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2019 Odontologia FAPI 1 PERIODONTO DE SUSTENTAÇÃO O periodonto de sustentação é o aparelho de fixação dos dentes e consiste de: cemento, osso alveolar e ligamento periodontal. Compreende portanto, três tecidos conjuntivos, sendo dois mineralizados e um fibroso. A formação do periodonto de sustentação coincide com a rizogênese. Possuem a mesma origem ectomesenquimal do folículo e dependem da formação da dentina radicular e da presença da bainha radicular epitelial de Hertwig. 1. RIZOGÊNESE No final da fase de coroa, quando os eventos de diferenciação alcançam a região da alça cervical, as células epiteliais do epitélio interno e externo continuam a proliferar, originando uma dupla camada de células que dará origem a outra estrutura: a bainha epitelial radicular de Hertwig que tem por finalidade modelar e formar a dentina radicular, até a completa formação da raiz. A Bainha de Hertwig, determina a formação de dentes unirradiculares (quando a bainha contorna todo o dente assumindo a forma de um tubo cônico simples com um único orifício). Nos dentes bi ou multirradiculares a bainha de Hertwig forma lingüetas epiteliais que se dirigem para o longo eixo do dente fusionando-se entre si. Assim, estabelece a formação do soalho da câmara pulpar e agora aquele orifício único fica dividido em dois ou três orifícios que correspondem a base das futuras raízes. A alça cervical prolifera entre a papila e o folículo dentário num ângulo agudo até englobar toda a porção basal da papila, formando um diafragma epitelial. As células da camada interna da bainha epitelial radicular de Hertwig induzem as células ectomesenquimais da papila dentária a se diferenciarem em odontoblastos e estes, recém-diferenciados formam a dentina radicular, aumentando gradualmente o comprimento da raiz. Com o início da formação radicular, a coroa do dente cresce no sentido oposto à base do osso, e a bainha radicular, na verdade, não cresce para dentro dos maxilares. Devido às modificações nesse crescimento, a bainha radicular é distendida e por fim ela se fragmenta, para formar vários grupamentos discretos de células epiteliais, separadas do tecido conjuntivo circundante por uma lâmina basal, conhecidos como restos epiteliais de Malassez. 2019 Odontologia FAPI 2 Em adultos, esses restos de células epiteliais persistem próximo à superfície radicular, no ligamento periodontal. Embora aparentemente sem função, eles podem causar patologias. A fragmentação da bainha radicular epitelial de Hertwig induz a diferenciação das células do folículo em cementoblastos. secretando a matriz orgânica do cemento. As células do lado externo do folículo diferenciam-se em osteoblastos, formando o osso alveolar. A região central do folículo se diferencia principalmente em fibroblastos e forma o ligamento periodontal. As fibras colágenas principais do ligamento periodontal (fibras de Sharpey) ficarão inseridas no cemento e osso alveolar. 2. CEMENTO O cemento representa um tecido conjuntivo mineralizado, avascular, que tem como principal função a inserção de fibras do ligamento periodontal a raiz do dente. Trata-se de um tecido muito semelhante ao osso, porém não possui a capacidade de remodelação, no entanto geralmente é mais resistente a reabsorção, crescendo lentamente por aposição, por todo vida. O cemento recobre a dentina radicular, e modifica sua espessura dependendo da localização: próximo a junção esmalte-cemento é mais delgado (20 a 50 µm) e torna-se mais espesso a medida que se aproxima do ápice da raiz (150 a 200 µm). Pela ausência de vascularização, o tecido cementário é nutrido pela difusão de substâncias advindas do ligamento periodontal. 