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1 CAPTAÇÃO DE RECURSOS AULA 2 Prof. Fernando Aguiar Camargo 2 CONVERSA INICIAL Na rota anterior, estudamos o conceito de evento e de projetos, além das fases e etapas que os perfazem. Relacionamos as características do projeto com as fases do evento, focando no planejamento e na gestão. Por fim, pudemos ver um pouco mais detalhado os quatro passos essenciais para a gestão de um projeto. Nesta parte da disciplina vamos trabalhar com questões relacionadas à importância das etapas de um Evento, assim como os principais conceitos e etapas para a Captação de Recursos necessários para a realização dos mais diversos eventos. Para podermos iniciar a captar recursos, seja qual for o tipo de evento, precisamos entender aspectos importantes, tais como: Contexto da captação de financiamento de projetos; Fundraising; Tipologia e origens de recursos; Condicionantes Legais e; Elaboração de projetos sociais: introdução. Esses tópicos nos ajudarão a entender como conseguiremos captar recursos para os eventos e quais premissas serão seguidas para a realização do evento com os recursos captados. CONTEXTUALIZANDO Nosso país é muito rico culturalmente, e uma tradição muito viva entre os brasileiros na época de festas juninas, São João, ou quadrilha, dependendo da região do país que você está, além das comidas e bebidas deliciosas, é a busca por “prendas”. 3 Geralmente buscamos as prendas, lembrancinhas ou presentes, que são oferecidos nas barracas de jogos, em nossa vizinhança, entre os amigos ou mesmo com nossa família. Nessa brincadeira, nós estávamos captando recursos, mesmo sem saber. Uma das definições de captação que podemos encontrar no site da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) é: “captação de recursos é o processo estruturado desenvolvido por uma organização para pedir as contribuições voluntárias de que ela precisa, sejam eles financeiros ou outros recursos, buscando as doações com indivíduos, empresas, governos, outras organizações e etc.” Lendo esta definição, talvez consigamos buscar outras ocasiões durante nossas vidas que captamos recursos para um determinado fim, sem saber que existia um processo estruturado e desenvolvido para esta atividade, inclusive com objetivos e resultados já definidos. E você se lembra de alguma situação parecida com a relatada no texto (festas juninas) em que captou recursos, mesmo que não soubesse que era este o conceito que estava por trás da brincadeira ou atividade? Saiba mais Apesar de ser um tema presente em nossas vidas, como pudemos ver no item anterior, mesmo que não tenhamos atentado a este fato, é um conceito que geralmente não temos curiosidade de pesquisar, a não ser que tenhamos que fazer algum trabalho específico sobre captação, ou mesmo a empresa onde trabalhamos. Assim sugere-se a leitura do texto: “O que é captação de recursos?”, disponível em: <http://captadores.org.br/captacao-de-recursos/>. 4 TEMA 1: CONTEXTO DA CAPTAÇÃO DE FINANCIAMENTO DE PROJETOS Antes de explorarmos de fato a captação de recursos, é necessário destacar um ponto bastante importante e presente nos livros e materiais de captação de recursos. Encontraremos muitas vezes materiais focados em organizações não governamentais (ONGs), que têm como seu desafio central se manter por meio de doações, ou seja, captação de recursos. Porém captar não é uma atividade exclusiva das ONGs, como pudemos constatar na leitura do texto sugerido na seção anterior (saiba mais), mas sim um método que pode ser aplicado em empresas privadas, mistas e governamentais. Para que isso aconteça, basta que a organização tenha eventos ou projetos que necessitem buscar recursos para que sejam realizados. Como buscar recursos tem se tornado cada vez mais corriqueiro, com o passar dos anos é perceptível que a demanda por captação aumenta constantemente, enquanto podemos notar uma escassez gradativa de fontes para a captação de recursos. Neste cenário, será importante que os profissionais que trabalhem com captação de recursos, ou que eventualmente precisem utilizar desse recurso, aperfeiçoem algumas habilidades, dentre elas: Saber elaborar projetos: habilidade já explorada na rota anterior e que será sempre retomada em nossos textos; Desenvolver de redes de contatos: ou como mais comumente escutamos ou lemos: networking. Este conceito tem sua origem na língua inglesa, em que, em uma tradução livre, “net” significa rede e “working” significa trabalhando. Sendo assim, um dos significados possíveis é: quanto maior a sua rede, melhor serão suas oportunidades de trabalho. 