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DIREITO EMPRESARIAL I MONITORES 2017.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO COMERCIAL/EMPRESARIAL 1. Fazer Comércio - Fazer comércio é permutar produtos e valores (commutatio mercium), comércio in natura. Obs. 1: escambo é como se chamava a relação “comercial” entre portugueses e índios. Obs. 2: Surgimento de casas comerciais: casa de cânhamo (tipo de tecido na época do renascimento comercial); casa da banha, casa do linho, shopping centers, etc. FONTES DO DIREITO COMERCIAL/EMPRESARIAL 1. Fontes Históricas 1.1.Antiguidade Código de Hamurabi - Séc. XX a.C. Hamurabi era o rei da Babilônia e seu código é a mais antiga coleção de leis sobre a atividade mercantil. O código trata de várias atividades, mas principalmente do transporte marítimo (pelo qual flui o comércio). Código de Manu - Séc. XII a.C. Também apresenta leis marítimas. Fenícios - Leis baseadas em costumes (direito consuetudinário), dominavam todo o comércio do mar Mediterrâneo. Romanos - Deixaram por escrito o que os fenícios tiveram como prática costumeira, deixando como legado importantes leis mercantis, dentre elas a Lex Rhodia de Jactu. O PRÉ- HISTÓRIA HISTÓRIA Moderna Neolítico Idade dos metais Antiga Medieval Paleolítico Contemporânea Escrita ± 4.000 a.C. Atividade comercial nas civilizações antigas sofreu retração pela invasão dos povos bárbaros. ± 476 queda do Império Romano. Feudalismo. XI Renascimento Comercial. 1760 Revolução Industrial. 1789 Revolução Francesa comércio era conferido a estrangeiros e fiscalizado pelos praetor peregrinus, os quais eram nomeados pelos senadores. Obs.: Gregos - A situação geográfica da Grécia propiciava grandes navegações, as leis eram baseadas principalmente em usos e costumes, dentre elas a Nauticum Foenus, a qual determinava que se houvesse prejuízo, todos perderiam. 1.2.Idade Média 1.2.1. Alta Idade Média - Séc. VI-IX. O feudalismo chega ao seu ápice. Neste período só havia atividade agrícola e não comercial (retração do comércio). 1.2.2. Baixa Idade Média - Séc. IX-XIV. Época do declínio do feudalismo. Surge o renascimento comercial em locais como Gênova, Veneza, Milão, Turim e Feiras de Champagne (França). Nessas cidades, os burgos e seu comércio passam a entrar em ascensão. 1.3.Idade Moderna - Séc. XV (1453) – XVIII (1789). - As corporações de mercadores consistiam em uma das principais origens do direito comercial, elas eram uma organização de comerciantes, sendo chefiadas por um ou mais indivíduos chamados de cônsules. Ao tomar posse, o cônsul respeitava os costumes da corporação. Aqueles que não fossem filiados a corporações não poderiam desenvolver atividade comercial. Cada uma das corporações possuía as suas próprias leis e a sua própria jurisdição. Idade Moderna é marcada pela ausência do Estado e, por conta disso, cada corporação tinha sua própria jurisdição. - Surgem novas potências mundiais através das grandes navegações, como Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra. Com o declínio das Repúblicas italianas, a Itália perde a hegemonia econômica que até então dominava (1543), no entanto, a Itália não perde a hegemonia de legislar, sendo muito importante para a contribuição ao direito comercial, principalmente devido às grandes obras Tractatus de Mercatura seo Mercatore(Tratado sobre Mercadoria e seus Mercadores) (Veneza, 1553) de Benevenuto Stracta, obra inteiramente dedicada ao direito mercantil, sendo esta obra considerada a origem da autonomia científica do direito comercial, além da obra Tractatus de Commerciis et Cambio(Tratado sobre Comércio e o Câmbio) do jurista italiano Segismundu Scaccia, procurando legislar sobre o direito comerciárioA Inglaterra também começou a legislar, criou uma legislação chamada Navigation Act, por Cromwell, em 1651, na Inglaterra. A França também começou a legislar, principalmente através das chamadas ordenações, como a Ordonnance Sur le Commerce de Mer, a qual dispunha sobre o direito marítimo e se preocupava não só com o setor privado, mas também o administrativo. 1.4.Idade Contemporânea - Revolução Francesa (1789) Napoleão Bonaparte surge como direito civil, o direito comercial francês (1807), havendo a abolição das corporações de mercadores. - Código Comercial Espanhol (1829). Patrícios (aristocracia agrária, donos das terras) senadores praetor peregrinus Plebeus funcionários Comerciantes (estrangeiros) Escravos por dívida ou por conquista - Código Comercial Português (1833). - Código Comercial Brasileiro (1850) tinha 03 partes: 1ª) Sociedades, sendo revogada pelo CC de 2002; 2ª) Direito Marítimo; 3ª) Quebras (Falências), sendo revogada pela Lei 11.101/2005. - Código Comercial Alemão (1861). - Código Comercial Italiano (1865). 2. Fontes Materiais - Seriam as fontes legislativas. Os órgãos legitimados a criar leis. 2.1. Poder Legislativo - Municipal, Estadual, Federal. 2.2. Poder Executivo - Decretos, Instrução normativa, Resoluções. 2.3. O Povo - Iniciativa Popular. 3. Fontes Formais 3.1.Primárias - Constituição Federal, Código Comercial (1850) – parte II (direito marítimo), Código Civil (2002) – parte II (direito da empresa), demais leis (leis comerciais em geral, esparsas, extravagantes). 3.2.Secundárias - Analogia, usos e costumes. CONCEITO DE COMERCIANTE/EMPRESÁRIO 1. A Origem da Palavra Comerciante - Promulgação do Code de Commerce de Napoleão (1807). - Comerciantes eram aqueles que exerciam “atos de comércio”, fazendo disso sua profissão habitual. - Na França os “atos de comércio” são mais importantes por conta da dificuldade de jurisdição (jurisdição administrativa – gerida pelos Tribunais de Comércio / Jurisdição de Direito). 2. Conceito de Comerciante 2.1. Sistema Francês - Comerciantes são os praticantes dos “atos de comércio” e dele o fazem sua profissão habitual. 2.2. Sistema Espanhol - Código de 1828. - “São comerciantes os que, tendo capacidade legal para exercer o comércio, tenham-se inscritos, isto é, tenham matrículas de comerciantes, e se dedicam a ele de forma habitual e ordinária”. Obs.: temos entendimento parecido no CC brasileiro atual, com os artigos art. 967, CC (“É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”) e art. 982, CC (“Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa”). 2.3. Sistema Alemão - Código de 1897. - “Comerciante é aquele que exerce uma atividade comercial, tais como aquisição e a venda...”. - Nesse sistema temos 3 categorias de comerciantes: Musskaufleute (comerciantes de acordo com a lei) - A lei é taxativa acerca das atividades que tornam um indivíduo comerciante. Solekaufleute (comerciantes por inscrição ou matrícula) - Comerciantes inscritos no Registro do Comércio. Obs.: no Brasil seriam os “despachantes aduaneiros”, “intérpretes”, “leiloeiros”, ou os auxiliares ou colaboradores do comerciante, do empresário. Kannkaufleute (comerciantes facultativos ou por opção) - Podem adquirir a qualidade de comerciantes. Ex.: agricultor, pecuarista, e o silvicultor. Obs. 1: o Brasil adotou essa teoria no art.971, CC/02 (“O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no RegistroPúblico de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro”). Obs. 2: a inscrição do empresário está abordada no art. 968, CC/02. 2.4. Sistema Italiano - Código Civil 1942. - Substitui-se a figura do comerciante pela figura do Empresário, o qual é aquele que exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada, destinada à produção ou troca de bens ou serviços. 2.5. Sistema Brasileiro - Código Comercial de 1850. - Tinha 03 partes (do comércio em geral, do comércio marítimo, das quebras), a única parte que não foi revogada foi a parte II, do comércio marítimo. - Seguiu o sistema francês, pois exige: Exercício profissional do comércio; Matrícula, atribuindo ao comerciante proteção legal. - Embora não tenha definido comerciante, estabeleceu requisitos para qualificação do comerciante, como: matrícula, capacidade jurídica (maior de idade, agente capaz), ausência de proibição legal, exercício profissional de mercancia. - O Regulamento 737/1850 – complementa o que diz o Código Comercial e esclarece melhor a competência dos Tribunais de Comércio. Houve revogação tácita do regulamento 737, mas as definições de atos de comércio previstas nele ainda são admitidas. Obs. 1: neste regulamento a definição de mercancia está no art. 19, Regulamento 737/1850 – “Considera-se mercancia: § 1º A compra e venda ou troca de efeitos moveis ou semoventes para os vender por grosso ou a retalho, na mesma espécie ou manufaturados, ou para alugar o seu uso. § 2º As operações de cambio, banco e corretagem. § 3° As empresas de fabricas; de com missões; de depósitos; de expedição, consignação e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos. (Vide Decreto nº 1.102, de 1903) § 4.