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2019 Odontologia FAPI 1 
 
PERIODONTO DE SUSTENTAÇÃO 
 
 
O periodonto de sustentação é o aparelho de 
fixação dos dentes e consiste de: cemento, osso 
alveolar e ligamento periodontal. Compreende 
portanto, três tecidos conjuntivos, sendo dois 
mineralizados e um fibroso. 
A formação do periodonto de sustentação 
coincide com a rizogênese. 
Possuem a mesma origem ectomesenquimal 
do folículo e dependem da formação da dentina 
radicular e da presença da bainha radicular 
epitelial de Hertwig. 
 
1. RIZOGÊNESE 
 
No final da fase de coroa, quando 
os eventos de diferenciação alcançam a 
região da alça cervical, as células epiteliais 
do epitélio interno e externo continuam a 
proliferar, originando uma dupla camada de 
células que dará origem a outra estrutura: a 
bainha epitelial radicular de Hertwig que 
tem por finalidade modelar e formar a 
dentina radicular, até a completa formação 
da raiz. 
A Bainha de Hertwig, determina a 
formação de dentes unirradiculares 
(quando a bainha contorna todo o dente 
assumindo a forma de um tubo cônico 
simples com um único orifício). Nos dentes bi ou multirradiculares a bainha de Hertwig forma lingüetas 
epiteliais que se dirigem para o longo eixo do dente 
fusionando-se entre si. Assim, estabelece a formação 
do soalho da câmara pulpar e agora aquele orifício 
único fica dividido em dois ou três orifícios que 
correspondem a base das futuras raízes. 
 
A alça cervical prolifera entre a papila e o 
folículo dentário num ângulo agudo até englobar 
toda a porção basal da papila, formando um 
diafragma epitelial. 
As células da camada interna da bainha epitelial radicular de Hertwig induzem as células 
ectomesenquimais da papila dentária a se diferenciarem em 
odontoblastos e estes, recém-diferenciados formam a dentina 
radicular, aumentando gradualmente o comprimento da raiz. 
Com o início da formação radicular, a coroa do dente cresce 
no sentido oposto à base do osso, e a bainha radicular, na verdade, não 
cresce para dentro dos maxilares. Devido às modificações nesse 
crescimento, a bainha radicular é distendida e por fim ela se 
fragmenta, para formar vários grupamentos discretos de células 
epiteliais, separadas do tecido conjuntivo circundante por uma lâmina 
basal, conhecidos como restos epiteliais de Malassez. 
2019 Odontologia FAPI 2 
 
Em adultos, esses restos de células epiteliais persistem próximo à superfície radicular, no 
ligamento periodontal. Embora aparentemente sem função, eles podem causar patologias. 
 
A fragmentação da bainha radicular epitelial de Hertwig induz a diferenciação das células do 
folículo em cementoblastos. secretando a matriz orgânica do cemento. 
As células do lado externo do folículo diferenciam-se em osteoblastos, formando o osso 
alveolar. A região central do folículo se diferencia principalmente em fibroblastos e forma o ligamento 
periodontal. As fibras colágenas principais do ligamento periodontal (fibras de Sharpey) ficarão inseridas 
no cemento e osso alveolar. 
 
2. CEMENTO 
 
O cemento representa um tecido conjuntivo mineralizado, avascular, que tem como principal 
função a inserção de fibras do ligamento periodontal a raiz do dente. Trata-se de um tecido muito 
semelhante ao osso, porém não possui a capacidade de remodelação, no entanto geralmente é mais 
resistente a reabsorção, crescendo lentamente por aposição, por todo vida. 
O cemento recobre a dentina radicular, e modifica sua espessura dependendo da localização: 
próximo a junção esmalte-cemento é mais delgado (20 a 50 µm) e torna-se mais espesso a medida que se 
aproxima do ápice da raiz (150 a 200 µm). Pela ausência de vascularização, o tecido cementário é 
nutrido pela difusão de substâncias advindas do ligamento periodontal. 
 
