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Ética nos Negócios
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Ética nos Negócios
Autoria: Felipe Athayde Lins de Melo
Como citar este documento: MELO, Felipe Athayde Lins de. Ética nos Negócios. Valinhos, 2017.
Sumário
Apresentação da Disciplina 04
Unidade 1: Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral 07
Assista a suas aulas 26
Unidade 2: Ética nas Relações de Trabalho 34
Assista a suas aulas 53
Unidade 3: Ética Empresarial. Da Teoria à Prática 61
Assista a suas aulas 80
Unidade 4: Responsabilidade Social das Empresas 88
Assista a suas aulas 109
2/226
3/2263
Unidade 5: Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva 117
Assista a suas aulas 136
Unidade 6: Códigos de Ética 144
Assista a suas aulas 165
Unidade 7: Racionalizações Para o Comportamento Não Ético 173
Assista a suas aulas 192
Unidade 8: Ética Empresarial: Casos de Aplicação 199
Assista a suas aulas 218
Sumário
Ética nos Negócios
Autoria: Felipe Athayde Lins de Melo
Como citar este documento: MELO, Felipe Athayde Lins de. Ética nos Negócios. Valinhos, 2017.
4/226
Apresentação da Disciplina
Desde os primeiros registros da literatura 
ocidental, as preocupações com os princí-
pios e as normas de relacionamento huma-
no aparecem como elementos primordiais 
para o entendimento das formas como se 
organizaram as civilizações e suas dimen-
sões epistemológicas, políticas, sociais e 
culturais. Questões acerca do Bem, da Jus-
tiça, da Felicidade, da Honra, da Virtude, 
dentre outras, foram e continuam sendo 
componentes centrais para a reflexão e a 
proposição acerca dos arranjos societários 
e das maneiras por meio das quais indivídu-
os e sociedades se concretizam na História. 
Em outras palavras, a reflexão sobre a Moral 
e as moralidades encontra-se entrelaçada à 
própria história do conhecimento.
Nesse sentido, a história da filosofia mo-
ral é, por extensão, uma história da huma-
nidade. E compreender as transformações 
históricas e filosóficas no campo da Ética e 
da Filosofia Moral são modos de compreen-
der as transformações do próprio sentido 
de humano e das formações sociais, pelas 
quais perpassam as questões que marcam 
diversos outros campos de reflexão.
Por outro lado, se as reflexões típicas dos 
campos da Ética e da Filosofia Moral, cuja 
tradição histórica e filosófica remontam 
à Antiguidade, já se faziam fundamentais 
para superação da visão mítica do mundo 
que marca aquela Antiguidade, sua impor-
tância se faz ainda mais presente quan-
do consideramos as complexidades de um 
mundo que é, ao mesmo tempo, diminuto e 
5/226
gigantesco: gigantesco em suas geografias 
física e digital; diminuto pela instantanei-
dade e acessibilidade trazidas pelas tecno-
logias dos tempos atuais.
Não sem razão, a complexificação do mun-
do globalizado trouxe consigo uma nova 
centralidade para as reflexões éticas: para 
além de se consagrar “às formas diversas 
do bem e do mal, do sentido da vida hu-
mana, da dificuldade das escolhas, da ne-
cessidade de justificar as decisões e da as-
piração em definir princípios universais e 
imparciais” (CANTO-SPERBER, 2003, p. 8) 
num plano exclusiva ou prioritariamen-
te abstrato, as discussões dos campos da 
Ética e da Filosofia Moral atravessam as 
mais diversas atividades humanas, tendo 
inaugurado várias áreas de investigação e 
intervenção, no que se convencionou cha-
mar de “ética aplicada”. 
Não por acaso, as reflexões acerca da vida 
e da das interações entre a humanidade e o 
mundo que a cerca conduziram os estudos 
em ética e filosofia da moral para as polí-
ticas públicas, para a questão ambiental, 
para a economia política, para as ciências 
aplicadas e também para as práticas e re-
lações centrais das sociedades capitalistas, 
em especial as relações de negócios e suas 
organizações-síntese, as empresas.
Esta disciplina consiste, portanto, numa 
discussão crítica acerca dos conceitos, das 
transformações históricas e das relações 
entre ética, moral, o mundo do trabalho e as 
relações do capital, refletindo sobre a im-
plicação da ética nas competências profis-
6/226
sionais e nos comportamentos exigidos no 
mercado globalizado do século XXI.
Nela, são abordados aspectos conceitu-
ais e filosóficos que envolvem a temática, 
buscando articulá-los com dinâmicas car-
acterísticas do cotidiano de negócios, das 
relações de trabalho, das práticas empre-
sariais, do exercício das profissões e das in-
terfaces entre fundamentos do capitalismo 
e novas formas de atuação do capital na 
sociedade globalizada, o que insere outro 
tema bastante em voga, a Responsabilidade 
Social Empresarial.
7/226
Unidade 1
Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral
Objetivos
1. Compreender e diferenciar os sentidos 
de ética e de moral, bem como as espé-
cies de fenômenos que lhes dizem res-
peito.
2. Reconhecer os processos históricos, so-
ciais e filosóficos de composição da éti-
ca como domínio do conhecimento. 
3. Identificar a interinfluência entre fenô-
menos éticos, morais, políticos e sociais.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral8/226
Introdução 
O que é ser Bom? Qual o sentido da Virtude? Que relações existem entre o Bem e a Justiça? As 
Leis, o Conhecimento e a Política se relacionam com a Virtude? Qual a importância dessas refle-
xões para a configuração do mundo social? Questões como essas são objeto de reflexão desde as 
mais antigas civilizações:
É feio às naus voltarmos;
Primeiro, amigos, nos engula a terra:
Antes morrer que dar a glória aos Teucros”.
Os versos acima, extraídos do Livro XVII da Ilíada, de Homero (século VIII a.C., aproximadamen-
te), representam o sentido da Virtude (areté) para os povos fundadores da literatura ocidental: a 
Virtude como ato de nobreza, como a excelência que promove o reconhecimento de seus pares. 
Não por acaso, a mitologia grega é carregada de confrontos entre deuses, heróis, ninfas, titãs e 
homens: viver virtualmente é combater entre nobres, é tornar-se magnânimo, invejável; é alcan-
çar a Glória.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral9/226
Já no período clássico da antiga civilização 
grega (por volta dos séculos V e IV a.C.), a 
vida e a morte de Sócrates (470 a.C. a 399 
a.C.), conhecido e controvertido cidadão da 
polis ateniense, notório por seus feitos de 
guerra e polêmico por seus ensinamentos, 
provocaria, sobretudo junto a seu princi-
pal discípulo, Platão, profundas reflexões a 
respeito das relações entre a Consciência, a 
Moral, o Bem e a Virtude, a Política e a ci-
dade. Desde então, os domínios dos com-
portamentos, dos costumes e da ação dos 
indivíduos na sociedade são constitutivos 
do próprio sentido do que nos faz “huma-
nos”, merecendo ampla atenção de diferen-
tes áreas do conhecimento, seja a Filosofia, 
que o inaugura como área de preocupação, 
seja a Medicina, a Psicologia, a Sociologia, 
o Direito, e, mais recentemente, a Adminis-
tração, as Finanças, dentre outras.
Para compreender como a ética e a moral 
se articulam com as esferas da vida social e 
como o entendimento sobre elas muda ao 
longo do tempo e das civilizações, vamos 
considerar os diálogos de Platão como pon-
to de partida para nossas reflexões.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral10/226
Para saber mais
“Composto por 323 artigos, cada um com uma 
média de seis páginas, sendo 112 artigos sobre 
temas, noções e conceitos; 73 sobre novas ques-
tões da ética; 85 sobre filósofos e 53 sobre his-
tória da filosofia moral”, conforme descrito em 
sua sinopse, disponível em <https://www.mar-
tinsfontespaulista.com.br/dicionario-de-e-
tica-e-filosofia-moral-2-vols-169147.aspx/p>, o dicionário de Ética e Filosofia Moral aborda 
temas como “amor, vontade, clone, comunidade, 
solidariedade, empresa, epistemologia, natureza, 
política, hedonismo, qualidade de vida, racismo, 
prostituição, bem e mal, niilismo, droga, ética pe-
nal, não violência”, tratando-os segundo diferen-
tes autores, desde os clássicos da Antiguidade até 
autores contemporâneos.
1. Críton – ou do Dever. Conhe-
cimento como Ética, Justiça e 
Política na obra de Platão
Platão, que viveu em Atenas entre 428 a.C. 
e 347 a.C., foi o mais destacado discípulo de 
Sócrates e responsável por registrar, na for-
Link
Uma descrição detalhada desse dicionário, que 
consiste no mais completo dicionário de ter-
mos e assuntos sobre ética e moral publicado 
no Brasil, pode ser encontrada em: <http://no-
ticias.universia.com.br/tempo-livre/noti-
cia/2003/10/06/546973/editora-unisinos-
-lana-dicionario-etica-e-filosofia-moral.
html#>. Acesso em: 18 set. 2017.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral11/226
ma de diálogos, aquilo que aprendera com 
seu mestre, pois Sócrates, que desconfiava 
da escrita, jamais deixou qualquer texto pu-
blicado. 
Em seus diálogos, são recorrentes as refle-
xões acerca da Justiça, do Bem, do Belo, da 
Política e das Leis. Entretanto, toda a refle-
xão platônica principia no questionamento 
sobre o que é o conhecimento e como este 
deve ser utilizado para a organização da po-
lis. Num de seus mais famosos escritos, o 
livro A república, Platão descreve uma ale-
goria sobre um grupo de pessoas que, vi-
vendo numa caverna e de costas para sua 
entrada, conhece o mundo apenas a partir 
das sombras de objetos que são refletidos 
nas paredes. Ao libertar-se das correntes 
que a prende, umas dessas pessoas deixa a 
caverna e, pouco a pouco, vivendo receios e 
inseguranças, vai se deparando com a reali-
dade dos objetos dos quais sempre conhe-
cera apenas as sombras, desvelando ainda 
a luz que projetava as imagens no fundo da 
caverna.
Essa pessoa, na alegoria platônica, é o filó-
sofo: aquele que conhece, pelo exercício da 
Razão, a Luz do Conhecimento. Mas o co-
nhecimento traz consigo responsabilidades 
e o filósofo deve retornar à caverna para li-
vrar das correntes as demais pessoas que ali 
viviam. Inicia-se, então, uma série de ques-
tionamentos e tensões, que representam os 
desafios de administrar a polis: o que fazer 
com aqueles que se recusam a deixar a ca-
verna? Como conduzir as pessoas que tam-
bém querem se libertar? Estão todas elas 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral12/226
aptas a conhecer a luz? Essas preocupações, 
que se repetirão em diversas obras do filó-
sofo, já haviam sido adiantadas no diálogo 
Críton, ou do Dever, que é anterior à escrita 
d’ A república. 
A narrativa escrita em Críton é a condena-
ção de Sócrates. Acusado de desrespeitar os 
deuses e de corromper a juventude atenien-
se, Sócrates é condenado à morte por cicu-
ta, um veneno mortal que era aplicado nas 
sentenças com esse tipo de condenação. 
Visitando-o enquanto na prisão, enquanto 
Sócrates aguarda o cumprimento da sen-
tença, Críton sugere-lhe fugir de Atenas, 
dispondo-se a corromper os guardas da ci-
Para saber mais
Há uma extensa bibliografia acerca da vida e obra 
de Sócrates e de Platão e algumas obras estão 
indicadas nas referências desta disciplina. Para 
quem não possui familiaridade com os estudos 
em filosofia, uma boa alternativa de introdução 
são os vídeos produzidos pela Discovery Networks 
sobre diversos filósofos, nos quais as obras desses 
pensadores são discutidas à luz de problemas e 
fatos contemporâneos. 
Link
O documentário produzido pela Discovery Ne-
tworks, sobre o livro A república, de Platão, pode 
ser acessado em: <http://www.eniopadilha.
com.br/documentos/Platao_A_Republica.
pdf>. Acesso em: 9 dez. 2017.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral13/226
dade e, assim, salvar-lhe a vida. Sócrates responde ao amigo propondo-lhe uma reflexão acerca 
daquela proposta e de suas consequências: seria justo pagar o mal – uma condenação conside-
rada por Críton como injusta – com outro mal – a fuga da cidade, violando as leis? A violação das 
leis não seria, isso sim, uma afronta aos deuses, uma vez que os atenienses consideram as leis 
como representação dos acordos que os homens firmam a partir de desígnio dos deuses? Além 
disso, fugir não seria afrontar a própria polis, e dessa forma botar por terra todo o modo de orga-
nização política da cidade?
Fugir da prisão, cujas portas o dinheiro dos seus amigos saberia franquear 
[...] não era ideia que pudesse tentar Sócrates. No instante em que esta ten-
tação acena ao seu espírito, vê ele as Leis de sua pátria, imprudentemen-
te aplicadas pelos seus juízes, erguerem-se diante dele e recordarem-lhe 
tudo o que desde criança lhes devia. (JAERGER, 1989, p. 399)
Nessa reflexão, Platão, por intermédio da história de Sócrates, concebe a polis como um modelo 
de cidade que deve garantir a harmonia entre os cidadãos, baseada na justiça, no bem e na feli-
cidade. A virtude da cidade é, nessa perspectiva, reflexo da virtude dos cidadãos: se Sócrates se 
mostra um cidadão sem virtudes, ele não é merecedor da polis. Portanto, todo cidadão deve, para 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral14/226
assegurar a virtude da polis, agir de forma virtuosa. Conhecer as leis, praticar a justiça e promo-
ver a harmonia da polis são expressões do homem dotado de razão, portanto, de conhecimento.
Dessa forma, a polis se assenta num contrato social entre seus cidadãos, o qual possui um cará-
ter Ético – da relação virtuosa entre os indivíduos; Justo – da igualdade política entre os cidadãos; 
e Político – a obediência às leis e o bem-estar da cidade.
Pela boca das Leis, que Sócrates imagina personificadas, será dada a res-
posta de que a fuga da prisão seria injusta porque a recusa ao cumprimen-
to da lei, expressa numa sentença de um tribunal, poria em causa o próprio 
fundamento da sociedade [...] concebida como um contrato entre o Estado 
e o indivíduo, [e que] seria destruída se estivesse à mercê do arbítrio de 
uma das partes. (LOPES, 2008, p. 32)
Críton revela, então, alguns elementos da filosofia platônica, quais sejam: a Justiça é fazer cum-
prir aquilo que os cidadãos, na Ágora e na Assembleia, pactuam; para formular as Leis de modo 
justo, os homens devem conhecer a polis e seus cidadãos; o comportamento ético é aquele que 
obedece às leis não apenas por dever ou medo de punição, mas porque é o comportamento que 
garante a harmonia, a felicidade, o Bem da cidade e de seus indivíduos. 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral15/226
Por fim, assim como o conhecimento se ele-
va pelo uso da Razão, a alma dos indivíduos 
se dirige ao Bem à medida que os homens 
agem virtuosamente. 
2. A modernidade e a crítica ao 
idealismo/racionalismo: uma 
Genealogia da Moral
Friedrich Nietzsche foi um filósofo alemão 
que viveu entre 1844 e 1900 e que, den-
tre outros temas fundamentais da filosofia, 
dedicou-se a martelar1 os princípios da fi-
losofia ocidental, dentre eles as teorias éti-
cas e morais de Sócrates e Platão. Filósofo 
da moral por excelência, Nietzsche identi-
fica em Sócrates o começo da reversão do 
1 Trata-se de uma imagem linguística bastante comum no au-
tor. 
ato de filosofar, visto pelo pensador alemão 
não como a racionalização do ato criativo 
do pensamento, mas como o ato próprio de 
criar o pensamento.
Segundo Nietzsche, ao estabelecer uma di-
visão entre aparência e essência (a sombra 
e o objeto do mito da caverna), entre co-
nhecimentoe opinião (o filósofo conhece, 
as pessoas, em geral, opinam), Sócrates – e 
Platão – teriam impedido o desenvolvimen-
to da própria experiência – mística – que 
envolve a existência humana. Aqui, expe-
riência mística não diz respeito a coisas 
ou seres sobrenaturais: trata-se, de outro 
modo, de compreender que aquilo que nos 
vem à consciência enquanto ato de pensar 
é uma parcela muito reduzida do que, de 
fato, pensamos, uma vez que o pensamento 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral16/226
e as relações humanas com o mundo envolvem muitas outras experiências para além daquilo 
que temos consciência. Assim, se a consciência era, segundo os gregos antigos, a manifestação 
da Virtude, todas as potencialidades e os demais atos humanos eram reduzidos ao poder dessa 
consciência; o homem tornara-se, portanto, escravo daquilo que, para Nietzsche, lhe era menor: 
a própria consciência. 
Enquanto em todos os homens produtivos o instinto é uma força afirma-
tiva e criadora, e a consciência uma força crítica e negativa, em Sócra-
tes o instinto torna-se crítico e a consciência criadora – é uma verdadeira 
monstruosidade [...] pensemos nas consequências das máximas socráti-
cas: a virtude é um saber; só pecamos por ignorância; o homem virtuoso 
é feliz. Estas três formas essenciais do otimismo são a morte da tragédia. 
(NIETZSCHE, 2005, p. 13)
Retornando à filosofia pré-socrática, Nietzsche argumenta que o homem somente tornara-se 
humano em razão de sua potência e de seus atos, ao passo que a consciência é apenas uma das 
formas de interpretar a experiência humana no mundo. Ou ainda, um ato de nomear essas expe-
riências. 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral17/226
Se é em Sócrates/Platão que Nietzsche localiza esse momento fundador da morte do homem, 
será com o Cristianismo que a alienação do homem pelo próprio homem irá se consolidar: 
Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um 
vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. [...] 
O cristianismo, continua Nietzsche, é a forma acabada da perversão dos 
instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças 
que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor e à luta, 
e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. (LEBRUN, 1996, p. 10)
Para denunciar e combater essa moral da resignação, Nietzsche elabora uma Genealogia da 
Moral, a qual deve, sobretudo, livrar o homem da razão platônica, cristã e moderna, bem como 
emancipá-lo da renúncia à vida que essa razão promove. 
Nessa Genealogia, o autor afirma, primeiramente, que ao contrário do que resulta das raciona-
lidades socrática ou cristã, o juízo “bom” não provém do efeito gerado para aqueles a quem se 
fez o “bem”: longe de ser um juízo de utilidade, “bom” e “ruim” são formas de nomear as ações 
realizadas; o “bom” era aquilo que o nobre realizava, tal como afirmavam os poemas homéricos. 
O “ruim” era identificado com o simples, o não elevado.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral18/226
Ainda para o filósofo alemão, “bom” e “ruim” 
não possuem nem origem, nem distinção ou 
valor moral, uma vez que o ato de nomear é 
tão somente um ato de identificar o feito ao 
seu autor. Sendo assim, o bom é aquilo que é 
nobre porque o nobre assim o nomeou, por-
que o nobre quer ser admirado e, para tanto, 
ele põe em ação toda a sua potencialidade. 
Com a racionalidade socrática, primeira-
mente, seguida da moralidade cristã, “bom” 
ganha o sentido de “puro”, “superior”, 
criando uma antítese de valores, racionali-
zando e interiorizando a ideia de que “bom” 
e “mau”, e não mais “ruim”, são essencial-
mente opostos. “Apenas então a alma hu-
mana ganhou profundidade num sentido 
superior, e tornou-se má” (LEBRUN, 1996, p. 
25). Nessa dualidade, é preciso antes marcar 
o “mau”, para, em oposição, criar o “bom”. 
E por negação, o nobre torna-se “mau”, o 
homem potente e de ação nobre é marcado 
como impuro, a razão e a consciência ani-
quilam sua ação: é preciso então, iluminar o 
homem bom, o adestrado, aquele que mor-
re pela polis ou dá a face a um novo tapa.
Da ilusão da linguagem que nomeia e que 
subverte, que transforma “bom” X “ruim”, 
nobre e simples, em “bom” X “mau”, puro 
e impuro, decorre também a ilusão do “su-
jeito”; incapaz de compreender e aceitar a 
ficção da linguagem, bem como restrito à 
valorização da consciência, o homem mo-
derno busca afirmar identidades inexisten-
tes, e concebe-se o domínio da Moral como 
o domínio de regulação das relações entre 
os homens.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral19/226
3. Mas afinal, o que é Ética e o 
que é Moral?
Moral e Ética “se referem, de uma maneira 
ou de outra, ao domínio comum dos cos-
tumes” (CANTO-SPERBER, 2003, p. 591). 
No entanto, se a Moral expressa “uma for-
ma específica de comportamento humano, 
cujos agentes são os indivíduos concretos 
[...] que só agem moralmente quando em 
sociedade” (VAZQUÉZ, 2007, p. 9), a Éti-
ca configura um conjunto de princípios e 
valores metamorais, que orientam a cons-
trução das normas e as tornam compreen-
síveis para os indivíduos. Assim, se a Ética 
pode ser compreendida como uma “teoria 
da moral”, esta envolve o conjunto de códi-
gos que designa o permitido e o proibido, o 
aceito e o recusado, bem como a obrigação 
individual de aderir a ela.
Tomemos um exemplo: a escravidão. Du-
rante quase quatro séculos a escravidão 
foi moralmente aceita como integrante do 
modo de produção colonial, sem que hou-
vesse questionamentos acerca do primór-
dio da liberdade como atributo próprio do 
significado de “humano”. Não havia, por-
tanto, questionamento ético que colocasse 
em cheque a prática e a moralidade da es-
cravidão. A abolição – jurídica e formal – do 
regime escravista, por sua vez, foi antecedi-
da de duas ordens de debates: um econô-
mico, outro ético. Se aquele questionava o 
caráter obstaculizante da escravidão para 
o desenvolvimento do regime capitalista – 
que exigia a produção e o consumo em es-
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral20/226
cala como estratégias de acumulação de capital –, o debate ético questionava a violabilidade do 
princípio da dignidade da vida que marcava o regime escravista. 
Já no contexto da economia atual, a prática – ainda existente – de escravidão é condenada ju-
ridicamente – é um crime; moralmente – é socialmente reprovada no contexto brasileiro; e eti-
camente – é universalmente reprovada por violar entendimentos e tratados internacionais de 
Direitos Humanos, por exemplo. Desse modo,
o problema do que fazer em cada situação concreta é um problema práti-
co-moral e não teórico-ético. Ao contrário, definir o que é bom ou não é 
um problema moral cuja solução caiba ao indivíduo em cada caso particu-
lar, mas um problema geral de caráter teórico. (SANCHÉZ, 2007, p. 18)
Portanto, numa situação de escolha entre o “pode” ou “não pode” fazer, é o limite ético que de-
termina a resposta moral de cada indivíduo. 
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral21/226
Para saber mais
A animação Peck Pocketed, dos Estúdios Disney, lançada em 2013, é um retrato do processo de de-
cisão ética. Moralmente repudiado, o furto se apresenta como possibilidade para Peck, o pássaro da 
animação, que tem de escolher entre seus desejos individuais ou os valores que regulam a proprieda-
de e o furto.
Link
Uma descontraída explicação do tema “Ética e Moral” é dada pelo professor Mário Sérgio Cortella em en-
trevista ao apresentador Jô Soares, disponível em: <https://pt.linkedin.com/pulse/o-que-%C3%A-
9-%C3%A9tica-e-moral-profissional-francisco-jos%C3%A9-oliveira>.Acesso em: 9 dez. 2017.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral22/226
Glossário
Idealismo: o idealismo, em filosofia, corresponde a uma corrente de interpretação da verdade – 
e, portanto, das relações entre o homem e o mundo – que compreende que para além da aparên-
cia das coisas existe uma ideia – ou força, ou espírito, ou vontade universal – “que existe objetiva 
e eternamente, antes e independente da natureza ou dos homens” (BAZARIAN, [s.d.], p. 57).
Polis: corresponde ao nome dado às cidades-Estado da Grécia Antiga e que foram constituídas 
entre o fim do Período Homérico (aproximadamente no final do século VIII a.C.) e ao longo do 
Período Arcaico (até o século VI a.C.). As cidades-Estado encontram seu apogeu no Período Clás-
sico (séculos V e IV a.C.) e, dentre elas, Atenas e Esparta se destacam como as principais. A polis 
caracterizava-se como uma cidade autônoma, com governo próprio, classes sociais estabeleci-
das e independência administrativa, sendo governada pela classe dos Eupátridas, que significa 
“os bem-nascidos”.
Racionalismo: “doutrina que afirma que a razão humana, o pensamento abstrato, é a única fon-
te do conhecimento da verdade” (BAZARIAN, [s.d.], p. 108).
Questão
reflexão
?
para
23/226
Decisão, julgamento e reponsabilidade são características in-
trínsecas aos comportamentos morais, cujos parâmetros são da-
dos por princípios éticos. Considerando que os princípios éticos 
e as práticas morais se transformam ao longo da história, reflita 
e elabore uma lista com até cinco comportamentos cotidianos 
que exigem decisões de cunho ético, seja nas relações familiares, 
nas relações profissionais ou de amizade. Procure refletir se esses 
comportamentos passaram por mudanças significativas num pe-
ríodo de até três gerações da sua família e busque compreender 
que fatores produziram essas mudanças.
