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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUI DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL PATRICK DIOGO MARIANO SCHUH O USO DO EPS NA CONSTRUÇÃO CIVIL: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE O CONCRETO LEVE COM EPS E O CONCRETO CONVENCIONAL Santa Rosa (RS) 2017 PATRICK DIOGO MARIANO SCHUH O USO DO EPS NA CONSTRUÇÃO CIVIL: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE CONCRETO LEVE COM EPS E O CONCRETO CONVENCIONAL Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Engenharia Civil da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUI, apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro Civil. Orientadora: MSc. Paula Weber Prediger Santa Rosa (RS) 2017 PATRICK DIOGO MARIANO SCHUH O USO DO EPS NA CONSTRUÇÃO CIVIL: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE CONCRETO LEVE COM EPS E O CONCRETO CONVENCIONAL Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de ENGENHEIRO CIVIL e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora. Santa Rosa, 06 de julho de 2017. ____________________________ Prof. MSc. Paula Weber Prediger Mestre pela Universidade de Passo Fundo (UPF) – Orientadora ___________________________ Prof. MSc. Diorges Carlos Lopes Mestre pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Coordenador do Curso de Engenharia Civil/UNIJUÍ BANCA EXAMINADORA ________________________ Prof. MSc. Daiana Frank Bruxel Mestre pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - Banca Dedico este trabalho e conquista à Deus, minha mãe Lucila Mariano, meu amor e minha família, colegas e professores. À minha orientadora pelo apoio, incentivo e dedicação. A todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a construção do conhecimento apresentado neste trabalho. AGRADECIMENTOS Primeiramente, a Deus, obrigado por permitir a conquista deste sonho! À minha família e minha namorada, pelo amor, carinho e incentivo nas horas mais difíceis. Obrigada por acreditarem em mim! À minha orientadora pela compreensão, paciência e privilégio de dividir comigo um grande aprendizado durante todo o desenvolvimento deste trabalho. Meu reconhecimento e gratidão pelo auxílio prestado. Ao laboratorista da Unijuí – Campus Santa Rosa/RS, Marcos Tres pelo apoio na realização de todos os ensaios laboratoriais. À Unijuí, colegas e todos os professores que tive o privilégio de conhecer durante toda minha tragetória acadêmica, pelo conhecimento repassado e seu exemplo que levarei como espelho para minha carreira profissional. Meus sinceros agradecimentos. ―A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo.‖ Albert Einstein RESUMO SCHUH, Patrick D. M. O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre concreto leve com EPS e o concreto convencional. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Civil, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Santa Rosa, 2017. O presente trabalho de conclusão de curso faz uma análise através de um estudo teórico e da execução de um programa prático experimental, das propriedades físicas e mecânicas obtidas nos ensaios de corpos-de-prova realizados com amostras de concreto leve, produzidos com a substituição dos agregados graúdos por pérolas de poliestireno expandido (EPS), em diferentes proporções (60% e 100%) e em diferentes idades (7 e 28 dias), relacionando-os com os valores obtidos nas amostras de corpos-de-prova de concreto confeccionado na forma convencional (cimento-areia-brita). Os resultados mostraram significativa redução em sua massa específica, quando comparado aos valores obtidos no concreto convencional. Além disso, apontaram que a utilização de pérolas de EPS, em substituição ao agregado graúdo no concreto é viável, no entanto reduz significativamente os valores obtidos de resistência à compressão, mas ainda assim atingindo resultados satisfatórios para aplicação nas mais diversas formas de utilização onde o concreto convencional pode ser aplicado, no entanto, sendo excluída sua aplicação com função estrutural. Palavras-chave: Poliestireno expandido. Concreto convencional. Concreto leve. ABSTRACT SCHUH, Patrick D. M. O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre concreto leve com EPS e o concreto convencional. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Engenharia Civil, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, Santa Rosa, 2017. The present study, trough teorical research and a practical and experimental program, analyses physical and mechanical properties of specimens made of lightweight concrete, produced replacing coarse aggregates with expanded polystyrene pearls (EPS) in different proportions (60% and 100%) and tested at different ages (7 and 28 days), comparing these results with the ones obtained testing specimens made of conventional concrete (cement-sand- gravel). The results have shown significant reduction of the specific mass, comparing to the values obtained with conventional concrete. Beyond that, pointed out that using EPS pearls, replacing concrete coarse aggregates is viable, however, significantly reduces the compression strength, but still reaching satisfactory results for application in the most diverse ways conventional concrete can be applied, being excluded, however, the application with structural function. Keywords: Expanded polystyrene. Conventional concrete. Lightweight concrete. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Laje com enchimento em EPS executada......................................................30 Figura 2: Sistema de laje com enchimento de EPS.......................................................31 Figura 3: Painéis autoportantes de EPS........................................................................32 Figura 4: Instalação dos painéis autoportantes de EPS.................................................33 Figura 5: Aplicação do jato de argamassa sobre os painéis..........................................34 Figura 6: Aspecto final da parede com EPS.................................................................34 Figura 7: Isolamento térmico com EPS realizado sobre a impermeabilização.............36 Figura 8: Isolamento térmico com EPS realizado sob a impermeabilização................37 Figura 9: Câmara frigorífica revestida com EPS..........................................................38 Figura 10: Piso flutuante produzido com EPS..............................................................38 Figura 11: Junta de dilatação com EPS.........................................................................39 Figura 12: Painéis divisórios com EPS.........................................................................40 Figura 13: Cimento Portland Composto……………………………………………...45 Figura 14: Separação das amostras de material………………………………………48 Figura 15: Secagem do material em estufa…………………………………………...48 Figura 16: Pérolas de EPS…………………………………………………………….49 Figura 17: Conjunto de peneiras sucessivas utilizado..................................................51 Figura 18: Quarteador mecânico utilizado no ensaio....................................................52 Figura 19: Amostras do agregado miúdo armazenadas nas caixas de recolhimento do quarteador......................................................................................................................53Figura 20: Processo de divisão do agregado graúdo em quatro partes iguais...............53 Figura 21: Processo de divisão do agregado miúdo em quatro partes iguais................54 Figura 22: Determinação 1 e 2 do agregado miúdo......................................................54 Figura 23: Determinação 1 e 2 do agregado graúdo.....................................................55 Figura 24: Processo de peneiramento do agregado graúdo...........................................56 Figura 25: Recipiente utilizado no ensaio.....................................................................57 Figura 26: Colocação da amostra de forma a ocupar 1/3 do volume total do recipiente.......................................................................................................................57 Figura 27: Haste de adensamento.................................................................................58 Figura 28: Colocação da amostra de forma a ocupar 2/3 do volume total do recipiente.......................................................................................................................58 Figura 29: Colocação da amostra de forma a ocupar 3/3 do volume total do recipiente.......................................................................................................................59 Figura 30: Pesagem das amostras..................................................................................59 Figura 31: Frasco de Chapman………………………………………………………..61 Figura 32: Pesagem de 500g de material……………………………………………...62 Figura 33: Frasco de Chapman com 200cm³ de água destilada………………………62 Figura 34: Colocação do material pesado no frasco com auxílio do funil……………63 Figura 35: Realização da segunda leitura com resultado de 390,00cm³.……………..64 Figura 36: Verificação da temperatura da água para o ensaio………………………..65 Figura 37: Frasco de Le Chatelier submergido em água……………………………...66 Figura 38: Pesagem de amostra de cimento Portland a ser ensaiada…………………67 Figura 39: Realização da leitura final………………………………………………...68 Figura 40: Determinação da Massa Imersa Líquida………………………………….69 Figura 41: Determinação da Massa SSS Líquida……………………………………..70 Figura 42: Determinação da determinação da Massa Seca...........................................70 Figura 43: Gráfico para a determinação da relação a/c em função das resistências do concreto e do cimento aos 28 dias de idade…………………………………………..72 Figura 44: Concreto com acréscimo de 100% de EPS pronto………………………..78 Figura 45: Corpos-de-prova moldados……………………………………………….80 Figura 46: Corpos-de-prova desmoldados e identificados……………………………80 Figura 47: Corpos-de-prova armazenados na câmara úmida…………………………81 Figura 48: Preenchimento do molde com o concreto………………………………...82 Figura 49: Recipiente totalmente preenchido………………………………………...83 Figura 50: Medição do abatimento do concreto convencional……………………….84 Figura 51: Medição do abatimento do concreto leve com EPS (concentração de 60%)..............................................................................................................................84 Figura 52: Colocação da amostra no recipiente………………………………………86 Figura 53: Processo de rasamento…………………………………………………….86 Figura 54: Processo de pesagem……………………………………………………...87 Figura 55: Execução do rompimento dos corpos-de-prova…………………………..88 Figura 56: Gráfico comparativo da massa específica………………………………..103 Figura 57: Gráfico comparativo da resistência à compressão………………………..105 Figura 58: Corpos-de-prova do concreto com acréscimo de 100% de EPS rompidos aos 7 dias…………………………………………………………….........................106 Figura 59: Corpos-de-prova do concreto referência rompidos aos 7 dias…………..107 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Características normativas para o EPS – NBR 11752 (2016)….…………..29 Tabela 2: Teores dos componentes do cimento Portland Composto ….………..........46 Tabela 3: Exigências químicas......................................................................................46 Tabela 4: Exigências físicas e mecânicas......................................................................47 Tabela 5: Propriedades físico-químicas da Cascola Cascorez Extra............................49 Tabela 6: Resultados do ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo…………………………………………………………………………………96 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Estimativa do consumo de água por metro cúbico (m³) de concreto em função do diâmetro máximo característico do agregado e do abatimento da mistura...........................................................................................................................73 Quadro 2: Determinação do Consumo de Agregado Graúdo (Cb)…………………...74 Quadro 3: Resumo das misturas do concreto................................................................77 Quadro 4: Resumo das misturas do concreto................................................................78 Quadro 5: Especificações dos moldes para os ensaios característicos..........................79 Quadro 6: Resultados dos ensaios de caracterização dos materiais utilizados.............89 Quadro 7: Resultados do ensaio de composição granulométrica da brita…………….90 Quadro 8: Resultados do ensaio de composição granulométrica da areia……………91 Quadro 9: Resultados do ensaio de determinação da massa unitária compactada……92 Quadro 10: Resultados do ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman…………………………………........................93 Quadro 11: Resultados do ensaio de determinação da massa específica do cimento Portlant………………………………………………………………………………..94 Quadro 12: Resultados do primeiro ensaio de resistência à compressão axial dos corpos-de-prova cilíndricos referência........................................................................100 Quadro 13: Resultados da consistência.......................................................................102 Quadro 14: Resultados de massa específica................................................................103 Quadro 15: Resultados da resistência à compressão axial..........................................104 Quadro 16: Usos e aplicações do concreto leve e concreto convencional..................108 LISTA DE SIGLAS ABCP Associação Brasileira de Cimento Portland ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRAPEX Associação Brasileira do Poliestireno Expandido ACI American Concrete Institute CFC Clorofluorcarboneto EPS Poliestireno Expandido GEE Gases de Efeito Estufa IDHEA Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica NBR Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas MF Módulo de Finura ONU Organização das Nações Unidas ONUBR Organização das Nações Unidas no Brasil PET Polietileno Tereftalato PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PP Polipropileno PVA Acetato de Polivinila PVC Cloreto de Polivinila SBCI Sustainable Buildings and Climate Initiative LISTA DE UNIDADES cm³ centímetro cúbico ºC grau Celsius g grama Kg quilograma Kg/m² quilograma por metro quadrado Kg/m³ quilograma por metro cúbico Kg/L quilograma por litro KPa quilopascal L litro L/m³ litro por metro cúbico m metro m² metro quadrado m³ metro cúbico mm milímetro MPa megapascal s segundos SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................19 1.1 CONTEXTO ................................................................................................... 20 1.2 PROBLEMA ................................................................................................... 21 1.2.1 Questões de pesquisa ................................................................................. 22 1.2.2 Objetivos de pesquisa ................................................................................ 22 1.2.2.1 Objetivo geral ........................................................................................... 22 1.2.2.2 Objetivos específicos ................................................................................ 22 1.2.3 Delimitação ................................................................................................. 23 2 REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................... 25 2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .................................................... 25 2.2 O POLIESTIRENO EXPANDIDO ................................................................ 27 2.3 USO E APLICAÇÕES DO EPS NA CONSTRUÇÃO CIVIL ...................... 29 2.3.1 Enchimento de lajes e fôrmas para concreto .......................................... 30 2.3.2 Painéis autoportantes ................................................................................ 32 2.3.3 Isolamento térmico e acústico ................................................................... 35 2.3.3.1 Isolamento térmico de lajes impermeabilizadas ....................................... 35 2.3.3.2 Isolamento térmico de câmaras frigoríficas ............................................. 37 2.3.3.3 Isolamento acústico – piso flutuante ........................................................ 38 2.3.4 Juntas de dilatação .................................................................................... 39 2.3.5 Painéis divisórios ........................................................................................ 40 2.3.6 Concreto leve com EPS ............................................................................. 