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Mecânica dos solos – Aula 13 Resistência dos solos argilosos William Fedrigo william.fedrigo@ufrgs.br Princípios básicos 2 Resistência depende primordialmente do atrito entre partículas (φ) (quando não há cimentação natural/coesão real) Influência da permeabilidade: resistência drenada × não drenada Exemplo: tempo para construção de um aterro sobre solo mole P P Carregamento lento Carregamento rápido Princípios básicos 3 Influência do índice de vazios inicial: areias × argilas e tende para mesma reta virgeme pouco reduz com σ3 Princípios básicos 4 Influência da Razão de Sobre-Adensamento: normalmente × sobre Solo sobre-adensado (RSA = 6) Solo sobre-adensado (RSA = 1,5) Tensão de pré-adensamento (σ'vm = 3) Solos normalmente adensados (RSA = 1) Resistência em termos de tensões efetivas 5 Ensaio drenado tipo CD: Argila NA ≈ Areia fofa CD: tempo de ensaio muito maior para argilas! 15% a 20% Resistência em termos de tensões efetivas 6 Ensaio drenado tipo CD: Argila SA ≈ Areia compacta Mais perceptível para as argilas fortemente SA! Resistência em termos de tensões efetivas 7 Ensaio drenado tipo CD: Gráfico normalizado, (σ1 – σ3)/σ3 Poderia ser identificada uma RSA crítica: εv = 0 na ruptura Dilatação para RSA maiores que 4 Quanto maior RSA, menor redução de volume Quanto maior RSA, maior σ e menor ε axiais Maior σd com maior σ3 (proporcionalidade) Resistência em termos de tensões efetivas 8 Ensaio drenado tipo CD: Envoltória de ruptura Envoltória curva até σ'vm e retilínea (passando pela origem) acima desta σ3 = 8σ3 = 4σ3 = 2σ3 = 0,5 Resistência em termos de tensões efetivas 9 Ensaio drenado tipo CD: Envoltória de ruptura Principal diferença para com as areias (além da magnitude de σ e ε)! σ'vm (argilas sempre terão!) Intercepto de coesão efetiva: não tem significado físico! Argila SA: 𝛕 = 𝐜′ + 𝛔′. 𝐭𝐠𝛗′ > c' e < φ' Argila NA: 𝛕 = 𝛔′. 𝐭𝐠𝛗′ < c' e > φ' Resistência em termos de tensões efetivas 10 Valores típicos para parâmetros de resistência drenada φ' é menor quanto mais argiloso o solo e c' aumenta com σ'vm IP φ' c' 10 30° a 48° 5 kPa a 50 kPa 20 26° a 34° 40 20° a 29° 60 18° a 25° Resistência em termos de tensões totais 11 Ensaio não drenado tipo CU: Argila NA Para casos reais no quais seja difícil determinar as pressões neutras! Sem drenagem (sem variação de volume): pressão neutra (> Δσ1: > u) Resistência em termos de tensões totais 12 CD × CU: Argila NA u reduz σ3, que reduz a resistência da argila Resistência em termos de tensões totais 13 Ensaio não drenado tipo CU: Argila SA Dilatação: entrada de água em CD = sucção em CU RSA < 4: tendência de compressão, u positiva RSA > 4: tendência de dilatação, u negativa Resistência em termos de tensões totais 14 CD × CU: Argila fortemente SA (RSA > 4) u negativa aumenta σ3, que aumenta a resistência da argila u positiva no início: menor σd Resistência em termos de tensões totais 15 Ensaio não drenado tipo CU: Gráfico normalizado, (σ1 – σ3)/σ3 σd e u aumentam com σ3 (proporcionalmente) RSA < 4: u positiva menor que NA Quanto maior RSA, maior σ e menor ε axiais Resistência em termos de tensões totais 16 Ensaio não drenado tipo CU: Envoltória de ruptura Tensões totais (mas a ruptura é sempre função das efetivas!) φCU σ'vm Argila NAArgila SA Resistência em termos de tensões totais 17 Ensaio não drenado tipo CU: Envoltória de ruptura Tensões efetivas: ensaio CU com medida de pressões neutras u u RSA > 4: u negativa, > σ' (círculos se movem para a direita) Ruptura CD: εv = 0 CU: u = 0 Trajetória de tensões 18 Representar diferentes fases de carregamento sem poluir o gráfico p é a média e q a semi-diferença das tensões principais 𝐩 = 𝛔𝟏 + 𝛔𝟑 𝟐 𝐪 = 𝛔𝟏 − 𝛔𝟑 𝟐 Trajetória de tensões 19 Diversos carregamentos podem ser representados σ3 decrescente e σ1 crescente com valores iguais σ3 e σ1 variáveis com razões diversas σ3 constante e σ1 crescente σ3 e σ1 crescente com razão constante σ3 decrescente e σ1 constante Trajetória de tensões 20 Possível determinar a envoltória de ruptura a partir da trajetória Correlaciona-se geometricamente com a envoltória dos círculos de Mohr 𝐬𝐞𝐧𝛗 = 𝐭𝐠𝛃 𝐜 𝐝 = 𝐭𝐠𝛗 𝐭𝐠𝛃 𝐜 = 𝐝 𝐜𝐨𝐬𝛗 Trajetória de tensões 21 Expressões úteis para determinar a envoltória de diversos ensaios Envoltória média mais aproximada: linha de tendência Trajetória de tensões 22 Muito usadas para solicitação não drenada: σ' mostram evolução de u Representa-se apenas p' u Trajetória de tensões 23 CD × CU (a partir dos resultados de ensaio CU) RSA = 1RSA de 1 a 4RSA > 4 u menor que para solo SA grandes valores de u positiva u negativa Exercício 24 14.1. Uma argila saturada, não estruturada, apresenta uma tensão de pré- adensamento, em compressão isotrópica, de 100 kPa, correspondente a um índice de vazios de 2,0. Seu índice de compressão é igual a 1,0 e seu índice de recompressão é igual a 0,1. Num ensaio CD convencional, com confinante igual a 100 kPa, essa argila apresentou tensão desviadora na ruptura igual a 180 kPa e variação de volume de 9%. (a) Qual é a envoltória de resistência dessa argila para tensões acima da tensão de pré-adensamento? (b) Outro ensaio CD foi realizado com a mesma argila, com confinante igual a 200 kPa. Pergunta-se: (1) qual a tensão desviadora na ruptura? (2) qual o índice de vazios do corpo de prova após a aplicação da pressão confinante? e (3) qual o índice de vazios na ruptura?