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CINESIOTERAPIA DO TORNOZELO E PÉ Gabriela Pereira, Heitor Arent, Jaíne Menegasso, Letícia Bicca, Matheus Bell e Nayara Celinca ESTRUTURA TORNOZELO E PE Os ossos do tornozelo e pé consistem: nas regiões distais da tíbia e da fíbula, ao todo 7 tarsais, 5 metatarsais e 14 falanges. ´ LIGAMENTOS LIGAMENTOS MEDIAIS • Tibiotalar posterior • Talocalcâneo posterior • Deltóide • LIGAMENTOS LATERAIS • Talofibular anterior • Talofibular posterior • Calcâneofibular • Tibiofibular anterior • Tibiofibular posterior • Talocalcâneo lateral MOVIMENTOS NO PLANO PRIMÁRIO Plano sagital / Eixo frontal Plano frontal / Eixo sagitalPlano transverso / Eixo vertical MOVIMENTOS TRIPLANARES PRONAÇÃO Combinação de dorsiflexão, eversão e abdução (ocorre depressão do arco do pé); SUPINAÇÃO Combinação de flexão plantar, inversão e adução (aumento do arco); Essa é a posição que o pé assume quando uma alavanca rigída é necessária para fazer a propulsão do corpo a frente durante a fase de impulso da deambulação. Essa é a posição livre ou móvel do pé e é assumida quando ele absorve o impacto da sobrecarga de peso e as forças em rotação do resto do membro inferior. Obs.: Mas em alguns livros, os termos acima, são usados como sinônimos de eversão e inversão. FUNCAO MUSCULAR • Flexores plantares: gastrocnêmio, sóleo, flexor longo do hálux /dos dedos, tibial posterior , fibular curto e fibular longo; • Dorsiflexores: tibial anterior, extensor longo - do hálux/dos dedos e fibular terceiro. • Inversão: extensor longo do hálux , tibial anterior, flexor longo dos dedos e do hálux e tibial posterior; • Eversão: fibular longo, fibular curto, fibular terceiro e extensor longo dos dedos. ~ ´ ESTABILIDADE ARTICULAR • Quando ocorre o movimento de flexão plantar, a parte mais larga da tíbia entra em contato com a região posterior mais estreita do tálus, assim tornando a articulação menos estável. • O movimento de inversão possui maior amplitude de movimento, devido a tíbia ser menos distal do que a fíbula. • Quando a flexão plantar ocorre de forma associada com a inversão, coloca a articulação em seu mecanismo de lesão mais propenso para as entorses. PATOLOGIA: ENTORSE • A entorse é um movimento violento, com estiramento ou ruptura de ligamentos de uma articulação. • A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas frequentemente encontradas na população ativa, que geralmente envolve lesão dos ligamentos laterais. • Ocorre com maior frequência nos atletas de futebol, basquete e vôlei. ENTORSE • A estabilidade lateral do tornozelo é dada pelo mecanismo contensor dos ligamentos. • A lesão habitual é a inversão com flexão plantar do tornozelo, acontece geralmente ao pisar em terreno irregular ou degrau. • Este movimento anômalo proporciona uma lesão que se inicia no ligamento talofibular anterior e, com o aumento da energia do trauma, o ligamento calcâneofibular. • A lesão do ligamento talofibular posterior é rara, ocorrendo geralmente em luxação tornozelo. COMO CLASSIFICAR A ENTORSE DE TORNOZELO ? ✓ A classificação de entorse de tornozelo é baseada no exame clínico da área afetada e divide a lesão em três tipos: • Grau 1 - estiramento ligamentar; • Grau 2 - lesão ligamentar parcial; • Grau 3 - lesão ligamentar total. QUADRO CLÍNICO • Dor, com edema localizado na face ântero- lateral do tornozelo, extravasamento de sangue (mais evidente após 48 horas) e dificuldade para deambular. • Quanto mais grave a lesão, mais evidentes ficam os sinais. A associação destes sintomas com o teste da gaveta anterior positivo permite caracterizar uma lesão grau 3 em 96% dos casos. TESTES - ESTABILIDADE E RUPTURA LIGAMENTAR • O teste da gaveta anterior é usado para verificar a integridade do LTFA e o teste da inclinação em inversão é empregado para examinar tanto o LTFA como o LCF, eles podem ajudar a confirmar um quadro suspeito. • É melhor realizar os testes entre 4 e 7 dias após a lesão. Nessa ocasião, o edema, a dor e a sensibilidade estão diminuídos e o paciente está apto a relaxar durante o exame. Isso diminui a quantidade de espasmo muscular e defesa do paciente e aumenta a sensibilidade do exame. TESTE DE GAVETA ANTERIOR (Tornozelo) • Paciente deitado para relaxar os músculos do tríceps sural. • O calcanhar é firmemente pego com uma mão e o pé é deixado para frente, enquanto se empurra posteriormente a porção distal da tíbia com a outra mão. • Teste positivo - o examinador pode ver um sulco anteriormente e medialmente sobre a porção anterior da articulação do tornozelo (ruptura do LTFA). TESTE DE GAVETA ANTERIOR TESTE DE INCLINAÇÃO LATERAL • Realizado com o tornozelo em posição neutra. Realizar inversão do tálus e do calcâneo sob a tíbia. • Teste positivo - Se o LTFA e o LCF estão rompidos, o tornozelo irá demonstrar aumento na inversão quando comparado com o tornozelo normal. TRATAMENTO • O objetivo do tratamento da lesão ligamentar do tornozelo é o retorno às atividades