° Os seguros, fretamentos, risco, e quaisquer contratos relativos ao cornmercio maritimo. § 5. ° A armação e expediç1to de navios”. - Os Tribunais de Comércio posteriormente foram substituídos pelas juntas comerciais, as quais ficaram apenas com funções administrativas, e os juízos de Direito ficaram com as funções jurisdicionais. 3. Conceito Moderno de Empresa e Empresário - Existe uma grande dificuldade da doutrina em definir o que é empresa, o CC/02 define empresário, mas não defini empresa, tendo os estudos, em sua maioria, partido da definição de empresário para chegar à definição de empresa. - Exemplos de referências legais às empresas no Brasil: Art. 19, Regulamento 737, 1850(ao enumerar os “atos de comércio,incluiu as empresas)– “Considera-se mercancia: § 1º A compra e venda ou troca de effeitos moveis ou semoventes para os vender por grosso ou a retalho, na mesma especie ou manufacturados, ou para alugar o seu uso. § 2º As operações de cambio, banco e corretagem. § 3° As emprezas de fabricas; de com missões ; de depositos ; de expedição, consignação e transporte de mercadorias; de espectaculospublicos. (Vide Decreto nº 1.102, de 1903) § 4.° Os seguros, fretamentos, risco, e quaesquer contratos relativos ao cornmercio maritimo. § 5. ° A armação e expediç1to de navios”. Art. 6º, Lei 4.137/1962 (coíbe o abuso de poder econômico) – “Considera-se emprêsatôda organização de natureza civil ou mercantil destinada à, exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer atividade com fins lucrativos. Parágrafo único. As pessoas físicas, os diretores e gerentes das pessoas jurídicas que possuam emprêsas serão civil e criminalmente responsáveis pelos abusos do poder econômico, por elas praticados”. Lei 8.934/1994. Art. 967, CC/02 – “É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”. Art. 998, CC/02 – “Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede. § 1o O pedido de inscrição será acompanhado do instrumento autenticado do contrato, e, se algum sócio nele houver sido representado por procurador, o da respectiva procuração, bem como, se for o caso, da prova de autorização da autoridade competente. § 2o Com todas as indicações enumeradas no artigo antecedente, será a inscrição tomada por termo no livro de registro próprio, e obedecerá a número de ordem contínua para todas as sociedades inscritas”. - O empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para produção ou circulação de bem ou de serviços, excluída a profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística (art. 966, CC/02 – “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”). Sendo assim, existem 02 elementos fundamentais que se destacam para caracterizar a figura do empresário: a iniciativa e o risco (bônus e ônus). - Por empresa deve-se entender uma repetição de atos, uma organização de serviços em que se explore o trabalho alheio, material ou intelectual; a intromissão se dá aqui, entre o “produtor do trabalho” e o “consumidor” do resultado desse trabalho, com o intuito de lucro. Pode-se definir o que é empresa considerando a sua estrutura, sua função no mundo econômico e a atuação do seu elemento principal, no caso, o empresário. Obs.: concordata: 02 anos sem pagar dívidas; substituída pela recuperação judicial. A EVOLUÇÃP DA TEORIA DOS “ATOS DE COMÉRCIO” PARA “TEORIA DE EMPRESA” 1. 1ª FASE: Fase Corporativista – Fase das Corporações de Mercadores (Fase Subjetiva) - Esta primeira fase se deu fundamentalmente nas cidades-Estado como: Gênova, Veneza, Florença (Itália), Hamburgo e Hanover. 2. 2ª FASE: Teoria dos “Atos de Comércio” ou Fase Napoleônica (Fase Objetiva) - Esta fase teve como ponta-pé inicial o Code de Commerce de Napoleão (1807), tendo indício com o liberalismo econômico, onde o “ato de comércio” era facultado a todos os cidadãos, desde que praticassem determinados atos previstos em lei. Além disso, foram extintas todas as “corporações de mercadores ou de ofício”, por serem consideradas resquícios de uma sociedade feudal de privilégios. 3. 3ª FASE: Fase Moderna ou Empresarial - Há o direito comercial como direito das empresas, sendo essa concepção uma influência italiana (Codice Civile de 1942). Aqui há o duplo grau de jurisdição. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO COMERCIAL/EMPRESARIAL 1. Características do Direito Empresarial - O direito comercial/empresarial se diferencia dos outros ramos do Direito, sobretudo do direito civil, pelas características que lhe são próprias. 1.1. Cosmopolitismo - No sentindo do universalismo, as práticas comerciais são comuns, os comerciantes constituem um só povo e o comércio desconhece fronteiras. 1.2. Onerosidade - Não concebe atividade comercial gratuita, a onerosidade é presumida e é regra. 1.3. Individualismo - O lucro está diretamente vinculado ao interesse individual. 1.4. Fragmentarismo - É formado por um complexo de normas fragmentárias e que muitas vezes deixa lacunas. 1.5. Celeridade - As contratações são rápidas, céleres, com muito dinamismo. 1.6. Informalismo - Devido à rapidez da contratação, o formalismo foi suprimido, os meios de prova são mais simples e mais numerosos que no direito civil, deve prevalecer a “boa-fé” nos contratos comerciais/empresariais. 1.7. Boa-fé - A boa-fé deve sempre ser preservada. fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefevRealce fefev Realce fefev Realce AUTONOMIA CIENTÍFICA DO DIREITO COMERCIAL E A DICOTOMIA NO DIREITO PRIVADO 1. Início da Autonomia do Direito Comercial 1º) Tractatus de Mercatura seo Mercatore (Tratado sobre Mercadoria e seus Mercadores) - Veneza, 1553, de Benevenuto Stracta, obra inteiramente dedicada ao direito mercantil da época, foi tão importante que deu/conferiu autonomia científica ao direito comercial. 2º) Tractatus de Commerciiset Cambio(Tratado sobre Comércio e o Câmbio) - Gênova, 1618, do jurista italiano Segismundu Scaccia, obra dedicada ao direito cambiário. 3º) Navigation Act - Inglaterra, 1651, por Cromwell. 4º) Ordonnance Sur le Commerce de Mer(Ordenações Francesas) - França, 1673 e 1681. 2. 1ª Grande Polêmica - César Vivante foi um dos maiores comercialistas dos tempos modernos e professor da Universidade de Roma, mas escandalizou o mundo jurídico da Europa quando, no fim do séc. XIX, ao proferir uma palestra na universidade de Bolonha (Itália), onde condenou a autonomia científica do direito comercial. 3. A Defecção e Retratação de César Vivante 3.1. Argumentos Contrários à Autonomia - Diz que o direito comercial mantém-se mais pela tradição do que por boas razões. Invoca o direito inglês e o americano para demonstrar a possibilidade de regular com a mesma teoria geral todas as relações privadas (argumento contrário à autonomia). - Denuncia os gravíssimos danos que a separação causa, como por exemplo, submeter ao regime do direito comercial pessoas estranhas ao comércio, que, por contratarem com comerciantes, ficam sujeitas às normas que eles próprios instituíram. - A autonomia do direito comercial serial prejudicial para o progresso científico. - Contesta o ideal internacionalista que o direito comercial propicia, dizendo ser impossível a unificação de todo o direito; seria uma ilusão um Código uniforme para diversas nações. 