24/226
Considerações Finais
• Do grego ethos, a Ética pode ser compreendida como a teoria da Moral. A 
Moral, que advém do latim moralis, é o campo da ação do homem em socie-
dade.
• Ética e Moral se transformam ao longo da história, em razão das transfor-
mações nos modos como a humanidade compreende e age no mundo, mui-
to embora a Ética esteja sempre em busca de princípios universais, ao passo 
que a Moral busque normatizar as práticas do cotidiano.
• Quando aplicada a contextos específicos, a Ética ganha função de regula-
ção do comportamento moral, como nos casos das éticas profissionais.
Unidade 1 • Desmitificação da Ética. Conceito e Diferença Entre Ética e Moral25/226
Referências
BAZARIAN, Jacob. O problema da verdade. São Paulo: Círculo do Livro, [s.d.].
CANTO-SPERBER, Monique. Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo, RS: Editora UNI-
SINOS, 2003. 
GOLDSCHIMIDT, Victor. A religião de Platão. Porto Alegre: Difusão Européia do Livro, 1970.
JAEGER, Werner. Paideia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
LEBRUN, Gerard. Nietzsche: vida e obra. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Coleção Os Pensadores. 
LOPES, Ricardo Leon. Pólis: reflexo das almas humanas. Contrato social, ética e cidadania no di-
álogo Críton de Platão. Tese (Doutorado em Letras Clássicas)- Programa de Pós-Graduação em 
Letras Clássicas do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Pau-
lo. São Paulo, Universidade de São Paulo, 2008.
NIETZSCHE, Frierich. O nascimento da tragédia no espírito da música. São Paulo: Jorge Zahar 
Editores, 2005.
______. Genealogia da moral. Uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
PLATÃO. Críton, ou do Dever. São Paulo: Nova Cultural, 1996. Coleção Os Pensadores.
VAZQUEZ, Adolfo Sanchéz. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.
26/226
Assista a suas aulas
Aula 1 - Tema: Desmitificação da Ética. Concei-
to e Diferença entre Ética e Moral. Bloco I
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to e Diferença entre Ética e Moral. Bloco II
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1. Afirmar que “os domínios dos comportamentos, dos costumes e da ação 
dos indivíduos na sociedade, são constitutivos do próprio sentido do que 
nos faz “humanos” é uma preocupação:
a) Exclusiva da Filosofia e de pensadores pouco preocupados com o dia a dia da vida prática.
b) Típica da Psicologia, pois envolve questionamentos sobre como se deve agir diante das ou-
tras pessoas.
c) De diferentes áreas do conhecimento, pois envolve não apenas uma dimensão comporta-
mental, mas os princípios das relações humanas.
d) Que atrapalha a área da administração de empresas, pois exige que toda categoria profis-
sional siga um código de ética específico. 
e) Que não afeta setores como controladoria e finanças, pois são áreas exclusivamente técni-
cas e isentas de preocupações éticas.
Questão 1
28/226
2. Em sua alegoria da caverna, Platão busca demonstrar:
a) Que o filósofo, por conhecer a ideia que antecede os fenômenos do mundo sensível, possui 
um compromisso ético de educar e guiar os concidadãos.
b) Que o conhecimento da razão do mundo é impossível e que, inevitavelmente, vivemos ape-
nas em um mundo de sombras e ilusões.
c) Que a política é sempre um jogo de erros, dominada por pessoas que iludem os demais cida-
dãos, como representado pelas sombras da caverna.
d) Que apenas recorrendo às técnicas psicológicas o filósofo que saiu da caverna conseguirá 
levar consigo os demais moradores.
e) Que a ética é o exercício de ver a luz, mas mostrá-la aos demais moradores da caverna é uma 
imposição moral.
Questão 2
29/226
3. Segundo Platão, o conhecimento deve permitir:
a) Tirar vantagem sobre aqueles menos escolarizados.
b) Ganhar a confiança da população e eleger-se para a administração da polis.
c) O enriquecimento e a transmissão de heranças.
d) A promoção da harmonia política e social. 
e) A satisfação de interesses pessoais e familiares.
Questão 3
30/226
4. Para Nietzsche, diferentemente de Sócrates e Platão, os conceitos éti-
cos e morais não resultam do conhecimento, mas do processo de no-
meação de valores e comportamentos. Nesse sentido, entende o filósofo 
alemão que:
a) A razão, como consciência, é um fator de inibição da potência humana.
b) Os valores “bom” e “mau” são preexistentes à nomeação que é dada aos comportamentos.
c) “Bom” e “ruim” são expressões de forças da natureza.
d) A razão é o conhecimento da essência das coisas.
e) A aparência expressa nos comportamentos é sempre má e contrária à bondade da essência.
Questão 4
31/226
5. A respeito das relações entre ética e moral, pode-se afirmar que:
a) Ética refere-se ao comportamento dos homens em sociedade, Moral aos princípios que re-
gem tal comportamento. 
b) A Moral diz respeito ao modo de agir dos indivíduos e Ética àquilo que orienta a construção 
das regras entre o aceito e o reprovável.
c) Ética é uma obrigação individual.
d) Moral é um conjunto de normas universais.
e) Ética e Moral são valores imutáveis.
Questão 5
32/226
Gabarito
1. Resposta: C.
As questões éticas e morais dizem respeito 
às práticas humanas como um todo, sejam 
suas relações privadas, sejam profissionais, 
seja o cuidado consigo e com as outras pes-
soas. São, portanto, questões que afetam 
todas as áreas do conhecimento.
2. Resposta: A.
Segundo o filósofo ateniense, o conheci-
mento é fonte de responsabilidade e a Ra-
zão é que deve guiar as dimensões éticas e 
políticas da vida social.
3. Resposta: D.
Segundo a doutrina platônica, conhecer as 
Leis, praticara Justiça e promover a harmo-
nia da polis são expressões do homem do-
tado de razão, portanto, de conhecimento.
4. Resposta: A.
Segundo o filósofo alemão, o processo de 
racionalização da experiência humana com 
o mundo anula outras formas vivenciar es-
sas experiências, reprimindo a potência da 
ação humana.
5. Resposta: B.
A Ética pode ser compreendida como uma 
“teoria da moral”, esta envolve o conjun-
33/226
Gabarito
to de códigos que designa o permitido e o 
proibido, o aceito e o recusado, bem como a 
obrigação individual de aderir a ela.
34/226
Unidade 2
Ética nas Relações de Trabalho
Objetivos
1. Reconhecer os processos históricos e 
sociais de emergência da Ética Apli-
cada.
2. Compreender e diferenciar os sen-
tidos de ética profissional e de ética 
nos negócios. 
3. Distinguir e compreender duas con-
cepções de ética nos negócios.
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho35/226
Introdução
O século XX já foi definido como aquele que 
trouxe as maiores conquistas para a huma-
nidade, acompanhadas de suas maiores 
tragédias. Foi o século de grandes desco-
bertas e inovações tecnológicas, que per-
mitiu os chamados “processos da globa-
lização” (SANTOS, 2002), mundializando 
deslocamentos de pessoas, mercadorias, 
recursos, finanças, ideias, informações, há-
bitos e costumes. Foi também o século de 
duas grandes Guerras Mundiais, seguidas 
de centenas de outros conflitos étnicos, ter-
ritoriais, geopolíticos e ideológicos. Assim, 
se a doutrina da “guerra preventiva” marca 
o início do século XXI (HUNTINGTON, 1993), 
assentada sobre uma concepção que pro-
põe o “choque de civilizações” como para-
digma de produção de inimigos, a quem se 
atribui um caráter de desumanização, por 
outro lado, diversos debates fundados na 
Ética e na construção de parâmetros mo-
rais também se disseminam em nível mun-
dial, diversificando os campos de disputas e 
a inserção desses debates nas mais diversas 
áreas de conhecimento e de interações so-
ciais, dentre elas, o mundo do trabalho. 
Para saber mais
Escrito pelo pensador português Boaventura de 
Souza Santos, o livro A globalização e as ciências 
sociais traz, em seu Capítulo 1, uma acessível 
análise sobre os diversos fenômenos de ordem 
política, econômica, social, cultural, jurídica, que 
são reunidos sob o conceito de “globalização”, o 
qual se tornou fundamental para compreender os 
processos de mundialização de fluxos e desloca-
mentos que caracterizam o fim do século XX. 
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho36/226
Reunidos sob a categoria “ética aplicada”, o 
debate acerca das diversas éticas e de seus 
códigos morais ultrapassa os limites do aca-
demicismo especializado e faz-se presente 
em corporações empresariais, relações co-
merciais e profissionais, direitos coletivos e 
difusos, relações de trabalho e de convívio 
familiar, sociabilidades em geral (CANTO-
-SPERBER, 2003).
Neste material, iremos tratar das relações 
entre a Ética, a Moral e seus diversos usos 
em variadas áreas das relações humanas e 
sociais, entendendo a contemporaneidade 
das discussões acerca da aplicação da ética 
em diferentes campos, dentre eles, o setor 
de negócios.
1. Ética aplicada: contexto de 
emergência e campos de inser-
ção
O termo “ética aplicada” originou-se nos 
EUA, nos anos 1960, para se referir à:
Link
“A globalização e as ciências sociais” está dis-
ponível para download em: <http://www.
do.ufgd.edu.br/mariojunior/arquivos/boa-
ventura/globalizacaoeciencias.pdf>. Acesso 
em: 19 set. 2017.
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho37/226
Explosão de novos campos de interrogação ética no seio da sociedade. 
Durante os anos 1970, alguns desses campos se estabilizaram e se polari-
zaram, como “bioética”, “ética ambiental” e “ética dos negócios”. Estes seto-
res [...] são agora ensinados e praticados nas universidades, nas empresas, 
nos hospitais, em instituições governamentais e internacionais. (CANTO-
-SPERBER, 2003, p. 595)
Compreender o contexto de surgimento do termo e de consolidação de suas áreas de aplicação 
permite formular algumas orientações acerca da importância da ética para as relações de trocas 
privadas que caracterizam a sociedade capitalista globalizada do século XXI. 
Primeiramente, tomemos a expressão do historiador britânico Eric Hobsbawm (1917–2012), que 
definiu os anos 1950 e 1960 como a “Era de ouro do capitalismo”, tendo em vista o significativo 
avanço dos países centrais de economia de mercado, liderados pela hegemonia industrial, finan-
ceira e comercial conquistada pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial:
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho38/226
[nos] anos 50, sobretudo nos países desenvolvidos cada vez mais prósperos, mui-
ta gente sabia que os tempos tinham de fato melhorado, especialmente se suas 
lembranças alcançavam os anos anteriores à Segunda Guerra Mundial. (HOBS-
BAWM, 2009, p. 253)
Essa percepção coletiva de que a vida melhorava era acompanhada de diversos fenômenos eco-
nômicos e sociais. Assim, se o crescimento da economia de mercado representava o aumento da 
circulação internacional de dinheiro e a expansão da sociedade urbana e industrial, no dia a dia 
as famílias sentiam-no por meio da melhoria de sua qualidade de vida, representada na acumu-
lação de bens duráveis e na aquisição de novas tecnologias, especialmente os eletrodomésticos 
e automóveis, o que era proporcionado pela sensação de pleno emprego advinda de um conjun-
to de medidas adotadas para a reconstrução dos países atingidos pela Guerra, impulsionando o 
aumento nos índices de produção e de consumo mundial:
Nasce uma nova sociedade, na qual o crescimento, a melhoria das condições de 
vida, os objetos-guias do consumo se tornam critério por excelência do progres-
so [...]: toda uma sociedade se mobiliza em torno do projeto de arranjar um coti-
diano confortável e fácil, sinônimo de felicidade. (LIPOVETSKY, 2007, p. 35)
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho39/226
Em paralelo, disseminam-se dezenas de movimentos que irão caracterizar uma explosão de mo-
dos e costumes. Nesse sentido, se o movimento beatnik dos anos 1950 colocou em questão tanto 
o materialismo que caracterizava “a felicidade”, como a família que caracterizava o fundamento 
dessa sociedade materialista, na década seguinte o movimento hippie, o movimento feminista, 
o movimento negro, o movimento ambientalista, dentre outros, vão colocar em xeque diversos 
mecanismos por meios dos quais esta sociedade capitalista se fazia pungente, fosse a destrui-
ção dos recursos naturais, fosse a dominação branca e masculina, trazendo à cena pública su-
jeitos coletivos antes invisibilizados ou subjugados pelas formas tradicionais de estruturação da 
sociedade capitalista:
De fato, a década de 60 surpreendeu, mobilizando pessoas e imaginações no mun-
do inteiro. [...] a partir dela, fizeram-se ouvir finalmente as vozes de grupos sociais 
antes marginalizados ou invisibilizados [...], sugeriram-se novas formas de organi-
zar a vida cotidiana e a sociabilidade, surgiram novos conceitos do político que 
resgatam a criatividade e a imaginação. Não obstante as ambivalências de décadas 
posteriores, o que aconteceu nos anos 60 abalou a legitimidade de certas formas de 
poder e autoridade ou, pelo menos, criou movimentos que iniciaram essa tarefa, de 
maneira que pudemos ter acesso a uma nova linguagem para refletir sobre o mundo 
e, provavelmente, também para agir nele. (ADELMAN, 2009, p. 27) 
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho40/226
No campo da ética e da filosofia moral, os embates emergentes das tensões entre dois sistemas 
sociais antagônicos – o capitalismo liderado pelos EUA e o socialismo encabeçado pela URSS – 
promoviam novos debates acerca do sentido da ação morale dos processos de decisão racional 
frente a um mundo em expansão; ao mesmo tempo, a liberação sexual, a contestação das for-
mas de autoridade, a luta pelos direitos individuais e coletivos, tornavam fundamentais as re-
flexões acerca dos interesses que regem as práticas cotidianas. Por outro lado, o interesse pelas 
reflexões éticas e morais 
Visa particularmente ao desenvolvimento das técnicas e das ciências, que apre-
senta uma dupla face, uma associada ao progresso (melhoramento das condi-
ções de vida: saúde, habitat, etc.), a outra apresentando perigos (degradação do 
meio ambiente, manipulação técnica do ser humano, etc.). Assim, os debates 
em filosofia da moral voltam-se progressivamente para as questões de justiça 
(equidade, formas de Estado) e para a vida boa (os conteúdos da vida moral in-
dividual). Uma parte dessas discussões diz respeito a situações precisas da vida 
cotidiana e consiste em análises de casos práticos tais como se apresentam nos 
hospitais, nas empresas, nos governos. (CANTO-SPERBER, 2003, p. 596)
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho41/226
Dessa forma, a preocupação com os prin-
cípios, normas, costumes, transformações 
sociais e morais insere o debate ético e da 
filosofia moral no cotidiano dos povos e das 
organizações, configurando o que se tornou 
conhecido como a “ética aplicada”. 
2. Ética e relações de trabalho
Conforme dito anteriormente, quando apli-
cada aos diversos setores e práticas sociais 
e profissionais, a ética assume um caráter 
mais descritivo do que reflexivo. Assim,
Para saber mais
A preocupação com as aproximações entre a filo-
sofia e as questões do cotidiano, bem como a con-
textualização das questões éticas que emergem 
na sociedade de consumo fundada no século XX, 
são temas recorrentes na obra do filósofo francês 
Gilles Lipovetsky, um dos mais destacados nomes 
da contemporaneidade no que diz respeito à re-
flexão acerca desses temas.
Link
O filósofo Gilles Lipovetsky concedeu uma en-
trevista ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, 
no ano de 2004. A entrevista está disponível 
em: <http://www.rodaviva.fapesp.br/ma-
teria_busca/567/lipovetsky/entrevistados/
gilles_lipovetsky_2004.htm>. Acesso em: 23 
set. 2017.
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho42/226
campos de interesses particulares aos poucos se distinguiram: “bioética”, 
“ética profissional” (incluindo a ética dos negócios), “ética do meio ambien-
te”. Cada campo delimitou seu objeto de investigação ética e tentou defi-
nir métodos de análises próprios. Esses três setores correspondem a três 
preocupações maiores de nossas sociedades industrializadas: os avanços 
da medicina, as relações socioeconômicas em nossos Estados de direito, e 
o futuro do equilíbrio natural do planeta. (CANTO-SPERBER, 2003, p. 596) 
Nessa perspectiva, a ética profissional possui um caráter genérico, que diz respeito aos princípios 
do exercício e à própria constituição das diferentes profissões, incluindo aspectos relativos: a) à 
sua racionalização – a organização e a divisão do trabalho, as boas práticas; b) aos valores por 
elas produzidos, tais como a honestidade profissional, o compromisso com os públicos afetados 
pelo exercício da profissão; a responsabilidade quanto às gerações futuras; c) a suas normas e 
interdições – a periculosidade técnica, o delito profissional, a falsa propaganda. 
Por seu turno, a “ética nos negócios” debruçar-se-á sobre princípios e práticas que devem con-
duzir as relações de troca – simbólicas, materiais, financeiras – típicas das sociedades de merca-
do. Em seu escopo, portanto, se inserem questões acerca da propriedade intelectual, da justiça 
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho43/226
e da segurança do trabalho, da legitimidade 
e da responsabilidade pelo desenvolvimen-
to técnico-científico, do valor econômico do 
trabalho e das mercadorias, da realização 
subjetiva e da satisfação objetiva do traba-
lhador, das formas de exploração da natu-
reza, dentre outras.
Entretanto, seja no que tange às formu-
lações das regras de convívio e às exigên-
cias dos cargos e carreiras, seja, também, 
no tocante às publicações – revistas, livros, 
manuais etc. – de incentivo ao desenvolvi-
mento profissional, o ambiente corporativo 
é majoritariamente marcado por discursos 
que compreendem a ética no trabalho a par-
tir de um jogo entre “vantagens e desvan-
tagens do comportamento ético”. Valores 
como “humildade”, “tolerância”, “respeito 
à hierarquia”, “flexibilidade”, dentre outros, 
ocupam espaço em boa parte dos manuais 
e cartilhas do tipo “10 ensinamentos”, “12 
mandamentos”, “lições” da ética no traba-
lho. As questões que emergem desse jogo 
entre “vantagens e desvantagens” são: a 
quem interessa equiparar a reflexão ética 
ao discurso sobre a moralidade do traba-
lho? Quanto se instrumentaliza a ética en-
quanto ganhos pessoais – vantagens – em 
oposição ao bem coletivo – desvantagens – 
que sujeitos das relações de negócios saem 
prejudicados?
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho44/226
Tomemos um exemplo: 
Pedro, funcionário há 12 anos de uma em-
presa multinacional, ocupa uma superin-
tendência de desenvolvimento de novos 
negócios, na área de exploração e desenvol-
vimento energético. Recentemente, Pedro 
entrou em conflito com a diretoria da em-
presa. Embora a empresa seja reconhecida 
por investir em seus colaboradores e incen-
tivar o desenvolvimento de melhorias nas 
relações de trabalho a partir da participa-
ção de todos em instâncias variadas de de-
cisões, incluindo câmaras de aprimoramen-
to dos processos, comissões intersetoriais 
etc., Pedro vem há tempos resistindo a um 
novo projeto da Companhia, por considerar 
que seu desenvolvimento coloca em risco as 
comunidades do entorno. A empresa já de-
senvolveu diversos testes ambientais e ela-
borou planos de compensação e de prote-
ção para aquelas comunidades. No entanto, 
Pedro alega que a instalação da planta in-
dustrial no local escolhido afetará os tra-
ços tradicionais da localidade, relacionados 
com a cultura quilombola dos habitantes 
que a ocupam desde o século XIX. Queren-
do apontar projetos alternativos àquele es-
colhido pela diretoria da empresa, Pedro li-
derou uma equipe multidisciplinar formada 
por pesquisadores de diferentes áreas, eco-
nomistas, engenheiros, sociólogos, físicos e 
administradores. Contrariada com essa ini-
ciativa, a empresa demitiu Pedro alegando 
insubordinação às decisões estratégicas da 
diretoria, muito embora, ressalte-se, Pedro 
fosse responsável por uma equipe de de-
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho45/226
senvolvimento de novos negócios. No site 
da empresa, é possível encontrar, dentre os 
valores defendidos no seu código de ética, 
a seguinte descrição: “Em ações e discus-
sões internas, assuma sempre seus valores 
e princípios e as consequências dos atos a 
que eles conduzirem, mesmo que isso sig-
nifique ficar contra a maioria – mas jamais 
procure obstruir o direito de expressão e 
voto no posicionamento alheio”1.
O que o exemplo revela é que, quando com-
preendida em termos de “vantagens e des-
vantagens” do comportamento ético, a ética 
aplicada aos negócios torna-se um subter-
1 Embora baseado num caso real, o exemplo é meramente 
ilustrativo. A descrição deste “mandamento”, por seu turno, 
foi extraída de: <https://efetividade.net/2012/04/o-que-
e-etica-no-trabalho-guia-rapido-com-10-mandamen-
tos-essenciais.html>. Acesso em: 18 set. 2017.
fúgio para maximizar o exercício do controle 
da empresa sobre seus trabalhadores, inde-
pendentemente do nível hierárquico em que 
estejam. Por esse motivo, é preciso pensar a 
ética aplicada às relações de trabalho numa 
perspectiva que não a compreenda como 
um embate entre interesses opostos.
Unidade 2• Ética nas Relações de Trabalho46/226
A partir do estudo realizado por Arruda e Navran (2000, p. 22-31), os autores apresentam os 
seguintes indicadores:
• Sistemas formais: “a empresa que almeje ser ética deve divulgar declarações precisas de-
finindo as regras e deve criar procedimentos de verificação para assegurar que todos na 
organização as estão cumprindo”.
Para saber mais
Essa preocupação esteve presente em um trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos de Ética nas 
Organizações (CENE), da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Ethics Resource Center, em Wa-
shington, DC. Buscando
conhecer o grau de eticidade de uma empresa, a partir de seu clima ético”, 
o trabalho buscou “estimular os executivos a se preocuparem com a quali-
dade ética de sua organização, informando-lhes e colocando à sua dispo-
sição os indicadores [de eticidade] aplicados ao setor industrial. (ARRUDA; 
NAVRAN, 2000, p. 26)
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho47/226
• Mensuração: as regras instituídas de-
vem ser passíveis de mensuração. “As 
medidas são os meios mais críticos 
que a organização possui para comu-
nicar às pessoas o que realmente é 
importante”.
• Liderança: compreendida como um 
exercício de empoderamento e solida-
riedade, que “pode ser definida como 
a contribuição ao bem comum nas in-
dependências sociais”.
• Negociação: indicador que traduz o 
senso de união no local de trabalho.
• Expectativas: trata-se das exigên-
cias formais e informais para alcançar 
o sucesso. Quanto mais explícitas e 
congruentes elas forem, maior a efi-
ciência obtida na motivação dos fun-
cionários. 
• Consistência: significa o comporta-
mento profissional que se dá em cor-
respondência com os valores da em-
presa. “Ocorre quando todas as pala-
vras e ações da organização levam as 
pessoas a concluir que o mesmo con-
junto de valores éticos é válido a qual-
quer momento”.
• Chaves para o sucesso: incluem o 
trabalho intenso, a automotivação e 
os resultados excelentes, a inovação e 
a recompensa.
• Serviço ao cliente: a satisfação dos 
clientes é resultado da satisfação dos 
funcionários. Portanto, manter um 
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho48/226
bom clima organizacional é funda-
mental para gerar efeitos externos 
positivos.
• Comunicação: consiste em comuni-
car as expectativas e exigências em 
relação a seus funcionários. Além dis-
so, “os funcionários devem saber a 
quem se dirigir para obter respostas 
às suas preocupações éticas quando 
se defrontam com uma situação nova 
ou diferente”. 
• Influência dos pares: trata-se de in-
centivar sistemas de ajuda mútua 
entre funcionários, desde que estes 
estejam relacionados aos valores da 
empresa e não sejam utilizados para 
encobrir, incentivar ou ocultar atos de 
privilégios ou ganhos ilegais. 
• Consciência ética: trata-se do equi-
líbrio entre hierarquias e autoridade, 
competências técnicas e decisões po-
líticas. 
Link
No artigo de Lumara Diniz, Ética nas relações 
de trabalho, é discutido um histórico da ética e 
sua relação com a filosofia, trazendo reflexões 
e repercussões dessa temática no cotidiano de 
uma empresa. Disponível em: <http://www.
administradores.com.br/artigos/carreira/
etica-nas-relacoes-no-trabalho/73845/>. 
Acesso em: 20 out. 2017.
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho49/226
Glossário
Ética aplicada: é a aplicação de princípios éticos em campos específicos da atividade humana.
Ética no trabalho: é aplicação de princípios e fundamentos éticos nas relações estabelecidas 
nos ambientes de trabalho e nos relacionamentos entre corporações e demais públicos interes-
sados. 
Ética profissional: é a aplicação de princípios éticos para os fundamentos e para o exercício das 
profissões.
Questão
reflexão
?
para
50/226
Considerando os apontamentos feitos nesta unidade, 
reflita sobre os fatores de emergência das éticas apli-
cadas e suas consequências para o cenário das relações 
de trabalho no Brasil atual, levando em conta, ainda, os 
indicadores de eticidade e sua aplicabilidade para o am-
biente de negócios em que você está ou pretende se in-
serir.