2.1 Cementogênese A aposição do cemento, ou cementogênese, na região da raiz, ocorre quando a bainha epitelial dc Hertwig desintegra-se. Essa desintegração da bainha permite que as células indiferenciadas do folículo dentário entrem em contato com a superfície da dentina da raiz recém-formada. Assim, quando há essa exposição da dentina radicular, ocorre a indução dessas células mesenquimais indiferenciadas em se transformarem em cementoblastos e fibroblastos, respectivamente para originar o cemento e o ligamento periodontal. Os cementoblastos, rapidamente aumentam de tamanho e desenvolvem organelas citoplasmáticas especializadas na síntese e secreção de proteínas, iniciando a deposição de matriz orgânica do cemento que consiste de fibras colágenas intrínsecas e outras proteínas, sobre a superfície dentinária radicular e ao redor dos feixes de fibras colágenas do ligamento periodontal em formação (fibras extrínsecas ou fibras de Sharpey). A medida que o cementóide que envolve os cementócitos se torna calcificado ou maduro, passa a ser considerado cemento. Esta matriz orgânica é depositada ritmicamente em lamelas sucessivas, sempre seguidas pela mineralização por cristais de hidroxiapatita e deste modo, os cementoblastos se encerram em lacunas intercomunicantes, diferenciando-se em cementócitos. 2019 Odontologia FAPI 3 2.2 Classificação do cemento Quanto ao período de formação e presença de células: Primário (acelular): é o cemento que se forma juntamente com a dentina radicular e na presença da bainha epitelial, portanto, antes mesmo da erupção do dente. A deposição mineral e feita de maneira incremental e não apresenta células. Secundário (celular): formado durante o período pós-eruptivo e durante certas exigências funcionais. Possui células. Quanto a presença de fibrilas colágenas na matriz Cemento afibrilar: Cemento que possui matriz desprovida de fibrilas colágenas tipo I. Desta forma, a matriz tende a ser fina e de consitência granular. Cemento fibrilar: Cemento que contém fibrilas bem definidas e colágeno tipo I. Pela origem das fibrilas colágenas da matriz - Fibras intrínsecas do cemento: Cemento que contém fibras produzidas por cementoblastos e que estão orientadas mais ou menos paralelas à superfície do cemento. Esta forma de cemento está localizada predominantemente nos locais que estão sofrendo reparo, seguinte à superfície reabsorvida, não possuindo nenhum papel na ancoragem dos dentes. - Fibras extrínsecas do cemento: Cemento que contém fibras extrínsecas, i.e. fibras de Sharpey que estão em continuidade com as fibras do ligamento periodontal. Estas fibras originalmente são produzidas pelos fibroblastos do ligamento periodontal, por isso são consideradas "extrínsecas" do cemento. Estas fibras estão orientadas mais ou menos perpendicular a superfície do cemento e possuem papel importante na ancoragem do dente. As fibras de Sharpey constituem as extremidades de todos os feixes principais de fibras colágenas do ligamento periodontal que estão embutidas no cemento e no osso alveolar. No cemento acelular as fibras de Sharpey estão completamente mineralizadas, enquanto que no cemento celular e no osso estão parcialmente mineralizadas na superfície. - Fibras mistas do cemento: Cemento que contém uma mistura de fibras extrínsecas e intrínsecas no cemento. 2.3 Tipos de cemento A- Acelular e fibrilar (extrínsecas): reveste os 1/3 cervicais, sendo um cemento mais denso e homogeneamente mineralizado. As fibras de Sharpey são as principais. B- Celular e fibrilar (intrínsecas): A formação desse cemento constituído apenas pelo produto dos cementoblastos. Isso significa que o cemento celular de fibras intrínsecas é originadosó em casos de 2019 Odontologia FAPI 4 reparação, geralmente após reabsorção cementária ou na compensação dos desgastes oclusais funcionais. C- Celular Estratificado Misto: reveste o 1/3 apical e as áreas de bifurcação de raízes de dentes multirradiculares. Possui os dois grupos de fibras. 