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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPTAÇÃO DE RECURSOS 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Fernando Aguiar Camargo 
 
2 
 
CONVERSA INICIAL 
Na rota anterior, estudamos o conceito de evento e de projetos, além 
das fases e etapas que os perfazem. Relacionamos as características do 
projeto com as fases do evento, focando no planejamento e na gestão. Por fim, 
pudemos ver um pouco mais detalhado os quatro passos essenciais para a 
gestão de um projeto. 
Nesta parte da disciplina vamos trabalhar com questões relacionadas à 
importância das etapas de um Evento, assim como os principais conceitos e 
etapas para a Captação de Recursos necessários para a realização dos mais 
diversos eventos. Para podermos iniciar a captar recursos, seja qual for o tipo 
de evento, precisamos entender aspectos importantes, tais como: 
 Contexto da captação de financiamento de projetos; 
 Fundraising; 
 Tipologia e origens de recursos; 
 Condicionantes Legais e; 
 Elaboração de projetos sociais: introdução. 
Esses tópicos nos ajudarão a entender como conseguiremos captar 
recursos para os eventos e quais premissas serão seguidas para a realização 
do evento com os recursos captados. 
 
CONTEXTUALIZANDO 
Nosso país é muito rico culturalmente, e uma tradição muito viva entre 
os brasileiros na época de festas juninas, São João, ou quadrilha, dependendo 
da região do país que você está, além das comidas e bebidas deliciosas, é a 
busca por “prendas”. 
 
3 
 
Geralmente buscamos as prendas, lembrancinhas ou presentes, que 
são oferecidos nas barracas de jogos, em nossa vizinhança, entre os amigos 
ou mesmo com nossa família. Nessa brincadeira, nós estávamos captando 
recursos, mesmo sem saber. 
Uma das definições de captação que podemos encontrar no site da 
Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) é: “captação de 
recursos é o processo estruturado desenvolvido por uma organização para 
pedir as contribuições voluntárias de que ela precisa, sejam eles financeiros ou 
outros recursos, buscando as doações com indivíduos, empresas, governos, 
outras organizações e etc.” 
Lendo esta definição, talvez consigamos buscar outras ocasiões durante 
nossas vidas que captamos recursos para um determinado fim, sem saber que 
existia um processo estruturado e desenvolvido para esta atividade, inclusive 
com objetivos e resultados já definidos. 
E você se lembra de alguma situação parecida com a relatada no texto 
(festas juninas) em que captou recursos, mesmo que não soubesse que era 
este o conceito que estava por trás da brincadeira ou atividade? 
 
Saiba mais 
Apesar de ser um tema presente em nossas vidas, como pudemos ver 
no item anterior, mesmo que não tenhamos atentado a este fato, é um conceito 
que geralmente não temos curiosidade de pesquisar, a não ser que tenhamos 
que fazer algum trabalho específico sobre captação, ou mesmo a empresa 
onde trabalhamos. Assim sugere-se a leitura do texto: “O que é captação 
de recursos?”, disponível em: <http://captadores.org.br/captacao-de-recursos/>. 
 
4 
 
TEMA 1: CONTEXTO DA CAPTAÇÃO DE FINANCIAMENTO DE PROJETOS 
 Antes de explorarmos de fato a captação de recursos, é necessário 
destacar um ponto bastante importante e presente nos livros e materiais de 
captação de recursos. Encontraremos muitas vezes materiais focados em 
organizações não governamentais (ONGs), que têm como seu desafio central 
se manter por meio de doações, ou seja, captação de recursos. 
 Porém captar não é uma atividade exclusiva das ONGs, como pudemos 
constatar na leitura do texto sugerido na seção anterior (saiba mais), mas sim 
um método que pode ser aplicado em empresas privadas, mistas e 
governamentais. Para que isso aconteça, basta que a organização tenha 
eventos ou projetos que necessitem buscar recursos para que 
sejam realizados. 
 Como buscar recursos tem se tornado cada vez mais corriqueiro, com o 
passar dos anos é perceptível que a demanda por captação aumenta 
constantemente, enquanto podemos notar uma escassez gradativa de fontes 
para a captação de recursos. 
 Neste cenário, será importante que os profissionais que trabalhem com 
captação de recursos, ou que eventualmente precisem utilizar desse recurso, 
aperfeiçoem algumas habilidades, dentre elas: 
 Saber elaborar projetos: habilidade já explorada na rota anterior e que 
será sempre retomada em nossos textos; 
Desenvolver de redes de contatos: ou como mais comumente 
escutamos ou lemos: networking. Este conceito tem sua origem na língua 
inglesa, em que, em uma tradução livre, “net” significa rede e “working” significa 
trabalhando. Sendo assim, um dos significados possíveis é: quanto maior a sua 
rede, melhor serão suas oportunidades de trabalho. 
 