40 2.4 CONCRETO CONVENCIONAL .................................................................. 42 3 PROGRAMA PRÁTICO EXPERIMENTAL .............................................. 44 3.1 MATERIAIS ................................................................................................... 45 3.1.1 Características dos materiais utilizados .................................................. 45 3.1.1.1 Cimento ..................................................................................................... 45 3.1.1.2 Agregados Miúdo e Graúdo ..................................................................... 47 3.1.1.3 Cola branca extra-adesiva (PVA) ............................................................ 48 3.1.1.4 Pérolas de Poliestireno Expandido (EPS) ................................................ 49 3.2 MÉTODOS ..................................................................................................... 50 3.2.1 Ensaios de caracterização dos materiais .................................................. 50 3.2.1.1 Ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo (NBR NM 248/2003).......................................................................50 3.2.1.2 Ensaio de determinação da massa unitária compactada do agregado graúdo (NBR NM 45/2006)……………………………………………………………….56 3.2.1.3 Ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman (NBR 9776/1987 e NBR NM 52/2009)……………………60 3.2.1.4 Ensaio de determinação da massa específica do cimento Portland (NBR 6474/2001)………………………………………………………………………………….65 3.2.1.5 Ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo (NBR 53/2009)……………………………………………………………………………………..69 3.2.2 Estudo de dosagem do concreto ................................................................ 71 3.2.2.1 Fixação da relação água/cimento (a/c) .................................................... 72 3.2.2.2 Estimativa do consumo de água do concreto (Cag) ................................. 73 3.2.2.3 Estimativa do consumo de cimento (Cc) .................................................. 73 3.2.2.4 Estimativa do consumo de agregados ...................................................... 74 3.2.2.5 Apresentação do traço inicial do concreto referência teste ..................... 75 3.2.2.6 Correção do traço inicial do concreto referência teste e apresentação do traço definitivo……………………………………………………………………………..76 3.2.3 Produção e preparo das amostras de corpos-de-prova .......................... 77 3.2.3.1 Processo de mistura .................................................................................. 77 3.2.3.2 Moldagem das amostras ........................................................................... 79 3.2.4 Determinação das propriedades física e mecânica ................................. 81 3.2.4.1 Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone ......... 81 3.2.4.2 Determinação da Massa Específica ......................................................... 85 3.2.4.3 Determinação da resistência à compressão axial .................................... 87 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS .............................. 89 4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS .................................................... 89 4.1.1 Composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo ................ 90 4.1.2 Massa unitária compactada do agregado graúdo ................................... 92 4.1.3 Massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman . 93 4.1.4 Massa específica do cimento Portland ..................................................... 94 4.1.5 Massa específica do agregado graúdo ...................................................... 95 4.2 DOSAGEM DO CONCRETO ....................................................................... 97 4.2.1 Resultado da relação água/cimento (a/c) ................................................. 97 4.2.2 Resultado do consumo de água do concreto (Cag) ................................. 97 4.2.3 Resultado da estimativa do consumo de cimento (Cc) ........................... 97 4.2.4 Resultado da estimativa do consumo de agregados ................................ 98 4.2.5 Traço inicial do concreto referência teste ................................................ 99 4.2.6 Correção do traço inicial do concreto referência teste e traço definitivo.................................................................................................................. 99 4.3 PROPRIEDADES FÍSICA E MECÂNICA ................................................. 102 4.3.1 Consistência pelo abatimento do tronco de cone .................................. 102 4.3.3 Massa específica ....................................................................................... 102 4.3.4 Resistência à compressão axial ............................................................... 104 4.4 USOS E APLICAÇÕES DO CONCRETO LEVE E CONCRETO CONVENCIONAL................................................................................................108 5 CONCLUSÃO ................................................................................................... 110 5.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS……………………………112 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 113 19 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 1 INTRODUÇÃO O atual contexto contemporâneo apresenta uma crescentepreocupação mundial com a preservação do meio ambiente, nos mais variados setores da sociedade. A construção civil, inserida no quadro de exploração desse meio, através da extração ilimitada de recursos naturais (areia, água, brita), ou pela poluição causada pelos entulhos produzidos, e até mesmo pelo grande consumo de energia em suas obras, vem buscando soluções que visem minimizar os impactos socioambientais, preservar os recursos naturais e melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas a partir da construção de obras mais econômicas e sustentáveis (JOHN, 2000, p. 25). Segundo Bertol (2015, p. 12) a partir de então, vêm sendo desenvolvidos estudos, programas e normas que abordam a questão do esgotamento dos recursos naturais não renováveis. Aliada a isso, o desenvolvimento de novas tecnologias proporcionou o surgimento de novas ideias de matéria-prima, substituindo assim os materiais tradicionais por materiais alternativos. Na opinião de Wieczynski e Sehnem (2015, p. 1) frente ao cenário atual, é importante que se desenvolvam materiais de construção cada vez mais ecológicos e que não agridam o meio ambiente, seja tanto em seu processo produtivo, bem como no resultado final, sendo viáveis financeiramente. Bauer (2012, p. 2) argumenta que a tecnologia avança com rapidez e o engenheiro precisa estar atualizado para poder aproveitar as técnicas mais avançadas, utilizando materiais de melhor padrão e menor custo. Além disso, deve estar sempre atento aos novos conhecimentos e invenções, de modo que o estudo dessa matéria seja uma constante em toda a sua vida profissional. O poliestireno expandido (EPS) se adequa a esses parâmetros, além de ser um material 100% reciclável. Isopor é um plástico celular rígido que pode apresentar uma variedade de formas e aplicações. De acordo com Paiva (2011, p. 12) sua utilização na construção civil brasileira iniciou em 1990, mas somente nos últimos anos, com o desenvolvimento de sistemas construtivos mais modernos, vem conquistando relevância no setor, que está sempre em busca de novas tecnologias de materiais para atingir a eficiência e conforto em seus projetos. As propriedades do EPS mostram-se favoráveis para esse mercado, entre suas características se destaca a sua leveza, capaz de gerar a redução de custos por diminuir a carga 20 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. das fundações, além do benefício de ser um ótimo isolante térmico e acústico (ISOFÉRES, 2016). Diante de tantas possibilidades de uso do EPS dentro da construção civil, destaca-se o seu uso na preparação do concreto leve, que pode ser utilizado em obras de pequeno, médio e grande porte. Segundo Sousa (2015, p. 4) este começou a ser desenvolvido em 1957 na Alemanha e apresenta uma série de vantagens sobre o concreto convencional (cimento, areia e brita). Algumas hipóteses surgiram para auxiliar na obtenção desses objetivos, as quais revelam que o uso do EPS em substituição aos agregados graúdos na produção do concreto, resulta em uma menor massa específica, redução do volume total de concreto, da energia utilizada no transporte e no processo construtivo e, ainda, do consumo de energia no condicionamento térmico das edificações, somente não podendo ser utilizado com função estrutural, pois não garante uma vez só suficiente os valores necessários de resistência à compressão. Neste estudo será realizado um programa prático experimental, desenvolvido junto ao Laboratório de Engenharia Civil, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Unijuí, do Campus da cidade de Santa Rosa, com o objetivo de estudar e analisar a substituição de diferentes proporções de agregado graúdo por pérolas de EPS (60% e 100%), verificando ao final as propriedades físicas e mecânicas dos traços realizados nas idades de ensaio de 7 e 28 dias, comparando-as aos resultados obtidos nos ensaios de corpos-de-prova do concreto produzido de forma convencional (cimento, areia e brita) que será denominado concreto referência. 1.1 CONTEXTO O tema deste estudo é a utilização de pérolas de poliestireno expandido, em substituição parcial ou total do agregado graúdo (brita) utilizado na produção de concreto, que passa a ser denominado concreto leve, realizando assim um estudo comparativo entre este tipo de concreto e o concreto preparado de forma convencional. Como justificativa para a realização deste estudo, pode-se afirmar que é iminente necessidade do setor da construção civil adotar sistemas construtivos mais sustentáveis, utilizando de novos e modernos materiais capazes de gerar menos impactos ao meio ambiente. 21 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Nesse contexto, o poliestireno expandido apresenta-se como um material capaz de oferecer inúmeras vantagens ao setor, pois segundo Bauer (2012, p. 694), pode ser utilizado nas mais variadas aplicações dentro de uma obra, como por exemplo: enchimentos de lajes, concreto leve, forros, pisos flutuantes, oferecendo uma considerável economia de energia à construção. Além disso, mostra-se um material leve, de fácil manuseio e moldagem capaz de oferecer ainda economia no prazo da obra, bem como em seu custo final. É, pois, com o intuito de contribuir para a ampliação de conhecimentos, sobre essa tão atual temática, que será intensificada a sua reflexão, pois o EPS vem vivenciando nos últimos anos um enorme crescimento dentro do setor da moderna construção civil. Vislumbra-se, contudo, o despertar de uma consciência sustentável, onde engenheiros e arquitetos passem a buscar tecnologias eficientes, e materiais mais sustentáveis que ofereçam melhor custo-benefício a seus projetos. 1.2 PROBLEMA Para John (2000, p. 27) o setor da construção civil é responsável por mais de 50% dos impactos provocados ao meio ambiente e, desse modo, a temática passa a possuir especial relevância frente à necessidade de incentivo ao uso de materiais alternativos que utilizem as mais avançadas tecnologias e proporcionem alta produtividade, oferecendo excelente qualidade, custo acessível, e em um processo construtivo de baixo impacto ambiental. A Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (ABRAPEX), que tem como objetivo o desenvolvimento, aperfeiçoamento, promoção e a defesa de tudo que se relaciona com uso e aplicação de produtos de EPS, incentivando os estudos e homologação de normas técnicas e de qualidade que assegurem a correta aplicação e uso de produtos de EPS, afirma que sempre que não haja exigência de resistência a grandes esforços, esse tipo de concreto pode ser usado com grande redução de peso em elementos das edificações. Além do baixo peso, suas qualidades isolantes ampliam suas possibilidades de utilização no setor da construção civil. Considerando todas as possíveis vantagens do EPS, resta saber qual a influência que o mesmo provoca quando inserido ao concreto em substituição parcial ou total do agregado graúdo, o que será objeto principal deste trabalho. 22 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 1.2.1 Questões de pesquisa Questão principal Emcomparação com o concreto convencional (produzido com areia, brita e cimento), quais propriedades físicas e mecânicas apresenta o concreto leve produzido com pérolas de EPS? Questões secundárias Quais as possíveis aplicações do concreto leve? Quais as vantagens e desvantagens do uso do EPS no setor da construção civil? Na produção do concreto leve podem ser utilizados resíduos de EPS proveniente de reciclagem? 1.2.2 Objetivos de pesquisa 1.2.2.1 Objetivo geral Abordar as principais formas de uso e aplicações do EPS no setor da construção civil, mais especificamente a sua utilização em forma de pérolas de poliestireno expandido (EPS), em substituição parcial ou total do agregado graúdo (brita) utilizado na produção de concreto leve. 1.2.2.2 Objetivos específicos a) Abordar as peculiaridades e características do material poliestireno expandido; b) Analisar a viabilidade do uso do EPS na composição e produção do concreto leve, investigando quais as suas possíveis aplicações dentro da obra; c) Desenvolver uma revisão bibliográfica e dos dispositivos normativos existentes sobre a produção de concreto e concreto leve; 23 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. d) Realizar ensaios de laboratório visando caracterizar os agregados a serem utilizados na produção do concreto convencional e do concreto leve; e) Elaborar o traço a ser utilizado bem como, calcular a quantidade de material necessária para a produção dos concretos; f) Produzir corpos-de-prova de concreto convencional (referência) e de concreto leve adotando o traço elaborado como padrão e utilizando diferentes concentrações de EPS (60% e 100%) dosados em volume; g) Submeter os corpos-de-prova produzidos aos ensaios de resistência à compressão axial, ensaio de abatimento de tronco de cone e massa específica, para posterior análise comparativa dos resultados obtidos; 1.2.3 Delimitação O presente trabalho é composto de cinco capítulos. Inicialmente, o primeiro capítulo traz a introdução, apresentando o contexto da pesquisa juntamente com a delimitação do problema, as questões de pesquisa, o objetivo geral e os objetivos específicos, bem como a delimitação do trabalho. O segundo capítulo apresenta a revisão de literatura, abordando os seguintes temas: desenvolvimento sustentável; o poliestireno expandido; uso e aplicações do EPS na construção civil; enchimento de lajes e fôrmas para concreto; isolamento térmico e acústico; isolamento térmico de lajes impermeabilizadas; isolamento térmico de câmaras frigoríficas; isolamento acústico – piso flutuante; juntas de dilatação; painéis divisórios; concreto leve com EPS e concreto convencional. O terceiro capítulo apresenta o programa prático experimental realizado: os materiais e métodos utilizados; as características dos materiais utilizados; os ensaios de caracterização dos materiais; o estudo de dosagem do concreto; a produção e preparo das amostras de corpos-de- prova; a determinação das propriedades física e mecânica: determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone; determinação da massa específica e determinação da resistência à compressão axial. 24 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O quarto capítulo apresenta os resultados obtidos e sua análise, de cada um dos ensaios de caracterização dos materiais, de cada uma das etapas do estudo de dosagem do concreto, e das propriedades física e mecânica: consistência pelo abatimento do tronco de cone; massa específica e resistência à compressão axial. O quinto capítulo apresenta a conclusão e, ao final do trabalho, são apresentadas as referências que auxiliaram na fundamentação teórica. 