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Semiologia Farmacêutica e Comunicação Interpessoal Prof. Dra. Inajara Rotta A semiologia clínica é o estudo dos sinais e sintomas das doenças, ciência metodizada do diagnóstico clínico, requisito indispensável para a terapêutica e o prognóstico. A semiologia clínica relaciona os sinais e sintomas das doenças que afetam o ser humano, por meio de competências que envolvem o exame clínico (anamnese e exame físico), exames laboratoriais, métodos de diagnóstico por imagem e exames complementares, com o objetivo de identificar as necessidades de saúde do paciente Semiologia Semiologia A palavra anamnese origina-se do grego aná = trazer de novo, e mnesis = memória. Significa, portanto, trazer à memória todos os fatos relacionados à doença e à pessoa doente Semiotécnica consiste na técnica de coleta dos sinais e/ou sintomas para avaliação das necessidades de saúde do paciente Propedêutica ou semiogênese consiste em conhecer e buscar os sintomas e sinais, compreender sua gênese, aprender a coletar os dados da anamnese e do exame físico para avaliação das necessidades de saúde do paciente Sinais x Sintomas O que o paciente sente Percepções humanas Sintomas Achados do examinador Podem ser observados e quantificados Sinais Sintomas constitucionais - quando podem estar relacionados a várias condições clínicas ou doenças de qualquer sistema do corpo. Exemplos incluem febre, tremores, sudorese ou perda de peso. Alguns sinais podem ser também sintomas, como em um paciente que descreve episódios de taquicardia (sintoma) e no qual pode ser medida também a frequência cardíaca aumentada (sinal). Sinais x Sintomas EXEMPLOS Tontura Febre (acima de 38°C) Leucocitose Rouquidão Dispnéia - "Dificuldade de respirar" Taquipnéia (acima de 20 ipm) Petéquias Insônia - "Falta de sono" Perda de peso Náusea - "Enjôo" PA (140/90mmHg) Alopécia Disúria - "Dificuldade de fazer xixi" Dor Tremor Astenia - "Fraqueza" Taquicardia (acima de 100 bpm) Icterícia difusa Edema ++/4 Taquicardia - "Batedeira" Semiologia farmacêutica consiste na aplicação das técnicas e conhecimentos sobre a investigação de sinais e sintomas para a prática farmacêutica. Para o farmacêutico, conhecer técnicas semiológicas é importante a fim de resolver problemas de saúde e problemas relacionados à farmacoterapia, traçar planos terapêuticos conjuntos com o paciente e com a equipe de saúde e ações de seguimento. Semiologia Farmacêutica A maior tarefa do farmacêutico durante a entrevista clínica é obter quantidade suficiente de dados subjetivos e objetivos e relacionar sinais e sintomas aos medicamentos em uso e doenças específicas do paciente. O objetivo é diferenciar aqueles que podem significar novos problemas de saúde sem tratamento, indicadores da efetividade dos tratamentos e problemas de segurança ligados a medicamentos específicos. Semiologia Farmacêutica DADOS OBJETIVOS Podem ser mensurados São observáveis Não são influenciados pela emoção ou parcialidade DADOS SUBJETIVOS Não podem ser medidos diretamente Nem sempre são exatos e reprodutíveis Geralmente coletados diretamente do paciente Dados Objetivos x Subjetivos Dados Subjetivos Exemplos Queixas dos pacientes Sintomas Experiência de medicação Informações fornecidas por terceiros Parentes/Acompanhantes #S – Paciente refere fezes de coloração negra, dor na região do estômago, aumento na frequência das dores nas articulações, com consequente aumento do uso de diclofenaco. Nega problemas no uso dos medicamentos. Relata não fazer uso da atorvastatina prescrita devido a problema de acesso 10 Dados Objetivos 11 Exemplos Achados de Exame físico Edema periférico Petéquias em membros superiores e inferiores Achados de Exames complementares Medidas de PA, Glicemia capilar, etc. Resultados de Ecocardio, perfil lipídico, T4, TSH, etc. Medicamentos em uso atual (prescritos) #O – Em uso de: 1. Metformina 850mg 1x ao dia. PA na consulta: 127/84mmHg; HbA1c (data): 8,9%; RNI (data): 2,69; Perfil lipídico (data): CT 275mg/dL, TG 363mg/dL, HDL 27mg/dL........ O farmacêutico deve dispor de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) para realizar a anamnese do paciente e recolher toda a história relevante à resolução dos problemas. A organização da consulta será semelhante para os diferentes serviços farmacêuticos clínicos. O que pode mudar é a abrangência da anamnese. Semiologia Farmacêutica Serviços Farmacêuticos Clínicos Educação em saúde Rastreamento em saúde Dispensação especializada de medicamentos Manejo de problemas de saúde autolimitados Revisão da farmacoterapia Monitorização terapêutica Gestão da doença Acompanhamento farmacoterapêutico Conciliação terapêutica Informe e Suporte à equipe CFF, 2016 Serviços Farmacêuticos Clínicos Cuidado Farmacêutico Segurança - A farmacoterapia não produz novos problemas de saúde - A farmacoterapia não agrava problemas de saúde pré-existentes Efetividade - O paciente apresenta a resposta esperada à medicação - O regime posológico está adequado ao alcance das metas terapêuticas Adesão Terapêutica - O paciente compreende e é capaz de cumprir o regime posológico - O paciente concorda e adere ao tratamento numa postura ativa Necessidade - O paciente utiliza todos os medicamentos que necessita - O paciente não utiliza nenhum medicamento desnecessário Correr, Otuki, 2013 - Baseado nos estudos de Cipolle, Strand, Morley e Fernández-Llimós et al. Farmacoterapia ideal Ato demandado pelo paciente ou pela equipe de saúde no qual o farmacêutico busca prevenir e resolver problemas ligados à saúde e à farmacoterapia em um processo de colaboração e interação direta com o paciente e com a equipe de saúde. CONSULTA FARMACÊUTICA 1 • Acolhimento/Introdução 2 • Coleta dos dados 3 • Avaliação 4 • Plano de cuidado 5 • Fechamento Consulta Farmacêutica Introdução • Acolher/Cumprimentar o paciente • Apresentar-se • Apresentar o propósito da consulta • Solicitar ao paciente que exponha suas expectativas, preocupações e necessidades • Negociar o planejamento da consulta Consulta Farmacêutica Consulta Farmacêutica Introdução • Propósito • Revisar a medicação • Verificar a efetividade e segurança • Planejamento • Verificar seus medicamentos • Como está tomando • Verificar seus exames • Discutir melhorias EXEMPLO Coleta dos dados • Dados sociodemográficos e antropométricos • História social • Condições de saúde e estado clínico atual • Queixas e História da doença atual • Percepção geral de saúde e Qualidade de vida • Farmacoterapia atual • Capacidade de gestão • Adesão ao tratamento (atitudes, crenças e comportamentos diante do tratamento) • Reações adversas a medicamentos • Acesso aos medicamentos e aos serviços de saúde Consulta Farmacêutica Consulta Farmacêutica Coleta dos dados • Inajara, 31 anos – Natural e procedente de Curitiba. 58 kg. Farmacêutica • Nega uso de álcool e tabaco – Afirma ter alimentação controlada e prática diária de exercícios físicos • Apresenta bom estado geral • Queixa-se de tosse produtiva que iniciou faz uma semana. Alega não ter outros sintomas associados. Não consegue relacionar a tosse à outro evento. PGS – 8 e QV - 9 • Utiliza levotiroxina 100 mcg. Demonstra boa capacidade de gestão dos tratamentos • Refere queimação quando utiliza AINE de estômago vazio • Não retira nenhum medicamento no posto. Adquire seu medicamento na farmácia mais próxima. EXEMPLO Avaliação • Avaliar os problemas da farmacoterapia • Problemas relacionados ao resultado: Tratamento não efetivo; Reação adversa; Intoxicação medicamentosa• Problemas relacionados ao processo: Problemas de seleção e prescrição; dispensação ou manipulação; discrepâncias entre níveis ou pontos de atenção à saúde; administração e adesão; qualidade do medicamento; e monitorização Consulta Farmacêutica Consulta Farmacêutica Avaliação •Dose de antibiótico prescrita não adequada à indicação •Uso de Hidróxido de Alumínio sem melhora da azia •Constipação após o início de opioide para tratamento de dor crônica •Medicamento contra indicado para pacientes idosos •Medicamento diluído em solução não compatível •Omissão de medicamento na prescrição de admissão hospitalar •Paciente não atende jejum para uso de Levotiroxina •Necessidade de RNI para acompanhamento da anticoagulação EXEMPLO Plano de cuidados • Elaborar o plano de cuidado, definindo as metas terapêuticas e as intervenções necessárias • Intervenções farmacêuticas: Informação e aconselhamento; provisão de materiais; monitoramento; alteração ou sugestão de alteração na farmacoterapia; e encaminhamento a outros profissionais ou serviços de saúde • Verificar a habilidade do paciente em seguir o plano • Avaliar se o paciente deseja informações ou explicações adicionais Consulta Farmacêutica Consulta Farmacêutica Plano de cuidados •Aconselhamento sobre indicação dos medicamentos •Aconselhamento sobre mudança de estilo de vida (alimentação e exercícios) •Tabela dos horários de tomada •Tabela de MRPA + Diário Glicêmico •Melhorar adesão e automonitoramento •Manter a PA dentro das metas •Manter glicemia capilar dentro das metas •Carta de encaminhamento à nutricionista da UBS •Realizado teach back afim de verficar entendimento do paciente •Me disponibilizo para tirar dúvidas durante o horário comercial EXEMPLO Fechamento • Explicar ao paciente o que fazer caso tenha dificuldades em seguir o plano e com quem pode entrar em contato • Marcar uma próxima consulta ou combinar outras formas de contato Consulta Farmacêutica Consulta Farmacêutica Fechamento • Em caso de sinais de alerta encaminhar-se ao PA ou hospital mais próximo • Caso os sintomas não melhorem após 24h retornar à farmácia ou ligar durante o horário comercial • Podemos marcar uma nova consulta para o dia 05 de dez(sexta-feira) às 14 horas – nesse mesmo local EXEMPLO Comunição farmacêutico-paciente Comunicação Compreender as diferenças sociais e culturais Reconhecer a importância da autonomia, das expectativas e da percepção do paciente Facilitar a identificação dos problemas Favorecer o relacionamento interpessoal e o processo de cuidado Possibilitar o desenvolvimen to de soluções adequadas às necessidades do paciente Contribuir para construção de uma relação terapêutica e o cuidado centrado no paciente CFF, 2016 Tipos de comunicação Verbal Fala Escrita Não Verbal Oculésica (contato visual) Háptica (uso do toque) Cinésica (expressões corporais) Proxêmica (distância entre as pessoas) Visual (uso de símbolos e