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APOSTILA DE HISTÓRIA - 1º ANO

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Rousen Godinho

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1 
 
 O Ofício da 
História
 
 
 
 
APOSTILA DE HISTÓRIA 
1º ANO 
ENSINO MÉDIO 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História 
 
2 
 
 O Ofício da História Prof. Ubiratã F. Freitas 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
Aula 01 ............................................................................. 
Aula 02 ............................................................................. 
Aula 03 ............................................................................. 
Aula 04 ............................................................................. 
Aula 05 ............................................................................. 
Aula 06 ............................................................................. 
Aula 07 ............................................................................. 
Aula 08 ............................................................................. 
Aula 09 ............................................................................. 
Aula 10 ............................................................................. 
Aula 11 ............................................................................. 
Aula 12 ............................................................................. 
Aula 13 ............................................................................. 
Aula 14 ............................................................................. 
Aula 15 ............................................................................. 
Aula 16 ............................................................................. 
Aula 17 ............................................................................. 
Aula 18 ............................................................................. 
Aula 19 ............................................................................. 
Aula 20 ............................................................................. 
Aula 21 ............................................................................. 
Aula 22 ............................................................................. 
Aula 23 ............................................................................. 
03 
06 
10 
14 
18 
22 
25 
28 
28 
33 
36 
40 
42 
44 
46 
49 
52 
54 
56 
59 
62 
64 
67 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
3 
 
Aula 01 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
INTRODUÇÃO A HISTÓRIA 
 
As Origens do Homem 
Introdução 
As vivências humanas expressam o contexto histórico de cada época. O estudo do passado e a 
compreensão do presente não se relacionam de forma determinista; as “soluções de ontem” não servem para 
os problemas de hoje. Sem um processo de recriação que considere mudanças e permanências históricas, as 
experiências do passado não podem ser aplicadas no presente, mas podem ser analisadas para formar um 
futuro melhor. 
 
A palavra História 
Historien – no grego antigo “procurar saber”, “informar-se”. Então história significa procurar. 
(Jacques Le Goff). 
História – Uma palavra polissêmica possui diversos significados como: 
- História ficção, livros de aventura, novelas de televisão, filmes, etc. 
- História processo vivido, as lutas e sonhos, alegrias e tristezas de uma pessoa ou de um grupo social fazem 
parte de sua história. 
- História conhecimento. A produção de um conhecimento que procura entender como os seres humanos 
viveram e se organizaram desde o passado mais remoto até os dias de hoje. Um saber preocupado em 
desvendar as historicidades das vivências humanas. 
 
Tempo e História 
A compreensão das relações entre passado e presente é uma das mais intrigantes questões da 
história. “A escrita da história não pode ser isolada de sua época”. O historiador vive seu tempo; a história 
que ele escreve está ligada à história que ele vive – tempo presente. O historiador trabalha para seu tempo 
não para a eternidade. 
 
Historiografia 
É o processo de escrita da história presente, ou seja, o que o historiador escreve sobre os fatos 
históricos que se apresentam, dentro de sua compreensão. A história, como forma de conhecimento, é uma 
atividade continua de pesquisa. 
O historiador investiga e interpreta as ações humanas que, ao longo do tempo, provocaram 
mudanças e continuidades em vários aspectos da vida pública ou privada: na economia, nas artes, na 
política, no pensamento, nas formas de ver e sentir o mundo, no cotidiano, na percepção das “diferenças”. 
 
Origem Humana 
Diferentes sociedades têm dado várias respostas para questão do surgimento do ser humano na 
Terra. Nesse caso, surgiram duas versões do aparecimento do homem na terra; o Criacionismo e o 
Evolucionismo. 
- Criacionismo, parte do princípio da criação de Deus, sendo o grande criador de tudo que hoje conhecemos, 
criando o homem a imagem de deus, distinguindo-o dos outros animais por sua espiritualidade. 
- Evolucionismo, parte de um princípio que o homem surgiu na Terra, a partir de um ancestral, em um 
processo evolutivo e adaptação ao meio onde vive, onde a seleção natural faz a diferença pela luta pela 
sobrevivência. 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
4 
 
Pré-História 
É a parte da história que estuda os vestígios dos primeiros homens que originaram a espécie 
humana – na visão evolucionista. As disciplinas que estudam a pré-história são a Paleontologia Humana e a 
Arqueologia Pré-Histórica. 
- Paleontologia Humana, estuda os fósseis dos corpos dos seres humanos pré-históricos, como ossos, dentes, 
e partes mais resistentes que se preservam no de correr dos anos. 
- Arqueologia Pré-Histórica, estuda os objetos feitos pelos humanos pré-históricos, procurando descobrir 
como vivam, a partir de sua produção de utensílios como instrumentos de pedra, cerâmica e sepulturas. Ou 
seja, a sua cultura material. 
- A Pré-História está dividida em dois períodos: o Paleolítico e Neolítico. 
- O Paleolítico está dividido em três períodos, sendo eles: 
- Paleolítico Inferior, 
- Paleolítico Médio, 
- Paleolítico Superior. 
Essa subdivisão do Paleolítico se dá o desenvolvimento da espécie humana, onde toda sua evolução 
caracteriza a sobrevivência da espécie. O período Neolítico vai se caracterizar pela manifestação da 
produção e apropriação do homem a Terra. 
 
Hominídeos 
Cientistas chamam de Hominídeos a família biológica da qual possivelmente fazem parte os seres 
humanos atuais e seus parentes ancestrais. Os primeiros fósseis humanos mais antigos foram encontrados na 
África, se ramificando para outras regiões da Terra como Europa, Ásia, Austrália e América. 
Em processo de evolução um dos Hominídeos que se desenvolveu com características humanas foi 
o Australopithecus – termo que significa macacos dos sul – viveram na África por volta de 4milhões de 
anos. Teve um desenvolvimento que originou cinco tipos de Australopitecos: 
 
Período Paleolítico Inferior 
Australopithecus Robustos 
Australopitecos Afarensis 
Australopithecus Africanus 
Australopithecus aethiopicus 
Australopithecus Bosei 
 
Por volta de 2 milhões de anos, a árvore da família dos hominídeos apresentava dois ramos 
principais: Australopithecus que se extinguiu a cerca de 1 milhão de anos; e o gênero Homo, que chegou ao 
homem atual. 
O desenvolvimento do homem se da seguinte forma: 
 
Período Paleolítico Médio 
- HomoHábilis – homem habilidoso – viveu há 2 milhões de anos na África tinham um volume cerebral em 
torno de 700 cm³. Sua característica está na alimentação, além de vegetais acrescentou a carne. 
- Homo Erectus – Viveram na África por volta de 1,7 milhões de anos a 300 mil anos e dispersou-se pela 
Europa e Ásia, tinha cerca de 900 cm³ de volume cerebral. Tornou-se onívoros – vários tipos de alimentos -. 
Foi à primeira espécie a produzir instrumentos de pedra com um padrão definido, caça sistemática e 
utilização do fogo. 
- Homo Neanderthalensis (homo sapiens primitivo) – viveram aproximadamente 135 mil até 34 mil anos, 
viveu na Europa, Ásia e Oriente próximo. Sua capacidade cerebral é de 1400 cm³ e altura de 1,67, com um 
biótipo mais forte que o homo habilis e erectus. Desenvolveram vários instrumentos de pedra, como facas, 
raspadores, pontas de lanças, onde na confecção desses objetos, é possível verificar um controle das mãos e 
organização precisa de trabalho. Para alguns pesquisadores, esse homo já possuía língua falada e preservava 
sua comunidade, conserva também ritual e sepultamento. 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
5 
 
Período Paleolítico Superior 
- Homo sapiens sapiens – viveu na África, Ásia, Europa e migrou par América. Viveu aproximadamente há 
40 mil anos, dando o formato do que somos hoje, com um volume cerebral de 1350 a 1400 cm³. Suas 
principais características são o desenvolvimento da consciência reflexiva, da linguagem falada e escrita, da 
técnica, da capacidade de expressão artística, do senso de moralidade. 
 
Período Neolítico 
A partir dos 1000 a.C. os grupos Homo sapiens sapiens, passam de um processo de caçador e 
coletor, há produtor de alimentos, causando uma grande transformação em sua forma de vida. Praticaram 
agricultura, a domesticação e criação de amimais organizaram os primeiros núcleos urbanos. Etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
6 
 
Aula 02 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Herança Cultural das Civilizações Antigas Orientais 
Introdução 
 
A Mesopotâmia abrigou as primeiras sociedades conhecidas, por volta do IV milênio antes de Cristo. 
O nome Mesopotâmia significa ‘terra entre dois rios’ foi atribuído à região pelos antigos gregos, dadas a sua 
localização entre os rio Tigre e Eufrates, ou seja, essa região ficou conhecida pela historiografia como “O 
Crescente Fértil”. Atualmente, na maior parte antiga da Mesopotâmia localiza-se o Iraque, onde existem 
mais de 10 mil sítios arqueológicos, são fontes de estudos para se conhecer a história dos povos 
mesopotâmicos. 
 
As primeiras civilizações 
A prática da agricultura e da pecuária aconteceu em vários locais diferentes do mundo. A 
importância das atividades agrícolas pode ser exemplificada pelo fato de que, até o século VI a.C., não havia 
moeda cunhada na economia mesopotâmica. A cevada e alguns metais, como prata e o cobre, eram 
utilizados como padrão de valor nas trocas comerciais. 
 
 
 
Principais povos 
Na região mesopotâmica viveram diferentes povos: sumérios, acádios, babilônicos, assírios e 
caldeus. Ao longo da história, esses povos confrontaram-se em vários momentos. Grupos nômades e 
seminômades, das montanhas ou do deserto, atacavam as populações sedentárias que viviam nos vales e nas 
planícies, onde havia terras férteis para plantar e para criar rebanhos. 
 
Transformações sociais 
A Mesopotâmia foi uma das primeiras regiões do mundo em que ocorreu a chamada “revolução 
agropastoril”. O desenvolvimento da agricultura e da pecuária foi modificando a forma como os grupos 
humanos se organizavam. Alguns deles começaram a controlar a produção de alimentos, permaneciam mais 
tempo nos lugares que ocupavam, passando a formar aldeias agrícolas e pastoris. 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
7 
 
Na agricultura destacam-se os cultivos de cavada (produção d pão), trigo, linho (confecção de 
tecidos), sésamo (gergelim, usado para extração de óleo para alimentação e iluminação), tâmaras, legumes, 
etc. Na pecuária, criavam-se ovelhas, cabras, porcos, bois e asnos. 
 
Sociedades do Oriente Próximo 
 
 
 
 
Primeiras cidades 
Algumas aldeias mesopotâmicas deram origem às primeiras cidades, como Ur, Uruk, Nippur, Kirch, 
Lagash e Eridu, por volta de 4 mil anos atrás. Formavam aglomerações com várias construções (casa, 
templos, ruas, pontes, palácios) eram geralmente cercadas por muralhas, visando a sua proteção. 
Essas cidades continuavam muito ligadas à vida rural, misturando o espaço urbano com áreas de 
plantações ou pastoreio. No entanto, nas cidades surgiu um grande número de novos ofícios: carpinteiros, 
ourives, cortadores de pedra, ceramistas, pedreiros, tecelões e comerciantes. O possível surgimento das 
cidades é que o aumento da população nas aldeias toraram-se necessárias novas formas de organização de 
trabalho, da justiça, da religião, e da segurança dos habitantes e bens econômicos. 
 
Centro de poder: os templos 
Os povos da mesopotâmia eram politeístas, adoravam diversos, onde muitos eram relacionados com 
a natureza. As cerimônias religiosas eram dirigidas por um sacerdote, e era dividida em corporações que se 
dedicava a um determinado deus. As cidades tinham um deus protetor, que possuía um templo em sua 
homenagem. 
Um rico patrimônio formado a partir das oferendas, os templos tinham um poder econômico a partir 
de um rico patrimônio em terras, rebanhos, plantações e oficinas artesanais, desenvolviam um ativo 
comércio com regiões vizinhas. Desenvolveram um sistema de escrita e numeração para controlar as 
economias e produção de alimentos. 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
8 
 
Escrita: código de registrar a fala 
A fala e a memorização tornaram-se insuficiente para dar conta de inúmeros dados da vida cotidiana 
nas sociedades mesopotâmicas; pois não era mais confiável a memória somente a memória para registrar 
transações comerciais e econômicas. 
Com a necessidade de registrar as transações financeiras e econômicas, foi desenvolvida uma forma 
de registro, através de sinais e símbolos, a escrita, em uma forma de linguagem verbal que pudesse ser 
fixada, entendida e transmitida pelos outras pessoas. 
A escrita dos Sumérios é o mais antigo registro encontrado no mundo e é conhecida como 
cuneiforme, pois era produzida em tabua de argila com um estilete em forma de cunha. 
 
Normas para convivência social – o código Hamurabi 
Foi na Mesopotâmia que se desenvolveram os primeiros “códigos jurídicos” escritos. Entre os mais 
antigos está o de Hamurabi – rei da Babilônia – que formou um código com 280 artigos, com normas sobre 
diversos temas. Em grande parte, essas normas foram recolhidas das sociedades da Mesopotâmia; mas ao 
organizá-la num código, reafirmou a importância da função do rei como um ordenador da vida social. 
 
Antiguidade Oriental: Características Gerais 
De uma maneira geral, os estudiosos são absolutos em apontar a região do Crescente Fértil como 
aquela na qual se desenvolveram algumas das primeiras civilizações humanas, mais precisamente a egípcia e 
a mesopotâmica. 
A partir de, aproximadamente, 4000 a.C., núcleos urbanos estavam se constituindo, as estruturas 
sociais das antigas comunidades já estavam em processo de dissolução e poderosos Estados eram 
organizados. Ao mesmo tempo, os primeiros sistemas de escritas (hieroglífica no Egito Antigo e cuneiforme 
na Mesopotâmia) eram desenvolvidos, e grandes obrasde engenharia começavam a ser construídas. 
De maneira geral, as sociedades da Antiguidade Oriental apresentavam as seguintes características: 
- produção de um significativo excedente agrícola necessário para garantir a subsistência de funcionários 
públicos, militares, sacerdotes, comerciantes e artesãos especializados; 
- expansão da atividade comercial necessária para garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais 
que não existiam nas regiões em que se desenvolveram essas civilizações; 
- controle absoluto da economia por parte de um Estado fortemente centralizado; 
- crença no caráter divino dos monarcas; 
- existência de religiões politeístas com divindades representadas com a forma de homens, animais ou com 
corpo humano e a cabeça de animal (antropozoomorfismo); 
- desenvolvimento de expressivos conhecimentos no campo da matemática, da engenharia, da astronomia, da 
medicina, etc.; 
- construção de grandes obras arquitetônicas caracterizadas pela monumentalidade 
Assim como em outras civilizações da Antiguidade Oriental, também no Egito Antigo verificou-se o 
predomínio das atividades agrícolas, embora uma expressiva indústria artesanal também tenha se 
desenvolvido, responsável pela produção de tecidos, tijolos, artigos de couro, cerveja, armas, ferramentas, 
utensílios domésticos, joias, etc. Por essa razão, na base da pirâmide social existia uma maioria absoluta de 
trabalhadores, incluindo camponeses, submetidos a trabalhos forçados e obrigados a pagar tributos ao 
Estado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
9 
 
Mapa do Egito e Mesopotâmia – Oriente Próximo 
 
 
O filosofo alemão Friedrich Engels em sua obra A Origem da Família, da Sociedade privada e do 
Estado, faz menção sobre a questão do escravismo primitivo que se tornou uma constante ação na vida do 
homem, levando em conta mecanismos que levaram o próprio homem a se tornar uma ‘mercadoria’, 
revelando a gênese do escravismo antigo. 
“Numa fase bastante primitiva do desenvolvimento da produção, a força de trabalho do homem se 
tornou apta para produzir consideravelmente mais do que era preciso para a manutenção do produtor. Essa 
fase de desenvolvimento é, no essencial, a mesma em que nasceram a divisão do trabalho e a troca entre 
indivíduos. Não se demorou muito a descobrir a grande ‘verdade’ de que também o homem podia servir de 
mercadoria, de que a força de trabalho do homem podia chegar a ser objeto de troca e consumo, desde que 
o homem se transformasse em escravo. Mal os homens tinham descoberto a troca e começaram logo a ser 
trocados, eles próprios. O ativo se transformara em passivo, independentemente da vontade humana.” 
(ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Sociedade privada e do Estado. São Paulo: Global, 1984, p. 
86.). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
10 
 
Aula 03 
 
História 1º Ano Ensino Médio 
 
O Escravismo na Antiguidade Clássica: Grécia 
 
A expressão Antiguidade Clássica faz referência ao grande significado atribuído à civilização greco-
romana, cuja importância histórica foi resgatada no contexto do Renascimento durante os séculos XV e XVI 
pelos humanistas. Para eles os valores culturais greco-latinos, considerados de alta qualidade, portanto 
clássicos (expressão origem latina associada àquilo que é considerado excelente), estavam na gênese 
histórica do mundo ocidental. A história da Grécia Antiga pode ser dividida em vários períodos que tiveram 
características específicas. Observe a linha do tempo nos quais estes vários períodos são representados. 
 
2000 a.C. 1200 a.C. 800 a.C. 500 a.C. 338 a.C. 145 a.C. 
Período 
Creto-Micênico 
Período 
 Homérico 
Período 
Arcaico 
Período 
Clássico 
Período 
Helenístico 
 
Estendeu-se do ano 
2000 a 1200 a.C. 
tendo como um dos 
seus símbolos o 
Palácio de Cnossos. 
 
É marcado pelo 
seguimento dos 
genos, grupos 
familiares que 
viviam em aldeias 
camponesas com 
maior autonomia. 
 
Caracterizado pelo 
surgimento das 
polis (Cidades- 
Estados) que 
diferentemente das 
cidades atuais, 
tinham total 
autonomia política. 
Esse período foi 
marcado também 
pela expansão 
grega no 
Mediterrâneo e 
colonização de 
várias regiões. 
 
Consolidaram-se 
os conceitos de 
cidadania e 
democracia em 
diversas cidades-
Estados gregas. 
Esse período foi 
marcado também 
pelas guerras 
entre gregos e 
persas e, no 
século V a.C. 
entre 431 e 404 
a.C. 
 
Mascado pelo 
domínio da 
Macedônia 
(pequeno reino 
localizado ao Norte 
da Grécia) sobre o 
mundo grego e pela 
formação da 
cultura helenística, 
resultante da fusão 
de elementos da 
cultura grega com 
as culturas 
orientais, iniciou-se 
em 338 a.C. e 
estendeu-se até a 
dominação romana 
(145 a.C.). 
 
O mundo grego transcendeu os limites geográficos da Grécia na atualidade. Aliás, o próprio conceito 
de ‘grego’ na Antiguidade era bastante diferente do que é corrente nos dias de hoje. De acordo com o senso 
comum, acredita-se que a Grécia Antiga era um ‘país’, assim como os que existissem na atualidade. Porém, 
esse conceito seria estranho no mundo grego da Antiguidade. Afinal, eram considerados gregos aqueles que 
se identificavam como tal, isto é, falavam a mesma língua, tinham tradições comuns, acreditavam ter uma 
ascendência também comum, cultuavam os mesmos deuses, embora cada pólis tivesse o seu próprio deus da 
cidade (ou deusa) protetor, e tinham, portanto, uma identidade cultural específica. 
No final do Período Arcaico (do século VIII a.C. ao século a.C.) que, em diversos momentos e em 
várias regiões da Grécia (Continental, Peninsular e Insular), surgiram e se multiplicaram as pólis. 
Diferentemente das cidades contemporâneas, a pólis era autônoma, isso é, gozava de uma total 
independência, tendo suas próprias leis, moeda, força militar, organização política e deuses protetores. 
 O conceito do que era ser grego na Antiguidade ganhou maior complexidade com a expansão 
colonial, uma vez que, a partir desse momento, eles passaram a se autodenominar helenos, isto é, habitantes 
da Hélade, ou seja, do mundo grego. Assim, onde houvesse gregos, lá estava à Grécia, presente, portanto, 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
11 
 
nas várias colônias fundadas tanto no litoral do Mar Negro quanto no sul da Itália (Magna Grécia) ou litoral 
sul da atual França. 
A expansão colonial provocou inúmeras transformações no mundo grego, dentre as quais se 
destacam: 
 
 Uma intensa relação comercial entre as colônias fundadas e as “Cidades-Estados”; 
 A produção de excedentes, tanto na agricultura quanto na indústria artesanal, destinados à 
exportação; 
 O surgimento de um novo grupo social formado por comerciantes enriquecidos que passaram 
a rivalizar com os amigos eupátridas, isto é, os ‘bem-nascidos’, tradicionais proprietários das 
melhores terras e que, no período anterior (Homérico), haviam dominado a vida política que 
se organizava em torno dos genos (grande família grega); 
 Desenvolvimento de uma economia crescente monetária, com a utilização inicialmente de 
moedas de cobre, mais tarde, de prata (a unidade monetária era chamada de dracma); 
 Difusão da cultura grega e da visão de mundo dos antigos helenos, fortalecendo sua 
identidade culturale definindo com mais clareza, tanto para eles próprios quanto para os 
outros, o significado do ideal da Paideia, expressão utilizada para designar a formação 
integral do homem, tanto no plano físico quanto no plano intelectual; 
 Expansão da vida urbana em função do crescimento do artesanato e da atividade comercial; 
 Início de uma série de reformas em função das pressões dos grupos sociais emergentes que 
exigiam maior participação política, no limite, em muitas das pólis essas reivindicações 
contribuíram para o aparecimento de regimes políticos nos quais todo o demos, isto é, o povo 
participava; 
 Surgimento, no final do período, da democracia em algumas pólis, com destaque para Atenas, 
que se tornou o modelo clássico da demokratia. 
 
