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2012
Sociedade da informação 
e do conhecimento
Prof. Walter Marcos Knaesel Birkner
Copyright © UNIASSELVI 2012
Elaboração:
Prof. Walter Marcos Knaesel Birkner
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 306.42
B619s Birkner, Walter Marcos Knaesel
 Sociedade da informação e do conhecimento / Walter Marcos 
Knaesel Birkner. Indaial : Uniasselvi, 2012.
 170 p. : il 
 
 ISBN 978-85-7830- 603-8
 1. Sociologia do conhecimento.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
III
apreSentação
Caro(a) acadêmico(a)!
Iniciamos a nossa reflexão sobre a Sociedade da Informação e do 
Conhecimento. Porém, torna-se necessário primeiramente referenciarmos 
que nosso posicionamento sobre esta temática se insere no âmbito das 
discussões sociológicas e filosóficas. Portanto, ao partirmos da perspectiva 
sociológica e filosófica enquanto modelo analítico e interpretativo, torna-se 
claro e evidente que não queremos elaborar e muito menos emitir um juízo de 
valor sobre a questão, visto que a nossa proposta parte do pressuposto de que 
tanto a informação como o conhecimento são inerentes às sociedades atuais.
O presente ensejo tem como objetivo fazer uma leitura panorâmica 
sobre a sociedade do conhecimento e da informação no âmbito sociológico 
e filosófico. Desta forma, ao tentar situar-se a “problemática” sob esta ótica, 
pretendemos situá-lo(a) sobre as principais ideias, conceitos e visões que se 
constituíram ao longo da trajetória do pensamento filosófico e sociológico.
Diante disto, caro(a) acadêmico(a), ao lançarmos o desafio de tentar 
compreender as bases e os desdobramentos das tecnologias da informação 
e comunicação no contexto atual, implica necessariamente situar-se nos 
“meandros” das discussões que se colocam em pauta, e que incidem 
diretamente sobre a vida cotidiana. Portanto, todo e qualquer esforço teórico, 
conceitual e reflexivo no âmbito da sociologia e filosofia implica colocar-se 
em pleno estado de forças antagônicas, intempestivas e compulsivas no nosso 
desejado questionamento. Neste sentido, cabemos desejar-lhe uma ótima 
leitura, e que o presente ensejo possa de certa forma contribuir e abrir novos 
horizontes reflexivos sobre a temática em questão.
Bons estudos!
Prof. Walter Marcos Knaesel Birkner
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
UNI
V
VI
VII
Sumário
UNIDADE 1 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS 
 HISTÓRICO-CONCEITUAIS .................................................................................. 1
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO TEMÁTICA ........................................................................................ 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ................................................................................................... 3
3 AFINAL, O QUE É SOCIEDADE NESTA HISTÓRIA? ............................................................... 9
4 AFINAL, O QUE É INFORMAÇÃO NESTA HISTÓRIA? .......................................................... 13
4.1 ANTIGUIDADE .............................................................................................................................. 14
4.2 IDADE MÉDIA ................................................................................................................................ 15
4.3 MODERNIDADE ............................................................................................................................ 15
4.4 CONTEMPORÂNEO ..................................................................................................................... 17
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 20
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 26
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 27
TÓPICO 2 – MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO ................................................... 29
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 29
2 GLOBALIZAÇÃO E SEUS EIXOS: DA MODERNIDADE À PÓS-MODERNIDADE; 
 DA SOCIEDADE INDUSTRIAL À SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL; DA 
 MODERNIDADE À HIPERMODERNIDADE/MODERNIDADE LÍQUIDA ........................ 30
2.1 MODERNIDADE ............................................................................................................................ 31
2.2 PÓS-MODERNIDADE ................................................................................................................... 33
2.3 CAPITALISMO ................................................................................................................................ 36
2.4 SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL ................................................................................................. 38
2.5 MODERNIDADE LÍQUIDA ......................................................................................................... 44
3 FINALIZANDO O TÓPICO .............................................................................................................. 46
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 47
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 52
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 54
TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO .............................................................................. 55
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 55
2 DESENVOLVENDO A QUESTÃO ..................................................................................................55
3 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO OU SOCIEDADES DA INFORMAÇÃO ......................... 62
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 67
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 73
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 74
VIII
UNIDADE 2 – DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO 
 CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO .......................................................... 75
TÓPICO 1 – APORTE HISTÓRICO: DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL 
 DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO ........................ 77
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 77
2 APORTE HISTÓRICO ........................................................................................................................ 77
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 80
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 83
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 84
TÓPICO 2 – O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE ................................................................................ 85
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 85
2 A REALIZAÇÃO DA POTÊNCIA DO HOMEM ARISTOTÉLICO .......................................... 85
3 AS RELAÇÕES ENTRE O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE ........................................................ 87
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 89
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 90
TÓPICO 3 – AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) 
 COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE 
 DA INFORMAÇÃO ........................................................................................................ 91
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 91
2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO 
 FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO ........... 91
3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC .............................................. 94
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 99
4 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO ................................................... 102
5 CONCLUSÃO ....................................................................................................................................... 107
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 109
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 111
UNIDADE 3 – A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA 
 CONTEMPORANEIDADE ........................................................................................ 113
TÓPICO 1 – SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA ............................ 115
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 115
2 O PARADIGMA ................................................................................................................................... 115
3 ALTA MODERNIDADE ..................................................................................................................... 126
3.1 CONSEQUÊNCIAS NÃO PREVISTAS ....................................................................................... 128
3.2 OS VALORES ................................................................................................................................... 128
3.3 O PODER DIFERENCIAL ............................................................................................................. 128
3.4 MUDANÇA TECNOLÓGICA E PROCESSOS SOCIAIS .......................................................... 131
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 134
TÓPICO 2 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL ....................................................... 135
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 135
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL ........................................................................... 135
2.1 DESENVOLVENDO AS QUESTÕES ........................................................................................... 135
2.1.1 Sociedade da informação no Brasil ..................................................................................... 135
3 À GUISA DE CONCLUSÃO ............................................................................................................. 141
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 142
IX
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 145
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 147
TÓPICO 3 – A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO .................................................................... 149
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 149
2 O CONHECIMENTO NO SÉCULO XX .......................................................................................... 151
3 O ELO: UM ESPÍRITO INFORMACIONAL, ETOS DO DESENVOLVIMENTO ................. 155
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 158
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 162
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 163
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 165
X
1
UNIDADE 1
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – 
ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender aspectos histórico-conceituais da sociedade da informação;
• reconhecer certos elementos da sociedade da informação no meio social;
• estudar brevemente a história que envolve o tema da sociedade da infor-
mação, na sua relaçãocom outras teorias;
• observar alguns elementos vinculados ao caso brasileiro.
Para a compreensão histórico-conceitual da sociedade da informação, 
procuramos organizar esta unidade em três tópicos. Ao longo de cada um 
deles você encontrará dicas, textos complementares, observações e atividades 
que lhe permitirão fixar os conhecimentos estudados.
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO TEMÁTICA
TÓPICO 2 – MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
TÓPICO 3 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO TEMÁTICA
1 INTRODUÇÃO
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Caro(a) acadêmico(a), neste primeiro tópico buscamos demonstrar 
elementos corriqueiros da sociedade da informação, fazendo ligações com a teoria 
que envolve este conceito. Partimos de uma noção do filósofo Baruch Spinoza de 
que a compreensão de alguma coisa se dá quando contamos sua causa (origem) 
e sua estrutura. Portanto, nossa preocupação neste primeiro tópico é desvendar 
histórica e conceitualmente (filosófica e sociologicamente) os pontos-chave da 
sociedade da informação e, a partir daí, compreender as mudanças que esta 
sociedade reflete. Para tal, iremos desenvolver três eixos. O primeiro eixo é uma 
introdução-exemplo acerca da sociedade da informação. O segundo eixo é um 
questionamento sobre o que é a sociedade neste processo. Por fim, o terceiro e 
último eixo também se apresenta como questionamento, desta vez sobre o que 
é a informação neste processo, esperando contribuir com o(a) acadêmico(a) no 
fortalecimento do conhecer e na potência do pensar.
Uma forma mais fácil e prazerosa de pensar temas que hoje parecem 
espalhados é estabelecendo vínculos históricos, buscando datas e grandes feitos, 
folheando páginas aqui e ali que ampliem nossa percepção sobre o que queremos 
pesquisar. Ou então, podemos falar ao modo de um relicário, vasculhando o 
passado, mexendo na louça velha (se bem que a louça aqui não é tão velha), tirando 
o pó, emendando papéis, rabiscando e tomando notas de temas que hoje parecem 
vagos, espalhados. É assim, mexendo nas gavetas, retirando e repondo, lendo e 
relendo, que extraímos as informações necessárias para a nossa compreensão.
Nesta medida, nosso tema espalhado, jogado ou lançado (aí vai da bagunça 
de cada um), não façamos rodeios, está cravado desde o altissonante título: 
Sociedade da Informação (mais precisamente no seu interior, como veremos). É 
de seu estudo que iremos nos avizinhar nas próximas páginas. E, se vamos fazê-
lo, valem algumas questões xeretas: Afinal, do que se trata? Quem disse? Por 
que disse? Como disse? Quem é o pai da criança, ou das crianças? Sociedade? 
Informação? Caro(a) acadêmico(a), para dirimir estas dúvidas, convido-o(a) para 
que juntos possamos refletir e compreender acerca da sociedade da informação.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
4
FIGURA 1 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 
Tempo esgotado!
Chamem os 
comerciais!
Estamos ao vivo.
Próxima pergunta valendo 
30 milhões. Responde, 
pula ou passa?
Vou responder
...
Responda em vinte 
segundos ou perde tudo: 
O que é sociedade da 
Informação?
Espere um pouco, não 
posso pensar com tanta 
pressa!
FONTE: Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/geografia/
ciberespaco/02.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
Nessa prática, para reconstruir o que parece espalhado, um pensador do 
século XVII, chamado Baruch Spinoza (1632–1677), nos dá uma pista importante 
sobre como captar estes objetos espalhados, dizendo ele que conhecer uma coisa 
é ter ideia adequada sobre ela. O que é isto? Ideia adequada? Diz ele que mais 
especificamente que a ideia adequada de uma coisa está ligada a duas coisas, quais 
sejam: causa e estrutura. Só podemos dizer que conhecemos algo de fato quando 
conhecemos sua causa (origem) e sua estrutura. É neste sentido que precisamos 
mexer nos relicários do tempo, das ideias. Assim, xeretando os conceitos e temas 
provenientes do objeto que vamos estudar, isto é, capturando na causa e na 
estrutura o significado do conceito de sociedade da informação, é que vamos tirar 
alguma matéria para nosso conhecimento e com isto dirimir nossas dúvidas, isto 
é, fortalecer nosso saber.
BARUCH SPINOZA, pensador holandês do século XVII (1632-1677). Desenvolveu 
suas teses a partir da filosofia de René Descartes. Suas preocupações centrais eram com a 
política, ética e ciência. Escreveu várias obras, das quais se destacam Ética (1677) e Tratado 
Teológico-Político (1670).
FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/biografias/baruch-spinoza/>. Acesso 
em: 30 jul. 2012.
NOTA
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
5
Nesta medida, para tentar responder a estas questões, vamos mexer 
um pouquinho nas (e com as) datas, puxando aqui e ali para compreender esse 
fenômeno – e também o conceito – que chamamos de sociedade da informação. Para 
isto faremos um passeio conceitual pela história humana dos últimos séculos, bem 
como passearemos pelas propostas (e respostas) dadas por diversos pensadores 
acerca do tema que ocupa esta e outras unidades. 
Portanto, ao iniciarmos nossa procura, nossa mexida, apresentamos 
algumas situações pontuais que envolvem a sociedade da informação e sua relação 
conosco. 
É notório o que ouvimos falar sobre esta tal sociedade. A mídia é seu 
viés convencional de divulgação. Jornais, televisão, rádio, internet, não param 
de veicular e de serem os próprios veículos de uma sociedade informacional, 
propagando conceitos e novas ondas de toda espécie. Desta maneira, vejamos 
alguns termos espalhados que compõem o que denominamos sociedade da 
informação, antes de uma interessante colocação:
● conexão;
● rede;
● processos;
● internet
● desconectados;
● plugados;
● curtida;
● global;
● economia financeirizada;
● informacional. 
FIGURA 2 – A INTERNET É UM DOS PROCESSOS DA SOCIEDADE DA 
INFORMAÇÃO 
FONTE: Disponível em: <http://www.loteriapremium.com/como-apostar-na-
loteria-pela-internet>. Acesso em: 30 jul. 2012.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
6
Coincidência? Não. É claro que você, acadêmico(a), já ouviu e leu esses termos. 
Participamos deles o tempo todo. Eles estão nos supermercados, no cartão de crédito, 
nas universidades, nas rádios, no cursinho de inglês, nas redes e assim por diante.
Agora, sem esquecermos da colocação que prenunciamos anteriormente, e 
que ilustra a situação e o conceito sobre os quais refletimos:
Em 2 de março de 2006, o Guardian [jornal britânico] anunciou que ‘nos 
12 últimos meses as ‘redes sociais’ deixaram de ser o próprio grande 
sucesso para se transformarem no sucesso do momento’. As visitas ao 
site MySpace, que um ano antes era o líder inconteste do novo veículo 
das ‘redes sociais’, multiplicaram-se por seis, enquanto o site rival 
Spaces MSN teve 11 vezes mais acessos do que no ano anterior, e as 
visitas ao Bebo.com foram multiplicadas por 61 (BAUMAN, 2008, p. 7).
Trata-se de uma colocação acerca do crescimento das “redes sociais” na 
Grã-Bretanha. Parece uma informação corriqueira, mas ela própria é reflexão de 
tempos inovadores que marcam a sociedade da informação, como observaremos 
no decorrer das unidades. Além disso, podemos constatar que a sociedade da 
informação é um processo que nos circunda, entrelaça nosso cotidiano e participa de 
nossos hábitos. Aliás, nós participamos dela. Nela viajamos, conhecemos pessoas, 
fazemos transações bancárias, vamos ao cinema, ouvimos música, mexemos em 
nossos celulares. Formamos redes sociais, que se multiplicam, ampliando nosso 
espaço de relações. Na mesma perspectiva, o tempo e o espaço diminuem e 
assumem novos contornos, o trabalho, a economia também, num emaranhado de 
redes mais e mais entrelaçadas. Neste horizonte, os termos espalhados começam 
a tomar rosto, e seu rosto, dados os elementos que iremosapresentar, é o rosto da 
sociedade da informação. 
Outro exemplo, mais pontual desta sociedade da informação, está no fato 
de que logo que tomamos contato com um termo, queremos a primeira informação 
possível sobre ele. Sociedade da Informação? Ok, os mais apressadinhos(as) correm 
ao Wikipédia, para ver a origem do termo, logo vendo que o pai da criança (termo) 
foi Fritz Machlup (1903-1985). Este exemplo, o mais cabal possível, nos mostra 
quão influenciados estamos pela sociedade da informação, pela sua velocidade e 
pela sua dinamicidade, pela instantaneidade que ela tem. 
Outra fonte de constatação da sociedade da informação é o cinema. 
Peguemos o exemplo de um diretor não muito famoso, chamado David Lynch 
(1946). Para muitos um desvairado, por quebrar a noção de tempo, por antecipar 
cenas e não ter um enredo linear. Cenas que começam pelo fim, terminam pelo 
começo, enfim, parece algo maluco, mas é genial, como em Twin Peaks, seriado 
de TV de 1990, em que a trama é marcada por um sem fim de redes, personagens 
com vidas entrelaçadas, ágeis, passíveis de mudança, num jeito de viver frenético. 
A vida na sociedade da informação passa a ser por flashes e mudanças contínuas, 
em fragmentos como no Twin Peaks de Lynch. Estes elementos, como os que 
mencionamos nos parágrafos acima, já demonstram as influências da sociedade 
da informação, quais sejam: o fluxo de informações sobre os objetos, a fugacidade, 
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
7
a diminuição do espaço, a vida em rede, processos descontínuos etc. Ainda se 
apoiando no exemplo de Lynch, num dos seus filmes, chamado A Cidade dos Sonhos 
(2001), mostra uma complexidade de redes, de situações em que as personagens se 
envolvem, mostrando outro elemento fundamental da sociedade da informação: 
a construção de redes, onde nos conectamos e desconectamos de pessoas, ideias, 
trabalho, cidades. Além disso, o filme passa a sensação de realidades paralelas, 
coisa bem típica da sociedade de informação, onde temos a interação entre 
virtual e real, como serão demonstradas no decorrer das unidades.
Cineasta norte-americano, nascido em 1946, famoso pelos 
filmes O Homem Elefante (1980), Veludo Azul (1986), Cidade 
dos Sonhos (2001) e pelo seriado Twin Peaks (1991). Seus 
trabalhos são marcados pela não linearidade, mistura entre 
sonho e realidade e por demonstrar as vidas fragmentadas. 
FONTE: Disponível em: <http://www.imdb.com/name/nm0000186>. Acesso 
em: 30 jul. 2012.
Para quem gosta de prospecções, antevisões cósmicas ou previsões 
de futuro, vejamos uma colocação que marca este processo da sociedade da 
informação, com mais detalhes: 
O físico e teórico Michio Kaku, professor da Universidade de Nova York 
e cocriador da ‘Teoria das Cordas’, afirmou que o computador como o 
conhecemos hoje terá desaparecido em 2020. ‘No futuro, eles estarão em 
todos os lugares e em lugar nenhum’, [...].
Na ocasião, Kaku fez um exercício de futurologia mostrando como será 
o mundo nos próximos 30 anos. Segundo ele, tanto os computadores 
como a internet serão como a eletricidade é hoje. ‘Ambos estarão 
presentes nos tetos, no subsolo, nas paredes e nos aparelhos’, afirmou.
O professor da Universidade de Nova York foi além e disse que a 
internet estará nos óculos e nas lentes de contato das pessoas. ‘Você 
será capaz de ver todas as informações biográficas de um indivíduo só 
olhando para ele. Encontrar sua alma gêmea será tarefa fácil’, brincou.
Outra revolução que está a caminho é na área da medicina. Kaku 
afirmou que, em um futuro próximo, a tecnologia levará o homem a 
um estado perfeito de saúde. Segundo ele, o câncer irá desaparecer. 
‘Escrevam isso: a palavra tumor não mais existirá na nossa língua’.
Na visão do físico, as pílulas terão chips e microcâmeras que escanearão 
o corpo humano por dentro. Uma vez localizada a ameaça, nanorrobôs 
serão introduzidos para combater o câncer célula por célula, sem a 
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
8
necessidade de cirurgias ou intervenção direta dos médicos.
Kaku também acrescentou que o câncer e outras doenças serão 
diagnosticados com anos de antecedência graças a vasos sanitários que 
monitoram a saúde. ‘Os banheiros serão equipados com inteligência 
artificial capaz de analisar os resíduos corporais e identificar o 
surgimento de uma doença com muita antecedência. Neste futuro, 
Steve Jobs não teria morrido’, enfatizou (SIRNA, 2012).
Estes exemplos e muitos outros demonstram o quanto somos influenciados 
pela dinâmica da sociedade de informação. Trata-se de se dar conta de sua 
existência, de sua importância, quais são seus operadores, para não pegarmos o 
bonde andando. Este é o efeito primeiro que queremos passar: perceber-nos dentro 
da sociedade da informação. E nos percebendo dentro vamos poder pesquisar; 
revirar as peças do relicário e fortalecer o pensar no que concerne à sociedade da 
informação. Assim, nossa meta é apresentar para você, acadêmico(a), do modo 
mais claro possível, os aspectos mais fundamentais da sociedade da informação. 
Para isto estabelecemos um roteiro, um percurso que esperamos ser de grande 
valia para você, caro(a) acadêmico(a):
Começamos com esta jovial introdução, passando posteriormente para 
uma definição provisória de sociedade, bem como de informação. Na sequência, 
ligaremos a ideia de sociedade da informação a outras variáveis interpretativas 
ou a outros nomes para a mesma situação (modernidade, pós-modernidade, 
sociedade industrial e sociedade pós-industrial, tempos hipermodernos, 
modernidade líquida). Articularemos a própria sociedade da informação e, 
por fim, nesta primeira unidade, sua variável brasileira. Com isto pincelaremos 
alguns tópicos que consideramos fundamentais para o desenvolvimento 
intelectual para você, acadêmico(a). 
Já que falamos em filme e em David Lynch, vale indicar a você, 
acadêmico(a), se possível, para que assista ao filme A Cidade 
dos Sonhos (2001), para visualizar do ponto de vista prático esta 
vida de flash que marca a sociedade da informação. O filme 
retrata em linhas gerais a fugacidade da vida hollywoodiana, 
entrelaçando a maneira de viver da sociedade da informação, 
isto é, uma maneira enredada por laços complexos. 
FONTE: Coolturablog. Disponível em: <http://coolturalblog.wordpress.com/2010/06/23/
cidade-dos-sonhos-mulholland-drive-2001/>. Acesso em: 30 jul. 2012.
DICAS
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
9
3 AFINAL, O QUE É SOCIEDADE NESTA HISTÓRIA?
A preocupação com a sociedade é algo que remonta toda a tradição 
do pensamento ocidental (quando dizemos isto, dizemos as preocupações/
ideias de nossos antepassados e nossas também). Desde que os homens se 
constituíram em agrupamentos, há mais de cinco mil anos, há interesse pela 
organização, pela distribuição de funções, pelas leis, por códigos de convivência 
e, se quisermos, pelas instituições. Desta maneira, nossa preocupação inicial 
será com a necessidade de definir a ideia de sociedade, para entender em que 
medida a informação se instala nela, ou seja, de como a nossa sociedade se 
torna historicamente a sociedade da informação. Este ponto é que queremos 
deixar em mente. 
Neste sentido, para começar nossos estudos, um exemplo muito simples 
pode ser esclarecedor, um exemplo sobre a organização da sociedade. Vamos a ele.
Ouvimos, lemos, trocamos ideias. Em nosso bairro (aqui vai nosso 
exemplo) Vai Lá, participamos da associação de moradores, que em maior ou 
menor medida chama um ou outro vereador para esclarecer alguma questão 
ou reivindicar dele alguma fiscalização. Com ele discutimos coisas de nosso 
interesse, num certo espaço político por nós constituído, onde grupos se 
organizam para levar propostas, como grupos de jovens, da terceira idade, 
clube de mães etc. O que o nosso exemplo quer ilustrar? Que nos deparamos 
com situações sociais,ou situações de sociedade, ou seja, na concepção do 
bairro temos uma organização social, tanto quanto na associação de moradores 
também. O vereador que foi chamado foi eleito para participar de uma casa 
de leis, que sem dúvida é uma instituição da sociedade (o famoso Poder 
Legislativo). 
Com isto, podemos observar o quanto temos que lidar com a sociedade, 
com fenômenos desta sociedade. A organização (nos organizamos em bairros, 
nos organizamos na associação de moradores, participamos da eleição do 
vereador, que por sua vez vai participar de uma instituição política: a Câmara 
- obviamente que também questionamos estas organizações) é um tópico 
importante que perpassa toda a sociedade. Se a informação vai ser a válvula 
fundamental, cabe esclarecer o que é sociedade. Lembremo-nos de que, para 
entender esta nova conjuntura da sociedade, precisamos considerar que a 
informação tornou-se parte da matéria-prima social.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
10
FIGURA 3 – SOCIEDADE 
FONTE: Disponível em: <http://navegandonahistoria.blogspot.com.br/2010/05/
turismo-identidade-cultura-e-sociedade.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
O Dicionário de Filosofia (ABBAGNANO, 2007), do famoso professor 
italiano Nicola Abbagnano (1901-1990), nos fornece três definições norteadoras 
(gerais) de sociedade. A primeira faz entender a sociedade como “o espaço das 
relações humanas de comunicação ou de intersubjetividade” (ABBAGNANO, 
2007, p. 1080). A segunda definição parte da ideia de que “a sociedade é a totalidade 
(um organismo) de indivíduos onde ocorrem as relações de comunicação” 
(ABBAGNANO, 2007, p. 1080). E a terceira toma a sociedade como “um grupo de 
indivíduos onde estas relações ocorrem de forma comum ou institucionalizada” 
(ABBAGNANO, 2007, p. 1080). O que estas definições (tendências) gerais nos 
permitem? Estas definições nos permitem compreender uma tendência geral sobre 
o que é sociedade: espaço onde ocorrem as interações humanas.
Tendo esta tendência geral em mente, aprofundemos as definições 
propostas por Abbagnano. 
1 “Sociedade como espaço de relações humanas de comunicação ou 
intersubjetividade” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080): este sentido foi introduzido na 
história do pensamento pelos estoicos (do mundo romano, com especial destaque 
para Cícero). Os escritores do mundo romano, diferente dos clássicos gregos 
(Platão e Aristóteles), não vinculam, com relação à polis, o aspecto estatal e social. 
Pela definição estoica, “a sociedade passa a ser tomada como independente do 
Estado ou da organização política” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080) (em Cícero 
trata-se de uma agregação de homens, onde se comunicam, estabelecem relações). 
Outro pensador importante que vai ater-se a esta definição é Thomas Hobbes 
(1588-1679), para quem a sociedade serve para “atender às necessidades básicas 
humanas e para evitar a guerra de todos contra todos, ou seja, uma reunião feita 
por temor” (ABBAGNANO, 2007, p. 1081) (os homens se agenciando para evitar 
as calamidades, por exemplo). Uma colocação mais, que se agrega a este primeiro 
tópico, temos proposta por Immanuel Kant (1724-1804), onde, para este, o homem 
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
11
se satisfaz nas relações sociais que estabelece. Todos estes pensadores partem da 
tendência natural do homem para sociedade. A partir destas perspectivas, a análise 
da sociedade assume duas perspectivas fundamentais: uma que se preocupa 
com os fins da sociedade e a outra que se preocupa com as condições de fato que 
possibilitam as relações humanas: 
a) Os fins que a totalidade do gênero humano deve ter em vista e dos 
meios que a razão indica para a consecução de tais fins. As teorias 
políticas dos autores gregos, p. ex.. de Platão e de Aristóteles, [...].
b) As condições que, de fato, possibilitam as relações humanas. Essas 
condições foram definidas de várias maneiras, e sua definição pode ser 
considerada a primeira tarefa da sociologia [...]. Max Weber identificou-
as na atividade social, que se realiza segundo uma ordem deliberada 
e relativamente constante [...]. Durkheim considerou característicos 
da sociedade humana os modos de agir que são impostos de fora e se 
consolidam nas instituições [...]. E a própria ação, ou comportamento, às 
vezes é considerada elemento objetivo que define o campo das relações 
humanas [...] (ABBAGNANO., 2007, p. 1081). 
2 “Sociedade como totalidade (organismo) de indivíduos onde ocorrem as 
comunicações” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080): em síntese, esta noção é vinculada à 
ideia de que a sociedade é um todo orgânico. “Historicamente esta ideia começa 
na antiguidade, onde se comparava o Estado e a comunidade política a um 
organismo ou superorganismo” (ABBAGNANO, 2007, p. 1081). “Os já citados 
estoicos também contribuem com esta vertente, dizendo que vivemos entre seres 
racionais, formando uma comunidade, que é um organismo. Esta ideia também 
é aceita na Idade Moderna” (ABBAGNANO, 2007, p. 1081). Dois pensadores se 
apropriam dela: Augusto Comte (1798-1857) e Herbert Spencer (1820-1903). O 
primeiro entende a sociedade como um organismo coletivo, composto por outros 
organismos. Já Spencer parte de uma ideia de evolução, ou seja, de um organismo 
em evolução. Assim: 
[...] considera a própria sociedade como um organismo cujos 
elementos são, em primeiro lugar, as famílias e depois os indivíduos 
isolados. Segundo Spencer, o organismo social difere do organismo 
animal porque a consciência pertence apenas aos elementos que 
o compõem, pois a sociedade não tem órgãos de sentido como os 
animais, mas vive e sente apenas através dos indivíduos que a 
compõem (ABBAGNANO, 2007, p. 1081). 
Outros dois pensadores muito conhecidos também partem da noção de 
organismo: Georg Hegel (1770-1831) e Karl Marx (1818-1883). Hegel formula o 
conceito de sociedade civil, onde esta é uma conexão dupla: universal e mediadora 
de extremos independentes (os indivíduos) e de suas atividades particulares (Ibid., 
2007, p. 1081), e que desemboca no Estado. Marx, por sua vez, toma o conceito de 
Hegel e aplica ao Estado e à ideologia, nas próprias palavras de Marx, citado por 
Abbagnano (2007, p. 1081):
Por meus estudos, fui levado à conclusão de que nem as relações jurídicas 
nem as formas do Estado poderiam ser compreendidas por si mesmas 
ou pelo chamado desenvolvimento geral do espírito humano, mas de 
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
12
que estão enraizadas nas relações materiais da existência, cujo conjunto 
é enfeixado por Hegel com o nome de sociedade civil: a anatomia dessa 
sociedade civil deve ser buscada na economia política.
3 “Sociedade como um grupo de indivíduos onde estas relações ocorrem de 
forma comum ou institucionalizada” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080): Esta terceira 
possibilidade interpretativa é mais utilizada pela sociologia, onde a palavra 
sociedade toma o sentido “[...] de conjunto de indivíduos caracterizado por uma 
atitude comum ou institucionalizada” (Idem, 2007, p. 1081). Nesta medida, o termo 
serve tanto para um grupo de indivíduos, quanto à instituição que assinala esse 
grupo, como, por exemplo, as expressões do tipo: sociedade capitalista, sociedade 
de massa, sociedade em rede etc. 
Filósofo italiano nascido em 1901 e falecido em 1990, famoso pelo 
seu Dicionário de Filosofia, o qual nos valeu para nossa exposição.
FONTE: Nicola Abbagnano. Disponível em: <http://www. nicolaabbagnano.it/>. Acesso 
em: 30 jul. 2012.
Portanto, se você, acadêmico(a), tem acompanhado esta discussão – árida, 
mas rica para seus conhecimentos –, será no seio destas definições que elencamos 
que vai passar a questão da informação. As definições parecem um tanto quanto 
áridas, como dissemos, mas cobrem perfeitamente nossa questão, sobre o sentido 
de sociedade: um espaço de relações humanas, de associação,onde estão inseridos o 
Estado, a cultura e, é claro, a informação. A tese que trazemos à baila é a de que 
as relações humanas trocam de foco, ou melhor, ganham novo foco através da 
informação. É esta noção que iremos desenvolver nesta seção, inserindo a noção de 
sociedade da informação, em alguns blocos conceituais maiores (pós-modernidade, 
sociedade pós-industrial, hipermodernidade e modernidade líquida). 
NOTA
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
13
Anthony Giddens
Sociólogo britânico, também envolvido com a política 
no mandato do ex-primeiro ministro Tony Blair. Vem 
desenvolvendo seu pensamento ligado às questões 
que envolvem as bases de nosso tempo, que o(a) 
acadêmico(a) pode conferir no livro As Consequências 
da Modernidade (1991).
FONTE: Disponível em: <http://sociologicallystylish.blogspot.com.br/2009/04/1st-
confession.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
O sociólogo inglês Anthony Giddens (1991, p. 21), por seu turno, vai 
afirmar que a: “‘Sociedade’ é obviamente uma noção ambígua, referindo-se tanto à 
‘associação social’ de um modo genérico quanto a um sistema específico de relações 
sociais”. O que Giddens (1991) quer dizer com isto? Que definir sociedade é difícil, 
porque esta ideia possui muitos significados, mas o mesmo sociólogo ressalta que 
a sociedade se refere ao associar, isto é, modos de estabelecimento das relações 
sociais, seja, por exemplo, na cultura, na tradição, na lei, nas instituições, como o 
casamento etc., que são modos de estabelecimento das relações sociais. É no meio 
destes modos que a informação assume papel fundamental.
4 AFINAL, O QUE É INFORMAÇÃO NESTA HISTÓRIA?
Como você pode perceber, acadêmico(a), sociedade é um conceito múltiplo 
que procura sintetizar as relações humanas ou os modos de estabelecimento das 
relações sociais. Como temos mencionado constantemente, a informação assume 
papel estratégico nestas relações. E para que nos estudos você possa agregar 
conceitos, vale um exercício muito antigo de pesquisa filológica/filosófica. Mas 
não se assuste, acadêmico(a), com as palavras, ou que este exercício será muito 
difícil, basta lembrar-se de Spinoza e o exercício de estrutura. Valendo-se dele, 
podemos dizer que esta pesquisa filológica/filosófica nada mais é que o recurso à 
origem e a causas que produzem determinado termo (um exercício de relíquias, 
de peças a serem refeitas, como dissemos na introdução). Com este exercício 
podemos aprofundar os significados primitivos, realizando uma interação com 
os sentidos assumidos hoje. 
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
14
Vale mencionar a você, acadêmico(a), para ficar atento(a) aos períodos históricos, 
porque o texto é construído a partir desta relação. Portanto, mencionaremos a definição de 
informação na Antiguidade, Idade Média, Modernidade e Contemporâneo.
Filologia: é uma disciplina antiga em que se busca analisar os significados 
fundamentais do vocabulário, das diversas línguas. 
4.1 ANTIGUIDADE
A história do termo remonta à tradição greco-romana. Na Grécia Antiga, 
a informação possui o sentido de modelo (hypotyposis) e representação (prolepsis) 
(CAPURRO; HJORLAND, 2007). Era alguma coisa que a nossa razão (logos) 
captava da realidade. 
Daquilo que é permanente (hypokeimenon) e múltiplo/diverso (symbebekota), 
isto é, aquilo que é necessário e aquilo que é contingente.
No mundo romano, informação assume os seguintes sentidos, dos quais se 
destacam as definições de:
● Varro (116-27 a. C.): Informação (informatur), em sentido biológico/
médico (ligação da cabeça e coluna vertebral).
● Virgílio (70-19 a. C.): informatio e informo. Possui o sentido de produzir 
(informatum) (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 156).
NOTA
NOTA
DICAS
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
15
4.2 IDADE MÉDIA
A Idade Média, por sua vez, agregará ao termo nova coloração, destacando-se 
neste quesito o filósofo Agostinho de Hipona (354-430): Informatio sensus (percepção 
visual). “Aquilo que é percebido e armazenado na memória. Também possui sentido 
pedagógico: os feitos de Deus nos instruem e educam (ad eruditionem informationemque 
nostram, que pode ser traduzido por instrução para nossa informação)” (CAPURRO; 
HJORLAND, 2007, p. 156), isto é, eles nos informam.
4.3 MODERNIDADE
A partir da Modernidade, a questão do conceito informação se aprofunda 
por estar ligada à teoria do conhecimento, isto é, como se garante (ao sujeito) 
as informações (conhecimento) que se recebe (dos objetos). Uma vez que temos 
uma mudança de paradigma científico promovida por Galileu Galilei (1564-
1642) e Johannes Kepler (1571-1630), que fazem aparecer uma nova leitura da 
realidade, ou seja, uma realidade infinita com universo infinito também, o que 
difere da concepção antiga e medieval em que o universo e a realidade eram 
limitados, portanto, as noções de informação tinham ligação com a transmissão, 
produção, armazenamento. 
Na versão moderna isto implica a necessidade de um sujeito que possa 
organizar esta realidade/universo infinito, daí o capturar do que chamamos 
teoria do conhecimento do conceito informação. Faz-se necessária uma teoria 
do conhecer que permita organizar as informações que o sujeito recebe de uma 
realidade infinita. Nessa direção, 
Informação veio a referir-se cada vez menos à organização interna ou 
formação, [...]. Em vez disso, a informação veio a referir-se à essência 
fragmentária, flutuante, casual do sentido. A informação, de acordo 
com a visão global moderna mais geral, mudou de um cosmos 
ordenado divinamente para um sistema governado pelo movimento 
de corpúsculos. [...] (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 156).
A partir disto, vários filósofos vão discutir acerca da informação, dentre 
eles Francis Bacon (1561-1626), John Locke (1632-1704), George Berkeley (1685-
1753) e David Hume (1711-1776), sem esquecer-se de René Descartes (1596-1650), 
para quem a informação tem o sentido de “dar uma forma (substancial) à matéria 
para comunicar alguma coisa a alguém [...]” (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 156). 
Em outras palavras, trata-se de uma ideia que se passa na mente.
De maneira geral, temos duas definições na Antiguidade: o sentido médico 
e o sentido de produção, como você pôde acompanhar. Esta primeira dualidade de 
definições demonstra o quão difícil e ao mesmo tempo salutar o conceito de informação. 
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
16
René Descartes, filósofo e matemático francês do século 
XVII. Criador do Método, isto é, processo para obtenção de 
conhecimento. Prática utilizada em todas as ciências. O 
método expõe em sua obra mais famosa O Discurso do 
Método (1637).
FONTE: Disponível em: <http://www.iplugados.com/biografias1.html>. Acesso em: 11 
ago. 2012.
Em resumo, este recurso à história do conceito (a que chamamos filológica/
filosófica), como você pôde conferir, caro(a) acadêmico(a), quer apresentar a 
importância da informação para a condição humana. É pela troca de informações 
entre nós mesmos, com os outros e com o mundo que vamos correlacionando 
dados e posições sobre a existência. Além disto, a variedade de definições do termo 
demonstra os vários sentidos tomados pelos humanos e sua constituição histórica. 
É nesta seara que o termo informação vai tomar uma nova conotação do ponto de 
vista contemporâneo. Além disto, é óbvio que a informação é um processo inerente à 
atividade dos humanos. Se ligarmos informação com linguagem, os seres humanos 
estariam em constante processo de informação. Mas, à guisa da conclusão desta 
parte, antecipamos que na sociedade contemporânea (da informação) trata-se de 
um tipo especial de informação. 
Como veremos adiante e em muitos outros tópicos, o fenômeno da sociedade 
da informação é um processo que se inicia a partir da década de 1960. Nesta medida, iremos 
inseriro debate da sociedade da informação como “filha de seu tempo” (para usar uma expressão 
de um filósofo chamado Hegel), ou seja, como processo inserido em um debate de uma 
passagem/reposicionamento da modernidade para pós-modernidade/sociedade pós-industrial/
hipermodernidade/modernidade líquida. Ou dito de outro modo, como passamos de um modo 
de vida (moderno) para outro (pós/hiper/líquido) tendo a informação como eixo mais recente 
neste estilo.
NOTA
NOTA
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
17
4.4 CONTEMPORÂNEO
Contemporaneamente, o conceito informação passa a ser utilizado por 
várias áreas do saber humano, da matemática, passando pela filosofia e se filiando 
às tecnologias computacionais e às interpretações genéticas. Ou para refrescar a 
memória, acadêmico(a), basta lembrar dos exemplos de nossa introdução. Uma 
passada pelo Dicionário Aurélio (FERREIRA, 2009, p. 1104) constata isto:
[Primeira definição: Ato ou efeito de informar-(se) [...]. [Segunda 
definição:] Dados [...] acerca de alguém ou algo [...]. [Terceira definição:] 
Conhecimento participação [...]. [Quarta definição:] Comunicação 
ou notícia trazida ao conhecimento de uma pessoa ou do público 
[...]. [Quinta definição:] Instrução, direção. [Nona definição, ligada à 
informática:] Coleção de fatos ou de outros dados fornecidos à máquina, 
a fim de se objetivar um processamento [...]. [Décima definição, 
ligada à teoria da informação:] [...], medida da redução da incerteza, 
sobre um determinado estado de coisas, por intermédio de uma 
mensagem [...] sendo quantificada em bits [em sentido geral códigos] 
de informação. Informação Genética. [...]. Mensagem contida no ácido 
desoxirribonucleico através da sequência dos seus nucleotídeos, e que 
se expressa pela síntese de proteínas. 
FIGURA 4 – INFORMAÇÃO GENÉTICA 
FONTE: Disponível em: <http://considereapossibilidade.wordpress.
com/2009/01/31/a-informao-gentica-no-para/>. Acesso em: 30 jul. 2012.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
18
Contemporaneamente, como você tem acompanhado neste nosso 
exercício histórico e conceitual, conferimos grande atenção à informação, porque 
compreendemos que, através das novas tecnologias (grande rede, conquistas da 
genética, da nanotecnologia, mass media, economia financeirizada etc.), temos as 
codificações das mensagens mais e mais aceleradas, diminuindo os espaços (quiçá, 
também o tempo) do globo terrestre, e que tal perspectiva contribui para uma 
sociedade em novos níveis de ação. A informação passa a ter papel central: 
O desenvolvimento e a disseminação do uso de redes de computadores 
desde a Segunda grande Guerra Mundial e a emergência da ciência 
da informação como uma disciplina nos anos 50, são evidência disso. 
Embora o conhecimento e a sua comunicação sejam fenômenos básicos 
de toda sociedade humana, é o surgimento da tecnologia e seus 
impactos que caracterizam a nossa sociedade como sociedade da 
informação [negrito nosso] (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 149, 
grifos dos autores).
A informação passa a ser condição básica, uma vez que passamos, no 
contemporâneo, no dia a dia, a ter o mote das cadeias globais promovidas pela 
natureza digital, que influencia desde o hospital com seus equipamentos, até o 
trânsito de uma cidade bem equipada neste quesito. Ou seja, “[...] é lugar comum 
considerar-se a informação como condição básica para o desenvolvimento 
econômico juntamente com o capital, o trabalho e a matéria-prima, mas o que torna 
a informação especialmente significativa na atualidade é sua natureza digital” 
(CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 149).
FIGURA 5 – TECNOLOGIAS NOS RONDANDO CONSTANTEMENTE 
FONTE: Disponível em: <http://noticias.r7.com/blogs/ogg-ibrahim/2012/03/17/
a-tecnologia-que-nos-aproxima-e-nos-afasta/>. Acesso em: 30 jul. 2012.
Para entendermos melhor a natureza digital da informação, lancemos mão 
de um quadro panorâmico dos efeitos da informação (e suas tecnologias). Para 
desenvolver o mesmo, tomamos de empréstimo a definição de informação dada no 
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
19
Dicionário do pensamento social do século XX (OUTHWAITE; BOTTOMORE, 1996), 
que se mostra muito esclarecedor, porque enumera os passos de formação de uma 
sociedade da informação.
Como você irá conferir, houve num primeiro momento a digitalização 
das informações, depois a informação tornou-se tecnologia, operando mudanças 
nas relações sociais e, sendo de extrema relevância social, produzindo um novo 
modelo de sociedade, a chamada sociedade da informação. O quadro é retirado e 
montado a partir, como mencionamos, do Dicionário do pensamento social do século 
XX (OUTHWAITE; BOTTOMORE, 1996, p. 395):
QUADRO 1 – QUADRO AÇÃO-RESULTADO DA INFORMAÇÃO
FONTE: Adaptado de: Outhwaite; Bottomore (1996, p. 395)
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
20
O QUE É INFORMAÇÃO?
Muitos dizem que navegamos na Terceira Onda de Tofler, ou seja, a onda 
da informação, que seguiu as ondas agrícola e industrial.
Autores como Malone, Drucker, Levy, entre outros, dizem que os clássicos 
fatores de produção estão perdendo seu status para o capital intelectual e para a 
informação.
LEITURA COMPLEMENTAR
E para fechar esta seção sobre a informação (para marcar sua importância 
contemporânea), vale a seguinte colocação:
Segundo Marshal McLuhan, estamos assistindo ao fim da era 
Gutenberg, ao fim da era iniciada com a criação do código fonético 
e sistematizada pela invenção dos tipos móveis de imprensa, 
principal responsável, segundo ele, pela destribalização da cultura, 
pelo individualismo, pelo nacionalismo, pelo militarismo e pela 
tecnologia ocidental, até a linha de montagem de Ford (que hoje 
estaria superada). Com o circuito elétrico, que possibilita a ionização 
ou simultaneidade da informação [bem como a redução do tempo e 
do espaço], termina a era da expansão (explosão) das sociedades e 
começa a era da ‘implosão’ da informação: a informação complexa, 
antiverbal, se manifesta em mosaico, descontínua e simultaneamente 
[negrito nosso] – e a televisão é o seu profeta. [A televisão passa a 
alterar o comportamento interpessoal, bem como a internet, pois traz 
informações sem fim] (PIGNATARI, 1981, p. 12-13).