3.2. A Retratação - Algum tempo mais tarde, César Vivante aceitou a incumbência de elaborar o anteprojeto de reforma do Código Comercial Italiano (1942), em contato profundo com a elaboração positiva do direito comercial, teve o espírito altaneiro de se retratar, confessando o erro doutrinário que cometera na aula de Bolonha, revela sua conversão à dicotomia no seu clássico “Trattato”, diz ele alguns motivos, como: a unificação “acarreta um grave prejuízo”, etc. 4. Tentativas de Unificação no Brasil - Houve tentativas em 1859, 1900, 1941, 1949 e em 2002. CAPACIDADE JURÍDICA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL 1. Capacidade para o Exercício da Atividade Empresarial - Art. 972, CC/02 – “Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”. - A capacidade civil decorre da Lei: Art. 5º, caput, CC/02 (“A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil”). Toda pessoa maior de 18 anos, portanto, é plenamente capaz de direitos e obrigações, isto é, pode reger a sua própria pessoa e dispor de seus bens. Assim, todo o maior de 18 anos, tem capacidade para o exercício da atividade empresarial. Obs. 1: o menor, entre 16 e 18 anos, em regra, não pode exercer a atividade empresarial, e se para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior (art. 180, CC/02– “O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior”.) Art. 928, CC/02 – “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser eqüitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem”. Art. 932, CC/02 – “São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia”. Art. 934, CC/02 – “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”. Art. 943, CC/02 – “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança”. Enunciados aprovados nº 39, 40 e 41 da Primeira Jornada de Direito Civil– “39 – Art. 928: a impossibilidade de privação do necessário à pessoa, prevista no art. 928, traduz um dever de indenização eqüitativa, informado pelo princípio constitucional da proteção à dignidade da pessoa humana. Como conseqüência, também os pais, tutores e curadores serão beneficiados pelo limite hum anitário do 7 dever de indenizar, de modo que a passagem ao patrimônio do incapaz se dará não quando esgotados todos os recursos do responsável, mas se reduzidos estes ao montante necessário à manutenção de sua dignidade.40 – Art. 928: o incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou excepcionalmente como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que praticarem atos infracionais nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente, no âmbito das medidas sócio-educativas ali previstas.41 – Art. 928: a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo único, inc. I, do novo Código Civil”. Obs. 2: o menor, entre 16 e 18 anos, não pode ser sócio em uma sociedade, somente pode participar de Sociedades LTDA, S.A., Sociedade em Comandita por Ações, desde que tenha integrado totalmente as ações e/ou quotas, excepcionalmente, para continuar uma atividade anteriormente exercida, caso, por exemplo, de sucessão causa mortis, em sucessão hereditária (princípio da preservação da empresa precedida de autorização judicial). Obs. 3: justifica-se a proibição do menor de exercer atividade empresarial ou fazer parte de sociedades com responsabilidades ilimitadas, para não colocar em risco ou evitar a dilapidação do seu patrimônio. 2. Superação da menoridade Pela concessão dos pais, ou de um deles, na falta do outro, mediante instrumento de escritura pública, independentemente de homologação judicial. Vale ressaltar que para isso o filho tem que ter ao menos 16 anos completos. Por sentença judicial, se o menor tiver 16 anos completos, com a devida autorização dos pais, a negativa dos pais não pode ser suprida pelo juiz, visto que o juiz não pode emancipar o menor ex oficio. Pelo casamento, desde que tenha ao menos 16 anos. Pela colação de grau científico em curso superior. Pela preservação da empresa e empregos: função social da empresa e ao físico; o fim da atividade pode ser mais danoso do que a continuação dela, ainda que com um incapaz, nesse caso, a continuidade da atividade será precedida de autorização judicial, que deverá ser averbada na Junta Comercial e o juiz antes de concedê-la analisará o risco da empresa, bem como a conveniência de continuá-la: A autorização é dada em caráter precário,podendo ser revogada a qualquer momento e o menor incapaz será assistido ou representado por uma pessoa capaz, mas estes não adquirirão a condição de empresários. Obs.: caso do menino sergipano. Pelo estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, desde que em função deles, o menor com 16 anos completos tenha economia própria. Pelo exercício de emprego público efetivo, a prova é complexa, pois trata-se de questão de fato e por isso cada caso tem suas características próprias. 3. Menor como sócio de uma sociedade empresarial - Pode o menor ser sócio de uma sociedade empresarial, desde que suas quotas ou ações estejam totalmente integralizadas e eles não participem da Administração da Sociedade. 4. Mulher casada - Felizmente, não há mais a necessidade de outorga uxória (consentimento do cônjuge). 5. Casamento - Observar a repartição. 6. Absolutamente incapazes - Serão representados. 7. Relativamente incapazes - São relativamente incapazes em relação a certos atos ou à maneira de exercê-los. Serão assistidos. Mas se a incapacidade dor superveniente, eles podem exercer com autorização do juiz por meio de auxílio de representantes, os curadores. Obs. índios: art. 231 e 232, CF/88, Lei 6.001/73, Dec. 88.188/83, etc. 8. Proibidos de comerciar ou ser empresários - As proibições que existem são encontradas em diversas leis dispersas, algumas de conteúdo administrativo restritivas de direitos, outras de âmbito penal. Funcionários públicos em geral – Art. 117, X, Lei 8.112/90 – “Ao servidor é proibido: [...] participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário”. - Ao servidor público é proibido participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário. Obs. 1: sociedade personificada é aquele que precisa de registro. Obs. 2: comanditados são aqueles que tinham o conhecimento do comércio e comanditários são aqueles que tinham o dinheiro. Magistrados - Art. 95, parágrafo único, CF/88– “Os juízes gozam das seguintes garantias:Aos juízes é vedado: I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério; II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo; III - dedicar-se à atividade político-partidária; IV receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração”. - Art. 36, I e II, LC nº 35/79 (LOMAN) – “É vedado ao magistrado: I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista; II - exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração”. Ministério Público - Art. 128, § 5º, II, c, CF/88 – “O Ministério Público abrange: [...] § 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: [...] II - as seguintes vedações: [...] c) participar de sociedade comercial, na forma da lei”. Militares da ativa, bem como da aeronáutica Os médicos para o exercício simultâneo da farmácia ou farmacêutico para o exercício simultâneo da medicina EMPRESA EM NOME INDIVIDUAL (EI) 1. Empresa Em Nome Individual (EI) - No caso do Empresário Individual, uma única pessoa física constitui a empresa, cujo nome empresarial deve ser composto pelo nome civil do proprietário, completo ou abreviado, podendo aditar ao nome civil uma atividade do seu negócio ou um apelido. - Um empresário individual atua sem separação jurídica entre os seus bens pessoais e seus negócios, ou seja, não vigora o princípio da separação do patrimônio. Sendo assim, o proprietário responde de forma ilimitada pelas dívidas contraídas no exercício da sua atividade perante os seus credores com todos os bens pessoais que integram o seu patrimônio (casas, automóveis, terrenos etc.) e os do seu cônjuge (se for casado num regime de comunhão de bens). Bem como, o inverso também acontece, visto que o patrimônio integralizado para explorar a atividade comercial também responde pelas fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce dívidas pessoais do empresário e do cônjuge. Logo, a responsabilidade é ilimitada nos dois sentidos - A empresa em nome individual (EI) é a antiga figura do comerciante, hoje, é o empresário individual que exerce atividade organizada (profissional), autônoma, habitual e individualizada, não participando de uma sociedade mercantil (a empresa é do próprio empresário, o empresário exerce a atividade mercantil em nome próprio e assumindo os riscos) Obs.: hoje existem poucas EI, pois houve o surgimento da EIRELI. 