2.1 Cementogênese 
 
A aposição do cemento, ou cementogênese, na região 
da raiz, ocorre quando a bainha epitelial dc Hertwig 
desintegra-se. 
Essa desintegração da bainha permite que as células 
indiferenciadas do folículo dentário entrem em contato com a 
superfície da dentina da raiz recém-formada. 
Assim, quando há essa exposição da dentina radicular, 
ocorre a indução dessas células mesenquimais indiferenciadas 
em se transformarem em cementoblastos e fibroblastos, 
respectivamente para originar o cemento e o ligamento 
periodontal. 
 
Os cementoblastos, rapidamente aumentam de tamanho e 
desenvolvem organelas citoplasmáticas especializadas na síntese e secreção 
de proteínas, iniciando a deposição de matriz orgânica do cemento que 
consiste de fibras colágenas intrínsecas e outras proteínas, sobre a 
superfície dentinária radicular e ao redor dos feixes de fibras colágenas do 
ligamento periodontal em formação 
(fibras extrínsecas ou fibras de 
Sharpey). 
 
A medida que o cementóide que 
envolve os cementócitos se torna 
calcificado ou maduro, passa a ser 
considerado cemento. 
Esta matriz orgânica é depositada ritmicamente em lamelas 
sucessivas, sempre seguidas pela mineralização por cristais de 
hidroxiapatita e deste modo, os cementoblastos se encerram em 
lacunas intercomunicantes, diferenciando-se em cementócitos. 
 
2019 Odontologia FAPI 3 
 
2.2 Classificação do cemento 
 
 Quanto ao período de formação e presença de células: 
 
Primário (acelular): é o cemento que se forma juntamente com a dentina radicular e na presença 
da bainha epitelial, portanto, antes mesmo da erupção do dente. A deposição mineral e feita de maneira 
incremental e não apresenta células. 
 
Secundário (celular): formado durante o período pós-eruptivo e durante certas exigências 
funcionais. Possui células. 
 
 Quanto a presença de fibrilas colágenas na matriz 
 
Cemento afibrilar: Cemento que possui matriz desprovida de fibrilas colágenas 
tipo I. Desta forma, a matriz tende a ser fina e de consitência granular. 
 
Cemento fibrilar: Cemento que contém fibrilas bem definidas e colágeno tipo I. 
 
 Pela origem das fibrilas colágenas da matriz 
 
- Fibras intrínsecas do cemento: Cemento que contém fibras produzidas por 
cementoblastos e que estão orientadas mais ou menos paralelas à superfície do cemento. 
Esta forma de cemento está localizada predominantemente nos locais que estão sofrendo reparo, 
seguinte à superfície reabsorvida, não possuindo nenhum papel na ancoragem dos dentes. 
 
- Fibras extrínsecas do cemento: Cemento que contém fibras extrínsecas, i.e. fibras de Sharpey 
que estão em continuidade com as fibras do ligamento periodontal. Estas fibras originalmente são 
produzidas pelos fibroblastos do ligamento periodontal, por isso são consideradas "extrínsecas" do 
cemento. 
Estas fibras estão orientadas mais ou menos perpendicular a 
superfície do cemento e possuem papel importante na ancoragem do 
dente. 
As fibras de Sharpey constituem as extremidades de todos os 
feixes principais de fibras colágenas do ligamento periodontal que estão 
embutidas no cemento e no osso alveolar. 
No cemento acelular as fibras de Sharpey estão completamente 
mineralizadas, enquanto que no cemento celular e no osso estão 
parcialmente mineralizadas na superfície. 
 
- Fibras mistas do cemento: 
Cemento que contém uma mistura de 
fibras extrínsecas e intrínsecas no cemento. 
 
2.3 Tipos de cemento 
 
 
A- Acelular e fibrilar (extrínsecas): reveste os 1/3 cervicais, sendo 
um cemento mais denso e homogeneamente mineralizado. As fibras de 
Sharpey são as principais. 
 