2.4 Células Cementoblastos Cementoblastos formam o cemento e são encontrados revestindo a superfícies da raiz interpostos entre os feixes do ligamento periodontal. Freqüentemente são considerados como integrantes da população de células do ligamento periodontal. Os cementoblastos são grandes, arredondados, citoplasma basófilo indicativo de extenso retículo endoplasmático granular. Enquanto o cemento acelular está sendo formado, os cementoblastos recuam deixando para traz a matriz do cemento. Cementócitos Quando o cemento celular está sendo formado os cementoblastos ficam aprisionados em lacunas dentro da própria matriz e passam a se chamar cementócitos. Como o cemento é avascular os cementócitos dependem da difusão dos nutrientes através do ligamento periodontal e como consequência a maioria dos prolongamentos citoplasmáticos da célula está voltada para o ligamento. 2.5 Composição Química - 50 a 55% de Material orgânico e água: representado por fibras colágenas intrínsecas, substância fundamental e pelas fibras colágenas extrínsecas. - 45 a 50% de Material inorgânico: a porção inorgânica consiste principalmente pelos sais de carbonato e fosfato de cálcio, depositados na forma de cristais de hidroxiapatita. 2.6 Funções do Cemento ● A função primordial do cemento é fornecer um meio de inserção das fibras colágenas que unem o dente ao osso alveolar. As fibras colágenas do ligamento periodontal passam entre os cementoblastos e penetram ao interior do cemento. Essas fibras do ligamento periodontal que estão incluídas no cemento, servem para fixar o dente ao osso alveolar circundante. Suas porções incluídas são as fibras de Sharpey. ● Compensar o desgaste oclusal através do seu crescimento contínuo que ocorre no terço apical. ● Reparação, quando a superfície radicular é danificada; o cemento serve como maior tecido reparador para as superfícies das raízes. Danos aos dentes, como o caso de fraturas ou reabsorções que envolvem tanto cemento como dentina, podem ser reparadas pela aposição de novas camadas de cemento. 2.7 Relação esmalte - cemento A relação entre o cemento e o esmalte na região cervical é variável entre os indivíduos. 2019 Odontologia FAPI 5 a) Em 60% o cemento recobre a extremidade cervical do esmalte. b) Em 30% dos casos o cemento encontra-se com a extremidade cervical do esmalte numa linha aguda (nenhum recobre o outro). c) Em 10% não existe a junção esmalte-cemento e uma zona de dentina radicular encontra-se exposta. Ocorrendo exposição da dentina, esta precisa ser tratada pelo dentista, devido a dor causada. 2.8 Junção cemento-dentina A união do cemento a dentina é bastante firme embora a natureza desta união não seja completamente conhecida. 3. OSSO ALVEOLAR / PROCESSO ALVEOLAR O osso alveolar é a parte da maxila e da mandíbula que constitui, com o ligamento periodontal e o cemento, o sistema de ancoragem do dente no alvéolo. Do processo alveolar fazem parte: osso alveolar propriamente dito ou lâmina dura ou osso fasciculado e osso alveolar de suporte ou sustentação constituído pelas tábuas ou corticais externa e interna e o osso esponjoso que circundam o osso alveolar. A crista alveolar é a junção entre a cortical do osso de suporte e osso alveolar O osso basal ou de sustentação, que constitui o corpo da mandíbula e da maxila. Por outro lado, os alvéolos do osso alveolar somente estão presentes em indivíduos com dentes, pois a condição de sua existência é a presença da raiz dentária. 3.1 Estrutura do osso alveolar propriamente dito e do osso de Suporte ou de Sustentação Histologicamente ambos são do tipo haversiano compacto e esponjoso. No osso de suporte os espaços localizados entre os vários sistemas haversianos são preenchidos por medula óssea. A cortical do osso de suporte está revestido por periósteo (tecido conjuntivo denso que reveste a superfície mais externa do osso). O osso alveolar apresenta inserção das fibras de Sharpey O osso, um dos tecidos mais duros do nosso organismo, é biologicamente um tecido altamente plástico, permitindo ao ortodontista mover os dentes sem romper os ligamentos periodontais e suas relações com o osso alveolar. O osso é reabsorvido no lado da pressão e neoformado no lado da tensão. 4. LIGAMENTO PERIODONTAL O ligamento periodontal é uma estrutura celular e fibrosa do tecido conjuntivo, com componentes nervosos e vasculares, que une o cemento da raiz ao osso osso alveolar. A espessura do ligamento do periodontal varia de 0,1 para 0,4 mm (em média 0,2 mm). 