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ESPAÇOS PÚBLICOS
Leitura Urbana e Metodologia de Projeto
C 50 M 0 Y 0 K 70
C 0 M 65 Y 100 K 0
C 70 M 10 Y 0 K 10
C 40 M 0 Y 80 K 0
PANTONE 7708 C
PANTONE 1505 C
PANTONE 312 C
PANTONE 367 C
[dos pequenos territórios às cidades médias]
Parceria de Fomento
Associação Brasileira de Cimento Portland
Av. Torres de Oliveira, 76 - Jaguaré
São Paulo - SP - CEP 05347-902
Tel. (11) 3760-5300
Presidente: Renato Giusti
Diretor de Planejamento e Mercado: Valter Frigieri Jr.
Programa Soluções Para Cidades
Gerente: Erika Mota
Autoras : Simone Gatti e Patricia Zandonade
Design Gráfico: Lima Estúdio Gráfico
Foto de capa: Acervo ABCP
ESPAÇOS PÚBLICOS Leitura Urbana e Metodologia de Projeto 
[dos pequenos territórios às cidades médias] 
*COPYRIGHT Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)
Todos os direitos de reprodução ou tradução reservados pela 
Associação Brasileira de Cimento Portland
ESPAÇOS PÚBLICOS Leitura Urbana e Metodologia de Projeto 
[dos pequenos territórios às cidades médias] 
 Coordenação do Programa Soluções para Cidades, Simone 
 Gatti, Patricia Zandonade – São Paulo, ABCP, 2017. 
 120 p.
ISBN 978-85-87024-83-1
 1. Espaços públicos 2. Elaboração de projetos 3. Boas 
 práticas 4. Método de trabalho
 CDU 72.011.1
3Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Simone Gatti
Por que Pensar nas Pequenas e médias cidades?
Em 2013, através do Programa Soluções para Cidades da ABCP, lançamos a primeira 
publicação sobre Espaços Públicos, com o propósito de orientar técnicos da administração 
pública e gestores no desenvolvimento de novos projetos, para a reestruturação dos 
espaços públicos existentes e também para servir de base para a definição de escopo 
de editais de licitação e para o acompanhamento das equipes contratadas. A publicação 
se tornou referência não somente para as prefeituras municipais mas também para 
estudantes e professores dos cursos de arquitetura e urbanismo e engenharia, dada a 
pouca oferta de bibliografia especializada no tema.
O primeiro volume foi elaborado, sobretudo, a partir do olhar para o universo cotidiano 
da vida urbana das grandes cidades, e quando apresentado aos pequenos municípios 
(no curso que foi originado a partir do livro) sentíamos que haviam situações muito 
particulares aos pequenos territórios que necessitariam de uma abordagem específica. 
Foi quando o chamamento público do CAU SP se apresentou como uma possibilidade 
para preenchermos esta lacuna e desenvolvermos um projeto específico para cidades de 
menor escala. 
Apesar da intensidade dos processos de urbanização, conurbação urbana e 
metropolização, as pequenas localidades dominam a paisagem urbana brasileira. A maior 
parte do território brasileiro, segundo dados do IBGE, é composto por pequenas e médias 
cidades. No estado de São Paulo, por exemplo, mais de 60% dos municípios possuem 
menos de 20 mil habitantes, e apenas 6% possuem mais de 200 mil habitantes. É uma 
quantidade expressiva de municípios com dimensões reduzidas que demandam por 
recursos públicos, melhorias na infraestrutura e nas condições de vida de seus cidadãos. 
Territórios onde prevalecem o cuidado pelo espaço privado e onde os lugares de uso 
público são muitas vezes destituídos de planejamento.
APRESENTAÇÃO
4 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
As cidades interioranas, das pequenas localidades às cidades médias, trazem consigo 
características que em muitos casos já deixaram de fazer parte do cotidiano das grandes 
cidades. São territórios que ainda trazem aspectos da vida rural nas suas funções ou mes-
mo na configuração do desenho urbano, onde vivem uma parcela significativa de idosos 
e crianças e onde determinadas atividades, como o caminhar e o pedalar, adquirem uma 
importância significativa nas ações cotidianas. Lugares onde a calçada ainda é o lugar do 
sentar e observar, onde as ruas apresentam usos compartilhados com o lazer e a praça é 
o principal espaço do encontro e da permanência.
Todas estas características, muito distintas da conformação urbana dos grandes 
centros, requerem um olhar estratégico para se pensar sobre as potencialidades, 
deficiências e necessidades dos espaços públicos das pequenas e médias cidades 
articuladas às suas limitações, tais como os desafios para a captação de recursos, 
administração de projetos e gestão. Outro grande desafio é incorporar nestes processos 
a leitura das características locais e as necessidades dos usuários como subsídio para as 
intervenções, a fim de que não sejam cometidas falhas como a importação de modelos 
descolados da realidade. Pensar a cidade para quem nela vive e para que nela permaneça, 
de forma democrática e diversa, é a estrutura base de qualquer direcionamento para a 
intervenção no território.
o ProGrama soLuÇÕes Para cidades
O Soluções para Cidades é um programa de apoio à gestão de municípios, que tem 
o objetivo de acelerar e qualificar o desenvolvimento urbano nas áreas de Habitação, 
Saneamento e Mobilidade. 
Desenvolvido pela ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, o Programa 
promove o uso de soluções a base de cimento, apoiado em uma plataforma que 
congrega ferramentas de apoio e capacitação a técnicos e gestores públicos, articulação 
dos atores envolvidos na dinâmica urbana e sistematização e divulgação de práticas que 
possam inspirar novos modelos de desenvolvimento.
o que nos move?
A possibilidade de influenciar na qualidade de vida das pessoas através da melhoria 
da infraestrutura urbana nos inspira a apoiar intervenções que contribuam para o 
desenvolvimento das cidades.
Para conhecer mais sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Soluções para Cidades, 
acesse nosso portal em
www.solucoesparacidades.org.br e entre em contato conosco.
5Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
AS AUTORAS
simone Gatti
Arquiteta e urbanista, professora de planejamento 
urbano e pós doutoranda da Faculdade de Arquitetura 
e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É consultora 
do Programa Soluções para Cidades da ABCP, autora 
do primeiro volume do livro Espaços Públicos, 
Diagnóstico e Metodologia de Projeto e ministra o 
curso homônimo de capacitação para o corpo técnico 
das prefeituras municipais brasileiras. Atualmente é 
representante do IABsp na Comissão Executiva da 
Operação Urbana Centro da Prefeitura Municipal de 
São Paulo e pesquisadora do NAPPLAC USP (Núcleo de Apoio à Pesquisa, Produção 
e Linguagem do Ambiente Construído) onde desenvolve pesquisas sobre políticas 
habitacionais, centros urbanos, gestão participativa, espaços públicos e mobilidade. 
Vive e trabalha em São Paulo.
Patricia Zandonade
Arquiteta e Urbanista, Doutora no Programa de 
Pós-Graduação em Energia - Ambiente e Sociedade 
da Universidade Federal do ABC, desenvolvendo 
pesquisa com a temática da mobilidade urbana 
e desigualdade na utilização energética para 
deslocamentos cotidianos. Possui mestrado em 
Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de 
São Paulo. Atualmente é Professora Adjunta da 
Universidade Federal da Integração Latino-Americana. 
Possui pesquisa sobre Territórios Interioranos e Modos 
de Morar, com ênfase para pequenas localidades. Tem 
experiência na área de Projeto e Plano Urbanístico, 
Projeto da Paisagem e Planos ou Projetos de Espaços para a Mobilidade Cotidiana. 
Vive e trabalha em Foz do Iguaçu.
6 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Um Conselho profissional a serviço da sociedade
a missão do conselho de arquitetura e urbanismo é orientar, disciplinar 
e fiscalizar o exercícioprofissional, conforme parâmetros éticos e atento à 
adequada formação acadêmica. resultado de décadas de reivindicação da 
categoria, o cau é uma autarquia federal criada pela lei 12.378, de 2010, sendo 
dotado de personalidade jurídica de direito público. Tem sua sede em Brasília 
(cau/Br), com uma representação em cada unidade da federação (cau/uFs).
quase metade dos profissionais ativos no País está radicada em são Paulo, o 
que amplia o desafio do cau/sP no trabalho permanente pela regulamentação 
e aperfeiçoamento da atuação de arquitetos e urbanistas.
a valorização profissional frente às discussões sobre mobilidade e 
acessibilidade urbanas, atribuições profissionais, campanhas pela habitação 
social e preservação do patrimônio arquitetônico, sustentabilidade e ética são 
questões primordiais para o conselho.
Para isso, o cau conta com os avanços da tecnologia de informação – que 
suportam suas ações de fiscalização e a relação direta com os profissionais –, 
estruturado por sedes regionais de atendimento, distribuídas em dez municípios, 
além da sede na capital paulista.
o patrocínio de eventos e publicações relacionadas à arquitetura e urbanismo 
faz parte das iniciativas do nosso conselho. assim, esta publicação vem, na 
mesma linha que outros trabalhos apoiados pelo cau/sP, contribuir para 
a divulgação de nossa profissão e valorizar o papel de arquitetos e urbanistas 
na sociedade e na cultura brasileiras. 
Arquiteto e Urbanista Gilberto S. Domingues de Oliveira Belleza
Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo – CAU/SP
PREFÁCIO
7Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
muitas pessoas contribuíram para a realização deste projeto através da Plataforma 
colaborativa, criada em uma página online no Facebook para o recolhimento de 
depoimentos e saberes sobre os espaços públicos das cidades brasileiras. agradecemos 
imensamente a todos que dedicaram seu tempo para avaliar suas cidades e refletir 
sobre a possibilidades de preservação e transformação, em especial àqueles que 
contribuíram com registro fotográfico e com conteúdo:
Aluizio Marino
Gestor Cultural. São Paulo/São Mateus
Aurélio Riguetto
Aposentado. Joinville.
Beatriz Fleury e Silva
Arquiteta e Urbanista. Maringá
Camila de Oliveira
Arquiteta e Urbanista. Londrina.
Hannah Machado
Arquiteta e Urbanista, São Paulo/São Miguel Paulista.
Izabela Bombo Gonçalves
Arquiteta e Urbanista, Maringá.
Laura Cristina Vilela Resende
Engenheira de Alimentos, Mineiros.
Livia Radwanski
Fotógrafa. Cavalcante.
Manuel Corman
Designer. Cruzália, Pelotas, Foz do Iguaçu, Cascavel.
AGRADECIMENTOS
8 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Cap. 1 – Desenvolvendo processos participativos para se repensar 
 espaços e territórios
 16 o que é processo participativo para projetos de espaços públicos?
 17 critérios gerais para desenvolver um plano ou projeto participativo:
 17 quais as etapas, como desenvolver um processo participativo?
 18 Preparação prévia 
 20 etapas do processo
 22 algumas opções de dinâmicas para oficinas participativas 
Cap. 2 – Lendo o Território da sua Cidade: Modos de vida, lugar e paisagem
 26 Pequenas Localidades e cidades médias
 32 chaves metodológicas para a Leitura dos Territórios
 33 identificando personagens: a mulher a criança e o adulto maior como atores 
 centrais da pequena cidade.
 34 Paisagem Local e modos de vida
Cap. 3 - Identificando fraquezas, oportunidades e construindo alternativas 
 42 distribuição desigual dos espaços públicos na cidade
 44 carências de infraestrutura, manutenção e cuidado com o espaço público
 46 degradação ambiental
 48 espaços públicos com consumo privado: parcerias que dão certo ou 
 privatização do uso público?
 49 ocupação dos espaços públicos
 50 as festas Populares
 51 muito espaço para o carro, pouco espaço para o pedestre
 53 cidades do interior: lugar das bicicletas
 54 calçadas como lugar para se estar
 55 Bloqueio na circulação do pedestre no passeio público
 58 sobras de planejamento sem uso
 60 margens de água
 61 Áreas simbólicas
SUMÁRIO
9Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Cap. 4 - Metodologia e desenvolvimento de projetos para espaços públicos 
 66 matriz de planejamento 
 68 redesenho de espaços e paisagens
 70 medições e experimentação como metodologia de intervenção
 73 infraestrutura da paisagem
 80 arquitetura como indutora do uso coletivo
Cap. 5 - Boas práticas 
 86 Processos Participativos
 86 mapeamento coletivo: olhares e práticas da juventude periférica
 89 escola Popular de Planejamento da cidade, Foz do iguaçu - Pr
 94 Programas
 94 Programa calçada segura, são José dos campos, sP
 98 Programas de incentivo à mobilidade a pé e ao uso dos espaços públicos 
 pelas criança
 103 Espaços públicos no planejamento das cidades
 103 Londrina dos fundos de vale
 106 maringá dos espaços livres
 109 Planos e Projetos
 110 Plano urbanístico de Bom despacho, itaparica - Ba, e Plano urbanístico de 
 mar Grande, vera cruz - Ba
 114 vida urbana para cidade Pequena: desenho urbano para itatiba do sul - rs
 120 referências Bibliográficas
10 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
INTRODUÇÃOSimone Gatti
a pesquisa e escrita deste trabalho nos ampliou o olhar para um Brasil que é gigante, e repleto de pequenos territórios. Um país continental, que ainda guarda 
características muito peculiares de uma vida urbana que ainda é meio rural, de cidades 
pequenas que se consolidaram em sua dimensão e de cidades que estão a mercê 
de crescimentos desordenados e já enfrentando problemas oriundos dos processos 
de metropolização.
A metodologia utilizada para a pesquisa foi pautada na 
construção da Plataforma Colaborativa e sua divulgação 
nas redes sociais para captação de saberes sobre as 
cidades brasileiras. A partir desta abertura de diálogo, 
tivemos acesso a relatos e casos não identificados no 
nosso cotidiano, e olhares distantes da nossa visão como 
arquitetas e urbanistas. Essa pesquisa nos levou para uma 
dimensão muito especial referente aos usos dos espaços 
públicos que é uniforme para qualquer tamanho de cidade, 
que é a dimensão humana, do usuário que identifica os problemas e potencialidades de 
lugares por onde passa no seu trajeto cotidiano. Identificamos assim a importância do registro 
de processos elaborados com a participação da população, visando resultados satisfatórios 
que envolva os diferentes atores sociais, com foco na melhoria das condições de vida.
Desta forma, iniciamos a redação com um capítulo que trata da conceituação e da 
metodologia dos processos participativos, que consideramos a alma de qualquer 
intervenção urbana. É o momento da identificação dos atores e da pactuação de desejos, 
interesses e necessidades. O planejamento do processo participativo é tão importante 
quanto o desenvolvimento do projeto, à medida que o seu desenvolvimento pode legitimar 
processos, orientar as ações e garantir que a cidade e seus usuários sejam beneficiados com 
as intervenções que realmente são necessários, incluindo a população que reside e trabalha 
no local da intervenção, garantindo-lhes melhores condições de vida.
Fa
ce
bo
ok
11Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Acervo ABCP
O Capítulo 2 traz as especificidades da vida nos pequenos territórios, identificando 
elementos como a presença dos elementos naturais, a sua inserção na rede de cidades, 
a importância das relações de proximidade social e a persistência dos modos de vida 
tradicionais. Sãoapontados também os desafios e as chaves metodológicas para a leitura 
do território.
No Capítulo 3, que apresenta uma compilação das principais contribuições recebida na 
Plataforma Colaborativa, são identificadas as fraquezas, as oportunidades a as alternativas 
para intervenções nos territórios das pequenas e médias cidades. A distribuição desigual 
dos espaços públicos na cidade, carências de infraestrutura e manutenção, degradação 
ambiental, o consumo privado dos espaços públicos são algumas das fraquezas que 
são confrontadas com potencialidades como as múltiplas festas populares presentes no 
cotidiano das cidades, a intensidade do fluxo de ciclistas e as áreas simbólicas presentes 
no tecido urbano.
Já o capítulo 4 foca na metodologia para o desenvolvimento de intervenções urbanas, 
a partir de uma matriz síntese de planejamento oriunda da leitura urbana e de um 
cronograma de etapas que permeiam o desenvolvimento dos projetos. As medições e 
experimentações de intervenções são apresentadas como um importante instrumento 
do planejamento, bem como a infraestrutura da paisagem e a arquitetura como indutora 
dos usos e ocupação do espaço público.
Por fim, o capítulo 5 aponta boas práticas de processos participativos, planos e 
programas, planejamento e projetos de espaços públicos. O objetivo deste capítulo 
final foi enfatizar não apenas em objetos concluídos mas nos seus processos de 
desenvolvimento, a fim de orientar estudantes, profissionais, técnicos e gestores públicos 
na construção de um planejamento mais consistente e eficaz para as cidades brasileiras.
Desejamos uma boa pesquisa e que este trabalho não apenas contribua para o 
desenvolvimento de bons projetos, mas que estimule um outro olhar para nossas cidades 
e para a criação e permanência de espaços públicos mas cuidados, mais humanos, mais 
inclusivos e mais democráticos.
Simone Gatti e Patricia Zandonade.
12 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
13Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1 C
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14 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Espaços públicos são lugares construídos por uma comunidade e para seu uso. 
As cidades são lugares para se conviver, para se viver junto, em coletividade. As pequenas 
e médias cidades possuem a característica de ter sua rede social baseada na proximidade 
e nas relações interpessoais. Esta característica fortalece a necessidade de se construir 
uma forma de viver junto a partir da pactuação e da coalizão. 
Desta forma, a construção coletiva e a intervenção em espaços públicos feitas a partir de 
processos participativos onde a cidade verdadeiramente acontece é uma oportunidade 
para fortalecer redes sociais e aprendizados de coletividade, catalisar coalizões, desvendar 
bloqueios para desenvolvimentos diversos e criar estratégias conjuntas. Estes processos 
dificultam corrupções e promovem a cidadania. Quando as relações e as coalizões são 
feitas a partir dos moradores e usuários do lugar, a pactuação dos interesses e objetivos 
do plano ou projeto se desloca dos interesses econômicos de poucos e se aproxima da 
necessidade de se criar espaços para viver bem.
Algumas cidades da América Latina já adotam o conceito de buen vivir como 
parâmetro e indicador para suas ações voltadas ao desenvolvimento territorial e à vida 
em coletividade. No lugar de pensar os objetivos dos planos e projetos das comunidades 
como crescimento econômico, a referência desloca-se para a compreensão daquela 
comunidade sobre o que é viver bem, e os aspectos econômicos e outros setoriais se 
transformam em meio, forma de viabilizar o “Viver Bem” em comunidade. Os objetivos 
resultantes dos processos participativos, quando realmente construídos coletivamente, 
são sempre mais próximos da ideia do Viver Bem, minimizando distorções por interesses 
específicos de grupos. 
A idéia de Viver Bem é originária das formas de pensar dos povos tradicionais da América Latina, que ao 
invés à idéia de desenvolvimento, que em seu uso recorrente está associada ao crescimento econômico, como 
orientador de suas ações na coletividade, é o bem estar coletivo que está no centro desta visão de mundo. 
Viver Bem é uma noção ética de vida digna, vinculada ao seu contexto cultural, com valor fundamental de 
respeito à vida e à natureza. No Viver Bem, a natureza não é um objeto, mas um sujeito, assim como todos 
os seres viventes fazendo parte da comunidade, e como núcleo de seus princípios estão os direitos das 
comunidades tradicionais de viver segundo seu modo tradicional, sua identidade e pertencimento, baseada 
na coexistência de vários mundos. 
Cada idioma dos povos originários da região dos Andes contém sua idéia de Viver Bem. Sumak Kawsay 
em quechua significa “a plenitude de vida em comunidade junto com outras pessoas e a natureza”, Suma 
Qumaña em aymara tem significado parecido. Em guaraní, Teko Porã, que se tem quando em harmonia com 
a natureza e com os membros da comunidade, quando tem alimentação suficiente, saúde e paz de espírito, 
com identidade cultural plenamente exercitada e livre de ameaças. Como vemos, seu significado só pode 
ser entendido a partir dos contextos sociais e ecológicos de cada cultura, porém todos ligados à noção 
coletiva de viver, de conviver. 
Como exemplo, o Buen Vivir faz parte das constituições de Equador (2008) e da Bolívia (2009), inseridas 
a partir das reformas das suas constituições. Estas novas constituições elevam os direitos da natureza 
(Pachamama) e da cultura do buen vivir a nível de direitos constitucionais. 
Viver Bem (Buen Vivir)
15Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Além de ser uma ferramenta de mobilização e organização social, os processos 
participativos para planos e projetos urbanos é lei! No Brasil, a lei nº 10.257 de 10 de 
Julho de 2001, Estatuto da Cidade, determina que toda política urbana tem como uma 
de suas diretrizes gerais a “gestão democrática por meio da participação da população 
e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, 
execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento 
urbano” (artigo 2º, inciso II).
Assim, os processos de desenvolvimento de projetos e planos precisam ser desenvolvidos 
a partir de métodos participativos, que garanta a clareza da linguagem e comunicação, 
incluindo e convivendo com a diversidade de pessoas que a comunidade possui. 
Os processos participativos podem ser catalisadores para:
 • ativar sujeitos e pessoas;
 Desenvolver processos participativos requer antes de tudo pessoas engajadas e 
dispostas a participar. Fomentar e incentivar que as pessoas sejam participantes é 
também uma forma de ativar a comunidade a se organizar e exercer sua cidadania.
 • legitimar as decisões;
 A tomada de decisões a partir de discussão ampliada e participada torna as soluções 
mais coerentes e legítimas de acordo com os valores daquela comunidade.
 • construir planos e projetos com mais qualidade;
 Quando os planos ou projetos de espaços da cidade são pensados juntamente 
com as pessoas que vivem e usam a cidade, aumenta a chance do plano ou projeto 
ser o mais próximo possível do cenário ideal para as experiências sociais daquela 
comunidade e ser suporte para o seu Viver Bem.
 • diminui os riscos do plano virar papelna gaveta;
 Planos e projetos feitos em escritório, somente por equipe técnica e sem discussão 
ampla são facilmente engavetados com qualquer mudança do cenário político-social. 
Se o plano ou projeto for feito com ampla participação, o acompanhamento e a 
cobrança para que seja implementado garante que ele seja uma ação da comunidade, 
e não de gestão ou grupos. Assim, a garantia de que ele tenha continuidade é maior. 
 • promove o aprendizado social 
 Discussões, oficinas, trabalhos coletivos são ótimas oportunidades de se consolidar 
processos que deram certo e descartar processos que não deram certo. Existe um 
constante aprimoramento nas formas de se relacionar e de se organizar para algo. 
O aprendizado social resultante pode ser consolidado e continuado. 
 • possibilita troca de saberes
 Os encontros com demais membros da comunidade sempre geram trocas de idéias. 
Cada grupo ou indivíduo possui sua própria história e seu acúmulo de experiências, 
que são diversas. Trabalhar junto e pactuar decisões traz à tona também a exposição 
de saberes e suas trocas. O resultado é mais saberes populares e mais conhecimento.
16 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
 • contribui para construir rede de coalizões sociais 
 Coalizões são ligações, pactuações temporárias entre grupos ou sujeitos de interesse 
inicialmente antagônicos e divergentes, geralmente em torno de um objetivo comum. 
Estas ligações são fatores que podem gerar processos positivos em comunidades ou 
sociedades. A participação de diversos atores sociais, a necessidade do trabalhar 
coletivo promove a formação de redes e vínculos de natureza diversa, favorecendo a 
formação de novas coalizões na comunidade.
 ` O que é processo participativo para projetos de 
 espaços públicos?
Projetos urbanísticos para espaços públicos são desenvolvidos em sua grande 
maioria pela municipalidade. Podem também ser desenvolvidos por associações de 
bairros por exemplo, movimentos sociais, ou outra forma de associação civil. Processos 
participativos são formas de desenvolver as leituras e levantamentos e posteriormente 
as propostas de maneira democrática e inclusiva, onde a comunidade tem poder para 
opinar e decidir coletivamente. 
ATIVA 
SUJEITOS
TROCA DE 
SABERES
CONSTRóI 
REDES E 
COALIzõES
PROMOVE 
APREDIzADO 
SOCIAL
MENOR RISCO DO 
PROJETO NÃO SER 
CONSTRUÍDO
LEGITIMA 
DECISõES
PROJETOS COM 
MAIS qUALIDADE
EP
PC
Oficina Arrastão 
Cultural na 
Comunidade Bubas, 
em Escola Popular 
de Planejamento da 
Cidade.
17Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Este processo de desenvolvimento do projeto ou plano é tão importante quanto seu próprio 
resultado. Projetos urbanísticos são ferramentas técnicas e políticas ao mesmo tempo, e 
assim, a transparência e a participação se faz necessária para uma sociedade mais igualitária 
e coletiva. É importante mostrar de maneira clara quais são os interesses e compreensões de 
diferentes pessoas ou grupos, para que possam ser debatidos e pactuados.
 ` Critérios gerais para desenvolver um plano 
 ou projeto participativo:
1. Comunicação clara e transparência, com informações constantes sobre 
procedimentos e andamentos, e também sobre os conflitos existentes;
2. Legitimidade e participação de diferentes grupos por interesses, para que a 
disputa e a pactuação seja justa e igualitária;
3. Distribuição de poder, responsabilidade e parceria nos processos decisórios, 
salientando a necessidade de dar suporte e voz aos grupos ou indivíduos 
historicamente invisibilizados e discriminados socialmente, como mulheres, 
negros e negras e indígenas;
4. Desenvolvimento de instrumentos democráticos de monitoramento e 
avaliação do processo, que sejam institucionalizados e com continuidade, 
independente de mudanças de gestão ou direção da municipalidade ou 
associação. 
Quais as etapas, como desenvolver um processo participativo?
Para começar um plano ou projeto participativo para espaço público, primeiramente 
deve-se ter em pauta o lugar ou bairro que tenha elegido como demanda um espaço 
público. Em seguida, será necessário fazer uma reflexão sobre a natureza do espaço a 
ser construído e quais os grupos sociais impactados pela execução do plano ou projeto. 
A partir desta reflexão, é necessária a construção de uma metodologia para o processo de 
desenvolvimento do plano ou projeto. Em seguida, será importante a definição da equipe 
necessária para coordenar e desenvolver o processo, e também qual a infraestrutura para 
atender à metodologia. 
reunir um grande número de pessoas em uma sala e ouvir suas sugestões, 
colhendo críticas e opiniões são apenas formas de consulta à população – ou 
mesmo parte dela – e não pode ser chamado propriamente de um processo 
participativo. Planos ou projetos participativos devem ter como base a parceria 
e a partilha de poder de decisão, construindo coletivamente cronogramas e 
estratégias de ação combinadas.
ATENÇÃO
18 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Preparação prévia 
Existem inúmeros formatos de processos participativos. De maneira geral, estas 
metodologias têm como elemento principal de construção as formas de participação, 
que definem tipos de processos. 
As principais formas e usadas de maneira mais recorrentes são:
 • participação por representação de segmentos e agentes
 na participação por representação, os atores principais dos processos são 
representações de agentes ou grupos de interesse existentes no lugar ou território 
objeto de intervenção. Neste caso, é necessária a compreensão prévia das redes de 
interesse e poder, para que a sua composição represente a comunidade afetada ou 
de interesse o mais próximo possível da sua realidade, numa busca por distribuição 
democrática de papéis e poderes.
em muitos casos, as cidades pequenas e médias, sobretudo 
as pequenas localidades, possuem realidades específicas no 
que se refere à disponibilidade de pessoal e de infraestrutura. 
a compreensão sensível sobre o contexto social e cultural em 
que se desenvolverá o plano ou projeto é imprescindível para 
elaborar metodologias adequadas a cada lugar ou território. 
ATENÇÃO
EP
PC
Assembléia com Defensoria Pública de Foz do Iguaçu na Comunidade Bubas. Escola Popular de Planejamento da Cidade
1 Construção de metodologia contextualizada para o plano projeto
19Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
 • Participação direta por oficinas abertas 
 em outra ponta, existem formas de participação sem intermediários, onde cada 
pessoa representa ela mesma, numa busca por uma democracia direta no processo. 
Estas metodologias geralmente se utilizam de oficinas de trabalho conjunto e 
abertas. Neste caso, a disputa de interesses se dá na arena dos trabalhos coletivos, o 
que possibilita que qualquer pessoa possa participar das decisões e debates, numa 
inclusão total. 
 • combinando representação + participação direta
 existem ainda as formas combinadas de representação, optando pelos pontos 
positivos de ambos e minimizando seus pontos negativos. Isto acontece, por exemplo, 
quando se combina formas abertas de trabalho, como oficinas de participação 
direta, com outros momentos de debate a partir de representação, como a definição 
de conselhos ou grupos de trabalho construídos para espelhar a composição da 
comunidade interessada. 
PArtICIPAÇãO
rEPrESEntAtIvA
GRUPOS
CONSELHOS
REPRESENTANTES
PArtICIPAÇãO
DIrEtA
DEBATES E 
OFICINAS 
ABERTAS A TODOS
PArtICIPAÇãO
rEPrESEntAtIvA
+ DIrEtA
+
as comunidades assim com a sociedade em geralé histori-
camente construída a partir de um modelo onde as mulheres 
são compreendidas como de menor valor, adultocêntrico onde 
crianças não são consideradas participantes, eurocêntrico (onde 
negras e negros, indígenas são discriminados) e de desrespeito 
pelos anciãos e anciãs. Processos participativos são oportunida-
des de começar uma história mais igualitária e fraterna, a partir 
de metodologias que garantam voz e partilha de poder para mu-
lheres, negras e negros e povos originários (indígenas), respeito 
e voz às crianças e sua visão de mundo.
ATENÇÃO
20 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Como já salientamos, é necessário primeiro fazer uma ponderação do contexto 
da comunidade. De qualquer forma, sugerimos que na equipe possam ter uma 
composição mínima:
 • arquiteta(o) ou urbanista-paisagista
 • assistente social ou cientista social
 • profissional da comunicação
Faz muita diferença ainda a existência de uma equipe de consultoria técnica sobre 
assuntos específicos, que será acionada em momentos pontuais de acordo com a 
necessidade do processo, como por exemplo, profissionais da engenharia ambiental, da 
assistência jurídica, da antropologia, da economia, da biologia, etc.
No desenvolvimento das oficinas e reuniões será necessária a disponibilidade de 
materiais diversos, como: 
 • craft em rolo para anotações, desenhos, colagens, e construção de painéis 
 • painel de tecido tnt e spray colante com fichas de papel a serem preenchidas de 
 acordo com a dinâmica da reunião 
 • papel e canetões
 • imagens e fotografias para recortes e colagens
 • mapas e fotos aéreas
2 Definir a equipe técnica e a infraestrutura necessária
muitas vezes o uso de recursos altamente tecnológicos acaba 
por afastar as pessoas que têm menor acesso ou familiaridade 
com novas tecnologias, onde se compreende que existe um gru-
po de técnicos que é detentor de um grande poder, a tecnolo-
gia, em detrimento dos saberes populares , tradicionais ou ape-
nas menos caros. assim, antes de optar, verifique sua realidade.
ATENÇÃO
Etapas do processo:
Etapa 1 – Comunicação
É necesssária ampla comunicação sobre o que será feito, sobre onde serão as reuniões 
e formas de participação, e a agenda prevista para os encontros.
21Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Etapa 2 – nivelamento de informações 
Esta etapa é importante como formação de pessoas ativas no processo, como etapa 
de educação popular e troca de saberes, onde cada integrante contribui para a partilha 
dos conhecimentos, assim como a equipe técnica também prepara a comunidade com 
embasamento mínimo sobre as condicionantes do plano ou projeto.
Etapa 3 – Discussões, levantamento de alternativas
Nesta etapa é feita a leitura da área ou território objeto do plano ou projeto, de acordo 
com o objetivo a ser alcançado, e discute-se as alternativas de intervenção possíveis e 
desejáveis. Neste momento pode-se ainda serem levantadas várias possibilidades 
e desejos. 
Etapa 4 – tomada de decisões
A partir das possibilidades levantadas e caminhos possíveis parte-se então para a 
decisão de qual será a melhor alternativa, pactuando entre interesses divergentes, 
votando, criando soluções intermediárias. 
Etapa 5 – Planejamento das ações
A partir da tomada de decisão, define-se os passos a serem tomados para implementar 
o plano ou projeto adotado. 
Etapa 6 – Construção de instrumento de controle e avaliação
A implantação e as ações previstas precisam ser acompanhadas pela comunidade, 
onde esta possa interferir para colaborar em diferentes momentos e apontar correções 
para possíveis desvios. A partir da implantação do plano ou projeto é importante que ele 
possa ser avaliado constantemente para viabilizar revisões, que são recorrentes.
Panfleto trilíngue 
dsitribuído em bairro 
de Foz do Iguaçu-
PR chamando as 
mulheres e seus 
filhos para discutir os 
espaços de moradia 
para as crianças. 
Integrante do projeto 
de extensão Ciranda 
de Mães, do Curso 
de Arquitetura 
e Urbanismo da 
Universidade Federal 
da Integração 
Latinoamericana, 
Unila, Fóz do 
Iguaçu. Material 
desenvolvido pela 
turma 2014 do curso. 
22 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
Etapa 7 – revisão do plano ou projeto
A partir da avaliação do plano ou projeto, pode-se iniciar novamente um processo de 
revisão das etapas, constituindo-se um processo permanente de discussão e mobilização 
da comunidade.
Algumas opções de dinâmicas para oficinas participativas
 • mapas mentais
 mapas mentais são formas de cartografia onde as pessoas desenham em um papel 
os pontos significantes do território a partir de sua vivência, assim como seus fluxos 
e barreiras. São formas livres de cartografias do território a partir de seu morador 
ou usuário.
 • mapas sensoriais
 são formas de desenvolvimento de mapas onde o que importa é a sensação e o 
simbólico, a partir dos valores de seus moradores. Podem ser salientadas sensações 
de conforto, segurança, tranquilidade, agitação, etc, a partir de ilustrações por 
colagens, desenhos ou anotações. 
 • mapas coletivos
 são mapas construídos por várias mãos, onde as experiências e percepções do 
coletivo de moradores ou grupos de interesse são partilhadas em uma mesma 
representação. São igualmente mapeamentos livres, construídos com colagens, 
fotos, desenhos, anotações. 
PREPARAÇÃO COMUNICAÇÃO
NIVELAMENTO
EMPODERAMENTO
DEBATES 
ALTERNATIVAS
TOMADA 
DE DECISÃO
PLANEJAMENTO 
DE AÇõES
INVESTIMENTO 
DE MONITOR
REVISÃO
EtAPAS/SIStEmA
23Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
 • trabalhos sobre fotos aéreas
 Na possibilidade de se usar foto aérea, ela pode ser um interessante recurso na 
construção de diversos mapas, combinando a técnica da aerocartografia com as 
construções cartográficas por mapas mentais, coletivos, etc.
 • painéis de problemas e soluções
 É muito usual e eficiente o trabalho com painéis onde os participantes vão construindo 
e visualizando os problemas apontados e também as possíveis soluções. 
Oficica do Workshop Ruas do Futuro: construção do painel de problemas e soluções. ABCP, São Paulo.
Mapeamento Coletivo na oficina participativa do Fórum Aberto Luz, criado para a construção de um projeto colaborativo no bairro de Campos
