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�PAGE \* MERGEFORMAT�2� PRODUÇÃO TEXTUAL – PEDAGOGIA Prof. Jefferson Gil NOME DO ESTUDANTE MANAUS/AM 2019/2 DICAS PARA ESCREVER UMA BOA REDAÇÃO Faça letra legível: Você acha que alguém irá tentar decifrar sua redação, tendo outras 700 para corrigir ? Ordenação das Idéias: A falta de ordenação de idéias gera um texto sem encadeamento e às vezes incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação. Coerência: Você não deve apresentar um argumento e contradizê-lo mais adiante. Coesão: A redundância denuncia a falta de coesão. Não dê voltas num assunto sem acrescentar dados novos. Isso é típico de quem não tem informações suficientes para compor o texto. Inadequação: Não fuja ao tema proposto, escolhendo outro argumento com o qual tenha maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na avaliação. Estrutura dos Parágrafos: Separe o texto em parágrafos. Sem a definição de uma idéia em cada parágrafo, a redação fica mal estruturada. Não corte a idéia em um parágrafo para concluí-la no seguinte. Não deixe o pensamento sem conclusão. Estrutura das Frases: • Faça a concordância correta dos tempos verbais; • Não fragmente a frase,separando o sujeito do predicado; • Flexione corretamente os verbos quando for usar o gerúndio ou o particípio. Conselhos úteis: • Evite as repetições de sons que é deselegante na prosa; • Evite a repetição de idéias que demonstra falta de conhecimento geral; • Evite os coloquialismos: só que, daí, aí etc; • Cuidado com as generalizações: sempre, nunca, todo mundo, ninguém; • Seja específico: utilize argumentos concretos, fatos importantes; • Não faça afirmações levianas como: todo político é corrupto.; • Não use expressões populares e cristalizadas pelo uso como: a união faz a força; • Cuidado com o uso de conjunções: mas, porém, contudo, são adversativas indicam fatores contrários; portanto, logo, são conclusivas; pois é explicativa e não causal; • Não escreva períodos muito curtos nem muito longos; • Não use a palavra "eu" nem a palavra "você" e evite a palavra "nós": a dissertação deve ser impessoal; não se dirija ao examinador como se estivesse conversando com ele; • Não deixe parágrafos soltos: faça uma ligação entre eles, pois a ausência de elementos coesivos entre orações, períodos e parágrafos é erro grave. OS MECANISMOS DE COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS O texto não é simplesmente um conjunto de palavras; pois se o fosse, bastaria agrupá-las de qualquer forma e teríamos um: "O ontem lanche menino comeu" Veja que neste caso não há um texto, há somente um grupo de palavras dispostas em uma ordem qualquer. Mesmo que colocássemos estas palavras em uma ordem gramatical correta: sujeito-verbo-complemento, precisaríamos ainda organizar o nível semântico do texto, deixando-o inteligível. "O lanche comeu o menino ontem" O nível sintático está perfeito: sujeito = o lanche verbo = comeu complementos = o menino ontem Mas o nível semântico apresenta problemas, pois não é possível que o lanche coma o menino, pelo menos neste contexto. Caso a frase estivesse empregada num sentido figurado e em outro contexto, isto seria possível. Pedrinho saiu da lanchonete todo lambuzado de maionese, mostarda e catchup, o lanche era enorme, parecia que "o lanche tinha comido o menino". A coesão e a coerência garantem ao texto uma unidade de significados encadeados. A COESÃO Há, na língua, muitos recursos que garantem o mecanismo de coesão: Por referência: Os pronomes, advérbios e os artigos são os elementos de coesão que proporcionam a unidade do texto. "O Presidente foi a Portugal em visita. Em Portugal o presidente recebeu várias homenagens." Esse texto repetitivo torna-se desagradável e sem coesão. Observe a atuação do advérbio e do pronome no processo de e elaboração do texto. "O Presidente foi a Portugal. Lá, ele foi homenageado." Veja que o texto ganhou agilidade e estilo. Os termos “Lá” e “ele” referem-se a Portugal e Presidente, foram usados a fim de tornar o texto coeso. Por elipse: Quando se omite um termo a fim de evitar sua repetição. "O Presidente foi a Portugal. Lá, foi homenageado." Veja que neste caso omitiu-se a palavra “Presidente”, pois é subentendida no contexto. Lexical: Quando são usadas palavras ou expressões sinônimas de algum termo subseqüente: "O Presidente foi a Portugal. Na Terra de Camões foi homenageado por intelectuais e escritores." Veja que “Portugal” foi substituída por “Terra de Camões” para evitar repetição e dar um efeito mais significativo ao texto, pois há uma ligação semântica entre “Terra de Camões” e intelectuais e escritores. Por substituição: É usada para abreviar sentenças inteiras, substituindo-as por uma expressão com significado equivalente. "O presidente viajou para Portugal nesta semana e o ministro dos Esportes o fez também." A expressão “o fez também” retoma a sentença “viajou para Portugal”. Por oposição: Empregam-se alguns termos com valor de oposição (mas, contudo, todavia, porém, entretanto, contudo) para tornar o texto compreensível. "Estávamos todos aqui no momento do crime, porém não vimos o assassino." Por concessão ou contradição: São eles: embora, ainda que, se bem que, apesar de, conquanto, mesmo que. "Embora estivéssemos aqui no momento do crime, não vimos o assassino." Por causa: São eles: porque, pois, como, já que, visto que, uma vez que. "Estávamos todos aqui no momento do crime e não vimos o assassino uma vez que nossa visão fora encoberta por uma névoa muito forte." Por condição: São eles: caso, se, a menos que, contanto que. "Caso estivéssemos aqui no momento do crime, provavelmente teríamos visto o assassino." Por finalidade: São eles: para que, para, a fim de, com o objetivo de, com a finalidade de, com intenção de. "Estamos aqui a fim de assistir ao concerto da orquestra municipal." A COERÊNCIA É muito confusa a distinção entre coesão e coerência, aqui entenderemos como coerência a ligação das partes do texto com o seu todo. Ao elaborar o texto, temos que criar condições para que haja uma unidade de coerência, dando ao texto mais fidelidade. “Estava andando sozinho na rua, ouvi passos atrás de mim, assustado nem olhei, saí correndo, era um homem alto, estranho, tinha em suas mãos uma arma...” Se o narrador não olhou, como soube descrever a personagem? A falta de coerência se dá normalmente: Na inverossimilhança, falta de concatenação e argumentação falsa. Observe outra situação: “Estava voltando para casa, quando vi na calçada algo que parecia um saco de lixo, cheguei mais perto para ver o que acontecia...” Ocorre neste trecho uma incoerência pois se era realmente um saco de lixo, com certeza não iria acontecer coisa alguma. Outro tipo de incoerência: Ao tentar elaborar uma história de suspense, o narrador escolhe um título que já leva o leitor a concluir o final da história. Um milhão de dólares “Estava voltando para casa, quando vi na calçada algo que parecia um saco de lixo, ao me aproximar percebi que era um pacote...” O que será que havia dentro do pacote? Veja como o narrador acabou com a história na escolha infeliz do título. A incoerência está presente, também, em textos dissertativos que apresentam defeitos de argumentação. Em muitas redações observamos afirmações falsas e inconsistentes. Observe: “No fundo nenhuma escola está realmente preocupada com a qualidade de ensino.” “Estava assistindo ao debate na televisão dos candidatos ao governo de São Paulo, eles mais se acusavam moralmente do que mostravam suas propostas de governo, em um certo momento do debate dois candidatos quase partem para a agressão física. Dessa forma, isso nos leva a concluirque o homem não consegue conciliar idéias opostas é por isso que o mundo vive em guerras freqüentemente.” Note que nos dois primeiros exemplos as informações são amplas demais e sem nenhum fundamento. Já no terceiro, a conclusão apresentada não tem ligação nenhuma com o exemplo argumentado. Esses exemplos caracterizam a falta de coerência do texto. Finalizando: Tanto os mecanismos de coesão como os de coerência devem ser empregados com cuidado, pois a unidade do texto depende praticamente da aplicação correta desses mecanismos. O que é Parágrafo O parágrafo é uma unidade redacional, uma estrutura superior à frase a qual desenvolve, eficazmente, uma única idéia núcleo. Formalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e de um afastamento da margem esquerda. É importante saber que quando se muda o parágrafo, não se muda o assunto. O assunto, a rigor, deve ser o mesmo do principio ao fim da redação. A abordagem, porém, pode mudar. A cada novo enfoque, a cada nova abordagem, haverá novo parágrafo. Com um pouco de atenção e aprimoramento da percepção, todos nós somos capazes de perceber o momento em que devemos fazer a transição entre um parágrafo e outro. Funcionalmente, a compreensão da estrutura do parágrafo é o melhor caminho para a segura compreensão do texto. O parágrafo apresenta algumas partes bem distintas. Está divido em: - Tópico frasal, que é a idéia-núcleo extraída, de maneira clara e concisa, do interior do parágrafo. - Desenvolvimento, através do qual o tópico frasal recebe uma carga informativa onde, muitas vezes, se agregam idéias secundárias. - Conclusão, nem sempre presente, serve para resumir o conteúdo do parágrafo, sublinhando o seu ponto de interesse e localizando-se no final do mesmo. - Elemento relacionador, não obrigatório, mas geralmente presente a partir do segundo parágrafo; visa estabelecer um encadeamento lógico entre as idéias, servindo de “ponte” entre o parágrafo em si e o tópico que o antecede. INÍCIO DE PARÁGRAFO Declaração inicial Geralmente, este tipo de tópico ocorre em comentários ou análises. Com o próprio nome indica, trata-se de iniciar o parágrafo, fazendo uma declaração, como no exemplo a seguir: “O hábito de correr, benéfico para o coração, os pulmões e a manutenção da forma física, também origina sérios problemas, principalmente, ortopédicos”. Alusão histórica Trata-se de iniciar um parágrafo, fazendo alusão a um fato acontecido, real ou fictício. Temos, assim, a presença da narração. Vamos a um exemplo: Em algum dia, perdido na noite dos tempos, há cerca de seis mil anos, o homem lançou seu primeiro barco na água, e, flutuando, movimentou-se pela primeira vez fora de terra firme. Interrogação A idéia núcleo do parágrafo é colocada por intermédio de uma pergunta. Seu desenvolvimento é feito por intermédio da confecção de uma resposta à pergunta. Como exemplo: De que maneira uma nação pode conciliar seu desenvolvimento com uma pesada dívida externa? (...) Omissão de dados identificadores. Esse tópico visa a criar um certo suspense no leitor, por intermédio da ocultação de elementos que somente aparecerão no desenvolvimento do parágrafo. Vejamos um exemplo: De uns tempos para cá, tem surgido um elemento novo no cenário político nacional. Extremamente movediço, ele sempre aparece onde não se espera. Se o espreitamos, ele se esconde, em hibernação cautelosa. DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO O desenvolvimento do parágrafo dependerá, obviamente, da macroestrutura do texto. - Ocupe o primeiro com as informações mais importantes do texto, respondendo ao maior número das perguntas quê? quem? onde? quando? como? por quê? - Ordene o restante de acordo com a importância dos pormenores, - Use parágrafos curtos, - Conserve a ordem direta. Na medida do possível, - Empregue com correção artigos, demonstrativos e possessivos. PROCURE EVITAR: A repetição desnecessária de palavras. Principalmente não comece períodos ou parágrafos com a mesma palavra; Palavras chulas, e expressões de gíria não incorporadas à linguagem geral, também termos rebuscados; O excesso de advérbios terminados em -mente; O clichê - fórmulas e expressões generalizadas (a tarde morria silenciosa, não resistindo aos padecimentos...) O excesso ou emprego errado da palavra “quê”; O QUE É BOM A linguagem deve ser fluida e livre de tentativas "literárias" em lugar impróprio e das excessivas repetições de fórmulas prontas e antiquadas. É claro que uma notícia é uma notícia e uma redação é uma redação. Cada qual tem desenvolvimento diferente. Mas a finalidade é a mesma: informar e orientar com rapidez e correção. O espírito deve ser o mesmo. O que é bom para a notícia é bom para uma redação. TIPOS DE DESENVOLVIMENTO Há certos tipos de desenvolvimento mais adequados ao texto argumentativo. Outros, ao discurso narrativo. Vamos exemplificar algumas possibilidades de desenvolvimento do parágrafo, a partir de um único tópico: A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. DESENVOLVIMENTO POR DETALHES A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. O tráfego intenso, os ruídos excessivos, as preocupações geradas pela pressa, o almoço corrido, o horário de entrar no trabalho, tudo isso abala as pessoas, produzindo o estresse que provoca os males cardíacos. DESENVOLVIMENTO POR DEFINIÇÃO A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. O tipo de vida em questão é aquela agitada em que o indivíduo não tem tempo para cuidar de si próprio, que fica a mercê dos compromissos e do tempo exíguo para cumpri-los. Entre as doenças cardíacas a mais comum é a que ataca as artérias coronárias, assim chamadas porque envolvem o coração como uma coroa, para irrigá-lo em toda a sua extensão. DESENVOLVIMENTO POR EXEMPLO ESPECÍFICO A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imaginemos um chefe de família que deixa sua casa, à 6h e 30 da manhã. Logo de início, tem de enfrentar a fila da condução. A angústia da demora: será que vem ou não vem o ônibus? Finalmente, vem. Superlotado. Sobe ele aos trancos, e logo enfrenta a roleta. – Troco?