Em síntese, acadêmico(a), você pode acompanhar que a informação passa 
a ser o bloco pelo qual as atividades humanas são operadas, sua mola mestra. Seja 
porque torna tudo em banco de dados, seja porque toma a tecnologia (internet, 
celulares, mídia) por meio de relação, isto é, toma os artefatos tecnológicos meios 
pelo qual realizamos os trabalhos, os estudos, os contatos entre as pessoas.
Para que você aprimore seus estudos no que concerne ao conceito de informação, 
indicamos a leitura do Dicionário do pensamento social do século XX. Apesar do termo 
dicionário no nome, que pode assustar, o texto é de leitura fácil, contendo em torno de 500 
verbetes descrevendo as mudanças sociais. A obra se mostra rica fonte para aprofundamentos 
futuros. 
OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX. 
Tradução de Eduardo Francisco Alves; Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
DICAS
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
21
Mas no campo empresarial, especificamente, como pode ser descrita a 
informação?
A informação pode ser entendida como um dos recursos dos quais a 
empresa dispõe e utiliza (ou necessita) para a consecução de seus objetivos. De 
forma genérica, informar significa comunicar algo a alguém.
Existe uma clássica distinção entre dados e informações. Oliveira (1993, p. 
34) define dado como sendo “qualquer elemento identificado em sua forma bruta 
que por si só não conduz a uma compreensão de determinado fato ou situação”.
A informação, por sua vez, é mais estruturada. É definida como sendo “o 
dado trabalhado que permite aoexecutivo tomar decisões” (OLIVEIRA, 1993. p. 34).
Cassaro (2003, p. 35) corrobora afirmando que “os dados alimentam, dão 
entrada no sistema, e as informações são produzidas, saem do sistema”, podendo 
ser a entrada para outro sistema de informação. Como exemplo de dados pode 
ser citada a quantidade de clientes de uma empresa ou o preço de venda cobrado 
por determinado item. A lucratividade gerada pelos diversos clientes ou grupo de 
clientes, que contribui para o gestor decidir, entre outros fatores, qual carteira de 
clientes incrementar, é uma informação.
Os dados, no conceito do Serviço Federal de Processamento de Dados 
- SERPRO (2003), “são sinais que não foram processados, correlacionados, 
integrados, avaliados ou interpretados de qualquer forma. Os dados representam 
a matéria-prima a ser utilizada na produção de informações”.
Quanto às informações, de acordo com o SERPRO (2003), “neste nível, os 
dados passam por algum tipo de processamento para serem exibidos em uma 
forma inteligível às pessoas que irão utilizá-los”.
A importância do fator informação fica ainda mais evidenciada no contexto 
empresarial contemporâneo, marcado pela extrema e notória competitividade e 
pela necessidade de eficiência em todos os processos organizacionais.
Conceituando eficiência de maneira breve, ela consiste em realizar as 
atividades de modo correto, ou seja, relaciona-se mais com os meios utilizados. 
Agir com eficácia, entretanto, é fazer as coisas certas, ou seja, relaciona-se mais 
com os resultados esperados.
Na era da informação, ela é condição indispensável para o funcionamento 
da empresa e para a consequente sobrevivência, pois conforme cita Cassaro (2003, 
p. 25), “A empresa em si é uma estrutura estática. O [...] que lhe dá dinamismo é o 
conjunto de sistemas de informações, ou seja, a gama de informações produzidas 
pelos seus sistemas, de modo a possibilitar o planejamento, a coordenação e o 
controle de suas operações”.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
22
Fica óbvio que sem informações a empresa não opera. Ela não poderá tomar 
nenhuma decisão, não poderá estabelecer nenhum objetivo nem estratégia. Isso 
sem considerar que, mesmo que a empresa apenas reagisse aos fatos já ocorridos, 
não deixaria de estar considerando informações históricas.
Cassaro (2003, p. 34) comenta que “tanto mais dinâmica será uma empresa 
quanto melhores e mais adequadas forem as informações de que os gerentes 
dispõem para as suas tomadas de decisão”.
A informação também permite a integração entre os diversos sistemas 
organizacionais (recursos humanos, marketing, finanças etc.), permitindo a 
retroalimentação destes para fins de controle, bem como gerando insumos para 
planos de ação. Ela é um dos principais requisitos para se ter uma visão sistêmica 
da empresa.
Na visão do SERPRO (2003), “A qualidade dos sistemas de informação 
de uma organização é reconhecidamente uma vantagem corporativa estratégica. 
Mas, apesar de todos os avanços tecnológicos, o processamento de informações 
corporativas continua sendo complexo”.
Porém, Silva (2001) afirma que cada vez mais, na era da informação, a 
sociedade terá que se adaptar ao problema da sobrecarga de informações. Isto vai 
nos compelir a buscar e usar técnicas que ajam como um filtro, selecionando as 
informações confiáveis e relevantes e maximizando o tratamento das informações 
recebidas.
Isso revela uma outra tendência atual: a customização. Cada indivíduo 
apresenta uma necessidade específica de informação, ou seja, de acordo com seus 
objetivos, determinados aspectos serão relevantes. Porém, em meio ao excesso 
de informações, muitas das quais irrelevantes, tornam-se necessários processos 
capazes de gerar e recuperar essas informações quando necessárias, de modo a 
atender, preferencialmente de forma facilitada, as necessidades específicas de cada 
usuário.
[...]
Quanto às características da informação, Cassaro (2003) distingue as 
informações como sendo operacionais, ou seja, aquelas úteis para realizar 
determinada atividade, como, por exemplo, uma requisição de material; ou 
como sendo gerenciais, que são basicamente uma compilação das informações 
operacionais que chegam até o gestor e lhe subsidiam na tomada de decisão.
Segundo Cassaro, (2003, p. 41) “enquanto as informações operativas 
praticamente independem das pessoas, as informações gerenciais são muito 
influenciadas pelas pessoas que ocupam posições gerenciais”.
Uma característica da informação gerencial é o seu potencial preditivo, ou 
seja, permite inferências sobre situações futuras, permitindo o planejamento de 
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
23
onde a empresa espera chegar, bem como a verificação de que a empresa está se 
orientando para a consecução dos objetivos esperados, possibilitando ajustes caso 
esteja em situação indesejada.
É importante frisar também, conforme citam Padoveze (1994) e Cassaro 
(2003), que a informação deve ter certos atributos, entre eles destacam-se a relação 
custo e benefício, utilidade e oportunidade.
Dessa forma, os benefícios ocasionados pela utilização de determinada 
informação devem, inclusive por questão de bom senso, ser maiores que os custos 
incorridos para obtê-la. É importante verificar se a informação está realmente 
sendo usada e que benefícios seu uso traz.
Entretanto, é difícil precisar com exatidão e objetividade os resultados de 
uma informação, ou seja, associar diretamente a ele os resultados, satisfatórios ou 
não, de uma decisão.
Quanto à oportunidade, toda informação tem uma utilidade ou valor 
elevado em determinado momento, decrescendo até chegar ao valor nulo com o 
passar do tempo.
Observando a figura apresentada por Cassaro (2003, p. 37), é possível 
perceber de forma mais clara a importância da informação ser oportuna.
FIGURA 1 – VALOR DA INFORMAÇÃO OPORTUNA
FONTE: Adaptado de: Cassaro (2003, p. 37)
Conforme exemplifica Cassaro (2003), a figura acima supõe o fato de um 
gerente necessitar tomar uma decisão no dia 20, e apenas nesse dia tal decisão 
pode ser tomada. Dessa forma, a informação disponibilizada no dia 30 não 
teria valor algum.
Porém, se a informação fosse fornecida no dia 10, dando maior tempo para 
o gestor se preparar e ponderar os possíveis resultados da escolha das alternativas 
disponíveis, surpreendentemente, a informação também não teria o seu valor 
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
24
máximo. Nesse dia, o gerente não teria nenhuma decisão a ser tomada e o destino 
da informação provavelmente seria a gaveta, além de que, no prazo de 10 dias 
muitas variáveis poderiam se alterar.
No dia 20, quando a decisão fosse tomada, essa informação não 
corresponderia mais com a realidade. Ressaltando que as empresas tendem a 
operar em ambientes dinâmicos e com alto grau de risco e incerteza, condições 
presentes em praticamente todas as decisões.
Cabe aqui uma distinção entre risco e incerteza: a condição de risco se 
dá quando o tomador de decisões pode estimar as probabilidades de ocorrência 
dos vários resultados que a alternativa escolhida acarretará. Quando não se tem 
informações para conhecer ao menos a probabilidade de ocorrência de certos 
eventos, tem-se a incerteza.
Lima (2007, p. 5) define a diferença entre risco e incerteza da seguinte forma:
A diferença entre risco e incerteza está relacionada ao conhecimento 
das probabilidades ou chances de ocorrerem certos resultados. O risco 
ocorre quando quem toma as decisões da aplicação de um ativo pode 
estimar as probabilidades relativas a vários resultados, com base em 
dados históricos, o que chamamos de distribuições probabilísticas 
objetivas. Quando não se tem dados históricos e é preciso fazer 
estimativas aceitáveis, ou seja, distribuições probabilísticas subjetivas, 
lidamos com a incerteza.Correção e exatidão das informações: Cassaro (2003, p. 38) afirma que 
“uma informação gerencial quase nunca tem de ser exata, basta-lhe ser correta 
e estar disponível no momento necessário”. A informação exata corresponde à 
realidade com precisão total, sendo, portanto, relativa a breve e determinado 
momento, a partir do qual deixa de ser exata. Os custos de obtenção também 
são relativamente maiores aos da informação precisa e os benefícios adicionais 
relativos não são compensatórios.
Relevância: escolhas entre alternativas diversas, com diversas finalidades, 
exigem informações diferentes. Sendo assim, “relevância é o grau de importância que 
uma informação possui para uma tomada de decisão” (CASSARO, 2003, p. 38). Há 
de se considerar também que, para tomar determinada decisão, vários fatores pesam 
sobre as escolhas, alguns em maior e outros em menor grau. Como nem sempre é 
possível ter informações sobre todas as variáveis envolvidas, é coerente priorizar a 
obtenção de informações sobre os aspectos mais importantes.
Comparação e tendência: é relevante que as informações para finalidades 
gerenciais possam ser comparadas, possibilitando o conhecimento das 
variações ocorridas e permitindo que tendências sejam percebidas, evitando 
suas consequências caso sejam negativas e aproveitando as oportunidades 
quando positivas.
TÓPICO 1 | INTRODUÇÃO TEMÁTICA
25
A informação é um dos recursos mais relevantes que as empresas [por 
exemplo] possuem para traçarem suas estratégias, tomarem suas decisões, 
coordenarem suas ações e efetivarem os controles necessários para acompanhar as 
mudanças de direção entre o previsto e o realizado.
[...]
FONTE: Disponível em: <http://vozesdoverbo.blogspot.com.br/2010/10/o-que-informacao.html>. 
Acesso em: 30 jul. 2012.
26
Neste tópico você viu:
● Primeiro: uma introdução vinculando exemplos ligados à sociedade da 
informação, como o cinema. Conforme nos ensina Baruch Spinoza: partir para 
análises mais aprofundadas.
● Segundo: uma pincelada sobre o conceito de sociedade, que em síntese pode 
ser resumido no seguinte: espaço de relações humanas. Três são as definições 
norteadoras (gerais) de sociedade, que apresentamos. A primeira faz entender 
a sociedade como “o espaço das relações humanas de comunicação ou de 
intersubjetividade” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080). A segunda definição parte 
da ideia de que “a sociedade é a totalidade (um organismo) de indivíduos onde 
ocorrem as relações de comunicação” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080). E a terceira 
toma a sociedade como “um grupo de indivíduos onde estas relações ocorrem 
de forma comum ou institucionalizada” (ABBAGNANO, 2007, p. 1080). O que 
estas definições (tendências) gerais nos permitem? Estas definições nos permitem 
compreender uma tendência geral sobre o que é sociedade: espaço onde ocorrem 
as interações humanas. É neste espaço que será vinculada a informação, ou seja, 
em nossas interações.
● Terceiro: uma pincelada sobre o conceito de informação. Inicialmente realizou um 
trabalho filológico, isto é, demonstrando a origem, como dissemos na introdução, 
via Spinoza, sobre buscar a origem, remontando alguns pontos, até chegar à 
ideia de informação vinculada à sociedade da informação. Nesta perspectiva 
o(a) acadêmico(a) pode conferir que no nosso dia a dia damos grande atenção 
e importância à informação, porque ela se traduz através das novas tecnologias 
(grande rede, conquistas da genética, da nanotecnologia, mass media, economia 
financeirizada etc.), que se codificam em mensagens mais e mais aceleradas, 
diminuindo os espaços (quiçá, também o tempo) do globo terrestre. Tal prática 
também contribui para formar uma visão geral que explica a globalização, isto é, 
esta mesma sociedade da informação traduz o nosso tempo, como vimos.
RESUMO DO TÓPICO 1
27
Para fixar os conhecimentos adquiridos neste tópico, responda a cada 
uma das questões:
1 Realize uma síntese do texto complementar: O que é informação?
2 Defina sociedade a partir de Giddens. 
AUTOATIVIDADE
28
29
TÓPICO 2
MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a), neste segundo tópico buscamos demonstrar do 
ponto de vista teórico e histórico os movimentos que conformam a sociedade 
contemporânea como sociedade da informação, isto é, como, a partir de determinado 
período, a informação passou a ser eixo/mola fundamental da sociedade, como 
você vai conferir, mais precisamente a partir da década de 1960. Para isto iremos 
articular uma história das interpretações da sociedade para localizar a ideia de 
sociedade da informação, no período que mencionamos.
Valendo-se da proposta de Spinoza, vamos remontar a estrutura que 
revela os pontos da sociedade da informação hoje. Com este empreendimento, 
esperamos contribuir com você, acadêmico(a), no fortalecimento do conhecer e 
na potência do pensar.
Como você pôde acompanhar na unidade anterior, de maneira geral, a 
partir das definições apresentadas, a sociedade é o espaço onde estabelecemos 
as relações humanas (que são exemplificadas nas instituições, nas músicas, nos 
sentidos e sem sentidos que o humano dá coletivamente), e mais recentemente 
estas relações são atravessadas, marcadas, enlaçadas pelo aspecto da informação, 
que, como vimos, é entendida como o processo em que transformamos dados 
digitais (sejam eles linguagens, imagens, livros, filmes) em informação que 
é transmitida constantemente por redes, resultando na compressão do tempo 
e do espaço, acelerando os fluxos de ideias, conceitos, moda, arte, música, 
especulações econômicas, em ritmo nunca antes visto. 
Mas, como você tem acompanhado, isto não se realiza de modo gratuito, 
as mudanças ocorrem historicamente e possuem um processo de chegada, isto é, 
os modos que observamos hoje possuem uma história para chegar ao que vemos 
hoje, sofrendo grandes metamorfoses. Há uma gama de causas e transformações, 
como bem nos lembrava Spinoza, no Tópico 1. E isto não é diferente com a 
sociedade da informação.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
30
2 GLOBALIZAÇÃO E SEUS EIXOS: DA MODERNIDADE À PÓS-
MODERNIDADE; DA SOCIEDADE INDUSTRIAL À SOCIEDADE 
PÓS-INDUSTRIAL; DA MODERNIDADE À HIPERMODERNIDADE/
MODERNIDADE LÍQUIDA
Tradicionalmente, para compreender estas mudanças que vislumbramos 
na sociedade da informação, podemos nos valer da Sociologia, ciência que lança 
três hipóteses muito interessantes acerca desta chegada à sociedade da informação. 
Em outras palavras, traça um viés, um caminho que demarca a passagem da 
modernidade/sociedade industrial para pós-modernidade/sociedade pós-
industrial ou modernidade para hipermodernidade/modernidade líquida, que 
nada mais é que o transcorrer do século XVI até os dias atuais. 
A primeira diz que a partir do Renascimento e das grandes navegações 
iniciamos um processo de globalização do mundo, impulsionado pelas mutações 
do capitalismo. Historicamente, estas mutações estariam “instaladas” no que 
podemos chamar de modernidade, que vai do Renascimento até o século XIX, e 
a pós-modernidade, a partir do século XIX, sendo a sociedade da informação um 
dos braços ou características deste último. 
Esta hipótese que colocamos é, por exemplo, tese desenvolvida pelo 
sociólogo brasileiro Octavio Ianni (1926-2004), que em seu livro A Sociedade 
Global (IANNI, 1993) procura analisar estas mutações, desde o surgimento 
do capitalismo, no século XIV, passando pelas grandes navegações, pela 
formação dos estados-nação, pelas revoluções política e industrial, até chegar às 
multinacionais, à informática e à bolsa de valores. “A estes movimentos, Ianni 
denomina globalização” (COSTA, 2005, p. 232). 
OCTAVIO IANNI, sociólogo brasileiro (1926-2004). Desenvolveu vários estudos 
sobre o Brasil e a cultura. Escreveu várias obras, das quais sedestacam A Sociedade Global 
(1992) e Teorias da Globalização (1996).
FONTE: Disponível em: <http://umapiruetaduaspiruetas.wordpress.com/2012/03/27/notas-
para-a-prova-de-ppsb-estilos-de-pensamento-octavio-ianni/>. Acesso em: 30 jul. 2012.
NOTA
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
31
Globalização: De maneira geral, fenômeno caracterizado pela maior integração 
(não sem conflito) econômica, cultural, social, onde, por exemplo, as mercadorias (econômica), 
as religiões (cultural) e os grupos sociais são aproximados, bem como pela utilização de 
tecnologias e pela circulação de informação em massa. 
FIGURA 6 – GLOBALIZAÇÃO 
FONTE: Disponível em: <http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_
estudantes/filosofia/filosofia_trabalhos/compreendglobaliz.htm>. Acesso em: 30 jul. 
2012.
2.1 MODERNIDADE
Para filtrar para você, acadêmico(a), e para que a compreensão seja precisa, 
apresentaremos a seguir pontos fundamentais da modernidade, que no seio de 
suas contradições servirá de alicerce para a sociedade da informação: 
Mike Featherstone (1995, p. 20) caracteriza a modernidade de modo 
muito simples: 
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
32
Afirma-se, de modo geral, que a modernidade surgiu no Renascimento 
e foi definida em relação à Antiguidade, como no debate entre os antigos 
e os modernos. [...], a modernidade contrapõe-se à ordem tradicional, 
implicando a progressiva racionalização e diferenciação econômica 
e administrativa do mundo social [...] – processos que resultaram na 
formação do moderno Estado capitalista-industrial [...].
Um pensador famoso, de uma leitura riquíssima (e ainda vivo), chamado 
Jürgen Habermas (1929-), também contribui para nossa pesquisa. Diz ele que 
a modernidade (na verdade, ele vai chamar de projeto moderno) parte de um 
conjunto de teses formuladas pelos filósofos iluministas, tais como (COSTA, 
2005, p. 233): 
Crença no pensamento científico.
Papel da moralidade na condução da vida humana.
Universalismo do pensamento.
Universalismo das formas de organização da sociedade.
Em Johnson (1997, p. 152) também temos uma boa definição, que parte dos 
mesmos aspectos que anunciamos “[...] modernismo é uma visão particular das possibilidades 
e direção da vida social, com origens no Iluminismo e baseada em fé no pensamento racional. 
Da perspectiva modernista, a verdade, a beleza e a moralidade existem como realidades 
objetivas que podem ser descobertas, conhecidas e compreendidas através de meios racionais 
e científicos. Essa opinião não só torna o progresso inevitável, mas fornece uma base para o 
aumento do controle sobre a condição humana e maior liberdade individual”.
Estes pontos podem ser traduzidos na aposta industrial, na urbanização, na 
construção das grandes cidades, na ciência como resposta para tudo, na conversão 
da religião em espaço privado, isto é, a possibilidade de cada um exercer sua 
religião. São deste período também as grandes colonizações.
Além destes quesitos, poderíamos aportar mais quatro, que reforçam nossa 
compreensão acerca da modernidade, suas nuances e princípios fundamentais, já 
que nosso mote é chegar à sociedade da informação. Vejamos quais são os quatro 
reforços (COSTA, 2005, p. 233):
Racionalismo.
Organização.
Esperança na liberação humana da escassez.
Esperança na liberação humana do arbítrio (político, religioso).
NOTA
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
33
FIGURA 7 – MODERNIDADE 
FONTE: Disponível em: <http://vidaqueseconta.blogspot.com.br/2011/07/
modernidade-por-arnaldo-jabor.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
FONTE: HABERMAS, Jürgen. O Discurso Filosófico da 
Modernidade. Disponível em: <http://livraria.folha.com.br/
catalogo/1047451/o-discurso-filosofico-da-modernidade>. 
Acesso em: 30 jul. 2012.
Acadêmico(a), para acompanhar estas questões com maior 
profundidade, indicamos o livro de Jürgen Habermas, que 
é extremamente esclarecedor: O discurso filosófico da 
modernidade.
2.2 PÓS-MODERNIDADE
Johnson (1997, p. 152) nos dá uma definição muito clara do que é pós-
modernidade:
O pós-modernismo rejeita a visão modernista argumentando, em 
primeiro lugar e acima de tudo, que verdade, beleza e moralidade não têm 
existência objetiva além do que pensamos, escrevemos e falamos sobre 
elas. Da perspectiva pós-modernista, a vida social não é uma realidade 
DICAS
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
34
objetiva, à espera de que se descubra como funciona. Em vez disso, o 
que experimentamos como vida social é, na verdade, apenas a maneira 
como nela pensamos, e há muitas e mutáveis formas de fazer isso. Não há 
sociedades, comunidades ou famílias que existam como entidades fixas, 
mas apenas como um fluxo contínuo de conversas, modelos abstratos, 
histórias e outras representações que perpassam por todos os níveis da 
vida social, de conversas íntimas entre amantes aos produtos da mídia 
[aqui entra a sociedade da informação]. Embora alguns elementos no 
fluxo sejam ‘privilegiados’ ou recebam maior peso e legitimidade social 
do que outros, em última análise, uma versão da realidade, da beleza ou 
da moralidade não é pior nem melhor do que outra.
Primeiro, é destes sinais de ruptura (no sentido de homogeneidade: sobre 
a verdade, beleza e moralidade) que a sociedade da informação vai se instalar. Se 
não há modelos abstratos, se faz necessário compreender as constantes mudanças 
que não param de acontecer. Segundo, a própria informação também se torna 
fonte privilegiada dos processos de interação humana, ou seja, quanto mais acesso 
a dados e a recursos tecnológicos, mais privilégios haverá em certos fluxos sociais. 
Em outras palavras, podemos dizer que a sociedade da informação surge dos 
efeitos (e contradições) entre modernidade e pós-modernidade, ou ainda, que 
a modernidade é globalizante e, por tal feito, produz em seu seio variáveis de 
interpretação, feitas pela sociologia, da qual partimos, em tempos em tempos. 
Mas, para esta nota, especifiquemos a pós-modernidade.
Partindo da tese de Ianni (1993), que expomos anteriormente (da sociedade 
da informação como uma das filhas da globalização), trabalhemos outros elementos 
acerca da pós-modernidade. O primeiro elemento está ligado à ideia de que este 
conceito nasceu nos meandros das artes visuais e da arquitetura:
Criado no campo das artes visuais e da arquitetura, o conceito de 
pós-modernidade procurava designar uma postura de ruptura com 
tudo o que caracterizou a produção artística da modernidade, ou 
seja, a organização do campo artístico e a institucionalização da arte, 
a profissionalização do artista e a circulação dos produtos por meio 
de um bem organizado mercado de arte. Procurava romper também 
a busca por critérios universais da arte e pelo anseio de perenidade e 
legitimação que caracterizou o modernismo [...] (COSTA, 2005, p. 232).
 Esta postura de ruptura proposta pela arte, marcadamente 
influenciada pela indústria cultural, passa a marcar a criação simbólica de sociedade 
(COSTA, 2005). Desta maneira, o conceito (oriundo de uma proposta contestadora 
de arte) “[...] associou-se à quebra de valores e de normas de comportamento 
que caracterizou o homem contemporâneo, especialmente nos grandes centros 
urbanos” (COSTA, 2005, p. 232-233).
Por esta situação, por não permitir uma objetividade de leitura, mas 
várias possibilidades, afirmar categoricamente o termo é ambíguo, dada a sua 
flexibilidade de uso. Assim: 
Em razão dessa flexibilidade e ampliação de uso, o conceito de 
pós-modernidade acabou ganhando ambiguidade, podendo identificar o 
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
35
desconstrutivismo [na arquitetura, como os movimentos artísticos da periferia] [...]. 
Servia tanto para designar as organizações não governamentais comomanifestações 
simbólicas que repudiavam valores e princípios inquestionáveis da modernidade 
– entendida como o período histórico da sociedade ocidental que se estende do 
Renascimento até meados do século XIX. Entre esses valores estavam o nacionalismo, 
a democracia, a igualdade entre os homens e a justiça (COSTA, 2005, p. 233).
Nesta medida, a pós-modernidade seria um movimento, que, migrado 
dos movimentos artísticos para os movimentos sociais, passa a identificar um 
conjunto de fatores-chave que marcam nosso período e cruzam nossas relações 
interpessoais. Além disto, estes mesmos fatores marcam e dão o diagnóstico da 
sociedade da informação. Vejamos alguns deles (COSTA, 2005, p. 233):
A emergência da informação nas relações econômicas.
A emergência da informação na produção.
A emergência da informação na comunicação entre pessoas.
A decadência dos regimes comunistas no mundo.
O fim da produção industrial.
O desencanto generalizado em relação às expectativas idealistas da 
filosofia, das ciências e das técnicas.
Esta mesma posição analítica é tomada por Jean Baudrillard (1929-2007), 
teórico francês, que entende que as tecnologias assumem papel fundamental 
na formação da pós-modernidade, sendo mote de relações intersubjetivas, 
bem como elemento fundamental para as futuras constituições industriais. As 
tecnologias também são entendidas como conjunto de fatores que dificultam a 
distinção – separação entre a realidade e a aparência, incluindo nesse sentido as 
tecnologias da informação.
[...] destaca que novas formas de tecnologia e informação tornam-se 
fundamentais para a passagem de uma ordem social produtiva para 
uma reprodutiva, na qual as simulações e modelos cada vez mais 
constituem o mundo, de modo a apagar a distinção entre realidade e 
aparência (FEATHERSTONE, 1995, p. 20).
 
Outro famoso intérprete desta vertente de compreensão, na verdade o pai 
do termo, Jean François Lyotard (1924-1998), também apresenta os elementos que 
caracterizam a sociedade pós-moderna, com o ponto fundamental de que não há 
possibilidade para uma grande narrativa, mas narrativas menores da existência, 
que se cruzam o tempo todo.
[...] discorre sobre a sociedade pós-moderna, ou era pós-moderna, cuja 
premissa é o movimento para uma ordem pós-industrial. Seu interesse 
específico reside nos efeitos da ‘computadorização da sociedade’ 
sobre o conhecimento, e ele argumenta que não se deveria lamentar 
a perda de sentido na pós-modernidade, vista que ela assinala uma 
substituição do conhecimento narrativo pela pluralidade de jogos 
de linguagem e do universalismo do localismo [negrito nosso] 
(FEATHERSTONE, 1995, p. 20).
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
36
FIGURA 8 – PÓS-MODERNIDADE 
FONTE: Disponível em: <http://fmecenas.wordpress.com/2010/12/21/marcas-
da-pos-modernidades/>. Acesso em: 30 jul. 2012.
2.3 CAPITALISMO
Entende-se por capitalismo o seguinte:
Sistema em que os meios de produção são de propriedade privada de 
uma pessoa (ou grupo de pessoas) que investe o capital; o proprietário 
dos meios de produção (capitalista) contrata o trabalho de terceiros que, 
portanto, vendem a sua força de trabalho para a produção de bens. Estes, 
depois de vendidos, permitem ao capitalista não apenas a recuperação 
do capital investido, mas também a obtenção de um excedente – o lucro. 
Tanto a compra dos meios e fatores de produção quanto a venda dos 
produtos, resultantes da atividade empresarial, realizam-se no mercado 
de oferta e procura de bens e serviços, existente na sociedade capitalista 
(LAKATOS, 2010, p. 344).
FIGURA 9 – CAPITALISMO 
FONTE: Disponível em: <http://envolverde.com.br/sociedade/
mundo-sociedade/crise-terminal-do-capitalismo/>. Acesso em: 30 
jul. 2012.
Retomando...
A segunda hipótese para denominar estas mutações é demarcar o caminho 
da sociedade industrial, que seria, diferente da modernidade, deslocada para 
o século XVIII, culminando com a Revolução Industrial, passando para uma 
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
37
Sociedade industrial 
De acordo com De Masi (1999, p. 16-17), as características fundamentais da sociedade industrial, 
iniciadas a partir do século XVIII, são as seguintes:
1) concentração de grandes massas de trabalhadores assalariados nas fábricas e nas empresas 
financiadas e organizadas pelos capitalistas de acordo com o modo de produção industrial;
2) predomínio numérico dos trabalhadores no setor secundário em comparação ao setor 
primário e terciário;
3) predomínio da contribuição prestada pela indústria à formação da renda nacional;
4) aplicação das descobertas científicas ao processo produtivo na indústria;
5) racionalização progressiva e aplicação da ciência na organização do trabalho;
6) divisão social do trabalho e sua fragmentação técnica cada vez mais capilar e programada;
7) separação entre o lugar onde se vive e o local de trabalho, entre sistema familiar e sistema 
profissional, com a progressiva substituição da família extensa pela família nuclear;
8) progressiva urbanização e escolarização das massas;
9) redução das desigualdades sociais;
10) reforma dos espaços em função da produção e do consumo dos produtos industriais;
11) maior mobilidade geográfica e social;
12) aumento da produção de massa e crescimento do consumismo;
13) fé em um progresso irreversível e em um bem-estar crescente;
14) difusão da ideia de que o homem, em conflito com a natureza, deve conhecê-la e dominá-la;
15) sincronização do homem não mais de acordo com os ritmos ou tempos da natureza, mas 
com os incorporados nas máquinas;
16) concessão do predomínio aos critérios de produtividade e de eficiência entendidos como 
único procedimento para a otimização dos recursos e dos fatores de produção;
17) convicção de que para alcançar escopos práticos existe one best way, um único caminho 
ótimo a ser intuído, preparado e percorrido;
18) possibilidade de destinar a cada produto industrial um local preciso (a fábrica) e tempos 
precisos (padrão) de produção;
19) presença conflitual, nas fábricas, de duas partes sociais – empregados e empregadores – 
distintas, reconhecíveis, contrapostas;
20) possibilidade de reconhecer uma dimensão nacional dos vários sistemas industriais;
21) existência de uma rígida hierarquia entre os vários países, estabelecida com base no Produto 
Nacional Bruto, na propriedade das matérias-primas e dos meios de produção.
sociedade pós-industrial a partir do século XIX, mais ao seu final, sendo como 
a pós-modernidade, a sociedade da informação, seu viés contemporâneo, isto é, 
atual, presente nos últimos 50 anos. Caracterizando a passagem da vida industrial 
para vida que utiliza a informática como meio de produção.
Esta hipótese que colocamos é, por exemplo, tese desenvolvida pelo sociólogo 
italiano Domenico de Masi (1938-), que em seu livro A sociedade pós-industrial (DE 
MASI, 1999) procura analisar estas mutações, desde o surgimento do capitalismo, no 
século XIV, passando pelas grandes navegações, pela formação dos estados-nação, 
pelas revoluções política e industrial, até chegar às multinacionais, à informática e 
à bolsa de valores. Ou seja, com a sociedade da informação teríamos as mutações 
advindas da sociedade industrial, passando pela sociedade pós-industrial.
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
38
2.4 SOCIEDADE PÓS-INDUSTRIAL
Para pensar a passagem para a sociedade pós-industrial, alguns itens se 
fazem fundamentais, isto é, alguns itens marcam um verdadeiro processo de 
transição em termos de uma nova sociedade (pós-industrial), três fenômenos 
fundamentais:
1 Convergência entre países industriais, independentemente do regime político 
(EUA e URSS). Nesta perspectiva: socialismo/capitalismo como filhos da 
sociedade industrial.
2 Crescimento das classes médias no âmbitoda sociedade e da tecnoestrutura da 
empresa. Novo paradigma para o conflito: burguês X proletário.
3 Fase extrema do capitalismo maduro: difusão do consumo de massa e da 
sociedade do consumo.
Estes três pontos detonam novas passagens para a globalização, outra 
maneira de olhá-la para além da dicotomia modernidade-pós-modernidade. Se esta 
dicotomia privilegia noções mais abstratas, como razão, progresso, esta dicotomia 
sociedade industrial-sociedade pós-industrial articula pontos mais sociais, como a 
relação do trabalho, produção, sociedade.
Nesta parte, propomos apresentar um quadro comparativo, que melhor 
elucide do que se trata a questão da sociedade pós-industrial, isto é, seus temas mais 
fundamentais. Desta maneira, a partir de De Masi (1999, p. 48), temos a seguinte 
classificação, que o(a) acadêmico(a) pode tomar como observação mais elaborada:
QUADRO 2 – COMPARATIVO 
Sociedade pré-
industrial Sociedade Industrial Sociedade pós-industrial
Período Até o século XIX.
Da metade do século 
XVIII até a metade do 
século XX.
Desde a Segunda Guerra 
Mundial. [...]
Instituições 
básicas
Dinastias, igrejas, 
exército, família 
patriarcal, grupos 
primários.
Estado, empresa, 
sindicato, banco, 
família nuclear, grupos 
secundários, partidos.
Universidades, institutos 
de pesquisa e de cultura, 
grandes empresas de 
comunicação de massa, 
bancos, família instável. 
Grupos primários e 
secundários.
Organização 
do Estado
Regimes 
autoritários. 
Dinástico.
Democracias 
representativas e 
estado de bem-estar, 
instituições rígidas, 
democracia associativa, 
socialismo real, Estado 
intervencionista.
Democracias representativas, 
neoliberalismo e estado 
de bem-estar, instituições 
flexíveis, participacionismo.
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
39
Recursos 
principais
Terra, matérias-
primas, alto 
índice de 
natalidade.
Meios de produção, 
matérias-primas, patentes, 
produtividade.
Inteligência, conhecimento, 
criatividade, informações, 
laboratórios científicos e 
culturais.
Setor 
econômico 
dominante
Extrativismo, 
criação de 
animais, 
agricultura, 
pesca, exploração 
das florestas e das 
minas, produção 
para consumo 
próprio. Setor 
primário.
Produção de bens: 
fabricação, transformação, 
distribuição. Setor 
secundário.
Produção de ideias e 
fornecimento de serviços: 
transportes, comércio, 
finanças, seguros, saúde, 
instrução, administração, 
pesquisa científica, cultura, 
lazer. Setor terciário.
Estrutura 
profissional
Camponeses, 
mineiros, 
pescadores, 
operários não 
qualificados, 
artesãos.
Operários, engenheiros, 
empresários, funcionários 
de escritório.
Profissionais liberais, 
técnicos, cientistas, indústria 
do lazer, tecnoestrutura. 
Local típico
Campo, pequenos 
centros urbanos, 
loja do artesão, 
manufatura. Small 
is beautiful.
Instalações industriais, 
fábrica, escritório, cidade, 
urbanização. Big is 
beautiful.
Difusão de informação, 
eletronic cottage, laboratórios 
científicos, trabalho 
domiciliar on-line, urbano, 
fábrica descentralizada. 
Dimensões adequadas.
Recursos
Matérias-primas, 
instrumentos 
flexíveis. Tekne. 
Fazer à mão.
Energia, instrumentos 
rígidos, linha de 
montagem. Tekne + 
Logos. Fazer com a 
máquina.
Eletrônica, informática, 
biogenética, tecnologias 
intelectuais e adequadas. 
Logos. Fazer com que a 
máquina faça.
Desafios
Mortalidade 
infantil, fome, 
doenças, 
necessidades 
‘materialistas’, 
escassez.
Crise energética, 
alienação, poluição, 
desperdício dos recursos, 
anomia, disparidades 
sociais, guerra. Segurança 
no trabalho.
Qualidade de vida, saúde 
psíquica, conformismo, 
guerra, necessidades pós-
materialistas. Preocupação 
com o ambiente.
O que está 
em jogo nos 
conflitos 
sociais
Domínio e 
sobrevivência, 
subordinação e 
revoltas, guerras 
locais. 
Propriedade dos meios 
de produção, apropriação 
da mais-valia, poder 
de compra, conquista 
dos mercados. Luta de 
classes, conflito industrial, 
guerras mundiais.
Elaboração e imposição dos 
modelos de programação, 
gestão do saber. Movimentos 
sociais, conflitos urbanos, 
guerra atômica e destruição 
da humanidade.
Atores sociais 
centrais
Proprietário de 
terra, aristocratas, 
senhores. 
Camponeses, 
artesãos, plebe.
Empresários, 
trabalhadores, sindicatos.
Técnicos, mulheres, 
cientistas, administradores 
da informação, intelectual.
Estrutura de 
classe Senhores, servos.
Burguesia, classes médias, 
proletariado.
Dirigentes, dominantes. 
Contestadores, dominados.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
40
Fator e coesão
Solidariedade 
mecânica, 
dimensões 
limitadas, origem 
comum, fé.
Solidariedade mecânica, 
ideologia, solidariedade 
de classe, organização 
formal, objetivo comum, 
comunicações.
Solidariedade programada, 
redes múltiplas de 
comunicação, participação 
no grupo, objetivo comum, 
aldeia global.
Fator de 
mobilidade 
social
Nascimento, 
herança, sucessão, 
afiliação.
Nascimento, herança, 
merecimento, espírito, 
empreendedor, 
cooptação, clientelismo, 
carreira.
Metodologias
Experiência 
imediata, bom 
senso, tentativa 
a erro, ação e 
reação, sabedoria.
Empirismo e 
experimentação, busca 
de soluções, descoberta, 
organização científica do 
trabalho, padronização, 
especialização, 
sincronização, 
concentração, 
maximização, 
centralização.
Teorias abstratas: modelos, 
simulações; análise de 
sistemas; pesquisa dos 
problemas; invenção; 
enfoque científico dos 
processos de previsão, de 
programação, de decisão; 
desregulamentação e 
descentralização.
Relação com 
o tempo e o 
espaço
Orientação para o 
passado, força da 
tradição, resposta 
imediata; tempos 
sincronizados 
com a natureza; 
disponibilidade 
de tempo; sentido 
do além.
Adaptação conjuntural 
às necessidades: 
Planejamento a médio 
prazo; cálculo científico 
dos tempos e sua redução, 
ritmo padronizado e 
imposto, baseado na 
máquina; vida baseada no 
tempo de trabalho.
Orientação para o futuro; 
cenários e previsões a longo 
prazo; ritmo de trabalho 
escolhido e individualizado; 
vida baseada no lazer.
Dimensão 
local
Coincidência do 
lugar onde se 
vive com o lugar 
onde se trabalha.
Dimensão multinacional; 
lugar onde se trabalha 
separado do lugar onde se 
vive. Unidade de tempo e 
de lugar.
Dimensão transnacional; 
conexões telemáticas e 
televisivas de todos os 
lugares [internet].
Estrutura 
psíquica Personalidade. Personalidade edipiana. Personalidade narcisista.
Vantagens
Ritmos lentos, 
equilíbrio com 
a natureza, 
autogestão, 
pouca burocracia, 
solidariedade 
primária.
Consumo de massa, 
mobilidade geográfica 
e social, domínio da 
natureza, igualitarismo.
Educação de massa, acesso 
às informações, lazer, 
invenção da natureza, 
redução da incerteza.
Desvantagens
Miséria, servidão, 
alienação, 
mortalidade 
infantil, 
ignorância, fadiga 
física.
Alienação, 
competitividade, 
desperdício, anomia, 
fadiga psicofísica, 
exploração.
Manipulação, direção 
externa, controle 
externo, massificação, 
marginalização, 
desemprego, fadiga 
psíquica.
FONTE: De Masi (1999, p. 48)
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
41
Retomando...
A terceira e última hipótese, para remontar à estrutura que serve para 
levantar a “casa” que culmina com a sociedade da informação, pode ser apresentada 
em duas variáveis, que advêm da modernidade. De um lado, nos últimos 100 anos, 
teríamos a hipermodernidade e, do outro, a modernidade líquida. A primeira diz 
que a modernidade passou para estruturas hipers, isto é, exageram-se as formas 
da modernidade, tal comoa informação que era relativamente apresentada para 
uma pequena parcela da população e passa a ser desenvolvida em escala global, 
sendo um dos pontos deste hiper da modernidade a sociedade da informação, pois 
demarcaria a compreensão do tempo e do espaço, o fazer circular da informação, 
mais e mais veloz pelo seu aparato tecnológico, tendo nesta velocidade os seus efeitos 
contraditórios. Por seu turno, a modernidade líquida se caracteriza por afirmar que 
a modernidade tem suas estruturas liquificadas, isto é, maleáveis, de tal modo que 
as estruturas modernas assumem novas características com a utilização do aparato 
tecnológico no dia a dia, prática esta que em tempos modernos era apenas artigo de 
luxo em laboratórios ou em livros de ficção científica.
Hipermodernidade: este termo é ligado ao pensamento do filósofo francês Gilles 
Lipovestky (1944-). O termo é desenvolvido por Lipovestky na obra Tempos hipermodernos 
(juntamente com Sébastien Charles). A tese central do livro, segundo Pereira (2006, p. 5), é de 
que “o conceito de pós-moderno (como algo que viria depois da modernidade) é ambíguo, 
vago, pois é evidente que, a partir da década de 1950, tem início a modernidade com novas 
características, e não uma passagem rasteira ou superação da anterior”. 
Quais são estas novas características, que o homem contemporâneo tem 
que encarar, e nas quais a nossa pesquisa sociedade da informação se insere? 
Apresentemo-las: 
● veloz expansão do consumo e da comunicação em massa; 
● abrandamento das normas autoritárias e disciplinares; 
● surto de individualização; 
● sagração do hedonismo e do psicologismo; 
● descrença em propostas (de futuro) revolucionárias;
● tecnologismo;
● descontentamento com as propostas políticas e de militâncias. 
Gilles Lipovetsky se pergunta ao que leva o superlativo: hiper? Segundo 
Pereira (2006, p. 6) “há novos valores, uma nova cena social e uma realidade em 
que estamos interagindo constantemente, produzindo uma situação nova para o 
homem contemporâneo”. Pereira (2006, p. 6) lança mão de mais duas perguntas 
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
42
que compõem o superlativo: “[...]: hipercapitalismo, hiperclasse, hiperpotência, 
hiperterrorismo, hiperindividualismo, hipermercado, hipertexto — o que mais não 
é hiper? O que mais não expõe uma modernidade elevada à potência superlativa?”
O que também serve de questionamento para a própria sociedade da informação: 
até que ponto ela não é uma supervalorização. Com a posição de Lipovestky, e como veremos 
adiante, de Zygmunt Bauman, temos um “exame de consciência” dos efeitos modernos, o que 
implica também observar os efeitos e nuances da sociedade da informação.
“O que está em jogo com estas questões, mais do que decretar o óbito 
da modernidade, é seu acabamento realizado no liberalismo globalizado, na 
mercantilização dos modos de vida (ou consumo da subjetividade alheia) e no 
individualismo cavalar” (PEREIRA, 2006, p. 6). Pereira (2006, p. 6) coloca as teses 
de Lipovetsky em jogo:
‘O pós-moderno ainda dirigia seu olhar para um passado que se 
decretara morto. Essa época terminou’, afirma Lipovetsky. Tínhamos 
uma modernidade limitada; agora é chegado o tempo da modernidade 
consumada, uma escalada aos extremos sob o signo do excesso: 
tecnologias em transformações vertiginosas; internet e seu dilúvio 
de fluxos numéricos (milhões de sites, bilhões de páginas, trilhões de 
caracteres, que dobram a cada ano); o turismo e suas multidões em 
férias; aglomerações urbanas e megalópoles superpovoadas, asfixiadas, 
tentaculares; milhões de câmeras para lutar contra o terrorismo e a 
criminalidade (hipervigilância); frenesi consumista (hiperconsumismo); 
esportes radicais; assassinos em série; bulimias e anorexias, obesidade, 
compulsões e vícios; desenvolvimento sustentável; ecologia industrial. 