5 Efetivar a captação: ou seja, tornar efetivo, produzir efeito ou ainda confirmar o recurso. Em outras palavras, ter a capacidade de conseguir recursos e usá-los de maneira correta e otimizada; Gerir e avaliar a aplicação dos recursos: que vai muito além de usar de forma otimizada e envolve fazer escolhas inteligentes, de maneira que os recursos possam gerar resultados e que todos os processos possam ser monitorados e, se possível, melhorados; Gerar resultado dos recursos obtidos: de maneira simples, todo investidor, seja de recursos financeiros ou mão de obra, precisa saber quais foram os resultados planejados e obtidos a fim de analisar se o “investimento” fez sentido e valeu o desembolso, seja financeiro ou de tempo. Características importantes nesta fase são: transparência e métodos que podem selar a renovação de recursos captados. Tão importante quanto essas habilidades citadas acima é diferenciar dois termos presentes na busca de recursos. São eles: Captação: que é a atividade que garante a obtenção de recursos; Mobilização: que significa o uso eficaz dos recursos captados. E vale ressaltar que recursos não são só financeiros, mas também pessoas, materiais e serviços. Por fim, é importante que os profissionais que trabalham com captação de recursos sempre se recordem que este é um meio para sustentabilidade de projetos e eventos e não o objetivo da empresa ou do profissional. Leitura Obrigatória Leia em nosso livro base: “Captação de recursos para Projetos Sociais” – Curitiba: Intersaberes, 2013 – (Série Por dentro das Ciências Sociais) o 6 Capítulo,1 intitulado: Contexto de captação de financiamento de projetos. Além do contexto de captação, a leitura sobre tipologia e origem de recursos e condicionais legais ajudarão no entendimento de nossos próximos temas. Saiba mais Uma das ferramentas mais usadas para networking é o Linkedin. Você conhece esta ferramenta? Sabia que podemos acompanhar e ler artigos de pessoas como Abílio Diniz, Vicente Falconi e Chieko Aoki? Esses são os chamados influenciadores do Linkedin. Acesse o site: https://www.linkedin.com/ e descubra como montar seu perfil ou aumentar sua rede de relacionamento (networking). TEMA 2: FUNDRAISING No decorrer de nossas vidas, seja ainda no ensino fundamental, no universitário ou até mesmo em nossas carreiras corporativas, deparamo-nos frequentemente com expressões da língua inglesa que são incorporadas em nosso dia a dia. Das mais comuns, como hot-dog (cachorro-quente), stress (estresse) e start (início), a outras comuns ao mundo corporativo, como call (telefonema/ligação), conference (conferência) e job (trabalho/tarefa). No nosso contexto, comumente será usada a palavra fundraising, que em uma tradução livre significa angariação de fundos, ou seja, captação de recursos. Apesar de diferentesautores apresentarem outras definições, o foco sempre será o mesmo, ou seja, sustentabilidade de um projeto/evento. Para que consigamos alcançar nossos objetivos, precisamos ter uma estratégia de fundraising ou captação de recursos. Algumas perguntas, 7 precisam ser respondidas para que nossa estratégia faça sentido e seja consistente. São elas: 1) O que pretendemos atingir? Está é a pergunta mais genérica de um projeto/evento e nos faz pensar de maneira macro, quais serão os principais resultados desta ação. 2) Quais são nossos objetivos? Precisamos responder de forma objetiva quais são os objetivos do projeto/evento e também quais são os nossos objetivos com os recursos angariados. 3) Qual o melhor planejamento a seguir? Quais são as principais etapas deste projeto/evento? Neste momento deve estar claro em nossa cabeça qual será o melhor caminho a seguir em busca dos objetivos já traçados e dos resultados esperados. Cronograma de atividades e controle de qualidade são fatores importantes nesta etapa. 4) Quais recursos, sejam financeiros, materiais, serviços ou mão de obra, serão necessários? Com a visão total do projeto/evento, podemos provisionar, mesmo que de maneira macro, os principais gastos com materiais, serviços ou pessoas e como podemos otimizar esses gastos. 5) Quem serão os responsáveis por cada parte do projeto/evento? Uma equipe coesa e profissional deve ser definida para que cada processo do projeto/evento seja realizado com maestria e todos entendam que o sucesso depende da entrega de todos, pois se um processo falhar, o projeto 8 inteiro pode ser comprometido. É comum que tenhamos responsáveis por cada parte ou etapa do projeto/evento. 