não pode ser proposto porque não está claro ao que se refere. 
O problema deve ser realista (em termos dos recursos pessoais, materiais 
e técnicos necessários para sua solução) e deve ser suscetível de solução. Não 
deve ser moralizador (ou seja, não deve tratar de valores: bom ou mau, de-
sejável ou indesejável, certo ou errado). E não deve induzir a uma resposta a 
priori — lembrando que a pesquisa acadêmica é diferente de uma petição. 8. RAGIN, Charles (1994). Constructing 
Social Research: The Unity and Diversity 
of Method. Pine Forge Press. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 15
Rafael Mafei Rabelo Queiroz (2011)9 indica três exemplos de como trans-
formar um assunto (tema) em um problema de pesquisa. Segundo Queiroz, 
um bom problema de pesquisa jurídica pode: (1) buscar uma resposta nova 
para uma velha pergunta; (2) buscar organizar e sistematizar algo que está 
confuso ou (3) determinar o signifi cado jurídico de algo novo. 
Para exemplifi car o primeiro caso ele parte de uma velha questão, a ideo-
logia da decisão judicial. São inúmeros os estudos e argumentos procurando 
demonstrar um viés ideológico nas decisões dos juízes. Queiroz cita como 
exemplo uma pesquisa de 200510 que levantou a hipótese, a partir da realiza-
ção de entrevistas com magistrados brasileiros, de que o Judiciário tenderia a 
desrespeitar cláusulas contratuais e dispositivos legais para favorecer o litigan-
te economicamente mais fraco e, assim, fazer “justiça social”. Essa hipótese 
foi tratada como verdadeira por muito tempo, até que em 2010 um grupo de 
pesquisadores resolveu testá-la empiricamente. 
Nas palavras desses pesquisadores, “Diferente dos estudos anteriores, estas 
evidências foram procuradas não em pesquisas de opinião e de atitude, mas 
através do estudo de decisões judiciais em diversas áreas” (Ferrão e Ribeiro, 
2010)11. Os autores analisaram 181 decisões tomadas pelo judiciário entre 
2004 e 2005 e concluíram que os litigantes economicamente mais fortes têm 
45% mais chances de saírem vitoriosos em uma disputa judicial do que os 
mais fracos, em casos iguais. Ou seja, a partir de um enfoque metodológico 
diferente para uma mesma questão, chegaram a uma resposta diferente. 
Para o segundo caso, Queiroz exemplifi ca com a análise de sucessões legis-
lativas pouco claras no país. Toma como exemplo o regime de juros vigente 
no Brasil e formula a pergunta: a Lei da Usura foi ou não revogada pelo Có-
digo Civil de 2002?
E por fi m, exemplifi ca um caso em que se busca determinar o signifi ca-
do jurídico de algo novo. Parte do exemplo do surgimento do jogo virtu-
al Second Life, descrevendo que nesse mundo virtual havia empresas reais 
anunciando produtos verdadeiros em outdoors virtuais (anúncios de roupas, 
perfumes, eletrônicos, automóveis, etc.). A pergunta que poderia surgir, dado 
esse fato naquele momento novo, é: os outdoors virtuais devem ser conside-
rados como outdoors reais para fi ns jurídicos, havendo a incidência de ISS 
por prestação de serviços publicitários?
Queiroz chama atenção para a diferença na formulação desses problemas 
como perguntas, e como seria se fossem formulados de forma tradicional, 
como assuntos: “Da ideologia da decisão judicial”, “Dos juros”, e “Da tribu-
tação da publicidade na Internet”. Ou seja, nesse formato mais “tradicional”, 
pouco se sabe do que o autor vai tratar. Queiroz dá ainda um exemplo de 
como partir de um tema muito debatido e encontrar novas formas de abordá-
lo, imprimindo originalidade ao trabalho. Utiliza como exemplo o instituto 
9. QUEIROZ, Rafael Mafei Rabelo. 
(2011). Artigo Científi co: Concepção, 
Temas, Métodos e Técnicas. BePress 
Selected Works. Disponível em: http://
works.bepress.com/rafaelmafei. 
10. ARIDA, Pérsio; BACHA, Edmar e RE-
SENDE, André Lara. “Credit, interest, 
and jurisdictional uncertainty: Con-
jectures on the case of Brazil”, Rio de 
Janeiro: IEPE/CdG, Texto para Discussão 
n.2, 2003, Publicado em GIAVAZZI. F.; 
GOLDFAJN, I; HERRERA, S. (orgs.); Infl a-
tion targeting, debt, and the Brazilian 
experience, 1999 to 2003. Cambridge, 
MA: MIT Press, may 2005.
11. FERRÃO, Brisa L. M.; RIBEIRO, Ivan 
C. (2010) “Os Juízes Brasileiros Favore-
cem a Parte Mais Fraca?”. UC Berkeley: 
Berkeley Program in Law and Econo-
mics.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 16
da repercussão geral instituído pela Emenda Constitucional 45 de 2004, já 
exaustivamente debatido pela doutrina desde sua aprovação.
Assim, um trabalho intitulado, digamos, “Da repercussão geral”, que se limi-
te a descrever as principais posições doutrinárias e jurisprudenciais a este respei-
to, pouco acrescentaria a este tema já muito discutido. Mas isso não quer 
dizer que nenhum trabalho original e criativo possa ser feito tendo a repercussão 
geral por assunto, pois sempre haverá formas originais de se revisitar um 
tema, por mais repisado que seja: como, empiricamente, o Supremo Tribu-
nal Federal tem avaliado a repercussão geral nos casos por ele analisados? Pelo 
valor da causa? Pela qualidade das partes? Pela importância daquestão política 
de fundo? Os ministros têm, todos, pensamentos iguais nesse sentido? Como 
é possível explicar semelhanças e diferenças em seus votos? Há variações confor-
me o tipo de matéria tratada? Note-se que se trata de o mesmo assunto abordado 
de outra forma — com outra metodologia, leia-se —, um tanto mais original 
do que a costumeira abordagem exegética, que se limita a falar da natureza 
jurídica do instituto, da intenção do legislador etc. Pode-se ainda pensar 
em outras tantas formas de abordagem desse mesmo instituto: ao invés 
de uma pesquisa empírica de jurisprudência, por que não fazer uma ava-
liação comparada da norma criada pela Emenda 45 com outras congêneres de 
jurisdições estrangeiras, como o writ of cert da Suprema Corte dos EUA? Quais 
são os critérios utilizados pela corte suprema norte-americana para escolher os 
recursos que julgará? Seriam eles comparáveis à “repercussão geral” que a 
Emenda 45 pretendeu criar? Por que sim, ou por que não? É possível, a partir 
disso, extrair conclusões sobre o papel institucional do tribunal supremo 
dentro do sistema político-jurídico de cada um dos países? Que papéis seriam 
estes, da Suprema Corte e de nosso Supremo Tribunal Federal? Estaríamos aqui, 
como se percebe, diante de uma pesquisa com nuances de direito comparado 
que, a despeito de revisitar um assunto já batido, de forma alguma padeceria de 
falta de criatividade. (Queiroz, 2011: 10).
Outra forma de pensar a elaboração do problema de pesquisa é verifi car 
se ele é descritivo-exploratório ou propositivo. Um problema descritivo-
exploratório visa descrever as características de determinada população ou 
fenômeno, ou estabelecer relações entre variáveis, se propondo a responder 
a pergunta do tipo “‘o quê, qual, quais’”. Já um problema propositivo visa 
ir além do diagnóstico descritivo e fornecer uma resposta, uma solução ou 
reformulação.
Fecho este tópico com outros dois exemplos de problema de pesquisa 
identifi cados por José Reinaldo Lima Lopes (2006)12 como bons exemplos:
Um exemplo de problema jurídico bem explicado desde o início encontra-se 
no seguinte trecho de Ronald Dworkin: “Em 1945 um negro de nome Sweatt 
candidatou-se à faculdade de direito da Universidade do Texas, mas foi recusado 
12. LOPES, José Reinaldo Lima. (2006). 
Regla y compás. In Observar la ley, ed. 
C. Courtis. Madrid: Editorial Trotta. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 17
porque a legislação estadual dispunha que só brancos podiam freqüentá-la. A 
Suprema Corte declarou que a lei violava o direito à igualdade de Sweatt prote-
gido pela Emenda 14 da Constituição dos EUA, que prevê que nenhum estado-
membro negará a qualquer cidadão a igualdade perante suas leis. Em 1971 um 
judeu de nome De Funis candidatou-se à faculdade de direito de Washington. 
Não foi admitido, embora seu desempenho e suas notas fossem sufi cientemente 
altos para ser admitido caso ele fosse negro, fi lipino, chicano, ou índio. De Funis 
pediu que a Suprema Corte reconhecesse que a prática de Washington, ao exigir 
padrões menos rígidos para grupos minoritários, violava seus direitos à isonomia 
de acordo com a Emenda 14.” (Dworkin 1977). Note que em um parágrafo ape-
nas já sabemos do que ele vai falar (o seu tema) e como este assunto se converte 
em um problema: a questão é saber por que em um primeiro caso (o do negro) 
parece intuitivo que há algo errado em barrar-lhe a entrada pelo simples fato de 
ser negro e porque no segundo caso é tão complicado dar valores diferentes às 
notas e ao desempenho de alguém só porque é branco. O caráter problemático 
da questão aparece nitidamente. Outro trabalho cuja introdução me agrada e 
cumpre bem o papel de defi nir com clareza a situação problemática que preten-
de abordar é o seguinte: “Este ensaio tem por objetivo analisar o modo com as 
Leis de Anistia, promulgadas pelos Países-membros do Mercosul em suas transi-
ções democráticas, foram interpretadas à luz do direito internacional dos direitos 
humanos e da regulamentação de suas graves violações pelo direito internacional 
penal, erigidas à categoria de ‘crimes internacionais’. (...) Apesar de as leis de 
anistia serem consideradas necessárias do ponto de vista interno pelas razões 
acima mencionadas, algumas perguntas vêm sendo formuladas a respeito de sua 
situação perante o direito internacional. Em face do direito internacional, tem 
validade uma lei de anistia interna? A comunidade internacional estaria sujeita a 
essas normas? Poderia um terceiro Estado ou um tribunal internacional exercer 
sua jurisdição sobre crimes internacionais anistiados internamente?” (Cláudia 
Perrone-Moisés. Leis de anistia face ao direito internacional: ‘desaparecimentos’ 
e ‘direito à verdade’). Note que o trabalho pretende dar, ou pelo menos sugerir 
respostas normativas (pode um tribunal internacional exercer jurisdição sobre 
crimes anistiados domesticamente?) a várias questões e tais questões estão limi-
tadas, naquele ensaio, em termos de tempo (período da transição democrática 
dos anos 1980) e de espaço (no Cone Sul da América), e de objeto mesmo (o 
confronto entre as anistias aprovadas na esfera nacional e o direito penal inter-
nacional dos direitos humanos). O leitor já sabe do que se vai falar, ainda que 
o problema a ser resolvido seja eventualmente mais conceitual (confl ito de nor-
mas). (Lopes, 2006: 17-18)
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 18
4) Tipo de pesquisa e metodologia
A pesquisa jurídica pode ser classifi cada basicamente em dois tipos: dou-
trinária (teórica, dogmática) e não-doutrinária (empírica, interdisciplinar, 
sóciojurídica). 
E para cada tipo de pesquisa há diferentes procedimentos metodológicos a 
serem empregados. O procedimento metodológico consiste no caminho que 
será seguido para a abordagem do problema e objeto de estudo e para atingir 
os objetivos perseguidos. A metodologia a ser adotada na pesquisa trata do 
tipo de pesquisa, do tipo de dados e informações necessárias, das técnicas de 
coleta e análise de dados — em suma, é o caminho a ser adotado para chegar 
ao resultado esperado. Na escolha e defi nição da metodologia é fundamental 
levar em consideração as características do assunto escolhido, bem como a 
resposta que se pretende dar à questão-problema.
Quanto aos dois tipos essenciais de pesquisa no Direito, temos a pesquisa 
doutrinária, que é aquela voltada para discutir o que é o Direito, o que é a lei 
(ou um fenômeno jurídico específi co), em uma área particular. 
Na maioria das vezes é baseada na coleta e análise de um corpo de juris-
prudência, juntamente com a legislação relevante (fontes primárias), e apoia-
da em modelos teóricos (fontes secundárias) voltados para encontrar, enten-
der e aplicar regras e princípios na solução de problemas legais (seja um caso 
concreto, ou um tipo particular de situação). Baseiam-se também na recons-
trução de casos decididos em um quadro coerente na busca de racionalidade, 
ordem e coesão teórica, objetivando sistematizar, corrigir e clarifi car o Direito 
sobre determinado assunto, a partir da análise de textos (seguindo para tan-
to, regras de interpretação — é preciso na parte metodológica especifi car o 
método de interpretação e os critérios utilizados). Muitas vezes, a partir desta 
discussão, tem por objetivo sugerir recomendações para o desenvolvimento e 
aperfeiçoamento da lei.
Designada por Mike McConville e Wing Hong Chui (2007)13, como 
‘black-letter research’, a pesquisa doutrinária concentra-se no próprio Direito 
como um conjunto interno e auto-sustentado de princípios, que podem ser 
acessados através da leitura de decisões judiciais e de estatutos. Os autores 
envolvidos nesse tipo de pesquisa, segundo McConville e Chui, estão pre-
ocupados, na maioria das vezes, com afi losofi a do Direito e enfocam prin-
cipalmente a natureza da lei e da autoridade legal, e tratam temas em áreas 
de fundo do Direito, como responsabilidade civil, contratos, a natureza dos 
direitos, da justiça e da autoridade política, entre outros.
Os autores listam as habilidades de pesquisa jurídica necessárias aqueles 
que planejam desenvolver pesquisa doutrinária, a partir de lista elaborada por 
David Stott (1999)14:
13. McConville, Mike e Chui, Wing Hong 
(2007). Research methods for law. 
Edinburgh: Edinburgh University Press.
14. STOTT, David. (1999). Legal Resear-
ch. London: Cavendish. Pág. 3, apud 
McConville, Mike e Chui, Wing Hong 
(2007). Research methods for law. 
Edinburgh: Edinburgh University Press, 
pág. 4.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 19
• Identifi car e analisar o material fatual;
• Identifi car o contexto legal em que surgem questões fatuais;
• Identifi car as fontes para a investigação de fatos relevantes;
• Determinar quando os fatos são necessários;
• Identifi car e analisar as questões jurídicas;
• Aplicar disposições legais pertinentes aos fatos;
• Relacionar as questões centrais direito e de fato uns aos outros;
• Identifi car as questões legais, fatuais e outras apresentadas por docu-
mentos;
• Apresentar os resultados da pesquisa de forma clara, útil e confi ável.
Podemos esboçar de forma resumida o caminho metodológico usual para 
a condução de uma pesquisa doutrinária, com base em Courtis (2006)15:
1) Identifi cação do problema a ser tratado, com explicitação da natu-
reza do problema;
2) Seleção do conteúdo normativo relevante para a resposta à pergunta;
3) Seleção do conteúdo doutrinário relevante para resposta a pergunta, 
precisando as respostas interpretativas rivais; 
4) Desenvolvimento, explicitação e fundamentação do critério a partir 
do qual é possível eleger uma resposta entre as diversas respostas 
possíveis analisadas; 
5) Conclusão - o resultado da análise da questão interpretativa à luz do 
problema identifi cado considerado em face da matriz teórica esco-
lhida para seu tratamento. Construção de uma opinião interpretati-
va bem fundamentada, e explícita em seus critérios de escolha.
Na pesquisa doutrinária é importante especifi car quais são as principais 
fontes de pesquisa, quais autores/doutrinadores serão utilizados, atentando 
para o sopesamento de argumentos e linhas interpretativas/doutrinárias, não 
podendo ser ignoradas correntes contrárias, sendo preciso mencioná-las e no 
caso de se contrapor a elas, fazê-lo de maneira fundamentada.
O tipo de pesquisa não doutrinária, ou empírica, tem como objetivo des-
crever, explicar e/ou criticar o direito e os fenômenos jurídicos tal qual eles 
se manifestam na realidade. A pesquisa empírica permite verifi car como o 
aspecto material do Direito se realiza concretamente, e como fatos, atos e ati-
vidades concretizam o Direito no na vida em sociedade. Em outras palavras, 
focam em como o Direito e as instituições jurídicas operam em um contexto 
social, econômico e político mais amplo. 
15. COURTIS, Christian. (Org.). Observar 
la ley - Ensayos sobre metodología de la 
investigación jurídica. Madrid: Editorial 
Trotta, 2006, v. 1 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 20
“Empírica é a pesquisa baseada na observação sistemática da realidade, na 
recolha de informações e transformação destas informações em dados (co-
difi cação), com o intuito de descrever, compreender e explicar a realidade 
observada. A observação sistemática da realidade pode dar-se de diversas for-
mas (técnicas), incluindo entrevistas quantitativas (surveys) ou qualitativas 
(entrevistas em profundidade, narrativas e histórias de vida, etc.), etnografi a, 
uso de documentos, experimentos, decisões, etc.)”16. 
No caso da pesquisa empírica, a metodologia deve se preocupar em esta-
belecer:
1) Identifi cação do problema a ser tratado, com explicitação da nature-
za do problema;
2) Especifi cação do referencial teórico e dos autores a serem utilizados;
3) Qual o objeto e universo de interesse (pessoas, instituições, fenôme-
no ou conjunto de fenômenos, processos, etc.);
4) Especifi cação da origem e da natureza dos dados a serem utilizados 
(primários x secundários; quantitativos x qualitativos);
5) Defi nição dos conceitos e de sua operacionalização;
6) Especifi cação da forma de coleta de dados (fonte, técnica de coleta, 
instrumentos e operacionalização);
7) Especifi cação da forma de análise de dados.
É importante ressaltar que os dois tipos de pesquisa (doutrinária e empí-
rica) muitas vezes se misturam em abordagens para responder a problemas 
propostos, sendo que nas pesquisas empíricas necessariamente há o recurso a 
aspectos da pesquisa teórica ou doutrinária para o estabelecimento de parâ-
metros, e para a defi nição e a operacionalização de conceitos. E na pesquisa 
doutrinária, muitas vezes são aplicadas técnicas de pesquisa empírica, seja na 
realização de entrevistas, seja na forma de condução de pesquisa jurispruden-
cial. A pesquisa doutrinária e a empírica devem ser pensadas como comple-
mentares e não mutuamente excludentes.
Lembrando que essa divisão entre doutrinária e não-doutrinária é uma 
das principais formas de pensar a pesquisa jurídica, mas não a única. Arthurs 
(1983)17 apresenta uma matriz para pensar a pesquisa jurídica que a classifi ca 
em dois eixos: aplicada x acadêmico-pura e doutrinária x interdisciplinar. 
Nessa leitura, haveria quatro tipos de pesquisa jurídica: (i) a pesquisa ex-
positiva (doutrinária e aplicada) — é a pesquisa mais tradicional do direito, 
dogmática; (ii) a pesquisa sobre reforma do Direito (interdisciplinar e aplicada) 
— são os estudos sócio-jurídicos; (iii) a pesquisa fundamental (interdisciplinar 
e acadêmica) — são estudos críticos do direito e de sociologia do direito; e a 
(iv) teoria legal (doutrinária e acadêmica) — são estudos de fi losofi a do direito.
16. Defi nição da autora, extraída do 
texto “O sistema de justiça brasileiro 
sob olhares empíricos”, publicado como 
apresentação do livro de OLIVEIRA, 
Fabiana Luci (org.) Justiça em foco: Es-
tudos Empíricos. Rio de Janeiro: Editora 
FGV, 2012.
17. Arthurs, H.W. (1983). Law and Le-
arning. Report to the Social Sciences 
and Humanities. Research Council of 
Canada by the Consultative Group on 
Research and Education in Law, Infor-
mation Division, Social Sciences and 
Humanities Research Council of Cana-
da, Ottawa.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 21
Estilos de Pesquisa jurídica, segundo Arthurs (1983)
Há ainda dois tipos de estudos muito comuns no Direito, que podem ser 
desenvolvidos utilizando-se técnicas de pesquisa empírica, ou a abordagem 
doutrinária, ou uma combinação das duas, que são o estudo comparado (in-
ternacional) e o estudo de caso.
Segundo defi nição de McConville e Chui (2007), o estudo comparado 
cruza categorias tradicionais do Direito, integrando direito público e direito 
privado internacional com o direito interno. Para os autores o objetivo desses 
estudos é facilitar a compreensão do funcionamento do direito internacional 
e dos sistemas jurídicos, assim como do seu impacto na formulação de polí-
ticas públicas na era da interdependência global.
É importante que ao optar pelo direito comparado o estudante funda-
mente essa escolha — porque comparar? É preciso sempre justifi car essa es-
colha metodológica, assim como justifi car o país, ou países, escolhidos para 
comparação. Na grande maioria das vezes a justifi cativa para o uso do méto-
do comparado se dá em termos dos benefícios que o aprendizado traz para 
o sistema jurídico nacional (seja para propor melhorias para o sistema, para 
encontrar soluções para um problema comum, etc.).
O estudo de caso, por sua vez, é voltado para o conhecimento e compre-
ensão detalhados e exaustivosde um caso específi co, de forma a permitir um 
amplo e profundo conhecimento sobre esse caso. Sua maior utilidade é, de 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 22
acordo com Gil (2009)18, exploratória O autor defi ne o estudo de caso como 
um delineamento de pesquisa, e não uma técnica, que preserva o caráter 
unitário do fenômeno pesquisado, e o aborda em seu contexto. O caso pode 
ser um indivíduo, um processo, um grupo, evento, programa, organização, 
