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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – ODONTOLOGIA 3º PERÍODO ALLANA EMIDIO DOS SANTOS Histologia Odontogênese O estomodeo ou boca primitiva, é revestida por um epitélio delgado, o ectoderma. Há uma invasão de células de origem ectodérmica geradas nas cristas neurais, esse tecido se comporta como um mesênquima, originando estruturas de natureza conjuntiva, por isso é chamado de ectomesênquima. Na 5ª semana de vida, o epitélio oral primitivo começa a se proliferar, invadindo o ectomesênquima subjacente formando a chamada banda epitelial primária, local onde vai se formar os arcos dentários. ´ A banda epitelial primária sofre uma bifurcação formando duas populações epiteliais: a lâmina vestibular e a lâmina dentária. A lâmina vestibular é a banda epitelial localizada mais externamente que ao continuar a se proliferar e aumentar o nº de suas células, sofrerá degeneração de suas células centrais, dando lugar a uma fenda que será o futuro fundo de saco do sulco vestibular. Já a lâmina dentária, é responsável pela formação dos dentes, representando o futuro arco dentário. 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – ODONTOLOGIA 3º PERÍODO ALLANA EMIDIO DOS SANTOS Entre a 6ª e a 7ª semanas, pouco tempo depois da subdivisão da banda epitelial primária, observa-se apenas a lâmina dentária, devido ao rápido estabelecimento do sulco vestibular. Ela continua a se proliferar, aprofundando-se no ectomesênquima em forma de ferradura. Fase de botão Há a proliferação inicial uniforme ao longo dos futuros arcos dentários, após isso, a lâmina dentária apresenta atividade mitótica diferencial em alguns locais. Assim, a partir da 8ª semana, há o início da formação dos germes dos dentes decíduos através de pequenas esférulas que invadem o ectomesênquima. Há também discreta condensação do ectomesênquima subjacente em torno da parte mais profunda da esférula epitelial. É possível também observar o aparecimento de 2 importantes moléculas: a glicoproteína tenascina e o sindecan-1. Fase de capuz Nessa fase, observa-se o crescimento não uniforme do botão. Seu crescimento desigual, leva-o a ter uma aparência de capuz. Essa fase é caracterizada por intensa proliferação das células epiteliais. Uma vez estabelecida, podemos observar vários componentes do germe dentário, como o órgão do esmalte e papila dentária. Entre o epitélio interno e o epitélio externo do órgão do esmalte, ou seja, na região central, podemos observar uma substância fundamental rica em proteoglicanos chamada de retículo estrelado. Nessa fase também, podemos ver a papila dentária, ela é formada através do aumento do grau de condensação do ectomesênquima. A papila dentária irá formar a dentina e a polpa. E por fim, o folículo dentário. Esse se forma devido a condensação do ectomesênquima ao redor do germe dentário em desenvolvimento. O folículo dentário é responsável pela formação do periodonto de inserção, ou seja, cemento, ligamento periodontal e osso alveolar. 3 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – ODONTOLOGIA 3º PERÍODO ALLANA EMIDIO DOS SANTOS Fase de campânula Nessa fase observa-se diminuição da proliferação de células, ou seja, do crescimento do órgão do esmalte. Essa fase é caracterizada pelos processos de morfogênese e histodiferenciação. Na região entre o epitélio interno e o retículo estrelado duas ou três camadas de células pavimentosas forma o chamado estrato intermediário, que participa na formação do esmalte. Na região onde o epitélio interno e o epitélio externo se encontram há formação de um ângulo, chamado de alça de cervical, que futuramente na fase de coroa irá formar a bainha de Hertwing (raiz do dente). O folículo dentário fica mais evidente, pois passa a envolver o germe dentário em sua totalidade. Há desintegração entre a lâmina dentária, órgão do esmalte e o epitélio bucal. Além disso, surge a cripta óssea, pois o osso do processo alveolar rodeia completamente o folículo dentário. Apesar do dente em desenvolvimento se separar do epitélio oral, algumas células da lâmina ainda permanecem condutos ósseos formando o gubernáculo ou canal gubernacular, que tem papel importante na erupção dos dentes. Nessa fase também, temos a formação do nó do esmalte, importante para determinação da forma da coroa dos dentes. Células do epitélio interno sofrem a chamada inversão da polaridade, transformando-se em pré-ameloblastos. Assim, sob influência dos pré-ameloblastos, as células ectomesenquimais da papila dentária subjacente param de se dividir, aumentam seu tamanho e se diferenciam em odontoblastos. E por fim, secretam a primeira camada de matriz de dentina – a dentina do manto (colágeno I). Nesse momento, temos a indução recíproca: o contato entre odontoblastos e pré- ameloblastos + a presença da matriz de dentina, desencadeia a diferenciação final em ameloblastos, que sintetizam e secretam a matriz orgânica do esmalte. Fase de coroa 4 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – ODONTOLOGIA 3º PERÍODO ALLANA EMIDIO DOS SANTOS Também chamado de fase avançada de campânula, em que ocorre a deposição de dentina e esmalte da coroa do futuro dente. A formação da dentina é centrípeta. A formação do esmalte é centrífuga. Fase de raiz No final da fase de coroa, os eventos de diferenciação alcançam a porção da alça cervical. Assim, o epitélio interno e externo que constitui essa região começa a se proliferar em sentido apical para induzir a formação da raiz do dente. O epitélio resultante dessas duas camadas sofre uma dobra formando o diafragma epitelial, que continua a se proliferar dando origem a uma outra estrutura: bainha epitelial radicular de Hertwing. Outro ponto importante, é que a fase de raiz ocorre durante a erupção do dente. Logo, enquanto a raiz do dente vai sendo formada, o germe dentário movimenta-se no sentido coronário. A dentina radicular é formada quando as células da camada interna da bainha de Hertwing induzem as células ectomesenquimais da papila dentária a se diferenciarem em odontoblastos. As células exercem essa indução, cessam a proliferação e secreta sobre a dentina radicular uma fina matriz de composição similar a matriz inicial do esmalte. Ainda assim, os odontoblastos continuam formando a dentina radicular (aumentando o tamanho da raiz). Há uma fragmentação da bainha de Hertwing decido ao crescimento contínuo da raiz, formando cordões celulares que posteriormente se rompem e constituem grupos celulares isolados denominados restos epiteliais de Malassez (células inativas que podem ficar ativas em estados patológicos). É nessa fase também que são formados os tecidos que compõem o periodonto de inserção: cemento, ligamento periodontal e osso alveolar. O cemento é formado quando há a fragmentação da bainha de Hertwing, pois assim há o contato do folículo dentário com a dentina radicular em formação: células ectomesenquimais do folículo se diferenciam em cementoblastos. Ao mesmo tempo, as células do lado externo do folículo se diferenciam em osteoblastos para formar o osso alveolar. Enquanto, as células da parte central se diferenciam em fibroblastos para formar o ligamento periodontal.