2019 Odontologia FAPI 6 As células do ligamento são capazes de remodelar o ligamento e osso adjacente quando forças funcionais são alteradas ou o ligamento é danificado. 4.1 Funções do ligamento periodontal O ligamento periodontal tem várias funções como: Suporte: toda a pressão exercida sobre a coroa do dente é transformada pelo ligamento periodontal em tração sobre o osso e cemento. ● Sensorial: o ligamento periodontal através do suprimento nervoso fornece um mecanismo receptor sensorial muito eficiente, permitindo ao organismo detectar as aplicações das mais delicadas forças aos dentes e deslocamentos muito leves dos mesmos. ● Nutritiva: os vasos sangüíneos fornecem material nutritivo às células do ligamento, encarregando-se também da remoção dos catabolitos. ● Protetora: o ligamento periodontal limita os movimentos mastigatórios amortecendo os traumas da mastigação. ● Homeostática: as células do ligamento tem a capacidade de reabsorver e sintetizar a substância extracelular do tecido conjuntivo do ligamento, do osso alveolar e do cemento. 4.2 ORIGEM E DESENVOLVIMENTO O ligamento do periodontal é derivado embriologicamente do tecido ectomesenquimal do folículo dental. No tempo da erupção dental, as células e fibras do colágeno do folículo dental, i.e. futuro ligamento periodontal, são orientados primeiramente com seu longo eixo paralelo à superfície da raiz. Assim, surge o ligamento periodontal que começa com as fibras que estão embutidas à superfície da raiz e osso na junção cemento- esmalte (essas fibras são partes das fibras extrínsecas que são incorporadas dentro do cemento). O processo então continua em direção apical . Durante a formação da raiz do dente e o processo eruptivo os feixes sofrem mudanças, estrutura final do ligamento periodontal só é alcançada após a erupção dentária 4.3 FIBRAS PRINCIPAIS A grande maioria das fibrilas colágenas são do tipo I e estão arranjadas em feixes definidos e distintos de fibras no ligamento periodontal. Este arranjo é que dá condições às fibras de se adaptarem as contínuas forças nelas aplicadas. Os vários grupos de feixes de fibras colágenas dividem-se em grupamentos, tendo como base a sua localização anatômica. Grupo da crista alveolar - unido ao cemento logo abaixo da junção amelocementária, dirige-se apicalmente e para fora, para inserir-se na crista alveolar. Grupo horizontal - situado apicalmente ao grupo da crista alveolar, dirige-se em ângulo reto em relação ao longo eixo da raiz, desde o cemento até o osso alveolar. 2019 OdontologiaFAPI 7 Grupo oblíquo - são os feixes mais numerosos, têm direção oblíqua no sentido cervical do cemento para o osso alveolar. Grupo apical - irradiando-se desde o cemento em torno do ápice da raiz, para o osso. Grupo interradicular - encontrado nos dentes multiradiculares, dirigem-se da crista do septo interradicular para a bifurcação dos dentes multirradiculados. 4.5 FIBRAS OXITALÂNICAS E FIBRAS DE SHARPEY Além das fibras de Sharpey encontram-se fibras oxitalânicas que são consideradas como uma variante das fibras elásticas, são encontradas obliquamente entre as paredes dos vasos sangüíneos no ligamento periodontal e cemento. Sua função é desconhecida mas tem sido sugerida que tomam parte no suporte dos vasos sangüíneos do ligamento. 4.6 CÉLULAS DE NATUREZA CONJUNTIVA Células ectomesenquimais indiferenciadas, localizadas envolta dos vasos de sangue, são preservadas podendo se diferenciar em células especializadas que formam osso (osteoblastos), cemento (cementoblastos), e fibras do tecido conjuntivo (fibroblastos). A reabsorção ocorre por meio de células que reabsorvem osso e dente (osteoclastos), as quais, são geralmente macrófagos multinucleados derivados de monócitos produzidos no sangue. Estão presentes também: macrófagos, plasmócitos, mastócitos 4.7 CÉLULAS EPITELIAIS São as remanescentes da bainha epitelial de Hertwig. Elas aparecem no ligamento como cordões entrelaçados ou em pequenos agrupamentos junto a superfície do cemento. São os restos epiteliais de Malassez, que eventualmente podem ser estimuladas induzindo a formação de cistos. 