instituição, etc. 
Ainda segundo Gil, quando se opta por fazer um estudo de caso é impor-
tante justifi car a escolha do caso (ou casos, se mais de um), e delimitá-lo no 
tempo, no espaço e nos aspectos relevantes para o problema a ser investigado.
5) Justifi cativa, objetivo e hipótese
5.1) JUSTIFICAR O ESTUDO A SER REALIZADO
Ao elaborar um problema de pesquisa e propor a sua realização, o pesqui-
sador necessita justifi car sua proposta, ou seja, explicar porque deseja fazer 
tal pesquisa, sobretudo demonstrando a importância e a contribuição que a 
pesquisa trará. 
De acordo com Marconi e Lakatos (2002)19, a justifi cativa da pesquisa 
pode ser elaborada a partir de argumentos que se relacionem com (i) a curio-
sidade do pesquisador; (ii) uma experiência anterior própria ou de outra pes-
soa/instituição; (iii) possibilidades de sugerir mudanças no âmbito da realida-
de do tema proposto; (iv) contribuições teóricas que a pesquisa poderá trazer 
(confi rmação geral; confi rmação na comunidade em que se insere a pesquisa; 
especifi cação para casos particulares; clarifi cação da teoria; resolução de pon-
tos obscuros, etc.); (v) contribuições práticas que a pesquisa poderá trazer na 
solução de um problema; (vi) a descoberta de soluções para casos gerais e/
ou particulares.
Além desses seis pontos, é possível justifi car a realização de uma pesquisa 
a partir da referência a aspectos inovadores do trabalho, seja inovação no 
que se refere à temática, a forma de abordagem proposta, etc., ou a lacuna no 
nosso conhecimento que a pesquisa procura preencher. 
Não existe nenhuma regra rígida quanto ao conteúdo da justifi cativa, mas 
recomenda-se que o aluno não deixe de elaborar os aspectos de relevância te-
órica ou prática do problema proposto, e não apenas justifi cá-lo com base no 
interesse pessoal. Uma dica aqui é pergunte-se o porquê é importante realizar 
essa pesquisa que está sendo proposta e a resposta que encontrar para essa 
questão guiará a redação da sua justifi cativa.
Um exemplo simples de justifi cativa: no caso do tema do acesso à justiça, 
a pesquisa que se propõe a verifi car se a instalação dos juizados especiais cíveis 
no Rio de Janeiro contribuiu ou não para a ampliação do acesso à justiça da 
população mais carente, a justifi cativa poderia estar na “importância de en-
18. GIL, Antonio (2009). Estudo de Caso. 
São Paulo: Editora Atlas.
19. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI Ma-
rina de Andrade (1997). Metodologia 
Científi ca: Ciência e Conhecimento 
Científi co. São Paulo: Atlas
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 23
tender se os juizados especiais vêm cumprindo a sua proposta de melhorar o 
acesso à justiça e possibilitar, a partir dos resultados encontrados na pesquisa, 
uma discussão acerca de políticas públicas focadas na estruturação dos servi-
ços legais no âmbito de comunidades carentes do município”.
5.2) FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES PARA O PROBLEMA DE PESQUISA PROPOSTO
A formulação do problema de pesquisa, demanda, na grande maioria das 
vezes, também a formulação de uma solução ou resposta possível, mediante 
uma proposição suscetível de ser declarada verdadeira ou falsa. A essa propo-
sição chama-se hipótese.
A formulação de uma hipótese não se refere a qualquer resposta ao pro-
blema, mas segue alguns requisitos mínimos, sendo que ela precisa ser (i) 
conceitualmente clara e compreensível (evitando ambiguidades) e (ii) passí-
vel de ver verifi cada, ou seja, ao saber que uma hipótese é verdadeira ela deixa 
de ser hipótese, é um fato; caso não haja certeza quanto a sua veracidade, a 
afi rmação se constitui em hipótese. Nem toda pesquisa necessita de hipótese, 
sendo necessária hipótese quando se quer determinar fatores ou motivos que 
infl uem ou explicam determinados acontecimentos, analisar relações entre 
fenômenos, explicar ou compreender o porque fenômenos acontecem e não 
apenas descrevê-los.
Já no caso de pesquisa empírica, todo procedimento de coleta de dados 
depende da formulação prévia de uma hipótese (ou hipóteses) de pesquisa. 
É possível que em algumas pesquisas as hipóteses não estejam formuladas 
explicitamente. Todavia, nesses casos, é possível determinar as hipóteses sub-
jacentes.
Exemplos de hipótese de pesquisa seriam, pensando em três dos proble-
mas trabalhados como exemplo:
Problema Hipótese
“A instalação dos juizados especiais cíveis no 
Rio de Janeiro contribuiu para a ampliação do 
acesso à justiça da população mais carente?”
“A instalação do juizado especial cível do Rio de 
Janeiro não contribuiu para a ampliação do acesso 
a justiça da população mais carente, uma vez que o 
maior cliente do juizado é a classe média.”
“A mudança legislativa que ocorreu no proces-
so de recuperação de empresas no Brasil em 2005 
levou à redução signifi cativa do número de falên-
cias no Brasil?”
“A mudança legislativa de 2005 impactou de for-
ma positiva reduzindo o número de falências, pois 
reduziu a burocracia para a intervenção judicial e 
acelerou o tempo da prestação jurisdicional. ”
“Quais são os fatores de maior impacto no dire-
cionamento das decisões do Supremo Tribunal Fe-
deral em casos de ADI no período de 1988 a 2009?”
“As características atitudinais, sobretudo a ideolo-
gia dos ministros, são os fatores de maior impacto no 
direcionamento do resultado das decisões em casos 
de ADI no período de 1988 a 2009.”
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 24
5.3) EXPOSIÇÃO DOS OBJETIVOS
Os objetivos da pesquisa tratam de suas fi nalidades, de suas metas, do 
que se pretende alcançar com a realização do estudo. Os objetivos podem 
ser trabalhados pela divisão em geral x específi cos. O objetivo geral é a meta 
principal da pesquisa, e os objetivos específi cos tratam do detalhamento ou 
desdobramento do objetivo geral.
Uma dica para a redação dos objetivos é começar pelo verbo no infi niti-
vo. Santos (1998: 74)20 recomenda a escolha dos objetivos de acordo com o 
estágio de conhecimento, seguindo as seis capacidades cognitivas que vão do 
nível mais elementar ao mais avançado (Taxonomia de Bloom21): 
1. Estágio de conhecimento inicial: apontar, citar, classifi car, conhe-
cer, defi nir, identifi car, reconhecer, relatar;
2. Estágio de compreensão: compreender, concluir, deduzir, demons-
trar, determinar, diferenciar, discutir, interpretar, localizar, reafi rmar;
3. Estágio de aplicação: aplicar, desenvolver, empregar, estruturar, 
operar, organizar, praticar, selecionar, traçar;
4. Estágio de análise: analisar, comparar, criticar, debater, diferenciar, 
discriminar, examinar, investigar, provar;
5. Estágio de síntese: sintetizar, compor, construir, documentar, espe-
cifi car, esquematizar, formular, produzir, propor, sugerir, reunir;
6. Estágio de avaliação: argumentar, avaliar, contrastar, decidir, esco-
lher, estimar, julgar, medir, selecionar, verifi car.
Uma pesquisa pode atender mais de um objetivo (tendo sempre um ob-
jetivo geral e os demais sendo específi cos). Um exemplo: no caso do estudo 
sobre acesso à justiça e juizados especiais cíveis no Rio de Janeiro, o objetivo 
da pesquisa seria apontar o perfi l da população que tem utilizado os juizados 
especiais cíveis no Rio de Janeiro, e a partir do diagnóstico do perfi l dos usu-
ários compreender se e o quanto os juizados especiais cíveis têm propiciado 
o acesso da população carente à justiça ecom base nisso, propor políticas 
públicas voltadas a ampliação do acesso à justiça para essa população.
6) Marco teórico
O marco ou referencial teórico (revisão da literatura, fundamentação teó-
rica, estado da arte, etc.) é parte fundamental do processo de pesquisa. Uma 
vez defi nido o tema de pesquisa, a leitura da bibliografi a de referência é o 
primeiro passo a ser dado, pois ajuda o aluno tanto na delimitação do tema 
20. SANTOS, João Almeida (2004). Me-
todologia Científi ca – a construção do 
conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A
21. Segundo defi nição de Ferraz e Belhot 
(2010), a Taxonomia de Bloom é um 
instrumento de apoio e planejamento 
didático-pedagógico, cuja fi nalidade é 
auxiliar a identifi cação e a declaração 
dos objetivos ligados ao desenvolvi-
mento cognitivo, tratando de conheci-
mento, compreensão e o pensar sobre 
um problema ou fato. Ver Ferraz, Ana 
Paula do Carmo Marcheti e Belhot, 
Renato Vairo (2010). Taxonomia de 
Bloom: revisão teórica e apresentação 
das adequações do instrumento para 
defi nição de objetivos instrucionais. 
Gest. Prod., São Carlos, v. 17, n. 2, p. 
421-431
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 25
quanto na construção da problemática de pesquisa. No projeto, não se exige 
que o aluno tenha conhecimento profundo da literatura, pois a leitura des-
ses trabalhos é parte do próprio processo de pesquisa, mas é fundamental 
o conhecimento básico da literatura sobre o tema, e a inclusão no texto de 
citações (indiretas e/ou diretas) com a fi nalidade de: 
• Fundamentar e defi nir conceitos (precisar o que se entende por deter-
minados conceitos); 
• Inserir a problemática dentro de um campo de discussão mais amplo 
(nenhuma pesquisa está isolada), indicando o estágio atual de conhe-
cimento com relação ao tema;
• Esclarecer os pressupostos teóricos que dão fundamentação à pesquisa 
e as contribuições proporcionadas por investigações anteriores;
• Sintetizar refl exões teóricas, metodológicas e/ou conceituais alicerça-
das em trabalhos já desenvolvidos;
• Identifi car posições doutrinárias diferentes, apresentando os argu-
mentos de cada uma delas;
• Fornecer bases e contornos mais precisos sobre o problema;
• Conduzir a construção de hipóteses;
• Evitar subjetividades, palpites, aparências, “achismos”.
• Fornecer subsídios e parâmetros para a interpretação de dados.
Uma forma de iniciar a revisão da bibliografi a é formular para o seu assun-
to de pesquisa quatro questões básicas iniciais:
• O que já foi publicado sobre o tema/ problema?
• Que aspectos já foram abordados?
• Quais as contradições existentes na literatura?
• Quais as lacunas existentes na literatura? 
Uma última observação se faz pertinente: as principais fontes de pesqui-
sa para o marco teórico são artigos científi cos (periódicos), livros, trabalhos 
apresentados em congressos, monografi as, dissertações e teses, enciclopédias, 
etc. Já referências a leis; repertórios de jurisprudência; sentenças; contratos; 
anais legislativos; pareceres etc., constituem pesquisa documental. 
7) Forma de entrega 
No que se refere à escolha da forma de entrega, o aluno deve considerar 
a natureza do seu problema de pesquisa e seu(s) objetivo(s) com o trabalho. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 26
As formas monografi a e artigo científi co são parecidas. Qualquer proble-
ma jurídico pode ser comunicado nestes formatos. A diferença essencial de 
uma monografi a e um artigo científi co está na estrutura — a monografi a é 
estruturada em capítulos e costuma ser mais detalhada e extensa. Já o artigo 
é estruturado em tópicos ou seções e seu formato costuma ser mais conden-
sado, devendo seguir as recomendações para o periódico no qual será subme-
tido à publicação.
A escolha do formato projeto de lei implica que o problema de pesquisa 
seja baseado no diagnóstico de uma lacuna, falha ou imprecisão normativa. 
E não basta o aluno entregar o projeto de lei, é preciso que a entrega fi nal 
venha acompanhada de sua fundamentação (exposição de motivos), baseada 
em um diagnóstico. 
A forma parecer jurídico22 é utilizada quando o problema proposto de-
manda uma opinião jurídica fundamentada, destinada a subsidiar a tomada 
de decisão, seja em um caso concreto (judicial ou administrativo), ou em 
questões ou problemas jurídicos gerais. O importante é que, mesmo tendo-
se um cliente, o aluno faça uma análise crítica descomprometida, imparcial, 
mapeamento e sopesando opiniões doutrinárias e da jurisprudência, evitan-
do-se o enviesamento e o argumento de conveniência. 
E por fi m, a forma de fi lme jurídico pode ser utilizada quando o tema 
comporta a abordagem audiovisual. Aqui o aluno precisa considerar se o ví-
deo é adequado para responder ao seu problema de interesse e se ele dispõe 
ou terá acesso aos recursos técnicos para conduzir seu projeto (gravação, edi-
ção, etc.). Um exemplo de fi lme jurídico é Justiça, de Maria Augusta Ramos, 
lançado em 2004. 
UNIDADE II
CONDUÇÃO DA PESQUISA E COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS 
Nesta unidade, trataremos do desenvolvimento da pesquisa e da redação 
do TCC. Abordaremos três aspectos:
1) Equívocos comuns em trabalhos de conclusão de curso no Direito
2) A pesquisa bibliográfi ca e o processo de referenciação
3) Cuidados na comunicação dos resultados
É importante considerar que a trajetória que se segue na realização da 
pesquisa, após a redação do projeto de pesquisa nem sempre é previsível e 
controlável. Como afi rma Gil (2002), muitas vezes é preciso realizar ajustes e 
reformulações ao longo da pesquisa. 
A principal recomendação ao aluno que está em fase de planejar seu TCC é 
que se dedique bastante à formulação do problema de pesquisa e do(s) objetivo(s) 
22. Recomenda-se a consulta ao do-
cumento de redação de parecer jurí-
dico, da AGU, disponível em: http://
academico.direito-rio.fgv.br/ccmw/
images/f/f5/Regras_manifestaco-
es_juridicas_PRT_1399_ 2009_%2 
8AGU%29.pdf
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 27
que pretende alcançar, pois a defi nição clara e precisa da questão de pesquisa evi-
ta que o pesquisador se perca na realização da pesquisa que dará origem ao TCC, 
prevenindo-o também do distanciamento do(s) seu(s) objetivo(s).
Outra recomendação é a leitura e consulta de trabalhos de conclusão de 
curso já fi nalizados. Uma boa opção é a leitura da coleção Jovem Jurista — sé-
rie de publicações da FGV Direito Rio dos trabalhos ganhadores dos prêmios 
de melhor TCC. Há duas edições publicadas até o momento:
• TULLI, Carla Ribeiro; SANTOS, Carlos Victor Nascimento dos; 
ARRUDA, Daniel Sivieri; RIBEIRO, Gustavo Sampaio de Abreu; 
GAMA, Isabella Barros. Coleção Jovem Jurista. Rio de Janeiro: FGV 
Direito Rio, 2010. 300 p.
• BARATA, Beatriz Perisse; FERREIRA, Fernanda Fabregas; SILVA, 
João Paulo da Silveira Ribeiro da; SGANZERLA, Rogerio Barros. Co-
leção Jovem Jurista. Rio de Janeiro: FGV Direito Rio, 2011. 168p.
Uma dica na leitura desses trabalhos e de outras pesquisas, é que o aluno 
atente para os seguintes aspectos:
• Qual é o tema do trabalho? 
• Há um problema de pesquisa bem especifi cado?
• O autor deixa claro seu(s) objetivo(s)?
• Como o autor procedeu para responder ao seu problema e atin-
gir esse(s) objetivo(s)?
• O marco teórico- metodológico está bem defi nido? Ou seja, é 
possível identifi car a linha teórica a qual o autor se fi lia? Precisar 
os conceitos por ele utilizados? Saber o desenho de pesquisa por 
ele proposto? É possível identifi car as fontes de informação nas 
quais se baseou para o desenvolvimento das suas idéias?
• O autor atingiu o objetivo proposto?
O processo de pesquisa é um aprendizado, assim quando lemos pesquisas 
de outros autores, aprendemos com elas e podemos conseguir importantes 
dicas de como melhor delimitar e recortar nosso problema de pesquisa,como 
abordá-lo em termos teórico-metodológicos, etc.
1) EQUÍVOCOS COMUNS EM TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO NO DIREITO
Um texto de leitura obrigatória para os alunos desenvolvendo uma pesqui-
sa é o de Luciano de Oliveira (2004)23, “Não Fale do Código de Hamurabi”, 
escrito com base na experiência do autor como professor orientador e exami-
23. OLIVEIRA, Luciano (2004), “Não Fale 
do Código de Hamurabi”. In: Sua Exce-
lência o Comissário e outros ensaios de 
sociologia jurídica. Rio de Janeiro, Letra 
Legal 7 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 28
nador de dissertações e teses no Programa de Pós-Graduação em Direito da 
Universidade Federal de Pernambuco. Luciano de Oliveira identifi ca cinco 
principais problemas nos trabalhos acadêmicos na área do direito. Os cinco 
principais problemas a serem evitados são:
I. DISCURSO IDEOLÓGICO E JULGAMENTOS DE VALOR
É comum encontrar nos trabalhos jurídicos uma tendência ao discurso 
parcial, em defesa de uma causa — o “advogado da hipótese”. Um exemplo, 
são os trabalhos que ao apresentar um argumento e buscar sustentá-lo, olham 
apenas para um lado da questão, ignorando teses e mesmo jurisprudência 
contrária. Por exemplo, na discussão da constitucionalidade de uma prática 
ou lei discutir apenas com uma vertente da doutrina e apresentar apenas a ju-
risprudência que de sustentação ao argumento que se quer defender. Luciano 
Oliveira (2004) chama atenção para a necessidade de se manter a objetivida-
de no trabalho acadêmico jurídico. 
Como trabalho acadêmico, ele deverá jungir-se a alguns princípios que o 
presidem, como o da objetividade e, tanto quanto possível, o da sempre proble-
mática — mas no fi nal das contas e em alguma medida incontornável — neu-
tralidade axiológica. Isso não signifi ca dizer que o pesquisador seja um sujeito 
politicamente neutro; que ele não possa ter, desde o início do seu trabalho, um 
ponto de vista a defender. Apenas quer signifi car que, no momento de colher 
na realidade — jurídica ou sociológica, pouco importa — os elementos para 
sustentar o seu argumento, ele deverá adotar uma postura metodológica neu-
tra, condição indispensável para a elaboração de um trabalho que se pretenda 
minimamente científi co, sem a qual borraríamos qualquer diferença entre um 
trabalho acadêmico e o mero discurso ideológico... (Oliveira, 2004: 4)24
Chama atenção também para o uso de expressões como “o melhor di-
reito”, a melhor doutrina”, sem especifi car o parâmetro de comparação, ou 
pior, como argumento de autoridade (aspecto abordado no terceiro proble-
ma abaixo). 
II. MANUALISMO
A segunda grande crítica que o autor faz é com relação ao que chama de 
“manualismo”, ou seja, a tendência dos trabalhos abordarem temas de forma 
ampliada e se dedicarem exaustiva e redundantemente a descrever e defi nir os 
termos associados ao tema replicando manuais. 
24. O texto está disponível no link: 
h t t p : / / m o o d l e. s to a . u s p. b r / f i l e .
php/491/OLIVEIRA_Luciano_-.Nao_
fale_do_codigo_de_Hamurabi.pdf. 
Acesso 20/03/2011. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 29
Numa dissertação sobre o duplo grau de jurisdição, o seu autor dedica várias 
páginas a esmiuçar os chamados “efeitos” do mesmo, a saber: devolutivo, trans-
lativo e suspensivo... Para quê? Noutra, sobre o problema da lesão nos contratos, 
vinte e cinco páginas são gastas com um capítulo que parece diretamente extra-
ído de um livro didático sobre o assunto. O título do capítulo, aliás, é mais do 
que típico: “A Teoria Geral dos Contratos”. Como não poderia deixar de ser, 
nele se abordam tópicos como: conceito, evolução e importância dos contratos; 
elementos e características dos contratos; interpretação dos contratos — e por aí 
vai. (Oliveira, 2004: 4)
III. ARGUMENTO DE AUTORIDADE E REVERENCIALISMO
O argumento de autoridade é comum em peças processuais, mas quando 
se trata da redação de textos acadêmicos é vedado o uso de expressões do tipo 
“como preleciona fulano de tal”, “segundo o magistério de sicrano”.
Luciano Oliveira Cuidado com o argumento de retórica — não se pode 
concluir que se tem o melhor argumento por citar a melhor doutrina.
O que é a melhor doutrina? O que é a doutrina dominante? É preciso dar 
referências sempre, mas referências objetivas, não reverenciais. E se falo da 
doutrina dominante, tenho que dizer qual é esta doutrina e porque ela é do-
minante — refi ro-me a doutrina mais citada? Tudo bem, mas como sei que a 
doutrina “x” é a mais citada? Desde que se apresente referências e evidências, 
posso fazer esse tipo de afi rmação.
Contaminação talvez do estilo adotado no foro, onde é preciso convencer o 
juiz de que se está com o melhor direito (e, portanto, com a melhor doutrina...), 
trata-se de um verdadeiro “reverencialismo” expresso em fórmulas do tipo “como 
preleciona fulano de tal”, “segundo o magistério de sicrano” etc., típico de ad-
vogados preocupados antes em convencer com apelos a uma retórica “coim-
brã” do que em demonstrar com dados cuja força decorra da própria exposição. 
Defi nitivamente, é preciso que os juristas se convençam de que, ao escreverem 
um trabalho acadêmico, não podem tratar suas hipóteses de trabalho como se 
estivessem defendendo causas. (Oliveira, 2004: 7)
IV. INCORPORAÇÃO ACRÍTICA DE AUTORES
A referência aos autores e às obras que constituem o embasamento teórico 
do trabalho é fundamental, tanto no projeto de TCC, quanto no texto fi nal, 
o que inclui citações às obras. Dialogar com a literatura, especifi car o marco 
teórico, defi nir conceitos, etc., são etapas essenciais do trabalho de pesquisa. 
No entanto, é preciso ter cuidado com a seleção de autores e doutrinadores 
com os quais se vai trabalhar. Tanto no sentido de evitar contradições e inco-
erências das teses destes autores com o seu argumento geral, quanto no sen-
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 30