6) Quais indicadores serão usados para os resultados do projeto/evento? Uma série de ferramentas pode ser usada nesta etapa. O importante é que esses indicadores estejam alinhados com as exigências do cliente e/ou financiador. Uma ferramenta bastante utilizada para medir resultados é o Balanced Scorecard (BSC), que nada mais é que uma ferramenta de gestão para medição de desempenho. Mais informações sobre BSC em nossa seção: Saiba mais. Saiba mais Para saber mais sobre BSC e também poder aplicar esta metodologia em seu projeto/evento, consulte o livro “Incrementando a Estratégia uma abordagem do Balanced Scorecard”, de Tomas Sparano Martins, Roberto Ari Guindani, Júlio Adriano Ferreira dos Reis, June Alisson Westarb Cruz, disponível em nossa Biblioteca Virtual. O livro explora de maneira bem completa as quatro perspectivas trabalhadas no BSC, o que irá facilitar a aplicação da metodologia. Curiosidade No Brasil temos uma Associação dedicada à temática de captação de recursos, a Associação Brasileira de Captação de Recursos – ABCR, que tem um artigo sobre fundraising, disponível em: <http://captacao.org/recursos/artigos/283-fundraising-e-algumas-dicas>. E como não poderia ser diferente, também temos uma Associação nos Estados Unidos dedicada ao tema: a Association of Fundraising Professionals 9 (Associação dos Profissionais de Angariação de Fundos), apesar do site estar em inglês, vale a pena a visita para expandir um pouco nossos conhecimentos: <http://www.afpnet.org/>. TEMA 3: TIPOLOGIA E ORIGEM DE RECURSOS Para o melhor entendimento deste terceiro tema, é essencial que você já tenha realizado a leitura obrigatória do Tema 1 desta nossa rota de ensino. Depois de contextualizar a captação e abordar o fundraising ─ angariação de fundos ─ chegou o momento de entender quais os tipos de recursos existentes, que detalharemos no decorrer deste tema, e quais são suas origens ou fontes. Fontes Podem ser de origem governamental, empresas privadas, fundações e doadores individuais. Estes últimos, comumente são a principal fonte de recursos para projetos menores, tais como: eventos universitários, palestras, coquetéis e comemorações pequenas de maneira geral. Lembrando-se que a origem dos recursos pode ser tanto nacional como internacional. A identificação das fontes se faz importante, pois cada origem exige critérios específicos, tanto no que diz respeito à disponibilização dos recursos, como nos resultados e prestação de contas. Assim, a seguir detalharemos os tipos e os principais critérios para obtenção dos recursos. Quadro 1: Fontes públicas Tipo Características/Critérios Financiamento a Fundo Não há custos financeiros. 10 Perdido Necessidade de prestação de contas. Linha de Crédito ou Juros Subsidiados É oferecido por agentes financeiros (comumente bancos). Há cobrança de juros. Juros menores, pois há ajuda financeira do Governo (subsídio). Incentivos Fiscais a Financiadores Privados Dedução de Impostos (exemplo: desconto ou isenção do IPTU do imóvel). Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). Quadro 2: Fontes públicas – Apresentação do projeto Financiamento Procedimento Financiamentos disponibilizados para projetos apresentado por demanda espontânea I. Elaborar e apresentar projeto; II. Projeto deve ser alinhado ao perfil da fonte financiadora; III. Financiamento disponibilizado continuamente IV. Dependem das políticas sociais públicas. Financiamentos disponibilizados para projetos apresentados por demanda induzida I. Necessária a contratação de uma organização II. Passar pelo processo de seleção III. O Financiador é o interessado/contratante IV. Financiamento disponibilizado ocasionalmente (demanda específica) Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). Quadro 3 - Fontes públicas – Avaliação do Projeto Fundos/Recursos Destinação Fundos de Financiamento de Projetos Projetos e ou/ Programas Sociais 11 Fundos de Financiamento a partir de Programas Programas Governamentais Recursos Administrados por Órgãos Governamentais Projetos conjuntos com Órgãos Governamentais Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos Sociais – Curitiba: Intersaberes 2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). Dado as características e critérios, o procedimento para obtenção e também a destinação dos fundos e recursos, podemos perceber que este tipo de financiamento estará geralmente atrelado a organizações do terceiro setor (ONGs, por exemplo), uma vez que de forma massiva os recursos estão vinculados a políticas públicas. Tipologia: Fontes privadas Esta será a origem de grande parte dos recursos de projetos/eventos