51/226
Considerações Finais 
• A ética aplicada é uma preocupação típica da sociedade contemporânea e 
está relacionada com as transformações ocorridas com o desenvolvimento 
urbano e industrial em nível mundial.
• O respeito à vida, ao meio ambiente e às relações humanas são fundamen-
tos das preocupações éticas aplicadas às relações de trabalho.
• A ética no trabalho não deve ser pensada em termos de vantagens ou des-
vantagens pessoais ou empresariais, mas sim como um compromisso de 
solidariedade com a realização pessoal e os benefícios da sociedade.
Unidade 2 • Ética nas Relações de Trabalho52/226
Referências 
ADELMAN, Miriam. A voz e a escuta. Encontros e desencontros entre a teoria feminista e a so-
ciologia contemporânea. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2009.
ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de; NAVRAN, Frank. Indicadores de clima ético nas empresas. 
RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 40. n. 3. jul./set. 2000. p. 26-35.
CANTO-SPERBER, Monique. Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo, RS: Editora UNI-
SINOS, 2003. 
HOBSBAWM, Eric. A Era dos extremos. O breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 
2009.
HUNTINGTON, Samuel P. The clash of civilizations?. Foreing Afairs, 1993. Disponível em: <https://
www.foreignaffairs.com/articles/united-states/1993-06-01/clash-civilizations>. Acesso em: 30 
nov. 2017.
LIPOVESTKY, Gilles. A felicidade paradoxal. Ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Pau-
lo: Companhia da Letras, 2007.
SANTOS, Boaventura de Souza. A globalização e as ciências sociais. São Paulo: Cortez, 2002.
53/226
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Aula 2 - Tema: Ética nas Relações de Trabalho. 
Bloco I
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Aula 2 - Tema: Ética nas Relações de Trabalho. 
Bloco II
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1d/6a273846be665dc11b5b7289491c77bc>.
54/226
1. A respeito do surgimento da ética aplicada, é correto afirmar que:
a) Decorre de um choque de civilizações, segundo o qual os terroristas internacionais são uma 
ameaça do Mal.
b) São resultados dos antagonismos que caracterizam os processos da globalização.
c) São consequência dos entraves promovidos pelos debates ambientalistas.
d) São reflexões oriundas de movimentos que inibem o desenvolvimento econômico dos paí-
ses.
e) São discussões propostas pelos defensores dos direitos humanos.
Questão 1
55/226
2. A emergência de novos sujeitos coletivos na cena pública dos anos 1960, 
como os movimentos negro, feminista, ambientalista etc., são fatores fun-
dantes da ética aplicada, uma vez que:
Questão 2
a) Esses movimentos passam a questionar os padrões de sociabilidade dominantes, incluindo 
as noções de certo e errado.
b) As empresas veem neles uma ameaça aos consumidores, e passam a fazer propagandas pela 
preservação dos bons costumes.
c) Os movimentos obrigam a Organização das Nações Unidas a redigir um código de ética uni-
versal.
d) Os filósofos que discutiam ética são substituídos por lideranças desses movimentos.
e) As civilizações de capitalismo avançado propõem a aceitação das pessoas GLS (gays, lésbi-
cas e simpatizantes).
56/226
3. Dentre as diversas “éticas aplicadas”, a ética profissional é aquela que:
Questão 3
a) Restringe a aplicação ética ao modo de funcionamento das empresas.
b) Tem como objetivo permitir o ingresso da mulher no mercado de trabalho.
c) Dirige-se às discussões mais genéricas acercado trabalho e das profissões. 
d) Impede o avanço econômico, pois rivaliza com a ética ambiental.
e) Possui menos força regulatória, pois fica submetida à bioética.
57/226
4. A ética nos negócios tem como objeto:
Questão 4
a) A racionalização das profissões.
b) O desenvolvimento sustentável.
c) As relações de troca.
d) A regulação dos preços.
e) A desregulamentação da propriedade.
58/226
5. Compreender a ética nos negócios enquanto um equilíbrio entre vanta-
gens e desvantagens do comportamento ético corresponde a:
Questão 5
a) Ocultar mecanismos sutis de dominação dos trabalhadores.
b) Defender o trabalhador contra o lucro desmedido.
c) Defender a empresa contra abusos dos trabalhadores.
d) Defender a sociedade contra a luta de classes.
e) Defender os governos contra a queda de arrecadação.
59/226
Gabarito
1. Resposta: B.
A ética aplicada emerge a partir de discus-
sões práticas que têm como objetos diver-
sos fenômenos decorrentes dos antagonis-
mos entre o desenvolvimento econômico e 
tecnológico em nível mundial, acompanha-
do de fenômenos que colocam em xeque 
a própria noção de progresso que permeia 
aquele desenvolvimento, tais como os de-
sastres ambientais e sociais, os limites da 
ciência frente à manipulação da vida, den-
tre outros.
2. Resposta: A.
A emergência de diversos movimentos so-
ciais na luta pela igualdade de direitos e pela 
preservação ambiental colocam em xeque 
os padrões de desenvolvimento e as formas 
hegemônicas de sociabilidade, baseadas 
em parâmetros de normalização heteros-
sexual, na dominação branca e masculina e 
na centralidade da família nuclear, fazendo 
necessária a reflexão sobre novos princípios 
de relações éticas e morais.
3. Resposta: C.
A ética profissional diz respeito aos prin-
cípios de constituição das profissões, seu 
exercício e os valores nelas envolvidos.
4. Resposta: C.
A ética nos negócios diz respeito às relações 
de troca simbólica – hierarquias funcionais, 
60/226
Gabarito
por exemplo; materiais – valor do trabalho; 
e financeiras – ganhos, remunerações etc.
5. Resposta: A.
Se compreendida em termos de vantagens e 
desvantagens, a ética nos negócios deixa de 
considerar as relações de interdependência 
e dominação típicas da produção capitalis-
ta, e torna-se um mecanismo velado para 
controle dos trabalhadores.
61/226
Unidade 3
Ética Empresarial. Da Teoria à Prática
Objetivos
1. Compreender as relações entre ética 
nos negócios e expansão das econo-
mias capitalistas bem como adminis-
tração empresarial.
2. Identificar o papel da ética empresa-
rial na gestão dos negócios.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática62/226
Introdução
O termo “ética aplicada” originou-se nos EUA, nos anos 1960, para se referir à preocupação 
de diferentes setores da sociedade com as questões fundamentais de um mundo em profunda 
transformação, dentre elas as questões ligadas à vida, especialmente em razão do avanço téc-
nico-científico e de suas interações com as descobertas da biologia e da genética, originando a 
bioética; questões relacionadas à preservação ambiental, numa sociedade em que a industriali-
zação avançada gerara a destruição maciça dos recursos naturais, fazendo emergir a ética am-
biental; questões ligadas ao mundo do trabalho, considerando a industrialização, a urbanização, 
a diversificação das profissões e o fortalecimento das demandas e das organizações de trabalha-
dores, gerando a ética profissional.
A ética profissional se funda em três aspectos gerais, quais sejam, o respeito, a previsibilidade e 
a responsabilidade, que podem ser descritos como:
1) Respeito profissional. Respeito da autonomia das pessoas. Respeitar a 
autonomia é respeitar a capacidade da pessoa de escolher e decidir. Uma 
pessoa tem valor, não preço: ninguém pode ser manipulado ao bel-prazer 
dos outros. 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática63/226
2) Previsibilidade profissional. Significa que devemos ser previsíveis com 
nossas ações, prevendo os possíveis danos causados por nossos atos.
3) Responsabilidade profissional. Devemos considerar e assumir sempre as 
consequências futuras das nossas ações. (SERRANO, apud LIMA JUNIOR, 
2008, p. 105)
A partir desses três pilares, pode-se pensar em enfoques ainda mais específicos para as reflexões 
éticas, seja a ética nas relações de trabalho, seja a ética nos negócios, seja, ainda, a ética no setor 
empresarial. 
Assim, se a ética profissional possui um caráter genérico, que diz respeito aos princípios do exer-
cício e à própria constituição das diferentes profissões, e a ética nas relações de trabalho preo-
cupa-se com a aplicação de princípios e fundamentos éticos nas relações estabelecidas nos am-
bientes de trabalho e nos relacionamentos entre corporações e demais públicos interessados, 
a ética nos negócios debruçar-se-á sobre princípios e práticas que devem conduzir as relações 
de troca – simbólicas, materiais, financeiras – típicas das sociedades de mercado. É em seu bojo, 
portanto, que se insere a ética empresarial, uma vez que são as empresas as instituições típicas 
da sociedade de mercado.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática64/226
1. Falando sobre empresas
Uma ética econômica especificamente burguesa se havia edificado. Com a 
consciência de permanecer na plenitude da graça de Deus e sendo visivel-
mente abençoado por Ele, o homem de negócio burguês, permanecendo 
dentro dos limites da retidão formal, sua conduta moral sendo impecável 
e o uso que fizesse de suas riquezas não sendo objetável, poderia seguir 
seus interesses de lucro, conforme sentisse estar cumprindo um dever ao 
fazê-lo. O poder do ascetismo religioso o provia, adicionalmente, com tra-
balhadores sóbrios, conscientes e industriosos de forma incomum, que 
se agarram ao seu trabalho enquanto um propósito de vida desejado por 
Deus. (WEBER, 2013, p. 255)
Na epígrafe acima, extraída do livro A ética protestante e o espírito do capitalismo, do alemão Max 
Weber (1864–1920), o autor, considerado um dos fundadores da sociologia, analisa os preceitos 
éticos que estão na origem e no desenvolvimento da sociedade capitalista ao longo dos séculos 
XVI e XVII, os quais se entrelaçam como uma série de processos de racionalização do homem no 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática65/226
mundo que encontram, na ética protestante, um caminho para eliminação da mágica enquanto 
meio de salvação:
Para o católico, a absolvição de sua Igreja era uma compensação por sua 
própria imperfeição. O padre era um mágico que operava o milagre da 
transubstanciação e era quem detinha a chave da vida eterna na sua mão. 
[Para o calvinista] tais confortos humanos e amigáveis não existiam [...] o 
Deus do calvinismo demandou de seus crédulos não bons atos singula-
res, mas uma vida de obras combinada em um sistema unificado. (WEBER, 
2013, p. 145)
Esses processos de racionalização, assentados numa dimensão religiosa e de pertencimento do 
homem no mundo, colocaram a virtude no centro de todas as relações humanas. O agir virtuoso, 
segundo a ética protestante, possui uma função utilitária, ou seja, é dever de toda pessoa que 
crê agir conforme a virtude e esse ethos atravessa todas as relações humanas: “a honestidade 
é útil por assegurar o crédito; assim como são a pontualidade, a industrialidade, a frugalidade” 
(WEBER, 2013, p. 56).
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática66/226
Nessa perspectiva, o ganho material, o ganho financeiro, também assume caráter de virtude: o 
ganho não é visto como um meio de se desfrutar a vida, mas como o resultado da realização de 
uma vocação:
O ganho do dinheiro no interior da moderna ordem econômica é, sendo 
obtido legalmente, o resultadoe a expressão da virtude [...] E, em verdade, 
essa ideia peculiar, que hoje nos é tão familiar, mas na realidade pouco ób-
via, da carreira como um dever, é o que há de mais característico na ética 
social da cultura capitalista. (WEBER, 2013, p. 57)
Se o espírito do capitalismo é fomentado por uma ética do dever e da realização, do ganho como 
vocação, viver o capitalismo não será apenas dedicar-se ao ganho, mas fazer do ganho um signo 
de honestidade e prudência. A virtude assume, portanto, um aspecto de mundaneidade: no lugar 
da Graça, da transcendência, uma vida proba e autoconfiante. O protestantismo e o conceito de 
vocação profissional que o acompanha se tornam, portanto, “a base motivacional do moderno 
sistema econômico capitalista” (BATISTA, 2013, p. 8), sistema este que, impulsionado pelos prin-
cípios do liberalismo do século XVII – a livre iniciativa, a livre organização, a propriedade privada, 
dentre outros – tornar-se-á o modelo socioeconômico predominante.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática67/226
E no seio desse modelo, a racionalização das relações humanas irá produzir outro efeito: a bu-
rocratização das formas de organização. Novamente, será Max Weber o pensador a desvendar 
esses processos de burocratização. Assim, embora identifique os primeiros traços de formação 
das estruturas burocráticas em civilizações da Antiguidade – na China e no Egito, por exemplo – 
Weber afirma:
O pré-requisito normal para a existência estável e continuada, e inclusive 
para a instauração de administrações burocráticas puras, é um certo grau 
de desenvolvimento de uma economia monetária. (WEBER, [s.d.], p. 22)
Conquanto seja comumente atribuído aos órgãos estatais o caráter de “burocrático”, é o desen-
volvimento da economia e a necessidade de sua administração que vai propiciar o surgimento da 
especialização de tarefas enquanto procedimento racionalizado. Segundo Weber, a burocracia é 
a forma mais eficiente de uma organização, pois torna a administração 
mais eficiente e eficaz e isso garante rapidez e racionalidade ao trabalho, 
além de diminuir os problemas internos. Contudo, ele ressalta que nenhu-
ma burocracia funcionará sem gestores profissionais. (MELLO, [s.d.], p. 6)
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática68/226
Nesse sentido, enquanto instituição modelar das sociedades de capital, as empresas, organiza-
ções fundamentalmente concebidas como produtoras das relações de troca material e finan-
ceira, com objetivo de lucro, são também organizações que produzem e disseminam saberes e 
conhecimentos nas demais esferas sociais, motivo pelo qual a ética empresarial ganha, no final 
do século XX, relevância central nos debates sobre o futuro da economia e das sociedades capi-
talistas num mundo globalizado.
Para saber mais
Os estudos sobre burocracia no Brasil estão pautados pela análise da burocracia estatal, na qual pre-
valecem duas teses opostas, quais sejam: uma que compreende a burocracia como estrutura executora 
das decisões tomadas no âmbito político, outra que reivindica autonomia da classe burocrática como 
contraponto à transitoriedade que marca as decisões governamentais. Não obstante o número reduzido 
de estudos sobre a burocracia enquanto racionalização da atividade privada, nestes prevalece a interpre-
tação de cunho weberiano, dada a relevância desse autor não apenas para a compreensão dos processos 
de surgimento privado da burocracia, mas também suas análises acerca dos tipos de liderança que são 
encontrados nos âmbitos familiar, privado e público. 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática69/226
2. A ética empresarial
O mundo globalizado potencializou, em âm-
bito mundial, as grandes contradições que 
marcam o capitalismo. Se as informações, 
pessoas, produtos e riquezas circulam por 
todo o planeta, também o fazem a violência, 
as mercadorias ilícitas, os recursos advin-
dos de ilegalidades e crimes. Nesse cenário, 
em que as economias de mercados se fa-
zem hegemônicas sobre outros modelos de 
organização político-econômica, restritos 
a formações sociais bastante específicas e 
ainda remanescentes do período de Guerra 
Fria, “a empresa tende a se afirmar não mais 
apenas como um lugar que se presta, como 
todos os domínios da existência, a compor-
tamentos éticos, mas como uma instância 
de criação de referências éticas” (CANTO-
-SPERBER, 2003, p. 521). Ademais, ao me-
nos dois outros componentes oriundos dos 
processos de globalização passam a impac-
Link
No vídeo Café Filosófico – a Sociologia de Weber, 
Gabriel Cohn, sociólogo e professor titular da Fa-
culdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas 
da USP, trata do pensamento de Max Weber a res-
peito das linhas de força, ações e agentes dessas 
ações dentro da teia de relações que é a socieda-
de. Disponível em: <http://achistorico.blogs-
pot.com.br/search?q=weber>. Acesso em: 20 
set. 2017.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática70/226
tar as empresas: o primeiro diz respeito à necessidade de adaptação e harmonização entre valo-
res universais e códigos morais distintos e localizados. 
Confrontado com a diversidade das culturas, dos costumes, das concep-
ções do bem, a empresa não pode se abster de sérios processos de acul-
turação. Mesmo em domínios como o da recusa da corrupção, em que 
parece possível definir comportamentos éticos independentes do contex-
to cultural, os meios a empregar para obtê-los podem ser muito variáveis 
conforme os lugares – sem falar daqueles em que o respeito dos mesmos 
valores, tais como a dignidade das pessoas, pode implicar maneiras de agir 
muito diversas. (CANTO-SPERBER, 2003, p. 521)
O segundo aspecto diz respeito à prevenção aos escândalos corporativos e denúncias de dife-
rentes ordens, os quais também ocorrem em nível global. Por exemplo, a Alstom, empresa fran-
cesa acusada de corrupção nas obras do metrô de São Paulo, em 2015, passou a ser investigada 
em outros 11 países, sendo condenada a ressarcir os cofres públicos no Brasil, na Suíça, na Itália, 
no México e na Zâmbia. 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática71/226
Emerge, então, a necessidade de equilíbrio entre as ações estratégicas de financeirização e lucro 
empresarial, o controle ético de suas decisões e operações e um conjunto mais amplo de suas 
funções sociais. 
A função social da empresa está intrinsecamente conectada aos princípios 
morais que devem sustentar o bom uso da propriedade e dos meios de 
produção. Emprestar uma função social à empresa é avalizar a atividade 
empresarial como uma das formas de uso benéfico da propriedade. A uti-
lização da propriedade como meio de produção é fundamento conhecido 
do capitalismo (seja em suas vertentes mais antigas seja nas mais moder-
nas), o que coloca a empresa em posição de supremacia nos sistemas eco-
nômicos neoliberais modernos. (LIMA JUNIOR, 2008, p. 75) 
Link
A repercussão do caso Alstom foi imensa nas redes sociais e nos principais canais de comunicação. Indi-
camos a leitura do artigo de Mario Cesar Carvalo, Alstom vai pagar R$ 60 mi para se livrar de processo sobre 
propina. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1721914-alstom-vai-pa-
gar-r-60-mi-para-se-livrar-de-processo-sobre-propina.shtml>. Acesso em: 19 set. 2017.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática72/226
Com o objetivo de contribuir para que as 
empresas estabeleçam posicionamentos 
éticos e evitem a ocorrência de fraudes, 
multas ou escândalos, Nash (1993) buscou, 
por meio da concepção de ética convencio-
nada, combinar a finalidade lucrativa das 
empresas com valores de confiança, coope-
ração e vínculos de relacionamentos:
Para saber mais
Baseado em fatos reais, o filme A grande apos-
ta, de Adam McKay, lançado noBrasil em 2016, 
toma como roteiro a crise do capital desencadea-
da a partir da bolha imobiliária norte-americana, 
em 2008. O filme descreve o comportamento de 
diferentes investidores, especialmente o perso-
nagem de Christian Bale (Michael Burry), que an-
tevê o colapso dos créditos imobiliários e passa a 
apostar contra as tendências das bolsas, fazendo 
do colapso econômico mundial uma oportunida-
de de multiplicar sua fortuna.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática73/226
A autora reforça a noção de que é possível para um administrador levar 
suas preocupações morais para além do campo das boas intenções, até 
uma aplicação real na busca do sucesso econômico. Ter responsabilida-
de ética nos negócios supõe, muitas vezes: confiar no instinto, definir os 
“nãos” (não ter conflito de interesses, não mentir, não envenenar o cliente, 
não poluir o meio ambiente, etc.): articular explicitamente uma filosofia de 
negócios, estabelecendo um conjunto de padrões éticos, e não só proibi-
ções, relacionados com o objetivo da empresa, a serem seguidos por todos 
os funcionários. (ARRUDA, 1993, p. 129)
Nessa perspectiva, as funções de administração e gestão empresarial assumem papel prepon-
derante na condução ética dos negócios de uma empresa, sendo estes o reflexo dos hábitos e 
das escolhas que “os administradores fazem no que diz respeito às suas próprias atividades e às 
do restante da organização” (NASH, 1993, p. 7). Para a autora, portanto, três são as áreas básicas 
sobre as quais incidem a tomada de decisões gerenciais de cunho ético:
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática74/226
• Escolhas quanto à lei: como a empresa 
se posiciona frente às diversas legisla-
ções que normatizam seus negócios.
• Escolhas sobre assuntos econômicos 
e sociais: diz respeito a como a em-
presa se posiciona frente aos “outros”, 
sejam seus concorrentes, sejam tra-
balhadores, fornecedores e sociedade 
em geral, incluindo não só “as noções 
morais de honestidade, palavra e jus-
tiça, mas também a de evitar danos e 
a da reparação voluntária dos prejuí-
zos causados” (NASH, 1993, p. 7).
• Escolhas sobre a preeminência do 
interesse próprio: incluem decisões 
acerca dos interesses próprios e os 
interesses da empresa e dos demais 
públicos internos (acionistas, colabo-
radores, funcionários) e externos (for-
necedores, clientes), dizendo respeito 
“aos direitos de propriedade e quanto 
dinheiro deve ser retido ou distribuí-
do” (NASH, 1993, p. 7).
As três áreas apontadas pela autora evi-
denciam que a gestão empresarial exige a 
tomada de decisões que não são meramen-
te técnicas ou administrativas: elas envol-
vem componentes morais que podem im-
pactar diretamente o desempenho e a sus-
tentabilidade da empresa, sobretudo se os 
interesses pessoais dos administradores, 
ou mesmo os interesses financeiros da em-
presa, estiverem desconectados de um en-
tendimento mais amplo acerca das exigên-
cias éticas e morais da sociedade. Por isso 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática75/226
a importância de aliar a busca do lucro e do 
sucesso empresarial com os valores morais 
que impulsionam os relacionamentos das 
pessoas – internas e externas à empresa – 
aos seus negócios e produtos.
Portanto, a ética convencionada é aque-
la que permite integrar as normas éticas à 
busca do sucesso empresarial, tendo uma 
atitude organizacional dirigida ao outro, ou 
seja, a todos os públicos que se beneficiam 
da empresa, seja através de seus serviços, 
no caso de trabalhadores, fornecedores 
etc.; seja através de seus produtos, no caso 
de clientes e consumidores; seja através de 
seus negócios, no caso de governos e da so-
ciedade que se beneficiam dos valores ge-
rados pela empresa. A estas duas condições 
da ética convencionada junta-se, ainda, um 
princípio de relacionamento, qual seja, uma 
ética de negócios deve ser capaz de motivar 
o comportamento pragmático e competiti-
vo, sem, no entanto, deixar de alimentar o 
respeito e o interesse social quanto aos ne-
gócios realizados. 
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática76/226
Para saber mais
Se a ética convencionada é concebida como 
uma aplicação ética capaz de congregar distin-
tos e contrários interesses, promovendo a efe-
tiva participação dos diferentes stakeholders na 
governança empresarial, a efetivação dessa par-
ticipação é ainda um grande desafio, o que ex-
ige o aprimoramento de instrumentos técnicos 
adequados ao seu fomento e viabilização. Nesse 
sentido, pesquisas para o desenvolvimento das 
doutrinas e práticas de gestão participativa no 
meio empresarial têm crescido em importância, 
o que pode ser percebido em consultas a plata-
formas de revistas e periódicos científicos, como 
o scielo.br. Procurando por marcadores do tipo 
“ética empresarial”, pode-se encontrar diversas 
referências a esta temática.
Link
Uma resenha do livro Ética nas empresas: boas in-
tenções à parte (São Paulo: Makron Books, 1993), de 
Laura Nash, foi escrita pela Profª Drª Maria Cecilia 
Coutinho de Arruda, do Departamento de Merca-
dologia da Fundação Getúlio Vargas, apontando a 
importância e os principais temas abordados no 
livro. A referida resenha foi publicada como artigo 
científico e encontra-se disponível em: <http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-
text&pid=S0034-75901993000500011>. 
Acesso em: 19 set. 2017.
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática77/226
Glossário
Burocracia: forma de administração baseada na divisão de tarefas, na especialização de fun-
ções, na separação entre particular, público e privado, na racionalidade e na ação direcionada 
para a obtenção de fins previamente estabelecidos.
Ética convencionada: compreendida como um estado de espírito voltado para as pessoas e para 
os relacionamentos, sem esquecer os produtos ou os controles próprios do negócio realizado 
pela empresa.
Guerra fria: compreende o período de clivagens geopolíticas entre o bloco de países capitalistas 
– liderados pelos EUA – e o de países socialistas – liderados pela URSS – no período entre o fim da 
Segunda Guerra Mundial (1945) e a dissolução da União Soviética (1991).
Questão
reflexão
?
para
78/226
Tendo em vista os desafios para conciliação, convergência ou 
assimilação e diferentes interesses num propósito ético comum, 
faça a seguinte reflexão: como, no seu dia a dia, você lida com a 
necessidade de conciliar seus interesses com interesses diver-
gentes do seu, sem fazer disso uma razão de conflito? Procure 
realizar essa reflexão no tocante às suas interações familiares, 
profissionais, nas redes sociais. Por fim, reflita a respeito da ques-
tão: é possível buscar convergências éticas entre posicionamen-
tos políticos e profissionais divergentes? Que princípios devem 
conduzir essas convergências? Qual o seu papel individual fren-
te aos processos coletivos de conciliação ou de conflitos éticos?