- Não tem troco para dez. – Espera um pouco para poder ir à frente. Finalmente, o ponto de descida. O relógio de ponto. Em cima da hora. Nesse momento o relógio do coração do nosso amigo já passou do ponto. Está acelerado. Suas coronárias sofrem o impacto do estresse e entram em débito de fluxo sangüíneo. DESENVOLVIMENTO POR FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSIÇÃO A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Somente na última década, segundo informações da Secretaria da Saúde do Estado de Minas Gerais, o mineiro sofreu vinte vezes mais infartos que no decênio anterior. O estresse causado pela vida intensa acelera os batimentos cardíacos, por intermédio da injeção exagerada de adrenalina, apressa o surgimento dos problemas do coração. DESENVOLVIMENTO POR COMPARAÇÃO A vida nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imagine o leitor, por exemplo, um automóvel dirigido suavemente, com trocas de marcha em tempo exato, sem freadas bruscas ou curvas violentas. A vida útil desse veículo tende a prolongar-se bastante. Imagine agora o contrário: um automóvel cujo proprietário se satisfaz em arrancadas de “cantar pneus”, curvas no limite de aderência, marchas esticadas e freadas violentas. A vida útil deste último tende a decair miseravelmente. O mesmo podemos fazer com o nosso coração. Podemos conduzi-lo com doçura, em ritmo de alegria e de festa, ou podemos tratá-lo agressivamente, exigindo-o fora de seu ritmo e de seu tempo de recuperação. Exercícios 1) Escreva três tópicos de parágrafo (declaração inicial, alusão histórica e interrogação) a respeito dos seguintes temas: * O trabalho da mulher fora de casa; * A inflação no Brasil; * As Universidades brasileiras; * Os problemas sociais brasileiros.2) Escolha um dos tópicos do exercício anterior e desenvolva-o por detalhes, exemplo específico, fundamentação da proposição e por comparação. 3) Desenvolva o seguinte tópico por definição, detalhes e exemplo específico: Viajar de avião, segundo os entendidos, é desfrutar do meio de transporte mais seguro e confortável que existe. O parágrafo como unidade básica de composição do texto Texto 1 Gostar de política não é uma opção, mas uma necessidade. Primeiro, porque o cidadão precisa de um conhecimento político para escolher seu candidato. Depois, porque a política está presente na escola, no trabalho, enfim, na vida. Logo, torna-se fundamental o gosto por ela, pois é ela que rege a nossa existência. (Sildomar F. Vieira). Texto 2 Desde sua origem o homem utiliza a linguagem para comunicar suas idéias. A princípio, ele desenhava nas cavernas os acontecimentos por ele vividos. Em seguida, passou a usar a fala e, por fim, inventou a escrito para registrar o que se falava. Depois disso, percebeu-se que o homem e a linguagem sempre caminharam juntos. (Luciana da Silva) Os processos de elaboração do parágrafo Embora não se dê conta dos vários componentes que, associados, resultam na elaboração de um parágrafo-padrão, uma vez que os elementos básicos de sua composição fazem parte de um processo, portanto acabam sendo automatizados, o produtdor desse tipo de texto percorre etapas regulares das quais podemos destacar as seguintes: escolha e delimitação do tema, estabelecimento do objetivo, elaboração da frase conclusiva. A compreensão do valor de cada uma dessas etapas, seguida da sua reinserção no texto, é indispensável para assegurarmos os caminhos que nos levarão, num primeiro momento, à produção de bons parágrafos. Escolha e delimitação do tema Não se escreve qualquer coisa. Quer sejamos solicitados, quer seja nossa iniciativa, o procedimento se dá sempre antecedido da escolha de um tema. A consequência mais visível na escolha da delimitação do tema é ficar horas remoendo-se e se afogando num mar de ideias. Estamos falando da delimitação do tema. Em outros termos, do recurso que nos permite, dentre tantas opções oferecidas pelo assunto, escolhermos aquele aspecto que, pela sua superficialidade em meio à generalização e abrangência, vai-nos permitir maior segurança, profundidade e eficácia no controle e abordagem do tema. Imaginemos que alguém nos solicitasse a elaboração de um parágrafo sobre o tema Universidade. Seria uma temeridade simplesmente baixar a caneta sobre o papel ou os dedos sobre o computador e sair escrevendo. É muito provável que o texto resultasse num emaranhado de generalidades, frases soltas e gerais ou mesmos num amontoado de ideias sem nenhuma consistência. Sem contar com a possibilidade de não termos domínio sobre o assunto. Está-se falando de alguém que não tem experiência, segurança e o hábito de escrever. Diferente seria se, em meio ao feixe de possibilidade que o tema permite, fizéssemos uma opção. Trabalhemos com uma dentre outras hipóteses: falaríamos de universidades públicas ou privadas? Se públicas, falaríamos das universidades federais, estaduais ou municipais? Se federais, que tal falarmos da Universidade do Amazonas? Se continua abrangente, uma vez que a Universidade Federal do Amazonas e grande e complexa, agrega dezenas de cursos, que tal optarmos pelo ensino de graduação na área de Ciências Humanas? Se mais quisermos especificar, que tal, no interior do ensino de graduação na área de Ciências Humanas, concentrarmos nossa atenção apenas na graduação em Letras? E se quiséssemos afunilar mais ainda, poderíamos centrar o tema do nosso parágrafo nas turmas recém-ingressas no curso de Letras. Enfim, parece não ter limite a possibilidade de restrição. Mas o fato é que a simples escolha nos obrigaria a deixar de fora toda a gama de aspectos e possibilidades que poderiam comprometer a segurança e a objetividade do texto. Delimitar, portanto, é partir sempre do geral para o particular, adotando-se o método dedutivo; é escolher, é dar ao tema um tratamento específico que só terá vantagens a quem escreve. Exemplo 1 Tema 1: A corrupção Proposta de delimitação: A corrupção no Brasil A corrupção na cidade de São Paulo Os casos de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pita. Exemplo 2 Tema 2: O governo Proposta de delimitação: O governo brasileiro O governo FHC Os escândalos do governo FHC A compra de votos e o grampo no BNDES Exemplo 3 Tema 3: A linguagem Proposta de delimitação: A linguagem do corpo. Delimitação do objetivo com que vai escrever o parágrafo. Já afirmamos que não se escreve qualquer coisa. Do ponto de vista geral, podemos dizer que o texto tem como propósito convencer alguém de alguma coisa. Do ponto de vista específico, podemos dizer que a elaboração de um parágrafo de qualidade passa antes pelo estabelecimento de um objetivo a ser alcançado pelas idéias que entrelaçam no seu interior. Exemplo 1 Tema 1: A corrupção Proposta de delimitação: A corrupção no Brasil A corrupção na cidade de São Paulo Os casos de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pita. Estabelecimento do objetivo: Identificar e comentar os casos mais graves de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Exemplo 2 Tema 2: O governo Proposta de delimitação: O governo brasileiro O governo FHC Os escândalos do governo FHC A compra de votos e o grampo no BNDES Estabelecimento do objetivo: Evidenciar a indiferença do presidente diante da gravidade dos escândalos da compra de votos e do grampo no BNDES ocorridos em seu governo. Exemplo 3 Tema 3: A linguagem Proposta de delimitação: A linguagem do corpo. Estabelecimento do objetivo: Mostrar que a linguagem do corpo é sensual, engraçada e sensível. Construção do desenvolvimento Tendo-se passado pela fase preparatória - escolha e delimitação do assunto e estabelecimento do assunto e estabelecimento do objetivo – e estando pronta a frase-núcleo, devemos dar conta da construção do desenvolvimento do parágrafo, que tradicionalmente se constitui no trecho mais denso do texto. Atenção especial devemos considerar à construção do desenvolvimento no que tange à unidade das idéias. Se a delimitação tem tudo a ver com o tema e escolhido, se o objetivo estabelecido reflete diretamente a proposta de delimitação e se a frase-núcleo representa, na abertura do parágrafo, o rumo traçado pelo objetivo, o desenvolvimento deve ser resultante dessa cadeia bem articulada. Nele, portanto, devem constar apenas idéias objetivamente vinculadas à frase-núcleo. Exemplo 1 Tema 1: A corrupção Proposta de delimitação: A corrupção no Brasil A corrupção na cidade de São Paulo Os casos de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pita. Estabelecimento do objetivo: Identificar e comentar os casos mais graves de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Frase-núcleo: Muitos são os casos de corrupção envolvendo o ex-prefeito de São Paulo Celso Pita, mas alguns se revestem de maior gravidade. Plano de desenvolvimento das ideias Casos mais graves de corrupção envolvendo o ex-prefeito: 1996 – emissão de 3,2 bilhões em títulos 1997 – o caso conhecido como frangogate 1999 – descumprimento da Lei Orgânica do Município. Desenvolvimento Em 1996, por exemplo, a emissão de R$ 3,2 bilhões em títulos para pagar dívidas de R$ 1,9 bilhão, com desvio da diferença para outros fins, representa uma situação limite, uma vez que fere frontalmente o que determina a Constituição. Já em 1997, o caso que ficou conhecido como frangogate, em que a prefeitura de S. Paulo comprava frangos de uma empresa pertencente à mulher do ex-prefeito Paulo Maluf, diz muito bem da falta de lisura e do favorecimento envolvendorecursos públicos. Não fica para trás, por sua vez, a descoberta feita em 1999 de que a prefeitura descumpria sistematicamente a Lei Orgânica do Município, que estipula em 30% o percentual a ser aplicado em educação, fato que gerou prejuízos irreversíveis, principalmente para a população mais carente. Exemplo 2 Tema 2: O governo Proposta de delimitação: O governo brasileiro O governo FHC Os escândalos do governo FHC A compra de votos e o grampo no BNDES Estabelecimento do objetivo: Evidenciar a indiferença do presidente diante da gravidade dos escândalos da compra de votos e do grampo no BNDES ocorridos em seu governo. Frase-núcleo: Em meio a tantos outros, os escândalos da compra de votos e do grampo no BNDES do presidente da República face à gravidade das denúncias que pesam contra ele. Plano de desenvolvimento das ideias Os escândalos da compra de votos e do grampo no BNDES: a compra de votos para a reeleição o grampo no BNDES. Desenvolvimento Para quem não se lembra, dias antes da votação da emenda constitucional que iria permitir a possibilidade de reeleição do presidente, a imprensa divulgou gravações telefônicas que comprometiam políticos da base governista envolvidos com a oferta da compra de votos para que o referido projeto fosse aprovado. O preço chegava a duzentos mil reais e envolvia figuras de peso, como o falecido ministro Sérgio Mota. Mais recentemente, o episódio que ficou conhecido como “o grampo no BNDES” trouxe à tona conversas telefônicas que evidenciavam articulações de Fernando Henrique Cardoso com o presidente d aquela instituição com vistas a interferir no leilão de privatização de uma parte da Telebrás. Um dos trechos das gravações mostrava o presidente autorizando o uso de seu nome para mudar os rumos da venda da estatal. Exemplo 3 Tema 3: A linguagem Proposta de delimitação: A linguagem do corpo. Estabelecimento do objetivo: Mostrar que a linguagem do corpo é sensual, engraçada e sensível. Frase-núcleo: Ela pode ser