4.8 VASOS SANGÜÍNEOS E NERVOS O principal suprimento sangüíneo do ligamento vem das artérias dentárias e que forma uma rica rede de capilares. Os vasos linfáticos seguem o trajeto dos vasos sangüíneos, proporcionando a drenagem linfática. O suprimento nervoso vem tanto do nervo dentário superior e inferior que com seus ramos formam um rico plexo, onde há terminações nervosas receptoras de dor e também de estímulos que permitem a localização exata do grau e a direção da pressão, protegendo o dente da sobrecarga repentina. 2019 Odontologia FAPI 8 PERIODONTO DE PROTEÇÃO Pode-se dizer que a principal função do periodonto de proteção é de manter a integridade da superfície da mucosa mastigatória da cavidade oral protegendo, portanto, os tecidos de contra a agressão do meio externo. Neste contexto, a gengiva representa a estrutura principal do periodonto de proteção. 1 Aspectos anatômicos da gengiva A gengiva está presente recobrindo os processos alveolares da maxila e mandíbula e envolvendo os dentes superiores e inferiores em seus alvéolos. Do ponto de vista clínico, nota-se que existem diferentes tipos de gengiva na cavidade oral. A gengiva que se adere fortemente ao osso em volta das raízes dos dentes é denominada gengiva inserida. Na margem gengival de cada dente está situada a gengiva livre, ou gengiva marginal que varia de 0,5 a 2,0 mm e é contínua à gengiva inserida, sendo separada desta, pelo sulco gengival. A porção da gengiva voltada para o dente, constitui os tecidos da junção dentogengival (não há esta junção no palato). A papila interdentária, compreende a região de gengiva livre que preenche o espaço entre dois dentes adjacentes. A gengiva marginal tem uma aparência mais translúcida em comparação à gengiva inserida, mas seu aspecto clínico é semelhante, incluindo a coloração rósea, a opacidade e a firmeza. 2. Desenvolvimento A gengiva advém da união entre o epitélio reduzido do órgão do esmalte e do epitélio bucal. No momento da erupção do elemento dental esses epitélios se fundem. Conforme ocorre a erupção dentária, o epitélio reduzido do órgão do esmalte se separa da cutícula formada pela união entre o epitélio reduzido do órgão do esmalte e o epitélio oral. A bainha formada pelo epitélio reduzido do órgão do esmalte se torna a gengiva livre com seus componentes. 3. Aspectos histológicos dos tecidos gengivais O epitélio que recobre a gengiva pode ser diferenciado da seguinte forma: •Epitélio oral: é voltado para a cavidade oral •Epitélio do sulco: fica voltado para o dente, sem ficar em contato com a superfície dentária •Epitélio juncional: promove o contato da gengiva com o dente. A gengiva, por estar exposta a fortes forças de fricção, possui um epitélio pavimentoso estratificado, total ou parcialmente queratinizado. A queratinização da gengiva, no adulto, é considerada uma adaptação funcional e não é encontrada ‘no palato duro. Com base no grau de diferenciação das células produtoras de queratina, este epitélio pode ser dividido nas seguintes camadas ou estratos celulares: ● Basal ● Espinhoso ●Granuloso Córneo ou queratinizado 2019 Odontologia FAPI 9 Quando estão ausentes núcleos das células mais externas, o epitélio diz-se Ortoqueratinizado. Com freqüência as células da camada córnea do epitélio contêm restos de núcleos, e neste caso o epitélio é chamado de Paraqueratinizado. 3.1 Outras células presentes no epitélio gengival Melanócitos (responsável pela produção de melanina); Células de Langerhans (participam de reações imunológicas, fagocitando Ag, degradando-os e apresentando-os aos linfócitos T); Células de Merkel (sua função está ligada à sensibilidade à pressão); 4. Gengiva aderida ou inserida Esta é firme, resistente e fortemente inserida ao periósteo do osso alveolar, através de fibras colágenas. Seus limites são: da gengiva marginal até a mucosa do soalho da boca (pelo lado lingual) e da gengiva marginal até a união muco-gengival, pelo vestíbulo. A gengiva aderida mais larga é encontrada na região dos dentes anteriores e decresce desde a área do canino em direção aos dentes posteriores. 