Unidade 3 • Ética Empresarial. Da Teoria à Prática79/226
Referências 
ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de. Ética nas empresas: boas intenções à parte. Resenha. RAE – 
Revista de Administração de Empresas, v. 33, n. 5, set-out 1993. p. 128-129.
BATISTA, Ronaldo de Oliveira. Prefácio à A Ética protestante e o espírito do capitalismo. In: WE-
BER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2013. 
CANTO-SPERBER, Monique. Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo, RS: Editora UNI-
SINOS, 2003. 
LIMA JUNIOR, Osvaldo Pereira. Ética empresarial e neoliberalismo: paradigmas para a constru-
ção de uma nova cidadania. Dissertação (Mestrado em Direito)- Centro Universitário Salesiano. 
Lorena, São Paulo, 2008.
MELLO, Sebastião Luis. Apresentação da obra “O que é a burocracia?”.In: WEBER, Max. O que é 
a burocracia?. Brasília: Conselho Federal de Administração, [s.d.].
NASH, Laura. Ética nas empresas: boas intenções à parte. São Paulo: Makron Books, 1993. 
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2013. 
______. O que é a burocracia?. Brasília: Conselho Federal de Administração, [s.d.].
80/226
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Aula 3 - Tema: Ética Empresarial. Da Teoria à 
Prática. Bloco I
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Aula 3 - Tema: Ética Empresarial. Da Teoria à 
Prática. Bloco I
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1. A respeito da ética empresarial, é CORRETO afirmar:
a) É um ramo da ética divergente da ética profissional.
b) É um ramo da ética que se insere nas reflexões sobre as trocas materiais, simbólicas e finan-
ceiras.
c) É um ramo da ética que está dissociado da ética nos negócios.
d) É uma forma diferente de nomear a ética profissional, uma vez que toda profissão é exercida 
no campo dos negócios privados. 
e) É uma invenção contemporânea decorrente da necessidade de empregar filósofos e outras 
profissões de caráter especulativo.
Questão 1
82/226
2. De acordo com Max Weber, a ética protestante foi fundamental para o 
avanço e a consolidação do capitalismo, uma vez que:
a) Disseminou uma concepção da salvação pelo arrependimento dos pecados. 
b) Disseminou uma concepção da pobreza como valor cristão.
c) Disseminou uma concepção da riqueza e do trabalho como propósito divino.
d) Obrigava os fiéis a aceitar quaisquer condições de trabalho, permitindo o enriquecimento 
dos patrões.
e) Contribuiu para saquear as riquezas da Igreja Católica, dividindo-a de forma igualitária en-
tre os cidadãos.
Questão 2
83/226
3. O avanço do sistema capitalista tem importância fundamental para o de-
senvolvimento da burocracia, pois:
a) Exigiu que os governos se organizassem para extrair as riquezas produzidas pelo empresa-
riado.
b) Obrigou as empresas a se organizarem, a fim de encontrar formas de pagar menos impostos.
c) Exigiu que a administração pública se diferenciasse da gestão privada, cabendo àquela a 
exclusividade da razão burocrática.
d) Exigiu a divisão entre a administração privada e pública e a especialização de tarefas en-
quanto procedimento racionalizado.
e) Propiciou que os partidos e movimentos contrários ao capitalismo criassem quadros políti-
cos profissionais, denominados burocratas.
Questão 3
84/226
4. Com o mundo globalizado, as questões éticas assumem importância es-
tratégica na gestão empresarial, pois:
a) Os riscos e escândalos ganham repercussão mundial, exigindo comportamento ético e ações 
de controle e prevenção. 
b) A ética é um padrão internacional de comportamento, que anula as diferenças culturais.
c) A circulação financeira internacional não possui regulamentação ética, permitindo ocultar 
comportamentos desonestos dos gestores.
d) As empresas norte-americanas possuem rígidos códigos éticos e só contratam profissionais 
que se enquadrem nesses códigos.
e) A ética e a moral passam a seguir um padrão internacional definido em normas de institutos 
de regulação, como Inmetro e ABNT.
Questão 4
85/226
5. Uma ética convencionada coloca em destaque o papel dos gestores de 
empresas, pois são eles os responsáveis pela tomada de decisões estratégi-
cas e gerenciais. Isso equivale a dizer que:
a) O lucro das empresas está vinculado aos programas de responsabilidade social adotados 
pela empresa.
b) Os programas de responsabilidade social possuem procedimentos específicos e uma ética 
própria, que não se relaciona com os valores gerais da empresa.
c) As empresas precisam oferecer formação continuada para seus gestores, de modo que eles 
se enquadrem nos princípios éticos e morais defendidos por seus proprietários e acionistas.
d) Os gestores empresariais devem, necessariamente, implantar programas de responsabilida-
de social como forma de ampliar o lucro.
e) Os resultados da empresa são o reflexo dos hábitos e das escolhas que os administradores 
fazem no que diz respeito às suas próprias atividades e às do restante da organização.
Questão 5
86/226
Gabarito
1. Resposta: B.
A ética empresarial se insere no campo das 
discussões acerca da ética nos negócios, 
uma vez que as empresas são as organiza-
ções prototípicas das trocas comerciais e fi-
nanceiras das sociedades de mercado.
2. Resposta: C. 
A ética protestante, segundo Weber, disse-
minou uma concepção de mundo baseada 
no trabalho e em valores de dedicação, reti-
dão, honestidade, dentre outros, que com-
preendiam o lucro, desde que laborioso, 
como o cumprimento da Graça divina, ou 
vocação.
3. Resposta: D.
O avanço do capitalismo e a complexifica-
ção das atividades econômicas exigiu a di-
ferenciação entre os bens públicos e priva-
dos e entre a administração dos bens par-
ticulares e dos bens privados empresariais, 
racionalizando e especializando as funções.
4. Resposta: A.
A centralidade ocupada pelas empresas no 
cenário de hegemonia do sistema capita-
lista globalizado exige que essas organiza-
ções não apenas sigam códigos de ética e 
se adaptem a contexto morais locais, mas 
também sejam difusoras de princípios e 
práticas reconhecidos internacionalmente, 
como a adesão às leis, o respeito ao meio 
87/226
Gabarito
ambiente, o cumprimento das regras traba-
lhistas, dentre outras.
5. Resposta: E.
Segundo Laura Nash, autora do livro Ética 
nas empresas: boas intenções à parte (São 
Paulo: Makron Books, 1993), compreendi-
da como um estado de espírito voltado para 
as pessoas e para os relacionamentos, sem 
esquecer os produtos ou os controles pró-
prios do negócio realizado pela empresa, a 
ética convencionada atribui papel funda-
mental para os gestores empresariais, uma 
vez que estes devem não apenas manter 
um posicionamento e ter comportamentos 
adequados ao código de ética da empresa, 
mas também liderar os demais colaborado-
res e funcionários na adoção desse código 
em seu cotidiano.
88/226
Unidade 4
Responsabilidade Social das Empresas
Objetivos
1. Compreender o debate conceitual, as 
críticas e defesas da Responsabilida-
de Social Empresarial – SER.
2. Identificar os conceitos elementares 
da SER.
3. Apresentar as normas e certificados 
pertinentes ao fomento da SER.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas89/226
Introdução
A responsabilidade social das empresas constitui uma forma específica de promoção da ética 
empresarial, estando inserida no amplo escopo de ações e formas organizacionais reunidas sob 
o conceito de terceiro setor. A expressão “terceiro setor” é, como alertou a professora Maria da 
Gloria Gohn, “uma expressão com significados múltiplos, devido a sentidos históricos diferen-
ciados, em termos de realidade social” (GOHN, 1999, p. 73). Originária do inglês norte-ameri-
cano “third sector”, a expressão “terceiro setor”, cunhada em 1978 por John, D. Rockefeller III, 
caracteriza um universo 
que envolve um número significativo de organizações e instituições – or-
ganizações não governamentais (ONGs), sem fins lucrativos (OSFs), insti-
tuições filantrópicas, empresas “cidadãs”, entre outras – e sujeitos individu-
ais – voluntários ou não. (MONTAÑO, 2002, p. 15)
Nessa perspectiva, pode-se dizer que o “terceiro setor” é composto por uma grande variedade de 
tipologias organizacionais, incluindo desde associações de bairro, grupos comunitários, clubes 
de serviços até organizações internacionais, fundações empresariais e programas de responsa-bilidade social empresarial.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas90/226
Como ação estratégica das empresas, importa aqui compreender como ocorre, ao longo dos 
anos, uma diversificação das iniciativas, ações e mecanismos de fomento à responsabilidade 
social empresarial, de modo que, atualmente, essa atuação se dê em diferentes frentes, que in-
cluem a filantropia, o investimento social, o voluntariado corporativo, a responsabilidade so-
cioambiental e, ainda, um conjunto de certificados, obrigações e princípios norteadores para o 
reconhecimento das práticas executadas.
1. Contexto histórico da responsabilidade social empresarial no Brasil 
O movimento de incentivo às práticas de reponsabilidade social compreende que 
Foi entre o final dos anos 80 e os anos 90 que começou o processo de 
conscientização das empresas de sua presença num mundo que precisa-
va ser social e ambientalmente sustentável. Nos anos 90, o que se viu foi 
a intensificação dos movimentos, a partir dos quais se estabeleceu uma 
nova plataforma de colaboração, e começaram a proliferar os institutos e 
fundações empresariais. (ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 10)
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas91/226
Segundo essa perspectiva, iniciativas que já haviam surgido anteriormente foram sendo incre-
mentadas e “profissionalizadas” a partir de uma mudança de “mentalidade empresarial”, se-
gundo a qual, numa sociedade democrática, a responsabilidade de promover o desenvolvimento 
sustentável seria compartilhada entre o Estado, a sociedade civil e também pelas empresas. 
Em meados da década de 90, a emergência do movimento de RSE no Brasil 
demandou uma distinção mais clara entre os conceitos de investimento 
social privado e de responsabilidade social empresarial, o que não existia 
até então. Tal distinção foi pactuada. (ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 10) 
Para saber mais
A perspectiva de incentivo às práticas de reponsabilidade social, como descrito em Aliança Capoava 
(2010), considera que até mesmo os movimentos operários do início do século XX são exemplo de pro-
moção da ética empresarial, contrariando as análises que compreendem aqueles movimentos num sen-
tido de lutas empreendidas pelos operários contra a exploração do trabalho. Por isso, é preciso um olhar 
crítico que reconheça os processos de incentivo e crescimento do terceiro setor, e, em seu bojo, da RSE, e 
ao mesmo tempo proceda às críticas quanto à sua supervalorização.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas92/226
sentar um modo de compreender a realida-
de que não coloca em questionamento seus 
aspectos epistemológicos, culturais e feno-
menológicos. 
2. Conceitos elementares
Todos os conceitos a seguir descritos são 
representações valorativas que buscam a 
positivação das práticas realizadas pelos 
próprios atores nelas envolvidos. Por esse 
motivo, vamos tomá-los aqui em sua ca-
racterística elementar, qual seja, a de repre-
Link
Uma crítica esta perspectiva positivada da RSE e 
do terceiro setor foi elaborada por Carlos Mon-
taño, cuja resenha ao livro indicado nas referên-
cias bibliográficas deste material pode ser encon-
trada em <https://periodicos.ufsc.br/index.
php/eb/article/viewFile/1518-2924.2003v-
8n15p59/5236>. Acesso em 09 dez. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas93/226
Responsabilidade Social Empresarial: 
Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se define 
pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com 
os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que 
impulsionem. o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando 
recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a di-
versidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. (INSTITUTO 
ETHOS apud ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 11)
Responsabilidade Social Corporativa: 
A chamada RSC é, na maioria dos casos, conceito usado na literatura espe-
cializada sobretudo para empresas, principalmente de grande porte, com 
preocupações sociais voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu 
quadro de funcionários1. 1
1 Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/wp-content/uploads/2015/04/O-Que-E-Responsabilidade-So-
cial.pdf>. Acesso em: 10 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas94/226
Investimento Social Privado: 
Investimento Social Privado é o repasse de recursos privados para fins pú-
blicos por meio de projetos sociais, culturais e ambientais, de forma plane-
jada, monitorada e sistemática. – GIFE2. 2
Voluntariado Empresarial: 
Um conjunto de ações realizadas por empresas para incentivar e apoiar o 
envolvimento de seus funcionários em atividades voluntárias na comuni-
dade – Kenn Allen3. 3
2 Disponível em: <http://gife.org.br/investimento-social-privado/>. Acesso em: 10 set. 2017.
3 Extraído de “The Big Tent: Corporate Volunteering in the Global Age”. Disponível em: <https://en.fundaciontelefonica.com/publi-
cations/publication-details/itempubli/158/> . Acesso em: 10 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas95/226
Responsabilidade Socioambiental: 
O conceito de Responsabilidade Social Ambiental (RSA), talvez mais atual e 
abrangente, ilustra não apenas o compromisso de empresas com pessoas e va-
lores humanos, mas também preocupações genuínas com o meio ambiente4. 4
Depreende-se de todas essas definições que a Responsabilidade Social Empresarial
é ir além do cumprimento da legislação e é também ampliar o âmbito de atu-
ação das empresas na sua relação com as diversas partes interessadas, que 
impactam e são impactadas por seu negócio. Cumprir o que está posto na 
legislação para uma gestão empresarial responsável é fundamental e é parte 
essencial do escopo da RSE, e comprometer a gestão com a responsabilidade 
social é um importante caminho para a atingirmos a sustentabilidade a partir 
do protagonismo das empresas. (ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 16)
4 Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/wp-content/uploads/2015/04/O-Que-E-Responsabilidade-So-
cial.pdf>. Acesso em: 10 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas96/226
3. Mecanismos de fomento à responsabilidade social empresarial
Como estratégia de fomento à adoção de práticas de responsabilidade empresarial pelas em-
presas, e baseados em protocolos firmados em diversos âmbitos de cooperação e agências de 
regulação das relações internacionais, diferentes certificações vêm sendo criadas desde a déca-
da de 1990, de modo a padronizar critérios e comportamentos:
Num mundo cada vez mais competitivo, empresas veem vantagens com-
parativas em adquirir certificações que atestem sua boa prática empresa-
rial. A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que 
empresas adotem processos de reformulação interna para se adequarem 
às normas impostas pelas entidades certificadoras5. 5
5 Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/wp-content/uploads/2015/04/O-Que-E-Responsabilidade-So-
cial.pdf>. Acesso em: 20 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas97/226
Dentre as principais certificações, temos:
Sistema ISO: criado pela International Organization for Standardization (ISO), é um 
conjunto composto pelas normas ISO 9000, 9001, 9004 e 19011. Elas po-
dem ser aplicadas em diversos tipos de organização: indústrias, empre-
sas, instituições e afins, e se referem apenas a qualidade dos processos 
da organização, e não dos produtos ou serviços. Esse grupo de normas 
descreve regras relacionadas à implantação, desenvolvimento, avaliação e 
continuidade do Sistema de Gestão da Qualidade. Elas tornaram-se oficiais 
a partir do ano de 1987, baseada em normas britânicas,e desde então, vem 
sofrendo revisões. Empresas que aplicam as normas ISO 9000 tem uma 
vantagem adicional, pois tem maior credibilidade frente aos seus clientes 
e concorrentes6. 6
6 Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/wp-content/uploads/2015/04/O-Que-E-Responsabilidade-So-
cial.pdf>. Acesso em: 20 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas98/226
Normas ISO 14000: Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que apresenta 
diretrizes para Auditorias Ambientais, Avaliação do Desempenho Ambien-
tal, Rotulagem Ambiental e Análise do Ciclo de Vida dos Produtos. Ou seja, 
especifica os requisitos relativos a um sistema de gestão ambiental, de 
modo a permitir que a organização formule políticas e objetivos que levem 
em conta os requisitos legais e as informações referentes aos impactos 
ambientais significativos. A finalidade desta série de normas é equilibrar 
a proteção ambiental e a prevenção de poluição com as necessidades so-
ciais e econômicas7. 7
7 Disponível em: <http://www.qualidade.esalq.usp.br/fase2/iso14000.htm#B>. Acesso em: 20 set. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas99/226
Normas ISO 26000: publicada em 2010, é uma norma de diretrizes e de uso voluntário que não 
visa nem é apropriada a fins de certificação. 
A norma fornece orientações para todos os tipos de organização, independente 
de seu porte ou localização, sobre:
• conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; 
• histórico, tendências e características da responsabilidade social; 
• princípios e práticas relativas à responsabilidade social; 
• os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social; 
• integração, implementação e promoção de comportamento socialmente 
responsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas 
dentro de sua esfera de influência; 
• identificação e engajamento de partes interessadas;
• comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referen-
tes a responsabilidade social8. 8
8 Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp>. Acesso em: 3 out. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas100/226
• AA1000: Lançada em 1999 pelo ISEA 
(Institute of Social and Ethical Accou-
ntability), sua função é garantir a qua-
lidade das informações apresentadas 
nos relatórios de sustentabilidade, 
fornecendo mecanismos de avaliação 
e verificação de dados, principalmente 
para as informações não financeiras. 
É fundamentada na aprendizagem e 
desempenho social, ético, ambiental 
e econômico das empresas, além de 
apontar caminhos estratégicos para a 
sustentabilidade. Sua forma de atua-
ção é baseada no relacionamento das 
empresas com seus stakeholders, pro-
curando incluí-los no processo deci-
sório da companhia9.
9 Disponível em: <http://www.administradores.com.br/
artigos/negocios/a-aa1000-a-ferramenta-de-gestao-
de-stakeholders/44501/>. Acesso em: 3 out. 2017.
• Selo Empresa Amiga da Criança: De-
senvolvido pela Fundação Abrinq des-
de 1995, o “Programa Empresa Ami-
ga da Criança” tem por objetivo reco-
nhecer e engajar o setor empresarial 
na promoção e defesa dos direitos 
da criança e do adolescente10, esta-
belecendo um conjunto de práticas e 
compromissos que devem ser segui-
dos pelas empresas postulantes. 
10 Disponível em: <http://www.fadc.org.br/pro-
gramas-institucionais/protecao-empresa-ami-
ga-da-crianca>. Acesso em: 3 out. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas101/226
• SA8000: Criada em 1989 pela Social Accountability International (SAI), 
aborda questões tais como trabalho escravo e infantil, saúde e segurança 
do trabalho, liberdade de associação e negociação coletiva, discriminação, 
práticas disciplinares, jornada de trabalho, remuneração e sistemas de ge-
renciamento. Além de definir normas de trabalho em todo o mundo, a SA 
8000 também contempla acordos internacionais existentes, incluindo as 
convenções da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos e a Convenção das Nações Unidas sobre os 
Direitos da Criança11. 11
11 Disponível em: <http://www.sgsgroup.com.br/pt-BR/Sustainability/Social-Sustainability/Audit-Certification-and-Verifi-
cation/SA-8000-Certification-Social-Accountability.aspx>. Acesso em: 3 out. 2017.
Para saber mais
No Brasil, muitas normas de certificação são regulamentas pela Associação Brasileira de Normas Técni-
cas (ABNT), uma entidade privada sem fins lucrativos que é membro fundador da International Organi-
zation for Standardization (Organização Internacional de Normalização – ISO).
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas102/226
4. Investimento social privado
Ainda seguindo a perspectiva de fomento 
à Responsabilidade Social Empresarial, um 
movimento que representa o “avanço” da 
“participação cidadã” das empresas na co-
munidade é o chamado Investimento Social 
Privado (ISP). A Figura 1 indica como essa 
estratégia empresarial é apontada como 
fator de diferencial no mundo competitivo 
dos negócios.
Figura 1 | Guarda-chuva da responsabilidade social empresarial
Fonte: Aliança Capoava, 2010, p. 8.
Segundo seus ideólogos, a imagem do guar-
da-chuva da responsabilidade social em-
presarial, segundo a qual as ações de uma 
Link
As normas certificadoras regulamentadas no 
Brasil estão disponíveis no site da ABNT: <http://
www.abnt.org.br>. Acesso em: 3 out. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas103/226
“empresa cidadã” poderiam estar voltadas para cada um dos gomos que formam a aba do guar-
da-chuva, deve ser substituída 
Por algo semelhante aos círculos concêntricos formados na água quando 
uma pedra cai, onde a pedra é a operação da empresa e os círculos, a se-
quência de impactos gerados a partir daí, num novo modelo, que amplifica 
a visão da RSE. (ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 34)
Por outro lado, defendendo que o investimento social privado é uma ferramenta para “gerar im-
pacto e promover a transformação social por meio da alocação voluntária e estratégica de re-
cursos privados, sejam eles financeiros, em espécie, humanos, técnicos ou gerenciais, para o be-
nefício público”12, o fomento à RSE encontra nessa estratégia um importante efeito discursivo: 
O investimento de impacto, que procura gerar benefícios sociais e ambien-
tais enquanto traz retorno financeiro, está crescendo em popularidade. Um 
mercado global com recursos além de US$ 400 bilhões está projetado para 
2020. (ROCKEFELLER PHILANTHROPY ADVISORS, [s.d.], p. 2)
12 Disponível em: <http://idis.org.br/sobre/>. Acesso em: 4 out. 2017. 
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas104/226
Percebe-se, portanto, que se trata de uma 
estratégia para maximização dos ganhos 
de capital, a qual sofre forte retração em 
períodos de crises estruturais da expan-
são econômica, mas é, ao mesmo tempo, 
apresentada como diferencial competitivo 
numa sociedade marcada por crescentes 
contradições entre a produção, a riqueza e 
sua acumulação restritiva.
Para saber mais
Denomina-se investimento de impacto os in-
vestimentos feitos em empresas, organizações e 
fundos com a intenção de gerar impacto social e 
ambiental mensurável juntamente com retorno 
financeiro. 
Link
Um guia com a discussão Por que o investimen-
to de impacto é importante para os doadores? en-
contra-se disponível em: <http://idis.org.br/
wp-content/uploads/2016/10/Investimen-
to_de_impacto.pdf>. Acesso em: 4 out. 2017.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas105/226
Glossário
Empresa cidadã: Empresa cuja atividade econômica está orientada para a geração de valor 
econômico-financeiro, ético, social e ambiental.
Stakeholder: Eminglês stake significa interesse, participação, risco. Holder significa aquele 
que possui. Assim, stakeholder também significa parte interessada ou interveniente. O termo 
refere-se, portanto, a todos os públicos com os quais uma empresa interage, incluindo a so-
ciedade civil. 
Terceiro setor: expressão polissêmica, criada nos EUA e adotada como representação de um 
conjunto de organizações, grupos e iniciativas de gestão privada, voltadas para o interesse 
público ou coletivo.
Questão
reflexão
?
para
106/226
A Responsabilidade Social das Empresas tem sido considerada 
uma estratégia importante e eficiente de promoção da ética em-
presarial e do desenvolvimento social. Por outro lado, em tempos 
de crise da expansão capitalista, observa-se uma redução nos in-
vestimentos destinados a esses programas, o que coloca em xeque 
a correlação entre as práticas de responsabilidade social e o com-
promisso ético das empresas. Considerando essa problemática, re-
flita sobre quais outras estratégias são relevantes para consolidar 
práticas empresariais éticas, independentemente dos investimen-
tos corporativos realizados em ações de responsabilidade social.
107/226
Considerações Finais
• Inserida nos movimentos de transformação da sociedade capitalista e de 
crescimento do terceiro setor, a Responsabilidade Social Empresarial no 
Brasil é um movimento que toma pulso, sobretudo, a partir da década de 
1990, com momentos de expansão e de retração.
• No bojo da RSE, o investimento social privado tem se destacado como es-
tratégia de diferencial competitivo, desde que aliado a outros compromis-
sos e valores, cujos parâmetros são dados pelos diferentes instrumentos e 
normas de certificação.
• Programas de RSE devem ser executados levando-se em conta os princípios 
e códigos de ética da empresa, de modo a não representarem mero oportu-
nismo de mercado, ampliando os riscos estratégicos de seus negócios.
Unidade 4 • Responsabilidade Social das Empresas108/226
Referências
ALIANÇA CAPOAVA. Responsabilidade social empresarial: por que o guarda-chuva ficou pe-
queno? 2010. Disponível em <http://gife.issuelab.org/resource/responsabilidade_empresarial_
por_que_o_guarda_chuva_ficou_pequeno>. Acesso em: 30 nov. 2017.
FERNANDES, Rubem César. Privado, porém público: o terceiro setor na América Latina. Rio de 
Janeiro: Relume-Dumará. 1994.
FERREIRA, Rosa Maria Fischer. O desafio da colaboração: práticas de responsabilidade social 
entre empresas e terceiro setor. São Paulo: Gente, 2002.
GRAU, Nuria Cunill. Repensando o público através da sociedade. Novas formas de gestão públi-
ca e representação social. Rio de Janeiro: REVAN; Brasília, DF: ENAP, 1998.
GOHN, Maria da Glória. Educação não-formal e cultura política: impacto sobre o associativis-
mo do terceiro setor. São Paulo: Cortez, 1999. (Col. Questões de nossa época; v. 71.)
MONTAÑO, C. Terceiro setor e questão social. Crítica ao padrão emergente de intervenção so-
cial. São Paulo: Cortez, 2002.