 
 
 
O mundo do trabalho e a escravidão 
Foi também no contexto da expansão colonial, mais precisamente a partir do Período Clássico 
(século V e IV a.C.), que a escravidão – existente anteriormente em pequena escala – tornou-se a forma de 
trabalho hegemônica no mundo grego, embora a mão de obra livre, sobretudo na agricultura, continuasse a 
ter um peso expressivo na economia. 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
12 
 
É interessante observar também que, a partir dessa época, muitas atividades produtivas, sobretudo 
aquelas nas quais se exigia grande esforço físico, passaram a ser vistas como desprezíveis pelos homens 
livres. Estes, cada vez mais, cultuavam a ociosidade, percebida como “irmã da liberdade”. O filósofo Platão, 
no século VI a.C., afirmava que “é próprio de um home m bem nascido desprezar o trabalho”, enquanto seu 
discípulo, Aristóteles, refletindo o pensamento dominante entre os homens livres, sugeria que “o privilégio 
do homem livre não é a liberdade, mas a ociosidade, que tem por complemento o trabalho forçado dos 
outros, isto é, a escravatura”. 
Em muitas pólis, sobretudo aquelas nas quais a indústria artesanal e a atividade comercial eram 
muito expressivas, a população escrava chegou a ser maior que a população livre. No século V a.C., 
estudiosos apontam um total de 140 mil escravos em Atenas, numa população de 250 mil habitantes. 
Considere ainda que até mesmo o Estado possuía escravos que trabalhavam nas obras públicas em 
diversos ofícios como: segurança, limpeza de ruas, construções de obras, extração mineral, etc. também 
outra origem da escravatura era o não pagamento de dívidas ao estado e grandes proprietários comerciais. 
Durante o Período Clássico, a escravidão tornou-se uma importante fonte de renda para investidores 
que adquiriam escravos e os alugavam para particulares ou até mesmo para o Estado, auferindo com essa 
atividade grandes lucros. Nesse período (Clássico) que a organização da produção com base no trabalho 
escravo atingiu seu momento máximo. Este período coincidiu com uma série de guerras entre gregos e 
persas que se estenderam do ano 500 a.C. ao 479 a.C.. Nas origens dessa série de conflitos encontram-se o 
choque entre a expansão grega na Ásia Menor, na qual diversas colônias haviam sido fundadas (Bizâncio, 
Mileto, Êfeso, etc.) e as pretensões do Império Persas sobre a mesma região. 
As vitórias sobre os persas garantiu a autonomia das pólis, reforçou a identidade cultural helênica, 
garantiu um aumento do número de escravos na economia grega. Ao mesmo tempo, a disseminação da 
escravidão provocou significativas mudanças no interior das sociedades das diversas pólis, além de 
enriquecer algumas delas, sobre tudo Atenas que, a partir de então, se impôs no mundo grego. 
A hegemonia ateniense foi reforçada com a criação da Liga de Delfos, um conjunto de pólis que 
haviam se unidos contra os persas e que, após o conflito, continuaram contribuindo com recursos financeiros 
que eram administrados por Atenas. 
Nesse contexto, acentuaram-se as rivalidades entre as pólis, e algumas delas, com governos 
oligárquicos, formaram a Liga do Peloponeso, sob a liderança de Esparta, com o claro objetivo de se 
contrapor à influência ateniense. Assim o precário equilíbrio que havia entre as cidades se rompeu e, entre 
431 a.C e 404 a.C., o mundo grego mergulhou na Guerra do Peloponeso, vencida pelo conjunto de cidades 
liderado por esparta. 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
13 
 
Durante o período Helenístico, que se estendeu do século IV a.C. até o século II a.C., o mundo grego, 
fragilizado por guerras e pelos conflitos sociais internos nas pólis que comprometeram a economia, acabou 
sendo dominado por um novo poder político e militar emergente: a Macedônia, reino que ficava ao norte da 
Grécia. Embora falassem uma língua semelhante ao grego e acreditassem que tinham ancestrais comuns, os 
macedônios, sob a liderança do rei Felipe II, dominaram, em 338 a.C., as cidades gregas, que perderam sua 
tradicional autonomia. 
Com a ascensão de Alexandre, filho de Felipe II, iniciou-se a formação de um vasto império, que 
incorporou territórios até então pertencentes aos persas, inimigos comuns de gregos e macedônios. As 
conquistas de Alexandre foram muito rápidas. Formou um dos maiores impérios da Antiguidade, porém com 
curta duração e que, após a sua morte, terminou se fragmentando. 
No século II a.C. o mundo grego e a Macedônia foram incorporados a um novo império político e 
militar que surgia e se firmou no Mediterrâneo: Roma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
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Aula 04 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
África: O berço da humanidade 
 
O “lugar” dos áfricos imposto pela história européia: ao longo da história ocidental, os africanos 
foram conquistados, escravizados, inferiorizados e estigmatizados pelo preconceito racista. O milenar tráfico 
de escravos rendeu fortunas a algumas elites econômicas e muita miséria, exploração e sofrimento a dezenas 
de milhões de africanos. Como foi efetivado este lamentável quadro da história africana? Que heranças 
deixaram? 
A história tradicional do Ocidente, marcada por uma visão eurocentrista, quase sempre tratou como 
não relevante à história de outras regiões. Esse olhar, que tem subordinado e diminuído a importância de 
outros povos e que apresenta a Europa como eixo do movimento evolutivo, foi impulsionada desde a 
Antiguidade, época em que a região mediterrânea era definida como o centro do mundo. A África, desde 
então, passou a ser vista como distante, como a região dos “homens de faces queimadas” Daquele período 
até o final da Idade Média, especialmente com a religiosidade cristã medieval, ganhou impulso a associação 
da cor negra ao pecado e ao demônio, firmando a visão preconceituosa em relação aos povos africanos. 
A ideia da supremacia européia e consequente inferioridade de outras culturas, especialmente as 
africanas, consolidaram-se durante a Idade Moderna, quando a Europa passou a centralizar o poder 
econômico, politico e militar mundial. Para respaldar essa “inferiorização” da África, apontado então como 
região do mal, no livro do Gênesis, Noé, amaldiçoou seu filho e toda sua geração futura. Pelo livro bíblico, e 
lenda, diz que os filhos de Cã foram morar em uma região que o sol brilhava muito, queimando sua pele e 
tornando-os negros. 
Por séculos prevaleceu à mentalidade de enquadramento de inferioridade dos africanos num grau da 
escala evolutiva, a mesma que classificava vários povos em avançados ou atrasados ou civilizados e 
primitivos. Impunha-se a ideia de que o homem africano era incapaz de produzir cultura e história, 
argumento que serviu aos escravagistas e aos imperialistas do século XIX, que, alias,utilizaram o discurso 
justificador de “civilizar” a África. 
 
A Matriz Africana de Todos os Homens 
Ao contrário do que pregava essa visão estereotipada das populações e da cultura africana, o 
continente foi palco de uma ampla e complexa diversidade histórica, que começa com os primórdios da 
humanidade. Na África, na região que atravessa a Etiópia, o Quênia e a Tanzânia, foram encontrados antigos 
fósseis de ancestrais humanos, como os fósseis do Australopitecos, Homo habilis, Homo erectus, que 
viveram no continente africano desde 7 milhões a 2 milhões de anos a.C.. Ali viveram, portanto, diversas 
linhagens paralelas de nossos ancestrais, que se entrelaçaram até desenvolver o homem moderno, que teve 
sua evolução para a atualidade com uma variação entorno de 500 mil anos para o processo evolutivo do 
Homo sapiens sapiens atual. 
 
 
 
 
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As Áfricas 
Os meios de comunicação muitas vezes nos apresentam uma série de generalizações a respeito da 
África. São frequentes as notícias sobre crises e guerras, mas nem sempre se especificava a área ou país que 
ocorreram esses fatos. O desconhecimento da região leva a falsa impressão de que o continente africano é 
um único bloco. 
Ao observar o meio natural, as formações politicas, as manifestações culturais e os diferentes níveis 
de contato com outras regiões do planeta, percebe-se que a África apresenta multiplicidade geográfica, 
histórica, política, sociocultural e étnica. 
 
Ao Norte e ao Sul do Saara 
A geografia africana é marcada pelo deserto do Saara. Ele divide o continente africano em duas 
grandes “África”: a mediterrânea (ao norte) e a subsaariana (ao sul). O deserto é essencial para a 
compreensão dos processos históricos e culturais do continente africano, pois é uma barreira natural que 
dificulta o contato entre os grupos de ambos os lados. A pesar de escassos, existiram contatos entre essas 
regiões ao longo da história, impulsionados principalmente pelos grupos nômades do Saara. 
A porção noroeste da África (Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Saara Ocidental e Líbia) é 
chamada de Magrebe. Os povos dessa região, conhecidos, em geral, como berberes, tiveram influência dos 
povos do Mediterrâneo, como os fenícios, gregos, romanos, germânicos e árabes. Já a região ao sul do Saara 
permaneceu mais isolada. Espalhados por florestas, savanas e estepes, os diversos se comunicavam 
principalmente por meio do comércio. Na região ocidental, próximo aos rios Senegal e Níger, as trocas 
envolviam ouro, peles, artesanato e escravos, e as mercadorias comercializadas eram transportadas até as 
rotas das caravanas saarianas. Outras atividades também foram desenvolvidas como a agricultura, caça, 
pesca e o pastoreio. A metalurgia também teve importante desenvolvimento que repercutiu no 
desenvolvimento de técnicas agrícolas mais efetivas para a subsistência. 
 
 
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Os Estados Africanos 
Entre os séculos V e XVII, desenvolveram-se várias formações políticas na África Subsaariana. 
Havia desde impérios até pequenas aldeias. A sedentarização desses grupos tem relação com sua atividade e 
localização geográfica. O domínio da metalurgia e o desenvolvimento da agricultura nas regiões próximas a 
rios favoreceram a fixação das comunidades. 
Os Clãs constituíam o modo de organização política mais simples. Seus membros, divididos em 
famílias, reconheciam um ancestral comum e vivia sob a autoridade de um chefe eleito, geralmente um 
membro mais velho. A função do chefe era zelar pela distribuição justa dos ganhos e das tarefas, além de 
garantir a segurança do Clã. 
Quando as ladeias se agrupavam, seja por aliança ou por relações de parentesco, formavam-se os 
reinos, governados por um rei e por um conselho. O soberano contava também com um corpo de burocratas 
e com soldados, sendo, ao mesmo tempo, chefe político e líder religioso. Algumas sociedades também se 
organizavam em cidades, geralmente fortificadas e com intensa atividade comercial. As cidades possuíam 
autonomia. Os indivíduos agrupavam-se em famílias, e o governante era responsável pela administração dos 
conflitos, pela paz com estrangeiros, pela distribuição das terras e pela aquisição de escravos. 
 
A Escravidão nas Sociedades Africanas 
A escravidão nas sociedades africanas tem sido tema de muitos debates. A existência da escravidão 
nas sociedades africanas é aceita hoje pela maioria dos estudiosos. Tonavam-se escravos os prisioneiros de 
guerra ou as pessoas expulsas de suas comunidades. Entendido como propriedade, os escravos podiam ser 
trocados por outras mercadorias, utilizados como pagamento de dívidas, como trabalhadores agrícolas ou em 
atividade militares. 
A situação dos escravos variava entre as diferentes sociedades africanas. Em alguns povos 
islamizados havia a possibilidade de ascensão do cativo à condição de homem livre. Já nas comunidades ao 
sul do Saara, a prática de alforria não era comum. Contudo, a escravidão tradicional africana não pode ser 
comparada ao tráfico de escravos explorados pelos europeus a partir do século XV. A escala entre as duas 
formas de cativeiro são muito diferentes. Em cinco séculos de tráfico atlântico, destinado basicamente às 
colônias na América, os europeus arrancaram até 11 milhões de pessoas da África. 
A enorme demanda euro-americana por escravos estimulou interruptas guerras de apresamento entre 
os povos africanos. Em decorrência dessas guerras, inúmeras sociedades, antes florescentes, entraram em 
decadência. Por sua vez, o constante envio de milhares de homens, mulheres e crianças para fora do 
continente causou a estagnação demográfica em vastas regiões da África, situação revertida apenas no 
século XX. 
 
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Aula 05 
 
História – 1º Ensino Médio 
 
Os Povos Antigos da África 
 
Com frequência, os meios de comunicação somente veiculam notícia sobre conflitos internos no 
continente africano, explicitando em um sensacionalismo capitalista os problemas sociais e miliares, 
principalmente a fome nos países mais pobres da África. Mas a África é muito mais que um continente 
pobre e sem uma perspectiva positiva para o futuro. O que na verdade acontece, é que a ganância do homem 
ocidental trouxe para o continente africano os problemas que não foram resolvidos no Ocidente, sendo 
assim, depois de vários séculos de exploração e discriminação, os resultados são apresentados de forma que 
o mundo todo tenha pena de um continente que sofreu atrocidades estereotipadas que classificaram a África 
como um continente exótico e atrasadas, ignorando suas peculiaridades históricas. 
A história da África entre os séculos VI e XVI, demonstram uma diversidade cultural muito 
acentuada e pouco valorizada, a sua rica distinção cultural e geográfica, percebe-se que os povos africanos 
criaram instituições políticas sólidas e constituíram importantes impérios, como o de Mali e o de Songai, 
além de reinos influentes em sua época, como os dos Iorubas e o de Gana. 
Por volta do século VI, a África era habitada por muitos povos, com línguas, costumes e 
religiosidades diferentes. Esses povos apresentavam variadas formas de organização política e social: havia 
desde pequenos grupos nômades até reinos e impérios comcomplexas formas de organização política e 
social. 
 
 
 
 
As Sociedades do Sudão Ocidental 
Entre os séculos IV e XV, desenvolveram-se vários Estados na região do Sahel, sobretudo próximo 
ao delta do rio Niger. Essa área sudoeste do Saara era conhecida naquele período como Sudão Ocidental, 
 
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sem correspondência com o atual país chamado Sudão. Nessas regiões viviam povos que se dedicavam à 
agricultura, ao pastoreio, à caça e à pesca. Sua organização baseava-se em aldeias, cujas casas eram cercadas 
pelas roças e pastos, trabalhados pelos membros do Clã. Nessas aldeias, a liderança era confiada a um chefe 
que deveria zelar em todos os sentidos pelas famílias da sociedade da aldeia. 
Com a introdução e progressiva utilização do camelo, a partir do século III, aumentaram as travessias 
dos povos berberes em direção à zona do Sahel e cresceu também o comércio com a região. Mercadorias 
como sal, cobre, perfumes e tecidos de algodão eram levadas pelas caravanas e trocadas por ouro, cereais e 
escravos. 
 
O Reino de Gana 
Os povos soninquês viviam em aldeias localizadas entre os rio Senegal e Níger, provavelmente desde 
o século VIII a.C. No final do século IV, algumas ladeias se aliaram para garantir a segurança de suas terras 
contra as ameaças dos povos nômades. A união política desses grupos permitiu também o controle do 
comércio com as caravanas vindas do norte, por meio da cobrança de tributos. 
Já pelo século seguinte, esses vilarejos constituíram o reino de Gana, que tinha sua riqueza garantida 
pelo ouro extraído na região mais ao sul do rio Niger. A palavra “gana” era o titulo dado ao soberano, que 
posteriormente passou a denominar todo o reino. O soberano era o responsável pela organização 
administrativa, militar e tributária e justiça. A partir do século X, pós quase quinhentos anos de crescimento 
e prosperidade, o reino de Gana entrou em um período de estagnação. Os ataques dos berberes convertidos 
ao islamismo (século IX) e dos almorávidas (século XI) desorganizaram a sociedade soninquês e suas 
atividades econômicas. 
A expansão islâmica e seu contato com os povos soninquês levaram à convivência das duas culturas 
em algumas cidades, sendo verificados tanto os cultos animistas quanto a fé muçulmana. No entanto, as 
campanhas dos almorávidas para total conversão dos soninquês ao islamismo geraram conflitos. Entre os 
séculos XI e XIII, houve uma série de embates entre almorávidas e soninquês. A capital do reino, Koumbi 
Saleh, foi disputada pelos dois grupos a fim de garantir o controle político do reino. No século XIII, outros 
dois povos do Sudão colaboraram para o fim de Gana. 
 
Os Impérios de Mali e Songai 
Além dos soninquês, outros grandes grupos étnicos habitavam a região do Sudão Ocidental: Os 
sossos e os mandingas. No século XIII, o islamismo se disseminava pelo Sahel por intermédio do comércio 
nas savanas. Porém, alguns povos, se opuseram à presença islâmica, como os sossos, que, após a 
desorganização de Gana, se insurgiram contra os muçulmanos almorávidas e iniciaram um movimento de 
expansão para o sul. A expansão dos sossos sobre as regiões habitadas pelos mandingas resultou, no final do 
século XII, no domínio de varias de suas aldeias. Como reação, os mandingas organizaram-se em unidades 
políticas maiores. 
A expansão dos sossos foi finalmente interrompida em 1235, quando foram derrotados pelo chefe 
(mansa) Sundiata a Keita. Após a vitória, os mandingas espalharam-se pelo reino de Gana e pelas regiões 
conquistadas pelos sossos, ao sul e a leste. Os diversos clãs mandingas se uniram em torno da figura do 
mansa, constituindo o Império do Mali. O império do Mali chegou ao auge no século XIV, o Mali entrou em 
decadência após uma série de conflitos com outros grupos étnicos vindos do norte e do sul do império. 
Um desses grupos eram os songais. Situados próximos à cidade de Gaô, que era um centro comercial 
a leste de Mali, eles mantinham certa independência em relação ao poder do mansa. No século XV, diante 
das invasões dos nômades do deserto, os songais, liderados pelo soberano Soni Ali, enfrentaram os tuaregues 
e conquistaram Tombuctu. A partir de então, os songais iniciaram um processo de expansão e conquista de 
outras regiões e clãs, formando o império Songai. 
Como em outros casos, o islamismo e os cultos tradicionais conviveram nos domínios songai. O 
próprio Soni Ali declarava-se muçulmano, em bora conhecesse pouco sobre o islamismo e mantivesse os 
cultos aos ancestrais. O império Songai seguiu próspero até o final do século XVI, quando foi conquistado 
pelo reino muçulmano do Marrocos. 
 
 
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O Reino de Benin 
Na região sul do Sudão Ocidental (sul da Nigéria), viviam os povos edos. Entre esses povos 
organizou-se o reino de Benin. As tradições orais contam que o Benin surgiu quando alguns chefes edos 
pediram a um herói mítico chamado Odudua que lhe enviasse um líder. O herói mandou então seu filho 
Oronyan, responsável pela formação do reino. 
O reino de Benin era governado pelo Obá – líder político e religioso. Sua economia era baseada na 
agricultura e no comércio de produtos agrícolas e cobre. A partir do século XV, Benin estabeleceu relações 
comerciais com os europeus, exportando escravos, pimenta, ouro, peles, marfim, perolas, entre outros itens. 
 
