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ESTRUTURAS METÁLICAS EM PERFIS LAMINADOS E SOLDADOS - DIMENSIONAMENTO Professora: Tauana de Oliveira Batista E-mail: tauanaobatista@gmail.com Quando uma barra, submetida a forças externas, sofre uma redução no seu comprimento, e essa redução ocorre de forma uniforme, ou seja, todas as suas fibras sofrem uma mesma deformação, pode-se concluir que a barra está sujeita a uma força atuando de fora para dentro, normal ao plano da sua seção e aplicada no centro de gravidade dessa seção. A esta força dá-se o nome de compressão simples ou axial. 6.1 Introdução 6.1 Introdução Peças comprimidas axialmente são encontradas em: componentes de vigas e pilares treliçados; alguns tipos de contraventamentos; escoras; pilares. Quando a força axial de compressão em uma barra de eixo perfeitamente reto atinge um determinado valor, a barra se torna encurvada, em um fenômeno conhecido como flambagem por flexão. A partir dessa configuração, a barra não consegue suportar mais acréscimos de força. Esta perda de estabilidade da peça pode ocorrer, bem antes que seja atingida a tensão de escoamento do material. 6.2 Flambagem por Flexão de Barras Retas Se uma barra reta, bi-rotulada, constituída de material homogêneo e elástico, isento de tensões residuais, estiver submetida a uma força de compressão centrada, o valor da força que causa flambagem será: P P x y y (1) Os primeiros estudos sobre instabilidade foram realizados pelo matemático Leonhard Euler (1707-1783) 2 2 L EINe Carga crítica de flambagem elástica ou Carga de Euler (1) onde: E é o módulo de elasticidade do material, I é o momento de inércia da seção em relação ao eixo de flexão e L é comprimento da coluna. 6.2 Flambagem por Flexão de Barras Retas 2 2 2 2 KL EI L EIN e e Le é o comprimento de flambagem da barra igual a distância entre os pontos de momento nulo da barra comprimida, deformada lateralmente. A equação da força de flambagem elástica deduzida para uma barra bi- rotulada pode ser utilizada para outras condições de contorno de extremidades de barra, conforme Tabela E.1 da NBR 8800. Para isso, é necessário definirmos um comprimento equivalente para a barra sujeita a flambagem, chamado de comprimento de flambagem, Le. 6.2 Flambagem por Flexão de Barras Retas Le é dado pelo produto KL, onde K, denominado coeficiente de flambagem, tem os valores dados na Tabela E.1 da NBR 8800 para diferentes condições de contorno e L é o comprimento real da barra . Observações: É importante observar que os valores do coeficiente de flambagem K apresentados na Tabela E.1 da NBR 8800 são para elementos isolados. Nas barras comprimidas pertencentes a subestruturas de contraventamento e nos elementos contraventados, com a análise estrutural realizada segundo as prescrições desta norma, pode-se tomar K igual a 1,0. 6.2 Flambagem por Flexão de Barras Retas Observações: As condições de contorno da tabela são teóricas, ou seja, rótula e engastamento perfeitos dificilmente podem ser reproduzidas na prática. Assim, um engastamento real permite uma pequena rotação junto a ele, na barra, o que faz com que a carga de flambagem da barra se reduza. Por isso, devem ser utilizados os valores recomendados de kx ou ky. Ao contrário, a imperfeição da rótula aumenta o valor da carga de flambagem da barra, o que reduz o valor de K, mas esta redução, é desprezada por questões de segurança. 6.2 Flambagem por Flexão de Barras Retas Na prática, as barras geralmente apresentam uma curvatura inicial e, o comportamento de barras comprimidas com curvatura inicial difere substancialmente do comportamento das barras de eixo reto. Enquanto estas últimas permanecem com eixo indeformável até a força de compressão atingir a força de flambagem, as barras com curvatura inicial têm o deslocamento lateral continuamente aumentado com o acréscimo de força, até não conseguirem mais resistir às solicitações. 