que tenham companhias privadas e ou pessoas físicas como fonte. Nesses casos, a captação será feita direto com os financiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, e na maioria dos casos os recursos são disponibilizados por meio de doação. Modalidade esta que apresenta três variações: Quadro 4: Doações Tipo Características Doação Simples Através de Contrato. Previsto em Lei Doação Modal ou com Encargo Obrigação de contrapartida por parte do destinatário. Doações de Fundações e Institutos Empresariais Instituições (doadoras) planejam, monitoram e avaliam os projetos. Obrigação de contrapartida por parte do destinatário e de prestação 12 de contas. Fonte: Elaborado pelo autor (adaptado do livro base - Captação de recursos para Projetos Sociais – Curitiba: Intersaberes2013 – Série Por dentro das Ciências Sociais). Tipologia: Fundações e Instituições Internacionais Neste caso podemos captar por cooperação bilateral (entre dois países) ou cooperação multilateral (envolve organismos como o Banco Mundial, por exemplo). Nessas modalidades é muito importante que o captador fique atento à regra de cada país e/ou organizamos que geralmente adotam critérios diferentes. Saiba mais Existem alguns sites dedicados à temática de eventos bem interessantes. O Eventbrite é um deles, vale conferir as dicas e matérias disponíveis. Neste tema em específico, sugere-se a leitura do artigo sobre patrocínio, que vai ao encontro deste nosso tema. O texto está disponível em: <https://www.eventbrite.com.br/blog/pre-evento/como-conseguir-patrocinio- ds00/>. Curiosidade A Doação Simples é prevista em Lei nº 10.406/202 – Brasil, 2002. Em seu Art. 538 encontramos o seguinte texto: “considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra”. Se quiser conhecer a lei na integra, acesse: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. 13 TEMA 4: CONDICIONANTES LEGAIS Qualquer relação comercial, seja uma parceria ou um financiamento, deve ser oficializada de forma a proteger as partes envolvidas em caso de contingências, ou mesmo de não cumprimento dos parâmetros acordados. Registrar o que é acordado é sempre uma forma inteligente e segura de garantir uma relação saudável durante o processo. Fontes Privadas Sejam elas pessoas físicas ou jurídicas, na maioria das relações é proposto um contrato no qual podemos estabelecer quais serão as “regras do jogo”, sempre constando as obrigações e direitos de ambas as partes. Além disso, podem ser registrados também preços, prazos, condições de entrega ou envio e até mesmo multas ou penalidades no caso do não cumprimento de algum item. Talvez uma das maiores vantagens de se celebrar um contrato é ter a certeza de que após assinado, amigavelmente ou judicialmente, tudo aquilo que foi registrado será cumprido. É claro que o objetivo não é acionar alguém judicialmente, mas acaba sendo um instrumento válido e poderoso no caso de problemas mais graves. Leis sobre convênios com organismos governamentais Sempre que tratarmos de Órgãos Governamentais, teremos que nos atentar às leis que regem as relações. Em captação de recursos, nossa atenção deve estar voltada para as seguintes leis: Instrução Normativa n. º1, de 15 de janeiro de 1997, acrescida das disposições do art. 116 da Lei n. º 8.666/1993; 14 Lei da Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n. º 101, de 4 de maior de 2000) e; Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ao ler o nome, principalmente as últimas duas leis, podemos perceber a preocupação do Estado com o fisco e com os valores desembolsados pelos órgãos governamentais. Não por acaso, o Tribunal de Contas da União (TCU) supervisiona periodicamente estas parcerias e a forma como são construídas. Além dos convênios com os órgãos governamentais, que seguem as premissas acima e são usados quando o interesse é comum entre as partes, temos os contratos administrativos que têm como fim regular conflitos de interesse. Exceto em casos específicos definidos em lei, os contratos administrativos serão feitos por meio de licitação, que basicamente consiste em um leilão, no qual a proposta com melhor custo benefício será escolhida, conforme regras estabelecidas previamente, geralmente em editais. As licitações são reguladas pela Lei n. º 8.666/1993, já citada. Regras da cooperação técnica internacional Usado entre países quando há possibilidade de transferência de experiências ou conhecimentos técnicos que serão úteis na solução de problemas sociais e econômicos. Tal cooperação pede um projeto bastante específico, que deve seguir os