Elíseos em São Paulo, em 2017, com o objetivo de garantir a permanência da população residente no local frente aos projetos apresentados pelo 
poder público.
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24 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 1
 • painéis de desejos
 o painel de desejo trabalha com a possibilidade ilimitada dos desejos de seus 
participantes a partir de determinada temática apontada. É um importante instru-
mento para explicitar caminhos coerentes com os valores daquela comunidade.
Fragmento do Painel 
de Desejos feito 
pelas crianças do 
Jardim Almada, 
Foz do Iguacu.
 • projetando com volumes e maquetes simplificadas
 Para evitar a linguagem técnica de desenhos de arquitetura e construção, o uso 
de maquetes volumétricas, cubos e módulos construtivos, se tornam instrumentos 
eficazes e lúdicos para trabalhar com projeto de espaços públicos. 
 • projetando em escala real
 dependendo da dimensão do projeto pretendido, pode-se ainda recorrer ao projeto 
em escala real, sem representação em papel ou maquete. Para isto, desenha-se no chão 
ou pode-se fazer marcação com fios e estacas cravadas. É um instrumento também 
divertido e que só pode ser executadode maneira coletiva, o que favorece o processo. 
Tótem de Desejos instalado em oficina participativa do Fórum Aberto Luz no bairro de Campos Elíseos em São Paulo.
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25Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2 CA
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26 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
Para pensar planos e projetos para uma localidade é necessário começar conhecendo 
sua realidade, lendo seu território. Como ler seu território? Um primeiro passo é a 
compreensão dos modos de vida das populações. Como vivem as pessoas, as famílias 
e a coletividade. Fazer uma leitura sobre os aspectos da paisagem, que reflete estes 
modos de vida e sua cultura. E qual a especificidade dos modos de vida das pequenas 
localidades e das cidades médias? Qual é sua paisagem?
Modos de vida, lugar e paisagem
Pequenas Localidades e Cidades Médias
No Brasil compreendemos em nossos dados oficiais que toda sede de distrito seja 
urbana, na reprodução de uma regra de 1938. Nesta proposta, podemos examinar as 
localidades a partir da sua ruralidade em localidades de até 50 mil habitantes e menos de 
80 hab/km. É importante diferenciar também a compreensão de rural do que é agrário, 
são compreensões distintas. Rural é a qualidade daquilo que integra uma economia rural. 
As localidades de médio porte são aquelas entre 50 a 100 mil habitantes. Os centros urba-
nos passam a ser aqueles de 100 mil habitantes. Nesta proposta, o Brasil essencialmente 
rural (menos de 50 mil habitantes) compreende 80% dos municípios, e que compreende 
aproximadamente 30% da população brasileira. Assim, a dicotomia rural x urbano não é 
mais um dado, é uma relação marcando as características do território. Quase metade 
da população mundial ainda vive em espaços que podem ser considerados rurais. 
Isto pode ser tomado como uma oportunidade de qualificação das vidas das comunidades, 
se pensamos que projetos e planos são construídos a partir das comunidades, sem 
imposição ‘técnica’ de modelos de vida. 
Calçadas da principal avenida de Cruzália-SP, com 2.200 habitantes em 2015 (IBGE).
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27Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
Nas pequenas cidades, é recorrente que as calçadas sejam espaços de estar, 
servindo como uma transição entre o que é espaço público e o que é privado. É o 
território da apropriação.
Estas regiões interioranas e com localidades pequenas e médias possuem alguns 
pontos característicos:
1. o peso e a presença de elementos naturais;
Nas pequenas localidades e cidades médias, ainda conseguimos notar a interferência 
dos elementos naturais no cotidiano. 
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Praça na área 
central de Uyuni, 
Bolívia, com 29 mil 
habitantes em 2015 
(ONU).
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A Praia do 
Cassino é um dos 
principais lugares 
de acesso público 
da comunidade 
local, com suas 
características 
naturais próximas à 
original, com dunas 
e vegetação.
Praia do Cassino, na autarquia de Cassino com 20 mil habitantes em 2015 (IBGE), município de Rio Grande -RS.
28 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
A presença de animais, a visualidade de áreas não habitadas, a presença de rios 
e corpos d´água ainda naturalizados, e a presença de modos de vida e socialização 
baseados na proximidade. 
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Ruas e calçadas da cidade de Cruzália-SP. 
A calçada também é lugar de estar e a rua também é lugar de se caminhar. Ao fundo, um campo de plantações e estrada de terra. 
2. a sua inserção numa rede de cidades, marcada pelas subordinações 
a centros regionais para o caso das pequenas localidades;
Quando se mora em uma pequena localidade, geralmente se mora na região. O que 
queremos dizer é que as necessidades de serviços e produtos daquela população se dá 
numa região ampliada, numa rede de cidades na qual se conecta e se complementa. 
Em muitas situações, morar em uma pequena localidade e trabalhar em outra já é uma 
realidade. Assim, pensar as pequenas localidades significa pensar seu território ampliado, 
em sua rede de cidades. 
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Rua central da 
cidade de Pelotas-
RS, com 306 mil 
habitantes (IBGE).
29Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
As ruas com maior quantidade de comércio da cidade são totalmente pedestrianizadas. 
São espaços onde as manifestações populares acontecem com mais frequência: artistas 
de rua, comércio ambulante, lugares de permanência e mesas de bares, manifestações 
políticas, religiosas, etc. Sua pavimentação é mista, com sobreposições e justaposições 
históricas. Esta característica não prejudica a qualidade do espaço, ao contrário, mostra 
sua composição temporal. 
3. exportação de bens primários para cidades maiores: alimentos, 
energia ou força de trabalho humano (migração permanente 
ou pendular);
Pela sua inserção em redes de cidades, as 
pequenas localidades passam a ter a função 
predominante de fornecedora de alimentos e 
energia, e muitas vezes também de força de 
trabalho. Esta característica funcional geralmente 
está associada a uma subordinação das pequenas 
localidades aos centros maiores. No entanto, 
podemos tensionar também que, onde um tem 
alimentos e energia e o outro possui consumidores, 
quem depende de quem? Estas reflexões se 
associam ao questionamento dos modos de vida 
associados a progresso e modelo a ser seguido. 
4. importância das relações de proximidade social.
As relações entre indivíduos e grupos são marcadas pela pessoalidade e proximidade. 
A política e a socialização se dão a partir da sua inserção nos grupos, com grande 
importância ainda de grupos familiares e de origem étnica. Estas relações não são 
necessariamente fraternas e solidárias, podendo ser mesmo muito perversa. No 
entanto, a tendência é que a conversa entre pessoas e indivíduos humanize as relações 
e possibilite coalizões. 
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Ruas e calçadas com 
exposição e venda 
direta de produtos 
do campo em 
Assis-SP, com 102 
mil habitantes (IBGE, 
2015) 
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Ruas e calçadas em 
frente ao histórico 
Mercado Central da 
cidade de Pelotas-
RS, com 306 mil 
habitantes (IBGE).
30 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
5. a persistência de tempos e modos de vida tradicionais
Uma ideia que no último século passou a predominar nas discussões sobre o bem 
viver é a noção de progresso. Progresso passou a ser o objetivo das decisões públicas, 
tomando o lugar do objetivo de bem viver, numa associação direta entre o que se 
entende como progresso e melhoria de vida. O que se entende comumente como 
progresso é a alteração dos modos de vida tradicionais por aqueles mais amparados 
num desenvolvimento tecnológico baseado na industrialização. Assim, progresso 
passa a ser associado a urbanização. Passa a se associar também a novas formas 
de consumo, comprando alimentos industrializados e prontos. E passa sobretudo a 
ser associado ao deslocamento por automóveis. A socialização em espaços públicos 
perde espaço para a tela de televisão e computadores diversos. 
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Assim, pequenas localidades e áreas interioranas que não se associam à predominância 
deste modo devida passaram a ser vistas como atrasadas. E junto disso tudo aquilo 
que se associa a este modo de vida, como inúmeras manifestações culturais próprias 
das comunidades e de um território específico. Estas manifestações são aquilo que 
dão noção de pertencimento e significado às socializações. Assim como o cotidiano 
do campo. 
Esta realidade afeta de maneira mais intensa os grupos jovens da comunidade, que estão 
procurando sua identidade e seu pertencimento. A construção de sua individualidade 
passa pela compreensão ou negação dos modos de vida de suas origens. A noção de 
progresso como o modelo a ser seguido vivida é um desserviço para o bem viver das 
comunidades em pequenas localidades. 
Calçadas da principal avenida de Cruzália-SP, com 2.200 habitantes em 2015 (IBGE).
31Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
A partir das últimas décadas, ainda de maneira tímida, a associação de viver bem 
com a vida urbana em grandes centros passa a ser questionada e muitas vezes deixada 
de lado. Os problemas e a falta de qualidade de vida de grande parte da população 
metropolitana tem levado a uma revalorização dos modos de vida interioranos, mais 
calmos e mais associados a ambientes rurais. Esta também é uma oportunidade de 
repensar as pequenas localidades como uma opção importante para o bem viver das 
comunidades, fortalecendo suas identidades e sua conexão com o território. 
Entre os principais desafios, alguns deles são importantes:
a) como aumentar a renda, captar rendas além da produção de alimentos e energia?
b) como fixar suas riquezas em seu territórios?
c) como preservar os ecossistemas (quando restam), manter a identidade cultural e 
mesmo assim melhorar a vida das pessoas, o bem viver?
d) como conectar estas localidades a uma rede de cidades dinâmicas e que as inclua 
em fluxos e economias globais se assim o território decidir?
e) como diminuir a desigualdade territorial nas escalas regionais, entre cidades médias 
e pequenas localidades, áreas rurais e urbanas, paisagens rurais e urbanas?
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Calçadas da principal avenida de Cruzália-SP, com 2.200 habitantes em 2015 (IBGE).
É recorrente também que nestas transições as famílias queiram demonstrar o seu capricho doméstico, seu asseio e apego à jardinagem e às flores.
Desafios
32 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
O processo de planejamento e projeto pode incorporar as manifestações culturais como integrantes das 
oficinas e discussões. As expressões cartográficas e materiais diversos também são formas de se apropriar 
e valorizar as linguagens culturais diversas.
Chaves Metodológicas para a Leitura dos Territórios
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oFortalecendo a cultura e a história da 
localidade e da sua paisagem
Diante destas características e chaves meto-
dológicas, o fortalecimento da cultura e a va-
lorização da história local são imprescindíveis. 
É importante que o processo de planejamento 
seja também a retomada dos elementos cons-
titutivos da paisagem local e suas característi-
cas naturais. 
Foto da Família Zandonadi em Venda Nova do Imigrante – ES.
Primeiras moradias em madeira e taipa de mão, suspensas do 
solo para evitar umidade e animais. A história das famílias se 
confunde com a história das pequenas localidades.
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Tradicional Festa de Reis no bairro da Onça Pintada, Cruzália-SP. 
A Folia de Reis é uma manifestação cultural tradicional da comunidade, que se prepara durante o ano para as festas em 
janeiro, com visitas de grupos folclóricos de outras localidades. 
33Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
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 Personagens anciãs e história oral são ferramentas de fortalecimento e reflexão a partir 
das identidades e territorialidades. 
Casa de Madeira, 
tradicional e histórica 
no município de 
Cruzália-SP. 
Nas pequenas 
cidades, a história 
de sua ocupação 
e sua arquitetura é 
sistematicamente 
desvalorizada. Perde-
se a oportunidade 
de transformar 
estes espaços em 
áreas de memória e 
fomento cultural para 
a comunidade, que 
pode ter em seus 
exemplares históricos 
o resgate de seus 
valores simbólicos e 
identitários. 
Identificando personagens: a mulher a criança e o adulto maior como 
atores centrais da pequena cidade.
Dentro de uma dinâmica contemporânea nas redes de cidades, os deslocamentos 
humanos geralmente são majoritários entre jovens e adultos homens. O dinamismo dos 
grandes centros atraem estes grupos, ao mesmo tempo que exclui adultos maiores e 
anciãos. Assim, as pequenas localidades começam a se caracterizar pela forte presença 
feminina em seus espaços sociais e públicos, bem como a importância dos anciãos nestes 
mesmos espaços. 
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Mulheres e crianças 
no município de 
Cruzália-SP. Ruas 
para se caminhar. 
34 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
Ainda nestes territórios, a criança pode se apropriar de espaços com menor predomi-
nância de carros e com maior vigilância coletiva das suas brincadeiras. Assim, planos e 
projetos em pequenas localidades pode ser a oportunidade de repensar espaços me-
nos adultocêntricos e mais inclusivos para pessoas com mobilidades reduzidas. Podem 
ainda fortalecer os lugares de trocas intergeracionais, sem a especialização de espaços 
próprios para criança, espaços próprios para anciãos, mas espaços para todos. Espaços 
inclusivos para pessoas anciãs e crianças é espaço amigável para todos. 
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Árvore e bancos 
em canteiro em 
praça no município 
de Cruzália-SP. 
Elementos naturais 
são tão importantes 
quanto construídos. 
Em alguns climas, 
árvores são 
essenciais.
Paisagem Local e Modos de vida
Algumas dicas, que estão sempre no sentido de se aproximar de atuações processuais, 
pensando em mudanças de longo prazo também, e não apenas no projeto ou plano 
imediato. Dentro destas primeiras reflexões, quais as possibilidades para a atuação em 
planejamento e projeto de espaços públicos para estes territórios?
Um importante caminho é pensar e ler o território a partir da paisagem local. 
As principais características desta porta de entrada para pensar os processos é:
 ` a ênfase nos aspectos visíveis do ambiente como objeto de intervenção
 ` a compreensão da complexidade de interrelações entre ambiente e cultura;
 ` a possibilidade da cartografia, da transformação do espaço em lugar, de se desenhar, 
anotar, expressar;
 ` a diversidade das escalas da paisagem, que pode ser desde pensar a rua ou a praça, 
como pensar a bacia hidrográfica;
 ` a possibilidade de criar unidades, compartimentos, a partir de classificação por tema de 
interesse ou elemento de composição (vegetação, cultura, clima), como por exemplo 
plano de praças, plano de mobilidade municipal, plano de espaços de cultura, etc.
 ` o caráter dinâmico da paisagem torna o processo de planejamento ou projeto como 
um fórum permanente.
35Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
Mas como fazer? A leitura dos modos de vida passa pela compreensão das formas 
de socialização e sua história, como se mora, como se desloca, quais as manifestações 
culturais da comunidades, quais características do clima e dos elementos naturais, 
e também como os espaços de acesso público são usados atualmente. Pode-se por 
exemplo desenvolver um processo onde algumas perguntas podem ser coletivamente 
debatidas e respondidas. Apenas como um guia sugestivo, podemos propor as seguintes 
questões a partirdas temáticas:
socialização
 • Como as pessoas se encontram e o que fazem em seu tempo livre?
 • Onde se encontram e como decidem as coisas coletivas?
 • Quais as atividades culturais e festas importantes para a comunidade?
 • Quais os jogos ou esportes importantes para a comunidade?
 • Como a comunidade manifesta suas espiritualidades?
ABCP
Praça da imigração japonesa em Londrina, PR. Ruas para caminhar, escadas para sentar e praças para encontrar. 
36 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
modos de morar
 • De que material e formato são as casas das pessoas?
 • Qual a relação da entrada da casa e dos quintais com os espaços públicos?
 • Quais plantas e árvores são importantes para a comunidade? Como se relacionam 
com a arborização?
 • Onde brincam as crianças?
 • Onde os adultos maiores e anciãos se encontram?
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Margens do Rio 
Mojiguaçu, no 
distrito Cachoeira de 
Emas, no Município 
de Pirassununga-SP.
As margens do rio 
são as principais 
referências de espaço 
público. 
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Margens do Rio Mojiguaçu, no distrito Cachoeira de Emas, no Município de Pirassununga-SP. 
Nas margens do rio se encontram a história e a natureza, com a ponte antiga e a usina hidroelétrica já desativada, hoje 
abrigando um ecomuseu. 
37Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
modos de se deslocar
 • Como se deslocam pela cidade e para outras cidades?
 • Como se deslocam entre o campo e a cidade?
 • Qual a importância da caminhada para a comunidade?
 • Qual a importância da bicicleta para a comunidade?
 • Qual o papel da rua para a comunidade?
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Praça central no 
Município de 
Pedrinhas Paulista-SP. 
Praça central no Município de Pedrinhas Paulista-SP. 
38 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
características do ambiente
 • Chove muito na localidade?
 • Que tipo de clima predomina na localidade?
 • A topografia é muito inclinada ou é plana?
 • Que tipo de vegetação é característica da localidade?
 • Que tipo de animais convivem com a comunidade?
 • Qual a relação da comunidade com o rio ou córrego mais próximo?
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Margens do Lago Titicaca, na localidade de Copacabana, Bolívia, com 6 mil habitantes.
Margens do 
Lago Titicaca, 
na localidade de 
Copacabana, Bolívia, 
com 6 mil habitantes.
39Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 2
Características dos espaços púbicos existentes
 • Como são usados os espaços públicos existentes?
 • Os bancos, brinquedos, mobiliário, iluminação e pavimentos são suficientes?
 • Como são os espaços onde brincam as crianças?
Depois de construída a leitura da localidade
A partir da construção coletiva das leituras, podemos passar então para a construção 
dos caminhos a serem seguidos:
Potencialidades
Quais as características lidas no território e que se associam ao que a comunidade 
define como bem viver? Quais características precisam ser mantidas e fortalecidas? Quais 
as potencialidades e oportunidades para melhorar a vida da comunidade?
Problemas
Quais as características lidas no território e que se associam ao que a comunidade 
define como prejudiciais à sua qualidade de vida? Quais destas características precisam 
ser transformadas ou eliminadas?
Lendo coletivamente o território das pequenas localidades e médias 
cidades – potência e oportunidades 
Estes passos são algumas sugestões de como se encaminhar um processo de leitura 
dos territórios para projeto ou plano no contexto das pequenas Não existem soluções 
mágicas, e quando pensamos participação, pensamos também mudanças constantes 
de planos e partilhas coletivas de decisões. Assim, a melhor leitura de um território 
é aquela que consegue socializar as questões técnicas e construir coletivamente as 
leituras do território. 
Então, qual o papel do planejamento e o projeto dos espaços 
públicos diante deste quadro?
Uma das questões principais é compreender os territórios de pequenas localidades 
como áreas de cultura e ambiente, e não somente fornecedoras de matérias-primas 
e energia, não de local de investimentos públicos e privados que vêm de cima pra 
baixo. Compreender estes territórios como tomadores de decisões a partir da 
possibilidade do acesso à formação e informação.
40 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo3
41Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3 C
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Acervo ABCP
42 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
O planejamento urbano tem negligenciado a dimensão humana das cidades desde 
que fez do carro o principal protagonista na disputa pelo espaço público. As calçadas 
se estreitaram e o leito carroçável foi ampliado. Pedestres passaram a conviver com a 
poluição sonora e atmosférica emitidas pelos veículos motorizados e os espaços de 
estar e permanência, sejam praças e parques ou mesmo a rua (que também um dia já 
foi destinada a este fim) ficaram submetidos à falta de segurança e conforto, com sua 
dimensão cultural e social ameaçada. Neste processo, os investimentos para a melhoria 
dos espaços públicos também foram colocados para segundo plano. Gasta-se milhões 
em pontes, rodovias e túneis e muito pouco em calçadas e praças.
Outro fator importante que se agravou nas últimas décadas é a substituição de espaços 
públicos por espaços privados. Novos modelos habitacionais do mercado imobiliário passa-
ram a incorporar espaços de lazer em condomínios horizontais e verticais, reduzindo a atrati-
vidade dos espaços de uso público e também o cuidado com essas áreas. Ao mesmo tempo 
se deu o controle de uso de determinados espaços urbanos, destinados aos consumidores 
de um determinado tipo de produto e, consequentemente, a uma determinada classe social. 
Nos últimos anos, contudo, sobretudo depois das jornadas de junho de 2013 (onda de 
protestos iniciados em SP contra o aumento da tarifa de ônibus), quando surgiram no país 
várias iniciativas em prol das cidades, o uso dos espaços públicos foram retomados de 
maneira mais intensa e democrática. Praças, ruas e parques têm sido ocupados para debates, 
manifestações, reuniões de comunidades pertencentes a determinados grupos sociais e 
também como substituto aos espaços privados, como para a realização de festas infantis e 
diferentes tipos de comemorações. São apropriações que acontecem nos grandes centros 
urbanos mas também nas cidades pequenas e médias, e se defrontam, quase sempre, com 
os inúmeros problemas de manutenção e infraestrutura existente.
Temos, portando, uma série de problemas e conflitos nos espaços públicos das cidades 
brasileiras atrelados a justificativas de falta de recursos e incapacidade de gestão por 
parte do poder público e, por outro lado, infinitas possibilidades de uso, apropriação e 
iniciativas públicas e privadas de recuperação do espaço urbano.
A fim de construir um repertório para o enfrentamento dos problemas identificados 
e fomentar o olhar sobre a priorização da escala humana nos sistemas de planejamento 
municipais, apontaremos a seguir algumas das principaisquestões que permeiam a 
qualificação dos espaços públicos das cidades pequenas e médias. 
Este capítulo foi elaborado a partir dos depoimentos e relatos enviados por moradores 
de várias cidades do Brasil na etapa de Construção Colaborativa que antecedeu o 
desenvolvimento deste trabalho.
 ` distribuição desigual dos espaços públicos na cidade
A maior parte das cidades brasileiras não foram planejadas, foram se formando a partir dos 
caminhos abertos pelos bandeirantes, povoados que iam surgindo à medida que novas terras 
iam sendo conquistadas. Ou então foram abertas por loteadores, sem maior planejamento. 
As pequenas cidades brasileiras trazem a herança ibérica da praça formada em torno 
da igreja matriz, mas não reproduziram novos espaços públicos a medida que a cidade foi 
crescendo. Áreas mais periféricas, ocupadas por moradores de menor renda e distantes 
do centro histórico apresentam-se áridas e sem opções de lazer e as ruas são ainda mais 
degradadas do que as dos espaços centrais. 
43Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Um mapeamento urbano com a localização de parques, praças e áreas livres de 
uso público podem auxiliar na identificação de regiões da cidade que necessitam de 
maiores investimentos em espaços públicos, e assim fomentar uma redistribuição mais 
democrática para todas as regiões da cidade, equipando-as igualitariamente de áreas de 
lazer e reduzindo os deslocamentos da população que não encontra oferta de espaços 
públicos na vizinhança. 
Nem sempre o problema está na existência ou não de espaços públicos em regiões 
distintas das cidades, mas na manutenção e investimentos que estes espaços recebem, 
que faz com que eles sejam ou não apropriados pela população como espaço de lazer 
e permanência.
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Parque Cabrinha 
localizado em bairro 
popular na Zona 
Norte de Londrina, 
PR. População: 558 
mil habitantes (IBGE).
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Aterro do Lago Igapó 
II, localizado em bairro 
de alta renda no 
centro-sul da cidade 
de Londrina, PR.
“As praças situadas em ‘não-lugares’ – como vias expressas ou zonas predominantemente comerciais – 
comumente apresentam-se subutilizadas e degradadas. Considerando Londrina uma cidade de médio porte, 
penso que poderiam haver mais parques e praças. A Zona Norte, por sua vez, é a região mais distante do centro 
e mais populosa, apresentando uma centralidade própria e vibrante. Lá os moradores têm o córrego e lago 
Cabrinha, que foi urbanizado em 2003, mas sofre com a falta de manutenção, o que, consequentemente, o faz 
pouco frequentado e, invariavelmente, pouco seguro. Durante 3 finais de semana pesquisei a procedência das 
pessoas que estavam frequentando o aterro do lago Igapó 2, na área central e, curiosamente, a maioria era da 
Zona Norte. Muitos estavam no Igapó 2 pela primeira vez e reclamavam da falta de espaço como aquele na sua 
região, lamentando a falta de manutenção do Cabrinha.” 
(Camila de Oliveira)
44 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
 ` Carências de infraestrutura, manutenção e cuidado com o 
espaço público
“Quando está bem cuidado, e quando tem iluminação, lugar pra sentar, 
as pessoas usam.”
(Aurélio Riguetto, Joinville)
A deterioração dos espaços públicos cria uma imagem de abandono e marginalidade e 
incide desfavoravelmente na percepção do usuário em relação aos espaços de uso coletivo 
de uma cidade. Com a falta de manutenção e infraestrutura, áreas da cidade são esvaziadas 
e o cidadão perde a possibilidade de interagir com o outro, de vivenciar a diversidade e 
de estabelecer trocas, ampliando o sentimento de individualidade. As crianças deixam 
de brincar na rua, as escolas deixam de usar o espaço público como extensão do pátio 
escolar e muitas socializações possíveis não acontecem. Mães carregando carrinhos 
evitam as calçadas, idosos não se sentem seguros de caminhar e ciclistas não encontram 
infraestrutura necessária para compartilhar o leito carroçável com os carros. 
Identificar estes problemas e mapeá-los a fim de inseri-los nas prioridades de reforço 
de zeladoria ou da necessidade de requalificação de espaços degradados pode ser o 
primeiro passo para começar uma transformação dos espaços públicos de uma cidade.
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“Essa praça foi a atração mais importante da 
cidade há 30 anos. Haviam duas fontes de água 
luminosa que dançavam conforma a música. 
Hoje é depósito de lixo e água parada. 
O piso está todo quebrado e não manutenção 
nenhuma no local.” 
(Laura Resende, Mineiros, GO)
“E nossas calçadas, outro espaço vital para as pessoas que também deixa muito a desejar. As vezes quando 
estou caminhando fico me perguntando como os cadeirantes conseguem se locomover em Joinville. 
A região norte da cidade, onde residem as pessoas de classe média e classe média alta, as calçadas já são 
sofríveis. Fico imaginando a mesma situação nos bairros populares e na periferia da cidade. Pelo que tenho 
notícias e pelo que vejo nos noticiários, a situação é muito ruim.” 
(Aurélio Riguetto)
Praça José Alves de 
Assis – Mineiros, GO. 
População: 52 mil 
habitantes (IBGE).
Calçadas de Joinville – SC. População: 515 mil habitantes (IBGE)
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45Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
O mesmo olhar que identifica os problemas dos espaços públicos existentes também 
aponta aqueles que, pela infraestrutura disponível, pela oferta de usos e pelo cuidado 
na manutenção, se tornam repletos de significados e possibilitam qualidade de vida 
aos cidadãos:
Lago Igapó, Londrina, PR.
“Um espaço que merece grande destaque em Joinville é o Parque Zoobotânico. Esse local passou por um 
processo de recuperação e foi totalmente aberto ao público há 2 anos. No Zoobotânico tem um mirante, 
numa subida de 2 km com 400 metros de altura pelo meio da mata atlântica. É uma área com infraestrutura 
de banheiros, parque infantil. O acesso de veículos não e permitido o que torna o local ainda mais 
concorrido para a prática de atividades físicas. Outra razão para o grande fluxo de pessoas para esse parque 
e a existência de uma linha de ônibus que sai do terminal central. A noite também tem boa freqüência, haja 
vista a boa iluminação e o sistema de segurança existente. Esse e um exemplo de como áreas de lazer bem 
estruturadas são fortemente aproveitadas pela população”. 
(Aurélio Riguetto)
O Zerão e os Lagos Igapó 1, 2 e 4 são os fundos 
de vale mais estruturados para receber pessoas 
em Londrina. A diferença é que neles as pessoas 
não apenas se movimentam (atividade física) 
mas, sobretudo, permanecem – pode-se fazer 
um piquenique com os amigos ou a família, 
tomar um caldo de cana, andar de bicicleta, 
praticar atividades físicas em grupo (vôlei, 
futebol, ioga, etc.) ou simplesmente contemplar 
a paisagem e buscar tranquilidade num 
ambiente mais natural em meio ao urbano.”
(Camila de Oliveira)
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Parque Zoobotânico, Joinville, Santa Catarina
O investimento da obra no Zoobotânico foi de R$ 3.408.762,60, sendo R$ 3.055.649,01 do financiamento do Fundo Financeiro para o 
Desenvolvimento dos Países do Prata (Fonplata) e R$ 353.103,59 da Fundema. O novo parque, reinaugurado em 2014, conta com acessibilidade 
em todos os ambientes, duas pontes na trilha rústica, espaço de contemplação com palco, arquibancada, quiosques e barracas, circuito de 
caminhada, academia de ginástica ao ar livre, novas guaritas e espaço para exposições (Fonte: Prefeitura de Joinville).
46 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
 ` degradação ambiental
Muitos dos espaçospúblicos das cidades brasileiras estão degradados não somente 
física, mas ambientalmente. Espaços que não são mais utilizados pela população devido 
ao barulho, ao mal cheiro, ao acúmulo de lixo. A já reduzida oferta de áreas de lazer 
e circulação das cidades acabam se transformando em lugares subutilizados e muitas 
vezes abandonados.
A degradação dos espaços públicos do ponto de vista ambiental se dá, portanto, 
através de três principais elementos: poluição atmosférica e sonora, poluição das águas e 
depósito de resíduos sólidos, o lixo.
Poluição do ar
A Poluição atmosférica é provocada na maioria das vezes pela queima de combustíveis 
oriundos do tráfego motorizado, seja pelo excesso de carros ou pelo transporte público. 
Além da grande concentração de carros em circulação em detrimento do transporte 
não motorizado, quase toda a frota de ônibus no Brasil é abastecida por diesel, que é 
altamente poluente e possui motores a explosão com grande ruído. 
Em grandes cidades como São Paulo, menos de 4% da frota de transporte público 
utiliza combustível limpo. Em maio de 2017 o Instituto Saúde e Sustentabilidade divulgou 
estudo que mostra que 4.700 pessoas morrem todo ano, em São Paulo, em decorrência 
da inalação de material particulado dos ônibus municipais, o que gera custos de R$54 
bilhões com saúde da população. 
 Pracinha em 
Mineiros, GO.
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“Algumas praças da nossa infância, onde muitas crianças da vizinhança brincavam, 
foram recortadas para a introdução de estacionamentos. Agora é um espaço sem uso, 
barulhento, sem crianças, já que o entra e sai dos carros prejudica a circulação das crianças 
com segurança”.
(Laura Resende, Mineiros)
47Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
A saída para este problema é, além do investimento em ciclovias e ciclofaixas para o 
incentivo ao transporte não motorizado, a substituição por combustíveis não poluentes, 
como trólebus, ônibus elétricos e ônibus movidos a combustíveis limpos (etanol – extraído 
da cana de açúcar e utilizado em combustíveis leves, ou biodiesel – produzido a partir de 
óleos vegetais e utilizados em ônibus e caminhões). Investimentos em faixa e corredores 
de ônibus também contribuem muito para a redução da emissão de material particulado. 
Para o IEMA, Instituto de energia e Meio Ambinete, ônibus parado no trânsito emite 
muito mais do que ônibus fluindo.
E como medidas mitigadoras, que podem incentivar o uso dos espaços públicos próximos 
às áreas de alta circulação de veículos motorizados, o investimento em paisagismo e 
arborização pode ajudar na melhoria do microclima e como barreiras para a poluição sonora.
Poluição das águas e depósito de lixo
Espaços públicos localizados na beira de córregos, 
fundos de vale, rios e lagos muitas vezes se tornam 
espaços desocupados e subutilizados devido à 
poluição e ao mal cheiro das águas, provocados pela 
população e pelos governos municipais.
Além da poluição química provocada pelas 
indústrias, grande parte dos problemas está 
na drenagem, que sofre da falta de sistema de 
captação de resíduos pelos bueiros e de uma 
limpeza constante que impeça sua obstrução. Sem 
este sistema as águas da chuva são despejadas nos 
corpos d’água repletas de lixo. 
Civlovia em Valinhos, SP e estação do VLT em Sobral, CE. Exemplos de transporte alternativo à circulação dos automóveis.
Poluição no Lago Igapó 2 em Londrina, PR.
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“O ribeirão Cambé (Lagos Igapó) e o córrego do Leme (Zerão) – que são os espaços públicos mais 
importantes da região central de Londrina e sofrem muito com a degradação ambiental. Mas este problema 
acaba tendo pouca visibilidade pelo fato desses lugares conformarem paisagens e espaços agradáveis.”
(Camila de Oliveira)
48 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Outra poluição existente e pouco conhecida é a poluição difusa, composta por matéria 
físico-química dos óleos de carro, desgastes dos pneus que ficam no asfalto, tintas de 
imóveis e dejetos de animais, que é arrastada pelas áreas impermeabilizadas até os rios 
quando chove, conforme apontado pelo ambientalista João Batista Moreira Souza, de 
Londrina. A proteção dos taludes naturais e a ampliação das áreas de permeabilidade, 
com vegetação adequada e pavimentos permeáveis cria um filtro natural que faz com que 
as águas da chuva cheguem limpas aos corpos d’água. O que evidencia que a solução 
para a poluição das águas não pode ser pontual, mas sistêmica, com a participação da 
população e do poder público.
 ` espaços públicos com consumo privado: parcerias que dão 
certo ou privatização do uso público?
“Um espaço residual do Zerão, em Londrina, que estava há anos abandonado, recentemente 
foi transformado em uma praça de foodtrucks. Isso tem aumentado a permanência de 
pessoas naquele lugar, tornando-o mais dinâmico e seguro no período noturno.”
(Camila de Oliveira)
Os espaços públicos das cidades brasileiras sofrem de uma carência importante: 
