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Letícia Morais | Farmacognosia II – Aula 1: Alcaloides SIMÕES, Cláudia et al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Porto Alegre: Artmed, 2017. Capítulo 20 a 25. CAPÍTULO 20 – ALCALOIDES: GENERALIDADES E ASPECTOS BÁSICOS ► O termo alcaloide surgiu no século XIX → metabolitos isolados que apresentavam características de álcali (base). ► Atualmente: alcaloide = “substancia orgânica cíclica contendo nitrogênio em um estado de oxidação negativo que possui distribuição limitada entre organismos vivos” – Pelletier. Não representam um grupo homogêneo, apresentando grande diversidade estrutural. Possuem caráter básico devido a presença do nitrogênio com par de elétrons não compartilhados. Em vegetais, formam sais com ácidos orgânicos. Figura 1: Classificação HISTÓRICO ► Uso de plantas contendo alcaloides data de mais de 4.000 anos pelo povo assírio. ► Hipócrates, Aristóteles, Galeno e Paracelso: estudaram, direta ou indiretamente, potencial dos alcaloides e serviram como base para estudos que se seguira. ► Além do uso medicinal, alcaloides eram empregados em assassinatos, feitiçarias e rituais religiosos. ► A coniina foi isolada em 1820 e teve sua estrutura elucidada após 50 anos, sendo a primeira a ser elucidada e sintetizada (1889). BIOSSÍNTESE ► Enorme variedade estrutural → diretamente relacionada às unidades precursoras e à via biossintética. ► Os aminoácidos precursores podem ou não ser aromáticos. ► Um mesmo precursor pode dar origem a diferentes subclasses. Figura 2: Origem Figura 3: Base de Schiff e reação de Mannich ► Uma das principais reações envolvidas na biossíntese de alcaloides é a formação da base de Schiff intermediaria seguida da reação de Mannich. As metilxantinas são obtidas por via biossintetica independente de aminoácidos. DISTRIBUIÇÃO ► Encontrados especialmente em plantas superiores (angiospermas), mas já foram descritos em organismos marinhos, fungos, bactérias e animais. ► Com frequência, uma mesma família é capaz de biossintetizar diferentes classes de alcaloides. ► Não podem servir como marcadores quimiotaxonômicos. ► Em alguns casos, alcaloides são extremamente específicos (ex.: morfina e tebaína). Quimiotaxonomia: A distribuição dos grupos estruturais é diversificada, nem sempre seguindo padrões quimiotaxonômicos. LOCALIZAÇÃO NOS VEGETAIS ► Tendem a se acumular em tipos celulares específicos, nos quais irão desempenhar função fisiológica. ► Em geral, estão presentes em tecidos externos, como epiderme, primeiras camadas corticais e tegumentos das sementes. ► Se acumulam na forma de sal hidrossolúvel ou em associação com taninos. ► Podem ser biossintetizados em diferentes estruturas e transportados até local de acumulo. Sendo que após transporte, pode sofrer modificações estruturais. PAPEL FISIOLÓGICO ► Produção de alcaloides = ↑custo energético → não são resíduos. ► Papeis desempenhados: PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS ► Alcaloides isolados: forma sólida como cristais, raramente coloridos. ► São sólidos à temperatura ambiente pouco estáveis a luz, pH e aquecimento, os sais são mais estáveis e, em geral, alcaloides apresentam sabor amargo. A solubilidade depende da forma em que se encontra. ► Forma básica: insolúveis/pouco solúveis em água e solventes de ↑polaridade. Em meio ácido podem ficar protonados e serem solúveis em água e solventes polares. Podem formar sais resultando em dissolução em meio aquoso e tal forma é escolhida para armazenamento (cristais = estabilidade). ► Em meio básico: alcaloides são mais solúveis em solventes apolares. Em meio ácido: solúveis em solventes polares. ► Alcaloides podem apresentar caráter neutro ou ácido. A presença de grupos doadores de elétrons próximos ao nitrogênio aumenta a basicidade, enquanto grupos elétrons atraentes diminuem disponibilidade do par de elétrons e basicidade. REAÇÕES DE IDENTIFICAÇÃO EM FARMACOGNOSIA Métodos de identificação 1. Formação de sais duplos com metais: precipitados (Hg, Au, Pt...) amorfos ou cristalinos de diferentes cores, precipitando em presença de proteínas e fenóis; 2. Reações histoquímicas: regiões superficiais → Teste de Dragendorf (solução de iodeto de potássio e subnitrato de bismuto) e Teste de Wagner (solução iodeto de potássio e cloreto de mercúrio); 3. Prova do odor: cocaína em KOH metálico → odor éster metílico do ácido benzoico. Caracterização ► CCD: simples, acessível e sensível. Os reveladores específicos são Dragendorf e luz UV. Já os reveladores gerias são Dragendorf, Mayer e Wagner. ► Reações químicas → reagentes gerais: a) Dragendorf: solução de iodeto de potássio e subnitrato de bismuto; b) Wagner: solução de iodo e iodeto de potássio; c) Mayer: solução de iodeto de potássio e cloreto de mercúrio; d) Hager: solução saturada de ácido pícrico. MÉTODOS DE EXTRAÇÃO E FRACIONAMENTO A extração e o isolamento são baseados na seguinte propriedade: os alcaloides possuem caráter básico devido a presença de nitrogênio com par de elétrons não compartilhado, em soluções aquosas acidas, serão convertidos na forma de sal e quando tratados com soluções alcalinas, o nitrogênio irá liberar próton, formando amina livre. ► Extração envolve 2 etapas: extração dos metabolitos e fracionamento. ► A primeira etapa é realizada mediante maceração, percolação ou extração por Soxhlet, enquanto o fracionamento é feito pela partição líquido-líquido utilizando funis de separação. ► Existem 2 métodos para obtenção de fração enriquecida em alcaloides. ALCALOIDES ► Alcaloides líquidos: extração por arraste de vapor, o extrato é aquoso alcalinizada e extraído. Por meio do fluxo supercrítico são obtidos extratos semi-purificados. ► Sais de amônio quaternário (ex.: tubocurarina): não possui próton para ser liberto e não é afetado por tratamento com base. ► Métodos de extração ácido/base: extração industrial, realizados nos campos de colheita. Há mistura bruta de alcaloides. MÉTODOS DE QUANTIFICAÇÃO ► Método de extração deve assegurar o esgotamento total e o uso de reagente de Mayer deve ser aplicado no controle positivo. ► Doseamento de alcaloides totais: a) Gravimetria: drogas com ↑teores de alcaloides. Simples pesagem do resíduo de alcaloides totais obtidos, as impurezas sempre estão presentes; b) Métodos volumétricos: acidimetria de retorno. Mede-se excesso de ácido não neutralizado por alcaloides. ► Doseamento de alcaloide específico: a) Métodos espectrofotométricos: alta sensibilidade e frequentemente preconizados; b) Alcaloides voláteis = cromatografia gasosa, onde os resultados são mais precisos se houver fracionamento previo. MÉTODOS DE CARACTERIZAÇÃO: CLAE → sensíveis, permitindo caracterização, identificação e quantificação. ISOLAMENTO E PURIFICAÇÃO ► Cromatografia em coluna: método mais empregado, usando sílica gel como fase estacionaria e solventes de polaridade crescente na eluição. Os reveladores podem ser gerais ou específicos. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS ► Vasta gama de atividades farmacológicas dependentes de sua estrutura química. ► Apresentam característica de neurotransmissores, demonstrando papel de regulação, estimulação e indução de funções. ► Interagem com canais de sódio, receptores muscarínicos, acetilcolinesterase, receptores opioides e etc. ► Usados no tratamento de câncer → toxicidade extrapola células cancerígenas. ► Podem apresentar atividade antifúngica, antibacteriana e efeito antiparasitário. ► Contemplam uma gama quase infindável de potenciais, o que justifica grupo e produtos naturais mais estudados e de maior interesse farmacêutico. ► Bem absorvidos por VO, metabolizados no fígado e grandes potencialidades toxicas. CAPITULO 21 – ALCALOIDES QUINOLÍNICOS ► Substancias que apresentam núcleo quinolínico, o qual está relacionado a diferentes atividades farmacológicas.Figura 4: Núcleo quinolínico e derivados ► Exemplos clássicos: quinina, quinidina, cinchonina e cinchonidina. ► Biossíntese derivada do triptofano. ► Isoladas do gênero Cinchona, contribuíram para