tido de evitar trabalhar com autores com perspectivas teórico-metodológicas 
incompatíveis. Luciano de Oliveira exemplifi ca:
Em trabalhos ligados ao direito penal, é, em primeiro lugar, praticamente 
obrigatória a referência a Beccaria — “o Copérnico da humanização do direito 
penal”. Mas muitas vezes cita-se também, quase lado a lado e sem transição 
crítica, um autor francês contemporâneo, de citação quase indispensável nos 
últimos tempos quando o assunto é prisão: Foucault. Ora, aí também toda cau-
tela é indispensável. Foucault é autor de uma crítica radical ao “humanismo” 
dos reformadores penais do século XVIII — em primeiríssimo lugar do próprio 
Beccaria —, em cujo discurso humanista ele via nada mais nada menos do que 
uma simples cantilena a encobrir o projeto de uma sociedade disciplinar. Essa 
é uma das teses fundamentais do seu provocador Vigiar e Punir. Nesse caso, 
citá-los sem maiores cuidados epistemológicos, é juntar coisas que, para usar 
uma expressão francesa bastante apropriada, “hurlent de se trouver ensemble”. 
(Oliveira, 2004: 15)
Além disso, deve-se tomar cuidado com as citações de segunda-mão (ou 
terceira, quarta... etc.) — o “apud”. Só utilize esse recurso quando não hou-
ver nenhuma possibilidade de consulta e leitura à obra original, e somente 
quando a fonte da qual será extraída a citação for confi ável. Pois nesse tipo 
de citação, corre-se o risco de descontextualizar o argumento do autor, e pior, 
reproduzir citação ou interpretação equivocada. A utilização desse recurso 
deve ser feita com parcimônia. 
V. EVOLUCIONISMO
O quinto problema destacado por Luciano Oliveira é o que dá origem ao 
título de seu artigo, “Não fale do código de Hamurábi”: o recurso ao evolu-
cionismo, ou seja, a realização de incursões históricas para explicar a origem 
de fenômenos recentes. Exemplifi ca o autor:
Num trabalho sobre justiça tributária, seu autor, em não mais do que meia 
página, faz um percursode milhares de anos que começa com os egípcios — 
“entre os quais já se falava em contribuição dos habitantes para com as despesas 
públicas de acordo com as possibilidades de cada um” —, passa naturalmente 
pelo império romano e, no parágrafo seguinte, já está no Brasil da Constituição 
de 1988, a qual, obviamente, proclama todas os princípios de justiça tributária 
que os egípcios já intuíam... No trabalho sobre a lesão nos contratos, já referido, 
o seu autor, discorrendo sobre a teoria da imprevisão, diz que ela já está bem 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 31
delineada no Código de Hamurábi: “Se alguém tem um débito a juros, e uma 
tempestade devasta o campo ou destrói a colheita...” etc. (Oliveira, 2004: 10)
Segundo Oliveira, o problema dessa abordagem é além do desuso, o uso 
inocente ao se recorrer a um universalismo a-histórico.
A dica ao aluno é: quando utilizar incursões históricas, perguntar-se (i) 
isso é importante para o seu argumento? e (ii) em que isso contribui para o 
seu argumento? 
Acrescentaríamos aos problemas destacados por Oliveira (2006), o uso de 
generalizações sem base empírica e a apresentação de afi rmações sobre o 
mundo sem comprovação ou respaldo de dados. Por exemplo, um trabalho 
que critica os prejuízos aos cofres públicos que determinada política pública 
provocou, DEVE apresentar evidências desse prejuízo. Um trabalho que ar-
gumenta que houve uma explosão de ações judiciais a partir de determinada 
alteração na legislação, DEVE apresentar dados que comprovem esse aumen-
to expressivo de ações.
2) A pesquisa bibliográfi ca e o processo de referenciação
2.1) ALGUMAS RECOMENDAÇÕES GERAIS
A pesquisa bibliográfi ca é etapa essencial em qualquer pesquisa. A primei-
ra consideração a ser feita na hora de realizar a pesquisa é selecionar as fontes 
de pesquisa, que devem ser confi áveis. Para garantir confi abilidade, uma re-
comendação é utilizar revistas indexadas.
Além disso, é preciso buscar publicações recentes, e incluir além de livros 
de autores consagrados na temática, trabalhos recentemente realizados, sejam 
artigos, TCCs, dissertações ou teses. Outra dica importante é consultar além 
do seu orientador, outros especialistas na área, fóruns e/ou centros de estudo 
na temática de interesse, para procurar bibliografi as mais atuais ou mesmo 
localizar pesquisas em andamento. 
Identifi cadas as fontes de pesquisa, o passo seguinte é estabelecer as pala-
vras-chave de busca: quais os termos a serem utilizados na hora de pesquisar. 
Estes termos não devem ser muito amplos, e devem guardar relação direta 
com o problema de pesquisa, mais do que com a temática geral, para delimi-
tar os resultados da busca. 
Reúna as referências dos trabalhos em uma lista (anotando todos os dados: 
autor, data da publicação, título da publicação, local de publicação, pagina-
ção, editora, etc.), para depois não se perder na hora de referenciar ou consul-
tar — sobre esse aspecto consultar o item 2.3. 
Selecionados os textos, para o processo de leitura recomenda-se que o aluno:
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 32
• Identifi que e liste as principais idéias e argumentos do autor; 
• Identifi que de qual perspectiva o autor aborda o tema e de que aspec-
tos trata; 
• Dialogue com estas idéias e argumentos, relacionando-os ao seu pro-
blema de pesquisa.
• Anote informações que possam ajudá-lo a pensar e refi nar tanto seu 
argumento quanto o seu enfoque metodológico.
2.2) ONDE REALIZAR PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
Muitas revistas jurídicas estão disponíveis online, podendo ser acessadas a 
partir de uma rápida consulta em um buscador como o Google - por exem-
plo, a Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro e a Justitia — Revista do 
MP de São Paulo. 
Embora o Google seja uma excelente ferramenta de busca, não se reco-
menda jogar as palavras-chave no buscador para localizar referencias, pois a 
quantidade de informação resultante pode ser muito grande, e isso demandar 
muito tempo para o pesquisador selecionar o que realmente interessa. Uma 
alternativa para aqueles que não tem muita certeza de onde pesquisar e gos-
tariam de fazer essa busca inicial mais ampla é utilizar o Google acadêmico, 
que já faz um fi ltro inicial no tipo de resultado.
Google Acadêmico
http://scholar.google.com.br/
Recomenda-se utilizar apenas para buscas gerais, 
quando a pesquisa for exploratória e estiver numa 
fase inicial.
Abaixo listamos alguns dos principais canais de pesquisa bibliográfi ca:
Biblioteca do Senado Federal
http://www2.senado.gov.br/bdsf/
A Biblioteca do Senado tem um dos maiores acervos catalo-
gados do Brasil. Além de ser uma excelente referência para 
pesquisa de bibliografi a, tem um acervo digital com cerca de 
174 mil documentos de interesse do legislativo. E no item 
SICON dá acesso a Agência Senado, Bibliotecas da RBVI, Cons-
tituinte, Discursos de Senadores, Legislação Federal, Matérias 
em tramitação no Senado Federal e recortes de jornais.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 33
Biblioteca da FGV
http://bibliotecadigital.fgv.br/site/bmhs/principal
Livros — Catálogo On line — Pesquisa rápida
 Periódicos — nem todos os periódicos estão catalogados 
(para pesquisar a produção de alguns ainda é necessário ir à 
biblioteca).
Periódicos que podem ser consultados pelo site da Biblioteca em qual-
quer computador dentro da FGV
Detalhando algumas dessas bases:
Periódicos CAPES
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)
Dá acesso a integra de 30 mil publicações periódicas nacionais e 
internacionais, incluindo diversas revistas de Direito.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 34
HeinOnline 
Acesso a mais de 1.100 títulos de periódicos, anuários e periódi-
cos de Direito Internacional — FILRD (desde o primeiro n.º até 
1 ano de embargo sobre as edições em curso), a cerca de 1.320 
obras clássicas do Direito e aos documentos ofi ciais da política 
externa dos Estados Unidos - FRUS (desde 1861 até ao presente)
Jstor
Coleção de publicações periódicas Arts & Sciences I, II, III, em 
texto integral, nas áreas da economia, história, ciência política, 
direito, fi nanças, sociologia, etc.
Além destas bases de pesquisa disponíveis via site da Biblioteca da FGV, 
há outras bases livres, destacamos quatro aqui:
Scielo
http://www.scielo.org/php/index.php 
A Scientifi c Electronic Library Online - SciELO é uma biblioteca 
eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos 
científi cos brasileiros.
Periódicos das Ciências Sociais, Economia e do Direito — incluin-
do a Revista Direito GV
CONPEDI
http://www.conpedi.org.br/
Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito. Con-
sultar Anais dos Congressos - ensino e pesquisa jurídica — dá 
acesso a integra dos textos apresentados nos encontros.
Social Science Research Network (SSRN) 
http://papers.ssrn.com/sol3/DisplayAbstractSearch.cfm 
É dedicada à rápida disseminação mundial de pesquisa em 
ciências sociais e é composta de uma série de redes de pesquisa 
especializadas em cada uma das ciências sociais.
Tratados das Nações Unidas 
http://papers.ssrn.com/sol3/DisplayAbstractSearch.cfm 
Base jurídica em texto integral com acesso à colectânea de Tra-
tados e Acordos Multilaterais, em vigor nos Estados-Membros da 
Organização das Nações Unidas e ao estado de todos os Trata-
dos Multilaterais depositados junto do Secretário-Geral (en, fr). 
Cobertura: 1944-2007.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 35
2.3) REGRAS PARA CITAÇÕES E REFERÊNCIAS E O FORMATO ABNT25
Na redação do texto acadêmico é fundamental a inclusão de citações à 
bibliografi a utilizada. Citações são menções de uma informação retirada de 
outra fonte, quer seja escrita ou oral, em qualquer suporte, para esclarecer,sustentar ou ilustrar o assunto em discussão — as citações podem ser diretas 
(reprodução literal do texto) ou indiretas (reprodução das ideias de outro 
autor, com redação própria, mantendo-se sua fi dedignidade). Em ambos os 
casos é preciso dar as referências da obra citada. Referências são os elementos 
padronizados descritivos de identifi cação da obra.
Tanto para fazer citações quanto para fornecer as referências dos trabalhos 
há normas a serem seguidas (ABNT). Resumimos abaixo as principais regras, 
mas recomendamos que sempre que houver dúvida, o aluno consulte direta-
mente as normas para elaboração de referências e citações da ABNT. 
CITAÇÕES 
Sempre que se realizar uma citação deve-se informar o(s) autor(es), a 
data de publicação (ano) e a(s) página(s) a que se refere a citação específi ca. 
As citações diretas de até três linhas devem ser inseridas no próprio parágra-
fo entre aspas duplas. Para as citações diretas mais extensas (acima de três 
linhas), deve-se utilizar parágrafo distinto, a 4cm da margem esquerda, com 
letra menor que a utilizada no texto e sem aspas. As citações longas devem ser 
digitadas em espaço simples, separadas dos parágrafos anterior e posterior por 
espaço duplo. Abaixo dois exemplos:
(slide preparado por Izabel Nunez)
25. Esse tópico foi organizado com base 
em material preparado por Izabel 
Nunez. 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 36
(slide preparado por Izabel Nunez)
Nas citações indiretas, a norma é inserir uma nota de rodapé ao fi nal da 
exposição do argumento, fazendo referência no decorrer do texto ao nome 
do autor. 
Segundo Ferraz1, foram as condições sociopolíticas do estado 
de direito burguês que deram sustentação, por um longo período, 
ao argumento da neutralidade política do Judiciário. Com a trans-
formação dessas condições a partir do advento do welfare state e da 
expansão das descobertas tecnológicas (“sociedade tecnológica”) 
os indivíduos são transformados em massa de consumidores, que 
passam a pressionar os poderes públicos na exigência de garantias 
de direitos sociais e de condições de acesso à cidadania.
1 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. (1994), “O Judiciário frente à divisão dos Poderes: um princípio 
em decadência?”, in Dossiê Judiciário, Revista da USP, SP/USP, janeiro/fevereiro/março.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 37
REFERÊNCIAS
• Livro
DINA, Angelo. A fábrica automática e a organização do trabalho. Pe-
trópolis: Vozes, 1987.
• Trabalhos acadêmicos do tipo TCC, dissertação ou tese
KRUSE, Maria Henriqueta Luce. Os poderes dos corpos frios: das coisas 
que se ensinam às enfermeiras. 2003. 157 f. Tese (Doutorado em Edu-
cação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul, Porto Alegre, 2003.
• Documento sem autoria em meio eletrônico (internet)
ELECTRONIC atlas of oral pathology. Califórnia: USC School of 
Dentistry, 2000. Disponível em:<http://www.usc.edu/hsc/dental/
PTHL501/>. Acesso em: 18 out. 2002.
• Artigo e/ou matéria de revista (impresso)
GOMES, Antonio. Modelos matemáticos para cálculos estruturais. Re-
vista Brasileira de Engenharia Civil, Rio de Janeiro, v.12, p.123-125, 
set./out., 1999.
• Artigo e/ou matéria de revista (eletrônico)
CARVALHO, Maurício Paiva. Estatísticas de desempenho escolar: 
o lado avesso. Educação & Sociedade, Campinas, v.22, n.77, dez. 2001. Dis-
ponível em:<http://www.scielo.br>. Acesso em: 04 de jun. de 2002.
• Legislação em meio eletrônico
BRASIL. Lei n.° 9887, de 7 de dezembro de 1999. Altera a legislação 
tributária federal. Diário Ofi cial da República Federativa do Brasil, Bra-
sília, DF, 8 dez. 1999. Disponível em: <http://www.in.gov.br/mp_leis/
leis_texto.asp?Id=LEI%209887>. Acesso em: 22 dez. 1999.
• Jurisprudência em meio eletrônico
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula n.° 14. Não é admissí-
vel, por ato administrativo restringir, em razão da idade, inscrição em 
concurso para cargo público. Disponível em: <http://www.truenetm.
comin.gov.br/mp_leis/leis_texto.asp?Id=LEI%209887>. Acesso em: 22 
dez, 1999.
Algumas dicas na hora de referenciar o material consultado são:
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 38
• Após TODA CONSULTA, anote os dados para não ter trabalho em 
coletá-los posteriormente na compilação das referências.
• Na consulta a periódicos não se esqueça de anotar o local de publica-
ção (cidade), volume ou ano, número ou fascículo e data (ano), assim 
como paginação.
• Se consultar documentos na Internet não se esqueça de anotar o en-
dereço eletrônico (URL) e a data de acesso.
• Se consultar documentos impressos, retire as informações necessárias 
à elaboração das referências, contidas, preferencialmente, na folha de 
rosto dos documentos.
• Caso não tenha dados completos para a elaboração das referências e 
nem acesso ao documento, os catálogos são fontes confi áveis para ob-
tenção destas informações: CATÁLOGO ON LINE DO SENADO
E por fi m, cabe mencionar algumas abreviações de expressões latinas uti-
lizadas nas citações:
• Apud = citado por, conforme, segundo.
• Et al. ou et alii = e outros (quando há citação de obra de mais de um 
autor)
• Cf. = confi ra, confronte. 
• Ibid., 1995, p. 190.Id. ou Idem = mesmo autor; igual a anterior. 
• Id., 1995, p. 20.Loc. cit. ou loco citato = no lugar citado. 
• loc. cit. Op. cit ou opus citatum ou opere citato = na obra citada. 
• Passim = aqui e ali; em vários trechos ou passagens.
• Et seq. ou sequentia =seguinte ou que se segue. 
• E.g. ou exempli gratia = por exemplo
• Sic = assim. 
3) Cuidados na comunicação dos resultados
O objetivo da comunicação acadêmica é o mesmo do que qualquer outra 
forma de comunicação: transmitir o seu pensamento, suas idéias ou argu-
mentos a outras pessoas. Busca-se na comunicação acadêmica convencer o 
leitor sobre o seu argumento.
Desta forma clareza, objetividade e consistência do texto são requisitos 
fundamentais. Um texto acadêmico procura não deixar margem a interpreta-
ções diferentes daquelas que o autor que comunicar.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 39
Um bom texto segue uma estrutura, uma seqüência lógica, com início, 
meio e fi m. Ou introdução, desenvolvimento do argumento (ou o corpo do 
trabalho) e conclusão. Esta é a estrutura mais simples. 
No início do trabalho, na introdução ou apresentação, deve-se ter o cui-
dado de explicitar qual é o problema e o(s) objetivo(s) da pesquisa e qual foi 
o caminho escolhido para responder a estes objetivos — isso guia o leitor e 
facilita a leitura do trabalho. 
É importante também o cuidado com o léxico, a linguagem utilizada deve 
ser clara e objetiva. Isso implica dizer que o “juridiquês” e os vícios de lin-
guagem jurídica devem ser evitados. 
Atenção para a estruturação do texto: clareza, objetividade e consistência 
(que implica em unidade, coerência e coesão).
• Unidade = interligação entre partes do texto
• Coerência = implica que idéias apresentadas não sejam contraditórias
• Coesão = implica que os elementos do texto, de cada frase, devem 
estabelecer os nexos entre as partes do texto em linguagem objetiva, 
suprimindo palavras desnecessárias (adjetivos e advérbios).
Um bom exercício de revisão do texto é para cada seção:
1) “O que quis dizer com isso?”
2) “ Por que é importante dizer isso?
3) “Este é o melhor local para dizer isso?”
Não há uma resposta rígida para o número de páginas que o texto deve ter, 
recomendando que o aluno utilize o bom senso. O número de páginas vai de-
pender do grau de especifi cidade dado ao problema de pesquisa, do número 
de capítulos e subdivisões em que se estruturar o texto. A recomendação da 
FGV Direito Rio tem sido de um mínimo de 25 e um máximo de 80 páginas 
(excluindo-se os elementos pré e pós textuais — capa, folha de rosto, sumá-
rio, referências bibliográficas, anexos, etc.). 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 40
CUIDADOS
I. Não enfeitar o pavão! Ou seja, não rebuscar o texto nem exagerar 
nos qualifi cativos, não exagerar procurando mostrar erudição. Diga 
apenas o necessário para demonstrar o que foi feito e demonstrar seu 
argumento.
II. Evitar o “juridiquês” — linguagem rebuscada, e jargões jurídicos.
III. Utilizar corretamente o português - atenção na gramática e na con-
cordância. 
IV. Não reinventar a roda! Ou seja, não ignore os trabalhos já realizados 
sobre o tema que você está estudando
V. Evitar “achismos” — é preciso fundamentar as posições e os argu-
mentos apresentados no texto.
VI. SEMPRE CITAR FONTES - dar crédito quando citamos as idéias 
de outros autores — ainda que indiretamente. CUIDADO COM O 
PLÁGIO! 
UNIDADE III
EXEMPLOS DE PROJETO DE PESQUISA
Nesta unidade trazemos três projetos de pesquisa para leitura e análise da 
sua estrutura e dos elementos que o compõem. Note-se que os projetos foram 
escritos para instituições distintas, assim, a estrutura que eles seguem refere-
se ao solicitado por essas instituições, e num momento do tempo específi co.
Dois dos projetos são de autoria de professores da escola, e já é possível ter 
acesso às publicações a que eles deram origem. Os outros dois projetos são de 
autoria de alunos que estão em fase da fi nalização do TCC. 
A idéia dessa unidade é ler cada um dos projetos e analisá-los a partir do 
seguinte roteiro:
1) Qual é o tema da pesquisa?
2) Qual é o problema de pesquisa?
3) Qual é o objetivo geral da pesquisa? Há objetivos secundários (es-
pecífi cos)?
4) O projeto apresenta hipótese(s) de pesquisa? Há hipótese implícita?
5) Qual é a metodologia proposta?
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 41
É possível identifi car?
• Tipo de pesquisa 
• Objeto e universo de interesse 
• Tipo de dados 
• Fonte de dados, técnica de coleta e operacionalização 
• Forma de análise dos resultados
6) Qual a justifi cativa da pesquisa?
7) O projeto apresenta ou permite identifi car os elementos essenciais 
trabalhados neste material didático, quais sejam: 
• Título
• Área de pesquisa 
• Tema (assunto)
• Problema: enfoque, recorte, questão de partida
• Objetivos: rumo da pesquisa, esclarece o que se pretende investigar, 
indicando qual o propósito que pretende-se alcançar com pesquisa 
(metas)
• Justifi cativa: razões que motivam o estudo (relevância, contribuição 
que trabalho trará: teórica, prática, etc.)
• Revisão bibliográfi ca: estado da arte, o histórico sobre o tema; atua-
lização; fonte de respostas ao problema formulado; evita repetição de 
trabalhos já realizados.
• Hipótese(s) ou pressuposto(s) - pré-solução para o problema levan-
tado
• Metodologia — caminho que será seguido para responder a ques-
tão proposta.
• Plano de exposição (estrutura) - Previsão de sumário 
• Cronograma - sequência da investigação ao longo do tempo
• Referências bibliográfi cas - dos livros e artigos científi cos (regras 
ABNT)
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 42
Projeto 1 
Trata-se de uma proposta de parceria para desenvolvimento de pesquisa em edital 
proposto pela SAL - Ministério da Justiça. 
Título do projeto: “Medidas Assecuratórias no Processo Penal” 
Autor: Thiago Bottino 
Data: março de 2009 
Os resultados da pesquisa foram publicados na SÉRIE PENSANDO O DIREITO 
Nº 25/2010 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROJETO PENSANDO O DIREITO 
Proposta de parceria para desenvolvimento de pesquisa em tema jurídico considerado 
prioritário pelo Ministério da Justiça. 
 