B- Celular e fibrilar (intrínsecas): A formação desse cemento 
constituído apenas pelo produto dos cementoblastos. Isso significa que 
o cemento celular de fibras intrínsecas é originadosó em casos de 
2019 Odontologia FAPI 4 
 
reparação, geralmente após reabsorção cementária ou na compensação dos desgastes oclusais 
funcionais. 
 
C- Celular Estratificado Misto: reveste o 1/3 apical e as áreas de bifurcação de raízes de dentes 
multirradiculares. Possui os dois grupos de fibras. 
 
2.4 Células 
 
 Cementoblastos 
 
Cementoblastos formam o cemento e são encontrados revestindo a superfícies da raiz interpostos 
entre os feixes do ligamento periodontal. 
Freqüentemente são considerados como integrantes da população de células do ligamento 
periodontal. 
Os cementoblastos são grandes, arredondados, citoplasma basófilo indicativo de extenso retículo 
endoplasmático granular. 
Enquanto o cemento acelular está sendo formado, os cementoblastos 
recuam deixando para traz a matriz do 
cemento. 
 
 Cementócitos 
 
Quando o cemento celular está 
sendo formado os cementoblastos ficam 
aprisionados em lacunas dentro da própria 
matriz e passam a se chamar cementócitos. 
Como o cemento é avascular os 
cementócitos dependem da difusão dos 
nutrientes através do ligamento periodontal e como consequência a 
maioria dos prolongamentos citoplasmáticos da célula está voltada para o ligamento. 
 
2.5 Composição Química 
 
- 50 a 55% de Material orgânico e água: representado por fibras colágenas intrínsecas, 
substância fundamental e pelas fibras colágenas extrínsecas. 
- 45 a 50% de Material inorgânico: a porção inorgânica consiste principalmente pelos sais de 
carbonato e fosfato de cálcio, depositados na forma de cristais de hidroxiapatita. 
 
2.6 Funções do Cemento 
 
● A função primordial do cemento é fornecer um meio de inserção das fibras colágenas que unem 
o dente ao osso alveolar. As fibras colágenas do ligamento periodontal passam entre os cementoblastos e 
penetram ao interior do cemento. Essas fibras do ligamento periodontal que estão incluídas no cemento, 
servem para fixar o dente ao osso alveolar circundante. Suas porções incluídas são as fibras de Sharpey. 
 
● Compensar o desgaste oclusal através do seu crescimento contínuo que ocorre no terço apical. 
 
● Reparação, quando a superfície radicular é danificada; o cemento serve como maior tecido 
reparador para as superfícies das raízes. Danos aos dentes, como o caso de fraturas ou reabsorções que 
envolvem tanto cemento como dentina, podem ser reparadas pela aposição de novas camadas de cemento. 
 
2.7 Relação esmalte - cemento 
A relação entre o cemento e o esmalte na região cervical é variável entre os indivíduos. 
2019 Odontologia FAPI 5 
 
 
a) Em 60% o cemento recobre a extremidade cervical do esmalte. 
b) Em 30% dos casos o cemento encontra-se 
com a extremidade cervical do esmalte numa linha aguda 
(nenhum recobre o outro). 
c) Em 10% não existe a junção esmalte-cemento 
e uma zona de dentina radicular encontra-se exposta. 
Ocorrendo exposição da dentina, esta precisa ser tratada pelo 
dentista, devido a dor causada. 
 
2.8 Junção cemento-dentina 
A união do cemento a dentina é bastante firme embora a natureza desta união não seja 
completamente conhecida. 
 
3. OSSO ALVEOLAR / PROCESSO ALVEOLAR 
 
O osso alveolar é a parte da maxila e da mandíbula que constitui, com o 
ligamento periodontal e o cemento, o sistema de ancoragem do dente no alvéolo. 
Do processo alveolar fazem parte: osso alveolar propriamente dito ou 
lâmina dura ou osso fasciculado e osso alveolar de suporte ou sustentação 
constituído pelas tábuas ou corticais externa e interna e o osso esponjoso que 
circundam o osso alveolar. 
A crista alveolar é a junção entre a cortical do osso de suporte e osso 
alveolar 
O osso basal ou de sustentação, que constitui o corpo da mandíbula e da 
maxila. 
Por outro lado, os alvéolos do osso alveolar somente estão presentes em 
indivíduos com dentes, pois a condição de sua existência é a presença da raiz 
dentária. 
 