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial A figura abaixo mostra o comportamento de uma barra bi-rotulada comprimida com curvatura inicial até o colapso. As seguintes etapas precedem o colapso: 1. A tensão em qualquer ponto da seção transversal (provocada pelos esforços de compressão e momento fletor, sendo este último o produto do esforço de compressão versus a curvatura da barra em um determinado instante) é menor que a tensão de proporcionalidade. (1) 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial 2. O esforço de compressão atinge um valor, representado por Nr, onde tem início o escoamento da seção da barra mais comprimida, no caso, a seção central (atua o maior momento fletor), na região onde a soma tensão atuante mais tensão residual de compressão é maior. (2) 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial 3. O escoamento vai se propagando pelas fibras internas da seção transversal central e para seções vizinhas, o que faz com que a rigidez à flexão da barra se reduza cada vez mais, uma vez que as regiões plastificadas não suportam acréscimo de tensão. 4. A barra atinge o valor da força axial resistente, representada por NRk, quando se forma uma rótula plástica na seção central e, consequentemente, a barra não consegue mais resistir aos esforços, entrado em colapso. (3) (4) 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial O valor da força axial resistente de uma barra, NRk, depende fundamentalmente das tensões residuais existentes nos perfis estruturais. Assim, considerando perfis diferentes, porém com o mesmos valores de índice de esbeltez e de área da seção transversal, a força resistente é tanto menor quanto maior for a intensidade das tensões residuais de compressão, uma vez que o escoamento se inicializará antes assim como a redução da rigidez da barra. 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial Até em um mesmo perfil, as tensões residuais podem alterar o valor da força resistente quando a flexão ocorre em eixos diferentes. Esse é o caso dos perfis I laminados com a mesma esbeltez em relação aos eixos x e y, nos quais as tensões residuais de compressão são máximas nas extremidades das mesas. Essas extremidades, que se plastificam primeiro, têm uma contribuição mais significativa para a rigidez à flexão em relação ao eixo y que em relação ao eixo x, e, portanto, a queda de resistência em relação ao eixo y é mais pronunciada. 6.3 Flambagem de Barras com Curvatura inicial O valor da força de compressão resistente de projeto em barras de aço depende da esbeltez, da área da seção transversal, da resistência ao escoamento, da curvatura inicial e da distribuição e intensidade das tensões residuais e do fator de ponderação da resistência. Sua determinação é complexa, envolvendo análises numéricas sofisticadas e ensaios laboratoriais. Uma vez que as tensões residuais variam praticamente de perfil para perfil, a rigor são obtidas dezenas de curvas de resistência. 6.4 Força de compressão resistente de projeto A NBR 8800:2008 adota uma única curva para determinação da força de compressão resistente de projeto. Em termos de formatação, esta curva, fornece o valor do fator adimensional , chamado de fator de redução associado à resistência à compressão para barras comprimidas com curvatura inicial, em função do índice de esbeltez reduzido, 0. 2 0658,0 2 0 877,0 Se 0 > 1,5 Se 0 ≤ 1,5 e yg N fQA 0 Onde: 6.4 Força de compressão resistente de projeto Flambagem elástica Flambagem inelástica )(0133,0 )(0113,0 0 0 KL KL MR250 AR350 6.4 Força de compressão resistente de projeto A força axial de compressão resistente de cálculo, Nc,Rd, de uma barra, associada aos estados-limites últimos de flambagem global por flexão, por torção ou flexo-torção e de flambagem local, deve ser determinada pela expressão: onde: é o fator de redução associado à resistência à compressão, dado pela curva; Q é o fator de redução total associado à flambagem local; Ag é a área bruta da seção transversal da barra; a1 é o coeficiente de ponderação daresisitência, igual a 1,1. 