25 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 2 REVISÃO DE LITERATURA Para o desenvolvimento deste trabalho, tornou-se necessário obter um embasamento teórico, a fim de facilitar o entendimento e explicação de todos os elementos deste estudo. Dessa forma, a revisão de literatura se estrutura nos seguintes itens: desenvolvimento sustentável, o poliestireno expandido, uso e aplicações do EPS na construção civil, findando com a abordagem do concreto leve com EPS. 2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Ao longo do tempo, no decorrer da evolução humana, desenvolveu-se um grande avanço científico e tecnológico nas mais diversas áreas do conhecimento. Mas, aliado a esse grande avanço, o crescimento populacional e a falta de um consumo consciente produziram efeitos indesejados e preocupantes, os quais demonstraram a necessidade de criação de um novo modelo de desenvolvimento (BERTOL, 2015, p. 13). Instituído no ano de 1972, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), uma agência do Sistema das Nações Unidas (ONU) considerada como a principal autoridade global em meio ambiente, passou a executar ações de promoção e conservação do meio ambiente, defendendo o uso eficiente de recursos com base no desenvolvimento sustentável (ONUBR, 2016). Segundo Trevisan (2012, p. 5): Dados da principal iniciativa entre os atores públicos e privados do setor, o Sustainable Buildings and Climate Initiative (SBCI), entidade ligada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma ou Unep, em inglês), aponta que a construção civil é uma das atividades de maior pegada ecológica em nosso planeta. Segundo esse programa, a construção consome 40% de toda energia, extrai 30% dos materiais do meio natural, gera cerca de 40% dos resíduos sólidos dos centros urbanos, consome 25% da água e ocupa 12% das terras. Infelizmente, a construção também não fica atrás quando se trata de emissões atmosféricas, respondendo por mais de 30% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Frente a essa necessidade, em 1983, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (World Comission on Environment and Development), a qual publicou em 1987 o relatório intitulado de ―Nosso Futuro Comum‖ (Our Common Future), que ficou mais conhecido como The Brundtland Report. Foi por meio deste relatório que o conceito de desenvolvimento sustentável passou a orientar as políticas 26 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. ambientais e ser incorporado de forma definitiva, como aquele que é capaz de atender as necessidades exigidas no presente, sem que isso seja capaz de afetar ou diminuir a capacidade das futuras gerações de suprir as suas próprias necessidades (ONU, 1991, p. 15). Nesse viés, é fundamental constatar-se que a utilização dos recursos naturais de forma irracional, esgotando as riquezas naturais do planeta, a produção exagerada de resíduos, que não recebem a destinação correta, seja por meio da reciclagem ou reutilização, contribuindo para o aumento da poluição, exige a urgente mudança de hábitos e adoção de iniciativasa fim de difundir, praticar e apoiar projetos sustentáveis (BERTOL, 2015, p. 14). O incentivo a utilização e criação de projetos que utilizem novos materiais e técnicas menos poluentes, que produzam construções de baixo impacto ambiental é indubitavelmente necessário, pois ―[…] a implementação de construções sustentáveis e ecológicas irá somar significativos benefícios ao meio ambiente como um todo, auxiliando no ―bem estar‖ do Planeta e trazendo maior qualidade de vida para as pessoas‖ (TREVISAN, 2012, p. 6). Segundo dados das Nações Unidas, as construções respondem por 1/3 do total de emissões de gases de efeito estufa. Nas edificações, as emissões são prioritariamente provenientes do uso de energia, sendo de 80 a 90% geradas na etapa de uso e operação (aquecimento, condicionamento de ar, ventilação, iluminação e equipamentos). Outros 10 a 20% estão ligados à extração e ao processamento de matérias-primas, à fabricação de produtos e à etapa de construção e demolição. O movimento de terra no local pode também ser alto emissor, principalmente em obras de infraestrutura (ONUBR, 2016). O Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (IDHEA, 2011) apresenta as diretrizes gerais para edificações sustentáveis, as quais podem ser resumidas em nove passos principais, que seguem as recomendações de alguns dos principais sistemas de avaliação e certificação de obras no mundo. São eles: 1. Planejamento Sustentável da obra; 2. Aproveitamento passivo dos recursos naturais; 3. Eficiência energética; 4. Gestão e economia da água; 5. Gestão dos resíduos na edificação; 6. Qualidade do ar e do ambiente interior; 7. Conforto termo-acústico; 8. Uso racional de materiais, e, 9. Uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis. 27 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. De tal modo, o setor de construção civil tem grandes desafios pela frente, tendo como base, diretrizes como estas apresentadas acima, para que efetivamente ponham-se em prática obras mais sustentáveis. Callister Jr. e Rethwisch (2013, p. 12) referem que: Os recursos não renováveis estão tornando-se gradualmente mais escassos, o que exige (1) a descoberta de reservas adicionais, (2) o desenvolvimento de novos materiais que possuam propriedades comparáveis e que apresentem um impacto ambiental menos adverso e/ou (3) maiores esforços de reciclagem e o desenvolvimento de novas tecnologias de reciclagem. Como uma consequência dos aspectos econômicos, não somente relativos à produção, mas também ao impacto ambiental e a fatores ecológicos, está se tornando cada vez mais importante considerar o ciclo de vida complete dos materiais ―desde o berço até o túmulo‖, levando-se em consideração o processo global de fabricação. 2.2 O POLIESTIRENO EXPANDIDO A maioria dos plásticos conhecidos e utilizados na atualidade surgiu a partir da Segunda Guerra Mundial. Segundo Bauer (2012, p. 688), as necessidades causadas pela própria guerra contribuíram para o aperfeiçoamento dos mesmos, que hoje vem sendo consumidos em grande quantidade na indústria da construção civil, e em vários países, vem ocupando um lugar de destaque juntamente a outros materiais empregados tradicionalmente. Através da realização de testes e pesquisas na área, foi possível obter técnicas de aplicação de novos materiais, entre eles o poliestireno expandido (EPS), capaz de oferecer e garantir uma série de benefícios ao setor da construção civil, ramo que exige grandes investimentos tanto econômicos como tecnológicos (SANTOS, 2013, p. 114). Entre a grande variedade de plásticos existentes, estima-se que o poliestireno expandido (EPS) foi descoberto em 1949 pelos químicos Fritz Stastny e Karl Buchholz, em um laboratório localizado em Basf, na Alemanha. De acordo com a Associação Brasileira do Poliestireno Expandido (ABRAPEX), no país, o material plástico é mais conhecido como "Isopor®", marca registrada da Knauf Isopor Ltda., e designa, comercialmente, os produtos de poliestireno expandido, comercializados por essa empresa (PAIVA, 2011, p. 12). Yazigi (2014, p. 592) ao abordar o EPS, o define como: [...] isolante térmico obtido por processo especial de expansão do estireno polimerizado em uma ou várias fases, resultando em um corpo poroso, de estrutura celular fechada, em que aproximadamente 98% do seu volume é constituído de ar, e 2% de poliestireno. É produzido em várias formas: placas de várias espessuras, blocos maciços ou vazados, 28 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. meia-cana, segmentos, perfis, recipientes granulados etc. Sua massa específica aparente é de 10kg/m³ a 15kg/m³. Sua resistência à compressão é de 0,53kgf/cm² a 0,70kgf/cm². Em síntese, compreende-se o EPS, como um plástico celular rígido, resultante da polimerização do estireno em água. Um fator importante a ser considerado, é que em seu processo de produção não é utilizado nenhum gás CFC (clorofluorcarboneto), altamente nocivos à camada de ozônio. Na realização do seu processo de expansão, é utilizado o gás pentano (hidrocarbureto), o qual se deteriora rapidamente sem causar danos ao meio ambiente. Assim, surge o produto final dessa reação: pérolas de cerca de três milímetros de diâmetro expandidas em até 50 vezes do seu tamanho inicial, utilizando vapor para moldá-las nas mais diversas formas (ABRAPEX, 2008). Segundo Smith e Hashemi (2012, p. 332), os plásticos consistem de um grande e variado grupo de materiais sintéticos que são processados por conformação ou moldagem em formas. Para eles, os plásticos são considerados um dos materiais poliméricos mais importantes na indústria, juntamente com os elastômeros. É fundamental compreender que um material polimérico sólido contém muitas partes quimicamente ligadas ou unidades que são ligadas para formar um sólido. Dessa forma, considerando essas ligações químicas e estruturais, é possível dividir os plásticos em duas classes: termoplásticos e termofixos. Nesse sentido Bauer (2012, p. 689) adota ainda uma importante subclassificação, dividindo os plásticos em três tipos principais: a. termoplásticos: são aqueles que amolecem quando aquecidos, sendo então moldados e posteriormente resfriados. No entanto, não perdem suas propriedades neste processo, podendo ser novamente amolecidos e moldados; b. termofixos: nestes, o processo de moldagem resulta da reação química irreversível entre as moléculas do material, tornando-o duro e quebradiço, não podendo ser moldado outra vez; c. elastômetros: são um grupo à parte, assim chamados por apresentarem grande elasticidade, sendo, também, denominados borracha sintética. Adotando como base essa classificação, é possível entender que após o processo de expansão do poliestireno expandido, este se torna uma espuma termoplástica. Neste grupo de termoplásticos, também se encontra os polietilenos (de alta densidade; baixa densidade; e baixa densidade linear), o polipropileno (PP), o cloreto de polivinila (PVC) e o polietileno tereftalato (PET) (MONTENEGRO, 2002, p. 125). 29 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ,2017. Desta forma, o EPS é produzido em duas versões: Classe P, não retardante à chama e Classe F, retardante à chama. Além disso, é apresentado em 3 grupos de massa específica aparente: Tipo I (13 a 16kg/m³), Tipo II (16 a 20kg/m³) e Tipo III (20 a 25kg/m³) (SANTOS, 2013, p. 114). Cabe ainda referir as características exigíveis para o EPS. Segundo a NBR 11752 (2016) – ―Materiais celulares de poliestireno para isolamento térmico na construção civil e refrigeração industrial – Especificação‖, norma que estabelece os requisitos para o uso de materiais celulares de poliestireno para isolamento térmico na construção civil e refrigeração industrial nas temperaturas entre - 54°C e + 74°C exige as seguintes características normativas do EPS, conforme a Tabela 1: Tabela 1: Características normativas do EPS – NBR 11752 (2016) Fonte: NBR 11752 (2016) Importa, à luz do disposto anteriormente, abordar a seguir, os mais diversos usos e aplicações do poliestireno expandido no ramo da construção civil. 2.3 USO E APLICAÇÕES DO EPS NA CONSTRUÇÃO CIVIL O poliestireno expandido vem ocupando um lugar de destaque junto a outros materiais frequentemente utilizados na área da construção civil. Considerado um material isolante da melhor qualidade, leve, resistente, de fácil manuseio e baixo custo, apresenta ainda inúmeras outras qualidades já abordadas anteriormente, pelas quais é possível verificar as vantagens que o 30 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. mesmo pode trazer ao setor da construção civil, como por exemplo: a economia no corte, na mão- de-obra, no uso de equipamentos e também na redução no tempo de execução da obra. (HELENA, 2009, p. 13) Neste mesmo sentido, manifesta-se Yazigi (2014, p. 592) o qual aborda que basicamente o material pode ser utilizado como forma de proteção e isolamento térmico, seja de lajes, telhados, paredes, dutos, ou ainda na confecção de pisos flutuantes, placas-sanduíches, moldes para concreto decorativo, além de juntas de dilatação, caixões perdidos utilizados na forma de blocos para lajes. O autor aponta ainda à utilização do material em forma de pérolas, em substituição a pedra britada, empregada em concretos leves. Realizada essa primeira abordagem, cumpre destacar ainda, as principais formas de uso e aplicações possíveis do poliestireno expandido na construção civil, as quais serão abordadas nos itens seguintes. 2.3.1 Enchimento de lajes e fôrmas para concreto A leveza e resistência do EPS favorecem a sua utilização no enchimento de lajes e fôrmas para concreto. Segundo a Abrapex (2006, p. 9), ―o produto pode ser usado até 10kg/m³ e oferecer até 50KPa nos materiais produzidos dentro das normas da ABNT, classificação PI – NBR 11752 (2016)‖, o que provoca uma menor sobrecarga da estrutura da construção, já que a laje com enchimento em EPS (Figura 1) a torna muito mais leve. Dessa forma, é importante que o cálculo seja especificado para uso do EPS, reduzindo-se, portanto todo o dimensionamento da estrutura e das fundações. Figura 1: Laje com enchimento em EPS executada Fonte: ISOFÉRES, 2016 31 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Além disso, o uso do EPS na laje proporciona uma economia em face da substituição de parte da argamassa pelo EPS. Tessari (2006, p. 28) ressalta que para estes casos pode-se utilizar tanto o EPS em placas quanto em flocos, em matéria-prima virgem ou até mesmo reciclada. Dessa maneira, todas as lajes que necessitam, tanto por questões técnicas ou de estética, que o nível seja elevado, podem adotar a opção de enchimento conjugado com EPS. Quanto às aplicações do EPS, a Abrapex (2006, p. 9-10) coloca que: Como forma simples é usado sempre que as condições da obra dificultam a retirada da forma convencional após a cura. É usado como revestimento da madeira da forma e pela sua qualidade semi-elástica permite a retirada da forma facilmente e sem perdas significativas. Usado em lajes nervuradas em uma só direção ou em grelha, permite o acabamento num único plano inferior, com grande economia de cimbramento, mão-de- obra e tempo. Também no caso de detalhes complexos em relevos ou recortes no concreto, o EPS pode ser recortado e aplicado dentro das formas de madeira de tal modo que, ao serem retiradas, se obtém os relevos ou recortes desejados no concreto acabado. Assim, verifica-se que o EPS além de ser utilizado como forma de lajes, pode também ser empregado no enchimento de lajes, onde o isopor é colocado apoiado sobre a estrutura guardando uma distância que logo após será preenchida de concreto dando o acabamento (Figura 2). Figura 2: Sistema de laje com enchimento de EPS Fonte: SAHECC LAJES, 2017 Percebe-se que o uso do EPS na confecção de lajes apresenta-se como uma alternativa favorável e extremamente viável a obra. Por ser um material de fácil corte e montagem, sua colocação que é feita do mesmo modo que com os blocos cerâmicos, mas com muito menos 32 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. esforço e com o transporte interno na obra bem mais rápido, permite uma economia de mão de obra de quase 50%. Já na concretagem da laje, não é necessário fazer a quebra de blocos, e como as juntas são tão justas, quase não há desperdício com a nata do cimento. Com isso a superfície inferior da laje fica limpa e bem plana, permitindo um revestimento com menor consumo de argamassa (HELENA, 2009, p. 22). 2.3.2 Painéis autoportantes Segundo a ABRAPEX (2006), é possível utilizar também o EPS na produção de painéis autoportantes utilizando a argamassa armada, a qual reveste o sistema com um miolo de EPS (Figura 3), criando assim um painel que montado antes da aplicação de argamassa torna-se monolítico depois de pronto, criando assim uma edificação à prova de abalos sísmicos, leve, além de muito confortável. Esses painéis também são usados também como lajes de cobertura e até piso. Com isso, pode-se obter um processo construtivo sem perdas e com grande economia de escala. Figura 3: Painéis autoportantes de EPS Fonte: ABRAPEX, 2006 Na figura 4, é possível visualizar o processo de montagem desses painéis autoportantes realizado após a concretagem das fundações que são calculadas para suportar apenas 100kg/m² de paredes e tetos, deixando nelas pontas de ferro para a amarração dos painéis que são montados no prumo e amarrados entre si por grampos ou arame recozido. Esse sistema dispensa o uso de 33 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. pilares e vigas, evitando assim o desperdício com fôrmas de madeira e escoramento das vigas. Além disso, fazem menos sujeira e requerem menos recursos como ferro e cimento, sendo por isso mais ecológicas. Entre as suas vantagens estão: leveza, facilidade e rapidez de execução, reduçãodos desperdícios e bom isolamento térmico e acústico, já que o material é isolante (REVISTA PAPO BACANA, 2017). As tubulações de água e eletrodutos são facilmente inseridas nos painéis, após abrir seu espaço com calor. Figura 4: Instalação dos painéis autoportantes de EPS Fonte: Paredes Betel, 2015 Segundo a empresa Paredes Betel (2015), que realiza obras utilizando esse sistema de painéis autoportantes em EPS, o acabamento da parede é realizado com um jato de argamassa (Figura 5), dos dois lados com a ajuda de uma máquina, o que transforma o frágil isopor em uma parede sólida (isopor + grelhas + argamassa), com uma resistência 30% maior que a dos tijolos. 