3.1 Estrutura do osso alveolar propriamente dito e do osso de Suporte ou de Sustentação 
 
Histologicamente ambos são do tipo haversiano compacto e esponjoso. No osso de suporte os 
espaços localizados entre os vários sistemas haversianos são preenchidos por medula óssea. A cortical do 
osso de suporte está revestido por periósteo (tecido conjuntivo denso que reveste a superfície mais 
externa do osso). 
O osso alveolar apresenta inserção das fibras de Sharpey 
 
O osso, um dos tecidos mais duros do nosso organismo, é biologicamente um tecido altamente 
plástico, permitindo ao ortodontista mover os dentes sem romper os ligamentos periodontais e suas 
relações com o osso alveolar. O osso é reabsorvido no lado da pressão e neoformado no lado da tensão. 
 
 
 
4. LIGAMENTO PERIODONTAL 
 
 
O ligamento periodontal é uma estrutura 
celular e fibrosa do tecido conjuntivo, com 
componentes nervosos e vasculares, que une o 
cemento da raiz ao osso osso alveolar. 
A espessura do ligamento do periodontal 
varia de 0,1 para 0,4 mm (em média 0,2 mm). 
2019 Odontologia FAPI 6 
 
As células do ligamento são capazes de remodelar o ligamento e osso adjacente quando forças funcionais 
são alteradas ou o ligamento é danificado. 
 
4.1 Funções do ligamento periodontal 
O ligamento periodontal tem várias funções como: 
 Suporte: toda a pressão exercida sobre a coroa do dente é transformada pelo ligamento 
periodontal em tração sobre o osso e cemento. 
● Sensorial: o ligamento periodontal através do suprimento nervoso fornece um mecanismo 
receptor sensorial muito eficiente, permitindo ao organismo detectar as aplicações das mais delicadas 
forças aos dentes e deslocamentos muito leves dos 
mesmos. 
● Nutritiva: os vasos sangüíneos fornecem 
material nutritivo às células do ligamento, 
encarregando-se também da remoção dos catabolitos. 
● Protetora: o ligamento periodontal limita os 
movimentos mastigatórios amortecendo os traumas da 
mastigação. 
● Homeostática: as células do ligamento tem a 
capacidade de reabsorver e sintetizar a substância extracelular do tecido conjuntivo do ligamento, do osso 
alveolar e do cemento. 
 
4.2 ORIGEM E DESENVOLVIMENTO 
O ligamento do periodontal é derivado embriologicamente do 
tecido ectomesenquimal do folículo dental. No tempo da erupção 
dental, as células e fibras do colágeno do folículo dental, i.e. futuro 
ligamento periodontal, são orientados primeiramente com seu longo 
eixo paralelo à superfície da raiz. 
Assim, surge o ligamento periodontal que começa com as fibras 
que estão embutidas à superfície da raiz e osso na junção cemento-
esmalte (essas fibras são partes das fibras extrínsecas que são 
incorporadas dentro do cemento). O processo então continua em direção 
apical . 
Durante a formação da raiz do dente e o processo eruptivo os 
feixes sofrem mudanças, estrutura final do ligamento periodontal só é 
alcançada após a erupção dentária 
 
4.3 FIBRAS PRINCIPAIS 
 
A grande maioria das fibrilas colágenas são do tipo I e estão 
arranjadas em feixes definidos e distintos de fibras no ligamento periodontal. 
Este arranjo é que dá condições às fibras de se adaptarem as contínuas forças 
nelas aplicadas. Os vários grupos de feixes de fibras colágenas dividem-se em 
grupamentos, tendo como base a sua localização anatômica. 
 
