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Unidade 1 Introdução Arcabouço do Metamorfismo METAMORFISMO Meta = Mudança morfos = forma Conjunto de processo pelo qual uma rocha é transformada, através de reações, que se processam no estado sólido, em outra rocha com características distintas. Mudança na textura e na assembléia mineral das rochas é devido ao aumento de Temperatura e de Pressão. Mudança na textura = recristalização 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas METAMORFISMO Processo que envolve mudanças no conteúdo/composição mineral e/ou na microestrutura de uma rocha, predominantemente no estado sólido. Esse processo ocorre principalmente devido à adaptação da rocha a condições físicas diferentes daquelas em que se formou e que também diferem das condições físicas que ocorrem normalmente na superfície da Terra e na zona de diagênese. O processo pode coexistir com fusão parcial e também envolver alterações na composição química da rochas. 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas Rochas Metamórficas = são aquelas que sofreram mudanças desde a sua primeira formação, face a operação de processos físico-químicos no interior da Terra. Essas mudanças envolvem em geral recristalização parcial ou completa, cristalização, variação textural (tamanho, forma e relações entre os grãos) e variações de massa e volume face a atuação da Temperatura e da Pressão. A intensidade destes parâmetros sobre as rochas metamórficas pode tornar os protólitos (rochas originais – sedimentares, ígneas e (mesmo) metamórficas) irreconhecíveis. Os processos de recristalização no estado sólido ocorrem mais rapidamente com o aumento da Temperatura e a presença de fluidos nos poros que também influenciam nas transformações mineralógicas. (Press et al. 2006) 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas • Alinhamento dos minerais Mármore, produto de metamorfismo – recristalização de um calcário (notar a birefringência alta e a geminação). • Minerais maiores (recristalizações) • Aparecimento de novos minerais As mudanças metamórficas levam a: 1.1 Definição e Ciclo Metamórfico das Rochas Metamorfismo em Hollywood Aumento do Calor e da Tensão 2007 Karl Mueller http://structure.colorado.edu/~structure/teaching_GEOL1010/coursenotes/Ch7_Metamorphism.ppt 1.2 Objetivos do Estudo do Metamorfismo Por meio da caracterização textural e composicional das rochas metamórficas obtemos informações sobre a história de aquecimento, deformação e de circulação de fluidos (além de outros processos) no metamorfismo de rochas ígneas, sedimentares (e mesmo metamórficas). Os geólogos que estudam as rochas metamórficas se apóiam em métodos indiretos para reconstruir a história metamórfica delas (modo e processos de formação das rochas e minerais, história P-T-percurso) baseada na: i) interpretação das relações de campo, ii) minerais, iii) texturas e iv) observações de laboratórios para instabilidade dos minerais metamórficos índices. O estudo das rochas metamórficas ainda permite avaliar a distribuição da temperatura com a profundidade no passado geológico da crosta e manto superior terrestre. 1.2 Objetivos do Estudo do Metamorfismo Relação Temperatura – Profundidade ToC Profundidade (km) 20o Sedimentação 0,0 Processos Superficiais 100o Diagênese 3,0 Sobreposição 200o Metamorfismo 5 – 30 Processos Metamórficos 650o Fusão Parcial (anatexia) 35 – 40 Sobreposição <1200o Formação de Magmas 50 – 100 Processos Ígneos (fusão completa) Enfim, as rochas metamórficas além do interesse científico também despertam o interesse econômico, já que muitos depósitos de metais exploráveis são formados por processos metamórficos (por ex. Au em veios – Mina São Francisco, Currais Novos; Skarn com W e Au – Mina Brejuí, Currais Novos. 