ATIVIDADES PLANEJADAS 
Coordenação de grupo de pesquisa e elaboração de relatório. Respostas às questões 
técnicas formuladas pela Secretaria de Assuntos Legislativos 
 
ÁREA TEMÁTICA 
MEDIDAS ASSECURATÓRIAS NO PROCESSO PENAL 
 
Março de 2009 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 43
S U M Á R I O 
 
1) PROJETO DE PESQUISA ........................................................................................ 50 
1.1) Objeto do projeto........................................................................................................... 50 
1.2) Considerações sobre as medidas assecuratórias patrimoniais....................................... 51 
1.3) Institutos de constrição patrimonial existentes no direito processual penal 
brasileiro ............................................................................................................................... 53 
1.4) Lavagem de dinheiro e cooperação internacional ......................................................... 56 
1.5) Diretrizes propostas pela SAL e especificação das ações que serão desenvolvidas ..... 60 
1.5.1) Diagnóstico da eficácia das atuais medidas assecuratórias existentes no 
processo penal e dos resultados indenizatórios da ação civil ex delicto;...................... 60 
1.5.2) Mapeamento das propostas relacionadas ao tema proposto, em tramitação no 
Congresso Nacional...................................................................................................... 61 
1.5.3) Elaboração de proposta de alteração legislativa sobre novas medidas 
assecuratórias, de modo a garantir a indenização da vítima ou perdimento dos bens 
em favor da Fazenda Pública sem violação de garantias constitucionais..................... 62 
1.5.4) Outros pontos que deverão ser abordados:......................................................... 62 
1.5.5) Métodos e técnicas de pesquisa.......................................................................... 63 
1.6) Resumo das propostas do projeto de pesquisa .............................................................. 64 
1.7) Seleção bibliográfica preliminar ................................................................................... 66 
2) CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO ...................................................................... 69 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 44
 
1 1 – PROJETO DE PESQUISA 
1.1) Objeto do projeto 
O Edital para seleção de projetos (Convocação nº 01/2009) da Secretaria de Assuntos 
Legislativos do Ministério da Justiça especifica como objeto de pesquisa as “Medidas 
Assecuratórias no Processo Penal”. 
 
Contudo, há uma grande variedade de medidas cautelares de cunho assecuratório 
pertinentes ao processo penal, as quais incidem sobre a liberdade de locomoção 
(comparecimento periódico em juízo; proibição de acesso ou de freqüência a 
determinados lugares; proibição de manter contato com pessoa determinada; proibição 
de se ausentar do país; suspensão do exercício de função pública ou de atividade de 
natureza econômica ou financeira; fiança, liberdade provisória e prisão), sobre a 
intimidade (busca pessoal e busca domiciliar, que também tem caráter investigativo), 
sobre o devido processo legal (reconhecimento de pessoas e coisas, produção 
antecipada de provas e exames periciais) e ainda medidas que afetam diretamente o 
patrimônio do sujeito investigado ou acusado (sequestro, arresto, hipoteca legal, 
restituição de coisas apreendidas e incidente de destruição de bens). 
 
Ao traçar as diretrizes temáticas que nortearão a pesquisa sobre as Medidas 
Assecuratórias no Processo Penal, o Edital demonstra preocupação especial com as 
medidas assecuratórias incidentes sobre o patrimônio, em dois eixos principais: (1) 
bens de origem ilícita ou utilizados para a prática ilícita e (2) bens que servirão para 
reparação do dano causado à vítima do crime. 
 
Nessa linha de consideração, a FGV DIREITO RIO apresenta proposta de parceria paradesenvolvimento de pesquisa sobre as medidas assecuratórias no processo penal 
incidentes sobre o patrimônio do investigado ou acusado, abrangendo as etapas de 
identificação, avaliação, constrição, guarda, gestão, administração, inversão de domínio 
e alienação de bens obtidos com os proveitos da infração, utilizados para sua prática ou 
destinados a ressarcir o dano causado. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 45
 
Não obstante, caso o presente projeto seja selecionado e a Secretaria de Assuntos 
Legislativos do Ministério da Justiça manifeste interesse em ampliar o escopo da 
pesquisa, a equipe desde já se coloca disponível para apresentar uma proposta 
complementar de projeto. 
 
1.2) Considerações sobre as medidas assecuratórias patrimoniais 
 
A teoria geral do processo classifica os provimentos judiciais em cognitivo, executório e 
cautelar, todos três aplicáveis ao Direito Processual Penal. O processo de conhecimento 
destina-se à resolução do litígio que é apresentado ao juiz. Nele, as partes apresentam 
suas postulações e produzem prova de suas alegações, buscando influir no 
convencimento do juiz, o qual, ao final proferirá a sentença, julgando procedente ou 
improcedente a acusação. 
 
O processo de execução visa a dar efetividade, no mundo dos fatos, à sentença que 
julgou o processo de conhecimento e aplicar as disposições legais necessárias à 
ressocialização do detento. Uma vez transitada em julgado a sentença penal 
condenatória, também serão executadas as medidas decorrentes da condenação: (a) 
indenização do dano causado pelo crime; e, (b) perda em favor da União dos 
instrumentos do crime e do produto do crime (aí considerado qualquer bem ou valor que 
constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso). 
 
Finalmente, o provimento cautelar tem por objeto a adoção de medidas urgentes e 
provisórias que garantam a utilidade da sentença que será proferida no processo de 
conhecimento. 
 
No que tange aos efeitos patrimoniais da condenação, acima referidos, é especialmente 
relevante o aperfeiçoamento do processo cautelar e das medidas assecuratórias para 
garantir maior agilidade, eficácia e segurança jurídica. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 46
 
Isso porque a atividade cognitiva desenvolvida no processo de conhecimento, sobretudo 
no processo criminal, demanda tempo. É necessário que se assegure ao réu o direito de 
se defender; é imprescindível que as provas sejam produzidas sob o contraditório, 
dando-se às partes o direito de contraprova; terminada a instrução, deve-se conceder às 
partes oportunidade de formularem suas alegações sobre as questões de fato e de direito 
envolvidas e sobre o conjunto probatório produzido; proferida, finalmente, a sentença, 
abre-se a possibilidade de impugná-la no tribunal. 
 
Contudo, o transcurso do tempo pode acabar tornando inócuas as medidas 
assecuratórias decretadas. A falta de instrumentos jurídicos adequados pode 
comprometer a eficiência da medida. Pode-se citar como exemplos de ineficiência a 
depreciação de um automóvel ou computador, o comprometimento de um imóvel 
devido à falta de pagamento de IPTU e cota condominial, além dos altos os custos 
decorrentes da guarda de um barco ou aeronave. 
 
Segue daí a constatação de que são oportunas pesquisas que apontem medidas mais 
eficientes de guarda, gestão, administração, inversão de domínio e alienação de bens 
obtidos com os proveitos da infração, utilizados para sua prática ou destinados a 
ressarcir o dano causado. Uma das hipóteses aventadas no edital é a utilização de bens 
apreendidos pelo Estado. 
 
Para enfrentar esses desafios é preciso pensar meios de aperfeiçoar a legislação de modo 
a conferir ao provimento cautelar um processo de cognição ampliada, ao invés da 
cognição sumária atual, mas sem perder o caráter instrumental em relação ao processo 
principal. O objetivo é estabelecer parâmetros claros e capazes de reverter as medidas 
jurídicas de blindagem patrimonial geralmente empregadas pelos criminosos para 
salvaguardar o produto do crime ou para evitar o ressarcimento do dano. 
 
Por outro lado, não se pode olvidar que o “custo” do sistema punitivo estatal pesa sobre 
todos e não apenas sobre os culpados. Afinal, também os inocentes podem ser, como de 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 47
fato são, submetidos às agruras de um processo criminal. Constituindo o direito penal a 
mais violenta expressão do poder estatal sobre a liberdade individual, a aplicação de 
medidas cautelares restritivas de patrimônio somente é justificada quando caracterizada a 
imperiosa necessidade. 
 
Dessa forma, os procedimentos cautelares devem respeitar diretrizes gerais concernentes 
às garantias individuais (como a presunção de inocência, a ampla defesa e o 
contraditório), e diretrizes específicas decorrentes da sua natureza cautelar como, por 
exemplo: a legalidade das medidas (existência de expressa previsão legal ao invés da 
construção de institutos por meio do assim chamado “poder geral de cautela” do juiz 
criminal), existência de graves indícios de culpabilidade (e não apenas simples 
indícios), inadmissibilidade de aplicação automática das medidas (ausência de 
fundamentação no caso concreto), adequação e proporcionalidade das medidas e 
intangibilidade de outros direitos não relacionados à medida cautelar. 
 
1.3) Institutos de constrição patrimonial existentes no direito processual 
penal brasileiro 
 
As medidas assecuratórias patrimoniais hoje existentes são o sequestro, a hipoteca legal e 
o arresto, todas disciplinadas no Código de Processo Penal nos arts. 125 a 144. 
Especificamente para o crime de lavagem de dinheiro, esses mesmos institutos são 
aplicados de forma diferenciada. Atualmente, o Estado pode lançar mão de medidas 
cautelares que restrinjam a disponibilidade do patrimônio do indivíduo apenas em duas 
hipóteses: quando tais bens tiverem sido obtidos com os proventos da infração, ou quando 
houver requerimento do ofendido para que tais bens sirvam de caução à futura ação de 
responsabilidade civil. 
 
No primeiro caso (bens obtidos com os proventos da infração), é cabível a medida de 
sequestro. O sequestro poderá ser decretado na fase policial ou judicial, pelo juiz, a 
pedido do Ministério Público, da autoridade policial ou do ofendido – a lei prevê a 
decretação de ofício, embora tal medida seja criticada por violar o sistema acusatório 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 48
previsto na Constituição de 1988 –, afetando bens imóveis mesmo quando já transmitidos 
a terceiros. Decretado o sequestro de um apartamento, por exemplo, será procedida a 
averbação no registro de imóveis. Não há impedimento legal de que o sequestro recaia 
sobre bens móveis ou ativos financeiros, no caso de haver indícios de que são fruto do 
crime imputado ao réu. 
 
A segunda hipótese de aplicação de medida assecuratória patrimonial é aquela que se 
destina a garantir a eficácia da obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (a 
garantia do ressarcimento do dano alcança também as despesas processuais e as penas 
pecuniárias, mas a reparação do dano ao ofendido é preferencial). Para cumprir essa 
finalidade, aplicam-se os institutos da hipoteca legal e do arresto. 
 
A hipoteca legal só poderá ser requerida pelo ofendido na fase processual, não sendo 
admitida na fase de inquérito, e mesmo assim só é cabível nos casos em que a 
materialidade seja incontestável. Ela recai somente sobre bens imóveis. Nessa hipótese, o 
ofendido deverá apontaro valor estimado da responsabilidade civil e os bens imóveis que 
deverão ser hipotecados para essa finalidade (o pedido deverá ser instruído com 
elementos que demonstrem o acerto da avaliação da responsabilidade, como laudo 
técnico, contábil ou outra prova). Com base nesse pedido, é realizada uma avaliação 
judicial do valor da responsabilidade e dos imóveis e, ouvidas as partes, decretada a 
hipoteca legal dos bens. Tal como no sequestro, é realizada a averbação no registro de 
imóveis. 
 
O arresto poderá ocorrer em duas situações: a) como medida preparatória para a hipoteca 
legal, caso em que serão arrestados os bens imóveis até a realização do pedido de hipoteca 
legal, no prazo máximo de quinze dias; ou b) como medida autônoma, semelhante à 
hipoteca legal, mas recaindo sobre os bens móveis do acusado, caso este não possua bens 
imóveis. 
 
A lei prevê que o terceiro de boa-fé atingido pela medida constritiva pode opor embargos 
objetivando sua liberação. Contudo, tais embargos só são julgados após o trânsito em 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 49
julgado da sentença condenatória, o que cria grande insegurança jurídica. Fora dessa 
hipótese, a liberação dos bens só ocorrerá se for prestada caução ao juízo em valor 
equivalente ao do bem ou se a ação penal for encerrada (absolvição ou extinção da 
punibilidade). 
 
Os requisitos legais para a decretação das medidas assecuratórias patrimoniais também 
devem ser objeto de estudo específico. Hoje, a lei exige a presença de indícios veementes 
da proveniência ilícita dos bens para a decisão de sequestro. 
 
O art. 239, do CPP conceitua indício como sendo “a circunstância conhecida e provada, 
que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou 
outras circunstâncias”. Trata-se de exigência mais difícil de ser suprida do que as 
exigíveis para outras medidas cautelares mais gravosas como a busca e apreensão (que 
exige apenas fundadas razões) e a própria prisão preventiva (que exige apenas indícios 
suficientes). 
 
Após o trânsito em julgado da sentença condenatória, os bens sequestrados serão 
avaliados e vendidos em leilão público, aplicando-se aos valores obtidos a regra do art. 
91, II, do CP (perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de 
boa-fé). 
 
No caso dos bens hipotecados ou arrestados, eles serão encaminhados ao juiz cível após o 
trânsito em julgado da sentença condenatória. Será no âmbito da jurisdição civil que a 
vítima deverá processar o condenado a fim de que seja reparado o dano causado (ação 
civil ex-delicto). Com a reforma do Código de Processo Penal pela Lei nº 11.719/2008, o 
juiz deverá, quando condenar o réu, fixar o valor mínimo da indenização. Essa medida, no 
entanto, não representa nenhum ganho em termos de celeridade processual, já que não 
desobriga a vítima de ajuizar nova ação, agora no âmbito civil, para aumentar o valor da 
indenização e executar o julgado. 
 
Sempre que os bens seqüestrados ou arrestados forem coisas fungíveis e facilmente 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 50
deterioráveis, o juiz poderá determinar que os bens sejam avaliados e levados a leilão 
público, fazendo o depósito judicial do dinheiro apurado. Se tais bens estiverem na posse 
de terceiro de boa-fé, este poderá ficar como fiel depositário, assinando termo de 
responsabilidade. Se os bens arrestados não forem fungíveis nem deterioráveis, deverão 
ser aplicadas as regras de processo civil relativas ao depósito e à administração dos bens. 
Esse sistema de medidas assecuratórias patrimoniais foi estabelecido em 1941, quando da 
edição do Código de Processo Penal, com reforma meramente cosmética em 2006 que 
modificou apenas a nomenclatura dos institutos. É patente a necessidade de 
modernização da legislação para acompanhar a evolução social, econômica e tecnológica 
ocorrida no período. Diversos mecanismos mais céleres e eficazes encontram-se hoje 
disponíveis para utilização pelo Judiciário, mas que enfrentam resistência em razão da 
falta de previsão legal da sua utilização. 
 
Além disso, é lícito supor que a simplificação do procedimento e a previsão de novas 
medidas relacionadas à identificação, avaliação, constrição, guarda, gestão, 
administração, inversão de domínio e alienação de bens garantam maior economia 
processual e eficiência. Por outro lado, tais medidas também deverão incorporar em sua 
sistemática o respeito às garantias individuais, notadamente a presunção de inocência e o 
prazo razoável de duração do processo. 
 
1.4) Lavagem de dinheiro e cooperação internacional 
 
Considerando que o estudo de “medidas de detecção de ‘laranjas’ e comprovação de sua 
vinculação com o indiciado ou réu” é uma das diretrizes de pesquisa, torna-se 
indispensável que as medidas assecuratórias sejam estudadas sob o ângulo do combate à 
lavagem de capitais. 
 
Com a internacionalização do crime organizado em meados da década de 1980, 
especialmente do tráfico de drogas, foi percebida a necessidade de mudar a forma de 
combater a criminalidade: não bastava prender os criminosos, já que, em uma estrutura 
organizada, eles eram rapidamente substituídos por outros na cadeia de comando da 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 51
organização. Era necessário estrangular as fontes de recursos dessas organizações. É 
nesse contexto que surge o combate à lavagem de dinheiro. 
 
A tipificação do crime de lavagem ocorreu após o compromisso firmado pelo Brasil no 
âmbito internacional de repressão dessa conduta, por ocasião da Convenção de Viena, 
de 1988, introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 1991 (Decreto Legislativo 
nº 162, de 1991). Trata-se do primeiro documento jurídico preocupado especificamente 
com a identificação e criminalização dos agentes que atuassem convertendo bens ilícitos 
em bens aparentemente lícitos. 
 
O crime de lavagem de capitais consiste na conduta de quem oculta ou dissimula a 
origem de bens, direitos ou valores provenientes de crime. Haverá lavagem de capitais 
ainda na ocultação localização, movimentação, propriedade ou origem desses valores ou 
ainda na conduta de quem, sabendo serem tais valores produto de crime, os transforma 
em ativos lícitos, os negocia, movimenta, guarda ou transfere, ou mesmo os utiliza na 
atividade econômica ou financeira. Por fim, a lei também criminaliza como lavagem a 
participação em grupo, associação ou escritório cuja atividade principal ou secundária é 
dirigida para a prática desses crimes. 
 