ROCKEFELLER PHILANTHROPY ADVISORS. Investimento de impacto: uma introdução. [s.d.] Dis-
ponível em: <http://idis.org.br/investimento-de-impacto-uma-introducao/>. Acesso em: 30 nov. 
2017.
109/226
Assista a suas aulas
Aula 4 - Tema: Responsabilidade Social das Em-
presas. Bloco I
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/
pApiv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f-
1d/400454937670b946abe43edf4df2f7ab>.
Aula 4 - Tema: Responsabilidade Social das Em-
presas. Bloco II
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/82a-
6a7ed9125d416577f30f2f8d8ff71>.
110/226
1. Segundo os incentivadores da responsabilidade social empresarial, é cor-
reto afirmar:
a) Que as formas associativas das classes trabalhadoras decorrem da percepção de que as em-
presas são parte de um todo social, com o qual compartilham interesses comuns.
b) Que o investimento social privado é uma forma de benemerência.
c) Que o voluntariado corporativo é uma estratégia de extração da mais-valia relativa.
d) Que a responsabilidade socioambiental decorre das multas impostas pelos órgãos de con-
trole. 
e) Que os balanços de sustentabilidades são ferramentas para obter negócios junto aos órgãos 
governamentais.
Questão 1
111/226
2. A concepção de investimento social privado surge da necessidade:
a) De diferenciar gastos ambientais e trabalhistas.
b) De permitir que outras ações corporativas, como os programas de voluntariado, também 
permaneçam no bojo da RSE.
c) De garantir que apenas as grandes empresas recebam selos de ISP.
d) De equiparar os gastos com projetos sociais aos investimentos financeiros das empresas. 
e) De exigir que as entidades que recebem recursos possuam CNPJ.
Questão 2
112/226
3. A respeito das diversas certificações e normas relativas à RSE, não é 
correto afirmar:
a) São instrumentos de fomento para adoção, pelas empresas, de valores e práticas de respon-
sabilidade social.
b) São normas concebidas durante a Eco92, em decorrência da atenção mundial que foi dedi-
cada ao tema ambiental.
c) São normas que regulamentam diferentes setores e práticas empresariais, não restritas ao 
interior de suas atividades produtivas.
d) Nem todas as normas geram algum tipo de certificação, havendo aquelas que apenas regu-
lam procedimentos e compromissos.
e) A criação de novas normas ao longo dos últimos anos está relacionada ao próprio desenrolar 
histórico das concepções e práticas de RSE.
Questão 3
113/226
4. Assim como a expressão terceiro setor, a RSE é um termo polimórfico, 
pois:
a) Inclui a filantropia, o investimento social, o voluntariado corporativo, a responsabilidade so-
cioambiental.
b) Não há clareza sobre quais ações são ou não são de RSE.
c) Cada norma ou regulamentação trata a RSE de um modo diferente.
d) Não há um padrão internacional que estabeleça os limites e as vantagens dos programas de 
RSE.
e) É resultado de processos históricos indeterminados, o que impede sua boa compreensão 
pelos teóricos da ética empresarial.
Questão 4
114/226
5. A respeito da Norma AA1000 e sua relação com a ética empresarial, é 
correto afirmar:
a) A norma pouco contribui para o desenvolvimento de parâmetros éticos das empresas.
b) A norma é fundamentada na aprendizagem e desempenho social, ético, ambiental e econô-
mico das empresas.
c) A norma apenas fiscaliza códigos de ética das empresas.
d) A norma não se aplica ao contexto brasileiro, pois não há RSE nas empresas nacionais.
e) A norma visa apenas a incentivar o lucro das empresas por meio do marketing social.
Questão 5
115/226
Gabarito
1. Resposta: A.
De acordo com uma “linha do tempo” que 
é usualmente apresentada em encontros 
e documentos sobre RSE, os movimentos 
trabalhistas, as ligas camponesas e outros, 
longe de serem movimentos de embate com 
as empresas, são movimentos que contri-
buíram para a criação de uma “consciência 
cidadã” do mundo empresarial.
2. Resposta: B.
O conceito de ISP surge na década de 1990 
para diferenciar o investimento direto de re-
cursos financeiros das empresas em inicia-
tivas sociais das outras formas de RSE que 
são realizadas pela iniciativa privada.
3. Resposta: B.
Há normas concebidas desde a década de 
1980, como algumas que fazem parte do 
conjunto ISO 9000.
4. Resposta: A.
Assim como o termo terceiro setor inclui 
uma gama variada de organizações, desde 
grupos comunitários até ONGs internacio-
nais, a RSE inclui formas distintas de atua-
ção empresarial no terceiro setor, o que lhe 
dá um caráter também polimórfico.
116/226
Gabarito
5. Resposta: B.
Além de apontar caminhos estratégicos 
para a sustentabilidade das empresas, a 
norma analisa processos de aprendizagem 
emelhoria dos parâmetros de RSE e de 
comportamento ético.
117/226
Unidade 5
Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva
Objetivos
1. Compreender as relações entre ética 
empresarial e responsabilidade social 
empresarial.
2. Discorrer sobre a importância da ética 
empresarial para a reputação corpo-
rativa.
3. Identificar os benefícios da ética em-
presarial para os resultados corpora-
tivos.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva118/226
Introdução
Inserida nos movimentos de transformação 
da sociedade capitalista, no Brasil, a res-
ponsabilidade social empresarial (RSE), um 
movimento que tomou pulso, sobretudo, 
a partir da década de 1990, se consolidou 
como uma estratégia para maximização dos 
ganhos de capital numa sociedade marcada 
por crescentes contradições entre a produ-
ção da riqueza e sua acumulação restritiva. 
No bojo da responsabilidade social empre-
sarial, ganha força a preocupação com a 
sustentabilidade dos negócios baseada no 
reconhecimento quanto aos controles éti-
cos e sociais das corporações, cujos parâ-
metros são dados pelos diferentes instru-
mentos e normas de certificação, no que 
se depreende que os programas de RSE de-
vem ser executados levando-se em conta os 
princípios e códigos de ética da empresa, de 
modo a não representarem mero oportu-
nismo de mercado, o que ampliaria os riscos 
estratégicos para os negócios corporativos. 
Neste material serão abordadas as relações 
entre ética nos negócios, responsabilidade 
social empresarial e ganhos de competitivi-
dade, considerando as diferentes vertentes 
das RSE e seus impactos para a reputação 
corporativa e para o desempenho financei-
ro das empresas. 
1. Retomando e articulando con-
ceitos
O ambiente corporativo é majoritariamente 
marcado por discursos que compreendem a 
ética no trabalho a partir de um jogo entre 
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva119/226
“vantagens e desvantagens do comporta-
mento ético”. Valores como “humildade”, 
“tolerância”, “respeito à hierarquia”, “fle-
xibilidade”, dentre outros, ocupam espaço 
em boa parte dos manuais e cartilhas do 
tipo “10 ensinamentos”, “12 mandamen-
tos”, “lições” da ética no trabalho. As ques-
tões que emergem desse jogo entre “vanta-
gens e desvantagens” são: a quem interessa 
equiparar a reflexão ética ao discurso sobre 
a moralidade do trabalho? Quando se ins-
trumentaliza a ética enquanto ganhos pes-
soais – vantagens – em oposição ao bem co-
letivo – desvantagens – que sujeitos das re-
lações de negócios saem prejudicados? Por 
isso, faz-se necessário avançar desta visão 
que reduz a ética a um jogo entre vantagens 
e desvantagens, no sentido de encontrar 
estratégias eficientes que proporcionem, 
ao mesmo tempo, a competitividade típica 
do mundo dos negócios, e a sustentabilida-
de ética, social e ambiental das ações cor-
porativas.
Considerando que a ética profissional pos-
sui um caráter genérico, que diz respeito aos 
princípios do exercício e à própria constitui-
ção das diferentes profissões, e que a “ética 
nos negócios” debruça-se sobre princípios 
e práticas que devem conduzir as relações 
de troca – simbólicas, materiais, financeiras 
– típicas das sociedades de mercado, a res-
ponsabilidade social empresarial constitui 
uma forma específica de promoção da ética 
empresarial, configurando uma 
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva120/226
forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa 
com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento 
de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da 
sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações fu-
turas, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades 
sociais. (INSTITUTO ETHOS apud ALIANÇA CAPOAVA, 2010, p. 11)
Nessa perspectiva, a responsabilidade social empresarial é praticada a partir de diferentes estra-
tégias, que incluem o voluntariado corporativo, o investimento social privado, a responsabilida-
de socioambiental e a responsabilidade social corporativa. 
Além disso, como forma de regulação e de fomento à responsabilidade social empresarial, diver-
sas normas e certificações foram instituídas em níveis internacional e nacional, com destaque 
para a Norma ISO 26000, publicada em 2010, que estabelece diretrizes de uso voluntário forne-
cendo 
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva121/226
orientações para todos os tipos de organização, independente de seu porte 
ou localização, sobre:
• conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; 
• histórico, tendências e características da responsabilidade social; 
• princípios e práticas relativas à responsabilidade social; 
• os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social; 
• integração, implementação e promoção de comportamento socialmente 
responsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas 
dentro de sua esfera de influência; 
• identificação e engajamento de partes interessadas;
• comunicação de compromissos, desempenho e outras informações refe-
rentes a responsabilidade social1. 1
1 Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp>. Acesso em: 8 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva122/226
Não obstante, como estratégia para maximização dos ganhos de capital, a responsabilidade so-
cial empresarial sofre forte retração em períodos de crises estruturais da expansão econômica, 
muito embora seja, ao mesmo tempo, apresentada como diferencial competitivo numa socieda-
de marcada por crescentes contradições entre a produção da riqueza e sua acumulação restri-
tiva. Por esse motivo, a adoção de indicadores de clima ético nas empresas contribui para mini-
mizar os riscos de desvios ou abusos, estabelecendo posicionamentos estratégicos e evitando a 
ocorrência de fraudes, multas ou escândalos. Escolhas quanto à lei, sobre assuntos econômicos e 
sociais e quanto aos interesses da empresa e de seus stakeholders servem, segundo Nash (1993), 
como balizadores das decisões que perpassam a ética empresarial.
Para saber mais
Criado em 1998, o Instituto ETHOS de Empresas e Responsabilidade Social é uma OSCIP cuja missão é mobi-
lizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as 
parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável. Ao longo dos anos, o ETHOS tornou-se uma 
referência na elaboração participativa de propostas e instrumentos de gestão socialmente responsável para 
empresas, governos e organizações da sociedade civil, tendo em vista a produção de arranjos colaborativos 
entre os três setores e a promoção do desenvolvimento sustentável. Para as empresas, o Instituto fornece 
assessorias e serviços de construção ou aprimoramento de práticas socialmente responsáveis, apostando 
nessas práticas como estratégias eficientes de posicionamento no mercado.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva123/226
2. Responsabilidade social, re-
putação corporativa e desempe-
nho financeiro
Uma das questões centrais nas práticas de 
responsabilidade social empresarial diz res-
peito ao seu impacto no que tange à posi-
tivação da reputação corporativa junto aos 
seus stakeholders, e como esse suposto efei-
to pode produzir melhorias no desempenho 
financeiro das empresas. A questão central, 
portanto, é se a “divulgação de informações 
voluntárias de práticas de Responsabilidade 
Social Empresarial (RSE) através de distintos 
meios de comunicação tem incidência so-
bre o desempenho financeiro e a reputação 
corporativa2” (FERNÁNDEZ; JARA-BERTIN; 
PINEAUR , 2015, p. 329). 
Pressupõe-se, nessas práticasde responsa-
bilidade social empresarial, que o reconhe-
cimento das demandas éticas e sociais dos 
diferentes stakeholders se alinham com os 
interesses de ganho material e econômico 
que os reúnem, gerando equilíbrio entre in-
teresses, a princípio, divergentes – como as 
2 Livre tradução a partir do original. 
Link
Orientações e experiências voltadas à temática 
da ética empresarial, da integridade corporativa 
e da responsabilidade social podem ser acessadas 
no repositório de publicações do Instituto ETHOS, 
tal como em <https://www3.ethos.org.br/
conteudo/projetos/integridade/#.WgiuDtC-
nHIV>. Acesso em: 28 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva124/226
divergências estruturais entre o aumento da produtividade e do lucro, por um lado, e o aumento 
dos ganhos salariais, por outro. 
Assim, para além da concepção e implantação de programas de responsabilidade social empre-
sarial, baseados em princípios de reconhecimento e controle das funções éticas de uma empre-
sa, é necessário também investir em formas variadas de comunicação, de modo que as ações de 
RSE e seus resultados promovam também os ganhos de reputação corporativa, maximizando os 
resultados financeiros. 
Numa revisão bibliográfica acerca das relações entre RSE e resultados econômicos, Fernández, 
Jara-Bertin e Pineaur (2015) destacam que embora as pesquisas na área não indiquem um con-
senso quanto aos ganhos obtidos, há uma prevalência em estudos que apontam o incremento 
da importância das ações de RSE para os resultados financeiros das empresas, havendo ainda 
Uma mudança de paradigma em que não apenas os resultados financeiros re-
sultam relevantes, mas em que também se destaca a importância de contribuir 
em aspectos mais amplos que incluam todos os atores que participam na em-
presa, assegurando uma combinação entre sustentabilidade e competitividade 
[...] com maior atenção ao impacto de toda ação social por parte das empresas 
na comunidade. (FERNÁNDEZ, JARA-BERTIN; PINEAUR, 2015, p. 331)
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva125/226
Nessa combinação entre sustentabilidade 
e competitividade, são destacadas cinco 
dimensões de análise, a saber: econômi-
ca, legal, ética, social e ambiental. Para os 
autores, a preocupação das empresas em 
estabelecer critérios e realizar ações vol-
tadas para essas dimensões contribui para 
fortalecer uma imagem positiva junto a tra-
balhadores, consumidores, fornecedores, 
acionistas e comunidade em geral, o que 
contribui para sua reputação e rendimento:
Link
Práticas de responsabilidade social, reputação cor-
porativa e desempenho financeiro é o nome de um 
artigo publicado na Revista de Administração de 
Empresas da Fundação Getúlio Vargas, em que 
Leslier Valenzuela Fernández, Mauricio Jara-Ber-
tin e Francisco Villegas Pineaur, professores da 
Universidade do Chile, apresentam os resulta-
dos de uma pesquisa realizada com 55 empresas 
chilenas no período de 2007 a 2012, aportando 
significativos referenciais bibliográficos e de re-
sultados. Disponível em: <http://rae.fgv.br/rae/
vol55-num3-2015/practicas-responsabili-
dad-social-reputacion-corporativa-y-de-
sempeno-financiero>. Acesso em: 9 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva126/226
Se existe um incremento na reputação das empresas, estas potencialmente 
gozariam de uma obtenção de benefícios durante períodos mais prolon-
gados, podendo se sustentar de maneira mais robusta diante de circuns-
tâncias adversas, o que constitui um pilar fundamental para qualquer pla-
nejamento estratégico empresarial. (FERNÁNDEZ, JARA-BERTIN; PINEAUR, 
2015, p. 331.
Para saber mais: Há de se atentar, no entanto, que esse ganho não é automático: ao chamar a 
atenção para a importância de que as ações de responsabilidade social empresarial estejam ali-
nhadas com o conjunto de estratégias corporativas, a bibliografia da área destaca dois aspectos 
fundamentais dessas estratégias: seus componentes éticos e os processos de comunicação que 
são estabelecidos pela empresa, a fim de assegurar que as ações de RSE não sejam executadas 
como “máscaras” para ocultar outros processos que sejam socialmente inaceitáveis.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva127/226
3. Informação, comunicação e credibilidade
Nos próximos anos, o escândalo da Enron, e não o 11 de setembro, será visto 
como o grande divisor de águas na história da sociedade dos Estados Unidos”, 
escreveu o economista Paul Krugman, no jornal The New York Times. Esta pre-
visão começa a tomar corpo à medida que o escândalo estende seus tentáculos 
entre os setores financeiros e políticos dos Estados Unidos. Gigante do setor elé-
trico americano, empresa admirada e sétima maior dos Estados Unidos, segundo 
a revista Fortune, a Enron faliu, levando junto os fundos de pensão de seus fun-
cionários e de outros investidores da mesma categoria, num rombo de, no míni-
mo, US$ 1,5 bilhão, e arrastando uma dívida de mais de US$ 13 bilhões. Durante 
anos, diretores da empresa maquiavam os balancetes, enxugavam os prejuízos 
e inflavam os lucros. A mágica contábil deu certo até o final do ano passado. Os 
rumores sobre as dificuldades da Enron vinham crescendo há meses. Mas o pri-
meiro sinal concreto de que havia algo profundamente errado veio à tona quan-
do a companhia revelou que havia escondido débitos de bilhões de dólares que 
deveriam aparecer em seu balancete, numa série de parcerias com empresas de 
fachada dirigidas por seus altos executivos.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva128/226
A Securities and Exchange Commision, a CVM dos EUA, iniciou uma investigação. 
A Enron foi obrigada a refazer seus balancetes dos últimos cinco anos e admitir 
que seu lucro, no período, havia sido de US$ 600 milhões, inferior ao originalmente 
reportado. “Não há nada comparável”, disse ao Wall Street Journal Edward Tillin-
gahst, um especialista em falências da Coudert Brothers, em Nova York. (O ESTADO 
DE SÃO PAULO, Economia & Negócios, 7 de fevereiro de 2002)3. 3
Uma das maiores empresas de energia e gás do mundo, a norte-americana Enron foi à falência 
em 2001 após a descoberta de dezenas de fraudes financeiras e contábeis que incluíam, dentre 
outras, a também mundialmente famosa Arthur Andersen, empresa responsável pelos balanços 
e auditorias da Enron. O caso seria transformado em um dos maiores escândalos corporativos da 
recente história do capitalismo e colocaria em debate os mecanismos internacionais de controle 
fiscal, contábil e financeiro das grandes corporações, além de reforçar a importância de se criar 
e divulgar critérios de comportamento ético. 
3 Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-escandalo-da-enron-saiba-o-que-esta-acontecen-
do,20020207p24521>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva129/226
Assim, é possível argumentar, segundo Fernández, Jara-Bertin e Pineaur, que 
[hipótese]: a divulgação de informações sobre práticas de RSE em sua dimen-
são ética influencia positivamente o desempenho de empresas. 
[hipótese]: divulgação de informações sobre práticas de RSE em sua dimensão 
ética influencia positivamente a reputação corporativa medida como cresci-
mento de vendas. (FERNÁNDEZ, JARA-BERTIN; PINEAUR, 2015, p. 333)
O mesmo se dá no que diz respeito às ações de responsabilidade socioambiental, compreendi-
das como ações que, além de agregar valor às marcas que as adotam, podem servir como ferra-
mentas de obtenção de benefícios econômicos, sobretudo quando integradas em programas de 
redução de custos por meio do reaproveitamento e tratamento de resíduos ou matérias-primas. 
Link
O escândalo da Enron foium caso analisado no trabalho de conclusão de Pietro Vinicius Bonotto, As frau-
des contábeis da ENRON e Worldcom e seus efeitos nos Estados Unidos, disponível em: <http://www.lume.
ufrgs.br/bitstream/handle/10183/27203/000763834.pdf>. Acesso em: 26 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva130/226
Por seu turno, o fortalecimento dos laços com os diferentes stakeholders, por meio de ações de 
responsabilidade corporativa, representa uma estratégia eficiente para o aumento da reputação 
da empresa, bem como para os ganhos de produtividade; estas, porém, devem estar relaciona-
das a processos transparentes de comunicação, os quais devem permitir criar identificação entre 
os diferentes públicos e o comportamento ético da empresa:
A comunicação ética, eficiente e eficaz nas organizações é capaz de au-
mentar a produtividade sempre que permite aos funcionários conhecerem 
as metas da organização e envolverem-se no cumprimento destas; permi-
te também aos funcionários tomarem decisões com sensatez, porque pos-
sibilita a eles conhecerem o comportamento esperados os padrões éticos 
valorizados na organização [...]. além disso, é capaz de incutir nas pessoas 
ideias, pensamentos, intenções e pontos de vista comuns, coletivos, ou 
seja, pode alterar valores e padrões éticos e morais, na medida em que se 
refere a elementos formadores da conduta social do indivíduo.4 4
4 Extraído da apresentação à pesquisa A ética na comunicação e a comunicação dos padrões éticos em empresas brasileiras, desenvolvida 
por Berenice Righi Damke e Rubens Mazon. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, 1998. Disponível em: <http://gvpesquisa.fgv.br/
publicacoes/pibic/etica-na-comunicacao-e-comunicacao-dos-padroes-eticos-em-empresas-brasileiras>. Acesso em: 
18 out. 2017.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva131/226
Para saber mais
Realizada no final da década de 1990, a pesquisa 
de Berenice Righi Damke constitui uma referên-
cia interessante sobre o tema da ética empre-
sarial e suas relações com a responsabilidade 
social, então em fase de emergência no cenário 
nacional, o que resulta em dados bastante dis-
tintos daqueles que são publicados pelas revis-
tas e periódicos atuais. 
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva132/226
Glossário
Competitividade: característica estruturante das economias de mercado, em que dominam as 
formas de produção e circulação capitalista dos bens e mercadorias, a competitividade empre-
sarial também tem sido objeto de inúmeros debates, nos quais os escândalos e crises envolven-
do grandes grupos corporativos emergem como alerta para a necessidade de adoção de novos 
parâmetros de produtividade, em que sustentabilidade e competitividade não sejam compreen-
didas como polos antagônicos do meio empresarial. 
Reputação corporativa: trata-se da avaliação – formal ou não – que é dada a uma determinada 
empresa em razão de seus posicionamentos éticos, ambientais e sociais. A reputação corpora-
tiva resulta de ações estratégicas que envolvem decisões, programas, produtos e serviços e co-
municação com seus diversos stakeholders. 
Sustentabilidade: o paradigma da sustentabilidade no século XXI é marcado pela conjunção, aos 
critérios econômicos, de fatores ambientais, éticos e sociais, sendo compreendida como susten-
tável uma empresa/organização/corporação que planeja sua viabilidade econômica sem deixar 
de considerar esses outros elementos.
Questão
reflexão
?
para
133/226
O caso Enron trouxe à tona, dentre outras questões, uma discus-
são acerca do papel da comunicação e da transparência dos atos 
empresariais com relação a seus diferentes stakeholders. Procure 
relembrar outros exemplos de empresas que, no seu entendimen-
to, cometeram desvios éticos de comunicação, seja por ocultar 
informações acerca de produtos ou serviços, seja por violar con-
cepções éticas universais (como em casos de discriminação de 
gênero, de raça, orientação sexual, dentre outros). Supondo que 
essas empresas possuam um canal de comunicação com seus 
clientes, que e-mail você enviaria a elas?
134/226
Considerações Finais
• A ética empresarial se relaciona com a responsabilidade social empresarial 
na medida em que estabelece parâmetros de atuação ética para evitar que 
os programas e ações empresariais sejam utilizados como “máscaras” para 
ações não éticas.
• O ganho de competitividade gerado pelo comportamento ético das empre-
sas é resultado de um conjunto de ações, procedimentos e princípios, que 
devem ser comunicados a todos os stakeholders da empresa.
• Procedimentos éticos aplicados eficientemente à responsabilidade social 
empresarial ampliam a positividade da reputação corporativa, produzindo 
efeitos benéficos para todos os públicos que se relacionam com a empresa.
Unidade 5 • Ética nos Negócios Como Vantagem Competitiva135/226
Referências
ALIANÇA CAPOAVA. Responsabilidade social empresarial: por que o guarda-chuva ficou pe-
queno? 2010. Disponível em: <http://gife.issuelab.org/resource/responsabilidade_empresarial_
por_que_o_guarda_chuva_ficou_pequeno>. Acesso em: 18 out. 2017.
DAMKE, Berenice Righi; MAZON, Rubens. A ética na comunicação e a comunicação dos pa-
drões éticos em empresas brasileiras. Relatório de pesquisa. São Paulo: Fundação Getúlio Var-
gas, 1998.
FERNÁNDEZ, L. V.; JARA-BERTIN, M.; PINEAUR, F. V. Prácticas de responsabilidad social, reputa-
ción corporativa y desempeño financiero. RAE-Revista de Administração de Empresas, v. 55, n. 
3, maio-junho, p. 329-344, 2015. 
NASH, Laura. Ética nas empresas: boas intenções à parte. São Paulo: Makron Books, 1993. 
ROCKEFELLER PHILANTHROPY ADVISORS. Investimento de impacto: uma introdução. [s.d.] Dis-
ponível em: <http://idis.org.br/investimento-de-impacto-uma-introducao/>. Acesso em: 18 out. 
2017.
136/226
Assista a suas aulas
Aula 5 - Tema: Ética nos Negócios como Vanta-
gem Competitiva. Bloco I
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/
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Aula 5 - Tema: Ética nos Negócios como Vanta-
gem Competitiva. Bloco II
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5c7138bf65708fd56683fe40683f1254>.