5 
 
Efetivar a captação: ou seja, tornar efetivo, produzir efeito ou ainda 
confirmar o recurso. Em outras palavras, ter a capacidade de conseguir 
recursos e usá-los de maneira correta e otimizada; 
Gerir e avaliar a aplicação dos recursos: que vai muito além de usar 
de forma otimizada e envolve fazer escolhas inteligentes, de maneira que os 
recursos possam gerar resultados e que todos os processos possam ser 
monitorados e, se possível, melhorados; 
Gerar resultado dos recursos obtidos: de maneira simples, todo 
investidor, seja de recursos financeiros ou mão de obra, precisa saber quais 
foram os resultados planejados e obtidos a fim de analisar se o “investimento” 
fez sentido e valeu o desembolso, seja financeiro ou de tempo. Características 
importantes nesta fase são: transparência e métodos que podem selar a 
renovação de recursos captados. 
Tão importante quanto essas habilidades citadas acima é diferenciar 
dois termos presentes na busca de recursos. São eles: 
Captação: que é a atividade que garante a obtenção de recursos; 
Mobilização: que significa o uso eficaz dos recursos captados. E vale 
ressaltar que recursos não são só financeiros, mas também pessoas, materiais 
e serviços. 
Por fim, é importante que os profissionais que trabalham com captação 
de recursos sempre se recordem que este é um meio para sustentabilidade de 
projetos e eventos e não o objetivo da empresa ou do profissional. 
Leitura Obrigatória 
Leia em nosso livro base: “Captação de recursos para Projetos Sociais” 
– Curitiba: Intersaberes, 2013 – (Série Por dentro das Ciências Sociais) o 
 
6 
 
Capítulo,1 intitulado: Contexto de captação de financiamento de projetos. Além 
do contexto de captação, a leitura sobre tipologia e origem de recursos e 
condicionais legais ajudarão no entendimento de nossos próximos temas. 
Saiba mais 
Uma das ferramentas mais usadas para networking é o Linkedin. Você 
conhece esta ferramenta? Sabia que podemos acompanhar e ler artigos de 
pessoas como Abílio Diniz, Vicente Falconi e Chieko Aoki? Esses são os 
chamados influenciadores do Linkedin. Acesse o site: https://www.linkedin.com/ 
e descubra como montar seu perfil ou aumentar sua rede de relacionamento 
(networking). 
 
TEMA 2: FUNDRAISING 
No decorrer de nossas vidas, seja ainda no ensino fundamental, no 
universitário ou até mesmo em nossas carreiras corporativas, deparamo-nos 
frequentemente com expressões da língua inglesa que são incorporadas em 
nosso dia a dia. Das mais comuns, como hot-dog (cachorro-quente), stress 
(estresse) e start (início), a outras comuns ao mundo corporativo, como call 
(telefonema/ligação), conference (conferência) e job (trabalho/tarefa). 
No nosso contexto, comumente será usada a palavra fundraising, que 
em uma tradução livre significa angariação de fundos, ou seja, captação de 
recursos. Apesar de diferentesautores apresentarem outras definições, o foco 
sempre será o mesmo, ou seja, sustentabilidade de um projeto/evento. 
Para que consigamos alcançar nossos objetivos, precisamos ter uma 
estratégia de fundraising ou captação de recursos. Algumas perguntas, 
 