O processo de lavagem de capitais conhece três momentos distintos, também chamados 
de “fases da lavagem”: o da ocultação, o da dissimulação (ou lavagem propriamente 
dita) e o da transmutação dos valores ilícitos em lícitos. 
 
A ocultação, também chamada de “fase de colocação”, corresponde às ações dos 
criminosos que visam a afastar de si os valores ilicitamente obtidos, geralmente 
aplicando-os em estabelecimentos que lidam com grande volume de dinheiro, sejam 
eles empreendimentos tradicionais (restaurantes, hotéis, bares, bingos), ou mesmo 
instituições financeiras (bancos, casas de câmbio, corretoras de ações). Quando utilizam 
instituições financeiras, os criminosos realizam o fracionamento de depósitos em uma 
mesma conta, de modo a iludir os instrumentos de controle. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 52
A fase de dissimulação corresponde ao acobertamento da operação de colocação e à 
ruptura definitiva dos laços que unem o dinheiro ilícito aos seus titulares por meio de 
diversas operaçõesfinanceiras sucessivas, impedindo que se restabeleça o vínculo desde 
sua origem. 
 
Tais operações geralmente envolvem instituições financeiras nacionais e internacionais, 
notadamente os paraísos fiscais (assim chamados os Estados em que o sigilo das 
informações bancárias é fortemente resguardado), revelando uma construção complexa 
e sofisticada. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação, essa fase tornou-se 
mais rápida e mais fácil de ser implementada. Quanto maior o número de operações 
para acobertar a origem criminosa do capital, maior será seu “grau de pureza”. 
 
Por fim, temos a fase de integração, quando os ativos ilícitos, já com sua origem 
criminosa encoberta, são transformados em valores aparentemente lícitos. Essa 
transformação ocorre por meio do investimento dos valores em empresas lícitas de 
modo que os negócios dessas empresas apresentem resultados legítimos. 
 
Devido à dificuldade de identificar a origem e movimentação desses recursos, foi 
necessário engajar diversos setores da sociedade, denominados entidades ou setores 
obrigados, instituindo o dever de comunicar operações suspeitas sem que os 
interessados sejam comunicados (tipping off). 
 
Isso ocorre para evitar que esses mudem de instituição, dificultando seu rastreamento, 
ou retirem os recursos do sistema financeiro. Em outras palavras, os setores obrigados 
(bancos, corretoras de valores, imobiliárias, joalherias, entidades de previdência, fundos 
de investimentos, etc) passaram a ter que identificar a origem dos recursos neles 
aportados e a comunicar às autoridades as movimentações que considerassem suspeitas. 
 
Essas comunicações são endereçadas ao Conselho de Controle de Atividades 
Financeiras (COAF), criado pela Lei nº 9.613/1998 no âmbito do Ministério da Fazenda 
com a finalidade disciplinar, receber, examinar e identificar ocorrências suspeitas de 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 53
atividade ilícitas relacionada à lavagem de dinheiro. Uma vez recebidas, tais 
informações ficam registradas por tempo indeterminado no seu sistema de informações, 
o SISCOAF. O COAF não tem poderes de investigação e não tem acesso às contas ou 
investimentos das pessoas. Trata-se de um órgão de prevenção e não de repressão, cuja 
finalidade é auxiliar as autoridades nos casos de investigação de crimes financeiros. 
 
Outro órgão estatal que está articulado com o combate à lavagem de dinheiro é o 
Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), 
subordinado ao Ministério da Justiça, criado em fevereiro de 2004. Por meio da 
articulação entre diferentes órgãos do governo e da sociedade, o DRCI busca repatriar 
os ativos enviados ao exterior de forma ilícita e os valores oriundos de atividades 
criminosas. 
 
Trata-se de órgão cuja atuação será potencializada com o desenvolvimento de medidas 
assecuratórias mais eficientes. Além disso, o DRCI é responsável pela negociação de 
acordos internacionais de cooperação jurídica internacional, tanto em matéria penal 
quanto em matéria civil. 
 
A cooperação internacional é um tema de extrema relevância quando se trata de 
medidas assecuratórias patrimoniais relacionadas a delitos financeiros. Devido ao 
desenvolvimento das redes de informática e de telecomunicações, os fluxos de capitais 
se tornaram extremamente voláteis e praticamente instantâneos. As medidas de 
constrição patrimonial que vierem a ser pensadas para o Brasil não podem ignorar as 
medidas similares hoje em prática no mundo. 
 
Sobretudo no âmbito do MERCOSUL, em que já há um protocolo de assistência 
jurídica mútua em assuntos penais (assinado em 25/06/1996 e internalizado no 
ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 3.468, de 17/05/2000), é fundamental 
que se busque o desenvolvimento de medidas capazes de serem implementadas nos 
países do bloco, criando mecanismos regionais de identificação, avaliação, constrição, 
guarda, gestão, administração, inversão de domínio e alienação de bens obtidos com os 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 54
proveitos da infração, utilizados para sua prática ou destinados a ressarcir o dano 
causado. 
 
1.5) Diretrizes propostas pela SAL e especificação das ações que serão 
desenvolvidas 
 
O Anexo I do Edital para seleção de projetos (Convocação nº 01/2009) estabelece 
diretrizes temáticas que deverão orientar a pesquisa. No caso das medidas 
assecuratórias, são propostas quatro diretrizes de pesquisa. Para melhor compreensão da 
presente proposta, optou-se por relacionar as diretrizes e expor, em seguida, as ações 
sugeridas para o alcance dos objetivos propostos. 
 
1.5.1) Diagnóstico da eficácia das atuais medidas assecuratórias existentes no 
processo penal e dos resultados indenizatórios da ação civil ex delicto; 
Não se tem conhecimento de nenhum estudo empírico recente que tenha avaliado a 
eficácia das medidas constritivas de bens. Não obstante, sabe-se que o Conselho da 
Justiça Federal desenvolveu estudos e que o Conselho Nacional de Justiça trabalha 
atualmente na criação de um cadastro nacional de bens atingidos por medidas 
constritivas de patrimônio. 
 
Além disso, também é possível analisar o funcionamento das cautelares patrimoniais 
por meio da pesquisa jurisprudencial relativamente ao funcionamento prático dos atuais 
mecanismos de constrição patrimonial. Esse método permite investigar se as medidas 
decretadas são mantidas, quais as exigências dos tribunais para mantê-las e eventuais 
modificações do teor literal da lei a partir da interpretação (como a ampliação do prazo 
máximo de 60 ou 120 dias, constante do CPP e da Lei nº 9.613/98, respectivamente). 
 
• Exame da jurisprudência nos tribunais superiores (Supremo Tribunal Federal e 
Superior Tribunal de Justiça) relativamente ao funcionamento prático dos atuais 
mecanismos de constrição patrimonial; 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 55
• Estudo dos dados disponibilizados pelo Centro de Estudos Judiciários (CEJ) do 
Conselho da Justiça Federal (CJF) relativamente à aplicação da Lei de lavagem 
de capitais (Lei nº 9.613/98); 
• Estudo do relatório a ser elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça sobre o 
cadastro nacional de bens apreendidos; 
• Levantamento dos convênios e instrumentos jurídicos envolvendo órgãos 
públicos relacionados às medidas assecuratórias (v.g., convênio Bacen-Jud); 
• Pesquisa do impacto da modificação legislativa introduzida pela Lei nº 
11.719/2008 que previu a fixação de valor mínimo para reparação de danos 
causados pela infração (Art. 387, IV); 
• Estudo das medidas levadas a efeito pelo Departamento de Recuperação de 
Ativos do Ministério da Justiça (DRCI). 
 
1.5.2) Mapeamento das propostas relacionadas ao tema proposto, em tramitação 
no Congresso Nacional. 
Trata-se de medida de especial relevância a fim de aproveitar toda a produção 
legislativa sobre o tema. Permitirá, ademais, apresentar o estado atual da discussão no 
Congresso Nacional. 
• Utilização das ferramentas de pesquisa disponíveis nos sítios institucionais da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal; 
• Contato direto com Deputados e Senadores integrantes das Comissões 
permanentes, temporárias ou especiais relacionadas ao tema: 
o Na Câmara: Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, Segurança 
Pública e Combate ao Crime Organizado; 
o No Senado: Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, Comissão de 
Juristas com a finalidade de elaborar projeto de Código de Processo 
Penal; 
• Contato direto com as lideranças dos partidos no Congresso Nacional; 
• Elaboração de tabela contendo informaçõessobre autoria da proposta, evolução 
do processo legislativo, modificações, emendas e substituições. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 56
1.5.3) Elaboração de proposta de alteração legislativa sobre novas medidas 
assecuratórias, de modo a garantir a indenização da vítima ou perdimento dos 
bens em favor da Fazenda Pública sem violação de garantias constitucionais. 
Objetivo de grande importância no trabalho, a proposta deverá considerar não 
apenas os aspectos identificados como pouco funcionais das atuais medidas (item 1.5.1) 
e o atual panorama das propostas que deverão ser aglutinadas (item 1.5.2), mas, 
sobretudo, os pontos destacados pela Secretaria de Assuntos Legislativos no Anexo I do 
Edital (item 1.5.4). 
• Estudo da doutrina brasileira – pesquisa e revisão bibliográfica do tema; 
• Estudo comparado da legislação de outros países que tenham sistema de 
garantias individuais semelhantes ao brasileiro. 
• Estudo comparado do protocolo de assistência judicial em matéria penal do 
MERCOSUL e o equivalente no âmbito europeu buscando a uniformização dos 
procedimentos e, quiçá, uma padronização capaz de ensejar uma normativa 
global; 
• Levantamento e exame dos documentos de cooperação jurídica internacional 
firmados pelo Brasil sobre o tema (incluindo os que já estão em vigor e aqueles 
que ainda não foram internalizados no ordenamento jurídico); 
• Exame das metas estabelecidas pela ENCCLA (Estratégia Nacional de Combate 
à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro) no período de 2004 a 2009 relacionadas 
com o aprimoramento das medidas assecuratórias patrimoniais; 
• Por fim, aventa-se a proposta de elaboração e aplicação de questionário a juízes 
federais de varas especializadas em lavagem de capitais com perguntas 
destinadas a identificar as principais dificuldades práticas relacionadas ao tema. 
 
1.5.4) Outros pontos que deverão ser abordados: 
(i) instrumentos e medidas de detecção de “laranjas” e comprovação de sua 
vinculação com o indiciado ou réu; 
• Levantamento das ações desenvolvidas pelo Gabinete de Gestão Integrada de 
Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro (GGI-LD); 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 57
• Estudo das medidas levadas a efeito pelo Departamento de Recuperação de 
Ativos do Ministério da Justiça (DRCI); 
 
(ii) extinção de domínio de bens em favor da Fazenda Pública, ainda que não 
identificado seu proprietário; (iii) alienação antecipada de bens apreendidos; 
• Ampliação do âmbito de cognição do processo cautelar dotando-o de 
instrumentos capazes de avaliar com maior grau de profundidade a questão da 
proveniência do bem ou a responsabilidade civil, viabilizando uma solução 
definitiva anterior ao trânsito em julgado da decisão no processo de 
conhecimento. 
 
(iv) uso de bens apreendidos pelos órgãos responsáveis pela persecução penal. 
• Elaboração de instrumentos legais que permitam a inversão temporária e 
definitiva do domínio e viabilizem a utilização dos bens, abandonando a prática 
atual que não tem base na lei, mas num abstrato e ilimitado “poder geral de 
cautela” do juiz criminal. 
 
1.5.5) Métodos e técnicas de pesquisa 
A metodologia da pesquisa se vale de três etapas, uma utilizando análise bibliográfica 
(abordagem teórica e legal), uma utilizando técnicas de pesquisa empírica e uma 
utilizando técnica de redação legislativa e sistematização de medidas legislativas em 
vigor e em discussão no Congresso Nacional. 
 
A primeira tratará de análise doutrinária e legal sobre as normas que lidam com o tema, 
incluindo o estudo jurisprudencial e de direito comparado As fontes de pesquisa serão, 
portanto, a legislação vigente e a produção doutrinária sobre o tema. Paralelamente, será 
feito um estudo comparado sobre medidas cautelares em outros países e em blocos 
regionais (sistema europeu). 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 58
A segunda etapa, concomitante à primeira, tratará do diagnóstico da eficácia das atuais 
medidas assecuratórias existentes no processo penal e dos resultados indenizatórios da 
ação civil ex delicto. Destaca-se aqui, além do material disponibilizado pelo Conselho 
da Justiça Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça, também o levantamento dos 
convênios e instrumentos jurídicos envolvendo órgãos públicos relacionados às medidas 
assecuratórias bem como o estudo do impacto da modificação legislativa introduzida 
pela Lei nº 11.719/2008. 
 
Por fim, a terceira etapa irá consolidar os dados produzidos nas etapas anteriores em 
minutas de projetos de alteração legislativa, levando ainda em consideração o panorama 
das propostas que estiverem em tramitação no Congresso Nacional e inclusive com 
elaboração de quadros comparativos. 
1.6) Resumo das propostas do projeto de pesquisa 
 
FINALIDADE DA PESQUISA 
1. Desenvolvimento de instrumentos jurídicos adequados e eficientes para identificação, 
avaliação, constrição, guarda, gestão, administração, inversão de domínio e alienação de 
bens obtidos com os proveitos da infração, utilizados para sua prática ou destinados a 
ressarcir o dano causado. 
PROBLEMAS 
1. Aplicar as medidas de inversão de domínio antes do trânsito em julgado da 
condenação criminal; 
2. Evitar que transcurso do tempo desvalorize os bens (o que torna medidas 
assecuratórias atuais inócuas); 
3. Compatibilizar sistema interno com sistemas internacionais (MERCOSUL). 
 JUSTIFICATIVA 
1. Evolução social, econômica e tecnológica facilitaram a ocultação, dissimulação e 
integração de bens oriundos de crimes (lavagem de capitais); 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 59
2. Novos sistemas de controle de bens foram criados desde 1941, época em foram 
pensadas as atuais medidas assecuratórias; 
3. Os mecanismos atualmente utilizados – e que dão maior agilidade às medidas – não 
tem previsão legal (são impostos a partir do suposto “poder geral de cautela” do juiz) e, 
portanto, geram insegurança jurídica. 
 HIPÓTESES 
1. Simplificação dos procedimentos e modernização dos mecanismos; 
2. Reformulação do processo cautelar para permitir que ele seja encerrado antes do 
trânsito em julgado do processo de conhecimento; 
3. Elaboração das hipóteses legais para identificação, avaliação, constrição, guarda, 
gestão, administração, inversão de domínio e alienação de bens considerados objeto de 
crime ou que servirão ao ressarcimento do dano; 
4. Adaptação da legislação aos instrumentos de cooperação internacional. 
 MODELO DE ANÁLISE: 
1. Pesquisa Jurisprudencial (STF e STJ) 
1.1 Verificar se as medidas decretadas são mantidas; 
1.2 Verificar quais são as exigências dos Tribunais para mantê-las; 
1.3 Verificar eventuais modificações do teor literal da lei a partir da 
interpretação jurisprudencial. 
2.Pesquisa doutrinária e legislativa: 
 2.1 Doutrina brasileira; 
 2.2 Estudo comparado com ênfase nos ordenamentos supranacionais 
(MERCOSUL e União Européia); 
 2.3 Levantamento e exame documentos de cooperação internacional firmados 
pelo Brasil; 
 2.4 Estudo de medidas do DRCI; 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 60
2.5 Exame das metas da ENCCLA. 
3. Pesquisa em bases de dados específicas 
3.1 Avaliação das medidas assecuratórias (estudos do CJF e do CNJ); 
3.2 Identificação dos acordos de cooperação administrativa (Bacen-Jud); 
3.3 Verificação do impacto da mudança legislativa (Lei 11.719/2008). 
4. Mapeamento das propostas de alteração legislativa: 
 4.1 Pesquisa via internet nas bases de dados da Câmara e Senado; 
 4.2 Contato direto com parlamentares responsáveis porcomissões relacionadas 
ao tema; 
 4.4 Elaboração de tabela de acompanhamento de propostas. 
METODOLOGIA 
1. Análise de dados estatísticos; 
2. Revisão bibliográfica e legal (análise doutrinária e legal). 
RESULTADOS ESPERADOS (PRODUTOS): 
1. Quadro e fluxo atual das proposições legislativas relacionadas; 
2. Estado atual da questão em âmbito nacional e internacional (aspectos legais; quadro 
atual de medidas; comparação com outros países e blocos); 
3. Proposta de alteração legislativa. 
1.7) Seleção bibliográfica preliminar 
1. AMARAL, Thiago Bottino e SCHREIBER, Simone: Direito Processual Penal. 
Volumes 1 e 2. São Paulo: Saraiva, 2009. 
2. BADARÓ, Gustavo Henrique. Direito Processual Penal. Tomos 1 e 2. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2007. 
3. BALTAZAR JUNIOR, José Paulo: Crimes Federais. Porto Alegre: Livraria do 
Advogado, 2006. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 61
4. BARROS, Marco Antonio de: Lavagem de capitais e obrigações civis correlatas. 
São Paulo: RT, 2004. 
5. BAZLEY, Tom: Investigating White Collar Crime. New Jersey: Person, 2008. 
6. BENSON, Michael L. e CULLEN, Francis T.: Combating corporate crime – local 
persecutors at work. Boston: Northwestern University Press, 1998. 
7. BITENCOURT, Cezar Roberto: Princípios garantistas e a delinqüência do 
colarinho branco. In Revista Brasileira de Ciências Criminais, nº 11. São Paulo: RT, 
1995, pp. 119/127. 
8. BONFIM, Márcia Monassi Mougenot e BONFIM, Edílson Mougenot: Lavagem de 
dinheiro. São Paulo: Malheiros, 2005. 
9. BRANDÃO, Nuno: Branqueamento de capitais – o sistema comunitário de 
prevenção. Coimbra: Coimbra Editora, 2002. 
10. BRICKEY, Kathleen: Corporate and white collar crime - Selected cases and 
statutes. New York: Aspen Publishers, 2005. 
11. CALLEGARI, André Luís: Direito Penal Econômico e lavagem de dinheiro – 
aspectos criminológicos. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003. 
12. CALLEGARI, André Luís: Lavagem de dinheiro: aspectos penais da lei 9.613/98. 
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. 
13. CASTILHO, Ela Wiecko V. de: O controle penal nos crimes contra o sistema 
financeiro nacional. Belo Horizonte: Del Rey, 1998. 
14. CERVINI, Raúl e TAVARES, Juarez: Princípios de cooperação judicial penal 
internacional no Protocolo do MERCOSUL. São Paulo: RT, 2000. 
15. CORRÊA JUNIOR, Alceu: Confisco penal – Alternativa à prisão e aplicação aos 
delitos econômicos. São Paulo: IBCCRIM, 2006. 
16. D’ÁVILA, Fabio Roberto: Direito Penal e Direito Sancionador – sobre a 
identidade do Direito Penal em tempos de indiferença. in Revista Brasileira de 
Ciências Criminais, nº 60. São Paulo: RT, 2006, pp. 09/35. 
17. DE CARLI, Carla Veríssimo: Lavagem de dinheiro: ideologia da criminalização e 
análise do discurso. Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2008. 
18. DIAS, Jorge de Figueiredo: Breves considerações sobre o fundamento, o sentido e a 
aplicação das penas em Direito Penal Econômico. In Temas de Direito Penal 
Econômico. São Paulo: RT, 2000, pp. 121/135. 
19. FRANCO, Alberto Silva: Globalização e criminalidade dos poderosos. In Temas de 
Direito Penal Econômico. RT, 2000, pp. 235/277. 
20. GERBER, Jurg e JENSEN, Eric: Encyclopedia of white collar crime. Londres: 
Greenwood Press, 2007. 
21. GOMES, Luiz Flávio e BIANCHINI, Alice: O Direito Penal na era da 
globalização. São Paulo: RT, 2002. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 62
22. GOMES, Luiz Flávio e YACOBUCCI, Guillermo J.: As grandes transformações do 
direito penal tradicional. São Paulo: RT, 2005. 
23. GREEN, Stuart P.: Lying, cheating, and stealing: A moral theory of White-Collar 
Crime. New York: Oxford, 2001. 
24. GRINOVER, Ada Pellegrini, GOMES FILHO, Antonio Magalhães e 
FERNANDES, Antonio Scarance: Recursos no Processo Penal. São Paulo: RT, 
2007. 
25. MAIA, Rodolfo Tigre: Lavagem de dinheiro. São Paulo: Malheiros, 2004. 
26. MAZLOUM, Ali: Crimes do colarinho branco. Porto Alegre: Síntese, 1999. 
27. MENDRONI, Marcelo Batlouni: Crime de lavagem de dinheiro. São Paulo: Atlas, 
2008. 
28. MOURA, Maria Thereza Rocha de Assis (coord.): As reformas no Processo Penal – 
as novas leis de 2008 e os projetos de reforma. São Paulo: RT, 2008. 
29. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2008. 
30. NUCCI, Guilherme de Souza: Leis Penais Especiais Comentadas. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2008. 
31. OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2008. 
32. PEREIRA, Flávia Goulart: Os crimes econômicos na sociedade de risco. In Revista 
Brasileira de Ciências Criminais nº 51, São Paulo: RT, 2004. 
33. PINTO, Edson: Lavagem de capitais e paraísos fiscais. São Paulo: Atlas, 2008. 
34. PODGOR, Ellen S. e ISRAEL, Jerold H.: White collar crime in a nutshell. Saint 
Paul: Thomsom, West, 1997. 
35. PRADO, Luiz Regis: Direito Penal Econômico. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
2007. 
36. RANGEL, Paulo: Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008. 
37. ROYSEN, Joyce: Histórico e perspectivas dos crimes econômicos. In Revista 
Brasileira de Ciências Criminais nº 42, São Paulo: RT, 2003, pp. 192/213. 
38. SILVA SANCHEZ, Jesus-Maria: A expansão do direito penal – aspectos de política 
criminal nas sociedades pós-industriais. São Paulo: RT, 2002. 
39. SILVA SANCHEZ, Jesús-Maria: Eficiência e Direito Penal. São Paulo: Manole, 
2004. 
40. SILVA, Eduardo Sanz de Oliveira: Direito Penal preventivo e os crimes de perigo: 
uma apreciação dos critérios de prevenção enquanto antecipação do agir penal no 
direito. In COSTA, José de Faria: Temas de Direito Penal Econômico. Coimbra: 
Coimbra Editora, 2005, pp. 251/283 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 63
41. SILVEIRA, Renato de Mello Jorge: Direito penal econômico como direito penal de 
perigo. São Paulo: RT, 2006. 
42. TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. Vol. 1 a 4. São Paulo: 
Saraiva, 2008. 
43. VILARDI, Celso Sanchez: O crime de lavagem de dinheiro e o início de sua 
execução. In Revista Brasileira de Ciências Criminais, nº 47. São Paulo: RT, 2004. 
44. WEISBURD, David e WARING, Elin: White collar crime and criminal careers. 
New York: Cambridge University Press, 2001. 
 