atratividade. Lugares onde algo aconteça, lugares onde seja possível tomar um sorvete, 
beber um suco, ouvir uma boa música, e que isto possa ser feito com conforto, onde se 
tenha bancos para sentar, lugares onde as pessoas possam eventualmente se proteger 
da chuva ou do sol. Não temos a cultura de instalar bares, cafés ou lanchonetes em 
praças e parques, o que faz com que muitos espaços permaneçam sem uso, e percam a 
oportunidade de se tornarem lugares que agreguem pessoas democraticamente.
Por outro lado, há registros de espaços públicos ocupados por estabelecimentos que 
acabam por selecionar o público que os frequentam, em função dos preços cobrados, 
inacessíveis a maior parte da população, ou pela forma como a ‘atração’ é disposta 
espacialmente, ocupando a totalidade do lugar com uma determinada atividade que 
pode não ser do interesse de todos.
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Taludes drenantes em 
parque em Anápolis, 
GO. População: 375 
mil habitantes (IBGE).
A ampliação 
das áreas de 
permeabilidade cria 
um filtro natural que 
faz com que as águas 
da chuva cheguem 
limpas aos corpos 
d’água.
49Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Espaços públicos podem e devem ter atrativos para os usuários. As atrações podem 
ser ofertadas via serviços públicos ou através de concessões por tempo determinado 
a parceiros privados. Estas parcerias, contudo, devem seguir regras pré-estabelecidas 
entre os diferentes atores e garantir que sejam implantadas de forma democrática, com a 
participação da comunidade local, e que atendam aos desejos e interesses de todos, sem 
privilegiar ou excluir grupos sociais e econômicos, e sem descaracterizar o espaço em si.
“Há em nossa cidade uma região chamada dos 
Espinheiros, onde esta localizado o Parque Porta 
do Mar. É uma área com restaurantes, calçadão, 
um píer e um ancoradouro onde fica o Barco 
Principe de Joinville que faz passeios até o 
município de São Francisco do Sul. Esse local, de 
uma beleza ímpar, poderia ser melhorado com a 
instalação de banheiros públicos e incentivo aos 
esportes aquáticos. Da forma que está hoje é 
mais utilizado por pessoas que tem condições de 
frequentar os restaurantes”.
(Aurélio Riguetto)
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Parque Porta do Mar em 
Espinheiros, Joinville, SC.
Áreas gramadas em Praça na cidade de Cruzália, SP.
 ` ocupação dos espaços públicos
Nas cidades pequenas e médias o lazer acontece na escala da vizinhança, onde crianças 
se juntam para fazer brincadeiras de rua ou atividades recreativas. Neste contexto, os 
espaços livres são extremamente importantespara receber os usos espontâneos da 
população. Um amplo gramado em uma praça ou um grande pátio, onde seja permitido 
o uso livre, pode trazer tanto ou mais utilidade do que uma quadra esportiva ou um 
parquinho infantil.
50 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
‘Ocupar’, contudo, tem sido uma palavra de ordem desde as jornadas de junho de 
2013. E a ocupação dos espaços públicos é uma das principais bandeiras do movimento 
pelo ‘direito à cidade’, que representa o acesso democrático da população à moradia, 
aos serviços sociais e à cidade como um todo.
Os espaços públicos têm sido ocupados coletivamente para a realização de 
manifestações, de atividades culturais, de cursos ao ar livre, de rodas de conversa, de 
comemorações públicas e privadas. Estas ocupações acontecem geralmente em espaços 
que possibilitam a reunião de grupos numerosos, em geral grandes áreas livres gramadas 
ou pavimentadas, ou mesmo as ruas, sobretudo aquelas que são fechadas para os carros 
em determinados dias da semana.
 ` As festas populares
As pequenas e médias cidades possuem em seu calendário cultural uma série de festas 
populares, pagãs ou religiosas, que são celebradas nos espaços públicos. Os momentos 
de celebração das festas populares significam a possibilidade da utilização da cidade 
muito distinta do seu uso cotidiano. Transforma o lugar da passagem e do trabalho no 
lugar do encontro e da festa, possibilita uma vivência de caráter democrático e coletivo 
não experenciado nas relações cotidianas.
“Vejo uma ampliação de uso em lugares específicos em Londrina. O Igapó 2 e o Zerão tem recebido cada vez 
mais eventos de iniciativa pública e privada, sejam eles culturais, relacionados ao meio-ambiente ou à saúde e 
bem-estar. Pequenos grupos autônomos também têm se reunido nesses locais com regularidade para praticar 
atividades como ioga ou futebol americano. Segundo alguns deles, a prática nesses lugares traz visibilidade 
às atividades desenvolvidas, o que pode atrair mais pessoas para esses grupos. Outro motivo é que os 
atributos desses espaços (principalmente o seu caráter natural) têm a capacidade de qualificar as práticas que 
ali ocorrem, como a ioga, por exemplo.”
(Camila de Oliveira)
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Aterro do Lago 
Igapó II. 
51Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Essa característica da festividade dos espaços interioranos é um potencial importante 
que precisa ser aproveitado, através da previsão de áreas e da qualificação dos espaços 
de uso público para receber tais manifestações populares e garantir seu livre acesso com 
conforto, segurança e liberdade.
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Festa de Iemanjá nas 
margens da Lagoa 
dos Patos, no distrito 
de Barro Duro em 
Pelotas-RS.
 ` Muito espaço para o carro, pouco espaço para o pedestre
Mesmo com um trânsito de veículos quase eventual, algumas ruas são desenhadas 
como avenidas de trânsito rápido, com canteiros centrais e mãos de direção. As calçadas 
são estreitas e muitas vezes inexistentes, enquanto os leitos carroçáveis são extremamente 
generosos. Pedestres circulam nas ruas devido à inexistência de espaço ou de condições 
adequadas de acessibilidade dos passeios.
Rua em bairro 
residencial de 
Mineiros, GO. Muito 
espaço para o carro 
em detrimento do 
pedestre.
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52 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Ao mesmo tempo que este padrão não corresponde à dinâmica real da cidade, também 
são oportunidades de redesenho, qualificação e ampliação dos espaços públicos para o 
uso pelas pessoas. Programas específicos para o redesenho dos espaços públicos podem 
ser criados na esfera municipal a fim de readequar o desenho urbano às necessidades 
dos usuários e ao real fluxo de pedestres e automóveis.
Neste contexto, a aplicação de novas tecnologias de revestimento, aliadas à 
compreensão dos microclimas urbanos e das necessidades de permeabilidade do solo, 
são uma oportunidade importante de requalificação dos espaços públicos e melhorias da 
infraestrutura existente e das condições ambientais. O asfalto subutilizado pode ceder 
lugar à ampliação dos passeios públicos com pisos drenantes e áreas de jardim.
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Cruzália, SP.
Reforma de 
passeio público 
com utilização de 
piso drenante em 
Blumenau, SC. 
População: 348 mil 
habitantes (IBGE).
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53Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
 ` Cidades do interior: lugar das bicicletas
“Joinville foi uma cidade onde até os anos 1980 teve nas bicicletas seu principal 
meio de transporte. As fábricas possuíam grandes áreas cobertas, com cabides, para 
estacionamento das apelidadas aqui de ‘magrelas’. Nos horários de saída de fábrica 
o grande fluxo de bicicletas era um espetáculo a parte. Mas a conhecida cidade das 
bicicletas, infelizmente, passou a dar prioridade aos carros e seus governantes não tiveram 
um olhar inteligente que favorecesse esse tipo de transporte.”
Em função das pequenas distâncias a serem percorridas, da topografia favorável, do 
baixo fluxo de veículos motorizados e da consecutiva sensação de segurança, muitas 
cidades de menor porte e também as cidades litorâneas são muito favoráveis ao uso da 
bicicleta não apenas como lazer, mas como meio de transporte. 
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Ciclista na beira mar em Ilhabela, SP. População: 33 mil habitantes (IBGE).
Contudo, muitas destas cidades cresceram ou ampliaram-se o número de veículos nas 
ruas, e os espaços públicos não foram adaptados para garantir o conforto e segurança 
dos ciclistas, centrando o padrão de mobilidade exclusivamente no automóvel, cujos 
efeitos negativos são distribuídos para todos. A restrição da mobilidade aos carros agrava 
ainda a desigualdade social, considerando que grande parte da população não possui 
renda suficiente para adquirir um veículo próprio e, tendo suas opções de mobilidade 
reduzidas, passa a ter menos acesso às oportunidades que a cidade oferece.
Medidas simples como o controle de velocidades em ruas de tráfego compartilhado até 
outras mais elaboradas como a criação de uma rede cicloviária composta por ciclofaixas 
ou ciclovias segregadas, e a implantação de um sistema público de compartilhamento 
de bicicletas, precisam estar articuladas para garantir a permanência dos ciclistas nas 
cidades. Trata-se de um bem cultural na dinâmica das pequenas e médias cidades, mas 
também de necessidades básicas para uma circulação segura e sem conflitos.
54 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
 ` Calçadas como o lugar para se estar
Nas pequenas cidades, é recorrente que as calçadas sejam espaços de estar, servindo 
como uma transição entre o que é espaço público e o que é privado. É o território da 
apropriação. Moradores comumente se reúnem em frente as casas com cadeiras na 
calçada, estendem o uso da varanda para o espaço público. Os comércios, sobretudo 
bares e lanchonetes, levam mesas para fora e atendem seus clientes nesse ‘quintal’. 
Ciclovia em 
Bombinhas, SC. 
População: 18 mil 
habitantes.
 Cruzália, SP
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55Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Esse uso histórico das calçadas como espaço público pode, contudo, comprometer 
a circulação dos pedestres, fazendo-os avançar sobre as ruas. A solução não está na 
proibição dos usos existentes, mas na possibilidade de fomentá-los e qualificá-los, 
ampliando as calçadas e reduzindo os leitos carroçáveis subutilizados, a partir de uma 
leitura sobre o uso destes espaços. Aampliação apenas das esquinas é outra forma de 
adaptação do desenho urbano para possibilitar os usos das calçadas pelo comércio, e ao 
mesmo tempo reduzir a travessia do pedestre ao atravessar a rua.
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Rua pedestrianizada com instalação de mobiliário urbano em Blumenau, SC.
 ` Bloqueio na circulação do pedestre no passeio público
Na quase totalidade das cidades brasileiras as calçadas são de 
responsabilidade do proprietário do lote, e uma pequena porcentagem 
delas são de responsabilidade do poder público, o que faz com que, 
mesmo quando há uma padronização regulamentada a ser seguida, 
não seja alcançada uma continuidade do projeto em toda a extensão 
das quadras. 
Estes desalinhamentos, falta de padronização e interferências no 
passeio público dificultam a acessibilidade, o conforto e a segurança 
do pedestre, sobretudo para aqueles que utilizam cadeiras de roda ou 
carregam carrinhos de compras, malas e carrinhos de bebês.
Calçadas desniveladas 
em Mineiros, GO.
56 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Há outras duas grandes barreiras para a livre circulação do pedestre no passeio público: 
o posteamento para a fiação aérea e a arborização inadequada. Se o enterramento 
das fiações é uma promessa que caminha a lentos passos nas grandes cidades, quem 
dirá nos pequenos territórios. São Paulo possui apenas 7% da sua fiação enterrada, 
já que os custos são muito altos e as gestões municipais não conseguem cumprir as 
promessas de campanha de enterrar a kilometragem de fios prometida. Contudo, há 
de se levar em conta os benefícios que a cidade terá com o enterramento dos fios, a 
curto e médio prazo: melhoria da paisagem urbana, acessibilidade favorecida com a 
eliminação dos postes, segurança e redução dos custos de manutenção das fiações, 
já que ficarão livres dos acidentes causados por intempéries, como queda de árvores, 
chuvas fortes, etc.
Para o financiamento, a gestão 2013-16 da 
prefeitura de São Paulo previu um modelo que 
poderia ser difundido para as demais cidades 
brasileiras. As empresas que dividem os postes 
pagariam parte da conta; prefeitura, governos 
estadual e federal entrariam com descontos de 
impostos que incidem sobre o enterramento 
(obras ou equipamentos) e o município pagaria 
o asfaltamento e a reconfiguração das calçadas 
nas áreas envolvidas. Esta fórmula permitiria o 
repasse de apenas 20% para as tarifas. É preciso 
uma atuação do poder público com os envolvidos 
para uma negociação, e que estes custos estejam 
previstos nos orçamentos públicos.
Já a arborização como elemento de bloqueio na circulação do pedestre é outro 
fato recorrente, mas que não se resolve de forma tão simples, em função da importância 
da arborização urbana para o microclima, para o conforto térmico (melhorando a 
umidade do ar e reduzindo as altas temperaturas das superfícies pavimentadas) e para 
a paisagem. Nas pequenas cidades, o uso intenso que se faz do espaço público, como a 
utilização das calçadas como áreas de convívio e permanência e o alto índice de utilização 
de bicicletas como meio de locomoção, reforçam a importância da arborização urbana.
A supressão de espécies arbóreas em áreas públicas só pode realizada pelas 
prefeituras municipais, bem como seu plantio e manejo. É feita apenas em casos 
justificáveis, como a necessidade de remoção para a realização de obras, em função 
do seu estado fitosanitário da espécie ou quando apresentar risco de queda ou de 
danos ao patrimônio público ou privado, ainda assim há uma série de compensações 
necessárias no caso das remoções.
Há, contudo, alternativa para evitar que as árvores criem problemas na circulação 
do pedestre. Uma delas é o plantio feito de forma correta, em áreas onde haja espaço 
para o seu crescimento e que não vá avançar sobre a faixa livre das calçadas. Para isto 
é importante o conhecimento das espécies arbóreas adequadas para plantios em 
áreas urbanas (que são árvores de raízes profundas, com copas frondosas e que não 
tenham frutos volumosos que possam causar acidentes) e sua localização adequada, 
considerando-se o planejamento das áreas de circulação. 
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Calçada estreita 
com posteamento 
limitando a 
acessibilidade no 
distrito de São Miguel 
Paulista, São Paulo.
57Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
No caso das árvores já existentes e que dificultam a acessibilidade, é possível estudar 
uma reestruturação dos passeios, ampliando-os e reduzindo os espaços de circulação dos 
carros. As ruas das cidades interioranas Brasil afora apresentam, com muita frequência, 
dimensões superestimadas em relação ao tráfego existente, e calçadas de dimensões 
muito reduzidas.
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Proposta de ampliação do passeio público nas esquinas do distrito de São Miguel Paulista, SP.
Árvores e postes bloqueando a passagem do pedestre no centro histórico de Santana de Parnaíba, SP. 
Os núcleos históricos são áreas da cidade que reúnem ambas as interferências, 
posteamento excessivo e arborização inadequada, mas que possuem restrições à 
transformação em função das regras de tombamento, que dificultam a transformação do 
desenho urbano com foco na acessibilidade em função da necessidade de manutenção 
da paisagem histórica. 
58 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Pensando neste problema o IPHAN criou o Programa de Mobilidade e Acessibilidade 
dos Centros Históricos, que busca superar as restrições de tombamento para qualificar os 
espaços públicos dos centros históricos através de transformações no desenho urbano. 
Há, contudo, um importante debate em curso junto aos órgãos de defesa patrimonial 
para que estas transformações sejam implantadas.
 ` sobras de planejamento sem uso
Rotatórias, canteiros centrais e baixios de viaduto são exemplos de sobras do 
planejamento do sistema viário, pequenas áreas de terra urbana pública sem uso e sem 
destinação que comumente se tornam espaços vazios, subutilizados e degradados.
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Sobras de 
planejamento do 
sistema viário em 
São Miguel Paulista, 
distrito de São Paulo.
59Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
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O uso destes espaços, através de implementação de infraestrutura de lazer ativo ou 
contemplativo, e também com a concessão para usos privados de interesse público, 
podem conferir às cidades novas apropriações, novas vivências em espaços anteriormente 
sem significado para a população. Uma rotatória pode virar um parquinho, um canteiro 
central de avenida pode ser transformado em uma ciclovia ou em parque linear, e um 
baixio de viaduto pode ter um uso cultural, ressignificando o existente.
Projeto São Miguel Mais Humana: Redesenho urbano para uma centralidade mais segura e caminhável. Bloomberg Philantropies, 
CET, SP Trans e PMSP.
O projeto São Miguel Mais Humana: Rua para Todos, realizado no distrito de Sâo Miguel 
Paulista, no extremo leste de São Paulo, foi uma intervenção temporária em uma das áreas 
de maior mortalidade no trânsito da cidade. Foram planejadas soluções de moderação de 
tráfego, como extensão de calçadas, implantações de travessias e interseções elevadas, 
lombadas, rotatórias, canteiros centrais, ilhas de refúgio e rebaixamento de guias. 
A intervenção temporária permitiu visualizar na prática um desenho viário mais inclusivoe seguro para os pedestres.
60 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
 ` Margens de água
A relação das cidades com as águas remonta os tempos de suas fundações. Grande parte 
das cidades vão surgir por estarem em localização estratégica, e os rios eram os principais 
elementos geográficos que vincularam historicamente os povoados aos territórios. 
Muitas das cidades brasileiras tem nos rios, nos seus fundos de vale ou mesmo em 
lagos represados o seu ponto focal, que representam uma grande potencialidade para a 
criação de espaços públicos qualificados junto ao ambiente natural. 
A problemática dos danos ambientais se repete aqui como uma das entraves para a 
qualificação destes espaços, que muitas vezes possuem seus acessos restritos ao uso 
privado, em fundos de lote ou áreas destinadas a clubes e chácaras de recreio. Abrir as 
águas para o acesso público é parte essencial da recuperação destes espaços e entrega 
de seu usufruto para a população.
“O tecido urbano de Cascavel se estrutura a partir de uma grande avenida central, que se prolonga 
linearmente. O centro comercial e os principais espaços públicos acontecem ao longo deste eixo. Além dos 
eixos binários para veículos, com 4 pistas para cada lado, existe um amplo canteiro central arborizado, que 
pode ser um fator de segregação dos lados mas também se apresenta como uma oportunidade para receber 
espaços públicos qualificados. Recentemente, a partir de 2015, o eixo central passou por um redesenho, onde 
os espaços centrais entre as ruas de circulação foram redesenhados. Foram implantados mobiliário urbano 
como mesas e bancos, canteiros ciclovia e arborização.”
(Manuel Corman)
Eixo central da cidade de Cascavel-PR.
Banhistas na represa 
de Cruzalia, SP.
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61Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
O planejamento dessas áreas como espaços de uso público conta ainda com a 
instalação de infraestrutura mínima para que estes usos aconteçam. Pistas pavimentadas 
para caminhadas, ciclovias, decks e mirantes, jardins, passarelas para pedestres, mobiliário 
urbano, iluminação pública são alguns dos elementos que podem transformar um espaço 
natural sem uso em um atrativo para a população local, desde que o ambiente natural e 
sua preservação continue sendo protagonista na paisagem.
“A cidade de Londrina contém em sua área urbana mais de 80 cursos d´água. Portanto, é difícil pensar em 
espaço público sem pensar nos diversos fundos de vale que recortam a cidade. Dentre os que mantém seu 
caráter natural, poucos possuem condições de serem usufruídos pela população. Ainda assim, são elementos 
marcantes na paisagem urbana e tem grande potencial para se tornarem parques ou áreas de lazer e 
contemplação.
Os lugares que apresentam equipamento público e que são relativamente bem mantidos pela prefeitura 
recebem grande quantidade de pessoas. É assim no Zerão (córrego do Leme), nos lagos Igapó 1, 2 e 4 
(ribeirão Cambé) (Fig. 01). O vale do Rubi, o vale do córrego Água Fresca e o Lago Igapó 3 apresentam pouca 
mas suficiente estrutura que possibilitam atividades como caminhada, corrida ou pesca. 
O Zerão e os Lagos Igapó 1, 2 e 4 são os fundos de vale mais estruturados para receber pessoas. A diferença 
é que neles as pessoas não apenas se movimentam (atividade física) mas, sobretudo, permanecem – pode-
se fazer um piquenique com os amigos ou a família, tomar um caldo de cana, andar de bicicleta, praticar 
atividades físicas em grupo (vôlei, futebol, ioga, etc.) ou simplesmente contemplar a paisagem e buscar 
tranquilidade num ambiente mais natural em meio ao urbano.”
(Camila de Oliveira)
Parte do complexo 
de lagos do ibeirão 
Cambé: em primeiro 
plano, Igapó III, em 
seguida, aterro, 
Igapó II e Igapó I.
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01
5
 ` Áreas simbólicas 
Cidades pequenas e cidades médias foram formadas a partir de centralidades muito 
definidas e fortalecidas pelo uso de seus espaços públicos, em geral bem cuidados 
e muito utilizados pelos moradores. Foram áreas simbólicas e populares da cidade, 
como a Praça da Igreja Matriz e as áreas envoltórias dos mercados municipais, que 
em muitas cidades ainda permanecem cheias de gente no entra e sai das missas e 
festividades, e nos horários comerciais. É onde está localizado o ponto de taxi central, 
onde é combinado o ponto de encontro e que também serve de guia para orientar e 
dividir as regiões da cidade. 
62 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
Ao mesmo tempo que estes lugares cheios de simbolismo tem como atratividade seu 
uso original, como as missas e as compras, os espaços públicos que os circundam são tam-
bém palco para múltiplas manifestações de coletividade. Servem de espaço para mercados 
de rua, apresentações de artistas, rodas de conversa e também local para instalação de 
mesas dos estabelecimentos que se localizam ao redor. É o espaço do encontro.
“ A praça que contorna a Catedral é o espaço público mais central e mais apropriado da cidade de Maringá. 
Existem ainda os parques públicos que são bastante apropriados, mas nem todos são tão democráticos 
quanto a Catedral, utilizada durante toda semana. De segunda a sexta, a apropriação se dá mais por conta de 
caminhadas e academias ao ar livre e aos sábados e domingos, ela se transforma no quintal dos maringaenses 
que a usam para namorar, piquenique, praticar esportes, encontrar amigos , tirar fotos de formatura, 
casamentos, conviver com a família, etc. Interessante perceber que toda apropriação continua acontecendo 
mesmo após início das missas dentro da Catedral.”
(Beatriz Fleury e Silva)
Praça da Catedral, Maringá, PR. População: 357 mil habitantes.
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Algumas cidades, contudo, em função da privatização dos locais de encontro e do 
lazer, como a construção dos clubes privados e dos condomínios, já não fazem mais uso 
destes espaços com tanta intensidade como antigamente, seja devido aos novos hábitos, 
ou ao processo de degradação e abandono desenvolvido ao longo do tempo. 
63Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 3
“Apesar dos londrinenses terem o forte hábito de passear em shoppings fechados em dias de pleno sol, 
não é difícil notar que cada vez mais pessoas frequentam o Igapó, o Zerão e o Jardim Botânico (Zona Sul), 
por exemplo, inclusive vindas de regiões mais distantes da cidade. Isso nos leva a crer que existe sim, uma 
demanda por espaços públicos em Londrina. 
Extrapolando a aspiração cada vez maior dos cidadãos por natureza (vegetação) na cidade, ou local para a 
prática de atividades físicas e fazendo coro a diversos urbanistas e outros profissionais que tem a cidade como 
foco de interesse, penso o espaço público como elemento imprescindível para aprendermos e exercitarmos 
a cidadania – adultos e sobretudo crianças; exercitarmos o convívio com outras pessoas, com o plural, com 
interesses diversos e/ou divergentes, com a negociação, com a reivindicação. 
Apropriar-se do espaço público é pensar a cidade como uma extensão de nossas próprias casas, é colocarmo-
nos como agentes desses espaços e da cidade, é nos assumirmos como seres políticos. É desejável que o 
exercício de ser cidadão não esteja exclusivamente num jardim botânico ou num parque linear vegetado, mas 
nas praças, nas ruas, nas calçadas, no espaço ordinário.”
Camila de Oliveira
Se há uma vida pública a ser resgatada Brasil afora são os espaços simbólicos das 
cidades que outrora representavam a vida urbana na sua maior intensidade. Identificar 
os lugares representativos historicamente da vida coletiva dos municípios e regatá-los 
no âmbito da zeladoria, da reabilitaçãoou mesmo através do incentivo a novos usos 
complementares às funções originais, pode ser o ponto de partida para reconquistar o 
apreço dos cidadãos pelo cuidado com a cidade e com o espaço público como lugar do 
encontro e da troca.
Fotos 43 e 44. Calçadões no entorno do Mercado Municipal e a Praça Central de Pelotas, RS. 
Praça da Igreja 
Matriz, Mira Estrela, 
interior de São Paulo. 
População: 2.800 
habitantes.
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64 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
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66 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
O levantamento das principais características dos espaços públicos das pequenas e médias cidades nos 
permitiu apontar as respectivas ameaças, que são os fatores negativos que podem prejudicar o bem estar 
da população e sua qualidade de vida, e as respectivas oportunidades de melhorias, onde uma determinada 
característica ou mesmo um problema pode ser trabalhado para potencializar aquilo que já existe de positivo 
em determinados lugares ou o que pode ser transformado em benefício para os seus usuários.
A partir da compilação destes dados, é possível organizar uma matriz de planejamento com ações possíveis 
para cada ocorrência. Essa listagem permite apontar etapas de leitura urbana que antecedem a escolha de planos, 
programas ou projetos a serem desenvolvidos, bem como a necessidade da elaboração de processos participativos 
para consulta da população local ou a previsão de modelos de gestão específicos para cada intervenção.
Matriz de Planejamento1
Matriz de PlanejaMento
ocorrências Ameaças oportunidades Ações Possíveis
1
Distribuição 
desigual dos 
espaços 
públicos 
na cidade
- áreas periféricas sem 
opções de lazer;
- população precisa de 
deslocar para ter acesso 
a espaços de lazer
- baixa qualidade de vida 
nas áreas desprovidas 
de espaços públicos
democratização do 
acesso aos espaços 
públicos e às áreas 
de uso livre: espaço 
público de qualidade 
em toda a cidade.
- mapeamento das áreas carentes de espaços 
públicos x áreas de trabalho e moradia;
- identificação das necessidades da população e 
dos deslocamento realizados pelas pessoas em 
busca de áreas de lazer;
- identificação de áreas vazias e subutilizadas 
para a criação de novas praças e parques;
2
Carências de 
infraestrutura, 
manutenção e 
cuidado com o 
espaço público
- falta de uso
- abandono
- insegurança 
- diminuição da troca e 
das possibilidades de 
encontro
- risco de acidentes com 
pedestres
- desabrigo em relação a 
eventos climáticos como 
chuvas, ventos, etc 
X
- identificação de áreas de uso livre para receber 
infraestrutura e equipamentos
- Priorização e adequação para pedestres e ciclis-
tas
- redesenho de espaços baseados no clima e 
eventos climáticos 
- Redesenho dos espaços tendo como referência a 
segurança das pessoas e priorização de pedes-
tres.
- programa de reforço de zeladoria dos espaços 
públicos (calçadas, ruas, praças e parques)
- implantação de infraestrutura cicloviária
- captação de parcerias para financiamentos em 
espaços públicos, sobretudo com empresas e 
comércios locais 
3
Degradação 
ambiental
- poluição sonora, atmos-
férica e química
- poluição difusa: o que 
vai direto para os rios e 
lagos
- depósito de resíduos 
sólidos e lixo acumulado
- subutilização e aban-
dono
- degradação dos rios e 
lagos
- proliferação de doenças
X
- identificação das necessidades locais, com pes-
quisa de satisfação de conforto dos usuários nos 
diversos espaços públicos da cidade
- implantação de paisagismo e arborização para 
melhoria do microclima 
- substituição da frota de transporte público para 
veículos não poluentes
- investimento em infraestrutura cicloviária
- limpeza das galerias pluviais e reforço na coleta 
de resíduos sólidos
- aumento da permeabilização do solo e renaturali-
zação das margens de rios e córregos
- envolvimento de entidades e comunidade local 
no processo de educação ambiental
4
Espaços 
públicos com 
consumo 
privado: 
parcerias que 
dão certo ou 
privatização do 
uso público?
- privatização do espaço 
público
- segregação social
- descaracterização dos 
espaços naturais
- atratividade para 
espaços vazios ou 
subutilizados
- dinamização dos usos
- segurança
- participação da comunidade local na escolha 
dos novos usos e formas de gestão, a partir dos 
usos existentes e das necessidades da popu-
lação local
- parcerias ou concessões de usos por tempo 
determinado
- controle social e público frente aos serviços 
oferecidos e preços praticados
67Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
ocorrências Ameaças oportunidades Ações Possíveis
5
Ocupação 
dos espaços 
públicos
X
- fortalecimento da 
identidade local e dos 
grupos étnicos
- democratização dos 
espaços públicos
- politização social
- atratividade para 
espaços vazios ou 
subutilizados
- dinamização dos usos
- programa de reforço de zeladoria dos espaços 
públicos (calçadas, ruas, praças e parques)
- contenção de ações policiais que oprimem o 
livre acesso aos espaços públicos por diferentes 
grupos étnicos e culturais
6
As festas 
Populares
- elaboração de calendário e mapeamento das 
festas populares municipais
- identificação de áreas de uso livre para conceder 
infraestrutura necessária às festas populares
- planejamento de reforço de zeladoria dos 
espaços públicos durante a realização das festas 
populares
7
Muito espaço 
para o carro, 
pouco espaço 
para o 
pedestre
- poluição sonora e 
atmosférica 
- congestionamentos
- desestímulo à vivên-
cia urbana e uso dos 
espaços públicos 
- exclusão social
X
- medições dos fluxos de pedestres e modais 
motorizados e não motorizados
- projeto de redesenho urbano para acessibilidade 
e qualificação dos espaços públicos
8
Cidades do 
interior: lugar 
das bicicletas
- falta de infraestrutura 
para o ciclista em áreas 
de maior circulação de 
veículos
- redução do uso de 
veículos motoriza-
dos, com redução 
da poluição sonora e 
atmosférica e redução 
dos congestionamen-
tos
- estímulo à vivência 
urbana e uso dos 
espaços públicos 
- promoção de inclusão 
social
- melhoria da micro- 
-acessibilidade
- medição dos fluxos cicloviários: estudos de 
demanda e oficinas com usuários
- planejamento de malha cicloviária com implan-
tação de infraestrutura (ciclofaixas e ciclovias, 
sinalização horizontal e vertical, traffic calming 
em vias de uso compartilhado)
- estudo de viabilidade para implementação de 
sistema de compartilhamento de bicicletas
- integração entre os modais 
- implantação de paraciclos e bicicletários
- programas de paisagismo e arborização nas 
rotas cicloviárias
- campanhas de educação para o trânsito
9
Calçadas como 
lugar para se 
estar
- falta de conforto e segu-
rança em áreas de alto 
tráfego motorizado
- democratização dos 
espaços públicos
- incentivo aos laços 
sociais 
- vitalidade urbana 
- segurança e bem estar
- identificação das ruas com baixo fluxo de au-
tomóveis motorizados e alto fluxo de pedestres 
para alargamento de calçadas
- redesenho urbano com foco na acessibilidade e 
qualificação dos espaços públicos
- implantação de mobiliáriourbano
10
Bloqueio na 
circulação do 
pedestre no 
passeio público
- falta de acessibilidade
- desestímulo ao 
caminhar, sobretudo 
para os portadores de 
necessidades especiais 
e pessoas carregando 
carrinhos de bebês.
- acidentes, insegurança e 
desconforto
X
- levantamento das áreas críticas de circulação de 
pedestres
- implantação de faixa livre, faixa de serviços e 
faixa de acesso nos passeios públicos.
- programa para planejamento do enterramento 
das fiações aéreas e eliminação posteamento.
- programa de arborização urbana
- repaginação e nivelamento dos passeios 
11
Sobras de 
planejamento 
sem uso
- espaços vazios e subuti-
lizados
- conflitos para a circu-
lação do pedestre
- criação de novos 
espaços públicos ou 
melhoria do existente,
- instalação de novos 
usos e ampliação do 
passeio público.
- redesenho urbano com foco na acessibilidade e 
qualificação dos espaços públicos
- avaliação de concessões de uso para criação de 
atratividades em espaços subutilizados
12
Margens de 
água
- poluição 
- inacessibilidade para a 
população
- espaços vazios e subuti-
lizados
13
Áreas 
simbólicas
- espaços degradados, 
vazios e subutilizados
- falta de incentivo à 
identidade local e as ori-
gens da população e da 
história dos territórios 
populares
- fortalecimento da 
identidade local e dos 
grupos étnicos
- democratização dos 
espaços públicos
- identificação com a participação da população 
do patrimônio imaterial das cidades e dos usos 
simbólicos
- planejamento de reforço de zeladoria dos es-
paços simbólicos da cidade
- implementação de infraestrutura de apoio: 
mobiliário urbano, iluminação, redesenho para 
acessibilidade, etc.
68 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
redesenho de espaços e paisagens2
O volume que antecede esta publicação (Espaços Públicos: Diagnóstico e 
Metodologia de Projeto) traz um fluxograma para o desenvolvimento de projetos de 
espaços públicos, onde estão apontadas cada uma das etapas necessárias, desde a 
análise do entorno e do terreno até o memorial de obra e planilhas orçamentárias, 
passando pelo processo participativo, pela definição do programa e por cada uma 
das etapas de projeto, da setorização de atividades aos detalhamentos.
ANÁLISE DO ENTORNO 
ANÁLISE DA ÁREA OU 
TERRENO 
PROCESSO 
PARTICIPATIVO 
pontos focais 
fluxos e deslocamentos 
apropriações do espaço 
problemas urbanos 
estruturas existentes 
fluxos e deslocamentos 
apropriações do espaço 
topografia 
vegetação 
drenagem 
sondagem do solo 
entrevistas 
oficinas participativas 
audiências públicas 
canais de comunicação 
DEFINIÇÃO DO PROGRAMA 
edificações de apoio 
equipamentos 
atividades 
SETORIZAÇÃO DE ATIVIDADES 
áreas de jardim áreas de piso 
lazer contemplativo 
lazer ativo 
circulação 
acessos 
estacionamento 
delimitação de canteiros 
plano de massas 
PROJETANDO OS ESPAÇOS 
remodelação topográfica 
localização do mobiliário 
paginação de pisos 
drenagem na paisagem 
PROJETOS 
COMPLEMENTARES 
paisagismo 
estrutura 
drenagem 
terraplenagem 
sinalização e comunicação visual 
iluminação 
mobiliário 
DETALHAMENTOS 
mobiliário específico 
escadas e rampas 
canteiros 
pisos 
corrimãos 
IDENTIFICAÇÃO DA 
CADEIA PRODUTIVA 
PLANILHA 
ORÇAMENTÁRIA 
MEMORIAL DESCRITIVO 
 DE OBRA 
DIRETRIZES PÓS 
OCUPAÇÃO 
PREÇOS 
COMPOSTOS 
escolha e dimensionamento das espécies 
muros de arrimo e contenção – escadas – edificações 
cortes e aterros 
vias – ambientes – iluminação direcionada 
 