tratamento da malária e desenvolvimento de fármacos. ► A Camptotecina está relacionada com promissora atividadecitotóxica e mecanismo de ação, que contribuem para desenvolvimento de fármacos para tratamento de câncer. A molécula em si é altamente toxica, não sendo utilizada na terapêutica. HISTÓRICO ► Amargo das cascas afugentava indígenas do seu uso. ► Histórias contam propriedades das cascas de quina para a cura da febre. ► Jesuítas: importante papel na disseminação da espécie na Europa. ► Depois de 1820, a quinina foi isolada e o alcaloide purificada passou a ser utilizados para tratamento da malária. ► Coquetel gim-tônica foi inventado na Índia por soldados ingleses que misturavam aguardente de zimbro com quinina. ► No início do século XX, a quinina não era tão efetiva no tratamento da malária e tinha muitos efeitos colaterais. Em 1920, surgiram os fármacos sintéticos, entretanto o uso intenso destes levaram à resistência do Plasmodium, fazendo com que quinina voltasse a ter papel importante. OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO ► Pertencem ao grupo de fármacos arilaminoálcoois e são extremamente basicos, em geral apresentados na forma de sal. ► Encontrados, sobretudo, nas cascas de especies do genero Cinchona (Rubiaceae). ► Espécies são caracterizadas como arvores nativas da America do Sul e atualmente são cultivadas na Asia, Oceania, África e America do Sul. ► Para obtenção dos alcaloides, as cascas são retiradas de arvores de 8 a 12 anos de idade. ► Hibridos das especies podem apresentar conteudo alcaloídico de ate 17%. Os 4 alcaloides mais encontrados são quinina, quinidina, cinchonidina e cinchonina. ► Outros metabolitos secundarios podem ser encontrados nas especies, sendo que as antraquinonas podem ser encontradas em altas concentrações. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS E USO TERAPEUTICO ► Cascas de quina → distrubios do TGI, tratamento da malaria e controle de arritmias. Alcaloide Atividade Importância e uso Quinina Antimalarico e auxilia processo digestivo Antimalarico em casos gravez; desenvolvimento de novos farmacos antimalaricos; aditivo amargo em alimentos Quinidina Antimalarica e antiarritmica Desenvolvimento de novos farmacos antimalaricos e prevenção da recorrencia de taquicardia ou fibrilação venticular Camptotecina Inibidos da topoisomerase Desenvolvimento de farmacos antitumorais e semissintese de topotecano e irinotecano ► Atividade antimalarica x Alcaloides: quinidina e cinchonina são mais ativas, sendo que quinidina até ↑2-3x quinina frente a cepas de Plasmodium falciparum sensiveis e resistentes à cloroquina. Ainda, desmonstrou que quinidina apresenta efeito cardiaco, não podendo ser usada como antimalarico → quinina = fármaco de escolha. ► Atividade antimalarica está relacionada com a presença do núcleo quinolinico e da estereoquimica da porção 1,2-aminoalcool, sendo ativas as que apresentam conformação eritro. ► Quinina x Arritmia: indicada na manutencao do ritmo sinusal em pacientes com fibrilação atriais e na prevenção da recorrencia de taquicardia ou fibrilação ventricular. ► Quinidina é capaz de inibir fibrilação, bloqueando canais de sódio e potassio. Problema: rapida absorçao pelo TGI → ↑risco de sobredosagem = parada diastolica e morte. ► Alcaloides da quina são extensamente metabolizados pelo figado e 20% da dose são excretados de forma inalterada na urina. ► 3-hidroquinina (metabolito da quinina) pode se acumular e possivelmente causar toxicidade em pacientes com insuficiencia renal. ► Efeitos adversos: cinchonismo (zumbido, cefaleia, tontura, rubor e pertubaçoes visuais), vomitos, diarreia e dor abdominal. ► Ainda, quinina apresenta efeito relaxante da musculatura esqueletica, sendo usada no tratamento de caimbras noturnas. CAPÍTULO 22 – ALCALOIDES ISOQUINOLÍNICOS ► Grupo com grande variedade de subgrupos químicos, tendo origem comum a partir da dopamina, que passa por uma adição de base de Schiff com aldeídos diferentes. ► Exemplos clássicos: morfina (representante mais