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Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 1 AFO Administração Financeira e Orçamentária II Rejane Viana Sales Marcolin1 (distribuição autorizada para os alunos da Faculdade Santíssimo Sacramento) 1 Mestre em Administração Estratégica, MBA em Controladoria e Gestão Pública e Especialização em Gestão com Pessoas. Professora da Faculdade Santíssimo Sacramento dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Engenharia de Produção. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 2 APRESENTAÇÃO Este trabalho, dirigido principalmente a estudantes de administração de empresas, ciências contábeis e economia, objetiva dar um roteiro para o estudo da administração financeira e orçamentária. Sua elaboração teve como apoio obras de diversos autores, cujo conteúdo serve de base e estímulo para o alunado. O conteúdo foi selecionado e adaptado para atender a carga horária da disciplina atendendo os padrões educacionais e acadêmicos. Além do conteúdo teórico, trazemos vários exemplos e exercícios práticos para que o conteúdo seja facilmente absorvido. Desculpamo-nos antecipadamente por qualquer erro que este trabalho possa conter, solicitando dos leitores que ao perceberem algum, nos informem através do e-mail rejanemarcolin@hotmail.com, pelo que desde já agradecemos. A autora Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 3 SUMÁRIO PLANEJAMENTO FINANCEIRO: VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO ANÁILISE DE INVESTIMENTOS: ORÇAMENTO DE CAPITAL ALAVANCAGEM ANÁLISE DO PONTO DE EQUILÍBRIO E ALAVANCAGEM OPERACIONAL Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) Ponto de equilíbrio financeiro (PEF) Grau de alavancagem operacional (GAO) Patrimônio, Investimento e Fontes de financiamentos Sistema Financeiro Nacional Fusões, Aquisições alavancadas, Alienações e Falências Risco e Retorno Formação de preços – aspectos qualitativos REFERÊNCIAS Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 4 1. FINANCEIRO E ORÇAMENTÁRIO: VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO Antes de aprovar um projeto ou empreendimento, uma empresa precisa estar certa de que a receita futura compensará os investimentos em ativo imobilizado. Administradores financeiros e investidores sempre se deparam com oportunidades de obter taxas de retorno positivas sobre seus fundos, seja fazendo aplicações em projetos atraentes, seja recebendo juros sobre títulos ou depósitos remunerados. Desta forma, o momento de entradas e saídas de caixa tem consequências econômicas importantes que os administradores financeiros reconhecem expressamente como o valor do dinheiro no tempo. O valor do dinheiro no tempo baseia-se na crença de que um dólar hoje vale mais do que um dólar a ser recebido numa data futura qualquer. Neste estudo sobre o valor do dinheiro no tempo em finanças daremos ênfase a perspectiva do Valor futuro versus valor presente em relação a um conjunto de capitais. VALOR FUTURO X VALOR PRESENTE Os valores e as decisões financeiras podem ser avaliados por meio de técnicas tanto de valor futuro quanto de valor presente. Embora essas técnicas resultem nas mesmas decisões, o enfoque que proporcionam é diferente. As técnicas de valor futuro costumam medir os fluxos de caixa ao fim de um projeto. As de valor presente medem os fluxos de caixa no inicio do projeto (tempo zero). O valor futuro é caixa a ser recebido em alguma data vindoura e o valor presente é caixa disponível imediatamente. Para representar os fluxos de caixa associados a um dado investimento, podemos usar uma linha de tempo. Trata-se de uma linha horizontal em que o tempo zero surge na ponta mais à esquerda e os períodos futuros são indicados da esquerda para a direita. A figura abaixo mostra uma linha de tempo que abrange cinco períodos (anos, neste caso). Os fluxos de caixa que ocorrem no tempo zero e no fim de cada ano são apresentados acima da linha; os valores negativos representam saídas de caixa ($10.000 no tempo zero) e os positivos representam entradas de caixa (entradas de $ 3.000 no fim do primeiro ano, de $5.000 no fim do segundo ano, e assim por diante). Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 5 $3.000 $5.000 $4.000 $3.000 $2.000 -$ 10.000 Figura 1: Linha de tempo representando os fluxos de caixa de um investimento Como o dinheiro tem valor no tempo, todos os fluxos de caixa associados a um investimento, como os da Figura 1, devem ser medidos no mesmo ponto no tempo. Normalmente, esse ponto pode ser no fim ou no princípio da duração do investimento. A técnica de valor futuro usa o processo de composição para determinar o valor futuro de cada fluxo de caixa no fim do prazo do investimento e agrupa esses valores para encontrar o valor futuro do investimento. A técnica de valor presente usa o processo de desconto para determinar o valor presente de cada fluxo de caixa no tempo zero e soma os valores obtidos para chegar ao valor do investimento hoje. SEQUÊNCIA DE CAPITAIS SEQUÊNCIA UNIFORME Consideremos a sequencia de capitais N1, N2, N3, ...Nn, respectivamente, das datas 1, 2, 3,... n (a unidade de tempo pode ser mês, semestre ano, etc.). Dizemos que esse conjunto constitui uma série uniforme se N1 = N2 = N3 = ...= Nn isto é, se todos os capitais são iguais. Indicando essa capital constante por P, a representação gráfica da sequencia uniforme é a seguinte: P P P P 1 2 3 0 Por definição, o valor atual (na data 0) da sequencia uniforme, a data de juros i na unidade de tempo considerada é: Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 6 Va = P + P + P + ... + P (1+i)¹ (1+i)² (1+i)³ (1+ i) n Que, finalmente pode ser escrita assim: Va = P. (1+i)n – 1 (1+i)n x i O fator (1+i)n – 1 é chamado fator de valor atual e costuma ser indicado pelo símbolo na (1+i)n x i cantoneira i, assim temos: Va = P.an i A sequencia uniforme é chamada de termos postecipados. Se os capitais estivessem na data 0, 1, 2,..., (n – 1) a sequência seria chamada de termos antecipados, e seu valor atual seria calculado facilmente, da seguinte forma: Va = P + P.an i EXEMPLOS: 1) Uma geladeira é vendida a prazo, em 6 pagamentos mensais iguais de R$ 550,00, vencendo o primeiro um mês após a compra. Se a loja opera a uma taxa de juros de 3% a.m., qual seu preço a vista? Resp. 2.979,46 2) Um automóvel usado é vendido a prazo, em 12 prestações mensais iguais, vencendo a primeira um mês após a compra. Sabendo se que a taxa de juros do financiamento é de 3% a.m., e que o valor atual é R$ 10.000, qual o valor de cada prestação? Resp. 1.004,62 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin7 MONTANTE DE UMA SEQUÊNCIA UNIFORME Dada uma sequência uniforme, chamamos de montante da sequência, na data n, ao capital único equivalente à sequência, na data n, e o representamos por M. O cálculo de M é muito simples, pois sabemos que o valor atual da série (na data 0) é Va = P.an i P P P M Va Como M é equivalente a Va, devemos ter M = P. (1 + i )n – 1 i O fator (1 + i )n – 1 é chamado fator de acumulação de capital e costuma ser indicado pelo i símbolo Sn i (lê-se S n cantoneira i) EXEMPLOS 1) Um investidor aplica mensalmente R$ 2.000 em um fundo de investimentos que oferece remuneração à taxa de juros compostos de 1,1% a.m. Se o investidor fizer sete aplicações mensais, qual o montante no instante do último depósito? Resp. R$ 14.470,56 2) Um investidor aplica mensalmente R$ 1.000,00 em um fundo de investimento que remunera juros compostos, à taxa de 3% a.m. Se o investidor fizer cinco aplicações mensais, qual o montante um mês após o último depósito? Resp. R$ 5.468,41 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 8 Observações importantes!! A unidade de taxa tem que coincidir com os períodos dos pagamentos (mensal, trimestral, semestral, anual, etc.); Quando a primeira prestação acontece no primeiro período, a série é dita imediata. O pagamento pode acontecer no início ou no fim do primeiro período; O número de prestações tem que ser inteiro; Quando a primeira prestação não acontece no primeiro período, a série é dita diferida; Se o compromisso acontece no início do período, não importando qual o período, a série é dita antecipada, e se acontece no fim de período, é dita postecipada. As questões em que o objetivo é calcular o valor da taxa ou do tempo, deverão ser feitas com a calculadora HP12C ou de tabelas financeiras. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 9 AQUECIMENTO INTELECTUAL 1 1) Um financiamento foi concedido a uma taxa de 3% a.m., e para ser pago em 12 prestações mensais e iguais a R$ 1.000,00. Qual o valor atual do financiamento? Resp. R$ 9. 954,00 2) Uma determinada empresa financia eletrodomésticos em 6 prestações mensais e iguais à taxa de 2,5% a.m. Qual o valor dessas prestações para um financiamento de R$ 3.000,00? Resp. R$ 544,65 3) Um cidadão efetua quatro depósitos mensais e iguais a R$ 5.000,00. Sabendo-se que a taxa que remunera esses depósitos é de 3% a.m., pede-se determinar o valor acumulado no final do quarto mês. Resp. R$ 20. 918,15 4) Uma empresa financia a venda de suas máquinas e equipamentos por um prazo de 24 meses, a uma taxa de 3% a.m. Qual o valor da prestação mensal para uma máquina que custa, à vista, R$ 50.000,00? Resp. 2.952,37 5) Uma loja oferece uma TV em cores à vista por R$ 400,00 ou será financiada em 12 prestações mensais e iguais, a primeira paga no ato da compra. Determine o valor da prestação, sabendo -se que a taxa de juros é de 3,5% a.m. Resp. R$ 45,00 6) Um curso de línguas planejando a programação para o próximo semestre, define que o curso custará R$ 780,00 à vista. Como alternativa, financia em 5 prestações mensais e iguais e a primeira paga no dia da matricula. Determine o valor de cada prestação, sabendo-se que a taxa utilizada é de 2,1 % a.m. Resp. R$ 162,55 7) Uma concessionária anuncia a venda de uma moto em 18 prestações mensais e iguais, sendo que a primeira paga no dia da assinatura do contrato. Determinar o valor de cada prestação sabendo-se que o preço à vista é de R$ 6.500,00 e a taxa para financiamento é de 3,5% a.m. Resp. R$ 476,14 8) Um terreno é vendido a prazo em seis prestações mensais de R$ 12.000,00, cada, vencendo a primeira 3 meses após a compra. Se a taxa de juros adotada pelo vendedor for de 3% a.m., qual o preço à vista? Resp. R$ 61.274,67 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 10 9) Um terreno é vendido a prazo em 12 prestações mensais de R$ 5.000,00 cada, vencendo a primeira um mês após a compra, mais duas prestações de reforço vencíveis em 6 e 12 meses após a compra, cada uma de R$ 20.000,00. Se a taxa de juros do financiamento for de 3,2% a.m., qual o preço a vista? Resp. R$ 79.441,71 10) Desejando obter o montante de R$ 80.000,00, ao final de 18 meses, certa pessoa pretende realizar hoje, uma aplicação de R$ 12.000,00, com capitalização mensal, e mais 17 aplicações mensais, iguais e sucessivas. Sabendo que a taxa de juros é de 2,5% a.m., calcule o valor de cada uma dessas aplicações. Resp. 2.865,57 11) Qual o montante ao final do último mês, decorrente de dez depósitos mensais consecutivos, à taxa de 5% a.m., com as quatro primeiras de R$ 200,00 e as restantes de R$ 300,00 cada uma, sabendo que os depósitos são feitos no início de cada período? Resp. 3.355,56 12) Um imóvel pode ser adquirido mediante entrada de R$ 12.453,92 mais três pagamentos semestrais do mesmo valor. Sabendo que a taxa efetiva mensal praticada pela loja é de 4,5%, calcule o valor à vista do imóvel. Resp. R$ 35.000,00 13) Qual o valor à vista de um bem financiado em 16 pagamentos, à taxa de 3%a.m., com as seis primeiras prestações de R$ 400,00 e as 10 seguintes de R$ 600,00? Resp. R$ 6.453,22 14) Que quantia deve ser aplicada hoje, de uma só vez, para obtermos, no final de 60 meses, com capitalização mensal, a mesma importância que obteríamos caso fossem feitas 60 aplicações mensais iguais a R$ 500,00, à taxa de 2% a.m., com a primeira aplicação de hoje a 30 dias? Resp. R$ 17.380,44 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 11 3.ANÁLISE DE INVESTIMENTOS – ORÇAMENTO DE CAPITAL2 Tem sido muito comum, executivos tomarem decisões sem adotar um método de análise bem definido e estruturado para solução de problemas. Geralmente, não dispõem de todas as informações necessárias e de uma estrutura de pensamento adequada, fatores que, aliados, aumentam de forma significativa a probabilidade de se cometer erros. Como cita Bron e Balian (2007, p.1), “o pior de tudo é decidir com base na “achologia”, e não por meio de um método científico.”. Para a solução de problemas, Bron e Balian observam que um método científico deve conter cinco etapas, a saber: (I) definir o problema, (II) levantar alternativas para a solução; (III) selecionar a melhor alternativa; (IV) implementar a alternativa escolhida; (V) monitorar os resultados. 2 BROM, Luiz Guilherme; BALIAN, J. E. Amato. Análise de investimentos e capital de giro: conceitos e aplicações. São Paulo: Saraiva, 2007. Adaptação do Capítulo 1. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 12 Este artigo aborda justamente os critérios que podem e devem ser utilizados para a seleção da melhor alternativa de investimento disponível. 2.1 O PROCESSO DE DECISÃO DE INVESTIMENTOS 2.1.1 O conceito de decisão empresarial Quando uma situação qualquer apresenta um problema ou uma oportunidade que exige uma escolha entre as alternativas, inicia-se um processo de decisão empresarial. Claro que, sem alternativas não há decisão a ser tomada. Havendo alternativas,e conhecidas as particularidades de cada uma, o passo seguinte do processo de decisão consiste na análise delas, com o apoio de métodos objetivos somados às vivências pessoais do tomador de decisões. A escolha da melhor opção/alternativa configura a tomada de decisão, a qual provocará uma ação específica. Cabe lembrar que, nas empresas, a melhor alternativa deve ser aquela que oferece a melhor relação entre custo e beneficio (com risco aceitável). A lógica do processo de decisão pode resumir-se em transformar uma situação presente em outra aceita como mais satisfatória e/ou viável. A decisão satisfatória é a decisão realista, que aperfeiçoa os processos empresariais, proporcionando avanços à empresa. Desta forma, uma boa decisão empresarial pode ser considerada lógica, com o tomador de decisão baseando-se nas informações disponíveis, nas metodologias de apoio e nas suas expectativas em relação ao risco e nas preferências pessoais. 