34 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 5: Aplicação do jato de argamassa sobre os painéis Fonte: Revista Papo Bacana, 2017 Ao ser concluída a casa fica com aspecto de casa de alvenaria, porém com paredes mais delgadas e leves (Figura 6). Figura 6: Aspecto final da parede com EPS Fonte: Téchne, 2007 https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwja0cfN4MfUAhWEI5AKHQy6DdwQjRwIBw&url=https://www.pinterest.se/pin/404972191472698689/&psig=AFQjCNGXx0NV_ND5aQndJ94e3d0Xpc1ZAA&ust=1497887684681087 https://www.google.com.br/url?sa=i&rct=j&q=&esrc=s&source=images&cd=&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwja0cfN4MfUAhWEI5AKHQy6DdwQjRwIBw&url=https://www.pinterest.se/pin/404972191472698689/&psig=AFQjCNGXx0NV_ND5aQndJ94e3d0Xpc1ZAA&ust=1497887684681087 35 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 2.3.3 Isolamento térmico e acústico O isolamento térmico e acústico é um fator considerado pelos profissionais da construção civil, no momento da elaboração de seus projetos, tendo em vista que a principal finalidade da habitação é proteger o morador do desconforto e agressões provocados pela própria da natureza. Para Costa (2012, p. 220) é possível obter uma melhora significativa do conforto térmico do interior das habitações utilizando técnicas construtivas econômicas, simples e racionais e de aproveitamento das condições favoráveis da natureza para o condicionamento ambiental. Dessa forma, diminuem-se os gastos com energia já que se estabilizam as estruturas devido às variações de temperatura. A NBR 15575-5 (2013) ―Edificações habitacionais — Desempenho, Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas‖ estabelece os requisitos e critérios de desempenho requeridos para os sistemas de coberturas para edificações habitacionais. Uma destas técnicas consiste em utilizar um material isolante, como por exemplo, o EPS, que como já mencionado anteriormente possui ótimas propriedades térmicas. Nos itens seguintes serão abordadas as principais aplicações do EPS utilizado como isolante térmico. 2.3.3.1 Isolamento térmico de lajes impermeabilizadas A impermeabilização das lajes faz uso de produtos específicos com objetivo de proteger as diversas áreas contra a ação da água. Não se recomenda hoje construções de lajes com coberturas expostas ao sol, sem a colocação do isolamento térmico, devido a danos na dilatação e ao desconforto térmico que a sua ausência pode causar. Conforme Tessari (2006, p. 32): O conhecimento das diversas alternativas para a isolação térmica dos elementos de edificação serve de subsídio para a elaboração de projetos visando a economia de energia ou, em grande parte do território nacional, para encontrar soluções construtivas que propiciem condições satisfatórias de conforto térmico aos usuários sem utilizar equipamentos de condicionamento ambiental. Dentre os produtos atualmente verificados no mercado nacional, para isolamento térmico de lajes impermeabilizadas, o EPS é um dos mais eficientes. Sua fixação é fácil e obtém-se o isolamento desejado com espessuras bem delgadas. Não se admite hoje em dia lajes de cobertura expostas ao sol sem isolamento térmico, seja pela dilatação que destruirá a impermeabilização rapidamente, seja pelo desconforto que isso ocasiona. Para adotar cobertura em laje são analisados diferentes fatores como: acessibilidade, isolamento térmico, inércia térmica, ventilação, proteção do elemento estanque (material que 36 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. impermeabiliza como: manta asfáltica e borracha líquida) e controle de difusão do vapor. Fica a cargo do projetista a escolha entre os fatores citados da melhor opção que acate as exigências construtivas e seja viável economicamente (PAIVA, 2011, p. 23). O isolamento de lajes impermeabilizadas pode ser executado de duas maneiras: Isolamento térmico sobre a impermeabilização e isolamento térmico sob a impermeabilização. Quando o isolamento térmico é realizado sobre a impermeabilização, conforme se visualiza na Figura 7, as placas de EPS são fixadas com o próprio material de fixação impermeabilizante. Isso somente não é realizado quando o fixador contiver em sua fórmula algum tipo de solvente orgânico que podem vir a danificar e destruir o EPS. As placas de EPS podem ser fixadas também utilizando asfalto de baixo ponto de fusão (ABRAPEX, 2006, P. 89). Figura 7: Isolamento térmico com EPS realizado sobre a impermeabilização Fonte: ABRAPEX, 2006 Segundo recomendações da Abrapex (2008) ―em lajes de terraços transitáveis, recomenda- se o EPS tipo P2, com densidade aparente de 17 a 20Kg. Pode-se usar o EPS em pérola ou moído, como agregado na argamassa de regularização e enchimento, criando declividades necessárias ao bom escoamento de água‖. O procedimento de colocação das placas de EPS consiste no seguinte: Sobre as placas coloca-se um véu de poliester e sobre este a proteção mecânica de argamassa desempenada. Em lajes de terraço transitável aplica-se o contrapiso para fixação do piso de acabamento. Se for para trânsito de veículos o contrapiso deve ser armado. Deixar juntas de dilatação desde o contrapiso (ABRAPEX, 2008). 37 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Já quando o isolamento térmico é realizado sob a impermeabilização, conforme se visualiza na Figura 8, aplica-se sobre a regularização da laje uma camada impermeável ao vapor de água, seguindo as especificações do isolamento anterior colam-se as placas de EPS, levando em consideração as limitações desse material às altas temperaturas e solventes orgânicos. Após a impermeabilização aplica-se a proteção mecânica ou o contra piso indicado, para o acabamento final (PAIVA, 2011, p. 25). A proteção térmica da impermeabilização, objetiva evitar oscilações térmicas bruscas, reduzir a influência da temperatura em deformações da construção, melhorar o conforto térmico na edificação e, quando aplicada sobre a impermeabilização, aumentar sua vida útil. Figura 8: Isolamento térmico com EPS realizado sob a impermeabilização Fonte: ABRAPEX,2006 2.3.3.2 Isolamento térmico de câmaras frigoríficas O EPS pode ainda ser utilizado no revestimento de câmaras frigoríficas conforme estabelece a NBR 11752, devido as excelentes propriedades do material para uso em isolamento. Segundo o Manual da Abrapex (2006, p. 67), ―o isolamento térmico deve ser feito sempre em duas camadas com juntas desencontradas, onde as espessuras devem variar de acordo com a temperatura de uso e classificação do material‖. A figura abaixo ilustra a montagem de uma câmara frigorífica utilizando o EPS. 38 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 9: Câmara frigorífica revestida com EPS Fonte: ABRAPEX, 2006 2.3.3.3 Isolamento acústico – piso flutuante Como já mencionado anteriormente, o EPS apresenta ótimas propriedade isolantes. Em edifícios de apartamentos e escritórios é necessária a utilização de um sistema construtivo capaz de atenuar os ruídos provocados geralmente por impacto nos pisos, que se transmite pela laje para o ambiente no andar de baixo, que pode ser facilmente sanado com a utilização do piso flutuante (Figura 10). Figura 10: Piso flutuante produzido com EPS Fonte: ABRAPEX, 2006 39 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O processo construtivo consiste em Revestir a laje regularizada com placas de EPS de 20mm de espessura preparadas para essa finalidade. Cobrem-se as placas com um filme leve de polietileno para em seguida aplicar-se o contra piso. Este receberá o piso de acabamento. Deve-se tomar cuidado para que o EPS torne o piso e contrapiso totalmente isolado (TÉCHNE, 2011). Com isso, todo ruído ou impacto que atingir o piso é atenuado não chegando à laje de modo audível no andar de baixo. Esse sistema pode também ser utilizado em paredes entre apartamentos ou casas contíguas, aplicando o EPS entre duas alvenarias delgadas ou até entre uma alvenaria e um revestimento rígido, produzindo os mesmo efeitos na atenuação dos ruídos. 2.3.4 Juntas de dilatação Utilizado como junta de dilatação, o EPS apresenta a vantagem de ser um material durável e elástico para permanecer no local após a concretagem. Além disso, o mesmo não absorve água e apresenta baixo custo, sendo considerado ideal para esta finalidade. Segundo a ABRAPEX (2006), ―ao se concretar uma estrutura com junta de dilatação, o primeiro lance a ser concretado utiliza formas convencionais. Ao se concretar o segundo lance, usam-se placas de EPS como forma entre as partes‖. A figura 11 representa de forma ilustrativa como é realizada a execução desse sistema. Figura 11: Junta de dilatação com EPS Fonte: ABRAPEX, 2006 40 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 2.3.5 Painéis divisórios O EPS pode ser uma alternativa rápida, leve e de fácil montagem para uso em painéis divisórios. Utilizando apenas requadro de madeira nas portas dessas divisórias e guias de metal ou madeira, o EPS é utilizado como miolo, com espessura de no mínimo 35mm. O revestimento externo pode ser feito com aço galvanizado, alumínio, madeira, plástico, fibrocimento ou outros materiais (CONSTRUÇÃO COM EPS, 2015). Na figura abaixo se verifica como pode ser realizada a montagem de um painel divisório com EPS com as vantagens da redução de peso da estrutura, isolação térmica e acústica e economia de mão-de-obra. Figura 12: Painéis divisórios com EPS Fonte: ABRAPEX, 2006 2.3.6 Concreto leve com EPS No concreto leve as pérolas de EPS são utilizadas como elemento de enchimento, e são incorporadas a elementos de maior peso (cimento e areia), para que se obtenha um concreto com maior resistência depois da cura. Segundo Stocco (2009) ―no processo de execução do concreto leve, a porcentagem de pérolas expandidas está entre 60 e 70% (sessenta e setenta por cento) do 41 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. volume do concreto e o restante é mesclado pela estrutura do concreto, decisiva para percentagem do consumo do cimento‖. Segundo a Abrapex (2008), a utilização do concreto leve na obra pode ocorrer: Sempre que não haja exigência de resistência a grandes esforços, esse tipo de concreto pode ser usado com grande redução de peso em elementos das edificações. Além do baixo peso, suas qualidades isolantes ampliam sua utilização dando um grande passo a caminho da industrialização de componentes da construção civil. Assim, as principais aplicações do concreto leve com EPS são na regularização de lajes em geral (inclinação para escoamento), em painéis para fechamento (prédios / casas pré- fabricadas / galpões), uso em mobiliário (bancos para ambientes externos / base para montagem de sofás, balcões e camas), áreas de lazer (quadras de esporte / base de dispositivos para exercícios), pavimentos (calçadas / regularização de áreas diversas / painéis para fechamento de galerias), confecção de elementos pré-fabricados (lajotas / blocos vazados / pilares e placas para muros / elementos vazados / elementos decorativos para fachadas e jardins) (ISOPLAST, 2016). Percebe-se a existência das seguintes Normas Regulamentadoras Brasileiras (NBR) que abordam o incremento do EPS no concreto leve, sendo elas: NBR 7211 (2005) com a emenda 1 (2009), referente a especificação dos agregados para concreto, a qual especifica os requisitos exigíveis para recepção e produção dos agregados miúdos e graúdos destinados à produção de concretos de cimento Portland e a NBR NM 52 (2009), referente a determinação da massa específica e massa específica aparente do agregado miúdo, a qual estabelece o método de determinação da massa específica e da massa específica aparente dos agregados miúdos destinados a serem usados em concreto (ABNT, 2016). Quanto ao modo de preparação e produção do concreto leve, HELENA (2009, p. 42) afere que: No processo de mistura, dissolve-se inicialmente o adesivo solúvel em água, e observam-se as proporções da mistura. Em seguida devem ser colocadas na betoneira as pérolas de EPS, para por último, se colocar o cimento. O tempo de permanência na betoneira deve ser o suficiente para a mistura adquirir a consistência necessária para o lançamento. O autor citado destaca ainda que se deve atentar para o fator água/cimento, pois as pérolas de EPS não absorvem água devido à sua estrutura fechada, além disso, o adensamento do concreto leve com EPS não é o mesmo utilizado no concreto convencional, pois segundo ensaios 42 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. realizados não ocorre evolução na resistência mecânica ao executar oadensamento por vibro- compressão. Como as pérolas de EPS não absorvem água, no manual da Abrapex (2006) é recomendado o uso de um aglomerante (adesivo) que seja solúvel em água, por exemplo, cola branca para madeira ou papel que irá agregar o cimento ao EPS, aumentando assim o seu peso. O processo de produção do concreto leve deve ser realizado da seguinte maneira: No processo de mistura, dissolve-se inicialmente o adesivo em água Em seguida, coloca- se o EPS na betoneira em movimento (o local deve estar protegido de ventos fortes), coloca-se então o adesivo (cola branca para madeira ou papel) dissolvida em água, e após essa mistura, adiciona-se um pouco de cimento. Tão logo o cimento comece a fixar-se no EPS, coloca-se alternadamente o restante de cimento, água e areia. O tempo de agitação da mistura será suficiente quando a massa estiver com a "pega" ideal para ser lançada no local definido (ABRAPEX, 2006, P. 96). 2.4 CONCRETO CONVENCIONAL Os materiais de construção passaram por uma grande evolução ao longo da História. Conforme Bauer (2012, p. 2): Aos poucos foram aumentando as exigências do homem, e, consequentemente, os padrões requeridos. Ele passou a demandar materiais de maior resistência, maior durabilidade e melhor aparência do que aqueles até então empregados. Durante muito tempo só se usou a pedra. Tornava-se necessário um material de confecção e moldagem mais fáceis, que fosse trabalhável como o barro e resistente como a pedra. Surgiu daí o concreto. Na produção do concreto é fundamental a utilização do cimento, principal material de construção usado na atualidade como aglomerante. Pode ser descrito como um material cerâmico que, em contato com a água, produz reação exotérmica de cristalização de produtos hidratados, ganhando assim resistência mecânica (NICOLA, 2010). Atualmente existem vários tipos de concreto produzidos e entre eles estão o concreto convencional e o concreto leve, objeto deste trabalho. O concreto é, basicamente, o resultado da mistura de cimento, água, pedra e areia, sendo que o cimento ao ser hidratado pela água, forma uma pasta resistente e aderente aos fragmentos de agregados (pedra e areia), formando um bloco monolítico. Segundo o Portal do Concreto (2017), o concreto convencional é aquele sem qualquer característica especial e que é utilizado no dia a dia da construção civil. Seu Slump Test (valor 43 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. numérico que caracteriza a consistência do concreto) varia em torno de 40m a 70m, e a sua resistência atinge a partir de 10,0 até 40,0MPa, podendo ser aplicado na execução de quase todos os tipos de estruturas, com os devidos cuidados quanto ao seu adensamento. 44 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3 PROGRAMA PRÁTICO EXPERIMENTAL Realizado o estudo prévio da literatura técnica disponível e buscando alcançar os objetivos propostos neste trabalho, foi desenvolvido um programa prático experimental junto ao Laboratório de Engenharia Civil, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Unijuí, do Campus da cidade de Santa Rosa. Através deste, buscou estudar e analisar a substituição de diferentes proporções de agregado graúdo por pérolas de EPS, verificando ao final as propriedades físicas e mecânicas dos traços realizados, comparando-as aos resultados obtidos nos ensaios de corpos-de-prova do concreto produzido de forma convencional (cimento, areia e brita) que será denominado concreto referência. Inicialmente foram definidas 3 variáveis: a concentração de EPS utilizado na mistura (100% e 60%), o tipo de material produzido (concreto convencional, denominado de referência e concreto leve com EPS) e a idade de ensaio (7 e 28 dias). Além disso, os materiais estudados foram analisados segundo as seguintes técnicas: a) Consistência do concreto convencional e do concreto leve com EPS (60%), medida através do ensaio de abatimento do tronco de cone (NBR NM 67/1998); b) Resistência a Compressão de ambos os concretos (NBR 5739/1994); c) Massa específica no estado fresco (NBR 9778/2005); Para a realização dos traços do concreto convencional (referência) e do concreto leve com EPS, foram utilizados os seguintes materiais: a) Cimento Portland Composto da marca Cimpor (CPII - Z- 32); b) Agregado Graúdo e Miúdo: brita 1 e areia média; c) Pérolas de Poliestireno Expandido (EPS); d) Cola branca extra-adesiva (PVA) da marca Cascorez. Feitas essas primeiras colocações, cabe esclarecer que o presente capítulo tem como objetivo abordar todo o processo e desenvolvimento do programa prático experimental realizado, iniciando pela apresentação dos materiais utilizados, bem como os ensaios realizados para a sua caracterização. Além disso, aborda todo o método de dosagem dos concretos executados, com a posterior produção e preparo das amostras de corpos-de-prova, a fim de possibilitar ao seu final a averiguação e análise dos resultados obtidos. 