sensual, engraçada e sensível. Calma... não é a mulher ideal, é a linguagem do corpo. Plano de desenvolvimento das ideias A linguagem do corpo é: sensual engraçada sensível. Desenvolvimento É sensual quando em um encontro, por exemplo, um casal utiliza olhares intensos, gestos calculados e expressões corporais atrevidas para expressar suas emoções. É engraçada quando um humorista, para dar o correto tom de sua piada, faz caretas, imitações e até mímicas com o intuito de fazer o espectador rir. É, finalmente, sensível quando um ator, ao final do espetáculo, curva-se diante do público para agradecer os aplausos, que também identificam a sensibilidade do público para afirmar que está satisfeito com a apresentação. PARAGRAFAÇÃO 1. Paragrafação O texto de um livro constitui um todo que o autor quer transmitir ao seu leitor. Este todo está dividido em partes que são os capítulos. Para facilitar a leitura, os capítulos são dispostos em partes menores, que são os parágrafos. O parágrafo é um segmento que constitui uma unidade da redação. Nele se desenvolve, por meio de um ou mais períodos, uma ideia principal que pode ser ampliada por ideias secundárias. Quanto à forma, o parágrafo se inicia com um espaço da margem, é o branco paragráfico. É um espaço de até dez toques. Existem parágrafos sem o distanciamento da margem no seu início quando se utiliza o sistema bloco, usual em correspondências de algumas empresas. PRODUÇÃO DE TEXTO TIPOS DE COMPOSIÇÃO Textum, i, subst. n. Sentido próprio: 1) Tecido, pano. Por extensão: 2) Obra formada de partes reunidas, contextura. Sentido figurado: 3) Contextura, (do estilo). Texto, em Português, assim como em Latim, quer dizer “tecido”, entrelaçamento de “fios”. Assim, produzir um texto é entrelaçar suas várias partes a fim de obter um todo encadeado logicamente, o que resulta numa rede de relações que garantem a sua unidade e coesão. A essa rede de relações, dá-se o nome de tessitura do texto. Elementos estruturais de um texto Três são os elementos indispensáveis a qualquer tipo de texto: estrutura, conteúdo, expressão. A estrutura abrange três elementos: a) unidade (ou não-contradição): num texto, deve-se desenvolver um único assunto ou núcleo temático; b) organicidade (ou relação): o texto coerente e coeso apresenta um inter-relacionamento de todas as suas partes, o que resulta num todo articulado; c) forma: o tipo de composição escolhido, segundo a finalidade: descrição (detalhar algo), narração (contar uma história), dissertação (elaborar um raciocínio); O conteúdo requer coerência e clareza. a) coerência: é a escolha de ideias que devem ligar-se ao assunto proposto (para que não se fuja do assunto); b) clareza: é a utilização de construções que não sejam ambíguas ou mal-estruturadas, de modo a facilitar o entendimento. A expressão está diretamente ligada ao domínio da estrutura da língua e do léxico. Estes dois últimos tópicos são resultados de um plano previamente elaborado e de uma revisão apurada do texto. Um mesmo texto pode apresentar características da descrição, narração e dissertação. Entretanto, o texto será enquadrado em um dos três tipos de composição conforme o predomínio da forma e linguagem utilizadas. Descrição: consiste em retratar um objeto em seus pormenores característicos. Narração: é a apresentação de uma história cujos fatos estão ordenados em uma sequência lógica e temporal. Dissertação: é um discurso lógico que apresenta uma argumentação acerca de um assunto. ASPECTOS FORMAIS E TÉCNICOS DE UMA REDAÇÃO Produza um texto cuja estrutura formal esteja de acordo com o tipo de composição adequado ao assunto: dissertação, narração ou descrição; É fundamental a fidelidade ao assunto sugerido. Fale apenas sobre o que o comando da redação pede; texto deve apresentar um título, o qual deve estar no centro da linha, destacado com uma única sublinha e sem estar separado por uma linha em relação ao texto; Não é necessário atingir o total de linhas, cuja extensão é de 15, no mínimo, e de 30, no máximo; Na dissertação, os parágrafos devem ter tamanhos relativamente proporcionais; Conserve um espaço proporcional também entre as palavras; Não utilize forma ou tamanho de letras diferentes; Cuidado com a ortografia. Se não tiver certeza da escrita correta, evite usar uma palavra. Utilize sinônimos; Não repita palavras ou expressões. Utilize também sinônimos, construções equivalentes ou termos de coesão; Evite ultrapassar as margens direita e esquerda. Utilize a translineação silábica, se for necessária; Em relação à caligrafia, a única exigência é de que ela seja compreensível; Na medida do possível, não se esqueça da acentuação gráfica das palavras, que, muitas vezes, pode gerar diferenças de sentido; Se houver no texto neologismos, estrangeirismos, linguagem coloquial ou ênfase a palavras ou expressões, destaque-os com aspas; Não é necessário utilizar vocabulário erudito. O importante é expressar claramente o pensamento; Utilize frases breves, sobretudo em dissertação, para a maior clareza do pensamento e maior espaço para o conteúdo; É necessária uma boa pontuação. Além disso, há três aspectos fundamentais a um texto: clareza, transposição compreensível do pensamento ao papel; coesão, uso adequado de termos que ligam as partes do texto entre si; coerência, formulação de frases lógicas; Você pode usar o rascunho e posteriormente passar o texto para o formulário final, sendo assim possível revisar a redação antes de sua versão definitiva; Lembre-se de que fazer uma redação não implica sempre a criação de ideias. Significa simplesmente transpor o que você já sabe sobre um assunto de modo organizado à escrita. Confie em sua capacidade de produzir um texto em sua língua;As duas palavras que melhor definem uma redação de Vestibular são espontaneidade e criatividade; No Vestibular, vêm textos em anexo na Prova de Redação e eles sempre terão em comum o mesmo assunto. Apesar de eles servirem de subsídio para montar o seu texto, é preferível não "colar" as ideias deles, uma vez que isso demonstraria falta de criatividade do candidato. Portanto não fuja do assunto e monte suas próprias ideias; A expressão em prosa que aparece no Vestibular indica que você fará um texto a que você está normalmente habituado, ou seja, o que tem parágrafos, períodos e frases. Não faça jamais texto em verso, posto que a sua redação seria invalidada por isso. O QUE SÃO ASSUNTO, TEMA E TÍTULO? Assunto é o fato concreto da realidade ou dado fictício sobre o qual se falará no texto. É apresentado durante o comando de um exercício ou prova de Redação. Tema ou ideia-núcleo ou tópico-frasal consiste em uma frase verbal introdutória que delimita o assunto a ser dissertado. O tema é peculiar aos textos dissertativos. Título é o nome escolhido ao texto que se fez. Qualquer que seja o texto deve apresentar um título. O conveniente é escolher o título depois de o texto estar terminado. O TEXTO DISSERTATIVO É um texto no qual o autor expõe ou argumenta ideias a respeito de um dado qualquer de sua realidade. No texto dissertativo, o autor pode defender ou refutar uma posição. O que importa é que a sua opinião seja evidenciada. Isso é indispensável e o mais fundamental de tudo. Essa opinião a ser tomada por quem produz o texto pode estar no início dele ou reservada ao final da dissertação. Contudo, em qualquer das hipóteses, não pode faltar. O autor, se quiser, apresenta fatores positivos e negativos referentes à ideia-núcleo, desde que manifeste a sua decisão favorável ou não ao assunto discutido ou conceito exposto. Estrutura básica do texto dissertativo * A quantidade de argumentos pode variar, inclusive, não ser apresentada na introdução, deixando-se o seu emprego somente para o desenvolvimento. O TEXTO NARRATIVO A narração é um tipo de composição textual marcado, sobretudo, pelas mudanças de estado que ocorrem entre as partes do texto. Fazer uma narração consiste, basicamente, em saber contar uma história, a qual pode ser verídica ou fictícia. Para isso, operam-se alguns componentes necessários à história, que são a temática (o fato em si), as personagens (planas ou redondas), o espaço (físico ou abstrato), o tempo (cronológico ou psicológico), o enredo (linear ou alinear), o foco narrativo (narrador-personagem ou narrador-observador) e a linguagem (objetiva ou subjetiva). O tempo será um elemento fundamental no texto narrativo, pois é ele quem é responsável pela presença mais nítida das relações de anterioridade e de posterioridade que há entre os acontecimentos da história. Com isso, é comum na narração a ocorrência acentuada de adjuntos adverbias de tempo. Estrutura básica do texto narrativo 1a PARTE: Complicação - consiste no relato inicial do que se vai contar, apresentando os seis elementos participantes da história, que são o fato, o local, o tempo, as personagens, a causa e o modo. Esses elementos podem ser obtidos a partir de uma fórmula que resume as seis perguntas básicas a que uma narração deve satisfazer: 3Q + O + P + C. QUE? (fato) QUEM? (personagens) QUANDO? (tempo) ONDE? (local) POR QUÊ? (causa) COMO? (modo) 2a PARTE: Enredo - são todas as transformações pelas quais os elementos narrativos passam ao longo da história. 3a PARTE: Desfecho - é o término da história, o qual pode ser fechado (a história realmente finaliza com a última linha do texto), ou aberto (a continuidade da história fica por conta da imaginação do leitor). O TEXTO DESCRITIVO A descrição é tipo de texto no qual o autor apresenta uma série de detalhes, de pormenores, características sobre um objeto. Nesse forma de composição, o autor usa demasiadamente a percepção, através dos órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). A descrição é um texto marcado pela estaticidade. O objeto é descrito como se o tempo estivesse parado, não havendo, com isso, transformações. Em função dessa estaticidade, é possível, na descrição, alterar a sequência dos fatos sem haver prejuízo ao significado do texto. O formato da descrição se assemelha a uma ampulheta (objeto com forma de dois vasos cônicos que se comunicam, nos vértices, por um pequeno orifício) , já que se começa a descrever os aspectos mais gerais do objeto, passando-se aos mais detalhados e, no final, retomam-se as características mais superficiais, que foram inicialmente apresentadas. Estrutura básica do texto descritivo 1a PARTE: Primeira Impressão ou Aspectos Gerais - descrição das características mais perceptíveis e superficiais do objeto. Começa-se o texto apresentando aquilo que é mais marcante em relação ao que se descreve. 2a PARTE: Aspectos Específicos - são as características mais aprofundadas, mais detalhadas do objeto. 3a PARTE: Retomada da Primeira Impressão - é a reafirmação, com outras palavras, daquela descrição superficial feita a respeito do objeto. Focaremos nosso estudo no texto dissertativo, vejamos um exemplo: O brasileiro sabe Português 1O ensino de língua portuguesa tem assumido urna atitude prescritiva e discriminatória. a Isso se deve à tentativa de unificação das gramáticas brasileira e lusitana. b Fato que gera diferenças entre a língua considerada padrão e aquela falada naturalmente no Brasil. c Dessa forma, o brasileiro acha que não sabe falar e escrever o seu idioma. a A gramática brasileira é baseada na de Portugal. Apesar de serem a mesma língua, o Português brasileiro e o peninsular refletem atitudes culturais diferentes, logo representariam usos específicos em cada pais. Contudo, a autonomia linguística do idioma brasileiro malogra diante dos modelos inspirados nos portugueses. b As regras de uso convencionadas no Brasil se contrastam com o Português coloquial. A forma natural de o brasileiro manusear o seu idioma é incompatível com as normas da língua padrão. A gramática normativa não representa a verdadeira língua falada no país. c O resultado disso é a concepção dos brasileiros de que eles não conhecem o seu sistema linguístico. Em verdade, na medida em que falam e escrevem o seu idioma, conhecem-no. O que pode haver é a necessidade de aperfeiçoar o seu uso. 2 É inegável que o Português é ensinado de forma gramatiqueira. Em vez de divulgar regras, faz-se necessário alimentar no brasileiro a ideia de que ele é dono de sua língua. Para isso, deve-se desenvolver o ensino produtivo do idioma brasileiro ao aperfeiçoamento de seu domínio. Observe que a estrutura do texto dissertativo é mantida: 1 ( Tema a ( Argumento (causa) b ( Argumento (consequência) c ( Argumento (consequência da consequência) 2 ( Reafirmação do tema No texto dissertativo, o autor pode escolher o(s) tipo(s) de argumentação que utilizará, os quais podem ser: a) causa b) consequência c) causa da causa d) consequência da consequência O Desenvolvimento do Parágrafo Dissertativo Fixada a FRASE-NÚCLEO, o seu DESENVOLVIMENTO pode processar-se por diferentes maneiras. Veja algumas possibilidades: - Enumeração; - Comparação; - Causa e Consequência; - Tempo e Espaço; - Explicitação. Desenvolvimento por Enumeração O ato de ENUMERAR é concretizado pela exposição de uma série de coisas, uma por uma. Desta forma, o DESENVOLVIMENTO POR ENUMERAÇÃO presta-se bem à indicação de características, de funções, de processos, de situações, etc., sempre oferecendo o complemento necessário à afirmação estabelecida na FRASE NÚCLEAR. 