2.1 Etapas do processo de decisão de investimento O processo de decisão de investimento segue a mesma sequencia lógica de qualquer outra decisão empresarial, tendo sempre como pressuposto a racionalidade. As etapas desse processo, de acordo com Bron e Balian (2007, p.4) são: 1ª etapa: identificação de uma necessidade ou oportunidade de investimento. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 13 Uma oportunidade de investimento caracteriza-se por uma situação ou circunstância favorável a um investimento. Por exemplo, uma empresa pode identificar uma oportunidade de investimento na construção de uma nova fábrica, que poderá proporcionar-lhe, por consequência, expansão das vendas e dos retornos financeiros. Da mesma forma, problemas diversos podem exigir investimentos da empresa. Como exemplo, um parque com máquinas obsoletas, pode gerar a queda da qualidade dos produtos, das vendas e dos lucros – situação que se configura em uma necessidade de investimento. Diante deste contexto, podemos dizer que o capital do investidor sempre representa, ao mesmo tempo, uma necessidade e uma oportunidade de investimento. Necessidade, pois é sempre necessário proteger o recurso da perda do poder aquisitivo, e oportunidade, pois é preciso aplica-lo em uma ou mais alternativas de investimento que se apresentam. 2ª etapa: busca e desenvolvimento de alternativas de investimento Essa busca deve ocorrer independente das preferências de investimento do investidor, pois todas as alternativas ao alcance do investidor devem ser consideradas. Ao selecionar alternativas conforme sua preferencia pessoal, o investidor estará decidindo de forma antecipada, e não científica. Aliás, é sempre bom lembrar que, as alternativas de investimento mudam de investidor para investidor, em virtude de variáveis como porte de capital e nível de aceitação de risco. Além do mais, as alternativas do mercado financeiro sempre devem ser consideradas, pois normalmente atendem pequenos e grandes investimentos. 3ª etapa: análise das alternativas de investimento Levantadas todas as alternativas de investimento ao alcance do investidor, analisa-se criteriosamente e com técnicas fundamentadas, cada uma delas. As metodologias indicarão os retornos financeiros e os riscos associados a cada alternativa. Neste trabalho, serão estudados os métodos do valor presente líquido, do período payback e da taxa interna de retorno. 4ª etapa: seleção da melhor alternativa A partir da avaliação metodológica de cada alternativa, obteremos a melhor opção de investimento. Essa etapa representa a decisão da escolha de investimento cujo retorno financeiro será mais elevado, considerando o nível de risco aceitável pelo investidor. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 14 Desenvolvimento de alternativas de investimento Mercado financeiro e alternativas diversas Análise das alternativas de investimento Metodologia de análise e avaliação de risco Seleção da melhor alternativa Melhor retorno com risco associado aceitável Figura 1.0. As etapas do processo de decisão de investimento. 2.3 Projeções de Retorno Sabe-se que o maior desafio da análise de investimentos refere-se à interpretação das ocorrências futuras. O inicio do processo de investimento se dá a partir do momento em que o investidor realiza desembolsos em virtude de uma expectativa de retornos futuros. A questão central é: enquanto o desembolso do investidor é real, visto que ocorre no momento presente (em regra), o retorno é apenas esperado, pois se localiza em um momento futuro. Figura 2.0 Fluxo de caixa. Fonte: Elaborado pela autora. Momento presente Retorno esperado (R$) Investimento (R$) Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 15 Diante do exposto, podemos dizer que, o retorno nada mais é do que uma projeção. Portanto, um projeto de investimento depende, fundamentalmente, da qualidade das projeções de retorno. Ao avaliar de forma inadequada os possíveis retornos de um projeto, o investidor corre um alto risco de obter retornos indesejados, na forma de ganhos inferiores ao esperado ou mesmo na forma de graves perdas financeiras. De qualquer forma, vale ressaltar que o ponto de partida para se chegar ao retorno previsto é dado pela expectativa de vendas ou de receita, que têm por base estudos de mercado. As vendas previstas permitem uma estimativa das necessidades de produção e estoques, as quais, por sua vez, permitirão o cálculo das necessidades de compras. Por isso, é primordial estabelecer as projeções financeiras de patrimônio e de resultado. Cabe ressaltar aqui a questão do lucro. Sabe-se que o lucro é considerado o fator mais importante para a avaliação do retorno financeiro de uma empresa. No entanto, ele pode apresentar uma deficiência do ponto de vista de um investidor no quesito liquidez do investimento, pois sem suficiência de recursos disponíveis no caixa da empresa, o poder do investidor em tomar decisões sobre o lucro apurado fica limitado ou reduzido. Desta forma, para que o lucro apresente atratividade perante os investidores, deve possuir atributo de caixa. Ou seja, não basta haver lucro; é preciso que haja também liquidez. Por isso, o lucro é sem dúvida um fator de aumento de caixa, mas não se confunde com o próprio caixa. Sobre este aspecto, Kassai et al (2000, p. 57), argumentam que: A decisão de se avaliar projetos de investimentos com base nos resultados de caixa, e não no lucro contábil, é devida a uma necessidade econômica, revelando (o caixa) a efetiva capacidade da empresa em remunerar o capital aplicado e reinvestir os benefícios gerados. Importante mencionar outro atributo indispensável para o lucro: a criação de valor. Uma empresa cria valor quando a taxa de retorno de seus investimentos supera o custo de capital (próprio ou de terceiros). Desta forma, uma empresa é valorizada pelo mercado quando os investidores estão dispostos a pagar por ela um valor superior aos seus investimentos (em virtude de uma expectativa otimista de retornos futuros). Portanto, o moderno conceito de lucro é retorno atraente com liquidez! O risco, por sua vez, que consiste na probabilidade da perda estar presente na atividade empresarial, determina o comportamento dos investidores: quantomais elevado, maior é a tendência de rejeição, e vice-versa. Aliás, o dilema risco/retorno é o ponto central da administração financeira: o desafio está em se obter o máximo de retorno com o menos risco possível. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 16 Valor Retorno Risco Liquidez 2.4 Metodologias De Análise De Investimentos Análise de investimentos ou orçamento de capital refere-se a uma avaliação da viabilidade financeira dos investimentos, realizada em um contexto que envolve uma série de condições, critérios e objetivos. O termo “capital” aqui utilizado possui significado próprio, pois se refere especialmente aos investimentos de longo prazo (ativos de longo prazo). “Orçar”, por sua vez, nada mais é que planejar ou projetar uma série de eventos financeiros futuros. Orçamento de capital consiste, portanto, na análise de um projeto de investimento, com todas as ocorrências futuras previstas. 2.4.1 Valor Presente Líquido (VPL) Esse método de análise consiste em avaliar, em valor atual, todos os fluxos de caixa pertinentes a um determinado projeto de investimento. Todos os valores são trazidos à data presente por meio de uma taxa de desconto específica, também denominada taxa de atratividade. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 17 O VPL, também conhecido como método de avaliação de fluxos de caixa descontados, proporciona uma comparação entre o valor do investimento e o valor dos retornos esperados com todos os valores considerados no momento atual. A questão central a ser respondida com este método é: qual o ganho que um determinado projeto de investimento proporciona, além do retorno mínimo exigido pelo investidor? A resposta será em R$ no valor presente. Cabe observar que toda análise de investimento é realizada do ponto de vista do investidor, ou seja, daquele que desembolsa recursos com a expectativa de obter retornos futuros. FCL1 FCL2 FCL3 FCL4 FCLn Investimento Figura 3.0 Fluxo de caixa. Fonte: elaborado pela autora VPL = - I0 + FCL1 + FCL2 + FCL3 + FCL4 + FCLn (1+i)¹ (1+i)² (1+i)³ (1+i)4 + (1+i)n Onde: I0 = Investimento a ser realizado – portanto, uma saída de caixa para o investidor. FCL = Fluxos de caixa líquidos esperados como retorno do investimento – portando, uma entrada de caixa para o investidor. i = Taxa de desconto ou de atratividade, a qual permite trazer o FCL a valor presente. Taxa de atratividade ou taxa de desconto Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 18 A taxa de atratividade refere-se a uma taxa de retorno minimamente requerida pelo investidos, ou seja, de um retorno mínimo aceitável pelo investidor. Isso implica que, se o investimento remunerar abaixo dessa taxa mínima, ele se torna inaceitável para o investidor. Essa taxa pode ser definida como o custo de capital (próprio) da empresa, que é a expectativa mínima de remuneração dos investidores. No método VPL, e em outras metodologias, a taxa de atratividade representa o principal parâmetro para a avaliação, o qual pode ser obtido perante o mercado financeiro ou qualquer outra alternativa de investimento à disposição do investidor. A taxa de atratividade deve incluir o spread, que é a taxa adicional de risco, a qual varia, de um lado, conforme as características conjunturais (risco sistemático), e de outro, conforme os aspectos setoriais e específicos de cada projeto de investimento (risco não sistemático). A taxa de atratividade, portanto, reflete a relação entre retorno, risco e liquidez imposta pelo investidor. Regra de decisão básica pelo método VPL (para análise de projetos independentes e que apresentem retornos claramente identificados) Se VPL > 0, aceita-se o projeto de investimento, pois os retornos oferecidos cobrirão capital investido, o retorno mínimo exigido e ainda oferecerão um ganho líquido ao investidor. Se VPL = 0, o projeto de investimento apresenta-se indiferente, pois seu retorno apenas cobrirá o capital investido e o retorno mínimo exigido pelo investidos, não oferecendo qualquer vantagem ou ganho além disso. Se VPL < 0, rejeita-se o projeto de investimento, pois os retornos oferecidos não cobrirão o capital investido acrescido do retorno mínimo exigido pelo investidor. Importante!!! O sucesso de qualquer avaliação de eventos futuros depende fundamentalmente da qualidade das projeções futuras. Efetuar projeções de boa qualidade é, com certeza, uma tarefa muito mais complexa e difícil do que a simples aplicação de um método matemático de avaliação de investimentos. Com frequência, há situações em que o retorno do investimento não é explicitado. por exemplo: aquisição de um equipamento de pequeno porte e valor, cujos benefícios na forma de fluxos de caixa são de difícil mensuração. neste caso, avalia-se apenas, entre as diversas alternativas disponíveis, aquela que apresentar menor preço de aquisição, em valor presente (basta calcular o “valor presente” do investimento). Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 19 Exemplo 1: Uma empresa está avaliando a viabilidade de investir R$ 10.000 em uma nova fábrica. Acredita-se que essa nova planta proporcionará retornos líquidos anuais de R$ 1.500, R$ 1.500, R$ 2.000, R$ 4.000 e R$ 4.000, respectivamente, ao final de cada um dos próximos cinco anos. sabendo-se que a taxa de atratividade exigida pelo investidos é de 5% ao ano, verificar se esse projeto é válido pelo método VPL. Resolução: VPL = -10.000 + 1.500/(1,05) + 1.500/(1,05)² + 2.000/(1,05)³ + 4.000/(1,05)4 + 4.000/(1,05)5 VPL = R$ 941,71 Sendo VPL > 0, aceita-se o projeto de investimento. Exemplo 2: Uma empresa está sendo vendida por R$ 18.000. Espera-se que essa empresa ofereça um fluxo de caixa de R$ 3.000 ao final do primeiro ano e de mais R$ 3.000 ao final do segundo ano. Além disso, ela poderá ser revendida por R$ 15.000 ao final do terceiro ano. Sabendo-se que o mercado financeiro remunera o seu dinheiro a 11% ao ano, taxa que você gostaria de utilizar como parâmetro de avaliação, vale a pena adquirir essa empresa? Resolução: VP dos retornos esperados: 3.000/(1,11) + 3.000/(1,11)² + 15.000/(1,11)³ = R$ 16.099,32 VPL = - 18.000 + 16.099,32 VPL = R$ - 1.900,68 Sendo VPL < 0, rejeita-se o projeto de investimento. Uma contraoferta de R$ 15.000: VPL = -15.000 + 16.099,32 VPL = R$ + 1.099,68 Sendo VPL > 0, a contraproposta é interessante para o comprador (investidor). Anuidade constante ou série uniforme Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 20 Exemplo: Uma empresa está à venda por R$ 70.000. Ela deverá oferecer um retorno de R$ 30.000 ao ano, durante três anos, e ao final de cada ano. Considerando-se uma taxa de desconto anual de 10%, vale a pena adquiri-la? Resolução: Fluxos de caixa (-70, 30, 30, 30) VPL = - I + A[1/i – 1/i(I + i)n] Em que A é o valor da anuidade (parcela, retorno, prestação etc.) VPL = - 70.000 + 30.000 [(1/(0,10) – 1/(0,10)(1,1)³] VPL =- 70.000 + 30.000 [10 – 7,51] VPL = - 70.000 + 74.700 VPL = R$ 4.700 Como VPL é positivo, aceita-se o projeto de investimento. Perpetuidade constante Refere-se ao investimento cujo vencimento ou data de resgate do principal são indefinidos. Em uma perpetuidade qualquer, em que não haja previsão de crescimento dos retornos: VP = R/i Em que R representa o