A Cidade de IIê Ifé 
Outro povo que também habitava a região sul do Sudão Ocidental eram os iorubas. Esses grupos, 
desde o primeiro milênio da era cristã, viviam em pequenas aldeias e cultivavam as mesmas espécies que os 
edos, tendo uma organização política baseada em pequenas unidades e alguns reinos. Entre essas formações 
políticas, destacou-se a cidade de IIê Ifé. Sua formação baseia-se na tradição oral e mítica. 
IIê Ifé era uma espécie de cidade-estado, cujo governo estavam a cargo de um soberano, designado 
pelo titulo de oni. O oni era líder religioso e político da cidade e estendia seu poder sobre os clãs dos 
iorubas. Os reinos e cidades dos iorubas, sobretudo IIê Ifé, foram grandes centros produtores de arte, 
principalmente máscaras e esculturas em bronze, além de placas de metal e arte em terracota (tipo de barro). 
 
O Reino do Congo 
Próximo à bacia do rio Congo, a sudeste do continente africano, formou-se o reino do Congo. As 
tradições orais, registradas por europeus nos séculos XVI e XVII, conta que o reino teve origem com a 
migração de um grupo banto que atravessou o rio Congo no século XIV, indo da margem norte até as terras 
mais ao sul, onde ficaram conhecidos como muchicongos. 
O líder desses povos, Nimi a Luqueni, casou-se com a filha do soberano local e tornou-se o 
manicongo, “senhor do Congo”. com o tempo os muchicongos integraram-se aos povos locais e, por meio de 
casamentos a alianças, o manicongo, conseguiu estender seu poder sobre diferentes linhagens, constituindo 
reino do Congo. O manicongo vivia na capital Banza Congo, com as mulheres, seus conselheiros e alguns 
escravos. As aldeias sob seu domínio eram governadas por um chefe originário das famílias que viviam 
naquelas áreas e um chefe indicado pelo manicongo. 
As terras eram férteis e a agricultura predominava. Além disso, a caça e a pesca beneficiavam-se das 
longas áreas de savanas e dos numerosos rios. Havia também as trocas com os povos da costa, de onde vinha 
o sal. Estima-se que no século XVI o reino do Congo se estendia por uma área de aproximadamente 160 mil 
quilômetros quadrados, com cerca de cinco milhões de habitantes. 
 
O Reino de Monomotapa 
Entre os povos xonas, que habitavam aparte mais suldo continente africano, entre os rios Zambeze e 
Limpopo, formou-se o reino Monomotopa. O soberano era ao mesmo tempo, líder político e religioso, porém 
apenas as regiões próximas ao centro de poder do reino estavam diretamente sob seu controle. Os povos 
xonas beneficiavam-se da fertilidade das áreas ribeirinhas, para a agricultura, e o ouro e cobre, além do 
comércio com os grupos que habitavam a costa. 
Durante o século XV, os xonas expandiram-se em direção ao norte e edificaram construções altas, 
com muralhas de pedra circulares conhecidas como zimbábues. Nesse período, o reino Monomotapa 
conheceu certa estabilidade política, que foi perdida apenas no século XVI, quando o poder se fragmentou 
devido os conflitos com povos vizinhos, desintegrando o reino. 
 
 
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 Ruinas - Zimbábues 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 06 
 
História 1º Ano Ensino Médio 
 
O Escravismo na Antiguidade Clássica: Roma 
 
A partir da cidade de Roma, os romanos conquistaram vários povos. As conquistas provocaram 
mudanças socioeconômicas, política e no cotidiano de sua população. Assim, como na história da Grécia 
Antiga, é possível dividir a história romana em períodos. A base dessa divisão são as mudanças ocorridas 
nas formas de governo de Roma. 
 
Roma Antiga: Periodização 
Etrusco Monarquia República Império 
Divisão do 
Império 
Queda do 
Império 
 Século VI a.C 753 a.C. 
segundo a 
tradição, data 
da fundação da 
cidade de 
Roma. 
509 a.C. 
substituição da 
Monarquia pela 
República 
27 a.C. Otávio 
é proclamado 
imperador. 
Ano I - 
nascimento de 
Jesus 
395 d.C. 
divisão do 
império em 
duas partes: 
Ocidente e 
Oriente. 
Queda do 
império 
Ocidental 
marcada pela 
invasão de 
Roma pelos 
Hérulos 
 
São poucas as informações históricas bem fundamentadas a respeito dos primeiros tempos da história 
romana. Na gênese dessa história, predominam os mitos. Os dados que existem sobre esse período de foram 
obtidos através de descobertas a arqueológicas que possibilitaram uma revelação das origens de Roma. 
A península Itálica era ocupada por etruscos, ao norte; Latinos, sabinos e samnitas, ao centro; e 
gregos, que ocupavam terras ao sul (Magna Grécia), desde a expansão colonial ocorrido no princípio do 
Período Arcaico. 
 
 
 
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Os etruscos, povo que vivia na região da atual Toscana, exerceram grande influência na própria 
formação de Roma, muito embora as pesquisas históricas sobre esse período sejam limitadas, uma vez que 
sua escrita ainda não foi decifrada. De qualquer forma, parece certo que, por volta do século VI a.C., os 
etruscos chegaram à região do Lácio – berço original de Roma – e deixaram influências marcantes na 
civilização romana, pois, além de serem bons agricultores, ativos comerciantes e hábeis no trabalho com o 
bronze e com a cerâmica, foram influenciados pelos gregos da Magna Grécia, com os quais mantinham 
relações comerciais. 
Desde os primeiros tempos de sua existência, Roma enfrentou conflitos com povos vizinhos. Nesse 
período, eram frequentemente os conflitos e disputas por terras e colheitas. Ao mesmo tempo, os romanos 
tinham a necessidade de conquistar novas terras para uma população sempre crescente. A cada guerra, Roma 
melhorava seus equipamentos e a organização de seu exército. 
A forma pela qual certo território era conquistado determinava o modo como os romanos tratavam o 
povo dominado. Os conquistadores que se aliavam a Roma tinham de fornecer forças militares aos romanos 
e recebiam direitos parciais ou totais de cidadania. Já os que se recusavam a se render e acabavam 
derrotados e massacrados ou escravizados e tinham suas terras tomadas. 
Ao final do século III a.C., os romanos já haviam conquistado quase toda a península Itálica. Essas 
conquistas provocaram grandes modificações na sociedade romana, destacando-se as seguintes: 
 
 Aumento das trocas comerciais no Mediterrâneo em função da produção de excedentes na 
agricultura e na indústria artesanal, interligando cidades e regiões dos três continentes então 
conhecidos: Europa, África e Ásia; 
 Formação da ordem dos equestres (cavaleiro), um grupo constituído por indivíduos que 
haviam enriquecido – comerciantes – e que tinham renda suficiente para servirem na 
cavalaria do exército; 
 Enriquecimento e fortalecimento dos comerciantes que, em pouco tempo, passaram a 
reivindicar participação na vida política; 
 Grande aumento do número de escravos (prisioneiros de guerra e dívidas com o Estado) 
enriquecimento do Estado romano gerado pelo pagamento de tributos das províncias 
(conquistas romanas) e pela venda de escravos; 
 Concentração das terras conquistadas nas mãos dos grandes proprietários; 
 Êxodo rural em direção a Roma, causado pela ruína de pequenos proprietários que não 
conseguiam competir com o preço dos produtos que chegavam das províncias ou de grandes 
propriedades nas quais era empregada a mão de obra escrava; 
 Expansão da vida urbana em função do crescimento do artesanato, da atividade comercial e 
do êxodo rural; 
 Construção de grandes obras públicas, como anfiteatros, circos, templos, estradas e aquedutos 
(dutos de água). 
 
Assim como na Grécia, em Roma havia três origens para a escravidão: a guerra, a descendência e o 
endividamento. Entretanto, de acordo com a historiografia tradicional, era com as guerras que Roma 
conseguia a maior parte dos escravos. O contingente destes aumentou de forma expressiva no período da 
República e no início da fase imperial. 
No mundo romano, os escravos eram considerados uma propriedade e um “instrumento” nas mãos do 
senhor, e podiam pertencer tanto a particulares quanto ao Estado. De um modo geral, trabalhavam nas 
grandes obras públicas, como pontes, aquedutos, monumentos e estradas, na agricultura, na extração 
mineral, na atividade artesanal ou como criado doméstico. Os mais especializados e cultos eram secretários, 
músicos, tecelões e professores. Escravos também atuavam em espetáculos públicos ou privados, 
caracterizados pela extrema violência. Tal era o caso dos gladiadores. 
 
 
 
 
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A Crise do Escravismo Antigo 
O Império Romano atingiu sua máxima extensão no século II d.C. durante o governo de Trajano (98-
117). No entanto, a partir de então, não foram realizadas novas conquistas. Pelo contrário, várias regiões 
foram abandonadas ou reconquistadas pelos “Bárbaros”, designação atribuída pelos romanos a todos aqueles 
que não falavam Latim, viviam além das fronteiras do Império e possuíam uma “cultura inferior”, isto é, não 
haviam sido romanizados. 
Ao mesmo tempo, os gastos do Estado romano eram crescentes, não apenas com a manutenção das 
legiões, como também com a administração, a distribuição gratuita de trigo e os espetáculos públicos 
(torneios, lutas e corridas), ou seja, Pão e Circo. 
No entanto, as receitas do Estado tendiam a diminuir, uma vez que a organização da produção e a 
geração de riquezas despendiam, em grande parte, do trabalho de escravos, e o número destes, a partir de 
então, começou a declinar. Menos escravos, menor produção, menor arrecadação de impostos etc. gastos 
cada vez mais crescentes. Essa equação comprometeua economia romana. Assim, a crise do escravismo 
tornou-se também uma crise do Estado com repercussões no conjunto da sociedade. 
Muitos imperadores recorreram à desvalorização da moeda, o denário, para cobrir gastos do Estado, 
o que levou muitos particulares a reterem as “moedas boas”, isto é, aquelas que continham uma porcentagem 
maior de ouro ou prata, comprometendo uma economia até então essencialmente monetária. Ao mesmo 
tempo, um processo inflacionário contínuo tomou conta da economia. O resultado disso é que passou a ser 
comum o pagamento em produtos e não em dinheiro. 
Diante da crise financeira, da crescente ameaça dos povos “bárbaros”, dos conflitos sociais, da crise 
do Estado e de uma insegurança generalizada, muitos proprietários de latifúndios deixaram as cidades e 
foram buscar segurança nas grandes propriedades rurais autossuficientes. Nelas uma nova forma de trabalho 
passou a predominar, uma vez que o abastecimento de escravos estava definitivamente comprometido. Essa 
nova organização da produção ficou conhecida pela expressão colonato. 
Os colonos estavam vinculados a terra e ao proprietário desta, não podendo abandoná-la. No período 
final do Império Romano, portanto, as cidades perderam sua antiga importância ao mesmo tempo em que a 
ruralização da sociedade e da economia se impôs, especialmente em sua parte ocidental. Considere-se que, já 
como sintoma da própria crise, em 395 o Império Romano foi dividido em Império do Ocidente, capital 
Roma, e Império do Oriente, capital Constantinopla. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 07 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
O Islamismo 
 
A civilização árabe-islâmica surgiu e irradiou-se a partir da península Arábica, situada no sudoeste da 
Ásia. Com clima extremamente quente e seco, cerca de 80% de seu território são constituídos por desertos. 
Viviam na península Arábica diversos povos, organizados em tribos ou clãs, que costumam ser classificados 
em dois grandes grupos, conforme suas características culturais mais marcantes: 
- Árabes do Litoral: povos sedentários que moravam próximos da costa, como Meca e Yatrib. Dedicavam-se 
ao comércio, conduzindo as caravanas de camelos com mercadorias do Oriente para as regiões próximas do 
Mediterrâneo. 
- Árabes do Deserto: povos seminômades que viviam em torno dos oásis da península. Dedicavam-se 
principalmente a criação de cabras, ovelhas e camelos, produção artesanal e pilhagens de outras tribos. 
A Arábia não teve uma unidade politica até o século VII. Os árabes ligavam-se uns aos outros apenas 
pelos laços de parentescos e por elementos culturais comuns – falavam o mesmo idioma, a pesar das 
variações regionais, e possuíam as mesmas crenças religiosas, eram politeístas, adorando centenas de 
divindades. 
A existência de um templo na cidade de Meca fazia dela um importante ponto de convergência de 
crentes. Nos períodos de paz, a cidade transformava-se num movimentado ponto encontro e principal centro 
comercial dos árabes, recebendo pessoa e mercadorias de diversas regiões. 
 
Arábia Islâmica 
A construção do Estado árabe iniciou-se com Maomé (570-632), um mercador da cidade de Meca 
que fundaria o Islamismo, religião monoteísta cujos seguidores também são chamados de muçulmanos. 
Quando Maomé iniciou suas pregações, dizia que os ídolos do templo deveriam ser destruídos, pois havia 
um só deus criador universal, Alá. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca, pois estava eca mudando-
se para Medina, onde congregou e difundiu a nova religião organizando um exército de fiéis. Essa saia de 
Maomé de Meca ficou conhecida de Hégira. 
Em 630 Maomé invade conquista Meca destruindo os ídolos da Caaba, mas deixando a pedra negra 
que representa o símbolo de união. A partir dai o Islamismo foi se expandindo pela Arábia, e diversos povos 
forma se unificando em torno da nova religião. Assim, por meio da identidade religiosa, criou-se uma nova 
organização política e social entre eles e formou-se o Estado Islâmico, de governo teocrático. Com a morte 
de Maomé, o poder religioso, político e militar, ficou centralizado nas mãos dos califas. 
 
Alcorão: o livro sagrado 
Os princípios básicos do Islamismo encontram-se reunidos no Alcorão (que significa leitura), além 
das normas religiosas, o livro sagrado inclui preceitos jurídicos, morais, econômicos e políticos que orientam 
o cotidiano da vida social. Proíbe que os fiéis comam carne de porco, consumam bebidas alcoólicas ou 
pratiquem jogos de azar. O roubo é severamente punido. A poligamia masculina é permitida. 
O livro sagrado do Islamismo visa, em linhas gerais, apresentar a descrição das origens do Universo 
e do ser humano. Também as relações desejáveis entre homens e especialmente as relações deles com Deus. 
Além disso, ao longo do texto definem-se procedimentos a serem observados pelos fiéis no que se refere à 
mortalidade, à economia e a grande número de questões cotidianas. 
A ideia é que o texto seja uma clara resposta a todas as necessidades humanas, tanto materiais como 
espirituais. Para os fiéis do Islamismo, o conteúdo do Alcorão representa a própria palavra de Deus, vertida 
para o árabe na exata forma como foi revelada ao profeta Maomé. 
 
 
 
 
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Sunitas e Xiitas 
 A pós a morte de Maomé, a religião islâmica sofreu várias interpretações, entre as quais se 
destacaram as de dois grupos, até hoje conflitantes. 
Os Sunitas – defende como condição para o homem ocupar o cargo de chefe do Estado muçulmano 
(o califa), ter sólidas virtudes morais – como honra, respeito pelas leis e capacidade de trabalho. Os sunitas, 
além do Alcorão, seguem a suna, que se refere ao comportamento habitual do profeta e seus companheiros, 
quanto as suas ações, falas, aprovações e desaprovações. Essas informações, registros através de narrativas 
curtas, são denominadas hadic. 
Os Xiitas – postulam que a chefia do Estado muçulmano só pode ser ocupada por um legítimo 
descendente ou parente de Maomé. Afirmam que o chefe da comunidade islâmica é pessoa diretamente 
inspirada por Alá e que os fiéis lhe devem obediência absoluta. 
Atualmente, a maioria dos seguidores do xiismo encontra-se no Irã, no Iraque e no Iêmem. Na demais 
região do mundo islâmico predomina os seguidores do sunismo chegando a 84% dos atuais muçulmanos. 
 
A expansão Islâmica 
Quando invadiram Império Persa, os árabes estavam longe de serem grupos tribais, como as 
comunidades que ali habitavam antes do início da pregação de Maomé. Constituiu um exército muito bem 
organizado e motivado, ima vez que, além do saque e da conquista de territórios e riquezas, buscavam a 
expansão da fé, a concretização de um estilo de vida inspirado pelo profeta. 
Um dos motivos da expansão islâmica nessa primeira fase foi à tolerância então praticada pelo 
governo islâmico em relação aos territórios ocupados. Além do domínio das cidades e da determinação de 
tributos, a serem pagos pelas populações dominadas, pouca coisa mudou. Os habitantes do território 
conquistados podiam manter suas religiões e tradições. 
 
 
 
A Fragmentação do Império Islâmico 
À medida que o Império Islâmico crescia, foi absorvendo tradições culturais diferentes de acordo 
com as características específicas de cada território incorporado. Se considerarmos as tradições árabes que se 
fixaram na península Arábica, no Oriente Próximo e no Norte da África, comparadas com a tradição persa, 
nos domínios do extinto Império Sassânida, as diferenças são significativas.Mas a religião sempre 
desempenhou a função de elemento agregador dessas múltiplas culturas. 
 
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Durante a dinastia Abássida, mesmo em seu apogeu, novos califados vão surgindo nos domínio do 
Império Islâmico, como nas regiões do atual Irã, Egito e Tunísia. Isso decorreu da dificuldade em exercer 
um governo efetivo em toda a extensão do Império, o que levou ao fim da unidade política, fragmentando a 
comunidade islâmica em vários centros de poder. Cada um desses centros possuía formas de governo e 
tradições culturais e suas características, mas todos mantinham em comum a prática do islamismo. 
 
Cultura Islâmica 
Depois de conquistarem as mais diferentes regiões, os muçulmanos não se limitavam a cobrar 
tributos dos povos submetidos. As autoridades procuravam aprofundar a compreensão do conhecimento 
produzido pelos que ali viviam antes deles. 
Com essa busca de conhecimentos, ocorreu um processo de assimilação dessas diversas culturas, 
assim como sua difusão. Essa assimilação não se limitou às áreas conquistadas. Os conhecimentos vindos 
das mais longínquas regiões, como a China, com quem os muçulmanos mantinham relações de comércio, 
também foram incorporados e difundidos. 
 
A produção do conhecimento 
Esse desenvolvimento era garantido por um trabalho de tradução para o árabe de tudo o que 
considerassem significativo da cultura dos povos dominados. A circulação constante desse material por todo 
o Império garantia que as contribuições das diferentes civilizações fossem comparadas e analisadas por 
sábios islâmicos com formações variadas. Isso permitia que eles realizassem sínteses desses conhecimentos 
antes dispersos e que chegassem, através deles, a novas e importantes descobertas e desenvolvimentos. 
Assim, entre o século VII e IX, os muçulmanos travaram contato com diferentes culturas de povos 
conquistados pela expansão islâmica. Eram regiões do Oriente Próximo, da Península Balcânica, do sul da 
Ásia e até da Índia. 
Nesse período ocorreram traduções para o árabe de obras persas, romanas, gregas e indianas dos mais 
diversos ramos de conhecimento. Eram áreas como matemática, astronomia, astrologia, ética, mecânica, 
física, filosofia, arquitetura, geometria e medicina. Essa literatura foi distribuída por todo Império Islâmico. 
O mundo cristão só conheceu vários desses textos muito tempo mais tarde, graças a essas traduções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 08 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
IDADE MÉDIA – origem do feudalismo 
 
Médio é uma palavra usada para designar algo que está no meio, que exprime uma posição 
intermediaria entre um ponto e outro. Na periodização eurocêntrica estabelecida no século XVII, a Idade 
Média estaria no meio da história, entre Idade Antiga e a Idade Moderna. Assim, o período da 
aproximadamente mil anos, que vai convencionalmente da queda de Roma até a tomada de Constantinopla 
pelos turco-otomanos em 1453, foi chamada de Idade Média. 
 
A Idade Média está dividida em duas partes: Alta Idade Média e Baixa Idade média. 
 