4.1 Morfologia O epitélio é estratificado pavimentoso é do tipo principalmente paraqueratinizado. A lâmina própria está diretamente inserida nos ossos subjacentes, apresenta longas e estreitas papilas conjuntivas com suprimento vascular. Estas papilas servem para que haja um maior contato com o conjuntivo e para que todas as células sejam nutridas, dando também o aspecto de “casca de laranja”, observado macroscopicamente. Este aspecto é de grande importância sob o ponto de vista clínico, isto é, quando diante de um processo inflamatório os pontilhados desaparecem por causa do edema, sugere um comprometimento da gengiva aderida num processo de gengivite progressiva. 2019 Odontologia FAPI 10 A gengiva inserida apresenta maior extensão nos dentes anteriores do que nos posteriores pois nestes, há menos osso alveolar para que a gengiva se insira. A gengiva inserida aparece ligeiramente deprimida entre dentes adjacentes, correspondendo a uma depressão sobre os alvéolos. Nestas depressões a gengiva inserida, muitas vezes forma pregas verticais, pouco acentuadas, chamadas de sulcos interdentários ou pregas interdentais. 4.2. Gengiva marginal ou livre Rodeia os dentes como um colar, com cerca de 0,5 a 2mm de altura. Apresenta-se duas vertentes: vertente marginal ou externa, voltada para a cavidade bucal e vertente dentária voltada para o dente. Na vertente dentária pode-se considerar duas regiões: A que forma a parede do sulco gengival; A que é ligada ao dente, formando o epitélio juncional.A gengiva livre também é responsável pela formação da papila interdentária, a qual preenche o espaço entre dois dentes adjacentes. Por outro lado, a gengiva marginal não exibe o aspecto pontilhado e seus tecidos são móveis, isto é, livres da superfície do dente subjacente, o que pode ser observado com uma sonda periodontal. 4.2.1. Morfologia da vertente marginal ou externa O epitélio pavimentoso estratificado apresenta-se queratinizado ou paraqueratinizado. A lâmina própria apresenta papilas conjuntivas pouco numerosas, baixas e espessas; as fibras colágenas presentes formam feixes que se dirigem em várias direções, denominadas no seu conjunto por grupamento gengival. As células do tecido conjuntivo presentes são os fibroblastos em sua maioria, podendo estar presentes mastócitos, linfócitos, macrófagos e plasmócitos. 2019 Odontologia FAPI 11 4.2.1.1 Feixes de fibras do grupamento gengival - Grupamentos dentogengivais (DGF): fixam a gengiva marginal ao cemento cervical. São as mais numerosas. - Grupamentos dentoperiostais (DPF): limitam-se com as fibras do ligamento periodontal e vão desde o periósteo da região óssea da crista alveolar até o cemento cervical. - Grupamentos transeptais (TF): fibras acessórias que se estendem interproximalmente entre dentes adjacentes, passando sobre a crista alveolar. Estas fibras compreendem o ligamento interdental. - Grupamentos circulares (CF): pequeno grupo de fibras que circundam o dente e se entrelaçam com as outras fibras. 4.2.2 Morfologia da vertente dentária Epitélio da parede do sulco gengival Não apresenta queratinização e os espaços intercelulares são amplos, promovendo alta permeabilidade a diferentes substâncias, quer do sulco para o tecido conjuntivo subjacente ou vice-versa. É freqüente neste epitélio a presença de células sangüíneas infiltradas (neutrófilos). Não apresenta papilas conjuntivas. Epitélio juncional É derivado do epitélio reduzido do esmalte. Ao irromper a coroa dentária, os ameloblastos diminuem sua altura rapidamente e, juntamente com os restantes componentes do órgão do esmalte forma o epitélio juncional. Formado por algumas camadas de células (2 a 30 camadas), apresenta espessura variável, exceto na camada basal, onde as células são achatadas e paralelas a superfície dental. É também responsável pelo íntimo contato (aderência epitelial) com a superfície dentária, ou seja, as células em contato físico com o dente, produzem uma lâmina basal (interna) semelhante àquela encontrada normalmente entre epitélio e tecido conjuntivo de suporte, responsável pela aderência, e ainda, encontram-se hemidesmossomos entre as células e a lâmina basal(externa) sendo provavelmente responsáveis pela estabilidade da junção. Sulco gengival Resulta da falta de aderência da gengiva marginal. É onde inicia os processos patológicos e não deve ser invadido, pois é um sítio crítico para reter biofilme e causar doenças periodontais. Quanto mais raso for o sulco, melhor é, já que há menos chance de haver retenção de biofilme. 