pedestre – ciclista – automóveis – turística e cultural 
INÍCIO DO PROJETO 
FIM DO PROJETO 
superficial – subterrânea – infraestrutura verde
Cronograma para o 
desenvolvimento de projetos de 
espaços públicos
69Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
ANÁLISE DO ENTORNO 
ANÁLISE DA ÁREA OU 
TERRENO 
PROCESSO 
PARTICIPATIVO 
pontos focais 
fluxos e deslocamentos 
apropriações do espaço 
problemas urbanos 
estruturas existentes 
fluxos e deslocamentos 
apropriações do espaço 
topografia 
vegetação 
drenagem 
sondagem do solo 
entrevistas 
oficinas participativas 
audiências públicas 
canais de comunicação 
DEFINIÇÃO DO PROGRAMA 
edificações de apoio 
equipamentos 
atividades 
SETORIZAÇÃO DE ATIVIDADES 
áreas de jardim áreas de piso 
lazer contemplativo 
lazer ativo 
circulação 
acessos 
estacionamento 
delimitação de canteiros 
plano de massas 
PROJETANDO OS ESPAÇOS 
remodelação topográfica 
localização do mobiliário 
paginação de pisos 
drenagem na paisagem 
PROJETOS 
COMPLEMENTARES 
paisagismo 
estrutura 
drenagem 
terraplenagem 
sinalização e comunicação visual 
iluminação 
mobiliário 
DETALHAMENTOS 
mobiliário específico 
escadas e rampas 
canteiros 
pisos 
corrimãos 
IDENTIFICAÇÃO DA 
CADEIA PRODUTIVA 
PLANILHA 
ORÇAMENTÁRIA 
MEMORIAL DESCRITIVO 
 DE OBRA 
DIRETRIZES PÓS 
OCUPAÇÃO 
PREÇOS 
COMPOSTOS 
escolha e dimensionamento das espécies 
muros de arrimo e contenção – escadas – edificações 
cortes e aterros 
vias – ambientes – iluminação direcionada 
 