7 
 
precisam ser respondidas para que nossa estratégia faça sentido e seja 
consistente. São elas: 
1) O que pretendemos atingir? 
Está é a pergunta mais genérica de um projeto/evento e nos faz pensar 
de maneira macro, quais serão os principais resultados desta ação. 
2) Quais são nossos objetivos? 
Precisamos responder de forma objetiva quais são os objetivos do 
projeto/evento e também quais são os nossos objetivos com os 
recursos angariados. 
3) Qual o melhor planejamento a seguir? Quais são as principais 
etapas deste projeto/evento? 
Neste momento deve estar claro em nossa cabeça qual será o melhor 
caminho a seguir em busca dos objetivos já traçados e dos resultados 
esperados. Cronograma de atividades e controle de qualidade são fatores 
importantes nesta etapa. 
4) Quais recursos, sejam financeiros, materiais, serviços ou mão 
de obra, serão necessários? 
Com a visão total do projeto/evento, podemos provisionar, mesmo que 
de maneira macro, os principais gastos com materiais, serviços ou pessoas e 
como podemos otimizar esses gastos. 
5) Quem serão os responsáveis por cada parte do projeto/evento? 
Uma equipe coesa e profissional deve ser definida para que cada 
processo do projeto/evento seja realizado com maestria e todos entendam que 
o sucesso depende da entrega de todos, pois se um processo falhar, o projeto 
 
8 
 
inteiro pode ser comprometido. É comum que tenhamos responsáveis por cada 
parte ou etapa do projeto/evento. 
6) Quais indicadores serão usados para os resultados do 
projeto/evento? 
Uma série de ferramentas pode ser usada nesta etapa. O importante é 
que esses indicadores estejam alinhados com as exigências do cliente e/ou 
financiador. Uma ferramenta bastante utilizada para medir resultados é o 
Balanced Scorecard (BSC), que nada mais é que uma ferramenta de gestão 
para medição de desempenho. Mais informações sobre BSC em nossa 
seção: Saiba mais. 
Saiba mais 
Para saber mais sobre BSC e também poder aplicar esta metodologia 
em seu projeto/evento, consulte o livro “Incrementando a Estratégia uma 
abordagem do Balanced Scorecard”, de Tomas Sparano Martins, Roberto Ari 
Guindani, Júlio Adriano Ferreira dos Reis, June Alisson Westarb Cruz, 
disponível em nossa Biblioteca Virtual. O livro explora de maneira bem 
completa as quatro perspectivas trabalhadas no BSC, o que irá facilitar a 
aplicação da metodologia. 
Curiosidade 
No Brasil temos uma Associação dedicada à temática de captação de 
recursos, a Associação Brasileira de Captação de Recursos – ABCR, que tem 
um artigo sobre fundraising, disponível em: 
<http://captacao.org/recursos/artigos/283-fundraising-e-algumas-dicas>. 
E como não poderia ser diferente, também temos uma Associação nos 
Estados Unidos dedicada ao tema: a Association of Fundraising Professionals 
 
9 
 
(Associação dos Profissionais de Angariação de Fundos), apesar do site estar 
em inglês, vale a pena a visita para expandir um pouco nossos conhecimentos: 
<http://www.afpnet.org/>. 
 
TEMA 3: TIPOLOGIA E ORIGEM DE RECURSOS 
Para o melhor entendimento deste terceiro tema, é essencial que você já 
tenha realizado a leitura obrigatória do Tema 1 desta nossa rota de ensino. 
Depois de contextualizar a captação e abordar o fundraising ─ 
angariação de fundos ─ chegou o momento de entender quais os tipos de 
recursos existentes, que detalharemos no decorrer deste tema, e quais são 
suas origens ou fontes. 
Fontes 
Podem ser de origem governamental, empresas privadas, fundações e 
doadores individuais. Estes últimos, comumente são a principal fonte de 
recursos para projetos menores, tais como: eventos universitários, palestras, 
coquetéis e comemorações pequenas de maneira geral. Lembrando-se que a 
origem dos recursos pode ser tanto nacional como internacional. 
A identificação das fontes se faz importante, pois cada origem exige 
critérios específicos, tanto no que diz respeito à disponibilização dos recursos, 
como nos resultados e prestação de contas. Assim, a seguir detalharemos os 
tipos e os principais critérios para obtenção dos recursos. 
Quadro 1: Fontes públicas 
Tipo Características/Critérios 
Financiamento a Fundo Não há custos financeiros. 
 
