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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
FACULDADE DE HISTÓRIA
HISTORIA CONTEMPORÂNEA I
 
 
 
 Fichamento: DEL ROIO, Marcos. “O liberalismo clássico e a reinvenção do subalterno”. In: O império Universal e seus antípodas: a ocidentalização do mundo. São Paulo: Ícone, 1998, p. 65-111
Aluna: Káryta Nunes Bento
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Goiânia
2018
I
“Em fins do século XVII, o Ocidente optou definitiva e irreversivelmente pelo ingresso na época da modernidade capitalista [...]” (p.65)
“A modernidade, [...], cria o homem do trabalho perpétuo, [...]” (p.65)
“O sujeito da necessidade, na modernidade, aparece como indivíduo coagido pela necessidade econômica e que no mercado encontra sua identidade;” (p.66)
“Assim o mundo da necessidade e da desigualdade real se apresenta como que formado por individualidades abstratamente livres, iguais e proprietárias.” (p.66)
“A modernidade vitoriosa começou a difundir-se a partir da Inglaterra, Holanda e de regiões França e Alemanha.” (p.66)
“ [...] 1685, o rei Luís XIV revogou o édito de Nantes [...]” (p.66)
“[...] em 1688, conclui-se a revolução burguesa na Inglaterra, [...], a generalização da modernidade só teria inicio cerca de um século depois, com o surgimento da indústria na Inglaterra e com as revoluções burguesas na América do Norte e França” (p.67)
“Sua origem encontra-se na expropriação do trabalhador que, tendo seus meios de vida e de trabalhador que, tendo seus meios de vida e de trabalho transformados em mercadoria, com sua necessidade gerou o mercado de consumo” (p.67)
“A emergência da modernidade capitalista dependeu muito do fundamental papel do Estado, tanto no decorrer da revolução burguesa, quanto das instituições liberais que apareceram como seu corolário.” (p.67)
“Sem a ação estatal não teria sido possível a enorme expansão comercial inglesa no século XVIII que possibilitou a revolução industrial e um novo patamar de expansão e dominação do Ocidente, [...]” (p.68)
“O exercício prático da fé religiosa dar-se-ia pela valorização do trabalho, percebido como instrumento ascético e finalidade da vida.” (p.68)
“Assim, a acumulação da riqueza material e a propriedade privada seriam sinais externos do cumprimento da vocação e decorrências de um comportamento racional e moralmente correto; [...].” (p.69)
“Em oposição aos monopólios comerciais e corporativos, foi aberta a rota estreita e tortuosa rumo a revolução industrial e a conformação plena da dinâmica da produção e acumulação de capital.” (p.69)
“[...] surgiu e consolidou-se no século XVII a escola teórica do direito natural.” (p.70)
“A noção de interesse como mediação estabilizadora entre paixão e razão fez surgir um mundo dotado de previsibilidade, e existente para prover as finalidades humanas.” (p.71)
“[...] as instituições politicas e o governo existiriam com o fito de defender e preservar o direito de propriedade como direito natural.” (p.72)
“O governo civil dever-se-ia limitar a garantir e ampliar os direitos presentes na condição natural do homem, na qual todos os indivíduos seriam livres, iguais, proprietários e racionais.” (p.72)
“[...] de fins do século XVII até o inicio do século XIX, [...] a revolução burguesa refluiu diante do avanço do oriente, [...] a formação social do Ocidente precede a construção do bloco histórico no qual a burguesia emerge como classe social [...]” (p.73)
“[...] o saber cientifico da modernidade, ao separar os homens em dotados e despossuídos de razão, exigiu a sobrevivência da religião institucional como necessidade de sedimentação da ordem, fazendo com que a Igreja deixasse de combater a cultura popular até então vista como fonte de heresia.” (p.74)
“O ocidente da modernidade capitalista precisa do outro inferior e ao mesmo tempo temível, pois sua logica é a da apropriação, sob forma de mercadoria, do que lhe é externo – natureza e culturas – e da submissão do contraditório no seu movimento interior.” (p.74-75)
“Bernard de Mandeville ainda sugeria que a missa dominical fosse obrigatória e única atividade de lazer para os pobres e trabalhadores manuais que, além de tudo, estariam proibidos de se organizarem de forma independente do estado e da Igreja.” (p.75)
“[...] século XVII todo o sistema de Estados do Ocidente se envolveu na Guerra dos Sete Anos (1757-1763), redefinindo a correlação de forças e dando um novo perfil tanto ao Oriente interno quanto ao externo.” (p.76)
“Como em todo o Oriente interno, o caráter agrícola e as relações comercias com o Ocidente foram marcantes para a Rússia do século XVIII, estimulando a expansão politico-militar, assim como a aproximação com a cultura ocidental.” (p.77)
“Já em 1767 Rousseau confessava os temores do Ocidente ao supor que “o império da Rússia quererá subjugar a Europa e acabará ele mesmo subjugado.” (p.77)