parâmetros estabelecidos pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), que está ligada ao Itamaraty. Saiba mais Ficou curioso sobre cooperações técnicas ou quer entender melhor como funciona a cooperação entre os países? Então acesse o site da ABC, 15 disponível em: <http://www.abc.gov.br/>. No site você pode se informar a respeito dos principais conceitos, acordos vigentes, como apresentar projetos, além de links úteis e publicações diversas sobre a temática. TEMA 5: ELABORANDO PROJETOS SOCIAIS: INTRODUÇÃO Na Rota 1 desta disciplina, pudemos aprender sobre o que é um projeto e suas principais fases, além das quatro principais etapas para a sua gestão. Em projetos sociais, teremos uma estrutura parecida com a já estudada, na qual, em alguns casos, a principal diferença será a solução proposta ou o problema a ser resolvido. Ciclos de vida dos projetos sociais Projetos de maneira geral são propostos para promover mudanças em uma organização, seja implementando uma ferramenta ou uma nova forma de gestão. Já nos projetos sociais a sua elaboração advém de uma necessidade ou percepção da sociedade. Os elementos do projeto terão sua origem nas intervenções possíveis para determinar problemas. A seguir detalharemos os quatro ciclos. 1. Identificação da realidade-problema Analisando situações específicas, sejam elas particulares ou coletivas, surgem ideias para melhorar determinada situação ou sanar um problema. Se tais ideias puderem ser transformadas em ações, temos o primeiro passo para a construção de um plano de ação e consequentemente um projeto social. 2. Elaboração da proposta 16 Nesta fase será elaborado o pré-projeto, ou seja, a identificação e descrição do problema, proposta de solução com os métodos necessários e prazos a serem cumpridos, recursos necessários e custos orçados, além da proposta de avaliação do projeto para poder medir o desempenho e quantificar o resultado. 3. Desenvolvimento e gestão do projeto Parecido com as etapas estudadas na Rota 1, teremos a: execução do projeto, gestão, estratégia, sistematização e avaliação. A principal característica dos projetos sociais é a gestão participativa, ou seja, é de extrema importância que todos os agentes interessados possam influenciar a tomada de decisão democraticamente. 4. Avaliação e sistematização Tais rotinas estarão presentes durante todo o projeto, sistematizando os passos e processos necessários para alcançar o resultado esperado e avaliando cada etapa a fim de sempre otimizar os processos. Importante também que as lições aprendidas sejam documentadas para uso em outros projetos. Leitura Obrigatória Para que os conceitos de elaboração de projetos sociais fiquem mais claros, leia o Capítulo 2: Elaborando projetos sociais, do nosso livro base: “Captação de recursos para Projetos Sociais” – Curitiba: Intersaberes 2013 – (Série Por dentro das Ciências Sociais). Saiba mais Provavelmente você teve a oportunidade de ver este comercial nos últimos meses: <https://www.youtube.com/watch?v=OdULLVDHABA>. 17 Ao assistir será, que você se deu conta de que esse é um projeto social administrado pelo Itaú Social? Alguma vez você pesquisou a respeito ou buscou saber quais são os pilares desse projeto? Entre no site do Itaú Social e veja quais são frentes de atuação e projetos sociais desenvolvidos: <https://www.fundacaoitausocial.org.br/pt-br>. TROCANDO IDEIAS Nesta Rota, o nosso quarto tema tratou de condicionantes legais, algo bastante distante das pessoas que, por algum motivo, não se interessam por direito de maneira geral ou nunca tiveram a oportunidade de estudar ou trabalhar na área.Pensando em facilitar e melhorar o entendimento sobre o que é e como fazer um contrato, sugere-se a leitura da wikiHow: <http://pt.wikihow.com/Fazer-um-Contrato>. Este site tem a proposta de coletivamente ajudar as pessoas a fazer qualquer coisa, ou seja, reúne textos criados com a contribuição de inúmeras pessoas para solucionar um problema ou uma dúvida comum. Ao final da leitura, monte um roteiro para que você possa seguir quando precisar firmar um contrato ou revisar um sugerido por outra parte. Em caso de dúvidas específicas, é sempre recomendado que você consulte um advogado, que é o profissional capacitado para esse tipo de suporte. Será que existe um roteiro ideal para formulação ou revisão de contratos? Quais são os itens essenciais para se realizar a revisão de um contrato? 