2019 Odontologia FAPI 12 O sulco gengival tem duas paredes, sendo uma parede mole, que corresponde a face interna da gengiva marginal; e uma parede dura, que corresponde ao dente. Sua profundidade varia com a metodologia de sondagem, há a profundidade histológica, que é a real e corresponde a aproximadamente 0,5mm. Há ainda a profundidade clínica, que corresponde a até 2mm nas faces livres e até 3mm nas faces proximais (devido a altura das papilas). 4.3 Vascularização e inervação A gengiva é bastante vascularizada e inervada. Seu suprimento sangüíneo é derivado principalmente dos ramos das artérias alveolares que se anastomosam com outros Há também numerosos vasos linfáticos da gengiva conduzem aos linfonodos submentonianos e submandibulares. Diferentes tipos de terminações nervosas podem ser observadas como receptores do tipo: corpúsculos de Meissner (tato); Krause (frio); Ruffini (calor) e terminações nervosas livres. 4.4 Generalidades A cor depende, em parte, do tipo (queratinizado ou não) e espessura da camada superficial da mucosa gengival, e em parte da pigmentação. A superfície pode ser translúcida ou transparente, permitindo que a cor dos tecidos subjacentes seja vista. A cor avermelhada ou rósea é atribuída a cor dada ao tecido subjacente pelos vasos sangüíneos e o sangue circulante. A presença do pigmento melanina no epitélio pode dar a gengiva uma coloração de marron e preta. A pigmentação é muito abundante na base da papila interdentária, podendo aumentar consideravelmente em determinados estados patológicos. O aumento da pigmentação é causado pelo aumento da produção de melanina. A gengiva é paraqueratinizada em 75%, queratinizada em 15% e não queratinizada em 10%. Tem sido sugerido que a inflamação, que é vista em quase todos os espécimes gengivais, interfere na queratinização. Quanto mais altamente queratinizado for o tecido, mais branco e menos translúcido ele será. O aspecto de casca de laranja visualizado na gengiva inserida, seu grau de pontilhação e a textura das fibras colágenas variem em diferentes indivíduos, há também diferenças de acordo com a idade e sexo. Nas pessoas mais jovens, do sexo feminino, o tecido conjuntivo tem sua textura mais fina do que nas do sexo masculino. Entretanto, com o avanço da idade, os feixes de fibras colágenas tornam-se mais grossos em ambos os sexos Estudo dirigido – - PERIODONTO DE SUSTENTAÇÃO 1. Cite seus componentes 2. Explique resumidamente a cementogênese 3. O que são fibras extrínsecas e intrínsecas do cemento? 4. O que são fibras de Sharpey 5. Cite as modalidades de classificação do cemento e seus tipos 6. Cite as principais células do cemento e suas respectivas funções 7. Cite os tipos de relação cemento-esmalte possíveis 8. Qual é a estrutura histológica do osso alveolar propriamente dito 9. Cite as principais células e funções do ligamento periodontal 10. Cite os grupos das principais fibras presentes no ligamento periodontal PERIODONTO DE PROTEÇÃO 1 Qual a função do periodonto de proteção? 2 Do ponto de vista clínico, quais os tipos de gengiva da cavidade oral? 2019 Odontologia FAPI 13 3. Cite os tipos e localização dos epitélios que recobrem a gengiva. 4. O que é epitélio ortoqueratinizado e paraqueratinizado? 5. Cite as principais características da gengiva inserida? 6. Cite as principais características da Gengiva marginal ou livre 7. Cite os ligamentos presentes na vertente marginal ou externa 8. Cite as características e principais estruturas constituintes da vertente dentária 9. Do que depende a coloração da gengiva?