pedestre – ciclista – automóveis – turística e cultural 
INÍCIO DO PROJETO 
FIM DO PROJETO 
superficial – subterrânea – infraestrutura verde
Reproduzimos este fluxograma a fim de que sirva como roteiro não só para o 
desenvolvimento de projetos, mas também para a contratação de profissionais e 
para a elaboração de editais de licitação pelas prefeituras municipais, a fim de que 
as etapas sejam cumpridas e os projetos contemplem a complexidade necessária 
para uma boa execução. Não iremos, contudo, detalhar cada uma das etapas já 
apresentadas na publicação anterior, mas nos atentar para as especificidades 
de projeto que podem beneficiar o tratamento das pequenas e médias cidades, 
conforme evidenciado nas ações possíveis da Matriz de Planejamento resultante da 
leitura urbana destes espaços.
70 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Depois de identificada a necessidade de intervir em determinada área da cidade, 
através de mapeamentos e processos participativos, é preciso pensar na metodologia 
de intervenção. 
Como intervir?
Desenvolver um projeto e iniciar a obra é a forma tradicional, porém está sujeita a 
apropriações inesperadas pela população, pois não se pode ter certeza sobre os impactos 
das transformações no território. Uma das formas de se iniciar uma intervenção em um 
espaço público é através da aplicação de métricas e experimentações. Este método é 
utilizado pelo arquiteto dinamarquês Jan Gehl e tem sido aplicado em muitas cidades do 
mundo com bastante êxito.
Essa mesma metodologia foi aplicada no projeto São Miguel Mais Humana, realizado 
pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a Bloomberg Philanthropies e o MobLab, 
que teve como objetivo melhorar a segurança para o trânsito em uma área com altos 
índices de acidentes e mortes por atropelamento no distrito de São Miguel Paulista em São 
Paulo. Apesar de se tratar de um distrito de uma capital e não de uma cidade do interior, 
podemos utilizá-lo como exemplo por apresentar características muito semelhantes a 
uma centralidade de uma cidade pequena ou média.
Como aplicar métricas e experimentar um projeto?
Medições e experimentação como metodologia de intervenção3
definição do 
PerÍMetro de 
Análise
MAPeAMento dAs 
PossÍveis intervenções 
de MelhoriA
ColetA de 
MétriCAs
novA ColetA 
de MétriCAs
– ContAgens
– entrevistAs– PerCursos CoM voluntários
Projeto de 
intervenção 
teMPoráriA
iMPlAntAção 
dA intervenção 
teMPoráriA
exPeriMentAção 
Por teMPo 
deterMinAdo
iMPlAntAção definitivA 
dAs MudAnçAs 
ProPostAs
71Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Inicialmente é feita uma observação dos usos existentes, do comportamento das 
pessoas e de como funciona aquele espaço, acompanhada de medições, como contagem 
de tráfego, de pedestres e de ciclistas.
Exemplo das métricas realizadas antes da implementação de mudanças no projeto São Miguel Mais Humana, em São Miguel Paulista, 
desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a Bloomberg Philanthropies e o MobLab.
Realizar entrevistas é outro instrumento importante, tanto na fase prévia à 
implementação do projeto piloto, como na fase de experimentação. Com as entrevistas 
é possível avaliar a percepção da população em relação à segurança e conforto, às 
interferências nos deslocamentos, aos impactos para o comércio local e também 
especulações sobre o redesenho urbano.
Outro recurso é realizar percursos com voluntários que possuam necessidades 
especiais ou dificuldades de locomoção como cadeirante, deficiente visual ou pessoa 
com carrinho de bebê. Desta forma será possível que se tenha um diagnóstico preciso 
dos problemas existentes. 
As métricas também podem ser usadas para se priorizar a área de intervenção, 
ajudando na escolha do melhor lugar para se implementar determinadas mudanças no 
desenho urbano.
72 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Após a implementação do projeto piloto em escala 1:1, haverá uma nova avaliação 
durante um determinado período de tempo, a fim de observar que mudanças foram 
possíveis com as alterações propostas. Feitas as medições necessárias os impactos 
da transformação estarão mensurados e então poderão ser realizadas as mudanças 
definitivas, corrigindo possíveis inadequações de projeto.
N
A
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TO
-G
D
C
I /
 B
IG
R
S
Experimentação do 
projeto São Miguel 
Mais Humana, em 
São Miguel Paulista.
Resultado das medições e entrevistas realizadas após a implementação de mudanças no projeto São Miguel Mais Humana, em São Miguel Paulista.
NACTO-GDCI / BIGRS
Pessoas caminhando fora da área segura
antes: 36%
após a transformação: 6%
97% gostaria de 
ver a intervenção 
permanente
850 m² de espaço 
adicional para o 
pedestre
Velocidade média reduzida para 30% 
enquanto as velocidades observadas caíram 
até 64%
Quão seguros os pedestres se sentiam ao atravessar a rua?
73Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
 ` Calçadas seguras
Caminhar talvez seja uma das ações mais importantes praticadas nos espaços públicos 
dos pequenos territórios, em função das curtas distâncias a serem percorridas. Em muitas 
cidades, as compras são feitas a pé, visita-se os amigos a pé e da mesma forma se vai 
para a igreja, para o clube, para o parque. Já nas cidades médias, o caminhar já apresenta 
riscos em função do aumento do número de carros nas ruas. 
A calçada, portanto, é o espaço público por excelência, sobretudo após as ruas terem 
sido cedidas para uso quase que exclusivo dos automóveis motorizados. A calçada 
amplia a dimensão da vida pública, é responsável pelo movimento do comércio local e 
possibilita encontros, o que lhe dá grande importância frente as necessidades de bons 
projetos e zeladoria.
Princípios de projeto 
Em grande parte das cidades brasileiras as calçadas são de responsabilidade dos 
moradores, e não do poder público, o que dificulta o nivelamento entre os lotes e 
a padronização de pisos e projeto. Para que isso aconteça, é importante que haja um 
regramento a ser seguido e também fiscalização por parte do poder público, bem como 
o comprometimento do cidadão. 
Há alguns princípios e parâmetros básicos de projeto que devem ser seguidos:
 • Toda calçada, independente da largura e da inclinação da rua, deve respeitar uma 
‘faixa livre’ de pelo menos 1,5 metros sem desnível ou barreiras para permitir a 
circulação de pessoas com mobilidade reduzida. 
 • Devem prover espaço na “faixa de acesso“ entre a faixa livre e a rua para sinalização, 
vegetação etc.
 • Devem prover uma “faixa de serviço”, que pode incluir árvores, vegetação, lixeiras, 
bancos, mesas, etc
 • Devem prover rampas no meio-fio junto às esquinas e às faixas de pedestres. 
 • De acordo com o estabelecido pela Norma de Acessibilidade Brasileira a declividade 
longitudinal da calçada deverá acompanhar a inclinação da rua, e no sentido 
transversal a calçada deve ter declividade máxima de 3%. 
 • Os rebaixamentos das calçadas podem ter diferentes formas mas devem estar 
localizados na direção do fluxo de pedestres. Podem estar situados nas esquinas ou 
em outro local da quadra e devem ter inclinação máxima de 8,33%. 
 • As rampas de acesso aos lotes devem localizar-se na faixa de serviço, com inclinação 
máxima de 8,33%, garantindo a continuidade da faixa de circulação de pedestres.
 • A pavimentação deve ser durável, permitir conforto de rolamento, ser antiderrapante 
e de fácil manutenção. Recomenda-se o uso de quatro tipos de piso: intertravado, piso 
de placas pré-moldadas de concreto, concreto moldado in loco e ladrilho hidráulico. 
Pavimentos permeáveis e plantio de árvores e vegetação na faixa de serviços podem 
ajudar muito a drenagem superficial e facilitar o manejo de águas pluviais.
infraestrutura da paisagem4
74 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
 • O projeto deve atender todas as disposições das legislações em vigor, sobretudo as 
leis municipais específicas para execução de calçadas. 
Os projetos de acessibilidade dividem os passeios públicos em três faixas: serviços, livre e acesso. Cada uma delas possui cor e textu-
ra diferentes para facilitar a visualização por deficientes, idosos e crianças.
FAIXA DE ACESSO FAIXA DE SERVIÇOFAIXA LIVRE
5
LO_CALÇADAS_REV04.indd 5 11/11/14 19:18
 Calçadas Acessíveis, ABCP
A
B
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Princípios e 
parâmetros para 
projetos de calçadas.
Calçada em piso 
drenante respeitando 
as três faixas: 
de acesso, faixa livre 
e faixa de serviço. 
Blumenau, SC.
75Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
 ` ruas para Pedestres e ruas de lazer
Nas cidades bem pequenas, cidades do interior, ruas são ainda espaços de estar, 
espaço para jogar bola, jogar queimada, pintar amarelinha no asfalto, espaço de brincar. 
Nas cidades maiores isso só é possível nos bairros mais periféricos onde a circulação 
de carros é menor. Nos bairros mais centrais das cidades médias há trânsito, veículos 
circulando em alta velocidade e pedestres oprimidos no estreito espaço das calçadas.
Em ambas as escalas de cidades há o desejo pela ocupação do espaço público e a 
vontade de que a rua seja livre, seja para possibilitar a circulação de um grande número 
de pedestres com tranquilidade, para atrair consumidores para o comércio de rua ou 
para que seja possível exercitar a liberdade. 
Cavalcante, Goiás.
Li
vi
a 
R
ad
w
an
sk
y
Assim sugiram os calçadões e assim estão surgindo hoje as ruas de lazer, ou Ciclovias 
Recreativas (como são chamadas na América Latina), fechadas para os carros nos domingos 
e feriados. Em ambos os casos trata-se de demanda reprimida de espaço público. São ruas 
utilizadas na sua intensidade. É o cidadão retomando a cidade que um dia lhe foi roubada 
pelos carros, promovendo a inclusão, a interação social e a igualdade.
Princípios de projeto 
 • As ruas de pedestres são reservadas para uso exclusivo de pedestres e toda a 
circulaçãode automóveis motorizados é proibida, com exceção dos caminhões de 
entrega, que podem acessar a rua em horários pré-determinados, e dos veículos 
de emergência. 
76 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
 • Implantação de mobiliário urbano, pavimentação adequada e projeto de iluminação 
e paisagismo são elementos importantes para conferir atratividade às vias de 
pedestre e conforto e segurança aos seus usuários. 
 • A instalação de áreas de estar e descanso sombreadas juntamente à implementação 
de espaços de consumo, como quiosques ou elementos modulares ocupados por 
pequenos serviços, podem garantir a atratividade do lugar em diferentes horários 
do dia ou da noite e quando o comércio encontra-se fechado, impedindo que os 
calçadões se tornem lugares vazios e inseguros.
 • As áreas de transição entre os fluxos de pedestre e veículos motorizados devem 
receber tratamento de piso adequado, que sinalize a mudança de modais, bem 
como mudanças de nível ou instalação de componentes de segurança fixados ao 
solo, como os bastonetes e esferas de concreto. 
 • No caso de permitida a circulação de bicicletas, é importante que haja uma 
sinalização adequada para o compartilhamento ou o desenho de via segregada para 
o tráfego seguro, principalmente em áreas com grande circulação de pessoas, como 
os centros comerciais.
 • A pedestrianização total de vias de alto tráfego de pedestres, como áreas de compras 
e comércio específico pode reduzir significativamente o número de acidentes, 
atropelamentos e conflitos entre os diferentes modais.
 • As Ruas de Lazer não precisam receber infraestrutra específica para o uso sazonal, 
mas devem ser regradas por lei, decreto ou portaria, a fim de que sejam estabelecidas 
normas para a sua implementação e utilização. 
Área ocupada por 
mesas em rua de 
pedestres em Ilha 
Bela, SP.
A
B
C
P
77Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
 • Nas Ruas de Lazer, deve ser regrado o envolvimento das diferentes áreas da gestão 
pública na sua viabilização, como a responsabilidade da prefeitura no fornecimento 
dos materiais que sinalizam e bloqueiam as vias, a permissão para a realização 
de atividades culturais, artísticas e esportivas e a regulação sobre a utilização de 
aparelhos sonoros.
A
B
C
P
Mobiliário urbano 
e paisagismo em 
Rua de Pedestre na 
cidade de Jundiaí, SP.
 ` Minipraças
No Capítulo 3 falamos sobre as sobras de planejamento sem uso, como as áreas 
residuais do sistema viário, estacionamentos, rotatórias, canteiros, baixios de viaduto 
etc. São elementos que conferem fraqueza e ao mesmo tempo potencialidade ao 
espaço urbano, já que podem vir a ser novos espaços públicos.
As minipraças, ou pocketparks, instaladas nestes espaços residuais, podem qualificar 
a conversa voluntária que acontece nas esquinas e nas calçadas das pequenas e 
médias cidades, e ampliar as possibilidades de encontro e vivência da vida urbana. 
A simples instalação de um banco em um local protegido do tráfego de pedestres 
pode permitir um uso do espaço público que não aconteceria anteriormente. 
Identificar a potencialidade destes espaços é permitir uma reconfiguração da rua para 
novas sociabilidades.
Além do benefício que as minipraças podem trazer pelo uso, há também uma 
contribuição significativa para a paisagem urbana, em função da vegetação que pode 
ser implementada em áreas anteriormente ocupadas somente pelo asfalto.
78 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Princípios de Projeto
 • Minipraças podem ser instaladas em terrenos, em áreas livres nas calçadas ou mesmo 
sobre o asfalto, com ou sem elementos fixos de delimitação. 
 • Elementos que compõe a formação de minipraças: mobiliário urbano, iluminação, 
vegetação, paraciclos, nova formatação de pisos e comunicação visual.
 • Devem ser garantidas para as minipraças o uso essencialmente público, onde não 
aconteça a privatização do espaço através da comercialização de produtos, que 
pode acabar por selecionar o público e constranger ocupações espontâneas.
 • As minipraças podem ser permanentes ou temporárias, como espaços de 
experimentação. No caso de intervenções temporárias ou experimentais, devem 
ser contornadas por elementos balizadores que garantam a separação do sistema 
viário, impedindo a entrada de carros para proteção e segurança dos usuários.
 • Considerando ainda a instalação da minipraça como espaço temporário ou 
experimental, devem ser utilizados elementos baratos, leves e removíveis, porém 
resistentes às intempéries e que garantam segurança e conforto.
 • As minipraças podem ocupar vagas de estacionamento nas vias, ao molde dos 
parklets ou das vaga-vivas, cuja operacionalização precisa ser regulada e autorizada 
pelo poder público.
A start-up de projetos urbanos Urb-i tem mapeado transformações urbanas em várias 
cidades do mundo, e as minipraças aparecem em muitas cidades pequenas e médias no 
Brasil. Selecionamos a seguir algumas experiências que evidenciam a potencialidade de 
melhorias dos espaços urbanos com soluções simples e transformadoras.
Criação de 
minipraças em São 
Caetano do Sul, SP.
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rb
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79Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Criação de minipraças em 
Campos de Goytacazes, RJ.
Minipraças na Avenida 
da Lagoa em Balneário 
Camboriú 
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80 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
U
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O que desenha a cidade? 
O traçado das ruas? As calçadas? A arquitetura dos edifícios? A forma como os edifícios 
estão dispostos no lote? Ou o uso que se faz destes espaços?
Acreditamos que a resposta é uma conjunção de fatores, onde cada elemento da 
cidade colabora para que ela seja o que é. Neste contexto, depois de termos falado 
bastante sobre o desenho dos espaços públicos, vale uma menção à arquitetura como 
indutora dos usos coletivos na cidade, e a regulamentação urbanística atuando como 
protagonista neste processo.
Se os edifícios são monofuncionais teremos uma ociosidade de circulação de pessoas em 
algum momento do dia ou da noite. Áreas exclusivamente comerciais carecem de vitalidade 
urbana nos dias e horários que os comércios não funcionam, e nos bairros residenciais 
acontece o contrário. 
Por isso o uso misto é tão desejado nas cidades, já que permite um entra e sai 
constante de pessoas em vários momentos do dia, reforçando a sensação de segurança 
do pedestre, e ofertas de comércio e de serviços próximos às residências, fomentando o 
caminhar e reduzindo os deslocamentos por transportes motorizados. 
Quando edifícios residenciais possuem em seus térreos usos comerciais ou de serviços 
com acesso público, a cidade ganha o que chamamos de fachada Ativa, que faz com que 
o espaço público receba a atratividade dos usos que acontecem ali, trazendo conforto e 
segurança para todos.
Minipraças na Rua 
da Universidade, em 
Palhoça, SC.
arquitetura como indutora do uso coletivo5
81Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
Há ainda a fruição Pública, que permite uso público e a passagem de uma rua 
para outra através do térreo de um edifício, tal como as galerias comerciais de cen-
tros urbanos que integram duas ou mais ruas pelo seu interior. E se estes usos estão 
circundados por calçadas largas, que permitam a circulação de um maior número 
de pedestres, vem como a ampliação dos espaços de estar para fora dos lotes, 
ainda melhor.
Outra diretriz importante para regular o desenho urbano e o impacto das 
construções privadas no espaço público é regrar as metragens máximas permitidaspara muros contínuos. Grandes equipamentos ou condomínios residenciais que se 
fecham através de extensos muros, onde o uso do lote não se relaciona em nada 
com o espaço público, gera insegurança para o pedestre, impacto na paisagem e 
desestímulo à vitalidade urbana.
Fachada ativa, uso 
misto e calçadas 
largas com cobertura 
avançando sobre o 
passeio público em 
Blumenau, SC. 
A
B
C
P
82 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
EIXOS DE ESTRUTURAÇÃO DA TRANSFORMAÇÃO URBANA: QUALIFICAÇÃO URBANÍSTICACom objetivo de conferir qualidade urbana aos Eixos, foram definidos os seguintes parâmetros e incentivos urbanísticos:
Detalhe do Plano Diretor Estratégico do município de São Paulo (Lei 16.050 de 20 de julho de 2014).
Texto da Lei ilustrado.
Todos estes elementos podem ser incentivados pelo poder público através de uma 
regulamentação urbanística que ofereça vantagens para o empreendedor em aplicá-
los, tal como foi definido pelo Plano Diretor de São Paulo nos Eixos de Estruturação 
Urbana, que são as vias da cidade com prioridade para circulação de transporte coletivo 
83Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 4
EIXOS DE ESTRUTURAÇÃO DA TRANSFORMAÇÃO URBANA: QUALIFICAÇÃO URBANÍSTICA
FACHADA ATIVANão será computável até 50% da área do lote destinada ao uso não residencial, sendo necessário:
• Testada maior que 20m
• Construção no nível da rua, com acesso direto à calçada
FRUIÇÃO púBLICASerá gratuito 50% do potencial construtivo máximo relativo à área destinada à fruição pública: além disso, o cálculo do potencial construtivo será em função da área original do lote, sendo necessário:
• Área destinada à fruição pública de, no mínimo, 250m2
• Área localizada junto ao alinhamento viário, no nível da calçada e permanentemente aberta
CALÇADAS LARgASComo contrapartida à doação de área para ampliar calçadas, o recuo de frente será dispensado; o potencial construtivo será calculado em função da área original; e não será cobrada outorga onerosa correspondente à área doada, sendo necessário:
• Mínimo de 5m nas calçadas dos lotes com frente para os Eixos de Estruturação
• Mínimo de 3m no restante da 
área de influência
USO MISTOA área destinada ao uso não residencial, até o limite de 20% da área construída computável total do empreendimento, não será considerada computável.
e densificação populacional. São regras e incentivos urbanísticos que podem se 
adaptar a diferentes escalas de cidades: pequenas, médias ou cidades metropolitanas, 
reformuladas de acordo com a demanda de cada cidade.
84 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
85Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
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Pr
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Acervo ABCP
86 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
1.1 MapeaMento Coletivo: olhares e prátiCas da 
 juventude perifériCa
 • Mapeamento Coletivo: “Olhares e práticas da juventude periférica”, 2016 Registro 
por Aluízio Marino, gestor cultural e educador social, SP
processos participativos1
Mapeamento Coletivo é uma forma de processo 
participativo que promove o reconhecimento de 
problemas complexos expressos no território e 
de alternativas para sua resolução. Através dele 
é possível mapear ações e atores “invisíveis”, ao 
mesmo tempo que se configura como alternativa 
às práticas tradicionais de participação. Ou 
seja, uma possibilidade concreta para superar o 
desconhecimento do poder público e a desmotivação 
com os formatos tradicionais de participação 
(assembleias, conselhos, fóruns, entre outros).
Existem diversos formatos de mapeamento 
coletivo possíveis, o mínimo necessário é:
A
lu
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 M
ar
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Mapeamento 
Coletivo “Olhares e 
práticas da juventude 
periférica”, facilitado 
por Aluízio Marino 
em SP, 2016.
 • um suporte (folhas em branco, mapas impressos, painéis) 
 • material para intervenção (canetas, post-its, ícones, adesivos). 
Assim é possível realizar mapas afetivos, linhas do tempo, painéis, entre outros formatos. 
Aqui não exploramos tais formatos em detalhes, pois já existem manuais que dão conta 
dessa necessidade. Nosso foco é compreender como o mapeamento coletivo pode ser 
útil em processos participativos voltados à reconfiguração de espaços públicos a partir 
da perspectiva das juventudes. Nesse sentido apontamos abaixo alguns pressupostos 
para o desenvolvimento de mapeamentos que de fato cumpram tal característica:
 • Garantir a autonomia dos sujeitos no processo de mapeamento. Desde que 
respeitadas as premissas dos direitos humanos, é preciso assimilar as opiniões 
críticas e até mesmo garantir espaço para agendas mais progressistas.
 • Estabelecer uma relação transparente, onde fique claro quais os ganhos / riscos 
envolvidos no processo de mapeamento e quais os desdobramentos posteriores. 
Bem como garantir o acesso às informações públicas (dados demográficos, 
geoespaciais, socioeconômicos, entre outros) que possam subsidiar a experiência.
 • Compreender a centralidade no PROCESSO de mapeamento. O ato de mapear é 
mais importante do que resultado final, pois é durante o percurso do mapeamento 
que se estabelecem trocas de saberes e a construção de conhecimentos coletivos.
 • Realizar o processo de mapeamento em espaços públicos, especialmente aqueles 
que as juventudes já ocupam, para assim identificar potenciais e possíveis conflitos. 
Outra possibilidade é desenvolver tais experiências em equipamentos públicos, em 
especial nas escolas e centros culturais, para compreender o papel desses “serviços” 
no território em que estão inseridos.
87Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
 • Envolver os próprios coletivos no processo de concepção e na mediação da 
experiência. Essa é a forma mais eficiente de garantir que linguagem do mapeamento 
esteja próxima ao público alvo.
 • Compreender a diversidade existente nas juventudes e com isso as diferentes formas 
de abordagem a cada grupo. Por exemplo: jovens organizados em coletivos tendem 
a assimilar de forma mais rápida a importância de processos de mapeamento, já 
jovens que não participam de movimentos necessitam de uma sensibilização anterior.
Um exemplo concreto de mapeamento coletivo nos moldes apresentados acima é a 
cartografia “Olhares e práticas da juventude periférica”, facilitada em 2016. Participaram 
do processo aproximadamente 150 jovens, todos eles atuavam como monitores em 
equipamentos culturais ou articuladores do programa juventude viva em seus territórios 
de origem, a maioria também participava de coletivos culturais independentes.
A atividade iniciou com uma provocação que instigou os jovens a compreender a noção 
de território como “espaço socialmente construído” e a dimensão política inerente aos 
mapas (para além de uma mera representação, o mapa é um instrumento de poder). 
A partir disso ficou claro o potencial que existe em se apropriar dessas ferramentas 
cartográficas em suas ações locais, fossem individuais ou coletivas. O objetivo principal 
do mapeamento era reconhecer os olhares e práticas desses jovens e, ao mesmo tempo, 
compartilhar uma ferramenta para que pudessem posteriormente utilizar de forma 
autônoma, garantindo assim a multiplicação desses conhecimentos.
Após a provocação iniciou-se a dinâmica de mapeamento coletivo. O suporte escolhido 
foi um mapa da cidade de São Paulo dividido em distritos e com a indicação dos 
equipamentos culturais existentes, o que possibilitou uma primeira leitura cartográfica: 
a má distribuição desses espaços na cidade, concentrados no centro e insuficientes nasperiferias. 
Após a leitura inicial do mapa os jovens foram incentivados a intervir utilizando post-its, 
respeitando três categorias pré definidas por cores: 
Outra indicação aos participantes era que a posição do post-it no mapa estivesse 
relacionada com seu território de atuação.
Como resultado final o mapa traz um diagnóstico interessante, algumas questões que 
são importantes destacar: (i) a grande quantidade de post-its amarelos que mapeiam 
coletivos, ocupações e ações desenvolvidas pelas juventudes; (ii) a distribuição geográfica 
dessas intervenções pelas regiões periféricas, o que indica uma possibilidade concreta 
de articulação territorial dos coletivos juvenis com o poder público; e (iii) o levantamento 
de problemas e caminhos possíveis (post-is rosas e azuis) envolve diferentes áreas da 
política pública, o que mostra o olhar amplo e crítico das juventudes: para além da cultura, 
observamos questões relativas ao lazer, esporte, saúde, educação, mobilidade, questão 
indígena, genocídio da juventude periférica, entre outros.
“problemas e desafios existentes”
“o que já estamos fazendo para interferir nessa realidade”
“caminhos possíveis para sua resolução”
88 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
O mapa é portanto uma prova de que os olhares e práticas das juventudes trazem 
elementos importantes para (re)pensarmos a cidade. Além disso, o resultado final mostra 
o envolvimento dos participantes e assim indica um meio possível para estabelecer 
diálogos entre as juventudes e o poder público. É claro que o mapa por si só não 
resolve as problemáticas levantadas na experiência, entretanto ele amplia a leitura sobre 
vulnerabilidades e práticas sociais existentes.
Nesse sentido, podemos dizer que práticas de mapeamento coletivo contribuem para a 
ampliação da participação social e, consequentemente, da democracia, algo fundamental 
nos dias de hoje, marcados pelo crescimento do discurso intolerante e descrédito do 
sistema de representação política.
A
lu
íz
io
 M
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in
o
Mapa coletivo 
produzido no 
Mapeamento 
Coletivo: “Olhares e 
práticas da juventude 
periférica”.
89Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
1.2 esCola popular de planejaMento da Cidade, foz do iguaçu – pr
A Escola Popular de Planejamento da cidade é composta pelo projeto de extensão da 
UNILA – Reestruturação Urbana e Social da Fronteira e do Observatório de Remoções, 
uma rede de pesquisa composta pelas Universidades UNILA, FAU USP e UFABC (UNILA, 
FAU USP, UFABC). Na Escola se integram pesquisadores, técnicos, professores e 
lideranças locais das comunidades. O projeto enuncia o objetivo da ampliação do debate 
em torno das questões de direitos humanos com foco no direito à moradia e à cidade em 
comunidades com contextos de vulnerabilidade a remoções forçadas. 
É importante destacar a experiência para exemplificar atuações que são 
essencialmente processuais, e não propriamente de resultados projetuais, no qual 
as discussões sobre o espaço urbano e a cidade são feitas a partir da partilha entre 
pessoas técnicas e comunidade. 
Equipe : Escola Popular de Planejamento da Cidade (UNILA) / Observatório de Remoções (UNILA, FAU 
USP, UFABC) 
Contexto: Desenvolvimento da Escola Popular de Planejamento da Cidade na Ocupação Bubas 
Localização: Comunidade Bubas, Foz do Iguaçu-PR
População: município com 256.088 habitantes (IBGE 2010) , Comunidade Bubas com mais de 700 famílias. 
Ano de desenvolvimento do projeto: 2015 – 2017 em atuação.
Mapa da Comunidade Bubas em 2015, desenvolvido pela EPPC
Fonte: https://paisagensperifericas.files.wordpress.com/2015/11/6.jpg
90 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
A Escola Popular iniciou suas atividades em Foz do Iguaçu em 2015, com equipe coordenada pela 
professora Cecília Angileli, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, com a comunidade 
Bubas. A metodologia adotada pelo processo foi encontros na comunidade, a partir de Grupos de 
Pesquisa e Ação para temas específicos relacionados aos impactos dos grandes projetos urbanos na 
região. A proposta foi a sistematização dos dados em mapas, informativos e repertório de possibilidades 
para as comunidades. 
Fonte: https://paisagensperifericas.wordpress.com/escola-popular-da-cidade/rede-colaborativa
rede Colaborativa da eppC
Encontro e Atividade da EPPC
Fonte: paisagensperifericas.wordpress.com
EP
PC
91Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
EP
PC
A Comunidade Bubas se iniciou com um movimento organizado em 2013 na área sul 
da cidade de Foz do Iguaçu. Ela é composta atualmente por mais de 700 famílias. No 
início das atividades estava em curso um processo de remoção das famílias da área do 
terreno, que culminou na negativa da reintegração de posse, e no início de um processo 
preparatório da comunidade e de sua associação para a regularização fundiária plena.
Até o momento foram feitos 15 encontros, onde foram desenvolvidas atividades de 
mapeamento coletivo da ocupação que são usados hoje para diversas finalidades, mapas 
sensoriais, nomeação de ruas e numeração das casas, assembleia com Defensoria Pública que 
acompanha o caso, registro de histórias orais e personagens da comunidade, mobilização 
coletiva frente ao processo jurídico de ação possessória, entre outras atividades. 
Rua da Comunidade Bubas
Fonte: paisagensperifericas.wordpress.com
EP
PC
Encontro para confecção de 
placas com nomes das ruas
Fonte: paisagensperifericas.
wordpress.com
92 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
o que tem de especial neste programa?
1. Espaço público como educação popular
A atuação da Escola Popular e seus integrantes e colaboradores fomentou a discussão 
e uso dos espaços coletivos e de acesso público na ocupação. Os encontros e atividades 
se tornaram lugar de troca de saberes e organização comunitária. Os espaços públicos, 
sua construção e seu debate se tornaram instrumento e também suporte para processos 
de organização comunitária e popular. A comunidade hoje é uma referência na cidade e 
região para outras organizações populares e comunitárias e também movimentos sociais. 
Encontro e 
Atividade da EPPC
Fonte: 
paisagensperifericas.
wordpress.com
Encontro e 
Atividade da EPPC
Fonte: 
paisagensperifericas.
wordpress.com
EP
PC
EP
PC
93Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Encontro e 
Atividade da EPPC
Fonte: 
paisagensperifericas.
wordpress.com
2. Atuação profissional e assessoria onde não se tem acesso à 
arquitetura e urbanismos formais
O trabalho de equipes de estudantes, pesquisadores e profissionais em áreas 
de atuação fora do que se compreende como formais amplia as possibilidades de 
atuação destes profissionais e expande a compreensão da cidade como um direito. 
A compreensão da construção dos espaços públicos como processo, e sobretudo 
processo coletivo, amplia a possibilidade de atuação e de ações efetivas para a 
melhoria da vida das comunidades, para além do projeto técnico destes espaços. Esta 
atuação em cidades médias e pequenas possui grande potencial de resultados, já que 
as relações sociais são mais aproximadas e com menor velocidade nas disputas pelos 
espaços urbanos. 
Esta atuação está amparada e fomentada pela Lei de Assistência Técnica Pública 
em arquitetura e urbanismo. A Lei Federal nº 11.888 assegura às famílias com renda 
inferior a 3 salários mínimos a assistência técnica pública e gratuita de profissionais 
de engenharia e arquitetura e urbanismo. Esta lei prevê o apoio financeiro das 
esferas governamentais paraa implementação de programas e convênios. Por falta 
de regulamentação e políticas públicas para a assessoria técnica, esta lei ainda existe 
apenas no papel. Atuações como as deste exemplo são importantes para que mais 
profissionais se interessem por estas frentes de trabalho e para que municipalidades 
visibilizem a necessidade de políticas públicas que implementem a assessoria como um 
direito, para que nossos espaços públicos periféricos sejam qualificados e base para 
melhoria da vida e o bem viver das comunidades. 
3. Espaço produzido pela comunidade como cidade reconhecida 
A experiência da Escola Popular reconhece a construção dos espaços informais. O uso 
dos espaços e as relações de vizinhança, bem como os conhecimentos de construção são 
incorporados como saberes partilhados, ainda com o intuito de melhorias onde existe a 
precariedade. Isto incentiva que a sociedade comece a reconhecer as tecnologias sociais 
como integrantes e participantes 
da construção dos espaços 
públicos, e não apenas como 
conhecimento de equipe técnica. 
Isto amplia a compreensão dos 
espaços urbanos como territórios 
e espaços de identidades.
EP
PC
94 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
2.1 prograMa Calçada segura 
São José dos Campos. SP
programas2
A
B
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Calçada em São José dos Campos.
Autoria: Prefeitura Municipal de São José dos Campos
Apoio técnico: ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland
Localização: São José dos Campos, Vale do Paraíba, SP.
População: 636.876 habitantes. 
Criação do programa: 2007
Regulamentação: 2010
Premiações: Prêmio Ações Inclusivas, Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2011
 Prêmio Mario Covas, Governo do Estado de São Paulo, 2013 
 (uma das 10 melhores experiências de gestão municipal inovadora do estado)
O programa Calçada segura começou a ser implantado na cidade de São José dos 
Campos em 2007 e foi transformado em lei, denominada Lei da Calçada, nº 8077, em 
2010. Foi iniciado nos bairros centrais para depois abranger o restante da cidade. 
Umas das estratégias iniciais do projeto foi contratar funcionários idosos para a coleta 
de informações sobre a situação das calçadas de moradores e comerciantes, a fim de 
aumentar a receptividade para o programa. A meta ainda é cadastrar a situação de todas 
as calçadas do município.
Em paralelo a prefeitura revisou a legislação e produziu material de divulgação e 
informação sobre o programa. Foram produzidas uma cartilha sobre a Lei da Calçada, 
a 8077/2010, que contém os principais itens do programa e esclarecimentos técnicos, e 
um Manual de Execução com orientações técnicas sobre a execução dos três tipos de 
sistemas construtivos definidos pela lei.
95Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Nas áreas centrais, o piso proposto em lei foi o intertravado de concreto, pelas 
vantagens proporcionadas por suas características de acordo com a cartilha: facilidade 
de instalação, de retirada para pequenos reparos, de reposição com reaproveitamento 
das peças, pelo fato de ter junta seca, que permite o escoamento das águas da chuva; 
por oferecer diversas cores, formatos e espessuras; e por ser antiderrapante, permeável 
e de fácil limpeza.
A legislação também estabeleceu tipos de faixas (de serviços, livre e de acesso), com 
a largura mínima de cada uma delas e os tipos de materiais para cada faixa, por perí-
metro/setor.
As 7 etapas do programa:
1. Legislação
2. Parcerias
3. Formação de mão de obra
4. Ação educativa
5. Orientação técnica
6. Execução
7. Fiscalização
Os três tipos de pisos definidos foram:
 • pavimento intertravado de concreto
 • placas pré-moldadas de concreto
 • piso cimentado com junta seca. 
A cidade foi dividida em duas grandes áreas: 
1. Setor Central (AI) e Corredores (25% da cidade)
2. Setor Geral (75% restantes) 
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Relação dos materiais permitidos nas calçadas
materiais a serem UtiLiZaDOs nas caLçaDas De acOrDO cOm O mapa De perímetrOs – anexO i
perímetrOs
faixas largura mínima das faixas
serviços livre acesso serviços livre acesso
setOres 
centrais e 
cOrreDOres
Pavimento tipo 
Intertravado 
(na cor vermelha 
ou terracota) 
ou Grama
Placa de concreto 
ou Pavimento tipo 
Intertravado, ambos 
na cor natural
Pavimento tipo 
Intertravado 
(diferente da 
cor natural) 
ou Grama
0,70m 1,20m 0,10m
geraL
Cimentado com junta 
seca, Pavimento tipo 
Intertravado, 
ou Grama
Cimentado com 
junta seca, Piso 
Intertravado, placa de 
concreto ou concreto 
estampado
Cimentado 
com junta 
seca, Piso 
Intertravado 
ou Grama
0,70m 1,20m 0,10m
96 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
prinCipais açÕes do prograMa
 • Tratamento de esquinas e calçadas comerciais, com definição de parâmetros para 
colocação de mobiliário e objetos. 
 • Especificação da exigência de inclinação de acordo com a da rua, em calçadas 
situadas em ruas inclinadas. 
 • Exigência da calçada executada segundo a Lei da Calçada para liberação do Habite-se. 
 • Possibilidade de empreendimentos privados realizarem obras de regularização das 
calçadas, de acordo com a regulamentação do programa, como contrapartida.
 • Planejamento sobre quais ruas receberão pavimentação para se enquadrarem nas 
regras do programa.
 • Orientação às concessionárias de saneamento, energia e telefonia, para que façam 
e refaçam as calçadas nos padrões determinados na lei
 • Fornecimento de assistência técnica aos moradores.
 • Remoção de muitos dos obstáculos existentes anteriormente.
 • Criação de 16 microempresas especializadas no assentamento dos pisos a partir do 
curso de capacitação técnica do programa.
 • Implementação de projetos complementares como o Programa Travessia Segura.
o que tem de especial neste programa?
1. Formação
A formação é uma etapa fundamental, e capacitar todos os envolvidos no processo 
permite que as atividades aconteçam com o mínimo de imprevistos. 
PROFISSIONAIS E REPRESENTANTES DA PREFEITURA: Coordenadores, técnicos, 
fiscais, e secretários das pastas envolvidas foram colocados a par de todo o projeto e da 
forma como ele deve ser conduzido, evitando mal-entendidos. 
AGENTES COMUNITÁRIOS: Receberam treinamento de 960 horas onde aprenderam 
sobre a nova Lei, como abordar os moradores, identificar os problemas e soluções mais 
comuns para as calçadas e como preencher os formulários de dados. 
CALCETEIROS: Mais de 200 profissionais foram formados para a construção de calçadas 
dentro do novo padrão, dos quais cerca de 50 aceitaram divulgar os serviços em uma 
listagem de profissionais habilitados, disponibilizada para todos os cidadãos através de 
um número de telefone que dá Informações de Serviços de Calceteiros. Este número é 
divulgado através dos agentes comunitários.
Agentes comunitários do 
Programa Calçada Segura – SJC
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e 
M
o
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97Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
2. Ação educativa
Esta etapa pode ser o diferencial que garante o sucesso do Programa. Ela vem antes de 
qualquer punição, fiscalização ou exigência, pois é um canal facilitador e integrador entre 
administração e população. As ações educativas são feitas através de: 
 • CAMPANHAS: Foram duas campanhas no intervalo de um ano contendo vídeos 
explicativos, comerciais de TV, informações no site da prefeitura e um telefone 
especial para tratar do assunto. 
 • AGENTES COMUNITÁRIOS: Os agentes percorrem a cidade, casa a casa, com o 
objetivo de orientar os moradores para que entendam exatamenteos motivos e 
os benefícios que as mudanças irão trazer e também mapeiam a cidade através de 
questionários e formulários, coletando informações sobre bairros, ruas e casos que 
exigiriam soluções especiais. 
A escolha dos 15 agentes comunitários, todos da terceira idade, foi muito importante 
nesta etapa. Com isso, o Programa Calçada Segura não só promoveu a reintegração dos 
idosos ao mercado de trabalho, como conseguiu agentes que gozam de respeito em 
todos os lares, e sabem como poucos as dificuldades que uma calçada mal projetada 
pode oferecer. 
3. orientação técnica
Ao identificar um problema mais complexo (como degraus exagerados, árvores 
obstruindo a passagem na calçada ou topografia complexa), os agentes comunitários 
instruem o munícipe a entrar em contato com um técnico da prefeitura solicitando 
uma visita. Nesta visita, ele dará a orientação mais adequada de execução da calçada, 
explicando como proceder para que a calçada do seu imóvel fique em conformidade 
com a nova legislação. Em todas as ações é imprescindível a atuação e interesse 
do munícipe. 
O agente comunitário, ao identificar problemas mais complexos, encaminha o caso 
para os técnicos através do Formulário de Visita, deste modo, assim que acionados 
pelo morador, os técnicos já estarão preparados para orientar o munícipe e acionar 
outras secretarias, se necessário. Durante a visita, os técnicos preenchem um segundo 
formulário, de visita técnica, onde são registrados os dados do imóvel e as condições 
físicas da calçada formando, ao longo do tempo, um banco de dados com a situação de 
cada calçada. 
4. Execução
Feitas as visitas, orientações e avisos, é chegada a hora dos moradores fazerem sua 
parte. Neste momento, os recursos para mão de obra, materiais e serviços precisam estar 
à disposição para garantir que a cidade esteja preparada para absorver a demanda que 
será criada. 
A administração municipal deve sempre ser o exemplo, ou seja, as obras (executadas 
por ela) devem também ocorrer em imóveis oficiais, escolas, praças e espaços públicos 
prioritariamente. 
98 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
5. Mão de obra
A solução encontrada para disponibilizar a mão de obra já qualificada foi a 
divulgação do número telefônico de Informações de Serviços de Calceteiros, além da 
entrada de empresas especializadas na concorrência, oferecendo mais alternativas. 
Cada morador é responsável por negociar preço e prazo diretamente com a empresa 
ou o calceteiro contratado. 
6. Fiscalização
Por fim, e apenas como última instância, os fiscais entram em cena para garantir o 
cumprimento total da lei. O processo de notificação e multa, no entanto, não é massificado, 
mas sim pontual, a começar pelos casos principais e críticos. O mercado precisa, também, 
de tempo para absorver as demandas e conseguir executar as obras, algo que seria 
inviável com centenas de notificações ao mesmo tempo. A Prefeitura criou, também, uma 
nova forma de realizar essa tarefa, através de uma “Fiscalização Inteligente”. O próprio 
morador incentiva a adequação da calçada do seu vizinho através do exemplo. Com isso, 
permite-se que outros moradores em situação semelhante possam corrigir suas calçadas 
a tempo. Não se trata, portanto, de uma ação punitiva, mas sim exemplar. Na etapa de 
fiscalização utiliza-se o Formulário de notificação. Esse é o formulário que cada Prefeitura 
já utiliza para autuar irregularidades.
2.2 prograMas de inCentivo à Mobilidade a pé e 
 ao uso dos espaços públiCos pelas Crianças
Diversas organizações no Brasil têm se empenhado em trazer o debate sobre mobilidade 
urbana e ocupação dos espaços públicos através do olhar das crianças, considerando 
sobretudo a problemática situação de crianças que crescem fechados nos apartamentos 
e se locomovem somente de carro. 
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Si
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Criança soltando 
pipa na praça da 
catedral de Maningá, 
PR.
99Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Este fato não é característica exclusiva das cidades grandes mas também das cidades 
médias, que já possuem no seu cotidiano as restrições de mobilidade e de uso dos 
espaços públicos, e das cidades pequenas, cujos espaços públicos foram se degradando 
em função da opção pelos espaços de lazer privados. O que estes grupos têm buscado é 
resgatar a vivência urbana típica dos pequenos territórios que se perdeu no processo de 
urbanização e crescimento das cidades e também nos hábitos de morar.
Acredita-se que ao escutar as crianças e compreender a forma como elas exploram o 
mundo é possível propor ações reais de intervenção nas cidades que garantam espaços 
públicos para práticas lúdicas e sociais visando uma ocupação mais democrática dos 
espaços públicos, desmitificando a leitura sobre o perigo de andar nas calçadas e 
brincar livremente. 
É preciso construir coletivamente ideais de uma cidade melhor para que a população 
se aproprie dela. Ao invés de olhar a cidade da janela do carro, a criança passará a 
cuidar dela, no simples exercício de ir a pé para a escola ou para o parque.
Com base nestes princípios, iniciativas como a Red oCara têm colocado a criançada na 
rua e proposto experimentações e atividades lúdicas com o objetivo de estimular o uso 
dos espaços públicos por adultos e crianças, proporcionar autonomia e segurança para 
os pequenos e subsidiar transformações.
red ocara
www.redocara.com
Em Tupi, a palavra “ocara” denomina o centro de uma aldeia indígena – ou simplesmente 
uma praça. Derivado de “oca”. 
A Red OCara é uma rede latino-americana de experiências e projetos sobre cidade, 
arte, arquitetura e espaço público nos quais participam crianças. Tem como objetivo 
compartilhar trabalhos realizados em circunstâncias urbanas e sociais semelhantes, para 
programar atividades e encontros de intercâmbio de experiências com um foco em 
comum: a relação das crianças com as cidades.
A rede foi fundada em 2013 pela arquiteta e urbanista espanhola Irene Quintáns. 
O interesse pelo tema surgiu do acompanhamento da arquiteta em projetos de 
reurbanização de favela onde percebeu que 85% das crianças faziam o trajeto casa-escola 
a pé, e então implementou o projeto Caminho Escolar de Paraisópolis. Diferentemente 
dos projetos semelhantes na Espanha, no Brasil isso acontecia na periferia. 
Nasceu então a rede OCara como um portal online com o objetivo de compilar 
experiências bem sucedidas da participação infantil no espaço público das cidades 
latino-americanas.
Hoje, a Red OCARA articula de 80 experiências de 13 países, funcionando como um 
laboratório urbano que tem a atuação propositiva das crianças. A seguir, algumas das 
experiências registradas na plataforma:
100 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
brasil
piauí – brasil
br25_Caminho da Escola - bicicletas escolares_FNDE
desde 2011
O FNDE (Fundo Nacional Desenvolvimento da Educação) promove 
desde o ano 2011 a compra de bicicletas escolares pelos órgãos 
administrativos do Brasil (municípios, estados, DF) a través do 
programa Caminho da Escola.
Chegar à escola ou ao ponto do ônibus escolar é um sacrifício 
para muitos alunos brasileiros. Boa parte deles precisa acordar 
ainda de madrugada e percorrer quilômetros a pé, já que muitos 
caminhos nas áreas rurais e até mesmo urbanas são intransitáveis para veículos automotores. Mas agora, estados, 
municípios e o Distrito Federal já podem alterar esse quadro e facilitar a vida de seus estudantes. Para isso, basta 
aderir ao registro de preços promovido pelo FNDE para a compra de bicicletas escolares de aros 20 e 26, por meio do 
programa Caminho da Escola."A bicicleta vai servir para estudantes que moram em localidades onde os veículos rodoviários não chegam, tanto nas 
áreas rurais quanto nas urbanas", afirma o coordenador geral de transporte escolar do FNDE, José Maria Rodrigues 
de Souza. "Além disso, tem impacto zero sobre o meio ambiente e ainda vai ajudar os estudantes a terem uma 
atividade física saudável". Segundo ele, a bicicleta escolar tem especificações que lhe garantem resistência maior que 
a das bicicletas comuns, como o quadro reforçado.
 
