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Disfunções urogenitais femininas e masculinas Ana Paula Leme e Tâmara Gomes DISFUNÇÕES UROGENITAIS • De suporte*; • Esfincterianas*; • Sexuais. DISFUNÇÕES DE SUPORTE UROGENITAL DISTOPIA OU PROLAPSO UROGENITAL É o descenso da parede vaginal anterior e/ou posterior assim como do ápice da vagina (cérvix/útero) ou da cúpula vaginal após histerectomia. Treszezamsky et al, 2010 EPIDEMIOLOGIA • Entre 23,5% e 49,4% na população feminina. Sung & Hampton, 2009 • Prolapso da parede vaginal anterior é o mais comum: 24,6% a 34,3%. • O prolapso de cúpula é o que mais aparece quando há associação com histerectomia prévia. Tinelli et al, 2010 EPIDEMIOLOGIA • PROBLEMA SÓCIO ECONÔMICO; • POUCOS DADOS EPIDEMIOLÓGICOS; • 40% DAS MULHERES ADULTAS; • RESULTADO DE UMA PERDA DE SUPORTE DO MAP. FATORES DE RISCO • ENVELHECIMENTO; • PARIDADE; • HISTERECTOMIA; • OBESIDADE; • CONSTIPAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO • URETROCELE: é a descida da uretra, que encontra-se fundida com os 4cm distais da parede anterior da vagina; • CISTOCELE: é a queda da bexiga; • ENTEROCELE: é a presença do intestino delgado herniado na parede posterior e superior vaginal; • RETOCELE: é a protusão do reto no canal vaginal por defeito na parede vaginal posterior; • HISTEROCELE: é a descida do útero em direção ao anel himenal. • UTEROVAGINAL: prolapso do útero, colo do útero e vagina superior Ostergaard, 2006 URETOCELE E CISTOCELE GRADUAÇÃO • Grau 0: posição normal; • 1º Grau: após esforço, a parede anterior da uretra desce até 1/3 inferior da vagina; • 2º Grau: após esforço, a parede atinge o intróito vaginal; • 3º Grau: após esforço, ultrapassa o intróito vaginal; • 4º Grau: exterioriza-se mesmo sem esforço. Bezerra et al, 2004 GRADUAÇÃO • POP-Q (Pelvic Organ Prolapse Quantification System) TRATAMENTO CIRÚRGICO • Colocação de tela sintética de polipropileno inseridas por via vaginal • Colporrapia anterior: cirurgia tradicional de correção da cistocele • Complicações em uso de tela x colporrafia: sangramento (média 85 mL versus 35 mL), perfuração vesical (3,5% versus 0,5%), aparecimento de incontinência urinária de esforço (12,3% versus 6,3%) e extrusão da tela (3,2%). Altman et al, 2011 URETROCELE E CISTOCELE DISFUNÇÕES ESFINCTERIANAS INCOTINÊNCIA URINÁRIA (IU) Definição: É definida pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) como uma condição na qual ocorre a queixa de perda involuntária de urina, que gera um problema social ou higiênico. Badr, 2011. Classificação da IU Esforço (IUE) Perda ue ocorre após o exercício físico, tosse ou espirro. Urgência ou urgi-incontinênca (IUU) Perda com forte desejo de urinar. Mista (IUM) Incontinência de esforço e por urgência simultaneamente. EPIDEMIOLOGIA FEMININA • Varia de acordo com a classificação, sendo 62% IUE; • 18% a 42% nas mulheres; • 9-60% nas mulheres de meia-idade. Badr, 2011; Guarisi et al., 2001 • Acomete 20% a 50% da população feminina ao longo de suas vidas; • Cerca de 30% dos idosos que vivem na comunidade; • 40% a 70% dos idosos hospitalizados; • 50% dos idosos que vivem em instituições de longa permanência . Krinski et al., 2013 Imagem: www.dralexandrefaisal.blog.uol.com.br EPIDEMIOLOGIA MASCULINA 66% dos homens prostatectomizados. Incontinência urinária FATORES PREDISPONENTES FEMININOS Intrínsecos • Causas hereditárias; • Cor da pele branca; • Alterações anatômicas ligamentares ou musculares; • Diminuição do colágeno e dos fibroblastos do tecido conjuntivo; • Alterações neurológicas. Rodrigues et al, 2009 Fisioterapia nas Disfunções Urogenitais FATORES PREDISPONENTES FEMININOS Extrínsecos • Gravidez e parto: ↑ da progesterona e relaxina, peso e tamanho do bebê, período expulsivo prolongado; • Efeitos hormonais:↓ do estrogênio; • Condições que aumentem a pressão abdominal: tosse crônica ou ganho de peso; • Tabagismo; • Constipação intestinal; • Exercício e trabalho físico; • Trauma cirúrgico. Rodrigues et al, 2009 Fisioterapia nas Disfunções Urogenitais Imagens: www.bebescr.com; FATORES ETIOLÓGICOS MASCULINOS • Pós- operatório de CA de