Alta Idade Média: 
- Reino Merovíngio: 
Desde o século II, os Francos vinham pressionando as fronteiras do Império Romano, até se 
estabelecerem na região da Gália, atual França. O domínio sobre toda a Gália foi possível graças à conversão 
de Clóvis, neto do herói franco Meroveu, ao cristianismo, em 496. Contando com o apoio da Igreja, Clóvis 
organizou o reino Franco e consolidou a dinastia merovíngia. 
A idéia de estado e bem público desapareceu com o Império Romano, passando a terra a ser 
distribuída entre clero e nobreza. A figura do rei tornava-se, assim, bastante frágil entre os francos, 
submetida ao poder dos proprietários de terras. A pouca autoridade dos reis valeu-lhes o título de “reis 
indolentes”, que tinham suas funções usualmente delegadas aos major domus, tipo de primeiros ministros. O 
mais importante deles foi Carlos Martel, que comandou os francos na batalha de poitiers em 732, 
derrotando os árabes. 
Em 751, o filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, contando com o apoio papal, depôs o último 
soberano merovíngio. Iniciou-se uma nova dinastia, a Carolíngia. Por causa do apoio recebido, Pepino 
cedeu ao papa grande extensão de terra no centro da península Itálica. Passando para a administração da 
Igreja, sob o nome de Patrimônio de São Pedro, esse território constituiu o embrião do atual Vaticano. 
Carlos Magno, filho de Pepino, assumiu o trono em 768, fundando o Império Carolíngio, período de 
maior poder dos fracos na Alta Idade Média. Além de doar, em troca de lealdade, as terras adquiridas nas 
guerras de conquistas à nobreza e ao clero, dividiu o território sob seu controle em Condados e Marcas. (os 
títulos de nobreza conde/condessa derivam de condado, assim como os de marquês/,marquesa, de marca). 
Carlos Magno tinha uma administração nomeada pelo próprio imperador (missi dominici), assim fazia valer 
suas leis que ficaram conhecidas como Capitulares, ou seja, as primeiras leis escritas do Ocidente medieval. 
Carlos Magno Recebeu o título de Imperador do Novo Império Romano do Ocidente pelo papa leão 
III no ano de 800. O mandatário da Igreja via na ampliação do reino franco uma possibilidade de expansão 
do cristianismo e o retorno à própria concepção de império, desaparecida desde a queda de Roma, e como 
consequência o poder imperial seria o anteparo da Igreja. Carlos Magno foi responsável, portanto, por uma 
experiência centralizadora durante a conturbada Alta Idade Média. 
O êxito administrativo de Carlos Magno foi acompanhado por significativo desenvolvimento 
cultural, estimulado pelo próprio Imperador. Com o desuso do latim e a escrita pelos povos germânicos, o 
chamado Renascimento Carolíngio mudou esse quadro, ainda que temporariamente. Escolas foram 
fundadas, o ensino estimulado e varias obras da antiguidade greco-romana preservadas pela atuação da 
Igreja, que logo teria o monopólio cultural do continente europeu. 
Com a morte de Carlos Magno em 814, começa a decadência de seu império. Seu filho Luís, o 
Piedoso, herdou o império e governou até 841. Após sua morte, seus filhos dividiram o império em partilhas 
pelo Tratado de Verdun em 843. Condes, marqueses e outros nobres passaram a ter uma crescente 
importância, fortalecendo assim a tendência à descentralização. Consolidava-se, nesse contexto, o 
Feudalismo. 
 
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A Alta Idade Média (século V-IX) 
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Transição progressiva do 
escravismo para a servidão 
A ALTA IDADE MÉDIA 
Sobrevivência do Império 
Romano do Oriente (Bizâncio) 
Decadência do Império Romano no Ocidente (476) 
 
Formação progressiva do 
feudalismo na Europa 
Ocidental Formação do 
Reino franco 
Família dos merovíngios 
(reis indolentes) Destaque 
para o major domus Carlos 
Martel 
 
Apogeu com Justiniano (527-565): 
- conquistas 
- Corpus Juris Civilis 
- Catedral de Santa Sofia 
Unificação árabe 
com Maomé: 
Islamismo 
Dinastia carolíngia fundada 
por Pepino, o Breve. 
Apogeu com Carlos Magno, 
Imperador do novo Império 
Romano do Ocidente 
 Expansão: fechamento do 
Mediterrâneo 
Queda de Constantinopla 
em 1453 – invasão dos 
turco-otomanos 
Predomínio da ordem feudal na Europa 
843: Tratado de Verdun 
(divisão do Império 
Carolíngio) 
 
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Aula 09 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
O Feudalismo – Alta Idade Média 
 
O feudalismo é uma organização social típica da Idade Média europeia, caracterizada pelo sistema de 
grandes propriedades territoriais isoladas (feudos) pertencem à nobreza e ao clero e trabalhadores pelos 
servos da gleba, numa economia de subsistência. O sistema era organizado segundo uma extensa e 
intrincada hierarquia de feudos. A terra única fonte de poder, era recebida pelo senhor, em caráter 
hereditário. O senhor beneficiário da doação de um feudo tornava-se vassalo do doador suserano, qualquer 
que fosse o titulo nobiliárquico deste (rei, conde, visconde, etc.), ficando ambos ligados por laços de 
lealdade e ajuda mútua. A propriedade da terra não era plena. O senhor que a recebia em doação não podia 
vendê-la e a propriedade era herdada pelo filho primogênito. 
 
A Sociedade Feudal 
Essa sociedade se estrutura em relações de suserania e vassalagem tornando o poder muito 
descentralizado. Tais relações eram estabelecidas quando um nobre concedia terras a outro nobre menos 
poderoso, também poderia ser em forma de concessões de cobrança de impostos, pedágios em pontes e 
estradas, tudo em troca de lealdade e ajuda mútua. Na prática os próprios reis eram senhores feudais com 
domínios limitados. A sociedade feudal baseava-se na existência de dois grupos sociais – senhores e servos -
, podendo ser caracterizada como estamental, na medida em que as categorias eram claramente definidas e 
não era comum qualquer tipo de modalidade. Cada senhor ocupava uma grande propriedade rural 
denominada feudo o qual era dividido em três partes: 
 
 Primeira: grande extensão de terra que era chamada domínio senhorial, era usado pelo senhor 
e seus agentes diretos e englobava, no centro, o castelo, o moinho e as oficinas artesanais. 
 Segunda: era dividida em parcelas concedidas a camponeses (servos) de condição semilivre, 
pois não podiam abandonar o feudo e estavam obrigados a corvéia. - terceira: a propriedade 
senhorial, bosques, pradarias, era utilizada conjuntamente pelo senhor e pelos servos. Embora 
o senhor fosse o proprietário das terras, o servo tinha aposse, isto é, o usufruto da sua faixa de 
terra, e também a propriedade dos seguintes meios de produção: arado, enxada e outras 
ferramentas para agricultura. Em troca de concessão, o camponês era obrigado a produzir um 
excedente econômico para o senhor e, principalmente, da corvéia, base de relação servil. Em 
cada feudo, o senhor fazia as leis, administrava a justiça, cunhava moedas, exigiam-se 
impostos aos mercados que transitavam por suas terras e estipulava o tributo que os 
camponeses livres e os servos tinham que pagar. Cada feudo era economicamente 
autossuficiente. 
 
 
 
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A economia feudal 
No feudo eram produzidos os alimentos necessários aos servos e ao nobre, bem como roupas, 
instrumentos de trabalho e armas. Os camponeses pagavam impostos ao senhor em produto (parte da 
colheita) em trabalho nas terras senhoriais (corveia) ou em dinheiro. Também os habitantes das cidades 
(burgo) tinham que pagar uma taxa ao senhor das terras em que se localizavam. O feudo estava dividido em 
três partes: 
 
 Manso senhorial ou domínio: área explorada pelos servos diretamente em benefício do 
senhor, dentro da qual se erguia o castelo; 
 Manso servil: correspondente a terras arrendadas pelos servos para exploração própria, mas 
das quais deviam varias obrigações e taxas ao senhor feudal; 
 Manso comunal: formado por terras – normalmente pastos e bosques – de uso comum de 
senhores e camponeses. 
 
Dentro da estrutura feudal, os campos abertos (manso comunal) eram de uso coletivo, também fazia 
parte os bosques, a coleta de madeira para diversas atividades, como lenha e construção de utensílios 
diversos. A reserva senhorial, terra, borque, pomar, tudo pertencia exclusivamente ao senhor, tudo que era 
produzido era de sua propriedade privada, não dividia com os servos, pois os mesmos já tinham suas faixas 
de terra para plantar e pagar seu arrendamento ao senhor feudal. O castelo era de uso exclusivo do senhor 
feudal, mas também abrigava artesões, ferreiros e dava proteção aos servos quando atacados por outros 
senhores em busca de novas terras, para anexar a seus feudos. O senhor também detém a terra e o poder – 
incompleto – sobre os servos; cabe a esses uma pequena posse individual, as ferramentas, fornece ao senhor 
uma contribuição que é inicialmente em trabalho, e ligava-se ao senhor por uma relação de dependência. 
A agricultura na Alta Idade Média teve um aumento de produção, visto que novas técnicas forma 
empregadas para um bem comum. Uma forma de plantio foi empregada, o sistema trienal que tem uma 
eficácia e forma de regeneração do solo, perfazendo assim, uma rotatividade de plantio, assim um aumento 
de produção agrícola. 
 
O Trabalho Feudal 
O trabalho na sociedade feudal estava fundado na servidão, relação que mantinha os trabalhadores 
presoaterra e subordinados a uma série de obrigações em impostos e serviços. Nessa época era comum que 
as pessoas nascessem, vivessem e morressem sem jamais sem sair do mesmo lugar, atrelados às obrigações 
para como o senhor de feudo. A exploração do trabalho serviu era legitimada pela a Igreja. Na ordenação 
dos papeis sociais, sua concepção ideológica contribuía para isso. Para a Igreja, cada membro da sociedade 
tinha deveres a cumprir em sua passagem pela terra, o que disseminava uma mentalidade favorável à 
condição subordinada dos servos. Segundo a Igreja, era dever do servo trabalhar, do clérigo rezar e do nobre 
proteger militarmente a sociedade. A servidão é uma forma de obrigação imposta o produtor pela força e 
independentemente de sua vontade para satisfazer certas exigências econômicas de um senhor, quer tais 
exigências tomem a forma de serviços a prestar ou de taxas apagar em dinheiro ou em espécie. Os servos 
deviam uma serie de obrigações para os senhores, normalmente conhecidas como impostos feudais. As 
principais delas são: 
- corvéia: trabalho obrigatório nas terras do senhor (manso senhorial), executando diversos trabalhos além 
da agricultura, durante alguns dias da semana. 
- talha: porcentagem da produção obtida no trabalho no manso servil; 
- banalidades: impostos, pagos em produtos, pela utilização de equipamentos pertencentes ao senhor (forno, 
moinho, celeiro). 
 
A Igreja Medieval 
O triunfo do cristianismo contribuiu para a forte religiosidade que marcou a mentalidade medieval. 
Foi nessa época que a Igreja começou a organizar-se com o objetivo de zelar pela homogeneidade dos 
princípios da religião cristã e promover a conversão dos pagãos. Presentes em todos os níveis de uma 
 
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sociedade marcada pela religiosidade, os membros da Igreja medieval fomentavam valores como a 
passividade e subordinação dos homens comuns perante o senhor, tanto o senhor espiritual (clérigo), 
encarregado de proteger as almas, quanto o senhor feudal da terra (nobre), que protegia os corpos. O poder 
da igreja, portanto, não estava revestido ao plano espiritual, mesmo que fosse importante a espiritualidade 
nesse período, mas revestido de um poder temporal. Isso porque ela foi, pouco a pouco, transformando-se na 
maior proprietária de terras da Idade Média e construindo fortes vínculos com a estrutura feudal. Além dos 
territórios diretamente controlados pelo papa, o alto clero e varias ordens religiosas dispunham de muitos 
feudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 10 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
Feudalismo – a Baixa Idade Média e a crise do sistema feudal 
 
A formação do feudalismo se deu na Alta Idade Média (século V ao X), toda sua estrutura social vai 
se concretizar nesse período, formando uma sociedade estamental ou de ordem composta de três 
seguimentos hierarquizados: ordem religiosa, ordem de nobreza (cavalheiros) e ordem dos camponeses 
(povo). Para o Clero o esquema de três ordens era um símbolo da harmonia social, no qual cada seguimento 
exercia uma função necessária para a sociedade. Esse modelo de ordens submetia toda sociedade aos 
mandos da Igreja, fortificando assim todo seu poder. 
A Baixa Idade Média (século X ao XIV) foi marcada por profundas transformações na sociedade, as 
quais conduziram à superação das estruturas feudais e à progressiva estruturação do futuro modo de 
produção capitalista. No plano econômico, um sistema agrícola de autossuficiência foi substituído por uma 
economia comercial. No plano social, a hierarquia estamental foi se desintegrando, surgindo paralelamente 
um novo grupo social ligado ao comércio: a burguesia. Politicamente, o poder pessoal e universal dos 
senhores feudais foi sendo gradualmente substituídos pelo poder centralizador dos soberanos, originando as 
monarquias nacionais européias. 
Essas mudanças, que marcaram o início da Baixa Idade Média, emergiram das próprias contradições 
da estrutura feudal, que se mostrou incapaz de atender às necessidades da população européia. O feudalismo 
conservou por muito tempo muitas de suas características, o correndo uma transição gradativa, que só 
atingiria a maturidade alguns séculos depois. 
 
A Indústria Feudal 
Embora a vida econômica da Idade Média se baseasse principalmente na produção agrícola de 
subsistência, desde os primórdios do período medieval comerciantes e artesãos asseguraram, ainda que em 
bases precárias, a produção e a circulação de bens entre os domínios senhoriais. Essas pessoas habitavam os 
burgos, lugares fortificados que impulsionaram a retomada da vida urbana. O estilo de vida de seus 
habitantes, os burgueses, mostrava-se bem diferente daquele que ocorria nos feudos. 
De início, os burgos surgiram em pontos estratégicos dos feudos e permaneceram sob controle dos 
nobres. O desenvolvimento econômico foi acelerado a partir da vida urbana. Já no século XIII, antigos 
núcleos de origem romana haviam sido revitalizados e muitos burgos tinham se transformado em cidades 
importantes. 
A indústria manufatureira (indústria aqui entendida como um conjunto das atividades que participam 
da fabricação de produtos manufaturados a partir de matérias-primas) se expandiu nesse período em resposta 
às necessidades de vestiário e moradia e às exigências das constantes guerras. 
Alguns setores artesanais, entretanto, sustentaram-se e desenvolveram-se no período, trabalhando 
para a nobreza e o alto clero: armeiros, que serviram aos nobres guerreiros; ourives, pintores e construtores, 
que trabalhavam na edificação de catedrais e castelos etc. inovações técnicas aplicadas aos trabalhos 
agrícolas também foram observadas nessa época, como a utilização dos “arados de ferro” no lugar dos de 
madeira, mais franco e menos eficiente, e o aperfeiçoamento de “moinhos hidráulicos”. Buscou-se ainda 
expandir as terras cultivadas com o aterramento de pântanos e a derrubada de floresta. No entanto, a 
população continuava acrescer em ritmo mais acelerado que o da produção. 
Desenvolveram-se também, o comércio marítimo costeiro e o terrestre, realizados a curta distância. 
As feiras que o corriam na região de Champagne atraíram negociantes de várias partes da Europa. 
Caravanas de mercadores compravam e vendiam peles, mel, cera, trigo, madeira, minerais, vinho, sal e 
tecidos. O mundo do trabalho também assistiu a transformações importantes durante a Baixa Idade Média. 
Algumas das obrigações servis, já os camponeses passaram a exigir salário pelo trabalho ou parte do 
excedente da produção. Alguns vendiam seus excedentes em feiras e outros abandonaram as lavouras e se 
especializaram na produção artesanal e no comércio. 
 
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Nos burgos, desenvolveram-se as corporações de ofício. Responsáveis pela organização e 
distribuição de determinados produtos manufaturados, essas associações típicas da sociedade medieval 
reuniam profissionais do mesmo ramo, desde os mestres de perícia reconhecida até os aprendizes. Todas 
essas mudanças provocadas pelo incremento comercial, manufatureiro e urbano ocasionaram os confrontos 
entre as visões de mundo dos senhores feudais, por um lado, e dos comerciantes e artesãos. 
 
A Crise e a Cidade 
A fome, a peste e a guerra despovoaram os campos e provocaram escassez de mão de obra, uma vez 
que grande partedas pessoas que não tinham sido vitimadas pela peste ou pela guerra haviam se deslocado 
para as cidades. A mão de obra abundante no inicio da Baixa Idade Média, tornou-se rara e, 
consequentemente, melhor remunerada. Nesse contexto, os senhores feudais ficaram enfraquecidos, pois 
deixaram de receber os tributos que garantiam as suas rendas. Houve, então, um recrudescimentos da 
exploração do trabalho servil, precipitando uma série de revoltas nos campos. 
Podemos dizer que houve uma inversão da tendência que prevalecia desde então: a produção rural 
passou a organizar-se em função do mercado urbano. Com o declínio da aristocracia feudal e a ascensão da 
burguesia urbana, o eixo dinâmico da sociedade europeia passou dos campos para as cidades. Desta forma, 
tinha início uma dinâmica social até então rara no rígido sistema social das ordens medievais, ou seja, as 
chances de mobilidade social tornaram-se viáveis. Os grupos sociais que constituíram o setor excluído dos 
privilégios feudais passaram a questionar a ordem social e a pôr em xeque a função social da nobreza. 
 
 
 
O movimento cruzadista 
O crescimento comercial estimulou o primeiro movimento de expansão militar do Ocidente cristão. 
O motivo oficial da primeira Cruzada foi de inspiração política e religiosa. Convocada pelo papa Urbano II 
tinha como objetivo conquistar Jerusalém, a Chamada terra Santa, considerado o berço do cristianismo. 
Para encorajar a participação nas Cruzadas, a Igreja concedeu indulgência plena, isto é, perdão de 
todos os pecados para aqueles que morressem em combate. Partiram para a Terra Santa muitos cavaleiros da 
nobreza feudal e outros tantos cavaleiros errantes, homens sem feudo cujas oportunidades de ascensão social 
estavam restritas aos prêmios em torneios, ao serviço mercenário e, com muita sorte, à possibilidade de casar 
com uma dama da alta nobreza. 
Essa união de forças em torno de uma causa comum diminuiu os frequentes conflitos entre os 
senhores feudais pela posse da terra. Até então o clero havia se esforçado para pôr um fim à violência dos 
guerreiros e proteger de seus ataques o restante da sociedade desarmada. 
 
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Foram cinco as Cruzadas, não foram somente essas expedições, ocorridas ao longo de quase 200 
anos, que levaram ao renascimento comercial da Europa, mas elas, certamente, contribuíram para sua 
dinamização. As Cruzadas tiveram um papel significativo na mentalidade europeia. O espírito delas seria 
importante motivação para a reconquista cristã da Península Ibérica e o desenvolvimento das grandes 
navegações que levaram a conquista da América. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 11 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
O Renascimento do Século XIV 
 
As transformações socioeconômicas iniciadas na Baixa Idade Média e que culminaram com a 
Revolução Comercial da Idade Moderna afetaram todos os setores da sociedade, ocasionando inclusive 
mudanças culturais. Intimamente ligadas à expansão comercial, à reforma religiosa a ao absolutismo 
político, as transformações culturais dos séculos XIV a XVI – movimento denominado Renascimento 
Cultural – estiveram articuladas com o capitalismo comercial. 
Primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos, o Renascimento enfatizava uma 
cultura laica e racional, sobretudo não feudal. Entretanto, embora tentasse sepultar os valores da Igreja 
católica, apresentou-se como um entrelaçamento dos novos e antigos valores refletindo o caráter de transição 
do período. Buscando subsídios na cultura Greco-romana, o Renascimento foi à eclosão de manifestações 
artísticas, filosóficas e científicas do novo mundo urbano e burguês. Descartando a imensa produção cultural 
do período anterior, o renascimento caracterizou-se por ser essencialmente um movimento anticlerical em 
ante escolástico, pois a cultura leiga e humanista opunha-se à cultura eminentemente religiosa e teocêntrica 
do mundo medieval. 
No conjunto da produção renascentista, começam a sobressair valores modernos, burgueses, como o 
otimismo, o individualismo, o naturalismo, o hedonismo (teoria do prazer humano) e o neoplatonismo. Mas 
o elemento central do Renascimento foi o Humanismo, isto é, o homem como o centro do universo 
(antropocentrismo), a valorização da vida terrena e da natureza, o humano ocupando o lugar cultural até 
então dominado pelo divino e extraterreno. 
 
 Antropocentrismo: exaltação e glorificação do homem, colocando no centro de todas as 
preocupações e da produção artística, científica e filosófica; 
 Racionalismo: busca de explicações racionais e científicas para os fenômenos naturais; 
 Universalismo: especulação do homem nos mais diversos campos do conhecimento. 
 