10 
 
Perdido Necessidade de prestação de contas. 
Linha de Crédito ou Juros 
Subsidiados 
É oferecido por agentes financeiros (comumente 
bancos). Há cobrança de juros. 
Juros menores, pois há ajuda financeira do Governo 
(subsídio). 
Incentivos Fiscais a 
Financiadores Privados 
Dedução de Impostos (exemplo: desconto ou 
isenção do IPTU do imóvel). 
Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos 
Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). 
 
Quadro 2: Fontes públicas – Apresentação do projeto 
Financiamento Procedimento 
Financiamentos 
disponibilizados para 
projetos apresentado por 
demanda espontânea 
I. Elaborar e apresentar projeto; 
II. Projeto deve ser alinhado ao perfil da fonte 
financiadora; 
III. Financiamento disponibilizado 
continuamente 
IV. Dependem das políticas sociais públicas. 
Financiamentos 
disponibilizados para 
projetos apresentados por 
demanda induzida 
I. Necessária a contratação de uma 
organização 
II. Passar pelo processo de seleção 
III. O Financiador é o interessado/contratante 
IV. Financiamento disponibilizado 
ocasionalmente (demanda específica) 
Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos 
Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). 
 
Quadro 3 - Fontes públicas – Avaliação do Projeto 
Fundos/Recursos Destinação 
Fundos de Financiamento de Projetos Projetos e ou/ Programas Sociais 
 
11 
 
Fundos de Financiamento a partir de 
Programas 
Programas Governamentais 
Recursos Administrados por Órgãos 
Governamentais 
Projetos conjuntos com Órgãos 
Governamentais 
Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos 
Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). 
 
Dado as características e critérios, o procedimento para obtenção e 
também a destinação dos fundos e recursos, podemos perceber que este tipo 
de financiamento estará geralmente atrelado a organizações do terceiro setor 
(ONGs, por exemplo), uma vez que de forma massiva os recursos estão 
vinculados a políticas públicas. 
Tipologia: Fontes privadas 
Esta será a origem de grande parte dos recursos de projetos/eventos 
que tenham companhias privadas e ou pessoas físicas como fonte. Nesses 
casos, a captação será feita direto com os financiadores, sejam pessoas físicas 
ou jurídicas, e na maioria dos casos os recursos são disponibilizados por meio 
de doação. Modalidade esta que apresenta três variações: 
Quadro 4: Doações 
Tipo Características 
Doação Simples 
Através de Contrato. 
Previsto em Lei 
Doação Modal ou com Encargo 
Obrigação de contrapartida por 
parte do destinatário. 
Doações de Fundações e Institutos 
Empresariais 
Instituições (doadoras) planejam, 
monitoram e avaliam os projetos. 
Obrigação de contrapartida por 
parte do destinatário e de prestação 
 
12 
 
de contas. 
Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos 
Sociais – Curitiba: Intersaberes2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). 
 
Tipologia: Fundações e Instituições Internacionais 
Neste caso podemos captar por cooperação bilateral (entre dois países) 
ou cooperação multilateral (envolve organismos como o Banco Mundial, por 
exemplo). Nessas modalidades é muito importante que o captador fique atento 
à regra de cada país e/ou organizamos que geralmente adotam 
critérios diferentes. 
Saiba mais 
Existem alguns sites dedicados à temática de eventos bem 
interessantes. O Eventbrite é um deles, vale conferir as dicas e matérias 
disponíveis. Neste tema em específico, sugere-se a leitura do artigo sobre 
patrocínio, que vai ao encontro deste nosso tema. O texto está disponível em: 
<https://www.eventbrite.com.br/blog/pre-evento/como-conseguir-patrocinio-
ds00/>. 
Curiosidade 
A Doação Simples é prevista em Lei nº 10.406/202 – Brasil, 2002. Em 
seu Art. 538 encontramos o seguinte texto: “considera-se doação o contrato em 
que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou 
vantagens para o de outra”. Se quiser conhecer a lei na integra, acesse: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. 
 