1.1. Características 1º) Exerce a atividade de forma: Organizada (Profissional); Autônoma; Habitual; Individual; 2º) Não participando de uma sociedade mercantil (a empresa é do próprio empresário, o empresário exerce a atividade mercantil em nome próprio e assumindo os riscos); 3º) Responde com seus bens de maneira ilimitada, arriscando a totalidade do seu patrimônio no seu empreendimento; 4º) Pode possuir quantos estabelecimentos comerciais quiser ter (filiais); 5º) Número indeterminado de empregados 6º) Não existe limite de capital mínimo ou máximo para iniciar a atividade mercantil. MICROEMPREENDEDOR EM NOME INDIVIDUAL (MEI) 1. Microempreendedor em Nome Individual (MEI) - O microempreendedor em nome individual (MEI) é a empresa que tiver um faturamento anual de até 60 mil reais. Outras características são: 1º) Pode ter somente 01 estabelecimento (01 MEI); 2º) Pode ter somente 01 funcionário (empresário + 01), 3º) Tem uma quantia fixa de tributos, sendo os impostos de ± 42,00 reais ao mês (INSS + IR); 4º) Está no simples. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (EIRELI) 1. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) - Lei 12.441/2011. - A empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) é a empresa individual de responsabilidade limitada constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário- mínimo vigente no país. - Na EIRELI o empresário não responderá com a totalidade de seu patrimônio pessoal pelas obrigações sociais, mas apenas com aquilo que afetar às atividades empresariais. fefev Realce -Outro aspecto importante é que a Lei 12.441 conferiu personalidade jurídica ao EIRELI (obs.: o empresário individual cuja responsabilidade não é limitada não possui personalidade jurídica). - Sendo assim, as principais características da EIRELI são: 1º) Uma única pessoa titular da totalidade do capital social; 2º) Possui personalidade jurídica; 3º) Capital social (inicial) devidamente integralizado não podendo ser inferior a 100 vezes o salário mínimo (93 mil e 700 reais); Obs.: existe capital social mínimo determinado, mas não existe limite para capital social máximo (capital social máximo indeterminado). 4º) Firma ou denominação + EIRELI; 5º) Responsabilidadelimitada; 6º) Pode resultar da concentração de quotas, independente da razão; 7º) Apenas 01 EIRELI (não pode ter filiais); 8º) Pode possuir número indeterminado de funcionários (não existe limitação). Obs.: Cia LTDA ≠ LTDA (responsabilidade limitada). MICROEMPRESA (ME) E EMPRESA DE PEQUENO PORTE (EPP) 1. Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP) - Art. 3º, I e II, LC 123/06 – “Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016)”. - Em cumprimento à prescrição constitucional (art. 179, CF – “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei”), editou- -se a Lei Complementar n. 123, de 2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte). Esta lei confere garantia para que a ME e a EPP possam competir com as grandes empresas (possuem mais empregados do que as de grande porte).Dessa forma, o Estatuto criou o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, cuja sigla é Simples Nacional, tratando-se de fefev Realce um regime tributário simplificado ao qual podem aderir as microempresas e empresas de pequeno porte. - Microempresa (ME) é aquela que tem faturamento anual de até 360 mil reais (paga menos imposto). - Empresa de pequeno porte (EPP) é aquela que tem faturamento anual maior que 360 mil reais até 04 milhões e 800 mil reais. Obs.: para saber se as demais classificações de empresa são ME ou EPP é preciso analisar o faturamento delas. 1.1. Evolução das ME e EPP - Em 2006: para ser ME deveria haver capital anual de 0,01 até 120 mil reais e para ser EPP deveria haver capital anual de 120 mil e 01 centavo até 01 milhão e 200 mil reais (acima disso já era empresa de grande porte). - Em 2012: para ser ME deveria haver capital anual de 0,01 até 240 mil reais e para ser EPP deveria haver capital anual de 240 mil e 01 centavo até 02 milhões e 400 mil reais. - Em 2013 (até hoje): para ser ME deve haver capital anual 0,01 até 360 mil reais e para ser EPP deve haver capital anual de 360 mil e 01 centavo até 04 milhões e 800 mil reais (acima disso já é considerado empresa de grande porte). NOME EMPRESARIAL 1. Nome Empresarial IMPORTANTE: nome empresarial ≠ nome fantasia: o nome fantasia é facultativo. - O nome empresarial é o nome através do qual os empresários (pessoa jurídica) exercem suas atividades (a pessoa jurídica edifica sua atividade no mundo jurídico). Sendo assim, é um atributo de personalidade da empresa através do qual o empresário se identifica e sob o qual ele exerce os atos referentes à sua atividade mercantil, se obriga e assina seus atos. Do ponto de vista prático-jurídico, nome empresarial é um direito pessoal, protegido pela lei contra atos de concorrência desleal, com vistas ao interesse social e ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. - Para se ter o nome empresarial é necessário levá-lo no RPEM (Registro Público de Empresas Mercantis) (juntas comerciais), para, então, se identificar perante a sociedade/consumidores. Obs.: respectiva sede (rural, cidade ou Estado): art. 971, CC (“O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro”). Obs. 1: na formação do nome empresarial, tanto na firma quando na razão social, deve-se utilizar o nome civil de todos os sócios por extenso ou abreviadamente. Na ausência de 01 ou mais sócios na composição do nome empresarial de sociedade empresarial, deve-se utilizar a expressão “e companhia” ou “e Cia” (ex.: firmas: André Ramos Cursos Jurídicos (EI), André Ramos Cursos Jurídicos LTDA (EIRELI), José da Silva Serviços Informáticos LTDA). Obs. 2: quando o nome vem com a expressão “LTDA” sabe-se qual a responsabilidade de cada um, porque ela é limitada, já quando o nome vem com a expressão “Cia” se trata de fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce uma sociedade em nome coletivo, na qual não se sabe ao certo a responsabilidade de cada sócio (a não ser se for Cia LTDA). IMPORTANTE: o nome social é um atributo (ele nem sempre faz parte do estabelecimento comercial). IMPORTANTE: as LTDA podem usar razão social ou denominação social e as S/A só podem usar denominação social. IMPORTANTE: quando a expressão “Cia” vier no início do nome empresarial se trata se uma S/A e quando a expressão vier sozinha (sem o LTDA) no final do nome empresarial se trata de uma sociedade em nome coletivo. 1.1. Natureza Jurídica - Atributo de personalidade, protegido mediante registro no órgão de registro de empresa (RPEM). 1.2. Princípios -As regras encontradas no Código Civil para a formação do nome empresarial são bastante simples. A Lei n. 8.934/94, fala dos princípios e das características (requisitos) do nome, as quais são novidade (originalidade), liberdade, e também a veracidade), sendo requisitos para a constituição. Na formação do nome empresarial deve-se seguir os princípios seguintes: 1.2.1. Princípio da Veracidade - Nome que identifique os donos/sócios. 1.2.2. Princípio da Novidade (Originalidade) - Nomes diferentes para não induzir o consumidor a erro. 1.2.3. Princípio da Plena Liberdade - Liberdade para escolher o nome que bem entender para seu estabelecimento, desde que não atente à ordem moral. 1.2.4. Princípio Eclético ou Misto - Possibilidade de juntar dois nomes sem ferir o princípio da veracidade. Ex.: Fulano de tal, sucessor de Sicrano. 1.3. Espécies - São espécies de nome empresarial: a firma individual, a firma social (razão social) e a denominação. Distinguem-se em razão da estrutura e destinação. 