Prostata; • Tumor na Prostata; • Complicação após utilização de sonda urinária; • Infecções urinárias recorrentes. • Idade; IU Masculina Ana Paula Paes Leme CLÍNICO: ANAMNESE • URGÊNCIA MICCIONAL; • POLACIÚRIA; • NOCTÚRIA (NICTÚRIA); • ENURESE NOTURNA; • DIFICULDADE EM INICIAR MICÇÃO (HESITAÇÃO); • ESFORÇO PARA URINAR; • JATO FRACO; • SENSAÇÃO DE ESVAZIAMENTO INCOMPLETO; • GOTEJAMENTO POS-MICCIONAL. Baracho, 2012 DIAGNÓSTICO Incontinência urinária DIAGNÓSTICO URETROCISTOGRAFIA: Avalia a posição do colo vesical; ESTUDO URODINÂMICO 1. UROFLUXOMETRIA: registra o fluxo urinário diário através do vol. de urina por unidade de tempo (volume x tempo).; Gammie et al, 2014 Incontinência urinária ESTUDO URODINÂMICO Incontinência urinária ESTUDO URODINÂMICO 2. URETRO-CISTOMANOMETRIA : estudo das pressões intravesicais, intra-uretrais e intra abdominais (pressão/volume); 3. MEDIDA DE PRESSÃO URETRAL: Fornece o perfil de fechamento uretral; 4. VOLUME RESIDUAL: É a medição do volume de urina na bexiga após micção. Gammie et al, 2014 Incontinência urinária 1. atividade do detrusor • Anticolinérgicos; • Bloqueadores do canal de cálcio; • Antidepressivos (atividade anticolinérgica); • Inibidores da síntese de prostaglandina (43% efeitos col.). 2. tônus muscular do esfíncter uretral e do assoalho pélvico • Estrogênios ( pressão intra-uretral, vascascularização urotélio); • Agonistas alfa-adrenérgicos (tônus muscatura lisa/oclusão uretral). Ostergard, 2006 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO Incontinência urinária As técnicas são escolhidas de acordo com o menor número de recidivas, viabilidade e experiência e segurança do cirurgião. • Sling pubovaginal (aponeurose); • TVT (tension-free vaginal tape) por via retropúbica; • Sling transobturatório. Sartori et al., 2008; Auge et al., 2006 TRATAMENTO CIRÚRGICO Incontinência urinária Imagens: www.urologytimes.modernmedicine.com TRATAMENTO CIRÚRGICO Incontinência urinária TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO AVALIAÇÃO • ANAMNESE DIARIO MICCIONAL • Horário das micções; • Volume urinário; • Episódio de perdas; • Volume líquido ingerido; • Urgência miccional; • Número de protetores. Moreno, 2011 Incontinência urinária Fonte e imagem: www.ics.org/public/bladderdiaryday/download DIARIO MICCIONAL Incontinência urinária Pesa-se um absorvente seco e coloca-se na paciente; Ingestão de 500ml de líquido sem sódio em 15 minutos; São realizadas manobras provocativas de perda: tosse, sentar-levantar, agachar, andar, barulho de torneira, mãos na água, frio; Remove-se e pesa-se o protetor; Aumento de 1g = IU. Baracho, 2012 PAD TEST ABREVIADO Incontinência urinária GENÉRICOS • WHOQOL-100: 100 (psicológico, independência, relações sociais, meio ambiente, espiritualidade/crenças); • WHOQOL-BREF: 26 (físico, psicológico, relações sociais, meio ambiente). ESPECÍFICOS • I-QOL: limitação comportamento, impacto psicossocial e constrangimento social; • KHQ: Percepção geral de saúde, impacto da IU, limitações AVDs e sociais, relações pessoais, emoções, sono/disposição. Baracho, 2012; moreno, 2011 QUESTIONÁRIOS DE QUALIDADE DE VIDA Incontinência urinária QUESTIONÁRIOS DE FUNÇÃO SEXUAL • MASCULINO: QS-M • FEMININO: QS-F FSFI EXAME FÍSICO Incontinência urináriaAvaliação Funcional do Assoalho Pélvico (AFA)* ESCALA DE ORTIZ MODIFICADA • Grau 0: ausência de contração; • Grau 1: contração reconhecível somente à palpação; • Grau 2: contração perineal fraca, contração fraca à palpação; • Grau 3: contração perineal presente e resistência não opositora à palpação; • Grau 4: contração perineal presente e resistência opositora mantida por até cinco segundos à palpação; • Grau 5: contração perineal presente e resistência opositora mantida mais do que cinco segundos à palpação. Nascimento, 2009 EXAME FÍSICO Incontinência urinária ESCALA DE OXFORD ADAPTADA* 0 Ausência de contração muscular. 1 Esboço de contração não sustentada 2 Presença de contração de pequena intensidade, mas que não sustenta 3 Sentida com um aumento da pressão intravaginal, comprime os dedos com pequena elevação da parede posterior. 