1. Exemplificado: O adolescente moderno está se tornando obeso por várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios sistemáticos e demasiadapermanência diante de computadores e aparelhos de tv. 2. Exemplificado: “No mundo atual, a tendência a tornar envelhecido, superado, desgastado, desusado, tanto um automóvel quanto um modelo de roupa, um móvel, uma arma de guerra, o modo de se expressar e até mesmo a gíria, ocorre numa velocidade espantosa. Três são os processos que mais comumente provocam a obsolescência. O primeiro é motivado pela função: quando uma mercadoria nova tem melhor desempenho que as existentes até então. O segundo é a consequência de qualidade, por causa da quebra da quebra ou desgaste do produto, após algum tempo de uso; esse tipo de obsolescência pode ser planejado pelas empresas, para aumentar o consumo. O terceiro é resultado de o produto ter-se tornado obsoleto psicologicamente, sem que tenha deixado de cumprir a sua função. Para alcançar tal objetivo, são feitas apenas algumas alterações exteriores na aparência do “novo”. É o que se dá com a mudança na linha de estilo dos automóveis, nos quais o formato de uma lanterna ou outros pequenos acessórios torna obsoleto o modelo anterior.” (Enciclopédia do Estudante, V.12, Abril Cultural) Podemos então classificar: Delimitação: A obsolescência do produto Frase-núcleo: Três são os processos que mais comumente provocam a obsolescência. Enumeração: O primeiro................., o segundo........... e o terceiro............... 1. Obsolescência de função; da qualidade e psicológica. ATENÇÃO: Critérios para o ato enumerativo: É possível, àquele que redige, utilizar um critério para o ato de enumerar. Assim fazendo, estará propiciando mais clareza e equilíbrio ao parágrafo desta forma ordenado. 1. Critério de Importância; 2. Critério de Preferência; 3. Critério de Classificação; 4. Critério Aleatório (os elementos enumerados são dispostos livremente, sem nenhuma predeterminação). Praticando 1. Leia os parágrafos abaixo transcritos em que o DESENVOLVIMENTO foi ordenado por ENUMERAÇÃO. Posteriormente, indique os seguintes elementos: - ASSUNTO; - DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO; - OBJETIVO; - FRASE-NÚCLEO; CRITÉRIO UTILIZADO NA ENUMERAÇÃO - DESENVOLVIMENTO ELEMENTOS ENUMERADOS (DESENVOLVIMENTO) ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ “As causas apontadas para o aborto provocado entre nós ao divididas em dois grupos: de ordem pessoal – o medo do parto, por ignorância ou má experiência anterior; desejo de esconder uma gravidez indiscreta; os inconvenientes de uma gravidez sobre os planos da vida da mulher (viagens, trabalho) ou receios de que a gestação possa comprometer um estado de saúde alterado – e de ordem econômica – dificuldade na manutenção dos filhos (alimentação, vestuário e educação); dificuldade em obter trabalho que não implique abandono dos filhos; dificuldade de obter habitação para maior número de filhos.” Desenvolvimento por Comparação Outra forma de se desenvolver a frase-núcleo é através do processo comparativo. Assim é possível confrontar ideias, fatos, seres, fenômenos e, neste processo, apontar-lhes as dessemelhanças (CONTRASTES) ou as semelhanças. Dependendo do resultado do ato comparativo, o parágrafo terá o seu DESENVOLVIMENTO ordenado por: COMPARAÇÃO-CONTRATE COMPARAÇÃO-SEMELHANÇA Observemos os parágrafos abaixo: “A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e persistente sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo de que a felicidade é uma ilusão, que só o sofrimento é real”. Por isso, o homem sensato deseja mais sofrer que gozar. Em plena juventude quando eu ouvia bater à porta, saltava e alegria e pensava: Bom! Alguma coisa sucede. Mais tarde, experimentado pela vida, o mesmo ruído sobressaltava-me de angústia, e pensava: Que sucederá, meu Deus?” (Arthur Schopenhauer, A Vontade de Amar) Análise Assunto: Felicidade Frase-Núcleo: composto pelos 2 (dois) parágrafos. Delimitação: Juventude e velhice: seus posicionamentos frente à felicidade. 1º Parágrafo Felicidade Juventude x Velhice esperança dor 2º Parágrafo Bater à porta Juventude x Velhice alegria angústia ANALISEMOS AGORA UM PARÁGRAFO CUJO DESENVOLVIMENTO SEJA POR COMPARAÇÃO-SEMELHANÇA, OU SEJA, ONDE SE APONTEM AS SEMELHANÇAS ENTRE OS ELEMENTOS COMPARADOS. “A tensão do futebol é igual à tensão da vida, compostos, ambos, pela insegurança de um resultado positivo, pelos riscos e pela incerteza. Na vida, como no futebol, nada é definitivo: estamos sempre transitando entre vitórias e derrotas. O futebol constitui, portanto, perfeito paralelo com a vida do homem e em especial com a vida em sociedade, pois é um jogo que estimula a cooperação em grupo como fatos decisivo para a vitória: No esporte e na vida, a integração é a vitória, como salientava um “slogan” propagandista do governo do Presidente Médice.” (Maria do Carmo L. de O. Fernande – Futebol – Fenômeno Lingüístico). _____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ Praticando: 1.a. “Vários são os problemas que o prematuro precisa superar. Caso seus pulmões e músculos respiratórios não estejam suficientemente desenvolvimentos, ele respirará com dificuldade. Se os rins não funcionarem bem, ele terá problemas para manter o equilíbrio líquido de que seus tecidos necessitam. Se não tiver força suficiente para sugar e engolir, recusara a alimentação e apresentará reflexos incompletamente desenvolvidos.” (Livro da Vida, n. 6, Abril Cultural) _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 1.b. “inúmeras são asdificuldades com que se defronta o governo brasileiro diante dos problemas de desequilíbrios ecológicos e poluição: a enorme extensão do território; a má distribuição da população que superpovoa pequena extensão desse território e deixa inteiramente despovoadas imensas áreas; a escassez de estudos referentes à poluição; o baixo nível de educação do povo brasileiro; a escassez de recursos financeiros e a falta de tradição e problemas desta natureza.” (Mário Guimarães Ferri, Ecologia e Poluição – adaptação) ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Faça um parágrafo dissertativo seguinte a orientação seguinte: ASSUNTO: Lazer DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Tipos de lazer. DESENVOLVIMENTO: Enumeração (critério aleatório). Elementos a enumerar: - natação; - futebol; - cinema; - teatro; - discoteca; - clubes recreativos. EXERCÍCIO DE APRENDIZAGEM 1. Em cada um dos itens abaixo – são apresentados cinco temas sobre o mesmo assunto. Numere-os de 1 a 5, ordenando-os do mais amplo para o mais delimitado. a. ( ) A importância da leitura para o indivíduo e para a sociedade. ( ) A pesquisa sobre leitura projetou nova luz sobre o seu significado, não só em relação às necessidade as sociedade, mas também, às do indivíduo. ( ) Como incentivar o hábito da leitura. ( ) A pesquisa sobre leitura, um dos ramos mais jovens da ciência. ( ) Métodos para determinar interesses individuais de leitura. b. ( ) A mulher indígena e o trabalho artesanal. ( ) O poder das mulheres na sociedade Kanamari. ( ) II Encontro Amazônico sobre mulher e relações sociais de gênero. ( ) Mulher e Modernidade na Amazônia. ( ) A Mulher indígena. 2. Aos parágrafos abaixo, falta a frase-núcleo. Após cada um, são apresentadas duas frases. Indique qual das duas seria a frase-núcleo mais adequada e atraente para o parágrafo. Justifique sua resposta. a. “Pesquisas mostram que as crianças que assistem por mais tempo à televisão são aquelas que possuem pais mais autoritários e mais frustrantes. Assim também, o uso da televisão depende das relações das crianças com seus “pares”: a criança que vive mais na família e menos com seus colegas de idade assiste mais à televisão.” ( ) O maior ou menor interesse da criança pela televisão depende de características pessoais. ( ) Por que algumas crianças se prendem à televisão mais que outras? “A influência da televisão, na verdade, parece depender menos da quantidade de violência apresentada do que da imagem do mundo em geral que ela propõe ao espectador. O que importa não é a quantidade da violência, mas o valor que lhe é atribuído pelos meios de comunicação de massa.” ( ) Um personagem em cada cinco nos filmes televisados é um criminoso. Tanta violência influirá sobre o comportamento do espectador? ( ) A violência é um dos temas preferidos pela televisão, e muitos acreditam que a apresentação de tanta violência influi negativamente sobre o comportamento do espectador. 3. Abaixo, é apresentado um parágrafo em que as ideias se ordenam por enumeração. Analise o parágrafo. a. formule o objetivo do parágrafo, evidenciando a enumeração apresentada no desenvolvimento; b. determine se a enumeração no é feita segundo algum critério (se sim, indique qual), se é feita por classificação ou se é aleatória; c. Assinale no parágrafo, quando houver, as expressões indicadoras de ordenação por enumeração. “Hoje, um número cada vez maior de pesquisadores está investigando novas fontes de energia no mar que poderão ser mais limpas, mais seguras e, talvez maiores que todas as outras. Alguns dos processos em estudo são incertos tecnológica ou economicamente; outras são apenas reedições de velhas ideias, esquecidas quando a energia hidrelétrica e os combustíveis fósseis baratos (o petróleo, principalmente) dominavam o mercado energético; e alguns são sistemas de energia anteriormente rejeitados por serem muito caros.” ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 4. Redija para o assunto abaixo relacionado, um parágrafo dissertativo cujo desenvolvimento seja ordenado por comparação-semelhança ou comparação-contraste. Assunto: Comunicação Delimitação do assunto: Falar ao vento e ao coração Frase-núcleo: “Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras.” ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 5. Após uma leitura reflexiva, aponte os elementos estruturadores do parágrafo: assunto; delimitação do assunto; objetivo; frase-núcleo; desenvolvimento e conclusão. “Uma tendência muito constante é a de “ver apenas um lado” da outra pessoa. Se, por exemplo, ficamos impressionados por sua beleza ou fluência verbal, tendemos a atribuir-lhe outras qualidades favoráveis, que podem ser inteiramente irreais, e a ignorar qualquer traço desfavorável de sua personalidade. Essa tendência pode também se manifestar em sentido contrário: uma pequena impressão desfavorável estende-se e influencia o julgamento de todos os aspectos da personalidade do indivíduo.” (Livro da Vida, p. 32. – Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural) ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Desenvolvimento por Causa e Consequência O principal elemento constitutivo dos textos está na relação entre o ponto de vista e argumentação. As causas são as justificativas de nossas opiniões. As consequências ou conclusões, são as decorrências ou os desdobramentos da opinião, do ponto de vista defendido. Verifiquemos um exemplo 1: Constatamos que, no Brasil, existe um grande número de correntes migratórias que se deslocam do campo para as pequenas ou grandes cidades. Para encontrarmos uma causa, perguntamos POR QUÊ? ao tema acima. Dentre as respostas possíveis, poderíamos citar o seguinte fato: A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo. No sentido de encontrar uma consequência do problema enfocado no tema acima, cabe a seguinte pergunta: O que acontece em razão disso? Uma das possíveis respostas seria: As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho. Exemplo 2. O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam. Exercícios - Para cada assunto apresentado, redija um parágrafo dissertativo com relações de causa ou consequência. 1- O homem atua com vantagem sobre os outros animais pela sua capacidade de transformar elementos naturais em instrumentos de dominação. 