Protótipos da bicicleta escolar já foram testados nas cinco regiões do país e receberam avaliações altamente positivas por 
parte dos alunos e de seus pais.
br16_Programa Pedala Piauí_Estado de Piauí
2013-14
O programa Pedala Piauí do Governo do Estado do Piauí é executado 
pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) para os alunos das 
redes estadual e municipal de ensino e tem como objetivo de facilitar 
o acesso ao ensino e incentivar a prática de atividades saudáveis.
 
Desde o ano 2013 até agora, o Governo do Estado já entregou 39.255 
bicicletas a estudantes de escolas públicas através do Programa 
Estadual Pedala Piauí, para serem distribuídas aos estudantes do 
estado que moram a uma distância de até quatro quilômetros da escola onde estudam. Um total de 70 mil bicicletas 
foram adquiridas por meio de licitação, através da Secretaria Estadual da Educação e Cultura, para serem distribuídas 
entre as crianças da rede pública municipal e estadual, a um custo de R$24,5 milhões ao todo.
Alguns depoimentos sobre o Programa:
“Essas bicicletas fazem parte de uma política educacional adotada pelo governo do estado. Nosso objetivo é oferecer 
mais qualidade e segurança para os nossos alunos no percurso de casa para a escola e garantir que todos tenham 
acesso à Educação”, afirma o secretário da Educação.
Para o governador a bicicleta representa um novo ciclo na vida dos estudantes e ajuda a evitar a evasão escolar. 
“Quem já morou na zona rural sabe da dificuldade que é ir para uma escola, de tentar ser alguém na vida. Por isso, 
estamos encurtando esses caminhos, dando condições totais para o estudante que mora longe ou que mora perto de 
ter uma carreira profissional, um ensino de qualidade”, diz.
A mãe de um dos alunos beneficiados fala: "Fico muito emocionada pelo meu filho ter recebido uma bicicleta, pois 
ele vinha a pé para a escola e, como moramos longe, era muito ruim para ele, que caminhava muito tempo com uma 
mochila pesada nas costas".
101Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
santa rita, paraíba – brasileira
pindamonhangaba, sp – brasil
br09_Projeto Agroquintais - Agroecologia na 
Escola_Pindamonhangaba
Desde 2009
Projeto Agroquintais é uma ação que se destina a realizar 
oficinas de plantio e manejo agroecológicos semanais em 
escolas públicas do municipio de Pindamonhangaba.
 