1.3.1. Firma Individual Obs.: reconhecer firma significa reconhecer em cartório a assinatura da pessoa física. - Utiliza-se firma para empresas em nome individual (firmar compromisso, reconhecer autenticidade). A firma é o nome adotado pelo empresário ou pela empresa individual de responsabilidade limitada no exercício de sua atividade, pelo qual se obriga no mundo empresarial (se identifica no mundo empresarial), sendo composto pelo seu nome civil, completo ou abreviado (ex.: só o prenome), acrescido ou não de designação precisa de sua pessoa, ou do gênero de sua atividade (objeto social; atividade que vai desenvolver; objetoexplorado). ATENÇÃO: no caso de empresa individual de responsabilidade limitada, deverá ser acrescido necessariamente da modalidade empresarial (tipo/espécie societário, no caso, EIRELI). Sendo assim: FIRMA INDIVIDUAL Quem adota? - Empresário (empresa individual). O que é obrigatório? - Nome civil (todo ou parte). fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce O que é facultativo? - Designação precisa da pessoa; - Objeto social (gênero da atividade). Exceção: - EIRELI deve conter a modalidade empresarial (tipo/espécie societário, no caso, EIRELI). Ex.: sem objeto social: João da Silva (EIRELI), José Ramos. Ex.: com o objeto social: João da Silva Cursos Jurídicos (EIRELI), André Ramos Serviços Gerais. 1.3.2. Firma Social/Comercial (Razão Social) Obs.: a razão social pode ser o nome empresarial ou o nome fantasia. - A razão social o nome adotado pela sociedade empresária para o exercício de sua atividade, pelo qual se identifica no mundo empresarial, sendo assim, é o nome composto pela combinação dos nomes civis ou (ou parte deles, no caso, os prenomes) de todos os sócios da sociedade, sem outro acréscimo ou, ainda, na ausência de algum deles (se omitindo o nome de algum dos sócios), a expressão “e companhia” por extenso ou abreviada (“e Cia”), seguida ou não do objeto social. ATENÇÃO: quando se tratar de sociedade limitada e em comandita por ações, exige-se, na sua formação, a adição de expressões indicadoras da espécie societária adotada (modalidade empresarial, no caso, LTDA). Sendo assim: FIRMA SOCIAL (RAZÃO SOCIAL) Quem adota? - Sociedade empresarial. O que é obrigatório? - Nomes civis dos sócios, ou na ausência de algum se usa “e companhia” ou “e Cia”. O que é facultativo? - Objeto social (gênero da atividade). Exceção: - SOCIEDADE LIMITADA E EM COMANDITA POR AÇÕES deve conter a tipo/espécie societário (modalidade empresarial, no caso, LTDA). Ex.: sem o objeto social: João da Silva e Pedro Prates LTDA, J. Silva e Cia, J. Silva e Cia LTDA, Souza e Castro LTDA. Ex.: com o objeto social: João da Silva e Pedro Prates Serviços Informáticos LTDA. Distribuidora Souza e Castro, Distribuidora Souza e Castro LTDA, Distribuidora Souza e Castro e Cia (responsabilidade limitada). 1.3.3. Denominação Social - A denominação social é o nome adotado pela empresa individual de responsabilidade limitada e pela sociedade empresária para o exercício de sua atividade, nome pelo qual se identifica no mundo empresarial, sendo formado por expressão linguística que contenha o objeto social e o tipo societário (ex.: no caso da empresa individual de responsabilidade limitada, a modalidade empresarial, ou seja, a expressão EIRELI). Não se usa os nomes dos sócios, se usa uma expressão qualquer (podendo se igualar ao nome fantasia), indicando tanto quanto possível o ramo de atividade. DENOMINAÇÃO SOCIAL Quem adota? - Empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI); - Sociedade empresarial. fefev Realce fefev Realce fefev Realce O que é obrigatório? - Objeto social; - Tipo/espécie societário (modalidade empresarial); - Não se usa os nomes dos sócios. O que é facultativo? ---------------------------------------------------------------- Exceção: ---------------------------------------------------------------- Ex.: Comer Bem Restaurante LTDA, BB S.A., Distribuidora de Alimentos LTDA, Água na Boca Restaurante LTDA, Drogaria São Paulo LTDA, Comércio e Fabricação de Uniformes (EIRELI), CIA Siderúrgica Nacional, Manjericão Comércio de Alimentos LTDA, Cervejaria Brahma S/A, Fiat Automóveis do Brasil S/A, Banco do Brasil S/A. 1.4. Alteração no Nome Empresarial - O nome empresarial pode ser alterado pela simples vontade do empresário, desde que respeitadas as normas de formação já analisadas. É a hipótese de alteração voluntária do nome empresarial, que depende exclusivamente da vontade do seu titular. Se sociedade empresária, obviamente, a alteração voluntária exigirá a concorrência da vontade de sócios que detenham participação do capital social que lhe assegure o direito de alterar o contrato social. Além desta hipótese, há outras em que a alteração do nome empresarial se opera independentemente da vontade do empresário. Trata-se, agora de alteração obrigatória ou vinculada. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 1. Estabelecimento Empresarial - Arts. 1.142 a 1.149, CC. - Art. 1142, CC – “Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”. - Antigamente era chamado de estabelecimento comercial, é também conhecido como fundo de comércio (capital mínimo necessário para exercer atividade comercial), também chamado pelos italianos de azienda ou patrimônio aziendal, o estabelecimento é, pois, todo o complexo de bens organizado (bens tangíveis, intangíveis, corpóreos ou incorpóreos), para o exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. - Alguns autores como Carvalho de Mendonça, Dilson Dória e Oscar Barreto Filho, definiram o estabelecimento comercial como um complexo de bens materiais ou imateriais, pelos quais o comerciante ou empresário explora determinada espécie ou atividade mercantil. Obs. 1: quando ao complexo de bens, pode ser: Complexo de bens materiais (bens corpóreos) são os bens visíveis/palpáveis que se atribui um valor, sendo necessários para determinadas atividades. Ex.: nos estabelecimentos industriais são os prédios, edifício, construções, terrenos, máquinas, usinas, armazéns, equipamentos, dinheiro, matéria prima; nas atividades intermediárias são os supermercados, magazines, lojas, mercadinhos, instalações, mercadorias, mobiliários/móveis, etc.; nas empresas de transportes aéreo/marítimo/ferroviário/rodoviário são os veículos de transporte; nas atividades bancárias são os títulos de crédito e dinheiro. Complexo de bens imateriais (bens incorpóreos) são os bens que o indivíduo às vezes não tem condição de ver de imediato, de visualizar com precisão, pois não são bens físicos (não tem cor, formato, tamanho), mas têm um valor de mercado. Ex.: quanto aos sinais distintivos são os nomes empresariais, marcas de produtos, marcas de indústria, marcas de comércio, sinais/signos de propaganda; quanto aos privilégios industriais são as marcas, patentes de invenções e registros de desenho industrial (Lei 9.279/96 – Lei da Propriedade Industrial), modelos de utilidade; quanto às obras literárias (artísticas ou científicas), pinturas, artes em geral são os direitos autorais (Lei 9.610/98); quanto ao ponto comercial/empresarial são os locais de referência (não é o prédio em si, ex.: Avenida Amélia Rosa). Obs. 2: Algumas distinções: Não confundir o estabelecimento empresarial com o terreno e edificações em que o empresário exerce suas atividades. O terreno é somente um dos componentes do estabelecimento empresarial. Não confundir o estabelecimento empresarial (complexo de bens organizado) com empresa (atividade) e com a pessoa do empresário (que é o titular do estabelecimento). Não confundir, por fim, o estabelecimento empresarial com o patrimônio do empresário ou da sociedade empresária. Por vezes, o patrimônio do empresário (principalmente quando se trata de sociedade empresária) se resume no estabelecimento empresarial. Trata-se, no entanto, de institutos jurídicos distintos. Todo estabelecimento empresarial integra o patrimônio de seu titular, mas este não se reduz àquele necessariamente. Os bens de propriedade do empresário, cuja exploração não se relaciona com o desenvolvimento da atividade econômica, integram o seu patrimônio, mas não o estabelecimento empresarial. Alémdisso, também as obrigações passivas fazem parte do patrimônio do empresário. IMPORTANTE: o estabelecimento comercial faz parte da empresa, já o ponto comercial faz parte do estabelecimento comercial. Entretanto, os fregueses/clientela não fazem parte do estabelecimento, visto que eles são apenas um atributo. 