 Grupo da crista alveolar - unido ao 
cemento logo abaixo da junção 
amelocementária, dirige-se apicalmente e para 
fora, para inserir-se na crista alveolar. 
 
 Grupo horizontal - situado apicalmente 
ao grupo da crista alveolar, dirige-se em ângulo 
reto em relação ao longo eixo da raiz, desde o 
cemento até o osso alveolar. 
2019 OdontologiaFAPI 7 
 
 
 Grupo oblíquo - são os feixes mais numerosos, têm direção oblíqua no sentido cervical do 
cemento para o osso alveolar. 
 
 Grupo apical - irradiando-se desde o cemento em torno do ápice da raiz, para o osso. 

 Grupo interradicular - encontrado nos dentes multiradiculares, dirigem-se da crista do septo 
interradicular para a bifurcação dos dentes multirradiculados. 
 
4.5 FIBRAS OXITALÂNICAS E FIBRAS DE SHARPEY 
Além das fibras de Sharpey encontram-se fibras oxitalânicas que são consideradas como uma 
variante das fibras elásticas, são encontradas obliquamente entre as paredes dos vasos sangüíneos no 
ligamento periodontal e cemento. Sua função é desconhecida mas tem sido sugerida que tomam parte no 
suporte dos vasos sangüíneos do ligamento. 
 
4.6 CÉLULAS DE NATUREZA CONJUNTIVA 
 
Células ectomesenquimais indiferenciadas, localizadas envolta dos vasos de sangue, são 
preservadas podendo se diferenciar em células especializadas que formam osso (osteoblastos), cemento 
(cementoblastos), e fibras do tecido conjuntivo (fibroblastos). A reabsorção ocorre por meio de células 
que reabsorvem osso e dente (osteoclastos), as quais, são geralmente macrófagos multinucleados 
derivados de monócitos produzidos no sangue. 
Estão presentes também: macrófagos, plasmócitos, mastócitos 
 
4.7 CÉLULAS EPITELIAIS 
 
São as remanescentes da bainha epitelial de Hertwig. Elas aparecem no ligamento como cordões 
entrelaçados ou em pequenos agrupamentos junto a superfície do cemento. São os restos epiteliais de 
Malassez, que eventualmente podem ser estimuladas induzindo a formação de cistos. 
 
4.8 VASOS SANGÜÍNEOS E NERVOS 
 
O principal suprimento sangüíneo do ligamento vem das artérias dentárias e que forma uma rica 
rede de capilares. Os vasos linfáticos seguem o trajeto dos vasos sangüíneos, proporcionando a drenagem 
linfática. 
O suprimento nervoso vem tanto do nervo dentário superior e inferior que com seus ramos 
formam um rico plexo, onde há terminações nervosas receptoras de dor e também de estímulos que 
permitem a localização exata do grau e a direção da pressão, protegendo o dente da sobrecarga 
repentina. 
 
 
 
2019 Odontologia FAPI 8 
 
PERIODONTO DE PROTEÇÃO 
Pode-se dizer que a principal função do periodonto de proteção é de manter a integridade da 
superfície da mucosa mastigatória da cavidade oral protegendo, portanto, os tecidos de contra a agressão 
do meio externo. Neste contexto, a gengiva representa a estrutura principal do periodonto de proteção. 
1 Aspectos anatômicos da gengiva 
 
A gengiva está presente recobrindo os processos alveolares da 
maxila e mandíbula e envolvendo os dentes superiores e inferiores em 
seus alvéolos. 
Do ponto de vista clínico, nota-se que existem diferentes tipos de 
gengiva na cavidade oral. 
A gengiva que se adere fortemente ao osso em volta das raízes 
dos dentes é denominada gengiva inserida. 
Na margem gengival de cada dente está situada a gengiva livre, ou gengiva marginal que varia 
de 0,5 a 2,0 mm e é contínua à gengiva inserida, sendo separada desta, pelo sulco gengival. A porção da 
gengiva voltada para o dente, constitui os tecidos da junção dentogengival (não há esta junção no 
palato). A papila interdentária, compreende a região de gengiva livre que preenche o espaço entre dois 
dentes adjacentes. 
A gengiva marginal tem uma aparência mais translúcida em comparação à gengiva inserida, mas 
seu aspecto clínico é semelhante, incluindo a coloração rósea, a opacidade e a firmeza. 
 