O Humanismo Renascentista 
O Humanismo, desenvolvido principalmente entre os séculos XV e XVI, caracterizou-se pela 
concepção de que o ser humano é criatura e criador do mundo em que vive. E, dessa maneira, pode ser 
construtor de si mesmo. Deus criou o homem conferindo-lhe a liberdade de construir a si mesmo. Por isso, 
desde o nascimento o homem não tem uma natureza defina ou um destino pré-estabelecido. Ou seja, ele 
pode ser juiz ou artesão supremo de sua vida, modelando-se na obra que ele próprio escolheu. Dessa forma, 
tanto poderá designar em um ser bestial quanto ascender a realidades sublimes. 
Os humanistas, num gesto ousado, tendiam a considerar como mais perfeita e mais expressiva a 
cultura (antiga, grega e romana) que havia surgido e se desenvolvido no seio do paganismo, antes do 
advento de Cristo. A Igreja, portanto, para quem a história humana só atingira a culminância na Era Cristã, 
não poderia ver com bons olhos essa atitude. Não quer isso dizer que os humanistas fossem ateus, ou que 
desejassem retornar ao paganismo. Muito longe disso, o ceticismo (crença) toma corpo na Europa somente a 
partir dos séculos XVII e XVIII. Eram todos cristãos e apenas desejavam reinterpretar a mensagem do 
Evangelho à luz da experiência e dos valores de Antiguidade. Valores esses que exaltavam o indivíduo, os 
feitos históricos, à vontade e a capacidade de ação do homem, sua liberdade de atuação e de participação na 
vida das cidades. A crença de que o homem é a fonte de energias criativas ilimitadas, possuindo uma 
disposição inata para a ação, a virtude e a glória. Por isso, a especulação em torno do homem e de suas 
capacidades físicas e espirituais se tornou a preocupação fundamental desses pensadores, definindo uma 
atitude que se tornou conhecida como antropocentrismo. A coincidência desses ideais com os propósitos da 
camada burguesa é mais do que evidente. 
 
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Com o humanismo abandonava-se o uso dos conhecimentos clássicos tão-somente para provar 
dogmas e verdades religiosas, descartando-se a erudição medieval confinada nas bibliotecas ou na clausura 
dos mosteiros. Impulsionava-se a paixão pelos clássicos Greco-romanos numa busca de sabedorias e belezas 
“esquecidas” pela Idade Média. 
 
Fatores Geradores do Renascimento 
As transformações econômicas do final da Idade Média, associadas aos processos de urbanização e 
ascensão da burguesia, tornaram as concepções artístico-literárias feudais inadequadas. Novas concepções 
afloraram, refletidas no desenvolvimento comercial e na nova sociedade urbana emergente. As primeiras 
manifestações renascentistas triunfaram na Itália. 
A reabertura do Mar Mediterrâneoa partir das Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza, 
Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista, movido pelo qual 
apresentavam as condições necessárias para a germinação e proliferação do renascimento. Nesse contexto, 
surgiram os mecenas, ricos patrocinadores das artes e das ciências, que objetivavam não só a promoção 
pessoal, mas também proveitos culturais e econômicos. Destacaram-se como protetores das artes os Médicis. 
Em Florença os Sforzas, em Milão. Não podemos esquecer que a Igreja foi uma grande mecena nesse 
período. 
Completando os diversos componentes que favoreceram o desenvolvimento renascentista na Itália, a 
influência árabe teve muita importância, pois era grande depositário de valores da Antiguidade Clássica e 
que mantinha contatos comerciais com os portos italianos, principalmente com Genova e Veneza. 
 
 
 
 
Fases do renascimento nas artes e literatura 
O renascimento italiano se impôs efetivamente a partir do século XIV, estendendo-se até o século 
XVI, ficando dividido em três fases: os Trecento (os anos trezentos) a fase do século XIV, Quattrocento (os 
anos quatrocentos) fase do século XV e Cinquecento (os anos quinhentos) período mais criativo, que foi de 
1500 a 1550. 
 
 O Trecento, ou primeira etapa do movimento artístico da renascença: a principal figura desse 
período é Giotto (1266-1337), artista plástico que rompeu com a tradicional pintura medieval 
e seu imobilismo, caracterizado por uma hierarquia rígida que determinava a importância dos 
personagens pintados, prevalecendo sempre a figura religiosa acima dos homens. Giotto fez 
 
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do humano e da vida o foco de suas pinturas, dando às suas figuras um aspecto humano com 
traços de individualidade. Nas letras, o período caracterizou-se pelo uso da língua italiana, 
embora tivesse fortes influencias medievais. 
 O Quattrocento, ou escola de Florença: o entusiasmo pela cultura greco-romana fez nascer, 
na literatura desse período, as línguas clássicas e o paganismo. Em Florença, foi criada a 
Escola Filosófica Neoplatônica, com o patrocínio do mecenas Lourenço de Médici. Na 
pintura, tiveram grande importância técnica a óleo. Dentre eles, podemos destacar Masaccio 
(1401-1419), que, rompeu com resquícios da arte medieval, chamados de “gótico tardio”. 
Deu aos seus trabalhos realismo, volume, tomando da arquitetura e da escultura alguns dos 
princípios básicos. Conseguiu transportar para suas telas a geometria em perspectiva do 
arquiteto Brunelleschi e do escultor Donatello. 
Sandro Botticelli (1445-1510) foi outro destaque da pintura renascentista. Suas obras 
apresentam figuras leves, tênues, quase imateriais. Traduz uma expressão espiritual, religiosa, 
simbólica. Seus personagens buscam alcançar a beleza Neoplatônica, que se refere a união 
entre o paganismo clássico e o cristianismo. 
Leonardo da Vinci (1452-1519), um dos humanistas mais completos do Renascimento, é 
considerado figura de transição, pois viveu a metade do Quattrocento e o início do 
Cinquecento. No primeiro período, quando Florença era o polo cultural da Itália, a arte ainda 
imitava os modelos clássicos e predominava o uso das línguas clássicas. Ao mesmo tempo em 
que eram usadas a língua italiana e o grego, predominavam nesse período a originalidade, a 
criação tanto na forma como no conteúdo o que resultava numa arte própria – fusão do 
clássico com o moderno. 
 O Cinquecento, ou escola de Veneza: nesse período em que a língua italiana foi 
sistematizada, destacam-se alguns escritores como; Francesco Guicciardini, Torquato Tasso 
e Ariosto, todos literários. Mas quem deu maior importância para esse período foi Nicolau 
Maquiavel (1469-1527) o iniciador do moderno pensamento político, o maior expoente 
literário do período. Em o príncipe, defende um Estado absolutista em favor do qual todos os 
meios são justificáveis, estando a “razão de Estado” acima de qualquer outro ideal. Escreveu 
também a História de Florença, Discurso sobre a primeira década de Tito Lívio e a peça 
Mandrágora, considerada a mais perfeita obra teatral escrita em língua italiana. Outros 
artistas também fizeram parte desse período da renascença como Rafael Sânzio e 
Michelangelo Buonarroti. 
 
Principais artistas do Renascimento 
 
 Leonardo da Vinci: considerado o símbolo do Renascimento, sua obra atingiu quase todos os 
campos do conhecimento humano. Suas obras mais famosas são a Monalisa, Anunciação e A 
virgem dos rochedos. 
 Miguel Ângelo Buonarroti, ou Michelangelo: destacou-se como escultor, arquiteto e pintor. 
Imortalizou-se e, obras como o projeto da cúpula da basílica de são Pedro e os afrescos da 
Capela Sistina (juízo final, Dilúvio e Criação de adão) e por suas notáveis esculturas (Davi, 
Moisés e Pietá). 
 Rafael Sânzio: foi um grande pintor de retratos e Madonas (representações da Virgem Maria 
com o Menino Jesus), também foi o autor de diversos afrescos no Palácio do Vaticano. 
 
Literatura Renascentista 
O renascimento cultural foi impulsionado pela invenção da prensa de tipos móveis de metal do 
alemão Johann Gutemberg, a qual possibilitou a reprodução e divulgação das obras literárias em grande 
escala. Os escritores Renascentistas escreviam em línguas nacionais, criticavam e ridicularizavam os valores 
da sociedade medieval. Dentre os escritores, destacam-se: Dante Alighieri com a divina comédia, Petrarca 
com a obra O Cancioneiro, Boccaccio com Decameron, Erasmo de Roterdã “pai do humanismo”, escreveu 
 
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Elogio da Loucura; Thomas Morus autor de A utopia; Camões e sua obra Os lusíadas; Miguel de Cervantes 
com Don Quixote de La Mancha; William Shakerspeare, o homem mais destacado da Renascença inglesa, 
escreveu uma vasta obra para o teatro, como Hamlet, Romeu e Julieta, Sonhos de uma noite de verão e 
Otelo. 
 
A Ciência Renascentista 
A pesar da interferência da Igreja católica, que continuava impondo dogmas, a ciência desenvolveu-
se durante o renascimento cultural. Dentre os vários expoentes da ciência renascentista, podemos destacar: 
 
 Leonardo da Vinci: foi o pioneiro na elaboração de um mapa-múndi mostrando o continente 
americano. Criou projetos de engenhos voadores e fez estudos sobre anatomia humana. 
 Nicolau Copérnico: combateu o modelo geocêntrico e propôs um modelo heliocêntrico, com 
o Sol no centro do sistema solar. 
 Giordano Bruno: rompeu com a visão aristotélica de um mundo estático, sugerindo a idéia de 
um Universo infinito. Foi torturado e morreu queimado da fogueira da Inquisição. 
 Galileu Galilei; foi primeiro cientista a utilizar um pêndulo para medir intervalos de tempo. 
Aperfeiçoou o telescópio de refração e descobriu os satélites de Júpiter. Por defender a teoria 
heliocêntrica de Copérnico, foi forçado a se retratar perante a Igreja católica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 12 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Centralização do Poder e o Estado Moderno 
 
O século XV inaugurava um novo período do processo histórico da Europa ocidental: possuir terras 
já não era mais sinônimo de poder; as relações sociais de dominação e de exploração também não eram as 
mesmas do mundo feudal; mudanças qualitativas na economia europeia abriram espaço para uma nova 
ordem política e social. 
Tendo suas origens do feudalismo, o mundo modernoevoluiria até culminar no seu oposto – o 
capitalismo do mundo contemporâneo. Assim, em muitos aspectos, o mundo moderno constituiu uma 
negação do mundo medieval, embora ainda não se caracterizasse como um todo sólido, maduro, 
apresentando-se como uma época de transição. Foi o período de consolidação dos ideais de progresso e de 
desenvolvimento, que reforçou o pensamento racionalista e individualista, valores burgueses que iriam 
demolir o universo ideológico católico-feudal. Entre os séculos XV e XVIII, estruturou-se uma nova ordem 
socioeconômica, denominada capitalismo comercial. Durante esse período, a nobreza, ainda garantia por 
suas propriedades e títulos uma posição social em vantagem a burguesia comercia que se desenvolvia e que 
ainda, estava longe de ser classe dominante, com prestígio junto à aristocracia. 
Assim, sendo um período de transição, a importância do comércio e da capitalização, que 
constituíram a base sobre a qual se desenvolveria o sistema capitalista. Como decorrência um novo Estado, 
novas normas e novos valores forma gerados segundo as novas exigências do homem ocidental. 
 
A Economia e Sociedade do Antigo Regime 
Com as cruzadas, no início da Baixa idade média, processou-se um conjunto de alterações 
socioeconômicas, decorrentes do renascimento do comércio, da urbanização e do surgimento da burguesia. 
A junção desses elementos, por sua vez, impulsionou o processo de formação do Estado nacional, e 
lentamente foram sendo demolidos os pilares que sustentavam o feudalismo. O renascimento do comércio na 
Europa e a exploração colonial do Novo Mundo americano e afro-asiático propiciaram a ascensão 
vertiginosa da economia mercantil. No meio rural europeu, as relações produtivas variavam desde as feudais 
(senhor-servo) até as que envolviam o trabalho assalariado (proprietário-camponês), prenunciando o que 
viria a ser um regime de características capitalista. A exploração do trabalhador e a expropriação de suas 
terras possibilitaram uma gradativa e crescente ampliação de riquezas nas mãos dos donos das terras e dos 
meios de produção – chamada acumulação primitiva de capitais. 
 
O Estado no Antigo Regime 
O Estado moderno retratou a transição do período do Feudalismo para o Capitalismo, refletindo os 
interesses dos grupos sociais em conflito, ao preservar os privilégios da aristocracia feudal e abrir espaço ao 
novo grupo burguês ascendente. Na prática, foi o resultado da derrocada do poder universal (igreja) e local 
(nobreza) e da formação das monarquias nacionais. O Estado característico da época moderna é conhecido 
como absolutista, na medida em que o poder estava concentrado nas mãos do rei e de seus ministros, os 
quais aproveitavam as limitações dos grupos sociais dominantes – nobreza e burguesia – para monopolizar a 
vida política. Incapaz de exercer hegemonia (a nobreza estava em decadência e a burguesia ainda se 
mostrava frágil), esses grupos precisavam do Estado para preservar suas condições e privilégios; daí 
sujeitarem-se ao rei, reforçando o poder do Estado moderno. Com as alterações ocorridas no comércio, o Rei 
tornou-se figura importante. Isso porque o impulso das relações comerciais, o reaparecimento das cidades e 
as mudanças na economia desorganizaram boa parte das antigas relações feudais. O surgimento da burguesia 
e de centros urbanos à margem dos nobres e de seus domínios é um exemplo da reorganização das relações 
sociais. Essas alterações abriram espaço para a entrada em cena dos reis, que se tornaram figuras importantes 
nos processos de regulamentação das novas relações dentro da sociedade. 
 
 
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Dificuldades e Características das Monarquias Nacionais 
Alguns obstáculos marcaram o processo de formação das monarquias nacionais. Primeiro foram às 
tensões entre os poderes nacionalistas das monarquias, por um lado, e, por outro, os poderes universalistas, 
como Igreja e o Sacro império, que pretendia submeter e controlar toda a cristandade, e os poderes 
particularistas, da nobreza feudal. 
Outro obstáculo foi a grande variedade de costumes e a fragmentação existente na Europa Ocidental. 
Eram moedas, hábitos, leis, tributos, pesos e medidas que variavam de região para região, de reino para 
reino. Como submeter essas diferenças a um único poder? A monarquia nacional deveria conferir alguma 
unidade a essas realidades distintas, o que não foi uma tarefa fácil para os reis e seus juristas. 
Para dar conta dessas diferenças, das divergências e do funcionamento do Estado, os monarcas 
dispunham de um aparato administrativo e jurídico e de um exército, que também contava com mercenários, 
para garantir a ordem. 
Essa característica limitadora do capitalismo e do desenvolvimento econômico burguês possibilitaria 
o surgimento e avanço das ideias liberais, que levaram posteriormente às revoluções burguesas que 
demoliram o estado absolutista. Devido à preponderância, nesse período, do absolutismo – poder capaz de 
definir regras, práticas e ações em todos os níveis –, consolidou-se a concepção de um Estado interventor, 
que devia atuar em todos os setores da vida nacional. No plano econômico, essa intervenção manifestou-se 
através do mercantilismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 13 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Reforma Calvinista e Inglesa 
 
A Suíça separou-se do Sacro Império em 1499 e a Reforma protestante iniciou-se em seu território 
com Ulrich Zwinglio (1489-1531), que levou as ideias de Lutero ao país em 1529, desencadeando violenta 
guerra civil, da qual ele próprio foi vítima. Pouco depois, chegou a Genebra o francês João Calvino (1509-
1564), que logo passou a divulgar suas ideias, fundando uma nova corrente religiosa. 
As ideias de Calvino fundamentavam-se no princípio da predestinação absoluta, segundo o qual 
todos os homens estavam sujeitos à vontade de Deus, e apenas alguns estariam destinados à salvação eterna. 
O sinal da graça divina estaria em uma vida de virtudes, dentre as quais o trabalho diligente, a sobriedade, a 
ordem e a parcimônia (contenção de gastos). Dessa forma, a doutrina calvinista exaltava características 
individuais necessárias às práticas comerciais. Suas ideias, portanto, estavam mais próximas dos valores 
capitalistas. 
Inspirado em Lutero, Calvino considerava a Bíblia a base da religião, não sendo necessária sequer a 
existência de um clero regular. Criticava o culto ás imagens e admitia apenas os sacramentos da eucaristia e 
batismo. O calvinismo expandiu-se rapidamente por toda a Europa, mais do que o luteranismo, na medida 
em que atendia às expectativas espirituais da burguesia. Assim, atingiu os Países Baixos e a Dinamarca, 
além da Escócia, (John Knox) cujos seguidores foram chamados presbiterianos, da França (huguenotes) e da 
Inglaterra (os puritanos). 
 
A Reforma na Inglaterra 
A Reforma Protestante foi desencadeada na Inglaterra pelo rei Henrique VIII (1509-1547), que 
obteve dividendos políticos com o processo. Tendo como pretexto a anulação de seu casamento com 
Catariana de Aragão para casar-se com Ana Bolena, o monarca inglês rompeu com o papa. Em 1534 
publicou o Ato de Supremacia, criando a Igreja anglicana, da qual era o líder. Excomungado pelo papa, 
reagiu, confiscando os bens dos membros da Igreja distribuídos pelo reino. 
Apesar de assemelhar-se externamente ao catolicismo, com a manutenção das imagens e do clero, o 
conteúdo da doutrina anglicana aproximava-se do calvinismo. Serviu aos interesses políticos do rei e às 
expectativas da burguesia e foi à seita puritanaque mais buscou enfatizar os aspectos calvinistas da religião. 
 
A Contra Reforma 
A expansão das doutrinas protestantes pela Europa gerou uma reação da Igreja, que buscou reverter o 
quadro, num movimento que ficou conhecido como Contra Reforma. Uma iniciativa pioneira foi à fundação 
da Companhia de Jesus, ordem religiosa criada pelo ex-soldado espanhol da região basca Ignácio de Loyola. 
Organizando em rígida hierarquia e submetidos a uma disciplina quase militar, os “soldados de Cristo”, 
como foram chamados, buscaram combater o protestantismo por meio do ensino e da expansão da fé 
católica. Daí deriva o projeto da catequese indígena na América e nos demais continentes onde havia 
colônias europeias. 
Em 1542, o papa Paulo III convocou o Concilio de Trento, com o objetivo de discutir assuntos 
religiosos, inclusive com teólogos protestantes. Nenhum consenso foi possível, e o Concilio acabou apenas 
por reafirmar os princípios católicos, condenado o protestantismo. Entretanto, algumas medidas 
moralizadoras começaram a ser tomadas, como a proibição da venda de indulgências e a criação de escolas 
para a formação de eclesiásticos. Pouco antes do Concilio de Trento, o papa restabeleceu a Inquisição, agora 
sob a forma do tribunal do Santo Ofício. Sempre em nome do combate ás heresias e comandada pelo 
superior da ordem jesuítica, nas décadas seguintes, a Inquisição condenou a tortura e a morte milhares de 
pessoas na Europa e nas colônias além-mar. 
 
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Foi criado o Index, lista de livros proibidos pela Igreja católica. Qualquer obra considerada contraria 
aos princípios da fé, incluindo livros científicos (de Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros), as 
Bíblias protestantes e, inúmeros outros autores, faziam parte dessa lista. 
A Contra Reforma não destruiu o protestantismo, mas limitou a sua expansão. Seu sucesso mais 
duradouro encontra-se na América, onde as iniciativas catequéticas dos jesuítas, nos séculos XVI e XVII, 
deram frutos, sendo hoje a América Latina o local de maior concentração de católicos no mundo. 
 
As Mudanças que Ocorreram Contra a Igreja 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 14 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
Reforma da Igreja 
 
A Renascença havia revitalizado a vida intelectual europeia, e nesse processo, descartara a 
preocupação medieval com a teologia. De modo semelhante, a Reforma marcou o início de uma nova 
perspectiva religiosa. Contudo, a Reforma protestante não teve origem nos círculos elitista dos eruditos 
humanistas. Ela foi desencadeada por Martinho Lutero (1483-1546), um desconhecido monge alemão e 
brilhante teólogo. A rebelião de Lutero contra a autoridade da Igreja fragmentou, em menos de uma década, 
a unidade da cristandade. Iniciada em 1517, a Reforma dominou a história da Europa ao longo de grande 
parte do século XVI. 
A Igreja Romana, sediada em Roma, era a única instituição europeia que transcendia as fronteiras 
geográficas, étnicas, linguísticas e nacionais. Durante séculos, estendera sua influência sobre cada aspecto da 
sociedade e da cultura europeia. O resultado, porém, foi que sua imensa riqueza e poder parecem ter 
superado seu compromisso com a busca da santidade nesse mundo e da salvação no seguinte. Obstruído pela 
riqueza, viciado no poder internacional e protegendo seus próprios interesses, o clero, do papa abaixo, 
tornou-se alvo de um bombardeio de críticas, iniciado na Baixa Idade Média. 
 