 
 
13 
 
TEMA 4: CONDICIONANTES LEGAIS 
Qualquer relação comercial, seja uma parceria ou um financiamento, 
deve ser oficializada de forma a proteger as partes envolvidas em caso de 
contingências, ou mesmo de não cumprimento dos parâmetros acordados. 
Registrar o que é acordado é sempre uma forma inteligente e segura de 
garantir uma relação saudável durante o processo. 
Fontes Privadas 
Sejam elas pessoas físicas ou jurídicas, na maioria das relações é 
proposto um contrato no qual podemos estabelecer quais serão as “regras do 
jogo”, sempre constando as obrigações e direitos de ambas as partes. Além 
disso, podem ser registrados também preços, prazos, condições de entrega ou 
envio e até mesmo multas ou penalidades no caso do não cumprimento de 
algum item. 
Talvez uma das maiores vantagens de se celebrar um contrato é ter a 
certeza de que após assinado, amigavelmente ou judicialmente, tudo aquilo 
que foi registrado será cumprido. É claro que o objetivo não é acionar alguém 
judicialmente, mas acaba sendo um instrumento válido e poderoso no caso de 
problemas mais graves. 
Leis sobre convênios com organismos governamentais 
Sempre que tratarmos de Órgãos Governamentais, teremos que nos 
atentar às leis que regem as relações. Em captação de recursos, nossa 
atenção deve estar voltada para as seguintes leis: 
 Instrução Normativa n. º1, de 15 de janeiro de 1997, acrescida 
das disposições do art. 116 da Lei n. º 8.666/1993; 
 
14 
 
 Lei da Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n. º 101, de 4 
de maior de 2000) e; 
 Lei de Diretrizes Orçamentárias. 
Ao ler o nome, principalmente as últimas duas leis, podemos perceber a 
preocupação do Estado com o fisco e com os valores desembolsados pelos 
órgãos governamentais. Não por acaso, o Tribunal de Contas da União (TCU) 
supervisiona periodicamente estas parcerias e a forma como são construídas. 
Além dos convênios com os órgãos governamentais, que seguem as 
premissas acima e são usados quando o interesse é comum entre as partes, 
temos os contratos administrativos que têm como fim regular conflitos 
de interesse. 
Exceto em casos específicos definidos em lei, os contratos 
administrativos serão feitos por meio de licitação, que basicamente consiste em 
um leilão, no qual a proposta com melhor custo benefício será escolhida, 
conforme regras estabelecidas previamente, geralmente em editais. As 
licitações são reguladas pela Lei n. º 8.666/1993, já citada. 
Regras da cooperação técnica internacional 
Usado entre países quando há possibilidade de transferência de 
experiências ou conhecimentos técnicos que serão úteis na solução de 
problemas sociais e econômicos. Tal cooperação pede um projeto bastante 
específico, que deve seguir os parâmetros estabelecidos pela Agência 
Brasileira de Cooperação (ABC), que está ligada ao Itamaraty. 
Saiba mais 
Ficou curioso sobre cooperações técnicas ou quer entender melhor 
como funciona a cooperação entre os países? Então acesse o site da ABC, 
 
15 
 
disponível em: <http://www.abc.gov.br/>. No site você pode se informar a 
respeito dos principais conceitos, acordos vigentes, como apresentar projetos, 
além de links úteis e publicações diversas sobre a temática. 
 
TEMA 5: ELABORANDO PROJETOS SOCIAIS: INTRODUÇÃO 
Na Rota 1 desta disciplina, pudemos aprender sobre o que é um projeto 
e suas principais fases, além das quatro principais etapas para a sua gestão. 
Em projetos sociais, teremos uma estrutura parecida com a já estudada, na 
qual, em alguns casos, a principal diferença será a solução proposta ou o 
problema a ser resolvido. 
Ciclos de vida dos projetos sociais 
Projetos de maneira geral são propostos para promover mudanças em 
uma organização, seja implementando uma ferramenta ou uma nova forma de 
gestão. Já nos projetos sociais a sua elaboração advém de uma necessidade 
ou percepção da sociedade. Os elementos do projeto terão sua origem nas 
intervenções possíveis para determinar problemas. A seguir detalharemos os 
quatro ciclos. 
1. Identificação da realidade-problema 
Analisando situações específicas, sejam elas particulares ou coletivas, 
surgem ideias para melhorar determinada situação ou sanar um problema. Se 
tais ideias puderem ser transformadas em ações, temos o primeiro passo para 
a construção de um plano de ação e consequentemente um projeto social. 
2. Elaboração da proposta 
 