retorno do investimento ou fluxo de caixa daqui a um período, e não na data zero. Exemplo: Você fez um plano privado de aposentadoria e acabou de pagar a última prestação, portanto terá direito a receber R$ 900,00 mensais, com inicio para daqui a um mês. A empresa de previdência privada oferece a você a alternativa de receber R$ 80.000,00 imediatamente, em uma única vez. Sabendo-se que o mercado financeiro oferece uma remuneração mensal de 1,2% para aplicações, vale a pena aceitar a oferta da empresa de previdência? Resolução: VPL = -900/0,12 + 80.000 VPL = R$ 5.000 Como VPL é positivo, aceita-se a oferta da empresa de previdência Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 21 Perpetuidade crescente (Fórmula de Gordon) Neste caso, os retornos sofrem aumentos periódicos, a uma determinada taxa constante g: VP = R (i – g) Onde R é o retorno e g é a taxa constante. Exemplo: Uma empresa paga anualmente dividendos de R$ 0,18, por ação, de forma indeterminada ao longo do tempo, e oferece aumentos anuais constantes de 3% para esses dividendos. Se a taxa mínima de retorno exigida pelo investidor é de 15% ao ano, qual seria o valor presente líquido estimado dessa ação? Resolução: VPL = R$ 0,18/(0,15 – 0,03) VPL = R$ 1,50 EXEMPLO 3: Uma empresa tem duas alternativas para a aquisição de um equipamento. Considerando-se uma taxa de desconto de 10% ao ano, qual dos equipamentos deve ser adquirido? Equipamento A Equipamento B Preço de compra 200.000 300.000 Custo anual de manutenção 15.000 25.000 Valor residual 18.000 40.000 Vida útil (anos) 5 5 Equipamento A: 18 200 15 15 15 15 15 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 22 VPL = - 200.000 – 15.000 [1/(0,1) – 1(0,1) (1,1)4] + 3.000/ (1,1)5 VPL = - 245.685,22 Equipamento B: 40 300 25 25 25 25 25 VPL = - 300.000 – 25.000 [ 1/(0,1) – 1 (0,1) (1,1)4] + 15.000/ (1,1)5 VPL = - 369.932,82 O equipamento A representa a melhor alternativa, pois é a mais barata! EXEMPLO 4 Uma empresa pretende construir uma linha de produção, cujo fluxo de caixa líquidos serão os seguintes: 2008: -400.000 2009: 80.000 2010: 120.000 2011: 180.000 2012: 250.000 A taxa se desconto é 12% ao ano, calcule o VPL do projeto. Resp: VPL = 48.296 Questões conceituais: 1. Qual é a regra do valor presente líquido? 2. Se dissermos que um investimento tem VPL de R$ 1.000, o que exatamente isso significa? 2.4.2 Período De Payback Este método apura o tempo necessário para que um determinado investimento seja recuperado ou, ainda, para que retorne ao investidor. A questão central a ser respondida é: em quanto tempo um determinado projeto de investimento se paga? A resposta será dada em períodos de tempo (anos, meses, dias, etc.). 2.4.2.1 PAYBACK SIMPLES Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 23 Refere-se ao tempo necessário para que o investidor recupere seu capital principal investido. Ou seja, analisa o prazo de recuperação do capital investido, sem remuneração. Exemplo: Projeto A: (-1000, 500, 400, 400, 100) Projeto B: ( -1000, 100, 300, 400, 600) DATA PROJETO A PROJETO B RETORNOS SALDO DO INVESTIMENTO RETORNOS SALDO DO INVESTIMENTO 0 -1.000 -1.000 1 500 -500 100 -900 2 400 -100 300 -600 3 300 0 400 -200 4 100 600 0 Projeto A = 2 anos + 100/300 = 2,33 anos Projeto B = 3 anos + 200/600 = 3,33 anos Exemplo: calcule o PBS da Cia do Balaco Baco S.A. ANO FC 0 -800 1 300 2 350 3 400 4 450 Solução: ANO FC 0 -800 -800 1 300 -500 2 350 -150 3 400 250 4 450 700 Resp. PSB = 2 + 150/400 = 2,375 anos Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 24 2.4.2.2 PAYBACK DESCONTADO Análise do prazo de recuperação do capital investido, com remuneração. Para considerar o $ no tempo, é preciso trazer todo o fluxo de caixa a valor presente (um por um). Refere-se ao tempo necessário para que o projeto recupere o investimento realizado mais o retorno mínimo exigido pelo investidor (investimentos e retornos são considerados em valor presente). No exemplo anterior, considerando-se uma taxa de atratividade de 10% ao ano, teremos: DATA PROJETO A PROJETO B RETORNOS SALDO DO INVESTIMENTO RETORNOS SALDO DO INVESTIMENTO 0 -1.000 -1.000 1 455 -545 91 -909 2 331 -214 248 -661 3 225 0 301 -360 4 68 410 0 Projeto A = 2 anos + 214/225 = 2,95 anos Projeto B = 3 anos + 360/410 = 3,88 anos Exercício: Calcule o payback descontado, considerando a taxa de desconto de 14% ao ano e considerando os dados abaixo: ANO FC 0 -800 1 300 2 350 3 400 4 450 Resp. 3,81 anos Exemplo: Os fluxos de caixa projetados para uma proposta de investimento são: ANO FLUXO DE CAIXA 1 $100 2 200 3 500 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 25 Esse projeto custa $500. Qual o período de Payback desse investimento? Resposta: Payback= 2,4 anos ou 2 anos, 4 meses e 12 dias. *Seleciona-se um período e corte. Se os projetos de investimento tiverem payback igual ou inferior a esse período de tempo, aceita-se; se os outros tiverem payback superior a esse tempo de corte, rejeita-se. Deficiências da metodologia Payback: Os fluxos de caixa posteriores ao período da recuperação não são considerados, o que pode distorcer a decisão e prejudicar o investidor. Considera-se o período payback como sendo o tempo hábil para haver equilíbrio num sentido contábil, mas não em um sentido econômico. O limite de tempo aceitável é estabelecido de forma arbitrária e subjetiva. Não há como verificar a validade desse parâmetro. Aplicações da Metodologia Payback: O método payback é frequentemente utilizado para decisões de investimento pouco importantes, pois trata-se de uma metodologia simples e rápida: aquisição de pequenas máquinas, reforma, pequenas construções etc. Como metodologia auxiliar de grandes projetos, o payback, além de indicar o tempo de vinculação dos recursos a um dado projeto, apresenta, também, indicador auxiliar para liquidez e risco: quanto mais curto o payback, menor o risco e maior a liquidez do projeto – e vice-versa. Ex. 2 A tabela abaixo ilustra os fluxos de caixas esperados de cinco projetos diferentes. Calcule o payback e analise os resultados. Ano 0 1 2 3 4 A - $ 100 30 40 50 60 B - $ 200 40 20 10 C - $ 200 40 20 10 130 D - $ 200 100 100 - 200 200 2.4.3 Taxa Interna de Retorno (TIR) A taxa interna de retorno representa a taxa média periódica de retorno de um projeto suficiente para repor, de forma integral e exata, o investimento realizado. A taxa médiaperiódica de Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 26 retorno representa a medida de rentabilidade de um determinado projeto de investimento. o cálculo da TIR. O cálculo da TIR independe de qualquer informação externa ao próprio fluxo de caixa do projeto de investimento. Desta forma, a TIR iguala as saídas e as entradas de um projeto de investimento, produzindo, consequentemente, um VPL igual a zero. ZERO = - I0 + FCL1 + FCL2 + FCL3 + FCL4 + FCLn (1+i)¹ (1+i)² (1+i)³ (1+i)4 + (1+i)n Por tratar-se de uma função polinomial de grau n, não existe um caminho de resposta convencional. Chega-se à TIR por uma abordagem