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Noções Gerais Parte Geral O Código de Direito Processual Civil é dividido em duas partes: geral e especial, sendo que a última se divide em três – processo de conhecimento e cumprimento de sentença, execução e recursos. Em ambas as partes, é necessário atentar-se às mudanças trazidas pelo Novo Código de Processo Civil de 2015, pois instaurou-se um momento de transição da disciplina, em que ainda não há jurisprudência firmada sobre uma série de questões importantes. Princípios Processuais A primeira grande mudança da Parte Geral trata-se da grande atenção que o CPC dá à constitucionalização do processo, dedicando, no livro I, seus 12 artigos iniciais para definir aquilo que denominou de Normas Fundamentais do Processo Civil, que é a base principiológica do CPC. 1. Princípio do acesso à justiça Também conhecido como princípio da inafastabilidade da jurisdição, trata-se do direito de ação em sentido amplo. É uma das garantias fundamentais do processo, que obriga o Poder Judiciário a examinar e responder toda pretensão de qualquer pessoa, afastando qualquer limitação ao acesso jurisdicional. É em decorrência disso que há previsão de garantia da assistência jurídica aos carentes, bem como com a preocupação de assegurar a paridade de armas entre os litigantes na disputa judicial de maneira a garantir que o acesso à justiça não fique prejudicado. Está previsto tanto na constituição quanto no Código de Processo Civil de 2015, nos artigos: Art. 3o, CPC- Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. Art. 5º, XXXV,CF - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; Ainda, vale atentar-se a uma discussão acerca de a arbitragem violar, ou não, o princípio do livre acesso à justiça por vedar a discussão da mesma lide no Judiciário, todavia, entende-se que não viola devido a escolha livre das partes pela arbitragem (STF, SE 5.206 AgRg, Tribunal Pleno, j. 12-12-2001, DJ 30-4-2004). 2. Princípio do contraditório Está positivado tanto na Constituição quanto no CPC: Art. 5º, LV, CF - Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Art. 9o, CPC - Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida (…). Trata-se da bilateralidade do processo, em que há a informação e possibilidade de manifestação. Ou seja, necessariamente há a alegação do autor, mas o réu pode, ou não, manifestar-se contra as causas de pedir. Sendo assim, a mera revelia não viola o princípio do contraditório, pois, o réu teve a oportunidade de se manifestar. Obs.: O CPC trouxe uma inovação em seu artigo 10º: Art. 10º - O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Tal artigo se refere a vedação da decisão surpresa, que proíbe o juiz de tomar uma decisão sem antes dar às partes a oportunidade de se manifestar, ainda que possa apreciar a matéria de ofício. Permite que haja o contraditório efetivo ao transformar o binômio em trinômio: informação, possibilidade de manifestação e resposta do Judiciário. A exemplo, cita-se um caso de prescrição, em que juiz mesmo sabendo do prazo, deve ouvir o réu. 3. Princípio da ampla defesa Também positivado no Art. 5º, LV da Constituição, a ampla defesa é a garantia de que qualquer réu possa se defender e recorrer plenamente, tendo todos os seus argumentos apreciados, o que não significa que todos os fatos alegados serão levados em consideração. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Cabe ao juiz analisar a pertinência das provas e alegações. 4. Princípio da publicidade Encontra-se no art. 93, IX, CF (“todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos(...)”), art. 8º e 11º do CPC: Art. 8o - Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. Art. 11º - Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Parágrafo único - Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público. O parágrafo único do art. 11 positiva a relativização deste princípio, apoiado pela Constituição (at. 5º, LX), pois permitem a restrição da publicidade para defesa da intimidade e interesse público. 5. Princípio da motivação Toda decisão judicial deve ser motivada, conforme legisla o art. 93, IX da Constituição (“todos os julgamentos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentada todas as decisões(...)”) e repetido no artigo 11º do CPC. Sem a fundamentação, a decisão é anulada. Dessa forma, é garantido que autor e réu saibam a razão pela qual seus argumentos foram aceitos ou negados, assim garantindo que tenham condições de recorrer. 6. Princípio da duração razoável do processo Estabelece que não só a fase de conhecimento, mas também o cumprimento de sentença e a execução (“atividade satisfativa”) devem ser administrados em observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, de maneira a impedir que processo se estenda além do limite razoável de duração, sem que se comprometa a ampla defesa e contraditório. Encontra-se nos seguintes artigos: Art. 4º, CPC - As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. Art. 5º, LXXVIII, CF - São assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 7. Princípio da inércia www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br É o princípio da necessidade da demanda, ou seja, a jurisdição só age quando provocada pela parte interessada e não pelo juiz, garantindo sua imparcialidade. Porém, uma vez instaurada a relação processual, compete ao juiz mover o procedimento de fase em fase até exaurir, que é o chamado impulso oficial. Encontra-se no artigo: Art. 2o, CPC - O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. A exceção se trata dos momentos, previstos pela legislação (art, 485, § 3º, CPC), em que o juiz pode agir de ofício. 8. Princípio da cooperação É uma inovação do CPC (art. 6º) que obriga todos os sujeitos da ação a cooperarem entre si, para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Um exemplo é quando o juiz indica o que deve ser emendado na petição inicial, ou quando ele, em conjunto com as partes, aponta os pontos controvertidos. Todavia, isto não significa que o juiz deva ajudar uma parte hipossuficiente. 9. Princípio da proibição de provas ilícitas É o princípio constitucional (art. 5, LVI) que não admite a utilização de provas obtidas por meios ilícitos no processo. Caso tais provas cheguem ao processo, o magistrado não deve considerá-las. A exemplo, provas obtidas através da violação da intimidade, que são inadmissíveis. 10. Princípio do devido processo legal Em síntese, é a observância da lei no decorrer dos trâmites legais, conforme previamente estabelecido. Todavia, não se pode aceitar qualquer processo que se limite a ser regular no plano formal, por isso, este é o princípio síntese de todos os outros, o devido processo legal é aquele realizado em harmonia com os princípios processuais e constitucionais. 11. Princípio do juiz natural Trata-se de um juiz cuja competência é previamente estabelecida em lei para o julgamento de determinada lide, assim impedindo, entre outras coisas, o abuso de poder e parcialidade do juiz. Como consequência deste princípio, não se admite escolha específica ou exclusão de um juiz dedeterminado caso, dessa forma atendo-se aos princípios constitucionais de vedação do tribunal de exceção (art. 5º. XXXVII) e de competência (“art. 5º - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”). 12. Princípio do julgamento em ordem cronológica www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br É importante atentar-se a este dispositivo, retratado no art. 12º do CPC, pois foi alterado recentemente pela Lei 13.256/2016. O artigo atualmente rege-se da seguinte forma: Art. 12º - Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão. Na redação original a sugestão (atender preferencialmente) era um comando (deverão obedecer). Ainda, em cada vara ou gabinete deverá ser elaborada uma lista de processos aptos a julgamento, que deve estar sempre à disposição para consulta pública em cartório ou online (art. 12º, § 1o ). Há também exceções a esta regra, estabelecidas no próprio artigo, no §2º, que contém nove incisos. Todavia, como a ordem cronológica é opicional, estes incisos acabam não tendo muita utilidade prática. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Aspectos Gerais Os pressupostos processuais podem ser conceituados como exigências ou requisitos legais para o estabelecimento e desenvolvimento válido do processo como relação jurídica. Tais requisitos podem ser divididos em pressupostos de existência e pressupostos de validade. Existe também uma divisão mais doutrinária desses tipos de pressupostos em aspectos subjetivos e objetivos, que serão tratados ao longo das aulas. Primeiramente, é preciso entender que a imposição dessas exigências para a existência e validade do processo não viola o princípio constitucional do acesso à justiça, uma vez que não cria barreiras fúteis para o ingresso em juízo, mas preza por um mínimo de informação e estruturação que permita a tutela jurisdicional correta. Os pressupostos processuais, portanto, demandam certas características e informações que se mostram necessárias para o andamento eficiente do processo e a prestação jurisdicional adequada. Tipos de Pressupostos Processuais Pressupostos Processuais de Existência Os pressupostos processuais de existência se configuram como os requisitos sem os quais a relação jurídica conhecida como “Processo” não se estabelece, ou seja, sequer chega a existir. Temos como exemplos a capacidade civil das partes, os atos de citação, entre outros. Pressupostos Processuais de Existência Subjetivos O aspecto subjetivo que iremos estudar agora é relacionado com as partes envolvidas na lide e o órgão jurisdicional que irá julgar o caso. Sobre as partes, pressupõe-se para a existência do processo que elas sejam capazes civil e processualmente, significando que precisam estar aptas a serem sujeitos processuais. Quanto ao órgão jurisdicional, exige-se apenas que o mesmo exista e funcione, que seja possível de alcançá-lo para tentar resolver a disputa. Pressupostos Processuais de Existência Objetivos O aspecto objetivo dos Pressupostos Processuais de Existência se refere aos atos necessários para a constituição do processo, como a provocação do poder judiciário (petição inicial) e a citação do réu. Entende-se que a relação jurídica processual só ira se constituir para o autor mediante a realização da petição inicial - que pode ser indeferida preliminarmente por falta dos requisitos mínimos - e para o réu quando for citado, podendo efetivamente participar ou ser revel. Pressupostos Processuais de Validade Agora trataremos dos pressupostos de validade, os quais se referem à possibilidade do processo se desenvolver sem estar investido de nulidades, seguindo as regras estabelecidas no diploma legal. Pressupostos Processuais de Validade Subjetivos Os requisitos que fazem parte desse aspecto tratam da capacidade das partes e da competência jurisdicional. As partes precisam conter a capacidade civil, processual e postulatória. Dessa forma, a parte deve possuir a capacidade de assumir direitos e deveres (art. 2º e 3º, CC), ter aptidão a ser sujeito processual (estar em juízo) e ter um advogado ou defensor responsável no caso (aquele que pode postular em juízo). É interessante observar que existe a incapacidade relativa quando a parte deve ser assistida por terceiro, exemplificada pela hipótese de menoridade entre 16 e 18 anos. Nesses casos ocorre a nomeação de um curador para auxiliar o menor de idade na realização dos atos processuais. O advogado devidamente inscrito na OAB pode postular em causa própria caso desejar, respeitando as regras estabelecidas no estatuto da advocacia Por fim, vale frisar que nos juizados especiais dispensa-se a necessidade de advogado ou defensor para postular. A competência jurisdicional é definida nos artigos 42 e subsequentes do CPC, utilizando critérios de território, matéria, prevenção, conexão ou continência. Entende-se que o processo deve ser distribuído corretamente de acordo com os critérios do código para que seja válido, mas não somente isso. É necessário que o juiz designado para a resolução da lide seja imparcial, de maneira que não incorra em qualquer hipótese de suspeição ou impedimento. Os arts. 144 e 145 do CPC trazem as hipóteses de impedimento e suspeição do juiz, as quais se relacionam à parcialidade do juiz, a depender de quem está atuando no processo ou até mesmo se o magistrado já proferiu decisão sobre o mesmo. Pressupostos Processuais de Validade Objetivos Os pressupostos de validade objetivos podem ser divididos em intrínsecos (relacionados a pontos internos do processo) e extrínsecos (remetem à influências externas). Requisitos Intrínsecos Petição inicial apta: O ato de provocação do poder jurisdicional deve cumprir com alguns requisitos formais para que seja apreciada e possa ensejar a citação do réu. Tais regras estão dispostas a partir do art. 319 do CPC e, quando não observadas, podem ensejar nulidade automática (inépcia da petição inicial, indeferimento) ou podem ser corrigidas na fase sanatória. Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br I - for inepta; II - a parte for manifestamente ilegítima; III - o autor carecer de interesse processual; IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. § 1o Considera-se inepta a petição inicial quando: I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. Citação válida: Assim como a petição inicial, a citação deve cumprir com requisitos formais que garantem a consciência do réu de que está respondendo por um processo e que, portanto, precisa apresentar sua defesa e constituir um advogado ou defensor público. Via de regra a citação deve ser entregue pessoalmente, mas existem hipóteses que permitem a citação por correio ou por diário oficial. Art. 249. A citação será feita por meio de oficial de justiça nas hipóteses previstas neste Código ou em lei, ou quando frustrada a citação pelo correio. Regularidade formal: Trata-se de seguir a forma prescrita em lei para a realização dos atos processuais. Pode-se aplicar o princípio da instrumentalidade das formas quando a lei for omissa. Art. 250. O mandado que o oficial de justiça tiver de cumprir conterá: I - os nomes do autor e do citando e seus respectivos domicílios ou residências; II - a finalidade da citação, com todas as especificações constantes da petição inicial, bem como a menção do prazo para contestar, sob pena de revelia, ou para embargar a execução; III - a aplicação de sanção para o caso de descumprimento da ordem, se houver; IV - se for o caso, a intimação do citando para comparecer, acompanhado de advogado ou de defensor público, à audiência de conciliaçãoou de mediação, com a menção do dia, da hora e do lugar do comparecimento; V - a cópia da petição inicial, do despacho ou da decisão que deferir tutela provisória; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br VI - a assinatura do escrivão ou do chefe de secretaria e a declaração de que o subscreve por ordem do juiz. Art. 251. Incumbe ao oficial de justiça procurar o citando e, onde o encontrar, citá-lo: I - lendo-lhe o mandado e entregando-lhe a contrafé; II - portando por fé se recebeu ou recusou a contrafé; III - obtendo a nota de ciente ou certificando que o citando não a apôs no mandado. Requisitos Extrínsecos Os requisitos extrínsecos, também conhecidos como pressupostos processuais negativos, são aqueles que remetem à influências externas ao processo que não podem ser observadas, uma vez que ensejariam nulidade. Iremos estudar esses pressupostos na próxima aula. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Pressupostos Processuais Negativos Assim como estudamos na aula passada, os pressupostos processuais negativos são analisados fora da relação processual (requisitos extrínsecos) e, quando observados, impedem o andamento correto da demanda. A partir de agora iremos entender quais são os pressupostos negativos e suas características. Coisa Julgada Material Litispendência Perempção Convenção de Arbitragem Falta de caução ou outra prestação Coisa Julgada Material A Coisa Julgada Material é uma situação em que determinada matéria se encontra esgotada ao máxima, sem a possibilidade de recursos e concluindo-se todos os prazos relacionados. Nesse cenário, torna-se imutável a questão que a parte pretende discutir, por isso configura- se como pressuposto negativo e impede a progressão do processo validamente. Resumidamente, o trânsito em julgado impede a repetição da demanda em juízo. Litispendência A Litispendência ocorre quando existem duas demandas idênticas em curso, ou seja, com as mesmas partes, mesma causa de pedir e o mesmo pedido (Art. 337, §2º CPC). Quando determinado sujeito tenta entrar em juízo com essa ação que repete outra demanda já em curso, o juiz extingue o processo sem resolução do mérito, tendo em vista que podem existir decisões divergentes se dois juízes julgarem o mesmo caso em trâmites diferentes. Perempção Basicamente, a perempção ocorre quando o autor dá causa a extinção do processo por 3 vezes em decorrência de sua conduta displicente. Considera-se que a demanda não pode mais ser analisada por abandono do autor, uma vez que este teve a oportunidade de obter a apreciação jurisdicional 3 vezes, mas agiu de maneira incorreta. Seguem os artigos relacionados aos pressupostos negativos estudados até então: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a parte proponha de novo a ação. § 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Convenção de Arbitragem Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. § 6º A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. A convenção de arbitragem é uma espécie de acordo entre as partes que estão envolvidas na lide que impede a apreciação do conflito pelo poder jurisdicional. Essa convenção decorre de algum contrato ou relação jurídica prévia entre as partes, que convencionam que determinada divergência entre elas será resolvida em câmara de arbitragem, pelos procedimentos previstos na lei 9.307/96. É importante ressaltar que faz-se necessária a alegação da convenção de arbitragem pelo réu na preliminar de contestação, presumindo-se a sua renúncia quando não o fizer. Ademais, observa-se que o juízo de arbitragem pode reconhecer a sua competência, dando ensejo à extinção do processo: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; Falta de caução ou outra prestação Nas ações que exigem determinado tipo de prestação ou caução, a sua ausência pode levar à extinção do processo. Um exemplo é o oferecimento de embargos à execução fiscal, que demanda uma garantia, definida no art. 16 §1º da lei 6.830/80. Lei 6.830/80 www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados: I - do depósito; II - da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia; III - da intimação da penhora. § 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Conceituação O Novo Código de Processo Civil, com o objetivo de estabelecer métodos alternativos de resolução de conflitos, trouxe para o rol dos auxiliares da justiça a regulação das figuras do conciliador e do mediador, não excluindo formas de conciliação e mediação extrajudiciais, vinculadas a órgãos institucionais ou realizadas por profissionais independentes, as quais poderão ser regulamentadas por lei específica, artigo 175 CPC. O objetivo é trazer a possibilidade de uma composição amigável e consensual entre as partes, trazendo mais celeridade à resolução do conflito quando a alternativa de jurisdição estatal se torna dispensável. Cabe aos conciliadores e mediadores, neste sentido, facilitar o diálogo entre as partes. A lei de mediação é a de número 13.140/2015. Caracterizada por um meio de resolução de conflito em que um terceiro, de modo imparcial, ajuda a restabelecer o diálogo entre as partes, tentando identificar as razões que levaram ao litígio, na tentativa de promover uma resolução ou transformação do conflito. É necessário estabelecer, ainda, que a mediação é uma espécie de resolução consensual de conflitos, podendo diferenciar-se da conciliação na medida em que tem uma maior preocupação com os motivos e causas do conflito. De acordo com os parágrafos 2 e 3 do artigo 165 do novo CPC, a mediação é mais indicada em casos nos quais existia um liame prévio entre as partes, ao passo que a conciliação é mais recomendada quando a ligação é estabelecida pela existência do conflito. Insta frisar que a mediação é aceita em relação a direitos disponíveis E indisponíveis que aceitem transição. No entanto, o compactuado entre as partes que envolvam direitos indisponíveis, mas transigíveis, deve ser homologado em juízo com a oitiva do Ministério Público (§2º do art. 3º da Lei). Aspectos Procedimentais : Lei de Mediação e CPC Como está Disciplinada a Mediação na Legislação Artigo 3º, caput, §2° do CPC – estímulo do CPC para que as partes resolvam por conta própria o problema que estão vivenciando. É dever de todos os poderes realizar esse estímulo. Artigo 3º, §3º do CPC – esse estímulo pode ser feito inclusive no curso do processo judicial. Um exemplo é o negócio jurídico processual, que ocorre quando as partes compactuam entre si como se dará o procedimento em alguns aspectos. O estímulo deve ser feito por todos os atores, advogados, membros do MP, defensores, juízes, etc. Artigo 16°, caput da Lei de Mediação – permite que o processo litigioso possa ser suspenso, mesmo em curso, para que as partes tentem conversar e, assim, resolver o problema sozinhas. O requerimento é feito ao juiz ou ao árbitro. Artigo 16°, §§1° e 2° da Lei de Mediação - a decisão da possibilidade da suspensão doprocesso é irrecorrível, desde que feita em comum acordo, mas não é definitiva. Caso uma das partes não queira mais conversar, pode-se voltar ao processo litigioso. OBS: a abertura para resolução consensual não faz com que o juiz e o árbitro fiquem impossibilitados de tomar medidas de urgência. Artigo 165°, caput do CPC e artigo 14°, caput da Lei de Mediação – a criação de centros judiciários de solução consensual é de competência dos Tribunais dos Estados, além do dever de desenvolver programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. OBS: deverão ser observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça. Diferença entre conciliação e mediação Artigo 156°, §2° do CPC - a conciliação é indicada para casos em que as pessoas só estabeleceram relação por causa do fato que gerou o litígio (já dito anteriormente). O conciliador pode sugerir soluções e interferir mais no procedimento, o que não significa que ele pode pressionar as partes. Artigo 156°, §3º do CPC – indicado quando as partes já possuíam um vínculo anterior ao vinculo criado no litígio. O mediador auxilia no reestabelecimento da relação entre as partes para que elas decidam e busquem soluções sozinhas. O mediador apenas conduz o diálogo, não faz intervenções nem sugestões. Artigo 1°, p.ú da Lei de Mediação – o mediador como figura imparcial que ajuda na construção do diálogo e soluções para as partes *Artigo 166° do CPC e Artigo 2º da Lei de Mediação tem princípios em comum, que são: imparcialidade, autonomia da vontade, confidencialidade, oralidade e informalidade. Confidencialidade Artigo 166°, §§1° e 2° do CPC e Artigo 30° da Lei de Mediação – as informações não podem ser divulgadas em processo judicial e arbitral. Confere SEGURANÇA e confiança das partes. OBS: Há Exceções – já faladas em aulas anteriores. Artigo 30°, §1° da Lei de Mediação – a confidencialidade alcança a declaração, opinião, sugestão, promessa ou proposta formulada por uma parte à outra na busca de entendimento para o conflito, incluindo o reconhecimento de um fato por qualquer das partes, eventuais manifestações de proposta de acordo apresentada pelo mediador, documentos que sejam preparados unicamente para os fins da mediação e as anotações das partes durante a audiência de mediação. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Artigo 30°, §4° da Lei de Mediação – IMPORTANTE! Relembrar o que foi dito sobre a não possibilidade de confidencialidade em relação às obrigações tributárias. Obs: os servidores também devem manter confidencialidade de qualquer informação compartilhada sobre a situação econômica e estado das atividades econômicas deles próprios e de terceiros. Artigo 31° da Lei de Mediação – confidencialidade das informações prestadas em sessões individuais. Quando as partes conversam de maneira individual, as informações prestadas nessas sessões individuais são confidenciais perante terceiros e em relação às outras partes também, a menos que a própria parte em questão autorize. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Mediação na Administração Pública O CPC estipula que a União, estados, DF e Municípios criarão câmaras destinadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo. Essas câmaras têm a função de dirimir conflitos envolvendo órgãos da administração pública, avaliar a admissibilidade de pedido de resolução de conflitos e promover a celebração de termo de ajustamento de conduta. A Lei de Mediação traz que as câmaras PODERÃO ser criadas, e não que elas OBRIGATORIAMENTE serão criadas. A Lei também traz que essas câmaras servem para prevenir ou resolver conflitos que envolvem o equilíbrio dos contratos celebrados entre a administração pública e os particulares. Quando os conflitos envolvem questões que dependem de aprovação do poder legislativo, não poderão ser objeto de procedimentos consensuais. Caso haja uma solução entre as partes, o acordo há de se constituir em título executivo extrajudicial. A mediação que envolva a administração pública como uma das partes é controversa – mais de 50% dos processos judiciais tem a administração pública como parte, há quem defenda que a indisponibilidade do interesse público veta a participação da administração pública na mediação. Defende-se que não cabe ao agente tomar decisões que são tão importantes para a coletividade. Outras possibilidades da Lei de Mediação: mediação coletiva de conflitos relacionados a prestação de serviços públicos Quando já há entendimento pacificado no STF e tribunais superiores sobre o resultado da lide em que pode ser utilizada a mediação e não há a necessidade de mover o judiciário; Resolução de conflito entre particulares e agências e órgãos reguladores de certas atividades; A composição de controvérsias jurídico-tributárias perante a receita federal ou sobre a dívida ativa da União (é interessante que para a própria administração pública recuperar créditos e, assim, tentar estipular, com os particulares, meios de pagamentos que eles possam realmente cumprir). Mediação e conciliação prévias ao processo judicial O uso do termo AUDIÊNCIA Audiência é um termo que traz uma ideia que não necessariamente é a que se busca passar com a mediação e conciliação, pois, entende-se por audiência que as partes serão ouvidas por um terceiro que decidirá a lide, o que não ocorre na mediação nem na conciliação, nas quais as partes que devem SE ouvir. Sessão seria um termo mais adequado. As sessões prévias devem ser designadas pelo juiz com antecedência de 30 dias e a citação do réu, com antecedência de pelo menos 20 dias. Não ocorrerá a mediação e conciliação prévia se ambas as partes demonstrarem expressamente o desinteresse ou quando não se admitir a autocomposição de acordo com a matéria da lide. Se só umas das partes quiser, o juiz vai determinar a audiência mesmo assim. CRÍTICA: como seria consensual se só uma das partes deseja? Bom, a ideia é que o procedimento seja apresentado às partes, para que, mesmo que a parte não queria solução amigável nenhuma previamente, conheça todo o procedimento e, assim, possa, talvez, mudar de ideia e acabar resolvendo o problema consensualmente. Como indicar o desinteresse no procedimento consensual: Autor – o autor deve expressar diretamente na petição inicial. Réu – o réu deve indicar em uma petição com no mínimo 10 dias de antecedência da sessão de mediação designada. Em caso de litisconsórcio, todos os litisconsortes deverão manifestar o desinteresse. A sessão da mediação poderá acontecer por meio eletrônico, observando o CPC e a Lei de Mediação. É importante salientar que o não comparecimento do réu configurará como ato atentatório à dignidade da justiça, que ensejará sanção de até 2% do valor da causa ou da vantagem econômica pretendida. Esse valor será revertido em favor da União ou do Estado. As partes deverão estar acompanhadas por advogados ou defensores, com exceção dos casos em que a própria lei não exige a presença de um advogado. É na sessão que se abre a possibilidade para a constituição de um representante por meio de procuração específica, que poderá negociar em favor da parte que lhe entregou a procuração. O termo final de mediação é considerado título executivo extrajudicial e, se homologado judicialmente, será título executivo judicial É importante que uma sessão seja separada da outra pelo mínimo de 20 minutos. Para que as técnicas de mediação tenham tempo de serem colocadas em prática. A citação da audiência será feita por oficial de justiça, constando o dia, a hora, o lugar e a informação de que a parte deve ir acompanhada por advogado ou defensor público, nos casos em que for necessário. Na petição inicial deverá constar se o autor tem ou não desejo de participar da sessão de mediação. A Lei de Mediação considera que a petição inicial deve preencher os requisitos do www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br CPC e,ainda, que a matéria não deve ensejar improcedência liminar do pedido, porque nesse caso não será designada a mediação. A Lei também estabelece que o prazo para a conclusão da mediação é de 60 dias a contar da primeira sessão, a não ser que as partes, de comum acordo, estabeleçam que querem mais um tempo para chegar ao consenso. Em caso de acordo, ele será encaminhado ao juiz responsável para que se determine o arquivamento do processo. A homologação do acordo entre as partes por sentença deve ser requerida pelas próprias partes. Caso o conflito seja solucionado antes da citação do réu, não serão devidas as custas finais. O prazo para a contestação será contado da última sessão de mediação (quando não houver acordo), ou quando uma das partes não apareçam, ou quando do pedido de cancelamento da sessão. Sendo assim, tendo o réu 10 dias - antes da sessão- para manifestar seu interesse, se ele se manifestar no sentido de não querer a sessão, ele tem mais 15 dias para contestar. Em caso de incompetência absoluta ou relativa, a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, devendo o juiz da causa ser comunicado, de preferência por meio eletrônico. Nesse caso, a mediação será suspensa até que seja definida a nova competência e, dessa forma, seja designada a nova data da sessão consensual. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Conceitos Relevantes A arbitragem consiste em um meio privado de solução de conflitos que se utiliza de um terceiro imparcial e neutro, geralmente especialista na matéria discutida, que profere sentença arbitral Ressalte-se que a matéria discutida deverá dizer respeito necessariamente a direitos patrimoniais e disponíveis, nos termos do artigo 852 do Código Civil de 2002: Art. 852. É vedado compromisso para solução de questões de estado, de direito pessoal de família e de outras que não tenham caráter estritamente patrimonial. Dessa maneira, questões relacionadas a direitos não patrimoniais, isto é, aos direitos de personalidade, tais como o direito à vida, à honra, à imagem, ao nome e ao estado das pessoas não poderão ser objeto de arbitragem. Um árbitro não poderia decidir, por exemplo, se um indivíduo tem ou não direito à honra O árbitro poderá decidir por equidade, com fundamento nos princípios gerais de Direito, usos e costumes e nas regras internacionais do comércio. Observe-se que o árbitro não decidirá necessariamente com base na lei! Há ampla liberdade metodológica na arbitragem, bastando normalmente que as partes concordem com o método utilizado. Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. A sentença proferida pelo árbitro possuirá a eficácia de um título executivo judicial, o que significa dizer que ela possui a mesma força de uma sentença judicial. Desse modo, a sentença arbitral não necessita de homologação pelo Poder Judiciário (SCAVONE JR., 2014). A arbitragem compõe uma das "resoluções apropriadas de conflitos" (ou RADs), que são métodos extrajudiciais de solução de conflitos. Embora geralmente a arbitragem seja descrita como um “meio alternativo” de soluções de conflitos, atualmente, entende-se que o correto é descrevê-la como um “meio adequado” de solução de conflitos. Isto porque os RADs buscam proporcionar a solução mais adequada para cada lide de acordo com as suas particularidades (CNJ, 2015). A mediação e a conciliação também compõem estes métodos; contudo, eles diferem entre si. Arbitragem Conciliação Mediação Consiste na solução de conflitos através de um terceiro imparcial e neutro, o árbitro, que proferirá sentença arbitral com força de título executivo judicial. Consiste na solução de conflitos através do auxílio de um terceiro imparcial e neutro, com o objetivo de restaurar a relação social subjacente ao conflito. Consiste na solução de conflitos através do auxílio de um terceiro imparcial e neutro, que visa à pactuação de um acordo. O árbitro impõe sua decisão por sentença, independentemente do acordo entre as partes. O conciliador deve auxiliar as partes a alcançarem um acordo, e poderá sugerir soluções, mas não impô-las. O mediador deve auxiliar as partes a alcançarem um acordo, mas não poderá sugerir ou impor nenhuma solução, devendo as partes sozinhas chegarem nisso. Trata-se de heterocomposição, ou seja, o ábitro é juiz de fato e de Direito e, como tal, impõe sua decisão por sentença, independentemente do acordo entre as partes. Trata-se de autocomposição, ou seja, o conciliador apenas auxilia as partes a solucionarem o conflito, mas não poderá impor qualquer decisão. Trata-se de autocomposição, assim, o mediador tão somente auxilia as partes a solucionarem o conflito, mas não poderá impor qualquer decisão. A arbitragem resulta em uma sentença arbitral, que tem força de título executivo judicial. A conciliação poderá resultar em um acordo. A mediação poderá resultar em um acordo. É importante observar que a arbitragem consiste em um meio heterocompositivo de solução de conflitos. Neste método, um terceiro imparcial e neutro impõe sua decisão e encerra a lide. Relevante pontuar também que não necessariamente este terceiro será uma só pessoa. Pode haver mais de um árbitro, contanto que haja concordância de todos os envolvidos, ou a simples indicação de uma câmara de arbitragem, a qual consiste num centro de justiça privada que fornece árbitros de acordo com regulamento previamente conhecido pelas partes. Já os meios autocompositivos de solução de conflitos são caracterizados pela solução do conflito pelas próprias partes, auxiliadas por um terceiro imparcial e neutro. Nos métodos autocompositivos, as partes podem, a seu critério, participar, suspender, abandonar ou retomar as negociações. A pactuação de um acordo também não é obrigatória (CNJ, 2015). Autonomia da vontade das partes A autonomia da vontade das partes rege o procedimento arbitral. Afinal, as partes optam por abrir mão da jurisdição estatal e utilizar o método da arbitragem. Dentre as razões que podem levar as partes a optar pela arbitragem, podemos destacar: Especialização: as partes poderão escolher um árbitro especialista na matéria discutida; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br por esta razão, geralmente a arbitragem é utilizada para a solução de questões que necessitem de um ponto de vista técnico (SCAVONE JR., 2014). Rapidez: a arbitragem é mais célere do que o procedimento judicial, podendo as partes estabelecer juntamente com o árbitro uma data limite para a decisão. Irrecorribilidade: a sentença arbitral não é passível de recurso, o que também contribui para a celeridade da arbitragem. Informalidade: a arbitragem é caracterizada pela informalidade, o que se reflete na autonomia que as partes possuem para escolher o ábitro (que pode ser qualquer pessoa, contanto que haja concordância de todos os envolvidos) e o direito material disponível que será discutido. Confidencialidade: ao contrário do procedimento judicial que, em geral, é público (Princípios da Transparência e da Publicidade), a arbitragem é sigilosa. Convenção de arbitragem Conforme mencionado anteriormente, as partes optam pela utilização da arbitragem para solução de conflitos envolvendo direitos patrimoniais disponíveis. Existe a opção, quando se vai iniciar um negócio, firmar um contrato ou estabelecer uma relação jurídica qualquer, de se materializar a preferência das partes pelo método da arbitragem de pronto, mesmo antes de se ter iniciado qualquer litígio. Significa dizer que as partes podem definir previamenteque, caso venham a ter alguma desavença, ela seja resolvida por meio da arbitragem. Esta opção deverá por certo ser materializada em um instrumento formal e escrito denominado convenção de arbitragem. Uma vez firmada a convenção de arbitragem, que se classifica como um gênero de negócio jurídico, caso sobrevenha um conflito, as partes obrigatoriamente deverão se submeter ao procedimento arbitral, sendo a jurisdição afastada. Observe-se que a submissão à arbitragem nunca é obrigatória mas, uma vez convencionada voluntariamente pelas partes através da convenção arbitral, passa a ser. A convenção de arbitragem divide-se em cláusula compromissória e compromisso arbitral, de acordo com o artigo 3° da Lei de Arbitragem: Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. A seguir, veremos os conceitos de cláusula compromissória e compromisso arbitral. Cláusula compromissória A cláusula compromissória é modalidade de convenção de arbitragem na qual as partes voluntariamente se obrigam a submeter os conflitos que possam surgir ao procedimento arbitral. É importante destacar que a cláusula compromissória é estabelecida antes da existência do conflito. O artigo 4° da Lei de Arbitragem nos traz o conceito de cláusula compromissória: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. § 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira. A cláusula compromissória poderá ser “cheia” ou “vazia”. Cláusula compromissória cheia é aquela que já se ocupa em estabelecer de que forma se dará o procedimento arbitral. Vejamos quais são os requisitos do compromisso arbitral que constam em uma cláusula compromissória cheia, de acordo com os artigos 10 e 11 da Lei de Arbitragem: Requisitos obrigatórios Requisitos opcionais Qualificação das partes (o nome, profissão, estado civil e domicílio). O local ou locais onde se desenvolverá a arbitragem. Qualificação do(s) árbitro(s) (o nome, profissão e domicílio) ou identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros (a câmara de arbitragem). A autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por equidade, se assim for convencionado pelas partes. A matéria que será objeto da arbitragem. O prazo para apresentação da sentença arbitral O lugar em que será proferida a sentença arbitral. A indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, quando assim convencionarem as partes. A declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com a arbitragem. A fixação dos honorários do(s) árbitro(s). Já a cláusula compromissória vazia somente estabelece a submissão dos conflitos ao procedimento arbitral, sem especificar de que forma se dará o procedimento. Caso surja o conflito, as partes deverão firmar compromisso arbitral no qual constem os elementos formais descritos no artigo 10 Lei n° 9.307/1996 antes de iniciar a arbitragem (SCAVONE JR., 2014). Autonomia da cláusula compromissória A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato. Assim, eventual nulidade do contrato não acarreta a nulidade da cláusula compromissória. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br É o que está previsto no artigo 8° da Lei de Arbitragem: Art. 8º A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente, a nulidade da cláusula compromissória. Parágrafo único. Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. Desse modo, a discussão acerca da nulidade do contrato ou da convenção de arbitragem deverá ser dirimida através do próprio procedimento arbitral, nunca através do Poder Judiciário. Trata-se do princípio kompetenz-kompetenz (competência-competência), segundo o qual somente os árbitros são competentes para decidir sobre a invalidade da própria convenção de arbitragem. Cláusula arbitral A cláusula arbitral é modalidade de convenção de arbitragem na qual as partes estabelecem que o conflito já existente será submetido ao procedimento arbitral. É importante destacar que a cláusula arbitral é pactuada após a existência do conflito. As partes podem convencionar a arbitragem no decorrer de um processo judicial ou antes da propositura de uma ação judicial (SCAVONE JR., 2014). Além disso, a convenção de arbitragem pactuada após o surgimento do conflito obrigatoriamente será “cheia”, ou seja, deverá especificar de que forma se dará o procedimento arbitral. Cláusula arbitral escalonada (ou cláusula med-arb): convenção de que o conflito será submetido primeiramente a um meio consensual e, se este for infrutífero, ocorrerá a arbitragem. Também é chamada de cláusula med-arb, sendo “med” de mediação e “arb” de arbitragem (CINTRA, 2017). A cláusula arbitral escalonada tem previsão nos artigos 21, § 4° e 28 da Lei de Arbitragem: Art. 21. (...) § 4º Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento, tentar a conciliação das partes, aplicando-se, no que couber, o art. 28 desta Lei. (...) Art. 28. Se, no decurso da arbitragem, as partes chegarem a acordo quanto ao litígio, o árbitro ou o tribunal arbitral poderá, a pedido das partes, declarar tal fato mediante sentença arbitral, que conterá os requisitos do art. 26 desta Lei. Cláusula arb-med: na cláusula arb-med, ao contrário da cláusula med-arb, convenciona-se que primeiramente o conflito será submetido à arbitragem e, caso esta seja malsucedida, a lide será submetida a um meio consensual de resolução de conflitos. É possível, ainda, que a arbitragem seja retomada caso o meio consensual de resolução de conflitos seja também infrutífero. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras Sentença arbitral estrangeira é aquela proferida fora do território nacional. Os tratados internacionais com eficácia no ordenamento jurídico interno balizarão o reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras. Caso não existam estes tratados, o reconhecimento se dará estritamente de acordo com os termos da Lei de Arbitragem. A principal distinção entre a sentença arbitral nacional e estrangeira é a forma do seu cumprimento. A sentença arbitral estrangeira está sujeita à homologação do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do artigo 35 da Lei de Arbitragem. Anteriormente, cabia ao Supremo Tribunal Federal homologar as sentenças arbitrais estrangeiras, contudo, isto trazia morosidade ao cumprimento destas sentenças, além de não se harmonizar com a competência da Suprema Corte, que deve ser direcionada ao controle constitucionalidade. A alteração foi promovida pela Emenda Constitucional n° 45/2004, que transferiu a competência ao Superior Tribunal de Justiça. São aplicáveis ao reconhecimento ou execução da sentença arbitral estrangeira as disposições do Código de Processo Civil sobre a sentença judicial estrangeira, no que couber. Homologação da sentença arbitral estrangeira A homologação da sentença arbitral estrangeira é requerida pela parte interessada, que pedirá o reconhecimento ou execução desta sentença em petição inicial com a indicação da lei processual aplicável. O pedido de homologação da sentença arbitral estrangeira deverá conter os mesmos requisitos de uma petição inicial, previstos no artigo 319 do Código de Processo Civil: Art. 319. A petição inicialindicará: I - o juízo a que é dirigida; II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV - o pedido com as suas especificações; V - o valor da causa; VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. Além disso, a petição será instruída com: O original da sentença arbitral ou uma cópia devidamente certificada, autenticada pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial; ou O original da convenção de arbitragem ou cópia devidamente certificada, acompanhada de tradução oficial. Ao analisar o pedido de homologação da sentença arbitral estrangeira, o Superior Tribunal de Justiça deverá ater-se ao exame dos requisitos legais, isto é, não deverá adentrar o mérito da questão (trata-se do chamado “juízo de deliberação”). (NASCIMBENI, 2015, p. 157). Negativa da homologação da sentença arbitral estrangeira Há algumas hipóteses de negativa da homologação da sentença arbitral estrangeira previstas em lei. Vejamos: Incapacidade das partes: é possível que, no país estrangeiro, as partes sejam capazes de celebrar a convenção de arbitragem, mas não o sejam de acordo com a lei brasileira. Invalidade da convenção de arbitragem: se a convenção de arbitragem não for válida segundo a lei à qual as partes se submeteram, ou na falta de indicação, em virtude da lei do país onde a sentença arbitral foi proferida. Ausência de notificação da designação do árbitro ou do procedimento arbitral, ou a violaçao do princípio do contraditório e da ampla defesa. Sentença proferida fora dos limites da convenção de arbitragem, quando não for possível separar a parte excedente daquela submetida à arbitragem. Desacordo entre a instituição da arbitragem e o compromisso arbitral ou a cláusula compromissória. Sentença arbitral não obrigatória para as partes, em razão de anulação ou suspensão por órgão judicial do país onde foi prolatada. Constatação de que o objeto do litígio não é suscetível de ser resolvido por arbitragem. Ofensa à ordem pública nacional. Deve-se ressaltar que não se considera ofensa à ordem pública nacional a efetivação da citação da parte residente ou domiciliada no Brasil, que será feita nos moldes da convenção de arbitragem ou da lei processual do país onde se realizou a arbitragem, nos termos do artigo 39, parágrafo único da Lei de Arbitragem. Além da citação válida, é necessária a concessão de tempo hábil para o exercício do direito de defesa. Poderá ocorrer a renovação do pedido de homologação da sentença arbitral estrangeira que for denegado por vícios formais, desde que sanados os vícios. Assim, a denegação não produz a chamada coisa julgada material, que é imutável. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Jurisdição A jurisdição, por ser expressão da soberania do Estado de poder decidir uma lide à luz do direito, deve ser una e indivisível. Todavia, há uma especialização conforme a matéria debatida em juízo, que impede que um juiz julgue qualquer causa. Quanto mais especializada a justiça, mais estrito seu campo de atuação. Atualmente há uma divisão conforme demonstrado a seguir: JUSTIÇA ESPECIALIZADA JUSTIÇA COMUM Eleitoral (CF, art. 118) Federal (CF, art.109, I) Trabalhista (CF, art. 111) Estadual (CF, art. 125) Penal Militar (CF, art. 122) Já a competência, é o poder de exercer a jurisdição nos limites exercidos por lei. De acordo com a natureza da lide, ela será de competência de um juizo ou outro. Caso ela não for de natureza de uma das três especializadas, será de Justiça Comum. E, por sua vez, deve ser analisado se algum ente federal faz parte do processo, caso não, será de competência da Justiça Estadual, que é a mais ampla. Ainda, dentro da competência da justiça estadual, as causas cíveis são divididas segundo outros critérios de competência, a partir do art. 42 do CPC/15: Art. 42 - As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. Competência A competência é o critério de distribuição de parcela da jurisdição a determinados órgãos do Poder Judiciário, isto é, a determinação da esfera de atribuições dos juízos. Quanto à limitação da jurisdição nacional, ela pode ser abordada em conjunto com aspectos do direito internacional. É o caso em que tanto o juiz brasileiro, quanto o estrangeiro são aptos a julgar a matéria de uma lide, caso este chamado de competência concorrente, regulado nos artigos 21 e 22 do CPC. São eles: I – Réu domiciliado no Brasil; II – Obrigação tiver de ser cumprida no Brasil; III – fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil; IV – Ação de alimentos quando credor tiver domicílio ou residência no Brasil; V – Réu mantiver vínculos no Brasil (posses, recebimento de renda, benefícios econômicos); VI – Partes se submetam à jurisdição nacional, expressa ou tacitamente. Nestes casos, a jurisdição estrangeira pode ser homologada (arts. 960 e seguintes), procedimento que é de exclusiva competência do STJ. Ainda, fala-se de competência exclusiva quando compete à atividade judiciária brasileira, exclusivamente, que se trata dos casos de: ações relativas à imóveis situados no Brasil e matéria de sucessão hereditária em divórcio que proceder à inventário e partilha de bens situados no Brasil. Critérios de Fixação de Competência 1) Matéria: primeiramente, verifica-se a natureza da relação jurídica, para determinar se a competência recai sobre a justiça especializada (trabalho, militar ou eleitoral) ou varas especiais (vara da família, de execução fiscal, da infância e juventude etc.). 2) Pessoa: aqui verifica-se se uma das partes irá alterar a competência do juízo para julgar a ação. Por exemplo, se algum ente da federação (estado, município etc.) figurar como parte na ação, a Vara de Fazenda Pública é a competente para julgar a lide; no caso da União ou uma autarquia federal, a ação deverá tramitar na Justiça Federal. Adicionalmente, o art. 102, I da CF/88 prevê alguns casos de competência originária do STF. 3) Hierarquia: verifica-se o grau de jurisdição e organização judiciária conforme a Constituição Federal. Por exemplo, a petição inicial deve ser dirigida ao 1º grau, enquanto www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br que um recurso será dirigido ao tribunal de 2º grau. Importante ressaltar que existe a possibilidade de a ação iniciar-se no tribunal nas chamadas ações hierárquicas (ex: ação rescisória). 4) Funcional: o órgão competente será determinado de acordo com a função que desempenha dentro da estrutura do poder judiciário, podendo ser dividida em três hipóteses: Fase ou ação anterior (ex: reconvenção, deve ser julgada no mesmo juízo da ação original); Graus de jurisdição (hierárquica); o mesmo visto anteriormente, alguns autores veem como um critério autônomo, enquanto outros acreditam ser uma subdivisão do critério funcional; Objeto de julgamento; hipótese de duas questões num mesmo processo serem analisadas por juízos distintos. Ex: arguição de inconstitucionalidade incidental. 5) Valor da Causa: dependendo do valor da causa, a ação pode ser dirigida a juízos diferentes, como é o caso dos Juizados Especiais (Lei 9.099), em que o valor da causa não pode ultrapassar o total de quarenta vezes o salário mínimo. 6) Distribuição Processual: esse critério nem sempre é mencionado na doutrina, mas aqui trata-se de verdadeiro critério de fixação de competência, conforme inteligência dos arts. 43, 284 e 285 do Código de Processo Civil, vez que, quando há mais de um juízo com a mesma competência, a distribuiçãose torna fator determinante. 7) Territorial/Foro: o critério territorial trata da distribuição da competência em razão de aspectos ligados à posição geográfica, com o objetivo de aproximar o Estado-juiz dos fatos ligados à pretensão manifesta pelo autor, facilitando a prestação jurisdicional. Essencial o estudo dos arts. 46 a 53 do CPC, vez que esse critério possui regras gerais e múltiplas Temos como regras gerais a do foro de domicílio do réu para ações pessoais ou reais sobre bens móveis, e a do foro do local da coisa para ações reais sobre bens imóveis (art. 47, CPC). Atenção às seguintes observações constantes nos parágrafos do art. 46 acerca do local correto para propositura de ação: 1. Réu com mais de um domicílio: foro de qualquer um destes locais 2. Réu com domicílio incerto ou desconhecido: onde for encontrado ou foro do autor 3. Réu sem domicílio no Brasil: foro do domicílio do autor 4. Nenhuma das partes com domicílio no Brasil: qualquer foro 5. No caso de múltiplos réus no polo passivo: foro de qualquer um deles 6. Ação de Execução Fiscal: domicílio do réu, sua residência ou onde for encontrado Como mencionado anteriormente, existem exceções à regra geral de domicílio do réu. Primeiramente, importante lembrar que Código de Defesa do Consumidor possui natureza protetiva ao consumidor, tendo em vista sua condição desfavorável na relação com o comerciante. Assim, no caso de ações de consumo, a ação pode ser proposta no domicílio do autor, conforme o art. 101, CDC. Adicionalmente, o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741) prevê que as ações constantes nessa legislação serão propostas no domicílio do idoso, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, exceto em caso de competência da Justiça Federal ou competência www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br originária dos Tribunais Superiores. No mais, também existe exceção à regra geral do foro do local do imóvel. Primeiramente, tanto nos casos de inventário, partilha, arrecadação etc.., quanto em todas as ações em que o espólio for réu, é competente o foro do domicílio do autor da herança (PESSOA FALECIDA), ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Contudo, essencial observar o parágrafo único do art. 48 do CPC: Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: I - o foro de situação dos bens imóveis; II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. Os artigos 49 a 53 do CPC tratam das hipóteses restantes. Assim, na ação em que o ausente for réu, será o foro de seu último domicílio, incluindo nos casos de partilha, inventário, arrecadação etc. (art. 49). Na ação em que o incapaz for réu, esta deve ser proposta no foro do domicílio de seu representante ou assistente (art. 50). O artigo 51 e 52 do CPC tratam do foro quando os entes da federação estiverem atuando na ação. Dessa forma, é competente o foro do domicílio do réu nas ações em que a União esteja no polo ativo. Por outro lado, se a União estiver no polo passivo da ação, o foro poderá ser o do domicílio do autor, local de ocorrência do fato que originou a demanda, local da coisa ou no Distrito Federal (art. 51). Nesse passo, todas disposições supramencionadas presentes no art. 51, que se referem à União, serão aplicáveis nos casos em que estejam atuando nos polos o Estado ou o Distrito Federal, conforme o art. 52 do CPC. Serão analisados agora os casos envolvendo competência das varas de família. Conforme a inteligência do art. 53, I do CPC, será competente o foro para ações de divórcio, separação, anulação ou dissolução de união estável, na seguinte ordem de preferência: 1. Domicílio do guardião de filho incapaz; 2. Último domicílio do casal, não havendo filho incapaz; 3. Domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio antigo do casal. Nas ações de alimentos, será competente o foro do domicílio ou residência do alimentando (pessoa que pede alimentos). Temos ainda o inciso III do art. 53, que nada mais é do que uma reprodução da regra geral de domicílio do réu, aplicadas quando a ação envolver pessoa jurídica. Vejamos: 1. Ação em que a parte ré for pessoa jurídica: onde está a sede 2. Se tratar de obrigação contraída pela pessoa jurídica: foro de alguma agência ou sucursal www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br 3. Se a ré for sociedade ou associação sem personalidade jurídica: onde exerce suas atividades 4. Requerimento de cumprimento de obrigação: foro do local onde a obrigação será realizada 5. Ação que envolva idoso: foro da residência do idoso, conforme estatuto próprio 6. Ação de reparação de danos por ato em razão do ofício: foro da sede da serventia notorial Por fim, temos os incisos IV e V do art. 53, determinando que o foro competente para ação de reparação de danos ou em que o réu for administrador de negócios alheios será o lugar do ato ou fato (inciso IV), e do domicílio do autor ou do local do fato para ação de reparação em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves (inciso V). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Espécies de competência Absoluta É definida pelo Estado conforme o interesse público em questão, uma conveniência da atividade jurisdicional. A competência absoluta jamais pode ser modificada, pois é determinada de acordo com o interesse público, não sendo passível de mudança pelas circunstâncias processuais ou vontade das partes. Assim, devido ao interesse do Estado na ação, não existe a possibilidade alterar o foro por convenção das partes. Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes. Os três critérios para determinação da competência absoluta são: Material: refere-se ao objeto do litígio e a área em que é incluso. Ex.: trabalhista; cível; criminal etc. Pessoal: na verdade, relaciona-se ao cargo que a pessoa ocupa, que a privilegia com um julgamento por juizes especializados. Ex.: Presidente da República. Em razão da função ou competência hierárquica: determina-se não o juiz, mas órgãos que devam atuar dentro do mesmo processo. Ex.: competência do STF, STJ e Tribunais de Justiça Estadual Relativa É mais subjetiva, estabelecida conforme o interesse das partes. Encontra-se no artigo seguinte: Art. 63 - As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. Seus dois critérios são: Territorial: circunscrição geográfica Valor da causa: é o que determina que a causa vá para juizado especial (causas de até 20 SM, podendo ser sem advogado ou causas até 40 SM, com advogado). Todavia, em se tratando de juízos federais, causas de até 60 salários mínimos obrigatoriamente têm que ir para juizados especiais, pois há interesse da União em jogo. Absoluta à Interesse do Estado Relativa à Interesse das Partes Material Pessoal Funcional Territorial Valor da Causa A grande importância da distinção entre competência absoluta e relativa se dá por dois motivos: 1. Quem e quando pode reconhecer juízo como incompetente – A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício (art. 64, § 1o, CPC). Já a incompetência relativa deve ser necessariamente provocada pelas partes e no específico momento das preliminares da contestação ( 64, CPC), em conformidade com a súmula nº 33, do STJ, que dita como regra geral que a incompetência relativa não pode ser reconhecida de ofício pelo juiz. 2. Consequências da não alegação de incompetência – Enquanto a competência absoluta pode ser alegada até mesmo após trânsito em julgado, cabendo, neste caso, uma ação rescisória (art. 966. II, CPC), as consequências para a as partes que não alegarem incompetência relativa nas preliminares da contestação são definitivas,pois, ocorre a prorrogação de competência (art. 65, CPC), que, nem sempre é involuntária. Competência Absoluta Competência Relativa Interesse público Interesse das partes Indisponibilidade Disponibilidade Incabível a eleição de foro Possível a eleição de foro Declarada de ofício Não declarada de ofício www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Alegada pela parte, a qualquer tempo, exceto após o prazo da ação rescisória Alegada pela parte, em preliminar de contestação, sob pena de preclusão Improrrogável Prorrogável Material, funcional e pessoal Territorial e valor da causa Prorrogação da Competência e Perpetuação da Jurisdição Perpetuação da Jurisdição Inicialmente, essencial a leitura do art. 43 do CPC para que possamos analisar e entender o que compreende a perpetuação da jurisdição. A redação desse artigo pode ser um pouco confusa, mas, basicamente, extrai-se que: Proposta a ação no juízo competente, deve continuar nele até o fim da demanda É uma regra que determina a estabilização da competência Protege a parte de alterações supervenientes de fato ou de direito Relação com o princípio do juiz natural Determinada no momento do registro ou da distribuição. Existem, entretanto, algumas exceções. Primeiramente, há a possibilidade de supressão do órgão jurisdicional (juízo deixa de existir fisicamente). A segunda hipótese é a de alteração da competência absoluta, que ocorre, por exemplo, quando em um determinado local é criada uma vara especializada onde antes não existia, atraindo os processos específicos de sua competência da vara anterior. Além desses, existem alguns outros casos que constituem exceções, como o credor pedir para cumprir sentença em outro foro, ingresso ou saída da Fazenda Pública do processo e a reunião de processos no juízo prevento em razão de conexão ou continência. Prorrogação da Competência Na prorrogação da competência temos um juiz que, apesar de inicialmente ser incompetente para julgar a lide, passa a ser competente em razão da não arguição de incompetência pelo réu no momento adequado. Lembrando que somente a competência relativa pode ser prorrogada. Essa prorrogação pode se dar de duas formas: legal ou voluntária. Veja-se: Voluntária tácita: o réu deixa de arguir a incompetência no momento oportuno (art. 65, CPC). Voluntária expressa: aplicação da cláusula de eleição de foro (art. 63, CPC) www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Legal: a prorrogação está prevista em lei, o que chamamos de modificação da competência (conexão e continência; art. 54 CPC); importante lembrar que não ocorre se já houver sentença em um dos autos (art. 55, CPC). Diante disso, fica o questionamento: qual dos juízes vai receber as ações? Conforme o art. 58 do CPC, a reunião das ações propostas em separado ocorrerá no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente. Assim, importante lembrar o conceito de prevenção. Quando existir mais de um juízo competente para decidir a demanda, é necessário utilizar alguns critérios para determinar qual deles poderá exercer concretamente a competência. Destarte, a prevenção nada mais é do que a fixação de competência por meio de um ato concreto antecipado aos demais, ou seja, é a fixação de competência entre órgãos cuja competência já estava determinada pela lei. Assim, diante de competência concorrente, a prevenção determina a competência de um dos juízos, com a exclusão dos demais, modificando a competência destes outros juízos. Os critérios determinantes ocorrem em dois momentos: registro (protocolo da petição inicial) e distribuição, conforme o art. 59, CPC. Modificação ae competência A competência se perpetua no tempo (perpetuatio jurisdictionis), pois ela é determinada no momento do registro (quando há vara única) ou distribuição (vara concorrente) da petição inicial; só haverá redistribuição quando houver modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente quando suprimirem órgãos judiciários ou alterarem competência absoluta (art. 43, CPC). Todavia, por questões de conveniência e celeridade do processo, o Código trouxe casos em que é possível a modificação da competência. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência (art. 54). A conexão é a identidade do pedido OU causa de pedir (art. 55), e, neste caso, só ocorrerá a reunião dos processos se eles estiverem no mesmo grau de jurisdição. Já a continência é a identidade – quando houver identidade quanto às partes e causa de pedir de uma ou mais ações, mas o pedido de uma contém o das demais. Nesta situação, segue-se o artigo: Art. 57, CPC - Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas. Para melhor compreensão, é necessário também a conceituação de juízo prevento, que é onde primeiro ocorreu o registro ou distribuição da petição inicial (art.59). E é ele quem irá atrair todos os processos conexos (art.58) ou continentes à ação. Sendo assim, se a ação preventa for a ação mais ampla, a mais restrita será extinta sem resolução de mérito, porque o pedido que está nela está na ação continente, caso contrário, haverá a reunião dos processos. Ainda, o CPC inova não só ao permitir que ações sejam reunidas mesmo sem haver conexão (art. 55, § 3º), mas também ao trazer a conexão legal no seguinte disposto: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 55 - § 2o Aplica-se o disposto no caput: I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; II - às execuções fundadas no mesmo título executivo www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Conflito de Competência Conflito de competência basicamente é uma divergência, uma "briga", entre juízes ou tribunais a respeito de quem deve julgar uma determinada causa judicial. Esse instituto pode ser verificado no art. 66 do CPC, diante das seguintes possibilidades: Art. 66. Há conflito de competência quando: I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes; II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência; III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos. No primeiro caso, temos o chamado conflito positivo, já que dois juízos se declaram competentes. No segundo caso, temos um conflito negativo, quando dois ou mais juízos se declaram incompetentes. O conflito de competência é um incidente processual. Se os juízes em conflito se submetem ao mesmo tribunal, este tribunal será o responsável pela resolução do conflito. Nos casos em que os juízos não se submetam ao mesmo tribunal, ou em que estejamos diante de um conflito entre tribunais, o condão de resolver o conflito recairá sobre o STF ou o STJ, da seguinte forma: Superior Tribunal de Justiça Supremo Tribunal Federal tribunal vs. tribunal STJ vs. qualquer tribunal tribunal vs. juízo a ele não vinculado Tribunais Superiores vs tribunal juízes vinculados a tribunais diversos entre Tribunais Superiores A legitimidade para instaurar o conflito de competência pode ser verificada com uma simples leitura do art. 951 do CPC. O conflito pode ser suscitado por qualquer uma das partes, pelo Ministério Público ou pelo juiz. Além disso, o Ministério Público será ouvido em todos os conflitos de competência de processos que envolvam interesse público, interesse de incapaz ou litígios coletivos de posse rural ou urbana, mas terá qualidade de parte somente naqueles que suscitar. Tanto as partes quanto o Ministério Público devem suscitar o conflito por meio de petição, enquanto o juiz deve utilizar-se de ofício encaminhado ao tribunal, conforme inteligência do art. 953 do CPC. Adicionalmente, importante ressaltar que, se uma parte arguir incompetência relativa, ela não podeem momento posterior suscitar o conflito de competência. Por outro lado, a instauração do conflito de competência não impede que a parte que não o suscitou alegue a incompetência do juízo. O conflito de competência deve ser suscitado diretamente no Tribunal responsável por resolver o conflito. O juízo deve suscitar o conflito quando, tendo sido para ele declinada a competência, não a considerar cabível de seu julgamento. Exceção: se ele declinar da competência para um terceiro juízo (art. 66, parágrafo único, CPC). Aquele que suscitar o conflito de competência, seja por petição ou oficio, deve instruir o documento com provas. Não sendo isto feito, o tribunal irá demandar a complementação. Uma vez que o conflito é recebido no tribunal responsável, ocorre oitiva dos juízos em conflito ou, se um deles for o suscitante, a oitiva do suscitado. Também ocorrerá oitiva do Ministério Público se ele não for o suscitante, atuando ele apenas como fiscal da ordem jurídica, no prazo de 5 dias. No caso de conflito positivo, o relator determinará o sobrestamento do processo (ato administrativo ou judicial que visa a interromper ou suspender o processo para conclusão de um trabalho pela convenção das partes, pela perda de capacidade processual etc.), determinando um dos juízos para decidir, de forma provisória, possíveis requerimentos de medidas urgentes. O julgamento desse conflito pode ser monocrático ou colegiado. O monocrático poderá ocorrer? (a) quando a decisão tiver fundamento em súmula do STF, STJ ou do próprio tribunal, ou (b) em tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência. Nos demais casos, deverá ser julgado pelo colegiado. Nesse passo, a decisão final deve declarar qual é o juízo competente e também decidir acerca da validade dos atos praticados pelo juízo incompetente. Finalizados os procedimentos, os autos serão encaminhados ao juízo ao qual se tenha atribuido a competência. Obs.: caso o conflito seja entre órgãos fracionários do tribunal ou entre magistrados que www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br integrem esses órgãos, o procedimento para resolução será determinado pelo regimento interno do tribunal. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br A Relação Jurídica Processual Antes de falarmos propriamente das pessoas dentro de um processo, precisamos falar sobre a relação de direito material, diferenciando-a do da relação de direito processual. Ora, todos exercemos atividades cotidianas como pedir uma pizza, andar de carro ou namorar, enfim. Enquanto estas atividades ocorrerem normalmente, sem qualquer dano ou conflito com alguém, elas têm seu desenvolvimento normal, mas, quando esta situação cotidiana passa a figurar um interesse para o Estado, daí falamos de direito processual. Vamos pensar em algumas situações para entendermos melhor estas diferenças. O namoro, quando se torna casamento, surte interesse do Estado. Por ser oficializada a relação entre pessoas, ela pode mais provavelmente gerar repercussões que ultrapassem a esfera privada dos indivíduos envolvidos. Daí o interesse estatal de tutelar esta situação com as formalidades necessárias, considerando-se genericamente que o matrimonio influencia outras áreas do direito, como o direito de família. Agora, imaginando que este casamento não esteja ocorrendo de forma saudável para o casal e isto gera o divórcio. Quando há conflito, é necessário o direito processual para que, por meio do juiz, a parte que sente que seu direito foi violado tenha-o tutelado por meio do processo. O mesmo pode ocorrer em situações em que o divórcio ocorra de forma consensual, uma vez que o casamento é um instituto jurídico de interesse do Estado. A parte que teve seu direito violado entra no poder judiciário pedindo que seu direito seja tutelado, havendo, assim, uma relação triangular: composta por Juiz e duas partes. Apesar de, erroneamente, parecer-nos que o juiz possui poderes ilimitados (muitas vezes por noticiários mal formulados), isto não é fato. Aliás, deve sempre o judiciário ser imparcial, de maneira a resolver o conflito entre as partes e agir na conformidade da lei. Partes e Capacidade O processo só se estabelece plenamente com a participação de três sujeitos principais: Estado, autor e réu. Todavia, para que alguém possa ser parte no processo (autor e réu) é necessário que tenha aptidão de participar da relação processual, em nome próprio ou alheio. Toda pessoa que se encontre no exercício de seus direitos tem capacidade para estar em juízo (art. 70, NCPC). Tal capacidade processual está ligada ao conceito de personalidade jurídica, que, para as pessoas físicas se inicia com o nascimento com vida (art. 2º, CC) e termina com a morte (art.6º, CC) e, para as pessoas jurídicas, inicia com o ato constitutivo (art. 45º, CC) e termina com sua extinção ou dissolução. Ainda, a legislação prevê também a capacidade judiciária, que é conferida a entes despersonalizados, a quem chamamos de pessoas formais, e também às pessoas jurídicas públicas e privadas, permitindo que sejam representados em juízo: Art. 75 - Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I - a União, pela Advocacia-Geral da União, diretamente ou mediante órgão vinculado; II - o Estado e o Distrito Federal, por seus procuradores; III - o Município, por seu prefeito ou procurador; IV - a autarquia e a fundação de direito público, por quem a lei do ente federado designar; V - a massa falida, pelo administrador judicial; VI - a herança jacente ou vacante, por seu curador; VII - o espólio, pelo inventariante; VIII - a pessoa jurídica, por quem os respectivos atos constitutivos designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores; IX - a sociedade e a associação irregulares e outros entes organizados sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração de seus bens; X - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil; XI - o condomínio, pelo administrador ou síndico. Já aqueles que forem considerados incapazes devem representados, caso forem absolutamente incapazes (art. 3º, CC), ou assistidos, por tutor ou curador, se forem relativamente incapazes (art. 4º, CC). Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício (art. 76ª, NCPC). Se não for sanada o juiz poderá, caso o processo esteja na instância originária, extinguir o processo sem resolução de mérito, se a diligência competir ao autor; declarar réu revel, se competir a ele a atividade saneadora; declarar revel ou excluir terceiro do processo, dependendo do polo em que se encontra (art. 76º, §1). Ainda, se a determinação for descumprida em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente ou determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido (art. 76º, §2º). Ainda, há pessoas que não são incapazes, mas possuem restrições em sua capacidade processual. É o caso de litigantes casados ou em união estável, expresso no art. 73, do NCPC: Art. 73 - O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br separação absoluta de bens. § 1º Ambos os cônjuges serão necessariamente citados para a ação: I - que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta de bens; II - resultante de fato que diga respeito a ambos os cônjuges ou de ato praticado por eles; III - fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bem da família; IV - que tenha por objeto o reconhecimento,a constituição ou a extinção de ônus sobre imóvel de um ou de ambos os cônjuges. O caput do artigo versa sobre a autorização que o polo ativo necessita para ingressar em juízo, caso não haja litisconsórcio. Essa autorização chama-se outorga uxória (da esposa) ou outorga marital (do marido), ainda que alguns considerem essa distinção ultrapassada. No parágrafo 1º, do mesmo artigo, explicita-se os casos em que o cônjuge do réu também precisa ser citado. É preciso falar também da capacidade postulatória, que é a capacidade de representar as partes em juízo; de falar e postular perante aos Órgãos do Judiciário. Em regra, o advogado é o titular dessa capacidade (art. 103, NCPC). Todavia, a lei concede a capacidade postulatória às partes nas seguintes situações: Juizados Especiais Cíveis, nas causas de até 20 salários mínimos, Juizado Especial Federal e Juizado da Fazenda Pública Estadual; Ação de aliementos Habeas corpus Reclamações trabalhistas Sucessão Processual Sucessão processual é a alteração das partes em um processo judicial: Art. 108 - No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos expressos em lei. A sucessão pode ser tanto por ato inter vivos, quanto mortis causa. No primeiro caso, em que a coisa ou direito em litígio é alienada, a legitimidade das partes não é alterada e o adquirente ou cessionário não poderá substituir o alienante ou cedente, sem que a parte contrária permita, caso isso não ocorra, poderá intervir no processo como assistente litisconsorcial do alienante ou cedente (art. 109, NCPC). Quanto a sucessão por mortis causa, observa-se o seguinte artigo: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 110 - Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1o e 2o. Não se deve confundir sucessão processual com substituição processual, que é pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18, NCPC) www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art313§1 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art313§1 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art313§1 http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O advogado: capacidade postulatória e mandato judicial A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, ou, em nome próprio caso tenha habilitação legal (art. 103, NCPC). Todavia, para que o advogado possa representar a parte no processo, precisa ser investido de poderes outorgados por mandato escrito assinado pelas partes. O instrumento desse mandato, que prova que o advogado representa os interesses das partes chama-se procuração. Só será admitido que o advogado postule sem a procuração para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente (art. 104, NCPC), mas deverá, no prazo de 15 dias exibir a procuração, podendo ser prorrogado por mais 15 dias. Não exibido o instrumento no prazo, o ato do advogado sem mandato “será considerado ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi praticado” e será ele o responsável pelas despesas, perdas e danos que acarretar ao processo (art. 104, § 2º) As principais disposições sobre as procurações encontram-se no art. 105, do NCPC: Art. 105 - A procuração geral para o foro, outorgada por instrumento público ou particular assinado pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo, exceto receber citação, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação, receber, dar quitação, firmar compromisso e assinar declaração de hipossuficiência econômica, que devem constar de cláusula específica. A procuração deve conter o nome do advogado, seu número de inscrição na OAB e endereço completo (art. 105, § 2o). Se o outorgado integrar sociedade de advogados, a procuração também deve conter essas informações sobre a sociedade (art. 105, § 3º). A procuração pode ser assinada digitalmente (art. 105, § 1º) e, salvo disposição expressa em sentido contrário, é eficaz para todas as fases do processo, inclusive para o cumprimento de sentença (art. 105, § 4º). Revogação e renúncia do mandato As hipóteses de cessação do mandato encontram-se no Código Civil: Art. 682 - Cessa o mandato: I - pela revogação ou pela renúncia; II - pela morte ou interdição de uma das partes; III - pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário para os exercer; IV - pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. A revogação é o ato pelo qual o cliente desconstitui o advogado de sua função de mandatário. Neste caso, a lei obriga a parte que revogar o mandato, que constitua, no mesmo ato, outro que assuma o patrocínio da causa. Caso isso não ocorra no prazo de 15 dias, deve ser observado o disposto no art. 76 sobre a irregularidade da representação da parte (idêntico à incapacidade processual). A renúncia é o ato pelo qual o advogado deixa de representar o cliente, caso em que haverá a sucessão processual do procurador. O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, contanto que comunique a renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie sucessor. Ainda, tem a obrigação de continuar a representa-lo pelos 10 dias seguintes, a menos que a procuração tenha sido outorgada a vários advogados e a parte continuar representada por outro, apesar da renúncia, que então não precisará ser comunicada (art. 112, NCPC). Ainda, por questões de ética profissional, o novo procurador deve dar ciência ao anterior de que está assumindo a causa. Caso ocorra a morte do advogado, sua interdição ou perda de capacidade postulatória, haverá um defeito de representação. Nesses casos, o processo deve ser suspenso (art. 313, I, NCPC) e o juiz concede prazo de 15 dias para a nomeação de novo advogado, sob pena de extinção (se for representação do autor) ou revelia (se for representação do réu), conforme o art. 313, § 3º. Responsabilidade por danos processuais O autor, réu ou interveniente que litigar por má-fé, responderá por perdas e danos (art. 79, NCPC). A multa a quem for condenado por litigância de má-fé deverá ser entre 1% a 10% do valor da causa para indenização da parte contrária, honorários advocatícios e despesas que efetuou. O artigo 80 do NCPC, explicita os casos de má-litigância. Art. 80 - Considera-se litigante de má-fé aquele que: I - Deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II - Alterar a verdade dos fatos; III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV - Opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V - Proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br VI - Provocar incidente manifestamente infundado; VII - Interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. Ônus financeiro do processo Com exceção dos casos de miserabilidade, em que o Estado concede justiça gratuita, a prestação da tutela jurisdicional é um serviço público remunerado. É por isso que o artigo 82 do NCPC declara: Art. 82 - Salvo as disposições concernentes à gratuidade da justiça, incumbe às partes prover as despesas dos atos que realizarem ou requererem no processo, antecipando-lhes o pagamento, desde o início até a sentença final ou, na execução, até a plena satisfação do direito reconhecido no título. Ainda, “Incumbe ao autor adiantar as despesas relativas a ato cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requerimento do Ministério Público, quando sua intervenção ocorrer como fiscal da ordem jurídica” (art. 82, § 1o), mas a sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou (art. 82, §2º). Vale ressaltar que o não pagamento antecipado das despesas respectivas, conduz à não realizaçãodo ato requerido, em prejuízo da parte que o requereu. Essas despesas são tributos que compreendem as custas e todos os demais gastos efetuados com os atos do processo, como indenização de viagem, diária de testemunha e a remuneração de perito e assistentes técnicos (art. 84, NCPC). E para garantir que o réu receba as custas e honorários sucumbências do vencido, quando o autor residir ou começar a residir, durante o processo, em país estrangeiro deverá prestar caução suficiente ao pagamento das custas e dos honorários de advogado da parte contrária, sempre que não possuir no país bens imóveis que lhes assegurem o pagamento (art. 83, NCPC), salvo quando houver dispensa prevista em acordo ou tratado internacional de que o Brasil faz parte; na execução fundada em título extrajudicial e no cumprimento de sentença; e na reconvenção. Honorários sucumbenciais Além dos honorários contratuais, acordados entre advogado e cliente, com observância da tabela de limites mínimos da OAB, existem os honorários sucumbenciais, que devem ser pagos pela parte perdedora do processso ao advogado da parte vencedora. São esses que recebem do Novo Código de Processo Civil um tratamento especial (art. 85). Tais honorários são devidos não só na ação principal, mas também em quatro outros momentos: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br 1. Na reconvenção; 2. No cumprimento da sentença, provisório ou definitivo 3. Na execução, resistida ou não; 4. Nos recursos, cumulativamente aos já fixados em 1º grau. Quanto à fixação, os honorários devem ser fixados de 10% a 20%, cujos cálculos terão base no valor da condenação, do proveito econômico e valor da causa, atendidos: (i) o grau de zelo profissional; (ii) o lugar de prestação do serviço; (iii) a natureza e importância da causa, (iv) o trabalho realizado pelo advogado e tempo exidigo para seu serviço(art. 85, §2º). O §3º dispõe que, nas causas em que a Fazenda Pública for parte, sem distinção se vencida ou vencedora, serão aplicados percentuais escalonados, os quais diminuem em proporção inversa à evolução dos valores de proveito econômico e valor da condenação. O percentual varia de 10%/20% a 1%/3%. Quando for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando a porcentagem mínima e máxima de fixação (art. 85, §8º). Os limites e critérios de fixação são aplicados independentemente de qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem resolução de mérito (art. 85, §6º). Uma novidade no código é a fixação em grau recursal, do §11. O tribunal majorará os honorários já fixados e levará em conta o trabalho adicional realizado no recurso, sendo vedado que se ultrapasse os respectivos limites estabelecidos nos §2º e §3º para a fase de conhecimento. Os honorários fixados em fase recursal são cumuláveis com multas e outras sanções processuais (§12º). O NCPC superou duas súmulas do STJ sobre os honorários sucumbenciais. A primeira é a súmula 306 do STJ, que dizia que os honorários advocatícios deveriam ser compensados quando houvesse sucumbencia recíproca, mas o §14º veda a compensação em caso de sucumbência parcial e declara que os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho. Também, a súmula 453 dizia que os honorários sucumbenciais, quando omitidos em decisão transitada e julgada, não poderiam ser cobrados em execução ou ação própria, todavia, o §18º deixa claro que quando o direito aos honorários ou seu valor for omisso, cabe ação autônoma para sua definição e cobrança. Quando o advogado for público, perceberá honorários sucumbenciais nos termos da lei (art. 85, §19). Ainda, em caso de sucumbência parcial, as despesas serão proporcionalmente distribuídas entre as partes (art. 86). Mas se um dos litigantes sucumbir em parte mínima do pedido, o outro responderá por inteiro, pelas despesas e honorários, sendo que a definição de “parte mínima”, na omissão da lei, fica a encargo da jurisprudência. Por fim, se houver litisconsórcio, haverá pagamento dos honorários pelos vencidos, devendo a sentença distribuir expressamente com quanto cada um arcará. Caso a sentença for omissa, deverá haver solidariedade entre todos os vencidos (art. 86). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Justiça gratuita A gratuidade da justiça é a isenção de custos e despesas para aqueles que tem insuficiência de recursos. Não se deve confundir com assistência jurídica, que é a prestação de serviços jurídicos, realizada pela Defensoria Pública aos hipossuficientes. Além das taxas e custas judiciais, a justiça gratuita compreende também (art.98, §1º): As despesas com publicação na imprensa oficial e com selos postais; As despesas com a realização de exame de código genético; Os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou do tradutor; Depósitos para interposição de recurso, para propositura de ação e para a prática de outros atos inerentes ao exercício da ampla defesa e do contraditório; Valores devidos a notários ou registradores para atos notariais necessários para continuidade do processo ou efetivação da decisão judicial. Todavia, a gratuidade da justiça não afasta o beneficiário de pagar eventuais multas processuais a ele impostas (art. 98, §4). Tampouco afasta a responsabilidade pelas despesas processuais e honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência (art. 98, §2º), mas só será possível a execução se, no prazo de cinco anos após o trânsito em julgado, o credor demonstrar que o beneficiário tem condição financeira o suficiente para pagamento do débito. Passado o prazo, extinguem-se tais obrigações do beneficiário (art. 98, §3º). O pedido de gratuidade pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso, ou seja, pode ser requerida em qualquer momento do processo. Se for pedido em fase recursal, o recorrente estará dispensado de comprovar o recolhimento do preparo (art. 98, §7º). A justiça gratuita é um direito pessoal (não se estende a litisconsorte ou sucessor do beneficiário) da parte, seja pessoa física ou jurídica, independentemente de a parte ter contratado advogado particular ou não. Todavia, enquanto a alegação de insuficiência da pessoa física possui presunção de veracidade (art. 99, §3º), a pessoa jurídica, com ou sem fins lucrativos, deve provar sua hipossuficiência. Súmula 481: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. A lei não traz critérios objetivos para a concessão da gratuidade, ficando a encargo do magistrado a decisão. Porém,o juiz só podera indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta de pressuspostos legais para a concessão, devendo, antes do indeferimento, determinar que a parte comprove sua situação de hipossuficiência econômica (art. 99, §2º). O Novo Código inova ao prever concessão de justiça gratuita parcial através do reconhecimento da gratuidade para alguns dos atos do processo, ou apenas redução de partes das despesas (art. 98, §5º) ou admitindo o parcelamento de despesas (art. 98, §6º). Por fim, o artigo 100, do NCPC, permite a impugnação do benefício pela parte contrária assim que o pedido de gratuidade for deferido, que poderá ser oferecida na contestação, réplica, contra-razões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada no prazo de 15 dias. Revogado o benefício, a parte terá que pagar o que tiver deixado de adiantar, sendo que em caso de má fé poderá pagar até o décuplo de seu valor, a titulo de multa. Deveres dos Sujeitos do ProcessoOs deveres das partes no NCPC contêm princípios do processo civil. O artigo 77 prevê que são deveres das partes, de seus procuradores e de todos que de alguma forma participem do processo: 1. Expor fatos conforme a verdade; 2. Não formular pretensão ou defesa com ciência de que não possuem fundamento; 3. Não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito; 4. Cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, sejam provisórias ou finais, e não criar embaraços à sua efetivação; 5. Declinar o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações e atualizar sobre modificações temporárias ou definitivas. 6. Não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso. Ainda, é vedado às partes, a seus procuradores, aos juízes, aos membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e a qualquer pessoa que participe do processo empregar expressões ofensivas nos escritos apresentados. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Juiz É no juiz que se concentra o poder jurisdicional e, por isso, é ele quem tem a função de dirigir o processo, cabendo a ele uma série de poderes-deveres e responsabilidades. O Código de Processo Civil estabelece suas atribuições, deveres, responsabilidades e preceitos a serem observados nos art. 125 e seguintes. Dentre os poderes-deveres do juiz, destacam-se 1. assegurar o tratamento igualitário entre as partes, em conformidade com a igualdade processual expressa no art. 5º da CF; 2. velar pela duração razoável do processo; 3. reprimir ato contrário à dignidade de justiça e; 4. promover, em qualquer tempo, a autocomposição entre as partes, de preferência, através da mediação e conciliação. Ainda, o CPC inova ao trazer, no mesmo artigo (139) 1. a possibilidade de dilatação dos prazos processuais e alteração da ordem de produção dos meios de prova; 2. possibilidade de determinar medidas coercitivas para assegurar o cumprimento de ordem judicial, sendo cabíveis inclusive para obrigações de pagar, tais medidas podem não estar tipificadas e, por isso, ainda há muita discussão jurisprudencial sobre o limite da atuação coercitiva dos magistrados; 3. possibilidade de determinar o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de outros vícios processuais; 4. poder oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e outros legitimados, quando diante de demandas individuais repetitivas, para que se promova ação coletiva. Dentre seus deveres, vale também ressaltar que o juiz não pode se eximir de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico. Nestes casos, deve recorrer à analogias, costumes e princípios gerais, podendo também julgar por equidade nos casos previstos em lei. Impedimento e Suspeição do Juiz Impedimento Todo juiz deve ser imparcial, assim como seus auxiliares. Por este motivo, existe o impedimento e a suspeição. A grande diferença entre essas duas figuras está no fato de as alegações de impedimento conterem elementos objetivos, cujo exame independe da avaliação da vontade do agente estatal. Os casos estão exemplificados no artigo 144 do NCPC: Art. 144 - Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo: I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha; II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão; III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo; VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes; VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços; VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório; IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. § 1º -Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. § 2º -É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento do juiz. § 3º -O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no processo Suspeição Já a suspeição tem como alegação elementos subjetivos, da índole subjetiva, conforme explicitado no art. 145 do NCPC Art. 145 - Há suspeição do juiz: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados; II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio; III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive; IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes. § 1º -Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões. § 2º -Será ilegítima a alegação de suspeição quando: I - houver sido provocada por quem a alega; II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do arguido. O artigo seguinte, define sobre o momento da alegação ou reconhecimento do impedimento ou suspeição. A parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa, dentro do prazo de 15 dias desde a descoberta do fato. Já o juiz, o faz no exato momento em que recebe a petição, enviando assim os autos a seu substituto legal, caso contrário determinará a autuação em apartado da petição inicial e, no prazo de 15 dias apresentará suas razões. Os motivos do impedimento e suspeição também se aplicam à membros do MP, auxiliares de justiça e aos demais sujeitos imparciais do processo. Procedimento O CPC/15 exige que a alegação de suspeição ou impedimento dê-se incidentalmente, ou seja, em peça apartada, em até 15 dias após o conhecimento do fato que gerará a suspeição ou impedimento. O pedido deverá ser dirigido ao juiz que preside o caso. Na peça, deverão constar os fundamentos da recusa de atuação daquele juiz, podendo, também, ser acompanhada de documentos comprobatórios, bem como de um rol de testemunhas que comprovem a alegação. Sendo reconhecida a suspeição/impedimento, o juiz ordenará a remessa dos autos ao seu substituto legal. Caso seja negado o pedido, a petição será juntada aos autos em pasta apartada, chamada de incidente, devendo o juiz apresentar suas razões em até 15 dias, podendo, juntamente, apresentar documentos e rol de testemunhas. Feito isso, o juiz encaminhará os autos (juntamente com a pasta apartada) ao tribunal ao qual está submetido. O relator do incidente apartado deverá decidir se ele terá efeito suspensivo ou não, ou seja, se o processo permanecerá suspenso até o julgamento do pedido de suspeição/impedimento ou não. Se, enquanto o incidente estiver aguardando julgamentodo relator, houver a necessidade de julgamento de uma tutela de urgência, o pedido deverá ser feito ao substituto legal do juiz www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br titular. Isso ocorrerá em duas hipóteses: 1. Quando ainda não tiver sido declarado o efeito suspensivo e; 2. Quando o incidente for recebido com efeito suspensivo. Caso o relator acolha o pedido de suspeição/impedimento, o juiz será condenado em custas do encaminhamento do processo ao tribunal, bem como ocorrerá a remessa dos autos ao seu substituto legal. Além disso, o tribunal também fixará o momento a partir do qual o juiz não poderia ter atuado, gerando a nulidade dos atos posteriores àquele momento. Contudo, vale ressaltar que será possível o aproveitamento de alguns atos, mesmo que praticados após o momento em que foi considerado suspeito ou impedido. Isso se refere a atos como a citação válida com mandado positivo e intimações, por exemplo, tudo em prol do bom andamento do processo. Vale destacar que, diferente do impedimento, que tem caráter objetivo, o legislador definiu que a suspeição deverá ser manifesta, em virtude de seu caráter subjetivo. Veremos agora o procedimento de alegação de suspeição ou impedimento dos outros agentes do processo que não sejam o próprio juiz. Essas hipóteses aplicam-se a três figuras: 1. Membro do Ministério Público; 2. Auxiliares da Justiça; 3. Demais sujeitos imparciais do processo. A arguição do impedimento/suspeição dos agentes acima deverá ser feita pela parte em petição fundamentada, devidamente instruída (juntamente com provas do motivo de suspeição/impedimento) na primeira oportunidade que a parte interessada tiver de manifestar-se nos autos. Da mesma forma que o incidente de suspeição/impedimento do juiz, este incidente será processo em separado. Contudo, necessariamente se dará sem a suspensão do processo. A parte arguida como sendo suspeita/impedida terá 15 dias para manifestar-se neste incidente. Caso julgue necessário, o juiz poderá solicitar a produção de provas para seu convencimento, para garantia do contraditório e ampla defesa. Caso a arguição dê-se nos tribunais, o seu julgamento acontecerá de acordo com as normas do regimento interno do próprio tribunal. Vale ressaltar que essas regras não se aplicam para os casos de arguição de impedimento ou suspeição de testemunhas. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Auxiliares da Justiça O art.149 do NCPC lista auxiliares da Justiça, todavia, não são os únicos (grifo): Art. 149 - São auxiliares da Justiça, além de outros cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de organização judiciária, o escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador de avarias. Sobre as principais atribuições desses auxiliares é válido ressaltar: 1. Em cada juízo haverá pelo menos um ofício de justiça, ou seja, haverá um, ou mais, cartórios (art. 150); 2. Cada vara tem que ter pelo menos um oficial de justiça (art. 151); 3. Não pode ser interprete ou tradutor quem não tiver livre administração de seus bens, quem atuar como perito ou for autuado como testemunha, inabilitado do exercício dessa profissão (art. 163). A grande inovação do NCPC foi trazer a figura do conciliador e mediador, em consonância com o estímulo do uso de ADR (alternative dispute resolution). Enquanto a arbitragem ocorre no âmbito privado, o mediador e conciliador podem atuar no poder público. A diferença entre esses dois últimos é que o mediador busca consenso entre as partes, induzindo que elas mesmas encontrem a solução, já o conciliador, ao buscar o consenso, tem uma postura propositiva, é ele quem dá as sugestões para resolução de conflitos, sendo vedado o constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem. Os métodos alternativos de solução de conflito (MASC) se destacam por não envolver a decisão judicial. A arbitragem, por exemplo, inclusive afasta o uso da jurisdição. Essas formas são incentivadas pelo código de 2015: Art. 165 - Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição (...) Ainda, o NCPC indica a situação em que, preferencialmente, deve ocorrer conciliação ou mediação. A primeira deve ocorrer em casos em que não houver vínculo anterior entre as partes (art.165, § 2o), como, por exemplo, um caso de indenização por acidente de veículo. Por outro lado, a mediação ocorrerá nos casos em que houver vínculo anterior entre as partes (art. § 3o), como conflitos entre familiares e vizinhos. O Escrivão, o Chefe de Secretaria e o Oficial de Justiça O Perito O Depositário, o Administrador, o Intérprete e o Tradutor O Conciliador e o Mediador Judicial www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O Ministério Público Artigos 127 a 130 da Constituição Federal Artigos 176 a 180 do Código de Processo Civil Art. 127 da CF: O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Art. 176 do CPC: O Ministério Público atuará na defesa de ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis. Estes dois artigos são muito relevantes porque comumente são esquecidas as tantas funções do ministério público, atribuindo-se a ele somente a função de denúncia. É sua principal função zelar pela sociedade, colocando de forma bem ampla. No processo civil, o Ministério Público será intimado para participar dos processos que envolvam: Interesse público ou social; Interesse de incapaz; Litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, intervenção do Ministério Público. Art. 179 do CPC: Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público: I – terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo; II – poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer. A Advocacia Pública ARTIGOS 131 E 132 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Artigos 182 a 184 do Código de Processo Civil Art. 131 da CF: A Advocacia Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. Art. 182 do CPC: Incumbe à Advocacia Pública, na forma da lei, defender e promover os interesses públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por meio de representação judicial, em todos os âmbitos federativos, das pessoas jurídicas de direito público que integram a administração direta e indireta. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal. Atenção: Não se terá o prazo em dobro caso a lei estabeleça prazo específico para o ente público. Art. 184 do CPC: O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções. A Defensoria Pública ARTIGOS 134 E 135 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Artigos 185 a 187 do Código de Processo Civil Art. 134, da CF: A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do RegimeDemocrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os grau, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados na forma do inciso LXXIV, do art. 5º desta Constituição Federal. Art. 185 do CPC: A Defensoria Pública exercerá a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, em todos os graus, de forma integral e gratuita. Art. 186 do CPC: A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais. § 1° O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1°. § 2° A requerimento da Defensoria Pública, o juiz determinará a intimação pessoal da parte patrocinada quando o ato processual depender de providência ou informação que somente por ela possa ser realizada ou prestada. § 3° O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prática jurídica das faculdades de Direito reconhecidas na forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de convênios firmados com a Defensoria Pública. § 4° Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio Portanto, a Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal do Defensor Público. Atenção: Não terá prazo em dobro caso a lei estabeleça prazo específico para a Defensoria. Art. 187 do CPC: O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Conceito e Classificações Quando se tem pluralidade de partes na relação jurídica processual de qualquer um dos polos, dizemos que há litisconsórcio. Doutrinariamente, costuma-se fazer uma classificação sobre os tipos de litisconsórcio que são de compreensão necessária. 1. Quanto ao polo da relação processual Encontra-se no caput do artigo 113 do Novo Código de Processo Civil: Art. 113 - Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando: São elas: Litisconsórcio passivo: aquele em que existem dois ou mais réus no mesmo processo. Neste caso, o prazo para a contestação dos réus inicia-se apenas quando o último réu for citado. Caso os litisconsortes passivos tenham diferentes domicílios, o foro competente para o ajuizamento da ação será de qualquer um deles, a escolha do autor. Quanto à exclusão de uma das partes, o recurso ensejado cabe apenas ao autor, o co-réu não tem legitimidade e interesse processual para isso. Litisconsórcio ativo: aquele em que existem dois ou mais autores no mesmo processo. Litisconsórcio misto: aquele em que em que há, ao mesmo tempo, mais de um autor e mais de um réu. Todavia, esta é uma classificação meramente doutrinária e também contestada, há quem defenda que o que se tem é um litisconsórcio ativo e um litisconsórcio passivo na mesma ação, simplesmente, não havendo razão para se criar uma terceira categoria. O artigo também elenca as hipóteses legais de litisconsórcio: Quando houver, entre as partes, comunhão de direito ou de obrigações relativamente à lide; Quando entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; Quando ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito. Caso o juiz constate que não é caso de litisconsórcio, em nome do princípio da economia processual, ele não deve extinguir o processo, mas sim determinar a emenda da petição inicial e desmembrar o feito em quantos processos forem necessários. Ainda, o artigo 229 do CPC permite que os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, tenham prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento. Todavia, se apenas um dos réus oferece defesa, é cessada a contagem do prazo em dobro. E a contagem em dobro não se aplica aos processos em autos eletrônicos, afinal, com esses novos instrumentos as partes têm acesso total aos autos e a qualquer hora do dia, o que permite que o advogado tenha uma maior facilidade de acessá-los e fazer seus prazos. 2. Quanto ao momento de formação do litisconsórcio Litisconsórcio originário: também chamado de inicial, é aquele que se estabelece desde o princípio do processo, ou seja, que já estava indicado desde o início da demanda. Litisconsórcio superveniente: também chamado de incidental ou ulterior, assim o é quando formado em momento posterior à propositura da ação. Apesar de o autor não ter, a priori, indicado o litisconsórcio, isso não significa que não tenha sido dele a iniciativa, no caso de uma emenda à petição inicial. Tal fato poderia ocorrer de diversas outras maneiras: por iniciativa do réu, no instituto de chamamento do processo, ou então pelo juiz, quando ordena a reunião de causas ou percebe que existe um litisconsorte necessário não indicado pelo autor na exordial e manda citá-lo. 3. Quanto a necessidade de existência do litisconsórcio Deve ser observada a necessidade da formação do litisconsórcio e da presença de certa pessoa em um polo da ação. A partir disso, extrai-se três outras classificações: Litisconsórcio facultativo: Situação em que a pluralidade de litigantes não é obrigatória para a validade do processo, apenas em razão da vontade das partes. A exemplo, o litisconsórcio nas ações indenizatória, em ambos os polos, é sempre facultativo. Tal modalidade por ser tanto recusável quanto irrecusável, ainda que seja inadmissível a formação do litisconsórcio facultativo ativo após a distribuição do feito. A princípio, é irrecusável, contanto que tenha preenchido os requisitos legais. Todavia, por ser do dever do juiz zelar pela rápida solução do litígio e também outros princípios, à exemplo, a igualdade entre as partes, pode ele recusar o litisconsórcio facultativo: Art. 113, § 1o - O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença. Ainda, “o litisconsórcio facultativo não exige, necessariamente, a citação do litisconsorte desde o início da ação, sob pena de nulidade”. (STJ, REsp 21.376,j.02.10.1995). Quanto à desistência do autor em relação à um dos litisconsortes facultativos já citados, depende apenas do consentimento desde réu que pretende ser excluído. Litisconsórcio necessário: tal classificação é expressa por lei, no artigo 114 do Novo Código de Processo Civil: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 114 - O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes. O litisconsórcio necessário é obrigatório e irrecusável, mesmo com acordo geral dos litigantes, sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito, como o que se dá nas ações reais imobiliárias intentadas contra cônjuges (CPC, art. 73, § 1º; CC, art. 1.647, II) e também na na anulação de um contrato plurilateral e na dissolução de uma sociedade de pessoas. Por exemplo: em razão da comunhão de direitos, todos os condôminos ou alguns deles podem demandar o bem comum em litisconsórcio (litisconsórcio facultativo ativo). Havendo solidariedade passiva (comunhão de obrigações), o credor pode demandar um, alguns ou todos os devedores conjuntamente (litisconsórcio facultativo passivo). Como se forma por determinação legal ou pela própria pretensão da tutela do direito, o litisconsórcio necessário não admite a desistênciaem relação a apenas um dos réus. É obrigatória a concordância de todos os réus para que seja feita a exclusão requerida. Também não admite-se a existência de litisconsórcio necessário ativo, pois não se pode constranger alguém a participar do polo ativo de uma ação. Caso um litisconsorte necessário não tenha sido citado, a sentença que julgar o mérito da ação será nula (art. 115, I, CPC) ou ineficaz (art. 115, II, CPC) em relação a tal litisconsorte. Litisconsórcio multitudinário, plúrimo ou múltiplo: É a situação em que há grande número de litisconsortes ativos facultativos em processo judicial, em que, como dito acima, o juiz poderá desmembrar em vários outros com números menores de autores. O desmembramento poderá ser decretado pelo juiz de ofício ou a pedido do réu. Neste último caso, há a interrupção do prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar (art.113, §2º, CPC). Tal limitação só pode ser analisada na fase postulatória e não pode existir quando o sindicato estiver representando seus associados. 4. Quanto a necessidade da mesma decisão para os litisconsortes Esta classificação leva em consideração o direito discutido e subdivide-se em: Litisconsórcio comum ou simples: situação em que a resolução de mérito poderá ser diferente para cada um dos litisconsortes. É o que ocorre quando o processo discute duas ou mais relações jurídicas. Litisconsórcio unitário: a resolução de mérito deve ser a mesma para os litisconsortes, conforme expresso no artigo 116 do CPC: Art. 116 - O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. Em casos de litisconsórcio unitário, como o julgamento precisa ter igual teor a todos, é aplicável para todos a extensão da decisão no âmbito recursal, e não apenas a aquele que www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br interpôs o recurso. Também, esse tipo de litisconsórcio configura uma exceção de regra: Art. 117 - Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar. Não se deve confundir o litisconsórcio necessário com o unitário, afinal, o litisconsórcio unitário pode ser estabelecido sem a obrigatoriedade da presença de todos os cointeressados. A exemplo, não é obrigatório que todos os credores de uma obrigação solidária exijam seu cumprimento. Mas se o litisconsórcio unitário for passivo, ele também será necessário. Para melhor clareza, veja os exemplos de ações a seguir: LITISCONSÓRCIO Necessário Facultativo Unitário Ação de nulidade de casamento promovida pelo Ministério contra os cônjuges. União facultativa entre condôminos na ação que busca anular deliberação feita em assembleia Simples Ação de usucapião de bem imóvel quanto ao litisconsórcio existente entre os confinantes Existente entre autores no ajuizamento de demanda indenizatória contra certa companhia aérea devido a um acidente Ainda, independente da classificação, cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo, e todos devem ser intimados dos respectivos atos (art. 118, CPC). Hipóteses de Cabimento, Limitação de Litigantes e Prazo www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br É quando alguém, que não é parte autora ou ré, ingressa, como parte ou coadjuvante da parte, passando a participar da relação processual. Há duas formas de isso ocorrer: Intervenção espontânea: aquela em que o terceiro que está fora do processo espontaneamente busca seu ingresso na demanda. Intervenção provocada: quando uma das partes litigantes provoca uma das partes do processo pendente para que venha a integrar a relação processual. Antes de iniciar os estudos sobre as modalidades tratadas pelo Código, vale ressaltar que há também o embargo de terceiro (art. 674) e a oposição (art. 682), que apesar de serem formas de intervenção de terceiros, são tratadas em outra parte do NCPC. Assistência A primeira forma de intervenção espontânea é a assistência: o terceiro juridicamente interessado em que a sentença seja favorável a uma das partes poderá intervir no processo para assisti-la. Isso pode ocorrer em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra, não retornando a fases anteriores para que o terceiro faça algo (art.119, NCPC). O interesse ao qual o artigo se refere deve ser jurídico, e não meramente econômico ou moral. O terceiro deverá peticionar pedindo seu ingresso e, se não houver impugnação no prazo de 15 dias, terá seu pedido deferido, salvo se for caso de rejeição liminar. Se uma das partes alegar falta de interesse jurídico, o juiz resolverá a contradição sem a suspensão do processo, podendo deferir ou rejeitar o ingresso do terceiro. Caso haja a rejeição, caberá recurso de agravo de instrumento (art. 1.015, IX). O código trata de duas modalidades de assistência: 1. Assistência simples ou adesiva: O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido (art. 121, NCPC) e será considerado o substituto processual do assistido caso esse seja omisso (ex.: revel). Entretanto, o assistente não se configurará como parte e não poderá dispor da lide; caso o assistido não recorra, reconheça o pedido ou desista da ação, não poderá ser impedido pelo assistente. Também não será coberto pela coisa julgada, mas por uma estabilização distinta denominada justiça da decisão, que poderá ser afastada caso o assistente alegue e prove que: (i) pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença; (ii) desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu. 2. Assistência litisconsorcial: Quando a sentença influir na relação jurídica entre o assistente e o adversário do assistido, ele será considerado litisconsorte da parte principal (art. 124, NCPC). Neste caso, o assistente dispõe da lide e por isso pode ir além do que fizer o assistido, como recorrer ou prosseguir com processo em caso de desistência do assistido. O assistente litisconsorcial é parte do processo (litisconsórcio superveniente). Denunciação da lide A denunciação da lide é uma forma de intervenção provocada em que o terceiro (denunciado), que mantém um vínculo de direito com a parte (denunciante), é chamado para litigar em conjunto com o denunciante, que contém contra o denunciado uma pretensão indenizatória, de reembolso, caso seja condenado. Com a finalidade de economia processual, a denunciação é como se fosse uma ação de regresso antecipada, para a eventualidade da sucumbência do denunciante. A denunciação da lide é admissível, podendo ser promovida por qualquer uma das partes. Se for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida, não representa um problema, pois é possível que se faça uma ação de regresso autônoma. São duas as hipóteses em que é cabível a denunciação, previstas pelo artigo 125 do NCPC: Ao alienante imediato, para garantia do direito de evicção do denunciante (inciso I) Direito regressivo de indenização (inciso II). Ex.: réu denunciar sua seguradora. Se o denunciante for o autor, a citação do denunciado será requerida na exordial, e se for réu, na contestação. No primeiro caso, (autor) o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial (art. 127, NCPC). A mais comum é a denunciação pelo réu, prevista pelo artigo 128 do NCPC. O réu deverá fazer a denunciação da lide no prazo para contestar a ação, enquanto o denunciado possuirá um prazo de quinze diaspara a resposta, podendo ocorrer três possibilidades: O denunciado contestar o pedido do autor e tornar-se litisconsorte do réu; Denunciado revel em relação à denunciação. Neste caso, o réu pode ou seguir com a ação principal normalmente, ou abrir a mão da defesa da ação principal, restringindo sua atenção à ação regressiva de modo a transferir ao denunciado a provável condenação, sem que essa atitude comprometa a garantia de regresso; Se o denunciado comparecer e confessar os fatos alegados pelo autor na petição inicial, poderá o denunciante prosseguir na defesa ou aderir a tal reconhecimento e apenas pedir a procedência da ação de regresso. A sentença do processo avaliará tanto o pedido quanto a denunciação. Caso o denunciado seja vencido na ação principal, analisa-se a denunciação, mas se sair vencedor, a denunciação nem será analisada, o que não traz prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado (art. 129, NCPC). No primeiro caso, se houver também a procedência da denunciação, será o réu condenado a ressarcir o autor e o denunciado a ressarcir o denunciante. Ainda, inova o CPC ao permitir que autor possa requerer o cumprimento da sentença contra o denunciado, nos limites da condenação da ação na ação de regresso (art. 128, § ú.) Chamamento ao processo Esta forma de intervenção é, segundo Humberto Theodoro Jr.: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O incidente pelo qual o devedor demandado chama para integrar o mesmo processo os coobrigados pela dívida, de modo a fazê-los também responsáveis pelo resultado do feito (art. 132). Com essa providência, o réu obtém sentença que pode ser executada contra o devedor principal ou os codevedores, se tiver de pagar o débito. A diferença entre o chamamento e a denunciação da lide, é que na denunciação há a ação de regresso e deve-se mostrar que o denunciado é que deverá responder pela condenação, já no chamamento, uma vez provada que terceiro também é responsável pelo débito, a condenação é automática, estando relacionado à uma ideia de solidariedade. As hipóteses em que cabe o chamamento são (art. 130 NCPC): Do afiançado, na ação em que apenas o fiador for réu; Dos demais fiadores, quando ação for proposta contra apenas um ou alguns deles; Dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum. A citação daqueles que forem chamados deve ser requerida na contestação e ocorrer em 30 dias, sob pena de ficar sem o efeito do chamamento (art. 131), exceto quando o chamado residir em outra comarca, seção ou subseção judiciária diferente, ou em lugar incerto, quando haverá 2 meses de prazo. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Incidente de desconsideração da personalidade jurídica O incidente de desconsideração da personalidade jurídica não é só utilizado para atingir os bens dos sócios. O NCPC, com o artigo 133, §2º, permite que ocorra também a desconsideração inversa, em que se desconsidera a personalidade do sócio para se chegar aos bens da pessoa jurídica. O requerimento do incidente de desconsideração deve preencher os requisitos legais, encontrados no artigo 28 do Código de defesa do Consumidor e 50 do Código Civil (desvio de finalidade da pessoa jurídica e a confusão patrimonial entre ela e os sócios). Só poderá ser pedido pelas partes e, quando lhe couber intervir no processo, pelo Ministério Público. O legislador prevê que a desconsideração possa ser requerida tanto na petição inicial, quanto em petição autônoma, como incidente processual, protocolada no curso da ação. No primeiro caso, o autor, ao ajuizar a ação, apresenta provas da utilização indevida da personalidade jurídica da empresa e requer a sua desconsideração. Em seguida, o sócio ou a pessoa jurídica devem ser citados. Se não for requerido na petição inicial, o incidente poderá ser cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial (art. 134, caput). Sua instauração deve ser imediatamente comunicada ao distribuidor para as anotações devidas (art. 134, § 1º), em decorrência da ampliação subjetiva da relação processual originária, o processo será suspenso, exceto se for requerido na petição inicial (art. 134, §3º), visto que, neste caso, dispensa-se a instauração do incidente, pois o tema será debatido no processo principal. Após a instauração do incidente, o sócio ou empresa será citado para exercer seu direito de contraditório no prazo de 15 dias (art. 135, NCPC). Concluída a instrução, se necessário, o incidente será resolvido por decisão interlocutória (art. 136, caput) e, se o incidente for resolvido em sede recursal, pelo relator, a decisão será atacável por meio de agravo interno (art. 136, § 1º). Quanto a seus efeitos, se acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou oneração de bens, havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente (art. 137). Amicus Curiae Também conhecido por “amigo da Corte”, essa figura pode ser uma forma de intervenção tanto provocada quanto espontânea. É introduzido no artigo 138, do NCPC: Art. 138 - O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar- se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. Ou seja, a partir da relevância da matéria, especificidade do tema objeto da demanda ou repercussão social, o magistrado ou as partes podem solicitar por um terceiro que opine sobre o tema, fornecendo informações técnicas reputadas relevantes para o julgamento, com função meramente colaborativa. O interesse em questão não é jurídico, mas sim moral, institucional, político, acadêmico ou outro. Cabe ao juiz decidir acerca da conveniência ou não de tal intervenção, cabendo a ele ou relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae, que, por sua vez, deverá se manifestar no prazo de 15 dias. Ainda, o amigo da Corte “pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas” (art. 138, § 3o). Todavia, a intervenção em si não faz com que ele se torne parte, motivo pelo qual sua “intervenção não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3o” (art. 138, §1º). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O processo se desenvolve e se encerra por meio de atos praticados ora pelas partes, ora pelo juiz ou seus auxiliares. O processo é uma sequência ordenada de fatos, atos e negócios processuais. Não há atos processuais fora do processo, mas também nem todos os atos dentro do processo são atos processuais, já que os atos podem ser vistos tanto do ângulo do processo propriamente dito (relação jurídico-processual) quanto do procedimento (rito ou forma do processo). No Novo Código, os atos processuais são divididos em: Atos da parte (arts. 200 a 202); Atos do juiz (arts. 203 a 205); Atos do escrivão ou do chefe de secretaria (arts. 205 a 211). Da forma dos atos processuais Forma é o conjunto de solenidades que devem ser observadas para a garantia da validade e eficácia do ato processual. É por causa disso que é necessário a observância do tempo, lugar e modo referente a tal ato, pois se isso não estiver conforme a lei, o ato será nulo. Os atos podem ser classificados em solenes e não solenes. Solenes são aqueles para os quais a lei prevê uma determinada forma para sua validade, enquanto os não solenes são atos de forma livre. O artigo 188 do NCPC trazambos ao prever o princípio da liberdade das formas (grifado): Art. 188 - Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial. Traz também, com a parte final, o princípio da instrumentalidade das formas, pois somente quando não se atinge o fim visado pelo ato processual é que se deve reconhecer- lhe a invalidade. Para o Código, as formas prescritas são relevantes, mas sua inobservância não é causa de nulidade, a não ser que ela cause prejuízo para a parte, ou o texto legal cominar pena de nulidade para sua inobservância, como ocorre com as citações, por exemplo. Os atos processuais são públicos, de maneira a reafirmar o princípio da publicidade. Todavia, o Código elenca casos em que devem tramitar em segredo de justiça: Aqueles em que o interesse público ou social assim exigir; Causas de direito de família, que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes; Que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade; Que versem sobre arbitragem e cumprimento de carta arbitral, desde que a confidencialidade seja comprovada em juízo Apenas as partes e seus procuradores podem consultar os autos do processo que tramite em segredo de justiça e pedir certidões de seus atos, mas o terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz “certidão do dispositivo da sentença”, de inventário e de partilha resultante de divórcio ou separação. Outro aspecto é em relação ao calendário, que se relaciona com o princípio da duração razoável do processo. O juiz e as partes podem, de comum acordo, fixar calendário para a prática dos atos processuais, quando for o caso. Tal calendário vinculará as partes e juízes, sendo que os prazos nela previstos só podem ser modificados excepcionalmente e com justificação. Por fim, em medida de economia processual evidente, a lei dispensa a intimação das partes para os atos processuais e para a audiência, cujas datas tenham sido designadas no calendário (§ 2º). Ainda, todos os atos e termos do processo devem ser, obrigatoriamente, redigidos em língua portuguesa. Os documentos em língua estrangeira só poderão se juntar aos autos quando acompanhados de versão para a língua portuguesa, tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado (vide art. 192 do CPC). Negócio Jurídico Processual O novo Código adotou a teoria dos negócios jurídicos processuais, por meio da qual se conferiu certa flexibilização procedimental ao processo, respeitados os princípios constitucionais e dando maior efetividade ao processo. É o artigo 190 que expressa essa teoria, ao autorizar a alteração convencional de alguns procedimentos. Para isso, há três requisitos: (i) que processo verse sobre direitos que admitam auto composição, (ii) as partes devem ser plenamente capazes, (iii) a convenção limitar-se aos ônus, poderes, faculdades e deveres processuais das partes. O juiz deve, de ofício ou a requerimento, controlar a validade dessas convenções, recusando- lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou inserção abusiva em contrato de adesão ou no qual qualquer parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade (art. 190, parágrafo único). Essa possibilidade de as partes, de comum acordo, mudarem o procedimento para a tramitação do processo, foi uma grande inovação trazida pelo novo Código, que traz muito mais liberdade entre as partes e está de acordo com o princípio da cooperação entre elas e juiz. Prática eletrônica dos atos processuais. Adequando-se à modernidade e de maneira a uniformizar o processo digital, o artigo 193 do NCPC traz que “os atos processuais podem ser total ou parcialmente digitados, de forma a permitir que sejam produzidos, armazenados e validados por meio eletrônico, na forma da lei”. Ainda, respeitará a publicidade dos atos, o acesso e a participação das partes e de seus procuradores, inclusive nas audiências e sessões de julgamento, devendo-se observar as seguintes garantias: disponibilidade, independência da plataforma computacional, acessibilidade e interoperabilidade dos sistemas, serviços, dados e informações que o Poder Judiciário administre no exercício de suas funções (art. 194). O princípio da confidencialidade www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br em casos com segredo de justiça também deve ser respeitado Em nome da publicidade e acesso, o Código prevê que as unidades do Poder Judiciário mantenham, gratuitamente, à disposição dos interessados, equipamentos necessários à prática de atos processuais e consulta. Poderá, contudo, ser admitida a prática de atos por meio não eletrônico no local onde não estiverem disponibilizados os equipamentos previstos no referido dispositivo. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Atos das partes Os atos das partes são praticados pelo autor, réu, terceiros juridicamente interessados e pelo Ministério Público. Aqueles que consistem em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade podem produzir três efeitos imediatos sobre direitos processuais: (i) constituição, (ii) modificação, (iii) extinção. Assim é previsto pelo artigo 200, do NCPC, que, em seu parágrafo único prescreve que a desistência da ação só produzirá efeitos após a homologação judicial. Permitindo que se demonstre a tempestividade dos atos processuais praticados, é permitido às partes exigirem recibo de petições, arrazoados, papéis e documentos que entregarem em cartório. Aos advogados das partes é assegurado o direito de manusear livremente os autos, inclusive fora do cartório. Mas proíbe o Código que neles se lancem cotas marginais ou interlineares (anotações à margem ou entrelinhas). Quando tal preceito for infringido, o juiz mandará riscar as cotas, impondo a quem as escreveu multa correspondente à metade do salário mínimo vigente na sede do juízo (art. 202, NCPC). Atos do juiz Os atos do juiz podem ter duas naturezas: decisórias e não decisória. Nos primeiros, há sempre um conteúdo de deliberação ou de comando. Nos últimos, predomina a função administrativa, ou de polícia judicial. O artigo 203, do NCPC, elenca a composição dos pronunciamentos do juiz, que são: Sentenças; Decisões interlocutórias; Despachos A sentença é “o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução” (art. 203, §1º), com ressalva a algumas disposições dos procedimentos especiais. Seu conteúdo pode ser tanto de direito material quanto processual, a lei não define esse aspecto, afinal. Não é o conteúdo que qualifica a decisão como sentença, mas, sim, o fato de ela extinguir ou não o processo ou uma de suas fases. A decisão interlocutória consiste em todo pronunciamento judicial de natureza decisória que não se qualifica como sentença, ou seja, só ocorre a decisão interlocutória quando a solução da questão incidente não leva ao encerramento do feito ou de alguma de suas fases principais, seja de cognição ou execução (art. 203, § 2º). Despachos são “todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no processo”, seja de ofício ou a requerimento da parte (art. 203, § 3º). São atos de natureza não decisória, ordens judiciais que dispõem sobre o andamento do processo. Ainda, o Código traz também a conceituação de acórdão, que é o “julgamento colegiado proferido pelos tribunais”, independentemente de ser sentença ou decisão interlocutória. Tanto as sentenças, quanto os despachos, decisões e acórdãos, devem ser redigidos, datados e assinados pelos juízes. Quando tal pronunciamento for feito oralmente, será documentado pelo servidor e, posteriormente, revisado e assinado pelo juiz, sendo que a assinatura pode ser feita eletronicamente.Ainda, todos os pronunciamentos acima citados são publicados no Diário de Justiça Eletrônico. O CPC também prevê a decisão monocrática do relator, que é proferida por desembargador ou ministro, mas de forma individual, apenas pelo relator. Atos do escrivão ou chefe de secretaria Um escrivão ou chefe de secretaria, se encarrega especificamente dos atos de documentação, comunicação e movimentação do processo (art. 152, NCPC). Ainda, Humberto Theodoro Júnior comenta sobre outra função do escrivão: “Além dos atos de documentação, pratica o escrivão ou chefe de secretaria atos de comunicação ou de intercâmbio processual, os quais são indispensáveis para que os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos ocorridos no correr do procedimento e se habilitem a exercer os direitos que lhe cabem e a suportar os ônus que a lei lhes impõe”. O primeiro ato de documentação do processo é a autuação, que consiste no ato do chefe de secretaria de colocar uma capa sobre a petição, mencionando o juízo, a natureza do processo, o número de seu registro, os nomes das partes e a data de seu início, e procederá do mesmo modo em relação aos volumes em formação (art. 206, NCPC). Ele também numerará e rubricará todas as folhas dos autos (art. 207, NCPC). Outra função é relacionada ao fato de os atos e termos processuais precisarem ser devidamente assinados pelas partes que intervém no processo. Quando essas não puderem ou não quiserem firmá-los, o escrivão ou chefe de secretaria certificará a ocorrência. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895242/artigo-152-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174276278/lei-13105-15 http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Tempo e lugar dos atos processuais Do tempo O Código utiliza determinações de tempo para a prática dos atos processuais tanto para se referir ao momento adequado ou útil para a atividade processual, quanto para o de prazo fixado para a prática do ato. Aqui, iremos tratar do tempo no sentido de período hábil à prática dos atos processuais. A primeira regra que o Código impõe apresenta-se no artigo 212, que determina que os atos sejam realizados em dias úteis, das 6h às 20h. O conceito de dias úteis pode ser extraído a partir de interpretação do artigo 214 que dita que “durante as férias forenses e nos feriados, não se praticarão atos processuais”, ou seja, dias úteis são aqueles em que há expediente forense. O mesmo vale para sábados e domingos, que, conforme a maioria das Organizações Judiciárias, não são dias úteis, em conformidade também com o artigo 216: Art. 216, NCPC - Além dos declarados em lei, são feriados, para efeito forense, os sábados, os domingos e os dias em que não haja expediente forense. Ainda sobre o artigo 212, ele permite que os atos iniciados em momento adequado possam se prolongar para além do horário de 20h, “quando o adiamento prejudicar a diligência ou causar grave dano”. Enquanto isso, o CPC permite que independentemente de autorização judicial, as citações, intimações e penhoras possam ser realizadas em período de férias forenses e nos feriados ou dias úteis fora do horário, observando o disposto na CF sobre a inviolabilidade da residência (art. 212, §2º). Todavia, salvo essas exceções, de nenhum efeito são os atos praticados em dias não úteis ou fora do horário legal. E, sempre que o ato for daqueles que se praticam por meio de petição, em autos não eletrônicos, como os recursos, a manifestação da parte terá de ser protocolada, dentro do horário de funcionamento do fórum ou tribunal, conforme disposto na lei de organização judiciária local (art. 212, § 3º). Quanto à prática eletrônica, ela pode ocorrer em qualquer horário até meia noite (24 horas) do último dia do prazo (art. 213). O dispositivo considera também a diferença no fuso horário e, por isso, em seu parágrafo único, ressalva que o “o horário vigente no juízo perante o qual o ato deve ser praticado será considerado para fim de atendimento do prazo”. Todo dia em que não houver expediente forense deve ser qualificado como feriado, para efeito processual, sendo essa paralisação pontual, em determinado dia. Já nas férias forenses, ocorre a suspensão dos serviços forenses por um período prolongado. Apesar do Código determinar que não haverá prática de atos processuais nesses períodos, também traz duas exceções: As exceções já citadas pelo artigo 212, § 2º (citações, intimações e penhoras); A tutela de urgência. Nestes casos, há o risco concreto de perigo de dano presumido, não precisando as partes comprová-lo. Caso precisasse passar por esses obstáculos que prolongam o trâmite, poderiam ser gravemente prejudicadas. Vale ressaltar, que o art. 214 não autoriza o andamento dos processos nas férias, apenas permite a prática de determinados atos. Por exemplo, feita a citação durante às férias, no primeiro dia útil seguinte a elas é que começará o prazo para a resposta do réu. Já o artigo 215, elenca casos que podem ser processados durante as férias forenses, e não se suspendem pela superveniência delas: Procedimentos de jurisdição voluntária e os necessários à conservação de direitos, quando puderem ser prejudicados pelo adiamento; A ação de alimentos e os processos de nomeação ou remoção de tutor e curador; Os processos que a lei determinar. Todavia, a Emenda Constitucional 45, de 8 de dezembro de 2004, determinou que a atividade jurisdicional será ininterrupta, sendo assim, ficam vedadas as férias coletivas nos juízos e tribunais de segundo grau, e foram determinados plantões permanetes de juizos, nos dias em que não houver expediente forense normal. Porém, essa regra não abrangeu todos os órgãos do Poder Judiciário. Ficou restrita aos juízos (de primeiro grau) e aos tribunais de segundo grau. Do lugar Em regra, os atos processuais devem ser realizados ordinariamente na sede do juízo, ou seja, no edifício do fórum ou do tribunal competente para a causa. Todavia, permite que seja realizado, excepcionalmente em outro lugar pelos seguintes motivos: Deferência; Interesse da justiça; Da natureza do ato; De obstáculo arguido pelo interessado e acolhido pelo juiz. Nulidade Quanto à nulidade, o art. 277 também está de acordo com o princípio da instrumentalidade das formas. Art. 277 - Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br E o art. 276 do NCPC expressa que quando a lei prescrever determinada forma sob pena de nulidade, a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. Ainda, ela deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber, sob pena de preclusão, salvo casos em que juiz deva decretar a nulidade de ofício. O CPC de 2015 prevê que o processo seja nulo quando o Ministério Público não for intimado a acompanhar a lide que deveria intervir. Se o processo tiver tramitado sem conhecimento do MP, o juiz invalidará os atos praticados a partir do momento em que ele deveria ter sido intimado. Todavia, a nulidade só poderá ser decretada após a manifestação do MP sobre a existência ou inexistência de prejuízo. Anulado o ato, não são considerados os efeitos que dele dependem, mas a nulidade de parte do ato não prejudica outras que dela sejam independentes. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declara quais são os atos atingidos e as providências necessárias para que sejam repetidos ou retificados, conforme expresso no artigo 282 do NCPC. Ainda, neste mesmo artigo, encontra-se o princípio da primazia do mérito: a nulidade só será reconhecida em último caso, antes vem o mérito, “quando puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação da nulidade, o juiz não pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta” (art. 282, §2º, NCPC). Tal princípio é válido tanto em 1º grau quanto em fase recursal. Outros atos processuaisRegistro e distribuição Após a autuação, o registro é o primeiro ato do escrivão, pois é por meio dele que o cartório ou secretaria terá documentado determinado litígio, trazendo um meio de identificação da causa e controle estatístico. Sobre isso, o artigo 284, do NCPC, afirma: Art. 284 - Todos os processos estão sujeitos a registro, devendo ser distribuídos onde houver mais de um juiz. A distribuição, por sua vez, interfere em qual será a competência do juiz e de seus auxiliares, e que, também, apresentam outras consequências processuais, como a abertura da relação jurídico-processual. Ela ocorre sempre que houver mais de um órgão concorrente com competência para determinada matéria ou atribuição, ocorre a distribuição dos feitos entre esses juízes da mesma comarca com igual competência. Para a garantia da igualdade, imparcialidade e evitar má-fé, a distribuição é feita de maneira alternada e aleatória, obedecendo-se rigorosa igualdade, e deve ser publicada no Diário Oficial de Justiça. Todavia, há causas que são distribuídas por dependência de qualquer natureza e não por aleatoriedade, conforme dispõe o artigo 286: Art. 286 - Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza: I - quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br II - quando, tendo sido extinto o processo sem resolução de mérito, for reiterado o pedido, ainda que em litisconsórcio com outros autores ou que sejam parcialmente alterados os réus da demanda; III - quando houver ajuizamento de ações nos termos do art. 55, § 3o, ao juízo prevento. A petição inicial deve ser acompanhada de procuração que contenha os endereços do advogado, sem isso, não será feito a distribuição. Todavia, a procuração é dispensada em três casos (art. 287): Para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente; Se a parte estiver representada pela Defensoria Pública; Se a representação decorrer diretamente de norma prevista na Constituição Federal ou em Lei Por fim, a distribuição pode, ou não, ser eletrônica, e é permitido que a parte, seu procurador, Ministério Público e Defensoria Pública a fiscalizem. Ainda, ela será cancelada se não for realizado o pagamento das custas e despesas de ingresso em 15 dias. Valor da causa Em toda causa deverá ser atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediatamente aferível (art. 291, NCPC). É o valor que se pode atribuir à relação jurídica que se afirma existir sobre tal objeto, e não do objeto em si. Deve estar contido na petição inicial ou reconvenção, seguindo os seguintes critérios para cálculo: Na ação de cobrança de dívida, a soma monetariamente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras penalidades; Na ação que tiver por objeto a existência, a validade, o cumprimento, a modificação, a resolução, a resilição ou a rescisão de ato jurídico, o valor do ato ou o de sua parte controvertida; Na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações mensais pedidas pelo autor; Na ação de divisão, de demarcação e de reivindicação, o valor de avaliação da área ou do bem objeto do pedido; Na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido; Na ação em que há cumulação de pedidos, a quantia correspondente à soma dos valores de todos eles; Na ação em que os pedidos são alternativos, o de maior valor; Na ação em que houver pedido subsidiário, o valor do pedido principal. Quando o juiz verificar que o valor da causa não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou proveito econômico perseguido pelo autor, ele deverá corrigi-lo de ofício e por arbitramento. Quanto à impugnação, poderá ser feita pelo réu, na preliminar da contestação, sob pena de preclusão. Será decidida pelo juiz, que poderá impor a complementação das custas. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art55§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art55§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art55§3 http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Classificação Os prazos podem ser classificados em: Legais: prazos previstos em lei. Judiciais: prazos fixados pelo juiz. Convencionais: prazos estabelecidos pelas partes de comum acordo. É importante ressaltar que caso haja silêncio da lei e do juiz a regra geral é o prazo de 5 dias, vide artigos 190, 191, 218 do CPC. Natureza dos prazos Os prazos podem ser de natureza: peremptória ou dilatória, comum ou particular, própria ou imprópria. Peremptórios: prazo fatal e irrevogável, não podendo ser alterado pelas partes. Exemplo: prazo para apresentar contestação. Dilatórios: prazos que podem ser alterados pelas partes desde que antes do vencimento e com alegação de motivo legítimo. Exemplo: prazo para produção de laudo pericial. Comuns: corre ao mesmo tempo para as 2 partes. OBS.: Os prazos comuns se diferem dos prazos sucessivos, estes correm para uma das partes e posteriormente para a outra. Particulares: corre para uma das partes apenas. Próprios: são os prazos que as partes estão submetidas, pois sofrem preclusão. Impróprios: são os prazos que o juiz e os auxiliares da justiça estão submetidos, e não sofrem preclusão. Preclusão A preclusão é perda da faculdade de praticar o ato processual, e ocorre quando o prazo próprio não é cumprido, podendo ser: Temporal: perda do tempo no processo para praticar o ato processual. Art. 223 - Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1º Considera-se justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2º Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Lógica: incompatibilidade de atos processuais. Exemplo: a parte paga uma dívida, mas também recorre desse pagamento. Consumativa: ato já praticado no processo. Perda do prazo por justa causa Em caráter excepcional, a preclusão pode ser justificada, caso a parte possa provar que o ato não foi praticado em tempo útil em razão de justa causa. Nessa situação, o juiz, verifica a procedência da alegação da parte, podendo permitir a prática do ato num novo prazo por ele estipulado, que não será obrigatoriamente, igual ao anterior, mas que não deverá ser maior. Reputa-se justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Preclusão pro-judicato Trata-se da preclusão de determinados atos processuais para o juiz. Há uma discussão a respeito de o juiz poder modificar uma decisão interlocutória sem a provocação da parte, sendo a questão majoritariamente entendida como possível. Contagem do prazo Os atos processuais podem ser realizados em dias úteis, no período das 6h as 20h, e podem ser prolongados caso haja necessidade. Além disso, os feriados interrompem a contagem do prazos. Entretanto, alguns atos são exceções a essa regra, podendo ser realizados em períodos de férias forenses, feriados ou dias utéis fora do horário estabelecido. É o caso das citações, intimações, penhora e tutela de urgência. Conforme previso pelo art. 212 do NCPC: Art. 212 - Os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas. §1º Serão concluídos após as 20 (vinte) horas os atos iniciados antes, quando o adiamento prejudicar a diligência ou causar grave dano. §2º Independentemente de autorização judicial, as citações, intimações e penhoras poderão realizar-se no período de férias forenses, onde as houver, e nos feriados ou www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br dias úteis fora do horário estabelecido neste artigo, observado o disposto no art. 5º, incisoXI, da Constituição Federal. §3º Quando o ato tiver de ser praticado por meio de petição em autos não eletrônicos, essa deverá ser protocolada no horário de funcionamento do fórum ou tribunal, conforme o disposto na lei de organização judiciária local. Os prazos podem ser contados em: minutos, horas, dias, meses e anos. Fixados majoritariamente em dias, possuem termo inicial e final. O termo inicial da contagem do prazo se dá a partir: Da ciência do ato a ser praticado, quando prazo correr para as partes. Do momento em que o processo for à conclusão, quando o prazo correr para o juiz. Já o termo final da contagem do prazo se dá da seguinte forma: Para o processo físico o ato processual podera ser praticado até o horário de funcionamento do fórum ou tribunal. Para o processo eletrônico o ato processual pode ocorrer em qualquer horário até as 24 horas do último dia do prazo. A contagem dos prazos exclui o dia do começo e inclui o dia do final, sendo o seu início e fim necessariamente em dia útil, como previsto no art. 224 do CPC: Art. 224 - Salvo disposição em contrário, os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento. §1º Os dias do começo e do vencimento do prazo serão protraídos para o primeiro dia útil seguinte, se coincidirem com dia em que o expediente forense for encerrado antes ou iniciado depois da hora normal ou houver indisponibilidade da comunicação eletrônica. §2º Considera-se como data de publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. §3º A contagem do prazo terá início no primeiro dia útil que seguir ao da publicação. A comunicação do ato a ser praticado pode ocorrer através de: citação, intimação ou notificação, conforme art. 230 do CPC: Art. 230 - O prazo para a parte, o procurador, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública e o Ministério Público será contado da citação, da intimação ou da notificação. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O início do prazo varia conforme o modo com que a parte toma ciência do ato a ser praticado, seguindo o previsto no art. 231 do CPC. Citação/Intimação Início do prazo Pessoal Por correio: data da juntada aos autos do aviso de recebimento. Por oficial de justiça: data da juntada aos autos do mandado cumprido. Por escrivão ou chefe de secretaria: data de ocorrência da citação ou intimação. Por edital Dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz. Eletrônica Dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para que a consulta se dê. Por carta Data de juntada a data da juntada da comunicação de seu cumprimento pelo juiz deprecado ao juiz deprecante, ou, não havendo essa comunicação, a data de juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida. Intimação Início do prazo Pelo diário oficial Data da publicação (considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico). Em razão de carga do processo Data da ciência da intimação. Vale pontuar que ao se tratar de litisconsórcio passivo, o prazo de defesa o prazo se inicia a partir da citação de todos os litisconsortes, se for citação, ou a partir a intimação de pelo menos um, se for intimação. Lembrando que o prazo corre em dobro para litisconsórcio passivo de processos físicos em que os litisconsortes tenham advogados de escritórios distintos. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Vide artigos 212, 213, 214, 216, 229 do CPC. Prazo em dobro Terão prazo em dobro: Ministério Público; Pessoas Jurídicas de Direito Público; Defensoria Pública; Litisconsortes com diferentes procuradores, de escritórios distintos. Suspensão do prazo Ocorrem algumas causas suspensivas que ocasionam que os prazos processuais parem de ser contados até que se cessem as ditas causas, sendo aqueles contados novamente a partir de onde haviam parado, e não do começo. Essas causas são: Férias forenses; Obstáculo, geralmente criado pela parte; Suspensão processual, na hipótese do artigo 313, quando há uma questão prejudicial externa, ou seja, quando há outro processo que deve ser decidido antes desse, pois pode influenciá-lo de maneira expressiva; Autocomposição: quando irá ocorrer um mutirão de conciliação em que o processo irá fazer parte. Interrupção do prazo Em caso de interrupção, o prazo processual deixa de fluir quando do advento da causa que demandou a interrupção, e retorna desde o início quando cessada a causa que lhe deu origem. São causas com previsão legal esparsa ou de decisão do juiz. Renúncia ao prazo Os prazos podem ser renunciados de forma expressa pela parte ou pelo potencial beneficiário do ato processual a que se refere, ou seja, a parte só poderá renunciar ao prazo se este existe para beneficiá-la. Art. 225. A parte poderá renunciar ao prazo estabelecido exclusivamente em seu favor, desde que o faça de maneira expressa. Verificação dos Prazos e Penalidades Exceder o prazo para as partes, para o juiz e para os serventuários tem consequências diferentes. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Consequências quanto aos serventuários: o juiz é responsável por controlar e verificar se o serventuário excedeu os prazos estabelecidos e, sendo constatado o excesso de prazo, o juiz deverá ordenar a instauração de processo administrativo. Essa regra estabelece a fiscalização dos atos de incumbência dos serventuários a fim de que o interesse das partes fique resguardado e elas não sejam prejudicadas. Consequências quanto aos juízes: se o juiz exceder o prazo, as partes poderão representar contra ele no CNJ ou para o juiz corregedor. O órgão competente irá avaliar se houve excesso de prazo e caso perceba que o processo é pertinente, determinará que o juiz se manifeste apresentando, ou não, justa causa. Caso não haja justa causa, será determinado que o juiz pratique o ato no prazo de 10 dias. Se o juiz mostrar-se inerte diante desse novo prazo, o processo poderá ser redistribuído para um juiz substituto para que o ato seja praticado. Consequências quanto aos advogados, defensores e promotores: aos advogados, é permitido ter vista aos autos do processo fora do cartório pelo prazo legal, tendo o dever de devolvê-los dentro do prazo consignado. Caso não devolvam, haverá a comunicação ao órgão competente (OAB) para que se instaure um processo disciplinar, podendo ser aplicadas multas e perda do direito de vista aos autos. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Noções Gerais Para o desenvolvimento da relação processual e a efetivação do acesso à justiça, é necessária a prática de determinados atos. A comunicação dos atos processuais pode ser dividida entre aquela que se estabelece entre juízos e aquela que se estabelece entre juízos e partes, essa última separada em duas espécies: a citação e a intimação. É importante que nós saibamos que, qualquer que seja a natureza da notificação, ela deverá ser feita por correio ou pelo oficial de justiça, nos termos da lei processual. O Código de Processo Civil de 2015 deu grande importância aos meios tecnológicos. Como exemplos, podemos citar o estímulo à prática de atos por meio de videoconferência ou demais recursos tecnológicos de transmissão de sons e imagens em tempo real ou, ainda, a permissão dada ao juiz para que pratique atos por meio desses mecanismos, ainda que em outro foro, observada a expedição de carta precatória. Citação O Código traz a definição da citação em seu artigo 238: Art. 238 - Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual. O artigo 238 do Código de Processo Civil estabelece que citação é o ato pelo qual se convoca o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação jurídica processual. Logo, após o juiz ter verificado se a petição inicial encontra-se adequada(não sendo caso de indeferimento da inicial), determinará a citação. Nada mais é do que ato fundamental que possibilita à parte o conhecimento da existência do processo, e então, caso queira, poderá apresentar manifestação ou defesa. Note que será por meio da citação que se formará a relação processual completa, ou seja, por meio dessa convocação é que teremos o triângulo da ligação entre autor, juiz e réu. A norma, ao dispor os termos réu, executado ou interessado, tem como objetivo englobar os procedimentos de jurisdição contenciosa e voluntária, vez que, nos dois casos, a citação é indispensável. Uma observação a ser feita diz respeito à formalidade e instrumentalidade da citação que devem ser cumpridas na forma da lei. A falta de qualquer dos requisitos será capaz de invalidar o ato e levar à sua repetição. No entanto, se, apesar da falha no cumprimento do requisito, o réu comparecer, o ato será dado como finalizado, não se fazendo necessária sua repetição. Tal garantia pode ser encontrada no parágrafo 1º do artigo 239 do Código de Processo Civil, que dispõe que: “O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução”. Esse artigo condiz com o princípio da instrumentalidade das formas. Devemos entender que o que importa é que se alcance o efeito desejado com o ato processual, não que ele apresente formalidades cumpridas perfeitamente. Em se conseguindo o efeito desejado com a citação, haverá o suprimento de certos erros desta. Assim, no caso de comparecimento espontâneo, o prazo para apresentar contestação ou embargos à execução terá início na data do comparecimento, isto é, do ato que demonstre o recebimento da informação pretendida ao se citar. Importante destacar, por fim, que, se a parte alegar nulidade da citação e o juiz não acolher a alegação, o réu passará a ser considerado revel ou o feito simplesmente terá continuidade. O ato de citação é imprescindível para a validade do processo, sem ela deixaremos de observar os princípios do devido processo legal, ampla defesa e até mesmo do contraditório. Logo, como matéria de defesa, inclusive, o réu poderá alegar a nulidade da citação (o que levaria a invalidade do processo). Porém, caso o juiz rejeite essa alegação feita pelo réu teremos duas consequências: sendo processo de conhecimento, o réu será considerado como revel, presumindo-se verdadeiras as alegações do autor; ou, o magistrado determinará o regular prosseguimento do feito, com continuidade ao curso do processo, se se tratar de processo de execução, conforme nos mostra o § 2º do artigo 239 do Código de Processo Civil. Efeitos da Citação A citação válida produz alguns efeitos, segundo o art. 240, do CPC, mesmo quando ordenada por juízo incompetente: Induz litispendência; Torna litigiosa a coisa (a coisa litigiosa passa a ser vinculada ao processo e ter várias limitações após a citação); Constitui em mora o devedor. Interrompre a prescrição Antes, é importante lembrar que, para que esses efeitos sejam observados, é indispensável que a citação seja válida (o que independe de ter vindo por juízo incompetente). Se a citação for inválida, ela não produzirá os efeitos a seguir! a) Litispendência www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que é efeito advindo da citação a determinação de litispendência no que diz respeito a processos idênticos, ou seja, de mesma ação. A primeira citação é a referência para se identificar qual das ações identificas deve ser extinta. Trata-se de um efeito considerado processual. O que nós devemos saber é que a indução da litispendência ocorrerá com a primeira CITAÇÃO VÁLIDA, totalmente relevante quando nos deparamos com a propositura de ações idênticas em juízos diferentes. Ocorrendo essa hipótese, vem o inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil dizer-nos que uma delas será extinta sem resolução de mérito e, para que nós saibamos qual prevalecerá e qual será extinta, devemos identificar qual foi a citação válida que primeiro foi feita. Ainda no campo dos efeitos processuais, nós podemos citar a estabilização da demanda que, embora não conste do artigo 240 do Código de Processo Civil, é considerada pela doutrina como um dos efeitos da citação. Mas o que seria essa estabilização da demanda? Sabemos que, em um processo, nós temos a possibilidade de fazer a alteração das partes e/ou até mesmo do pedido. De forma pacifica, a doutrina entende que antes da formação do triângulo processual, da ligação entre autor, juiz e réu, o polo ativo tem total liberdade para alterar os elementos subjetivos ou objetivos. No entanto, as referidas modificações apenas seriam possíveis ANTES da citação do réu. Mas atenção quanto a essa estabilização! Com relação aos elementos objetivos da demanda, que são o pedido e a causa de pedir, o inciso II do artigo 329 do Código de Processo Civil estabelece que esses, até o saneamento do processo, poderão ser alterados pelo autor, contando, entretanto, com o consentimento do réu que, para parte da doutrina, pode, inclusive, acontecer de maneira tácita. b) Tornar litigiosa a coisa A citação válida fará que o direito ou bem que deu origem ao impasse torne-se litigioso. Mas o que significa isto? A citação vincula o objeto discutido no processo ao seu resultado, ou seja, as partes ficam presas ao que for decidido em juízo quanto a seu litígio, aquele direito ou bem buscado ficará vinculado ao resultado do processo. A citação, uma vez tornado o bem litigioso, obriga as partes às restrições impostas pelo juiz. Isso de tornar litigiosa a coisa é um dos efeitos materiais da citação. c) A constituição do devedor em mora O artigo 240 do Código de Processo Civil estabelece que a citação constitui o devedor em mora, ressalvado o disposto nos artigos 397 e 398 do Código Civil. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br A constituição do devedor em mora é efeito material da citação válida. Suas consequências encontram-se elencadas no Código. De acordo com o artigo 397, o devedor será constituído em mora na data do vencimento da obrigação positiva e líquida. Tratando-se de obrigação sem termo certo, não só a citação mas também a interpelação judicial ou extrajudicial serão aptas a constituir o devedor em mora. Já o artigo 398, ainda do Código Civil, deixa claro que, nas obrigações originadas de ato ilícito, o devedor será constituído em mora no momento em que praticou o ato. Atenção apenas ao posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, que se dá no sentido de que, advindo o ato ilícito de contrato, apenas com a citação é que o devedor será constituído em mora. Senão vejamos: Súmula 54 do STJ: “Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual”. O momento da ocorrência da mora nos ajudará a fixar os juros de mora e, caso essa não tenha sido constituída anteriormente, os juros moratórios apenas passarão a correr a partir da citação. Repisa-se que a citação apenas constituirá em mora o devedor se ele ainda não o estiver. d) Interrupção da prescrição Nós podemos entender a prescrição como a perda de alguma pretensão que não tenha sido exercida dentro do prazo que lhe foi legalmente conferido. Uma importante observação a ser feita é que o Novo Código de Processo Civil não mais traz a prescrição como efeito da citação, já que passou a prever, no parágrafo 1º do seu artigo 240, que a interrupção da prescrição retroagirá à data de propositura da ação, mesmo que o despacho da citação tenha sido proferido por juiz incompetente. É efeito material que se justifica pelo fato de a prescrição pressupor a inércia do titular da pretensão. O artigo 202 do Código Civil, além de estabelecer sobre os prazos prescricionais, encontra-se inteiramente ligado ao Código de Processo Civil em seu inciso I, noqual também estabelece a eficácia interruptiva ao despacho que ordena a citação. Devemos observar, porém, que, para que esse efeito ocorra, é necessário que o autor tome as providências indispensáveis no prazo de 10 dias, para viabilizar a citação. A contagem do prazo terá início com o despacho que ordenar a citação do réu. Mas e, se depois do despacho, o autor deixar de viabilizar a citação? Caso o autor, por negligência, não tome as providências necessárias dentro do prazo, o despacho que ordenou a citação ainda interromperá a prescrição. Apenas não retroagirá à data da propositura da demanda. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Agora, diferente será se ele não puder cumprir com tais providências por fatos alheios à sua vontade: ele não poderá ser prejudicado e a interrupção retroagirá. Nesse sentido, nós teremos o parágrafo 3º do artigo 240 do Código de Processo Civil e a Súmula 106 do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos: Súmula 106: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos inerentes ao mecanismo da justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência”. É importante que nós saibamos, também, que a citação interromperá a prescrição mesmo que o processo, posteriormente, seja julgado extinto sem resolução de mérito, com exceção das hipóteses previstas nos incisos II e III do artigo 485 do Código de Processo Civil. Por fim, destacamos que o despacho que ordena a citação também impede que se verifique o prazo decadencial, com eficácia retroativa à data da propositura da demanda. É sabido que a verificação da decadência se dá quando o direito potestativo não é exercido dentro do prazo legal, logo, se o direito for exercido dentro do prazo, a propositura da demanda afastará a decadência. Regra Geral e Exceções Formas pelas quais a citação pode se dar: pessoal ou real: é aquela que é feita na própria pessoa do réu ou de seu representante; ficta ou presumida: que se efetiva por meio de edital ou por hora certa. As citações podem ser pessoais, ou fictas, que é quando se cria uma ficção jurídica de que réu foi citado, para dar prosseguimento a ação. Mas, conforme o caput do art. 242, do CPC, a regra geral é que a citação seja pessoal. Houve ainda acréscimo ao parágrafo 2º do artigo 242 para que fosse considerado ainda o administrador do imóvel encarregado de receber os aluguéis para “representar o locador em juízo”, tratando, pois, de nova (e extremamente interessante) hipótese de substituição processual. Se a citação a ser cumprida for de incapaz, ela deverá ocorrer na pessoa do representante legal (para absolutamente incapaz), ou de quem o assiste (nos casos de relativamente incapaz). No entanto, se se tratar de pessoa jurídica, a lei ou os atos constitutivos dirão quem tem poder para representá-la. Importante observamos que o Código de Processo Civil compartilha do entendimento jurisprudencial quanto à adoção da teoria da aparência para a citação de pessoa jurídica que poderá ser realizada na pessoa de quem se apresente como seu representante, ainda que de fato não o seja. Já com relação à citação da Fazenda Pública, temos que a regra constante no parágrafo 3º visa a impedir que continuem acontecendo a citação da União e suas respectivas autarquias e fundações no local de suas sedes apesar da existência do órgão da Advocacia Pública. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Assim, para as pessoas políticas e de direito público, a citação deverá ser realizada perante o respectivo órgão de representação judicial. Não havendo o dito órgão, a citação deverá ser feita na pessoa de quem represente o réu. Importante destacar também que, no tocante ao local da citação, o artigo 243 do Código de Processo Civil se ocupa em nos dizer que a citação deverá ser feita em qualquer lugar em que se encontre o réu, o executado ou o interessado. Significa dizer que a parte ré não precisa ser necessariamente citada no endereço que foi anteriormente indicado na petição inicial. O que devemos ter em mente é que o mais importante é que ela tome conhecimento do ato, não importando o local em que será citada. MAS, EXISTEM CASOS EM QUE A CITAÇÃO NÃO OCORRERÁ? O artigo 244 do Código de Processo Civil estabelece hipóteses em que não se fará a citação, ressalvando, claro, os casos de perecimento do direito. Vamos ver quais são: 1. de quem estiver participando de ato de culto religioso; 2. de cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, em linha reta ou na linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes; 3. de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento; e 4. de doente, enquanto grave o seu estado. Tratam de hipótese de ineficácia da citação. O artigo traz situações nas quais a citação é vedada em razão da proteção de valores constitucionais, como a liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana. Houve, no entanto, uma novidade trazida pelo Código de Processo Civil de 2015: a inclusão da figura do companheiro no inciso II. A referida inserção acompanha os recentes e naturais avanços ocorridos no direito de família, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento da união estável como entidade familiar (§ 3º, do artigo 226, da CF). Agora, com relação à doença grave e estado grave de doença, temos que ter atenção à diferença existente entre essas condições. Com relação ao inciso IV, a jurisprudência tem entendimento no sentido de que a doença grave não impede, por si só, o ato citatório. Por exemplo: uma pessoa com câncer em fase terminal. Além de ser uma doença grave, o estado de saúde também é grave. Se, no entanto, o portador não demonstra estado que gravemente impossibilite o ato citatório, ele será citado. Contudo, devemos nos lembrar da exceção ao artigo 244 do CPC. A citação para que não ocorra o perecimento do direito pode acontecer, por exemplo, para evitar a prescrição ou a decadência. Nestes casos, ainda que se verifique alguma das situações previstas em lei, é possível a realização do ato citatório. Existe ainda a impossibilidade da citação nos casos em que o citado é mentalmente incapaz www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br ou está impossibilitado de recebê-la, essa é a regra contida no artigo 245 do Código de Processo Civil. Mas calma! Temos que ter cuidado com a interpretação desse artigo, pois ela deve ser feita acompanhada do § 1º do artigo 79 da Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) no sentido de “a fim de garantir a atuação da pessoa com deficiência em todo o processo judicial, o poder público deve capacitar os membros e os servidores que atuam no Poder Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria Pública, nos órgãos de segurança pública e no sistema penitenciário quanto aos direitos da pessoa com deficiência”. Quanto à citação de pessoa mentalmente incapaz ou que esteja impossibilitada de recebê-la, o Código de Processo Civil inova ao dispensar que o juiz nomeie médico para atestar a referida incapacidade quando pessoa da família apresentar declaração médica que a ateste. Importante ressaltar, também, que não se trata de hipótese de pessoa submetida à interdição, já que, se o fosse, teríamos a hipótese de citação por meio de seu curador. Formas de Citação O artigo 246 do NCPC lista as cinco formas de citação: 1. Citação por correio 2. Por oficial de justiça 3. Pelo escrivão ou chefe de secretaria 4. Por edital 5. Por meio eletrônico E aqui, conforme vimos, podemos ainda dividir a citação em real e ficta. As citações realizadas por meio de edital ou mandado com hora certa, serão conhecidas como citações fictas. Já as outras citações serão denominadas citações reais. A distinção feita acima é muito importante pois, em se tratando de citação ficta e se o réu for revel, é extremamente necessária a nomeação de curador especial para defendê-lo, o que não se observa na citação real.A) CITAÇÃO PELO CORREIO Apesar da facilidade da citação por meio eletrônico, a citação por correio constitui regra em nosso ordenamento jurídico para casos em que não seja possível realiza-la de modo eletrônico, sendo de incumbência do autor justificar sua preferência por outra modalidade de citação, conforme disposto no inciso V do artigo 247 do Código de Processo Civil. Em razão de ser uma forma mais rápida, fácil e econômica, acaba por ter preferência diante das demais espécies de citação, com exceção, é claro, das hipóteses previstas nos incisos do artigo 247, do CPC, nas quais a citação deverá ser feita por meio de oficial de justiça, das hipóteses do artigo 256 do CPC, nas quais a citação se dará por meio de edital, e da citação por meio eletrônico, conforme o § 1º do artigo 246 do CPC. Assim, com exceção dessas opções, a citação será feita por carta, que deverá contar com aviso de recebimento (súmula 429 do STJ). www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br A citação por correio é a regra geral, salvo em cinco ocasiões: (i) nas ações de estado; (ii) quando citando for incapaz; (iii) quando citando for pessoa de direito público; (iv) quando citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência; (v) quando autor, justificadamente, a requerer de outra forma. Obs.: O novo código superou a jurisprudência do anterior ao inovar permitindo que a citação da pessoa física que more em condomínio seja feita pelo carteiro (art. 248, IV), que colherá a assinatura do porteiro no aviso de recebimento, o que constará nos autos e validará a citação. Todavia, o porteiro também poderá negar-se a recebe-las se declarar, por escrito e sob as penas da lei, que o destinatário está ausente. O artigo 247 do Código de Processo Civil vem nos dizer que a citação por correio pode ser realizada em qualquer comarca do território nacional, aliás, pode ser feita em qualquer foro, vez que a regra vale também para a Justiça Federal. Podemos dizer, na verdade, que se trata de exceção ao princípio da aderência ao território, porque valida ato praticado por juízo além do território de sua competência. Aliás, a grandeza da citação pelo correio é tamanha que, por vezes, com atenção à celeridade e economia processual, tem-se dispensado expedição de carta precatória. O procedimento da citação não é nada complexo e seu procedimento encontra-se o artigo 248 do Código de Processo Civil. O réu, quando da citação, receberá cópia da inicial, também conhecida como contrafé e do despacho inicial do juiz, bem como será cientificado do prazo de resposta, do endereço do juízo e do respectivo cartório. Apesar da simplicidade desta modalidade, temos de apontar um problema relacionado à efetivação da citação. Sabemos que, para a efetivação da citação, o aviso de recebimento deverá ser assinado pelo réu, no entanto, tal ato deverá contar com a concordância, ou melhor, com a boa vontade do citando que poderá negar-se a dar seu “recebido”. Como vimos acima, apenas existe a citação pelo correio na forma de citação real, de modo que, com a recusa do réu, a citação pelo correio pode acabar sendo frustrada. Para finalizarmos essa parte da citação por correio, é importante ressaltar que o prazo de resposta fluirá da data da juntada aos autos do aviso de recebimento devidamente assinado pelo destinatário da citação, salvo disposição em contrário. O prazo de contestação, no procedimento comum, corre, entretanto, a partir das datas estabelecidas nos incisos do artigo 335, ou seja, da data da audiência de tentativa de conciliação ou da data em que o réu protocolar o pedido de cancelamento da audiência e já tendo o autor manifestado desinteresse na petição inicial. B) CITAÇÃO POR OFICIAL DE JUSTIÇA O artigo 247 do Código de Processo Civil traz hipóteses em que a citação se dará por meio de oficial de justiça. São elas: ações de estado, ser o citando incapaz, ser o réu uma pessoa jurídica de direito público, o citando residir em local não servido pelo correio, ou requerendo o autor justificadamente. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Nessa modalidade, o cartório expedirá um mandado de citação que preencherá os requisitos formais do artigo 250 do Código de Processo Civil, sendo esse mandado entregue ao oficial de justiça para seu devido cumprimento, devendo ele localizar o réu e, encontrando-o, proceder com a citação. Atenção! Segundo posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, a ausência do prazo de resposta no mandado gera a nulidade da citação. Localizado o réu, o oficial de justiça deverá ler o inteiro teor do mandado a ele, bem como entregar a contrafé, que nada mais é do que a cópia da inicial. Feito isso, passar-se-á a ser considerada realizada a citação. Ato contínuo, o réu dará ciência da citação, quando receberá a contrafé. Uma observação importante é o fato de que, diferentemente da citação por correio, caso o réu se negue a receber a contrafé ou dar seu “recebido” ao oficial, não haverá prejuízo da concreta realização do ato citatório, já que este é detentor de fé pública. O oficial de justiça certificará a conduta do réu, descrevendo-a, e o juiz poderá dar como realizada a diligência. Mas, ocorre que nem sempre o réu poderá ser localizado, e, assim, sua citação se dará na forma ficta pelo oficial de justiça, sendo essa modalidade conhecida como citação por hora certa. Vamos ver melhor o que é? B.1) CITAÇÃO POR HORA CERTA A citação por hora certa nada mais é do que uma modalidade de citação por mandado, que deve ser utilizada quando o citado, tendo sido procurado duas vezes pelo oficial de justiça em seu domicílio ou residência, não for encontrado, havendo suspeita de ocultação. Muita atenção aqui! Não é só porque não encontramos o réu nas duas vezes que já poderemos realizar a citação por hora certa, pois vários podem ser os motivos pelos quais o indivíduo não foi encontrado. Por exemplo, trabalhar nos horários em que foi procurado é um motivo justíssimo de ter sido ausente. Para a realização da citação com hora certa é necessário que o oficial de justiça fundadamente SUSPEITE DE OCULTAÇÃO e, com isso, deverá consignar, na certidão, os dias e horários em que realizou as tentativas, bem como as razões de sua suspeita. Repisa-se que essa suspeita partirá do oficial de justiça, não cabendo ao juiz determinar, achando conveniente, a citação por hora certa. Assim, cumpridos os requisitos (duas tentativas e suspeita de ocultação), o oficial de justiça avisará qualquer pessoa da família ou vizinho que alí se encontrar de que, no dia útil imediato, retornará a fim de efetuar a citação na hora que designar. Já no dia e hora marcados, comparecerá ao domicílio do citando e, se ele não estiver presente, informar-se-á dos motivos dados para a ausência, considerando-se feita a citação. Deixa-se a contrafé, então, com a pessoa da família ou vizinho, explicando-lhe a situação. Salvo disposição em contrário, o prazo inicial da contestação passará a fluir apenas quando da juntada aos autos do mandado de citação com hora certa, e não da juntada do aviso de recebimento da carta de cientificação, destacando-se ainda que, por se tratar de citação ficta, em caso de réu revel, será nomeado curador especial. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br C) CITAÇÃO POR EDITAL Essa modalidade ficta de citação encontra seu cabimento no artigo 256 do Código de Processo Civil. Aperfeiçoa-se com a publicação de editais. Como eles são públicos e devem receber ampla divulgação, presume-se que o réu tenha tomado conhecimento deles. É uma modalidade de citação cabível em todos os tipos de processo, desde que preenchidos determinados requisitos encontrados no citado artigo. Vamos ver essas hipóteses de citação por edital? 1. Quando desconhecido ou incerto o citando: aqui, nós teremos a possibilidade do desconhecimento do réu ou de seu paradeiro, como, por exemplo, uma pessoa que tenta pagar um cheque do qual é devedor, noentanto, desconhece seu atual portador. É importante lembrar que há casos em que a citação será pessoal e possível mesmo quando não identificado o réu como, por exemplo, quando alguém que tenha um imóvel invadido por terceiro com animus de alí permanecer e cuja identidade é desconhecida. Aqui, mesmo sem a qualificação do réu, a citação será pessoal, vez que o oficial de justiça poderá ir ao imóvel e cumprir o mandado. 2. Quando ignorado, incerto ou inacessível o lugar em que se encontrar o citando: aqui, temos uma das causas mais comuns da citação por edital: a localização isabida do réu. O § 1º do artigo 256 equipara a local inacessível o país que recusar o cumprimento de carta rogatória. A citação por edital tem caráter excepcional, e somente deverá ser deferida pelo juiz caso seja avaliado que não há alguma outra maneira de conseguir que a citação seja feita por carta ou por oficial de justiça. Há, ainda, casos em que a lei determinará a citação por edital, como nas ações de usucapião, aos terceiros interessados e nas demais hipóteses previstas no artigo 259 do CPC. O edital, que poderá ter prazo variável entre 20 e 60 dias, será publicado na rede mundial de computadores, no sítio do respectivo tribunal e na plataforma de editais do Conselho Nacional de Justiça, o que deverá ser certificado nos autos. Além dessas formas, poderá ainda, uma vez determinado pelo juiz, haver a publicação em jornal local de ampla circulação. D) CITAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO Com o advento da Lei nº 11.419/2006, houve a introdução, em nosso ordenamento jurídico, do processo eletrônico e, de acordo com o artigo 9º da referida lei, nessa modalidade de processo, todas as citações serão feitas por meio eletrônico, exceto quando, por motivo técnico, for inviável, oportunidade em que será feita pelos meios convencionais. A citação por meio eletrônico pressupõe que o réu seja credenciado pelo Poder Judiciário na forma do artigo 2º e seus parágrafos da Lei nº 11.419/2006, caso em que será enviado ao seu endereço eletrônico. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Observa-se, entretanto, que, para as pessoas jurídicas, com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, a citação deverá ser feita preferencialmente pela via eletrônica, e as empresas públicas e privadas devem manter cadastro junto aos sistemas de processo eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e intimações. Para tanto, foi dado prazo de 30 dias, a contar da entrada em vigor do CPC, às pessoas jurídicas públicas e às pessoas jurídicas privadas, para inscrição do seu ato constitutivo. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Cartas A cooperação entre os juízes dentro do processo se dá por meio das comunicações por cartas, que incluem toda a comunicação necessária para o andamento do processo e resolução do mérito, seja simplesmente a comunicação de atos processuais ou a coleta de informação. O Código fala de quatro cartas: De ordem: quando destinadas pelo Tribunal Superior a juiz vinculado a ele (hipótese do art. 236, § 2º); Rogatória: quando é dirigida à autoridade judiciária do exterior; Precatória: quando dirigida a juiz nacional de igual categoria jurisdicional; Arbitral: quando dirigida a órgão do Poder Judiciário, para cooperação requerida por juízo arbitral. Ainda, se o ato em curso na justiça federal ou tribunal superior tiver que ser realizado em lugar que não haja vara federal, poderá o juiz dirigir carta ao juízo estadual. As cartas de ordem, precatória e rogatória possuem quatro requisitos, que estão elencados no artigo 260, do NCPC: A indicação dos juízes de origem e de cumprimento do ato; O inteiro teor da petição, do despacho judicial e do instrumento do mandato conferido ao advogado; A menção do ato processual que lhe constitui o objeto; O encerramento com a assinatura do juiz. A carta arbitral atenderá a todos esses requisitos, no que couber, e será instruída com a convenção de arbitragem e provas da nomeação e aceitação do arbítro. Como regra geral, tem-se que toda carta tem caráter itinerante, podendo antes ou depois de lhe ser ordenado o cumprimento, ser encaminhada a juízo diverso do que dela consta, a fim de se praticar o ato, mas assim que for encaminhada a outro juízo, o órgao expedidor deverá ser comunicado, e intimar as partes. Outra regra é que as partes devem ser intimadas pelo juiz no ato da expedição da carta. Quem expede o mandado para que o ato seja realizado é o juízo destinatário da carta, chamado de deprecado, rogado ou ordenado, enquanto o juiz que expede a carta é deprecante, rogante ou ordenante. Em razão da importância da matéria, veremos cada uma delas separadamente. 