45 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.1 MATERIAIS 3.1.1 Características dos materiais utilizados 3.1.1.1 Cimento O cimento utilizado foi o Cimento Portland Composto da marca Cimpor (Figura 13), designado pelas siglas: CPII- Z 32. Figura 13: Cimento Portland Composto Fonte: Autoria própria Segundo a NBR 11578 (1991), essas siglas correspondem às adições e às suas classes de resistência, conforme indicados na tabela abaixo apresentada: 46 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Tabela 2: Teores dos componentes do cimento Portland Composto Fonte: NBR 11578/1991 Desta forma, temos a nomenclatura do cimento utilizado: CPII-Z - Cimento Portland composto com pozolana. Além disso, a NBR 11578/1991 estabelece que o cimento Portland composto deve atender às exigências químicas, físicas e mecânicas respectivamente abaixo apresentadas: Tabela 3: Exigências químicas Fonte: NBR 11578/1991 47 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Tabela 4: Exigências físicas e mecânicas Fonte: NBR 11578/1991 Segundo a empresa fabricante InterCement Brasil: O Cimpor CP II Z 32, supera os valores mínimos normatizados pela NBR 11578 para cimentos Portland compostos. É um cimento de qualidade que apresenta secagem rápida e resistência inicial mais elevada. É recomendado para qualquer obra corrente de engenharia civil. O cimento utilizado, bem como os agregados miúdo e graúdo foi adquirido na empresa Schossler Materiais de Construção da cidade de SantaRosa. 3.1.1.2 Agregados Miúdo e Graúdo Tanto na preparação do concreto convencional, bem como do concreto leve com EPS, utilizou-se a brita 1 e areia média. Dessa forma, anteriormente a definição do traço, foram realizados os ensaio de caracterização desses materiais seguindo as recomendações das suas respectivas normas. Para a realização dos ensaios, procedeu-se previamente a separação (Figura 14) e secagem (Figura 15) do material em estufa pelo período de 24 horas. 48 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 14: Separação das amostras de material Fonte: Autoria própria Figura 15: Secagem do material em estufa Fonte: Autoria própria 3.1.1.3 Cola branca extra-adesiva (PVA) Como as pérolas de EPS não absorvem água, no manual da Abrapex (2006) é recomendado o uso de um aglomerante (adesivo) que seja solúvel em água, por exemplo, cola branca para madeira ou papel que irá agregar o cimento ao EPS, aumentando assim o seu peso. Dessa forma, foi utilizada na água do amassamento, a cola branca extra-adesiva (PVA). Segundo o 49 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. fabricante Cascola, a Cascorez Extra ―[...] é um poderoso e forte adesivo à base de PVA, indicado para as colagens de alto desemprenho em madeiras de média e baixa densidade, laminados decorativos, papel, papelão e materiais porosos em geral. Ideal para a montagem de móveis‖. A Tabela 5 apresenta as propriedades físico-químicas deste material segundo estudos realizados pela Henkel Ltda (2012). Tabela 5: Propriedades físico-químicas da Cascola Cascorez Extra Fonte: Henkel Ltda, 2012 A cola utilizada na água do amassamento do concreto leve foi adquirida na empresa Fecopel de Santa Rosa, em embalagem de 500g. 3.1.1.4 Pérolas de Poliestireno Expandido (EPS) As Pérolas de Poliestireno Expandido (EPS) utilizadas no preparo do concreto leve foram adquiridas online, no site Mercado Livre (Figura 16), e segundo informações do fabricante possuem 2 a 5mm. Figura 16: Pérolas de EPS Fonte: Mercado Livre, 2017 http://styroeme.com/eps-perolas.html http://styroeme.com/eps-perolas.html 50 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2 MÉTODOS 3.2.1 Ensaios de caracterização dos materiais Posterior a isso, foram executados os seguintes ensaios de caracterização: ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo, ensaio de determinação da massa unitária compactada do agregado graúdo, ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman, ensaio de determinação da massa específica do cimento Portland e ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo, que serão abordados individualmente nos itens seguintes. 3.2.1.1 Ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo (NBR NM 248/2003) Segundo a UDESC (2017), ―o ensaio de granulometria é utilizado para determinar a distribuição granulométrica, ou em outras palavras, a percentagem em peso que cada faixa especificada de tamanho de grãos representa na massa seca total utilizada para o ensaio‖. Dessa forma, o objetivo principal da realização deste ensaio é conhecer a distribuição granulométrica do agregado e representá-la através de uma curva, possibilitando assim a determinação de suas características físicas. Além disso, também são definidos, no ensaio de granulometria, o módulo de finura e a dimensão máxima (diâmetro máximo) do agregado. A composição granulométrica tem grande influência sobre a qualidade dos concretos, influindo na quantidade de água a ser adicionada e dessa forma, agindo na sua capacidade de resistência e trabalhabilidade. Ela se constitui em um fator responsável pela obtenção de um concreto econômico. Para Helene (1992, p. 226) ―a granulometria ótima é a que, para a mesma resistência (mesmo fator água/cimento) e mesma consistência, corresponde ao menor consumo de cimento ―concreto mais econômico‖. Na realização deste ensaio, foi utilizado um conjunto de peneiras sucessivas, mostradas na Figura 17, (série normal e série intermediária), com tampa e fundo, atendendo as normas da NM- ISO 3310 (1997) ―Peneiras de ensaio – Requisistos técnicos e verificação, Parte 1: Peneiras de ensaio com tela de tecido metálico e Parte 2: Peneiras de ensaio de chapa metálica perfurada‖. A 51 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. indicação da peneira refere-se à abertura da malha ou ao número de malhas quadradas, por polegada linear. Além deste, foram também utilizadas estufa e balança com precisão. As amostras utilizadas neste ensaio foram de brita 1 e areia média. Figura 17: Conjunto de peneiras sucessivas utilizado Fonte: Autoria própria Inicialmente faz-se necessário apresentar algumas definições importantes e necessárias para o entendimento da execução deste ensaio: Determinação: É determinada através de peneiramento, através de peneiras com determinada abertura constituindo uma série padrão. Porcentagem que passa: É o peso de material que passa em cada peneira, referido ao peso seco da amostra; Porcentagem retida: É a percentagem retida numa determinada peneira. Obtemos este percentual, quando conhecendo-se o peso seco da amostra, pesamos o material retido, dividimos este pelo peso seco total e multiplicamos por 100; Porcentagem acumulada: É a soma dos percentuais retidos nas peneiras superiores, com o percentual retido na peneira em estudo; Módulo de Finura: É a soma dos percentuais acumulados em todas as peneiras da série normal, dividida por 100. Quanto maior o módulo de finura, mais grosso será o agregado; Diâmetro Máximo: Corresponde ao número da peneira da série normal na qual a porcentagem acumulada é inferior ou igual a 5%, desde que essa porcentagem seja superior a 5% na peneira imediatamente abaixo (RODRIGUES, 2015, P. 9). 52 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. A primeira etapa realizada foi a coleta das amostras dos agregados a serem utilizados no ensaio: areia média e brita 1, seguida da sua preparação através do processo de secagem em estufa pelo período de 24 horas e processo de quarteamento. Este processo, pode ser definido como uma técnica que visa à redução de massa das amostras (divisão da amostra global em alíquotas com massa menor) para obtenção da amostra final. O quarteamento foi realizado a seco, primeiramente de forma mecânica, utilizando o equipamento denominado quarteador tipo Jones e em seguida de forma manual, utilizando o métododa pilha cônica. O quarteador tipo Jones (Figura 18), é constituído por uma série de calhas inclinadas e montadas, alternadamente, para um lado e para outro. Abaixo do término dessas canaletas, são colocadas as caixas para recolhimento do material, uma do lado esquerdo e outra do lado direito. Figura 18: Quarteador mecânico utilizado no ensaio Fonte: Autoria própria O procedimento prático realizado utilizando esse equipamento consistiu na distribuição do agregado na posição central da grade de maneira lenta e contínua para evitar a obstrução das calhas, utilizando uma colher. Dessa forma, foram obtidas duas amostras do agregado que ficaram armazenadas nas caixas de recolhimento do material (Figura 19). Uma dessas amostras foi escolhida e com ela foi realizado o quarteamento manual, a outra amostra da caixa coletora foi descartada. 53 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 19: Amostras do agregado miúdo armazenadas nas caixas de recolhimento do quarteador Fonte: Autoria própria Após a realização do quarteamento mecânico, procedeu-se a realização do quarteamento manual, através do método da pilha cônica. Dessa forma, a amostra do agregado foi disposta em forma de cone e dividida em quatro partes iguais (Figura 20 e 21), e numeradas de 1 a 4. Figura 20: Processo de divisão do agregado graúdo em quatro partes iguais Fonte: Autoria própria 54 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 21: Processo de divisão do agregado miúdo em quatro partes iguais Fonte: Autoria própria Posteriormente foram escolhidas duas pilhas cônicas em diagonal formada pelas partes ímpares (1 e 3) ou pelas partes pares (2 e 4), conforme demonstrado na figura 22 e figura 23. As duas amostras escolhidas deram origem a determinação 1 e determinação 2, e as outras duas pilhas não utilizadas foram descartadas. Figura 22: Determinação 1 e 2 do agregado miúdo Fonte: Autoria própria 55 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 23: Determinação 1 e 2 do agregado graúdo Fonte: Autoria própria Com as amostras 1 e 2 já preparadas, secas e quarteadas de forma mecânica e manual, deu-se início a realização dos ensaios de determinação da composição granulométrica da brita e da areia, onde foram adotados os procedimentos indicados na NBR NM 248/2003, descritos e demonstrados nas figuras abaixo. O primeiro procedimento realizado foi encaixar as peneiras previamente limpas de modo a formar um único conjunto de peneiras com abertura de malha em ordem crescente da base para o topo. A amostra 1, foi então colocada sobre a peneira superior do conjunto, e realizada a agitação manual do agregado na primeira peneira, para depois passar para as seguintes. Cada peneira foi agitada com movimentos laterais e circulares alternados, tanto no plano horizontal quanto no vertical e inclinado, até conseguir passar o máximo do agregado para a próxima peneira (Figura 24). 56 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 24: Processo de peneiramento do agregado graúdo Fonte: Autoria própria O material retido em cada uma das peneiras foi colocado em bandejas identificadas e a seguir foi escovada a tela da peneira em ambos os lados para limpá-la. O material removido pelo lado interno foi considerado como retido (juntado na bandeja). Posteriormente, procedeu-se à verificação das amostras retidas em todas as peneiras do conjunto, inclusive o fundo, realizando a pesagem das mesmas e registrando os valores obtidos. Os processos realizados foram repetidos com a amostra 2, onde obtiveram-se os resultados relativos a segunda determinação. Os resultados obtidos foram todos registrados para posterior análise. 3.2.1.2 Ensaio de determinação da massa unitária compactada do agregado graúdo (NBR NM 45/2006) Na realização deste ensaio, foram observadas as recomendações da NBR NM 45/2006, ―Agregados – Determinação da massa unitária e do volume de vazios‖. Neste ensaio foram utilizadas 3 amostras de brita 1. Inicialmente, com o agregado já previamente separado e seco em estufa, foi realizada a pesagem do recipiente (Figura 25) para medir a sua massa (Mr). 57 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 25: Recipiente utilizado no ensaio Fonte: Autoria própria A amostra do agregado foi então colocada no recipiente de forma a ocupar 1/3 do volume total do recipiente. Em seguida o agregado foi nivelado com a mão, conforme visualiza-se na Figura 26. Figura 26: Colocação da amostra de forma a ocupar 1/3 do volume total do recipiente Fonte: Autoria própria 58 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. A seguir, foi aplicado 25 golpes com o auxílio da haste de adensamento (Figura 27), em toda a amostra. Figura 27: Haste de adensamento Fonte: Autoria própria Foi novamente realizada a colocação do agregado de forma a ocupar 2/3 do volume total do recipiente (Figura 28) nivelando-o com a mão e em seguida aplicando 25 golpes na amostra utilizando a haste de adensamento. Figura 28: Colocação da amostra de forma a ocupar 2/3 do volume total do recipiente Fonte: Autoria própria 59 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O agregado foi novamente colocado no recipiente de forma a ocupar 3/3 do volume total do recipiente (Figura 29), deixando-o totalmente cheio. Após nivelar o agregado com a mão, foi aplicado 25 golpes na amostra utilizando a haste de adensamento. Figura 29: Colocação da amostra de forma a ocupar 3/3 do volume total do recipiente Fonte: Autoria própria Ao final do ensaio, foi realizada a pesagem do recipiente mais amostra (Mra) conforme a figura 30. Figura 30: Pesagem das amostras Fonte: Autoria própria 60 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. PatrickDiogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Essa sequência de procedimentos realizados e descritos acima, foi repetida nas 3 amostras do agregado ensaiado. Com base nos resultados obtidos através da realização do ensaio e registrados, foi realizado o cálculo da massa unitária compactada do agregado graúdo, utilizando a fórmula da equação (1), abaixo apresentada. (1) Onde: γcompctada = Massa unitária do agregado miúdo (Kg/m³) Mra = Massa do recipiente mais amostra Mr = Massa do recipiente Vr = Volume do recipiente 3.2.1.3 Ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman (NBR 9776/1987 e NBR NM 52/2009) Segundo Bauer (2012, p. 240), a determinação da massa específica de agregado miúdo é feita, conforme a NBR 9776, com auxílio do frasco especial, denominado frasco de Chapman, que permite medir o volume total ocupado pelos grãos da amostra de agregado, cuja massa é previamente medida em estado seco. Segundo a NBR NM 52 (2009), ―a massa específica do agregado é a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, excluindo os poros permeáveis.‖ Dessa forma, através da realização deste ensaio é possível calcular da melhor maneira o agregado, para a elaboração do volume do traço de concreto. A primeira etapa realizada foi a coleta das amostras de areia média, a serem utilizadas no ensaio, seguida da sua preparação através do processo de secagem em estufa pelo período de 24 horas e processo de quarteamento. O quarteamento foi realizado a seco, primeiramente de forma mecânica, utilizando o quarteador tipo Jones e em seguida de forma manual, utilizando o método da pilha cônica, ambos 61 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. os processos realizados conforme descritos no item 3.2.1.1, no ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo. Com as amostras 1 e 2 já preparadas, secas e quarteadas de forma mecânica e manual, deu-se início a realização do ensaio utilizando o frasco de Chapman (Figura 31). Figura 31: Frasco de Chapman Fonte: Autoria própria Primeiramente foi pesado 500g de material (Figura 32) para cada uma das amostras sendo descartado o restante do agregado quarteado. 