137/226
1. A respeito da responsabilidade social empresarial, é correto afirmar:
a) Trata-se de uma ação de risco empresarial, que pode acarretar sua falência.
b) Pode representar um diferencial competitivo, desde que alinhada com a ética da empresa.
c) Pode representar um diferencial competitivo, mas não pode ser influenciada pela ética da 
empresa.
d) Trata-se de uma estratégia de lucro certo, pois permite fazer campanhas que sensibilizam os 
consumidores.
e) Trata-se de uma ação de risco empresarial, e por isso não pode ser influenciada pela ética da 
empresa.
Questão 1
138/226
2. Mais que um jogo entre vantagens e desvantagens da ética empre-
sarial como produtora de ganhos corporativos, ética e responsabilida-
de social devem ser compreendidas como posicionamentos estratégicos 
que permitem:
Questão 2
a) A competitividade típica do mundo dos negócios, e a sustentabilidade ética, social e am-
biental das ações corporativas.
b) A ocultação dos riscos da empresa, disseminando uma imagem pública positiva, mesmo que 
sem corresponder aos sentimentos de seus funcionários.
c) A transferência das decisões críticas para os concorrentes, uma vez que a empresa ética está 
blindada para crises e riscos do capitalismo.
d) A redução das taxas de descontentamento dos funcionários, mesmo que não haja política 
salarial adequada ao setor de mercado em que a empresa atua.
e) Transferir riscos e abater impostos devidos, pois parte do lucro da empresa é investidoem 
ações que deveriam ser realizadas pelo Estado.
139/226
3. Critérios de ética empresarial são importantes para nortear as ações de 
responsabilidade social empresarial porque:
Questão 3
a) Inibem funcionários que queiram se aproveitar das ações de RSE para se dedicar menos ao 
trabalho.
b) Inibem os líderes, gestores e membros da administração superior das empresas de explora-
rem seus subordinados.
c) Inibem as entidades sociais de recorrerem constantemente à empresa para captar doações.
d) Inibem desvios no uso das ações de RSE para ocultar outras práticas corporativas.
e) Inibem os governos de auditar as empresas e promover a falência de grupos corporativos 
tradicionais.
140/226
4. Uma das importâncias estratégicas dos processos de comunicação das 
ações de RSE é:
Questão 4
a) Convencer acionistas de que aquele é um gasto necessário, mesmo que sem retorno finan-
ceiro.
b) Alinhar interesses e expectativas, muitas vezes divergentes, de diferentes stakeholders.
c) Convencer a comunidade do entorno da empresa a respeito de sua importância.
d) Sensibilizar a mídia para a obtenção de espaços de publicidade espontânea. 
e) Criar uma boa reputação corporativa, independentemente das demais políticas empresa-
riais.
141/226
5. Uma articulação eficiente entre ética empresarial, responsabilidade so-
cial corporativa e comunicação permite:
Questão 5
a) Assegurar que as ações de RSE não sejam executadas como “máscaras” para ocultar outros 
processos que sejam socialmente inaceitáveis.
b) Assegurar que as auditorias sejam positivas quanto aos resultados financeiros da empresa.
c) Garantir que as ações da empresa tenham baixa volatilidade na bolsa de valores.
d) Reduzir os riscos de escândalos e ataques da mídia, uma vez que as ações da empresa esta-
rão resguardadas pela sua imagem positiva.
e) Eliminar eventuais denúncias ou conflitos entre stakeholders com interesses divergentes.
142/226
Gabarito
1. Resposta: B.
A RSE, para influenciar positivamente os ga-
nhos da empresa, deve estar inserida num 
conjunto mais amplo de procedimentos e 
estratégias que vinculem suas ações em-
presariais, de responsabilidade social e um 
código de ética que seja reconhecido pelos 
diferentes stakeholders.
2. Resposta: A.
Embora muitos manuais e publicações 
abordem a ética empresarial enquanto uma 
escolha entre as vantagens e desvantagens 
de sua adoção pelas corporações, o posi-
cionamento crítico e estratégico acerca de 
suas questões permite compreendê-la en-
quanto ação que combina sustentabilidade 
e competitividade.
3. Resposta: D.
Embora seja uma ação considerada estraté-
gica para o ganho de competitividade, a RSE 
sofre forte retração em períodos de crises 
econômicas, o que exige a adoção de crité-
rios éticos para sua implantação e gestão, 
evitando riscos de mau uso na sua adoção 
pelas empresas.
4. Resposta: B.
Inseridas numa esfera competitiva, as em-
presas congregam interesses muitas vezes 
divergentes, como a obtenção de maior lu-
143/226
Gabarito
cratividade e a ampliação das faixas sala-
riais de trabalhadores. Por isso, dentre ou-
tras finalidades, uma boa estratégia de co-
municação deve mobilizar os diferentes in-
teresses, resultando numa maior reputação 
corporativa.
5. Resposta: A.
Os parâmetros éticos, quando considerados 
no conjunto de ações corporativas, servem 
de freios para eventuais desvios e práticas 
desonestas, impactando todos os setores 
da empresa.
144/226
Unidade 6
Códigos de Ética
Objetivos
1. Compreender o que são Códigos de 
Ética e suas relações com as profis-
sões.
2. Compreender as distinções entre Có-
digo de Ética Profissional e Código de 
Ética Empresarial.
3. Compreender as relações entre Códi-
go de Ética Profissional e Código de 
Ética Empresarial.
Unidade 6 • Códigos de Ética145/226
Introdução
As recorrentes crises do sistema capitalista 
mundial, muitas vezes geradas por fraudes 
e escândalos empresariais, e o crescimento 
da percepção acerca do papel das corpora-
ções privadas na promoção do desenvolvi-
mento social e da preservação ambiental 
são fatores fundamentais para a compre-
ensão da importância assumida pela res-
ponsabilidade social empresarial para a re-
putação corporativa, a qual, quando aliada 
a parâmetros éticos, contribui para ganhos 
de diferentes dimensões.
Assim, torna-se importante conceber e im-
plantar estratégias que combinem a com-
petitividade típica do mundo dos negócios 
ao desenvolvimento sustentável, medido 
por meio de parâmetros econômicos, legais, 
éticos, sociais e ambientais. A preocupação 
das empresas em estabelecer critérios e re-
alizar ações voltadas para essas dimensões 
contribui para fortalecer uma imagem po-
sitiva junto a trabalhadores, consumidores, 
fornecedores, acionistas e comunidade em 
geral, o que contribui para sua reputação e 
rendimento.
Se estrategicamente a combinação a ser 
buscada é entre competitividade e susten-
tabilidade, no escopo da gestão empresa-
rial ganha relevância o estabelecimento de 
princípios éticos e de padrões e normas de 
comportamento que estejam alinhados com 
os valores da empresa, motivo pelo qual os 
códigos de ética são cada vez mais utiliza-
dos como instrumento de gestão.
Unidade 6 • Códigos de Ética146/226
1. Códigos de Ética e Ética Profissional
No extenso conjunto das éticas aplicadas, que compreende princípios e normas específicos de 
diferentes campos das relações humanas, a ética profissional emerge como a reflexão e a aplica-
ção de valores relacionados tanto àquilo que constitui uma profissão – os saberes específicos, as 
divisões de trabalho e interações entre o exercício das diversas profissões etc. – como àquilo que 
são suas normas e interdições – o permitido ou o proibido, os riscos profissionais, entre outros.
A ética profissional, por esse motivo, relaciona-se diretamente com a Ética nos Negócios, por 
meio da qual se estabelecem os valores e práticas referentes às trocas típicas do mundo capita-
lista. E é a partir das interfaces entre essas diferentes – e complementares – éticas que são for-
mulados os códigos de ética das diferentes profissões e organizações. 
Mas afinal, o que são os códigos de ética?
O código de ética é um documento que busca expor os princípios e a mis-
são de uma determinada profissão ou empresa. Seu conteúdo deve ser pen-
sado para atender às necessidades que aquela categoria serve e representa.
Unidade 6 • Códigos de Ética147/226
Eles são feitos para enfatizar os valores que devem ser praticados pelos pro-
fissionais e instituições. Pode-se falar também em código deontológico. A 
deontologia é a ciência que estuda os deveres e obrigações a partir da ótica 
moral e ética.
Em geral é baseado na legislação vigente do país, na Declaração dos Direitos 
Humanos, nas Leis Trabalhistas e outras1. 1
Os códigos de ética, portanto, dizem respeito tanto ao exercício da profissão, ou seja, são os 
códigos que regulamentam a ética profissional de determinada área, como também podem ser 
elaborados enquanto códigos de uma empresa ou corporação, o que, nesse caso, exige equili-
brar seus valores e princípios com os códigos de ética profissional das diversas áreas que uma 
empresa abarca.
Ao passo que os códigos de ética profissional são legalmente regulamentados e criam condicio-
nalidades para o exercício da profissão, os códigos de ética empresarial são firmados por meio de 
acordos e planejamentos internos, criando condicionalidades para os funcionários das empresas 
que os estabelecem. No entanto, é crescente o movimento de criação de normas e regulamenta-
1 Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética148/226
ções que expandem os códigos de ética empresariaispara além do âmbito corporativo, passan-
do a envolver toda a cadeia produtiva e os diferentes stakeholders a ela vinculados.
Para saber mais
Um exemplo de código de ética empresarial que se expande para além do âmbito das empresas isolada-
mente é o Programa Empresa Amiga da Criança, criado em 1995 pela Fundação ABRINQ pelos Direitos da 
Criança. O Programa estabelece um conjunto de compromissos empresariais em defesa dos direitos das 
crianças, prevenção e combate ao trabalho infantil, prevendo formas de reconhecimento e premiação 
das empresas participantes, os quais, por sua vez, exigem que cada empresa assuma tais compromissos 
junto a todos seus fornecedores e colaboradores. 
Link
 Uma consulta a diferentes códigos de ética de empresas ou profissões pode ser feita em: <http://www.
eticaempresarial.com.br/site/pg.asp?codigo=63&pag=2&subcat=2&tit=2&m=1&mdata=-
sim&ordenacao=DESC&mcat=2&nomecat=n&pagina=detalhe_artigo&tit_pagina=C>. Acesso 
em: 29 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética149/226
Seja um código de ética profissional, seja 
aquele instituído por uma empresa, ambos 
possuem como objetivos gerais comuns:
• Especificar os princípios de uma cer-
ta instituição e/ou profissão diante da 
sociedade.
• Documentar os direitos e deveres do 
profissional.
• Dar os limites das relações que o pro-
fissional deve ter com colegas e clien-
tes/pacientes.
• Explicar a importância de manter o si-
gilo profissional (essencial em muitos 
casos).
• Defender o respeito aos direitos hu-
manos nas pesquisas científicas e na 
relação cotidiana2.
Os códigos de ética empresariais buscam, 
ainda, “delimitar e especificar o uso de pu-
blicidade em cada área; falar sobre a remu-
neração e os direitos trabalhistas”3.
2 Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso 
em: 18 out. 2017.
3 Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso 
em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética150/226
2 Ética nas profissões
As práticas profissionais devem ser situadas a partir do pressuposto de que vive-
mos numa sociedade pluralista onde convivem ao mesmo tempo diferentes códi-
gos morais. Esse pressuposto do pluralismo exige um conjunto mínimo de princí-
pios e valores universais que estejam acima de códigos morais particulares. Nesse 
sentido, uma ética das profissões enquanto ética específica tem de reconhecer e 
colocar em sua base valores universais como a igualdade, a justiça, a liberdade, a 
solidariedade, a democracia, o respeito mútuo, etc. Por essa mesma razão, as prá-
ticas profissionais não podem ser legitimadas apenas a partir do âmbito interno 
de cada profissão. Nesse sentido, as práticas profissionais precisam ser entendidas 
como práticas mediadas. Elas têm de levar em conta um conjunto de agentes, tais 
como os usuários, os colegas de profissão, os outros profissionais, a sociedade. Em 
última instância, faz-se necessário contemplar o ponto de vista de todas as pes-
soas implicadas no e pelo trabalho profissional. A partir do momento em que se 
começa a exercer uma profissão, deve-se começar a praticar a ética4. 4
4 Disponível em: <http://www.rhportal.com.br/artigos-rh/a-tica-na-profisso/>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética151/226
A epígrafe acima aponta alguns funda-
mentos da ética das profissões, ou seja, dos 
princípios e valores que fundamentam a 
elaboração dos códigos de ética profissio-
nais. Dentre estes, destacam-se:
• A ética profissional é anterior à mo-
ral individual e aos comportamentos 
e crenças de cada pessoa que exerce 
determinada profissão.
• A ética de uma profissão está relacio-
nada a todas as outras profissões, uma 
vez que todas participam do conjunto 
de relações e práticas sociais.
• Toda profissão e, por extensão, a ética 
que a preside, é uma forma de media-
ção das relações humanas e das rela-
ções entre a humanidade e o mundo, 
devendo, portanto, promover valores 
universais e comuns a todos.
• O exercício individual de uma profis-
são é precedido por esses valores uni-
versais, de modo que todo exercício 
profissional que seja contrário à sua 
ética é, por definição, uma ação con-
trária aos interesses e valores huma-
nos.
Unidade 6 • Códigos de Ética152/226
Por esses princípios, os códigos de ética profissionais procuram tanto delimitar o exercício da 
profissão, no que diz respeito aos parâmetros de atuação dos profissionais, como estabelecer os 
propósitos, fins e compromissos do próprio campo profissional no que diz respeito às relações 
humanas e às práticas sociais que envolvem a profissão, de modo que nesses códigos 
Para saber mais
A construção e conquista dos direitos, incluindo os direitos de profissão, são resultado de processos de 
luta e de ressignificação das relações humanas. Registro significativo dessas lutas e conquistas é dado 
pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelos países-membros da Organização das 
Nações Unidas, em 1948. A Declaração enumera os direitos básicos e inalienáveis de todas as pessoas, 
constituindo a base sobre a qual se erigem as éticas aplicadas na contemporaneidade.
Link
Além do documento oficial disponível no site da ONU Brasil (<http://www.onu.org.br/>), um vídeo 
produzido pela United for the Human Rights com entrevistas em diferentes partes do mundo, conta, 
brevemente, a história da construção e conquista dos Direitos Humanos. O vídeo está disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=uCnIKEOtbfc&t=14s>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética153/226
estão especificados os direitos e deveres, o que é vetado eticamente na-
quele exercício profissional e as possíveis punições no caso de desobe-
diência ao código. [...] Os códigos mais conhecidos no Brasil são os de 
medicina, enfermagem, psicologia e o da OAB (Ordem dos Advogados do 
Brasil). Cada um deles especifica o papel dessas profissões na sociedade e 
a importância do respeito à dignidade humana no exercício de cada um 
desses trabalhos tão importantes5. 5
3. Ética nas corporações
Se, como foi dito anteriormente, os códigos de ética empresarial criam condicionalidades para 
os funcionários de uma empresa, e se é crescente a tendência de instituir códigos de ética vol-
tados para cadeias produtivas ou temas específicos – como os direitos das crianças, as políticas 
para mulheres e grupos LGBTs, para pessoas com deficiências, para a preservação ambiental etc.; 
o desenvolvimento da ética nas corporações passa por compreender quais são as profissões ne-
las envolvidas, suas éticas próprias e a construção dos consensos fundamentais que devem reger 
a atuação empresarial.
5 Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética154/226
No caso de empresas, os códigos de ética, em geral, apresentam 
a missão, a visão e os princípios da empresa. Itens, os quais, todo funcioná-
rio da instituição deve conhecer. Através do código de ética institucional 
é possível perceber a função da empresa na sociedade e os valores que se 
cultivam lá dentro6. 6
Além disso, o código de ética empresarial diz respeito também ao seu posicionamento no con-
junto da sociedade, devendo prever ações para os diversos públicos externos e para a comunida-
de em geral:
• Público externo: qualidade dos serviços, relacionamento com os clien-
tes e parceiros, proteção ao meio ambiente e cumprimento das respon-
sabilidades legais, fiscais e sociais. 
6 Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética155/226
• Comunidade: exercer a cidadania é, acima de tudo, buscar uma socie-
dade melhor para todos, a fim de que exista mais liberdade, justiça e 
solidariedade. Existem várias maneiras de incentivar isso dentro daem-
presa, a principal é o exemplo. Se o exemplo vem de cima, a chance é 
enorme de ter seguidores e copiadores. É possível trabalhar com pa-
lestras de conscientização e campanhas que envolvam a participação, 
colaboração e trabalho em equipe em prol dos nossos semelhantes mais 
desprovidos e também atuando de forma ativa na conservação e pre-
servação do meio ambiente7. 7
7 Disponível em: <http://www.rhportal.com.br/artigos-rh/a-importancia-da-etica-nas-empresas/>. Acesso em: 18 out. 2017.
Link
Um divertido vídeo com dicas sobre comportamento no ambiente de trabalho, que se coaduna com o 
caráter de adesão subjetiva à ética empresarial, pode ser visto em <https://www.youtube.com/wat-
ch?v=rON3WN34xd4&list=PL229DCDDE74045639&index=6>. Acesso em: 30 nov. 2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética156/226
Por todas essas razões, um código de éti-
ca empresarial deve assegurar e promover 
confiabilidade, respeito, responsabilidade, 
justiça, cuidado e cidadania (SCHWARTZ, 
2002), prevendo, ainda, os comportamen-
tos esperados de seus funcionários e co-
laboradores, o que, por outro lado, atribui 
também um caráter de adesão individual e 
subjetiva a este código, o que inclui:
• Não fazer nada que não possa assumir 
em público.
• Avaliar detalhadamente os valores da 
empresa e certificar-se que eles com-
binam com os seus.
• Trabalhar sempre com base em fatos. 
Não julgar baseando-se em suposi-
ções.
• Avaliar os riscos de cada decisão que 
tomar.
• Uma empresa ética exige não apenas 
produtos e serviços de qualidade, mas 
também de conteúdo ético: recolher 
impostos, remunerar dignamente, 
preservar a ecologia, o meio ambien-
te, interagir com lealdade e participar 
da comunidade.
• Saber ouvir. É aconselhável ouvir mais 
do que falar, especialmente em se tra-
tando de reclamações e consultas de 
clientes.
• Trabalhar bem com os temas polê-
micos: todas as promessas ao cliente 
com relação a atendimento e prazos, 
inclusive as mais informais, devem ser 
rigorosamente cumpridas.
Unidade 6 • Códigos de Ética157/226
• Evitar rivalidades. É necessário cul-
tivar boas relações dentro e fora das 
equipes.
• Nunca se esquecer de que ninguém 
negocia com empresas, mas com as 
pessoas das empresas. O caráter da 
empresa é o caráter que seus empre-
gados têm.
• Evitar clientelismos, privilégios e dei-
xar vazar informações. Também é ético 
assegurar-se de que as informações 
foram claras, completas, transparen-
tes e bem recebidas pelo outro.
• Planejar as ausências no ambiente 
de trabalho, sempre que possível, de 
modo a permitir fluxo normal das res-
ponsabilidades.
• Demonstrar interesse pelo próprio de-
senvolvimento, participando de reuni-
ões, encontros e eventos de formação, 
treinamento e desenvolvimento.
• Ser pontual em termos de horário de 
trabalho. Observar políticas, normas e 
procedimentos.
• Zelar pelo bom nome da empresa. 
• Agir de modo participativo, compar-
tilhado, de modo que um problema 
em qualquer ponto da organização 
seja responsabilidade de todos e de 
cada um.
• Não se omitir. Assumir erros. Quando 
perceber alguma coisa errada, procu-
rar ajudar a consertar.
Unidade 6 • Códigos de Ética158/226
• Informações confidenciais não devem sair da empresa em hipótese alguma8.
A adesão individual e subjetiva à ética de uma empresa passa pelo compromisso recíproco de 
atender a expectativas e objetivos de ambas as partes, trabalhadores e empregadores. Por esse 
motivo, códigos de ética são documentos que exigem revisão periódica e participação de todos 
os setores da empresa em seu processo de elaboração. 
4. Comitês de ética
Em decorrência do crescimento da importância da ética nas profissões e nas empresas, também 
ganha importância a instituição de Comitês, Comissões ou Câmaras de Mediação para lidar com 
conflitos de natureza ética.
8 Adaptado de <https://www.administradores.com.br/artigos/carreira/o-comportamento-etico-nas-empresas/43499/>. 
Acesso em: 18 out. 2017.
Para saber mais
Boa parte das empresas, ao contratar novos funcionários, realizam processos de ambientação e adapta-
ção à “cultura” local, compartilhando os valores, crenças e comportamentos com seus novos colaborado-
res. Cartilhas, vídeos, momentos de interação são recursos usualmente adotados para essa ambientação, 
além da apresentação formal dos colegas de trabalho, líderes e chefias.
Unidade 6 • Códigos de Ética159/226
Originalmente criados para debater e nor-
matizar questões relativas à pesquisa, 
em especial pesquisas biomédicas (CAN-
TO-SPERBER, 2003, p. 274), esses comitês 
passaram a ser adotados por órgãos es-
tatais e companhias privadas, realizando 
processos de arbitragem em conflitos éti-
cos, mediação e reparação de danos, além 
de negociar processos de aprimoramento 
de códigos de ética que sejam compreendi-
dos como inadequados por alguma das di-
versas partes envolvidas num negócio. 
Unidade 6 • Códigos de Ética160/226
Glossário
Deontologia: etimologicamente, significa a ciência do dever. No âmbito profissional, o termo é 
usado para significar o conjunto dos deveres ligados ao exercício de uma profissão. 
Direitos Humanos: não são organizações, não são movimentos – os Direitos Humanos são os 
direitos inalienáveis de todo e qualquer ser humano, cuja garantia, de caráter universal e neces-
sário, é dever de toda a humanidade, uma vez que são estes os Direitos que asseguram o próprio 
caráter de humano ao conjunto dos seres humanos. 
Interdições: aquilo que não se deve fazer. No campo do exercício profissional, refere-se tanto 
aos limites das ações permitidas – o dever ser – como às sanções previstas para as transgressões 
à ética deontológica.
Questão
reflexão
?
para
161/226
A sua profissão, possui um Código de Ética formaliza-
do? Se sim, você consegue se lembrar de ao menos cinco 
pontos (entre princípios, direitos ou obrigações) desse 
Código? Caso não exista, formule ao menos cinco pon-
tos que você considera relevantes para o exercício da 
sua profissão. A reflexão principal desta atividade deve 
ser: que princípios éticos orientam o meu exercício pro-
fissional?
162/226
Considerações Finais
• Códigos de ética são documentos que registram princípios e compromissos, 
sejam de profissões, sejam de empresas ou outras organizações.
• O Código de Ética é sempre uma mediação entre valores universais e práti-
cas específicas da profissão ou empresa.
• A ética empresarial ou profissional antecede e se sobrepõe a valores indivi-
duais e subjetivos, o que faz com que o exercício da profissão ou o trabalho 
numa corporação exija também a adesão individual e subjetiva àquele có-
digo.
Unidade 6 • Códigos de Ética163/226
Referências
ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de; NAVRAN, Frank. Indicadores de clima ético nas empresas. 
RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 40, n. 3, jul./set. 2000. p. 26-35.
CANTO-SPERBER, Monique. Dicionário de ética e filosofia moral. São Leopoldo, RS: Editora UNI-
SINOS, 2003. 
CASTRO, Cristiano. A ética na profissão. 2015. Disponível em: <http://www.rhportal.com.br/ar-
tigos-rh/a-tica-na-profisso/>. Acesso em: 18 out. 2017.
CÓDIGO DE ÉTICA. [s.d.] Disponível em: <http://codigo-de-etica.info>. Acesso em: 18 out. 2017.
JORDÃO, Sônia. O comportamento ético nas empresas. 2010. Disponível em: <https://www.ad-
ministradores.com.br/artigos/carreira/o-comportamento-etico-nas-empresas/43499/>. Acesso 
em: 18 out. 2017.
NASH, Laura. Ética nas empresas: boas intenções à parte. São Paulo: Makron Books, 1993. 
OLIVEIRA, Lindinalva. A importância da ética nas empresas. 2016. Disponível em: <http://www.
rhportal.com.br/artigos-rh/a-importancia-da-etica-nas-empresas/>. Acesso em: 18 out. 2017.
ROCKEFELLER PHILANTHROPY ADVISORS. Investimento de impacto: uma introdução. [s.d.]Dis-
ponível em: <http://idis.org.br/investimento-de-impacto-uma-introducao/>. Acesso em: 30 nov. 
2017.
Unidade 6 • Códigos de Ética164/226
SCHWARTZ, M.S. A code of ethics for corporate code of ethics. Journal of Business Ethics. Kluwer 
Academic Publishers, v.41, p. 27-34, 2002.
165/226
Assista a suas aulas
Aula 6 - Tema: Códigos de Ética. Bloco I
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/
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1d/5ae4ef83b9489c500acfda3520b94903>.
Aula 6 - Tema: Códigos de Ética. Bloco II
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7f544d0cd6485c19ddf24d7ed5e0e787>.
166/226
1. Dentre os itens a seguir, não são relevantes para o fortalecimento da ética 
empresarial:
Questão 1
a) Fraudes e escândalos corporativos, que geraram crises mundiais no capitalismo.
b) A consciência ambiental e os movimentos de reinvindicação de direitos.
c) Os anseios individuais e os valores morais dos acionistas, que os impõem aos gerentes das 
corporações.
d) As regulamentações estabelecidas por conselhos profissionais e comitês de ética.
e) As legislações trabalhistas e fiscais.
