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Alteridade 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
Alteridade (ou outridade) é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage 
e interdepende de outros indivíduos. Assim, como muitos antropólogos e cientistas sociais afirmam, a existência 
do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o 
Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo). 
Dessa forma eu apenas existo a partir do outro, da visão do outro, o que me permite também compreender o 
mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado que 
estou pela experiência do contato. 
A “noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta efetiva-se através das 
dinâmicas das relações sociais. Assim sendo, a diferença é, simultaneamente, a base da vida social e fonte 
permanente de tensão e conflito” (G. Velho, 1996:10) 
“A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos 
conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, 
e que consideramos ‘evidente’. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, 
mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de ‘natural’. Começamos, então, a nos 
surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa 
cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer 
que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única.” (F. Laplantine, 2000:21) 
Tal tema foi estudado ainda por Tzvetan Todorov em seu livro A conquista da América - a questão do outro, 
onde é estudado no contexto do descobrimento e a conquista da América no primeiro centenário após a 
primeira viagem de Colombo, basicamente no século XVI. Há ainda, contudo, menções a essas relações de 
alteridade em obras anteriores a Todorov, como por exemplo, em Michel de Montaigne, um dos autores dos 
textos a serem cruzados: 
"Mas, para retornar a meu assunto, acho que não há nessa nação nada de bárbaro e de selvagem, pelo que me 
contaram, a não ser porque cada qual chama de barbárie aquilo que não é de costume; como verdadeiramente 
parece que não temos outro ponto de vista sobre a verdade e a razão a não ser o exemplo e o modelo das 
opiniões e os usos do país em que estamos".[1] 
Apontamentos podem ser feitos não só durante o processo de conquista e colonização da América, mas em 
toda a história do contato entre diferentes povos e culturas. Por exemplo, pode-se partir desde Cortés, que 
procurou conhecer o outro, buscando intérpretes e estabelecendo táticas de guerra. Surge aqui uma 
personagem curiosa: Malinche. Ela foi dada por Montezuma aos espanhóis e acaba sendo fundamental para o 
processo de conquista promovido por Cortés, pois sabia a língua dos maias e astecas e posteriormente também 
o espanhol. Para os indígenas é o símbolo da traição, para outros é o símbolo da mestiçagem, porque Malinche 
não é somente bilíngüe, mas também "bicultural", e adotou inclusive a ideologia do "outro". Deste modo, a 
humanidade do outro só foi concebida quando integrada à cultura do "eu", ocorrendo uma assimilação, uma 
integração da cultura do "outro" à européia, no caso. 
Avançando cronologicamente na História, é possível ainda encontrar relatos de relações de alteridade no texto 
"Descobrindo os brancos", de autoria de um índio ianomâmi chamado Davi Kopenawa Yanomaqui, já no século 
XX. Nele, as relações de alteridade mais uma vez são descritas, desta vez devido à invasão de suas terras, no 
estado brasileiro do Amazonas, por milhares de garimpeiros entre os anos de 1987 e 1990. 
Assim, a análise crítica dessas obras pode levar à indagação de que, por vezes, os estudos históricos possam ser 
em parte o reflexo do modo de agir e pensar dos europeus na época da conquista, que tomaram a sua 
sociedade, os seus valores como o "correto" e o "modelo" a ser seguido pelos "outros". 
Há outras idéias que podem ser relacionadas ao conceito de alteridade. quando ligado à literatura, por exemplo. 
O "eu" que fala na obra não é mais o eu que escreve. 
 
1. MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. São Paulo: Martins Fontes, 2000. Volume I. Capítulo XXXI; 
Dos canibais. p.307. 
2. TWIX, Michael Corleone de. WReanos. Goiânia: Banana Shopis, 2008. Volume II. Capitulo 
XXIV; Dos forçajovens. p. 401

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