62 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 32: Pesagem de 500g de material Fonte: Autoria própria Ao frasco graduado de Chapman foi adicionado 200cm³ de água destilada (Figura 33). Figura 33: Frasco de Chapman com 200cm³ de água destilada Fonte: Autoria própria 63 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Com a ajuda do funil, foram colocadas as 500g de material da amostra1 dentro do frasco, conforme demonstra a figura 34. Figura 34: Colocação do material pesado no frasco com auxílio do funil Fonte: Autoria própria O frasco foi então agitado com movimentos circulares até serem removidas todas as bolhas de ar e grãos aderidos à sua parede interna, e realizada a primeira leitura do nível final da água no frasco, que representa o volume de água deslocada pelo material no fundo do frasco. O procedimento foi repetido novamente com a amostra 2, para se obter o resultado da segunda leitura (Figura 35). 64 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 35: Realização da segunda leitura com resultado de 390,00cm³ Fonte: Autoria própria Após a realização de todos os procedimentos descritos acima e ilustrados nas figuras apresentadas, foi utilizada a fórmula da equação (2) abaixo apresentada para a realização do cálculo. (2) Onde: µ = Massa específica do agregado miúdo (Kg/m³) L = Leitura final do frasco (volume ocupado pela água + agregado miúdo) 65 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.1.4 Ensaio de determinação da massa específica do cimento Portland (NBR 6474/2001) O objetivo da realização deste ensaio é determinar a massa específica (massa de uma unidade de volume do material), do cimento Portland, por meio do frasco volumétrico de Le Chatelier, no qual o volume de um corpo, é medido através do deslocamento de um líquido. A amostra utilizada no ensaio foi de cimento Cimpor - CPII-Z 32 - Cimento Portland composto com pozolana. Na execução do ensaio seguiu-se as recomendações da NBR 6474/2001. O primeiro procedimento realizado, foi encher o frasco de Le Chatelier com querosene (líquido não reagente com o cimento), até uma marca entre 0 e 1cm³, com auxílio do funil de haste longa. A seguir, foi seco o colo do frasco volumétrico na parte acima do nível do líquido com papel absorvente. Foi então verificada a temperatura da água, conforme demonstrado na Figura 36. Figura 36: Verificação da temperatura da água para o ensaio Fonte: Autoria própria 66 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O frasco de Le Chatelier foi então submergido na água com temperatura de 24ºC, pelo período de 20 a 30 minutos (Figura 37). Destaca-se que tanto a temperatura final como a inicial se mantiveram constantes durante toda a realização do ensaio. Figura 37: Frasco de Le Chatelier submergido em água Fonte: Autoria própria A seguir, foi realizada a leitura inicial, que determinou os valores obtidos do volume inicial (Vi) e da temperatura inicial (Ti) do líquido. A massa (m) de amostra a ser ensaiada foi pesada (Figura 38) e definida como sendo de 60g cada de cimento Portland (suficiente para causar um deslocamento do líquido entre as marcas 18cm³ e 24cm³, conforme indicado na NBR 6474/2001. 67 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 38: Pesagem de amostra de cimento Portland a ser ensaiada Fonte: Autoria própria A amostra de cimento foi colocada dentro do frasco utilizando o funil de haste curta, atentando para que não ocorresse a aderência de cimento nas paredes internas do frasco,acima do nível do líquido. O frasco foi agitado através de movimentos pendulares até que, voltando-se o mesmo à posição vertical não subissem mais borbulhas de ar, e por fim, foi realizada a leitura final (Figura 39), determinando assim o volume final (Vf) e da temperatura final (Tf). 68 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 39: Realização da leitura final Fonte: Autoria própria Na realização do ensaio, foi possível obter os resultados de leitura que foram registrados e utilizando a fórmula da equação (3), apresentada abaixo, obteve-se a massa específica do cimento Portland. (3) Onde: ρ= Massa específica (Kg/cm³) Vf = Leitura do volume final Vi = Leitura do volume inicial M = Massa inicial do cimento (g) 69 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.1.5 Ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo (NBR 53/2009) Na realização do ensaio para a determinação da massa específica do agregado graúdo foram observadas as recomendações da NBR 53 (2009). Inicialmente foi realizada a coleta das amostras de brita 1 a serem utilizadas no ensaio, seguida da sua preparação através do processo de secagem em estufa pelo período de 24 horas e processo de quarteamento. O quarteamento foi realizado a seco, primeiramente de forma mecânica, utilizando o quarteador tipo Jones e em seguida de forma manual, utilizando o método da pilha cônica, ambos os processos realizados conforme descritos no item 3.2.1.1, no ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo. Com as amostras 1 e 2 já preparadas, secas e quarteadas de forma mecânica e manual, deu-se início a realização do ensaio, lavando a amostra 1 e deixando-a submersa em água por 24 horas. Após isso, foi realizada a sua pesagem em água, determinando assim o valor da primeira determinação da Massa Imersa Líquida (massa em água) conforme demostra a figura 40. Figura 40: Determinação da Massa Imersa Líquida Fonte: Autoria própria 70 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. A amostra 1 foi então seca superficialmente com um pano e pesada, determinando assim o valor da primeira determinação da Massa SSS Líquida (massa saturada superfície seca), conforme a figura 41. Figura 41: Determinação da Massa SSS Líquida Fonte: Autoria própria Posteriormente, a amostra 1 foi colocada em estufa a 105±5ºC por 24 horas, e pesada determinando assim o valor da primeira determinação da Massa Seca (Figura 42). Figura 42: Determinação da determinação da Massa Seca Fonte: Autoria própria 71 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Finalizado o ensaio com a amostra 1, o processo foi repetido com a amostra 2 para obter- se os valores referentes a segunda determinação. Realizados todos os procedimentos acima descritos e ilustrados, obtiveram-se os resultados de leitura do ensaio e utilizando a fórmula da equação (4), apresentada abaixo, se obteve a massa específica do agregado graúdo. (4) Onde: µ = Massa específica do agregado graúdo M = Massa da amostra seca est. líquida Ms = Massa da amostra SSS líquida (massa saturada superfície seca) Ma = Massa da amostra imersa líquida 3.2.2 Estudo de dosagem do concreto Segundo Tango (1993), a palavra dosagem consiste no ―ato de dosar ou o conjunto de procedimentos e decisões que permitem o estabelecimento do traço de concreto‖, enquanto que traço ―é a forma de se dizerem as doses, que são proporções relativas, ou quantidades dos materiais que constituem o concreto‖. Neste sentido ao ser realizada a dosagem do concreto é possível encontrar a mistura que seja a mais econômica na produção de um concreto que apresente características capazes de atender às condições de serviço, utilizando os materiais disponíveis. (SOBRAL, 1980) Realizados todos os ensaios de caracterização dos materiais, foi posteriormente utilizado o Método de dosagem de concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland / ACI – American Concrete Institute, para realizar o estudo de dosagem do concreto. O método de dosagem de concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), é uma adaptação do método americano, que considera tabelas e gráficos elaborados a partir de 72 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. informações experimentais, que permitem a utilização dos agregados que se enquadram nos limites propostos pela norma ABNT NBR 7211 (1983) – ―Agregados para concreto‖. O desenvolvimento do método seguiu etapas definidas, conforme apresenta Rodrigues (1998), as quais serão abordadas individualmente nos itens seguintes. 3.2.2.1 Fixação da relação água/cimento (a/c) A fixação deste parâmetro foi realizada com base nas Curvas de Walz, conforme apresentada na figura 43. A fixação deste parâmetro é feita tomando como referência os critérios de durabilidade e a resistência mecânica requerida pelo concreto nas idades de interesse. Figura 43: Gráfico para a determinação da relação a/c em função das resistências do concreto e do cimento aos 28 dias de idade Fonte: Clube do Concreto, 2015 73 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.2.2 Estimativa do consumo de água do concreto (Cag) O método recomenda a verificação experimental do consumo de água, utilizando-se do ensaio de abatimento de cone, podendo ser utilizado o quadro 1, como um ponto de partida para a estimativa inicial do consumo de água por metro cúbico de concreto. Quadro 1: Estimativa do consumo de água por metro cúbico (m³) de concreto em função do diâmetro máximo característico do agregado e do abatimento da mistura Fonte: ABCP, 2017 3.2.2.3 Estimativa do consumo de cimento (Cc) Determinada a estimativa do consumo de água por metro cúbico de concreto e adotado a relação água/cimento, a estimativa do consumo de cimento foi obtida através da equação (5) abaixo apresentada. (5) Onde: Cc = Consumo de cimento por metro cúbico de concreto (Kg/m³) Cag = Consumo de água por metro cúbico de concreto (L/m³) = 200L/m³ (a/c) = Relação água/cimento = 0,56 74 ______________________________________________________________________________ O uso doEPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.2.4 Estimativa do consumo de agregados No quadro 2, cujos valores foram determinados experimentalmente pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), se apresenta os volumes compactados a seco de agregado graúdo, por metro cúbico de concreto, em função do diâmetro máximo característico do agregado graúdo (φmáx.) e do módulo de finura (MF) do agregado miúdo. Quadro 2: Determinação do Consumo de Agregado Graúdo (Cb) Fonte: ABCP Dessa forma, a estimativa do consumo do agregado graúdo por metro cúbico de concreto é obtido através da equação (6), abaixo apresentada. (6) Onde: Cp = Consumo do agregado graúdo por metro cúbico de concreto (kg/m³) Vpc = Volume compactado seco do agregado graúdo por m³ de concreto = 0,805 MUc = Massa unitária compactada do agregado graúdo por m³ de concreto (kg/m³) = 1653,83 75 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Por sua vez, o consumo de agregado miúdo é obtido através da equação (7) e equação (8), abaixo apresentadas. (7) (8) Onde: Vm = Volume do agregado miúdo por metro cúbico de concreto (m³) γc,γb,γa= Massa específica do cimento, agregado graúdo e da água Cm = Consumo do agregado miúdo (areia) por metro cúbico de concreto (Kg/m³) γm = Massa específica do agregado miúdo (areia) (Kg/m³) 3.2.2.5 Apresentação do traço inicial do concreto referência teste A partir dos dados obtidos como resultados dos ensaios de caracterização dos materiais e do estudo de dosagem do concreto pelo método ABCP, foi feita a representação do traço, com relação ao unitário do cimento através da equação (9), abaixo apresentada. (9) Desse modo, resolvendo a presente equação foi definido o traço inicial do concreto teste e a quantidade de material a ser utilizada para a produção de 1m³ de concreto. 76 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.2.6 Correção do traço inicial do concreto referência teste e apresentação do traço definitivo Tendo definido o traço inicial do concreto referência teste, foram produzidas e preparadas as amostras de corpos-de-prova do concreto teste, que foram desenvolvidas em duas etapas distintas: processo de mistura e moldagem das amostras, seguindo os mesmos procedimentos realizados com o traço definitivo do concreto, e abordados de maneira detalhada, adiante no item 3.2.3. Após realizado todo o processo de mistura, moldagem das amostras, desforma, identificação e armazenamento em câmara úmida até a data de seu rompimento, foi realizado o primeiro ensaio de compressão axial dos corpos-de-prova cilíndricos do concreto referência teste aos 7 dias, seguindo os mesmos procedimentos abordados detalhadamente no item 3.2.4.3. A partir dos resultados obtidos na realização deste ensaio, realizado com objetivo de verificar o comportamento do traço quanto a sua resistência, constatou-se que a resistência que seria obtida aos 28 dias seria muito acima do valor estipulado/desejado, pois o cimento utilizado (Portand CII – Z 32), atinge em média 80% da sua resistência já aos 7 dias, sendo necessário realizar a correção do traço, aumentado o fator água/cimento (a/c). Assim, foi necessário refazer todas as etapas do estudo de dosagem do concreto, abordadas detalhadamente no item 3.2.2 anteriormente apresentado, e definido o traço definitivo através do resultado da equação (9), bem como a nova quantidade de material necessária para a produção de 1m³ de concreto. (9) É importante destacar que o concreto leve produzido foi dosado com o mesmo traço e mesma relação água/cimento, porém com uma substituição de 60% e 100% do agregado graúdo (brita 1) por pérolas de EPS, que foram dosados em volume, (realizando a pesagem da brita em um recipiente padrão e colocando a mesma proporção ocupada pela brita de EPS). 77 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 3.2.3 Produção e preparo das amostras de corpos-de-prova Diante dos resultados e traços já definidos, passou-se ao processo de produção e preparo das amostras, que se desenvolveu em duas etapas distintas: processo de mistura e moldagem das amostras, conforme descritos a seguir. 3.2.3.1 Processo de mistura No processo de mistura dos concretos produzidos, foram observados os traços definidos conforme apresentado no quadro 3, tomando como referência a quantidade de materiais para um metro cúbico (m³) de concreto (Quadro 4). Seguindo-se as recomendações e procedimentos indicados da ABNT NBR 12821 (1993), utilizando uma betoneira de 145 litros, foi realizada a mistura do concreto até obter-se uma mistura homogênea. Quadro 3: Resumo das misturas do concreto Fonte: Autoria própria 78 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Quadro 4: Resumo das misturas do concreto Fonte: Autoria própria O concreto leve com EPS foi preparado adicionando-se inicialmente o EPS na proporção definida na betoneira e em seguida adicionado parte da água misturada com uma pequena quantidade de cola PVA. Com a betoneira já em movimento, foi adicionado o cimento, mais uma parte de água e ao final, foi acrescentada a areia. O resultado da mistura pode ser observado na figura abaixo. Figura 44: Concreto com acréscimo de 100% de EPS pronto . Fonte: Autoria própria 79 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O concreto referência foi preparado adicionando-se inicialmente a brita, em seguida metade da quantidade definida de água e acrescentando aos poucos o cimento. Ao final foi acrescentada mais uma parte de água e colocada a areia. 3.2.3.2 Moldagem das amostras Para o traço do concreto convencional e do concreto leve com EPS, foram utilizados os moldes conforme quantidades e dimensões especificados no quadro 5. Quadro 5: Especificações dos moldes para os ensaios característicos Fonte: Autoria própria No total foram produzidos 19 corpos-de-prova, sendo: 7 de concreto convencional, 6 de concreto levecom EPS na concentração de 60% e 6 de concreto leve com EPS na concentração de 100%. Antes de proceder à moldagem dos corpos-de-prova, os moldes foram revestidos internamente com uma fina camada de óleo mineral. O procedimento de moldagem das amostras (Figura 45) de corpos-de-prova foi realizado, atendendo ao estabelecido na ABNT NBR 5738 (1994), realizando o processo de adensamento manual utilizando uma haste, proferindo 12 golpes em 2 camadas. 80 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 45: Corpos-de-prova moldados Fonte: Autoria própria A desforma dos corpos-de-prova realizou-se 24 horas após o processo de moldagem. Posterior a isso, foi realizada a identificação e medição dos mesmos (Figura 46). Figura 46: Corpos-de-prova desmoldados e identificados Fonte: Autoria própria 81 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Em seguida, os corpos-de-prova foram transportados e armazenados em uma câmara úmida, conforme se verifica na Figura 47, permanecendo neste local até a data de seu rompimento. Figura 47: Corpos-de-prova armazenados na câmara úmida Fonte: Autoria própria 3.2.4 Determinação das propriedades física e mecânica A fim de verificar as propriedades física e mecânica do concreto convencional (denominado nas tabelas apresentadas de referência) e do concreto leve com EPS, foram realizados o teste de slump ―abatimento do tronco de cone‖, o ensaio de resistência à compressão axial e o ensaio de massa específica, conforme será abordado a seguir. 