167/226
Códigos de Ética são documentos e registros que interseccionam ao me-
nos duas éticas, a saber:
Questão 2
a) Ética profissional e Ética dos negócios.
b) Ética profissional e Ética biomédica.
c) Ética biomédica e Ética das religiões.
d) Ética dos negócios e Ética das religiões.
e) Ética das religiões e Ética profissional.
168/226
3. São considerados parâmetros reguladores dos códigos de ética empre-
sariais:
Questão 3
a) As normas das organizações patronais, dos sindicatos de trabalhadores e as influências re-
ligiosas de uma nação.
b) A legislação vigente do país, a Declaração dos Direitos Humanos, as Leis Trabalhistas e ou-
tras.
c) A legislação eleitoral, o programa de governo em vigência e a composição partidária do Con-
gresso Nacional.
d) A legislação fiscal e cambial, os conflitos de terra e a força dos movimentos operários.
e) A Declaração dos Direitos Humanos, as normas das organizações patronais e a força dos 
movimentos operários.
169/226
4. A respeito dos códigos de ética empresariais, é correto afirmar:
Questão 4
a) Criam condicionalidades para os trabalhadores e empregadores.
b) Devem considerar as crenças e valores individuais.
c) São independentes dos códigos de ética das profissões.
d) Sofrem pouca influência das normas internacionais.
e) Não consideram parâmetros da legislação trabalhista.
170/226
5. Dentre as funções de um código de ética, estão:
Questão 5
a) Assegurar obediência e adestramento dos trabalhadores sindicalizados. 
b) Minimizar danos ambientais e maximizar balanços patrimoniais.
c) Impedir doutrinações ideológicas e assegurar o compromisso com a empresa. 
d) Promover confiabilidade, respeito, responsabilidade, justiça, cuidado e cidadania.
e) Promover campanhas políticas e impulsionar o capitalismo liberal.
171/226
Gabarito
1. Resposta: C.
Como conjunto de princípios e compreen-
sões, a ética empresarial deve anteceder a 
moral individual, de modo que anseios e va-
lores pessoais lhe são subordinados.
2. Resposta: A.
Na formulação dos códigos de ética, tanto 
os princípios éticos das relações de troca 
(ética dos negócios) como os princípios de 
constituição e exercício das profissões (éti-
ca profissional) são considerados como fun-
damentos.
3. Resposta: B.
Os códigos de ética são baseados em leis e 
em normas deontológicas previamente es-
tabelecidas, em que sobressaem as legis-
lações nacionais e normas internacionais.
4. Resposta: A.
Os códigos criam condicionalidades para os 
diferentes atores que interagem com uma 
empresa, em especial trabalhadores e em-
pregadores.
172/226
Gabarito
5. Resposta: D.
O código de ética deve produzir benefícios 
para a empresa, seus públicos internos e 
externos, e a comunidade em geral.
173/226
Unidade 7
Racionalizações Para o Comportamento Não Ético
Objetivos
1. Compreender as relações entre códi-
gos de ética e governança corporati-
va.
2. Identificar os mecanismos de um sis-
tema de ética empresarial e sua im-
portância para a efetivação do código 
de ética.
3. Identificar os elementos que produ-
zem um sistema de ética empresarial 
e suas condicionalidades para a incor-
poração de comportamentos éticos 
no cotidiano da empresa.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético174/226
Introdução
Em decorrência do crescimento da impor-
tância da ética nas profissões e nas empre-
sas, também ganha importância a institui-
ção de diferentes instâncias e estratégias 
para lidar com conflitos de natureza ética, 
incluindo Comitês, Comissões ou Câmaras 
de Mediação, dentre outros canais de de-
núncia ou aconselhamento.
Originalmente criados para debater e nor-
matizar questões relativas à pesquisa, em 
especial pesquisas biomédicas, essas ins-
tâncias passaram a ser adotadas por órgãos 
estatais e companhias privadas, realizando 
processos de arbitragem em conflitos éti-
cos, mediação e reparação de danos, além 
de negociar processos de aprimoramento 
de códigos de ética que sejam compreen-
didos como inadequados por alguma das 
diversas partes envolvidas num negócio 
(CANTO-SPERBER, 2003, p. 274). 
Considerando que os códigos de ética são 
documentos que registram princípios e 
compromissos, sejam de profissões, sejam 
de empresas ou outras organizações, e que, 
como tal, esses códigos representam me-
diações entre valores universais e práticas 
específicas da profissão ou empresa, faz-se 
necessário também que os códigos de ética 
registrem as sanções e mecanismos de con-
trole e responsabilização para os casos de 
violação dos procedimentos e ações permi-
tidos, incluindo crimes corporativos. 
Neste material abordaremos o papel do có-
digo de ética como instrumento de norma-
tização dos procedimentos empresariais, 
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético175/226
de sanção e responsabilização para os casos de violação e sua importância estratégica enquanto 
instrumento de governança corporativa.
1. Código de ética e governança corporativa
A elaboração de Códigos de Ética é uma prática suficiente? Códigos de Ética e 
Conduta são importantes ferramentas que contribuem para a gestão empresa-
rial. O Código de Ética deve ter a “cara” da organização e apresentar de forma 
clara e objetiva seus princípios, diretrizes e regras, além de ser um documento 
de fácil compreensão para todos os públicos a quem se aplica. Infelizmente, di-
versos Códigos de Ética recentemente desenvolvidos não refletem a cultura da 
organização, as diretrizes não necessariamente estão baseadas em seus valores 
e não são facilmente compreendidos por todos os stakeholders. Além disso, nem 
sempre estão inseridos em processos críticos, tais como: integração de novos 
colaboradores, contratos com parceiros e fornecedores e relacionamento com 
clientes. Em complemento aos Códigos de Ética, as empresas devem disponibi-
lizar um canal de denúncias e estruturar um processo para tratá-las por meio de 
um comitê multidisciplinar. (FORMA, 2009, p. 18)
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético176/226
A epígrafe acima chama atenção para um fenômeno bastante comum no meio corporativo: a 
elaboração de códigos de ética empresarial que são meros documentos figurativos, uma vez que 
sua publicação não é seguida pela estruturação de procedimentos, práticas e instâncias que pro-
movam e assegurem o cumprimento dos parâmetros normativos nele contidos. Nesses casos, o 
código de ética tem a exclusiva função de figurar o suposto interesse da empresana defesa da 
ética corporativa, sem, no entanto, resultar em estratégias ou decisões que tomem como princí-
pio o horizonte ético definido no próprio código. 
Para saber mais
Em 2012, o empresário Eike Batista figurava na lista das 10 pessoas mais ricas do mundo, segundo a 
Revista Forbes, ocupando o 7º lugar e afirmando que, em breve, chegaria à primeira colocação. O empre-
sário acumulava uma fortuna de cerca de 30 bilhões de dólares e apresentava-se como um homem am-
bicioso, moderno, ousado e um mecenas das artes e dos esportes, com forte apelo nacionalista. Em 2014, 
no entanto, Eike Batista aparecia mais uma vez numa lista da Forbes, dessa vez ocupando o primeiro lugar 
entre os bilionários que mais haviam acumulado perdas, tendo seu grupo empresarial sido desmontado, 
com várias empresas sendo adquiridas por corporações estrangeiras.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético177/226
Por outro lado, a epígrafe traz a luz alguns propósitos essenciais de um código de ética, quais se-
jam: ter a “cara” da organização e apresentar de forma clara e objetiva seus princípios, diretrizes 
e regras, além de ser um documento de fácil compreensão para todos os públicos aos quais se 
aplica. Nessa perspectiva, o código de ética assume importância estratégica para a própria go-
vernança corporativa, uma vez que permite delinear os caminhos a serem seguidos e mobilizar 
os diversos stakeholders para que contribuam e compartilhem das decisões que devem assegu-
rar o sucesso – econômico e social – da empresa.
Para saber mais
Três anos depois, o empresário teria sua prisão decretada, acusado de obter favorecimentos e fechar 
contratos fraudulentos em diversas operações no Rio de Janeiro. O empresário, que até então havia sido 
anunciado como exemplo de bilionário interessado nas artes, na cultura e no desenvolvimento do país, 
via ruir a imagem que construíra de si e de seu conglomerado. Repetindo histórias outrora ocorridas no 
país, como no caso do banqueiro Edemar Cid Ferreira, que, em 2006, também foi preso sob a acusação de 
falir fraudulentamente o Banco Santos, de sua propriedade, e que também era visto como grande incen-
tivador da arte nacional, a prisão de Eike Batista e a perda de seus status de um dos homens mais ricos do 
mundo evidenciaram a fragilidade dos sistemas de controle contábil no Brasil e, sobretudo, a facilidade 
de promover falsas imagens no campo da ética corporativa e da responsabilidade social das empresas.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético178/226
Pode-se dizer que um código de ética empresarial possui, enquanto instrumento de governança, 
três funções básicas, quais sejam:
a. Função de Legitimação Moral – os direitos e as responsabilidades da em-
presa para com os stakeholders, expressos no Código de Ética, oferecem os 
termos com base nos quais os principais interessados podem reconhecer 
que as suas legítimas expectativas serão tratadas equitativamente. O cri-
tério de equilíbrio das expectativas torna-se a base para um acordo e uma 
cooperação mutuamente vantajosa;
b. Função Cognitiva – o Código de Ética, através da enunciação de prin-
cípios gerais e de regras de comportamento preventivo, permite reconhe-
cer os comportamentos não éticos (oportunistas) e esclarecer o exercício 
apropriado (não abusivo) da autoridade, da arbitrariedade, da delegação e 
da autonomia decisória de cada participante da empresa;
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético179/226
c. Função de Incentivo – gera incentivos à observância dos princípios e 
dos valores corporativos e também das normas de conduta nele contidas, 
pois da sua observância depende a formação da reputação da empresa e o 
estabelecimento de relações de confiança reciprocamente vantajosas en-
tre a empresa e os seus stakeholders. (SILVA; GOMES, 2008, p. 114)
Para as reflexões deste material, são as funções cognitivas que assumem centralidade, uma vez 
que delas se extraem os mecanismos de prevenção e as formas de sanção e responsabilização 
Link
O uso do código de ética como instrumento de controle gerencial é o título do artigo de Silva e Gomes (2008), 
no qual os autores, por meio do estudo de caso em empresas internacionalizadas, analisam o crescimento 
da valorização da ética nos negócios e a adoção de códigos de ética pelas empresas internacionalizadas 
ao longo do processo de inserção brasileira na globalização, sobretudo a partir da década de 1990. Dispo-
nível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/contabilidade/article/view/2175-8069.2008v-
5n10p111>. Acesso em: 19 out. 2017.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético180/226
para comportamentos não éticos. Preliminarmente, porém, cabe chamar a atenção para um 
componente que dá forma a essas funções básicas do código de ética, a saber, o fato de que a 
ética empresarial ou profissional antecede e se sobrepõe a valores individuais e subjetivos, o que 
faz com que o exercício da profissão ou o trabalho numa corporação exija também a adesão in-
dividual e subjetiva àquele código. 
E é esse componente de mediação entre as percepções individuais e o horizonte comum e com-
partilhado entre as pessoas que permite traçar os mecanismos de prevenção, sanção e respon-
sabilização pelos descumprimentos das normas éticas: 
O problema a ser enfrentado é o controle disciplinar na organização, pois 
as empresas passaram a ser consideradas responsáveis pela má conduta 
de seus empregados [...]. Assim, os códigos de ética passaram a ser enca-
rados como uma ferramenta de controle importante para que os valores 
da empresa fossem adequadamente divulgados aos funcionários e demais 
interessados. (SILVA; GOMES, 2008, p. 115)
Como ferramenta de governança e gestão, o código de ética não pode ser considerado como um 
documento isolado dos demais mecanismos de controle e incentivo utilizados por uma empresa; 
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético181/226
pelo contrário, a ele devem estar articulados outros instrumentos de apoio à tomada de decisões 
e execução de funções, de modo que o conjunto de ações estratégicas e gerenciais se coadune 
com os valores e princípios éticos estabelecidos:
Para mediar o conflito de interesses entre os públicos e guiar comporta-
mentos, a adoção de códigos de ética pelas organizações tornou-se práti-
ca comum; contudo o código precisa do suporte de um programa de ética: 
orientação, instrumentos de gestão, forma de implementação influenciam 
no comportamento ético dos stakeholders internos e na tomada de deci-
são ética nas atividades da organização. (CHERMAN; TOMEI, 2005, p. 100)
Para saber mais: Ao decidir por elaborar um código de ética, as empresas devem tomar outras 
decisões, incluindo: definir o alcance deste código e como ele será elaborado; definir seu pro-
cesso de implementação; elaborar os instrumentos de gestão ética e os padrões para tomada 
de decisões; definir os parâmetros e critérios para análise, sanção e responsabilização nos casos 
de conduta não ética. Todos esses procedimentos têm por finalidade disseminar os valores que 
devem ser internalizados pelos diferentes stakeholders, inscrevendo-os na cultura corporativa. 
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético182/226
2. Código de ética no cotidiano da empresa
O código de ética ou de compromisso social é um instrumento de realiza-
ção da visão e missão da empresa, que orienta suas ações e explicita sua 
postura social a todos com quem mantém relações. (INSTITUTO ETHOS, 
2000, p. 5)
Conforme afirmado acima, a elaboração e implementação do código de ética devem ser acom-
panhadas de uma série de procedimentos que tenham como finalidade constituir uma cultura 
ética no cotidiano da empresa. Não obstante, autores como Cherman e Tomei(2005), Silva e 
Gomes (2008), dentre outros, apontam que os códigos de ética nasceram nos EUA da década de 
1990, em decorrência de sucessivos escândalos de comportamento não ético de grandes corpo-
rações, sendo concebidos, inicialmente, como instrumento de controle e punição de executivos, 
com o objetivo de minimizar o impacto desses escândalos para o lucro das empresas:
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético183/226
Eles eram construídos sobre princípios de autoridade; quanto à orienta-
ção, 90% deles estavam voltados para compliance, ou seja, procedimentos 
de controle top-down na estrutura hierárquica e punições [...] Os códigos 
estariam tentando moldar um comportamento ético dos funcionários em 
organizações que continuavam a desencorajar esta atitude. (CHERMAN; 
TOMEI, 2005, p. 102)
Em organizações tradicionais, portanto, o comportamento ético foi exigido e determinado por 
valores de obediência hierárquica, com forte centralização na tomada de decisões e análise das 
práticas pessoais e corporativas. O passar dos anos e o aumento das exigências econômicas, 
políticas e sociais quanto aos padrões éticos das corporações fizeram com que os sistemas de 
adoção e controle da ética empresarial fossem aprimorados, levando ao desenvolvimento de 
modelos flexíveis e descentralizados, baseados no compromisso coletivo, na aprendizagem or-
ganizacional, em valores compartilhados e com foco na integridade (CHERMAN; TOMEI, 2005).
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético184/226
Nesses novos modelos, os comportamentos 
dos atores internos e externos das empre-
sas são determinados por um conjunto de 
estruturas, sistemas e práticas, envolvendo 
lideranças e autoridades, formas de sanções 
e recompensas, políticas de treinamento, 
de ambientação, de formação de equipes, 
de informações e tomada de decisões em 
Para saber mais
Em 2009, o Instituto Brasileiro de Ética nos Ne-
gócios promoveu o I Congresso Brasileiro de Ética 
nos Negócios, no qual foi apresentado o resulta-
do da primeira pesquisa nacional acerca da ado-
ção de códigos de ética pelas empresas atuantes 
no Brasil. Foram identificadas 189 empresas com 
códigos de ética, em diferentes estágios e com di-
ferentes características.
Link
O resultado da pesquisa Código de Ética Corpo-
rativo – 2009 está disponível na Revista Ética nos 
Negócios, ano 1, nº 1, edição de abr./maio/jun. de 
2009, podendo ser visualizado em: <http://www.
revistaeticanosnegocios.org.br/2016/pdf/
Revista_ed_01.pdf>. Acesso em: 18 out. 2017.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético185/226
diferentes níveis, configurando um modelo de gestão ética que, para ser efetivo, deve ter como 
condições:
a) [que] o código de ética esteja lançado e seja seguido; b) procedimentos 
de preocupação com a ética estejam estabelecidos; c) funcionários este-
jam envolvidos na identificação de questões éticas; e d) as prioridades e 
esforços relacionados a estas questões sejam comunicados aos emprega-
dos [...]. A gestão da ética, porém, somente se torna efetiva, quando são es-
tabelecidos mecanismos formais de aconselhamento sobre questões éti-
cas e abertura de Canais de Comunicação para discussão dos dilemas dos 
funcionários, comunicação de dúvidas ou irregularidades. Já os Mecanis-
mos de Reforço [...] visam a corrigir as inconsistências internas, por meio 
do exame dos sistemas de recompensa e de punição, determinando quais 
comportamentos estariam sendo reforçados em contradição ao código e 
afetando a cultura ética. (CHERMAN; TOMEI, 2005, p. 104)
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético186/226
Soma-se a esse sistema o papel da liderança ética, que 
combina a moral pessoal e a moral executiva do líder. A primeira é constitu-
ída de traços (integridade, honestidade, confiabilidade), comportamentos 
(fazer a coisa certa, preocupação com as pessoas, abertura) e tomada de 
decisão baseada em princípios éticos. A moral gerencial é a ética proativa 
por meio da ação visível do líder, sua comunicação e prática dos valores. 
(CHERMAN; TOMEI, 2005, p. 104)
Por fim, mecanismos institucionais de controle externo também fazem parte do sistema ético 
corporativo, no que se incluem governo, mídia, formadores de opinião e outros atores externos.
Link
Realizado nos anos 2000, o estudo de Cherman e Tomei (2005) analisou quatro grandes organizações 
do setor de planos privados de assistência à saúde buscando compreender os processos de elabora-
ção de códigos de ética e sua efetivação no cotidiano das empresas pesquisadas, permitindo identi-
ficar os abismos entre os planos da formulação e a efetividade desses códigos nas práticas corpora-
tivas. Verifique o artigo completo em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1415-65552005000300006>. Acesso em: 19 out. 2017.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético187/226
Glossário
Câmaras de mediação: as Câmaras de Mediação são estruturas de mediação de conflitos que 
atuam na perspectiva de reparação de danos e restauração dos laços sociais entre as partes en-
volvidas. Nesse sentido, diferem das Câmaras de Arbitragem ou dos diferentes tribunais, uma 
vez que sua operação não visa a julgamentos ou arbitragens, mas sim à busca consensual de su-
peração dos conflitos. Câmaras de mediação podem ser utilizadas para reparação de danos em 
relações comerciais e profissionais, bem como para a restauração de laços de sociabilidade entre 
indivíduos envolvidos em conflitos internos nas empresas.
Código de ética – alcance: o alcance de um código de ética pode ser compreendido como o 
tamanho de estruturas e esferas de relacionamento que serão por ele assimilados. Dentre as 
estruturas estão departamentos, setores, processos empresariais e públicos internos; as esferas 
de relacionamento incluem os públicos externos à organização, cujo alcance pode envolver for-
necedores, colaboradores externos, mídias, governo e sociedade em geral.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético188/226
Glossário
Crimes corporativos: criada pelo sociólogo norte-americano Edwin H. Sutherland, (1883-1950), 
que a utilizou durante discurso na American Society of Sociology, da qual foi presidente, em 1939, 
a concepção de crimes corporativos – White Collar Crime, os business crimes, no original – diz re-
speito a “um crime cometido por uma pessoa de respeitabilidade e de alto status social no curso 
de sua ocupação” (SUTHERLAND, 1949, p. 9). Tal concepção tem sido debatida e complexificada 
ao longo dos anos, mas está sempre relacionada aos crimes cometidos por pessoas ou organi-
zações – públicas ou privadas – que usufruem da posição privilegiada que ocupam nas esferas 
econômica e política para cometer fraudes, desvios e ações criminosas de diferentes naturezas.
Questão
reflexão
?
para
189/226
E você, que limites você se coloca para evitar desvios de 
conduta ética no seu dia a dia?
190/226
Considerações Finais
• Embora desde os anos 2000 seja crescente a importância da adoção de có-
digos de ética nas corporações, muitas empresas ainda enfrentam grandes 
desafios para superar a distância entre o plano de formulação de seus códi-
gos e sua real efetivação nas práticas cotidianas.
• Essa efetivação torna-se mais viável quando a elaboração do código de ética 
é compartilhada entre os diferentes setores e atores presentes na empresa e 
quando esse processo é acompanhado por outras instâncias e procedimen-
tos que compõem um sistema de ética empresarial.
• Dentre essas instâncias, deve-se prever estruturas de ambientação e canais 
de acolhimento de dúvidas, denúncias e reclamações, bem como esferas 
de reforço e correção de práticas, coordenados por lideranças éticas e com 
previsão decontroles por atores externos.
Unidade 7 • Racionalizações Para o Comportamento Não Ético191/226
Referências
CHERMAN, Andréa; TOMEI, Patrícia Amélia. Códigos de ética corporativa e a tomada de decisão 
ética: instrumentos de gestão e orientação de valores organizacionais?. RAC, v. 9, n. 3, jul./set. 
2005. p. 99-120.
FORMA, Marcelo. Canal de denúncias: ferramenta fundamental. Revista Ética nos Negócios, 
Campinas, ano 1, n. 1. Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, abr./maio/jun., 2009. Dispo-
nível em <http://www.revistaeticanosnegocios.org.br/2016/pdf/Revista_ed_01.pdf>. Acesso em: 
30 nov. 2017.
INSTITUTO ETHOS. Formulação e implantação de código de ética em empresas. São Paulo: In-
stituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, 2000. 
OLIVEIRA, Cintia Rodrigues de. Crimes corporativos e estudos organizacionais: uma aproximação 
possível e necessária. ERA, São Paulo. v. 55, n. 2, mar./abr., 2015. p 202-208.
SILVA, Vaner Guimaraes da; GOMES, Josir Simeone. O uso do código de conduta ética como instru-
mento de controle gerencial: estudo de casos em empresas internacionalizadas. Revista Con-
temporânea de Contabilidade, Florianópolis: UFSC, ano 5, v. 1, n. 10, jul./dez., 2008. p. 111-127.
SUTHERLAND, E. White-collar crime. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1949.
192/226
Assista a suas aulas
Aula 7 - Tema: Racionalizações para o Compor-
tamento não-ético. Bloco I
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/
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2c8e246bcabdd0bfdb38edfb37900979>.
Aula 7 - Tema: Racionalizações para o Comporta-
mento não-ético. Bloco II
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/9a-
03479c6524d256fbea6c9514601c25>. 
193/226
1. A respeito dos códigos de ética e suas instâncias de regulação em empre-
sas, é ERRADO afirmar:
Questão 1
a) Surgiram dos avanços e reflexões no campo da biomedicina, e se espalharam para outras 
áreas e organizações.
b) Foram criados pelo sociólogo norte-americano Edwin H. Sutherland (1883-1950), durante 
discurso na American Society of Sociology.
c) São operados por distintas instâncias, que incluem Comitês, Câmaras, Comissões etc.
d) Sua simples publicação não é suficiente para dar o caráter ético de uma empresa. 
e) Os códigos de ética, para serem efetivados, exigem um conjunto de outras ações.
194/226
2. São características de um bom código de ética:
Questão 2
a) Apresentam de forma clara e objetiva seus princípios, diretrizes e regras, além de ser um do-
cumento de fácil compreensão para todos os públicos.
b) Por possuir uma redação rebuscada, em linguagem jurídica e filosófica, são capazes de ocul-
tar processos não éticos realizados pela empresa.
c) Mobilizam os diferentes setores da empresa, que o defendem como formalidade e exigência 
trabalhista.
d) Fazem menção às principais leis e tratados internacionais, incluindo a Declaração Universal 
dos Direitos do Homem.
e) Fazem a mediação entre as aspirações éticas dos funcionários e práticas contábeis pouco 
ortodoxas, que ocultam os balanços patrimoniais.
195/226
3. Ao decidir elaborar um código de ética, as empresas devem tomar ou-
tras decisões, excluindo:
Questão 3
a) Definir o alcance desse código e como ele será elaborado.
b) Definir seu processo de implementação.
c) Elaborar os instrumentos de gestão ética e os padrões para tomada de decisões.
d) Definir os parâmetros e critérios para análise, sanção e responsabilização nos casos de con-
duta não ética.
e) Adotar a visão de seus acionistas como parâmetro ético a ser seguido pelos demais stakehol-
ders.
196/226
4. Desde seu surgimento, a elaboração e adoção de códigos de ética no 
mundo corporativo passou por várias mudanças, que incluem:
Questão 4
a) A criatividade para obnubilar práticas não éticas.
b) A flexibilização e cooperação na construção de valores.
c) A subordinação dos códigos aos valores governamentais vigentes.
d) A internacionalização de um padrão imposto a todas as empresas.
e) A obediência dos trabalhadores aos valores determinados pelos superiores hierárquicos.
