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Orientação educacional e pedagógica
Fernanda SanSão ramoS mattoS
1ª edição
Brasília/dF - 2018
Autores
Fernanda Sansão ramos mattos
Produção
equipe técnica de avaliação, revisão Linguística e 
editoração
Sumário
Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ..................................................................................................... 4
Introdução ............................................................................................................................................................................. 6
Aula 1
Orientação e educação ............................................................................................................................................... 9
Aula 2
A Orientação Educacional e Pedagógica contemporânea ............................................................................21
Aula 3
O papel do Orientador Educacional e Pedagógico nas atividades gerais da escola ..........................37
Aula 4
As atividades específicas do Orientador Educacional e Pedagógico .......................................................51
Aula 5
Orientação vocacional e educação .......................................................................................................................63
Aula 6
Orientação vocacional na prática .........................................................................................................................82
Referências .......................................................................................................................................................................101
4
Organização do Caderno de 
Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, 
de forma didática, objetiva e coerente. eles serão abordados por meio de textos básicos, com 
questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. 
ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras 
e pesquisas complementares.
a seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
estudos e Pesquisa.
Provocação
textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa 
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. 
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus 
sentimentos. as reflexões são o ponto de partida para a construção de suas 
conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
5
Organização do caderno de estudos e pesquisa
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Cuidado
Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
Importante
Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.
Observe a Lei
Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem, 
a fonte primária sobre um determinado assunto.
Posicionamento do autor
Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o 
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.
6
Introdução
olá! Seja bem-vindo à disciplina de orientação educacional e Pedagógica! É com muito entusiasmo 
que, ao longo deste curso, acompanharemos você através das principais discussões que constituem 
o campo de atuação do orientador educacional.
nosso objetivo neste caderno é que você tenha contato com as principais questões teóricas 
relacionadas à atividade do orientador educacional e pedagógico, para que com isso seja capaz de 
compreender o seu papel na estrutura escolar e no bom desenvolvimento do projeto educacional. 
no futuro, se for seu interesse atuar no Serviço de orientação educacional, o debate iniciado 
nesta disciplina será muito enriquecedor para que você fundamente sua prática. da mesma 
forma, enquanto estiver ocupando outros postos de trabalho dentro de uma instituição de ensino 
em que exista o serviço do orientador, você estará bem informado a ponto de compreender o 
trabalho desenvolvido por esse profissional para tirar proveito dele no aprimoramento de suas 
próprias atividades.
Bons estudos!
Objetivos
 » entender a relação existente entre educação e orientação, contextualizando o surgimento 
da orientação nas instituições de ensino.
 » reconhecer os principais modelos de orientação educacional e Pedagógica que 
predominaram no cenário escolar ao longo do tempo.
 » reconhecer a importância do aprendizado e a prática das posturas e competências 
necessárias ao bom desempenho da função de orientação educacional e Pedagógica.
 » Compreender a importância de o orientador educacional e Pedagógico respeitar a 
autonomia de seus orientandos.
 » definir que, além de trabalhar diretamente com os alunos, cabe ao orientador educacional 
e Pedagógico auxiliar a equipe gestora a planejar, implementar e avaliar o projeto 
político-pedagógico da escola.
 » apresentar as atribuições privativas e participativas definidas pelo decreto nº 72.846/1973 
para a atividade de orientação educacional;
 » discutir os principais aspectos a serem considerados na organização do Serviço de 
orientação educacional (Soe);
7
 » refletir a respeito da orientação vocacional desenvolvida nos dias de hoje, salientando 
sua relação com o conceito pós-moderno de identidade.
 » discutir a orientação vocacional dentro do contexto educacional, salientando o fato de 
a escola ser um ambiente propício à oV.
 » Identificar a estrutura de um processo de orientação vocacional, ressaltando os elementos 
que fazem parte de seu início, meio e fim.
8
9
Introdução
na primeira aula desta disciplina, trabalharemos a relação existente entre educação e orientação, 
contextualizando o surgimento da figura do orientador educacional e Pedagógico nas instituições 
de ensino. Veremos também os diferentes modelos de orientação que predominaram no cenário 
educacional ao longo dos anos, identificando a forma como cada um deles buscava priorizar o 
interesse social ou individual e o protagonismo oferecido ao aluno em cada um dos modelos. 
Por fim, deteremo-nos mais detalhadamente na análise do modelo de orientação centrado no 
desenvolvimento individual, que predomina no cenário educacional dos dias de hoje.
Objetivos
 » entender a relação existente entre educação e orientação.
 » Contextualizar o surgimento da orientação nas instituições de ensino.
 » reconhecer os principais modelos de orientação educacional e Pedagógica que 
predominaram no cenário escolar ao longo do tempo.
 » Compreender o modelo de orientação centrado no desenvolvimento individual, 
reconhecendo o fato de ele ter trazido o aluno para o cerne do processo de orientação 
e dado a este o protagonismo sobre o seu próprio desenvolvimento.
 » Identificar a importância da interação entre o orientador educacional e Pedagógico e 
os demais grupos que compõem a vida escolar.
1AulAORIEntAçãO E EduCAçãO
10
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
Orientação e Educação
a palavra ‘orientação’ significa, de forma bastante objetiva, a ação de localizar o oriente, ou 
seja, o lado onde o sol nasce todos os dias. Com isso, é possível dizer que a orientação consiste 
na definição de um ponto geográficoespecífico, associado a um fenômeno diário, que pode ser 
visto a olhos nus de qualquer ponto do globo para, a partir deste ponto, localizarmos todos os 
demais elementos espaciais que nos cercam.
Se eu sei que o sol nasce todos os dias no leste e vai caminhando gradativamente pelo céu até 
morrer no oeste, fica fácil saber em que direção estou indo a qualquer hora do dia e para que 
lado devo caminhar se pretendo chegar a um local determinado!
o que essa definição tem a ver com a nossa disciplina 
de orientação educacional e Pedagógica? Vamos tentar 
responder a tal pergunta nos lembrando dos tempos em 
que estávamos na escola e a professora pacientemente nos 
ensinava a respeito da orientação espacial e seus métodos. 
Sei que isso faz bastante tempo, mas você certamente ainda 
se lembra de ter colorido algumas rosas dos ventos e de ter 
ido até o pátio da escola para observar a posição do sol e 
desenhar relógios com giz no chão!
naquela época, a professora provavelmente iniciou a 
apresentação deste conteúdo falando sobre os pontos cardeais 
e a forma como eles se organizam no espaço. Começamos então a pintar as tais rosas dos 
ventos, para memorizar que o norte fica sempre em cima, o sul embaixo, o leste do lado 
direito e o oeste do lado esquerdo. depois disso, aprendemos que o sol nasce sempre no leste 
e, quando chegamos ao pátio, munidos de nossa rosa dos ventos colorida, as coisas tomaram 
seu lugar como mágica! não importava mais o quanto caminhássemos para um lado ou para 
o outro, podíamos até rodopiar pelo espaço, e pela simples observação do sol éramos capazes 
de identificar novamente onde estávamos e em que direção se localizava qualquer coisa ao 
nosso redor.
essa memória infantil nos lembra do momento em que aprendemos a orientar nosso corpo pelo 
espaço mediante o estabelecimento do sol como nosso ponto de referência. Se continuarmos 
relembrando aqueles dias, você vai perceber como, na sequência, aprendeu a aplicar este 
conhecimento para formas cada vez mais sofisticadas de se localizar, como a leitura de bússolas 
e dos mapas. a partir deste ponto, ficou mais difícil se perder, pois você entendeu que os pontos 
de referência estariam sempre no mesmo lugar, e a partir deles você poderia calcular a melhor 
rota para levar seu corpo ao local em que gostaria de estar.
Atenção
além da orientação espacial pela 
localização do sol, existem outros 
métodos de orientação, como a 
observação da lua ou das estrelas. 
no entanto, como nossa intenção 
aqui é meramente ilustrativa, vamos 
nos referir apenas ao sol como 
ponto de referência central para 
nos localizarmos no espaço. Se este 
assunto despertar a sua curiosidade, 
busque outras fontes para saber mais 
sobre ele!
11
ORIEntAçãO E EduCAçãO • AulA 1
Quando não é simplesmente o corpo que precisa chegar a algum lugar? e quando a necessidade 
de orientação torna-se mais subjetiva, referindo-se aos rumos que desejamos tomar em nossas 
vidas ou à necessidade de traçarmos uma rota para atingirmos nossos objetivos, metas e sonhos?
nesta disciplina de orientação educacional e Pedagógica, veremos que, da mesma forma que é 
possível utilizarmos referências sólidas, planejamento, e o estabelecimento de metas e objetivos 
para levar o corpo até o local onde ele deseja chegar, somos capazes de utilizar convenientemente 
todas essas ferramentas e técnicas para auxiliar o indivíduo a se desenvolver plenamente e 
realizar tudo aquilo que pretenda, seja como cidadão, profissional ou pessoalmente. Isso é 
auxiliar a mente a chegar ao ponto em que se pretende estar, ancorar as atitudes e o pensamento 
em referenciais sólidos, para que, dessa forma, eles caminhem em direção ao ponto que 
estabelecemos como meta.
Histórico da Orientação Educacional e Pedagógica
orientação e educação são dois processos que sempre caminharam lado a lado. Pode-se dizer 
inclusive que, no sentido de guiar e aconselhar, a orientação sempre fez parte do processo 
educativo. mesmo quando a formação dos jovens para a vida social e o mundo do trabalho 
acontecia dentro da própria família ou era conduzida por um membro mais experiente da 
comunidade, esse processo incluía não somente o ensino de conceitos e atividades específicas, 
mas, também, a tarefa de orientar o pupilo pelas questões e dilemas da época, participando, 
assim, de sua formação integral e futura inserção na vida social.
Conforme a educação de jovens e crianças foi passando das 
mãos da família e da comunidade local para a responsabilidade 
das instituições formais de ensino, esse contato próximo e 
quase individualizado entre mentor e aprendiz foi se tornando 
cada vez mais difícil. Como seria possível dedicar-se às questões 
de desenvolvimento integral das potencialidades de cada aluno 
em um contexto de grupos cada vez maiores, em que apenas 
um professor seria responsável por todos?
É neste momento que surge a necessidade de encontrarmos 
um profissional específico que se ocupasse da orientação dos 
alunos, enquanto o professor, em sala de aula, priorizaria a 
transmissão dos conteúdos. Com isso, não se pretende dizer 
que não exista um caráter de orientação e uma preocupação 
permanente com a formação integral dos alunos nas atividades 
exercidas pelo docente. Contudo, será o orientador que terá essa 
preocupação como objetivo específico de suas atividades, auxiliando inclusive os professores a 
Sugestão de estudo
no filme ‘alexandre’, é possível ver 
um bom exemplo de como essa dupla 
empreitada de orientar e educar se 
apresentava na relação entre o pupilo 
e seu mestre. o longa metragem 
apresenta como parte importante da 
formação do imperador alexandre 
seus estudos com o filósofo aristóteles, 
que não só o instruía em conteúdos 
específicos, tais quais medicina, 
política e geografia, mas o auxiliava 
a entender seu lugar no mundo e a 
construir seu projeto de vida.
alexandre. direção: oliver Stone, 
Produção: oliver Stone. reino Unido: 
Warner Bross, 2005.
12
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
melhor trabalharem tais questões no planejamento e na execução de suas aulas, bem como em 
suas interações com os alunos.
as autoras Giacaglia e Penteado (2015) apontam a revolução Industrial como primeiro fator decisivo 
para o surgimento da orientação nas escolas, porque, à medida que as fábricas se fortaleceram 
exigindo cada vez mais mão de obra para garantir seu funcionamento, um número cada vez maior 
de adultos acabou sendo afastado do convívio com os próprios filhos e com os demais jovens da 
comunidade. Isso ocasionou o agrupamento dos educandos em instituições formais de ensino, 
permitindo, desse modo, que os pais se dedicassem ao novo trabalho na indústria.
Um segundo elemento indicado pelas autoras é o movimento de educação compulsória para 
todas as crianças, que atingiu seu auge na década de 1930, nos eUa. o crescente número de 
imigrantes e o aumento considerável de crianças vivendo nas cidades americanas deram origem 
a uma preocupação cada vez maior com a proteção desta população infantil, o que ensejou a 
criação de leis que tratavam sobre o trabalho infantil e a obrigatoriedade da inserção de todas 
as crianças na educação formal.
Como destacam Giacaglia e Penteado (2015), esses dois fatores fizeram com que as escolas fossem 
obrigadas a aumentar muitíssimo o número de alunos que nelas se inscreviam, o que as forçou 
a aprimorar também a infraestrutura existente nas instituições para atender adequadamente a 
esse novo contingente de alunos, que não só era maior em número de pessoas como também 
em sua heterogeneidade. a escola se defrontava agora com uma diversidade grande de origens 
étnicas, religiosas, socioeconômicas e, até mesmo, de saúde mental e física, o que trouxe consigo 
um novo dilema para a prática educativa: como cuidar de um número tão grande de indivíduos 
tão diferentes?
a saída mais adequada para atender a essa população escolar tão diversificada em suas 
especificidades e necessidades era a formação de uma equipe interdisciplinar, composta demédicos, enfermeiros, psicólogos, conselheiros, assistentes sociais, que atuariam em cada uma 
das escolas para garantir que as crianças fossem cuidadas e atendidas. no entanto, o investimento 
financeiro para a manutenção de um quadro de funcionários tão grande em cada uma das 
instituições de ensino era inviável.
Surge, nesse contexto, o profissional de orientação como encarregado de não só auxiliar professores 
e alunos no desenvolvimento das atividades escolares, mas, também, como responsável por 
buscar o auxílio de outros especialistas sempre que necessário. ele seria, mediante a avaliação 
dos casos específicos e do encaminhamento, a ponte entre as necessidades da comunidade 
escolar e as diferentes especialidades de atendimento a essas necessidades.
É importante salientar, no entanto, a dificuldade que existe em desenharmos um modelo único e 
inalterado que possa caracterizar a orientação educacional e Pedagógica (oeP) ao longo de toda a 
sua história, pois, de acordo com o contexto histórico e cultural em que se encontrava, a disciplina 
13
ORIEntAçãO E EduCAçãO • AulA 1
foi assumindo diferentes formas de atuação. Segundo Giacaglia e Penteado (2015), podemos 
dividir essas constantes transformações em quatro modelos mais significativos: o pragmático, o 
terapêutico, o preventivo e, por fim, o modelo centrado no desenvolvimento individual.
Orientação Educacional e Pedagógica no modelo pragmático
Como vimos anteriormente, um dos principais fatores que concorreram para o surgimento da 
orientação educacional e Pedagógica nas escolas foi a revolução Industrial, bem como seus 
efeitos diretos e indiretos sobre a organização social, a educação e o trabalho.
a revolução Industrial pode ser considerada um dos maiores processos de transformações 
socioeconômicas de nossa história, pois influenciou de maneira profunda e definitiva a vida 
das sociedades de todo o planeta, mesmo que de forma indireta. a partir da década de 1750, 
quando a revolução Industrial tomou corpo na europa, iniciou-se um processo gradativo de 
substituição das pequenas oficinas artesanais por grandes fábricas, as ferramentas de operação 
manual foram dando lugar às máquinas e as fontes de energia mais tradicionais como a água, o 
vento e a força muscular foram sendo trocadas pelo carvão e pela eletricidade.
em sintonia com tais transformações, modificou-se também o mercado de trabalho, porque as 
fábricas geraram um aumento na demanda de mão de obra e um certo nível de especialização 
do trabalhador, que aos poucos foi deixando de participar de todo o processo de produção para 
tornar-se especialista em uma pequena parte dele. Se antes o artesão sapateiro era responsável 
desde a modelagem da peça e corte do couro até a finalização do sapato e seus ajustes finais, ao 
transferir-se para a fábrica de sapatos, ele passou a executar especializadamente apenas uma 
dessas funções repetidamente.
Sendo assim, podemos dizer que o novo mercado de trabalho desenhado pela Indústria possuía 
uma demanda de trabalhadores muito diferente daqueles que trabalhavam anteriormente de 
forma artesanal, e parte significativa da responsabilidade pela formação dessa nova mão de obra 
especializada foi atribuída às escolas, mais especificamente ao orientador educacional e Pedagógico.
em sua origem, a orientação educacional e Pedagógica possuía o objetivo absolutamente 
pragmático de selecionar e treinar os seus alunos para as novas formas de trabalho. Por esse 
motivo, o modelo de orientação praticado nas escolas nestes primeiros anos praticamente se 
restringia à orientação Vocacional dos alunos.
Atenção
Você conhece o significado da palavra “pragmático”? ao dizer que algo ou alguém é pragmático, estamos querendo dizer que 
seu foco está sempre direcionado à praticidade e à objetividade, sem rodeios ou desvios em seu caminho. Com isso, podemos 
dizer que a orientação educacional e Pedagógica que se confundia com a orientação Vocacional era pragmática, pelo fato de 
ela ter o objetivo muito prático de encontrar e formar pessoas para preencher as vagas de trabalho oferecidas pela indústria. 
14
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
o modelo de orientação Vocacional adotado nesse período, que influenciava diretamente o modelo 
de orientação educacional e Pedagógica desenvolvido nas escolas, tinha como preocupação 
fundamental conhecer o indivíduo, suas capacidades e habilidades, para encontrar a ocupação 
profissional na qual ele teria maior sucesso. o método utilizado para esse fim ficou conhecido 
como estatístico psicométrico, que se baseava no conceito de que todo indivíduo possuiria aptidões 
inatas que poderiam ser descobertas por meio dos instrumentos psicométricos adequados. 
Com isso, podemos dizer que a orientação se limitava à aplicação de testes que mensuravam as 
aptidões de cada aluno para alocá-los na função profissional em que seriam melhor sucedidos.
Perceba que em nenhum momento estamos falando sobre sonhos, metas, desejos ou inclinações 
do indivíduo para esta ou aquela profissão. o principal interesse da orientação educacional e 
Pedagógica deste período, em paralelo com os objetivos da própria orientação Vocacional, não 
era o de encontrar a tarefa que melhor se adequasse ao indivíduo ou aquela na qual ele poderia se 
realizar em nível pessoal, mas, sim, o de encontrar o candidato que teria o melhor desempenho 
em determinada função ou cargo. Como bem define Pimenta (1993, p. 24), “a preocupação não 
era com as aptidões individuais (com o indivíduo), mas com a identificação destas, para que o 
indivíduo pudesse ser colocado (selecionado) nos lugares onde seria mais produtivo”. 
Para utilizarmos um exemplo prático, imagine que a aluna maria tem o sonho de tornar-se 
arquiteta. ela almeja de todo coração cursar arquitetura, planeja seu futuro com base nesse 
sonho e está decidida a investir todos os seus recursos e esforços para concretizar tal projeto. 
no entanto, através dos diversos testes aplicados no processo de orientação, verificou-se que 
a aluna possui melhor desempenho nas disciplinas biomédicas que nas exatas. Sendo assim, 
maria será orientada a desistir da arquitetura para dedicar-se à medicina ou à enfermagem, visto 
que seu potencial para ser um bom profissional de saúde é estatisticamente maior do que o de 
ser uma boa arquiteta.
Partindo desse exemplo, fica claro que a preocupação fundamental da orientação educacional 
e Pedagógica neste modelo não era o desenvolvimento do aluno ou de suas potencialidades, 
mas, sim, o interesse social de corrigir e adaptar o indivíduo de forma que fosse assegurado o 
bem-estar da sociedade como um todo, mesmo que para isso os interesses pessoais daquele 
aluno estivessem em segundo plano. Usando novamente o exemplo hipotético da aluna maria, 
poderíamos dizer que a sociedade como um todo se beneficiou do processo de orientação por 
ter conseguido uma profissional de saúde competente, mesmo que, para isso, maria tenha tido 
de abrir mão do seu desejo íntimo de ser arquiteta.
outro ponto a ser destacado é a forma como, neste modelo de orientação, o aluno desempenha 
um papel completamente passivo no processo de orientação. ele é analisado, estudado e 
encaminhado de acordo com o que se acredita ser o melhor para ele e para a sociedade, mas 
em nenhum momento ele é chamado a opinar sobre os rumos que gostaria de dar a sua própria 
vida. o importante era modelar o aluno para que ele se encaixasse naquilo que o educador e a 
sociedade esperavam dele.
15
ORIEntAçãO E EduCAçãO • AulA 1
Orientação Educacional e Pedagógica no modelo terapêutico 
ou corretivo
Como comentado anteriormente, a orientação educacional e Pedagógica surge no contexto 
escolar em um momento em que as instituições formais de ensino são obrigadas a abrir suas 
portas para um número cada vez maior de alunos, oriundos de realidades socioculturais das 
mais variadas. o resultado disso foi a criação de um ambiente com uma variedade enorme 
de indivíduos, todos muito diferentes entre si, queprecisavam aprender a coexistir de forma 
harmônica para que o processo educativo fosse bem-sucedido.
Sendo assim, a orientação educacional e Pedagógica, em um segundo momento de sua 
existência, foi incumbida também da tarefa de adaptar os alunos ao ambiente escolar, 
identificando os indivíduos problemáticos e solucionando seus problemas de comportamento 
inadequado. este modelo de orientação foi designado por Giacaglia e Penteado (2015) como 
terapêutico, porquanto nele foram aplicados os conceitos da psicologia que se desenvolviam 
naquele período.
este modelo de orientação educacional e Pedagógica, assim como o anterior, possuía uma atuação 
muito mais centrada no interesse social do que nas expectativas e necessidades do indivíduo, 
porque o intuito de adaptar os alunos ao convívio no ambiente escolar não tinha como princípio 
o bem-estar destes ou o aumento de sua produtividade acadêmica individual. o objetivo era o 
de criar um ambiente harmônico em que a coletividade fosse atendida de forma bem-sucedida 
e os indivíduos fossem, de certa maneira, adaptados para conviver em sociedade.
Imagine, por exemplo, um aluno violento, que constantemente se envolve em brigas com colegas 
e professores. neste modelo de orientação, o foco seria utilizar os instrumentos psicológicos 
disponíveis para tratar esse quadro de agressividade, visando à adaptação deste aluno para 
que o bom andamento do processo educativo não fosse prejudicado. em nenhum momento 
existia a preocupação de auxiliar o indivíduo para que ele tivesse um aumento produtivo, 
melhor qualidade de vida ou autoconhecimento a ponto de trabalhar subjetivamente a questão 
da violência. em outras palavras, podemos dizer que tudo o que importava é que ele parasse 
de se comportar de determinada forma, seja por real melhora ou por coerção e imposição 
de conduta.
da mesma forma, é importante destacar que neste modelo de orientação o aluno também era 
visto de forma passiva, como alguém que deveria ser moldado e encaminhado pelo orientador 
de acordo com as regras de normalidade e adaptação estabelecidas socialmente. o aluno visto 
como adaptado e normal era aquele que se configurava com facilidade ao sistema educativo, 
sem apresentar qualquer desvio de comportamento. enquanto o aluno problema, aquele que se 
comportava de maneira desviante, era visto como desajustado e precisava ser tratado e corrigido 
para se enquadrar ao modelo. 
16
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
Orientação Educacional e Pedagógica no modelo preventivo
durante muito tempo, o modelo de orientação educacional e Pedagógica denominado terapêutico 
ou corretivo foi aplicado nas instituições de ensino, fazendo com que o foco da atividade fosse 
identificar os alunos desviantes e problemáticos, que apresentavam qualquer tipo de inadaptação 
ao modelo pedagógico, para que eles fossem corrigidos e tratados a ponto de se tornarem parte 
do todo de forma harmônica.
no entanto, percebeu-se que o esforço em remediar o problema depois que ele já havia se 
instaurado despendia muito mais esforços e causava muito mais transtornos do que encontrar 
uma maneira de impedir que os problemas de comportamento surgissem. Foi criado assim o 
modelo preventivo de orientação educacional e Pedagógica, no qual todos os alunos seriam 
doutrinados igualmente a se comportarem de forma adequada, buscando, dessa maneira, 
prevenir o surgimento do comportamento indesejável.
mais uma vez podemos identificar o interesse social como foco essencial do processo de 
orientação, pois a expectativa deste modelo era garantir de forma eficaz, por meio da prevenção 
do surgimento do aluno desviante, que o grupo inteiro se comportasse de maneira adequada e 
sintonizada com os protocolos sociais. 
Se partirmos do mesmo exemplo apresentado no modelo anterior, em que imaginamos um aluno 
agressivo sendo tratado e corrigido individualmente para se adequar ao modelo, podemos dizer 
que, neste caso, o grupo inteiro receberia orientações a respeito da importância do controle 
da agressividade e da violência para impedir ou prevenir o surgimento do aluno problema no 
ambiente escolar.
neste caso, o aluno também era entendido como elemento passivo do processo de orientação, 
porque, da mesma forma que no modelo anterior, o indivíduo problemático deveria ser moldado 
para corrigir o comportamento desviante, agora o grupo inteiro seria adequado e orientado para 
se adaptar ao modelo e prevenir o surgimento de elementos problemáticos.
Orientação Educacional e Pedagógica centrada no 
desenvolvimento individual
os três modelos de orientação educacional e Pedagógica analisados anteriormente são 
característicos de um paradigma de educação autoritário, em que se dava muito pouca atenção 
às necessidades individuais ou subjetivas dos alunos, focando sempre naquilo que seria melhor 
para a coletividade e forçando o indivíduo a se adaptar ao modelo padrão de comportamento 
para garantir assim o bom funcionamento da instituição escolar. 
não é por acaso que em todos os modelos analisados o interesse social se sobrepõe ao interesse 
individual e o aluno é visto como elemento passivo do processo educativo, que deve ser formatado 
17
ORIEntAçãO E EduCAçãO • AulA 1
e padronizado independentemente de sua vontade. o educador, por sua vez, e neste sentido 
incluiremos o orientador, é tratado como hierarquicamente superior aos educandos, considerando 
a sua própria visão de mundo como verdade absoluta e referência a ser seguida.
este é um modelo educativo que faz sentido dentro de uma lógica durkheimiana de educação, na 
qual a proposta do processo pedagógico é produzir uma nova geração de indivíduos exatamente 
igual à anterior, preocupando-se unicamente em torná-los aptos a serem funcionais dentro da 
sociedade, sem jamais questionar os valores e as práticas dessa sociedade.
Para o sociólogo francês Émile durkheim, um dos nomes mais significativos para a sociologia 
da educação, a escola deveria operar na vida dos indivíduos como um local privilegiado de 
socialização, no qual a criança, entendida como folha de papel em branco, seria levada para 
receber do professor todos os conhecimentos necessários para se tornar um adulto funcional 
para a vida dentro da sociedade da qual faz parte. nas palavras do autor:
a educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que ainda não 
se encontram preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver 
na criança um certo número de estados físicos, intelectuais e morais reclamados 
pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, 
particularmente, se destina (dUrKHeIm, 1978, p. 41).
a partir desse ponto de vista, a equipe pedagógica poderia ser entendida como o molde pelo 
qual as futuras gerações seriam formadas, sendo responsáveis pela transmissão aos pequenos 
dos elementos que definem o que é ser um membro da vida social, de suas atribuições e 
responsabilidades. neste contexto educativo, podemos dizer que somos como somos porque 
quando éramos crianças aprendemos com os adultos a ser como eles, e agora seria o nosso dever 
fazer com que os pequenos aprendam a ser como nós somos.
Você percebe como nesta visão de mundo não existe espaço para a individualidade do aprendiz 
ou para a transformação social através da educação? a escola seria um local de mera repetição 
de práticas para a manutenção do status quo, ou seja, para que tudo permaneça exatamente 
como está.
no entanto, com o desenvolvimento de uma perspectiva mais humanista para a educação, o 
indivíduo passou a ser olhado e valorizado por suas singularidades e não apenas como uma 
parte da engrenagem social que deveria funcionar adequadamente para manter assim o bom 
funcionamento de toda a estrutura da sociedade. Como destacam Giacaglia e Penteado (2015):
Quando a sociedade e a escola passaram a ver o aluno como um ser em 
desenvolvimento, com características próprias, com direitos, e não mais como 
mera mão de obra, a corrente da Psicologia privilegiadapara fundamentar o 
trabalho do orientador educacional também passou a ser outra; não mais aquela 
interessada pelas diferenças entre as pessoas, ou aquela outra que procura medir 
18
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
objetivamente tais diferenças, mas uma Psicologia que estuda o desenvolvimento 
humano para tornar o ser humano mais adaptado e feliz (GIaCaGLIa; Penteado, 
2015, p. 4).
Perceba que, pela fala das autoras, identificamos pela primeira vez um momento em que a 
felicidade do indivíduo é considerada no processo de orientação educacional e pedagógica. 
Pela primeira vez, o sujeito e suas especificidades se tornaram elementos de interesse para o 
orientador, mesmo que o interesse social nunca tenha sido deixado completamente de lado. 
Percebeu-se, neste modelo, que o bem-estar do aluno e o bom funcionamento da sociedade são 
complementares entre si, e o aluno deixou de ser visto como elemento passivo a ser moldado 
para tornar-se protagonista em seu próprio desenvolvimento.
A Orientação Educacional e Pedagógica nos dias de hoje
o orientador educacional e Pedagógico é, por lei, um profissional graduado em pedagogia ou 
pós-graduado em orientação educacional, que integra o quadro gestor da escola. Com isso, 
pretende-se garantir que esse profissional seja, antes de tudo, um educador, que compreende as 
nuances do processo de ensino e aprendizagem e domina os conceitos e as estratégias envolvidos 
no planejamento, na execução e na avaliação do projeto educacional de uma instituição de ensino.
no contexto atual da educação, a orientação 
educacional e Pedagógica tem como preocupação 
central o aluno, que deixou de ser aquele que sofre 
o processo de ensino e aprendizagem de forma 
passiva e passou a ser visto como figura central da 
atividade pedagógica. Se antes o papel do orientador 
era ficar de olho nos alunos problemáticos para 
tentar tratá-los, corrigi-los ou adaptá-los, nos 
dias de hoje sua atividade passou a ter como foco 
a totalidade dos alunos que compõem o corpo 
discente, seus dilemas, dúvidas e necessidades. 
