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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ PERÍCIA CONTÁBIL Prof. Gleidiston Castello Branco PARECER TÉCNICO Conceito: O parecer técnico, que a bem da verdade deveria ser chamado de tecnológico, tem como limite o objetivo da perícia, quando se trata de opinião sobre o laudo do perito nomeado ou elemento inicial ou contestação, art. 427 do CPC, quando juntado no início da demanda. As normas de planejamento, execução e procedimentos seguem as normas do laudo, que estão definidas na Resolução CFC 1.243/09. É na peça escrita que o perito-contador assistente revela de forma clara e objetiva o resultado de seu trabalho: ”pesquisa, análise, diligências, etc.” Serve de subsídios ao patrono da parte contratante, como opinião técnica científica contábil. A preparação do relatório é de exclusiva responsabilidade do perito-contador assistente, onde estão incluídos somente os aspectos científicos-contábeis, pois a defesa não cabe ao assistente e sim, ao advogado. Essa peça contábil pode ser de concordância com o laudo pericial contábil ou divergente. A forma de estranhamento aos autos segue o caminho das petições protocoladas no cartório. A independência do parecerista contábil é elemento de lastro da função, sem, contudo, ficar jungido aos interesses do cliente, pois existe um conjunto de garantias ao livre exercício da profissão e uma ligação aos princípios constitucionais de legalidade, impessoabilidade, moralidade, publicidade e o da eficiência e também dos princípios da ciência da contabilidade. Pois a opinião decorre de uma análise científica criteriosa e responsável de um caso concreto, onde se privilegia o direito e dever recíproco conjuntamente com a ética. Pois é lógico que de nada servirá o conhecimento científico do parecerista, se este não puder exercê-lo com liberdade e independência de juízo científico, às vezes em desagrado ao seu cliente, mas sempre em favor da ciência e da verdade real., pois o labor do parecerista consiste em assessoramento tecnológico científico, que pode vir a delinear um pedido judicial, hipótese do CPC, art. 427, ou uma manifestação sobre uma prova em processos judiciais ou extrajudiciais, pelo qual o parecerista orienta e assiste o seu cliente.. É fato notório a necessidade de se cumprir as consultas com liberdade e independência para o perfeito funcionamento do contraditório e da ampla defesa, pois se entende que a opinião científica refere-se a uma situação concreta, e constitui uma informação vital à consecução da justiça, sendo lavrada com total imparcialidade. Entende-se, portanto, que o parecerista contábil exerce a função de consultor opinador, e não a de defensor ou que venha a se subjugar às forças econômicas do seu cliente, tendo total liberdade em suas convicções, sendo essa liberdade delineada pela moralidade, ética e legalidade. No sentido lato, o labor é uma sistematização de estudos, doutrinas e pronunciamentos, acrescidos da experiência contabilística vivida em situações reais, no exercício de rationalibus expertus. Ocorre que essa orientação contabilística, acrescida da praticidade desenvolvida no exercício do labor de parecerista, serve de colaboração para o desenvolvimento de uma melhor jurisprudência e sedimentação da segurança jurídica com consonância ao direito. Para um melhor entendimento, vamos dividir o parecer técnico da seguinte forma: 14.1.1 Parecer técnico para embasar a inicial O parecer técnico é solicitado pela parte ou pelo advogado e tem como objetivo instruir a inicial do processo (petição primeira do advogado para ajuizar uma ação), ou seja, é uma prova científica documental dos fatos alegados, CPC, art.333. Exemplo de parecer: uma empresa solicita a revisão de um contrato de leasing financeiro, alegando juros capitalizados e outros fatores e pede um parecer técnico para provar que realmente ocorreram juros capitalizados e apurar a diferença paga a mais. 14.1.2 Parecer técnico para apurar fatos administrativos A princípio sem fins judiciais, esse tipo de parecer é solicitado quando alguém precisa provar fatos ocorridos para se tomar uma decisão, ou até mesmo apurar fraude, erros de sócios, funcionários, fornecedor, cliente etc. Ex.: o administrador de uma sociedade empresária solicita um parecer técnico para apurar se o gerente desviou verbas, emitiu notas calçadas etc. Lembre-se apenas que tal parecer pode ser base para um procedimento judicial ou extrajudicial. 14.1.3 Parecer técnico ou laudo pericial divergente O laudo técnico divergente é o laudo oficial. Nesse caso, devem-se seguir todos os procedimentos aplicados ao laudo pericial judicial. O fato é que, ultimamente, tem-se dado muito valor ao parecer técnico, isso em função de alguns entendimentos; entre eles podemos citar: os arts. 332 e 333 do CPC, que dizem caber à parte a prova do que está alegando. Isso acaba antecipando as provas, e alguns juízes, entendendo que o parecer juntado à inicial é prova suficiente e até dispensa a perícia, concedem liminares. Por isso, entendemos que o parecer técnico deve estar revestido de todas as formalidades e procedimentos aplicados à perícia, guardando as devidas particularidades. 14.2 MODELO DE PETIÇÃO PARA PROTOCOLAR O PARECER TÉCNICO DIVERGENTE EXMO. DR. JUIZ DE DIREITO DA 9ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CURITIBA VARA: 9ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE CURITIBA AUTOS: xx/05 AÇÃO: INDENIZAÇÃO REQUERENTE: ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS LTDA REQUERIDA: J.J.COMÉRCIO LTDA Wilson Alberto Zappa Hoog, Bacharel em Ciências Contábeis, Assistente Técnico indicado pela Requerida nos autos acima, vem respeitosamente: 1. Entregar o Parecer Técnico Contábil do assistente técnico da Requerida; 2. Requerer que o mesmo seja juntado aos autos; 3. Informar que os honorários são de R$ 3.000,00, conforme contato e recibo anexos, para fins de comporem as custas finais. Termos em que pede deferimento. Curitiba, 27 de janeiro de 2006. Wilson Alberto Zappa Hoog CO CRC PR 021594/0-1 Assistente Técnico da Rquerida Referência Bibliográfica: Prova Pericial Contábil – Teoria e Prática Wilson Alberto Zappa Hoog – Juruá Editora – 9ª Edição