“De outra parte, Diderot e Voltaire defendiam a causa russa pois, segundo pensavam, a tolerância religiosa apregoada pela czarina Catarina II e pela nobreza não católica serviria para combater o obscurantismo que o predomínio da Igreja Catolica preservava, estimulando assim a ocidentalização da Rússia.” (p.78)
“Com o final da Guerra dos Sete Anos [...], viram-se reforçadas as tendências que levariam à revolução burguesa e ao definitivo desdobramento do extremo Ocidente no continente norte-americano, com a fundação dos EUA.” (p.78)
“[...] os novos americanos não poderiam aceitar visões cósmicas diferentes da sua, de modo que a crise social e as limitações á expansão material que os impulsionava em direção às terras índias se justificaram pela impossibilidade da aceitação etnocultural dos povos autóctones, a não ser em situação de inapelável subalternidade.” (p.79)
“[...] o esgotamento do calvinismo puritano, assim como de outras seitas, abriu caminho para um individualismo proprietário laicizado no liberalismo, [...]” (p.79)
“[...] no Oriente encontrava-se em curso a conquista da Índia, com a paulatina quebra de resistência do império Marata, facilitada por uma crise política e pela emergência de uma burguesia mercantil [...]” (p.80)
“Da mesma forma que na Índia, também na Indonésia, a longa presença da Cia. Holandesa político no arquipélago, estimulando a intervenção direta do Ocidente.” (p.80)
“Quando a revolução burguesa do Ocidente envolveu a Holanda, a aliança com a Inglaterra foi rompida com desdobramentos no Oriente.” (p.80)
“A França que recuara no Oriente após a Guerra dos Sete Anos, recuou ainda mais com a derrota nas guerras napoleônicas [...].” (p.81)
“No Oriente restava ainda o grande poder do império da China, [...] expressando a contraposição Oriente-Ocidente, [...]” (p.81)
“A oposição ao Oriente deixa de ser o medo pânico de um invasão turca e passa a ser a necessidade sentida do conhecimento científico, de horizontes mais amplos a serem engolfados, pela expansão do Ocidente.” (p.81)
“[...] é a cultura chinesa e seu (por ora) impenetrável império, que faz a contraface do Ocidente e exacerba sua vontade de domínio.” (p.81)
II
“O que unifica a representação política do Oriente, gerada pela modernidade capitalista do Ocidente é a noção de despotismo, [...]” (p.82)
“O poder despótico volta-se tanto contra aqueles que não fazem parte do Ocidente como contra os destituídos de propriedade, e portanto de racionalidade, do próprio Ocidente, excluídos do poder político e dos direitos de cidadania.” (p.82)
“[...] para Locke o despotismo é uma forma especifica de relação de poder, aquele que confronta senhor e escravo, e isso ocorre tanto na relação do Ocidente com outros povos, como no interior do próprio Ocidente, [...].” (p.83)
“O Oriente seria apenas o locus de exacerbação daquilo que ele percebia de negativo no Ocidente, [...]” (p.83)
“É em Maquiavel que se encontra a primeira referência moderna à contraposição Ocidente-Oriente como a de formas diferenciadas de organização sócio-política [...]” (p.83)
“[...] Jean Bodin propôs uma inovação: o despotismo seria uma forma de governo, uma forma de exercício da soberania delegada pelo titulardo poder politico que, por sua vez, define a forma do Estado ou regime politico.” (p.84)
“Enquanto ocorria a recomposição da monarquia absolutista em meio à propagação da modernidade, ampliava-se o horizonte do Ocidente, [...]” (p.86)
‘[...] o Oriente poderia penetrar no Ocidente não pela força das armas, mas imperceptivelmente, pelo exemplo e pela insídia.” (p.86)
“[...] Montesquieu expressa a necessidade de o Ocidente reinventar o Oriente subalterno do ponto de vista da ciência, e não mais da religião.” (p.86)
“[...] a noção de despotismo oriental é decisiva para a compreensão do paradigma que o liberalismo e a modernidade ocidental vinham gestando para apreender e representar o Oriente e o outro em geral.” (p.87)
“Essa nova representação laicizada do Oriente como outro negativo do Ocidente, construída de um ponto de vista “cientifico”, só foi possível pela multiplicação das fontes de informação.” (p.87)
“[...] mais de acordo com a tradição aristotélica-, entendia ser o despotismo uma forma de exercício do poder e não uma forma de governo ou regime politico.” (p.88)
“[...] para Montesquieu o Estado despótico se define pela ausência, de duas características intrínsecas ao Ocidente, como são o direito político e a projeção na história.” (p.89)
“Não pode mesmo haver história e Estado, [...] pos que, “no governo despótico, uma só pessoa, sem obedecer as leis e regras, realiza tudo por sua vontade e seus caprichos.” (p.89)
“[...] o despotismo tem no medo o principio que lhe dá movimento, mas sendo essencialmente negativo, acaba por reproduzir-se sempre igual a si mesmo.” (p.89)
“É por isso que o poder despótico se debilita em caso de não haver força ou vontade para punir os que ocupam postos importantes na administração e na força armada, [...]” (p.89)