O que está em jogo, além dos elementos que apresentamos acima, na 
hipermodernidade, é estar sempre em movimento. Ênfase a processos mais e mais 
velozes. Maneiras de proceder cada vez mais ágeis, incluindo novas técnicas de 
ação, que aprimorem mais e mais os serviços. Acelerar para não ser ultrapassado, 
evoluir sempre, o que implica um novo arranjo do tempo social, segundo Pereira 
(2006, p. 6):
No centro do novo arranjo do regime do tempo social vê-se que quanto 
mais depressa se vai, menos tempo se tem. A falta de tempo motiva mais 
queixas que a falta de dinheiro ou liberdade. Percebem-se construções 
mais personalizadas dos usos do tempo: flexibilização e aceleração. 
Foram-se a ociosidade, a contemplação, o relaxamento: o que importa é 
a autossuperação, a vida em fluxo nervoso, acelerado.
NOTA
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
43
Nesta medida (e aqui desenvolveremos uma possível crítica), a sociedade 
da informação, a partir da leitura hipermoderna, estaria servindo de aparato para 
indivíduos inseguros, servindo de recurso à saúde, obsessão das massas; teríamos 
indivíduos atomizados, fechados em seus casulos tecnológicos e virtuais. Presos 
aos vírus e aos sistemas (seja na economia, na educação, nas ações do Estado), 
em que o mundo está aos seus pés, mas o vizinho ao lado é um inimigo a ser 
combatido. Poderíamos incluir a isto os mass media, que estampam constantemente 
catástrofes, epidemias e terrorismo. Ou seja: 
[...] proteção, segurança, defesa das “conquistas sociais”, urgência 
humanitária, preservação do planeta são preocupações eminentes no 
contexto hipermoderno. Em resumo, “limitar os estragos”. De um lado, a 
sociedade-moda não para de instigar aos gozos já reduzidos do consumo, 
do lazer e do bem-estar. De outro, a vida fica menos frívola, mais estressante, 
mais apreensiva (Pereira, 2006, p. 6). 
Onde tudo se reduz a sistema, e se este falha, temos a limitação do humano.
A leitura de Lipovestky pode parecer catastrófica (como parecerá de 
Bauman, que trataremos na próxima nota), mas na verdade ela se pergunta pelos 
limites das propostas que privilegiamos na dinâmica social. A aposta (proposta) 
nas tecnologias, no consumo, na segurança tem seu preço nas pulsões humanas, e 
é nestas perspectivas que Lipovestky lança mão de suas interpretações. 
FIGURA 10 – HYPERCONSUMO 
FONTE: Disponível em: <http://subjetividadescompatilhadas.blogspot.
com.br/2012/05/como-o-ser-o-humano-buscou-resolver.html>. Acesso 
em: 30 jul. 2012.
NOTA
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
44
2.5 MODERNIDADE LÍQUIDA
A frase de Karl Marx (e também do seu parceiro de escrita Friedrich Engels): 
“Tudo o que é sólido desmancha no ar” (presente no Manifesto do Partido Comunista) 
é importante. Aqui, ela nos serve de recurso para sintetizar o que apresentamos no 
decorrer do texto, isto é, a passagem de uma modernidade que foi construída na aposta 
na ciência, na razão, no Estado, dentre outros elementos, para uma pós-modernidade, 
ou em suas outras variáveis: sociedade pós-industrial, hipermodernidade e a que 
veremos a partir destas linhas, a modernidade líquida. Esse termo sugere o surgimento 
de novas questões, entre elas a ideia da sociedade atual como sociedade da informação. 
Nosso último ponto, antes de tratar propriamente da sociedade da 
informação, diz respeito a esse termo cunhado pelo sociólogo polonês Zygmunt 
Bauman (1925-), chamado modernidade líquida. Com este termo, Bauman (apud 
AURÉLIO, 2010, p. 58, grifos nossos) quer marcar a pretensa “[...] transição no 
âmbito da sociedade moderna, caracterizada basicamente pelo advento de novas 
tecnologias e meios de comunicação e pela supremacia econômica do capital 
financeiro e das corporações transnacionais”.
O que esta metáfora da liquidez nos sugere? Ela vem ao encontro como nova 
possibilidade de interpretação do contemporâneo (na qual se insere a Sociedade 
da Informação), seja em suas contradiçõese dilemas, seja em suas possibilidades. 
Além disto, a “[...] metáfora da ‘liquidez’ sugere, pois, uma noção de fluidez, de 
dinâmica e de volatilidade, em contraste a uma ‘modernidade sólida’ de relações, 
instituições e formas ‘estáveis’” (AURÉLIO, 2010, p. 58, grifos nossos).
Novamente, nos vem uma pergunta: para que a metáfora nos serve? 
Primeiro, ela nos permite constatar que justamente a sociedade da informação 
participa deste processo de fluidez, dinâmica e volatilidade. Segundo, ela também é 
fruto das tensões sociais e do contraste entre modernidade e modernidade líquida. 
Uma possibilidade grosseira de comparar ambas se dá pela física: de um lado 
teríamos a modernidade (com a física newtoniana, com sua fixidez) e do outro a pós-
modernidade (com a teoria da relatividade, com sua fluidez).
Nesta medida, o que está em jogo é compreender o estado das coisas, sem 
qualquer excesso ou saudosismo:
Zygmunt Bauman, porém, não oferece gritos de ordem saudosos de 
uma romântica e imaginosa ‘vida comunitária’ em tudo superior a essa 
‘fragilidade dos laços humanos’. Ele está interessado em compreender a 
NOTA
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
45
‘líquida sociedade moderna’ e o indivíduo dos ‘tempos líquidos’, em sua 
constante busca pela saciedade dos prazeres imediatos, ‘conectando-se’ 
e ‘desconectando-se’ de objetos e pessoas, dilacerado por sentimentos 
conflitantes, apartando-se por vezes de sua condição de sujeito político. 
Essa sensação de ‘fragilidade’ e ‘insegurança’ na ‘modernidade líquida’ 
aumenta em virtude daquilo que o geógrafo britânico David Harvey 
chamou de ‘compressão espaço-tempo’; das desregulamentações no 
mundo do trabalho; e dos desafios do Estado frente a um ‘mundo sem 
fronteiras’ [...] (AURÉLIO, 2010, p. 58, grifos nossos).
Este espírito interpretativo permite ter uma leitura lúcida da sociedade da 
informação, fazendo compreender os seus efeitos numa modernidade líquida, sem 
cair na ideia de soluções utópicas, assim como Bauman faz no seu exercício.
Avesso a barganhar soluções utópicas simplórias, Bauman aborda as 
construções identitárias e relações sociais em uma sociedade do ‘culto’ à 
performance (no trabalho, no sexo, no lazer) e ao consumo (do corpo perfeito, 
da moda, de tecnologias, de estilos de vida) (AURÉLIO, 2010, p. 60).
Além destes elementos haveria, para Bauman, um recolocar, isto é, se a 
modernidade era marcada pela família, pelo governo, pela indústria, pautados por 
um eu estável, uma existência sólida, temos a passagem para uma modernidade 
por seu lado líquido, isto é, onde estas instituições sociais, como família, governo, 
indústria assumem um novo caráter, pautados pelo perfil provisório (um exemplo 
mais lúcido, basta pensar quantos empregos tivemos; na sociedade industrial/
modernidade a vida seria em grande medida datada, um único emprego, uma 
única família). E nesta via, a sociedade da informação seria um de seus lados, isto 
é, seria o lado que envolve a técnica na liquidez. 
FIGURA 11 – MODERNIDADE LÍQUIDA 
FONTE: Disponível em: <http://lojaorganicuspn.blogspot.com.br/2009/12/
modernidade-liquida.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
46
Retomando...
Com isto, queremos que você, o(a) acadêmico(a), veja as transformações que 
culminam com a sociedade da informação, demonstrando o percurso até chegar à 
mesma, partindo das hipóteses, como colocamos, de que ela seria uma vertente da 
globalização, iniciada a partir do Renascimento e das grandes navegações. Ou dito 
de outro modo, temos várias passagens para chegar à sociedade da informação 
(a partir da modernidade que se globaliza, temos a passagem segundo alguns 
autores, da sociedade industrial para sociedade pós-industrial, para outros, 
da modernidade para hipermodernidade, outros dizem da modernidade para 
modernidade líquida ou, ainda, da modernidade para pós-modernidade). 
3 FINALIZANDO O TÓPICO
A questão de tomar a sociedade baseada na informação, toma diferentes 
nomes e diferentes abordagens teóricas, como você pode conferir, e que 
praticamente possuem a mesma tendência geral, qual seja, a de vivermos num 
mundo em processo contínuo, onde a matéria-prima toma a informação como 
cerne. Nesta medida, podemos ligar a sociedade da informação ao conceito de pós-
modernidade (o que vale para outras: sociedade pós-industrial) e, para resumirmos 
o que apresentamos, dois pontos marcam-na fortemente:
1. Para começar, ele [pós-modernidade/sociedade da informação] 
invadiu o cotidiano a tecnologia eletrônica de massa e individual, 
visando à sua saturação com informações, diversões e serviços. Na era 
da informática, que é o tratamento computadorizado do conhecimento 
e da informação, lidamos mais com signos do que com coisas. O 
motor à explosão detonou a revolução moderna há um século; o chip, 
microprocessador com o tamanho de um confete, está causando o 
rebu pós-moderno [e da sociedade da informação], com a tecnologia 
programando cada vez mais o dia a dia.
2. Na economia, ele [pós-modernidade/sociedade da informação] 
passeia pela ávida sociedade de consumo, agora na fase do consumo 
personalizado, que tenta a sedução do indivíduo isolado até arrebanhá-
lo para sua moral hedonista – os valores calcados no prazer de usar bens 
e serviços. A fábrica, suja, feia, foi o templo moderno [ou da sociedade 
anterior à sociedade da informação]; o shopping, feérico em luzes e cores, 
é o altar pós-moderno (SANTOS, 2000, p. 09-10)
Outra possibilidade elucidativa dar-se-á através do seguinte esquema:
Modernidade  Capitalismo  Sociedade Industrial  Globalização 
 Teorias de compreensão da Globalização (Pós-modernidade, Sociedade Pós-
Industrial, Hipermodernidade, Modernidade Líquida, Sociedade da Informação). 
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
47
Este esquema não atende a uma leitura linear de história, o mesmo é apenas 
ilustrativo.
Para aprofundamento da temática, sugerimos a leitura do seguinte livro:
FONTE: Disponível em: <http://mundodoeuvadio.blogspot.com.br/2012_04_01_archive.
html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
LEITURA COMPLEMENTAR
PÓS-MODERNIDADE E MODERNIDADE LÍQUIDA
Zygmunt Bauman
Um dos testes psicológicos característicos para avaliar o grau de 
conservadorismo e ajustabilidade da percepção humana consiste numa série de 
20 desenhos apresentada em sucessão estrita. A primeira figura é clara e exibe 
indiscutivelmente a imagem de um gato “típico”. Os desenhos em sucessão gradual, 
e de modo furtivo (somos tentados a dizer “imperceptível”), se afastam passo a passo 
da configuração familiar de um felino, transformando-se, de maneira bem consistente, 
na imagem de outra criatura. O último dos 20 desenhos é, novamente de forma clara, 
inequívoca, uma representação fidedigna, só que desta vez de um “típico” cão. 
Pelo número de quadros que precisam ser exibidos aos observadores 
para que percebam que o que veem não é mais um gato, e sim um cão, os 
NOTA
DICAS
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
48
psicólogos conseguem determinar o grau de “conservadorismo” (ou rigidez), em 
contraposição ao grau de “ajustabilidade” (ou flexibilidade), de sua percepção: o 
teste tenta captar o fenômeno do “atraso de percepção”, aflição geral a todos os 
seres humanos, e sua variação de intensidade entre diferentes indivíduos. 
Nossos olhos, como transparece nesse exemplo, são treinados por nossas 
experiências anteriores a reconhecer e “assimilar” novos e inovadores pontos de 
vista, e acomodá-los entre os familiares. Por isso mesmo, os olhos são induzidos 
a minimizar ou mesmo a não notar os tipos de fenômenos inovadores que “não 
se encaixam” na lição da experiência anterior e que, com isso, se recusam a ser 
incluídos à força nas categorias habituais.
Primeiramente, a constataçãode que o volume dessas “anomalias” 
tornou-se tão grande que não podemos continuar negligenciando a importância 
de sua alteridade; e, em segundo, o reconhecimento de que o que nossos olhos 
veem não é o que eles veriam se tais fenômenos pertencessem de fato a categorias 
familiares e habituais, tende a apresentar um grande atraso em relação às 
mudanças num ambiente observado com atenção. Leva tempo até nossa visão 
alcançar o que vemos. 
Esse teste permite-nos, portanto, encontrar algo mais do que apenas a 
intensidade de nossa inércia e de nossa flexibilidade cognitivas. Ele põe a nu a 
“zona cinzenta” que se estende entre a descoberta de que há “algo errado” com as 
imagens correntes – de que elas já não são exatamente como “deveriam ser” – e o 
momento do “Eureca!”, quando conseguimos, em um lampejo de compreensão, 
reorganizar as sensações incompatíveis, recolocá-las numa ordem nova e 
razoável, abandonar suas interpretações anteriores e decidir quais fenômenos-
objeto elas representam de fato.
Essa diferença de tempo entre o aparecimento de novos fenômenos e o 
reconhecimento de sua diferenciação foi notada e descrita também por Thomas 
Kuhn, em seu justamente aclamado estudo sobre as “revoluções científicas” 
– um estudo que desencadeou ele próprio uma verdadeira revolução em 
nossa compreensão de como funciona nossa cognição e como progride nosso 
conhecimento. A ideia de Kuhn, de que, em vez de adicionar com suavidade novos 
bocados de informação aos antigos, o conhecimento científico coopera por meio de 
sucessivas revoluções, virou de cabeça para baixo nosso conhecimento pregresso 
sobre como se desenvolve nossa capacidade de conhecer, incluindo sua variedade 
mais definitiva, científica, e de como se produz sua autocorreção. 
Os estudiosos, como assinala Kuhn, buscam fenômenos que a descrição 
preestabelecida da realidade (chamada por ele de “paradigma”) em que foram 
treinados os orienta a notar e registrar como “relevantes”. Concentrando sua 
atenção sobre objetos e eventos “legitimados” dessa maneira pelo paradigma, eles 
deixam de reparar, ou dispensam e colocam de lado todos os fenômenos que “não 
se encaixam”, tratando-os como irrelevantes ou anomalias “bizarras”. 
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
49
Os estudiosos tendem a atribuir tais fenômenos a alguns erros detectados 
em seus procedimentos de investigação, ou a alguns fatores desconhecidos externos 
à área em pesquisa – todos no terreno da confiança justificada pelo paradigma a 
que legisladores e intérpretes obedecem, um paradigma que não pode dar conta de 
presenças estranhas. Contudo, no decurso do tempo, o número e a gravidade dos 
dados omitidos e deixados de fora tornam-se grandes demais para ser ignorados. 
E eis que ocorre aos pesquisadores que, em vez de serem visitantes alienígenas, 
aleatórios e contingentes à área sob análise, como inicialmente se supunha, 
tais aparições são intrínsecas a essa área e até bastante sistemáticas; são de fato 
características permanentes e inseparáveis dela. Tem início, assim, de forma séria, 
a busca de um “sistema” por trás da aparente aleatoriedade. 
É ativado então, na terminologia de Kuhn, o esforço para compor um 
“novo paradigma” que seja capaz de acolher, pôr em ordem e em todos os 
sentidos tornar inteligíveis os fenômenos que o paradigma “antigo” foi incapaz 
de antecipar, reconhecer e explicar. Em geral, leva um tempo considerável até que 
essa substituição do quadro cognitivo, urgentemente tomada como necessidade 
e buscada com desespero – e, a partir de um guia para a correta investigação, 
transformada em seu maior obstáculo –, seja concebida e posta em operação.
Acredito que meu próprio itinerário do paradigma “pós-moderno” para o 
da “modernidade líquida” seguiu a trajetória prevista por Kuhn. Em meus estudos 
acerca dos atributos característicos da vida moderna, notei que um bom número 
de aspectos da sociedade contemporânea desafiava acintosamente as expectativas 
sugeridas pela opinião em geral aceita sobre como é e o que constitui a vida em 
tempos modernos. O volume de “anormalidades”, de “exceções à regra”, tornava 
questionável a “norma” e a “regra” assumida de forma aberta ou tácita pelo discurso 
dominante que se referia a uma “modernidade”. Se a vida moderna era de fato 
como a teoria aceita da modernidade me ensinara, então o que eu descobri sobre a 
realidade atual não era mais a “modernidade”, e sim outra coisa. Mas o quê? 
A primeira aproximação de uma resposta a essa pergunta foi a ideia, 
bastante popular naquele momento, de “pós-modernidade”. O inconveniente, 
contudo, era que aquela noção tinha um caráter puramente “negativo”: ela 
nos dizia profusamente o que a realidade atual já não era, mas oferecia pouca 
informação sobre o que estava em seu lugar. Tentando entender o caráter da 
vida contemporânea, ela usava conceitos antigos e há muito mobilizados nas 
descrições da modernidade, apenas adicionando a cada uma delas um sinal 
negativo: “isso não está mais presente”, “isso é diferente de como era”, “algo 
mais desaparece depressa”. 
Em suma, o principal significado da ideia de pós-modernidade é que ela 
é algo diferente da modernidade. Ele indica, portanto, que a modernidade já 
não é a nossa forma de vida, que a Era Moderna está encerrada, que ingressamos 
hoje em outra forma de viver. Mas essa ideia ofereceu pouca orientação sobre a 
identidade desta “outra forma”, de suas regras próprias, de sua lógica própria 
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
50
e de suas características definidoras. Em razão dessas três deficiências (o caráter 
“negativo”, a indicação de um fim da modernidade e a escassez de informações 
que apresenta a respeito dos atributos próprios dessa nova forma de vida), a 
ideia de “pós-modernidade” pareceu-me desde o início uma solução provisória 
para o dilema. Sem dúvida, não há solução satisfatória e muito menos definitiva 
para nossa questão.
O que achei menos aceitável nessa ideia foi a presunção de que “a era da 
modernidade” terminou e que estamos, por assim dizer, já no “lado oposto”, ou 
pelo menos perto de entrar nele. 
Parecia inaceitável e errado, porque, até onde eu sabia, éramos modernos 
por completo; na verdade, mais modernos que nunca; ou seja: voltamos a lâmina 
afiada da “faca modernizadora” contra a própria modernidade, contra seus 
próprios produtos do passado. Éramos, de fato, tal como nossos predecessores 
imediatos, modernizadores compulsivos e obsessivos.
A modernização compulsivo-obsessiva foi desde o princípio a mais profunda 
essência da modernidade, e nada sinalizava que estivéssemos na iminência de nos 
libertar dessa compulsão, dessa obsessão. Com uma importante ressalva, porém: 
se nossos antepassados quiseram derreter todos os sólidos existentes, não foi pelo 
desagrado em relação à solidez, mas pela insuficiente solidez daqueles sólidos 
tradicionais/incorporados/estabelecidos. Eles consideravam “derreter os sólidos” 
uma medida meramente transitória, a ser aplicada apenas até que esses sólidos 
fossem produzidos de modo a não exigir nem permitir qualquer fusão posterior.
 
A modernidade era uma concepção de movimento e mudança que acabaria 
por fazer das movimentações e transformações algo redundante, obrigando-
as a operar fora de suas próprias atividades – uma concepção de movimento e 
mudança, mas com uma linha de chegada. O horizonte que a modernidade mirava 
era a visão de uma sociedade estável, solidamente enraizada, da qual qualquer 
desvio mais acentuado apenas pode ser uma mudança para pior.
Foram precisamente esse propósito e essa ambição que fizeram a real 
diferença entre tradições anteriores da modernidade e nossa forma própria 
e emergente de vida, que (de maneira relutante e cautelosa) chamei de “pós-
modernidade”, por falta de nome melhor. O que a modernidade em sua versão 
antigaenxergava como o iminente ponto final de sua tarefa, como o início do tempo 
de descanso e de ininterrupto e purificado regozijo das realizações passadas, agora 
tratamos como uma fada Morgana, uma miragem: em nossa perspectiva, não 
havia no final do caminho qualquer linha de chegada, qualquer sociedade perfeita, 
totalmente boa, “sem melhoramentos a contemplar”. A mudança perpétua seria o 
único aspecto permanente (estável, “sólido”, se quisermos assim dizer) de nossa 
forma de viver. A pós-modernidade, como ela se apresentava naquele momento, 
era a modernidade despojada de suas ilusões. 
A partir dessa conclusão, só havia um pequeno passo a se dar para 
definir como “líquido-moderna” aquela forma emergente de vida, aquela forma 
TÓPICO 2 | MUITOS NOMES PARA A MESMA SITUAÇÃO
51
que era moderna de uma maneira radicalmente diferente daquilo que havíamos 
testemunhado (e de que havíamos participado) antes. Assim, trata-se de uma 
forma de vida digna de nota, sobretudo por sua reconciliação com a ideia de que, 
assim como todas as substâncias líquidas, também as instituições, os fundamentos, 
os padrões e as rotinas que produzimos são e continuarão a ser como estas, “até 
segunda ordem”; que elas não podem manter e não manterão suas formas por 
muito tempo. Em outras palavras, que entramos em um modo de viver enraizado 
no pressuposto de que a contingência, a incerteza e a imprevisibilidade estão 
aqui para cair. Se o “fundir a fim de solidificar” era o paradigma adequado para a 
compreensão da modernidade em seu estágio anterior, a “perpétua conversão em 
líquido”, ou o “estado permanente de liquidez”, é o paradigma estabelecido para 
alcançar e compreender os tempos mais recentes – esses tempos em que nossas 
vidas estão sendo escritas.
FONTE: BAUMAN, Zygmunt. Legisladores e intérpretes: sobre modernidade, pós-modernidade e 
intelectuais. Tradução Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar. 2010. p. 8-13.
52
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você viu:
● Primeiro: que muitos termos procuram dar conta conceitualmente da questão 
da leitura de nosso tempo, da leitura de nossa sociedade. Uma perspectiva geral 
para isto é pensar que, em grande medida, globalizamos o mundo levados pelas 
mutações do capitalismo. Esta é uma prática conceitual adotada, por exemplo, 
pelo sociólogo brasileiro Octavio Ianni (1926-2004), que em seu livro A sociedade 
global procura analisar estas mutações, desde o surgimento do capitalismo, no 
século XIV, passando pelas grandes navegações, pela formação dos estados-
nação, pelas revoluções política e industrial, até chegar às multinacionais, à 
informática e a bolsa de valores. A estes movimentos Ianni denomina globalização 
(COSTA, 2005). E é nesses movimentos que se instala a sociedade da informação, 
isto é, dentro do movimento que vai do Renascimento, passando pela Revolução 
Industrial, passando pelas formações dos Estados, pelas grandes descobertas 
e colonizações, pelo imperialismo, até chegar à influência da informática na 
relação do homem com o meio (sendo a sociedade da informação este último).
● Segundo: que a sociedade da informação, por ser uma leitura da globalização, 
relaciona-se com outras interpretações deste fenômeno: pós-modernidade; 
hipermodernidade e modernidade líquida.
● Terceiro: que a leitura da globalização é dividida entre um antes e um pós. Antes: 
modernidade, sociedade industrial e pós: pós-modernidade, e sociedade pós-
moderna e leituras mais comedidas ou que possuem outra interpretação deste 
antes e pós, como a leitura da hipermodernidade, da modernidade líquida e da 
sociedade da informação.
● Quarto: que a modernidade é marcada pela aposta na razão, no progresso, na 
indústria, na formação dos estados-nação etc. E que a partir do século XX surge 
a pós-modernidade como resposta às propostas dadas pela modernidade, isto é, 
como contestação das apostas da modernidade.
● Quinto: que a sociedade industrial reflete também as tensões que a modernidade 
marca, ou seja, aposta na indústria, no progresso, Estado etc. E que a partir da 
Segunda Guerra temos o início da sociedade pós-industrial, marcada pelo uso 
da tecnologia, da informática, da influência da mídia.
● Sexto: também leituras diferenciadas sobre o fenômeno da globalização, como 
a hipermodernidade que diz em linhas gerais o seguinte: veloz expansão do 
consumo e da comunicação em massa, abrandamento das normas autoritárias 
53
e disciplinares, surto de individualização, sagração do hedonismo e do 
psicologismo, descrença em propostas (de futuro) revolucionárias, tecnologismo, 
descontentamento com as propostas políticas e de militâncias. Todos estes itens 
seriam o campo de ação da sociedade da informação.
● Sétimo: e por fim, o(a) acadêmico(a) pôde acompanhar sobre a leitura denominada 
modernidade líquida, que de maneira geral diz que a globalização tornou 
líquidas as estruturas modernas, isto é, novas maneiras de interação surgiram, 
com efeitos diversos, nas quais estaria inclusa a sociedade da informação, com 
sua visão técnica.
54
Realize uma síntese da leitura complementar.
AUTOATIVIDADE
55
TÓPICO 3
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
2 DESENVOLVENDO A QUESTÃO
Neste Tópico 3, caro(a) acadêmico(a), você tomará nota do eixo fundamental 
da unidade, ou seja, tomará contato com os aspectos fundamentais da sociedade 
da informação. De maneira bem simples e direta, os temas serão introduzidos e 
proporcionarão a você conhecimento mais profundo.
Chegamos ao cerne de nossa pesquisa. Desta maneira, vale relembrar a tese 
da qual partimos: a sociedade da informação está inserida no jogo das tensões entre 
modernidade e pós-modernidade (ou, da sociedade pós-industrial, hipermoderna 
ou da modernidade líquida), bem como aos efeitos da globalização. 
Para desenvolver esta seção, alguns itens devem ser rememorados. O 
primeiro foi da tese de que partimos, desvendando historicamente o conceito 
de sociedade da informação. Além disso, sociedade se define como espaço de 
interação humana, e que contemporaneamente ela possui diversos aspectos 
constitutivos, sendo que a informação é um deles. Em terceiro lugar, lembremos 
que a informação também é um conceito vasto e marca uma virada, contribuindo 
com a dinâmica social e a moldando. Trata-se de um conceito e um fenômeno de 
inegável importância histórica. É impossível ignorá-lo se quisermos entender o 
mundo em que vivemos, e nele nos inserirmos.
Caro(a) acadêmico(a), para facilitar o exercício, vamos trabalhar esta seção com 
o recurso pergunta-reposta, sobre temas relacionados sobre a sociedade da informação. 
Se nosso primeiro movimento foi teórico, foi de buscar o conceito, queremos nesta 
parte dirigir nossa compreensão pela infiltração prática da sociedade da informação. 
Ou como os gregos (base da ocidentalidade) faziam, através do diálogo, da pergunta 
e da resposta, meio pelo qual iam constituindo o conhecimento, compreender esta 
sociedade da informação. Basta lembrar o famoso filósofo Sócrates (469 a. C.–399 
a. C.), nos seus diálogos com seus concidadãos, através dos quais, perguntando e 
questionando, o filósofo ia construindo o saber. E com isto o conhecimento se torna 
mais sistematizado e compacto. Vejamos o exercício socrático:
A informação caracteriza o ser humano? Segundo Polizelli e Ozaki (2008, 
p. 8), a informação define o humano, “[...], pois, [...] por meio da consciência de si 
56
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
próprio e de sua existência, o que lhe confere propósito e, como consequência, a 
habilidade de manipular e gerir informação a ser usada no processo de sobrevivência, 
preservação e evolução”. E hoje, mais do que nunca, a informação se tornou um 
bem de grande valia, abaixo apenas da vida, pois marca de muitas maneiras o 
cotidiano humano (com a tecnologia,com o acesso a espaços simultâneos etc.).
O que diferencia a sociedade da informação das demais? Como observamos 
na primeira pergunta, a informação é salutar para o humano, mas em nosso período 
ela toma um novo foco de poder. Alguns pontos fundamentais nos diferem: volume 
de informações, infinidade de processos, facilidade de encontrá-los dentre vários. 
É nesse sentido que conseguimos diferenciar nossa atual ‘sociedade da 
informação’ das anteriores [moderna, industrial, e a vemos inserida, 
na hipermodernidade e na modernidade líquida], marcada não apenas 
pelo [1] volume virtualmente infinito de informação a que temos acesso, 
mas, sobretudo, pela [2] democratização das mídias, [3] o que permite 
sua geração e ampla difusão de forma descentralizada, revolucionando 
a história da informação e, por conseguinte, de toda a humanidade 
(POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 8). 
A quem se atribui a criação do termo? As origens do termo sociedade da 
informação têm sua criação atribuída a Fritz Machlup (1902-1983), que formulou 
o conceito em 1962.
Enquanto jargão, onde lemos/ouvimos/vemos o termo sociedade da 
informação? “O termo sai das academias (universidades) e países industrializados, 
tanto sociedade quanto informação, transformam-se em termos correntes (jargão) 
nos mass media, alcançando o vocabulário dos cidadãos” (WERTHEIN, 2000, p. 71).
Fazendo um pouco de história: quando surge/nasce o termo? A partir de 
que década? “Ele nasce no Japão, no início da década de 1960, para descrever os 
impactos do desenvolvimento tecnológico e econômico no seio social, referentes 
às mudanças sofridas no país depois da 2ª Guerra Mundial” (RAMOS, 2010, p. 25).
A partir da década de 1970 o termo sociedade da informação se espalha 
pelo globo, tornando-se palavra-chave nas ações políticas e econômicas do mundo 
globalizado. Segundo Santos, (apud RAMOS, 2010, p. 25): 
[...] a denominação fortaleceu-se no contexto de debates acadêmicos, 
envolvendo cientistas sociais e economistas e foram motivados 
pela percepção de que a emergência, desenvolvimento e difusão de 
novas tecnologias de informação e comunicação estariam na base da 
estruturação de um novo quadro de relações sociais e econômicas, 
configurando um novo tipo de sociedade.
Na década de 1980, podemos ligar a questão da sociedade da informação à 
reestruturação e expansão do capitalismo, marcando uma nova mutação na gestão 
do capital, pautada pela financeirização do mesmo, de processos globais de capital 
(WERTHEIN, 2000, p. 71-2). 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
57
● A sociedade da informação é um processo pronto?
Vale ressaltar que a sociedade da informação não é um produto pronto, 
espontâneo. Como vimos na questão anterior, o processo da sociedade da informação 
é discutida desde os anos 1960 e é articulada desde a década de 1990, por diversos 
meios e iniciativas, tais como:
● OCDE – Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico: realizando 
workshops sobre a sociedade da informação.
● E-Europe: que discute a questão para a União Europeia.
● E-Korea: que debate a questão do ponto de vista da Coreia do Sul.
● Livros brancos – informação e comunicação: na perspectiva japonesa.
● Livro verde: no Brasil. 
O que implica dizer que a sociedade da informação não é pensada 
apenas em níveis rasteiros, havendo todo um debate, através do qual se procura 
esmiuçar seus impactos. 
Em função disso, a sociedade da informação não pode ser pensada 
apenas no plano quantitativo (aumento do número de computadores), 
mas no plano qualitativo, como a inter-relação de universidades, 
agências governamentais e empresas privadas para obter campos de 
sinergia de resultados sociais e econômicos na sociedade como um todo 
(POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 13).
FIGURA 12 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 
FONTE: Sociedade da informação e comunicação organizacional. Disponível 
em: <http://www.jeniffersantos.com.br/comunicacao-organizacional-e-
sociedade-da-informacao.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
● Que processos a sociedade da informação quer marcar/diagnosticar? 
“Os processos que a sociedade da informação identifica ou que se identificam 
com ela estão na troca de paradigma ou modelo de organização na qual o controle e 
o melhoramento dos processos industriais foram obliterados pelo processamento e 
manipulação da informação como chave da roda econômica” (RAMOS, 2010, p. 25).
58
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
Nesta medida, a realidade que a sociedade da informação procura traduzir 
(marcar/diagnosticar) está ligada às: 
[...] transformações técnicas, organizacionais e administrativas que 
têm como ‘fator chave’ não mais os insumos baratos de energia – 
como a sociedade industrial –, mas os insumos baratos de informação 
propiciados pelos avanços tecnológicos na microeletrônica e 
telecomunicações (WERTHEIN, 2000, p. 71).
Este processo também é marcado fortemente pela influência da internet:
Devemos ao desenvolvimento das chamadas Tecnologias da 
Comunicação e Informação (TCIs) o principal motor dessas profundas 
e emblemáticas transformações ocorridas nas últimas décadas, sendo a 
internet a mídia de convergência que, de fato, possibilita essa revolução 
sem precedentes (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 8).
Em níveis de proposta, como cada parte do globo fundamenta a questão da 
sociedade da informação? 
As propostas ficam assim, segundo (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14):
● União Europeia: possui uma proposta mais institucional.
● Estados Unidos: privilegia as empresas privadas.
● Asiáticas: reforçam o papel do Estado.
● Brasileira: reforça também o papel do Estado, bem como a iniciativa privada.
FIGURA 13 – ESTADO 
FONTE: História Viva. Disponível em: <http://historianovest.blogspot.com.
br/2009/10/sobre-as-origens-e-o-desenvolvimento-do.html>. Acesso em: 30 
jul. 2012.
Em níveis mais técnicos, o que se desenvolve? No movimento geral da 
globalização, o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação, por 
exemplo, através de fibras óticas, ligadas à utilização de recursos da informática, 
produziu uma estrutura global de comunicação. Um dos resultados obtidos 
na sociedade da informação subjaz na interação dos digitalizados meios de 
comunicação com a transformação de todos os conteúdos em bits, bem como, com 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
59
a conexão entre computadores, o que possibilitou a existência de grandes redes de 
informação. 
O que as novas técnicas/tecnologias advindas da sociedade da informação 
trazem?
As novas tecnologias provenientes da sociedade da informação (ou que 
passam entre ela) têm permitido três variáveis marcantes para esta fase da sociedade:
Com relação ao trabalho:
1) Ênfase na flexibilidade.
2) Ênfase na rapidez.
3) Ênfase na eficiência.
Trata-se de uma ruptura (na sociedade da informação) nos níveis de relação 
entre capital e trabalho marcantes no capitalismo industrial (WERTHEIN, 2000, p. 
72). Vejamos na imagem a seguir, exemplo em empresa:
FIGURA 14 – EMPRESA 
EMPRESA DA SOCIEDADE 
INDUSTRIAL
EMPRESA DA SOCIEDADE DA 
INFORMAÇÃO
Enfoque analítico/atomístico. Enfoque macro/holístico.
Individualismo/predomínio/
distanciamento entre as pessoas.
Igualdade de direitos/compartilhamento/
participação.
Autoridade centralizadora/paternalista/
autocrática.
Autoridade adulta/facilitadora/
democrática.
Continuidade num único nicho 
profissional. Especialização excessiva.
Opções múltiplas. Liberdade de escolha. 
Visão generalizada.
Economia de escala/tendência ao 
gigantismo e à centralização.
Descentralização. Reguardando-se a 
integração.
Valorização da quantidade.
Valorização da qualidade associada à 
quantidade.
Empresário avesso ao risco.
Busca de protecionismo.
Empresário empreendedor. Criativo e 
competitivo.
A grande alavanca é o dinheiro.
Agrande alavanca é a informação/o 
conhecimento/a educação.
O sucesso é garantido pelo poder de 
investigação em máquinas e instalações.
A mente humana é o grande software. O 
computador é p grande hardware.
FONTE: A compreensão da sociedade da informação. Disponível em: <http://www.scielo.br/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-19652000000300003>. Acesso em: 30 jul. 2012.
60
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
Mas diante disto tudo que foi apresentado nas perguntas, o(a) acadêmico(a) 
poderia se perguntar: quais são as características fundamentais da Sociedade da 
Informação? Segundo Werthein (2000, p. 72), “alguns elementos são fundamentais 
na Sociedade da Informação, produzindo o que poderíamos chamar de novidade, 
em níveis de relações sociais”. Vejamos quais são estes elementos, que Werthein 
(2000, p. 72) enumera:
A informação é sua matéria-prima: as tecnologias se desenvolvem 
para permitir ao homem atuar sobre a informação propriamente dita, 
ao contrário do passado [modernidade/sociedade industrial], quando o 
objetivo dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias 
criando implementos ou adaptando-os a novos usos.
Os efeitos das novas tecnologias têm alta penetrabilidade: porque a 
informação é parte integrante de toda atividade humana, individual 
ou coletiva e, portanto, todas essas atividades tendem a ser afetadas 
diretamente pela nova tecnologia.
Predomínio da lógica de redes: esta lógica, característica de todo tipo de 
relação complexa, pode ser, graças às novas tecnologias, materialmente 
implementada em qualquer tipo de processo.
Flexibilidade: a tecnologia favorece processos reversíveis, permite 
modificação por reorganização de componentes e tem alta capacidade 
de reconfiguração.
Crescente convergência de tecnologias: principalmente a 
microeletrônica, telecomunicações, optoeletrônica, computadores, 
mas também crescentemente, a biologia. O ponto central aqui é que 
trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber 
tornam-se interligadas e transformam-se as categorias segundo as quais 
pensamos todos os processos.
Qual é a ligação com a democracia? De acordo com Valle (2010, p. 127), “a 
sociedade da informação se manifesta de melhor maneira vinculada com regimes 
democráticos, pois estes possibilitam a manifestação”. “[...] clara dos representados e a 
transparência das atividades dos representantes no exercício de suas atividades, além do 
controle, pela sociedade, das atividades delegadas, com o uso das redes eletrônicas de 
computadores [...]” (VALLE, 2010, p. 127).
A partir disto, vale perguntar: qual é a ação/papel do Estado? “O 
tecnológico em grande parte é influenciado pelo Estado, para que se aumente 
sua dinâmica e sua razão de influência. Em muitos casos é o próprio Estado o 
responsável pela implantação de iniciativas que permitem o desenvolvimento da 
sociedade da informação. Aliam-se a isto as iniciativas público-privadas que visam 
tal desenvolvimento” (WERTHEIN, 2000, p. 73).
UNI
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
61
O que seria uma experiência concreta desta relação do Estado com 
a sociedade da informação? O Estado seria um líder ou mediatizador dos 
processos, permitindo que novas forças sociais fossem abrigadas na sociedade 
da informação.
[...] um olhar sobre a experiência concreta das sociedades de 
informação permite revelar como a reestruturação do capitalismo 
e a difusão das novas tecnologias da informação lideradas e/ou 
mediatizadas pelo Estado estão interagindo com as forças sociais 
locais e gerando um processo de transformação social. Em termos 
gerais, é consenso entre analistas que a realização do novo paradigma 
se dá em ritmo e atinge níveis díspares nas várias sociedades. 
(WERTHEIN, 2000, p. 73).
Mas a sociedade da informação não estaria interligada a fatores políticos 
e sociais? Numa leitura superficial sobre a tecnologia, pode-se ter a visão ingênua 
e determinista de que esta é a promotora isolada dos efeitos da sociedade da 
informação, que a tecnologia possui uma lógica própria, sem a interferência de 
fatores sociais e políticos. Isto é equivocado, porque os processos de transformação 
oriundos da tecnologia dependem de uma complexa interação, dos quais podemos 
marcar quatro (WERTHEIN, 2000, p. 72):
Fatores sociais preexistentes.
A criatividade.
O espírito empreendedor.
As condições da pesquisa científica que afetam no avanço tecnológico.
Todas estas marcas mostram que a sociedade da informação não é um fato 
isolado, determinado na intimidade do fazer técnico, mas envolvido com outros 
pressupostos. Perceber isto é evitar desastres de toda ordem, como os dos campos 
de concentração na Segunda Guerra Mundial.
Esta perspectiva é melhor articulada por um exemplo do sociólogo espanhol 
Manuel Castells (2001, p. 25), para mostrar os laços entre o político:
É provável que o fato da constituição desse paradigma ter ocorrido nos 
EUA e, em certa medida, na Califórnia e nos anos 70, tenha tido grandes 
consequências para as formas e a evolução das novas tecnologias da 
informação. Por exemplo, apesar do papel decisivo do financiamento 
militar e dos mercados nos primeiros estágios da indústria eletrônica, 
da década de 40 à de 60, o grande progresso tecnológico que se deu no 
início dos anos 70 pode, de certa forma, ser relacionado à cultura da 
liberdade, inovação individual e iniciativa empreendedora oriunda da 
cultura dos campi norte-americanos da década de 60 [...].
Meio inconscientemente, a revolução da tecnologia da informação 
difundiu pela cultura mais significativa de nossas sociedades o espírito 
libertário dos movimentos dos anos 60.
62
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
FONTE: Roda Viva. Disponível em: <http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/141/
entrevistados /manuel_castells_1999.htm>. Acesso em: 30 jul. 2012.
Para que você, acadêmico(a), possa aprofundar seus estudos, indicamos o seguinte link, que 
contém entrevista do sociólogo espanhol Manuel Castells para o programa Roda Viva da 
TV Cultura, em 05/07/1999, explicando com maior profundidade a questão da sociedade da 
informação:<http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/141/entrevistados/manuel_
castells_1999.htm>.
3 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO OU SOCIEDADES DA 
INFORMAÇÃO
Como marcamos, a sociedade é um processo ambíguo, pautado pelas 
relações sociais que se cruzam sem fim, o que implicaria dizer que a sociedade da 
informação assume um caráter múltiplo, não sendo igual em um país desenvolvido 
e em outro subdesenvolvido. O que isto significa? Que a sociedade da informação 
tem uma história e se envolve com histórias do corpo social. Vejamos mais aspectos 
pelo jogo pergunta-resposta.
Haveria ainda na sociedade da informação, além do determinismo, espaço 
para o preconceito do evolucionismo? Além do mencionado determinismo na 
pergunta: Mas, a sociedade da informação não estaria interligada a fatores 
políticos e sociais? “Outro preconceito muito forte está ligado ao evolucionismo 
(ou melhor, evolucionismo social), de que a sociedade da informação seria uma 
das etapas que a humanidade teria que passar ou chegar” (WERTHEIN, 2000, p. 
72). Em outras palavras, o evolucionismo social, ideia retirada da teoria biológica 
de Darwin e transposta para as sociedades humanas, sugere etapas de evolução 
das sociedades. Nesse sentido, a sociedade da informação pode ser entendida 
como a mais atual delas. 
Para o sociólogo Giddens, como vimos, não haveria apenas uma sociedade, 
mas várias sociedades, e a sociedade da informação seria uma delas e dentro dela 
também haveria várias sociedades da informação. Ainda segundo Guerra (apud 
WERTHEIN, 2000, p. 72), para a devida compreensão disso,
DICAS
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
63
[...] melhor seria referir-se a sociedadesda informação, no plural 
[negrito nosso], para identificar, numa dimensão local, aquelas nas quais 
as novas tecnologias e outros processos sociais provocaram mudanças 
paradigmáticas. [...]. [Ao invés de usar sociedade da informação:] 
Por sua vez, a utilização do termo sociedade da informação no singular 
tomaria uma nova coloração conceitual:
A expressão ‘sociedade da informação’, no singular, seria melhor 
utilizada, numa dimensão global (ou mundial), para identificar os 
setores sociais, independente de sua ubicação local, que participam 
‘como atores de processos produtivos, de comunicação, políticos e 
culturais que têm como instrumento fundamental as TIC (tecnologias 
de informação e comunicação) e se produzem – ou tendem a produzir-
se – em âmbito mundial’ (GUERRA apud WERTHEIN, 2000, p. 72).