Como salienta mírian Grinspun (2011):
a orientação não tem mais como preocupação prioritária os alunos-problema, 
hoje ela tenta ajudar na solução dos problemas dos alunos e de toda a comunidade 
escolar, numa perspectiva de melhor compreensão do sujeito e de suas relações 
dentro e fora da escola (GrInSPUn, 2011, p. 176).
nesta busca por auxiliar os alunos a solucionarem seus problemas da melhor forma possível, o 
orientador precisa atuar em diversas frentes dentro das instituições de ensino. não basta que ele 
fique restrito ao seu gabinete esperando ser procurado. É preciso que ele caminhe pela escola, 
Observe a lei
o exercício da profissão do orientador educacional 
foi provido pela Lei nº 5.564, de 21 de dezembro de 
1968, e posteriormente regulamentado pelo decreto 
nº 72.846, de 26 de setembro de 1973. 
além dessa legislação específica sobre a atividade 
profissional da orientação educacional, o educador 
que se dedique a esta atividade deve basear sua 
prática no que preconiza a Constituição da república 
Federativa do Brasil de 1988 e na Lei nº 9.394, de 20 
de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional.
19
ORIEntAçãO E EduCAçãO • AulA 1
interagindo e trabalhando em conjunto com todos os envolvidos direta ou indiretamente no 
processo educativo, para, dessa forma, ser capaz de atender às demandas dos alunos de forma 
mais eficiente. 
Vejamos então quem são esses atores do cotidiano escolar com os quais o orientador educacional 
e Pedagógico interage e em relação aos quais ele deve estar preparado para atuar:
Alunos: são o foco central da atividade de orientação, que tem como objetivo auxiliá-los a 
se desenvolver plenamente. os autores Pascoal, Honorato e albuquerque definem muito 
acertadamente a tarefa do orientador diante do corpo discente da escola da seguinte maneira:
Para poder exercer a contento a sua função, o orientador precisa compreender 
o desenvolvimento cognitivo do aluno, sua afetividade, emoções, sentimentos, 
valores, atitudes. além disso, cabe a ele promover, entre os alunos, atividades 
de discussão e informação sobre o mundo do trabalho, assessorando-os no que 
se refere a assuntos que dizem respeito a escolhas (PaSCoaL; Honorato; 
aLBUQUerQUe, 2008, p. 101).
Professores: são parceiros importantes do orientador, que deve atuar em conjunto com o corpo 
docente, intermediando o relacionamento entre professores e alunos, auxiliando os educadores 
a entenderem o comportamento dos estudantes e, desse modo, encontrarem as melhores 
estratégias para lidar com eles.
míriam Grinspun (2011) salienta, ainda, que cabe ao orientador educacional e pedagógico auxiliar 
os professores a trabalhar as questões pedagógicas do processo educativo, especialmente no 
que se refere a fazer com que as reflexões contidas no Projeto Político-Pedagógico da instituição 
sejam postas em prática. Segundo ela: 
trabalhando junto dos professores, através de uma reflexão crítica da prática 
pedagógica, o orientador procurará contribuir para a discussão da realidade 
dos alunos, das finalidades do processo pedagógico, do sistema de avaliação, 
das questões de evasão e repetência escolar, dos recursos físicos e materiais de 
que a escola dispõe, das metodologias empregadas, enfim, sobre as questões 
técnico-pedagógicas da escola (GrInSPUn, 2011, p. 116).
Gestão: o orientador educacional e pedagógico faz parte da equipe gestora da instituição, 
devendo trabalhar em parceria com a direção da escola para planejar, implementar e avaliar 
a proposta pedagógica. Cabe a ele também, enquanto parte desta equipe gestora, auxiliar no 
funcionamento cotidiano da escola. 
Colaborar com a direção significa estar junto tanto nas decisões tomadas pela 
direção como na obtenção de dados inerentes aos aspectos administrativos. 
o orientador deve participar da organização das turmas, dos horários, da 
distribuição dos professores em turmas, do número de alunos em sala de 
20
AulA 1 • ORIEntAçãO E EduCAçãO
aula, dos horários da merenda, da recreação, das atividades complementares, 
da matrícula, enfim, de toda a prática que organiza a infraestrutura da escola 
(GrInSPUn, 2011, p. 116).
Funcionários: não podemos esquecer que o orientador educacional e Pedagógico é aquele 
indivíduo que transita entre todos os setores da escola, interagindo com todos os personagens 
que fazem parte do processo educativo. esta incumbência inclui também a relação com aqueles 
profissionais que dão apoio e suporte para que a vida da escola aconteça. 
Parte da função do orientador seria, então, a de dar visibilidade a esses indivíduos da importância 
do trabalho que desenvolvem para o bem-estar de toda a comunidade escolar. É importante ouvi-
los, valorizá-los e intermediar a relação destes com alunos, professores, gestores e responsáveis. 
Como bem define Grinspun (2011):
Colaborar na valorização de suas tarefas, considerando-os necessários ao bom 
desenvolvimento da organização da escola, sejam eles inspetores, funcionários 
da secretaria, merendeiros, serventes, trabalhadores da cantina, jardineiros, 
porteiros, etc. o orientador deve procurar trabalhar a autoestima, a identidade 
profissional, e suas atribuições para o funcionamento da escola (GrInSPUn, 
2011, p. 116).
Famílias: cabe ao orientador manter aberto um canal de diálogo com pais e responsáveis, para, 
desse modo, ser capaz de entender as vivências, os saberes e as expectativas que o aluno traz de 
casa para a escola e que influenciam significativamente seu processo educativo.
Comunidade: estar atento ao que acontece na comunidade em que se localiza a escola é 
importante na prática do orientador, pois a educação não ocorre no vácuo, mas, sim, em uma 
realidade específica, que influencia diretamente as necessidades daquela população, os saberes 
ali construídos e as formas como se aprende.
É possível dizer, portanto, que a atividade do orientador educacional e Pedagógico é multifacetadae assumirá aspectos variados de acordo com o contexto em que estiver inserido e as necessidades 
específicas da população escolar por ele atendida.
na próxima aula, analisaremos algumas posturas e práticas importantes, que devem ser adotadas 
pelo profissional de orientação para que o seu trabalho com os alunos e com todos os demais 
grupos envolvidos no projeto de desenvolvimento dos educandos seja bem-sucedido.
21
Introdução
na segunda aula desta disciplina, apresentaremos a noção de que não existem qualidades ou 
aptidões naturais para que se exerça de forma adequada e eficiente a orientação educacional e 
Pedagógica, sendo fundamental que todas as posturas e competências necessárias a esta atividade 
sejam refletidas, aprendidas e praticadas. apresentaremos em seguida algumas das principais 
posturas do orientador educacional e Pedagógico para o bom desenvolvimento do trabalho de 
orientação: a postura respeitosa diante da autonomia do aluno; a flexibilidade e imparcialidade no 
tratamento do aluno; a busca constante por atualização e formação continuada; e o respeito aos 
limites específicos da atividade de orientação educacional e Pedagógica. Por fim, apresentaremos 
alguns dos dilemas mais recorrentes do cotidiano escolar, sobre os quais o orientador precisa atuar.
Objetivos
 » reconhecer a importância do aprendizado e a prática das posturas e competências 
necessárias ao bom desempenho da função de orientação educacional e Pedagógica.
 » Compreender o conceito de conteúdo atitudinal.
 » reconhecer a importância de que o orientador educacional e Pedagógico respeite a 
autonomia de seus orientandos.
 » entender os principais conceitos das teorias de Carl rogers e Paulo Freire, que podem 
ser aplicados à prática da orientação.
 » reconhecer a importância da atualização e da formação continuada para o trabalho do 
orientador educacional e Pedagógico.
 » entender a importância da imparcialidade e da flexibilidade ao trabalhar qualquer 
questão com os alunos.
 » Compreender e aplicar a regra de ouro de manter-se dentro dos limites profissionais da 
orientação educacional e Pedagógica.
 » reconhecer alguns dos dilemas mais recorrentes do cotidiano escolar, sobre os quais 
o orientador precisa atuar.
2
AulA
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E 
PEdAgógICA COntEmPORânEA
22
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
Orientação Educacional e Pedagógica no contexto atual
o modelo de orientação educacional centrado no desenvolvimento individual é compreendido 
nos dias de hoje como o mais interessante para ser desenvolvido nas escolas, pois seu foco não 
está na manipulação passiva dos alunos tendo em vista certos resultados esperados, mas, sim, 
no desenvolvimento pleno dos estudantes, de forma que os resultados positivos sejam uma 
consequência natural da prática educativa. 
Com isso, queremos dizer, por exemplo, que não estaremos mais preocupados em inserir nossos 
alunos no mercado de trabalho, mas os auxiliaremos a desenvolver suas potencialidades e a 
compreender seus próprios desejos e metas de forma que estejam prontos para atuar no mercado 
de trabalho de maneira responsável e consciente. 
o foco da orientação costumava ser o mundo fora dos muros da escola e as formas como 
deveríamos moldar nossos alunos para estarem de acordo com o que esse mundo esperava dele. 
agora, no entanto, os objetos centrais da orientação educacional e Pedagógica passaram a ser 
o próprio aluno e as formas como podemos auxiliá-lo a se desenvolver para atuar no mundo.
em seu livro “orientação educacional e suas ações no contexto atual da escola”, mary rangel 
(2015) se questiona sobre a existência de “qualidades naturais”, que poderiam ser consideradas 
como requisitos para o exercício da orientação educacional. neste sentido, a autora destaca 
o risco deste raciocínio que defende a existência de aspectos naturais da personalidade do 
indivíduo que o qualifiquem para o desempenho da atividade, pois algo que nasce conosco 
é algo que não se aprende. assim, ficaríamos presos ao pensamento de que algumas pessoas 
nascem para desempenhar esta atividade e aquelas que não foram abençoadas pela natureza 
com as qualidades certas não poderão nunca trabalhar com orientação.
Imaginemos o exemplo hipotético de duas educadoras que atuam em suas respectivas escolas 
como orientadoras educacionais e Pedagógicas. Carolina é ríspida no trato com os colegas, se 
comunica com os alunos de forma autoritária e não estabelece boas relações interpessoais na 
escola. amanda, por seu turno, é calma e paciente, está sempre disponível para dialogar com os 
alunos e recorrentemente auxilia os professores com suas dúvidas e questionamentos.
o comentário geral a respeito de Carolina é que ela “não serve” para ser orientadora, porque 
não “tem” paciência, não “é” agradável e “tem um temperamento” autoritário. enquanto 
amanda é vista como uma pessoa que “nasceu para ser” orientadora, porque “é” agradável, 
“se dá bem” com todo mundo e “tem um temperamento” amistoso. Você percebe que todas as 
considerações a respeito da qualificação para o trabalho dessas duas profissionais se embasam 
em traços naturais da personalidade das duas? Com isso, poderíamos dizer que amanda é e 
sempre será uma boa orientadora enquanto Carolina não tem a menor chance de aprimorar 
seu trabalho.
23
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
no entanto, o próprio fato de estarmos aqui neste momento discutindo qual deve ser a forma 
mais adequada para lidarmos com nossos alunos é uma prova de que a postura do profissional 
de educação é uma prática sobre a qual refletimos e para a qual nos condicionamos de acordo 
com as reflexões que fazemos e os conceitos novos que aprendemos. Carolina, neste sentido, 
depois de estudar sobre o assunto, e percebendo a importância do relacionamento interpessoal 
no processo educativo, poderia aprimorar sua forma de se posicionar diante da comunidade 
escolar e de interagir com as pessoas com as quais trabalha.
Por esse motivo, rangel (2015) salienta que, em vez de falarmos sobre qualidades ou características, 
devemos refletir a respeito das competências necessárias ao desempenho da orientação 
educacional, porque, dessa maneira, estamos dando ênfase à possibilidade de formação do 
profissional, que se constrói mediante a prática e o estudo continuado das questões que se 
apresentam no cotidiano.
a literatura conceitual da área de educação nos aponta alguns modelos de comportamento 
fundamentais para a prática da orientação, tais quais a melhor maneira de se relacionar com 
os alunos, o modo adequado de atender à demanda dos professores, o olhar sensível para as 
questões da comunidade, etc. É o conteúdo atitudinal da disciplina, que nos indica valores, 
atitudes, normas e posturas que influenciam diretamente no bom desenvolvimento do trabalho 
e, por isso, devem ser praticados.
Voltando ao exemplo hipotético apresentado, podemos dizer que Carolina, mantendo-se em 
constante atualização, refletindo criticamente sobre sua prática e implementando em suas 
atividades esses valores e posturas, obterá melhores resultados independentemente de suas 
características pessoais. amanda, por sua vez, precisa fazer esforço semelhante para manter-se 
atualizada com as reflexões da área e a prática cotidiana.
Posturas e competências do Orientador Educacional 
e Pedagógico
a seguir, vejamos algumas dessas posturas e competências que devem ser desenvolvidas e 
praticadas pelo profissional que atua na área de orientação educacional e Pedagógica.
Postura respeitosa diante da autonomia do aluno
nesta disciplina, gostaríamos de propor a você uma visão de educação que tem como objetivo 
o desenvolvimento pleno das potencialidades dos educandos, ou seja, que atua como uma 
forma de ajudá-los a se desenvolver e encontrar seus próprios caminhos para a solução de 
problemas e para a participação na vida social. esperamos que, em sua prática cotidiana 
como orientador educacional e pedagógico, vocêesteja sempre com os olhos abertos para 
enxergar no aluno suas potencialidades, singularidades e a forma como ele se expressa e age no 
24
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
mundo, e não apenas aquilo que se convencionou ser importante que ele conheça, saiba fazer 
ou seja.
Para construir esse olhar, apresentaremos a teoria de dois autores que nortearam sua visão de 
educação pela valorização da autonomia do aluno e buscaram, ao longo de suas trajetórias 
acadêmicas, despertar o interesse de outros educadores para a importância de empoderarmos 
nossos educandos para serem conscientes de suas escolhas e de seu papel no mundo.
Carl Rogers e a orientação não diretiva
o norte-americano Carl rogers é considerado um dos grandes nomes da psicologia no século 
XX, especialmente por ter se dedicado a estudar o posicionamento que deveria ser assumido 
pelo terapeuta diante de seus clientes dentro do consultório. Posteriormente, suas teorias foram 
transpostas para o campo da educação, auxiliando-nos a refletir a respeito da postura assumida 
pelo educador diante de seus alunos.
rogers foi um importante representante da corrente humanista, que buscou construir toda a sua 
teoria acadêmica em torno da possibilidade de facilitar o crescimento pessoal do indivíduo. Para 
isso, partia de uma visão otimista do ser humano, acreditando que todos nós possuímos uma 
tendência natural para o aprendizado e para a construção de relações interpessoais construtivas. 
Veja o que defende o autor em suas próprias palavras:
resta-me indicar uma lição que aprendi e que está, talvez, na base de tudo 
quanto venho dizendo. ela se impôs a mim ao longo desses vinte e cinco anos 
em que tentei ser de algum préstimo para indivíduos com perturbações pessoais. 
a lição é simplesmente esta: a experiência mostrou-me que as pessoas têm 
fundamentalmente uma orientação positiva. nos meus contatos mais profundos 
com indivíduos em psicoterapia, mesmo com aqueles cujos distúrbios eram mais 
perturbadores, cujos sentimentos pareciam muito anormais, a afirmação continua 
sendo verdadeira. Quando consigo afetivamente compreender os sentimentos 
que exprimem, quando sou capaz de aceitá-los como pessoas separadas em todo 
seu direito, nessa altura vejo que tendem a orientar-se em determinadas direções. 
e quais são essas direções que os seus movimentos subentendem? as palavras que 
julgo descreverem com maior veracidade essa direção são: positiva, construtiva, 
tendente à autorrealização, progredindo para a maturidade e para a socialização. 
acabei por me convencer de que quanto mais um indivíduo é compreendido e 
aceito, maior sua tendência para abandonar as falsas defesas que empregou para 
enfrentar a vida, maior sua tendência para se mover para a frente.
não gostaria de ser mal compreendido. não tenho uma visão ingenuamente 
otimista da natureza humana. tenho perfeita consciência do fato de que, pela 
necessidade de se defender dos seus terrores íntimos, o indivíduo pode vir a se 
comportar e se comporta de uma maneira incrivelmente feroz, horrorosamente 
destrutiva, imatura, regressiva, antissocial, prejudicial!
25
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
mas um dos aspectos mais animadores e revigorantes da minha experiência 
é o trabalho que levo a cabo com indivíduos desse gênero, e a descoberta das 
tendências orientadas muito positivamente existentes neles todos, e em todos 
nós, nos níveis mais profundos (roGerS, 2001, p. 21).
de acordo com rogers (2001), para obtermos sucesso em qualquer projeto em que lidemos 
diretamente com o outro, auxiliando-o a desenvolver-se, seria necessário transformar a forma 
como nos relacionamos, extinguindo o autoritarismo existente nessa interação e assumindo 
uma postura não diretiva, ou seja, sem interferir diretamente nas escolhas do indivíduo e na 
forma como ele soluciona seus problemas. É criar um ambiente propício para que a própria 
pessoa se desenvolva, amadureça e seja capaz de resolver seus próprios problemas, em vez de 
simplesmente oferecer-lhe as respostas ou dizer-lhe qual caminho seguir.
essa verdade, segundo rogers, pode ser aplicada na relação entre terapeuta e paciente, professor 
e aluno, pai e filho, ou qualquer outra relação em que o objetivo seja auxiliar o outro a tornar-se 
pessoa. Por isso, suas reflexões se adéquam tão bem a nossa análise sobre a orientação educacional 
e pedagógica, já que, neste contexto, o orientador educacional e pedagógico seria um facilitador, 
responsável por auxiliar os seus orientandos a encontrarem, de forma livre e responsável, os 
melhores caminhos para a sua própria construção de conhecimento.
Para que esse projeto educacional centrado no desenvolvimento da pessoa seja bem-sucedido, 
rogers aponta três características fundamentais a serem cultivadas em qualquer relação 
interpessoal, e que traremos aqui para a relação existente entre o orientador e seus orientandos:
Consideração positiva incondicional: consiste em respeitar seu orientando acima de tudo, 
acolhendo-o e aceitando-o pela pessoa que ele é. É criar uma relação positiva, na qual ele se sinta 
à vontade para ser quem realmente é, sem se esforçar para ser ou dizer aquilo que ele acredita 
que o orientador espera ouvir dele.
Compreensão empática: é a capacidade de o orientador colocar-se no lugar do outro para 
buscar compreender seus sentimentos e as motivações que o levaram a agir de determinada 
forma. É mediante a expressão dessa compreensão empática que o orientador é capaz de criar 
um ambiente de acolhimento para seu aluno, no qual ele se sinta confortável e seguro para 
expressar-se e desenvolver-se.
Autenticidade ou congruência: esta característica diz respeito à capacidade de o orientador 
expressar de forma objetiva suas percepções e sentimentos a respeito do educando e de suas 
escolhas, para que, desse modo, ele seja capaz de refletir sobre si mesmo. É ser verdadeiro em 
sua forma de se comunicar com o outro.
Segundo o autor, uma vez que se reúnam esses três elementos no trato com a pessoa que se 
pretende auxiliar – seja ela um paciente, um aluno, um filho, um funcionário, etc. – a própria 
relação interpessoal oferece ao indivíduo as ferramentas necessárias para que ele se torne mais 
26
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
autoconfiante, maduro e apto a auxiliar a si mesmo. Carl rogers sintetiza esse ponto de vista da 
seguinte maneira:
Se eu posso criar uma relação caracterizada da minha parte: por uma autenticidade 
e transparência, em que eu sou meus sentimentos reais; por uma aceitação afetuosa 
e apreço pela outra pessoa como um indivíduo separado; por uma capacidade 
sensível de ver seu mundo e a ele como ele os vê. então o outro indivíduo na relação: 
experienciará e compreenderá aspectos de si mesmo que havia anteriormente 
reprimido; dar-se-á conta de que está se tomando mais integrado, mais apto a 
funcionar efetivamente; tomar-se-á mais semelhante à pessoa que gostaria de ser; 
será mais autodiretivo e autoconfiante; realizar-se-á mais enquanto pessoa, sendo 
mais único e autoexpressivo; será mais compreensivo, mais aceitador com relação 
aos outros; estará mais apto a enfrentar os problemas da vida adequadamente e 
de forma mais tranquila (roGerS, 2001, p. 26).
Partindo dessa importância central que o autor confere ao respeito e à aceitação que devemos 
ter diante daquele que auxiliamos, chegamos a outro conceito importante para a orientação 
educacional e pedagógica que pode ser extraído da teoria rogeriana, que é o de escuta sensível. 
de acordo com rogers, a escuta sensível é aquela em que não há julgamentos ou preconceitos 
por parte do educador com relação àquilo que é dito e à forma que é dito pelo educando. 
É desenvolver um ambiente em que o orientador respeita e acolhe o seu orientando, promovendo, 
assim, uma relação de confiança entre os dois.
Imagine, por exemplo, uma situação em que o aluno utiliza-se de gírias e expressões do seu 
cotidianopara comunicar suas percepções e sentimentos diante de uma dada circunstância e é 
respondido pelo orientador com frases do tipo «fala direito», ou «isso não é jeito de falar». Você 
acha que esse aluno se sentirá acolhido e respeitado a ponto de se sentir motivado a continuar 
falando? Claro que não! Provavelmente ele se sentirá inibido a prosseguir e o diálogo, que poderia 
ter sido enriquecedor na busca de uma solução para o problema, extingue-se exclusivamente 
pela falta de uma escuta sensível por parte do orientador.
Por essa razão, rogers defende a todo custo que respeitemos o outro e suas características 
individuais, mostrando a ele que nos importamos e que não estamos ali de forma autoritária 
tentando moldá-lo ou direcioná-lo, mas, sim, buscando auxiliá-lo a encontrar seu próprio caminho 
de maneira confiante e autônoma. dentro dessa visão rogeriana de mundo, podemos dizer que, 
ao oferecermos a cada um dos indivíduos a possibilidade de autonomia e completude, a relação 
geral do grupo torna-se mais positiva e tranquila.
Paulo Freire e a educação emancipadora
o pernambucano Paulo Freire foi um dos mais importantes pensadores da educação brasileira, 
e tornou-se conhecido, inclusive internacionalmente, por defender um modelo de educação 
no qual o aluno não recebe passivamente os conhecimentos transmitidos pelo professor, mas 
27
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
participa ativamente da construção dos seus saberes. de acordo com Freire, o papel do educador é 
oferecer ao aluno as ferramentas necessárias para que ele seja capaz de ler o mundo, compreender 
o papel que ele mesmo desempenha na sociedade e, com isso, seja capaz de transformar a 
realidade em que vive.
o método freireano, aplicado especialmente à alfabetização de adultos, tem como cerne o respeito 
e a valorização pela realidade de vida do aluno e por aquilo que ele traz para a sala de aula, ou 
seja, os saberes que ele constrói socialmente na prática comunitária. Freire acreditava que uma 
educação significativa seria aquela que compreende que o aluno não é uma conta bancária vazia 
na qual o professor passa todo o período letivo fazendo depósitos de conteúdo para, ao final 
do processo, utilizar a prova como uma espécie de extrato bancário, em que verificará se tudo 
aquilo que foi depositado continua lá. esse modelo educacional foi chamado por Paulo Freire 
de educação bancária.
este autor defendia um modelo educacional em que o aluno, especialmente aquele oriundo das 
classes populares e oprimido por um sistema sociopolítico desigual e injusto, torna-se consciente 
da realidade em que vive a ponto de ser capaz de agir sobre ela, transformando-a. Para que isso 
seja possível, Freire aponta como elemento fundamental da pedagogia o respeito à autonomia 
do ser do educando. nas palavras do próprio autor:
o professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua 
inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o 
professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em 
seu lugar” ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor 
que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, 
que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência 
formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de 
nossa existência (FreIre, 2011, p. 58).
Freire reconhece, assim, que o educando – seja ele criança, jovem ou adulto – é um ser autônomo, 
que deve ser tratado com o devido respeito, para que o projeto educacional seja capaz de estimular 
o seu desenvolvimento e não somente para adestrá-lo a se comportar da maneira que se espera.
Parte fundamental desse processo respeitoso de interação com o aluno reside em uma maneira 
diferenciada de falar com ele, na qual a comunicação se baseia em um senso de igualdade e 
respeito entre as duas partes. Quando o autor afirma que ensinar exige saber escutar, ele está 
defendendo o seguinte:
Se, na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando 
aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores 
da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é 
escutando que aprendemos a falar com eles. Somente quem escuta paciente 
e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que, em certas condições, precise 
28
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
falar a ele. o que jamais faz quem aprende a falar com é falar impositivamente. 
até quando, necessariamente, fala contra posições ou concepções do outro, 
fala com ele como sujeito da escuta de sua fala crítica e não como objeto de 
seu discurso. o educador que escuta aprende a difícil lição de transformar 
o seu discurso, às vezes necessário, ao aluno, em uma fala com ele (FreIre, 
2011, p. 111).
essa fala tão significativa de Freire nos ensina uma importante lição que todo orientador 
educacional e Pedagógico deve levar para a sua prática diária. É a diferença entre falar a e falar 
com. de acordo com o autor, o educador que fala ao aluno está se colocando diante dele em 
uma posição hierarquicamente superior, na qual a comunicação é autoritária e acontece de 
cima para baixo por subentender que o educador é o detentor da verdade absoluta e o educando 
deve se colocar passivamente diante dessa verdade. de outro lado, o profissional que se dispõe 
a falar com o aluno está propondo a ele um tipo de comunicação democrática, na qual a fala do 
educando é respeitada e valorizada.
Freire defende ainda que a prática de escutar e falar respeitosamente com o educando pressupõe 
do educador o desenvolvimento da capacidade de ficar em silêncio, pois, ainda que ele tenha 
muito a dizer, parte de sua responsabilidade é motivar seu interlocutor a falar, a responder o que 
lhe foi dito. É justamente nesse processo de elaborar a resposta que o educando reflete sobre 
aquilo que foi apresentado, aplica o conceito a sua realidade e faz com que a fala do educador 
se torne verdadeiramente significativa para a sua vida. 
o diálogo democrático, portanto, intercala momentos de fala e de silêncio, nos quais o momento 
de silêncio de um é o momento de fala do outro. ao se colocar em silêncio e dar ao aluno a vez 
da fala, o educador demonstra que se importa, que aquilo que o educando tem a dizer é valoroso 
e que ele possui autonomia para construir sua própria visão de mundo.
Como pudemos ver, o respeito ao aluno, aos seus sentimentos, ideais e história de vida, estão 
no centro das teorias de rogers e Freire. Para os dois autores, o aluno não é uma entidade 
meramente passiva sobre a qual o educador possa agir e manipular para fazê-lo trilhar um caminho 
predeterminado. É um sujeito capaz de autodirigir-se se lhes forem oferecidas as ferramentas 
adequadas para que ele entenda a si mesmo e ao mundo em que vive.
outro ponto de encontro na fala desses dois autores diz respeito à importância que ambos atribuem 
à prática diferenciada de escutar o seu aluno com respeito e sem julgamentos. tanto rogers 
quanto Freire reconhecem que, ao impor seu discurso de forma autoritária sobre o educando, 
o educador está esgotando suas possibilidades de auxiliar este aluno a entender-se melhor, de 
construir um conhecimento verdadeiro sobre aquilo que se fala e de encontrar o caminho que 
faz mais sentido dentro de suas expectativas e da realidade em que vive.
29
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
transpondo o pensamento dos dois autores para a prática cotidiana do orientador educacional 
e pedagógico, é possível dizer que o trabalho se tornará mais eficiente à medida que deixemos 
de tentar nos impor diante de nossos orientandos e passemos a vê-los como responsáveis por 
encontrar seu próprio caminho, como indivíduos livres e autônomos com os quais devemos nos 
conectar de forma respeitosa e ética e não através do autoritarismo. não é por acaso que um dos 
principaistrabalhos de rogers se intitula «Liberdade para aprender» e um dos mais importantes 
livros de Paulo Freire se chama «educação como prática da liberdade».
Por intermédio das propostas de Carl rogers e Paulo Freire, podemos afirmar com segurança que 
o papel do orientador dentro de uma instituição de ensino seria o de participar na construção de 
um ambiente propício ao pleno desenvolvimento dos alunos. Isso seja trabalhando diretamente 
com os estudantes ou dando suporte ao corpo docente para que o projeto educacional da 
instituição seja posto em prática de forma efetiva e baseado no respeito aos alunos e às suas 
características específicas de grupo e de indivíduos.
Imparcialidade e flexibilidade
tendo em mente a necessidade deste posicionamento respeitoso diante do aluno, compreendendo 
que ele é agente de sua própria vida, torna-se imprescindível salientarmos a imparcialidade como 
prática necessária ao processo de orientação educacional e pedagógica. Com isso, queremos 
dizer que o papel do orientador não é definir o caminho a ser seguido, mas indicar os caminhos 
possíveis, ajudando o indivíduo a avaliar suas possibilidades para escolher de forma responsável 
e consciente. nas palavras de mariza Lima (2007):
o cliente não tem necessariamente os mesmos valores do profissional que o está 
atendendo: morais, pessoais, políticos e sociais. É ético que se respeitem os dele. 
ele pode querer trilhar caminhos que nunca seriam percorridos pelo profissional 
que o orienta. Favorecer para que o caminho seja delineado, sim, mas intervir 
no traçado deste caminho, jamais! (LIma, 2007, p. 25).
dessa forma, é fundamental que o orientador vocacional tenha em mente que sua tarefa é orientar 
o processo, e não direcionar o orientando para aquilo que ele julga mais adequado. Como vimos 
anteriormente, essa era a função do orientador em um período em que o indivíduo não era o 
foco principal da orientação.
a flexibilidade também é um traço importante para o profissional que se dedica a este ofício, 
porque, à medida que o viés adotado nos dias de hoje pela oeP salienta o fato de que o foco da 
orientação deve ser o orientando e suas demandas, temos de ter em mente as idiossincrasias 
e particularidades desse indivíduo ao elaborar para ele um programa eficaz de orientação. 
É fundamental considerar que cada caso é um caso, ou seja, cada pessoa possui certas especificidades 
subjetivas e uma história de vida que a tornam única, por isso as técnicas utilizadas com outra 
pessoa talvez não sejam adequadas para ele.
30
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
Busca constante por formação e atualização
toda escola espelha, em certa medida, a realidade sociocultural em que está inserida. Com isso, 
podemos dizer que, no ambiente escolar, encontramos representados os valores, as normas e 
os comportamentos típicos daquela comunidade e do momento histórico em que se encontra. 
Por esse motivo, é tão importante que o educador esteja muito atento para compreender esta 
realidade e se adaptar para lidar com ela da melhor forma. de nada adianta nos atermos a velhas 
práticas e conceitos, por mais eficazes que tenham sido, se o mundo se modifica cada vez mais 
rapidamente e com ele nossos alunos.