1.2 Objetivos do Estudo do Metamorfismo 1.3 As Principais Categorias do Metamorfismo O metamorfismo pode ser classificado com base em vários critérios: 1. Extensão da área em que ocorreu o metamorfismo, ou seja, metamorfismo regional e metamorfismo local; 2. Suas características geológicas, por exemplo, metamorfismo orogênico, de soterramento, de assoalho oceânico, de deslocamento, de contato, de crosta quente; 3. A causa específica do metamorfismo, por exemplo, metamorfismo de impacto, hidrotermal, combustão, por relâmpago; 4. Quando é produto de um único ou múltiplos eventos, ou seja, monometamorfismo e polimetamorfismo; 5. Se é acompanhado pelo aumento ou diminuição da temperatura, ou seja, metamorfismo progressivo ou regressivo. (Fettes e Desmons 2014) 1.3 As Principais Categorias do Metamorfismo As rochas metamórficas são agrupadas em 2 grandes grupos: A – Metamorfismo Regional ou Orogênico - Metamorfismo Regional – Dinamotermal - Metamorfismo de Assoalho ou Fundo Oceânico - Metamorfismo de Carga ou Soterramento B – Metamorfismo Local - Metamorfismo de Contato - Metamorfismo de Cataclástico - Metamorfismo de Impacto - Metamorfismo Hidrotermal A primeira (A) inclui rochas/afloramentos ocupando grandes regiões de importantes variedades litológicas. A segunda (B) inclui rochas/afloramentos ocupando área restrita, mostrando tipos litológicos particulares. Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Os protólitos são fortemente deformados e as rochas resultantes (ardósias, filitos, xistos, gnaisses, granulitos, migmatitos) são geralmente foliadas. (Teixeira et al. 2000) É o mais comum, sendo caracterizado nos cinturões orogênicos (no limite de placas convergentes) pela deformação penetrativa acompanhada da recristalização e cristalização de minerais. Ocorre em extensas regiões e alcança níveis profundos da crosta (com condições de pressão e temperatura variadas). Responsável pela formação de grande maioria das rochas da crosta terrestre. Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Clivagem ardosina Foliação incipiente definida pela orientação de minerais micáceos finos. Rocha apresenta fissilidade. ardósia Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Xistosidade Foliação penetrativa definida pela orientação de minerais placoides ou prismáticos. Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Bandamento Gnáissico Faixas de coloração alteranadamente mais clara – mais escura, que podem ser contínuas e nítidas ou descontínuas e difusas. Gnaisse Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). ROCHAS METAMÓRFICAS NÃO-FOLIADAS Quartzito Mármore Metamorfismo Regional (ou Dinamotermal). Metamorfismo de Assoalho ou Fundo Oceânico. (Teixeira et al. 2000) É caracterizado por transformações das crosta oceânica nas adjacências das cadeias meso-oceânicas (Myashiro et al. 1971). As rochas cobrem grande área dessa crosta que se move lateralmente face à expansão do assoalho oceânico. A água do mar, percolando pelos basaltos fraturados e quentes, é aquecida. O aumento da temperatura provoca reaçõesquímicas entre ela e a rocha. Assim, dá origem a basalto alterado, cuja composição química difere do basalto original. Esse processo produz importantes interações de rochas – água do mar, assemelhando-se ao metamorfismo hidrotermal. Metamorfismo de Assoalho ou Fundo Oceânico. Cadeias meso-oceânicas Basalto Geossistema magmático dos centros de expansão do assoalho oceânico http://www.mans.edu.eg/FacSciM/english/courses/geology/Dr_Mahrous/Abu%20El-Enen%20Metamorphic%20Petrology%20Course/Metamorphic%20petrology%20-%20Lectute%20III.ppt Metamorfismo de Carga ou Soterramento. As assembléias neoformadas estão intimamente associadas aos minerais reliquiares, com as modificações mineralógicas visíveis somente ao microscópio. (Teixeira et al. 2000) Foi apresentado por Coombs (1961) e representa o metamorfismo regional em baixa temperatura afetando sedimentos e vulcânicas intercaladas sem influência orogênica. Dependendo do gradiente geotérmico este ocorre em profundidades de 6 a 10 km, com temperaturas entre 100 e 200oC e pressões menores que 3 kbar. Neste tipo de metamorfismo as feições originais são preservadas e as transformações mineralógicas incompletas. Uma sutil foliação horizontal está paralela a estratificação da rocha. Metamorfismo de Carga ou Soterramento. Resultado da compactação devido a carga de sedimentos em bacias sedimentares (soterramento de espessas camadas sedimentares e vulcânicas); Deformação insignificante – prevalece PL Foliação horizontal sutil // a estratificação; Cristalização de novos minerais sob influência de fluídos intergranulares dos sedimentos. Diferentes tipos de metamorfismo. (Press et al. 2006) Metamorfismo de Contato. Tipo de T (oC) T (oC) magma intrusão contato Gabro 1200 875 Sienito 