ícones) Objetics (uso de objetos) Comunicação verbal Fala •Pronúncia das palavras •Articulação das palavras •Modulação (intensidade dos sons) •Ritmo •Timbre da voz •Linguagem adequada ao nível de entendimento do paciente •Tom da voz Escrita •Pode ser complementar à orientação falada •Registro das informações •Acompanhamento da evolução do paciente •Comunicação entre os profissionais de saúde •Materiais de suporte ao paciente e/ou à equipe •Documentação Comunicação não verbal Contato visual Uso do toque Expressões corporais Distância entre as pessoas Uso de símbolos e ícones Uso de objetos •Contato visual •Comunica interesse e o grau de atenção •Auxilia na avaliação da veracidade das informações e sentimentos •Auxilia na captação de sinais da comunicação não verbal Oculésica • Uso do toque • Reduz a tensão, promove relações afetivas e reforça a capacidade terapêutica • Instrumental (contato físico necessário à realização de um procedimento específico), afetivo (contato não necessariamente ligado a um procedimento profissional) e terapêutico (tem a função de demonstrar interesse e confiança) Háptica Comunicação não verbal • Movimentos do corpo, postura corporal e expressões faciais • Expressam o que o receptor está sentido em um dado momento • Devem estar em consonância com a comunicação verbal • Utilizada para demonstrar segurança do profissional e interesse pela mensagem que está sendo transmitida pelo paciente • É fundamental para identificar ruídos de comunicação ou utilizar respostas empáticas Cinésica • Distância utilizada no processo de comunicação interpessoal • Deve possibilitar a privacidade e evitar desconforto no contexto da comunicação • Aspectos estruturais do ambiente de trabalho devem ser observados (ex. remoção de obstáculos físicos, disponibilidade de local confortável para sentar) Proxêmica Comunicação não verbal • Uso de símbolos, ícones (como por exemplo, pictogramas ou imagens) • Transmitir de forma clara e simples informação para os receptores • Podem ser empregados para facilitar o entendimento dos pacientes • Tem papel importante tanto para pacientes com baixo letramento, quanto de maneira complementar à comunicação verbal (fala ou escrita) Visual • Utilização e escolha dos objetos de comunicação • Objetos importantes para comunicação incluem a vestimenta (jaleco) e a identificação do farmacêutico (ex: crachá), a sinalização, o conforto, a limpeza e a privacidade do local de espera para atendimento • Adicionalmente, outros objetos podem ser utilizados, incluindo kits de orientação sobre a utilização de medicamentos e condições de saúde (ex: dispositivos inalatórios, supositórios, colírios). Objetics Comunicação não verbal Comunicação não verbal A parte mais significativa da comunicação é não verbal. Envolve postura, olhar, expressão facial e gestos. Boa parte desta comunicação é inconsciente. Comunicação não verbal Comunicação Deve-se manter uma postura corporal aberta. O farmacêutico deve estar sentado de forma correta ou ereto, de forma relaxada, sem estar olhando para o chão. As pernas não devem estar cruzadas e os braços devem estar ao lado do corpo, não cruzados. Deve-se fazer contato visual enquanto o paciente fala, alternando o olhar, sem fixar demais o paciente, a fim de também não intimidar. Comunicação Comunicação não verbal As expressões faciais devem ser consistentes com o que está sendo dito. O farmacêutico deve ele próprio acreditar no que diz, expressando seu pensamento com clareza e segurança. Uma expressão facial apropriada deve ser sincera, atenta e interessada nos problemas do paciente. Durante a entrevista, o farmacêutico deve evitar escrever demais ou ficar percutindo os dedos na mesa. Gestos como esse demonstram ansiedade e pressa em encerrar o atendimento. Deve-se estar atento e evitar gestos que produzam distração no paciente. Comunicação não verbal Comunicação Acolhimento Escuta ativa Assertividade Empatia Arte do questionamento Aconselhamento Verificação de informações Recursos envolvidos no processo de comunicação Correr, Otuki, 2013; CFF, 2016 Acolhimento significa a humanização do atendimento, o que pressupõe a garantia de acesso a todas as pessoas. Diz respeito, ainda, à escuta de problemas de saúde do usuário, de forma qualificada, dando-lhe sempre uma resposta positiva e responsabilizando-se pela resolução do problema. É importante que o farmacêutico observe, escute ativamente, e acolha a demanda do paciente, identificando suas expectativas, crenças e preocupações. Acolhimento Recursos envolvidos no processode comunicação CFF, 2016 Tem como objetivo perceber e avaliar elementos conscientes e inconscientes que são comunicados Transmite ao paciente o interesse pelo seu problema, o que faz com que ele se sinta mais a vontade e motivado a continuar o relato Pode ser auxiliada pelo uso de gestos que demonstrem o interesse pelo que se está ouvindo ou pequenas intervenções verbais que indicam que se está ouvindo, como o uso de paráfrase O julgamento precipitado e a perspectiva de achar que está sempre certo são as principais barreiras Escuta ativa Recursos envolvidos no processo de comunicação CFF, 2016 O farmacêutico precisa aprender a ouvir reflexivamente, estar concentrado e atento a todos os detalhes comunicados pelo paciente de maneira integral e interdependente para identificar aquilo que o indivíduo está realmente tentando comunicar, o valor de cada palavra, o significado de cada gesto, levando em conta aspectos culturais e sociais associados. Escuta ativa Recursos envolvidos no processo de comunicação CFF, 2016 QUESTÕES ABERTAS Utilizadas para obter informações gerais Importante no começo da entrevista Permite ao paciente falar sobre sua história espontaneamente QUESTÕES FECHADAS Utilizadas para direcionar o relato do paciente a pontos específicos Dão pouca margem à explanação e qualificação Servem para esclarecer e acrescentar detalhes à história Recursos envolvidos no processo de comunicação Arte do questionamento Correr, Otuki, 2013; CFF, 2016 Como tem estado sua saúde? No que eu posso ajudá-lo(a)? Como é a rotina de tomada dos medicamentos? Como é a sua alimentação? Cuidar com divagações excessivas QUESTÕES ABERTAS - Exemplos Onde exatamente está doendo? Como é a dor que está sentindo? Como estão as fezes (cocô) do senhor? Há quanto tempo você toma esse medicamento? Na última semana quantas vezes a senhora deixou de tomar esse medicamento? QUESTÕES FECHADAS - Exemplos TIPOS DE QUESTÕES Questões sugestivas - Tendem a induzir a resposta Questões contendo por que - Intimidam e colocam o paciente na defensiva Questões múltiplas - O paciente tende a responder parcialmente Questões que devem ser evitadas Correr, Otuki, 2013 TIPOS DE QUESTÕES Jargões técnicos - Confundem o paciente e gera distanciamento Perguntas com entrelinhas - Carregam julgamentos e induzem o paciente a responder o que o profissional espera Questões que devem ser evitadas Correr, Otuki, 2013 Depois que começou a tomar o captopril, o senhor tem sentido tosse? Induz a resposta O senhor sente dor no braço esquerdo quando sente dor no peito? Induz a resposta Por que o senhor parou de tomar seus medicamentos? Intimida o paciente O senhor teve febre, suores noturnos e calafrios? Respostas parciais Algum familiar próximo tem hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca? Respostas parciais O senhor já teve alguma reação adversa a esse medicamento? Dificulta entendimento Este medicamento é para insuficiência cardíaca congestiva? Dificulta entendimento O senhor tem tomado os medicamentos corretamente não tem? Confunde o paciente Está relacionada com a capacidade de avaliar determinada situação e expressar de maneira adequada, clara, objetiva e baseada nas melhores evidências, a opinião a respeito de um assunto, levando em consideração os direitos humanos e o respeito mútuo Assertividade Recursos envolvidos no processo de comunicação CFF, 2016 Assertividade Recursos envolvidos no processo de comunicação Comunicação não assertiva •O indíviduo recebe as informações de forma passiva e submissa e não expressa o que sente ou pensa, pois acredita que não possui esse direito Comunicação agressiva •O indivíduo age com características dominadoras, prefere destacar ou criar uma assimetria na relação para inibir a outra parte, não respeita a diferença de pensamento, geralmente é lacônico, sarcástico e costuma interromper por não saber ouvir. •O profissional de saúde que age agressivamente não é capaz de compreender os novos paradigmas de saúde e se arrasta no conservadorismo. •Nesta relação, o paciente não é visto como corresponsável pelo processo de recuperação, mas como alguém que deve obedecer e executar as ordens. A opinião do paciente é desconsiderada e a sua individualidade desrespeitada. Este tipo de comunicação interrompe a relação farmacêutico- paciente podendo ocasionar a baixa adesão às condutas Comunicação assertiva •O indivíduo diz aquilo que pensa, sente ou necessita, sabendo compreender e respeitar e ser respeitado, o que permite ao paciente ter maior confiança no profissional sem receio de falar sobre seus problemas •Profissionais assertivos criam uma relação honesta de comunicação, sabem como e quando expressar sua opinião de forma objetiva e baseada nas melhores evidências. •Este tipo de comunicação cria um vínculo entre o farmacêutico e o paciente aumentando a adesão às condutas sugeridas. CFF, 2016 Significa compartilhar a experiência do outro Fundamental na construção da relação terapêutica farmacêutico-paciente Fundamental para a humanização do atendimento do paciente Usada para transmitir cuidado e compreensão exata do estado afetivo do outro A empatia resulta em relação terapêutica de confiança e respeito mútuo com a atuação centrada nos aspectos holísticos do paciente e mantendo a ética profissional Empatia Recursos envolvidos no processo de comunicação CFF, 2016 Eu entendo como o senhor deve estar se sentindo Não deve ser fácil organizar todos esses medicamentos Tem como objetivo orientar o paciente e seu cuidador sobre sua saúde e seus tratamentos, a fim de garantir melhorias no processo de uso de medicamentos, nos resultados em saúde e na qualidade de vida do paciente. Alguns aspectos de comunicação, como a organização da mensagem transmitida, a duração da orientação e a adequação às particularidades do paciente são fundamentais para determinar o que o paciente irá compreender e conseguirá se