O que estes dois preconceitos (determinismo e evolucionismo) distorcem 
e alimentam? Eles disfarçam as dinâmicas sociais, que nas suas contradições 
contribuem para o desenvolvimento tecnológico e, por consequência, para toda 
sociedade da informação. Estes preconceitos tomam o lócus social como amorfo, 
passivo, sem história, e que em nada refletem sobre os efeitos da sociedade da 
informação. O que deve ficar claro é que não será um de fora que irá levar a 
cidade ao oásis da sociedade da informação, mas que a própria sociedade toma a 
informação como atividade de vanguarda (WERTHEIN, 2000, p. 72-3).
Desta maneira, tanto a sociedade como o corpo civil, quanto o Estado, 
compõem relações constantes para o melhoramento da sociedade da informação.
Desta maneira, se há contradições com relação aos países, há distinção na 
sociedade da informação? Como é de praxe nos novos paradigmas, há as tentativas 
de diminuir as exclusões (como a divisão entre países ricos e pobres). Mas, mesmo 
com este esforço “[...] as desigualdades de renda e desenvolvimento industrial 
entre os povos e grupos da sociedade reproduzem-se no novo paradigma” 
(WERTHEIN, 2000, p. 73).
Há, então, uma distinção de países, de onde ela provém? Esta distinção 
é visualizada de uma melhor maneira pela dicotomia: mundo industrializado x 
mundo pós-industrializado. É nela que a sociedade da informação vai se instalar 
(e as leituras da globalização também). 
Enquanto, no mundo industrializado, a informatização de processos 
sociais ainda tem de incorporar alguns segmentos sociais e minorias 
excluídas, na grande maioria dos países em desenvolvimento, entre eles 
os latino-americanos, vastos setores da população, compreendendo os 
médios e pequenos produtores e comerciantes, docentes e estudantes 
da área rural e setores populares urbanos, adultos, jovens e crianças 
das classes populares no campo e na cidade, além daquelas populações 
marginalizadas, como desempregados crônicos e os ‘sem-teto’, 
engrossam a fatia dos que estão ainda longe de integrar-se no novo 
paradigma (WERTHEIN, 2000, p. 73). 
64
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
 Há um desafio social relacionado com a sociedade da informação? A 
questão das desigualdades e distinções é um dos grandes desafios da sociedade 
da informação. Mas este desafio exige a cooperação social para que as benesses 
da sociedade da informação atendam a todos de fato. De nada adianta o avanço 
técnico-científico sem a ligação com o social. De nada adianta acelerar processos, 
se há marginalizados (WERTHEIN, 2000, p. 73).
 
Dentro da sociedade da informação há propostas utópicas? O discurso 
utópico perpassa as multiplicidades de formações que o homem constituiu na 
ocidentalidade, desde A República de Platão (427 a. C.–348 a. C.), passando pela 
Utopia, de Thomas More (1478-1535) e pela Cidade do Sol de Tommaso Campanella 
(1568-1639), bem como pela Nova Atlântida de Francis Bacon. Temos a proposta por 
uma nova formação, por novos ditames sociais. E isto não foi e não é diferente com a 
sociedade da informação, já que nela também observamos o otimismo e a fascinação:
A convergência tecnológica reforça os efeitos da sinergia decorrente 
da penetrabilidade das tecnologias na sociedade da informação. Daí é 
fácil compreender a fascinação (e o temor) com uma utópica sociedade 
informatizada em que não apenas o desenvolvimento tecnológico parece 
não ter limites nem desacelerar e, dessa forma, alterar continuamente 
todos os processos que afetam a vida individual coletiva. Se a corrida 
espacial frustrou a imaginação popular de viagens interplanetárias 
ao alcance de todos no século XXI, os avanços da telemática e da 
microeletrônica prometem colocar ao alcance da mão facilidades nunca 
antes imaginadas em termos de bem-estar individual, lazer e acesso 
rápido, ilimitado e eficiente ao rico acervo do conhecimento humano 
(WERTHEIN, 2000, p. 74).
FIGURA 15 – UTOPIA 
FONTE: Obvious. Disponível em: <http://obviousmag.org/archives/2010/03/
dragonfly_-_a_utopia_da_agricultura_urbana.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
Há exemplos destas utopias, na sociedade da informação? Como 
exemplo, podemos citar duas utopias, uma denominada computopia e outra 
ligada à educação.
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
65
1) Computopia: a ideia de que os computadores poderiam organizar tudo o que 
neles fosse inserido. Um exemplo desta situação é o do plano japonês para a 
sociedade da informação, ainda na década de 1970: 
Nessa utopia, a tecnologia dos computadores terá como função 
fundamental substituir e amplificar o trabalho mental dos homens; 
permitirá a produção em massa de conteúdo cognitivo, informação 
sistematizada, tecnologia e conhecimento (WERTHEIN, 2000, p. 74).
2) Na educação: a ideia de que seria possível ter aprendizes autônomos, alunos 
que constituiriam o conhecimento a seu bel-prazer. É o que observamos em 
Tiffin; Rajansingham (apud WERTHEIN, 2000, p. 74):
[...] a sala de aula como um ‘sistema de comunicação que torna possível a um 
grupo de pessoas encontrar-se para falar sobre algo que desejam aprender, 
ver figuras e diagramas e ler textos que as ajudem a compreender. Numa 
sala de aula convencional isto é tornado possível pelas paredes que dão 
proteção contra o barulho e interferência externos, de forma que aqueles 
que estão dentro da sala podem ouvir e ver uns aos outros e também, no 
quadro-negro, as palavras, diagramas e figuras sobre o assunto que está 
sendo aprendido. A questão é: pode a tecnologia da informação fornecer 
um sistema de comunicação alternativo que seja pelo menos tão eficiente 
quanto a sala de aula convencional?’ (TIFFIN; RAJANSINGHAM, 1995, p. 
6). Ou seja, trazer o Everest para a sala de aula, ou a Amazônia, por exemplo, 
através da realidade virtual (RV). Seriam utilizados os recursos tecnológicos 
para ampliar a capacidade informacional dos sujeitos humanos. Teríamos 
aprendizes autônomos [...].
Sem recorrer às utopias, como fica a questão ambiental na sociedade da 
informação? Diante das catástrofes ambientais advindas do modelo de produção 
da sociedade industrial, a sociedade da informação se mostra como proposta mais 
plausível para o meio ambiente, pois envolve menos recursos. Assim, 
É desejável promover a sociedade da informação porque o novo 
paradigma oferece a perspectiva de avanços significativos para a vida 
individual e coletiva, elevando o patamar dos conhecimentos gerados 
e utilizados na sociedade, oferecendo o estímulo para constante 
aprendizagem e mudança, facilitando a salvaguarda da diversidade e 
deslocando o eixo da atividade econômica em direção mais condizente 
com o respeito ao meio ambiente (WERTHEIN, 2000, p. 74). 
Além das questões sociais, quais são outros desafios da sociedade da 
informação? Obviamente que toda a constituição ocidental perpassa por desafios 
técnicos, econômicos, culturais, sociais, legais (direito), psicológicos e filosóficos. 
Todavia, alguns são desafios de ordem prática. Segundo Werthein (2000, p. 74), são 
desafiosligados a possíveis perdas:
1) Perda de qualificação.
2) Automação.
3) Desemprego.
4) Perda de comunicação interpessoal e grupal, transformada pelas novas tecnologias.
66
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
5) Invasão de privacidade.
6) Efeitos oriundos da violência/poluição visual.
7) Poluição acústica.
8) Controle da vida pessoal e do mundo circundante.
9) Perda da identidade conforme a complexidade tecnológica impõe sua anatomia.
De fato, na sociedade da informação há perda de relações interpessoais? 
Este é um dos pontos mais críticos a ser pensado. Novamente Werthein (2000, p. 
75) nos fornece uma resposta:
[...] lutar contra os aspectos perniciosos da tecnologia virtual, acusada de 
disseminar na sociedade a utilização de um simulacro de relacionamento 
como substituto de interações face a face e contra a alegada usurpação 
pelo capital do direito de definir a espécie de automação que desqualifica 
trabalhadores, amplia o controle gerencial sobre o trabalho, intensifica 
as atividades e corrói a solidariedade (WERTHEIN, 2000, p. 75).
O que pode ser feito para evitar a perda de privacidade? Muito se tem 
pensado acerca deste tema, o que é muito dificultoso, pois ainda vivemos, porque 
estamos extasiados com os processos tecnológicos, principalmente os advindos da 
grande rede. Todavia, 
[...] a sociedade tem-se mobilizado para promover [...] o ‘comportamento 
normal responsável’ inclusive por meio de legislação adequada para 
proteger os direitos do cidadão na era digital. A perda do sentimento de 
controle sobre a vida e a perda da identidade são temas que continuam 
preocupantes e que estão ainda por merecer estratégias eficientes de 
intervenção (WERTHEIN, 2000, p. 76).
Qual é a relação entre nível de renda e as novas tecnologias? Sem o aumento 
da renda e da distribuição da riqueza, muitos perdem acesso a informações 
preciosas, o que lhes impede de participar do processo de conhecimento. Portanto,
O ritmo do avanço tecnológico no alvorecer do novo paradigma tem sido, sob 
qualquer ótica, extraordinário. O ritmo de expansão da internet no mundo levou apenas 
um terço do tempo que precisou o rádio para atingir uma audiência de 50 milhões de 
pessoas. [...]. A redução dos preços dos computadores por volume de capacidade de 
processamento facilitou grandemente essa difusão, mas não permitiu ainda superar a 
relação entre nível de renda e acesso às novas tecnologias (WERTHEIN, 2000, p. 76). 
Algumas condições que inibem o processo:
· Baixa renda per capita.
· Analfabetismo.
· Falta de acesso.
Já que todos têm acesso aos conteúdos (ou possivelmente vão ter), como fica a 
questão da propriedade intelectual? Esta questão é delicada. Basta ter em mente, este 
ano (2012), a ocorrência polêmica de duas leis no Congresso americano que tinham 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
67
por meta inibir a vinculação de conteúdo sem o respeito à propriedade intelectual (as 
famosas PIPA e SOPA). Na sociedade da informação, este é um dos maiores desafios. 
O reconhecimento de direitos autorais, nesta medida, uma prática de muitos estados 
está na compra de direitos autorais, transformando em espaços de domínio público.
Qual é a contribuição, na sociedade da informação, para a educação? Nunca 
se falou tanto em apanágios técnicos que permitiriam melhores formas de gestão 
educacional. Entretanto, isto se mostra árido ainda, dado que nem educadores são 
preparados para uma tecnoeducação, nem o Estado possui um plano comum de ações. 
Poderíamos dizer que, na educação, a sociedade da informação trabalha sempre no 
nível do risco e do desafio. Esta questão é melhor exposta por Werthein (2000, p. 77):
No campo educacional dos países em desenvolvimento, decisões sobre 
investimentos para a incorporação da informática e da telemática 
implicam também riscos e desafios. Será essencial identificar o papel 
que essas novas tecnologias podem desempenhar no processo de 
desenvolvimento educacional e, isso posto, resolver como utilizá-las 
de forma a facilitar uma efetiva aceleração do processo em direção à 
educação para todos, ao longo da vida, com qualidade e garantia de 
diversidade. As novas tecnologias de informação e comunicação tornam-
se, hoje, parte de um vasto instrumento historicamente mobilizado 
para a educação e aprendizagem. Cabe a cada sociedade decidir que 
composição do conjunto de tecnologias educacionais mobilizar para 
atingir suas metas de desenvolvimento.
FIGURA 16 – EDUCAÇÃO
FONTE: Ciência, tecnologia e educação. Disponível em: <http://envolverde.
com.br/educacao/ciencia-tecnologia/ciencia-tecnologia-e-educacao/>. 
Acesso em: 30 jul. 2012.
LEITURA COMPLEMENTAR
A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
De onde viemos já sabemos - mas para onde vamos mesmo? 
Não há como esgotar um assunto tão vasto e tão cheio de minúcias como o 
que está sendo abordado aqui. É muito interessante notar que, embora as histórias 
do computador e da internet sejam muito recentes e estejam bem documentadas, 
68
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
ainda assim existem conflitos de interpretação de fatos. Será que exageramos a 
importância de alguns dos envolvidos e nos esquecemos de mencionar pessoas 
ou empresas que foram tão importantes quanto? Ou até mais? É possível. O poeta 
Fernando Pessoa escreveu, naquele estilo mais português, impossível dele: “O 
universo não é ideia minha. A minha ideia do universo é que é ideia minha”. Da 
mesma forma, este relato é apenas a ideia que os autores fazem do vasto universo 
dos computadores e da internet. Nunca é demais relembrar outra frase, também 
atribuída a Pessoa: “Metade de mim delira, metade de mim pondera”. Ao rever 
qualquer história, ou quaisquer histórias, somos sempre, como Pessoa, caixas 
ambulantes de ponderação e delírio. Cabe a quem lê recriar a sua versão da história 
e, novamente, do seu jeito, ser Pessoa.
Por isso, quando se entra no lado mais metafísico do assunto, aquele em que 
cada um tem a sua própria ideia e faz seu próprio julgamento, as certezas pessoais 
aumentam. As perguntas abaixo são muito ouvidas hoje, e as respostas espelham o 
ponto de vista e a experiência dos autores desta obra. Não são verdades universais, 
mas apenas tópicos para jogar mais lenha na fogueira virtual...
 [...].
Portanto, a internet se espalhou em menos tempo, mas ao atingir a marca dos 
50 milhões de usuários, estava bem menos presente nos lares do que qualquer um dos 
outros sistemas. É claro que hoje ainda há no mundo muito mais telefones e bem mais 
aparelhos de rádio e tevê do que internautas surfando. E isso não vai mudar num futuro 
próximo, até porque telefones, rádios e tevês são (e serão), por algum tempo ainda, 
muito mais baratos que um computador. Leve em conta também a possibilidade da 
convergência, ou seja, de, num futuro breve, utilizarmos um aparelho só, que será ao 
mesmo tempo telefone, TV e micro. No começo do século 21, contam-se no mundo 7 
bilhões de humanos e cerca de 600 milhões de internautas. Cerca de 50% da população 
mundial ainda não tem telefones, que já estão por aí há muito tempo.
Jamais, em qualquer circunstância, uma tecnologia, mesmo o arado ou a foice, 
foi disponível para todos os humanos. Imaginar um mundo linear, inteiramente 
plano e pleno em suas necessidades, é uma das mais insistentes utopias humanas. 
Jamais veremos toda uma humanidade conectada, letrada, com os mesmos padrões 
de comportamento e de conhecimento. Nem a palavra escrita, que já tem cinco 
mil anos, nem o livro, seu mais perfeito hardware, foram capazes desta proeza. 
Independente de fatores como a distribuição de renda e os níveis de escolaridade, os 
internautas continuarão a ser parte do mundo, como os letrados. É nessas horas que 
o termo vanguarda e o conceito de inovação distinguem uns de outros, e uma parte 
do todo sedestaca, mesmo não sendo maioria ou regra dominante.
[...]
Haverá trabalho no futuro ou seremos todos consultores?
Uma vida de 60 anos equivale a 525 mil horas vividas. Alguém que trabalhe 
oito horas diárias durante 30 anos terá trabalhado 80 mil horas durante toda a sua 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
69
carreira profissional. Ou seja, apenas 15% das horas vividas, embora a maioria 
possa (e vá) afirmar que o trabalho consumiu 67% de sua existência.
O sono, as necessidades básicas e os cuidados com o organismo consomem 
outras 219 mil horas, 40% do total vivido. Restam, portanto, 226 mil horas para que 
cada um decida o que fazer com elas. Quase a metade da vida.
Admitindo que o mundo de hoje não é o melhor dos mundos, ele é, 
ainda assim, o melhor dos mundos que existiram até hoje. Nenhum saudosismo 
pode levar alguém a querer voltar a épocas onde havia escravidão, feudalismo, 
pestes, guerras, trevas culturais e, principalmente, uma expectativa de vida de 
30 anos, em média.
Há exatos 100 anos um trabalhador francês dava um expediente de 14 
horas diárias. A partir de 2001, está trabalhando apenas a metade, sete horas. 
Nessa progressão (sim, é uma clara progressão, e nada indica que ela vá parar 
onde estamos hoje), chegaremos em breve a jornadas diárias de cinco horas. Ou 
quatro. E não mais a cinco dias de expediente por semana, mas quatro, ou três. 
Quando isso ocorrer, um mundo completamente diferente substituirá o atual, e 
pouca gente consegue imaginar como ele será, até por falta de experiência anterior. 
É que, pela primeira vez, desde que o macaco desceu da árvore, há centenas de 
milhares de anos, o trabalho deixará de ser o centro de nossas vidas.
Você já deve ter ouvido alguém dizer: eu trabalho 14 horas por dia, sete dias 
por semana. Acredite: isso não é bem dedicação extrema, é muito mais marketing 
pessoal. Ou então você entrou no túnel do tempo e deu de cara com um francês em 
1901. Os hipertrabalhadores, se existem mesmo, são exceções. Porque ainda estão 
plugados na noção de que tempo físico é igual a produtividade. Eles terão mais 
dificuldade para se adaptar à sociedade da alta tecnologia, que libertará a raça 
humana da escravidão fabril e a deixará disponível para a educação permanente. 
Ou para mais lazer. Ou para não fazer nada.
Essa nova comunidade, a chamada sociedade da informação, está sendo 
criada agora. Ela se caracteriza por coisas como a abstração, a virtualidade, a 
conectividade e a qualidade do trabalho. E, como regra básica para que ela exista, 
as noções de tempo e de espaço que nortearam a humanidade nos últimos milênios 
terão que ser desmontadas e reestruturadas em uma nova ordem.
É claro que ainda não sabemos se melhorar a qualidade do trabalho vai 
significar mais ou menos trabalho, não do ponto de vista do tempo, mas da 
intensidade intelectual. Também não está claro se mais horas livres irão significar 
mais ócio ou mais negócio. Sabe-se apenas que o Homo faber vai se transformar 
em uma nova espécie, que pode ser o Homo ludens ou o Homo conectadus. Mas isso 
ainda não é bem conosco. Ainda. Nós talvez nem venhamos a ser os inquilinos 
desse novo mundo. Somos, por enquanto, os pedreiros que o estão construindo...
 
Vou ter de estudar pelo resto da vida?
70
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
Na era industrial, as organizações igreja, estado, exército, empresa 
funcionavam segundo suas próprias lógicas, que eram estanques e isolacionistas 
(ou, em outras palavras, cada uma achava que não tinha que dar satisfação de seus 
atos às demais). Então, quem ia para um seminário estudava apenas o suficiente 
para o desempenho da carreira clerical, sem se preocupar em entender a estrutura 
funcional do exército. Quem ia para uma empresa não estava preocupado em 
aprender as idiossincrasias do estado e vice-versa. O estudo era, portanto, 
direcionado a uma única atividade.
Na era pós-industrial, assistimos ao fenômeno oposto: à mescla das diversas 
lógicas organizacionais. Já era então preciso estudar um pouco mais para entender o 
suficiente sobre o funcionamento de outros setores. Foi uma época que rendeu frutos 
positivos e negativos: o estado montando e administrando empresas e a iniciativa 
privada buscando parcerias em setores antes ligados à igreja e ao exército.
Na era da nova tecnologia, os limites entre setores e as barreiras físicas 
estão sendo pulverizados. Ao mesmo tempo, desabam as catedrais cartoriais da 
sabedoria. Até bem pouco tempo atrás, um curso de engenharia demorava décadas 
para ficar obsoleto. Com as constantes mudanças da era da nova tecnologia, a base 
de aprendizado do engenheiro se expandiu para além das plantas e dos logaritmos: 
independente de sua especialização, é preciso que ele entenda, por exemplo, de 
sistemas de comunicação virtual. Caso contrário, sua educação ficará datada e ele 
terá de defender com unhas e dentes as únicas técnicas que conhece.
Assim, em qualquer setor, quatro anos de formação universitária básica 
já não são suficientes para preencher as necessidades do futuro próximo. E isso é 
simples de entender: há 80 anos, acontecia uma mudança tecnológica significativa 
a cada dez anos. E os cursos universitários já duravam quatro anos. Hoje em 
dia, ocorre uma mudança por ano, e os cursos continuam sendo de quatro anos. 
Proporcionalmente às necessidades, os cursos ficaram longos demais. Logo, é 
preciso complementá-los, constantemente.
É isso que na era da nova tecnologia se chama de formação permanente. 
O aprendizado à distância, sem sair de casa, deverá preencher uma boa parte 
daquele tempo livre que será gerado pela redução da jornada de trabalho. O 
documento que hoje chamamos de currículo será então parecido com qualquer 
coisa, menos com o que é hoje. Causaria espanto a gente pensar que os currículos 
serão atualizados por hora?
[...]
Qual a influência da internet nisso tudo?
Toda. O fenômeno atual tem como base o uso intensivo e ilimitado da 
comunicação interativa entre pessoas e entre empresas. A internet vem produzindo 
riqueza, promovendo o crescimento econômico e gerando novos empregos. E 
enterrando velhos princípios aplicados à economia, como a curva de Philips e 
as teorias de Thomas Malthus. Melhor ainda, a internet cria desenvolvimento 
TÓPICO 3 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
71
acelerado com inflação baixa. Para nós, brasileiros, acostumados que fomos a ter 
que escolher entre crescer com inflação ou conter a espiral inflacionária através da 
recessão, a nova onda soa como música aos nossos ouvidos.
Basta a gente voltar meros cinco ou seis anos no tempo. Quem se lembra, 
aí por 1995, da primeira discussão na empresa sobre abrir ou não um site na 
internet? E, quando a decisão era abrir, a tarefa era confiada à área de marketing, 
que desenhava o site como um minioutdoor numa telinha de micro. Não era para 
vender nem para interagir com clientes e fornecedores, mas apenas para informar. 
Ou, pior ainda, só para ter um site, já que o concorrente tinha um. Quem, estando 
naquela mesa de reuniões, imaginaria que menos de mil dias depois, muitas 
empresas estariam usando a internet como seu canal privilegiado de contato com 
o mundo externo?
As universidades já não têm mais como objetivo preparar empregados 
competentes, mas empreendedores articulados, que depois poderão decidir se vão 
usar os conhecimentos adquiridos a serviço de uma empresa ou para abrir o seu 
próprio negócio. Uma recente pesquisa feita com universitários paulistanos mostra 
que já chegamos ao ponto de inflexão dessa curva: mais de 60% deles gostariam 
de trabalhar por conta própria depois de formados, mas menos de 10% arriscarão 
essa alternativa num primeiro momento. Olhando pelo lado positivo, a pesquisa 
revela que a cabeça da moçada já está feita – e que agora é só uma questão de 
tempo.
 
O que valerámais no século 21?
Na era digital, a moeda forte de troca é a informação, acessível e universal. 
Independente da natureza da informação, a tecnologia necessária para transportá-
la, editá-la ou armazená-la será a mesma e estará disponível em todo o mundo.
Com isso, haverá grandes bancos de dados interligados em redes nacionais 
e internacionais, associados a serviços seletivos e específicos. O usuário será 
um entre muitos milhões, mas ao mesmo tempo terá um tratamento único e 
personalizado, como nunca chegou a ter no supermercado em que, durante anos, 
fez suas compras todo fim de semana.
Essa situação está determinando o surgimento de um novo tipo de 
profissional, atualizado e com perfil de estrategista, que tem a capacidade de 
compreender, captar, analisar e interpretar a realidade de cada usuário. E, 
principalmente, de adaptar toda a tecnologia disponível a um atendimento rápido, 
eficiente e diferenciado. Quantos gabriéis por aí não se encantaram, no dia em que 
acessaram pela primeira vez um provedor, e na tela apareceu escrito: “Bom-dia, 
Gabriel”. E aí o Gabriel pensou: impressionante, porque no posto onde eu abasteço 
o carro há anos os frentistas não sabem o meu nome. É essa primeira e inocente 
reação que, num breve futuro, vai se multiplicar à enésima potência: o Gabriel não 
irá mais ao posto: os postos, muitos, é que virão ao Gabriel.
72
UNIDADE 1 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – ASPECTOS HISTÓRICO-CONCEITUAIS
A sociedade da informação colocará à disposição dos interessados um 
número fantástico de oportunidades individuais. Saber distingui-las e aproveitá-
las é (sempre foi) uma questão individual. E nada será feito sem riscos ou sequelas. 
No Brasil, chegamos atrasados à Revolução Industrial. Temos, agora, a chance de 
embarcar a tempo na era digital.
[...]
Eu detesto computadores!
É normal. Na internet há centenas de sites do tipo Eu detesto catchup, Eu 
detesto reunião ou Eu detesto Mick Jagger. Sempre haverá quem deteste alguma 
coisa, e computadores não são exceção. Não é tanto uma questão de o que alguém 
detesta, mas por quê.
A maioria dos avessos ao computador vê nele o símbolo de uma mudança 
que ocorreu depressa demais. E, de uma forma ou de outra, a humanidade nunca tem 
sido muito favorável a mudanças bruscas. Há até quem deteste mudanças. Charles 
Chaplin, talvez o maior gênio da história do cinema, detestava o filme falado e foi o 
último cineasta a aderir a essa novidade tão óbvia quanto revolucionária. Hoje, há 
muita gente inteligente que se orgulha de não ter e-mail e excelentes escritores que 
decidiram não substituir sua velha máquina de escrever por um editor de textos.
No século 16, Galileu ofereceu uma visão totalmente nova do Universo, ao 
afirmar que a Terra girava em torno do Sol. Mas a Igreja Católica, confrontada com 
uma revelação que poderia abalar alguns de seus dogmas, ofereceu a Galileu duas 
escolhas: ou se retratar publicamente ou ser queimado na fogueira da Inquisição. 
Menos drásticos, mas igualmente cáusticos, foram os críticos de Charles Darwin no 
século 19: não podendo mais matar o autor, resolveram matar sua obra, ao proibir 
que seu livro A Origem das Espécies se transformasse em matéria de estudo e 
discussão nas escolas públicas. Mas há quem faça a opção pela não mudança de 
forma consciente, e conviva muito bem com ela. João Cabral de Melo Neto, um dos 
maiores poetas brasileiros, nunca aceitou a mecanização de sua poesia. Preferia 
escrever à mão - e nem por isso seus versos tiveram menos brilho.
A era digital traz uma visão totalmente nova da sociedade, do progresso, 
do trabalho e da própria vida. Entre os que embarcaram nesse universo e os que 
preferem se manter no estágio anterior, começa a se abrir um abismo cada vez 
mais profundo. Pode-se argumentar que muito pior que a recusa em entrar por 
uma porta que leva a um futuro totalmente novo é a decisão de simplesmente 
ignorar a existência dessa porta. Pode-se até sugerir que os refratários pelo menos 
tentem e só depois decidam. Mas apenas isso: sugerir. Nunca obrigar. Mesmo a 
verdade da internet, por mais verdadeira que já seja, não será, como nenhuma é, a 
verdade definitiva.
FONTE: Sociedade da informação. Disponível em: <http://super.abril.com.br/tecnologia/
sociedade -informacao-442036.shtml>. Acesso em: 30 jul. 2012.
73
RESUMO DO TÓPICO 3
Dentre os pontos principais vistos neste tópico, destacamos os seguintes:
• O que diferencia a sociedade da informação: “É nesse sentido que conseguimos 
diferenciar nossa atual ‘sociedade da informação’ das anteriores [moderna, industrial 
e a vemos, inserida, na hipermodernidade e na modernidade líquida], marcada não 
apenas pelo [1] volume virtualmente infinito de informação a que temos acesso, 
mas, sobretudo, pela [2] democratização das mídias, [3] o que permite sua geração 
e ampla difusão de forma descentralizada, revolucionando a história da informação 
e, por conseguinte, de toda a humanidade” (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 8). 
• Fazendo um pouco de história: quando surge/nasce o termo? A partir de que década? 
“Ele nasce no Japão, no início da década de 1960, para descrever os impactos do 
desenvolvimento tecnológico e econômico no seio social, referentes às mudanças 
sofridas no país depois da 2ª Guerra Mundial” (RAMOS, 2010, p. 25).
• Em níveis de proposta, como cada parte do globo fundamenta a questão da sociedade 
da informação? As propostas ficam assim (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14):
• União Europeia: possui uma proposta mais institucional.
• Estados Unidos: privilegia as empresas privadas.
• Asiáticas: reforçam o papel do Estado.
• Brasileira: reforça também o papel do Estado, bem como a iniciativa privada.
• Preconceitos: alguns preconceitos são vinculados à sociedade da informação, 
quais sejam: Determinismo e Evolucionismo, isto é, que todas as sociedades 
humanas seriam e estariam determinadas a ter como mote a sociedade da 
informação. Este preconceito é delicado, e o mote fundamental desta sociedade 
é servir aos humanos, não determiná-los. Outro preconceito é o evolucionismo, 
que consiste em dizer que todas as sociedades evoluem até um tipo de sociedade 
da informação, isto é, uma falácia, porque na verdade a sociedade da informação 
deve se caracterizar pelo múltiplo, ou seja, permitir várias expressões, e que cada 
espaço humano estabelece sua maneira de ver a sociedade da informação.
• Utopias: as utopias sempre rondam os seres humanos, isto é, a busca por um 
lugar perfeito e que seja aplicado a qualquer custo. Na sociedade da informação 
não é diferente, propostas de computadores e outras tecnologias ocupando o 
espaço humano surgem a todo instante, mas, sem grande medida, as técnicas 
surgem para facilitar a vida humana e constituem seu relacionar com o mundo.
• Educação: com o advento da sociedade da informação temos o aumento e 
acesso a bens culturais, como: livros raros, bibliotecas, professores, tudo ao 
alcance de um click.
74
Realize uma síntese do texto complementar acerca da sociedade da 
informação.
AUTOATIVIDADE
75
UNIDADE 2
DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL 
DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: 
APORTE HISTÓRICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir dessa unidade você será capaz de:
• conceituar sociedade do conhecimento e da informação;
• compreender o advento das tecnologias da informação e comunicação na 
vida cotidiana;
• compreender os desdobramentos do uso das tecnologias de informação e 
comunicação na vida cotidiana;
• situar ao(à) acadêmico(a) as diferentes visões e perspectivas, tanto no âm-
bito sociológico quanto no filosófico, sobre a sociedade do conhecimento e 
da informação;
• evidenciar a importância das tecnologias da informação e comunicação nos 
dias atuais.
Para a compreensão da temática, procuramos organizar esta unidade em três 
tópicos, sendo que ao longo de cadaum deles você encontrará subitens. No 
final de cada tópico serão apresentados, textos complementares, dicas, ob-
servações e atividades que lhe permitirão testar o seu conhecimento sobre a 
temática em questão.
TÓPICO 1 – APORTE HISTÓRICO: DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL 
DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO
TÓPICO 2 – O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE
TÓPICO 3 – AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
76
77
TÓPICO 1
APORTE HISTÓRICO: DEMARCAÇÃO ESPAÇO
TEMPORAL DA SOCIEDADE DO 
CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a)! Neste tópico faremos um breve aporte histórico 
sobre as origens da sociedade do conhecimento e da informação, procurando fazer 
uma demarcação espaço-temporal do surgimento da sociedade do conhecimento 
e da informação. Portanto, ao adotarmos a perspectiva histórica, pretendemos 
inseri-lo no contexto das nossas discussões. Neste sentido, ao olhar para o 
passado, é possível observar mudanças de hábitos, costumes, comportamentos 
na vida cotidiana, resultantes do surgimento de componentes tecnológicos, tais 
como: o telefone, o rádio, a televisão e, mais recentemente, os computadores e 
a internet. Iniciaremos os nossos estudos com foco nas transformações sociais, 
políticas e econômicas exercidas pelo surgimento das tecnologias de informação e 
comunicação no âmbito global.
As informações contidas nesta unidade foram reunidas a partir de uma 
extensa pesquisa bibliográfica no âmbito da sociologia e filosofia.
Assim é que um pequeno esforço reflexivo e retrospectivo nos ajudará a 
compreender a importância do que estamos tratando aqui. Em outras palavras, 
estamos falando de conhecimento e informação, dois aspectos complementares 
que fazem parte das nossas vidas hoje como nunca antes. Se rapidamente olharmos 
para as décadas que nos antecederam (digamos lá, 50 anos), concluiremos sem 
grande esforço que o avanço informacional foi maior do que em toda a vida 
humana precedente na Terra. 
2 APORTE HISTÓRICO
A história da tecnologia da informação, no século XX, é absolutamente 
extraordinária e fascinante, cuja velocidade e os avanços têm caráter estonteante, 
e deixariam boquiabertos nossos antepassados que não a vivenciaram como nós 
temos a oportunidade de fazê-lo. Pensemos apenas que o primeiro computador, 
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
78
o Eniac, criado na Universidade de Pensilvânia ainda na década de quarenta, 
pesava 32 toneladas e media 30 metros. Era chamado de o “Einstein eletrônico”, 
mas também de “Frankenstein matemático”, pela engenhoca enorme, pesada 
e cheia de fios e milhares de válvulas. Vinte anos depois, os mainframes ainda 
eram enormes. Ocupavam uma sala de aula para armazenar muito menos 
informação do que um PC (Personal Computer) ou os iPhones no século XXI. 
Não é de tirar o fôlego?
Portanto, entre meados dos anos cinquenta e início dos anos sessenta 
do século XX, a humanidade viu, inserido no seu convívio social, um conjunto 
de aparatos técnicos e científicos como jamais antes em toda a sua história. Este 
processo, resultante da aposta do homem na ciência, provocou mudanças drásticas 
em todas as atividades, tanto do ponto de vista do segmento empresarial, quanto 
no nível da vida pessoal. 
Na visão de Eric Hobsbawm (1995), este período histórico representa 
um marco significativo, em todas as mentes, como o século que colocara a ideia 
do progresso como inevitabilidade, não só em termos materiais, mas também 
em relação ao avanço das liberdades, apesar das monarquias e das forças 
conservadoras, que resistiam tenazmente desde a Revolução Francesa. Esta nova 
revolução mundial que se processará no mundo será vista por milhões de pessoas, 
mesmo em países longínquos.
 
Apesar de ter sido um período de excepcionais conquistas da ciência, 
o século XX não terminou bem. À catástrofe de duas guerras haviam se 
seguido cerca de 30 anos de extraordinário crescimento econômico e 
transformação social que mudaram de maneira profunda a sociedade 
humana. Suas três últimas décadas, no entanto, foram um período 
de decomposição, incerteza e crise. À medida que se aproximavam 
os anos 90, o estado de espírito dos que refletiam sobre o século 
era de crescente desencanto. O futuro aparecia como desconhecido 
e problemático. O mundo capitalista viu-se novamente às voltas 
com problemas que parecia ter eliminado: desemprego, depressões 
cíclicas, população indigente em meio a um luxo abundante e o 
Estado em crise (DUPAS, 2001, p. 13).
Segundo afirma Moreira (1999), este novo século será cada vez mais 
dominado pelas tecnologias de informação e comunicação. Será marcado pelo 
novo modo de viver das pessoas, e extrapolará sua esfera de produção específica, 
partindo para outras formas culturais. Ao final do século XVIII, observa o 
sociólogo, a população da Terra atingiu a marca de um bilhão. Menos de 120 anos 
depois, dobrava esse número, atingindo os três bilhões, por volta da metade do 
século passado. Em 1970 atingia os quatro bilhões de pessoas, e apenas 20 anos 
depois ultrapassava os cinco bilhões. Ao fim da primeira década do século XXI, 
alcançamos os seis bilhões. Na visão pessimista de Dupas, “o que nos interessa 
reter é o efeito descomunal e inédito da população planetária sobre a percepção e 
a criação artísticas” (DUPAS, 2001, p. 15).
TÓPICO 1 | APORTE HISTÓRICO: DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO
79
FIGURA 17 –POPULAÇÃO MUNDIAL E RECURSOS
FONTE: Disponível em: <http://geocartoons.blogspot.com.br/2008/07/populao-
mundial-e-recursos.html>. Acesso em: 30 out. 2012.
Na sequência, Dupas (2001) sugere que esta nova lógica sobre a qual o “novo” 
capitalismo global está inserido, caracterizado por um lado pela aposta na técnica e 
na ciência e, por outro lado, pelo vazio das incertezas, se apresentará fragmentado, 
perdendo-se nas lacunas e fraturas do real, com múltiplos significados e contradições. 
O capitalismo global apoderar-se-á por completo dos destinos da 
tecnologia, libertando-a de amarras metafísicas e orientando-a única 
e exclusivamente para a criação de valor econômico. As legislações 
de marcas e patentes transformaram-se em instrumentos eficazes 
de apropriação privada das conquistas da ciência, reforçando os 
traços concentradores e hegemônicos do atual desenvolvimento. As 
consequências dessa autonomização da técnica com relação a valores 
éticos e normas morais foram, dentre outras, o aumento da concentração 
de renda e da exclusão social, o perigo de distribuição do hábitat 
humano por contaminação e da manipulação genética ameaçando o 
patrimônio comum da humanidade. (DUPAS, 2001, p. 15).
Segundo Castells (2001), este processo, baseado na aposta na ciência e 
na tecnologia, resulta de três processos históricos, nomeadamente: revolução 
da tecnologia da informação; crise econômica do capitalismo e do estatismo e a 
consequente reestruturação de ambos. Sobre estes três importantes aspectos, faremos 
menção no texto complementar adiante, intitulado “Depreendendo nosso mundo”. 
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
80
Diante dessa perspectiva, uma nova consciência sobre a relação entre 
economia e sociedade nasce, e é regida “por novos imperativos, por uma 
tecnociência computadorizada que invade o nosso espaço pessoal e substitui o 
livro, e ninguém sabe se tudo isso anuncia uma nova Idade Média ou Renascença’’ 
(DUPAS, 2001, p. 15). 
Comparado à perspectiva do sociólogo espanhol Manuel Castells (2001), 
é temerosa a postura de Dupas (2001), que vê com ceticismo o conjunto de 
consequências do desenvolvimento das tecnologias da informação e seus impactos 
nas relações sociais, seja nos âmbitospolítico, econômico ou cultural. É inegável que 
a sociedade está mudando, rapidamente e influenciada pela revolução tecnológica 
informacional. Poucos fenômenos sociais de ordem mundial são tão evidentes. Mas 
é arriscado apresentar qualquer prognóstico mais pretensioso, na sequência do que 
sugerem os autores acima. Cabe, não obstante, a atenção devida do leitor ao que 
sugerem os autores, seja do ponto de vista sociológico de Castells (2001), baseado 
em ampla observação empírica, seja do ponto de vista filosófico pessimista de Dupas 
(2001), cujas considerações não escapam de uma análise comprometida com a crítica 
aos rumos do capitalismo, desde as suas origens. Ao leitor cabe a atenção e o cuidado, 
com a vantagem de que o que vivencia, no instante em que o lê, pode confirmar ou 
refutar o que foi interpretado e analisado há mais de uma década antes. 
Tecnociência: para uma leitura analítica do conceito, procurar as obras dos 
sociólogos franceses Gilbert Hottois e Bruno Lattour.
LEITURA COMPLEMENTAR
DEPREENDENDO NOSSO MUNDO
Um novo mundo está tomando forma neste fim de milênio. Originou-se 
mais ou menos no fim dos anos 60 e meados da década de 70 na coincidência 
histórica de três processos independentes: revolução da tecnologia da informação; 
crise econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente reestruturação 
de ambos; e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como libertarismo, 
direitos humanos, feminismo e ambientalismo. As interações entre esses processos 
e as reações por eles desencadeadas fizeram surgir uma nova estrutura social 
dominante: a sociedade em rede; uma nova economia: a economia informacional-
global; e uma nova cultura: a cultura da virtualidade real. A lógica inserida nessa 
economia, nessa sociedade e nessa cultura está subjacente à ação e às instituições 
sociais em um mundo interdependente.
NOTA
TÓPICO 1 | APORTE HISTÓRICO: DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO
81
Algumas características cruciais deste novo mundo são identificadas na 
análise apresentada nos três capítulos do nosso livro. A revolução da tecnologia 
da informação motivou o surgimento do informacionalismo como a base material 
de uma nova sociedade. No informacionalismo, a geração de riqueza, o exercício 
do poder e a criação de códigos culturais passaram a depender da capacidade 
tecnológica das sociedades e dos indivíduos, sendo a tecnologia da informação 
o elemento principal dessa capacidade. A tecnologia da informação tornou-se 
ferramenta indispensável para a implantação efetiva dos processos de reestruturação 
socioeconômica. De especial importância foi seu papel ao possibilitar a formação 
de redes como modo dinâmico e autoexpansível de organização da atividade 
humana. Essa lógica preponderante de redes transforma todos os domínios da 
vida social e econômica.
A crise dos modelos de desenvolvimento econômico, tanto do capitalismo 
como do estatismo, motivou sua reestruturação paralela a partir de meados dos 
anos 70. Nas economias capitalistas, empresas e governos estabeleceram várias 
medidas e políticas que, em conjunto, levaram a uma nova forma de capitalismo. 
Suas características são a globalização das principais atividades econômicas, 
flexibilidade organizacional e maior poder para o patronato em suas relações com os 
trabalhadores. Pressões competitivas, flexibilidade de trabalho e enfraquecimento 
de mão de obra sindicalizada levaram à redução de despesas com o Estado do 
bem-estar social, alicerce do contrato social na era industrial. As novas tecnologias 
da informação desempenharam papel decisivo ao facilitarem o surgimento desse 
capitalismo flexível e rejuvenescido, proporcionando ferramentas para a formação 
de redes, comunicação à distância, armazenamento/processamento de informação, 
individualização coordenada do trabalho e concentração e descentralização 
simultâneas do processo decisório.
Nessa economia global interdependente, novos concorrentes, empresas e 
países, vieram reivindicar uma participação crescente na produção, no comércio e 
no trabalho. O surgimento de uma economia poderosa e competitiva na região do 
Pacífico e os novos processos de industrialização e expansão de mercado em várias 
regiões do mundo ampliaram o escopo e a escala da economia global, estabelecendo 
uma base multicultural de interdependência econômica. Por intermédio da 
tecnologia, redes de capital, de trabalho, de informação e de mercados conectaram 
funções, pessoas e locais valiosos ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que 
desconectaram as populações e territórios desprovidos de valor e interesse para 
a dinâmica do capitalismo global. Seguiram-se exclusão social e não pertinência 
econômica de segmentos de sociedades, de áreas urbanas, de regiões e de países 
inteiros, constituindo o que chamo de “o Quarto Mundo”. A tentativa desesperada 
de alguns desses grupos sociais e territórios para conectar-se à economia global 
e escapar da marginalidade levou a uma situação que chamo de “a conexão 
perversa”, quando o crime organizado em todo o mundo tirou vantagem de sua 
condição para promover o desenvolvimento da economia do crime global. O 
objetivo é satisfazer o desejo proibido e fornecer mercadorias ilegais à contínua 
demanda de sociedades e indivíduos abastados.
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
82
A reestruturação do estatismo provou ser mais difícil, sobretudo para 
a sociedade estatista predominante no mundo, a União Soviética, no centro de 
uma ampla rede de países e partidos estatistas. Está comprovado que o estatismo 
soviético foi incapaz de assimilar o informacionalismo e, com isso, bloqueou o 
crescimento econômico e enfraqueceu, de forma decisiva, seu aparato bélico, fonte 
básica de poder em um regime estatista. A conscientização sobre a estagnação e 
o declínio levou alguns líderes soviéticos, de Andropov a Gorbachev, a tentarem 
uma reestruturação do sistema. Para superar a inércia e a resistência do partido/
Estado, os líderes reformistas franquearam o acesso a informações e pediram o 
apoio da sociedade civil. A poderosa expressão de identidades nacionais/culturais 
e as demandas populares por democracia não puderam ser facilmente canalizadas 
para um programa de reformas preestabelecido. A pressão dos acontecimentos, 
os erros táticos, a incompetência política e a eterna divisão dos aparatos estatistas 
levaram ao súbito colapso do comunismo soviético em um dos mais extraordinários 
eventos da história política. Com ele, o império soviético também desmoronou, e 
os regimes estatistas em sua esfera global de influência enfraqueceram-se de forma 
decisiva. Assim terminou, em espaço de tempo equivalente a um instante pelos 
padrões históricos, a experiência revolucionária mais importante do século XX. 