2- A tecnologia desenvolveu meios que possibilitam a comunicação entre pessoas separadas por milhares de quilômetros. 3- Todo município conta, geralmente, com um sistema de tratamento da água a ser consumida pela população. 4- Na maioria dos povos primitivos e civilizados, o casamento monogâmico é encontrado com maior frequência que o poligâmico. 5- A punição dos infratores está mais rigorosa e cara. - Tempo e Espaço; Muitos parágrafos dissertativos marcam temporal e espacialmente a evolução de ideias, processos. Exemplo: Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta evolução . Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. Depois deu um significado a cada grunhido. Muito depois, inventou a escrita e só muitos séculos mais tarde é que passou à comunicação de massa. Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos, os solos são profundos. Existe nessas regiões uma forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transformação da rocha em terra pela umidade e calor. Nas região temperadas e ainda nas mais frias, a camada do solo é pouco profunda.( Melhem Adas) Exercícios - Partindo das frases nucleares abaixo, construir parágrafos dissertativos ordenados por tempo e espaço. 1- Em todos os tempos, o mar tem exercido fascinante atração sobre o homem. 2- O homem sempre buscou proteção ao longo de sua história. 3- O Brasil conta com tipos de aficcionados por vários esportes. 4- As novelas brasileiras tentam mostrar não mais apenas o Rio de Janeiro, mas também outras regiões brasileiras. 5- O homem sempre quis voar como os pássaros. 6- O uso do cinto de segurança tem evitado mortes em acidentes de trânsito. - Explicitação. Num parágrafo dissertativo, pode-se conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais compreensíveis. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contém sangue vermelho-vivo, recém oxigenado. Na artéria pulmonar, porém, corre sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que o coração remete para os pulmões para receber oxigênio e liberar gás carbônico.” Exercícios - Explicitar as ideias contidas nas frases nucleares. 1- Cada pessoa define a seu modo quais as pessoas que devem presentar , e com o quê. 2- Os benefícios do esporte são muito apregoados hoje em dia. 3- A Internet é um auxílio rápido e eficaz às pesquisas escolares. 4- Uma mãe que vai buscar seu filho na escola pode somar muitos pontos e arcar com uma grande quantidade de dinheiro em multas, se não obedecer ao novo Código Nacional de Trânsito. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECHARA. Evanildo. Moderna gramática portuguesa, 37 ed. rev. e ampl., Rio de Janeiro: Lucena 2001. FOLHA DE SÃO PAULO. Manual de Redação, 4ª ed., São Paulo, Publifolha, 2001. KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A coerência textual, ed. 11, São Paulo: Contexto, 2001. ___________. A coesão textual, ed. 14, São Paulo: Contexto, 2001. MARTINS. Dileta Silveira. Português Instrumental. 22º ed., Porto Alegre: Editora Sagra Luzzatto, 2001. A estruturação do parágrafo (Parágrafo-padrão ) O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios. O tamanho do parágrafo Os parágrafos são moldáveis como a argila, podem ser aumentados ou diminuídos, conforme o tipo de redação, o leitor e o veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Se o escritor souber variar o tamanho dos parágrafos, dará colorido especial ao texto, captando a atenção do leitor, do começo ao fim. Em princípio, o parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso. Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes, geralmente, apresentam parágrafos curtos. Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágrafos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia. Parágrafos médios - comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio (2º grau). Cada parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro cabem cerca de três parágrafos médios. Parágrafos longos - em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para acompanhá-los. Tópico frasal A ideia central do parágrafo é enunciada através do período denominado tópico frasal (também chamado de frase-síntese ou período tópico). Esse período orienta ou governa o resto do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários ou periféricos; ele vai ser o roteiro do escritor na construção do parágrafo; ele é o período mestre, que contém a frase-chave. Como o enunciado da tese, que dirige a atenção do leitor diretamente para o tema central, o tópico frasal ajuda o leitor a agarrar o fio da meada do raciocínio do escritor; como a tese, o tópico frasal introduz o assunto e o aspecto desse assunto, ou a ideia central com o potencial de gerar ideias-filhote; como a tese, o tópico frasal é enunciação argumentável, afirmação ou negação que leva oleitor a esperar mais do escritor (uma explicação, uma prova, detalhes, exemplos) para completar o parágrafo ou apresentar um raciocínio completo. Assim, o tópico frasal é enunciação, supõe desdobramento ou explicação. A ideia central ou tópico frasal geralmente vem no começo do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a ideia central. Exemplos: Ao cuidar do gado, o peão monta e governa os cavalos sem maltrátá-los. O modo de tratar o cavalo parece rude, mas o vaqueiro jamais é cruel. Ele sabe como o animal foi domado, conhece as qualidades e defeitos do animal, sabe onde, quando e quanto exigir do cavalo. O vaqueiro aprendeu que paciência e muitos exercícios são os principais meios para se obter sucesso na lida com os cavalos, e que não se pode exigir mais do que é esperado. A distribuição de renda no Brasil é injusta. Embora a renda per capita brasileira seja estimada em U$$2.000 anuais, a maioria do povo ganha menos, enquanto uma minoria ganha dezenas ou centena de vezes mais. A maioria dos trabalhadores ganha o salário mínimo, que vale U$$112 mensais; muitos nordestinos recebem a metade do salário mínimo,. Dividindo essa pequena quantia por uma família onde há crianças e mulheres, a renda per capita fica ainda mais reduzida; contando-se o número de desempregados, a renda diminui um pouco mais. Há pessoas que ganham cerca de U$$10.000 mensais, ou U$$ 120.000 anuais; outras ganham muito mais, ainda. O contraste entre o pouco que muitos ganham e o muito que poucos ganham prova que a distribuição de renda em nosso país é injusta. Exercícios 1. Desenvolva também estes tópicos frasais dissertativos: a) A prática do esporte deve ser incentivada e amparada pelos órgãos públicos. b) O trabalho dignifica o homem, mas o homem não deve viver só para o trabalho. c) A propaganda de cigarros e de bebidas deve ser proibida. d) O direito à cultura é fundamental a qualquer ser humano. 2. Desenvolva os tópicos frasais seguintes, considerando os conectivos: a) O jornal pode ser um excelente meio de conscientização das pessoas, a não ser que b) As mulheres, atualmente, ocupam cada vez mais funções de destaque na vida social e política de muitos países; no entanto... c) Um curso universitário pode ser um bom caminho para a realização profissional de uma pessoa, mas... d) Se não souber preservar a natureza, o ser humano estará pondo em risco sua própria existência, porque... e) Muitas pessoas propõem a pena de morte como medida para conter a violência que existe hoje em várias cidades; outras, porém... f) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, porque. g) Muitos alunos acham difícil fazer uma redação, no entanto... h) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, pois i) Um meio de comunicação tão importante como a televisão não deve sofrer censura, entretanto... j) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, porque l) O uso de drogas pelos jovens é, antes de tudo, um problema familiar, embora Tópico frasal desenvolvido por enumeração. Exemplo: A televisão, apesar das críticas que recebe, tem trazido muitos benefícios às pessoas, tais como: informação, por meio de noticiários que mostram o que acontece de importante em qualquer parte do mundo; diversão, através de programas de entretenimento (shows, competições esportivas); cultura, por meio de filmes, debates, cursos. Faça o mesmo: 1. Na escolha de uma carreira profissional, precisamos considerar muitos aspectos, dentre os quais podemos citar: 2. O desrespeito aos direitos humanos manifesta-se de várias formas: 3. O bom relacionamento entre os membros de uma família depende de vários fatores, como: 4. A vida nas grandes cidades oferece vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, podemos lembrar e, dentre as desvantagens, ... Tópico frasal desenvolvido por descrição de detalhes É o processo típico do desenvolvimento de um parágrafo descritivo: Era o casarão clássico das antigas fazendas negreiras. Assobradado, erguia-se em alicerces o muramento, de pedra até meia altura e, dali em diante, de pau-a-pique (...) À porta da entrada ia ter uma escadaria dupla, com alpendre e parapeito desgastado.(Monteiro Lobato) Tópico frasal desenvolvido por confronto. Trata-se de estabelecer um confronto entre duas ideias, dois fatos, dois seres, seja por meio de contrastes das diferenças, seja do paralelo das semelhanças. Veja o exemplo: Embora a vida real não seja um jogo, mas algo muito sério, o xadrez pode ilustrar o fato de que, numa relação entre pais e filhos, não se pode planejar mais que uns poucos lances adiante. No xadrez, cada jogada depende da resposta à anterior, pois o jogador não pode seguir seu planos sem considerar os contra-ataques do adversário, senão será prontamente abatido. O mesmo acontecerá com um pai que tentar seguir um plano preconcebido, sem adaptar sua forma de agir às respostas do filho, sem reavaliar as constantes mudanças da situação geral, na medida em que se apresentam. (Bruno Betelheim, adaptado) Tópico frasal desenvolvido por razões No desenvolvimento apresentamos as razões, os motivos que comprovam o que afirmamos no tópico frasal. As adivinhações agradam particularmente às crianças. Por que isso acontece de maneira tão generalizada? Porque, mais ou menos, representam a forma concentrada, quase simbólica, da experiência infantil de conquista da realidade. Para uma criança, o mundo está cheio de objetos misteriosos, de acontecimentos incompreensíveis, de figuras indecifráveis. A própria presença da criança no mundo é, para ela, uma adivinhação a ser resolvida. Daí o prazer de experimentar de modo desinteressado, por brincadeira, a emoção da procura da surpresa. (Gianni Rodari, adaptado). Tópico frasal desenvolvido por análise É a divisão do todo em partes. Quatro funções básicas têm sido atribuídas aos meios de comunicação: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira diz respeito à difusão de notícias, relatos e comentários sobre a realidade. A segunda atende à procura de distração, de evasão, de divertimento por parte do público. A terceira procura persuadir o indivíduo, convencê-lo a adquirir certo produto. A quarta é realizada de modo intencional ou não, por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. (Samuel P. Netto, adaptado). Tópico frasal desenvolvido pela exemplificação Consiste em esclarecer o que foi afirmado no tópico frasal por meio de exemplos: A imaginação utópica e inerente ao homem, sempre existiu e continuará existindo. Sua presença é uma constante em diferentes momentos históricos: nas sociedades primitivas, sob a forma de lendas e crenças que apontam para um lugar melhor; nas formas do pensamento religioso que falam de um paraíso a alcançar; nas teorias de filósofos e cientistas sociais que, apregoando o sonho de uma vida mais justa, pedem-nos que “sejamos realistas, exijamos o impossível”. (Teixeira Coelho, adaptado) Exercícios 1.Grife o tópico frasal de cada parágrafo apresentado. Não deixe de observar como o autor desenvolve. “O isolamento de uma população determina as características culturais próprias. Essas sociedades não têm conhecimento das ideias existentes fora de seu horizonte geográfico. É o que acontece na terra dos cegos do conto de H.G. Welles. Os cegos desconhecem a visão e vivem tranquilamente com sua realidade, naturalmente adaptados, pois todos são iguais. Esse conceito pode ser exemplificado também pelo caso das comunidades indígenas ou mesmo qualquer outra comunidade isolada.”