3.2.4.1 Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone A consistência do concreto convencional e do concreto leve com EPS produzido na concentração de 60% foi verificada por meio da realização do teste de slump, também chamado de ensaio de abatimento de cone, conforme a norma técnica NBR NM 67/1998. O ensaio consiste em preencher com uma amostra de concreto fresco um molde de formato de tronco de cone, medindo seu assentamento depois de desenformar. O resultado do 82 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. ensaio indica sua ―consistência‖, ou seja, sua capacidade de se adaptar ao molde de cofragem ou facilidade, mantendo-se consistente com folgas mínimas (CLUBE DO CONCRETO, 2015). A NBR NM 67 (1998) apresenta os procedimentos que devem ser observados na realização do ensaio. Com base nestas recomendações, foi executado o ensaio do concreto convencional e do concreto leve com EPS produzido na concentração de 60%, colocando o molde inicialmente sobre a placa de base, e preenchendo-o com o concreto coletado (Figura 48) em três camadas, cada uma com aproximadamente um terço da altura do molde compactado. Figura 48: Preenchimento do molde com o concreto Fonte: Autoria própria Ainda segundo a norma citada, durante a realização deste procedimento de preenchimento do molde com o concreto de ensaio, o operador deve manter-se posicionado com os pés sobre as aletas do recipiente de forma a mantê-lo estável (Figura 49). 83 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 49: Recipiente totalmente preenchido Fonte: Autoria própria Em seguida, foi realizada a compactação aplicando 25 golpes com a haste de socamento, distribuídos uniformemente sobre a seção de cada camada: na camada inferior, na segunda camada e a camada superior. A superfície do concreto foi rasada com uma desempenadeira. Foi então realizada a limpeza da placa de base e retirada do molde do concreto, levantando-o cuidadosamente na direção vertical. A operação de retirar o molde foi realizada em 5 s a 10 s, com um movimento constante para cima, sem submeter o concreto a movimentos de torção lateral, conforme indicado na NBR NM 67 (1998). Imediatamente após retirar o molde, foi realizada a medição do abatimento do concreto (Figura 50 e Figura 51), determinando a diferença entre a altura do molde e a altura do eixo do corpo-de-prova, que corresponde à altura média do corpo-de-prova desmoldado. 84 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 50: Medição do abatimento do concreto convencional Fonte: Autoria própria Figura 51: Medição do abatimento do concreto leve com EPS (concentração de 60%) Fonte: Autoria própria 85 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Nota-se que no caso do concreto com acréscimo de 100% de EPS o mesmo não é necessariamente plástico e coeso para a realização do ensaio de abatimento, sendo que o resultado do mesmo foi desconsiderado, pois nos dois ensaios consecutivos realizados houve um desmoronamento impedindo a medição do assentamento, procedendo-se conforme prevê a NBR NM 67 (1998): 5.6 Caso ocorra um desmoronamento ou deslizamento da massa de concreto ao realizar o desmolde e esse desmoronamento impeça a medição do assentamento, o ensaio deve ser desconsiderado e deve ser realizada nova determinação sobre outra porção de concreto da amostra. 5.7 Caso nos dois ensaios consecutivos definidos em ocorra um desmoronamento ou deslizamento, o concreto não é necessariamente plástico e coeso para a aplicação do ensaio de abatimento. Dessa forma, através da realização do ensaio do abatimento do tronco de cone, foi possível obter somente os resultados referentes à consistência do concreto convencional e do concreto leve com EPS produzido na concentração de 60%. 3.2.4.2 Determinação da Massa Específica O ensaio de massa específica foi realizado de acordo com as recomendações da NBR 9833 (2008), ―Concreto fresco – Determinação da massa específica, do rendimento e do teor de ar pelo método gravimétrico‖. Na realização deste ensaio foram utilizadas amostras do concreto referência, do concreto com acréscimo de 60% e do concreto com acréscimo de 100% de EPS. Inicialmente após realizar a coletada a amostra a ser ensaiada, a mesma foi colocada no recipiente (Figura 52) em 3 camadas de alturas aproximadamente iguais. 86 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. SantaRosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 52: Colocação da amostra no recipiente Fonte: Autoria própria Em seguida, foi realizado o adensamento manual de cada camada, aplicando 25 golpes de socamento, uniformemente distribuídos em toda a seção transversal do recipiente. No adensamento de cada camada, foi penetrada a haste até ser atingida a camada inferior subjacente e bateu-se levemente na face externa do recipiente até o fechamento de eventuais vazios deixados pela haste. Posteriormente foi efetuado o rasamento da amostra com auxílio da régua metálica (Figura 53), apoiando-a inclinada sobre o topo do recipiente, e efetuado movimentos de vai-e-vem. Figura 53: Processo de rasamento Fonte: Autoria própria 87 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Depois de efetuado o rasamento, foi limpo a superfície externa do recipiente e determinada sua massa realizando a pesagem na balança já tarada (Figura 54). Figura 54: Processo de pesagem Fonte: Autoria própria Como mencionado anteriormente, os processos descritos foram realizado com os 3 tipos de concreto: concreto referência, concreto com acréscimo de 60% e concreto com acréscimo de 100% de EPS, onde os valores obtidos como resultado foram registrados para posterior análise. 3.2.4.3 Determinação da resistência à compressão axial A resistência do concreto referência e dos concretos leve com EPS foi verificada através da realização dos ensaios de compressão axial, conforme estabelece a ABNT NBR 5739 (2007). Todos os corpos-de-prova cilíndricos utilizados foram mantidos em processo de cura úmida até o momento do rompimento, realizado nas idades de 7 e 28 dias. O ensaio de resistência à compressão axial foi realizado utilizando uma prensa automática disponível no laboratório da Unijuí (Figura 55), da marca EMIC, modelo PC 200, e auxílio de um software. 88 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Figura 55: Execução do rompimento dos corpos-de-prova Fonte: Autoria própria 89 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS O presente capítulo apresenta os resultados obtidos e análise de cada um dos ensaios de caracterização dos materiais de forma individualizada, bem como no estudo de dosagem do concreto, e das propriedades físicas e mecânicas obtidas por meio dos ensaios de abatimento do tronco de cone, ensaio de massa específica e de resistência à compressão axial. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS Através da realização de todos os ensaios de caracterização dos materiais: ensaio de determinação da composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo, ensaio de determinação da massa unitária compactada do agregado graúdo, ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman, ensaio de determinação da massa específica do cimento Portland e ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo, foram obtidos os resultados registrados no quadro 6, abaixo apresentado. Quadro 6: Resultados dos ensaios de caracterização dos materiais utilizados Fonte: Autoria própria 90 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Nos itens seguintes deste capítulo, os referidos resultados serão abordados de forma individualizada com o objetivo de demonstrar como foram obtidos. 4.1.1 Composição granulométrica dos agregados graúdo e miúdo Ao término da realização do ensaio da composição granulométrica do agregado graúdo, foram registradas todas as porcentagens retidas e acumuladas em cada uma das peneiras tanto da primeira determinação como da segunda determinação, conforme relacionado no quadro abaixo. Quadro 7: Resultados do ensaio de composição granulométrica da brita Fonte: Autoria própria No quadro apresentado estão identificadas as peneiras utilizadas no ensaio pelo seu número (3‖; 21/2’’; 2’’; 11/2’’; 11/4’’; 1’’; ¾’’; ½‖; 3/8‖; ¼‖; 4‖; 8‖; 16‖; 30‖; 50‖ e 100‖) e seu tamanho de abertura da malha (mm). Através dos dados obtidos verifica-se que o agregado graúdo ensaiado somento começou a ficar retido a partir da peneira ½‖. 91 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. A partir dos resultados obtidos foram calculadas as porcentagens retidas em cada peneira em relação ao peso total da amostra. Na primeira determinação o valor obtido foi de 2243,40 e da segunda determinação obteve-se o valor de 2092,61. Após isso, foi calculada a média de porcentagens retidas nas duas determinações. O módulo de finura foi determinado através da soma das porcentagens retidas acumuladas nas peneiras e dividido por 100, resultando no valor de 6,54. Já o diâmetro máximo do agregado foi determinado em 19,0mm, que corresponde à abertura nominal (em milímetros) da malha da peneira na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5%, em massa. Já o ensaio da composição granulométrica do agregado miúdo, obteve-se os resultados apresentados no quadro abaixo, para a primeira e segunda determinação. Quadro 8: Resultados do ensaio de composição granulométrica da areia Fonte: Autoria própria A partir dos resultados obtidos foram calculadas as porcentagens retidas em cada peneira em relação ao peso total da amostra. Na primeira determinação o valor encontrado foi de 1035,99, e para a segunda determinação o resultado encontrado foi de 884,74. Posteriormente foi calculada a média de porcentagens retidas nas duas determinações. 92 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O módulo de finura foi determinado através da soma das porcentagens retidas acumuladas nas peneiras e dividida por 100, resultando no valor de 1,445. Já o diâmetro máximo do agregado foi determinado em 4,8mm, que corresponde à abertura nominal, em milímetros, da malha da peneira na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5%, em massa. 4.1.2 Massa unitária compactada do agregado graúdo Os resultados obtidos através da realização do ensaio foram registrados, conforme apresentado no quadro 9. A amostra 1, obteve o peso bruto de 41,890Kg. A amostra 2, obteve o peso bruto de 41,580Kg. Já a amostra 3, obteve o peso bruto de 41,650Kg. Quadro 9: Resultados doensaio de determinação da massa unitária compactada Fonte: Autoria própria Dos valores obtidos como peso bruto das 3 amostras ensaiadas, foi descontado o valor da tara de 8,630Kg, e calculada a média das mesmas, onde se obteve o valor de 33,077Kg. Utilizando a fórmula da equação (1), apresentada abaixo, foi realizado o cálculo da massa unitária compactada do agregado graúdo, conforme apresentado abaixo. (1) 93 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. O resultando final da massa unitária compactada do agregado graúdo, obtido foi de 1653,83Kg/m³. 4.1.3 Massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman Os resultados de leitura obtidos após a realização do ensaio, podem ser visualizados no quadro 10. A leitura final da amostra 1, obteve como resultado o valor de 389,00cm³, e a leitura final da amostra 2, obteve como resultado o valor de 390,00cm³. A leitura média das duas amostras utilizadas no cálculo da massa específica do agregado miúdo, foi de 389,50cm³. Quadro 10: Resultados do ensaio de determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco Chapman Fonte: Autoria própria Utilizando a fórmula da equação (2) abaixo apresentada, foi realizado o cálculo massa específica do agregado miúdo. (2) 94 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Como resultado final de massa específica do agregado miúdo por meio do frasco Chapman, obteve-se o valor de 2638,52Kg/m³. 4.1.4 Massa específica do cimento Portland Realizados todos os procedimentos do ensaio, obtiveram-se os seguintes resultados de leitura inicial e final para uma amostra de 60g, apresentados e registrados no quadro abaixo. Quadro 11: Resultados do ensaio de determinação da massa específica do cimento Portland Fonte: Autoria própria Dessa forma, utilizando a equação (3) para realizar o cálculo da massa específica da amostra 1, conforme demonstrado abaixo, obteve-se como resultado o valor de 3157,89Kg/cm³. Amostra 1: (3) 95 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. No cálculo da massa específica da amostra 2, utilizando a equação (3), conforme demonstrado abaixo, através da divisão da massa de cimento introduzida, pela diferença de volume provocada pela adição do cimento, obteve-se como resultado o valor de 3076,92Kg/cm³. Amostra 2: (3) A massa específica do cimento Portland resultante da realização do ensaio, foi obtida através do resultado da média dos valores obtidos na amostra 1 e amostra 2, que foi de 3117,41Kg/cm³. 4.1.5 Massa específica do agregado graúdo O ensaio realizado para a determinação da massa específica do agregado graúdo, obteve o valor da primeira determinação da Massa Imersa Líquida (massa em água), de 1111,23g. E o valor da segunda determinação da Massa Imersa Líquida (massa em água), de 1145,98g. O valor encontrado para a primeira determinação da Massa SSS Líquida (massa saturada superfície seca) foi de 1679,60g. E da segunda determinação da Massa SSS Líquida (massa saturada superfície seca), de 1734,05g. Já o valor da primeira determinação da Massa Seca obtido foi de 1655,25g, e a segunda determinação da Massa Seca, obteve como resultado o valor de 1708,55g. Os referidos valores foram registrados conforme demonstrado na tabela abaixo apresentada. 96 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Tabela 6: Resultados do ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo Fonte: Autoria própria Utilizando a equação (4) para realizar o cálculo da massa específica do agregado graúdo da amostra 1, conforme apresentado abaixo, obteve-se o valor de 2912,28Kg/m³. Amostra 1: (4) Utilizando a equação (4) para realizar o cálculo da massa específica do agregado graúdo da amostra 2, conforme apresentado abaixo, obteve-se o valor de 2905,35Kg/m³. Amostra 2: (4) 97 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Ao final, como resultado do ensaio de determinação da massa específica do agregado graúdo, obteve-se o valor de 2908,81Kg/m³, resultado do cálculo da média dos valores obtidos na amostra 1 e 2. 4.2 DOSAGEM DO CONCRETO 4.2.1 Resultado da relação água/cimento (a/c) Para determinar o fator da relação água/cimento tomou-se como base as Curvas de Walz, conforme já apresentado anteriormente na figura 43. Considerando a resistência normal do cimento utilizado aos 28 dias é de 32MPa e tomando como referência os critérios de durabilidade e a resistência à compressão do concreto requerido aos 28 dias de idade, que é de 27MPa, foi determinada a relação água/cimento em 0,56. 4.2.2 Resultado do consumo de água do concreto (Cag) Utilizando o quadro 1, como um ponto de partida para a estimativa inicial do consumo de água por metro cúbico de concreto, o resultado obtido como estimativa do consumo de água aproximado foi de 200L/m³, pois o resultado obtido no ensaio de granulometria do agregado graúdo determinou o diâmetro máximo como sendo de 19mm, e escolheu-se determinar o Slump com 80±10mm. 4.2.3 Resultado da estimativa do consumo de cimento (Cc) Feita a estimativa do consumo de água por metro cúbico de concreto e adotado a relação água/cimento, a estimativa do consumo de cimento foi obtida através da equação (5), onde se obteve como resultado o valor de 357,14Kg/m³. 98 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. (5) 4.2.4 Resultado da estimativa do consumo de agregados Para obter-se a estimativa do consumo de agregados, foram utilizados os dados do quadro 2, cujos valores foram determinados experimentalmente pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), onde se apresenta os volumes compactados a seco de agregado graúdo, por metro cúbico de concreto, em função do diâmetro máximo característicodo agregado graúdo (φmáx.) e do módulo de finura (MF) do agregado miúdo. Dessa forma, resolvendo a equação (6) abaixo apresentada, obteve-se a estimativa do consumo do agregado graúdo por metro cúbico de concreto de 1331,33Kg/m³. (6) Por sua vez, o consumo de agregado miúdo foi obtido através da equação (7) e a equação (8), que obtiveram como resultado final o valor de 606,86Kg/m³. (7) (8) 99 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 4.2.5 Traço inicial do concreto referência teste A representação do traço, com relação ao unitário do cimento, foi obtida através da equação (9), abaixo apresentada. 1:1,70:3,73:0,56 (9) Desse modo, o traço definido foi: 1:1,70:3,73:0,56, e a quantidade de material a ser utilizado para 1m³ de concreto foi de: 357,14Kg de cimento; 606,86Kg de areia; 1331,33Kg de brita; 200Kg/L água. Foi utilizando na proporção de 0,02m³ para o primeiro teste do traço, onde os materiais ficaram definidos nas seguintes quantidades: 7,14Kg de cimento; 12,14Kg de areia; 26,62Kg; 4Kg/L de água. 4.2.6 Correção do traço inicial do concreto referência teste e traço definitivo As amostras de corpos-de-prova produzidas utilizando o traço inicial do concreto referência teste, rompidas aos 7 dias, obtiveram no ensaio de compressão axial os resultados apresentados no quadro 12. 