2. Desenvolvimento 
 A gengiva advém da união entre o epitélio reduzido do 
órgão do esmalte e do epitélio bucal. No momento da erupção do 
elemento dental esses epitélios se fundem. 
 Conforme ocorre a erupção dentária, o epitélio reduzido do 
órgão do esmalte se separa da cutícula formada pela união entre o 
epitélio reduzido do órgão do esmalte e o epitélio oral. 
 A bainha formada pelo epitélio reduzido do órgão do 
esmalte se torna a gengiva livre com seus componentes. 
 
 
3. Aspectos histológicos dos tecidos gengivais 
 
O epitélio que recobre a gengiva pode ser diferenciado da seguinte forma: 
•Epitélio oral: é voltado para a cavidade oral 
•Epitélio do sulco: fica voltado para o dente, sem ficar em contato com a 
superfície dentária 
•Epitélio juncional: promove o contato da gengiva com o dente. 
 
A gengiva, por estar exposta a fortes forças de fricção, possui um epitélio 
pavimentoso estratificado, total ou parcialmente 
queratinizado. 
A queratinização da gengiva, no adulto, é 
considerada uma adaptação funcional e não é encontrada ‘no palato duro. 
Com base no grau de diferenciação das células produtoras de queratina, 
este epitélio pode ser dividido nas seguintes camadas ou estratos celulares: 
 
● Basal 
● Espinhoso 
●Granuloso 
Córneo ou queratinizado 
2019 Odontologia FAPI 9 
 
 
Quando estão ausentes núcleos das 
células mais externas, o epitélio diz-se 
Ortoqueratinizado. 
 
Com freqüência as células da 
camada córnea do epitélio contêm restos 
de núcleos, e neste caso o epitélio é 
chamado de Paraqueratinizado. 
 
 
 
 
3.1 Outras células presentes no epitélio gengival 
 
 Melanócitos (responsável pela produção de melanina); 
 Células de Langerhans (participam de reações imunológicas, fagocitando Ag, 
degradando-os e apresentando-os aos linfócitos T); 
 Células de Merkel (sua função está ligada à sensibilidade à pressão); 
 
4. Gengiva aderida ou inserida 
 
 
Esta é firme, resistente e fortemente inserida ao periósteo 
do osso alveolar, através de fibras colágenas. Seus limites são: da 
gengiva marginal até a mucosa do soalho da boca (pelo lado 
lingual) e da gengiva marginal até a união muco-gengival, pelo 
vestíbulo. 
 
A gengiva aderida mais larga é encontrada na região dos 
dentes anteriores e decresce desde a área do canino em direção aos 
dentes posteriores. 
 
 
 
 
4.1 Morfologia 
 
O epitélio é estratificado pavimentoso é do tipo principalmente 
paraqueratinizado. 
A lâmina própria está diretamente inserida nos ossos 
subjacentes, apresenta longas e estreitas papilas conjuntivas com 
suprimento vascular. 
 
Estas papilas servem para que haja um maior contato com o 
conjuntivo e para que todas as células sejam nutridas, dando também 
o aspecto de “casca de laranja”, observado macroscopicamente. 
 
Este aspecto é de grande importância sob o ponto de vista 
clínico, isto é, quando diante de um processo inflamatório os 
pontilhados desaparecem por causa do edema, sugere um 
comprometimento da gengiva aderida num processo de gengivite progressiva. 
 
2019 Odontologia FAPI 10 
 
A gengiva inserida apresenta maior extensão nos dentes anteriores do que nos posteriores pois 
nestes, há menos osso alveolar para que a gengiva se insira. 
 