900 700 Granito 800 650 (Teixeira et al. 2000) Este tipo ocorre devido ao aquecimento das rochas por corpos magmáticos intrusivos provocando auréolas metamórficas de ordem centimétrica até vários quilômetros. O desenvolvimento da auréola depende: volume, natureza e profundidade da intrusão e contraste térmico entre o corpo ígneo e as encaixantes. A natureza de um corpo ígneo determina a temperatura do seu magma e em consequência o maior ou menor poder de distribuição do calor. Metamorfismo de Contato. Em geral a evolução de uma auréola está confinada em profundidade inferiores a 12 km da crosta. Nos níveis mais profundos as encaixantes possuem temperaturas próximas aos corpos ígneos. As rochas metamórficas possuem granulação fina e sem xistosidade, tais como os hornfels (ou cornubianito). Porém rochas foliadas tipo ardósia e xisto podem estar presentes. Na influência de mais altas temperaturas o termo usado é pirometamorfismo. Considerado limite entre metamorfismo e os processo magmáticos. http://geology.com/rocks/metamorphic-rocks.shtml#hornfels Hornfels Metamorfismo de Contato. Metamorfismo de Contato. Mapa da auréola metamórfica em torno do Batólito Granítico de Acari mostrando as zonas metamórficas (Souza et al. 2007). Metamorfismo Cataclástico (ou Dinâmico). Está confinado ao longo de zonas de alta concentração de deformação, definindo falhas e zonas de cisalhamento de natureza frágil e/ou dúctil. As temperaturas são variáveis com caráter frágil-dúctil definido pela temperatura. Em condições de baixa temperatura o metamorfismo favorece a formação de rochas não foliadas do tipo brecha de falhas, cataclasitos e pseudotaquilitos. Com altas temperaturas a deformação é plástica e formam rochas foliadas gerando os milonitos, nos quais a recristalização e neoblastese podem ocorrer sem quebra dos minerais (caso anterior). (Teixeira et al. 2000) Em muitos casos, a deformação é acompanhada por percolação de fluidos, gerando novos minerais hidratados. Metamorfismo Cataclástico (ou Dinâmico). a) Zona de falha rasa com brecha de falhas. b) Zona de falha profunda (exposta por erosão) com fluxo dúctil e milonitos (Winter, 2001). Brecha de falha (Press et al. 2006) Milonito em zona de cisalhamento (Press et al. 2006) Metamorfismo Cataclástico (ou Dinâmico). Metamorfismo Cataclástico (ou Dinâmico). Pseudotaquilito Metamorfismo de Impacto. É provocado por ondas de choque que resultam do impacto em alta velocidade de um corpo de meteorito. Estes são fragmentos de cometas ou asteróides que foram atraídos pelo campo gravitacional da Terra. Durante o impacto a energia representada pela massa e pela velocidade dos meteoritos se transforma em calor e ondas de choque. A rocha encaixante pode ser fragmentada e até mesmo parcialmente fundida, gerando os tectitos (matérias vítreos). (Teixeira et al. 2000) A temperatura pode chegar a 5000oC com pressão de até 1000 kbar, reequilibrando os minerais. Em alguns casos o quartzo é transformado em coesita e stishovita (formas de alta P). Metamorfismo de Impacto. Cratera de Colônia (SP) (www.unb.br/ig/sigep) Meteorito Itapuranga (GO) – 628 kg Instituto de Geociências da USP http://www.mans.edu.eg/FacSciM/english/courses/geology/Dr_Mahrous/Abu%20El-Enen%20Metamorphic%20Petrology%20Course/Metamorphic%20petrology%20-%20Lectute%20III.ppt Metamorfismo Hidrotermal. É provocado pela atividade de soluções ou gases quentes ao longo de fraturas e zonas de cisalhamento. Essas atividades de fluidos quentes são particularmente relevantes no estudo da gênese de minérios. É um processo metassomático que se desenvolve através das trocas iônicas entre a água quente circulante e as parades das fraturas. Neste processo os minerais perdem a estabilidade e se recristalizam em novas assembleias mineralógicas sob temperaturas entre 100o a 370oC. Ocorre principalmente em bordas de intrusões ígneas (por ex. Granito de Acari, RN), em áreas de vulcanismo basáltico submarino e em campos geotermais. (Teixeira et al. 2000) Metamorfismo Hidrotermal. Mapa da auréola metamórfica em torno do Batólito Granítico de Acari mostrando as zonas metamórficas (Souza et al. 2007). Rochas calcissilicáticas Diferentes tipos de metamorfismo. (Press et al. 2006) Exemplos de diferentes tipos de metamorfismo e suas rochas. (Press et al. 2006)