Além de as crianças entrarem contato com a atividade 
de plantio de diferentes tipos de hortaliças (incluindo as 
PANCS- Plantas Alimentícias Não Convencionais) o projeto 
visa também construir correlações entre as disciplinas 
escolares e a agroecología, assim como sensibilizar as 
crianças para atitudes de cidadania ao cuidar de si através 
da alimentação e do meio ambiente, quando cuidam do 
solo e manejam ecologicamente os plantios.
br04_Zona Escolar Modelo no trânsito_ 
santa rita, Paraíba
Novembro 2011 - Abril 2013
Devido à grande concentração de crianças e adolescentes 
frequentemente expostos a veículos e aos riscos que estes 
representam para as crianças e adolescentes em torno 
das escolas, esta iniciativa se concentrará na segurança 
dos pedestres na área ao redor de escolas de ensino 
fundamental, que será chamada de zona escolar.
Frequentemente, a zona escolar inclui as ruas junto à escola e, 
geralmente, a área de um ou dois quarteirões em torno dela. 
“Uma zona escolar devidamente planejada com medidas para diminuir o trânsito irá “lembrar os motoristas de tratar a área 
com cuidado e atenção especiais”.
 
O objetivo do projeto é melhorar a segurança dos pedestres ao redor de escolas através de avaliações e ações na 
sala de aula, como também execução de diferentes intervenções, com foco em melhorias permanentes no ambiente 
e na infraestrutura tendo como exemplo: CONSTRUÇÃO DE CALÇADAS, IMPLANTAÇÃO DE FAIXA DE PEDESTRES, 
SINALIZAÇÃO HORIZONTAL E VERTICAL E CAMPANHA PERMANENTE COM A COMUNIDADE, além avaliações 
de segurança dos pedestres realizadas por voluntários ou profissionais de segurança no trânsito, os alunos também 
participarão da avaliação utilizando a metodologia PHOTOVOICE* 
 
O projeto também tem como objetivo, demonstrar que o Projeto Zona Escolar Modelo no Trânsito pode ser eficaz no 
combate a violência no trânsito envolvendo crianças e adolescentes.
 
A meta é reduzir em 25% o número de mortes por acidentes com crianças e adolescentes de 0 à 14 anos até 2015.
 
A ONG ETEV realiza um importante trabalho através da promoção de palestras, seminários, ações e intervenções, 
difundindo a educação para o trânsito.
102 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
paraisópolis, sp – brasil
br02_Caminho Escolar do 
Paraisópolis_são Paulo
2011-13
O Caminho Escolar do Paraisópolis 
representa a primeira iniciativa 
brasileira para as áreas escolares se 
tornarem mais seguras nos bairros mais 
vulneráveis. 
O objetivo principal é o de inculcar um 
sentido de respeito e de apropriação 
do espaço público para os membros 
da comunidade escolar, melhorar a 
segurança viária e garantir o direito das 
crianças a cidade.
A Secretaria de Habitação (SEHAB) da Prefeitura do Município de São Paulo decidiu desenvolver um 
Projeto Piloto de Caminho Escolar, junto com a obra de urbanização que se implanta desde 2006 na 
segunda maior favela da cidade (70.000 habitantes).
 
Seus objetivos são:
 
- Incentivar autonomia do estudante no seu caminho de casa-escola, garantindo o direito das crianças 
a cidade.
- Promover uma atitude positiva e de respeito pelo espaço público como um espaço de 
aprendizagem.
- Conscientizar a comunidade de Paraisópolis sobre a necessidade de gerar e manter condições que 
garantam a segurança e a convivência no trajeto da comunidade escolar.
- Desenvolver novas experiências educativas relacionadas com o uso e manutenção dos espaços 
públicos, tanto dentro das salas de aula (incluindo os professores) como no entorno da escola (com o 
apoio da equipe de urbanização e dos moradores).
- Melhoraras condições de infraestrutura civil e de trânsito nos trajetos mais utilizados pela 
comunidade escolar.
• Prêmio Mobilidade Minuto – Instituto Cidade em Movimento (IVM). Categoria “Qualidade do 
Espaço Urbano” · Novembro 2014 (São Paulo). Matéria: http://goo.gl/zjHA1J
 
• O projeto foi finalista dos prêmios City to City Barcelona FAD Award 2012. 
 
• Foi apresentado no XII Congresso das Cidades Educadoras · Abril 2012 (Coréia do Sul). 
 