diárias (esporte/trabalho), com redução da dor, inchaço e inexistência de instabilidade articular. • Inicial - PRICE (proteção, repouso, crioterapia, contenção e elevação do membro). • O uso de AINEs mostrou diminuição da dor e edema, com melhora precoce da função articular. ARTIGO Efeito da reabilitação acelerada na função após entorse de tornozelo: estudo controlado randomizado ARTIGO Objetivo do artigo: • Comparar uma intervenção com exercícios terapêuticos precoce após entorse de tornozelo aguda com uma intervenção padrão de proteção, repouso, gelo, compressão e elevação (PRICE). • 1ª semana: Grupo de Exercícios + PRICE Grupo Padrão (PRICE) MÉTODOS GRUPO DE EXERCÍCIOS • Protocolo intermitente padrão: aplicação: 10 min de gelo e compressão ; repouso: 10 min (3 x p/ dia por 1 semana); • Realizou exercícios terapêuticos adaptados de um protocolo padrão. GRUPO PADRÃO (PRICE) • Protocolo intermitente padrão: aplicação:10 min de gelo e compressão ; repouso: 10 min (3x p/dia por 1 semana). TRATAMENTO ( LINHA DE BASE ATÉ A SEMANA 1) MATERIAIS E MÉTODOS GRUPO EXERCÍCIOS • O tratamento foi padronizado em ambos os grupos; • Consistiu em exercícios de reabilitação do tornozelo: - fortalecimento muscular - treinamento neuromuscular - exercícios funcionais específicos de esportes • Os participantes realizaram esses exercícios por 30 minutos a cada semana, uma vez sob supervisão do fisioterapeuta de pesquisa e quatro vezes como tratamento domiciliar. GRUPO PADRÃO (PRICE) TRATAMENTO ( SEMANA 1 - 4) RESULTADOS • O Grupo exercícios em comparação ao grupo PRICE retornou antes as suas atividades de vida diária, como escola e trabalho; • Na 16ª semana os dois grupos foram avaliados e a longo prazo não houve diferença nos resultados; • O estudo foi realizado com a intenção dos pacientes voltarem mais rápido as funções de vida diária. CINESIOTERAPIA FASE DE PROTEÇÃO • PRICE:↓ dor e edema, ↑ circulação; • Orientar o paciente o colocar uma compressa com gelo: - A cada 2 h por 20 min; • Orientar o paciente a utilizar muleta com descarga de peso parcial; • Movimentos ativo-assistido; • Movimentos ativos; • Contrações isométricas. Movimento ativo-assistido com membro não lesionado, usando tábua e disco para ajudar: Cicloergômetro SÉRIES 2 x 10 Movimentos ativos com membro elevado para ajudar na ↓ edema EXERCÍCIOS ATIVOS EXERCÍCIOS ATIVOS Plantiflexão Dorsiflexão Exercício do alfabeto EXERCÍCIOS ISOMÉTRICOS Plantiflexão Dorsiflexão EXERCÍCIOS ISOMÉTRICOS Inversão Eversão EXERCÍCIOS ISOMÉTRICOS Eversão Inversão FASE MOVIMENTO CONTROLADO • A medida que os sintomas vão diminuindo, como dor e edema, continuar a progressão dos exercícios já apresentados; • Introduzir alongamentos mais leves - todos os músculos que cruzam a articulação; • Exercícios de fortalecimento iniciais; Toalha para auxiliar no alongamento Plantiflexores ALONGAMENTOS ALONGAMENTOS Extensão/flexão de dedos, inversão e eversãoAlongamento Eversores e Inversores ALONGAMENTOS FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO Músculos intrínsecos do pé FORTALECIMENTO FASE DE RETORNO A FUNÇÃO • Progressão dos exercícios de fortalecimento e alongamento; • O paciente já estará apto a realizar descarga de peso total no membro lesionado, com isso iniciaremos exercícios de caminhada; • Realizar treinamento de propriocepção; • Progredir para exercícios intensos como circuitos, atividades de agilidade e velocidade. ALONGAMENTOS Gastrocnêmio Tríceps Sural ALONGAMENTOS Dorsiflexores ALONGAMENTOS ALONGAMENTOS Plantiflexores ALONGAMENTOS FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO Andar na ponta dos pés e em cima do calcanhar FORTALECIMENTO Andar cruzando os pés FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO FORTALECIMENTO TREINAMENTO DE PROPRIOCEPÇÃO Exercício do alfabeto com bola Saltos alternando os pés Sequência de cores p/ trabalhar a memória EXERCÍCIOS DE PILATES Movimento: manter o tronco reto e pés em plantiflexão, inspirar e descer o pé expirando e contraindo o core, subir inspirando e descer expirando novamente. PILATES Movimento: • Inspirar e expirar descendo o pé em plantiflexão - contraindo core; • Inspirar e expirar subindo o pé em dorsiflexão - contraindo core; PILATES PILATES Ativa a musculatura intrínseca do pé Movimento: manter o pedal parado no meio e realizar movimentos de planti/dorsiflexão; CIRCUITOS REFERÊNCIAS • Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104- 42302009000500008&script=sci_arttext&tlng=pt> Acesso em 25 mai. de 2018. • Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517- 86921999000100004&script=sci_arttext> Acesso em 28 de mai. De 2018. • Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbme/v15n3/a14v15n3.pdf> Acesso em 28 de mai. de 2018. • KISNER, C.; COLBLBY, L. A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas, 6ª edição. São Paulo: Manole, 2016. CINESIOTERAPIA Gabriela Pereira, Heitor Arent, Jaíne Menegasso, Letícia Bicca, Matheus Bell e Nayara Celinca