conhecido), codeína, papaverina, tubocurarina. ► Formados a partir da fenilalanina, que origina tiramina e dopamina por meio da tirosina e da 1-DOPA. HISTÓRICO ► História data de 3400 a.C. → Papaver somniferum (Mesopotâmia) = obtenção de ópio. ► Hipócrates: ideia de que ópio era mágico, usando-o como analgésico. ► Uso recreativo do ópio teve inicio por volta de 1600, na Pérsia e Índia, onde era misturado com alimentos e bebidas. A expansão comercial e navegação contribuíram para disseminar tráfico de ópio. ► 1805: Setürner isolou morfina do ópio, descobrindo caráter básico dos alcaloides. ► Lendas indígenas: raízes de ipeca usadas por animais originaram o uso como emético e antidisentérico. ► Galantamina: descoberta em espécies de Galanthus e nos bulbos de narcisos e lírios, na Ásia era usada para tratar dores de cabeça. Hoje, usado no tratamento de Alzheimer. OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO ► Ópio: obtido do látex dos frutos imaturos de Papaver somniferum. ► Ipeca: consiste na raiz de Carapichea ipecacuanha, espécie nativa da América Central e América do Sul. ► Curare: extrato aquoso feito principalmente do cipó de espécies da família Minispermaceae, existindo 3 tipos, classificados pelos indígenas de acordo com recipiente de preparo e armazenamento. Principal alcaloide do curare de Chondrodendron tomentosum (Brasil e Peru): tubocurarina. ► Boldina: obtida das folhas do boldo-do-chile (Peumus boldus Molina). Hidrastina: raízes ou rizomas secos de Hydrastis canadenses L. (Canadá e EUA). Galantamina: obtida de espécies do gênero Galanthus, Narcissus e Leucojum. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS E USO TERAPÊUTICO Nome popular Nome científico Atividade biológica Uso Papoula Papaver somniferum Antiespasmódica Fitoterápico simples Ipeca Carapichea ipecacuanha Expectorante Fitoterápicos compostos Hidraste Hydrastis canadensis Cicatrizante Produtos homeopáticos Boldo-do-chile Peumus boldus Colagoga e coleretica Fitoterápico simples e composto Curare Chondrodendron tomentosum Bloqueador neuromuscular Obtenção de tubocurarina ► Ópio: analgésico, narcótico, antitussígeno, antiespasmódico, gases, dores do TGI. Morfina é o principal alcaloide e pode desencadear dependência química e psíquica (alivio de dores fortes, euforia e desprendimento mental). A interrupção leva a síndrome de abstinência. ► Ipeca: superdosagem por medicamentos ou envenenamento, ação emético e expectorante. ► Boldo-do-chile: colagogo e colerético → boldina: principal alcaloide e marcador químico da espécie, anticolinérgico (TGI), hepatoprotetor. CAPITULO 23 – ALCALOIDES TROPÂNICOS ► Apresentam estrutura bíciclica denomina tropano (8-metil-8-azabiciclo [3,2,1] octano), formalmente constituída pelos anéis pirrolidínico e piperidíno. ► A depender da estrutura α ou β de um grupamento hidroxila no C3, são formados 2 isômeros geométricos: tropanol e pseudotropanol. A esterificação do grupo -OH com ácidos aromáticos origina os alcaloides tropânicos de maior relevância farmacêutica. ► Historicamente constituíram os protótipos a partir dos quais foram desenvolvidos seus análogos sintéticos. ► Derivados do tropanol: inibem ações da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos. São substancias antimuscarínicas ou bloqueadores de receptores muscarínicos colinérgicos. ► Alcaloides do tipo cocaína: ação anestésico local ao se ligarem reversivelmente a canais de sódio, promovendo inibição do potencial de ação e transmissão do estimulo da dor. ► Ambos os alcaloides apresentam ação no SNC, porém com efeitos distintos. HISTÓRICO ► Desde o império romano e durante Idade Média: beladona (Atropa beladona L.) era designada como planta da sombra da noite, por ser empregada em envenenamentos. ► Ao longo dos séculos, diferentes povos utilizaram poções e pomadas associadas a outras plantas, em rituais e bruxaria. ► Em festividades ou reuniões em casas de banho medievais, pós das plantas eram queimados, de maneira análoga a incensos, fazendo com que componentes