Quantas vezes você já ouviu dizer que os jovens e as crianças de hoje em dia já não são mais como 
os de antigamente? esta, infelizmente, ainda é uma reclamação recorrente em muitas salas de 
professores, o que causa espanto pela obviedade da afirmação. É claro que as crianças e os jovens 
dos dias de hoje são diferentes do que eram nas gerações passadas, pois o mundo muda – sua 
tecnologia, valores, padrões de consumo e de comportamentos – e com ele mudam as pessoas.
o fato de os nossos alunos terem mudado não apresenta, em si, qualquer problema. a dificuldade 
está em querermos lidar com eles da mesma forma como costumávamos lidar com as gerações 
anteriores. tentar utilizar com meus alunos de hoje as mesmas estratégias de orientação que 
eram utilizadas há trinta anos é tão inútil quanto tentar assistir a uma fita VHS em um aparelho 
de blue-ray.
tendo em vista a necessidade de estarmos atualizados, podemos dizer que uma característica 
fundamental para o orientador educacional e Pedagógico é a busca constante por formação, 
como afirma Lilian Chimentão (2009):
Para que as mudanças que ocorrem na sociedade atual possam ser acompanhadas, 
é preciso um novo profissional do ensino, ou seja, um profissional que valorize 
a investigação como estratégia de ensino, que desenvolva a reflexão crítica da 
prática e que esteja sempre preocupado com a formação continuada.
a nosso ver, a formação continuada passa a ser um dos pré-requisitos básicos 
para a transformação do professor, pois é através do estudo, da pesquisa, da 
reflexão, do constante contato com novas concepções, proporcionado pelos 
programas de formação continuada, que é possível a mudança. Fica mais difícil 
de o professor mudar seu modo de pensar o fazer pedagógico se ele não tiver a 
oportunidade de vivenciar novas experiências, novas pesquisas, novas formas 
de ver e pensar a escola (CHImentão, 2009, p. 3).
outro ponto importante a ser destacado é a necessidade de que essa formação continuada 
tenha sempre um olhar multidisciplinar, pois são muitas as áreas do conhecimento que podem 
contribuir com o preparo do profissional de orientação para lidar com a realidade cotidiana das 
instituições de ensino. a sociologia, a psicologia e a neurociência são algumas das disciplinas 
31
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
que, segundo rangel (2015), podem fundamentar o trabalho de orientação, informando sobre 
diferentes aspectos da prática cotidiana ou dando enfoques variados sobre uma mesma questão.
Reconhecimento das limitações profissionais do 
Orientador Educacional
Um último aspecto importantíssimo da postura do orientador educacional e Pedagógico é 
o reconhecimento dos limites de sua atuação. trata-se de compreender que, por mais que 
busquemos o diálogo com outras disciplinas para atualizar e tornar mais eficiente e informada 
a nossa conduta, ainda assim o nosso papel é o de um educador, e deve estar de acordo com as 
possibilidades de nossa área.
tão e às vezes mais importante que saber quais são as atribuições do or.e. é 
conhecer quais atribuições não são da alçada dele, isto porque ele poderá vir 
a ser solicitado a executar funções ou tarefas não só que não lhe competem, 
como também que lhe são vedadas por lei. dado o caráter assistencial de sua 
atuação profissional, o or.e. pode ser solicitado e/ou sentir-se no dever de prestar 
alguns tipos de atendimento que são próprios de outros profissionais. entre tais 
tarefas podem-se mencionar, pela frequência com que são solicitados a fazê-lo, 
atendimentos de saúde, como fazer curativos, ministrar medicamentos e realizar 
diagnósticos e terapias de natureza psicológica. embora a recusa do or.e. em 
ministrar medicamentos possa ser tida como má vontade dele, sabe-se que 
existem sérios riscos em administrar qualquer medicamento, como possível troca, 
dosagem errada, reação alérgica ou de outra natureza (GIaCaGLIa; Penteado, 
2015, p. 67).
Com isso, pretendemos estabelecer uma regra de ouro, que você, quando estiver desempenhando 
a atividade de orientação em uma instituição de ensino, deverá ter em mente: apesar de trabalhar 
em parceria com profissionais de diferentes especialidades, o trabalho do orientador continua 
sendo o de um educador, que deve encaminhar para atendimento especializado os casos 
em que isso seja necessário, mas nunca fazendo, ele mesmo, diagnósticos ou apresentando 
sugestões de tratamento.
essa afirmação pode parecer um tanto óbvia, uma vez que as palavras “diagnóstico” e “tratamento” 
nos remetem imediatamente às atribuições da área médica. no entanto, infelizmente é comum 
que alguns orientadores acabem ultrapassando esses limites profissionais, porque, às vezes, a 
experiência na atividade docente e de orientação, ocontato prolongado com os alunos e suas 
problemáticas, a interação com profissionais de outras áreas e mesmo os estudos que devemos 
realizar para estarmos atualizados e confiantes em nossa prática cotidiana nos permitem identificar 
certos indícios do problema enfrentado pelo aluno.
no entanto, devemos ter muita clareza de que esta percepção e conhecimento prático, por mais 
acertados que tenham se mostrado, são benéficos apenas para que melhor encaminhemos 
32
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
nossos alunos ao profissional mais adequado para cuidar do seu caso específico, sem, contudo, 
nos autorizar a falar por este profissional.
Vejamos um exemplo prático para que você compreenda melhor sobre o que estamos falando:
Janaina, orientadora educacional de um pequeno colégio municipal, acompanha o caso de 
alice, aluna do quarto ano do ensino fundamental que apresenta dificuldade de aprendizagem 
e de concentração, associadas a um comportamento agressivo, impulsividade, inquietação e 
irritabilidade. Janaina identifica nesses elementos a possibilidade de que a menina apresente 
algum tipo de transtorno que comprometa seu processo de aprendizagem e, por isso, convida os 
pais para uma conversa. essa interação com os responsáveis pela aluna pode ocorrer das duas 
formas abaixo, apenas uma delas poderia ser considerada adequada.
Abordagem I: Janaina conversa com os pais da aluna a respeito das dificuldades que ela vem 
enfrentando na escola, enumerando todos os comportamentos descritos pelo corpo docente e 
seus respectivos impactos sobre o desempenho acadêmico da menina. a orientadora afirma que, 
a partir de suas observações, foi possível identificar o quadro da aluna como uma manifestação 
do transtorno do déficit de atenção com Hiperatividade, e por isso seria interessante que os 
pais procurassem a ajuda de um profissional da área de saúde, que poderá prescrever o uso de 
medicamentos e psicoterapia.
Abordagem II: Janaina conversa com os pais da aluna a respeito das dificuldades que a discente 
vem enfrentando na escola, enumerando todos os comportamentos descritos pelo corpo docente 
e seus respectivos impactos sobre o desempenho acadêmico da menina. a orientadora sugere, 
então, que a melhor forma de auxiliar alice seria encaminhá-la para um profissional de saúde, 
que avaliará com cuidado o caso para apresentar aos pais um diagnóstico preciso e o melhor 
tratamento a ser realizado.
Como você pode perceber, a diferença entre as duas abordagens é bastante sutil. nos dois casos, 
a orientadora conversou com os pais sobre aquilo que a equipe pedagógica percebeu a respeito 
do comportamento de alice, e sugeriu o encaminhamento da aluna a um profissional de saúde. 
no entanto, no primeiro caso, Janaina toma a liberdade de apresentar suas próprias conclusões 
a respeito do diagnóstico e os possíveis métodos de tratamento a serem empregados.
e qual é o problema se Janaina provavelmente já se defrontou anteriormente com casos 
semelhantes, se ela mantém contato constante com profissionais de saúde e tem o hábito de 
estudar sobre o assunto para manter-se atualizada em sua prática cotidiana? ela provavelmente 
está certa a respeito do quadro da aluna!
o problema é que a orientadora, neste caso, não possui a formação necessária para analisar o 
caso de alice e chegar a um diagnóstico, tampouco para opinar sobre formas de tratamento. 
ainda que ela estude sobre o assunto, seu papel na interação com o aluno e sua família deve se 
33
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
restringir à esfera pedagógica, pois o risco de perdermos o limite em nossa prática profissional 
é grande e pode trazer grandes malefícios ao discente.
Você já sentiu uma dorzinha qualquer e decidiu procurar por esse sintoma na Internet? 
todos nós já fizemos isso alguma vez e na maior parte dos casos nos deparamos com um 
diagnóstico terrível associado ao sintoma que estamos apresentando. Um pequeno desconforto 
abdominal, depois de uma consulta ao doutor Google, muitas vezes acaba se tornando 
uma úlcera ou coisa pior. Interiorizamos em nossa mente o tal diagnóstico de Internet e, ao 
chegarmos ao consultório médico, em vez de narrar o que sentimos, vamos logo dizendo o que 
acreditamos ter e às vezes modificamos inconscientemente nossos sintomas ao descrevê-los para 
o médico.
Um diagnóstico feito por um profissional da escola que não possui a qualificação necessária pode 
funcionar da mesma forma que o diagnóstico da Internet, criando uma expectativa desnecessária, 
influenciando a interação da família com o médico e dificultando, assim, a análise objetiva do 
caso do aluno. 
Desafios contemporâneos da Orientação Educacional 
e Pedagógica
elencaremos algumas das principais questões ou problemáticas para as quais o orientador 
educacional e Pedagógico deve estar preparado, por serem questões recorrentes no cenário 
escolar do país como um todo. 
não temos, no entanto, a intenção de estabelecer um manual sobre como solucionar esses 
problemas, pois eles assumirão aspectos diferenciados de acordo com o contexto em que 
estejam inseridos. Portanto, sua solução também deverá ser desenvolvida de acordo com cada 
caso, avaliando todas as variáveis e os aspectos específicos do problema como ele se apresenta 
na sua escola.
o importante é ter em mente que a melhor solução para qualquer uma dessas situações está no 
olhar e na postura do orientador, na forma como ele se mantém atento aos problemas enfrentados 
por alunos, professores, equipe gestora e mesmo a comunidade, na maneira como ele acolhe 
seus orientandos e dialoga com eles para juntos encontrarem uma saída.
Problemas familiares: em seu cotidiano, o orientador educacional e Pedagógico pode ter de lidar 
com diferentes questões familiares que influenciam, direta ou indiretamente, o comportamento e 
o desempenho acadêmico do aluno. a separação dos pais, os casos de doenças graves ou mortes 
na família, situações de desemprego dos responsáveis ou o nascimento de um novo irmão são 
apenas alguns exemplos das diversas circunstâncias familiares para as quais o orientador deve 
estar atento ao se deparar com mudanças de comportamento ou desempenho do aluno.
34
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
Quando dizemos que “nenhum homem é uma ilha”, estamos querendo dizer que ninguém pode 
viver isolado do mundo em que está inserido. tudo aquilo que vivemos e as pessoas com as quais 
nos relacionamos refletem em nossa vida como um todo. a família, dessa forma, desempenha 
um papel importante – com efeitos positivos ou negativos – sobre a vida escolar dos alunos.
Indisciplina e violência: a questão da indisciplina 
é complexa dentro da atividade do orientador 
educacional e pedagógico, pois, em muitos 
contextos, esse profissional é visto como mero 
disciplinador, responsável por vigiar a conduta 
dos alunos e prescrever castigos e punições, o 
que não é verdade. no entanto, também não 
podemos dizer que seja possível ignorar a questão 
da indisciplina, porque ela também faz parte das 
atribuições do oeP. 
É importante destacar, nesse contexto, que, muito 
mais interessante do que essa perseguição ao 
aluno indisciplinado, é o trabalho conjunto com 
os professores e alunos para a construção de uma 
rede de significados e acordos sobre aquilo que 
será considerado indisciplina. assim, todos podem 
dialogar sobre os temas propostos – conversa em 
sala de aula, atraso, enfrentamento ao professor, 
etc. – para que se construa coletivamente o roteiro 
de conduta a ser seguido diante dos casos que 
se apresentem.
no que diz respeito à violência, é importante 
considerarmos que ela representa uma forma de 
expressão e comunicação, muitas vezes a única de 
que o indivíduo é capaz naquele momento. Seria 
interessante, dessa forma, incentivar o diálogo, 
trabalhando com os alunos a habilidade de 
exprimir suas ansiedades, frustrações ou qualquer 
tipo de sentimento por meio de outros veículos, 
taiscomo o esporte, a arte, a escrita, etc.
Com isso, não estamos desconsiderando o fato de que muitas escolas estão localizadas em 
comunidades violentas, em que, por vezes, sentimo-nos impotentes diante de uma realidade 
tão dura. nessas ocasiões, especialmente, cabe-nos lembrar o papel transformador da educação, 
Para refletir
Leia com atenção o relato abaixo, em que a autora mary 
rangel apresenta um exemplo de problema familiar 
diante do qual o orientador educacional e Pedagógico 
pode ter de atuar. após a leitura do caso, tente se 
imaginar no lugar desse orientador, e reflita a respeito 
das estratégias que você utilizaria para auxiliar o aluno.
“Vale lembrar a expressão de um aluno do 2º ano do 
ensino Fundamental de uma escola da rede municipal 
do rio de Janeiro. a expressão (a fisionomia, o 
olhar) desse aluno, com apenas oito anos de idade, 
demonstrava uma profunda tristeza. a professora, 
então, solicitou o auxílio da orientadora educacional e, 
com a mesma expressão de tristeza e medo no olhar, 
o aluno disse à orientadora o que já havia dito à sua 
professora: “Vai acontecer uma coisa muito ruim lá 
em casa... muito, muito ruim!” Poucos meses depois, 
essa “coisa muito ruim”, conforme ele percebia e lhe 
causava sofrimento, realmente aconteceu: os pais se 
separaram.
o sentimento de “perda” pela desunião do casal, o 
sentimento de “perda do pai”, que saiu de casa, o 
sentimento de frustração, por “não ter ajudado, ou 
até ter colaborado para essa separação” compõem 
um cenário sombrio e confuso e ideias que invadem 
o pensamento dos filhos, prejudicando, inclusive, sua 
autoestima.
o que pode fazer o orientador, a orientadora 
educacional? não há resposta simples, mas há um 
núcleo principal de atenções e atitudes que facilitam 
e promovem a relação de ajuda. nesse núcleo, 
encontram-se, essencialmente, o afeto, o diálogo, o 
conhecimento que esclarece o significado de família, 
ressaltando que ela permanece, na presença e no amor 
dos pais, para além da sua separação” (ranGeL, 2015, 
p. 16-17).
35
A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA • AulA 2
apresentando a nossos alunos outras estratégias de ação no mundo e educando-os sempre pelo 
exemplo. o confronto muitas vezes é a forma mais fácil de lidar com eles, mas é também a única 
linguagem que muitos conhecem e para a qual estão prontos para reagir.
Bullying: este é um tema recorrente no cenário educacional nos dias de hoje, muitas vezes 
utilizado para tratar qualquer tipo de problema de interação entre os colegas, ou mesmo alguns 
casos isolados de indisciplina. Bullying, no entanto, é uma palavra inglesa utilizada para designar 
apenas os casos em que um indivíduo sofre atos repetidos e continuados de violência física ou 
psicológica, que podem ser desempenhados por uma pessoa ou um grupo e causam danos 
graves à sua autoestima, ao seu equilíbrio emocional e psicológico, bem como à sua capacidade 
de interação social e ao seu desempenho acadêmico.
rangel (2015) salienta inclusive o fato de que os abusos que caracterizam o bullying em muitos 
casos podem escalar ao ponto de tornarem-se crimes e nos lembra que tais atos não ocorrem 
somente na relação entre alunos, mas, também, entre eles e os professores, entre eles e os 
funcionários ou mesmo entre os próprios membros do corpo docente ou da gestão da escola. 
a autora sugere que um dos caminhos possíveis para combater o bullying é a criação, em cada 
escola, de um grupo, comitê ou comissão que receba e investigue todas as queixas relatadas de 
abuso. esse grupo seria responsável por identificar os responsáveis por tais atos e promover o 
acompanhamento e aconselhamento das pessoas envolvidas.
Respeito à diversidade e inclusão: a escola é, em sua essência, um espaço de diversidade, que 
reúne entre seus muros uma gama de indivíduos diferentes entre si, que devem aprender a 
conviver harmônica e respeitosamente a despeito de suas semelhanças e diferenças. É uma 
representação em menor escala da vida em sociedade, onde lidamos todos os dias com pessoas 
de diferentes origens, etnias, religiões, orientações sexuais, etc. Por esse motivo, é tão importante 
que o espaço escolar, enquanto local de experimentação da vida em sociedade, seja propício à 
vivência da diversidade.
Um primeiro passo para tanto é trabalhar com os próprios professores e gestores a melhor maneira 
de receber, acolher e respeitar as diferenças, para que as situações de desrespeito e intolerância 
não se iniciem justamente no comportamento dos educadores. 
Provocação
Aluno é barrado em escola municipal do Rio por usar guias do candomblé
mariucha machado
a rotina de ir à escola virou motivo de constrangimento para um aluno que estava se iniciando no candomblé. aos 12 anos, 
o estudante da quarta série do ensino fundamental da escola municipal Francisco Campos, no Grajaú, na Zona norte do 
rio, foi barrado pela diretora da instituição por usar bermudas brancas e guias por baixo do uniforme, segundo a família. a 
denúncia foi publicada nesta terça-feira (2) pelo jornal “o dia”.
36
AulA 2 • A ORIEntAçãO EduCACIOnAl E PEdAgógICA COntEmPORânEA
“antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não entraria no colégio. eu 
expliquei que ele teria de usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou indignada a mãe do estudante, rita de Cássia, 
ao G1.
o G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria municipal de educação e até o horário de publicação 
desta reportagem não obteve resposta.
no dia 25 de agosto, depois quase um mês sem ir à escola, o jovem tentou voltar. “eu levei o meu filho e, na porta da escola, 
ela [diretora] não viu que eu estava atrás e colocou a mão no peito dele e disse: ‘aqui você não entra’. e eu expliquei que ele 
teria de usar as guias e o branco por três meses e aí ela respondeu: ‘o problema é seu’”, disse rita de Cássia.
rita ressaltou que o filho se sentiu humilhado diante dos amigos do colégio e chorou muito. “Se ela estivesse esperado todo 
mundo entrar e me chamasse no canto para tentar encontrar uma forma para colocar ele para dentro seria uma coisa. mas, 
não. ela barrou ele na frente de todo mundo. eu discuti, falei palavrão feio para ela, eu admito, mas ela não poderia ter feito 
isso com ele. ele foi muito humilhado”, afirmou a mãe.
o jovem de 12 anos foi definido pela mãe como uma criança determinada. apesar do constrangimento, rita contou que o 
filho em momento algum pensou em abrir mão dos ideais do candomblé.
“a escolha de entrar para o candomblé foi dele. ele sabe o que quer, é muito firme nas decisões. Por nada ele larga a religião 
dele. Quando aconteceu isso tudo ele disse: ‘Se eu fosse muçulmano ou qualquer outra coisa eu deveria ser respeitado, isso é 
discriminação’”, lembrou a mãe.
Segundo rita, o jovem caminhou até em casa de cabeça baixa, teve febre e perdeu o interesse de retornar à escola. “Se o meu 
filho estivesse com drogas, se tivesse arma, tenho certeza de que eles iam tampar os olhos”, reclamou.
depois de quatro dias do episódio, ele foi transferido para a escola municipal Panamá, também no Grajaú, onde foi bem 
recebido pela diretoria, professores e estudantes.
“depois que eu fui lá para pedir a transferência, a diretora disse que não gostaria que eu levasse ele porque ele era um ótimo 
aluno. mas o que ela não poderia era ter feito meu filho passar vergonha. depois que ele foi tão humilhado, meu filho foi 
muito bem aceito na escola nova. todo mundo me apoiou. Para quem é mãe, é muito difícil ver um filho sofrendo esse 
preconceito”, disse emocionada rita de Cássia. 
disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09>.
no exemplo anterior, fica salientada a importância de que o próprio corpo docente e a equipe 
gestora estejam preparados para o respeito à diversidade. Que todos estejam aptos a lidar com 
situações em que nossas próprias crenças, preferências e opiniões são confrontadas com o direito 
do outro de ter crenças, preferênciase opiniões diferentes das nossas.
da mesma forma, a inclusão de alunos com deficiência, seja ela física ou intelectual, deve começar 
pela preparação do corpo docente para receber tais discentes de forma que eles não estejam 
apenas “incluídos fisicamente” no ambiente escolar, mas que, de fato, possam fazer parte do 
processo educativo, desenvolvendo-se plenamente e interagindo com os demais colegas.
Vale ressaltar que a presença do aluno com deficiência em salas de aula do ensino regular é 
enriquecedora também para o restante da turma, uma vez que os alunos que têm a oportunidade 
de conhecer e interagir com um aluno nessas condições estarão mais aptos a reconhecer o 
outro pelas suas potencialidades, independentemente de suas limitações. esse é o passo mais 
importante para que a inclusão de fato aconteça. 
37
Introdução
na terceira aula desta disciplina, analisaremos de que forma o orientador educacional e Pedagógico 
participa do planejamento, da execução e do desenvolvimento do projeto educativo da escola. 
Você perceberá que, além de dedicar-se à tarefa específica de orientar os alunos, o orientador é 
também um personagem importante da equipe gestora, que tem como missão auxiliar a direção 
a cuidar de diferentes aspectos da vida escolar.
Objetivos
 » entender a multiplicidade de tarefas desempenhadas pelo orientador em diferentes 
áreas da vida escolar.
 » definir que, além de trabalhar diretamente com os alunos, cabe ao orientador educacional 
e Pedagógico auxiliar a equipe gestora a planejar, implementar e avaliar o projeto 
político-pedagógico da escola.
 » Compreender que o planejamento da educação se desenvolve em diferentes âmbitos – 
nacional, regional, escolar e individual – que se complementam para que a visão geral 
se adéque às realidades específicas de cada sala de aula.
 » reconhecer a importância do Projeto Político-Pedagógico enquanto documento 
democrático, que estabelece as metas e os critérios a serem seguidos pela escola para 
que o pleno desenvolvimento dos alunos seja alcançado.
 » Compreender as principais etapas que compõem o Plano anual de educação de uma escola.
 » entender o papel desempenhado pelo orientador educacional e Pedagógico no 
desenvolvimento do PPP e do Plano anual.
 » Compreender o papel de mediador exercido pelo orientador educacional e Pedagógico 
ao longo do desenvolvimento do projeto educativo.
 » Perceber o caráter cíclico da avaliação, compreendendo o papel desempenhado por 
cada tipo de avaliação – diagnóstica, formativa e somativa – para que o projeto atinja 
todo o seu potencial. 
3
AulA
O PAPEl dO ORIEntAdOR 
EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS 
AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
A versatilidade do Orientador Educacional e Pedagógico
Por ser chamado a atuar nos mais diversos aspectos do cotidiano escolar, é fundamental que o 
profissional de orientação tenha uma versatilidade grande em termos de saberes teórico sobre 
as questões pedagógicas, conhecimentos técnicos sobre o funcionamento escolar e um bom 
relacionamento interpessoal com todos os personagens que fazem parte da vida da instituição. 
Como salienta Grinspun (2011):
o cotidiano escolar tem uma organização, uma estrutura, um sistema que rege seus 
acontecimentos. Há uma vida cotidiana em que todos convivem na complexidade 
que a caracteriza, vivendo também com as vontades, preocupações, dificuldades, 
ambiguidades e conflitos de sua própria complexidade interior. esse espaço do 
cotidiano, além de privilegiado pela vivência (por ser único para cada um de nós), 
pode reproduzir o que os outros esperam que aconteça ou pode transformar o 
que os outros acreditam que não seria possível acontecer. Se o cotidiano, como 
diz Certeau, é um espaço estratégico de usos e táticas (arte de falar, arte de fazer, 
arte de silenciar), eu diria que, para a orientação, o cotidiano escolar é a arte de 
ouvir e de saber agir para melhor se disponibilizar para o outro e a instituição 
(GrInSPUn, 2011, p. 65).
a orientação se realiza no encontro com o outro e, por isso, o orientador deve ir onde o outro está. 
Podemos dizer com isso que as atividades do orientador, por estarem relacionadas às práticas do 
cotidiano, se estendem por toda parte, fazendo com que ele possa ser encontrado “em sua sala, 
na sala de aula, nos recreios, à entrada da escola, recebendo os alunos, e até nas próprias casas 
dos alunos, em situações que requerem atendimento domiciliar” (ranGeL, 2015, p. 108). É um 
profissional que desempenha o papel de chave-mestra para o bom funcionamento da escola, 
de sua rotina e de suas práticas pedagógicas.
muitas vezes, no entanto, por essa versatilidade em atender a diferentes demandas, o orientador 
educacional é chamado a desempenhar atividades que não fazem parte de suas atribuições, como 
substituir professores faltosos, realizar tarefas típicas do coordenador pedagógico, fiscalizar a 
ordem e a disciplina nas áreas comuns da escola, ou dar suporte à equipe de funcionários em 
atividades como distribuição de material, oferecimento de merenda, etc. 
diante dessa realidade, torna-se fundamental que estabeleçamos um recorte daquilo que 
realmente é de atribuição do orientador educacional e Pedagógico, para que possamos discutir 
mais detalhadamente suas atividades. Para tanto, é fundamental termos em mente que a 
atividade-fim do orientador educacional e Pedagógico é o pleno desenvolvimento do aluno, e 
ele pode buscar concretizar esse objetivo por meio de duas abordagens distintas:
 » auxiliando a equipe gestora a planejar, executar e avaliar o projeto pedagógico da escola, 
para que ele se mantenha sintonizado com a promoção do desenvolvimento pleno dos 
estudantes.
39
O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA • AulA 3
 » trabalhando diretamente com os alunos ou dando suporte aos professores para que 
eles promovam este desenvolvimento em suas atividades docentes.
nesta unidade, trabalharemos essas duas abordagens. nesta aula, focaremos nossa atenção na 
participação do orientador nas atividades que fazem parte da estruturação do projeto pedagógico 
e, para isso, levaremos em conta cada uma de suas etapas, a saber:
 » Planejamento: momento coletivo de estabelecimento da visão do grupo a respeito da 
realidade diante da qual se encontram e as expectativas de todos para ela. É importante 
seja colocado tudo aquilo que desejamos para o projeto educativo, tendo em mente o 
que é possível no contexto em que este projeto estará inserido.
 » Execução: momento em que aquilo que foi planejado é colocado em prática, seguindo 
sempre o roteiro estabelecido durante a elaboração do plano, mesmo que em alguma 
medida seja necessário criar estratégias de flexibilização para que o desenrolar do projeto 
não fique engessando diante de qualquer contratempo. 
 » Avaliação: refere-se a um sistema de controle e monitoramento das ações desenvolvidas. 
este é o aspecto que nos permite visualizar se o projeto realmente está sendo colocado 
em prática de acordo com as diretrizes estabelecidas inicialmente e se os objetivos e as 
metas estão sendo atingidos.
Planejamento
o planejamento, em todas as áreas profissionais ou mesmo em nossas vidas pessoais, é uma 
prática importante para que atinjamos bons resultados nos projetos que estamos colocando 
em prática. É ao planejar que esboçamos o futuro, analisamos todos os riscos, preparamo-nos 
para as eventualidades e traçamos um caminho para não perdermos o rumo no decorrer 
dos eventos.
em educação não é diferente! o planejamento, presente em todas as etapas e esferas do projeto 
educativo, desde a atividade coletiva de criar rumos para o sistema de ensino como um todo 
até o trabalho do professor em sua sala de aula, é uma ferramenta decisiva para que as ações 
educativas sejam implementadas com eficiência e as metas sejam atingidas. É um momento 
valioso em que é possível equalizar as expectativas e visõesde gestores, professores e do restante 
da comunidade escolar.
o autor danilo Gandin (1995) defende que este planejamento, enquanto processo vivo e 
dependente de diferentes atores, não pode ser encarado como procedimento mecânico de 
preencher formulários e desenhar planilhas com metas e intenções que acabarão não sendo 
tiradas do papel. É fundamental que o planejamento seja feito de forma consciente, ancorado 
na realidade para que seja possível de ser desenvolvido da forma como foi concebido. 
40
AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
Vale ressaltar que o planejamento, ainda que deva ser seguido com disciplina para a obtenção 
de resultados, precisa ser revisitado e revisto ao longo de todo o processo, pois inúmeras vezes 
nos deparamos, ao longo do desenvolvimento, com situações anteriormente imprevistas que 
nos obrigam a repensar nossas estratégias, a recalcular o caminho que percorreremos até nosso 
objetivo final, que é o pleno desenvolvimento de nossos alunos.
Pense no sistema de GPS do seu celular ou de seu carro, que planeja uma rota para a sua viagem e 
vai dando as instruções de caminho à medida que você vai se locomovendo. Se ele te orienta a entrar 
à direita e você ignora o comando e segue em frente, imediatamente o sistema precisa retornar à 
fase de planejamento e calcular uma nova rota possível para que você atinja o destino desejado.
outro ponto a ser considerado é o fato de que o desenvolvimento de um projeto educativo 
funciona como uma cadeia de planejamentos, que se iniciam de forma muito generalizada na 
reflexão dos especialistas em educação e vão criando diretrizes e normas que serão refinadas até 
chegar ao professor e seu cotidiano em sala de aula. Sendo assim, podemos dizer que mesmo o 
professor solitário que pensa suas aulas individualmente tem como norteadoras as diretrizes e 
condutas anteriormente estabelecidas por outras esferas educativas. 
âmbito nacional
o planejamento da educação realizado pelo governo federal tem como objetivo estabelecer metas 
e normas de conduta que abranjam a realidade de todo o território nacional, sendo rígidas o 
bastante para estabelecerem um padrão a ser seguido em todas as regiões do país, mas flexíveis 
o suficiente para que possam ser adaptadas diante das idiossincrasias das diferentes localidades.
Perceba que, em um país com extensão territorial tão grande e com a diversidade social e cultural 
que se apresenta em cada região, estabelecer parâmetros norteadores que sejam comuns a todos os 
estados é uma tarefa realmente complexa. Por isso, nesta esfera de planejamento, são apreciadas 
questões mais gerais da educação, norteadas pelo que determina a Constituição Federal, a Lei 
de diretrizes e Bases da educação (LdB) e sistematizadas em um documento intitulado Plano 
nacional de educação (Pne).
Saiba mais
Vejamos a relação com as 20 metas estabelecidas pelo Plano nacional de educação, elaborado em 2014, para serem atingidas 
ao longo de uma década.
meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e 
ampliar a oferta de educação infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de 
até 3 (três) anos até o final da vigência deste Pne.
meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir 
que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o último ano 
de vigência deste Pne.