16 
 
Nesta fase será elaborado o pré-projeto, ou seja, a identificação e 
descrição do problema, proposta de solução com os métodos necessários e 
prazos a serem cumpridos, recursos necessários e custos orçados, além da 
proposta de avaliação do projeto para poder medir o desempenho e quantificar 
o resultado. 
3. Desenvolvimento e gestão do projeto 
Parecido com as etapas estudadas na Rota 1, teremos a: execução do 
projeto, gestão, estratégia, sistematização e avaliação. A principal 
característica dos projetos sociais é a gestão participativa, ou seja, é de 
extrema importância que todos os agentes interessados possam influenciar a 
tomada de decisão democraticamente. 
4. Avaliação e sistematização 
Tais rotinas estarão presentes durante todo o projeto, sistematizando os 
passos e processos necessários para alcançar o resultado esperado e 
avaliando cada etapa a fim de sempre otimizar os processos. Importante 
também que as lições aprendidas sejam documentadas para uso em outros 
projetos. 
Leitura Obrigatória 
Para que os conceitos de elaboração de projetos sociais fiquem mais 
claros, leia o Capítulo 2: Elaborando projetos sociais, do nosso livro base: 
“Captação de recursos para Projetos Sociais” – Curitiba: Intersaberes 2013 – 
(Série Por dentro das Ciências Sociais). 
Saiba mais 
Provavelmente você teve a oportunidade de ver este comercial nos 
últimos meses: <https://www.youtube.com/watch?v=OdULLVDHABA>. 
 
17 
 
Ao assistir será, que você se deu conta de que esse é um projeto social 
administrado pelo Itaú Social? Alguma vez você pesquisou a respeito ou 
buscou saber quais são os pilares desse projeto? 
Entre no site do Itaú Social e veja quais são frentes de atuação e 
projetos sociais desenvolvidos: <https://www.fundacaoitausocial.org.br/pt-br>. 
 
TROCANDO IDEIAS 
Nesta Rota, o nosso quarto tema tratou de condicionantes legais, algo 
bastante distante das pessoas que, por algum motivo, não se interessam por 
direito de maneira geral ou nunca tiveram a oportunidade de estudar ou 
trabalhar na área.Pensando em facilitar e melhorar o entendimento sobre o que é e como 
fazer um contrato, sugere-se a leitura da wikiHow: 
<http://pt.wikihow.com/Fazer-um-Contrato>. Este site tem a proposta de 
coletivamente ajudar as pessoas a fazer qualquer coisa, ou seja, reúne textos 
criados com a contribuição de inúmeras pessoas para solucionar um problema 
ou uma dúvida comum. 
Ao final da leitura, monte um roteiro para que você possa seguir quando 
precisar firmar um contrato ou revisar um sugerido por outra parte. Em caso de 
dúvidas específicas, é sempre recomendado que você consulte um advogado, 
que é o profissional capacitado para esse tipo de suporte. 
Será que existe um roteiro ideal para formulação ou revisão de 
contratos? Quais são os itens essenciais para se realizar a revisão 
de um contrato? 
 
18 
 
Poste suas respostas no fórum para que, junto com seus colegas, seja 
possível a construção desse guia de maneira colaborativa. 
 