100 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Quadro 12: Resultados do primeiro ensaio de resistência à compressão axial dos corpos-de-prova cilíndricos referência Fonte: Autoria própria Os resultados apresentados no quadro, demonstram que o traço inicial do concreto referência teste 1:1,70:3,73:0,56, obteve como média 30,64Mpa de resistência à compressão axial dos corpos-de-prova cilíndricos aos 7 dias. Como o cimento utilizado Portand CII – Z 32, atinge em média 80% da sua resistência já aos 7 dias, constatou-se que a resistência que seria obtida aos 28 dias seria muito acima do valor estipulado/desejado. Dessa forma, foi realizada a correção do traço, aumentado o fator água/cimento (a/c) para 0,62. Assim, foi necessário refazer todas as etapas do estudo de dosagem do concreto, abordadas detalhadamente no item 3.2.2 anteriormente apresentado, as quais obtiveram os seguintes resultados abaixo relacionados: 1º Fixação da relação água/cimento (a/c): 0,62; 2º Estimativa do Consumo de Água do Concreto (Cag): 200L/m³; 3º Estimativa do Consumo de Cimento (Cc): 322,58Kg/m³; 4º Estimativa do Consumo de Agregados: Agregado graúdo (Cp): 1331,33Kg/m³; Agregado miúdo (Cm): 633,24Kg/m³; 101 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Utilizando os referidos valores obtidos no novo estudo de dosagem, foi realizada a correção do traço inicial do concreto referência teste, utilizando a equação (9) abaixo apresentada. (9) 1:1,96:4,12:0,62 Desse modo, o traço definitivo ficou definido em: 1:1,96:4,12:0,62., e a quantidade de material a ser utilizado para 1m³ de concreto ficou definida em: 322,58Kg de cimento; 633,24Kg de areia; 1331,33Kg de brita; 200Kg/L água. Esse traço foi aplicado em todas as misturas, tanto no concreto referência, como no concreto leve com EPS, onde os materiais foram utilizados na proporção de 0,02m³, sendo definidos nas seguintes quantidades: Concreto referência: 6,45Kg de cimento; 12,66Kg de areia; 26,62Kg de brita; 4Kg/L de água. Concreto leve com EPS na proporção de 60%: 6,45Kg de cimento; 12,66Kg de areia; 10,65Kg de brita; 60% de EPS (substituindo o volume parcial da brita); 4Kg/L de água. Concreto leve com EPS na proporção de 100%: 6,45Kg de cimento; 12,66Kg de areia; 100% de EPS (substituindo o volume total da brita); 4Kg/L de água. 102 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 4.3 PROPRIEDADES FÍSICA E MECÂNICA Neste item são apresentados de forma detalhada os resultados, bem como o modo como foram obtidos no teste de slump ―abatimento do tronco de cone‖, no ensaio de resistência à compressão axial e no ensaio de massa específica. 4.3.1 Consistência pelo abatimento do tronco de cone Como resultados do teste de abatimento do tronco de cone, obtiveram-se os valores desejados na ordem de 80 ± 10, conforme apresentado no quadro 13. Quadro 13: Resultados da consistência Fonte: Autoria própria Os resultados obtidos de maneira geral mostram uma pequena variação na consistência do concreto referência e do concreto com acréscimo de 60% de EPS. Verifica-se que no quadro 13, não foi apresentado o resultado do ensaio da consistência do concreto com acréscimo de 100% de EPS, pois segundo a NBR NM 67 (1998) o mesmo deve ser desconsiderado, quando o concreto produzido não for necessariamente plástico e coeso para a realização deste ensaio. 4.3.3 Massa específica O concreto com acréscimo de 60% de EPS apresenta conforme indicado no quadro 14, uma massa específica de 14,45Kg/m³, ou seja, uma redução de 33,38% da massa específica em relação ao concreto referência. Já o concreto com acréscimo de 100% de EPS, apresentou uma 103 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. massa específica de 9,20Kg/m³, uma redução de 57,58% da massa específica em relação ao concreto referência e uma redução de 36,33% em relação à massa específica do concreto com acréscimo de 60% de EPS. Quadro 14: Resultados de massa específica Fonte: Autoria própria Dessa forma, os resultados obtidos na realização do ensaio da massa específica indicam a proporcionalidade dos resultados conforme a quantidade de adição das pérolas de poliestireno expandido utilizada, conforme se vislumbra facilmente no gráfico abaixo apresentado. Figura 56: Gráfico comparativo da massa específica Fonte: Autoria própria 104 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Portanto os concretos com aplicação de pérolas de EPS em sua mistura, devidoao peso específico deste material ser bem inferior ao dos materiais constituintes do concreto convencional, apresentaram assim valores de massa específica menor. Além disso, outro fator responsável por essa redução é que a forma das pérolas de poliestireno expandido possibilita uma maior área de contato com a pasta de cimento, o que eleva os vazios no concreto produzido. Sobre este aspecto destaca-se através dos resultados obtidos, que sem dúvida a utilização do EPS no concreto para aplicação em suas mais variadas formas dentro da obra, conforme já explanado no início deste trabalho, gera a grande vantagem de reduzir o peso da construção como um todo. 4.3.4 Resistência à compressão axial Nos ensaios de compressão axial realizados, obteve-se os resultados apresentados no quadro abaixo: Quadro 15: Resultados da resistência à compressão axial Fonte: Autoria própria 105 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Nota-se uma variação significativa da resistência à compressão do concreto, tanto nas amostras do concreto referência, bem como nas amostras de concreto leve com EPS, onde essa variação é distinta conforme a concentração de EPS utilizada. Através do gráfico da figura 57, percebe-se a influência do tipo de concreto na resistência à compressão e a variação desta característica com a idade. Figura 57: Gráfico comparativo da resistência à compressão Fonte: Autoria própria As amostras de concreto referência, atingiram uma resistência média de 27,50Mpa aos 7 dias, e aos 28 dias apresentou uma resistência de 32,03Mpa. Onde se constatou um aumento de 16,47%, dos 7 para os 28 dias, respectivamente. Já as amostras com acréscimo de 60% de EPS, atingiram uma resistência média de 4,90Mpa aos 7 dias, e aos 28 dias apresentou uma resistência de 6,57Mpa. Onde se constatou um aumento de 34,08%, dos 7 para os 28 dias, respectivamente. As amostras com acréscimo de 100% de EPS (Figura 58), atingiram uma resistência média de 106 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 2,66Mpa aos 7 dias, e aos 28 dias apresentou uma resistência de 3,04Mpa. Onde se constatou um aumento de 14,29%, dos 7 para os 28 dias, respectivamente. Figura 58: Corpos-de-prova do concreto com acréscimo de 100% de EPS rompidos aos 7 dias Fonte: Autoria própria Relacionando-se as amostras do concreto com acréscimo de 60% de EPS, com o concreto referência, verifica-se uma redução de 82,18% da resistência à compressão aos 7 dias e redução de 79,49% aos 28 dias. Relacionando-se as amostras do concreto com acréscimo de 100% de EPS, com o concreto referência, verifica-se uma redução de 90,33% da resistência à compressão aos 7 dias e redução de 90,51% aos 28 dias. Percebe-se que a maior variação dos resultados ocorre com o concreto com acréscimo de 100% de EPS. Um dos principais fatores para a redução da resistência é a alteração da porosidade do concreto produzido com a adição do EPS, o que não proporciona grande resistência, pois o aumento de vazios consequentemente gera uma diminuição dos valores de resistência obtidos. 107 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. Cabe ainda relatar as condições de falha apresentada nos corpos-de-prova quando realizado seu rompimento, onde foi possível verificar que nas amostras com emprego de EPS era mais deformável em sua volta, pois ao redor das pérolas de EPS há uma tendência maior de surgimento de fissuras. Nas amostras sem adição do EPS (Figura 59), as condições de falha apresentaram propagação de fissuras mais unidirecionais e concentradas. Figura 59: Corpos-de-prova do concreto referência rompidos aos 7 dias Fonte: Autoria própria Ao utilizar o poliestireno expandido, fica evidente o aumento da porosidade, pois quanto maior a sua concentração na mistura, maior o índice de vazios, e as propriedades de fratura como descontinuidades e fissuras, se propagam, pois o EPS não possui rigidez como possui a brita. 108 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 4.4 USOS E APLICAÇÕES DO CONCRETO LEVE E CONCRETO CONVENCIONAL Os resultados obtidos nos ensaios realizados comprovam que as propriedades físicas e mecânicas do concreto leve produzido com acréscimo de 60% e 100% de EPS, possibilitam seu uso em quase todas as aplicações onde seria utilizado o concreto convencional, conforme demonstrado no Quadro 16, somente com exceção das aplicações com função estrutural (fundações, pilares, vigas e lajes), onde é necessária uma maior resistência do concreto produzido. Em contrapartida, a reduzida massa específica que apresentou o concreto leve, reforça o fato de que quando utilizado possibilita grande redução de peso das peças produzidas, além da facilidade no transporte do material em comparação com o concreto convencional. Quadro 16: Usos e aplicações do concreto leve e concreto convencional Concreto Leve Concreto Convencional Regularização de lajes em geral: inclinação para escoamento. Fundações; Pilares; Vigas; Lajes. Painéis para fechamento: prédios; casas pré-fabricadas e galpões. Escadas; Muros de arrimo. Uso em mobiliário: bancos para ambientes externos; base para montagem de sofás, balcões e camas. Uso em mobiliário; Áreas de lazer: quadras de esporte; base de dispositivos para exercícios. Piscinas; Caixas d'água; Reservatórios. Pavimentos: calçadas; Pisos; Calçadas; 109 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. regularização de áreas diversas; painéis para fechamento de galerias. Guias; Sarjetas. Confecção de elementos pré-fabricados: Lajotas; blocos vazados; pilares e placas para muros; elementos vazados; elementos decorativos (fachadas e jardins). Fabricação de peças pré- moldadas. Fonte: Autoria própria 110 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 5 CONCLUSÃO Diante do desafio do setor da construção civil ir ao encontro da evolução de seus sistemas construtivos, com o aperfeiçoamento dos materiais, técnicas e tecnologias utilizadas, com vista adotar obras cada vez mais sustentáveis, fez com que a presente pesquisa abordasse as possibilidades de utilização do Poliestireno Expandido neste setor, comenfoque principal na substituição do poliestireno expandido pelo agregado graúdo na produção do que se abordou como concreto leve. Além disso, através de um estudo comparativo realizado em caráter experimental, foi possível comparar através de diferentes ensaios as propriedades em que o concreto leve se diferencia do concreto convencional. Com base no programa prático experimental realizado, verifica-se que a substituição do agregado graúdo por pérolas de poliestireno expandido, seja de forma total ou parcial, apresentou resultados satisfatórios, principalmente com relação a trabalhabilidade e redução da massa específica, quando comparado ao concreto convencional produzido (referência). Segundo os ensaios realizados, a resistência à compressão e a massa específica, são as propriedades que mais sofrem alterações com o emprego do EPS. A redução da resistência à compressão, aos 28 dias, nas amostras cilíndricas de corpos-de-prova do concreto leve com acréscimo de EPS, foi de 79,49% e 90,51%, com acréscimo de 60% e 100% respectivamente, quando comparados ao concreto (referência). Um dos principais fatores para a redução da resistência é a alteração da porosidade do concreto produzido que com a adição do EPS não proporciona grande resistência, pois há o aumento de vazios gerando uma diminuição dos valores de resistência obtidos. Quanto aos resultados obtidos nos ensaios de massa específica, o concreto com acréscimo de 60% de EPS, apresentou a redução de 33,38%, em relação ao concreto convencional (referência), e o concreto com acréscimo de 100% de EPS, apresentou uma redução de 57,58%, em relação ao concreto convencional (referência). Isso reforça o fato de que, quando utilizado gera a grande vantagem de reduzir o peso da construção como um todo. Comparando-se o ensaio de abatimento de cone, realizado com o concreto convencional (referência) e com o concreto leve com acréscimo de 60% de EPS, houve variações nos valores 111 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. de abatimento devido à influência das peculiaridades do EPS que faz com que a mistura apresente maior fluidez, contudo não deixando de ter condições para aplicação prática. O comportamento de ruptura do concreto com acréscimo de EPS, também apresentou diferença em relação ao concreto convencional. Este apresentou a propagação de fissuras de forma mais unidirecional e concentrada, enquanto que aquele que continha EPS em sua mistura, apresentou maior tendência de surgimento de fissuras ao redor das pérolas. Conclui-se pela realização deste trabalho, que de maneira geral a substituição do agregado graúdo por pérolas de poliestireno expandido, seja de forma parcial ou total, mostrou-se viável para o emprego em concretos que não necessitem de grande resistência, podendo ser utilizado em quase todas as aplicações onde seria utilizado o concreto convencional, no entanto não podendo ser utilizado com função estrutural. Além disso, apresenta a vantagem de contribuir para o desempenho termo acústico das edificações, o que ajuda as obras a cumprirem os requisitos da Norma de Desempenho NBR 15575 (2013). Acredita-se que, com o passar o tempo, o Poliestireno Expandido aplicado no setor da construção civil, seja um assunto cada vez mais frequente e objeto de estudos e pesquisas hoje escassas. A partir do momento em que for utilizado de maneira mais rotineira, será possível observar e verificar na prática os resultados e vantagens obtidas quando da sua aplicação e tornando possível promover-se um balanço dos seus aspectos positivos e negativos. É necessário, portanto, uma maior atenção às possibilidades de aplicações desse material no setor da engenharia que deve investir em tecnologias que trazem tanto benefícios ao meio ambiente como à sociedade. Além disso, o material é 100% reciclável, havendo a possibilidade de utilização de seus resíduos moídos no preparo do concreto leve, que pode ser uma alternativa vantajosa tanto para o setor privado, como para o setor público que realiza a coleta seletiva, podendo empregar o concreto leve na construção de calçadas, bancos, quadras esportivas e várias outras possibilidades, porém, com exceção de estruturas. Espera-se que o presente estudo ora apresentado, desperte a curiosidade do meio acadêmico para esse assunto que hoje é tão pouco abordado e pesquisado, contribuindo para uma possível mudança de paradigma da indústria da construção civil, que precisa estar cada vez mais focada em um desenvolvimento sustentável, com a redução de custos, racionalização de energia, e conforto termoacústico de suas obras. 112 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. 5.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Considerando que o trabalho desenvolvido envolveu a realização de um estudo prático experimental, existem outros aspectos que podem vir a ser estudados, pesquisados e testados relacionados ao uso do EPS na produção de concreto leve. Destacam-se alguns assuntos que poderiam ser considerados na continuidade deste trabalho como: a utilização de EPS reciclado (triturado) na produção de concreto leve e as propriedades físicas e mecânicas do concreto leve com EPS em outras concentrações. 113 ______________________________________________________________________________ O uso do EPS na construção civil: estudo comparativo entre o concreto leve com EPS e o concreto convencional. Patrick Diogo Mariano Schuh. (patrickdmariano@hotmail.com). Trabalho de Conclusão de Curso. Santa Rosa, DCEENG/UNIJUÍ, 2017. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR NM 45: Agregados. Determinação da massa unitária e do volume de vazios. Rio de Janeiro, 2006. ______. NBR NM 52: Agregado miúdo. Determinação da massa específica e massa específica aparente, Rio de Janeiro, 2009. ______. NBR NM 53: Agregado Graúdo. Determinação de massa específica, massa específica aparente e absorção de água. Rio de Janeiro, 2009. ______. 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