2 – CRONOGRAMA DE REALIZAÇÃO 
 
O cronograma apresentado abaixo indica as etapas de realização da pesquisa bem como 
os produtos parciais que serão entregues nas datas exigidas pelo edital. Além disso, 
considera-se relevante a indicação no corpo do projeto acerca da dinâmica dos 
trabalhos. 
 
A cada semana haverá uma reunião do Pesquisador-Coordenador com o Pesquisador-
Senior e os Bolsistas Graduandos para distribuição de trabalho e avaliação dos 
resultados produzidos. Para a realização das tarefas assinadas pelo Pesquisador-
Coordenador, os Bolsistas Graduandos terão contato constante e direto com os 
Pesquisador-Senior e com Pesquisador-Coordenador, o qual trabalha em tempo integral 
na FGV DIREITO RIO. 
 
O encontro dessa equipe com os Professores-Consultores ocorrerá quinzenalmente, para 
que esse board de Professores, com especialidades complementares e interdisciplinares, 
sirva como banca para apresentação dos resultados produzidos pela equipe. São dois os 
propósitos desses encontros quinzenais. 
Em primeiro lugar, para avaliação do trabalho desenvolvido segundo as metas 
previamente estabelecidas. Por essa razão, integram a equipe de Professores-
Consultores professores da FGV DIREITO RIO com experiência na realização e 
execução de projetos de pesquisa. Três deles são professores em tempo integral na 
instituição proponente. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 64
Além de acompanhar a execuçãodo projeto, a equipe de Professores-Consultores 
contribuirá com sugestões para o aprimoramento da pesquisa. Vale ressaltar, nesse 
ponto, a importância do caráter multidisciplinar da equipe, que conta com especialistas 
em Direito Internacional, Direito Processual Civil, Poder Judiciário e um Juiz Titular de 
Vara de Direito Empresarial e Recuperação de Empresas (órgão do Poder Judiciário 
responsável pela identificação e gestão de ativos das empresas). 
 
A pesquisa será realizada em 3 (três) etapas, cada uma com objetivos e produtos bem 
definidos. A primeira etapa será dedicada à realização da revisão bibliográfica (estudo 
da doutrina brasileira), à análise legislativa internacional (estudo comparado com ênfase 
nos sistemas do MERCOSUL e da União Européia) e ao levantamento e exame 
documentos de cooperação internacional firmados pelo Brasil) e terá como produto um 
relatório que reflita o estado atual das medidas assecuratórias em âmbito nacional e 
internacional (aspectos legais; críticas dos estudiosos; quadro atual de medidas e 
comparação com outros países e blocos). 
 
A segunda etapa da pesquisa focará o estudo jurisprudencial no âmbito do Superior 
Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal a fim de verificar quais são as 
exigências dos Tribunais para a validade das medidas e constatar eventuais 
modificações do teor literal da lei a partir da interpretação jurisprudencial. 
 
A segunda etapa também será dedicada ao funcionamento dos órgãos específicos do 
Poder Executivo que tratam do tema, destacando-se o estudo das medidas propostas, 
adotadas e desenvolvidas pelo DRCI, GGI-DL e ENCCLA, além dos acordos de 
cooperação administrativa (de que é exemplo o Bacen-Jud). 
 
Paralelamente, serão examinadas as bases de dados mantidas pelo Conselho Nacional de 
Justiça relativas às medidas assecuratórias. O relatório parcial produto dessa terceira 
etapa trará a consolidação dos dados pesquisados acima. 
 
Por fim, a terceira e última etapa da pesquisa realizará o mapeamento das propostas de 
alteração legislativa em tramitação no Congresso Nacional e fará uma minuta inicial de 
proposta de alteração legislativa considerando os dados produzidos nas etapas anteriores 
da pesquisa. Essa minuta inicial será levada à discussão em seminário realizado 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 65
especialmente para esse fim. A partir dos debates no seminário, serão feitas as 
modificações necessárias e produzido o relatório final, contendo a consolidação dos 
dados e minuta de projeto de lei. 
 
CRONOGRAMA DETALHADO DA PESQUISA 
ATIVIDADE 
PERÍODO mai jun jul ago set out nov dez jan fev mar 
 1ª ETAPA 
Seleção da equipe de pesquisadores, 
distribuição inicial das tarefas. x 
Revisão bibliográfica x x x 
Levantamento dos acordos de cooperação 
internacional. x x x 
Análise legislativa internacional e 
comparada x x x 
Consolidação dos dados. Entrega do 
primeiro relatório parcial x 
 
 2ª ETAPA 
Estudo jurisprudencial (STJ e STF) x x x 
Levantamento dos acordos de cooperação 
administrativa x x 
Atuação do DRCI, GGI-DL e ENCCLA. x x 
Exame das bases de dados disponíveis no 
CNJ x x 
Consolidação dos dados. Entrega do 
segundo relatório parcial 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 x 
 
 3ª ETAPA 
Mapeamento legislativo no Congresso 
Nacional x x 
Elaboração de minuta x x 
Realização de seminário x x 
Consolidação dos dados. Entrega do 
relatório final 
 
 
 
 
 
 
 
 
 x 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 66
Projeto 2 
Trata-se de um projeto de pesquisa de mestrado 
Título do projeto: O Papel do Supremo Tribunal Federal no processo de 
redemocratização do Brasil (1979-1999) 
Autor: Fabiana Luci de Oliveira 
Data: março de 2000 
A pesquisa resultou na publicação do livro STF: do autoritarismo à democracia. Editora 
Campus, 2012. 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS 
CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS 
 
 
“O Papel do Supremo Tribunal Federal no processo de 
redemocratização do Brasil (1979-1999)” 
 
 
 Projeto de pesquisa apresentado como 
requisito para o Programa de Pós 
Graduação em Ciências Sociais. 
 
Linha de Pesquisa: Instituições, Estrutura 
Social, Poder e Mobilidades 
 
Aluna: Fabiana Luci de Oliveira 
Orientadora: Dra. Maria da Glória Bonelli 
 
 
 
 
São Carlos - Janeiro de 2000 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 67
Sumário 
I. Resumo e palavras-chave 
II. Introdução e justificativa 
III. Síntese da literatura e problematização teórica 
IV. Objetivos, materiais e métodos 
V. Cronograma 
VI. Bibliografia 
 
I. Resumo 
 Este projeto tem por objetivo analisar o papel político dos ministros do Supremo 
Tribunal Federal, em um período histórico determinado (1979 a 1999), a partir 
do enfoque teórico da Sociologia das Profissões. Propõe-se focalizar o 
relacionamento desses profissionais com o Estado, a sociedade e a política, discutindo, 
especialmente, com uma vertente que tende a desconsiderar as relações desses 
profissionais com essas esferas, privilegiando o mercado, ou que, quando as 
considera, entende-as enquanto relações de cooptação. 
 
Palavras-chave: Profissões- Estado- Sociedade- Política- Supremo Tribunal Federal 
 
II. Introdução e justificativa 
 O papel que o Poder Judiciário, mais especificamente que o Supremo Tribunal 
Federal vem desempenhando no cenário político brasileiro tem sido muito discutido a 
partir do fenômeno da judicialização da política. Esse fenômeno, segundo 
Vallinder (1995) vai significar: 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 68
... (1) a expansão da área de atuação das cortes judiciais ou dos juizes às 
expensas dos políticos e/ou administradores, isto é, a transferência de 
direitos de decisão da legislatura, do gabinete ou da administração pública 
às cortes judiciais, ou, ao menos, (2) a propagação dos métodos judiciais 
de decisão para fora das cortes de direito propriamente ditas. (Vallinder, 
1995: 8) 
 
Enfim, ele denota a expansão do poder das cortes judiciais, poder esse atribuído 
em grande parte à possibilidade desta Instância julgar a constitucionalidade das leis. 
Enfim, ele denota a expansão do poder das cortes judiciais, poder esse atribuído 
em grande parte à possibilidade desta Instância julgar a constitucionalidade das leis. 
Segundo Vianna (1999) o processo de judicialização da política no Brasil 
começa a se fortalecer a partir de uma mudança no processo de transição à democracia, 
quando sua direção escapa das mãos de atores comprometidos com os valores da 
tradição republicana brasileira passando às mãos de lideranças que, afim de ajustar o 
país às exigências da chamada globalização, entronizaram o mercado como instância 
determinante da vida social. Como conseqüência, houve um desalinhamento do projeto 
e das ações governamentais em relação ao texto constitucional recém-aprovado, 
tornando inevitável o estabelecimento de uma linha de tensão nas relações entre o 
Judiciário, de um lado, e o Executivo e Legislativo, de outro, entre a filosofia política da 
Carta de 1988 e a agenda neoliberal. Dentro dessa lógica, o Executivo buscaria impor a 
supremacia da rationale econômica aos valores e instituições da ordem racional legal. 
Nesse projeto, a tentativa de cortar a história do país em duas “eras”opostas: a 
anterior a 1989, caracterizada pelo que se chamou de patologia patrimonial e herança 
perversa da colonização ibérica, com suas burguesias cartoriais e a sujeição da 
sociedade civil ao estamento burocrático-estatal, e a que deveria nascer moderna, 
informada, nesta década final do século, pelo mercado, pela abertura ao mundo e às 
suas inovações. (Vianna, 1999: 10) 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 69
Nesse novo cenário, de “tirania da maioria”, o Judiciário começa a ser percebido 
pela sociedade civil como um estatuário para as insatisfações existentes com o ativismo 
legislativo do Executivo, sendo convocado ao exercício de papéis constitucionais que o 
identificam como o “guardião dos valores fundamentais” (pág.: 11). Assim, o espaço 
cada vez maior que o Supremo Tribunal Federal vem ocupando na vida política do país 
acaba por transformá-lo em um ator imprescindível no jogo político. 
Essa problemática vem sendo abordada pela Ciência Política, mas ainda não foi 
alvo da preocupação da Sociologia das Profissões. Esse projeto se propõe discutir o 
relacionamento entre o Supremo Tribunal Federal, o Estado, a sociedade e a política, a 
partir do instrumental teórico da Sociologia das Profissões. 
A escolha do STF enquanto objeto se deve à especificidade que essa instituição 
apresenta: é ao mesmo tempo um órgão acoplado ao Estado, sendo um de seus poderes, 
possuindo, portanto, uma identidade pública e é uma corporação profissional, com 
interesses privados. 
Enquanto parte do Estado representa a cúpula do Poder Judiciário, exercendo 
controle sobre a vontade do soberano, a partir da adoção do modelo de controle abstrato 
da constitucionalidade das leis, com a intermediação de uma comunidade de intérpretes. 
Isso acaba por institucionalizar o Judiciário enquanto uma arena alternativa à 
democracia representativa, demonstrando a força desse poder como ator político26. 
Como afirma Luiz Werneck Vianna: 
 
O Judiciário, antes um Poder periférico, encapsulado em uma lógica com 
pretensões autopoiéticas inacessíveis aos leigos, distante das preocupações da 
agenda pública e dos atores sociais, se mostra uma instituição central à 
democracia brasileira, quer no que se refere à sua expressão propriamente 
 
26 Ver trabalhos de Werneck Vianna (1992), Bastos Arantes (1997) e Castro (1997). 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 70
política, quer no que diz respeito à sua intervenção no âmbito social. (Vianna, 
1999: 1) 
 
Enquanto corporação profissional, representa o posto mais alto da carreira 
jurídica, que se inicia com a obtenção do diploma de bacharel em Direito. Para ascender 
a esta posição, reza a Constituição, é necessário possuir notório saber jurídico. Os 
ministros são nomeados pelo chefe do Poder Executivo, passando por argüição pública 
no Senado. 
Essa dualidade de identidades traria à tona um problema: por ser uma instituição 
com poder de veto ao Executivo, tendo a possibilidade de exercer um forte papel 
político e, ao mesmo tempo, ser uma corporação profissional, com interesses de 
carreira, passando a nomeação desses profissionais pelo Executivo e pelo Senado (sendo 
extremamente política), a atuação desses profissionais ficaria minada pela cooptação ao 
Executivo. O ministro nomeado estaria assim ligado ao Executivo e ao grupo político 
presente no governo que o nomeou. 
A partir desta constatação são construídas cinco questões para investigação: 1) 
Qual tem sido o papel político desse ator? 2) No desempenho desse papel que tipos de 
interesses esse Tribunal tem representado? 3) Em relação aos outros poderes do Estado 
como tem sido seu posicionamento? (Há destaque de posturas críticas ou favoráveis?) 4) 
Qual o perfil social e profissional dos ministros do Supremo Tribunal Federal? e 5) há 
algum vínculo entre o novo papel da instituição pós-1988 e a composição do grupo? 
III. Síntese da literatura e problematização sociológica 
O argumento teórico aqui proposto se constrói na discussão com uma vertente 
da Sociologia das Profissões que, ao limitar as relações dos profissionais com o 
mercado, entendendo o processo de profissionalização enquanto uma estratégia para 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 71
monopolizar o mercado de trabalho, por um lado e ascender socialmente, por outro, 
acaba por excluir a análise da relação das profissões com o Estado e a sociedade.27 
Essa perspectiva predomina nos países de origem anglo-americana, afirmando 
que só se pode falar em profissionalização nos países em que houve autonomia nesse 
processo. A terminologia é negada àqueles países em que houve a participação do 
Estado como impulsionador do processo de profissionalização. Eles tendem a ser 
considerados como desviantes do modelo e a ligação dos seus membros com o Estado 
passa a ser vista como cooptação28. 
Nos países de influência anglo-americana o fenômeno da estruturação das 
profissões enquanto ocupações particulares organizadas corporativamente seria dado a 
partir do desenvolvimento da ideologia de expertise, imputando-lhes conhecimento 
especializado, comportamento ético e importância para a sociedade. Já nos países em 
que o Estado atuou diretamente nesse processo, enquanto seu instigador, a identidade 
 
27 O conceito de “projeto profissional” resume bem essa ideia. Ele é desenvolvido por Larson ( 1977) e 
remete às estratégias através das quais as classes médias, na fase do capitalismo competitivo, se moveram 
em direção ao monopólio de mercado, por um lado e ao empreendimento da mobilidade coletiva, por 
outro. Os profissionais são assim retratados como voltados para a promoção dos seus interesses 
específicos, tanto econômicos quanto simbólicos (prestígio). Note-se que embora Larson entenda o 
processo de profissionalização enquanto intimamente voltado para o mercado, ela atribui um importante 
papel ao Estado. Este, a partir da negociação com os grupos profissionais, lhes delegaria o controle do 
acesso à profissão, a partir da gerência do sistema universitário e também a garantia do controle do 
mercado (credenciais). 
28 Graham (1997) ao estudar a elite política do país no século XIX, vai sustentar que o clientelismo 
constituía a trama de ligação da política no Brasil desse período, descaracterizando, portanto, a conduta 
profissional. Koerner (1992) vai afirmar a total falta de autonomia do Poder judiciário na ordem política 
imperial, devido ao fato de haver um controle político dos cargos judiciais e das nomeações e também em 
conseqüência de ser vedado a ele o julgamento de qualquer questão envolvendo atos governamentais. 
Coelho (1999) é outro a negar essa independência , dizendo que no Império o Judiciário era um poder 
impotente e que “Dependente do Executivo para obter recursos e subordinado ao Legislativo, a autonomia 
do judiciário era uma ficção”. (pág. 122). Na República alguns autores também vão questionar a 
independência do PJ. Miceli (1979) afirma que: “O contingente de bacharéis que pressionava o mercado 
de postos nessa época (início dos anos 30) começou a utilizar o diploma como sendo uma prerrogativa da 
qual só se podia esperar vantagens estritamente profissionais. Assim, o futuro de classe dessa leva 
avultada de ‘parentes pobres’ que dispunham de um título universitário, adquirido em condições adversas 
que haviam desvalorizado brutalmente, passou a depender, cada vez mais, da ampliação das 
oportunidades de serem cooptados pelo serviço público.” (pág. 41). Ao contrário dessas visões, Carvalho 
(1980) e Eul-Soo Pang e Seckinger (1979) vão entender os juízes enquanto verdadeiros mandarins, na 
medida emque eles constituem a elite política do Império. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 72
básica desses grupos não seria dada pela ocupação e, sim, pelo status conquistado por 
uma educação de elite.29 
Para o desenvolvimento de análises comparadas entre países com distintas 
influências em suas experiências profissionais, Freidson (1996) propôs a definição de 
profissão tomada enquanto tipo ideal. Essa definição reúne as diferentes experiências de 
profissionalização, em diferentes culturas e contextos históricos e constrói um modelo, 
amplo o suficiente para registrá-las, preservando o conceito de expertise que é vital em 
seu argumento e que se centra na realização de diagnósticos baseados no saber, obtido 
através da titulação de nível superior.30 A esse enfoque acrescenta-se também a 
discussão da influência política das profissões, suas relações com o Estado e com as 
elites políticas e econômicas. 
Pensando o caso brasileiro de profissionalização do Direito dentro deste debate 
percebe-se que: 1) o conceito de “projeto profissional” não se aplica aqui, devido ao 
fato de que os bacharéis que iniciaram esse processo já eram membros da elite. Eles 
estavam buscando antes de monopolizar o mercado de trabalho influenciar na e 
participar da construção do Estado. É evidente que a busca de uma reserva de mercado 
completava as aspirações desses bacharéis, mas essa idéia era defendida enquanto um 
benefício para a sociedade. Freidson (1996) coloca que a maior vantagem que o 
profissionalismo pode trazer é a garantia e a confiança, para os leigos, na qualidade do 
serviço prestado. 2) o caso brasileiro de profissionalização do Direito vai ocorrer 
 