2. Natureza Jurídica do Estabelecimento Comercial - Apesar da grande discussão doutrinária sobre a natureza jurídica do estabelecimento empresarial, nós consideramos que é a de universalidade de fato, a qual é um conjunto de bens que pode ser destinado de acordo com a vontade do particular (difere da universalidade de direito, a qual é um conjunto de bens a que a lei atribui determinada forma imodificável por vontade própria, por exemplo, a herança). 3. Cessão e Transferência do Estabelecimento Comercial - Arts. 1.143 a 1.146, CC – “Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce fefev Realce primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento”. - A cessão do estabelecimento comercial é a venda deste. Pela doutrina, o estabelecimento é conhecido como bem móvel, visto que para fazer a transição ou a venda não é preciso o registro no cartório de imóveis. A cessão e a transferência podem ser feitas de todo ou de parte do complexo de bens do estabelecimento. Ex.: exemplos de cessão parcial: license (aluga-se o estabelecimento); franquia. 3.1. Alienação do Estabelecimento Empresarial (Trespasse) - O estabelecimento pode ser alienado. Essa alienação recebe o nome de trespasse (é a “venda” para terceiro). Sendo assim, o empresário tem sobre o estabelecimento empresarial a mesma livre disponibilidade que tem sobre os demais bens de seu patrimônio, ocorre que a lei sujeita a alienação do estabelecimento empresarial à anuência dos seus credores, e tal anuência pode ser expressa ou tácita, decorrendo esta última modalidade do silêncio do credor após 30 dias da notificação da alienação, notificação esta que o devedor lhe deve endereçar (art. 1.145, CC). 3.1.1. Aspectos Importantes do Trespasse 1º) O trespasse é a alienação do estabelecimento como um todo (e não fragmentada), ou seja, a empresa procede à transferência de todo o complexo de bens; 2º) Só produz efeito frente a terceiros quando averbado no Registro de Empresas Mercantis (Junta Comercial) e publicado na Imprensa Oficial (art. 1.144, CC). 3º) Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em 30 dias, a partir de sua notificação. 4º) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de 01 ano, a partir da publicação (quanto aos créditos vencidos) e a partir da data do vencimento (quanto aos outros) (art. 1.146, CC). 3.1.2. Sucessão Empresarial - Quando respeitadas as determinações legais para a realização do trespasse, o que importa é ser analisada como o Código Civil estabeleceu os efeitos da negociação unitária do estabelecimento empresarial. - Dessa maneira, o art. 1.146, CC, diz que é o adquirente do estabelecimento que responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de 01 ano, a partir da publicação (quanto aos créditos vencidos) e a partir da data do vencimento (quanto aos outros). Isto é, o adquirente do estabelecimento empresarial responde pelas dívidas contraídas pelo alienante, desde que regularmente contabilizadas, ou seja, aquelas constantes da escrituração regular do alienante, pois foram essas as dívidas de que o adquirente teve conhecimento quando da efetivação do negócio. - Apesar do adquirente assumir tais dívidas, o alienante fica solidariamente responsável por elas durante o prazo de 01 ano, tal prazo terá maneiras distintas de ser contado. - Importante destacar que, o que está previsto no art. 1146, CC, diz respeito às dívidas negociais do empresário, decorrentes das suas relações no exercício da fefev Realce fefev Realce empresa, dívidas tributárias ou trabalhistas não se aplicam no disposto do artigo mencionado. - Por último, cumpre destacar que a nova legislação falimentar (Lei n. 11.101/05) trouxe uma importantíssima novidade que se relaciona diretamente com a matéria ora em análise. Com efeito, determina a referida lei que a alienação de estabelecimento empresarial feita em processo de falência ou de recuperação judicial não acarreta, para o adquirente do estabelecimento, nenhum ônus, isto é, o adquirente não responderá pelas dívidas anteriores do alienante, inclusive dívidas tributárias e trabalhistas. 3.1.3. Cláusula de Não Concorrência (Não Restabelecimento) - Art. 1.147, CC – “Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato”. - O mencionado artigo estabelece que, não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos 05 anos subsequentes à transferência. - Em razão do art. 170, IV CF (“A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] IV - livre concorrência”) a cláusula de não restabelecimento deve apresentar limites materiais (ramo de atividade), territoriais (âmbito geográfico) e temporais (prazo de não concorrência) pra não ofender os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência. A cláusula de não restabelecimento que vede a exploração de qualquer atividade econômica ou não estipule restrições temporais ou territoriais não gera o efeito pretendido pelas partes, por ser logicamente inconstitucional. 3.2. Locação Empresarial - Arts. 51 a 57, Lei n. 8.245/91 (lei de locação). - Se o empresário se encontra estabelecido em imóvel alheio, que locou, a proteção jurídica do valor agregado pelo estabelecimento seguirá a disciplina da locação não residencial caracterizada pelo art. 51, Lei n. 8.245/91 (lei de locação). - Para que uma locação possa ser considerada empresarial, isto é, para que se submeta ao regime jurídico da renovação compulsória, é necessário que satisfaça os seguintes 03 requisitos do art. 51 da Lei de Locação: 1º) I - o contratoa renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; 2º) II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; 3º) III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. REGISTRO DE COMÉRCIO/EMPRESA 1. Histórico - Tornou-se obrigatório antes mesmo do Brasil tornar-se independente. - 1808 vinda da família real ao Brasil, com D. João VI, o qual tomou como uma das primeiras medidas a abertura dos Portos às nações amigas. Nessa época foi criado o Tribunal da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábrica e Navegação do Estado do Brasil e Domínios Ultramarinos (o qual passou a se chamar Tribunais de Comércio, sendo as atuais Juntas Comerciais). Esses Tribunais de Comércio possuíam atribuições/funções administrativas (fazer o registro das empresas do comerciante, etc.) e atribuições/funções jurisdicionais (resolver conflitos envolvendo comerciantes [ex.: comerciantes X comerciantes; comerciantes X não comerciantes]). - 1822 independência do Brasil. - 1824 1ª Constituição do Brasil, havendo a divisão dos poderes (Poderes Moderador, Legislativo, Executivo e Judiciário). Criou-se uma incongruência entre o modelo instituído pela nova Constituição e a função dos Tribunais de Comércio, devido à sua função de julgar que passou caber ao Poder Judiciário. - 1875 a incongruência se extingue por meio do Decerto 2.672, no qual as funções jurisdicionais foram transferidas para os Juízes de Direito. - 1891 2ª Constituição da República do Brasil, sendo promulgada como Constituição Republicana. Ela determinou, entre outros aspectos, que cada Estado tivesse uma Junta Comercial, ademais, essa configuração se mantém até hoje. - Lei n. 8.934/94 dispõe sobre o registro público das empresas mercantis e atividades afins. - Dec. n. 1.800/94 Regulamenta dispositivos da Lei n. 8.934/94. 2. Registro de Comércio/Empresa - Art. 967, CC- “É obrigatória a inscrição do empresário no registro público de empresas mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”. - O registro é obrigação legal imposta a todos os empresários. Não obstante, um empresário que não o faça não deixará de sê-lo por este motivo, encontrar-se-á, tão- somente, em situação irregular. Obs.: o empresário individual e a sociedade empresária devem se registrar no Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. Já os outros tipos societários (sociedade simples) devem ser registrados no Registro Civil de Pessoas Jurídicas (art. 1.150, CC – “O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária”). Sendo assim: Empresário individual e sociedade empresária RPEM (Juntas Comerciais); Outros societários (sociedade simples) RCPJ. 2.1. Natureza Jurídica do Registro de Comércio/Empresa - O registro tem natureza declaratória (não tem natureza constitutiva). 