lembrar. Aconselhamento Recursos envolvidos no processo de comunicação CFF, 2016 Aconselhamento Recursos envolvidos no processo de comunicação É imprescindível que o farmacêutico tenha foco naquilo que o paciente precisa aprender A educação efetiva começa com a avaliação das necessidades de aprendizagem do paciente e de seu cuidador Esta avaliação determina não apenas o que deve ser aprendido, mas qual a melhor maneira de garantir o aprendizado O aprendizado precisa levar em consideração as preferências, a habilidade de leitura e linguagem, a religião, a cultura e as limitações físicas e sensoriais do paciente CFF, 2016 Facilitação Confrontação Reflexão Clarificação Empatia Silêncio Resumo Recursos envolvidos no processo de comunicação Verificação de informações Correr, Otuki, 2013; CFF, 2016 Recursos envolvidos no processo de comunicação Verificação de informações •Consiste em estimular o paciente a continuar falando. • Inclui gestos como acenar com a cabeça ou sinalizar com a mão para que continue ou facilitações verbais como "Uh huh", "Sim", "Continue", "E então?" Facilitação •Usada quando as informações do paciente soam confusas para o profissional. •Tem por objetivo esclarecer pontos sobre a fala do paciente, por exemplo: "Quando diz que o medicamento lhe faz sentir doente,o que o senhor quer dizer?" Clarificação •Resposta baseada na observação do profissional que aponta alguma coisa notável sobre o paciente. •Direciona a atenção do paciente para algo sobre o qual ele pode não estar atento, por exemplo, “O senhor parece desconfortável sobre isso. Aconteceu alguma coisa?" Confrontação •Consisteem repetir parte do que o paciente disse, com objetivo de direcionar a fala do paciente para algum ponto específico. •Exemplo: “O senhor está dizendo que sua dor de cabeça surge mais forte sempre depois que toma este medicamento?" Reflexão Correr, Otuki, 2013; CFF, 2016 Recursos envolvidos no processo de comunicação Verificação de informações •Pode ser necessário ao paciente enquanto organiza sua fala. Pode ser útil para pacientes calados, sempre mantendo contato visual direto e atenção, esperando o momento do paciente falar. •Deve-se evitar seu uso frequente, pois isso pode significar distanciamento ou falta de conhecimento. Silêncio •Resposta que reconhece o sentimento do paciente e não o critica. Significa compreensão e entendimento. Reforça a relação terapêutica. •Exemplos incluem expressão facial e o toque, como colocar a mão no ombro do paciente, e falas que demonstrem reconhecimento sobre as preocupações, necessidades e expectativas do paciente. •Exemplos de falas são "Eu entendo como você deve estar se sentindo”; “não deve ser fácil ter que organizar todos esses medicamentos". Empatia •Revisão de tudo que foi comunicado pelo paciente. O farmacêutico expressa resumidamente seu entendimento sobre o que foi dito e o paciente tem a oportunidade de corrigir qualquer má interpretação, confirmar se entendeu todas as informações e tirar dúvidas. •Pode ser utilizado durante a entrevista a fim de fechar partes e mudar o direcionamento da anamnese ou ao final, para dar fechamento à consulta. Resumo Correr, Otuki, 2013; CFF, 2016 Quando diz que o medicamento lhe faz sentir doente,o que o senhor quer dizer? O senhor parece desconfortável sobre isso. Aconteceu alguma coisa? O senhor está dizendo que sua dor de cabeça surge mais forte sempre depois que toma este medicamento? Comunicação farmacêutico - outros profissionais Comunicação interprofissional Comunicação farmacêutico - outros profissionais Comunicação interprofissional Importante em diferentes pontos do processo de cuidado A comunicação escrita é uma parte fundamental A associação entre a comunicação escrita e a fala, acompanhada da comunicação não verbal pode trazer resultados positivos Utilizar linguagem formal, compreensível, com uso de linguagem técnica, com estrutura definida, que foque nos objetivos esperados para o cuidado Preparo, em relação ao conteúdo e as fontes de informação utilizadas, e apresentação das ideias de maneira clara, estando disposto a negociar Escuta ativa, empatia, assertividade, segurança, interesse, capacidade de negociação e resolução de conflitos são importantes Respeitar o outro profissional e demonstrar a importância da colaboração dos diferentes profissionais com suas diferentes competências CFF, 2016 Semiologia Farmacêutica no manejo de problemas de saúde autolimitados Semiologia Farnacêutica CFF, 2016 Acolhimento significa a humanização do atendimento, o que pressupõe a garantia de acesso a todas as pessoas. Diz respeito, ainda, à escuta de problemas de saúde do usuário, de forma qualificada, dando-lhe sempre uma resposta positiva e responsabilizando-se pela resolução do problema. A demanda inicial pode trazer consigo relato sobre sinais e sintomas identificados pelo paciente, expectativas, crenças, preocupações e tentativas de tratamento. Nesse momento, é importante que o farmacêutico observe, escute ativamente, e acolha a demanda do paciente. Acolhimento da demanda Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Na maioria das vezes, o relato espontâneo da demanda feito pelo paciente é insuficiente para identificação da sua necessidade ou problema de saúde, tornando-se necessária a realização da anamnese. A anamnese inclui a coleta e análise dos sinais e sintomas, avaliação física, exames clínicos e testes laboratoriais. Os objetivos da anamnese farmacêutica são: o Identificar a necessidade ou problema de saúde o Identificar os fatores modificadores da conduta o Identificar os sinais de alerta e outras informações relevantes à seleção da conduta Anamnese farmacêutica Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Manejo de problemas de saúde autolimitados Correr, Otuki, 2013 I Identificação do Paciente / Idade N Natureza dos sinais/sintomas/Severidade D Desde quando / Tempo I Iniciou algum tratamento? Melhorou? C Co-morbidades (outras doenças) e medicamentos em uso O Outras situações (gravidez, lactação, situação social, alergias, etc.) Análise situacional • Início, duração e frequência dos sinais e sintomas Tempo • Área precisa dos sinais e sintomas Localização • Termos descritivos específicos sobre o sinais e sintomas (ex. dor aguda, secreção com sangue) Qualidade ou característica • Leve, moderada ou grave Quantidade ou gravidade • O que o paciente estava fazendo quando os sinais e sintomas ocorreram Ambiente • Fatores que fazem com que os sinais e sintomas melhorem ou piorem Fatores que agravam ou que aliviam • Outros sinais e sintomas que ocorrem com os sinais e sintomas primários Sinais e sintomas associados Identificação da necessidade ou problema de saúde – Análise de sinais e sintomas Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 ATIVIDADE HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL • Em duplas 1- Paciente escolhe uma queixa 2- Farmacêutico faz as perguntas da HDA de acordo com os tópicos 3- Farmacêutico descreve a queixa em forma de registro • Início, duração e frequência dos sinais e sintomas Tempo • Área precisa dos sinais e sintomas Localização • Termos descritivos específicos sobre o sinais e sintomas (ex. dor aguda, secreção com sangue) Qualidade ou característica • Leve, moderada ou grave Quantidade ou gravidade • O que o paciente estava fazendo quando os sinais e sintomas ocorreram Ambiente • Fatores que fazem com que os sinais e sintomas melhorem ou piorem Fatores que agravam ou que aliviam • Outros sinais e sintomas que ocorrem com os sinais e sintomas primários Sinais e sintomas associados QUEIXA:___________________________________ ATIVIDADE CFF, 2016 Avaliar a presença de alertas para encaminhamento Avaliar a natureza, complexidade e gravidade a fim de determinar se o problema de saúde do paciente pode ser atendido no serviço ou se requer, a priori, encaminhamento a outro profissional ou outro serviço de saúde. Podem ser identificados no acolhimento da demanda ou durante a anamnese. Identificação de alertas para encaminhamento Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Situações adicionais de alerta para o encaminhamento Situações que indicam necessidade de personalização da conduta Identificação dos fatores modificadores da conduta Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Fatores modificadores de conduta: Informações sobre o gênero e o ciclo da vida (neonatos, crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e lactantes) Preferências, condição sociodemográfi ca, crenças e limitações do paciente Comorbidades, tratamentos em uso e histórico de alergias a medicamentos História pregressa de tratamento da demanda apresentada Identificação dos fatores modificadores da conduta Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 A partir da análise da necessidade ou problema de saúde, dos sinais de alerta e dos fatores modificadores de conduta: - Triagem do paciente em relação à gravidade da demanda. - Distinção das situações autolimitadas daquelas que apresentam sinais e sintomas semelhantes, mas que não são autolimitadas. - Análise da necessidade de tratamento farmacológico e/ou não farmacológico. - Análise da necessidade de outros serviços farmacêuticos. - Análise da necessidadede encaminhamento para outro profissional ou outro serviço de saúde. Anamnese farmacêutica Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 O plano de cuidado deverá apresentar a seleção e determinação de estratégias para a implantação e avaliação de resultados. Baseado nas melhores evidências disponíveis Construído em conjunto com o paciente Plano de cuidado Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Medidas não farmacológicas Medidas farmacológicas Encaminhamento para outros profissionais e serviços de saúde Opções de intervenções Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 O farmacêutico deve selecionar a melhor intervenção para resolução da necessidade ou problema de saúde do paciente, levando em consideração: - Necessidades ou problemas de saúde do paciente - Fatores modificadores da conduta - Nível de evidência e o grau de recomendação das diferentes modalidades de intervenção Plano de cuidado Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 O plano de cuidado deve ser construído em conjunto com o paciente e deve incluir: Síntese da necessidade ou problema de saúde do paciente Detalhes sobre a(s) intervenção(ões) para resolução da necessidade ou problema de saúde Objetivos terapêuticos