1) Carta Rogatória: nada mais é do que o pedido de cooperação entre órgão jurisdicional brasileiro e órgão jurisdicional estrangeiro, seja para comunicação processual, seja para prática de atos relacionados à instrução processual ou cumprimento de sentença, para o que é necessário requerer a homologação da sentença brasileira condenatória no país estrangeiro onde estão os bens. As rogatórias vindas do exterior devem processar-se na forma do artigo 36 do CPC e receber a execução do STJ, na forma do artigo 961 do CPC. 2) Carta de ordem: nos termos do parágrafo 2º do artigo 236 do CPC, o tribunal pode expedir carta de ordem a juízo a ele vinculado. Repisa-se, a expedição da carta de ordem pelo tribunal aos juízos apenas se dará para aqueles vinculados, ou seja, que estejam dentro de seus limites de competência. Desse modo, um Tribunal de Justiça não expede carta de ordem para Juízo Federal de primeiro grau, e um Tribunal Regional Federal não expede carta de ordem para Juízo Estadual de primeiro grau. O parágrafo único do artigo 237 do Código de Processo Civil vai ainda mais longe ao prever que, em qualquer hipótese, ou seja, mesmo em processos em que não há a competência por delegação prevista no art. 109, parágrafos 3º e 4º da CF, o Tribunal Regional Federal e também os tribunais superiores, poderão expedir carta de ordem a ser cumprida por juízo estadual de primeiro grau se, no local onde tiver que ser praticado o ato, não houver vara federal. Importante frisar que a carta de ordem emitida pode servir para colheita de provas, atos de execução ou para a prática de qualquer outro ato que houver de ser realizado fora dos limites territoriais do local de sua sede. 3) Carta precatória: é a mais comum das formas de comunicação entre juízos que não têm relação de subordinação entre si. O juízo responsável pela expedição da carta é conhecido como juízo deprecante, já quem recebe é denominado deprecado. Ela é utilizada entre todos os tipos de juízos, não importando a que justiça pertençam, nem mesmo a que unidade da Federação. Elas possuem como utilidade a comunicação processual, como citação e intimação de pessoas que residem noutra Comarca; a colheita de provas, como inquirição de testemunhas que residam fora ou perícia sobre bens e coisas situadas em outro juízo, e a realização de atos de apreensão judicial noutra Comarca. Com exceção das hipóteses previstas nos artigos 267 do CPC, apesar de não haver relação de subordinação, o juízo deprecado é obrigado a cumprir a solicitação contida na carta. 4) Carta arbitral: Mesmo que fora do sistema judiciário, o juízo arbitral pratica e detém o poder jurisdicional. Portanto, pode também requerer ao Poder Judiciário que pratique ou determine o cumprimento de atos. Chama-se isto de cooperação nacional também. É através da cooperação do Judiciário, solicitada por meio de carta arbitral, é que o juízo arbitral tornará efetivas as suas determinações e impor o cumprimento de suas ordens. Isto se explica porque o juízo arbitral não possui a coertio, ou seja, o poder de impor suas decisções pelo uso da força Estatal. Sendo assim, para medias de arresto, condução coercitiva de testemunhas, execuções fiscais, enfim, precisa-se de auxílio Estatal.Intimações O legislador trata de conceituar a intimação no artigo 269 que dispõe: “Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo”. Apesar de se tratar de forma de ciência, tal como a citação, a intimação se diferencia desta www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br ao passo que pode ser dirigida a qualquer das partes, seus advogados, auxiliares da justiça ou a terceiros a quem cumpra realizar determinado ato no processo, e não somente ao réu, executado ou interessado. Outra diferença é o fato de que, enquanto a citação se presta a dar ciência da existência do processo ao citando, viabilizando a integração deste à relação processual, a intimação se presta a dar ciência, a alguém, de qualquer ato ou termo no curso do processo, para que este alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. Não nos esqueçamos, ainda, de que a citação é feita pessoalmente ao citando ou ao seu representante, diferentemente da intimação que, via de regra, em razão da capacidade postulatória, é feita ao advogado das partes, preferencialmente por via eletrônica, ou mediante publicação no órgão oficial de imprensa, com exceção de quando a lei o exigir pessoalmente. Como exemplo, temos o caso da intimação feita ao autor para que dê seguimento ao feito no prazo de cinco dias, sob pena de extinção sem resolução de mérito. Interessante apontarmos o disposto no parágrafo 1º do artigo 269 do Código de Processo Civil, que diz que a intimação do advogado de uma parte pode ser feita pelo advogado da parte contrária, pelo correio, devendo ser juntada aos autos cópia do ofício de intimação e do aviso de recebimento. Trata-se de nada mais que um dos vários meios pelo qual se dão a intimação. Prontos para ver especificamente esses meios de intimação? Então vamos lá! O Código de Processo Civil tratou de elencar, em alguns de seus artigos, as formas pelas quais se poderá dar a intimação. Como meios de intimação, além da possibilidade vista no parágrafo acima, teremos ainda a intimação por meio eletrônico (artigo 270), por publicação no órgão oficial (artigo 272), pelo correio (artigo 273, II e 274), pelo escrivão ou chefe da secretaria (artigo 274), por oficial de justiça (artigo 275), por hora certa (artigo 275, § 2º) e por edital (artigo 275, § 2º). Frisamos que o Superior Tribunal de Justiça entende que não cabe a intimação por telefone , não sendo considerada forma idônea de intimação, apesar de decisão do tribunal no sentido de que, não sendo provado o prejuízo, não se deve anular intimação feita pelo telefone, em observação ao princípio da instrumentalidade das formas. Há decisão, ainda, favorável ao cabimento desse meio de intimação nos Juizados Especiais, vez que há informalidade do procedimento deles. A) INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO Sendo possível a efetivação da intimação, ela será, preferencialmente, pelo meio eletrônico, conforme disposto na Lei nº 11.419/2006. Do mesmo modo que a citação, para possibilitar a intimação, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública deverão manter cadastro junto ao Poder Judiciário, que deverá ser aberto no prazo disposto nos artigos 1.050 e 1.051, sendo dispensada a publicação do Diário Oficial Eletrônico em razão da utilização de portal próprio. Mas atenção! Nessa modalidade, a publicação será considerada feita no dia em que houver a consulta eletrônica dessa intimação, que, aliás, deverá ocorrer no prazo de 10 dias corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de ser considerada efetivada no final do prazo. B) INTIMAÇÃO PELO DIÁRIO OFICIAL www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Se, por algum motivo, restar impossibilitada a intimação pela via eletrônica, ela será feita, via de regra, pelo Diário Oficial (artigo 272 e 273 do CPC). Com exceção de processos que correm em segredo de justiça (dos quais a intimação apenas contará com as iniciais), a publicação conterá o nome das partes e de seus advogados. Insta mencionar que, havendo mais de um advogado constituído por uma das partes, a publicação poderá ser feita a qualquer desses, sem que o outro possa alegar prejuízo algum. Agora, havendo mais de um advogado, se um desses indicar seu nome para o recebimento de intimações, esse apontamento deverá ser respeitado sob pena de nulidade do ato. E a sociedade de advogados? O parágrafo 1º do artigo 272 do Código de Processo Civil dispõe sobre a possibilidade de a intimação ocorrer na pessoa da sociedade de advogados desde que devidamente registrada na Ordem dos Advogados do Brasil. Devemos nos ater, contudo, a que a norma prevê ainda que essa forma de intimação depende de pedido expresso e substitui a intimação na pessoa do advogado, vez que o dispositivo estabelece de forma expressa que a intimação apenas será feita no nome da sociedade de advogados. A intimação será considerada como feita na data da publicação no Diário Oficial. No entanto, em se tratando de meio eletrônico, deverão ser observados os dispostos nos parágrafos 3º e 4º do artigo 4º da Lei nº 11.419/2006, que dispõe que: “Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça Eletrônico” e “os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que se seguir ao considerado como data da publicação”. Com a publicação no Diário Oficial, a intimação será considerada feita, independentemente de ter havido alguma falha por parte dos órgãos de classe ou agências quanto à comunicação aos advogados. C) INTIMAÇÃO PELO CORREIO O artigo 274 do CPC estabelece que, não dispondo a lei de outro modo, as intimações serão feitas às partes, aos seus representantes legais, aos advogados e aos demais sujeitos do processo pelo correio ou, se presentes em cartório, diretamente pelo escrivão ou chefe de secretaria. Com relação aos advogados, ela só será feita pelo correio em situações excepcionais, como, por exemplo, se não houver Diário Oficial na comarca. Essa carta, que deverá ser expedida com aviso de recebimento, é ainda uma forma de intimação prioritária de auxiliares da justiça (peritos e testemunhas). Uma vez dirigida ao endereço constante dos autos, mesmo que não seja recebida pessoalmente pelo destinatário em razão de modificação temporária ou definitiva de endereço que não comunicado ao juízo, a intimação será considerada como válida. D) INTIMAÇÃO POR MANDADO www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br A citação por mandado enquadra-se, em tese, apenas nas hipóteses em que tenham sido frustradas as intimações eletrônicas ou por correio, conforme artigo 275 do Código de Processo Civil. No entanto, apesar do que disposto no artigo supramencionado, existe entendimento de cabimento da modalidade em razão de requerimento justificado da parte. Tal como a citação, poderá ainda o oficial proceder com a intimação com hora certa, respeitados os requisitos estudados acima (duas tentativas e suspeita de ocultação). E) INTIMAÇÃO POR EDITAL Prevista pelo legislador no § 2º do artigo 275, assim como na citação, é admitida quando o intimado não puder ser identificado ou localizado. Trata-se de espécie de comunicação ficta , na qual há apenas uma presunção relativa de ciência. Em razão da ausência de regras específicas, ela seguirá o procedimento da citação por edital, com exceção da necessidade de indicação de curador especial, que não tem cabimento para intimação. Entendidas as formas de intimação, vem-nos uma pergunta: e a intimação da Fazenda Pública? A resposta é simples. Segundo o parágrafo 3º do artigo 269 do Código de Processo Civil, a intimação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias e fundações de direito público será feita ao órgão de Advocacia Pública responsável por sua representação judicial. Visa-se a evitar o endereçamento da intimação para o próprio órgão que é parte na relação jurídica processual,porém não é responsável por sua defesa em juízo. Resumo: Em se tratando de comunicação de atos processuais fala-se de: Citação, que é o ato pelo qual se dá ciência ao réu ou executado de que há processo judicial contra ele; Carta, que é a forma de comunicação entre juízes, necessária para o andamento do processo e resolução do mérito; Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos processuais, para fazer ou deixar de fazer algo www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Formação do Processo O processo se forma com a propositura da ação, ou seja, com a distribuição da ação no que tange ao autor. A propositura da ação vincula apenas o autor e o juiz, pois somente com a citação é que o réu passa a integrar a relação jurídica processual! É importante saber: A jurisdição é inerte (Princípio da inércia da jurisdição), portanto o processo se inicia por provocação da parte e se desenvolve por impulso do juízo, salvo as exceções previstas em lei (Art. 2º do CPC). Pode-se falar também em Princípio da necessidade da demanda (ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore). A jurisdição só age quando provocada. Entende-se: O Estado juiz só irá manifestar-se se for provocado pela parte, e essa provocação se dará quanto a petição inicial for protocolada. A regra constante da parte inicial do art. 312 é a seguinte: "considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada (...)". Porém, para o réu, somente surtem os efeitos da formação após sua atuação. (Art. 240 do CPC - Aborda os efeitos da citação para o réu). Mesmo assim, não há dúvidas: a formação do processo dá-se no momento em que a petição inicial é protocolada. Assim, são requisitos de constituição da relação processual: Petição inicial escrita em portugês (CPC, art. 192); Subscrita por advogado ou defensor público, e endereçada a juiz. Petição inicial como instrumento da demanda Requisitos da petição inicial (Art. 319 do CPC): A petição inicial indicará: I - o juízo a que é dirigida (sempre é dirigida ao Estado o qual detém a tutela jurisdicional, para juízos diferentes); OBS: Se for direcionada a um juízo absolutamente incompetente, para o qual todos os atos seriam nulos, o magistrado poderá encaminhá-lo ao competente. Se deixar de fazer, caberá ao réu fazer a alegação de nulidade absoluta, a qualquer tempo. (Parágrafo 1, do Art. 64 do CPC) Se for direcionada a um juízo relativamente incompetente, o réu deverá alegá-lo por meio da exceção de incompetência, caso contrário, haverá a competência prorrogada. II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; Causa de pedir: fatos e fundamentos jurídicos pelos quais o autor ingressa em juízo. IV - o pedido com as suas especificações; (pedido imediato - providência jurisdicional do estado, como sentença condenatória, declaratória, constitutiva, executória etc; pedido mediato - pedido genérico, o qual se pretende conseguir com a providência jurisdicional do estado) OBS: Podem haver pedidos cumulativos desde que conexos. Pedido: Objetivo da parte quanto busca o Judiciário. V - o valor da causa; (Define competência dos juizados especiais ou qual é o juiz competente, bem como é base de cálculo para as taxas judiciárias) VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; Tipos de prova: Documental - fatos comprovados somente por escrito ou vídeo, enfim. Pericial - Depende do parecer técnico. www.trilhante.com.br https://jus.com.br/artigos/2924/prorrogacao-da-competencia http://www.trilhante.com.br Testemunhal - Comprovados por prova oral, dependem de testemunha. VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. Esta só não será realizada se as partes manifestarem expressamente que não desejam a autocomposição. Formação do processo para o autor: Quando a petição inicial for protocolada. Formação do processo para o réu: Art. 240 do CPC - depois que ele for validamente citado. A relação processual só será efetivada com a sua integração. Art. 312 do CPC - Inicia-se o processo quando a petição inicial for protocolada. Formação do Processo nos Juizados Especiais Cíveis: A CF garante o acesso, a todos, à justiça e a pleitear a tutela jurisdicional. Quanto ao Juizado Especial Cível, esclarece-se que, via de regra, a capacidade postulatória é referente ao advogado. Todavia, não é necessário o advogado para ingresso da ação em JEC. Trata-se, neste ponto, de mera faculdade da parte. Cabe dizer sobre o procedimento: a) capacidade postulatória, b) petição inicial escrita ou oral (com o pedido pela parte, à secretaria do JEC), c) valor que não ultrapasse 20 salários mínimos (acima desse valor é obrigado a presença de advogado). Suspensão do Processo Princípio da celeridade processual: não "travamento" do decorrer processual. A suspensão do processo consiste na paralisação do trâmite processual, quando se demonstrar necessário, apesar dos princípios da celeridade e da duração razoável do processo permearem todo o sistema processual. É necessária previsão legal para que haja a suspensão do processo. Distingue-se: Suspensão do processo x Suspensão do prazo processual (expediente forense). Hipóteses de suspensão (Art. 313 do CPC) www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador; II - pela convenção das partes; III - pela arguição de impedimento ou de suspeição; IV - pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas; V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; VI - por motivo de força maior; VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de competência do Tribunal Marítimo; VIII - nos demais casos que este Código regula. IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; Independentemente da causa da suspensão, os atos urgentes podem vir a ser praticados a fim de evitar dando irreparável, quando a tutela de urgência deverá ser requerida. Exceto nos casos de impedimento e suspeição. Não cabe a suspensão nos processos que tramitam no Juizado Especial Cível. Extinção do Processo Sentença A sentença é definida como o pronunciamento pelo qual o juiz, com ou sem resolução do mérito, finda a fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução (NCPC, art. 203, parágrafo primeiro). Art. 316 do CPC: a) Sentença sem resolução do mérito (Art. 485 do CPC): Sentença terminativa não faz coisa julgada material. O juiz deverá conceder à parte prazo para corrigir o vício que causaria a extinção sem resolução do mérito (Art. 317 do CPC) Não impede que a parte proponha novamente à ação, salvo exceções (litispendência e correção de vícios - Art. 486 do CPC) www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br b) Sentença com resolução do mérito Caberá no julgamento de mérito: Acolher ou rejeitar o pedido formulado. Esta sentença submeterá à coisa julgada material, inviabilizando, destarte, a repropositura da ação. Arbitragem O juiz não poderá reconhecer de ofício a convenção de arbitragem e extinguir o processo. Desistência X Renúncia ao direito Desistência não impede a repropositura da ação (resolução sem mérito). Extinção no processo do JuizadoEspecial Cível Art. 51 da Lei nº 9.099/95: Art. 51. Extingue-se o processo, além dos casos previstos em lei: I - quando o autor deixar de comparecer a qualquer das audiências do processo; II - quando inadmissível o procedimento instituído por esta Lei ou seu prosseguimento, após a conciliação; III - quando for reconhecida a incompetência territorial; IV - quando sobrevier qualquer dos impedimentos previstos no art. 8º desta Lei; V - quando, falecido o autor, a habilitação depender de sentença ou não se der no prazo de trinta dias; VI - quando, falecido o réu, o autor não promover a citação dos sucessores no prazo de trinta dias da ciência do fato. § 1º A extinção do processo independerá, em qualquer hipótese, de prévia intimação pessoal das partes. § 2º No caso do inciso I deste artigo, quando comprovar que a ausência decorre de força maior, a parte poderá ser isentada, pelo Juiz, do pagamento das custas. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Noções Iniciais Alexandre Freitas Camara traz, doutrinariamente, o conceito de tutela provisória: "Tutelas provisórias são tutelas jurisdicionais não definitivas, fundadas em cognição sumária, isto é, fundada em um exame menos profundo da causa, capaz de levar a prolação de decisões baseadas em juízos de probabilidade e não de certeza, podem fundar-se em urgência ou evidência”. A tutela provisória tem fundamento na Constituição, em relação aos direitos fundamentais de duração razoável do processo e de previsão da tutela jurisdicional. Em situações em que não é necessário aguardar o término do processo para o Poder Judiciário conceder o pedido da parte, pode-se pleitear uma liminar, ou seja, uma decisão no início do processo. Esse é o gênero da tutela provisória, que foi muito alterado pelo CPC de 2015. Tal gênero pode fundamentar-se em urgência ou evidência, possuindo então duas espécies: a tutela de evidência e de urgência. Esta última, por sua vez, possui outras duas subespécies, conforme o diagrama a seguir: Dentre as características comuns a todas as tutelas provisórias, está a isenção de custas nas medidas de caráter incidental (art. 295, NCPC) e o fato de poderem ser recorridas por meio de agravo de instrumento. Quanto à eficácia da tutela provisória, o artigo 296 dita que sua eficácia será conservada na pendência do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada, contanto que surja fato novo que justifique tal alteração. Ainda, salvo por decisão judicial em contrário, a conservação perdurará até o período de suspensão do processo, mas o juiz deverá deixar expresso que a tutela provisória também está cessada. Outro ponto, é que na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela provisória, o juiz precisará fundamentar isso de modo claro e preciso. Quanto ao momento de requerimento da tutela, há diferença entre a tutela de urgência e evidência. Difere-se também do Código de 1973, pois em nenhuma das situações são pedidas emação a parte. Enquanto a tutela de urgência pode ser requerida em dois momentos básicos: em caráter antecedente (antes da propositura da ação) ou incidental (no decorrer da ação), a tutela de evidência pode ser requerida apenas em caráter incidental. Além disso, o requerimento de tutela incidental não sofre os efeitos da preclusão temporal e pode ocorrer a qualquer tempo. Com relação a competência, o juízo competente para analisar o pedido principal é o mesmo da análise da tutela, todavia, em ação de competência originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão jurisdicional competente para apreciar o mérito (art. 299). Há também o pressuposto de que deve haver a iniciativa da parte, que irá requerer a tutela em juízo competente. O juiz possui um poder tutelar geral para determinar as medidas que considerar adequadas para efetivação da tutela provisória, não se restringindo à legislação. Tutela de evidência A tutela de evidência não tem como objetivo afastar um risco ou dano, mas sim promover justiça à parte, que tem a evidência de seu direito material, mas se vê sujeita a privar-se dele, tendo que aguardar o longo processo para isso. A tutela de evidência visa resguardar um direito evidente, que não depende de urgência. Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a tutela de evidência não se confunde com o julgamento antecipado da lide, pois nela a medida é deferida sumariamente, mas não pausa o prosseguimento do feito, na verdade, a provisoriedade é um de seus traços. É regulada no artigo 311 do NCPC, que esclarece que o deferimento da tutela de evidência independe da demonstração de perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, em quatro situações: Se ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte (tutela penalizadora da má-fé); Se as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante (tutela fundada em tese firmada em tribunal superior); Se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa (tutela da evidência em contratos de depósito); Se a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável (tutela fundada em prova incontroversa). www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Nos casos dos incisos II e III, o parágrafo único possibilita que a seja concedida liminar da tutela de evidência. Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório da parte; II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa; IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir liminarmente. Tutela de Urgência Há a tutela de urgência cautelar e a antecipada, sendo que ambas podem ser concedidas em caráter antecipado ou incidental (art. 294, § ú.) e há três oportunidades para pleiteá-la: (i) antes da dedução da pretensão principal (tutela antecedente); (ii) na petição inicial da ação principal (tutela cumulativa); (iii) no curso do processo principal (tutela incidental). Primeiramente, é preciso fazer uma distinção entre a antecipação de tutela e tutela cautelar: Antecipação de tutela: Antecipa os efeitos de uma futura decisão de mérito, logo, possui caráter satisfativo (arts. 300, §3º, 303, 304). Tutela Cautelar: Tem finalidade de resguardar o pedido principal, evitando o perecimento do direito, logo, possui caráter assecuratório (arts. 301 e 305 a 310). Outras distinções são: Antecipação de tutela Tutela Cautelar www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Natureza Atributiva ou conservativa Conservativa Verossimilhança Prova inequívoca da verossimilhança do direito Simples verossimilhança do acautelado Urgência Pode ou não ser urgente Sempre urgente Estabilidade Provisória Definitiva Cognição Sumária Exauriente Eficácia Temporária (pode ser revertida) ou perpétua Temporária Para que a tutela de urgência seja deferida, é necessária uma duplicidade na fundamentação, pois requer evidências da probabilidade do direito e o perigo de danoou risco ao resultado útil do processo, que devem ser objetivamente demonstrados. O Novo Código não mais faz menção ao fumus bonis iuris (fumaça do bom direito) e periculum in mora (perigo da demora), mas estes continuam a ser utilizado no cotidiano forense, por tradição. Para o deferimento da tutela, o juiz pode exigir uma caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os possíveis danos que a outra parte venha a sofrer, mas pode a caução ser dispensada se a parte for hipossuficiente economicamente, e não puder oferece-la. Além disso, a tutela pode ser concedida liminarmente ou após audiência de justificação prévia, quando se pode fazer prova dos requisitos para sua concessão. Todavia, é vedada a concessão de tutela de urgência de natureza antecipada se houver perigo de irreversibilidade (art. 300, §3º), ou seja, só será concedida se houver como retornar à situação ao que era antes (ao status quo ante). A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito. Nesse ponto, a lei demonstra-se omissa quanto à requisitos e procedimentos para essas medidas cautelares. Diante tal lacuna legal, cabe ao juiz decidir não só o mérito, mas também as formas de tramitação, ou seja, o procedimento de concessão da medida. Dessa forma, ao deixar à critério do juiz a determinação das medidas práticas cabíveis no âmbito do poder geral de prevenção, a lei, na realidade, investe o magistrado de um poder discricionário de amplíssimas dimensões. Uma vez efetivada a tutela de urgência, o autor deverá reparar o dano processual causado ao réu, com indenização fixada preferencialmente nos mesmos autos. Ainda, independentemente da reparação por dano processual, a parte deve responder pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa nos seguintes casos: Quando a sentença lhe for desfavorável; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Quando não fornecer os meios necessários para a citação do requerido no prazo de cinco dias; Quando ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualuqer hipótese legal. Quando o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Tutela antecipada antecedente É prevista para casos em que a urgência for anterior ou contemporânea à propositura da ação. Nesses casos, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo (art. 303), caso este que o autor terá de indicar o valor da causa, levando em consideração o pedido de tutela final. Uma vez concedida a tutela provisória satisfativa, o autor deve aditar a petição inicial com a complementação de sua argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final, em quinze dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar. No aditamento não haverá a necessidade de recolhimento de novas custas. Feito o aditamento, o réu será citado para comparecer à audiência de conciliação ou mediação. Todavia, se o aditamento não for feito, o processo será extinto sem resolução de mérito. Ou então, se o juiz entender que não há elementos para a concessão da tutela antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da exordial em até cinco dias. O NCPC também traz a previsão da estabilização da tutela antecipada: deferida a liminar e, intimado o réu, a medida provisória se estabilizará, caso não haja recurso, e o processo se extinguirá sem resolução do mérito, conservando-se, porém, o provimento já emitido (NCPC, art. 304, § 1º). É permitido que as partes ingressem com novo processo judicial para que seja revista, reformada, ou invalidada a tutela antecipada, mas essa conservará seus efeitos enquanto não revista, reformada ou invalidada. Todavia, este direito das partes se extingue após dois anos, contados da decisão que extinguiu o processo. A estabilização, contanto, segundo o Código, não faz formar coisa julgada. Os efeitos da tutela poderão ser afastados, mas apenas pela demanda que buscar alterar a tutela estabilizada. Ou seja, caso não houver recurso do réu contra a decisão que concede a tutela, o autor pode prosseguir de duas maneiras: aditar a inicial, prosseguindo com o processo, ou não aditar, o que fará com que ocorra a estabilização da demanda. Tutela cautelar antecedente Destrinchada nos artigos 305 a 310, a primeira regra sobre a tutela cautelar antecedente é que a petição inicial da ação que visa à sua prestação, deverá indicar a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. Se o juiz compreender que o pedido tem natureza antecipada, seguirá o procedimento da tutela antecipada antecedente. Essa possibilidade de diligência do juiz é permitida devido ao princípio da fungibilidade das tutelas de urgência, pelo qual o juiz pode conceder uma medida de urgência no lugar da outra postulada, desde que presentes os requisitos legais para a concessão. A adoção deste princípio decorre do fato de que o importante não é o nome do que foi postulado, mas a concreta necessidade da tutela jurisdicional pretendida. Contudo, não há previsão legal para o inverso, ou seja, que juiz receba a antecipação de tutela como cautelar. Esta é uma dúvida que fica a cargo da jurisprudência, sendo que, no sistema anterior, admitia-se, jurisprudencialmente, a fungibilidade de mão dupla. Além disso, apenas na tutela antecipada é a única que forma estabilização da demanda, afinal, seria ilógico afirmar que algo acautelatório se estabiliza. A citação do réu será feita no prazo de cinco dias, para que este conteste o pedido e indique as provas. Caso este opte por não contestar o pedido, os fatos alegados pelo autor ganharão presunção de veracidade e o juiz decidirá dentro de cinco dias o caso. Caso for contestado, o processo seguirá em conformidade com o procedimento comum. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será apresentado nos mesmos autos em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não dependendo do adiantamento de novas custas processuais. Por desejo do autor, o pedido principal pode ser formulado junto com o pedido de tutela cautelar. Também é permitido que a causa de pedir seja aditada no momento de formulação do pedido principal. E, apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para comparecer à audiência de conciliação e mediação, mas não havendo o prazo para contestação será contado na forma do art. 335, o que também ocorre com a tutela antecipada antecedente. A eficácia da tutela cautelar antecedente é cessada se: Não houver a apresentação do pedido principal em trinta dias; A tutela cautelar não for efetivada em trinta dias; O pedido principal for improcedente ou o processo for extnto sem mérito. Caso isso ocorra, só será possível formular novo pedido se houver novo fundamento (nova causa de pedir). Em regra, o indeferimento do pedido cautelar não obsta a formulação do pedido principal e nem influi em seu julgamento, salvo quando reconhecida a prescrição e decadência na análise do pedido cautelar (art. 310, NCPC). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art335 http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Processo versus procedimento A autonomia da ciência processual permitiu a diferenciação entre procedimento e processo. Atualmente, o processo é uma ciência autônoma e o procedimento é uma sucessão de atos relacionados entre si de maneira lógica e sequencial visando um objetivo final. Oprocedimento é a maneira pela qual o processo se desenvolve. Procedimento Comum e Procedimento Especial no NCPC A Parte Especial do Código de Processo Civil de 2015 é dividida em três livros. O livro I é subdividido em três títulos: Título I – Do procedimento comum, Título II – Do cumprimento de sentença e Título III- Dos procedimentos especiais. No processo de conhecimento utiliza-se dois tipos de procedimentos, os comuns e os especiais. Para a maioria das situações no processo de conhecimento utiliza-se o procedimento comum, uma vez que é o procedimento padrão, além disso, o NCPC dispõe o procedimento comum de maneira mais completa em relação aos demais, com maior número de atos e fases (postulatória, de saneamento do processo, instrutória e decisória). Os procedimentos especiais são formas de adaptação do procedimento comum com o objetivo de adequar o processo ao direito material em questão. Assim, o procedimento comum é aplicado quando não há lei que disponha a necessidade da utilização do procedimento especial. Art. 318 – Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo disposição em contrário deste Código ou de Lei Parágrafo único. O procedimento aplica-se subsidiariamente aos demais procedimentos especiais e ao processo de execução. O processo de conhecimento é tratado a partir do art. 319 do NCPC e é dividido em 4 fases: Fase postulatória: nessa fase as partes apresentam a petição inicial e a contestação. A petição inicial é responsável por tirar a jurisdição da inércia. Nesse momento, define- se os objetos do processo. Fase de saneamento do processo: nessa fase o magistrado verifica tudo que fora apresentado na fase postulatória. Fase instrutória: nessa fase ocorre a produção de provas. Fase decisória: nessa fase o magistrado decide, elabora a sentença. Vale ressaltar que não é em todo processo que a produção de provas ocorre somente na fase instrutória - ela pode, por exemplo, ocorrer na fase postulatória. Ademais, o juiz durante todo o processo pode realizar atos de saneamentos para regularizar eventuais vícios e deficiências, visto que é seu dever fiscalizar o bom andamento do processo. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Aspectos gerais: conceito, princípios e legislação da Petição Inicial A petição inicial ou peça vestibular concretiza o direito de ação (direito à tutela jurisdicional previsto na Constituição Federal) e identifica a demanda, isto é, a causa de pedir e o pedido. Esta segunda função da petição inicial gera alguns efeitos processuais, como: Permite verificar litispendência, coisa julgada ou conexão Viabiliza elementos para estabelecimento de competência Pode vir a influenciar qual tipo de procedimento será adotado Esclarece acerca da possibilidade do não cumprimento das condições da ação A lei processual exige que a petição inicial preencha requisitos formais sob pena de nulidade, assim, esta deve ser escrita, salvo nos juizados especiais a qual pode ser apresentada de forma oral (Lei 9.099/95). Art. 14 – O processo instaurar-se-á com a apresentação do pedido, escrito ou oral à Secretaria do Juizado. A petição inicial pode ser lida por meio de dois princípios fundamentais da jurisdição: o princípio dispositivo e o princípio da inércia. O primeiro princípio estabelece que o juiz não pode conhecer de matéria que a lei exige a iniciativa da parte (ex: produção de provas), já o segundo estabelece que a petição inicial é o meio pelo qual a jurisdição saia da inércia. Ademais, vale mencionar que a petição inicial limita a atuação do juiz aos fatos e pedidos nela inseridos, dessa forma, seguindo o princípio da adstrição da sentença do pedido que é presente nos arts. 141 e 492 do CPC. Os requisitos da petição inicial encontram-se fundamentados nos arts. 319, 320 e 321 do NCPC. Ademais, o art. 106 também determina outro requisito estrutural: o endereço do patrono que subscreve a petição inicial. O art. 319 vale ser explanado e analisado. Art. 319 – A petição inicial indicará: I – o juízo a que é dirigida; II – os nomes, prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV – o pedido com as suas especificações; V – o valor da causa; VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. § 1º Caso não disponha das informações previstas no inciso II, poderá o autor, na petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção. § 2º A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações a que se refere o inciso II, for possível a citação do réu. § 3º A petição inicial não será indeferida pelo não atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obtenção de tais informações tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. O inciso I determina que a petição inicial seja endereçada a um juízo e não a um juiz em específico, isto é, determina-se o juízo competente, normalmente tem endereço aberto para que os cartorários se encarreguem da distribuição processual. Todavia, o juiz, pode, de ofício, reconhecer sua incompetência, caso seja necessário. O inciso II refere-se à necessidade da indicação das partes e sua qualificação. É importante tanto para a citação do réu como para a individuação dos sujeitos processuais , o estado civil, por exemplo, pode ser determinante para determinadas discussões processuais de direito de família. A necessidade do RG e do CPF é importante para evitar homônimos, a profissão, por outro lado, pode determinar a citação na comarca do local de trabalho, como de servidores públicos. O endereço eletrônico é uma novidade do código que é relacionado à comunicação dos atos processuais. Entretanto, caso o autor não tenha conhecimento de todos os dados do réu ou ocorra algum erro na qualificação, a petição inicial pode ser emendada, não necessariamente será classificada como nula, uma vez que para assim o ser deve haver um real prejuízo. O inciso III determina que a petição inicial conste os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. Os fatos podem ser essenciais, isto é, os quais geraram a pretensão do autor, deles decorreram seu pedido ou serem secundários, ou seja, auxiliam na compreensão do todo. Por outro lado, os fundamentos jurídicos são os efeitos que os fatos geram no mundo jurídico, onde ocorre a subsunção dos fatos às normas. Além disso, não se pode confundir fundamentos jurídicos com fundamentos legais (base legal, artigos de lei). “Considerando que dos fatos nasce o direito, cumpre ao autor narrá-los e demonstrar a razão jurídica para que, em decorrência desses fatos, seja merecedor da tutela jurisdicional pretendida” (ASSUMPÇÃO NEVES, 2016) O inciso IV estabelece que a peça vestibular contenha o pedido e suas especificações, uma vez que é requisito da petição inicial a sua pretensão jurisdicional. O pedido deve ser concludente, ou seja, decorrer da causa de pedir. Quando não há conexão entre a causa de www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br pedir e o pedido a petição inicial torna-se inepta e deve ser liminarmente indeferida, assunto também a ser estudado posteriormente (indeferimento da petição inicial) O inciso V determina que a petição inicial contenha o valor da causa. Este valor pode ter reflexos sobre a competência, ademais, serve, muitas vezes, de arbitramento dos honorários advocatícios e sobre este valor definem-se as custas processuais (taxas judiciárias). Em regra, a fixação do valor da causa deve observar o disposto no art. 292, mas caso não ocorra subsunção a nenhuma das hipóteses, a parte deve arbitrar, porém, nesses casos o valor da causa é submetido ao contraditório. Ademais, vale mencionar que há causassem valor econômico, a exemplo de ações de pedido de adoção e que nas ações de danos morais a lei determina que o autor fixe o valor da causa, entretanto, a jurisprudência vai no sentido de que o arbítrio do valor deve ser de um terceiro neutro, o juiz, sob a alegação de que o réu têm dificuldades de dimensionar se o valor é alto ou baixo, uma vez que é uma questão extremamente subjetiva. A respeito do valor da causa na cumulação de pedidos: será estudado em momento posterior. O inciso VI determina que o autor indique na petição inicial os meios de prova que irá se servir. Além disso, cabe ao autor o ônus da prova de todos os fatos pertinentes a sua pretensão (art. 373, I). Todavia, o assunto provas não será esgotado nessa aula, uma vez que possui particularidades e exceções. O inciso VII traz uma novidade ao código: a opção por audiência de mediação e conciliação, modelo de resolução de conflitos que é cada vez mais incentivado e será aprofundado mais para frente em nossos estudos. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Pedido Pedido é aquilo que o autor pede quando aciona o judiciário. O pedido principal em uma petição inicial é o objeto do processo. A função do pedido é impor limites a atividade jurisdicional. Os juízes devem interpretar o pedido de forma restritiva. O NCPC permite que o juiz reconheça, por meio de sua interpretação, pedidos mal formulados, não expressos de maneira clara como os pedidos efetivamente realizados pela parte. Entretanto, há um problema: a interpretação judicial ampla. Assim, para resolver tal questão, o juiz deve submeter sua interpretação ao contraditório para ambas as partes (art. 10) Art. 10 – O juiz não pode decidir, em algum grau de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. O fundamento dessa mudança está no princípio da boa-fé. Por inépcia dos advogados, as partes podem acabar sendo prejudicadas em razão de uma formulação confusa. O juiz, na qualidade de parte processual, age de boa-fé e interpreta os pedidos. Art. 322 – O pedido deve ser certo. Parágrafo 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa-fé. O pedido deve ser: Certo: identifica o bem da vida (art. 322). Determinado: quantifica o bem da vida desejado. Estabelece os limites da pretensão (art. 324). Entretanto, o NCPC permite a formulação de pedido genérico em alguns casos (art. 324, parágrafo 1º). O pedido pode ser: Mediato: bem da vida que a parte quer proteger mediante processo, pela sentença. Põe a parte em contato com o direito material. Imediato: tipo de tutela jurisdicional apta a conceder o alcance daquele referido bem. Pretensão à uma sentença, a uma execução ou a uma medida cautelar. Põe a parte em contato com o direito processual. O sistema permite cumulação de pedidos, isto é, realiza-se mais de um pedido, mesmo que não conexos entre si em face do mesmo réu. A cumulação de pedidos pode ser: 1. Própria: o juiz enfrenta todos os pedidos, mesmo que estes sejam mutuamente desconexos. Possibilidade de procedência simultânea de todos os pedidos. Em relação ao valor da causa, o novo CPC prevê que cabe ao autor somar o valor de todos os pedidos para se chegar ao valor da causa (art. 292, VI). A cumulação própria pode ser: Simples: o acolhimento ou a rejeição de um pedido não afeta o outro. Há autonomia e independência entre os pedidos. Exemplo: cobrança do preço de duas vendas de mercadorias havidas entre as mesmas partes. Sucessiva: o acolhimento de um pedido pressupõe o acolhimento do pedido anterior. Há uma relação de prejudicialidade entre os pedidos. Exemplo: Revisão do contrato e consequente perdas e danos 2. Imprópria: o juiz não necessariamente enfrenta todos os pedidos. O acolhimento de um pedido implica a impossibilidade do outro. Impossibilidade de procedência simultânea de todos os pedidos. A cumulação imprópria pode ser: - Subsidiária: a apreciação dos pedidos se dá por uma ordem de preferência. Há subsidiariedade entre os pedidos. Exemplo: que a empresa instale um filtro se for possível, caso contrário que ela seja fechada. Com relação ao valor da causa a cumulação não influi, será apenas do pedido principal (art. 292, VIII). - Alternativa: a apreciação dos pedidos se dá sem a ordem de preferência. Há ausência de preferência entre os pedidos. Exemplo: depositário pede restituição do bem ou equivalente pecuniário. Com relação ao valor da causa se deve levar em consideração o pedido de maior valor (art. 292, VII). Vale ressaltar que cumulação alternativa é diferente de pedido alternativo (art. 325) que é pedido único fundado em obrigação alternativa. Entretanto, há requisitos da cumulação. Art. 322 – É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. §1º São requisitos de admissibilidade da cumulação que: I – os pedidos sejam compatíveis entre si; II – seja competente para conhecer deles o mesmo juízo; III- seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento. A estabilização da demanda é a solidificação e delimitação do objeto do processo ou da demanda que ele der causa (art. 329), isto é, refere-se à modificação do pedido. Até a citação: o pedido e a causa de pedir podem ser completamente alterados. Até o saneamento: impõe-se algumas restrições à mudança da causa de pedir e do www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br pedido, precisa de consentimento do réu. Após o saneamento: não pode haver alterações. Juízo de admissibilidade da petição inicial Após a chegada da petição inicial ao cartório, esta é distribuída e o juiz realiza o seu juízo de admissibilidade. Quando o juiz admite a petição inicial há o juízo positivo de admissibilidade da petição inicial. Entretanto, se a peça vestibular se mostra viciada de forma reparável o juiz pede para que esta seja emendada. A emenda da petição inicial (arts. 317 e 321) segue o princípio da economia processual, é um direito do autor, visto que nenhuma petição inicial de vício sanável é indeferida sem abertura de prazo para a emenda. A petição inicial, contudo, pode apresentar vício impassível de emenda. Nesses casos o juiz profere sentença sem resolução de mérito com extinção do processo, assim, ocorre o indeferimento liminar da petição inicial (art. 330). Não chega a haver a citação do réu. Há uma inovação no NCPC: o juízo de retratação da sentença de indeferimento da petição inicial, isto é, o juiz profere sentença de indeferimento liminar da petição inicial à Autor recorre com apelação à O juiz retrata-se, assim, admitindo a petição inicial, todavia, não dá seguimento a apelação. Art. 331 – Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 5 (cinco) dias, retratar-se. Há um instituto novo e restrito as hipóteses legais: a improcedência liminar do pedido. Neste instituto o juiz julga o mérito antes da citação, maneira de acelerar o processo. Submete-se às hipóteses do art. 332 I ao IV e parágrafo 1º. Essa sentença é definitiva e de mérito com cognição exauriente. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Realização de audiência de conciliação ou mediação no início do procedimento O art. 324 do CPC traz a novidade da realização de uma audiência inaugural de conciliação ou de mediação após a citação e antes da contestação, isto é, a partir do Código de Processo Civil de 2015 o réu é citado e ao mesmo tempo é intimado a comparecer à audiência de conciliação ou de mediação. Art. 324 – Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado oréu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência. § 1oO conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de conciliação ou de mediação, observando o disposto neste Código, bem como as disposições da lei de organização judiciária. § 2oPoderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não podendo exceder a 2 (dois) meses da data de realização da primeira sessão, desde que necessárias à composição das partes. § 3oA intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado. § 4oA audiência não será realizada: I - se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual; II - quando não se admitir a autocomposição. § 5oO autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência. § 6oHavendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado por todos os litisconsortes. § 7oA audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos termos da lei. § 8oO não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado. § 9oAs partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. § 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com poderes para negociar e transigir. § 11. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença. § 12. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a respeitar o intervalo mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da seguinte. A opção pela mediação ou pela conciliação é do juiz. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça: “Na conciliação, o terceiro facilitador da conversa interfere de forma mais direta no litígio e pode chegar a sugerir opções de solução para o conflito (art. 165, § 2º). Já na mediação, o mediador facilita o diálogo entre as pessoas para que elas mesmas proponham soluções (art. 165, § 3º)” Entretanto, caso opte pela mediação, deve-se estar de acordo com a Lei de Mediação (lei n. 13140/2015). Assim como referido no art. 334, caput, a audiência deve ser marcada com uma antecedência mínima de 30 dias e, o réu deve ser citado no mínimo com 20 dias de antecedência sob pena de violação do princípio contraditório, causa de nulidade quando se comprova prejuízo do réu. Entretanto, o legislador não prevê prazo máximo para a audiência: O parágrafo 2º do artigo em questão traz a possibilidade de mais de uma audiência de mediação ou conciliação, mas sempre respeitando o prazo máximo de dois meses da data da primeira sessão a fim de respeitar a duração razoável do processo. O ideal é que a audiência ocorra em apenas uma sessão, todavia, se há a possibilidade de chegar a um acordo em outra sessão, não faz sentido a proibição da mesma se esta será produtiva. Por sua vez, o parágrafo 4º do art. 334 determina as possibilidades de não ocorrência da audiência de conciliação ou de mediação. De acordo com o inciso I, se o autor na petição inicial e o réu na contestação determinarem expressamente que não querem este tipo de audiência, esta não será realizada (art. 334, parágrafo 5º). Já o inciso II traz a possibilidade de não realização da audiência em casos de autocomposição, isto é, casos, por exemplo, de direitos indisponíveis, casos envolvendo a Fazenda Pública. Além disso, caso ocorra litisconsórcio, todos os litisconsortes devem apresentar desinteresse na audiência para que esta não ocorra. É importante entender que o Código de Processo Civil não obriga às partes a fazerem a mediação ou a conciliação, mas apenas obriga a parte que não pretende, ao menos inicialmente, resolver o conflito dessa forma a comparecer à audiência Ademais, vale ressaltar sobre este artigo que o autor e o réu devem estar sempre acompanhados de seus advogados ou defensores públicos (art. 334, parágrafo 9º) e que, caso não possam comparecer à audiência, por meio de uma procuração específica, podem ser representados por um representante legal (art. 334, parágrafo 10º). www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Sobre o parágrafo 8º do art. 334, temos que, em regra, a audiência de mediação ou de conciliação será realizada por conciliador ou mediador vinculado ao centro judiciário de solução consensual de conflitos, que não está investido na jurisdição. Dessa forma, deverá se limitar a reduzir a termo a autocomposição e encaminhar os autos para o juízo do processo, a quem caberá homologar a autocomposição por meio de sentença de mérito, nos termos do art. 487, III, “b”, do CPC. Não realizado o acordo na audiência de mediação ou de conciliação inicia-se o prazo para contestação. Pela Lei de Mediação não serão devidas custas processuais se o conflito for solucionado antes da citação do réu (Lei n. 13140/2015, art. 29). O Código de Processo Civil também trouxe, além do art. 334, outros artigos que versam sobre mediação e conciliação (art. 165 e seguintes). Art. 165 – Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição. Art. 166 - A conciliação e a mediação são informadas pelos princípios da independência, da imparcialidade, da autonomia da vontade, da confidencialidade, da oralidade, da informalidade e da decisão informada. Art. 168 - As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o mediador ou a câmara privada de conciliação e de mediação. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Defesa do Réu A segunda fase da postulação é a resposta do réu, fase a qual o réu tem a possibilidade de arguir as suas versões dos fatos e realizar pretensões jurídicas. Esta fase ocorre após a citação, se não há audiência de conciliação ou mediação. Assim, a partir deste momento o réu apresenta sua resposta por meio da contestação ou da reconvenção. Art. 238 - Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual. Isto é, a contestação deve veicular toda a defesa do réu, resistir à pretensão do autor. Da contestação Assim como a petição inicial é a forma do exercício do direito de ação do autor, a contestação é a forma do exercício do direito de defesa pelo réu. A contestação se justifica em razão dos princípios da ampla defesa, do contraditório e também da isonomia (porque o réu deve ter o direito de se manifestar tanto quanto o autor) e do acesso à justiça (pois a contestação é o meio pelo qual o réu irá acessar a justiça naquele caso). Nesta peça, o réu deve demonstrar por que a pretensão do autor não merece ser acolhida e, portanto, quais são os motivos pelos quais o juiz deve ater-se aos argumentos do réu a fim de que este obtenha êxito na ação. Considerando que a contestação é a principal peça de defesa do réu, nesta oportunidade, o réu deve alegar tudo o que for possível para demonstrar que o autor não tem razão em suas alegações, em matérias tanto processuais (preliminares) quanto materiais (mérito), ou a depender do que melhor couber ao caso concreto. “A contestação pode e deve ser compreendida como a contraposição formal ao direito de ação tal qual exercido pelo auto e materializado na petição inicial. A contestação, neste sentido, contrapõe-se à petição inicial. A contestação é que veicula o direito de defesa, é ela que exterioriza perante o Estado-juiz o exercício daquele direito, tanto quando o “direito de ação” do autor é veiculado pela petição inicial. Ela se justiça, portanto,não só em função dos princípios da ampla defesa e do contraditório, mas também pelo próprio princípios da isonomia e do acesso à justiça” Princípios Concentração da Defesa Réu deve alegar toda a matéria de defesa na contestação, seja processual, seja material. Este princípio tem como base dois aspectos: combate ao excesso de formalismo e economia processual. Conforme o Código de Processo Civil de 1973, algumas matérias poderiam ser discutidas na contestação enquanto outras deveriam ser discutidas através de incidentes. Incidentes eram pequenos processos que ficavam apensos ao principal e tinham a finalidade única de discutir questões processuais incidentais à questão principal, ou seja, que não compunham o bem da vida mas eram necessárias à sua análise posterior. Esta pratica traduzia um formalismo que trazia morosidade e tornava o processo abarrotado. Desta forma, o Código de Processo Civil de 2015, ao determinar a concentração da defesa na contestação, extirpa este formalismo, garantindo maior eficiência processual. Eventualidade A eventualidade pode ser encarada como um sinônimo da concentração de defesa, mas há quem as distinga. A diferença sutil entre as denominações reside no fato de que é inerente ao princípio da concentração da defesa o caráter preclusivo porque, uma vez ofertada a contestação, não poderá o réu deduzir novas alegações, exceto se relativas a direito superveniente, ou seja, as matérias que deixarem de ser alegadas na contestação podem ser alvos de preclusão, não www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br podendo ser suscitadas posteriormente. Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I - relativas a direito ou a fato superveniente; II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. Já a eventualidade implica que o réu deve alegar todas as suas defesas possíveis e imagináveis (se coerentes e cabíveis, claro) na contestação pois, caso o juiz não acolha um dos seus argumentos, poderá acolher outro. É comum inclusive que se leia este tipo de expressão em contestações: “Caso Vossa Excelência não acolha o argumento exposto, o que se admite em razão do principio da eventualidade, o réu expõe também um segundo argumento”. Desta forma, este princípio invoca a possibilidade (e até o dever) do réu de dizer tudo o que pode ser dito para sua defesa, dando ao juiz o maior número de possibilidades de reconhecer a falta de razão ao autor. “O “principio da eventualidade” significa a possibilidade (e a recomendação) de o réu arguir toda a defesa possível caso uma ou outra delas seja rejeitada pelo magistrado. Concentra-se a defesa na eventualidade de alguma alegação não vir a ser acolhida pelo Estado-juiz.” Impugnação Específica O réu deve se manifestar especificamente sobre todos os fatos alegados pelo autor na inicial. Caso aquele que está se defendendo deixe de se manifestar sobre algum fato alegado pelo autor, tal fato fica passível de ser presumido como verdadeiro, ou seja, o silêncio do réu pode significar sua confirmação do afirmado pelo autor. Sendo assim, é mais seguro ao réu que se manifeste sobre absolutamente tudo que for possível se manifestar em relação à petição inicial. Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas (...) www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Existem hipóteses em que esta presunção de veracidade não ocorrerá, o que veremos em outro momento. Esqueminha Prazo de contestação no procedimento comum O artigo 335 do NCPC traz os prazos de contestação, assim vale expô-lo. Art. 335 – O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial será a data: I - da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso I; III - prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos. § 1o No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6o, o termo inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo pedido de cancelamento da audiência. § 2o Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso II, havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para www.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§4i http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§4i http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art231 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§6 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§6 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§6 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§4ii http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§4ii http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art334§4ii http://www.trilhante.com.br resposta correrá da data de intimação da decisão que homologar a desistência. Em geral o prazo para contestação é de 15 dias, entretanto, caso ocorra audiência de conciliação e mediação, tal prazo se dará a partir da audiência. O réu, porém, pode alegar desinteresse na audiência, assim, o prazo, nesse caso, inicia quando o réu protocola petição de sua manifestação de desintersse. Caso não ocorra audiência em função da autocomposição, o prazo para contestação se inicia com a juntada dos autos de aviso de recebimento, do mandado cumprido ou do fim do prazo do edital, de acordo com o art. 231 do CPC. O parágrafo 1º do artigo ora analisado determina que, havendo mais de um réu, o prazo de apresentação da contestação inicie para todos apenas quando houver a juntadas dos autos do último aviso de recebimento ou mandado cumprido. Isto é, o prazo para a contestação só começa a correr quando todos os réus do listisconsorte passivo foram citados. Por sua vez, o parágrafo 2º determina que se o réu é citado e há posterior desistência da ação relacionada àqueles que seriam citados, tal réu deve ser intimado para que o prazo para a apresentação de sua contestação inicie. Caso, em litisconsorte passivo e com declaração do autor na petição inicial no desinteresse na audiência de conciliação ou mediação, alguns réus declararem o mesmo desinteresse na audiência e outros não, aqueles que declararam desinteresse tem o inicio do seu prazo para a apresentação da contestação na data do protocolo de seu pedido de cancelamento da audiência, já os que não se obstiverem, tem seu prazo iniciado a partir da data da realização da audiência. Ademais, o prazo de resposta será duplicado se o réu for a Fazenda Pública ou o Ministério Público (arts. 183 e 180); se houver no polo passivo litisconsortes com advogados diferentes, de escritórios distintos, desde que não se trate de processo eletrônico (art. 229) ou se o réu for defendido por órgão público de assistência judiciária, como a Defensoria Pública ou a Procuradoria do Estado (art. 5°, § 5°, da Lei n. 1.060/50 e art. 186 do CPC), será também dobrado. Provas O artigo 336 do Código de Processo Civil positiva os princípios da concentração da defesa e princípio da eventualidade, determinando que o réu apresente todos argumentos de fato e de direito, ou seja, argumentos processuais e materiais. A doutrina indica, ainda, que referido dispositivo tem o condão de trazer segurança jurídica, pois, ao determinar que toda a matériade defesa seja trazida no bojo da contestação, assegura-se à outra parte que não haverá surpresas no curso do processo. Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br No fim deste artigo, é determinado também que o réu deve indicar as provas que pretende produzir. Saliente-se que as provas documentais que o réu já tem em mãos no momento em que apresenta a contestação devem ser juntadas à petição. Caso ele não apresente os documentos neste momento, será impossibilitado de apresentar posteriormente: ocorre a preclusão. Evidente que, caso um documento novo seja produzido no curso do processo ou caso o réu só tenha acesso ao documento depois de já ter apresentado a contestação, poderá juntar o documento aos autos posteriormente, bem como poderá juntar tardiamente provas que só tenham surgido depois do momento da contestação. No que tange os demais meios de prova, o réu pode fazer um mero pedido genérico ao final da contestação para que, no momento oportuno em que o juiz determinará que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir, tanto o réu quanto o autor as especifiquem pormenorizadamente. Caso não o faça, porém, o próprio juiz dará um despacho pedido que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Defesas Processuais ou Preliminares Na contestação, o réu deve arguir matérias processuais e matérias de mérito. Cada uma dessas matérias é um tipo de defesa. Primeiramente, analisaremos as matérias processuais que são comumente denominadas preliminares ou defesas de rito. Elas tratam apenas de aspectos formais. As defesas processuais, de rito ou preliminares carregam este último nome porque devem ser alegadas primeiro, antes de qualquer argumento sobre o mérito do direito que a ação pretende discutir. A ordem a ser obedecida na contestação é disposta no artigo 337 do CPC, o qual elenca as matérias preliminares. A ordem decorre do fato de a contestação ser formal: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar (…) Isto ocorre porque as preliminares, por versarem sobre direito processual, têm o condão de denunciar irregularidades processuais que possam obstar ou dificultar a correta entrega da tutela jurisdicional requerida pelo autor. Desta forma, caso o “defeito processual” que o réu arguir em sede de preliminar seja um defeito insanável, ele acarretará a extinção do processo sem julgamento de mérito, hipótese em que o direito material pleiteado pelo autor não será julgado. Por outro lado, lembre-se sempre de que, se o “defeito processual” arguido pelo réu for sanável, o juiz determinará seu saneamento (sua correção) e, posteriormente, o processo seguirá a fim de que o direito material pleiteado pelo autor seja devidamente discutido e que seja prestada a tutela jurisdicional conforme a provocação. Classificação das Defesas Preliminares As defesas preliminares podem ser de três tipos: peremptórias, dilatórias e dilatórias potencialmente peremptórias. As defesas peremptórias são aquelas que, caso acolhidas, ensejarão a extinção do processo: é o que chamamos anteriormente de vício insanável. São exemplos o processo ajuizado em relação a coisa julgada, aquele sobre o qual há litispendência, aquele ajuizado com inépcia da petição inicial ou ilegitimidade da parte, e aquele sobre o qual houver recaído a perempção. As defesas dilatórias são aquelas que, no máximo, retardam o processo: é o que chamamos de vício sanável. Ora, ao se mandar que um vício seja sanado, algum tempo há de ser despendido nisto e, por isso, as defesas são chamadas de dilatórias (pois, indiretamente, elas retardarão a análise meritória do processo). Estas defesas dilatórias tratam de vício sanável. São exemplos a alegação de conexão de causas, a de incompetência do juízo e a de nulidade da citação. Veja: uma defesa meramente dilatória há de se tornar peremptória quando a parte deixar de cumprir a diligência saneadora que lhe for determinada pelo juiz dentro do prazo estabelecido. Estes casos comporão as defesas dilatórias potencialmente peremptórias. Em suma, então, em primeiro momento, elas retardam o processo, podendo culminar na sua extinção quando do não saneamento do vício sanável em questão. Defesas Materiais ou Meritórias As defesas materiais são os argumentos utilizados pelo réu para refutar a pretensão perseguida pelo autor da ação no que concerne ao direito material pleiteado. Elas atacam o fato jurídico que constitui o mérito da causa. Classificação das Defesas Materiais As defesas materiais podem ser divididas em defesas diretas e defesas indiretas. As defesas diretas são aquelas que negam o próprio fato constitutivo do direito do autor ou negam a consequência que o autor atribuiu ao dado fato. Exemplos: Autor alega que réu alugou o seu imóvel e, por isso, deve R$ 1.000,00 de aluguel; réu diz que nunca alugou o tal imóvel = nega fato constitutivo do direito do autor. Autor alega que réu alugou o seu imóvel e, por isso, deve R$ 1.000,00 de aluguel; réu diz que alugou o imóvel mas, em troca da moradia, deu-lhe um carro como acordado = negou a consequência (pagamento de R$ 1.000,00) que o autor atribuiu ao fato (aluguel). Vê-se que as defesas diretas voltam-se contra a pretensão do autor objetivando destruir seus fundamentos de fato ou de direito. Já as defesas indiretas são as que expõem fatos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito pleiteado pelo autor sem, no entanto, negar o fato em que se funda a ação proposta. Melhor explanação de cada um deste tipo de defesa indireta será melhor abordada posteriormente. Bem como as defesas processuais, as defesas materiais podem ser dilatórias, quando acabarem por prolongar o tramite do processo, retardando o exercício do direito perseguido, e peremptórias, quando pretenderem a total invalidação do direito alegado pelo autor. Boa fé e veracidade Apesar da existência dos princípios da concentração de defesa e da eventualidade, é necessário que o réu se atenha aos argumentos lógicos e possíveis de incidir na causa em questão. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Isto porque a apresentação de defesa alegando tudo quanto for possível no mundo do direito será tratada como um tumulto e um abuso do direito de defesa, trazendo consequências negativas ao réu. Poder-se-ia invocar o princípio da boa-fé contra ele, nestes casos. “A apresentação de defesa incoerente é hipótese de abuso do direito de defesa e pode ensejar a concessão de tutela antecipada com base na evidencia a favor do autor”[3] Quais são as defesas preliminares? Inexistência ou Nulidade da citação Em sua contestação, o réu pode arguir que não foi citado ou que a forma como a citação for realizada foi nula. Este argumento é utilizado, normalmente, quando, em razão da inexistência ou da falta de citação válida, o réu deixa de apresentar sua contestação dentro do prazo (tempestivamente). Por exemplo: Oficial de Justiça, com a intenção de citar o réu João, vai até a casa de Pedro, seu vizinho, e cita a Pedro como se João fosse. Todavia, escreve no mandado que citou João, e ninguém se dá conta do engano na hora. Ora, neste caso, não houve a citação do réu mas em razão da certificação do Oficial de Justiça, o prazo para contestação começou a correr. Pedro só vem a relatar o ocorrido a João um mês depois, quando o prazo de contestação já transcorreu in albis. Neste caso, João deverá apresentar sua contestação assim que puder, alegando o defeito na citação. Lembre-se: o aparecimento espontâneo do réu aos autos supre a inexistência ou falta de citação válida, de forma que ele não precisará ser citado novamente, como se houvesse sido já adequadamente citado. Caso o juiz acolhaa arguição de inexistência ou nulidade da citação, ele considerará a contestação que foi apresentada fora do prazo como se fosse tempestiva. Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1o O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. Neste caso, ainda, todos os atos processuais que foram praticados após a citação nula serão também nulos e o processo retroagirá, devendo todos aqueles atos ser praticados novamente. Por fim, caso o juiz não acolha a arguição de inexistência ou nulidade de citação, o réu será www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br considerado revel. Art. 239, § 2o Rejeitada a alegação de nulidade, tratando-se de processo de: I - conhecimento, o réu será considerado revel; A revelia traz algumas consequências jurídicas ao réu, como a presunção de veracidade dos fatos expostos pelo autor na inicial, porém estudaremos os efeitos da revelia mais a fundo posteriormente. Incompetência absoluta ou relativa Neste caso, o réu arguirá que o juízo para o qual foi distribuída a ação não é competente para julgar o direito material em questão, apresentando os motivos. Na vigência do CPC de 1973, a alegação de incompetência era arguida separadamente da contestação, formando um incidente chamado exceção de incompetência. Com o CPC 2015, em razão da concentração da defesa, a incompetência passou a ser alegada diretamente na contestação, agilizando o decorrer do processo. Ressalte-se que, no caso da incompetência relativa, a contestação é o único momento em que o réu poderá argui-la. Se não o fizer, a competência será prorrogada, de forma que aquele juízo relativamente incompetente passará a ser competente. Todavia, caso seja a hipótese de incompetência absoluta, esta poderá ser arguida a qualquer grau ou tempo de jurisdição. A priori, importante salientar, o próprio juiz é quem deve alegar sua incompetência absoluta de ofício! Caso o juiz acolha a alegação de incompetência formulada pelo réu, ele enviará os autos ao juiz competente. Este, por sua vez, decidirá se os atos que foram praticados pelo juiz anterior (incompetente) subsistirão ou serão anulados. Incorreção do Valor da Causa Assim como a incompetência, esta alegação também era tratada em uma exceção, porém, com o novo CPC, passou a ser discutida na própria contestação. Esta alegação tem vez quando o réu verifica que o autor deu um valor equivocado à causa. Isto é importante para o réu porque, além de o valor da causa ser o valor da condenação (em caso de ações com sentenças condenatórias), também influenciará o valor da sucumbência e honorários advocatícios. Caso tal arguição seja acolhida pelo juiz, este determinará que o autor corrija o valor da causa e pague eventuais custas processuais decorrentes da diferença. Inépcia da Petição Inicial Nesta defesa preliminar, o réu deve alegar que, ao redigir a petição inicial, o autor deixou de cumprir algum ou alguns dos requisitos do artigo 319 do CPC. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 319. A petição inicial indicará: I - o juízo a que é dirigida; II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; IV - o pedido com as suas especificações; V - o valor da causa; VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação. Caso o juiz acolha a alegação, reconhecendo que existe um defeito na petição inicial, ele deverá intimar o autor a emendar a inicial (complementá-la) ou sanar o vício apontado. Se o autor permanecer inerte e não consertar o vício encontrado, o processo será extinto sem resolução do mérito. Isto porque um vício na petição inicial dá causa a possível entrega equivocada da tutela jurisdicional, impossibilitando a correta apreciação do mérito da causa. Perempção A perempção é um pressuposto processual negativo, ou seja, se houver perempção, não há como o processo se desenvolver validamente. O que é perempção? É o ajuizamento da mesma ação, com a mesma causa de pedir, mesmo pedido e contra o mesmo réu pela quarta vez. Ocorre se, nas três vezes anteriores, o autor permitiu que a ação fosse extinta sem julgamento do mérito por abandono. Isto quer dizer que o autor pode ajuizar um mesmo processo contra o réu três vezes mas, se nas três vezes, abandonar a causa, não poderá processar uma quarta vez. Caso, em sua arguição, o réu prove que já foi judicialmente acionado três vezes pelo mesmo motivo e pelo mesmo autor, o juiz extinguirá este quarto processo sem resolução do mérito. Ademais, o juiz poderá arbitrar multa ao autor por litigância de má-fé. Litispendência A litispendência também é um pressuposto processual negativo, ou seja, caso exista, o processo não poderá se desenvolver validamente. Portanto, a presença da litispendência levará a extinção do processo sem resolução do mérito. A litispendência ocorre quando existem duas demandas idênticas em curso concomitantemente, ou seja, o autor ajuíza duas ações contra o mesmo réu e pelo mesmo www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br motivo. Coisa Julgada Assim como a litispendência, trata-se da hipótese de haver duas ações idênticas, com mesma causa de pedir, pedido e partes. Todavia, na coisa julgada, uma destas ações já foi julgada e já transitou em julgado. Sendo assim, em razão do direito material em questão já ter sido decidido em outra ação, não é possível que seja discutido novamente em ação nova. Isto porque a decisão nova feriria a coisa julgada já existente. Art. 337, § 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. § 4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. Conexão Apesar de o CPC falar apenas sobre a conexão, a doutrina também admite a hipótese de arguição da continência como preliminar de contestação. Ademais, ainda que não exista concretamente a conexão ou a continência, mas haja qualquer risco de decisão conflitante entre dois processos, é possível que sejam arguidas a fim de reunir os processos no juízo prevento. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Mas o que são conexão e continência? A conexão ocorre quando dois ou mais processos têm o mesmo pedido ou causa de pedir. Já a continência ocorre quando dois ou mais processos têm as mesmas partes e mesma causa de pedir, porém o pedido de uma é mais amplo do que o da outra. A razão de se arguirem estas preliminares é que, caso os processos corram em paralelo, há perigo de que juízos profiram decisões conflitantes, o que não pode existir. Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização O Código de Processo Civil elenca estas hipóteses, porém não especifica a que estas dizem respeito, o que ficou a cargo da doutrina esclarecer. ? A incapacidade da parte, portanto, diz respeito à participação processual do menor indevidamente representado ou assistido. Lembre-se de que, em razão do Estatuto da Pessoa com Deficiência, estes não são mais considerados incapazes, a menos que sejam judicialmente declarados como tal. Se submetidos a processo para tutela/curatela, por exemplo. Logo, em um primeiro momento, apenas os menores de 16 anos são absolutamente incapazes e apenas os menosde 18 anos e maiores que 16 são relativamente incapazes. ? O defeito de representação diz respeito à: 1. Falta de apresentação de procuração a algum advogado (art. 104 do CPC) 2. Ausência de apresentação dos atos constitutivos de pessoa jurídica, nos casos em que se tratar de tal; 3. Não comprovação da regularidade daquele que outorgou os poderes, em nome da pessoa jurídica, para o advogado agir, também nos casos pertinentes. ? A falta de autorização ocorre quando uma pessoa precisa de autorização de outra para litigar sobre determinado direito. É o que ocorre, por exemplo, nas ações sobre direito real imobiliário pois, caso uma das partes seja casada, precisará apresentar autorização do seu cônjuge para tornar litigiosa a coisa (art. 73 do CPC). Nestes três casos postos, o juiz deve dar a possibilidade à parte de sanar o vicio de representação ou autorização. Apenas na hipótese do vicio não ser sanado dentro do prazo designado pelo juiz é que o processo será extinto sem resolução de mérito. Convenção de arbitragem Também é um pressuposto processual negativo, ou seja, caso haja uma convenção de arbitragem celebrada entre as partes, o processo judicial perante o Poder Judiciário não poderá desenvolver-se regularmente. A convenção de arbitragem deve ser alegada quando as partes já convencionaram, através de cláusula compromissória ou de compromisso arbitral, que a lide seria discutida e julgada em sede de tribunal arbitral e não perante o Poder Judiciário. Atenção: mesmo havendo prévia convenção de arbitragem firmada pelas partes, se nenhuma delas alegar sua www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br existência em juízo, presumir-se-á que ambas aceitaram ter sua causa decidida em âmbito judiciário mesmo, seguindo-se o tramite processual normalmente; ou seja, o juiz não deve retirar-se do ônus de julgar a ação quando se deparar com convenção de arbitragem, extinguindo o processo. Para que a causa posta no judiciário seja transferida para âmbito arbitral, como esperado pela convenção ora firmada, uma das partes deve demandar que assim seja feito, não podendo o juiz fazê-lo de ofício. Para refrescar a memória Cláusula Compromissória Cláusula inseria em contrato que prevê, entre os contratantes, a submissão de qualquer ou de um especifico litígio a um juízo arbitral. Compromisso Arbitral Convenção firmada entre as partes pela qual submetes um especifico litígio concreto a um juízo arbitral. Então, caso o réu não alegue a existência de convenção de arbitragem em sua contestação, sua omissão acarretará renúncia à convenção de arbitragem e automática aceitação à jurisdição estatal. Art. 337, § 6o A ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem, na forma prevista neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral. Reforça-se: ainda que as partes tenham estabelecido, por meio de contrato ora juntado aos autos, que sua causa seria julgada em âmbito extrajudicial, ou seja, pela arbitragem, mesmo o juiz observando a existência da convenção, não poderá se pronunciar a respeito. § 5o Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. Caso, entretanto, o réu faça a arguição da convenção de arbitragem, o juiz extinguirá o processo sem resolução de mérito. Ausência de legitimidade ou interesse processual A legitimidade da parte e o interesse processual, importante que se diga, são pressupostos processuais. Não são mais considerados condições da ação, como eram tratados no antigo CPC. Ambos são requisitos objetivos de validade do processo. A ausência de legitimidade de parte diz respeito à ausência de fundamento jurídico para que determinada pessoa faça parte do processo, seja como autor ou como réu. Sendo assim, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br a legitimidade é dividida em legitimidade ativa (legitimidade para ajuizar ação) e legitimidade passiva (legitimidade para figurar como réu). Tem legitimidade ativa o detentor do direito material que está sendo pleiteado na ação, ou seja, aquele que pode exercer o pleito. Assim, pode ser autor quem atribui a si o direito que pleiteia. Tem legitimidade passiva aquele que causou dano ao autor ou é responsável, de qualquer forma, por materializar o direito pleiteado pelo autor. Pode ser parte ré aquele a quem o autor atribui o dever de satisfazer sua pretensão. Já a falta de interesse processual diz respeito à desnecessidade de se provocar a jurisdição estatal para resolução da lide ou a inadequação da via eleita para tanto. Portanto, há interesse processual quando o autor demonstra que não pode resolver a controvérsia de outra forma que não seja pelo ajuizamento da demanda (satisfazendo o primeiro requisito do interesse processual, qual seja, a necessidade). Além disso, o autor deve demonstrar que está utilizando via processual adequada ao seu pleito; por exemplo, não poderá ajuizar ação indenizatória para requerer usucapião (satisfazendo o segundo requisito do interesse processual, qual seja, a adequação). Portanto, caso não fiquei comprovada a necessidade do processo e a sua adequação ao caso concreto, o autor carecerá de interesse processual. Ambas arguições devem ser feitas na contestação e podem ser resolvidas pelo juiz em dois momentos: 1. Logo que apresentada a contestação (in status assertionis): causa extinção do processo sem julgamento de mérito. 2. Após toda a cognição do processo: causa improcedência do pedido. Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar Existem hipóteses especificas em que a lei exige caução ou outro tipo de prestação para que o pedido do autor seja concedido. Isto acontece normalmente em situações nas quais a observância do pedido do autor gera, de alguma forma, risco ao réu ou se mostra demais onerosa a este, devendo ser “coberta” por um tipo de garantia para se minimizarem quaisquer possíveis prejuízos. Desta forma, caso a caução/prestação não seja feita ou, se feita, seja insuficiente ou inidônea, o réu deverá alegar a falta de caução em contestação. Temos, como exemplo de caução requerida na lei, o artigo 83 do CPC, o qual diz respeito à necessidade de caução para pagamento de custas e honorários para parte que residir fora do Brasil. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 83. O autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou deixar de residir no país ao longo da tramitação de processo prestará caução suficiente ao pagamento das custas e dos honorários de advogado da parte contrária nas ações que propuser, se não tiver no Brasil bens imóveis que lhes assegurem o pagamento. Cumpre destacar que, uma vez arguida esta preliminar de falta de caução, o juiz deve dar prazo ao autor para que sane o vício (entregando a caução). Apenas se não o fizer é que o processo poderá ser extinto sem resolução de mérito. Ademais, os requisitos que causam a obrigatoriedade de caução em determinados casos podem ser dispensados caso impliquem óbice à prestação da tutela jurisdicional, ou seja, caso tornem impossível o prosseguimento do autor com seu pedido. Isto porque a aplicação do direito não pode ficar restrita apenas àqueles que têm condições financeiras de prestar caução, o que seria inconstitucional. Portanto, analisando-se o caso concreto, se a obrigatoriedade da caução impedir que o direito seja corretamente distribuído, o juiz poderá dispensá-la. Indevida concessão do benefício da gratuidade da justiça Este benefício é concedido às partes que demonstram não ter condições financeiras de arcar com as custas processuais de um processo e, ainda, de arcar com a sucumbência em casos de perda da lide. Esta preliminar também costumava ser arguia através de uma exceção mas, com o CPC 2015, passou a ser concentrada na contestação. Procedimentos específicos das defesas preliminares Ilegitimidade Passiva Caso o réu alegue, na contestação, que:(i) não é a parte legítima para responder pelo pleito do autor, (ii) não foi ele quem provocou o prejuízo pelo qual o autor pretende ser ressarcido, deverá ser observado o seguinte procedimento: 1. O juiz dará 15 dias ao autor para que ele substitua o réu: caso o autor o faça, ele deverá pagar as despesas do réu substituído (3% do valor da causa) e os honorários de seu advogado (5% do valor da causa). Se estas porcentagens somarem um valor irrisorio, entretanto, o juiz arbitrará um valor por equidade*. *A aplicação do princípio da equidade é inerente ao conceito da justiça que o direito se propõe a praticar. Enquanto a lei generaliza, considerando todos iguais, a equidade preenche possíveis lacunas que poderiam causar injustiças devido ao fato de as pessoas serem, de fato, diferentes. A aplicação da equidade, assim sendo, permite que a justiça realmente se faça de acordo com as especificidades que a lei não contempla. 1. O réu que fizer esta alegação deverá indicar quem deve substitui-lo, ou seja, quem seria o verdadeiro réu, já que não é ele. Claro que esta indicação só ocorrerá se o réu efetivamente souber quem deve ser o réu em seu lugar, não sendo ela obrigatória, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br portanto. 1. Caso o réu saiba quem deve substitui-lo e não faça esta indicação ou a faça erroneamente imbuído de má-fé, estará sujeito a arcar com as despesas processuais e indenizar o autor pelos prejuizos decorrentes da falta de indicação. 2. Caso o réu faça a indicação adequadamente, o autor deverá, em 15 dias, alterar a inicial pagando as despesas e custas ao réu que indicou erroneamente. Ele pode, em acordo com o caso concreto, tanto trocar o réu quanto apenas incluir o réu novo como litisconsorte passivo. Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação. § 1o O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338. § 2o No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu. Incompetência Caso o réu alegue incompetência do juízo, ele poderá protocolar sua contestação no juízo do seu domicílio ao invés de protocolá-la perante o juiz da causa! A contestação será distribuída a um juiz (assim como são distribuídas as petições iniciais) ou, se o réu foi citado por precatória, a contestação será juntada na precatória. Em seguida, a contestação será enviada ao juiz da causa, que decidirá sobre a competência. Caso seja entendido que o juízo competente é aquele em que o réu protocolou sua www.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art338 http://www.trilhante.com.br contestação, o juiz a quem foi distribuída a contestação/juiz da precatória ficarão preventos para julgamento da lide, e o tramite prosseguirá normalmente. Na hipótese de já ter sido designada audiência de conciliação e mediação, esta ficará suspensa. Apenas será designada nova data quando decidida a questão da competência. Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio eletrônico. § 1o A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu houver sido citado por meio de carta precatória, juntada aos autos dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa para o juízo da causa. Este trâmite da contestação tem como fundamento o acesso a justiça, que deve ser garantido e, na medida do possível, facilitado a todos. Cabe salientar que, da decisão sobre a competencia, não cabe recurso, podendo ser arguida a questão novamente apenas em preliminar de apelação. Defesa de mérito As defesas materiais podem ser divididas em defesas diretas e defesas indiretas, como já visto. Defesas Diretas As defesas diretas são aquelas em que o réu nega a existência do direito do autor por não existir o fato constitutivo de tal direito ou por, confirmando-se o fato, não terem ocorrido as consequências que o autor lhe atribuiu. Em outras palavras, nega-se o pedido ou a causa de pedir. Defesas Indiretas Já as defesas indiretas são as que, reconhecendo a existência do direito alegado pelo autor, expõem fatos impeditivos, extintivos ou modificativos deste. Estas defesas aceitam os fatos dados pelo autor porém trazem novos fatos que são capazes de elidir o direito pleiteado. Em razão disso, são chamadas de “exceções substanciais”, pois ampliam a matéria cognitiva, ou seja, trazem novos fatos a serem apreciados pelo juiz, sendo que caberá ao réu o ônus probatório ao alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fato Impeditivo O fato impeditivo é aquele que impede ou retarda a projeção dos efeitos pretendidos pelo autor em sua inicial, ou seja, interrompe o exercício de certo direito por algum motivo predeterminado, interrompendo seus efeitos no dado momento. Exemplo: Autor ajuíza ação de cobrança contra Réu. Em sua contestação, o Réu alega que, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br de fato, contratou e deve o valor indicado porém que firmara com o autor um acordo segundo o qual somente pagaria tal dívida dali a seis meses. Sendo assim, o autor está impedido de cobrar a dívida porque ela ainda não está vencida. Da mesma forma ocorre nos casos de exceção do contrato não cumprido*: as partes admitem que o contrato existe, bem como as obrigações a ele inerentes, mas a falta de cumprimento do contrato por uma parte desobriga a outra de cumpri-lo, ou seja, impede a parte descumpridora de cobrar o cumprimento da parte contrária. *Trata-se da possibilidade de um contratante deixar de cumprir suas obrigações contratuais porque o outro contratante também deixou de cumprir as suas ou arcar com as contraprestações. Fato Modificativo Os fatos modificativos alteram as consequências jurídicas do direito do autor. Desta forma, o Réu admite o fato constitutivo do direito, mas traz ao juiz fatos novos que causam alguma mudança da consequência jurídica do direito pleiteado. Observe que a admissão da verdade do fato alegado não importa submissão à pretensão narrada! Em outras palavras, aceita a causa de pedir e refuta o pedido. Exemplos: Autor propõe ação de cobrança contra o Réu fundada em um contrato de R$ 100.000,00. Em sua contestação, o Réu informa que já pagou R$ 30.000,00, e que, portanto, deve apenas R$ 70.000,00. Autor propõe ação de ressarcimento de danos contra o Réu, pois este estava em alta velocidade e bateu em seu carro. Em sua contestação, o Réu informa que, de fato, bateu, mas também porque o autor cruzou um farol vermelho. Autor propõe ação de cobrança contra o Réu cobrando R$ 100.000,00. Em sua contestação o Réu admite dever o valor, mas também há que o Autor lhe deve R$ 50.000,00. Fatos Extintivos Estes eliminam totalmente o direito do autor. Exemplos: Autor propõe ação de cobrança contra o Réu fundada em um contrato de R$ 100.000,00. Em sua contestação, o Réu informa -e prova- que já pagou a totalidade da dívida. Na mesma hipótese, também serão fatos extintivos os que provarem que a dívida está prescrita ou que o Autor perdoara a dívida expressamente. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Defesa de Mérito e Apresentação de Fato Novo Presunção de veracidade em razão do princípio da impugnação específica Como falamos anteriormente ao tratar do princípio da impugnação específica, aquilo que o réu não impugnar, ou seja, o fato a respeito do qual o réu se omitir acarretará presunção de veracidade do formulado pelo autor. Todavia, existem hipótesesem que a presunção de veracidade não ocorre: Se houver mais de um réu e algum deles contestar: é pressuposto que o réu contestante arguiu defesa comum aos que ficaram em revelia. Esta regra sempre se aplica ao litisconsórcio unitário (é aquele em que a decisão terá os mesmos efeitos para todos os réus). Se o fato não admitir confissão: a confissão é uma espécie de prova e existem algumas matérias que não a admitem! Ilustra-se: a confissão será inadmissível quando seu objeto tratar de direitos indisponíveis (art. 302 e art. 392 do CPC), como se dá nas ações de investigação de paternidade, por exemplo. Desta forma, se não é possível confessar sobre o fato abertamente, também não poderá ser presumida a veracidade sobre ele. Se a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar substância do ato: a venda de um imóvel, por exemplo, ocorre com o registro público. Caso este seja o direito material em discussão e o autor não apresente o registro, não será possível que a omissão do réu acarrete presunção de veracidade sobre a venda. Se o fato estiver em contradição com a defesa considerada em seu conjunto: por mais que o Réu não impugne uma afirmação de forma específica, se a interpretação total da contestação por ele entregue negar o fato afirmado pelo autor, este não será presumido verdadeiro. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Por fim, a presunção de veracidade não ocorrerá quando o réu for defendido por defensor público, advogado dativo ou curador especial. Estes, apenas quando não tiverem contato efetivo com o réu, podem apresentar contestação por negativa geral, ou seja, apenas negar todos os fatos ditos na inicial sem se manifestar sobre cada um especificamente. Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: I - não for admissível, a seu respeito, a confissão; II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial. Fatos de Defesa Tardios Como dissemos antes, o réu deve indicar todos os motivos de sua defesa na contestação. Todavia, existem algumas defesas que podem ser suscitadas posteriormente e ser conhecidas pelo juiz, ou seja, que não são alcançadas pela preclusão. Hipóteses: Fato superveniente: diz respeito tanto a fatos novos (ocorridos depois da contestação), quando a fatos velhos, mas que só foram conhecidos pelo réu após a contestação (neste caso, ele deverá comprovar justa causa ou força maior que impediram seu conhecimento previo sobre o fato). Matéria que competir ao juiz conhecer de ofício: já que o juiz pode reconhecer a matéria de ofício, o réu tambem poderá alegá-la a qualquer tempo. Vejamos o artigo 485, §3° do CPC: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; (...) IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e (...) § 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...) Portanto, pode-se dizer que as matérias que dizem respeito à ordem pública (tanto no direito material quanto no direito processual) podem ser alegadas a qualquer tempo, por competir ao juiz alegá-las de ofício. Fato puder ser suscitado a qualquer tempo ou grau de jurisdição: neste caso, a própria lei estipula certas regras jurídicas que podem ser deduzidas a qualquer tempo por definição, deixando claro que não precisam necessariamente ser alegadas em contestação, mas não eximindo a parte da responsabilidade por não o fazer. É o caso da incompetência absoluta, da prescrição, da decadência e do impedimento, por exemplo. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Reconvenção Reconveção é um contra-ataque, tem natureza jurídica de ação. O réu apresenta suas pretensões próprias (ampliação objetiva da demanda), apresenta nova causa de pedir e novos pedidos, diferentemente da contestação que é apenas uma defesa. Na reconvenção réu e autor figuram, ao mesmo tempo, polos ativos e passivos. A promoção da economia processual é uma das funções da reconvenção. Há uma garantia que as demandas sejam julgadas concomitantemente, isto é, o juiz tem que decidir não somente os pedidos do autor, mas também os pedidos do réu que reconvem. Assim, afasta- se o risco de decisões conflitantes. Porém, as pretensões do réu devem ser conexas com as do autor ou com os fundamentos de defesa. Sem a reconvenção, o réu ajuízaria ação e outro juiz julgaria, assim, correndo o risco de obter decisões conflitantes. A reconvenção é ação nova e não novo processo. A ação e a reconvenção tem um único processo e uma única sentença para ambos. Dessa forma, caso o juiz a indefira, não estará promovendo sentença, mas sim realizando uma decisão interlocutória. A pretensão do réu reconvinte pode ser de natureza declaratória, condenatória ou constitutiva e não precisa ser da mesma natureza da ação do autor. Art. 343 – Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 2o A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. A reconvenção é independente, isto é, o parágrafo 2º determina que mesmo que a ação se extingua ou, por exemplo prescreva ou decaia, a reconveção prossegue. A reconvenção só cabe em processo de conhecimento e não no de execução. Ademais, nos Juizados Especiais Cíveis não cabe reconvenção, visto que não coaduna com a presteza do rito. No art. 343 caput determina-se que a reconvenção deve ser apresentada na contestação. Assim, se o réu contesta e não reconvém, não terá outro momento para fazê-lo, ocorre preclusão consumativa. Porém o réu pode não contestar (art. 343 § 6o ) e apenas reconvir não sendo considerado revel, entretanto, os fatos narradaos na petição incial podem ou não serem presumidos como verdadeiros. Ademais, assim como na contestação, o prazo para a reconvenção também é dobrado nos casos que é apresentada pelo Ministério Público, Defensoria Pública, Fazenda Pública ou litisconsortes com advogados diferentes, de escritórios distintos, não sendo o processo eletrônico. § 6o O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. O art. 343 também deixa claro que a contestação e a reconveção são uma peça única, novidade em relação ao antigo Código. A reconvenção apresenta requisitos. Os pressupostos processuais são os mesmos em relação aos exigidos se a reconvenção assumisse uma forma de ação independente, porém há, também, requisitos específicos. Conexidade A reconvenção está ligada à economia processual e ao afastamento do risco de decisões conflitantes, por isso o caput do art. 343 determina a conexidade. A conexão pode se dar entre a reconvenção e a ação principal ou entre a reconvenção e os fundamentos da defesa, ou seja, fundamentos da contestação que justifiquem que o pedido da petição inicial do autor não seja acolhido. O art. 55 e subsequentes tratam de conexão e pressupõem que duas ou mais ações tenham o mesmo pedido ou a mesma causa de pedir. Competência A incompetência absoluta do juízo que receber a reconvenção é causa de indeferimento, entretanto, se ojuízo for incompetente relativo, a reconvenção não é indeferida, por força de conexidade o juiz julga a ação principal e a reconvenção. Compatibilidade de procedimentos Não cabe procedimento especial em reconvenção, apenas comum. Caso a ação principal siga procedimento especial, esta para poder ser sujeita a uma reconvenção, tem que poder converter-se ao procedimento comum. O parágrafo 5º do art. 343 define que, se houver substituição na ação principal, na lide originária, só caberá reconvenção, se o substituto também puder representar o substituído na reconvenção. § 5º Se o autor for substituto processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual. O princípio da economia processual e o risco de decisões conflitantes fazem com que haja justificativa para a ampliação de pessoas na lide que não figuravam inicialmente no art. 343 paragráfos 3º e 4º do art. 343, uma vez que se não ocorresse reconvenção e sim ajuízamento de nova ação, esta ação, provavelmente seria conexa à primeira e, assim, reunida a esta, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br aumentando a demora. § 3oA reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. § 4oA reconvenção pode ser proposta pelo réu em litisconsórcio com terceiro. Há as seguintes possibilidades a respeito desta questão: que, havendo vários réus, apenas um deles ajuíze reconvenção, em face de um ou de mais de um dos autores que havendo um só réu e vários autores, a reconvenção seja dirigida por aquele, em face de apenas um ou alguns destes; que o réu, ou os réus, associem-se a um terceiro que não figurava no processo para formular o pedido reconvencional que o réu formule a reconvenção em face do autor e de outras pessoas que não figurem no processo. A reconvenção produz efeitos de citação, uma vez que, o juiz mandará intimar o autor a apresentar, dentro de 15 dias, a resposta à reconvenção. A intimiação se dá por meio da pessoa do advoado do autor e é publicada no diário oficial. Os prazos do autor para a contestação da reconvenção estão dispostos nos artigos 180, 183 e 229 do CPC. Ademais, se o autor for MP, Defensoria Pública, Fazenda Pública, litisconsorte com advogados de escritórios diferentes, terão o dobro do tempo. Reconvenções sucessivas são admitidas pelo Código, isto é, o autor da ação principal (reconvindo), além de contestar a reconvenção, apresenta nova reconvenção. Por fim, a revelia na reconvenção somente ocorre quando o pedido reconvencional não for conexo com os fundamentos da defesa ou com as pretensões do autor da ação inicial. Ação dúplice Não é uma ação própria, é uma resposta do réu na contestação a qual mais do que contestar, o réu alega que quem tem que ganhar a ação é ele. Os pedidos do autor da petição inicial e do réu são os mesmos, porém em sentidos opostos. O réu faz pretensões em relação ao autor sem reconvir. Isto é, os pedidos do réu não criam nova ação, como na reconvenção, apenas gozam de autonomia em relação aos principais. Assim, se há extinção ou desistência sem resolução de mérito das pretensões iniciais, o processo seguirá em relação aos pedidos feitos na contestação. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Introdução O réu, desde que é citado, passa a integrar a relação processual. Art. 238 - Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual Entretanto, o réu não é obrigado a contestar, sua resposta é um ônus processual, mas se não a fizer, há consequências gravosas. Dessa forma, quando é citado é advertido das consequências de sua omissão. Art. 250 - O mandado que o oficial de justiça tiver de cumprir conterá II - a finalidade da citação, com todas as especificações constantes da petição inicial, bem como a menção do prazo para contestar, sob pena de revelia, ou para embargar a execução; Portanto, revelia é a não apresentação da contestação pelo réu no prazo da lei. Assim , é revel o réu que ficou inerte ou apresentou contestação fora do prazo. Todavia, não é revel o réu que apresenta reconvenção ao invés de contestação. Há, contudo, uma diferença entre revelia e contumácia que, normalmente, constuma gerar confusão. Revelia é omissão do réu, já a contumácia é a inércia de qualquer das partes que deixa de praticar um ônus processual. Só o réu pode ser revel, o autor nunca pode sê-lo. Isto é, a contumácia pode ser aplicada ao autor e ao réu, diferente da revelia que se aplica somente ao réu. Conclui-se, assim, que a revelia é uma espécie da contumácia. Efeitos da revelia Os efeitos que a revelia traz são dois: 1. Presunção de veracidade dos fatos narrados 2. Desnecessidade de intimação do réu revel para os demais atos do processo Ambos os efeitos citados serão estudados de forma detalhada. Entretanto, é importante pontuar que não se pode confundir a revelia com seus efeitos decorrentes, uma vez que há casos que a lei dispensa o revel das consequências. Os artigos que tratam das consequências da revelia no CPC são os arts. 341, 344 e 345. Presunção da veracidade dos fatos Art. 344 - Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. Como já visto na aula sobre contestação, o réu deve impugnar os fatos de forma específica, sob pena de presumirem-se verdadeiros. A revelia, ou seja, a não apresentação da contestação, nessa lógica, portanto, faz com que os fatos apresentados pelo autor se presumam verdadeiros. Conforme o art. 355 II, o juiz pode, se os fatos forem suficientes, julgar de imediato. Art. 355 - O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349. Contudo, essa presunção de veracidade não é absoluta e, sim, relativa e há algumas ressalvas. A presunção da veracidade deve ser sempre em relação aos fatos e nunca ao direito. Visto que o direito não pode ser presumido, nem sempre a falta de contestação levará a procedência do pedido do autor, a exemplo da questão de mérito ser exclusivamente de direito, assim, a apresentação da contestação, na prática, não repercurte de forma direta no resultado. Assim, em casos de revelia, caso o juiz não presuma algum dos fatos verdadeiros, deve expor as razões de sua convicção de forma fundamentada. Há, entretanto, previsões legais de exclusão da presunção de veracidade e estas estão nos arts. 341 e 345 Art. 345 - A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. A redação do inciso I do art. 345 é confusa, uma vez que determina que não há revelia se um www.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art344 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art349 http://www.planalto.gov.br/ccivIl_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art344 http://www.trilhante.com.br dos litisconsortes passivo apresentar contestação. Entretanto, não é tão simples assim. Há dois regimes de litisconsortes: o de independência entre os litisconsortes (simples) e o de vinculação (unitário), no primeiro, o ato de um dos réus não beneficia os demais, já no segundo, o ato de um beneficia todos os demais. Assim, o inciso em questão é relativo ao litisconsorte vinculante e não ao independente. Entretanto, há a possibilidade do litisconsorte simples vincular os demais réus quando a alegaçãofor de fato comum, isto é, que também diga respeito ao revel. O inciso II, por sua vez, traz que os fatos não podem ser presumidos como verdadeiros em caso de direitos indisponíveis que, em geral, são os direitos extrapatrimoniais e públicos, sob os quais não se admite confissão. Assim, tal hipótese abriria a via para que o réu pudesse dispor de direitos sem apresentar contestação, visto que indisponíveis. Entretanto, há restrição à presunção da veracidade dos fatos, decorrente da revelia. O inciso III do art. 345 de forma conjunta com o inciso II do art. 341 determinam que não se pode presumir verdadeiros fatos que precisam de documento comprovatório. Art. 341 - Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: I - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância do ato; Desnecessidade de intimação do réu revel para os demais atos do processo Art. 346 - Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial. Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar. A desnecessidade de intimação do réu revel para os demais atos do processo é um dos efeitos da revelia já mencionado anteriormente. Os prazos para o réu revel correm independente de intimação, visto que, se o réu revel não possuir advogado (patrono), apenas o autor será intimado. Assim, não basta que o réu apenas seja revel para não ser intimado, deve também não possuir advogado. Da mesma forma, se o réu revel constituir advogado em momento posterior no processo, passa a ser intimado. O réu revel sem advogado, como não demonstrou interesse no processo, tem seus prazos corridos independente de intimação. Porém, é imprescindível mencionar que o réu revel pode a qualquer momento entrar no processo, assim, a dispensa da intimação em razão da revelia não é definitiva. Essa é a razão da Súmula 231 do Supremo Tribunal Federal: "O revel, em processo cível, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br pode produzir provas, desde que compareça em tempo oportuno". www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Fase ordinatória Com o fim da fase postulatória, isto é, com o término do prazo de resposta, apresentação da contestação ou da reconvenção, inicia-se, assim, a segunda fase do processo de conhecimento, a fase ordinatória. Saneados eventuais vícios da fase postulatória, pode ser que nos autos estejam todos os elementos necessários para julgamento de todos os pedidos ou parte deles. O juiz, com o fim da fase postulatória, aprecia se o processo deve prosseguir ou se já é possível dar sentença. Dessa maneira, ocorre quatro tipos de jugamento nessa fase que serão tratados de forma detalhada nesta aula, estes são: Extinção do processo Julgamento antecipado de mérito Julgamento antecipado parcial de mérito (Novidade no CPC de 2015) Saneamento e organização do processo Art. 347 - Findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, conforme o caso, as providências preliminares constantes das seções deste Capítulo Extinção do Processo (NCPC, art. 354) Art. 354 - Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o juiz proferirá sentença Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento. De acordo com o art. 354 do CPC, caso as hipóteses do art. 485 ocorram, haverá extinção do processo sem resolução de mérito, isto é, o magistrado profere sentença terminativa. Entretanto, caso ocorram as hipóteses do art. 487 incisos II e III haverá uma sentença do magistrado com resolução de mérito. Art. 487 – Haverá resolução de mérito quando o juiz: II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III - homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. As hipóteses do art. 487 são chamadas de “falsas sentenças de mérito”, uma vez que o juiz não aprecia o pedido das partes. Vale mencionar, ademais, que a aplicação do art. 354 não está somente restrita a fase ordinatória, assim, estendendo-se em qualquer momento do processo que as causas de extinção se apresentem. Julgamento antecipado de mérito (NCPC, art. 355) Com o fim da fase postulatória o juiz analisa os autos do processo e determina se há condições de julgamento integral do mérito, julgamento parcial do mérito ou se há necessidade de produção de provas em audiência. Caso não haja necessidade de produção de nenhuma prova e há, nos autos, elementos suficientes para julgar de forma integral o mérito há o julgamento antecipado do mérito. Isto é, o juiz não profere uma decisão saneadora a qual é apenas necessária para a abertura da fase instrutória. Assim, o julgamento antecipado do mérito é quando o juiz examina o pedido e lhe dá procedência ou improcedência. Art. 487 – Haverá resolução de mérito quando o juiz: I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; Há duas situações as quais é possível o julgamento antecipado de mérito, assim, não havendo necessidade da fase instrutória, pula-se da fase postulatória e ordinatória para a decisória. Tais situações estão no art. 355. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 355 – O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: I - não houver necessidade de produção de outras provas; II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349. A hipótese do inciso I do art. 355 é decorrente da presunção de veracidade dos fatos em razão da revelia. O juiz, assim, está habilitado a julgar, uma vez que, sem contestação, os fatos resultam-se incontroversos. O inciso II, por sua vez, determina que o juiz pode julgar antecipadamente o mérito quando a controvérsia recai apenas sobre as questões de direito e das consequências jurídicas que se quer extrair dela, casos que só exigem prova documental ou por fatos que, em razão de serem notórios ou presumidos, não precisam ser provados ou podem ser provados por documentos. Ademais, é importante diferenciar e não confundir julgamento antecipado de mérito com improcedência liminar do pedido, uma vez que a última está disposta no art. 332 e ocorre sem a citação do réu, diferentemente do julgamento antecipado de mérito o qual ocorre após a citação do réu e está disposto no art. 355. O julgamento antecipado de mérito pode sofrer apelação pela parte inconformada. Julgamento antecipado parcial de mérito (NCPC, art. 356) O CPC de 2015 trouxe a novidade da possibilidade de promover o julgamento de parte dos pedidos, os quais já estão em condições de julgamento sem pôr fim ao processo e à fase de conhecimento, uma vez que os demais pedidos precisam ser instruídos. Na lei anterior todos os pedidos deveriam ser julgados na sentença. O NCPC permite que o julgamento de mérito seja desmembrado em momentos diferentes. Art. 355 – O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I - mostrar-se incontroverso; II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. Daremos aqui, o mesmo exemplo do Manual de Direito Processual Civil Esquematizado coordenado por Pedro Lenza “Imagine-se, por exemplo, que o autor formule duas pretensões na petição inicial. O www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br réu, em contestação, impugna apenas os fatos em que se funda uma delas, tornando necessária a produção de provas, sem impugnar a outra. O juiz decidirá parcialmente o mérito, julgando a pretensão incontroversa,por decisão interlocutória, e determinará o prosseguimento do processo para a produção de provas em relação à outra pretensão”. Assim, o processo tem apenas uma sentença, ato que põe fim a fase de conhecimento, assim, o mérito não é só apreciado na sentença, mas, também, em decisões interlocutórias, antes da sentença. Decisões interlocutórias de mérito: decisões que no curso do processo e antes da sentença julgam de maneira parcial as pretensões formuladas. O julgamento antecipado de mérito é feito por decisão interlocutória. O recurso utilizado para a situação é o agravo de instrumento (art. 1015, II). Art. 1.015 – Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I – mérito do processo; Após o julgamento parcial de mérito a parte pode liquidar ou executar a obrigação reconhecida, porém, enquanto ainda houver recurso, a execução é provisória. O art. 515, I define que a decisão interlocutória é título judicial, isto é, reconhece o cumprimento da obrigação. Art. 515 – São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: I – as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; Saneamento e organização do processo Caso não haja extinção do processo, julgamento antecipado de mérito ou julgamento antecipado parcial de mérito o juiz, por meio de uma decisão interlocutória proferirá saneamento e organização do processo. No saneamento e organização do processo o juiz: Resolverá pendências processuais Objetivará as questões de fato as quais recairá atividade probatória, determinando www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br quais serão os meio de prova admitidos Determinará o ônus da prova Determinará as questões importantes de direito importantes para o mérito Se necessário, designará audiência de instrução e julgamento Entretanto, caso haja necessidade, o juiz, em cooperação com as partes, determinará audiência para o saneamento do processo, a fim de esclarecer questões complexas. Trata-se de uma aplicação do princípio da cooperação o qual tem o objetivo das partes trazerem mais fundamentos que auxiliem no esclarecimento do saneamento do processo, assim, os sujeitos atuam de forma conjunta. Após o proferimento da decisão saneadora as partes tem um prazo de cinco dias para pedir esclarecimentos ou ajustes e, após o prazo, a decisão passa a ser estável e, somente nas hipóteses do art. 1.015 cabe agravo de instrumento. A decisão não se torna preclusa, porém, não pode ser alterada pelo juiz Portanto, na fase de saneamento do processo as partes tem uma disposição ampliada controlada pelo judiciário, a exemplo do art. 357, parágrafo 2º Art. 357 –Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo: I – resolver as questões processuais pendentes, se houver; II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos; III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373; IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito; V - designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento §1oRealizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável. §2oAs partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz. Com o saneamento do processo, passa-se para a fase instrutória. O juiz determina as provas necessárias. Caso haja necessidade de prova testemunhal, o juiz já determina data para a audiência de instrução e julgamento e dá as partes o prazo de 15 dias para definirem suas testemunhas, sendo 10 no máximo e 3 no minimo para cada prova de fato. Além disso, o juiz pode determinar o número de testemunhas em razão da complexidade do fato em questão e, caso seja caso de perícia, deve-se determinar os prazos de acordo com o art. 465. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Teoria Geral da Prova O processo de conhecimento tem por objetivo resolver uma crise de certeza. No final do processo, o juiz tem que dizer quem tem razão com base naquilo que aconteceu. A prova tem função de reconstruir os fatos para o juiz poder julgar, é uma função de descoberta da verdade. Tradicionalmente, se estabeleceu distinção entre direito civil e penal no tocante as provas. Exatamente por tutelar bens mais relevantes, no Processo Penal, diz-se que o juiz busca a verdade material, que teoricamente, é mais realística que a verdade formal do Processo Civil, em que há mais interesse das próprias partes. Além disso, a busca pela verdade deve ser preocupada com a melhor reconstrução possível dos fatos, o que tem relação com a publicização do processo. A verdade processual não tem que ser necessariamente a verdade dos fatos, porque essa, segundo a filosofia, é praticamente impossível. Contudo, deve-se buscar encontrar a verdade de maneira eficiente. A prova é o meio que permite a formação do convencimento do juiz acerca da verdade dos fatos. Com a prova, mostra-se ao juiz, que é um terceiro aos fatos, como eles aconteceram. Isso será importante para o juiz decidir. A prova não pertence à parte, ela pertence ao processo. O juiz avalia a prova independentemente de quem a promoveu. Ou seja, o juiz pode usar contra a parte uma prova que ela mesma produziu. Além disso, esta prova deve ser indicada como fundamento da formação do convencimento do juiz. Na CF/88, não se encontra regra específica sobre direito a prova. Não é necessário, contudo, que a tenha, pois se a parte deve provar os fatos que alega, o direito a prova está contido no contraditório e ampla defesa. Assim, o direito a prova é constitucional. O fato de ter direito a prova não significa direito a todo tipo de prova, que depende do fato probadum, ou seja, aquele que se deve provar. O juiz é que define o meio de prova adequado. Ademais, a Constituição Federal veda o uso de provas ilícitas (art. 5º LVI) Discute-se, também, se existe um dever de provar. O CPC de 2015 traz uma novidade sobre isso, em relação ao Princípio da Colaboração. Os artigos 378, 379 e 380 trazem disposições sobre. O art. 378 diz que ninguém pode esquivar-se do dever de provar a fim de colaborar com a justiça. Deve-se usar esse direito/dever com boa-fé. Se descumprir a boa-fé, a parte litiga de má-fé. O art. 379, por sua vez, traz o direito de não produzir prova contra si (não é considerado violação ao dever de produzir provas), mas estabelece obrigações, quais sejam: Art. 379 - Preservado o direito de não produzir prova contra si própria, incumbe à parte: I - comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; II - colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; III - praticar o ato que lhe for determinado. Em relação ao terceiro, existe um crime de falso testemunho. É um claro dever de veracidade trazido no artigo 380. No inciso II deste mesmo artigo, quando o terceiro tem um objeto que é relevante para o processo, tem o dever de fazê-lo, e se não fizer, cabe busca e apreensão. Cabe ao juiz, de ofício ou a requerimento das partes, determinar as provas necessárias ao julgamento de mérito (art. 370). Ou seja, o juiz também pode, de ofício, determinar a produção de provas. O § único coloca que meios de provas inadequados ou que só visam atrasar o processo podem ser indeferidos Muito se diz que, ao definir a prova, o juiz não está sendo imparcial, pois acaba beneficiando uma das partes. Isso não é verdade, haja vista que o juiz está buscando a verdade, além de defender um direito da sociedade. O principalargumento contra essa alegação é de que ninguém pode afirmar o conteúdo da prova antes da prova ser produzida. O juiz não está correndo risco de ser parcial porque não tem como o juiz saber quem vai ser beneficiado. A prova recai sobre fato, mais especificamente sobre aqueles que são pertinentes e relevantes. Na petição inicial e na contestação, pode existir muitos fatos, mas nem todos são pertinentes e relevantes para o convencimento do juiz. Quais são tais fatos depende do caso concreto. Há, contudo, fatos que independem de prova, como (art. 374): Como exemplo, vejamos uma citação de artigo: Art. 374 - Não dependem de provas os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos; IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Fatos notórios: são aqueles conhecidos por todos, ou ao menos pelo “homem médio”. Ex. a moeda do Brasil é o real. Fatos confessados: a parte assume na inicial (ex. estou devendo, mas minha dívida prescreveu) ou em momento de produção de provas orais (confissão). Fatos incontroversos: a parte ré não se opõe a este fato. Não é uma confissão. Existe incontroversa de fato e de pedido. Ao concordar com o pedido, o réu concorda com o www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br mérito; mas se concorda com o fato, não necessariamente concorda com o pedido. Fatos de presunção legal de veracidade: ainda que o fato não seja provado, o juiz pode julgar – Ex. Súmula 301: o pai que se nega a fazer exame de DNA para provar a paternidade, presume-se pai. Prova de direito (art. 376) Em regra, só se faz prova sobre matéria fática, haja vista que o juiz conhece o direito. Contudo, se estivesse tratando de direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, a parte pode ter que provar o alegado se o juiz determinar. Obviamente, o juiz pode fazer essa prova por si mesmo, haja vista a facilidade de verificação dessas matérias. Atipicidade dos meios de prova (art. 369) No Código há vários meios de prova, mas se a parte produzir prova que não estiver prevista expressamente, sendo essa lícita, o juiz pode acolher, uma vez que o legislador pode ser superado pelo tempo, tecnologia, etc. Ex. conversas de redes sociais. Prova emprestada (art. 372) É uma prova produzida em outro processo, mas que em razão da pertinência dos fatos ocorridos, pode ser trazida para outro processo. Pede-se uma prova emprestada de outro processo (julgado ou em trâmite) porque ela tem relação com o processo em questão. Essa prova deve ser submetida ao contraditório, ou seja, quando esta prova é trazida ao processo, as partes têm direito a falar sobre ela e a interpretá-la. O juiz tem liberdade, por força do livre convencimento, de interpretar o resultado desta prova da maneira que achar mais adequada. Não é porque o juiz do primeiro processo interpretou a prova de uma forma, que o juiz do processo atual está vinculado a essa interpretação. Produção antecipada da prova ou ação probatória autônoma (art. 381) Esta prova, a ser produzida, está relacionada com fatos controvertidos do próprio processo. São fatos controvertidos porque precisam ser analisados para que o juiz possa decidir o mérito, de acordo com os pedidos. A prova antecipada é usada simplesmente para que em uma ação, a prova seja produzida. O juiz não vai julgar esta prova. Ajuíza-se ação autônoma com finalidade probatória. Pode-se pensar em dois grandes grupos de utilidade dessa prova: a) Utilidade da urgência: não se pode esperar o momento adequado para produzir a prova, porque a situação impede a produção da prova no momento natural. A ação ajuizada com a finalidade de produzir a prova é feita em razão da urgência. b) Finalidade única de produzir provas: não depende de urgência. A ação é totalmente diferente das tradicionais, pois não tem conflitos de interesses. Independe de requisitos mais restritos (inciso II e III – novidade do NCPC). www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 381 - A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação; II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito; III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação. §1oO juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso. §2oO juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. §3oOs interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. §4oNeste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. O requerente precisa indicar os motivos pelos quais deseja a produção da prova, e para isso deve relacionar com os incisos mencionados acima. Deve também detalhar os fatos. Assim, a petição é diferente (não tem fatos, causa de pedir e pedido), pois há uma descrição de fatos, um pedido motivado. O juiz vai determinar a citação, pois é preciso garantir o contraditório e ampla defesa. Na citação, não é citado o réu, porque não há pedido contra a pessoa para que seja réu. Assim, trata-se de interessado. O juiz não se manifestará sobre ocorrência ou não dos fatos, não pode dizer nada, porque o juiz não tem nem autorização dada pelas partes para isso. Sua função é de chancela judicial para produzir a prova. Os interessados podem requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionado ao mesmo fato e que não acarrete excessiva demora. Não há defesa e recurso porque não é um processo litigioso. Ônus da prova (art. 373) A ideia de ônus está relacionada a um imperativo do próprio interesse. Não é obrigação, nem direito, é algo que, se não for realizado, pode ter prejuízo ou deixar de ter benefício. Há uma regra geral, que basicamente diz que o ônus da prova recai sobre quem afirma. A prova não pertence a parte, pertence ao processo. O ônus estático da prova é aquele que está já estabelecido e já se sabe de antemão o que deve fazer, pois isso é estabelecido pelo legislador. É uma regra liberal, porque o legislador parte do pressuposto de que as partes estão em capacidade probatória igual. Se quem faz a alegação não tem a melhor situação para provar, o juiz pode distribuir o ônus da prova para conseguir mais equilíbrio. Ocorre inversão do ônus da prova, por exemplo, em relações de direito do consumidor, em que o consumidor é a parte hipossuficiente. O ônus dinâmico da prova é aquele que, a luz do caso concreto, o juiz pode alterar a regra de “quem alega prova”. O juiz deve deixar claro, por meio de decisão motivada, quais são os elementos, na sua percepção, que justificam que a outra parte é que tem melhores condições de produzir a prova. A parte onerada pelo juiz pode recorrer da decisão. Isto é, o Código de www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Processo Civil de 2015 traz como inovação a distribuição dinâmica do ônus da prova. Art. 373 - O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Quem alega prova se o réu traz fato novo, atrai para si o ônus da prova. Está é a regra da prova no caso do ônus estático. Essa regra já não se aplicava dessa forma. O Código de Defesa do Consumidor, por exemplo, ao aplicar a inversão do ônus da prova, já contrariava tal regra em função de uma regra de isonomia, de modo que fatos alegados pelo consumidor deveriamser comprovados pelo réu, em razão da hipossuficiência do consumidor. A lei estabelece a inversão no ônus estático, mas o juiz avalia o ônus no caso concreto, sendo o ônus dinâmico. O ônus dinâmico está previsto no § 1° do artigo 373. O juiz poderá dinamizar o ônus em caso de impossibilidade e excessiva dificuldade de provar o encargo, ou maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário. O juiz deve dinamizar o ônus em decisão fundamentada e que permita a parte onerada se desincumbir deste ônus, ademais, a inversão deve ocorrer na instrução e não no julgamento, a fim de permitir o contraditório e a ampla defesa. Na fase de saneamento o juiz já define e informa as partes acerca da inversão do ônus da prova. A inversão do ônus da prova é uma decisão interlocutória e cabe agravo de instrumento, porque é grave que a parte vá para a fase instrutória tendo que produzir uma prova que não possui capacidade de produzir (§2° do art. 373). Por isso é importante a decisão fundamentada. No §3°, se estabelece que cabe negócio jurídico processual sobre produção de provas, isto é, por convenção das partes. Só não é permitido quando recair sobre direito indisponível da parte ou tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Assim, além do proposto pela lei, a convenção vincula as partes. Curiosidade: A prova praticamente impossível ou excessivamente difícil de se produzir chama- se prova diabólica. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Provas em espécie Em princípio não existe hierarquia entre os meios de prova, o juiz pode apreciar todos eles de maneira livre, desde que fundamente sua decisão. No tocante às provas, o CPC traz os seguintes meios: Ata notarial (art. 384), Depoimento pessoal (art. 385), Confissão (art. 389), Exibição de documento ou coisa (art. 396), Prova documental (art. 405), Prova testemunhal (art. 442), Prova pericial (art. 464) Inspeção judicial (art. 481) Ata notarial (art. 384) A ata notarial é lavrada por tabelião, é um documento que goza de fé pública, realizada em cartório extrajudicial. A importância da ata notarial é justamente sua confiabilidade, uma vez que tem fé pública. Também é muito usada com situações que são efêmeras e desaparecerão, como um vídeo ou outras situações de imagens e sons. O tabelião caracteriza o que vê. A ata notarial blinda a parte que alega. Art. 384 -. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por tabelião. Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial. Depoimento pessoal (art. 385) O depoimento pessoal é requerido pelo juiz ou pela parte contrária. É a oitiva das partes. Não se confunde depoimento pessoal com confissão, entretanto, o não comparecimento na audiência traz como consequência a pena de confissão. A comunicação de convocação para a audiência não se dá apenas na pessoa do advogado, é também preciso intimar a parte (intimação pessoal). A parte tem que ter certeza que foi designada a audiência, e que ela tem que comparecer sob pena de confissão. No caso de pessoa jurídica, é um representante da pessoa jurídica que será admitido na audiência como depoente, desde que tenha poderes específicos para isso. Alguns julgadores entendem que se o representante não tem poderes específicos para representar a pessoa jurídica, a confissão é tácita. Existe a possibilidade de as partes participarem da audiência de forma não presencial. O depoimento pode ser gravado (art. 385, parágrafo 3º). O artigo 388 apresentam as justificativas que permitem a parte não prestar o depoimento. São elas: fatos criminosos ou torpes; que se deva guardar sigilo por estado ou profissão; acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, do cônjuge, companheiro ou parente; que coloque em risco a vida do depoente ou das pessoas anteriores. A exceção são ações de direito de família, em que não se pode aplicar o disposto anterior, e as ações de estado (ex. separação, guarda, adoção). Confissão (art. 389) A confissão recai sobre o fato. Quando a parte confessa, ela diz que os fatos aconteceram do jeito que a outra parte está dizendo. Isso não significa que a parte que confessa perderá o processo, pois mesmo que assuma que um fato aconteceu como alegado pela outra parte, não gera proteção a parte contrária. Se a pessoa que confessa não tem poderes para isso (como no caso de representação de pessoa jurídica sem poderes para tanto), o depoimento é considerado prova, e não confissão. A confissão não prejudica os litisconsortes, mas se a mesma situação se aplica aos dois, a confissão de um pode interferir no outro. Em caso de vício de consentimento (coação) ou a pessoa não entendeu a pergunta quando confessou (erro), o depoimento é considerado nulo. Só o confitente pode anular o depoimento ou seus herdeiros. É nulidade, e não revogação (a revogação manteria os efeitos até o momento). Nas ações sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime for de separação absoluta. Não existe confissão quanto o réu e o Estado. Tutor e curador não podem confessar algo que atinja o direito do incapaz, pois não são os verdadeiros titulares do direito. Exibição de documento ou coisa (arts. 396 e 401) O juiz pode exigir que seja exibido documento ou coisa e o destinatário pode ser o réu (art. 396) ou terceiro (art. 401). Pelo art. 400, presumem-se verdadeiros os fatos a serem exibidos por meio de documento ou coisa quando o requerido não fizer a exibição e não se manifestar no prazo, ou se recusar www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br ilegitimamente. O juiz pode usar medidas coercitivas (ex. astreintes) para tentar coagir o requerido, isso é uma novidade no código, a exemplo de multa diária e da possibilidade de uso de força policial (art. 403, parágrafo único). Se o documento estiver com terceiro, que se nega a exibi-lo, o juiz pode marcar audiência especial para ouvi-lo (art. 401). Se o terceiro se nega, sem justo motivo, a exibir, não se manifestando no prazo, o juiz primeira ordena o depósito em cartório, que se for descumprido, pode levar o juiz a ordenar a busca e apreensão e outras medidas coercitivas (art. 402). A intenção é coagir o terceiro a realizar o ato. Prova documental (art. 434) Para o Direito Processual, documento não é somente o documento escrito. Considera-se documento toda forma de registro de um fato em um substrato documental, como fotografia, e-mail, etc. A prova documental acaba funcionando como uma cláusula geral, aonde se inserem vários meios de prova. As provas documentais são conceituadas pelo órgão emissor. Se é um órgão público, é um documento público; se é um órgão privado, é um documento privado. Os documentos públicos têm força probante maior que os documentos privados O art. 421 reforça que a exibição do documento é a prova em si, e não meio de prova. Já o art. 422 faz referência ao que é o documento. Além da ideia mais tradicional, relacionada a algo no papel, expressamente diz que gravações e fotografias também são provas documentais. Os parágrafos discutem meios de provar a veracidade dessas provas, como a perícia, rastreamento de IP, apresentação da revista ou periódicos, etc. O momento de produção de prova documental é na inicial e na contestação, assim, fora desses momentos, os documentos podem ser juntados apenas nas hipóteses de fato novo e documentos para rebater a parte contrária (art. 435). Também pode ser aceita a prova documental quando esta não era conhecida ou estava inacessível, desde que se esclareça o motivo de não ter sido juntada a prova anteriormente. Na contestação, o réu deve se manifestar sobre os documentos trazidos na inicial, e na réplica, o autor se manifesta sobre os documentostrazidos pelo réu. Se não o fizerem, ocorre preclusão e presume-se que os documentos são verdadeiros. O prazo para manifestação é de 15 dias. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Prova testemunhal (art. 442) A prova testemunhal é o depoimento de terceiros que não são parte no processo. A parte deve apresentar rol de testemunhas no saneamento, a fim das testemunhas serem intimadas e da parte contrária ficar sabendo quais são as testemunhas antes da audiência. A prova testemunhal é sempre admissível não dispondo a lei o inverso (art. 442). Antes, a prova exclusivamente testemunhal era proibida em litígios que envolvessem mais de 10 salários mínimos. Pode ser testemunha: quem não é sujeito do processo, bem como quem não seja incapaz, impedido ou suspeito (§1° do art. 447). É incapaz quem for interdito por doença mental ou enfermidade, ou quem tanto no momento do fato, como no momento de fazer o depoimento, tem a sua percepção da realidade distorcida. Além disso, são incapazes os menores de 16 anos (idade mínima para ser testemunha) e o cego ou surdo, quando a ciência do fato depende dos sentidos relacionados. Por outro lado, é impedido o cônjuge/companheiro, bem como parentes de até terceiro grau de qualquer uma das partes (por consanguinidade ou afinidade). Se houver, contudo, uma situação em que ouvir essas pessoas é indispensável, é permitido a testemunha. Quem é parte também não pode prestar depoimento testemunhal (apenas depoimento pessoal) ou quem intervém no caso em nome de uma parte (juiz, advogado, tutor, representante, etc.). No caso de suspeição, o inimigo da parte ou amigo íntimo, bem como quem tem interesse no litígio. A testemunha é ouvida, via de regra, na sede do juízo (no fórum). Contudo, pode ser ouvida por meio de carta precatória. O juiz envia a carta para outro juízo, para que outro juiz a inquira. O juiz deve ter acesso aos fatos, então envia-se os documentos para o juiz do outro juízo. Assim, outro juiz é que produz a prova. A carta rogatória é para ouvir testemunha em outro país. O procedimento é semelhante, mas há intervenção de Ministério da Justiça, dependendo de relações de cooperação entre os países etc. O Juízo deprecante é o original, de quem faz o pedido, e o deprecado é o da testemunha, aonde a prova será produzida. O primeiro ato da prova testemunhal é seu requerimento, na fase de saneamento (mesmo que já tenha sido pedido na inicial). Quando o juiz defere o pedido de prova testemunhal, há prazo de 15 dias para se apresentar o rol de testemunhas. Neste rol, sempre que possível, os dados completos da testemunha devem ser apresentados, conforme artigo 450. Se não for possível auferir todas as informações, elas são dispensadas. Depois de indicado no rol, não é possível alterar, salvo se houver situação excepcional (ex. morte, enfermidade). O Código prevê que o advogado da parte tem dever de informar ou intimar a testemunha por ele arrolada do local, dia e hora da audiência, dispensando a intimação do juízo. É uma novidade do CPC (art. 455). A intimação é feita por carta com aviso de recebimento, que deve ser juntada aos autos (a carta e o comprovante de recebimento) até 3 dias antes da audiência. A intimação pode ser feita judicialmente quando o correio não consegue fazer a intimação da testemunha, ou quando a parte expõe motivos para que a carta não seja eficiente para aquele caso (art. 455, parágrafo 4). Art. 448 – A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos: I - Que lhe acarretem grave dano, bem como ao seu cônjuge ou companheiro e aos seus parentes consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau; II - A cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo. A parte contrária pode impugnar a testemunha (contraditar), por incapacidade, impedimento ou suspeição, bem como quando provar que a testemunha não está falando a verdade por meio de documentos ou outras testemunhas (art. 457, parágrafo 1). Quem faz as perguntas para a testemunha, no CPC, é o próprio advogado. Antes só o juiz poderia fazer as perguntas (o advogado falava para o juiz e o juiz para a testemunha). O juiz não pode permitir que as perguntas induzam a resposta, ou não tenham relação com o objeto da lide, bem como deve evitar repetição de pergunta já respondida. Também não é permitido perguntas vexatórias, impertinentes ou capciosas. A oitiva das testemunhas tem uma novidade com o CPC, agora é permitido que o juiz, em acordo com as partes, altere a ordem a qual se escutará as testemunhas, uma vez que, anteriormente, primeiro escutava as testemunhas do autor e depois as do réu. Quando a versão da parte e a versão da testemunha são divergentes, o juiz pode ordenar, de ofício ou a requerimento da parte, que a parte em questão e até 2 testemunhas sejam confrontadas frente a frente (acareação, art. 461). O testemunho é gravado. Ademais, o CPC traz a novidade da possibilidade de testemunho por videoconferência (art. 453, parágrafo 1º). Prova pericial (art. 464) A prova pericial recai sobre fatos que demandam conhecimento técnico. O perito é um terceiro imparcial que visa colaborar na formação do conhecimento do juiz. A prova pericial é técnica e versa sobre assunto que o juiz desconhece. Mesmo se o juiz tiver conhecimento a respeito (ex. já foi médico ou engenheiro), ele não pode realizar a prova pericial. O perito é de livre nomeação do juiz. Já existe uma lista previa dos peritos, e o juiz nomeia conforme a área da perícia. O CPC traz uma novidade ao permitir um tipo de negócio jurídico processual das partes em relação ao perito. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito (art. 471). O perito é um terceiro, assistente do juiz, indicado por ele. O juiz deve guardar a impessoalidade própria do perito. As partes podem se valer dos seus especialistas para que participem da produção de provas e se manifestem a respeito. Após a nomeação do perito as partes tem o prazo de 15 dias para se manifestarem sobre: impedimento ou suspeição do perito; indicação de assistente técnico e apresentação de quesitos. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br As partes formulam quesitos, e a partir deles é que o perito examina o objeto. As partes necessariamente falam sobre o que o perito está realizando. É com base nesse diálogo entre partes e peritos que o juiz vai julgar, por isso é que o juiz não pode ocupar a posição de perito, ele deve estar de fora, analisando. Quesitos: são as perguntas que as partes fazem para orientar a avaliação do perito. O juiz pode vetar e a parte pode recorrer. O juiz só vai vetar se a pergunta for evidentemente desconexa. Exame: sobre pessoa Vistoria: sobre imóvel Avaliação: sobre móvel A prova pericial pode ser indeferida pelo juiz quando não depender de conhecimento técnico, for desnecessária em vista de outras provas já produzidas ou a verificação for impraticável (art. 464). A responsabilidade para o pagamento da perícia é de quem a requiriu ou divisão de custos entre as partes se a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes. Inova o CPC a permitir o pagamento em duas parcelas, uma antes do laudo e outra após o laudo, isso será requerido pelas partes e decidido pelo juiz (art. 465, parágrafo 4º). O juiz não está vinculado ao laudo pericial (art. 479), portanto, pode pedir outra perícia se a questão não foi bem esclarecida (art. 480). Prova técnica simplificada: é semelhante a perícia. A prova técnica simplificada (§2° do 464) é uma prova oral produzida por um especialista, não há necessidade de formular quesitos. Na audiência de instrução e julgamento, esse especialista vai esclarecer pontos controvertidos sobre os quais tenha conhecimento. É para casos mais simples. Laudo pericial (art. 473): deve conter exposição do objeto da perícia, a análise realizada, a indicação do método e a resposta aos quesitos. O perito pode ser ouvido na audiência de instruçãoe julgamento, para esclarecer o laudo pericial. As partes têm o direito de se manifestarem sobre o laudo pericial em 15 dias, que deverá ser escrito. Se os assistentes técnicos das partes divergirem sobre a análise e essa divergência estiver documentada, o perito tem que se manifestar em 15 dias. Porém, se as partes ainda necessitarem de esclarecimentos estes serão feitos na audiência de instrução e julgamento. Inspeção judicial (arts. 481 a 483) Na inspeção o juiz vai até o local ou coisa a fim de inspecionar e esclarecer determinada questão importante. A lei parte da premissa que, em algumas situações, somente a observação pessoal pode subsidiar a decisão. É possível que o juiz esteja acompanhado dos peritos (art. 482) ou das partes (art. 483). As hipóteses da inspeção judicial estão previstas no 483, sendo estas: Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br I - julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar; II - a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades; III - determinar a reconstituição dos fatos. Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) Trata-se da última etapa do processo de conhecimento, antes do julgamento e da sentença. Caso não seja hipótese de decisão antecipada de mérito e houver necessidade de produção de prova em audiência, será designada audiência de instrução e julgamento.A instrução de julgamento é apenas necessária quando houver prova oral. Se não houver necessidade de ouvir o perito, colher depoimentos pessoais ou ouvir testemunhas, a audiência será dispensada. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes, ainda que tenha sido empregado outro meio de resolução consensual de conflitos (art. 359). Em seguida, o juiz irá ouvir o perito e os assistentes técnicos; depois colherá os depoimentos pessoais requeridos e ouvirá as testemunhas arroladas. Em tese, é na audiência que o processo termina em primeira instância e que o juiz já pode proferir a sentença. Tudo que ele precisava para sentença ele já tem, inclusive produção de provas, perícia e provas documentais. No entanto, veremos mais a frente que a sentença costuma ser proferida em momento posterior. Pelo artigo 360, o juiz pode exercer o poder de polícia, isto é, controlar a audiência, evitando que uma das partes extrapole em suas declarações ou que as coisas fujam de ordem. Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe: I - manter a ordem e o decoro na audiência; II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente; III - requisitar, quando necessário, força policial; IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo; V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência. É na audiência que as provas orais são colhidas, isto é, os depoimentos pessoais e as provas testemunhais. O art. 361, inciso I, coloca que o perito também será ouvido. Entretanto, a fala do mesmo não é considerada prova oral, uma vez que a perícia já fora produzida. Logo, o juiz e as partes só os ouvirão para esclarecer dúvidas. A ordem de preferência na oitiva é: perito, autor, réu, testemunhas do autor, testemunhas do réu (art. 361). Princípio da Unidade e Continuidade da Audiência: a audiência é una, isto é, só existe uma audiência no processo. Contudo, se ela não for concluída em um único dia, pode ser prolongada por mais um dia, sem significar que houve duas audiências. Excepcionalmente, se o perito ou testemunha não comparecerem e se as partes concordarem, a audiência pode ser cindida. Se uma testemunha não comparece, tendo recebido intimação corretamente, acontece o adiamento e é possível ouvi-la em outro momento, caso contrário ela não poderá ser ouvida - uma vez que não há motivo justo. Os artigos 362 e 363 trazem as hipóteses de adiamento da audiência e o procedimento de intimação das partes para a nova audiência: Art. 362 - A audiência poderá ser adiada: I - por convenção das partes; II - se não puder comparecer, por motivo justificado, qualquer pessoa que dela deva necessariamente participar; III - por atraso injustificado de seu início em tempo superior a 30 (trinta) minutos do horário marcado. Art. 363. Havendo antecipação ou adiamento da audiência, o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinará a intimação dos advogados ou da sociedade de advogados para ciência da nova designação. Ao final da audiência, no prazo de 15 dias, o autor/réu faz suas alegações finais, reforçando o que vem relatando no processo. As alegações finais são um desdobramento do contraditório e da ampla defesa. Contudo, não é possível trazer questões novas nas alegações finais, porque a matéria já foi afetada pela preclusão consumativa da contestação (perda da faculdade de realizar o ato processual em decorrência do esgotamento de seus efeitos). Há, contudo, matérias que podem ser alegadas a qualquer tempo e grau de jurisdição, chamadas de matérias de ordem pública. O art. 364 prevê, além das alegações finais, para situações mais complexas, que o juiz pode transformar as alegações orais em escritas. Essas alegações escritas chamam-se memoriais. Art. 364 § 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos. Na prática, a maioria dos casos, na audiência de instrução e julgamento, se reduz à audiência de instrução, porque o juiz abre prazo para as partes apresentarem razões finais (escritas e em momento posterior), julgando, de fato, depois. O prazo para o arrolamento da decisão é ao final da audiência ou em 30 dias. O art.366 prevê essa hipótese de adiamento do julgamento, porque o juiz não pode proferir sentença antes das partes fazerem suas alegações finais. Em regra, têm-se que tudo será realizado no dia da audiência, mas as medidas que podem ser tomadas pelo juiz levam a www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br razões finais escritas e proferimento de sentença após 30 dias. Outro aspecto que implica na audiência não ter julgamento é que o juiz pode ordenar que novas provas sejam produzidas, se tiver dúvidas (ex. nova prova pericial). Ademais, a audiência, salvo nas hipóteses de segredo de justiça, é pública (art. 368). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Sentença Se trata do ato em que o juiz aprecia o pedido em 1º grau de jurisdição e põe fim a fase de conhecimento. A sentença pode ser com (Art. 487) ou sem resolução de mérito (Art. 485). Existem três categorias de decisão: as decisões interlocutórias, os despachos e as sentenças. Art. 203 - Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. §1oRessalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução. Na sentença o juiz deverá resolver o mérito, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, os pedidos formulados (art. 490), obedecendo ao Princípio da congruência (sentença congruente com os pedidos). Todos os pedidos devem ser decididos, o juiz não pode deixar de enfrenta- los. Se isso acontece, a sentença é chamada de infra petita(aquém do pedido). Por sua vez, a sentença ultra petita é aquela em que o juiz decide para além do que foi pedido. É vedado ao juiz decidir sobre algo que não foi pedido, ou condenar a parte a pagar quantidade superior ou em objeto diverso daquele demandado (art. 492). Toda sentença que viola o Princípio da Congruência é nula. Art. 492 - É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. Art. 493 - Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art485 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art487 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art487 Ademais, são elementos essenciais da sentença o relatório, os fundamentos e o dispositivo. Art. 489 - São elementos essenciais da sentença: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Uma das novidades do CPC/15 é a exigência de melhor motivação das decisões (art. 489, parágrafo 1º). A sentença deve refletir o pedido da inicial sob a pena de estar viciada, entretanto, se a motivação não está de acordo com essa novidade, mas há condições de imediato julgamento por um tribunal, deverá logo o tribunal decidir o mérito (art. 1013, parágrafo 3º, IV). Ademais, cabe embargo de declaração se a decisão não for fundamentada. Art. 489 §1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Elementos e Efeitos da Sentença De acordo com o artigo 489 do CPC, www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br são elementos essenciais da sentença: I – O relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II – Os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; Nas sentenças, contêm os argumentos do juiz: as questões de fato e de direito levadas em conta para a decisão que ele tomou. III – O dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. Fala-se na efetiva decisão tomada pelo magistrado para a ação em questão. OBS.: A decisão do juiz irá deferir ou indeferir, no todo ou em parte, os pedidos das partes (art. 490, CPC). Decisões judiciais não fundamentadas: Há algumas situações em que as decisões judiciais poderão ser consideradas não fundamentadas. Art. 489, §1º, CPC – Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I – Se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; Nos fundamentos, o juiz deverá explicar porque utilizou tais dispositivos para fundamentar sua decisão -relacionando-os com as questões de fato e de direito analisadas- e não apenas citar ou copiar os artigos de leis. II – Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; O uso de conceitos vagos não é o suficiente para que a decisão seja considerada fundamentada. III – Invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Por exemplo, o uso de um “modelo” de decisão já pronto. IV – Não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Para tomar a decisão, o juiz deve analisar todos os argumentos apresentados no processo que seriam capazes de influenciar seu resultado. V – Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Para basear sua decisão em precedentes e súmulas, é necessário que o juiz demonstre de que modo elas são adequadas ao caso. VI – Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Quando as partes usam estes indicativos para fundamentar os direitos alegados na ação, caso o juiz decida de maneira diversa, ele deve demonstrar os fatos que levaram a isso. Colisão de normas: Pode ocorrer quando, na existência de leis conflitantes, cada uma das partes utilize uma das normas colidentes para fundamentar seu direito. Portanto, na decisão, o juiz deverá explicar os motivos que considerou e a interpretação que utilizou para proferir a sentença. Art. 489, § 2º, CPC – No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. §3º – A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé. Ação de obrigação de pagar quantia: O artigo 491 do CPC dispõe expressamente que a decisão deverá definir a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade de capitalização dos juros, mesmo que o pedido seja genérico. OBS.: Isso não será necessário se... www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br I – Não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; II – A apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença.” Limites da decisão judicial: A decisão do juiz deve dar-se dentro dos limites do pedido do autor; ou seja, são vedadas decisões infra petita (aquela que não julga todo o pedido, deixando parte dele não mencionada), extra petita (que julga algo que não estava no pedido, algo fora do que foi abarcado pelo autor) e ultra petita (julga o pedido inteiro mas dispõe sobre assuntos a mais, vai além do pedido). Art. 492, CPC. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional”. IMPORTANTE! Caso venha a ocorrer, no curso do processo, fato constitutivo,modificativo ou extintivo do direito que seja capaz de influenciar no julgamento de mérito, é essencial que o juiz o leve em consideração na sentença. Se este for constatado de ofício, deverá, ainda, dar oportunidade às partes para que se manifestem antes da decisão (art. 493, CPC). Alteração da Sentença Após a publicação, a sentença só poderá vir a ser alterada pelo juiz nas hipóteses do artigo 494 do CPC: I – Para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; Erros que são facilmente perceptíveis e fáceis de ser corrigidos. II – Por meio de embargos de declaração. Os embargos de declaração podem ser interpostos pelas partes no caso de sentença omissa, contraditória, obscura ou dúbia. Decisão com resolução de mérito e decisão sem resolução de mérito A decisão com resolução de mérito e, principalmente, a sentença com resolução de mérito não se tratam da extinção do processo, pois após a sentença, ainda há a fase de www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br cumprimento de sentença. Ademais, há a decisão liminar parcial de mérito que também não extingue o processo. Art. 487 - Haverá resolução de mérito quando o juiz: I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição; III - homologar: a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção; b) a transação; c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se. O art. 487 fala de sentença com resolução de mérito. No inciso I está a verdadeira sentença de mérito, em que o juiz efetivamente acolhe ou rejeita o pedido formulado. Nos incisos II e III, o juiz resolve o mérito, mas não julga exatamente o pedido (decide sobre decadência ou prescrição; homologa). A sentença homologatória pode transformar a decisão em título executivo judicial, permitindo que, se a parte não cumprir com sua obrigação, seja possível executar. O juiz pode homologar: 1. O reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na reconvenção. Isso quase nunca acontece, pois são raros os casos em que o réu admite que deve ao autor, em que não há pretensão resistida. 2. A transação, que é um tipo de acordo. 3. A renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção. O autor renuncia a sua pretensão, de modo que não existe mais conflito. Renúncia é diferente de desistência, uma vez que a desistência atinge o direito processual, acarreta extinção sem mérito, possibilitando a proposição de nova ação. Já a renúncia acarreta extinção com mérito, o autor abre mão da pretensão, atinge o direito material, é coisa julgada e não cabe repropositura. Na sentença sem resolução de mérito, não se toca no conflito em si, de modo que a estabilização é menor. A coisa julgada é formal, limitando-se ao processo em questão. Art. 485 - O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial; www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII - homologar a desistência da ação; IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X - nos demais casos prescritos neste Código. § 1o Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. § 2oNo caso do § 1o, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. § 3oO juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. § 4oOferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. § 5oA desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. § 6oOferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. § 7oInterposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se. Vale relembrar que desistência é diferente de renúncia e que em todos os incisos do art. 485 a sentença é terminativa, coisa julgada formal, cabe repropositura ou propositura de nova ação. Entretanto, caso ocorra, deve-se recolher as custas e honorários do processo anterior. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Remessa necessária (art. 496 CPC) Art. 496, CPC. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: I – Proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público; Quando é parte num processo, a Fazenda Pública goza de algumas prerrogativas processuais. Uma delas é justamente o duplo grau de jurisdição, que consiste na reanálise obrigatória em segunda instância das sentenças que lhe sejam desfavoráveis; ou seja, nenhuma sentença que seja prejudicial ao ente público fará coisa jugada diretamente, há que se ter uma nova apreciação pelo Tribunal. II – Que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal. A execução fiscal é uma ação por meio da qual a Fazenda Pública tenta satisfazer os créditos (já confirmados) que possui perante uma pessoa. Os embargos à execução fiscal, portanto, consistem no processo pelo qual o executado se defende desta cobrança. Se os embargos forem julgados procedentes, a decisão judicial será contrária à Fazenda Pública, havendo portanto a necessidade de atender a prerrogativa da reanálise necessária da decisão de primeiro grau pela instância superior. §1º – Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. Em regra, é dever legal dos procuradores da Fazenda Pública apelar das decisões desfavoráveis. Mesmo que não ocorra apelação, o juiz deverá remeter os autos para a reanálise em segunda instância. Caso o juiz também não o faça, o próprio tribunal irá chamar para si os autos para que sejam apreciados. ATENÇÃO! A remessa dos autos para a instância superior só é obrigatória nas decisões que são desfavoráveis à Fazenda Pública. Nas decisões favoráveis, isto não é necessário. §2º – Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará a remessa necessária. Na prática, a apreciação do tribunal acaba ocorrendo mesmo nos casos em que os procuradores públicos interpõem a apelação, já que, às vezes, recorrem apenas de parte da sentença. Mas como a remessa necessária ocorre para as decisões desfavoráveis como um todo, o tribunal deverá apreciar mesmo a parte da sentença que não foi apelada, podendo, inclusive, modifica-la. Exceções à remessa necessária: Em alguns casos, mesmo que a decisão seja desfavorável aos entes públicos, o valor da causa não é considerado tão relevante para justificar mais gastos decorrentes da reanálise necessária. Portanto, o §3º do artigo 496 do CPC determina que não se aplica o disposto neste artigo quando a condenaçãoou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: I – 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público; II – 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados; III – 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público”. Há ainda outras hipóteses que constituem exceções à remessa necessária, em razão de já haver entendimentos suficientes dos tribunais superiores para a matéria. Vejamos: §4º – Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em: I – Súmula de tribunal superior; II – Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III – Entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV – Entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa”. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Julgamento das Ações Relativas às Prestações de Fazer, de Não Fazer e de Entregar Coisa Prestação de Fazer ou Não Fazer Quando a ação se refere a uma obrigação de fazer ou de não fazer, a sentença judicial que defere o pedido do réu pode tanto conceder a tutela específica (o pedido em si) quanto determinar medidas que assegurem o resultado prático equivalente (art. 497, caput, CPC). No caso da pretensão de não fazer, não é preciso que tenha ocorrido algum dano ao autor, e nem que haja dolo ou culpa do réu para que o juiz conceda a tutela específica (art. 497, parágrafo único, CPC). Prestação de Entrega de Coisa Nas ações que têm por objeto uma obrigação de entregar coisa, a sentença deve determinar o prazo de cumprimento (art. 498, caput, CPC). Se o objeto da obrigação for a entrega de coisa indeterminada (especificada apenas por gênero e quantidade) e a escolha couber ao autor, este já deverá indicar a qualidade na petição inicial (art. 498, parágrafo único, CPC). Indenização por Perdas e Danos Conforme o artigo 499 do CPC, o juiz só poderá dar sentença que converta a obrigação em perdas e danos a pedido do autor ou caso seja impossível garantir o resultado pretendido através da prestação específica ou equivalente. Art. 500, CPC. A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa fixada periodicamente para compelir o réu ao cumprimento específico da obrigação. A sentença, além da indenização por perdas e danos, pode fixar multa que objetive coagir o réu a cumprir a determinação judicial. Ação de Emissão de Declaração de Vontade O trânsito em julgado da sentença que julgar procedente o pedido, nas ações cujo objeto seja uma emissão de declaração de vontade, produz todos os efeitos desta (art. 501, CPC). Coisa Julgada A coisa julgada é definida no NCPC como: www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Art. 502 - Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. É uma imutabilidade que recai sobre decisões judiciais. A coisa julgada é um dos institutos mais importantes da vida em sociedade, pois significa o ponto final que deve ser dado aos conflitos, ou seja, a existência da coisa julgada transcende o próprio mundo jurídico. Ademais, a coisa julgada recai sobre decisões judicias, uma vez que não recai somente na sentença, mas também na improcedência liminar do pedido e na improcedência parcial liminar do pedido. A princípio, é preciso tratar da remessa necessária (art. 496). A remessa necessária não é um recurso, mas sim o ponto de contato entre a sentença e o recurso, já que há certas sentenças que só são confirmadas quando o tribunal reanalisa aquela matéria. É como se a sentença de primeiro grau fosse simplesmente um rito de passagem para que começasse a produzir efeitos. Para esses casos, a remessa ao tribunal superior é uma condição necessária para que produza efeitos. Não é um recurso, pois não é voluntário. A remessa será enviada para o tribunal para que aprecie essa questão, por obrigatoriedade. Se não for feito pelo juiz, o próprio tribunal pode requerer. A coisa julgada se forma com o esgotamento das vias principais (recursos e outros procedimentos cabíveis). A coisa julgada, contudo, não é absoluta. Ela pode ser deixada de lado, por exemplo, por meio de ação rescisória (art. 966 e seguintes). O rol de hipóteses para a rescisão é taxativo e o tempo para a incidência é de 2 anos da formação da coisa julgada. A coisa julgada que permanece após 2 anos de sua formação é chamada de “coisa soberanamente julgada”. Querela Nullitatis Insanabilis (Ação Declaratória de Inexistência de Sentença): é um instrumento processual que se presta a atacar sentença com vício insanável, em geral relacionado ao ato citatório, em casos onde a decisão jamais deveria ter existido, por ser precedida de um conjunto de atos contaminados. O vício é tão grave, que, segundo jurisprudência e doutrina, não é preciso respeitar o prazo padrão de 2 anos. Por esse instituto, não se forma coisa julgada material, somente formal. Teoria da relativização da coisa julgada: A coisa julgada é um valor constitucional, sendo um direito fundamental. Como não temos um direito fundamental absoluto, ele deve ser sempre compatibilizado com outros direitos fundamentais e, nesse sentido, em um caso concreto, diante de uma decisão que ainda que tenha trânsito em julgado, mas que viola outros direitos fundamentais, o que o juiz tem que fazer é verificar se vai prevalecer a segurança jurídica, ou se vai prevalecer o outro direito que foi violado. Exemplo: em uma desapropriação onerosa, o Estado paga X e a sentença transitou em julgado. Passou o prazo da ação rescisória e o Estado descobre que, na verdade, ele pagou 10x mais do que o valor de mercado. Como se trata de verba pública, um bem indisponível, e estamos diante de um incontestável pagamento, a segurança jurídica não pode prevalecer sobre o erário. Coisa julgada material e coisa julgada formal: A coisa julgada material recai sobre decisão de mérito. A coisa julgada material é formada quando a decisão não está mais sujeita a recursos. Seu principal efeito é para fora do processo, isto é, a parte autora não pode ajuizar nova ação com a mesma pretensão contra a www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br mesma parte. A coisa julgada material, assim, vincula todos os juízes de processos futuros (efeito positivo) e impede que outra ação idêntica àquela seja admitida (efeito negativo). Para o CPC/15, ocorre coisa julgada para decisão interlocutória de mérito, por isso não se fala em “sentença” de mérito, mas “decisão” de mérito. A coisa julgada formal, por outro lado, é a imutabilidade da sentença no próprio processo que foi prolatada, não admitindo mais reforma. Nesse caso, só se forma dentro do processo, pois uma nova ação pode ser proposta (art. 486). O autor pode repropor a ação corrigindo vícios, pois não faz sentido que proponha a mesma ação com vícios, pois esta não será admitida. Assim, na medida que se corrigem os vícios, a ação é alterada, de modo que, na prática, não existe mais identidade. O trânsito em julgado é a impossibilidade de interpor recursos, por qualquer que seja a razão. A coisa julgada formal é a imutabilidade dentro do processo em que a decisão foi proferida (atinge decisões com ou sem mérito). E, por fim, a coisa julgada material é a imutabilidade e indiscutibilidade da decisão, inclusive em outros processos. A coisa julgada possui limites objetivos e limites subjetivos. O NCPC inova os limites objetivos, pois os estende para as questões prejudiciais. Limites objetivos da coisa julgada dizem respeito a qual parte da decisão recaia coisa julgada, assim, o NCPC delimita que a coisa julgada recai sobre a questão principal e questão prejudicial, tendo esta que cumprir certos requisitos expressos: Art. 503 -. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. §1oO disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se: I - dessa resolução depender o julgamento do mérito; II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia; III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal. Os limites da coisa julgada se restringem àquilo que é ligado a coisa principal. Assuntos que aparecem como matéria de defesa não constituem coisa julgada. Entretanto, a questão prejudicial pode ser vinculada por coisa julgada, desde que seja necessário o julgamento de mérito para resolvê-la, desde que seja garantido o contraditório e ampla defesa (uma vez que se for haver vinculação, é preciso esclarecer todos os pormenores, pois é vedada a decisão surpresa) e desde que seja competência do juiz. www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br O artigo 503 tem as regras gerais do limite da coisa julgada, e o 504 deixa mais claro que a coisa julgada só recai sobre a questão principal e sobre a questão prejudicial quando provocada. Exceções (art. 505) Art. 505 -. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I - se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II - nos demais casos prescritos em lei. As relações de trato continuado ou sucessivo se renovam no tempo. Um exemplo comum é a obrigação de prestar alimentos, que se assenta na possibilidade e necessidade. Assim, precisa-se analisar as circunstâncias ao longo do tempo. Existe coisa julgada, mas o juiz pode decidir em momento posterior. É uma coisa julgada rebus sic standibus, isto é, que vale enquanto a situação for a mesma. Um exemplo do inciso II é a tutela cautelar, que só vale enquanto não vier a tutela definitiva. Limites subjetivos: o NCPC muda os limites subjetivos da coisa julgada, isto é, a coisa julgada não prejudica terceiros, mas pode os favorecer. No tocante aos limites subjetivos da coisa julgada o pressuposto é que toda relação de direito material se restringe a vincular autor e réu. A eficácia subjetiva se restringe, como regra, às partes. Entretanto, há relações jurídicas mais amplas, que envolvem outras pessoas além das partes. Dessa forma, se vê que há hipóteses em que a coisa julgada atinge terceiros, pois há outros sujeitos envolvidos no processo e, o NCPC, permite que terceiros sejam atingidos se lhes for favorável. Art. 506 - A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Eficácia Preclusiva (art. 508): A coisa julgada recobre o deduzido e o deduzível, ou seja, tem eficácia preclusiva, pois é uma espécie de preclusão, uma vez que aquilo que não foi alegado antes da consolidação da coisa julgada não pode ser trazido posteriormente (salvo se for matéria de ação rescisória). www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Conceito de Liquidação e a Obrigação a ser Liquidada A liquidação de sentença é o último ato da fase de conhecimento, sendo momento em que o objeto da condenação é delineado, ou seja, tornará líquida a sentença. Dessa forma, permite- se que a demanda executiva seja colocada de forma a dar ciência ao executado sobre o que o exequente pretende para a satisfação de seu direito. Vale ainda dizer que a liquidação de sentença será utilizada para título executivo judicial, havendo, porém, raras situações em que servirá para título executivo extrajudicial. Assim, estabelece o art. 491, em seus dois incisos, as possibilidades de sentença ilíquida. Dessa maneira, abre-se margem à posterior liquidação de sentença, como demonstra o §1º do mesmo artigo: Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando: I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença. §1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do valor devido por liquidação. No que diz respeito à natureza jurídica da liquidação de sentença, o ordenamento jurídico a considera um incidente complementar, não se configurando como uma nova sentença de mérito. Assim, a liquidação de sentença é a decisão interlocutória (que permite como recurso um agravo de instrumento) de caráter complementar e integrativo, porque suprirá lacuna prévia encontrada na sentença, isto é, a iliquidez. Vale ainda dizer que é vedada a rediscussão da lide julgada, impedindo que haja qualquer alteração da sentença. Porém, existe a possibilidade de liquidação parcial da sentença, situação estabelecida no § 1º do art. 509. Neste caso, haverá obrigação a ser cumprida líquida e outra ilíquida, podendo a primeira seguir para o cumprimento de sentença, enquanto a última para a liquidação. Além disso, existem dois tipos de liquidação de sentença: por arbitramento e pelo procedimento comum. Portanto, no Novo CPC, a liquidação de sentença por cálculo deixou de ser espécie de liqudação, podendo o credor já promover o cumprimento de sentença. Nesse sentido, é válido observarmos o art. 509: Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder- se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo. § 1oQuando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta. § 2oQuando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. § 3oO Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados programa de atualização financeira. § 4oNa liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou. Por fim, faz-se mister observar o caput do artigo acima. Nele há a possibilidade de tanto o credor como o devedor fazerem o requerimento para a liquidação da sentença. Liquidação por Arbitramento Como bem estabelecido no art. 509, inciso I, a liquidação por arbitramento ganha lugar quando for determinada pela sentença, convencionada pelas partes ou exigida pelo objeto de liquidação. Dessa forma, ocorre, após o requerimento de liquidação, uma intimação feita pelo juiz, na qual pedirá a apresentação de pareceres e documentos que acredita serem capazes de elucidar e delinear o objeto a ser liquidado. Caso ainda não tenha sucesso com o proposto, nomeará perito, se couber prova pericial. Assim demonstra o art. 510: Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial. Aqui é válido lembrar que é possível a escolha do perito através de convencionamento entre as partes, como estabelece o art. 471. Liquidação por Procedimento Comum www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.brTambém denominada liquidação por artigos no CPC de 1973, esta espécie ocorre quando há necessidade de alegar e provar fato novo. Aqui haverá requerimento pelo autor ou pelo réu deixando claro fato novo do qual depende o valor que será apurado. Se admitido o requerimento, a parte contrária será intimada para contestação, tendo prazo de quinze dias. Em seguida, o juiz determinará, após a fase instrutória (ou sem ela), decisão interlocutória, que é passível de recurso por agravo de instrumento. Assim estabelece o art. 511: Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste Código. Portanto, aqui ocorre todo o procedimento comum novamente, de forma limitada, exatamente devido ao fato novo trazido pela parte que requereu a liquidação de sentença. Liquidação Provisória A liquidação provisória não é espécie de liquidação, como as anteriormente estudadas, mas sim situação na qual existe recurso interposto contra decisão que se pretende liquidar. Assim, neste caso haverá desenvolvimento da liquidação em autos próprios, ainda que a mesma ação esteja, de modo concomitante, sendo analisada em sede recursal. É no art. 512 que encontramos disciplinada a situação: Art. 512. A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando- se em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes. www.trilhante.com.brwww.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br http://www.trilhante.com.br Disposições Gerais Iniciaremos a abordagem do Cumprimento de Sentença através do estudo dos artigos 513 ao 518 do Código de Processo Civil. Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. § 1o O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. O cumprimento de sentença se dá com a realização fática, ou seja, "no mundo real" daquilo que o juiz definiu e sentenciou. Ela sempre ocorrerá após a formação do título executivo judicial. Foi a Lei nº 11.232/05 que trouxe a novidade da fase de cumprimento de sentença ao processo civil brasileiro. Cumprimento provisório = ocorre quando a sentença do juiz ainda não é definitiva, pois houve um recurso do réu e ela ainda pode ser modificada. - No entanto, o recurso não é capaz de impedir o cumprimento da sentença. Cumprimento definitivo = ocorre quando não há mais recurso (decisão transitada em julgado) e, portanto, a sentença passa a ter caráter definitivo. Exequente = Autor da ação. O autor é quem deve requerer o cumprimento da sentença! § 2o O devedor será intimado para cumprir a sentença: I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos; O disposto nesse inciso é a REGRA GERAL e a intimação dar-se-á em nome do advogado constituído pela parte. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11232.htm Os incisos listados abaixo são as EXCEÇÕES da intimação do devedor. II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV; O Aviso de Recebimento (AR) é um serviço opcional contratado pelos Correios que, através do preenchimento do formulário, permite confirmar, junto ao remetente, a entrega do objeto ou carta por ele postado. Após a entrega da correspondência ao destinatário, o aviso retorna ao remetente com a assinatura da pessoa que recebeu o objeto. Essa intimação dá-se apenas quando o devedor for representado pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído (advogado particular). III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art. 246, não tiver procurador constituído nos autos. Esse inciso aplica-se a empresas que não sejam microempresas (ME) ou empresas de pequeno porte (EPP). IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase de conhecimento. A revelia acontece quando o réu citado deixa de contestar a ação proposta contra si ou não aparece nas audiências marcadas. A consequência disto, em regra, é que os fatos narrados pelo autor serão tidos como verdadeiros -em presunção iures tantum, ou seja, relativa, admitindo proca em contrário- pelo juiz. A fase de conhecimento é a fase em que ocorre toda a produção de provas, a oitiva das partes e testemunhas, dando conhecimento dos fatos ao juiz responsável, a fim de que este possa aplicar corretamente o direito ao caso concreto com o proferir da sentença. Atenção: Essa hipótese se dará nos casos em que o réu tiver sido citado por edital e for revel na fase de conhecimento. www.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art246§1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art256 http://www.trilhante.com.br § 3o Na hipótese do § 2o, incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. O devedor deve informar seu novo endereço (físico ou eletrônico) caso mude, sob pena de se considerar intimado. O devedor tem o dever de manter o juiz informado de seu paradeiro! § 4o Se o requerimento a que alude o § 1o for formulado após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a intimação será feita na pessoa do devedor, por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos, observado o disposto no parágrafo único do art. 274 e no § 3o deste artigo. A intimação será feita por carta com aviso de recebimento ou meio eletrônico se o pedido de cumprimento só vier depois de 1 ano do trânsito em julgado (não couber mais recurso). § 5o O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento. Se o fiador, coobrigado ou corresponsável não participou da fase de conhecimento (discussão do processo, exercício do contraditório e da ampla defesa, etc.), o cumprimento de sentença não poderá ser promovido contra ele. Art. 514. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da sentença dependerá de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o termo. Se o juiz condicionou a produção dos efeitos da sua sentença a um determinado evento, o autor deve demonstrar que esse evento ocorreu para que a sentença passe a produzir efeitos. Obs.: Art. 492, parágrafo único, do CPC = A decisão do juiz deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional (assim como mencionado acima). Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: www.trilhante.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art274p http://www.trilhante.com.br Os títulos executivos são decisões que permitem a instauração da atividade executiva do Estado, ou seja, que permite que seja demandado o cumprimento do que se definiu em sentença, recorrendo-se à coerção se necessário. I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II - a decisão homologatória de autocomposição judicial; Autocomposição é a forma de solucionar o conflito pelo consentimento espontâneo de um dos conflitantes em sacrificar o interesse próprio, no todo ou em parte, em favor do interesse