de “tentativa e erro”, ou utilizar uma calculadora ou software financeiro. EXEMPLO: Uma empresa analisa um projeto de investimento de R$ 1.000, com retornos anuais previstos, ao final de cada ano, de R$ 220, R$ 605 E R$ 399,30. Qual a TIR desse projeto? Resolução: 200 605 399,30 1.000 Zero = -1000 + 220/ (1+TIR) + 605/(1 + TIR)² + 399,30(1 + TIR)³ Zero = -1.000 + 220/(1,10) + 605/(1,10)² + 399,30/(1,10)³ A TIR desse projeto é, portanto, de 10% ao ano. Note-se que o VPL desse projeto, descontado a uma taxa de atratividade de 10% ao ano, é igual a zero. REGRA DE DECISÃO BÁSICA DA TIR Se a TIR for maior que a taxa de atratividade, aceita-se o projeto de investimentos Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 27 Se a TIR for menor que a taxa de atratividade, rejeita-se o projeto de investimentos Se a TIR for igual à taxa de atratividade, o VPL será zero (indiferente). Exemplo: Uma empresa pretende adquirir um equipamento por R$ 300.000 e espera os seguintes retornos anuais, ao final de cada ano: R$ 110.000, R$121.000 e R$133.000. observe os casos a seguir: TIR = 10% ao ano, pois 0 = -300.000 + 110.000/(1,1) + 121.000/(1,1)² + 133.100/(1,1)³ Se a empresa adotar uma taxa de desconto: Igual à TIR, de 10%, o VPL SERÁ: -300.000 + 100.000 + 100.000 + 100.000 = 0 (indiferente). Menor que a TIR, de 5%, o VPL SERÁ: -300.000 + 329.489,26 = 29.489,26 (positivo, aceita- se). Maior que TIR, de 15%, o VPL será: -300.000 + 274.660,97 = - 25.339,03 (negativo, rejeita- se). Maior que a TIR, de 0%, o VPL será: -300.000 + 364.100 = 64.100,00 (positivo, aceita-se) EXERCÍCIOS PROPOSTOS Parte 1 1) Alguém oferece a você a possibilidade de comprar um imóvel, o qual poderá ser revendido daqui a seis meses por R$ 200.000. Você tem hoje o seu dinheiro aplicado a 1% ao mês. quanto você pagaria por esse imóvel de forma a obter um VPL de R$ 30.000? Resp. Pagaria = (200.000/1,01 (elevado a 6)) -30.000 = R$ 158.409,05 2) Você pagou durante 20 anos (ou 240 meses), um plano de aposentadoria. Daqui a 30 dias, você começará a receber um beneficio mensal no valor de R$ 800. A empresa de seguridade oferece hoje R$ 110.000 à vista pelos benefícios. utilizando como taxa de Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 28 atratividade uma remuneração mensal de 0,7%, apresente sua decisão e a justifique pelo método do VPL. Resp. VPL = - 800/0,007 + 110.000 = R$ -4285,71 3) Uma empresa lança um Commercial Paper com valor de face de R$ 1.000.000 e com vencimento em oito meses. Você tem como parâmetro de atratividade uma taxa mensal de remuneração do seu dinheiro de 2,4%. Quanto você pagaria hoje por esse título de forma a obter um VPL de R$ 50.000? Resp. Pagaria = (1.000.000/1,024 (elevado a oito))- 50.000 = $ 777.180,61 4) Um projeto apresenta os seguinte fluxos de caixa líquidos anuais: (-2.000, 300, 1.500, 500, 600). Sabe-se que o investidor utiliza uma taxa de atratividade de 10% ao ano e não aceita um retorno superior a três anos. pelo método Payback descontado, responda se o projeto deve ser aceito ou rejeitado e indique uma deficiência importante desse método. Resp. Payback = 3,27 anos (> 3 anos). O projeto deve, portanto, ser rejeitado. 5) Uma empresa precisa adquirir um novo equipamento, para utilizá-lo nos próximos dois anos. Pelo método do VPL, responda qual das alternativas é melhor, considerando-se uma taxa de atratividade de 3% ao mês. Equipamento A Equipamento B Faturamento mensal esperado 80.000 65.000 Preço de aquisição 6 parcelas mensais de 20.000 (tx de 4% ao mês) 150.000 à vista Custo de operação 30.000 ao mês 22.000 ao mês Custo de manutenção 25.000 ao ano (dois anos) 100.000 no 18º mês Valor residual 50.000 35.000 Resp. (Brom e Balian, página 49) Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 29 6) Um investidor dispõe de um capital de R$ 350.000 e pode aplica-lo em um empreendimento que lhe renderá R$ 90.000 ao final de cada um dos próximos três anos e R$ 150.000 ao final de cada um dos anos subsequentes. outra alternativa para o investidos é aplicar os mesmos R$ 350.000 imediatamente e receber R$ 480.000 daqui a dois anos. Sabendo se que o investidos consegue aplicar o seu dinheiro a 15% ao ano, qual a melhor alternativa de investimento? Resp. A melhor alternativa é a primeira 1ª alternativa = VPL = -350.000 + 90.000(1,15)-¹ + 90.000(1,15)-² + 90.000(1,15)-³ + 150.000(1,15)-4 + 150.000 (1,15)-5 VPL = R$ 15. 829,76 2ª alternativa = -350.000 + 480.000 (1,15)-² VPL = R$ 12.948,96 7) Uma empresa investe R$ 700.000 em um projeto, com a esperança de obter retornos mensais de R$ 250.000, R$ 300.000 e R$ 450.000 em um, dois e três meses, respectivamente. Qual a TIR desse projeto? (taxa mensal) Resp. TIR = 18,10% ao mês 8) Uma empresa investe hoje R$ 200 para receber, ao final dos próximos quatro anos, R$ 50, R$ 80, R$ 80 e R$ 60, respectivamente. Qual a TIR desse projeto de investimento. (taxa anual) Resp. TIR = 12,80 % ao ano. 9) Uma empresa investe hoje R$ 200 para receber R$ 100 daqui a 30 dias e R$ 170 daqui a 72 dias. Qual a TIR desse projeto de investimento? (taxa diária) Resp. 0,54% ao dia. 10) Considere os fluxos de caixa das seguintes propostas de investimento (anos): Alternativa I: (-10.000, 4.100, 3.500, 9.500, 9.500) Alternativa II: (-10,000, 5.200, 4.900, 6.000, 4.600, 2.300) Considerando-se uma taxa de desconto de 5% ao ano, calcule e apresente a decisão de investimento segundo os métodos: Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 30 a) VPL Resp. Alternativa 1 = R$ 15.361,97; Alternativa II = R$ 10. 166,39 Decisão: alternativa 1 b) Período de payback, para um limite de dois anos e meio. Resp. alternativa 1 = 2,97 anos; Alternativa 2 = 2,12 anos. Decisão: Alternativa 2 c) TIR Resp. Alternativa 1 = 41,12% ao ano; Alternativa 2: 40,16 % ao ano. Decisão: Alternativa 1. EXERCÍCIOS PROPOSTOS: VPL / PSB / PBD / TIR 1. Um investimento no valor de 250 gera fluxos anuais iguais a 50, 60, 80, 90 e 100 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 20% a.a., calcule o VPL. a) -48,78 b) -45,78 c) -42,78 d) -39,78 e) -36,78 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 31 2. Penso em investir $185 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Considerando uma TMA de 9% a. a., qual o VPL da operação?a) 124,01 b) 129,01 c) 142,01 d) 146,01 e) -3,99 3. Um projeto tem fluxos periódicos iguais a -80; 50; 70 e 90. Considerando uma TMA igual a 5% a. p., calcule o VPL. a) 108,86 b) 113,37 c) 92,81 d) 146,01 e) -3,99 4. Um projeto prevê investimento inicial de $900, dez fluxos anuais de $200 e TMA de 12% a.a. Calcule seu VPL. a) 222,04 b) 226,04 c) 230,04 d) 234,04 e) 238,04 5. Penso em investir $172 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Considerando uma TMA de 9% a. a., qual o VPL da operação? a) 124,01 b) 129,01 c) 142,01 d) 146,01 e) -3,99 6. Um investimento no valor de 300 gera fluxos anuais iguais a 160, 180, 120, 240 e 340 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 15% a.a., calcule o VPL. a) 240,4 b) 270,4 c) 300,4 d) 330,4 e) 360,4 7. Penso em investir $318 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Considerando uma TMA de 9% a. a., qual o VPL da operação? Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 32 a) 124,01 b) 129,01 c) 142,01 d) 146,01 e) -3,99 8. Um investimento no valor de 70 gera fluxos anuais iguais a 10, 12, 15, 18 e 50 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 20% a.a., calcule o VPL. a) -21,88 b) -18,88 c) -15,88 d) -12,88 e) -9,88 9. Penso em investir $308 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Considerando uma TMA de 9% a. a., qual o VPL da operação? a) 6,01 b) 129,01 c) 142,01 d) 146,01 e) -3,99 10. As Fábricas das Engrenagens pensam em investir $90.000,00 em um novo projeto que gerará fluxos anuais iguais a $25.000,00 pelos próximos oito anos. Considerando uma TMA igual a 10% a.a., calcule o VPL. a) 42173,15 b) 42473,15 c) 42773,15 d) 43073,15 e) 43373,15 11. Penso em investir $320 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Considerando uma TMA de 9% a. a., qual o VPL da operação? a) 44,01 b) 84,01 c) -5,99 d) 104,01 e) 64,01 12. O payback projetado para um determinado investimento foi reduzido. Com base nesta afirmação, assinale a alternativa correta. a) O risco foi reduzido. b) O risco permaneceu inalterado. c) A liquidez foi reduzida. d) A liquidez manteve-se inalterada. 13. Técnica de avaliação de investimentos que mensura o prazo necessário de recuperação do capital investido, sem considerar o valor do dinheiro no tempo. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 33 a) payback simples b) payback descontado c) VPL d) TIR e) ROI 14. Penso em investir $210 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 4,57 b) 5 c) 4,71 d) 3 e) 3,86 15. Penso em investir $190 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 5,41 b) 2,29 c) 2,57 d) 2,71 e) 5,79 16. Penso em investir $270 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 4,57 b) 5 c) 4,71 d) 3 e) 3,86 17. Um investimento no valor de 800 gera fluxos anuais iguais a 200, 300, 150, 200 e 300 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 20% a.a., calcule o PBS em anos. a) 0.55 b) 1.35 c) 2,15 d) 2,95 e) 3,75 18. Penso em investir $160 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 5,14 b) 2,29 c) 2,57 d) 2,71 e) 5,79 19. Penso em investir $180 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 5,14 b) 2,29 c) 2,57 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 34 d) 2,71 e) 5,79 20. Penso em investir $320 mil em um projeto com seis anos de vida. Receberei $70 mil por ano. Qual o PBS em anos da operação? a) 4,57 b) 5 c) 4,71 d) 3 e) 3,86 21. Um investimento no valor de 500 gera fluxos anuais iguais a 160, 180, 120, 240 e 340 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 15% a.a., calcule o PBS em anos a) 1,9667 b) 2,5667 c) 3,1667 d) 3,7667 e) 4,3667 22. Um projeto prevê investimento inicial de $800, dez fluxos anuais de $180 e TMA de 12% a.a. Calcule seu PBS em anos a) 4,24 b) 4,44 c) 4,64 d) 4,84 e) 5,94 23. Ao pensar na perspectiva de um novo projeto, a Cavalo Russo Participações pensa em investir $70 milhões, projetando fluxos de caixa iguais a $18 milhões pelos próximos sete anos. Considerando TMA igual a 6% a.a., calcule o PBS em anos. a) 3,29 b) 3,49 c) 3,69 d) 3,89 e) 4,09 24. Assinale a alternativa que apresenta uma possível causa para a elevação do PBD de um projeto. a) redução da TMA b) aumento da TMA c) redução dos custos d) aumento das receitas e) redução dos impostos sobre vendas 25. O PBD de um projeto é alto. Assinale a alternativa associada ao fato. a) seu risco é baixo b) sua liquidez é baixa c) seu risco é alto d) suas receitas são altas e) seus custos são baixos 26. Calcule o payback descontado de um projeto com fluxos de caixa distribuídos no ano, investimento inicial de $250 mil, FCLs anuais iniciando em $60 mil no ano 1, com acréscimos de $40 mil por ano, vida útil de sete anos e TMA igual a 5% a. a. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 35 a) 2,84 b) 3,04 c) 3,24 d) 3,44 e) 3,64 27. Um projeto prevê investimento inicial de $900, dez fluxos anuais de $200 e TMA de 12% a.a. Calcule seu PBD em anos a) 6,46 b) 6,66 c) 6,86 d) 7,06 e) 7,26 28. Um projeto prevê investimento inicial de $400, dez fluxos anuais de $160 e TMA de 15% a.a. Calcule seu PBD em anos a) 3,08 b) 3,18 c) 3,28 d) 3,38 e) 3,48 29. O que ocorre com o PBD quando a taxa de desconto aumenta? a) aumenta b) diminui c) não sealtera]torna-se nulo d) torna-se unitário 30. O que acontece com o PBD de um projeto quando a taxa mínima de atratividade é reduzida? a) não se altera b) reduz c) aumenta d) torna-se nulo e) torna-se unitário 31. Um investimento no valor de 70 gera fluxos anuais iguais a 10, 12, 15, 18 e 50 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 20% a.a., calcule o PBD em anos. a) zero b) não tem c) 1,8 d) 2,4 e) 3 32. A Mamãe Eu Quero pensa em investir $70.000,00 em um novo projeto que gerará fluxos anuais iguais a $20.000,00 pelos próximos seis anos. Considerando uma TMA igual a 12% a.a., calcule o PBD em anos a) 4,82 b) 5,02 c) 5,22 d) 5,42 e) 5,62 33. Um investimento no valor de 120 gera fluxos anuais iguais a 40, 50, 30, 50 e 40 nos seus cinco anos de duração. Assumindo fluxos de caixa distribuídos ao longo do ano e um custo de capital igual a 20% a.a., calcule o PBD em anos. Módulo de Administração Financeira e OrçamentáriaII –Profa. Rejane Marcolin 36 a) 4,6514 b) 5,4514 c) 6,2514 d) 7,0514 e) 7,8514 34. A Transportadora Leva e Traz pensa em investir $400 mil em um novo equipamento de transportes. A empresa pensa em utilizá-lo por cinco anos, vendendo-o por $100 mil líquido aos final do quinto ano. Os fluxos de caixa operacionais e incrementais do negócio são projetados como sendo $60 mil distribuídos no ano 1, com acréscimos de $20 mil por ano. Sabendo que o custo médio dos financiamentos do projeto é de 4% a. a., calcule o seu payback descontado. a) 4,67 b) 4,39 c) 3,24 d) 3,44 e) 3,64 GABARITO (VPL): 1 - E; 2 – B; 3 – A; 4 – C; 5 – C; 6 – E; 7 – E; 8 – C; 9 – A; 10 – E; 11 – C GABARITO (PBS – PAYBACK SIMPLES) 12 – A; 13 – A; 14 – D; 15 – D; 16 – E; 17 – E; 18 – B; 19 – C; 20 – A; 21 – C; 22 – B; 23 - D GABARITO (PBD – PAYBACK DESCONTADO) 24 – B; 25 – C; 26 – A; 27 – C; 28 – D; 29 – A; 30 – B; 31 – B; 32 – A; 33 – A; 34 - B 4. Alavancagem A alavancagem resulta do uso de ativos ou fundos a custo fixo para multiplicar os retornos aos proprietários da empresa. De modo geral, aumentar a alavancagem resulta em maior retorno e risco, ao passo que reduzi-la, diminui ambos (retorno Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 37 e risco). O volume de alavancagem na estrutura de capital da empresa – o mix de dívida de longo e > Alavancagem ==> maior risco e maior retorno < Alavancagem ==> menor risco e menor retorno 4.1 ANÁLISE DO PONTO DE EQUILIBRIO E DO GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL 4.1.1 Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) Ponto