O Contexto da Reforma 
O processo de centralização monárquica, em andamento na Europa desde o final da Idade Média, 
tornou-se tenso o relacionamento entre os reis e a Igreja, até então detentora de sólido poder temporal. 
Assim, além do domínio espiritual sobre a população, os membros do clero detinham o poder político-
administrativo sobre os reinos. Roma – Isto é, o papa – recebia tributos feudais provenientes das vastas que 
essa prática passasse a ser questionada pelos monarcas. 
Dentro da própria Igreja, dois sistemas ideológicos se defrontavam. De um lado, o tomismo, corrente 
predominante assumida especialmente pela cúpula romano-papal, que via no livre-arbítrio e nas boas obras o 
caminho para a salvação. Do outro, a teologia agostiniana, fundada no princípio da salvação pela fé e 
predestinação. 
Um ingrediente poderoso na crise religiosa que se delineava foi a desmoralização do clero. Os abusos 
e o poder excessivo de seus membros (do alto e baixo clero) contradiziam abertamente suas pregações 
moralizadoras. Embora condenassem a usura e desconfiasse do lucro, os membros da Igreja praticavam-nos 
de forma desenfreada. O comércio de bens eclesiásticos, o uso da autoridade para garantir privilégios, o 
desrespeito ao celibato clerical e até a venda de cargos eclesiásticos não eram raros na Igreja desde o final da 
Idade Média. O maior escândalo talvez fosse o da venda de indulgencias, isto é, do perdão dos pecados 
cometidos pelos fiéis em troca de pagamentos a religiosos. 
Nas universidades, o movimento de crítica ganhava vulto, principalmente em Oxford, na Inglaterra, 
com John Wyclif, e em Praga, na Boêmia (Sacro Império Romano-Germânico), com João Huss. Wyclif 
atacou severamente o sistema eclesiástico, a opulência do clero e a venda da indulgencias, defendendo o 
confisco dos bens da Igreja na Inglaterra e a adoção dos votos de pobreza material do cristianismo primitivo. 
Huss encampou as críticas de Wyclif e associou-se à independência da boêmia, que estava sob domínio do 
Sacro Império, sendo seus seguidores chamados de hussitas. Huss acabou sendo preso, condenado e 
queimado por decisão do Concílio de Constança, em 1415. 
 
A Reforma Luterana 
O grande rompimento iniciou-se na Alemanha, região do Sacro Império Romano-Germânico. A 
Alemanha era ainda basicamente feudal, agrária, com alguns enclaves mercantis e capitalistas ao norte. A 
Igreja era particularmente poderosa no Sacro Império, onde possuía cerca de um terço do total das terras. A 
nobreza alemã por essa razão encontrava-se ansiosa por diminuir a influência da instituição, além de cobiçar 
suas propriedades, o que estimulou ainda mais o rompimento. 
 
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A Reforma teve início com Martinho Lutero (1483-1546), membro do clero e professor da 
Universidade de Wittenberg. Crítico pregava a teologia agostiniana da predestinação, negando os jejuns e 
outras práticas comuns apregoados pela Igreja. Em 1517, em Wittenberg, o monge insurgiu-se contra a 
venda de indulgência realizada pelo dominicano João Tetzel, escrevendo um documento conhecido como As 
95 teses, que radicalizava publicamente suas críticas à Igreja e ao próprio papa. Em 1520, o papa Leão X 
redigiu uma bula condenando Lutero, exigindo sua retratação e ameaçando-o de excomunhão. 
Queimando a bula em público, a reação de Lutero agravou a situação, ampliando suas consequências. 
Estabeleceu-se uma verdadeira crise política, na qual a nobreza alemã dividiu-se, em parte a favor, mas, em 
sua maioria, contra o papa. O imperador Carlos V convocou uma Assembléia, chamada Dieta de Wornms, 
em 1521, na qual o monge foi considerado herege. 
Acolhido por parte da nobreza, Lutero passou a dedicar-se à tradução da Bíblia do latim para o 
alemão e a desenvolver os princípios da nova corrente religiosa. Mais tarde, em 1530, a Confissão de 
Augsburgo fundamentou a doutrina luterana. Seu conteúdo incluía: 
 
 O principio da salvação pela fé, rejeitando o tomismo; 
 A livre leitura daBíblia, vista como único dogma da nova religião (daí a importância de tê-la 
traduzida para o idioma comum do povo); 
 A supressão do clero regular, do celibato clerical e das imagens religiosas (ícones); 
 A manutenção de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia; 
 A utilização do alemão, em lugar do latim, nos cultos religiosos; 
 A negação da transubstanciação (transformação do pão e vinho no corpo de e sangue de 
Cristo), aceitando-se pão e vinho como um todo, o corpo de Cristo; 
 A submissão da Igreja ao Estado. 
 
Ao subordinar a Igreja ao Estado, Lutero atraiu a simpatia de grande parte da nobreza alemã, 
ampliando o apoio à nova doutrina. Entretanto, essas mesmas ideias serviram para inspirar a revolta 
camponesa dos anabatistas. Liderados por Thomas Münzer, camponeses viram, na quebra da autoridade 
religiosa, uma possibilidade de romper com a estrutura feudal, passando a confiscar terras, inclusive da 
nobreza. 
Lutero, entretanto, condenou violentamente os anabatistas, pregando a utilização da força para 
exterminá-los. Repeliu também a burguesia, pois considerava o dinheiro um instrumento do demônio para a 
disseminação do pecado. A partir de 1555, a Paz de Augsburgo, estabeleceu que cada governo dentro do 
Sacro Império pudesse escolher sua religião e a de seus súditos de acordo com a vontade de seus príncipes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 15 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Expansão Marítima Europeia – Grandes Navegações 
 
A grande crise dos séculos XIV e XV, marcada pela Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra 
durante o século XIV, desestabilizou as rotas comerciais que cruzavam a França, essas eram importantes 
para a articulação do comércio continental, ficaram comprometidas pela guerra, tornando necessário o 
estabelecimento de caminhos alternativos. 
Ao mesmo tempo, a Peste Negra devastou a população européia em muitas áreas, levando à violenta 
retração dos mercados consumidores e, portanto, da atividade comercial. Finalmente a fome generalizada, 
provocada pela escassez de alimentos que configuraram no cenário de destruição da guerra, completou o 
contexto do que ficou conhecido como a crise do século XIV. 
A diminuição da população européia criou uma situação na qual a retomada da atividade comercial 
se faria de forma lenta, na mesma medida da própria expansão demográfica. O desvio de metais preciosos 
para o Oriente, com o objetivo de se comprarem especiarias e outros artigos de luxo, favoreceu para o 
esgotamento das minas de metais preciosos de ouro e prata no continente europeu, tornando limitada a oferta 
de moedas, estrangulando o comércio. E, finalmente, o monopólio da lucrativa rota mediterrânea das 
especiarias, exercido pelas cidades italianas, notadamente Veneza, restringia a possibilidade de lucros de 
outras cidades europeias. 
Esses fatores acabaram de forçar a burguesia européia a buscar novas rotas alternativas para expandir 
o comércio, e a saída evidente era a navegação atlântica. Teve origem aí o processo de expansão marítima 
européia. A empreitada de enfrentar a desconhecida navegação no Oceano Atlântico exigia investimentos de 
vulto, que estavam muito além das possibilidades de qualquer cidade europeia isoladamente. Em outras 
palavras, era necessária a mobilização ampla de recursos, o que foi feito em escala nacional, tornando a 
centralização monárquica um verdadeiro pré-requisito para a expansão marítima da Europa. 
 
As Navegações Portuguesas 
A progressiva participação lusa no comércio europeu ganhou impulso no início do século XV. 
Assim, a precoce centralização monárquica (Revolução de Ávis, 1385), associando os poderes políticos 
concentrados nas mãos do rei e aos interesses do setor mercantil, teve papel decisivo na montagem das 
grandes navegações portuguesas. 
Esse contexto foi ainda favorecido pelos estudos náuticos liderados pela atuação do infante D. 
Henrique, o navegador (1394-1460). D. Henrique atraiu para sua residência, em Sagres, navegadores 
cosmógrafos, cartógrafos, mercadores e aventureiros, desde o início do século XV. Tal conjunto de 
conhecimentos tornou viável o projeto expansionista português e seu desejo de viagens pelo Oceano 
Atlântico, o que contribuiu para atingir as Índias, superando as limitações ao comércio continental europeu 
do século XV. 
Pouco apouco, ganhou corpo o objetivo português de realizar o périplo africano, isto é, a viagem em 
torno da África. Nesse quadro, as expedições portuguesas avançaram, a cada ano, milhas em direção ao sul, 
atingindo pontos cada vez mais distantes do litoral da África e ilhas do Atlântico (Açores, Madeira, Cabo 
Verde). A exploração das ilhas inabitadas e recém-conquistadas contou com uma política de povoamento 
baseada na agricultura e na pecuária. Além da criação de gado, foram implantados cultivos, principalmente 
de trigo, vinhas e cana-de-açúcar. A divisão da nova terra em capitanias hereditárias – sistema pelo qual o rei 
escolhia entre seus nobres os administradores (capitães-donatários), no qual devia promover o povoamento e 
a exploração econômica do novo território –, era uma forma de aperfeiçoar a colonização, sendo adotada 
posteriormente nas terras da América portuguesa. 
 
 
 
 
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47 
 
O processo de expansão portuguesa: 
 
 1415, tomada de Ceuta, no norte da África; 
 1418-1432, a ocupação do arquipélago dos Açores, com introdução de Capitanias 
Hereditárias; 
 1434, a chegada ao Cabo Bojador; 
 1444, a descoberta do arquipélago de Cabo Verde; 
 1482 Diogo Cão atinge a foz do rio Zaire; 
 1486, D. João II organiza duas expedições para o Oceano Índico: uma terrestre comandada 
por Pedro de Cavilhã, e outra marítima, comandada por Bartolomeu Dias; 
 1488, Bartolomeu dias atinge o Cabo da Boa Esperança; 
 1498, Vasco da Gama atinge Calicute, na costa oeste da Índia; 
 1500, Pedro Alvares Cabral oficializa a posse sobre o Brasil. 
 
 
 
 
 
As Navegações Espanholas 
Pouco antes de a expansão marítima portuguesa atingir seu objetivo de chegar às Índias, a Espanha 
acabou por organizar expedições atlânticas, tornando-se a segunda monarquia europeia a fazê-lo. A primeira 
viagem espanhola, bastante modesta, foi concebida em 1492, por um navegador genovês, Cristóvão 
Colombo. Partiu do porto de Palos na Espanha, no mês de agosto, em três caravelas (Nina, Pinta e Santa 
Maria) com o propósito de atingir as Índias contornando o globo terrestre, navegando sempre em direção ao 
Ocidente. Assim, buscava-se uma rota alternativa àquela controlada pelos portugueses no sul, em torno da 
África. Colombo chegou ao continente americano pensando ter alcançado as Índias e morreu acreditando 
nisso. Atlântico, Somente em 1504 desfez-se o engano, quando o navegador Américo Vespúcio confirmou 
tratar-se de um novo continente. 
A essa altura, portugueses e espanhois, espalhados pelo Atlântico detinham o monopólio das 
expedições oceânicas, sendo seguidos por outras nações a partir do início do século XVI, especialmente 
França e Inglaterra. Entretanto, os dois reinos ibéricos já haviam decidido a partilha do mundo antes mesmo 
que outras nações começassem a se aventurar nos novos territórios: em 1493, a bênção do papa Alexandre 
VIU a esse acordo levaram à edição da Bula Intercoetera, substituída no ano seguinte pelo tratado de 
Tordesilhas. 
 
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48 
 
Esse estipulava que todas as terras situadas aoeste do meridiano de Tordesilhas (a 370 léguas a oeste 
do arquipélago de Cabo Verde) pertenceriam à Espanha, enquanto as terras situadas a leste seriam 
portuguesas, como é possível observar no mapa. Outras nações européias rejeitaram esse tratado, e a disputa 
pelos territórios recém “descobertos” seria um marco na Idade Moderna, que se iniciava. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
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Aula 16 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
O Mercantilismo – 1º Ano 
 
O Estado Moderno 
A idade moderna inicia-se em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos e estende-se até 
1789 com o início da Revolução Francesa. O século XV marcou uma nova fase do processo histórico da 
Europa Ocidental. Estruturou-se uma nova ordem socioeconômica – O Capitalismo Comercial. A nobreza 
mantinha as “aparências” de poder por causa das suas terras e títulos. Embora estivessem em dificuldades 
financeiras, ainda sim, a alta burguesia queria se estabelecer e permanecer no poder com as novas regras da 
economia. Já a pequena burguesia ascendente, mesmo com próspero comércio, não conseguia ser a classe 
dominante junto à aristocracia. 
A Idade Moderna, na verdade, pode ser considerada como um período de transição, que valorizou o 
comércio e a capitalização, que serviriam de base para o desenvolvimento do sistema capitalista. 
 
A Formação do Estado Moderno 
A Idade Moderna foi bem diferente da Idade Média. Pode-se dizer que suas características foram 
bem opostas. A Idade Média foi marcada por: 
 
 Regionalismo político – onde os feudos e as comunas tinham autonomia política, causando a 
fragmentação no sistema administrativo; 
 O poder da igreja – que enfatizava e colocava a autoridade do Papa sobre os reinos da 
época. No Estado Moderno desenvolveu-se a noção da soberania, ou seja, a ideia de que o 
soberano (governante) tinha o direito de consolidar suas decisões perante seus súditos (ou 
governados) que morassem no seu território. Para isso ocorrer, o Estado desenvolveu vários 
meios para controlar a política de seu território. 
 
Alguns desses meios foram: 
 Burocracia: funcionários que cumpriam ordens do rei e desempenhavam as tarefas de 
administração pública. Estes cargos eram ocupados pela nobreza palaciana e pela alta 
burguesia. 
 Poder militar: incluía todas as forças armadas – a marinha, exército e polícia – para 
assegurar a ordem pública na sociedade e o poder do governo. 
 União da justiça- a legislação passou a valer em todo o território nacional. 
 Sistema tributário: ou seja, sistema de impostos regulares e obrigatórios para manter o 
governo e a administração pública. 
 Idioma oficial: um mesmo idioma falado em todo território do estado, que transmitia as leis, 
ordens e tradições da nação, além de valorizar seus costumes e cultura. 
 
O Estado moderno também é conhecido como Estado Absolutista, porque o poder estava 
concentrado nas mãos de poucos (reis e ministros) que se aproveitavam das limitações dos grupos sociais 
dominantes (a nobreza e a burguesia) para controlar a política. 
O Estado dependia dos impostos arrecadados sobre as atividades comerciais e manufatureiras. Por 
isso, era necessário que o Estado tivesse membros da alta burguesia em cargos do governo, incentivar o 
lucro, a expansão dos mercados comerciais e a exploração das colônias. 
 
A Base do Mercantilismo e o Absolutismo 
A base teórica do absolutismo foi dada por Jacques Bossuet e Thomas Hobbes. Bossuet defendia o 
direito divino dos reis; seus atos eram superiores ao julgamento dos homens. Já Hobbes justificou o 
 
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absolutismo, a partir do fato dos homens entrarem em um acordo, onde o poder ficaria com o rei e a ordem 
seria estabelecida. 
Essas monarquias regulavam suas economias de acordo com as práticas mercantilistas que tinham 
por base: 
 
 Aumentar a qualquer custo as economias da Coroa; 
 Vender mais do que comprar; 
 Incentivar a produção interna, incluindo as colônias, para assim ter uma balança comercial 
favorável; 
 Adotar medidas de proteção para as manufaturas e controlar as taxas alfandegárias sobre os 
produtos importados; 
 Conquistar colônias e explorar produtos de alto valor comercial na Europa; 
 A aliança da burguesia mercantil com os reis em favor dos seus interesses econômicos. Com 
isso a burguesia conseguiu até mesmo formar um exército forte. 
 
Nesse período, teve um estado interventor, que atuava em todos os setores da vida nacional. Na 
economia, essa intervenção manifestou-se através do mercantilismo. 
 
O MERCANTILISMO 
Mercantilismo foi o conjunto de teorias e práticas de intervenção econômica do sistema absolutista. 
Era um sistema complexo e envolvia teorias exatas sobre produção manufatureira, utilização da terra e do 
poder do Estado. Pode-se dizer que era uma política de controle e incentivo, onde o estado buscava garantir 
o seu desenvolvimento comercial e financeiro e também o seu poder. Portanto, pode-se afirmar que o 
absolutismo forneceu a base política necessária para o mercantilismo. 
Sua base principal foi: 
 
 O metalismo: a riqueza e o poder de um estado de acordo com os metais preciosos 
acumulados, ouro e prata. 
 Balança comercial favorável (superávit comercial): exportar mais do que importar; diminuir 
a importação e acumular capital. Com esses princípios foram aplicados: Na Espanha – o 
Estado investiu em metais preciosos, através da exploração colonial americana e para por 
restrições as importações, priorizou o metalismo. 
 Protecionismo: necessário para assegurar o monopólio, era adotado por meio de medidas 
fiscais ou alfandegárias que dificultava a entrada de mercadorias de outros países, 
encarecendo-os. 
 Monopólio: direitos exclusivos dos reis sobre as economias nacionais. 
 Estímulo à economia nacional: as práticas do mercantilismo eram voltadas ao fortalecimento 
da economia interna. 
 Colonialismo: o mais importante meio para atingir os objetivos mercantilistas, uma vez que 
nas colônias as potências podiam instaurar, sem restrições, suas políticas econômicas. O 
fortalecimento da economia nacional tinha como finalidade o enriquecimento do Estado e dos 
comerciantes, ou seja, a burguesia. 
 
Mercantilismo nos séculos XVI-XVIII 
Na França, principalmente no século XVII, o governo tentou diminuir as importações e aumentar o 
valor das exportações, por estimular as manufaturas, em especial àquelas voltadas para a produção de artigos 
de luxo. Para esse objetivo, criou diversas companhias de comércio. Seu maior defensor foi – o ministro de 
Luís XIV –, Colbert, pois na França o mercantilismo foi chamado de colbertismo, e também de 
industrialismo, visto que essa política econômica dava prioridade às indústrias francesas, além de ter 
incentivos para a construção naval; com tudo isso, a França conseguiu conquistar o mercado externo. 
 
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Na Inglaterra, o governo favoreceu o desenvolvimento naval para a exportação e a exploração do 
comércio externo. Também incentivou a produção manufatureira e protegendo-a da concorrência através de 
medidas protecionistas econômicas, com uma forte política alfandegária. Houve várias medidas de proteção 
ao comércio marítimo. Como a criação de leis contra o transporte de produtos da metrópole e das colônias 
inglesas por navios estrangeiros. Esta lei evitava gastos com fretes para navios estrangeiros e impedia a 
evasão de moedas parao exterior, deixando o lucro do comércio no país. Estes foram os atos de navegação, 
que serviram para o desenvolvimento comercial inglês. 
No século XVI Portugal e Espanha tomaram a liderança nas mudanças econômicas na Europa. 
Também tomaram a frente na expansão ultramarina, logo acabaram sendo os primeiros a se beneficiar das 
riquezas das terras descobertas. A Espanha foi a mais beneficiada, pois teve nas suas colônias de exploração 
metais preciosos. Enquanto que Portugal buscava manter o monopólio comercial das índias e permanecer 
com a nova terra “descoberta”, Brasil. Dentro desse processo mercantilista, outro mecanismo foi criado para 
fortificar as bases do mercantilismo europeu absolutista, o Pacto Colonial. 
 
Pacto colonial 
Sistema que consistia na passagem obrigatória pela metrópole dos produtos que entravam ou saíam 
da colônia. Todos os produtos manufaturados da metrópole deveria produzir, de acordo, com as exigências 
do mercado, para garantir lucros à coroa e a burguesia. 
A Espanha logo enriqueceu, por causa do acúmulo de metais preciosos. Mas o excesso desses metais 
gerou em longo prazo, problemas para a economia espanhola. Tanto que diminuiu as atividades agrícolas 
fazendo a Espanha ficar dependente das importações. Esse problema também se espalhou por outros países 
europeus. 
Esta crise favoreceu os países produtores como França, Holanda e Inglaterra, a fortificar suas 
exportações e acumular capital, visto que estes países se voltaram para o comércio exterior favorecendo 
novas tecnologias agrícolas para a produção como meio de entesouramento. 
 
A Relação: Econômica e Política no Mercantilismo 
O comércio permitiu ao governo manter e sustentar novas necessidades. Como: os exércitos a serviço 
do rei. Visto que o exército era importante para a defesa do estado nacional, e, a extensão política do 
mercantilismo econômico. 
Essa relação- rei e burguesia – tinha suas vantagens. O rei controlava o recolhimento de impostos, 
que tinha uma parte reservada para o exército. A burguesia recebia a proteção militar e política para 
continuar com projetos econômicos e sua expansão rumo a novos mercados, ou seja, ao Imperialismo. 
 