2.2. Finalidade do Registro de Comércio/Empresa - Art. 1º, Lei n. 8.934/94 - “O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I - dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; II - cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e manter atualizadas as informações pertinentes; III - proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu cancelamento”. 1º) Dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis; 2º) Cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no Brasil e manterem atualizadas as informações pertinentes. 3º) Proceder a matrícula do(s) comerciante(s), agentes auxiliares do comércio (ex.: leiloeiro, técnico, contabilista, etc.), bem como seu conhecimento; 3. Composição e Atribuição do DNRC e Juntas Comerciais - O DNRC (Departamento Nacional de Registro do Comércio) está contido no SIREM (Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis). - Como se sabe, o Poder Executivo é composto, além do Presidente da República, pelos Ministérios, e dentre os Ministérios há o Ministério da Indústria e Comércio. Nesse sentido, o SIREM (logo, o DNRC) está vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio. No SIREM estão contidas as Juntas Comerciais, presentes em cada Estado do Brasil, que, do ponto de vista administrativo, estão vinculadas ao Governo do Estado e suas diversas secretarias, mais especificamente à Secretaria da Indústria e Comércio (sendo essa secretaria responsável por cuidar das Juntas Comerciais do Estado). Obs.: Poder Executivo Ministério da Indústria e Comércio SIREM/DNRC Governo de Cada Estado do Brasil e sua respectiva Secretaria da Indústria e Comércio. 3.1. Atribuições do SIREM/DNRC 1º) Supervisionar, orientar, coordenar e criar a nível nacional normas uniformes que devem ser observadas pelas Juntas Comerciais de cada Estado; 2º) Quanto ao Registro do Comércio, a legislação em vigor prevê o Sistema Nacional de Empresas Mercantis (SINREM), formado pelo Departamento Nacional de Registro de Comércio (DNRC), órgão que integra o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, responsável pela supervisão, orientação, coordenação enormatização, no plano técnico, e, supletiva, no plano administrativo, com abrangência nacional; e as Juntas Comerciais órgãos locais (com abrangência estadual), responsáveis pela execução e administração dos serviços de registro. Assim, devidamente inscrita no Sistema Nacional, a empresa terá seu Número de Identificação do Registro de Empresas – NIRE. Obs.: Rubens Requião (em seu livro Direito Comercial V. 1) fala das atribuições. 4. Atos do Registro - O registro público é constituído pelo Registro de Comércio, conforme previsto no artigo 967 do Código Civil, levado a efeito pela Junta Comercial, órgão de publicidade, responsável pelo registro das empresas mercantis e atividades afins, conforme previsto na Lei n. 8.934/94. O registro compreende: 1º) A matrícula, que consiste no registro dos auxiliares do comércio; 2º) O arquivamento, que consiste no registro relativo à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades mercantis; 3º) A autenticação de escrituração e documentos mercantis refere-se ao livro mercantil, que deve ser levado à Junta Comercial para ser autenticado; e o assentamento de usos e costumes comerciais, entre outras atribuições. PREPOSTOS: GERENTES, CONTABILISTAS E AUXILIARES 1. Prepostos - Arts. 1.169 a 1.178, CC. - Art. 1.169, CC – “O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas”. - O empresário, seja ele individual ou sociedade, jamais conseguiria atuar de forma competitiva no mercado atual se não contasse com importantes auxiliares e colaboradores, os quais o Código Civil reuniu e disciplinou sob a rubrica de prepostos. - Como o contrato de preposição implica, necessariamente, poderes de representação típicos do mandato, não se admiteao preposto a possibilidade de delegar poderes sem prévia autorização do preponente, uma vez que as prerrogativas que a preposição lhe confere são pessoais e intransferíveis. A regra do artigo em comento é simplesmente uma manifestação especial da regra geral do mandato, constante do art. 667, CC. Obs.: auxiliares do empresário: Contabilista; Leiloeiro; Preposto (funcionário representante da empresa em juízo); Intérprete; Gerente (obs.: gerente ≠ sócio-gerente). 1.1. Gerente - Trata-se, talvez, do mais importante preposto do empresário, por ser aquele ao qual o empresário confia poderes de chefia do seu negócio. Registre-se, por oportuno, que, nesse ponto, o Código Civil não está se referindo ao gerente sócio, mas tão somente ao gerente preposto, ou, melhor dizendo, ao gerente empregado. - Segundo o art. 1.172, CC, “considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência”. Como o gerente é o preposto ao qual se atribuem funções de chefia, dispõe o art. 1.173, caput, CC que “quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados”. Se o empresário possuir mais de um gerente, consideram-se solidários os poderes a eles conferidos, salvo se houver alguma estipulação expressa em sentido diverso (art. 1.173, parágrafo único, CC). 1.2. Contabilista - Quando da análise da escrituração do empresário, um de seus principais auxiliares é o contabilista, popularmente conhecido como contador, se trata de profissional legalmente habilitado, com formação especializada, encarregado de zelar pela contabilidade do empresário. Só se pode dispensar o auxílio de contabilista se na localidade não houver nenhum, conforme disposto no art. 1.182, CC. - Como o contabilista é preposto responsável pela escrituração do empresário, dispõe o art. 1.177, caput, CC que “os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele”. LIVROS OBRIGATÓRIOS E ESCRITURAÇÃO DO EMPRESÁRIO 1. Escrituração do Empresário - Os empresários devem manter um sistema de escrituração contábil periódico, além de levantar, todo ano, dois balanços financeiros: o patrimonial e o de resultado econômico. - A escrituração do empresário é tarefa que a lei incumbe a um profissional específico: o contabilista, o qual deve ser legalmente habilitado, ou seja, estar devidamente inscrito no seu órgão regulamentador da profissão (art. 1.182, CC). - Todos os empresários estão sujeitos às três seguintes obrigações: 1º) Registrar-se no Registro de Empresa antes de iniciar suas atividades (art. 967, CC); 2º) Escriturar regularmente os livros obrigatórios; 3º) Levantar balanço patrimonial e de resultado econômico a cada ano (art. 1.179, CC). 1.1 Princípios Informadores 1º) Fidelidade consiste na exigência legal de exprimir, com fidelidade e clareza, a real situação da empresa; 2º) Sigilo serve para a garantia do bom andamento da atividade empresarial, os livros somente se submetem à exibição integral quando esta for necessária à solução de questões relativas à administração ou gestão por conta de outrem, comunhão ou sociedade, sucessão ou falência. O escopo do princípio do sigilo imposto sobre os livros e documentos mercantis “é evitar ou impedir a concorrência desleal”. Nos casos legalmente mencionados (art. 381, CPC, art. 1.191, CC e Súmula 260 do STF [“O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações entre os litigantes”]), a requerimento da parte contrária, o juiz pode determinar a exibição integral dos livros comerciais e dos documentos de seu arquivo; 3º) Liberdade A regra brasileira sempre escolheu a liberdade de escolha, caracterizada pelas expressões hoje utilizadas pelo art. 1.179, § 1º, CC (“Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados”). A exceção é o livro Diário, único livro obrigatório comum a todos os empresários, matéria que será objeto de melhor explanação a seguir. 2. Livros - Livros empresariais são aqueles cuja escrituração é obrigatória ou facultativa ao empresário, em virtude da legislação comercial. Existem livros comerciais obrigatórios e facultativos. 2.1 Livros Obrigatórios - Os livros obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário, logo, sua ausência traz consequências sancionadoras (inclusive no campo penal). Vale ressaltar que existem livros obrigatórios a todos os comerciantes, bem como, existem livros obrigatórios a determinadas atividades dos comerciantes ou obrigatórios a determinadas categorias de comerciantes. 