“Sem leis e sem medo, ao povo só resta a rebelião, até que a ordem despótica se restabeleça, através da recomposição do princípio do medo.” (p.89)
“Assim, nos Estados despóticos “a religião tem mais influência do que em qualquer outro: é um temor adicionado ao temor.” (p.90)
“Pelo fato de ser o despotismo uma forma de governo intrinsicamente corrompida e irracional, a única racionalidade possível é aquela que deriva da natureza das coisas.” (p.90)
“Deve ser considerado, no entanto, da própria natureza do despotismo oriental, que é por tudo negativo; e é plenamente defensável no extremo Ocidente subalterno, que se configurava às custas do genocídio dos povos autóctones e do trabalho escravo de africanos [...]” (p.92)
“[...] a saída do despotismo só aparece possível com a ocidentalização do Oriente e do mundo, de modo que “cabe ao legislador estabelecer as leis que vençam a natureza do clima.” (p.92)
“Ao despotismo Montesquieu contrapunha a republica e a monarquia, como formas de governo moderadas, próprias da tradição histórico-politica do Ocidente.” (p.93)
“Montesquieu percebia que a opção pela modernidade colocava como atual para o Ocidente a questão do despotismo e da emergência do outro inferior negativo dentro de si.” (p.93)
“De maneira análoga, Montesquieu, [...] indicava que o Ocidente havia já sido vitima do despotismo no seu passado remoto.” (p.94)
“O Ocidente atual teria surgido com o refluxo da invasão normanda e a consolidação das instituições das monarquias feudais, assim como do papel da nobreza.” (p.94)
“Não é, no entanto, o despotismo democrático [...] o centro das preocupações de Montesquieu, mas o despotismo que advém da crise da monarquia, [...]” (p.96)
“Na monarquia “um só governa, mas de acordo com as leis fixas e estabelecidas”. E sua corrupção aparece no momento em que essas leis não são mais respeitadas ou então são alteradas.” (p.96)
“O despotismo produzido pela corrupção da democracia e aquele produzido pela corrupção da monarquia encontram-se e identificam-se na indiferenciação, na sua ausência de principio positivo, de politica e de historia.” (p.98)
III
“Na época da modernidade, que começa a encontrar passagem desde a revolução burguesa na Inglaterra, esse outro interno negativo, ameaçador da ordem do Ocidente, que na concepção liberal viria a se chamar despotismo, toma a forma de democracia, [...]” (p.101)
“Embora todos os homens fossem iguais por direito natural, só deveriam ter acesso ao direito politico de sufrágio aqueles que tivessem mantido o direito natural de propriedade.” (p.102)
“Os direitos civis, por sua vez, seriam extensivos a todos os habitantes da republica inglesa, [...]” (p.102)
“Estando a desigualdade e a propriedade ausentes do estado de natureza, deduz-se que todo Estado politico presente tem na violência sua origem, estando sujeito a revolução e sendo por isso mesmo débil.” (p.104)
“Além da razão moderna do Ocidente, Rousseau também criticava a tradição religiosa, [...]” (p.105)
“[...] Rousseau procurava resgatar e valorizar o “honem natural” como imagem da inocência, [...]” (p.105)
“Rousseau entende como despótica toda a forma de poder politico existente, pois que nenhuma se origina de um pacto consensual entre iguais, o único capaz de fundar um verdadeiro direito publico e um governo legitimo.’ (p.106)
“A democracia possível no século XVIII, visualizada por Rousseau, tem seus fundamentos econômicos-sociais na produção agrícola e no artesanato, [...]” (p.107)
“A instabilidade da ordem democrática além das condições históricas concretas de sua origem, reside na dificuldade em se preservar a vontade geral como indivisível e intransferível, [...]” (p.107)
“[...] Rousseau pensava que a preservação do Estado e sua longevidade dependem de vontade, ação politica e boas leis.” (p.108)
“A degeneração da democracia é, para Rousseau, o processo de recriação da subalternidade e de recondução ao leito histórico cultural do Ocidente.” (p.108)
“A oposição da nobreza francesa à monarquia absolutista desencadeou o processo revolucionário.” (p.109)
“Para os liberais, era tarefa da revolução derrotar o despotismo estatal, encarnado na figura do rei, e criar uma monarquia constitucional que reconhecesse o individualismo proprietário e mantivesse a exclusão dos trabalhadores manuais e dependentes.” (p.109)
“[...] o despotismo como representação politica esteve no centro das disputas sócio-culturais do Ocidente no primeiro século de opção pela modernidade.” 
“Nesse contexto a burguesia não mais poderia ser considerada como classe subalterna, [...]” (p.110)
“O liberalismo clássico, ao reinventar o subalterno no interior do Ocidente, também reinventou um Oriente negativo e inferior, a ser vitimado pela expansão do Ocidente.” (p.111)
“Na concepção democrática, Oriente e Ocidente se identificavam na submissão ao despotismo.” (p.111)

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