(Redaçãode vestibular). “O desprestígio da classe política e o desinteresse do eleitorado pelas eleições proporcionais são muitos fortes. As eleições para os postos executivos é que constituem o grande momento de mobilização do eleitorado. É o momento em que o povão se vinga, aprovando alguns candidatos e rejeitando outros. Os deputados, na sua grande maioria, pertencem à classe A. É com os membros dessa classe que os parlamentares mantêm relações sociais, comerciais, familiares. É dessa classe com a qual mantêm maiores vínculos, que sofrem as maiores pressões. Desse modo, nas condições concretas das disputas eleitorais em nosso país, se o parlamentarismo não elimina inteiramente a influência das classes D e E no jogo político, certamente atua no sentido de reduzi-la.” (Leôncio M. Rodrigues). 2. Apresentamos a seguir alguns tópicos frasais para serem desenvolvidos na maneira sugerida. a) Anacleto é um detetive trapalhão. (por enumeração de detalhes: forneça a descrição física e psicológica do personagem). b) As novelas transmitidas pela televisão brasileira são muito mais atraentes que nossos filmes. (por confronto) c) As cidades brasileiras estão se tornando ingovernáveis. (por razões) d) Há três tipos básicos de composição: a narração, a descrição e a dissertação. (por análise) Nunca diga que algum ser humano é uma ilha: tudo que acontece a um semelhante nos atinge. (por exemplificação) Tipos de Introdução A introdução da dissertação traz ao leitor o tema a ser discutido além de, muitas vezes, trazer sob qual ângulo a questão será discutida. Dessa forma, é ela quem provoca no leitor o primeiro impacto, é ela a apresentação de seu texto e, portanto deve ser muito bem trabalhada, o que não é tão difícil, pois há várias boas maneiras de começar uma dissertação. As formas abaixo são algumas possíveis, mas, certamente, não são as únicas. Vale ainda salientar que a introdução só deve ser feita após estar concluído o "Projeto de Texto". Roteiro Como em toda introdução, o tema deve estar presente. Além disso, neste tipo é apresentado ao leitor o roteiro de discussão que será seguido durante o desenvolvimento. Para exemplificação, suponhamos o tema: A questão do menor no Brasil Uma possível introdução seria: Para se analisar a questão da violência contra o menor no Brasil é essencial que se discutam suas causas e suas consequências. 0 principal defeito em uma redação que utiliza este tipo de introdução é seguir outro roteiro que não seja o nela citado. Hipótese (hipó)tese Este tipo de introdução traz o ponto de vista a ser defendido, ou seja, a tese que se pretende provar durante o desenvolvimento. Evidentemente a tese será retomada – e não copiada - na conclusão. Vejamos um exemplo para o mesmo tema: A questão da violência contra o menor tem origem na miséria - a principal responsável pela desagregação familiar. 0 principal risco desse tipo de introdução é não ser capaz de realmente comprovar a tese apresentada. Perguntas Esta introdução constitui-se de uma série de perguntas sobre o tema. Exemplo: É possível imaginar o Brasil como um pais desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o menor? O principal problema neste tipo de introdução é não responder, ou responder de forma ineficaz, as perguntas feitas. Além disso, por ser uma forma bastante simples de começar um texto, às vezes não consegue atrair suficientemente a atenção do leitor. Histórica Esta introdução traça um rápido panorama histórico da questão, servindo muitas vezes de contraponto ao presente. Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Canudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo. Deve-se tomar o cuidado de se escolher fatos históricos conhecidos e significativos para o desenvolvimento que se pretende dar ao texto. Compararão - por semelhança ou oposição Procura-se neste tipo de introdução mostrar como o tema, ou aspectos dele, se assemelham - ou se opõem - a outros. É comum encontrar crianças de dez anos de idade vendendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa idade as crianças estão na escola e não submetidas a violência das ruas. É bastante importante que a comparação seja adequada e sirva a algum propósito bem claro - no caso, mostrar o subdesenvolvimento brasileiro na questão do menor. Definição Parte da definição do significado do tema, ou de uma parte dele. Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aquele que não atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são tratadas: em segundo plano. Vale perceber que há, muitas vezes, mais de uma maneira de se definir algo e, portanto a escolha da definição mais adequada dependera do ponto de vista a ser defendido. Contestação Contesta uma idéia ou uma citação conhecida. O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais diversas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, como pode ser esse o pais do futuro? Ou será que a criança não é o futuro do país? Repare como esse tipo de introdução pode ser bastante atraente, uma vez que desfazer clichês atrai mais a atenção do que usá-los. Narração Trata-se de contar um pequeno fato de relevância como ponto de partida para a análise do tema. Sentar numa frigideira com óleo quente foi o castigo imposto ao pequeno D., de um ano e meio, pelo pai, alcoólatra. Temendo ser preso, ele levou a criança a um hospital uma semana depois. A mulher, também vitima de espancamentos, o denunciou à polícia. O agressor fugiu. Cuidado, ao fazer este tipo de introdução, para não cometer o erro de contar um fato sem relevância, ou transformar toda sua dissertação em uma narrativa. Estatística Consiste em se apresentar dados estatísticos relativos à questão a ser tratada. Quarenta mil crianças morreram hoje no mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a desnutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vivem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo decidir proteger suas crianças. Veja que o dado estatístico, muitas vezes, não diz nada por si só. E necessário que ele apareça acompanhado de uma análise criteriosa. Mista Procura fundir várias formas de introdução. Veja como o exemplo dado em contestação traz também a introdução com perguntas. Vejamos um outro possível exemplo. Crianças mortas em frente a Igreja da Candelária. Denúncias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível imaginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social enquanto perdurar tão triste quadro. Bibliografia: FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A Redação pelo Parágrafo. 1ª edição. Brasília, Editora UnB, 1995. DELMANTO, Dileta. Escrevendo Melhor, 8ª série. 1ª edição. São Paulo, Editora Ática, 1995. TUFANO, Douglas. Estudos de Redação. 4ª edição. São Paulo, Editora Moderna, 1996. A importância dos conectivos A coesão de um texto depende muito da relação entre as orações que formam os períodos e os parágrafos. Os períodos compostos precisam ser relacionados por meio de conectivos adequados, se não quisermos torná-los incompreensíveis. Para cada tipo de relação que se pretende estabelecerentre duas orações, existe uma conjunção que se adapta perfeitamente a ela. Por exemplo, a conjunção MAS só deve ser usada para estabelecer uma relação de oposição entre dois enunciados. Porém, se houver um relação de adição ou ideia de concessão, a conjunção deverá ser outra: EMBORA. Se não for assim, o enunciado ficará sem nexo. Observe um caso de escolha inadequada da conjunção: "EMBORA O BRASIL SEJA UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS NATURAIS, TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME" Veja que não existe a relação de oposição ou a idéia de concessão que justificaria a conjunção EMBORA. Como a relação é de causa-efeito, deveria ter sido usada uma conjunção causal: COMO O BRASIL É UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS, TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME. Para que problemas desse tipo não aconteçam em suas redações, acostume-se a relê-las, observando se suas palavras, orações e períodos estão adequadamente relacionados. (Extraído do livro: Escrevendo Melhor, 8ª série, Dileta Delmanto, 1995, Editora Ática.) Conectivos Conectivos ou elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar relações entre segmentos do discurso, tais como: então, portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas, assim, daí, aí, dessa forma, isto é, embora e tantas outras. Veja o exemplo: Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura, porém chega a exportar certos produtos agrícolas. No caso, faz sentido o uso do porém, já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. Seria descabido permutar o porém pelo porque, que serve para indicar causa. Relação dos principais elementos de coesão: 1) assim, desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar ou ilustrar o que se disse antes. O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. Assim, ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer. 2) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes; indica uma progressão que adiciona, acrescenta, algum dado novo. Se não acrescentar nada, constitui pura repetição e deve ser evitada. Ao dizer: Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar. 3) ainda: serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer. O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes. 4) aliás, além do mais, além de tudo, além disso: introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário. Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos. 5) isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras: introduzem esclarecimentos, retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente. Muitos jornais, fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos, isto é, de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade. 6) mas, porém e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. Não se podem ligar, com esses relatores, segmentos que não se opõem. Às vezes, a oposição se faz entre significados implícitos no texto. Choveu na semana passada, mas não o suficiente para se começar o plantio. 7) embora, ainda que, mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso: sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário. Observe o exemplo: Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis, pés velozes como o raio, olhos de longo alcance e asas para voar, não resolveram o problema das injustiças. Como se nota, mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência, afirma-se uma desvantagem maior. O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõem uma relação de contradição, que, se não houve, deixa o enunciado descabido. Exemplo: Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis, vamos resolver o problema da fome. 8. Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. Alguns, como mesmo, até, até mesmo, situam alguma coisa no topo da escala; outros, como ao menos, pelo menos, no mínimo, situam-na no plano mais baixo. O homem é ambicioso. Quer ser dono de bens materiais, da ciência, do próprio semelhante, até mesmo do futuro e da morte. ou É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer, a cultura, a liberdade, ou, no mínimo, a moradia, o alimento e a saúde. Às vezes o conectivo tem seu uso inadequado de forma proposital, que revela um preconceito ou uma ironia. Mário Amato, ex-presidente da Fiesp, referiu--se à ex-ministra Dorothea Werneck desta forma: Ela é mulher, mas é capaz. A retomada ou a antecipação de termos Observe o trecho que segue: José e Renato, apesar de serem gêmeos, são muito diferentes. Por exemplo, este é calmo, aquele é explosivo. O termo este retoma a nome próprio “Renato”, enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra “José”. Este e aquele são chamados de anafóricos. Anafórico, genericamente, pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto, ou também para antecipar termos que virão depois. São anafóricos: pronomes demonstrativos: este, esse, aquele pronomes relativos: que, o qual, onde, cujo advérbios e expressões adverbiais: então, dessa feita, acima, atrás. Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário. No caso, sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. Desfazendo a ambiguidade, ficaria assim: A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou desacordo com o PMDB. Texto: Um argumento cínico (1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. (2) Como pretexto, as invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. (3) Como argumento, no entanto, é cínica e improcedente. (4) Cínica porque a sonegação, que nesse caso se pratica não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários, sejam eles bem ou mal administrados. (5) Ora, sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento, não há transportes, não há escolas ou hospitais. (6) E sem serviços públicos essenciais, não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação, longe de fazer melhores os maus governos, estimula-os à prepotência e ao arbítrio, além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que, mesmo querendo, não têm como dela fugir - os que vivem de salário, por exemplo. (8) Antes, é preciso pagar, até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. (9) É muito cômodo, mas não deixa deser, no fundo, uma hipocrisia, reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda. VILLELA, João Baptista. Veja, 25 set. 1985. Os períodos estão numerados. Comentários: 1º período: o autor começa a desmontar o argumento dos sonegadores através da expressão “confortável pretexto”. 