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O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA • AulA 3
meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até 
o final do período de vigência deste Pne, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e cinco por cento).
meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do 
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional 
especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de 
recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental.
meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a 
atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.
meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da 
aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: 6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 
nos anos finais do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.
meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 
(doze) anos de estudo no último ano de vigência deste plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade 
no País e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados 
à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e estatística – IBGe.
meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros e 
cinco décimos por cento) até 2015 e, até o final da vigência deste Pne, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% 
(cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.
meta 10: oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas de educação de jovens e adultos, nos ensinos 
fundamental e médio, na forma integrada à educação profissional.
meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo 
menos 50% (cinquenta por cento) da expansão no segmento público.
meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% (cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% 
(trinta e três por cento) da população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão 
para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas matrículas, no segmento público.
meta 13: elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo 
exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 
35% (trinta e cinco por cento) doutores. 
meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 
60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores.
meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o distrito Federal e os municípios, no prazo de 1 
(um) ano de vigência deste Pne, política nacional de formação dos profissionais da educação de que tratam os incisos I, II 
e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras da 
educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento 
em que atuam. 
meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos professores da educação básica, até o último ano 
de vigência deste Pne, e garantir a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua área de 
atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino. 
meta 17: valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de educação básica, de forma a equiparar seu 
rendimento médio ao dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigênciadeste Pne. 
meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de carreira para os(as) profissionais da educação básica 
e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos(as) profissionais da educação básica
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 
206 da Constituição Federal.
meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão democrática da educação, associada 
a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, 
prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.
meta 20: ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por 
cento) do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 5º (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% 
(dez por cento) do PIB ao final do decênio.
disponível em: <http://pne.mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>.
âmbito regional (Estadual e municipal)
Partindo do planejamento mais amplo estabelecido pelo ministério da educação para o país 
como um todo, os estados e municípios realizarão um planejamento próprio para as suas redes 
de ensino, que busque adequar a visão geral do Pne à realidade de suas localidades.
nesta etapa, é importante que o ente regional sirva como ponte para o diálogo entre as diretrizes 
nacionais e as necessidades cotidianas da realidade local. É reunir todas as metas estabelecidas 
pela federação com vistas a discuti-las com gestores e professores, para, dessa maneira, entender os 
pontos em que tais expectativas se encontram e aqueles em que serão necessárias a flexibilização 
e a adequação do planejamento de modo que todos os resultados sejam alcançados. 
Lembre-se de que as propostas do Pne são as mesmas para municípios ricos e pobres, para estados 
do Sul até o norte do país, para localidades urbanas e rurais. Partindo da realidade amplamente 
abrangente do Pne, o filtro estabelecido pelas redes de ensino é fundamental para que a proposta 
que chega às escolas esteja mais alinhada às necessidades de cada localidade regional. 
âmbito escolar
Como vimos, o planejamento nacional para a educação é analisado, discutido e formatado em 
um novo planejamento realizado pelos estados e municípios de acordo com suas realidades. no 
entanto, as nuances existentes dentro de uma mesma rede de ensino ainda são demasiadamente 
numerosas para que pensemos em um único planejamento que dê conta de toda essa diversidade. 
Imagine, por exemplo, a realidade de uma rede estadual como a do estado de São Paulo, que 
contém em si regiões de extrema riqueza, de extrema pobreza, de culturas típicas de populações 
imigrantes, de territórios quilombolas, de instituições prisionais, etc. Você pode imaginar que 
um único planejamento dará conta de todas essas realidades?
Para estabelecer um novo filtro e adequar as expectativas da rede à realidade da comunidade local, 
cada escola deve realizar o seu próprio planejamento, utilizando o Plano nacional de educação 
e os planos estabelecidos pelo seu estado ou município para chegar a um planejamento realista 
e possível de ser desenvolvido naquela instituição de ensino específica.
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O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA • AulA 3
esse é um passo importantíssimo para que as políticas públicas de educação sejam incorporadas 
ao cotidiano escolar, tendo a participação de toda a equipe pedagógica – gestores, coordenadores 
e professores.
âmbito individual de cada professor
Por fim, todo esse planejamento, que teve início na esfera nacional, com especialistas das mais 
diversas áreas da educação refletindo sobre as metas a serem atingidas pelo país como um 
todo, e que foi sendo filtrado e adaptado até atingir a medida exata de cada escola, deve ser 
novamente interpretado e posto em prática à medida que cada professor realiza o planejamento 
de suas aulas.
Infelizmente, esse planejamento ainda é uma tarefa encarada por muitos professores como prática 
mecânica de distribuir conteúdos de acordo com a quantidade de dias letivos. Uma atividade 
burocrática, desempenhada sem muita reflexão e com pouco interesse pelas discussões propostas 
pela gestão da escola.
Com isso, o planejamento – tão refletido, repensado e adaptado – jamais se concretiza de fato 
nem surte os efeitos dele esperados, pois não é implementado no cotidiano das salas de aula. 
Para que o planejamento educacional como um todo atinja as metas para ele estabelecidas, é 
fundamental o engajamento dos professores e facilitar esse processo é uma das responsabilidades 
que podemos atribuir ao orientador educacional e Pedagógico.
na árdua tarefa de fazer com que as reflexões e diretrizes das políticas públicas para a educação 
cheguem até os bancos escolares de cada sala de aula, o orientador educacional e pedagógico 
desempenha um papel fundamental, pois caberá a ele, enquanto membro da equipe gestora 
da escola, certificar-se de que as discussões pedagógicas não sejam soterradas no cotidiano por 
questões de ordem prática como a elaboração do quadro de horário, a divisão das turmas, etc.
Cabe, portanto, ao orientador servir de elo entre as diretrizes da rede de educação e o planejamento 
da escola, atentando para a necessidade de elaboração e atualização democráticas de dois 
documentos de planejamento distintos, o Projeto Político-Pedagógico da escola e o seu Pano 
anual de atividades, bem como no auxílio ao professor na elaboração de seu planejamento.
Projeto Político-Pedagógico
o Projeto Político-Pedagógico de uma escola é o registro da identidade da própria instituição, 
porque nele estão registradas suas principais características, suas inclinações políticas e 
pedagógicas e a clientela atendida por ela e suas necessidades. esse documento deverá servir 
como principal guia para o estabelecimento das regras de conduta adotadas na escola, seu 
desenvolvimento é de tamanha importância e está descrito como obrigatoriedade pela Lei de 
diretrizes e Bases da educação nacional (LdB), de 1996. 
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
Salienta-se que o Projeto Político-Pedagógico é um instrumento de planejamento democrático, o 
qual, portanto, deve ser discutido com toda a comunidade escolar. Sua versão final tem de estar 
disponibilizada em local de fácil acesso para que qualquer interessado – professores, alunos, 
responsáveis, membros da comunidade, pesquisadores, etc. – possa consultá-lo se assim o desejar.
no entanto, muitos gestores ainda encaram este documento como mera formalidade, desenvolvem 
textos formatados, sem a participação da comunidade estudantil, e que pouco refletem a realidade 
cotidiana da escola. Infelizmente, é comum encontrarmos PPPs em que o que está escrito no 
papel não reflete em nada os desejos da comunidade escolar ou a realidade do que ocorre no 
cotidiano da instituição de ensino.
Imagine, por exemplo, que o Projeto Político-Pedagógico de uma escola aponta o posicionamento 
laico como um dos fundamentos de identidade da escola. Isso significa que, na prática cotidiana 
desta instituição, não poderão ser considerados dogmas de qualquer igreja nas tomadas de 
decisão ou na implementação de projetos. esta escola, por exemplo, não poderá justificar a 
recusa em desenvolver projetos de controle de natalidade com base na reprovação que algumas 
igrejas fazem desta prática. 
no entanto, se estivermos nos referindo a uma escola confessional, que deixa claro em seu 
Projeto Político-Pedagógico a sua orientação dogmática e a medida em que essas referências 
influenciarão as práticas cotidianas da escola, o posicionamento contrário às políticas de controle 
de natalidade seriam perfeitamente aceitáveis.
Vejamos,então, os principais elementos que devem constar em um PPP:
 » Clientela: descrição da comunidade em que se localiza a escola, descrevendo suas 
principais características e problemas enfrentados. É interessante que este tópico 
contemple também um perfil geral dos alunos matriculados e dos estudantes egressos, 
bem como de suas famílias. 
 » Missão, visão e valores: neste tópico deve ser descrita a missão que a escola pretende 
desempenhar diante da comunidade por ela atendida. aqui será explicitada a visão de 
mundo e de sociedade à que se alinha a instituição, bem como os valores que nortearão 
as suas práticas.
 » Dados sobre a aprendizagem: é um perfil elaborado a respeito do desempenho acadêmico 
da escola, contemplando questões como a taxa de evasão, de fracasso escolar, o 
desempenho nos programas de avaliação institucional oferecidos pelo governo, como, 
por exemplo, o exame nacional do ensino médio (enem).
 » Recursos: este tópico deve incluir os recursos de que dispõe a instituição e o uso que 
planeja ser feito deles no processo de desenvolvimento do projeto pedagógico. neste 
ponto, vale ressaltar que os recursos podem ser materiais, como equipamentos e 
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infraestrutura, ou imateriais, como os profissionais que compõem a equipe pedagógica 
e o corpo docente.
 » Diretrizes pedagógicas: descrição da conduta educacional adotada pela escola, incluindo 
a corrente pedagógica que orienta suas atividades e o regulamento interno que norteará 
a solução de problemas e definirá as normas de comportamento a serem seguidas.
Para que o PPP se mantenha condizente com a realidade da escola, de seus alunos, da comunidade 
e dos profissionais que nela trabalham, é importante que este documento esteja em constante 
processo de revisão e atualização, não sendo um documento estático para ser guardado em uma 
gaveta ou em arquivos isolados e inacessíveis.
É um documento democrático de planejamento e gestão, que, por estar diretamente associado 
ao estabelecimento das metas a serem alcançadas e condutas a serem seguidas, deve servir de 
base para os demais planejamentos realizados na escola.
Para refletir
em uma instituição específica de ensino particular que tem como característica e objetivo de suas atividades pedagógicas a 
aprovação de alunos no vestibular, as turmas são divididas de acordo com o desempenho acadêmico dos alunos e existe um 
sistema de mobilidade entre turmas de um bimestre para o outro. ao final de cada bimestre, os alunos são ranqueados por 
suas notas e alocados na turma referente ao seu posicionamento no quadro geral de desempenho.
Uma aluna recém-chegada à escola, de acordo com suas notas do primeiro bimestre do ano letivo, foi transferida da turma 
de desempenho B para a turma de desempenho a, o que a deixou intensamente contrariada e desmotivada por tê-la 
separado do grupo de amigas que acabara de formar. a mãe dessa aluna procurou então a direção da escola e o setor de 
orientação educacional para reclamar deste sistema de mobilidade, solicitando que a filha fosse transferida novamente 
para a turma em que havia iniciado seus estudos, pois seu perfil de motivação para os estudos estava muito mais 
associado ao ambiente de companheirismo com os colegas de turma do que com a competitividade incentivada 
pela escola.
esta é uma situação complexa, que poderia ter sido evitada por uma leitura atenta por parte dos pais do Projeto Político-
Pedagógico da escola, no qual está sistematizada a proposta educativa em todos os detalhes, inclusive o ranqueamento dos 
alunos por turma. esses pais, ao buscarem uma nova escola para matricular a filha, deveriam ter-se preocupado em entender 
a proposta da instituição para avaliar se ela estaria de acordo com o perfil de estudante da menina e tal trabalho poderia ter 
sido feito com o acompanhamento do orientador educacional.
Plano Anual
antes do início de um novo ano letivo, toda escola deve desenvolver o seu Plano anual, que 
conterá as metas, os objetivos e os procedimentos a serem seguidos ao longo de todo aquele 
ano. Para isso, a equipe gestora da escola deverá realizar uma semana pedagógica com seus 
professores e funcionários para que o Plano anual seja discutido e construído em conjunto.
esse plano para o ano seguinte deverá ser iniciado já na conclusão do ano letivo anterior, na 
avaliação do Plano anual construído para o ano que está terminando. Por meio do debate, deverão 
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
ser destacados os pontos que foram positivos e negativos, quais metas foram alcançadas, quais 
precisam ser revistas, que novos desafios se apresentaram ao longo do caminho e como podem 
ser solucionados.
outro ponto que necessariamente deverá fazer parte da fundamentação do Plano anual é o 
Projeto Político-Pedagógico da escola, que sempre deverá ser considerado como ponto de partida 
para tudo o que se pretenda realizar na escola. este é um bom momento para rever e rediscutir 
o PPP, atualizando-o sempre que necessário.
nesta semana pedagógica em que se realizará o planejamento do ano que se inicia, o orientador 
educacional e pedagógico assume papel fundamental, pois ele será o responsável por conduzir as 
atividades e orientar as discussões, abarcando os seguintes tópicos na organização deste evento:
Recepcionar os novos professores que estejam ingressando na equipe docente, fazendo com 
que eles se sintam confortáveis para tirar todas as suas dúvidas sobre os procedimentos adotados 
na escola. Vale lembrar também que esses indivíduos chegam de realidades diferentes e podem 
trazer um olhar novo para os dilemas que a escola enfrenta, podendo, inclusive, sugerir saídas 
inovadoras para problemas.
Facilitar o diálogo entre professores e gestores, de maneira que a apreciação de qualquer questão 
seja feita por diferentes ângulos e perspectivas. esse diálogo nem sempre é fácil, especialmente se 
a relação entre os gestores e sua equipe não for harmoniosa, mas cabe ao orientador, enquanto 
integrante da gestão que trabalha de forma mais próxima com os professores, criar um momento 
propício para que essas duas esferas conversem e troquem experiências. 
Propor leitura e avaliação dos resultados do ano anterior, destacando os pontos do planejamento 
que foram atingidos e aqueles que ainda precisam ser melhorados. ressalta-se que, em um 
contexto educacional em que a culpa pelo fracasso escolar é comumente atribuída ao professor, 
este debate sobre o desempenho do processo educativo no ano anterior deve ser conduzido de 
forma leve e objetiva, em que os resultados sejam analisados sem que se busquem culpados. 
o planejamento das atividades do ano é uma realização coletiva, que deve também ser executado 
coletivamente. Se algo não deu certo, a responsabilidade é de todos, inclusive dos alunos, das 
famílias e da comunidade!
Elaborar, juntamente com a equipe, objetivos e metas que deverão ser conquistados ao final 
do ano letivo. Vale lembrar que metas vagas ou muito abstratas dificilmente são cumpridas, pois 
não se tem clareza a respeito do resultado a ser atingido. 
não é produtivo, por exemplo, estabelecer como meta “mudar o comportamento dos alunos”, 
porque, ao final do ano letivo, a discussão dos resultados será baseada na impressão pessoal de 
cada um, o que dificilmente gera consenso. Como fazemos isso? Como sabemos se conseguimos 
realizar esta meta?
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Seria mais adequado, neste caso, refletir sobre quais transformações seriam indicativas da 
mudança que pretendo ver no comportamento dos alunos e, a partir dessas considerações, 
estabelecer as metas a serem atingidas, como a diminuição das ocorrências de indisciplina nas 
salas de aula, a diminuição dos casos de indisciplina no momento do intervalo, a diminuição 
dos casos de depredação de patrimônio da escola,etc. todos esses exemplos sinalizam uma 
mudança no comportamento dos alunos, mas, diferente da meta abstrata, a equipe será capaz 
de verificar objetivamente se as metas foram cumpridas. 
Criação de planos de ação com base nas metas e nos objetivos elaborados. depois de definir o 
que se pretende realizar ao longo do ano, esta etapa visa a estabelecer um roteiro a ser seguido 
para a concretização do planejamento. Se minha meta é diminuir o número de evasões, por 
exemplo, precisarei avaliar detalhadamente os motivos causadores da evasão, para, a partir 
deles, criar um plano de ação com estratégias que busquem aumentar o interesse do aluno 
pelas atividades escolares, solucionar problemas internos e externos que o levam a abandonar 
os estudos, encontrar medidas junto às famílias para conscientizá-los sobre a importância da 
permanência do aluno na escola, etc.
no que diz respeito à elaboração prática dos planos de ação, é importante que estes abranjam 
as seguintes questões:
Quadro 1. Plano de ação.
tema Definição do tema geral em que está inserido o problema que você trabalhará ao longo do plano.
Problema neste item, você deverá apresentar ao seu leitor o problema para o qual está buscando uma solução. Qual é exatamente a questão a ser trabalhada?
diagnóstico descreva a situação causadora do problema.
Justificativa
A justificativa, em qualquer plano, diz respeito à fundamentação teórica 
necessária para que o seu leitor compreenda a importância desta temática. 
Convença a pessoa que está lendo de que este problema realmente 
precisa ser solucionado!
Objetivos
Estabeleça em tópicos os objetivos que se pretende alcançar com o 
desenvolvimento deste plano. uma forma interessante de pensar os 
objetivos é desmembrar em partes a solução que você imagina para o 
problema em questão.
Ações pedagógicas descreva detalhadamente e em etapas todas as ações que serão desenvolvidas de modo que os objetivos estabelecidos sejam alcançados.
Equipe responsável descreva as pessoas que farão parte do desenvolvimento desta ação, especificando as atribuições de cada uma delas.
Recursos
Defina os recursos que precisarão ser utilizados para o desenvolvimento 
desta ação, sejam eles materiais, como cartazes, material de papelaria para 
dinâmicas. 
Avaliação Estabeleça os parâmetros e as estratégias que serão utilizadas ao final da ação para mensurar se ela foi bem-sucedida ou não.
Referências bibliográficas Cite todo o material utilizado por você para fundamentar teoricamente o trabalho.
Fonte: Elaboração própria da autora.
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
Estabelecer a divisão das turmas, levando em consideração que não se trata de uma atividade 
meramente distributiva, mas de uma decisão político-pedagógica que influenciará diretamente 
o trabalho dos professores e o desempenho dos alunos. Como defende Bernardo (2013):
o agrupamento de alunos em turmas homogêneas ou heterogêneas é uma 
medida organizativa com consequências importantes para as escolas ou redes 
de ensino. o agrupamento dos alunos é um dos múltiplos fatores que afetam o 
ambiente de aprendizagem em sala de aula, a qualidade do currículo, a instrução, 
a expectativa docente, clima escolar, prática pedagógica, entre outros. a questão 
que se coloca para as escolas não é somente como agrupar os alunos, mas como 
ensinar e que ambiente de aprendizagem construir para propiciar um maior e 
melhor aprendizado (Bernardo, 2013, p. 155). 
a medida de estabelecer a divisão de turmas por habilidades e desempenhos pode ser positiva 
por organizar grupos mais homogêneos, facilitando, assim, o planejamento do professor. 
e potencializando a aprendizagem dos alunos em defasagem. o que ocorre, no entanto, é uma 
divisão hierárquica entre as turmas em que os professores mais qualificados e experientes são 
alocados nas turmas de melhor desempenho e os alunos em defasagem são entregues aos 
professores iniciantes ou recém-chegados. Cria-se, desse modo, um sistema cruel de manutenção 
da diferença entre os alunos, em que dificilmente os em defasagem conseguirão alcançar o 
desempenho esperado.
outra medida questionável é a criação das “turmas problema”, em que são colocados todos os 
alunos com problemas de comportamento, desvio idade-série, dificuldades de aprendizagem, 
etc. esta é uma decisão pedagógica pobre, pois cria um depósito de alunos vistos como sem 
solução, para os quais nenhum professor quer lecionar.
divididas as turmas, é importante apresentar aos professores o calendário escolar para aquele 
ano, considerando as determinações da Secretaria de educação. a partir desse cronograma, 
já contendo a quantidade de dias letivos, os feriados que cairão em dias úteis e os possíveis 
pontos facultativos deverão ser estabelecidas as grades horárias para cada disciplina, cada 
turma e cada professor. este é um momento complexo, em que nem sempre é possível agradar 
a todos. É comum que os professores não queiram trabalhar nas sextas-feiras ou nos primeiros 
tempos do turno da manhã, por exemplo. Cabe ao orientador auxiliar a gestão da escola 
a encontrar um meio termo entre as demandas de todos os professores e as necessidades 
da escola.
A organização física do ambiente escolar para o início do novo ano letivo também não pode 
ser deixada de lado. É preciso preparar as salas de aula, os espaços compartilhados, organizar 
os materiais que serão utilizados pelos professores e aqueles que serão entregues aos alunos.
Por fim, deverá ser preparada a recepção dos alunos, que deve contar com a distribuição de 
tarefas entre os membros da equipe gestora, sobre quem receberá os alunos e seus responsáveis, 
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quem fará a acolhida dos novos alunos, como serão estabelecidos e transmitidos os combinados 
pedagógicos em vigor durante o ano letivo. É interessante conversar também com os professores 
sobre as melhores estratégias para acolher os alunos que estão chegando.
Execução do projeto pedagógico
o Projeto Político-Pedagógico da escola, elaborado democraticamente com a participação 
de todos os envolvidos no processo educativo, visa a elaborar metas coletivas e a uniformizar 
práticas para que se atinjam os objetivos estabelecidos. É a reunião de diretrizes e orientações 
que permite que a equipe pedagógica como um todo caminhe na mesma direção.
no entanto, ainda que a intenção seja encontrar um padrão de conduta a ser seguido em todas 
as esferas da vida escolar, não podemos ignorar que esta equipe, por mais coesa e harmônica que 
seja, é composta de indivíduos singulares, que possuem características, valores e direcionamentos 
próprios e, em certas ocasiões, o encontro dessas singularidades pode gerar conflito.
diante dessa diversidade de indivíduos singulares que formam o todo da vida escolar, o papel 
do orientador educacional e Pedagógico ao longo da execução do PPP deve ser administrar as 
diferenças individuais para que, respeitando as características de todos, o objetivo geral e as 
metas coletivas sejam atingidas.
da mesma forma, ao longo do planejamento, a clientela atendida pela escola pode – e deve – ser 
analisada em sua totalidade para que se possa desenhar um perfil do grupo que servirá como 
fundamentação para planejar as ações que serão implementadas na escola. no entanto, por mais 
fiel que este perfil seja da realidade dos alunos enquanto grupo, não podemos perder de vista 
que cada aluno é um indivíduo único, que possui necessidades específicas e responde melhor 
a determinadas medidas e estratégias do que a outras.
neste sentido, o papel do orientador educacional e pedagógico é trabalhar em parceria com os 
professores para que, analisando cada caso específico, as diretrizes estabelecidas no plano possam 
ser seguidas, mas utilizando as estratégias que melhor se adéquem ao perfil de cada aluno.
Avaliação pedagógica
a avaliação em educação não pode ser entendida apenascomo um evento único que ocorre ao 
final da execução de qualquer processo. na verdade, a avaliação deve ocorrer continuadamente, ao 
longo de todo o desenvolvimento do projeto educativo, para que, no caso de eventuais desalinhos 
entre o que foi planejado e a realidade, seja possível replanejar as estratégias e ações para que 
não nos distanciemos das metas e dos objetivos que buscamos alcançar.
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AulA 3 • O PAPEl dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO nAS AtIvIdAdES gERAIS dA ESCOlA
tendo em vista esse aspecto múltiplo, é interessante definirmos as três facetas do processo 
avaliativo que devem constar no planejamento e na execução de qualquer projeto. 
 » Avaliação diagnóstica: aquela que antecede o planejamento e que se baseia na análise 
da situação ou problemática que será enfrentada. É por meio desta avaliação que 
o educador obterá as informações necessárias para elaborar um projeto eficiente e 
alinhado à realidade.
 » Avaliação formativa: aquela que ocorre ao longo do desenvolvimento do projeto. É por 
intermédio dela que o educador pode avaliar se a realidade encontrada no momento 
da execução está de acordo com aquilo que foi planejado, permitindo que, diante de 
um problema inesperado ou situação diferente da projetada, possamos retornar ao 
planejamento para ajustar a conduta.
 » Avaliação somativa: aquela que ocorre ao final do projeto. É mediante ela que analisaremos 
os resultados obtidos, verificando se o que foi planejado foi executado adequadamente 
e o que poderia ter sido feito para obter melhores resultados.
Como podemos ver, a avaliação é um projeto cíclico que se inicia antes do próprio planejamento 
e atravessa todo o desenvolvimento do projeto. nesse sentido, cabe ao orientador auxiliar a gestão 
da escola a executar os diferentes momentos de avaliação, estabelecendo sempre um paralelo 
entre os resultados do projeto educativo da escola com os resultados do projeto de orientação 
educacional elaborado por ele.
51
Introdução
nesta quarta aula da disciplina, você vai conhecer as atividades de responsabilidade específicas 
do orientador educacional e Pedagógico. em um contexto profissional de multiplicidade de 
demandas, discutiremos a importância da organização para o bom desempenho do trabalho 
e estabeleceremos um fluxo de atividades que servirá como fio condutor para que todos os 
aspectos de todas as atividades sejam contemplados ao longo do serviço. dessa forma, buscamos 
estabelecer um sistema de melhores práticas para otimizar o desempenho e os resultados do 
trabalho de orientação.
Objetivos
 » estabelecer um fluxo de trabalho para que todas as etapas das atividades sejam cumpridas.
 » apresentar as atribuições privativas e participativas definidas pelo decreto nº 72.846/1973 
para a atividade de orientação educacional.
 » discutir os principais aspectos a serem considerados na organização do Serviço de 
orientação educacional (Soe).
 » refletir sobre a importância do domínio teórico e prático das questões relativas ao 
campo de atuação do orientador educacional.
 » estabelecer uma sequência de atividades no tratamento das questões específicas do 
trabalho para otimizar o rendimento e a obtenção de resultados.
 » discutir a importância de que o trabalho desenvolvido nas escolas pelo orientador 
educacional e Pedagógico tenha visibilidade.
 » apresentar projetos bem-sucedidos que possam servir de inspiração para o orientador 
em formação.
4
AulA
AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO 
ORIEntAdOR EduCACIOnAl E 
PEdAgógICO
52
AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO
O trabalho específico do Orientador Educacional
na aula anterior desta disciplina, discutimos a forma como o orientador educacional participa 
do planejamento, da execução e da avaliação do projeto educacional da escola como um todo. 
Vimos que ele é peça importante para a manutenção da engrenagem da escola funcionando, 
ou seja, seu auxílio é precioso para que a direção consiga fazer com que o cotidiano escolar 
funcione adequadamente.
no entanto, não podemos esquecer que este profissional possui também atribuições específicas 
que são de sua responsabilidade e, por isso, devem ter espaço privilegiado no cronograma de 
atividades do orientador educacional e Pedagógico. do contrário, o trabalho desenvolvido na 
escola nunca atingirá todo o seu potencial, e a presença deste profissional perderá o sentido. 
em decorrência desse descuido no estabelecimento de um programa de orientação educacional 
sólido e eficiente, Heloísa Lück (2015) aponta para o fato de ainda existir nas escolas um certo 
grau de preconceito com relação ao Serviço de orientação educacional. Segundo a autora, por 
perder-se entre as demandas do cotidiano, sem conseguir delimitar as exigências de sua prática 
específica, o orientador educacional passa a ser visto como incapaz de contribuir de fato para a 
melhoria da qualidade do ensino e do desenvolvimento dos alunos.
neste contexto, muitos gestores acabam não criando vagas para este profissional em suas escolas, 
e as instituições que contam com a presença do orientador enfraquecem seu poder de atuação, 
limitando seu espaço de atuação e, consequentemente, seus resultados.
Lück (2015, p. 55) destaca as seguintes circunstâncias como dificultadoras do bom desenvolvimento 
do trabalho do orientador:
 » a permanência e a atuação da orientação educacional nas escolas têm sido descontínuas 
e seu trabalho assimétrico.
 » o orientador educacional é comumente solicitado a realizar múltiplas tarefas que não 
dizem respeito, diretamente, à orientação educacional.
 » alunos, pais, professores e equipe administrativa da escola desconhecem o significado 
da orientação educacional e as perspectivas de sua atuação.
 » os orientadores educacionais falham em divulgar e dar transparência a seu trabalho.
diante desse quadro, traçaremos nesta aula um modelo de conduta em que cada um dos 
elementos contribuirá para que a prática do orientador educacional se torne mais segura e 
eficiente, atingindo os resultados esperados no desenvolvimento dos alunos e sendo reconhecida 
pela equipe pedagógica e pela comunidade escolar. É o estabelecimento inicial dos pilares que 
dará sustentação ao trabalho de orientação, para, a partir deles, lidar com qualquer situação 
específica que se apresente.
53
AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO • AulA 4
Figura 1 - Fluxo de trabalho do Orientador Educacional
Fonte: Elaboração própria da autora.
Fundamentação do trabalho de Orientação Educacional 
e Pedagógica
no estágio de fundamentação do trabalho de orientação educacional e Pedagógica, que 
consideraremos aqui como o primeiro momento de nosso fluxo de atividades, o orientador 
deverá criar as bases que sustentarão a sua prática, ou seja, aquilo que lhe permitirá agir com 
segurança para obter os resultados esperados.
Conhecer as atribuições específicas do Orientador Educacional
Se em um passeio pela escola questionássemos alunos, professores, responsáveis, funcionários e 
até mesmo a direção sobre as tarefas desempenhadas pelo orientador educacional e Pedagógico, 
certamente obteríamos respostas muito variadas. algumas delas contendo inclusive tarefas que, 
de fato, não fazem parte das obrigações e responsabilidades do orientador.
Isso ocorre devido à multiplicidade de atividades desempenhadas por este profissional, que 
se relacionam com todas as ocorrências do cotidiano e se estendem pelas mais variadas áreas 
da vida escolar. Sendo assim, torna-se necessário refletirmos a respeito das atribuições que de 
fato constituem o trabalho do orientador educacional e Pedagógico, porque como apontam 
Giacaglia e Penteado (2015):
Pelo fato de ser uma profissão pouco conhecida, mesmo no ambiente escolar, é de 
extrema importância que o or. e. tenha pleno conhecimento de suas atribuições 
para que possa não só atuar com segurança, de conformidade com elas, como 
54
AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAlE PEdAgógICO
também dar a conhecer e a respeitar seu trabalho (GIaCaGLIa; Penteado, 
2015, p. 65).
tanto nas redes estaduais, municipais e federal quanto nas instituições de ensino privadas existe 
certa flexibilidade na decisão sobre o que constará em seus regimentos internos a respeito das 
atribuições do orientador. Como salientam Giacaglia e Penteado (2015), as redes de ensino 
público podem definir as atribuições que serão conferidas a cada profissional da educação. da 
mesma forma, as escolas da rede particular possuem autonomia para determinar o que cada 
profissional por ela contratado irá desempenhar dentro das atividades da instituição. 
no entanto, é importante destacar que o decreto nº 72.846, de 26 de setembro de 1973, criado para 
regulamentar a Lei nº 5.564, de 21 dezembro 1968, define a atividade de orientação educacional, 
estabelecendo quais são as atribuições escolares que só poderão ser desempenhadas por este 
profissional (privativas) e aquelas das quais ele deverá participar juntamente com a equipe 
pedagógica (participativas).