alucinógenos se volatizassem, produzindo euforia. ► Entre a nobreza do império inca a coca era utilizada em cerimonias, como presente do deusSol. ► Freud e Koller: experimentos realizados levaram à descoberta do emprego da cocaína como anestésico local. DISTRIBUIÇÃO E PAPEL FISIOLOGICO ► +200 alcaloides tropânicos predominam em Solanaceae (lar deste grupo), mas são encontrados em outros. ► ↑diversidade de alcaloides tropânicos é encontrada em representantes dos gêneros Datura e Brugmansia. ► Alcaloides da higrina, tropina, cuscoigrina e nicotina são característicos de Solanaceae. ► Alcaloides da coca apresentam 3 estruturas básicas: derivados da ecgonina (importantes no ponto de vista comercial), derivados da tropina e derivados da higrina. PROPRIEDADES FARMACOLOGICAS E USO TERAPEUTICO ► Alcaloides da beladona: rapidamente absorvidos a partir do TGI. ► Inibem ações da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos, bem como na musculatura lisa que é desprovida de inervação colinérgica. ► Em doses altas/toxicas: efeitos centrais consistem em estimulação seguida de depressão. ► Atividade farmacológica da atropina é dependente da dose. ► Ação antimuscarínicas difere quantitativamente entre atropina e escopolamina. Escopolamina tem ação mais potente sobre íris, corpo ciliar e glândulas secretoras, ainda, provoca depressão e causa sonolência, amnesia e fadiga. Já a atropina é mais potente no coração, intestinos, músculos bronquiolares e ação + prolongada. DROGAS VEGETAIS IMPORTANTES Erythroxylon coca: extração ácido-base (pasta de coca e cocaína pura). Absorvida em todas as membranas e mucosas. Em aplicação local, bloqueia impulso nervoso. Ainda, reduz apetite. O mecanismo consiste em inibição da MÃO, com maior noradrenalina e serotonina; inibe recaptação de catecolaminas, estimulando SCV e SNC. Em maiores doses, causa tremores, crises convulsivas e emese. A via endovenosa resulta em morte imediata por insuficiência cardíaca e tem ação exacerbada na presença de inflamações. CAPÍTULO 24 – ALCALOIDE INDÓLICOS ► Um dos grupos mais extensos (+4000 representantes). São produzidos por uma grande variedade de organismos (terrestres e aquáticos), sendo comuns nas famílias Apocynaceae, Loganiaceae e Rubiaceae. ► Devido à similaridade estrutural com neurotransmissores, muitos possuem pronunciada atividade no SNC, mas também há outras atividades importantes. ► Vários são essenciais no tratamento de diversas patologias/doenças e possuem grande importância econômica (movimentam anualmente bilhões de dólares). ► Fármacos + conhecidos: ergotamina (enxaqueca), vincristina e vimblastina (antineoplásicos), ioimbina (distúrbios do fluxo sanguíneo) e igobaína (dependência de drogas). Figura 5: Classificação ► Demais alcaloides indólicos: grupo heterogêneo e têm ocorrência dispersa. Derivados do triptofano. ► Em razão das atividades biológicas, diversos estão entre os primeiros compostos isolados de planta. Apresentam difícil e demorada elucidação estrutural. CLASSIFICAÇÃO ► Classificados de acordo com as características de seu esqueleto, que estão diretamente relacionadas à sua biogênese. O sistema indólico é derivado do triptofano. EXTRAÇÃO, PURIFICAÇÃO, ANÁLISE E IDENTIFICAÇÃO Extração: fração contendo alcaloides é obtida por meio de uma extração ácido-base. Extração é bastante especifica e baseada na característica dos alcaloides de estarem protonados em valores de pH acido e neutro, e lipossolúveis em pH básico. Métodos de separação, purificação e análise: CCD, cromatografia em coluna, CLAE, cromatografia a gás. Quantificação: titulação com base após dissolução em meio ácido, simples pesagem e espectroscopia no UV. Detecção: UV PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS E USO TERAPÊUTICO ► Diversas plantas apresentam atividades farmacológicas importantes são consideradas toxicas devido a potência. ► Atividade é mediada pela interação com um ou mais receptores específicos. Muitos atuam como agonistas ou antagonistas parciais nos receptores