Parâmetros de monitoramento para avaliação dos resultados Plano de cuidado Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 A seleção de uma terapia farmacológica deve ser resultante de um processo de decisão baseado nas melhores evidências disponíveis contendo a definição dos seguintes componentes: Objetivo terapêutico Meta terapêutica Classe farmacológica e princípio ativo Via de administração Regime terapêutico Instruções adicionais Indicação clínica Medicamento Terapia Farmacológica Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Os medicamentos isentos de prescrição médica (MIPS) estão descritos na Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição Médica (LMIP)(RDC nº98/2016 ANVISA; Instrução Normativa nº 11/2016). Terapia Farmacológica Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 O manejo das diferentes condições clínicas pode necessitar de medidas não farmacológicas, de forma isolada ou associada às terapias farmacológicas. A seleção de medidas não farmacológicas contempla critérios similares aos das terapias farmacológicas, sendo importante levar em consideração as necessidades e problemas de saúde do paciente, os fatores modificadores da conduta, as melhores evidências de efetividade e segurança. Medidas não farmacológicas Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 O plano de cuidado pode incluir encaminhamento a outro profissional ou outro serviço de saúde. Isso ocorre quando são identificados alertas para encaminhamento, uma vez que a necessidade ou problema de saúde do paciente extrapola a competência do farmacêutico. Adicionalmente, pode ocorrer o encaminhamento a outro serviço farmacêutico ou a outro serviço de saúde para melhoria dos resultados obtidos com as intervenções implantadas. Encaminhamento Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Encaminhamento Manejo de problemas de saúde autolimitados O farmacêutico deve diferenciar claramente casos de maior gravidade, que requerem atendimento imediato, daqueles de gravidade leve ou moderada que não exigem encaminhamento de urgência. Muitas vezes, ainda, a necessidade de encaminhamento não exclui o tratamento com um medicamento isento de prescrição para alívio dos sintomas. Tratar os sintomas por período definido e encaminhar consiste no melhor desfecho para várias situações de problemas de saúde autolimitados. Nestes casos, é necessário que o farmacêutico informe ao outro profissional sobre o tratamento realizado. Encaminhamento Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Quando necessário, o encaminhamento deverá ocorrer levando em consideração o seguinte: Identificação de alertas para encaminhamento Garantir que o usuário compreenda seu estado e possa seguir as orientações fornecidas. Assegurar que o outro profissional entenda a situação atual do paciente, de acordo com a análise feita pelo farmacêutico Disponibilizar, no serviço que originou o encaminhamento, informações suficientes sobre o mesmo e se responsabilizar para que o paciente tenha a continuidade do cuidado em saúde. Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 A prescrição farmacêutica deverá ser redigida em vernáculo, por extenso, de modo legível, observados a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais, sem emendas ou rasuras, devendo conter os seguintes componentes mínimos: I - identificação do estabelecimento farmacêutico ou do serviço de saúde ao qual o farmacêutico está vinculado; II - nome completo e contato do paciente; Redação da prescrição Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2013 III - descrição da terapia farmacológica, quando houver, incluindo as seguintes informações: a) nome do medicamento ou formulação, concentração/dinamização, forma farmacêutica e via de administração; b) dose, frequência de administração do medicamento e duração do tratamento; c) instruções adicionais, quando necessário. IV - descrição da terapia não farmacológica ou de outra intervenção relativa ao cuidado do paciente, quando houver; Redação da prescrição Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2013 V - identificação do farmacêutico, nome completo, assinatura e número de registro no Conselho Regional de Farmácia; VI - local e data da prescrição. Adicionalmente às recomendações da Resolução 586/2013, ressalta-se que, em prol da segurança do paciente, a informação da via de administração dos medicamentos venha em destaque antes da especificação dos mesmos. Redação da prescrição Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2013 As terapias não farmacológicas devem estar descritas claramente na receita especificando-se qual medida concreta, quantidade/dosagem, duração do seu emprego, instruções e precauções do seu uso. Quando houver encaminhamento a outro profissional ou outro serviço de saúde, adicional a outra intervenção, o farmacêutico deve especificá-la no receituário e emitir o documento de encaminhamento endereçado ao outro profissional ou outro serviço de saúde. Redação da prescrição Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2013 Orientação do paciente A orientação do paciente deve ser precisa em relação a sua necessidade, nível socioeconômico e complexidade do tratamento O farmacêutico deve garantir que o paciente entenda o seu problema de saúde, as intervenções realizadas, o plano de cuidado a ser seguido e a avaliação dos resultados. Adicionalmente, deve esclarecer qualquer dúvida que o paciente apresente Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 A forma, na maioria das vezes, será verbal tendo o receituário como documento escrito de referência. Contudo, recomenda- se que estejam disponíveis materiais educativos para situações específicas que sejam comuns no cotidiano do cuidado em saúde A educação para o autocuidado daquele momento em diante deve ser o foco principal Orientação do paciente Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Orientação do paciente Como seguir o plano de cuidado Como utilizar corretamente os medicamentos e seguir as medidas não farmacológicas O que fazer caso os sintomas não melhorem com as medidas adotadas Quanto tempo esperar até os efeitos surgirem e quais serão os efeitos Reações adversas a medicamentos e interações medicamentosas que sejamrelevantes Instruções de armazenamento Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 É responsabilidade do farmacêutico propiciar o alcance dos objetivos da intervenção escolhida. É a avaliação dos resultados que possibilita a identificação precoce de problemas interferindo no alcance dos resultados terapêuticos desejados, como inefetividade ou surgimento de reações adversas. O farmacêutico deve manter um registro do atendimento realizado e incluir uma forma de contato com o paciente. Avaliação dos resultados Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 A avaliação dos resultados deve ser feita por meio de: Avaliação dos resultados Reavaliação de resultados de exame físico, laboratorial, de imagem e outros. Reavaliação dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Tal avaliação pode constatar quatro diferentes resultados: Resolução Melhora parcial Ausência de melhora Piora Avaliação dos resultados Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Compreende o registro das informações, desde o acolhimento da demanda até a monitoração dos resultados em saúde. Inclui, pelo menos, o registro no prontuário do paciente, a redação da prescrição e do encaminhamento a outros profissionais ou serviços de saúde. Documentação Manejo de problemas de saúde autolimitados CFF, 2016 Modelo de Prontuário CFF Atividade Modelo de Prescrição CFF Modelo de Encaminhamento CFF Encaminhamento - Exemplo Atividade Manejo de problemas de saúde autolimitados CASOS CLÍNICOS ATIVIDADE PRÁTICA Paula, 19 anos, procura a farmácia e queixa-se de congestão nasal, espirros, tosse e mal-estar. “Eu não posso perder a aula na faculdade”, e estou meio cansada, o que posso tomar para melhorar? Nega febre ou outros sintomas associados Caso Clínico 1 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade Sinais e Sintomas Duração dos sinais e sintomas Comorbidades Medicamentos Encaminhamento Dor de ouvido que não melhora com analgésico Dor de cabeça frontal Crianças pequenas (< 2 anos) Muito idosos (> 80 anos) Doenças cardíacas ou pulmonares Febre persistente e tosse produtiva Dor no peito e dispneia Asma concomitante Caso Clínico 1 Manejo de problemas de saúde autolimitados João, 81 anos, procura a farmácia para comprar um antigripal. Ele relata estar resfriado e sempre tomar cimegripe. Sintomas álgicos: dor de cabeça, dor no corpo, mal estar geral Evolução: há 5 dias Febre desde ontem 38,0ºC HMP: Hipertensão e diabetes Caso Clínico 2 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade Sinais e Sintomas Duração dos sinais e sintomas Comorbidades Medicamentos Encaminhamento Dor de ouvido que não melhora com analgésico Dor de cabeça frontal Crianças pequenas (< 2 anos) Muito idosos (> 80 anos) Doenças cardíacas ou pulmonares Febre persistente e tosse produtiva Dor no peito e dispneia Asma concomitante Caso Clínico 2 Manejo de problemas de saúde autolimitados Lucas, 30 anos, procura o farmacêutico e relata sintomas de tosse seca há 1 semana, ele relaciona com a mudança climática, e relata ter tido uma leve congestão nasal. Nega febre ou outros sintomas associados. Caso Clínico 3 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade Sinais e sintomas Duração dos sintomas Comorbidades Tabagismo Medicamentos Encaminhamento Mais de 2 semanas sem melhora Escarro (verde ou amarelo, estrias de sangue) Sibilo/Falta de ar Dor no peito Tosse galopante /Tosse paroxística Suspeita de reação adversa a medicamento Falha na medicação antitussígena Caso Clínico 3 Manejo de problemas de saúde autolimitados Júnior, 25 anos, se apresenta à farmácia queixando-se de tosse produtiva há 4 dias. Ao ser indagado sobre o aspecto do catarro, ele relata que o mesmo não apresenta sangue e nem aspecto amarelo-esverdeado. Não apresenta febre e nem dor torácica. Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 4 Anamnese Idade Sinais e sintomas Duração dos sintomas Comorbidades Tabagismo Medicamentos Encaminhamento Mais de 2 semanas sem melhora Escarro (verde ou amarelo, estrias de sangue) Sibilo/Falta de ar Dor no peito Tosse galopante /Tosse paroxística Suspeita de reação adversa a medicamento Falha na medicação antitussígena Caso Clínico 4 Manejo de problemas de saúde autolimitados Jorge, 58 anos, com histórico de HAS e DM, em uso dos medicamentos metformina 850 mg (0-1-0) e Losartana 50 mg (1-0-0), vai à farmácia e solicita ao farmacêutico um laxante. Em resposta ao farmacêutico, o homem relata que há muito tempo apresenta flatulência, dor abdominal e constipação. Costuma usar Metamucil, ingere bastante água, pratica atividade física, porém, ultimamente, esse procedimento não tem resolvido o problema. Ele fala também que no último mês emagreceu cerca de 10kg. Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 5 Anamnese Hábito intestinal / perfil de alimentação História prévia Sinais e sintomas Medicamentos em uso Medicamentos para constipação Encaminhamento Mais de 2 semanas sem regularização Dor abdominal intensa/flatulência Sangue misturado às fezes Medicamentos causadores de constipação Falha do tratamento prescrito (MIP) Caso Clínico 5 Manejo de problemas de saúde autolimitados Teresa, 69 anos, portadora de HAS, DM, DSLP e depressão, em uso dos medicamentos metformina 850 mg (1-1-1), enalapril 20 mg (1-0-1), Hidroclorotiazida 25mg (1-0-0), Sinvastatina 20 mg (0-0-1) e Amitriptilina 25 mg (0-0-1), relata ao farmacêutico que: Sente-se empanturrada e constipada ultimamente, às vezes sem ir ao banheiro por uma semana inteira. Afirma fazer força a maior parte do tempo, mas sem dor. Ainda não usou medicamentos para constipação. Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 6 Anamnese Hábito intestinal / perfil de alimentação História prévia Sinais e sintomas Medicamentos em uso Medicamentos para constipação Encaminhamento Mais de 2 semanas sem regularização Dor abdominal intensa/flatulência Sangue misturado às fezes Medicamentos causadores de constipação Falha do tratamento prescrito (MIP) Caso Clínico 6 Manejo de problemas de saúde autolimitados Beatriz, 34 anos, chega à farmácia queixando-se de dor ao urinar e aumento da frequência e urgência urinária. Relata ter tido o mesmo problema anteriormente, ocasião em que foi administrado antibióticos. Nega febre, dor lombar e sangue na urina. Nega uso de cosméticos íntimos. Caso Clínico 7 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade/ Sexo Sinais e sintomas: Irritação na uretra / urgência urinária / frequência urinária / Dor ao urinar / Hematúria / Corrimento vaginal / Dor lombar / Dor suprapúbica / Febre e calafrios / Náusea e vômitos História prévia Medicamentos Encaminhamento Homens Febre/Náusea ou Vômito Dor lombar aguda Hematúria/corrimento Gravidez Cistite recorrente Falha no tratamento Caso Clínico 7 Manejo de problemas de saúde autolimitados Paula, 29 anos, procura a farmácia com seu bebê (9 meses), e pede um remédio para febre, pois ele está quentinho há 1 dia. Nega outros sinais e sintomas associados. Caso Clínico 8 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade Temperatura Encaminhamento Sempre Caso Clínico8 Manejo de problemas de saúde autolimitados Renata, 25 anos, procurou a farmácia no fim da tarde trazida por uma colega de trabalho. Se queixa de dor de cabeça, principalmente na parte direita. Uma dor que vai e vem. Tomou um comprimido de paracetamol 750mg há duas horas, porém parece que só piorou. Entrevistada pelo farmacêutico, relatou que a luz e barulho a incomodam. O cheiro da comida e de cigarro também. Além disso, chegou a ter náuseas no dia anterior. Relatou que o problema começou há dois meses, geralmente próximo à menstruação. Não procurou nenhum médico até o momento. Caso Clínico 9 Manejo de problemas de saúde autolimitados Anamnese Idade / Sexo / Fatores gatilho Local / Tipo da dor / Frequência / Tempo Trauma ou queda Sintomas: náusea / vômito / fotofobia / fonofobia / desmaio Medicamentos e Comorbidades Encaminhamento História de trauma ou lesão na cabeça Dor muito forte por mais de 4 horas Reação adversa a medicamento Crianças menores de 12 anos Dor occipital (toda a parte de trás da cabeça) Dor matinal que melhora ao longo do dia Náusea, vômito, tontura Rigidez da nuca Dores frequentes que requerem tratamento profilático Caso Clínico 9 Manejo de problemas de saúde autolimitados Jovem de 21 anos vai à farmácia e relata que a região entre os dedos do seu pé está vermelha, descamando e coçando bastante. Pergunta à farmacêutica o que pode ser e que medicamento deve utilizar. Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 10 Anamnese Tempo /área acometida /aspecto da lesão/ integridade da pele Sintomas e sinais: coceira / descamação / presença de pus Comorbidades Medicamentos Encaminhamento Afeta além da região interdigital Sinais de infecção bacteriana Falha a tratamentos prévios Diabéticos (pé diabético) Envolvimento das unhas (onicomicose) Caso Clínico 10 Manejo de problemas de saúde autolimitados Antônio, 70 anos, procura a farmácia com queixa de azia e dor no braço, ele pede ao farmacêutico um sal de frutas. HMP: HAS, DM2, DSL, Tabagista PA média: 128/79 mmHg FC: 110 bmp Glicemia capilar: 120 mg/dL Ele conta que começou a se sentir assim após briga com filho. Quando questionado sobre sintomas associados, ele relata que é uma queimação que irradia do estômago para o peito e braço, e conta que está sentindo uma sensação de aperto. Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 11 Anamnese Idade / Gestação / Peso / Tabagismo /Alimentação Sinais e sintomas: queimação estomacal, dificuldade de engolir, flatulência, refluxo Medicamentos e comorbidades Encaminhamento Falha no tratamento com antiácidos Dor que irradia para os braços Dificuldade em engolir Refluxo Pirose de longa duração Aumento da gravidade Crianças Caso Clínico 11 Manejo de problemas de saúde autolimitados Luci, 65 anos, reclama de queimação na região do pescoço, e pede indicação ao farmacêutico. Farmacêutico: A senhora come muito durante as refeições? Paciente: Não. F: Essa dor acontece após as refeições? P: Não. F: Você sente essa dor quando deita? P: Sim. F: A senhora faz uso de algum outro medicamento? P: Sim, eu fui ao médico e ele disse que eu tenho aquela doença dos ossos fracos. F: Hmmmmmm!!! Osteoporose? Paciente: Isso, foi isso que o médico disse. Eu estou tomando remédio há duas semanas. F: E essa sensação começou depois que você começou a tomar o medicamento? P: É, acho que sim. Faz sentido. F: A senhora sabe o nome do medicamento? P: Hmm, de nome eu não sei. Mas acho que estou com a receita aqui. Medicamento: Alendronato de Sódio, 70 mg Manejo de problemas de saúde autolimitados Caso Clínico 12 Semiologia Farmacêutica no Acompanhamento Farmacoterapêutico Semiologia Farmacêutica • Revisão da Farmacoterapia • Identificação dos Problemas presentes e potenciais • Definir Metas Terapêuticas • Intervenções • Agendamento de Retorno e Seguimento • Dados Específicos do Paciente • História clínica • História de Medicação • Resultados e Progresso do Paciente • Alcance das Metas Terapêuticas • Novos Problemas Realizar o seguimento individual do paciente Coletar e organizar dados do paciente Identificar problemas relacionados à farmacoterapia Elaborar um plano de cuidado em conjunto com o paciente 1 2 3 4 MÉTODO CLÍNICO Correr, Otuki, 2013 COLETA E ORGANIZAÇÃO DOS DADOS MÉTODO CLÍNICO Coleta e organização dos dados Perfil do paciente Nome, idade, gênero, estado civil, escolaridade, profissão, ocupação, peso, altura, IMC, circunferência abdominal, contato, com quem mora, cuidador, acesso a medicamentos e a assistência História Clínica Queixas, História da doença atual, Condições clínicas, História médica pregressa, Exames físicos, laboratoriais e não laboratoriais, História social, História familiar, Revisão por Sistemas; Qualidade de vida; Percepção Geral de Saúde História Farmacoterapêutica Medicamentos prescritos e não prescritos; Terapias complementares; Vacinas; Medicação pregressa; Experiência de medicação; Concordância e adesão; História de RAM e alergia PERFIL DO PACIENTE NOME GÊNERO IDADE ENEDEREÇO TELEFONE E-MAIL ESTADO CIVIL PESO ALTURA IMC CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL ESCOLARIDADE PROFISSÃO OCUPAÇÃO RENDA COM QUEM VIVE NOME E CONTATO DO CUIDADOR QUEM O AJUDA COM OS MEDICAMENTOS ACESSO À ASSISTÊNCIA MÉDICA ACESSO AOS MEDICAMENTOS Consiste em um resumo conciso contendo os problemas de saúde atuais e passados do paciente, sua história social e familiar e uma revisão organizada por sistemas e órgãos. O propósito de se realizar a história clínica é obter informações do paciente envolvendo seus problemas de saúde. Tais dados podem ser coletados diretamente com o paciente, com familiares, cuidadores, amigos, ou por meio de documentos institucionais (ex: prontuário, resumo de alta) História clínica Coleta e organização dos dados (Correr, Otuki, 2013) HISTÓRIA CLÍNICA Queixa principal História da doença atual História médica pregressa História familiar História social Revisão por sistemas Coleta e organização dos dados História clínica (Correr, Otuki, 2013) Uma boa forma de obter a queixa principal do paciente é pelo uso de questões abertas, como "Em que posso ajudá- lo?" ou “Como o senhor está se sentindo?” Coleta e organização dos dados História clínica – Queixa principal (Correr, Otuki, 2013) Apresentação breve da principal queixa do paciente. Normalmente, consiste em um ou dois sintomas primários, com uma duração determinada, que é expresso pelo paciente em suas próprias palavras. Recomenda-se a anotação da queixa principal no prontuário usando as palavras do paciente, sem necessidade de uso de termos médicos ou de diagnóstico. Para identificar o uso do termo popular costuma-se descrever o sintoma entre "aspas" ou colocar à frente entre parênteses (sic), termo do latim que significa: é desta forma (Sic et simpliciter). História clínica – Queixa principal Coleta e organização dos dados (Correr, Otuki, 2013) • Início, duração e frequência dos sintomas Tempo • Área precisa dos sintomas Localização • Termos descritivos específicos sobre o sintoma (ex. dor aguda, fezes com presença de sangue) Qualidade ou característica • Leve, moderada ou grave Quantidade ou severidade • O que o paciente estava fazendo quando os sintomas ocorreram Ambiente • Fatores que fazem com que os sintomas melhorem ou piorem Fatores que agravam ou que aliviam • Outros sintomas que ocorrem com os sintomas primários Sintomasassociados Coleta e organização dos dados História clínica – História da doença atual (Correr, Otuki, 2013) Descrição breve dos problemas e ocorrências médicas passadas mais relevantes, relacionadas