 
 
 
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Aula 17 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Colonização América 
 
A expansão colonial iniciada pelos países europeus no século XV nas grandes navegações constitui 
um dos capítulos mais importantes da história moderna. Se, por um lado, seus defensores veem nela uma 
incontestável ação civilizadora, é certo que, por outro, ela acarretou a desaparição de importantes culturas e 
a sujeição de numerosos povos às necessidades e interesses coloniais. 
Eram duas horas da madrugada do dia 12 de outubro de 1492 quando o marujo da caravela gritou: 
“Terra, terra”. A frota de Cristóvão Colombo enfim chegava a algum lugar. Em 3 de agosto a nau Santa 
Maria e as caravelas Pinta e Niña tinham zarpado do porto de Palos, no sul da Espanha. Em 6 de setembro, a 
expedição fez escala nas ilhas Canárias e partiu com as embarcações rumo ao desconhecido. Em 12 de 
outubro chegou a uma ilha do arquipélago das Bahamas, Colombo colocou o nome da ilha de São Salvador. 
Navegou para a outra ilha que batizou de São Domingos. 
Embora os europeus agissem como se estivessem descobrindo um novo mundo, o continente 
americano já era habitado, há muito tempo, por diversas culturas, com diferentes formas de organização 
social. Na época da chegada dos europeus, três grandes impérios se destacavam: o Asteca, e Maias na 
Mesoamérica (denominação dos povos que vivam na América central e, extremo sul da América do Norte) e 
o Inca, na região andina. 
Após a chegada de Colombo, as Antilhas se tornaram o ponto de partida para as novas conquistas. 
Ali, foi explorado o ouro de aluvião (rios, córregos). No início, em geral, os europeus eram bem recebidos e 
bem tratados pelos nativos. Predominavam as alianças, a miscigenação, as trocas culturais e o escambo 
(troca de mercadorias). Ao poucos os maus tratos e as novas doenças trazidas pelos espanhóis causaram 
epidemias que dizimaram grandes contingentes de ameríndios. Com o avanço dos europeus pelo continente, 
a conquista sobre a população nativa tornou-se mais intensa. Dois exploradores espanhóis, Fernão Cortês e 
Francisco Pizarro, lideraram a primeira fase da ação europeia sobre a América. 
Em 1519, o grupo liderado por Fernão Cortez chegou a Tenochtitlán, capital asteca, onde foi bem 
recebido pelo imperador Montezuma. Tempos mais tarde, porém, um conflito entre espanhóis e astecas 
eclodiu. Após intensa batalha com utilização de cavalos, arcabuzes e canhões, os espanhóis derrotaram os 
guerreiros astecas. Em 1521, Cortez tomou a capital do Império Asteca. 
Dez anos mais tarde, uma expedição comandada por Francisco Pizarro dominou o Império Inca, 
cujas proporções territoriais eram enormes. Aproveitando-se da crença dos incas em suas boas intenções, 
Pizarro conseguiu se aproximar do imperador Atahualpa e prende-lo. Ao realizar alianças políticas com 
facções dissidentes, os espanhóis puderam contar com o apoio de grupos insatisfeitos com a dominação inca. 
Cuzco, a capital do Império Inca foi devastada e saqueada em 1533. Homens, mulheres e crianças foram 
torturados para revelarem tesouros escondidos. Nos Andes, a resistência mais tenaz dos incas perdurou por 
algumas décadas, até a execução do imperador Tupac Amaru I, em 1571. Assim ficou a estrutura 
administrativa da Espanha nas terras da América: 
 
 
 
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A pesar do esplendor cultural dos grandes impérios americanos, as culturas nativas não conseguiram 
resistir aos homens que vieram do mar. Os massacres e as doenças reduziram drasticamente a população 
ameríndia. Os contatos propiciados pelas novas conquistas desencadearam grandes epidemias, provocando 
uma enorme taxa de mortalidade. Doenças contagiosas como a varíola dizimaram populações nativas 
inteiras. As guerras de conquistas e a subnutrição contribuíram muito para a dominação cultural e política 
europeia. Poucas vozes européias se ergueram para denunciar o massacre da população indígena. Entre elas, 
destaca-se a do frei dominicano Bartolomé de Las Casas (1484-1566), que se opôs à ideia de “guerra justa” e 
denunciou as atrocidades realizadas pelos espanhóis em território americano. 
Para quem defendia a ação violenta contra os indígenas, a guerra era justa, pois, de outra maneira, 
tais povos não abdicariam de seus costumes “bárbaros” e não se submeteriam aos espanhóis. Lãs Casas foi 
contra esse pensamento, denunciando que a tortura e o assassinato dos nativos da América eram movidos 
apenas pela ganância e crueldade dos espanhóis. Segundo ele, que também desejava a conversão dos 
indígenas ao cristianismo, a palavra e o convencimento deveriam vir antes da espada. 
Mesmo cona atuação de Las Casas, as conquistas européias provocaram a destruição e 
desestruturação social e econômica das populações locais. Grandes impérios nativos deixaram de existir e os 
habitantes que restaram foram submetidos a várias formas de trabalho em favor dos espanhóis. 
 
 
 
 
 
 
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Aula 18 
 
As Sociedades Pré-Colombianas 
 
Na época da chegada dos europeus na América, estima-se que sua população estivesse próxima de 
cem milhões de habitantes, irregularmente distribuídos pelo continente e em diferentes estágios de 
desenvolvimento. “havia de tudo entre os indígenas da América: astrônomos e canibais, engenheiros e 
selvagens da Idade daPedra. Mas nenhuma das culturas nativas conhecia o ferro nem o arado, nem o vidro e 
a pólvora, nem empregava a roda, a não ser em pequenos carrinhos.” (GALEANO, Eduardo. As veias 
Abertas da América Latina, 1981). 
Os ameríndios mais avançados tecnologicamente e que possuíam sofisticada organização social 
cultural formavam a maioria da população americana no século XV. Isto porque o aumento demográfico 
decorrente da agricultura neolítica permitiu que se formassem, em certos locais, concentrações 
populacionais, resultando na urbanização, processo que caracterizou séculos e até milênios da história dos 
povos pré-colombianos. 
Em meio a esta evolução, surgiram sociedades divididas em classes sociais com um Estado 
estruturado e dominador, que impunha tributos, transformando a ordem tribal em civilizações com crescente 
complexidade de organização e cultura, especialmente na América Central e nos Andes. Na primeira, 
destacaram-se as civilizações Maias e Astecas e regiões andinas, a Inca, não sendo, porém, as únicas. 
 
Sociedades Pré-Colombianas 
 
 
Os mesoamericanos 
 A região mesoamericana corresponde à boa parte dos atuais países como México, Guatemala, El 
Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica, produziram ao longo de 25 séculos diversas civilizações 
poderosas, destacando-se a dos Olmecas, Maias, Toltecas e principalmente a dos Astecas. 
Das primeiras civilizações mesoamericanos a dos Olmecas é considerada a fundadora da “cultura 
mãe” da América Central, cujo desenvolvimento situa-se entre um pouco antes de 1000 a.C. até pouco 
depois do século V a.C. A economia olmeca estava baseada na agricultura de feijão, milho e abobora ao 
longo dos rios e caça e pesca. Toda vida olmeca estava ligada aos vários centros religiosos cerimoniais. 
 
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55 
 
Existia um comércio baseado em pedras preciosas (jade e outras) para adorno, produziam uma cerâmica 
rudimentar, criaram uma escrita e um calendário pouco conhecido, os quais serviram de base para o 
desenvolvimento das civilizações posteriores. 
Os Olmecas construíram a cidade de Teotihuacán por volta de 100 a.C. localizada a nordeste da atual 
Cidade do México, com predomínio social, centro administrativo e religioso, com palácios, pirâmides, 
avenidas, praças e bairros planificados, pertenciam a uma aristocracia guerreira e aos funcionários da 
administração estatal, possuía uma população superior a de 80 mil habitantes. 
 
A Civilização Maia 
 Ocupando uma região que correspondia hoje a península mexicana de Iucatã, Guatemala, Beleze e 
Honduras, na América Central, atingiu o seu apogeu econômico cultural entre os séculos III e XI, 
organizando-se em cidades-estados, como Palenke, Tikal, Copan, entre outras. O predomínio social cabia a 
uma elite militar e sacerdotal, de caráter hereditário, comandada pelo Halach Uinic, responsável pela 
administração e cobrança de impostos. Nos arredores das cidades ficavam as ladeias de camponeses 
submetidos à servidão coletiva. 
No século IX, floresceram cidades-estados que antes eram de pouca expressão, como El Tajin (atual 
Vera Cruz), xochicalco (Atual Morelos) E Colula (atual Puebla), as quais pouco depois entraram em declínio 
devido a invasões estrangeiras. Quando chegaram os espanhóis, no século XV, todas as cidades maias 
estavam arruinadas, beirando a total desintegração, uma decadência de vários séculos cujas razões são ainda 
pouco conhecidas. Ao final da civilização Maia surgiram novas hegemonias de invasores mesoamericanos, 
destacando-se por um breve período a dos Toltecas e, a seguir, a dos mexicas, também conhecidos por 
Astecas. 
 
A Civilização Asteca 
De todas as grandes culturas pré-colombianas da região mesoamericana, a asteca foi a mais 
grandiosa. A civilização Asteca reuniu um império que e estendia desde o oeste mexicano até o sul da 
Guatemala, uma área superior a trezentos mil quilômetros quadrados, envolvendo uma população próxima 
de 12 milhões de habitantes. Sua capital, Tenochtitlán (hoje cidade do México), espalhava-se por 13 
quilômetros quadrados e tinha uma população perto de cem mil pessoas, segundo estimativas mais seguras 
(há quem chegue a apontar quinhentos mil habitantes). 
Em seu apogeu, o império asteca era sustentado pelo domínio sobre povos vizinhos, obrigados a 
pagarem tributos, o que era conseguido com alianças, confederações e constantes expedições punitivas dos 
astecas, assemelhando-se muitíssimo às civilizações da Antiguidade Oriental, como Egito e Mesopotâmia. 
 
A Civilização Inca 
Por volta de 1438, formou-se na região do atual Peru o Império Inca. Chamava-se Tawantinsuyo, em 
quechua, principal língua falada nos Andes. No Império Inca, o principal deus era Inti, o deus sol. O império 
cobrava tributos das aldeias vizinhas, chamadas ayllus, que cultivavam vários tipos de batata nas terras altas 
do território, transportados da serra ao litoral no lombo de lhamas. Os incas foram os únicos na América a 
domesticas animais para o trabalho. 
Por terem conquistados vastas áreas com diferentes ambientes ecológicos e climáticos, desde o frio 
altiplano andino até a quente costa peruana, o Império Inca pôde desenvolver atividades bem variadas. Na 
verdade, o Império Inca era imenso, incluindo os atuais Peru, Bolívia, e Equador, o sul da Colômbia e o 
noroeste argentino. Os incas estavam em plena expansão na região amazônica quando foram conquistados 
pelos espanhóis, na década de 1530. 
Uma diferença importante entre os impérios inca e asteca reside na forma de tributação. No caso 
asteca, como vimos, embora o tributo em trabalho fosse essencial, predominava o pagamento em gêneros 
agrícolas ou artesanato enviado a Tenochtitlán. No caso inca, prevalecia o tributo em trabalho, conhecido 
como mita. Esse trabalho era uma oferenda ao deus sol, encarnado no próprio soberano dos incas, chamado 
também de Inca. 
 
 
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56 
 
Aula 19 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
Astecas 
 
Na América, a organização de sociedades mais complexas, como a dos Astecas, Maias e Incas, não 
ocorreu ao mesmo tempo em que no Oriente próximo ou na Europa. Aliás, os processos históricos não são 
nunca os mesmos em todas as sociedades. O próprio continente americano mostra evidências dessa 
afirmação. Na América, durante séculos, conviveram (e ainda convivem) inúmeros povos com realidades 
históricas bem distintas: povos nômades de cultura primitiva, como muitas tribos norte-americanas, os 
esquimós (Alasca), os ianomâmis e os xavantes (Brasil), que viviam (alguns ainda vivem) basicamente da 
caça e da coleta, os tupis-guaranis (América do Sul), os pueblos (América do Norte) e os aruaques (América 
Central), sedentários e agrícolas; e, finalmente, os povos de culturas mais complexas – maias, incas e 
astecas. 
 
Os Astecas e sua Origem 
A influência dos olmecas entre os astecas também foi muito grande, sobretudo porque eles viveram, 
em tempos, diferentes, basicamente na mesma região. Após a hegemonia olmeca, a região sofreu várias 
invasões de povos vindos da América do Norte. 
Os primeiros povoadores procedentes do norte, da região de Nahua (família linguística do nahuatl), 
construíram, entre 500 e 600 d.c. baseados nas tradições olmecas, uma grande cidade, Teotihuacán, com 
gigantescas pirâmides homenageando o Sol, a Lua e seu deus maior, Quetzacoatl. Nesse centro urbano 
desenvolveu-se uma sociedade sobre a qual, infelizmente, temos poucas informações. 
Os toltecas, uma das tribos nahuas do norte, chegaram à América Central entre 850 e 900 d.c., e 
talvez tenham se submetido aos sacerdotes de Teotihuacán,pois deram continuidade à construção e 
manutenção dessa grande cidade. Em razão do gigantismo de suas construções, muitos povos consideravam 
que ela havia sido construída por gigantes, antes da chegada dos homens à região. Eles organizaram um forte 
Estado e uma rica civilização, que, após disputas internas, guerras externas e invasões, chegou ao fim em 
1194 d.c. 
 
 
 Calendário Asteca 
 
O povo mexica, mais conhecido como asteca, é originário da região de Aztlán (daí a palavra asteca), 
no sul da América do Norte. Ele se estabeleceu no planalto mexicano (especificamente nas ilhas do lago 
Texcoco), junto com outros povos, após uma longa marcha, em 1168 d.c. No ano de 1325 eles começaram a 
construção de sua cidade, Tenochtitlán, que no século XV seria uma das maiores cidades do mundo. 
 
 
 
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Organização Política - A formação do Império Asteca 
A formação do Império asteca baseou-se na aliança de três grandes cidades, texcoco, Tlacopán e a 
capital, Tenochtitlán, estendendo seu poder por toda a região. As relações políticas que se estabeleceram 
entre elas e as regiões que controlavam ainda não são muito claras. Contudo, pode-se afirmar que não era 
uma estrutura rigorosamente centralizada, como ocorreria entre os incas. 
Na confederação Asteca conviviam inúmeras comunidades com idiomas, costumes e culturas 
diferentes (zapotecas, mixtecas, totonacas, etc.) A unidade entre elas dava-se em torno de aspectos religiosos 
e, principalmente, através da centralização militar dos astecas e da arrecadação dos impostos em 
Tenochtitlán. As diversas províncias da região que, além dos tributos, elas deveriam fornecer contingentes 
militares e submeter-se aos tribunais da capital. 
O Império asteca atingiu seu apogeu entre 1440 e 1520, quando foi inteiramente destruído pelos 
colonizadores espanhóis liderados por Cortés. Após diversas incursões colonizadoras em agosto de 1521 o 
Império Asteca foi inteiramente conquistado. Diversas razões levaram à derrota asteca a primeira é 
propriamente militar: a guerra, para os astecas, tinha como objetivo a dominação político-militar, para os 
espanhóis a guerra era de conquista e extermínio. Além disso, as estratégias militares e, principalmente, o 
armamento bélico dos colonizadores eram bem mais avançados. Outro motivo importante foi a proliferação 
de várias doenças e epidemias entre os astecas (a mais forte foi a varíola). Um fato adicional que contribuiu 
muito para a derrota asteca foi a aliança estabelecida entre alguns povos da região (tlaxcaltecas, totonecas, 
etc.) e os espanhóis. A intenção imediata desses povos era derrotar a hegemonia dos astecas na região, e os 
espanhóis eram fortes aliados para alcançar esse objetivo. Todavia, eles não puderam prever o que lhes 
aconteceria após a derrota asteca, com a consolidação da colonização européia. 
 
A Economia Asteca 
A sustentação da economia do Império estava baseada justamente no pagamento dos tributos em 
mercadorias. A não destruição das cidades submetidas e a manutenção relativa do poder local incluíam-se 
nessa lógica de arrecadação dos tributos, que variavam muito. Estima-se que, no final do Império, 
Tenochtitlán recebia toneladas de milho, feijão, cacau, pimenta seca; centenas de litros de mel, milhares de 
fardos de algodão, manufaturados têxteis, cerâmicas, armas, além de animais, aves, perfumes, papel, etc. 
A produção agrícola estava baseada essencialmente nos cereais, sobretudo no milho que, na verdade, 
foi à base da alimentação das civilizações pré-colombianas. É bem provável que essas sociedades não 
teriam se desenvolvido sem o milho, pois ele as sustentava e possibilitava o crescimento de suas 
populações. 
A posse das terras tinha uma característica muito interessante: o Estado asteca era proprietário de 
todas as terras e as distribuía aos templos, cidades e bairros (calpulli). Já nas cidades e bairros, a exploração 
da terra tinha um caráter coletivo, todo adulto tinha direito de cultivar um pedaço de terra para sobreviver e o 
dever de trabalha-la. Na fase final do Império, essa relação foi se modificando, pois sacerdotes, comerciantes 
e chefes militares se desobrigaram de trabalhar na terra, criando uma forma de diferenciação social. 
 
A Sociedade Asteca 
Foi uma sociedade fundada em aspectos religiosos e na guerra, aqueles que detinham mais poder 
eram os sacerdotes, seguidos dos chefes militares e dos altos funcionários do Império. Os altos funcionários 
militares e do Estado recebiam a denominação tecuhtli (dignitário), eram escolhidos pelo soberano e tinham 
uma série de privilégios (não pagavam impostos e viviam em grandes residências). 
Logo abaixo estavam os calpullec, espécies de administradores dos bairros (calpulli). Inicialmente 
eles eram escolhidos pelos habitantes dos bairros, mas com o tempo passaram a ser indicados pelos 
soberanos. 
O comércio externo era realizado por poderosas corporações de comerciantes, os pochtecas. O 
comércio de luxo entre as cidades era monopolizado por eles. Em razão do rápido enriquecimento desse 
setor da sociedade, ele foi ganhando gradativamente poder e distinção. 
 
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A maioria dos artesãos trabalhava vinculada a algum senhor (tecuhtli), e muitos mantinham oficinas 
em palácios e templos. O imposto era pago em artigos de sua especialidade e não eram obrigados ao trabalho 
coletivo. 
A maior parte da população estava entre os macehualli, que eram homens livres com direito a 
cultivar um pedaço de terra para sua sobrevivência, embora devessem obrigações como pagamento de 
impostos em mercadorias (a maior fonte de arrecadação), prestar o serviço militar e o trabalho coletivo 
(construir, conservar e limpar estradas, pontes e templos). 
Os tlatlacotin formavam o estrato social mais baixo, composto geralmente por prisioneiros de guerra, 
condenados, desterrados. Em troca de casa, comida e trabalho, eles se vinculavam a um amo. Isso não 
significava que eram escravos, pois podiam torna-se livres e possuir bens. 
 
Religião e a Cultura Asteca 
Os astecas eram considerados o povo mais religioso da região. Sua religião era essencialmente 
astral, isto é, baseada nos astros, e foram absorvendo deuses e ritos das mais importantes era Uitzlopochtli, 
que representava o sol do meio-dia. 
Os mitos e ritos astecas eram muito ricos e variados, e relacionavam-se com a natureza. Os cultos 
mais importantes sempre envolviam o Sol. Eram muito comuns rituais com sacrifícios humanos; a guerra, 
portanto, era uma grande fornecedora de prisioneiros para os sacrifícios. Geralmente toda a energia da 
comunidade estava canalizada para as atividades ritualísticas, realizadas com uma série encenações e 
procedimentos minuciosos. 
As atividades artísticas dos astecas foram muito influenciadas pelas tradições olmecas e toltecas. A 
escultura em jade e as grandes construções são exemplos claros dessas influências. A arquitetura estava 
ligada à vida religiosa, a forma mais frequentemente utilizada era a pirâmide com escadarias, culminando 
em um santuário no topo. 
Os afrescos coloridos e as pinturas murais também tinham destaque entre as artes astecas. O escriba 
ostentava o título de pintor, pois os hieróglifos eram acompanhados por uma série de quadros 
cuidadosamente desenhados. 
A música e a poesia estavam intimamente ligadas. Quase sempre acompanhadas por instrumentos, 
danças e encenações, as músicas tinham caráter religioso. Infelizmente, a violência da colonização espanhola 
acabou destruindo grande parte dessa rica produção.O Ofício da História Profº Me. Ubiratã F. Freitas 
 
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Aula 20 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
Os Incas 
 
Origens 
O povo incaico é originário de uma região entre o lago Titicaca e a cidade de Cuzco, no Peru. A 
partir daí os incas expandiram-se por uma área que abrangia desde o sul da Colômbia, passando pelo 
Equador, Peru, Bolívia e norte da Argentina, até o sul do Chile Esse Império chegou a reunir cerca de 15 
milhões de pessoas, de povos com línguas, costumes e culturas diferentes. 
Antes da construção do Império incaico viviam nessa região povos com culturas e formações sociais 
avançadas, que se costuma denominar pré-incaicos. Eles estavam distribuídos por toda a costa leste do 
continente sul-americano, nas serras e no altiplano andino; os chavin viviam nas serras peruanas; os manabi, 
no litoral do equador; os chimu, no norte do Peru; e havia ainda os chinchas, mochicas, nazca, e outros. 
Talvez grande demonstração do desenvolvimento desses povos pré-incaicos seja Tiahuanaco. Tratava 
–se de um grande centro cerimonial (hoje suas ruínas estão a cerca de 100 Km de La Paz, capital da Bolívia) 
que recebia periodicamente milhares de pessoas por Ano. Estima-se que essa civilização que parece ter sido 
influenciada pelos chavin, estabeleceu-se na região por volta do século X d. C. 
 