Observe a lei
os artigos 8º e 9º do decreto nº 72.846/1973 definem as atividades privativas e participativas a serem desempenhadas pelo 
orientador educacional.
art. 8º São atribuições privativas do orientador educacional:
a) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de orientação 
educacional em nível de:
1 - escola;
2 - Comunidade.
b) Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de orientação 
educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, municipal e autárquico; das 
Sociedades de economia mista, empresas estatais, Paraestatais e Privadas.
c) Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-o ao processo 
educativo global.
d) Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do 
educando.
e) Coordenar o processo de informação educacional e profissional com vista à 
orientação vocacional.
f) Sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias ao 
conhecimento global do educando.
g) Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a 
outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial.
h) Coordenar o acompanhamento pós-escolar.
55
AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO • AulA 4
i) ministrar disciplinas de teoria e Prática da orientação educacional, satisfeitas as 
exigências da legislação específica do ensino.
j) Supervisionar estágios na área da orientação educacional.
l) emitir pareceres sobre matéria concernente à orientação educacional.
art. 9º Compete, ainda, ao orientador educacional as seguintes atribuições:
a) Participar no processo de identificação das características básicas da 
comunidade;
b) Participar no processo de caracterização da clientela escolar;
c) Participar no processo de elaboração do currículo pleno da escola;
d) Participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos;
e) Participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos;
f) Participar do processo de encaminhamento dos alunos estagiários;
g) Participar no processo de integração escola-família-comunidade;
h) realizar estudos e pesquisas na área da orientação educacional.
Organizar o Serviço de Orientação Educacional
o Serviço de orientação educacional, também conhecido pela sigla Soe, é o setor ou departamento 
da escola em que atuará o orientador educacional e pedagógico. Será neste espaço que ele 
reunirá seu material de trabalho e concentrará as suas atividades de atendimento aos alunos, 
responsáveis, professores, funcionários, etc.
Sendo assim, é interessante que exista na escola uma sala de uso exclusivo deste profissional, 
onde será organizado o Serviço de orientação educacional (Soe) da escola. este espaço deve 
ser composto, sempre que possível e dadas as proporções e condições da escola, de uma área 
de trabalho com mesa com gavetas e espaço para acomodar um computador e/ou arquivos em 
que possam ser colocadas informações de consulta a respeito dos alunos e da própria escola. 
deve haver ainda um espaço mais reservado para o atendimento, que pode ser formado por um 
sofá ou uma mesa com cadeiras, na qual não devem ser organizados materiais de trabalho. este é 
um espaço de acolhimento e escuta sensível, que deve ser planejado para transmitir sensação de 
calma e tranquilidade. Vale ressaltar a importância de um aviso que possa ser colocado na porta 
todas as vezes que um atendimento estiver ocorrendo, de maneira que a equipe pedagógica e 
os funcionários saibam que o profissional não deve ser interrompido.
a respeito da preparação da sala do Soe, mary rangel salienta que:
a sala do orientador educacional significa mais que um espaço, um ambiente 
que tem um expressivo significado humano, social, do lugar de acolher, ouvir, 
56
AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO
compreender, dialogar. nesse lugar, encontra-se alguém com quem se pode partilhar 
sentimentos, dificuldades, problemas, e encontrar receptividade e parceria.
a ambiência é o que flui do ambiente através das relações humanas que ali se 
estabelecem e se constroem. Uma ambiência positiva e estimulante traz energia, 
ânimo, esperança. assim é a sala do orientador educacional. ali encontra-se um 
profissional que está disposto a atender e a ouvir (ranGeL, 2015, p. 108-109).
tendo isso em mente, é fundamental que se estabeleça um limite rígido quanto à utilização 
da sala do Soe para finalidades que não sejam o atendimento do orientador educacional e 
Pedagógico. Como destacam Giacaglia e Penteado (2015, p. 68), é preciso evitar que “o Soe se 
transforme em refúgio de alunos que cabulam aula ou são tirados da classe por problemas com 
os professores, como indisciplina e falta de lição de casa ou de material”.
Para refletir
antes de prosseguir, gostaríamos de propor a você um pequeno teste de memória. 
Você se lembra do profissional de orientação educacional e Pedagógica das escolas em que estudou? Quais são as principais 
memórias que você possui dessa pessoa? Se o encontrasse hoje na rua, sua primeira reação seria lhe dar um abraço ou 
atravessar rapidamente a rua?
as escolas em que você estudou possuíam uma sala específica destinada ao Serviço de orientação educacional? tente se 
lembrar deste espaço, das impressões que você tinha dele e das ocasiões em que esteve lá. Você é capaz de perceber alguma 
conexão entre as suas memórias desta sala do Soe e as memórias do orientador educacional? 
as autoras Giacaglia e Penteado (2015) salientam a importância de que se evite construir imagens extremas do orientador 
educacional e Pedagógico. de acordo com elas, 
o or. e. também não deve dar ensejo a que se incorpore à sua imagem o papel de 
“bonzinho”, “da tia”, do “protetor de alunos” ou, por outro lado, de “dedo duro”, 
de “disciplinador”, bem como o de “controlador” e “delator” de professores, de 
funcionários ou de alunos (GIaCaGLIa; Penteado, 2015, p. 68).
acreditamos que o aspecto geral do espaço de trabalho do orientador se relaciona e contribui para a construção da imagem 
do próprio orientador. Portanto, é tão importante a criação de um espaço clean, sem excesso de informações, limpo, 
organizado, que transmita uma imagem profissional e acolhedora, sem ser excessivamente austera ou demasiadamente 
colorida e infantilizada. 
Possuir domínio teórico e prático da área de Orientação 
Educacional e Pedagógica
Para o desenvolvimento de suas atividades de orientação educacional, é preciso que o orientador 
coloque em ação dois tipos distintos de saberes: os saberes teóricos e os saberes práticos.
os saberes teóricos são aqueles que dizem respeito à reflexão sistemática acerca das questões 
que fazem parte do universo de atuação do indivíduo. É a reunião de construções filosóficas e 
científicas elaboradas através dos tempos por todos aqueles que se inquietaram e investigaram 
o mesmo assunto que hoje desperta nosso interesse. 
57
AS AtIvIdAdESESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO • AulA 4
Se me deparo com um caso de indisciplina, por exemplo, e recorro mentalmente aos esforços 
teóricos do filósofo alemão Kant para compreender aquele caso e tentar buscar a melhor forma 
de resolvê-lo, estou acionando um saber teórico para fundamentar a minha tomada de decisão 
diante de uma situação real. 
os saberes práticos, por sua vez, são aqueles da ordem do “saber fazer”, ou seja, de empregar 
minhas habilidades práticas no desempenho de determinada atividade. retornando ao caso de 
indisciplina mencionado anteriormente, podemos dizer que, ao orientar os alunos em conflito 
por meio de uma técnica de respiração controlada para que eles retornem ao estado de calma 
necessário de maneira que possamos discutir e resolver o problema que gerou a situação de 
indisciplina, estou acionando um saber prático para me auxiliar nesta tarefa.
ressalte-se que esses dois tipos de saberes independem um do outro. eu posso ser profunda 
conhecedora de Kant, mas não conhecer qualquer técnica de respiração, ou posso ser versada 
em diferentes estratégias para o controle da raiva, e nunca ter lido as reflexões kantianas a 
respeito da indisciplina. no entanto, vemos por esse exemplo que, diante de uma situação real, 
foi extremamente útil articular os dois tipos de saberes para a solução do problema.
Com isso, ao dizer que, para a boa prática da orientação, o indivíduo deve possuir domínio 
sobre os saberes teóricos e práticos de sua disciplina, estamos indicando a importância de que o 
profissional aprofunde seus estudos a respeito das situações cotidianas com as quais costuma se 
deparar, e, mediante a prática e a experimentação, reúna um arcabouço de saberes que poderão 
ser postos em prática em um momento de necessidade.
Tratamento das questões específicas da realidade escolar
a partir do momento em que o profissional de orientação estabelece as bases sobre as quais 
sustentará a sua atividade, podemos passar ao tratamento das questões específicas da realidade 
escolar em que ele atuará. neste momento, utilizaremos todos os saberes e as estruturas preparados 
anteriormente a serviço da obtenção de resultados concretos no aprimoramento do projeto 
educacional da escola e do desempenho dos alunos. 
diagnosticar a realidade
o primeiro passo a ser dado para o tratamento eficiente das questões específicas da realidade 
escolar na qual atua o orientador educacional e pedagógico é a elaboração de um diagnóstico 
realista e objetivo a respeito desta realidade.
Para desempenhar um trabalho eficiente, é fundamental que o profissional conheça a comunidade 
em que se localiza a escola e mapeie os principais problemas a serem sanados e as demandas a 
serem atendidas. Uma forma eficiente para realizar este diagnóstico é através do estudo atento 
58
AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO
das avaliações dos planejamentos dos anos anteriores realizados na escola, sejam eles o PPP, o 
Plano anual ou o Plano de orientação educacional. 
reúna todos os dados referentes ao resultado desta avaliação diagnóstica da escola e elabore 
um mapa contendo todos os elementos a serem considerados, as relações de causa e efeito que 
podem ser estabelecidas entre eles, as estratégias anteriormente implementadas em relação a 
esses problemas e os resultados obtidos.
afixe este mapa em um local visível de sua área de trabalho, para que você possa retornar a 
ele sempre que estiver planejando uma ação pedagógica, replanejando uma atividade em 
desenvolvimento ou quando se deparar com um novo problema a ser enfrentado.
Planejar a ação
Partindo do mapa diagnóstico da realidade da escola, o orientador elencará todos os problemas 
a serem solucionados e elaborará um plano de ação para cada um deles. a princípio, este pode 
parecer um esforço demasiadamente elaborado, que consome muito tempo que poderia estar 
sendo empregado diretamente na solução dos problemas. no entanto, como defende Lück (2015), 
o planejamento cuidado e acurado de suas ações possibilita ao orientador 
educacional obter maior e melhor controle de circunstâncias e de situações, em 
vez se ser controlado por elas (...) tempo dedicado ao planejamento é tempo 
ganho ao desperdício, à ação errática, ao imobilismo e ao lugar comum (LÜCK, 
2015, p. 59-61).
o planejamento é, sem dúvidas, um dos elementos mais importantes para ancorar a prática 
profissional – em qualquer área de atuação – sobre bases sólidas, garantindo, assim, maior nível 
de segurança para o profissional, que passa a ter uma visão mais ampla da realidade com a qual 
está lidando e dos melhores caminhos para a solução dos problemas que se apresentam.
nesse sentido, além de todos os planejamentos escolares em relação aos quais o oeP foi convidado 
a refletir, é importante que se desenvolva um planejamento geral para a área de orientação 
educacional e Pedagógica, dentro do qual estejam descritos todos os planos de ação individuais 
juntamente com os aspectos mais gerais da área.
o planejamento específico das atividades do Setor de orientação educacional e Pedagógica é de 
extrema relevância para a instituição escolar, pois, por meio dele, não só o próprio orientador 
é capaz de sistematizar o seu trabalho, como outros membros da equipe docente e pedagógica 
podem realizar consultas a este material.
Salienta-se que não existe, como em qualquer outro planejamento, um modelo único que deve 
ser seguido para elaborar o Plano de orientação educacional e Pedagógica, indicaremos aqui 
uma adaptação do modelo sugerido pelas autoras Lia Giacaglia e Wilma Penteado (2015), por 
ser de fácil compreensão e implementação.
59
AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO • AulA 4
Quadro 2. modelo para o Plano de Orientação Educacional e Pedagógica.
Identificação e localização da 
escola
Principais dados de identificação da escola, escritos corretamente e por 
extenso para que seja possível identificar rapidamente a que unidade 
escolar pertence o plano.
Instâncias superiores às 
quais a escola e a Orientação 
Educacional e Pedagógica 
estão subordinadas
Estas informações são úteis, especialmente nos casos de escolas da rede 
pública, pois será possível identificar rapidamente as instâncias superiores a 
serem contatadas em casos de emergências.
localização e contato de 
entidades às quais a escola 
e/ou o orientador podem 
precisar recorrer
Estes dados serão úteis nos casos de emergências envolvendo alunos ou 
funcionários. Em um primeiro momento, é sempre importante entrar em 
contato com a família do aluno ou funcionário e seguir as determinações 
desta para atender à pessoa acidentada ou doente, mas é sempre bom ter 
ao alcance da mão o contato de instituições como o posto médico mais 
próximo, hospitais, autoridade policial, conselho tutelar, etc.
nome do diretor ou gestor 
da escola e de seu vice ou 
assistentes
Esta informação é fundamental em casos em que o diretor e/ou seus 
substitutos estejam ausentes em um momento em que ocorra algo que só 
pode ser resolvido por ele.
nome e contato do 
orientador Educacional e 
Pedagógico
Esta é uma informação que pode facilitar o contato com o orientador em 
casos em que ele esteja ausente em um momento de necessidade.
data do plano
É importante que sejam anotadas a data do plano atualmente em vigor, bem 
como as datas dos planejamentos anteriores, permitindo, assim, que sejam 
feitas comparações entre eles.
Síntese das principais 
características da 
comunidade escolar
Esta seção pode ser um resumo da descrição existente no Projeto Político-
Pedagógico da escola.
Objetivos da escola e do 
Serviço de Orientação 
Educacional
Os objetivos gerais da escola podem ser retirados do PPP e do Plano Anual 
e os objetivos da OEP devem estar de acordo com as expectativas deste 
planejamento da escola como um todo.
Quadro de recursos humanos 
da escola, professores, 
conselheiros, alunos e croquis 
da escola
Estes quadros, que normalmente seencontram no planejamento da escola, 
devem ser reproduzidos no planejamento da OEP e disponibilizados na 
sala do Serviço de Orientação Educacional para consulta rápida e para 
atualização imediata sempre que houver uma mudança.
Estratégias
descrição das estratégias de orientação a serem utilizadas em casos 
específicos. Neste ponto, devem ser traçadas as ações que serão 
desenvolvidas para atingir os objetivos especificados no início do plano. 
Algumas das estratégias mais comumente empregadas nas ações de 
Orientação Educacional são: entrevistas, reuniões, palestras e dinâmicas 
individuais ou em grupos.
Cronograma divisão temporal das atividades a serem desenvolvidas, o que permitirá ao orientados avaliar inclusive a viabilidade de seu planejamento.
Avaliação do Serviço de 
Orientação Educacional nos 
anos anteriores
É fundamental que o orientador tenha clareza das estratégias anteriormente 
utilizadas na escola e os resultados obtidos com elas. dessa forma, ele 
estará melhor informado para decidir os melhores modos de atuação dentro 
daquela realidade educacional.
Referência bibliográfica
Para que fiquem registrados todos os saberes teóricos acionados por você 
no desenvolvimento do plano, registre todas as referências bibliográficas 
utilizadas. Assim você dá o devido crédito aos autores consultados e permite 
que qualquer pessoa que consulte seu plano possa reconstruir o trajeto 
intelectual que você percorreu para chegar às suas conclusões.
Anexos
nos anexos, você pode incluir os Planos de Ação que desenvolveu para os 
problemas específicos, bem como os modelos de fichas e relatórios e roteiros 
de entrevistas que serão utilizados no desenvolvimento do trabalho.
Fonte: Elaboração da autora com dados de gIACAglIA; PEntEAdO, 2015, p. 108-112.
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AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO
Avaliar a ação
Como vimos anteriormente, a avaliação é um processo cíclico que deve ser implementado ao 
longo de todo o desenvolvimento o projeto de ação e ao final deste. assim, é possível perceber 
ao longo do caminho se existem pontos a serem replanejados para potencializar os resultados 
ou corrigir eventuais desvios com relação às metas e aos objetivos que se pretendam alcançar.
neste estágio do tratamento eficiente das questões específicas da realidade escolar na qual 
atua o orientador educacional e pedagógico, é possível que o profissional se dê conta de que a 
dificuldade em solucionar determinado problema está atrelada à sua própria incapacidade em 
encontrar saídas para ele.
nesta situação, é necessário retornar à fundamentação do trabalho, para verificar se existe 
algum elemento desta etapa que pode explicar a dificuldade na obtenção de resultados. analise 
se o orientador educacional é de fato a pessoa mais indicada para a solução deste problema e 
se ele faz parte de suas atribuições. Investigue se existe algum equipamento ou estrutura que 
pode ser adquirido para o Soe que auxilie na solução da questão. Por fim, e mais importante, 
retome seus estudos a respeito da problemática enfrentada, para pesquisar possíveis soluções 
anteriormente bem-sucedidas nesta área, ou discussões teóricas que o auxiliem a desenvolver 
uma saída inovadora para o problema. 
dar visibilidade aos resultados
ao final do desenvolvimento e da avaliação de uma ação específica de orientação educacional, 
é importante a redação de um relatório no qual sejam apresentados os resultados obtidos. 
essas informações serão importantes para futuras consultas, seja na resolução de um problema 
semelhante ou na tentativa de utilizar as mesmas ferramentas e técnicas no enfrentamento de 
outras questões.
Considerando que o progresso da ciência acontece a partir do momento em que o pesquisador 
se respalda no trabalho e nos resultados anteriormente obtidos por outros profissionais da área, é 
importante que as informações a respeito de determinado projeto não se percam. tenha sido ele 
bem ou malsucedido, as orientações de conduta e metodologias empregadas, quando defrontadas 
com os resultados obtidos, servem de fundamentação para novos planejamentos.
ressalta-se, ainda, que, ao dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelo Serviço de orientação 
Vocacional, você estará contribuindo para tornar esta área mais interessante e compreensível 
para os demais membros da comunidade escolar. Como defende Lück (2015):
os orientadores educacionais não se preocupam em demonstrar, objetiva e 
claramente, o significado da orientação educacional, o sentido de seu trabalho 
na escola, as perspectivas da ação que ela mantém, os resultados que promove 
e a relevância de suas atuações para o projeto pedagógico escolar. em síntese: se 
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AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO • AulA 4
o esforço e o seu resultado não são conhecidos, eles não são valorizados (LÜCK, 
2015, p. 57).
É importante, dessa forma, não perder a oportunidade de aproximar a comunidade escolar do 
trabalho desenvolvido pelo Soe, para que haja o entendimento dentro da equipe daquilo que 
está sendo realizado em prol dos alunos. estes, por sua vez, ao perceberem os bons resultados 
obtidos no trabalho acompanhando pelo orientador, possivelmente se sentirão mais estimulados 
a procurar o auxílio do setor de orientação para tirar dúvidas, buscar aconselhamento e soluções 
para o seu problema.
Saiba mais
existem atualmente diversas premiações para projetos inovadores na área de orientação educacional e Pedagógica. o 
evento “educador nota 10”, da Fundação Victor Civita, é um bom exemplo de premiação para projetos bem-sucedidos que 
tenham sido desenvolvidos por diretores, coordenadores pedagógicos e orientadores educacionais de educação Infantil, de 
1º ao 9º ano do ensino Fundamental e de ensino médio (incluindo educação de Jovens e adultos – eJa).
Veja abaixo alguns projetos premiados que poderão servir de inspiração para suas atividades. nem todos foram 
desenvolvidos exclusivamente pelo Serviço de orientação educacional, mas indicam de que forma um bom projeto 
elaborado pela equipe gestora pode atingir resultados surpreendentes.
Edição: 2013
Profissional: Janaina oliveira Barros
escola: em Professora Ivani oliveira
Cidade: Seabra, Ba
Projeto: narrativas do professor que ensina e aprende na escola
a avaliação foi o foco do projeto de formação desenvolvido por Janaina oliveira Barros com os docentes da em Professora 
Ivani oliveira, em Seabra, a 456 quilômetros de Salvador. a equipe refletiu sobre os baixos índices de acertos verificados nos 
diagnósticos feitos no início do ano e, ao longo de um semestre, reviu suas práticas. encontros de planejamento e oficinas de 
estudos foram pautados pela análise do que estava no caderno dos alunos e, com base nisso, o que poderia estar nas provas.
Edição: 2012
Profissional: débora del Bianco Barbosa Sacilotto
escola: emeF Francisco Cardona
Cidade: artur nogueira, SP
Projeto: a vez e a voz dos alunos
Pensadas para reduzir a indisciplina, as assembleias de classe mediadas por professores acabaram se transformando em um 
grande processo de democratização da gestão na emeF Francisco Cardona, em artur nogueira, a 142 quilômetros de São 
Paulo. a diretora, débora del Bianco Barbosa Sacilotto, esperava que a ideia da professora ariane tagliaferro molina evitasse 
que os alunos fossem mandados à sua sala. no entanto, uma vez aberto o canal de comunicação, as inquietações trazidas 
por eles foram além dos conflitos com colegas: questões como o excesso de ruído nos corredores, o destrato por parte de 
uma funcionária, o desperdício de alimentos e a falta de materiais estavam entre as queixas. débora, então, mobilizou a 
comunidade escolar e a rede de ensino para atender às demandas. Como resultado, foram providenciados colchonetes 
novos para a aula de educação Física, talheres, como garfo e faca, para as refeições, a reforma das torneiras e muito mais. 
os professores passaram a incentivar as assembleias semanais com os alunos. e débora introduziutambém reuniões 
semelhantes para os docentes, que têm a oportunidade de expor suas críticas e sugestões nesses encontros.
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AulA 4 • AS AtIvIdAdES ESPECíFICAS dO ORIEntAdOR EduCACIOnAl E PEdAgógICO
Edição: 2009
Profissional: amarildo reino de Lima
escola: CeF 427
Cidade: Samambaia, dF
Projeto: a hora é essa
o diretor amarildo reino de Lima e sua equipe decidiram enfrentar a distorção idade-série buscando a aprendizagem 
de todos. o quadro era alarmante: 400 dos cerca de mil alunos estavam fora da turma adequada para a idade. após um 
diagnóstico inicial, os estudantes defasados foram agrupados em turmas de aceleração. Para atender à demanda, os 
professores criaram currículos enxutos e específicos, além de mudarem a forma de avaliar e dar aulas. o resultado veio em 
um ano e de forma consistente: mais de 90% dos estudantes das classes de aceleração foram aprovados.
Edição: 2011
Profissional: maria Inês miqueleto
escola: ee Professora maria aparecida dos Santos oliveira
Cidade: Ibitinga, SP
Projeto: Instrumentos de acompanhamento das aprendizagens dos alunos
Para garantir a aprendizagem dos alunos, a coordenadora pedagógica desenvolveu uma proposta de acompanhamento 
das aprendizagens das turmas. o objetivo era fazer com que a escola atingisse a meta de 4,58 nas séries iniciais do ensino 
Fundamental, no Índice de desenvolvimento da educação no estado de São Paulo (Idesp), de 2010. Para tanto, ela usou 
como instrumentos de avaliação os dados dos diagnósticos em Língua Portuguesa e matemática, a observação de sala de 
aula e os resultados dos simulados do Saresp para implementar a formação de professores.
Edição: 2015
Profissional: diego mahfouz Faria Lima
escola: escola municipal darcy ribeiro
Cidade: São José do rio Preto, SP
Projeto: minha escola: reconstrução coletiva
o diretor abraçou o desafio de transformar uma escola que era noticiada nos jornais locais e televisivos como a mais 
violenta, com as piores notas nas avaliações, com as maiores taxas de evasão e repetência escolar da cidade e da região, 
deixando os pais receosos em realizar a matrícula dos filhos. ao longo de um ano e quatro meses, ele conseguiu modificar 
o clima escolar, iniciando com uma grande reforma, contando com doações e ajuda de membros da comunidade escolar. 
depois, professores, pais, funcionários, alunos, o Conselho escolar e a associação de Pais e mestres foram convidados 
a elaborar coletivamente normas escolares para serem discutidas com os alunos. a gestão democrática mudou a forma 
como todos enxergam a instituição. nos finais de semana, acontece o Projeto Camerata Jovem Beethoven, que ensina 
gratuitamente música clássica aos alunos e a outros interessados, além de aulas de artes plásticas e práticas esportivas. 
a escola passou a ser reconhecida pela comunidade como pertencente, conservando-a e ajudando em sua manutenção.
63
Introdução
Considerando que a orientação Vocacional (oV) e a orientação educacional e Pedagógica 
(oeP) sempre caminharam lado a lado, nesta quinta aula de nossa disciplina nos dedicaremos 
a uma discussão introdutória sobre a orientação vocacional. daremos início a essa reflexão 
desconstruindo a naturalidade da possibilidade de escolha e contextualizando historicamente 
os processos pelos quais se tornou possível decidir a profissão a seguir. discutiremos também 
os principais aspectos da orientação vocacional desenvolvida no ambiente escolar, analisando 
o importante papel ocupado pela instituição de ensino e seus personagens para a tomada de 
decisão profissional do indivíduo. 
Objetivos
 » discutir a importância da escolha profissional, contextualizando-a historicamente.
 » refletir a respeito da orientação vocacional desenvolvida nos dias de hoje, salientando 
sua relação com o conceito pós-moderno de identidade.
 » debater a orientação vocacional dentro do contexto educacional, salientando o fato de 
a escola ser um ambiente propício à oV.
 » analisar o papel desempenhado pelos diversos personagens da vida escolar sobre a 
tomada de decisão do sujeito a respeito da carreira.
5
AulA
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E 
EduCAçãO
64
AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
A importância da escolha profissional
na sociedade em que vivemos, a importância da escolha profissional torna-se cada vez mais 
evidente, porque, se no princípio o trabalho garantia a sobrevivência do indivíduo e de sua 
família, com a crescente especialização de tarefas, o trabalho desenvolvido por uma única pessoa 
se tornou indispensável à sobrevivência de toda a sociedade.
em outras palavras, é possível dizer que, enquanto professora, eu me dedico com exclusividade 
à minha tarefa, porque tenho a confiança de que outras pessoas estão se empenhando com 
exclusividade para a produção de alimentos, a confecção de vestimentas e sapatos, a descoberta 
de novas curas para as doenças que possam me afligir, entre tantas outras atividades sem as 
quais eu mesma não poderia viver. da mesma forma, estes profissionais se dedicam às suas 
atividades, pois têm certeza de que pessoas como eu garantirão a educação formal de seus filhos 
e deles mesmos.
essa divisão de tarefas gera a interdependência social que garante a sobrevivência de toda 
a comunidade, mas, para que isso ocorra de forma eficiente, é preciso que cada um esteja 
sinceramente comprometido com a sua parte. neste ponto, a orientação vocacional apresenta 
seu importante papel social, à medida que contribui para que as pessoas descubram aquelas 
atividades com que mais se identificam, e nas quais, por consequência, seus resultados serão 
os melhores possíveis para todos nós.
no que diz respeito aos aspectos subjetivos do trabalho, podemos dizer que a identidade 
profissional de uma pessoa representa, também, uma porção significativa de sua identidade 
pessoal, pois a vida profissional do sujeito define boa parte da vida que ele levará fora do 
trabalho. Quando o indivíduo decide o que fará profissionalmente, ele está definindo também 
o estilo de vida que terá, as atividades sociais que desempenhará e o tipo de pessoas com 
as quais se relacionará. Como podemos ver através do exemplo apresentado por mariza 
Lima (2007):
alguém que opte por fazer medicina terá certamente que se submeter a plantões 
e atendimentos em horários não convencionais, trabalhará especialmente em 
ambientes hospitalares, terá que conviver com a doença e aprender a se deparar 
com a morte com maior frequência que outro tipo de profissional; conviverá 
ainda, principalmente, com outros profissionais da área de saúde e viajará para 
participar de congressos, entre outras coisas (LIma, 2007, p. 30).
outro fator a ser considerado diz respeito à saúde mental do sujeito que, em certa medida, está 
diretamente relacionada aos sentimentos de prazer e de realização pessoal que ele é capaz de 
extrair das atividades que desempenha cotidianamente. estes sentimentos o auxiliam a dar um 
sentido de coerência à sua própria vida e a ver como significativo aquilo que faz. Quando visto 
apenas como recurso de sobrevivência, o trabalho não prazeroso passa a comprometer a saúde 
65
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
mental do indivíduo, podendo inclusive comprometer a sua saúde física. Como afirma Fernando 
mello (2002):
Uma inadequada – e portanto empobrecedora – escolha vocacional vai gerar ao 
longo da carreira profissional uma constante ou crescente sensação de desprazer, 
um sentimento de frustração intermitente ou permanente. essa frustração 
psicoafetiva abre caminho para o estresse, para repercussões psicossomáticas 
que podem comprometer a saúde mental (meLLo, 2002, p. 12).
dessa forma, é possível dizer que uma escolha vocacional bem-sucedida é importante tanto para 
o bem-estar do sujeito, que se realizará pessoalmente por meio de sua atividade profissional, 
quanto para o bem-estar da sociedade, que usufruirá dos melhores resultados garantidos por 
um trabalho bem feito e comprometido. Contudo, apesar da importância da escolha profissional 
e pormais natural que ela nos pareça nos dias de hoje, nem sempre nos foi possível decidir o 
tipo de atividade à qual iríamos nos dedicar ao longo da vida. Por isso, é fundamental para a 
compreensão da atividade de orientação vocacional que aquele que se dedica a esta tarefa reflita 
sobre as condições que garantiram ao sujeito de nossos tempos a possibilidade de escolha.
Reflexões sobre a possibilidade de escolha
o trabalho sempre fez parte da vida do homem em sociedade e, no princípio dos tempos, estava 
estreitamente associado à necessidade de sobrevivência. os homens em seus grupos locais próximos, 
geralmente baseados no parentesco, aliavam-se para prover o sustento, o abrigo e a proteção contra a 
violência da natureza e dos demais grupos humanos. neste tipo de organização social mais simples, os 
homens viviam e trabalhavam em prol da comunidade e a divisão do trabalho era muito rudimentar, 
separando apenas as tarefas destinadas aos homens das tarefas próprias das mulheres.
Com o passar do tempo e a complexificação das sociedades, passaram-se a definir também as 
atividades destinadas aos nobres e aquelas destinadas aos plebeus. este era um artifício importante 
para impedir a mobilidade social, mantendo, assim, a estrutura da sociedade inalterada. dentro 
desse modelo, estava garantido que todo filho de nobre seria nobre e se dedicaria a atividades 
restritas à sua classe social como a guerra, a caça esportiva e a cavalaria, enquanto os filhos de 
plebeus se manteriam plebeus, servindo à nobreza, trabalhando nos campos ou em qualquer 
outra atividade braçal.
na baixa Idade média, contudo, a produção familiar deixou de ser autossuficiente, pois não era 
mais possível trabalhar nos campos e simultaneamente produzir para seu uso pessoal produtos 
como tecidos, instrumentos de trabalho, utensílios domésticos, entre outros. assim, alguns 
sujeitos, com a permissão de seus senhores, passaram a se especializar na produção artesanal 
de determinados produtos, como roupas, sapatos, armas e utensílios variados, dando origem 
aos primeiros profissionais liberais e aos primeiros comerciantes.