ou não aos problemas atuais do paciente. Pode incluir hospitalizações, procedimentos cirúrgicos, acidentes, injúrias, história obstétrica (mulheres), entre outras Coleta e organização dos dados História clínica – História médica pregressa (Correr, Otuki, 2013) Os problemas familiares mais relevantes incluem doença arterial coronariana, hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes, câncer, osteoporose, alcoolismo e doenças mentais, pois estas podem alterar o risco de doenças futuras e podem influenciar o diagnóstico médico. Descrição breve da presença ou ausência de doenças em parentes de primeiro grau do paciente (pais, irmãos e filhos). Os dados incluem parentes falecidos e vivos, causa da morte, idade da morte e problemas médicos principais de familiares vivos. Coleta e organização dos dados História clínica – História Familiar (Correr, Otuki, 2013) Coleta e organização dos dados História Familiar - Exemplos (Correr, Otuki, 2013) • Pai – falecido com 63 anos de IAM • Mãe – 50 anos – HAS, DM, Hipotireoidismo e AR • Irmão – 60 anos – infarto aos 45 anos – HAS, Obeso • Avô paterno – falecido com 75 anos – câncer de cólon Álcool Tabaco Drogas ilícitas Alimentação Atividade física Meio social do paciente Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) O consumo de álcool deve ser documentado incluindo tipo de bebida, quantidade ingerida, frequência e tempo do uso. Esta informação é de alta relevância principalmente para pacientes em uso de medicamentos com potencial hepatotóxico ou com ação no sistema nervoso central. Para pacientes que bebem regularmente, deve ser registrada a data da última vez em que ingeriu bebida alcoólica Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) O uso de tabaco inclui diversas formas de consumo incluindo cigarros, charutos, cachimbo, narguile, etc. O registro deve incluir tipo de tabaco, quantidade por dia ou por semana e tempo de uso. O consumo de cigarros deve ser registrado em número de cigarros ou maços fumados por dia por tempo. Outra forma usual de registro consiste na unidade anos/maço. Esta é utilizada para definir a quantidade de maços fumados por determinado tempo. Calcula-se multiplicando o número de maços fumados por dia pelo número de anos como fumante. Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) A história de consumo de drogas ilícitas, como maconha, heroína, cocaína ou crack, pode ser difícil de ser obtida e depende muito da relação de confiança entre profissional e paciente e da forma de abordagem do tema. O farmacêutico deve se comunicar de modo profissional e sem julgamentos quando abordar essas questões. Assim como álcool e tabaco, o consumo de drogas ilícitas deve ser registrado em tipo, quantidade consumida, frequência e tempo de uso. A data da última vez em que usou também deve ser registrada. Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) A alimentação deve ser registrada em número de refeições e lanches ao longo do dia, incluindo horários das refeições dentro da rotina do paciente, assim como o tipo de alimento ingerido. Deve-se estar atento às proporções principalmente de carne vermelha, gordura, carboidratos, fibras e consumo de sal, baseando-se na rotina diária. Coleta e organização dos dados História clínica – História Social O registro dos hábitos alimentares do paciente é particularmente importantes em pacientes com risco aumentado para desenvolvimento de doença arterial coronariana, obesidade, diabetes, hipertensão e hipercolesterolemia (Correr, Otuki, 2013) O registro de exercício físico também é de fundamental importância. Exercícios físicos regulares devem ser registrados como tipo de atividade (Ex. caminhada, corrida, natação, etc.), tempo de duração e frequência (diária ou semanal). Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) O entorno familiar e social do paciente também pode ser relevante para a investigação farmacêutica. Informações sobre a família, como escolaridade e ocupação dos pais, situação financeira, presença de idosos e cuidadores na casa, opções de lazer, riscos ambientais e outros fatores sociais determinantes da saúde devem ser registrados conforme sua importância e relato pelo paciente. Coleta e organização dos dados História clínica – História Social (Correr, Otuki, 2013) Adaptada à Atenção Farmacêutica • Sinais Vitais • Parâmetros Bioquímicos • Exames Laboratoriais Sinais ou Sintomas investigados por sistemas ou órgãos que possam indicar problemas com uso de medicamentos Coleta e organização dos dados História clínica – Revisão por sistemas (Correr, Otuki, 2013) História Farmacoterapêutica Medicamentos prescritos Medicamentos não prescritos Terapias Complementares Vacinas Medicação pregressa Experiência de medicação Concordância e adesão História de RAM e de alergia Coleta e organização dos dados (Correr, Otuki, 2013) Indicação ou razão do uso Nome do medicamento Forma farmacêutica Concentração por unidade posológica Regime posológico, incluindo dose, via de administração, frequência, horários de uso e duração do tratamento. Resultados obtidos, em termos de efetividade e segurança, conforme percepção do paciente. Coleta e organização dos dados História Farmacoterapêutica (Correr, Otuki, 2013) Indicação - Problema de Saúde - Fator de Risco Medicamento - Fármaco - Forma Farmacêutica Regime Posológico - Dose, via, frequência, duração Padrão de Adesão do paciente Uso Correto Biofarmacêutica Farmacocinética Farmacodinâmica Resultado Terapêutico - Efetividade - Segurança Coleta e organização dos dados (Correr, Otuki, 2013) Coleta e organização dos dados História Farmacoterapêutica Terapias complementares O u tr a s T e r a p ia F lo r a l H o m e o p a ti a A c u p u n tu ra P la n ta s m e d ic in a is F it o te r a p ia Atitude Expectativas Receios Conhecimento Interferentes externos Comportamento Coleta e organização dos dados História Farmacoterapêutica Experiência de Medicação (Correr, Otuki, 2013) Compreender, Concordar e Cumprir o tratamento Intencional versus não-intencional Complexidade da Farmacoterapia • Número de medicamentos • Número de doses e horários • Instruções adicionais Coleta e organização dos dados História Farmacoterapêutica Adesão ao tratamento (Correr, Otuki, 2013) IDENTIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA MÉTODO CLÍNICO P1 Seleção P2 Administração P3 Biofarmacêutico P4 Farmacocinético P5 Farmacodinâmico P6 Resultados Terapêuticos AVALIAÇÃO GLOBAL DA FARMACOTERAPIA OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P1 Seleção A definição de um tratamento farmacológico para uma indicação clínica específica. Colaboração profissional – paciente ou automedicação OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P1 Seleção Modelo OMS Indicação Clínica Objetivo terapêutico Grupos Eficazes Fármaco Forma farmacêutica Regime Terapêutico Correr, Otuki, 2013 Como escolher um medicamento Definir o diagnósticoEspecificar o objetivo terapêutico Fazer um levantamento de grupos eficazes Escolher um fármaco Determinar a forma farmacêutica e regime terapêutico Correr, Otuki, 2013 P2 Administração A utilização do medicamento pelo paciente ou a administração do medicamento pelo profissional OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P2 Administração Modelos Adesão ao tratamento Experiência de Medicação Capacidade do paciente / habilidades Persistência no tratamento Correr, Otuki, 2013 BAIXA ADESÃO AO TRATAMENTO NÃO INTENCIONAL INTENCIONAL • Esquecimento • Compreensão • Habilidades físicas, cognitivas e sensoriais • Equívocos • Falta de Recursos • Motivação e discernimento • Crenças • Experiência de medicação Correr, Otuki, 2013 OMS, 2003 As cinco dimensões da adesão terapêutica Adesão vs. Persistência Clin Interv Aging. 2008 June; 3(2): 279–297. Adesão vs. Regime Terapêutico Dados extraídos de Claxton et al. 2001 PMID: 11558866 P1 Seleção P2 Administração ATIVIDADES PROFISSIONAIS Prescrição Transcrição Manipulação Fracionamento Preparo Rotulagem Separação Dispensação Administração (Enf.) ERROS DE MEDICAÇÃO Correr, Otuki, 2013 P3 Biofarmacêutico A liberação do fármaco e sua dissolução no local de absorção ou de administração. Também chamado biofarmacotécnico. OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P3 Biofarmacêutico Modelos Sistemas de Liberação Equivalência Farmacêutica Bioequivalência Qualidade do medicamento Correr, Otuki, 2013 Desvios de qualidade NA FARMÁCIA DIPIRONA Lotes de referência e genéricos dentro dos limites (teor de PA) Similares: pelo menos um lote de cada marca com problemas (teor pouco abaixo) NO DOMICÍLIO DIPIRONA Até 42,6% de perda de teor (condições de armazenamento) Contaminação com S. aureus, E. coli e Salmonella sp, fungos e leveduras Ciênc. saúde coletiva vol.15 supl.3 Rio de Janeiro Nov. 2010 Rev. Bras. Cienc. Farm. vol.43 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2007 P4 Farmacocinético A chegada do fármaco ao local de ação. A concentração de fármaco distribuída pelos tecidos e o tempo para que todo fármaco seja eliminado. OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P4 Farmacocinético Modelo ADME Absorção Biodisponi- bilidade Distribuição Clearance Meia-Vida Cinética linear ou não linear Correr, Otuki, 2013 P5 Farmacodinâmico A interação entre o fármaco e estruturas moleculares do organismo. A produção do efeito farmacológico. OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P5 Farmacodinâmico Modelo Chave-Fechadura Ação primária - tecido alvo Ação primária - outros tecidos Ação secundária - tecido alvo Ação secundária - outros tecidos Correr, Otuki, 2013 Fatores de suscetibilidade FONTE DE SUSCETIBILIDADE Exemplos Implicações Genética Polimorfismos Resposta inadequada aos medicamentos Idade Neonatos Idosos Ajuste de dose Fisiologia alterada Gravidez Ajuste de dose ou não uso Fatores exógenos Interações Med Manejo ou não uso Doenças Insuficiência renal Cirrose hepática Ajuste de dose Adaptado de: Drug Saf 2010; 33(1) A relação com a dose Hiper-suscetíveis Respondedores normais Refratários Correr, Otuki, 2013 Efeito / Tempo Ex. Benefícios Ex. Dano Primeira dose Analgesia Hipotensão por captopril Precoce Antibioticoterapia Diarreia por antibióticos Intermediário Antihipertensivos Hipersensibilidade Tipo II Tardio Cálcio para osteopenia Osteoporose por corticoides Retardados Vacinas Teratogênese Independentes do tempo - Queda por benzodiazepínicos Adaptado de: Drug Saf 2010; 33(1) A relação com o tempo Medicamento - Medicamento Os efeitos de um ou mais medicamentos alterados pelo uso simultâneo de outro(s) medicamento(s) Medicamento - Nutriente Os efeitos de um ou mais medicamentos alterados pelo uso simultâneo com alimentos ou por condições nutricionais do paciente Medicamento - Doença Exacerbações de doenças, condições ou síndromes pré- existentes causadas pelo uso de medicamentos específicos P4 Farmacocinético P5 Farmacodinâmico & P3 Biofarmacêutico & INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS Correr, Otuki, 2013 P6 Resultados Terapêuticos A mudança no estado de saúde decorrente desse efeito. As manifestações biológicas, psíquicas e sociais decorrentes dessa mudança. OS 6 PROCESSOS DA FARMACOTERAPIA Correr, Otuki, 2013 P6 Resultados Terapêuticos Modelo Efetividade Segurança ECHO MODEL Correr, Otuki, 2013 Resultados Negativos INEFETIVIDADE • Não alcança o objetivo terapêutico de modo satisfatório • Efetividade x Eficácia x Eficiência INSEGURANÇA • Produz um novo problema de saúde no paciente • Agrava um problema de saúde pré-existente • Reações Adversas x Toxicidade Correr, Otuki, 2013 Desfechos humanísticos Desfechos econômicos Desfechos clínicos Efetividade e Segurança da Farmacoterapia Qualidade de vida e Percepção geral de saúde Acesso, Custo mensal, Impacto sobre a renda Farmacoterapia Ideal Segurança - A farmacoterapia não produz novos problemas de saúde - A farmacoterapia não agrava problemas de saúde pré-existentes Efetividade - O paciente apresenta a resposta esperada à medicação - O regime terapêutico está adequado ao alcance das metas terapêuticas Adesão Terapêutica - O paciente compreende e é capaz de cumprir o regime terapêutico - O paciente concorda e adere ao tratamento numa postura ativa Necessidade - O paciente utiliza todos os medicamentos que necessita - O paciente não utiliza nenhum medicamento desnecessário (Correr, Otuki, 2013) P1 Seleção P2 Administração P3 Biofarmacêutico P4 Farmacocinético P5 Farmacodinâmico P6 Resultados Terapêuticos HIPOGLICEMIA PRESSÃO ARTERIAL NÃO CONTROLADA DIARREIA INSULINA NPH MANHÃ - NOITE ENALAPRIL / HCTZ CELECOXIB CARBAMAZEPINA SUSP 2% 10ML 3X DIA ok Interação Med-Med Hiper- sensibilidade? ok ok ok ok ok Medicamento contaminado? Administração Incorreta ok ok Correr & Otuki, 2011 Problemas da Farmacoterapia relacionados ao processo de uso de medicamentos Problemas da Farmacoterapia relacionados ao resultados de saúde PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA RELACIONADOS AO RESULTADO DE SAÚDE TRATAMENTO NÃO EFETIVO Tratamento não efetivo devido a problema no processo de uso Tratamento não efetivo sem causa definida INTOXICAÇÃO MEDICAMENTOSA Overdose / Intoxicação medicamentosa acidental Overdose / Intoxicação medicamentosa intencional REAÇÃO ADVERSA A MEDICAMENTO Reação adversa dose-dependente (tipo A) Reação alérgica ou idiossincrática (tipo B) Reação por exposição crônica (tipo C) Reação retardada / Teratogênese (tipo D) Efeitos de descontinuação (tipo E) Reação adversa não especificada PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA 196 PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA RELACIONADOS AO PROCESSO DE USO SELEÇÃO E PRESCRIÇÃO Condição clínica sem tratamento Necessidade de medicamento adicional Necessidade de tratamento preventivo Prescrição em subdose Prescrição em sobredose Forma farmacêutica ou via de administração incorreta Frequência ou horário de administração incorreto sem alteração da dose diária Duração do tratamento incorreta Medicamento inapropriado / contraindicado Medicamento ineficaz Medicamento sem indicação clínica Duplicidade terapêutica na mesma prescrição Interação medicamento-medicamento Interação medicamento-alimento Disponibilidade de alternativa terapêutica mais efetiva Disponibilidade de alternativa terapêutica mais segura Disponibilidade de alternativa terapêutica mais custo-efetivaOutros problemas de seleção e prescrição PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA 197 PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA RELACIONADOS AO PROCESSO DE USO ERRO DE DISPENSAÇÃO OU MANIPULAÇÃO Erro de rotulagem Dispensação de medicamento incorreto Dispensação de dose incorreta Dispensação de forma farmacêutica incorreta Dispensação de quantidade incorreta Paciente incorreto Omissão de dispensação de medicamento Outros erros de dispensação ou manipulação DISCREPÂNCIAS ENTRE PONTOS OU NÍVEIS DE ATENÇÃO À SAÚDE Omissão de medicamento Medicamento discrepante Duplicidade terapêutica Dose discrepante Forma farmacêutica ou via de administração discrepante Frequência ou horário de administração incorreto sem alteração da dose diária Duração do tratamento discrepante Outras discrepâncias entre pontos ou níveis de atenção à saúde não especificadas PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA RELACIONADOS AO PROCESSO DE USO ADMINISTRAÇÃO E ADESÃO AO TRATAMENTO Administração do medicamento incorreto Técnica de administração incorreta Forma farmacêutica ou via de administração incorreta Frequência ou horário de administração incorreto sem alteração da dose diária Duração do tratamento incorreta Descontinuação indevida do medicamento Continuação indevida do medicamento Redução abrupta de dose Não iniciou o tratamento Omissão de doses (subdosagem) Adição de doses (sobredosagem) Uso abusivo do medicamento Automedicação indevida Outros problemas relacionados à administração e adesão não especificados PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA RELACIONADOS AO PROCESSO DE USO QUALIDADE DO MEDICAMENTO Desvio de qualidade aparente Medicamento vencido Armazenamento incorreto Medicamento falsificado Medicamento sem registro Outros problemas relacionados à qualidade MONITORIZAÇÃO Necessidade de exame laboratorial Necessidade de monitorização não laboratorial Necessidade de automonitorização Outros problemas de monitorização não especificados PROBLEMAS DA FARMACOTERAPIA ELABORAÇÃO DO PLANO DE CUIDADO MÉTODO CLÍNICO Determinar em conjunto com o paciente como manejar adequadamente seus problemas de saúde utilizando a farmacoterapia e tudo que deve ser feito para que o plano seja cumprido Elaborar um plano de cuidado requer tomada de decisões clínicas Composto de três partes: − Definição das metas terapêuticas − Intervenções voltadas aos problemas relacionados à farmacoterapia − Agendamento das consultas de retorno Elaboração do Plano de Cuidado Plano de Cuidado Devem ser definidas metas claras para toda a farmacoterapia e não apenas para medicamentos prescritos pelo farmacêutico ou para problemas relacionados à farmacoterapia. As metas terapêuticas são definidas para cada indicação apresentada pelo paciente. Componentes essenciais que precisam ser definidos para cada meta: 1) Os parâmetros clínicos e/ou laboratoriais mensuráveis, que serão utilizados para medir o resultado 2) O prazo definido para alcance dos resultados Elaboração do Plano de Cuidado Metas terapêuticas Ato planejado, documentado e realizado junto ao paciente e profissionais de saúde, que visa resolver ou prevenir problemas relacionados à farmacoterapia e garantir o alcance das metas terapêuticas. Cada intervenção deve ser individualizada de acordo com a condição clínica do paciente, suas necessidades e problemas relacionados à farmacoterapia. O delineamento de uma intervenção deve considerar as opções terapêuticas disponíveis e deve ser feito em colaboração com o paciente e, quando apropriado, com seu familiar, cuidador ou médico responsável. Todas as intervenções devem ser documentadas. Elaboração do Plano de Cuidado Intervenções Farmacêuticas INTERVENÇÕES FARMACÊUTICAS INTERVENÇÕES FARMACÊUTICAS E CONDUTAS INFORMAÇÃO E ACONSELHAMENTO Aconselhamento sobre um tratamento específico Aconselhamento sobre os tratamentos de forma geral Aconselhamento sobre medidas não farmacológicas Aconselhamento sobre condição de saúde específica Aconselhamento sobre as condições de saúde de forma geral Aconselhamento sobre automonitoramento Outro aconselhamento não especificado ENCAMINHAMENTO Encaminhamento a outro serviço farmacêutico Encaminhamento ao médico Encaminhamento ao psicólogo Encaminhamento ao nutricionista Encaminhamento a serviço de suporte social Encaminhamento a programa de educação estruturada Encaminhamento ao pronto-atendimento Outros encaminhamentos não especificados MONITORAMENTO Recomendação de exame laboratorial Recomendação de monitoramento não laboratorial Recomendação de automonitoramento Outras recomendações de monitoramento INTERVENÇÕES FARMACÊUTICAS INTERVENÇÕES FARMACÊUTICAS E CONDUTAS ALTERAÇÃO NA TERAPIA Início de novo medicamento Suspensão de medicamento Substituição de medicamento Alteração de forma farmacêutica Alteração de via de administração Alteração na frequência sem alteração da dose diária Aumento da dose diária Redução de dose diária Outras alterações na terapia não especificadas PROVISÃO DE MATERIAIS Lista ou Calendário posológico de medicamentos Rótulos / Instruções pictóricas Informe terapêutico/ carta ao médico ou outros profissionais Material educativo impresso / Panfleto Informação científica impressa Diário para automonitoramento Organizador de comp. ou dispositivo para auxiliar na adesão ao tratamento Dispositivo para automonitoramento Provisão de materiais não especificados Definir o prazo necessário para que o paciente volte à consulta farmacêutica e qual será a frequência dessas consultas, a fim de se avaliar os resultados da farmacoterapia e das intervenções ao longo de tempo. Para pacientes com quadros mais graves ou com problemas relacionados à farmacoterapia de maior complexidade o acompanhamento deverá ser feito de forma mais frequente. Elaboração do Plano de Cuidado Agendamento dos Retornos 211 ACOMPANHAMENTO DO PACIENTE MÉTODO CLÍNICO O acompanhamento dos resultados obtidos após implantação do plano de cuidado é o que faz da atenção farmacêutica uma prática orientada ao paciente e aos resultados da farmacoterapia, mais do que ao processo de uso de medicamentos. Sem a realização de acompanhamento, a atenção farmacêutica passa a ser apenas mais uma parte do problema, não da solução. Três atividades essenciais compõem o acompanhamento do paciente: • Avaliação dos resultados terapêuticos e evolução clínica do paciente • Avaliação do alcance das metas terapêuticas • Identificação de novos problemas Acompanhamento do paciente Atualização do estado clínico dos problemas de saúde Atualização da farmacoterapia