α-adrenérgicos, serotoninérgicos, colinérgicos e dopaminérgicos. ► Vários apresentam marcante atividade alucinógena. Outros atuam especialmente no sistema cardiovascular (alcaloides do esporão-do-centeio: vasoconstrição e interação com receptores α-adrenérgicos → contração da musculatura lisa dos vasos; ioimbina: inibidor α2-adrenérgico, simpatolítico → vasodilatação periférica; reserpina: ↓catecolamina e ↓serotonina no SNC → ↓PA, ↓FC e ↓resistência vascular periférica) ou antitumoral (elipticina e olivacina: inibem síntese de DNA, RNA e proteínas. Intercalação na dupla hélice e ligação com ácidos nucleicos, devido a toxicidade, não são usados clinicamente; vincristina e vimblastina: parada da divisão celular na metáfase, ligação com tubulina). Vimblastina: usada em linfomas, sarcomas de Kaposi, ovário e testículos. EA: trombocitopenia e leucopenia. Vincristina: empregada em leucemias infantis. EA: fraqueza muscular, gastrointestinais. ► Raramente utilizadas na terapia em razão de variações dos teores de seus componentes ativos. CAPITULO 25 – ALCALOIDES PIRROLIZIDÍNICOS ► Distribuição restrita na natureza, podendo ser encontrados em algumas bactérias, organismos marinhos e em muitas espécies de plantas superiores (+400 compostos identificados em 6.000 angiospermas). ► Interesse farmacêutico nulo → em mamíferos são transformados pelas oxidases hepáticas em agentes reativos pirrólicos, o quais reagem com os nucleofílos das biomoléculas. Em humanos, são responsáveis por intoxicações graves devido ao uso equivocado de plantas consideradas medicinais, fitoterápicos, suplementos alimentares ou cereais contaminados, e indiretamente pela ingestão de lite ou mel de abelhas contaminados. São indutores de tumores hepáticos e falência hepática. ► Formados pela fusão de dois anéis de 5 membros fundidos com nitrogênio em cabeça de ponte. ► Diferentemente da maioria dos alcaloides, podem ser encontrados simultaneamente como bases livres e como N-óxidos, isto é, sua forma mais polar que facilita o transporte nos tecidos vegetais. DISTRIBUIÇÃO ► Têm sido isolados, identificados ou detectados em diversos organismos, sendo que as plantas superiores constituem suas fontes principais. ► Nos animais silvestres, sobretudo em rãs, os AP são sequestrados e armazenados a partir de insetos artrópodes que são suas fontes alimentares, e esses insetos, por sua vez, sequestram os AP das plantas. ► Em geral, são biossintetizados nas raízes como N-óxidos, e depois transportados pelo floema para caules, folhas e estruturas reprodutivas, onde agem como potentes fagoinibidores contra herbívoros generalistas. TOXICOLOGIA ► Considerada a classe de toxinas de origem vegetal que mais tem alterado a saude humana e animal, podendo ter proporçoes pandemicas. ► Investigação quimica e farmacologica se desenvolve precisamente como consequencia da chamada “doença do senécio” causada pelo consumo de plantas que sintetizam pirrolizidinas, em particular especies de Senecio. ► Manifesta, principalmente, efeitos hepatotoxicos, alem dos efeitos citotoxicos, mutagenicos, carcinogenicos e teratogenicos, entre outros. Estoque e transporte de nitrogênio Núcleo aromático: proteção à radiação UV Defesa química contra predadores Colorimétricas Precipitação Fluorescência Precipitação com reagente de Mayer Separação por filtração (resina de troca ionica) Dissolução (ác. sulfídrico e tiossulfato) Alcaloides Monoterpênicos Maior parte; ↑Variedade estrutural; Hermiterpênicos Ergotamina; LSD (derivado semissintético do ác. lisérgico). β-carbolínicos Derivados + simples; Terceiro anel fechado por condensação. ↑nº de centros assimétricos; Síntese desafiadora. Alcaloides verdadeiros Origem: aa Nitrogênio em anel heterocíclico Protoalcaloides Origem: aa Nitrogênio não pertence a anel heterocíclico Pseudoalcaloides Origem: via do acetato, chiquimato, mevalonato Ex.: quinina, escopolamina Ex.: efedrina, colchicina Incorporam N por transaminação Compostos nitrogenados com ou sem aneis heterocíclicos Ex.: metilxantinas