A gengiva inserida aparece ligeiramente deprimida entre dentes adjacentes, correspondendo a 
uma depressão sobre os alvéolos. Nestas depressões a gengiva inserida, muitas vezes forma pregas 
verticais, pouco acentuadas, chamadas de sulcos interdentários ou pregas interdentais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4.2. Gengiva marginal ou livre 
 
Rodeia os dentes como um colar, com cerca de 0,5 a 2mm de altura. Apresenta-se duas vertentes: 
vertente marginal ou externa, voltada para a cavidade bucal e vertente dentária voltada para o dente. 
Na vertente dentária pode-se considerar duas regiões: 
 A que forma a parede do sulco gengival; 
 A que é ligada ao dente, formando o epitélio juncional.A gengiva livre também é responsável pela formação da papila interdentária, a qual preenche o 
espaço entre dois dentes adjacentes. 
Por outro lado, a gengiva marginal não exibe o aspecto pontilhado e seus tecidos são móveis, isto 
é, livres da superfície do dente subjacente, o que pode ser observado com uma sonda periodontal. 
 
4.2.1. Morfologia da vertente marginal ou externa 
 
O epitélio pavimentoso estratificado apresenta-se queratinizado ou 
paraqueratinizado. 
A lâmina própria apresenta papilas conjuntivas pouco numerosas, 
baixas e espessas; as fibras colágenas presentes formam feixes que se 
dirigem em várias direções, denominadas no seu conjunto por grupamento 
gengival. 
As células do tecido conjuntivo presentes são os fibroblastos em sua 
maioria, podendo estar presentes mastócitos, linfócitos, macrófagos e 
plasmócitos. 
2019 Odontologia FAPI 11 
 
4.2.1.1 Feixes de fibras do grupamento gengival 
 
- Grupamentos dentogengivais (DGF): fixam a gengiva 
marginal ao cemento cervical. São as mais numerosas. 
 
- Grupamentos dentoperiostais (DPF): limitam-se com as 
fibras do ligamento periodontal e vão desde o periósteo da região 
óssea da crista alveolar até o cemento cervical. 
 
- Grupamentos transeptais (TF): fibras acessórias que se 
estendem interproximalmente entre dentes adjacentes, passando 
sobre a crista alveolar. Estas fibras compreendem o ligamento 
interdental. 
 
- Grupamentos circulares (CF): pequeno grupo de fibras que circundam o dente e se entrelaçam 
com as outras fibras. 
 
4.2.2 Morfologia da vertente dentária 
 
 Epitélio da parede do sulco gengival 
Não apresenta queratinização e os espaços intercelulares são amplos, promovendo alta 
permeabilidade a diferentes substâncias, quer do sulco para o tecido conjuntivo subjacente ou vice-versa. 
É freqüente neste epitélio a presença de células sangüíneas infiltradas (neutrófilos). 
Não apresenta papilas conjuntivas. 
 
 Epitélio juncional 
 
É derivado do epitélio reduzido do 
esmalte. Ao irromper a coroa dentária, os 
ameloblastos diminuem sua altura 
rapidamente e, juntamente com os restantes 
componentes do órgão do esmalte forma o 
epitélio juncional. 
Formado por algumas camadas de 
células (2 a 30 camadas), apresenta espessura 
variável, exceto na camada basal, onde as 
células são achatadas e paralelas a superfície 
dental. 
É também responsável pelo íntimo 
contato (aderência epitelial) com a superfície dentária, ou seja, as células 
em contato físico com o dente, produzem uma lâmina basal (interna) semelhante àquela encontrada 
normalmente entre epitélio e tecido conjuntivo de suporte, responsável pela aderência, e ainda, 
encontram-se hemidesmossomos entre as células e a lâmina basal(externa) sendo provavelmente 
responsáveis pela estabilidade da junção. 
 