A Organização Política Inca 
O Império Inca absorveu as diversas culturas das civilizações preexistentes, colocando-as a serviço 
da expansão e manutenção do Império. A vitória sobre os chancas, em 1438 d. C., liderada pelo inca 
Yupanqui, marcou o início da formação do Império. Ele ocupou quase todo o Peru, chegando até a fronteira 
do Equador. Seus sucessores expandiram o Império para o altiplano boliviano, norte da Argentina, Chile 
(Tope Inca) e equador, até o sul da Colômbia (Huayana capac, 1493-1528). 
A expansão foi interrompida em razão da disputa entre dois irmãos, filhos de Huayana: Huascar, que 
centralizou seu Império em Cuzco, e Atahualpa, sediado em Quito. A rivalidade entre os irmãos levou oi 
Império a uma verdadeira guerra civil, enfraquecendo-º A vitória de Atahualpa não lhe trouxe vantagens, 
pois, junto dela, chegaram os colonizadores, liderados por Pizarro, que destruíram todo o Império Inca. 
Para controlar seu Império o Estado inca mantinha um constante censo populacional, um instrumento 
fundamental para o censo era o quipo, uma espécie de elaborada calculadora manual feita de cordões 
coloridos e nós. Quem realizava o levantamento e a leitura eram os funcionários chamados de 
quipucamayucus. 
Esse imenso Império inca, controlado de perto pelo Estado, precisou de uma infraestrutura que 
permitisse a circulação de funcionários, mensageiros, impostos, populações, exércitos, etc. Para que isso 
ocorresse, foi construída uma incrível rede de pontes e caminhos lajeados. Ao longo desses caminhos havia 
os tambos, pequenas construções que continham alimentos e água, servindo de alojamento para os viajantes. 
 
A Sociedade Inca 
O Estado inca era imperial, capaz de controlar rigidamente tudo o que ocorria em sua vasta extensão 
territorial. O chefe desse Estado era o Inca, um imperador com poderes sagrados hereditários, reverenciado 
por todos. 
Ao lado do inca havia uma rede de sacerdotes, escolhidos por ele entre a nobreza. 
Para manter o Império íntegro, criou-se uma complexa burocracia administrativa e militar. Os cargos 
administrativos eram distribuídos entre membros da nobreza e acabaram adquirindo hereditariedade. O 
caráter guerreiro do Império privilegiava a formação e educação militar. Como os burocratas, essa camada 
privilegiada era mantida graças aos tributos arrecadados pelo Estado. 
Os camponeses, chamados de llactaruna, em troca do direito de trabalho nos ayllus, eram obrigados 
a cultivar as terras do Inca e dos curacas e a pagar os impostos em mercadorias. Além disso, o estado os 
obrigava a trabalhar nas obras públicas, como as pirâmides, caminhos, pontes, canais de irrigação e terraços. 
 
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Havia também os artesãos especializados, considerados artistas (pintores, escultores, ceramistas, 
tapeceiros, ourives, etc.), e os curandeiros e feiticeiros (cirurgiões, farmacêuticos, conhecedores de plantas 
medicinais, etc.). 
Os yanaconas, originários da sublevação da cidade de Yanacu, eram escravos. Às vezes algum povo 
conquistado também se tornava escravo. Eles não trabalhavam na produção, e suas funções eram 
eminentemente domésticas. 
 
Economia Inca 
A base da economia inca estava nos ayllu, espécie de comunidade agrária. Todas as terras do Império 
pertenciam ao Inca, logo, ao Estado. Através da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos 
camponeses para a sua sobrevivência. Os membros de cada ayllu deveriam, em troca, trabalhar nas terras do 
Estado e dos funcionários, nas obras públicas e pagar impostos. 
A base da produção agrícola era o milho, seguido pela batata, tomate, abóbora, amendoim, etc. Nas 
áreas mais altas e com dificuldades de obtenção de água, o milho tinha de ser plantado nos terraços feitos 
nas encostas das serras com canais de irrigação. 
A domesticação de lhamas, vicunhas e alpacas foi importante para o fornecimento de lã, couro e 
transporte. Os cachorros-do-mato e porcos tinham importância secundária. 
O comércio era muito precário e restringia-se basicamente aos bens de luxo destinados à corte. 
 
Religião dos Incas 
Havia uma rede de sacerdotes, escolhidos entre a nobreza. Suas funções variavam desde a 
manutenção dos templos, realização de sacrifícios, adivinhações, curas milagrosas, até feitiçarias e oráculos. 
A grande maioria dos cultos e cerimônias religiosas dos incas era em homenagem ao Sol. Os sacerdotes 
também tinham a função de ensinar e divulgar, junto com historiadores oficiais, os mitos, lendas e histórias 
sobre o inca. É interessante notar que existia uma religião para a nobreza e outra divulgada entre a população 
mais pobre. 
 
Cultura Inca 
Lembrando o que já foi dito, o Estado inca utilizou-se das inúmeras conquistas das civilizações pré-
incaicas para controlar e manter seu Império. 
Eles faziam um uso abancado da matemática, conheciam inclusive o zero; conheciam muito bem a 
astronomia, pois o Sol representava o deus mais importante, podendo prever eclipses e fazer calendários; 
usavam pesos e medidas padronizados. 
Os trabalhos dos incas na manufatura do ouro, da prata e do cobre maravilharam os espanhóis. Além 
disso, produziam cerâmica, tecidos coloridos, esculturas e pinturas. 
 
 
 Machu Pichu 
 
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Talvez as maiores produções incaicas estejam relacionadas com a arquitetura e a engenharia. Por 
meio delas foi possível construir pirâmides, palácios, pontes e caminhos; cidades como Cuzco e Machu 
Pichu, que reuniam milhares de pessoas e mantinham uma rica ordem urbanística. E os famosos terraços 
irrigados nas serras e montanhas para a produção agrícola. 
 
Conclusão 
Concluímos então que quando Colombo chegou à América, em 1492, encontrou o continente 
habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Os povos pré-colombianos apresentavam 
diferentes estágios de desenvolvimento cultural e material, classificados em sociedades de coletor-caçadores 
e sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias, os 
astecas e os incas. Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar 
técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Desenvolveram técnicas diferentes de agricultura. 
Enquanto o fimda cultura maia é até hoje um mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram 
perante a conquista espanhola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 21 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
Os Maias 
Origens 
Antes que os maias se radicassem em algumas regiões da América Central, existiam aí povos 
originários, como os otomies e otoncas. Vindos da América do Norte, após décadas vagando pela América 
Central, os maias estabeleceram-se no Yucatán e áreas próximas, por volta de 900 a. C. A produção do 
milho e a influência dos olmecas forram mito importante para o seu desenvolvimento. 
A área ocupada pelos maias pode ser dividida em duas regiões. A das terras altas (área abrangida 
hoje por El Salvador e Guatemala) estava voltada para o Pacífico e, apesar de possuir boas condições 
naturais, não teve muita importância para a construção da civilização maia. 
É comum dividir-se o processo de construção da civilização maia em uma primeira fase (317-987) e 
uma segunda fase (987-1697). A primeira fase teria se iniciado em 317 d.C. Essa data, na realidade, tem 
como referência o mais antigo objeto maia encontrado até hoje. Sabe-se que essa civilização já existia antes 
de 317, mas não se dispõe ainda de informações precisas a respeito desse período. 
 
A Sociedade Maia 
A sociedade começou a desenvolver-se, com destaque para três cidades: Chichen-Itzá, Mayapan e 
Uxmal. Em 1004 foi criado a Confederação Maia, que reuniu essas três grandes cidades. Dezenas de cidades 
e povoados são criados ao longo dos duzentos anos seguintes, expandindo seu poder político na região. Após 
o período de união (entre os séculos X e XI), as cidades da Confederação entram em confronto, sendo 
Mayapan a vitoriosa. A hegemonia política dessa cidade foi sustentada por uma forte base guerreira. 
Inúmeras revoltas explodem na região, e em 1441 Mayapan é incendiada; As grandes cidades são 
abandonadas por causa das guerras. 
As lutas internas, as catástrofes naturais (terremotos, epidemias, etc.), as guerras externas e 
principalmente, o declínio da agricultura levaram a sociedade maia à decadência. Quando os europeus 
chegaram à região (1559), os sinais de enfraquecimento dos maias eram evidentes, tornando a conquista 
mais fácil. Em 1697, a última cidade maia (Tayasal) é conquistada e destruída pelos colonizadores. 
Cada cidade tinha um chefe supremo (halach uinc), e o cargo era hereditário. 
Os camponeses e artesãos compunham a maioria da população (mazehualob) eram obrigados a pagar 
os tributos, a trabalhar nas grandes obras e moravam nos bairros mais distantes dos centros. Os escravos, 
geralmente por conquinsta, serviam a um senhor, mas não trabalhavam na produção. 
 
A Religião dos Maia 
A sociedade maia tinha um caráter fortemente religioso; a religião dava legitimidade ao poder, que 
era exercido basicamente por algumas famílias. 
O Ahaucan (senhor da serpente) é o supremo sacerdote. Ele indica os outros sacerdotes, rege as 
cerimônias, recebe tributos e decide sobre as coisas do estado. Existiam também sacerdotes com funções 
específicas, como os adivinhos, os encarregados dos sacrifícios humanos, os escribas, etc. 
 
A Organização do Estado Maia 
Os maias não chegaram a organizar um forte e poderoso Estado centralizado. Na realidade, as 
cidades maias importantes controlavam as aldeias e terras próximas. Não havia nenhum poder ou instituição 
que as unificasse. Elas tinham autonomia econômica e política, e geralmente eram governadas por famílias. 
Houve períodos em que a unidade foi estabelecida entre algumas cidades, como durante a 
Confederação Maia. N entanto, a regra era a independência e a luta entre cidades por novas terras, tributos, 
matérias primas, etc. 
 
 
 
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A Economia Maia 
A economia dos maias baseava-se na agricultura. A tecnologia empregada nas atividades agrícolas 
era bastante primitiva. Contudo, eles conseguiam uma extraordinária produtividade, principalmente do 
milho. É justamente em virtude dessa produção do milho, gerando excedentes, que um grande contingente 
de mão-de-obra podia ser liberado das atividades agrícolas para a construção de templos, pirâmides, 
reservatórios de água, etc. 
As terras pouco férteis da região obrigavam os maias a realizar um rodízio, que geralmente mantinha 
a terra boa durante oito a dez anos. Após esse período era necessário procurar novas terras, cada vez mais 
distantes das aldeias e cidades. O esgotamento das terras, as distâncias cada vez maiores entre elas e as 
cidades e o aumento da população levaram à civilização maia uma dura realidade. A fome, um dos fatores 
que a levaram à decadência. 
 
A Cultura Maia 
Os conhecimentos de astronomia dos mais eram realmente avançados, e seus observatórios, bem-
equipados. Eles podiam prever eclipses e elaboraram um calendário de 365 dias. Para o desenvolvimento da 
astronomia, a matemática era um elemento fundamental, daí terem acumulado conhecimento nessa área. 
A atividade médica e a farmacêutica também eram bastante desenvolvidas, o que foi reconhecido até 
pelos colonizadores. As peças teatrais, os poemas, as crônicas, as canções, tinham uma função literário-
religiosa bem evidente. 
Mas a arquitetura e a engenharia representam as áreas do conhecimento mais desenvolvidas pelos 
maias. Seus grandes centros religiosos, as pirâmides, as cidades com edifícios de vários andares, os canais de 
irrigação e os reservatórios de água maravilham os conquistadores europeus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 22 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
AMÉRICA INGLESA 
 
A Inglaterra só entrou efetivamente no processo colonial no reinado de Elizabeth I (1558-1603) 
quando a construção naval, o comércio marítimo e a atividade corsária ganharam estímulos. Houve, então, 
um choque entre Inglaterra e Espanha – potencia da época – que culminou com a derrota da incrível armada 
espanhola, em 1588. Nesse período tentou-se, colonizar a América no Norte organizando-se três expedições 
sob o comando de Walter Raleigh, em 1584, 1585 e 1587, que, entretanto, não alcançaram o sucesso 
esperado. 
No século XVII, a atividade colonial inglesa edificou-se com a derrocada da Espanha e a criação de 
companhias de comércio, numa aliança entre o Estado e a emergente classe burguesa para exploração e 
ocupação das Antilhas e da América do Norte. O empreendimento contou também, com o excedente 
populacional proveniente dos cercamentos na Inglaterra. A existência desse excedente, que não encontrava 
colocação na cadeia de produção das cidades, ai ao encontro da necessidade de pessoas para colonizar o 
novo Mundo, representando, consequentemente, uma solução para os problemas urbanos da metrópole. 
Outro aspecto que ativou a colonização forma os conflitos políticos-religiosos dos séculos XVI e 
XVII, que estimularam a emigração de puritanos e quakers, em direção a América do Norte. Durante os 
séculos XVII e XVIII, estruturaram-se treze colônias na América do Norte: ao norte desenvolveu-se uma 
economia autônoma, mercantil e manufatureira, não dependente da metrópole, e, ao sul, uma economia 
agrícola, que produzia exclusivamente para o mercado externo. “Quakers era um grupo religioso,de tradição 
protestante, surgido na Inglaterra no século XVII, fundado por George Fox. Os Quakers [...] constituem 
agrupamentos radicais formados por homens e mulheres procedentes dos meios humildes da população 
inglesa. Os Quakers apresentavam-se como contrários ao calvinismo e a qualquer autoridade eclesiástica, 
intitulando-se ‘amigos da verdade’ [...]”. 
A ocupação inglesa na América do Norte iniciou-se na costa leste, onde atualmente estão o estado da 
Carolina do Norte e a ilha de Roanoke. Essa região recebeu o nome de Virginia em homenagem a Rainha 
Elizabeth I, que era solteira, mas foi somente a partir de 1607 e que se efetivou definitivamente a 
colonização, pois anteriormente, as incessantes lutas com os indígenas não deram suporte necessários para 
uma colonização efetiva. 
A Virginia foi a primeira colônia inglesa fundada na América, transformou-se num grande centro de 
produção de tabaco, produto altamente consumido na Europa. O sucesso econômico do empreendimento 
levou as companhias comerciais a fundarem outras colônias para produção de itens tropicais de grande 
aceitação no mercado europeu: índigo (anil), arroz, algodão. Todos esses produtos eram obtidos por meio do 
sistema de plantation, caracterizado pela monocultura praticada em grandes propriedades e com a utilização 
de mão de obra escrava, e eram destinados ao mercado externo. Esse sistema foi a marca das colônias do sul, 
denominadas, por isso, colônias de exploração. 
 
 
 
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Parte setentrional dos Estados Unidos, de clima e condições naturais semelhantes aos da Europa, 
ficou conhecida como nova Inglaterra. Nessa região, a colonização desdobrou-se de forma diversa: 
predominaram os colonizadores provenientes da perseguição político-religiosa, como os puritanos, cujo 
primeiro grupo desembarcou, do navio Mayflower, em 1620, na costa de Massachusetts, fundando a cidade 
de Plymouth. 
Logo novas levas de colonos ativaram a colonização da região, transformando a parte setentrional em 
uma colônia de povoamento, diferente em sua estrutura das colônias do sul. A ocupação baseou-se na 
pequena e média propriedade agrícola, em que o trabalhador era não raramente o próprio colono. 
Diversificou-se, assim, a produção, implementando-se também manufaturas e comércio, necessário para o 
escoamento da produção e a obtenção de itens externos, a construção naval ganhou grande impulso e as 
relações comerciais chegaram às Antilhas, à África e até na Europa. 
A evolução econômica da Nova Inglaterra resultou, assim, numa capitalização progressiva, ao 
contrário do que aconteceu no sul, onde houve uma extroversão econômica, com a produção visando 
somente ao mercado externo e vivendo em função dele. No século XVIII, quando a Inglaterra emergiu como 
grande potência mundial e a monarquia parlamentar inglesa estabilizou o país, redefiniu-se a política 
colonial, ampliando-se as restrições econômicas e a tributação aos colonos americanos. Sob a justificativa de 
dificuldades do Tesouro público inglês, especialmente após a Guerra dos sete anos (1756-1763), criaram-se 
inúmeros impostos coloniais, o que levou os colonos a se unirem para conquistar a independência, em 1776. 
 
 
 
 
A Colonização e administração da colônia Inglesa 
 
 
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Aula 23 
 
História – 1º Ano Ensino Médio 
 
A Colonização de Outros Países na América 
 
A participação da França no processo de colonização iniciou-se concretamente no século VXII, com 
o patrocínio do governo absolutista dos Bourbons, sob a orientação mercantilista dos ministros Richelieu e 
Colbert. Uma das primeiras regiões ocupadas pelos franceses foi o norte da América – atual Canadá –, onde 
a colonização alicerçou-se no extrativismo (madeiras e peles) e no comércio com os indígenas. Também 
tomaram uma grande faixa interior, que ia dos grandes lagos ao México, área que denominaram Louisiana, 
em homenagem a seu monarca Luís XIV, e algumas ilhas das Antilhas. 
No século XVIII, as desastrosas guerras em que a França se envolveu na Europa, levaram-na a perder 
boa parte de suas colônias. Com a Revolução Francesa (1789) a as guerras napoleônicas, no início do século 
XIX, esse processo se aceleraria. O Canadá, por exemplo, foi perdido para a Inglaterra ao final da Guerra 
dos Sete Anos e a Louisiana, entregue aos Estados Unidos, já independente, por Napoleão Bonaparte, em 
1803. 
A atual dos Países baixos, ou Holanda, como metrópole colonial começou em meio à luta pela 
independência contra a Espanha, iniciada no final do século XVI. Em 1648, com o Tratado de Vestfália, os 
Países Baixos – já poderosos comercialmente – constituíram uma república autônoma. Durante esse projeto 
foi criada a Companhia das Índias Orientais (1602), destina a explorar o comércio com a África e a Ásia e, 
pouco depois, a Companhia das Índias Ocidentais (1621), dirigida para o comércio e ocupação de regiões 
americanas. 
As invasões ao Nordeste brasileiro (1624-1625 e 1630-1654) fizeram parte da estratégia dessa 
companhia. Quanto a Portugal, integrou o Brasil ao capitalismo europeu, com base na exploração agrícola 
nos séculos XVI e XVII com a cana-de-açúcar e na mineração. 
 
 
 
 
A Europa Como Centro do Mundo 
Com as conquistas coloniais, o continente europeu passou a ocupar um lugar cada vez mais central 
no cenário mundial. Com a expansão do poder e da influência europeia, firmou-se uma característica 
importante da modernidade: de periferia do mundo muçulmano que fora da Idade Média, o mundo europeu 
 
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passou a ser um “construtor de periferias”, tomando a América Latina como sua primeira grande experiência 
de dominação sobre povos e terras desconhecidos até então. 
E isso não se restringiu à economia ou à política, abarcando também o campo das ideias, e de 
valores, firmando concepções de “progresso”, “desenvolvimento” e “civilização” a serviço da contínua 
capitalização burguesa. A superação daquilo que chamamos de Antigo Regime, seria a confirmação da ideia 
de progresso sob o comando dos europeus. A América foi cobiça por várias nações europeias, que 
estabeleceram em seus domínios em pontos diversos do continente, gerando guerras, conflitos de fronteiras, 
acordos e negociações.

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