29 Cf. Bonelli, 1993 
30 Bonelli (1999) resume o conceito que engloba os principais aspectos característicos da profissão, quais 
sejam, 1. É um tipo de trabalho pago, feito em tempo integral, que inclui o mercado informal; 2. É de 
caráter especializado, de base teórica, com competência discricionária de julgamento sobre uma área do 
saber; 3. São as ocupações que controlam a divisão do trabalho , que é determinada pela relação entre ela 
e que determina e delimita as fronteiras jurisdicionais de cada uma; 4. Onde o controle do trabalho é 
ocupacional, feito através do credenciamento dos membros da profissão; 5. Envolve a posse de 
conhecimento abstrato e autoridade sobre um campo do saber profissional obtido nas instituições de 
ensino superior. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 73
simultaneamente ao processo de construção do Estado e não enquanto uma imposição 
do Estado que acaba por ocasionar a cooptação da profissão. Assim, o mais adequado é 
falar em interação e mesmo em negociação, uma vez que o Estado vai buscar apoio na 
expertise das profissões para se legitimar perante a sociedade e também as profissões 
vão buscar apoio no Estado para se legitimar e justificar a possível reserva de mercado. 
Bonelli (1999), ao contrapor-se a idéia de cooptação, afirma que o processo de 
profissionalização não foi simplesmente imposto pelo Estado, visto que os advogados 
do IOAB já vinham lutando desde o Império, pela criação da OAB, visando 
regulamentar e fiscalizar a profissão. 
Esses trabalhos focalizam outros contextos históricos e estabeleceram as bases 
para o desenvolvimento das várias abordagens sobre as profissões e suas relações com o 
Estado, com a sociedade e com a política. Embora focalizem períodos históricos 
diversos, recorre-se a essa bibliografia para debater com o argumento desenvolvido por 
esses autores. A maior parte desses trabalhos é referente aos bacharéis, início da 
socialização desses profissionais. Apesar de existirem algumas diferenças em relação 
aos juizes, essa bibliografia serve enquanto base e parâmetro para o argumento a ser 
desenvolvido. 
A partir dessa discussão a proposta aqui é verificar a possibilidade de se pensar 
os ministros do STF na ótica do mundo profissional do Direito, que entre outras 
características, destaca a necessidade do diploma de bacharel em Direito para o 
exercício da profissão, pressupõe a expertise e a autonomia profissional. A investigação 
busca detectar a existência ou não de uma atuação independente do STF frente ao 
Executivo, apesar dele ser um órgão acoplado ao Estado, constituindo um dos seus 
poderes. Isso porque os ministros do STF envolvem na sua nomeação não só o fator 
meritocrático, existindo também um fator externo de caráter político agindo na 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 74
nomeação. A hipótese central do projeto é de que esse fato não retira dos ministros sua 
condição profissional, embora se diferencie dos formatos da seleção intra-pares. Assim, 
mesmo que o ministro leve para o Tribunal suas relações com o governo que o nomeou, 
ele traz também a socialização nos valores partilhados nas carreiras no mundo do 
Direito e o alto de custo de ver sua legitimidade minada neste âmbito e na própria 
imagem pública do STF. Essa socialização, a identidade da instituição e a vitaliciedade, 
que representa a continuidade dos ministros em seus postos, mesmo depois da 
alternância dos grupos no poder, são os contrapontos que pretende-se investigar aos 
argumentos que enfatizam o predomínio das relações clientelistas com o governo ou da 
limitação da motivação profissional ao controle de seu mercado. 
Nota-se na bibliografia que trata do tema a presença constante de uma discussão 
acerca do papel político do ST F. Grande parte dos autores31 vai limitar a possibilidade 
do desempenho desse papel, especialmente no período que antecede a Constituição de 
1988, mais acentuadamente nos anos do regime militar que se inicia em 1964. 
Trigueiro do Vale (1976) em seu trabalho que busca retratar a atuação do 
Supremo Tribunal Federal entre os anos de 1964 e 1975, vai atentar para a falta de 
independência desse órgão no desempenho do seu papel político ao afirmar que 
...sobretudo com a edição dos Atos n.º 5 e 6, cessaram os conflitos, e o Poder 
Executivo-Revolucionário passou a ter no Supremo um órgão 
administrativamente saudável, tecnicamente ágil (...) mas politicamente morto. 
(Osvaldo Trigueiro do Vale, 1976: 166) 
 
Essa situação seria mudada, na leitura de Vilhena (1993) com a Constituição de 
1988 que alterando a jurisdição do Supremo e ampliando seu poder dentro do sistema 
constitucional brasileiro transformou-o em uma poderosa arena de decisão dos conflitos 
 
31 Ver Osvaldo Trigueiro do Vale, 1976 e Oscar Vilhena Vieira, 1993 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 75
entre os poderes e também em garantidor dos direitos fundamentais, ainda que contra a 
deliberação da maioria.32 Essa Constituição colocaria o STF na posição de 
Arena política de decisão de conflito na qual os diversos atores políticos e sociais 
buscam realizar ou bloquear a vontade normativa da Constituição. (Oscar Vilhena 
Vieira, 1993: 4) 
 
O autor aponta ainda que em dois momentos histórico-políticos do país, que são 
os dois regimes de exceção pelos quais o Brasil passou na República (1930 e 1964), o 
Supremo Tribunal Federal esteve variando seu padrão de atuação ora de maneira 
combativa, ora submisso e que, no seu entender, prevaleceu a submissão: 
 
O STF tem sofrido no decorrer de sua história inúmeras pressões, limitações de 
competência e até intervenções. Como foi a aposentadoria compulsória de 
diversos de seus ministros em 1931 e 1969, por não se submeterem aos regimes 
de exceção que chegaram ao país respectivamente em 1930 e 1964. A 
resistência, no entanto, não é uma marca constantena história do Supremo, que 
em algumas circunstâncias foi omisso ou simplesmente caudatário do poder... 
(Oscar Vilhena Vieira, 1993: 62) 
 
Osiel (1995) vai na contramão dessas visões que entendem os ministros do STF 
enquanto atores pouco presentes durante o regime militar , atribuindo a eles um 
comportamento de resistência. Ao estudar a atuação das Supremas Cortes brasileira e 
argentina durante os regimes militares que se sucederam nesses países respectivamente 
em 1964 e 1976, afirma que os ministros do STF brasileiro estiveram resistindo ao 
regime ditatorial que então se instalava na medida em que exigiam dos militares uma 
adequação das suas ações à Constituição. Miranda Rosa (1985) seguiu nessa mesma 
direção, atribuindo a essa Instituição um importante papel na organização do Estado e 
da sociedade, durante os vinte anos de regime militar. 
 
32 Conferir Vilhena, 1993 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 76
 A partir desta discussão propõe-se aqui levar a investigação a focalizar as cinco 
questões inicialmente propostas em dois períodos distintos da história política recente 
do país: 1) o período de transição, de abertura do regime militar a partir de 1979, até a 
promulgação da Constituição de 1988 e 2) a partir dessa Constituição até 1999. 
A delimitação do enfoque se justifica na medida em que o período de transição 
foi pouco abordado pela bibliografia, como coloca Vilhena (1993): 
O período da transição, sem as amarras dos AIs tem recebido pouca atenção 
por parte dos autores. É um período marcado por um grande silêncio por parte 
do Supremo, e dos tribunais em geral, em trabalhar em função da reconstrução 
do estado de direito e da democracia. (Oscar Vilhena Vieira, 1993: 73). 
 
Além disso, esse enfoque busca possibilitar a compreensão da dimensão das 
alterações no desempenho do papel político do Supremo Tribunal Federal a partir da 
Constituição de 1988. 
Para possibilitar uma melhor compreensão das mudanças nas atribuições do STF 
segue um breve resgate histórico. 
 O Supremo Tribunal Federal foi instituído pelo decreto n.º 510 de 22 de junho 
de 189033 , enquanto órgão de cúpula do Poder Judiciário e guardião da Constituição. 
Seus 15 membros (ministros) eram nomeados pelo governo federal entre os cidadãos 
brasileiros, maiores de 35 anos, de notório saber34. 
A Constituição de 1891 organizou-o num tripé enquanto: 1) Instância única de 
julgamento de altas autoridades do governo federal, de conflitos entre componentes da 
Federação e conflitos de jurisdição entre os diversos órgãos judiciais; 2) Instância de 
recurso da Justiça Federal e 3) Instância de recurso das Justiças Estaduais quando essas 
 
33 O texto que segue baseia-se em Leda Boechat Rodrigues (1965), Aliomar Baleeiro (1967), Oscar 
Vilhena Vieira (1993) e Rogério Bastos Arantes (1997). 
 
34 A Constituição de 1934 reduziu o n.º de ministros para 11 e também delegou ao Procurador Geral da 
República a exclusividade na proposição de ação de inconstitucionalidade. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 77
negarem aplicação de direito federal ou confirmarem atos e leis dos governos estaduais 
questionados perante a Constituição ou lei federal35. 
 O sistema de controle da constitucionalidade das leis adotado foi o sistema 
difuso-incidental (difuso porque qualquer órgão judicial poderia apreciar a 
constitucionalidade da lei e incidental porque exercido em um pleito qualquer, no 
âmbito dos processos comuns e não especificamente constitucionais). E como coloca 
Rodrigues (1965) 
A magistratura, que agora se instala no país graças ao regime republicano, não é 
instrumento cego do governo, ou mero intérprete, na execução dos atos do Poder 
Legislativo. Antes de aplicar a lei cabe-lhe o direito ao exame, podendo dar-lhe 
ou recusar-lhe sanção (...) Aí está posta a profunda diversidade de índole entre o 
Poder Judiciário tal qual estava instituído no regime decaído, e aquele que agora 
se inaugura” (Rodrigues, L. B. 1965: 1e 2 ) 
 
A organização do STF permaneceu praticamente inalterada até a Constituição de 
1946. Essa Constituição vai instituir uma mudança no tripé das atribuições delegadas a 
esse órgão, colocando que 1) cabe ao STF julgar as autoridades da União nos crimes 
comuns e de responsabilidade, ser árbitro das questões federativas e de conflitos de 
jurisdição entre os órgãos judiciais e juiz das questões de habeas corpus e nos mandados 
de segurança sob sua jurisdição; 2) O Supremo é Instância superior de controle de 
constitucionalidade das leis e intérprete do Direito Federal e 3) cabe a ele cuidar dos 
mandados de segurança e habeas corpus decididos em última Instância pelos tribunais 
locais ou federais, quando denegatória a decisão- e das causas decididas por juízes 
locais , fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro assim como 
aquelas que fossem parte um Estado estrangeiro e pessoa domiciliada no país. 
 
35 Rogério Bastos Arantes, 1997: 76. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 78
 Nesse momento, como afirma Arantes (1997) “... a posição do STF vai sendo 
depurada no sentido de transformá-lo mais numa corte das questões federativas e 
constitucionais e menos numa corte de assuntos da União.” (pág. 92) 
Com o golpe militar de 1964 a organização judiciária vai ser modificada - em 
27/10/65 com a edição do AI-2 o n.º de ministros passa de 11 para 1636 - e o sistema de 
controle constitucional vai ser radicalmente transformado: a emenda n.º 16 de 26/11/65 
vai estabelecer o fim da exclusividade do modelo difuso-incidental e vai dar origem ao 
sistema híbrido, que perduraria até hoje, cabendo ao STF julgar a representação contra 
inconstitucionalidade de lei ou ato de natureza normativa, federal ou estadual, 
encaminhada pelo Procurador Geral da República. 
Com a decretação do AI-5 em 1968 vão ser suspensas todas as garantias de 
vitaliciedade e inamovibilidade dos juízes e também vão ser excluídos de apreciação 
judicial todos os atos praticados de acordo com esse Ato e seus atos complementares. 
Em 1979 com a revogação do AI-5 a situação começa a se modificar e 
finalmente, com o início do processo de redemocratização e a promulgação da 
Constituição de 1988 o papel político-institucional do STF iria ser ampliado.37 A 
principal modificação trazida foi a ampliação da possibilidade de controle material da 
constitucionalidade de emendas à Constituição, alargando a lista de agentes legitimados 
a propor a ação direta de inconstitucionalidade38. As mais importantes atribuições 
políticas delegadas ao STF por essa Constituição foram: 1) controlar os demais poderes; 
 
36 O AI-6 retorna para 11 o n.º de ministros. 
37 Cf. Vilhena, 1993: 92. 
 
38 Os agentes legitimados a propor são: o Presidente da República; as mesas do Senado Federal; da 
Câmara dos Deputados; das Assembleias Legislativas; os Governadores de Estado; o Procurador Geral 
da República; o Conselho Federal da OAB; os partidos políticos com representação no Congresso e 
confederações sindicais e entidades de classe de âmbito nacional. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 79
2) garantir a eficácia da Constituição; 3) assegurar a ordem democrática e garantir os 
direitos fundamentais, inclusive contra a própria deliberação da maioria. 
No que se refere ao controle de constitucionalidade o sistema híbrido adotado se 
refere ao fato do STF ir se afastando do modelo que lhe deu origem (difuso, de origem 
norte-americana) paraassumir, cada vez mais, o papel de Corte Constitucional do 
modelo concentrado (de origem européia, em que cabe exclusivamente a um órgão 
apreciar a constitucionalidade das leis). O sistema brasileiro é considerado híbrido 
porque, embora reserve cada vez mais para o STF a função de julgar a 
constitucionalidade das leis (sistema concentrado), o sistema difuso ainda permanece 
válido. 
Tem-se, portanto, na Constituição de 1988 um marco na mudança do papel 
político do STF, reforçando sua condição de arena de disputa entre sociedade e Estado e 
entre os órgãos e Poderes do próprio Estado. 
IV. Objetivos, materiais e métodos 
O objetivo que esse projeto se propõe a realizar é o de analisar o papel do 
Supremo Tribunal Federal no processo de transição democrática (no período 1979-
1999), focalizando as relações desse ator com o Estado, a sociedade e a política. 
Para o objetivo a ser realizado, o enfoque teórico da Sociologia das Profissões se 
mostra o mais apropriado. A proposta é diferenciar os ministros das outras elites, 
buscando essa diferenciação, que denotaria sua autonomia, no ethos profissional (em 
contraste com um ethos de classe). Nesse olhar, os membros do STF não são 
concebidos como ventríloquos dos interesses de outras elites políticas e econômicas. 
O projeto procura verificar a identidade profissional e a atuação desses 
profissionais entre os anos de 1979 a 1999, atentando para a existência de uma mudança 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 80
no posicionamento público desses profissionais em decorrência do novo papel 
institucional do STF a partir da Constituição de 1988, relacionando essa atuação com o 
perfil social e de carreira de seus membros. 
 Para isso, vai-se trabalhar com a análise do conteúdo dos discursos produzidos 
pelos Ministros do STF, publicados na Revista Forense (o período abordado 
compreende 80 volumes), percebendo as variações nas suas concepções em decorrência 
tanto de quem preside o Supremo Tribunal Federal (priorizando as solenidades de 
posse) quanto das mudanças nos contextos políticos e sociais. Esses discursos são 
geralmente encontrados em uma sessão específica dessas publicações, não sendo 
necessária a leitura de toda a revista. O que vai se buscar são 1) variáveis que definam o 
ideário desses profissionais, os valores, as crenças, enfim, seu ethos profissional; 2) 
variáveis que politizem os ministros ou os coloquem enquanto voltados para a defesa de 
seus interesses corporativos e 3) variáveis que identifiquem o tipo de relação desses 
profissionais com o Estado e com a sociedade. 
A escolha dessa fonte de dados se justifica na medida em que a revista se 
constitui em um importante veículo para a divulgação dos valores, das posturas políticas 
e ideológicas predominantes no grupo. Entende-se que, por ser um veículo de 
comunicação da corporação, os discursos nela publicados contêm aspectos que os 
profissionais desejam tornar públicos, ou seja, ela se constitui em um meio para 
construir e divulgar a imagem pública pela qual a corporação deseja ser percebida. 
A partir desta análise vai se buscar perceber a dinâmica presente no discurso dos 
ministros e a forma como eles alteram o seu enfoque, servindo, portanto, como um 
indicativo da mudança das preocupações da corporação e do seu relacionamento com o 
Estado, com a sociedade e com a política. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 81
Para a construção do perfil morfológico, utilizar-se-á da análise dos Curriculum- 
Vitae dos ministros do STF que fizeram parte da Instituição durante o período 
enfocado39. Como já existe um repertório dos dados biográficos dos ministros entre os 
anos de 1891 a 197840 é possível estabelecer uma comparação entre o perfil profissional 
característico de contextos anteriores e o que é dominante no presente. Essa análise 
possibilitará questionar o posicionamento de alguns autores no que se refere à perda do 
ethos profissional em virtude dos ministros serem nomeados pelo Poder Executivo, 
considerando-se portanto, sua nomeação extremamente política. A hipótese a ser 
investigada será que o fato da nomeação desses profissionais passar pelo Presidente da 
República e pelo Senado41, não retira deles sua condição profissional e a partir daí sua 
autonomia, especialmente tendo em vista que os profissionais nomeados para ocuparem 
os cargos de ministros do STF têm a garantia da vitaliciedade, portanto, eles 
permanecem votando nas gestões seguintes que os nomeou. 
Também está-se buscando delinear a imagem pública do STF através da forma 
como ele é percebido por alguns jornais diários. A postura adotada neste estudo é de 
que o jornal, mesmo sendo tendencioso e parcial, não deixa de fornecer informações 
generosas sobre a vida política da época. Afim de analisar esse aspecto da relação 
mídia-STF foram escolhidos os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. 
Essa escolha justifica-se em virtude desses veículos serem de grande circulação, 
em um Estado expressivo do ponto de vista demográfico e na sofisticação do seu 
mercado produtor e consumidor. Justifica-se também, e principalmente, em decorrência 
 
39 Os ministros do STF nesse período são: Djaci Alves Falcão; Carlos Thompson Flores; Antônio Neder; 
Luiz Rafael Mayer; Clóvis Ramalhete; Firmino Ferreira Paz; José Néri da Silveira; Alfredo Buzaid; Oscar 
Dias Corrêa; Aldir Guimarães Passarinho; José Francisco Rezek; Sydney Sanches; Luiz Octávio Pires e 
Albuquerque Gallotti; Carlos Alberto Madeira; Célio de Oliveira Borja; Paulo Brossard de Souza Pinto; 
José Paulo Sepúlveda Pertence; José Celso de Mello Filho, Carlos Mário da Silva Velloso; Marco Aurélio 
Mendes de Farias Mello; Ilmar Nascimento Galvão; Maurício José Corrêa e Nelson Azevedo Jobim. 
40 Cf. Laurenio Lago, 1978. 
41 Com a Constituição de 1988 a argüição no Senado, que era secreta, passa a ser pública. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 82
da maior facilidade no acesso aos dados – em virtude da disposição de um banco de 
dados temático que agilizará a pesquisa e coleta do material em parte do período a ser 
enfocado (1979-1993, no tocante ao jornal Folha de SP, e 1979-1995, para O Estado de 
SP). O restante dos dados estão disponíveis na Internet. 
O material coletado (discursos dos ministros na Revista Forense/ discursos de 
posse dos presidentes/ notícias referentes ao STF na Folha de SP e no Estado de SP) 
será analisado quantitativa e qualitativamente. As variáveis vão ser trabalhadas pela 
divisão em dois períodos correspondentes ao recente cenário político nacional: 1) de 
janeiro 1979 até a promulgação da Constituição em 1988 e 2) a partir da promulgação 
dessa Constituição até dezembro de 1999 – para os discursos dos Ministros na Revista 
Forense e para os dados dos jornais. Em relação ao perfil morfológico a divisão se fará 
em seis períodos: 1891-1929; 1930-1945; 1946-1963; 1964-1978; 1979-1988; 1989-
1999. 
O levantamento do material dos jornais também irá permitir a análise dos votos 
dos ministros em alguns dos julgamentos de maior repercussão na mídia, propiciando 
assim, a criação de parâmetros mais definidos para avaliar a atuação do STF. 
Vai-se trabalhar ainda com o levantamento bibliográfico, buscando realizar, na 
medida do possível, um mapeamento dos trabalhos que abordaram o Supremo Tribunal 
Federal dentro da vida política nacional, assim como trabalhos dentro da temática da 
Sociologia das Profissões. 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 83
V. Cronograma 
Atividades 
1 
semest
re 
2 
semest
re 
3 
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re4 
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Leitura de bibliografia 
Coleta e análise dos dados biográficos dos 152 
ministros do STF 
Coleta e análise dos discursos da Revista 
Forense (80 volumes) 
Coleta e análise do discurso de posse dos 
presidentes do STF (12 presidentes) 
Coleta e análise dos dados no banco de dados 
da Folha de São Paulo [jornais Folha de São 
Paulo (período de 1979 à 1993) e O Estado de 
São Paulo (período de 1979 à 1995)] 
 
Coleta e análise dos dados on line, dos jornais 
Folha de São Paulo (período de 1994 a 1999) e 
O Estado de São Paulo (período de 1996 a 
1999) 
 
Seleção, coleta e análise dos julgamentos 
Organização e sistematização do material 
coletado 
Revisão dos dados 
Redação da dissertação de mestrado 
Defesa da dissertação de mestrado 
 
V. Bibliografia 
ADORNO, Sérgio - Os Aprendizes do Poder , RJ , Paz e Terra , 1988 
 
ARANTES, R. B., Judiciário e Política no Brasil, SP/ Idesp, Ed. Sumaré, 1997 
 
BONELLI , M.G. , "Identidade Profissional e Mercado de Trabalho dos Cientistas 
Sociais : as Ciências Sociais no Sistema das Profissões" Campinas, SP, IFCH / UNICAMP. 
Tese de Doutoramento, mimeo . (1993) 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 84
 
------------------------“As Profissões nas Ciências Sociais Brasileiras” Projeto 
CAPES/ANPOCS (1998) 
 
------------------------ “O Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros E o Estado: a 
profissionalização no Brasil e os limites dos modelos centrados no mercado” RBCS, Vol. 
14, n.º 39, fevereiro, 1999 
 
BOURDIEU, Pierre , Poder Simbólico , SP , Difel ,1990 
 
CARVALHO, J. M., A Construção da Ordem : A Elite Política Imperial , RJ, Editora 
Campus , 1980. 
 