66
AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
Contudo, é importante ressaltar que, mesmo que a possibilidade de escolha profissional tenha 
surgido neste momento da história, ela só alcançava um número muito reduzido de pessoas e 
não se estendia aos seus descendentes. nessa época, o que existia eram empresas familiares em 
que todos os membros da família deviam trabalhar juntos para vender produtos nos mercados 
e perpetuar o ofício familiar.
assim, da mesma forma que o filho de nobre seria nobre e o filho de plebeu seria plebeu, o filho 
do ferreiro seria ferreiro e o filho do alfaiate também se tornaria um alfaiate. de acordo com 
norbert elias (1994), é apenas quando as funções relativas à proteção e ao controle deixam 
de estar nas mãos dos pequenos grupos, como a família, o feudo ou a paróquia, e se tornam 
responsabilidade dos estados, cada vez mais centralizados e urbanizados, que o indivíduo pode 
começar a se desprender das escolhas predefinidas para tomar suas próprias decisões. 
nas palavras do autor:
Seu envolvimento com a família, o grupo de parentesco, a comunidade local e 
outros grupos dessa natureza, antes inescapável pela vida inteira, vê-se reduzido. 
elas têm menos necessidade de adaptar seu comportamento, metas e ideais à 
vida de tais grupos, ou de se identificar automaticamente com eles. dependem 
menos deles no tocante à proteção física, ao sustento, ao emprego, à proteção 
de bens herdados ou adquiridos, ou à ajuda, orientação e tomada de decisão. 
Isso acontece, a principio, em grupos limitados e especiais, mas se estende 
gradativamente, ao longo dos séculos, a setores mais amplos da população, 
até mesmo nas áreas rurais. e, à medida que os indivíduos deixam para trás os 
grupos pré-estatais aparentados, dentro de sociedades nacionais cada vez mais 
complexas, eles se descobrem diante de um número crescente de opções. mas 
também têm que decidir muito mais por si. não apenas podem como devem ser 
mais autônomos. Quanto a isso, não têm opção (eLIaS, 1994, p. 102).
dentro desse processo gradativo, em que os indivíduos se afastaram das decisões preestabelecidas 
pelo grupo e se tornaram cada vez mais autônomos, mariza Lima (2007) destaca dois momentos 
fundamentais que possibilitaram o surgimento da orientação Vocacional: a revolução Francesa 
e a revolução Industrial.
A Revolução Francesa
a revolução Francesa foi um conjunto de acontecimentos que se desenrolaram no final do 
século XVIII, e que tiveram o poder e o alcance de transformar o mundo de forma definitiva. 
esta revolução pôs fim ao regime absolutista e possibilitou que o capitalismo se consolidasse, 
lançando, assim, as bases do mundo em que vivemos atualmente. no antigo regime, a sociedade 
francesa era juridicamente dividida em três ordens ou estamentos sociais: o clero, a nobreza e o 
restante da população, que incluía a burguesia, os camponeses e os sans-culotte.
67
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
Liderado pela burguesia, este terceiro estamento social deu 
início à revolução com o objetivo de acabar com os privilégios 
de nascimento da nobreza, que impediam a mobilidade 
social. Seu lema era “liberdade, igualdade e fraternidade”, 
que culminou com a declaração dos direitos do Homem e 
do Cidadão em 1789.
essa conquista é fundamental para o surgimento da orientação 
vocacional, mesmo que ela só tenha acontecido de fato muito 
tempo depois, pois, com o fim dos direitos de nascimento 
e a maior liberdade de escolha dos cidadãos, surge com a 
revolução Francesa a possibilidade de que o indivíduo decida 
a sua própria profissão.
Revolução Industrial
a partir de 1750, desenvolveu-se na europa um processo de grandes transformações 
socioeconômicas, que influenciaram profundamente a vida de milhões de pessoas em quase todas 
as regiões do planeta. esse processo ficou conhecido como revolução Industrial, pois, a partir 
dele, as pequenas oficinas dos artesãos foram sendo substituídas pelas fábricas, as ferramentas 
perderam seu lugar para as máquinas e as tradicionais fontes de energia como a água, o vento, 
a força muscular e a tração animal deram lugar ao carvão e à eletricidade.
essa transição de uma economia agrária para uma economia industrial surtiu efeito principalmente 
sobre o mundo do trabalho, pois as fábricas modernas exigiam uma mão de obra cada vez 
maior, que devia estar preparada para desempenhar as atividades apresentadas pelo novo modo 
de produção. 
neste período, surge, também, maior especialização do trabalho que faz com que um único 
indivíduo não seja mais responsável por todo o processo de produção de determinado bem, mas seja 
especialista em uma das etapas deste processo. Isso fez com que se ampliasse consideravelmente 
o número de ocupações existentes, tornando, assim, a escolha profissional mais difícil. 
Breve Histórico da Orientação vocacional
a história da orientação vocacional até os dias de hoje pode ser dividida em dois momentos 
principais, que se distinguem fundamentalmente pelo foco dado à orientação. no primeiro 
momento, que perdurou até a década de 50, a preocupação da orientação vocacional estava 
nas características da profissão, e seu objetivo era, mediante o método estatístico-psicométrico, 
identificar o homem certo para ocupar determinado cargo.
Saiba mais
estavam enquadrados na categoria 
sans-culotte artesãos, aprendizes de 
ofícios, assalariados e desempregados 
marginalizados, ou seja, toda a camada 
social urbana. eles receberam esse 
nome, porque a nobreza da época 
utilizava um tipo de calça justa 
denominada culotte, enquanto o povo 
vestia calças largas. daí o nome sans-
culotte, que quer dizer literalmente 
“sem culotte”.
68
AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
a partir da década de 50, no entanto, o foco da orientação vocacional se transferiu das características 
da profissão para as necessidades e expectativas do próprio indivíduo,e seu objetivo passou a 
ser, mediante o método clínico-operativo, auxiliá-lo a encontrar a profissão que melhor se 
adequaria a ele.
O método estatístico-psicométrico
Como vimos anteriormente, a revolução Francesa fez surgir a possibilidade de escolha profissional, 
ao passo que a revolução Industrial ofereceu um novo leque de opções profissionais para serem 
escolhidas. Por meio da combinação desses dois fatores, foram criados os primeiros serviços de 
orientação vocacional.
em 1908, Frank Parsons fundou em Boston, nos estados Unidos, o Serviço de orientação 
Profissional na associação Cristã de moços, primeiro Centro de orientação Profissional oficialmente 
reconhecido. a partir das experiências ali desenvolvidas, Parsons publicou, em 1909, as bases de 
seu modelo de orientação profissional que se pautava na combinação harmônica das aptidões 
e características do indivíduo com as exigências específicas da ocupação.
nos anos seguintes, foram criados por toda a europa escritórios de orientação profissional 
semelhantes ao de Parsons, como o de Binet na França, o de Claparède na Suíça, o de myra y 
Lopes na espanha, o de meyers na Inglaterra e o de Gemelli na Itália.
no ano de 1917, com o início da participação dos estados Unidos na 1ª Guerra mundial, tornou-se 
fundamental selecionar homens para o exército norte-americano. Com esse objetivo, foi iniciada 
a aplicação dos testes coletivos de inteligência Army Alfa e Army Beta, cujos resultados levaram 
à composição do “Informes da academia nacional de Ciências”, o primeiro trabalho publicado 
a analisar as diferentes aptidões vocacionais a partir dos traços de inteligência.
ao longo da década de 30, durante a recessão que assolou o mundo, e principalmente os estados 
Unidos, o nível de desemprego chegou a um ponto alarmante e, na tentativa de minimizar o 
problema, o Instituto de Investigação para a estabilização de desempregos de minnesota deu 
início a um programa de escolha e adaptação vocacional, no qual uma equipe de psicólogos se 
dedicou a desenvolver novos testes de aptidões profissionais.
ainda durante esse período de crise econômica, foi organizado, em 1933, o Serviço de empregos 
dos eUa, com o objetivo de funcionar como uma “bolsa de empregos”, que procurava estabelecer 
um equilíbrio entre a oferta e a procura de trabalho. Para que isso fosse possível, uma série de 
medidas tiveram de ser tomadas, entre elas a investigação das necessidades apresentadas pelos 
cargos e as características necessárias para que os candidatos preenchessem essas vagas de forma 
adequada. tais investigações forneceram informações preciosas para que os testes se tornassem 
ainda mais completos e específicos.
69
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
Posteriormente, com a participação dos eUa na 2ª Guerra mundial, mais uma vez se fez necessário 
selecionar e classificar homens para as forças armadas. essa necessidade fez com que a orientação 
vocacional crescesse rapidamente na tentativa de verificar quais as capacidades e as principais 
aptidões que cada um possuía e quais os requisitos que uma ocupação exigiria para que esta 
escolha fosse a mais adequada.
É importante notar que, até este ponto, o principal interesse da orientação vocacional estava 
centrado nas características da ocupação e seu objetivo não era encontrar a tarefa que melhor 
se adequasse a determinado indivíduo, mas encontrar o candidato que melhor preencheria 
determinada vaga de emprego. Como bem define Pimenta (1993, p. 24), “a preocupação não 
era com as aptidões individuais (com o indivíduo), mas com a identificação destas, para que o 
indivíduo pudesse ser colocado (selecionado) nos lugares onde seria mais produtivo”. 
Sendo assim, podemos dizer que, até a década de 50, não é possível falar em orientação vocacional, 
e sim em determinismo vocacional. o método utilizado então era o estatístico-psicométrico, que 
defendia que as aptidões eram inatas e que bastaria criar instrumentos psicométricos precisos 
(testes) para identificar essas aptidões e colocar o homem certo no lugar certo. dentro desse 
projeto, o indivíduo não tinha qualquer participação em sua escolha profissional.
O método clínico-operativo
Com o final da 2ª Guerra mundial, a orientação vocacional passou a ser vista a partir de um 
novo enfoque, que colocava em segundo plano os testes psicométricos que até então tinham 
sido o ponto central desta prática, e passava a considerar com maior cuidado as características 
subjetivas do indivíduo durante seu processo de escolha.
Um dos maiores incentivadores para essa transformação foi Carl rogers e sua “terapia Centrada 
no Cliente”, que defendia que o processo psicoterapêutico deveria ser constituído por um trabalho 
de cooperação entre o psicólogo e o cliente, para, dessa forma, liberar, por meio de técnicas 
facilitadoras, o potencial de crescimento que toda pessoa possui. Uma das ideias mais importantes 
na obra de rogers é a de que a pessoa é capaz de controlar seu próprio desenvolvimento e de 
que isso ninguém mais pode fazer por ela.
Baseando-se nesta nova tendência da psicologia, no início da década de 50, eli Ginzberg e seus 
colaboradores começaram a formular a teoria desenvolvimentista, que definia a escolha vocacional 
como um processo de desenvolvimento que se iniciava no final da infância e só chegava ao fim na 
idade adulta. esta nova teoria mudou completamente os rumos da orientação vocacional, pois, 
no lugar de enxergar a escolha vocacional como um dado fixo que bastava ser mensurado, ela 
definia esta escolha como um processo contínuo que deveria ser identificado e compreendido.
a orientação vocacional de nossos tempos começa a ser delineada justamente neste momento 
em que o foco de suas preocupações se desloca das características da ocupação para as 
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AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
características do sujeito, tendo como principal elemento o método clínico-operativo, que visava 
a instrumentalizar o indivíduo para a escolha.
de acordo com esse método, a orientação vocacional é um processo no qual o orientador escuta 
e dialoga com seu cliente para ajudá-lo a “escutar-se e a dialogar consigo mesmo, promovendo a 
reflexão e elaboração de suas questões” (LIma, 2007, p. 18). ainda de acordo com Lima (2007), é 
possível afirmar que a orientação vocacional, segundo o método clínico-operativo, possui quatro 
objetivos específicos, que devem ser o foco de preocupação de qualquer um que se dedique a 
esta tarefa:
 » promover o autoconhecimento; 
 » promover o conhecimento das oportunidades ocupacionais;
 » preparar para a tomada de decisão em relação à escolha profissional;
 » evitar o gasto desnecessário de tempo, energia e dinheiro oriundos de uma escolha 
profissional malfeita.
assim, podemos dizer que, onde antes se praticava o determinismo vocacional, no qual o orientador 
direcionava a escolha do indivíduo, temos agora a verdadeira orientação, ou aconselhamento 
vocacional. Sob esse enfoque, o papel do orientador vocacional passou a ser ajudar o orientando 
a conhecer a si mesmo e as diversas possibilidades de escolha que ele possui, com vistas a tomar 
uma decisão consciente e responsável.
A Orientação vocacional nos dias de hoje
no final do século XX, a maioria dos cientistas sociais percebeu uma mudança considerável nas 
sociedades ocidentais, que fez com que o momento histórico em que vivemos passasse a ser 
conhecido como pós-modernidade. o ritmo acelerado do crescimento científico, a aproximação 
de pessoas e culturas em todo o mundo por intermédio das novas tecnologias de comunicação, 
o desenvolvimento vertiginoso da informática e a reorientação econômica do sistema político 
mundial ocasionaram uma transformação significativa, tanto na relação entre os estado, quanto 
na mente dos indivíduos.
neste contexto, a questão da identidade pessoal vem sendo extensamente discutida na teoria 
social com base no argumento de que, com as transformações advindas da pós-modernidade, a 
identidade, que anteriormenteera vista como algo fixo, que acompanhava o sujeito do nascimento 
até a sua morte, teriam entrado em declínio dando lugar a um novo tipo de identidade que possui 
as seguintes características:
 » Múltipla: o indivíduo não possui mais uma única identidade que se mantém 
permanentemente inalterada, mas diversas identidades que são construídas e 
reconstruídas ao longo da vida;
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
 » Relacional: a identidade se constrói na interação que se estabelece com os outros;
 » Contextual: as múltiplas identidades de uma pessoa se manifestam alteradamente 
de acordo com o contexto específico em que estão inseridas. Uma mesma pessoa, por 
exemplo, pode ser liberal e flexível no ambiente de trabalho, ao relacionar-se com seus 
funcionários, e extremamente rígido e autoritário no ambiente doméstico, ao lidar com 
seus filhos;
 » Dinâmicas: estas identidades são constantemente construídas e reconstruídas, sem 
nunca serem formadas definitivamente;
 » Incoerentes: as múltiplas identidades de um indivíduo não precisam ser necessariamente 
coerentes entre si. Como vimos no exemplo de contextualidade, flexibilidade e 
inflexibilidade, que são características antagônicas, podem estar presentes em uma 
mesma pessoa.
Segundo Stuart Hall (2004), as mudanças estruturais e institucionais ocorridas na pós-modernidade 
fizeram com que “as identidades que compunham as paisagens sociais “lá fora” e que asseguravam 
nossa conformidade subjetiva com as “necessidades” objetivas da cultura” (HaLL, 2004, p. 12) 
entrassem em colapso. em decorrência disso, o próprio processo de identificação do sujeito 
com as múltiplas identidades culturais se tornou provisório, variável e problemático. Para Hall, 
com a multiplicação dos sistemas de significação e representação cultural, os indivíduos se 
depararam com uma gama imensa e desconcertante de identidades possíveis com as quais 
podem se identificar, mesmo que seja de forma temporária. assim,
(...) a identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada 
continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou 
interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam. É definida historicamente, 
e não biologicamente. o sujeito assume identidades diferentes em diferentes 
momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um “eu” coerente. 
dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, 
de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas 
(HaLL, 2004, p. 12-13).
Um dos elementos que mais contribuíram para a multiplicidade que encontramos nos dias de 
hoje é a possibilidade de escolha oferecida pela pós-modernidade. Como vimos no início desta 
aula, a orientação vocacional está diretamente relacionada à possibilidade de escolha presente 
em uma dada sociedade, e na pós-modernidade essa possibilidade alcançou seu ponto mais alto.
Como salienta o autor Colin Campbell (2006), a ênfase dada nos dias de hoje ao individualismo 
e à ideologia a ele associada, fez surgir todo um aparato ideológico e legal, que transformou o 
sujeito no ponto central das instituições e das situações, fazendo com que a sociedade opere de 
acordo com vontades e não mais de necessidades, ou seja, aquilo que importa é o que a pessoa 
quer ou deseja, e não aquilo de que ela necessita. 
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AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
este é um fator importante, pois transfere toda a responsabilidade da escolha ao próprio indivíduo. 
Lembre-se de que os especialistas das diversas áreas de nossas vidas, como médicos, advogados, 
economistas, professores, podem nos dizer o que nós precisamos para atingir determinado 
resultado, mas nenhum deles pode nos dizer o que nós queremos e desejamos. esta é uma 
escolha profundamente pessoal.
Orientação vocacional e educação
no Brasil, a história da orientação vocacional sempre esteve profundamente ligada à educação 
e ao ambiente escolar. no início, seu fundamento básico era a Psicologia aplicada que ganhava 
cada vez mais espaço no país, mas, em pouco tempo, seu principal lócus de atuação se tornou 
as escolas, onde as teorias psicológicas passaram a dialogar largamente com a pedagogia e a 
orientação educacional.
Um bom sinalizador desta tendência é o fato de a orientação Vocacional em nosso país ter-se 
desenvolvido em um período em que o Brasil passava a se preocupar cada vez mais com a educação 
voltada para o trabalho, criando iniciativas voltadas ao ensino profissional. Basta lembrar que seu 
grande marco fundador foi a criação do Serviço de Seleção e orientação Profissional destinado 
aos alunos do Liceu de artes e ofícios de São Paulo (SParta, 2003). esta instituição “era uma das 
poucas escolas que procuravam atender às exigências da produção fabril, oferecendo ensino de 
tornearia mecânica e de eletricidade (aranHa, 2006, p. 308).
a formação desta união entre orientação Vocacional e escola aconteceu em 1942, durante a ditadura 
Vargas, quando o então ministro da educação, Gustavo Capanema, promulgou as leis orgânicas 
do ensino, também conhecidas como reforma Capanema. Com isso, tornou-se obrigatória a 
atividade de orientação nas unidades escolares e foi atribuída ao orientador educacional a tarefa 
de auxiliar os estudantes a escolherem suas futuras profissões.
em 20 de dezembro de 1996, no entanto, através da Lei nº 9.394, a escola perdeu seu caráter 
profissionalizante, sem, contudo, deixar de lado o ideal de preparar o indivíduo para o mercado 
de trabalho. a principal mudança, nesse sentido, diz respeito à visão de trabalho muito mais 
ampla, que não leva em conta apenas a preparação técnica do aluno para o desempenho de uma 
atividade profissional específica e sim toda a formação moral e ética necessária ao desempenho 
cidadão e responsável de qualquer atividade profissional.
Vejamos como exemplo dessa preocupação uma das finalidades estabelecidas pela LdB de 1996 
para o ensino médio:
II. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar 
aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas 
condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
Como demonstra essa passagem, a preocupação para o ensino médio deixou de ser preparar o 
aluno para desempenhar uma atividade específica, passando a ser orientá-lo a se mover com 
desenvoltura no mercado de trabalho, independente da profissão escolhida. em alguns aspectos, 
essa transformação trouxe grandes perdas, principalmente para as camadas mais populares que 
tiravam proveito do caráter profissionalizante do ensino médio e hoje são obrigados a recorrer 
a instituições específicas para a profissionalização. no entanto, como salienta mônica Sparta 
(2003), tal mudança de foco na organização da educação brasileira foi extremamente benéfica 
no que diz respeito à orientação vocacional dos alunos, por permitir a criação de uma série de 
novos projetos nesta área, integrados ao próprio currículo da escola. nas palavras da autora,
esta ideia está em conformidade com a tendência internacional dos programas 
de educação de Carreira, programas de cunho pedagógico realizados pela 
escola que pretendem capacitar os estudantes para a transição entre a escola 
e o mundo do trabalho dentro de uma nova ordem socioeconômica mundial 
(SParta, 2003, p. 7).
essa nova ordem socioeconômica mundial citada por Sparta é responsável pela criação de um 
mercado de trabalho cada vez mais diversificado, competitivo e cheio de especificidades, para 
as quais o indivíduo que entra na vida adulta deve estar preparado. Isso leva a uma necessidade 
premente de instrumentalizar este jovem em vias de escolher a sua ocupação profissional, para que 
ele possa tomar esta decisão de forma mais consciente e responsável possível. Por que fazer isso 
nas escolas? o que torna o ambiente escolar propício a esse debate sobre a escolha profissional?
A escola enquanto ambiente propício a Orientação vocacional
Quandofalamos sobre a importância da orientação Vocacional na escola, não estamos nos referindo 
exclusivamente a um espaço físico, mas, também, a um espaço social que, em certa medida, reproduz 
os principais aspectos da sociedade a que pertence. Como defende nelson Piletti,
a escola não está isolada em relação à comunidade em que está inserida. 
a escola é, até certo ponto, reflexo das condições e das exigências estabelecidas 
pela sociedade, em seu sentido mais amplo, e pela comunidade, no sentido mais 
restrito (PILettI, 2003, p. 252).
a escola é o local onde são feitos os primeiros contatos fora da família, as principais interações 
com crianças da mesma idade, bem como a introdução do indivíduo a uma série de regras e 
normas sociais que orientarão sua conduta ao longo de toda a vida.
de acordo com Claude rivière (1997), existe no cotidiano escolar uma variedade de ritos 
importantes que auxiliam na construção da identidade e das práticas cotidianas do indivíduo, como 
os ritos de chegada e saída, o controle do tempo, os ritos de ordem, a organização das atividades, 
a familiarização com o conteúdo das disciplinas e tantos outros elementos de socialização que, 
74
AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
depois de interiorizados pelo indivíduo, passarão a nortear a forma como ele interage com o 
mundo à sua volta, bem como a percepção que ele possui de si mesmo.
Pense a respeito dos diversos ritos presentes na sua escola e tente pensar sobre as formas como 
esses elementos preparam o aluno para a vida em sociedade. Você vai ver que tudo o que acontece 
no interior da escola pode ser transportado para o cotidiano fora dela!
no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, devemos levar em consideração a teoria das 
inteligências múltiplas de Howard Gardner (1995), de acordo com a qual todos os indivíduos 
possuem diferentes tipos de inteligência que estão ligadas, cada uma delas, a diferentes áreas 
do cérebro. Segundo o autor, existe uma certa dominância de umas inteligências em relação às 
outras, que faz com que cada pessoa possua um endereçamento cognitivo distinto, ou seja, um 
arranjo específico destas inteligências.
neste sentido, o papel da escola é de fundamental importância no processo de desenvolvimento 
cognitivo do sujeito, pois é o local privilegiado para que ele desenvolva e estimule suas inteligências, 
identificando aos poucos aquelas atividades e disciplinas nas quais não só tem um bom 
desempenho como também se sente realizado ao desenvolvê-las.
além dos aspectos biopsicológicos relevantes para o desenvolvimento do indivíduo, devemos 
considerar também a importância dos aspectos sociais presentes no cotidiano escolar que 
colaboram para o pleno desenvolvimento do aluno. Como ressalta Yves de La taille (1992):
[...] o homem é um ser essencialmente social, impossível, portanto, de ser 
pensado fora do contexto da sociedade em que nasce e vive. em outras palavras, 
o homem não social, o homem considerado como molécula isolada do resto 
dos seus semelhantes, o homem visto como independente das influências 
dos diversos grupos que frequenta, o homem visto como imune aos legados 
da história e da tradição, este homem simplesmente não existe (La taILLe, 
1992, p. 11).
de acordo com o pensamento de Vygotsky (La taILLe, 1992), mesmo enquanto espécie biológica, 
o ser humano só se desenvolve no interior de um grupo social. de acordo com o autor, mesmo 
que o desenvolvimento psicológico do indivíduo possua bases biológicas, ele só se dá na interação 
com o outro, momento em que vários processos neuronais são postos em movimento, produzindo, 
assim, o desenvolvimento mental.
Partindo dessa reflexão, torna-se visível a importância tanto dos fatores biopsicológicos quanto 
dos fatores socioculturais na escolha vocacional do sujeito, pois é a interação deles que produz 
o conhecimento e a interpretação que o indivíduo faz do mundo ao seu redor. Por isso, a 
subjetividade e o pertencimento social do orientando devem ser considerados, ao longo do 
processo de orientação, de forma equilibrada e conectada, para que ele possa refletir sobre todos 
os aspectos de sua vida e tomar uma decisão mais consciente e realista.
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
assim sendo, podemos dizer que a importância da escola está justamente no fato de ela ser um 
espaço que incentiva simultaneamente a autodescoberta e a integração social do aluno. em 
outras palavras, a escola é um ambiente que abarca as duas dimensões da escolha vocacional: 
a subjetiva e a social.
O papel de cada personagem do ambiente escolar na 
escolha vocacional do sujeito
a escolha vocacional não é orientada por um único fator. apesar da importância dos aspectos 
psicológicos e subjetivos, não podemos desconsiderar que o homem é um ser social, que interage 
constantemente com uma imensa quantidade de informações que chegam a ele por diversos 
meios. através da família, da mídia, dos colegas e dos professores, o jovem recebe informações, 
dados e opiniões variadas que colaboram para que ele forme o seu próprio juízo sobre as diversas 
opções de escolha que se apresentam a ele.
tendo definido a importância da escola ao influenciar tanto os aspectos sociais quanto os subjetivos 
da escolha vocacional, torna-se fundamental estabelecer de que forma cada um dos personagens 
presentes no ambiente escolar são significativos para a tomada de decisão do indivíduo.
Os colegas
Com base nos estudos de arnold Van Gennep (1997) sobre os ritos de passagem, é possível dizer 
que este momento de ruptura existente entre a infância e a idade adulta pode ser visto como um 
estado de liminaridade, em que não se é jovem o suficiente para manter algumas das regalias 
reservadas às crianças, mas ainda se é muito jovem para usufruir de determinados benefícios 
próprios da idade adulta.
Gennep (1997) salienta que, dentro de uma multiplicidade de formas conscientes ou meramente 
implícitas, existe, nos ritos de passagem, um padrão típico recorrente, que consiste em um primeiro 
momento de separação do indivíduo e um último momento de incorporação que, inevitavelmente, 
são intercalados por uma fase de liminaridade, ou seja, um estado intermediário, fronteiriço, 
marginal, paradoxal e ambíguo, em que o sujeito ritual se encontra destituído dos atributos próprios 
de sua antiga condição, mas ainda possui aquelas características particulares de sua condição futura.
essa noção, proposta por Gennep (1997), do estado liminar existente nos ritos de passagem 
foi largamente discutida entre os antropólogos e levou outros autores a criarem novas teorias, 
sendo a noção de communitas desenvolvida por Victor turner (1974) e a distinção entre pureza 
e perigo apresentadas por mary douglas (1966) duas das mais significativas.
Para turner (1974), a noção de communitas define o tipo de interação que se estabelece entre 
os indivíduos que se encontram no estado liminar e é caracterizada por um modo de vida que 
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AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
se opõe à vida ordinária, ou seja, um tipo de interação não estruturada, em que indivíduos 
igualmente ambíguos se submetem em conjunto à autoridade dos “anciãos rituais”.
douglas (1966), por sua vez, percebia a liminaridade como um momento especial de ambiguidade 
classificatória que, em seu limite, tornava-se perigoso por desafiar um sistema de classificação 
previamente concebido como fixo, inquestionável e construído por categorias isoladas que não 
permitiam meio termo.
tanto o afastamento do indivíduo que constitui o momento liminar descrito por Gennep (1997) 
quanto o modo de vida singular percebido por turner (1974) e a ambiguidade salientada por 
douglas podem ser exemplificados pelos estudos de norbert elias (1994) acerca do processo 
civilizador. de acordo com esse autor, quando as sociedades tornam-se mais complexas e 
centralizadas e os sujeitos tornam-se mais individualizados, como aconteceu na sociedade 
ocidental moderna, a especialização profissional aumenta e as possibilidadesde carreira se 
diversificam fazendo com que a preparação necessária para o desempenho das tarefas adultas, 
também, torne-se mais prolongada e complexa.
durante esse período de liminaridade, os jovens são afastados do ambiente infantil onde é 
permitido o comportamento espontâneo incivilizado sem, contudo, serem aceitos nos círculos 
adultos. os adolescentes são isolados em institutos especialmente organizados para a preparação 
dos moços, como as escolas, internatos e universidades, e passam a levar “uma vida social distinta, 
tendo uma “cultura jovem” – um mundo próprio, que diverge marcantemente do dos adultos” 
(eLIaS, 1994, p. 104).
neste contexto, a escola desempenha um papel importante, pois é o lócus onde se desenvolve esta 
cultura jovem, e onde estes indivíduos começam a questionar os juízos dos pais, anteriormente 
vistos como detentores da verdade e, portanto, inquestionáveis, e passam a dar especial valor à 
opinião de seus pares.
essa construção de mundo em parceria com seus iguais, também chamada de socionomia, é 
um momento fundamental do desenvolvimento moral do sujeito apresentado por Piaget (1994), 
em que o indivíduo aos poucos desenvolve o controle lógico e moral de seus sentimentos e 
pensamentos. esta valorização da opinião dos pares é uma etapa intermediária importante entre 
o estado inicial de anomia, em que a criança não possui juízo próprio sobre o mundo e é incapaz 
de compreender normas e regras coletivas, até o estado final de autonomia, no qual o sujeito é 
capaz de utilizar o raciocínio hipotético-dedutivo para construir seu próprio juízo moral sobre 
a realidade em que está inserido.