Também significou o fim da Guerra Fria entre o capitalismo e o estatismo, uma 
guerra que dividira o mundo, determinara geopolíticas e assombrara nossa vida 
nesta última metade de século.
 Em seu modelo comunista, o estatismo praticamente acabou ali, apesar 
de o tipo de estatismo da China ter tomado um caminho mais complicado e sutil 
para sua saída histórica. A bem da coerência da argumentação aqui apresentada, 
lembremos ao leitor de que nos anos 90, o Estado chinês, embora sob controle total 
do Partido Comunista, apresenta uma organização voltada para a incorporação 
da China no capitalismo global com base em um projeto nacionalista representado 
pelo Estado. Esse nacionalismo chinês com características socialistas está se 
afastando rapidamente do estatismo em direção ao capitalismo global e, ao 
mesmo tempo, tentando encontrar um modo de adaptar-se ao informacionalismo 
sem abrir a sua sociedade.
FONTE: CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz 
e Terra, 1999. v. 3. p. 411-439.83
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico vimos:
● O aporte histórico sobre as origens da sociedade da informação e do conhecimento.
● As tecnologias da informação e comunicação cada vez mais dominam este novo 
século.
84
AUTOATIVIDADE
Caro(a) acadêmico(a), desenvolva um roteiro para uma palestra que 
deve tratar sobre “a substituição do livro pelas formas virtuais de leitura”.
85
TÓPICO 2
O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
2 A REALIZAÇÃO DA POTÊNCIA DO HOMEM ARISTOTÉLICO
“O homem é um animal que fala”, já dizia o antigo filósofo grego Aristóteles, 
em Ética e Nicômaco. Nessa direção, poderíamos dizer com certo conforto que 
a sociedade da informação e do conhecimento, sendo também denominada 
sociedade em rede, é a realização do ser humano na sua plenitude. Assim, homens 
e mulheres do mundo todo, cada vez mais se integram, através dos meios de 
comunicação virtuais, monológicos e dialógicos, à sociedade em rede. 
FIGURA 18 – EVOLUÇÃO HUMANA
FONTE: Disponível em: <http://inovaead.blogspot.com.br/2010/06/o-mundo-tecnologico.html>. 
Acesso em: 24 out. 2012.
Os seres humanos não estão mais isolados e agora, mais do que nunca, 
utilizam a sua condição de fala a fim de conhecerem o mundo, os fatos, as realizações 
humanas e as pessoas. Usam os meios de comunicação, como nunca, para dizer 
o que pensam, para expressar seus sentimentos, compartilhar seus problemas e 
também as suas alegrias. Comunicam-se sem medo.
É claro que isso provoca mudanças na formação cultural da sociedade global 
em rede. É nesse contexto, global em rede, que isso acontece, liberando os desejos 
e a potencialidade humanos. Em outros termos, trata-se de admitir que aquela 
aspiração dos renascentistas, de há 500 anos atrás, finalmente se universaliza. 
Trata-se da incrível transposição espacial e temporal das fronteiras das culturas 
nacionais para a inédita e tão esperada condição do homem cidadão do mundo, 
algo que já foi observado pelo sociólogo norte-americano Adam Scharf, em seu 
empolgante livro intitulado “A sociedade informática” (1995).
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
86
FIGURA 19 – MEIOS DE COMUNICAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://jrockproject.files.wordpress.
com/2010/05/comunicacao-no-brasil.jpg>. Acesso em: 24 out. 2012.
Nessa direção, pensemos só por um minuto como será o sistema de 
transmissão televisiva, o que ainda nos proporcionará a Internet ou, ainda, como 
ouviremos rádio? Ainda nos parece fantástico, mas será normal que vejamos 
simultaneamente mais de um canal de transmissão via cabo, satélite e assim 
por diante. Só o que nos proporciona atualmente a transmissão via satélite, é 
algo impensável há décadas atrás. Imagine o que isso representa em termos 
de integração mundial, de acesso à informação e às culturas de outros países e 
continentes. Isso marca, seguramente, uma nova etapa da sociedade, e estamos 
vivendo essa transição, não sem o enorme privilégio histórico que isso representa 
a todos os que a vivenciam. 
É claro que o leitor já deve ter parado para pensar em como é fascinante 
ter acesso a milhões de informações científicas, artísticas, entre outras, sem pagar 
um tostão por elas, em grande parte das vezes. Na década de oitenta, por exemplo, 
para ter acesso a um livro ou a um álbum de alguma banda de rock’n roll, ou ainda 
a uma imagem que pudesse ser utilizada na confecção de um trabalho escolar ou 
universitário, as possibilidades de obtenção eram infinitamente mais restritas do 
que na segunda década do século XXI. 
Se na década de oitenta, um estudante de direito ou ciências sociais 
precisava fotocopiar as páginas do Contrato Social de Jean Jacques Rousseau 
ou do Leviatã de Thomas Hobbes de um livro de capa dura na biblioteca de sua 
instituição de ensino superior, atualmente ele baixa esse valiosíssimo material de 
graça, da Internet. Imagine o quanto se ganha em termos de informação, ilustração 
e ampliação de nosso conhecimento com esse recurso! Naqueles anos, ainda havia 
uma lei de direitos autorais que impedia qualquer um de fotocopiar mais de dez 
por cento de uma obra.
Agora, se o leitor é um amante do rock’n roll, sabe que o seu pai comprava, 
no dinheirinho contado, um ou dois álbuns por mês, de vinil ou em CD, a fim de 
aumentar a sua coleção musical. Esse mesmo leitor, sim, Você aí, sem grandes 
TÓPICO 2 | O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE
87
esforços, faz um download de um sítio de buscas musicais, gratuitamente, da coleção 
completa do AC/DC. Que privilégio, hein? E não é difícil, nesse cenário, imaginar 
um brasileiro fazendo buscas para conhecer melhor as músicas do continente 
africano, ou de um europeu obter informações reveladoras sobre a música criativa 
produzida no estado de Pernambuco. 
Tudo isso, e muito o mais proporcionado pelas tecnologias da informação e 
da comunicação, nos proporciona uma expansão mental e cultural sem precedentes. 
Nesse sentido, a formação de uma cultura supranacional, muito mais abrangente 
em termos de concepções estéticas e de informação, está em curso. Com a formação 
de uma grande cultura multinacional e a substituição das formas de expressão mais 
locais pela homogeneização das expressões mais midiáticas, para além do fim das 
xenofobias, haverá uma interpenetração cultural absolutamente sem precedentes.
E o grande facilitador dessa incrível revolução cultural internacional 
é o conjunto de recursos da informática, eliminando sem dó, como um tsunami 
globalizante, as barreiras culturais. 
FIGURA 20 – RELAÇÕES ENTRE INDIVÍDUOS
FONTE: Disponível em: <http://clusterscriativos.blogspot.com.br/2010/04/
porque-clusters-criativos.html>. Acesso em: 24 out. 2012.
3 AS RELAÇÕES ENTRE O INDIVÍDUO E A SOCIEDADE
Grandes têm sido as preocupações, nos últimos vinte anos, com o fato 
de que as revoluções das tecnologias da informação resultem na potenciação 
do “ensimesmamento” do homem, isto é, na sua introspecção individualista e 
egoísta. Uma vez que os recursos tecnológicos de comunicação e informação 
estejam ao seu dispor, é natural que esse tipo de preocupação e especulação 
sociológica venha à tona. Assim, os indivíduos tenderiam crescentemente ao 
isolamento doméstico. Até as necessidades afetivas poderiam, como em grande 
parte podem, ser atendidas virtualmente.
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
88
Por outro lado, o que vemos com bastante frequência nas últimas duas 
décadas, é uma superação dos isolamentos comportamentais pela intensificação das 
formas de comunicação virtuais. Se não são físicas, essas formas de comunicação 
pela NET provocam, não obstante, um aumento exponencial dos diálogos e da 
troca de informação. Amplificam, ao invés de diminuir, os relacionamentos. 
Permitem por extensão a amplificação de grupos sociais distantes fisicamente. 
Vejam-se as redes sociais. São um exemplo fantástico de multiplicação de 
relacionamentos, trocas de informação, de solidariedade e também de engajamento 
em questões coletivas. As cidades estão cheias de movimentos pela internet. Cada 
vez que alguém tem uma boa e contagiante ideia e a lança no FACEBOOK, ela 
se alastra rapidamente e é capaz de interferir no resultado de um pleito eleitoral, 
de salvar animais, de denunciar uma injustiça, de revitalizar uma praça (como é 
o caso da Prainha de Blumenau, comprometida pela enchente de 2011, na curva 
do Rio Itajaí, e ocupada por jovens, a partir de um chamamento via rede social, 
denominado “Vamo se unir” - sic). 
Nessa direção, é possível dizer que as críticas e os temores mais pessimistas 
em relação à individualização dos comportamentos, parecem fadados ao 
esquecimento. Não é por desmerecimento às advertências de certa vertente 
sociológica, sempre crítica aos avanços tecnológicos, mas comparando o que se 
diziahá dez ou quinze anos sobre o receio de “ensimesmamento” dos indivíduos, 
os primeiros anos da segunda década do século XXI parecem desconstruir os 
argumentos dos céticos.
No mesmo sentido, é possível lançar mão dos e-mails, dos recursos de 
busca na NET, principalmente do GOOGLE, através do qual uma simples busca 
de um nome de um valioso amigo ou parente, nos permite o restabelecimento de 
contatos afetivos e profissionais jamais imaginados pelos nossos bisavós. Tomem-
se as facilidades do MSN, nessa perspectiva. Ah, um amigo me falou de ti e me deu 
o teu endereço. Podes me acionar? E lá vêm aquelas boas lembranças, sucedidas 
de contatos, de agendamentos de encontros presenciais, sim, presenciais e, como 
num passe de mágica, tudo é resolvido. Num passe de mágica? Não. Fruto do 
incansável, audacioso e ambicioso esforço humano na busca do conhecimento e 
ao encontro de alternativas e soluções que, não importa se imbuídos do desejo de 
lucro ou poder, facilitam melhoram e trazem felicidade às vidas humanas. 
A solidariedade, a comunicação e a coletivização são aspectos inerentes às 
formas de organização social, na família, na igreja, nas empresas, nas associações e 
nas “tribos”. E não há razão para acreditarmos que os recursos das tecnologias de 
comunicação tenham sido imbuídas de intenções obscuras de ensimesmamento, 
individualização e insulamento humanos. Nem mesmo, é possível acreditar que, 
com o que podemos ver com nossos próprios olhos, todas essas comodidades 
tecnológicas sejam utilizadas pelos “animais que falam” justamente para que se 
tornem taciturnos. Seres humanos precisam de gente ao redor e qualquer desvio 
nesse sentido sempre existiu, é escolha de alguns indivíduos ou resultado de 
outras causas que constituem a exceção e não a regra.
89
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico vimos:
• “O homem é um animal que fala”. Assim, homens e mulheres do mundo 
todo, cada vez mais se integram, através dos meios de comunicação virtuais, 
monológicos e dialógicos, à sociedade em rede. 
• Os seres humanos usam os meios de comunicação, como nunca, para dizer o 
que pensam, para expressar seus sentimentos, compartilhar seus problemas e 
também as suas alegrias. Comunicam-se sem medo.
• Com a formação de uma grande cultura multinacional e a substituição das 
formas de expressão mais locais pela homogeneização das expressões mais 
midiáticas, para além do fim das xenofobias, haverá uma interpenetração 
cultural absolutamente sem precedentes.
• Por outro lado, o que vemos com bastante frequência nas últimas duas décadas, 
é uma superação dos isolamentos comportamentais pela intensificação das 
formas de comunicação virtuais.
• A solidariedade, a comunicação e a coletivização são aspectos inerentes 
às formas de organização social, na família, na igreja, nas empresas, nas 
associações e nas “tribos”.
90
AUTOATIVIDADE
Caro(a) acadêmico(a)! Com os conhecimentos adquiridos nesse tópico, 
produza um texto sobre as principais ideias abordadas.
91
TÓPICO 3
AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
2 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Caro(a) acadêmico(a), ao falarmos das tecnologias da informação e 
comunicação como fator determinante no advento da sociedade da informação, 
estamos a falar das transformações resultantes do processo da globalização de 
mercados e dos avanços do uso dos processos tecnológicos na vida cotidiana dos 
indivíduos. Desse mosaico de transformações exercidas pelos meios tecnológicos 
na vida quotidiana dos indivíduos emerge o conceito de sociedade da informação. 
Sob este prisma, o que iremos apresentar nas próximas páginas são dois pontos: o 
primeiro busca assinalar as tecnologias da informação e comunicação como fator 
determinante no advento da sociedade da informação. O segundo procura discutir 
o conceito de sociedade da informação sob a ótica de diferentes autores. Portanto, 
esperamos que os tópicos escolhidos possam contribuir de certa forma para inseri-
lo(a) no debate sobre a sociedade da informação e que sirva de uma ferramenta 
que possa expandir o seu horizonte pensante.
Nos últimos anos do século XX, o mundo vem adquirindo uma nova 
configuração, fundamentada nas tecnologias da informação e da comunicação. 
A sociedade pós-industrial vem sofrendo modificações de forma acelerada, 
reestruturando o capitalismo, na medida em que todas as economias do planeta 
passam a interdepender umas das outras, em escala global. 
Diante disto, observa-se que as grandes empresas mundiais passam por 
um processo de descentralização e interconexão das empresas, o aumento do 
capital frente ao trabalho, com o declínio do sindicalismo e crescente desemprego, 
a incorporação massiva da mulher no mundo do trabalho. Além disso, 
92
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
consideremos a queda do Estado soviético, alterando a geopolítica internacional, 
em consequência do fim da Guerra Fria, bem como a intervenção dos Estados 
para desregular os mercados de forma seletiva, desmantelando o sistema de bem-
estar social, e a difusão da lógica das redes em todas as formas de organização.
FONTE: Adaptado de: <http://www2.eptic.com.br/sgw/data/bib/
artigos/3e8907616186d62bb07beac9ac5ed240.pdf>. Acesso em: 17 out. 2012.
FIGURA 21 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.fgp.com.br/site/default.asp>. Acesso 
em: 4 abr. 2012.
Com o crescente aumento do uso das Tecnologias da Informação e de 
Comunicação nos diversos setores da atividade humana, bem como a sua integração 
às facilidades das telecomunicações, tornou-se evidente a possibilidade de ampliar 
cada vez mais tanto o acesso à informação, assim como o desenvolvimento de 
novos meios que proporcionassem de forma rápida sua distribuição no campo das 
pesquisas científicas. As atividades tradicionais, como a leitura, a escrita, o correio, 
o comércio, a publicidade ou o ensino, em atividades realizadas em ambiente 
virtual passam agora a ser capturadas por estes novos dispositivos tecnológicos 
de informática, cada vez mais avançados. 
Este processo, que teve a sua origem no fim dos anos 60 e início dos 
anos 70, não foi, por si só, responsável pela nova forma de organização social. 
Centrado na ideia de informação e comunicação, o uso das TIC resultou da 
interação de três processos independentes: revolução da tecnologia da informação; 
da economia (crise econômica do capitalismo e do estatismo e a consequente 
reestruturação de ambos); e apogeu de movimentos sociais e culturais, tais como 
a afirmação das liberdades individuais, dos direitos humanos, do feminismo e 
do ambientalismo (CASTELLS, 2001).
 
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
93
Na escala societária, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) 
constituíam um limiar sobre o qual se sucediam os acontecimentos políticos, 
militares ou científicos, tornando-se desta forma uma expressão de competição 
global, cuja lógica encontrava-se inserida dentro de uma economia informacional/
global; e uma nova cultura, a cultura da virtualidade real, onde a sociedade e a cultura 
estão subjacentes à ação e às instituições sociais em um mundo interdependente. A 
interação entre esses processos e as reações por eles desencadeadas fez surgir uma 
nova estrutura social dominante, a sociedade em rede.
Na época atual, as chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação 
(TIC) constituem ferramentas indispensáveis no processo de fortalecimento e 
integração das nações na nova cadeia global. Segundo Castells (2001), este processo 
foi de extrema importância, poisseu papel conferiu uma dinâmica e formação de 
redes das diversas esferas da atividade humana. Esta nova lógica preponderante 
de redes, sobre a qual a nova sociedade se assenta, transformou todos os domínios 
de vida social e econômica. 
Por intermédio da tecnologia, redes de capital, de trabalho, de informação 
e de mercados conectaram funções, pessoas e locais valiosos ao redor 
do mundo, ao mesmo tempo em que desconectaram as populações 
e territórios desprovidos de valor e interesse para a dinâmica do 
capitalismo global. Seguiram-se exclusão social e não pertinência 
econômica de segmentos de sociedades, de áreas urbanas, de regiões e 
de países inteiros, constituindo o que chamo de "o Quarto Mundo". A 
tentativa desesperada de alguns desses grupos sociais e territórios para 
conectar-se à economia global e escapar da marginalidade levou a uma 
situação que chamo de "a conexão perversa", quando o crime organizado 
em todo o mundo tirou vantagem de sua condição para promover o 
desenvolvimento da economia do crime global. O objetivo é satisfazer 
o desejo proibido e fornecer mercadorias ilegais à contínua demanda de 
sociedades e indivíduos abastados (CASTELLS, 1999, p. 411).
 Sob esta perspectiva, segundo afirma Ferreira (2003, p. 8), a fim de 
compreender o surgimento das novas formas de organização social por conta das 
tecnologias informacionais, devemos observar os resultados dessa “revolução 
tecnológica na estrutura social”, a saber:
1 informação e conhecimento estão profundamente inseridos na cultura 
das sociedades;
2 as novas tecnologias da informação agregam processos de produção, 
distribuição e direção, permitindo diferentes tipos de atividades 
interligadas de acordo com o modo organizativo que se ajusta melhor 
à estratégia da empresa ou à história da instituição. Três conceitos 
surgem dessa transformação fundamental do modo em que o sistema 
de produção opera e, juntos, formam as bases atuais da nova economia 
e forçarão a redefinição da estrutura ocupacional, além do sistema 
de classes da nova sociedade: articulações entre as atividades; redes 
que configuram as organizações; e fluxos de fatores de produção 
e de mercadorias; flexibilidade e adaptabilidade são necessidades 
fundamentais para a direção de organizações, pois complexidade 
94
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
e incerteza são características essenciais do novo meio ambiente 
organizacional;
3 as novas tecnologias de comunicação têm um impacto direto sobre os 
meios de comunicação e sobre a formação de imagens, representações 
e opinião e opinião pública em suas sociedades, resultando em uma 
tensão crescente entre globalização e individualização no universo dos 
audiovisuais;
4 as fontes de poder na sociedade e entre as sociedades são alteradas pelo 
caráter estratégico das tecnologias e da informação na produtividade 
da economia e na eficácia das instituições sociais. A habilidade de 
promover a mudança tecnológica está relacionada diretamente com a 
habilidade de uma sociedade para difundir e intercambiar informações 
e relacioná-las com o restante do mundo.
Caro(a) acadêmico(a), como forma de alargar o seu horizonte sobre esta 
temática, gostaríamos de mencionar duas obras que lhe servirão de base para sua maior 
compreensão: 
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: A era da informação: economia, sociedade e 
cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999 v. 1.
DE MASI, Domenico. A sociedade pós-industrial. 2. ed. São Paulo: Editora SENAC São 
Paulo, 1999. 
3 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TIC
Desde os primórdios da humanidade, o homem sempre sentiu a necessidade 
de se comunicar com os outros homens. As novas tecnologias vêm efetuando 
mudanças sociais drásticas nos diversos segmentos da sociedade. As chamadas 
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) têm se apresentado como um 
fator decisivo na nova organização social, sem precedentes na história. 
O próprio capitalismo passa por um processo de profunda restauração, 
caracterizado por maior flexibilidade de gerenciamento; descentralização 
das empresas e sua organização em redes tanto internamente quanto em 
suas relações com outras empresas; considerável fortalecimento do papel 
do capital vis-à-vis o trabalho, com o declínio concomitante da influência 
dos movimentos de trabalho; incorporação maciça das mulheres na força 
de trabalho remunerada, geralmente em condições discriminatórias; 
intervenção estatal para desregular os mercados de forma seletiva e 
desfazer o estado do bem-estar social com diferentes intensidade e 
orientações, dependendo da natureza das forças e instituições políticas 
de cada sociedade; aumento da concorrência econômica global em um 
contexto de progressiva diferenciação dos cenários geográficos e culturais 
para acumulação e a gestão de capital (CASTELLS, 1999, p. 21).
Primeiramente, para melhor compreender o conceito de Tecnologias da 
Informação e Comunicação - TIC e o seu papel nas sociedades atuais, de forma 
DICAS
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
95
a dar uma “robustez” mais ampla às nossas reflexões, faremos um pequeno 
aporte histórico sobre o conceito de tecnologia em Manuel Castells. Neste sentido, 
segundo afirma o autor (1999, p. 24):
Para dar os primeiros passos nessa direção, devemos levar a 
tecnologia a sério, utilizando-a como ponto de partida desta 
investigação; devemos localizar esse processo de transformação 
tecnológica revolucionária no contexto social 
É importante referir que o termo tecnologia como tal só aparece nos meados 
do século XVIII, com a Revolução Industrial, expandindo-se desta forma para as mais diversas 
áreas do conhecimento humano.
O Dicionário de Sociologia, de Alan Johnson (1997), indica a palavra 
“tecnologia” como o repositório acumulado de conhecimento cultural sobre 
ambientes físicos e seus recursos materiais, com vistas a satisfazer desejos e vontades. 
Contudo, segundo afirma Johnson (1997), tecnologia não pode ser confundida com 
a ciência, na medida em que ela consiste de conhecimentos práticos sobre como 
usar recursos materiais, ao passo que a Ciência consiste de conhecimento abstrato 
e teorias sobre como o processo do conhecimento se constrói.
Consultivo sobre Tecnologias da Informação e Comunicação, no Secretariado Geral das 
Nações Unidas (2000-2001).
FONTE: Disponível em: <http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.
asp?aut=Manuel+Castells>. Acesso em: 20 set. 2012.
MANUEL CASTELLS nasceu na Espanha, em 1942, e é professor de 
sociologia e planejamento regional na Universidade da Califórnia, 
Berkeley, onde ingressou em 1979, após lecionar por 12 anos na 
Universidade de Paris. Foi professor visitante em 15 universidades e 
conferencista convidado de instituições acadêmicas e profissionais 
em mais de 35 países. Publicou 20 livros, entre os quais a trilogia A 
Era da Informação: economia, sociedade e cultura (Paz & Terra, 1999). 
Integrou o Grupo Especializado de Alto Nível sobre a Sociedade 
da Informação, na Comissão Europeia (1995-1997), e o Conselho 
NOTA
DICAS
“O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa criar, 
produzir, significando, portanto, o conhecimento prático que almeja alcançar 
um determinado fim concreto. Da combinação com o termo logos (palavra, fala), 
o termo exprimia a diferença entre o simples fazer artesanal de um fazer com 
raciocínio” (BRIGNOL, 2004, p. 26). 
96
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
Na sociedade industrial, o conceito de tecnologia esteve associado à forma 
de produto, passando, portanto, a não mais designar a forma de produção, ou seja, 
concentra-se nos produtos, nos processos, nos equipamentos e nas operações.Assim, na visão de De Masi (1999), esta lógica, onde a tecnologia torna-se uma 
ferramenta indispensável nas relações de produção, obrigou o mundo da produção 
industrial a sofrer grandes mudanças, tanto no processo de regulamentação da 
empesa, como na organização do trabalho, de forma a responder aos imperativos 
que a própria tecnologia trouxe para o aperfeiçoamento das condições de vida do 
homem. Neste sentido, para De Masi (1999, p. 158), as principais transformações 
provocadas por esses imperativos são as seguintes:
• Um intervalo de tempo mais longo exigido pelo processo produtivo 
para levar até o fim a realização de um produto.
• Um aumento da necessidade de capital para a produção.
• Maior especialização e definição de funções, operações, processos 
e materiais, com uma consequente rigidez que impede conversões de 
uma operação para outra.
• Maior necessidade de mão de obra especializada.
• Maior exigência de organização de todas as atividades especializadas 
envolvidas, o que resulta na posterior exigência de outros especialistas: 
os especialistas em organizações.
• A necessidade de planejamento, em face do tempo e dos capitais 
empregados, da rigidez dos processos, das exigências organizacionais 
e da instabilidade do mercado em relação aos sistemas industriais que 
utilizam tecnologias avançadas.
Domenico De Masi é professor de Sociologia do Trabalho na 
Universidade La Sapienza, de Roma. Foi administrador de empresas 
e fundou a escola de especialização em ciências organizacionais 
S3-Studium, com sede em Roma. É presidente da Società Italiana 
Telelavoro (SIT). Trabalhou como consultor e instrutor para as mais 
importantes organizações em atividade na Itália. Seus objetos de 
estudo são a sociedade industrial, a criatividade, o mercado de 
trabalho, as equipes ideativas, a valorização dos recursos humanos, 
o teletrabalho, o tempo livre. Escreveu ou organizou mais de 20 livros e colabora com 
revistas e os jornais mais significativos da Itália.
FONTE: Disponível em: <http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com.br/2008/01/o-cio-
criativo.html>. Acesso em: 20 set. 2012.
Já no século XX, a tecnologia passa a ser descrita como um campo do 
conhecimento que, além de usar o método científico, cria e/ou transforma processos 
materiais. Assim, segundo De Masi (1999), a tecnologia passa a ser o motor do 
NOTA
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
97
desenvolvimento da sociedade, elevando o padrão de vida de uma determinada 
sociedade, reduzindo desta forma as desigualdades. Neste sentido, na visão de De 
Masi (1999, p. 159), a tecnologia passa a ser:
uma nova forma de racionalidade funcional que modifica os modelos 
educacionais, “os sistemas de especulação, tradição e razão”; 
revolucionando os transportes e as comunicações, cria novos tipos 
de relações sociais (onde, por exemplo, as relações de parentesco 
são substituídas por ligações de trabalho e profissionais) e de 
interdependência econômica. A tecnologia, enfim, modifica a percepção 
(também estética, como testemunham as novas tendências das artes 
figurativas) do espaço e do tempo.
 Na visão de Castells (2001, p. 49), a tecnologia corresponde:
(ao) uso de conhecimento científico para especificar as vias de se 
fazer as coisas de uma maneira reproduzível. Entre as tecnologias 
da informação incluo, como todo o conjunto convergente de 
tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware), 
telecomunicações/radiodifusão, e optoelectrônica. Além disso, 
diferentemente de alguns analistas, também incluo nos domínios 
da tecnologia da informação a engenharia genética e seu crescente 
conjunto de desenvolvimento e aplicações.
Com base nessa citação, torna-se claro que a tecnologia não determina a 
sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica. Portanto, 
para Castells (2001), a tecnologia e a sociedade são categorias interdependentes, na 
medida em que a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas 
“ferramentas tecnológicas”. Neste sentido, para Castells (2001), a tecnologia é uma 
condicionante, e não determinante, da sociedade.
Por conseguinte, a relação entre tecnologia e sociedade está marcada pela 
presença do papel do Estado, podendo estimular ou constranger ambientes de 
inovação tecnológica, organizando as forças sociais dominantes em determinado 
tempo e espaço. Em grande medida, o grau de tecnologia existente numa sociedade 
é a representação de sua capacidade coletiva de controle sobre o meio político, isto 
é, de determinação sobre o formato das instituições, ou seja, do próprio Estado, no 
sentido de que este permita o melhor desenvolvimento das iniciativas e o uso das 
tecnologias a favor dos indivíduos. Desta feita, “o processo histórico em que esse 
desenvolvimento de forças produtivas ocorre assinala as características da tecnologia 
e seus entrelaçamentos com as relações sociais” (CASTELLS, 2001, p. 31).
Sob esta ótica, a tecnologia não pode ser vista como uma “ferramenta” 
que busca resolver problemas imediatos que se apresentam numa determinada 
sociedade, mas sim como um meio integrante e compatível com a sociedade em 
que está inserida. Para o sociólogo espanhol, o suposto dilema do determinismo 
tecnológico é falso. Portanto, não se trata de perguntar se a tecnologia determina 
comportamentos na sociedade ou se a sociedade é quem controla a tecnologia. 
Como diz Castells (2001, p. 25), “a tecnologia é a sociedade e a sociedade não 
pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas”. Isso não 
98
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
impede de admitir que no começo é uma parte da sociedade que dá o “start”, 
para depois os outros se apropriarem das inovações. Foi o que aconteceu nos 
EUA, quando um setor específico da sociedade introduziu essas novas formas de 
produção, comunicação, gerenciamento e vida (CASTELLS, 2001).
Nessa medida, tanto a informação como o conhecimento criam um novo 
sistema baseado num complexo integrado de rede global de interação, onde a 
produtividade e a competitividade das suas unidades dependem basicamente 
de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação 
baseada no conhecimento.
Sem dúvida, informação e conhecimento sempre foram elementos 
cruciais no crescimento da economia, e a evolução da tecnologia 
determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade e os 
padrões de vida, bem como formas sociais de organização econômica 
[...]. A emergência de um novo paradigma tecnológico organizado em 
torno de novas tecnologias da informação, mais flexíveis e poderosas, 
possibilita que a própria informação se torne o produto do processo 
produtivo. Sendo mais preciso: os produtos das novas indústrias 
de tecnologia da informação são dispositivos de processamento da 
informação. Ao transformarem os processos de processamento da 
informação, as novas tecnologias da informação agem sobre todos 
os domínios da atividade humana e possibilitam o estabelecimento 
de conexões infinitas entre diferentes domínios, assim como entre os 
elementos e agentes de tais atividades (CASTELLS, 2001, p. 88). 
 Assim, para Castells (2001), o que caracteriza a atual revolução tecnológica 
não é a centralização do conhecimento e da aplicação, senão o uso da informação 
para a gestão de todo o processamento da informação e gerenciamento, num 
processo de retroalimentação eterno, promovendo a passagem de três estágios 
das novas tecnologias de telecomunicações nas últimas décadas, quais sejam: a 
automação das tarefas, as experiências de usos e a reconfiguração das aplicações. 
“Nos dois primeiros estágios, os avanços tecnológicos se caracterizam pelo learn 
by using, isto é, pelo aprender usando. No último, são osusuários que aprenderam 
a tecnologia fazendo o que acabou resultando na configuração das redes e na 
descoberta de novas aplicações” (CASTELLS, 2001, p. 51).
 Desta feita, seria incorreto falar de uma Sociedade Informacional, 
implicando uma inadequada “homogeneidade das formas sociais” em qualquer 
lugar do globo sob o novo sistema. Não se trata de reduzir os povos da Terra ao 
novo paradigma informacional. Mas, segundo o pensador espanhol, poderíamos 
falar de uma sociedade informacional assim como falamos da “sociedade urbano-
industrial, cujas características são bem definidas e algumas de suas principais 
estão difundidas mundialmente” (CASTELLS, 1999, p. 38).
Caro(a) acadêmico(a), como forma de alargar o seu horizonte sobre os 
paradigmas da tecnologia da informação, segue-se o texto extraído da obra 
“Sociedade em rede – a era da informação: economia, sociedade e cultura”, de 
Manuel Castells (1999, p. 77-81). Neste texto o autor aponta quais são os paradigmas 
da tecnologia da informação. Acompanhe!
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
99
LEITURA COMPLEMENTAR
Nas palavras de Christopher Freeman:
Um paradigma econômico e tecnológico é um agrupamento de inovações 
técnicas, organizações e administrativas inter-relacionadas cujas 
vantagens devem ser descobertas não apenas em uma nova gama de 
produtos e sistemas, mas também, e sobretudo, na dinâmica da estrutura 
dos cursos relativos de todos os possíveis insumos para a produção. Em 
cada novo paradigma, um insumo pode ser descrito como “fator-chave” 
desse paradigma, caracterizado pela queda dos custos relativos e pela 
disponibilidade universal. A mudança contemporânea de paradigma 
pode ser vista como uma transferência de uma tecnologia baseada 
principalmente em insumos baratos de energia para uma outra que se 
baseia predominantemente em insumos baratos de informação derivados 
do avanço da tecnologia em microeletrônica e telecomunicações.
O conceito de paradigma tecnológico, elaborado por Carlota Perez, Christopher 
Freeman e Giovanni Dosi, com a adaptação da análise clássica das revoluções científicas 
feita por Thomas Kuhn, ajuda a organizar a essência da transformação tecnológica 
atual, à medida que ela interage com a economia e a sociedade. Em vez de aperfeiçoar 
a definição de modo a incluir os processos sociais além da economia, seria útil destacar 
os aspectos centrais do paradigma da tecnologia da informação para que sirvam de 
guia em nossa futura jornada pelos caminhos da transformação social. No conjunto, 
esses aspectos representam a base material da sociedade.
A primeira característica do novo paradigma é que a informação é a sua 
matéria-prima: são tecnologias para agir sobre a informação, não apenas informação 
para agir sobre a tecnologia, como foi o caso das revoluções tecnológicas anteriores.
O segundo aspecto refere-se à penetrabilidade dos efeitos das novas 
tecnologias. Como a informação é uma parte integral de toda atividade humana, 
todos os processos de nossa existência individual e coletiva são diretamente 
moldados (embora, com certeza, não determinados) pelos novos meios tecnológicos.
A terceira característica refere-se à lógica de redes em que qualquer 
sistema ou conjunto de relações usa essas novas tecnologias da informação. A 
morfologia da rede parece estar bem adaptada à crescente complexidade de 
interação e aos modelos imprevisíveis do desenvolvimento derivado do poder 
criativo dessa interação. Essa configuração topológica, a rede, agora pode ser 
implementada materialmente em todos os tipos de processos e organizações 
graças a recentes tecnologias da informação. Sem elas, tal implementação seria 
bastante complicada. E essa lógica de redes, contudo, é necessária para estruturar 
o não estruturado, porém preservando a flexibilidade, pois o não estruturado é a 
força motriz da inovação humana.
Em quarto lugar, referente ao sistema de redes, mas sendo um aspecto 
claramente distinto, o paradigma da tecnologia da informação é baseado na 
flexibilidade. Não apenas os processos são reversíveis, mas organizações e 
100
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
instituições podem ser modificadas, e até mesmo fundamentalmente alteradas, 
pela reorganização de seus componentes. O que distingue a configuração do novo 
paradigma tecnológico é a sua capacidade de reconfiguração, um aspecto decisivo 
em uma sociedade caracterizada por constante mudança e fluidez organizacional. 
Tornou-se possível inverter as regras sem destruir a organização, que pode ser 
reprogramada e reaparelhada. Porém, não devemos evitar um precipitado 
julgamento de valores ligado a essa característica tecnológica. Isso porque a 
flexibilidade tanto pode ser uma força libertadora como também uma tendência 
repressiva, se os redefinidores das regras sempre forem os poderes constituídos. 
De acordo com Mulgan: “As redes são criadas não apenas para comunicar, mas 
para ganhar posições, para melhorar a comunicação”. Portanto, é essencial manter 
uma distância entre a avaliação do surgimento de novas formas e processos sociais, 
induzidos e facilitados por novas tecnologias, e as pessoas: só análises específicas 
e observação empírica conseguirão determinar as consequências da interação 
entre as novas tecnologias e as formas sociais emergentes. Mas também é essencial 
identificar a lógica embutida no novo paradigma tecnológico.
Então, uma quinta característica dessa revolução tecnológica é a crescente 
convergência de tecnologias específicas para um sistema altamente integrado, no 
qual trajetórias tecnológicas antigas ficam literalmente impossíveis de se distinguir 
em separado. Assim, a microeletrônica, as telecomunicações, a optoeletrônica e 
os computadores são todos integrados nos sistemas de informação. Ainda existe, 
e existirá por algum tempo, uma distinção comercial entre fabricantes de chips 
e desenvolvedores de software, por exemplo. Mas até mesmo essa diferenciação 
fica indefinida com a crescente integração de empresas em alianças estratégicas 
e projetos de cooperação, bem como pela incorporação de software também nos 
componentes de chips. Além disso, em termos de sistemas tecnológicos, um 
elemento não pode ser imaginado sem o outro: os microcomputadores são em 
grande parte determinados pela capacidade dos chips, e tanto o projeto quanto 
o processamento paralelo dos microcomputadores dependem da arquitetura do 
computador. As telecomunicações agora são apenas uma forma de processo da 
informação; as tecnologias de transmissão e conexão estão, simultaneamente, cada 
vez mais diversificadas e integradas na mesma rede operada por computadores.
A convergência tecnológica transforma-se em uma interdependência 
crescente entre as revoluções em biologia e microeletrônica, tanto em relação a 
matérias quanto a métodos. Assim, avanços decisivos em pesquisas biológicas, 
como a identificação dos genes humanos e segmentos do DNA humano, só 
conseguem seguir adiante por causa do grande poder da informática. Por outro 
lado, o uso de materiais biológicos na microeletrônica, apesar de ainda muito 
distante de uma aplicação mais genética, já estava em estágio experimental, em 
1995. Leonard Adleman, um cientista da computação da Universidade do Sul 
da Califórnia, usou moléculas sintéticas de ADN e, com ajuda de uma reação 
química, provocou seu funcionamento de acordo com a lógica combinatória do 
DNA, com um material básico para a computação. Embora a pesquisa ainda 
tenha um longo caminho a percorrer rumo à integração material entre a biologia 
e a eletrônica, a lógica da biologia (capacidade de autogerar sequências coerentes 
não programadas) está cada vez mais sendo introduzida nas máquinas. A área 
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO(TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
101
mais avançada da robótica refere-se a robôs com capacidade de aprendizagem, 
usando a teoria da rede neural. Assim, no laboratório de rede neural do Centro de 
Pesquisa Conjunta da União Europeia, localizado em Ispra, na Itália, um cientista 
da computação, Jose Millan, há anos está ensinando pacientemente alguns robôs 
a aprenderem sozinhos, com a esperança de que, em um futuro próximo, eles 
sejam bem empregados em atividades como vigilância e manuseio de material em 
instalações nucleares. O atual processo de convergência entre diferentes campos 
tecnológicos no paradigma da informação resulta de sua lógica compartilhada na 
geração da informação. Essa lógica é mais aparente no funcionamento do DNA e 
na evolução natural e é, cada vez mais, reproduzida nos sistemas de informação 
mais avançados à medida que os chips, computadores e softwares alcançam novas 
fronteiras de velocidade, de capacidade de armazenamento e de flexibilidade no 
tratamento da informação oriunda de fontes múltiplas. Embora a reprodução 
do cérebro humano com seus bilhões de circuitos e insuperável capacidade de 
informação dos computadores de hoje em dia estão sendo superados a cada mês.
A partir da observação dessas mudanças extraordinárias em nossas 
máquinas e conhecimento sobre a vida e com a ajuda de tais máquinas e 
conhecimentos, está havendo uma transformação tecnológica mais profunda: a 
das categorias segundo as quais pensamos todos os processos. Segundo as ideias 
propostas pelo historiador de tecnologia Bruce Mazlish:
É necessário reconhecer que a evolução biológica humana, agora mais 
bem entendida em termos culturais, impõe à humanidade – a nós – a 
conscientização de que ferramentas e máquinas são inseparáveis da 
evolução da natureza humana. Também precisamos perceber que 
o desenvolvimento das máquinas, culminando com o computador, 
mostra-nos, de forma inevitável, que as teorias úteis na explicação do 
funcionamento de dispositivos mecânicos também têm utilidade no 
entendimento do animal humano – e vice-versa, pois a compreensão do 
cérebro humano elucida a natureza da inteligência artificial.
De uma perspectiva diferente, baseados nos discursos da moda nos anos 80 
sobre a “teoria do caos”, na década de 90 uma rede de cientistas e pesquisadores 
convergia para uma abordagem epistemológica comum, identificada pela palavra 
“complexidade”. Organizado em torno de seminários do Instituto Santa Fé, no 
Novo México (originalmente um clube de físicos altamente capacitados da empresa 
Los Alamos Laboratory e, logo após, contando com a participação de um grupo 
seleto de ganhadores do Prêmio Nobel e amigos), esse círculo intelectual tem como 
objetivo a comunicação do pensamento científico (inclusive ciências sociais) sob 
um novo paradigma. Seus membros procuram compreender o surgimento de 
estruturas auto- organizadas que criam complexidade a partir da simplicidade 
e ordem superior a partir do caos, mediante várias ordens frequentemente 
descartadas pela ciência tradicional como sendo uma proposição não comprovável. 
Esse projeto é um exemplo do esforço realizado em diferentes ambientes no 
sentido de encontrar um terreno comum para a troca de experiência intelectual entre 
a ciência e a tecnologia na Era da Informação. Porém, essa abordagem parece impedir 
qualquer estrutura sistemática de integração. O pensamento da complexidade 
102
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
deve ser considerado mais como um método para entender a diversidade do que 
uma metateoria unificada. Seu valor epistemológico pode ter se originado do 
reconhecimento de que a natureza e a sociedade possuem a faculdade de fazer, 
acidentalmente, descobertas felizes e inesperadas. Não se pode afirmar que não haja 
regras, mas as regras são criadas e mudadas em um processo contínuo de ações 
deliberadas e interações exclusivas. O paradigma da tecnologia da informação não 
evolui para o seu fechamento como um sistema, mas rumo à abertura como uma 
rede de acessos múltiplos. É forte e impositivo em sua materialidade, mas adaptável 
e aberto em seu desenvolvimento histórico. Abrangência, complexidade e disposição 
em forma de rede são seus principais atributos.
Assim, a dimensão social da Revolução da Tecnologia da Informação 
parece destinada a cumprir a lei sobre a relação entre a tecnologia e a sociedade 
proposta algum tempo atrás por Melvin Kanzberg: “A primeira lei de Kanzberg 
diz: A tecnologia não é boa, nem ruim e também não é neutra”. É uma força que 
provavelmente está, mais do que nunca, sob o atual paradigma tecnológico que 
penetra no âmago da vida e da mente. Mas seu verdadeiro uso na esfera da ação social 
consciente e a complexa matriz de interação entre as forças tecnológicas liberadas 
por nossa espécie e a espécie em si são questões mais de investigação que de destino 
(Benício & Paiva, 2004). Portanto, prossigamos agora com essa investigação.
FONTE: Castell (1999, p. 77-81)
4 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO
Nas páginas anteriores, o nosso foco foi dado à questão da informação como 
o fator determinante no advento da sociedade da informação. Vimos que com os 
processos de globalização dos mercados e a velocidade dos avanços tecnológicos, 
surgiu um novo tipo de sociedade, baseado na informação e no conhecimento. 
Na sequência, iremos nos debruçar sobre as diversas concepções de sociedade da 
informação e conhecimento. É importante dizer que várias foram as terminologias 
utilizadas por diversos autores para nos referirmos a uma sociedade baseada na 
informação e no conhecimento. Portanto, face à diversidade de opiniões e teorias 
relacionadas ao conceito de sociedade da informação, optamos por apresentar 
aqui todas elas, pelo simples fato de todas elas apresentarem um ponto de 
convergência, visto que reconhecem o avanço do desenvolvimento tecnológico 
como fator resultante dessa nova sociedade.
Utilizando as perspectivas até aqui analisadas, a partir dos impactos das 
Tecnologias da Informação e Comunicação - TIC no seio das sociedades, podemos 
nos perguntar: O que é sociedade da informação e do conhecimento?
A expressão sociedade da informação e sociedade do conhecimento é, por vezes, 
usada com a mesma conotação. Embora alguns autores considerem que a expressão 
sociedade do conhecimento prende-se às mudanças resultantes do desenvolvimento 
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
103
econômico, a sociedade da informação se prende às complexas redes de comunicação 
que potenciam a troca da informação.