CASTRO, M. F., “O Supremo Tribunal Federal e a Judicialização da Política”, RBCS, 
Vol. 12 , n.º 34, junho, 1997 
 
COELHO, E. C. , “As Profissões Imperiais - advocacia, medicina e engenharia no Brasil” 
1822 –1930 , IUPERJ, 1999 
 
FREIDSON, E. O Renascimento do Profissionalismo, SP, Edusp, 1996 
 
------------------ "Para uma análise comparada das profissões: a institucionalização do 
discurso e do conhecimento formais" , RBCS, nº31, Junho de 1996. 
GRAHAM, R. Política e Clientelismo no Brasil do século XIX , RJ, Ed. UFRJ, 1997. 
HALLIDAY, T. e KARPIK, L. Lawyers and the rise of western political liberalism, 
Oxford, Claredon Press, 1997 
LAGO, L . Supremo Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: dados 
biográficos: 1828-1978, RJ, Biblioteca do Exército, 1978 
LARSON, M. S., The rise of professionalism, a sociological analysis, Berkeley, University 
of California Press, 1977 
KOERNER, A ., “O Poder Judiciário na constituição da República”, USP, dissertação de 
mestrado, mimeo (1992) 
MICELI, S., Intelectuais e classe dirigente no Brasil ( 1920-1945), SP, 1979 
 
OSIEL, M. J., “Diologue with Dictators: Judicial Resistance in Argentina and Brazil” in 
Law and Social Inquiry, 1995 
PANG, E. E SECKINGER, R. L., “The Mandarins of Imperial Brazil” in Comparative 
Studies in Society and History, 1979 
RODRIGUES, L. B., História do Supremo Tribunal Federal, Tomos I, II e III, RJ, 
Civilização Brasileira, 1965, 1968 e 1992 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 85
ROSA, F. A . M., Brasil os anos de autoritarismo: Justiça e Autoritarismo, RJ, Jorge 
Zahar Editor, 1985 
SADEK, M.T. (org), Uma introdução ao estudo da Justiça, SP, IDESP, Sumaré, 1995. 
 
VALE, O . T., O Supremo Tribunal Federal e a Instabilidade Político-institucional, RJ, 
Ed. Civilização Brasileira, 1976 
 
VIANNA, L.W. et alli, Corpo e alma da magistratura brasileira , RJ/ IUPERJ, Ed. Revan, 
1992 
--------------------------, A Judicialização da política e das relações sociais no Brasil, RJ/ 
IUPERJ, Ed. Revan, 1999 
VIEIRA, O . V. O Supremo Tribunal Federal e a Consolidação da Democracia: 1988 a 
1993, SP, Usp, dissertação de mestrado, mimeo (1993) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 86
Projeto 3 
Trata-se de um projeto de pesquisa de TCC 
Título do projeto: Os requisitos para a edição de Súmulas Vinculantes e seu 
cumprimento pelo Supremo Tribunal Federal 
Autor: Adriana Lacombe Coiro 
Data: 2011 
 
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS 
ESCOLA DE DIREITO DO RIO DE JANEIRO 
GRADUAÇÃO EM DIREITO 
 
 
 
 
Projeto de Trabalho de Curso: 
Os requisitos para a edição de Súmulas Vinculantes e seu cumprimento pelo 
Supremo Tribunal Federal 
 
 
Adriana Lacombe Coiro 
Orientador: Diego Werneck Arguelhes 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro, 2011. 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 87
Sumário 
 
1.Área de Especialização FGV......................................................................................... 1 
2.Área de pesquisa............................................................................................................ 2 
3.Tema geral ..................................................................................................................... 3 
4. Delimitação do tema..................................................................................................... 4 
5. Problema....................................................................................................................... 5 
6. Hipótese ........................................................................................................................ 6 
7. Objetivos....................................................................................................................... 7 
8. Justificativa................................................................................................................... 8 
9. Metodologia.................................................................................................................. 9 
10. Cronograma .............................................................................................................. 10 
11. Plano de exposição ................................................................................................... 11 
12. Bibliografia provisória.............................................................................................. 12 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 88
 
1. Área de Especialização FGV 
 
Este trabalho se insere na área de especialização de Advocacia Pública e Poder 
Judiciário da FGV DIREITO RIO. 
 
2. Área de pesquisa 
 
O trabalho está inserido na área de pesquisa de Direito Constitucional, 
código 6.01.02.05-5 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico – CNPq. 
 
3. Tema geral 
 
Direito Constitucional: Súmulas Vinculantes. 
 
4. Delimitação do tema 
 
Análise de cumprimento dos requisitos constitucionalmente estabelecidos para a 
edição de súmulas vinculantes nas súmulas editadas pelo Supremo Tribunal Federal. 
 
5. Problema 
 
As súmulas editadas pelo Supremo Tribunal Federal respeitam os requisitos 
estabelecidos constitucionalmente, sendo, assim, constitucionais? 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 89
6. Hipótese 
 
A hipótese aqui estudada é que o STF tem progressivamente deixado de 
observar estes requisitos. 
 
7. Objetivos 
 
O objetivo da pesquisa é verificar o cumprimento dos quatro requisitos 
estabelecidos constitucionalmente para a edição de súmulas vinculantes nas súmulas já 
editadas pelo STF. 
 
8. Justificativa 
 
O art. 103-A da Constituição Federal trouxe ao ordenamentobrasileiro a 
possibilidade de criação de súmulas vinculantes, dando novo poder ao Supremo 
Tribunal Federal. Tal poder, no entanto, não foi destituído de condicionamentos, como 
se vê pela redação do caput do artigo e de seu parágrafo primeiro. Isto porque, para a 
aprovação de uma súmula vinculante deve-se respeitar quatro requisitos cumulativos: (i) 
“reiteradas decisões sobre matéria constitucional”; (ii) presença de “controvérsia atual 
entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública”; (iii) que “acarrete 
grave insegurança jurídica” e; (iv) “relevante multiplicação de processos sobre questão 
idêntica”. 
 Em 2007 foram aprovadas três súmulas vinculantes. Em 2008 foram 10. Em 
2009 foram 14. Vê-se, assim, que embora o número tenha diminuído em 2010, (com 
apenas três súmulas vinculantes editadas) o STF vem aumentando progressivamente o 
uso de sua competência para a edição destas súmulas, com conseqüente aumento da 
importância das mesmas. 
 Como o próprio nome diz, trata-se de enunciados que, após editados, vinculam 
todo o poder judiciário e a administração pública direta e indireta, impactando todas as 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 90
futuras decisões sobre o tema, em qualquer grau de jurisdição. Súmulas, por si só, já 
devem ser vistas com cautela, como alerta Rogério Greco: 
 
No momento em que o Supremo Tribunal Federal, após dezenove 
anos, retoma a edição de súmulas, sinalizando no sentido de 
valorizar esse instrumento de uniformização de jurisprudência, 
(...) devem revestir-se das mais rigorosas cautelas, sob pena de 
pôr em risco princípios fundamentais do Estado de Direito.42 
(grifos adicionados) 
 
Súmulas vinculantes, assim, devem ser observadas com ainda mais cuidado pois, 
de acordo com Oscar Vilhena, “com a adoção de da súmula vinculante, completou-se 
um ciclo de concentração de poderes nas mãos do Supremo”43. 
 Dessa forma, tamanho é o impacto da edição de uma súmula vinculante, o poder 
exercido com sua criação, que se torna essencial o respeito aos requisitos, aos 
condicionamentos para sua criação, pois sem eles estar-se-á não apenas dando poderes 
ao STF, mas dando poderes quase ilimitados no que concerne às súmulas, desviando-se 
das intenções do constituinte. 
Tal análise se torna ainda mais importante ao se verificarem indícios de que os 
requisitos nem sempre são observados com a devida cautela. Veja-se, por exemplo, 
quanto ao critério de “reiteradas decisões”, o que afirma Patrícia Perroni: 
(A) Súmula Vinculante nº 1, STF baseou-se em três acórdãos do 
Supremo Tribunal Federal, nos quais se afirmou a 
inconstitucionalidade do Enunciado nº 21 das Turmas Recursais 
da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Este Enunciado 
preconizava a desconsideração do acordo firmado pelo 
trabalhador com base na Lei Complementar nº110/2001, atinente 
à correção monetária do saldo das contas de Fundo de Garantia 
por Tempo de Serviço (FGTS), sob o fundamento de que haveria 
vício de consentimento em sua celebração, por ter sido realizada 
 
42 GRECO, Leonardo. Novas súmulas do STF e alguns reflexos sobre o mandado de segurança. 
Disponível na Internet: www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=238 . Acesso em 22 de 
setembro de 2011 
43 Disponível em http://www.direitogv.com.br/subportais/publica%C3%A7%C3%B5e/RD-
08_6_441_464_Supremocracia_Oscar%20Vilhena%20Vieira.pdf 
 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 91
por parte hipossuficiente, que não compreenderia adequadamente 
o prejuízo gerado pela avença. O STF entendeu, na hipótese, que 
seria incabível a afirmação de vício de consentimento em 
abstrato, diante da necessidade de avaliação do elemento 
subjetivo, caso a caso, para constatação deste fato. Por isso, 
afirmou que o afastamento do acordo celebrado, de forma 
indiscriminada, sob tal fundamento, implicaria violação ao ato 
jurídico perfeito.44 
 
Há indicações apontando para poucos precedentes para a edição de súmulas 
vinculantes no próprio STF, in vebis: 
Tratando-se de decisão financeiramente mais vantajosa ao 
fundiário aderente, que dá a ele o direito de correção integral do 
saldo do FGTS pelos índices reconhecidos no julgamento do RE 
nº 226.855-RS, não é difícil prever a possibilidade de ocorrência 
de uma explosão numérica, em todo o território nacional, de ações 
e recursos sobre essa mesma questão jurídica, já integralmente 
examinada e julgada pelo Plenário desta Corte em duas 
oportunidades: em sede cautelar, na AC nº 272, julgamento em 
06.10.04 e, no mérito, no citado RE nº 418.918, julgado em 
30.03.05, ambos de minha relatoria.45 (grifos adicionados) 
 
Quanto ao requisito de se tratar de “questões idênticas”, há também motivos para 
preocupação, como afirma Garcia: 
 
Sem dúvida que todos nós desejaríamos que fossem iguais as 
decisões proferidas em casos iguais, de modo que, com base nos 
precedentes, se tornasse realizável a antevisão do julgamento final 
das demandas. Mas na verdade será difícil, senão impossível, 
acontecer que em tudo se identifique duas causas submetidas à 
Justiça. Serão, no máximo, análogas, coincidindo em alguns 
pontos e divergindo em outros. Há então, que distinguir entre os 
pontos relevantes e os aspectos marginais da sentença. Mas logo 
se vê que nesta altura deve entrar em cena a árdua ciência da 
 
44 MELLO, Patrícia Perrone. Precedentes. Editora Renovar: Rio de Janeiro, 2008. p. 169. 
45 BRASIL, Debate e Aprovação de Enunciado das Súmulas Vinculantes. 17.06.2007. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 92
interpretação das decisões, que só ela poderia traçar os limites 
entre os temas centrais e periféricos.46 
 
O mesmo se diga de “grave insegurança jurídica”, conforme destaca Edílson 
Pereira Nobre Júnior: 
(...) a súmula vinculante somente abrangerá a validade, 
interpretação e eficácia de normas determinadas, sobre as quais 
pende controvérsia atual, no âmbito judicial, ou neste e na 
Administração Pública, hábil para fomentar grave insegurança 
jurídica e relevante multiplicação de feitos onde suscitada questão 
idêntica. Apenas há que se atentar para que não se confira ao 
adjetivo grave o significado extremado de crise 
extraordinária.47 (grifo adicionados) 
 
É este o objetivo deste trabalho: verificar o cumprimento dos requisitos 
constitucionalmente estabelecidos, que devem, de acordo com a Constituição, limitar a 
atuação do STF. 
 
9. Metodologia 
 
 A pesquisa será feita através da análise empírica dos quatro requisitos 
constitucionais nas trinta e duas súmulas editadas até o início do trabalho (agosto de 
2011), com a leitura dos julgamentos dos casos apontados como precedentes para a 
edição das mesmas e dos debates para a aprovação de súmula. 
 Inicialmente, é preciso definir os conceitos usados pelo texto constitucional, 
quais sejam: “reiteradas decisões”, “controvérsia atual”, “grave insegurança jurídica” e 
“relevante multiplicação de processos”. As definições serão feitas através de busca pelo 
uso do termo em julgamentos do STF anteriores à Emenda 45, assim como com a 
leitura das discussões do Congresso Nacional para a aprovação da disposição sobre 
súmulas, e das definições trazidas pela doutrina que trata sobre o tema. 
 
46 GARCIA, Dínio de Santis. Efeito vinculante dos julgados da Corte Suprema e dos Tribunais 
Superiores. Revista dos Tribunais, n. 734. p. 40. 
47 NOBRE JÚNIOR, Edílson Pereira. in: Revista do Tribunal Federal 5ª Região. N. 41. julho/setembro 
2000. 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 93Em seguida, será analisada a presença dos requisitos em cada uma das súmulas, 
de duas formas: analisando-se os quatro critérios na jurisprudência da Corte (por 
exemplo, se há reiteradas decisões sobre o tema) assim como as discussões para a 
edição das súmulas. Como resultado, visa-se chegar a uma visão geral do cumprimento 
ou não dos requisitos e das alterações neste cumprimento ao longo dos cinco anos em 
que as súmulas vinculantes puderam ser editadas. 
 
10.Cronograma 
 
Ano Ago Set Out Nov Dez Mar Abr Mai Jun Jul 
Escolha do orientador x 
Encontros com o orientador x x x x x x x x x x 
Levantamento e revisão da bibliografia x x 
Elaboração do projeto de pesquisa x x 
Elaboração dos instrumentos de pesquisa x x x 
Coleta de dados x x x x 
Análise e discussão dos dados x x x x x x X 
Elaboração do primeiro capítulo (para entrega) x 
Redação final x 
Defesa do Trabalho de Curso x 
 
11. Plano de exposição 
 
INTRODUÇÃO 
1 O Surgimento das Súmulas Vinculantes no Direito Brasileiro 
1.1 A Emenda 45 
1.2 Os critérios estabelecidos no texto constitucional para a edição de súmulas 
1.2.1:Reiteradas decisões 
1.2.2.Controvérsia atual 
1.2.3.Grave insegurança jurídica 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 94
1.2.4. Relevante multiplicação de processos 
2 As Súmulas Vinculantes editadas pelo STF: breve resumo dos fatos 
3 Avaliação da aplicação dos critérios constitucionais às súmulas editadas: análise 
empírica 
3.1. Reiteradas decisões 
3.2 Controvérsia atual 
3.3. Grave insegurança jurídica 
3.4. Relevante multiplicação de processos 
4. Avaliação da aplicação dos critérios constitucionais às súmulas editadas: análise das 
discussões de edição das súmulas 
CONCLUSÃO 
 
12. Bibliografia provisória 
 STRECK, Lenio Luiz. Súmulas no direito brasileiro: eficácia, poder e função, 2ª ed. 
Lugar: editora, 1998 
ROSASM Roberto, Direito Sumular. 4a Ed. In: São Paulo: Revista dos Tribunais, 
1989. 
 
_____. Súmula vinculante: uma necessidade. In: Revista Síntese de Direito Civil e 
 Processual no. 05, 2000. 
 
BRASIL, Debate e Aprovação de Enunciado das Súmulas Vinculantes. DJ 
17.06.2007. 
 
GRECO, Leonardo. Novas súmulas do STF e alguns reflexos sobre o mandado de 
 segurança. Disponível na Internet: 
 ww.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=238 . Acesso em 22 de 
 setembro de 2011 
 
LAMMY, Marcelo. CONCI, Luiz Guilherme Arcaro. Reflexões sobre as Súmulas 
 Vinculantes. In: TAVARES, André R. LENZA, Pedro. ALARCÓN, Pietro de Jesús 
 L. Reforma do Judiciário analisada e comentada. São Paulo:Método, 2005. 
 
LINS E SILVA, Evandro. Crime de Hermenêutica e súmula vinculante. In: Consulex, 
METODOLOGIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)
FGV DIREITO RIO 95
 n.º 5, mai, 1997. 
 
MANCUSO, Rodolfo de Camargo. Divergência Jurisprudencial e Súmula 
Vinculante. 2.ª 
 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2001. 
 
GARCIA, Dínio de Santis. Efeito vinculante dos julgados da Corte Suprema e dos 
 Tribunais Superiores Revista dos Tribunais, n. 734. 
 
VIGLIAR, José Macelo Menezes. A Reforma do Judiciário e as Súmulas 
 Vinculantes. In: TAVARES, André R. LENZA, Pedro. ALARCÓN, Pietro de Jesús 
 L. Reforma do Judiciário analisada e comentada. São Paulo: Editora Método, 
 2005. P. 285 – 293. 
 
WALD, Arnald. MARTINS, Ives Gandra da Silva. O Efeito Vinculante das Decisões 
 Judiciais. In: Consulex, n.º 1, jan, 1997. s. p. (Versão em CD-ROM) 
 
SORMANI, Alexandre & SANTANDER, Nelson Luis. Súmula Vinculante: um 
estudo 
 a luz da Emenda Constitucional nº 45 de 08.12.2004. Curitiba: Juruá Editora, 2ª Ed, 
 2008, 
 
MELLO, Patrícia Perrone. Precedentes. 1ª ed.Editora Renovar: Rio de Janeiro, 2008. 
 
DIAS, Marcus Gil Barbosa. A evolução histórica das súmulas vinculantes do STF. 1ª 
 Ed. Schoba Editora, 2009, 
 
NOBRE Jr., Edilson Pereira. Súmula Vinculante – o desafio de sua implementação. 
 São Paulo: MP Editora, 2008. Pp. 46-47. 
 
NOBRE JÚNIOR, Edílson Pereira. in: Revista do Tribunal Federal 5ª Região. N. 41. 
julho/setembro 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 96
CRISTINA NACIF ALVES
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de 
Janeiro (1992), mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio 
de Janeiro (2007) e doutorado em Educação pela Universidade Federal 
do Rio de Janeiro (2012). Atualmente é pesquisadora da Universidade 
Federal do Rio de Janeiro e coordenadora de ensino da FGV DIREITO RIO.
TCC II — ELABORAÇÃO DE PROJETO
FGV DIREITO RIO 97
FICHA TÉCNICA
Fundação Getulio Vargas
Carlos Ivan Simonsen Leal
PRESIDENTE
FGV DIREITO RIO
Joaquim Falcão
DIRETOR
Sérgio Guerra
VICE-DIRETOR DE ENSINO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
Rodrigo Vianna
VICE-DIRETOR ADMINISTRATIVO
Thiago Bottino do Amaral
COORDENADOR DA GRADUAÇÃO
André Pacheco Teixeira Mendes
COORDENADOR DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA
Cristina Nacif Alves
COORDENADORA DE ENSINO
Marília Araújo
COORDENADORA EXECUTIVA DA GRADUAÇÃO

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