Os professores
mantendo o foco de sua atividade na transmissão de conteúdos, alguns professores não se dão 
conta da influência que exercem diante de seus alunos. Como defende Henry Giroux (1997), 
77
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
atualmente os professores são vistos de forma pejorativa e simplista, como técnicos administrativos 
que servem apenas como intermediário entre um conteúdo pronto e o aluno, quando na verdade 
deveriam ser vistos como intelectuais que refletem a respeito de sua área de atuação e produzem 
conhecimentos. Como reflete Said (2005, p. 26) a respeito de sua própria prática, “(...) como 
intelectual, apresento minhas preocupações a um público ou auditório, mas o que está em jogo 
não é apenas o modo como eu as articulo, mas também o que eu mesmo represento”.
ao ter consciência do alcance e das consequências sociais, éticas e políticas de sua prática, o 
professor torna-se muito mais apto a desempenhar a função que vem sendo cada vez mais 
delegada pelos pais à escola, de formar aprendizes da cidadania e sujeitos críticos, que saibam 
conviver e respeitar as diferenças, além, é claro, de desempenhar seu papel no mercado de 
trabalho e na sociedade da melhor forma possível.
no que diz respeito à orientação vocacional, esta influência exercida pela figura do professor diante 
de seus alunos é de fundamental importância, pois o professor passa a atuar como embaixador 
da disciplina que leciona. de acordo com mariza Lima (2007): 
[...] mesmo não querendo, o professor representa o curso ou a profissão de sua 
própria escolha. o professor de História “é” a História, o professor de Biologia “é” 
a Biologia, etc. Como representante, o professor deve ter cuidado para assumir 
o lugar que lhe é atribuído. assim, mais do que um transmissor de conteúdos 
teóricos, o professor dissemina a seus alunos uma visão do que são e como são 
os cursos e as profissões, e é provável o aluno apreciar ou depreciar um curso ou 
uma profissão na decorrência do que lhe apresenta o professor (LIma, 2007, p. 66).
tendo em vista o importante papel que desempenha, o professor deve estar sempre aberto 
ao diálogo com seus alunos sobre as possibilidades de carreira e sobre os interesses que eles 
apresentam, sem, contudo, deixar-se levar pela vaidade ou mesmo pelas frustrações que possua. 
Certa vez, por exemplo, por ocasião da minha pesquisa de doutorado, me foi contado o caso 
de um professor de biologia que se ressentia imensamente em não ter sido aprovado no exame 
vestibular para o curso de medicina. Quando sua melhor aluna disse animada que pretendia 
cursar biologia, ele reagiu de forma negativa dizendo que não fazia sentido cursar biologia sendo 
capaz de cursar medicina. de acordo com ele, a menina era boa demais para ser bióloga. a menina 
sentiu-se desmotivada por ouvir tal afirmação daquele que era a sua imagem de biólogo, mas 
felizmente não se deixou influenciar por isso e hoje é uma bióloga competente e realizada em 
sua carreira.
esse exemplo é emblemático sobre a forma como o desânimo e as frustrações do professor 
podem influenciar negativamente seus alunos. Contudo, o oposto também é um risco, à medida 
que a descrição romantizada e enaltecida da própria carreira pode levar o aluno a uma grande 
decepção ao deparar-se com a realidade do curso. Como defende Lima (2007), é importante o 
professor transmitir ao aluno a realidade da sua área de atuação, revelando com clareza e sem 
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AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
exageros o que é positivo e o que é negativo em sua profissão. É essencial haver diálogo entre 
professor e aluno de forma a esclarecer as dúvidas relacionadas a esses aspectos.
Sendo assim, podemos dizer que, para que a escola cumpra o dever que lhe foi atribuído pela 
LdB de preparar o indivíduo para o trabalho e a cidadania, é fundamental que seu corpo docente 
esteja consciente de que tudo o que transmite aos seus estudantes reflete na percepção que 
eles terão das carreiras à disposição para sua escolha. o entusiasmo ou desinteresse com que 
se relacionam com a própria disciplina influenciam de forma significativa a imagem construída 
pelo aluno da matéria que ele leciona e das carreiras a ela associadas.
A família
a família é sempre o ponto de partida para a escolha vocacional do indivíduo, pois é a partir 
dela que ele receberá sua primeira socialização, que, por ocorrer na primeira infância, torna-se 
mais arraigada e, portanto, muito mais difícil de ser desconstruída. esta é a primeira instituição 
social com a qual o indivíduo estabelecerá relação e será ela a responsável pela transmissão de 
ideias, valores, crenças e significados que, posteriormente, serão encontrados pelo indivíduo 
nos demais contextos sociais em que estará inserido. no que diz respeito à escolha profissional 
feita pelo jovem ou adulto, Silva (2006) afirma que:
É na relação precoce da criança com seus pais que se inicia o processo de 
aprendizagem para as experiências do mundo adulto em que o trabalho representa 
fator fundamental. É no teatro lúdico e no brincar que a criança aprende com os 
atores familiares a interagir no mundo adulto. ela prende, também, as mensagens 
que esse teatro lhe repassa sobre o que representa o mundo do trabalho para o 
adulto (SILVa, 2006, p. 18).
Utilizando os estudos de Bohoslavsky (2003) como referência, Silva (2006) defende que devemos 
considerar a família como principal grupo de referência do jovem ao escolher a carreira que seguirá, 
pois, mesmo de forma inconsciente, as primeiras orientações recebidas dos pais e parentes, os 
conflitos vividos no interior da família e mesmo as diversas identificações estabelecidas com as 
atividades profissionais de seus familiares emergem no momento de escolha influenciando de 
forma significativa a tomada de decisão do indivíduo.
dado o importante papel da família na escolha profissional do indivíduo, o leitor pode se 
perguntar o porquê da inclusão da família entre os personagens que compõem o ambiente escolar. 
esta preocupação está de acordo com o crescente debate que vem sendo travado no campo 
educacional sobre a importância de integrar a escola e a família em prol do desenvolvimento 
emocional, social e intelectual do estudante. no entanto, como salienta Viviane Klaus (2004), a 
aliança estabelecida entre a família e a escola não é algo natural e que, portanto,aconteceria de 
forma definitiva e tranquila. na verdade, esta relação se estabelece em um “campo de lutas onde 
significados são impostos, negociados e renegociados constantemente” (KLaUS, 2004, p. 170).
79
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
a integração entre família e escola nem sempre é simples, mas apresenta vantagens significativas 
ao desenvolvimento do aluno. no caso da orientação vocacional, vimos como a família é uma 
influência significativa no momento de escolha profissional do aluno, e isso faz com que a 
empreitada de trazê-la para mais próximo da escola seja válida.
O orientador educacional e pedagógico
o orientador educacional é um personagem de fundamental importância no cotidiano escolar, 
pois é função dele garantir que o aluno se desenvolva de forma global e equilibrada. Cabe ao 
orientador educacional trabalhar em cooperação com a equipe pedagógica e gestora da escola, 
transitando por todas as áreas do currículo escolar para que o corpo de alunos possa desenvolver-se 
em todos os aspectos, considerando no processo educativo tanto o intelecto do estudante 
como a sua participação social, a consciência política e cidadã, o desenvolvimento físico e os 
valores morais.
Quanto à orientação vocacional do aluno, este caráter integrador da ação do orientador 
educacional se confirma, porque, como vimos anteriormente, a escolha profissional do aluno 
sofre influência de uma série de fatores internos e externos ao indivíduo, que se manifestam de 
maneira significativa no ambiente escolar. Cabe ao orientador educacional auxiliar o aluno a 
organizar todas essas informações dando sentido a elas, bem como garantir para que todos os 
demais personagens analisados nesta aula colaborem da melhor forma possível para a escolha 
consciente e responsável do aluno.
Vejamos, então, os cuidados que devem ser tomados pelo orientador educacional em relação 
aos diversos atores sociais com quem interage ao longo do processo de orientação vocacional 
dos alunos:
O aluno
muitas vezes, a figura do orientador educacional é associada pelos alunos apenas a questões 
disciplinares, e isso acaba criando uma barreira na comunicação com o orientador. Para isso, é 
preciso que o profissional esteja sempre atento para possuir autoridade diante dos alunos, sem, 
contudo, ser autoritário e com isso eliminar as possibilidades de diálogo.
em relação à orientação vocacional, esta acessibilidade do orientador educacional aos alunos é 
um elemento decisivo para o sucesso do projeto, pois, mesmo que sejam elaboradas atividades 
coletivas nas salas de aula em parceria com o corpo discente, ou nos momentos específicos 
de orientação vocacional determinados pela instituição, muitas vezes o grande passo rumo ao 
esclarecimento do estudante se dá nos atendimentos individuais, quando o próprio aluno toma 
a iniciativa de apresentar suas dúvidas e questionamentos.
Como vimos na primeira aula do caderno, o momento de escolha profissional, principalmente 
nas séries que antecedem o Vestibular, é uma etapa de grande ansiedade para o indivíduo, e em 
80
AulA 5 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO
muitas ocasiões este fator influencia todas as esferas de sua vida. Portanto, enquanto responsável 
por acompanhar a vida estudantil do aluno, o orientador educacional deve estar sempre atento 
a eventuais discrepâncias no rendimento, alterações no comportamento e problemas de 
disciplina, que podem, em algumas circunstâncias, estar atrelados a este momento tenso em 
que se encontra o aluno.
nunca podemos perder de vista que a escolha final é sempre do indivíduo, mas cabe ao 
orientador apresentar caminhos e facilitar a compreensão das opções, para que esta decisão não 
seja traumática ou aleatória, mas sim consciente e responsável, visando o bem-estar e a plena 
realização das potencialidades do aluno.
A família
Como vimos anteriormente, a família é a primeira referência vocacional do indivíduo. Contudo, 
ela pode representar também um elemento complicador importante na escolha profissional, 
pois, em diversas situações, encontramos pais que tentam impor sua vontade sobre a dos filhos 
para que elas escolham aquela que, de acordo com eles, seria a melhor opção de carreira. neste 
sentido, faz parte do papel ético do orientador vocacional auxiliar seu orientando a descobrir o 
seu próprio caminho, desconstruindo determinadas inclinações que de fato não são suas, mas 
impostas de forma mais ou menos consciente pelos familiares.
o melhor caminho para isso, no entanto, não é o enfrentamento direto com pais e responsáveis, 
nem mesmo a desqualificação de seu julgamento diante do aluno. É preciso trabalhar em parceria 
com a família em prol do aluno, conscientizando a todos sobre os efeitos nocivos que uma escolha 
malfeita pode trazer à saúde mental do jovem.
esta orientação familiar deve ser feita ao longo de todo o processo, seja nas reuniões bimestrais 
próprias do calendário escolar, seja em reuniões individuais agendadas com o intuito específico de 
discutir o desempenho do aluno para trabalhar colaborativamente o seu processo de orientação 
vocacional. muitas vezes, as dificuldades de escolha do aluno ultrapassam o alcance da atuação 
da orientação educacional, e nestes casos, cabe ao orientador um diálogo franco com os familiares 
sobre o encaminhamento do aluno a um profissional de psicologia que possa acompanhá-lo.
Os professores
em sua relação com os professores, é fundamental que o orientador educacional compartilhe 
as informações coletadas sobre o perfil vocacional da turma, propondo atividades que possam 
auxiliar o conhecimento destes sobre o mercado de trabalho e as opções profissionais. É de extrema 
importância que o orientador desperte sempre o interesse do seu corpo discente em fazer com 
que a informação dos alunos sobre as carreiras faça parte do cotidiano de suas salas de aula.
a informação é o principal elemento da escolha vocacional e por isso é fundamental que 
a equipe pedagógica esteja, ela própria, bem informada sobre o que está acontecendo em 
81
ORIEntAçãO vOCACIOnAl E EduCAçãO • AulA 5
termos profissionais em nossa sociedade para que os professores possam compartilhar estes 
conhecimentos com seus educandos e buscar sanar suas dúvidas da melhor forma possível.
Vale lembrar, ainda, que, para o professor estar bem informado, não representa apenas conhecer 
de uma forma geral os rumos do mercado de trabalho, mas principalmente buscar o máximo de 
dados sobre as profissões às quais sua matéria está associada. anteriormente, analisamos o papel 
desempenhado pelo professor enquanto embaixador de sua disciplina e figura de referência diante 
de seus alunos. Sendo assim, o orientador deve estimular esta consciência de si nos professores, 
propondo que seja sempre realizado um paralelo entre os conteúdos ministrados e a prática das 
profissões a eles relacionados.
o trabalho de orientação educacional na escola deve ser encarado como um trabalho de equipe, e, 
neste sentido, o orientador educacional deve atuar como técnico, criando estratégias, planejando 
ações e, principalmente, preparando sua equipe de professores para o desempenho de tais 
atividades. Para isso, todas as ocasiões devem ser aproveitadas, como reuniões de professores, 
conselhos de classe, reuniões de curso, eventos da escola e assim por diante.
82
Introdução
nesta aula final da disciplina de orientação educacional e Pedagógica, apresentaremos a você 
algumas questões práticas a respeito da orientação Vocacional, discutindo temas específicos dos 
diferentes tipos e momentos de orientação e sugerindo atividades que podem ser desenvolvidas 
em sua prática. no entanto, é importante salientar que a real preparação para o desenvolvimento 
de projetos de orientação vocacional que obtenham bons resultados com os alunos dependerão 
de maior aprofundamento e muitas experimentações práticas a este respeito. encare esta aula 
como um ponto de partida para suas reflexões a respeito do desenvolvimento da orientação 
vocacionaldesenvolvida pelo Serviço de orientação educacional.
Objetivos
 » apresentar as principais modalidades de orientação vocacional.
 » Identificar a estrutura de um processo de orientação vocacional, salientando os elementos 
que fazem parte de seu início, meio e fim.
 » Compreender que cada processo de orientação vocacional precisa levar em conta 
determinados aspectos que delimitarão as diferenças do trabalho.
 » analisar questões referentes à orientação de grupos típicos, que podem ser encontrados 
no ambiente escolar.
6
AulA
ORIEntAçãO vOCACIOnAl 
nA PRátICA
83
ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
modalidades de Orientação vocacional
a orientação Vocacional é um processo de grande importância na vida dos indivíduos, pois a 
pessoa que a busca normalmente está passando por um momento de vida em que a tomada de 
decisão fará toda a diferença, e a nossa participação nessa escolha pode tornar todo o processo 
mais suave, consciente e informado.
Por esse motivo, é tão importante compreendermos melhor como se dividem as modalidades que 
podem ser utilizadas para a elaboração de uma orientação. Será por meio das modalidades que 
cada orientador delimitará seu perfil de trabalho, definindo suas técnicas e seu direcionamento.
modalidade Estatística
nesta modalidade, o profissional deverá, em um primeiro momento, conhecer as aptidões e os 
interesses do orientando, para depois elaborar um trabalho que correlacione os gostos desse 
indivíduo com as chances existentes no mercado.
Vamos ver as principais características dessa modalidade:
 » Papel do Orientador: ativo, direcionado. nesta modalidade, o profissional utiliza os 
testes como principal instrumento, buscando resultados específicos. Pode-se entender 
o orientador como alguém que caminha pelo sujeito;
 » Papel do Orientando: apresenta um papel mais passivo; sendo direcionado pelo 
orientador, realizando as atividades estabelecidas;
 » Recursos: os testes são os principais materiais utilizados, mas as dinâmicas também 
têm espaço neste processo.
 » Aptidões: para os profissionais que trabalham com a modalidade estatística, as aptidões 
são entendidas como inatas, ou seja, o sujeito já nasce com elas;
 » Interesse: neste caso, o cliente ainda não possui muita noção de seus gostos. Precisa 
começar a se conhecer;
 » Mercado de trabalho: a modalidade estatística baseava-se em uma estagnação do 
mercado para reconhecer positivamente os resultados dos testes. Seria por meio da 
estabilidade do perfil profissional procurado pelo mercado que os resultados dos testes 
seriam válidos, pois seriam baseados nestas características específicas. Hoje em dia 
utilizam-se as dinâmicas para confirmar a validade do processo.
modalidade Clínica
na modalidade clínica, o profissional poderá auxiliar o orientando à proporção que as 
responsabilidades da escolha sejam assumidas por este. Para que o orientador conheça melhor 
84
AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
o seu cliente, a entrevista acaba sendo utilizada como um dos principais instrumentos. Sem 
dúvida, a autonomia é sempre enfatizada.
a seguir, veremos os principais conceitos:
 » Papel do Orientador: ele deverá caminhar junto com o orientando, buscando ajudar a 
sanar suas dúvidas e incentivar sua autonomia;
 » Papel do Orientando: o cliente desempenhará um papel ativo somente ele conhece 
sua vida e compreende o que é melhor para si mesmo. ele será o grande protagonista 
do processo de orientação vocacional;
 » Recursos: as atividades irão basear-se, principalmente, em dinâmicas e material 
informativo (filmes, livros, folders...). os testes são utilizados de forma diferenciada, em 
que seus resultados são considerados em conjunto com os demais recursos;
 » Aptidões/Interesses: durante o processo, o sujeito passa a se conhecer melhor e a 
compreender seus interesses. nesse processo, a vocação surge como um movimento 
interno específico daquele momento;
 » Mercado de trabalho: como considera o mercado de trabalho em constante mudança, 
cada orientação não é compreendida para a vida toda, e sim relacionada ao momento 
que está sendo vivido. 
Estrutura de um processo de Orientação vocacional
todo processo de orientação vocacional possui uma estrutura com determinados itens que 
sempre estarão presentes e deverão ser definidos através dos encontros com os clientes. 
Uma boa delimitação, tendo consciência das principais características destes tópicos, determinará 
um bom caminhar no processo de orientação vocacional. Vamos ver os principais itens.
Início
Enquadre: Quando falamos de enquadre, nos remetemos à “cara” que o processo vai apresentar. 
em todo serviço de orientação vocacional, precisamos delimitar o que será oferecido. 
Quando sabemos qual o foco, fica mais fácil acertar o processo, e esse foco será definido de 
acordo com determinadas questões que precisam ser respondidas, tais como: o que, para que, 
como, com quem, onde, com o que e quando.
Modalidade de Trabalho: neste ponto, o orientador deve buscar conhecer como será desenvolvido 
o seu trabalho, se de maneira individual, em grupo, na escola, no consultório, na clínica, em 
uma onG, em organizações, em instituições, entre outras. devemos lembrar que não existem 
melhores formas de se trabalhar, em todas elas cabe ao profissional pesar os pontos positivos e 
negativos que estarão diretamente relacionados ao contexto de cada uma.
85
ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
Entrevista Inicial: durante a entrevista inicial, procura-se conhecer qual a demanda do orientando. 
Buscamos compreender o que espera o orientando ou quem está contratando nosso serviço. 
Quando atuamos em uma instituição, como a escola, esta entrevista não se faz necessária, pois 
a demanda já está definida, por exemplo: orientação vocacional com alunos do 3° ano do ensino 
médio: voltados para o vestibular.
Delineamento: Cabe aqui definir as etapas do processo de orientação, como o número de 
encontros, a duração, quantas pessoas participarão por grupo, se existirá ou não sessão de 
reposição, o que será aceito em relação a atrasos e faltas, quais os materiais que serão utilizados 
e como será realizada a entrevista de devolução e a entrega do laudo.
meio
a partir do momento em que o orientador já estabeleceu um perfil de seu cliente – individual ou 
grupo – ele poderá optar por determinados materiais que serão mais bem aproveitados durante 
todo o processo. esses materiais são inúmeros e aqui veremos alguns dos mais utilizados:
material Informativo
todo e qualquer tipo de orientação utiliza materiais básicos para desenvolver-se. Será por 
intermédio deste material que o profissional possibilitará ao orientando estabelecer contato 
maior com o mundo das profissões. o material informativo pode ser utilizado enquanto:
 » Ferramenta: ele é inserido no processo de orientação Vocacional, no qual o orientando 
pode se conhecer melhor. Um exemplo deste tipo de material é o manual de estudante.
 » Processo: É uma forma mais independente que necessita de um tempo maior 
para acontecer. em orientações que são realizadas em escolas, utilizar o material 
informativo como processo só tem a acrescentar, pois será por meio de filmes, palestras 
e visitas a empresas e universidades que o orientando compreenderá melhor como as 
profissões atuam.
Quadro 3. Sugestão de atividades.
técnica de relações-ocupacionais (R-O)
Objetivos: Estimular um contato ativo com a informação profissional, por meio de um exercício lúdico, de modo a 
estabelecer as possíveis relações existentes entre as ocupações e a situar as próprias identificações profissionais.
Material: Conjunto de cartões nos quais são escritas as diversas profissões/ocupações surgidas ao longo do processo 
de Orientação vocacional.
Proposta: Apresentar ao orientando uma quantidade de cartões em que cada um tem o nome de um curso ou 
profissão.
1ª etapa: entregar os cartões ao cliente, pedindo a ele: “Faça de conta que cada cartão representa uma pessoa. O que 
você deve fazeré estabelecer relações entre as diferentes pessoas, como se se tratasse de definir quais são as famílias 
a que elas pertencem”.
2ª etapa: pedir ao cliente que faça uma apresentação das famílias; descrevendo de maneira detalhada as 
características de cada uma.
86
AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
3ª etapa: fornecer a seguinte instrução: “Imagine que você dê uma festa em sua casa, para a qual não pode convidar 
todas as pessoas. Quais você convidaria com certeza, quais não convidaria, e em relação a quais ficaria em dúvida?” 
Essa sugestão da festa é para o orientando utilizar a fantasia com vistas a imaginar possíveis relações entre as 
profissões.
4ª etapa: pode-se solicitar ao orientando que crie conversas entre os possíveis profissionais; para que o orientador 
consiga perceber os pensamentos do sujeito em relação a interesses, gostos, características pessoais, simpatias e 
antipatias.
Desenvolvimento: Nesta etapa, o orientando terá conhecimento do valor que atribui às profissões. O orientador deverá 
observar como o orientando se posiciona com relação ao meio profissional, percebendo suas possíveis distorções, 
estereótipos e identificações do mesmo com as carreiras.
Fonte: Elaboração da autora com dados de BOHOSlAvSKY, 2003, apud lImA, 2007, pp. 118-120.
técnicas lúdicas
Correspondem a atividades que promovem um levantamento de dados sobre cada sujeito frente 
a determinadas situações e sobre o grupo. entre as possíveis técnicas, temos:
 » Dinâmicas: as dinâmicas, de forma geral, são utilizadas para observar habilidades, 
competências e preferências de cada orientando. Por meio delas, o orientador pode 
perceber e traçar um perfil, ainda que superficial se for apenas baseado na dinâmica, de 
cada sujeito. Como existem inúmeras dinâmicas que podem ser utilizadas (apresentação, 
aquecimento, desenvolvimento, conclusão ou fechamento), elas precisam ser 
estudadas de forma cuidadosa e atenciosa, tendo sempre em vista o foco principal de 
cada encontro.
 » teatro: a utilização de conceitos advindos do teatro pode facilitar o entrosamento 
do orientando com as profissões. Sugerir que ele tente assumir o lugar e a postura 
de determinadas profissões que lhe agradam cria um momento de experiência, de 
conhecimento da carreira e do próprio sujeito.
Quadro 4. Sugestão de atividades.
Técnicas Auxiliares: jogos dramáticos e simulações
Objetivos: Explorar e/ou elaborar temáticas que podem surgir durante as entrevistas ou sessões.
Material: Espaço reservado com cadeiras, almofadas, papéis coloridos, canetas e outros itens que o orientador perceba 
serem necessários para a representação.
Proposta: O orientador pode propor ao aluno debater temas como:
1 conversação entre colegas que se encontram anos após haverem concluído seus estudos no ensino médio;
2 pedido de informação na universidade;
3 conversas entre pais e filhos sobre seu futuro;
4 busca de um emprego;
5 o primeiro dia de aula na faculdade;
6 um dia no trabalho.
Desenvolvimento: O orientador propõe um cenário simulado, ajudando o grupo ou o sujeito a estabelecer os papéis, 
facilitando depois para que ele(s) relate(m) seus sentimentos e percepções da vivência, elaborando sua parte.
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, pp. 126-127.
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
Entrevistas 
São os principais recursos utilizados para conhecer o orientando e entender quais seus gostos e 
interesses. Será pelas entrevistas que o orientador conseguirá auxiliar o sujeito a conhecer suas 
capacidades e saber lidar com suas dúvidas. as entrevistas apresentam resultados subjetivos, 
com características específicas do momento vivido pelo orientando.
Quadro 5. Sugestão de atividades.
Momento de conhecimento
Objetivos: Investigar as capacidades do orientando, proporcionando um momento para que este possa perceber o que 
espera de si mesmo e de seu futuro profissional. 
Material: Folha de papel ofício, caneta e, se o orientador achar pertinente, gravador.
Proposta: O orientador deverá formular questões abertas e fechadas, facilitando o momento de reflexão do orientando. 
Perguntas como as que estão abaixo, são algumas que podem ser utilizadas durante a entrevista:
1 quais profissões você se vê exercendo no futuro?
2 como se sente em relação ao trabalho de seus pais?
3 você já decidiu que carreira quer seguir?
4 quais suas dúvidas em relação às profissões?
Desenvolvimento: Cabe ao orientador proporcionar ao orientando um momento de tranquilidade, sem expectativas 
para que o sujeito consiga elaborar suas respostas da melhor maneira possível.
Fonte: Elaboração própria da autora.
testes
São os instrumentos utilizados para que o orientador possa conhecer um pouco mais sobre 
a personalidade do orientando. não existem testes específicos de orientação vocacional, eles 
devem ser utilizados de maneira consciente. Quanto mais o orientador conhecer o orientando, 
melhor poderá determinar o uso de testes específicos.
Quadro 6. Sugestão de atividades.
Frases Incompletas
Objetivos: Investigar possíveis conflitos, aspirações e projeções envolvendo as escolhas profissionais.
Material: Ficha com as questões a serem completadas pelo orientando.
Proposta: Apresentar ao aluno as seguintes frases para que ele as complete:
1 Sempre gostei de...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2 Acho que, quando for maior, poderei..... . . . . . . . . . . . . . . .
3 não consigo me ver fazendo...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4 meus pais gostariam que eu...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
5 Se estudasse...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
6 Escolher sempre me fez...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
7 Quando era criança queria...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
8 Os rapazes da minha idade preferem....... . . . . . . . . . . . .
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
9 O mais importante na vida é...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
10 Comecei a pensar no futuro...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
11 nesta sociedade, vale mais a pena..... do que .....
12 Os professores acham que eu...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
13 Quanto às profissões, a diferença entre moças e rapazes é ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
14 minha capacidade...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
15 As garotas da minha idade preferem....... . . . . . . . . . . .
16 Quando fico em dúvida entre duas coisas...... . . . . . .
17 A maior mudança na minha vida foi..... . . . . . . . . . . . . . .
18 Quando penso na universidade...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
19 Sempre quis...... mas nunca poderei fazê-lo ..... . .
20 Se eu fosse...... . . . . . . . . . . . poderia ..... . . . . . . . . . . . . . . . . . .
21 minha família...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
22 meus colegas pensam que eu...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
23 Estou certo de que...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
24 Eu...... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Desenvolvimento: Observar as respostas do orientando e procurar conversar com ele sobre suas projeções, aspirações 
e conflitos que surgem com as respostas das questões acima.
Fonte: Elaboração da autora com dados de BOHOSlAvSKY, 2003, p. 92.
Questionários
São ferramentas que complementam o processo, acrescentando informações importantes sobre 
o orientando. não existe obrigatoriedade em utilizar os questionários, mas, se o profissional 
decidir por sim, deverá formular tópicos bem direcionados e objetivos.
Quadro 7. Sugestão de atividades.
Desiderativo Vocacional 
Objetivos:Investigar as possíveis identificações presentes nas escolhas profissionais.
Material: Folha impressa com cinco questões indicadas a seguir, lápis ou caneta, borracha.
Proposta: As questões abaixo devem ser apresentadas ao orientando:
1- Quem você gostaria de ser se não fosse quem é? Por quê?
2- Que pessoa (personagem) da Antiguidade você gostaria de ser? Por quê?
3- Que pessoa do sexo oposto você gostaria de ser? Por quê?
4- Que tipo de pessoa você gostaria de ser dentro de dez anos? Por quê?
5- Quem você não gostaria de ser se não fosse quem você é? Por quê?
Desenvolvimento: Solicitar que o orientando responda às questões da melhor maneira possível. Assim que o 
orientando acabar, pedir a ele que explique suas respostas, investigando cada uma das pessoas que ele citou. 
Também deve ser observada a vida profissional de cada uma das pessoas citadas nas respostas, onde o orientando 
poderá refletir o que o vincula a cada uma dessas pessoas. Através desses diversos materiais coletados ao longo do 
desenvolvimento da orientação, o trabalho poderá ser delineado e cada orientando será capaz de reagir aos que 
melhor provocarem seu interior; em busca de seu melhor conhecimento sobre si mesmo.
Fonte: Elaboração da autora com dados de mullER apud lImA, 2007, p. 115.
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
Final
após todo o processo, o orientador estará com diversas informações referentes ao perfil profissional 
de seu orientando. Caberá ao orientador perceber qual a melhor maneira de dar um retorno ao cliente 
sobre seu resultado. nesta etapa do processo de orientação vocacional, dependendo da modalidade 
escolhida, o profissional pode utilizar a entrevista de devolução e/ou a elaboração de laudo.
Entrevista de devolução
a entrevista de devolução pode ser realizada de forma individual ou em grupo. Quando a primeira 
opção é escolhida, as questões pessoais do orientando podem ser abordadas. normalmente, a 
modalidade estatística centra sua devolução nos resultados dos testes, enquanto a modalidade 
clínica opta por discutir questões mais subjetivas do processo.
laudo
o laudo é um dos itens que podem estar presentes no processo de devolução e o orientador deve 
voltar sua atenção a ele. todo profissional deve ter cuidado ao elaborar o laudo para seu cliente, pois 
o documento apresentará informações específicas que deverão ser explicadas cuidadosamente, 
evitando interpretações erradas. Cada laudo deve apresentar determinados dados específicos: 
identificação do orientando; identificação do orientador; a demanda; o procedimento adotado; 
análise e conclusão. o profissional precisa estar atento para desenvolver um laudo da forma mais 
ampla possível, procurando não rotular o orientando com aptidão apenas para determinadas 
profissões. deve-se mostrar ao cliente que ele possui determinadas áreas de interesse, que podem 
direcioná-lo a diferentes carreiras.
Pontos importantes da orientação vocacional
Cada processo de orientação vocacional precisa levar em conta determinados aspectos que 
delimitarão as diferenças do trabalho. o orientando está sujeito a sofrer diversas influências e 
determinados fatores podem agir diretamente no momento de escolha.
o orientador precisa estar atento para diversos aspectos como: histórico escolar – o rendimento 
do orientando irá demonstrar algumas de suas preferências; história familiar – a partir dela o 
orientador poderá compreender inclinações para profissões específicas; e maturidade – cabe 
ao profissional perceber em que grau de maturidade está seu orientando.
Segundo Bohoslavsky (2003, p. 91), cada profissional precisa basear-se em alguns questionamentos 
para melhor delimitar o perfil de seu orientando. Seriam perguntas como:
 » o orientando tem capacidade de assumir sua escolha profissional sem mudar sua 
personalidade?
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
 » ele já apresenta maturidade para tomar uma decisão quanto ao seu futuro profissional?