O termo sociedade da informação é utilizado comumente para se referir a 
uma nova forma de organização social, econômica e cultural, que tem em vista a 
centralidade da informação e comunicação no processo de organização social. Ou seja, 
uma sociedade que faz o melhor uso das Tecnologias da Informação e Comunicação 
- TIC, nos diversos setores da atividade humana. Este novo modelo de organização 
social tem a informação como a base para o desenvolvimento econômico, social e 
cultural, resulta da revolução das tecnologias da informação e comunicação.
O conceito de sociedade da informação surgiu em 1969, nos trabalhos 
de Alain Touraine, e de Daniel Bell em 1973, sobre os impactos dos avanços 
tecnológicos nas relações de poder, identificando a informação como o ponto 
central da sociedade contemporânea. Conforme observa o sociólogo espanhol 
Manoel Castells (1999, p. 32):
Já é tradição em teorias do pós-industrialismo e informacionalismo, 
começando com os trabalhos clássicos de Alain Touraine e Daniel 
Bell, situar a distinção entre pré-industrialismo, industrialismo e 
informacionalismo (ou pós-industrialismo) num eixo diferente daquele 
em que se opõemcapitalismo e estatismo (ou coletivismo, segundo Bell). 
Embora as sociedades possam ser caracterizadas ao longo dos dois eixos 
(de forma que tenhamos estatismo industrial, capitalismo industrial e 
assim por diante), é essencial para o entendimento da dinâmica social 
manter a distância analítica e a inter-relação empírica entre os modos 
de produção (capitalismo, estatismo) e os modos de desenvolvimento 
(industrialismo, informacionalismo).
 Segundo Kumar (2006), a informação constitui um requisito principal da 
nossa sobrevivência, visto que nos permite estabelecer relações necessárias entre nós 
mesmos e o ambiente em que vivemos. Para o autor, a grande reivindicação em favor 
da informação teve origem em certos progressos revolucionários obtidos na época da 
tecnologia do controle e da comunicação – a “tecnologia da informação”, ou TI, como 
veio a ser chamada. O nascimento da informação não só como conceito, mas também 
como ideologia, está inextricavelmente ligado ao desenvolvimento do computador 
durante os anos da guerra e no período imediatamente posterior, sendo que parte 
fundamental dessa história teve motivadores bélicos (industrial-militar-científico).
Daniel Bell (1973) desenvolveu a sua teoria nos anos 70 do século XX, numa 
visão antecipatória das transformações sociais que só mais tarde viriam a ocorrer, 
resultante da expansão dos serviços e na qual a informação e o conhecimento teórico 
ganham importância estratégica. Analisando o desenvolvimento da sociedade 
americana dos anos 50, baseado na computação e comunicação e os efeitos que 
as tecnologias da informação iriam trazer, construiu sua teoria. Para o autor, a 
sociedade pós-industrial tem suas origens na sociedade industrial. Para o autor, o 
novo modelo de organização social é a sociedade pós-industrial, cuja característica 
mais marcante é a presença da informação, tanto do ponto de vista quantitativo 
como do ponto de vista qualitativo. 
104
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
Daniel Bell foi um sociólogo estadunidense, professor de Sociologia na Universidade 
de Harvard, diretor da Fundação Suntory e pesquisador residente da American Academy of 
Arts and Sciences. Graduado em Sociologia em 1939 na City College of New York, iniciou 
sua carreira como jornalista, tornando-se editor de The New Leader (1941-1945), Fortune 
(1948-1958) e cofundador do The Public Interest Magazine (1965). Em 1960, a Universidade de 
Colúmbia concedeu-lhe o título de PhD. Lecionou nesta universidade durante 1959 até 1969 e 
depois na Universidade de Harvard. Foi um pensador muito influente durante as décadas de 
1960 e 70, principalmente com obras sobre o pós-industrialismo e a tese do fim das ideologias. 
Sua obra até hoje representa um marco nas discussões em economia, sociologia e economia 
política.
FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Daniel_Bell>. Acesso em: 17 out. 2012.
Segundo De Masi (1999), Daniel Bell formula importantes hipóteses sobre 
as tendências do desenvolvimento para as sociedades contemporâneas. Mesmo 
que o sociólogo inglês rejeite o papel de profeta, suas hipóteses são consistentes, 
pois assentadas em dados empíricos, como na obra The Coming of Post-Industrial 
Society. Para De Masi (1999, p. 149), “ele não propõe profecias, porque sustentado 
em dados reais, demonstrando que os caminhos da sociedade industrial apontam, 
desde há muito, para a importância crescente da informação e de seu papel de 
protagonista, tornando-se ao mesmo tempo o principal meio de produção e 
geração de mais-valia, como também o produto final”.
Para Daniel Bell (1970), nesta sociedade o conhecimento teórico torna-se a 
fonte indispensável no crescimento da sociedade do futuro, na medida em que a 
nova base sobre a qual a sociedade está assentada é definida e rotulada por seus 
novos métodos de acessar, processar e distribuir informação. Essa nova situação 
da sociedade equivale ao que Bell pressupôs sobre uma “mudança radical de 
transformação revolucionária da sociedade moderna” (KUMAR, 2006, p. 15). Assim:
 
Se o desenvolvimento da tecnologia é o motor do desenvolvimento da 
sociedade e se o conhecimento teórico parece fundamental também 
para controlar e encaminhar o desenvolvimento da própria tecnologia, 
o primeiro tipo de tecnologia que deve receber atenção é essencialmente 
intelectual. É o instrumento dos processos decisórios da sociedade pós-
industrial [...], onde a nova centralidade do conhecimento intervém 
para influenciar a relação entre a ciência e tecnologia e os próprios 
procedimentos da invenção. Modifica-se assim a relação entre a teoria e 
empirismo (DE MASI, 1999, p.158).
 Na visão de Daniel Bell (1970), a sociedade pós-industrial é uma sociedade 
da informação, em que a economia de serviços indica o advento do pós-industrial. 
Assim, como observa De Masi (1999), Bell identifica as mudanças estruturais das 
ocupações profissionais e sociais como principal indicador dessa passagem da 
sociedade industrial à pós-industrial. Trata-se, portanto, da nova importância que 
NOTA
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
105
assumem os serviços no lugar dos setores secundário e primário. E para justificar sua 
afirmativa, sugere uma análise do setor de serviços e uma decomposição cartesiana 
do mesmo para perceber a importância do setor quinário, em substituição ao 
quaternário, fenômeno emblemático da era pós-industrial. O que o sociólogo inglês 
não faz, contudo, é demonstrar mais detidamente quais as relações entre o setor 
quinário e os processos industriais, além das alterações significativas aí existentes, e 
que caracterizariam a “evolução do próprio setor industrial” (DE MASI, 1999, p.163).
Neste sentido, segundo Kumar (2006, p. 15-16), três correntes ideológicas 
caracterizam a teoria pós-industrial: 
• A primeira, vinculada aos processos de transformações exercidas pelas 
tecnologias da informação nas estruturas sociais, intitulada de sociedade 
da informação, baseada na tradição progressista do pensamento 
ocidental, onde o conhecimento e seu acúmulo são equiparados à maior 
eficiência e maior liberdade. 
• A segunda corrente é o pós-fordismo, sustentada pela teoria marxista 
que rejeita as relações de propriedade como elemento estrutural que 
explica a diversidade entre os modelos de organização social. O pós-
industrialismo rompe com padrões e práticas capitalistas antigas e, para 
acompanhar a mudança, a teoria marxista precisa ser revista.
• A terceira corrente é a sociedade pós-moderna, abarcando todas 
as formas de mudanças que se processam, quer sejam elas culturais, 
políticas e econômicas. Possui uma ambição conceitual dos fenômenos 
e uma base eclética em sua constituição ideológica que a torna 
“escorregadia e confusa”.
Outro grande teórico que se debruça sobre as transformações sociais exercidas 
pelas tecnologias na sociedade pós-industrial é o sociólogo francês Alain Touraine. 
Alain Touraine é um sociólogo francês. Desenvolveu o seu trabalho de investigação 
no Centre National de la Recherche Scientifique. Touraine é conhecido por estudos sobre a 
sociologia industrial, ultrapassando as concepções tradicionais que dominavam esta área de 
investigação. Para Touraine, na sociedade contemporânea a questão do trabalho ultrapassa a 
dicotomia, o conflito empresário-trabalhadores assalariados. Suas principais obras: Sociologie 
de l’action, La sociologie post-industrielle e Pour la sociologie.
FONTE: Adaptado de: <http://www.infopedia.pt/$alain-touraine>. Acesso em: 17 out. 2012.
Segundo afirma De Masi (1999), o sociólogo francês tem importantes 
contribuições ao debate sobre a sociedade pós-industrial. No livro intitulado La 
société post-industrielle foram reunidos, revistos e atualizados, quatro ensaiosescritos entre 1959 e 1968, sobre o tema da sociedade pós-industrial. “Precedidos de 
NOTA
106
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
uma ampla “premissa” em que Touraine encara de frente o problema da definição 
da sociedade contemporânea, ele aponta os avanços em relação ao modo anterior 
de organização da sociedade, e anuncia o papel hegemônico das tecnologias de 
informação” (DE MASI, 1999, p. 165).
Na visão de Alain Touraine (1969), a sociedade corresponde a um sistema 
de sistemas de ação ou níveis, nomeadamente: a historicidade, o institucional e 
organizacional. Estes três níveis apresentam uma correspondência direta com os 
sistemas econômicos. Assim, para Touraine (1975 p. 138 apud DE MASI, 1999, 
p.174-175), “nas sociedades economicamente mais avançadas o que é acumulado 
é a capacidade de produção, o próprio princípio do trabalho criador, ou seja, o 
conhecimento”. Touraine aponta para a importância fundamental da educação 
e da pesquisa enquanto fatores elementares para a administração dos sistemas 
sociais, políticos e econômicos. O modelo cultural corresponde, portanto, ao 
“elemento P (produção)” da organização econômica. Disso resulta que os sistemas 
mencionados têm formas iguais e permitem uma correspondência entre si, como é 
representado pelo esquema da figura a seguir.
O autor francês denomina as sociedades pós-industriais de sociedades 
“programadas”. Segundo ele, não apenas acumulam-se bens de troca ou bens 
de capital, mas, sobretudo, informação, que é cada vez mais o principal meio de 
trabalho, e tudo isso se deve ao progresso técnico. Ele sugere que é a primeira vez 
que a sociedade ocidental não produz nenhuma grande meta econômica, religiosa 
ou política. Sabemos que temos de nos superar dialeticamente, isto é, passar da 
sociedade industrial para a pós-industrial. Somos orientados, definitivamente, 
para o movimento contínuo, o que está muito longe de nos garantir o equilíbrio. 
Mas queremos cada vez mais a previsibilidade compatível com a liberdade, e o 
que nos gera otimismo crescente são as ferramentas da informação. 
FIGURA 22 - CONFIGURAÇÕES DA SOCIEDADE PROGRAMADA
s = elementos sociais
c = elementos culturais
modelo cultural produção
C
hierarquia distribuição
S
S
Mobilização organização
S
necessidade de consumo
FONTE: De Masi (1999, p. 175)
A mobilização corresponde à organização do trabalho e da produção. 
Consiste na associação das forças para alcançar um objetivo cujos 
movimentos são perfeitamente ou, com mais frequência, imperfeitamente 
notados. É um tipo de mobilização que se opõe com nitidez à mobilização 
industrial, cujo princípio é pôr o trabalho à disposição do capital, ou 
mais ainda à mobilização pré-industrial, aquela que Weber chamou de 
TÓPICO 3 | AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) COMO FATOR DETERMINANTE NO ADVENTO DA 
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
107
burocracia fundamentada numa definição dos direitos/deveres e das 
relações hierárquicas de todos os titulares de uma função.
A hierarquia é diretamente ligada à distribuição, portanto ao nível de 
participação alcançada na gestão do sistema.
Sua imagem mais difundida é a meritocracia. Enfim, as necessidades são 
definidas em termos de consumo, de fruição e de gozo, e não em termos 
de conquista ou de manutenção de um nível ou de atributos relativos ao 
lugar ocupado na organização social (DE MASI, 1999, p. 175).
Para Gouveia e Gaio (2004, p. 2), tendo em conta a diversidade de opiniões 
e teorias associadas, o conceito de sociedade da informação deve ser considerado 
tendo em conta diversas perspectivas:
• Noam Chomsky, para quem a sociedade da informação ““…é também 
o fruto da globalização econômica, a fim de promover maior circulação 
de capital e informação nas mãos de grandes grupos empresariais, que 
são os arquitetos da sociedade global. Sob este prisma, a nova sociedade 
baseada na informação e na inovação tecnológica serve aos interesses 
de uma determinada classe que defende os seus ideais de liberdade de 
comercializar, criando, portanto, profundas desigualdades sociais. 
• Gianni Váttimo - a ““…sociedade pós-moderna ou transparente é 
plural, incentiva a participação, reconhece e dignifica as diversidades 
e dá voz às minorias, e os valores passariam a ser construídos a partir 
desta perspectiva participativa, múltipla, ou até mesmo caótica.
• Para Javier Echeverria, a sociedade da informação está inserida num 
processo pelo qual a noção de espaço e tempo tradicional está em 
transformação pelo surgimento de um “espaço virtual”, transterritorial, 
que formará uma telecidade, numa telessociedade que se sobreporá 
mesmo aos Estados clássicos, criando novas formas de inter-relações 
humanas e sociais, ainda que por vezes ocorram conflitos neste processo 
de transformação.
• Para Gonzalo Abril, a informação é um discurso institucionalizado, 
absorvendo todos os modos de conhecimento e comunicação já 
desenvolvidos pelo homem, alcançando um atual estágio de “regime 
da informação”, numa “sociedade informática”.
 Em síntese, a sociedade da informação consiste na forma como a informação 
é exposta à sociedade através das “Tecnologias de Informação e Comunicação, no 
sentido de lidar com a informação e que toma esta como elemento central de toda 
atividade humana” (CASTELLS apud GOUVEIA; GAIO, 2004, p. 2).
5 CONCLUSÃO
Pois bem, acadêmico(a). O que podemos rapidamente depreender do 
acima exposto? É de que, antes de termos de encarar o cenário contemporâneo 
como um grande desafio ou uma “jaula de ferro”, nos dizeres de Weber quando 
se referia à burocracia, estamos diante de um mundo de oportunidades. E mesmo 
essas oportunidades, de maneira geral, ou são o conjunto de informações ou 
tecnologias de informação cada vez mais à nossa disposição, ou são os meios que 
nos conduzirão às grandes oportunidades, as mesmas que poderão nos levar à 
108
UNIDADE 2 | DEMARCAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO: APORTE HISTÓRICO
materialização de muitos dos nossos desejos e muito além do alcance material 
e imaginário de nossos antepassados. Podemos ficar parados, podemos esperar 
sentados ou até mesmo dispensar tudo o que se nos oferece através da instrução, 
do conhecimento, da informação e da educação. Temos esse direito legal. É uma 
conquista histórica. Outra conquista histórica é essa sociedade da informação. Está 
cheia de oportunidades, se quisermos. De modo geral, no curto, médio e longo 
prazos, nos bastarão os recursos informacionais. É pegar ou largar. 
109
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você viu que:
● O termo sociedade da informação é utilizado comumente para se referir a uma 
nova forma de organização social, econômica e cultural, que tem em vista a 
centralidade da informação e comunicação no processo de organização social, 
ou seja, uma sociedade que faz o melhor uso das Tecnologias da Informação e 
Comunicação – TIC.
● Na visão de Daniel Bell (1970), a sociedade pós-industrial é uma sociedade da 
informação, em que a economia de serviços indica o advento do pós-industrial.
● Nesta sociedade o conhecimento teórico torna-se a fonte indispensável no 
crescimento da sociedade do futuro, na medida em que a nova base sobre a qual 
a sociedade está assentada é definida e rotulada por seus novos métodos de 
acessar, processar e distribuir informação.
● Três correntes ideológicas caracterizam a teoria pós-industrial: a primeira, 
vinculada aos processos de transformações exercidas pelas tecnologias da 
informação nas estruturas sociais; a segunda corrente é o pós-fordismo, 
sustentada pela teoria marxista que rejeita as relações de propriedade; a terceira 
corrente é a sociedade pós-moderna, abarcando todas as formas de mudanças 
que se processam, quer sejam elas culturais, políticas e econômicas. 
● Em face de diversidadede opiniões e teorias associadas, o conceito de sociedade 
da informação deve ser considerado tendo em conta diversas perspectivas.
● A informação e o conhecimento desempenharam um papel importante no 
surgimento da nova sociedade, baseada na informação e no conhecimento.
● As novas tecnologias da informação e comunicação têm um impacto direto na 
vida social dos indivíduos.
● Os novos dispositivos de informação constituem verdadeiras fontes de poder nas 
sociedades, e são alterados de acordo com o caráter estratégico da produtividade 
da economia e na eficácia das instituições sociais.
● O termo tecnologia provém do verbo grego tictein, que significa criar, produzir, 
significando, portanto, o conhecimento prático que almeja alcançar um 
determinado fim concreto.
● O que caracteriza a renovação tecnológica não é a centralidade do conhecimento 
e nem da informação.
110
● Tecnologia não pode ser confundida com a ciência, na medida em que ela consiste 
de conhecimentos práticos sobre como usar recursos materiais, ao passo que a 
Ciência consiste de conhecimento abstrato e teorias sobre como o processo do 
conhecimento se constrói.
● A expressão Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC refere-se ao 
conjunto de recursos tecnológicos capazes de produzir e disseminar informações, 
ou seja, ferramentas que permitem arquivar e manipular informações em forma 
de textos, imagens e sons, permitindo desta forma que nos comuniquemos uns 
com os outros.
● Cinco elementos caracterizam o novo paradigma das tecnologias da informação 
e comunicação.
111
Para complementar o estudo desta unidade, caro(a) acadêmico(a), 
faça uma redação sobre o tema ‘tempo livre’, a partir da bibliografia de 
Domenico De Masi.
AUTOATIVIDADE
112
113
UNIDADE 3
A INFORMAÇÃO E O 
CONHECIMENTO NA 
CONTEMPORANEIDADE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
• compreender a importância dos avanços tecnológicos no campo das comu-
nicações no novo cenário na sociedade contemporânea;
• entender a importância histórica do momento atual marcado fortemente 
pelas transformações das tecnologias da informação;
• analisar os aspectos relativos ao ambiente informacional na sociedade brasi-
leira e a importância do conhecimento, sobretudo contemporaneamente e as 
oportunidades que brasileiros têm com a informação e com o conhecimento.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles, você 
encontrará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
TÓPICO 2 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
TÓPICO 3 – A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
114
115
TÓPICO 1
SOCIEDADE INFORMACIONAL: 
UM NOVO PARADIGMA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro(a) acadêmico(a)! Nesta última unidade, faremos uma digressão 
acerca das informações sociais motivadas pelos avanços tecnológicos no campo das 
comunicações que vêm desenhando um novo cenário na sociedade contemporânea, 
reorganizando as noções de tempo e espaço dos agentes produtivos que se utilizam 
progressivamente dos recursos telemáticos e dissimulando a clássica divisão 
socioeconômica através da distinção entre “plugados” e “desconectados”, que se 
verifica crescentemente entre indivíduos, grupos sociais e economias num contexto 
internacional em amplo e aparentemente irreversível processo de globalização por 
meio de redes de comunicação virtual.
Nessa direção, a Unidade 3 tem o objetivo geral de demonstrar a importância 
histórica do momento vivido atualmente – marcado pelas transformações das 
tecnologias da informação – procurando alertar para os grandes efeitos sociais 
desse processo, sobretudo, na importantíssima alteração das noções de tempo e 
espaço – significando mudanças nas estruturas mentais dos seres humanos – e 
a necessidade de compreender este momento como uma oportunidade histórica, 
para sociedades e indivíduos.
Na sequência, abordaremos aspectos relativos ao ambiente informacional 
na sociedade brasileira. E por último, faremos uma digressão sobre a importância 
do conhecimento, sobretudo contemporaneamente e as oportunidades que nós 
brasileiros, podemos aproveitar.
2 O PARADIGMA
As transformações sociais motivadas pelos avanços tecnológicos no campo 
da comunicação desenharam um novo cenário social no mundo. Reorganizam as 
noções de tempo e espaço dos agentes produtivos que se utilizam progressivamente 
dos recursos telemáticos e dissimulam a clássica divisão socioeconômica através 
da distinção entre “plugados” e “desconectados”. Não é difícil verificar essa 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
116
nova diferença social, crescente entre indivíduos, grupos sociais e as economias 
nacionais em um contexto internacional em amplo e aparentemente irreversível 
processo de globalização por meio de redes de comunicação virtual.
Nos entroncamentos dessas redes estão grandes espaços urbanos, polos de 
controle e irradiação de tecnologia informacional, determinando os “rearranjos” 
econômicos, políticos e culturais do planeta e em cada país. Nesse enredo, 
encontram-se novas formas de exclusão marcadas por graus de irrelevância de 
indivíduos e sua utilidade social, que podem também ser percebidas através da 
configuração geográfica marcada pela existência, em cada país, de cidades de 
intensa circulação de informações e outras que perdem em relevância econômica e 
cultural por viverem um tempo “real” aparentemente diferente.
As interferências que tais alterações promovem em outras esferas da 
vida não são desprezíveis, tratando mesmo de se admitir que passamos por um 
período intermediário de significativas alterações tecnológicas responsáveis por 
reordenamentos de ordem social amplos a ponto de estabelecer os parâmetros 
de um novo modelo de organização social. Neste sentido, países, regiões, 
cidades, grupos sociais e indivíduos são confrontados com renovadas formas 
de exclusão. Elas nem sempre são bem percebidas, mas demandam perspicácia 
e habilidade para notá-las, seja para o entendimento acerca do sentido e 
das tendências do modelo que se insinua de maneira impositiva, seja para a 
composição de um ambiente socialmente favorável onde as pessoas saibam se 
ajustar a essas mudanças.
Em sua obra seminal já conhecida, o sociólogo espanhol Manuel Castells 
(2001) analisa a reorganização da economia mundial, destacando que os fluxos de 
tecnologia informacional, condição primeira para o desenvolvimento, passarão por 
entroncamentos urbanos importantes e estratégicos. Trata-se das “megacidades” 
aglutinadoras de todas as possibilidades criativas, definidoras dos rumos e do ritmo 
da nova “sociedade informacional”. Se o autor aponta a organização da economia 
em torno das três regiões principais, Europa, América do Norte e do Pacífico 
Asiático, não é menor a sua ênfase na importância nuclear que adquirem grandes 
metrópoles nesta recomposição da ordem econômica global. E tais cidades não 
estariam localizadas apenas nestas três regiões, possibilitando a grandes cidades 
em países periféricos o status de desenvolvidas.
Esta característica estaria remarcando a reorganização da divisão 
internacional do trabalho, cuja ponta seria ocupada por cidades com grande 
parte de sua produção voltada ao trabalho informacional de alto valor 
agregado, diferente da configuração tradicional, cujas posições são ocupadas 
por economias nacionais. Isto levaria as cidades, conectadas às principais 
redes informacionais, a fazerem parte de uma espécie de clube internacional 
dos desenvolvidos ou, nas palavras de um comissário europeu do Habitat 
II, de “um arquipélago de ricas cidades-regiões de alta tecnologia no mar da 
humanidade empobrecida”. (GRAHAM, 1996, p. 34).
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
117FIGURA 23 – DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO
FONTE: Disponível em: <http://www.fotolog.com/
geografo/18643377/>. Acesso em: 30 out. 2012.
A divisão internacional do trabalho é definida pelos papéis das nações e dos 
blocos geográficos ocupados na economia internacional, definidos estes papéis a partir do que 
produzem, oferecem e consomem. Agora, esses papéis seriam ocupados também e cada vez 
mais por cidades estratégicas.
Não é diferente a previsão de Castells (2001), que se refere a regiões 
prósperas e ricas em informações e às áreas econômicas pobres e irrelevantes do 
ponto de vista da circulação econômica mundial, portanto excluídas porque são 
desinteressantes. É nessa rota interpretativa da exclusão que seu colega, o sociólogo 
Fernando Henrique Cardoso (1992, p. 3) já afirmava:
As teorias sociológicas sempre estiveram baseadas na exploração do 
homem pelo homem, de um país por outro. Agora tem uma tragédia 
maior: têm os que não servem nem para ser explorados. E dentro de 
cada um de nossos países tem massas humanas que não servem mais de 
base para a riqueza.
Esta dimensão da exclusão social se configura atualmente de modo 
mais drástico e não se trata de uma previsão, mas de um diagnóstico. E a causa 
maior deste fenômeno está relacionada ao uso do conhecimento, de maneira 
mais abrangente, e à disponibilidade de recursos informacionais na estrutura 
organizacional das sociedades. Em outras palavras, ainda em referência a 
Castells (2001), é o grau de conexão de cada sociedade às redes informacionais 
mundiais que indicará seu nível de desenvolvimento, como será tal condição que 
tornará mais ou menos dinâmica, mais ou menos interessante a vida das pessoas 
e maiores ou menores as oportunidades.
NOTA
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
118
Vão na mesma direção as preocupações do sociólogo inglês, Richard 
Sennet (2008), ao falar do problema relacionado ao sentimento de utilidade ou 
inutilidade dos indivíduos na sociedade contemporânea. E, de modo geral, essa 
condição está relacionada ao acesso e uso dos recursos informacionais e de nossa 
capacidade de nos inserirmos e fazermos parte de redes de comunicação. A esse 
respeito, observa Sennet (2008, p. 77), que “de maneira geral, quanto mais baixo 
estivermos na escala da organização e mais rala for nossa rede, mais precisaremos 
do pensamento estratégico para sobreviver, e o pensamento estratégico exige um 
mapa social legível”. Por sua vez, esse mapa legível exige informação e domínio 
dos recursos informacionais contemporâneos.
Porém, é necessário tentar colocar o problema de modo a perceber nele 
não apenas os seus aspectos indesejados, mas também aqueles que, no interior 
da mesma lógica estrutural, funcionariam como antídotos dos primeiros. Isto é, 
precisamos de qualquer modo prever e avaliar os impactos e os rumos de uma 
sociedade progressiva e rapidamente invadida pela ação tecnológica no campo da 
informação. Assim, se ela exclui, todavia não há propriamente uma imposição das 
circunstâncias sociais a isso. Há, sim, tipos de reação de indivíduos e de culturas 
em relação a essa tendência informacional. Trata-se, numa linguagem simples, de 
pegar o bonde ou não. 
Outra tentativa interpretativa bastante conhecida sobre os rumos da 
sociedade pós-industrial é a de Daniel Bell (1973), já mencionada na unidade 
anterior deste caderno. Ele acredita que os benefícios resultantes dos benefícios dos 
avanços tecnológicos deverão compensar os males inevitáveis a serem verificados, 
sobretudo nas formas de significativa reestruturação social, seja na economia, na 
política, e na cultura. Na sua tentativa de previsão social, Bell (1973) aponta para 
o crescimento de algumas atividades profissionais, destacando as áreas de saúde, 
pesquisa científica e planejamento político, todas privilegiadas por se tratarem 
de atividades vitais para a sociedade pós-industrial, configurando categorias 
profissionais com status de “intelligentsia”.
Seu otimismo maior fica por conta da precedência do conhecimento teórico 
sobre qualquer outro fator de desenvolvimento e planejamento da organização 
social. Nestas condições, Bell (1973) parece acreditar na realização da utopia científica 
do século XIX, tão conhecida no surgimento da própria sociologia de possibilitar 
a edificação de uma sociedade racionalmente mais organizada e previsível. A 
aproximação definitiva entre o conhecimento científico e a tecnologia deveria, assim, 
proporcionar uma economia muito mais planejada previamente pelas empresas, em 
função da alta competitividade, exigindo funções e serviços de alta qualificação.
De maneira geral, isso acontece com as organizações capitalistas desde o 
século XIX, a partir do que a burocratização das empresas tornou suas atuações 
e posições no mercado mais previsíveis. Através da crescente racionalização das 
informações, isso permitiu a organização progressiva e a sobrevivência do sistema 
capitalista. As empresas atuais necessitariam, portanto, de um planejamento 
estratégico muito maior agora, em função da ênfase no aspecto informacional 
da produção como fator de geração de lucro, muito maior do que na exploração 
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
119
tradicional da força de trabalho. Deste modo, no entendimento de Bell (1973), 
pela dependência de um conhecimento teórico anterior ao processo produtivo, 
organizações produtoras de informação como as universidades e outros centros 
de pesquisa e elaboração analítica terão cada vez mais importância, indicando a 
primazia do conhecimento no mundo do trabalho. Assim, para as sociedades e 
organizações que querem sobreviver, o lema é “pesquisar, pesquisar e pesquisar 
sempre”. Foi isso que permitiu o desenvolvimento tecnológico e o protagonismo 
de certas sociedades e organizações, para não falar dos indivíduos.
A consequência deste avanço tecnológico para a tomada de decisões no 
campo da economia e da política resultaria no que o autor chama de “tecnologia 
intelectual”, campo da produção de informações estratégicas que promoveria 
uma razoável “inclusão seletiva”, no dizer de Castells (2001). É do interior deste 
processo gerador de campos de trabalho especializado que as decisões importantes 
da sociedade seriam geradas, permitindo, através do amplo uso, variáveis somente 
controláveis pela tecnologia informacional, a tomada de decisões “ótimas” que 
maximizem ganhos e minimizem custos.
A que nos levam estas previsões sociológicas? Naturalmente se poderá 
objetivar quanto aos fins indesejáveis aos quais nos levarão tais mudanças e não 
são poucas as advertências nesta direção, refletidas em preocupações no mundo 
do trabalho e o enclausuramento dos “plugados”, formando redes comunitárias 
virtuais protegidas e afastadas dos espaços públicos urbanos degenerados e 
tomados pelas ameaças de violência. Se tais mudanças são questionáveis, parecem, 
contudo, fadadas a prosseguir por uma força histórica aparentemente irresistível, 
tal qual o próprio advento do capitalismo que, no seu processo histórico de 
desenvolvimento foi razoavelmente impulsionado pelo desenvolvimento de uma 
predisposição cultural ao seu modo de produção, como sugeriu Weber (1985) 
na “Ética protestante e o espírito do capitalismo”, tese que resiste, sob algumas 
críticas, ao nosso tempo.
É novamente em Castells (1999) que encontramos uma interpretação 
contemporânea, quando ele denomina “espírito do informacionalismo” as 
mudanças de caráter cultural e institucional que vêm modificando o comportamento 
dos indivíduos nos campos econômico, político e cultural, o que resultaria na 
elaboração de um “novo paradigma de organização econômica na história”. 
(CASTELLS, 1999, p. 213).
Vale a pena considerar o paralelo que Castells (1999) estabelece com a leitura 
de Max Weber. Trata-se de sugerir que essas mudanças de atitude culturalseriam 
o elemento de interferência no modo de produção capitalista. Segundo o sociólogo 
espanhol, esse modo de produção está longe de desaparecer, mas sofre mudanças 
no seu processo, isto é, uma relativa mudança quanto à fonte principal do lucro, 
que deixa de estar na exploração intensiva e extensiva da mão de obra, passando 
a residir na capacidade de criação, obtenção e uso de tecnologia de informação.
Em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Weber (1985) procurou 
demonstrar o quanto um comportamento ético de tipo religioso interferiu no 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
120
desempenho econômico dos indivíduos, permitindo a vinculação de suas crenças 
religiosas, reinterpretadas pelas diversas seitas protestantes, ao modo de produção 
capitalista. A ideia de acumulação capitalista do trabalho, que parecia absurda aos 
olhos do catolicismo tradicional, passava a ser não apenas tolerada, mas estimulada 
em função da representação divina que adquiria o esforço humano através do 
trabalho. O resultado disto para o capitalismo nos países europeus de maioria 
protestante foi evidenciado pelo autor, através de estatísticas, demonstrando 
desde as diferenças entre as ocupações profissionais de protestantes e católicos, 
até os índices positivos de desenvolvimento econômico atingidos por estes 
países. Este indivíduo histórico, reunindo aspectos comportamentais produzidos 
coletivamente, teria, portanto, ajudado a estabelecer um “novo paradigma 
organizacional”, ou ainda “desenvolvimentista”. (CASTELLS, 1999, p. 214).
Portanto, no desenvolvimento do capitalismo, considerando as devidas 
proporções, um condicionante ético parece ter tido importante papel histórico na 
aceleração do processo. Está claro que com o decorrer dos tempos as estruturas de 
modo de produção na sociedade industrial e os fatores de perpetuação, leiam-se 
os artifícios de estímulo ao consumo, vão estabelecendo um distanciamento e uma 
consequente independência de qualquer justificação ética inicial, necessária a uma 
conduta adaptável ao sistema.
Aliás, é apropriado não negligenciar toda a capacidade da infraestrutura de 
um modelo econômico no condicionamento comportamental dos indivíduos. Isso 
é admitido por Castells (1999, p. 216-217), “mesmo quando se apoia na perspectiva 
culturalista histórica de Weber para tentar entender o “espírito” de nossa época”. 
Dessa maneira, mesmo que o mundo material, capitalista, com suas necessidades 
e suas regras, influencie e oriente o comportamento dos indivíduos, também é 
possível admitir que os indivíduos, criando coletivamente um novo modo de ver 
as coisas e de se comunicarem, também interfiram no modo de produção.
Prossigamos, portanto, nas pistas deixadas por Weber, e que servem de 
caminho para que Castells (1999) tente elucidar o conjunto de acontecimentos da 
sociedade que o autor chama de informacional.
Como fator estrutural condicionante das mudanças por que passa a 
sociedade global, Castells (1999) aponta as redes de empresas. 
Chamamos de estruturais as mudanças provenientes de base econômica.
NOTA
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
121
Esta relação horizontal entre as empresas, que deve muito ao modelo de 
produção do Leste asiático, impulsionadas pela concorrência global e viabilizadas 
pelo conjunto de aparatos tecnológicos redefinidores das noções de tempo e espaço, 
seria assim o fator de estabelecimento do “novo paradigma organizacional” ou 
“desenvolvimentista”. Contudo, segundo o sociólogo espanhol, ainda faltaria 
estabelecer analiticamente um elo cultural entre as redes de informação e o modelo 
de organização para entender a sua força histórica.
FIGURA 24 – AS PRÁTICAS DE CONSUMO DA SOCIEDADE ATUAL E A 
RELAÇÃO NEGATIVA COM O MEIO AMBIENTE
FONTE: Disponível em: <http://metamorfosecoletiva.blogspot.com.
br/2011/01/as-praticas-de-consumo-da-sociedade.html>. Acesso 
em: 30 out. 2012.
No caso do impulso capitalista, foi, em boa conta, um elemento de 
justificação ética. Em outras palavras, a ética protestante, com inúmeras 
variações, apareceu como um elemento ideológico perfeitamente encaixado às 
necessidades do modo de produção capitalista. E talvez fosse dispensável dizer 
que o impulso de acumulação, inerente a essa ética, com desdobramentos no 
consumo, continua a ser o motor do modo de produção capitalista. Porém, 
Castells (1999) afirma que a organização em rede tem uma dimensão cultural 
que lhe é peculiar, como seria necessário na constituição de cada paradigma, já 
que ele não vê a possibilidade de que a economia funcione autonomamente em 
relação à sociedade, isto é, sem uma justificativa de ordem ética.
No caso da sociedade em rede, não seria propriamente um conjunto 
de valores homogêneos, o que não confere com o caráter multifacetário desta 
sociedade. Ao contrário, se trataria de um “código cultural comum” transitando 
pelas infovias, composto por uma multiplicidade de valores, informações, ideias e 
estratégias de decisão, mudando todo momento e dando lugar a novos elementos, 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
122
num processo caracterizado pela alta velocidade de intensas trocas e substituições, 
deslocamentos e inovações e, por isso mesmo, identificado com uma “cultura do 
efêmero”. (CASTELLS, 1999, p. 217).
Esta intensa troca entre empresas e indivíduos em rede, cujos resultados 
e ferramentas transbordam diariamente sobre suas frágeis trincheiras para se 
dispersarem num espaço cibernético cada vez mais visitado, passa a ser a nova fonte 
de energia criativa. Mais que isso, introduz progressiva e tenuemente um modo de 
comportamento, amplifica noções de estética e cria novas identidades – como a do 
cidadão virtual, a do navegador ciberespacial. Cria também novas profissões, supera 
as restrições de tempo porque elimina as barreiras espaciais, valendo a recíproca 
– como observa Stephen Graham (1996); promove contatos culturais, ainda que 
virtuais, com intensidade e em número de pessoas muito maior, ampliando as 
referências para a elaboração de ideias, para a definição de comportamentos, além 
de gerar novos comportamentos sociais e novas subculturas. Esse novo universo 
on-line em rede é responsável, através de redes de computadores, de cabos e 
comunicações via rádio, pela redefinição de categorizações tradicionais e de 
estruturas de pensamento. Provoca a reelaboração arquitetônica da organização 
física do poder, eliminando paredes e limites transpostos por um sistema virtual 
de conexões, reconfigurando o mundo do trabalho nas fábricas e escritórios.
Seria provavelmente interminável uma discussão sobre a procedência de 
um aspecto político, econômico ou de outra ordem social específica, a causa inicial 
a ter impulsionado tal “revolução” da tecnologia informacional. Poderíamos, 
para tanto, recorrer mais uma vez a uma afirmação de Manuel Castells (1999, 
p. 69), segundo o qual “O surgimento da sociedade em rede” [...] não pode ser 
entendido sem a interação entre estas duas tendências relativamente autônomas: 
o desenvolvimento de novas tecnologias da informação e a tentativa da antiga 
sociedade de reaparelhar-se com o uso do poder para servir a tecnologia do poder. 
“De forma ainda genérica, o autor também concorda que lucratividade e 
competitividade seriam historicamente os verdadeiros determinantes da inovação 
tecnológica e do crescimento da produtividade, complementando, contudo, que o 
impulso inicial da atual inovação tecnológica teria se dado a partir da necessidade 
de expansão do mercado”. (CASTELLS, 1999, p. 101). 
De todo modo, isto nos distanciaria da discussão sobre um aspecto que 
nos parece mais útil de abordagem. A existência de um fenômeno relativamente 
independente em meio a este processo nos [re]conduz, portanto, ao elo entre 
a teia costurada pelas redes virtuaisde informação, ramificada por milhões 
de computadores e outras ferramentas de comunicação, e um novo modelo de 
organização da sociedade, atingindo crescentemente a vida humana em todas 
as suas esferas e com resultados tão imprevisíveis agora quanto no início deste 
processo. É justamente a manifestação de um novo modelo de organização 
que interessa aqui compreendermos, tanto quanto avaliarmos, ainda que 
superficialmente, a sua dimensão.
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
123
Quanto ao elo cultural entre a organização em rede e seus efeitos, parece 
podermos admitir a sua necessidade, ao menos na sociedade moderna. Isto é, 
precisamos de um elo cultural entre o modo de organização informacional e os 
comportamentos dos indivíduos. Não importa se sua origem estaria no interior 
da organização econômica dos países mais competitivos – o que parece ser o 
caso –, para depois se refletir em alguma dimensão superestrutural, ou se o seu 
surgimento apenas coincidiria de forma adaptativa e utilitária com o modo de 
produção, como foi o caso da ética protestante.
A existência desse elo cultural, que Castells (1999) chama de “espírito do 
informacionalismo”, foi de todo modo viabilizado pelo ambiente mundial de redes 
telemáticas. E ali tem residido por enquanto, o que não inviabiliza que alguém se 
pronuncie em favor da inesgotável inteligência humana, que apenas aguardava 
as conexões em nível tão abrangente para a troca de ideias que pudesse mais uma 
vez na história modificar as estruturas intelectuais, como ocorreu desde a primeira 
forma de sistematização coletiva do pensamento humano através de religião, e 
depois com o desenvolvimento da filosofia a partir da cultura greco-romana; e 
mais tarde com o renascimento e todas as consequências da modernidade, entre 
elas o desenvolvimento das ciências, o surgimento dos Estados-nações e o modo 
de produção industrial, provocando interferências que ultrapassam em muito os 
seus âmbitos específicos.
Todos esses momentos históricos de transformações suscitaram mudanças 
de comportamento e maneiras de interpretar e organizar a vida em grande parte, 
mesmo, imprevisíveis. Aliás, quanto à imprevisibilidade, estão de acordo Castells 
(1999) e Giddens (1991), para os quais o conhecimento sempre promove resultados 
inesperados e mesmo não pretendidos, definindo o futuro como um quadro aberto 
dentro do qual até certo ponto a sociedade não tem o poder de determinação e 
controle. É deste modo que podemos entender as consequências do encontro 
entre a ascese protestante e o modo de produção capitalista, que teria resultado 
no espírito capitalista observado por Weber. E ainda, com referência a outro 
clássico da sociologia, quando mudanças de alguma ordem se difundem entre os 
indivíduos, tendem a formar uma intersubjetividade, estabelecendo as condições 
objetivas para a formação de uma “consciência coletiva” independente, um “ser 
psíquico de vida própria”, como demonstrou Durkheim.
Ler a esse respeito, sobre o conceito de fato social, nas obras de Durkheim.
NOTA
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
124
É desse ser psíquico de vida própria a que se refere Castells (1999, p. 217), 
quando afirma:
[...] sem dúvida, há um código cultural comum nos diversos 
mecanismos da empresa em rede [...] composto de muitas culturas, 
valores e projetos que passam pelas mentes e informa as estratégias 
dos vários participantes da rede, mudando no mesmo ritmo que os 
membros da rede e seguindo a transformação organizacional e cultural 
das unidades da rede. É de fato uma cultura do efêmero, uma cultura 
de cada decisão estratégica, uma colcha de retalhos de experiências 
e interesses, em vez de uma carta de direitos e obrigações. É uma 
cultura virtual multifacetada, como nas experiências visuais criadas 
por computadores no espaço cibernético ao reorganizar a realidade. 
Não é fantasia, é uma força concreta que informa e põe em prática 
poderosas decisões econômicas a todo o momento no ambiente das 
redes. [...] O ‘espírito do informalismo’ é a ‘cultura da destruição 
criativa’, acelerada pela velocidade dos circuitos optoeletrônicos que 
processam seus sinais.
Deste modo, observada talvez a sua distinção mais significativa em relação a 
outros modelos totalizantes de organização oriundos de transformações históricas, 
qual seja, o seu caráter “efêmero”, o “espírito do informacionalismo” é uma espécie 
de consciência ou inconsciência coletiva destinada a interferir na organização 
cotidiana da vida dos homens, tantos quanto forem alcançados por ela. Não se 
trataria de uma consciência coletiva à maneira tradicional, institucionalizada, 
mas se evidenciaria como um “fato social”, objetivamente capaz de interferir nas 
elaborações intelectuais e nas maneiras de reconstruir a realidade social, na mesma 
maneira que, influenciados por um conjunto de dados estatísticos, indivíduos 
decidem com frequência acerca de suas vidas, conformando a sociedade de acordo 
com as consequências do conhecimento produzido por ela. 
Fato social é um conceito do sociólogo francês Emilie Durkheim, relacionado às 
grandes ideias e formas de pensamento que orientam as ações dos indivíduos em sociedade, 
tais quais os valores, as normas, a religião, as leis, a educação, enfim, conhecimento que exerce 
coerção sobre o nosso pensamento, nossas escolhas e nossas ações. 
Todo um conjunto de instituições sociais, como diria Giddens (1991, p. 49), 
“impregnados pelo pensamento sociológico [...], não seriam o que são hoje não 
fossem inteiramente ‘sociologizados’ e ‘psicologizados’” pelos homens.
NOTA
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
125
Referindo-se ainda à reflexividade do conhecimento quando aplicado à sociedade, 
o autor demonstra como as várias formas de conhecimento científico, neste caso a sociologia, 
interferem nas decisões dos homens a respeito de assuntos como o casamento. Tal capacidade 
de influência poderíamos muito bem estender às tecnologias da comunicação.