197/226
5. Dentre os mecanismos de controle ético interno das empresas, in-
cluem-se:
Questão 5
a) Canais de comunicação e telefones de delegacias.
b) Sistemas de ambientação e programas de demissão voluntária.
c) Disques-denúncias e conversas no cafezinho.
d) Liderança ética e sistemas de ambientação.
e) Canais de comunicação e conversas no cafezinho.
198/226
Gabarito
1. Resposta: B.
Sutherland concebeu o termo “White-collar 
crime”, utilizado para designar os crimes de 
colarinho branco, ou também crimes cor-
porativos.
2. Resposta: A.
Os bons códigos de ética devem ser elabo-
rados colaborativamente, com linguagem 
simples e acessível a todos os setores da 
empresa.
3. Resposta: E.
Um código de ética deve ser elaborado com 
base no planejamento da empresa e nos 
valores coletivamente construídos.
4. Resposta: B.
Tendo surgido como mecanismo de impo-
sição de valores hierárquicos, os códigos de 
ética são, na atualidade, instrumentos de 
racionalização de práticas e valores com-
partilhados, devendo ser elaborados cola-
borativamente.
5. Resposta: D.
O controle ético deve ser realizado de forma 
sistemática e sistêmica e terá maior credibi-
lidade junto aos stakeholders se liderado por 
profissional com legitimidade e reconheci-
mento, e operado de forma objetiva, clara e 
transparente.
199/226
Unidade 8
Ética Empresarial: Casos de Aplicação
Objetivos
1. Compreender o contexto atual de 
aplicação dos códigos de ética nas 
empresas.
2. Identificar fatores de risco e de suces-
so na implantação de sistemas de go-
vernança ética.
3. Compreender o papel dos programas 
de compliance na efetivação dos mo-
delos de governança ética.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação200/226
Introdução
Embora desde os anos 2000 seja crescente 
a importância da adoção de códigos de éti-
ca nas corporações, muitas empresas ainda 
enfrentam grandes desafios para superar 
a distância entre o plano de formulação de 
seus códigos e sua real efetivação nas prá-
ticas cotidianas. Essa efetivação torna-se 
mais viável quando a elaboração do código 
de ética é compartilhada entre os diferen-
tes setores e atores presentes na empresa 
e quando esse processo é acompanhado 
por outras instâncias e procedimentos que 
compõem um sistema de ética empresarial. 
Dentre essas instâncias, devem estar pre-
vistas estruturas de ambientação e canais 
de acolhimento de dúvidas, denúncias e re-
clamações, bem como esferas de reforço e 
correção de práticas, coordenados por lide-
ranças éticas e com previsão de controles 
por atores externos.
O alcance de um código de ética e a dimen-
são de um sistema de ética empresarial são 
variáveis. Por alcance de um código de éti-
ca compreende-se o tamanho de estruturas 
e esferas de relacionamento que serão por 
ele assimilados. Dentre as estruturas estão 
departamentos, setores, processos empre-
sariais e públicos internos; as esferas de re-
lacionamento incluem os públicos externos 
à organização, cujo alcance pode envolver 
fornecedores, colaboradores externos, mí-
dias, governo e sociedade em geral. O sis-
tema ético, então, envolve as estruturas 
internas que são instituídas para tratar das 
questões e conflitos de natureza ética, o que 
inclui comissões, câmaras, comitês etc. 
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação201/226
Nesse material, tomaremos a Pesquisa Na-
cional Código de ética corporativo como fon-
te de informações para abordar as variações 
de sistemas e alcances nos modelos de go-
vernança da ética empresarial.
1. Pesquisa Código de ética cor-
porativoO Instituto Brasileiro de Ética nos Negó-
cios, uma Organização da Sociedade Ci-
vil de Interesse Público (OSCIP) criada em 
2003, com sede em Campinas, interior de 
São Paulo, promove periodicamente, desde 
2008, a Pesquisa Nacional Código de ética 
corporativo, com o objetivo de identificar as 
boas práticas de governança ética nas em-
presas e estimular a adoção de códigos de 
ética por empresas ainda não adeptas a es-
sas práticas. 
A edição da pesquisa publicada em 2014 
foi realizada por meio de consulta aos sites 
das 1000 maiores empresas com atuação 
no Brasil, além dos 50 maiores bancos e das 
100 maiores empresas do agronegócio na-
cional. A consulta aos sites objetivou iden-
tificar os seguintes elementos:
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação202/226
Divulgação
Foram consideradas as empresas que disponibilizam, livremente, no web site 
corporativo o Código de Ética. As empresas que informam possuir este instru-
mento, porém não o deixam disponível para conhecimento dos seus Stakehol-
ders, foram tratadas como aquelas que não disponibilizam este importante ins-
trumento, ou por não possuírem ou por optarem não divulgá-lo publicamente.
Localização
Verificação do local em que as empresas disponibilizam seus Códigos de Ética 
dentro do web site corporativo.
Destaque Página Inicial
Se o Código de Ética tem algum tipo de “destaque” na página inicial do web site 
corporativo.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação203/226
Relacionamento com os Stakeholders
Se o Código de Ética contempla o relacionamento com os diversos públicos 
com quem a empresa interage no dia a dia dos seus negócios – os chamados 
“Stakeholders” –, inclusive o meio ambiente.
Obrigatoriedade de Denúncia
Existência de cláusula explícita contendo a obrigatoriedade de levar ao conhe-
cimento da empresa, tanto pelos Stakeholders internos quanto pelos externos, 
quaisquer preocupações, desvios de conduta ou desconformidades às palavras 
e ao espírito do Código de Ética.
Proteção ao Denunciante
Existência de cláusula explícita com a informação de que a empresa protegerá 
de qualquer tipo de “represália” aqueles Stakeholders, inclusive seus colabora-
dores, que relatarem os fatos presenciados ou de conhecimento.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação204/226
Ações de Responsabilidade Socioambiental
Identificação das empresas que divulgam ações de responsabilidade social e/
ou ambiental.
Balanço Social ou Relatório de Sustentabilidade
Identificação das empresas que elaboram e divulgam este importante instru-
mento de prestação de contas aos Stakeholders.
Sustentabilidade
Verificar se já existe algum tipo de menção ou mesmo destaque à Sustentabi-
lidade no web site das empresas pesquisadas.
Empresa Estrangeira
Dentre as empresas estrangeiras em atuação no país que não disponibilizam o 
Código de Ética no web site corporativo nacional, será realizada pesquisa no 
web site global para verificação da divulgação (ou não) do Código de Ética, in-
clusive com a tradução para outro idioma, além do inglês.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação205/226
Canal apropriado para relatar preocupações
Verificação de um canal apropriado para que os Stakeholders, inclusive funcio-
nários, possam fazer perguntas e comunicar preocupações pessoais e com a 
empresa1. 1
Embora seguindo uma metodologia simplificada e de pouca criticidade científica, sobretudo por 
se basear em informações fornecidas pela própria empresa e num canal de baixa confiabilidade 
– os sites corporativos –, mais do que o resultado aferido, o que se destaca na pesquisa realizada 
são os critérios utilizados para identificar os modos por meio dos quais as empresas instituem 
seus sistemas éticos, sendo que a pesquisa privilegia a identificação das empresas que promo-
vem seus sistemas a partir da visibilização e da facilidade de acesso ao código de ética.
Nesse sentido, portanto, a utilização das páginas eletrônicas tanto como espaço de disponibi-
lização do código quanto como canal de comunicação de denúncias ou conflitos garante, em 
princípio, agilidade, segurança e transparência nos mecanismos de informação e nos procedi-
mentos de apuração de demandas éticas. 
1 Disponível em: <http://www.pesquisacodigodeetica.org.br/2014/objetivo-metodologia.php>. Acesso em: 19 out. 2017.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação206/226
Por isso, mais do que o resultado obtido por cada empresa pesquisada, importa, nesse momento, 
identificar dados que sinalizam as práticas de governança ética nas empresas que atuam no Brasil.
2. Sistemas de ética empresarial
Para o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios o Código de Ética pode 
ser definido como “a declaração do conjunto de direitos, deveres e respon-
sabilidades empresariais para com os Stakeholders, refletindo a cultura, os 
princípios e os valores, a atuação socioambiental e o conjunto das normas 
de conduta para dirigentes, executivos e colaboradores bem como para 
as empresas integrantes da cadeia produtiva, mediante os quais atuam as 
premissas que enriquecem os processos decisórios da empresa e orientam 
o seu comportamento.
Link
O resultado da pesquisa Código de ética corporativo, bem como o relatório detalhando metodologia, ob-
jetivos e empresas pesquisadas, está disponível para consulta em: <http://www.pesquisacodigodee-
tica.org.br/2014/>. Acesso em: 19 out. 2017.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação207/226
Além disto, deve ser o principal instrumento da Governança Corporativa e 
da gestão estratégica para se tornar um aliado das empresas no caminho 
que levará ao Desenvolvimento Sustentável2. 2
A declaração do Instituto ganha importância para a reflexão aqui apresentada na medida em 
que relaciona o Código de Ética à política de governança corporativa, na perspectiva do que é 
denominado “sistema de ética empresarial”. Destacando a importância do código de ética para 
a governança corporativa, o Instituto declara:
O Código de Ética é o instrumento que permite a todos os Stakeholders co-
nhecer uma empresa, suas formas de atuação e suas normas de conduta, 
tanto dela (empresa) como de todos os seus funcionários, daí a importância 
de divulgá-lo no web site empresarial, pois somente assim a empresa tornará 
público, de fato, o seu compromisso.
O Código de Ética norteia a empresa e seus Stakeholders para se conduzir os 
negócios de maneira ética, socialmente responsável e ecologicamente corre-
ta para se trilhar o caminho da tão falada e necessária Sustentabilidade3. 3
2 Disponível em: <http://www.pesquisacodigodeetica.org.br/2014/codigo-etica.php>. Acesso em: 19 out. 2017.
3 Disponível em: <http://www.pesquisacodigodeetica.org.br/2014/codigo-etica.php>. Acesso em: 19 out. 2017.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação208/226
Como instrumento de normatização dos negócios da empresa, o código de ética deve ser incor-
porado nos posicionamentos estratégicos, nas decisões gerenciais, no dia a dia dos múltiplos re-
lacionamentos estabelecidos. Sendo assim, o código deve apresentar claramente itens referen-
tes aos princípios que condicionam esses relacionamentos, questões ligadas à sustentabilidade 
e à preservação ambiental, 
Normas e padrão de comportamento da empresa, de seus colaboradores 
e da cadeia produtiva, Organismos internos para reportar alguma des-
conformidade ao código, Procedimentos e padrões de atuação e controle 
(Compliance)4. 4
É nessa abordagem dos sistemas de ética corporativa enquanto conjunto de instâncias, processos 
e procedimentos de gestão ética da corporação que as iniciativas mapeadas pela pesquisa contri-
buem para a compreensão de diferentes modelos e modos de aplicação da ética empresarial.
Os resultadosda pesquisa apontam que dentre as 1000 empresas pesquisadas, apenas “36% 
adotam e divulgam no website corporativo o código de ética”5. Diante do baixo índice encon-
trado, a pesquisa sinaliza a importância da Lei Anticorrupção sancionada pela Presidenta Dilma 
4 Disponível em: <http://www.pesquisacodigodeetica.org.br/2014/codigo-etica.php>. Acesso em: 19 out. 2017.
5 Idem.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação209/226
Rousseff, em 2013, que entrou em vigor em 29 de janeiro de 2014, prevendo, dentre outras obri-
gações, 
que empresas, fundações e associações passem a responder civil e admi-
nistrativamente, sempre que a ação de um empregado ou representante 
causar prejuízos ao patrimônio público ou infringir princípios da adminis-
tração pública ou compromissos internacionais assumidos pelo Brasil6. 6
Essa legislação, segundo os organizadores da pesquisa, deve contribuir para ampliar o número 
de empresas que adotam e publicam seus códigos de ética, resultando, também, no fortaleci-
mento dos programas de ética corporativa. 
6 Extraído de https://www.portaldecompliance.com.br/?gclid=CjwKEAjwgvfOBRD7_IDSuP3znTwSJAB4_t6Gzm_y36WY93xHhI-ZpOIp-
idCmHfHCHK6OTiIWooUcaBoCinTw_wcB>. Acesso em: 30 out. 2017.
Para saber mais
A Lei n. 12.846, de 1º de agosto de 2013, também conhecida como Lei Anticorrupção, dispõe sobre a 
responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração 
pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação210/226
Por outro lado, se o número de empresas 
que divulgam seus códigos de ética ainda é, 
segundo a pesquisa, baixo, dentre os códi-
gos divulgados, “80% contemplam o rela-
cionamento com diversos Stakeholders e a 
obrigatoriedade de denúncia das descon-
formidades e desvios de conduta é explici-
tada em 72% deles”7.
Outro dado, preocupante, é que “apenas 
43% dos Códigos de Ética dizem que a em-
presa protegerá o denunciante contra qual-
quer tipo de retaliação”8, o que gera um am-
biente de insegurança para a apresentação 
de denúncias. Negativas também são as 
respostas referentes à divulgação de balan-
7 Extraído de http://www.pesquisacodigodeetica.org.
br/2014/codigo-etica.php; acesso em outubro de 2017.
8 Idem.
ço social das empresas (cerca de 15% das 
empresas, apenas) e a existência de canal 
de denúncias (aproximadamente 105 do to-
tal de empresas pesquisadas).
Por esses motivos, crescem no Brasil as pre-
ocupações por auxiliar as empresas e incen-
tivar seus dirigentes e acionistas quanto à 
importância dos sistemas de governança 
ética, o que se faz por meio dos Programas 
de Compliance, os quais têm por finalidade, 
em última instância, assegurar à empresa 
o reconhecimento público como corpora-
ção ética, segundo titulação que é atribuída 
pelo Ministério da Transparência, Fiscaliza-
ção e Controladoria-Geral da União. 
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação211/226
Os caminhos para que uma empresa asse-
gure seu sistema de ética corporativa, por 
meio de um Programa de Compliance, en-
volvem:
a) Liderança ativa dos altos níveis de 
gestão empresarial, incentivando e 
fomentando o comportamento ético 
em todas as esferas da corporação.
Para saber mais
O Pró-Ética é uma iniciativa do Ministério da 
Transparência, Fiscalização e Controladoria-Ge-
ral da União que tem por finalidade “fomentar a 
adoção voluntária de medidas de integridade pe-
las empresas, por meio do reconhecimento públi-
co daquelas que, independentemente do porte e 
do ramo de atuação, mostram-se comprometidas 
em implementar medidas voltadas para a preven-
ção, detecção e remediação de atos de corrupção 
e fraude”, conforme informado na página oficial 
do Ministério. 
Link
As informações acerca do Pró-Ética podem ser 
encontradas em <http://www.cgu.gov.br/as-
suntos/etica-e-integridade/empresa-pro-e-
tica>. Acesso em: 30 nov. 2017.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação212/226
b) Estrutura de gestão autônoma, técni-
ca e financeiramente dotada dos re-
cursos necessários para a implanta-
ção de um sistema de gestão ética.
c) Elaboração, de forma participativa e 
compartilhada, do código de ética da 
empresa.
d) Identificação de pontos críticos, su-
pervisão dos processos e gestão dos 
fluxos entre riscos e soluções.
e) Treinamento e formação continuada 
de stakeholders, voltados para uma 
cultura de ética nos negócios.
f) Vinculação de equipes dos diversos 
setores, prevenindo e coibindo des-
cumprimentos.
g) Monitoramento e tratamento dos ris-
cos advindos de terceiros.
h) Tratamento das denúncias9.
9 Adaptado do manual 8 passos de um programa de compliance 
e ética empresarial. Disponível em: <https://www.portalde-
compliance.com.br/8-passos-para-compliance-em-
presarial>. Acesso em: 19 out. 2017. 
Para saber mais
A inserção da governança ética nas corporações 
empresariais e mesmo nas empresas de médio e 
pequeno porte é componente fundamental para 
o aprimoramento das relações sociais e humanas, 
aprimorando as estruturas produtivas e economia 
nacional, impulsionando as práticas de sustenta-
bilidade e responsabilidade social corporativa.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação213/226
Link
Um manual de orientações para empresas ética 
e socialmente responsáveis, com a finalidade de 
orientar o combate à corrupção, pode ser encon-
trado em <http://www.cgu.gov.br/Publica-
coes/etica-e-integridade/arquivos/manual-
respsocialempresas_baixa.pdf>. Acesso em: 
29 out. 2017. 
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação214/226
Glossário
Governança Corporativa: sistema pelo qual as sociedades empresarias são dirigidas e monitora-
das, envolvendo os relacionamentos entre acionista/cotista/conselho de administração, diretoria, 
auditoria independente e conselho fiscal. As boas práticas de governança corporativa têm a fina-
lidade de aumentar o valor da sociedade, facilitar seu acesso ao capital e contribuir para a sua pe-
renidade.
Ponto Crítico: os pontos críticos não são, necessariamente, fragilidades no processo de execução 
da ação de controle. São, na verdade, os pontos mais sensíveis à ocorrência de violações no am-
biente de integridade. Identificar os pontos críticos e desenvolver hipóteses sobre as suas possíveis 
fragilidades e riscos de ocorrência são atividades cruciais para a definição e o planejamento das 
ações de controle.
Transparência: ato de dar aos cidadãos, contribuintes, acionistas, funcionários ou concorrentes 
condições de conhecimento e controle do uso dos recursos gerados pelo pagamento dos impostos.
Questão
reflexão
?
para
215/226
Você possui alguma experiência de participar ou já 
teve conhecimento de algum programa de complian-
ce? Se sim, que boas práticas você reconhece nesse 
programa? Se não, procure conversar com colegas de 
trabalho ou estudo para saber quem já vivenciou algu-
ma boa experiência de sistemas de controle de riscos 
éticos. A proposta é identificar boas experiências vivi-
das pelas pessoas e refletir: qual o papel de cada pro-
fissional no controle ético da empresa em que atua?
216/226
Considerações Finais
• Códigos de ética são instrumentos aplicáveis a quaisquer organizações, de 
qualquer porte. A partir do código de ética é possível conceber sistemas de 
governança ética nas corporações, instituindo programas de compliance. 
• “Conscientizar empresas sobre seu relevante papel no enfrentamento da 
corrupção é um dos objetivos do Pró-Ética. Ao se posicionarem afirmativa-
mente pela prevenção e pelo combate de práticas ilegais, são reduzidos os 
riscos de ocorrência de fraude e corrupção nas relações entre o setor públi-
co e o setor privado”1.• O comportamento ético é, cada vez mais, uma exigência dos governos, dos 
mercados e da sociedade.
1 Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/assuntos/etica-e-integridade/empresa-pro-etica>. Acesso 
em: 19 out. 2017.
Unidade 8 • Ética Empresarial: Casos de Aplicação217/226
Referências
BRASIL. Controladoria-Geral da União. A responsabilidade social das empresas no combate à 
corrupção. Controladoria-Geral da União e Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade So-
cial. 2009. Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/Publicacoes/etica-e-integridade/arquivos/
manualrespsocialempresas_baixa.pdf>. Acesso em: 19 out. 2017. 
FORMA, Marcelo. Canal de denúncias: ferramenta fundamental. Revista Ética nos Negócios, 
Campinas, ano 1, n. 1. Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, abr./maio/jun., 2009. Disponível 
em: <http://www.revistaeticanosnegocios.org.br/2016/pdf/Revista_ed_01.pdf>. Acesso em: 19 
out. 2017.
INSTITUTO ETHOS. Formulação e implantação de código de ética em empresas. [s.d.] São Pau-
lo: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, 2000. 
OLIVEIRA, Cintia Rodrigues de. Crimes corporativos e estudos organizacionais: uma aproximação 
possível e necessária. ERA, São Paulo, v. 55, n. 2, mar./abr., 2015. p. 202-208.
SILVA, Vaner Guimaraes da; GOMES, Josir Simeone. O uso do código de conduta ética como instru-
mento de controle gerencial: estudo de casos em empresas internacionalizadas. Revista Con-
temporânea de Contabilidade, Florianópolis: UFSC, ano 5, v. 1, n. 10, jul./dez., 2008. p. 111-127.
218/226
Assista a suas aulas
Aula 8 - Tema: Ética Empresarial: Casos de Apli-
cação. Bloco I
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/
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98cb81d9500ba1ce812908baa704af4c>.
Aula 8 - Tema: Ética Empresarial: Casos de Apli-
cação. Bloco II
Disponível em: <https://fast.player.liquidplatform.com/pA-
piv2/embed/dbd3957c747affd3be431606233e0f1d/8e-
29b4eadce80436736bf8ba6d912517>.
219/226
1. A adoção de códigos de ética empresariais é uma tendência e uma ne-
cessidade crescentes desde, ao menos, os anos 2000. No entanto, é correto 
afirmar que:
a) Trata-se de mero modismo, com vista a ampliar os lucros empresariais. 
b) Esse movimento resulta exclusivamente de cobranças de órgãos internacionais, como o Fun-
do Monetário Internacional (FMI) e o Federal Reserve (FED). 
c) Para se tornar efetivo, o código de ética deve ser compartilhado entre os diferentes setores 
e atores presentes na empresa.
d) O código de ética é uma ferramenta eficaz de comunicação, sobretudo nos casos de empre-
sas com passivos ambientais.
e) O código de ética pouco se relaciona com outras estratégias da empresa, devendo estar se-
parado das ações voltadas ao lucro.
Questão 1
220/226
2. Segundo o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, para a efetivação de 
um código de ética empresarial faz-se importante:
Questão 2
a) Equipe com autonomia, canais de relacionamento com stakeholders e canais de denúncias.
b) Boa propaganda externa, hierarquia e controle de denúncias.
c) Flexibilidade, controle de denúncias e marketing.
d) Equipe com autonomia, hierarquia e controle pelos acionistas.
e) Canais de relacionamento com stakeholders, marketing massivo e liberalidade.
221/226
3. Afirmar que o código de ética deve estar articulado com a política de 
governança da empresa equivale a dizer que:
Questão 3
a) O código de ética deve orientar as ações de responsabilidade social, independentemente 
das ações voltadas ao lucro. 
b) O código de ética deve orientar as ações de marketing, independentemente do controle fis-
cal e contábil.
c) O código de ética deve informar o modelo de governança para stakeholders internos e, even-
tualmente, externos.
d) O código de ética é o instrumento que permite a todos os stakeholders conhecer uma empre-
sa.
e) O código de ética deve ser tomado numa perspectiva formal, mesmo que exerça pouco im-
pacto nas práticas cotidianas.
222/226
4. Um dos pontos principais de um sistema de governança ética para uma 
empresa são os canais de denúncias. Isso porque:
Questão 4
a) A inexistência desses canais gera um ambiente de insegurança para a apresentação de de-
núncias.
b) O ambiente competitivo de uma empresa produz a necessidade de denunciar os concorren-
tes.
c) A lei anticorrupção exige que sejam implantados esses canais, mesmo que apenas formal-
mente.
d) O canal permite transformar em denúncia aquilo que é feito como fofoca, ampliando as re-
clamações.
e) A inexistência desses canais gera um aumento de denúncias caluniosas, prejudicando a hie-
rarquia da empresa.
223/226
5. Dentre os procedimentos de implantação de um programa de complian-
ce, com a finalidade de instaurar um modelo de governança ética, não es-
tão previstos:
Questão 5
a) Liderança ativa dos altos níveis de gestão empresarial, incentivando e fomentando o com-
portamento ético em todas as esferas da corporação.
b) Estrutura de gestão autônoma, técnica e financeiramente dotada dos recursos necessários 
para a implantação de um sistema de gestão ética.
c) Elaboração, de forma hierárquica e centralizada, do código de ética da empresa.
d) Identificação de pontos críticos, supervisão dos processos e gestão dos fluxos entre riscos e 
soluções.
e) Treinamento e formação continuada de stakeholders, voltados para uma cultura de ética nos 
negócios.
224/226
Gabarito
1. Resposta: C.
A adoção e elaboração do código de ética 
ainda é um desafio para as empresas brasi-
leiras e sua efetivação torna-se mais viável 
quando o código está inserido num conjun-
to mais amplo de ações de ética corporativa.
2. Resposta: A.
Segundo os critérios utilizados pelo Insti-
tuto na pesquisa mencionada, equipes com 
autonomia para liderar e articular os pro-
cessos de elaboração e implantação, canais 
de relacionamento com stakeholders e ca-
nais seguros para denúncias são alguns dos 
instrumentos que potencializam a efetiva 
implantação do código de ética.
3. Resposta: D.
O código de ética é o instrumento que per-
mite a todos os stakeholders conhecer uma 
empresa, suas formas de atuação e suas 
normas de conduta, tanto dela (empresa) 
como de todos os seus funcionários.
4. Resposta: A.
A inexistência de canais de denúncia, a falta 
de clareza quanto ao funcionamento des-
ses canais ou a ausência de mecanismos de 
proteção e sigilo para denunciantes colo-
ca em risco o sistema de governança ética, 
uma vez que gera desconfiança de poten-
ciais denunciantes quanto à sua proteção.
225/226
Gabarito
5. Resposta: C.
A elaboração, para ser efetiva e resultar em 
sucesso, deve ser feita de modo comparti-
lhado e participativo.

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