 Sulco gengival 
 
Resulta da falta de aderência da gengiva marginal. É onde inicia os 
processos patológicos e não deve ser invadido, pois é um sítio crítico para 
reter biofilme e causar doenças periodontais. 
Quanto mais raso for o sulco, melhor é, já que há menos chance de 
haver retenção de biofilme. 
2019 Odontologia FAPI 12 
 
O sulco gengival tem duas paredes, sendo uma parede mole, que corresponde a face interna da 
gengiva marginal; e uma parede dura, que corresponde ao dente. 
Sua profundidade varia com a metodologia de sondagem, há a profundidade histológica, que é a 
real e corresponde a aproximadamente 0,5mm. Há ainda a profundidade clínica, que corresponde a até 
2mm nas faces livres e até 3mm nas faces proximais (devido a altura das papilas). 
 
4.3 Vascularização e inervação 
 
A gengiva é bastante vascularizada e inervada. Seu suprimento sangüíneo é derivado 
principalmente dos ramos das artérias alveolares que se anastomosam com outros Há também 
numerosos vasos linfáticos da gengiva conduzem aos linfonodos submentonianos e submandibulares. 
Diferentes tipos de terminações nervosas podem ser observadas como receptores do tipo: 
corpúsculos de Meissner (tato); Krause (frio); Ruffini (calor) e terminações nervosas livres. 
 
4.4 Generalidades 
 
A cor depende, em parte, do tipo (queratinizado ou não) e espessura da camada superficial da 
mucosa gengival, e em parte da pigmentação. A superfície pode ser translúcida ou transparente, 
permitindo que a cor dos tecidos subjacentes seja vista. A cor avermelhada ou rósea é atribuída a cor 
dada ao tecido subjacente pelos vasos sangüíneos e o sangue circulante. 
A presença do pigmento melanina no epitélio pode dar a gengiva uma coloração de marron e 
preta. A pigmentação é muito abundante na base da papila interdentária, podendo aumentar 
consideravelmente em determinados estados patológicos. O aumento da pigmentação é causado pelo 
aumento da produção de melanina. 
A gengiva é paraqueratinizada em 75%, queratinizada em 15% e não queratinizada em 10%. 
Tem sido sugerido que a inflamação, que é vista em quase todos os espécimes gengivais, interfere na 
queratinização. Quanto mais altamente queratinizado for o tecido, mais branco e menos translúcido ele 
será. 
O aspecto de casca de laranja visualizado na gengiva inserida, seu grau de pontilhação e a textura 
das fibras colágenas variem em diferentes indivíduos, há também diferenças de acordo com a idade e 
sexo. Nas pessoas mais jovens, do sexo feminino, o tecido conjuntivo tem sua textura mais fina do que 
nas do sexo masculino. Entretanto, com o avanço da idade, os feixes de fibras colágenas tornam-se mais 
grossos em ambos os sexos 
 
Estudo dirigido – 
 
- PERIODONTO DE SUSTENTAÇÃO 
 
1. Cite seus componentes 
2. Explique resumidamente a cementogênese 
3. O que são fibras extrínsecas e intrínsecas do cemento? 
4. O que são fibras de Sharpey 
5. Cite as modalidades de classificação do cemento e seus tipos 
6. Cite as principais células do cemento e suas respectivas funções 
7. Cite os tipos de relação cemento-esmalte possíveis 
8. Qual é a estrutura histológica do osso alveolar propriamente dito 
9. Cite as principais células e funções do ligamento periodontal 
10. Cite os grupos das principais fibras presentes no ligamento periodontal 
 
PERIODONTO DE PROTEÇÃO 
 
1 Qual a função do periodonto de proteção? 
2 Do ponto de vista clínico, quais os tipos de gengiva da cavidade oral? 
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3. Cite os tipos e localização dos epitélios que recobrem a gengiva. 
4. O que é epitélio ortoqueratinizado e paraqueratinizado? 
5. Cite as principais características da gengiva inserida? 
6. Cite as principais características da Gengiva marginal ou livre 
7. Cite os ligamentos presentes na vertente marginal ou externa 
8. Cite as características e principais estruturas constituintes da vertente dentária 
9. Do que depende a coloração da gengiva?