Da mesma maneira poderíamos perceber o surgimento de um novo 
campo específico de influência às ações humanas, comprovável de certo modo 
ao poder dos meios de comunicação de massa. No entanto, não estamos diante 
de um veículo de reprodução do imaginário social baseado num modelo 
complexo de organização social, e sim do próprio modelo, ainda em elaboração. 
E este modelo, até que se consolide, dependerá deste elo psicocoletivo que 
seria o “espírito do informacionalismo”, isto é, uma mentalidade que transita 
diariamente pelos fluxos da infovia global através de programas, diálogos, 
imagens e técnicas, desgarrando-se depois, paulatinamente, de suas origens 
cibernéticas, uma vez fecundadas nas mentes humanas.
FIGURA 25 – O PODER DA SOCIEDADE EM REDE NA ÁREA CORPORATIVA
FONTE: Disponível em: <http://blog.agconexa.com/2011/08/o-poder-da-
sociedade-em-rede-na-area-corporativa/>. Acesso em: 30 out. 2012.
Não teria sido diferente o que aconteceu com a ética do trabalho observada 
por Weber (1985). Como ele mesmo admite essa ética “fugiu da gaiola” quando o 
capitalismo solidificado conseguiu determinar mecanicamente o comportamento 
dos indivíduos, sem a necessidade de qualquer justificativa ética ou elo 
cultural que conduzisse pacificamente os indivíduos, convencendo-os a aceitar 
voluntariamente uma ação cujo resultado contém uma lógica utilitarista, vinculada 
NOTA
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
126
a um determinado sistema. Todavia, lembra o mesmo Weber (1985), como que 
a pronunciar mudanças que requeiram um novo espírito, “ninguém sabe quem 
habitará essa gaiola no futuro [...].” (CASTELLS, 1999, p. 217).
Inegável, de toda maneira, é o fato de que tal alteração de modelo 
organizacional na sociedade somente o é – e poderemos verificar seus efeitos 
– na medidaem que realmente invade todas as esferas da vida humana, como 
que totalitariamente. Isso acontece de modo a que valores, instituições, noções 
estética e de moral, entre outros níveis de referência à conduta humana, sofram 
os impactos desse “novo espírito”. Castells (1999, p. 50) propõe que não se 
subestime a importância da revolução informacional no campo da organização 
social, o que poderia ser prejudicado pelo “exagero profético” e a “manipulação 
ideológica” manifesta em boa parte do que tem sido dito a respeito desse 
fenômeno, e compara o significado de tais mudanças aos efeitos incomensuráveis 
da Revolução Industrial. A esse respeito ainda serão necessárias avaliações 
futuras, quando o nível atual de tecnologia informacional e suas ferramentas 
estiverem ao alcance de um número maior de pessoas.
Naturalmente seria tarefa por demais complexa, senão absurda, 
quantificar o volume de interferência da organização científica do 
trabalho sobre as instituições cotidianas do homem na sociedade 
industrial do século XX. Contudo, tal influência é evidente, não 
somente no mundo da produção e do trabalho, mas, em várias esferas 
da vida humana, seja na organização do tempo, seja na arquitetura, 
na formação educacional e no planejamento urbano, entre outras. A 
influência das ideias de um Frederic Taylor, e não menos de Ford na 
sociedade industrial deste século, foi certamente muito significativa, 
merecendo um sem número de interpretações e análises acerca do 
impacto do taylorismo e do fordismo não apenas na esfera produtiva, 
mas em várias outras, como as citadas acima, nas vidas dos povos. (DE 
MASI, 1999, p. 38-48).
3 ALTA MODERNIDADE
Falando a respeito das “consequências da modernidade”, Anthony 
Giddens (1991, p. 14) destaca os efeitos produzidos na vida humana a partir do 
desvinculamento das formas tradicionais de ordem social, indicando-os em dois 
planos, quais sejam, “o extensional: através do qual se criam as condições de 
interconexão social que abrangem o Globo; e o intencional: alternando algumas 
das características mais íntimas e pessoais do cotidiano das pessoas”.
O autor recusa termos como “pós-modernismo” ou “sociedade pós-industrial”, 
este aplicado por Daniel Bell (1973), por entender que os princípios da tecnologia 
informacional estão contidos no advento da modernidade, preferindo usar o termo 
“alta modernidade”. Segundo Giddens (1991), dois dos principais fundamentos da 
modernidade estão longe de desaparecer: o primeiro é o Estado-nação, detentor do 
controle sobre a territorialidade e do monopólio do uso da violência. 
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
127
Esta observação parece ir propositadamente de encontro às teses sobre o fim dos 
Estados-nações e a supremacia do poder dos grandes grupos econômicos sobre os governos. 
Casttels (1999), por exemplo, afirma que não haveria mercados globalizados sem o fim dos 
Estados-nações.
O segundo é o modo de produção sistemático do capitalismo dentro do 
qual o que estamos denominando revolução da tecnologia informacional seria 
apenas um estágio avançado. Estes dois fundamentos da sociedade moderna 
continuariam modelando as instituições e a vida das pessoas, o que não o impede 
de reconhecer um “controle racionalizado da informação” sobre as instituições. 
Contudo, sugere ao autor, este é inerente ao industrialismo.
Apesar da controvérsia, as reflexões de Giddens (1991) reforçam a 
demonstração – e é o que nos interessa aqui – sobre os efeitos multidimensionais 
de certo modelo organizacional sobre o cotidiano dos homens. Segundo ele, 
“as organizações modernas são capazes de conectar o local e o global de 
forma que seriam impensáveis em sociedades mais tradicionais [...] afetando 
rotineiramente a vida de milhões de pessoas”. (GIDDENS, 1991, p. 29). “A 
instituição do dinheiro, por exemplo, teria alterado significativamente as noções 
de tempo, promovendo a conexão instantânea entre compradores e vendedores 
e agilizando os negócios numa velocidade e encurtamento de distâncias de 
maneira inimagináveis em circunstâncias de escambo”. (GIDDENS, 1991, p. 
32). Se a influência destas instituições sociais modernas parece indiscutível, 
então poderemos reservar à tecnologia informacional o seu lugar histórico nos 
destinos da humanidade.
Em seu ensaio sobre “As Consequências da Modernidade”, Giddens (1991) 
aponta quatro aspectos, os quais denomina “conjunto de fatores”, que servem 
para compreender os desdobramentos da aplicação do conhecimento reflexivo à 
atividade social, servindo como um “filtro”. Destes quatro, interessam-nos os três 
primeiros, pela especificidade do que estamos tratando aqui. 
O primeiro é o poder diferencial, segundo o qual alguns indivíduos ou 
grupos estariam mais aptos à apropriação do conhecimento especializado do que 
outros; o segundo é o papel dos valores, que se interligam por meio de redes de 
influências mútuas; e o terceiro é o impacto das consequências não pretendidas, 
onde o conhecimento produzido ultrapassa as dimensões sociais do inicialmente 
proposto. (GIDDENS, 1991, p. 59-60).
NOTA
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
128
3.1 CONSEQUÊNCIAS NÃO PREVISTAS
Começando pelo último aspecto, parece aceitável afirmar que os impactos 
de grandes alterações históricas sempre estiveram além dos objetivos iniciais 
pretendidos pelos seus impulsionadores. Ora foram objetivos econômicos, ora 
políticos, ora religiosos ou de outra origem. É o que podemos lentamente perceber 
em relação aos impactos de revolução informacional. Quais são os objetivos 
inerentes a qualquer inovação tecnológica? Aumento da produtividade tem 
sido uma das respostas apontadas. Contudo, nem produtividade, nem inovação 
tecnológica são fins em si mesmos. Tampouco representam propósitos altruístas 
de melhorar as condições da humanidade. Como já vimos anteriormente, toda 
inovação sociológica é motivada inicialmente pelo desejo do lucro das empresas e, 
numa perspectiva mais ampla, foi a luta destas ampliações de espaços no mercado 
internacional que resultou no estabelecimento de redes informacionais de 
empresa. Daí, as consequências de que dão perspectivas às inovações da tecnologia 
informacional hoje, no seu âmbito social, não terem sido nem pretendidas nem 
inteiramente previstas.
3.2 OS VALORES
O segundo aspecto, qual seja, o papel dos valores, remete ao desdobramento 
das inovações, sendo parte do seu próprio impacto. Como já se disse anteriormente, 
a crescente utilização das redes informacionais tem permitido a absorção e o 
processamento de dados numa capacidade surpreendente. Dentro desse processo, 
há uma multiplicidade de símbolos verbais e visuais, conceitos e terminologias 
sendo transmitida e processada, interferindo crescentemente no imaginário 
coletivo e mediando as relações dos indivíduos. O resultado disto no campo 
da economia, como da biologia, da cultura e da política tem deliberado uma 
significativa expectativa quanto ao uso do conhecimento. A “penetrabilidade” em 
várias esferas da atividade humana, até às mais domésticas, é característica das 
grandes inovações tecnológicas, como observa Castells (1999), não sendo outra a 
situação proporcionada pela “revolução tecnológica informacional”. Trata-se, como 
observou Giddens (1991, p. 176), “de um processo simultâneo de transformação da 
subjetividade e da organização social global”.
3.3 O PODER DIFERENCIAL
Porém, o aspecto da classificação que deixamos por último é o que nos 
interessa de forma mais conclusiva. Trata-se do que Giddens (1991) chama de 
poder diferencial. Alguns indivíduos ou grupos sociais estariam mais aptos a se 
apropriar de conhecimento especializado do que outros. Em sua abordagem a 
respeito da Modernidade, o autor assinala aspectos como a racionalização do tempo 
e a desvinculação de dogmas tradicionais [pré-modernos],entre outros fatores 
derivantes como elementos da supremacia cultural ocidental sobre outras culturas 
durante os últimos cinco séculos. A determinação sobre o ritmo de mudanças seria 
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
129
aí um aspecto distintivo. Sem entrar no detalhamento da explicação do autor, mas 
antes sugerindo um elo interpretativo entre vários autores, pode-se afirmar que 
uma propensão à adaptação, proporcionada em certos ambientes culturais, tem 
diferenciado as sociedades tecnologicamente.
 
A capacidade de “gerenciamento da tecnologia”, mais do que o simples 
acesso, é apontada por Castells (1999) como distintivo no desenvolvimento das 
nações, por que ainda que a tecnologia esteja disponível é preciso estar apto a 
utilizá-la e de forma eficiente. Isto teria causado tal defasagem. Citando um 
levantamento de Paul David, Castells (1999) observa que as maiores taxas de 
crescimento econômico não coincidem com as revoluções tecnológicas. Levar-
se-ia algum tempo para que as instituições de cada sociedade se adaptassem às 
novas descobertas e delas fizessem uso eficiente, verificando também diferenças 
de rapidez de absorção entre diferentes sociedades e no interior destas entre as 
regiões. “Para que as novas tecnologias possam surtir os efeitos em seu potencial, 
seria necessário que se difundissem por toda economia, o que depende da 
capacidade das instituições, das empresas e da cultura em geral [leia-se educação, 
qualificação e especialização] de promoverem as mudanças necessárias no sentido 
adaptativo”. (CASTELLS, 1999, p. 92-93).
Ainda que seja necessário perceber o atual processo de integração 
econômica não implique o desaparecimento de algumas culturas, enquanto um 
projeto ocidental difundiu-se amplamente entre outras sociedades. Igualmente 
indiscutível é o fato de que a resistência ao modelo organizacional da sociedade 
industrial, incluindo o modelo democrático, caracterizou-se por uma opção 
involuntária à marginalidade global e a irrelevância dentro de uma perspectiva da 
hegemonia cultural. A perspectiva de Castells (1999) é de que todas as sociedades 
estarão conectadas mundialmente em redes de informação, determinando 
a dinâmica de cada uma delas. Mas haverá sociedades majoritariamente 
conectadas e outras em que somente um ou outro polo dinâmico interno 
pertencerá a estas redes globais informacionais, sendo isto que fará a distinção 
entre desenvolvimento e irrelevância.
Isto leva rapidamente à conclusão de que a competitividade e a relevância dos 
países dependerão de investimentos na estrutura de tecnologia informacional como 
em outras décadas se investiu em estradas e portos e, sem cais nos ardis discursivos 
acerca dos benefícios da globalização, podemos concluir que as concentrações de 
poder estarão onde estiverem os controles sobre as novas formas de comunicação.
Em termos de exclusão social, as ciências sociais, sobretudo a sociologia, 
têm diante de si mais um problema-conceito de abordagem renovada. Agora se 
trata da crescente separação entre os detentores da informação e os “sem-bits”, 
revelando uma também renovada faceta do poder, cuja manifestação crescente 
Weber (1985) localizava no conhecimento. Porém, referia-se à racionalidade legal-
burocrática. Atualmente, observamos o domínio de uma espécie de racionalidade 
informacional cibernética. Nesta direção, vários autores da sociologia sugerem, 
mais ou menos explicitamente, que as sociedades têm resolvido [quando têm] e 
continuam a resolver seus problemas, e a assegurarem a sua inserção cultural e 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
130
econômica, através de um comportamento mais ou menos adaptativo, mais ou 
menos resistente, às inovações tecnológicas.
Prevendo o advento da sociedade pós-industrial, já em 1973, Daniel Bell 
(1973) afirmava que as mudanças em cada sociedade seriam promovidas de acordo 
com as condições políticas e econômicas de cada uma delas. Em outras palavras, 
caberia à disposição de cada sociedade o ritmo de tais mudanças. 
Na perspectiva do autor, a sociedade é dividida em três níveis estruturais: 
o social, o político e o cultural. Cada qual é norteado por um princípio axial. Na 
estrutura social, o princípio seria economizar; na política, participar, enquanto no 
nível da cultura seria o desejo de realização e de aprimoramento do Eu.
Talvez estes princípios axiais, com todo o cuidado analítico que merecem, 
sejam referências importantes para a reflexão social a respeito de seus rumos e 
possibilidades. Talvez indiquem mesmo a capacidade de cada sociedade no 
processo de adaptação às inovações tecnológicas informacionais. Aspirando a 
tais princípios, talvez seja possível compreender o momento atual, encontrando e 
melhor decidindo pelas oportunidades de investimento, legislação e planejamento. 
Para que as instituições (políticas, educacionais etc.) possam seguir as mudanças, 
será necessário que seus membros não só resistam a elas como por elas se 
entusiasmem, antecipando-se em compreendê-las e utilizá-las.
Esta é a tarefa das organizações, sejam elas empresas, universidades, 
governos, partidos etc. Quanto mais se sabe que as teorias sobre organização e 
administração, talvez não mais que outras áreas do conhecimento, ainda cultivam 
a cultura da sociedade industrial enquanto a sociedade informacional emerge, mais 
avaliações serão necessárias sobre as bases de um conjunto de valores e verdades 
cuja validade vai ficando no passado. Esta não é, nem será, uma tarefa indolor.
Naturalmente, as possibilidades de uma inserção bem sucedida à sociedade 
informacional dependerão da disposição das elites políticas, despertada num 
ambiente democrático de pressões sociais, para o que o princípio axial da participação, 
indicado por Bell, deverá ser um importante fator de peso contra a exclusão social no 
interior de cada sociedade. Mas esta sociedade, não somente por meio de indicativas 
institucionais, mas através dos mecanismos de participação, terá de promover um 
razoável esforço em torno da necessidade de compreender as atuais mudanças, o 
que parece depender de um amadurecimento político e cultural. Terá de aprender a 
resistir ante os processos de homogeneização cultural neste contexto internacional, 
tanto quanto precisará perceber as vantagens existentes neste processo.
Trata-se mesmo de um esforço coletivo para criar um ambiente favorável 
à aceitação das invenções tecnológicas, o que requer o desgarramento de valores 
tradicionais. Não obstante, o princípio axial do desejo de realização dos indivíduos 
parece ter uma relevância ímpar, e a necessidade de gerar as condições para tanto, 
exigirá desenvoltura de instituições responsáveis como as universidades, onde os 
recursos tecnológicos informacionais precisam ser usados de forma não apenas 
didática e criativa, mas, sobretudo, crítica e construtiva.
TÓPICO 1 | SOCIEDADE INFORMACIONAL: UM NOVO PARADIGMA
131
3.4 MUDANÇA TECNOLÓGICA E PROCESSOS SOCIAIS
Bijker (1995), através de sua teoria da mudança sociotécnica, entende que 
as inovações técnicas, ou tecnológicas, se preferirmos, não podem ser entendidas, 
nem concebidas, senão como resultantes de processos sociais. Qualquer que seja 
a inovação, segundo ele, não surgirá repetidamente como resultado de um “ato 
singular de invenção heroica”; ao contrário, é tenuamente construído através de 
interações sociais constantes, sobretudo no interior das relações entre o que ele 
denomina relevant social group ou na tradução, grupos de relevância social. Observa 
Bijker (1995) que o desenvolvimento tecnológico é uma contingência em nexo com 
as liberdades de escolha – leiam-se, iniciativas – num contexto de constrangimentos, 
valores e alianças. Daí entendermos que ambientes de mudanças são possíveis a 
partir de interferências na estrutura cultural de uma sociedade.Seja por ausência de alternativas, seja por um realismo histórico indicativo 
de que este é o caminho natural, os governos das sociedades economicamente 
menos relevantes têm normalmente realizado esforços de adaptação ao ambiente 
da globalização. E, para dar voz a Castells, compreendendo a inovação tecnológica 
como o “motor da história”, importa criar um ambiente social favorável a 
tais inovações, em relação a sua aceitação, tanto quanto a sua produção. As 
vantagens da utilização de recursos da tecnologia informacional aparecem como 
visíveis não apenas no campo da economia, mas poderão ser crescentemente 
úteis no campo da política, onde certa lógica própria com frequência agride a 
racionalidade da democracia, como a do governo eficiente. O uso dos “artefatos” 
tecnológicos naturalmente interfere não somente na estrutura propriamente 
tecnológica, mas acaba reorientando a dinâmica de outras. Para lembrar Bijker 
(1995, p. 272), “uma particular combinação entre sociedade e tecnologia pode 
resultar no desenvolvimento de uma nova ordem social” e se pensarmos nos 
benefícios que a racionalidade embutida nos programas de informática vem 
trazendo no campo da administração pública, podemos esperar que isto interfira 
construtivamente na governança, modificando o comportamento de agentes 
públicos e das instituições políticas. 
Diante do quadro geral, enuncia-se a necessidade de esforços adaptativos 
das sociedades periféricas. A capacidade organizativa de cada sociedade tem 
demonstrado, historicamente, a necessidade de estabelecer alguns consensos a 
respeito dos caminhos trilhados para o desenvolvimento. Reformas, substituições, 
mudanças de modalidade, são elementos entre outros que têm significado 
rupturas criativas e que são facilmente aceitas quando não bem compreendidas. 
Neste sentido, porém, é preciso perceber antes que as dificuldades de acesso aos 
meios que permitem tais mudanças por parcelas significativas da sociedade é o 
que realmente têm impedido ou dificultado processos de mudanças sociais. É uma 
manifestação de exclusão social interna que por si só permite compreender, sem 
maiores esforços interpretativos, a exclusão de uma sociedade no cenário mundial.
Sugerir o esforço adaptativo talvez motive críticas denunciativas da própria 
ausência de crítica em relação ao processo de avanço do capitalismo internacional, 
com sua eterna e excludente divisão do trabalho entre centro e periferia. Contudo, 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
132
é possível compreender que as soluções de cada sociedade dependem muito de 
esforços internos, apesar dos condicionantes externos. E nessa direção o modelo 
de uma sociedade “informacional” parece conter ferramentas indispensáveis; 
trata-se de saber utilizá-las. Bijker (1995) sugere que as inovações tecnológicas 
são proporcionadas por grupos socialmente relevantes e que dependem da 
transposição de constrangimentos, muitos dos quais motivados por valores.
Podendo sugerir um viés interpretativo elitista, nos leva, todavia, a supor 
que o estabelecimento de um ambiente socialmente favorável às inovações 
tecnológicas depende dos resultados da disputa dos grupos sociais com 
interesses contraditórios, disputa esta que acontece de certo modo isolada dos 
interesses da maioria da sociedade e que, mesmo impulsionada por interesses, 
é instrumentalizada por valores. Implica perceber, enfim, que a sociedade como 
um todo é menos resistente às inovações do que alguns grupos “politicamente” 
relevantes. Cabe à sociedade identificar os grupos socialmente relevantes 
imbuídos do desejo de mudanças e capazes de promovê-las, naturalmente num 
ambiente democrático.
As mudanças têm caracterizado os destinos das sociedades, para o bem 
ou para o mal, dependendo das escolhas corretas. Porém, elas dependem de 
uma disposição humana que pode se manifestar coletivamente: a de caminhar ao 
invés de ficar parado. Os rumores nunca estão bem esclarecidos, e isto incorre em 
riscos, mais ou menos previsíveis. E, para tanto, o uso eficiente do conhecimento 
produzido será sempre útil. 
133
Neste tópico, vimos que:
● As transformações sociais motivadas pelos avanços tecnológicos no campo 
da comunicação desenharam um novo cenário social no mundo através da 
reorganização das noções de tempo e espaço dos agentes produtivos que se 
utilizam progressivamente dos recursos telemáticos e dissimulam a clássica 
divisão socioeconômica através da distinção entre aqueles que têm acesso e 
aqueles que não dispõem de recursos.
● Existem diferenças sociais crescentes entre indivíduos, grupos sociais e as 
economias nacionais em um contexto internacional em amplo e aparentemente 
irreversível processo de globalização por meio de redes de comunicação virtual 
que não tem volta.
RESUMO DO TÓPICO 1
134
Caro acadêmico, faça uma “leitura”, com suas palavras, da importância 
dos incentivos do Estado para o acesso à informação.
AUTOATIVIDADE
135
TÓPICO 2
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
2.1 DESENVOLVENDO AS QUESTÕES
Caro(a) acadêmico(a)! Neste tópico, vamos demonstrar elementos da 
sociedade da informação, no que concerne ao caso brasileiro, seus exemplos 
e suas propostas. Da mesma maneira, vamos pincelar alguns aspectos da 
economia na sociedade da informação. Nessa direção, nosso objetivo é 
mostrar como nossas ações não estão descoladas, sendo sempre conectadas 
com a economia, com a política e assim por diante. Optamos por manter o 
jogo socrático de pergunta-resposta para apresentar de modo pragmático, 
isto é, prático, sem nos ater a conceitos de sociedade e de informação como 
vimos anteriormente nem sobre os ventos que fizeram surgir a sociedade da 
informação (como modernidade e pós-modernidade, sociedade industrial e 
sociedade pós-industrial, hipermodernidade e modernidade líquida).
O paradigma na sociedade da informação se aplica a países em 
desenvolvimento como o Brasil? Em geral, todos os países participam do processo, 
e no Brasil não seria diferente. “O novo paradigma também perpassa o território 
brasileiro, marcado pelas transformações tecnológicas que permitem novas formas 
de relação entre a economia e a sociedade”. (WERTHEIN, 2000, p. 72).
2.1.1 Sociedade da informação no Brasil
Especificamente no caso brasileiro? No Brasil, o primeiro movimento 
com relação à sociedade da informação, em sentido mais brando, tem fisionomia a 
partir da década de 1990 com o desenvolvimento maciço global de tecnologias de 
informação. “O Brasil passou a fazer parte das plataformas e complexas redes de 
interação”. (RAMOS, 2010, p. 25).
No início do século XXI (2002), o Brasil, a partir da perspectiva estatal lança 
um conjunto de propostas vinculadas (no chamado Livro verde da sociedade da 
informação) à sociedade da informação, propostas estas que tinham por meta 
136
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
abarcar a totalidade da sociedade. Em outras palavras, o papo passou a ser o de 
inclusão digital, na direção de não ficar na periferia do globo, isto é, de permanecer 
no mapa da sociedade da informação.
Especificamente falando, o Livro verde reunia um conjunto de propostas 
oriundas de diversos pesquisadores e estudiosos e tinha por objetivo contemplar 
as seguintes áreas (RAMOS, 2010, p. 25):
● Mercado.
● Os serviços ofertados para o cidadão.
● A educação.
● A cultura.
● A disponibilização da infraestrutura do governo para a população em geral.
● O desenvolvimento de novas tecnologias.
● A criação de uma estrutura de redes e serviços para incluir toda a população nos 
processos informacionais.
Ainda, olhando com mais profundeza para o Livro verde podemos 
ver certas propostas e sugestões de medidas muito importantes, entre elas 
(TAKAHASHI, 2002, p. 8-10):
●Comércio eletrônico: a “pedra de toque” da nova economia.
● PME: oportunidades na nova dinâmica, para pequenas e médias empresas, 
possibilidades de propagandas.
● Empreendedorismo: inovação e capital intelectual como base dos novos negócios 
e conhecimento como a grande vantagem competitiva.
● Oportunidades de trabalho para todos: mais e melhores empregos.
● Universalização do acesso: combatendo desigualdades e promovendo a 
cidadania.
● Educação e aprendizado ao longo da vida: desenvolvendo competência.
● Valorização de conteúdos e identidade cultural, vide domínio público.
● Administração transparente e centrada no cidadão: governo ao alcance de todos.
● Quadro regulatório: diminuindo riscos e incertezas do mundo virtual.
● Pesquisa e desenvolvimento: o conhecimento é a riqueza das nações.
● Desenvolvimento sustentável: a preservação do futuro.
TÓPICO 2 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
137
● Desenvolvimento e integração: valorizando vocações e potencialidades regionais.
● Integração e cooperação latino-americana.
Se muitos avanços positivos advieram da sociedade da informação, quais 
deles são mais perceptíveis?
Werthein (2000, p. 73) nos apresenta algumas, que enumeramos a seguir:
 
1)	[...] a substituição de insumos baratos de energia por informação como fator-
chave do novo paradigma representa, para a sociedade, uma saída inesperada 
para a questão estrutural da degradação do meio ambiente.
2)	Porque permite implementar materialmente a lógica de redes, a tecnologia 
permite modelar resultados imprevisíveis da criatividade que emana da 
interação complexa, desafio quase intransponível no padrão tecnológico 
anterior. Se isso dá vazão aos sonhos mais delirantes no âmbito das ciências 
básicas, das aplicações tecnológicas avançadas e da estratégia, não deixa também 
de alimentar sonhos mais prosaicos – e não menos significantes – como o de 
finalmente permitir a integração ensino/aprendizagem de forma colaborativa, 
continuada, individualizada e amplamente difundida.
3)	A flexibilização que caracteriza a base do novo paradigma é, talvez, o elemento que 
mais fortemente fundamenta as especulações positivas da sociedade da informação. 
É ela que incorpora, na essência do paradigma, a ideia de ‘aprendizagem. A 
capacidade de reconfiguração do sistema refere-se à maior disponibilidade para 
incorporação da mudança [múltiplo simultâneo]. A noção de ‘aprendizagem’ passa 
a ser empregada em vários níveis, sendo o organizacional sua aplicação de maior 
significado na reestruturação capitalista no novo paradigma.
Quais seriam os exemplos mais pertinentes, exemplos que usufruímos 
no cotidiano?
Podemos oferecer diversos exemplos, dos quais os que podemos perceber 
diariamente:
1 Educação a distância.
2 Bibliotecas digitais.
3 Videoconferência.
4 Correio eletrônico (e-mail).
5 Grupos de bate-papo.
6 Redes sociais.
7 Voto eletrônico.
8 Trabalho a distância.
138
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
Mas, sendo pertinente com relação ao tema da internet, qual sua 
importância para a sociedade da informação? Depois de um período de 
aperfeiçoamento, a internet, da virada do 2000 para cá, passou a tomar dimensão 
sem igual, notadamente
[...] por meio do crescimento acelerado da base de usuários de banda 
larga em praticamente todo o mundo. Com acesso mais rápido e mais 
barato, indivíduos e organizações veem multiplicarem-se os recursos 
disponíveis na internet para inúmeras atividades, do mero envio de 
e-mails a uma lista crescente de ferramentas voltadas para os mais 
diversos fins, inserindo-se na vida das pessoas de tal forma que se 
torna essencial para a compreensão do mundo de hoje. (POLIZELLI; 
OZAKI, 2008, p. 8).
Esta virada estaria colocando a sociedade da informação como era digital? 
As últimas tendências têm demonstrado que estaríamos passando uma verdadeira 
revolução em níveis de compreensão da realidade e em níveis de relacionamento 
com o mundo, bem como em níveis de produção.
[...] estamos nos primórdios do que devemos chamar de era digital – 
como evolução da era industrial – marcada pelas tecnologias digitais, 
que revolucionam a percepção e a atuação humanas sobre o mundo, 
criando uma nova e impressionante dimensão ‘virtual’ a partir da qual o 
‘real’ passa a ser revisto (‘visto de outra ótica’), repensado e reformulado. 
Ou seja, [...] [a Sociedade da Informação] é, hoje, determinada pela 
crescente onipresença e influência das novas tecnologias e da internet, 
que devemos contemplar para entender o presente e o futuro da 
humanidade. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 8-9).
Se estamos na era digital, o que significa a inclusão digital? A inclusão 
digital assume novo sentido, sendo este mais amplo, não sendo apenas a 
FIGURA 26 – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
FONTE: Disponível em: <http://www.mundodastribos.com/uniasselvi-cursos-ead.html>. 
Acesso em: 30 jul. 2012.
TÓPICO 2 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
139
possibilidade de acesso à grande rede (ao computador, a internet), “[...], mas a 
capacidade de compreendermos, absorvermos e vivermos sob a influência de uma 
nova cultura – a cultura digital, com seus paradigmas, idiossincrasias e implicações 
em nossas vidas ‘reais’ e ‘virtuais’”. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 9).
Que importância tem os negócios eletrônicos na sociedade da informação? 
No plano dos negócios eletrônicos, para a sociedade da informação, estes são 
pilares fundamentais, pois revisam a maneira pela qual pensamos os setores da 
economia, revisando as práticas do século passado (século XX). “A emergência de 
novas operações tecnológicas muda a dinâmica da produção e muda a dinâmica 
do trabalho, produzindo novos arranjos”. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 9). 
Teríamos com a sociedade da informação a digitalização da sociedade 
e por extensão o Brasil, já que inserido na globalização? Este é o ponto forte. 
Por vivermos esse processo em curso, nos cabe compreender a digitalização da 
sociedade, para se servir da mesma, de forma abrangente e estratégica, como 
possibilidade de (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 09):
a) Modernização de processos de gestão.
a) Melhor eficiência.
b) Transparência.
c) Inovação.
d) Produtividade. 
e) Competitividade.
“Desta maneira, quanto mais incluídas as culturas e as práticas, do 
ponto de vista digital, melhor capacitadas estarão as organizações, sejam elas 
públicas ou privadas, para os desafios futuros”. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 
9). Nesta mesma medida:
[...] passa pela compreensão proativa dessas questões o ritmo de 
desenvolvimento que diferenciará empresas, organizações e países 
nos próximos anos. Quanto mais entendermos o impacto do digital, 
melhores serão nossas estratégias de sinergia entre o on e o off-line de 
nossos empreendimentos. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 9).
Quais são de fato os efeitos na economia, na sociedade da informação? 
A economia, que podemos chamar de convencional, chamou, cada vez mais para 
si, as novas tecnologias, se convertendo numa economia digital. Isso permite a ela 
processos mais complexos, dinâmicos, em que os sempre esperados ganhos de 
produtividade e otimização de recursos, juntamente com plataformas inovadoras 
de comunicação, tornando-se itens norteadores de competitividades, quiçá, se 
tornando itens fundamentais. Desta forma, o que está em jogo – e seria muito 
reducionista pensar desta maneira – não é apenas comprar e vender, mas “[...] 
articular diferentes formas de relacionamento, ampliando o nível de interação 
com funcionários, parceiros, representantes, consumidores, clientes, mercado, 
instituições e sociedade em geral”. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 9).
140
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
Vale ressaltar que a internet se tornou veículo chave na formação de 
opinião, e a reputação de uma empresa, do poder público, dependee muito da 
relação e habilidade que os agentes possam ter com o domínio da cultura digital. 
Desta maneira, a internet passa a ser decisiva também em processos off-line e on-
line. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 9). Vejamos em dados:
 
Embora à primeira vista pareça paradoxal, a internet continuará 
impactando, ainda por um bom tempo, muito mais os negócios off-line 
do que os negócios on-line. Ou seja, mesmo que o comércio eletrônico 
tenha crescido anualmente, em média, no Brasil, mais de 50% nos 
últimos cinco anos, a internet influencia o fechamento de mais negócios 
em outros canais, principalmente o presencial, em escritórios, lojas e 
estabelecimentos comerciais, nas ruas, edifícios e shoppings do País. Para 
cada operação comercial efetivamente realizada em uma loja virtual, a 
internet é diretamente responsável por pelo menos cinco outros negócios 
decididos on-line, mas fechados de outra forma. Nos Estados Unidos, o 
índice é ainda mais alto, chegando a nove para um. Isso quer dizer que, 
em 2006, no mercado brasileiro, enquanto as vendas eletrônicas de bens 
e serviços (incluindo bens de consumo, passagens aéreas, automóveis, 
produtos financeiros e outros) ao consumidor final movimentaram mais 
de R$ 15 bilhões, a internet foi diretamente responsável por negócios 
off-line, no varejo, de pelo menos R$ 75 bilhões, aqui sem incluirmos os 
chamados B2B, e-Gov, e-Banking e outras áreas de grande desenvolvimento 
nos últimos tempos. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14).
Contemporaneamente, o que está em debate sobre a sociedade da 
informação? Podemos apontar quatro itens que vêm sendo discutidos acerca da 
sociedade da informação:
1 Conhecimento digital nas empresas: trata-se de pensar (e repensar) o 
conhecimento e o conhecimento digital a serviço das empresas. Nesta medida, 
temos discussões sobre a revolução digital e seus impactos, a magnitude e 
importância da internet (e de suas variáveis como a Web 2.0). Como os negócios 
eletrônicos afetam o mercado? “A ideia do trabalho em rede, mediante a 
participação de diversos colaboradores, numa rede que envolva fornecedores, 
parceiros e clientes. Também se discutem convergências tecnológicas”. 
(POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14).
2 Contribuição da tecnologia e da informação para o desenvolvimento nacional: 
o debate neste segundo tópico gira em torno do papel do Estado, o papel da 
“governamentalidade” no processo. Nesta medida, teríamos a ideia de governo 
eletrônico. O debate em questão gira em torno “[...] de como constituir o ambiente 
de integração ao conceituar o governo eletrônico com a aplicação de tecnologia 
da informação para o desenvolvimento nacional”. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 
14). Esta visão permite discutir o papel do Estado, e de como ele pode fomentar 
a participação dos cidadãos (inclusão). Não obstante,
TÓPICO 2 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
141
3 À GUISA DE CONCLUSÃO
Em síntese, nosso exercício nesta primeira seção foi o de apresentar 
questões teóricas sobre a sociedade da informação, como filha de mudanças 
advindas da globalização. Daí o fato de ela estar incluída dentro do processo de 
passagem da modernidade para pós-modernidade, da passagem da sociedade 
industrial para sociedade pós-industrial e os efeitos captados pelos termos: 
hipermodernidade e modernidade líquida. É neste oceano que navega a nau da 
sociedade da informação.
Até aqui, o nosso debate tinha por meta apresentar alguns elementos 
fundamentais, daí o exercício de apresentar algumas fontes (relicários, autores) 
conceituais, num primeiro momento, para cair numa seção de temas práticos 
(perguntas e respostas).
Nas próximas seções iremos aprofundar as questões que concernem 
à sociedade da informação, partindo para profundezas não exploradas nesta 
primeira parte.
[...] também o uso de tecnologias digitais para as funções típicas de 
governo como o controle do orçamento, governo em rede com aplicação 
de governo para governo (G2G), [...], apoio [e desenvolvimento] aos 
programas sociais de inclusão digital, [em suas] experiências nacionais 
e internacionais. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14).
3 Desafios legais da Sociedade da Informação: a discussão em pauta também 
gira em torno das bases legais requeridas pela sociedade digital, sendo que esta 
discussão não fica de fora do território brasileiro.
As mudanças na sociedade da informação envolvem direitos sobre a 
produção e uso do conhecimento com uma velocidade inédita, novas 
demandas são colocadas na elaboração de contratos, no reconhecimento 
das obrigações de patentes e nas questões de governança. A constante 
inovação de produtos e serviços gera novos temas para o debate jurídico 
como os impactos dos processos de contratação on-line, a confiança para 
a realização de negócios na web, a responsabilidade civil no ambiente 
digital, o respeito ao consumidor no comércio eletrônico, as novas 
tendências na área de direito autoral e propriedade intelectual na 
sociedade da informação. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 14).
142
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
LEITURA COMPLEMENTAR
O BRASIL E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Ronaldo Mota Sardemberg
Há mais de cento e cinquenta anos, Tocqueville, em sua obra Da Democracia 
na América, nos dizia: cada novo método que conduza por um caminho mais 
curto para a prosperidade, cada máquina que poupe trabalho, cada instrumento 
que reduza o custo da produção, cada descoberta que facilite a satisfação ou a 
intensifique, é fruto maior do intelecto humano. É principalmente por essas razões 
que um povo democrático se dedica à busca científica, que a entende e a respeita.
Assim também é em nossos dias. Persistem os ideais, embora ainda não os 
tenhamos alcançado de forma plena. A sociedade da informação permitirá o avanço 
na direção de se colocar a ciência em prol do bem-estar da sociedade. Neste sentido, o 
cinema é provavelmente o maior exemplo disso. Cada filme futurista que vemos, de 
alguma maneira precipita, ou no mínimo antecipa boa parte do que teremos no futuro.
O programa sociedade da informação, no Brasil, resulta de trabalho iniciado 
em 1996 pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia – o CCT. Sua finalidade é 
lançar os alicerces de um projeto estratégico, de amplitude nacional, para integrar, 
coordenar o desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação, 
comunicação e informação e de suas aplicações na sociedade, de forma a alavancar 
a pesquisa e a educação, bem como assegurar que a economia brasileira tenha 
condições de competir no mercado mundial.
Consolidando-se como instrumento de crescimento econômico, a internet 
alcançou dimensões dificilmente previsíveis anos atrás, seja como novo meio de 
organização das empresas, seja como mecanismo de universalização do acesso 
da população a bens culturais. A internet, a exemplo do que ocorre em outros 
países, deverá permitir a elevação média da produtividade da economia, ao passo 
que essa universalização irá conformando, progressivamente, o novo direito do 
indivíduo à informação.
No curso da revolução da informação, a internet, em menos de uma década, 
saiu do âmbito restrito dos laboratórios de pesquisa e de grandes universidades nos 
países desenvolvidos para interligar, nesta virada de século, quase cem milhões de 
usuários em todo o mundo.
O crescimento projetado é igualmente expressivo. O número de assinaturas 
individuais na internet chegou, em 2005, a 378 milhões; em 2010, a 720 milhões, 
em termos mundiais e em 2020 provavelmente estará ao alcance de 3 bilhões de 
pessoas, o que significa a metade da população do planeta, atualmente. O comércio 
eletrônico via internet deverá capitanear o uso da rede, estimando-se que no 
TÓPICO 2 | SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
143
próximo quinquênio duplicará a cada ano, e movimentará mais de US$ 4 trilhões 
em 2015 – em contrastecom os US$ 40 bilhões que já movimentava em 1998.
O Brasil está atento às tendências rumo à sociedade da informação, 
como desdobramento natural de uma visão estratégica, de futuro, da área de 
informática, que remonta à década de 70. Ainda em 1988, sob a coordenação do 
Ministério da Ciência e Tecnologia, iniciou-se no país a implantação da internet 
para uso da comunidade de ensino e pesquisa. Em 1995, a internet brasileira foi 
regulamentada, conjuntamente pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo 
Ministério das Comunicações, como um serviço aberto a todos os interessados, 
marcando o início da expansão que, em cinco anos, permitiu o acesso à rede a cinco 
milhões de pessoas. Para a adequada condução dessa estratégia, a constituição de 
um Comitê Gestor revelou-se instrumento fundamental. Reflexo do êxito dessa 
política é o próprio número de hosts conectados à internet no Brasil, que subiu 
de cerca de 18 mil unidades em 1996 para mais de 300 mil em 1999, alçando o 
país ao 14º lugar no mundo. De maneira geral, os números da internet no Brasil 
representam cerca de metade dos números totais da América Latina.
A prioridade que o Governo atribui à implantação da sociedade da 
informação e da Internet2 no país é vivamente reafirmada, haja vista sua inclusão 
entre os programas estruturantes do Avança Brasil, com recursos de todas as fontes 
de R$ 3,4 bilhões para os próximos quatro anos. Esses recursos serão aplicados 
em ações destinadas à manutenção da Rede Nacional de Pesquisa e implantação 
da internet2; pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação; produção 
e exportação de software; aplicações de processamento de alto desempenho; 
desenvolvimento de componentes eletrônicos e microestruturas; inovação no setor 
de telecomunicações; sistemas de bibliotecas digitais; incentivos fiscais; e estudos 
do impacto das tecnologias da informação na sociedade.
Não seria exagero considerar que, em termos estratégicos, este é o mais 
importante dos programas do Ministério da Ciência e Tecnologia no Avança Brasil, 
pois envolve ampla articulação do Governo com toda a sociedade. Somente o 
aprimoramento da sinergia entre o Governo – em suas três esferas de atuação, 
federal, estadual e municipal – a academia e o setor privado permitirá ao país dar 
um novo salto. As implicações socioeconômicas desse salto precisam ser avaliadas 
e discutidas por todos os setores envolvidos e a adequada realização desse debate 
é missão da sociedade da informação.
Um elemento essencial para a construção de uma sociedade da informação 
no Brasil é a implantação de sólida plataforma de telecomunicações, na qual 
possam difundir-se e florescer as aplicações em áreas de alto conteúdo e retorno 
social, como educação, saúde, meio ambiente, agricultura, indústria e comércio. 
Essas metas também estão a requerer a instalação e o fortalecimento de adequada 
infraestrutura de escolas, bibliotecas e laboratórios, a fim de que uma nova geração 
de brasileiros se prepare para o futuro.
Não poderia deixar de referir as funções do próprio Ministério da 
Ciência e Tecnologia nesse processo: nossas ações serão destinadas a incentivar 
144
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
a capacitação tecnológica do país na área de redes de alta velocidade; formar 
parcerias, como a que fizemos com o Ministério da Educação, na nova Rede 
Nacional de Pesquisas; fomentar e financiar o desenvolvimento de novos 
aplicativos; criar um ambiente de pesquisa que utilize e, ao mesmo tempo, 
amplie o papel da internet2; e maximizar os benefícios do desenvolvimento da 
área de redes na Política Nacional de Informática.
No entanto, a internet no Brasil não seria possível sem o extraordinário 
esforço realizado pelo Ministério das Comunicações na expansão e consolidação 
da infraestrutura de comunicações do país e sem a competente atuação da Anatel 
na regulação do setor. Desejaria também registrar a incorporação do Ministério do 
Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio a esse esforço.
Ainda muito temos a fazer em proveito do setor e do país – em conjunto 
com os representantes dos diversos segmentas da sociedade com assento no Comitê 
Gestor, e que, cada vez mais, deverão desempenhar funções empreendedoras 
nesse novo mundo digital.
Tornou-se indispensável que possamos – governo, comunidade acadêmica 
e comunidade empresarial, oferecer à sociedade a possibilidade de beneficiar-se do 
novo ambiente tecnológico, para alcançarmos um novo ciclo de crescimento que 
desponta. E o Programa Sociedade da Informação será um fator de mobilização do 
país rumo ao desenvolvimento social e economicamente sustentável.
FONTE: SARDEMBERG, Ronaldo Mota. O Brasil e a sociedade da informação. Disponível em: 
<https://www.rnp.br/noticias/imprensa/2002/not-imp-020410.html>. Acesso em: 30 jul. 2012.