2.1.1. Livros Obrigatórios a Todos os Comerciantes/Empresários Ex.: é um exemplo de livro comum a todos os comerciantes: 1º) O diário (ou fichas ou balancetes diários ou balanços) devem registrar quais as mercadorias, seus valores, etc. 2.1.2. Livros Obrigatórios a Determinadas Categorias de Comerciantes Ex.: alguns exemplos são: 1º) Registro de duplicatas, para quem as emite; 2º) Entrada e saída de mercadoria de armazém-geral; 3º) Registro de ações nominativas para as S/A; 4º) Leiloeiros 5º) Corretores de mercadorias 6º) Sociedades corretoras 7º) Armazéns gerais 2.1.3. Livros Obrigatórios a Determinadas Atividades Ex.: alguns exemplos são: 1º) Em relação a atividade das sociedades anônimas: estas possuem os livros especiais como: a) Livro das assembleias gerais ordinárias e extraordinárias b) Livro do conselho fiscal c) Livro de emissão de ações Obs. 1: outros exemplos: Livros fiscais: a) Entrada e saída de mercadorias b) Apuração do ICMS c) Apuração do IPI Obs. 2: outros exemplos: Livros trabalhistas: a) Registro de empregados. 2.2. Livros Facultativos/Auxiliares - Os livros facultativos ou auxiliares são os quais os comerciantes não são obrigados, sendo eles os livros que o empresário escritura com vistas a um melhor controle sobre os seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção. Ex.: alguns exemplos são: 1º) Livro de caixa 2º) Conta-corrente 3º) Copiador de cartas 4º) Obrigações a pagar e receber 5º) Borrador 6º) Razão 7º) Livro de estoque 3. Sigilo dos Livros Empresariais -Arts. 1191 a 1993, CC. - Nos livros empresariais se encontram todos os sucessos e fracassos do empresário, podendo este saber em que aspectos de seu negócio ele teve bons ou maus resultados. É por isso que os livros empresariais são invioláveis, não podendo seu conteúdo ser manuseado por terceiros, senão autorizados pelo empresário. - No entanto, há situações em que os livros comerciais podem ser utilizados em juízo. - O livro deve manter boa estruturação (clareza em relação ao histórico do comércio), a fim de exprimir tudo o que acontece no ambiente comercial. 3.1. Exceções ao Sigilo 1º) Art. 195, CTN quebra do sigilo dos livros empresariais para o exame feito pelo fisco (direito do fisco de examinar os livros), no entanto, os fiscais têm o dever de manter o sigilo, isto, pois, é vedado aos fiscais divulgarem dados da empresa (art. 198, CTN); 2º) Exibição em juízo por ordem do juízo (seja ex oficio ou por requerimento), o sigilo pode ser quebrado, mas o magistrado deve agir com cautela; 3º) Decretação de falência nesse caso, todos os livros devemser arrestados do cartório; 4º) Em litígio de sucessão empresarial inter vivos ou causa mortis; 5º) Sociedade anônimas é possível abertura do sigilo quando pelo menos 05% dos acionistas requerem em juízo essa abertura. 4. Força/Valor Probante dos Livros Empresariais - Somente se extrai valor probatório de livros revestidos de formalidades de ordem extrínseca (externa) e intrínseca (interna). Sendo assim, para que os livros comerciais tenham poder de prova eles precisam preencher as chamadas: Formalidades intrínsecas (formalidade internas) deve-se preencher corretamente todas as informações do livro, sem vício em seu conteúdo, assim, há a necessidade de serem completas, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil, com individualização e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes sobre as margens (art. 1.183, CC). Formalidades extrínsecas (formalidades externas) é sobre a conservação do livro, a aparência física, se há carimbo da Junta Comercial (presumi-se a veracidade), logo, refere-se ao modo de abertura e encerramento dos livros e fichas e seu registro. ATENÇÃO: A prova plena significa dizer que em relação ao empresário basta o registro. Já a prova não plena quer dizer que em relação a terceiros depende de outros documentos para além do registro. Obs.: Algumas regras foram delineadas pelo legislador quanto à apreciação do conteúdo probatório dos livros escriturados pelo empresário: 1º) Sempre provam contra seus possuidores, isto é, assumem o caráter de confissão; 2º) Provam também a favor do possuidor quando, escriturados em vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios; 3º) Os lançamentos podem ser ilididos por comprovação de falsidade ou inexatidão; 4º) A demonstração isolada extraída de lançamento contábil não será considerada suficiente se a lei exigir escritura pública ou escrito particular revestido de requisitos especiais; 5º) A escrituração contábil é indivisível, seguindo a regra da confissão, isto é, a parte não pode aceitá-la no que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável. 5. Recusa de Apresentação de Livros - Art. 1.192, CC – “Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente, serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário” - O Código Civil distingue as soluções para a recusa da apresentação dos livros, as quais são: 1º) Quando se tratar de exibição integral (comunhão, sucessão, gestão e falência), os livros serão apreendidos judicialmente; 2º) Nas hipóteses de exibição parcial, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. Entretanto, essa confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário. 6. Sanções Penais Decorrentes da Ausência ou Fraude na Escrituração dos Livros Empresariais Obs.: crimes em espécie: ver arts. 168 a 178, Lei n. 11.101/05 (lei de falências). - Em relação à escrituração dos livros, o empresário pode sofrer penas de natureza criminal, condicionada sua aplicação, porém, em alguns casos, à ocorrência do evento falimentar ou processo de recuperação judicial, como, por exemplo, as hipóteses de agravação de pena previstas no art. 168, § 1º, I, II e III, Lei n. 11.101/2005. 6.1. Fraude Contra Credores - Art. 168, Lei n. 11.101/05 (lei de falências) – “Praticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar a recuperação extrajudicial, ato fraudulento de que resulte ou possa resultar prejuízo aos credores, com o fim de obter ou assegurar vantagem indevida para si ou para outrem. Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Aumento da pena § 1o A pena aumenta-se de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o agente: I – elabora escrituração contábil ou balanço com dados inexatos; II – omite, na escrituração contábil ou no balanço, lançamento que deles deveria constar, ou altera escrituração ou balanço verdadeiros; III – destrói, apaga ou corrompe dados contábeis ou negociais armazenados em computador ou sistema informatizado; IV – simula a composição do capital social; V – destrói, oculta ou inutiliza, total ou parcialmente, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Contabilidade paralela § 2o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o devedor manteve ou movimentou recursos ou valores paralelamente à contabilidade exigida pela legislação. Concurso de pessoas § 3o Nas mesmas penas incidem os contadores, técnicos contábeis, auditores e outros profissionais que, de qualquer modo, concorrerem para as condutas criminosas descritas neste artigo, na medida de sua culpabilidade. Redução ou substituição da pena § 4o Tratando-se de falência de microempresa ou de empresa de pequeno porte, e não se constatando prática habitual de condutas fraudulentas por parte do falido, poderá o juiz reduzir a pena de reclusão de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) ou substituí-la pelas penas restritivas de direitos, pelas de perda de bens e valores ou pelas de prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas”. 6.2. Na Omissão dos Documentos Contábeis Obrigatórios - Art. 178, Lei n. 11.101/05 (lei de falências) – “Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios: Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave”. 6.3. Destruição de Livros Obrigatórios - Art. 1.194, CC – “O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados”. - Art. 205, CC – “A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor”. - Art. 168, Lei n. 11.101/05 (lei de falências).