4 Contração Satisfatória com elevação parede vaginal posterior em direção sínfise púbica. 5 Contração Forte compressão firme dos dedos em relação à sínfise. Pinheiro, 2012 DIAGNÓSTICO Incontinência urinária • P (POWER/FORÇA MUSCULAR) Avalia a presença e intensidade da contração voluntária do assoalho pélvico, graduando-a em: • 0 : ausência de resposta muscular; • 1: esboço de contração muscular não sustentada; • 2: contração de pouca intensidade, mas que se sustenta; • 3: contração moderada; • 4: contração satisfatória; • 5: contração forte Baracho, 2009 ESQUEMA PERFECT* Incontinência urinária • E ( ENDURANCE/ MANUTENÇÃO DA CONTRAÇÃO) • É o resultado da ação de fibras musculares lentas; • O ponto ideal são 10 segundos ou mais de manutenção da contração. • R ( repetição de contrações mantidas) É o número de contrações com duração mínima de 5’’ que a paciente consegue realizar após um péríodo de repouso de 4’’ entre as mesmas sem comprometer a intensidade. Baracho, 2009 ESQUEMA PERFECT Incontinência urinária • F (FAST/ CONTRAÇÕES RÁPIDAS) • É o resultado da ação das fibras musculares rápidas; • Registra-se o número de contrações de 1’’ e se necessário repetir após 2’ de repouso. • E ( Every)/ C (contactions)/ T (timed) é a monitorização do progresso através da cronometragem de todas as contrações. Baracho, 2009 ESQUEMA PERFECT Incontinência urinária PERINEÔMETRO • Avaliador Biofeedback com sensor para avaliação. Pode ser graduado em mmHg e cmH20. • Possui display de cristal líquido com memorização da maior contração e ajuste de zero. Knorst el al., 2012 Incontinência urinária Imagens: acervo particular Incontinência anal X constipação intestinal * Vídeo RECURSOS FISIOTERAPÊUTICOS • Cinesioterapia; • Cones vaginais; • Eletroestimulação; • Biofeedback; •Gameterapia pélvica; • Terapia comportamental. Imagens: Acervo pessoal. Shelly, & Knight,, 2014; Marques et al., 2009. REFERÊNCIAS • Gammie A et al. International Continence Society Guidelines on Urodynamic Equipment Performance. Neurourology and UrodynamicsDOI 10.1002/nau. 2014 • Shelly, B; Knight, S. Physiotherapy activity at the 2014 Annual Meeting ICS News Volume 10, Issue No 2 July 2014. • Marques AA, Herrmann V, Ferreira NO, Guimarães RV. Eletroterapia como primeira linha no tratamento da bexiga hiperativa(BH). Arq Med Hosp Fac Cienc Med Santa Casa São Paulo. 2009; 54(2): 66-72. • Krinski GG, Guerra FMRA, Campiotto LG, Guimarães KMF, Bennemann RM. Os benefícios do tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária de esforço Em idosas - revisão sistemática. Braz. J. Surg. Clin. Res. 2013V.4,n.3,pp.37-40. • Guarisi T, Neto AMP, Osis MJ, Pedro AO, Paiva LHC, Faúndes A. Incontinência urinária entre mulheres climatéricas brasileiras: inquérito domiciliar. Rev Saúde Pública 2001;35(5):428-35. • Rodrigues AM, Oliveira LM, Martins KF, Roy CA, Sartori MGF, Girão MJBC, Castro RA Rev Bras Ginecol Obstet. 2009; 31(1):17-21. • Baracho, E. Fisioterapia em Saúde da Mulher . 2012 • Moreno, A. Fisioterapia em Uroginecologia. 2011 • Nascimento, SM. Avaliação fisioterapêutica da força muscular do assoalho pélvico na mulher com IUE. Revista Brasileira de Cancerologia 2009; 55(2): 157-163 • PINHEIRO, B F et al. Fisioterapia para consciência perineal: uma comparação entre as cinesioterapias com toque digital e com auxílio do biofeedback.Fisioter. mov. vol.25 no.3 Curitiba July/Sept. 2012 • Knorst MR et al. Influência do tipo de parto no resultado do tratamento fisioterapêutico na incontinência urinária. Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 117-124, jul./dez. 2012 • Ostergard, DR. Uroginecologia e disfunções do assoalho pélvico. 2006 • Auge, AP el al. Comparações entre os índices de qualidade de vida em mulheres com incontinência urinária submetidas ou não ao tratamento cirúrgicoRev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(6): 352-7. • Sartori JP, Martins JAM, Castro RA, Sartori MGF, Girão MJBC. Sling de aponeurose e com faixa sintética sem tensão para o tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço femininaRev Bras Ginecol Obstet. 2008; 30(3):127-34. Incontinência urinária