NA PRÁTICA 
A Empresa Projetos S.A. tem bastante experiência na área de Projetos, 
principalmente pelo sucesso alcançado em suas ações de captação de 
recursos (ou fundraising). Por conta desse ótimo posicionamento no mercado, 
muitas empresas que precisam realizar grandes eventos recorrem aos 
serviços da Projetos S.A. 
Uma grande empresa do setor automobilístico precisa fazer o 
lançamento de seu novo modelo de carro esporte e não sabe muito bem por 
onde começar, ou que passos seguir. Esse evento será responsável 
diretamente pelo sucesso de vendas do modelo e também por reforçar a 
identidade da marca que é uma das líderes de mercado. 
Com estas preocupações e necessidades, a empresa buscou ajuda da 
equipe da Projetos S.A. para poder formular um bom Projeto que pudesse 
seguir as premissas já mencionadas: sucesso de vendas e reforçar a 
qualidade da marca. 
Para que possamos planejar este Evento e consequentemente chegar a 
um Projeto que possa ter bons financiadores, precisamos responder algumas 
questões importantes, que foram exploradas dentro do conceito de fundraising. 
Você lembra quais são essas perguntas, essenciais para um novo 
projeto de captação? 
 O que pretendemos atingir? 
Público-alvo, ou seja, compradores de carros esporte 
 
19 
 
 Quais são nossos objetivos? 
Alavancar as vendas e reafirmar a qualidade da marca 
 Qual o melhor planejamento a seguir? Quais são as principais 
etapas deste projeto/evento? 
Podemos usar o conhecimento de Projetos adquiridos na Rota 1: 
Escopo, Prazos, Custos, Qualidade, Integração, Plano de Recursos 
Humanos, Público-Alvo, Comunicação, Riscos e Encerramento. 
 Quais recursos, sejam financeiros, materiais, serviços ou mão de 
obra, serão necessários? 
Importante dimensionar o tamanho do evento, assim como todas as 
etapas. Para que possamos definir qual a melhor tipologia e origem dos 
recursos a serem captados. 
 Quem serão os responsáveis por cada parte do projeto/evento? 
Uma equipe especializada e competente será parte integrante do 
sucesso do Projeto. 
 Quais indicadores serão usados para os resultados do 
projeto/evento? 
Financeira, Clientes, Aprendizado e Processos seguindo as quatro 
perspectivas preconizadas pelo BSC (Balanced Scorecard) 
Com estas perguntas respondidas, a Projetos S.A. poderá começar o 
planejamento do Projeto desta empresa automobilística e posteriormente 
conseguir executar todas etapas necessárias para captar os recursos e realizar 
um evento de sucesso. 
SÍNTESE 
Nesta aula aprendemos qual é o contexto da captação de recursos e 
conceitos importantes, como o do fundraising, da tipologia e origem de 
 
20 
 
recursos além das condicionantes legais e uma introdução à confecção de 
projetos sociais. Importante perceber a conexão entre as rotas, ou seja, na 
Rota 1 aprendemos a transformar um Evento em um Projeto e a sua gestão. Já 
na Rota 2, conceituamos a captação de recursos além de seus requisitos legais 
e a elaboração e gestão de projetos sociais. 
Os conceitos que englobam Projetos e Captação de Recursos serão 
retomados em vários momentos em nossa disciplina, por isso a importância 
das leituras obrigatórias e também das seções “Saiba Mais”. Neste momento, 
temos condições de pensar e estruturar um projeto para um evento, por 
exemplo, já começando a focar na captação de recursos. 
Retomando nossa contextualização, será que é possível montar um 
projeto para uma festa junina usando os conceitos aprendidos sobre captação 
de recursos? Tente montar um pré-projeto usando a metodologia do Mapa 
Mental sugerido no item B na nossa seção “Na Prática”. Além disso, você se 
lembrou de alguma situação que mobilizou recursos mesmo sem saber que 
esse era o objetivo? 
Com certeza você já fez ou tem amigos que fizeram rifas para pagar a 
faculdade, decidiram vender algo para complementar a renda ou gostam tanto 
de internet que montaram blogs ou viraram vloggers. Sim, essas também são 
formas de mobilizar recursos. 
Em nossa próxima rota estudaremos as etapas organizacionais para a 
captação e recursos, as principais competências do Captador de Recursos e 
como fazer um planejamento estratégico para a captação de recursos. Com o 
planejamento poderemos implementar ações que ajudarão na avaliação do 
projeto além da avaliação e do monitoramento. 
 
 
21 
 
REFERÊNCIAS 
POWELL, E. N. Legislative Consequences of Fundraising Influence. 2015. 
PMBOK, GUIDE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de 
projetos. 5. ed. 
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