6.4 Força de compressão resistente de projeto O índice de esbeltez reduzido depende do valor da força axial de flambagem elástica Ne. Deve-se então procurar o menor valor de Ne, que permitirá chegar ao maior valor de esbeltez reduzida 0, e consequentemente aos menores valores de e portanto, da força de compressão resistente de projeto. O menor valor de Ne deve ser pesquisado a partir dos possíveis modos de flambagem global de uma barra. A flambagem global pode ocorrer por flexão, por torção ou por flexo-torção. 6.5 Valor da força de flambagem elástica, Ne 2 0 877,0 Se 0 > 1,5 e yg N fQA 0 • Flambagem por Flexão – ocorre alteração da forma do eixo da barra, inicialmente retilineo; • Flambagem por Torção – quando, sem alteração da forma do eixo da barra, ocorre a rotação de uma das suas extremidades em relação à outra; 6.5 Valor da força de flambagem elástica, Ne • Flambagem por Flexo-torção: quando ocorre simultameamente, alteração na forma do eixo da barra e torção de uma seção em relação à outra; Como no Brasil geralmente são usadas seções transversais duplamente simétricas, somente serão estudadas nesse curso, seções duplamente simétricas I ou H. 6.5 Valor da força de flambagem elástica, Ne Seções duplamente simétricas A flambagem pode ocorrer por flexão em relação aos eixos x e y ou por torção pura, deve-se adotar o menor dos valores: 2 2 xx x ex LK EIN 2 2 yy y ey LK EI N GJ LK EC r N zz w ez 2 2 2 0 1 Para perfis I ou H, a flambagem por torção só ocorre se a barra possuir comprimento de flambagem por torção KzLz superior aos comprimentos de flambagem por flexão KxLx e KyLy. Situação prática incomum. Portanto, nesse curso, não será necessário o cálculo de Nez. 6.5 Valor da força de flambagem elástica, Ne Instabilidade caracterizada pelo aparecimento de deslocamentos transversais às chapas componentes de um perfil, na forma de ondulações. A ocorrência de flambagem local depende da esbeltez da chapa, ou seja da razão largura sobre espessura, b/t . 6.6 Flambagem Local O estado limite de flambagem local é considerado na determinação da resistência à compressão de barras de aço por meio do coeficiente de redução Q. Assim perfis que não sejam compactos possuem um coeficiente de redução menor que 1,0, reduzindo-se assim a resistência à compressão de barras em decorrência da flambagem local. Para perfis compactos, ou seja, perfis nos quais todos os elementos planos da seção apresentem uma esbeltez b/t inferior ao limite p dado pela NBR 8800:2008, não há a possibilidade de flambagem local. 6.6 Flambagem Local 6.6 Flambagem Local Valores limites de b/t em chapas componentes de perfis em compressão axial para impedir que a flambagem local ocorra antes do escoamento do material (NBR8800) En rij ec id o 6.6 Flambagem Local nr ije ci do 2. Flambagem Global 3. Flambagem Local 1. Escoamento por compressão 4. Interação entre dois ou mais estados limites acima citados A não ocorrência de nenhum dos estados limites últimos citados é assegurada quando: 𝑁 , 𝑁 , 𝜒𝑄𝐴 𝑓 𝛾 6.7 Estados limites últimos O índice de esbeltez das barras comprimidas, tomado como a maior relação entre o comprimento de flambagem e o raio de giração correspondente (KL/r), não deve ser superior a 200. Essa exigência se justifica pelo fato de barras comprimidas muito esbeltas serem muito sensíveis a variações nas imperfeições iniciais, flexíveis e sujeitas a vibrações. limitação da esbeltez 6.8 Estados limites de serviço Determinar a resistência de cálculo à compressão do perfil W150 x 37,1 kg/m de aço ASTM A36 com comprimento de 3m, sabendo-se que suas extremidades são rotuladas e que há contenção lateral impedindo a flambagem em torno do eixo y. Comparar com o resultado obtido para uma peça sem contenção lateral, podendo flambar em torno do eixo y-y. Exercício 1 139 11,6 11,6 162 0,81 154 Exercício 1.1: Calcular o esforço normal de projeto para o perfil com extremidades: a) Engastada e rotulada b) Engastada e livre Dados: Ag=47,8cm² Eixo x-x: Ix=2244cm^4 ix=6,85cm Eixo y-y: Iy=707cm^4 iy=3,84cm Determinar a resistência de cálculo à compressão do perfil I 152,4 x 18,5 kg/m de aço ASTM A36 com comprimento de 3m, sabendo-se que suas extremidades são rotuladas. Exercício 2 134 9,2 9,2 152,4 5,84 84,6 Dados: Ag=23,6cm² Eixo y-y: Iy=75,7cm^4 iy=1,79cm