 » Consegue prever possíveis dificuldades, tolerar frustrações e alcançar sínteses?
 » Sou a pessoa mais indicada para ajudá-lo?
 » esse é o melhor momento para que ele inicie sua orientação vocacional?
Por essas essas perguntas, o profissional poderá entender melhor a situação que se apresenta e 
agir corretamente com seu cliente.
outro ponto que sempre deve ser observado atentamente pelo profissional é que tipo de 
informações, como e a quem devem ser transmitidas. Seus clientes geralmente apresentarão 
conhecimentos sobre as carreiras e sobre o meio científico. este contato durante o processo 
escolar proporciona uma absorção de conhecimento de maneira passiva, em que muitas vezes 
o orientando não consegue perceber todas as informações que já adquiriu.
Sendo assim, caberá ao orientador fornecer informações ao seu cliente da forma mais clara e 
objetiva possível, apresentando as diferentes atividades profissionais. ainda de acordo com 
Bohoslavsky (2003, p. 147), existem quatro recomendações básicas que todo orientador deve 
estar atento ao trabalhar com cada orientando. São elas:
 » a informação deverá ser passada de maneira completa, visando a mostrar ao orientando 
quais os objetos das profissões, quais seus papéis sociais, técnicas e instrumentos 
utilizados e a real demanda da sociedade para aquela profissão.
 » o orientando precisa entender que as atividades interagem como um todo, contribuindo 
para um trabalho em equipe.
 » Caberá ao orientador estar atento ao nível profissional a que o orientando almeja chegar. 
Cada cliente possui um ideal de como gostaria de trabalhar e o orientador precisa estar 
atento para passar as informações adequadas ao perfil de cada orientando.
 » todas as informações devem centrar-se nas carreiras, demonstrando os ramos das 
atividades técnicas, científicas e profissionais.
A orientação de grupos típicos
o objeto da orientação vocacional é a relação homem-trabalho, e isso gera um grande leque de 
possibilidade de atuação para aquele que se dedique a esta tarefa. no entanto, como salienta 
maria da Conceição Uvaldo (1995), no Brasil, o trabalho do orientador vocacional está ligado 
quase exclusivamente aos alunos de classe média e alta que estão concluindo o ensino médio 
e, portanto, se encontram em vias de escolher um curso de graduação. 
91
ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
a autora questiona:
mas é apenas para isso que serve a orientação Profissional? Será que este campo 
não seria mais amplo? Particularmente parece-me extremamente limitante 
encarar a área de orientação Profissional como: teorias, técnicas, programas 
para ajudar o aluno de 3º colegial a escolher uma faculdade. Com isso não 
considero desnecessário ou sem valor este tipo de trabalho, mas é apenas uma 
das possibilidades de intervenção do orientador (UVaLdo, 1995, p. 216).
ampliando a discussão da autora, acho importante salientar que, nem mesmo quando 
desempenhado dentro da escola, o projeto de orientação vocacional pode centrar-se apenas 
nas turmas de terceiro ano ou pré-vestibular. É fundamental que este projeto se inicie o quanto 
antes e abarque todos os grupos presentes na escola, para que acompanhe todo o processo de 
amadurecimento e desenvolvimento vocacional dos alunos.
Vale lembrar ainda que, apesar de representativo em nossa sociedade, o vestibular não é o único 
momento de escolha profissional que se apresenta ao jovem, pois o desempenho de uma atividade 
profissional não está necessariamente atrelado a um curso de nível superior.
outro ponto importante, e que deve ser observado com muita atenção pelo orientador vocacional, 
é estar atento aos meios e instrumentos utilizados em cada contexto, pois, como discutimos 
na primeira aula deste caderno, não existe uma fórmula mágica que funcione igualmente bem 
com todos os orientandos. Cada projeto de orientação, tendo em vista as idiossincrasias e 
especificidades do sujeito ou grupo orientado, torna-se único.
a seguir, veremos alguns grupos típicos com os quais o orientador vocacionalque atua no 
ambiente escolar pode se deparar. discutiremos suas principais características e sugeriremos 
atividades interessantes que podem ser utilizadas em cada caso. Vale ressaltar, no entanto, que 
tais atividades não são exclusivas para estes grupos específicos. Você pode utilizá-las em outros 
contextos, desde que isso seja coerente e sejam feitas as devidas adaptações quando necessário.
Orientação vocacional com crianças
a idade pré-escolar é um momento bastante frutífero para a orientação vocacional, pois, como 
salientam Pasqualini, Garbulho e Schut (2004), é quando a criança começa a reproduzir em 
seus jogos as funções sociais e as atividades desempenhadas pelos adultos. o jogo, suas regras 
e os papéis a serem desempenhados nele, em certa forma, reproduzem a vida social e suas 
possibilidades, oferecendo à criança a possibilidade de vivenciar as atividades que percebe ao 
seu redor. nas palavras de andrade, 
[...] enquanto brinca com bonecas e animais, caminhões e aviões, jogos de 
construção, kits de médico, as crianças fantasiam sobre estas atividades, 
explorando, com prazer, como é ser um bombeiro ou caminhoneiro, um piloto 
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
ou astronauta, experimentando imaginativamente possíveis papéis adultos 
(andrade apud PaSQUaLInI; GarBULHo; SCHUt, 2004, p. 74).
a partir dessa prática, a criança dá início ao processo de desvendar a realidade social em que 
está inserida, e isso deve ser feito com o auxílio de ações educativas que estimulem as facetas 
positivas da realidade reproduzidas nos jogos e desencorajando as interpretações de mundo 
vistas como negativas. 
de acordo com Pasqualini, Garbulho e Schut (2004), é justamente esta possibilidade de intervenção 
precoce na interpretação e representação que a criança faz do mundo que indica a importância da 
orientação vocacional nesta faixa etária. Segundo as autoras, a orientação vocacional combinada 
com ações educativas sistemáticas poderiam evitar a apropriação dos papéis adultos de forma 
estereotipada, com vistas a favorecer “a desconstrução de preconceitos e estereótipos relacionados 
às diferentes atividades profissionais” (PaSQUaLInI; GarBULHo; SCHUt, 2004, p. 74).
a visão do trabalho em si, também, deve ser construída com a criança para que ela compreenda esta 
atividade como algo prazeroso e realizador e não como algo imposto e sacrificante, que desqualifica e 
anula o sujeito sendo desempenhado apenas para garantir a subsistência material do indivíduo. essa 
visão é recorrente principalmente entre as camadas populares da sociedade e é outra representação 
estereotipada que precisa ser desconstruída no imaginário infantil para que a criança se torne um 
adulto que busque prazer e realização em sua atividade profissional, seja ela qual for.
Paralelo a isso, a orientação vocacional com crianças tem também o benefício de preparar o 
indivíduo para lidar de forma positiva com a escolha. ainda consoante Pasqualini, Garbulho e 
Schut (2004, p. 75), “escolher (com maior ou menor autonomia) supõe a oportunidade de viver 
situações no cotidiano que favoreçam a aprendizagem da escolha. ela não acontece de repente, 
descolada da história do indivíduo, como um fato isolado”.
assim sendo, é importante propiciar ao indivíduo oportunidades de escolha diversas ao longo de 
seu desenvolvimento, de maneira que, depois de vivenciar essa situação em diferentes momentos 
da vida, ele desenvolva a habilidade de tomar decisões. Quanto maior for esta socialização do 
sujeito, melhor ele lidará com o momento de escolha profissional.
Quadro 8. Sugestão de atividades.
O lugar onde eu moro
Objetivos: Auxiliar a criança a se identificar no contexto de vida mais próximo e fazer com que ela reflita sobre as 
atividades profissionais com que convive.
Material: Papel, revistas, tesoura, cola, lápis de cor, giz de cera ou hidrocor.
Proposta: Pedir aos alunos que desenhem ou façam uma colagem sobre o local onde moram e as pessoas com quem 
eles convivem neste local como sua família, os vizinhos, o carteiro, o funcionários do mercado.
Desenvolvimento: Durante a elaboração dos desenhos, é importante dar liberdade à criança para desenhar aquelas 
pessoas que para ela sejam importantes em sua redondeza. depois dos trabalhos prontos, o orientador vocacional 
deve pedir à criança para apresentar sua produção, identificando cada uma das pessoas retratadas e as atividades 
desempenhadas por elas.
93
ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
Preocupe-se em enfatizar a importância de cada uma dessas atividades, seja a do médico do posto de saúde ou a 
do varredor de rua, para a vida na comunidade. Assim, pretende-se desconstruir representações estereotipadas ou 
preconceituosas, salientando a interdependência dos indivíduos e a importância das partes para o bom funcionamento 
do todo.
Fonte: Elaboração própria da autora.
Orientação vocacional com os alunos que finalizam o ensino 
fundamental
devido ao fato de a escolha profissional se dar neste período da vida, o adolescente é o cliente 
mais comum da orientação vocacional. no entanto, muitas vezes olhamos com tanta atenção para 
os alunos que estão finalizando o ensino médio e se preparando para ingressar na universidade, 
que acabamos negligenciando outros momentos importantes de escolha com os quais o jovem 
se depara.
o término do ensino Fundamental é uma etapa importante na vida escolar do aluno, pois a 
entrada no ensino médio traz com ela o contato com novas disciplinas, como a química, a física 
e a biologia, que podem ter grande impacto sobre a escolha de carreira do adolescente. nesta 
etapa, apresenta-se também um novo leque de modalidades de estudo e instituições de ensino 
que anteriormente não estavam disponíveis ao sujeito.
Como sinaliza Fabiano Silva (1995), neste período muitos alunos apresentam dúvidas sobre 
ingressar ou não em cursos técnicos. Para alguns, esta seria uma especialização de nível médio 
que lhe garantiria uma atividade profissional; para outros, o curso profissionalizante é visto como 
uma espécie de preparação para a universidade, no qual o indivíduo começa a se familiarizar 
com as questões próprias da área de atuação a que pretende se dedicar.
o mais importante a ser considerado, aqui, é que nos dois casos apresentados já existe uma 
demanda de escolha muito forte, que precisa ser levada em consideração, desmistificando a 
ideia largamente disseminada no senso comum de que a opção profissional só é feita ao final 
do ensino médio.
o orientador vocacional, neste caso, deve estar preparado para:
 » transmitir as informações que esse tipo específico de orientando necessita como os 
tipos de cursos técnicos, as instituições que os oferecem e os possíveis efeitos desta 
modalidade de ensino em um futuro curso superior.
 » Conscientizar os alunos de que a tomada de decisão é um processo que requer reflexão 
e, por isso, deve ser iniciado o quanto antes. mostre a eles que uma decisão tomada 
às pressas ao final do ensino médio tem maiores possibilidades de ser uma decisão 
equivocada.
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
Quadro 9. Sugestão de atividades.
Exercício de tomada de decisão
Objetivos: Promover a reflexão sobre as etapas do processo decisório.
Material: lápis, borracha ou caneta e uma folha impressa com os seguintes itens:
1 Falta absoluta de energia elétrica por seis meses.
2 Falta absoluta de água no planeta durante três meses.
3 greve geral de todos os meios de transporte por um mês.
4 Falta absoluta de frutas e legumes por dois anos.
5 greve total de médicos por seis meses.
6 greve total de policiais e bombeiros por oito meses.
7 Falta absoluta de todo e qualquer anestésico por quatro meses.
8 greve geral da imprensa falada, escrita e televisionada por dez meses.
9 Falta absoluta de petróleo por três anos.
10 Proibição total à prática de qualquer religião por cinco anos.
Proposta: Solicitar ao orientando que escolha, entre as dez catástrofes listadas, as cinco que causariammaiores danos 
à humanidade, ordenando-as em ordem decrescente de gravidade, da mais grave para a menos grave.
marcar aproximadamente dez minutos para que o cliente resolva o problema apresentado. no caso de orientações 
individuais, saia da sala durante os dez minutos. no caso de orientações em grupo, impeça as conversas paralelas e 
mantenha-se distante e inacessível. Depois, justifique-se, dizendo que a tomada de decisão é uma atitude solitária e 
implica toda reflexão possível.
Desenvolvimento: Concluída a produção, questionar os passos seguidos para a tomada de decisão. Por meio de 
perguntas, favorecer para que o sujeito perceba as etapas da realização da atividade. 
Ajudá-lo a refletir que:
1 teve de se confrontar com o problema e equacioná-lo – disposição para a tomada de decisão.
2 necessitou de esclarecimentos e informações sobre o assunto – importância das informações para a elaboração da 
tomada de decisão.
3 Baseou-se em critérios gerais e específicos/ individuais – importância do autoconhecimento.
4 Teve que refletir em busca de soluções alternativas para escalonar suas escolhas – necessidade das informações + 
autoconhecimento.
5 Empenhou-se no encontro da melhor alternativa para a tomada de decisão – realização da escolha. 
Esclarecer que a “tomada de decisão” é, na verdade, uma consequência de todo um processo de elaboração e 
questionar em qual momento o cliente pensa se encontrar: está-lhe faltando informações? Seus critérios são claros? 
Que ajuda acredita necessitar ainda para sua tomada de decisão?
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, p. 121. 
Orientação vocacional com vestibulandos
o Vestibular, exame pelo qual devem passar todos aqueles que estão pleiteando uma vaga no 
ensino superior, é um momento crucial na vida desses alunos. neste período, o indivíduo sente-se 
pressionado não só pela necessidade de escolher uma carreira, mas também por provar seu 
valor sendo aprovado no exame.
Como salientam Geruza d´avila e dulce Soares (2003, p. 114), “[...] os motivos levantados como 
geradores de ansiedade, o medo da reprovação, o excessivo número de matérias para estudar e 
o medo de decepcionar alguém, elevado número de candidatos por vaga são os mais indicados 
pelos vestibulandos”.
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ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA • AulA 6
destarte, podemos dizer que, ao elaborar um projeto de orientação vocacional direcionado aos 
alunos do 3º ano do ensino médio ou do pré-vestibular, é preciso não só utilizar todas as técnicas 
discutidas ao longo deste módulo para auxiliar o aluno a escolher uma opção de carreira, mas, 
também, ficar atento para lidar com a ansiedade característica deste momento da vida.
Para que isso seja feito, é importante frisar ao aluno que a tomada de decisão vocacional não 
é definitiva, podendo ser mudada ou reorientada ao longo da vida. Isso ameniza o fardo que 
muitos jovens vivenciam ao pensar que estão definindo de forma permanente aquilo que serão 
ao longo de toda vida.
Quadro 10. Sugestão de atividades.
Dobradura
Objetivos: A dobradura é uma técnica expressiva. Pode ser usada como objeto intermediário que facilite ao cliente 
verbalizar necessidades, receios, conclusões. É mais apropriado que seja usado em uma fase de conclusão do trabalho 
de Orientação vocacional.
Material: Folhas de papel de tamanhos, tipos e texturas diferentes (pelo menos cinco folhas), tesoura e cola.
Proposta: Espalhar as folhas sobre a mesa de forma que o cliente possa ver pelo menos uma parte de cada uma 
delas. dizer: “você vai escolher um desses PAPÉIS (enfatizar essa palavra) e fazer com ele um objeto, uma dobradura 
ou montagem qualquer. Esse objeto deverá representar o que foi para você este trabalho ou o que você está sentindo 
neste momento final do processo de OV ou a que conclusão você chegou a partir dele”.
Desenvolvimento: terminada a produção, o orientador solicitará ao cliente que explique o que ele executou. Perguntas 
podem ser feitas para facilitar a verbalização e as conclusões. É importante que seja investigada a questão da escolha 
de papel e o sentido do objeto confeccionado, relacionando-os à escolha do curso/profissão (a questão da escolha do 
papel profissional, motivos, objetivos, expectativas). 
O orientador deve facilitar a reflexão por meio do questionamento com perguntas tais como:
- Por que você escolheu este “papel”?
- Quando o escolheu, sabia o que iria fazer com ele?
- Sabe o que está escolhendo em relação à sua vida profissional, qual será o seu papel profissional, o que vai 
desempenhar?
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, p. 125. 
Quadro 11.
Folha de finalização
Objetivos: Verificar se o orientando concluiu o processo fazendo a sua escolha profissional. Caso não tenha sido feita 
uma escolha profissional, verificar os motivos e os possíveis encaminhamentos. Por esta atividade, deve-se também 
avaliar a condução do atendimento e os efeitos do processo no orientando.
Material: Folha impressa com o seguinte enunciado e questões:
Estamos chegando ao final de nosso trabalho de Orientação Vocacional, reflita sobre as questões a seguir e responda-
as por escrito. Caso o espaço não seja suficiente, complete as respostas no verso da folha ou em uma folha anexa.
1 Você já se decidiu sobre qual curso/profissão seguirá?
2 Em caso negativo, o que você acha que lhe falta para decidir-se?
3 Em que consistia, ou consiste, sua dúvida quando da escolha profissional e por que era difícil para você decidir-se?
4 Se você ainda não concluiu sua escolha, tente descobrir o que lhe falta para decidir. Pense se sua dificuldade é por:
- Questões pessoais;
- Problemas que a orientação vocacional suscitou;
- Outros motivos (Quais?).
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
Proposta: Solicite ao orientando que leia atentamente cada questão, respondendo-as em seguida. 
Desenvolvimento: Solicitar ao orientando que comente as suas respostas e avaliar, com ele, a sua escolha profissional. 
Caso a escolha profissional não tenha sido concluída, avaliar os possíveis motivos para isso e o encaminhamento do 
aluno a um profissional de psicologia caso seja necessário.
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, p. 124. 
Orientação vocacional com adultos
retomando o que discutimos ao tratar da orientação vocacional de vestibulandos, é importante 
termos em mente que a escolha profissional não é definitiva. ela pode ser repensada e reorientada 
ao longo de sua vida para melhor se adequar aos desejos, aptidões e expectativas próprios daquele 
momento específico.
durante muito tempo, a reorientação de carreiras foi vista pela sociedade como uma demonstração 
de instabilidade e inconstância daquele que decidia seguir um novo rumo. no entanto, estamos 
nos deparando cada vez mais com uma realidade em que a mudança de rumo profissional é vista 
como um aspecto positivo do currículo do indivíduo que, através desta iniciativa, demonstra não 
só flexibilidade como a vontade de ampliar suas experiências. Como salienta mariza Lima (2007):
entre outras características, criatividade, flexibilidade, adaptabilidade, 
diversificação de experiências, competência e talento são valores importantes 
no mundo do trabalho nos dias atuais. tais exigências vêm plenamente ao 
encontro da pessoa que procura redirecionar sua vida profissional e constituem-
se como encorajadoras à atitude da busca pela reorientação profissional (LIma, 
2007, p. 100).
o orientador vocacional que atua na escola se depara com esta situação de reopção vocacional 
ao lidar com os alunos do supletivo que, depois de um percurso de vida determinado, decidem 
retomar seus estudos para reorientar suas vidas.
ao lidar com esses casos, o orientador vocacional deve considerar que, na maior parte das vezes, 
esses adultos são desempregados, subempregados, ocupacionalmente instáveis ou insatisfeitos 
com a atividade profissional que desempenham. Sendo assim, o processo de orientação vocacional 
deve seguir os procedimentos usuais tendo como preocupaçãoadicional identificar as causas 
que o levaram a esta situação profissional instável. de acordo com Fernando mello (2002, p. 
147), o orientador vocacional nestes casos deve sempre se perguntar se esta nova escolha “se 
deve apenas a condições adversas de mercados de trabalho ou se deve também a uma opção 
ocupacional inadequada”.
Quadro 12. Sugestão de atividades.
Satisfação no trabalho
Objetivos: levantar a questão da satisfação e da motivação no trabalho e relacionar esses conceitos com os aspectos 
sociais, culturais e pessoais.
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Material: lápis e borracha ou caneta e folhas impressas com as seguintes questões:
1 Quem você gostaria de ser se não fosse quem é? Por quê?
2 Que pessoa (personagem) da Antiguidade você gostaria de ser? Por quê?
3 Que pessoa do sexo oposto você gostaria de ser? Por quê?
4 Que tipo de pessoa você gostaria de ser dentro de dez anos? Por quê?
5 Quem você não gostaria de ser se não fosse quem você é? Por quê?
Proposta: Solicitar aos alunos que busquem em revistas imagens de profissionais. Em uma folha de papel dividida 
ao meio, pedir a eles que colem do lado direito os profissionais que parecem satisfeitos com o trabalho e do lado 
esquerdo os que não estão.
Desenvolvimento: Pedir ao aluno que explique, pormenorizadamente, a escolha de cada uma das figuras e a inclusão 
dela em um ou outro lado da folha. na exploração da técnica, o orientador deve atentar para os detalhes mencionados 
a seguir:
1 Que fatores levaram o aluno a escolher a imagem como a de um profissional?
2 Que aspectos fizeram com que ele identificasse esta imagem como a de alguém satisfeito ou insatisfeito com a sua 
profissão?
3 Essas respostas estão, de alguma forma, conectadas com a atual situação profissional do aluno?
4 Essas respostas refletem as expectativas dele com relação ao futuro profissional?
5 Tendo discutido tais questões, reflita junto com os alunos o que pode ou deve ser feito para que as pessoas alocadas 
no lado dos insatisfeitos possam migrar para o dos satisfeitos.
Fonte: Elaboração própria da autora.
Orientação com pessoas com algum tipo de deficiência
na sociedade em que vivemos, as pessoas com algum tipo de deficiência são comumente vistas 
como incapazes, que devem viver condenadas a depender da boa vontade e da produtividade 
das pessoas “normais”.
no entanto, esta é uma visão preconceituosa e equivocada, que não considera toda a contribuição 
que pode ser dada por estes indivíduos à sociedade, bem como a necessidade que possuem de 
fazer parte ativamente do mundo que os cerca de forma útil e digna.
Certamente, a orientação vocacional dos portadores de necessidades especiais tem como base 
um leque reduzido de opções, em virtude de suas limitações específicas, sejam elas auditivas, 
visuais, físicas, neurológicas ou intelectuais. o importante, no entanto, é estar consciente e 
conscientizar o próprio orientando de que, apesar de ser limitado para algumas atividades, ele 
é plenamente capaz de desempenhar uma série de outras.
ao conduzir um projeto de orientação vocacional com essas características, mello (2002) afirma 
que o orientador deve ter as seguintes preocupações:
 » Utilizar os procedimentos habituais da orientação vocacional para identificar aquelas 
atividades que se adaptam a interesses, aptidões e inteligência do orientando. neste 
estágio, é fundamental que se leve em consideração aquelas atividades que se tornam 
inviáveis devido a sua limitação ou deficiência.
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
 » definir de que forma o indivíduo pode se preparar educacionalmente para desempenhar 
a atividade profissional escolhida.
 » Pesquisar as instituições e empresas que admitam estes indivíduos em seus recrutamentos 
e processos seletivos. 
Como em qualquer outro caso de orientação vocacional, o foco é fornecer ao indivíduo todas as 
informações de que necessita para encontrar a atividade ideal para ele.
no entanto, em algumas circunstâncias, deparamo-nos com aqueles indivíduos portadores de 
deficiências físicas ou mentais mais severas e restritivas, que tornam inviável uma vida de trabalho 
formal, contínuo e em horário integral. nessas situações, como defende Fernando mello (2002), 
cabe ao orientador identificar atividades ocupacionais não profissionais, mas que associem os 
interesses e as capacidades do orientando em prol de seu bem-estar e realização. nas palavras 
do autor, “o importante será que essa pessoa sinta satisfação no que faz, assegure ou restaure seu 
sentimento de dignidade e utilidade, supere qualquer tendência ao vazio existencial, ao tédio, 
a não encontrar sentido na sua vida (meLLo, 2002, p. 148).
Quadro 13. Sugestão de atividades.
Técnica do Gosto e Faço (Adaptado de lima, 2007, p. 111)
Objetivos: Fazer um levantamento das atividades que a pessoa gosta de executar, se as executa ou não, por quê; 
discutir os sentimentos relacionados a essas atividades e os vínculos estabelecidos com elas; estender a reflexão que 
está sendo feita pelo sujeito e os fatores que estão sendo considerados para a escolha da atividade profissional.
Material: lápis e borracha ou caneta; folha de papel A4 ou ofício dividida em quatro partes iguais, no topo das quais o aluno 
escreverá “gosto e faço”, “gosto e não faço”, “não gosto e faço” e “não gosto e não faço”, como indicado no modelo abaixo:
Gosto e faço Gosto e não faço
Não gosto e faço Não gosto e não faço
Proposta: Solicitar que o orientando preencha os quadrantes com as atividades que realiza em seu dia a dia, 
procurando lembrar-se do maior número possível delas. vale salientar que geralmente a pessoa lista atividades da 
vida diária e não apenas aquelas que podem ter conexão com atividades profissionais.
OBS.: Esta tarefa pode ser realizada em casa e trazida pronta para a discussão durante a sessão.
Desenvolvimento: Ouvir a exposição feita pelo aluno, auxiliando-o a perceber em qual dos quadrantes se concentra 
um maior número de atividades. Quanto mais atividades nos quadrantes “gosto e faço” e “não gosto e não faço”, 
tanto melhor. Enfatize o quanto isso pode estar tornando a pessoa feliz, por estar fazendo aquilo de que gosta em 
detrimento daquilo que não gosta. 
Caso o maior número de atividades esteja nos outros dois quadrantes, ajude seu orientando a refletir sobre como pode 
fazer para mudar a situação. É possível mudar as atividades de quadrante e passar a fazer o que gosta ou deixar de 
fazer o que não gosta? 
Favoreça para que a pessoa pense o que isso pode estar significando em sua vida e o ajude a refletir sobre o que a 
atividade profissional que está selecionando para si envolverá em termos de tarefas e atividades a serem desenvolvidas. 
Este é um bom momento para verificar os conhecimentos do orientando sobre informações profissional/ ocupacional.
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, p. 111. 
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Orientação vocacional em camadas populares
as emoções são a matéria-prima para os projetos de vida juntamente com uma combinação 
única de fatores sociológicos, psicológicos e históricos que agem sobre a biografia pessoal do 
indivíduo tornando-a única e impossível de ser repetida. dessa forma, o projeto individual passa 
a ser uma forma consciente e emocional de atribuir sentido a uma experiência de vida que é 
fragmentadora, permitindo que o sujeito a vivencie como algo coerente e único.
Contudo, mesmo que os projetos sejam vivenciados pelos indivíduos como algo profundamente 
pessoal, é preciso ter em mente que eles são elaborados dentro de um campo de possibilidades 
que é definido pelo contexto social e histórico no qual está inserido. Como exemplifica Gilberto 
Velho (2004):
Posso me inspirar em algum varão de Plutarco, mas tenho de levar basicamente 
em conta os meus contemporâneos com quem terei de lidar para procurar atingir 
meus objetivos. Serão aliados, inimigos ou indiferentes, mas serão seus projetos 
e condutas que darão os limitesdos meus. Uns serão mais importantes do que 
outros, mais relevantes e significativos. Por mais esotérico e particular que seja, 
um projeto tem de se basear em um nível de racionalidade cotidiana em que 
expectativas mínimas sejam cumpridas (VeLHo, 2004, p. 28).
essa questão da adequação dos projetos ao contexto de racionalidade histórico e sociocultural no 
qual eles estão inseridos possui implicações bastante significativas, pois é preciso considerar que 
os projetos individuais são reconhecidos como legítimos ou “naturais” de acordo com o contexto 
em que está inserido e em cada segmento de uma sociedade complexa, os temas valorizados, as 
escalas de valores, as vivências e as preocupações não são necessariamente as mesmas.
É preciso ter em mente que, à medida que os valores e as expectativas dos indivíduos de classes 
diferentes são distintos, as motivações que norteiam a elaboração de um projeto individual e, 
consequentemente, a escolha profissional, também são distintas. Como argumenta Gilberto 
Velho (2004, p. 22) a esse respeito, “Para uma família que vive em situação de penúria pode ser 
relativamente pouco importante a reprovação do filho na escola comparada com sua necessidade 
de dispor de mão de obra para atender às necessidades mais elementares de sobrevivência”. 
não está sendo defendido um “fatalismo sociológico” pelo qual, uma vez que o indivíduo 
nasce em uma classe social determinada, seu desenvolvimento intelectual e emocional estaria 
definido e marcado de uma vez por todas. Contudo, devemos apresentar todas as opções de 
carreira ao aluno sem ignorar a influência representativa da questão de classe na escolha 
profissional do indivíduo.
a partir dessa reflexão, podemos dizer que, ao iniciar um projeto de orientação vocacional com 
camadas populares, o orientador vocacional deve ter atenção às seguintes questões, que podem 
parecer ambíguas, mas são fundamentais para este tipo de atuação:
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AulA 6 • ORIEntAçãO vOCACIOnAl nA PRátICA
 » desmistificar a ideia disseminada pelo senso comum de que a universidade é destinada 
apenas às elites e incluir o curso superior ao leque de opções do aluno.
 » não ater o projeto de orientação vocacional à escolha de um curso universitário, pois 
essa não é a única maneira de ingresso no mercado de trabalho.
nos dois casos, a informação será o principal veículo para instrumentalizar o aluno para a escolha. 
Por isso, o orientador vocacional deve se manter a par dos programas de auxílio universitário, 
bem como dos programas de formação técnica e profissionalizante que estejam à disposição 
do aluno.
Quadro 14. Sugestão de atividades.
Exercício de Introspecção
Objetivos: Promover a introspecção, levando o indivíduo a pensar sobre as atividades que executa, as que desejaria 
executar e sobre o que lhe falta para que isso aconteça. Com isso, pretende-se favorecer a elaboração de um plano de 
ação para o alcance de objetivos.
Material: lápis e borracha ou caneta e folhas impressas com as seguintes questões:
1 O que eu faço bem?
2 O que eu gostaria de fazer melhor?
3 do que eu não gosto, mas tenho que fazer em minha situação atual?
4 Que aspiração ainda não transformei em ação?
5 O que me falta para transformá-la em realidade?
6 O que depende de mim e o que não depende de mim para que isso ocorra?
A folha deve ser dobrada de tal forma (sanfonada) que o sujeito só veja uma questão de cada vez, partindo da primeira 
à última, o que favorecerá uma reflexão organizada.
Proposta: Solicitar ao cliente que leia atentamente todas as questões, respondendo-as a seguir.
Desenvolvimento: terminado o registro das respostas, o orientador deverá lê-las silenciosamente. A seguir, pedirá ao 
orientando que comente cada resposta com detalhes, solicitando que, se possível, amplie suas colocações. Enfatizar os 
aspectos positivos apontados, procurando ajudar o cliente a buscar soluções para suas dificuldades e limitações.
Fonte: Elaboração da autora com dados de lImA, 2007, p. 113. 
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