de equilíbrio (break-even point) é um nível de atividades em que as receitas são iguais às despesas e, consequentemente, o lucro é igual a zero. O Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) é definido como o nível de atividades necessárias para recuperar todas as despesas e custos de uma empresa. No PEC, o lucro líquido contábil é igual a zero. PEC: volume de vendas (ou nível de atividades) no qual a receita total (RT) é igual às despesas totais mais os custos totais (DT + CT). No PEC, RT = DT + CT, ou seja, o lucro será zero. RT = Receitas totais = quantidade vendida x preço de venda unitário ou (Q X PV) DT = Despesas fixas mis despesas variáveis ou (DF + DV) CT = Custos fixos mais custos variáveis ( CF + CV) Despesas totais = despesas fixas mais despesas variáveis Custos totais = custos fixos mais custos variáveis A quantidade de vendas no PEC pode ser determinada através seguinte fórmula: QPEC = DESPESAS FIXAS + CUSTOS FIXOS MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA Ex: Uma indústria vende cada unidade de seu produto por $ 1.000. A margem de contribuição e sua estrutura de despesas e custos são as seguintes: $ Preço unitário de venda 1.000 Despesas variáveis para cada unidade 130 Custos variáveis para cada unidade 470 Total das despesas e custos variáveis para unidade 600 Margem de contribuição unitária 400 Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 38 Preço de venda menos total das despesas e custos variáveis Despesas fixas totais do mês 300.000 Custos fixos totais no mês 1.700.000 Total das despesas e custos fixos no mês 2.000.000 Com base nessas informações, calcule o Ponto de Equilíbrio contábil – QPEC Resposta: QPEC = 2.000.000 = 5.000 UNIDADES. 400 (Volume de vendas, onde Receitas totais = Despesas mais custos totais.) Demonstração do resultado no ponto de equilíbrio $ Total das Receitas = 5.000 unidades x $ 1.000 5.000.000 Menos Total das despesas variáveis = 5.000 unidades x $ 130 (650.000) Total dos custos variáveis = 5.000 unidades x $ 470 (2.350.000) = Margem de contribuição total 2.000.000 Menos Total das despesas fixas (300.000) Total dos custos fixos (1.700.000) = Resultado do mês ZERO 4.1.2 Ponto de equilíbrio financeiro (PEF) É o nível de produção e vendas em que o saldo de caixa é igual a zero. Representa a quantidade de vendas necessárias para cobrir os gastos desembolsáveis tanto operacionais como não operacionais. No PEF, a empresa apresenta prejuízo contábil e saldo de caixa zero. PEF = (despesas fixas + custos fixos ) menos ( despesas e custos fixos que não representam desembolsos financeiros Margem de contribuição unitária Exemplo de cálculo do PEF utilizando as variáveis anteriores: Supondo que no total de $ 2.000.000 contabilizados como despesas e custos fixos esteja incluído o montante de $ 400.000 de depreciação, ou seja, despesas e custos não desembolsáveis. PEF = $ 2.000.000 menos $ 400.000 = 4.000 unidades MC = $ 400,00 Demonstração do resultado Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 39 Demonstração do resultado ZERO de caixa no PEF $ a.Total das Receitas = 4.000 unidades x $ 1.000 4.000.000 Menos b.Total das despesas variáveis = 4.000 unidades x $ 130 (520.000) c.Total dos custos variáveis = 4.000 unidades x $ 470 (1.8800.000) d.= Margem de contribuição total = a menos (b+c) 1.600.000 Menos despesas e custos fixos desembolsados e.Total das despesas fixas (300.000) f.Total dos custos fixos (1.700.000) g.Menos despesas e custos fixos não desembolsados 400.000 h.despesas e custos fixos desembolsados = e + f menos g = Resultado da caixa do mês = d menos h ZERO 4.1.3 Grau de alavancagem operacional ( GAO) Representa o efeito que um aumento na qualidade de vendas provocará no lucro da empresa. GAO = VARIAÇÃO PERCENTUAL DO LUCRO VARIAÇÃO PERCENTUAL NA QUANTIDADE VENDIDA Exemplo : Utilizando as mesmas informações para o calculo de ponto de equilíbrio, supomos que a empresa produziu e vendeu durante um determinado mês 7.000 unidades do seu produto, qual seria o lucro mensal? $ Preço unitário de venda 1.000 Despesas variáveis para cada unidade 130 Custos variáveis para cada unidade 470 Total das despesas e custos variáveis para unidade 600 Margem de contribuição unitária Preço de venda menos total das despesas e custos variáveis 400 Despesas fixas totais do mês 300.000 Custos fixos totais no mês 1.700.000 Lucro do mês supondo um volume de atividade de 7.000 unidades. $ Total das Receitas = 7.000 unidades x $ 1.000 7.000.000 Menos Total das despesas variáveis = 7.000 unidades x $ 130 (910.000) Total dos custos variáveis = 7.000 unidades x $ 470 (3.290.000) = Margem de contribuição total 2.800.000 Menos Total das despesas fixas (300.000) Total dos custos fixos (1.700.000) Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 40 = Resultado do mês 800.000 Qual seria o Grau de Alavancagem Operacional (GAO) dessa empresa, ao volume de atividade de 7.000 unidades? Ou seja, qual seria o reflexo no lucro se houvesse determinado aumento no volume de atividades? Supondo um acréscimo de 10% no volume de atividades – a empresa vendeu 7.700 unidades, em vez de 7.000 anteriores – o “novo” lucro seria apurado como se segue: Lucro do mês supondo um volume de atividade de 7.000 unidades. $ Total das Receitas = 7.700 unidades x $ 1.000 7.700.000 Menos Total das despesas variáveis =7.700 unidades x $ 130 (1.001.000) Total dos custos variáveis = 7.700 unidades x $ 470 (3.619.000) = Margem de contribuição total 3.080.000 Menos Total das despesas fixas (300.000) Total dos custos fixos (1.700.000) = Resultado do mês 1.080.000 Portanto o lucro anterior de $ 800.000 aumentou para $ 1.080.000, equivalente a $ 280.000 ou 35%. GAO = VARIAÇÃO PERCENTUAL DO LUCRO VARIAÇÃO PERCENTUAL NA QUANTIDADE VENDIDA GAO = 35% = 3,5 VEZES 10% A GAO de 3,5 vezes significa que, no volume de atividade de 7.000 unidades, qualquer acréscimo percentual no volume dessa atividade implicará que o lucro aumentará proporcionalmente em 3,5% REFERÊNCIAS GITMAN, J. Lawrence. Princípios de Administração Financeira – Essencial. 2 ª edição. Porto Alegre, Bookman, 2001. ROSS, Stephen ª et al. Princípios de Administração Financeira, São Paulo – Atlas, 2002. Módulo de Administração Financeira e Orçamentária II –Profa. Rejane Marcolin 41 NETO, Alexandre Assaf. Finanças Corporativas e Valor. Editora Atlas. São Paulo, 2003. SANVINCENTE, Antônio Zoratto. Orçamento na Administração de Empresas – Planejamento e Controle. São Paulo, Atlas, 2000. WELSCH, Glenn Albert. Orçamento Empresarial. 4ª edição. São Paulo, Atlas, 1983. Revista de Contabilidade e finanças USP: http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/ Congresso USP de Controladoria e Contabilidade: http://www.congressousp.fipecafi.org/index.asp Associação Brasileira de Custos: http://www.abcustos.org.br/. EnANPAD - Encontro da ANPAD (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração) : http://www.anpad.org.br/evento.php?cod_evento_edicao=58