atual Avaliação dos resultados das intervenções anteriores Identificação de novos problemas relacionados à farmacoterapia Realização de novas intervenções farmacêuticas Acompanhamento do paciente Consultas de Retorno Dados subjetivos (S) compreendem as queixas dos pacientes e outras informações fornecidas pelos pacientes, parentes ou acompanhantes. Dados objetivos (O) incluem os achados de exame físico, os exames complementares e medicamentos prescritos. Avaliação (A) se refere às conclusões sobre a situação do paciente, particularmente os problemas da farmacoterapia identificados. Plano (P) inclui os exames a serem solicitados, as informações prestadas aos pacientes e familiares visando orientação e educação, as sugestões feitas para mudanças na farmacoterapia e os encaminhamentos a outros profissionais. Documentação SOAP Exemplo de Registro SOAP Consulta em 10/02/2018 M.R., homem, 87 anos, com histórico de fibrilação atrial, acidente isquêmico transitório (AIT) prévio, hipertensão,dislipidemia, diabetes, artrite, gastrite leve, depressão. Em uso de metoprolol (50mg/dia), varfarina (5mg/dia), pantoprazol (40mg/dia), metformina (850mg/dia), domperidona (10mg/dia), mirtazapina (30 mg/dia), diclofenaco potássico (50mg se dor) #S Paciente refere fezes de coloração negra, dor na região do estômago, aumento na frequência das dores nas articulações, com consequente aumento do uso de diclofenaco. Nega problemas no uso dos medicamentos. Relata não fazer uso da atorvastatina prescrita devido a problema de acesso. #O PA (na consulta)=127/84 mmHg; Hemoglobina glicada(10/01/2014)= 8,9%; RNI (10/01/2014)= 2,69; Perfil lipídico (10/01/2014) CT: 275mg/dL;TG: 363mg/dL; HDL: 27mg/dL #A Foram identificados os seguintes problemas da farmacoterapia: Condição clínica não tratada (dislipidemia); Suspeita de reação adversa a medicamento (varfarina - sangramento) e reação adversa a medicamento (diclofenaco potássico - dor gástrica), Paciente não iniciou o tratamento devido a problema de acesso (atorvastatina), Inefetividade do tratamento do diabetes (valores de hemoglobina glicada fora das metas terapêuticas) #P Foram realizadas as seguintes intervenções farmacêuticas: Aconselhamento ao paciente sobre seus problemas de saúde, tratamentos farmacológicos e não farmacológicos e automonitoramento; Encaminhamento com urgência ao médico para investigação de sangramento do trato gastrointestinal, elaboração de carta de encaminhamento ao médico com sugestão de substituição do diclofenaco por outro antiinflamatório/analgésico alternativo -não AINE, aumento da dose diária da metformina e manejo da dose de varfarina, se confirmado sangramento, elaboração de carta ao médico solicitando laudo para acesso da paciente ao medicamento atorvastatina pelo componente especializado. Avaliação de sinais/sintomas em transtornos maiores específicos Semiologia Hipertensão Semiologia Hipertensão Um assassino silencioso! Atinge 30% da população O controle da pressão é necessário para redução de morbimortalidade O monitoramento de sinais/sintomas é FUNDAMENTAL! Como fazer??? • Avaliação da terapia anti-hipertensiva ou de pacientes sob risco de desenvolver hipertensão. • Pressão arterial elevada pode representar uma doença não diagnosticada, reação adversa a medicamentos ou falha de efetividade do tratamento anti-hipertensivo. Avaliação da pressão arterial Avaliação da pressão arterial Metas terapêuticas Metas terapêuticas • < 140/90 mmHg Hipertensos estágios 1 e 2 com risco cardiovascular baixo ou intermediário • < 130/80 mmHg* Hipertensos e pressão limítrofe com risco cardiovascular alto ou muito alto, com 3 ou mais fatores de risco, DM, SM ou LOA • < 130/80 mmHg* Hipertensos com insuficiência renal (IR) com proteinúria > 1,0 g/l • < 150/90 mmHg Idosos (>60 anos) sem DM, SM, LOA ou IR *JNC 8 (USA) considera meta <140/90 mmHg para esses pacientes Principais aparelhos para medida da pressão arterial Coluna de Mercúrio Aneroide Digital Aferição da pressão arterial Selo de aprovação do INMETRO e Sociedade Brasileira de Cardiologia Aferição da pressão arterial Escolha do manguito Aferição da pressão arterial Medida 1 Medida 2 Definir o braço Medida 3 Média dos 2 últimos valores! Protocolo para aferição da pressão arterial Aferição da pressão arterial 1. Explicar o procedimento ao paciente 2. Repouso de pelo menos 5 minutos em ambiente calmo 3. Evitar bexiga cheia 4. Não praticar exercícios físicos 60 a 90 minutos antes 5. Não ingerir bebidas alcoólicas, café ou alimentos e não fumar 30 minutos antes 6. Manter pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e relaxado ... Preparo do paciente para a medida da Pressão arterial Aferição da pressão arterial 7. Remover roupas do braço no qual será colocado o manguito 8. Posicionar o braço na altura do coração (nível do ponto médio do esterno ou 4° espaço intercostal), apoiado, com a palma da mão voltada para cima e o cotovelo ligeiramente fletido 9. Solicitar para que não fale durante a medida Preparo do paciente para a medida da Pressão arterial Aferição da pressão arterial 1. Medir a circunferência do braço do paciente 2. Selecionar o manguito de tamanho adequado ao braço 3. Colocar o manguito sem deixar folgas acima da fossa cubital, cerca de 2 a 3 cm 4. Centralizar o meio da parte compressiva do manguito sobre a artéria braquial 5. Estimar o nível da pressão sistólica (palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, desinflar rapidamente e aguardar 1 minuto antes da medida) ... Procedimento de medida da pressão arterial Aferição da pressão arterial 6. Palpar a artéria braquial na fossa cubital e colocar a campânula do estetoscópio sem compressão excessiva 7. Inflar rapidamente até ultrapassar 20 a 30 mmHg o nível estimado da pressão sistólica 8. Proceder à deflação lentamente (velocidade de 2 a 4 mmHg por segundo) 9. Determinar a pressão sistólica na ausculta do primeiro som (fase I de Korotkoff), que é um som fraco seguido de batidas regulares, e, após, aumentar ligeiramente a velocidade de deflação 10. Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff) Procedimento de medida da pressão arterial Aferição da pressão arterial 11. Auscultar cerca de 20 a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa 12. Se os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff) e anotar valores da sistólica/diastólica/zero 13. Esperar 1 a 2 minutos antes de novas medidas 14. Informar os valores de pressão arterial obtidos para o paciente 15. Anotar os valores e o membro em que a PA foi aferida. Procedimento de medida da pressão arterial Aferição da pressão arterial Caso a PA esteja elevada, antes de decidir a melhor conduta é prudente confirmar este resultado em 3 outros dias Avaliação da pressão arterial Monitoramento residencial da pressão arterial DIA HORÁRIO VALORES - MANHÃ HORÁRIO VALORES - NOITE DIA 1 ____ / ____ / ____ ___ : ___ Medida 1: ___ : ___ Medida 1: Medida 2: Medida 2: DIA 2 ____ / ____ / ____ ___ : ___ Medida 1: ___ : ___ Medida 1: Medida 2: Medida 2: DIA 3 ____ / ____ / ____ ___ : ___ Medida 1: ___ : ___ Medida 1: Medida 2: Medida 2: DIA 4 ____ / ____ / ____ ___ : ___ Medida 1: ___ : ___ Medida 1: Medida 2: Medida 2: Avaliação da pressão arterial Principais erros durante a medida da pressão arterial Avaliação da pressão arterial ALERTAS QUE REQUEREM ENCAMINHAMENTO IMEDIATO Pacientes com resultados confirmados de PA diastólica ≥120 mmHg, com ou sem sintomas Resultados elevados de PA, principalmente diastólica, caracterizam crise hipertensiva, que pode ser urgência ou emergência. Recomendado encaminhamento para pronto-atendimento Pacientes com PA > 180/110 mmHg e risco cardiovascular global alto ou muito alto Requer intervenção imediata com medicamentos, que deve ser feita pelo médico no pronto-atendimento, após avaliação do estado clínico Dor no peito com evolução progressiva, podendo irradiar para membros superiores ou mandíbula Estes sintomas sempre devem ser considerados preocupantes. Em hipertensos com alto risco cardiovascular, deve ocorrer encaminhamento imediato, considerando o risco de IAM Dores de cabeça associadas a alterações na fala ou parestesias (sensações cutâneas de frio, calor, formigamento, pressão, sensibilidade) É preciso avaliação médica imediata, para descartar acidente cerebrovascular, isquêmico ou hemorrágico Diabetes Semiologia DiabetesPandemia Mundial! 175 milhões não sabem! Não com objetivo diagnóstico ou prognóstico; Serviço Farmacêutico: Auxiliar na detecção de casos suspeitos; Avaliar a efetividade e segurança da farmacoterapia em pacientes diagnosticados; Aferição da glicemia Aferição da glicemia capilar Metas terapêuticas Avaliação da glicemia capilar Geral Glicemia Capilar Aferição da glicemia Após calibração do aparelho, os seguintes passos devem ser tomados pelo farmacêutico: 1. Colocar todo o material a ser utilizado (glucosímetro, lancetador, lancetas e tiras) sobre a mesa ou bancada; 2. Colocar luvas; 3. Lavar e secar bem as mãos, pedir também para que o paciente lave suas mãos (Se for feita antissepsia com álcool 70 esperar secar completamente); 4. Preparar o lancetador com a lanceta; 5. Inserir delicadamente a tira-teste com as barras de contato voltadas para cima na abertura de inserção do sensor até parar; Aferição da glicemia capilar Aferição da glicemia 6. O sensor automaticamente mostrará que já se pode colocar a gota de sangue (as mensagens variam de acordo com o aparelho); 7. Obter uma amostra de sangue adequada usando um dispositivo de lancetagem recomendado; 8. Tocar a gota de sangue na área alvo da tira-teste (a análise começará imediatamente); 9. Observar o resultado após alguns segundos; 10. Preencher a declaração de serviço farmacêutico e entregá-la ao paciente. No caso do paciente estar sob acompanhamento, registrar o valor obtido no prontuário, juntamente com os outros dados. Aferição da glicemia capilar •Principalmente em pacientes em uso de insulina Auto monitorização de glicemia SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO Jejum Após o café Antes do almoço Após o almoço Antes do jantar Após o jantar Hora de dormir Observações * * Atividades fora da rotina, como: Festas, atividades físicas incomuns, jantares ou almoços diferentes, etc. Avaliação da glicemia capilar Avaliação da glicemia capilar Atividades – Casos clínicos de transtornos maiores CASOS CLÍNICOS ATIVIDADE PRÁTICA Semiologia Farmacêutica e Comunicação Interpessoal inarotta@gmail.com