145
De principal, acerca da sociedade da informação no Brasil, o(a) 
acadêmico(a) pôde conferir:
● Quando se inicia o caso brasileiro: no Brasil, o primeiro movimento com relação 
à sociedade da informação, em sentido mais brando, tem fisionomia a partir da 
década de 1990, a partir do desenvolvimento maciço global de tecnologias de 
informação. O Brasil passou a fazer parte das plataformas e complexas redes de 
interação (RAMOS, 2010).
● Início a partir da perspectiva estatal: no início do século XXI (2002), o Brasil, 
a partir da perspectiva estatal lança um conjunto de propostas vinculadas (no 
chamado Livro verde da sociedade da informação) à sociedade da informação, 
propostas estas que tinham por meta abarcar a totalidade da sociedade.
● Especificamente falando, o livro reunia um conjunto de propostas oriundas de 
diversos pesquisadores e estudiosos e tinha por objetivo contemplar as seguintes 
áreas (RAMOS, 2010, p. 25):
• Mercado.
• Os serviços ofertados para o cidadão.
• A educação.
• A cultura.
• A disponibilização da infraestrutura do governo para população em 
geral.
• Desenvolvimento de novas tecnologias.
• Criação de uma estrutura de redes e serviços para incluir toda 
população nos processos informacionais.
● Avanços com a sociedade da informação: se muitos avanços positivos advieram 
da sociedade da informação, quais deles são mais perceptíveis? Werthein (2000, 
p. 73) nos apresenta algumas, que enumeramos a seguir:
 
1) [...] a substituição de insumos baratos de energia por informação 
como fator-chave do novo paradigma representa, para a sociedade, 
uma saída inesperada para a questão estrutural da degradação do meio 
ambiente.
2) Porque permite implementar materialmente a lógica de redes, a 
tecnologia permite modelar resultados imprevisíveis da criatividade 
que emana da interação complexa, desafio quase intransponível 
no padrão tecnológico anterior. Se isso dá vazão aos sonhos mais 
delirantes no âmbito das ciências básicas, das aplicações tecnológicas 
avançadas e da estratégia, não deixa também de alimentar sonhos mais 
prosaicos – e não menos significantes – como o de finalmente permitir 
a integração ensino/aprendizagem de forma colaborativa, continuada, 
individualizada e amplamente difundida.
3) A flexibilização que caracteriza a base do novo paradigma é, talvez, 
RESUMO DO TÓPICO 2
146
o elemento que mais fortemente fundamenta as especulações positivas 
da sociedade da informação. É ela que incorpora, na essência do 
paradigma, a ideia de aprendizagem. A capacidade de reconfiguração 
do sistema refere-se a maior disponibilidade para incorporação da 
mudança [múltiplo simultâneo]. A noção de ‘aprendizagem’ passa a ser 
empregada em vários níveis, sendo o organizacional sua aplicação de 
maior significado na reestruturação capitalista no novo paradigma.
● Exemplos da sociedade da informação: quais seriam exemplos mais pertinentes, 
exemplos que usufruímos no cotidiano? Podemos oferecer diversos exemplos, 
dos quais dispostas diariamente:1 Educação a distância.
2 Bibliotecas digitais.
3 Videoconferência.
4 Correio eletrônico (e-mail).
5 Grupos de bate-papo.
6 Redes sociais.
7 Voto eletrônico.
8 Trabalho a distância.
147
AUTOATIVIDADE
Faça uma redação sobre inclusão digital.
148
149
TÓPICO 3
A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Na Europa do século XIX, havia grande preocupação entre os pensadores 
sociais, filósofos, sociólogos e economistas, entre outros, sobre a sobrevivência dos 
indivíduos. Os economistas ingleses, especialmente, se debruçaram e debateram 
sobre o problema. Um deles, chamado Thomas Malthus, tinha uma previsão 
matematicamente catastrófica. Dizia o autor que, em função do crescimento 
geométrico da população, comparado à capacidade aritmética de produção de 
alimentos, não os haveria para todos. Na mesma perspectiva, havia muita dúvida e 
receio quanto ao fato de que, já no contexto da sociedade industrial, a substituição 
da mão de obra humana por máquinas traria miséria e falta de perspectivas para os 
trabalhadores. Cada vez que uma nova técnica de produção, uma nova máquina, 
melhorava o processo produtivo no interior de uma fábrica, os trabalhadores 
sentiam-se ameaçados. Muitas foram as revoltas e quebradeiras. Muitas foram as 
greves, enfim, muitos os conflitos entre trabalhadores e capitalistas, cada vez que 
uma nova máquina era inventada para acelerar o processo produtivo, dispensando 
parte da mão de obra empregada. 
As previsões mais agudas, o pessimismo expresso pelo Romantismo, mas 
também as esperanças de um mundo melhor geraram ideais políticos e utopias, 
entre elas o anarquismo e as variações do socialismo. A descrença no status quo 
era geral. Mais ou menos 150 anos depois, e a despeito da cegueira de nossos 
céticos contemporâneos (em pleno século XXI), podemos constatar que o medo 
escatológico não se confirmou. Não sejamos por demais simplórios e admitamos: 
aquele tempo não foi fácil para a maioria, como outros tempos também não foram. 
Muitas pessoas viveram mal, passaram fome e morreram cedo. Nessa direção, as 
descrições do cenário da Inglaterra de Revolução Industrial foram amplamente 
descritos, seja pelas tintas de Marx e Engels, respectivamente em “O Capital” e “A 
situação da classe operária na Inglaterra”, seja pelas mãos de Charles Dickens em 
“Bleak house” (Casa abandonada).
Mas as previsões agudas e o pessimismo romântico deram lugar a 
alternativas, tentativa e erro, equilíbrios precários, aos trancos e barrancos e, às 
vezes, a largos passos, sobretudo, no século seguinte. Ainda no século XIX, e 
pelos olhos e reconhecimento dos próprios inspiradores da utopia revolucionária 
operária, Marx e Engels, a Revolução Industrial destronava, para a consolidação do 
ideal humanista, a velha crença da submissão do homem às leis da natureza divina. 
As grandes transformações movidas pelo capitalismo mostraram o contrário, isto 
é, provaram que o homem podia submeter a natureza aos seus interesses. 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
150
Assim, podemos dizer, com tudo que foi reconhecido aqui, os agentes 
culturais e políticos em meados do século XIX subestimaram um aspecto de 
fundamental importância na história humana. Nessa direção, trata-se do mesmo 
fator humano gerador de desenvolvimento das técnicas e da riqueza consequente: 
a inteligência humana. É claro que qualquer filósofo, sociólogo ou historiador, seria 
tentado a dizer que foram as lutas políticas que desbravaram novos caminhos. Isso 
não está errado, ao contrário, permitiu que a inteligência humana e o conhecimento 
decorrente avançassem. Não obstante, trata-se de reconhecermos que foi a 
potencialização da formação humana, através da educação, da instrução, do esforço 
cognitivo e, sobretudo, da crença humana de reconhecer em si a capacidade de 
entender o mundo à sua volta e de resolver problemas, nossa principal herança 
humanista-renascentista e depois iluminista.
Nesse ponto, alguém poderia legitimamente nos perguntar: mas não foi essa 
crença, esse otimismo desenfreado na razão – e na ciência, sua filha primogênita 
– que, no século XX redundou nas duas grandes guerras mundiais, afetando 
seriamente a crença e a autoconfiança dos utópicos da razão, de que seríamos 
capazes de resolver nossos problemas através da ciência e do diálogo racional?
É verdade. Ensaio e erro. Essa história de que somos perfeitos porque cria 
do criador ou qualquer coisa que o valha sempre demonstrou seus limites racionais 
e morais. O mesmo aconteceu com o otimismo do positivismo evolucionista 
e sua aposta na razão. Não estamos aqui para uma defesa incondicional do ser 
humano, nem mesmo de oferecer um otimismo contrário aos fatos. Mas não é 
difícil reconhecer algo empiricamente, estatisticamente, demonstrável no percurso 
histórico desses aproximadamente últimos 150 anos: resolvemos muitos problemas 
e, afinal, melhoramos muito de vida. E o fator básico para essa mudança, foi o 
investimento geral em educação.
Os países que fizeram isso se deram bem. É incrível como essa obviedade 
ainda precisa ser dita. Veja-se o exemplo da Inglaterra, berço da Revolução 
Industrial, país cuja história demonstrou isso nesse percurso sesquicentenário. 
A partir de meados do século XIX, depois de muita literatura e filosofia 
denunciando os problemas sociais criados pelo capitalismo sem regras, o Estado 
inglês passou a investir, progressiva e continuadamente, em educação de massa. 
Também, progressiva e continuadamente, como que pela condução de uma “mão 
invisível”, a Inglaterra, seus empresários, mas também seus trabalhadores, foram 
melhorando de vida. Fruto de pressões, lutas e da circulação de ideias que levaram 
a decisões políticas, os ingleses apostaram no investimento educacional. Não sem 
contestação, a preocupação reinante entre políticos e empresários ingleses era a de 
corrigir os erros da economia “sem subverter, contudo, a ordem social”. (NASAR, 
2012, p. 50). Entre esses políticos e empresários, estiveram legiões de leitores dos 
economistas Adam Smith, Stuart Mill e David Ricardo, além do jornalista Henry 
Mayhew e do já mencionado literato Charles Dickens, (autor de Oliver Twist, que 
originou o filme homônimo, de Roman Polanski, 2005). Em algum momento de seus 
escritos, eles reconheceram na educação uma saída, ao contrário de Marx, Engels e 
outros socialistas, que apostavam na revolução armada a partir da organização da 
classe operária. Ao contrário dessa aposta, a Inglaterra preservou a propriedade, 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
151
a liberdade, e investiu em educação. Ao longo dos anos, isso tornou os homens 
comuns mais instruídos, qualificou a mão de obra, tornou trabalhadores mais 
criativos e gerou mais empreendedores.
O sociólogo alemão, Max Weber, reconheceu, já no início do século XX, o 
valor do conhecimento para a organização da sociedade alemã. Segundo o sociólogo 
norte-americano Richard Sennett (2008), foi Weber quem sacou que, ao adotarem 
o modelo burocrático racional do exército prussiano no século XIX, as empresas 
privadas e os governos tornaram-se mais organizados, menos instáveis, mais 
previsíveis e prósperos, o que de modo geral, salvou o capitalismo. Foi também 
Sennett (2006) que afirmou em seu belo ensaio a respeito do “novo capitalismo”, 
mencionando a Inglaterra, que foi o aumento da instrução que elevou rapidamente 
a partir da metade do século XIX os índices de produção e os sociais.
2 O CONHECIMENTO NO SÉCULO XX
E o que podemos dizer, nesses termos, do século XX? Perguntemos em 
outras palavras: o que explica o desenvolvimento econômico, político e social dos 
países? E perguntemos ainda de maneira invertida: o que, afinal, explica a falta de 
desenvolvimento de muitos países? Ora, para uns e para outros, o eixo estrutural 
da resposta é o mesmo: educação. Sua prioridadelevou países ao desenvolvimento. 
Sua displicência explica o atraso. Com todo o respeito a tudo que já se disse acerca 
do desenvolvimento das sociedades, tudo o mais que se disse é periférico.
Nessa direção, podemos elencar as principais potências mundiais, podemos 
incluir os emergentes, entre eles os BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do 
Sul]. Se fizermos as perguntas precedentes, o eixo da resposta será o mesmo para 
todos. Se, por exemplo, o Brasil foi um país atrasado há cinquenta anos e hoje 
alcança condições promissoras de entrar no Clube dos Grandes, isso dependeu e 
dependerá basicamente dos índices educacionais. Serão, portanto, os índices de 
educação, o nível de instrução, a qualidade do sistema educacional, incluindo as 
universidades e, por extensão, seu grau de inserção da sociedade informacional, 
que determinarão nossas condições futuras e os destinos de todos nós. Não haverá 
qualquer outra explicação mais plausível. 
Mas não será qualquer educação que nos assegurará, acadêmico(a), 
o ambiente favorável à potenciação de nossas condições de promoção do 
desenvolvimento. Isso dependeu do estabelecimento de consensos nacionais nos 
países desenvolvidos e dependerá também da capacidade política da sociedade 
brasileira de estabelecer esse consenso. Dependerá de suas elites políticas, 
econômicas e intelectuais, tanto quanto de seus segmentos mais organizados e 
esclarecidos, incluindo os meios de comunicação, e da capacidade de esclarecer e 
convencer a parte menos instruída da sociedade. Um país como o Brasil não pode ao 
mesmo tempo querer ser uma potência mundial, ostentando índices educacionais 
e resultados pífios em português e matemática, classificados no último quadrante 
do ranking mundial da educação, em 2012.
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
152
Nesse aspecto, sem a pretensão de uma proposta pedagógica, cabe 
apenas reconhecer um princípio geral, norteador universal, da boa educação, e o 
denominemos de um princípio estético, ao mesmo tempo ético, através da ideia 
de “fazer a coisa certa”. Essa simples ideia norteadora, para aquém ou para além 
de todas as teorias pedagógicas, não é difícil de entender, principalmente ao nos 
reconhecermos como integrantes da civilização ocidental, cujas categorias morais 
e racionais são amplamente difundidas e por nós conhecidas. É claro que essa 
ideia ética e estética não é uma exclusividade ocidental, mas teve desdobramentos 
peculiares no Ocidente, na forma de categorias e valores. E, tendo que enunciá-las, 
reconheçamo-las logo, admitindo seu caráter também norteador: o pensamento 
racional e a liberdade, princípios que, ao longo do tempo, constituíram o desejo 
pelo desenvolvimento, uma característica ocidental de tendência universalizante. 
Esse é o desejo de indivíduos e sociedades e, para tanto, o princípio geral do 
“fazer a coisa certa” é também universal, com todo o respeito e sem agressão às 
especificidades culturais de cada povo.
Então estamos entendidos de que esse princípio geral, compreensível 
a qualquer povo ocidental, está vinculado ao conceito de desenvolvimento, ao 
mesmo tempo em que é, ou pode ser, o norte de valores e de pressupostos de 
qualquer sistema educacional numa sociedade que almeja o desenvolvimento 
e precisa construir consensos sociais em torno da educação. E, em se tratando 
de valores, demos razão, ainda uma vez, ao sociólogo Anthony Giddens (1991), 
mencionado no primeiro tópico desta unidade, quando sugere a força do 
papel social dos valores numa sociedade que almeja o desenvolvimento e sua 
inserção na sociedade informacional. Esta é também a posição do engenheiro 
e sociólogo holandês, Wiebe Bijker (1995), ao afirmar que o desenvolvimento 
tecnológico depende de um contexto de liberdades e não constrangimentos ao 
exercício intelectual e à busca da inovação. Portanto, se uma sociedade almeja o 
desenvolvimento tecnológico, seus indivíduos devem ser moralmente favoráveis, 
desimpedidos e estimulados ao exercício intelectual, investigativo, na busca de 
descobertas, da inovação e do espírito empreendedor.
Nessa direção, nos parece plenamente possível e desejável reconhecer 
que os sistemas educacionais de uma sociedade, do ensino fundamental ao 
superior, sejam encarados como os ambientes onde as redes de transmissão 
dos valores mais adequados à inovação e ao espírito empreendedor, como 
ao próprio espírito informacional, nas palavras de Castells (2001), sejam 
estabelecidas. Portanto, recorrendo ao sociólogo Giddens (1991, p. 176), é 
através dos sistemas educacionais, queremos sugerir, que podemos difundir 
“um processo simultâneo de transformação da subjetividade e da organização 
social global”. E, é ainda nessa perspectiva que o mesmo autor entende que 
certos indivíduos e sociedades estariam em melhores condições de se apropriar 
de conhecimento e informação do que outros e outras.
Nessa direção, é possível compreender e admitir que o esforço intelectual 
de qualquer sociedade, principalmente de seus intelectuais e especialistas em 
educação, pode muito bem redundar em estratégias nacionais de disseminação 
de valores. Mais do que isso, dependendo evidentemente das possibilidades de 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
153
estabelecer um razoável consenso nacional, é possível disseminar um etos do 
desenvolvimento, um “espírito informacional”, aludindo novamente ao sociólogo 
espanhol. E a principal rede de difusão desse etos, desse “espírito informacional”, 
é o sistema educacional nacional, dadas as condições institucionais-legais, 
tecnológicas e de capital humano existentes.
Éthos’, «costume», é palavra grega, das áreas da antropologia e da sociologia, 
aportuguesada para etos, sendo o «conjunto das características distintivas de um povo, grupo 
ou comunidade, nomeadamente no que diz respeito a atitudes, hábitos e crenças» (in Grande 
Dicionário da Porto Editora).
Não obstante, para não fugirmos da nossa proposição ético-estética inicial, 
retomemos a ideia do “fazer a coisa certa”, entendendo-a relacionada a um etos 
do desenvolvimento, propondo-o equivalente ao “espírito informacional”. Nesse 
sentido, tratemos esse etos do desenvolvimento na perspectiva do sociólogo 
alemão Max Weber (1985). Max Weber (1985) dizia que é possível compreender 
sociologicamente a sociedade a partir e através do conceito de “ação social”. 
Segundo Weber (1985), uma ação é social quando quem age orienta a sua ação 
tomando os outros como referência para decidir como será a sua ação. Por isso 
Weber (1985) afirmava que era possível pensar sociologicamente e que a sociologia 
era uma ciência viável, já que além do método científico de investigação, a 
sociologia tinha um objeto próprio de investigação: as ações sociais. E ao agirmos, 
orientando nossas ações pelos outros, isto é, tomando os outros em consideração, 
tentando prever como os outros agirão em determinadas situações ou reagirão ante 
as nossas ações, estamos conferindo sentido, isto é, significado às nossas ações. 
Esses significados, que nós atribuímos às nossas ações, Weber (1985) os inseriu em 
quatro categorias de ação social. Portanto, as ações sociais poderiam ser de ordem 
afetiva, tradicional, valorativa e racional com vistas aos fins últimos. Dizia também 
o autor que é praticamente impossível que nossas ações sejam de apenas um tipo, 
puramente uma dessas quatro categorias. Com a maior frequência possível, os 
significados de nossas ações são afetivas, racionais com relação a fins, racional com 
relação a valores ou de tipo tradicional. 
O que nos interessa aqui é insistir nos significados das ações. Muitos dos 
significados que conferimos às nossas ações são coincidentes, convergentes com os 
significados que outros conferem às suas ações. Isso é resultado do convívio social, 
da influência que seres humanos exercemos e sofremos o tempo todo porvivermos 
em comum, numa mesma cidade, região, país ou mesmo num continente etc. esse 
é o grande produto das culturas humanas. Acontece através das religiões, das leis, 
da ciência e, por que não, pela educação. E é por essa via, fundamentalmente, 
que as sociedades contemporâneas podem difundir um etos da valorização do 
NOTA
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
154
conhecimento, do “fazer a coisa certa”, o que contemporaneamente significa 
estudar muito. Todas as sociedades que almejam o desenvolvimento necessitarão 
construir esse consenso em torno do conhecimento. Fazer a coisa certa, estudar 
muito, valorizar o conhecimento: é esse o significado. No caso do Brasil, por 
exemplo, com os recursos institucionais-legais, além do capital humano e das 
tecnologias informacionais, é plenamente possível fazê-lo. 
Admitindo essa possibilidade, pensemos um pouco mais sobre como 
é possível promover o múltiplo desenvolvimento de uma sociedade. Ora, o 
desenvolvimento, que nos parece um conceito tão caro e desejado, está repleto 
de significados. E o significado que proponho aqui é cultural, isto é, de que o 
desenvolvimento é, em grande medida, um produto endógeno e carregado de 
fatores culturais que são intersubjetivados pelos indivíduos de uma sociedade. 
Em outras palavras, quando, ao longo do tempo, indivíduos produzem 
significados às suas ações, os trocam e compartilham, trata-se então desse processo 
intersubjetivo. Assim, quando, ao longo do tempo, muitos indivíduos conferem o 
mesmo significado às suas ações, eles tendem a agir da mesma maneira em certas 
situações, produzindo resultados semelhantes, gerando um etos, isto é, um espírito 
coletivo. Isso permite identificar a ação social, que não é outra coisa do que o elo 
de reprodução cultural do espírito coletivo, seja ele de um país ou de uma cidade. 
Essas ações sociais podem muito ter a ver com o desenvolvimento, como 
Max Weber (1985) percebeu genialmente, cruzando religião e economia, mas 
Tocqueville já o havia feito oitenta anos antes, cruzando religião e política. Os 
dois demonstraram que sempre que muitos indivíduos atribuem racionalmente 
o mesmo significado ético às suas ações, isso terá resultados muito expressivos ao 
desenvolvimento político e econômico de uma sociedade.
A religião foi, e continua sendo, uma fantástica via de transmissão de 
valores intersubjetivados que permitem que, nalgumas circunstâncias, muitos 
indivíduos ajam do mesmo modo, produzindo resultados sociais importantes. 
Mas a hegemonia da religião abriu espaços para outros canais. E, sobretudo no 
século XX, a Educação formal, esse fato social contemporâneo e democrático, 
multiplicador de ações sociais, passou a ser a via de transmissão de certos 
significados nas sociedades que optaram pelo desenvolvimento. É isso que 
podemos esperar que os sistemas educacionais possam fazer no Brasil e nada 
impede que isso comece pelas cidades, por iniciativas de agentes políticos, com 
o apoio de agentes culturais e econômicos. 
Repita-se: escola e universidade são os grandes emissores e transmissores de 
fatos sociais [valores] atrelados à ciência, ao pensamento racional, ao conhecimento, 
enfim, à cultura do desenvolvimento. O elo é sempre uma ação social. E o desafio 
dos agentes culturais, professores, pesquisadores, escritores e jornalistas, entre 
outros, não está somente em concordar com isso, mas em compreender o seu 
significado. Noutras palavras, na sociedade da informação, repleta de redes de 
comunicação e com os recursos institucionais, humanos e informacionais, é tão 
necessária quanto viável à compreensão e à difusão de um espírito informacional, 
um etos do desenvolvimento. Dessa maneira, propomos um entendimento sobre 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
155
este desafio e a identificação de um elo, isto é, de uma ação social, viável, com 
significado relacionado à valorização do conhecimento, da informação, factível e 
em direção ao desenvolvimento, pela Educação.
3 O ELO: UM ESPÍRITO INFORMACIONAL, ETOS DO 
DESENVOLVIMENTO
O desafio, grandioso e alcançável, está na conexão entre a identificação de 
um elo entre as aspirações humanas e sociais e uma ação social, transmissora dos 
valores atrelados à cultura do desenvolvimento. Nessa direção, cabe perguntar: 
qual o significado, atrelado a um tipo de ação social, que podemos identificar 
nas sociedades dos países e das cidades desenvolvidas? Pois é justamente essa 
ideia estética do “fazer a coisa certa”, mencionada anteriormente, que pode ser 
introduzida e difundida nos sistemas educacionais dos municípios, dos estados 
federativos e, se quisermos, por diretrizes nacionais do governo federal. Será 
o resultado de um poderoso debate nacional, a gerar ações coordenadas, entre 
ministérios como os da Educação e da Ciência e Tecnologia. Será por meio da 
cooperação entre os agentes das esferas nacional, estaduais, até as instâncias 
regionais e locais, país a fora, a partir do elenco de um conjunto de conhecimentos 
que dê corpo a essa ideia-força.
“Fazer a coisa certa”: esse é o princípio, o elo entre a vontade de um povo 
e a ação, coletiva e consciente. E esse princípio está intimamente relacionado 
com a noção de estética. Em outras palavras, o seu significado é puramente 
estético. Reflete o ato consciente, preenchido de significado, o mesmo que faz 
com que o cristão, o homem civilizado ou o aluno educado, sigam as orientações 
que lhes são indicadas. Não o fazem simplesmente por obrigação ou temor, 
mas porque atribuem um significado a essas orientações, sobretudo estético, 
desenhando o ato, causando-lhes prazer no cumprimento das orientações, para 
a beleza das coisas do Universo. 
Nesse sentido, vale a pena perguntar se é por acaso, por obra divina, pelo 
fator climático ou pelos significados que os homens atribuem às suas ações, que 
aparecem os gênios da música, os prêmios Nobel, os inventores, os líderes políticos, 
os empreendedores econômicos, os artistas e os grandes atletas. Não. É pelo 
significado estético que conferem às suas ações, que povos conseguem ultrapassar 
as barreiras da ignorância. O resultado geral é o orgulho de ser, que depois passa 
a ser a base de tudo, como dizia Montesquieu: primeiro é o esforço humano de 
produzir as grandes instituições (os valores, as regras); dali para frente, são as 
instituições que produzem os grandes homens.
Acadêmico(a)! Aprenda com os outros. Observe as noções de imagens, 
a combinação de cores, de sons, de formas, de palavras, linhas e traços. O 
desenvolvimento está nesses detalhes, mais que isso, no significado deles. Nos 
filmes de Stanley Kubrick, de Spielberg, na 40ª de Mozart, na revolucionária obra 
de Stravinski, de Vila Lobos, de Chico Buarque, no Ipod de Steve Jobs, no Facebook, 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
156
no Google, nas façanhas de Bill Gates ou na literatura infantil de Monteiro Lobato, 
que disse que um país se faz com homens e livros, e não com telenovelas. 
A propósito, é sugestivo recorrer a uma preocupação que parece simbolizar 
o teor da redação deste tópico. Trata-se de fazê-lo através de um relato particular 
do autor: já proferi algumas palestras a jovens do ensino médio sobre a importância 
de estudar e sobre a importância do português e da matemática. No dia seguinte à 
primeira palestra que proferi sobre o assunto, tomo conhecimento de uma matéria 
de capa, da Revista Veja, cuja manchete dizia: “quem fala bem e escreve bem, 
ganha os melhores salários”. Quero crer que a apreensão estética da língua pátria 
e seu uso regular correto tem uma enorme contribuição ao desenvolvimento de 
uma sociedade. Não se trata de entender o uso correto da língua meramente como 
forma de comunicação. Bem mais do que isso, está ligado ao significado estético 
do “fazer a coisa certa”. E a sua devida consideraçãotem um efeito absolutamente 
negligenciado no Brasil de hoje. A causa disso está relacionada a uma equivocada 
preocupação, fruto de nossa tardia cultura democrática, de respeito às minorias e 
as suas formas não oficiais de expressão, mas essa já é outra história.
Voltando ao uso do “bom português”, estou querendo dizer que o uso 
correto da linguagem produz uma importante noção de beleza da ordem das coisas 
e de sistematização do pensamento. Quero crer que isso tenha ao menos quatro 
efeitos importantes na formação das crianças. O primeiro é esse procedimento; 
insisto, de significado estético, aumenta a inteligência das crianças. Segundo, 
produz nelas uma importante noção de ordenamento das coisas que se refletem nos 
outros afazeres e esferas de relações e ações. Terceiro, aumenta a sua autoestima 
(quem faz a coisa certa, tende a desenvolver o orgulho próprio). E, em quarto, abre 
portas e oportunidades, como sugere a reportagem da revista que mencionei. Por 
extensão, inclui principalmente as crianças mais pobres que, sugere o Professor 
Ederson Motta, da UnC, lembrando o linguista Evanildo Bechara, da UnB: tem 
direito a acesso à norma culta. 
Nesse sentido, me pareceu sempre um enorme equívoco a ideia de aceitar 
as falas erradas. Tendo a concordar, até certo ponto, com os que afirmam que 
ao invés de incluir, produz exclusão. Afinal, sempre houve elites em qualquer 
sociedade e, nas desenvolvidas, o uso correto da linguagem sempre foi uma forma 
de distinção, mas também de inclusão dos que a assimilam. Além disso, receio que 
o incentivo ao erro só ajude a disseminar a estupidez. E isso nada tem a ver com o 
futuro que esperamos. Portanto, digamos sim à beleza das coisas, ao apreço pelo 
conhecimento e ao desenvolvimento do potencial humano e das sociedades que 
constituímos. Lá na frente, o resultado que vislumbro é o feito histórico e político 
do significado estético da ação social: “fazer a coisa certa”, ideia-força capaz de 
interferir no desenvolvimento que, insisto, reside nos detalhes.
Por fim, vale uma boa lembrança sobre a importância fundamental e 
contemporânea, mais do que nunca, da pesquisa para o desenvolvimento da ciência, 
da tecnologia, para a inovação e o empreendimento, na economia, na política e na 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
157
cultura. O século XXI é muito desafiante, e quem não negligenciar a importância e 
as oportunidades do conhecimento, na sociedade informacional, perderá o bonde. 
Uma advertência talvez desnecessária ao leitor é a de que já não estamos sob a égide 
do modo de produção fordista, caracterizado por um sistema hierárquico rígido de 
mando e obediência, isto é, de cumprimento de funções específicas relacionadas 
ao cargo. O modo de produção no capitalismo do século XXI é flexível, ajustável 
às demandas dos indivíduos, que são também consumidores. E uma característica 
bastante contemporânea dos indivíduos na sociedade informacional é que são 
mais instruídos e mais autônomos, isto é, relativamente mais independentes. 
Isto significa que, na perspectiva da relação entre produtor e 
consumidor, não são mais os agentes produtivos que determinam as regras 
da oferta e procura. O engenheiro Henry Ford dizia, no início do século XX, 
que o consumidor podia escolher a cor do carro, desde que fosse preto. Essa 
frase simbolizava o fato de que era o agente produtor quem determinava as 
escolhas do consumidor. Na sociedade informacional, essa relação se inverteu. 
Indivíduos consumidores mais autônomos e instruídos passaram a ter o poder 
de escolha. Fundamentalmente, isso tem a ver com a democracia que, da 
política, logo transbordou para a consciência do consumidor. 
E o que isso tem a ver com a nossa insistência pelo apreço ao conhecimento? 
É que esse consumidor, mais instruído e ciente de seus direitos e de sua liberdade, 
forçou a flexibilidade do modo de produção capitalista, inclusive pelo viés da 
terceirização. O efeito disso, para o mundo do trabalho, é que os profissionais 
precisam estar muito mais preparados, mais informados e, por isso mesmo, 
criativos. Essa é condição no interior de uma organização privada ou pública 
que precisa de profissionais com formação ampla e interdisciplinar, a fim de 
resolver problemas que abranjam a diversidade e a complexidade das demandas 
de um público mais exigente e, com frequência, de livres escolhas. Não obstante, 
é também a condição dos indivíduos profissionais que melhor aproveitam as 
oportunidades, seja pela identificação sociológica das demandas dos consumidores, 
seja pela capacidade de empreenderem de forma autônoma, independente de uma 
condição empregatícia. Nessa direção, é preciso advertir: a economia do século 
XXI é bastante mais terceirizada. Nessa condição, as micro e pequenas empresas 
são cada vez mais necessárias, o que leva a formação profissional cada vez mais 
direcionada à capacidade de empreender. 
Se isto vale para o leitor, vale para qualquer cidade, território, região ou 
país. Não há mais escapatória. Só o conhecimento trará as respostas necessárias. 
Mesmo os recursos naturais, sobretudo as commodities agrícolas, não terão grande 
utilidade se não forem usadas com inteligência. E, se pensarmos nos recursos 
esgotáveis do planeta, é melhor que alguém já esteja pensando no sentido de 
responder aos problemas de falta de água, entre outras necessidades vitais. E 
isso só se faz com muita pesquisa, para inovar, criar tecnologia e garantir nosso 
sustento e nosso desenvolvimento. O que somos? Somos Homo sapiens. 
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
158
LEITURA COMPLEMENTAR
DESAFIOS DA EDUCAÇÃO I (PEGA, PEGA)
Walter Marcos Knaesel Birkner
O cenário é o seguinte: primeiro dia de aulas, crianças no pátio da escola, 
mais um ano de esperanças e preocupações. Com a enorme tarefa de preparar 
as crianças para o futuro do gigante acordado e zonzo, nosso sistema escolar 
continua sem rumo. Faltam professores, lucidez governamental, participação 
cívica, critérios de seleção e incentivo meritocráticos, além da falta estética, ética, 
de erudição, método e filosofia correspondentes às necessidades nacionais.
A tarefa é urgente. Sabemos que o principal problema da educação brasileira 
está na falta de qualidade, não obstante ainda tenhamos oito por cento de crianças 
entre 4 e 17 anos fora da escola. E, pasmem, metade dos jovens entre 15 e 17 fora do 
ensino médio. A tarefa é enorme e espera de nós, acostumados a esperar dos outros.
Outros tempos, no primeiro dia de aula do meu tempo de moleque, a 
preocupação da diretora era aquietar os alunos que brincavam de pegar – verbo 
que hodiernamente mudou de sentido. A velhinha metia medo. Ouvir o nome dela 
provocava curto-circuito e o chão do pátio tremia aos seus passos; a chamávamos 
de General e, pelas costas, fazíamos a saudação nazi – aquilo me rendeu um puxão 
de orelha e uma suspensão. O bicho pegava. Não obstante, lembro que no primeiro 
dia cantávamos o Hino Nacional e o Hino à Bandeira. Praxe. 
Já no primeiro dia letivo deste ano, caminhada matinal numa cidade 
catarinense, ouço, distante, música cuja lírica abusa do verbo pegar no sentido 
erótico contemporâneo. Lembrou outro “hino”. Nada contra. Pensei comigo: o 
cara acordou inspirado. Mas o som não vinha de onde imaginava comum. Vinha 
do pátio de uma escola. Não me atenho ao caso específico. Desconheço o contexto. 
Mas, na mesma manhã, liguei pra escola da minha filha, de onde me acalmaram, 
garantindo não haveria tal programação estética para agradar certo número de 
alunos e desrespeitar o gosto e a educação familiar de outros.
No mesmo dia de volta às aulas, a capa do Jornal de Santa Catarina dizia que 
somente na grande Blumenau faltavam mais de 200 professores. Como é possível 
que, governo após governo, não haja resposta efetiva a isso? Primeiramente, porque 
há um gap entre a urgênciae o consenso nacionais sobre a educação. O país urge, mas 
a sociedade não clama. Em segundo lugar, pelo gap entre necessidade e possibilidade 
de investimentos nas instâncias federativas subnacionais. A maioria não tem recursos 
suficientes. Mas a União tem. E o que faz grande parte de nossos parlamentares 
e governadores? Curva-se, vergonhosamente, aos interesses fisiológicos de seus 
partidos, deixando a futuros heróis iletrados a grandeza da tarefa presente. Nessa 
direção, merece muita atenção a proposta do Senador Cristovam Buarque, cujo teor 
gostaria de discutir em espaço próximo futuro neste jornal. 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
159
O episódio da escola me fez enumerar essas preocupações, cuja reflexão 
requer um espaço aditivo que me proponho a ocupar neste jornal, nas próximas 
edições. Mas, no geral, fica a impressão de que a escola precisa de ajuda, entre tudo 
porque, no específico, faltam critérios a definir o que é conveniente à educação dos 
alunos. O primeiro passo é o engajamento cívico, o que aumenta o conhecimento 
social e alivia o papel da sobrecarregada escola. Logo em seguida, é preciso discutir 
a meritocracia, que premia os melhores no exercício da liderança escolar, assuntos 
que me proponho a discutir em um dos próximos artigos.
DESAFIOS DA EDUCAÇÃO II (O ENGAJAMENTO SOCIAL)
No artigo homônimo anterior, neste jornal, expus um pequeno conjunto 
de preocupações sobre a educação. Naturalmente, o universo dos desafios 
educacionais é bem maior do que o ali anunciado. Isso não me tira, porém, o ímpeto 
de refleti-las aqui. Concluí o artigo chamando à atenção para o engajamento social 
e a meritocracia na educação. A primeira questão não é um problema de ausência, 
mas de insuficiência. É dela que tratarei aqui, reconhecendo que a meritocracia é 
tão urgente quanto dependente do engajamento, exigindo tratamento especial no 
artigo subsequente a este.
Não há novidade em afirmar que a escola funciona melhor quando sente 
o interesse da comunidade, desde os pais até outros atores sociais. Pode-se dizer 
que o bom funcionamento de uma escola passa pelo engajamento social. É uma 
lei de ferro da democracia. Podemos dizer, aliás, que a democracia tão bem faz à 
escola quanto dela precisa, porque a lei de ouro da república é que ela não existe 
sem cidadãos instruídos.
Todavia, chamo à atenção do leitor para dois aspectos da insuficiência 
do engajamento cívico. O primeiro é mais notório e tem a ver literalmente com a 
insuficiência. Isso quer dizer que, em cada escola, a presença de todos aqueles que 
possam realmente ajudá-la é muito bem vinda e necessária. Esses agentes, a quem 
as escolas parecem abertas, são atores intelectuais (professores, pesquisadores, 
escritores e líderes religiosos), econômicos (empresários, funcionários e 
profissionais liberais), e também políticos (o executivo, o legislativo, as lideranças 
comunitárias e os agentes judiciários). Em tese, todos têm algo de importante a 
dizer ou relatar e que interferirá na formação das nossas crianças.
O segundo aspecto tem a ver com o tipo de engajamento. Reconheço que 
seria triste, só de imaginar, uma escola em que pais e professores não estivessem 
empenhados na organização do bingo, da festa junina ou do dia das crianças. Seria 
frio e desastroso que uma empresa privada fosse encarregada disso, selando a 
morte do engajamento cívico no mais egoísta e perigoso dos mundos. Aliás, não sei 
se seria pior ou menos gélido no “admirável mundo novo” de Orwel, em que tudo 
estaria a cargo e sob controle do Big Brother. No mundo real, ambos os modelos já 
foram testados e a lição é sempre a mesma: é o envolvimento humano e seu calor 
correspondente que dá vida a tudo, que semeia os campos floridos e enche de 
felicidade as cidades.
UNIDADE 3 | A INFORMAÇÃO E O CONHECIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE
160
Assim, as escolas precisam do engajamento civil, com todos os atores 
acima mencionados, para o enfrentamento da questão crucial: a qualidade 
do sistema educacional. Sim, não se negue, isso passa pela meritocracia e pelo 
incentivo salarial, não há dúvida. Mas como esperar que isso aconteça sem o 
engajamento civil e a cobrança de uma sociedade organizada e instruída? Santa 
Catarina, por exemplo, passou pela maior greve dos professores do atual século. 
E qual o resultado? Inócuo, ante uma sociedade apática e a grande imprensa 
descomprometida. Até agora ninguém sabe por que nossos professores recebem 
a metade do que paga o estado vizinho. E ninguém sabe por que os recursos da 
União destinados à educação são parcialmente usados para outros fins.
Pois, deixar essa tarefa em mãos de governantes, legisladores e magistrados 
autistas? Está claro que não. A política, caixa de ressonância da sociedade, 
transformou-se na caixa preta que guarda as respostas às perguntas acima. Mas 
foi torcendo o nariz para as “sujeiras” da política e se enclausurando na vida 
privada que a sociedade mesma permitiu isso. Só se esqueceu de que a educação 
de qualidade dos seus filhos também faz parte de seus interesses privados. 
DESAFIOS DA EDUCAÇÃO III (O HÁBITO DA LEITURA)
“Um país se faz com homens e livros”, disse o irrequieto e patriótico 
Monteiro Lobato, incansável fazedor do seu país. Deixou inesquecível contribuição 
ao formar milhões de leitores com seus fabulosos livros e personagens infantis, 
parte deles reunidos no maravilhoso “Sítio do pica-pau amarelo”. Isso contrasta 
com pesquisa recente da Fundação Pró-livro e Instituto Ibope Inteligência, de 
que o brasileiro está lendo menos e menos brasileiros estão lendo, embora a 
interpretação dos resultados não seja simples. Nessa direção, nosso sistema escolar 
precisa externar obcecada e incansavelmente a sua preocupação com isso.
A célebre frase de Lobato é tão simples quanto grandiosa. Responde com 
facilidade porque razão vários países figuram entre os desenvolvidos e o Brasil 
mantenha incertezas quanto à sua grandeza e ingresso nesse clube. Incerteza, sim, 
porque o clube dos desenvolvidos é, invariavelmente, um clube de leitores e o 
Brasil não figura nesse quadro. Pior, parece distanciar-se dele.
É o que diz a mencionada pesquisa. Com amostra de 5.315 pessoas acima 
de cinco anos em todo o país, a pesquisa revela que, no curto período de 2007 a 
2011, caiu de 4,7 para 4 o número de livros lidos anualmente pelos que leem no 
país. E o número dos que leem caiu de 95,5 mi para 88,2 mi no mesmo período. Na 
contrapartida, aumentou o número de espectadores de TV, vídeos e usuários de 
lazer e entretenimento de internet.
Reconheçamos que há muitas variáveis nessa pesquisa, impossíveis de 
consideração neste breve espaço. É Assim que faz lembrar o presidente do Ibope 
Inteligência, Hélio Gastaldi, que a maioria dos leitores é jovem e que o aumento da 
expectativa de vida – idosos que não leem – interfere na estatística. De todo modo, 
o número total de leitores caiu e, de resto, já sabemos que o brasileiro é quem passa 
mais horas na frente da TV, que somos ruins de matemática e falamos errado, 
TÓPICO 3 | A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
161
conquanto paradoxalmente sejamos os mais otimistas do planeta e que há mais 
coisas entre o céu e a terra do que conhece nossa vã filosofia.
Na dúvida, entretanto, cabe uma defesa ao nobre hábito da leitura e de 
dirigi-lo aos estimados professores. Sem rodeios, não me parece descabido 
adverti-los, meus colegas de profissão, pela simples razão apontada pela pesquisa, 
e lembrada pela presidente do Instituto Pró-livro, Karina Pansa: a principal 
influência no hábito do brasileiro leitor é o professor, do ensino fundamental ao 
superior. Karina Pansa analisa que “se você vê o prazer que o seu professor tem 
pela leitura, vai se perguntar por que. E terá a inquietude de querer saber por que 
ele gosta tanto daquele livro”.
A tarefa é simples. Não há método. Tudo consiste em dar oexemplo, é o que 
não cansam de dizer psicólogos infantis: uma criança vê um adulto lendo e, desde 
que esse adulto seja uma boa referência – pai, mãe, irmão ou professor – a criança o 
imitará, e o maior passo ao seu futuro, para a sua felicidade, terá sido dado.
Você leitor, entre os quais quero crer professores, já sabe disso. Sabe, porque 
já passou pela fantástica experiência de quem, ao ler, desperta enormemente a sua 
imaginação. E isso está longe de ser um privilégio exclusivo às crianças. Ao lermos, 
fazemos vários intervalos reflexivos, pensamos nos fatos e em nossas intenções, 
fazemos relações, produzimos sinapses, encontrando soluções aos problemas do 
trabalho, da vida e, como fosse mágica, ficamos mais espertos e autoconfiantes. 
Assim, de sobra ativamos nossa serotonina, dormimos mais satisfeitos e acordamos 
mais dispostos. Agora me desculpe o leitor pelo otimismo, mas, noves fora, 
justamente na “era da informação”, não é justamente esse comprovado efeito da 
leitura prazerosa a cachaça da vida que todos procuramos?
FONTE: Disponível em: <http://www.polisemdebate.com.br/sala_d.php?id=47>. Acesso em: 30 
jul. 2012.
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Neste tópico, tratamos:
● Das questões do avanço do conhecimento em nossa sociedade ocidental. Desde 
Malthus e sua teoria pessimista de crescimento populacional, até Marx e Engels, 
demonstrando a importância do saber e do conhecimento para o desenvolvimento 
técnico-científico e social de um país.
● Também do desenvolvimento no século XX assim como o não desenvolvimento 
de tantos outros países e o motivo desse fato. 
● Do fator predominante para o desenvolvimento que é a educação das nações, 
sendo afirmado que a escola e a universidade são os grandes emissores e 
transmissores de fatos sociais atrelados à ciência, ao pensamento racional, ao 
conhecimento. 
RESUMO DO TÓPICO 3
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A partir da leitura atenta do texto – Desafios da Educação – na leitura 
complementar da Unidade 3, desenvolva um texto que aponte os desafios 
enfrentados pela educação no Brasil e na escola em que atua.
AUTOATIVIDADE
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