2º período: o autor admite como pretexto a justificativa dos sonegadores. 3º período: o conectivo “no entanto” introduz uma argumentação contrária, dizendo que a justificativa é cínica e improcedente. 4º período: através do conectivo “porque” ele diz a causa pela qual considera cínico o argumento dos sonegadores. 5º período: o conectivo “ora” dá início a uma argumentação contrária à idéia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos. 6º período - o conectivo “e” introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior. 7º período - depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico, o autor passa a demonstrar que é também improcedente, o que já foi afirmado no terceiro período. É usado o conectivo “porque” para isso. Mais adiante o conectivo “além de” introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação. 8º período - o autor usa dois conectivos: “antes” e “até mesmo” que reforçam sua argumentação. 9 º parágrafo - o conectivo “mas” estabelece a contradição das duas argumentações (dos sonegadores e do autor). 10º período - o conectivo “ou” inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita dos sonegadores. (in Para Entender o Texto - Leitura e Redação - Platão & Fiorin, Editora Ática, 1995). Praticando: FAÇA A ANÁLISE DO PARÁGRAFO 1.a. “Vários são os problemas que o prematuro precisa superar. Caso seus pulmões e músculos respiratórios não estejam suficientemente desenvolvimentos, ele respirará com dificuldade. Se os rins não funcionarem bem, ele terá problemas para manter o equilíbrio líquido de que seus tecidos necessitam. Se não tiver força suficiente para sugar e engolir, recusará a alimentação e apresentará reflexos incompletamente desenvolvidos.” (Livro da Vida, n. 6, Abril Cultural) ________________________________________________________________________ 1.b. “inúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo brasileiro diante dos problemas de desequilíbrios ecológicos e poluição: a enorme extensão do território; a má distribuição da população que superpovoa pequena extensão desse território e deixa inteiramente despovoadas imensas áreas; a escassez de estudos referentes à poluição; o baixo nível de educação do povo brasileiro; a escassez de recursos financeiros e a falta de tradição e problemas desta natureza.” (Mário Guimarães Ferri, Ecologia e Poluição – adaptação) ________________________________________________________________________ Faça um parágrafo dissertativo seguinte a orientação seguinte: ASSUNTO: Lazer DELIMITAÇÃO DO ASSUNTO: Tipos de lazer. DESENVOLVIMENTO: Enumeração (critério aleatório). Elementos a enumerar: - natação; - futebol; - cinema; - teatro; - discoteca; - clubes recreativos. EXERCÍCIO DE APRENDIZAGEM 1. Em cada um dos itens abaixo – são apresentados cinco temas sobre o mesmo assunto. Numere-os de 1 a 5, ordenando-os do mais amplo para o mais delimitado. a. ( ) A importância da leitura para o indivíduo e para a sociedade. ( ) A pesquisa sobre leitura projetou nova luz sobre o seu significado, não só em relação às necessidade as sociedade, mas também, às do indivíduo. ( ) Como incentivar o hábito da leitura. ( ) A pesquisa sobre leitura, um dos ramos mais jovens da ciência. ( ) Métodos para determinar interesses individuais de leitura. b. ( ) A mulher indígena e o trabalho artesanal. ( ) O poder das mulheres na sociedade Kanamari. ( ) II Encontro Amazônico sobre mulher e relações sociais de gênero. ( ) Mulher e Modernidade na Amazônia. ( ) A Mulher indígena. 2. Aos parágrafos abaixo, falta a frase-núcleo. Após cada um, são apresentadas duas frases. Indique qual das duas seria a frase-núcleo mais adequada e atraente para o parágrafo. Justifique sua resposta. a. “Pesquisas mostram que as crianças que assistem por mais tempo à televisão são aquelas que possuem pais mais autoritários e mais frustrantes. Assim também, o uso da televisão depende das relações das crianças com seus “pares”: a criança que vive mais na família e menos com seus colegas de idade assiste mais à televisão.” ( ) O maior ou menor interesse da criança pela televisão depende de características pessoais. ( ) Por que algumas crianças se prendem à televisão mais que outras? “A influência da televisão, na verdade, parece depender menos da quantidade de violência apresentada do que da imagem do mundo em geral que ela propõe ao espectador. O que importa não é a quantidade da violência, mas o valor que lhe é atribuído pelos meios de comunicação de massa.” ( ) Um personagem em cada cinco nos filmes televisados é um criminoso. Tanta violência influirá sobre o comportamento do espectador? ( ) A violência é um dos temas preferidos pela televisão, e muitos acreditam que a apresentação de tanta violência influi negativamente sobre o comportamento do espectador. 3. Abaixo, é apresentado um parágrafo em que as ideias se ordenam por enumeração. Analise o parágrafo. a. formule o objetivo do parágrafo, evidenciando a enumeração apresentada no desenvolvimento; b. determine se a enumeração no é feita segundo algum critério (se sim, indique qual), se é feita por classificação ou se é aleatória; c. Assinale no parágrafo, quando houver, as expressões indicadoras de ordenação por enumeração. “Hoje, um número cada vez maior de pesquisadores está investigando novas fontes de energia no mar que poderão ser mais limpas, mais seguras e, talvez maiores que todas as outras. Alguns dos processos em estudo são incertos tecnológica ou economicamente; outras são apenas reedições de velhas ideias, esquecidas quando a energia hidrelétrica e os combustíveis fósseis baratos (o petróleo, principalmente) dominavam o mercado energético; e alguns são sistemas de energia anteriormente rejeitados por serem muito caros.” ______________________________________________________________________________ 4. Redija para o assunto abaixo relacionado, um parágrafo dissertativo cujo desenvolvimento seja ordenado por comparação-semelhança ou comparação-contraste. Assunto: Comunicação Delimitação do assunto: Falar ao vento e ao coração Frase-núcleo: “Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras.” _________________________________________________________________________________ 5. Após uma leitura reflexiva, aponte os elementos estruturadores do parágrafo: assunto; delimitação do assunto; objetivo; frase-núcleo; desenvolvimento e conclusão. “Uma tendência muito constante é a de “ver apenas um lado” da outra pessoa. Se, por exemplo, ficamos impressionados por sua beleza ou fluência verbal, tendemos a atribuir-lhe outras qualidades favoráveis, que podem ser inteiramente irreais, e a ignorar qualquer traço desfavorável de sua personalidade. Essa tendência pode também se manifestar em sentido contrário: um pequena impressão desfavorável estende-se e influencia o julgamento de todos os aspectos da personalidade do indivíduo.” (Livro da Vida, p. 32. – Enciclopédia Semanal Ilustrada. Abril Cultural) _________________________________________________________________________________ Coesão e Coerência Textuais Coesão Textual Os urubus e os sabiás (1) Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... (2) Os urubus, aves pornatureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza, eles haveriam de se tornar grandes cantores. (3) E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão de mandar nos outros. (4) Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tronar um respeitável urubu titular, a quem todos chamavam por Vossa Excelência. (5) Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. (6) A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás... (7) Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito. (8) “- Onde estão os documentos dos seus concursos?” (9) E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvesse. (10) Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. (11) E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente... (12) – Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem. (13) E os urubus, uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás... (14) MORAL: Em terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá. (Rubem Alves. Estórias de Quem Gosta de Ensinar. ) “Um texto não é uma soma de seqüência de frases isoladas.” Analisando o texto de “Os urubus e os sabiás”: “Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam...” Que tudo é esse? O que foi que aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam? “E para isto fundaram escolas...” Isto o quê? De que se está falando? Qual o sujeito dos verbos fundaram, importaram, gargarejaram, mandaram, fizeram? É o mesmo de teriam? Fala-se em quais deles. Deles quem? E quem são os outros? Qual o referente de eles em (4)? Tem-se novamente a palavra tudo: (5) “Tudo ia muito bem...” Esta Segunda ocorrência do termo tem o mesmo sentido da primeira? A quem se refere o pronome eles (7)? E o pronome possessivo seus (8)? Quais são as pobres aves de que se fala em (9)? E as tais coisas? E elas, em (10), refere-se a pobres aves ou a tais coisas? De que passarinho se fala em (13)? “Se tais perguntas são facilmente respondidas, é porque os termos em questão são elementos da língua que têm por função estabelecer relações textuais: são recursos de coesão textual.” Outro grupo de palavras que tem como função assinalar determinadas relações de sentido entre os enunciados ou partes de enunciados: Mas – oposição ou contraste Mesmo – oposição ou contraste Para – finalidade, meta Foi assim que e E (7) – consequência Até que – temporal E (11) – adição de argumentos ou ideias Porque – explicação, justificativa Coesão Textual - Teoria I. Coesão por retomada ou por antecipação 1. Retomada ou antecipação por uma palavra gramatical (pronomes, verbos, numerais, advérbios) Eu darei sempre o primeiro lugar à modéstia entre todas as belas qualidades. Ainda sobre a inocência? Ainda, sim. A inocência basta uma falta para a perder; da modéstia só culpas graves, só crimes verdadeiros podem privar. Um acidente, um acaso podem destruir aquela, a esta só uma ação determinada e voluntária. (Almeida Garret. Viagens na minha terra.) A palavra aquela retoma o substantivo inocência; o vocábulo esta recupera a palavra modéstia. Todos os termos a que servem para retomar outros são chamados de anafóricos. Qualquer que tivesse sido seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele. O professor era grande, gordo e silencioso, de ombros contraídos. (Clarice Lispector. A legião estrangeira.) O possessivo seu e o pronome pessoal reto de 3ª pessoa ele antecipam a expressão o professor. São, pois, catafóricos. O pronome pessoal oblíquo o retoma a expressão seu trabalho anterior. É um anafórico. 2. Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos) Lia muito, toda espécie de livro. Policiais, então, nem se fala, devorava. Elipse Na elipse, temos a retomada de um termo que seria repetido, mas que é apagado, por facilmente depreendido do contexto. Itamar Franco era um homem feliz ao passar a faixa presidencial para Fernando Henrique Cardoso, mas estava tristonho ao acordar no dia seguinte. Já não era presidente da República desde 1º de janeiro e precisava deixar o Palácio do Jaburu (...) Calado, foi ao banheiro e embalou alguns objetos. (Veja: 24, jan. 1995.) O sujeito do primeiro era é explicitamente mencionado, Itamar Franco. Os outros verbos do texto têm o mesmo sujeito. No entanto, ele vem elíptico, isto é, oculto. A alguns a vida oferece muito; a outros, pouco. Obs.: Não se deve ocultar o complemento de verbos com regência diferente. Os industriais estão apoiando e vão votar no outro candidato. Possibilidades: Os industriais estão apoiando outro candidato e vão votar nele. Hiperonímia Observe agora as palavras destacadas nestas frases: Era criador e gostava de ouvir o canto do canário e do tico-tico. Ele nem imaginava que esses pássaros, quando presos, têm um canto diferente. Perceba que entre canário e tico-tico há uma certa familiaridade, pois pertencem a um mesmo grupo semântico: o grupo dos pássaros. Canário e tico-tico são, no caso, hipônimos de pássaros. Pássaros, por sua vez, por ser uma palavra de sentido mais amplo que as outras duas, é o hiperônimo delas. Assim: Hipônimo e hiperônimo são palavras que pertencem a um mesmo campo semântico, sendo o hipônimo uma palavra de sentido mais específico e hiperônimo uma palavra de sentido mais genérico. Coerência Textual Texto I CANADÁ EM SÃO PAULO Parque canadense será inaugurado hoje São Paulo ganha hoje um parque que reúne duas grandes "paixões" do paulistano: o verde e a água. O verde está na farta arborização do novo local de lazer: 2100 árvores, de 120 espécies diferentes. E a água está no lago que recobre 70% dos 110 mil metros quadrados de área do parque Cidade de Toronto. A vegetação procura fazer jus ao nome do novo local de lazer. Batizado com este nome graças ao Programa Municipal de Intercâmbio Profissional firmado entre São Paulo e Toronto ─ que doou parte das verbas necessárias à sua construção ─, o parque, situado na zona Oeste, presta uma homenagem à cidade canadense através da vegetação típica de clima temperado, como o pinheiro e o plátano, introduzida junto às plantas nativas. Texto II 1 - Um chopps 2 - E dois pastel (...) 5 - O polpettone do Jardim de Napoli (...) 30 - Cruzar a Ipiranga com a Av. São João (...) 43 - O "Parmera" (...) 45 - O "Curíntia" (...) 59 - Todo mundo estar usando cinto de segurança (O Estado de S. Paulo. 25 jan. 1995, A10-1.) Esse conjunto poderia não fazer sentido nenhum. No entanto, colocado num contexto como o seguinte, 100 motivos para gostar de São Paulo, ganha o estatuto de um texto coerente. Texto III Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo Tendo tomado conhecimento pelos periódicos da capital paulista de que o Prefeito da Cidade Universitária, onde está situada a Universidade que Vossa Magnificência, com alto descortino, dirige, resolveu interditar o acesso da população ao campus nos finais de semana, ouso vir à presença de Vossa Magnificência para manifestar-lhe meu repúdio ao fato de uma instituição pública querer subtrair da população de uma cidade desumana um espaço de lazer. Francamente, achei a maiorsujeira da parte da USP, sacanagem, nada a ver. Texto IV Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém. Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc. Texto V Neste texto de Marcelo Paiva, publicado na Folha de S. Paulo, de 28 de junho de 1993, o articulista nota duas contradições do prefeito Paulo Maluf numa entrevista concedida a Jô Soares: a primeira diz respeito a uma contradição entre os enunciados da entrevista; a segunda, a uma inadequação entre o discurso e a realidade: Paulo Maluf, em campanha para a Presidência, no Jô da última quarta-feira: “O Lula não tem experiência. Antes de se candidatar à presidência, deveria começar como prefeito de São Bernardo”. Se contradisse, logo em seguida, ao comentar sua obstinação pelo posto máximo em que pode chegar um “homem público”: “Lincoln perdeu sua eleição para prefeito, deputado, governador, mas não só ganhou para a presidência, como fez um trabalho memorável”. "Então Lula segue os caminhos de Lincoln?", deveria ter perguntado Jô. Segunda contradição: “O brasileiro tem que cobrar as promessas de campanha de seus candidatos”. Maluf prometera, na campanha para prefeito, não se candidatar à presidência, mais que isso, acusou o seu oponente, Eduardo Suplicy, de carreirista e de candidato potencial a outros cargos. (6-2) Texto VI Papo Brabo A verdade é que não se escreve mais como antigamente, pois naquele tempo não havia computadores e, por incrível que pareça, nem mesmo canetas esferográficas. Porém, se fôssemos registrar em papel todos os absurdos do ser humano, não sobraria sequer uma resma para os cartões de Natal. Isso posto, não de gasolina nem de saúde, já que uma é cara e a outra é carente, vamos ao que interessa. Quando digo vamos ao que interessa, vem-me logo à mente a pergunta: interessa a quem? A mim, pensará o leitor desavisado. O leitor avisado perceberá facilmente que estou me referindo em geral a assuntos interessantes e, se não forem, também não interessa. Resolvida essa questão da maior importância para aqueles que assim pensam, passo a seguir ao tema central da discussão, por sinal uma discussão que se perpetua enquanto dura. A pergunta é a seguinte: como abordar um tema central quando se está fora do centro e, por isso mesmo, longe do efeito da força centrífuga? Como ficam nisso tudo o centro do poder, o centro espírita, o centro da cidade e o centro sempre discutido das pessoas autocentradas? Convenhamos, o que é centro para uns é esquerda para outros e direita no sentido de quem vem. Infelizmente, quando se entra em assunto tão polêmico, ninguém se atreve a responder. Mesmo porque, ainda nem foi perguntado. Se for e quando for, tenho certeza de que sempre haverá alguém para discordar e eu perdôo, pois essas contradições são inerentes à alma humana. Disse alma humana? Que dizer, então, das outras almas? Da desumana, da penada, da alma do negócio e, principalmente, da alma minha gentil que te partiste / tão cedo desta vida descontente / repousa lá no céu eternamente? Não quero parecer ilógico, mas seria de péssimo gosto trazer mais uma vez à baila essa intrigante questão. Aliás, pensando bem, ou mesmo pensando mal, por que trazer à baila e não levar ao baile? Ou mesmo trazer o baile à baila? Nunca tiveram a coragem de revelar essa incongruência histórica: no baile da Ilha Fiscal ninguém pagava imposto de renda. Digam o que disserem: a dura realidade é que nenhum intelectual que se preze pode desprezar-se. Tenho a mais absoluta convicção de ter sido claro e objetivo na colocação dessas idéias. Para finalizar, termino. Moral - Pode ser que esse texto seja incoerente, mas faz muito mais sentido do que o massacre dos sem-terra. Antes que eu me esqueça: a reforma agrária já começou. Criaram um ministério. Jô Soares. Veja Atividades Copie do texto palavras e expressões a que os termos grifados se referem. Bernardo tem 5 anos e gosta de saber tudo sobre lugares e países. Eu sou um pai coruja! Assim, na primeira oportunidade, comprei-lhe um desses globos terrestres modernos. No entanto, o garoto não lhe deu muita importância, quando apontei nele o Japão, o Brasil e muitos outros países. Limitou-se a fazê-lo girar doidamente. Parece que a novidade não o atraiu. Girou tanto o tal do globo que o desprendeu do suporte de metal. Logo se dispôs a sair jogando futebol com ele, mas não permiti tal coisa. Consegui convencê-lo a ir destruir outro brinquedo: o barulhento secador da mãe! E assim que me vi só, tranquei-me lá, no meu escritório, para apreciar aquela nova e preciosa aquisição! (Fernando Sabino – Adaptado) Nesta questão ocorrem alguns fragmentos narrativos que apresentam algum tipo de incoerência. Tente identificar e explicar o tipo de incoerência que você vê. Conheci Sheng no primeiro colegial e aí começou um namoro apaixonado que dura até hoje e talvez para sempre. Mas não gosto de sua família: repressora, preconceituosa, preocupada em manter as milenares tradições chinesas. O pior é que sou brasileira, , detesto comida chinesa e não sei comer com pauzinhos. Em casa, só falam chinês e de chinês eu só sei o nome do Sheng. No dia do seu aniversário, já fazia dois anos de namoro, ele ganhou coragem e me convidou para jantar em sua casa. Eu não podia recusar e fui. Fiquei conhecendo os velhos, conversei com eles, ouvi muitas histórias da família e da China, comi tantas coisas diferentes que nem sei. Depois fomos ao cinema eu e o Sheng. O uso dos elementos de ligação (elementos de coesão) inadequados nas sentenças abaixo provoca um efeito de incoerência. Reescreva-os, fazendo as alterações necessárias para garantir o estabelecimento das relações se sentido corretas. O livro é muito interessante porque tem 570 páginas. Carmem mora no Rio há cinco anos, portanto não conhece ainda o Corcovado. Acordei às 7 horas, uma vez que tinha ido deitar às 2 horas, dormi pouco mais de cinco horas. O livro que a professora de literatura mandou comprar já está esgotado, já que foi publicado há menos de três semanas. João, o pintor, foi despedido, mesmo que tenha se negado a pintar a casa, apesar de estar chovendo. Faça o que for necessário para evitar a ambiguidade e/ou incoerência dos períodos abaixo. Durante o noivado, Joana pediu que Eduardo se casasse com ela várias vezes. Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria. As frases seguintes devem ser transformadas em um só período. Utilize-se dos mecanismos de coesão adequados para fazê-los. Os alunos dispunham de pouco tempo. Não foi possível concluir a prova de Matemática. O pouco tempo disponível provocou protestos junto à direção da escola. Moramos no mesmo andar. Vemo-nos com frequência. Mal nos falamos. O show estava excelente. Eles saíram antes de terminar. Tinha um aniversário para ir. Beatriz mudou de apartamento. Ela fez uma viagem ao exterior. Também comprou um carro novo. Ficou completamente endividada. Escreva um período, juntando as frases abaixo, utilizando um conectivo de cada vez: embora, apesar de, mesmo, mas. Faça as modificações necessárias. Estava com febre. Não faltava às aulas. Utilizando um conectivo de cada vez: embora, apesar de, mas, escreva um período, juntando as frases abaixo. Faça as modificações (adaptações) necessárias. O mercado de fraldas descartáveis é dominado por empresas de grande porte. Pequenos fabricantes estão começando a disputar o mercado. Empregando conectivos (exceto: mas, porque, por causa de), ligue os enunciados, estabelecendo entre eles, respectivamente, relações de oposição (concessão) e causa. Prometi a mim mesmo não ir àquela comemoração.Acabei indo. O Brasil tem dificuldades para se alinhar aos países de primeiro mundo. Saúde e educação acabem sendo pouco valorizadas. Proceda da mesma forma com as frases abaixo. Utilize a gora os conectivos: pelo fato de, porque. Alguns jovens estudaram menos do que era preciso. Esses jovens ficaram fora das boas universidades. Reescreva as orações, unindo-as por meio de pronomes relativos e fazendo as adaptações necessárias. A miséria é uma triste realidade. É preciso lutar contra a miséria. Aquele rapaz é boa gente. O pai daquele rapaz já chegou. Crie apenas um período composto, utilizando todos os conectivos elencados. Já que ... a fim de ... pois ... tão ... que ... Exercícios de Coesão Sequencial I – Junte em um só período as ideias relacionadas nos enunciados seguintes, estabelecendo entre elas as relações explicitadas nos parênteses: (0,5 cada) Você tem uma ótima condição financeira. Ajude-o! (ideia de conclusão ) _____________________________________________________________ Não conseguiram realizar o casamento. Não foram publicados os proclamas a tempo. ( causa) _____________________________________________________________ Corre, meu filho! Perderás o ônibus. (condição) _____________________________________________________________ Deves terminar o namoro. Ele não tem bom caráter. ( consequência) _____________________________________________________________ O telefone tocou. Eu estava saindo de casa. (tempo) _____________________________________________________________ II – Reconheça (1) oração final; (2)consecutiva; (3) conclusiva; (4) causal: (0,5 cada) ( ) Ele não presta, de modo que deves terminar o namoro; ( ) Como ele não presta, deves terminar o namoro; ( ) Ele não presta, logo deves terminar o namoro. III – Reconheça o conector como nas orações adverbiais: (1) causais, (2) comparativas, (3) conformativas, (4) modais. ( 0,5 cada) ( ) Eles se comportaram que nem gente adulta na hora da apresentação do trabalho. ( ) todos se comportaram direitinho na hora do Hino Nacional, como pediu a diretora. ( ) Falou em tom de voz áspero como se estivesse com raiva. ( ) como ela lhe pediu segredo, ele não me contou nada. IV – Num dos itens abaixo o conector sublinhado é conformativo. Assinale-o. (2,0) a) ( ) O Leonardo não é tão falador como o Fernando. b) ( ) Como ele não é brasileiro, não entende certas sutilezas da nossa cultura. c) ( ) Aposto como não vai chover no domingo. d) ( ) O velho pescador, sentindo-se cansado, quis chamar Mário, como foi combinado, para substituí-lo na vigília. * D I S S E R T A Ç Ã O TEMA OU TÓPICO FRASAL ARGUMENTO 1 ARGUMENTO 2 ARGUMENTO 3 APROFUNDAMENTO DO ARGUMENTO 1 APROFUNDAMENTO DO ARGUMENTO 2 APROFUNDAMENTO DO ARGUMENTO 3 REAFIRMAÇÃO DO TEMA +