• Apresentado no IX Congreso de Transporte Sustentable · Outubro 2013 (México DF) 
 
• Apresentado no 7º Congresso Brasileiro de Direito Urbanístico · Novembro 2013 (São Paulo) 
 
• Publicado em Política Municipal de Habitação: uma construção coletiva, Secretaria de 
Habitação, São Paulo, 2012 (suporte DVD)
103Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
espaços públicos no planejamento das Cidades3
Remediar problemas exige esforço e investimentos, muitas vezes altos. Uma cidade que 
cresce sem planejamento e não incorpora no seu uso do solo áreas verdes de uso livre e 
preservação ambiental terá muita dificuldade para fazê-los depois. O alto preço da terra 
urbana e as disputas pelas áreas públicase privadas não são simples de serem resolvidos, 
o que nos mostra a importância do planejamento para a qualificação futura da vida urbana.
Daremos o exemplo de duas cidades médias do Paraná: Londrina e Maringá, que 
incorporaram no início do processo de crescimento urbano e populacional diretrizes e 
regulações fundamentais para a reserva de áreas públicas e para a preservação ambiental. 
Que nos sirvam de exemplo para ainda preservar o espaço natural existente e ter como 
prioridade a reserva de áreas livres, voltadas para o lazer da população.
3.1 londrina dos fundos de vale
Ciclovia na rua Prof. 
Joaquim de Matos 
Barreto, que circunda 
o Lago Igapó 2, no 
encontro com o 
Córrego Água Fresca, 
em Londrina, Pr.
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“Promulgada pelo prefeito Milton Ribeiro de Menezes, no ano de 1951, a Lei 133 teve 
consultoria do ex-prefeito de São Paulo, Francisco Prestes Maia. A Lei estabelece as 
primeiras regulamentações sobre os loteamentos e urbanização do município quando 
Londrina encontrava-se no auge de um ciclo de crescimento, sob a égide da economia 
cafeeira. É a capital mundial do café experimentando seu breve, porém intenso período 
de desenvolvimento por conta do ouro verde.”
É da forma como está transcrita acima que o Instituto de Pesquisa e Planejamento 
Urbano de Londrina, o IPPUL, apresenta a Lei 130 de 1951 no seu registro de Leis Históricas 
da cidade. Essa lei é a responsável pela preservação dos fundos de vale existentes 
no perímetro urbano. E são esses fundos de vale, abertos, amplamente acessíveis e 
preservados, os grandes responsáveis pela qualidade de vida que a cidade tem hoje. 
Pela regulamentação, que posteriormente foi incorporada pelas leis de Usos e 
Ocupação do Solo e pelos Planos Diretores, o loteador é obrigado a regularizar vias 
marginais ao longo dos cursos d’água. “Os arruamentos marginais objetivavam garantir a 
preservação dos fundos de vale com vistas ao escoamento das águas pluviais, de modo a 
não prejudicar as populações lindeiras na prevenção de enchentes, ou mesmo não coibir 
o acesso da população a estes espaços” (Vecchiatti, 2016).
104 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Mapa da cidade 
de Londrina com 
destaque para os 
fundos de vale 
e áreas verdes 
preservados.
Rua Raja Gabaglia 
que circunda o fundo 
de vale do Córrego 
Água Fresca, em 
Londrina.
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A aplicação da Lei 133 é, portanto, responsável pela configuração da paisagem da 
cidade de Londrina, que possui até hoje a maioria dos seus fundos de vale preservados, 
e de uso público, conforme mostra o mapa do parques e fundos de vale, elaborado 
pelo IPPUL.
105Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Foto área de trecho da malha urbana de Londrina recortada pelos fundos de vale preservados.
Implantação dos condomínios fechados que margeiam os fundos de vale do Ribeirão Esperança e Ribeirão do Cafezal em Londrina.
Google Earth
Google Earth
Há contudo, desde a década de 1990, uma ameaça ao uso público destas áreas. 
As concessões de usos das áreas livres de uso público são práticas para áreas de 
condomínios fechados, que incorporaram nos seus limites privados áreas de fundo de 
vale, sobretudo dos Ribeirões Esperança e Cafezal, localizados no vetor sudoeste da 
cidade. Na foto aérea a seguir é possível identificar os limites dos condomínios junto 
aos fundos de vale, preservados, porém privatizados.
106 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
3.2 Maringá dos espaços livres
Maringá é uma cidade verde. Esse é o primeiro impacto que se tem quando adentramos 
a cidade. Há árvores frondosas para todo lado e praças, muitas praças.
Praça da Catedral em Maringá.
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107Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
O plano original de Maringá apresenta uma importante reserva de áreas públicas para 
uso livre: bosques, praças, largas calçadas e amplos canteiros centrais. Estes espaços 
foram estruturadores da forma urbana da cidade, e receberam posteriormente um 
detalhado plano de arborização.
Além de uma rede se praças significativas, o plano original da cidade reservou 
duas grandes áreas livres, o Parque dos Pioneiros e o Parque do Ingá, juntamente aos 
córregos Cleópatra e Moscados, e também o Horto Florestal, localizado no extremo 
Oeste do Plano.
Esquema de composição da 
estrutura urbana dos espaços 
livres públicos no plano piloto 
de Maringá. 
Mapa dos espaços 
livres de Maningá.
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O crescimento urbano acompanhou o plano original e deu continuidade a rede de 
espaços públicos, já mais esparsa que o projeto inicial, mas ainda respeitando seus 
princípios. Hoje, são ao total 102 praças encontradas no perímetro urbano.
Gonçalves, 2015
108 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
A quantidade de espaços públicos livres espalhados pela cidade só foi possível graças 
ao planejamento inicial da cidade, e as sucessivas gestões da administração pública que 
mantiveram a integralidade desses espaços. 
É importante observar, contudo, que boas práticas também carregam desafios. Há uma 
responsabilidade inerente a este planejamento, que é a manutenção destes espaços, 
muitos em estado precário e com pouco atratividade para seus usuários. São desafios de 
gestão que cabe uma releitura das prioridades do município e de uma reformulação dos 
processos envolvidos.
Tal como Londrina, Maringá também mantém seus fundos de vale preservados, a 
quem denomina de corredores ecológicos, mas em sua maioria apresentam acesso 
restrito e não são equipados para o uso da população. Aqui cabe observar como 
uma boa prática, que é a preservação dos fundos de vale, pode não ser plenamente 
beneficiada pela população.
Os corredores ecológicos, incluindo os dois grandes parques (Pioneiros e Ingá) são 
grandes áreas verdes, porém cercadas, o que faz com que a população não tenha um 
benefício imediato da proximidade com essas áreas, próximas e abundantes, porém 
inacessíveis. Cabe à gestão municipal ampliar o olhar para a potencialidade de seus 
espaços públicos e incorporá-los generosamente à vida cotidiana de seus cidadãos, tal 
como o plano piloto da cidade um dia almejou.
Delimitação do Parque Ingá, isolado da cidade pelo gradil metálico Google Earth
109Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Autoria: Instituto Pólis para Consórcio INSTITUTO PÓLIS/DEMACAMP/OFICINA 
Contratação: Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR) 
Contexto: integra a sexta etapa dos Estudos Urbanísticos do Projeto Sistema Viário 
Oeste (SVO), que compreendem a “Realização de estudos urbanísticos e a elaboração, 
com participação social, dos instrumentos de Política Urbana essenciais e estratégicos 
relacionados ao desenvolvimento socioeconômico da macroárea de influência da ponte/
Sistema Viário Oeste” 
Localização: Bom Despacho, Município de Itaparica-BA
População: município com 20.725 habitantes (IBGE 2010) Ano de desenvolvimento do 
projeto: 2016
4.1 plano urbanístiCo de boM despaCho, itapariCa - ba, 
e plano urbanístiCo de Mar grande, vera Cruz - ba
planos e projetos4
O projeto para Bom Despacho e Mar Grande decorrem da necessidade de planificar 
as áreas a serem impactadas com a futura Ponte Salvador – Itaparica (SV0) . Resulta da 
realização de estudos urbanísticos participativos sob o objetivo do desenvolvimento 
socioeconômico da macroárea de influência da Ponte, coordenado pelaequipe técnica 
do Instituto Pólis.
O processo de desenvolvimento dos Estudos Preliminares de Projeto Urbano para as 
localidades de Bom Despacho e Mar Grande finalizam com respectivos planos de uso e 
ocupação do solo, diretrizes gerais para uma nova urbanização, assim como estudo de 
volumes, cheios e vazios, representados por perspectivas e plantas.
Para resultar nos Estudos Preliminares, foram desenvolvidas as etapas:
 • Parte 1 – caracterização do território da Ilha de Itaparica, dos conceitos adotados e 
do processo de elaboração do PLUR;
 • Parte 2 – apresenta as Áreas de Desenvolvimento Prioritários de Itaparica e seus 
respectivos Planos Urbanísticos e
 • Parte 3 – apresenta o Estudo Preliminar de Projeto Urbano da ADP de Bom Despacho. 
No Caderno Técnico de Estudo Preliminar, a equipe responsável salienta o processo 
participativo amplo de planejamento das localidades e da Ilha, de maneira integrada e 
simultânea. Diante da impossibilidade de efetiva implantação dos Projetos Urbanos, pela 
falta de recursos ou estrutura da gestão municipal, o processo em sí foi relevante na 
medida em que as visões e anseios foram projetados e debatidos. 
Neste processo participativo, foram indicadas para elaboração do Estudo Preliminar 
de Projeto Urbano as localidades de Bom Despacho, em Itaparica, e Mar Grande, em 
Vera Cruz, a partir de critérios de prioridade e relevância dentro de um contexto de 
desenvolvimento para cada município. 
110 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Diretrizes para recuperação ambiental:
1. Recuperação de áreas alagáveis e composição de parque urbano ao longo dos riachos que cortam a ADP;
2. Atendimento às normas de preservação ambiental.
3. Recuperação da faixa de praia.
Diretrizes para requalificação urbana:
1. Dotar de infraestrutura adequada os novos empreendimentos, mitigando os impactos causados pela sua instalação.
2. Privilegiar empreendimentos que agreguem valor e busquem absorver a mão de obra local.
3. Valorização dos marcos locais. (culturais e de paisagem)
4. Criar parcelamentos que implantem áreas verdes e equipamentos públicos
Diretrizes para urbanização de áreas precárias:
5. Remoção e reassentamento só deverão ser utilizados em casos extremos (risco, adensamento excessivo e fragili-
dade ambiental extrema)
6. Realização de cadastramento para organização da demanda habitacional
7. Diagnóstico de áreas e alternativas para realocação e reassentamentos das famílias no perímetro da mesma ADP
8. Requalificação do sistema viário local
9. Atendimento à população residente em áreas sujeitas a fatores de risco, insalubridade ou degradação ambiental
10. Apoio à regularização fundiária
11. A pavimentação será admitida somente de forma conjugada à soluções de abastecimento de água, esgotamen-
tos sanitário e drenagem pluvial
Diretrizes para novas urbanizações:
1. Elaboração de Plano Mestre propondo novos parâmetros urbanísticos, desde que respeitando o gabarito na faixa de 
orla, taxas de permeabilidade estabelecidas no zoneamento e proibição a condomínios fechados de grande porte;
2. Priorização de projetos urbanos que valorizem os atributos ambientais existentes na área;
3. Fixação de gabarito máximo garantindo não cortinamento da faixa de orla, de modo que os novos empreendi-
mentos não poderão fechar o acesso visual e físico ao mar;
4. Compatibilização dos fluxos rodoviários e urbanos no trecho inicial da BA 001;
5. Reestruturação viária para conexões dos novos empreendimentos obedecendo às diretrizes do PDDU;
6. Estruturação de sistema cicloviário que compreenda o território da ADP;
7. Promoção de empreendimentos que favoreçam a integração de novos usos do terminal;
8. Requalificação do Terminal considerando-o como elemento relevante na dinamização da ADP impulsionando out-
ros usos;
9. Reorganização do terminal para sua otimização e utilização de espaço ocioso para alocação de grandes equipa-
mentos de entretenimento articulados com sistema de transporte hidroviário e rodoviário;
10. Instalação de equipamento de porte metropolitano na região no limite dos municípios;
11. Instalação prioritária de equipamentos de maior porte no corredor viário da BA 001
12. Valorização dos marcos simbólicos, tais como a Igreja de Bom Despacho, Chaminé, a Sumaúma
 ` Plano urbanístico (Plur) de bom Despacho
Bom Despacho é uma centralidade com comércio e serviços como principal atividade econômica e de 
maior importância na Ilha. O acesso por ferry-boat ligando a Salvador, ou ônibus, com linhas intermunicipais 
para as demais cidades do Recôncavo são fatores determinantes para esta dinâmica.
A proposta redesenha os espaços púbicos existentes, com um destaque para a Igreja Nossa Senhora do Bom 
Despacho como referência simbólica para o desenho dos espaços do entorno. O projeto reconecta visualmente 
a igreja com a praia e o mar e também com a chaminé, remanescente das primeiras ocupações da Ilha. Insere-se 
na proposta um centro comercial acessível a partir dos eixos viários e ao lado do terminal de ônibus. 
Como diretrizes do projeto foram adotadas:
111Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
plur bom despacho – diretrizes para a proposta:
Fonte: Instituto Pólis, Caderno PLUR Itaparica http://polis.org.br/publicacoes/plano-urbanistico-de-bom-despacho-itaparica-ba
Fonte: Instituto Pólis
Centralidade de Bom 
Despacho
Fonte: Imagem 
do Google Stret 
View, acessada em 
novembro de 2017
plur bom despacho – ocupação urbana
plur bom despacho – perspectiva da proposta, bom despacho
112 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
plano urbanístico (plur) de vera Cruz - estudo preliminar de projeto urbano 
projeto: instituto pólis
plur vera Cruz – ocupação urbana
Fonte: Instituto Pólis, Caderno PLUR Vera Cruz, pág. 75
file:///C:/Users/Patricia/Downloads/Caderno-PLUR_VERACRUZ_R18.pdf
PLUR Vera Cruz – Ocupação Urbana
Fonte: Instituto Pólis, Caderno PLUR Vera Cruz, pág. 75
file:///C:/Users/Patricia/Downloads/Caderno-PLUR_VERACRUZ_R18.pdf
113Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
plur vera Cruz – Mar grande, vista atual da área de acesso pelo ferry boat
plur vera Cruz – perspectiva da proposta, Mar grande
Fonte: Imagem do Street View, acessada em novembro de 2017.
Fonte: Instituto Pólis
plur vera Cruz – Mar grande, perspectiva para o novo terminal de lanchas.
Fonte: Fonte: Instituto Pólis
file:///C:/Users/Patricia/Downloads/Caderno-PLUR_VERACRUZ_R18.pdf
114 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
4.2 vida urbana para Cidade pequena – desenho urbano 
para itatiba do sul-rs
O município de Itatiba do Sul fica no interior oeste do Estado do Rio Grande do Sul, 
com 3 944 hab. (est. IBGE/2016). É uma localidade situada nas regiões de colina próximas 
a Santa Catarina. A pequena cidade foi objeto de estudo e proposta do Trabalho Final de 
Graduação em Arquitetura e Urbanismo na UFPel da então aluna Luana Detoni, em 2013, 
na sob a orientação da Prof. Ana Paula Neto de Faria. O trabalho propõe um desenho 
urbano para a centralidade de Itatiba do Sul, tendo como principais premissas a atividade 
recorrente da caminhada para atividade física, a rua como lugar de encontro para adultos 
e de brincadeiras para as crianças. 
qual a relevância do projeto?
O projeto tem a capacidade de deslocar os pensamentos sobre o urbano e a 
urbanização para um contexto específico, se adequando às formas de morar da pequena 
localidade. Valoriza aspectos da cultura local e respeita desenhos e elementos pré-
existentes, tomando ainda a responsabilidade de resesenhar para a melhoria da vida da 
comunidade e seu bem viver. É um projeto acadêmico,com alto grau de aplicabilidade e 
capacidade reflexiva.
quais as características do projeto?
O projeto teve como principais eixos norteadores:
 • caráter do lugar – onde este é considerado a manifestação do habitar humano 
(Schulz)
 • caminhabilidade – o caminhar foi tomado como instrumento estético que pode 
modificar e também descrever os espaços, escrita e leitura dos espaços que pode 
ser uma ferramenta crítica.
 • interação social – o contato das pessoas nas ruas e nos espaços públicos foi tomado 
como pequena mudança capaz de florescer a vida pública. 
 • arte do saber fazer – as pessoas e as suas atividades são considerados elementos 
tão importantes quanto os aspectos físicos. 
Autoria: Luana Detoni
Orientação: Ana Paula Neto de Faria
Contexto: Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade 
Federal de Pelotas
Localização: Itatiba do Sul- RS
População: município com 3.944 habitantes (IBGE est. 2016) 
Ano de desenvolvimento do projeto: 2013
115Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
Itatiba do Sul-RS, 
Vista Aérea 
Fonte: www.
itatibadosul-rs.com.br
Itatiba do Sul-RS, 
Vista Aérea 
Fonte: www.
itatibadosul-rs.com.br
Itatiba do Sul-RS, 
vista dos bairros 
e da paisagem 
circundante.
Lu
an
a 
D
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01
3
116 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
O projeto proposto prevê a adequação de espaços de acordo com suas atuais 
apropriações e usos. Assim, foram propostos os desenhos de espaços públicos a criação 
de percursos de caminhada em três tipos de circuitos, a melhoria e adequação da 
rua comercial aos pedestres, a adequação de ruas categorizadas como ruas jardim, o 
redesenho do largo da igreja, o redesenho da praça de entrada da cidade, a criação da 
trilha ambiental e do parque natural.
Proposta Geral - 
implantação
Fonte: Detoni, Luana. 
Vida Urbana para 
Cidade Pequena – 
Desenho Urbano para 
Itatiba do Sul-RS. 
Trabalho de Conclusão 
de Curso – Arquitetura 
e Urbanismo – UFPel, 
2013
117Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
adequação à caminhada
O primeiro circuito é o de menor extensão e de 
menor declividade, onde está a rua comercial da 
cidade. este circuito tem mais caráter funcional e 
é um lugar mais denso de pessoas que se dirigem 
para a cidade, seja para acessar equipamentos ou 
para participar da vida social. 
O segundo circuito se dá ao redor dos dois 
morros que estão no centro da cidade. Marcam uma 
experiência mais diversa e já possui declividade 
levemente acentuada. 
O terceiro circuito é o maior deles e de maior 
dificuldade, circundando a cidade e experimentando 
suas topografias acentuadas e com predominância 
das ruas jardim.
Proposta de circuitos de caminhada
Fonte: Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade 
Pequena – Desenho Urbano para Itatiba do 
Sul-RS. Trabalho de Conclusão de Curso – 
Arquitetura e Urbanismo – UFPel, 201
rua comercial para pedestres, caminhabilidade
O projeto propõe a rua comercial com a calçada esquerda ampla, com 
estacionamentos em baias reduzidas, arborização intensa e travessias seguras. 
Rua Comercial - Planta
Fonte: Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade Pequena – Desenho Urbano para Itatiba do Sul-RS. 
Trabalho de Conclusão de Curso – Arquitetura e Urbanismo – UFPel, 201
118 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
rua jardins, valorizando o saber fazer
As ruas tipo jardins propostas são aquelas que valorizam espaços de vegetação ao longo 
das calçadas e ruas, bem como destaca as práticas de cultivo de plantas comestíveis, 
medicinais e ornamentais nos quintais e recuos, como identidades dos modos de morar e 
se relacionar com o território. São implantadas chicanas com áreas permeáveis e cultiváveis 
ao longo da rua, diminuindo a velocidade de veículos e aumentando as características de 
jardins. A proposta enuncia a valorização dos encontros e cadeiras nas ruas, do mate e 
das conversas de vizinhança.
Rua Comercial - Cortes
Fonte: Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade Pequena – Desenho Urbano para Itatiba do Sul-RS. Trabalho de Conclusão de 
Curso – Arquitetura e Urbanismo – UFPel, 201
Rua Jardim - Planta
Fonte: Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade Pequena – Desenho Urbano para Itatiba do Sul-RS. Trabalho de Conclusão de Curso – Arquitetura 
e Urbanismo – UFPel, 201
119Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
largo da Matriz
As edificações religiosas ocupam um 
papel importante como marco e referência 
de centralidades nas pequenas e médias 
cidades. A proposta valoriza os espaços do 
entorno da igreja como espaços de encontro 
de fluxos, passagem e permanência. Na 
proposta a topografia é trabalhada em 
terraços, para viabilizar sua utilização livre, 
e a arborização marca e delimita os espaços 
valorizando cones visuais. 
Largo da Matriz - Corte
Fonte: Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade Pequena – Desenho Urbano 
para Itatiba do Sul-RS. Trabalho de Conclusão de Curso – Arquitetura e 
Urbanismo – UFPel, 201
Largo da Matriz - 
Planta
Fonte: Detoni, 
Luana. Vida Urbana 
para Cidade 
Pequena – Desenho 
Urbano para Itatiba 
do Sul-RS. Trabalho 
de Conclusão de 
Curso – Arquitetura 
e Urbanismo – 
UFPel, 201
Vista das Colinas 
centrais, Parque 
Natural, antes e 
depois
Fonte: Detoni, 
Luana. Vida Urbana 
para Cidade 
Pequena – Desenho 
Urbano para Itatiba 
do Sul-RS. Trabalho 
de Conclusão de 
Curso – Arquitetura 
e Urbanismo – 
UFPel, 2013
parques naturais
A cidade se desenvolveu no entorno de duas colinas em sequência, marcando sua 
identidade e orientando sua ocupação. O projeto desenha as colinas como parques 
naturais, com trilhas e acessos para mirante. Propõe a regeneração da vegetação para 
cobrir toda a sua superfície. 
120 Espaços Públicos – Leitura Urbana e Metodologia de Projeto – Capítulo 5
ABCP, Obras Brasileiras com pisos intertravados de concreto. ABCP, São Paulo, 2015.
Detoni, Luana. Vida Urbana para Cidade Pequena – Desenho Urbano para Itatiba do Sul-RS. 
Trabalho de Conclusão de Curso – Arquitetura e Urbanismo – UFPel, 2013
GATTI, Simone Ferreira. Espaços Públicos, Diagnóstico e metodologia de projeto. São 
Paulo, ABCP, 2013.
GONÇALVES, Isabela Bombo. AO PÚBLICO O QUE É PÚBLICO:
UMA INTERVENÇÃO NOS ESPAÇOS LIVRES DO EIXO CENTRAL DE MARINGÁ. Trabalho 
de graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual 
de Maringá. Maringá, 2015.
VECCHIATTI, Simone de Oliveira Fernandes. AFETAR, RESERVAR E DESAFETAR: 
A TRANSFORMAÇÃO DOS ESPAÇOS LIVRES DE USO PÚBLICO – O CASO DE
LONDRINA – PR. Trabalho de graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da 
Universidade Estadual de Londrina. Londrina, 2016.
Welle, Ben; LIU, Qingnan; LI, Zei; Adriazola-Steil, Claudia; KING, Robin; SARMIENTO, Claudio 
e OBELHEIRO, Marta.O DESENHO DE CIDADES SEGURAS: Diretrizes e Exemplos para 
Promover a Segurança Viária a partir do Desenho Urbano. WORLD RESOURCES INSTITUTE.
sites Consultados:
www.polis.org.br
www.gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br 
www.urb-i.com 
www.solucoesparacidades.org.br 
www.redocara.com
www.comoanda.org.br
www.paisagensperifericas.wordpress.com
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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