18 Poste suas respostas no fórum para que, junto com seus colegas, seja possível a construção desse guia de maneira colaborativa. NA PRÁTICA A Empresa Projetos S.A. tem bastante experiência na área de Projetos, principalmente pelo sucesso alcançado em suas ações de captação de recursos (ou fundraising). Por conta desse ótimo posicionamento no mercado, muitas empresas que precisam realizar grandes eventos recorrem aos serviços da Projetos S.A. Uma grande empresa do setor automobilístico precisa fazer o lançamento de seu novo modelo de carro esporte e não sabe muito bem por onde começar, ou que passos seguir. Esse evento será responsável diretamente pelo sucesso de vendas do modelo e também por reforçar a identidade da marca que é uma das líderes de mercado. Com estas preocupações e necessidades, a empresa buscou ajuda da equipe da Projetos S.A. para poder formular um bom Projeto que pudesse seguir as premissas já mencionadas: sucesso de vendas e reforçar a qualidade da marca. Para que possamos planejar este Evento e consequentemente chegar a um Projeto que possa ter bons financiadores, precisamos responder algumas questões importantes, que foram exploradas dentro do conceito de fundraising. Você lembra quais são essas perguntas, essenciais para um novo projeto de captação? O que pretendemos atingir? Público-alvo, ou seja, compradores de carros esporte 19 Quais são nossos objetivos? Alavancar as vendas e reafirmar a qualidade da marca Qual o melhor planejamento a seguir? Quais são as principais etapas deste projeto/evento? Podemos usar o conhecimento de Projetos adquiridos na Rota 1: Escopo, Prazos, Custos, Qualidade, Integração, Plano de Recursos Humanos, Público-Alvo, Comunicação, Riscos e Encerramento. Quais recursos, sejam financeiros, materiais, serviços ou mão de obra, serão necessários? Importante dimensionar o tamanho do evento, assim como todas as etapas. Para que possamos definir qual a melhor tipologia e origem dos recursos a serem captados. Quem serão os responsáveis por cada parte do projeto/evento? Uma equipe especializada e competente será parte integrante do sucesso do Projeto. Quais indicadores serão usados para os resultados do projeto/evento? Financeira, Clientes, Aprendizado e Processos seguindo as quatro perspectivas preconizadas pelo BSC (Balanced Scorecard) Com estas perguntas respondidas, a Projetos S.A. poderá começar o planejamento do Projeto desta empresa automobilística e posteriormente conseguir executar todas etapas necessárias para captar os recursos e realizar um evento de sucesso. SÍNTESE Nesta aula aprendemos qual é o contexto da captação de recursos e conceitos importantes, como o do fundraising, da tipologia e origem de 20 recursos além das condicionantes legais e uma introdução à confecção de projetos sociais. Importante perceber a conexão entre as rotas, ou seja, na Rota 1 aprendemos a transformar um Evento em um Projeto e a sua gestão. Já na Rota 2, conceituamos a captação de recursos além de seus requisitos legais e a elaboração e gestão de projetos sociais. Os conceitos que englobam Projetos e Captação de Recursos serão retomados em vários momentos em nossa disciplina, por isso a importância das leituras obrigatórias e também das seções “Saiba Mais”. Neste momento, temos condições de pensar e estruturar um projeto para um evento, por exemplo, já começando a focar na captação de recursos. Retomando nossa contextualização, será que é possível montar um projeto para uma festa junina usando os conceitos aprendidos sobre captação de recursos? Tente montar um pré-projeto usando a metodologia do Mapa Mental sugerido no item B na nossa seção “Na Prática”. Além disso, você se lembrou de alguma situação que mobilizou recursos mesmo sem saber que esse era o objetivo? Com certeza você já fez ou tem amigos que fizeram rifas para pagar a faculdade, decidiram vender algo para complementar a renda ou gostam tanto de internet que montaram blogs ou viraram vloggers. Sim, essas também são formas de mobilizar recursos. Em nossa próxima rota estudaremos as etapas organizacionais para a captação e recursos, as principais competências do Captador de Recursos e como fazer um planejamento estratégico para a captação de recursos. Com o planejamento poderemos implementar ações que ajudarão na avaliação do projeto além da avaliação e do monitoramento. 21 REFERÊNCIAS POWELL, E. N. Legislative Consequences of Fundraising Influence. 2015. PMBOK, GUIDE. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 5. ed. SANTOS, A. dos; et al. Captação de recursos para projetos sociais. Curitiba: Intersaberes, 2012. VESTERLUND, L. The informational value of sequential fundraising. Journal of Public Economics, v. 87, n. 3, p. 627-657, 2003.